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Numero do processo: 10469.721416/2011-82
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 22 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Mar 15 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/02/2007 a 31/12/2007
CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO FISCAL - INSTAURAÇÃO - DEFESA TEMPESTIVA
O contencioso administrativo fiscal só é instaurado mediante impugnação apresentada no prazo legal. Não se conhece de matéria considerada não impugnada pela intempestividade da manifestação
CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. ABONO DESTINADO A RETRIBUIR O TRABALHO.
Integra o salário-de-contribuição previdenciário o abono pago por liberalidade do empregador que não se enquadre na hipótese de exclusão prevista no item 7 da alínea e do § 9° do art. 28 da Lei n° 8.212/91.
SEGURADOS EMPREGADOS - CARACTERIZAÇÃO - AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOS ELEMENTOS DA RELAÇÃO EMPREGATÍCIA - NULIDADE -VÍCIO MATERIAL
A caracterização de segurados como empregados sem a devida demonstração da existência dos elementos da relação empregatícia, pessoalidade, eventualidade, subordinação e onerosidade é vício de natureza material que leva à nulidade do lançamento
MULTA DE MORA. APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO VIGENTE À ÉPOCA DO FATO GERADOR.
O lançamento reporta-se à data de ocorrência do fato gerador e rege-se pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. Para os fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP 449/2008, aplica-se a multa de mora nos percentuais da época, limitada a 75% (redação anterior do artigo 35, inciso II da Lei nº 8.212/1991).
LEI TRIBUTÁRIA. ATRIBUIÇÃO DE RESPONSABILIDADE. IRRETROATIVIDADE.
Com a revogação do art. 41 da Lei 8.212/1991, operada pela Medida Provisória (MP) n° 449/2008, posteriormente convertida na Lei 11.941/2009, os entes públicos passaram a responder pelas infrações oriundas do descumprimento de obrigações acessórias previstas na legislação previdenciária. Tratando-se de regra que impõe responsabilidade, não é possível a sua aplicação retroativa.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2402-003.237
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para que seja reconhecida a ilegitimidade passiva do autuado em relação ao documento identificado pelo debcad nº 37.281.629-0 e, em relação aos demais documentos, para que sejam excluídos dos lançamentos as contribuições incidentes sobre os valores pagos aos músicos e para que seja aplicada ao valor remanescente a multa de mora prevista no art. 35 da Lei nº 8.212/1991 na redação vigente à época dos fatos geradores, limitada a 75%.
Júlio César Vieira Gomes Presidente
Ana Maria Bandeira- Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Júlio César Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Thiago Taborda Simões e Nereu Miguel Ribeiro Domingues.
Nome do relator: ANA MARIA BANDEIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/02/2007 a 31/12/2007 CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO FISCAL - INSTAURAÇÃO - DEFESA TEMPESTIVA O contencioso administrativo fiscal só é instaurado mediante impugnação apresentada no prazo legal. Não se conhece de matéria considerada não impugnada pela intempestividade da manifestação CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. ABONO DESTINADO A RETRIBUIR O TRABALHO. Integra o salário-de-contribuição previdenciário o abono pago por liberalidade do empregador que não se enquadre na hipótese de exclusão prevista no item 7 da alínea e do § 9° do art. 28 da Lei n° 8.212/91. SEGURADOS EMPREGADOS - CARACTERIZAÇÃO - AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOS ELEMENTOS DA RELAÇÃO EMPREGATÍCIA - NULIDADE -VÍCIO MATERIAL A caracterização de segurados como empregados sem a devida demonstração da existência dos elementos da relação empregatícia, pessoalidade, eventualidade, subordinação e onerosidade é vício de natureza material que leva à nulidade do lançamento MULTA DE MORA. APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO VIGENTE À ÉPOCA DO FATO GERADOR. O lançamento reporta-se à data de ocorrência do fato gerador e rege-se pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. Para os fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP 449/2008, aplica-se a multa de mora nos percentuais da época, limitada a 75% (redação anterior do artigo 35, inciso II da Lei nº 8.212/1991). LEI TRIBUTÁRIA. ATRIBUIÇÃO DE RESPONSABILIDADE. IRRETROATIVIDADE. Com a revogação do art. 41 da Lei 8.212/1991, operada pela Medida Provisória (MP) n° 449/2008, posteriormente convertida na Lei 11.941/2009, os entes públicos passaram a responder pelas infrações oriundas do descumprimento de obrigações acessórias previstas na legislação previdenciária. Tratando-se de regra que impõe responsabilidade, não é possível a sua aplicação retroativa. Recurso Voluntário Provido em Parte
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Não se conhece de matéria considerada não impugnada pela intempestividade da manifestação CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. ABONO DESTINADO A RETRIBUIR O TRABALHO. Integra o saláriodecontribuição previdenciário o abono pago por liberalidade do empregador que não se enquadre na hipótese de exclusão prevista no item “7” da alínea “e” do § 9° do art. 28 da Lei n° 8.212/91. SEGURADOS EMPREGADOS CARACTERIZAÇÃO AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOS ELEMENTOS DA RELAÇÃO EMPREGATÍCIA NULIDADE VÍCIO MATERIAL A caracterização de segurados como empregados sem a devida demonstração da existência dos elementos da relação empregatícia, pessoalidade, eventualidade, subordinação e onerosidade é vício de natureza material que leva à nulidade do lançamento MULTA DE MORA. APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO VIGENTE À ÉPOCA DO FATO GERADOR. O lançamento reportase à data de ocorrência do fato gerador e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. Para os fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP 449/2008, aplicase a multa de mora nos percentuais da época, limitada a 75% (redação anterior do artigo 35, inciso II da Lei nº 8.212/1991). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 46 9. 72 14 16 /2 01 1- 82 Fl. 547DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2013 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 18/02/2013 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 LEI TRIBUTÁRIA. ATRIBUIÇÃO DE RESPONSABILIDADE. IRRETROATIVIDADE. Com a revogação do art. 41 da Lei 8.212/1991, operada pela Medida Provisória (MP) n° 449/2008, posteriormente convertida na Lei 11.941/2009, os entes públicos passaram a responder pelas infrações oriundas do descumprimento de obrigações acessórias previstas na legislação previdenciária. Tratandose de regra que impõe responsabilidade, não é possível a sua aplicação retroativa. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para que seja reconhecida a ilegitimidade passiva do autuado em relação ao documento identificado pelo debcad nº 37.281.6290 e, em relação aos demais documentos, para que sejam excluídos dos lançamentos as contribuições incidentes sobre os valores pagos aos músicos e para que seja aplicada ao valor remanescente a multa de mora prevista no art. 35 da Lei nº 8.212/1991 na redação vigente à época dos fatos geradores, limitada a 75%. Júlio César Vieira Gomes – Presidente Ana Maria Bandeira Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Júlio César Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Thiago Taborda Simões e Nereu Miguel Ribeiro Domingues. Fl. 548DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2013 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 18/02/2013 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10469.721416/201182 Acórdão n.º 2402003.237 S2C4T2 Fl. 548 3 Relatório Segundo o Relatório Fiscal (fls. 8/15), o presente lançamento compreende as seguintes autuações: Autos de Infração Debcad nºs 37.281.6320 e 37.281.6339 Obrigação principal correspondente à contribuição da empresa e à destinada ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho e a contribuição dos segurados, incidentes sobre valores pagos a segurados empregados não declaradas em GFIP – Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social e não recolhidas. Os fatos geradores das contribuições lançadas compreendem os seguintes levantamentos: · Levantamento A1 – Abono – Registra valores pagos a segurados empregados na rubrica “Abono”, constante da folha de pagamento e que não foram somados à remuneração declarada em GFIP. · Levantamento B1 – Folha de pagamento dos músicos – a Prefeitura apresentou folhas de pagamento mensal dos músicos que não foram incluídos em GFIP e nem tiveram efetivados os recolhimentos das respectivas contribuições, inclusive a dos segurados que não foram descontadas. Com a edição da Medida Provisória nº 449/2008, posteriormente convertida na Lei nº 11.941/2009, que alterou as multas aplicadas tanto no caso de descumprimento de obrigações acessórias como principais, a auditoria fiscal, sob o argumento de apurar a situação mais benéfica ao sujeito passivo com base no disposto no art. 106, inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, efetuou o cálculo da multa pela legislação anterior e pela legislação superveniente, a fim de verificar a melhor situação para o contribuinte. Para tanto, efetuou a soma da multa pelo descumprimento da obrigação acessória de declarar os fatos geradores em GFIP, prevista no art. 32, inciso IV e §§ 3º e 5º, Lei n° 8.212/1991, com a multa de mora do art. 35 da Lei nº 8.212/91 e comparou o resultado com a multa de ofício prevista na Lei nº 9.430/1996, art. 44, inciso I, que passou a ser aplicada por força do art. 35A da Lei nº 8.212/1991, incluído pelo art. 26 da Lei nº 11.941/2009. Nas competências de 02 a 13/2007 foi aplicada a multa pela legislação atual. Auto de Infração Debcad nº 37.281.6290 Descumprimento de obrigação acessória disposta no art. 32, inciso I da Lei nº 8.212/1991 c/c art. 225, inciso I e § 9º do Decreto nº 3.048/1999, que consiste em a empresa deixar de preparar folhas de pagamento das remunerações pagas ou creditadas a todos os Fl. 549DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2013 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 18/02/2013 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pelo órgão competente da Seguridade Social. A Municipalidade deixou de incluir em folha de pagamento as remunerações pagas a contribuintes individuais nas competências de 01 a 12/2007, contabilizadas na conta nº 339036 – Outros Serviços de Terceiros Pessoa Física. Tais remunerações foram incluídas em GFIP. Auto de Infração Debcad nº 37.281.6304 Descumprimento de obrigação tributária acessória prevista na Lei nº 8.212/1991, no art. 32, inciso IV e § 5º, acrescentados pela Lei nº 9.528/1997 c/c o art. 225, inciso IV e § 4º do Decreto nº 3.048/1999, que consiste em a empresa apresentar a GFIP – Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. A Prefeitura Municipal deixou de incluir em GFIP nas competências de 01/2007 a 13/2007 os valores pagos a título de abono aos segurados empregados e as remunerações pagas aos músicos apuradas em folha de pagamento. A presente autuação contém a multa aplicada apenas na competência 01/2007 onde restou mais favorável ao sujeito passivo a multa prevista pela legislação atual, qual seja, o art. 32A, inciso I, da Lei nº 8.212/1991, incluído pela Medida Provisória nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. Até a competência 01/2007, os órgãos públicos não eram sujeitos à multa de mora. A partir da competência 02/2007, quando a multa de mora passou a ser devida pelos órgãos públicos, não foi lavrada infração sob o fundamento acima delineado, uma vez que a auditoria fiscal concluiu que a aplicação da multa de ofício, tão somente, seria mais benéfica que a aplicação da multa de mora somada à multa pelo descumprimento da obrigação acessória. Não foram configuradas circunstâncias agravantes. A autuada tomou ciência do lançamento em 01/04/2011 e apresentou defesa em 30/06/2011 (fls. 192/196) alegando que, embora expirado o prazo de trinta dias para apresentação da defesa, esta deveria ser considerada, haja vista o problema enfrentado pela impugnante em razão do desabamento de sua sede. Informa que em processo judicial nº 301535.2011.4.05.8400, conseguiu liminar ordenando a reabertura do prazo de defesa e como a certidão de intimação data de 15/06/2011, a impugnação seria tempestiva. No mérito, argumenta que os músicos que prestam serviços ao Município não compõem o quadro de servidores da edilidade, cuja lei orgânica prevê o pagamento de uma bolsa de 1/3 de um salário mínimo a estes profissionais, sobre a qual não deve haver incidência de contribuição previdenciária. Alega que não teve incidir contribuição previdenciária sobre a verba denominada “abono” por ser esta indenizatória. Quanto à autuação por não inclusão de segurados na folha de pagamento, no caso, contribuintes individuais, a autuada afirma que não há discriminação dos segurados que foram atingidos pela suposta infração, levando a um cerceamento de defesa. Fl. 550DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2013 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 18/02/2013 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10469.721416/201182 Acórdão n.º 2402003.237 S2C4T2 Fl. 549 5 No que tange ao AI nº 37.281.6304 que trata da omissão de fatos geradores em GFIP considera improcedente, uma vez que nem os abonos nem os valores pagos aos músicos integram a base de cálculo da contribuição previdenciária. A impugnação foi considerada tempestiva menos para o AI nº 37.281.6304 em virtude deste não ter sido mencionado na decisão judicial que determinou o acolhimento das impugnações, cuja cópia encontrase à folha 186 dos autos. Pelo Acórdão nº 1135.958 (fls. 207/213), a 7ª Turma da DRJ/Recife não conheceu a impugnação relativa ao AI nº 37.281.6304, conheceu e manteve a procedência dos demais. Contra tal decisão, a autuada apresentou recurso tempestivo (fls. 224/229), onde efetua a repetição das alegações de defesa e salienta que não houve razão para que a defesa relativa ao AI nº 37.281.6304 não fosse conhecida. É o relatório. Fl. 551DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2013 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 18/02/2013 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 Voto Conselheira Ana Maria Bandeira, Relatora O recurso é tempestivo, no entanto, só será conhecido relativamente às alegações apresentadas contra os AI’s 37.281.6320, 37.281.6339 e 37.281.6290, em face da não instauração do contencioso no AI 37.281.6304. A recorrente tomou ciência do lançamento em 01/04/2011 e apresentou impugnação em 30/06/2011. Haja vista a intempestividade, a recorrente conseguiu, perante o Poder Judiciário, liminar que ordenou a abertura de prazo de mais quinze dias para apresentação de defesa. Ocorre que a decisão foi explícita sobre quais autos de infração estariam favorecidos pela decisão judicial e o AI 37.281.6304 não foi mencionado pelo juiz, razão pela qual a decisão a este auto não se aplicou, restando intempestiva a defesa apresentada. O contencioso administrativo fiscal só é instaurado pela apresentação de impugnação tempestiva, portanto, não há que se discutir os argumentos apresentados contra o AI 37.281.6304. Quanto às contribuições lançadas, a recorrente apresenta seu inconformismo pela incidência de contribuições previdenciárias sobre os valores pagos a título de abono aos servidores. Tais valores constaram da folha de pagamento mas não na GFIP. A CLT dispõe no § 1º do art. 457 que “integram o salário, não só a importância fixa estipulada, como também as comissões, percentagens, gratificações ajustadas, diárias para viagens e abonos pagos pelo empregador.” O abono, segundo a doutrina trabalhista, tem natureza salarial, conforme se verifica nos dizeres de Maurício Godinho Delgado transcritos: “Os abonos consistem em antecipações pecuniárias efetuadas pelo empregador ao empregado. São adiantamentos concedidos pelo empregador.......como antecipação salarial efetuada pelo empregador ao empregado, tornase inquestionável sua natureza jurídica como salário” 1 A legislação previdenciária, por sua vez, trata da exclusão de abono do salário de contribuição no item 7 da alínea “e” do § 9º do art. 28 da Lei nº 8.212/1991, in verbis: § 9º Não integram o salário de contribuição para os fins desta Lei, exclusivamente(....) e) as importâncias:(....) 7. recebidas a título de ganhos eventuais e os abonos expressamente desvinculados do salário. 1 Maurício Godinho Delgado Curso de Direito do Trabalho 3ª Edição – Editora LTrSão Paulo Fl. 552DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2013 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 18/02/2013 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10469.721416/201182 Acórdão n.º 2402003.237 S2C4T2 Fl. 550 7 Também o Decreto nº 3.048/1999 dispõe na alínea “j” do inciso V do § 9º do art. 214, na redação alterada pelo Decreto nº 3.265/1999, o seguinte: § 9º Não integram o saláriodecontribuição, exclusivamente: (....) V – as importâncias recebidas a título de: (....) j) ganhos eventuais e abonos expressamente desvinculados do salário por força de lei. A partir da alteração promovida pelo Decreto nº 3.265/1999, somente a lei poderia excluir o abono concedido da incidência de contribuição previdenciária como, por exemplo, ocorre com o abono de férias concedido na forma dos arts 143 e 144 da Consolidação das Leis do Trabalho, cuja exclusão está expressa no item 6, alínea “e”, § 9º, art. 28 da Lei nº 8.212/1991. Anteriormente à alteração encimada, entendo que a desvinculação do abono do salário deve restar expressamente demonstrada no documento que o instituiu, para que se possa afastar a presunção da natureza salarial do mesmo Amauri Mascaro Nascimento (Teoria Jurídica do Salário, p. 231), assim diz: “No Brasil, todo abono é salário por força do disposto na Lei (CLT 457, § 1º), salvo disposição expressa em contrário. No silêncio da norma que o institui, aplicase a regra salarial da Consolidação das Leis do Trabalho. Assim, milita a presunção da natureza salarial de todo abono, a menos que as regras que o instituíram estabeleçam de outro modo, o que é possível, como ocorre com o abono de férias (CLT, art. 143) que é a conversão de parte das férias em dinheiro, considerado, pela lei, como não salarial quando não excedente a 1/3 das férias.” No caso da recorrente, entendo que os abonos pagos pela folha de pagamento sem qualquer explicação quanto a sua origem integram o salário de contribuição, pelo próprio conceito doutrinário de abono. Assim, com base nos argumentos apresentados, os abonos pagos pela recorrente aos servidores integram o salário de contribuição, devendo prevalecer o lançamento das contribuições correspondentes. A auditoria fiscal também efetuou o lançamento de contribuições sobre os valores pagos a músicos que foram apurados em folhas de pagamento em meio papel apresentadas. As contribuições foram lançadas como se a vinculação desses segurados com o Município fosse de segurado empregado, além disso, o pagamento é denominado pela recorrente como “bolsa”. No entanto, a recorrente argumenta que os citados músicos não seriam servidores do Município e não teriam com este relação de emprego. Argumenta, também, que a lei orgânica do Município estabelece que os músicos deveriam receber uma valor a título de Fl. 553DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2013 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 18/02/2013 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 8 “bolsa”, correspondente a 1/3 de um salário mínimo, sobre o qual não incidiria contribuição previdenciária. A meu ver, a mera denominação dos valores lançados como “bolsa” e a previsão de não incidência de contribuição previdenciária pela lei orgânica municipal não são suficientes para que tal verba não integre o salário de contribuição. Vale lembrar que a legislação a ser observada na verificação da incidência ou não de contribuição previdenciária é a federal, especificamente, a Lei nº 8.212/1991, não havendo qualquer ilegalidade ou inconstitucionalidade no lançamento em questão. O art. 22., Inciso XXIII da Constituição Federal de 1998 estabelece que é competência da União legislar sobre Seguridade Social. Art. 22. Compete privativamente à União legislar sobre: (...) XXIII seguridade social; No entanto, a Carta Magna ressalva a possibilidade de Estados e Municípios legislarem a respeito instituindo regimes próprios de previdência social abrangendo seus servidores. Assim, aqueles trabalhadores não amparados por regime próprio de previdência social são amparados pelo Regime Geral de Previdência Social RGPS, sobre o qual cabe à União legislar. Entretanto, o que se observa é que a auditoria fiscal verificou que trabalhadores estariam prestando serviços ao Município como músicos, tomando por base uma folha de pagamento apresentada em meio papel. Observase das cópias das citadas folhas juntadas aos autos pela auditoria fiscal que estas estão vinculadas a um centro de custo denominado Sec. Mun. Cult. Esp e Turis. – Bolsa, levando a inferir que a recorrente não tinha esses trabalhadores como servidores, ou seja, na condição de segurados empregados. Como a auditoria fiscal entendeu por efetuar o lançamento como se os músicos se vinculassem à Prefeitura Municipal na condição de segurados empregados, deveria ter apresentados os elementos pelos quais entendeu que estas pessoas prestariam serviços com os requisitos da relação empregatícia, porém, não o fez. Esta ausência de caracterização se consubstancia em vício material que leva à nulidade desta parte do lançamento. Quanto à natureza do vício existente no lançamento, permitome transcrever trecho do voto apresentado no acórdão nº 2402001.543, de lavra do Dr. Nereu Miguel Ribeiro Domingues que explica com propriedade a diferenciação entre vício formal e material. Cumpre inicialmente esclarecer que a discussão do tema é bastante relevante, pois, dependendo da natureza imputada ao defeito encontrado no lançamento, as autoridades fiscalizadoras terão o prazo decadencial “reiniciado” para constituir o crédito tributário, nos termos do art. 173, inc. II, do CTN. Para que a controvérsia seja devidamente dirimida, devese delimitar os conceitos de vício formal e material, assim como os Fl. 554DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2013 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 18/02/2013 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10469.721416/201182 Acórdão n.º 2402003.237 S2C4T2 Fl. 551 9 motivos que dão ensejo ao reconhecimento dessas duas espécies de vícios, que igualmente ensejam a nulidade do lançamento, porém com diferentes efeitos. No que tange ao vício formal, assim conceitua De Plácido e Silva2: “É o defeito, ou a falta, que se anota em um ato jurídico, ou no instrumento, em que se materializou, pela omissão de requisitos, ou desatenção à solenidade, que se prescreve como necessário à sua validade ou eficácia jurídica.” Assim, vislumbrase que o erro de forma deve estar relacionado com o descumprimento dos requisitos e solenidades necessários à criação do ato jurídico, bem como que importe na sua invalidade ou ineficácia jurídica, presentes na medida em que há preterição do direito de defesa do sujeito passivo, situação que leva ao insucesso de se atingir a finalidade do ato administrativo. Vale dizer, num primeiro momento, que o vício de forma está intimamente ligado com o alcance da finalidade do ato administrativo. Nesse mesmo sentido expõe Marcos Vinicius Neder3: “O vício processual de forma só deve conduzir ao reconhecimento da invalidade do ato quando a própria finalidade pela qual a forma foi instituída estiver comprometida.” Cabe ressaltar também o entendimento de Manoel Antonio Gadelha Dias4: “O ato administrativo é ilegal, por vício de forma, quando a lei expressamente a exige ou quando determinada finalidade só pode ser alcançada por determinada forma.” No campo prático, as “solenidades” formais do lançamento se referem a todos os requisitos complementares necessários para se compor a linguagem para a comunicação jurídica5, ou seja, para que o ato administrativo possua todos os elementos necessários à efetiva interação com o sujeito passivo, permitindo que este compreenda todas as motivações que o levaram a ser autuado, tais como a descrição dos fatos, a exposição da capitulação legal infringida, a menção ao local, data e hora da lavratura, etc. Esses requisitos compõem os elementos extrínsecos/formais do lançamento, os quais, para que importem na invalidade jurídica do ato administrativo, devem estar maculados a ponto de preterir o direito de ampla defesa e contraditório do sujeito passivo. 2 Silva, De Plácido e. Vocabulário Jurídico / atualizadores: Nagib Slaibi Filho e Gláucia Carvalho. 25ª edição. Ed. Forense. Rio de Janeiro, 2004. p. 1482. 3 Marcos Vinicius Neder e Maria Teresa Martínez López. Processo Administrativo Fiscal Federal Comentado, São Paulo, Dialética, 2002, p. 416. 4 Tôrres, Heleno Taveira et al (coordenação). Direito Tributário e Processo Administrativo Aplicados São Paulo: Quartier Latin, 2005. p. 340. 5 Tôrres, op. cit. p. 346. Fl. 555DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2013 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 18/02/2013 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 10 Desta forma, ao se identificar que houve falha na exposição de um requisito complementar no auto de infração, e que, em virtude disso, houve deficiência na comunicação jurídica do ato administrativo, preterindo o direito de defesa do sujeito passivo, estarseá diante de um vício formal, que pode ser regularizado pela autoridade fiscal através de um novo lançamento, dentro do prazo decadencial previsto pelo art. 173, inc. II, do CTN. Cabe ainda ressaltar que, como é cediço, nesses casos, a permitida regularização do vício formal realizada por lançamento superveniente não poderá alterar os elementos materiais do ato administrativo previstos no art. 142 do CTN (fato gerador, obrigação tributária, matéria tributável, cálculo do montante devido e identificação do sujeito passivo), tendo em vista que apenas aperfeiçoará a forma de sua constituição para possibilitar que haja comunicação jurídica, permitindo que o contribuinte conheça as efetivas razões de autuação, bem como que realize a devida defesa, caso entenda ser necessário. Expostas minhas considerações acerca do conceito de vício formal, passo a analisar as características do vício material. Analisando o procedimento adotado pelo Código Tributário Nacional para se constituir o ato administrativo – lançamento – (art. 142 do CTN), verificase que a fiscalização deve “verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível.” Tais procedimentos, embora façam parte do lançamento, resultam na formação dos seus elementos materiais/intrínsecos, sem os quais não haverá a constituição do crédito tributário. Destarte, caso a aferição desses elementos seja feita de forma equivocada, o lançamento resultante não estará revestido com os requisitos básicos inerentes à “construção”6 do ato, resultando na sua nulidade. Não obstante, quando a fiscalização não aplica os elementos intrínsecos como deveria, ela certamente estará infringindo a disposição legal pertinente (seja aquela aplicável ao cálculo do montante devido, ou à determinação do fato gerador, etc.), importando na existência de um vício material. Nesse sentido, leciona Leandro Paulsen7: “Vícios materiais são os relacionados à validade e à incidência da lei.” Vejase, assim, que a ocorrência do vício material está diretamente ligada com a deformidade do conteúdo do lançamento, que acaba por exigir indevidamente tributos do 6 “VÍCIO MATERIAL – ERRO NA CONSTRUÇÃO DO LANÇAMENTO – Padece de vício material o lançamento que altera as características do crédito tributário, modificando seus elementos. (...)” (CARF, 1° Conselho, 2ª Câmara, Relator Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho, Acórdão n° 10248700, Sessão de 08/08/2007) 7 Paulsen, Leandro. Direito Tributário: Constituição e Código Tributário à luz da doutrina e da jurisprudência. 