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Numero do processo: 35301.003300/2006-34
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Aug 07 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/05/1996 a 30/06/2004
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS - TRIBUTOS SUJEITOS AO LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO - LANÇAMENTO QUE ENVOLVE APENAS A CONTRIBUIÇÃO A CARGO DA EMPRESA INCIDENTE SOBRE REMUNERAÇÕES PAGAS OU CREDITADAS A TRABALHADORES AVULSOS - DECADÊNCIA.
As contribuições previdenciárias são tributos sujeitos ao regime do denominado lançamento por homologação, sendo que, na visão deste julgador, exceto para as hipóteses de dolo, fraude ou simulação, o prazo decadencial para a constituição de créditos tributários é de cinco anos contados do fato gerador, que ocorre em cada competência. Ultrapassado esse lapso temporal, sem a expedição de lançamento de ofício, opera-se a decadência, a atividade exercida pelo contribuinte está tacitamente homologada e o crédito tributário extinto, nos termos do artigo 150, § 4° e do artigo 156, inciso V, ambos do CTN.
Contudo, por força do artigo 62-A do RICARF, este Colegiado deve reproduzir a decisão proferida pelo Egrégio STJ nos autos do REsp n° 973.733/SC, ou seja, “O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) conta-se do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito.”
No caso, relativamente ao período em apreço, a autuada efetuou recolhimentos de outras contribuições previdenciárias a cargo da empresa, previstas no artigo 22 da Lei n° 8.212/91, sendo que a notificação fiscal de lançamento de débito envolve apenas o tributo incidente sobre a remuneração paga a trabalhadores avulsos que prestaram serviços médicos a seus empregados e beneficiários, inexistindo acusação pela fiscalização de dolo, fraude ou simulação.
Lançamento atingido pela decadência quanto aos fatos geradores ocorridos até a competência 11/1999, inclusive.
PARECER AGU/SRG N° 01/2008 AUSÊNCIA DE APROVAÇÃO PELA PRESIDÊNCIA DA REPÚBLICA INEXISTÊNCIA DE EFEITO VINCULANTE PERANTE A ADMINISTRAÇÃO FEDERAL.
Nos termos do § 1°, do artigo 40, da Lei Complementar n° 73/93, apenas os pareceres do Advogado-Geral da União devidamente aprovados pela Presidência da República vinculam a Administração Federal. Para estes casos, aplica-se a regra do artigo 18, inciso XX, do Anexo II, do Regimento Interno do CARF. Considerando que o Parecer AGU/SRG n° 01/2008 não teve aprovação presidencial, inexiste o efeito vinculante.
Com relação ao mérito, embora a posição da maioria do Colegiado a quo tenha sido no sentido da improcedência do lançamento, manteve-se a exigência exclusivamente em função do caráter vinculante do Parecer AGU/SRG n° 01/2008. Afastada tal premissa, adotada de forma equivocada, deve prevalecer a conclusão inicial, ou seja, a notificação fiscal de lançamento de débito é improcedente.
Recurso especial da Fazenda Nacional negado e do contribuinte provido.
Numero da decisão: 9202-002.246
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar
provimento ao recurso da Fazenda Nacional. Vencido o Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos. Por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso do Contribuinte.
Nome do relator: GONCALO BONET ALLAGE
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/05/1996 a 30/06/2004 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS - TRIBUTOS SUJEITOS AO LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO - LANÇAMENTO QUE ENVOLVE APENAS A CONTRIBUIÇÃO A CARGO DA EMPRESA INCIDENTE SOBRE REMUNERAÇÕES PAGAS OU CREDITADAS A TRABALHADORES AVULSOS - DECADÊNCIA. As contribuições previdenciárias são tributos sujeitos ao regime do denominado lançamento por homologação, sendo que, na visão deste julgador, exceto para as hipóteses de dolo, fraude ou simulação, o prazo decadencial para a constituição de créditos tributários é de cinco anos contados do fato gerador, que ocorre em cada competência. Ultrapassado esse lapso temporal, sem a expedição de lançamento de ofício, opera-se a decadência, a atividade exercida pelo contribuinte está tacitamente homologada e o crédito tributário extinto, nos termos do artigo 150, § 4° e do artigo 156, inciso V, ambos do CTN. Contudo, por força do artigo 62-A do RICARF, este Colegiado deve reproduzir a decisão proferida pelo Egrégio STJ nos autos do REsp n° 973.733/SC, ou seja, “O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) conta-se do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito.” No caso, relativamente ao período em apreço, a autuada efetuou recolhimentos de outras contribuições previdenciárias a cargo da empresa, previstas no artigo 22 da Lei n° 8.212/91, sendo que a notificação fiscal de lançamento de débito envolve apenas o tributo incidente sobre a remuneração paga a trabalhadores avulsos que prestaram serviços médicos a seus empregados e beneficiários, inexistindo acusação pela fiscalização de dolo, fraude ou simulação. Lançamento atingido pela decadência quanto aos fatos geradores ocorridos até a competência 11/1999, inclusive. PARECER AGU/SRG N° 01/2008 AUSÊNCIA DE APROVAÇÃO PELA PRESIDÊNCIA DA REPÚBLICA INEXISTÊNCIA DE EFEITO VINCULANTE PERANTE A ADMINISTRAÇÃO FEDERAL. Nos termos do § 1°, do artigo 40, da Lei Complementar n° 73/93, apenas os pareceres do Advogado-Geral da União devidamente aprovados pela Presidência da República vinculam a Administração Federal. Para estes casos, aplica-se a regra do artigo 18, inciso XX, do Anexo II, do Regimento Interno do CARF. Considerando que o Parecer AGU/SRG n° 01/2008 não teve aprovação presidencial, inexiste o efeito vinculante. Com relação ao mérito, embora a posição da maioria do Colegiado a quo tenha sido no sentido da improcedência do lançamento, manteve-se a exigência exclusivamente em função do caráter vinculante do Parecer AGU/SRG n° 01/2008. Afastada tal premissa, adotada de forma equivocada, deve prevalecer a conclusão inicial, ou seja, a notificação fiscal de lançamento de débito é improcedente. Recurso especial da Fazenda Nacional negado e do contribuinte provido.
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ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/05/1996 a 30/06/2004 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS TRIBUTOS SUJEITOS AO LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO LANÇAMENTO QUE ENVOLVE APENAS A CONTRIBUIÇÃO A CARGO DA EMPRESA INCIDENTE SOBRE REMUNERAÇÕES PAGAS OU CREDITADAS A TRABALHADORES AVULSOS DECADÊNCIA. As contribuições previdenciárias são tributos sujeitos ao regime do denominado lançamento por homologação, sendo que, na visão deste julgador, exceto para as hipóteses de dolo, fraude ou simulação, o prazo decadencial para a constituição de créditos tributários é de cinco anos contados do fato gerador, que ocorre em cada competência. Ultrapassado esse lapso temporal, sem a expedição de lançamento de ofício, operase a decadência, a atividade exercida pelo contribuinte está tacitamente homologada e o crédito tributário extinto, nos termos do artigo 150, § 4° e do artigo 156, inciso V, ambos do CTN. Contudo, por força do artigo 62A do RICARF, este Colegiado deve reproduzir a decisão proferida pelo Egrégio STJ nos autos do REsp n° 973.733/SC, ou seja, “O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito.” No caso, relativamente ao período em apreço, a autuada efetuou recolhimentos de outras contribuições previdenciárias a cargo da empresa, previstas no artigo 22 da Lei n° 8.212/91, sendo que a notificação fiscal de lançamento de débito envolve apenas o tributo incidente sobre a remuneração paga a trabalhadores avulsos que prestaram serviços médicos a seus Fl. 1DF CARF MF Impresso em 13/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/09/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 17/08/2012 por GONCALO BONET ALLAGE Processo nº 35301.003300/200634 Acórdão n.º 920202.246 CSRFT2 Fl. 1.013 2 empregados e beneficiários, inexistindo acusação pela fiscalização de dolo, fraude ou simulação. Lançamento atingido pela decadência quanto aos fatos geradores ocorridos até a competência 11/1999, inclusive. PARECER AGU/SRG N° 01/2008 AUSÊNCIA DE APROVAÇÃO PELA PRESIDÊNCIA DA REPÚBLICA INEXISTÊNCIA DE EFEITO VINCULANTE PERANTE A ADMINISTRAÇÃO FEDERAL. Nos termos do § 1°, do artigo 40, da Lei Complementar n° 73/93, apenas os pareceres do AdvogadoGeral da União devidamente aprovados pela Presidência da República vinculam a Administração Federal. Para estes casos, aplicase a regra do artigo 18, inciso XX, do Anexo II, do Regimento Interno do CARF. Considerando que o Parecer AGU/SRG n° 01/2008 não teve aprovação presidencial, inexiste o efeito vinculante. Com relação ao mérito, embora a posição da maioria do Colegiado a quo tenha sido no sentido da improcedência do lançamento, mantevese a exigência exclusivamente em função do caráter vinculante do Parecer AGU/SRG n° 01/2008. Afastada tal premissa, adotada de forma equivocada, deve prevalecer a conclusão inicial, ou seja, a notificação fiscal de lançamento de débito é improcedente. Recurso especial da Fazenda Nacional negado e do contribuinte provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso da Fazenda Nacional. Vencido o Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos. Por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso do Contribuinte. (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente (Assinado digitalmente) Gonçalo Bonet Allage – Relator EDITADO EM: 14/08/2012 Fl. 2DF CARF MF Impresso em 13/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/09/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 17/08/2012 por GONCALO BONET ALLAGE Processo nº 35301.003300/200634 Acórdão n.º 920202.246 CSRFT2 Fl. 1.014 3 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Susy Gomes Hoffmann (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gonçalo Bonet Allage, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Pedro Anan Junior, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Relatório Em face de Petrobras Petróleo Brasileiro S.A., CNPJ n° 33.000.167/000101, foi lavrada a notificação fiscal de lançamento de débito n° 35.699.7006 (fls. 01459), para a exigência de contribuições previdenciárias incidentes sobre as remunerações pagas ou creditadas a segurados autônomos contribuintes individuais, pessoas físicas que prestaram serviços médicos a seus empregados e beneficiários, sem vínculo empregatício, relativamente a fatos ocorridos entre as competências 05/1996 e 06/2004. Considerouse como devedoras solidárias as empresas Petrobras Distribuidora S.A. BR, CNPJ n° 34.274.233/000102, Petrobras Gás S.A. Gaspetro, CNPJ n° 42.520.171/000191, Petrobras Transporte S.A. – Transpetro, CNPJ n° 02.709.449/000159 e Petrobras Química S.A. – Petroquisa, CNPJ n° 33.795.055/000194. A ciência do lançamento se deu em 15/12/2004 (fls. 01). A decisão de primeira instância manteve a autuação na íntegra (fls. 575581, Volume II). Por sua vez, a Sexta Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, apreciando o recurso voluntário interposto pela contribuinte, proferiu o acórdão n° 20601.284, que se encontra às fls. 773797 (Volume III), cuja ementa é a seguinte: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/05/1996 a 30/06/2004 PROGRAMA DE ASSISTÊNCIA MULTIDISCIPLINAR DE SAÚDE. SISTEMA DE AUTOGESTÃO. SERVIÇOS PRESTADOS POR PESSOAS FÍSICAS. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. INCIDÊNCIA. AUTÔNOMOS E CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. Devidas as contribuições previdenciárias incidentes sobre os pagamentos efetuados pelos serviços médicos prestados por profissionais autônomos aos segurados empregados e beneficiários do Programa de Assistência Multidisciplinar de SaúdeAMS, com esteio nos preceitos inscritos no Parecer AGU/SRG01/2008. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. PRAZO QUINQUENAL. O prazo decadencial para a constituição dos créditos previdenciários é de 05 (cinco) anos, contados da data da ocorrência do fato gerador do tributo, nos termos do artigo 150, § 4° do Código Tributário Nacional, tendo Fl. 3DF CARF MF Impresso em 13/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/09/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 17/08/2012 por GONCALO BONET ALLAGE Processo nº 35301.003300/200634 Acórdão n.º 920202.246 CSRFT2 Fl. 1.015 4 em vista a declaração da inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei n° 8.212/91, pelo Supremo Tribunal Federal, nos autos dos RE's n°s 556664, 559882 e 560626, oportunidade em que fora aprovada Súmula Vinculante n° 08, disciplinando a matéria. Recurso Voluntário Provido em Parte. Eis o resultado do julgamento, conforme anotação contida no acórdão (fls. 774, Volume III): ACORDAM os Membros da SEXTA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, I) por unanimidade de votos em acolher a preliminar de decadência, para excluir do lançamento as contribuições incidentes sobre os fatos geradores ocorridos até a competência 11/98; II) por maioria de votos em declarar a decadência das contribuições incidentes sobre os fatos geradores ocorridos até a competência 11/99. Vencidas as conselheiras Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Bernadete de Oliveira Barros e Ana Maria Bandeira, que votaram por reconhecer a decadência somente até 11/98; III) por maioria de votos, em rejeitar a preliminar de cerceamento de defesa suscitada. Vencidos os Conselheiros Rogério de Lellis Pinto e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira (Relator), que votaram por acolher a preliminar. IV) por unanimidade de votos, no mérito, em negar provimento ao recurso. Votaram pelas conclusões as conselheiras Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Bernadete de Oliveira Barros e Ana Maria Bandeira. Designado para redigir o voto vencedor, na parte referente ao cerceamento de defesa, o(a) Conselheiro(a) Ana Maria Bandeira. Apresentará declaração de voto a Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira. Portanto, quanto ao mérito, foi negado provimento ao recurso voluntário, por unanimidade de votos, sendo que as Conselheiras Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Bernadete de Oliveira Barros e Ana Maria Bandeira votaram pelas conclusões. Intimada do acórdão em 04/05/2009 (fls. 798), a Fazenda Nacional interpôs, com fundamento no artigo 7°, inciso I, do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n° 147/2007, recurso especial às fls. 802811 (Volume III), cujas razões podem ser assim sintetizadas: a) Tratase de lançamento das contribuições sociais devidas ao INSS pela notificada, correspondentes à parte da empresa, incidentes sobre as remunerações pagas ou creditadas aos segurados autônomos – contribuintes individuais, pessoas físicas que prestaram serviços médicos à notificada sem vínculo empregatício, em relação ao período de 05/1996 a 06/2004; b) Do acórdão recorrido, extraise que a declaração da decadência das contribuições apuradas de 12/1998 até 11/1999 ocorreu por maioria de votos, tendo sido vencidas três Conselheiras que votaram por declarar a decadência somente até a competência de 11/1998; Fl. 4DF CARF MF Impresso em 13/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/09/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 17/08/2012 por GONCALO BONET ALLAGE Processo nº 35301.003300/200634 Acórdão n.º 920202.246 CSRFT2 Fl. 1.016 5 c) Contudo, a conclusão estampada no aresto em foco, quanto à decadência, está a merecer reforma. Isto porque, ao declarar a decadência do direito ao lançamento da totalidade do período que menciona, o acórdão recorrido o fez com apoio na aplicação do disposto no art. 150, § 4°, do CTN, violando o disposto no artigo 173, I, do mesmo diploma legal, o qual deve ser aplicado nos casos em que, embora o tributo esteja sujeito à sistemática do lançamento por homologação, não haja qualquer antecipação de pagamento por parte do contribuinte; d) A aludida decisão também afronta as provas constantes dos autos, já que, em todo o conjunto probatório objeto do presente procedimento, não consta qualquer documento que comprove antecipação de pagamento parcial do tributo objeto do lançamento em questão; e) A decisão recorrida reconheceu que o prazo decadencial para o lançamento em questão regerseia pela sistemática prevista no § 4°, do art. 150 do Código Tributário Nacional, independentemente do fato de não ter havido antecipação de pagamento das contribuições em questão; f) É fácil concluir, portanto, que o acórdão recorrido aplicou o artigo 150, §4° do CTN mesmo não tendo sido comprovada a antecipação de pagamento parcial do tributo devido; g) Data maxima venia, os ensinamentos doutrinários e jurisprudenciais dominantes evidenciam a necessidade de reforma do aresto. Com efeito, o §4° do art. 150 do CTN explicita a modalidade de lançamento por homologação, segundo a qual o sujeito passivo apura o montante tributável e antecipa o pagamento; h) No caso, impende destacar que não se operou lançamento por homologação algum, afinal o contribuinte não antecipou o pagamento do tributo. É por conta disto que se procedeu ao lançamento de ofício da exação, na linha preconizada pelo art. 173, I, do CTN; i) O Col. Superior Tribunal de Justiça, ao interpretar a combinação entre os dispositivos do art. 150, §4° e 173, I, do CTN, entende que, não se verificando recolhimento de exação e montante a homologar, o prazo decadencial para o lançamento dos tributos sujeitos a lançamento por homologação segue a disciplina normativa do art. 173 do CTN; j) No caso em apreço, a decisão recorrida, mesmo diante da inexistência de comprovação de pagamento parcial do tributo, aplicou a regra constante do artigo 150, §4°, do CTN, contrariando o disposto no artigo 173, I, do mesmo diploma legal, bem como todo o conjunto probatório coligido aos autos, razão pela qual deve ser reformada na parte aqui tratada; k) Em face do exposto, requer seja conhecido e provido o presente recurso, para afastar a decretação de decadência dos tributos devidos no período de apuração compreendidos entre 12/1998 até 11/1999. Fl. 5DF CARF MF Impresso em 13/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/09/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 17/08/2012 por GONCALO BONET ALLAGE Processo nº 35301.003300/200634 Acórdão n.