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8150783
# Numero do processo: 10183.006358/2005-11
Data da sessão: Tue Jul 26 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL - ITR
Exercício: 2002
EXPLORAÇÃO EXTRATIVA. ÍNDICE DE RENDIMENTO E PLANO DE MANEJO.
A área de exploração extrativa para fins de apuração do ITR será calculada observando-se os índices de rendimentos por produtos fixados pela Secretaria da Receita Federal, admitindo-se que seja considerada a área total objeto de plano de manejo sustentado, desde que aprovado pelo órgão competente e cujo cronograma esteja sendo cumprido pelo contribuinte.
VALOR DA TERRA NUA (VTN). ARBITRAMENTO COM BASE NO SISTEMA DE PREÇOS DE TERRAS (SIPT). UTILIZAÇÃO DO VTN MÉDIO DECLARADO.
O VTN médio declarado por município extraído do SIPT, obtido com base nos valores informados na DITR, não pode ser utilizado para fins de arbitramento, pois notoriamente não atende ao critério da capacidade potencial da terra, contrariando a legislação que rege a matéria.
Numero da decisão: 2202-001.271
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar
provimento parcial ao recurso para restabelecer o Valor da Terra Nua (VTN) declarado pela Recorrente. Fez sustentação oral, seu advogado, Dr. Pedro Innocenti Isaac, OAB/SP nº. 235.111.
Matéria: ITR - ação fiscal (AF) - valoração da terra nua
Nome do relator: Maria Lúcia Motiz de Aragão Calomino Astorga
1.0 = *:*
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL - ITR Exercício: 2002 EXPLORAÇÃO EXTRATIVA. ÍNDICE DE RENDIMENTO E PLANO DE MANEJO. A área de exploração extrativa para fins de apuração do ITR será calculada observando-se os índices de rendimentos por produtos fixados pela Secretaria da Receita Federal, admitindo-se que seja considerada a área total objeto de plano de manejo sustentado, desde que aprovado pelo órgão competente e cujo cronograma esteja sendo cumprido pelo contribuinte. VALOR DA TERRA NUA (VTN). ARBITRAMENTO COM BASE NO SISTEMA DE PREÇOS DE TERRAS (SIPT). UTILIZAÇÃO DO VTN MÉDIO DECLARADO. O VTN médio declarado por município extraído do SIPT, obtido com base nos valores informados na DITR, não pode ser utilizado para fins de arbitramento, pois notoriamente não atende ao critério da capacidade potencial da terra, contrariando a legislação que rege a matéria.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para restabelecer o Valor da Terra Nua (VTN) declarado pela Recorrente. Fez sustentação oral, seu advogado, Dr. Pedro Innocenti Isaac, OAB/SP nº. 235.111.
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# Numero do processo: 13709.002949/94-08
Data da sessão: Tue Dec 08 00:00:00 UTC 1998
Numero da decisão: 202-02.009
Decisão: RESOLVEM os Membros da Segunda Câmara do Segundo Conselho de
Contribuintes, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: Marcos Vinicius Neder de Lima
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# Numero do processo: 19515.003447/2004-09
Data da sessão: Mon Aug 30 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ
Ano-calendário: 1999
Ementa:
IRPJ. INCENTIVO FISCAL FINAM. INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DE TRIBUTO.
A falta de confirmação pelo Fisco da opção por incentivos fiscais regionais acarreta a exigência do excesso de tributo destinado a esse título, mormente quando a empresa deixa de apresentar qualquer contestação à rejeição de sua aplicação em incentivos fiscais.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 1202-000.373
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar
provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: Nelson Lósso Filho
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 1999 Ementa: IRPJ. INCENTIVO FISCAL FINAM. INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DE TRIBUTO. A falta de confirmação pelo Fisco da opção por incentivos fiscais regionais acarreta a exigência do excesso de tributo destinado a esse título, mormente quando a empresa deixa de apresentar qualquer contestação à rejeição de sua aplicação em incentivos fiscais. Recurso Voluntário Negado.
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# Numero do processo: 13805.009764/96-71
Data da sessão: Fri Nov 07 00:00:00 UTC 2008
Numero da decisão: 201-00.789
Decisão: RESOLVEM os Membros da PRIMEIRA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por unanimidade de votos, converter o julgamento do
recurso em diligencia. Esteve presente ao julgamento o advogado da recorrente, Dr. Rodrigo Leporace Farret, OAB/DF 13.841.
Matéria: Cofins - ação fiscal (todas)
Nome do relator: Jose Antonio Francisco
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Numero do processo: 36266.003587/2007-10
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 07 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Jun 08 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005
ISENÇÃO DAS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DIREITO ADQUIRIDO.
As entidades que gozavam da isenção da cota patronal previdenciária na vigência da Lei n. 3.577/1959, estavam desobrigadas de requererem esse benefício ao INSS, nos termos do § 1. do art. 55 da Lei n. 8.212/1991. Nestes casos, o Fisco somente pode exigir as contribuições lançadas após a emissão de Ato Cancelatório de Isenção.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2401-001.852
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar
provimento ao recurso.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005 ISENÇÃO DAS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DIREITO ADQUIRIDO. As entidades que gozavam da isenção da cota patronal previdenciária na vigência da Lei n. 3.577/1959, estavam desobrigadas de requererem esse benefício ao INSS, nos termos do § 1. do art. 55 da Lei n. 8.212/1991. Nestes casos, o Fisco somente pode exigir as contribuições lançadas após a emissão de Ato Cancelatório de Isenção. Recurso Voluntário Provido.
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DIREITO ADQUIRIDO. As entidades que gozavam da isenção da cota patronal previdenciária na vigência da Lei n. 3.577/1959, estavam desobrigadas de requererem esse benefício ao INSS, nos termos do § 1. do art. 55 da Lei n. 8.212/1991. Nestes casos, o Fisco somente pode exigir as contribuições lançadas após a emissão de Ato Cancelatório de Isenção. Recurso Voluntário Provido. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. Elias Sampaio Freire Presidente. Marcelo Freitas de Souza Costa Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elias Sampaio Freire; Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira; Kleber Ferreira de Araújo; Cleusa Vieira de Souza, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira e Marcelo Freitas de Souza Costa. Fl. 100DF CARF MF Emitido em 10/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/07/2011 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA Assinado digitalmente em 26/07/2011 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, 03/08/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 Relatório Tratase de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD, lavrada contra o contribuinte acima identificado relativo às contribuições destinadas a Seguridade Social e a terceiros incidentes sobre a remuneração paga ou creditada aos segurados empregados. De acordo com o Relatório Fiscal de fls. 23/25, empresa não recolheu as contribuições correspondentes à parte da empresa, financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho, e as destinadas aos terceiros.. Inconformada com a Decisão de fls. 66 a 69, a empresa apresentou recurso reiterando os argumentos da defesa onde alegou em síntese: a) a recorrente é entidade beneficente de assistência social por meio do processo 250.481/76, consoante pesquisa de histórico realizado perante o Conselho Nacional de Assistência Social; b) Afirma que aderiu ao Programa Universidade para Todos — Prouni, portanto é isenta das contribuições nos termos do § 2°, do artigo 11, da Lei 11.096/2005 e a lei 11.096/95, que trata do Prouni, prescreve que as entidades mantenedoras poderão requerer o restabelecimento do seu certificado "e posteriormente, requerer ao Ministério da Previdência Social as isencões das contribuições ..." ora o pedido de restabelecimento e de renovação foram protocolizados perante o CNAS, o que é correto, e na mencionada lei não exige prazo para que seja requerido ao Ministério da Previdência Social a isenção; c) Salienta que em decisão ao requerimento de adesão ao Prouni, o Conselho Nacional de Assistência Social deferiu a concessão do Certificado de Entidade de Assistência Sócia l; d) que concerne a aplicação do art. 208 do Decreto 3048/99, o mesmo não pode restringir o direito do recorrente, pois, o mesmo já preenche os requisitos do artigo 55 da Lei 8.212, e, aliás, o próprio §1° da mesma Lei já lhe garante o direito adquirido, direito este decorrente da Lei. 3.577/59 e) Requer seja desconstituída a presente notificação, declarando o instituto isento das contribuições lançadas.; É o relatório. Fl. 101DF CARF MF Emitido em 10/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/07/2011 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA Assinado digitalmente em 26/07/2011 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, 03/08/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 36266.003587/200710 Acórdão n.º 240101.852 S2C4T1 Fl. 97 3 Voto Conselheiro Marcelo Freitas de Souza Costa O recurso é tempestivo e estão presentes os pressupostos de admissibilidade. Analisando o recurso apresentado pela recorrente, temos que a questão primordial para ser analisada, consiste em ter ou não a recorrente, direito adquirido à isenção das contribuições lançadas no presente levantamento. Tal benefício encontrase insculpido no art. 195, § 7º da Constituição Federal que assim dispõe: § 7º São isentas de contribuição para a seguridade social as entidades beneficentes de assistência social que atendam às exigências estabelecidas em lei. No presente caso, a lei a que se refere o dispositivo acima transcrito é a Lei 8212/91, especificamente em seu art. 55 cujo texto transcrevemos: Art. 55. Fica isenta das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 desta Lei a entidade beneficente de assistência social que atenda aos seguintes requisitos cumulativamente: I seja reconhecida como de utilidade pública federal e estadual ou do Distrito Federal ou municipal; II seja portadora do Certificado e do Registro de Entidade de Fins Filantrópicos, fornecido pelo Conselho Nacional de Assistência Social, renovado a cada três anos; II seja portadora do Registro e do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social, fornecidos pelo Conselho Nacional de Assistência Social, renovado a cada três anos; III promova a assistência social beneficente, inclusive educacional ou de saúde, a menores, idosos, excepcionais ou pessoas carentes; IV não percebam seus diretores, conselheiros, sócios, instituidores ou benfeitores, remuneração e não usufruam vantagens ou benefícios a qualquer título; V aplique integralmente o eventual resultado operacional na manutenção e desenvolvimento de seus objetivos institucionais apresentando, anualmente ao órgão do INSS competente, relatório circunstanciado de suas atividades. § 1º Ressalvados os direitos adquiridos, a isenção de que trata este artigo será requerida ao Instituto Nacional do Seguro Fl. 102DF CARF MF Emitido em 10/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/07/2011 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA Assinado digitalmente em 26/07/2011 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, 03/08/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 SocialINSS, que terá o prazo de 30 (trinta) dias para despachar o pedido. § 2º A isenção de que trata este artigo não abrange empresa ou entidade que, tendo personalidade jurídica própria, seja mantida por outra que esteja no exercício da isenção. § 3o Para os fins deste artigo, entendese por assistência social beneficente a prestação gratuita de benefícios e serviços a quem dela necessitar. § 4o O Instituto Nacional do Seguro SocialINSS cancelará a isenção se verificado o descumprimento do disposto neste artigo. § 5o Considerase também de assistência social beneficente, para os fins deste artigo, a oferta e a efetiva prestação de serviços de pelo menos sessenta por cento ao Sistema Único de Saúde, nos termos do regulamento. §6oA inexistência de débitos em relação às contribuições sociais é condição necessária ao deferimento e à manutenção da isenção de que trata este artigo, em observância ao disposto no § 3o do art. 195 da Constituição. Temse então que, ressalvados os casos de direito adquirido, as entidades deveriam requerer ao INSS a isenção das contribuições previdenciárias patronais. Desta forma deve ser analisado se a recorrente se enquadra ou não na ressalva acima mencionada. Nos casos em que fique comprovado ser a entidade portadora do Certificado de Entidades de Fins Filantrópicos e havia requerido o título de utilidade pública federal à época da edição do Decreto n. 1.572/1977. Isto porque, referido Decreto, revogou a Lei 3.577 que garantia o direito pátrio a isenção das contribuições previdenciárias para as entidades reconhecidas como de utilidade pública, cujos diretores não recebessem remuneração, trazia em seu art. 1º e §§ 1º e 2º, a seguinte redação: "Art. 1. Fica revogada a Lei n. 3.577, de 4 de julho de 1959, que isenta da contribuição de previdência devida aos Institutos e Caixas de Aposentadoria e Pensões unificados no. Instituto nacional de Previdência Social IAPAS, as entidades de fins filantrópicos reconhecidas de utilidade pública, cujos diretores não percebam remuneração. (grifamos) § 1° A revogação a que se refere este artigo não prejudicará a instituição que tenha sido reconhecida como de utilidade pública pelo Governo Federal até a data da publicação deste DecretoLei, seja portadora de certificado de entidade de fins filantrópicos com validade por prazo indeterminado e esteja isenta daquela contribuição.(grifamos) § 2. A instituição portadora de certificado provisório de entidade de fins filantrópicos que esteja no gozo de isenção referida no "caput" deste artigo e tenha requerido ou venha a requerer, dentro de 90 (noventa) dias a contar do inicio da vigência deste DecretoLei, o seu reconhecimento como Fl. 103DF CARF MF Emitido em 10/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/07/2011 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA Assinado digitalmente em 26/07/2011 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, 03/08/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 36266.003587/200710 Acórdão n.º 240101.852 S2C4T1 Fl. 98 5 de utilidade pública federal continuará gozando de aludida isenção até que o Poder Executivo delibere sobre aquele requerimento. Concluise então que a partir da edição do Decreto Lei n. 1.572/1977 foram vedadas as concessões de novas isenções, ficando, todavia, garantido o direito das entidades ali ressalvados, desde que mantivessem os requisitos legais necessários a fruição do benefício nos termos da legislação revogada. Logo, no presente caso, atendendo a recorrente aos requisitos legais, quais sejam, estar de posse do título de entidade emitido pelo Governo Federal e do certificado de entidade de fins filantrópicos por prazo indeterminado e a constatação de que os diretores da entidade não recebessem remuneração, terá sim em seu favor o direito adquirido. Do que se depreende dos autos, verificase às fls. 35;/40 a empresa havia requerido o título de Utilidade Pública Federal e registro no Conselho Nacional de Serviço Social em 1976 deferido em 1979, bem como Certificado de Entidade de Assistência Social e Certificado de Entidade de Fins Filantrópicos, o que demonstra ser a recorrente possuidora do direito adquirido a que se refere o § 1. do art. 55 da Lei n. 8.212/1991. Logo, para que a entidade pudesse ser notificada pelo inadimplemento das contribuições de responsabilidade da empresa, obrigatoriamente o Fisco teria que emitir ato cancelatório, do qual a empresa teria direito a se contrapor. Assim, a presente lavratura, por não ter observado o prévio cancelamento da isenção, não deve subsistir. É o que se pode ver do disposto na Instrução Normativa – IN n. 03/2005: Art. 305. A SRP verificará se a entidade beneficente de assistência social continua atendendo aos requisitos necessários à manutenção da isenção, previstos no art. 299. § 1º Constatado o nãocumprimento dos requisitos contidos no art. 299, a fiscalização emitirá Informação Fiscal IF, na qual relatará os fatos, as circunstâncias que os envolveram e os fundamentos legais descumpridos, juntando as provas ou indicando onde essas possam ser obtidas. § 2º A entidade será cientificada do inteiro teor da IF e terá o prazo de quinze dias, a contar da data da ciência, para apresentação de defesa, com a produção de provas ou não, que deverá ser protocolizada em qualquer UARP da DRP circunscricionante do seu estabelecimento centralizador. § 3º Decorrido o prazo previsto no § 2º deste artigo, sem manifestação da parte interessada, caberá à chefia do Serviço/Seção de Arrecadação da DRP decidir acerca da emissão do Ato Cancelatório de Isenção AC. § 4º Caso a defesa seja apresentada, o Serviço/Seção de Análise da DRP decidirá acerca da emissão ou não do Ato Cancelatório de Isenção AC. Fl. 104DF CARF MF Emitido em 10/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/07/2011 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA Assinado digitalmente em 26/07/2011 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, 03/08/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 § 5º Sendo a decisão do Serviço/Seção de Análise da DRP favorável à emissão do Ato Cancelatório de Isenção, a chefia do Serviço/Seção de Arrecadação da DRP emitirá o documento, o qual será remetido, juntamente com a decisão que lhe deu origem, à entidade interessada. § 6º A entidade perderá o direito de gozar da isenção das contribuições sociais a partir da data em que deixar de cumprir os requisitos contidos no art. 299, devendo essa data constar do Ato Cancelatório de Isenção. § 7º Cancelada a isenção, a entidade terá o prazo de trinta dias contados da ciência da decisão e do Ato Cancelatório da Isenção para interpor recurso com efeito suspensivo ao CRPS. Concluímos então que, a perda do direito de gozar da isenção somente se dá mediante a emissão do Ato Cancelatório, que deverá indicar inclusive em que data a empresa deixou de cumprir os requisitos legais para manutenção da condição de entidade isenta. Ante ao exposto: VOTO no sentido de CONHECER DO RECURSO, e DARLHE PROVIMENTO. Marcelo Freitas de Souza Costa Fl. 105DF CARF MF Emitido em 10/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/07/2011 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA Assinado digitalmente em 26/07/2011 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, 03/08/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 36266.003587/200710 Acórdão n.º 240101.852 S2C4T1 Fl. 99 7 Fl. 106DF CARF MF Emitido em 10/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/07/2011 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA Assinado digitalmente em 26/07/2011 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, 03/08/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
score : 1.0
Numero do processo: 11686.000020/2008-09
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 01 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Jun 02 00:00:00 UTC 2011
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI
Período de apuração: 01/10/2003 a 31/12/2003
CRÉDITO PRESUMIDO. INSUMOS ADQUIRIDOS DE PESSOAS
FÍSICAS.