12. ed. Porto Alegre: Livraria do Advogado. Editora: ESMAFE, 2010. p. 1194. Fl. 556DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2013 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 18/02/2013 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10469.721416/201182 Acórdão n.º 2402003.237 S2C4T2 Fl. 552 11 sujeito passivo, em ofensa, inclusive, ao princípio da legalidade, situação inaceitável nas relações do fisco com o contribuinte. Outra questão que bem delimita os casos de vício formal e material é o efeito que seria presenciado caso fosse permitido um novo lançamento, realizado para sanar os vícios existentes no lançamento anterior. Caso o vício seja formal, o novo lançamento exigirá: (i) a mesma matéria tributável, (ii) o mesmo montante apurado no lançamento anterior, (iii) que o lançamento abranja os mesmos fatos geradores, (iv) que o sujeito passivo seja o mesmo, e (v) que seja a mesma multa aplicada, tendo em vista que, com o novo lançamento, apenas se ajustará os elementos extrínsecos do ato administrativo. Em se tratando de vício material, o novo lançamento acabará alterando os elementos substanciais do lançamento, o que resultará na cobrança de um tributo diferente, ou em valor diferente, ou apurado por critérios diferentes, ou de outro sujeito passivo, assim por diante, situação que não pode se valer do prazo decadencial previsto no art. 173, inc. II, do CTN. Versando sobre os efeitos resultantes das alterações promovidas pelo lançamento superveniente, este CARF assim se posicionou: “VÍCIO MATERIAL Havendo alteração de qualquer elemento inerente ao fato gerador, à obrigação tributária, à matéria tributável, ao montante devido do imposto e ao sujeito passivo, se estará diante de um lançamento autônomo que não se confunde com o lançamento refeito para corrigir vício formal, nos termos previstos no artigo 173, II, do CTN. (...)”. (CARF, 1° Conselho, 2ª Câmara, Relator José Raimundo Tosta Santos, Acórdão n° 10247829, Sessão de 16/08/2006) Nessa mesma linda de entendimento, peço vênia para destacar também trecho do voto proferido pelo i. Conselheiro Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, que verificou a indevida aplicação do vício formal e externou seu entendimento para que fosse reconhecido o vício material do lançamento. Vejase: “Em suma, entendo que o vício formal pressupõe que novo lançamento, se viabilizado, não poderá ultrapassar os limites estabelecidos no lançamento primitivo, relativamente aos seus elementos estruturais, substanciais. No presente caso, um novo lançamento forçosamente modificará a base imponível, com óbvios reflexos no cálculo do montante do tributo devido, (...)" (CARF, 1ª Conselho, 7ª Câmara, Relator Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, Acórdão nº 10706.757, Sessão de 22/08/2002) – destacouse No lançamento da obrigação principal, a auditoria fiscal aplicou a multa de ofício de 75%, sob o argumento de que seria a situação mais benéfica ao sujeito passivo. Fl. 557DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2013 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 18/02/2013 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 12 O procedimento utilizado pela auditoria fiscal ao considerar multas de naturezas diversas (de mora, por descumprimento de obrigação acessória e de ofício) não encontra respaldo no arcabouço jurídico existente. À época dos fatos geradores, vigia a o art. 35 da Lei nº 8.212/1991, com a redação abaixo: Lei no 8.212/1991: Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (...) II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; Como se vê da leitura do dispositivo, a multa prevista tinha natureza moratória e era devida inclusive no caso no recolhimento espontâneo por parte do contribuinte. Além da multa de mora, a Lei nº 8.212/1991 previa a aplicação de multa pelo descumprimento de obrigações acessórias, dentre as quais a omissão de fatos geradores em GFIP. A Medida Provisória 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, além de alterar a redação do art. 35 da Lei nº 8.212/1991, revogou todos os seus incisos e parágrafos e incluiu na mesma lei o art. 35A, in verbis: Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). Os dispositivos da Lei 9.430/1996, por sua vez dispõe o seguinte: Fl. 558DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2013 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 18/02/2013 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10469.721416/201182 Acórdão n.º 2402003.237 S2C4T2 Fl. 553 13 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (...) Art.61.Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. §1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. §2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. §3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. A Lei nº 9.430/1996 traz disposições a respeito do lançamento de tributos e contribuições cuja arrecadação era da então Secretaria da Receita Federal, atualmente Secretaria da Receita Federal do Brasil. Já o lançamento das contribuições objeto desta autuação obedeciam as disposições de lei específica, no caso, a Lei nº 8.212/1991. Depreendese das alterações trazidas pela MP 449/2008, a instituição da multa de ofício, situação inexistente anteriormente. A auditoria fiscal ao fazer as comparações entre multa de mora mais multa por descumprimento de obrigação acessória e multa de ofício de 75% busca amparo no art. 106, inciso II, alínea “c” do CTN que trata das possibilidades de retroação da lei. Tal artigo dispõe os seguinte: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; Fl. 559DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2013 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 18/02/2013 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 14 II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática (g.n.) O dispositivo em questão não se aplica ao caso, uma vez que a multa moratória prevista no art. 35 da Lei nº 8.212/1991 tem natureza diversa da multa de ofício prevista na legislação atual. Assim, devese cumprir o que dispõe o artigo 144 do CTN, segundo o qual o lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. Portanto, não há que se falar em aplicação de multa de oficio para fatos geradores ocorridos em períodos anteriores à edição da Medida Provisória 449/2008, posteriormente convertida na Lei nº 11.941/2009. Aplicase, sim, o artigo 35 da Lei nº 8.212/1991 na redação anterior às alterações trazidas pela citada Medida Provisória. Há que se ressaltar que a multa de mora, no decorrer do contencioso administrativo era escalonada podendo chegar a 100%, no caso de execução fiscal. Assim, em obediência ao princípio da razoabilidade, a multa deve ser aplicada observandose o art. 35 da Lei nº 8.212/1991, porém, não deve ultrapassar o percentual de 75% que correspondente à multa de ofício prevista na legislação atual Por fim, tratase da autuação pelo descumprimento da obrigação acessória de deixar de incluir na folha de pagamento as remunerações pagas a contribuintes individuais nas competências de 01 a 12/2007, contabilizadas na conta nº 339036 – Outros Serviços de Terceiros Pessoa Física. A infração ocorreu na competências de 02 a 12/2007. Cumpre lembrar que anteriormente à vigência da Medida Provisória nº 449/2008, posteriormente convertida na Lei nº 11.941/2009, a responsabilidade por infrações cabia ao dirigente do órgão público, conforme dispunha o art. 41 da Lei nº 8.212/1991, revogado pela citada Medida Provisória, in verbis: Art. 41. O dirigente de órgão ou entidade da administração federal, estadual, do Distrito Federal ou municipal, responde pessoalmente pela multa aplicada por infração de dispositivos desta Lei e do seu regulamento, sendo obrigatório o respectivo desconto em folha de pagamento, mediante requisição dos órgãos competentes e a partir do primeiro pagamento que se seguir à requisição Como se vê até a edição da Medida Provisória nº 449/2008, de 03/12/2008, publicada no D.O.U. em 04/12/2008, não havia previsão para aplicação de multa ao órgão público, sendo que esta obrigação cabia ao dirigente por disposição legal. Fl. 560DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2013 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 18/02/2013 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10469.721416/201182 Acórdão n.º 2402003.237 S2C4T2 Fl. 554 15 Quanto à aplicação da lei, a regra geral estabelecida no Código Tributário Nacional em seu artigo 144 é a seguinte: Art. 144. O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. Portanto, a regra geral é que a legislação a ser aplicada é aquela vigente à época da ocorrência dos fatos geradores. Assim, até a publicação da Medida Provisória nº 448/2008, a multa pelo descumprimento da obrigação acessória era responsabilidade do dirigente e não do órgão. O CTN traz ainda a possibilidade de aplicação retroativa da lei, conforme pode ser verificado em seu art. 106 que dispõe o seguinte: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Observase que, no que tange à responsabilização do dirigente, aplicase a retroatividade benigna da lei, especificamente, a alínea “c” do inciso II do art. 106, acima transcrito. Ocorre que a auditoria fiscal, diante da impossibilidade de agora atribuir responsabilização ao dirigente, imputou à recorrente a obrigação em período anterior à revogação do art. 41 da Lei nº 8.212/1991, quando não existia responsabilidade para o órgão, ou seja, na lavratura do presente auto de infração, efetuou aplicação retroativa da lei, cujo efeito foi atribuir penalidade não existente à época dos fatos geradores, contrariando o ordenamento jurídico. Como a Medida Provisória nº 449/2008 foi publicada em 04/12/2008, somente a partir desta data, o órgão público passou a ter responsabilidade pelas infrações cometidas. Assim, embora a recorrente não tenha alegado, pelo princípio da autotutela e da estrita legalidade, há que se reconhecer que a infração não pode prevalecer em face da ilegitimidade passiva da recorrente. Diante do exposto e de tudo o mais que dos autos consta. Fl. 561DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2013 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 18/02/2013 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 16 Voto no sentido de CONHECER EM PARTE do recurso e DARLHE PROVIMENTO PARCIAL, para que seja excluído o lançamento correspondente ao documento identificado pelo debcad nº 37.281.6290, por ilegitimidade passiva do autuado. Para excluir, por nulidade, as contribuições lançadas sobre os valores pagos aos músicos e para que a multa seja aplicada de acordo com o art. 35 da lei nº 8.212/1991, na redação vigente à época dos fatos geradores limitada a 75%. É como voto. Ana Maria Bandeira Fl. 562DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2013 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 18/02/2013 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
score : 1.0
Numero do processo: 13807.006019/2005-49
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 21 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Apr 17 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Exercício: 2004
ALEGAÇÃO GERAL. ÔNUS PROBATÓRIO.
Ao sujeito passivo que produz defesa no processo administrativo fiscal incumbe o ônus de apontar e provar o alegado, sob pena de suas alegações não produzirem efeito, ex vi do inciso I do art. 333 do Código de Processo Civil, fonte subsidiária do Decreto nº 70.235/72. Assim é que recurso voluntário que ataca a decisão recorrida dizendo simplesmente que a recorrente apresentou toda a documentação comprobatória de seus créditos, sem apontar os erros do julgado ou das glosas levadas a efeito pela auditoria-fiscal, não se desincumbiu a contento de seu ônus probatório.
Numero da decisão: 3101-001.378
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao recurso voluntário.
Henrique Pinheiro Torres - Presidente.
Corintho Oliveira Machado - Relator.
EDITADO EM: 15/04/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres, Luiz Roberto Domingo, Leonardo Mussi da Silva, Rodrigo Mineiro Fernandes, Adriana Oliveira e Ribeiro e Corintho Oliveira Machado.
Nome do relator: CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Exercício: 2004 ALEGAÇÃO GERAL. ÔNUS PROBATÓRIO. Ao sujeito passivo que produz defesa no processo administrativo fiscal incumbe o ônus de apontar e provar o alegado, sob pena de suas alegações não produzirem efeito, ex vi do inciso I do art. 333 do Código de Processo Civil, fonte subsidiária do Decreto nº 70.235/72. Assim é que recurso voluntário que ataca a decisão recorrida dizendo simplesmente que a recorrente apresentou toda a documentação comprobatória de seus créditos, sem apontar os erros do julgado ou das glosas levadas a efeito pela auditoria fiscal, não se desincumbiu a contento de seu ônus probatório. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao recurso voluntário. Henrique Pinheiro Torres Presidente. Corintho Oliveira Machado Relator. EDITADO EM: 15/04/2013 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 80 7. 00 60 19 /2 00 5- 49 Fl. 616DF CARF MF Impresso em 17/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 15/04 /2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 16/04/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres, Luiz Roberto Domingo, Leonardo Mussi da Silva, Rodrigo Mineiro Fernandes, Adriana Oliveira e Ribeiro e Corintho Oliveira Machado. Relatório Adoto o relato do órgão julgador de primeiro grau até aquela fase: Cuidam os autos de pedido de ressarcimento à fl. 1, entregue em 1º/9/2005, relativamente a alegados créditos de contribuição para os Programas de Integração Social (PIS) no valor total de R$815.074,44, apurados no 2º trimestre de 2004. Consta, ainda, que a Contribuinte transmitiu, em 30/7/2006, declaração de compensação eletrônica que se vincula ao presente processo (fls. 32 e 120). 2. Posteriormente, em 12/8/2010 (anverso à fl. 127), foi cientificada a Contribuinte do Despacho Decisório às fls. 119 a 126, lavrado por AuditoresFiscais da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Administração Tributária (Derat) em São Paulo, em que foi reconhecido, parcialmente, o crédito referente a PIS, do regime nãocumulativo, no montante de R$737.648,78, de forma que, por consequência, foi deferido parcialmente – é dizer, até o limite o crédito reconhecido – o pedido de ressarcimento de PIS de que trata o presente processo, bem como foi parcialmente homologada a declaração de compensação. 2.1. Baseouse a decisão a quo em documentos carreados aos autos, que se encontram nos Anexos I e II do presente processo, em resposta às intimações dirigidas à Contribuinte (fls. 42, 43 e 89 a 91). 2.2. Faz saber a decisão a quo às fls. 119 a 126 que, após apreciação da documentação apresentada pela Contribuinte, foram elaboradas pelas AutoridadesFiscais planilhas, que se encontram entranhadas nos autos (fls. 112 a 118), relativas à composição dos custos, de apuração da base de cálculo da contribuição social em tela, e de apuração de créditos de PIS. Como resultado, chegouse ao valor objeto de ressarcimento. 2.3. Apontam as AutoridadesFiscais que as glosas por elas realizadas foram motivadas por terem verificado que a Contribuinte registrou custos a maior, resultando, por consequência, créditos indevidos, uma vez que foram confrontados os valores informados pela Contribuinte no Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (DACON) e seus registros contábeis; bem como por terem identificado a aplicação indevida do rateio proporcional dos créditos decorrentes de devoluções de vendas ocorridas no mercado interno, consoante disposto à fl. 120. Fl. 617DF CARF MF Impresso em 17/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 15/04 /2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 16/04/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S Processo nº 13807.006019/200549 Acórdão n.º 3101001.378 S3C1T1 Fl. 3 3 2.4. Dessa forma, esclarecem as AutoridadesFiscais que foram refeitos os cálculos quanto aos créditos objeto do pedido de ressarcimento que implicou a glosa de R$76.688,66. 2.5. Ainda, destacam as AutoridadesFiscais que, por conta do estabelecido no inciso VIII do art. 3º da Lei n.º 10.637, de 2002, em relação aos créditos procedente de devoluções de venda no mercado interno, não poderia ter a Contribuinte aplicado rateio proporcional, definido pela mesma lei, para redistribuílos entre crédito vinculado à receita tributada no mercado interno e receita de exportação, razão da glosa efetuada por meio da decisão a quo. 2.6. Ao final, afirmam as AutoridadesFiscais que [...] nos termos do art. 5º da Lei 10.637/2002, concluise que o saldo credor do PIS/PASEP, apurado conforme o art. 3º da Lei nº 10.637/2002, quando vinculado às receitas decorrentes da exportação de mercadorias ou da prestação de serviços para pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, poderá ser objeto de dedução, compensação ou ressarcimento. Todavia, por falta de previsão legal, os créditos vinculados às receitas tributadas no Mercado Interno somente podem ser utilizados para dedução da Contribuição para o PIS/PASEP apurada no regime de incidência nãocumulativa [fl. 124]; 2.7. Temse, então, como visto, que não foram reconhecidos os supostos créditos de PIS no valor de R$76.688,66. 3. Irresignada com o disposto no Despacho Decisório, apresentou a Contribuinte, em 13/9/2010 (fl. 137), manifestação de inconformidade às fls. 137 a 143 – acompanhada de documentos às fls. 144 a 160 –, por meio da qual afirma, em síntese, o que segue: informa que se dedicaria a Contribuinte à exploração de atividades frigoríficas, com abate de animais de corte, bem como industrialização e comercialização de produtos e subprodutos de origem animal, importação e exportação; afirma que exportaria produtos, auferindo receitas em que não incidiria PIS nos termos dispostos no inciso I do art. 5º da Lei n.º 10.637, de 2002; alega que contabilizaria créditos de PIS de acordo com a faculdade prescrita no art. 3º e parágrafos 1º e 2º do art. 5º da Lei n.º 10.637, de 2002; assevera que, após haver realizado compensações, remanesceu direito creditório no valor de R$815.074,44 que teria sido objeto de ressarcimento; não obstante, teria sido reconhecido pela Fazenda Nacional o direito creditório no valor de R$737.648,78; opõese às alegações inseridas no Despacho Decisório e afirma que [...] todos os coeficientes utilizados pela empresa para redistribuição entre crédito vinculado à receita tributada no mercado interno e receita de exportação, foram aplicados Fl. 618DF CARF MF Impresso em 17/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 15/04 /2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 16/04/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S 4 corretamente, não devendo prevalecer o entendimento alegado pela Autoridade Fazendária; assegura a Contribuinte que, pela documentação que teria sido apresentada em resposta às intimações, restaria devidamente comprovado que [...] a exegese adotada pelo Fisco encerra, em seu bojo, equívocos no que tange aos critérios apresentados para glosa dos créditos. Afirma, ainda, que, ao [...] contrário do entendimento fazendário, é certo que não deve prevalecer os critérios adotados pela Autoridade Fazendária no que tange as glosas efetuadas, sob o argumento de que estas se originariam de custos lançados a maior; insiste em que [...] resta claro que tal exegese não se coaduna com os princípios e as regras que tocam à sistemática geral de aproveitamento de créditos, uma vez que a concessão em debate deve ser tomada em perfeita consonância com as disposições do art. 5º, inciso I e §§ 1º e 2º, da Lei nº 10.637/2002; alega que as [...] receitas de exportação – parte considerável do faturamento da MARFRIG – não se sujeitam à incidência de PIS. Os créditos apurados na forma do artigo 3º da Lei nº 10.637/2002, referentes a estes rendimentos, depois de compensados com débitos desta contribuição, primeiramente, com outros tributos federais, e em seguida, podem regularmente ser objeto de pedido de ressarcimento. A critério do contribuinte. Conclui o argumento, afirmando que apontar [...] noutro sentido implicaria [...] impedir que empresas produtoras de mercadorias de origem animal, optantes por comercializar seus produtos apenas no mercado externo, pudessem se aproveitar dos créditos presumidos presente versados. Se a própria lei não consagrou tal diferenciação, não é o I. Agente Fiscal quem poderá fazêlo. Afirma que a Contribuinte [...] seguiu exatamente os termos da lei, não desrespeitando em momento algum os limites lá estabelecidos, motivo pelo qual, deverá ser reconhecido total do crédito referente a PIS nãocumulativo exportação; assevera, ainda, que [...] a verdade real exprime que a Administração deve tomar decisões com base nos fatos tais como se apresentam na realidade, restando comprovado através dos documentos apresentados que a empresa possui plenos direitos ao ressarcimento/compensação no valor total de R$815.074,44. À continuação, alega que [...] caberia ao Sr. Agente Fiscal a apuração da verdade real, a fim de verificar que a documentação apresentada pela empresa, bem como os créditos referentes as contribuições de PIS – exportação foram calculados conforme dispõe a legislação em vigor, não havendo razões para reconhecer parcialmente o crédito ora pleiteado. Remata, aduzindo que [...] o julgador administrativo, vinculado que está ao princípio da legalidade, não decide por livre convencimento, mas com base na verdade real; finalmente, pede que seja o Despacho Decisório mantido parcialmente, para que seja reconhecido a integralidade do suposto crédito postulado pela empresa, de forma a convalidar as compensações e pedidos de ressarcimento. Fl. 619DF CARF MF Impresso em 17/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 15/04 /2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 16/04/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S Processo nº 13807.006019/200549 Acórdão n.º 3101001.378 S3C1T1 Fl. 4 5 A DRJ em SÃO PAULO I/SP julgou a Manifestação de Inconformidade Improcedente, ficando a ementa do acórdão com a seguinte dicção: Assunto: Normas de Administração Tributária Exercício: 2004 ALEGAÇÃO GERAL. NÃO ACOLHIMENTO. Não há como a Autoridade Julgadora acolher meras alegações gerais proferidas pelo contribuinte em sua manifestação de inconformidade, com a pretensão de satisfazer a vontade e entendimento deste, a resultar créditos oponíveis à Fazenda Nacional. Em sede de manifestação de inconformidade, possui o contribuinte o ônus de apontar e provar o alegado. Alegação não comprovada não pode produzir efeito, ex vi inciso I do art. 333 da Lei n.º 5.869, de 1976, fonte subsidiária do Decreto n.º 70.235, de 1972. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Direito Creditório não Reconhecido. Discordando da decisão de primeira instância, a interessada apresentou recurso voluntário, no qual reprisa os argumentos esgrimidos na peça vestibular de defesa e ao final requer a reforma do acórdão a quo, para que seja reconhecido integralmente o crédito da recorrente e a compensação encetada. Ato seguido, a Repartição de origem encaminhou os presentes autos para apreciação do órgão julgador de segundo grau. Relatados, passo a votar. Voto Conselheiro Corintho Oliveira Machado, Relator O recurso voluntário é tempestivo, e considerando o preenchimento dos requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado. Fl. 620DF CARF MF Impresso em 17/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 15/04 /2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 16/04/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S 6 Em preâmbulo, cumpre dizer que as glosas levadas a efeito pela auditoria fiscal estão perfeitamente delineadas no despacho decisório de fls. 119 a 126, daí porque causaria espécie, num primeiro momento, não ter sido produzida defesa efetiva na manifestação de inconformidade apresentada. Nada obstante, com a análise do recurso voluntário manejado, onde nenhuma novidade veio aos autos, penso ficar claro que a recorrente, de fato, não tem qualquer alegação consistente a fazer. Ao sujeito passivo que produz defesa no processo administrativo fiscal incumbe o ônus de apontar e provar o alegado, sob pena de suas alegações não produzirem efeito, ex vi do inciso I do art. 333 do Código de Processo Civil, fonte subsidiária do Decreto nº 70.235/72. Assim é que recurso voluntário que ataca a decisão recorrida dizendo simplesmente que a recorrente apresentou toda a documentação comprobatória de seus créditos, sem apontar os erros do julgado ou das glosas levadas a efeito pela auditoriafiscal, não se desincumbiu a contento de seu ônus probatório. De rigor, este expediente sequer constitui um processo, pois não houve manifestação de inconformidade de fato, nos termos exigidos pelo Decreto nº 70.235/72, todavia, como a primeira instância a julgou improcedente, e agora está diante deste Colegiado administrativo um suposto recurso voluntário, por economia processual, entendo mais razoável votar pelo DESPROVIMENTO do apelo. Sala das Sessões, em 21 de março de 2013. CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Fl. 621DF CARF MF Impresso em 17/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 15/04 /2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 16/04/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S
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Numero do processo: 19515.000814/2010-52
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 20 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 2403-000.070
Decisão: RESOLVEM os membros da Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara do
Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos converter o julgamento do recurso em diligência. Retornando os processo à origem para desentranhá-los e juntar os volumes faltantes.