º 920202.246 CSRFT2 Fl. 1.017 6 Admitido o recurso por meio do despacho n° 2400186/2009 (fls. 813814), a contribuinte foi intimada e, devidamente representada, apresentou contrarrazões às fls. 898 911, onde defendeu, fundamentalmente, a necessidade de manutenção do acórdão recorrido quanto à decadência, inclusive porque “No período em questão, 12/1998 a 11/1999, houve recolhimento parcial do tributo lançado, conforme se pode verificar nas Guias do Fundo de Garantia e Informações a Previdência Social GFIP, onde constam informações de contribuições para Contribuintes Individuais, e Guias da Previdência Social GPS, que constam do sistema PLENUS/AGUTA/CONTACORRENTE da RFB.” (fls. 910). Simultaneamente, interpôs recurso especial às fls. 822855, acompanhado dos documentos de fls. 856897 (Volume III), no qual, além de procurar demonstrar a improcedência do lançamento com relação ao mérito, alegou, em síntese, que: 1. Os supostos fatos geradores da exação objeto do processo em referência são diversos pagamentos efetuados a pessoas físicas através de um programa denominado ASSISTÊNCIA MULTIDISCIPLINAR DE SAÚDE – AMS; 2. O i. Auditor Fiscal notificante entendeu que as pessoas físicas recebedoras desses pagamentos se caracterizavam como Contribuintes Individuais, e que, portanto, seriam devidas as Contribuições Sociais incidentes sobre os pagamentos efetuados; 3. Por ocasião da interposição do Recurso Voluntário demonstrouse que não incidem contribuições previdenciárias sobre os pagamentos efetuados a estas pessoas físicas, por ausência de vinculação do serviço prestado com a Empresa, em virtude de os atendimentos médicos serem realizados diretamente aos segurados empregados e seus dependentes, os quais escolhem, a critério próprio, o profissional para tal fim; 4. Em seu voto sobre o mérito, o Relator do Acórdão, Conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, concordou com as teses esposadas pela empresa, asseverando que o feito era insubsistente; 5. No entanto, em sua conclusão, pela existência do Parecer AGU/SRG n° 01/2008 a respeito do tema, levado ao conhecimento do Colegiado pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional PGFN, o i. Relator, em seu voto, Negou Provimento ao Recurso, no que foi seguido pelos demais Conselheiros, de forma unânime; 6. Desta forma, resta claro, que na decisão ratificada unanimemente, reconheceuse a insubsistência do feito, pelo fato das importâncias pagas não integrarem o salário de contribuição, no entanto, concluiuse pela Negativa de Provimento ao Recurso pela existência de Parecer Vinculativo da AGU; 7. Realmente os Pareceres da Advocacia Geral da União, obedecendo a determinados pressupostos, vinculam as decisões da Administração Pública Federal cujos órgãos e entidades ficam obrigados a lhe dar fiel cumprimento, conforme disposto nos artigos 40 e 41 da Lei Complementar n° 73/1993; 8. Pela inteligência do referido dispositivo, o Parecer da AGU para ter efeito vinculante sobre toda a Administração Pública Federal, necessita, como condição sine qua non, ter sido aprovado pelo Presidente da República, caso contrário o mesmo só vinculará as repartições interessadas no momento em que dele tenham ciência; Fl. 6DF CARF MF Impresso em 13/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/09/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 17/08/2012 por GONCALO BONET ALLAGE Processo nº 35301.003300/200634 Acórdão n.º 920202.246 CSRFT2 Fl. 1.018 7 9. O Parecer n° AGU/SRG01/2008, utilizado como fundamentação para vinculação da decisão do acórdão, ora em lide, foi emitido pela Advogada da União Conciliadora CCAF, em 25/04/2008, tendo sido aprovado pela Consultora da União Diretora, na mesma data, pelo ConsultorGeral da União, em 30/04/2008, e, finalmente, pelo Advogado Geral da União em 05/05/2008; 10. No entanto, o referido Parecer, nunca foi submetido a Presidência da República, não possuindo, por conseguinte, a necessária aprovação da mesma para exercer efeito vinculante sobre toda a Administração Pública Federal; 11. Desta forma, o mesmo só vincula as repartições interessadas no momento em que dele tenham ciência, ou seja, a Secretaria da Receita Federal do Brasil e o Banco Central do Brasil; 12. Demonstrada, portanto, a inaplicabilidade do referido Parecer na sustentação da decisão do acórdão em referência; 13. Ressaltese, mais uma vez, que a pretensa vinculação do Parecer citado foi o motivo da conclusão contrária a insubsistência do feito; 14. A decisão constante no acórdão 20601.284, contraria, também, decisões de outras câmaras (acórdãos nos 20501.197 e 20217.197), as quais colacionamos como paradigma para atendimento dos pressupostos de admissibilidade constantes no art. 67, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais; 15. Como se pode observar da leitura dos acórdãos colacionados anteriormente, está perfeitamente demonstrado a necessidade da aprovação por parte da Presidência da República, para os Pareceres da AGU se revestirem de caráter vinculante a toda Administração Pública Federal, sendo esta a divergência argüida com o Acórdão 206 01.284; 16. Por questão de legalidade e justiça se faz necessário retirarse da decisão do acórdão de referência, o elemento falsamente vinculador, restando no mesmo, a decisão alcançada anteriormente, através do exame do mérito, por parte do i. Conselheiro relator e acompanhada por seus pares, ou seja, a insubsistência do feito; 17. Requer seja reformado o acórdão recorrido, cumprindo a decisão obtida através da análise do mérito realizada pelo i. Conselheiro Relator, e ratificada pelos demais Conselheiros, declarando ao final a insubsistência do feito. O recurso especial do contribuinte também restou admitido (despacho n° 2400402, fls. 944945, Volume III), sob o fundamento de que “Mediante análise dos autos, vislumbro a divergência jurisprudencial apontada pela Recorrente, uma vez que o Relator do Voto cita a vinculação dos órgãos administrativos a Pareceres da AGU.” Em sede de contrarrazões apresentadas às fls. 948952 (Volume III), a Fazenda Nacional suscitou, preliminarmente, a impossibilidade de admissão do recurso especial ante a inexistência de divergência. Fl. 7DF CARF MF Impresso em 13/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/09/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 17/08/2012 por GONCALO BONET ALLAGE Processo nº 35301.003300/200634 Acórdão n.º 920202.246 CSRFT2 Fl. 1.019 8 Nesse ponto, argumentou que no voto vencedor do acórdão recorrido ficou explicitado que a procedência do lançamento não teve como único fundamento o Parecer da AGU, ressaltando que mesmo na inexistência do dito parecer o lançamento encontrase respaldado pela Lei n° 8.212/91 (fls. 797), sendo que o voto vencido é que entendia como vinculante o Parecer AGU/SRG 01/2008, e seus fundamentos não foram acatados na Sessão de Julgamento do Recurso Voluntário. Concluiu que não há a divergência apontada, pois foi negado provimento ao Recurso Voluntário com fundamento diverso ao referente à vinculação do Parecer da AGU. Quanto ao mérito, afirmou que os argumentos trazidos pela recorrente não estão abarcados pela divergência quanto à interpretação da lei tributária, não podendo ser objeto do recurso especial. É o Relatório. Fl. 8DF CARF MF Impresso em 13/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/09/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 17/08/2012 por GONCALO BONET ALLAGE Processo nº 35301.003300/200634 Acórdão n.º 920202.246 CSRFT2 Fl. 1.020 9 Voto Conselheiro Gonçalo Bonet Allage, Relator Os recursos especiais da Fazenda Nacional e da contribuinte cumprem os pressupostos de admissibilidade e devem ser conhecidos. Sob minha ótica, a preliminar de não conhecimento do recurso da empresa, suscitada pela Fazenda Nacional em suas contrarrazões, não pode prosperar, pois a maioria do Colegiado de segunda instância negou provimento ao recurso voluntário, quanto ao mérito, exclusivamente em razão do Parecer AGU/SRG n° 01/2008, cuja conclusão, que corrobora o lançamento, teria força vinculante. O Conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Relator do acórdão recorrido, assim se manifestou (fls. 787788, Volume III): Como se vê, se a própria legislação de regência dispõe que as importâncias pagas a título de prestação de serviço médico próprio da empresa ou com ela conveniado não integram o salário de contribuição, ficando fora da base de cálculo das contribuições previdenciárias, não pode o fisco, no presente caso, pretender exigir referidos tributos com outra roupagem, "pagamentos a contribuintes individuais e/ou autônomos", impondo seja decretada a insubsistência do feito. Não obstante entendimento pessoal explicitado alhures, mister trazer à baila conclusão consubstanciada no Parecer AGU/SRG n° 01/2008 a respeito do tema, levado ao conhecimento deste Colegiado pela Procuradoria da Fazenda Nacional por ocasião da sessão de julgamento, senão vejamos: (...) Consoante se infere da leitura do Parecer da Advocacia Geral da União, com sua ementa acima transcrita, de fato, tratase de análise de matéria estritamente idêntica à presente demanda, alterando simplesmente o sujeito passivo, in casu, Petrobrás Petróleo Brasileiro S/A E Outros, impondo sejam aplicados os preceitos contidos naquele Parecer, o qual nos vincula, em observância ao disposto nos artigos 40 e 41 da Lei Complementar n° 73/1993. Assim, uma vez decidido no Parecer retro serem devidas as contribuições previdenciárias incidentes sobre as remunerações pagas ou creditadas a profissionais autônomos que prestam serviços médicos a beneficiários do Programa de Assistência à Saúde, outra alternativa não resta senão nos quedar à aludida conclusão de maneira a reconhecer a procedência do presente lançamento. Fl. 9DF CARF MF Impresso em 13/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/09/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 17/08/2012 por GONCALO BONET ALLAGE Processo nº 35301.003300/200634 Acórdão n.º 920202.246 CSRFT2 Fl. 1.021 10 Por todo o exposto, estando a NFLD sub examine parcialmente em consonância com os dispositivos legais que regulam a matéria, VOTO NO SENTIDO DE CONHECER DO RECURSO VOLUNTÁRIO, acolher a decadência em relação ao período de 05/1996 a 11/1999 e, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO, pelas razões de fato e de direito acima esposadas. Conforme já indicado no relatório, tal posicionamento, de negar provimento ao recurso apenas em razão do Parecer AGU/SRG n° 01/2008, foi seguido pela maioria da Sexta Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, na medida em que tão somente as Conselheiras Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Bernadete de Oliveira Barros e Ana Maria Bandeira (três Conselheiras de um total de oito que participaram do julgamento) votaram pelas conclusões. Na declaração de voto apresentada pela Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira está expresso que o lançamento seria procedente não apenas em função do Parecer AGU/SRG n° 01/2008, mas também pela própria legislação que rege a matéria. Da referida manifestação trago à colação as seguintes passagens (fls. 797, Volume III): Contudo, mesmo concordando com a conclusão do relator, quanto a procedência do lançamento face o parecer da AGU que trata de matéria idêntica, entendo que não deveria ser apenas este o fundamento para a procedência do lançamento. Em considerando tratarse de lançamento cujo fato gerador é a remuneração de profissionais autônomos, no caso médicos, irrelevante se a contratação deuse sob o regime de escolha dirigida ou contratação direta pela empresa. Em ambos os casos, existe a prestação dos serviços, existe o efetivo pagamento feito pela empresa notificada o que possibilita a exigência da contribuição previdenciária correspondente. Entendo que a comparação realizada pelo relator, para afastar na sua opinião a incidência de contribuição sob a escolha dirigida, por entender que se assemelha ao sistema da livre escolha é irrelevante. No caso, quando o empregado escolhe o profissional, efetua o pagamento diretamente, e depois é reembolsado pela empresa, também existe a incidência de contribuição previdenciária, sob a forma de salário indireto para o empregado em relação ao empregador, não deixando o profissional médico de recolher a contribuição previdenciária sobre os valores recebidos pelo serviço. Só que neste caso o profissional na qualidade de contribuinte individual recolhe diretamente. No caso da empresa, o reembolso não deixa de ser salário indireto, porém existe lei, que regulamente tratarse de pagamento cuja exigência encontrase impedida, por tratarse de pagamento sujeito a isenção. Dessa forma, manifesto meu entendimento que no mérito, mesmo na inexistência do dito parecer da AGU, o lançamento encontra se respaldado pela Lei n° 8212/91. Fl. 10DF CARF MF Impresso em 13/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/09/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 17/08/2012 por GONCALO BONET ALLAGE Processo nº 35301.003300/200634 Acórdão n.º 920202.246 CSRFT2 Fl. 1.022 11 Portanto, ao contrário do que afirmou a Fazenda Nacional, o único fundamento adotado pela maioria do Colegiado de segunda instância para manter o lançamento, quanto ao mérito, foi o Parecer AGU/SRG n° 01/2008, que teria efeito vinculante para toda a Administração Federal. A divergência apontada e comprovada pela contribuinte é no sentido de que apenas os Pareceres da AGU aprovados pela Presidência da República vinculariam a Administração Federal, o que não ocorre com o Parecer AGU/SRG n° 01/2008, que não foi submetido à apreciação da Presidência da República. Assim, sob minha ótica, o recurso especial da empresa também deve ser conhecido. Ultrapassada tal questão, reitero que o acórdão proferido pela Sexta Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, acolheu a decadência para os fatos geradores ocorridos até a competência 11/98; por maioria de votos, acolheu a decadência para os fatos geradores ocorridos até a competência 11/99 e rejeitou a preliminar de cerceamento de defesa; e, por unanimidade de votos, no mérito, negou provimento ao recurso, sendo que três Conselheiras acompanharam o Relator pelas conclusões. A Fazenda Nacional insurgese quanto à decadência, pretendendo que se aplique ao caso da regra do artigo 173, inciso I, do Código Tributário Nacional, em razão da alegada ausência de pagamento antecipado dos débitos objeto do lançamento. A contribuinte, por sua vez, defende que o Parecer AGU/SRG n° 01/2008 não tem efeito vinculante perante a Administração Federal, pois não foi aprovado pela Presidência da República, de modo que deve prevalecer a conclusão do Colegiado, quando apreciou o mérito da questão, no sentido da improcedência da exigência. Eis as matérias em litígio, sendo que será apreciado, inicialmente, o recurso da Fazenda Nacional. O recurso especial da Fazenda Nacional Segundo a legislação e de acordo com a jurisprudência pacífica desta Corte Administrativa, as contribuições previdenciárias são tributos sujeitos ao regime do chamado lançamento por homologação, já que cabe aos contribuintes a apuração das suas bases de cálculo e o recolhimento dos montantes devidos, submetendo, posteriormente, esse procedimento à autoridade administrativa, que deverá, homologar ou não, expressa ou tacitamente, a atividade exercida pelo obrigado. A homologação expressa, para os tributos sujeitos ao regime do lançamento por homologação, deve se dar no prazo de 5 (cinco) anos, a contar da ocorrência do fato gerador, que ocorre em cada competência. Ultrapassado esse prazo, sem ter sido lavrado lançamento de ofício pela autoridade administrativa, considerase homologada tacitamente a atividade exercida pelo contribuinte e extinto o crédito tributário, nos termos do artigo 150, § 4°, do CTN, que prevê: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade Fl. 11DF CARF MF Impresso em 13/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/09/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 17/08/2012 por GONCALO BONET ALLAGE Processo nº 35301.003300/200634 Acórdão n.º 920202.246 CSRFT2 Fl. 1.023 12 administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. (...) § 4°. Se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de 5 (cinco) anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. O decurso do prazo de 5 (cinco) anos, a contar da ocorrência do fato gerador, implica na homologação tácita da atividade exercida pelo contribuinte e, em razão do instituto da decadência, previsto no artigo 156, inciso V, do CTN, extingue o crédito tributário. Considerando que o caso em apreço envolve fatos geradores ocorridos nas competências compreendidas entre 05/1996 e 06/2004 e diante do fato de que o sujeito passivo da obrigação tributária tomou ciência da notificação fiscal de lançamento de débito em 15/12/2004 (fls. 01), concluo que a decisão recorrida deve ser confirmada, pois a decadência impede a manutenção do lançamento para os fatos ocorridos até a competência 11/1999. Na visão deste julgador, como não se imputou à empresa as condutas de dolo, fraude ou simulação, inexiste fundamento legal que justifique a contagem do prazo decadencial da forma prevista no artigo 173, inciso I, do Código Tributário Nacional. Entendo que para o início da contagem do prazo decadencial relativamente aos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, a existência ou não de pagamento antecipado é irrelevante. A homologação é da atividade e não do pagamento. Esta é a minha posição a respeito da matéria. Contudo, por força do que determina o artigo 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, não posso deixar de reproduzir aqui o julgamento proferido pelo Egrégio Superior Tribunal de Justiça – STJ nos autos do REsp n° 973.733/SC, cuja ementa tem o seguinte teor: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia Fl. 12DF CARF MF Impresso em 13/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/09/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 17/08/2012 por GONCALO BONET ALLAGE Processo nº 35301.003300/200634 Acórdão n.º 920202.246 CSRFT2 Fl. 1.024 13 ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Fl. 13DF CARF MF Impresso em 13/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/09/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 17/08/2012 por GONCALO BONET ALLAGE Processo nº 35301.003300/200634 Acórdão n.