Na determinação da base de cálculo do crédito presumido do IPI, admitese
a
inclusão dos valores referentes às aquisições de insumos de fornecedores
pessoas físicas. A questão já foi julgada em Recurso Repetitivo pelo Superior
Tribunal de Justiça (RESP nº 993164).
CRÉDITO PRESUMIDO. AQUISIÇÃO DE INSUMO PARA ENTREGA
FUTURA. CÁLCULO.
Por expressa determinação legal, o valor dos insumos adquiridos para entrega
futura devem compor o cálculo do crédito presumido no IPI no mês do seu
efetivo recebimento pelo estabelecimento industrial.
CRÉDITO PRESUMIDO. INSUMO. REAJUSTE DE PREÇO. CÁLCULO.
O valor do reajuste de preço de insumo deve compor o cálculo do crédito
presumido do IPI quando efetivamente ocorrer, ou seja, no mês do registro da
respectiva nota fiscal.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3302-001.005
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar
provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Vencidos os
conselheiros Alexandre Gomes e Fabiola Cassiano Keramidas, que consideravam os custos de
aquisição para entrega futura na data do registro da operação.
Matéria: IPI- processos NT- créd.presumido ressarc PIS e COFINS
Nome do relator: WALBER JOSE DA SILVA
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ementa_s : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/10/2003 a 31/12/2003 CRÉDITO PRESUMIDO. INSUMOS ADQUIRIDOS DE PESSOAS FÍSICAS. Na determinação da base de cálculo do crédito presumido do IPI, admitese a inclusão dos valores referentes às aquisições de insumos de fornecedores pessoas físicas. A questão já foi julgada em Recurso Repetitivo pelo Superior Tribunal de Justiça (RESP nº 993164). CRÉDITO PRESUMIDO. AQUISIÇÃO DE INSUMO PARA ENTREGA FUTURA. CÁLCULO. Por expressa determinação legal, o valor dos insumos adquiridos para entrega futura devem compor o cálculo do crédito presumido no IPI no mês do seu efetivo recebimento pelo estabelecimento industrial. CRÉDITO PRESUMIDO. INSUMO. REAJUSTE DE PREÇO. CÁLCULO. O valor do reajuste de preço de insumo deve compor o cálculo do crédito presumido do IPI quando efetivamente ocorrer, ou seja, no mês do registro da respectiva nota fiscal. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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INSUMOS ADQUIRIDOS DE PESSOAS FÍSICAS. Na determinação da base de cálculo do crédito presumido do IPI, admitese a inclusão dos valores referentes às aquisições de insumos de fornecedores pessoas físicas. A questão já foi julgada em Recurso Repetitivo pelo Superior Tribunal de Justiça (RESP nº 993164). CRÉDITO PRESUMIDO. AQUISIÇÃO DE INSUMO PARA ENTREGA FUTURA. CÁLCULO. Por expressa determinação legal, o valor dos insumos adquiridos para entrega futura devem compor o cálculo do crédito presumido no IPI no mês do seu efetivo recebimento pelo estabelecimento industrial. CRÉDITO PRESUMIDO. INSUMO. REAJUSTE DE PREÇO. CÁLCULO. O valor do reajuste de preço de insumo deve compor o cálculo do crédito presumido do IPI quando efetivamente ocorrer, ou seja, no mês do registro da respectiva nota fiscal. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Vencidos os conselheiros Alexandre Gomes e Fabiola Cassiano Keramidas, que consideravam os custos de aquisição para entrega futura na data do registro da operação. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 24/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/06/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Assinado digitalmente em 06/06/2011 por WALBER JOSE DA SILVA 2 (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente e Relator. EDITADO EM: 06/06/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Alan Fialho Gandra e Alexandre Gomes. Ausente o conselheiro Gileno Gurjão Barreto. Relatório Trata o presente processo de pedido de ressarcimento de crédito presumido de IPI, previsto na Lei nº 9.363/96, relativo a fatos geradores do quarto trimestre de 2003. Ao pedido de ressarcimento foi vinculado pedidos de compensação. Após a realização das verificações fiscais no estabelecimento da recorrente, a DRF em Porto alegre RS reconheceu parcialmente o direito creditório pleiteado, nos termos do Despacho Decisório nº 203/2008 (fls. 43/44). A autoridade competente glosou as seguintes parcelas da base de cálculo do benefício pleiteado: a) insumos adquiridos de pessoas físicas, não contribuintes da Cofins; b) as notas fiscais de reajuste de preço foram considerados, no cálculo do benefício, na data do seu registro nos livros fiscais da recorrente; a) as aquisições insumos para entrega futura foram consideradas, no cálculo do benefício, na data da efetiva entrega dos insumos. Não se conformando com a decisão acima, a empresa interessada ingressou com manifestação de inconformidade, cujos argumentos estão sintetizados no relatório da decisão recorrida, que leio em sessão. A 3a Turma de Julgamento da DRJ em Porto Alegre RS indeferiu a solicitação da recorrente, nos termos do Acórdão no 1017.405, de 09/10/2008, cuja ementa abaixo transcrevo: Crédito Presumido de IPI As compras de produtos, de pessoas físicas, não se incluem no cálculo do beneficio, porque não sofrem a incidência do PIS e da COFINS. As notas fiscais de reajuste de preços são consideradas, para fins: de cálculo do , crédito presumido: no período de apuração em que tais documentos ingressam no estabelecimento do produtorexportador. Os valores dos produtos adquiridos para entrega futura integram a base de cálculo do crédito presumido do período de Fl. 2DF CARF MF Emitido em 24/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/06/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Assinado digitalmente em 06/06/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 11686.000020/200809 Acórdão n.º 330201.005 S3C3T2 Fl. 100 3 apuração da efetiva entrada desses produtos no estabelecimento do produtorexportador. Desta decisão a empresa interessada tomou ciência no dia 10/11/2008, conforme AR de fl. 81, e, no dia 04/12/2008, ingressou com o recurso voluntário de fls. 82/95, onde reprisa os argumentos da manifestação de inconformidade de que: 1 tem direito ao crédito nas aquisições de pessoas físicas porque a Lei nº 9.363/96 se refere ao valor total das aquisições, sem fazer referência à incidência ou não da Cofins. Cita jurisprudência administrativa e judicial; 2 os reajustes de preço não são novas aquisições. São mera complementação da nota fiscal de entrada de mercadoria e, por isto mesmo, deve seu valor integra o valor de venda do insumo pelo fornecedor e do custo de aquisição pela recorrente e, nos termos do art. 3º da lei 9.363/96 c/c art. Da IN SRF nº 313/03, considerase o somatório dos custos de aquisição no cálculo do benefício na data da efetiva entrada dos insumos do estabelecimento da recorrente; 3 nas aquisições para entrega futura devese considerar, no cálculo do benefício, não a data da efetiva entrada do insumo, mas a data de aquisição, ou seja, da escrituração da respectiva nota fiscal, nos termos do disposto no § 1º, do art. 11, da IN SRF nº 313/03. Na forma regimental, o processo foi a mim distribuído. Voto Conselheiro Walber José da Silva, relator. O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos legais. Dele conheço. A empresa recorrente está pleiteando que no cálculo do crédito presumido do IPI (Lei nº 9.363/96) seja incluído: (i) o valor do reajuste de preço na data da entrada do insumo; (ii) o valor da compra para entrega futura na data do registro da nota fiscal de aquisição; (iii) e o valor das aquisições de insumos junto a pessoas físicas. A decisão recorrida, por seu turno, entende que no cálculo do crédito presumido do IPI (Lei nº 9.363/96) seja incluído: (i) o valor do reajuste de preço na data do registro na nota fiscal de reajuste de preço; (ii) o valor da compra para entrega futura na data da efetiva entrada do insumo. Também entende que o valor das aquisições de pessoas físicas não devem entrar no cálculo do benefício. A questão relativa à inclusão, no cálculo do crédito presumido do IPI, das aquisições de insumos feitas junto à pessoas físicas já foi pacificada pelo STJ ao julgar o RESP nº 993164, pela sistemática do recurso repetitivo (art. 543C do CPC), decidindo que o crédito presumido de IPI, instituído pela Lei 9.363/96, não pode ter sua aplicação restringida por força da Instrução Normativa SRF nº 23/97. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 24/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/06/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Assinado digitalmente em 06/06/2011 por WALBER JOSE DA SILVA 4 Concluiu o STJ pela "ilegalidade" da referida instrução normativa por ter extrapolado os limites impostos pela Lei 9.363/96, ao excluir, da base de cálculo do benefício do crédito presumido do IPI, as aquisições (relativamente aos produtos oriundos de atividade rural) de matériaprima e de insumos de fornecedores não sujeito à tributação pelo PIS/PASEP e pela COFINS. Considerando que as decisões proferidas pelo STJ em recursos repetitivos são de aplicação obrigatória por este Colegiado (art. 62A do RICARF), deve ser reconhecido o direito de a recorrente incluir o valor das aquisições de pessoas físicas no cálculo do crédito presumido do IPI. Quanto ao momento em que as aquisições para entrega futura devem ser incluídas na base de cálculo do crédito presumido do IPI, não há como negar vigência ao que dispõe expressamente o art. 13 da IN SRF nº 313/2003, reproduzido na decisão recorrida. Se inexistisse esta previsão legal, teria razão a recorrente. Portanto, ao contrário do que argumenta a recorrente, há previsão legal no sentido de que o momento da inclusão, no cálculo do crédito presumido do IPI, do valor do insumo adquirido para entrega futura é o da entrada efetiva do mesmo no estabelecimento e não o do registro na escrita fiscal da respectiva nota fiscal de aquisição para entrega futura. Por último, a recorrente defende que os reajustes de preço de insumos devem compor o cálculo do crédito presumido não no mês do registro da nota fiscal, mas no mês da efetiva entrada dos insumos. Sobre este tema, defendo que no cálculo do crédito presumido do IPI o valor dos custos de aquisição dos insumos deve ser considerado, salvo expressa determinação legal em contrário, na data do registro da nata fiscal, que pode ou não coincidir com a entrada do insumo no estabelecimento. Este entendimento não fere o disposto no art. 3º da Lei nº 9.363/96 ou da IN SRF nº 313/03 porque todo o custo de aquisição foi considerado pela autoridade da RFB. Estes dispositivos legais não legitimam o procedimento adotado pela recorrente, como defende em seu recurso. Se o custo de aquisição ainda não é conhecido em um determinado mês, não pode ser nele incluído para fins de cálculo do crédito presumido do IPI. Se o seu reconhecimento ocorre em mês posterior à entrada do insumo, só nesse mês pode ser considerado no cálculo do benefício pleiteado, não havendo previsão legal para retroagir à data da entrada do insumo a que se refere. Isto posto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário para incluir no cálculo do crédito presumido do IPI o valor dos insumos (MP, PI, ME) adquiridos de pessoa física. (assinado digitalmente) Walber José da Silva Fl. 4DF CARF MF Emitido em 24/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/06/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Assinado digitalmente em 06/06/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 11686.000020/200809 Acórdão n.º 330201.005 S3C3T2 Fl. 101 5 Fl. 5DF CARF MF Emitido em 24/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/06/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Assinado digitalmente em 06/06/2011 por WALBER JOSE DA SILVA
score : 1.0
Numero do processo: 15956.000093/2008-16
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 28 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Jul 28 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Ano-calendário: 2004, 2005
IRPF. GLOSA DE DESPESAS MÉDICAS. DEDUÇÕES. COMPROVAÇÃO.
A glosa de dedução de despesas devidamente respaldadas em recibos que revestidos das formalidades legais, com nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF do profissional prestador de serviço, somente pode ser mantida quando restarem motivadas as razões da autoridade administrativa, sob pena de nulidade do ato por arbitrariedade.
Numero da decisão: 2102-001.415
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, DAR provimento ao recurso, vencida a Conselheira Núbia Matos Moura que negava provimento.