Nome do relator: IVACIR JULIO DE SOUZA
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 14; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1309; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T3 Fl. 1 1 S2C4T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19515.000814/201052 Recurso nº 111.111 Despacho nº 2403000.070 – 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária Data 20 de junho de 2012 Assunto Solicitação de Diligência Recorrente COR CENTRO DE ORIENTAÇÃO A FAMÍLIA Recorrida FAZENDA NACIONAL RESOLVEM os membros da Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos converter o julgamento do recurso em diligência. Retornando os processo à origem para desentranhálos e juntar os volumes faltantes. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente Ivacir Júlio de Souza Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Magalhães Peixoto, Cid Marconi Gurgel de Souza e Maria Anselma Coscrato dos Santos. Fl. 734DF CARF MF Impresso em 27/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2012 por CLAUDIA DOLORES ROSA, Assinado digitalmente em 20/09/2012 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 27/09/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 19515.000814/201052 Despacho n.º 2403000.070 S2C4T3 Fl. 2 2 RELATÓRIO. Tratase de recurso voluntário interposto contra Acórdão de fls. 276, n°16 27.200 13ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo (SP) DRJ/SP1 em São Paulo I (SP) DRJ/SP1, em 21 de outubro de 2010 que negou provimento à impugnação do lançamento representado pelo Auto de Infração – AI n° 37 251.6750. No Recurso em comento, a Recorrente ratificou as alegações que fizera em sede de impugnação. Alega a Recorrente que a autuação aqui tratada possui íntima e indissociável relação com as autuações contidas nos autos de infração n°s. 37.251.6742 e 37.251.6769, neste sentido, os processos, 19515.000815/201005 e 19515.000812/201063, foram reunidos, para julgamento conjunto, a fim de se evitar decisões conflitantes. São créditos lançados contra a empresa acima identificada, de contribuições devidas à Seguridade Social a título de quota patronal sobre a remuneração de segurados empregados e contribuintes individuais (20%) e grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho – GIILRAT( 1%) incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados, referente às competências de 01/06 a 12/07. O montante deste crédito perfez R$ 1.821.506,59 (um milhão e oitocentos e vinte e um reais e quinhentos e seis reais e cinquenta e nove centavos), consolidado e notificado em 26/03/2010. Na forma do Relatório Fiscal de fls. 42, e do Termo de Encerramento da Ação fiscal – TEAF, fls 103, a Ação Fiscal foi iniciada em 15/10/2009 e concluída em 29/03/2010, consecutivamente. Adiante, no item 4.4. Ali os Auditores registraram que : “Verificamos que, em 18/11/2009, a empresa foi cientificada do cancelamento da isenção de contribuições sociais com efeitos desde 01/04/2003, conforme ato e aviso de recebimento em anexo, por infração aos incisos IV e V do artigo 55 da lei 8.212/1991.Apresentou recurso intempestivo em 21/12/2009. Concluo, portanto, que a empresa não possui ato declaratório de isenção válido no período de 01/04/2003 em diante.”( grifei) Às fls. 36, em 09/03/2010, a Autoridade fiscal, ainda no curso da ação fiscal, quando da emissão do Termo De Constatação Fiscal e Intimação, pretendendo justificar bem como motivar a autuação, já se pronunciara referindose à intempestividade daquele Recurso razão pela qual procedera ao lançamento: “No entanto verificamos que, em 18/11/2009, a empresa foi cientificada do cancelamento da isenção de contribuições sociais a partir de 01/04/2003, conforme ato e aviso de recebimento em anexo. Apresentando recurso intempestivo em 21/12/2009. Concluo, portanto, que a empresa não possui ato declaratório de isenção válido no período de 01/01/2006 a 31/12/2007”. ( grifei) De fato, comprovando o que afirmara a Autoridade Fiscal, consta colacionado às fls 38 o ATO CANCELATÓRIO DE ISENÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS N.° 05 / 2009, a partir de 01/04/2003, o que – de plano, em princípio – justifica a lavratura da presente autuação. Fl. 735DF CARF MF Impresso em 27/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2012 por CLAUDIA DOLORES ROSA, Assinado digitalmente em 20/09/2012 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 27/09/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 19515.000814/201052 Despacho n.º 2403000.070 S2C4T3 Fl. 3 3 Às fls 40, referindose a cancelamento em comento, a Autoridade Administrativa comunicou à Recorrente que não receberia o seu recurso interposto em razão da expiração do prazo regulamentar para fazêlo, logo, por intempestividade: “ ENTIDADE : Centro de Orientação à Família COR CNPJ : 43.633.288/000144 ENDEREÇO : R Albina Barbosa, 54 – Aclimação São Paulo SP CEP 01530020 PROCESSOS: 18108.000836/200756 e 18108.000831/2008 12 ASSUNTO: Cancelamento de Isenção das Contribuições Sociais Prezado Presidente do COR. Face à expiração do prazo regulamentar para apresentação de recurso junto ao Conselho de Recursos do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, em 18/12/2009 (vide cópia de AR, anexa), não será apreciada a documentação protocolada, em 21/12/2009, na DRF/Osasco. Desta forma, está mantida a decisão comunicada através da Intimação Gabinete/DIORT n° 64/2009 de 09/11/2009.” Precluso aquele direito, em face da vinculação direta da Notificação em apreço, a recorrente na impugnação e ratificando o procedimento no presente recurso, de forma enviesada, apresentou alegações que não se referem às razões de fato e de direito a este processo mas inerentes àquele intempestivo. Não bastasse isso para tornar inepto seus argumentos , equivocadamente assim se manifestou no item 3 da impugnação de folhas 111 e ratificada em sede recursal: “3. Pois bem, após a ação fiscal desenvolvida pela Receita Federal do Brasil, foi cancelada a isenção de contribuições sociais conferidas à Impugnante, através do Ato Cancelatório n° 05/2009, emitido em 09/11/2009. (doC. 4)”( grifei) Percebese ilógico o argumento uma vez que conforme o Termo de Encerramento da Ação fiscal – TEAF, fls 103, a Ação Fiscal foi concluída em 29/03/2010 surgindo daí uma impossibilidade temporal. Ademais, o Ato Cancelatório referido não teve origem na Ação Fiscal em tela mas sim em ação anterior em razão de Informação Fiscal que o motivou. Mantendo a impertinente linha de argumentação, continuou de forma transversa a busca de elementos no processo precluso : “Apreciando as razões apresentadas pela autoridade fiscal, a Receita Federal do Brasil, após analisar as razões de fato e de direito expendidas pela Impugnante (...) Fl. 736DF CARF MF Impresso em 27/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2012 por CLAUDIA DOLORES ROSA, Assinado digitalmente em 20/09/2012 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 27/09/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 19515.000814/201052 Despacho n.º 2403000.070 S2C4T3 Fl. 4 4 Estas, em síntese, as razões para a expedição de Ato Cancelatório de Isenção de contribuição social, que culminou com a autuação que ora se combate nesta exordial impugnatória, pelas razões de fato e de direito a seguir expendidas.” ( grifei) Prosseguindo, referindose a INFORMAÇÃO FISCAL do processo cancelatório, reincidiu em argumentos de defesa dos autos transitados em julgado: “Senhor Julgador, a respeitável decisão proferida pelo Chefe da Divisão de Orientação e Análise Tributária DIORT, acolhendo a Informação Fiscal da citada Auditora Fiscal da Receita Federal do Brasil e determinando o cancelamento da isenção das contribuições sociais, desrespeitou o direito do Impugnante. Vejamos:O ato de cancelamento da isenção fundouse nas seguintes razões: .....” ( grifei) Nesta toada, seguiu colocando alegações sempre referente àquele Ato Cancelatório com o propósito de em fazendo valer seus argumentos de que fora inválida sua emissão macular de vício material a autuação presente. Somente a partir das fls 122 até a 140 final, efetivamente opõe resistência ao lançamento argüindo a aplicação da taxa selic nos juros moratórios bem como combate as Contribuições para o Salário Educação, INCRA, SESC e SEBRAE, relativas ao exercício financeiro de 2006 e 2007. Transitado em julgado por intempestivo, o Recurso interposto na ocasião pela ora Recorrente, não resta pendente de julgamento. Assim, o processo em comento que guardaria conexão com aquele, não se enquadra no preceituado recentemente regulamentado pelo Decreto nº 7.237/2010, que alterou a procedimentalização dos pedidos de isenção bem como os atos cancelatórios expedidos pelo ente Fiscalizador, expondo em seu art. 44 e 45, que os processos administrativos que envolvam tais questões, e que não tenham sido definitivamente julgados, sejam devolvidos a autoridade competente, para fins de análise do cumprimento das condicionantes para o usufruto da referida isenção. Vejamos o texto da Lei: “Art.44.Os pedidos de reconhecimento de isenção não definitivamente julgados em curso no âmbito do Ministério da Fazenda serão encaminhados à unidade competente daquele órgão para verificação do cumprimento dos requisitos da isenção, de acordo com a legislação vigente no momento do fato gerador. Parágrafo único.Verificado o direito à isenção, certificarseá o direito à restituição do valor recolhido desde o protocolo do pedido de isenção até a data de publicação da Lei n° 12.101, de 2009. Art.45.Os processos para cancelamento de isenção não definitivamente julgados em curso no âmbito do Ministério da Fl. 737DF CARF MF Impresso em 27/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2012 por CLAUDIA DOLORES ROSA, Assinado digitalmente em 20/09/2012 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 27/09/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 19515.000814/201052 Despacho n.º 2403000.070 S2C4T3 Fl. 5 5 Fazenda serão encaminhados à unidade competente daquele órgão para verificação do cumprimento dos requisitos da isenção na forma do rito estabelecido no art. 32 da Lei n° 12.101, de 2009, aplicada a legislação vigente à época do fato gerador.” Desta forma, como o presente auto não tem enquadramento nas questões regulamentadas pelo Decreto e Lei supra, há que se proceder ao julgamento neste Egrégio Conselho. Abaixo, transcrevo o Relatório do voto da instância a quo onde o I. Julgador faz idêntico extrato ao acima relatado : “1.1. A ciência do Sujeito Passivo, deuse em 29/03/2010, por intermédio de representante legal. 2. O Relatório Fiscal, fls. 42/5, informa, sumariamente, o que segue. 2.1. Deram origem ao débito as remunerações dos segurados empregados e dos segurados contribuintes individuais pagas ou creditadas pela empresa nos anos de 2006 e 2007. 2.2. Ademais, o referido relatório informa que se trata de uma Associação sem fins econômicos cujo objetivo é a promoção cultural e biopsicossocial do indivíduo e da família, que atende indistintamente e de forma gratuita, consoante plano de trabalho aprovado pelo Conselho Nacional de Assistência Social (CNAS). 2.3. O Contribuinte possui registro de entidade Beneficente de Assistência social no CNAS nos anos de 2006 e 2007, além do ato declaratório de isenção, conforme previsto no art. 55, § Io , da Lei n° 8.212/91, com isenção concedida desde 04/04/97. 2.4. Em 18/11/2009, a empresa foi cientificada do cancelamento da isenção de contribuições previdenciárias, com efeitos desde 01/04/2003, por infração aos incisos IV e V, art. 55, da Lei n° 8.212/91, ato contra o qual apresentou recurso intempestivo,em 21/12/2009. 2.5. Diante do exposto, concluiu a Autoridade Autuante que o Contribuinte não possuía ato declaratório de isenção válido no período de 01/04/2003 em diante. 2.6. As informações prestadas por meio das GFIP classificam a Impugnante como isenta das contribuições patronais FPAS 639 Entidade Beneficente de Assistência Social, razão pela qual não foram ofertadas à incidência das contribuições previdenciárias as remunerações acima indicadas. Apesar do código FPAS equivocado, tendo em vista que os valores das remunerações foram corretamente declarados, subsidiaram o AI em comento. Fl. 738DF CARF MF Impresso em 27/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2012 por CLAUDIA DOLORES ROSA, Assinado digitalmente em 20/09/2012 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 27/09/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 19515.000814/201052 Despacho n.º 2403000.070 S2C4T3 Fl. 6 6 3. Foram examinados os extratos da GFIP enviados eletronicamente. 4. Em virtude dos fatos narrados, foi formalizada a correspondente Representação Fiscal para Fins Penais, haja vista a configuração, em tese, do crime previsto no art. 337A, III, do Código Penal. DA IMPUGNAÇÃO 5. Tempestivamente, consoante fls. 273/4, a Autuada apresentou impugnação, fls. 108/140, acompanhadas dos documentos fls. 141/272 (Estatuto, procuração, documentos dos patronos, cópia do AI em testilha e documentos complementares, Relatório de Atividades 2003/2004/2005/2006/2007/2008/2009), alegando, em síntese, os argumentos que se seguem: 5.1. Alega pela tempestividade do recurso. 5.2. Suscita a indissociável relação entre o presente AI e os de n° 37.251.6742 e n° 37.251.6769, solicitando a reunião destes para efeito de julgamento conjunto. 5.3. Após a ação fiscal desenvolvida, foi cancelada a isenção à qual fazia jus a Impugnante, através do Ato Cancelatório n° 05/2009, de 09/11/09. 5.4. Descreve trechos da manifestação da RFB que culminou com a emissão do indigitado Ato Cancelatório, a partir de 01/04/2003. 5.5. Ademais, expõe os motivos do cancelamento da isenção, atacando um a um, intentando, com isso, demonstrar o cumprimento aos requisitos do art. 55 da Lei n° 8.212/91, no cerne, desconstituir o propalado cancelamento da isenção da qual gozava e, por via transversa, macular a lavratura em testilha. 5.6. Adicionalmente, ainda que remanesça a exigência de crédito tributário, a Impugnante não concorda com a incidência dos juros moratórios calculados com base na Taxa SELIC sobre os débitos objeto da autuação fiscal, suscitando a aplicação do art. 161 do CTN. Discorre longamente sobre a função dos juros moratórios e da taxa SELIC. Colaciona jurisprudência do STJ. 5.7. Em adição, afirma que a taxa SELIC assume, no crédito tributário em questão, caráter manifestamente confiscatório, o que é vedado pela Constituição Federal. Fl. 739DF CARF MF Impresso em 27/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2012 por CLAUDIA DOLORES ROSA, Assinado digitalmente em 20/09/2012 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 27/09/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 19515.000814/201052 Despacho n.º 2403000.070 S2C4T3 Fl. 7 7 5.8. No mais, insurgese quanto ao encaminhamento da Representação Fiscal para Fins Penais RFFP à Procuradoria da República. 5.9. Independentemente do acolhimento da improcedência da imputação dos juros moratórios calculados com base na SELIC, a Impugnante protesta, adicionalmente, pela suspensão de sua incidência e exigibilidade no período compreendido entre a data da protocolização da Impugnação apresentada contra o presente AI e a data em que se proferir a decisão final do feito na esfera administrativa. Baseiase no art. 151, III, do CTN. Traça analogia, ademais, com o quanto previsto no art. 63, § 2°, Lei n° 9.430/96. Colaciona decisões judiciais. 5.10. Face ao exposto, requer o acolhimento das razões apresentadas, para o fim de declarar a insubsistência do auto de infração ora impugnado, posto que o lançamento revelase indevido, por não ser a Impugnante devedora de qualquer importância a título de contribuição para o Salário de Educação, INCRA, SESC e SEBRAE, referentes ao exercício financeiro de 2006 e 2007. 5.11. Alternativamente, a multa e os juros, ao menos, deverão ser anulados, posto que em descompasso com as respectivas legislações de regência. 5.12. Requer, ainda, a anulação da RFFP, eis que não há nos autos qualquer prova da existência de crime contra a ordem tributária. 5.13. Por fim, protesta pela produção de novos argumentos de fato e de direito, provas admitidas em direito, diligências e perícias, se necessárias.” É o Relatório. DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA Após analisar aos argumentos da impugnante, na forma do registro de fls.276 a 13ª Turma da Delegacia de Julgamento da Receita Federal do Brasil de São Paulo – SP DRJ/SP I, em 21/10/2010, exarou o Acórdão n° 1627.200 , mantendo procedente o lançamento. DO RECURSO Irresignada, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário de fls. 292, onde reiterou as alegações que fizera em instancia “ad quod ” Fl. 740DF CARF MF Impresso em 27/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2012 por CLAUDIA DOLORES ROSA, Assinado digitalmente em 20/09/2012 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 27/09/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 19515.000814/201052 Despacho n.º 2403000.070 S2C4T3 Fl. 8 8 DO VOTO DA TEMPESTIVIDADE Conforme registro de fls.308, o recurso é tempestivo. Aduz que reúne os pressuposto de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. Nos autos consta despacho onde se verifica que na origem acolheramse Recursos Voluntários distintos e aludindo a Portaria : “Senhor Chefe, Em atendimento à Portaria RFB nº 2.324, de 2 de dezembro de 2010, transcrita abaixo, informamos que foi juntado por anexação ao presente processo, o processo de nº 19515.000812/201063 (DEBCAD 37.251.6769) e o processo nº 19515.000815/201005 (DEBCAD 37.251.6742), conforme Termo de Juntada por Anexação em anexo.” DA ALEGAÇÃO DE CONEXÃO Em sede de impugnação a Recorrente alegou conexão e obteve julgamento de todos os processos na mesma sessão. Entretanto observando processos distintos, procederamse AS DINTINTAS IMPUGNAÇÕES GERANDO acórdãos DISTINTOS suscitando Recursos também distintos: “ 7. A Impugnante suscita em sua Defesa a existência de conexão entre o presente processo e os AI n° 37.251.6742 (PA n° 19515.000815/2010 – Obrigações Acessórias inadimplidas) e 37.251.6769 (PA n° 19515.000812/201063 OEF [Terceiros]). 7.1. Assim, reconhecese a conexão aventada haja vista que todos os créditos tributários em questão decorrem, em suma, do mesmo contexto fáticojurídico e por esta justa razão estão sendo julgados na mesma sessão.” DA CONEXÃO E DA CONTINÊNCIA Cumpre ressaltar que não se pode confundir os institutos da conexão e da continência.Segundo a exegese dos artigos 103 e 104 do Código de Processo Civil, conexão e continência se observará conforme o abaixo: “Art. 103. Reputamse conexas duas ou mais ações, quando lhes for comum o objeto ou a causa de pedir. Art. 104. Dáse a continência entre duas ou mais ações sempre que há identidade quanto às partes e à causa de pedir, mas o objeto de uma, por ser mais amplo, abrange o das outras.” Desse modo, tratando os autos de objetos distintos, tanto que assim foram julgados, distintamente, sem sequer fazer alusão às decisões de um sobre os outros, posto que referemse a obrigações principais, com terceiros e acessórias, que, por conseguinte , com causa de pedir distintas não se vislumbram conexas as ações. Fl. 741DF CARF MF Impresso em 27/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2012 por CLAUDIA DOLORES ROSA, Assinado digitalmente em 20/09/2012 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 27/09/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 19515.000814/201052 Despacho n.º 2403000.070 S2C4T3 Fl. 9 9 O que de imediato se observa comum à todos os lançamentos é que resultam de uma mesma ação fiscal nada podendo garantir, sem analise dos autos quanto aos motivos e se todas as autuações têm os mesmos elementos de prova . Por oportuno, cabe trazer à lume o comando do artigo 105 do mesmo sobredito diploma legal : “Art. 105. Havendo conexão ou continência, o juiz, de ofício ou a requerimento de qualquer das partes, pode ordenar a reunião de ações propostas em separado, a fim de que sejam decididas simultaneamente.” Isto posto, decidir sobre conexão ou continência não é prerrogativa dos setores administrativos sendo facultado ao julgador a reunião de ações propostas em separado, a fim de que sejam decididas simultaneamente. È equivocado entender que reunir as ações é o mesmo que misturálas em um mesmo processo, até porque não necessariamente há que se verificar repercussão de algum sobre os demais. Casos de vício formal e até material podem ocorrer nos lançamentos sem repercutir , ainda que esses se vinculem diretamente ao principal em todos os sentidos. DA JUNTADA DE DIVERSOS PROCESSO EM PROCESSO ÚNICO Não obstante a hipótese de conexão entre os processos o que, sem dúvida permite que se proceda ao julgamento em sessão única mas não simultaneamente dado que os objetos são distintos bem como as causas de pedir a questão de fundo é determinar se a decisão de INCLUIR DIVERSOS PROCESSOS DENTRO DE UM ÚNICO, com acórdãos e recursos distintos, é passível de acolhimento ou não. Destaquese que ao fazêlo omitiramse dos autos o volume I do processo em comento o que em si já prejudica e compromete a análise. Ao suprimirem o volume 1 não se tem acesso ao AI Auto de Infração/NFLD, Relatório Fiscal e demais relatórios que compõem o Lançamento. O Relatório supra apresentado, transcrevi do voto “ad quod ”, sem anuir em razão de só poder fazêlo após confrontar a totalidade dos autos. Fato é que depois de julgados em sede “ ad quod ” juntaramse todos os processos em um único impondo referência única no eprocesso. Uma coisa é julgamento único e outra coisa é referência única como se os demais tivessem deixado de existir.Aduz que na forma confusa disposta no sistema se observa difícil segregação. Tal procedimento em sede recursal resulta que ao ser publicada a pauta para julgamento conclamando a Recorrente a , em querendo, fazer defesa oral, somente se estará publicizando um único processo dentre os que serão analisados. Na hipótese de inconformismo com as demais decisões, é lícito pois recorrer e argüir cerceamento de defesa em relação aos demais tendo em vista que ao interpor recursos distintos em face dos distintos acórdãos, o contribuinte faz jus a produzir distintas defesas orais correspondentes aos interpostos recursos, salvo formal declinação. Fl. 742DF CARF MF Impresso em 27/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2012 por CLAUDIA DOLORES ROSA, Assinado digitalmente em 20/09/2012 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 27/09/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 19515.000814/201052 Despacho n.º 2403000.070 S2C4T3 Fl. 10 10 DA PORTARIA RFB Nº 2.324, DE 2 DE DEZEMBRO DE 2010 Nos autos consta despacho onde se verificam que na origem,pretendendo anexar, unificaram os processos por entender que o faziam em obediência a Portaria RFB nº 2.324, de 2 de dezembro de 2010 : “ Senhor Chefe, Em atendimento à Portaria RFB nº 2.324, de 2 de dezembro de 2010, transcrita abaixo, informamos que foi juntado por anexação ao presente processo, o processo de nº 19515.000812/201063 (DEBCAD 37.251.6769) e o processo nº 19515.000815/201005 (DEBCAD 37.251.6742), conforme Termo de Juntada por Anexação em anexo. Portaria RFB nº 2.324, de 2 de dezembro de 2010 DOU de 3.12.2010 Altera a Portaria RFB nº 666, de 24 de abril de 2008, que dispõe sobre formalização de processos relativos a tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil(RFB). O SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL, no uso da atribuição que lhe confere o art. 261 do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal do Brasil, aprovado pela Portaria MF nº 125, de 4 de março de 2009, e tendo em vista o disposto no § 1º do art. 9º do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, no art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, e no art. 18 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, resolve: Art. 1º Os arts. 1º e 2º da Portaria RFB nº 666, de 24 de abril de 2008, passam a vigorar com a seguinte redação: "Art.1º ................................................................................................................... I ................................................................................................................... e) às Contribuições Previdenciárias da empresa, dos segurados e para outras entidades e fundos; ou f) ao Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (Simples); ................................................................................................................... " (NR) "Art.2º ................................................................................................................... I recurso hierárquico relativo à compensação considerada não declarada e ao lançamento de ofício de crédito tributário dela decorrente; ou II recurso hierárquico relativo ao indeferimento de Fl. 743DF CARF MF Impresso em 27/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2012 por CLAUDIA DOLORES ROSA, Assinado digitalmente em 20/09/2012 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 27/09/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 19515.000814/201052 Despacho n.º 2403000.070 S2C4T3 Fl. 11 11 pedido de retificação, cancelamento ou desistência de Pedido de Restituição ou Ressarcimento e de Declaração de Compensação e à manifestação de inconformidade contra indeferimento do Pedido de Restituição ou Ressarcimento ou a não homologação da Declaração de Compensação originais." (NR) Art. 2º Esta Portaria entra em vigor em 1º de janeiro de 2011. Art. 3º Fica revogado o inciso III do art. 2º da Portaria RFB nº 666, de 24 de abril de 2008.” ( grifos de minha autoria). Do texto acima se observa que a Autoridade Administrativa se louvou no preceituado nos no § 1º do art. 9º do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, no art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, e no art. 18 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003 . Destacando que os artigos 18 e 74 citados não se referem a unificação de processos, adiante, por relevante e específico, comentarei o comando do § 1º do art. 9º do Decreto nº 70.235 . “ Artigo 18 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003 Art. 18. O lançamento de ofício de que trata o art. 90 da Medida Provisória n 2.15835, de 24 de agosto de 2001, limitarseá à imposição de multa isolada em razão de nãohomologação da compensação quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo. (resolução dada pela Lei n 11.488, de 2007) ” Art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 “ Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão.( Redação dada pela Lei n 10.637, de 2002).” Aduz que a nova Portaria fez introduzir a letra “ e “ no comando da alterada Portaria RFB nº 666, de 24 de abril de 2008 sendo que o artigo 1° permaneceu inalterado : “ Art. 1º Serão objeto de um único processo administrativo: I as exigências de crédito tributário do mesmo sujeito passivo, formalizadas com base nos mesmos elementos de prova, referentes: (...) e) às Contribuições Previdenciárias da empresa, dos segurados e para outras entidades e fundos; ou ( Redação dada pela portaria RFB nº 2.324, de 2 de dezembro de 2010) (Vide art. 2º da P RFB n 2.324/2010)” Retornando aos destaques dos artigos em que se pautou a Autoridade Administrativa para fazer observar que serão objeto de um único processo administrativo ressaltese o preceituado no § 1º do art. 9º do Decreto nº 70.235, então exortado, verbis: Fl. 744DF CARF MF Impresso em 27/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2012 por CLAUDIA DOLORES ROSA, Assinado digitalmente em 20/09/2012 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 27/09/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 19515.000814/201052 Despacho n.