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Numero do processo: 10380.913378/2009-48
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Mar 31 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2005
LUCRO REAL ANUAL. CÁLCULO DA CSLL MENSAL POR ESTIMATIVA COM BASE EM BALANÇO OU BALANCETE DE SUSPENSÃO OU REDUÇÃO. INOCORRÊNCIA DE BASE IMPONÍVEL. RECOLHIMENTO INDEVIDO DE CSLL. CONFISSÃO NA DCTF DE DÉBITO INDEVIDO. ERRO DE FATO.
Restando comprovada pela escrituração contábil/fiscal, em procedimento de diligência, a inocorrência de base tributável para o período de apuração da CSLL a que se refere o pagamento, é cabível a apresentação de DCTF retificadora e a restituição do valor pago/recolhido indevidamente a título da CSLL desse período de apuração, sem necessidade de levá-lo para o ajuste anual (apuração de saldo negativo), justamente por não ter relação com a apuração do tributo, pois decorreu de erro de fato (erro material), consoante inteligência da Súmula CARF nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação.
DCOMP. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA DE DÉBITOS E CRÉDITOS. HOMOLOGAÇÃO.
Restando comprovada a liquidez, certeza e disponibilidade de crédito, cabe homologar a compensação tributária até o limite do direito creditório deferido.
Numero da decisão: 1802-002.044
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
(documento assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa- Presidente.
(documento assinado digitalmente)
Nelso Kichel- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel, Marciel Eder Costa, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Marco Antônio Nunes Castilho.
Nome do relator: NELSO KICHEL
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CÁLCULO DA CSLL MENSAL POR ESTIMATIVA COM BASE EM BALANÇO OU BALANCETE DE SUSPENSÃO OU REDUÇÃO. INOCORRÊNCIA DE BASE IMPONÍVEL. RECOLHIMENTO INDEVIDO DE CSLL. CONFISSÃO NA DCTF DE DÉBITO INDEVIDO. ERRO DE FATO. Restando comprovada pela escrituração contábil/fiscal, em procedimento de diligência, a inocorrência de base tributável para o período de apuração da CSLL a que se refere o pagamento, é cabível a apresentação de DCTF retificadora e a restituição do valor pago/recolhido indevidamente a título da CSLL desse período de apuração, sem necessidade de leválo para o ajuste anual (apuração de saldo negativo), justamente por não ter relação com a apuração do tributo, pois decorreu de erro de fato (erro material), consoante inteligência da Súmula CARF nº 84: “Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação”. DCOMP. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA DE DÉBITOS E CRÉDITOS. HOMOLOGAÇÃO. Restando comprovada a liquidez, certeza e disponibilidade de crédito, cabe homologar a compensação tributária até o limite do direito creditório deferido. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 91 33 78 /2 00 9- 48 Fl. 825DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 30/03/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10380.913378/200948 Acórdão n.º 1802002.044 S1TE02 Fl. 826 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (documento assinado digitalmente) Nelso Kichel Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel, Marciel Eder Costa, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Marco Antônio Nunes Castilho. Fl. 826DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 30/03/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10380.913378/200948 Acórdão n.º 1802002.044 S1TE02 Fl. 827 3 Relatório Cuidam os autos de Recurso Voluntário de fls.27/39 contra decisão da 3ª Turma da DRJ/Fortaleza (fls. 23/24verso) que julgou a Manifestação de Inconformidade improcedente, não reconhecendo o direito creditório pleiteado, não homologando a compensação tributária informada. Quanto aos fatos, consta dos autos que: em 08/07/2008, a contribuinte transmitiu pela internet o PER/DCOMP nº 22581.61016.080708.1.3.047320 (fls. 01/04), informando compensação tributária: a) débitos informados: IRRF, código de receita 1705, período de apuração Junho/2008, data de vencimento 10/07/2008, R$ 449,13; CSLL/COFINS/PIS/PASEP, código de receita 595202, 2ª Quinzena de Junho/2008, vencimento 15/07/2008, R$ 872,97; IRRF, código de receita 056107, período de apuração junho/2008, data de vencimento 10/07/2008, R$ 20.022,81; b) crédito utilizado (valor original na data da transmissão): R$ 16.022,49; que o suposto direito creditório decorreu de pagamento indevido ou a maior da CSLL do período de apuração 31/07/2005, código de receita 2484, data de arrecadação 31/08/2005, valor do recolhimento R$ 729.466,29, conforme comprovante de arrecadação (fls.14 e 42). Em 07/10/2009, houve emissão do Despacho Decisório (eletrônico) de fls. 05/06, pela DRF/Fortaleza, denegando o direito creditório pleiteado, com a seguinte fundamentação: (...) 3FUNDAMENTACÃO, DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL Limite do crédito analisado, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão informado no PER/DCOMP: 623.660,16. A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. (...) Diante da inexistência do crédito, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada. (...). Fl. 827DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 30/03/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10380.913378/200948 Acórdão n.º 1802002.044 S1TE02 Fl. 828 4 Enquadramento legal: Arts. 165 e 170, da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN). Art. 74 da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (...) Ciente dessa decisão em 21/10/2009 (fls. 07/08), a Contribuinte, em 20/11/2009, apresentou Manifestação de Inconformidade (fls. 09/12), juntando ainda documentos de fls. 13/18, cujas razões, em síntese, são as seguintes: Da existência do crédito pleiteado: a) que, em 31/08/2005, efetuou o recolhimento de R$ 729.466,29, referente à CSLL – Estimativa Mensal, período de apuração: julho de 2005. Comprovante de pagamento (fls. 14 e 42); b) que, entretanto, nesse PA não houve base imponível da CSLL mensal por estimativa com base em balanço ou balancete de suspensão/redução (base negativa); c) que ao findar o anocalendário 2005, também, foi apurado resultado negativo (prejuízo fiscal); d) que, nesse sentido, consta expressamente da Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica – DIPJ 2006 a apuração de RESULTADO DO PERÍODO DE APURAÇÃO do anocalendário 2005, o valor de R$ 73.173.069,26 (prejuízo), consoante cópia da Ficha 06A – Demonstração do Resultado – PJ em Geral (fl. 15); e) que, inexistindo resultado positivo do PA julho/2005 e também do ano calendário, não se configurou, de fato, a situação hipotética descrita na norma tributária apta a configurar a incidência da CSLL; f) que não há que se cogitar em incidência da CSLL, uma vez que não houve base tributável nesse ano, para efeito dessa Contribuição g) que, assim, o valor recolhido por estimativa, referente ao PA julho de 2005, foi de fato indevido, conforme fechamento do período de apuração anual de 2005, DIPJ 2006 (prejuízo fiscal). E, sendo indevido o recolhimento, a Contribuinte utilizou esse crédito para compensar valores (débitos de tributos a pagar) do ano de 2008; que no PER/DCOMP objeto dos autos utilizou parte desse crédito; h) que referido prejuízo, também, foi devidamente informado na DCTF retificadora, transmitida em 27/10/2009 (obs: DCTF retificadora transmitida após ciência do despacho decisório). Por fim, com base nessas razões, conclui a contribuinte que dúvida não resta de que o crédito existe, decorrente da inexistência de base tributável, em face do prejuízo fiscal devidamente comprovado e informado na DIPJ 2006 e na DCTF Retificadora (anobase de 2005). Assim, comprovada a existência do crédito, a Instrução Normativa RFB n.° 900 autoriza a compensacão com outros débitos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, razão pela qual requer a revisão do despacho que não homologou a compensação pleiteada. Fl. 828DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 30/03/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10380.913378/200948 Acórdão n.º 1802002.044 S1TE02 Fl. 829 5 A DRJ/Fortaleza, conforme Acórdão de fls. 23/24verso, julgou a Manifestação de Inconformidade improcedente, não reconhecendo o direito creditório pleiteado pela impossibilidade de aproveitamento direto de antecipações de pagamento por estimativa como crédito sem leválo, primeiro, para a declaração de ajuste, cuja ementa transcrevo: (...) ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2008 COMPENSAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE DE APROVEITAMENTO DE PAGAMENTO DE ESTIMATIVA COMO CRÉDITO. As estimativas efetivamente recolhidas são antecipações do tributo devido ao final do anocalendário. Em conseqüência, passível de restituição somente é o saldo negativo apurado na Declaração de Ajuste Anual. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido (...) Ciente desse decisum em 27/07/2010 (fl. 26), a Contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 25/08/2010 (fls. 27/39), juntando ainda os documentos de fls.39/57, reiterando as razões já apresentadas na impugnação na primeira instância de julgamento; porém, nesta instância recursal, acrescentou: que, em que pese ter efetuado o pagamento da CSLL – Estimativa Mensal no montante de R$ 729.466,29, período de apuração julho 2005, apurou que não havia CSLL pagar nesse período, pois, na Ficha 17 – Cálculo da Contribuição Social sobre Lucro Líquido Mensal por Estimativa, apurou, mediante balanço ou balancete mensal de suspensão/redução, resultado negativo R$ (22.238.973,21), conforme demonstra cópia da referida Ficha da DIPJ 2006, anocalendário 2005, juntada aos autos (fl. 43); que no encerramento do anocalendário 2005, também, foi apurado resultado negativo (prejuízo fiscal); que, nesse sentido, consta expressamente da Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica – DIPJ 2006 a apuração de RESULTADO DO PERÍODO DE APURAÇÃO do anocalendário 2005, o valor de R$ 73.173.069,26 (prejuízo), consoante cópia da Ficha 06A – Demonstração do Resultado – PJ em Geral (fl. 15); que a DCTF retificadora, transmitida em 27/10/2009, também, comprova que, com base em Balanço ou Balancete de Suspensão/Redução, sequer havia valor a ser apurado/recolhido a esse título, para o período de apuração julho/2005 (fls.44/56); que a pessoa jurídica poderá suspender ou reduzir o pagamento da CSLL mensal, desde que demonstre, através de Balanço ou Balancete Mensal de Suspensão/Redução, Fl. 829DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 30/03/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10380.913378/200948 Acórdão n.º 1802002.044 S1TE02 Fl. 830 6 que a soma da CSLL paga por estimativa dos meses anteriores é igual ou superior ao valor da CSLL apurada com base em Balanço ou Balancete mensal; que, utilizando o direito disposto no artigo 74, da Lei n.° 9.430/96 cumulado com Instruções Normativas baixadas pela RFB, apresentou Declaração de Compensação, utilizando parte do referido crédito do IRPJ apurado por estimativa e indevidamente recolhido, para quitação de valores a pagar do ano de 2008 (débitos de tributos) e nesse ano, sendo que, no presente PER/DCOMP, como já dito, utilizou apenas parte desse crédito original, atualizado pela SELIC; que, mesmo diante de todo o correto procedimento na forma do artigo 165 do CTN, cumulado com o artigo 74 da Lei n.° 9.430/96 que regula a compensação de débitos tributários com créditos advindos de pagamentos feitos indevidamente ou a maior, teve seu direito creditório negado pela RFB (despacho decisório), sob a alegação de que o valor a ser compensado já havia sido utilizado integralmente para quitação de débitos tributários da contribuinte, não havendo crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP; que a DRJ/Fortaleza, decisão ora recorrida, apesar de não rechaçar a existência do crédito, nega o seu aproveitamento sob o argumento de que não poderia ter sido utilizado no PER/DCOMP como CSLL Estimativa Mensal pagamento indevido ou a maior, mas somente como saldo negativo. De fato, quando do preenchimento da PER/DCOMP, o valor do crédito a ser compensado foi classificado no campo "Tipo de Crédito" como "pagamento indevido ou a maior"; que, entretanto, pela ótica do acórdão recorrido, tal crédito deveria ter sido classificado como “saldo negativo de CSLL do anocalendário”; que o acórdão objurgado ainda sugere que a Recorrente formule no novo pedido de compensação, desta vez com a "correta” classificação do crédito; que, mesmo se admitindo que houve o equívoco no preenchimento do campo "Tipo de Crédito" do PER/DCOMP, o que se cogita apenas em atenção ao princípio da eventualidade, um erro meramente formal, que não ocasionou absolutamente nenhum prejuízo à RFB, não poderia servir de fundamento para a negativa do direito creditório, uma vez que restou incontroverso nos autos que houve pagamento indevido da CSLL do período de apuração de julho do ano de 2005. Os documentos acostados também comprovam cabalmente a existência do crédito de R$ 729.466,29; que a decisão a quo negou vigência aos principios informadores do processo administrativo, dentre eles, os da finalidade, eficiência (economicidade), razoabilidade e da verdade material (Lei n.° 9784/99; art. 2º); que outro ponto para análise, que merece reparo, referese à alusão do acórdão recorrido ao art. 10 da Instrução Normativa'SRF n.° 600/2005. Vale ressaltar que referida regra traz vedação à compensação do pagamento das estimativas de IRPJ e CSLL com esses mesmos tributos no mês imediatamente seguinte, que não é o caso; que a Lei n.° 9.430/96, que dispõe sobre a forma de cálculo e apuração por estimativa mensal do IRPJ e da CSLL, em nenhum momento disciplina que os valores indevidamente pagos ou a maior de estimativa mensal somente poderiam ser utilizados na declaração do IRPJ e da CSLL devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo do período. Citou, em favor de sua tese, o Acórdão nº 10516.205, Sessão de Fl. 830DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 30/03/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10380.913378/200948 Acórdão n.º 1802002.044 S1TE02 Fl. 831 7 06/12/2006, Relator José Clóvis Alves. Ainda, no mesmo sentido, mencionou o Acórdão da CSRF nº 0100.406, de outubro/2009; que tem direito à compensação tributária, citando o art.170 do CTN e art. 74 da Lei nº 9.430/96. Por fim, com base nessas razões, a Recorrente pediu reforma da decisão recorrida, para que seja deferido o crédito pleiteado e homologada a compensação tributária objeto dos autos. Em face das alegações da Recorrente, está 2ª Turma Especial de Julgamento, na sessão de 04 de dezembro de 2012 (Resolução nº 1802000132) – fls. 64/72, resolveu converter o julgamento em diligência para instrução complementar, baixando os autos do processo à unidade de origem da RFB, no caso DRF/Fortaleza, para as seguintes providências conforme consta do voto condutor (fls. 71/72), in verbis: (...) Em face disso, para complementação das provas e em consonância com o princípio da verdade material, propugno pela conversão do julgamento em diligência para retorno dos autos do processo à unidade de origem da RFB, no caso à DRF/Fortaleza, para as seguintes providências: 1) juntar cópia completa da DIPJ 2006, anocalendário 2005; 2) juntar cópia completa da DCTF original, relativo ao período de apuração julho/2005; 3) juntar cópia completa da DCTF retificadora de 27/10/2009; 4) intimar a contribuinte para fornecer e juntar aos autos cópia dos balancetes de suspensão/redução do anocalendário 2005 de que trata o art. 35 da Lei nº 8.981/95, registrados no LALUR e transcritos no Livro Diário; 5) intimar a contribuinte para apresentar à fiscalização sua escrituração contábil, mormente os Livro Razão, Diário e Lalur do anocalendário 2005, para comprovação do seu direito creditório; 6) elaborar relatório completo, circunstanciado, e conclusivo do resultado da diligência, quanto à existência ou não do direito creditório original pleiteado nos presentes autos e se disponível para utilização para compensação com os débitos informados nos autos; 7) intimar a contribuinte do resultado do relatório de diligência, abrindo prazo de 30 (trinta) dias, a partir da ciência, para, em querendo, apresentar contrarrazões. Transcorrido o prazo, com ou sem manifestação da contribuite, retornem os autos para julgamento. (...) Fl. 831DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 30/03/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10380.913378/200948 Acórdão n.º 1802002.044 S1TE02 Fl. 832 8 Realizada a diligência solicitada, houve a juntada dos documentos (fls. 77/821). Resultado da diligência, conforme Relatório (fls. 818/820). Intimada a Contribuinte do resultado da diligência em 30/07/2013 (fl. 821), não se manifestou, deixou transcorrer o lapso temporal in albis, conforme despacho de encaminhamento/devolução dos autos a este CARF pela DRF/Fortaleza, de 12/11/2013 (fl.822). É o relatório. Fl. 832DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 30/03/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10380.913378/200948 Acórdão n.º 1802002.044 S1TE02 Fl. 833 9 Voto Conselheiro Nelso Kichel, Relator. O Recurso Voluntário, por ser tempestivo e atender aos demais requisitos de admissibilidade, merece ser apreciado. Logo, dele conheço. Conforme relatado, os autos tratam de Declaração de Compensação Tributária; porém a decisão recorrida da DRJ/Fortaleza, assim como já havia ocorrido com o despacho decisório da DRF/Fortaleza, denegou o crédito pleiteado, não homologando a compensação informada nos autos. A Recorrente pleiteou crédito de R$ R$ 16.022,49 (valor original), relativo a suposto pagamento indevido de R$ 729.466,29 (valor original) de CSLL estimativa mensal do PA 31/07/2005, código de receita 2484, data de arrecadação 31/08/2005, conforme cópia do DARF (fl. 42). O crédito pleiteado foi denegado até então, em suma, por dois fundamentos: a) inexistência de crédito disponível, pois o valor recolhido da CSLL estimativa mensal do PA julho/2005 teria sido totalmente consumido pelo débito dessa Contribuição, de igual valor, desse PA, confessado na respectiva DCTF e que a DCTF retificadora (anulando esse débito) não poderia ser aceita, pois foi transmitida, eletronicamente, após ciência do despacho decisório, quando a Contribuinte já havia perdido a espontaneidade e, além disso, a Contribuinte não teria comprovado nos autos, de forma cabal, com cópia de livros e documentos de escrituração contábil/fiscal que teria ocorrido erro quanto ao valor do imposto informado/confessado na DCTF primitiva; b) inviabilidade do pleito de restituição/aproveitamento de crédito de determinado pagamento a maior ou indevido de CSLL estimativa mensal; que as estimativas efetivamente recolhidas são antecipações do tributo devido ao final do anocalendário. Em conseqüência, somente seria passível de restituição o saldo negativo apurado no encerramento do anocalendário e informado na Declaração de Ajuste Anual. Inexistindo preliminar a ser enfrentada, passo à análise do mérito do litígio deduzido. A decisão recorrida deve ser reformada. Os dois fundamentos que, até então, foram utilizados para indeferimento do crédito pleiteado deixaram de ser óbice nesta instância de julgamento, pelo seguinte: 1) – COMPROVAÇÃO DA CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO PLEITEADO/UTILIZADO NA DCOMP: Primeiro, na Sessão de Julgamento de 04/12/2012, foi constada a necessidade de instrução processual complementar, para formação da convicção do julgador quanto mérito Fl. 833DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 30/03/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10380.913378/200948 Acórdão n.º 1802002.044 S1TE02 Fl. 834 10 do litígio deduzido nos autos, ou seja, quanto à certeza e liquidez do crédito pleiteado/utilizado na DCOMP. Nesse sentido, está 2ª Turma Especial converteu o julgamento em diligência para a complementação de provas, conforme Resolução nº 1802000.132, de 04/12/2012, baixando os autos para a unidade de origem da RFB, no caso a DRF/Fortaleza, para as providências determinadas (fls. 64/72). Os autos retornaram para este CARF, após a realização da diligência. O Relatório de Diligência da Fiscalização da DRF/Fortaleza consigna conclusão pela certeza, liquidez e disponibilidade do crédito pleiteado/utilizado na DCOMP pela Contribuinte, nos seguintes termos (fls. 818/820), in verbis: (...) 3. No tocante à matéria de análise do presente Relatório Fiscal, apresentamos nossas conclusões nos moldes como se verá adiante. 4. No presente processo, o contribuinte reivindica o direito creditório de R$ 729.466,29, referente à CSLL – Estimativa Mensal do período de apuração julho de 2005, que teria pago indevidamente em 31/08/2005, e, portanto, teria o direito de vê lo compensado com os débitos de R$ 22.022,91, DCOMP nº 22581.61016.080708.1.3.047320. Segundo o contribuinte, para o referido período, ocorreu prejuízo fiscal, não sendo devido, portanto, a contribuição social sobre o lucro líquido a título de estimativa mensal. O pagamento de R$ 729.466,29 seria fruto de equívoco. 5. Em 13/06/2006, o contribuinte transmitiu sua DIPJ original, anocalendário 2005, a qual encontrase ativa até a presente data, sem quaisquer retificações. Nessa DIPJ, o contribuinte apurou o prejuízo fiscal de R$ 73.103.028,52 e, a título de estimativa mensal, os seguintes valores: PA Base de Cálculo da CSLL Valor devido (estimativa CSLL) Jan/2005 3.343.907,66 0,00 Fev/2005 6.645.519,07 0,00 Mar/2005 20.346.492,32 0,00 Abr/2005 17.722.420,69 0,00 Mai/2005 13.191.204,02 0,00 Jun/2005 11.986.991,25 0,00 Jul/2005 22.238.973,21 0,00 Ago/2005 36.844.078,00 0,00 Set/2005 43.249.497,34 0,00 Out/2005 53.546.298,28 0,00 Nov/2005 64.061.290,22 0,00 Dez/2005 73.173.069,26 0,00 Fl. 834DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 30/03/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10380.913378/200948 Acórdão n.º 1802002.044 S1TE02 Fl. 835 11 6. Na Ficha 17 da DIPJ do contribuinte consta o seguinte resultado: Apuração da CSLL devida VALOR CSLL + Adições 0,00 DEDUÇÃO () Campos 43 a 51 0,00 () CSLL Mensal Paga por Estimativa 0,00 CSLL A PAGAR 0,00 7. Resta evidente, mediante essa referida Ficha 17, a não utilização do valor ora requerido de R$ 729.466,29 na composição do saldo negativo da CSLL. Portanto, afastada está a hipótese de aproveitamento em duplicidade do crédito ora pleiteado. 8. Por outro lado, em sua DCTF original, enviada em 08/09/2005, o contribuinte declarou o débito de R$ 729.466,29 (CSLL – CONTRIBUIÇÃO SOCIAL S/LUCRO LÍQUIDO, cód. 2484). Há dissonância, portanto, entre referida declaração e àquela informada em DIPJ, onde inexistiu valor apurado, o que ensejaria uma retificação. 9. Em 27/10/2009, o contribuinte retificou sua DCTF original, de modo a se adequar a sua DIPJ original do período correlato. Nessa retificação foi excluído o débito de R$ 729.466,29. Em consequência, restou disponibilizado o correspondente recolhimento desse débito que fora excluído, passandoo a figurar como um pagamento indevido. 10. Atendendo à Intimação Fiscal de 15/05/2013, o contribuinte trouxe à colação os Demonstrativos de Apuração do Lucro Real, fls.79/88. Em tais documentos, há registros de que, em todos os meses do anocalendário de 2005, exceto junho e julho, houve prejuízo fiscal. O acumulado desse prejuízo fiscal, jan/2005 a mai/2005, se computado na apuração do resultado de exercício nos meses junho/2005 e julho/2005, culminaria na inexistência de CSLL a pagar a título de estimativa mensal. 11. Em suma, considerandose a DIPJ original e a DCTF retificadora do contribuinte, bem como os respectivos registros contábeis ora demonstrados, relativamente ao IRPJ/CSLL, ano calendário 2005, como a expressão da verdade, restou disponibilizado o valor creditório de R$ 729.466,29. 12. Consoante tela, fls.755/758, reservouse parte desse valor, R$ 16.022,49, para a compensação de que trata o presente processo, caso essa douta Turma de Julgamento entenda procedente a reivindicação do contribuinte. (...) Fl. 835DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 30/03/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10380.913378/200948 Acórdão n.º 1802002.044 S1TE02 Fl. 836 12 Como visto, o crédito pleiteado/utilizado na DCOMP objeto dos autos deve ser recohecido, pois: a) quanto ao PA julho/2005, conforme Balanço ou Balancete de Suspensão/Redução, elaborado e registrado na forma do art. 35 da Lei nº 8.981/95, que a Recorrente teve resultado negativo de R$ (22.238.973,21) e, no final desse anocalendário 2005 (dezembro), teve prejuízo fiscal acumulado no ano de R$ (73.103.028,52) – DIPJ 2006/Ficha 17; b) que as cópias dos livros e documentos de sua escrituração contábil/fiscal comprovam esses prejuízos apurados, nos referidos períodos de apuração (fls. 79/822); c) que o valor pago/recolhido da CSLL estimativa do PA julho/2005, por conseguinte, foi indevido, pois não tem relação com a escituração contábil/fiscal, configurando erro material a informação de apuração e confissão de débito da CSLL estimtiva mensal do PA julho/2005 na DCTF primitiva. Logo, deve ser acolhida ou aceita a DCTF retificadora que corrigiu esse erro material, pois restou comprovada nos autos a inexistência de base imponível para apuração do imposto para esse PA; d) que, na Ficha 17 DIPJ 2006 (anocalendário 2005), restou consignado que a Contribuinte não levou o valor recolhido indevidamente para o ajuste anual, pois não preencheu a Ficha 17 – Cálculo do Imposto de Renda sobre o Lucro Real. (Ficha apresentada com os valores zerados); e) que o crédito pleiteado/utilizado pela Recorrente na DCOMP objeto destes autos existe, está disponível e foi reservado para saldar os respectivos débitos confessados nessa declaração, conforme Relatório de Diligência. 2) PAGAMENTO INDEVIDO DE CSLL ESTIMATIVA MENSAL. ERRO DE FATO. MATÉRIA SUMULADA: No caso, o pagamento da CSLL mensal por estimativa do PA julho/2005 decorreu de erro de fato, sem relação com a escrituração contábil/fiscal, pois nesse PA mensal sequer houve base imponível para apuração do imposto, em face da apuração de prejuízo já demonstrado anteriormente, ou seja, conforme transcrição das conclusões do Relatório de Diligência. Pela Súmula CARF nº 84, não é necessário levar para o saldo negativo, o imposto estimativa mensal pago indevidamente, quando o recolhimento do imposto ocorreu por equívoco ou erro de fato, ou seja, quando o pagamento do imposto não tem relação alguma com a escrituração contábil/fiscal, considerandose, ainda, o recolhimento indevido na data de arrecadação. A propósito, transcrevo o disposto na Súmula CARF nº 84: Súmula CARF nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. Portanto, reconheço o crédito pleiteado pela Recorrente de R$ 16.022,49 (valor original), a título de CSLL, utilizado na DCOMP, e homologo a compensação tributária objeto dos autos até o limite do crédito reconhecido. Fl. 836DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 30/03/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10380.913378/200948 Acórdão n.º 1802002.044 S1TE02 Fl. 837 13 Por tudo que foi exposto, voto para DAR provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) Nelso Kichel Fl. 837DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 30/03/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por NELSO KICHEL
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Numero do processo: 15940.000763/2010-98
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 23 00:00:00 UTC 2014
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Período de apuração: 01/12/2006 a 31/12/2009
PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. AUTO DE INFRAÇÃO. CONTRATAÇÃO DE SERVIÇO DE ASSISTÊNCIA MÉDICO / ODONTOLÓGICA. COOPERATIVAS OPERADORAS DE PLANOS DE ASSISTÊNCIA À SAÚDE. PECULIARIDADES, INCLUSIVE LEGISLATIVAS. INAPLICABILIDADE DO INCISO IV DO ART. 22 DA LEI Nº 8.212/91. NÃO INCIDÊNCIA TRIBUTÁRIA, QUANDO OBSERVADA A REGRA DISPOSTA NA ALÍNEA “Q” DO § 9º DO ART. 28 DA LEI Nº 8.212/91.
1. Mesmo havendo a intermediação da cooperativa de trabalho, com contrato Armado entre esta e o tomador, o contratado é o cooperado - contribuinte individual - e não a cooperativa.
2. Pela própria natureza jurídica da cooperativa de trabalho, esta não presta serviços a terceiros, senão aos próprios cooperados.
3. Diferentemente das demais empresas, a cooperativa é constituída, exclusivamente, para prestar serviços aos seus cooperados e, por isso, o tomador dos serviços da cooperativa é o próprio cooperado.
4. A parte inicial do art. 293 da então IN SRP nº 03/2005 inova ao fazer referência à cooperativa médica ou odontológica, dispondo, assim, de forma diversa da previsão legal (inciso IV do art. 22 da lei nº 8.212/91), que fala em cooperativa de trabalho.
5. No concernente ao correto enquadramento de que trata estes autos, é de extrema importância para o deslinde da questão, verificar, também, a evolução legislativa, notadamente o art. 1º da Lei nº 12.690, de 19 de julho de 2012, que dispõe sobre a Organização e o Funcionamento das Cooperativas de Trabalho; institui o Programa Nacional de Fomento às Cooperativas de Trabalho - PRONACOOP; e revoga o parágrafo único do art. 442 da Consolidação das Leis do Trabalho - CLT, aprovada pelo Decreto-Lei nº 5.452, de 1º de maio de 1943.
6. A inovação do legislador infralegal expressa na parte inicial do art. 293 da IN SRP nº 03/2005, como se pode observar, já era prenúncio de radical mudança legislativa futura.
7. O legislador de 2012, ao cuidar especificamente da lei própria das cooperativas de trabalho, já de pronto (parágrafo único do art. 1º da Lei nº 12.690), exclui do âmbito da mencionada lei, I as cooperativas de assistência à saúde na forma da legislação de saúde suplementar; II as cooperativas que atuam no setor de transporte regulamentado pelo poder público e que detenham, por si ou por seus sócios, a qualquer título, os meios de trabalho; III as cooperativas de profissionais liberais cujos sócios exerçam as atividades em seus próprios estabelecimentos; e IV as cooperativas de médicos cujos honorários sejam pagos por procedimento.
8. Refletindo sobre as inovações legislativas trazidas pela Lei 12.690/2012, resta totalmente evidenciado que a exclusão do âmbito da lei própria das cooperativas de trabalho abrange as cooperativas de assistência à saúde na forma da legislação de saúde suplementar.
9. Como se pode observar, o legislador reconheceu que as cooperativas de assistência à saúde na forma da legislação de saúde suplementar não são cooperativas de trabalho nos moldes previstos no inciso IV do art. 22 da Lei nº 8.212/91.
10. Aliás, tal reconhecimento já tinha ocorrido em 1998, pela Lei nº 9.656, de 03 de junho de 1998, que dispõe sobre os planos e seguros privados de assistência à saúde.
11. De acordo com o inciso II do art. 1º da Lei nº 9.656/98, a pessoa jurídica constituída sob a modalidade de cooperativa será uma Operadora de Plano de Assistência à Saúde.
12. Tendo em vista que verba constante do lançamento diz respeito à assistência à saúde, disponibilizada aos membros da Associação dos Aposentados, Pensionistas e Idosos de Varginha e Região, por intermédio de convênio saúde, sou obrigado a reconhecer que se trata de matéria abrangida pelo instituto da não incidência, conforme expressamente dispõe a alínea “q”
do § 9º do art. 28 da Lei nº 8.212/91.
13. Desse modo, efetuar o enquadramento do fato à norma, sob a alegação de que a contratação de serviços por cooperados por intermédio de cooperativa de trabalho determina o recolhimento de 15% (quinze por cento) sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura, ex vi do art. 22, IV, da Lei nº 8.212/91, sem considerar as disposições contidas na última linha do parágrafo anterior, data vênia, é fazer letra morta o instituto da não incidência previsto na Lei de Custeio da Previdência Social.
14. Reconhecer a não incidência do tributo, nos convênios saúde firmados com operadoras de plano de assistência à saúde, constituídas sob a modalidade de sociedade civil ou comercial ou entidade de autogestão nos moldes estabelecidos pela Lei nº 9.656/98 e não enquadrar as cooperativas também operadoras de plano de assistência à saúde, na mesma situação, é a
caracterização de odiosa discriminação contra esse tipo societário.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2803-002.971
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto vista Conselheiro Amilcar Barca Teixeira Junior. Vencidos os Conselheiros Oseas Coimbra Junior e Helton Carlos Praia de Lima. Declaração de voto Conselheiro Gustavo Vettorato.
Nome do relator: NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS
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ementa_s : OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/12/2006 a 31/12/2009 PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. AUTO DE INFRAÇÃO. CONTRATAÇÃO DE SERVIÇO DE ASSISTÊNCIA MÉDICO / ODONTOLÓGICA. COOPERATIVAS OPERADORAS DE PLANOS DE ASSISTÊNCIA À SAÚDE. PECULIARIDADES, INCLUSIVE LEGISLATIVAS. INAPLICABILIDADE DO INCISO IV DO ART. 22 DA LEI Nº 8.212/91. NÃO INCIDÊNCIA TRIBUTÁRIA, QUANDO OBSERVADA A REGRA DISPOSTA NA ALÍNEA “Q” DO § 9º DO ART. 28 DA LEI Nº 8.212/91. 1. Mesmo havendo a intermediação da cooperativa de trabalho, com contrato Armado entre esta e o tomador, o contratado é o cooperado - contribuinte individual - e não a cooperativa. 2. Pela própria natureza jurídica da cooperativa de trabalho, esta não presta serviços a terceiros, senão aos próprios cooperados. 3. Diferentemente das demais empresas, a cooperativa é constituída, exclusivamente, para prestar serviços aos seus cooperados e, por isso, o tomador dos serviços da cooperativa é o próprio cooperado. 4. A parte inicial do art. 293 da então IN SRP nº 03/2005 inova ao fazer referência à cooperativa médica ou odontológica, dispondo, assim, de forma diversa da previsão legal (inciso IV do art. 22 da lei nº 8.212/91), que fala em cooperativa de trabalho. 5. No concernente ao correto enquadramento de que trata estes autos, é de extrema importância para o deslinde da questão, verificar, também, a evolução legislativa, notadamente o art. 1º da Lei nº 12.690, de 19 de julho de 2012, que dispõe sobre a Organização e o Funcionamento das Cooperativas de Trabalho; institui o Programa Nacional de Fomento às Cooperativas de Trabalho - PRONACOOP; e revoga o parágrafo único do art. 442 da Consolidação das Leis do Trabalho - CLT, aprovada pelo Decreto-Lei nº 5.452, de 1º de maio de 1943. 6. A inovação do legislador infralegal expressa na parte inicial do art. 293 da IN SRP nº 03/2005, como se pode observar, já era prenúncio de radical mudança legislativa futura. 7. O legislador de 2012, ao cuidar especificamente da lei própria das cooperativas de trabalho, já de pronto (parágrafo único do art. 1º da Lei nº 12.690), exclui do âmbito da mencionada lei, I as cooperativas de assistência à saúde na forma da legislação de saúde suplementar; II as cooperativas que atuam no setor de transporte regulamentado pelo poder público e que detenham, por si ou por seus sócios, a qualquer título, os meios de trabalho; III as cooperativas de profissionais liberais cujos sócios exerçam as atividades em seus próprios estabelecimentos; e IV as cooperativas de médicos cujos honorários sejam pagos por procedimento. 8. Refletindo sobre as inovações legislativas trazidas pela Lei 12.690/2012, resta totalmente evidenciado que a exclusão do âmbito da lei própria das cooperativas de trabalho abrange as cooperativas de assistência à saúde na forma da legislação de saúde suplementar. 9. Como se pode observar, o legislador reconheceu que as cooperativas de assistência à saúde na forma da legislação de saúde suplementar não são cooperativas de trabalho nos moldes previstos no inciso IV do art. 22 da Lei nº 8.212/91. 10. Aliás, tal reconhecimento já tinha ocorrido em 1998, pela Lei nº 9.656, de 03 de junho de 1998, que dispõe sobre os planos e seguros privados de assistência à saúde. 11. De acordo com o inciso II do art. 1º da Lei nº 9.656/98, a pessoa jurídica constituída sob a modalidade de cooperativa será uma Operadora de Plano de Assistência à Saúde. 12. Tendo em vista que verba constante do lançamento diz respeito à assistência à saúde, disponibilizada aos membros da Associação dos Aposentados, Pensionistas e Idosos de Varginha e Região, por intermédio de convênio saúde, sou obrigado a reconhecer que se trata de matéria abrangida pelo instituto da não incidência, conforme expressamente dispõe a alínea “q” do § 9º do art. 28 da Lei nº 8.212/91. 13. Desse modo, efetuar o enquadramento do fato à norma, sob a alegação de que a contratação de serviços por cooperados por intermédio de cooperativa de trabalho determina o recolhimento de 15% (quinze por cento) sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura, ex vi do art. 22, IV, da Lei nº 8.212/91, sem considerar as disposições contidas na última linha do parágrafo anterior, data vênia, é fazer letra morta o instituto da não incidência previsto na Lei de Custeio da Previdência Social. 14. Reconhecer a não incidência do tributo, nos convênios saúde firmados com operadoras de plano de assistência à saúde, constituídas sob a modalidade de sociedade civil ou comercial ou entidade de autogestão nos moldes estabelecidos pela Lei nº 9.656/98 e não enquadrar as cooperativas também operadoras de plano de assistência à saúde, na mesma situação, é a caracterização de odiosa discriminação contra esse tipo societário. Recurso Voluntário Provido.