Matéria: IRPF- ação fiscal - outros assuntos (ex.: glosas diversas)
Nome do relator: CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Ano-calendário: 2004, 2005 IRPF. GLOSA DE DESPESAS MÉDICAS. DEDUÇÕES. COMPROVAÇÃO. A glosa de dedução de despesas devidamente respaldadas em recibos que revestidos das formalidades legais, com nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF do profissional prestador de serviço, somente pode ser mantida quando restarem motivadas as razões da autoridade administrativa, sob pena de nulidade do ato por arbitrariedade.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1552; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2‐C1T2 Fl. 143 1 142 S2C1T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15956.000093/200816 Recurso nº 514.207 Voluntário Acórdão nº 2102001.415 – 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 28 de julho de 2011 Matéria IRPF DEDUÇÃO INDEVIDA DE DESPESAS MÉDICAS Recorrente MARIA ÂNGELA DA SILVA SORDI MARCHI Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2004, 2005 IRPF. GLOSA DE DESPESAS MÉDICAS. DEDUÇÕES. COMPROVAÇÃO. A glosa de dedução de despesas devidamente respaldadas em recibos que revestidos das formalidades legais, com nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF do profissional prestador de serviço, somente pode ser mantida quando restarem motivadas as razões da autoridade administrativa, sob pena de nulidade do ato por arbitrariedade. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, DAR provimento ao recurso, vencida a Conselheira Núbia Matos Moura que negava provimento. ASSINADO DIGITALMENTE GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Presidente. ASSINADO DIGITALMENTE CARLOS ANDRÉ RODRIGUES PEREIRA LIMA Relator. EDITADO EM: 18/09/2011 Fl. 1DF CARF MF Emitido em 06/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/09/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA, Assinado digitalmente em 18/09/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA, Assinado digitalmente em 19/09/2011 por GIOVANNI CHRI STIAN NUNES CAMPO Processo nº 15956.000093/200816 Acórdão n.º 2102001.415 S2‐C1T2 Fl. 144 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Giovanni Christian Nunes Campos, Roberta Pereira Rodrigues Domene, Núbia Matos Moura, Rubens Maurício Carvalho, Atilio Pitarelli e Carlos André Rodrigues Pereira Lima Relatório Cuidase de recurso voluntário de fls. 109 a 131, interposto contra decisão da DRJ em São Paulo/SP, de fls. 99 a 106, que julgou procedente o lançamento do IRPF de fls. 01 a 06, relativo aos anoscalendário 2004 e 2005, lavrado em 13/03/2008, com ciência da RECORRENTE em 18/03/2008 (fl. 48). O crédito tributário objeto do presente processo administrativo foi apurado no valor de R$ 15.829,18, já inclusos juros de mora (até o mês da lavratura) e multa de ofício de 75%. De acordo com a descrição dos fatos e enquadramento legal de fls. 02 e 03, o presente lançamento teve origem na glosa de deduções relativas a despesas médicas, nos seguintes termos: “001 DEDUÇÃO DA BASE DE CÁLCULO PLEITEADA INDEVIDAMENTE (AJUSTE ANUAL) DEDUÇÃO INDEVIDA DE DESPESAS MÉDICAS Redução indevida da Base de Cálculo com despesas médicas, pleiteadas indevidamente, conforme abaixo: I DECLARAÇÃO DE AJUSTE DO EXERCÍCIO DE 2005 ANOCALENDÁRIO DE 2004: 1 Marcio Ophir Carlomagno CPF N. 862.838.71887 a valor de R$ 4.200,00 valor glosado por falta de comprovação do efetivo pagamento e da efetiva prestação do serviço; 2 Leila Marcolini CPF N. 259.648.30846 valor de R$ 4.060,00 valor glosado por falta de comprovação do efetivo pagamento e da efetiva prestação do serviço; 3 Rodrigo Maldonado CPF N. 258.188.44870 valor de R$ 8.000,00 valor glosado por falta de comprovação do efetivo pagamento e da efetiva prestação do serviço; II DECLARAÇÃO DE AJUSTE DO EXERCÍCIO DE 2006 ANOCALENDÁRIO DE 2005: 1 Marcio Ophir Carlomagno CPF N. 862.838.71887 valor de R$ 5.680,00 valor glosado por falta de comprovação do efetivo pagamento e da efetiva prestação do serviço; 2 Liana Helena C Maggian CPF N. 294.077.39805 valor de R$ 5.040,00 valor glosado por falta de comprovação do efetivo pagamento e da efetiva prestação do serviço; Fl. 2DF CARF MF Emitido em 06/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/09/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA, Assinado digitalmente em 18/09/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA, Assinado digitalmente em 19/09/2011 por GIOVANNI CHRI STIAN NUNES CAMPO Processo nº 15956.000093/200816 Acórdão n.º 2102001.415 S2‐C1T2 Fl. 145 3 3 Péricles Machado & CIA S/C CNPJ. 04.349.987/000105 valor de R$ 823,00 valor glosado por falta de comprovação do efetivo pagamento e da efetiva prestação do serviço. OBS. Conforme reiterados acórdãos do 1° Conselho de Contribuintes, para se gozar do abatimento pleiteado com base em despesas médicas, não basta a disponibilidade de um simples recibo, sem vinculação do efetivo pagamento. A prova irrefutável da efetividade dos pagamentos seria possível mediante a apresentação de cópias de cheques ou extratos bancários, nos quais constatasse os saques efetuados, coincidentes em datas e valores com os recibos apresentados. Se a comprovação é possível e o contribuinte não a faz, porque não pode ou porque não quer, é lícito concluir que tais operações não ocorreram de fato. Assim, como o contribuinte não apresentou comprovação inequívoca dos pagamentos correspondentes aos serviços prestados, é de se glosar o montante consignado como dedução a titulo de despesas médicas. Fato Gerador Valor Tributável ou Imposto Multa (%) 31/12/2004 31/12/2005 R$ 16.260,00 R$ 11.543,00 75,00 75,00 Enquadramento legal: Art. 11, § 3º do DecretoLei nº 5.844/43; Arts. 73 e 80 do RIR/99.” De acordo com o Relatório Fiscal de fls. 46 e 47, em resposta ao Termo de Intimação Fiscal de fls. 19 e 20, a RECORRENTE enviou a carta de fls. 22 a 45, oportunidade em que apresentou a documentação solicitada pela autoridade fiscal. Contudo, no tocante às despesas médicas, afirmou estaria impossibilitada de comprovar, por outros meios que não pelos recibos entregues (fls. 27 a 34 e fls. 37 a 43), o efetivo pagamento das despesas, por ter pago em moeda corrente, de numerário guardado consigo. Assim, a autoridade fiscal relatou o seguinte: “(...) 7 Analisando a documentação apresentada, concluímos que a prova irrefutável da efetividade dos pagamentos seria possível mediante a apresentação de cópias de cheques ou extratos bancários, nos quais constatasse os saques efetuados, coincidentes em datas e valores com os recibos apresentados. Se a comprovação é possível e a contribuinte não a faz, porque não pode ou porque não quer, é licito concluir que tais operações não ocorreram de fato. Assim, como a contribuinte não Fl. 3DF CARF MF Emitido em 06/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/09/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA, Assinado digitalmente em 18/09/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA, Assinado digitalmente em 19/09/2011 por GIOVANNI CHRI STIAN NUNES CAMPO Processo nº 15956.000093/200816 Acórdão n.º 2102001.415 S2‐C1T2 Fl. 146 4 apresentou a comprovação inequívoca dos pagamentos correspondentes aos serviços prestados, e também, não comprovou a efetiva prestação dos serviços, nem a efetiva utilização dos serviços profissionais etc., conforme solicitado nas letras A a E dos itens 4 e 9 do referido Termo de Intimação, é de se glosar o montante não comprovado de dedução a titulo de despesas médicas e, assim, lavramos o presente AUTO DE INFRAÇÃO. (...)” As declarações de ajuste anual da RECORRENTE, referentes aos anos calendário 2004 e 2005, foram acostadas às fls. 07/10 e 13/14, respectivamente. Em razão das glosas efetuadas pela fiscalização, foi apurado imposto de renda no valor de R$ 7.645,83, que se sujeita à multa de ofício e aos juros de mora, conforme demonstrativo de cálculo de fls. 04 a 06. DA IMPUGNAÇÃO Em 04/04/2008 (fl. 49), a RECORRENTE apresentou, tempestivamente, a impugnação de fls. 50 a 72. Em suas razões, demonstrou a inconformidade com as glosas efetuadas pela fiscalização, as quais classificou de arbitrárias e ilegais, pois entendeu que todas as despesas médicas estariam comprovadas pelos recibos apresentados durante a ação fiscal. Anexou aos autos, novamente, os recibos das despesas, bem como declarações prestadas pelos profissionais médicos atestando a realização dos tratamentos (fls. 73 a 85, referente ao anocalendário 2004, e fls. 86 a 97, referente ao anocalendário 2005). Alegou ainda que: “(...) E mais, a Declaração de Rendimentos do impugnante comprova que o mesmo tinha saldo para efetuar pagamento em dinheiro, o que efetivamente ocorreu, demonstrando o absurdo cometido pela fiscalização. De outra banda; o inciso III, do § 1º, do art. 80, do Regulamento do Imposto de Renda, ao tratar da dedução na declaração de rendimentos, das despesas médicas, é de clareza meridiana, ao assentar a possibilidade de tal procedimento, observando que: limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica CNPJ de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; Fl. 4DF CARF MF Emitido em 06/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/09/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA, Assinado digitalmente em 18/09/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA, Assinado digitalmente em 19/09/2011 por GIOVANNI CHRI STIAN NUNES CAMPO Processo nº 15956.000093/200816 Acórdão n.º 2102001.415 S2‐C1T2 Fl. 147 5 No presente caso, a Impugnante está apresentando os comprovantes que demonstram, claramente, as despesas médicas e odontológicas efetuadas. Tudo foi realizado em total conformidade com os requisitos exigidos pelo Regulamento do Imposto de Renda, em seu art. 80. (...) Todos os recibos cumprem os requisito estampados no RIR. Tratase de fato inegável. Deste modo, somente caberia a exigência de cheque para a comprovação das despesas médicas, no caso de não ser possível a prova, por documento, que preencha os requisitos estabelecidos no art. 80. O inciso III, § 1º, do art. 80, do RIR é claro: ‘... na falta de documentação’. Em tais condições, é possível, verificar que simplesmente, presumiuse a inidoneidade dos documentos apresentados, sem qualquer prova em contrário. (...)” Como forma de sustentar sua tese, citou diversos entendimentos doutrinários, bem como jurisprudências do antigo Conselho de Contribuintes. Ademais, demonstrou inconformidade com a aplicação dos juros calculados pela taxa SELIC, tendo em vista o caráter remuneratório desta. Por fim, afirmou que a multa de ofício aplicada seria confiscatória. Assim, requereu fosse julgado improcedente o lançamento. DA DECISÃO DA DRJ A DRJ, às fls. 99 a 106 dos autos, julgou procedente o lançamento do imposto, através de acórdão com a seguinte ementa: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2004, 2005 GLOSA DE DEDUÇÕES COM DESPESAS MÉDICAS. O direito às deduções de despesas médicas mediante recibos, quando exageradas, condicionase à comprovação da efetividade dos serviços prestados, bem como dos correspondentes pagamentos a juízo da autoridade lançadora. Art. 73 do RIR/99. JUROS SELIC. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 06/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/09/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA, Assinado digitalmente em 18/09/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA, Assinado digitalmente em 19/09/2011 por GIOVANNI CHRI STIAN NUNES CAMPO Processo nº 15956.000093/200816 Acórdão n.º 2102001.415 S2‐C1T2 Fl. 148 6 Os juros calculados pela Taxa Selic são aplicáveis aos créditos tributários não pagos no prazo de vencimento consoante previsão do § 1º do artigo 161 do CTN, artigo 13 da Lei n.° 9.065/95 e artigo 61 da Lei n.° 9.430/96 e Súmula n° 4 do 1° Conselho de Contribuintes. MULTA DE OFÍCIO E VEDAÇÃO AO CONFISCO. No lançamento de oficio a multa a ser aplicada é de 75% conforme estabelece a legislação. Uma vez positivada a norma, é dever da autoridade administrativa aplicála, não lhe competindo o exame da constitucionalidade das Leis, nem deixar de aplicálas, salvo se já houver decisão do Supremo Tribunal Federal neste sentido. Art. 44, I da Lei 9.430/96. Lançamento Procedente” Nas razões do voto do referido julgamento, a autoridade julgadora rebateu, uma a uma, as alegações da RECORRENTE, e findou por julgar procedente o lançamento de imposto de renda consubstanciado no auto de infração. DO RECURSO VOLUNTÁRIO A RECORRENTE, devidamente intimada da decisão em 10/06/2009, conforme AR de fl. 108v. dos autos, apresentou recurso voluntário de fls. 109 a 131 em 23/06/2009 (fl. 132), através de procurador constituído às fls. 25 e 26. Em suas razões de apelo, reitera os argumentos da impugnação. Este recurso voluntário compôs lote sorteado para este relator, em Sessão Pública. É o relatório. Voto Conselheiro Carlos André Rodrigues Pereira Lima O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos legais, razões por que dele conheço. Ao comparar as declarações de ajuste do RECORRENTE (fls. 112 a 120) com os recibos de despesas médicas de fls. 37 a 111, a autoridade fiscal efetuou a glosa das seguintes despesas médicas: Fl. 6DF CARF MF Emitido em 06/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/09/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA, Assinado digitalmente em 18/09/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA, Assinado digitalmente em 19/09/2011 por GIOVANNI CHRI STIAN NUNES CAMPO Processo nº 15956.000093/200816 Acórdão n.º 2102001.415 S2‐C1T2 Fl. 149 7 1) anocalendário 2004: R$ 4.200,00 pagos ao profissional Márcio Ophir Carlomagno; R$ 4.060,00 pagos à profissional Leila Marcolini; e R$ 8.000,00 pagos ao profissional Rodrigo Maldonado. 2) anocalendário 2005: R$ 5.680,00 pagos ao profissional Márcio Ophir Carlomagno; R$ 5.040,00 pagos à profissional Liana Helena C. Maggian; e R$ 823,00 pagos à Péricles Machado & CIA S/C. No que tange às despesas acima citadas, entendo que deve ser reformado o lançamento, pelas razões adiante expostas. O Decreto nº 3.000/1999 (Regulamento do Imposto de Renda – RIR/1999), em seu art. 73, estabelece que todas as deduções estão sujeitas à comprovação de sua realização, nos seguintes termos: "Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora. § 1° Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte. § 2° As deduções glosadas por falta de comprovação ou justificação não poderão ser restabelecidas depois que o ato se tomar irrecorrível na esfera administrativa. § 3º Na hipótese de rendimentos recebidos em moeda estrangeira, as deduções cabíveis serão convertidas para Reais, mediante a utilização do valor do dólar dos Estados Unidos da América fixado para venda pelo Banco Central do Brasil para o último dia útil da primeira quinzena do mês anterior ao do pagamento do rendimento." Em seu art. 80, o RIR/1999 determina, ainda, o seguinte: "Art. 80. Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias. § 1° O disposto neste artigo: (...) Fl. 7DF CARF MF Emitido em 06/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/09/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA, Assinado digitalmente em 18/09/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA, Assinado digitalmente em 19/09/2011 por GIOVANNI CHRI STIAN NUNES CAMPO Processo nº 15956.000093/200816 Acórdão n.º 2102001.415 S2‐C1T2 Fl. 150 8 II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica CNPJ de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento." No caso dos autos, os recibos emitidos pelos profissionais médicos foram rejeitados, pois, sob os olhos da fiscalização, a RECORRENTE não apresentou comprovação inequívoca dos pagamentos correspondentes aos serviços prestados, como, por exemplo, cópias de cheques ou extratos bancários, com lançamentos coincidentes em valor e data com os recibos. Posteriormente, a RECORRENTE novamente juntou aos autos os recibos das despesas médicas, bem como declarações prestadas pelos profissionais, onde os mesmos atestam a efetividade dos serviços médicos/odontológicos prestados (fls. 73 a 97). Feitos os esclarecimentos acima, passo a analisar o caso em tela. Em oposição ao alegado pela autoridade julgadora de primeira instância, entendo que os recibos emitidos pelos profissionais médicos (assim como as notas fiscais de fls. 96 e 97), aliados às declarações expedidas pelos mesmos profissionais, devem sim ser aceitos como comprovação de despesas médicas. Para efetuar a glosa de deduções, a autoridade fiscal deve motivar o seu ato, expondo as razões para efetivação. Contudo, tal ato (glosa de deduções) deve obedecer aos limites fixados em lei, sob pena de o ato administrativo tornarse arbitrário e, portanto, ilegal. Sobre a discricionariedade do ato administrativo, transcrevo abaixo as lições de Celso Antônio Bandeira de Mello: “89. A situação é bastante diversa quando a lei deixa ao Poder Público certa margem de discricionariedade por ocasião da prática do ato. Assim, considerese o caso da autorização do porte de arma. Se o particular o solicita, a Administração deferirá ou não, posto que a lei não constrange à prática do ato, dado que faculta ao Poder Público examinar no caso se convém ou não atender ao pretendido pelo interessado.(...) 90. Em suma: discricionariedade é liberdade dentro da lei, nos limites da norma legal, e pode ser definida como: ‘ margem de liberdade conferida pela lei ao administrador a fim de que este cumpra o dever de integrar com sua vontade ou juízo a norma jurídica, diante do caso concreto, segundo critérios subjetivos próprios, a fim de dar satisfação aos objetivos consagrados no sistema legal’. 91. Não se confundem discricionariedade e arbitrariedade. Ao agir arbitrariamente o agente estará agredindo a ordem Fl. 8DF CARF MF Emitido em 06/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/09/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA, Assinado digitalmente em 18/09/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA, Assinado digitalmente em 19/09/2011 por GIOVANNI CHRI STIAN NUNES CAMPO Processo nº 15956.000093/200816 Acórdão n.º 2102001.415 S2‐C1T2 Fl. 151 9 jurídica, pois terá se comportado fora do que lhe permite a lei. Seu ato, em conseqüência, é ilícito e por isso mesmo corrigível judicialmente. (...) 98. Assim, a discricionariedade existe, por definição, única e tãosomente para proporcionar em cada caso a escolha da providencia ótima, isto é, daquela que realize superiormente o interesse público almejado pela lei aplicanda. Não se trata, portanto, de uma liberdade para a Administração decidir a seu talante, mas para decidirse do modo que torne possível o alcance perfeito do desiderato normativo. (...)” (BANDEIRA DE MELLO, Celso Antônio. Curso de Direito Administrativo. 22ª ed. rev. São Paulo: Malheiros, 2007. p.413 a 418). Conforme preceitua o art. 73 do RIR/99, as deduções pleiteadas em declaração de ajuste anual estão sujeitas à comprovação do contribuinte. Quando intimado pela fiscalização, a RECORRENTE apresentou os recibos de fls. 27 a 43. Posteriormente, quando da apresentação de sua impugnação, a RECORRENTE juntou novamente aos autos os mesmos recibos médicos, bem como as declarações prestadas pelos profissionais (fl. 74; fls. 76 e 77; fl.79; fl. 87; fls. 92 e 93; e fl. 95). Assim, entendo que os recibos em conjunto com as declarações comprovam a efetividade das despesas de serviços médicos/odontológicos e de fisioterapia. Assim, agiu em conformidade com o que determina o art. 73 do Decreto nº 3.000/99, não podendo a autoridade lançadora simplesmente efetuar a glosa de tais despesas sem motivar legalmente o seu ato. No caso, não há que se falar em deduções exageradas ou em valores exorbitantes (art. 73, § 1º, do Decreto nº 3.000/99), tendo em vista que a RECORRENTE possuía, nos anoscalendário 2004 e 2005, rendimento líquido de R$ 56.118,08 e R$ 54.240,46, respectivamente (vide fls. 35 e 36 e fls. 44 e 45). Assim, a renda da RECORRENTE era suficiente para arcar com as despesas médicas de R$ 16.260,00 e R$ 11.543,00 nos anos calendário 2004 e 2005, respectivamente. Desta forma, o pedido de dedução de tais despesas médicas, formulado pela RECORRENTE, deve ser acatado, tendo em vista que os recibos apresentados aliados às declarações prestadas pelos profissionais médicos são perfeitamente aptos a comprovar a efetividade do dispêndio com serviços médicos. Sobre o tema, importante transcrever ementa de acórdão proferido pela antigo Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, verbis: “GLOSA DE DEDUÇÃO DE DESPESAS — FALTA DE FUNDAMENTAÇÃO. A glosa de dedução de despesas, após a justificativa apresentada pelo contribuinte, deve ser seguida de rigorosa fundamentação que demonstre a inaplicabilidade do art. 242 do RIR/94 às despesas incorridas. A simples alegação, sem contra demonstração fundamentada, por parte da autoridade Fl. 9DF CARF MF Emitido em 06/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/09/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA, Assinado digitalmente em 18/09/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA, Assinado digitalmente em 19/09/2011 por GIOVANNI CHRI STIAN NUNES CAMPO Processo nº 15956.000093/200816 Acórdão n.º 2102001.415 S2‐C1T2 Fl. 152 10 administrativa, atinge o princípio da motivação dos atos administrativos. (recurso voluntário nº 133791; 7ª Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes; julgamento em 16/04/2003)” Portanto, deve ser reformado o lançamento no que diz respeito à glosa dos valores de R$ 16.260,00 e R$ 11.543,00 a título de despesas médicas, durante os anos calendário 2004 e 2005, respectivamente. Assim, o presente lançamento de imposto de renda deve ser cancelado, restando prejudicadas a defesa acerca da multa de ofício dos juros de mora aplicados ao lançamento. Isto posto, voto no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário para cancelar o lançamento de imposto de renda e, consequentemente, da multa de ofício e dos juros moratórios. ASSINADO DIGITALMENTE Carlos André Rodrigues Pereira Lima Relator Fl. 10DF CARF MF Emitido em 06/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/09/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA, Assinado digitalmente em 18/09/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA, Assinado digitalmente em 19/09/2011 por GIOVANNI CHRI STIAN NUNES CAMPO
score : 1.0
Numero do processo: 17460.000182/2007-89
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 07 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Jun 07 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/06/2000 a 30/09/2006.