º 2403000.070 S2C4T3 Fl. 12 12 “ § 1o Os autos de infração e as notificações de lançamento de que trata o caput deste artigo, formalizados em relação ao mesmo sujeito passivo, podem ser objeto de um único processo, quando a comprovação dos ilícitos depender dos mesmos elementos de prova. ( Redação dada pela Lei n° 11.941, de 2009)” Cumpre destacar que sob o comando do parágrafo supra, é facultado, e não obrigatório, a que “ os autos de infração e as notificações de lançamento de que trata o caput” possam ser objeto de um único processo. É compulsório observar o que diz o caput do artigo em comento e constatar que o legislador faculta unificar em um mesmo processo o “ crédito tributário e a aplicação de penalidade isolada” e não vários e distintos processos. Não pode passar desapercebido que somente poderá proceder à unificação dos processos : “quando a comprovação dos ilícitos depender dos mesmos elementos de prova”. Isto não ocorrendo há que se proceder a instrução de PROCESSOS DISTINTOS, verbis: “Art. 9o A exigência do crédito tributário e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada tributo ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. ( Redação dada pela Lei n° 11.941, de 2009)” Então, o crédito tributário e a aplicação de penalidade isolada têm que depender dos mesmos elementos de prova para serem objeto de um único processo. Ademais, por oportuno, tendo sido o crédito lavrado em razão de inadimplências ocorridas no período 01/2006 A 12/2007, não há que se falar em aplicação de multa isolada. Desse modo, se ao menos restassem motivadas em Relatório ÚNICO a constituição dos créditos, ainda que em lançamentos distintos, como eventualmente procedem alguns Auditores Fiscais, restaria justificada uma ÚNICA IMPUGNAÇÃO seguida de ÚNICO RECURSO VOLUNTÁRIO que , por conseguinte geraria PROCESSO ÚNICO. O artigo 3º não revogado da Portaria RFB nº 666, de 24 de abril de 2008 determina que : “ Os processos em andamento, que não tenham sido formalizados de acordo com o disposto no art. 1º, serão juntados por anexação na unidade da RFB em que se encontrem.” Assim, não sendo causa de aplicação do comando do § 1o do artigo 9o no Decreto 70.235/72 na forma da redação dada pela Lei n° 11.941, de 27/05/2009 e tampouco de UNIFICAÇÃO mas de mera anexação, os processos devem ser desentranhados. Anexar, é juntar à coisa considera principal. Unificar é reunir o todo em um só corpo. Fl. 745DF CARF MF Impresso em 27/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2012 por CLAUDIA DOLORES ROSA, Assinado digitalmente em 20/09/2012 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 27/09/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 19515.000814/201052 Despacho n.º 2403000.070 S2C4T3 Fl. 13 13 A forma como foi executada a tarefa assumiu características de UNIFICAÇÃO e não de anexação como determina a portaria. Consoante o artigo 25, “b”, II, do Decreto 70.235/72, de forma indeclinável, consta que compete em segunda instância, ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais julgar recursos de ofício e voluntários de decisão de primeira instância: “ II – em segunda instância, ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, órgão colegiado, paritário, integrante da estrutura do Ministério da Fazenda, com atribuição de julgar recursos de ofício e voluntários de decisão de primeira instância, bem como recursos de natureza especial. ( Redação dada pela Lei n° 11.941, de 2009) ” Neste sentido, também, o artigo 1° do Regimento Interno do Conselho Administrativo De Recursos Fiscais – CARF, reitera , na íntegra o sobredito comando. Compulsado a julgar, da forma como me chegaram os processos, JUNTADOS de ofício vinculando à um destes que foi definido como principal de acordo com critério estabelecido pelo Servidor que o fez, sem a necessária certeza de que a decisão deste refletirá de forma idêntica nos outros, resulta que, não obstante, à esta Turma de Conselheiros caberá fazêlo indistintamente para cada Recurso, sob pena de nulidade se assim não proceder. Na oportunidade do julgamento, o Senhor Presidente da Turma o fará oportunizando à Recorrente se manifestar consoante o comando dos incisos II e III do artigo 58 do Regimento Interno do Conselho Administrativo De Recursos Fiscais – CARF, verbis: “ Art. 58. Anunciado o julgamento de cada recurso, o presidente dará a palavra, I ao relator, para leitura do relatório; II ao recorrente ou ao seu representante legal para, se desejar, fazer sustentação oral por 15 (quinze) minutos, prorrogáveis por igual período; III à parte adversa ou ao seu representante legal para, se desejar, fazer sustentação oral por 15 (quinze) minutos, prorrogáveis por igual período; ” Assim, se a Recorrente não for notificada de que na sessão também se processará o julgamento dos demais processos, é lícito argüir cerceamento de defesa em razão de não ter , necessariamente se preparado para fazer defesa dos não publicados. Cumpre destacar, que nestas circunstâncias, sendo levado à efeito o julgamento, somente se dará publicidade da decisão de apenas um processo ou seja o que foi eleito como principal, mesmo que eventualmente não o seja em razão de equivocado critério na origem. Relevante lembrar que procedendo deste modo, admitese a eventual ocorrência de decisões passíveis de embargos de declaração, que submersas na forma do julgado, aliado ao fato da ausência da devida publicidade dos “ decisium ”, não se verificaram perceptíveis motivando, por seu turno, possíveis nulidades. Fl. 746DF CARF MF Impresso em 27/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2012 por CLAUDIA DOLORES ROSA, Assinado digitalmente em 20/09/2012 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 27/09/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 19515.000814/201052 Despacho n.º 2403000.070 S2C4T3 Fl. 14 14 DO PRINCÍPIO DA PUBLICIDADE. O princípio da publicidade decorre do fato de que a ação do Estado, tanto em nível político quanto no administrativo, sempre ser motivado por razões de interesse público. A exemplo do que se observa nas decisões judiciais, o controle popular das decisões judiciais, por meio do princípio da motivação das decisões judiciais como garantia do Estado Democrático de Direito, exige a presença de outro princípio: o da publicidade, consagrado pela atual Constituição no art. 93, IX, in verbis: “ Art. 93 [...] IX todos os julgamentos dos órgãos do Poder Judiciário serão públicos, e fundamentadas todas as decisões, sob pena de nulidade, podendo a lei limitar a presença, em determinados atos, às próprias partes e a seus advogados, ou somente a estes, em casos nos quais a preservação do direito à intimidade do interessado no sigilo..” Referindose aos processos julgados, o inciso II do artigo 61 do Regimento Interno do Conselho Administrativo De Recursos Fiscais – CARF aduz que serão publicadas no sítio do CARF na Internet, devendo nelas constar , verbis : “ Art. 61. As atas das sessões serão assinadas pelo presidente da turma, pelo secretário de Câmara e por quem tenha atuado como secretário da sessão e serão publicadas no sítio do CARF na Internet, devendo nelas constar: I os processos distribuídos, com a identificação do respectivo número e do nome do interessado, do recorrente e do recorrido; II os processos julgados, os convertidos em diligência, os com pedido de vista, os adiados e os retirados de pauta, com a identificação, além da prevista no inciso I, do nome do Procurador da Fazenda Nacional, do recorrente ou de seu representante legal, que tenha feito sustentação oral, da decisão prolatada e a inobservância de disposição regimental; e III outros fatos relevantes, inclusive por solicitação da parte.” CONCLUSÃO Diante de tudo o que foi exposto, na forma do artigo 24 do Decreto 70.235/72, que determina que : “ O preparo do processo compete à autoridade local do órgão encarregado da administração do tributo.”, bem com amparo no artigo 29 do mesmo diploma legal, determino a conversão do julgamento em DILIGÊNCIA retornando os processo à origem para desentranhálos e juntar os volumes faltantes. É como voto. Ivacir Júlio de Souza Fl. 747DF CARF MF Impresso em 27/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2012 por CLAUDIA DOLORES ROSA, Assinado digitalmente em 20/09/2012 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 27/09/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
score : 1.0
Numero do processo: 10120.901487/2006-31
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 11 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Apr 10 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 1801-000.148
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento na realização de diligências, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes - Presidente
(assinado digitalmente)
Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo Relatora
Nome do relator: ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento na realização de diligências, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Presidente (assinado digitalmente) Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo – Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira, Maria de Lourdes Ramirez, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo e Ana de Barros Fernandes. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 01 20 .9 01 48 7/ 20 06 -3 1 Fl. 59DF CARF MF Impresso em 10/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2013 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 15/01/2013 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalmente em 21/01/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10120.901487/200631 Resolução nº 1801000.148 S1TE01 Fl. 3 2 Relatório Tratase o presente processo de DCOMP (fls. 01 a 58), referente a crédito de CSLL decorrente do recolhimento a maior no valor de R$ 4.701,50 (quatro mil, setecentos e um reais e cinquenta centavos), período de apuração 03/2003, com débito da mesma natureza, referente a 04/2003. A Recorrente informou na DCTF o valor de R$ 7.151,21 (sete mil, cento e cinquenta e um reais, vinte e um centavos), referente ao mês de março de 2003, quando, em verdade, seria de R$2.449,71 (dois mil, quatrocentos e quarenta e nove reais, setenta e um centavos), muito embora na DIPJ/2004, teria sido informada a obrigação tributária de forma correta. Em 29/01/2008, foi emitido despacho decisório, nº de rastreamento 740376173, de fls. 15, que glosou o crédito sob o fundamento de que o pagamento localizado teria sido integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados na DCOMP. Diante da inexistência do crédito, não homologou a compensação declarada. Devidamente intimado do despacho decisório em 10/03/2008, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade requerendo sua reforma com a declaração de insubsistência absoluta do lançamento fiscal oriundo do despacho e seu arquivamento definitivo, reiterando o seu direito ao crédito, bem como informando que transmitira a DCTF retificadora para sanar a irregularidade em 11/03/2008. Acostou aos autos cópias da DIPJ e da DCTF retificadora. O acórdão de n˚ 0338.340 4ª Turma da DRJ/BSB, fls.26, de 30/07/2010, negou o direito creditório da Recorrente, estribandose na intempestividade da entrega da DCTF retificadora, efetuada após ciência do despacho. Portanto julgou improcedente a manifestação de inconformidade e manteve decisão do despacho decisório de fls. 15. Insatisfeita com a decisão, a Recorrente interpôs recurso voluntário, reafirmando as alegações já apresentadas, apenas acrescentando que retificação foi feita em 11/03/2008 no prazo legal de defesa, bem como, no prazo prescricional de 5 anos contados da data do pagamento a maior. Ademais, alegou que transmitiu a DIPJ no ano de 2004 na data correta, descaracterizando a possibilidade da empresa ter retificado a DCTF após a ciência do despacho em benefício próprio. E para corroborar a alegação, juntou demonstrativos contábeis de seu direito creditório – demonstrações de resultado do período de apuração em tela, além do livro de registro de apuração do ICMS. Fl. 60DF CARF MF Impresso em 10/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2013 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 15/01/2013 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalmente em 21/01/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10120.901487/200631 Resolução nº 1801000.148 S1TE01 Fl. 4 3 Voto Conselheira Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Relatora O presente recurso preenche os requisitos de admissibilidade e é tempestivo, pelo que dele tomo conhecimento. Conforme relatado, foi negado o direito creditório da Recorrente, sob o fundamento de ter sido integralmente alocado o pagamento referente ao período de apuração de março/2003 ao débito constituído em DCTF. A retificação da DCTF não poderia ser aceita, segundo a decisão recorrida, pois posterior à ciência, pela Recorrente, do despacho que denegou o seu direito creditório. A Recorrente, em sua defesa, esclareceu o erro incorrido no preenchimento da DCTF, trazendo aos autos, para corroborar suas alegações, cópias dos documentos mencionados – DCTF retificadora, DIPJ, bem como documentos de sua contabilidade. Observese que, conforme se extrai da documentação dos autos, a Recorrente optou no período de apuração em tela, pelo regime de apuração do imposto sobre a renda pelo lucro real, na forma do art. 2º da Lei nº. 9.430, de 1996 c/c art. 35 da Lei nº. 8.981, de 1995, ou seja, com base em balanço ou balancete de suspensão. Não obstante, a Recorrente não trouxe aos autos documentação contábil completa, que reflita de maneira inconteste o seu direito creditório, isto é, cópia dos balancetes de suspensão transcritos no Livro Diário, que demonstrem que o imposto foi pago a maior. Outrossim, não foi feita demonstração de que o valor recolhido a maior não foi reaproveitado no ajuste ou nas estimativas do anocalendário subseqüente. Em face da questão divergente, das incertezas expostas e com a observância do disposto no art. 18 do Decreto nº. 70.235, de 1972, voto pela conversão do julgamento em diligência para que, mediante parecer conclusivo, a Unidade da Receita Federal do Brasil de origem diligencie no sentido de verificar, o valor do imposto a pagar em março de 2004 e, caso confirmese o pagamento a maior, que seja demonstrado se não houve posterior aproveitamento no ajuste ou em outras compensações. O agente encarregado da diligência deverá ter em conta que o trabalho fiscal deve ter por objetivo a comprovação das alegações de defesa de forma a restar demonstrada a existência, composição e suficiência do direito creditório invocado pela recorrente, relativo a CSLL decorrente do recolhimento a maior no valor de R$ 4.701,50 (quatro mil, setecentos e um reais e cinquenta centavos), período de apuração 03/2003. Ao final dos trabalhos deverá ser elaborado relatório circunstanciado e conclusivo das verificações efetuadas do qual deverá ser cientificada a interessada, com prova de seu recebimento nos autos, para, no prazo de trinta dias, a contar da ciência, manifestarse Fl. 61DF CARF MF Impresso em 10/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2013 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 15/01/2013 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalmente em 21/01/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10120.901487/200631 Resolução nº 1801000.148 S1TE01 Fl. 5 4 sobre as conclusões da diligência, se assim o desejar, retornandose, posteriormente, os presentes autos a este Colegiado para prosseguimento. (assinado digitalmente) Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo Fl. 62DF CARF MF Impresso em 10/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2013 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 15/01/2013 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalmente em 21/01/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES
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Numero do processo: 10166.721883/2010-36
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 15 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2007 a 30/11/2008
Ementa: REMUNERAÇÃO. CONCEITO.
Remuneração é o conjunto de prestações recebidas habitualmente pelo empregado pela prestação de serviços, seja em dinheiro ou em utilidades, provenientes do empregador ou de terceiros, decorrentes do contrato de trabalho
VALE TRANSPORTE EM PECÚNIA – NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA
Não há incidência de contribuição previdenciária sobre os valores de Vale Transporte pagos em pecúnia, conforme Súmula nº 60, de 08/12/2011, da Advocacia Geral da União – AGU LANÇAMENTO. CLAREZA E PRECISÃO. REQUISITOS PARA O DEVIDO PROCESSO LEGAL. AUXÍLIO ALIMENTAÇÃO.
Clareza e precisão são requisitos indispensáveis para que os lançamentos tributários prevaleçam. A ausência desses requisitos, pelos vários motivos descritos no voto, no caso do pagamento do auxílio alimentação, acarreta o provimento do recurso, pela incerteza da ocorrência do fato gerador.
JUROS E MULTA DE MORA
A utilização da taxa de juros SELIC e a multa de mora encontram amparo legal nos artigos 34 e 35A da Lei 8.212/91.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2301-002.763
Decisão: Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos: a) em dar provimento ao recurso na questão do vale transporte, nos termos do voto da Relatora. O Conselheiro Mauro José Silva acompanhou a votação por suas conclusões; II) Por maioria de votos: a) em dar provimento ao recurso na questão do auxílio alimentação, nos termos do voto do Redator. Vencida a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, que votou em negar provimento ao recurso nesta questão. Redator: Marcelo Oliveira. Declaração de voto: Damião Cordeiro de Moraes.
Nome do relator: BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS
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CONCEITO. Remuneração é o conjunto de prestações recebidas habitualmente pelo empregado pela prestação de serviços, seja em dinheiro ou em utilidades, provenientes do empregador ou de terceiros, decorrentes do contrato de trabalho VALE TRANSPORTE EM PECÚNIA – NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA Não há incidência de contribuição previdenciária sobre os valores de Vale Transporte pagos em pecúnia, conforme Súmula nº 60, de 08/12/2011, da Advocacia Geral da União – AGU LANÇAMENTO. CLAREZA E PRECISÃO. REQUISITOS PARA O DEVIDO PROCESSO LEGAL. AUXÍLIO ALIMENTAÇÃO. Clareza e precisão são requisitos indispensáveis para que os lançamentos tributários prevaleçam. A ausência desses requisitos, pelos vários motivos descritos no voto, no caso do pagamento do auxílio alimentação, acarreta o provimento do recurso, pela incerteza da ocorrência do fato gerador. JUROS E MULTA DE MORA A utilização da taxa de juros SELIC e a multa de mora encontram amparo legal nos artigos 34 e 35A da Lei 8.212/91. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 4547DF CARF MF Impresso em 15/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 02/10 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/09/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assin ado digitalmente em 20/09/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS 2 Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos: a) em dar provimento ao recurso na questão do vale transporte, nos termos do voto da Relatora. O Conselheiro Mauro José Silva acompanhou a votação por suas conclusões; II) Por maioria de votos: a) em dar provimento ao recurso na questão do auxílio alimentação, nos termos do voto do Redator. Vencida a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, que votou em negar provimento ao recurso nesta questão. Redator: Marcelo Oliveira. Declaração de voto: Damião Cordeiro de Moraes. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira – Presidente e Redator designado. (assinado digitalmente) Bernadete De Oliveira Barros Relator. (assinado digitalmente) Damião Cordeiro de Moraes – Declaração de voto. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Adriano Gonzales Silvério, Bernadete de Oliveira Barros, Damião Cordeiro de Moraes, Mauro José Silva, Leonardo Henrique Lopes Fl. 4548DF CARF MF Impresso em 15/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 02/10 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/09/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assin ado digitalmente em 20/09/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Processo nº 10166.721883/201036 Acórdão n.º 230102.763 S2C3T1 Fl. 2 3 Relatório Tratase de crédito previdenciário lançado contra a empresa acima identificada, referente às contribuições devidas à Seguridade Social, correspondentes à parte da empresa e ao SAT. Conforme Relatório do AI, o débito apurado se refere a contribuições incidentes sobre os pagamentos habitualmente efetuados a segurado empregado em pecúnia, a título de auxílio alimentação e vale transporte, considerados remuneração pela auditoria fiscal, verificados em Folha de Pagamentos e na Contabilidade. A autoridade lançadora informa que a apuração dos valores de remuneração foi feita a partir das Folhas de Pagamentos, dos registros contábeis e de planilhas fornecidos pelo Contribuinte em meio digital e das informações prestadas em GFIP constantes do banco de dados da Previdência Social. Esclarece que, sobre o valor do crédito previdenciário apurado no Procedimento Fiscal para as competências de 01/2007 e 11/2008, incidiu a multa de ofício prevista no art. 44, inciso I, Lei nº. 9.430/1996, à alíquota de setenta e cinco por cento, conforme disposto no art. 35A da Lei nº. 8.212/91, incluído pela Lei nº. 11.941/2009, por se tratar de penalidade mais benéfica ao Contribuinte, de acordo com o art. 106, inciso II, alínea “c”, do CTN. Afirma que, ao se comparar o valor da multa aplicada na forma da legislação vigente à época do fato gerador com aquele resultante da aplicação da legislação vigente à época da lavratura do Auto de Infração, verificouse condição de penalidade menos severa ao Contribuinte quando aplicada a legislação vigente à época do Lançamento, para as competências de 01/2007 a 11/2008, somadas à multa de mora de vinte e quatro por cento, as multas referente à apresentação de GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores, seja em relação às bases de cálculo, seja em relação às informações que alterem o valor das contribuições, e com informações inexatas em relação aos dados não relacionados aos fatos geradores de contribuições previdenciárias. A recorrente impugnou o débito e a Secretaria da Receita Federal do Brasil, por meio do Acórdão 0343.139, da 5a Turma da DRJ/BSB, julgou a impugnação improcedente, mantendo o crédito tributário. Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso tempestivo, alegando, em síntese, o que se segue. Preliminarmente, reitera que o processo foi instruído ao arrepio do Decreto 70.235/72, pois tal norma não autoriza a utilização de meio virtual como prova para exigir tributos, o que, segundo entende, não prejudica somente a recorrente, mas também o próprio julgador, pois estarão tolhidos e cerceados de analisar trabalhos elaborados pela fiscalização. Fl. 4549DF CARF MF Impresso em 15/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 02/10 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/09/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assin ado digitalmente em 20/09/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS 4 Alega falta de previsão legal e requer que o julgamento seja convertido em diligência para suprir a ausência de documentos impressos, de forma a permitir à autoridade julgadora analisar a documentação elaborada pela autoridade lançadora, com fé pública. Sustenta que a autoridade lançadora não comprovou suas alegações, mas apenas elaborou unilateralmente planilhas, cerceando o direito de defesa da recorrente, uma vez que impossibilitou o acesso aos documentos que supostamente escoraram os lançamentos. Reitera que não consta, do relatório fiscal, qualquer documento contábil e/ou folhas de pagamento, tampouco GFIP e arquivo em meio digital, mas somente planilhas diversas elaboradas somente pelo fiscal autuante. Requer que seja decretada a nulidade do lançamento e, caso isso não ocorra, que sejam os autos baixados em diligência para sanar os vícios apontados. No mérito, alega que não incide contribuições sobre o auxílio alimentação e vale transporte pagos em pecúnia, justo porque a Jurisprudência dominante e atual do CARF afasta o lançamento, diante do entendimento sobre a matéria perante o STF e STJ. Transcreve tabela elaborada pelo auditor fiscal para tentar demonstrar que nem todos os pagamentos foram feitos em pecúnia e jamais de forma habitual, tratandose de pagamentos eventuais, entendendo que o fato de a empresa empregar, à época, entre 3000 a 4000 trabalhadores justifica o pagamento eventual e não habitual do valetransporte e o vale alimentação àqueles que ingressam na empresa diariamente no período. Assevera que o acórdão recorrido ignorou provas constantes dos autos, teses e argumentos trazidos pela ora recorrente, não enfrentando todos os pontos apresentados para análise contenciosa, cerceando o direito de defesa e agredindo o princípio do duplo grau de jurisdição, consagrado pelo PAF. Sustenta que todo o procedimento de pagamento de Alimentação e Transporte aos colaboradores da recorrente foram feitos nos estritos termos da legislação previdenciária, CF e Convenção Coletiva de Trabalho e afirma que não há como identificar, no relatório fiscal e planilhas, se houve bitributação de valores, eis que, ao considerar valores da folha de pagamento e da contabilidade, não se pode identificar se tais valores se confundem com aqueles, razão pela qual requer desde já o cancelamento das exigências. Esclarece que contratações e dispensas de colaboradores, bem como afastamento por doença e alterações/cancelamentos de férias durante o período citado eram corriqueiros e se davam de forma diária e discorre sobre a metodologia operacional de aquisição e fornecimento dos VT e VA para os empregados, informando que, pela sistemática delineada, por aproximadamente 50 dias a recorrente foi obrigada a pagar os benefícios em pecúnia em razão da burocracia na operacionalização dos benefícios pelas empresas gestoras, e que os valores pagos em pecúnia podem chegar a configurar quantia vultosa, em razão do expressivo número de colaboradores. Junta Contratos de Trabalho firmados após aos pedidos formulados às empresas gestoras dos benefícios e os respectivos extratos de pagamento na tentativa de comprovar que os VT e VA foram pagos em pecúnia aos empregados tão somente no lapso entre a contratação e a entrega dos cartões ou bilhetes, ressaltando que a recorrente está inscrita no PAT, que veda o pagamento do VA em pecúnia, porém não abarca todas as situações práticas as quais o empresário está sujeito, como é o caso dos recémadmitidos e outros citados. Fl. 4550DF CARF MF Impresso em 15/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 02/10 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/09/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assin ado digitalmente em 20/09/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Processo nº 10166.721883/201036 Acórdão n.