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CUSTEIO. AUTO DE INFRAÇÃO. CONTRATAÇÃO DE SERVIÇO DE ASSISTÊNCIA MÉDICO / ODONTOLÓGICA. COOPERATIVAS OPERADORAS DE PLANOS DE ASSISTÊNCIA À SAÚDE. PECULIARIDADES, INCLUSIVE LEGISLATIVAS. INAPLICABILIDADE DO INCISO IV DO ART. 22 DA LEI Nº 8.212/91. NÃO INCIDÊNCIA TRIBUTÁRIA, QUANDO OBSERVADA A REGRA DISPOSTA NA ALÍNEA “Q” DO § 9º DO ART. 28 DA LEI Nº 8.212/91. 1. Mesmo havendo a intermediação da cooperativa de trabalho, com contrato Armado entre esta e o tomador, o contratado é o cooperado contribuinte individual e não a cooperativa. 2. Pela própria natureza jurídica da cooperativa de trabalho, esta não presta serviços a terceiros, senão aos próprios cooperados. 3. Diferentemente das demais empresas, a cooperativa é constituída, exclusivamente, para prestar serviços aos seus cooperados e, por isso, o tomador dos serviços da cooperativa é o próprio cooperado. 4. A parte inicial do art. 293 da então IN SRP nº 03/2005 inova ao fazer referência à cooperativa médica ou odontológica, dispondo, assim, de forma diversa da previsão legal (inciso IV do art. 22 da lei nº 8.212/91), que fala em cooperativa de trabalho. 5. No concernente ao correto enquadramento de que trata estes autos, é de extrema importância para o deslinde da questão, verificar, também, a evolução legislativa, notadamente o art. 1º da Lei nº 12.690, de 19 de julho de 2012, que dispõe sobre a Organização e o Funcionamento das Cooperativas de Trabalho; institui o Programa Nacional de Fomento às Cooperativas de Trabalho PRONACOOP; e revoga o parágrafo único do art. 442 da Consolidação das Leis do Trabalho CLT, aprovada pelo DecretoLei nº 5.452, de 1º de maio de 1943. Fl. 245DF CARF MF Impresso em 20/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 04/0 2/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 31/01/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIR A JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 11/02/ 2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 15940.000763/201098 Acórdão n.º 2803002.971 S2TE03 Fl. 246 2 6. A inovação do legislador infralegal expressa na parte inicial do art. 293 da IN SRP nº 03/2005, como se pode observar, já era prenúncio de radical mudança legislativa futura. 7. O legislador de 2012, ao cuidar especificamente da lei própria das cooperativas de trabalho, já de pronto (parágrafo único do art. 1º da Lei nº 12.690), exclui do âmbito da mencionada lei, I as cooperativas de assistência à saúde na forma da legislação de saúde suplementar; II as cooperativas que atuam no setor de transporte regulamentado pelo poder público e que detenham, por si ou por seus sócios, a qualquer título, os meios de trabalho; III as cooperativas de profissionais liberais cujos sócios exerçam as atividades em seus próprios estabelecimentos; e IV as cooperativas de médicos cujos honorários sejam pagos por procedimento. 8. Refletindo sobre as inovações legislativas trazidas pela Lei 12.690/2012, resta totalmente evidenciado que a exclusão do âmbito da lei própria das cooperativas de trabalho abrange as cooperativas de assistência à saúde na forma da legislação de saúde suplementar. 9. Como se pode observar, o legislador reconheceu que as cooperativas de assistência à saúde na forma da legislação de saúde suplementar não são cooperativas de trabalho nos moldes previstos no inciso IV do art. 22 da Lei nº 8.212/91. 10. Aliás, tal reconhecimento já tinha ocorrido em 1998, pela Lei nº 9.656, de 03 de junho de 1998, que dispõe sobre os planos e seguros privados de assistência à saúde. 11. De acordo com o inciso II do art. 1º da Lei nº 9.656/98, a pessoa jurídica constituída sob a modalidade de cooperativa será uma Operadora de Plano de Assistência à Saúde. 12. Tendo em vista que verba constante do lançamento diz respeito à assistência à saúde, disponibilizada aos membros da Associação dos Aposentados, Pensionistas e Idosos de Varginha e Região, por intermédio de convênio saúde, sou obrigado a reconhecer que se trata de matéria abrangida pelo instituto da não incidência, conforme expressamente dispõe a alínea “q” do § 9º do art. 28 da Lei nº 8.212/91. 13. Desse modo, efetuar o enquadramento do fato à norma, sob a alegação de que a contratação de serviços por cooperados por intermédio de cooperativa de trabalho determina o recolhimento de 15% (quinze por cento) sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura, ex vi do art. 22, IV, da Lei nº 8.212/91, sem considerar as disposições contidas na última linha do parágrafo anterior, data vênia, é fazer letra morta o instituto da não incidência previsto na Lei de Custeio da Previdência Social. 14. Reconhecer a não incidência do tributo, nos convênios saúde firmados com operadoras de plano de assistência à saúde, constituídas sob a modalidade de sociedade civil ou comercial ou entidade de autogestão nos moldes estabelecidos pela Lei nº 9.656/98 e não enquadrar as cooperativas também operadoras de plano de assistência à saúde, na mesma situação, é a caracterização de odiosa discriminação contra esse tipo societário. Recurso Voluntário Provido Fl. 246DF CARF MF Impresso em 20/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 04/0 2/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 31/01/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIR A JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 11/02/ 2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 15940.000763/201098 Acórdão n.º 2803002.971 S2TE03 Fl. 247 3 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto vista Conselheiro Amilcar Barca Teixeira Junior. Vencidos os Conselheiros Oseas Coimbra Junior e Helton Carlos Praia de Lima. Declaração de voto Conselheiro Gustavo Vettorato. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima Presidente. (Assinado digitalmente) Natanael Vieira dos Santos Relator. (Assinado digitalmente) Amílcar Barca Teixeira Júnior – Redator Designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Amilcar Barca Teixeira Junior, Oséas Coimbra Júnior, Natanael Vieira dos Santos, Gustavo Vettorato e Eduardo de Oliveira. Fl. 247DF CARF MF Impresso em 20/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 04/0 2/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 31/01/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIR A JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 11/02/ 2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 15940.000763/201098 Acórdão n.º 2803002.971 S2TE03 Fl. 248 4 Relatório 1. Tratase de recurso voluntário interposto pela ASSOCIAÇÃO COMUNITÁRIA IN LOCO em face da decisão que julgou improcedente a impugnação apresentada contra a lavratura do Auto de Infração DEBCAD 37.068.1444, com o Código de Fundamentação Legal – CFL 77. 2. Conforme consta do Relatório Fiscal (fls. 31), a empresa deixou de declarar à Secretaria da Receita Federal do Brasil, através da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações a Previdência Social (GFIP) na forma, prazo e condições estabelecidos, dados relacionados a fatos geradores, base de cálculo e valores devidos da contribuição, bem como de comprovar sua entrega nas competências 10/2006 a 11/2006. 3. O acórdão exarado em primeira instância (fls. 123/128) restou ementado nos termos a seguir: DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. NÃO COMPROVAÇÃO DA ENTREGA DE GFIP. CFL 77. Incorre em infração, por descumprimento de obrigação acessória, deixar a empresa de apresentar ou apresentar fora do prazo a Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia e Informações a Previdência Social GFIP. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido 4. Buscando reverter o lançamento, a contribuinte apresentou recurso voluntário aduzindo em síntese: a) a decisão de primeira instância está eivada de nulidade por não enfrentar satisfatoriamente as argumentações da recorrente, assim, há afronta a regra segundo a qual as decisões administrativas devem ser adequadamente motivadas e fundamentadas, conforme preceitua o art. 93, inciso X, da Constituição Federal; b) o auto de infração foi instruído apenas com relatórios elaborados pela própria fiscalização, inexistindo clareza e precisão na discriminação dos fatos geradores e dos períodos a que se refere, bem como da capitulação dos dispositivos legais infringidos; c) a ausência de análise da constitucionalidade de norma pelo julgador de primeira instância ofende a Constituição; d) a inconstitucionalidade do artigo 22, inciso IV, da Lei 8.212/91, pois o legislador infraconstitucional não possui competência para regular matéria tributária que não está prevista na Constituição; Fl. 248DF CARF MF Impresso em 20/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 04/0 2/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 31/01/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIR A JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 11/02/ 2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 15940.000763/201098 Acórdão n.º 2803002.971 S2TE03 Fl. 249 5 e) o veículo legislativo adotado para a elaboração da norma com base na qual se lavrou o auto de infração foi lei ordinária, configurando, assim, ofensa ao art. 195, §4º, da Constituição; f) não ocorrência do critério material da regra matriz de incidência tributária prevista no art. 22, inciso IV, da Lei 8.212/91; g) superadas a alegações anteriores, dispõe a recorrente que eventual contribuição somente poderia recair sobre serviços ou atendimentos efetivamente realizados, sendo excluídas da base de cálculo as mensalidades. 5. Sem apresentação de contrarrazões, os autos foram enviados para a apreciação e julgamento por este Conselho. É o relatório. Fl. 249DF CARF MF Impresso em 20/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 04/0 2/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 31/01/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIR A JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 11/02/ 2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 15940.000763/201098 Acórdão n.º 2803002.971 S2TE03 Fl. 250 6 Voto Vencido Conselheiro Natanael Vieira dos Santos, Relator. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1. Conheço do recurso voluntário, uma vez que foi tempestivamente apresentado, preenche os requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº. 70.235, de 6 de março de 1972 e passo a analisálo. DO SOBRESTAMENTO DO FEITO 2. Depreendese do relatório fiscal que o lançamento fiscal se deu com base “nos pagamentos efetuados a cooperativa de trabalho médico.” (f. 32) 3. O débito levantado foi pelo fato de as notas fiscais/faturas não discriminaram o valor dos serviços prestados, a base de cálculo apurada correspondeu a 30 % (trinta por cento) do valor bruto da nota fiscal/fatura, nos critérios determinados na Instrução Normativa RFB 971, de 2009, sendolhe aplicada a retroatividade mais benéfica nos termos do art. 106, inciso II c do Código Tributário Nacional – CTN, verificando ser mais benéfica a multa atual para o período de 12/2006 a 11/2008. 4. A matéria está em julgamento no Supremo Tribunal Federal (STF), o qual reconheceu a repercussão geral do tema, em 03/02/2012, porém sem determinar o sobrestamento do feito, in verbis: TRIBUTÁRIO. COOPERATIVAS. SUJEIÇÃO PASSIVA À CONTRIBUIÇÃO DESTINADA AO CUSTEIO DA SEGURIDADE SOCIAL. PROPOSTA PELO RECONHECIMENTO DA REPERCUSSÃO GERAL DA MATÉRIA. ARTS. 146, III, C E 172, §2º DA CONSTITUIÇÃO. LC 84, ART. 1º, II. Tem repercussão geral o debate sobre a compatibilidade da inclusão, na base de cálculo de contribuição destinada ao custeio da seguridade social, dos valores recebidos pelas cooperativas e provenientes não de seus cooperados, mas de terceiros tomadores dos serviços ou adquirentes das mercadorias vendidas. Decisão: O Tribunal reconheceu a existência de repercussão geral da questão constitucional suscitada. Não se manifestaram os Ministros Cezar Peluso, Ayres Brito, Gilmar Mendes, Rosa Weber, Ricardo Lewandowski e Carmen Lúcia. (RE 597.315 RJ – Rio de Janeiro; Relator Ministro Joaquim Barbosa). Fl. 250DF CARF MF Impresso em 20/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 04/0 2/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 31/01/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIR A JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 11/02/ 2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 15940.000763/201098 Acórdão n.º 2803002.971 S2TE03 Fl. 251 7 5. A análise da repercussão geral como um requisito prévio para a admissibilidade do recurso extraordinário frente ao Supremo foi incluída no ordenamento jurídico pátrio pela Emenda Constitucional n.º 45, de 2004, e regulada com alterações feitas ao Código de Processo Civil e no Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal. 6. Da leitura dos dispositivos do CPC (art. 543B e parágrafos) que versam sobre o recurso extraordinário depreendese que, havendo a multiplicidade de processos que versem sobre o mesmo tema, sendo reconhecida a repercussão geral do assunto, caberá ao Tribunal de origem determinar o sobrestamento dos demais processos que tratem da mesma questão para evitar a divergência jurisprudencial. 7. E no mesmo sentido, buscando não prejudicar os contribuintes com decisões que posteriormente podem ser divergentes de acórdão do STF, o CARF, acrescentou a seu Regimento Interno o Artigo 62A, que diz em seu parágrafo primeiro: Art. 62A (...). §1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. 8. Ademais, o parágrafo único, do artigo 1º, da Portaria CARF nº 01, de 30 de janeiro de 2012, dispõe expressamente que “o procedimento de sobrestamento de que trata o caput somente será aplicado a casos em que tiver comprovadamente sido determinado pelo Supremo Tribunal Federal – STF o sobrestamento de processos relativos à matéria recorrida, independentemente da existência de repercussão geral reconhecida para o caso”. 9. Portanto, sem a determinação de sobrestamento do feito pelo Supremo, entendo que o julgamento da questão não se encontra prejudicada. DA SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO 10. Insurgese o contribuinte no que se refere à suspensão da exigibilidade do crédito, tendo em vista a interposição de recurso. 11. Conforme prevê o inciso III, do artigo 151, do CTN a interposição de recurso, por si só já suspende a exigibilidade do crédito, dessa forma, a cobrança de tal crédito já se encontra suspensa até o final do processo, conforme informado na decisão de primeira instância. DA CONTRATAÇÃO DE COOPERATIVAS DE TRABALHO 12. A decisão recorrida manteve o lançamento fiscal de débito em desfavor da empresa devido ao descumprimento de obrigações acessórias e por não recolher as contribuições devidas em decorrência da contratação de cooperativa de trabalho. 13. Dessa forma, verificase que a controvérsia trazida nos autos se refere à incidência de contribuição previdenciária sobre pagamentos feitos pela recorrente na contratação de cooperativas de trabalho. Fl. 251DF CARF MF Impresso em 20/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 04/0 2/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 31/01/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIR A JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 11/02/ 2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 15940.000763/201098 Acórdão n.º 2803002.971 S2TE03 Fl. 252 8 14. E sobre a questão, aduz o contribuinte que a contribuição previdenciária prevista pela Lei nº 8.212/91, art. 22, inc. IV, não encontra amparo na CF/88. 15. Ocorre que, sobre a questão da constitucionalidade, este Conselho já sumulou a matéria firmando o entendimento de que: “SÚMULA N.º 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária”. 16. Nos termos do que dispõe o artigo 22, caput, e inciso IV da Lei do Custeio Previdenciário, os lançamentos feitos, têm como contribuinte, a empesa que contrata serviços de cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho: Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: (...). IV quinze por cento sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, relativamente a serviços que lhe são prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho. (Incluído pela Lei nº 9.876, de 1999). (g.n.). 17. Assim, restando demonstrada a existência de previsão legal de incidência de contribuição previdenciária no caso concreto, entendo que houve o descumprimento do estabelecido no inciso IV, do art. 32, da Lei 8.212/91, c/c com inciso IV, art. 225, do Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto 3.048/99. 18. O artigo 32, inciso I, da Lei 8.212/91, determina que: Art. 32. A empresa é também obrigada a: (...) IV informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro Social INSS, por intermédio de documento a ser definido em regulamento, dados relacionados aos fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS. (Acrescentado pela MP nº 1.59614, de 10/11/97, de 10/11/97, convertida na Lei nº 9.528, de 10/12/97). (...) § 3° O regulamento disporá sobre local, data e forma de entrega do documento previsto no inciso IV. (Acrescentado pela MP nº 1.59614, de 10/11/97, convertida na Lei nº 9.528, de 10/12/97). 19. E o Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.048/99, estabelece que: Art. 225. A empresa é também obrigada a: (...). IV informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro Social, por intermédio da Guia de Recolhimento do Fundo de Fl. 252DF CARF MF Impresso em 20/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 04/0 2/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 31/01/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIR A JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 11/02/ 2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 15940.000763/201098 Acórdão n.º 2803002.971 S2TE03 Fl. 253 9 Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social, na forma por ele estabelecida, dados cadastrais, todos os fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse daquele Instituto; (Ver art. 258, § 3º, e art. 284). 20. Assim, fica demonstrado que a notificação e o lançamento se deram estritamente com base na legislação previdenciária, sendo, portanto, devidos pela entidade, os valores lançados pelo fisco. 21. Nesse momento, peço vênia para trazer à baila ementas de decisões proferidas por este Conselho, sobre o tema em tela: SERVIÇOS PRESTADOS POR COOPERADOS COOPERATIVAS DE TRABALHO. INCIDÊNCIA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. A empresa é obrigada a recolher as contribuições a seu cargo, no percentual de 15%, sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviço de cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho, de conformidade com o artigo 22, inciso IV, da Lei n°8.212/91. (Processo n.º 35273.0001091200615; Recurso Voluntário 150.988; Acórdão n° 240100.434; Sessão de 5 de junho de 2009; Relator: Ricardo Henrique Magalhães de Oliveira) PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. SERVIÇOS PRESTADOS POR COOPERADOS. COOPERATIVAS. 1 Nos termos do inciso IV do art. 22, da Lei n°8.212/91, incide contribuição previdenciária sobre os valores pagos a cooperativa de trabalho, por serviços prestados por seus cooperados. (Processo n.º 10283.004765/200728; Recurso Voluntário 160.982; Acórdão n.º 240100.40; Sessão de 5 de junho de 2009; Relator: Rogério de Lellis Pinto) SERVIÇOS PRESTADOS POR COOPERADOS COOPERATIVAS DE TRABALHO. INCIDÊNCIA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. A empresa é obrigada a recolher as contribuições a seu cargo, no percentual de 15%, sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviço de cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho, de conformidade com o artigo 22, inciso IV, da Lei n°8.212/91. (Processo n.º 13603.001446/200799; Recurso Voluntário 160.306; Acórdão n.º 240100.394; Sessão de 4 de junho de 2009; Relator: Ricardo Henrique Magalhães de Oliveira). 22. Pelo exposto, mantenho a autuação fiscal, por ter o contribuinte deixado de recolher contribuições previdenciárias no percentual de 15%, incidentes sobre as faturas ou Fl. 253DF CARF MF Impresso em 20/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 04/0 2/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 31/01/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIR A JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 11/02/ 2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 15940.000763/201098 Acórdão n.º 2803002.971 S2TE03 Fl. 254 10 notas ficais emitidas em decorrência de serviço prestados por intermédio das cooperativas de trabalho. CONCLUSÃO 23. Dado o exposto, CONHEÇO do recurso voluntário, para, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO, nos termos acima expostos. É como voto. (Assinado digitalmente) Natanael Vieira dos Santos. Fl. 254DF CARF MF Impresso em 20/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 04/0 2/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 31/01/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIR A JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 11/02/ 2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 15940.000763/201098 Acórdão n.º 2803002.971 S2TE03 Fl. 255 11 Voto Vencedor Conselheiro Amílcar Barca Teixeira Júnior. Redator Designado Solicitei vistas destes autos objetivando realizar um estudo mais aprofundado sobre a matéria, tendo em conta que o assunto, desde a sua implementação pela Lei nº 9.876/1999, que incluiu o inciso IV ao art. 22 da Lei nº 8.212/91, vem sendo motivo de calorosos debates entre o Fisco Federal, tomadores de serviços das cooperativas de trabalho e também das próprias cooperativas do referido ramo. Os debates referidos no parágrafo anterior ocorreram e ocorrem tanto no âmbito do Processo Administrativo Fiscal – PAF, como também no âmbito do contencioso judicial. A propósito, a discussão sobre a obrigatoriedade de que trata o inciso IV do art. 22 da Lei nº 8.212/91 já chegou ao Supremo Tribunal Federal – STF, e é objeto de ADIN, bem como de Repercussão Geral, estando as duas situações ainda pendentes de julgamento. Em seu recurso, o contribuinte demonstra indignação em face do resultado obtido no julgamento de sua impugnação. De acordo com o voto elaborado pelo relator originário, o Conselheiro Natanael Vieira dos Santos, “nos termos do que dispõe o artigo 22, caput, e inciso IV da Lei do Custeio Previdenciário, os lançamentos feitos, têm como contribuinte, a empesa que contrata serviços de cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho”. Como se pode observar, a autoridade lançadora realizou seu trabalho sem qualquer investigação sobre o fenômeno da prestação de serviços por intermédio de cooperativas de trabalho e sequer cogitou de a prestação de serviços ter sido realizada em atividade exclusiva de assistência à saúde, situação que mereceu especial atenção do próprio legislador ao elaborar a lei que dispõe sobre a organização da Seguridade Social e que instituiu o Plano de Custeio, ou seja, a Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991. Do mesmo modo, entendeu o ilustre relator ao afirmar em seu voto que “assim, fica demonstrado que a notificação e o lançamento se deram estritamente com base na legislação previdenciária, sendo, portanto, devidos pela entidade, os valores lançados pelo fisco”. Notase, pois, que a exemplo da autoridade lançadora, o relator Natanael Vieira dos Santos também dispensou qualquer analise mais acurada dos fatos e entendeu pela manutenção do lançamento, aplicando diretamente a regra do inciso IV do art. 22 da Lei nº 8.212/91. No ponto, alerto mais uma vez que a prestação de serviços em questão diz respeito exclusivamente à assistência à saúde, matéria que, como já mencionado, mereceu especial atenção do legislador. Mais adiante, cuidaremos da explicitação a respeito da tal atenção especial do legislador quando o assunto versar sobre assistência à saúde. Fl. 255DF CARF MF Impresso em 20/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 04/0 2/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 31/01/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIR A JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 11/02/ 2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 15940.000763/201098 Acórdão n.º 2803002.971 S2TE03 Fl. 256 12 Com a manutenção do lançamento pelo acórdão recorrido, o contribuinte alega, dentre vários argumentos, os seguintes: O auto de infração foi instruído apenas com relatórios elaborados pela própria fiscalização, inexistindo clareza e precisão na discriminação dos fatos geradores e dos períodos a que se refere, bem como da capitulação dos dispositivos legais infringidos. O julgador de primeira instância deixou de analisar a constitucionalidade da nora, situação que ofende a Constituição. O artigo 22, inciso IV, da Lei 8.212/91, é inconstitucional, pois o legislador infraconstitucional não possui competência para regular matéria tributária que não está prevista na Constituição. O veículo legislativo adotado para a elaboração da norma com base na qual se lavrou o auto de infração foi lei ordinária, configurando, assim, ofensa ao art. 195, §4º, da Constituição. Não houve a ocorrência do critério material da regra matriz de incidência tributária prevista no art. 22, inciso IV, da Lei 8.212/91. Os argumentos do contribuinte, como se vê, estão em perfeita sintonia com a vontade do legislador, conforme se pode inferir de parte da exposição de motivos da Lei nº 9.876/1999, que incluiu o inciso IV ao art. 22 da Lei nº 8.212/91, in verbis: Proposta Propõese que a contribuição previdenciária a cargo da empresa, quando da contratação de contribuintes individuais, mesmo que por intermédio de cooperativas de trabalho, seja a mesma que aquela existente quando da contratação de segurados empregados. Notese que, no caso de autônomos com baixo valor de remuneração sujeita a contribuição, esta medida significa uma redução da carga global de contribuição (a redução da parcela do contribuinte individual mais do que compensa o aumento da parcela a cargo da empresa), estimulando a filiação do contribuinte à Previdência Social. Com isso, haverá a equalização do custo previdenciário da mão deobra para as empresas no que se refere à contratação dos contribuintes individuais e empregados, eliminandose o atual viés Fl. 256DF CARF MF Impresso em 20/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 04/0 2/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 31/01/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIR A JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 11/02/ 2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 15940.000763/201098 Acórdão n.º 2803002.971 S2TE03 Fl. 257 13 favorável à redução de empregos formais, exercido pela estrutura de alíquotas previdenciárias em vigor. Na proposta está prevista a majoração da alíquota patronal quando da contratação de contribuintes individuais, concomitantemente à instituição de mecanismo de compensação na contribuição do segurado. Este poderá deduzir de sua contribuição até 9 pontos percentuais da alíquota que incide sobre o seu saláriodecontribuição, de forma a neutralizar a elevação da contribuição da empresa. O referido mecanismo de compensação também inibe fraudes no sistema, pois o contribuinte individual tornase fiscal das contribuições da empresa, devido à necessidade de comproválas para obter a redução em sua própria contribuição. Além disso, há o incentivo à formalização do vínculo entre contribuinte individual e empresa, porque a prestação de serviços a empresas implica redução da carga contributiva para o contribuinte individual. No caso da intermediação das cooperativas de trabalho, a atual sistemática de contribuição, em que cabe à cooperativa a contribuição patronal de quinze por cento sobre os valores distribuídos aos cooperados, temse revelado frágil diante dos diferentes artifícios legais criados para evadir a contribuição previdenciária, tais como: a inclusão de pessoas jurídicas na condição de cooperadas ao lado de pessoas físicas, a criação de uma série de fundos estatutários como forma de diminuir a distribuição da retribuição pelos serviços prestados, o reinvestimento dessa retribuição e outras. Proposta Propõese estabelecer que a contribuição da empresa contratante dos serviços por intermédio de cooperativas de trabalho incida sobre o valor bruto da nota fiscal, ou fatura, cuja base de cálculo é de imediato conhecida. Tratase de uma sistemática de fácil operacionalização e que propiciará um controle efetivo sobre a contribuição desse segmento. A medida proposta encontra similitude naquela já adotada para outros segmentos econômicos, a exemplo do que ocorre com os clubes de futebol profissional, cuja contribuição incide sobre a receita bruta decorrente dos espetáculos desportivos e de qualquer forma de patrocínio, licenciamento de uso de marcas e símbolos, publicidade, propaganda e transmissão de espetáculos desportivos. O percentual proposto de quinze por cento decorre do fato de que o valor pago pelo tomador de serviços do cooperado, contratado mediante a interposição de cooperativa de trabalho, não é Fl. 257DF CARF MF Impresso em 20/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 04/0 2/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 31/01/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIR A JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 11/02/ 2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 15940.000763/201098 Acórdão n.º 2803002.971 S2TE03 Fl. 258 14 totalmente distribuído a ele. Parte do pagamento é destinada a despesas administrativas, tributárias e constituição de fundos de reserva. Assim, o valor distribuído ao cooperado corresponde ao valor bruto da nota fiscal ou fatura, deduzidas as parcelas antes referidas, diferentemente do que ocorre quando a empresa contrata um contribuinte individual que não é cooperado, onde a remuneração não sofre qualquer abatimento. Neste último caso, a contribuição pretendida é de vinte por cento sobre a totalidade da remuneração. Logo, o percentual proposto, quando há a intermediação da cooperativa de trabalho, a incidir sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura, deve ser tal que produza a mesma contribuição que o percentual de vinte por cento sobre a parcela destinada ao cooperado, em igualdade de condições a um contribuinte individual que não é cooperado. Partindo deste pressuposto, e analisando diversas planilhas de custos e distribuição de remunerações a cooperados em diferentes cooperativas, de segmentos variados, verificase que, em média, os valores correspondentes a despesas administrativas, tributárias e fundos de reservas correspondem a vinte e cinco por cento do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, destinandose, o restante – setenta e cinco por cento – à retribuição do cooperado. Assim, buscando a isonomia de tratamento entre as diferentes formas de contratação, o percentual a incidir sobre a nota fiscal ou fatura de prestação de serviços é aquele correspondente a vinte por cento sobre os setenta e cinco por cento distribuídos ao cooperado, o que resulta em um percentual de quinze por cento, conforme proposto. Em outras palavras, é um percentual que mantém constante a contribuição previdenciária, independentemente de a empresa contratar um cooperado ou outro contribuinte individual. Não cabe aqui o argumento de que se estaria instituindo uma nova modalidade de custeio, diferente daquelas autorizadas pelo art. 195 da Constituição, para o que seria necessária a edição de Lei Complementar. Mesmo havendo a intermediação da cooperativa de trabalho, com contrato Armado entre esta e o tomador, o contratado é o cooperado – contribuinte individual – e não a cooperativa. Pela própria natureza jurídica da cooperativa de trabalho, esta não presta serviço a terceiros, senão aos próprios cooperados. Fl. 258DF CARF MF Impresso em 20/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 04/0 2/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 31/01/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIR A JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 11/02/ 2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 15940.000763/201098 Acórdão n.º 2803002.971 S2TE03 Fl. 259 15 Diferentemente das demais empresas, a cooperativa é constituída, exclusivamente, para prestar serviços aos seus cooperados e, por isso, o tomador dos serviços da cooperativa é o próprio cooperado. O terceiro que contrata a cooperativa é, na verdade, tomador dos serviços do cooperado, em igualdade de condições com aquele que contrata qualquer outro contribuinte individual. Um trabalhador, seja ele empregado ou contribuinte individual, seja diretamente ou por intermédio de cooperativa de trabalho, de tal forma a, mais uma vez, resguardarse o caráter de neutralidade da Previdência Social diante das diversas formas e possibilidades de contratação de mãodeobra. (grifouse e destacouse) Da leitura dos argumentos apresentados pelo contribuinte, em confronto com a vontade do legislador, nomeadamente nos pontos em destaque, é possível concluir que a norma impositiva (Inciso IV do art. 22 da Lei nº 8.212/91) diz respeito somente à situação em que a empresa se beneficia de forma direta dos serviços que lhes são prestados por cooperados, por intermédio de cooperativas de trabalho, o que definitivamente não é o caso dos autos. Neste contexto, numa clara evolução do julgador administrativo, considerando a similitude das situações, os membros da 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 2ª Seção do CARF, na sessão de 20 de janeiro de 2012, no julgamento do Processo 11444.000189/200984, Acórdão nº 240102.243, assim decidiram por unanimidade de votos: ASSUNTO: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/03/2004 a 31/10/2007 PRESTAÇÃO DE SERVIÇO POR COOPERATIVA DE TRABALHO MÉDICO. CUSTO RATEADO ENTRE BENEFICIÁRIOS E EMPREGADOR. EMISSÃO DE FATURA EM NOME DE SINDICATO REPRESENTATIVO DA CATEGORIA DOS BENEFICIÁRIOS PARA REPASSE DOS VALORES DESCONTADOS DOS MESMOS. NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO. A contribuição incidente sobre as faturas emitidas por serviços prestados para empresa por cooperados intermediados por cooperativa de trabalho médico não incidem sobre a parcela a cargo dos empregados, quando constante de fatura emitida a parte, mesmo que o valor seja faturado em nome do Sindicato representativo da categoria dos beneficiários, quando este apenas repassa o valor descontado dos seus filiados para custeio do convênio saúde. (grifouse e negritouse) Ao tratar especificamente do fato gerador e a sua previsão legal, o Relator Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo teve o seguinte posicionamento: Assim dispõe o art. 22, IV da Lei nº 8.212/1991: Fl. 259DF CARF MF Impresso em 20/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 04/0 2/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 31/01/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIR A JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 11/02/ 2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 15940.000763/201098 Acórdão n.º 2803002.971 S2TE03 Fl. 260 16 Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: (...) IV – quinze por cento sobre o valor da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, relativamente a serviços que lhe são prestado por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho (Incluído pela Lei nº 9.876, de 1999). (...) Da norma acima, podese extrair que o fato gerador da contribuição em questão é a prestação de serviços à empresa pelos cooperados, os quais tenham sido intermediados por cooperativa de trabalho. Assim, somente configurase a hipótese de incidência se: A destinatária da prestação de serviços for a empresa; Os serviços forem prestados por pessoa física; e A contratação tenha se dado por intermédio de cooperativa de trabalho (...) De acordo com a norma inserta no inciso IV do art. 22 da Lei nº 8.212/1991, dos requisitos a justificar a exação é a prestação de serviço ao sujeito passivo, o que não se verifica para o Sindicato, uma vez que os serviços não foram prestados aos funcionários do mesmo. O que ocorreu foi a disponibilização dos serviços médicos a filiados de sua base, porém, o custeio da parcela que foi faturada em nome da entidade sindical foi o valor integral descontado dos trabalhadores. Não se vê na espécie o Sindicato custeando qualquer parcela pelos serviços executados, mas apenas figurando como intermediário no repasse da quantia de responsabilidade dos beneficiários, seus filiados. Situação diversa ocorreria se o Sindicato estivesse suportando todo o ônus do contrato, ou mesmo se as faturas tivessem sido integramente emitidas em seu nome, Verifica se, no caso em tela, que deve ser aplicada a norma do art. 293 da Instrução Normativa – IN nº 03/2005 (vigente no período do lançamento), a qual prevê que, nos contratos de plano de saúde coletivo, havendo uma fatura Fl. 260DF CARF MF Impresso em 20/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 04/0 2/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 31/01/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIR A JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 11/02/ 2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 15940.000763/201098 Acórdão n.º 2803002.971 S2TE03 Fl. 261 17 correspondente à parte do empregador no custeio do plano e outra vinculada ao encargo dos beneficiários, apenas deve incidir contribuição sobre o valor faturado contra a empresa, verbis: Art. 293. Na celebração de contrato coletivo de plano de saúde da cooperativa médica ou odontológica com empresa, em que o pagamento do valor seja rateado entre a contratante e seus beneficiários, deverão ser consideradas, para efeito da apuração da base de cálculo da contribuição, nos termos dos arts. 291 e 292, as faturas emitidas contra a empresa. Parágrafo único. Caso sejam emitidas faturas específicas contra a empresa e faturas individuais contra os beneficiários do plano de saúde, cada qual se responsabilizando pelo pagamento da respectiva fatura, somente as faturas emitidas contra a empresa serão consideradas para efeito de contribuição. A situação que ora se analisa pode ser equiparada à hipótese tratada na norma acima, uma vez que o valor da fatura destinada ao Sindicato é exatamente o montante descontado dos beneficiários do plano de saúde. Nesse sentido, sou forçado a admitir que, na espécie, somente caberia tributação sobre o valor arcado pela SANTA CRUZ, sendo improcedentes as contribuições lançadas contra o Sindicato da categoria profissional a que pertencem os beneficiários da prestação de serviços médicos realizada pela UNIMED DE OURINHOS. (grifou se e negritouse) A parte inicial do art. 293 da então IN SRP nº 03/2005 inova ao fazer referência à cooperativa médica ou odontológica, dispondo, assim, de forma diversa da previsão legal (inciso IV do art. 22 da lei nº 8.212/91), que fala em cooperativa de trabalho. De qualquer modo, o que se deve observar, em casos como o em discussão, é a verdade material, assunto que será tratado adiante. No concernente ao correto enquadramento de que trata estes autos, é de extrema importância para o deslinde da questão, verificar, também, a evolução legislativa, notadamente o art. 1º da Lei nº 12.690, de 19 de julho de 2012, que dispõe sobre a Organização e o Funcionamento das Cooperativas de Trabalho; institui o Programa Nacional de Fomento às Cooperativas de Trabalho – PRONACOOP; e revoga o parágrafo único do art. 442 da Consolidação das Leis do Trabalho – CLT, aprovada pelo DecretoLei nº 5.452, de 1º de maio de 1943, in verbis: Art. 1º. A Cooperativa de Trabalho é regulada por esta Lei e, no que com ela não colidir, pelas Leis nos 5.764, de 16 de Fl. 261DF CARF MF Impresso em 20/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 04/0 2/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 31/01/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIR A JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 11/02/ 2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 15940.000763/201098 Acórdão n.º 2803002.971 S2TE03 Fl. 262 18 dezembro de 1971, e 10.406, de 10 de janeiro de 2002 Código Civil. Parágrafo único. Estão excluídas do âmbito desta Lei: I as cooperativas de assistência à saúde na forma da legislação de saúde suplementar; II as cooperativas que atuam no setor de transporte regulamentado pelo poder público e que detenham, por si ou por seus sócios, a qualquer título, os meios de trabalho; III as cooperativas de profissionais liberais cujos sócios exerçam as atividades em seus próprios estabelecimentos; e IV as cooperativas de médicos cujos honorários sejam pagos por procedimento. A inovação que o legislador infralegal expressa na parte inicial do art. 293 da IN SRP nº 03/2005, como se pode observar, já era prenúncio de radical mudança legislativa futura. O legislador de 2012, ao cuidar especificamente da lei própria das cooperativas de trabalho, já de pronto (parágrafo único do art. 1º da Lei nº 12.690), exclui do âmbito da mencionada lei, I – as cooperativas de assistência à saúde na forma da legislação de saúde suplementar; II – as cooperativas que atuam no setor de transporte regulamentado pelo poder público e que detenham, por si ou por seus sócios, a qualquer título, os meios de trabalho; III – as cooperativas de profissionais liberais cujos sócios exerçam as atividades em seus próprios estabelecimentos; e IV – as cooperativas de médicos cujos honorários sejam pagos por procedimento. Refletindo sobre as inovações legislativas trazidas pela Lei 12.690/2012, resta totalmente evidenciado que a exclusão do âmbito da lei própria das cooperativas de trabalho abrange as cooperativas de assistência à saúde na forma da legislação de saúde suplementar. Como se pode observar, o legislador reconheceu que as cooperativas de assistência à saúde na forma da legislação de saúde suplementar não são cooperativas de trabalho nos moldes previstos no inciso IV do art. 22 da Lei nº 8.212/91. Aliás, tal reconhecimento já tinha ocorrido em 1998, pela Lei nº 9.656, de 03 de junho de 1998, que dispõe sobre os planos e seguros privados de assistência à saúde. De acordo com o inciso II do art. 1º da Lei nº 9.656/98, a pessoa jurídica constituída sob a modalidade de cooperativa será uma Operadora de Plano de Assistência à Saúde, in verbis: Art. 1o Submetemse às disposições desta Lei as pessoas jurídicas de direito privado que operam planos de assistência à saúde, sem prejuízo do cumprimento da legislação específica que rege a sua atividade, adotandose, Fl. 262DF CARF MF Impresso em 20/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 04/0 2/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 31/01/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIR A JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 11/02/ 2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 15940.000763/201098 Acórdão n.º 2803002.971 S2TE03 Fl. 263 19 para fins de aplicação das normas aqui estabelecidas, as seguintes definições: (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.17744, de 2001) I Plano Privado de Assistência à Saúde: prestação continuada de serviços ou cobertura de custos assistenciais a preço pré ou pósestabelecido, por prazo indeterminado, com a finalidade de garantir, sem limite financeiro, a assistência à saúde, pela faculdade de acesso e atendimento por profissionais ou serviços de saúde, livremente escolhidos, integrantes ou não de rede credenciada, contratada ou referenciada, visando a assistência médica, hospitalar e odontológica, a ser paga integral ou parcialmente às expensas da operadora contratada, mediante reembolso ou pagamento direto ao prestador, por conta e ordem do consumidor; (Incluído pela Medida Provisória nº 2.17744, de 2001) II Operadora de Plano de Assistência à Saúde: pessoa jurídica constituída sob a modalidade de sociedade civil ou comercial, cooperativa, ou entidade de autogestão, que opere produto, serviço ou contrato de que trata o inciso I deste artigo; (Incluído pela Medida Provisória nº 2.17744, de 2001) III Carteira: o conjunto de contratos de cobertura de custos assistenciais ou de serviços de assistência à saúde em qualquer das modalidades de que tratam o inciso I e o § 1o deste artigo, com todos os direitos e obrigações nele contidos. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.17744, de 2001) § 1o Está subordinada às normas e à fiscalização da Agência Nacional de Saúde Suplementar ANS qualquer modalidade de produto, serviço e contrato que apresente, além da garantia de cobertura financeira de riscos de assistência médica, hospitalar e odontológica, outras características que o diferencie de atividade exclusivamente financeira, tais como: (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.17744, de 2001) a) custeio de despesas; (Incluído pela Medida Provisória nº 2.17744, de 2001) b) oferecimento de rede credenciada ou referenciada; (Incluído pela Medida Provisória nº 2.17744, de 2001) c) reembolso de despesas; (Incluído pela Medida Provisória nº 2.17744, de 2001) d) mecanismos de regulação; (Incluído pela Medida Provisória nº 2.17744, de 2001) Fl. 263DF CARF MF Impresso em 20/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 04/0 2/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 31/01/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIR A JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 11/02/ 2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 15940.000763/201098 Acórdão n.º 2803002.971 S2TE03 Fl. 264 20 e) qualquer restrição contratual, técnica ou operacional para a cobertura de procedimentos solicitados por prestador escolhido pelo consumidor; e (Incluído pela Medida Provisória nº 2.17744, de 2001) f) vinculação de cobertura financeira à aplicação de conceitos ou critérios médicoassistenciais. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.17744, de 2001) § 2o Incluemse na abrangência desta Lei as cooperativas que operem os produtos de que tratam o inciso I e o § 1o deste artigo, bem assim as entidades ou empresas que mantêm sistemas de assistência à saúde, pela modalidade de autogestão ou de administração. (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.17744, de 2001) § 3o As pessoas físicas ou jurídicas residentes ou domiciliadas no exterior podem constituir ou participar do capital, ou do aumento do capital, de pessoas jurídicas de direito privado constituídas sob as leis brasileiras para operar planos privados de assistência à saúde. (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.17744, de 2001) § 4o É vedada às pessoas físicas a operação dos produtos de que tratam o inciso I e o § 1o deste artigo. (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.17744, de 2001) § 5o É vedada às pessoas físicas a operação de plano ou seguro privado de assistência à saúde. Com efeito, não há qualquer sombra de dúvida a respeito da natureza jurídica das cooperativas que atuam na área da saúde suplementar, ou seja, tais cooperativas há muito tempo já não são consideradas como cooperativas de trabalho pelo Poder Público. Nesse compasso, considerando a forma em que a fiscalização foi realizada, nomeadamente no que concerne à descrição do fato gerador da exação discutida, bem como em relação à análise do relator originário, podese afirmar com absoluta segurança que a verdade material não foi perseguida por aqueles que me antecederam. A verdade material, como é do conhecimento dos operadores do Direito, constituise num dos princípios específicos do Processo Administrativo Fiscal – PAF. Dela ninguém pode imiscuirse. Sobre o assunto, Marcos Vinícius Neder e Maria Teresa Martínez López (In Processo Administrativo Fiscal Feral Comentado. – 2. Ed. – São Paulo : Dialética, 2004. p. 74) asseveram: Em decorrência do princípio da legalidade, a autoridade administrativa tem o dever de buscar a verdade material. O processo fiscal tem por finalidade garantir a legalidade da apuração da ocorrência do fato gerador e a constituição do Fl. 264DF CARF MF Impresso em 20/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 04/0 2/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 31/01/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIR A JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 11/02/ 2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 15940.000763/201098 Acórdão n.º 2803002.971 S2TE03 Fl. 265 21 crédito tributário, devendo o julgador pesquisar exaustivamente se, de fato, ocorreu a hipótese abstratamente prevista na norma e, em caso de impugnação do contribuinte, verificar aquilo que é realmente verdade, independente do alegado e provado. Odete Medauar preceitua que “o princípio da verdade material ou verdade real, vinculado ao princípio da oficialidade, exprime que a Administração deve tomar decisões com base nos fatos tais como se apresentam na realidade, não se satisfazendo com a versão oferecida pelos sujeitos. Para tanto, tem o direito e o dever de carrear para o expediente todos os dados, informações, documentos a respeito da matéria tratada, sem estar jungida aos aspectos considerados pelos sujeitos”. Vêse, portanto, que determinar o fato gerador sob a alegação de que se trata de cooperativa de trabalho e, por isso, devese aplicar diretamente o inciso IV do art. 22 da Lei nº 8.212/91, sem buscar a verdade material exposta pelos doutrinadores acima citados, data máxima vênia, é prova cabal de que a constituição do crédito tributário não atendeu às exigências previstas no CTN, em especial aquelas descritas no art. 142 do referido diploma legal. Ademais, no caso destes autos, tanto a autoridade administrativa lançadora, os julgadores de primeira instância administrativa, com também o ilustre relator originário deixaram de observar que a prestação de serviços foi realizada em atividade exclusiva de assistência a saúde, mediante convênio saúde firmado por uma cooperativa operadora de plano de assistência à saúde com a Associação dos Aposentados, Pensionistas e Idosos de Varginha e Região. Não se atendo a importante detalhe envolvendo a prestação de serviços na área da saúde suplementar, entendo que aqueles que me antecederam falharam em seus julgamentos, pois deixaram de observar o comando inserto no § 2º do art. 22 da Lei nº 8.212/91, que remetendo o assunto para o § 9º do art. 28 do mesmo diploma legal, criou uma regra de não incidência tributária condicionada. Os dispositivos legais citados contém a seguinte redação: Art. 22. A contribuição a cargo da empesa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: (...) § 2º. Não integram a remuneração as parcelas de que trata o § 9º do art. 28. Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: (...) § 9º. Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta lei, exclusivamente: Fl. 265DF CARF MF Impresso em 20/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 04/0 2/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 31/01/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIR A JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 11/02/ 2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 15940.000763/201098 Acórdão n.º 2803002.971 S2TE03 Fl. 266 22 (...) q) o valor relativo à assistência prestada por serviço médico ou odontológico, próprio da empresa ou por ela conveniado, inclusive o reembolso de despesas com medicamentos, óculos, aparelhos ortopédicos, despesas médicohospitalares e outras similares, desde que a cobertura abranja a totalidade dos empregados e dirigentes da empresa. Ora, se não integram o saláriodecontribuição os valores relativos à assistência prestada por serviço médico ou odontológico, próprio da empresa ou por ela conveniado, como é o caso dos autos, a única maneira para efetuar o lançamento em discussão seria o enquadramento da relação contratual às disposições contidas na parte final da alínea “q” do § 9º do art. 28 da Lei nº 8.212/91 na hipótese de a cobertura não abranger a totalidade dos empregados e dirigentes da empresa. Destarte, por se tratar expressamente de regra de não incidência de tributos, concordo parcialmente com os membros da 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 2ª Seção do CARF quando eles por unanimidade deram provimento ao recurso voluntário do Sindicato dos Trabalhadores da Indústria de Energia de Ipauçu, de acordo com o que consta no Acórdão 240102.243, originário da Sessão de 20 de janeiro de 2012, que julgou o Processo 11444.000189/200984. A concordância parcial, explico, se dá pelo simples motivo de os membros da citada Turma não terem estendido o provimento também à empresa Santa Cruz. O fato de a empresa ter arcado às suas expensas com parte do custo com o plano de saúde firmado com a Unimed de Ourinhos, sem a estrita observância da verdade material c/c as regras da alínea “q” do § 9º do art. 28 da Lei nº 8.212/91, para mim não atendeu os regramentos dispostos na legislação de regência. Como já referido anteriormente, no processo administrativo o julgador deve sempre buscar a verdade, ainda que, para isso, tenha que se valer de outros elementos além daqueles trazidos aos autos pelos interessados. A autoridade administrativa não fica obrigada a restringir seu exame ao que foi alegado, trazido ou provado pelas partes, podendo e devendo buscar todos os elementos que possam influir no seu convencimento, situação que, objetivamente, não foi observada nestes autos. Tendo em vista que a verba constante do lançamento diz respeito à assistência à saúde disponibilizada aos membros da Associação Comunitária In Locco, por intermédio de convênio saúde, sou obrigado a reconhecer que se trata de matéria abrangida pelo instituto da não incidência, conforme expressamente dispõe a alínea “q” do § 9º do art. 28 da Lei nº 8.212/91. Desse modo, efetuar o enquadramento do fato à norma, sob a alegação de que a contração de serviços por cooperados por intermédio de cooperativa de trabalho determina o recolhimento de 15% (quinze por cento) sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura, ex vi do art. 22, IV, da Lei nº 8.212/91, sem considerar as disposições contidas na última linha do parágrafo anterior, data vênia, é fazer letra morta o instituto da não incidência previsto na Lei de Custeio da Previdência Social. Fl. 266DF CARF MF Impresso em 20/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 04/0 2/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 31/01/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIR A JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 11/02/ 2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 15940.000763/201098 Acórdão n.º 2803002.971 S2TE03 Fl. 267 23 Reconhecer a não incidência do tributo, nos convênios saúde firmados com operadoras de plano de assistência à saúde, constituídas sob a modalidade de sociedade civil ou comercial ou entidade de autogestão nos moldes estabelecidos pela Lei nº 9.656/98 e não enquadrar as cooperativas também operadoras de plano de assistência à saúde, na mesma situação, é a caracterização de odiosa discriminação contra esse tipo societário. CONCLUSÃO. Pelo exposto, voto por CONHECER do recurso para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO. É como voto. (Assinado digitalmente) Amílcar Barca Teixeira Júnior – Redator Designado. Fl. 267DF CARF MF Impresso em 20/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 04/0 2/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 31/01/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIR A JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 11/02/ 2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 15940.000763/201098 Acórdão n.º 2803002.971 S2TE03 Fl. 268 24 Declaração de Voto Conselheiro Gustavo Vettorato Ao voto do Conselheiro Amilcar Teixeira, filiome integralmente de forma a tornálo parte integrante do presente voto. Ainda, mesmo com o aprofundado estudo do Conselheiro Amílcar Teixeira, entendo apenas que deve ser acrescentado um ponto: a impossibilidade da legislação tributária, em especial a infralegal, alterar conteúdo e alcances das instituições e conceitos do direito privado. Ao caso, ficou claro que a legislação privada que regula as atividades das cooperativas separa cooperativas de trabalho e cooperativas de serviços médicos, como plenamente já explanado. Inclusive cada um dos tipos tem especificações, conteúdos e regimes jurídicos próprios e diversos. Ou seja, não pode a legislação tributária, sem previsão legal específica e competente, ser amalgamada para fins de incidência tributária, sob ofensa ao princípio da legalidade e de interpretação restritiva dos institutos de direito privado (art. 150, da CF/1988, arts. 97 e 110 do CTN). Rememoramos que os princípios gerais de direito privado tem um papel importante na aplicação das normas que compõe o Direito Tributário. Importância visível pela própria natureza de sobreposição de suas normas. Observese que as normas de direito tributário somente incidem sobre vínculos oriundos de outros ramos jurídicos, por exemplo, citamos Imposto sobre Serviços, que incide somente quanto há uma prestação de serviços entre particulares, isso é, a realização de um contrato de prestação de serviços, regulados todos pelo Direito Civil. Em face dessa importância os arts. 109 e 110, do CTN, in verbis: Art. 109. Os princípios gerais de direito privado utilizamse para pesquisa da definição, do conteúdo e do alcance de seus institutos, conceitos e formas, mas não para definição dos respectivos efeitos tributários. Art. 110. A lei tributária não pode alterar a definição, o conteúdo e o alcance de institutos, conceitos e formas de direito privado, utilizados, expressa ou implicitamente, pela Constituição Federal, pelas Constituições dos Estados, ou pelas Leis Orgânicas do Distrito Federal ou dos Municípios, para definir ou limitar competências tributárias. Isso remonta à crítica de que é vedada à legislação tributária alterar conceitos como renda, lucro, compra e venda, receita, faturamento, constituição social, prestação de serviço, capacidades que são de natureza tipicamente privada com o intuito de aumentar a sua arrecadação e campo de competência, conforme o art. 110, do CTN (AMARO, Luciano. Direito tributário brasileiro. ed. 9, São Paulo: Saraiva, 2003, p. 216). Alterações conceituais como essas são, literalmente, fulminadas judicialmente. Exemplo clássico do assunto é o julgado do Supremo Tribunal Federal que julgou inconstitucional as alterações dos conceitos de salário e prólabore para fins de contribuições previdenciárias (Recurso Extraordinário n. 166.7729/RS, do Plenário do STF, Rel. Mi n. Marco Aurélio, julgado em maio de 1994). Fl. 268DF CARF MF Impresso em 20/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 04/0 2/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 31/01/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIR A JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 11/02/ 2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 15940.000763/201098 Acórdão n.º 2803002.971 S2TE03 Fl. 269 25 De fato, estamos perante a mais um caso de não incidência, pois as cooperativas de prestação de serviços médicos não são os sujeitos passivos da regra matriz de imposição tributária obtida do inciso IV do art. 22 da Lei nº 8.212/91. Assim, acompanho o voto do Conselheiro Amilcar Teixeira. (Assinado digitalmente) Gustavo Vettorato Conselheiro Fl. 269DF CARF MF Impresso em 20/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 04/0 2/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 31/01/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIR A JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 11/02/ 2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 15940.000763/201098 Acórdão n.º 2803002.971 S2TE03 Fl. 270 26 Declaração de Voto Conselheiro Natanael Vieira dos Santos. 1. Não obstante as conclusões do voto vencido, de minha relatoria, é necessário registrar que estou de acordo com o voto vista do ilustre Conselheiro Dr. Amílcar Barca Teixeira Júnior que concluiu tratarse o presente caso de hipótese de não incidência. 2. A minha concordância decorre do fato de que, revendo meu posicionamento anterior sobre o tema verifiquei que se trata de situação jurídica em que a norma não alcança os serviços de saúde prestados por cooperativa médica, uma vez que os pagamentos dessa natureza a ela feitos por outra pessoa jurídica não se amolda a norma tributária de incidência prevista no art. 22, inciso IV, da Lei nº 8.212/91, como pode ser visto na sequência. 3. A Lei nº 12.690, de 19 de julho de 2012, que dispõe sobre a Organização e o Funcionamento das Cooperativas de Trabalho, reiterese, em seu art. 1º, parágrafo único, é taxativa no sentido de que não se constitui em cooperativa da espécie – trabalho, dentre outras, aquelas que cuidam de assistência à saúde na forma da legislação de saúde suplementar que, por conseguinte, continuam a serem exclusivamente reguladas pela Lei nº 5.764/71 (Lei Geral do Cooperativismo), in verbis: Art. 1º. A Cooperativa de Trabalho é regulada por esta Lei e, no que com ela não colidir, pelas Leis nos 5.764, de 16 de dezembro de 1971, e 10.406, de 10 de janeiro de 2002 Código Civil. Parágrafo único. Estão excluídas do âmbito desta Lei: I as cooperativas de assistência à saúde na forma da legislação de saúde suplementar (Grifei); (...). 4. Apenas para registrar o que vem a ser saúde suplementar, recorro a Lei nº 9.656/98, a qual dispõe como sendo Operadora de Plano de Assistência à Saúde a pessoa jurídica constituída sob a modalidade de sociedade civil ou comercial, cooperativa, ou entidade de autogestão, que opere produto, serviço ou contrato de prestação continuada de serviços ou cobertura de custos assistenciais a preço pré ou pós estabelecido, por prazo indeterminado, com a finalidade de garantir, sem limite financeiro, a assistência à saúde, pela faculdade de acesso e atendimento por profissionais ou serviços de saúde, livremente escolhidos, integrantes ou não de rede credenciada, contratada ou referenciada, visando a assistência médica, hospitalar e odontológica, a ser paga integral ou parcialmente às expensas da operadora contratada, mediante reembolso ou pagamento direto ao prestador, por conta e ordem de quem utilizou tais serviços. Fl. 270DF CARF MF Impresso em 20/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 04/0 2/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 31/01/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIR A JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 11/02/ 2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 15940.000763/201098 Acórdão n.º 2803002.971 S2TE03 Fl. 271 27 5. Do dispositivo colacionado no item 3 acima, fica evidenciado que as cooperativas de assistência à saúde na forma da legislação de saúde suplementar, não são cooperativas de trabalho, e, por essa razão, no âmbito tributário, cabe analisar se os serviços médicos prestados por seus cooperados aos associados / empregados da recorrente são alcançados pela incidência da contribuição prevista no inciso IV do art. 22 da Lei nº 8.212/91. 6. Para tal análise, ainda que sumária, ela deve ser feita sob o enfoque da regra matriz de incidência, a qual, como norma jurídica de comportamento, regula ou disciplina a conduta do sujeito passivo, portanto, devedor da prestação fiscal, perante o credor desta mesma prestação. 7. A regra matriz de incidência ou norma tributária, de acordo com a melhor doutrina, é formada classicamente por dois termos, a saber: antecedente e consequente, sendo o primeiro o descritor da norma que anunciam os critérios para reconhecimento do fato, critérios estes o material, onde necessariamente há de fazer referência a um comportamento da pessoa física ou jurídica, invariavelmente ligado um verbo, e, o espacial e temporal. Já no segundo termo consequente da norma – têmse os dados necessários ao estabelecimento do vínculo jurídico, possibilitando com isso o reconhecimento dos sujeitos envolvidos na relação obrigacional tributária e evidenciação do objeto que é o comportamento imposto pela norma. É no consequente, portanto, onde se identifica, dentre outros aspectos, o pessoal ou a sujeição passiva da relação jurídica tributária. 8. Advirtase que, para o surgimento da obrigação tributária em análise, primeiro há que se constatar a ocorrência do fato previsto hipoteticamente na norma veiculada no inciso IV do art. 22 da Lei nº 8.212/91, sendo que a aplicabilidade dessa norma deve se dar de forma inteira, assim considerada em todos os seus critérios (1) material, (2) temporal, (3) espacial, (4) e quantitativo, assumindo relevo, no caso, os aspectos material e pessoal. 9. Dito isto, para melhor compreensão passo a decompor a regra matriz de incidência prescrita no inciso IV do art. 22 da Lei nº 8.212/91, quais sejam: (I) Critério material: ser tomador de serviços prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho; (parte final do inc. IV, do art. 22). (II) Critério espacial: território nacional. (III) Critério temporal: a contribuição incidirá sobre os valores pagos ou creditados, a cada mês, a cooperativa de trabalho, a título de remuneração, conforme nota fiscal ou fatura de prestação de serviços decorrente das obrigações indicadas no aspecto material (parte inicial do inc. IV, do art. 22). (IV) Critério pessoal: sujeito ativo é a União; sujeito passivo é a empresa que tomar os serviços prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho. (V) Critério quantitativo: a base de cálculo é o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços pagos, a cada mês, a cooperativa de trabalho; a alíquota é de 15%. Fl. 271DF CARF MF Impresso em 20/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 04/0 2/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 31/01/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIR A JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 11/02/ 2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 15940.000763/201098 Acórdão n.º 2803002.971 S2TE03 Fl. 272 28 10. Da decomposição da regra matriz de incidência, conforme item precedente inferese que não ocorrendo o fato jurídico ou critério material ser tomador de serviços prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho – não há o que se falar em nascimento da relação jurídica tributária. 11. Vejase que, conjugandose os critérios material e pessoal, por via de consequência estará sujeito ao cumprimento da obrigação tributária apenas aquele em que a lei o determine como sujeito passivo ou substituto na relação jurídica tributária. 12. Ainda, apenas para facilitar a compreensão, aqui lembro que no caso das empresas que, formalmente, contratam serviços das cooperativas de saúde UNIMED, em muito se assemelham ao papel que fazem as estipulantes de apólices de seguro coletivo para seus empregados, onde, embora formalmente exista um contrato de seguro entre elas e as seguradoras, em realidade são meras intermediárias, pois, num caso concreto de sinistro todo o proveito econômico quem usufrui são os endossantes dessa mesma apólice e não a estipulante. 13. Digo isto porque nos casos de planos de saúde contratados pelas empresas em benefícios de seus empregados, dentre outras possibilidades, poderiam tais serviços serem disponibilizados por intermédio de uma administradora (geralmente não possuem rede própria, credenciada ou referenciada de serviços médicohospitalares, por exemplo), cooperativa médica ou mesmo por meio de apólice de seguro saúde, emitida exclusivamente por seguradora. 14. Notese que, independentemente de serem os serviços de saúde disponibilizados para empregados por esses ou outros meios, percebese que o papel da empresa empregadora é sempre de mera intermediária, não sendo ela a tomadora dos serviços e sim os seus empregados. 15. Assim, do acima exposto, quer sob o enfoque do critério material, quer sob o ângulo do critério pessoal, entendo que assiste razão à recorrente, uma vez que se trata o presente caso de serviços prestados por cooperados de cooperativa de saúde, a qual legalmente não é considerada como de trabalho, não ocorrendo, portanto, a hipótese de incidência tributária da contribuição prevista no inciso IV, do art. 22, da Lei nº 8.212/91, bem como o cumprimento de obrigações acessórias dessa exação decorrentes. (Assinado digitalmente) Natanael Vieira dos Santos. Fl. 272DF CARF MF Impresso em 20/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 04/0 2/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 31/01/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIR A JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 11/02/ 2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
score : 1.0
Numero do processo: 10930.904525/2012-11
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed May 28 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 26/10/2010
COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. COMPROVAÇÃO. ÔNUS DA PROVA.
Compete ao contribuinte a apresentação de livros de escrituração comercial e fiscal ou de documentos hábeis e idôneos à comprovação do crédito alegado sob pena de desprovimento do recurso.
PROVAS. PRODUÇÃO. MOMENTO POSTERIOR AO RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE.
O momento de apresentação das provas está determinado nas normas que regem o processo administrativo fiscal, em especial no Decreto 70.235/72. Não há como deferir produção de provas posteriormente ao Recurso Voluntário por absoluta falta de previsão legal.
Numero da decisão: 3803-004.875
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
João Alfredo Eduão Ferreira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa, Corintho Oliveira Machado, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani.
Nome do relator: JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA
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GONCALVES & CIA LTDA EPP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 26/10/2010 COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. Para a homologação da DCOMP transmitida pelo sujeito passivo, é necessária a demonstração da liquidez e certeza do crédito de tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 26/10/2010 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. COMPROVAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. Compete ao contribuinte a apresentação de livros de escrituração comercial e fiscal ou de documentos hábeis e idôneos à comprovação do crédito alegado sob pena de desprovimento do recurso. PROVAS. PRODUÇÃO. MOMENTO POSTERIOR AO RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE. O momento de apresentação das provas está determinado nas normas que regem o processo administrativo fiscal, em especial no Decreto 70.235/72. Não há como deferir produção de provas posteriormente ao Recurso Voluntário por absoluta falta de previsão legal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 0. 90 45 25 /2 01 2- 11 Fl. 75DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO 2 Corintho Oliveira Machado Presidente. (assinado digitalmente) João Alfredo Eduão Ferreira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa, Corintho Oliveira Machado, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani. Relatório Trata o presente processo de PER/DCOMP, transmitido pelo contribuinte, em que pretende compensar apontado crédito de natureza tributária para com débito por ele apurado, ambos indicados em PER/DCOMP (efl 2/6), referente aos períodos e valores ali descritos e analisados no bojo deste processo. O pagamento foi identificado, mas constatouse que o mesmo foi integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, segundo dados do Despacho Decisório, dessa forma, o direito creditório não foi reconhecido e a compensação declarada resultou não homologada. Intimado a recolher o crédito tributário decorrente da não homologação da compensação, o contribuinte manifestou a sua inconformidade tempestivamente, argumentando o que se segue: a) Afirma seu direito ao recebimento do recurso, bem assim o regular processamento dos autos para julgamento pelo órgão competente; b) Alega que o despacho decisório está eivado de nulidades, pois não houve esclarecimentos quanto à suposta indisponibilidade de crédito e não foi analisada qualquer situação que legitima o crédito postulado; c) Alega não ter meio de se defender por desconhecimento da indisponibilidade e que o despacho decisório não dispõe de qualquer esclarecimento, inclusive em relação ao significado de “disponibilidade de crédito”, o que lhe parece se tratar do encontro de contas realizado pelo sistema da Receita Federal entre o débito recolhido através do Darf e o Crédito declarado em DCTF. Não restando crédito disponível para ser restituído; d) Alega o cerceamento ao seu direito de ampla defesa, pois não foi intimado a fazer os esclarecimentos necessários e a autoridade administrativa não motivou sua decisão, a qual não passou pelo crivo de um Auditor Fiscal para confirmar a suposta indisponibilidade, dessa forma a não homologação desta compensação ocorreu por uma questão de sistema de informática, sendo assim o crédito sequer foi apreciado; e) Afirma, quanto ao mérito, que utilizou de valores que indevidamente integravam a base de cálculo do tributo, conforme teses já julgadas pelo Supremo Tribunal Federal, e que por esta razão postulou a restituição/compensação do valor que pagou a maior; f) Alega que não há como apresentar os documentos comprobatórios do direito alegado, já que nem a autoridade administrativa sabe ao certo o motivo do indeferimento, tampouco a interessada, devendo ser aplicada a regra autorizadora de produção posterior das provas. Fl. 76DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO Processo nº 10930.904525/201211 Acórdão n.º 3803004.875 S3TE03 Fl. 11 3 A 3ª Turma da DRJ/CTA julgou improcedente a manifestação de inconformidade e não reconheceu o direito creditório, ementando sua decisão nos seguintes termos: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO [...] NULIDADE. PRESSUPOSTOS. Ensejam a nulidade apenas os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INTIMAÇÃO PARA ESCLARECIMENTOS. A ausência de pedido de esclarecimentos na fase preparatória do procedimento fiscal não caracteriza cerceamento do direito de defesa, que é assegurado na fase do contraditório, inaugurada com a manifestação de inconformidade. COFINS. BASE DE CÁLCULO. JULGAMENTO PELO STF. Aplicase a disposição do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, até a sua revogação pela Lei 11.941, de 27 de maio de 2009, uma vez que o julgamento do STF pela inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo contida naquele dispositivo não tem efeito erga omnes, pois a decisão foi em Recurso Extraordinário e não em ADIN, só aproveitando, por isso, às partes envolvidas, não podendo beneficiar ou prejudicar terceiros. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformado, o sujeito passivo protocolou recurso voluntário, por meio do qual repete os argumentos expostos em manifestação de inconformidade, chegando a afirmar tratarse de um acórdão eletrônico, à semelhança do despacho decisório, sem que tenha sido submetido ao crivo de um auditor fiscal/colegiado para analisar essas situações. É o relatório. Voto Conselheiro João Alfredo Eduão Ferreira Relator O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos para sua admissibilidade, portanto dele tomo conhecimento. Dos pedidos de nulidade. Fl. 77DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO 4 O contribuinte defende a nulidade do despacho decisório e do acórdão da DRJ por falta de motivação de seus atos, o que impossibilitou sua defesa. Entendemos que não seja obrigatória, na fundamentação do despacho decisório, a indicação expressa dos dispositivos legais e constitucionais em que se sustenta, desde que haja consonância dos argumentos utilizados com a jurisprudência e com o ordenamento jurídico vigente. Ressaltamos que o despacho decisório é processado de forma eletrônica, realizando o encontro dos valores constantes no sistema da Receita Federal do Brasil RFB. Como confessado pelo próprio contribuinte sua DCTF do período estava erroneamente preenchida, e esta informação estava inserida no sistema da RFB, ou seja, de fato o contribuinte não possuía créditos a serem ressarcidos no confronto dos valores declarados como devidos (DCTF) e daqueles que efetivamente foram recolhidos (DARF). As principais nulidades no processo administrativo fiscal estão disciplinadas nos artigos 59 e 60 do Decreto n.º 70.2351, de 1972, não identificamos nenhuma das hipóteses de nulidade presente no despacho decisório, muito menos ofensa aos princípios do contraditório e da ampla defesa, tanto que o recorrente pode fazer sua defesa de forma ampla e teve a oportunidade de provar seu direito creditório em pelo menos duas oportunidades distintas, uma quando da manifestação de inconformidade e outra quando interpôs recurso voluntário. O Despacho Decisório aponta como enquadramento legal os artigos 165 e 170 do CTN e artigo 74 da Lei 9.430/96. Tanto o artigo 170 do CTN quanto o 74 da Lei 9.430/96, reforçam o direito do contribuinte em compensar os seus débitos com crédito líquidos e certos, fica claro que a liquidez e certeza do crédito tributário é que ficou comprometida ante as informações prestadas pelo contribuinte, em especial no confronto da DCTF com o DARF recolhido, portanto, entendemos que não há que se falar em nulidade do Despacho Decisório por falta de fundamentação. Da mesma sorte, não identificamos qualquer hipótese de nulidade no acórdão proferido pela DRJ. A manifestação de inconformidade foi devidamente submetida ao crivo de um colegiado que fundamentou coerentemente sua decisão com base no Decreto 70.235, de 1972, além de trazer decisão da Câmara Superior de Recursos Fiscais do então Conselho de Contribuintes. Dessa forma a recorrente poderia usufruir do direito ao contraditório e à ampla defesa. Não identificamos qualquer cerceamento à defesa do contribuinte. Mérito e comprovação do crédito. 1 Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. Fl. 78DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO Processo nº 10930.904525/201211 Acórdão n.º 3803004.875 S3TE03 Fl. 12 5 As compensações se prestam ao encontro de contas, entre um débito tributário e um crédito líquido e certo da contribuinte contra a Fazenda Pública, conforme determina o artigo 170 do CTN. “Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública.” Neste mesmo sentido expressase o artigo 74 da Lei 9.430. Daí concluirse que o reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento a maior do tributo, desse modo, a fim de comprovar a existência do crédito alegado, a interessada deve instruir sua defesa, em especial a manifestação de inconformidade, com documentos que respaldem suas afirmações, considerando o disposto nos artigos 15 e 16 do Decreto nº 70.235/1972: “Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993)” O recorrente afirma que utilizou de valores que indevidamente integraram a base de cálculo do tributo, conforme teses já julgadas pelo Supremo Tribunal Federal, e que por esta razão postulou a restituição/compensação do valor que pagou a maior. Apesar de se referir a algumas teses de forma genérica, o contribuinte não expôs com exatidão quais delas teria usado para justificar a redução da base de cálculo. Muito menos demonstrou quais os valores que acredita não integrarem a referida base de cálculo, o que de fato impede a análise dos argumentos expostos e não prova a disponibilidade de crédito. Na mesma esteira, admitindose por hipótese, o direito subjetivo do contribuinte, o que não é o caso, mais uma barreira se ergueria em desfavor da requerente, qual seja, a absoluta falta de provas da existência do crédito requerido. O inciso III do artigo 16 do Decreto 70.235/72 determina que as provas que justifiquem as alegações do contribuinte devem ser trazidas na impugnação. Não há nos autos qualquer elemento de prova que ateste o crédito pretendido, não identificamos Notas Fiscais, Escrita Fiscal, Escrita Contábil, Livro de Apuração, Livro Diário, Livro Razão, planilhas demonstrativas, ou qualquer outro documento que possibilite, minimamente que seja, a sua aferição. No processo administrativo fiscal, assim como no processo civil, o ônus de provar a veracidade do que afirma é de quem alega a sua existência, ou seja, do interessado, é assim que dispõe a Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999 no seu artigo 36: Fl. 79DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO 6 Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no artigo 37 desta Lei. No mesmo sentido os artigos 330 e 396 da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973CPC: Art. 333. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Art. 396. Compete à parte instruir a petição inicial (art. 283), ou a resposta (art. 297), com os documentos destinados a provar lhe as alegações. Quem alegou a existência de crédito foi o contribuinte, portanto, cabe a este provar o alegado crédito e não transferir tal ônus para a RFB. Da apresentação das provas. O artigo 16 do Decreto nº 70.235/72 em seu § 4º determina, ainda, o momento processual para a apresentação de provas no processo administrativo fiscal, bem como as exceções albergadas que transcrevemos a seguir: “§ 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.” A análise da norma supracitada é clara e direta ao estabelecer o momento correto a serem carreadas as provas a fim de substanciar os argumentos da interessada, qual seja, na manifestação de inconformidade, contudo, esta turma recursal tem firmado entendimento no sentido de admitir, excepcionalmente, a análise de provas trazidas em sede de recurso voluntário, quando estas não dependam de análise técnica aprofundada e sejam complementares às provas trazidas em Manifestação de Inconformidade, entretanto, mesmo neste momento processual, nenhuma prova foi carreada aos autos. Não há como deferir o pedido do contribuinte por produção de provas posteriores a este ato, por absoluta falta de previsão legal. Conclusão. Pelo exposto, rejeito as preliminares de nulidade e no mérito NEGO PROVIMENTO. É como voto. (assinado digitalmente) Fl. 80DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO Processo nº 10930.904525/201211 Acórdão n.º 3803004.875 S3TE03 Fl. 13 7 João Alfredo Eduão Ferreira Relator Fl. 81DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO
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Numero do processo: 11030.002122/2003-51
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 12 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu May 08 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2000, 2001, 2002
Ementa:
NULIDADE. Rejeição de nulidade por não haver ofensa ao art. 59 do Decreto no 70.235/72.
SUSPENSÃO DE IMUNIDADE TRIBUTÁRIA. INCORPORAÇÃO IMOBILIÁRIA. A aplicação de recursos na construção de imóvel em terreno da entidade, com venda de unidades autônomas para instalação de consultórios médicos complementares às suas atividades, não é causa suficiente para a suspensão da imunidade tributária. REMUNERAÇÃO DE SERVIÇOS. A retribuição de serviços executados por terceiros, no estabelecimento da entidade e com o uso equipamentos de sua propriedade, ainda que calculada com base em percentual dos valores recebidos pelo hospital em face dos pacientes que usufruíram de tais serviços, não é suficiente para caracterizar a distribuição de resultados da entidade e justificar a suspensão da imunidade tributária.
INCONSTITUCIONALIDADE/ILEGALIDADE. Não compete à autoridade administrativa apreciar argüições de inconstitucionalidade ou ilegalidade de norma legitimamente inserida no ordenamento jurídico, cabendo tal controle ao Poder Judiciário.
Numero da decisão: 1101-001.063
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado em: 1) por unanimidade de votos, REJEITAR a arguição de nulidade do ato de suspensão da imunidade; 2) por maioria de votos, DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente à suspensão da imunidade em razão da incorporação imobiliária, vencida a Relatora Conselheira Mônica Sionara Schpallir Calijuri; e, 3) por maioria de votos, DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente à suspensão da imunidade em razão da remuneração de serviços de terceiros, vencida a Relatora Conselheira Mônica Sionara Schpallir Calijuri, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Foi designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Edeli Pereira Bessa.
(documento assinado digitalmente)
MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO - Presidente.
(documento assinado digitalmente)
MÔNICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI - Relatora
(documento assinado digitalmente)
EDELI PEREIRA BESSA - Redatora designada
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (presidente da turma), Edeli Pereira Bessa, Benedicto Celso Benício Júnior, Mônica Sionara Schpallir Calijuri, Joselaine Boeira Zatorre e Marcos Vinícius Barros Ottoni.
Nome do relator: MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2000, 2001, 2002 Ementa: NULIDADE. Rejeição de nulidade por não haver ofensa ao art. 59 do Decreto no 70.235/72. SUSPENSÃO DE IMUNIDADE TRIBUTÁRIA. INCORPORAÇÃO IMOBILIÁRIA. A aplicação de recursos na construção de imóvel em terreno da entidade, com venda de unidades autônomas para instalação de consultórios médicos complementares às suas atividades, não é causa suficiente para a suspensão da imunidade tributária. REMUNERAÇÃO DE SERVIÇOS. A retribuição de serviços executados por terceiros, no estabelecimento da entidade e com o uso equipamentos de sua propriedade, ainda que calculada com base em percentual dos valores recebidos pelo hospital em face dos pacientes que usufruíram de tais serviços, não é suficiente para caracterizar a distribuição de resultados da entidade e justificar a suspensão da imunidade tributária. INCONSTITUCIONALIDADE/ILEGALIDADE. Não compete à autoridade administrativa apreciar argüições de inconstitucionalidade ou ilegalidade de norma legitimamente inserida no ordenamento jurídico, cabendo tal controle ao Poder Judiciário.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado em: 1) por unanimidade de votos, REJEITAR a arguição de nulidade do ato de suspensão da imunidade; 2) por maioria de votos, DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente à suspensão da imunidade em razão da incorporação imobiliária, vencida a Relatora Conselheira Mônica Sionara Schpallir Calijuri; e, 3) por maioria de votos, DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente à suspensão da imunidade em razão da remuneração de serviços de terceiros, vencida a Relatora Conselheira Mônica Sionara Schpallir Calijuri, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Foi designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Edeli Pereira Bessa. (documento assinado digitalmente) MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO - Presidente. (documento assinado digitalmente) MÔNICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI - Relatora (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA - Redatora designada Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (presidente da turma), Edeli Pereira Bessa, Benedicto Celso Benício Júnior, Mônica Sionara Schpallir Calijuri, Joselaine Boeira Zatorre e Marcos Vinícius Barros Ottoni.