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PRAZO DECADENCIAL.
CINCO ANOS. ART. 173, I DO CTN.
O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento exarado na Súmula
Vinculante nº 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008,
reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei nº 8.212/91. Incidência
do preceito inscrito no art. 173, I do CTN.
Encontrase
atingida pela fluência do prazo decadencial parte dos fatos
geradores apurados pela fiscalização.
NOTIFICAÇÃO FISCAL. CONTRADITA AOS TERMOS DO
LANÇAMENTO. MOMENTO PRÓPRIO NA IMPUGNAÇÃO.
A legislação tributária que rege o Processo Administrativo Fiscal aponta que
o foro apropriado para a contradita aos termos do lançamento concentrase
na
fase processual da impugnação, cujo oferecimento instaura a fase litigiosa do
procedimento.
GRUPO ECONÔMICO DE FATO. GRUPO COMPOSTO POR
COORDENAÇÃO. RSPONSABILIDADE SOLIDÁRIA.
Caracterizase
grupo econômico quando duas ou mais empresas estão sob a
direção, o controle ou a administração de outra, compondo grupo industrial,
comercial ou de qualquer outra atividade econômica.
Empresas que, embora tenham situação jurídica distinta, são dirigidas de fato
pelas mesmas pessoas, exercem suas atividades no mesmo endereço e uma
delas presta serviços somente à outra, formam um grupo econômico
denominado “grupo composto por coordenação”, sendo solidariamente
responsáveis pelas contribuições previdenciárias de qualquer uma delas.
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. CERCEAMENTO DE DEFESA.
RELATÓRIO FISCAL, INEXISTÊNCIA.
Não incorre em cerceamento do direito de defesa o lançamento tributário
cujos relatórios típicos, incluindo o Relatório Fiscal e seus anexos,
descreverem de forma clara, discriminada e detalhada a natureza e origem de
todos os fatos geradores lançados, suas bases de cálculo, alíquotas aplicadas,
montantes devidos, as deduções e créditos considerados em favor do
contribuinte, assim como, os fundamentos legais que lhe dão amparo jurídico,
permitindo dessarte a perfeita identificação dos tributos lançados na
notificação fiscal.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2302-001.098
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conceder
provimento parcial quanto à preliminar de decadência, nos termos do voto do relator. O Conselheiro Manoel Coelho Arruda Junior divergiu, pois entendeu que se aplicava o artigo 150, §4° do CTN. Quanto à parcela não decadente, não houve divergência.
Nome do relator: Arlindo da Costa e Silva
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CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PRAZO DECADENCIAL. CINCO ANOS. ART. 173, I DO CTN. O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento exarado na Súmula Vinculante nº 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei nº 8.212/91. Incidência do preceito inscrito no art. 173, I do CTN. Encontrase atingida pela fluência do prazo decadencial parte dos fatos geradores apurados pela fiscalização. NOTIFICAÇÃO FISCAL. CONTRADITA AOS TERMOS DO LANÇAMENTO. MOMENTO PRÓPRIO NA IMPUGNAÇÃO. A legislação tributária que rege o Processo Administrativo Fiscal aponta que o foro apropriado para a contradita aos termos do lançamento concentrase na fase processual da impugnação, cujo oferecimento instaura a fase litigiosa do procedimento. GRUPO ECONÔMICO DE FATO. GRUPO COMPOSTO POR COORDENAÇÃO. RSPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. Caracterizase grupo econômico quando duas ou mais empresas estão sob a direção, o controle ou a administração de outra, compondo grupo industrial, comercial ou de qualquer outra atividade econômica. Empresas que, embora tenham situação jurídica distinta, são dirigidas de fato pelas mesmas pessoas, exercem suas atividades no mesmo endereço e uma delas presta serviços somente à outra, formam um grupo econômico Fl. 1DF CARF MF Emitido em 13/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/06/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 13/06/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 16/06/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 2 denominado “grupo composto por coordenação”, sendo solidariamente responsáveis pelas contribuições previdenciárias de qualquer uma delas. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. CERCEAMENTO DE DEFESA. RELATÓRIO FISCAL, INEXISTÊNCIA. Não incorre em cerceamento do direito de defesa o lançamento tributário cujos relatórios típicos, incluindo o Relatório Fiscal e seus anexos, descreverem de forma clara, discriminada e detalhada a natureza e origem de todos os fatos geradores lançados, suas bases de cálculo, alíquotas aplicadas, montantes devidos, as deduções e créditos considerados em favor do contribuinte, assim como, os fundamentos legais que lhe dão amparo jurídico, permitindo dessarte a perfeita identificação dos tributos lançados na notificação fiscal. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conceder provimento parcial quanto à preliminar de decadência, nos termos do voto do relator. O Conselheiro Manoel Coelho Arruda Junior divergiu, pois entendeu que se aplicava o artigo 150, §4° do CTN. Quanto à parcela não decadente, não houve divergência. Marco André Ramos Vieira Presidente. Arlindo da Costa e Silva Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco André Ramos Vieira (Presidente de Turma), Manoel Coelho Arruda Junior (Vicepresidente de turma), Liége Lacroix Thomasi, Adriana Sato e Arlindo da Costa e Silva. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 13/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/06/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 13/06/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 16/06/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 17460.000182/200789 Acórdão n.º 2302001.098 S2C3T2 Fl. 840 3 Relatório Período de apuração: 01/06/2000 a 30/09/2006. Data da lavratura da NFLD: 21/12/2006. Data da Ciência do NFLD : 22/12/2006. Tratase de crédito tributário lançado em desfavor da empresa em epígrafe, consistente em contribuições previdenciárias destinadas ao custeio da Seguridade Social, ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho e a outras entidades e fundos, incidentes sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas, no decorrer do mês, a segurados empregados e segurados contribuintes individuais , conforme descrito no Relatório Fiscal a fls.161/180. Informa a Autoridade Lançadora que os levantamentos foram separados por período ou por tipo, conforme demonstrado a seguir: a) FPA Folha de Pagamento AGROPECUÁRIA — Remuneração de salário de empregados no período de atividade agropecuária (até 21/02/2001), informada em GFIP; b) FPG Folha de Pagamento IND. FRIGORIFICA — remuneração de salário dos empregados a partir de 03/2001, inclusive os administrativos, informados em GFIP; c) REF Remuneração extra folha de pagamento, apurada nos registros contábeis e não informada em GFIP. A fiscalização verificou a existência de grupo econômico de fato, integrado pelas empresas Santa Marina Aumentos Ltda , CNPJ 71.680.201/000125; Agropastoril Estevam Ltda. CNPJ 64.611.213/000132; Jema Participações Ltda. CNPJ 03.417.700/0001 74; Parteco Adm. e Participações Ltda. CNPJ 59.493.213/000145 e M.B.E. Comercio E Repres.Carnes Ltda. CNPJ 00.001.516/000150. Irresignado, o Notificado ofereceu impugnação a fls. 540/545. A empresa Jema Participações Ltda, CNPJ 03.417.700/000174, ofereceu impugnação a fls. 559/574, a Agropastoril Estevam Ltda, CNPJ 64.611.213/000132, manifestou sua inconformidade a fls. 590/605, enquanto que a M.B.E. Comercio e Repres. Carnes Ltda, CNPJ 00.001.516/000150, pronunciouse a fls. 621/634. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto/SP lavrou Decisão Administrativa a fls. 677/710, acatando parcialmente as argumentações suscitadas na impugnação, julgando procedente em parte a Notificação Fiscal, Fl. 3DF CARF MF Emitido em 13/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/06/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 13/06/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 16/06/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 4 promovendo a exclusão do lançamento das parcelas destinadas a outras entidades e fundos e mantendo o crédito tributário na forma descrita no Discriminativo Analítico do Débito Retificado DADR a fls. 655/676. O Sujeito Passivo foi cientificado da decisão de 1ª Instância no dia 04/07/2008, conforme Aviso de Recebimento a fl. 720. Inconformado com a decisão exarada pelo órgão administrativo julgador a quo, o ora Recorrente interpôs recurso voluntário, a fls. 726/750, respaldando sua inconformidade em argumentação desenvolvida nos termos que se vos seguem: • Que a Recorrente, Santa Marina Alimentos Ltda não integra grupo econômico com a empresa Santa Marina Alimentos Ltda; • Que os elementos dos quais se valeu o Auditor Fiscal são insuficientes para a caracterização de grupo econômico; • Decadência quinquenal; • Que a fiscalização deixou de esclarecer os fundamentos legais da exigência, limitandose a relacionar uma enxurrada de dispositivos legais e regulamentares; • Que o trabalho fiscal foi feito de modo atropelado, sem permitir que a primeira recorrente o acompanhasse, de modo a suprir eventuais documentos faltantes, violando manifestamente o seu direito de defesa; • Que o prazo de 15 dias para o oferecimento de defesa foi exíguo, cerceando a possibilidade da ampla defesa e do contraditório. Alfim, requer a nulidade do processo. Alternativamente, pugna pela improcedência do lançamento. Devidamente cientificadas da decisão de 1ª instância, as empresas Agropastoril Estevam Ltda, Jema Participações Ltda e M.B.E. Comercio e Repres. Carnes Ltda ofereceram Recurso Voluntário a fls. 751/775, 780/805 e 808/832, respectivamente, pautando suas irresignações em fundamentos idênticos, mutatis mutandis,aos oferecidos pelo Recorrente. Relatados sumariamente os fatos relevantes. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 13/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/06/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 13/06/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 16/06/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 17460.000182/200789 Acórdão n.º 2302001.098 S2C3T2 Fl. 841 5 Voto Conselheiro Arlindo da Costa e Silva, Relator. 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1.1. DA TEMPESTIVIDADE O sujeito passivo foi válida e eficazmente cientificado da decisão recorrida no dia 04/07/2008. Havendo sido o recurso voluntário protocolado no dia 1º de agosto do mesmo ano, há que se reconhecer a tempestividade do recurso interposto. 2. DAS QUESTÕES PRELIMINARES AO MÉRITO: 2.1. DA DECADÊNCIA Malgrado não haja sido suscitada pelo Recorrente, a condição intrínseca de matéria de ordem pública nos autoriza a examinar, ex officio, a questão relativa à fluência do prazo decadencial do direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário objeto do vertente processo. O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento exarado na Súmula Vinculante nº 8, em julgamento realizado em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46 da Lei n º 8.212/91, nos termos que se vos seguem: Súmula Vinculante nº 8 “São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Conforme estatuído no art. 103A da Constituição Federal, a Súmula Vinculante nº 8 é de observância obrigatória tanto pelos órgãos do Poder Judiciário quanto pela Administração Pública, devendo este Colegiado aplicála de imediato. Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 13/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/06/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 13/06/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 16/06/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 6 Afastada por inconstitucionalidade a eficácia das normas inscritas nos artigos 45 e 46 da Lei n º 8.212, urgem serem seguidas as disposições relativas à matéria em relevo inscritas no Código Tributário Nacional – CTN e nas demais leis de regência. O instituto da decadência no Direito Tributário, malgrado respeitadas posições em sentido diverso, encontrase regulamentado no art. 173 do Código Tributário Nacional CTN, que reza ipsis litteris: Código Tributário Nacional CTN Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extingue se definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. A análise da subsunção do fato in concreto à norma de regência revela que, ao caso sub examine, operase a incidência das disposições inscritas no inciso I do transcrito art. 173 do CTN. Nessa condição, tendo sido o lançamento realizado em 21 de dezembro de 2006, este apenas alcançaria os fatos geradores ocorridos a partir da competência dezembro/2000, inclusive, excluído os fatos geradores relativos ao 13º salário desse mesmo ano. Pelo exposto, encontramse atingidas pela fluência do prazo decadencial todas as obrigações tributárias relativas aos fatos geradores ocorridos nas competências anteriores a dezembro de 2000, caducando, por conseguinte, o direito da Fazenda Pública de constituir o crédito tributário a elas correspondente. 2.2. DO CERCEAMENTO DE DEFESA Pondera o Recorrente que o prazo de 15 dias para o oferecimento de defesa foi exíguo, cerceando a possibilidade da ampla defesa e do contraditório. Tal argumento não merece acolhida. O prazo concedido ao notificado para a apresentação de impugnação à Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD tem natureza estritamente legal, nos termos do Parágrafo Único do art. 37 da Lei nº 8.212/91 c.c. §1º do art. 293 do RPS. Salientese, ademais, que o legislador ordinário não facultou alternativas à Administração Tributária, extirpandolhe toda e qualquer discricionariedade associada a essa questão, não lhe Fl. 6DF CARF MF Emitido em 13/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/06/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 13/06/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 16/06/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 17460.000182/200789 Acórdão n.º 2302001.098 S2C3T2 Fl. 842 7 atribuindo igualmente competência para afastar norma legal de cunho imperativo, como esta sobre a qual ora cerramos o foco. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 37. Constatado o atraso total ou parcial no recolhimento de contribuições tratadas nesta Lei, ou em caso de falta de pagamento de benefício reembolsado, a fiscalização lavrará notificação de débito, com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, conforme dispuser o regulamento. Parágrafo único. Recebida a notificação do débito, a empresa ou segurado terá o prazo de 15 (quinze) dias para apresentar defesa, observado o disposto em regulamento. Regulamento da Previdência Social Art. 293. Constatada a ocorrência de infração a dispositivo deste Regulamento, será lavrado auto de infração com discriminação clara e precisa da infração e das circunstâncias em que foi praticada, contendo o dispositivo legal infringido, a penalidade aplicada e os critérios de gradação, e indicando local, dia e hora de sua lavratura, observadas as normas fixadas pelos órgãos competentes. (Redação dada pelo Decreto no 6.103, de 30 de abril de 2007) §1º Recebido o auto de infração, o autuado terá o prazo de quinze dias, a contar da ciência, para efetuar o pagamento da multa com redução de cinquenta por cento ou impugnar a autuação. (Redação dada pelo Decreto no 4.032, de 2001) Por outro vértice, caminhando pari passu com as normas legais supra aludidas, a Portaria MPS n° 520, de 19 de maio de 2004, que disciplina os processos administrativos decorrentes de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito e de Auto de Infração, no âmbito do Ministério da Previdência Social, sem transbordar as margens erigidas pela lei, determina de forma expressa, mediante o preceito encartado em seu art. 35, que os prazos para impugnação ou recurso não serão prorrogados. Consigna, ainda, ser o prazo de impugnação o próprio e específico para o oferecimento de alegações e produção de provas documentais, sob pena de preclusão, ressalvadas as hipóteses excepcionais elencadas taxativamente no §1º do seu art. 9º, adiante transcrito. Portaria MPS n° 520, de 19 de maio de 2004. Art. 9 A impugnação mencionará: (...) §1° A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; Fl. 7DF CARF MF Emitido em 13/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/06/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 13/06/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 16/06/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 8 c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos Art. 35. Os prazos para impugnação ou recurso não serão prorrogados. §1º Os prazos serão contínuos e começam a correr a partir da data da cientificação válida, excluindose da contagem o dia do começo e incluindose o do vencimento. §2º Os prazos só se iniciam ou vencem em dia de expediente normal no órgão em que tramita o processo ou deva ser praticado o ato. §3º Considerase prorrogado o prazo até o primeiro dia útil seguinte se o vencimento cair em dia em que não houver expediente ou este for encerrado antes do horário normal. No que pertine à aplicação subsidiária das disposições contidas no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, cumpre trazer à baila, de molde a nocautear eventuais incertezas, que tais disposições apenas seriam aplicáveis, tão somente, nas hipóteses de omissão da legislação de regência. É o que determina o art. 108 do Código Tributário Nacional, em atenção ao princípio da especialidade das leis. Código Tributário Nacional CTN Art. 108. Na ausência de disposição expressa, a autoridade competente para aplicar a legislação tributária utilizará sucessivamente, na ordem indicada: (grifos nossos) I a analogia; II os princípios gerais de direito tributário; III os princípios gerais de direito público; IV a equidade. §1º O emprego da analogia não poderá resultar na exigência de tributo não previsto em lei. §2º O emprego da equidade não poderá resultar na dispensa do pagamento de tributo devido. Nesse panorama, ante a existência de diploma normativo disciplinando o Processo Administrativo Fiscal nas ordens do Ministério da Previdência Social, e ostentando essa norma expressa dispondo sobre a impossibilidade de dilação do prazo de impugnação, mudas se tornam as vozes dimanadas do Decreto nº 70.235/72, não ecoando nos plenários do órgão julgador de 1ª instância daquela partição ministerial. E não se menospreze a normatividade da Portaria MPS nº 520/2004 antes citada. Isto porque o art. 96 c.c. art. 100, I , ambos do CTN, qualificam os atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas como “normas complementares das leis”, e, como tal, abraçadas pelo conceito legal de “Legislação Tributária”. Código Tributário Nacional CTN Art. 96. A expressão "legislação tributária" compreende as leis, os tratados e as convenções internacionais, os decretos e as normas complementares que versem, no todo ou em parte, sobre tributos e relações jurídicas a eles pertinentes. Fl. 8DF CARF MF Emitido em 13/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/06/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 13/06/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 16/06/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 17460.000182/200789 Acórdão n.