º 230102.763 S2C3T1 Fl. 3 5 Cita a nova sistemática adotada pela Tiket Serviços S.A que, por ser conhecedora dos percalços e autuações fiscais sofridas pelas empresas de grande porte, ora vem disponibilizando aos tomadores de seus serviços, pois admite que a burocracia na aquisição dos cartões e recargas gera transtornos aos empresários. Sustenta que as despesas com VT e VA não podem integrar o salário de contribuição, pois são eventuais, possuem natureza indenizatória e constituem instrumentos para o trabalho e não pelo trabalho. Transcreve acórdãos do STF e STJ sobre a matéria, para reforçar o entendimento de que não incide contribuição previdenciária sobre as despesas com VT e VA pagos em pecúnia, e defende o entendimento de que a convenção coletiva de trabalho é um acordo de caráter normativo, pactuado entre dois ou mais sindicatos, possuindo, sim, força de lei. Insurgese contra a multa imposta de 75% do valor do tributo, dado seu caráter nitidamente confiscatório e expropriatório, infringindo o art. 150, IV, da CF, impondo a total anulação do ato administrativo em que se consubstancia este AI, e contra a aplicação da taxa SELIC, por contrariar o disposto nos art. 406, do CC, e art. 161, do CTN. Alega que, tendo em vista que a empresa não reteve e nem descontou qualquer valor sobre pagamentos de VA e VT, o que foi reconhecido pelo próprio fiscal em seu relatório, não há motivação para lavratura de representação fiscal para fins penais, mesmo porque, segundo entende, não houve qualquer prejuízo ao erário. É o relatório. Fl. 4551DF CARF MF Impresso em 15/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 02/10 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/09/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assin ado digitalmente em 20/09/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS 6 Voto Vencido Conselheiro Bernadete de Oliveira Barros O recurso é tempestivo e todos os requisitos de admissibilidade foram cumpridos, não havendo óbice para seu conhecimento. Da análise do recurso apresentado, registro o que se segue. Preliminarmente, a autuada alega que o processo foi instruído ao arrepio do Decreto 70.235/72, pois tal norma não autoriza a utilização de meio virtual como prova para exigir tributos, o que, segundo entende, não prejudica somente a recorrente, mas também o próprio julgador, pois estarão tolhidos e cerceados de analisar trabalhos elaborados pela fiscalização. Porém, o Decreto 70.235/72, citado pela recorrente, estabelece que: Dos Atos e Termos Processuais Art. 2º Os atos e termos processuais, quando a lei não prescrever forma determinada, conterão somente o indispensável à sua finalidade, sem espaço em branco, e sem entrelinhas, rasuras ou emendas não ressalvadas. Parágrafo único. Os atos e termos processuais a que se refere o caput deste artigo poderão ser encaminhados de forma eletrônica ou apresentados em meio magnético ou equivalente, conforme disciplinado em ato da administração tributária. (...) Art. 11. A notificação de lançamento será expedida pelo órgão que administra o tributo e conterá obrigatoriamente: (...) Parágrafo único. Prescinde de assinatura a notificação de lançamento emitida por processo eletrônico. (...) Art. 24. O preparo do processo compete à autoridade local do órgão encarregado da administração do tributo. Parágrafo único.Quando o ato for praticado por meio eletrônico, a administração tributária poderá atribuir o preparo do processo a unidade da administração tributária diversa da prevista no caput. (Incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008) Dessa forma, verificase que, ao contrário do que afirma a recorrente, o processo foi instruído em conformidade com o que dispõe o Decreto 70.325/72, que prevê a apresentação em meio magnético dos atos processuais. Fl. 4552DF CARF MF Impresso em 15/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 02/10 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/09/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assin ado digitalmente em 20/09/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Processo nº 10166.721883/201036 Acórdão n.º 230102.763 S2C3T1 Fl. 4 7 Ademais, o mesmo Decreto supra citado estabelece que: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Nesse sentido, como todos os elementos necessários para a elaboração de defesa pelo contribuinte encontramse nos autos, não há que se falar em nulidade por cerceamento de defesa. Da mesma forma, encontramse nos autos, mesmo que por meio eletrônico, toda a documentação elaborada pela autoridade lançadora, e com fé pública, já que o Governo Federal regulamentou as atividades de Certificação Digital, por meio da MP 2.2002/2001, garantindo, dessa forma, a autenticidade, a integridade e a validade jurídica de documentos em forma eletrônica, bem como a realização de transações eletrônicas seguras. Como bem asseverou a Relatora do Acórdão recorrido, “O certificado digital da Infra Estrutura de Chaves Públicas Brasileira garante, por força da legislação atual, validade jurídica aos atos praticados com seu uso, de modo a proporcionar segurança nas transações eletrônicas e incentivar a adoção do processo eletrônico nos órgãos dos Poderes da União.” Portanto, todos os elementos necessários para a formação de convicção pela autoridade julgadora estão presentes nos autos. A recorrente protesta pela realização de diligência fiscal. Todavia, da análise dos autos, verificase que não existem dúvidas a serem sanadas, já que o Relatório Fiscal está claro e o AI muito bem instruído e fundamentado O art. 18, do mencionado Dec. 70.235/72, estabelece: Art.18 A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observado o disposto no art. 28, in fine. Portanto, as autoridades julgadoras de primeira instância, ao entenderem ser prescindível a produção de novas provas, indeferiram, com muita propriedade, o pedido de diligência. Assim, indeferese o pedido de diligência, por considerála prescindível e meramente protelatória, uma vez que, como amplamente exposto acima, não há necessidade de suprimento de documentos impressos. A recorrente ainda alega que não consta, do relatório fiscal, qualquer documento contábil e/ou folhas de pagamento, tampouco GFIP e arquivo em meio digital, mas somente planilhas diversas elaboradas somente pelo fiscal autuante. Contudo, conforme restou claro no relato fiscal, as planilhas foram elaboradas a partir dos dados extraídos das folhas, GFIP e lançamentos contábeis. Fl. 4553DF CARF MF Impresso em 15/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 02/10 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/09/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assin ado digitalmente em 20/09/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS 8 Cumpre observar que a autoridade autuante deixou claro, no Relatório Fiscal, que o próprio contribuinte apresentou arquivos digitais contendo os lançamentos contábeis, informações da folha de pagamento, além do valor do auxílio alimentação pago pela empresa, arquivos esses autenticados pelo contribuinte. Assim, não procede a alegação de cerceamento de defesa, uma vez que os valores utilizados pela autoridade lançadora foram obtidos por meio da documentação apresentada pela própria recorrente. Se a empresa entende que alguns dos valores constantes das citadas planilhas estão em desacordo com os dados por ela mesma fornecidos, caberia à ela comprovar o alegado, apresentando, nem que fosse por amostragem, cópias dos registros contábeis ou das folhas de pagamento ou das GFIPs que demonstrassem o erro. Porém, não o fez, se limitando a alegar cerceamento de defesa. Assim, constatase que o AI foi lavrado de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam a matéria, tendo o agente autuante demonstrado, de forma clara e precisa, a ocorrência do fato gerador da contribuição previdenciária, fazendo constar, nos relatórios que compõem o Auto de Infração, os fundamentos legais que amparam o procedimento adotado e as rubricas lançadas. O Relatório Fiscal traz todos os elementos que motivaram a lavratura do AI e o relatório Fundamentos Legais do Débito – FLD, encerra todos os dispositivos legais que dão suporte ao procedimento do lançamento, separados por assunto e período correspondente, garantindo, dessa forma, o exercício do contraditório e ampla defesa à autuada. Nesse sentido, rejeito as preliminares suscitadas. A autuada assevera, ainda, que o acórdão recorrido ignorou provas constantes dos autos, teses e argumentos trazidos pela ora recorrente, não enfrentando todos os pontos apresentados para análise contenciosa, cerceando o direito de defesa e agredindo o princípio do duplo grau de jurisdição, consagrado pelo PAF. Porém, vale ressaltar que o órgão julgador não está obrigado a apreciar toda e qualquer alegação apresentada pela recorrente, mas tão somente aquelas que possuem o condão de formar ou alterar sua convicção. Tal entendimento encontra respaldo em jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça aplicada subsidiariamente conforme se depreende do Recurso Especial, cuja ementa transcrevo abaixo: RESP 208302 / CE ; RECURSO ESPECIAL1999/00235967 – Relator: Ministro Edson Vidigal – Quinta Turma – Julgamento em 01/06/1999 – Publicação em 28/06/1999 – DJ pág 150 PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO PARA FINS DE PREQUESTIONAMENTO. ADMISSIBILIDADE. REFERÊNCIA A CADA DISPOSITIVO LEGAL INVOCADO. DESNECESSIDADE. 1. Legal a oposição de Embargos Declaratórios para pré questionar matéria em relação a qual o Acórdão embargado omitiuse, embora sobre ela devesse se pronunciar; o juiz não está obrigado, entretanto, a responder todas as alegações das Fl. 4554DF CARF MF Impresso em 15/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 02/10 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/09/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assin ado digitalmente em 20/09/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Processo nº 10166.721883/201036 Acórdão n.º 230102.763 S2C3T1 Fl. 5 9 partes, quando já tenha encontrado motivo suficiente para fundar a decisão. 2. Recurso não conhecido. REsp 767021 / RJ ; RECURSO ESPECIAL 2005/01171187 – Relator: Ministro JOSÉ DELGADO PRIMEIRA TURMA – Julgamento em 16/08/2005 DJ 12.09.2005 p. 258 PROCESSUAL CIVIL. AUSÊNCIA DE OMISSÃO, OBSCURIDADE, CONTRADIÇÃO OU FALTA DE MOTIVAÇÃO NO ACÓRDÃO A QUO. EXECUÇÃO FISCAL. ALIENAÇÃO DE IMÓVEL. DESCONSIDERAÇÃO DA PESSOA JURÍDICA. GRUPO DE SOCIEDADES COM ESTRUTURA MERAMENTE FORMAL. PRECEDENTE. 1. Recurso especial contra acórdão que manteve decisão que, desconsiderando a personalidade jurídica da recorrente, deferiu o aresto do valor obtido com a alienação de imóvel. 2. Argumentos da decisão a quo que são claros e nítidos, sem haver omissões, obscuridades, contradições ou ausência de fundamentação. O nãoacatamento das teses contidas no recurso não implica cerceamento de defesa. Ao julgador cabe apreciar a questão de acordo com o que entender atinente à lide. Não está obrigado a julgar a questão conforme o pleiteado pelas partes, mas sim com o seu livre convencimento (art. 131 do CPC), utilizandose dos fatos, provas, jurisprudência, aspectos pertinentes ao tema e da legislação que entender aplicável ao caso. Não obstante a oposição de embargos declaratórios, não são eles mero expediente para forçar o ingresso na instância especial, se não há omissão a ser suprida. Inexiste ofensa ao art. 535 do CPC quando a matéria enfocada é devidamente abordada no aresto a quo. (g.n.) Verificase que a decisão de primeira instância demonstra a convicção do julgador diante dos fatos e argumentos que lhe foram apresentados, seja pela auditoria fiscal, seja pela autuada. Ademais, a recorrente apenas alega, mas não aponta quais os tópicos não foram objeto de análise no Acórdão recorrido. Portanto, não se verifica a nulidade alegada pelo contribuinte. No mérito, constatase que a recorrente não nega que tenha fornecido vale transporte e vale alimentação em pecúnia a seus empregados. Ela apenas tenta demonstrar que a despesa com os referidos benefícios não integra o salário de contribuição por não possuir natureza remuneratória, pois os pagamentos são eventuais, possuem natureza indenizatória e constituem instrumentos para o trabalho e não pelo trabalho. No entanto, o conceito de salário de contribuição expresso no art. 28 inciso I da Lei 8.212/91 é “...a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer Fl. 4555DF CARF MF Impresso em 15/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 02/10 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/09/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assin ado digitalmente em 20/09/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS 10 título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma,...” (grifei). A própria Constituição Federal, preceitua, no § 4º do art. 201, renumerado para o § 11, com a redação dada pela Emenda Constitucional nº 20/98, o seguinte: § 11. Os ganhos habituais do empregado, a qualquer título, serão incorporados ao salário para efeito de contribuição previdenciária e conseqüentemente repercussão em benefícios, nos casos e na forma da lei. (grifei) Portanto, a condição de se tratar ou não de salário não está vinculada ao interesse da fonte pagadora ou do empregador em, com aquele pagamento, assalariar ou não seu empregado. Ou seja, não é o nome do pagamento ou a vontade da empresa em si que vai determinar sua natureza jurídica. O que irá afastar a verba paga da incidência tributária é a estreita observância à legislação específica que trata da matéria. No presente caso, não resta dúvida que a verba intitulada “auxílio alimentação”, paga em pecúnia, não está incluída nas hipóteses legais de isenção previdenciária, previstas no § 9º, art. 28, da Lei 8.212/91. De fato, a alínea “c”, do citado § 9º, com redação dada pela Lei nº 9.528/97, exclui do salário de contribuição apenas a parcela “in natura” recebida de acordo com a Lei 6.321/76, o que não é o caso em tela, já que a fiscalização constatou que a empresa concedeu, em diversas ocasiões, o auxílioalimentação em pecúnia, o que contraria o referido diploma legal. . Assim, está correto o procedimento fiscal em incluir na base de cálculo da contribuição previdenciária os valores pagos pela recorrente a título de auxílioalimentação, como está correta a decisão recorrida em manter tal rubrica no lançamento. Em que pese o entendimento da recorrente de que as Convenções Coletivas de Trabalho, conforme a CLT, produzem efeitos de lei entre as partes, conforme o art. 7o, XXVI da CF, vale esclarecer que a doutrina há muito já consagrou a autonomia científica do Direito Previdenciário em face do Direito do Trabalho. O conceito de saláriodecontribuição não se confunde com o conceito de remuneração retirado do Direito Laboral. Segundo Wladimir Novaes Martinez (Comentários à Lei Básica da Previdência Social), “O conceito previdenciário de saláriodecontribuiçao não tem de coincidir exatamente com a definição trabalhista de remuneração ou, com mais razão, com a descrição de salário. Para isso é necessário o tipo legal circunscrever o fato gerador, impondo suas condições”. Ademais, os efeitos indenizatórios pactuados em acordos coletivos somente repercutem na esfera da relação de emprego, não atingindo terceiros estranhos à relação laboral, entre os quais, a Previdência Social. Nesse sentido, nos ensina Adriana Hilgenberg de Araújo (Direito do trabalho e direito processual do trabalho: temas atuais, Editoria Juruá, p 55 e 56) : “ Como visto, as convenções e acordos coletivos são fontes do Direito do Trabalho, cujas cláusulas serão aplicadas a todos os pertencentes a uma determinada categoria ou empresa (no caso dos acordos). As cláusulas, tanto as obrigatórias (CLT artigo 616), facultativas, obrigatórias ou normativas, devem respeitar o Fl. 4556DF CARF MF Impresso em 15/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 02/10 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/09/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assin ado digitalmente em 20/09/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Processo nº 10166.721883/201036 Acórdão n.º 230102.763 S2C3T1 Fl. 6 11 ordenamento legal, não podendo ferir preceitos, sejam eles constitucionais ou infraconstitucionais, salvo expressa autorização .” (grifei). Assim, a observância ao ordenamento jurídico infraconstitucional não agride a garantia constitucional do reconhecimento das convenções e acordos coletivos, prevista no inciso XXVI, art. 7º, da Constituição Federal, vez que se encontra insculpida, em toda a Constituição, o respeito ao princípio da legalidade. Em conseqüência, os acordos coletivos não têm a força de alterar disposições legais, em especial, as inseridas na Lei 8.212/91. E, sendo o lançamento um ato vinculado, a fiscalização, ao constatar a ocorrência do fato gerador da contribuição previdenciária e o não recolhimento do valor devido, lavrou o competente AI, em estrita observância aos ditames legais. Com relação aos argumentos de ausência de habitualidade, entendo que não estamos diante de um pagamento eventual, já que o ganho habitual passível de exação não é necessariamente aquele valor auferido mês a mês, trimestralmente ou mesmo bimestralmente etc. Há verbas pagas no decorrer do contrato de trabalho, ainda que não sejam auferidas nessas condições, e que não podem ser vistas como meramente eventuais. No caso sob análise, não há dúvida de que o pagamento em pecúnia realizado pela empresa a título de Auxílioalimentação, em favor de seus empregados, revestese de habitualidade, já que era de conhecimento de todos os empregados que, no caso da contratação ou afastamento, farão jus ao recebimento do valor ajustado de forma proporcional aos dias trabalhados. Assim, o conhecimento prévio de que tal pagamento será realizado se ocorrer o evento retiralhe o caráter da eventualidade, tornandoo habitual. Há, portanto, uma expectativa criada que se sobrepõe ao fato de os valores percebidos pelos segurados empregados não serem rotineiros, e essa expectativa perdura até o final do vínculo empregatício. Essa expectativa criada, o costume e a certeza do pagamento gera a habitualidade e afasta por completo a eventualidade. A ampla divulgação da concessão do benefício e de suas condições faz com que integre o contrato de trabalho dos empregados, pois tratase de um pagamento ajustado com condição préfixada.. Portanto, o valor efetivamente pago pela autuada, em pecúnia, relativo a auxílioalimentação, integra o salário de contribuição e a pretensão da recorrente de se excluir os referidos valores da base de cálculo da contribuição previdenciária carece de amparo legal. Nesse sentido, o parecer PGFN/CRJ/Nº 2117 /2011, cuja aprovação pelo Senhor Ministro de Estado da Fazenda ensejou a emissão do ATO DECLARATÓRIO Nº 03 /2011, que autoriza a dispensa de apresentação de contestação e de interposição de recursos, bem como a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante “nas ações judiciais que visem obter a declaração de que sobre o pagamento in natura do auxílio alimentação não há incidência de contribuição previdenciária”, traz, em seu bojo, excertos do Fl. 4557DF CARF MF Impresso em 15/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 02/10 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/09/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assin ado digitalmente em 20/09/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS 12 julgado proferido pelo Min. Luiz Fux, nos autos do Recurso Especial nº1.119.787SP, publicado no DJ em 13/05/2010, bem como outras decisões que expressam a pacífica e consolidada jurisprudência do STJ sobre a matéria, e conclui que “quando o auxílioalimentação for pago em espécie ou creditado em contacorrente, em caráter habitual, assume feição salarial e, desse modo, integra a base de cálculo da contribuição previdenciária.” Dessa forma, não há amparo legal para a nãoincidência de contribuição previdenciária sobre o AuxílioAlimentação pago em pecúnia. A recorrente alega que não há como identificar, no relatório fiscal e planilhas, se houve bitributação de valores, eis que, ao considerar valores da folha de pagamento e da contabilidade, não se pode identificar se tais valores se confundem com aqueles, razão pela qual requer desde já o cancelamento das exigências. Contudo, conforme relatado pelo fiscal e não negado pela recorrente em sua peça recursal, a autuada, apesar de intimada por meio de TIAD, não apresentou a relação individualizada de todos os beneficiários dos valores contabilizados na conta de Auxílio Alimentação. Ao proceder dessa forma, a recorrente inverteu o ônus da prova, cabendo a ela provar que houve bitributação. Como a autuada não trouxe a lista solicitada por meio de TIAD ou outros elementos para serem analisados por este Conselho, não há que se falar em cancelamento das exigências. Com relação ao ValeTransporte pago em pecúnia, foi editada a SÚMULA nº 60, em 08 /12 /2011, pela Advocacia Geral da União – AGU, que estabelece: "Não há incidência de contribuição previdenciária sobre o valetransporte pago em pecúnia, considerando o caráter indenizatório da verba" . Considerando que o Decreto 70.235/72 estabelece que o disposto no caput do art. 26A não se aplica aos casos de lei ou ato normativo que seja objeto de súmula da AGU, entendo que deva ser dado provimento ao recurso no sentido de que seja excluído, do débito, os valores relativos ao pagamento de ValeTransporte em pecúnia. A recorrente insurgese, ainda, contra a multa e a correção aplicada. Contudo, é oportuno salientar que a utilização da taxa para atualizações e correções dos débitos apurados e a multa aplicada encontram respaldo nos art. 34 e 35A, da Lei 8.212/91 vigentes à época. Cabe destacar, ainda, que a atividade administrativa é plenamente vinculada ao cumprimento das disposições legais. Nesse sentido, o ilustre jurista Alexandre de Moraes ( curso de direito constitucional, 17ª ed. São Paulo. Editora Atlas 2004.314) colaciona valorosa lição: “o tradicional princípio da legalidade, previsto no art. 5º, II, da CF, aplicase normalmente na administração pública, porém de forma mais rigorosa e especial, pois o administrador público somente poderá fazer o que estiver expressamente autorizado em lei e nas demais espécies normativas, inexistindo, pois, incidência de vontade subjetiva. Esse principio coadunase com a própria função administrativa, de executor do direito, que atua sem finalidade própria, mas sem em respeito à finalidade imposta pela lei, e com a necessidade de preservarse a ordem jurídica” Fl. 4558DF CARF MF Impresso em 15/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 02/10 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/09/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assin ado digitalmente em 20/09/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Processo nº 10166.721883/201036 Acórdão n.º 230102.763 S2C3T1 Fl. 7 13 Ademais, o Conselho Pleno, no exercício de sua competência, uniformizou a jurisprudência administrativa sobre a matéria, por meio do Enunciado 03/2007, transcrito a seguir: Enunciado nº 03: É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – Selic para títulos federais. A autuada alega ainda que, tendo em vista que a empresa não reteve e nem descontou qualquer valor sobre pagamentos de VA e VT, o que foi reconhecido pelo próprio fiscal em seu relatório, não há motivação para lavratura de representação fiscal para fins penais, mesmo porque, segundo entende, não houve qualquer prejuízo ao erário. Porém, a motivação para a lavratura da Representação Fiscal para Fins Penais foi a constatação de supressão ou redução de contribuição social previdenciária mediante omissão, em folha de pagamento ou GFIP da empresa, de segurado que lhe preste serviço, o que configura, em tese, hipótese de crime de sonegação de contribuição previdenciária previsto no art. 337A, inciso I, do Código Penal, com redação dada pela Lei nº 9.983, de 14/07/2000. E sendo a atividade administrativa vinculada aos ditames legais, a fiscalização lavrou o competente ato, em observância à legislação que rege o lançamento. Em relação ao argumento de ausência de prejuízo ao erário, mister lembrar que o descumprimento de obrigações legais, sejam elas acessórias ou principais, sempre prejudica o erário, e é com o objetivo do melhor funcionamento da administração tributária, para que não se faça letra morta à lei e se evite a sonegação fiscal em massa é que o legislador impôs a penalidade pecuniária ao sujeito passivo que vilipendia obrigação legal a todos imposta. Nesse sentido e Considerando tudo mais que dos autos consta, VOTO por CONHECER DO RECURSO, para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO PARCIAL, para excluir do débito os valores relativos ao ValeTransporte pago em pecúnia, por improcedência. É como voto (assinado digitalmente) Bernadete de Oliveira Barros – Relatora Fl. 4559DF CARF MF Impresso em 15/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 02/10 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/09/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assin ado digitalmente em 20/09/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS 14 Voto Vencedor Conselheiro Marcelo Oliveira Redator Designado Com todo respeito à excelsa Conselheira, divirjo de suas conclusões quanto ao auxílio alimentação. Como muito bem relatado, o lançamento possui, em tese, dois fatos geradores: a) Pagamento de vale transporte em pecúnia; e b) Pagamento de auxílio alimentação em pecúnia. Na análise dos autos verificamos que desde a impugnação, com ratificação no recurso, a recorrente afirma que nem todas as contas citadas referemse a pagamento desses benefícios e que os pagamentos em pecúnia dos dois benefícios não correspondem ao total pago, ou seja, não nega que paga, mesmo que de forma parcial, esses benefícios em dinheiro. A recorrente alega, sim, que esses pagamentos em dinheiro ocorrem de forma eventual, em casos, por exemplo, de demissão ou contratação, em que não há como pagar em cartão, vales ou tíquetes, pois esses funcionários não entram na relação que deve ser enviada no mês anterior à administradora desses cartões, vales, tíquetes. Ou seja, o acórdão de primeira instância equivocase, fls. 04444, quando afirma que todos os valores lançados foram confessados como pagos em pecúnia. Sem adentrar na análise sobre a duvidosa ocorrência de habitualidade desses pagamentos em contratações ou demissões reiteração ou continuidade de uma gratificação (ajuste mensal, semestral ou anual) ou mesmo uma prestação in natura, habitual (periódica e uniforme) pelas alegações da recorrente, desde a impugnação, formos verificar as provas dos autos. Desde já ressalto que na análise do Relatório Fiscal não há indicação alguma de que o critério do lançamento foi a aferição da base de cálculo. Não há citação alguma sobre essa forma de mensuração da base de cálculo. Além do mais o Fisco afirma que retirou os dados dos documentos do contribuinte, folha e escrituração. No auxílio alimentação, encontramos as seguintes rubricas que serviram para o lançamento, oriundas da folha de pagamento, fls. 0220: Rubrica Período Código Descrição P/D Início Fim 0110 Dif. Tiquete P 200701 200812 0190 Credito Vale Alimentação Retroativo P 200701 200812 0222 Dev. Desconto De Tiquete P 200701 200804 Fl. 4560DF CARF MF Impresso em 15/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 02/10 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/09/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assin ado digitalmente em 20/09/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Processo nº 10166.721883/201036 Acórdão n.º 230102.763 S2C3T1 Fl. 8 15 0373 Vale Refeição Pago Em Dinheiro P 200701 200812 0425 Rest. Vale Refeição P 200701 200712 0446 Dif. Tiquete CCT P 200705 200812 0506 Dif de Tiquete SINDPDPE P 200701 200710 0550 Reposição VA Retroativo por Referencia P 200701 200812 0598 Devolução desconto a Maior ValeCard P 200710 200803 0223 Tiquete Refeição D 200701 200812 0276 Dev. Tiquete D 200701 200812 0277 Desc. Tiquete Especial D 200701 200706 0278 Desc.Tiquete Falta/Atestado D 200701 200812 0279 Desc. Tiquete Retroativo D 200801 200812 0286 Desc. Cartao Valecard D 200701 200805 0590 Desc. VR Por Referencia D 200706 200812 0622 Desc. cartão Vale Card Retroativo D 200803 200803 Na análise de todas essas rubricas, somente uma, e somente após contestação à empresa, poderia servir, com certeza à conceituação como vale refeição pago em dinheiro, a que possui esse nome. Em todas as demais há dúvidas, maiores ou menores, se referese a pagamento de auxílio alimentação em pecúnia, como no caso dos descontos, devoluções, faltas, atestados, etc. Portanto, não temos como, pela informação prestada no Relatório Fiscal (RF), ter certeza absoluta (requisito necessário a todo lançamento fiscal) de que esses valores devem integrar o Salário de Contribuição, por serem pagos em pecúnia. Ressaltamos, novamente, que a fiscalização poderia ter solicitado esclarecimentos sobre cada rubrica e, caso esclarecidos, motivar o lançamento, ou não esclarecidos, efetuar a aferição, como possibilita a legislação, mas esses procedimentos não ocorreram. Somase a esse fato que a fiscalização, também, utilizou o total lançado na contabilidade, na conta “Auxílio Alimentação”, como base de cálculo. Desde a impugnação, com reiteração no recurso, a recorrente afirma que os mesmos valores foram lançados duas vezes, devido as duas fontes (folha e contabilidade). Na análise do RF não encontramos justificativa para que as duas fontes fossem utilizadas na sua integralidade, fato não usual, já que na gigantesca maioria dos Fl. 4561DF CARF MF Impresso em 15/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 02/10 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/09/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assin ado digitalmente em 20/09/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS 16 lançamentos que já analisamos o que se lança é a base de um e a diferença com o outro. Portanto, essa é mais uma incerteza presente no lançamento. Para concluir, há nos autos a alegação da recorrente, fls. 04175, que fornece o benefício por tíquetes e cartões, devido a contrato com a empresa Ticket Serviços S.A, fls. 04261. Mesmo com essa forte documentação anexada, não houve o cuidado da fiscalização ou do órgão julgador de primeira instância em verificar a certeza dos fatos. Por todo exposto, devido a não comprovação, clara e precisa, da ocorrência do fato gerador, dou provimento ao recurso neste ponto. Ressalto, por fim, que equívocos semelhantes ocorreram na tributação do vale transporte, mas por concordar com a Relatora em sua decisão, deixo de proferir voto no mesmo sentido. CONCLUSÃO: Em razão do exposto, voto em DAR PROVIMENTO na questão da não incidência de contribuição sobre as verbas referentes ao auxílio alimentação. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Redator Fl. 4562DF CARF MF Impresso em 15/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 02/10 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/09/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assin ado digitalmente em 20/09/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Processo nº 10166.721883/201036 Acórdão n.º 230102.763 S2C3T1 Fl. 9 17 Declaração de Voto Damião Cordeiro de Moraes 1. Apenas a título de contribuição para o debate jurídico, exponho meu raciocínio, em conformidade ao exposto pelo douto redator, e dou provimento ao recurso voluntário, nos termos seguintes: Auxílio Alimentação 2. O meu posicionamento sobre o auxílio alimentação in natura pago aos empregados segurados é por todos conhecido nesse Conselho, sendo certo que entendo tais verbas não sofrem a incidência de contribuição previdenciária, haja vista a ausência de sua natureza salarial, esteja o empregador inscrito ou não no PAT. 3. Nesse mesmo sentido, a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça pacificou seu entendimento no sentido de que o pagamento in natura do auxílio alimentação não sofre a incidência de contribuição previdenciária por não constituir natureza salarial, esteja o empregados inscrito ou não no Programa de Alimentação do Trabalhador – PAT. (Precedentes: EREsp 603.509/CE, Rel. Min. Castro Meira, DJ de 08/11/2004, REsp 719.714/PR, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJ de 24/04/2006). 4. Ademais é oportuno dizer que as empresas, na verdade, estão desempenhando seu papel social ao fornecerem refeições e lanches a segurados a seu serviço, notadamente para aqueles de menor renda. Dessa forma, considero que cobrar contribuições sociais sobre o fornecimento próprio de alimentação é penalizar as empresas e desestimular a colaboração da sociedade na saúde do trabalhador. 5. Abaixo, recente julgado da Primeira Turma deste Colendo Tribunal, in verbis: “TRIBUTÁRIO E ADMINISTRATIVO. VALEALIMENTAÇÃO. PROGRAMA DE ALIMENTAÇÃO DO TRABALHADOR PAT. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. NÃOINCIDÊNCIA. 1. O valor concedido pelo empregador a título de vale alimentação não se sujeita à contribuição previdenciária, mesmo nas hipóteses em que o referido benefício é pago em dinheiro. 2. A exegese hodierna, consoante a jurisprudência desta Corte e da Excelsa Corte, assenta que o contribuinte é sujeito de direito, e não mais objeto de tributação. 3. O Supremo Tribunal Federal, em situação análoga, concluiu pela inconstitucionalidade da incidência de contribuição previdenciária sobre o valor pago em espécie sobre o vale Fl. 4563DF CARF MF Impresso em 15/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 02/10 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/09/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assin ado digitalmente em 20/09/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS 18 transporte do trabalhador, mercê de o benefício ostentar nítido caráter indenizatório. (STF RE 478.410/SP, Rel. Min. Eros Grau, Tribunal Pleno, julgado em 10.03.2010, DJe 14.05.2010) 4. Mutatis mutandis, a empresa oferece o ticket refeição antecipadamente para que o trabalhador se alimente antes e ir ao trabalho, e não como uma base integrativa do salário, porquanto este é decorrente do vínculo laboral do trabalhador com o seu empregador, e é pago como contraprestação pelo trabalho efetivado. 5. É que: (a) ‘o pagamento in natura do auxílioalimentação, vale dizer, quando a própria alimentação é fornecida pela empresa, não sofre a incidência da contribuição previdenciária, por não possuir natureza salarial, esteja o empregador inscrito, ou não, no Programa de Alimentação do Trabalhador PAT, ou decorra o pagamento de acordo ou convenção coletiva de trabalho’ (REsp 1.180.562/RJ (grifo nosso) (...) 6. Recurso especial provido.” (STJ REsp 1185685/SP, Rel. Ministro HAMILTON CARVALHIDO, Rel. p/ Acórdão Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA TURMA, julgado em 17/12/2010, DJe 10/05/2011) (g.n.) 6. Salientase, ainda, que para firmar esse entendimento fazse mister a referência de acórdão cuja relatoria é do Ministro José Delgado que tratou da matéria em questão, conforme ementa abaixo transcrita: “TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL. EXECUÇÃO FISCAL. REFEIÇÃO REALIZADA NAS DEPENDÊNCIAS DA EMPRESA. NÃOINCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. PRECEDENTES. DÉBITOS PARA COM A SEGURIDADE SOCIAL PRESUNÇÃO DE CERTEZA E LIQUIDEZ DA CERTIDÃO DA DÍVIDA ATIVA. PRECEDENTES. 1. Recurso especial interposto pelo INSS contra acórdão proferido pelo TRF da 4ª Região segundo o qual: a) o simples inadimplemento da obrigação tributária não constitui infração à lei capaz de ensejar a responsabilidade solidária dos sócios; b) o auxílioalimentação fornecido pela empresa não sofre a incidência de contribuição previdenciária, esteja o empregador inscrito ou não no Programa de Alimentação do Trabalhador PAT. Em seu apelo, o INSS aponta negativa de vigência dos artigos 135 e 202, do CTN, 2º, § 5º, I e IV, 3º da Lei 6.830/80, 28, § 9º, da Lei n. 8.212/91 e divergência jurisprudencial. Sustenta, em síntese, que: a) a) o ônus da prova acerca da não ocorrência da responsabilidade tributária será do sócio Fl. 4564DF CARF MF Impresso em 15/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 02/10 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/09/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assin ado digitalmente em 20/09/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Processo nº 10166.721883/201036 Acórdão n.º 230102.763 S2C3T1 Fl. 10 19 executado, tendo em vista a presunção de legitimidade e certeza da certidão da dívida ativa; b) é pacífico o entendimento no STJ de que o auxílioalimentação, caso seja pago em espécie e sem inscrição da empresa no Programa de Alimentação do Trabalhador PAT, é salário e sofre a incidência de contribuição previdenciária. 2. A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça pacificou o entendimento no sentido de que o pagamento in natura do auxílioalimentação, isto é, quando a própria alimentação é fornecida pela empresa, não sofre a incidência da contribuição previdenciária, por não constituir natureza salarial, esteja o empregador inscrito ou não no Programa de Alimentação do Trabalhador PAT. Com tal atitude, a empresa planeja, apenas, proporcionar o aumento da produtividade e eficiência funcionais. Precedentes. EREsp 603.509/CE, Rel. Min. Castro Meira, DJ de 08/11/2004, REsp 719.714/PR, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJ de 24/04/2006. 3. Constando o nome do sóciogerente na certidão de dívida ativa e tendo ele tido pleno conhecimento do procedimento administrativo e da execução fiscal, responde solidariamente pelos débitos fiscais, salvo se provar a inexistência de qualquer vínculo com a obrigação. 4. Presunção de certeza e liquidez da certidão da dívida ativa. Ônus da prova da isenção de responsabilidade que cabe ao sóciogerente.Precedentes: EREsp 702.232/RS, Rel. Min. Castro Meira, DJ de 26/09/2005; EREsp 635.858/RS, Rel. Min. Luiz Fux, DJ de 02/04/2007. 5. Recurso especial parcialmente provido.” (REsp 977.238/RS, Rel. Ministro JOSÉ DELGADO, PRIMEIRA TURMA, julgado em 13.11.2007, DJ 29.11.2007 p. 257) (g.n.) 7. Inclusive, cumpre ressaltar que a argumentação da Fazenda Nacional nos autos acima (REsp 977.238/RS) era de que o auxilio alimentação, pago em espécie e sem inscrição da empresa no Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT), possuía natureza salarial sendo, portanto, passível de recolhimento de tributo. No entanto, sua sustentação não foi provida em razão da orientação jurisprudencial pacífica do STJ em sentido contrário, qual seja não incidência de contribuições previdenciárias sobre os valores pagos a título de auxilio alimentação. 8. Digase, também, pelo que se indica nestes casos, que a concessão da alimentação é desvinculada do salário por força da própria Lei nº 8.212/91 que determina a não integração do saláriodecontribuição às importâncias recebidas a título de ganhos expressamente desvinculados do salário (art. 28, §9º, letra “e”, número 7). Fl. 4565DF CARF MF Impresso em 15/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 02/10 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/09/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assin ado digitalmente em 20/09/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS 20 9. Não é inoportuno dizer que as empresas, na verdade, estão desempenhando enorme papel social ao fornecerem alimentação a seus trabalhadores, notadamente para aqueles de menor renda. É dizer, cobrar contribuições sociais sobre o fornecimento próprio de alimentação é penalizar as empresas e desestimular a colaboração da sociedade na saúde do trabalhador. 10. Ademais, salientase que se verifica que a fiscalização não demonstra o pagamento em pecúnia, apenas considera o fato da falta de inscrição da empresa no PAT, logo, tenho por certo que o lançamento fiscal não deve ser mantido nesse ponto. Do transporte 11. Diferente não é meu posicionamento no tocante ao vale transporte, pois tenho como certo que o fato de a empresa ter descontado valor sobre outras verbas além do salário base não tem o condão de modificar a natureza jurídica dessa verba, transformandoa em outro tipo de rendimento sujeito ao pagamento da contribuição previdenciária. 12. Sendo assim, a origem da verba paga tem natureza jurídica indenizatória, pois foi assim que a norma, que criou o benefício, deixou consignada. 13. Vejase que a norma previdenciária tratou da matéria da seguinte forma: “Art. 28 Entendese por salário de contribuição: (...) Parágrafo 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (...) f) a parcela recebida a título de vale transporte, na forma da legislação própria; (...)” (negritamos e sublinhamos) 14. Como se pode perceber, nos termos do art. 28, parágrafo 9º, alínea “f”, da Lei nº 8.212/91, a quantia (parcela) recebida a título de valetransporte não compõe o salário de contribuição, para fins de apuração da contribuição previdenciária. 15. De mais a mais, o fornecimento de transporte aos seus empregados é imprescindível para a execução do trabalho, e não pode compor a base de cálculo da contribuição previdenciária. 16. De outro lado, a Lei nº 10.243/2001, alterou o §2º do art. 458 da CLT, que passou a ter a seguinte redação: "Art. 458...................................................... § 2º Para os efeitos previstos neste artigo, não serão consideradas como salário as seguintes utilidades concedidas pelo empregador: I – vestuários, equipamentos e outros acessórios fornecidos aos empregados e utilizados no local de trabalho, para a prestação do serviço; Fl. 4566DF CARF MF Impresso em 15/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 02/10 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/09/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assin ado digitalmente em 20/09/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Processo nº 10166.721883/201036 Acórdão n.º 230102.763 S2C3T1 Fl. 11 21 II – educação, em estabelecimento de ensino próprio ou de terceiros, compreendendo os valores relativos a matrícula, mensalidade, anuidade, livros e material didático; III – transporte destinado ao deslocamento para o trabalho e retorno, em percurso servido ou não por transporte público; ......................................................................” (NR) 17. Com isso, considerando o inciso III, acima transcrito, o transporte concedido como utilidade não será considerado como salário. Assim, se não é salário o transporte, não creio que os valores reembolsados pela empresa aos empregados, para o seu deslocamento para o trabalho e retorno, em percurso servido ou não por transporte público, seja considerado para efeito de incidência da contribuição social. 18. E sobre a natureza indenizatória do benefício o Supremo Tribunal Federal já firmou seu posicionamento considerando que, mesmo quando pago em pecúnia, o vale transporte não possui natureza salarial, in verbis: “EMENTA: RECURSO EXTRORDINÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INCIDÊNCIA. VALETRANSPORTE. MOEDA. CURSO LEGAL E CURSO FORÇADO. CARÁTER NÃO SALARIAL DO BENEFÍCIO. ARTIGO 150, I, DA CONSTITUIÇÃO DO BRASIL. CONSTITUIÇÃO COMO TOTALIDADE NORMATIVA. 1. Pago o benefício de que se cuida neste recurso extraordinário em valetransporte ou em moeda, isso não afeta o caráter não salarial do benefício. 2. A admitirmos não possa esse benefício ser pago em dinheiro sem que seu caráter seja afetado, estaríamos a relativizar o curso legal da moeda nacional. 3. A funcionalidade do conceito de moeda revelase em sua utilização no plano das relações jurídicas. O instrumento monetário válido é padrão de valor, enquanto instrumento de pagamento sendo dotado de poder liberatório: sua entrega ao credor libera o devedor. Poder liberatório é qualidade, da moeda enquanto instrumento de pagamento, que se manifesta exclusivamente no plano jurídico: somente ela permite essa liberação indiscriminada, a todo sujeito de direito, no que tange a débitos de caráter patrimonial. 4. A aptidão da moeda para o cumprimento dessas funções decorre da circunstância de ser ela tocada pelos atributos do curso legal e do curso forçado. 5. A exclusividade de circulação da moeda está relacionada ao curso legal, que respeita ao instrumento monetário enquanto em circulação; não decorre do curso forçado, dado que este atinge o instrumento monetário enquanto valor e a sua instituição [do curso forçado] importa apenas em que não possa ser exigida do poder emissor sua conversão em outro valor. Fl. 4567DF CARF MF Impresso em 15/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 02/10 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/09/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assin ado digitalmente em 20/09/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS 22 6. A cobrança de contribuição previdenciária sobre o valor pago, em dinheiro, a título de valestransporte, pelo recorrente aos seus empregados afronta a Constituição, sim, em sua totalidade normativa. Recurso Extraordinário a que se dá provimento.” (RE 478410/ SP; Relator Ministro Eros Grau) 19. Dito isso, verificase que a exigência pretendida é descabida, razão pela qual deve a mesma ser afastada, vez que, como demonstrado, o pagamento realizado não constitui fato gerador das contribuições devidas a Seguridade Social e as destinadas a Terceiros. Conclusão 20. Diante do exposto, CONHEÇO do recurso voluntário apresentado, e no mérito DOULHE PROVIMENTO, para afastar a incidência das contribuições previdenciárias incidentes sobre os valores pagos a título de vale transporte e auxílio alimentação (assinado digitalmente) Damião Cordeiro de Moraes Declaração de voto Fl. 4568DF CARF MF Impresso em 15/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 02/10 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/09/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assin ado digitalmente em 20/09/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS
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Numero do processo: 15563.000614/2009-30
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 06 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Mar 18 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2006, 2007
PREJUÍZOS FISCAIS. DEPENDÊNCIA DE PROCESSO CONEXO. AJUSTE.
O lançamento fiscal efetuado em decorrência da insuficiência de saldo de prejuízo de exercício anterior, cujo saldo sofreu alteração em decorrência da existência de outro lançamento, formalizado em processo distinto, deve ser ajustado face ao decidido nesse último processo, conexo ao primeiro.
Numero da decisão: 1202-000.945
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para ajustar o lançamento ao decidido no processo 15563.000136/2009-68, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(documento assinado digitalmente)
Nelson Lósso Filho - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Carlos Alberto Donassolo Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Nelson Lósso Filho, Orlando José Gonçalves Bueno, Carlos Alberto Donassolo, Nereida de Miranda Finamore Horta, Geraldo Valentim Neto e Viviane Vidal Wagner.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO DONASSOLO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006, 2007 PREJUÍZOS FISCAIS. DEPENDÊNCIA DE PROCESSO CONEXO. AJUSTE. O lançamento fiscal efetuado em decorrência da insuficiência de saldo de prejuízo de exercício anterior, cujo saldo sofreu alteração em decorrência da existência de outro lançamento, formalizado em processo distinto, deve ser ajustado face ao decidido nesse último processo, conexo ao primeiro. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para ajustar o lançamento ao decidido no processo 15563.000136/200968, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) Nelson Lósso Filho Presidente (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto Donassolo – Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Nelson Lósso Filho, Orlando José Gonçalves Bueno, Carlos Alberto Donassolo, Nereida de Miranda Finamore Horta, Geraldo Valentim Neto e Viviane Vidal Wagner. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 56 3. 00 06 14 /2 00 9- 30 Fl. 892DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 15/03/ 2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 16/03/2013 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 15563.000614/200930 Acórdão n.º 1202000.945 S1C2T2 Fl. 893 2 Relatório Trata o presente processo da lavratura de Auto de Infração para a exigência do IRPJ, acrescido da multa de ofício, no percentual de 75%, e dos juros de mora, relativo aos anoscalendário de 2006 e 2007, em razão da insuficiência de saldo de prejuízos fiscais de períodos anteriores. De acordo com a descrição dos fatos constante do Auto de Infração, fls. 114, a irregularidade apurada ficou assim sintetizada: “001 GLOSA DE PREJUÍZOS COMPENSADOS INDEVIDAMENTE SALDOS DE PREJUÍZOS INSUFICIENTES Compensação indevida de prejuízo(s) fiscal (ais) apurado (s) em períodos anteriores, tendo em vista que a fiscalizada compensou R$ 1.071.400,06 e o saldo disponível era R$ 0,04 ocorrendo compensação a maior no valor de R$1.071.400,02 no anocalendário de 2006 e compensou R$ 1.552.047,08 e o saldo disponível era R$ 0,00 ocorrendo compensação a maior no valor de R$1.552.047,08 no ano calendário de 2007. Fato Gerador Valor Tributável ou Imposto Multa(%) 31/12/2006 R$ 1.071.400,02 75,00 31/12/2007 R$ 1.552.047,08 75,00” Em sua impugnação a autuada alega em síntese, fls. 129 a 150: em preliminar, falta de motivação do ato administrativo de lavratura do auto de infração, de modo que a fiscalização desconsiderou, sem qualquer fundamento, o fato de que a impugnante apurou, no anocalendário de 2005, um prejuízo fiscal suficiente para realizar as compensações ora glosadas, devendo a autuação ser considerada nula; em segunda preliminar, argumenta da necessidade de conexão com o processo nº 15563.000136/200968, pelo fato de que a pretensa insuficiência dos saldos de prejuízos decorre da lavratura do auto de infração no referido processo, que foi formalizado para exigência do IRPJ e reflexos (do anocalendário de 2005), em decorrência da glosa de determinadas despesas consideradas indedutíveis pela fiscalização; protesta pela realização de diligências e/ou perícia contábil, para que restem comprovadas, a partir da análise dos documentos acostados aos autos, (i) a ausência de motivação para a lavratura do Auto de Infração ora impugnado; (ii) a necessidade da realização de um julgamento em conjunto do presente processo administrativo com o de n° 15563.000136/200968, tendo em vista sua conexão; bem como a (iii) legitimidade das compensações de prejuízo fiscal equivocadamente glosadas pela Fiscalização; no mérito, repisou praticamente as mesmas alegações trazidas no processo dito conexo, de nº 15563.000136/200968. Na seqüência, foi proferido o Acórdão nº 1241.936 da DRJ/Rio de Janeiro I, de fls. 840 e ss., mantendo integralmente o lançamento fiscal, com o seguinte ementário: Fl. 893DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 15/03/ 2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 16/03/2013 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 15563.000614/200930 Acórdão n.º 1202000.945 S1C2T2 Fl. 894 3 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL NULIDADE Não cabe declaração de Nulidade por falta de motivação quando o auto foi devidamente fundamentado e a Impugnante manifesta total conhecimento dos fatos que o ensejaram. PERÍCIA. INDEFERIMENTO. Indeferese o pedido de perícia quando esta se mostra prescindível. GLOSA DE COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZO FISCAL Quando resta comprovado no procedimento de fiscalização que a empresa não possuía prejuízo fiscal apurado de anos anteriores, não é possível admitir a exclusão de valores a este título do lucro líquido quando da determinação do lucro Real. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Os principais fundamentos utilizados no acórdão recorrido se resumem nos seguintes pontos, transcritos em parte do voto condutor: o auto de infração encontrase devidamente fundamentado, contendo a descrição dos fatos e a base legal do lançamento fiscal, motivo pelo qual não é possível acatar a tese de falta de motivação do ato administrativo. a glosa de despesas que originou o lançamento fiscal do processo nº 15563.000136/200969, absorveu todo prejuízo do anocalendário de 2005, no valor de R$ 8.302.319,73, restando ainda um valor a pagar a título de IRPJ incidente sobre o valor de R$ 2.587.514,69. Assim, não há que se falar na existência de saldos de prejuízos a compensar nos anos de 2006 e 2007. descabe deferir o pedido de perícia/diligência uma vez que os elementos dos autos são suficientes para convicção do julgador, sendo prescindível e desnecessário, razão pela qual fica indeferido o pedido, nos termos do artigo 18 do Decreto 70232/75; em relação ao mérito, são transcrito os mesmos fundamentos utilizados para decidir o processo nº 15563.000136/200968. Contra essa decisão, a autuada ingressou com recurso voluntário, de fls. 868 e ss., reforçando a existência de conexão com o processo nº 15563.000136/200969. Quanto ao mérito, repisa as mesmas alegações trazidas na peça impugnatória. É o Relatório. Voto Conselheiro Carlos Alberto Donassolo, Relator. Fl. 894DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 15/03/ 2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 16/03/2013 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 15563.000614/200930 Acórdão n.º 1202000.945 S1C2T2 Fl. 895 4 O recurso é tempestivo e nos termos da lei. Portanto, dele tomo conhecimento. Conforme relatado neste acórdão, o contribuinte sofreu a presente autuação do IRPJ, relativo aos anos de 2006 e 2007, em decorrência de saldos insuficientes de prejuízos fiscais trazidos do ano de 2005, uma vez que o lançamento fiscal efetuado nesse último ano, formalizado no processo nº 15563.000136/200968, apurou a existência de despesas consideradas indedutíveis e absorveu a totalidade dos prejuízos apurados pela autuada, no valor de R$ 8.302.319,73. A defesa argumenta conexão entre o presente processo e aquele onde os prejuízos foram absorvidos. De fato, a apreciação do processo nº 15563.000136/200968 é prejudicial ao exame deste. Conforme se depreende da análise conjunta dos dois processos, caso mantidas as glosas das despesas efetuadas pela fiscalização no ano de 2005, nada restará de prejuízos a serem compensados nos anos posteriores autuados, em 2006 e 2007. O acórdão recorrido decidiu nesse sentido. A decisão de primeira instância manteve a integralidade das glosas de despesas e, em conseqüência, do próprio lançamento fiscal efetuado no processo nº 15563.000136/200968. Absorvido o saldo de prejuízo fiscal em decorrência do lançamento nesse último processo, não restaram saldos de prejuízos a compensar nos anos de 2006 e 2007, o que acarretou a manutenção integral do lançamento no presente processo. No entanto, esta turma de julgamento, na apreciação do processo nº 15563.000136/200968 decidiu, nos termos do Acórdão nº 1202000.944, sessão de 06 de março de 2013, em dar parcial provimento ao recurso do contribuinte. Foram consideradas definitivamente julgadas determinadas glosas que lá menciona e foi mantida a glosa com despesas de confraternização de fim de ano. Reconheceu, entretanto, como despesas dedutíveis no ano de 2005, valores relativos aos créditos do ICMS que foram glosados pelo fisco estadual, nos valores de R$ 5.743.168,42 e de R$ 2.746.580,69. Assim, o decidido por este órgão julgador no processo nº 15563.000136/200968, ao dar parcial provimento ao recurso voluntário, repercute no presente lançamento, razão porque devem ser procedidos os devidos ajustes pelo órgão de origem. Em face do exposto, voto no sentido de que seja dado parcial provimento ao recurso voluntário, para que sejam procedidos os ajustes necessários no presente lançamento fiscal ao que foi decidido no processo nº 15563.000136/200968. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto Donassolo Fl. 895DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 15/03/ 2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 16/03/2013 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 15563.000614/200930 Acórdão n.º 1202000.945 S1C2T2 Fl. 896 5 Fl. 896DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 15/03/ 2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 16/03/2013 por NELSON LOSSO FILHO
score : 1.0
Numero do processo: 10680.009578/2003-24
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Oct 25 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Apr 08 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 1997, 1998
ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - LUCRO INFLACIONÁRIO - REALIZAÇÃO ANTECIPADA - LEI 8.541/92 - ARTIGO 31 - DECADÊNCIA.
A opção pela realização antecipada do lucro inflacionário, por ser irretratável, estabelecia um novo regime temporal para o reconhecimento da realização desse lucro. A partir da opção, não mais poderia o Contribuinte reivindicar o prazo de diferimento da regra geral. No caso de irregularidade, cabia ao Fisco exigir o cumprimento das realizações de acordo com a periodicidade adotada pelo Contribuinte em sua opção, seguindo os mesmos critérios em termos percentuais e temporais. A opção por cota única permitia, desde a sua implementação, a exigência integral de qualquer diferença constatada em relação a realização do lucro inflacionário, mas essa exigência tinha que ser feita em tempo hábil, sob pena de decadência.