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Rejeição de nulidade por não haver ofensa ao art. 59 do Decreto no 70.235/72. SUSPENSÃO DE IMUNIDADE TRIBUTÁRIA. INCORPORAÇÃO IMOBILIÁRIA. A aplicação de recursos na construção de imóvel em terreno da entidade, com venda de unidades autônomas para instalação de consultórios médicos complementares às suas atividades, não é causa suficiente para a suspensão da imunidade tributária. REMUNERAÇÃO DE SERVIÇOS. A retribuição de serviços executados por terceiros, no estabelecimento da entidade e com o uso equipamentos de sua propriedade, ainda que calculada com base em percentual dos valores recebidos pelo hospital em face dos pacientes que usufruíram de tais serviços, não é suficiente para caracterizar a distribuição de resultados da entidade e justificar a suspensão da imunidade tributária. INCONSTITUCIONALIDADE/ILEGALIDADE. Não compete à autoridade administrativa apreciar argüições de inconstitucionalidade ou ilegalidade de norma legitimamente inserida no ordenamento jurídico, cabendo tal controle ao Poder Judiciário. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado em: 1) por unanimidade de votos, REJEITAR a arguição de nulidade do ato de suspensão da imunidade; 2) por maioria de votos, DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente à suspensão da imunidade em razão da incorporação imobiliária, vencida a Relatora Conselheira Mônica Sionara Schpallir Calijuri; e, 3) por maioria de votos, DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente à suspensão da imunidade em razão da remuneração de serviços de terceiros, vencida a Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 03 0. 00 21 22 /2 00 3- 51 Fl. 839DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por EDELI P EREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 28/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 11030.002122/200351 Acórdão n.º 1101001.063 S1C1T1 Fl. 813 2 Conselheira Mônica Sionara Schpallir Calijuri, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Foi designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Edeli Pereira Bessa. (documento assinado digitalmente) MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO Presidente. (documento assinado digitalmente) MÔNICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI Relatora (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA Redatora designada Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (presidente da turma), Edeli Pereira Bessa, Benedicto Celso Benício Júnior, Mônica Sionara Schpallir Calijuri, Joselaine Boeira Zatorre e Marcos Vinícius Barros Ottoni. Fl. 840DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por EDELI P EREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 28/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 11030.002122/200351 Acórdão n.º 1101001.063 S1C1T1 Fl. 814 3 Relatório O processo no 11030.002122/200351 trata da suspensão da imunidade tributária do Hospital de Caridade de Erechim, a seguir referida como HCE, já qualificada nos autos. O procedimento fiscal foi iniciado em 09 de junho de 2003, através da ciência de Mandado de Procedimento Fiscal — Diligência no 10104002003000689 (fl.01). A Notificação Fiscal (fls. 03 a 16) relata os fatos motivadores da exclusão, a seguir relatados em síntese: · O HCE é definido, em seu estatuto social (fls. 27 a 47), como uma sociedade civil filantrópica, de direito privado e de assistência social na área da saúde, sem fins lucrativos, com seus atos constitutivos registrados no Cartório de Registro de Pessoas Jurídicas de Erechim, RS, tendo as seguintes finalidades: · Prestar assistência à saúde, no limite de suas possibilidades, a todos que o procurarem, no sentido de proteger a família, a maternidade, a infância, a adolescência e a velhice, sem qualquer tipo ou espécie de distinção; · Desenvolver atividades educacionais ou de saúde, para formação de profissionais; · Promover a integração dos diversos profissionais da área da saúde ao mercado de trabalho; · Oportunizar ações de prevenção, habilitação e reabilitação de pessoas portadoras de Deficiência; · Realizar atividades beneficentes, de assistência social, em favor dos desvalidos, crianças desamparadas e adolescentes carentes. Os fatos que motivaram a suspensão da imunidade foram a incorporação imobiliária e distribuição de parte de suas rendas. Relativamente ao primeiro motivo, a incorporação imobiliária, consta da Notificação que: 4.1.1 Tratase de incorporação imobiliária realizada pela Notificada, registrada no Cartório de Registro de Imóveis de Erechim em 06 de dezembro de 2000, para construção do edifício "Centro Clínico Hospital de Caridade de Erechim CCHC", sobre o imóvel de matrícula n° R.1/42.950, de propriedade da Notificada, destinada a consultórios médicos e a serviços dentro da atividade médica, conforme cópia do Registro da Incorporação Imobiliária (fls. 85 a 98). Fl. 841DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por EDELI P EREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 28/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 11030.002122/200351 Acórdão n.º 1101001.063 S1C1T1 Fl. 815 4 4.1.2 A incorporação compreende segundo e primeiro subsolos, com garagens, elevadores, escada, dependências de serviços, bambas d'água, reservatório inferior de água,transformador de eletricidade, etc. Pavimento térreo, composto por recepção para acesso de clientes e profissionais, elevadores, escada, sanitários públicos e para deficientes físicos, salas para serviços de apoio, ligações com o hospital, etc. Doze pavimentos, do 1o ao 12o pavimento, com acessos, circulação, elevadores, escada, sanitários públicos e seis conjuntos de salas (por pavimento) para consultórios e um banheiro para cada unidade, totalizando 72 (setenta e dois) conjuntos de salas. 4.1.3 A elaboração do projeto ocorreu no ano de 1999 e o início das obras civis ocorreu no mês de maio de 2000, com previsão de término, com entrega das chaves aos adquirentes das referidas salas, em dezembro de 2003. 4.1.4 A Notificada (incorporadora) projetou construir o edifício cujas unidades e respectivas frações de terreno serão alienadas pelo sistema de preço reajustável, determinado pelo CUB/SINDUSCON/RS, com área de construção global de 8.587,75m 2 , a um custo global orçado de R$ 3.641.747,19 (três milhões, seiscentos e quarenta e um mil, setecentos e quarenta e sete reais e dezenove centavos), conforme quadro III avaliação do custo global da construção e do preço por m 2, às fls. 99, sendo que os investimentos efetuados no período, fls. 161 a 190, e os valores recebidos dos adquirentes de salas, fls. 161 e 191 a 228, foram: Consta na Notificação que os valores recebidos dos adquirentes de salas – Conta Financiamento para incorporações – Passivo, foram: 1999 2000 2001 2002 Total Valor R$ 0,00 529.778,41 641.946,19 734.945,40 1.906.670,00 4.1.5 Os documentos examinados (fls. 85 a 228) e os esclarecimentos prestados evidenciam que a incorporação efetuada tem por finalidade a construção, pela Notificada, de imóveis destinados ao uso de médicos e prestadores de serviços dentro da atividade médica. 4.1.6 Há que se registrar que os objetivos sociais, constantes do estatuto social da Notificada (fls. 27 a 47), não indicam e nem poderiam indicar, a atividade de Fl. 842DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por EDELI P EREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 28/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 11030.002122/200351 Acórdão n.º 1101001.063 S1C1T1 Fl. 816 5 incorporação de imóveis como atividade fim, haja vista tratarse de atividade estritamente comercial, realizada por sociedades imobiliárias. 4.1.7 Por outro lado, comparando os valores investidos com os valores recebidos dos adquirentes de salas, conforme tabelas acima e docs. fls. 161 a 228, verificase a existência de descompasso entre os investimentos e os ingressos de receitas das vendas. Dessa forma, fica evidenciada e comprovada a aplicação de recursos da Notificada em atividade não essencial especificada no estatuto social. 4.1.8 Devese ressaltar que, sendo a imunidade de caráter subjetivo, não poderá abranger alguns rendimentos e deixar de fazêlo em relação a outros da mesma beneficiária. Dessa forma, o exercício de atividades que caracterizem o desvirtuamento dos fins que justificaram a sua criação e a concessão do benefício fiscal, implica a perda desse benefício em relação a todas as receitas obtidas pela Notificada. • 4.1.9 Verificase, assim, que a alienação de imóveis de propriedade da Notificada, através da incorporação imobiliária, caracteriza a prática de atividade comercial não eventual, típica de sociedades imobiliárias, o que a desqualifica como pessoa jurídica beneficiária da imunidade instituída pelo artigo 150, VI, c, § 4o da Constituição Federal, por infração aos arts. 14, inciso II, da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN) e art. 12, § 2o , alinea "b", e § 3o da Lei n° 9.532, de 10 de dezembro de 1997. O segundo motivo para causa de suspensão da imunidade foi distribuição de parte de suas rendas. Nos anoscalendário de 2000, 2001 e 2002, o HCE manteve contrato com as empresas: Clínica Radiológica Kozma e Alto Uruguai Diagnóstico por Imagem Ltda, para a prestação de serviços médicos especializados e responsabilidade técnica em radiologia geral, mamografia, ultrasonografia, tomografia computadorizada, ecografia, e outros métodos de diagnóstico por imagens atuais ou a serem desenvolvidos. O HCE apresentou em 15/10/2003 a relação dos principais equipamentos e aparelhos que foram instalados no CDI – Centro de Diagnóstico por Imagem (fl. 299). Em visita às dependências físicas do HCE constatouse que, no caso concreto, os aparelhos e equipamentos de propriedade do HCE, alguns deles importados com isenção do Imposto de Importação e do Imposto sobre Produtos Industrializados — IPI vinculado à importação, estavam sendo utilizados, pela empresa Alto Uruguai Diagnóstico por Imagem Ltda., pessoa jurídica de direito privado, com fins lucrativos, que funcionava no mesmo prédio do Hospital, mais especificamente na área denominada como Centro de Diagnóstico por Imagem — CDI. Em atendimento ao Termo de Intimação n. 001/000689, de 16/10/2003, o HCE apresentou os documentos e as informações solicitadas (fls. 21 a 26; 230 a 368 e 374 a 477), entre os quais os seguintes contratos: a) Contrato de Prestação de Serviços Médicos em Radiologia, Mamografia, Tomografia Computadorizada e Ecografia, firmado em 04 de abril de 2000, com a Clínica Radiológica Kozma, inscrita no CNPJ sob o n. 90.169.061/000170, rescindido em 31 de dezembro de 2001 (fls. 349 a 355); b) Contrato de Prestação de Serviços Médicos em Radiologia, Mamografia, Tomografia Computadorizada e Ecografia, firmado em 1° de janeiro de 2002, com a empresa Alto Uruguai Diagnóstico Por Imagem Ltda., inscrita no CNPJ sob o n° 04.228.867/000150, rescindido em 30 de abril de 2003 (fls. 356 a 362), e c) Contrato de Prestação de Serviços e Responsabilidade Técnica, firmado em 1o de maio de Fl. 843DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por EDELI P EREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 28/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 11030.002122/200351 Acórdão n.º 1101001.063 S1C1T1 Fl. 817 6 2003, com a empresa Alto Uruguai Diagnóstico Por Imagem Ltda., inscrita no CNPJ sob o n° 04.228.867/000150 (fls. 363 a 368), este ainda em vigência à época da notificação. Consta à fl. 13 da notificação que objeto dos referidos contratos, conforme cláusulas primeira e segunda, é a prestação de serviços médicos especializados e responsabilidade técnica em radiologia geral, mamografia, ultrasonografia, tomografia computadorizada, ecografia e outros métodos de diagnóstico por imagens atuais e ou a serem desenvolvidos, prestados única e exclusivamente na área física do Hospital, mais especificamente na área denominada Centro de Diagnóstico por Imagem – CDI, havendo uma divisão dos lucros obtidos com os exames realizados com a utilização dos aparelhos e equipamentos de propriedade da notificada. A notificação faz constar também que: 4.2.7 Conforme disposição da cláusula quarta dos contratos firmados, na prestação dos serviços especializados, será respeitada a isenção técnica dos profissionais designados pela Clínica Kozma e não haverá qualquer tipo de subordinação, pessoalidade ou vínculo da contratada em relação à Notificada. 4.2.8 Já o item "b" da cláusula sétima, prevê como obrigação da Notificada, entre outras: disponibilizar área física, equipamentos, utensílios e materiais específicos à radiologia, mamografia, ecografia e tomografia. 4.2.9 Os pagamentos pelos serviços prestados serão apurados, mensalmente, da seguinte forma: 50% (cinqüenta por cento) da diferença apurada entre o montante das receitas referentes aos exames, e o montante dos custos e despesas incorridas no mês. É o que diz a cláusula décima terceira do contrato, reproduzida a seguir: "Cláusula décima terceira: Os valores referentes ao pagamento dos serviços prestados no âmbito do presente contrato serão apurados da seguinte forma: 1) Serão apurados mensalmente os valores faturados pelo HCE, referentes aos exames praticados no período, considerando as respectivas tabelas (privadas e de convênios); 2) Serão abatidas destes valores as despesas referentes a: Pessoal próprio do HCE, Técnicos de RX, serviços de terceiros realizados no CDI, material de expediente fornecido pelo HCE, energia elétrica, água, telefone, material de consumo fornecido pelo HCE, filmes e contrastes fornecidos pelo HCE, rateios de administração do HCE, rateios de administração de materiais do HCE, manutenção fornecida pelo HCE, sanificação fornecida pelo HCE, lavanderia fornecida pelo HCE, esterilização de materiais fornecidos pelo HCE, assim como valores que o HCE vier a despender na execução do presente contrato. 3) Do montante apurado no item 1 será subtraído o montante apurado no item 2 (supra mencionados), e sobre o valor encontrado será aplicado o percentual de 50%". A fiscalização conclui: “a) Quem fez/faz uso dos bens é a empresa Clínica Radiológica da Cidade Passo Fundo Ltda., CNPJ n° 90.169.061/000170, no período de 04 de abril de 2000 até 31 de dezembro de 2001, e a empresa Alto Uruguai Diagnóstico Por Imagem Ltda., CNPJ n ° 04.228.867/000150, no período a partir de 1o de janeiro de 2002. Fl. 844DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por EDELI P EREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 28/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 11030.002122/200351 Acórdão n.º 1101001.063 S1C1T1 Fl. 818 7 b) A Clínica Radiológica de Passo Fundo Ltda., teve, e a Alto Uruguai Diagnóstico por Imagem Ltda., continua tendo, participação nos lucros obtidos com os exames realizados com a utilização dos aparelhos e equipamentos, participação esta devidamente comprovada pelas Notas Fiscais de Prestação de Serviços emitidas pelas empresas e pelos demonstrativos de faturamento mensais emitidos pela Notificada (fls.374 a 477). 4.2.11 No período compreendido entre junho de 2000 e 31 de dezembro de 2001, foram distribuídos à Clínica Radiológica de Passo Fundo Ltda., o valor total de R$ 557.580,96 (quinhentos e cinqüenta e sete mil, quinhentos e oitenta reais e noventa e seis centavos), sendo o valor de R$ 158.819,53 (cento e cinqüenta e oito mil, oitocentos e dezenove reais e cinqüenta e três centavos), relativos à participação nos resultados auferidos no Centro de Diagnóstico por Imagem CDI no período de junho a dezembro de 2000 e o valor de R$ 398.761,43 (trezentos e noventa e oito reais, setecentos e sessenta e um reais e quarenta e três centavos), relativos ao período de janeiro a dezembro de 2001, conforme tabela abaixo e planilha anexa contendo a demonstração mensal dos valores distribuídos (fls. 369 a 371).” (...) 4.2.12 No período de janeiro a dezembro de 2002, foram distribuídos à empresa Alto Uruguai Diagnóstico por Imagem Ltda., o valor de R$ 572.004,70 (quinhentos e setenta e dois mil, quatro reais e setenta centavos), à título de participação nos resultados auferidos pelo CDI, conforme tabela abaixo e planilha anexa contendo a demonstração mensal dos valores distribuídos (fls. 372 a 373). 4.2.13 Tal conduta contraria o disposto no inciso I do artigo 14, da Lei n. 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN), e no art. 12, § 3 2 da Lei n. 9.532, de 10 de dezembro de 1997. Por não estar observando os requisitos previstos na legislação tributária para o gozo do beneficio da imunidade o HCE foi notificado da suspensão dos benefícios, em cumprimento ao disposto no parágrafo 1o, do artigo 32, da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, sujeitando a entidade à suspensão da imunidade de tributos federais de que trata a alínea "c" do inciso VI do art. 150, da Constituição Federal, relativamente aos anoscalendário de 2000, 2001 e 2002, em vista a prática das seguintes infrações: a) INCORPORAÇÃO IMOBILIÁRIA Art. 14, inciso II, da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN); Art. 12, § 2o , alinea "b", e § 3o da Lei no 9.532, de 10 de dezembro de 1997; b) DISTRIBUIÇÃO DE PARTE DE SUAS RENDAS Art. 14, inciso I, da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN); Art. 12, § 3° da Lei no 9.532, de 10 de dezembro de 1997. O HCE foi notificado em 26/11/2003 (fl.16) e contestou a notificação fiscal (fls. 554 –582). Inicialmente discorre sobre a missão Institucional do HCE e explica que se trata de uma sociedade civil filantrópica de direito privado, sem fins lucrativos, voltada à assistência social, predominantemente na área da saúde, e tratandose de um hospital comunitário, por décadas tem sido reconhecido e, de fato, utilizado pelos usuários dos seus Fl. 845DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por EDELI P EREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 28/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 11030.002122/200351 Acórdão n.º 1101001.063 S1C1T1 Fl. 819 8 serviços, habitantes da região Alto Uruguai, que abrange mais de cinqüenta municípios, num raio de cem quilômetros. Apresenta as seguintes razões, em síntese relatadas: · Assevera que ao longo dos anos, temse formalmente apresentado (declarado) perante os órgãos fazendários federais, estaduais e municipais. · Informa que sem qualquer tipo de colaboração dos poderes públicos e graças à vontade das lideranças mais representativas da sociedade e à dedicação dos seus dirigentes (não remunerados) que suas instalações foram restauradas, os equipamentos obsoletos substituídos, métodos de gestão adequados foram implantados, médicos especialistas foram contratados, funcionários foram treinados e motivados. · Afirma que, desde sua fundação, ocorrida há mais de 60 anos, o HCE cumpre suas finalidades institucionais. · Alega que a documentação está regular, e que esta conclusão se extrai à vista das declarações feitas pelos próprios Agentes Fiscais, no sentido de que: “ a escrituração foi (é) processada de forma regular; os documentos comprobatórios dos registros encontramse arquivados em boa ordem; os dirigentes não percebem remuneração; as declarações anuais foram apresentadas; os tributos retidos sobre os rendimentos pagos ou creditados bem como a contribuição social retida dos empregados foram recolhidos; as obrigações acessórias decorrentes foram cumpridas; no Estatuto Social, está assegurada a destinação de seu patrimônio à outra instituição que atenda às condições paga gozo da imunidade, no caso de incorporação, fusão, cisão ou de enceramento de atividades, ou a órgão público.” · Informa que o cometimento das eventuais falhas ou ocorrências descritas nos subitens 5.1 e 11 do "Termo de Diligência Fiscal", por serem fortuitas e/ou de responsabilidade dos beneficiários dos pagamentos, foram (ou podem ser) sanadas através da tributação integral dos rendimentos na declaração dos mesmos (beneficiários dos rendimentos), não interferindo, portanto, no 'status' jurídico da contestante. · Reafirma que diante do cumprimento dos requisitos acima enumerados, atestado pelos próprios Agentes Fiscais, lógico é concluir que o HCE atendeu (e atende) as condições estabelecidas nos artigos 9° e 14 do CTN, para o exercício do direito à imunidade tributária. No item relativo à inconsistência dos motivos de “direito” que embasam o procedimento fiscal, a contribuinte assim se manifestou: · Alega que como uma sociedade civil filantrópica de direito privado, sem fins lucrativos, prestadora de assistência social predominantemente na área da saúde está conformidade com o estabelecido no artigo 150, VI, V, da Carta Magna, enquadrase como entidade que dispõe do direito subjetivo da imunidade tributária, desde que "atendidos os requisitos da lei" . · Ressalta que de acordo com o artigo 146, inciso II, da Lei Maior, a competência para a regulação das questões atinentes às "limitações constitucionais ao poder de tributar" foi atribuída exclusivamente à lei complementar. Conseqüentemente, a fixação dos "requisitos de lei" mencionados no final da alínea 'c' retrocitada, só pode ser fixada em Lei Complementar, e não ordinária e que a incumbência (regulamentadora) foi executada pelos Fl. 846DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por EDELI P EREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 28/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 11030.002122/200351 Acórdão n.º 1101001.063 S1C1T1 Fl. 820 9 artigos 9° e 14 do Código Tributário Nacional (CTN), que, anteriormente, restou demonstrado que o HCE cumpre integralmente. · Reclama que no item 3.6 da "Notificação Fiscal", os Agentes Fiscais manifestaram o entendimento de que a partir de 1° de janeiro de 1998, a Lei n° 9.532/97, nos seus artigos 12 e 13, acrescentou "outras condições para o gozo da imunidade". As referidas "outras condições', não estão explicitadas na 'Notificação Fiscal", estando elas mencionadas no "Relatório de Diligência Fiscal", tais como: a) existência do 'Certificado (ou Registro) de Fins filantrópicos; b) a aplicação de 20% da receita bruta em gratuidades, exigências estas previstas na Lei n° 8.212/91 e no Decreto n° 2.536/98 e que por trilharem um caminho não delineado pela Constituição, o entendimento fiscal mostrase inconsistente, é juridicamente inócuo. · Alega que o regramento da imunidade só pode ser implementado através de Lei Complementar (CF/88, art. 146, II), não podendo o legislador comum, extrapolando sua competência, estabelecer outras condicionantes e que Lei Ordinária não pode criar/suprimir isenções envolvendo fatos e/ou entes abrangidos pelo instituto da imunidade. · Fundamenta com a transcrição de excertos de ensinamentos da lavra de Ayres F. Barreto/Paulo Ayres Barreto e Sacha Calmon Navarro Coelho. · Refuta a necessidade do 'Certificado de Fins Filantrópicos' e da 'aplicação de 20% da receita bruta em gratuidade', apontada pelos Agentes Fiscais como condição para o gozo da "isenção" das contribuições à COFINS, CSLL e INSS cota patronal. Afirmando que a erroneidade da concepção (ou pretensão) fiscal exsurge de uma simples leitura conjugada dos artigos 149, § único, e 195 da CF/88, e ainda do art. 56 do ADCT. Interpretandoos de forma harmônica e sistemática, verificase que os mesmos caracterizam as contribuições como tributos, enquadrandoas, portanto, no regime jurídicotributário de todos os demais. Fundamenta nos ensinamentos de Ives Gandra Martins. Passa à exposição de motivos sobre a inconsistência dos motivos de fato que embasam o procedimento fiscal e inicia a demonstração da inexistência da incorporação imobiliária como prática comercial, um dos motivos da proposta de suspensão da imunidade tributária, com os seguintes argumentos: · Que apesar de estar formalmente constituída como pessoa jurídica exploradora de serviços, como muitas outras, o seu elemento diferencial repousa na razão de ser, no sentido finalístico da sua existência, qual seja, a de operar em benefício de outrem, no caso, a comunidade do município e região nos quais está inserido e que todos seus atos devem ser vistos sob este prisma, ou seja, sem intuito de lucro, ainda que, aparentemente, apresentem a mesma roupagem dos negócios empresariais. Coleciona doutrina. · Diz que a eleição do motivo causador da imunidade, o evento da incorporação imobiliária, é aleatório. · Afirma que se “na realização das 'diligências' o funcionamento hospitalar tivesse sido examinado na sua inteireza, e, mais, se fossem coerentes com a ótica procedimental que balizou a lavratura da "Notificação", os Agentes Fiscais teriam constatado que o HCE não teria praticado apenas uma "atividade comercial não eventual", e sim muitas outras. Seriam elas a atividade de hotelaria, a venda de remédios, o aluguel de salas (cirúrgicas, recuperação), de equipamentos variados, etc. Fl. 847DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por EDELI P EREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 28/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 11030.002122/200351 Acórdão n.º 1101001.063 S1C1T1 Fl. 821 10 Em sentido estrito, tais operações não se configuram como atividades diretamente vinculadas à saúde. Conseqüentemente, não apenas o HCE, mas todos os hospitais equipararseiam a empresas comerciais e/ou prestadoras de serviços com fins lucrativos.” Explica os motivos da edificação do Centro Clínico do HCE: · Que na década de 19902000, quando a atual diretoria assumiu suas funções, o HCE apresentava sérias deficiências, inclusas aí a ausência de espaço físico, o obsoletismo dos equipamentos, a carência de médicos especialistas aliada ao comodismo dos antigos, o amadorismo gerencial, e, na esteira deste, a desorganização e a má prestação de serviços e com base num "Planejamento Estratégico" formulado por especialistas em administração hospitalar (vide ANEXO 8),. · Na busca de um maior e melhor aproveitamento do espaço físico, o 'lay out' do hospital foi redesenhado adequado aos novos equipamentos e aos novos critérios funcionais estabelecidos de acordo 'Plano Diretor' no ANEXO 1. Continua esclarecendo que : “Todavia, continuou a faltar espaço, principalmente para colocar, senão no interior, mas junto ao hospital, os cerca de 30 novos médicos contratados. Releva, aqui, observar que a Região do Alto Uruguai riograndense é formada de pequenas cidades, cujas atividades, porém, estão predominantemente centradas na agricultura. Logo, como medida de bom senso, impunhase que na busca de atendimento médicohospitalar, os pacientes (principalmente os de fora da cidade e agricultores) não tivessem que efetuar múltiplos deslocamentos. A idéia inicial de ampliar lateral ou verticalmente as instalações existentes mostrou se financeiramente inviável, não só em face da impossibilidade de paralisar o atendimento hospitalar, como também em função dos elevados custos financeiros. Em face destes e doutros fatores, surgiu a idéia de construção do 'Centro Clínico'. Primeiramente, em algum terreno contíguo ao do HCE, tentativa esta que se mostrou infrutífera seja porque a vizinhança do hospital é formada por proprietários de casas com pequenos lotes, quase todos invendíveis, seja porque, noutra direção, existe uma área de preservação permanente (vide croqui no ANEXO 2). A solução encontrada foi, então, de aproveitar parte do terreno disponível do próprio hospital, contíguo ao prédio antigo, e nele construir um prédio com 62 salas, destinadas a consultórios e outros serviços médicos, sendo as partes inferiores destinadas ao próprio HCE (auditório para 140 pessoas, sala de aula para 50 pessoas, sala de reuniões para 15 pessoas. salas de apoio (recepção, estar), farmácia, lancheria, foyer, etc (vide plantas baixas no ANEXO 3). • Assim decidido, e sabedora de que não poderia contar minimamente com qualquer tipo de apoio estatal (União, Estado e Municipios, a Direção iniciou a penosa busca de financiamentos. Com esse afã, foram procurados o BRDE, o BNDS, bancos estatais, bancos particulares, eventuais benfeitores, 'et caterva'. O resultado foi infrutífero. Foi daí que surgiu a idéia de, num processo compartilhado, obter os recursos necessários junto aos interessados na ocupação das salas a serem edificadas, atingindo, com isso, quatro objetivos: contar com os recursos necessários para realizar a construção; não despender os elevados encargos financeiros então praticados; não suportar os custos de manutenção das salas utilizáveis por terceiros; Fl. 848DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por EDELI P EREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 28/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 11030.002122/200351 Acórdão n.º 1101001.063 S1C1T1 Fl. 822 11 oferecer um serviço centralizado, próximo, interligado, a todos os pacientes necessitados de atendimento médicohospitalar, principalmente aos residentes fora da cidade ou do município. A título de esclarecimento, cabe destacar que, refletindo uma prática de mercado, o financiamento das salas adquiridas pelos (médicos) interessados, foi calculado em parcelas reajustáveis pelo CUB. De se observar que os descompassos existentes entre os valores recebidos e os despendidos pelo HCE no período da construção não tem relevância de ordem tributária.” · Afirma que o registro da incorporação imobiliária no Cartório de Imóveis de Erechim foi efetuado no estrito cumprimento da legislação reguladora da atividade imobiliária. Estando distante do cunho meramente lucrativo. Transcreve doutrina como conclusão: “7.1.6 Conclusão Em face da plena aplicabilidade ao caso, a título conclusivo, a contestante transcreve o seguinte comentário de Ayres F. Barreto/Paulo A. Barreto, assim expresso: "Já no que concerne às instituições de educação e de assistência social, transparece clara a preocupação subjetiva do constituinte. Em outras palavras, erigiuse a imunidade tendo em vista um sujeito que é chamado ao mundo do direito com a precípua vocação de exercer determinadas atribuições realizadoras de valores constitucionalmente prestigiados. Essas entidades não buscam as atividades lucrativas, mas sim as receitas e, a partir delas, as rendas que as atividades lucrativas podem ensejar, tendo em vista o benefício de suas finalidades. Na verdade , a Constituição parte do pressuposto de que tenham rendas. A propósito, não conhecemos quem negue que o desempenho destas atividades e sobretudo seu incremento possa ser possível sem a obtenção de rendas. É que obter rendas não só é necessário, mas é desejável juridicamente. Nada tem de repugnante. Pelo contrário, a simples presença no texto constitucional da imunidade para essas entidades já mostra ser desígnio constitucional claro que elas obtenham rendas, empreguem seu patrimônio e desempenhem serviços tendo em vista este objetivo que, por sua vez, irá suportar, custear financeiramente aquelas finalidades realizadoras de valores constitucionalmente prestigiados. Destarte, se tais entidades têm imóveis, não é bom que eles fiquem ociosos. Se têm terrenos, é altamente desejável que os explorem, direta ou indiretamente, com estacionamentos ou qualquer outra forma. Se têm prédios, é bom que os aluguem, desde que fortaleçam suas finanças. (...). Suas finalidades são constitucionalmente queridas. E só são realizáveis com recursos financeiros. E esses recursos financeiros não existiriam se as entidades não alugassem, não prestassem serviços, não auferissem rendas. Rui Barbosa já dizia: quem quer os fins, quer os meios. Se a Constituição quer os fins, quer as rendas que os tornem possíveis. (Grifou se). O que a Constituição protege são os fins consistentes na liberdade do exercício do culto religioso, na prestação da educação e no oferecimento de assistência social aos carentes e desvalidos. O que a Constituição veda é a distribuição de "lucros" (melhor seria superavits). Fl. 849DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por EDELI P EREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 28/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 11030.002122/200351 Acórdão n.º 1101001.063 S1C1T1 Fl. 823 12 Para alcançar seus objetivos, essas entidades podem (em rigor têm que) possuir e manter bens imóveis ou imóveis; devem ter superavit para a cobertura das despesas necessárias à consolidação e à expansão dos investimentos e das suas atividades; e para tanto, precisam auferir receitas de qualquer natureza. Foi por ter idêntica interpretação que o Supremo Tribunal Federal assentou: "A renda obtida pelo SESC na prestação de serviços de diversão pública, mediante a venda de ingresso de cinema ao público em geral, e aproveitada em suas finalidades assistenciais, está abrangida na imunidade tributária prevista no art. 150, VI, c, da Carta Republicana" (RE 116.188 4). Parece claro ser do espírito da Constituição que essas entidades tenham bom patrimônio, para suportar solidamente o custeio das suas atividades. As rendas serão sempre intributáveis, ainda que representada por títulos financeiros, direitos, créditos. Não pode prevalecer a tese restritiva de que o patrimônio incrementado por ganhos de capital possa ser tributado. A Constituição não discrimina a espécie de renda. Também não estabelece o destino da renda. Proíbe tãosó a distribuição de lucros. Inexistindo distribuição, qualquer restrição é indevida, por inconstitucional". Continua a argumentação sobre a inexistência da transferência do uso de equipamentos, que alega ser um dos motivos da autuação da lide, e argúi que: A transferência do uso de equipamentos para uma empresa prestadora de serviços com fins lucrativos de um ecógrafo e de um sistema de tomografia computadorizada importados ao abrigo da 'isenção', está deferida pelo fato de o HCE tratarse de entidade de assistência social. A contribuinte afirma que as cópias dos contratos de fls. 363/368 mostram que inexiste qualquer estipulação contratual prevendo a transferência da posse (uso) dos equipamentos, seja a título de aluguel, seja de comodato, ou sob outra forma qualquer. Que se mostra evidente a posse e o uso exclusivo dos equipamentos pelo HCE. E que esta é a conclusão que se impõe lendo as cláusulas constantes do contrato: “• da cláusula segunda, onde está previsto que "Os serviços serão prestados única e exclusivamente na área física do HCE, mais especificamente nas dependências destinadas ao serviço de diagnóstico por imagem"; • da cláusula sétima, onde estão discriminadas as obrigações do HCE, tais como: "a) Colocar à disposição do serviço o corpo funcional destinado à secretaria, recepção e limpeza, bem como técnicos em radiologia e de enfermagem ..."; b) Disponibilizar área física, equipamentos, utensílios e materiais específicos à radiologia, mamografia, ecografia e tomografia; c) Efetuar a manutenção, substituição e instalações técnicas necessárias para o pleno funcionamento dos serviços ora avençados; d) Repassar nas datas respectivas os valores referentes à prestação dos serviços" • da cláusula décima, onde consta que "De igual sorte, serão de inteira responsabilidade do HCE o controle e o recolhimento, bem como pagamento de todos os impostos, taxas, contribuição de melhoria ou emolumentos que incidam ou venham a incidir sobre o presente contrato, e afeitos a sua atividade"; • da cláusula décima terceira, onde está expresso no item 1, que "Serão apurados mensalmente os valores faturados pelo HCE, referentes os exames praticados no período, considerando as respectivas tabelas (privadas e de convênio)"; e, Fl. 850DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por EDELI P EREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 28/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 11030.002122/200351 Acórdão n.º 1101001.063 S1C1T1 Fl. 824 13 no item 2, estar a seu encargo suportar os custos/despesas com "Pessoal próprio do HCE, Técnicos de RX, serviços de terceiros realizados no CD1, material de expediente fornecido pelo HCE, energia elétrica, água, telefone, material de consumo fornecido pelo HCE, filmes e contrastes fornecidos pelo HCE, rateios de administração do HCE, manutenção fornecida pelo HCE, sanificação fornecida pelo HCE, lavanderia fornecida pelo HCE, esterilização de materiais fornecidos pelo HCE, assim como valores que o HCE vier a despender na execução do presente contrato". Acrescenta que na cláusula primeira está claramente estabelecido que o mesmo "...possui como objeto a prestação de serviços médicos em radiologia, mamografia, tomografia computadorizada e ecografia, na sede do HCE, a todo e qualquer convênio ou atendimento que o HCE tenha celebrado ou que venha celebrar". Argumenta que, no seu todo, os serviços retrocitados foram (são) disponibilizados à população exclusivamente pelo HCE, que, para tanto: “ destinou e preparou com elevados custos uma parte das suas dependências (espaço físico) para a instalação do "Centro de Diagnóstico por Imagem CDI", visitado pelos Agentes Fiscais (vide ANEXO 4); contratou (como empregados) diversos técnicos em radiologia, com a função precípua de operar os equipamentos, ou seja, realizar fisicamenteos exames atinentes aos retrocitados equipamentos (vide ANEXO 5); contratou (também como empregados) vários outros funcionários para atuarem no setor ("CDI % tais como enfermeiras, atendentes, secretárias, etc (vide ANEXO 6); contratou uma empresa prestadora de serviços atuante nos ramos da radiologia, tomografia, ecografia, etc. (vide fls. 363/368), para executar a interpretação dos filmes e gráficos e a emissão dos laudos concernentes aos exames processados pelos seus técnicos em radiologia (do HCE), tarefas estas de competência exclusiva de médicos especializados e habilitados junto à Sociedade Brasileira de Radiologia (SBR). Em adição, aduz que: Mostrase evidente, portanto, que agindo sem um maior conhecimento de causa, os Agentes Fiscais confundiram o todo com a parte. Melhor explicitando, a Contestante quer dizer que os mesmos não atentaram para o fato de que, no todo, a oferta, pelo HCE, dos serviços em referência envolve não só os equipamentos em si, mas, também, as instalações apropriadas, além da mãode obra de uma variada gama de profissionais (técnicos em eletricidade, eletrônica, segurança do trabalho, radiologia, enfermeiros, atendentes, secretários, etc), dentre eles se sobressaindo como uma das partes mais importantes os médicos com a missão funcional já relatada (interpretar chapas radiográficas, gráficos, emitir os respectivos laudos, etc.). Fazendo uma analogia, no presente caso, o uso dos equipamentos do CDI pela empresa contratada (na pessoa dos médicos) ocorre da mesma forma que, em todos os hospitais, outros médicos (profissionais liberais ou cooperativados), se utilizam da parafernália das salas de cirurgia, dos centros de tratamento intensivo, etc. de propriedade dos hospitais. Fl. 851DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por EDELI P EREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 28/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 11030.002122/200351 Acórdão n.º 1101001.063 S1C1T1 Fl. 825 14 Alude aos gráficos que compõem o ANEXO 7 que demonstram o número de profissionais envolvidos na execução das rotinas procedimentais do Centro de Diagnóstico por Imagem CDI. Invoca a ótica gramatical na leitura do contrato. Assim, no texto retro transcrito, consta que o seu objeto está centrado na prestação de serviços médicos. Ressalta, que semanticamente, o adjetivo " médicos " restringe o alcance da locução, delimitando a competência executória dos serviços para uma determinada classe de profissionais (médicos), sendo destes também exigido, como condição necessária, estarem habilitados e inscritos no Colégio Brasileiro de Radiologia (CBR)e na Sociedade Gaúcha de Radiologia (SGR). Conclui que “o Fisco agiu infundadamente não só ao confundir o serviço de radiologia no seu todo, com a sua parte mais especializada, esta executada por profissionais médicos, como, também, ao distorcer a natureza (objeto) dos serviços pactuados, por observar o conteúdo semântico e finalístico dos vocábulos expressos no contrato”. Acrescenta outros aspectos que devem ser considerados, como os motivos pelo quais a empresa de radiologia foi contratada: Além dos expostos, outros aspectos do contrato devem ser objeto de consideração. O primeiro repousa no fato de que na contratação restrita dos SERVIÇOS MÉDICOS retrocitados, de acordo com o estabelecido na cláusula oitava, a empresa contratada (através de seus profissionais) assumiu apenas a responsabilidade técnica (cláusula quinta) pelos laudos emitidos. Nada mais. O segundo assentase no fato de que a cláusula sexta subordinou à empresa contratada a executar os serviços mediante o pleno cumprimento,dentre outras estipulações, das normas internas e regulamentos do HCE, sendo equivocada a dedução fiscal de que a mesma (empresa contratada) teria autonomia administrativa, como, também, de que, pura e simplesmente, teria havido a transferência do uso dos equipamentos. Por se considerar relevante, abrese, aqui, um parêntesis para tornar conhecida a forma e os motivos que levaram a instituição a contratar os serviços da empresa "Alto Uruguai Diagnóstico por Imagem Ltda". No ano de 1996, quando os atuais Conselho de Administração • e Corpo Diretivo, sem qualquer remuneração, assumiram suas funções, o Hospital de Caridade de Erechim, em situação falimentar, encontravase prestes a fechar suas portas. Tanto é verdade que as pessoas deslocavamse a Passo Fundo, distante 80 quilômetros, para realizar consultas ou exames mais especializados. Diziase ocorrer uma procissão diária rumo àquela cidade ... Diante dos clamores da comunidade regional, foi, então, buscada a recuperação do hospital. Com esse afã, imensos esforços foram desenvolvidos no sentido de reestruturar e modernizar suas partes física, gerencial, tecnológica, o corpo clínico, pessoal de apoio, etc.. Tudo isso foi (está) formalmente condensado no documento Fl. 852DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por EDELI P EREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 28/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 11030.002122/200351 Acórdão n.º 1101001.063 S1C1T1 Fl. 826 15 intitulado "Plano Estratégico Metas Estratégicas & Operacionais ", cuja cópia compõe o ANEXO 8. No que tange aos serviços de diagnóstico por imagem, de um lado, o equipamento existente era obsoleto, inconfiável, e, de outro, os profissionais contratados estavam não só desatualizados, mas numericamente incapazes de atender a demanda, gerando incontáveis reclamações tanto do corpo médico, quanto da população em geral (vide ANEXO 9). A busca da solução ocorreu com as concomitantes providências para adquirir novos equipamentos e contratar novos profissionais. Aqueles (equipamentos) são os identificados e adquiridos nas condições referidas pela fiscalização. Já em relação aos profissionais médicos, as primeiras providências foram tomadas no sentido de manter a empresa até então contratada ('Clínica Radiológica E. J. Gollin Ltda'), exigindolhe, porém, melhorias na qualidade, assiduidade e permanente disponibilidade, exigências estas que, não atendidas, deram origem a desentendimentos, à denúncia (ruptura) do contrato, e ao surgimento de pendengas judiciais, ainda em tramitação. De qualquer forma, uma vez desfeito o contrato anterior, muitos contatos foram feitos no sentido de atrair eventuais interessados com o perfil desejado pelo HCE, tendo os mesmos se mostrado infrutíferos por três motivos: a negativa de muitos estabeleceremse na cidade (pequena, sem atrativos culturais, de clima frio, etc); a exigência de uma vantajosa compensação financeira, à época não suportável pela instituição, a possibilidade de os eventuais contratados não se adaptarem à cidade e/ou ambiente de trabalho, criando sérios problemas de continuidade na prestação de serviços (exames) essenciais à preservação da vida. Resultou daí, então, o uso da alternativa da contratação inicial de uma empresa (Clínica Radiológica de Passo Fundo) operante nas áreas em referência, sediada em Passo Fundo, que passou a assegurar a presença constante, no HCE, de profissionais habilitados a atender a demanda destes tipos de exames e de expedir os competentes laudos. De se ver, pois, que a contratação de pessoa jurídica para executar os serviços de interpretação dos exames e emissão dos respectivos laudos, não ocorreu apenas em conformidade com a liberdade de contratar, mas visou, sobretudo, atender uma imperiosa, inadiável e permanente necessidade das comunidades do Alto Uruguai riograndense. Afirma que inexiste a previsão contratual de distribuição de lucros, de acordo com o citado: “ 7.3.1.1 Cláusulas sétima e décima terceira do contrato Na cláusula sétima (item d), como urna das obrigações assumidas pelo HCE, consta o dever de "Repassar nas datas respectivas os valores referentes à prestação dos serviços” Já na cláusula décima terceira, está indicado que "Os valores referentes ao pagamento dos serviços prestados no âmbito do presente contrato...." Fl. 853DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por EDELI P EREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 28/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 11030.002122/200351 Acórdão n.º 1101001.063 S1C1T1 Fl. 827 16 Das disposições contratuais supratranscritas, verificase haver uma constante indicação de remuneração por serviços prestados. Nada, pois, foi formalmente pactuado a título de distribuição/ divisão/participação nos lucros. 7.3.1.2 Cláusula décima terceira do contrato Na cláusula décima terceira, a pactuação da forma de pagamento dos serviços foi (está) assim prevista: "Cláusula décima terceira: Os valores referentes ao pagamento dos serviços prestados no âmbito do presente contrato serão apurados da seguinte forma: 1) Serão apurados mensalmente os valores faturados pelo HCE, referentes os exames praticados no período, considerando as respectivas tabelas (privadas e de convênios); 2) Serão abatidas destes valores as despesas referentes a: "Pessoal próprio do HCE, Técnicos de RX, serviços de terceiros realizados no CDI, material de expediente fornecido pelo HCE, energia elétrica, água, telefone,material de consumo fornecido pelo HCE, filmes e contrastes fornecidos pelo HCE, rateios de administração do HCE, manutenção fornecida pelo HCE, sanificação fornecida pelo HCE, lavanderia fornecida pelo HCE, esterilização de materiais fornecidos pelo HCE, assim como valores que o HCE vier a despender na execução do presente contrato". 3) Do montante apurado no item 1 será subtraído o montante apurado no item 2 (supra mencionados), e sobre o valor encontrado será aplicado o percentual de 50%". Afirma que a previsão contratual estipula a remuneração variável, que este sistema coexiste com a remuneração fixa, sendo descabido o entendimento fiscal de qualificar os respectivos pagamentos como 'distribuição de lucros' Os pressupostos legais para a ocorrência do fenômeno da 'distribuição de lucros' aconteça, é necessário que, antes, os mesmos (lucros) sejam apurados através do balanço (demonstrativo) de resultados. Ainda, argumentando sobre a hipótese de que os pagamentos dos serviços prestados (valores fixos e variáveis) correspondessem a lucros distribuídos, faz as seguintes indagações: “ concordaria a prestadora de serviços em disponibilizar seus profissionais médicos junto ao HCE, ficando sua remuneração dependente da apuração de lucros pelo hospital? OBS.: de acordo com as cópias dos "Demonstrativos de Resultado" que compõem o ANEXO 10, houve prejuízo(deficit) nos anos de 1998 (R$ 774.685,62), de 1999 (R$ 588.166,77), de 2000 (R$ 441.628,84), de 2002 (R$ 137.162,61), sendo apurado resultado positivo apenas no exercício de 2001 (R$ 315.683,61) nessa mesma linha da raciocínio, concordaria a prestadora de serviços, como empresa com fins lucrativos, realizar exames gratuitos a pessoas necessitadas (vide cláusula oitava, 'b', do contrato), sem a garantia de uma retribuição mínima (a remuneração fixa)? Indubitavelmente, uma resposta positiva afrontaria a lógica, impondose concluir que o procedimento fiscal é, também, ilógico. Observação: a título ilustrativo, a Impugnante informa que em 2001 e 2002 foram executados gratuitamente, respectivamente, 481 e 442 exames radiológicos, 59 e 182 tomografias.” Fl. 854DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por EDELI P EREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 28/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 11030.002122/200351 Acórdão n.