º 920202.246 CSRFT2 Fl. 1.025 14 (STJ, Primeira Seção, REsp n° 973.733/SC, Relator Ministro Luiz Fux, DJE de 18/09/2009) Portanto, segundo o Egrégio STJ, para os tributos sujeitos ao lançamento por homologação, quando inexistir pagamento antecipado o prazo decadencial qüinqüenal contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, sendo que “O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o ‘primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado’ corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, ...”. Dessa forma, tornase importante analisar a comprovação quanto à existência ou não de pagamento de contribuições previdenciárias no período em apreço (não apenas dos débitos que constituem objeto do lançamento). A NFLD em apreço envolve apenas a contribuição previdenciária a cargo da empresa incidente sobre a remuneração paga pela autuada a trabalhadores avulsos que prestaram serviços médicos a seus empregados e beneficiários. É evidente que a Petrobras efetuou recolhimentos de outras contribuições previdenciárias a cargo da empresa, previstas no artigo 22 da Lei n° 8.212/91, inclusive porque a exigência em tela não contém outros tributos além daquele indicado no parágrafo anterior. Por se tratar de uma empresa do porte da Petrobras, que é controlada pela própria União, tenho como aplicável ao caso o artigo 334, inciso I, do Código de Processo Civil – CPC, segundo o qual: “Art. 334. Não dependem de prova os fatos: I – notórios;”. Ademais, ainda que assim não fosse, entendo que o deslocamento da regra geral dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação do artigo 150, § 4°, do CTN para o mandamento do artigo 173, inciso I, do CTN exige da autoridade lançadora o ônus da prova de que o contribuinte não efetuou nenhum recolhimento de contribuições previdenciárias. E isso não ocorreu. Não se pode presumir a ausência de pagamento. Portanto, o ensinamento jurisprudencial do Egrégio STJ não socorre a tese defendida pela recorrente. Sendo assim, a decadência fulminou os fatos geradores ocorridos até a competência 11/1999, de modo que a decisão recorrida merece ser confirmada neste ponto. Voto, pois, no sentido de negar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. O recurso especial da empresa Passase a apreciar o recurso especial interposto pela Petrobras. Fl. 14DF CARF MF Impresso em 13/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/09/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 17/08/2012 por GONCALO BONET ALLAGE Processo nº 35301.003300/200634 Acórdão n.º 920202.246 CSRFT2 Fl. 1.026 15 O Parecer AGU/SRG n° 01/2008, que representou o único fundamento da maioria do Colegiado de segunda instância para negar provimento ao recurso voluntário da empresa, estabeleceu o seguinte: ASSUNTO: Solução de controvérsia entre o Banco Central do Brasil e a Secretaria da Receita Federal do Brasil, diante da cobrança de contribuição previdenciária incidente nas remunerações pagas ou creditadas a profissionais autônomos que prestam serviços médicos a beneficiários do Programa de Assistência à Saúde dos servidores do Banco Central do Brasil (PASBC). EMENTA: I. A conciliação entre Órgãos e/ou Entidades da Administração Federal, pela AdvocaciaGeral da União, decorre da previsão contida no art. 131, da Constituição Federal, estando inserida entre "as atividades de consultoria e assessoramento jurídico do Poder Executivo.". II. A atuação da Câmara de Conciliação e Arbitragem da Administração Federal CCAF, integrante da ConsultoriaGeral da União, pressupõe a observância dos princípios declarados no art. 37, da Constituição Federal. III. Encerramento, por Parecer, de controvérsia jurídica entre a Secretaria da Receita Federal do Brasil e o Banco Central do Brasil, com a definição sobre a existência de obrigação tributária, do último, em relação à primeira, no tocante à cota patronal da contribuição previdenciária incidente nas remunerações pagas ou creditadas a profissionais autônomos que prestam serviços médicos a beneficiários do Programa de Assistência à Saúde dos Servidores do Banco Central – PASBC. No caso analisado, que envolveu o Banco Central do Brasil e a Secretaria da Receita Federal do Brasil, chegouse à conclusão de que existe a obrigação tributária no tocante à cota patronal da contribuição previdenciária incidente nas remunerações pagas ou creditadas pela autarquia a profissionais autônomos que prestam serviços médicos a beneficiários de programa de assistência a saúde. O Banco Central do Brasil e a Secretaria da Receita Federal do Brasil estão sujeitos à solução encontrada pela AGU, mas referido Parecer só terá efeito vinculante perante a Administração Federal com a aprovação do Presidente da República. É isso que determinam os artigos 40 e 41 da Lei Complementar n° 73, de 10/02/1993, a qual instituiu a Lei Orgânica da AdvocaciaGeral da União e deu outras providências: Art. 40. Os pareceres do AdvogadoGeral da União são por este submetidos à aprovação do Presidente da República. § 1º. O parecer aprovado e publicado juntamente com o despacho presidencial vincula a Administração Federal, cujos órgãos e entidades ficam obrigados a lhe dar fiel cumprimento. Fl. 15DF CARF MF Impresso em 13/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/09/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 17/08/2012 por GONCALO BONET ALLAGE Processo nº 35301.003300/200634 Acórdão n.º 920202.246 CSRFT2 Fl. 1.027 16 § 2º O parecer aprovado, mas não publicado, obriga apenas as repartições interessadas, a partir do momento em que dele tenham ciência. Art. 41. Consideramse, igualmente, pareceres do Advogado Geral da União, para os efeitos do artigo anterior, aqueles que, emitidos pela ConsultoriaGeral da União, sejam por ele aprovados e submetidos ao Presidente da República. Dessa forma, de acordo com tal mandamento legal, os pareceres da AGU, aprovados pela Presidência da República e devidamente publicados, vinculam a Administração Federal, mas aqueles aprovados e não publicados juntamente com o despacho presidencial, obrigam apenas as partes interessadas. No Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF n° 256/2009, os artigos 18, inciso XXII e 62, § único, inciso II, alínea “c”, ambos do Anexo II, prevêem que: Art. 18. Aos presidentes de Câmara incumbe, ainda: (...) XXII negar, de ofício ou por proposta do relator, seguimento ao recurso que contrarie Parecer da Advocacia Geral da União, na forma do § 1° do art. 40 combinado com o art. 41, da Lei Complementar n° 73, de 10 de fevereiro de 1993, quando não houver outra matéria objeto do recurso. Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: (...) II que fundamente crédito tributário objeto de: (...) c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar n° 73, de 1993. Caso o Parecer AGU/SRG n° 01/2008 estivesse aprovado pela Presidência da República, o acórdão recorrido seria irretocável, por força do próprio Regimento Interno do CARF. Contudo, consultando na internet o endereço www.agu.gov.br, verificase que o Parecer AGU/SRG n° 01/2008 foi emitido pela Advogada da União Conciliadora CCAF, em 25/04/2008, com aprovação pela Consultora da União – Diretora (também em 25/04/2008), pelo ConsultorGeral da União (em 30/04/2008) e pelo Advogado Geral da União (em 05/05/2008). Fl. 16DF CARF MF Impresso em 13/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/09/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 17/08/2012 por GONCALO BONET ALLAGE Processo nº 35301.003300/200634 Acórdão n.º 920202.246 CSRFT2 Fl. 1.028 17 Salvo melhor juízo, tal Parecer não restou aprovado pelo Presidente da República e, portanto, não tem efeito vinculante perante a Administração Federal. É de se concluir, pois, que o acórdão recorrido partiu de premissa equivocada ao adotar como razão de decidir o Parecer AGU/SRG n° 01/2008, já que ele não tem efeito vinculante. Assim, deve prevalecer a análise do mérito da questão feita no referido julgamento, quando se entendeu pela improcedência do lançamento. Destaco, novamente, que apenas três Conselheiras (de um total de oito) acompanharam o Relator pelas conclusões, ou seja, para elas a manutenção da NFLD decorreu não somente do Parecer AGU/SRG n° 01/2008, mas da própria legislação que rege a matéria. Para os demais Conselheiros, que representaram a maioria, a manutenção do crédito tributário, quanto ao mérito, tem como único fundamento o referido Parecer. Entendo ser oportuno trazer à colação as seguintes passagens do voto condutor do acórdão recorrido, da lavra do Conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira (fls. 783788, Volume III): Em que pesem as razões de fato e de direito da autoridade lançadora, a pretensão fiscal, contudo, não tem o condão de prosperar. Com efeito, da análise dos autos, constatase que os valores pagos pela contribuinte para o atendimento médico de seus funcionários, no Regime de Escolha Dirigida não se constituem fatos geradores das contribuições previdenciárias ora lançadas, da mesma forma aplicada no Regime de Livre Escolha, como passaremos a demonstrar. (...) Conforme se extrai dos dispositivos legais encimados, para que haja incidência de contribuição previdenciária sobre os valores pagos a autônomos e/ou contribuintes individuais, ou melhor, para que se enquadre os trabalhadores (pessoas físicas) na qualidade de segurado autônomo/contribuinte individual, o serviço deve ser prestado diretamente ao tomador do serviço, bem como as importâncias pagas para retribuílos não podem ter natureza ressarcitórias, mas sim remuneratórias. (...) Destarte, o fato de empresa credenciar os profissionais (pessoas físicas), como a própria fiscalização inferiu eis seu Relatório Fiscal, não é capaz de acobertar o entendimento da autoridade lançadora de que os serviços eram prestados diretamente à empresa, mas sim, aos seus funcionários e dependentes, como robustamente demonstrado nos autos. Em outras palavras, observase que a contribuinte não contratou diretamente com as pessoas físicas (tidos como autônomos e contribuintes individuais) para prestação de serviços médicos à totalidade de seus segurados empregados, mas, sim, estes eram Fl. 17DF CARF MF Impresso em 13/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/09/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 17/08/2012 por GONCALO BONET ALLAGE Processo nº 35301.003300/200634 Acórdão n.º 920202.246 CSRFT2 Fl. 1.029 18 quem escolhiam onde seriam atendidos, se por pessoas físicas ou instituições, credenciadas ou não. Nesse ponto, aliás, cabe frisar que o atendimento médico não era oferecido tão somente aos funcionários que optassem pelos profissionais credenciados, podendo escolher qualquer profissional da área de saúde, com ou sem credenciamento. No meu sentir, o credenciamento se dava tão somente para efeito de controle dos serviços prestados, ou seja, para garantir a qualidade do atendimento médico aos segurados empregados da contribuinte e demais beneficiários. A rigor, esta iniciativa da recorrente encontra consonância com o preceito do artigo 197 da Constituição Federal e, lembrando que assistência médica é serviço público essencial, também denota um esforço para o cumprimento do disposto no artigo 6°, §1° do Estatuto dos Serviços Públicos, Lei n° 8.987, de 13/02/95, in verbis: (...) Na esteira desse entendimento, o prévio credenciamento dos prestadores de serviços (pessoas físicas e/ou instituições médicas) pode ser admitido, igualmente, como medida de fiscalização dos pagamentos dos serviços prestados aos segurados empregados/beneficiários, como forma de segurança da própria empresa. Ou melhor, no caso de atendimentos médicos realizados por instituições e/ou profissionais previamente credenciados, o pagamento se dava diretamente a estes. Caso contrário, por medida de segurança (no entendimento desse conselheiro), o empregado escolhia qualquer outro profissional e/ou instituição, promovia o pagamento e depois era reembolsado. Ora, a forma do pagamento do atendimento prestado por profissionais (pessoas físicas e/ou instituições), se diretamente a estes ou a partir de reembolso aos segurados empregados, não tem o condão de desnaturar parte do Programa de Saúde de AutoGestão da própria empresa. Tanto o Regime de Escolha Dirigida, como o de Livre Escolha se destinam a dar fiel cumprimento ao Plano de Assistência Multidisciplinar de Saúde AMS da autuada, a partir de Sistema de Autogestão. Dessa forma, concluise não haver qualquer diferença entre os dois regimes de atendimento médico, capaz de amparar o presente lançamento fiscal. Com efeito, em ambos os casos é a recorrente quem suporta o ônus financeiro da prestação de serviços, absolutamente iguais, digase de passagem. Mais a mais, as pessoas físicas profissionais da área de saúde não eram contratadas para prestação de serviços à recorrente, ou mesmo aos seus segurados empregados e/ou beneficiários, não havendo qualquer vínculo contratual entre estes. Admitir referida relação contratual, a partir de simples credenciamento dos profissionais, é presumir a ocorrência do fato gerador, o que não é aceito no direito tributário, a não ser quando se tratar de Fl. 18DF CARF MF Impresso em 13/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/09/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 17/08/2012 por GONCALO BONET ALLAGE Processo nº 35301.003300/200634 Acórdão n.º 920202.246 CSRFT2 Fl. 1.030 19 presunção legal, devidamente inserida na legislação de regência, onde invertese o ônus da prova ao contribuinte, o que não se vislumbra na hipótese vertente. A jurisprudência administrativa é firma e mansa nesse sentido, exigindo a comprovação dos fatos geradores dos tributos lançados, por parte do fiscal autuante, sobretudo quando o lançamento não se apoiar em presunções contempladas na legislação de regência, conforme se extrai dos julgados com suas ementas abaixo transcritas: (...) Decorre daí que quando não couber a presunção legal, a qual inverte o ônus da prova ao contribuinte, deverá a fiscalização provar a ocorrência do fato gerador do tributo, só podendo praticar o lançamento posteriormente a esta efetiva comprovação, sob pena de improcedência do feito, como aqui se vislumbra. A corroborar esse entendimento, verificase que a própria autoridade lançadora confirma ter promovido o lançamento com base em uma presunção, ao inferir que o credenciamento das instituições e/ou profissionais prestadores de serviços implica em um contrato tácito (item 13.2, do Relatório Fiscal, às fls. 468). Ou seja, inexiste comprovação de contrato de prestação de serviços entre os profissionais de saúde (pessoas físicas) e a notificada. Como se observa dos autos, a contribuinte detém plano próprio de Assistência Multidisciplinar de Saúde, sob sua administração e responsabilidade (Sistema de AutoGestão), não se cogitando em contratação de outras instituições e/ou pessoas físicas para o fim precípuo de referido Programa. Aliás, a própria legislação previdenciária permite tal conduta por parte dos contribuintes, ao determinar que não integra o salário de contribuição os valores pagos aos segurados empregados a título de assistência médica prestada pela própria empresa ou conveniada. É o que se extrai do artigo 28, § 9°, alínea "q", da Lei n° 8.212/91, como segue: (...) Como se vê, se a própria legislação de regência dispõe que as importâncias pagas a título de prestação de serviço médico próprio da empresa ou com ela conveniado não integram o salário de contribuição, ficando fora da base de cálculo das contribuições previdenciárias, não pode o fisco, no presente caso, pretender exigir referidos tributos com outra roupagem, "pagamentos a contribuintes individuais e/ou autônomos", impondo seja decretada a insubsistência do feito. Não obstante entendimento pessoal explicitado alhures, mister trazer à baila conclusão consubstanciada no Parecer AGU/SRG n° 01/2008 a respeito do tema, levado ao conhecimento deste Fl. 19DF CARF MF Impresso em 13/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/09/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 17/08/2012 por GONCALO BONET ALLAGE Processo nº 35301.003300/200634 Acórdão n.º 920202.246 CSRFT2 Fl. 1.031 20 Colegiado pela Procuradoria da Fazenda Nacional por ocasião da sessão de julgamento, senão vejamos: (...) Consoante se infere da leitura do Parecer da Advocacia Geral da União, com sua ementa acima transcrita, de fato, tratase de análise de matéria estritamente idêntica à presente demanda, alterando simplesmente o sujeito passivo, in casu, Petrobrás Petróleo Brasileiro S/A E Outros, impondo sejam aplicados os preceitos contidos naquele Parecer, o qual nos vincula, em observância ao disposto nos artigos 40 e 41 da Lei Complementar n° 73/1993. Assim, uma vez decidido no Parecer retro serem devidas as contribuições previdenciárias incidentes sobre as remunerações pagas ou creditadas a profissionais autônomos que prestam serviços médicos a beneficiários do Programa de Assistência à Saúde, outra alternativa não resta senão nos quedar à aludida conclusão de maneira a reconhecer a procedência do presente lançamento. Por todo o exposto, estando a NFLD sub examine parcialmente em consonância com os dispositivos legais que regulam a matéria, VOTO NO SENTIDO DE CONHECER DO RECURSO VOLUNTÁRIO, acolher a decadência em relação ao período de 05/1996 a 11/1999 e, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO, pelas razões de fato e de direito acima esposadas. Afastando a aplicação ao caso do Parecer AGU/SRG n° 01/2008, pois ele não tem efeito vinculante, deve prevalecer a conclusão da maioria do Colegiado de segunda instância, segundo a qual o lançamento é improcedente. Conseqüentemente, o recurso da contribuinte merece provimento. Conclusão Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional e de dar provimento ao recurso especial da contribuinte. (Assinado digitalmente) Gonçalo Bonet Allage Fl. 20DF CARF MF Impresso em 13/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/09/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 17/08/2012 por GONCALO BONET ALLAGE Processo nº 35301.003300/200634 Acórdão n.º 920202.246 CSRFT2 Fl. 1.032 21 Fl. 21DF CARF MF Impresso em 13/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/09/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 17/08/2012 por GONCALO BONET ALLAGE
score : 1.0
Numero do processo: 10530.720832/2010-91
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 27 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE
SOCIAL COFINS
Data do fato gerador: 30/06/2005, 31/12/2005, 31/01/2006, 28/02/2006,
31/03/2006, 30/04/2006, 31/05/2006, 30/06/2006, 31/08/2006, 30/11/2006,
31/03/2007, 30/06/2007, 31/08/2007, 31/10/2007, 31/12/2007
FALTA DE RECOLHIMENTO.