Numero da decisão: 9101-001.505
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade dos votos, negar provimento ao recurso.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
Karem Jureidini Dias - Relatora.
EDITADO EM: 27/11/2012
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, José Ricardo da Silva, Jorge Celso Freire da Silva, Karem Jureidini Dias, Mário Sérgio Fernandes Barroso, Valmir Sandri, Viviane Vidal Wagner, João Carlos de Lima Júnior, Meigan Sack Rodrigues. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Valmar Fonsêca de Menezes, Plínio Rodrigues de Lima, Susy Gomes Hoffmann e Otacílio Dantas Cartaxo.
Nome do relator: KAREM JUREIDINI DIAS
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 1997, 1998 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - LUCRO INFLACIONÁRIO - REALIZAÇÃO ANTECIPADA - LEI 8.541/92 - ARTIGO 31 - DECADÊNCIA. A opção pela realização antecipada do lucro inflacionário, por ser irretratável, estabelecia um novo regime temporal para o reconhecimento da realização desse lucro. A partir da opção, não mais poderia o Contribuinte reivindicar o prazo de diferimento da regra geral. No caso de irregularidade, cabia ao Fisco exigir o cumprimento das realizações de acordo com a periodicidade adotada pelo Contribuinte em sua opção, seguindo os mesmos critérios em termos percentuais e temporais. A opção por cota única permitia, desde a sua implementação, a exigência integral de qualquer diferença constatada em relação a realização do lucro inflacionário, mas essa exigência tinha que ser feita em tempo hábil, sob pena de decadência.
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ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1997, 1998 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA LUCRO INFLACIONÁRIO REALIZAÇÃO ANTECIPADA LEI 8.541/92 ARTIGO 31 DECADÊNCIA. A opção pela realização antecipada do lucro inflacionário, por ser irretratável, estabelecia um novo regime temporal para o reconhecimento da realização desse lucro. A partir da opção, não mais poderia o Contribuinte reivindicar o prazo de diferimento da regra geral. No caso de irregularidade, cabia ao Fisco exigir o cumprimento das realizações de acordo com a periodicidade adotada pelo Contribuinte em sua opção, seguindo os mesmos critérios em termos percentuais e temporais. A opção por cota única permitia, desde a sua implementação, a exigência integral de qualquer diferença constatada em relação a realização do lucro inflacionário, mas essa exigência tinha que ser feita em tempo hábil, sob pena de decadência. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade dos votos, negar provimento ao recurso. (ASSINADO DIGITALMENTE) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente. (ASSINADO DIGITALMENTE) Karem Jureidini Dias Relatora. EDITADO EM: 27/11/2012 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 00 95 78 /2 00 3- 24 Fl. 210DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 18/03/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 28/11/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, José Ricardo da Silva, Jorge Celso Freire da Silva, Karem Jureidini Dias, Mário Sérgio Fernandes Barroso, Valmir Sandri, Viviane Vidal Wagner, João Carlos de Lima Júnior, Meigan Sack Rodrigues. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Valmar Fonsêca de Menezes, Plínio Rodrigues de Lima, Susy Gomes Hoffmann e Otacílio Dantas Cartaxo. Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional em face do Acórdão n° 180200.318 de 25/01/2010, proferido por Turma da 2ª Câmara da Primeira Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. O Auto de Infração (fls. 01/06) exige pagamento de IRPJ em função de suposto recolhimento insuficiente das parcelas de realização mínima de lucro inflacionário existente em 31/12/1995 que, segundo a Fazenda, deveria ter sido adicionado nas apurações do Lucro Real de 1997 e 1998. Por não concordar com a autuação sofrida, a contribuinte apresentou Impugnação (fls. 50/59) onde alegou a decadência do lançamento, além de questionar as alíquotas cobradas nas multas de ofício e nos juros cobrados na autuação fiscal. A Delegacia da Receita Federal de Belo Horizonte MG considerou o lançamento realizado procedente em parte, excluindo as parcelas que deveriam ter sido realizadas em períodos já atingidos pela decadência, contadas de acordo com o art. 173, I, do Código Tributário Nacional. A contribuinte apresentou Recurso Voluntário (fls. 132/145) onde reiterou os argumentos de sua impugnação, para que fosse reformada a decisão de primeira instância através da declaração de decadência do lançamento questionado. Sobreveio sentença do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, que, por maioria de votos, deu provimento ao recurso voluntário da contribuinte em decisão que restou assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 1998, 1999 LUCRO INFLACIONÁRIO REALIZAÇÃO ANTECIPADA – LEI 8.541/92, ARTIGO 31 DECADÊNCIA A opção pela realização antecipada do lucro inflacionário, por ser irretratável, estabelecia um novo regime temporal para o reconhecimento da realização desse lucro. A partir da opção, não mais poderia o Contribuinte reivindicar o prazo de diferimento da regra geral. No caso de irregularidade, cabia ao Fisco exigir o cumprimento das realizações de acordo com a periodicidade adotada pelo Contribuinte em sua opção, seguindo os mesmos critérios em termos percentuais e temporais. A opção por cota única permitia, desde a sua implementação, a exigência integral de qualquer diferença constatada em relação à realização do lucro inflacionário, mas essa exigência tinha que ser feita em tempo hábil, sob pena de decadência. Fl. 211DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 18/03/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 28/11/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS Processo nº 10680.009578/200324 Acórdão n.º 9101001.505 CSRFT1 Fl. 3 3 Irresignada com tal decisão, a Fazenda interpôs Recurso Especial (fls. 173/178) para que fosse afastada a preliminar de Decadência acolhida e determinado o retorno do processo administrativo à instância inferior, para julgamento de mérito, argumentando que tal decisão divergiu do posicionamento adotado pela Oitava Câmara do então Primeiro Conselho de Contribuintes que, analisando caso igual do mesmo contribuinte (Processo n° 10680.006311/200113), decidiu que não havia sido comprovada a realização integral (em cota única) do saldo do lucro inflacionário e que por essa razão seria descabido o acolhimento da preliminar de decadência. Em exame de admissibilidade do Recurso Especial, entendeuse demonstrado o dissenso jurisprudencial na interpretação de lei tributária entre câmaras do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, tendo a recorrente apontado dois acórdãos paradigmas (fls.174/176). Às fls. 204/208 a contribuinte apresentou contrarrazões onde argumentou no sentido de defender a decadência declarada e, ao final, manter a decisão do acórdão recorrido pela Fazenda. Voto Conselheira Karem Jureidini Dias O Recurso é tempestivo e foi objeto de despacho de admissibilidade. A despeito da matéria versada no presente Recurso ser objeto da Súmula número 10, entendo que tal fato não apresenta óbice ao conhecimento do Recurso, porquanto o cerne da discussão é justamente o momento em que teria ocorrido a obrigatoriedade de sua realização, se incentivada ou não. Nesse contexto, o acórdão utilizado como paradigma, 10808.114 não deixa claro se está a tratar da decadência aplicada para uma realização incentivada, conforme a opção do contribuinte, ou não. Talvez por essa razão é que a Câmara tenha, naquela ocasião, na qual inclusive eu mesma compus o julgamento, votado pela manutenção do lançamento. A despeito da dúvida que paira sobre os fatos objeto do julgamento citado por paradigma, entendo que o Recurso merece ser conhecido, porquanto o recorrente naquele recurso é o mesmo contribuinte deste processo, sendo o objeto também o lucro inflacionário. Ainda sobre o conhecimento do Recurso, verifico que a d. Fazenda Nacional também recorre argumentando a necessidade de aplicação do prazo decadencial previsto no artigo 173 inciso I do CTN, independentemente do período base em que a realização do lucro inflacionário tenha sido originada. Essa alegação não foi tratada no despacho que examinou a admissibilidade do Recurso Especial. Nada obstante, até por economia processual, sugiro que o processo seja desde logo levado a julgamento, porquanto tal alegação perde qualquer efeito na medida em que do próprio acórdão recorrido se extrai a existência de pagamento, conforme transcrição que faço no curso do voto. Assim, o recurso especial versa sobre o não cabimento da preliminar de decadência, que afastou o lançamento dos presentes autos, asseverando que, o termo a quo do prazo decadencial é contado a partir da realização incentivada. Isto porque, conforme ementa Fl. 212DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 18/03/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 28/11/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS 4 do acórdão recorrido, a opção pela realização antecipada, do lucro inflacionário, por ser irretratável, estabelecia um novo regime temporal para o reconhecimento da realização desse lucro. Alega a Fazenda Nacional que nos casos de diferimento da tributação do lucro inflacionário, o cômputo do prazo decadencial “iniciase tãosomente com a realização do referido lucro (seja pela realização dos bens e direitos do ativo sujeitos à correção monetária, seja pela aplicação do percentual mínimo legal, seja pela obrigatoriedade de realização integral do saldo a diferir ainda existente), uma vez que somente a partir desse momento poderia o fisco tributar o ganho dele decorrente.” Aduz, ainda, que o acórdão recorrido divergiu do posicionamento adotado pela “Oitava Câmara do então Primeiro Conselho de Contribuintes que, analisando caso igual do mesmo contribuinte (Processo n° 10680.006311/200113), decidiu que não havia sido comprovada a realização integral do saldo do lucro inflacionário e que por essa razão, não caberia o reconhecimento da decadência da cobrança”. A divergência sobre o termo inicial da decadência do lucro inflacionário foi solucionada pela Sumula n° 10: “O prazo decadencial para constituição do crédito tributário relativo ao lucro inflacionário diferido é contado do período de apuração de sua efetiva realização ou do período em que, em face da legislação, deveria ter sido realizado, ainda que em percentuais mínimos.” No presente caso, a divergência está em se houve ou não o início do termo a quo do prazo decadencial em face da opção pela realização antecipada do lucro inflacionário em cota única. Sobre os fatos, restou assente, conforme se extrai do acórdão recorrido que: “não há dúvidas de que a Contribuinte fez opção pela realização integral, em cota única. Nesse sentido, o DARF de fl. 66 indica no seu campo 14 que a opção foi pela regra do inciso V. Além disso, a tela de consulta da DIRPJ/1994, à fl. 104, indica que a Contribuinte optou pela realização antecipada e incentivada, informação que também está registrada no SAPLI, à fl. 8.” Considerando a opção pela realização incentivada em cota única, e considerando que a partir dessa opção o contribuinte não pode mais reivindicar o prazo de diferimento da regra geral, a conclusão não pode ser outra senão a de que tal opção, desde a sua implementação, torna exigível qualquer diferença constatada em relação à integral realização do lucro inflacionário. É este, portanto, o termo inicial para a contagem do prazo decadencial, conforme entendimento pacificado da súmula n° 10. Nesse passo, se a opção ocorreu em 30/04/1993 e o lançamento somente ocorreu em 01/08/2003, sob qualquer forma de contagem do prazo decadencial, não há como se negar a sua ocorrência. Por tais razões, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Especial da Fazenda Nacional. É como voto. (ASSINADO DIGITALMENTE) Karem Jureidini Dias Relatora Fl. 213DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 18/03/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 28/11/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS Processo nº 10680.009578/200324 Acórdão n.º 9101001.505 CSRFT1 Fl. 4 5 Fl. 214DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 18/03/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 28/11/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS
score : 1.0
Numero do processo: 10215.720285/2008-01
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 23 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Apr 09 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2003, 2004
Recurso Voluntário. Intempestividade
Não se conhece do recurso voluntário apresentado intempestivamente.
Numero da decisão: 1801-000.820
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, por intempestivo, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
______________________________________
Ana de Barros Fernandes Presidente
(assinado digitalmente)
______________________________________
Maria de Lourdes Ramirez Redatora Designada
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva, Magda Azario Kanaan Polanczyk, Maria de Lourdes Ramirez, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira, Edgar Silva Vidal e Ana de Barros Fernandes.
Nome do relator: MAGDA AZARIO KANAAN POLANCZYK
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2003, 2004 Recurso Voluntário. Intempestividade Não se conhece do recurso voluntário apresentado intempestivamente.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, por intempestivo, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) ______________________________________ Ana de Barros Fernandes Presidente (assinado digitalmente) ______________________________________ Maria de Lourdes Ramirez Redatora Designada Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva, Magda Azario Kanaan Polanczyk, Maria de Lourdes Ramirez, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira, Edgar Silva Vidal e Ana de Barros Fernandes.
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ME Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2003, 2004 RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVIDADE Não se conhece do recurso voluntário apresentado intempestivamente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, por intempestivo, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) ______________________________________ Ana de Barros Fernandes – Presidente (assinado digitalmente) ______________________________________ Maria de Lourdes Ramirez – Redatora Designada Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva, Magda Azario Kanaan Polanczyk, Maria de Lourdes Ramirez, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira, Edgar Silva Vidal e Ana de Barros Fernandes. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 21 5. 72 02 85 /2 00 8- 01 Fl. 500DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 06/12/ 2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES 2 Relatório Cuidase de recurso voluntário interposto contra acórdão da 1ª Turma DRJ Belém/PA, que manteve integralmente os autos de infração de IRPJ, PIS, COFINS e CSLL, referentes aos anoscalendários de 2003 e 2004, no valor total de R$ 1.131.180,73, incluídos principal, multa de ofício e juros de mora. A Fazenda justifica a ação fiscal diante de elevada movimentação financeira contraposta às receitas declaradas. Diante do cruzamento das declarações e/ou ausência destas e os valores ofertados pelas instituições financeiras em planilha que espelha a real movimentação da empresa recorrente, surgem as omissões de receitas, encontrandose a exigência fundamentada no art. 42 da Lei n º 9.430, de 1996. Na impugnação tempestiva, apresentada a fls. 211 dos autos, aduz, em preliminar, a ilegalidade do auto de infração na medida em que a Lei 9.311/1996, bem como a CPMF, utilizada para fundamentar as apontadas irregularidades, deixou de viger em 3112 2007 “não podendo, assim, ser invocada para embasar atos administrativos originados posteriores à vigência daquela” (fls.213). Transcreve excertos de decisões do STF: “Ministro Menezes Direito(Relator): “Verifico que, em 31/12/2007, exauriuse a vigência da CPMF, assim como da Lei n. 9.311/1996, cujo art. 11§§2º e 3º, constituíam o objeto desta ação, de acordo com o que sobressai claramente do art. 90§1º, do ADCT, incluído pela Emenda constitucional nº42, de 19/12/2003, com a seguinte redação: “ Art. 90. O prazo previsto no caput do art. 84 deste ADCT fica prorrogado até 31 de dezembro de 2007. (incluído pela EC 42 de 19.12.2003)”. “§1º Fica prorrogada, até a data referida no caput deste artigo, a vigência da Lei 9.311 de 24 de outubro de 1996, e suas alterações.” (...) “Ante o exposto, nos termos do art. 21, inciso IX, do Regimento Interno, julgo prejudicada a presente ação direta de inconstitucionalidade. Intimese Brasília, 28 de fevereiro de 2008.” Requer, então a decretação de nulidade do Auto de Infração e com efeito, de todas as obrigações dali decorrentes. No mérito, requerendo a improcedência do auto de infração, afirma, a fls. 219, que a empresa atua no ramo imobiliário e “repassa os valores recebidos aos titulares dos terrenos negociados, conforme contas das cópias de contratos de compra de imóveis realizadas por ela, no total de 14 (quatorze)instrumentos, que seguem apensos a presente (fls.266), quais somam a quantia de R$ 3.294.343,00”. Aduz ainda que algumas áreas intermediadas pela empresa com extensa área não conseguiu cumprir prazos para entrega de documentação prometida no contrato de compra e venda dando causa ao desfazimento do negócio e devolução do valor depositado na sua (da empresa) conta. Registra que: Fl. 501DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 06/12/ 2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10215.720285/200801 Acórdão n.º 1801000.820 S1TE01 Fl. 3 3 “a condição econômicofinanceria da empresa sempre foi desequilibrada” e isso se comprova frente aos extratos bancários juntados, sendo contumaz na emissão de cheques sem fundos (fls.220). Aduz também que “a atividade de corretagem imobiliária sobrevive às comissões por intermediação correspondente a 5% do valor das transações, o que representaria para um volume de R$ 6.716.620,27, ao montante de R$ 335.831,01, para dois exercícios, significando receita média anual de R$ 167.915,51, o qual serviria de parâmetro para o cálculo dos encargos fiscais pertinentes”. Com isso busca demonstrar que nos anos alcançados pela autuação da Fazenda, a empresa exercia atividades do ramo imobiliário somente, sendo que auferia renda das comissões pela intermediação de cada compra e venda no percentual de 5%; os valores depositados em sua conta bancária eram na verdade dos novos proprietários. Junta documentos fls. 211/350 O Acórdão da ARJ de Belém/PA, a fls. 365, decide pela improcedência da Impugnação mantendo o crédito tributário constituído, destacando, em síntese, que a empresa não comprova o objeto das suas alegações e que há contradição no que alega e no que se apresenta nos autos, na medida em que na época alcançada pela autuação a empresa possuía outra denominação – RICE IRRIGADO – COMÉRCIO E REPRESENTAÇÕES LTDA., e o objeto social era justamente o comércio varejista de insumos e defensivos agrícolas bem como representações comerciais em geral impedindo que a Fazenda de reconhecer a atividade imobiliária alegada pela empresa autuada. Aduz o decisum que com a edição do artigo 42 da Lei 9.430/1996, a existência de depósitos bancários, cuja origem não seja comprovada, foi erigida à condição de presunção legal de omissão de receita, havendo portanto, no seu entender uma nova hipótese legal de presunção de omissão de receitas, atenuandose a carga probatória atribuída ao fisco, encontrandose devidamente “enquadrada no dispositivo citado e só pode ser afastada com a apresentação por parte do sujeito passivo de provas em contrário”(fls.369). Entendeu o referido acórdão que “havendo harmonia entre as provas e irregularidades que ampararam os lançamentos do IRPJ e das contribuições sociais, o que foi decidido em relação àquele é aproveitado nos lançamentos destas”. Notificada da decisão, em 29072010, a fls. 375, apresenta Recurso Voluntário em 31082010, a fls. 376. Preliminarmente reafirma a nulidade da autuação, reprisando os argumentos da impugnação, argumentando que as provas foram produzidas por meios ilícitos em razão de a lei 9311/1996 não viger mais à época da autuação e colheita de provas pela fazenda junto às instituições financeiras nas quais a empresa recorrente mantinha movimentação de valores expressivos. Trás à baila o artigo 6º da Lei Complementar 105 de 2001 ressaltando que o agente fiscal instaurou o procedimento fiscal após a detecção da expressiva movimentação financeira por meio das informações bancárias, reafirmando a nulidade da autuação. No mérito aduz não terem sido feridos no decisum de primeira instância os fatos levantados na defesa, tampouco apreciados os documentos acostados aos autos, requerendo o conhecimento do recurso (fls.386), com a análise dos documentos. É o relatório. Fl. 502DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 06/12/ 2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES 4 Voto Conselheira Maria de Lourdes Ramirez, Redatora Designada. Tendo em vista que a Conselheira relatora responsável pelos presentes autos, Magda Azario Kanaan Polanczyk, renunciou ao mandato de conselheira sem entregar este acórdão formalizado, fui designada para este fim, consoante despacho de fl. 499. Como comprova a cópia do AR à fl. 375, a recorrente tomou ciência da decisão da Turma Julgadora de 1 a. Instância em 29/07/2010, uma 5ªfeira, iniciandose a contagem do prazo de 30 (trinta) dias para apresentação do recurso voluntário em 30/07/2010, uma sextafeira. O prazo de 30 (trinta) dias findou em 28/08/2010, um sábado, ficando automaticamente prorrogado para o primeiro dia útil seguinte, ou seja, segundafeira, dia 30/08/2010. Tendo a interessada apresentado a peça de defesa somente em 31/08/2010 considerase intempestivo o recurso, nos termos do art. 33 do Decreto 70.235/1972. Pelo exposto, voto por não tomar conhecimento do recurso voluntário, por intempestivo. (assinado digitalmente) ______________________________________ Maria de Lourdes Ramirez – Redatora Designada Fl. 503DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 06/12/ 2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES
score : 1.0
Numero do processo: 10315.000988/2010-05
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 19 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Contribuições Sociais Previdenciárias
Data do fato gerador: 25/11/2010
PARCELAMENTO ESPECIAL LEI 11.196/2005.
Não comprovada a adesão ao parcelamento especial que trata a Lei
11.196/2005, deve-se recolher as verbas previdenciárias.
LAVRATURA DO AUTO DE INFRAÇÃO.
O Decreto 70.235/72 determina que o auto de infração seja lavrado no local onde a falta foi cometida, respeitando a autoridade fiscal a competência da repartição fiscal.
LEGITIMIDADE DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL PARA FISCALIZAR DÉBITOS DA PREVIDÊNCIA.
A legitimidade da RFB para fiscalizar os débitos previdenciários foi instituída pela Lei nº 11.457, de 16.03.2007. Se a ação fiscal foi iniciada em período posterior não há de se falar em ilegitimidade.
INDIVIDUALIZAÇÃO DE SEGURADOS QUE ESTÃO FORA DO GFIP DESNECESSÁRIO.
Havendo demonstração do valor da infração, não há que se falar em
necessidade de individualizar cada segurado que não foi recolhida a contribuição previdenciária.
CARGO ELETIVO DE PREFEITO E VICE PREFEITO.
INCONSTITUCIONALIDADE DA CONTRIBUIÇÃO DOS AGENTES POLÍTICOS.
O artigo 1º da IN SRP nº 15/06, que trata da compensação das contribuições referentes a agentes políticos foi considerada inconstitucional pelo STF Supremo Tribunal Federal.
PEDIDO DE DILIGÊNCIA DESCONSIDERADO PELA DECISÃO DA DRJ.
Sendo prescindível a diligência requerida e quando não atende ao
determinativo pelo inciso IV, do artigo 16 do Decreto 70.235/72, pode a autoridade fiscal dispensá-la sem ocorrência de afronta a princípios constitucionais.
MULTA
Fato gerador que ocorreu após o início da vigência da Lei 11.941/2009 o contribuinte faz jus à aplicação da lei que mais lhe beneficia.
Por outro lado, no presente caso, a Recorrente em seu Recurso aviado não espancou a multa aplicada, sendo, portanto, aceito tacitamente por ela a multa aplicada.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2301-002.867
Decisão: Acordam os membros do colegiado, 3ª câmara / 1ª turma ordinária da
segunda SEÇÃO DE JULGAMENTO, : I) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a).