º 1101001.063 S1C1T1 Fl. 828 17 Discorda de que houve distribuição de lucros e afirma que o fato de a empresa prestadora de serviços, de um lado, ter emitido notas fiscais de prestação de serviços, e, de outra parte, o HCE ter elaborado demonstrativos de faturamento mensais, não autorizam, abstratamente, concluir que se está diante de hipótese de distribuição de lucros. Concluindo, discorre sobre os pressupostos legais para a ocorrência do fenômeno da ‘distribuição de lucros’, aduzindo que legalmente, é necessário que haja apuração através de demonstrativos de resultados, que houve o lucro. Diz que é o que preconiza a legislação contábil, quanto a fiscal, esta última prevê o uso da presunção para efeitos de imposto de renda, mas sempre computando a totalidade das operações de conteúdo econômico dentro de um determinado período. Pede a improcedência da notificação fiscal e o reconhecimento do direito à imunidade tributária do que o HCE dispõe desde a sua fundação. A Seção de Orientação e Análise Tributária da Delegacia da Receita Federal em Passo Fundo (RS) julgou improcedente as alegações apresentadas pela entidade em relação às irregularidades indicadas na Notificação, e declarou no DESPACHO DECISÓRIO DRF/PFO, de 27 de setembro de 2004, SUSPENSO o gozo da imunidade tributária, prevista no art. 150, VI, c, da Constituição Federal, relativamente aos anoscalendário de 2000, 2001 e 2002, pelo Hospital de Caridade de Erechim, CNPJ n° 89.428.718/000197, face a violação ao disposto nos arts. 14, incisos I e II, da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1996 (CTN) e 12, parágrafos 2o, "b" e 3°, da Lei n° 9.532, de 10 de dezembro de 1997 (fls. 687 a 697). Foi lavrado o Despacho Decisório DRF/PFO, de 27 de setembro de 2004 publicado ATO DECLARATÓRIO EXECUTIVO DRF/PFO N° 299 de 27 de setembro de 2004. na Seção 1 do Diário Oficial da União n. 188, quarta feira, 29 de setembro de 2004 (fls. 698 699) cuja ciência ocorreu em 06/04/2005 (fl.701). Inconformado, em 06/05/2005, o HCE apresenta impugnação (fls. 706 a 729) onde afirma que as razões alicerçadoras do `Despacho Decisório' em tela são as mesmas que orientaram o procedimento fiscal, tendo em vista que o "Despacho" em lide apenas condensa o que foi explanado nos retrocitados "atos fiscais", em seguida, a Impugnante transcreve a contestação apresentada ao Delegado Regional da SRF, pedindo à Turma Julgadora dessa DRJ que o examine na integralidade como sendo parte integrante deste ato impugnatório. No pedido, acrescenta que fica patente que o Ato Declaratório de suspensão da imunidade corporifica um ato inconsistente, e, sobretudo, ilegal e pede que seja declarada a improcedência dos procedimentos que determinaram sua expedição, e, concomitantemente, o reconhecimento do direito à permanência na condição de entidade tributariamente imune. Concomitantemente à impugnação, o HCE impetrou Mandado de Segurança n° 2005.71.04.0042858 (fls. 739 a 751). Em 07/06/2005 foi concedida liminar, nos seguintes termos (fls. 737738v): “DEFIRO A MEDIDA LIMINAR nos termos em que pleiteada, determinando à autoridade apontada como coatora que processe o recurso administrativo interposto pelo impetrante, atribuindolhe efeito suspensivo, com todas as conseqüências legais decorrentes (abstenção de efetuar lançamentos e/ou cobranças enquanto não resolvida a questão da imunidade).” Fl. 855DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por EDELI P EREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 28/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 11030.002122/200351 Acórdão n.º 1101001.063 S1C1T1 Fl. 829 18 Em atendimento à determinação judicial, a impugnação do HCE foi julgada pela 2° Turma da DRJ/STM em Sessão de 22 de setembro de 2006, que não acolheu os argumentos do HCE trazidos na impugnação, de acordo com o constante no voto a seguir reproduzido: Voto Da regulamentação da imunidade Alegou a impugnante que a regulamentação das condições para o gozo da imunidade prevista no art. 150, inciso VI, alínea "c", da CF, não poderia ser realizada por lei ordinária, mas somente por lei complementar. Salientase, inicialmente, que esse tipo de discussão não pode afetar a convicção do julgador da esfera administrativa, pois, como se sabe, a autoridade administrativa não pode negar a vigência nem a eficácia da lei. Aliás, nesse aspecto, cumpre ressaltar que a autoridade administrativa não dispõe de competência para apreciar alegações de inconstitucionalidade e/ou invalidade de norma legitimamente inserida no ordenamento jurídico. No âmbito desse julgamento administrativo, cabe tão somente verificar se o ato praticado pelo agente do Fisco está ou não conforme a legislação tributária, sem emitir juízo de legalidade ou constitucional idade das normas jurídicas que embasaram o ato, tendo em vista a vinculação à lei, a que está submetido o servidor da administração tributária. Essa vinculação do servidor da administração tributária somente deixa de prevalecer quando a norma em discussão já tiver sido declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal. Este, aliás, é o entendimento manifestado pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (Parecer PGFN/CRE/N.° 948, de 02 de julho de 1998) acerca da disposição contida no Decreto n.° 2.346, de 10 de outubro de 1997. Ademais, a cláusula "atendidos os requisitos da lei" contida no art. 150, inciso VI, alínea "c", da Constituição Federal não se destina a regular a eficácia da norma, pois esta é plena. Visa estabelecer os contornos jurídicos, as características das entidades beneficiárias da imunidade tributária, não havendo impedimento ao seu tratamento por lei ordinária, conforme decisão preliminar adotada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) na Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADIn) n° 1.8023, que se encontra pendente de julgamento do mérito, conforme se constatou em recente consulta à página da internet do Supremo Tribunal Federal. Salientase que o STF, ao deferir em parte o pedido de Medida Cautelar na mencionada ADIn, em sessão plenária realizada em 27 de agosto de 1998, rejeitou a argüição de que todos os dispositivos da Lei n° 9.532, de 1997 que regulamentam as condições fixadas na Carta Magna são inconstitucionais, conforme se verifica em sua ementa: EMENTA: I Ação direta de inconstitucionalidade: Confederação Nacional de Saúde: qualificação reconhecida, uma vez adaptados os seus estatutos ao molde legal das confederações sindicais; pertinência temática concorrente no caso, uma vez que a categoria econômica representada pela autora abrange entidade de fins não lucrativos, pois sua característica não é a ausência de atividade econômica, mas o fato de não Fl. 856DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por EDELI P EREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 28/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 11030.002122/200351 Acórdão n.º 1101001.063 S1C1T1 Fl. 830 19 destinarem os seus resultados positivos a distribuição de lucros. II. Imunidade tributária (CF, art. 150, VI, c, e 146, II): “instituições de educação e de assistência social, sem fins lucrativos, atendidos os requisitos da lei ": delimitação dos âmbitos da matéria reservada, no ponto, a intermediação da lei complementar e da lei ordinária: análise, a partir dai, dos preceitos impugnados (L. 9.532197, arts. 12 a 14): cautelar parcialmente deferida. 1. Conforme precedente no STF (RE 93.770, Munoz, RTJ 1021304) e na linha da melhor doutrina, o que a Constituição remete a lei ordinária, no tocante à imunidade tributaria considerada, e à fixação de normas sobre a constituição e o funcionamento da entidade educacional ou assistencial imune; não, o que diga respeito aos lindes da imunidade, que, quando susceptíveis de disciplina infraconstitucional, ficou reservado a lei complementar. 2. À luz desse critério distintivo, parece ficarem incólumes à eiva da inconstitucionalidade formal argüida os arts. 12 e § 2° (salvo a alínea J) e 3, assim como o parág. único do arl. 13; ao contrário, e densa a plausibilidade da alegação de invalidez dos arts. 12, § 2, f, 13, caput, e 14 e, finalmente, se afigura chapada a inconstitucionalidade não só formal mas também material do § 1 ° do art. 12, da lei questionada. 3. Reserva à decisão definitiva de controvérsias acerca do conceito da entidade de assistência social, para o fina da declaração da imunidade discutida como as relativas à exigência ou não da gratuidade dos serviços prestadas ou a restritas e das organizações de previdência privada: matérias que, embora não suscitadas pela requerente, dizem com a validade do art. 12, caput, da L. 9.532197 e, por isso, devem ser consideradas na decisão definitiva, mas cuja delibação não é necessária à decisão cautelar da ação direta. Como visto, os dispositivos das leis ordinárias constantes do enquadramento legal utilizado como base para a suspensão da imunidade da impugnante continuam em vigor,não podendo o servidor da administração tributária lhes negar aplicação. Da suspensão da imunidade O Ato Declaratório Executivo DRF/PFO n° 29, de 27 de setembro de 2004 declarou suspensa a imunidade tributária prevista no art. 150, inciso VI, alínea "c", da CF, em face da violação pelo HCE das disposições contidas nos artigos 14, incisos I e II, do CTN e 12, • parágrafos 1°, alínea "b" e 3°, da Lei n° 9.532, de 1997. Os dispositivos mencionados no ato declaratório como infringidos pelo HCE têm a seguinte redação: CTN Art. 14. O disposto na alínea c do inciso IV do art. 9° é subordinado à observáncia dos seguintes requisitas pelas entidades nele referidas: I — não distribuírem qualquer parcela de seu patrimônio ou de suas rendas, a titulo de lucro ou participação no seu resultado: II — aplicarem integralmente, no País, os seus recursos na manutenção dos seus objetivos institucionais; Lei n° 9.532, de 1997 Art. 12. Para efeito do disposto no art. 150, inciso VI, alínea "c", da Constituição, considerase imune a instituição de educação ou de assistência social que preste os serviços para os quais houver sido instituída e os coloque à disposição da população em geral, em caráter complementar às atividades do Estado, sem fins lucrativos. Fl. 857DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por EDELI P EREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 28/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 11030.002122/200351 Acórdão n.º 1101001.063 S1C1T1 Fl. 831 20 § 2° Para o gozo da imunidade, as instituições a que se refere este artigo, estão obrigadas a atender aos seguintes requisitos: [...] b) aplicar integramente seus recursos na manutenção e desenvolvimento dos seus objetivos sociais; [...] § 3o Considerase entidade sena fins lucrativos a que não apresente superávit em suas contas ou, caso o apresente em determinado exercício, destine referido resultado, integralmente, à manutenção e ao desenvolvimento dos seus objetivos sociais. (Redação dada pela Lei n° 9.718, de 1998) Portanto, dois foram os motivos que levaram à suspensão da imunidade do HCE: a prática de atividades imobiliárias, que resultaram na aplicação de recursos em atividades não decorrentes de seus objetivos institucionais; e a distribuição de parcela de suas rendas, em decorrência da fixação de uni percentual do resultado para a remuneração de serviços contratados de outras pessoas jurídicas. Nenhum outro dispositivo, além dos constantes do ato declaratório, foram citados pela autoridade tributária como infringidos pela impugnaste para suspender a imunidade tributária, motivo pelo qual reputase desnecessária a análise dos argumentos que discorrem sobre exigências que constariam de outros dispositivos e que teriam sido mencionadas eis documentos lavrados pela fiscalização. Em relação à realização de incorporação imobiliária, alegou a impugnante que é uma entidade que não tem objetivo de lucro, embora exerça outras atividades comerciais não eventuais, que são praticadas por todos os estabelecimentos hospitalares, que, se prevalecer o entendimento do "Despacho Decisório", também determinariam que nenhum desses estabelecimentos poderia gozar de imunidade tributária. A esse respeito, deve ser considerado que o exercício das demais atividades elencadas pela impugnante, referentes à internação de pacientes, fornecimento de medicamentos, utilização de salas cirúrgicas e de recuperação e equipamentos, são diretamente utilizados pela impugnante para a prestação dos serviços a que se destina, sendo, portanto, compatíveis com a finalidade da instituição. Entretanto, o mesmo não se pode dizer em relação à aplicação de recursos na realização de incorporação imobiliária, já que esta atividade não visa a manutenção de seus objetivos institucionais, por ser estranha às finalidades do HCE, constantes do seu Estatuto Social (fls. 28 e 29), pois se trata de atividade de cunho comercial, já que parte do prédio construído se destinou a ser alienado, atividade essa que, obviamente, não pode ser admitida para uma entidade de assistência social que goze de imunidade tributária. Portanto com o exercício da atividade de incorporação imobiliária, ficou caracterizada a aplicação de recursos em atividade estranhas à manutenção dos seus objetivos institucionais, o que implica violação ao disposto no art. 14, inciso II, do CTN e ao art. 12, § 2o alínea "b" e § 3% da Lei n° 9.532, de 1997. Em relação ao segundo motivo determinante da suspensão da imunidade do HCE, verificase que a remuneração dos serviços médicos especializados prestados nas instalações do HCE, pela empresa Clínica Radiológica Kozma, nos anos de 2000 e 2001 e pela empresa Alto Uruguai Diagnóstico por Imagem Ltda., a partir de 2002, com o uso de equipamentos e funcionários do HCE, era remunerado apenas com uma parcela variável correspondente a 50% do resultado obtido com os Fl. 858DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por EDELI P EREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 28/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 11030.002122/200351 Acórdão n.º 1101001.063 S1C1T1 Fl. 832 21 mencionados serviços, conforme previsto na cláusula décima terceira dos contratos de prestação de serviços (fls. 352 e 359), resultado esse obtido após serem deduzidas das receitas oriundas dos serviços prestados os custos e despesas a eles inerentes. Poderseia interpretar como simples remuneração por serviços Prestados por terceiros, se os serviços contratados fossem remunerados em valor fixo, ou proporcional aos serviços prestados, quando, então, terseia somente a remuneração dos serviços, sem participação nos resultados da atividade, entretanto, não foi o que ocorreu no caso do HCE. A remuneração a terceiros, representada pela metade do resultado obtido com a atividade de prestação de serviços de diagnóstico por imagens, caracteriza a distribuição de parcela das rendas do HCE e constitui infração ao disposto no art. 14, inciso I, do CTN e art. 12, § 3°, da Lei n° 8.532, de 1997. Conclusão Diante do exposto, voto no sentido de se indeferir a solicitação da impugnante, mantendose o Ato Declaratório que suspendeu a imunidade tributária prevista no art. 150, inciso VI, alínea "c", da CF. Foi exarado o acórdão 186.040 (fls. 763 a 770), cuja ementa transcrevese a seguir: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2000, 2001, 2002 APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA.CONSTITUCIONALIDADE. O servidor da administração tributária não pode negar aplicação a dispositivo legal em vigor, sob a alegação de que é inconstitucional ou ilegal, por não ser de sua competência tal juízo. INSTITUIÇÃO DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. SUSPENSÃO DA IMUNIDADE TRIBUTÁRIA. A aplicação de recursos em atividades incompatíveis com a finalidade institucional e a distribuição de parte das rendas de instituição de caráter assistencial justifica a suspensão da imunidade tributária. Em 20/12/2006 o HCE foi cientificado da decisão de 1a instância (AR fl. 772) e em 10/01/2007 apresentou recurso voluntário onde aponta as razões do recurso e coleciona doutrina e jurisprudência (fls. 777 a 804). Descreve os fatos e afirma que ao praticarem seus respectivos atos, tanto os Agentes Fiscais, o Delegado da Receita Federal de Passo Fundo, como a 2a Turma da DRJ/STM, nada mais fizeram do que seguir as orientações emanadas da administração tributária. Na identificação do procedimento fiscal, transcreve partes do procedimento fiscal que resultaram na suspensão da imunidade. Na identificação dos objetivos institucionais e da situação formal/documental do HCE, repete as razões já trazidas na contestação e impugnação. Fl. 859DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por EDELI P EREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 28/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 11030.002122/200351 Acórdão n.º 1101001.063 S1C1T1 Fl. 833 22 Na afirmação das inconsistências das razões de direito que embasaram a manutenção da suspensão da imunidade, transcreve a fundamentação do acórdão recorrido e reitera os argumentos trazidos no item 7 da impugnação, solicitando o reexame da decisão. “7. A INCONSISTÊNCIA DOS MOTIVOS 'DE DIREITO' QUE EMBASAM O PROCEDIMENTO FISCAL Inicialmente, cumpre reiterar que de acordo com o definido no seu estatuto social (cópia de fls. 27/47), o HCE caracterizase como uma sociedade civil filantrópica de direito privado, sem fins lucrativos, prestadora de assistência social predominantemente na área da saúde. Nessa condição, em conformidade com o estabelecido no artigo 150, VI, V, da Carta Magna, enquadrase como entidade que dispõe do direito subjetivo da imunidade tributária, desde que "atendidos os requisitos da lei" _ A esse respeito, cabe ser ressaltado que de acordo com o artigo 146, inciso 11, da Lei Maior, a competência para a regulação das questões atinentes às "limitações constitucionais ao poder de tributar" foi atribuída exclusivamente à lei complementar. Conseqüentemente, a fixação dos "requisitos de lei" mencionados no final da alínea V retrocitada, só podem ser fixados em lei complementar, e não ordinária. No caso, esta incumbência (regulamentadora) foi executada pelos artigos 9° e 14 do Código Tributário Nacional (CTN), que, anteriormente, restou demonstrado que o HCE cumpre integralmente. Acontece, todavia, que no item 3.6 da "Notificação Fiscal", os Agentes Fiscais manifestaram o entendimento de que a partir de 1° de janeiro de 1998, a Lei n° 9.532/97, nos seus artigos 12 e 13 (que transcrevem), acrescentou "outras condições para o gozo da imunidade". As referidas "outras condições', não estão explicitadas na Notificação • Fiscal", estando elas mencionadas no "Relatório de Diligência Fiscal" (incompreensivelmente não juntado aos autos), como: a) a existência do 'Certificado (ou Registro) de Fins filantrópicos; b) a aplicação de 20% da receita bruta em gratuidades, exigências estas previstas na Lei n° 8.212/91 e no Decreto n° 2.536/98. Data venia, por trilhar um caminho não delineado pela Constituição, o entendimento fiscal mostrase inconsistente, é juridicamente inócuo. Isto porque, resumindo o que já foi dito: a) o regramento da imunidade só pode ser implementado através de lei complementar (CF/88, art. 146, II), não podendo o legislador comum, extrapolando sua competência, estabelecer outras condicionantes; b) lei ordinária não pode criar/suprimir isenções envolvendo fatos e/ou entes abrangidos pelo instituto da imunidade. Nesse sentido, releva, aqui, consignar os ensinamentos de Aires F. E. Barreto/Paulo A. Barreto, quando afirmam: "O legislador constitucional, ao conferir à lei complementar a função de regular as limitações constitucionais ao poder de tributar, buscou manter a coerência da ordem jurídica e a eficácia do seu comando, evitando abusos que pudessem restringir o gozo da imunidade. Fosse possível estabelecer os requisitos para o gozo da imunidade, por intermédio de lei ordinária, estaríamos diante do caos. Isto porque cada ente tributante União, Estados, Distrito Federal e Municípios buscaria fixar as condições para o usufruto da imunidade constitucional. Cada uma dessas inúmeras leis (isto para não falar nos atos infralegais que se seguiriam) estabeleceria critérios e condicionantes os mais dispares para reger a matéria. Como não existe hierarquia entre as leis ordinárias dos diversos entes políticos, seria difícil precisar qual preceito deveria ser Fl. 860DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por EDELI P EREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 28/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 11030.002122/200351 Acórdão n.º 1101001.063 S1C1T1 Fl. 834 23 obedecido. Instalarseia, de vez, nesse campo, total desordem no ordenamento jurídico brasileiro". (Imunidades Tributárias: Limitações Constitucionais ao Poder de Tributar '1 São Paulo, Dialética, pp. 30131). Importante, também, é transcrever o entendimento que Sacha Calmon Navarro Coelho manifesta acerca da impossibilidade de os requisitos para o gozo da imunidade serem fixados em lei ordinária, ao dizer: "Não é nem poderia ser lei ordinária. A uma, porque a imunidade, restrição ao poder de tributar da União, dos Estados e dos Municípios, ficaria à mercê da vontade dos próprios destinatários da restrição, se lhes fosse dado regulála pela lei ordinária. Seria transferir ao legislador ordinário das ordens parciais, poder permanente de emenda à Constituição. Sim, porque na medida em que por lei ordinária pudessem variar as condições para a fruição da imunidade, poderiam até mesmo frustrála. Assistiríamos ao absurdo de ver um valor posto numa Constituição rígida, para garantir certas categorias de pessoas contra a tributação, vir a ser manipulado, justamente, por aqueles a quem se proíbe o poder de tributálas... (Comentários à Constituição de 1988, 6a ed Rio de Janeiro, Forense, pp. 349/350). Do exposto, resulta evidente a inaplicabilidade, ao caso, das disposições de leis ordinárias (leis 9.532/97, 8.212/91) que os Agentes Fiscais tomaram como fundamento do procedimento fiscal em pauta. Ainda dentro dessa linha de raciocínio, urge refutar a alegada necessidade do "Certificado de Fins Filantrópicos' e da 'aplicação de 20% da receita bruta em gratuidade', apontada pelos Agentes Fiscais como condição para o gozo da "isenção" das contribuições à COFINS, CSSL e INSScota patronal. A erroneidade da concepção (ou pretensão) fiscal exsurge de uma simples leitura conjugada dos artigos 149, § único, e 195 da CF/88, e ainda do art. 56 do ADCT. Interpretandoos de forma harmônica e sistemática, verificase que os mesmos caracterizam as contribuições como tributos, enquadrandoas, portanto, no regime jurídicotributário de todos os demais. Tendose presente, então, que as contribuições sociais são tributos, que a regulamentação da imunidade tributária deve ser feita por lei complementar (CTN, art. 14), que leis meramente ordinárias não podem estabelecer restrições ao campo imunitório, só resta concluir pelo descabimento da exigência das condicionantes supracitadas, como pressupostos para o exercício do direito à imunidade . Por seu caráter sumamente esclarecedor, a contestante passa a transcrever alguns excertos do parecer emitido por Ives Gandra da Silva Martins, sob o título “Imunidades de Contribuições Sociais. Art. 195, § 7o , da Constituição Federal – Perfil constitucional do conceito de "Entidade Beneficente de Assistência Social” na área da saúde. Exigência de finalidade não lucrativa e não de filantropia. Impossibilidade de a legislação infraconstitucional restringir o alcance desse conceito" (in 'Temas de Direito Público, Edit. Juarez Oliveira, São Paulo, pp. 123/142), assim expressos: "Nosso estatuto supremo, ao definir o sistema tributário, estabelece certas desonerações, ora levando em conta o destinatário (subjetivas), ora bens (objetivas), para o fim de preservar valores que, por serem inerentes ao perfil de Estado adotado no país – o Estado Democrático de Direito, devem ser defendidos contra a forma usual de arbítrio, que é a cobrança de tributos. A tais desonerações constitucionalmente previstas, dáse o nome técnico de imunidades tributárias, cuja natureza jurídica, para boa parte da doutrina, é o de verdadeiras limitações à competência impositiva dos entes tributantes. (...) Fl. 861DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por EDELI P EREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 28/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 11030.002122/200351 Acórdão n.º 1101001.063 S1C1T1 Fl. 835 24 Com a superveniência da Constituição federal de 1988, outorgouse às entidades beneficentes de assistência social, em norma definidora de típica hipótese imunidade, uma expressiva garantia de índole tributária em favor dessas instituições civis. (...). A finalidade que inspirou a instituição da desoneração em tela foi, sem dúvida, estimular a sociedade a colaborar com o Poder Público no atendimento de necessidades básicas da sociedade, suprindo as insuficiências do organismo estatal. Com efeito, embora em seu art. 194, I, o estatuto supremo assegure a universalidade do atendimento, por parte do Estado, às ações pertinentes à seguridade social, estava o constituinte ciente de que dificilmente poderia o organismo estatal, de imediato, prestar a todos, de forma direta, essa assistência. (...), Com efeito, ao referirse a entidades de algum modo ligadas à seguridade social, a lei maior utilizase de 3 conceitos distintos o que é particularmente nítido, em se tratando de entidades que exercem atividades pertinentes à saúde a saber: o de entidade sem fins lucrativos , o de entidade filantrópica e o de entidade com fins lucrativos. (...) Para definir o conteúdo de cada um desses conceitos, cumpre distinguir entre tipo de interesse que envolve essas entidades e modo de satisfazêlo. De acordo com o tipo de interesse, a entidade pode perseguir um interesse próprio ou um interesse de outrem. (...) Buscam interesses de outrem, aquelas que atuam em benefício de alguém que não a própria entidade ou os que a integram. É o caso das entidades sem fins lucrativos, que, como não visam a um interesse próprio, e sim alheio, são entidades beneficentes, na medida em que agem "em benefício de". (...). Entidades cuja atividade se desdobra no dispêndio patrimonial em beneficio de outrem, são as entidades filantrópicas, pois filantropia é manifestação de caridade. Mas o fato de não estar fazendo caridade não significa que a entidade não esteja agindo em beneficio de outrem. Para tanto, basta que não esteja agindo no interesse próprio. Em resumo, portanto, podese dizer que beneficente e gênero que abrange duas espécies: a) a filantropia, modo de beneficência que envolve a caridade; e b) a atuação sem fins lucrativos e no interesse de outrem. Dai ser possível concluir que toda entidade filantrópica é beneficente , mas nem ,c toda entidade beneficente é filantrópica. (...). Quanto às que desempenham atividades do setor de saúde , a amplitude desse conceito de beneficência é bem explicitado no § V do art. 199 da Constituição Federal, pondo em relevo dois aspectos fundamentais para a interpretação do § 7" do art. 195 da Constituição Federal, a saber: a) que tal conceito não ostenta conteúdo idêntico ao do conceito de "entidade filantrópica", sendo mais amplo e abrangente este; e,b) que, tanto as entidades filantrópicas como as entidades sem fins lucrativos revestemse da mesma relevância e merecem o mesmo tratamento,... . À luz dessa norma, é imperioso concluir, mormente no que diz respeito à saúde, que, para a Constituição, imune de contribuições sociais é aquela entidade que seja beneficente, ou seja, atue em benefício de outrem. Para tanto, não exige a filantropia. Basta tratar se de entidade sem fins lucrativos. (...). Fl. 862DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por EDELI P EREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 28/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 11030.002122/200351 Acórdão n.º 1101001.063 S1C1T1 Fl. 836 25 Diante disso, a imposição por legislação infraconstitucional do requisito da filantropia para que a entidade se repute "beneficente de assistência social", tem, na verdade, o intento de interferir no conceito de entidade beneficente , e estreitálo em relação ao que está definido constitucionalmente. ( ... ). Reportandose á problemática da gratuidade, o citado jurista leciona: "( ... ). art. 1o da Lei n. 9.732, de 11 de dezembro de 1998, (cuja eficácia se encontra suspensa por liminar concedida na ADIn n. 2.028, conforme anteriormente mencionado), modificou o inciso III do art. 55 da Lei n. 8.212191 e acrescentoulhe os §§ 3% 4" e 5°, atribuindolhe a seguinte redação: 'Art. 55. Fica isenta das contribuições sociais de que tratam os arts. 22 e 23 desta lei a entidade beneficente de assistência social que atenda cumulativamente: (...). III promova, gratuitamente e em caráter exclusivo, a assistência social beneficente a pessoas carentes, em especial a crianças, adolescentes, idosos e portadores de deficiência. Resulta claro que o art. 55 da Lei n. 8.212191, tanto na redação original, quanto na que lhe deu o art_ P' da Lei n. 9.732/98, está pretendendo estabelecer o conceito de entidade beneficente de assistência social, O QUE NÃO CABE À LEI, porque a Constituição já o faz. Está, ademais, restringindo o conceito constitucionalmente esculpido, O QUE AGRIDE A LEI MAIOR. 0 dispositivo legal não está atendendo ao que estabelece o art. 14 do Código Tributário Nacional, e sim desbordando da função meramente reguladora da "lei" a que faz menção o § 7 do art. 195 da Constituição Federal. (...). Para que tal requisito da gratuidade pudesse ser exigido como condição de gozo da imunidade , necessário seria que o próprio texto constitucional fosse alterado,para expressamente prevêlo o que certamente implicaria tornar inócuo o dispositivo, já que dificilmente alguma entidade particular teria condições de prestar exclusivamente serviços assistenciais inteiramente gratuitos. ( ... ). Assim procedendo, o legislador desbordou de sua competência, incorrendo em, desvio de poder, vicio que também pode manifestarse no exercício da atividade legislativa". Reitera os argumentos aduzidos no item 7 da impugnação e diz que o correto é item 8. Com relação à inconsistência das razões de fato que embasaram a manutenção da suspensão da imunidade, trazidas no item 7, a recorrente insurgese contra a decisão a quo, com os seguintes argumentos já trazidos no item 8 da impugnação, apresentados a seguir de forma sintética, onde aduz que inexiste a prática comercial da “incorporação imobiliária” e distribuição de suas rendas. a) Aponta para o para o objetivo finalístico da entidade; b) Que todos os seus ativos devem ser visto sem o intuito de lucro, sob o prisma finalístico, ainda que aparentemente apresentem a mesma roupagem dos negócios empresariais; c) Que a eleição, pela fiscalização, da incorporação imobiliária como causador da suspensão foi aleatória; Fl. 863DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por EDELI P EREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 28/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 11030.002122/200351 Acórdão n.º 1101001.063 S1C1T1 Fl. 837 26 d) Que o HCE teria praticado muitas outras atividades, como hotelaria, venda de remédios, aluguel de salas (cirúrgicas, recuperação), de equipamentos variados, etc e que estas operações, em sentido estrito, não se configuram como atividades diretamente vinculadas à saúde e que não apenas o HCE mas todos os hospitais equipararseiam a empresas comerciais e/ou prestadoras de serviços com fins lucrativos; e) Que a edificação do Centro Clínico HCE, visou suprir as deficiências existentes em meados de 19902000 quando a diretoria assumiu suas funções, como carência de médicos especialistas, amadorismo gerencial, desorganização e má prestação de serviços. Explicando os motivos da edificação do Centro Clínico, aponta: a) Que as mudanças foram feitas com base no planejamento estratégico formulado por especialistas em administração hospitalar e buscando um melhor aproveitamento do espaço físico o hospital foi redesenhado, porém continuou a faltar espaço para alocar os 30 novos médicos contratados. Cita anexos 1 e 8. b) Surgiu a idéia da construção do Centro Clínico e face a carência de terrenos, a solução encontrada foi o aproveitamento do terreno disponível do próprio hospital, contíguo ao prédio antigo e nele construir um prédio com 62 salas, destinadas a consultórios e outros serviços médicos, sendo as partes inferiores destinadas ao próprio HCE (auditório para 140 pessoas, sala de aula para 50 pessoas, sala de reuniões para 15 pessoas, salas de apoio (recepção, estar), farmácia, lancheria, foyer etc. Cita as plantas baixas no anexo 3. c) Face a carência de apoio estatal (União, Estado ou Município) a direção foi em busca de financiamento que resultou infrutífera, surgindo a idéia de num processo compartilhado, obter os recursos necessários junto aos interessados na ocupação de salas a serem edificadas, atingindo com isto quatro objetivos, a saber: i) contar com os recursos necessário para realizar a construção; ii) não despender os elevados encargos financeiros praticados iii) não suportar os custos de manutenção das salas utilizáveis por terceiros; iv) oferecer um serviço centralizado, próximo, interligado, a todos os pacientes necessitados de atendimento médicohospitalar, principalmente aos residentes fora da cidade ou município. d) Refletindo uma prática do mercado, o financiamento das salas adquiridas pelos médicos interessados foi calculado em parcelas reajustáveis pelo CUB. e) Que o registro da incorporação foi efetuado no estrito cumprimento da legislação reguladora da atividade imobiliária, estando distante do cunho meramente lucrativo que foi visualizado pelos fiscais. f) Que inexiste estipulação contratual prevendo a transferência do uso para uma empresa prestadora de serviços com fins lucrativos, de um ecógrafo Fl. 864DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por EDELI P EREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 28/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 11030.002122/200351 Acórdão n.º 1101001.063 S1C1T1 Fl. 838 27 e de um sistema de tomografia computadorizada importados ao abrigo de isenção. Cita as clausulas, 2a, 7a, 10a 13a do contrato. Alega inexistência da transferência do uso dos equipamentos pelas empresas prestadoras de serviços, aduzindo que: a) inexiste no contrato de fls. 363 a 368 estipulação contratual prevendo a transferência do uso dos equipamentos. Transcreve cláusulas do contrato e afirma que houve uma interpretação errônea do mesmo, visualizando uma situação hipotética, falsa, formando com isto um juízo infundado, que não pode prosperar. b) tratase de um contrato é de prestação de serviços médicos e que todos os serviços foram disponibilizados à população exclusivamente pelo HCE que para tanto, preparou parte de suas dependências para a instalação do “Centro de Diagnóstico por Imagem – CDI”, contratou empregados (técnicos em radiologia, enfermeiras, atendentes, secretárias) e contratou uma empresa prestadora de serviços atuante nos ramos de radiologia, tomografia, ecografia (fls. 363/368) para executar a interpretação dos filmes e gráficos e a emissão dos laudos dos exames processos; c) Esclarece que a oferta dos serviços pelo HCE, envolve não só os equipamentos, mas as instalações apropriadas, empregados (técnicos em eletricidade, eletrônica, segurança do trabalho, radiologia, enfermeiros, atendentes, secretários, etc), e os médicos com a missão funcional de interpretar chapas radiográficas, gráficos, emitir os respectivos laudos, etc); d) Alega que o fisco confundiu os serviços de radiologia no seu todo, com a sua parte mais especializada, executada por profissionais médicos, como também distorceu a natureza (objeto) dos serviços pactuados. e) Afirma que a empresa contratada assumiu apenas a responsabilidade técnica pelos laudos emitidos, previsto na cláusula 5a do contrato. f) Lembra os motivos pelos quais a empresa “Alto Uruguai Diagnóstico por Imagem Ltda” foi contratada, aduzindo que em 1996, ao assumir a administração do hospital, os atuais conselho de Administração e Corpo Diretivo se depararam com a situação em que os habitantes de Erechim se deslocavam 80 km até Passo Fundo para realizar consultas e exames especializados. Que em vista do quadro falimentar, obsolescência de material e dificuldades para atrair médicos para a cidade, a alternativa utilizada por a contratação de uma empresa denomina Clínica Radiológica de Passo Fundo, que assegurou a presença no HCE de profissionais especializados para executar os serviços de interpretação dos exames e emissão dos respectivos laudos. g) A contratação de pessoa jurídica para executar os serviços de interpretação dos exames e emissão dos respectivos laudos não ocorreu apenas em conformidade com a liberdade de contratar, mas visou, Fl. 865DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por EDELI P EREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 28/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 11030.002122/200351 Acórdão n.º 1101001.063 S1C1T1 Fl. 839 28 sobretudo, atender a uma imperiosa, inaudível e permanente necessidade das comunidades do Alto Uruguai. Relativamente à “distribuição de lucros”, alega que segundo motivo considerado pelo agente fiscal como determinante para a perda da isenção, é infundado, pois inexiste previsão contratual de distribuição de lucro, cita as cláusulas 7a e 13a do Contrato com a empresa de radiologia. Conclui : “Do exposto inferese que a remuneração pactuada nada tem a ver, não se equipara a uma divisão de lucro, correspondendo, isto sim à fixação de uma remuneração variável calculada com base no diferencial entre os ingressos brutos deduzidos dos custos/despesas desse setor hospitalar. Todavia, dito sistema de remuneração (variável) não é exclusivo, único, por sempre ter coexistido com a estipulação de uma remuneração fixa, garantidora de uma retribuição mínima. Esta é a realidade que se extrai dos ‘Demonstrativos de Faturamento’ de fls. 402/461, juntados aos autos pela própria fiscalização. Mostra também que em raciocínio contrário, admitindose a hipótese fiscal de que os pagamentos por serviços prestados correspondessem a lucros distribuídos, e faz as seguintes indagações: a) concordaria a prestadora de serviços em disponibilizar seus profissionais médicos junto ao HCE, ficando sua remuneração dependente da apuração de lucros do hospital? Mostra que houve apuração de resultado positivo apenas em 2001. b) concordaria a prestadora de serviços, como empresa com fins lucrativos, realizar exames gratuitos e pessoas necessitadas (vide cláusula oitava ‘b’ do contrato), sem a garantia de uma remuneração mínima (a remuneração fixa)? Diz que o hospital executou gratuitamente em 2001 e 2002, 481 e 442 exames radiológicos e 59 e 182 tomografias, respectivamente aos anos. Discorda que a referida empresa tem participação nos lucros obtidos com os exames realizados pelos equipamentos importados e que a emissão de notas fiscais de serviços de um lado, e de outra o HCE ter elaborado demonstrativos de faturamento mensais não autorizam concluir que se está diante de hipótese de distribuição de lucros e que para tanto seria necessário apurar lucros através do balanço de resultados. Em seguida passa a contraditar especificamente o ato decisório e rebater as premissas, consideradas por ela, inconsistentes, utilizadas pelo julgador, de que a aplicação de recursos na construção do edifício de salas de atendimento e de consultórios representa uma atividade estranha à entidade, com os seguintes argumentos: Contraditando especificamente o ato decisório, a Recorrente apresenta as seguintes ponderações: a) — Relativamente ao fenômeno `incorporação imobiliária' Fl. 866DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por EDELI P EREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 28/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 11030.002122/200351 Acórdão n.º 1101001.063 S1C1T1 Fl. 840 29 No seu `voto', o Sr. Relator faz uso de premissa inconsistente ao alegar que a aplicação de recursos na construção do edificio de salas de atendimento e de consultórios representa uma `atividade estranha' à entidade. Isto porque: os recursos desembolsados destinaramse à ampliação do ativo imobilizado da própria instituição, atendendo uma necessidade urgente de espaço físico para atendimento dos doentes da região; os recursos obtidos com a venda de parte das salas serviram, de fato e parcialmente, para garantir à conclusão do prédio, observado que nenhum órgão governamental, banco oficial ou privado concordaram em financiar o empreendimento, as eventuais sobras de recursos advindas das vendas de parte dos consultórios, foram regular e exclusivamente utilizados nos serviços prestados pelo HCE , coexistindo o imaginado `desvio dos objetivos institucionais'; a averbação no registro imobiliário representou um mero cumprimento da legislação imobiliária. b) — Relativamente ao fenômeno `distribuição de lucro' No seu `voto', o Sr. Relator faz uso de alegação infundada ao aventar que a remuneração dos `serviços médicos' prestados pela empresa terceirizada deveriam ser `em valor fixo ou proporcional aos serviços prestados'. Isto porque: a entidade tem a prerrogativa constitucional de, gerencialmente, adotar a forma de remuneração que, com segurança, melhor atenda seus interesses; o Fisco (em geral) não dispõe de competência legal/funcional para fixar critérios remuneratórios, notadamente para regrar o instituto da imunidade; os critérios de remuneração parcial de apenas um dos muitos serviços prestados pela entidade , não materializa o fenômeno da `distribuição de lucros', o qual pressupõe a realização de balanços patrimoniais e financeiros abrangendo todas as operações econômico/financeiras da entidade. c) Manifestação jurisprudencial sobre o tema Instado a apreciar em grau de recurso urn dissenso equivalente a este, o Conselho de Contribuintes resolveu o litígio nos moldes resumidos na ementa a seguir transcrita. Acórdão n° 107 07197 Sessão de 11.06.2003 PRINCÍPIO DA LIVRE CONCORRÊNCIA — INOCORRÊNCIA. A suspensão da imunidade sob o argumento de que a atividade desenvolvida pela entidade imune ofende o princípio da concorrência, no presente caso, não pode prosperar. À luz de entendimentos do Supremo Tribunal Federal, inclusive alguns do próprio Conselho de Contribuintes, e de grande parte da doutrina, se cumpridos os requisitos estabelecidos pelo art. 14 do CTN, não há que se impedir a fruição da imunidade, Fl. 867DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por EDELI P EREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 28/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 11030.002122/200351 Acórdão n.º 1101001.063 S1C1T1 Fl. 841 30 pois, como afirmado pelo Ministro Sydney Sanches, citado por Ruy Barbosa Nogueira, "A instituição de assistência social não está proibida de obter lucros ou rendimentos que podem ser e são, normalmente, indispensáveis à realização dos seus fins. O que elas não podem é distribuir lucros. Impõeselhes o dever de aplicar os rendimentos `na manutenção dos seus objetivos institucionais"'. Ademais, se a atividade desenvolvida tem por finalidade auxiliar a cobrir o déficit da atividade principal da entidade imune, não é correto retirar, pura e simplesmente, a imunidade somente com o argumento em tese de que estaria ferido o principio da livre concorrência. A ofensa a este deve ser provada e não apenas alegada, sob pena de agredirse a supremacia constitucional.” Conclui requerendo a declaração de nulidade e/ou a improcedência do lançamento, determinando, após, o arquivamento do processo fiscal. Este é o relatório. Fl. 868DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por EDELI P EREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 28/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 11030.002122/200351 Acórdão n.º 1101001.063 S1C1T1 Fl. 842 31 Voto Vencido Conselheira MÔNICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI O Recurso é tempestivo. Dele conheço. O Ato Declaratório Executivo DRF/PFO n° 29, de 27 de setembro de 2004 declarou suspensa a imunidade tributária prevista no art. 150, inciso VI, alínea "c", da CF, em face da violação pelo HCE das disposições contidas nos artigos 14, incisos I e II da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN); e 12, parágrafos 1°, alínea "b" e 3°, da Lei n° 9.532, de 1997. Os dispositivos mencionados são: CTN Art. 14. O disposto na alínea c do inciso IV do art. 9° é subordinado à observância dos seguintes requisitas pelas entidades nele referidas: I — não distribuírem qualquer parcela de seu patrimônio ou de suas rendas, a titulo de lucro ou participação no seu resultado: II — aplicarem integralmente, no País, os seus recursos na manutenção dos seus objetivos institucionais; Lei n° 9.532, de 1997 Art. 12. Para efeito do disposto no art. 150, inciso VI, alínea "c", da Constituição, considerase imune a instituição de educação ou de assistência social que preste os serviços para os quais houver sido instituída e os coloque à disposição da população em geral, em caráter complementar às atividades do Estado, sem fins lucrativos. § 2° Para o gozo da imunidade, as instituições a que se refere este artigo, estão obrigadas a atender aos seguintes requisitos: 1••] b) aplicar integramente seus recursos na manutenção e desenvolvimento dos seus objetivos sociais; 1.1 § 3° Considerase entidade sem fins lucrativos a que não apresente superávit em suas contas ou, caso o apresente em determinado exercício, destine referido resultado, integralmente, à manutenção e ao desenvolvimento dos seus objetivos sociais. ( Redação dada pela Lei nº 9.718, de 1998 ) Nenhum outro dispositivo relativo à suspensão foi citado no ato declaratório, motivo pelo qual deixase de analisar eventuais alegações trazidas em recurso que versem sobre demais dispositivos não vinculados neste ato. Fl. 869DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por EDELI P EREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 28/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 11030.002122/200351 Acórdão n.º 1101001.063 S1C1T1 Fl. 843 32 Preliminarmente cabe analisar pedido de nulidade trazido ao recurso. O ato declaratório foi emitido em conformidade com o art. 172 do RIR/99 dispõe: Art. 172. A suspensão da imunidade tributária, em virtude de falta de observância de requisitos legais, deve ser procedida de conformidade com o disposto neste artigo (Lei n º 9.430, de 1996, art. 32, e Lei n º 9.532, de 1997, art. 14). § 1 º Constatado que entidade beneficiária de imunidade de tributos federais de que trata a alínea "c" do inciso VI do art. 150 da Constituição não está observando requisito ou condição previstos no arts. 169 e 170, a fiscalização tributária expedirá notificação fiscal, na qual relatará os fatos que determinam a suspensão do benefício, indicando, inclusive, a data da ocorrência da infração (Lei n º 9.430, de 1996, art. 32, § 1 º ). § 2 º A entidade poderá, no prazo de trinta dias da ciência da notificação, apresentar as alegações e provas que entender necessárias (Lei n º 9.430, de 1996, art. 32, § 2 º ). § 3 º O Delegado ou Inspetor da Receita Federal decidirá sobre a procedência das alegações, expedindo o ato declaratório suspensivo do benefício, no caso de improcedência, dando, de sua decisão, ciência à entidade (Lei n º 9.430, de 1996, art. 32, § 3 º ). § 4 º Será igualmente expedido o ato suspensivo se decorrido o prazo previsto no § 2 º sem qualquer manifestação da parte interessada (Lei n º 9.430, de 1996, art. 32, § 4 º ). § 5 º A suspensão da imunidade terá como termo inicial a data da prática da infração (Lei n º 9.430, de 1996, art. 32, § 5 º ). § 6 º Efetivada a suspensão da imunidade (Lei n º 9.430, de 1996, art. 32, § 6 º ): I a entidade interessada poderá, no prazo de trinta dias da ciência, apresentar impugnação ao ato declaratório, a qual será objeto de decisão pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento competente; II a fiscalização de tributos federais lavrará auto de infração, se for o caso. § 7 º A impugnação relativa à suspensão da imunidade obedecerá às demais normas reguladoras do processo administrativo fiscal (Lei n º 9.430, de 1996, art. 32, § 7 º ). § 8 º A impugnação e o recurso apresentados pela entidade não terão efeito suspensivo em relação ao ato declaratório contestado (Lei n º 9.430, de 1996, art. 32, § 8 º ). § 9 º Caso seja lavrado auto de infração, as impugnações contra o ato declaratório e contra a exigência de crédito tributário serão reunidas em um único processo, para serem decididas simultaneamente (Lei n º 9.430, de 1996, art. 32, § 9 º ). O decreto 70.235/72 por sua vez dispõe: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; Fl. 870DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por EDELI P EREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 28/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 11030.002122/200351 Acórdão n.