Assim como encontrase
correta a decisão recorrida que exclui do
lançamento os valores devidamente comprovados, da mesma forma em
havendo falta de recolhimento da Cofins, é devida sua cobrança, com os
encargos legais correspondentes.
Recursos de Ofício e Voluntário Improvidos.
Numero da decisão: 3301-001.525
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento aos recursos de ofício e voluntário, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
Nome do relator: ANTONIO LISBOA CARDOSO
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Assim como encontrase correta a decisão recorrida que exclui do lançamento os valores devidamente comprovados, da mesma forma em havendo falta de recolhimento da Cofins, é devida sua cobrança, com os encargos legais correspondentes. Recursos de Ofício e Voluntário Improvidos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento aos recursos de ofício e voluntário, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Rodrigo da Costa Pôssas Presidente. Antônio Lisboa Cardoso Relator. EDITADO EM: 19/07/2012 Fl. 5098DF CARF MF Impresso em 24/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 09/08/20 12 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 19/07/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Adão Vitorino de Moraes, Antônio Lisboa Cardoso (relator), Amauri Amora Câmara Júnior, Andrea Medrado Darzé, Maria Teresa Martínez López e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente). Relatório Cuidase de recursos de ofício e voluntário em face do acórdão que manteve parcialmente procedente o auto de infração de COFINS, relativamente aos fatos geradores ocorridos nos meses de junho/2005, dezembro/2005, janeiro/2006, fevereiro/2006, março/2006, abril/2006, maio/2006, junho/2006, agosto/2006, novembro/2006, março/2007, junho/2007, agosto/2007, outubro/2007 e dezembro/2007, decorrente de divergências entre os valores informados pela contribuinte e os apurados pela fiscalização no cotejo da escrita contábil da Recorrente. Na impugnação a Recorrente contesta as diferenças apuradas, pugna pela nulidade do lançamento, em razão de sua obscuridade e imprecisão, bem como que o autuante não teria considerado DARF de recolhimentos, valores informados no DACON e compensações com saldo credor de IPI objeto de PER/DCOMP. A DRJ de Salvador/BA julgou parcialmente procedente o auto de infração, conforme sintetiza a respectiva ementa, a seguir transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 30/06/2005, 31/12/2005, 31/01/2006, 28/02/2006, 31/03/2006, 30/04/2006, 31/05/2006, 30/06/2006, 31/08/2006, 30/11/2006, 31/03/2007, 30/06/2007, 31/08/2007, 31/10/2007, 31/12/2007 AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. As argüições de nulidade do auto de infração só prevalecem se enquadradas nas hipóteses previstas na lei para a sua ocorrência. FALTA DE RECOLHIMENTO. Apurada a falta de recolhimento da Cofins, é devida sua cobrança, com os encargos legais correspondentes. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte. De acordo com o acórdão recorrido o auto de infração, considerando os valores lançados e valores exonerados, restou parcialmente mantido, conforme a planilha de fl. 230, a seguir reproduzida: Período de Apuração Valor Lançado Valor Exonerado Valor Mantido Jun/05 4.844,26 — 4.844,26 Fl. 5099DF CARF MF Impresso em 24/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 09/08/20 12 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 19/07/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO Processo nº 10530.720832/201091 Acórdão n.º 330101.525 S3C3T1 Fl. 5.099 3 Dez/05 15.060,05 — 15.060,05 Jan/06 70.322,62 — 70.322,62 Fev/06 70.395,65 70.395,65 — Mar/06 68.495,00 68.495,00 — Abr/06 72.020,04 72.020,04 — Mai/06 225.355,03 225.355,03 — Jun/06 163.720,39 163.720,39 — Ago/06 33.169,59 — 33.169,59 Nov/06 40.741,41 — 40.741,41 Mar/07 87.662,79 — 87.662,79 Jun/07 16.260,96 — 16.260,96 Ago/07 330.210,07 217.916,10 112.293,97 Out/07 4,35 — 4,35 Dez/07 588.371,87 588.371,87 — TOTAL 1.786.634,08 1.406.274,08 380.360,00 Cientificada em 01/09/2011 (AR), a Recorrente protocolizou em 03/10/2011, argúi, em sede de preliminar, a nulidade do lançamento, e quanto ao mérito pugna pelo provimento do recurso. É o relatório. Voto Conselheiro ANTÔNIO LISBOA CARDOSO Ambos os recursos, de ofício e voluntário, merecem ser conhecidos, porquanto atendidos os pressupostos de admissibilidade. Em relação ao recurso de ofício, constatado, pela revisão do lançamento que a autuação deixou de considerar valores que já haviam sido efetivamente pagos, correta a decisão que excluiu esses valores do lançamento, ensejando o improvimento do recurso de ofício. Em relação ao recurso voluntário a Recorrente insiste na tese de nulidade do lançamento, sobretudo porque o mesmo restou sensivelmente modificado pela decisão a recorrida, entretanto não vejo como prosperar a tese de nulidade do lançamento, porquanto, conforme bem destacado na voto condutor do acórdão recorrido, o ato de fiscalização e lançamento, até certo ponto sempre será, de certa forma, inquisitivo, iniciando o contraditório a partir da impugnação, não havendo qualquer nulidade a ser sanada. Entretanto, a exoneração de valores constantes do auto de infração, ao contrário do que afirma a recorrente, é uma constatação da regularidade do processo, que observou fielmente o contraditório e a ampla defesa. Desta forma, deve ser afastada a argüição de nulidade do lançamento. Fl. 5100DF CARF MF Impresso em 24/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 09/08/20 12 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 19/07/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO 4 Em relação ao mérito, melhor sorte não lhe assiste, pois, apesar de contestar os valores apurados e mantidos pela decisão recorrida, não logrou trazer aos autos qualquer elemento de prova inequívoca capaz de afastar a acertiva fiscal. Para afastar o crédito tributário, apurado através de diligência fiscal, o interessado deveria comprovar de forma clara e precisa os valores que entende devidos, e não somente contestar de forma vaga e imprecisa. Em face do exposto, voto no sentido de afastar a argüição de nulidade do lançamento, para no mérito, negar provimento aos recursos de ofício e voluntário. ANTÔNIO LISBOA CARDOSO Relator Fl. 5101DF CARF MF Impresso em 24/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 09/08/20 12 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 19/07/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO
score : 1.0
Numero do processo: 10280.002761/2005-73
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 16 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE - IRRF
Ano-calendário: 2005
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO - INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO
Não reconhecido o direito creditório em favor da contribuinte, impõe se, por decorrência, a não homologação das compensações pleiteadas.
Recurso negado.
Numero da decisão: 2202-001.801
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
Matéria: IRF- que ñ versem s/ exigência de cred. trib. (ex.:restit.)
Nome do relator: ANTONIO LOPO MARTINEZ
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE - IRRF Ano-calendário: 2005 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO - INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO Não reconhecido o direito creditório em favor da contribuinte, impõe se, por decorrência, a não homologação das compensações pleiteadas. Recurso negado.
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Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) Nelson Mallmann – Presidente (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez – Relator Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Eivanice Canário da Silva, Antonio Lopo Martinez, Odmir Fernandes, Pedro Anan Junior e Nelson Mallmann (Presidente). Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Rafael Pandolfo e Helenilson Cunha Pontes. Fl. 129DF CARF MF Impresso em 31/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/05/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 2 Relatório Trata o presente processo de pedido de restituição de créditos de IRRF, no valor de R$ 245,45, combinado com declaração de compensação de débitos de IRRF. A DRF de Belém/PA, por meio do despacho decisório de fls. 14 a 17, indeferiu a solicitação do sujeito passivo pela inexistência de direito creditório, visto que o DARF informado, apesar de devidamente localizado e confirmado, foi totalmente utilizado para quitar o débito de IRRF referente a 1a a semana de abril de 2005. A vinculação e utilização do pagamento para a quitação do débito de IRRF foram feitas pelo próprio contribuinte na DCTF mensal referente a abril de 2005, conforme fls. 11 e 12. Cientificado do despacho e inconformado com indeferimento de seu pedido, o interessado apresentou manifestação de inconformidade às fls. 21 a 25, requerendo a esta DRJ a reforma da decisão proferida pela DRF, para que seja autorizada a restituição dos créditos de IRRF, cumulada com a compensação de débitos de IRRF, alegando, em resumo, o seguinte: * Que houve recolhimento a maior na apuração do IRRF referente a P semana de abril de 2005; * Que constatado este recolhimento a maior foi feita a devida PER/DCOMP que compensou tais valores na apuração do IRRF da 3' semana de maio de 2005 e que, portanto, não houve duplicidade no aproveitamento deste crédito. Solicita, por fim, prova pericial, considerandose a incompatibilidade entre a sua escrita contábil e as razões de "glosa" suscitadas pela "N. Fiscalização" A DRJ – Belém ao apreciar as razões do contribuinte, indefere o pedido de restituição e compensação nos termos da ementa a seguir: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 2003 Ementa: COMPENSAÇÃO. RESTITUIÇÃO. Não deve ser homologada a compensação quando a correspondente restituição é indeferida, pois esta versa sobre questão prejudicial daquela. SOLICITAÇÃO DE PERÍCIA. INDEFERIMENTO. Indeferese pedido de perícia que não apresente seus motivos e não contenha indicação de quesitos e do perito. Rest/Ress. Indeferido Comp. não homologada Insatisfeito, o contribuinte interpõe recurso voluntário, reiterando as razões da impugnação, argumentando que não é possível acolher a decisão da DRJ diante das provas incontestes apresentadas. Enfatizando o seguinte ponto, para reforçar os seus argumentos: A partir da verificação da DCTF trimestral referente ao 2° trimestre de 2005, que segue em anexo, notase que na mesma não há qualquer compensação realizada utilizandose o valor de R$ 239,67, tendo sim, sido este crédito utilizado somente para compensar débito de IRRF do período de apuração da 3 a Fl. 130DF CARF MF Impresso em 31/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/05/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10280.002761/200573 Acórdão n.º 220201.801 S2C2T2 Fl. 2 3 semana de maio de 2005 como comprovado documentalmente pela sociedade empresária contribuinte, quando da apresentação de manifestação de inconformidade. A 4a. Câmara da Terceira Seção de Julgamento, em acórdão de 09/08/2011, por unanimidade de votos, decidiu não conhecer do recurso em razão de a competência ser da Segunda Seção do CARF. É o relatório. Fl. 131DF CARF MF Impresso em 31/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/05/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 4 Voto Conselheiro Antonio Lopo Martinez, Relator O recurso voluntário é tempestivo, reunindo os pressupostos de admissibilidade previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal e deve, portanto, ser conhecido por esta Turma de Julgamento. Na Declaração de Compensação somente podem ser utilizados os créditos comprovadamente existentes, respeitadas as demais regras determinadas pela legislação vigente para a sua utilização. Analisando detidamente o processo, verificase que a Unidade de origem negou o pleito porque a interessada vinculou o pagamento tido como indevido a uma outra obrigação. Esse fato encontrase evidenciado com documentos e extratos trazidos aos autos sobre os quais são irrefutáveis, e evidenciam compensações já realizadas. Assim, se não existe nenhum comprovante de que a obrigação vinculada ao DARF foi indevida, não haveria como desvinculálo do recolhimento. Neste particular, deve ser ressaltado que caberia à impugnante comprovar o recolhimento indevido, não sendo suficiente apenas o argumento de que houve o cumprimento integral dos procedimentos para a formalização do Pedido de Compensação. De igual modo não socorre ao recorrente apresentar DCTF indicando que haveria vinculação, pois nos sistemas da Receita Federal o credito objeto da lide já teria sido aproveitado. No contexto concreto, o não reconhecido o direito creditório em favor da contribuinte, impõe se, por decorrência, a não homologação das compensações pleiteadas. Ante ao exposto, voto por negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez Fl. 132DF CARF MF Impresso em 31/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/05/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ
score : 1.0
Numero do processo: 35052.001705/2006-17
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Mar 12 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Exercício: 1995, 1996
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DECADÊNCIA. PRAZO QÜINQÜENAL.
Em face da inconstitucionalidade declarada do art. 45 da Lei n. 8.212/1991 pelo Supremo Tribunal Federal diversas vezes, inclusive na forma da Súmula Vinculante n. 08, o prazo decadencial para a constituição dos créditos previdenciários é de 05 (cinco) anos, contados da data da ocorrência do fato
gerador do tributo, nos termos do artigo 150, § 4º, ou do art. 173, ambos do Código Tributário Nacional, conforme o modalidade de lançamento.
Em atenção ao Auto de Infração em questão, tratar-se de lançamento de ofício conforme estipula o art. 142, II do CTN, fundado em descumprimento de obrigação acessória de informação na forma da legislação tributária, aplica-se a contagem do prazo de 5(cinco) anos na forma do artigo 173, inciso I, do CTN..
Recurso Voluntário Provido Crédito
Tributário Exonerado
Numero da decisão: 2803-001.415
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a).