º 2302001.098 S2C3T2 Fl. 843 9 Art. 100. São normas complementares das leis, dos tratados e das convenções internacionais e dos decretos: I os atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas; (grifos nossos) II as decisões dos órgãos singulares ou coletivos de jurisdição administrativa, a que a lei atribua eficácia normativa; III as práticas reiteradamente observadas pelas autoridades administrativas; IV os convênios que entre si celebrem a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios. Parágrafo único. A observância das normas referidas neste artigo exclui a imposição de penalidades, a cobrança de juros de mora e a atualização do valor monetário da base de cálculo do tributo. Nessa toada, se ofensa houve aos Princípios Constitucionais do devido processo legal, do contraditório e da ampla defesa, consoante alegações do Recorrente, essa foi promovida pelo Legislador Ordinário Federal ao editar a norma cogente em apreço, e não pela Administração Tributária Previdenciária, que apenas cumpriu os mandamentos insculpidos na lei, a qual, conforme cediço, ostenta presunção iuris tantum de constitucionalidade. Verificase portanto que o presente lançamento encontrase revestido de todas as formalidades exigidas por lei, dele constando, além dos relatórios já citados, os MPF, TIAF e TEAF, dentre outros, havendo sido o Sujeito Passivo cientificado de todas as decisões de relevo exaradas no curso do presente feito, restando garantido dessarte o pleno exercício do contraditório e da ampla defesa ao Notificado. Inexiste pois qualquer vício na formalização do débito a amparar a alegação de cerceamento de defesa erguida pelo Recorrente. Vencidas as preliminares, passamos à analise do mérito. 3. DO MÉRITO Cumpre, de plano, assentar que não serão objeto de apreciação por este Colegiado as matérias não expressamente contestadas pelo Recorrente, as quais se presumirão verdadeiras. 3.1. DO GRUPO ECONÔMICO. Sustenta o Recorrente, que os elementos dos quais se valeu o Auditor Fiscal são insuficientes para a caracterização de grupo econômico. Razão não lhe assiste. Cumpre neste comenos esclarecer que a responsabilidade direta pelas obrigações decorrentes da vertente Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD é da Fl. 9DF CARF MF Emitido em 13/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/06/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 13/06/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 16/06/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 10 empresa notificada. Ocorre que o inciso IX do art. 30 da Lei nº 8.212/91 dispõe as empresas que integram grupo econômico, de qualquer natureza, respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações decorrentes dessa Lei. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 30 ... IX as empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações decorrentes desta Lei; (grifos nossos) Como é cediço, a solidariedade não se presume. Ela decorre da vontade das partes, ou diretamente de disposição legal, como é o presente caso. Nesse sentido, dispõe a Instrução Normativa SRP nº 3, de 14 de julho de 2005, sob cuja égide se deu a autuação em exame: Instrução Normativa SRP N° 03, de 14/07/2005: Art. 748. Caracterizase grupo econômico quando duas ou mais empresas estiverem sob a direção, o controle ou a administração de uma delas, compondo grupo industrial, comercial ou de qualquer outra atividade econômica. Art. 749. Quando do lançamento de crédito previdenciário de responsabilidade de empresa integrante de grupo econômico, as demais empresas do grupo, responsáveis solidárias entre si pelo cumprimento das obrigações previdenciárias na forma do art. 30, inciso IX, da Lei n° 8.212, de 1991, serão cientificadas da ocorrência. §1° Na cientificação a que se refere o caput, constará a identificação da empresa do grupo e do responsável, ou representante legal, que recebeu a cópia dos documentos constitutivos do crédito, bem como a relação dos créditos constituídos. §2° É assegurado às empresas do grupo econômico, cientificadas na forma do §1° deste artigo, vista do processo administrativo fiscal. Tal regulamentação não discrepa das disposições encartadas na Instrução Normativa INSS/DC nº 100/2003, sendo, aliás, desta, mero espelho normativo. Instrução Normativa INSS/DC nº 100, de 18/12/2003 Art. 778. Caracterizase grupo econômico quando duas ou mais empresas estiverem sob a direção, o controle ou a administração de uma delas, compondo grupo industrial, comercial ou de qualquer outra atividade econômica. Art. 779. Quando do lançamento de crédito previdenciário de responsabilidade de empresa integrante de grupo econômico, as demais empresas do grupo, responsáveis solidárias entre si pelo cumprimento das obrigações previdenciárias na forma do art. 30, inciso IX, da Lei nº 8.212, de 1991, serão cientificadas da ocorrência. Fl. 10DF CARF MF Emitido em 13/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/06/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 13/06/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 16/06/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 17460.000182/200789 Acórdão n.º 2302001.098 S2C3T2 Fl. 844 11 §1º Na cientificação a que se refere o caput, constará a identificação da empresa do grupo e do responsável, ou representante legal, que recebeu a cópia dos documentos constitutivos do crédito, bem como a relação dos créditos constituídos. §2º É assegurado às empresas do grupo econômico, cientificadas na forma do § 1º deste artigo, vista do processo administrativo fiscal. A abrangência da disposição "de qualquer natureza" inscrita no inciso IX do art. 30 da Lei n° 8.212/91 é bem mais abrangente que aquela prevista na Lei n° 6.404/76, não necessitando se revestir das modalidades jurídicas típicas do Direito Privado. Vingando no direito previdenciário o Principio da Primazia da Realidade, para a caracterização do grupo econômico não se exige, sequer, a prova de sua formal institucionalização cartorial, de molde que se pode acolher a existência do grupo desde que se verifiquem as evidências comprobatórias da presença concreta dos elementos de integração entre as empresas. Nessa perspectiva, configurandose a existência de grupo econômico, em face do conjunto probatório coligido aos autos, as empresas dele integrantes passam a responder solidariamente pelas obrigações tributárias previdenciárias, de forma Robinhoodiana: “um por todos, todos por um”. Com efeito, o CTN estabelece, como condição para que se estabeleça a solidariedade tributária, que as pessoas envolvidas tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal. O grupo econômico, em razão de ser formado por um conjunto de empresas atuando sob o comando, controle ou administração de um mesmo conjunto de pessoas, tem interesses comuns no fato gerador, na medida em que o resultado de uma produz efeitos nas demais. Registrese que, notadamente, é nos grupos econômicos de fato que se verifica, estatisticamente, o volume mais expressivo de irregularidades administrativas e fiscais, dentre as quais a confusão patrimonial, o intercambio de trabalhadores, a omissão de receita, etc. A caracterização do grupo econômico decorre da conformação fixada no §2º do art. 2º do DecretoLei n ° 5.452/43 CLT. Consolidação das Leis do Trabalho CLT Art. 2º Considerase empregador a empresa, individual ou coletiva, que, assumindo os riscos da atividade econômica, admite, assalaria e dirige a prestação pessoal de serviço. (...) §2º Sempre que uma ou mais empresas, tendo, embora, cada uma delas, personalidade jurídica própria, estiverem sob a direção, controle ou administração de outra, constituindo grupo industrial, comercial ou de qualquer outra atividade econômica, Fl. 11DF CARF MF Emitido em 13/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/06/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 13/06/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 16/06/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 12 serão, para os efeitos da relação de emprego, solidariamente responsáveis a empresa principal e cada uma das subordinadas. Em análise magnífica do preceito acima transcrito, Arnaldo Süssekind extraiu a essência do grupo econômico de fato, ao citar que : “O parágrafo citado fala em 'empresa principal' e 'empresas subordinadas'. Para que se configure, entretanto, a hipótese nele prevista não é indispensável a existência de uma sociedade controladora (holding company). Vimos que a concentração econômica pode assumir os mais variados aspectos. E, desde que ao juiz se depare esse fenômeno, o dever lhe impõe a aplicação daquele dispositivo legal. O controle sobre diferentes sociedades pode ser exercido por uma pessoa física, detentora da maioria de suas ações e, em tal caso, não há por que deixar de aplicarse o §2°...” (SÜSSEKIND, Arnaldo. Instituições de Direito do Trabalho, 14ª ed., São Paulo, LTr, 1993). Da pena de Délio Maranhão (in Instituições de Direito do Trabalho, vol.I, 15ª ed., LTr, São Paulo, 1995, p.297) vem o complemento : “Mas a existência do grupo do qual, por força da lei, decorre a solidariedade, provase, inclusive, por indícios e circunstâncias. Tal existência é um fato, que pode ser provado por todos os meios que o direito admite”. O comando normativo inscrito na CLT tem sua abrangência estendida tanto aos Grupos Econômicos de Direito quanto aos de fato, circunstância de onde deflui o raciocínio de que os grupos econômicos de fato podem se dar de forma horizontal (modalidade de coordenação), ou vertical (subordinação), sendo que, neste último caso, até mesmo uma pessoa física pode exercer o controle, a direção ou a administração de todo o conjunto empresarial. Revelase flagrante a similitude de redação entre o preceito celetista em voga e aquele da Instrução Normativa SRP n° 03/2005 já transcrito, autorizando que os conceitos doutrinários trabalhistas correlatos sejam utilizados na seara previdenciária, inclusive em face do estreito liame que conecta estes dois ramos do direito. Nesse contexto, para a caracterização de grupo econômico para fins previdenciários, mostrase despicienda a formalização jurídica dessa congregação de empresas, tampouco a existência formal de relação de subordinação, revelandose bastante e suficiente para caracterizar a unidade de interesses e a afinidade de objetivos, a constatação fática de uma relação de coordenação, situação na qual não existe prevalência formal de uma empresa sobre a outra, mas simples conjugação de interesses com vistas à ampliação da credibilidade e dos negócios. Registrese, por relevante, que a jurisprudência pátria, hodiernamente, evoluiu de uma interpretação meramente gramatical do §2° do art. 2° da CLT para o reconhecimento do grupo econômico, ainda que não haja subordinação a uma empresa controladora principal. Admite, portanto, mesmo nas ordens do Poder Judiciário, a configuração de grupo econômico, assim denominado "grupo composto por coordenação", em que as empresas atuam horizontalmente, no mesmo plano, participando todas do mesmo empreendimento independente do controle jurídico, com base apenas na organização comum da atividade econômica, conforme dessai dos julgados a seguir ementados, perfeitamente aplicáveis ao caso em apreciação: GRUPO ECONÔMICO. CARACTERIZAÇÃO. Fl. 12DF CARF MF Emitido em 13/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/06/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 13/06/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 16/06/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 17460.000182/200789 Acórdão n.º 2302001.098 S2C3T2 Fl. 845 13 Consoante a melhor doutrina, a personalidade jurídica é o substrato da autonomia dos sujeitos plúrimos que constituem o grupo empresário, podendose dizer que a autonomia é uma das facetas do grupo econômico, o que, antes de caracterizálo, constituise em nota marcante de sua definição. Quanto à exigência de controle pelo acionista majoritário, tal entendimento encontrase superado pela doutrina e jurisprudência. Admitese, hoje, a existência de grupo econômico independente do controle e fiscalização pela chamada empresa líder. Evoluiuse de uma interpretação meramente literal do artigo 2º, §2º, da CLT, para o reconhecimento do grupo econômico, ainda que não haja subordinação a uma empresa controladora principal. É o denominado "grupo composto por coordenação" em que as empresas atuam horizontalmente, no mesmo plano, participando todas do mesmo empreendimento. No direito do Trabalho impõese, com maior razão, uma interpretação mais elastecida da configuração do grupo econômico, devendose atentar para a finalidade de tutela ao empregado perseguido pela norma consolidada (artigo 2º, § 2º, da CLT). Grupo Econômico Caracterização. (TRTRO 19827/97 4ª T. Rel. Juiz Ronan Neves Cury Publ. MG 22.07.98)." GRUPO ECONÔMICO. Empresas que embora tenham situação jurídica distinta, são dirigidas pelas mesmas pessoas, exercem suas atividades no mesmo endereço e uma delas presta serviços somente à outra, formam um grupo econômico, a teor das disposições trabalhistas, sendo solidariamente responsáveis pelos legais direitos do empregado de qualquer delas. (TRT 3ª Região. 2T— RO/1551/86 Rel. Juiz Édson Antônio Fiúza Gouthier). GRUPO ECONÔMICO. CONFIGURAÇÃO. Para a configuração de grupo econômico, na esfera trabalhista, não se exige que o quadro societário se repita nas empresas integrantes, mesmo porque no âmbito desta Justiça pode ser reconhecido o grupo de fato, como por exemplo pessoas físicas de uma mesma família que controlam e administram várias empresas ou um grupo econômico, pois comandam e dirigem o empreendimento, não sendo de importância capital a pessoa que detenha a titularidade do controle, ou seja, se pessoa física ou jurídica, mormente quando todas as empresas atuam na mesma área comercial e possuem localização comum, como ocorre no presente caso em que as duas empresas atuam na área de transporte e têm sede no mesmo endereço. Assim, mantémse a sentença que conclui pela existência de grupo econômico entre as empresas (...) na forma do §2° do art. 2° da CLT". (TRT Processo n° 01130.2005.004.14.001. Relator: Juiz Shikou Sadahiro, DOJT14 n° 097 de 31/05/2006) Fl. 13DF CARF MF Emitido em 13/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/06/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 13/06/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 16/06/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 14 GRUPO ECONÔMICO DE FATO. CARACTERIZAÇÃO. O §2.° do art. 2° da CLT deve ser aplicado de forma mais ampla do que seu texto sugere, considerandose a finalidade da norma, e a evolução das relações econômicas nos quase sessenta anos de sua vigência. Apesar da literalidade do preceito, podem ocorrer, na prática situações em que a direção, o controle ou a administração não estejam exatamente nas mãos de uma empresa, pessoa jurídica. Pode não existir uma coordenação, horizontal, entre as empresas, submetidas a um controle geral, exercido por pessoas jurídicas ou físicas, nem sempre revelado nos seus atos constitutivos, notadamente quando a configuração do grupo quer ser dissimulada. Provados fartamente, o controle e a direção por determinadas pessoas físicas que, de fato, mantém a administração das empresas, sob um comando único, configurado está o grupo econômico, incidindo a responsabilidade solidária. (TRT/15ª REGIÃO. Decisão N° 061975/2005PATR., Relatora: MARIANE KHAYAT, publicado em 19/12/2005) GRUPO ECONÔMICO CARACTERIZAÇÃO – Para configuração do grupo econômico, não é mister que uma empresa seja a administradora da outra, ou que possua grau hierárquico ascendente. Ora, para que se caracterize um grupo econômico, basta uma relação de simples coordenação dos entes empresariais envolvidos. A melhor doutrina e jurisprudência admitem hoje o grupo econômico independente do controle e fiscalização de uma empresa líder. Basta uma relação de coordenação, conceito obtido por uma evolução na interpretação meramente literal do art. 2º, parágrafo 2° da CLT. (TRT 3' R. 4T RO/8486/01 Rel. Juiz Márcio Flávio Salem Vidigal DJMG 18/08/2001 P.14). No caso ora vertido, a fiscalização apurou a existências de grupo econômico existente entre as empresas Santa Marina Aumentos Ltda , CNPJ 71.680.201/000125; Agropastoril Estevam Ltda. CNPJ 64.611.213/000132; Jema Participações Ltda. CNPJ 03.417.700/000174; Parteco Adm. e Participações Ltda. CNPJ 59.493.213/000145 e M.B.E. Comercio e Repres.Carnes Ltda. CNPJ 00.001.516/000150. Louvouse o reconhecimento do aludido grupo econômico de fato na constatação dos elementos a seguir alinhados: 1) As empresas integrante do grupo econômico em realce têm, em comum, o fato de desenvolverem atividades afins e complementares entre si; 2) O quadro societário evidencia uma estreita ligação familiar entre os sócios e as empresas, umas figurando como sócias de outras, conforme se depreende do resumo do quadro societário, no item 20 do Relatório Fiscal, a fls. 176/177; 3) A notificada Santa Marina Alimentos tinha como endereço da matriz, a partir da alteração societária de 01/06/2001 até a competência setembro/2006, a Rua Guaiauna n° 180, sala 03, bairro da Penha; São Fl. 14DF CARF MF Emitido em 13/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/06/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 13/06/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 16/06/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 17460.000182/200789 Acórdão n.º 2302001.098 S2C3T2 Fl. 846 15 Paulo — SP. Em diligência no local, a fiscalização atestou que, em 07/11/2006, as portas da sala já estavam fechadas, e por um tempo considerável. Tal circunstância fática foi confirmada pela vizinhança comercial do mesmo pavimento; 4) O quadro societário da empresa Agropastoril Estevam Ltda era formado, originalmente, pelos sócios Sr. Márcio Brito Estevam Jr. e Sra. Marli Cavalcante Estevam. Em 16/11/2004, esses foram substituídos pela Santa Marina Alimentos Ltda (97,3%) e Márcio Brito Estevam (2,7%). 5) A empresa Agropastoril Estevam Ltda tem seu endereço, também, na Rua Guaiauna, 180, sala 03, bairro da Penha, São Paulo — SP, a partir de 16/11/2004, ou seja, o mesmo endereço da empresa notificada, sua sócia majoritária. 6) O quadro societário da empresa JEMA Participações Ltda é formado por Márcio Brito Estevam Junior (32,8%), Eduardo Cavalcante Estevam (31,1%), Marina Cavalcante Estevam (31,1%) e Marli Cavalcante Estevam (5%). Registrese que Márcio Brito Estevam Jr e Marli Cavalcante Estevam são respectivamente, filho e exmulher de Márcio Brito Estevam e ex sócios da Agropastoril Estevam ltda, enquanto que Eduardo Cavalcante Estevam e Marina Cavalcante Estevam, por seu turno, são filhos de Márcio Brito Estevam. 7) A empresa JEMA Participações Ltda tem sua sede localizada no mesmo endereço residencial de seus quatro sócios, digase, Av. Cel. José S. Marcondes, 80, Apt. 11, em Presidente Prudente/SP. 8) A empresa JEMA Participações Ltda possui um estabelecimento filial na Rodovia BR267, km 190, Fazenda Santa Marina II, Campo Grande MS, o mesmo endereço de uma das filiais da notificada Santa Marina Alimentos Ltda. 9) A empresa MBE Comércio e Representações de Carnes Ltda teve como denominações anteriores "Santa Marina Indústria Alimentícia Ltda" e "Frigocharque Santa Marina Ltda", passando a ter a denominação atual a partir de 05/03/2001. 10) Na conta contábil "3201010001 — Arrendamentos" da Recorrente foi apurado o registro de pagamentos a título de arrendamento das Fazendas Santa Marina I e II, creditados à Agropastoril Estevam Ltda, no período de 07/1998 a 09/1999. Nestes locais estavam sediados estabelecimentos filiais da Santa Marina Alimentos Ltda, cujas atividades foram encerradas em outubro de 2001, conforme alteração contratual; 11) A partir de 10/1999 até 01/2001, os pagamentos referidos no item precedente, a título de arrendamentos, passaram então a ser lançados em favor da empresa JEMA Participações Ltda, constituída em 24/09/1999, tendo como sócios Márcio Brito Estevam Jr, Marli Cavalcante Estevam respectivamente, filho e exmulher de Márcio Brito Estevam e ex sócios da Agropastoril Estevam ltda, além de Eduardo Cavalcante Estevam e Fl. 15DF CARF MF Emitido em 13/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/06/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 13/06/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 16/06/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 16 Marina Cavalcante Estevam, por seu turno, filhos de Márcio Brito Estevam. 