º 1101001.063 S1C1T1 Fl. 844 33 II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo Não vislumbrando hipótese de ofensa ao citado artigo, rejeito as preliminares de nulidade. Passando às demais alegações trazidas em recurso, a contribuinte alegou que a regulamentação das condições para o gozo da imunidade prevista no art. 150, inciso IV alínea “c” da CF só poderia ser realizada por Lei Complementar e não por Lei Ordinária. Sobre este ponto não é possível ao julgador administrativo deixar de aplicar norma legitimamente inserida no ordenamento jurídico pátrio, ainda que alegada eventual inconstitucionalidade ou ilegalidade do dispositivo, conforme dispõe o artigo 49 do Regimento Interno do Conselho de Contribuintes, a Súmula CARF n° 2 e entendimento manifestado pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (Parecer PGFN/CRE/N. 948/1998) acerca da disposição contida no Decreto n. 2.346 de 10 de outubro de 1997. A suspensão ocorreu por dois motivos: a prática de atividades imobiliárias, que resultaram na aplicação de recursos em atividades não decorrentes de seus objetivos institucionais; e a distribuição de parcela de suas rendas, em decorrência da fixação de um percentual do resultado para a remuneração de serviços contratados de outras pessoas jurídicas. Relativamente ao primeiro motivo, apesar de o HCE ter alegado que é uma entidade que não tem objetivo de lucro, embora exerça outras atividades comerciais não eventuais também praticadas por todos os estabelecimentos hospitalares e que, se prevalecer o entendimento do "Despacho Decisório", também determinariam que nenhum desses estabelecimentos poderia gozar de imunidade tributária, entendo que fazse desnecessária a análise dos argumentos que discorrem sobre outros possíveis motivos de suspensão ou alegações não relacionadas com os motivos constantes do Despacho Decisório. Entendo que a aplicação de recursos na realização de incorporação imobiliária não visa a manutenção de seus objetivos institucionais, por ser estranha às finalidades do HCE que constam no seu Estatuto Social (fls. 28 e 29), pois se trata de atividade de cunho comercial. Art. 2o O Hospital de Caridade tem as seguintes finalidades: • I Prestar assistência à saúde, no limite de suas possibilidades, a todos que o procurarem, no sentido de proteger a família, a maternidade, a infância, a adolescência e a velhice, sem qualquer tipo ou espécie de distinção. II Desenvolver atividades educacionais ou de saúde, para formação de profissionais. III Promover a integração dos diversos profissionais da área da saúde ao mercado de trabalho. Fl. 871DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por EDELI P EREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 28/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 11030.002122/200351 Acórdão n.º 1101001.063 S1C1T1 Fl. 845 34 IV Oportunizar ações de prevenção, habilitação e reabilitação de pessoas portadoras de deficiência. V Realizar atividades beneficentes, ele assistência social, em favor dos idosos, crianças desamparadas e adolescentes carentes. Sobre a incorporação imobiliária a Lei nº 4.591, de 16 de dezembro de 1964, dispõe: Art. 28. As incorporações imobiliárias, em todo o território nacional, regerseão pela presente Lei. Parágrafo único. Para efeito desta Lei, considerase incorporação imobiliária a atividade exercida com o intuito de promover e realizar a construção, para alienação total ou parcial, de edificações ou conjunto de edificações compostas de unidades autônomas, (VETADO). Art. 29. Considerase incorporador a pessoa física ou jurídica, comerciante ou não, que embora não efetuando a construção, compromisse ou efetive a venda de frações ideais de terreno objetivando a vinculação de tais frações a unidades autônomas, (VETADO) em edificações a serem construídas ou em construção sob regime condominial, ou que meramente aceite propostas para efetivação de tais transações, coordenando e levando a têrmo a incorporação e responsabilizandose, conforme o caso, pela entrega, a certo prazo, preço e determinadas condições, das obras concluídas. Parágrafo único. Presumese a vinculação entre a alienação das frações do terreno e o negócio de construção, se, ao ser contratada a venda, ou promessa de venda ou de cessão das frações de terreno, já houver sido aprovado e estiver em vigor, ou pender de aprovação de autoridade administrativa, o respectivo projeto de construção, respondendo o alienante como incorporador. Art. 30. Estendese a condição de incorporador aos proprietários e titulares de direitos aquisitivos que contratem a construção de edifícios que se destinem a constituição em condomínio, sempre que iniciarem as alienações antes da conclusão das obras. (...) (grifos nossos) Art. 31. A iniciativa e a responsabilidade das incorporações imobiliárias caberão ao incorporador, que sòmente poderá ser: a) o proprietário do terreno, o promitente comprador, o cessionário dêste ou promitente cessionário com título que satisfaça os requisitos da alínea a do art. 32; b) o construtor (Decreto número 23.569, de 111233, e 3.995, de 31 de dezembro de 1941, e Decretolei número 8.620, de 10 de janeiro de 1946) ou corretor de imóveis (Lei nº 4.116, de 27862). c) o ente da Federação imitido na posse a partir de decisão proferida em processo judicial de desapropriação em curso ou o cessionário deste, conforme comprovado mediante registro no registro de imóveis competente. (Incluído pela Lei nº 12.424, de 2011) Fl. 872DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por EDELI P EREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 28/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 11030.002122/200351 Acórdão n.º 1101001.063 S1C1T1 Fl. 846 35 § 1º No caso da alínea b, o incorporador será investido, pelo proprietário de terreno, o promitente comprador e cessionário dêste ou o promitente cessionário, de mandato outorgado por instrumento público, onde se faça menção expressa desta Lei e se transcreva o disposto no § 4º, do art. 35, para concluir todos os negócios tendentes à alienação das frações ideais de terreno, mas se obrigará pessoalmente pelos atos que praticar na qualidade de incorporador. § 2º Nenhuma incorporação poderá ser proposta à venda sem a indicação expressa do incorporador, devendo também seu nome permanecer indicado ostensivamente no local da construção. § 3º Tôda e qualquer incorporação, independentemente da forma por que seja constituída, terá um ou mais incorporadores solidàriamente responsáveis, ainda que em fase subordinada a período de carência, referido no art. 34. O registro da incorporação ( fls. 85 a 98) mostra que o registro foi feito por exigência da Lei no 4.591/64, supra citada: "INCORPORAÇÃO" Conforme Requerimento datado de 18 de Outubro de 2.000, acompanhado da documentação exigida pela Lei número 4.591/64, o proprietário descrito nesta Matrícula, ou seja, o "Hospital de Caridade de Erechim", construirá sobre o imóvel descrito nesta Matrícula UM EDIFÌCIO, que se denominará: "CENTRO CLÍNICO HOSPITAL DE CARIDADE DE ERECHIM", destinado à consultórios médicos e à serviços dentro da atividade médica. Cujas Unidades são assim Individualizadas. (...) Tipo Jurídico: A Incorporadora projeta construir o edifício cujas unidades e respectivas frações de terreno serão alienados pelo sistema de preço reajustável, determinado pelo CUB/SINDUSCON/RS ou outro indexador oficial, de acordo com a Lei 4591/64. De acordo Com o Custo Global da construção o Edifício será de R$ 3.641.747,19 (TRÊS MILHÕES, SEISCENTOS E QUARENTA E UM MIL, SETECENTOS E QUARENTA E! .SETE REAIS E DEZENOVE CENTAVOS). ERECHIM, 06 de DEZEMBRO de 2.000 Às fls. 143 a 156 está acostado o documento de ESPECIFICAÇAO, INSTITUIÇÃO E CONVENÇÃO DO CONDOMÍNIO DO CENTRO CLÍNICO DO HOSPITAL DE CARIDADE, cujo teor, transcrevese em parte, para argumentação das razões de decidir: (...) o Incorporador esta construindo o Centro Clinico Hospital de Caridade, de conformidade com o projeto e plantas aprovadas pela Prefeitura Municipal de Erechim possuindo uma área total de 9.637,76 m2 (nove mil seiscentos e trinta e sete metros e setenta e seis centímetros quadrados ) e dispor parceladamente o edificio em apreço, por quanto o mesmo foi construído sob a forma de unidades isoladas' entre si Fl. 873DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por EDELI P EREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 28/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 11030.002122/200351 Acórdão n.º 1101001.063 S1C1T1 Fl. 847 36 identificadas' cada uma das unidades autônomas por designação especial e numérica, para. efeito de especificação pela presente minuta e na melhor forma de direito resolve como de fato resolvido tem, nos termos da lei 4.591 de 14 de Dezembro de 1964 regulamentada pelo Decreto 55.815 de 08 de Março de 1965 e de mais legislação pertinente em vigor, construir, dividir, especificar e estabelecer a sua convenção de condomínio do mencionado edifício sob o regime de copropriedade por Planos horizontais, fazendo pela forma que se: 1 — DA DESTINAÇAO O Centro Clínico Hospital de Caridade tem sua destinação para consultórios na área da saúde. Portanto, o edifício foi construído para ser em parte alienado. Vejamos texto da Notificação Fiscal (fl. 12): Concluise não foi uma atividade de construção para uso próprio e venda posterior. Nesta atividade de incorporação imobiliária, restou comprovado pelos auditores fiscais que houve violação ao disposto no art. 14, inciso II do CTN e art. 12, §2o alínea “b” e 3o da Lei no 9.532/1997. Lei n. 9532/1997 Art. 12. Para efeito do disposto no art. 150, inciso VI, alínea "c", da Constituição, considerase imune a instituição de educação ou de assistência social que preste os serviços para os quais houver sido instituída e os coloque à disposição da população em geral, em caráter complementar às atividades do Estado, sem fins lucrativos. (...). § 2º Para o gozo da imunidade, as instituições a que se refere este artigo, estão obrigadas a atender aos seguintes requisitos: a) não remunerar, por qualquer forma, seus dirigentes pelos serviços prestados; b) aplicar integralmente seus recursos na manutenção e desenvolvimento dos seus objetivos sociais; Fl. 874DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por EDELI P EREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 28/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 11030.002122/200351 Acórdão n.º 1101001.063 S1C1T1 Fl. 848 37 c) manter escrituração completa de suas receitas e despesas em livros revestidos das formalidades que assegurem a respectiva exatidão; d) conservar em boa ordem, pelo prazo de cinco anos, contado da data da emissão, os documentos que comprovem a origem de suas receitas e a efetivação de suas despesas, bem assim a realização de quaisquer outros atos ou operações que venham a modificar sua situação patrimonial; e) apresentar, anualmente, Declaração de Rendimentos, em conformidade com o disposto em ato da Secretaria da Receita Federal; f) recolher os tributos retidos sobre os rendimentos por elas pagos ou creditados e a contribuição para a seguridade social relativa aos empregados, bem assim cumprir as obrigações acessórias daí decorrentes; g) assegurar a destinação de seu patrimônio a outra instituição que atenda às condições para gozo da imunidade, no caso de incorporação, fusão, cisão ou de encerramento de suas atividades, ou a órgão público. h) outros requisitos, estabelecidos em lei específica, relacionados com o funcionamento das entidades a que se refere este artigo. Lei nº 5. 172, de 25 de Outubro de 1966 (CTN) Art. 14. O disposto na alínea c do inciso IV do artigo 9º é subordinado à observância dos seguintes requisitos pelas entidades nele referidas: I – não distribuírem qualquer parcela de seu patrimônio ou de suas rendas, a qualquer título; (Redação dada pela Lcp nº 104, de 10.1.2001) II aplicarem integralmente, no País, os seus recursos na manutenção dos seus objetivos institucionais; (grifos nossos) A contribuinte cita o Acórdão 107.07197 de 11.06.2003, que ora transcrevo: IMUNIDADE — SUSPENSÃO — ATIVIDADE DESENVOLVIDA QUE FERE O PRINCÍPIO DA LIVRE CONCORRÊNCIA — INOCORRÊNCIA. A suspensão da imunidade sob o argumento de que a atividade desenvolvida pela entidade imunidade ofende o princípio da livre concorrência, no presente caso, não pode prosperar. À luz de entendimentos do Supremo Tribunal Federal, inclusive alguns do próprio Conselho de Contribuintes, e de grande parte da doutrina, se cumpridos os requisitos estabelecidos pelo art. 14 do CTN, não há que se impedir a fruição da imunidade, pois, como afirmado pelo Ministro Sydney Sanches, citado por Ruy Barbosa Nogueira, "A instituição de assistência social não está proibida de obter lucros ou rendimentos que podem ser e são, normalmente, indispensáveis à realização dos seus fins. O que elas não podem é distribuir os lucros. Impõeselhes o dever de aplicar os rendimentos 'na manutenção dos seus objetivos institucionais'. Ademais, se a atividade desenvolvida tem por finalidade auxiliar a cobrir o deficit da atividade principal da entidade imune, não é correto retirar, pura e simplesmente, a imunidade somente com o argumento em tese de que estaria ferido o principio da livre concorrência. A ofensa a este deve ser provada e não apenas alegada, sob pena de agredirse a supremacia constitucional Sobre o tema, no mesmo sentido, Aires Barreto e Paulo Ayres Barreto ensinam que: Fl. 875DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por EDELI P EREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 28/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 11030.002122/200351 Acórdão n.º 1101001.063 S1C1T1 Fl. 849 38 "É amplo, pois, o sentido da cláusula 'rendas relacionadas com as finalidades essenciais'. Desde que licitas, pouco importa de onde provenham as rendas das instituições. Não é a fonte emanadora das rendas que está em questão. O que o texto constitucional exige é aplicação nos objetivos institucionais. A cláusula voltase, destarte, para os fins em que aplicadas as rendas e não para suas origens." (Imunidades tributárias: limitações constitucionais ao poder de tributar. São Paulo: Dialética, 1999, p. 47). No entanto, não foram trazidas pela contribuinte provas de que o resultado do empreendimento foi aplicado no objetivo institucional do HCE. Confirmase assim, a decisão de 1a Instância. Em relação ao segundo motivo determinante da suspensão da imunidade do HCE, por infração ao inciso artigo 14, inciso I do CTN, verificase que a remuneração dos serviços médicos especializados prestados nas instalações do HCE, pela empresa Clínica Radiológica Kozma, nos anos de 2000 até 31/12/2001, quando foi rescindido, e pela empresa Alto Uruguai Diagnóstico por Imagem Ltda., a partir de 2002, com o uso de equipamentos e funcionários do HCE, era remunerado apenas com uma parcela variável correspondente a 50% do resultado obtido com os mencionados serviços, conforme previsto na cláusula décima terceira dos contratos de prestação de serviços (fls. 352 e 359), resultado esse obtido após serem deduzidas das receitas oriundas dos serviços prestados os custos e despesas a eles inerentes. O contrato com a Clinica Radiológica Kozma, está datado de 04/04/2000 (fls. 349 a 345), tendo sido assinado pelo dr. Paulo Sergio Bonfiglio Osório, representante legal da Clinica. Transcrevese a seguir as cláusulas 1a, 13a e 14a dos citados contratos. Cláusula primeira — O presente contrato possui como objeto a prestação de serviços médicos em radiologia, mamografia, tomografia computadorizada e ecografia, na sede do HCE, a todo e qualquer convênio ou atendimento que o HCE tenha celebrado ou que venha celebrar. Cláusula segunda Os serviços serão prestado única e exclusivamente na área física do HCE, mais especificamente nas dependências destinadas ao serviço de diagnóstico por imagem. (...) Cláusula décima terceira: Os valores referentes ao pagamento dos serviços prestados no âmbito do presente contrato serão apurados da seguinte forma: 1) Serão apurados mensalmente os valores faturados pelo HCE, referentes os exames praticados no período, considerando as respectivas tabelas (privadas e de convênios), 2) Serão abatidas destes valores as despesas referentes a: Pessoal próprio do HCE, Técnicos de RX, serviços de terceiros realizados no CDI, 1 material de expediente fornecido pelo HCE, energia elétrica, água, telefone, material de consumo fornecido pelo HCE, filmes e contrastes fornecidos pelo HCE, rateios de Administração do HCE, rateios de administração de materiais do HCE, manutenção fornecida pelo HCE, sanificação fornecida pelo HCE, lavanderia Fl. 876DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por EDELI P EREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 28/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 11030.002122/200351 Acórdão n.º 1101001.063 S1C1T1 Fl. 850 39 fornecida pelo HCE, esterilização de materiais fornecidos pelo HCE, assim como os valores que o HCE vier a despender na execução do presente contrato. 3) Do montante apurado no item 1 será subtraído o montante apurado no item 2 (supra mencionados), e sobre o valor encontrado será aplicado o percentual de 50%. Cláusula décima quarta — A partir do décimo dia do mês subseqüente, após o encerramento do faturamento e da apuração dos valores referentes a despesas mensais, será enviado pelo HCE a Kozma relatório com o detalhe dos cálculos, devendo ser verificados os valores lançados assine como os conceitos no setor contábil do HCE, por parte da Kozma. Realizado este controle, a Kozma procederá a assinatura do relatório concordando com os valores, e o HCE procederá o pagamento até o 40 ° dia do mês subseqüente ao da competência. (grifo nosso) O contrato com Alto Uruguai Diagnóstico por Imagem Ltda, firmado a partir de 01/01/2002(fl. 356 a 361), teve por representante legal o dr. Aldo Paza Júnior e contém as mesmas cláusulas com o mesmo teor. Cláusula primeira — O presente contrato possui como objeto a prestação de sei – viços médicos em radiologia, mamografia, tomografia computadorizada e ecografia, na sede do HCE, a todo e qualquer convênio ou atendimento que o HCE tenha celebrado ou que venha celebrar. Cláusula segunda Os serviços serão prestado única e exclusivamente na área física do HCE, mais especificamente nas dependências destinadas ao serviço de diagnóstico por imagem. Cláusula décima terceira: Os valores referentes ao pagamento dos serviços prestados no âmbito do presente contrato serão apurados da seguinte forma: 1) Serão apurados mensalmente os valores faturadas pelo HCE, referentes os exames praticados no período, considerando as respectivas tabelas (privadas e de convênios); 2) Serão abatidas destes valores as despesas referentes a: Pessoal próprio do HCE,Técnicos de RX, serviços de terceiros realizados no CDI, material de expediente fornecido pelo HCE, energia elétrica, água, telefone, material de consumo fornecido pelo HCE, filmes e contrastes fornecidos pelo HCE, rateios de Administração do HCE, rateios de administração de materiais do HCE, manutenção fornecida pelo HCE, sanificação fornecida pelo HCE, lavanderia fornecida pelo HCE, esterilização de materiais fornecidos pelo HCE, assim como os valores que o HCE vier a despender na execução do presente contrato. 3) Do montante apurado no item. 1 será subtraído o montante apurado no item 2 (supra mencionados), e sobre o valor encontrado será aplicado o percentual de 50%. Cláusula décima quarta — A partir do décimo dia do mês subseqüente, após o encerramento do faturamento e da apuração dos valores referentes a despesas mensais, será enviado pelo HCE a Kozma relatório com o detalhe. das cálculos, Fl. 877DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por EDELI P EREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 28/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 11030.002122/200351 Acórdão n.º 1101001.063 S1C1T1 Fl. 851 40 devendo ser verificados os valores, lançados assim como os conceitos no setor contábil do HCE, por parte da Kozma. Realizado este controle, a Kozma procederá a assinatura do relatório concordando com Os valores, e o HCE procederá ao pagamento até o 400 dia do mês subseqüente ao da competência. (grifo nosso) Vale ressaltar que apesar de o segundo contrato ter sido firmado com a Alto Uruguai Diagnóstico por Imagem Ltda, há diversas cláusulas que tratam da Kozma, como mostram os excertos aqui transcritos. O contrato com a Alto Uruguai Diagnóstico por Imagem foi rescindido em 30 de abril de 2003 (f. 362). O HCE alega que tratase apenas de remuneração e que não é apenas variável “por sempre ter coexistido com uma remuneração fixa, garantidora de uma retribuição mínima. Esta é realidade que se extrai dos ‘Demonstrativos de Faturamento’ de fls. 402/461, juntados aos autos pela própria fiscalização” Compulsando os autos, às folhas citadas pela contribuinte, verificase que constam nos demonstrativos de faturamento mensal, o faturamento total, os custos totais e a sobra, havendo em seguida uma divisão deste resultado. A tabela abaixo mostra os valores mensais garantidos e valor mensal realizado, apurando diferenças e saldos pagos, a maior ou a menor que o valor garantido. A alegação de que havia uma remuneração fixa e uma parte variável não foi provada. O que se pode constatar pelos demonstrativos é que poderia, hipoteticamente, haver uma pactuação prévia de valores a serem pagos e que os resultados mensais confirmariam ou não este valor, como mostram a planilha de fl. 403, mas os termos contratuais vão noutro sentido. O que se pode constatar é que os valores calculados para pagamento às empresas contratadas possuem uma relação direta com resultados da unidade na parte relativa aos serviços de Tomografia, mamografia, radiologia, ultrasonografia, etc, normalmente conhecidos por “serviços de imagem”, conforme demonstrado nas planilhas 369 a 371, que mostram os valores de faturamento de serviços de tomografia, mamografia, radiologia, ultrasonografia e os respectivos custos, da sobra, a participação das empresas Kozma e posteriormente a Uruguai Diagnostico por Imagem, é de 50% do valor das sobras nos seguintes valores: Ano 2000 – R$158.819,53; Ano 2001 – R$398.761,43; Ano 2002 – R$572.004,70. Fl. 878DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por EDELI P EREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 28/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 11030.002122/200351 Acórdão n.º 1101001.063 S1C1T1 Fl. 852 41 A contribuinte também traz algumas indagações em seu recurso para justificar os pagamentos feitos às empresas contratadas: a) Concordaria a prestadora de serviços em disponibilizar seus profissionais médicos junto ao HCE, ficando sua remuneração dependente apenas de lucros pelo hospital? b) Concordaria a prestadora de serviços, como empresa com fins lucrativos, realizar exames gratuitos a pessoa necessitadas (vide cláusula oitava ‘b’ do contrato), sem a garantia de uma retribuição mínima (a remuneração fixa)? Entendo que estas perguntas são apenas a título de reforço argumentativo, não cabendo resposta a este julgador, pois trata da relação hospital/contratados. As instituições de educação e as entidades beneficentes de assistência social, sem fins lucrativos, gozam de imunidade tributária por força do art. 150, VI, "c", da Constituição Federal, de 05 de outubro de 1988, transcritos: "Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: (...) VI instituir impostos sobre: (...) c) patrimônio, renda ou serviços dos partidos políticos, inclusive suas fundações, das entidades sindicais dos trabalhadores, das instituições de educação e de assistência social, sem fins lucrativos, atendidos os requisitos da lei". O parágrafo quarto do mesmo artigo constitucional restringe o alcance da imunidade estabelecendo que esta somente compreende o patrimônio, a renda e os serviços vinculados às finalidades essenciais da entidade imune, in verbis: § 4o As vedações expressas no inciso VI, alíneas "b" e "c", compreendem somente o patrimônio, a renda e os serviços, relacionados com as finalidades essenciais das entidades nelas mencionadas ". Portanto, existe condição essencial para o gozo da imunidade, qual seja, o atendimento aos requisitos da lei. Recepcionada pela Carta Magna no que diz respeito ao aspecto em discussão, a Lei n. 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional (CTN), em seu artigo 9o , explicita: Art. 9º É vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: I – (...); II – (...); III –(...); IV cobrar imposto sobre: a) (...); b) (...); Fl. 879DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por EDELI P EREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 28/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 11030.002122/200351 Acórdão n.º 1101001.063 S1C1T1 Fl. 853 42 c) o patrimônio, a renda ou serviços dos partidos políticos, inclusive suas fundações, das entidades sindicais dos trabalhadores, das instituições de educação e de assistência social, sem fins lucrativos, observados os requisitos fixados na Seção II deste Capítulo; (Redação dada pela Lcp nº 104, de 10.1.2001) d) (...) § 1º O disposto no inciso IV não exclui a atribuição, por lei, às entidades nele referidas, da condição de responsáveis pelos tributos que lhes caiba reter na fonte, e não as dispensa da prática de atos, previstos em lei, assecuratórios do cumprimento de obrigações tributárias por terceiros. § 2º O disposto na alínea a do inciso IV aplicase, exclusivamente, aos serviços próprios das pessoas jurídicas de direito público a que se refere este artigo, e inerentes aos seus objetivos. Portanto, a remuneração a terceiros, representada pela metade do resultado obtido com a atividade de prestação de serviços de diagnóstico por imagens, caracteriza a distribuição de parcela do resultado do HCE e constitui infração ao disposto no art. 14, inciso I, do CTN e art. 12, § 3°, da Lei n° 9.532, de 1997. Até 31 de dezembro de 1997, os requisitos para que uma entidade beneficente de assistência social pudesse ser enquadrada na regra de imunidade de impostos, resumiamse àqueles enumerados no art. 14 da Lei no 5.172, de 1966 (CTN), com a alteração introduzida pela Lei Complementar no 104, de 10 de janeiro de 2001, que deu nova redação ao art. 14, I “ I — não distribuírem qualquer parcela de seu patrimônio ou de suas rendas, a titulo de lucro ou participação no seu resultado” (texto anterior),que dispõe, verbis: Art. 14. O disposto na alínea c do inciso IV do artigo 9º é subordinado à observância dos seguintes requisitos pelas entidades nele referidas: I – não distribuírem qualquer parcela de seu patrimônio ou de suas rendas, a qualquer título; (Redação dada pela Lcp nº 104, de 10.1.2001) II aplicarem integralmente, no País, os seus recursos na manutenção dos seus objetivos institucionais; III manterem escrituração de suas receitas e despesas em livros revestidos de formalidades capazes de assegurar sua exatidão. § 1º Na falta de cumprimento do disposto neste artigo, ou no § 1º do artigo 9º, a autoridade competente pode suspender a aplicação do benefício. § 2º Os serviços a que se refere a alínea c do inciso IV do artigo 9º são exclusivamente, os diretamente relacionados com os objetivos institucionais das entidades de que trata este artigo, previstos nos respectivos estatutos ou atos constitutivos. Por fim, a partir de 1o de janeiro de 1998, por força da edição da Lei no 9.532, de 10 de dezembro de 1997, foram acrescentadas aos requisitos supracitados outras condições para o gozo da imunidade, conforme se lê no art. 12 desta Lei, dispondo o seguinte: Art. 12. Para efeito do disposto no art. 150, inciso VI, alínea "c", da Constituição, considerase imune a instituição de educação ou de assistência social que preste os Fl. 880DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por EDELI P EREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 28/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 11030.002122/200351 Acórdão n.º 1101001.063 S1C1T1 Fl. 854 43 serviços para os quais houver sido instituída e os coloque à disposição da população em geral, em caráter complementar às atividades do Estado, sem fins lucrativos. § 1º Não estão abrangidos pela imunidade os rendimentos e ganhos de capital auferidos em aplicações financeiras de renda fixa ou de renda variável. § 2º Para o gozo da imunidade, as instituições a que se refere este artigo, estão obrigadas a atender aos seguintes requisitos: a) não remunerar, por qualquer forma, seus dirigentes pelos serviços prestados; b) aplicar integralmente seus recursos na manutenção e desenvolvimento dos seus objetivos sociais; c) manter escrituração completa de suas receitas e despesas em livros revestidos das formalidades que assegurem a respectiva exatidão; d) conservar em boa ordem, pelo prazo de cinco anos, contado da data da emissão, os documentos que comprovem a origem de suas receitas e a efetivação de suas despesas, bem assim a realização de quaisquer outros atos ou operações que venham a modificar sua situação patrimonial; e) apresentar, anualmente, Declaração de Rendimentos, em conformidade com o disposto em ato da Secretaria da Receita Federal; f) recolher os tributos retidos sobre os rendimentos por elas pagos ou creditados e a contribuição para a seguridade social relativa aos empregados, bem assim cumprir as obrigações acessórias daí decorrentes; g) assegurar a destinação de seu patrimônio a outra instituição que atenda às condições para gozo da imunidade, no caso de incorporação, fusão, cisão ou de encerramento de suas atividades, ou a órgão público. h) outros requisitos, estabelecidos em lei específica, relacionados com o funcionamento das entidades a que se refere este artigo. § 3° Considerase entidade sem fins lucrativos a que não apresente superávit em suas contas ou, caso o apresente em determinado exercício, destine referido resultado, integralmente, à manutenção e ao desenvolvimento dos seus objetivos sociais. ( Redação dada pela Lei nº 9.718, de 1998 ) (...) Art. 13. Sem prejuízo das demais penalidades previstas na lei, a Secretaria da Receita Federal suspenderá o gozo da imunidade a que se refere o artigo anterior, relativamente aos anoscalendários em que a pessoa jurídica houver praticado ou, por qualquer forma, houver contribuído para a prática de ato que constitua infração a dispositivo da legislação tributária, especialmente no caso de informar ou declarar falsamente, omitir ou simular o recebimento de doações em bens ou em dinheiro, ou de qualquer forma cooperar para que terceiro sonegue tributos ou pratique ilícitos fiscais. Parágrafo único. Considerase, também, infração a dispositivo da legislação tributária o pagamento, pela instituição imune, em favor de seus associados ou dirigentes, ou, ainda, em favor de sócios, acionistas ou dirigentes de pessoa jurídica a ela associada por qualquer forma, de despesas consideradas indedutíveis na Fl. 881DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por EDELI P EREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 28/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 11030.002122/200351 Acórdão n.º 1101001.063 S1C1T1 Fl. 855 44 determinação da base de cálculo do imposto sobre a renda ou da contribuição social sobre o lucro líquido. A matéria em questão diz respeito à imunidade condicionada, portanto, é imprescindível que a instituição possua meios e documentos suficientes a demonstrarem o total e inteiro cumprimento das exigências legais, bem assim, que possa apresentálos quando solicitados pelas autoridades fiscais competentes, com vistas à comprovação do exato enquadramento e o direito do gozo da imunidade tributária. A imunidade tem como pressuposto a execução do fim público, a ausência de intuito lucrativo e a generalidade na prestação do serviço. Diante disso, não há dúvidas que cabe à instituição comprovar que atende as determinações legais para enquadrarse como uma entidade imune. É importante frisar que basta a violação de um dos dispositivos da Lei para ensejar a suspensão da imunidade. Contudo, dispõe o § 5º do art. 32 da Lei nº 9.430, de 1996, que a suspensão da imunidade terá como termo inicial a data da inobservância dos requisitos legais para fruição. Nessas condições, a falta de documentação de que os recursos obtidos foram empregados integralmente na entidade, bem assim, a presença inegável de fortes e substanciais indícios e provas de que houve o aproveitamento indevido na utilização dos recursos da recorrente, revelam exatamente a existência de desvios. Cumpre ressaltar que os robustos elementos acostados ao processo confirmam as irregularidades que foram detalhadas na Notificação Fiscal e que foram sinteticamente discriminados no relatório do presente voto. Assim, o ônus de produzir a prova em contrário cabia à recorrente. Somente ela poderia demonstrar que atendia as condições para caracterizarse como imune, o que não fez. Todo o conjunto de elementos constantes no processo aponta, sempre, de acordo com a Notificação Fiscal, no sentido de que efetivamente está justificado o acerto do procedimento de suspensão da imunidade da ora recorrente tendo em vista que foram descumpridos os requisitos legais essenciais para a fruição da imunidade, fatos que se tornaram relevantes, tendo em vista que a entidade não logrou apresentar provas documentais em contrário, suficientes a elidir a imputação. A contribuinte teceu também alegações a respeito de transferência no uso de equipamentos. Deixo de apreciar as alegações e outras eventuais trazidas no recurso em virtude das razões que fundamentam o voto estarem esclarecidas Diante do exposto e de tudo o mais que dos autos consta, entendo que não há reparos a serem feitos na decisão recorrida e voto por negar provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) MÔNICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI – Relatora Fl. 882DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por EDELI P EREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 28/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 11030.002122/200351 Acórdão n.º 1101001.063 S1C1T1 Fl. 856 45 Voto Vencedor Conselheira EDELI PEREIRA BESSA Entendo que, no presente caso, não estão presentes justificativas suficientes para a suspensão da imunidade da entidade em epígrafe. Como relatado, o primeiro motivo que ensejou a suspensão foi a prática de incorporação imobiliária, que resultou na aplicação de recursos em atividades não decorrentes de seus objetivos institucionais. Por certo, como dito na Notificação para Suspensão da Imunidade, o estatuto social da entidade não indica, e nem poderia indicar, a atividade de incorporação de imóveis. Contudo, ao desenvolvêla, a entidade teria destinado recursos àquela atividade, considerada não essencial, na medida em que a comparação entre os valores investidos com os valores recebidos dos adquirentes de salas, conforme tabelas acima e docs. fls. 161 a 228 revelaria descompasso entre os investimentos e os ingressos de receitas das vendas. Neste contexto, a alienação de imóveis de propriedade da Notificada, através da incorporação imobiliária, caracterizaria a prática de atividade comercial não eventual, típica de sociedades imobiliárias, o que a desqualifica como pessoa jurídica beneficiária da imunidade. O mencionado descompasso verificouse porque nos períodos de 1999 a 2002 os valores recebidos dos adquirentes de salas teria sido inferior aos valores aplicados na construção do imóvel. Este, por sua vez, além dos 72 (setenta) e dois conjuntos de salas, localizadas do 1o ao 12o pavimento do imóvel construído, também contaria, em seu pavimento térreo, com recepção para acesso de clientes e profissionais, elevadores, escada, sanitários públicos e para deficientes físicos, salas para serviços de apoio, ligações com o hospital, etc, além de dois subsolos com garagens e outras instalações, os quais poderiam ser de uso do hospital, como alegado em sua defesa: A solução encontrada foi, então, de aproveitar parte do terreno disponível do próprio hospital, contíguo ao prédio antigo, e nele construir um prédio com 62 salas, destinadas a consultórios e outros serviços médicos, sendo as partes inferiores destinadas ao próprio HCE (auditório para 140 pessoas, sala de aula para 50 pessoas, sala de reuniões para 15 pessoas, salas de apoio (recepção, estar), farmácia, lancheria, foyer, etc (vide plantas baixas no ANEXO 3). Além disso, e mais importante, observo que a entidade foi intimada a demonstrar, apenas, o fluxo financeiro nos períodos de 2000 a 2002, nos termos abaixo (fl. 19): 14. Informar, por escrito, data de início das obras e valor dos investimentos feitos para a construção do Edificio do Centro Clínico Hospital de Caridade, em cada um dos anoscalendário de 2000, 2001 e 2002, juntando cópia das folhas do livro razão onde estão registradas as contas representativas dos investimentos feitos; 15. Informar, por escrito, valor efetivamente recebido em cada um dos anos calendário de 2000, 2001 e 2002, por conta das vendas de unidades do Edificio do Centro Clínico Hospital de Caridade; Fl. 883DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por EDELI P EREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 28/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 11030.002122/200351 Acórdão n.º 1101001.063 S1C1T1 Fl. 857 46 De outro lado, porém, como exposto pela própria autoridade fiscal à fl. 09, a elaboração do projeto ocorreu no ano de 1999 e o início das obras civis ocorreu no mês de maio de 2000, com previsão de término, com entrega das chaves aos adquirentes das referidas salas, em dezembro de 2003. Portanto, não está demonstrado nos autos se outros pagamentos foram feitos pelos adquirentes das salas em períodos subseqüentes, e qual o retorno final obtido em razão do investimento feito pela entidade, mormente tendo em conta sua assertiva no sentido de que houve reajustamento dos valores aplicados na construção: A título de esclarecimento, cabe destacar que, refletindo uma prática de mercado, o financiamento das salas adquiridas pelos (médicos) interessados, foi calculado em parcelas reajustáveis pelo CUB. De se observar que os descompassos existentes entre os valores recebidos e os despendidos pelo HCE no período da construção não tem relevância de ordem tributária. Destaco que à fl. 560 e seguintes do processo administrativo nº 11030.002382/200831 foram juntados, por ocasião da diligência requerida pela autoridade julgadora de 1a instância, compromissos de compra e venda referentes às mencionadas salas construídas pela entidade, e neles está estipulada a atualização da dívida a partir do mês anterior ao vencimento da primeira parcela. E, dentre os compromissos de compra e venda, há documentos cujo vencimento de 35 (trinta e cinco) parcelas mensais devidas pela aquisição das salas têm início em 05/04/2002 (fl. 781 e 794 do processo administrativo nº 11030.002382/200831), corroborando a possibilidade de a entidade ter recebido parcelas da construção depois de 31/12/2002. Acrescento, ainda, que, se as mencionadas partes inferiores do edifício permaneceram sob a propriedade da entidade, os custos proporcionais àquela parcela deveriam ser excluídos dos cálculos do esperado retorno financeiro em razão da construção de salas vendidas a terceiros. Quanto ao fato de a incorporação imobiliária não ser essencial e caracterizar atividade comercial, importa ter em conta que, se o terreno da entidade fosse vendido para construção da mesma unidade imobiliária por terceiros, e o recurso obtido destinado aos seus objetivos institucionais, o desvio cogitado para suspensão da imunidade inexistiria. Assim, o descumprimento dos requisitos legais para a imunidade centrase no fato de a incorporação imobiliária ter se destinado à construção de imóveis vendidos a terceiros e, sob esta ótica, é preciso distinguir que estes terceiros, nos termos da Convenção de Condomínio à fl. 143, somente poderiam ser consultórios na área da saúde, ou, mais especificamente nos termos do seguinte dispositivo (fl. 148): Artigo 4o É permitido o uso das salas para consultórios nas especialidades de Medicina, Odontologia, Psicologia, Fisioterapia e Nutrição, desde que devidamente registrado em seu Conselho de Classe. Não será permitido a instalação de Prestação de Serviços que venha a competir com o Hospital. Destaco, ainda, a justificativa operacional apresentada pela entidade: Todavia, continuou a faltar espaço, principalmente para colocar, senão no interior, mas junto ao hospital, os cerca de 30 novos médicos contratados. Releva, aqui, observar que a Região do Alto Uruguai riograndense é formada de pequenas cidades, cujas atividades, porém, estão predominantemente centradas na agricultura. Fl. 884DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por EDELI P EREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 28/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 11030.002122/200351 Acórdão n.º 1101001.063 S1C1T1 Fl. 858 47 Logo, como medida de bom senso, impunhase que na busca de atendimento médicohospitalar, os pacientes (principalmente os de fora da cidade e agricultores) não tivessem que efetuar múltiplos deslocamentos. Frente a estas considerações e a partir dos elementos contidos nos autos não se pode dizer que a entidade estava exercendo atividade comercial com os benefícios da imunidade, mas sim buscando meios para ampliar seus serviços, e em princípio sendo ressarcida pelos investimentos nas instalações que não seriam utilizadas por ela própria, mas que ainda assim apresentavam evidente correlação com as atividades por ela exercidas. Entendo, por tais razões, que para demonstrar o descumprimento do requisito expresso no art. 14, inciso II do CTN, não basta a prova de aplicação de recursos em atividade distinta daquela à qual a entidade se destina essencialmente. É necessário demonstrar que os recursos da entidade foram aplicados em outra atividade que não mantém relação com seus objetivos institucionais. E, no presente caso, não está provado que a construção do centro clínico em nada favoreceria a entidade, e especialmente que recursos da entidade foram aplicados no referido empreendimento em seu prejuízo, ou mesmo com a obtenção de lucro. Por fim, observo que os resultados das atividades desenvolvidas pela entidade imune são, presumidamente, aplicados em seus objetivos institucionais, afinal não se pode partir do princípio de que a entidade está descumprindo a lei. Assim, a prova de que houve desvio deve ser produzida pelo Fisco e, no presente caso, como disse, não foram demonstrados os efeitos financeiros globais da incorporação imobiliária realizada pela entidade. O segundo motivo que ensejou a suspensão da imunidade consiste na distribuição de parcela de suas rendas, em decorrência da fixação de um percentual do resultado para a remuneração de serviços contratados de outras pessoas jurídicas. O art. 14, inciso I do CTN estipula que as entidades não podem distribuir qualquer parcela de seu patrimônio ou de suas rendas, a título de lucro ou participação no seu resultado. Por sua vez, nas operações questionadas pelo Fisco, vislumbro mera remuneração de serviços prestados por terceiros, ou seja, pagamento de despesas e não de lucro ou participação no seu resultado. O fato de se determinar a remuneração das clínicas que realizavam os serviços de diagnóstico a partir de uma parcela variável correspondente a 50% do resultado obtido com os mencionados serviços, depois de deduzidas as despesas a eles inerentes, somente evidencia que a entidade valiase de uma técnica para atualizar o preço dos serviços pagos no mesmo compasso em que reajustado o preço dos serviços cobrados dos pacientes. Tais cálculos revelavam, ao final, que excluídos os custos do serviço, o profissional que os executou era remunerado com 50% do valor remanescente, e a entidade permanecia com os outros 50%, em retribuição aos equipamentos que, segundo a Fiscalização, foram adquiridos com os benefícios da imunidade. Não há qualquer demonstração, nos autos, de que a contratação direta pela entidade de profissionais para a realização das atividades assim remuneradas ensejaria um desembolso inferior àquele efetivado. Além disso, inexiste acusação no sentido de que os titulares das clínicas poderiam manter algum vínculo com os dirigentes da entidade, de modo a facilitar o desvio de recursos. Por fim, nada evidencia que os equipamentos utilizados pelas clínicas assim remuneradas tenham se destinado a exames em favor de terceiros, que não os pacientes do hospital. Fl. 885DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por EDELI P EREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 28/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 11030.002122/200351 Acórdão n.º 1101001.063 S1C1T1 Fl. 859 48 Os equipamentos adquiridos com os benefícios da imunidade seriam, de qualquer forma, operados por algum profissional e resultariam em imagens que teriam de ser interpretadas por algum especialista. Assim, o fato de estes profissionais e/ou especialistas serem remunerados com base em percentual dos valores recebidos pela entidade em razão dos correspondentes exames não é motivação suficiente para a conclusão de que houve distribuição de resultados do hospital. Se tais pagamentos apresentavamse dentro dos limites de normalidade para este tipo de serviço, e restava ao hospital parcela equivalente como remuneração do investimento em equipamentos para serviços dos quais necessitava para realização de suas atividades essenciais, não vislumbro ofensa aos requisitos legais para manutenção dos benefícios da imunidade. Por fim, registro que o fato de os contratos apresentarem inexatidões materiais, ou possíveis erros de escrita, não é suficiente para subsistência da acusação fiscal, mormente se nada foi dito acerca da eventual destinação dos pagamentos a outros beneficiários. Diante do exposto, superadas as preliminares na forma exposta pela I. Relatora, voto no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário para afastar os dois motivos apresentados para suspensão da imunidade, e assim restabelecêla. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA Fl. 886DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por EDELI P EREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 28/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO
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Numero do processo: 10120.722662/2011-92
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 17 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Apr 09 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/03/2007 a 31/03/2011
PRELIMINAR. NULIDADE DO LANÇAMENTO POR AUSÊNCIA DE FINALIDADE.
Não se sustenta a preliminar de nulidade, pois o Fisco realizou o trabalho de verificar a ocorrência do fato gerador e, primordialmente, determinar a matéria tributável no seu respectivo quantum de modo a precisar, exatamente, os valores devidos pelo sujeito passivo a título de tributo, que por si só as GFIPs analisadas não seriam suficientes.