Nome do relator: GUSTAVO VETTORATO
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Exercício: 1995, 1996 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DECADÊNCIA. PRAZO QÜINQÜENAL. Em face da inconstitucionalidade declarada do art. 45 da Lei n. 8.212/1991 pelo Supremo Tribunal Federal diversas vezes, inclusive na forma da Súmula Vinculante n. 08, o prazo decadencial para a constituição dos créditos previdenciários é de 05 (cinco) anos, contados da data da ocorrência do fato gerador do tributo, nos termos do artigo 150, § 4º, ou do art. 173, ambos do Código Tributário Nacional, conforme o modalidade de lançamento. Em atenção ao Auto de Infração em questão, tratar-se de lançamento de ofício conforme estipula o art. 142, II do CTN, fundado em descumprimento de obrigação acessória de informação na forma da legislação tributária, aplica-se a contagem do prazo de 5(cinco) anos na forma do artigo 173, inciso I, do CTN.. Recurso Voluntário Provido Crédito Tributário Exonerado
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Exercício: 1995, 1996 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DECADÊNCIA. PRAZO QÜINQÜENAL. Em face da inconstitucionalidade declarada do art. 45 da Lei n. 8.212/1991 pelo Supremo Tribunal Federal diversas vezes, inclusive na forma da Súmula Vinculante n. 08, o prazo decadencial para a constituição dos créditos previdenciários é de 05 (cinco) anos, contados da data da ocorrência do fato gerador do tributo, nos termos do artigo 150, § 4º, ou do art. 173, ambos do Código Tributário Nacional, conforme o modalidade de lançamento. Em atenção ao Auto de Infração em questão, tratarse de lançamento de ofício conforme estipula o art. 142, II do CTN, fundado em descumprimento de obrigação acessória de informação na forma da legislação tributária, aplicase a contagem do prazo de 5(cinco) anos na forma do artigo 173, inciso I, do CTN.. Recurso Voluntário Provido Crédito Tributário Exonerado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a). (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima Presidente. (Assinado digitalmente) Gustavo Vettorato Relator. Fl. 638DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2012 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 12/07/2012 po r HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 12/07/2012 por GUSTAVO VETTORATO Processo nº 35052.001705/200617 Acórdão n.º 280301.415 S2TE03 Fl. 639 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (presidente), Gustavo Vettorato, Eduardo de Oliveira, Oséas Coimbra Júnior, Amilcar Barca Teixeira Júnior Fl. 639DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2012 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 12/07/2012 po r HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 12/07/2012 por GUSTAVO VETTORATO Processo nº 35052.001705/200617 Acórdão n.º 280301.415 S2TE03 Fl. 640 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário que busca a reforma de decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento que manteve integralmente o lançamento do crédito tributário oriundo de aplicação de sanção por descumprimento do disposto art. 33, §§ 2º e 3º , da Lei n. 8.212/1991, sujeita à multa prevista no art. 92 e art. 102 desse diploma, e no art. 283, II, "j", e art. 373 do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n.3.049/1999, ao deixar de apresentar os livros, registros e documentos munidos das formalidades legais das competências 09/1995, 11/1995, 01/1996, 02/1996, 07/1996, 03/1998, 08/1998, 09/1998, 10/1998, 11/1998, 13/1996. A ciência do lançamento deuse em 14.12.2005. O recurso foi tempestivo, acompanhado de depósito prévio, direcionado ao antigo CRPS, e alegou inexistência da infração, ilegalidade e relevância da mesma. Os autos vieram a presente 3ª Turma Especial da 2ª Seção de Julgamento do CARFMF para apreciação e julgamento do recurso voluntário. É o relatório. Fl. 640DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2012 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 12/07/2012 po r HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 12/07/2012 por GUSTAVO VETTORATO Processo nº 35052.001705/200617 Acórdão n.º 280301.415 S2TE03 Fl. 641 4 Voto Conselheiro Gustavo Vettorato Conselheiro Gustavo Vettorato O recurso é tempestivo, conforme supra relatado, assim deve o mesmo ser conhecido. Preliminarmente, o presente relator vislumbra a ocorrência de decadência do direito da Fazenda Pública em constituir crédito tributário oriundo de aplicação de sanção por descumprimento de obrigação instrumental (acessória). Ato que consiste em lançamento de de ofício, em especial nos casos de declarações não prestadas com as formalidades exigidas em lei, por quem de direito, no prazo e na forma da legislação tributária (art. 149, II, do CTN). Assim, no presente caso, as regras de decadência do crédito tributário a serem aplicadas não são as definidas para os casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação de pagamento (art. 150, § 4º e art. 156, VII, do CTN), mas das regras destinadas a reger a decadência dos créditos tributários sujeitos ao lançamento de ofício, devendo assim ser observado o disposto nos arts. 156, V, e 173, inciso I do CTN. Nessa hipótese, o direito de constituição do crédito tributário será extinto ao termo de 5 (cinco) anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Essa é inclusive a orientação jurisprudencial de vários julgados do 2º Conselho de Contribuintes e da 2ª Sessão de Julgamento do CARF/MF, a exemplo: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1996 a 31/12/1998 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DECADÊNCIA. PRAZO QUINQUENAL. O prazo decadencial para a constituição dos créditos previdenciários é de 05 (cinco) anos, contados da data da ocorrência do fato gerador do tributo, nos termos do artigo 150, § 40, do Códex Tributário, ou do 173 do mesmo Diploma Legal, no caso de dolo, fraude ou simulação comprovados, tendo em vista a declaração da inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei n° 8.212/91, pelo Supremo Tribunal Federal, nos autos dos RE's n os 556664, 559882 e 560626, oportunidade em que fora aprovada Súmula Vinculante n° 08, disciplinando a matéria. In casu, tratandose de Auto de Infração por descumprimento de obrigação acessória, aplicase o artigo 173, inciso I, do CTN, uma vez que a contribuinte omitiu informações ao INSS, caracterizando lançamento de oficio. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO. (Ac. 2401 00.567, ,Rel.Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira da 1ª Turma da 4ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF/MF, sessão de 03.12.2009 – no mesmo sentido Ac Ac. 20601.698 do 2º CC) Por fim, tal matéria foi submetida ao crivo da 1ª. Seção do Superior Tribunal de Justiça, através de Recurso Especial representativo de controvérsia – RESP 973.733, conforme art. Fl. 641DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2012 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 12/07/2012 po r HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 12/07/2012 por GUSTAVO VETTORATO Processo nº 35052.001705/200617 Acórdão n.º 280301.415 S2TE03 Fl. 642 5 543C do normativo processual e, segundo a nova redação do art. 62A do Regimento interno do CARF, de reprodução obrigatória pelos Conselheiros. Reproduzimos excerto da ementa: 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de. desarrazoado prazo decadencial decenal(...)grifamos O aspecto temporal da hipótese de incidência da norma sancionatoria é o momento de desobediência da norma tributária de obrigação acessória não atingida pela decadência, que se dá no momento em que ela deveria ser cumprida, mas não é. Assim, consoante a regra retro citada, considerando que a notificação se deu em 14.12.2005, e que os documentos exigidos de competência mais recente foi 11/1998. Ou seja, os créditos lançados nasceram mortos, pois a obrigação acessória em questão já estava em situação de caducidade. As demais questões restam prejudicadas. Conclusão Isso ´posto, voto por conhecer o Recurso Voluntário, para, no mérito, DA LHE PROVIMENTO, no sentido de reformar a decisão a quo e declarar a improcedência do lançamento, decretando a sua nulidade em razão de declaração de decadência. Sala de Sessões, 12 de março de 2012 Gustavo Vettorato Relator Fl. 642DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2012 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 12/07/2012 po r HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 12/07/2012 por GUSTAVO VETTORATO
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Numero do processo: 17546.000763/2007-71
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 12 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 2302-000.177
Decisão: Resolvem os membros da Segunda Turma da Terceira Câmara da Segunda
Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade, em converter o julgamento em diligência nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Nome do relator: LIEGE LACROIX THOMASI
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Resolvem os membros da Segunda Turma da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade, em converter o julgamento em diligência nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Marco Andre Ramos VieiraPresidente Presidente Liege Lacroix Thomasi Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Andre Ramos Vieira (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, Liege Lacroix Thomasi, Wilson Antonio de Souza Correa, Manoel Coelho Arruda Junior, Adriana Sato Fl. 152DF CARF MF Impresso em 08/08/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 17/07/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 30/07/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 17546.000763/200771 Resolução n.º 2302000.177 S2C3T2 Fl. 2 2 Relatório O lançamento referese às contribuições previdenciárias incidentes sobre a mão de obra utilizada em obra de construção civil, de propriedade do contribuinte acima identificado. A Notificação Fiscal de Lançamento de Débito, lavrada em 21/02/2007, foi cientificada ao sujeito passivo através de registro postal em 24/02/2007 e compreende a competência de 09/2006, conforme ARO e DISO emitidos. Após impugnação, Acórdão de fls. 45/47, converteu o julgamento em diligência para esclarecimentos acerca da real metragem da obra e respectivo enquadramento nos padrões residencial e comercial. Da informação fiscal de fls. 59/60, onde o crédito foi retificado, procedendose ao reenquadramento solicitado e nova emissão de ARO e DISO, o contribuinte foi cientificado, manifestandose acerca da inexistência de mão de obra assalariada e dizendo que o encerramento das atividades se deu no ano de 2000. Acórdão de fls.87/90, julgou o lançamento procedente em parte, em vista da retificação proposta quanto à metragem e área decadente com base na decadência decenal. O contribuinte apresentou recurso onde argúi a decadência qüinqüenal, juntando documentos para comprovar a edificação em período decadente. O recurso cumpriu com o requisito de admissibilidade devendo ser conhecido. Entretanto, é de se observar pelos elementos constantes do processo que o lançamento deve ser examinado à luz da Súmula Vinculante n.º 08, já que nas sessões plenárias dos dias 11 e 12/06/2008, respectivamente, o Supremo Tribunal Federal STF, por unanimidade, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91 e editou a Súmula Vinculante n° 08. Seguem transcrições: Parte final do voto proferido pelo Exmo Senhor Ministro Gilmar Mendes, Relator: Resultam inconstitucionais, portanto, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/91 e o parágrafo único do art.5º do Decretolei n° 1.569/77, que versando sobre normas gerais de Direito Tributário, invadiram conteúdo material sob a reserva constitucional de lei complementar. Sendo inconstitucionais os dispositivos, mantémse hígida a legislação anterior, com seus prazos qüinqüenais de prescrição e decadência e regras de fluência, que não acolhem a hipótese de suspensão da prescrição durante o arquivamento administrativo das execuções de pequeno valor, o que equivale a assentar que, como os demais tributos, as contribuições de Seguridade Social sujeitamse, entre outros, aos artigos 150, § 4º, 173 e 174 do CTN. Diante do exposto, conheço dos Recursos Extraordinários e lhes nego provimento, para confirmar a proclamada inconstitucionalidade dos Fl. 153DF CARF MF Impresso em 08/08/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 17/07/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 30/07/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 17546.000763/200771 Resolução n.º 2302000.177 S2C3T2 Fl. 3 3 arts. 45 e 46 da Lei 8.212/91, por violação do art. 146, III, b, da Constituição, e do parágrafo único do art. 5º do Decretolei n° 1.569/77, frente ao § 1º do art. 18 da Constituição de 1967, com a redação dada pela Emenda Constitucional 01/69. É como voto. Súmula Vinculante n° 08: “São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Os efeitos da Súmula Vinculante são previstos no artigo 103A da Constituição Federal, regulamentado pela Lei n° 11.417, de 19/12/2006, in verbis: Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004). Lei n° 11.417, de 19/12/2006: Regulamenta o art. 103A da Constituição Federal e altera a Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999, disciplinando a edição, a revisão e o cancelamento de enunciado de súmula vinculante pelo Supremo Tribunal Federal, e dá outras providências. ... Art. 2o O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, editar enunciado de súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma prevista nesta Lei. § 1o O enunciado da súmula terá por objeto a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais haja, entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública, controvérsia atual que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre idêntica questão. Como se constata, a partir da publicação na imprensa oficial, que se deu em 20/06/2008, todos os órgãos judiciais e administrativos ficam obrigados a acatarem a Súmula Vinculante. Fl. 154DF CARF MF Impresso em 08/08/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 17/07/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 30/07/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 17546.000763/200771 Resolução n.º 2302000.177 S2C3T2 Fl. 4 4 Pelo exposto, voto pela conversão do julgamento em diligência para que o período referente à edificação da obra de construção civil seja reexaminado, observando a decadência qüinqüenal contida no Código Tributário Nacional. Do resultado da diligência deve ser dado conhecimento ao recorrente e concedido prazo para manifestação. Liege Lacroix Thomasi Relatora Fl. 155DF CARF MF Impresso em 08/08/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 17/07/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 30/07/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA
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Numero do processo: 11020.915457/2009-45
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 20 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri May 03 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/12/2001 a 31/12/2001
MATÉRIA AUSENTE DA IMPUGNAÇÃO. PRECLUSÃO.
É inadmissível a apreciação em grau de recurso de matéria não suscitada na instância a quo, exceto quando deva ser reconhecida de ofício.
DCOMP. RESTITUIÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVAS. INDEFERIMENTO.
Tratando-se de restituição o ônus de provar a existência do indébito é do contribuinte, pelo que se indefere Declaração de Compensação justificada sob a alegação genérica de erro na apuração do tributo e acompanhada apenas de DCTF retificada após o despacho decisório na origem.
Numero da decisão: 3401-002.192
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso quanto à matéria preclusa, e na parte conhecida negar provimento, nos termos do voto do Relator.
JÚLIO CESAR ALVES RAMOS Presidente
EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Emanuel Carlos Dantas de Assis, Jean Clauter Simões Mendonça, Odassi Guerzoni Filho, Fernando Marques Cleto Duarte, Raquel Motta Brandão Minatel e Júlio César Alves Ramos. Ausente, justificadamente, a Conselheira Ângela Sartori.
Nome do relator: EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/12/2001 a 31/12/2001 MATÉRIA AUSENTE DA IMPUGNAÇÃO. PRECLUSÃO. É inadmissível a apreciação em grau de recurso de matéria não suscitada na instância a quo, exceto quando deva ser reconhecida de ofício. DCOMP. RESTITUIÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVAS. INDEFERIMENTO. Tratando-se de restituição o ônus de provar a existência do indébito é do contribuinte, pelo que se indefere Declaração de Compensação justificada sob a alegação genérica de erro na apuração do tributo e acompanhada apenas de DCTF retificada após o despacho decisório na origem.
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LEI Nº 9.718/98, ART. 3º, § 2º, III Recorrente BOMBARDELLI COMPONENTES LTDA Recorrida DRJ PORTO ALEGRERS ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/12/2001 a 31/12/2001 MATÉRIA AUSENTE DA IMPUGNAÇÃO. PRECLUSÃO. É inadmissível a apreciação em grau de recurso de matéria não suscitada na instância a quo, exceto quando deva ser reconhecida de ofício. DCOMP. RESTITUIÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVAS. INDEFERIMENTO. Tratandose de restituição o ônus de provar a existência do indébito é do contribuinte, pelo que se indefere Declaração de Compensação justificada sob a alegação genérica de erro na apuração do tributo e acompanhada apenas de DCTF retificada após o despacho decisório na origem. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso quanto à matéria preclusa, e na parte conhecida negar provimento, nos termos do voto do Relator. JÚLIO CESAR ALVES RAMOS – Presidente EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS – Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Emanuel Carlos Dantas de Assis, Jean Clauter Simões Mendonça, Odassi Guerzoni Filho, Fernando Marques Cleto Duarte, Raquel Motta Brandão Minatel e Júlio César Alves Ramos. Ausente, justificadamente, a Conselheira Ângela Sartori. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 91 54 57 /2 00 9- 45 Fl. 54DF CARF MF Impresso em 03/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 22/04/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 05/04/2013 por EMANUEL CARLOS DANTA S DE ASSIS 2 Relatório Tratase de recurso voluntário contra acórdão da DRJ, que mantendo despacho decisório eletrônico da origem julgou improcedente Manifestação de Inconformidade relativa à Declaração de Compensação (DCOMP) cujo crédito alegado é da Cofins. O direito creditório não foi reconhecido na origem em razão de o DARF indicado como pagamento indevido ou a maior constar como integralmente aproveitado para quitação do respectivo débito. Na Manifestação de Inconformidade a empresa alega que o indébito tem origem em recolhimento indevido, por terem sido computados na base de cálculo da Contribuição valores repassados a terceiros. Afirma que deixou de excluir da base de cálculo as deduções previstas no art. 3º, § 2º, da Lei nº 9.718, de 1998, especialmente aquela prevista no inciso III do referido parágrafo, arguindo que a inexistência de norma regulamentadora não pode restringir as deduções. Transcreve decisões judiciais favoráveis às exclusões apontadas, citando o art. 66 da Lei 8.383, de 1991, e defendendo o direito à compensação. A DRJ manteve o indeferimento, levando em conta, primeiro, que a restituição ou compensação tributária está condicionada à comprovação da certeza e liquidez do indébito, o que não ocorreu neste processo, e segundo, que o inciso III do § 2º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 não possuía força executória, por depender de norma regulamentadora, não editada até a sua revogação pela MP nº 1.991, de 2000. No Recurso Voluntário, tempestivo, a contribuinte insiste na compensação, introduzindo alegação nova ausente da Manifestação de Inconformidade ao afirmar que o indébito decorre de recolhimento indevido a título de PIS, apurado com base nos DecretosLeis nº 2.445 e 2.449, de 1988. É o relatório, elaborado a partir do processo digitalizado. Voto O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos do Processo Administrativo Fiscal, pelo que dele conheço, exceto no que alega se tratar de indébito com origem em recolhimento indevido a título de PIS, cuja apuração teria se dado com base nos DecretosLeis nº 2.445 e 2.449, de 1988. Ao defender, apenas na peça recursal, que o pagamento indevido teria tal origem, a contribuinte introduz matéria que não deve ser conhecida nesta segunda instância. Por ter sido abordada apenas em sede recursal, resta impossibilidade o seu conhecimento em face da preclusão. Fl. 55DF CARF MF Impresso em 03/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 22/04/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 05/04/2013 por EMANUEL CARLOS DANTA S DE ASSIS Processo nº 11020.915457/200945 Acórdão n.º 3401002.192 S3C4T1 Fl. 55 3 Na lição de Chiovenda, repetida por Luiz Guilherme Marioni e Sérgio Cruz Arenhart, temse que:1 ... a preclusão consiste na perda, ou na extinção ou na consumação de uma faculdade processual. Isso pode ocorrer pelo fato: i) de não ter a parte observado a ordem assinalada pela lei ao exercício da faculdade, como os termos peremptórios ou a sucessão legal das atividades e das exceções; ii) de ter a parte realizado atividade incompatível com o exercício da faculdade, como a proposição de uma exceção incompatível com outra, ou a prática de ato incompatível com a intenção de impugnar uma decisão; iii) de ter a parte já exercitado validamente a faculdade A cada uma das situações acima corresponde, respectivamente, os três tipos de preclusão: a temporal, a lógica e a consumativa. No caso em tela ocorreu a preclusão temporal, consistente na perda da oportunidade que o contribuinte teve para tratar, já que na Manifestação de Inconformidade alegou origem diversa para o indébito – teria deixado de excluir da base de cálculo as deduções previstas no art. 3º, § 2º, III, da Lei nº 9.718, de 1998. Caso não incorresse em preclusão e tivesse repetido na peça recursal a alegação escorada no citado inc. III do § 2º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, de todo modo não assistiria razão à Recorrente, como já decidiram o órgão de origem e a DRJ. É que o referido inciso foi revogado pelo art. 47, IV, "b", da MP nº 1.99118, de 09/06/2000, atual MP 2.15835, de 24/08/2001, antes de ter sido regulamentado. O poder atribuído ao Executivo para regulamentar o inc. III do § 2º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 nada tem de ilegal ou inconstitucional. Neste sentido já assentou o STJ, inclusive, como se observa no julgado abaixo: RECURSO ESPECIAL. ADMINISTRATIVO E TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. LEI N.º 9.718/98, ARTIGO 3º, § 2º, INCISO III. NORMA DEPENDENTE DE REGULAMENTAÇÃO. REVOGAÇÃO PELA MEDIDA PROVISÓRIA N.º 199118/2000. AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO AO ARTIGO 97, IV, DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL. DESPROVIMENTO. 1. Se o comando legal inserto no artigo 3º, § 2º, III, da Lei n.º 9718/98 previa que a exclusão de crédito tributário ali prevista dependia de normas regulamentares a serem expedidas pelo Executivo, é certo que, embora vigente, não teve eficácia no mundo jurídico, já que não editado o decreto regulamentador, a citada norma foi expressamente revogada com a edição de MP 199118/2000. Não comete violação ao artigo 97, IV, do Código 1 MARIONI, Luiz Guilherme e ARENHART, Sérgio Cruz Arenhart. Manual do Processo do Conhecimento. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2004, p. 665, apud CHIOVENDA, Giuseppe. "Cosa giudicata e preclusione", in Saggi di diritto processuale civile. Milano: Giuffrè, 1993, vol. 3, p. 233. Fl. 56DF CARF MF Impresso em 03/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 22/04/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 05/04/2013 por EMANUEL CARLOS DANTA S DE ASSIS 4 Tributário Nacional o decisório que em decorrência deste fato, não reconhece o direito de o recorrente proceder à compensação dos valores que entende ter pago a mais a título de contribuição para o PIS e a COFINS. 2. "In casu", o legislador não pretendeu a aplicação imediata e genérica da lei, sem que lhe fossem dados outros contornos como pretende a recorrente, caso contrário, não teria limitado seu poder de abrangência. 3. Recurso Especial desprovido. (Superior Tribunal de Justiça, Resp n° 445.452 RS (2002∕00836607) DJ de 10/03/2003, Relator Min. José Delgado). A decisão acima produz a melhor interpretação, ao determinar que o citado dispositivo, não produziu eficácia no período em que vigente – até ter sido revogado pelo art. 47, IV, "b", da MP nº 1.99118, de 09/06/2000, atual MP 2.15835, de 24/08/2001 , em virtude da ausência de regulamentação. Vem, a interpretação do STJ, ao encontro do Ato Declaratório do Secretário da Receita Federal nº 56, de 20/07/2000, segundo o qual a norma veiculada pelo III do § 2º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 é ineficaz, para fins de eventual exclusão de valores que, computados como receita bruta, hajam sido transferidos para outra pessoa jurídica. Por fim, ressalto que em pedido de restituição ou ressarcimento o ônus de provar a existência do indébito é do sujeito passivo. Sendo assim, a alegação genérica de pagamento indevido ou a maior precisava ser esclarecida. Cabia à Recorrente evidenciar com precisão e de modo não contraditório a origem do indébito, para que esse pudesse ser reconhecido e a compensação homologada. Tendo acontecido o contrário, a compensação não deve ser homologada. Pelo exposto, em face da preclusão não conheço da alegação de que o indébito teria tido origem em recolhimentos indevidos do PIS, e na parte conhecida nego provimento ao Recurso Voluntário. Emanuel Carlos Dantas de Assis Fl. 57DF CARF MF Impresso em 03/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 22/04/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 05/04/2013 por EMANUEL CARLOS DANTA S DE ASSIS
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Numero do processo: 10715.003763/2009-56
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 14 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Normas Gerais de Direito Tributário Assunto: Processo Administrativo Fiscal Exercício: 2004 Ementa: Sujeito Passivo. Identificação. Prova. Ausência. Ato Administrativo do Lançamento. Nulidade. E nulo o ato administrativo do lançamento que imputa sujeição passiva sem carrear aos autos prova dessa condição. Não comprovada a pessoa do transportador na relação das declarações de importação. Recuso de Ofício negado provimento.