12) A transferência de recursos financeiros entre as empresas do grupo também pode ser constatada pelos pagamentos creditados pelo Recorrente à JEMA Participações Ltda, a partir de 12/2005, referentes ao arrendamento de um avião, cujo contrato jamais foi apresentado à fiscalização. Também não guarda coerência contábil o fato de haver lançamentos de despesas, em 10/2005, de manutenção e revisão geral da aeronave arrendada, ou seja, antes do primeiro pagamento a título de arrendamento. Observouse, ademais, que as despesas de condomínio do hangar e manutenção da dita aeronave ainda são pagas pela Santa Marina Alimentos Ltda. 13) A confusão patrimonial entre as empresas integrantes do referido grupo também pode ser verificada a partir dos registros lançados contabilidade da então S. M. Agropecuária Ltda (atualmente Santa Marina Alimentos Ltda – a Recorrente), na conta "2102040002 — Santa Marina Indústria Alimentícia Ltda", com descrição de "adiantamento recebido sobre a venda de gado a realizar" , no valor de R$ 415.590,00. Idêntico montante também foi lançado, a título de pagamento, em 28/09/2001, na conta "2102040002 — M.B.E. Comércio e Representações Ltda". 14) O Sr. Márcio Brito Estevam exerce um destacado controle societário, com poderes de gerência e administração, nas empresas do grupo, sendo flagrante o controle em cadeia, por parte do citado sócio, nas empresas integrantes do grupo em realce. 14.1 Na notificada principal, Santa Marina Alimentos Ltda, ele detêm 96,33% do capital; ao lado da Parteco Adm. e Participações Ltda (com míseros 3,67%); 14.2 Na Parteco Adm. e Participações Ltda, o Sr. Márcio Brito Estevam detém 78,91% das quotas, sendo os 21,09% restantes pertencentes à MBE Com. e Representações de Carnes Ltda; 14.3 Na MBE Com. e Representações de Carnes Ltda, o Sr. Márcio Brito Estevam possui 50% do capital social, a mesma participação possuída pela Parteco Adm. e Participações Ltda (50%). 14.4 Na Agropastoril Estevam Ltda, a Santa Marina Alimentos Ltda (que é controlada por Márcio Brito Estevam) detém 97,28%, ao lado do próprio Márcio Brito Estevam, com os restantes 2,72%. 15) No caso da JEMA Participações Ltda, o controle não se manifesta, a priori, diretamente por controle societário, mas, sim, por meio das já mencionadas transferências contábeis habituais, a título de arrendamentos das Fazendas Santa Marina I e II, bem como a título de pagamento de despesas de condomínio de hangar e de manutenção de aeronave, formalmente arrendada pela Santa Marina Alimentos Ltda. Fl. 16DF CARF MF Emitido em 13/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/06/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 13/06/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 16/06/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 17460.000182/200789 Acórdão n.º 2302001.098 S2C3T2 Fl. 847 17 Dessarte, do ponto de vista jurídico, a união de sociedades fundada em relações de controle baseadas em participações de capital apresentase sob a forma de dois tipos de grupos distintos, os de direito ou os de fato. Os primeiros organizamse formalmente por meio da celebração de contrato formal denominado “convenção de grupo”. Os outros, por exclusão, são marcados pela sua mera existência, sem conformação contratual expressa, em que uma ou mais sociedades, individualmente ou em conjunto, determinam o objeto e o destino das empresas integrantes do grupo de fato, que abaixo delas se coloca na cadeia de comando e controle. No caso em exame, é flagrante a configuração de empresas controladas e/ou coligadas, mormente pelo fato de as mesmas pessoas exercerem, direta ou indiretamente, a administração dos negócios do grupo. Ademais, tais sociedades atuam no mercado com objetivos correlatos, constatandose várias operações a demonstrar, no mínimo, uma coordenação entre as empresas. Tal compreensão caminha em harmonia com a jurisprudência que exara das Cortes Ordinárias Federais no que afeta à caracterização, em âmbito previdenciário, dos grupos econômicos de fato, consoante se dessume dos seguintes julgados: TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. ARTIGO 30, IX, DA LEI N° 8.212/91. GRUPO ECONÔMICO. CONFIGURAÇÃO. O art. 146, III, ‘a’, da CF não exige lei complementar para dispor sobre novos casos de responsabilidade tributária, além do que sequer diz respeito a contribuições, restringindose à indicação dos contribuintes possíveis dos impostos nominados. Configurada a hipótese do art. 30, IX, da Lei 8.212/91, que diz que "as empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações" porquanto restou evidenciado que se trata de empresas que atuam no mesmo endereço, com sócios ou mandatários em comum, no mesmo ramo de confecções, que há admissão e demissão de empregados com sucessiva admissão em uma das demais empresas deixando contribuições impagas, dentre outros fatos que revelam a unidade de atuação empresarial. Não conhecimento do argumento da decadência trazido pelo Autor em apelação, sendo que o art. 267, §3º do CPC admite tal conhecimento quando matéria de defesa. Apelação Cível. Processo: 200370010016160, UF: PR, Data da decisão: 13/12/2005 TRIBUTÁRIO. AGRAVO DE INSTRUMENTO. MANDADO DE SEGURANÇA. MEDIDA LIMINAR. PRESSUPOSTOS LEGAIS INEXISTENTES. CERTIDÃO NEGATIVA DE DÉBITO. EXPEDIÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. EXISTÊNCIA DE DÍVIDA PREVIDENCIÁ RIA. EMPRESA DE MESMO GRUPO ECONÔMICO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. ART. 30, IX DA LEI N° 8.212/91. ART. 124, II DO CTN. DESNECESSIDADE DE INSTAURAÇÃO DE PROCESSO ADMINISTRATIVOFISCAL. Fl. 17DF CARF MF Emitido em 13/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/06/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 13/06/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 16/06/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 18 A negativa da expedição de certidão negativa de débito à empresa impetrante está calcada na existência de débito fiscal de empresa do mesmo grupo econômico de fato, cujo patrimônio, que fora transferido para as novas empresas constituídas, não garantiria o valor total da dívida previdenciária. As provas coligidas aos autos revelam fortes indícios da existência da • formação de grupo econômico de fato com o propósito de escapar da cobrança do crédito previdenciário. Caso de responsabilização solidária expressa na lei, segundo a qual a pessoa jurídica é diretamente responsável pelos débitos tributários de empresa do mesmo grupo econômico. O ato de negativa da CND pela autoridade previdenciária não estaria condicionado à instauração de processo administrativo fiscal. Agravo de instrumento improvido. TRIBUNAL QUINTA REGIÃO, Agravo de Instrumento – 62011, Processo: 200505000124230, UF: RN. O Relatório Fiscal traz em seu bojo os elementos para a necessária análise da questão e o correto enquadramento jurídico dos fatos, com submissão à previsão abstrata da legislação; ou seja, à presente situação aplicase o disposto no inciso IX do art. 30 da Lei n° 8.212/91 combinado com o artigo 124 do Código Tributário Nacional CTN. 3.2. DA FUNDAMENTAÇÃO LEGAL. Pondera o Recorrente que a fiscalização deixou de esclarecer os fundamentos legais da exigência, limitandose a relacionar uma enxurrada de dispositivos legais e regulamentar. Tal argumento é improcedente. A Constituição Federal, de 03 de outubro de 1988, outorga à Lei Complementar a competência para estabelecer normas gerais em matéria de legislação tributária, especialmente sobre obrigação, lançamento, crédito, prescrição e decadência tributários. Constituição Federal de 1988 Art. 146. Cabe à lei complementar: III estabelecer normas gerais em matéria de legislação tributária, especialmente sobre: a) definição de tributos e de suas espécies, bem como, em relação aos impostos discriminados nesta Constituição, a dos respectivos fatos geradores, bases de cálculo e contribuintes; b) obrigação, lançamento, crédito, prescrição e decadência tributários; Fl. 18DF CARF MF Emitido em 13/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/06/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 13/06/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 16/06/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 17460.000182/200789 Acórdão n.º 2302001.098 S2C3T2 Fl. 848 19 Imerso nessa ordem constitucional , ao tratar das obrigações tributárias, já no âmbito infraconstitucional, o art. 113 do Código Tributário Nacional CTN estabeleceu um discrimen entre as obrigações definidas como principais e aquelas conceituadas como acessórias, estas decorrentes da legislação tributária, assim entendidas as leis, os tratados e as convenções internacionais, os decretos e as normas complementares que versem, no todo ou em parte, sobre tributos e relações jurídicas a eles pertinentes, ostentando por objeto tal espécie de obrigação tributária as prestações, positivas ou negativas, fixadas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. Código Tributário Nacional CTN Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. §1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. §2º A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. §3º A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. Art. 115. Fato gerador da obrigação acessória é qualquer situação que, na forma da legislação aplicável, impõe a prática ou a abstenção de ato que não configure obrigação principal. O marco primitivo da fundamentação legal em que se sustentam as obrigações tributárias estabelece, outrossim, que a ocorrência de violação a qualquer obrigação acessória tem natureza objetiva, sendo bastante e suficiente para a sua caracterização a mera inobservância de seus preceitos. Com efeito, o art. 37 da Lei nº 8.212/91, com a redação vigente à época da lavratura do presente Auto de Infração, estabelece que, sendo constatado pela fiscalização o atraso total ou parcial no recolhimento de contribuições previdenciárias, ou em caso de falta de pagamento de benefício reembolsado, a fiscalização lavrará notificação de débito, com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 37. Constatado o atraso total ou parcial no recolhimento de contribuições tratadas nesta Lei, ou em caso de falta de pagamento de benefício reembolsado, a fiscalização lavrará notificação de débito, com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, conforme dispuser o regulamento. No presente caso, pelo exame das folhas de pagamento, GFIP e livros contábeis do Recorrente, cujo conteúdo e elaboração são da inteira responsabilidade da Fl. 19DF CARF MF Emitido em 13/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/06/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 13/06/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 16/06/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 20 empresa, a fiscalização apurou fatos geradores de contribuições previdenciárias cujo recolhimento não vingou comprovado pelo sujeito passivo no curso da ação fiscal, fato que motivou a lavratura da vertente Notificação Fiscal. A fundamentação Legal que fornece esteio ao procedimento encaminhado pela Autoridade Lançadora encontrase descrita, detalhadamente, no relatório intitulado “Fundamentos Legais do Débito FLD” a fls. 124/128, o qual expõe pormenorizadamente toda a pletora normativa de cunho legal, regulamentar ou legislativa complementar que dão sustentáculo à competência do auditor fiscal para fiscalizar, arrecadar e cobrar as exações em apreço, às obrigações da empresa decorrentes da responsabilidade solidária do grupo econômico, às obrigações tributárias principal e acessórias da empresa e dos segurados que lhe prestam serviços destinadas ao financiamento da Seguridade Social e dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho , às contribuições destinadas a outras entidades e fundos, bem como aos acréscimos legais da obrigação principal e aos prazos, dentre outros, garantindo as condições propicias à perfeita compreensão dos fundamentos e razões do lançamento. Os fatos geradores encontramse descritos, de forma clara e precisa, no Relatório Fiscal a fls. 161/180 permitindo ao Recorrente notificado o pleno conhecimento acerca dos motivos que ensejaram o lançamento sub examine, favorecendolhe, assim, o contraditório e a ampla defesa. O lançamento encontrase revestido de todas as formalidades exigidas por lei, dele constando, além dos relatórios já citados, os MPF, TIAF e TEAF, dentre outros, havendo sido o Sujeito Passivo cientificado de todas as decisões de relevo exaradas no curso do presente feito, tudo em elevada estima ao devido processo legal. Inexiste pois qualquer vício na formalização do débito a amparar a alegação de cerceamento de defesa erguida pelo recorrente. 3.3. DO DIREITO DE DEFESA Alegase ainda que o trabalho fiscal foi feito de modo atropelado, sem permitir que a primeira recorrente o acompanhasse, de modo a suprir eventuais documentos faltantes, violando manifestamente o seu direito de defesa. A alegação acima esposada é descabida. A legislação tributária que rege o Processo Administrativo Fiscal aponta que o foro apropriado para a contradita aos termos do lançamento concentrase na fase processual da impugnação, cujo oferecimento instaura a fase litigiosa do procedimento. No âmbito do Ministério da Previdência Social, a disciplina do rito processual em tela restou a cargo da Portaria MPS n° 520, de 19 de maio de 2004, cujo art. 9º assinala, categoricamente, que o instrumento de bloqueio deve consignar os motivos de fato e de direito em que se fundamenta a defesa, os pontos de discordância, as razões e as provas que possuir. Mas não pára por aí: Impõe ao impugnante o ônus de instruir a peça de defesa com todas as provas documentais, sob pena de preclusão do direito de fazêlo em momento futuro, ressalvadas, excepcionalmente, as hipóteses taxativamente arroladas em seu parágrafo primeiro. Fl. 20DF CARF MF Emitido em 13/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/06/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 13/06/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 16/06/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 17460.000182/200789 Acórdão n.º 2302001.098 S2C3T2 Fl. 849 21 Portaria MPS n° 520, de 19 de maio de 2004. Art. 9 A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (grifos nossos) IV as diligências ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação de quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional de seu perito. §1° A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (grifos nossos) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos §2º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. (grifos nossos) §3º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pelo Conselho de Recursos da Previdência Social. §4º A matéria de fato, se impertinente, será apreciada pela autoridade competente por meio de Despacho ou nas contrarrazões, se houver recurso. §5º A decisão deverá ser reformada quando a matéria de fato for pertinente. §6º Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada. (grifos nossos) §7º As provas documentais, quando em cópias, deverão ser autenticadas, por servidor da Previdência Social, mediante conferência com os originais ou em cartório. §8º Em caso de discussão judicial que tenha relação com os fatos geradores incluídos em Notificação Fiscal de Lançamento de Débito ou Auto de Infração, o contribuinte deverá juntar cópia da petição inicial, do agravo, da liminar, da tutela antecipada, da sentença e do acórdão proferidos. Registrese, a título de mera reflexão, que os preceptivos encartados na norma de regência aqui enunciada não se contrapõem às normas estampadas no Decreto nº Fl. 21DF CARF MF Emitido em 13/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/06/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 13/06/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 16/06/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 22 70.235/72, que rege o Processo Administrativo Fiscal nas ordens do Ministério da Fazenda, sendo, destas, espelho. Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Art. 16. A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) (grifos nossos) IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) V se a matéria impugnada foi submetida à apreciação judicial, devendo ser juntada cópia da petição. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) §1º Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) §2º É defeso ao impugnante, ou a seu representante legal, empregar expressões injuriosas nos escritos apresentados no processo, cabendo ao julgador, de ofício ou a requerimento do ofendido, mandar riscálas. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) §3º Quando o impugnante alegar direito municipal, estadual ou estrangeiro, provarlheá o teor e a vigência, se assim o determinar o julgador. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) §4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (grifos nossos) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) §5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (grifos nossos) Fl. 22DF CARF MF Emitido em 13/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/06/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 13/06/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 16/06/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 17460.000182/200789 Acórdão n.º 2302001.098 S2C3T2 Fl. 850 23 §6º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pela autoridade julgadora de segunda instância. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (grifos nossos) Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) (grifos nossos) Avulta, nesse panorama jurídico, que as provas documentais têm que ser produzidas em juízo de impugnação. Como as demonstrações das alegações são provas documentais, estas têm que, necessariamente, ser colacionadas na peça de defesa, sob pena de preclusão, somente sendo permitido a sua apresentação em momento outro – futuro – caso restem caracterizadas as hipóteses autorizadoras excepcionais previstas no §1º do art. 9º da Portaria MPS nº 520/2003, pesando em desfavor do Recorrente o ônus da devida comprovação. Como se observa, o rito processual foi cumprido em sintonia com os preceitos fixados na legislação de regência, não merecendo qualquer reparo. 4. CONCLUSÃO Pelos motivos expendidos, voto por CONHECER do recurso para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO PARCIAL, devendo ser excluído do presente lançamento as obrigações tributárias relativas aos fatos geradores ocorridos nas competências anteriores a dezembro de 2000, eis que finadas pela decadência quinquenal. É como voto. Arlindo da Costa e Silva Fl. 23DF CARF MF Emitido em 13/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/06/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 13/06/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 16/06/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 24 Fl. 24DF CARF MF Emitido em 13/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/06/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 13/06/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 16/06/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 17546.000912/2007-00
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 28 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Jul 27 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Data do fato gerador: 30/11/2006
CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO ARTIGO 17, DA LEI N.º 8.213/91
C/C ARTIGO 18, I § 1.º DO RPS, APROVADO PELO DECRETO N.º
3.048/99
A inobservância da obrigação tributária acessória é fato gerador do auto de infração, o qual se constitui, principalmente, em forma de exigir que a obrigação seja cumprida; obrigação que tem por finalidade auxiliar o INSS na administração previdenciária.