MULTA AGRAVADA
Na hipótese de compensação indevida, quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo, o contribuinte estará sujeito à multa isolada aplicada no percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, aplicado em dobro.
Numero da decisão: 2301-003.147
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator, Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Damião Cordeiro de Moraes, que votaram pelo provimento do recurso. O Conselheiro Leonardo Henrique Pires Lopes acompanhou a votação por suas conclusões. Declarações de votos: Mauro José Silva e Damião Cordeiro de Moraes.
Marcelo Oliveira - Presidente.
Adriano Gonzales Silvério - Relator.
Declarações de votos: Mauro José Silva e Damião Cordeiro de Moraes.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Adriano Gonzales Silvério, Bernadete de Oliveira Barros, Damião Cordeiro de Moraes, Mauro José Silva, Leonardo Henrique Lopes.
Nome do relator: ADRIANO GONZALES SILVERIO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/03/2007 a 31/03/2011 PRELIMINAR. NULIDADE DO LANÇAMENTO POR AUSÊNCIA DE FINALIDADE. Não se sustenta a preliminar de nulidade, pois o Fisco realizou o trabalho de verificar a ocorrência do fato gerador e, primordialmente, determinar a matéria tributável no seu respectivo quantum de modo a precisar, exatamente, os valores devidos pelo sujeito passivo a título de tributo, que por si só as GFIPs analisadas não seriam suficientes. MULTA AGRAVADA Na hipótese de compensação indevida, quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo, o contribuinte estará sujeito à multa isolada aplicada no percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, aplicado em dobro.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/03/2007 a 31/03/2011 PRELIMINAR. NULIDADE DO LANÇAMENTO POR AUSÊNCIA DE FINALIDADE. Não se sustenta a preliminar de nulidade, pois o Fisco realizou o trabalho de verificar a ocorrência do fato gerador e, primordialmente, determinar a matéria tributável no seu respectivo quantum de modo a precisar, exatamente, os valores devidos pelo sujeito passivo a título de tributo, que por si só as GFIPs analisadas não seriam suficientes. MULTA AGRAVADA Na hipótese de compensação indevida, quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo, o contribuinte estará sujeito à multa isolada aplicada no percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, aplicado em dobro. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator, Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Damião Cordeiro de Moraes, que votaram pelo provimento do recurso. O Conselheiro Leonardo Henrique Pires Lopes acompanhou a votação por suas conclusões. Declarações de votos: Mauro José Silva e Damião Cordeiro de Moraes. Marcelo Oliveira Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 72 26 62 /2 01 1- 92 Fl. 604DF CARF MF Impresso em 09/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 24/05/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/05/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digit almente em 07/04/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 01/02/2013 por MAURO J OSE SILVA 2 Adriano Gonzales Silvério Relator. Declarações de votos: Mauro José Silva e Damião Cordeiro de Moraes. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Adriano Gonzales Silvério, Bernadete de Oliveira Barros, Damião Cordeiro de Moraes, Mauro José Silva, Leonardo Henrique Lopes. Relatório Tratase de Autos de Infração DEBCAD nºs 37.338.8195 e 37.338.8209, sendo que o primeiro se refere à glosa de compensações de contribuições previdenciárias lançadas indevidamente nas GFIP e o segundo oriundo da aplicação de multa isolada, em decorrência da compensação indevida, por ter sido entregue GFIP contendo informação falsa . O relatório fiscal narra que: “A auditoria constatou na documentação quando da fiscalização, o fato do contribuinte declarar indevidamente valores no campo “compensação” na GFIP, o que diminui ou suprimiu a contribuição previdenciária devida, que configura, EM TESE, a infração penal tipificada no art. 297, inciso III do parágrafo terceiro, do DecretoLei nº 2.848 de 07/12/1940 – Código Penal, com a redação dada pela Lei 9.983 de 14/07/2000.” Relata ainda que: “Intimado através do Termo de Início de Procedimento Fiscal – TIPF, a indicar e apresentar a documentação suporte probatória das compensações efetuadas: Memória de calculo, Planilha, GPS com recolhimentos indevidos, e outros, o contribuinte no prazo estabelecido não apresentou os documentos probatórios solicitados, mas apresentou como justificativa para as compensações efetuadas no período já citado a seguinte documentação: Escrituras Publicas Declaratórias de Cessão de Direitos de Créditos e Contrato Particular de Cessão Parcial de Ativos e de Prestação de Serviços de Técnicos Especializados, em anexos, amos em cópias autenticadas pelo Cartório Segundo Tabelionato de Notas de JataíGO.” Ressalta também que: “Nas Escrituras Publicas o contribuinte figura como outorgado cessionário de apólice de títulos da dívida publica emitidos por decreto do estado de Pernambuco nr. 393 de 06/04/1935 e decreto federal nr. 196 de 21/06/1935, e como outorgante cedente, terceiro que não a empresa Estrela, figurando como detentora do ativo citado consubstanciado nos autos da ação ordinária processo nr. 2001.35.00.00.0068982, da terceira vara da Justiça Federal em Goiás. Através do contrato de cessão e serviços de empresa de consultoria o mesmo utiliza parcela de crédito atualizada da apólice, conforme descrito nas escrituras, para efetivar as compensações de tais créditos com as contribuições previdenciárias devidas pela empresa, declarandoas na GFIP. Fl. 605DF CARF MF Impresso em 09/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 24/05/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/05/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digit almente em 07/04/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 01/02/2013 por MAURO J OSE SILVA Processo nº 10120.722662/201192 Acórdão n.º 2301003.147 S2C3T1 Fl. 3 3 Além disso, registra que: “Em consulta ao sítios da Justiça Federal em Goiás e Tribunal Regional Federal da Primeira Região constatamos que o referido processo encontrase em tramitação na justiça, portanto não possuindo decisão transitado em julgado, que conforme o art. 170 A do Código Tributário Nacional – CTN transcrito abaixo, veda a compensação de tributo antes desta etapa do processo. Também, nesta consulta confirmamos que o contribuinte, a empresa Estrela Dist. de Eletrodomésticos Ltda., não figura no pólo ativo da ação, conforme as escrituras apresentadas já revelavam. Diante dessa autuação, o sujeito passivo, regularmente intimado, apresentou impugnação alegando em síntese: i) nulidade do lançamento de ofício, pois, uma vez glosada a compensação, caberia ao fisco apenas exigir o crédito tributário confessado em GFIP; ii) ilegalidade na realização dos trabalhos fiscais, por terem sido realizados foram do domicílio do sujeito passivo; iii) improcedência da aplicação da multa, já que não restou comprovada a infração de falsidade. A 14ª Turma de Julgamento da DRJ no Rio de Janeiro julgou a impugnação improcedente, mantendo, assim, o crédito tributário. Inconformado com a decisão, o Recorrente apresentou recurso voluntário, reiterando os argumentos expedidos na impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Adriano Gonzales Silvério O recurso reúne as condições de admissibilidade e dele conheço Nulidade do lançamento de ofício Sustenta a recorrente que o lançamento seria nulo, haja vista que os valores apurados teriam sido declarados em GFIP e, portanto, o presente ato seria desnecessário. Divirjo da tese alegada haja vista que na presente NFLD a fiscalização, como fica evidente no Relatório Fiscal não se restringiu a apurar valores confessados em GFIP. Pelo contrário, lavrou a Notificação atendendo exatamente aos ditames do artigo 142 do Código Tributário Nacional que estabelece: “Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo o caso, propor a aplicação da penalidade cabível.” Isto porque cotejou os valores confessados pelo sujeito passivo em GFIP com os valores arrolados em Folhas de Pagamentos, apropriando, de acordo as prioridades, valores pagos em GPS. Inclusive, como se pode verificar no Relatório de Lançamentos, há montantes Fl. 606DF CARF MF Impresso em 09/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 24/05/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/05/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digit almente em 07/04/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 01/02/2013 por MAURO J OSE SILVA 4 apurados a título de contribuição previdenciária que foram averiguados diretamente da folha de pagamentos e não das GFIPs. Ademais, no caso de compensação, o trabalho do Fisco não se resumiu apenas aos débitos declarados em GFIP, mas sim em analisar todo o procedimento de encontro de contas, analisando os requisitos de liquidez e certeza dos créditos, a fim de verificar a possível ocorrência da extinção do crédito tributário, a teor do artigo 156, inciso II, do CTN. Esses fatos revelam a meu ver que o Fisco realizou o trabalho de verificar a ocorrência do fato gerador e, primordialmente, determinar a matéria tributável no seu respectivo quantum de modo a precisar, exatamente, os valores devidos pelo sujeito passivo a título de tributo, que por si só as GFIPs analisadas não seriam suficientes. Atendeu assim o artigo 37 da Lei nº 8.212/91 que a época dos fatos dispunha: “Art. 37. Constatado o atraso total ou parcial no recolhimento das contribuições tratadas nesta Lei, ou em caso de falta de pagamento de benefício reembolsado, a fiscalização lavrará notificação de débito, com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, conforme dispuser o regulamento.” Ademais, registro que o procedimento da fiscalização e formalização do lançamento cumpriu todos os requisitos dos artigos 10 e 11 do Decreto nº 70.235, de 06/03/72, razão pela qual não vejo qualquer prática irregular ocorrida no momento da notificação que pudesse ensejar a nulidade da NFLD em questão. Nesse sentido, transcrevese a redação dos citados dispositivos legais, verbis: “Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I – a qualificação do autuado; II – o local, a data e a hora da lavratura; III – a descrição do fato; IV – a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V – a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI – a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula.” “Art. 11. A notificação de lançamento será expedida pelo órgão que administra o tributo e conterá obrigatoriamente: I – a qualificação do notificado; II – o valor do crédito tributário e o prazo para recolhimento ou impugnação; III – a disposição legal infringida, se for o caso; Fl. 607DF CARF MF Impresso em 09/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 24/05/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/05/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digit almente em 07/04/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 01/02/2013 por MAURO J OSE SILVA Processo nº 10120.722662/201192 Acórdão n.º 2301003.147 S2C3T1 Fl. 4 5 IV – a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula.” O sujeito passivo foi devidamente intimado de todos os atos processuais, assegurandolhe a oportunidade de exercício da ampla defesa e do contraditório, nos termos do artigo 23 do mesmo Decreto. “Art. 23. Farseá a intimação: I – pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; (Redação dada pela Lei nº 9.535, de 10.12.1997) II – por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicilio tributário eleito pelo sujeito passivo: (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10.12.1997) III – por edital, quando resultarem improficuos os meios referidos nos incisos I e II. (Vide Medida Provisória nº 232, de 2004)” A decisão recorrida também atendeu às prescrições que regem o processo administrativo fiscal: enfrentou as alegações pertinentes do recorrente, com indicação precisa dos fundamentos e se revestiu de todas as formalidades necessárias. Não contém, portanto, qualquer vício que suscite sua nulidade. “Art. 31. A decisão conterá relatório resumido do processo, fundamentos legais, conclusão e ordem de intimação, devendo referirse, expressamente, a todos os autos de infração e notificações de lançamento objeto do processo, bem como às razões de defesa suscitadas pelo impugnante contra todas as exigências. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 9.12.1993).” Portanto, em razão do exposto e nos termos das regras disciplinadoras do processo administrativo fiscal, não se identificam vícios capazes de tornar nulo quaisquer dos atos praticados: “Art. 59. São nulos: I – os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II – os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa.” Pelo exposto, não acolho a preliminar suscitada. Multa isolada No mérito, insurgese o recorrente apenas contra a aplicação da multa no percentual de 150%, por entender que a D. fiscalização não teria logrado em provar a falsidade na declaração GFIP, de modo a fazer incidir a regra prevista no artigo 89 da Lei nº 8.212/91, Fl. 608DF CARF MF Impresso em 09/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 24/05/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/05/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digit almente em 07/04/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 01/02/2013 por MAURO J OSE SILVA 6 antes de ser alterado pela Lei nº 11.941/2009. Nesse diapasão, transcrevese a redação original do invocado dispositivo: “Art. 89. "Art. 89. Somente poderá ser restituída ou compensada contribuição para a Seguridade Social arrecadada pelo Instituto Nacional do Seguro Social INSS na hipótese de pagamento ou recolhimento indevido. (...) § 2º Somente poderá ser restituído ou compensado, nas contribuições arrecadadas pelo Instituto Nacional do Seguro Social INSS, o valor decorrente das parcelas referidas nas alíneas "a", "b" e "c" do parágrafo único do art. 11 desta lei. § 3º Em qualquer caso, a compensação não poderá ser superior a trinta por cento do valor a ser recolhido em cada competência. (...) § 10. Na hipótese de compensação indevida, quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo, o contribuinte estará sujeito à multa isolada aplicada no percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, aplicado em dobro, e terá como base de cálculo o valor total do débito indevidamente compensado.” Da simples leitura do artigo supramencionado, não há qualquer dúvida de que, no caso de prestação de informação falsa na declaração da GFIP, o contribuinte fica, por fazer o artigo acima reproduzido remissão ao inciso I, do art. 44, da Lei nº 9.430/1996, sujeito à multa isolada de 75%, a qual é aplicada em dobro, por conta da gravidade da infração. Analisando a função social dessa norma, verificase que ela tem por finalidade inibir, aplicando multa elevada, a prática infracional de prestação de informações equivocadas, com o claro intuito de reduzir a carga tributária, o que inevitavelmente acarreta lesão direta aos cofres públicos. Pois, especificamente no caso de compensação, o contribuinte deixa de desembolsar valores a título de pagamento do tributo, por possuir créditos contra a Fazenda Pública. Assim, se na GFIP, o sujeito passivo insere na declaração ser possuidor de direito crédito e essa informação não corresponder à realidade dos fatos, sem dúvida, constitui clara hipótese do artigo supra. A falsidade a que se refere o artigo em debate, está atrelada a ideia de que a informação prestada na declaração deve necessariamente não só corresponder à verdade dos fatos, mas também estar estritamente amparada por lei. E é justamente isso que ocorre no caso dos autos, pois, examinando a natureza do crédito, o qual o recorrente se diz detentor, além de não se tratar de crédito de natureza tributária, não possuir a liquidez e certeza exigidas pelo artigo 170 do CTN. Em seu trabalho fiscal, o Auditor constatou, após intimar o recorrente, que o crédito objeto de compensação é oriundo de apólice de títulos da dívida pública emitidos por decreto do estado de Pernambuco nº 393 de 06/04/1935 e de decreto federal nº 196 de 21/06/1935, os quais lhe foram outorgados por cessão de crédito. Fl. 609DF CARF MF Impresso em 09/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 24/05/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/05/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digit almente em 07/04/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 01/02/2013 por MAURO J OSE SILVA Processo nº 10120.722662/201192 Acórdão n.º 2301003.147 S2C3T1 Fl. 5 7 Com efeito, segundo apurado pelo fiscal, os mencionados títulos, na época em que ocorreu compensação, estavam sendo objeto do processo judicial nº 2001.35.00.0068982, o que por si só já demonstra clara distorção do fato do recorrente poder utilizar esse crédito na compensação. Ou seja, pelo artigo 170A do CTN, o recorrente, diante do fato verídico de que o processo ainda não se encontrava transitado em julgado, estava terminantemente proibido de efetuar o encontro de contas. Assim, ao se declarar detentor de direito creditório, sem que, com isso, sequer tenha sido encerrado o processo judicial, acabou por prestar informação na GFIP não correspondente com a realidade dos fatos, isto é, declarou com certo e líquido o crédito, questionado na esfera judicial. Daí porque, configura a prestação de informação inverídica, pois o recorrente deu como certo e líquido o crédito sem a chancela final do Poder Judiciário. Embora o recorrente tivesse sentença favorável, sobre esta decisão judicial ainda cabia Recurso de Apelação, o qual foi interposto pela União. Após a distribuição desse recurso, foi proferido acórdão dandolhe provimento, para declarar a prescrição dos títulos da dívida pública, conforme se verifica da respectiva decisão exarada pelo Tribunal Regional Federal da 1ª Região: “PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. TÍTULOS DA DÍVIDA PÚBLICA EMITIDOS NO INÍCIO DO SÉCULO XX. PRELIMINARES AFASTADAS. PRESCRIÇÃO RECONHECIDA. 1. Não há que falar em inconstitucionalidade do DecretoLei n. 263/67, por vício de origem, em razão de ter estabelecido, em seu art. 3º, a extinção da dívida decorrente de Títulos da Dívida Pública, se não resgatados no prazo ali fixado, tendo em vista que o Poder Executivo estava autorizado a legislar sobre finanças públicas por meio de decretolei, nos termos do art. 9º, § 2º, do Ato Institucional n. 04, de 07.12.66. O mesmo se diga em relação ao DecretoLei n. 396/68, que prorrogou o prazo de apresentação dos títulos para resgate, com base na autorização dada pelo art. 2º, § 1º, do Ato Institucional n. 05, de 13.12.68. 2. Os referidos Decretosleis não regularam, em termos gerais, sobre prescrição ou decadência, mas, tãosó, sobre aspecto essencial dos mesmos títulos, qual seja, o prazo de resgate dos títulos, que se encontra, também, inserido no âmbito das finanças públicas. 3. A prescrição da dívida decorrente do resgate dos títulos da dívida pública e do pagamento dos respectivos juros está prevista no art. 60 da Lei nº 4.069/62, que estabeleceu o prazo de cinco anos para os interessados reclamarem o seu pagamento, de forma que, os créditos que a autora alega possuir contra a União Federal encontramse atingidos pela prescrição. 4. O § 3º do art. 30 da Medida Provisória n. 1.238/95, porque suprimido do texto antes de sua apreciação pelo Congresso Nacional, não tem aptidão para ressuscitar a validade dos títulos emitidos no início do século XX e já atingidos pela prescrição, uma vez que às Medidas Provisórias não se aplica o disposto no Fl. 610DF CARF MF Impresso em 09/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 24/05/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/05/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digit almente em 07/04/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 01/02/2013 por MAURO J OSE SILVA 8 art. 4º, § 1º, da Lei de Introdução ao Código Civil, diante do que dispõe o § 3º do art. 62 da Constituição Federal de 1988. 5. Apelações da UNIÃO, do BNDES, do BACEN e do INSS providas, em parte. 6. Remessa oficial provida.” (Processo nº 200135000068982) De acordo com o andamento processual, sobre esta decisão foram interpostos recursos os quais aguardam julgamento perante os Tribunais Superiores, o que revela falsidade na informação não só em relação à situação jurídica de certeza e liquidez do crédito compensado, como também quanto à ocorrência do trânsito em julgado. Importante registrar que os créditos, objeto da compensação, foram cedidos ao recorrente pelos autores da citada ação judicial por meio de Escrituras Públicas de cessão de créditos. Nessas escrituras, o recorrente afirma estar ciente de que há litígio sobre o “crédito” a ser utilizado. Ademais, em compensações realizadas no ano de 2008 já havia sido prolatado o v. acórdão do Egrégio Tribunal Regional Federal da 1ª Região, o qual reformou a sentença, declarando prescritos os créditos. Verificase, assim, que as informações inseridas em GFIP naquela época não condiziam, em nada, com a realidade. Em conclusão, não há dúvida de que, da análise do conjunto probatório, houve, in casu, prestação de informação falsa, enquadrando, portanto, na regra prevista no artigo 89 da Lei nº 8.212/91. Pelo exposto, voto no sentido de CONHECER O RECURSO e NEGAR LHE PROVIMENTO. Adriano Gonzales Silvério Relator Declaração de Voto Conselheiro Damião Cordeiro de Moraes 1. Apenas a título de contribuição para o debate jurídico, exponho meu raciocínio contrário ao douto relator, e dou provimento ao recurso voluntário, nos termos que se seguem. 2. Segundo consta no relatório fiscal (ff. 16 a 21), a multa referente às competências 12/2008 a 03/2011 foi majorada pelo fato de o contribuinte ter realizado indevidamente a compensação de contribuições previdenciárias, apresentando a declaração em GFIP com falsidade. Fl. 611DF CARF MF Impresso em 09/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 24/05/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/05/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digit almente em 07/04/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 01/02/2013 por MAURO J OSE SILVA Processo nº 10120.722662/201192 Acórdão n.º 2301003.147 S2C3T1 Fl. 6 9 3. Além disso, consta que foi emitida a Representação Fiscal para Fins Penais – RFFP, uma vez que haveria, em tese, infração penal tipificada no art. 297, III, § 3º do Código Penal, diante da suposta prática de atos de falsidade de documento público, configurando fraude contra a Fazenda Pública. 4. O contribuinte, todavia, insurgese contra a matéria, afirmando que não incorreu em qualquer ato que pudesse resultar da majoração da multa de 75% prevista no artigo 44 da Lei 9.430, de 1996. Entendo que razão assiste ao contribuinte. 5. Isso porque, embora a empresa tenha realizado compensação de débitos previdenciários por meio dos créditos da dívida pública, reconheço que esta ação, por si só, não permitiria dizer que houve a intenção de falsificar a declaração em GFIP. 6. Esta questão é crucial, pois apenas se poderia majorar a multa se houvesse a comprovação de intuito doloso, uma vez que o art. 35A, da Lei 8.212, dispõe: “nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44, § 1º da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996”. 7. E, segundo o mencionado parágrafo da Lei 9.430/1996, é asseverado que “o percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis”, texto esse que exige expressamente a forma dolosa na conduta do contribuinte. 8. Por sua vez, dispõem os artigos 71, 72 e 73 da Lei 4.502/64 sobre sonegação, fraude e conluio, in verbis: “Art . 71. Sonegação é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art . 72. Fraude é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do impôsto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Art . 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72.” 9. Conforme se depreende da legislação, para a qualificação da multa, é necessária a conduta dolosa por parte do agente. Ensina a Doutrina que “dolo ocorre quando o Fl. 612DF CARF MF Impresso em 09/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 24/05/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/05/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digit almente em 07/04/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 01/02/2013 por MAURO J OSE SILVA 10 indivíduo age de máfé, sabendo das consequências que possam vir a ocorrer, e o pratica para de alguma forma beneficiarse de algo”. Assim, para a ocorrência de dolo deve haver a intenção de burlar a lei, enganando o próximo em proveito próprio ou alheio. 10. Além disso, a legislação tributária exige a efetiva comprovação do ato por parte do agente fiscalizador, o que, no meu entendimento após compulsar os autos, não ocorreu. A propósito, transcrevo o disposto no §10, do ar. 89, da Lei 8.212/91 e inciso IV, do art. 149, do CTN: “Lei 8.212/91: Art. 89. As contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, as contribuições instituídas a título de substituição e as contribuições devidas a terceiros somente poderão ser restituídas ou compensadas nas hipóteses de pagamento ou recolhimento indevido ou maior que o devido, nos termos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. (...) § 10. Na hipótese de compensação indevida, quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo, o contribuinte estará sujeito à multa isolada aplicada no percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicado em dobro, e terá como base de cálculo o valor total do débito indevidamente compensado.” ........................................................................................ “Lei 5.172/66 (Código Tributário Nacional) Art. 149. O lançamento é efetuado e revisto de ofício pela autoridade administrativa nos seguintes casos: (...) IV quando se comprove falsidade, erro ou omissão quanto a qualquer elemento definido na legislação tributária como sendo de declaração obrigatória;” 11. Assim, como não observei no presente caso nenhum dos trazidos na legislação supratranscrita, entendo que não há de se falar em qualificação da multa aplicada. Esse também é o posicionamento deste CARF, consoante Súmulas 14 e 25: “Súmula CARF nº 14: A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo. Fl. 613DF CARF MF Impresso em 09/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 24/05/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/05/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digit almente em 07/04/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 01/02/2013 por MAURO J OSE SILVA Processo nº 10120.722662/201192 Acórdão n.º 2301003.147 S2C3T1 Fl. 7 11 Súmula CARF nº 25: A presunção legal de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação de uma das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64.” 12. Dessa forma, na ausência de comprovação pela Receita de falsidade na declaração apresentada pelo contribuinte, tenho como certo que a multa de ofício a ser aplicada no caso ora em análise é de “75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata” (inciso I, artigo 44, da Lei nº 9.430/96). CONCLUSÃO 13. Por todo o exposto, CONHEÇO do recurso voluntário, para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO, afastando a qualificação da multa de ofício. (assinado digitalmente) Damião Cordeiro de Moraes Declaração de Voto Conselheiro Mauro José Silva, Apresentamos nossas considerações a respeito do tema da multa isolada nos casos de compensação de créditos que não eram líquidos e certos. Multa de 150% nos casos de compensação. O que aqui pretendemos discutir são os requisitos para aplicação do §10º do art. 89 da Lei 8212/91 que transcrevemos: Art. 89. As contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, as contribuições instituídas a título de substituição e as contribuições devidas a terceiros somente poderão ser restituídas ou compensadas nas hipóteses de pagamento ou recolhimento indevido ou maior que o devido, nos termos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Fl. 614DF CARF MF Impresso em 09/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 24/05/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/05/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digit almente em 07/04/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 01/02/2013 por MAURO J OSE SILVA 12 Federal do Brasil. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009) (...) § 10. Na hipótese de compensação indevida, quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo, o contribuinte estará sujeito à multa isolada aplicada no percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicado em dobro, e terá como base de cálculo o valor total do débito indevidamente compensado. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009) Em geral, alguns aplicadores adotam nesses casos como premissa a necessidade de dolo na falsidade, bem como entendeu que o caso se submetia ao art. 35A da Lei 8.21/91, in verbis: Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009) Se o caso estava regido pelo art. 35A, todas as determinações do art. 44 deveriam ser obedecidas, inclusive aquelas do §1º do art. 44 que exigia existência de dolo de fraude, sonegação ou conluio para os casos de aplicação da multa duplicada. Discordamos de ambas as premissas. Começamos pela segunda. O art. 35A é uma determinação geral para os lançamentos de ofício, prescrevendo que estes sigam o art. 44 da Lei 9.430/96. Porém para o caso de compensação, a mesma lei 8.212/91 traz norma especial determinando qual penalidade aplicar quando houver compensação indevida com falsidade de declaração. Tratandose de aparente conflito de normas, como se sabe, deve prevalecer a lei específica – lex specialis, para o caso. Portanto, é inaplicável ao caso de compensação indevida de contribuições previdenciárias com falsidade de declaração o art. 35A da Lei 8.212/91. A remissão que o §10º do art. 89 da Lei 8.212/91 faz ao art. 44 da Lei 9.430/96 é apenas para adotar o mesmo percentual do inciso I do dispositivo. Apenas isso. Afastada a ideia da necessidade de aplicação integral do art. 44 da Lei 9.430/96 ao caso, devemos analisar se o §10º do art. 89 da Lei 8.212/91 exige dolo para a falsidade. Facilmente se observa que o dispositivo não exige dolo ou faz menção à Lei 4502/64. Exigese apenas a falsidade de declaração como infração. Sendo infração tributária, esta se submete à regra geral do art. 136 do CTN que determina que a responsabilidade por infrações tributárias independe da intenção do agente, ou seja, independe de dolo. Assim, não temos que averiguar a intenção do agente em praticar a falsidade de declaração, mas apenas se esta foi praticada. Apesar de o Direito Tributário não exigir, genericamente, em suas infrações a presença do dolo, o que marca uma das diferenças em relação ao do Direito Penal, podemos buscar naquele ramo do Direito a noção da falsidade em si, dissociada do elemento doloso. Tomamos a lição de Guilherme de Souza Nucci (Código Penal Comentado, São Paulo: Editora do Tribunais, 2007, p. 972) sobre a falsidade prevista no art. 299 do CP(falsidade ideológica): Fl. 615DF CARF MF Impresso em 09/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 24/05/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/05/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digit almente em 07/04/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 01/02/2013 por MAURO J OSE SILVA Processo nº 10120.722662/201192 Acórdão n.º 2301003.147 S2C3T1 Fl. 8 13 A introdução de algo não correspondente à realidade compõe a falsidade ( ex.: incluir na carteira de habilitação que no motorista pode dirigir qualquer veículo, quando sua permissão limitase aos automóveis de passeio) e a inserção de declaração não compatível com a que se esperava fosse colocada compõe outra situação.” Assim, falsa é a declaração sobre um fato que não corresponde à realidade ou que não é compatível com o que se esperava fosse declarado. O que se esperava de um crédito que o contribuinte utiliza para compensar créditos tributários da União? Esperase aquilo que o CTN exige: que seja líquido e certo. É esse o comando do art. 170: Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. Só existe direito creditório compensável se este for líquido e certo. Um crédito oriundo de um pagamento tido como indevido por tese jurídica bastante contestada judicialmente não é líquido e certo. Só haverá liquidez e certeza depois do transito em julgado da respectiva ação judicial ou depois que a Fazenda Pública reconhecer o crédito administrativamente. Nenhuma das situações ocorreu no caso. O CTN veda, inclusive, a compensação de créditos referentes a ações ainda não transitadas em julgado. O que dizer de créditos baseados em tese jurídicas não acatadas pelo Poder Judiciário em ação própria do interessado? A realidade jurídica da recorrente era a não existência de créditos líquidos e certos. Ao declarar que os possuía, declarou fato falso, fato diverso da realidade jurídica. Fez declaração contendo informação diversa da que se esperava, uma vez que se esperava que só declarasse a compensação de créditos líquidos e certos. Ainda que não existam provas de que foi feita tal declaração falsa com dolo, a lei não exige o dolo, como já demonstramos. Como já dissemos, as infrações tributárias não exigem, em regra, a investigação da intenção do agente, conforme previsão do art. 136 do CTN. Não havendo expressa menção no texto legal da necessidade de caracterização do dolo, como é o caso presente, devemos aplicar a regra geral das infrações tributárias, ou seja, não podemos exigir dolo. Estando a infração caracterizada nos moldes exigidos pela lei, correta a aplicação da multa de 150%, pois ficou comprovada a falsidade de declaração apresentada pelo sujeito passivo. No caso em epígrafe, o Relator observou que “não há dúvida de que, da análise do conjunto probatório, houve, in casu, prestação de informação falsa”, o que resulta manutenção da multa isolada aplicada. Fl. 616DF CARF MF Impresso em 09/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 24/05/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/05/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digit almente em 07/04/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 01/02/2013 por MAURO J OSE SILVA 14 Assim, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário, em sintonia com o Relator. (assinado digitalmente) Mauro José Silva Fl. 617DF CARF MF Impresso em 09/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 24/05/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/05/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digit almente em 07/04/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 01/02/2013 por MAURO J OSE SILVA
score : 1.0
Numero do processo: 10925.905120/2012-79
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Apr 01 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 31/08/2004
PIS. COFINS. RESTITUIÇÃO. EXCLUSÃO DO VALOR DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. INDEFERIMENTO.
A Contribuição para o PIS/Pasep e a Cofins incidem sobre o faturamento, que corresponde à totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, pouco importando qual é a composição destas receitas ou se os impostos indiretos compõem o preço de venda.
INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3801-002.902
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Borges - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antonio Borges e Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: MARCOS ANTONIO BORGES
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes - Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antonio Borges e Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1890; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE01 Fl. 57 1 56 S3TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10925.905120/201279 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3801002.902 – 1ª Turma Especial Sessão de 25 de fevereiro de 2014 Matéria RESTITUIÇÃO Recorrente PARATI SA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 31/08/2004 PIS. COFINS. RESTITUIÇÃO. EXCLUSÃO DO VALOR DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. INDEFERIMENTO. A Contribuição para o PIS/Pasep e a Cofins incidem sobre o faturamento, que corresponde à totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, pouco importando qual é a composição destas receitas ou se os impostos indiretos compõem o preço de venda. INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antonio Borges e Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 5. 90 51 20 /2 01 2- 79 Fl. 57DF CARF MF Impresso em 01/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 13/03/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10925.905120/201279 Acórdão n.º 3801002.902 S3TE01 Fl. 58 2 Fl. 58DF CARF MF Impresso em 01/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 13/03/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10925.905120/201279 Acórdão n.º 3801002.902 S3TE01 Fl. 59 3 Relatório Adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que narra bem os fatos: Trata o presente processo de Pedido de Restituição PER, apresentado pela contribuinte acima qualificada. Em análise do pedido, a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Joaçaba/SC decidiu indeferilo (Despacho Decisório à folha 5), em razão de que o valor recolhido via DARF, indicado como fonte do crédito contra a Fazenda Nacional, já havia sido integralmente utilizado para pagamento de débito da contribuinte, não restando crédito disponível para restituição solicitada no PER. Inconformada com o não deferimento de seu Pedido de Restituição, a contribuinte esclarece, em síntese, que os créditos pleiteados referemse a pagamentos a maior da contribuição ao PIS e da Cofins, em razão da inclusão do ICMS nas bases de cálculo destas contribuições. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis (SC) julgou improcedente a manifestação de inconformidade, conforme ementa abaixo: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano calendário: 2007 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. COMPROVAÇÃO DA CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO. REQUISITO. A certeza e liquidez do crédito é requisito essencial para o deferimento da restituição, devendo restar comprovado o efetivo pagamento indevido ou a maior que o devido. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada, a contribuinte recorre a este Conselho, conforme recurso voluntário apresentado, no qual alega que a exigência da prévia retificação da DCTF como condição para reconhecer o crédito tributário pleiteado pela recorrente não possui qualquer fundamento legal, devendo ser enfrentado os argumentos apresentados na Manifestação de Inconformidade. É o relatório. Fl. 59DF CARF MF Impresso em 01/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 13/03/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10925.905120/201279 Acórdão n.º 3801002.902 S3TE01 Fl. 60 4 Voto Conselheiro Relator Marcos Antonio Borges O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto dele tomase conhecimento. O direito creditório não existiria, segundo o despacho decisório inicial e o acórdão de primeira instância, porque os pagamentos constantes do pedido estariam integralmente vinculados a débitos em DCTF e não teriam sido demonstradas a liquidez e a certeza dos indébitos. Na análise eletrônica dos PERDCOMPs de pagamento indevido ou a maior o objetivo é confirmar a existência de indébito tributário, confrontando informações das declarações apresentadas com os pagamento realizados. Não se está analisando efetivamente o mérito da questão, o que somente será viável a partir da manifestação de inconformidade apresentada pelo requerente, na qual, esperase, seja descrita a origem do direito creditório pleiteado e sua fundamentação legal. Apesar da alegação da existência de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior não ter sido acompanhada na peça impugnatória da retificação da respectiva DCTF, instrumento de confissão de dívida, que a princípio estaria na esfera de responsabilidade do contribuinte, o entendimento predominante deste Colegiado é no sentido da prevalência da verdade material, sendo que a falta de apresentação de DCTF retificadora, por se tratar de prova indiciária, não excluiria o direito da recorrente à repetição do indébito, nos termos do art. 165 do CTN, in verbis: Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 4º do artigo 162, nos seguintes casos: I cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; No mérito, a recorrente alega que os créditos pleiteados referemse a pagamentos a maior da contribuição ao PIS e da Cofins, em razão da inclusão do ICMS nas bases de cálculo destas contribuições. A questão da inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS é objeto do Recurso Extraordinário (RE) nº 240.7852 MG, que não foi ainda julgada até a presente data. Na Ação Declaratória de Constitucionalidade (ADC) nº 18, que trata da mesma matéria, o STF reconheceu a repercussão geral da demanda e deferiu medida cautelar para determinar que, até o julgamento final da ação pelo Plenário do STF, juízos e tribunais Fl. 60DF CARF MF Impresso em 01/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 13/03/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10925.905120/201279 Acórdão n.º 3801002.902 S3TE01 Fl. 61 5 suspendessem o julgamento dos processos em trâmite que envolviam a aplicação do art. 3º, § 2º, inciso I, da Lei no 9.718/98. A suspensão dos julgamentos deferida liminarmente foi sucessivamente prorrogada nas sessões plenárias realizadas em 04/02/2009, em 16/09/2009, e, finalmente, em 25/03/2010, quando o Tribunal, pela última vez, prorrogou por mais 180 dias a eficácia da medida cautelar anteriormente deferida. Quanto ao RE nº 240.7852/MG, o mesmo foi também sustado até o julgamento do ADC no 18, já que o Plenário do STF, ao julgar questão de ordem levantada pelo Ministro Marco Aurélio, decidiu que o julgamento da ADC deveria preceder o julgamento do RE em tela, uma vez que a ADC, por tratarse de controle concentrado de constitucionalidade, repercutiria sobre os demais processos relativos à matéria. Contudo, findo o prazo suspensivo liminarmente concedido pelo STF, tendo em vista não haver nenhuma decisão vigente nesse sentido nos julgamentos que versam sobre a matéria, bem como, com a edição da Portaria MF no 545, de 18 de novembro de 2013, que revogou os parágrafos 1º e 2º do artigo 62A do Anexo II do Regimento Interno deste Conselho, que previam o sobrestamento dos julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, preliminarmente entendo que não há que se falar em sobrestamento dos autos. Isto posto, no mérito, veremos que não assiste razão à recorrente. Apesar da recorrente argumentar que o ICMS, por não representar riqueza do contribuinte e sim receita do Erário Estadual, é um ônus fiscal e não faturamento. Esse, porém, referese a uma universalidade, um todo composto pelas receitas da empresa, pouco importando qual é a composição destas receitas ou se os impostos indiretos compõem o preço de venda. A Lei nº 9.718/98, em seu art. 3º, § 2º, I autoriza apenas a exclusão do ICMS “quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário”. Em nenhum momento, porém, autoriza a exclusão do ICMS das próprias vendas. Em relação ao PIS, a Jurisprudência encontravase pacificada, sendo editada a Súmula nº 68 pelo Superior Tribunal de Justiça, abaixo transcrita: Súmula: 68 A PARCELA RELATIVA AO ICM INCLUISE NA BASE DE CALCULO DO PIS. Em relação ao FINSOCIAL, que também tinha por base de cálculo o faturamento, o Superior Tribunal de Justiça editou a Súmula nº 94, que estabelece: Súmula 94. A PARCELA RELATIVA O ICMS INCLUISE NA BASE DE CÁLCULO DO FINSOCIAL. Este também é o entendimento exarado pelo STJ, superada a suspensão liminar dos julgamentos dos processos envolvendo a matéria determinada pelo STF, no âmbito do REsp no 1.127.877SP (transitado em julgado em 20/06/2012), no sentido de que o ICMS integra sim a base de cálculo do PIS e da COFINS, através de decisão monocrática que negou seguimento ao recurso, com base em jurisprudência da citada Corte, conforme excerto abaixo: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. OMISSÃO NÃO CONFIGURADA. BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS. Fl. 61DF CARF MF Impresso em 01/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 13/03/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10925.905120/201279 Acórdão n.º 3801002.902 S3TE01 Fl. 62 6 INCLUSÃO DO ICMS. POSSIBILIDADE. PRECEDENTES. RECURSO ESPECIAL A QUE SE NEGA SEGUIMENTO. A jurisprudência deste Tribunal pacificouse no sentido de que "a parcela relativa ao ICMS deve ser incluída na base de cálculo do PIS e da Cofins, nos termos das Súmulas 68 e 94 do STJ" (AgRg no REsp 1.121.982/RS, 2ª T., Min. Humberto Martins, DJe de 04/02/2011). Nesse sentido, os seguintes julgados: AgRg no Ag 1.069.974/PR, 1ª T., Min. Francisco Falcão, DJe de 02/03/2009; REsp 1.012.877/PR, 2ª T., Min. Mauro Campbell Marques, DJe de 08/02/2011; AgRg no Ag 1.169.099/SP, 2ª T., Min. Herman Benjamin, DJe de 03/02/2011; AgRg no Ag 1.005.267/RS, 1ª T., Min. Benedito Gonçalves, DJe de 02/09/2009. Ocorre ainda que eventuais alegações acerca de inconstitucionalidade da legislação tributária não são oponíveis na esfera administrativa, uma vez que sua apreciação foge à alçada da autoridade administrativa de qualquer instância, não dispondo esta de competência legal para examinar hipóteses de violação às normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico nacional. Com efeito, a apreciação dessas questões achase reservada ao Poder Judiciário, pelo que qualquer discussão quanto aos aspectos de validade das normas jurídicas deve ser submetida àquele Poder. Portanto, é inócuo suscitar tais alegações na esfera administrativa, pois à autoridade administrativa é vedado desrespeitar textos legais em vigor, sob pena de responsabilidade funcional, sendo defeso a apreciação da matéria por esse órgão julgador, nos termos da Súmula n° 2 do CARF, de observância obrigatória por parte de seus membros. No mais, o julgamento do Recurso Especial (REsp) no 1.127.877SP foi submetido ao rito do artigo 543C do CPC, razão pela qual o entendimento ali expresso deverá ser seguido pelos conselheiros no âmbito do CARF, conforme caput do artigo 62A1 do Regimento Interno deste Conselho, aprovado pela Portaria MF n° 256/2009, com alterações introduzidas pela Portaria MF no 545, de 18 de novembro de 2013. Assim, voto por negar provimento ao presente recurso voluntário. 1 Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Fl. 62DF CARF MF Impresso em 01/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 13/03/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10925.905120/201279 Acórdão n.º 3801002.902 S3TE01 Fl. 63 7 (assinado digitalmente) Marcos Antônio Borges Fl. 63DF CARF MF Impresso em 01/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 13/03/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 10865.900345/2008-12
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Mar 11 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 1802-000.438
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa- Presidente.
(assinado digitalmente)
José de Oliveira Ferraz Corrêa - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Marciel Eder Costa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Marco Antonio Nunes Castilho.