Numero da decisão: 3102-001.381
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Vencido(a)s o(a) Conselheiro(a) Mara Cristina Sifuentes.
Nome do relator: ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO
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Identificação. Prova. Ausência. Ato Administrativo do Lançamento. Nulidade. E nulo o ato administrativo do lançamento que imputa sujeição passiva sem carrear aos autos prova dessa condição. Não comprovada a pessoa do transportador na relação das declarações de importação. Recuso de Ofício negado provimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Vencido(a)s o(a) Conselheiro(a) Mara Cristina Sifuentes. (assinado digitalmente) LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Presidente. (assinado digitalmente) ÁLVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO Relator. EDITADO EM: 01/05/2012 Fl. 113DF CARF MF Impresso em 24/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/05/2012 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA F, Assinado digitalmente e m 01/05/2012 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA F, Assinado digitalmente em 02/05/2012 por LUIS MARC ELO GUERRA DE CASTRO 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luis Marcelo Guerra de Castro (presidente da turma), Luciano Pontes de Maya Gomes, Mara Cristina Sifuentes, Winderley Morais Pereira e Álvaro Almeida Filho. Relatório O recurso de ofício visa a reforma do acórdão nº 0721843 da 1ª Turma da DRJ/FNS, que entendeu pela nulidade do lançamento por ausência de prova. Observando o relato da decisão recorrida é possível constatar que: Trata o presente processo do auto de infração de fls. 02 a 22, por meio do qual encontrase formalizada a exigência do crédito tributário no valor de R$ 1.660.000,00 em decorrência do fato de a interessada, segunda a autuação, ter registrado intempestivamente os dados de embarque de mercadorias, relativos aos despachos de exportação indicados na planilha juntada às fls. 23 a 46, descumprindo dessa forma a obrigação acessória prevista no art. 37 da Instrução Normativa SRF n° 28, de 27 de abril de 1994, com a redação dada pela Instrução Normativa SRF n° 510, de 14 de fevereiro de 2005, sujeitandose por essa infração à multa prevista na alínea " e " do inciso IV do art. 107 do Decretolei n° 37, de 18 de novembro de 1966, com a redação dada pelo art. 77 da Lei n° 10.833, de 2003. Cientificada da exigência que lhe é imposta, a interessada apresenta a impugnação de fls. 27 a 29, argumentando, tão somente, que o lançamento padece de nulidade em face de ilegitimidade passiva, haja vista que os fatos declinados no auto de infração tratam de atividades relacionadas à outra empresa, e não a ela. É o relatório. Analisada a impugnação ao auto de infração, decidiu a DRJ/FNS, pela nulidade do lançamento, conforme demonstra ementa abaixo: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Exercício: 2004 Ementa: Sujeito Passivo. Identificação. Prova. Ausência. Ato Administrativo do Lançamento. Nulidade. E nulo o ato administrativo do lançamento que imputa sujeição passiva sem carrear aos autos prova dessa condição. Impugnação Procedente Crédito Tributário Exonerado É o relatório. Voto Conselheiro Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho Fl. 114DF CARF MF Impresso em 24/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/05/2012 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA F, Assinado digitalmente e m 01/05/2012 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA F, Assinado digitalmente em 02/05/2012 por LUIS MARC ELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10715.003763/200956 Acórdão n.º 3102001.381 S3C1T2 Fl. 108 3 Conheço do presente recurso de ofício por tratar de matéria de competência da terceira seção. Observando o auto de infração percebese que foi imputada a recorrida (em recuperação judicial) sanção por registro intempestivo de dados de embarque de mercadorias, entretanto, sem entrar no mérito da questão, a decisão em análise entendeu pela nulidade do lançamento ao observar que não ficou demonstrada “a pessoa do transportador” na relação das declarações de importação, assim resta analisar se procede a nulidade. Como bem demonstrado pela decisão recorrida não é possível identificar nos autos qual o responsável pela infração, pois não constam informações sobre a pessoa do transportador e assim acerta a decisão recorrida, adotando aqui suas razões: Como visto, a autuação laborou na relação das declarações de exportação (fls. 06 a 08), cujo registro dos dados de embarque das correspondentes mercadorias foi realizado fora do prazo fixado para tanto, onde consta a indicação: a) do número da declaração de exportação; b) do dia do embarque; c) do dia da averbação; d) do número do vôo; e e) do total de vôos no dia. Contudo, não se vê na referida relação informação sobre a pessoa do transportador, como anteriormente dito, de caráter fundamental para identificar o sujeito passivo da obrigação da qual se trata, e conseqüente formalização da exigência em análise. De se dizer, a mencionada planilha, por si só, não traz informação capaz de contribuir para a identificação do transportador nas operações em consideração. Essa planilha, nada prova sobre a pessoa que atuou nos embarques em questão na condição de transportador, pois, serviu apenas e tãosomente para a consolidação dos dados pertinentes ao embarque das mercadorias, os quais, por certo, devem ter sido buscados nos registros efetuados no Siscomex, cujos extratos correspondentes, por certo, devem trazer informação sobre a pessoa do transportador. No entanto, a presunção de legitimidade dos atos administrativos não serve como meio de supressão de lacunas probatórias, como se depreende da parte final do caput do art. 9o do Decreto n° Fl. 115DF CARF MF Impresso em 24/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/05/2012 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA F, Assinado digitalmente e m 01/05/2012 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA F, Assinado digitalmente em 02/05/2012 por LUIS MARC ELO GUERRA DE CASTRO 4 70.235, de 1972, acima descrito, ao determinar que os autos de infração "deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. Dessa forma, ao se perquirir sobre a pessoa que atuou na condição de transportador ou de representante deste, nos embarques em questão, para fins de aplicação da norma disposta, respectivamente, nos arts. 37 ou no inciso II do parágrafo único do art. 32, ambos do Decretolei n° 37, de 18 de novembro de 1966, pelo explicitado, ficase, diante dos autos que integram o processo, sem a devida resposta, uma vez que, ditos autos nada informam a esse respeito. Diante desse vazio, não se sabe sob qual condição a interessada atuou nos embarques em questão e, se, efetivamente, atuou nos mesmos, ou, conforme alega, se foram esses realizados pela empresa Varig Logística S/A, originada de sua cisão. É preciso provar que a interessada tenha atuado, nos embarques em consideração, na condição de transportador para então trazê la para o pólo passivo da exigência em questão. Isso, como visto, a autuação não logrou fazer. Pelo então explicitado, entendo que a carência em comento é razão bastante para sustentar a decisão da lide em caso. Por outra banda, deve, também, o agente do fisco, ao formalizar a exigência fiscal, laborar no sentido de colher as provas vinculadas ao fato acusado para com isso instruir com a devida essencialidade e suficiência o auto de infração, conforme disposto no art. 9o do Decreto n° 70.235, de 1972, que se encontra nos seguintes termos: Art. 9° A exigência do crédito tributário, a retificação de prejuízo fiscal e a aplicação de penalidade isolada serão formalizadas em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada imposto, contribuição ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito, (redação dada pelo art. Io da Lei n° 8.748, de 1993). Essa colheita de provas, por evidente, se faz no âmbito da chamada "instrução primária" do procedimento de fiscalização, cuja apresentação das provas colhidas, em razão do contraditório, da ampla defesa e da publicidade, tem lugar no momento da geração do ato tributário (lavratura do auto de infração). Fl. 116DF CARF MF Impresso em 24/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/05/2012 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA F, Assinado digitalmente e m 01/05/2012 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA F, Assinado digitalmente em 02/05/2012 por LUIS MARC ELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10715.003763/200956 Acórdão n.º 3102001.381 S3C1T2 Fl. 109 5 Os resultados, portanto, das ações de fiscalização devem estar devidamente consubstanciados por provas que sustentem o fato acusado, sob pena de comprometimento da possibilidade de contestação, na fase litigiosa, dos argumentos e meios utilizados pela autuação para sustentar a exigência que lhe é imposta. Em face de todo o exposto, não se vislumbra razão outra para sustentar decisão que não seja no sentido de concluir pela nulidade do ato administrativo do lançamento nos termos em que se encontra consubstanciado no auto de infração que integra este processo. Diante dos argumentos acima nego provimento ao recurso de ofício. Sala de sessões 14 de fevereiro de 2012. (assinado digitalmente) Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho Relator Fl. 117DF CARF MF Impresso em 24/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/05/2012 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA F, Assinado digitalmente e m 01/05/2012 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA F, Assinado digitalmente em 02/05/2012 por LUIS MARC ELO GUERRA DE CASTRO
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Numero do processo: 10950.003064/2006-81
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 19 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri May 03 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005
ANÁLISE ADMINISTRATIVA DE CONSTITUCIONALIDADE. VEDAÇÃO. SÚMULA CARF N. 2.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. NÃO-CUMULATIVIDADE. INSUMO. CONCEITO.
O conceito de insumo na legislação referente à Contribuição para o PIS/PASEP não guarda correspondência com o extraído da legislação do IPI (demasiadamente restritivo) ou do IR (excessivamente alargado). Em atendimento ao comando legal, o insumo deve ser necessário ao processo produtivo/fabril, não havendo a possibilidade de cogitar-se a existência de um produto final na ausência do insumo. Impressos, materiais de escritório, uniformes e equipamentos de proteção individual não constituem insumos para uma empresa fabricante e revendedora de adubos e fertilizantes.
CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. NÃO-CUMULATIVIDADE. SERVIÇOS VINCULADOS A AQUISIÇÕES DE BENS COM ALÍQUOTA ZERO. CREDITAMENTO. POSSIBILIDADE.
É possível o creditamento em relação a serviços sujeitos a tributação (transporte, carga e descarga) efetuados em/com bens não sujeitos a tributação pela contribuição.
Numero da decisão: 3403-001.944
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer o direito à tomada de crédito em relação ao frete sobre serviços de transporte e em relação aos serviços de desembaraço/desestiva. Vencido o Cons. Robson José Bayerl, que votou por negar provimento na íntegra.
Antonio Carlos Atulim - Presidente.
Rosaldo Trevisan - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan (relator), Robson José Bayerl, Marcos Tranchesi Ortiz, Ivan Allegretti e Domingos de Sá Filho.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005 ANÁLISE ADMINISTRATIVA DE CONSTITUCIONALIDADE. VEDAÇÃO. SÚMULA CARF N. 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. NÃO-CUMULATIVIDADE. INSUMO. CONCEITO. O conceito de insumo na legislação referente à Contribuição para o PIS/PASEP não guarda correspondência com o extraído da legislação do IPI (demasiadamente restritivo) ou do IR (excessivamente alargado). Em atendimento ao comando legal, o insumo deve ser necessário ao processo produtivo/fabril, não havendo a possibilidade de cogitar-se a existência de um produto final na ausência do insumo. Impressos, materiais de escritório, uniformes e equipamentos de proteção individual não constituem insumos para uma empresa fabricante e revendedora de adubos e fertilizantes. CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. NÃO-CUMULATIVIDADE. SERVIÇOS VINCULADOS A AQUISIÇÕES DE BENS COM ALÍQUOTA ZERO. CREDITAMENTO. POSSIBILIDADE. É possível o creditamento em relação a serviços sujeitos a tributação (transporte, carga e descarga) efetuados em/com bens não sujeitos a tributação pela contribuição.