Deixar de registrar segurado empregado constitui infração a dispositivo da
legislação previdenciária, importando multa.
ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Data do fato gerador: 30/11/2006
AUTUAÇÃO IMPROCEDENTE RECURSO PARA DESCARACTERIZAR GRUPO ECONÔMICO PERDA DO OBJETO NÃO CONHECIMENTO.
Não há como julgar qualquer matéria, se a multa que consubstanciava a responsabilidade resultou improcedente. Não se julga aqui o grupo econômico, visto que não há multa a ser aplicada no corpo desses autos.
Recurso Voluntário Não Conhecido.
Numero da decisão: 2401-001.937
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não
conhecer do recurso.
Matéria: Outras penalidades (ex.MULTAS DOI, etc)
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA
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MANTIQUEIRA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Data do fato gerador: 30/11/2006 CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO ARTIGO 17, DA LEI N.º 8.213/91 C/C ARTIGO 18, I § 1.º DO RPS, APROVADO PELO DECRETO N.º 3.048/99 A inobservância da obrigação tributária acessória é fato gerador do autode infração, o qual se constitui, principalmente, em forma de exigir que a obrigação seja cumprida; obrigação que tem por finalidade auxiliar o INSS na administração previdenciária. Deixar de registrar segurado empregado constitui infração a dispositivo da legislação previdenciária, importando multa. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 30/11/2006 AUTUAÇÃO IMPROCEDENTE RECURSO PARA DESCARACTERIZAR GRUPO ECONÔMICO PERDA DO OBJETO NÃO CONHECIMENTO. Não há como julgar qualquer matéria, se a multa que consubstanciava a responsabilidade resultou improcedente. Não se julga aqui o grupo econômico, visto que não há multa a ser aplicada no corpo desses autos. Recurso Voluntário Não Conhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso. Elias Sampaio Freire Presidente Fl. 1DF CARF MF Emitido em 29/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/08/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 22/08/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 27/08/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Walter Murilo Melo Andrade e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 29/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/08/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 22/08/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 27/08/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 17546.000912/200700 Acórdão n.º 240101.937 S2C4T1 Fl. 316 3 Relatório Trata o presente autodeinfração, lavrado sob n. 37. 044.2636, em desfavor da recorrente, originado em virtude do descumprimento do art. 17 da Lei n ° 8.213/1991 c/c art. 18, I e § 1º do RPS, aprovado pelo Decreto n ° 3.048/1999. Segundo a autoridade previdenciária, o recorrente deixou de inscrever segurado empregado na previdência social, através do registro de funcionário, conforme abaixo: 1) Ana Rosa Pedro Guedes, período 01/06/2000 a 31/12/2003, cozinheira.‘ 2) Rosana de Fátima Costa, período 16/08/03 a 28/02/06, auxiliar de cozinha 3) Rosemara Goretti da Costa, período 02/08/03 a 28/02/06, auxiliar de cozinha 4) Nelson Luís Lúcio, período 03/09/02 a 04/02/04, auxiliar de pintura 5) Carlos Severo Lopes da Fonseca, período 01/08/01 a 31/01/03, gerente de vendas. Foi emitido relatório de vínculos para caracterização de grupo econômico, fls. 06 a 16. Importante, destacar que a lavratura do AI deuse em 30/11/2006, tendo a cientificação ao sujeito passivo ocorrido no dia 01/12/2006. Não conformada com a autuação a empresa Frigorífico Campos de São José Ltda, apresentou impugnação, fls. 104 a 110. Apresentaram, ainda, impugnação: a) empresa Frigovalpa Comércio e Indústria de Carne Ltda, fls. 112 a 117. b) Empresa FRIGOSEF – Frigorífico SEF de São José dos Campos Ltda, fls. 146 a 150. c) Empresa Tãnia Pereira Lopes – ME, fls. 152 a 155. d) Empresa Monalisa Pereira Lopes Nogueira – ME, fls. 157 a 161. e) Empresa André Luiz Nogueira Jr – ME, fls. 163 a 166. O processo foi baixado em diligência no seguintes termos: Ora, ocorre que é necessário distinguir os empregados que tenham sido demitidos, sem jamais terem sido registrados e os empregados registrados em data posterior à efetiva contratação, pois neste último caso, se o registro ocorreu posteriormente à contratação, mas antes do início da auditoriafiscal, temse que Fl. 3DF CARF MF Emitido em 29/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/08/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 22/08/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 27/08/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 estaria caracterizada a denúncia espontânea, o que excluiria o respectivo empregado do cálculo da multa aplicada. Assim sendo, é necessário que a Auditorafiscal notificante informe quais os segurados que teriam sido demitidos sem jamais terem sido inscritos e quais os empregados, que no início da auditoriafiscal estariam sem inscrição, em cujas hipóteses é efetivamente aplicável a multa.para que a Foi exarada a DecisãoNotificação DN que confirmou a procedência da autuação, conforme fls. 634 a 653, promovendo a exclusão da empresa Frigovalpa Comércio e Indústria de Carne Ltda. O auditor manifestouse às fls. 180 a 182, tendo excluído alguns segurados da autuação, bem como descrito ter havido denúncia espontânea nos demais casos, retificando a multa de %.784,75 para “zero”. Foi emitida Decisão Notificação determinando a improcedência do lançamento, fls. 254 a 272, considerando os termos da diligência fiscal, prestada as fls. 180 a 182. Devidamente cientificado acerca da improcedência da autuação o recorrente apresentou recurso no sentido de que fosse mantida a improcedência do lançamento, contudo, seja reformada a decisão proferida para declaração da inexistência de grupo econômico., fls. 301 a 305. Não concordando com a decisão do órgão previdenciário, foi interposto recurso pela notificada – Frigorífico Campos de São José Ltda, conforme fls. 679 a 684. Apresentaram ainda recursos as seguintes empresas: a) Empresa André Luiz Nogueira Jr – ME, fls. 301 a 307 . A Delegacia da Receita Federal do Brasil, encaminhou o processo a este Conselho para julgamento. É o Relatório. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 29/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/08/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 22/08/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 27/08/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 17546.000912/200700 Acórdão n.º 240101.937 S2C4T1 Fl. 317 5 Voto Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Relatora PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE: O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação à fl. 312. Superados os pressupostos, passo as preliminares ao exame do mérito. DAS QUESTÕES PRELIMINARES: Quanto ao questionamento do recorrente para que se desconsidere a existência de grupo econômico, face os argumentos apresentadosentendo que não há como apreciar a matéria nos autos em questão. O lançamento em questão envolve autuação pelo não registro de segurado empregado. Contudo, ao determinar a baixo do processo em diligência para que fossem prestados esclarecimentos, constatou o auditor que a multa não poderia perdurar frente a denúncia espontânea do recorrente em registrar os empregados, bem como em outros dois casos constatouse a existência de decisão judicial no âmbito da Justiça do Trabalho. Dessa forma, não há como julgar qualquer matéria, se a multa que consubstanciava a responsabilidade resultou improcedente. Não se julga aqui o grupo econômico, visto que não há multa a ser aplicada no corpo desses autos. Face ao exposto e tudo o mais que consta dos autos. CONCLUSÃO: Voto pelo NÃO CONHECIMENTO do recurso tendo em vista que o lançamento foi julgado improcedente. É como voto. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Fl. 5DF CARF MF Emitido em 29/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/08/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 22/08/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 27/08/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 Fl. 6DF CARF MF Emitido em 29/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/08/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 22/08/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 27/08/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
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Numero do processo: 14120.000509/2005-13
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri May 13 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu May 12 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2002
PENSÃO ALIMENTÍCIA. TRIBUTAÇÃO. CORREÇÃO. Está sujeita ao
pagamento mensal do imposto a pessoa física que receber de outra pessoa física, ou de fontes situadas no exterior, os rendimentos percebidos em dinheiro, a título de alimentos ou pensões, em cumprimento de decisão judicial, ou acordo homologado judicialmente, inclusive alimentos provisionais.
MULTA ISOLADA DE OFÍCIO. AUSÊNCIA DO PAGAMENTO DO CARNÊ-LEÃO.
INCIDÊNCIA CONCOMITANTE COM A MULTA DE OFÍCIO VINCULADA AO IMPOSTO LANÇADO NO AJUSTE ANUAL.
IMPOSSIBILIDADE. Mansamente assentada na jurisprudência dos
Conselhos de Contribuintes e da Câmara Superior de Recursos Fiscais que a multa isolada do carnê-leão não pode ser cobrada concomitantemente com a multa de ofício que incidiu sobre o imposto lançado no ajuste anual, este em decorrência da colação no ajuste anual do rendimento que deveria ter sido submetido ao recolhimento mensal obrigatório, pois ambas têm a mesma base
de cálculo.
Recurso provido em parte.
Numero da decisão: 2102-001.298
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, DAR parcial provimento para cancelar a multa isolada pelo não recolhimento do carnê-leão. Vencida a Conselheira Núbia Matos Moura que negava provimento ao recurso.
Matéria: IRPF- ação fiscal - omis. de rendimentos - PF/PJ e Exterior
Nome do relator: GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS
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TRIBUTAÇÃO. CORREÇÃO. Está sujeita ao pagamento mensal do imposto a pessoa física que receber de outra pessoa física, ou de fontes situadas no exterior, os rendimentos percebidos em dinheiro, a título de alimentos ou pensões, em cumprimento de decisão judicial, ou acordo homologado judicialmente, inclusive alimentos provisionais. MULTA ISOLADA DE OFÍCIO. AUSÊNCIA DO PAGAMENTO DO CARNÊLEÃO. INCIDÊNCIA CONCOMITANTE COM A MULTA DE OFÍCIO VINCULADA AO IMPOSTO LANÇADO NO AJUSTE ANUAL. IMPOSSIBILIDADE. Mansamente assentada na jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes e da Câmara Superior de Recursos Fiscais que a multa isolada do carnêleão não pode ser cobrada concomitantemente com a multa de ofício que incidiu sobre o imposto lançado no ajuste anual, este em decorrência da colação no ajuste anual do rendimento que deveria ter sido submetido ao recolhimento mensal obrigatório, pois ambas têm a mesma base de cálculo. Recurso provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, DAR parcial provimento para cancelar a multa isolada pelo não recolhimento do carnêleão. Vencida a Conselheira Núbia Matos Moura que negava provimento ao recurso. Assinado digitalmente Fl. 1DF CARF MF Emitido em 21/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/06/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Assinado digitalmente em 15/06/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO 2 GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Relator e Presidente. EDITADO EM: 15/06/2011 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Núbia Matos Moura, Atílio Pitarelli, Rubens Maurício Carvalho, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti, Acácia Sayuri Wakasugi e Giovanni Christian Nunes Campos. Relatório Em face da contribuinte Maria Rejane Machado, CPF/MF nº 238.988.87987, já qualificada neste processo, foi lavrado, em 14/07/2005, auto de infração (fls. 15 a 26), com ciência postal em 19/07/2005 (fl. 27). Abaixo, discriminase o crédito tributário constituído pelo auto de infração, que sofre a incidência de juros de mora a partir do mês seguinte ao do vencimento do crédito: IMPOSTO R$ 16.104,72 MULTA DE OFÍCIO R$ 12.078,54 MULTA EXIGIDA ISOLADAMENTE R$ 14.920,62 À contribuinte foram imputadas as seguintes infrações, no anocalendário 2001, todas apenadas com multa de ofício de 75%: 001 RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOAS FÍSICAS SUJEITOS A CARNÊLEÃO OMISSÃO DE RENDIMENTOS DE PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL Lançamento de IRPF do ano calendário de 2001 tendo em vista a omissão de rendimentos recebidos a titulo de pensão alimentícia. A contribuinte acima identificada recebeu o Termo de Intimação Inicial em 24/02/2005. As correspondências subsequentes foram enviadas na tentativa de se conseguir a informação exata da pensão recebida. No dia 11/06/2005, nos foi enviado uma correspondência pela Sra. Maria Rejane onde afirmava que havia recebido o valor de R$ 44.025,93 a título de Pensão Alimentícia e que os valores foram informados na DIRPF. Em análise posterior, verificamos que os valores mencionados como recebidos não foram oferecidos a tributação no ano em análise. Sendo assim, foi feito o lançamento desses valores. Como não havia descritivo dos valores recebidos mensalmente, o valor total foi dividido a proporção de 1/12 durante o ano e acrescidos aos valores já declarados como recebidos de pessoa jurídica pela contribuinte. Valor anual total: R$ 44.025,93 Fl. 2DF CARF MF Emitido em 21/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/06/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Assinado digitalmente em 15/06/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 14120.000509/200513 Acórdão n.º 210201.298 S2C1T2 Fl. 2 3 Valor mensal : R$ 3.668,82 002 DEDUÇÃO DA BASE DE CÁLCULO PLEITEADA INDEVIDAMENTE (AJUSTE ANUAL) DEDUÇÃO INDEVIDA DE DESPESAS MÉDICAS Glosa de deduções com despesas médicas efetuadas no AC 2001. A contribuinte acima identificada recebeu o Termo de Intimação Inicial em 24/02/2005. Em atendimento a Intimação, a contribuinte apresentou uma correspondência datada de 05/04/2005 onde apresenta comprovantes das despesas efetuadas e deduzidas durante o AC 2001. No entanto, a contribuinte apresenta parcialmente os recibos com despesas médicas. Diante da falta de comprovação do efetivo pagamento ou de outros elementos que comprovassem tal despesas, foram glosados os seguintes valores: OSORIO JESUS FERREIRA MELO R$2.450,00 BRAULIO NEVES QUEIROZ LUIZ R$2.450,00 CARLOS DALLA MARTHA R$2.250,00 MARCIO BOTTEON R$7.000,00; 003 DEDUÇÃO DA BASE DE CÁLCULO PLEITEADA INDEVIDAMENTE (AJUSTE ANUAL) DEDUÇÃO INDEVIDA DE DESPESA COM INSTRUÇÃO A contribuinte acima identificada recebeu o Termo de Intimação Inicial em 24/02/2005. Em atendimento a Intimação, a contribuinte apresentou uma correspondência datada de 05/04/2005 onde apresenta comprovantes das despesas efetuadas e deduzidas durante o AC 2001. No entanto, a contribuinte apresenta a confirmação da despesa com instrução de Larissa Machado, não apresentado as demais despesas alegadas. Sendo assim, foi feito a glosa destas despesas não comprovadas. Despesas com instrução deduzidas: R$ 5.100,00 (referente a 3 pessoas dependentes) Valor glosado: R$ 3.400,00 (referente a 2 pessoas dependentes) 004 MULTAS ISOLADAS FALTA DE RECOLHIMENTO DO IRPF DEVIDO A TITULO DE CARNÊLEÃO Falta de recolhimento do Imposto de Renda da Pessoa Física devido a titulo de carnêleão. Inconformada com a autuação, a contribuinte apresentou impugnação ao lançamento, dirigida à Delegacia da Receita Federal de Julgamento. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 21/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/06/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Assinado digitalmente em 15/06/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO 4 A 3ª Turma da DRJ/CGE, por unanimidade de votos, julgou procedente em parte o lançamento, em decisão consubstanciada no Acórdão n° 0415.058, de 20 de agosto de 2008 (fls. 58 a 69), que restou assim ementada: PENSÃO ALIMENTÍCIA DESCONTADA EM FOLHA DE PAGAMENTO. RESPONSABILIDADE PELO RECOLHIMENTO. CARNÊ LEÃO. As importâncias descontadas em folha a título de 'pensão alimentícia em face das normas do direito de família, quando em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente, inclusive a prestação de alimentos provisionais, não estão sujeitas à retenção na fonte, devendo o beneficiário da pensão efetuar o recolhimento no mês do recebimento a título de carnêleão. DESPESAS COM INSTRUÇÃO E DESPESAS MÉDICAS. As despesas com instrução e médicas devem ser comprovadas por documentos. MULTA EXIGIDA ISOLADAMENTE. COMINAÇÃO DA PENALIDADE MENOS SEVERA Apurada a omissão de rendimentos sujeitos ao recolhimento do CarnêLeão, é cabível a multa exigida sobre o valor do imposto mensal devido e não recolhido, cobrada isoladamente. É devida a redução da multa isolada com base em alteração legislativa introduzida posteriormente ao lançamento. DILAÇÃO PROBATÓRIA. No processo administrativo tributário, a produção extemporânea de provas deve ser exercida mediante apresentação das provas acompanhada de petição demonstrando os fundamentos da demora. PRINCÍPIOS DO "NÃO HÁ TRIBUTO SEM LEI ANTERIOR" E "IN DUBIO PRO CONTRIBUINTE". O lançamento está embasado em legislação vigente à época da ocorrência do fato gerador. A falta de prova, quando o ônus é do sujeito passivo, não configura fato duvidoso autorizador da interpretação da legislação tributária de modo mais favorável ao contribuinte. A contribuinte foi intimada da decisão a quo em 06/02/2009 (fl. 106). Irresignada, interpôs recurso voluntário em 16/02/2009 (fl. 111). No voluntário, a recorrente alega, em síntese, o que segue (fl. 111 – transcrição do recurso voluntário), verbis: Como já dito em exaustivas fundamentações lançadas na defesa apresentada, o recorrente ao receber pensionamento de seu falecido marido, teve retido na fonte pelos órgãos pagadores o devido IMPOSTO DE RENDA, contudo, por uma falha em seus informes de rendimentos, não foram declarados os rendimentos recebidos de pensão do falecido marido. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 21/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/06/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Assinado digitalmente em 15/06/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 14120.000509/200513 Acórdão n.º 210201.298 S2C1T2 Fl. 3 5 Porém, entendeu o Sr. Auditor Fiscal relator, que o órgão pagador de pensão não tem obrigação de reter na fonte os valores do IRPF, devendo estes serem declarados e pagos via carnê leão pelo próprio contribuinte. Não pode concordar a recorrente com tal entendimento pois, não se trata de norma legal, conforme estampados nos fundamentos do relator. (...) É o relatório. Voto Conselheiro Giovanni Christian Nunes Campos, Relator Declarase a tempestividade do apelo, já que a contribuinte foi intimada da decisão recorrida em 06/02/2009 (fl. 106), sextafeira, e interpôs o recurso voluntário em 16/02/2009 (fl. 111), dentro do trintídio legal, este que teve seu termo final em 09/03/2009, segundafeira. Dessa forma, atendidos os demais requisitos legais, passase a apreciar o apelo, como discriminado no relatório. De plano, vêse que a insurgência recursal limitase a vergastar a omissão de rendimentos decorrente da pensão alimentícia, percebidos de pessoa física, ao argumento de que a fonte pagadora teria procedido à retenção do IRRF. Assim, as demais infrações não foram controvertidas e são definitivas na via administrativa. Aqui se considera controvertida a omissão de rendimentos decorrente da pensão alimentícia, percebida do excônjuge da fiscalizada, implicando que a recorrente insurgese contra o imposto lançado e a multa de ofício vinculada, e, por consectário lógico, contra a multa isolada pelo não recolhimento do carnêleão, esta que decorre da omissão dos rendimentos percebidos de pessoa física, isso apesar de a recorrente não ter vergastado, especificamente, a multa isolada decorrente do não pagamento do carnêleão. O entendimento acima, no tocante a englobar a controvérsia sobre a multa isolada do carnêleão quando o contribuinte vergasta a omissão de rendimentos percebidos de pessoa física ou fonte do exterior, foi recentemente acatado pela Segunda Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, no Acórdão nº 9202001.593, sessão de 10 de maio de 2011. A fiscalizada informou o valor percebido a título de pensão alimentícia e, na impugnação, asseverou que o valor era creditado em sua conta bancária, havendo a retenção na fonte pelas fontes pagadoras, sendo que o exmarido havia oferecido à tributação a totalidade dos rendimentos, e, assim, exigir o novamente o tributo configuraria em inaceitável bis in idem. Abaixo se transcrevem as normas legais que tratam da tributação de pensão alimentícia, com os destaques pertinentes ao caso aqui em debate, extraídas do Decreto nº 3.000/99 (Regulamenta a tributação, fiscalização, arrecadação e administração do Imposto sobre a Renda e Proventos de Qualquer Natureza): Fl. 5DF CARF MF Emitido em 21/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/06/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Assinado digitalmente em 15/06/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO 6 (...) Art.37.Constituem rendimento bruto todo o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos, os alimentos e pensões percebidos em dinheiro, os proventos de qualquer natureza, assim também entendidos os acréscimos patrimoniais não correspondentes aos rendimentos declarados (Lei nº 5.172, de 1966, art. 43, incisos I e II, e Lei nº 7.713, de 1988, art. 3º, §1º). Parágrafo único.Os que declararem rendimentos havidos de quaisquer bens em condomínio deverão mencionar esta circunstância (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 66). (...) Art.78.Na determinação da base de cálculo sujeita à incidência mensal do imposto, poderá ser deduzida a importância paga a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente, inclusive a prestação de alimentos provisionais (Lei nº 9.250, de 1995, art. 4º, inciso II). §1ºA partir do mês em que se iniciar esse pagamento é vedada a dedução, relativa ao mesmo beneficiário, do valor correspondente a dependente. §2ºO valor da pensão alimentícia não utilizado, como dedução, no próprio mês de seu pagamento, poderá ser deduzido nos meses subseqüentes. §3ºCaberá ao prestador da pensão fornecer o comprovante do pagamento à fonte pagadora, quando esta não for responsável pelo respectivo desconto. §4ºNão são dedutíveis da base de cálculo mensal as importâncias pagas a título de despesas médicas e de educação dos alimentandos, quando realizadas pelo alimentante em virtude de cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, §3º). §5ºAs despesas referidas no parágrafo anterior poderão ser deduzidas pelo alimentante na determinação da base de cálculo do imposto de renda na declaração anual, a título de despesa médica (art. 80)ou despesa com educação (art. 81)(Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, §3º). (...) Art.83.A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, e Lei nº 9.477, de 1997, art. 10, inciso I): Ide todos os rendimentos percebidos durante o anocalendário, exceto os isentos, os não tributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; IIdas deduções relativas ao somatório dos valores de que tratam os arts. 74, 75, 78 a 81, e 82, e da quantia de um mil e oitenta reais por dependente. Fl. 6DF CARF MF Emitido em 21/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/06/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Assinado digitalmente em 15/06/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 14120.000509/200513 Acórdão n.º 210201.298 S2C1T2 Fl. 4 7 Parágrafo único.O resultado da atividade rural apurado na forma dos arts. 63 a 69 ou 71, quando positivo, integrará a base de cálculo do imposto (Lei nº 9.250, de 1995, arts. 9º e 21). (...) Art.106.Está sujeita ao pagamento mensal do imposto a pessoa física que receber de outra pessoa física, ou de fontes situadas no exterior, rendimentos que não tenham sido tributados na fonte, no País, tais como (Lei nº 7.713, de 1988, art. 8º, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 24, §2º, inciso IV): Ios emolumentos e custas dos serventuários da Justiça, como tabeliães, notários, oficiais públicos e outros, quando não forem remunerados exclusivamente pelos cofres públicos; IIos rendimentos recebidos em dinheiro, a título de alimentos ou pensões, em cumprimento de decisão judicial, ou acordo homologado judicialmente, inclusive alimentos provisionais; IIIos rendimentos recebidos por residentes ou domiciliados no Brasil que prestem serviços a embaixadas, repartições consulares, missões diplomáticas ou técnicas ou a organismos internacionais de que o Brasil faça parte; IVos rendimentos de aluguéis recebidos de pessoas físicas. (grifouse) Claramente se vê que a pensão alimentícia paga pelo alimentante (no caso, o exmarido) é despesa dedutível da base de cálculo do imposto dele (art. 83, II, c/c art. 78 do Decreto nº 3.000/99). Ainda, caberia à beneficiária da pensão efetuar o recolhimento mensal obrigatório do imposto (art. 106, II, do Decreto nº 3.000/99), efetuando ainda a colação da pensão alimentícia ao rol tributável em sua declaração de ajuste anual (art. 37 do Decreto nº 3.000/99). Assim, sem qualquer procedência a argumentação recursal de que o pagador da pensão (exmarido) tivesse oferecido todos os rendimentos à tributação. Ao revés, utilizou se ele da dedução da pensão, para reduzir o IRRF mensal, na forma do art. 78 do Decreto nº 3000/99, e, por outro lado, caberia à beneficiária da pensão ter oferecido os alimentos à colação junto aos demais rendimentos no ajuste anual. Ademais, no caso de pensão alimentícia, não cabe à entidade que faz a glosa dos valores nos estipêndios do alimentante (exmarido/fonte pagadora), repassandoa à beneficiária da pensão, efetuar qualquer retenção do IRRF paga à beneficiária, pois a entidade não tem qualquer vínculo com o fato gerador do imposto nessa situação, impedindo a responsabilidade tributária na forma do art. 128 do CTN (Sem prejuízo do disposto neste capítulo, a lei pode atribuir de modo expresso a responsabilidade pelo crédito tributário a terceira pessoa, vinculada ao fato gerador da respectiva obrigação, excluindo a responsabilidade do contribuinte ou atribuindoa a este em caráter supletivo do cumprimento total ou parcial da referida obrigação). O vínculo se estabelece apenas entre o pagador da pensão (exmarido/fonte pagadora) e o beneficiário dela (fiscalizada/autuada). Essa é a razão pela qual a legislação exige que o beneficiário da pensão antecipe mensalmente o imposto, no chamado carnêleão, na forma do art. 106, II, do Decreto nº 3.000/99, pois percebe valores de pessoa física (no caso, o exmarido, que é a fonte pagadora). Fl. 7DF CARF MF Emitido em 21/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/06/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Assinado digitalmente em 15/06/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO 8 Com as considerações acima, vêse que está correta a imputação dos rendimentos da pensão alimentícia à recorrente, com o competente cômputo do imposto devido, com a multa de ofício vinculada de 75%. Entretanto, no caso em que os rendimentos sujeitos ao carnêleão são colacionados pela autoridade fiscal no ajuste anual, a jurisprudência administrativa assentouse no sentido da impossibilidade da imputação de uma dupla penalidade pecuniária ao autuado pela omissão dos rendimentos recebidos de pessoa física (ou de fonte do exterior), uma vinculada ao imposto devido (a multa de ofício vinculada ao imposto devido no ajuste anual, no percentual de 75% do imposto) e outra pelo não recolhimento do carnêleão (multa de ofício isolada, tendo como base de cálculo o imposto não antecipado mensalmente – carnêleão), ao fundamento de que a omissão dos rendimentos recebidos de pessoa física (ou de fonte do exterior) seria a base de cálculo para a apuração do imposto anual e daquele que deveria ter sido antecipado dentro do anocalendário, com as multas no percentual de 75% incidentes sobre cada um dos impostos apurados – o que deveria ter sido antecipado e o do ajuste anual (ou mesmo no percentual de 50%, no caso da multa isolada do carnêleão, como no caso vertente). Em essência, uma mesma conduta (omissão de rendimentos percebidos de pessoa física ou de fonte do exterior), levaria a uma dupla penalidade, o que não seria admitido em nosso ordenamento jurídico. Para tanto, vejamse as seguintes ementas: Acórdão nº CSRF/0104.987, sessão de 15 de junho de 2004, relatora a conselheira Leila Maria Scherrer Leitão MULTA ISOLADA E MULTA DE OFÍCIO – CONCOMITÂNCIA –MESMA BASE DE CÁLCULO – A aplicação concomitante da multa isolada (inciso III, do § 1º, do art. 44, da Lei nº 9.430, de 1996) e da multa de ofício (incisos I e II, do art. 44, da Lei n 9.430, de 1996) não é legítima quando incide sobre uma mesma base de cálculo. Acórdão nº 10248.216, sessão de 26 de janeiro de 2007, relator o conselheiro Antonio José Praga de Sousa PRESTAÇÃO DE SERVIÇO POR NACIONAIS JUNTO AO PNUD TRIBUTAÇÃO – São tributáveis os rendimentos decorrentes da prestação de serviço junto ao Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento –PNUD, quando recebidos por nacionais contratados no País, por faltarlhes a condição de funcionário de organismos internacionais, este detentor de privilégios e imunidades em matéria civil, penal e tributária. (Acórdão CSRF 0400.024 de 21/04/2005). MULTA ISOLADA E MULTA DE OFÍCIO CONCOMITÂNCIA MESMA BASE DE CÁLULO A aplicação concomitante da multa isolada e da multa de oficio não é legítima quando incide sobre uma mesma base de cálculo (Acórdão CSRF nº 0104.987 de 15/06/2004). Acórdão nº 10422.058, sessão de 06 de dezembro de 2006, relator o conselheiro Nelson Mallmann RENDIMENTOS RECEBIDOS DE ORGANISMOS INTERNACIONAIS UNESCO/ONU A isenção de imposto de renda sobre rendimentos pagos pelos organismos internacionais é privilégio exclusivo dos funcionários que satisfaçam as Fl. 8DF CARF MF Emitido em 21/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/06/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Assinado digitalmente em 15/06/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 14120.000509/200513 Acórdão n.º 210201.298 S2C1T2 Fl. 5 9 condições previstas na Convenção sobre Privilégio e Imunidades das Nações Unidas, recepcionada no direito pátrio pelo Decreto nº. 22.784, de 1950 e pela Convenção sobre Privilégios e Imunidades das Agências Especializadas da Organização das Nações Unidas, aprovada pela Assembléia Geral do Organismo em 21 de novembro de 1947, ratificada pelo Governo Brasileiro por via do Decreto Legislativo nº. 10, de 1959, promulgada pelo Decreto nº. 52.288, de 1963. Não estão albergados pela isenção os rendimentos recebidos pelos técnicos a serviço da Organização, residentes no Brasil, sejam eles contratados por hora, por tarefa ou mesmo com vínculo contratual permanente. LEGITIMIDADE PASSIVA Os Organismos Internacionais que possuem imunidade de jurisdição não se submetem à legislação interna brasileira, portanto deles não se pode exigir a retenção e o recolhimento do imposto de renda sobre valores pagos às pessoas físicas. Estas têm seus rendimentos sujeitos à tributação mensal, na forma de carnêleão. MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO E MULTA ISOLADA CONCOMITÂNCIA É incabível, por expressa disposição legal, a aplicação concomitante de multa de lançamento de ofício exigida com o tributo ou contribuição, com multa de lançamento de ofício exigida isoladamente. (Artigo 44, inciso I, § 1º, itens II e III, da Lei nº. 9.430, de 1996). Acórdão nº 10616.124, sessão de 28 de fevereiro de 2007, relator o conselheiro José Ribamar Barros Penha IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. REMUNERAÇÃO AUFERIDA POR NACIONAIS JUNTO AO PNUD. TRIBUTAÇÃO – Estão sujeitos a tributação do Imposto de Renda os rendimentos auferidos junto ao Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento – PNUD em contraprestação de serviço contratados em território nacional, uma vez não preenchida a condição de funcionário do organismo internacional. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. MULTA ISOLADA CONCOMITANTE – É de ser afastada a aplicação de multa isolada concomitantemente com multa de ofício tendo ambas a mesma base de cálculo. No ponto, é de se afastar a multa isolada que incidiu sobre o recolhimento mensal obrigatório (carnêleão) não pago. Ante o exposto, voto no sentido de DAR parcial provimento para cancelar a multa isolada pelo não recolhimento do carnêleão. Assinado digitalmente Fl. 9DF CARF MF Emitido em 21/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/06/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Assinado digitalmente em 15/06/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO 10 Giovanni Christian Nunes Campos Fl. 10DF CARF MF Emitido em 21/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/06/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Assinado digitalmente em 15/06/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO
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