Nome do relator: WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA
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Matéria CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA Recorrente MUNICIPIO DE NOVA OLINDA PREFEITURA MUNICIPAL Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Data do fato gerador: 25/11/2010 PARCELAMENTO ESPECIAL LEI 11.196/2005. Não comprovada a adesão ao parcelamento especial que trata a Lei 11.196/2005, devese recolher as verbas previdenciárias. LAVRATURA DO AUTO DE INFRAÇÃO. O Decreto 70.235/72 determina que o auto de infração seja lavrado no local onde a falta foi cometida, respeitando a autoridade fiscal a competência da repartição fiscal. LEGITIMIDADE DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL PARA FISCALIZAR DÉBITOS DA PREVIDÊNCIA. A legitimidade da RFB para fiscalizar os débitos previdenciários foi instituída pela Lei nº 11.457, de 16.03.2007. Se a ação fiscal foi iniciada em período posterior não há de se falar em ilegitimidade. INDIVIDUALIZAÇÃO DE SEGURADOS QUE ESTÃO FORA DO GFIP DESNECESSÁRIO. Havendo demonstração do valor da infração, não há que se falar em necessidade de individualizar cada segurado que não foi recolhida a contribuição previdenciária. CARGO ELETIVO DE PREFEITO E VICEPREFEITO. INCONSTITUCIONALIDADE DA CONTRIBUIÇÃO DOS AGENTES POLÍTICOS. O artigo 1º da IN SRP nº 15/06, que trata da compensação das contribuições referentes a agentes políticos foi considerada inconstitucional pelo STF Supremo Tribunal Federal. PEDIDO DE DILIGÊNCIA DESCONSIDERADO PELA DECISÃO DA DRJ. Fl. 140DF CARF MF Impresso em 04/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2012 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 02/10/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01/10/2012 por WILSON ANTONIO DE SOUZA COR REA 2 Sendo prescindível a diligência requerida e quando não atende ao determinativo pelo inciso IV, do artigo 16 do Decreto 70.235/72, pode a autoridade fiscal dispensála sem ocorrência de afronta a princípios constitucionais. MULTA Fato gerador que ocorreu após o início da vigência da Lei 11.941/2009 o contribuinte faz jus à aplicação da lei que mais lhe beneficia. Por outro lado, no presente caso, a Recorrente em seu Recurso aviado não espancou a multa aplicada, sendo, portanto, aceito tacitamente por ela a multa aplicada. Recurso Voluntáio Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, 3ª câmara / 1ª turma ordinária da segunda SSEEÇÇÃÃOO DDEE JJUULLGGAAMMEENNTTOO, : I) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a). (assinado digitalmente) MARCELO OLIVEIRA Presidente. (assinado digitalmente WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mrcelo Oliveira, Bernadete de Oliveira Barros, Leonardo Henrique Pires Lopes, Mauro José Silva, Wilson Antonio de Souza Correa e Damião Cordeiro de Moraes. Relatório Conselheiro WILSON ANTONIO DE SOUZA CORRÊA Relator Foram incluídas no presente lançamento as contribuições previdenciárias a cargo dos segurados incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas aos segurados empregados e contribuintes individuais não informadas em Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), consoante art. 22, incisos I e II (parte da empresa e SAT sobre as remunerações dos empregados), e inciso III (parte da empresa sobre as remunerações dos contribuintes individuais) da Lei 8.212/91, bem como de glosa de salário família declarados a maior, diferenças de GILRAT declarados a menor em GFIP e diferença de acréscimos legais — DAL — devido ao pagamento de GPS — Guia da Previdência Social pagas fora do prazo, sem os devidos acréscimos. Segundo o Relatório Fiscal, fls. 24/27, as contribuições foram obtidas das Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço e Informações Previdência Social — GFIP, das Guias da Previdência Social, dos arquivos digitais da contabilidade e dos resumos das folhas de pagamento dos segurados. Fl. 141DF CARF MF Impresso em 04/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2012 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 02/10/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01/10/2012 por WILSON ANTONIO DE SOUZA COR REA Processo nº 10315.000988/201005 Acórdão n.º 2301002.867 S2C3T1 Fl. 2 3 Cientificado do lançamento em 06/12/2010, o contribuinte interpôs impugnação em 29/12/2010, assinada pelo prefeito Afonso Domingos Sampaio, na qual alega em síntese que: há divergências entre a informações presentes no Auto de Infração e nas GF1Ps retificadoras em anexo, que foram reconhecidas no parcelamento especial formulado junto a este órgão, conforme detalhado: a) Competência 01/2006. — o número de servidores informado foi de 546 (categorias 20 e 21) e não 483, conforme relatório anexo aos autos, referente a folha de pagamento e 29 (categoria 13) servidores e não 0 (zero) referente a contabilidade. b) Competência 02/2006 o número de servidores informado foi de 546 .(categorias 20 e 21) e não 485, conforme relatório anexo aos autos, referente a folha de pagamento e 29 (categoria 13) servidores e não 0 (zero) referente a contabilidade. c) Competência 04/2006 o número de servidores informado foi de 626 (categorias 20 e 21) e não 485, conforme relatório anexo aos autos, referente a folha de pagamento e 29 (categoria 13) servidores e não 0 (zero) referente a contabilidade. solicita a revisão dos cálculos diante das divergências apontadas. A DRJ de Fortaleza julgou em parte procedente, exarando o seguinte Acórdão: Acórdão 0821.547 5 Turma da DRJ/FOR Sessão de 18 de agosto de 2011 Processo 10315.000988/201005 Interessado MUNICÍPIO DE NOVA OLINDA PREFEITURA MUNICIPAL CNPJ/CPF 07.536.444/000195 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIARIAS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006 AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÕES PRINCIPAIS. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS INCIDENTES SOBRE AS REMUNERAÇÕES DE SEGURADOS EMPREGADOS E CONTRIBUINTE INDIVIDUAIS. Constituem fatos geradores de obrigações tributárias as remunerações pagas, devidas ou creditadas aos segurados empregados e as pagas ou creditadas as contribuintes individuais. Impugnação Procedente A análise dos documentos que serviram de base para o Auto de Infração, particularmente das tabelas das fls. 28/29, demonstra que parte das informações utilizadas para a composição da base de cálculo de onde se extraíram os valores das contribuições previdenciárias constantes do presente lançamento não foram as corretas. Fl. 142DF CARF MF Impresso em 04/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2012 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 02/10/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01/10/2012 por WILSON ANTONIO DE SOUZA COR REA 4 A auditoria baseouse em informações declaradas em GFIP que, antes do inicio do procedimento de fiscalização, já tinham sido substituídas por GFIPs retificadoras, fls. 92/94. Irresignada interpôs tempestivamente Recurso Voluntário, alegando: Dos débitos declarados no AI encontramse em parcelamento especial; AI lavrado fora do local da infração; Ausência de identificação dos que encontramse fora da GFIP – Não identificação dos segurados – Impossibilidade de defesa referente à Prefeito e Vice – Inconstitucionalidade da contribuição dos agentes políticos – Legalidade da compensação; Eis o relato. Voto 1 DOS DÉBITOS DECLARADOS NO AI ENCONTRAMSE EM PARCELAMENTO ESPECIAL DO PARCELAMENTO ESPECIAL DIANTE DA LEI 11.196/2005 Alega a Recorrente que protocolizou o pedido de parcelamento junto a Receita Federal do Brasil de parte dos débitos que estão inclusos nos AI’s, mas, entretanto, não há ao menos cópia deste protocolo. É bem verdade que a mencionada lei em seu artigo 96 autoriza aos municípios nela inseriremse, mas, carece de competência a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento – DRJ, bem como este colegiado para apreciar pedidos de parcelamento ou recursos contra indeferimento desses pedidos, constituindo ambas as matérias afetas à Delegacia da Receita Federal do Brasil, NAQUELE COMITÊ. Deveria a Recorrente, ao menos acompanhando o presente remédio, informar se foi deferido ou não o parcelamento pela Receita Federal do Brasil, comitê de parcelamento que trata da Lei 11.196/2005. Penso que não cabe nem mesmo diligência à DRJ para aferir se houve ou não a referida adesão ao que determina o dispositivo da supra mencionada lei, porque, como alhures dito, deveria ter sido acompanhada ao presente Recurso Voluntário, por ser obrigação da Recorrente. Como nenhuma providência foi tomada neste sentido, julgo improcedente tal quesito, aviado pela Recorrente. AUSÊNCIA DE LAVRATURA DOS AI’S NO LOCAL DA INFRAÇÃO Alega a Recorrente que os AI’s não foram lavrados no mesmo lugar da infração e que isto gerou ofensa à princípios constitucionais, mormente a ampla defesa e ao contraditório, o que não lhe assiste razão, pois não há anomalia processual nesta esteira, observada nos autos do processo. “Ab initio’, tenho, com fulcro ao artigo 14 do Decreto 70.235/72, que o litigioso administrativo iniciase com a apresentação da impugnação, e, sendo até então Fl. 143DF CARF MF Impresso em 04/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2012 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 02/10/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01/10/2012 por WILSON ANTONIO DE SOUZA COR REA Processo nº 10315.000988/201005 Acórdão n.º 2301002.867 S2C3T1 Fl. 3 5 respeitado todos os princípios constitucionais e procedimentos de lei, não há de se falar em desrespeito a estes. O fato de terem sidos lavrados na repartição fiscal e não no estabelecimento fiscalizado não configura agressão ao disposto no artigo 10 do Decreto em comento. Ora, quando o dispositivo do Decreto fala no local da infração, implica dizer na circunscrição competente atendida pela repartição fiscal, e não na repartição do infrator ou na cidade do mesmo, porque o que trata a lei é da competência territorial. Mas, por amor a dialética jurídica, ainda que assim não fosse a interpretação, o mencionado comportamento em nada prejudicou o exercício do direito de ampla defesa e do contraditório. Ao contrário, o que se vê nos autos é que a Recorrente foi notificada, como determina a lei e, amplamente exerceu seu direito ao contraditório e à defesa ao impugnar o lançamento, juntando tudo que julgava necessário. Pondo uma pá de cal na alegação da Recorrente, urge dizer que já está sumulado nesse e. Colegiado a possibilidade de a lavratura do AI ser exarada fora do estabelecimento do contribuinte, como ele deseja. Súmula CARF nº 6: É legítima a lavratura de auto de infração no local em que foi constatada a infração, ainda que fora do estabelecimento do contribuinte. Portanto, sem razão a Recorrente. ILEGITIMIDADE DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL PARA FISCALIZAR DÉBITOS DA PREVIDÊNCIA. Alega a ilegitimidade da RFB para fiscalizar os débitos previdenciários, o que não assiste razão, uma vez que a competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil para fiscalizar contribuições previdenciárias, foi instituída pela Lei nº 11.457, de 16.03.2007, ou seja, antes mesmo de iniciada a ação fiscal que, como se vê no Termo de Início de Procedimento Fiscal às fls. 61/2, data de 07/06/2010. Quanto a mencionada Lei, diz ela em seu artigo 2°: Lei nº 11.457/2007 “Art. 2º Além das competências atribuídas pela legislação vigente à Secretaria da Receita Federal, cabe à Secretaria da Receita Federal do Brasil planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas a tributação, fiscalização, arrecadação, cobrança e recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 da Lei no 8.212, de 24 de julho de 1991, e das contribuições instituídas a título de substituição. (Vide Decreto nº 6.103, de 2007).(grifos acrescidos) (...) § 3o As obrigações previstas na Lei no 8.212, de 24 de julho de 1991, relativas às contribuições sociais de que trata o caput Fl. 144DF CARF MF Impresso em 04/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2012 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 02/10/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01/10/2012 por WILSON ANTONIO DE SOUZA COR REA 6 deste artigo serão cumpridas perante a Secretaria da Receita Federal do Brasil. § 4o Fica extinta a Secretaria da Receita Previdenciária do Ministério da Previdência Social. Art. 3o As atribuições de que trata o art. 2o desta Lei se estendem às contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, na forma da legislação em vigor, aplicandose em relação a essas contribuições, no que couber, as disposições desta Lei. Lei nº 8.212/91 Art. 11. No âmbito federal, o orçamento da Seguridade Social é composto das seguintes receitas: (...) Parágrafo único. Constituem contribuições sociais: a) as das empresas, incidentes sobre a remuneração paga ou creditada aos segurados a seu serviço; (Vide art. 104 da lei nº 11.196, de 2005) b) as dos empregadores domésticos; c) as dos trabalhadores, incidentes sobre o seu salário de contribuição; (Vide art. 104 da lei nº 11.196, de 2005) (...) Portanto, sem razão a Recorrente. NÃO IDENTIFICAÇÃO DOS SEGURADOS FORA DA GFIP A argumentação da Recorrente não é verdadeira, porque foram anexadas Planilhas contendo informações que o auditor se utilizou para efetivar o lançamento, oriundos de documentos fornecidos pela própria Defendente. Assim, dos documentos apresentados pela Recorrente confeccionouse as planilhas e lá se vê que numa referese as rubricas que dão azo a contribuição previdenciária e outra planilha comparativa entre folha de pagamento e GFIP, e isto é suficiente para saber que houve segurados não informados em GFIP. Não há necessidade de nomear os segurados que não foram recolhidas as contribuições, pois, basta fazer uma comparação entre o que foi informado na GFIP e o levantamento feito pela auditoria fiscal para se chegar ao resultado que chegou o auditor, ou seja, que vários segurados que estão na folha de pagamento não foram informados em GFIP. Também, neste quesito, não assiste razão a Recorrente. IMPOSSIBILIDADE DE DEFESA REFERENTE À PREFEITO E VICE PREFEITO. INCONSTITUCIONALIDADE DA CONTRIBUIÇÃO DOS AGENTES POLÍTICOS LEGALIDADE DA COMPENSAÇÃO. Fl. 145DF CARF MF Impresso em 04/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2012 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 02/10/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01/10/2012 por WILSON ANTONIO DE SOUZA COR REA Processo nº 10315.000988/201005 Acórdão n.º 2301002.867 S2C3T1 Fl. 4 7 Parece que a Recorrente cometeu um grande equívoco, já que contesta o indeferimento de compensação dos créditos considerados inconstitucionais pelo STF, referente às contribuições indevidas no interregno de fev/98 a ago/04. Diz que o artigo 44 da IN SRF nº 900/2008, que trata da compensação de contribuições previdenciárias, e o artigo 1º da IN SRP nº 15/06, que trata da compensação das contribuições referentes a agentes políticos consideradas inconstitucionais pelo STF – Supremo Tribunal Federal. A argumentação expendida a tenho como acertada, mas errada a interpretação ao caso, a uma porque não houve glosa de compensação, e todos os pagamentos feitos através de Guia de Recolhimento foram devidamente apropriados e, os valores lançados referemse as contribuições não declaradas em GFIP referentes ao período de apuração de 01.2006 a 12.2009. Então, além de não terem sido glosadas as compensações, os créditos não se referem as contribuições consideradas inconstitucionais pelo STF. MATÉRIAS NÃO RECORRIDAS. Urge tratar das matérias não suscitadas em sua defesa, cujas quais penso não constituir matéria de ordem pública, já que estas normas (ordem pública) são aquelas de aplicação imperativa que visam diretamente a tutela de interesses da sociedade, o que não é o caso. Neste diapasão tenho que a ‘Ordem Pública’ significa dizer do desejo social de justiça, assim caracterizado porque há de se resguardar os valores fundamentais e essenciais, para construção de um ordenamento jurídico ‘JUSTO’, tutelando o estado democrático de direito. Por outro lado, julgar matéria não questionada e que não trate do interesse público é decisão extra petita, como são os casos da aplicação de multas não anatematizadas pelos recorrentes, e que antes tinham o meu pronunciamento, independente de se objurgada em peça recursiva ou não, mas que amadureço pela razão acima, haja vista não considerar a multa matéria de ordem pública. Evoluo meu voto no sentido de que matéria não recorrida é matéria atingida pela instituição do trânsito em julgado, mesmo as matérias de ordem pública não pré questionadas, porque, em não sendo préquestionadas há limite para cognição. A multa, antes pensava este singelo julgador, se tratar de matéria de ordem pública, e como tal não estavam sujeitas à preclusão, podendo ser alegadas e julgadas em qualquer momento do tramitar processual, influenciando decisiva e imperativamente na formação da coisa julgada. Mas, restavame, para um julgar percuciente, a definição do que seja matéria de ordem pública. Das pesquisas realizadas para definir o que seja ‘matéria de ordem pública’, parecenos que a mais completa seja a de Fábio Ramazzini Becha, que peço vênia para transcrevêla: Fl. 146DF CARF MF Impresso em 04/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2012 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 02/10/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01/10/2012 por WILSON ANTONIO DE SOUZA COR REA 8 ‘... Matéria de Ordem Pública tratase de conceito indeterminado, a dificuldade de interpretação é maior do que nos conceitos legais determinados. .. Prossegue: “... A ordem pública enquanto conceito indeterminado, caracterizado pela falta de precisão e ausência de determinismo em seu conteúdo, mas que apresenta ampla generalidade e abstração, põese no sistema como inequívoco princípio geral, cuja aplicabilidade manifestase nas mais variadas ramificações das ciências em geral, notadamente no direito, preservado, todavia, o sentido genuinamente concebido. A indeterminação do conteúdo da expressão faz com que a função do intérprete assuma um papel significativo no ajuste do termo. Considerando o sistema vigente como um sistema aberto de normas, que se assenta fundamentalmente em conceitos indeterminados, ao mesmo tempo em que se reconhece a necessidade de um esforço interpretativo muito mais árduo e acentuado, é inegável que o processo de interpretação gera um resultado social mais aceitável e próximo da realidade contextualizada. Se, por um lado, a indeterminação do conceito sugere uma aparente insegurança jurídica em razão da maior liberdade de argumentação deferida ao intérprete, de outro lado é, pois, evidente, a eficiência e o perfeito ajuste à historicidade dos fatos considerada. O fato de se estar diante de um conceito indeterminado não significa que o conteúdo da expressão “ordem pública” seja inatingível.(...)” (...) A ordem pública representa um anseio social de justiça, assim caracterizado por conta da preservação de valores fundamentais, proporcionando a construção de um ambiente e contexto absolutamente favoráveis ao pleno desenvolvimento humano. Tratase de instituto que tutela toda a vida orgânica do Estado, de tal forma que se mostram igualmente variadas as possibilidades de ofendêla. As leis de ordem pública são aquelas que, em um Estado, estabelecem os princípios cuja manutenção se considera indispensável à organização da vida social, segundo os preceitos de direito. (...) Para Andréia Lopes de Oliveira Ferreira matéria de ordem pública implica dizer que: “são questões de ordem pública aquelas em que o interesse protegido é do Estado e da sociedade e, via de regra, referemse à existência e admissibilidade da ação e do processo. Tratase de conceito vago, não podendo ser preenchido com uma definição” e cita Tércio Sampaio Ferraz, para quem “é como se o legislador convocasse o aplicador para configuração do sentido adequado” Fl. 147DF CARF MF Impresso em 04/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2012 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 02/10/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01/10/2012 por WILSON ANTONIO DE SOUZA COR REA Processo nº 10315.000988/201005 Acórdão n.º 2301002.867 S2C3T1 Fl. 5 9 A princípio temse que matéria de ordem pública é aquela que diz respeito à sociedade como um todo, e dentro de um critério mais correto a sua identificação é feita através de se saber qual o regime legal que ela se encontra, ou seja, quando a lei diz. É bem verdade e o difícil é que nem sempre a lei diz se determinada matéria é ou não de ordem publica, e, neste caso, para resolver a questão, urge que a concretização e a delimitação do conteúdo da ordem pública constitui tarefa exclusiva das Cortes Nacionais. Todavia, elas mesmas (Cortes Superiores) não definiram com exatidão o que vem ser matéria de ordem pública, e tão pouco se a multa quando não recorrida deve ou não ser decidido por ser matéria imperiosa de julgamento, tratandose de interesse geral. E mais, mesmo quando a matéria é de ordem pública e não préquestionada, o STJ vem reiteradamente decidindo que, reconhecidamente matérias de ordem pública, quando não analisada em instâncias inferiores e tão pouco préquestionadas, não devem ser analisadas naquela Corte. ‘Ex vi’ Acórdão abaixo: Processo AgRg no REsp 1203549 / ES AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL 2010/01195407 Relator(a) Ministro CESAR ASFOR ROCHA (1098) Órgão Julgador T2 SEGUNDA TURMA Data do Julgamento 03/05/2012 Data da Publicação/Fonte DJe 28/05/2012 Ementa AGRAVO REGIMENTAL. RECURSO ESPECIAL. SUSPENSÃO DE LIMINAR INDEFERIDA. PREQUESTIONAMENTO. QUESTÕES DE ORDEM PÚBLICA. A jurisprudência do STJ é firme no sentido de que, na instância especial, é vedado o exame de questão não debatida na origem, carente de préquestionamento, ainda que se trate eventualmente de matéria de ordem pública. Agravo regimental improvido. Acórdão Vistos, relatados e discutidos os autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da Segunda Turma do Superior Tribunal de Justiça, na conformidade dos votos e das notas taquigráficas a seguir, prosseguindose no julgamento, após o voto vista do Sr. Ministro Mauro Campbell Fl. 148DF CARF MF Impresso em 04/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2012 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 02/10/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01/10/2012 por WILSON ANTONIO DE SOUZA COR REA 10 Marques, acompanhando o Sr. Ministro Cesar Asfor Rocha, por unanimidade, negar provimento ao agravo regimental, nos termos do voto do Sr. MinistroRelator. Os Srs. Ministros Castro Meira, Humberto Martins, Herman Benjamin e Mauro Campbell Marques (votovista) votaram com o Sr. Ministro Relator. Assim, tenho que a multa não é matéria de ordem pública porque, como dito por Fábio Rmanssini Bechara, ela não ‘representa um anseio social de justiça, assim caracterizado por conta da preservação de valores fundamentais, proporcionando a construção de um ambiente e contexto absolutamente favoráveis ao pleno desenvolvimento humano’. CONCLUSÃO Diante do exposto e o presente recurso voluntário atende os pressupostos de admissibilidade, tenho que o mesmo deve ser conhecido, para no mérito NEGARLHE PROVIMENTO,mantendo o crédito tributário e a integralidade da decisão ‘a quo’. É o voto. Salal de seção do dia 19 de junho de 2012. (assinado digitalmente) Wilson Antonio de Souza Corrêa – Relator. Fl. 149DF CARF MF Impresso em 04/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2012 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 02/10/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01/10/2012 por WILSON ANTONIO DE SOUZA COR REA
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Numero do processo: 10680.932999/2009-46
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 27 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Mar 13 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 31/03/2003
PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO DCTF APÓS TRANSCORRIDOS MAIS DE 05 ANOS. IMPOSSIBILIDADE. COMPENSAÇÃO NÃO-HOMOLOGADA.
Decorrido o prazo de 05 anos, não se pode admitir retificações na DCTF. Extingue-se o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3801-001.746
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes-Presidente.
(assinado digitalmente)
Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antonio Borges, Jose Luiz Bordignon, Sidney Eduardo Stahl, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Flávio de Castro Pontes.
Nome do relator: MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL
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RETIFICAÇÃO DCTF APÓS TRANSCORRIDOS MAIS DE 05 ANOS. IMPOSSIBILIDADE. COMPENSAÇÃO NÃOHOMOLOGADA. Decorrido o prazo de 05 anos, não se pode admitir retificações na DCTF. Extinguese o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Flávio de Castro PontesPresidente. (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antonio Borges, Jose Luiz Bordignon, Sidney Eduardo Stahl, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Flávio de Castro Pontes. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 93 29 99 /2 00 9- 46 Fl. 71DF CARF MF Impresso em 13/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 08/03/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 13 /03/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10680.932999/200946 Acórdão n.º 3801001.746 S3TE01 Fl. 112 2 Relatório Conselheira Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Relatora O ora Recorrente, Hospital Mater Dei S/A, apresentou pedido de PerdDcomp, visando compensar débito nela declarado com credito de COFINS pago a maior, com fato gerador em 31/03/2003. Ocorre que a compensação não foi homologada, uma vez que não foi identificado pelo sistema da Receita Federal do Brasil o crédito alegado no pedido de compensação apresentado. Não concordando com o despacho decisório, o Recorrente apresentou Manifestação de Inconformidade, na qual alegou que, de fato, houve um erro de preenchimento na DCTF e que, por isso, os créditos não foram identificados pela RFB. Alegou, ainda, que promoveu a retificação de sua DCTF, o que comprovaria, a princípio, o seu direito creditório. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belo Horizonte, ao analisar a Manifestação de Inconformidade do Recorrente, julgoua como improcedente, alegando, em síntese, que “o prazo concedido pela legislação para o direito de constituir o crédito tributário deve ser o mesmo para que o contribuinte proceda à retificação da respectiva declaração apresentada”. Tal alegação se deu pelo fato de o Recorrente ter retificado a sua DCTF após decorrido o prazo de 05 anos. Ou seja, a Delegacia de Julgamento em Belo Horizonte MG julgou improcedente a manifestação de inconformidade ofertada pelo contribuinte, considerando a ausência de comprovação do direito ao crédito objeto da compensação. Devidamente intimado da decisão da DRJ, o Recorrente interpôs o presente Recurso Voluntário, repisando, basicamente, os argumentos apresentados em sua manifestação de inconformidade. É o relatório. Fl. 72DF CARF MF Impresso em 13/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 08/03/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 13 /03/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10680.932999/200946 Acórdão n.º 3801001.746 S3TE01 Fl. 113 3 Voto Conselheiro Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Relatora. O Recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade. Analisando os presentes autos verificase que a Recorrente, com o objetivo de demonstrar e lastrear os créditos indicados em seu pedido de compensação, retificou a sua DCTF, após decorridos mais de cinco anos. Ademais, alegou que os referidos créditos eram originados da recomposição da base de cálculo da Recorrente no período de 2001 a 2006, em razão da “necessária exclusão dos medicamentos submetidos à aliquota zero”. Deve prevalecer o entendimento da decisão recorrida. É que, como restou demonstrado, o Recorrente só retificou sua DCTF após decorrido o prazo de 05 anos, contados do período de apuração dos tributos. Neste sentido, são elucidativas os esclarecimentos do parecer COSIT 48/99, já citado no acórdão recorrido: “Dos comandos legais citados, temos que extinguese no prazo de cinco anos, contado da data da apresentação da declaração de rendimentos ou da data em que se tornar definitiva a decisão que anulou, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado, o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário. Assim, da mesma forma que a Fazenda Pública submetese a um prazo final para rever de ofício seu lançamento ou para constituir o crédito tributário, o contribuinte deve igualmente dispor de um termo para que sejam corrigidos eventuais erros cometidos quando da elaboração de sua declaração de rendimentos” Ao contrário das alegações do Recorrente, não se pode admitir que retificações nas declarações apresentadas sejam realizadas em qualquer momento, sem um limite temporal. Ora, se há prazo para a Fazenda Pública homologar expressa ou tacitamente a constituição do crédito tributário realizada pelo contribuinte, este mesmo prazo deve ser dado ao contribuinte para que possa retificar suas declarações. Caso contrário, mesmo havendo homologação e a consequente extinção do crédito tributário constituído pelo próprio contribuinte, este poderá retificar suas declarações sempre que identificar um erro, fazendo nascer um novo direito que já não existia mais. Por outro lado, caso fosse possível a retificação das declarações em qualquer momento, cumpre esclarecer que o Recorrente não trouxe aos autos elementos suficientes para comprovar a origem do seu crédito. Se limitou, tãosomente, a apresentar planilhas de apurações, sob a alegação de que os créditos indicados no pedido de compensação seriam Fl. 73DF CARF MF Impresso em 13/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 08/03/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 13 /03/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10680.932999/200946 Acórdão n.º 3801001.746 S3TE01 Fl. 114 4 originados da recomposição da base de cálculo da Recorrente no período de 2001 a 2006, em razão da “necessária exclusão dos medicamentos submetidos à aliquota zero”. Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário, para NÃO HOMOLOGAR o pedido de compensação (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel Relator Fl. 74DF CARF MF Impresso em 13/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 08/03/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 13 /03/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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