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VEDAÇÃO. SÚMULA CARF N. 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. NÃOCUMULATIVIDADE. INSUMO. CONCEITO. O conceito de insumo na legislação referente à Contribuição para o PIS/PASEP não guarda correspondência com o extraído da legislação do IPI (demasiadamente restritivo) ou do IR (excessivamente alargado). Em atendimento ao comando legal, o insumo deve ser necessário ao processo produtivo/fabril, não havendo a possibilidade de cogitarse a existência de um produto final na ausência do insumo. Impressos, materiais de escritório, uniformes e equipamentos de proteção individual não constituem insumos para uma empresa fabricante e revendedora de adubos e fertilizantes. CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. NÃOCUMULATIVIDADE. SERVIÇOS VINCULADOS A AQUISIÇÕES DE BENS COM ALÍQUOTA ZERO. CREDITAMENTO. POSSIBILIDADE. É possível o creditamento em relação a serviços sujeitos a tributação (transporte, carga e descarga) efetuados em/com bens não sujeitos a tributação pela contribuição. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer o direito à tomada de crédito em relação ao frete AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 95 0. 00 30 64 /2 00 6- 81 Fl. 217DF CARF MF Impresso em 03/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 27/04/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 09/04/2013 por ROSALDO TREVISAN 2 sobre serviços de transporte e em relação aos serviços de desembaraço/desestiva. Vencido o Cons. Robson José Bayerl, que votou por negar provimento na íntegra. Antonio Carlos Atulim Presidente. Rosaldo Trevisan Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan (relator), Robson José Bayerl, Marcos Tranchesi Ortiz, Ivan Allegretti e Domingos de Sá Filho. Relatório Versa o presente sobre PER/DCOMP (fls. 31 a 6) relativo a crédito de Contribuição para o PIS/Pasep nãocumulativa referente ao 4o trimestre de 2005, no valor de R$ 43.817,93. Ao analisar a solicitação (fls. 84 a 97), a unidade local reconhece parcialmente o direito creditório (R$ 21.025,76) homologando, na parte reconhecida, as compensações requeridas. As parcelas não reconhecidas referemse a: a) creditamento de aquisições de bens que não podem ser caracterizados como insumos (contas “impressos e material de escritóriocif” e “uniformes e epicif”); e b) aproveitamento de créditos sobre gastos com serviços sem previsão legal (contas “fretes s/ compras estoques”, “desembaraço/desestiva estoques”, “fretes s/ comprascif”), vinculados a aquisições de matérias primas com alíquota zero. Cientificada da decisão da unidade local (em 2/6/2011 fl. 100), a empresa apresenta manifestação de inconformidade (em 30/6/2011 fls. 103 a 131). Na peça apresentada, sustenta que: a) o princípio constitucional da nãocumulatividade garante à contribuinte o direito de compensar em cada operação o montante de IPI, ICMS, Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins relativos às operações anteriores, sendo impossível sua modulação pelo legislador ordinário; b) o conceito de insumo constante das Instruções Normativas da RFB (então SRF) no 247/2002 e 404/2004 é demasiadamente restritivo, uma vez que veda o direito ao aproveitamento de créditos relacionados a insumos essenciais à atividade industrial, e deve ser afastado, assim como a Lei no 10.637/2002, pois tais normas infraconstitucionais não podem estabelecer vedações ao aproveitamento de crédito; c) o CARF tem entendido que o conceito de insumo para efeito da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins deve ser o do IR, e não o do IPI, o que abarca os materiais de escritório e uniformes e equipamentos de proteção individual epi’s; e d) o inciso II do § 2o do art. 3o das Leis no 10.637/2002 e 10.833/2003 deve ser analisado à luz do art. 17 da Lei no 11.033/2004 (que trata da manutenção de créditos em relação a vendas efetuadas com alíquota zero). Em 4/11/2011, no julgamento de primeira instância (fls. 172 a 181), acorda se que: a) “não existe previsão legal expressa para o cálculo de crédito sobre o valor do frete na 1 Todos os números de folhas indicados nesta decisão são baseados na numeração eletrônica da versão digital do processo (eprocessos). Fl. 218DF CARF MF Impresso em 03/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 27/04/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 09/04/2013 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 10950.003064/200681 Acórdão n.º 3403001.944 S3C4T3 Fl. 218 3 aquisição e dos custos/despesas com desembaraço/desestiva, sendo permitido apenas quando o bem adquirido for passível de creditamento, já que tais despesas compõem o custo de aquisição”; b) “no cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, o sujeito passivo somente poderá descontar créditos calculados sobre valores correspondentes a insumos, assim entendidos os bens ou serviços aplicados ou consumidos diretamente na produção ou fabricação de bens e na prestação de serviços”; e c) “as instâncias administrativas são incompetentes para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária”. Cientificada da decisão em 16/1/2012 (fl. 184), a empresa apresenta recurso voluntário em 15/2/2012 (fls. 185 a 213), basicamente reiterando os argumentos expostos na manifestação de inconformidade, sobre a impossibilidade de modulação infraconstitucional do princípio da nãocumulatividade, sobre o conceito restritivo de insumos estabelecido nas normas infralegais da RFB (advindo do IPI), em desacordo com o posicionamento do CARF (pautado pelo IR), e sobre o entendimento de que o art. 17 da Lei no 11.033/2004 revogou o inciso II do § 2o do art. 3o das Leis no 10.637/2002 e 10.833/2003 e, portanto, a aquisição de serviços (frete / desestiva) vinculados à compra de bens sujeitos à alíquota zero não inibe o direito ao crédito de Contribuição para o PIS/Pasep e de Cofins. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, relator O recurso preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele se toma conhecimento. Dos três pontos atacados no Recurso Voluntário, impendese destacar a impossibilidade de análise por parte deste CARF do primeiro, que sustenta ser a não cumulatividade expressa na Constituição Federal brasileira (art. 195, § 12) inatingível pela legislação infraconstitucional, devendo eventual modulação ser feita tãosomente no próprio texto constitucional, o que culminaria no reconhecimento de inconstitucionalidade nas limitações estabelecidas pelas Leis no 10.637/2002 e 10.833/2003 e pelas IN SRF no 247/2002 e 404/2004. O tema já é inclusive sumulado no âmbito deste tribunal: “Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” Resta, assim, a análise da abrangência do conceito de insumos na legislação referente à Contribuição para o PIS/Pasep e à Cofins, e a verificação de compatibilidade entre o art. 17 da Lei no 11.033/2004 e o inciso II do § 2o do art. 3o das Leis no 10.637/2002 e 10.833/2003. Do conceito de insumo O termo insumo é polissêmico. Por isso, há que se indagar qual é sua abrangência no contexto das Leis no 10.627/2002 e 10.833/2003. Na busca de um norte para a questão, poderseia ter em consideração os teores do § 5o do art. 66 da IN SRF no 247/2002 Fl. 219DF CARF MF Impresso em 03/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 27/04/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 09/04/2013 por ROSALDO TREVISAN 4 (editado com base no art. 66 da Lei no 10.637/2002) e do art. 8o da IN SRF no 404/2004 (editado com alicerce no art. 92 da Lei no 10.833/2003), que, para efeito de disciplina da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, estabelecem entendimento de que o termo insumo utilizado na fabricação ou produção de bens destinados à venda abrange “as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado” e “os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto”. Outro caminho seria buscar analogia com a legislação do IPI ou do IR (ambas frequentes na jurisprudência deste CARF, sendo uma delas inclusive mencionada no Recurso Voluntário, cabendo ressaltar que ainda não há posicionamento assentado nesta corte administrativa sobre a matéria). Contudo, tal tarefa se revela improfícua, pois em face da legislação que rege as contribuições, o conceito expresso nas normas que tratam do IPI é demasiadamente restritivo, e o encontrado na legislação do IR é excessivamente amplo, visto que se adotada a acepção de “despesas operacionais”, chegarseia à absurda conclusão de que a maior parte dos incisos do art. 3o das Leis no 10.637/2002 e 10.833/2003 (inclusive alguns que demandaram alteração legislativa para inclusão v.g. incisos IX, referente a energia elétrica e térmica, e X, sobre valetransporte ... para prestadoras de serviços de limpeza...) é inútil ou desnecessária. A Lei no 10.637/2002, que trata da Contribuição para o PIS/Pasep não cumulativa, e a Lei no 10.833/2003, que trata da Cofins nãocumulativa, explicitam, em seus arts. 3o, que podem ser descontados créditos em relação a: “II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, (...)” (grifo nosso) A mera leitura dos dispositivos legais já aponta para a impossibilidade de se considerar como insumo um bem ou serviço que não seja utilizado na produção ou fabricação do bem destinado à venda. Poderseia aí argumentar que a lei desbordou do comando constitucional referente à nãocumulatividade, que asseguraria o creditamento a qualquer despesa necessária à consecução do objeto social da empresa, como parece sugerir a recorrente. Contudo, reiterase que este tribunal carece de competência para levar adiante a discussão, em face da Súmula CARF no 2. Há, assim, que se acolher a argumentação de que o insumo deve ser necessário ao processo produtivo/fabril. Não poderia cogitarse a existência de um produto final na ausência do insumo. A recorrente é empresa dedicada à fabricação e venda de adubos e fertilizantes. Não há dúvida, por exemplo, ao afirmarse que a matériaprima utilizada na confecção dos adubos e fertilizantes constitui insumo. Contudo, entre a zona de certeza positiva e a de certeza negativa (uma cesta de natal entregue pela empresa a um funcionário certamente não constitui um insumo) existe uma zona de “penumbra” (GENARO CARRIÓ2), na qual só a análise do caso concreto, das atividades da empresa e do processo produtivo permitirá um enquadramento mais preciso. A glosa (mantida pelo julgador a quo) é efetuada em relação às despesas com impressos, materiais de escritório, uniformes e equipamentos de proteção individual. 2 In Notas Sobre Derecho y Lenguaje. 5 ed. Buenos Aires: AbeledoPerrot, 2006, p. 55 e ss. Fl. 220DF CARF MF Impresso em 03/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 27/04/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 09/04/2013 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 10950.003064/200681 Acórdão n.º 3403001.944 S3C4T3 Fl. 219 5 No recurso voluntário, a empresa argumenta que o termo “insumo” abrange, além das despesas diretas: “[...] todas as depesas indiretas incorridas para a obtenção de receita, como, por exemplo: os gastos de promoção, colocação e distribuição dos produtos da empresa, inclusive com o pessoal das áreas de vendas, marketing, distribuição, administrativo interno de vendas,comissões sobre vendas, propaganda e publicidade, fretes sobre compras, desembaraço/desestiva, impressos, material de escritório, uniformes, epi’s, etc, além daquelas despesas administrativas propriamente ditas [...]” Não é preciso muito esforço para perceber que tal posicionamento não se coaduna com a disposição legal que trata da matéria. Nas relações não exaustivas apresentadas pela recorrente encontramse somente zonas de certeza negativa em relação à lei que rege a matéria. Sequer se visualiza “zona de penumbra”. Todas as atividades relacionadas podem até ter alguma relação com o objeto social da empresa (fabricação e venda de adubos e fertilizantes), mas não com o processo produtivo/fabril. Não há, assim, como acatar a tese da recorrente, no sentido de um alargamento do conceito de insumos que transbordaria o dispositivo legal que rege a matéria. Não se acolhe, destarte, a argumentação de que impressos, materiais de escritório, uniformes e equipamentos de proteção individual constituam insumos para uma empresa fabricante e revendedora de adubos e fertilizantes, pela inexistência de vínculo de tais itens com o processo produtivo/fabril. Do creditamento em relação a serviços relacionados a bens adquiridos com alíquota zero Pleiteia ainda a recorrente o creditamento em relação a três contas, intituladas “fretes s/ compras estoques”, “desembaraço/desestiva estoques”, e “fretes s/ comprascif”. Instada a explicitar as referidas contas, indicando as razões pelas quais considerou como geradores de crédito da contribuição os dispêndios nelas registrados, a empresa (fl. 60) assim esclareceu seu conteúdo, classificando as despesas como “serviços utilizados como insumos”, albergados pelas Leis no 10.637/2002 e 10.833/2003: “Serviços Utilizados como insumos Fretes s/ compras estoques Aquisição de serviços de transporte das compras de insumos. Serviços Utilizados como insumos Desembaraço/desestiva Aquisição de serviços de carga e descarga da compra de insumos. Serviços Utilizados como insumos Fretes s/ compras (CIF) Aquisição de serviços de transporte das compras de insumos.” (grifos no original) Fl. 221DF CARF MF Impresso em 03/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 27/04/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 09/04/2013 por ROSALDO TREVISAN 6 A fiscalização não reconhece o crédito por ausência de amparo normativo, e afirma que o frete e as referidas despesas integram o custo de aquisição do bem, sujeito à alíquota zero (por força do art. 1o da Lei no 10.925/2004), o que inibe o creditamento, conforme a vedação estabelecida pelo inciso II do § 2o do art. 3o da Lei no 10.637/2002 (em relação à Contribuição para o PIS/Pasep), e pelo inciso II do § 2o do art. 3o da Lei no 10.833/2003 (em relação à Cofins): “Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) § 2o Não dará direito a crédito o valor: (...) II da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição. (Incluído pela Lei no 10.865, de 2004)” Contudo, é de se observar que o comando transcrito impede o creditamento em relação a bens não sujeitos ao pagamento da contribuição e serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição. Não trata o dispositivo de serviços sujeitos a tributação efetuados em/com bens não sujeitos a tributação (o que é o caso do presente processo). Improcedente assim a subsunção efetuada pelo julgador a quo no sentido de que o fato de o produto não ser tributado “contaminaria” também os serviços a ele associados. Vejase que é possível um bem não sujeito ao pagamento das contribuições ser objeto de uma operação de transporte tributada. E que o dispositivo legal citado não trata desse assunto. A recorrente questiona ainda a vigência do inciso II do § 2o do art. 3o das Leis no 10.637/2002 e 10.833/2003, afirmando que tais dispositivos foram revogados pelo art. 17 da Lei no 11.033/2004, que dispõe: “Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações.” Nesse ponto, como já esclarecido pelo julgador a quo, o art. 17 da Lei no 11.033/2004 não revoga nem o inciso II do § 2o do art. 3o da Lei no 10.637/2002, nem o inciso II do § 2o do art. 3o da Lei no 10.833/2003. Enquanto o comando da Lei no 11.033/2004 permite à empresa que adquire um produto tributado pelas contribuições mantenha o crédito mesmo que a venda se dê de forma não tributada, os dois outros dispositivos (Leis no 10.637/2002 e 10.833/2003) vedam o creditamento da contribuição para bens e serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição na aquisição. Assim, as Leis no 10.637/2002 e 10.833/2003 impedem o creditamento no caso de a aquisição de bens ou serviços não estar sujeita ao pagamento da contribuição. E a Lei no 11.033/2004 não gera direito a novo crédito (contrapondo a vedação), mas tãosomente permite a manutenção dos créditos (se existentes), no caso de venda efetuada com suspensão, isenção, alíquota zero ou nãoincidência das contribuições. Vejase que, no caso em questão, em face da inexistência de vedação no dispositivo legal analisado, era (e continua sendo) Fl. 222DF CARF MF Impresso em 03/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 27/04/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 09/04/2013 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 10950.003064/200681 Acórdão n.º 3403001.944 S3C4T3 Fl. 220 7 possível o creditamento em relação a serviços tributados efetuados em/com bens não sujeitos a tributação pela contribuição. Improcedente assim a afirmação de que houve revogação dos dispositivos que estabelecem a vedação de creditamento, o que, contudo, não prejudica, como exposto, o direito ao creditamento. É relevante destacar, por fim, que a segunda motivação alegada pela fiscalização para o não reconhecimento do crédito, de que somente os fretes nas operações de venda é que seriam ensejadores de crédito, merece aparas. Também as despesas com frete nas operações de compra de insumos podem gerar créditos (compondo o custo de aquisição do bem), como decidiu recentemente esta turma, de forma unânime, cabendo reproduzir abaixo excerto do voto condutor: “[...] na sistemática da nãocumulatividade do PIS e da COFINS, os dispêndios da pessoa jurídica com a contratação de frete podem se situar em três diferentes posições: (a) se na operação de venda, constituirá hipótese específica de creditamento, referida pelo art. 3o, inciso IX; (b) se associado à compra de matériasprimas, materiais de embalagem ou produtos intermediários, integrará o custo de aquisição e, por este motivo, dará direito de crédito em razão do previsto no artigo 3o, inciso I; e (c) finalmente, se respeitar ao trânsito de produtos inacabados entre unidades fabris do próprio contribuinte, será catalogável como custo de produção (RIR, art. 290) e, portanto, como insumo para os fins do inciso II do mesmo artigo 3o.” 3 (grifo nosso) Destaquese, por fim, que o fato de o serviço compor o custo de aquisição dos bens utilizados como insumos não opera uma transformação da natureza dos serviços tributados em bens não tributados, impossibilitando o creditamento. “Integrar o custo de aquisição do bem adquirido” difere de “integrar o tratamento tributário do bem adquirido”. Pelo exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário apresentado, para reconhecer o direito ao creditamento em relação aos serviços sujeitos a tributação (transporte, carga e descarga) efetuados em/com bens não sujeitos a tributação, referidos nas três contas intituladas “fretes s/ compras estoques”, “desembaraço/desestiva estoques”, e “fretes s/ comprascif” (que, em que pese a denominação inadequada, foram explicadas pela recorrente como sendo referentes a “aquisição de serviços de transporte das compras de insumos” e “serviços utilizados como insumos desembaraço/desestiva”). Rosaldo Trevisan 3 Acórdão n. 3403001.556, Rel. Cons. Marcos Tranchesi Ortiz, unânime, sessão de 25.abr.2012. Fl. 223DF CARF MF Impresso em 03/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 27/04/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 09/04/2013 por ROSALDO TREVISAN 8 Fl. 224DF CARF MF Impresso em 03/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 27/04/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 09/04/2013 por ROSALDO TREVISAN
score : 1.0
Numero do processo: 11543.002393/2010-55
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 10 00:00:00 UTC 2012
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Ano calendário:2009
MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DIPJ. BASE DE CÁLCULO.:
A base de cálculo da multa por atraso na entrega da DIPJ resulta da soma das parcelas, em cada trimestre do ano calendário, dos valores transcritos nas linhas 01 e 02 do formulário 12-A, reduzida dos valores das linhas 03 a 08 do mesmo formulário, mais o valor porventura declarado na linha 21.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 1402-000.963
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Carlos Pelá e Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira, que davam provimento
Nome do relator: ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA
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ementa_s : OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Ano calendário:2009 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DIPJ. BASE DE CÁLCULO.: A base de cálculo da multa por atraso na entrega da DIPJ resulta da soma das parcelas, em cada trimestre do ano calendário, dos valores transcritos nas linhas 01 e 02 do formulário 12-A, reduzida dos valores das linhas 03 a 08 do mesmo formulário, mais o valor porventura declarado na linha 21. Recurso Voluntário Negado.
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EMBRAE Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2009 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DIPJ. BASE DE CÁLCULO.: A base de cálculo da multa por atraso na entrega da DIPJ resulta da soma das parcelas, em cada trimestre do anocalendário, dos valores transcritos nas linhas 01 e 02 do formulário 12A, reduzida dos valores das linhas 03 a 08 do mesmo formulário, mais o valor porventura declarado na linha 21. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Carlos Pelá e Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira, que davam provimento (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente (assinado digitalmente) Antônio José Praga de Souza – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Leonardo de Andrade Couto. Fl. 59DF CARF MF Impresso em 14/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/ 06/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 11543.002393/201055 Acórdão n.º 140200.963 S1C4T2 Fl. 0 2 Relatório EMPRESA BRASILEIRA DE ENSINO PESQUISA E EXTENSAO S.A. EMBRAE recorre a este Conselho contra a decisão de primeira instância administrativa, que julgou procedente a exigência, pleiteando sua reforma, com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF). Transcrevo e adoto o relatório da decisão recorrida: Versa o presente processo sobre a notificações de lançamento de fl. 23, datada de 02/08/2010, por meio da qual é exigida da interessada acima qualificada a multa por atraso na entrega da sua Declaração de Informações da Pessoa JurídicaDIPJ do exercício de 2010, anocalendário 2009, no valor de R$ 24.727,09. Inconformada, a interessada apresentou, em 30/08/2010, a impugnação de fls. 01/04, onde alega, em síntese: Que tentou transmitir a DIPJ no prazo regulamentar, em 29/07/2010 e 30/07/2010, mas recebia o aviso em tela de “Serviço Indisponível Temporariamente – Por Favor, tente mais tarde”, que alega ter imprimido às 20h58m da noite de 30/07/2010 (fl. 21) e protesta que pelo art. 828 do Regulamento do Imposto de Renda RIR/1999, aprovado pelo Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999, que transcreve, poderia ser concedida uma prorrogação do prazo de entrega, imprescindível nas circunstancias em que a RFB reconhecesse as dificuldades na transmissão. Protesta que a multa foi aplicada sobre parcela de imposto não devida, haja vista que a sua atividade é alcançada pela isenção do PROUNI. Alerta que o próprio inciso I do art. 7º da Lei nº 10.426, de 24 de abril de 2002, com a redação dada pelo artigo 19 da Lei nº 11.051, de 29 de dezembro de 2004, que transcreve, faz alusão a “Imposto Devido”, conforme já previa o art. 964 do RIR/1999, demonstrando que, devido à isenção do PROUNI o seu imposto a pagar seria de R$ 88.838,94, que resultaria em uma multa de R$ 1.776,78 e não de R$ 24.727,09 que foi aplicada sobre o valor do imposto sem a isenção do Prouni e do Pat. Encerra pedindo seja prorrogada o prazo para entrega da DIPJ ou a revisão do débito fiscal reclamado. Mediante acórdão nº 1235.511 de 3/02/2011 “por unanimidade de votos, os membros da 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro – I, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado, NEGAR PROVIMENTO À IMPUGNAÇÃO e MANTER O CRÉDITO TRIBUTÁRIO de multa por atraso na entrega da Declaração de Informações da Pessoa JurídicaDIPJ do exercício de 2010, ano calendário 2009, no valor de R$ 24.727,09. Cientificada da aludida decisão, a contribuinte apresentou recurso voluntário, no qual contesta as conclusões do acórdão recorrido, repisa as alegações da peça impugnatória e, ao final, requer o provimento. É o relatório. Fl. 60DF CARF MF Impresso em 14/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/ 06/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 11543.002393/201055 Acórdão n.º 140200.963 S1C4T2 Fl. 0 3 Voto Conselheiro Antonio Jose Praga de Souza, Relator. O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos legais e regimentais para sua admissibilidade, dele conheço. Uma vez que a contribuinte não trouxe no recurso voluntário novas provas e considerando que os fundamentos da decisão recorrida não merecem reparos, peço vênia para tanscrevelos e adotálos com razões de decidir (verbis): A contribuinte não contesta o fato de que a Declaração foi entregue fora do prazo previsto na legislação, ensejando o lançamento de ofício objeto do presente processo. A multa foi aplicada, portanto, como determina a legislação tributária pertinente, não podendo a autoridade administrativa (lançadora e julgadora), em face do caráter plenamente vinculado de sua atividade, deixar de cumprila. A legislação não dá margem a incertezas ou dúvidas. Se a Declaração foi apresentada depois do prazo regulamentar, independente de qualquer circunstância, o contribuinte está sujeito à multa. De acordo com o inc. VI do art. 97 do Código Tributário Nacional, somente a lei pode estabelecer as hipóteses de dispensa ou redução de penalidades. Ocorre que não há dispositivo de lei que preveja hipótese de dispensa de multa por atraso na entrega das declarações como no presente caso, de vez que o fato gerador da imposição da penalidade é a não apresentação das declarações nos prazos regulamentares. Assim, há que se destacar que inexiste previsão legal que possibilite o afastamento, por este órgão julgador, da aplicação da penalidade de multa por atraso na entrega de Declaração, somente com base nas alegações da interessada de que o atraso se deu por problemas na elaboração ou transmissão da mesma, nos dois últimos dias para sua apresentação, mormente quando tais alegações são de difícil comprovação e quando não foi formalmente reconhecida pela RFB qualquer problema em seus sistemas, nos dias 29 e 30 de julho de 2010 que ensejasse prorrogação do prazo para entrega da DIPJ/2010, nem que a interessada tenha obtido qualquer autorização para apresentação após o prazo final de entrega, em 30/07/2010. Já com relação à base de cálculo da multa, a mesma foi aplicada com base no inciso I do art. 7º da Lei nº 10.426/2002, com a redação dada pela Lei nº 11.051/2004, que assim determina: Art. 7o O sujeito passivo que deixar de apresentar Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica DIPJ, Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica, Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte DIRF e Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais Dacon, nos prazos fixados, ou que as apresentar com incorreções ou omissões, será intimado a apresentar declaração original, no caso de nãoapresentação, ou a prestar esclarecimentos, nos demais casos, no prazo estipulado pela Secretaria da Receita Federal SRF, e sujeitarseá às seguintes multas: Fl. 61DF CARF MF Impresso em 14/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/ 06/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 11543.002393/201055 Acórdão n.º 140200.963 S1C4T2 Fl. 0 4 I de dois por cento ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante do imposto de renda da pessoa jurídica informado na DIPJ, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega desta Declaração ou entrega após o prazo, limitada a vinte por cento, observado o disposto no § 3º; (...) Segundo o demonstrativo do crédito tributário da própria notificação de lançamento, a fórmula para base de cálculo da multa por atraso na entrega da DIPJ resulta da soma das parcelas, em cada trimestre do anocalendário, dos valores transcritos nas linhas 01 e 02 do formulário 12A, reduzida dos valores das linhas 03 a 08 do mesmo formulário, mais o valor porventura declarado na linha 21. Isso significa dizer que a base de cálculo é o montante do imposto de renda informado, resultado do IRPJ e adicional, menos as deduções (linhas 03 a 08 do formulário 12 A), mais o IRPJ sobre a diferença entre o custo orçado e o custo efetivo porventura declarado, e não o valor do IRPJ a pagar que resultaria da redução das isenções por reinvestimento declaradas pela interessada e outras reduções, como, por exemplo, o Imposto de Renda Retido na Fonte ou pago por estimativa. Logo, não existe qualquer equívoco na base de cálculo da multa constante da notificação de lançamento objeto do presente processo. Conclusão Diante do exposto voto por negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Antônio José Praga de Souza Fl. 62DF CARF MF Impresso em 14/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/ 06/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA
score : 1.0
Numero do processo: 10073.901511/2008-14
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 26 00:00:00 UTC 2012
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 30/12/2002 MULTA DE MORA. DÉBITO PAGO A DESTEMPO. O débito fiscal declarado na respectiva DCTF e pago em data posterior à do seu vencimento está sujeito à multa de mora. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/03/2004 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO. A homologação de compensação de débito fiscal, efetuada pelo próprio sujeito passivo, mediante a transmissão de Declaração de Compensação (Dcomp), está condicionada à certeza e liquidez do crédito financeiro declarado. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO
Numero da decisão: 3301-001.495
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS
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ementa_s : NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 30/12/2002 MULTA DE MORA. DÉBITO PAGO A DESTEMPO. O débito fiscal declarado na respectiva DCTF e pago em data posterior à do seu vencimento está sujeito à multa de mora. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/03/2004 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO. A homologação de compensação de débito fiscal, efetuada pelo próprio sujeito passivo, mediante a transmissão de Declaração de Compensação (Dcomp), está condicionada à certeza e liquidez do crédito financeiro declarado. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO
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DÉBITO PAGO A DESTEMPO. O débito fiscal declarado na respectiva DCTF e pago em data posterior à do seu vencimento está sujeito à multa de mora. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/03/2004 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO. A homologação de compensação de débito fiscal, efetuada pelo próprio sujeito passivo, mediante a transmissão de Declaração de Compensação (Dcomp), está condicionada à certeza e liquidez do crédito financeiro declarado. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. (Assinado Digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente (Assinado Digitalmente) José Adão Vitorino de Morais Relator Fl. 142DF CARF MF Impresso em 11/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 09 /07/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 09/08/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Amauri Amora Câmara Júnior, Andréa Medrado Darzé, Maria Teresa Martínez López e Rodrigo da Costa Pôssas. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da DRJ Rio de Janeiro II que julgou improcedente a manifestação de inconformidade interposta contra despacho decisório que não homologou a compensação do débito de IRPJ, vencido em 31/03/2004, declarado na Declaração de Compensação (Dcomp) às fls. 05/09, transmitida naquela data, com crédito financeiro decorrente de multa de mora incidente sobre a Cofins, apurada para a competência de agosto de 2002, vencida em 13/09/2002 e recolhida em 31/12/2002. A DRF não homologou a compensação do débito fiscal declarado sob o argumento de que analisadas as informações prestadas na Dcomp, não foi confirmada a existência do crédito informado, pois o darf nela discriminado não foi localizado nos sistemas da Receita Federal, conforme Despacho Decisório às fls. 10. Inconformada com o despacho decisório, a recorrente interpôs manifestação de inconformidade (fls. 15/23), insistindo na homologação da compensação do débito fiscal declarado, alegando, em síntese, que o crédito informado ser refere à multa de mora recolhida indevidamente e que, embora o pagamento tenha sido efetuado com atraso, foi realizado espontaneamente, antes de iniciado qualquer procedimento fiscal visando sua cobrança. Analisada a manifestação de inconformidade, aquela DRJ julgoua improcedente, mantendo a não homologação da compensação do débito fiscal declarado, conforme Acórdão nº 1334.810, datado de 18/05/2011, às fls. 32/35, sob a seguinte ementa: “MULTA DE MORA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA A espontaneidade de que trata o art. 138 do Código Tributário Nacional não obsta a incidência da multa de mora decorrente do inadimplemento da obrigação tributária.” Cientificada dessa decisão, a recorrente interpôs recurso voluntário (40/48), requerendo a sua reforma a fim de se homologue a compensação do débito fiscal declarado, alegando, em síntese, a mesma razão expendida na manifestação de inconformidade, ou seja, ocorrência da denúncia espontânea, nos termos do CTN, art. 138, pelo fato de o débito declarado na DCTF, embora tenha sido pago a destempo, foi realizado espontaneamente antes de iniciado qualquer procedimento visando sua liquidação. É o relatório. Voto Conselheiro José Adão Vitorino de Morais O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Fl. 143DF CARF MF Impresso em 11/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 09 /07/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 09/08/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10073.901511/200814 Acórdão n.º 330101.495 S3C3T1 Fl. 143 3 Ao contrário do entendimento da recorrente, a denúncia espontânea não tem aptidão para afastar a multa decorrente da inadimplência, configurada no pagamento de tributo apurado, lançado e declarado pelo próprio contribuinte, efetuado após o prazo de seu vencimento estabelecido em lei. O Código Tributário Nacional (CTN), assim dispõe, quanto às cominações legais incidentes sobre débitos pagos a destempo: “Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária.” (grifo nãooriginal) Conforme se verifica, o próprio CTN estabelece que, além dos juros de mora, o crédito não integralmente pago no vencimento está sujeito à imposição de penalidades previstas nele ou em lei tributária. O Superior Tribunal de Justiça (STJ), inclusive, já editou súmula sobre esta matéria, a de nº 360, data de 27/08/2008, nos seguintes termos: “O beneficio da denúncia espontânea não se aplica aos tributos sujeitos a lançamento por homologação regularmente declarados, mas pagos a destempo.” Rel. Min. Eliana Calmon, em 27/8/2008. Também este tem sido o entendimento deste Conselho, conforme se verifica das ementas a seguir transcritas: “NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA DE MORA. APLICABILIDADE. A denúncia espontânea objeto do art. 138 do CTN referese a outras infrações que não o mero inadimplemento de tributo, pelo que descabe excluir a multa de mora no caso de recolhimento com atraso. (Ac. Nº 20312.511, de 18/10/2007, Rel. Dr. Emanuel Carlos Dantas de Assis). DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INOCORRÊNCIA. O pagamento de tributo ou contribuição espontâneo e extemporâneo enseja a inclusão de multa e juros de mora, cuja natureza se caracteriza pelo caráter compensatório ou reparatório.(Ac. 20181.587, de 07/11/2008, Rel. Dr. Mauricio Taveira e Silva) Em relação aos tributos sujeitos a lançamento por homologação, a denúncia espontânea somente se aplica aos casos em que o contribuinte declara o tributo, pagao tempestivamente e, posteriormente, verificando que o pagamento foi a menor, retifica a declaração e efetua o pagamento da diferença antes de iniciado qualquer procedimento administrativo fiscal visando sua exigência. Em caso assim, ou seja, de declaração/pagamento parcial do tributo, se o contribuinte retifica a declaração e efetua o pagamento da diferença antes de qualquer Fl. 144DF CARF MF Impresso em 11/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 09 /07/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 09/08/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 4 procedimento administrativo fiscal, visando sua exigência, deve ser reconhecida a denúncia espontânea. Aliás, tratase de entendimento do STJ, esposado no julgamento do Resp nº 1.149.022, de relatoria do Ministro Luiz Fux, nos termos do art. 543C do CPC, sob a seguinte ementa: “PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IRPJ E CSLL. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECLARAÇÃO PARCIAL DE DÉBITO TRIBUTÁRIO ACOMPANHADO DO PAGAMENTO INTEGRAL. POSTERIOR RETIFICAÇÃO DA DIFERENÇA A MAIOR COM A RESPECTIVA QUITAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. EXCLUSÃO DA MULTA MORATÓRIA. CABIMENTO. 1. A denúncia espontânea resta configurada na hipótese em que o contribuinte, após efetuar a declaração parcial do débito tributário (sujeito a lançamento por homologação) acompanhado do respectivo pagamento integral, retificaa (antes de qualquer procedimento da Administração Tributária), noticiando a existência de diferença a maior, cuja quitação se dá concomitantemente. 2. Deveras, a denúncia espontânea não resta caracterizada, com a conseqüente exclusão da multa moratória, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação declarados pelo contribuinte e recolhidos fora do prazo de vencimento, à vista ou parceladamente, ainda que anteriormente a qualquer procedimento do Fisco (Súmula 360/STJ) (Precedentes da Primeira Seção submetidos ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 886.462/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008; e REsp 962.379/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008). 3. É que "a declaração do contribuinte elide a necessidade da constituição formal do crédito, podendo este ser imediatamente inscrito em dívida ativa, tornandose exigível, independentemente de qualquer procedimento administrativo ou de notificação ao contribuinte" (REsp 850.423/SP, Rel. Ministro Castro Meira, Primeira Seção, julgado em 28.11.2007, DJ 07.02.2008). 4. Destarte, quando o contribuinte procede à retificação do valor declarado a menor (integralmente recolhido), elide a necessidade de o Fisco constituir o crédito tributário atinente à parte não declarada (e quitada à época da retificação), razão pela qual aplicável o benefício previsto no artigo 138, do CTN. 5. In casu, consoante consta da decisão que admitiu o recurso especial na origem (fls. 127/138): "No caso dos autos, a impetrante em 1996 apurou diferenças de recolhimento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica e Contribuição Social sobre o Lucro, anobase 1995 e prontamente recolheu esse montante devido, sendo que agora, pretende ver reconhecida a denúncia espontânea em razão do Fl. 145DF CARF MF Impresso em 11/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 09 /07/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 09/08/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10073.901511/200814 Acórdão n.º 330101.495 S3C3T1 Fl. 144 5 recolhimento do tributo em atraso, antes da ocorrência de qualquer procedimento fiscalizatório. Assim, não houve a declaração prévia e pagamento em atraso, mas uma verdadeira confissão de dívida e pagamento integral, de forma que resta configurada a denúncia espontânea, nos termos do disposto no artigo 138, do Código Tributário Nacional." 6. Conseqüentemente, merece reforma o acórdão regional, tendo em vista a configuração da denúncia espontânea na hipótese sub examine. 7. Outrossim, forçoso consignar que a sanção premial contida no instituto da denúncia espontânea exclui as penalidades pecuniárias, ou seja, as multas de caráter eminentemente punitivo, nas quais se incluem as multas moratórias, decorrentes da impontualidade do contribuinte. 8. Recurso especial provido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (grifos constam do original) Ora, conforme se verifica desta decisão, a denúncia espontânea, em relação aos tributos sujeitos a lançamento por homologação, somente se aplica aos casos de declaração/ pagamento parcial do tributo, cuja declaração foi retificada e a diferença declarada foi paga antes de iniciado qualquer procedimento administrativo fiscal visando sua exigência. No presente caso, não houve declaração parcial e sim declaração integral do débito e pagamento a destempo. Dessa forma, não há que se falar em indébito tributário decorrente da multa de mora paga na liquidação intempestiva do débito fiscal regularmente declarado. Quanto à homologação da compensação de débito fiscal, mediante a transmissão de Dcomp, segundo o art. 74 da Lei nº 9.430, de 27/12/1996, esta depende da certeza e liquidez do crédito financeiro declarado. No presente caso, conforme demonstrado, o crédito financeiro declarado na Dcomp era incerto e ilíquido, tendo em vista que o valor pago, a título de multa de mora, era devido pela recorrente e, ao contrário do seu entendimento, não constitui indébito tributário. Em face do exposto, nego provimento ao recurso voluntário. (Assinado Digitalmente) José Adão Vitorino de Morais Relator Fl. 146DF CARF MF Impresso em 11/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 09 /07/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 09/08/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 6 Fl. 147DF CARF MF Impresso em 11/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 09 /07/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 09/08/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS
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