Nome do relator: JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Marciel Eder Costa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Marco Antonio Nunes Castilho. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 65 .9 00 34 5/ 20 08 -1 2 Fl. 180DF CARF MF Impresso em 11/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10865.900345/200812 Resolução nº 1802000.438 S1TE02 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso voluntário contra decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto/SP, que manteve a negativa de homologação em relação a declaração de compensação apresentada pela Contribuinte, nos mesmos termos que já havia decidido anteriormente a Delegacia de origem (DRF Limeira/SP). Os fatos que deram origem ao presente processo estão assim descritos no relatório da decisão recorrida, Acórdão nº 1429.594, às fls. 36 a 43: Tratase de Manifestação de Inconformidade interposta em face do Despacho Decisório em que foi apreciada Declaração de Compensação (PER/DCOMP), por intermédio da qual a contribuinte pretende compensar débitos de sua responsabilidade com crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de tributo (IRPJ estimativa, código de arrecadação 2362), concernente ao período de apuração 06/2001. Por despacho decisório, não foi reconhecido direito creditório a favor da contribuinte e, por conseguinte, nãohomologada a compensação declarada no presente processo, ao fundamento de que os pagamentos informados foram integralmente utilizados para quitação de débitos da contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Cientificada, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade alegando, em síntese, de acordo com suas próprias razões: que seria nulo o despacho decisório recorrido por ausência de fundamentação e motivação do indeferimento do pedido, com afronta a dispositivos legais e constitucionais; que os dados sobre o alegado crédito foram devidamente informados em PER/DCOMP, não havendo razão para o indeferimento do pedido sob alegação de que os valores são inexistentes; que caberia as autoridades fiscais diligenciar junto à empresa para averiguar os valores informados em PER/DCOMP, em observância ao princípio da verdade material e as disposições constitucionais que regem a administração pública; que “a simples declaração da existência de um crédito a ser restituído e/ou compensado com outros débitos administrados pela Receita Federal já é suficiente para que a fiscalização federal utilize todos os meios hábeis para comprovar a veracidade do pedido do contribuinte, em especial a comprovação da existência de um crédito tributário”; Fl. 181DF CARF MF Impresso em 11/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10865.900345/200812 Resolução nº 1802000.438 S1TE02 Fl. 4 3 Ao final requer seja julgada procedente a Manifestação de Inconformidade, anulado o despacho decisório recorrido e restabelecidas as compensações efetuadas. Como mencionado, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto/SP manteve a negativa em relação à compensação, expressando suas conclusões com a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2001 DCOMP. CRÉDITO. INDEFERIMENTO. Pendente, nos autos, a comprovação do crédito indicado na declaração de compensação formalizada, impõese o seu indeferimento. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Em sua decisão, a Delegacia de Julgamento afirmou que as estimativas mensais não poderiam caracterizar pagamento a maior passível de compensação, dada a sua natureza de mera antecipação. Contudo, entendeu que deveria examinar eventual apuração, pela Contribuinte, de saldo negativo de IRPJ no período em questão (2001), já que este poderia indicar a existência de crédito líquido e certo passível de compensação. Nesse contexto, fez uma série de considerações e enumerou requisitos para a caracterização de saldo negativo a ser restituído/compensado, afirmando que a Contribuinte não havia apresentado qualquer documentação em sua peça impugnatória. Inconformada com a decisão de primeira instância administrativa, da qual tomou ciência em 28/07/2010, a Contribuinte apresentou em 26/08/2010 o recurso voluntário de fls. 47 a 64, com os argumentos abaixo: DOS FATOS em virtude das antecipações efetuadas a título de imposto de renda durante o anocalendário 2001, ao final do exercício a Recorrente apurou saldo negativo de IRPJ, razão pela qual decidiu solicitar a restituição/compensação dos valores pagos a maior, por meio da transmissão de diversas Declarações de Compensação utilizando o indigitado crédito (Doc. 03); Fl. 182DF CARF MF Impresso em 11/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10865.900345/200812 Resolução nº 1802000.438 S1TE02 Fl. 5 4 DA PROVA inicialmente, importante destacar a necessidade do conhecimento dos documentos acostados ao presente recurso voluntário que atestam a legitimidade do crédito proveniente da apuração de saldo negativo de IRPJ no exercício de 2001 (Doc. 04 – DARF´s; Doc. 05 DIPJ/2001; e Doc. 06 LALUR/2001), em obediência ao princípio da verdade material que norteia o procedimento administrativo fiscal federal; é imperioso o conhecimento do presente recurso voluntário e a análise dos argumentos expostos, que indubitavelmente acarretarão no reconhecimento integral dos créditos de IRPJ e, por consectário, na extinção dos débitos compensados; ainda que a existência do crédito não tenha sido comprovada quando da apresentação da Manifestação de Inconformidade, em razão da necessidade de se observar o princípio da verdade material, a Recorrente pode fazêlo neste momento sem prejuízos; DO DIREITO DO CRÉDITO PLEITEADO a Recorrente adotava a sistemática de apuração do IRPJ por estimativa mensal, tendo efetuado pagamentos estimados no decorrer do anocalendário de 2001 (vide doc. 04) e, com o fechamento de seu balanço contábil, verificou o pagamento a maior do referido tributo, gerando, desta forma, o denominado saldo negativo (vide doc. 05); referida sistemática encontra respaldo no artigo 6°, § 1°, inciso II, da Lei n° 9.430/96; da análise dos documentos fiscais acostados pela Recorrente é possível constatar a apuração do saldo negativo de IRPJ no importe de R$ 140.283,14 (vide doc. 05 DIPJ/2001), sendo certo que esse crédito é suficiente para liquidar o débito debatido no presente procedimento administrativo, bem como todos os demais débitos extintos com a utilização do referido saldo negativo através da transmissão de PER/DCOMP's; a Recorrente possuía um crédito no valor de R$ 140.283,14, o qual foi corretamente utilizado para quitar débitos administrados pela Receita Federal do Brasil; inclusive, remanesceu em favor da Recorrente saldo credor de R$ 40.887,18, mesmo após ter efetuado as compensações supra mencionadas; em que pese a Recorrente tenha informado nas PER/DCOMP's o valor dos recolhimentos por estimativa, e não o saldo negativo, é certo que esse procedimento não fulmina a existência do seu crédito tributário; da análise dos documentos fiscais acostados ao recurso, e principalmente da DIPJ/2001 e das guias DARF´s, é visível que todos os recolhimentos mensais por estimativa (vide docs. 04 e 05) geraram recolhimentos a maior, os quais são passíveis de compensação; o crédito utilizado pela Recorrente é liquido e certo, não havendo razão para a manutenção do indeferimento da presente compensação, nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional e artigo 74 da Lei n° 9.430/96; Fl. 183DF CARF MF Impresso em 11/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10865.900345/200812 Resolução nº 1802000.438 S1TE02 Fl. 6 5 diante da comprovação da existência do saldo negativo de IRPJ através da DIPJ anocalendário 2001, não obstante o preenchimento do PER/DCOMP tenha sido efetuado com o valor do IRPJ recolhido por estimativa, não há razão para o não reconhecimento do direito creditório pleiteado; um simples vício formal não tem o condão de extinguir o direito da Recorrente, mesmo porque a Receita Federal do Brasil, através de seu banco de dados, tem como verificar os valores efetivamente recolhidos a título de IRPJ; a D. Autoridade Julgadora, por ter todas as informações em seu sistema, poderia ter verificado a sua existência, ou ter intimado a Recorrente a apresentar documentos capazes de comprovar o crédito, não podendo simplesmente indeferir o pleito da Recorrente; a simples ocorrência de erro formal não macula a existência do crédito apurado em decorrência dos recolhimentos a maior efetuados pela Recorrente no anocalendário de 2001 a título de IRPJ; tendo em vista que no caso em tela o crédito pleiteado decorre de recolhimentos efetuados a maior, devidamente comprovados através do saldo negativo apurado no anocalendário 2001 (vide docs. 04 e 05), e compensados dentro do prazo legal, é de rigor o reconhecimento do direito creditório pleiteado pela Recorrente, com a conseqüente extinção do débito compensado; DA DECADÊNCIA cabe destacar, ainda, que no caso em tela o crédito de IRPJ apurado no ano calendário 2001 não pode ser objeto de questionamento por parte das autoridades fiscais, em razão da decadência; o saldo negativo apurado em 2001 foi homologado tacitamente em 2007, extinguindose o direito do Fisco de discutir o crédito compensado, nos termos do artigo 150, § 4°, do Código Tributário Nacional; sendo o IRPJ um tributo sujeito ao lançamento por homologação, o contribuinte apura o valor do tributo, o declara e efetua o pagamento do montante que considera devido, sendo certo que no caso em discussão, a Recorrente ao invés de apurar saldo devedor de IRPJ, no final do exercício de 2001, apurou crédito, o qual foi devidamente discriminado na DIPJ anocalendário 2001; assim, caberia ao Fisco o dever de fiscalizar os procedimentos adotados pelo contribuinte, e realizar o lançamento das eventuais diferenças apuradas dentro do quinquídio legal; uma vez que o saldo negativo apurado pela Recorrente nunca foi alvo de contestação pela D. Autoridade Fiscal, é certo que as informações declaradas na DIPJ do ano calendário 2001 encontramse homologados, ainda que tacitamente; o saldo negativo apurado pela Recorrente no ano de 2001 foi tacitamente homologado em 2007, com a conseqüente ausência do direito da D. Autoridade Fiscal em discordar da compensação efetuada pela Recorrente; Fl. 184DF CARF MF Impresso em 11/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10865.900345/200812 Resolução nº 1802000.438 S1TE02 Fl. 7 6 a decisão administrativa proferida em 24/04/2008 é manifestamente extemporânea, haja vista que no ano de 2007 o saldo negativo de IRPJ não era mais passível de glosa por parte da D. Autoridade Fiscal; exatamente nesse sentido é a jurisprudência firmada por este Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (decisões transcritas); e nem que se diga que a DIPJ retificadora, transmitida em 08/03/2004, tenha alterado o marco inicial para o decurso do prazo decadencial, haja vista que, como consabido, o prazo decadencial não é interrompido ou suspenso. Além disso, a referida declaração não alterou a composição do saldo negativo apurado originalmente no anocalendário de 2001; contandose o prazo de 5 (cinco) anos previsto no artigo 150, § 4º, do Código Tributário Nacional, a apuração do saldo negativo referente ao ano de 2001, utilizado para a quitação de tributos administrados pela Receita Federal do Brasil, foi tacitamente homologado no ano de 2007, motivo pelo qual, mais uma vez, devem ser reconhecidas como legítimas as compensações efetuadas pela Recorrente; DO PEDIDO a Recorrente solicita seja o presente recurso conhecido e provido para que seja reconhecido o direito creditório pleiteado, bem como para que sejam homologadas as compensações efetuadas. Este é o Relatório. Fl. 185DF CARF MF Impresso em 11/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10865.900345/200812 Resolução nº 1802000.438 S1TE02 Fl. 8 7 Voto Conselheiro José de Oliveira Ferraz Corrêa, Relator. O recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos para a sua admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. Conforme relatado, a Contribuinte questiona decisão que não homologou declaração de compensação por ela apresentada em 13/05/2004, na qual utiliza um alegado crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior referente ao IRPJ no anocalendário de 2001. O PER/DCOMP indica como origem do crédito um recolhimento realizado em 31/07/2002 com o código 2362, relativamente à estimativa mensal de junho/2001, no valor total de R$ 6.978,99 (rubrica principal com acréscimos moratórios). A negativa da Delegacia de origem foi motivada pelo fato de o recolhimento gerador do crédito já ter sido integralmente utilizado para a quitação de débito declarado em DCTF. Na seqüência, a Delegacia de Julgamento (DRJ), ao examinar a manifestação de inconformidade da Contribuinte, manteve a negativa em relação à compensação. Em sua decisão, a DRJ afirmou que as estimativas mensais não poderiam caracterizar pagamento a maior passível de compensação, dada a sua natureza de mera antecipação. Contudo, entendeu que deveria examinar eventual apuração, pela Contribuinte, de saldo negativo de IRPJ no período em questão (2001), já que este poderia indicar a existência de crédito líquido e certo passível de compensação. E nesse contexto, fez uma série de considerações e enumerou requisitos para a caracterização de saldo negativo a ser restituído/compensado, afirmando que a Contribuinte não havia apresentado qualquer documentação em sua peça impugnatória. Na atual fase de recurso voluntário, a Contribuinte discrimina vários outros processos de PER/DCOMP que abordam o mesmo crédito, ou seja, o saldo negativo de IRPJ em 2001, no valor de R$ 140.283,14, conforme apurado em sua DIPJ. A Contribuinte, em resumo, argumenta: que em obediência ao princípio da verdade material, é necessário o conhecimento dos documentos acostados ao presente recurso voluntário que atestam a legitimidade do crédito proveniente da apuração de saldo negativo de IRPJ no exercício de 2001 (Doc. 04 – DARF´s; Doc. 05 DIPJ/2001; e Doc. 06 LALUR/2001); que apesar de ter informado nos PER/DCOMP o valor dos recolhimentos por estimativa, e não o saldo negativo, é certo que esse procedimento não fulmina a existência do seu crédito tributário; Fl. 186DF CARF MF Impresso em 11/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10865.900345/200812 Resolução nº 1802000.438 S1TE02 Fl. 9 8 que a análise dos documentos fiscais acostados ao recurso, principalmente da DIPJ/2001 e das guias DARF, demonstra que todos os recolhimentos mensais por estimativa (vide docs. 04 e 05) geraram recolhimentos a maior, os quais são passíveis de compensação; que o saldo negativo apurado pela Recorrente nunca foi alvo de contestação pela D. Autoridade Fiscal, e que é certo que as informações declaradas na DIPJ do ano calendário 2001 encontramse homologadas, ainda que tacitamente. Para comprovar suas alegações, a Contribuinte apresenta cópias dos DARF recolhidos ao longo de 2001, cópia parcial da DIPJ com as fichas relativas às estimativas mensais e à apuração final do IRPJ, cópia do LALUR, e cópia parcial de um Balancete Analítico com os saldos das contas de impostos a recuperar e a compensar em 31/12/2001. No que toca à comprovação de um indébito, é importante lembrar que o processo administrativo fiscal não contém uma fase probatória específica, como ocorre, por exemplo, com o processo civil. Especialmente nos processos iniciados pelo Contribuinte, como o aqui analisado, há toda uma dinâmica na apresentação de elementos de prova, uma vez que a Administração Tributária se manifesta sobre esses elementos quando profere os despachos e decisões com caráter terminativo, e não em decisões interlocutórias, de modo que não é incomum a carência de prova ser suprida nas instâncias seguintes. É por isso também que antes de proferir o despacho decisório, ainda na fase de auditoria fiscal, pode e deve a Delegacia de origem inquirir o Contribuinte, solicitar os meios de prova que entende necessários, diligenciar diretamente em seu estabelecimento (se for o caso), enfim, buscar todos os elementos fáticos considerados relevantes para que na seqüência, na fase litigiosa do procedimento administrativo (fase processual), as questões envolvam mais a aplicação das normas tributárias e não propriamente a prova de fatos. Tudo isso porque não há uma regra a respeito dos elementos de prova que devem instruir um pedido de restituição ou uma declaração de compensação. Pelas normas atuais, aplicáveis ao caso, nem mesmo há como anexar cópias de livros, de DARF, de Declarações, etc., porque os procedimentos são realizados por meio de declaração eletrônica PER/DCOMP. Na sistemática anterior, dos pedidos em papel, de acordo com o § 2º do art. 6º da IN SRF 21/1997, a instrução dos pedidos de restituição de imposto de renda de pessoa jurídica se dava apenas com a juntada da cópia da respectiva declaração de rendimentos, e a apresentação de livros e outros documentos poderia ocorrer no atendimento de intimações fiscais, se fosse o caso. Este contexto permite notar que a instrução prévia, ainda na fase de Auditoria Fiscal, evita uma seqüência de negativas por falta de apresentação de documentos em relação aos quais a Contribuinte, em alguns casos, nem mesmo foi intimada a apresentar, o que poderia implicar em cerceamento de defesa. No caso concreto, a Delegacia de Julgamento mencionou que a Contribuinte não havia apresentado qualquer documentação que pudesse caracterizar a existência de saldo negativo de IRPJ em 2001, a ser restituído ou compensado. Fl. 187DF CARF MF Impresso em 11/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10865.900345/200812 Resolução nº 1802000.438 S1TE02 Fl. 10 9 Ocorre que a Contribuinte não foi em nenhum momento intimada a apresentar quaisquer esclarecimentos ou documentos relativos ao seu PER/DCOMP. Vale registrar que a prova tem sempre um aspecto de verossimilhança, que é medida em cada caso pelo aplicador do direito. Além disso, em razão da dinâmica do PAF quanto à apresentação de elementos de prova, como já mencionado acima, é a Autoridade Fiscal que, em cada caso, por meio de intimações fiscais, acaba fixando os critérios para a composição do ônus que incumbe à Contribuinte. Na linha, então, do que apontou a Delegacia de Julgamento, a Contribuinte juntou ao recurso voluntário cópias dos DARF recolhidos ao longo de 2001, cópia parcial da DIPJ com as fichas relativas às estimativas mensais e à apuração final do IRPJ, cópia do LALUR, e cópia parcial de um Balancete Analítico com os saldos das contas de impostos a recuperar e a compensar em 31/12/2001. A DIPJ indica que a Contribuinte apurou prejuízo em 2001, e que o saldo negativo de R$ 140.283,14 foi formado por recolhimentos a título de estimativas mensais (R$ 94.292,00) e retenções na fonte (R$ 45.991,14). O fato de a Contribuinte ter indicado no PER/DCOMP o recolhimento de estimativa como origem do crédito, e não o saldo negativo do período, realmente não prejudica o seu pleito, porque o art. 165 do Código Tributário Nacional CTN não condiciona o direito à restituição de indébito, fundado em pagamento indevido ou a maior, a requisitos meramente formais. O que realmente interessa é verificar se houve ou não pagamento indevido ou a maior de um determinado tributo em um determinado período de apuração. Nesse sentido, vale lembrar que tanto as retenções na fonte quanto as estimativas representam meras antecipações do devido ao final do período, que guardam uma implicação direta com a figura jurídica do saldo negativo, já que correspondem ao mesmo período anual e ao mesmo tributo que aquele. Na sistemática da apuração anual, caso haja tributo devido no encerramento do ano, as antecipações se convertem em pagamento definitivo. Por outro lado, se houver prejuízo fiscal, ou ainda se as antecipações superarem o valor do tributo devido ao final do período, fica configurado o indébito, a ser restituído ou compensado a partir do ajuste, na forma de saldo negativo. Deste modo, se a Contribuinte apurou prejuízo no período (como vem alegando), os pagamentos antecipados a título de estimativa passam a configurar indébito a ser restituído ou compensado, na forma de saldo negativo. Por essa razão, este colegiado normalmente desconsidera o erro formal de a Contribuinte indicar nos PER/DCOMP os recolhimentos individuais de estimativa em vez de indicar o saldo negativo formado pelo conjunto destas mesmas estimativas. Nesse caso, isso já foi feito pela DRJ, que admitiu o exame do crédito sob a ótica de saldo negativo, mas manteve a negativa por falta de elementos probatórios (os quais estão sendo apresentados nessa fase processual). Fl. 188DF CARF MF Impresso em 11/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10865.900345/200812 Resolução nº 1802000.438 S1TE02 Fl. 11 10 As considerações da Recorrente sobre a contagem da decadência para fins de homologação de direito creditório também merecem comentários. É certo que após o transcurso do prazo decadencial, não pode o Fisco realizar procedimento fiscal visando modificar a base de cálculo do tributo, seja para exigir débitos, ou para reverter/reduzir prejuízo fiscal. O evento da decadência veda as atividades inerentes ao ato de lançamento, no que toca à verificação da ocorrência do fato gerador, à determinação da matéria tributável, ao cálculo do montante do tributo devido, etc. Deste modo, realmente não há que se pensar em adição de receitas omitidas, glosa de despesas, alteração em coeficientes de apuração ou alíquota, etc. Mas o que se discute especificamente neste processo é a legitimidade do indébito a ser restituído/compensado, e, para isso, considero perfeitamente possível averiguar a efetiva ocorrência dos pagamentos que o geraram. No plano da verificação da “existência” de pagamento a ser restituído/ compensado, corresponda ele a DARF no ajuste ou na estimativa, a retenção na fonte, ou mesmo a compensação com outro indébito, não há que se falar em blindagem do direito creditório por decurso de prazo. Com efeito, a fluência do tempo pode sim homologar procedimentos, tornar definitivos os critérios e as interpretações utilizados na aplicação do direito etc., mas não tem o condão de fazer existir o que não aconteceu. Por isso a alegação de decadência não tem o efeito pretendido pela Recorrente, no sentido de justificar uma restituição automática do alegado direito creditório, sem uma análise de sua efetiva existência. Nesse passo, cabe registrar que os elementos apresentados ainda não permitem concluir sobre a certeza e liquidez do alegado saldo negativo de IRPJ em 2001, no valor de R$ 140.283,14. É necessário que os autos sejam encaminhados à Delegacia da Receita Federal em Limeira/SP, para que aquela unidade: 1) junte aos autos cópia integral da DIPJ do anocalendário de 2001; 2) verifique e informe: a base de cálculo e o respectivo IRPJ no anocalendário de 2001; o valor das estimativas recolhidas referentes a 2001; o valor das retenções sofridas a título deste imposto no mesmo período; as receitas relativas a estas retenções, averiguando se elas foram computadas pela Contribuinte na base de cálculo do imposto; Fl. 189DF CARF MF Impresso em 11/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10865.900345/200812 Resolução nº 1802000.438 S1TE02 Fl. 12 11 3) apresente relatório circunstanciado esclarecendo se há saldo negativo de IRPJ a ser restituído/compensado, e qual o seu valor; 4) cientifique a Contribuinte deste relatório, para que ela possa se manifestar no prazo de 30 dias. Deste modo, voto no sentido de converter o julgamento em diligência, para que a DRF Limeira/SP atenda ao acima solicitado. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa Fl. 190DF CARF MF Impresso em 11/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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Numero do processo: 16004.001059/2009-61
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 09 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri May 09 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2004, 2005, 2006
SIGILO BANCÁRIO. CONSTITUCIONALIDADE.
Mantém-se o lançamento fundamentado em informações bancárias obtidas segundo procedimento que seguiu estritamente o que foi estabelecido na Lei Complementar nº 105/2001 e no Decreto nº 3.724/01 uma vez que o CARF não é competente para se pronunciar sobre sua inconstitucionalidade.
MULTA QUALIFICADA.
Mantém-se a aplicação da multa qualificada quando restar comprovada a conduta fraudulenta, com vistas a reduzir ou suprimir tributo.
LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. OCORRÊNCIA DE DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. DECADÊNCIA.
Em face da decisão contida no REsp nº 973.333-SC, decidido na sistemática dos recursos repetitivos, ocorrendo dolo, fraude ou simulação, o prazo decadencial para o lançamento de ofício é contado a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ser efetuado.
RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. INTERESSE COMUM. PESSOA FÍSICA. CONFUSÃO PATRIMONIAL.
Inexiste a responsabilidade solidária prevista no artigo 124, I, do CTN, quando não são carreados aos autos elementos que consubstanciem a prova concreta de que a pessoa física apontada como responsável tributária tenha se beneficiado de uma confusão patrimonial estabelecida com a empresa contribuinte capaz de caracterizar o interesse comum.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 1102-001.086
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso do contribuinte, e dar parcial provimento ao recurso apresentado pelo Sr. BENTO GONÇALVES NETO, para cancelar o Termo de Sujeição Passiva Solidária lavrado com fundamento no art. 124, I, do CTN, ressalvado-se o direito da Fazenda Nacional de, se o caso, redirecionar contra ele eventual execução fiscal proposta contra a contribuinte com base nesses mesmos fatos, a teor do disposto no art. 135, III, do CTN, e na legislação processual vigente.
Documento assinado digitalmente.
João Otávio Oppermann Thomé - Presidente.
Documento assinado digitalmente.
Ricardo Marozzi Gregorio - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé, Antonio Carlos Guidoni Filho, José Evande Carvalho Araujo, Francisco Alexandre dos Santos Linhares, Ricardo Marozzi Gregorio e João Carlos de Figueiredo Neto.
Nome do relator: RICARDO MAROZZI GREGORIO
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2004, 2005, 2006 SIGILO BANCÁRIO. CONSTITUCIONALIDADE. Mantém-se o lançamento fundamentado em informações bancárias obtidas segundo procedimento que seguiu estritamente o que foi estabelecido na Lei Complementar nº 105/2001 e no Decreto nº 3.724/01 uma vez que o CARF não é competente para se pronunciar sobre sua inconstitucionalidade. MULTA QUALIFICADA. Mantém-se a aplicação da multa qualificada quando restar comprovada a conduta fraudulenta, com vistas a reduzir ou suprimir tributo. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. OCORRÊNCIA DE DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. DECADÊNCIA. Em face da decisão contida no REsp nº 973.333-SC, decidido na sistemática dos recursos repetitivos, ocorrendo dolo, fraude ou simulação, o prazo decadencial para o lançamento de ofício é contado a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ser efetuado. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. INTERESSE COMUM. PESSOA FÍSICA. CONFUSÃO PATRIMONIAL. Inexiste a responsabilidade solidária prevista no artigo 124, I, do CTN, quando não são carreados aos autos elementos que consubstanciem a prova concreta de que a pessoa física apontada como responsável tributária tenha se beneficiado de uma confusão patrimonial estabelecida com a empresa contribuinte capaz de caracterizar o interesse comum. Recurso Voluntário Provido em Parte
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso do contribuinte, e dar parcial provimento ao recurso apresentado pelo Sr. BENTO GONÇALVES NETO, para cancelar o Termo de Sujeição Passiva Solidária lavrado com fundamento no art. 124, I, do CTN, ressalvado-se o direito da Fazenda Nacional de, se o caso, redirecionar contra ele eventual execução fiscal proposta contra a contribuinte com base nesses mesmos fatos, a teor do disposto no art. 135, III, do CTN, e na legislação processual vigente. Documento assinado digitalmente. João Otávio Oppermann Thomé - Presidente. Documento assinado digitalmente. Ricardo Marozzi Gregorio - Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé, Antonio Carlos Guidoni Filho, José Evande Carvalho Araujo, Francisco Alexandre dos Santos Linhares, Ricardo Marozzi Gregorio e João Carlos de Figueiredo Neto.
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Responsabilidade tributária. Recorrente BENTO GONÇALVES NETO & CIA LTDA e responsável tributário Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004, 2005, 2006 OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM NÃO COMPROVADA. ÔNUS DA PROVA. A presunção legal de omissão de receita com base em depósitos bancários de origem não comprovada tem caráter relativo, por isso, inverte o ônus da prova. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2004, 2005, 2006 SIGILO BANCÁRIO. CONSTITUCIONALIDADE. Mantémse o lançamento fundamentado em informações bancárias obtidas segundo procedimento que seguiu estritamente o que foi estabelecido na Lei Complementar nº 105/2001 e no Decreto nº 3.724/01 uma vez que o CARF não é competente para se pronunciar sobre sua inconstitucionalidade. MULTA QUALIFICADA. Mantémse a aplicação da multa qualificada quando restar comprovada a conduta fraudulenta, com vistas a reduzir ou suprimir tributo. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. OCORRÊNCIA DE DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. DECADÊNCIA. Em face da decisão contida no REsp nº 973.333SC, decidido na sistemática dos recursos repetitivos, ocorrendo dolo, fraude ou simulação, o prazo decadencial para o lançamento de ofício é contado a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ser efetuado. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. INTERESSE COMUM. PESSOA FÍSICA. CONFUSÃO PATRIMONIAL. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 00 4. 00 10 59 /2 00 9- 61 Fl. 1801DF CARF MF Impresso em 09/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 16/04/ 2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 23/04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 16004.001059/200961 Acórdão n.º 1102001.086 S1C1T2 Fl. 1.802 2 Inexiste a responsabilidade solidária prevista no artigo 124, I, do CTN, quando não são carreados aos autos elementos que consubstanciem a prova concreta de que a pessoa física apontada como responsável tributária tenha se beneficiado de uma confusão patrimonial estabelecida com a empresa contribuinte capaz de caracterizar o interesse comum. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso do contribuinte, e dar parcial provimento ao recurso apresentado pelo Sr. BENTO GONÇALVES NETO, para cancelar o Termo de Sujeição Passiva Solidária lavrado com fundamento no art. 124, I, do CTN, ressalvadose o direito da Fazenda Nacional de, se o caso, redirecionar contra ele eventual execução fiscal proposta contra a contribuinte com base nesses mesmos fatos, a teor do disposto no art. 135, III, do CTN, e na legislação processual vigente. Documento assinado digitalmente. João Otávio Oppermann Thomé Presidente. Documento assinado digitalmente. Ricardo Marozzi Gregorio Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé, Antonio Carlos Guidoni Filho, José Evande Carvalho Araujo, Francisco Alexandre dos Santos Linhares, Ricardo Marozzi Gregorio e João Carlos de Figueiredo Neto. Relatório Inicialmente, esclareço que todas as indicações de folhas inseridas neste relatório e no subsequente voto dizem respeito à numeração digital do sistema eProcesso, ressalvo, entretanto, as eventuais indicações contidas nos trechos transcritos. Tratase de recursos voluntários interpostos por BENTO GONÇALVES NETO & CIA LTDA e responsável tributário contra acórdão proferido pela 1ª Turma da DRJ/Ribeirão Preto que concluiu pela procedência parcial dos lançamentos efetuados e pela manutenção da responsabilidade atribuída. Fl. 1802DF CARF MF Impresso em 09/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 16/04/ 2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 23/04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 16004.001059/200961 Acórdão n.º 1102001.086 S1C1T2 Fl. 1.803 3 Os créditos tributários lançados, no âmbito da DRF/São José do Rio Preto – SP, referentes ao IRPJ e reflexos, devidos nos períodos de apuração correspondentes aos anos calendário de 2004 a 2006, totalizaram o valor de R$ 2.045.105,06. Tal autuação foi fundamentada no arbitramento do lucro. Sobre as infrações foram aplicadas multas qualificadas. Ademais, foi atribuída sujeição passiva solidária à pessoa física BENTO GONÇALVES NETO. Da autuação: Em seu relatório, a decisão recorrida assim transcreveu o feito fiscal: Intimado do início da ação fiscal, o contribuinte apresentou, dentre outros documentos, o Livro Registro de Entradas, relativo ao ano de 2004, no qual constatou a autoridade autuante o registro de várias compras feitas junto da empresa DISTRIBUIDORA DE CARNES E DERIVADOS SÃO PAULO LTDA (doravante apenas DISTRIBUIDORA). Relata a autoridade autuante que, segundo investigações realizadas pela Polícia Federal no âmbito da “Operação Grandes Lagos”, apurouse que o Sr. Valder Antônio Alves, conhecido como “Macaúba”, é o titular de fato e de direito da DISTRIBUIDORA. Esta empresa, segundo apurado, fornece notas fiscais “frias” a diversas empresas que atuam no ramo de industrialização de carnes, e, por conta das irregularidades apuradas, teve o respectivo CNPJ declarado inapto, mediante o Ato Declaratório Executivo DRF/SÃO JOSÉ DO RIO PRETO nº 53/2008, com efeitos a partir de 01/01/1999, tornando inidôneos os documentos por ela emitidos desde então. Intimado, por diversas vezes, a apresentar diversos livros de escrituração obrigatória, dentre os quais os livros Diário e Razão ou livro Caixa dos anos de 2004, 2005 e 2006, o contribuinte não logrou apresentar os elementos solicitados. O contribuinte também foi intimado a comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos ingressados em suas contas bancárias, no período de 2004 a 2006. Em sua resposta, o contribuinte apenas afirma que os depósitos efetuados nas contas bancárias são oriundos, em parte, das receitas próprias da empresa, informando que não possui Livro Diário do período e que os livros fiscais disponíveis já foram entregues. Esclareceu, ainda, que, por ser varejista, com vendas muito retalhadas, e ser empresa de pequeno porte, não tem como vincular cada venda com o respectivo depósito bancário. Na ação fiscal realizada perante a DISTRIBUIDORA, no âmbito da “Operação Grandes Lagos”, várias provas foram colhidas, dentre as quais destacam se arquivos eletrônicos referentes às notas fiscais por ela emitidas, arquivos esses que continham inclusive uma tabela com os códigos dos reais proprietários e vendedores da carne. Nessa tabela, o código “3” representa “Bento”, designação utilizada para fazer referência à BENTO GONÇALVES NETO & CIA LTDA. Dos referidos arquivos da DISTRIBUIDORA foram extraídos dados das notas fiscais com o código “3”, sendo encontradas 55 notas fiscais de compra emitidas no período de 16/09/2004 a 31/1/2005. Com base nas informações constantes dessas Fl. 1803DF CARF MF Impresso em 09/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 16/04/ 2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 23/04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 16004.001059/200961 Acórdão n.º 1102001.086 S1C1T2 Fl. 1.804 4 notas fiscais, alguns dos supostos clientes e fornecedores foram selecionados e intimados a prestar esclarecimentos sobre as operações, de fato, praticadas. O Sr. Ademar Antonio de Toledo, criador de suínos, informou que os contatos telefônicos por ocasião da venda foram mantidos com pessoa conhecida como “José ou Bento”, no telefone (17) 2312005, sendo os pagamentos realizados em dinheiro ou cheques. O Sr. Wilson Xavier Ferreira informou, primeiramente, que os compradores eram Jaqueline Cássia Ceron e seu marido José e, posteriormente, que os compradores eram Bento Gonçalves Neto e José Helio Gomes Siqueira, que eram contatados pelo telefone nº (17) 32276288, na Rua Espanha, 593, São José do Rio Preto. A KATAYAMA ALIMENTOS LTDA informou que as transações comerciais foram efetuadas diretamente com o proprietário da DISTRIBUIDORA, “Sr. Bento”, que assim se identificava, e o seu telefone para contato era (17) 3227 6288. Afirmou que o Sr. Bento se apresentou em uma ocasião na sede dela e que realizou outras transações comerciais em nome da BENTO GONÇALVES NETO & CIA LTDA. Esclareceu, ainda, que os pagamentos eram efetuados por meio de cheques emitidos pela BENTO GONÇALVES NETO & CIA LTDA. O Sr. Áureo de Fátima Manzano informou que o contato comercial era feito somente com o Sr. Bento Gonçalves Neto, por meio do telefone (17) 32776288, sendo este o comprador dos suínos, que realizava pessoalmente os pagamentos em cheques e em dinheiro, vindo até a residência do vendedor. Conclui a autoridade autuante que as respostas obtidas na “circularização” revelam que a BENTO GONÇALVES NETO & CIA LTDA, a fim de acobertar suas operações, se valia de notas fiscais “frias” emitidas pela DISTRIBUIDORA, permanecendo oculto ao Fisco e suprimindo, fraudulentamente, os tributos devidos. Os depósitos bancários de origem não comprovada foram reputados receitas omitidas, com base na regra inscrita no art. 42 da Lei nº 9.430/1996. Tendo em conta a falta de apresentação dos documentos e livros da escrituração comercial e fiscal ou do livro Caixa, e com fundamento no art. 530, III, do RIR/1999, o lucro do contribuinte foi arbitrado com base a receita bruta conhecida. Também sobre as receitas apuradas a partir dos depósitos bancários de origem não comprovada foram lançados a CSLL, o PIS e a COFINS. Sobre os créditos tributários apurados foi aplicada multa qualificada (150%), tendo em vista a ocorrência de evidente intuito de fraude por parte do contribuinte, configurado, sobretudo, pela utilização reiterada de notas fiscais “frias”, emitidas pela DISTRIBUIDORA, para acobertar suas operações comerciais. Afirma a autoridade que o Sr. Bento Gonçalves Neto é o maior sócio e o efetivo administrador da BENTO GONÇALVES NETO & CIA LTDA, sendo o principal beneficiário do resultado financeiro obtido por esta empresa, inclusive o decorrente das operações acobertadas por notas fiscais “frias” emitidas pela DISTRIBUIDORA. Relata a autoridade autuante, ainda, que o Sr. Bento, juntamente com sua esposa, doou três imóveis de sua propriedade para suas filhas menores, Alana Fachin Gonçalves e Aline Fachin Gonçalves, doação essa ocorrida em outubro de 2008, vale dizer, após o início do procedimento fiscal, que se deu em 28/08/2008. Além disso, o Sr. Bento também vendeu outros dois imóveis em outubro de 2008. Esses Fl. 1804DF CARF MF Impresso em 09/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 16/04/ 2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 23/04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 16004.001059/200961 Acórdão n.º 1102001.086 S1C1T2 Fl. 1.805 5 negócios jurídicos, conclui a autoridade autuante, revelam a intenção do Sr. Bento de dificultar ou impedir a satisfação do crédito tributário pela Fazenda Nacional. Diante desses fatos, foi atribuída ao Sr. Bento Gonçalves Neto, com base no art. 124, I, do CTN responsabilidade solidária pelos créditos tributários lançados, tendo em conta o interesse comum nas situações que constituíram os fatos geradores das obrigações tributárias apuradas. Das impugnações: A empresa contribuinte e a pessoa física apontada como responsável solidária apresentaram impugnações. O relator da decisão recorrida assim transcreveu o conteúdo dessas impugnações: No recurso apresentado pela BENTO GONÇALVES NETO & CIA LTDA são deduzidas as alegações a seguir resumidamente discriminadas: Os tributos lançados (IRPJ, CSLL, PIS e COFINS) sujeitamse a lançamento por homologação, razão pela qual o prazo decadencial é regulado pela regra inscrita no art. 150, § 4º, do CTN, vale dizer, é de cinco anos, contados da data da ocorrência do fato gerador. Tendo em conta que a ciência dos autos de infração lavrados ocorreu em 19/12/2009, decaiu o direito de constituir os créditos tributários relativos ao IRPJ e à CSLL para os três primeiros trimestres de 2004, e, para o PIS e a COFINS, a decadência atingiu os meses de janeiro a novembro de 2004. Caracteriza afronta ao art. 43 do CTN a qualificação de depósitos bancários de origem não comprovada como receitas omitidas. A falta de comprovação da origem dos depósitos deve ser tomada apenas como elemento indiciário, sendo necessários outros elementos de prova para a que tais valores sejam reputados renda. Devese comprovar a ocorrência de acréscimo patrimonial, não bastando a verificação de simples circulação de valores pelas contas bancárias. Afirma o impugnante que muitos dos depósitos reputados pela autoridade autuante como receitas omitidas são decorrentes de empréstimos e transferências entre contas da mesma titularidade, além de haver casos de devolução de cheques. Cita alguns exemplos de cheques devolvidos cujos depósitos foram considerados na autuação como valores efetivamente ingressados nas contas correntes. Apresenta, também exemplos de transferências entre contas bancárias de mesma titularidade, alegando que a autoridade autuante, ao computar tais depósitos entre as receitas omitidas, não observou o disposto no § 3º do art. 287 do RIR/1999. Finalmente, aduz que o depósito no valor de R$ 15.879,91, datado de 04/03/2004, creditado na conta mantida junto ao Banco Mercantil, é proveniente de operação de empréstimo. Conclui que os equívocos apontados podem ser aferidos a partir da consulta aos extratos bancários, não requerendo nenhum outro elemento de prova. Alega que a autoridade autuante não excluiu da suposta omissão de receitas apurada com base em depósitos bancários de origem não comprovada os valores declarados em DIPJ. A aplicação de multa qualificada (150%) não foi devidamente motivada, razão pela qual o ato é nulo. A falta de comprovação da origem de alguns depósitos bancários não significa a intenção de fraudar o recolhimento de tributos acaso Fl. 1805DF CARF MF Impresso em 09/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 16/04/ 2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 23/04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 16004.001059/200961 Acórdão n.º 1102001.086 S1C1T2 Fl. 1.806 6 devidos. As receitas omitidas foram apuradas a partir de presunção e a fraude não se presume, devendo ser provada, conforme assentado na Súmula nº 14 do Primeiro Conselho de Contribuintes. Não houve comprovação do dolo. Os fatos relatados pela autoridade autuante atinentes à assim denominada “Operação Grandes Lagos” não repercutiram na matéria tributável levada em consideração na lavratura dos autos de infração, de modo que tais fatos não podem ser invocados como causa para a qualificação da multa. A falta de apresentação da escrituração contábil foi a causa para arbitramento dos lucros, e por conseguinte não pode servir de fundamento para a qualificação da multa. No montante que serviu de base para o arbitramento do lucro está incluído o valor declarado e sobre os créditos tributários apurados a partir desse valor não pode ser aplicada multa qualificada. A multa, se devida, deve ser reduzida a 75%, tal como previsto no art. 44, I, da Lei nº 9.430/1996, pois houve apenas falta de apresentação da escrituração contábil. Os lançamentos reflexos de PIS, CSLL e COFINS devem ter o mesmo destino do lançamento principal (IRPJ). A autoridade autuante deveria descontar os valores recolhidos a título de PIS, CSLL e COFINS. Por fim, pede o cancelamento dos autos de infração lavrados. Na impugnação apresentada pelo Sr. Bento Gonçalves Neto são invocados os argumentos a seguir sintetizados: A imputação de responsabilidade solidária carece de fundamentação, violando o disposto no art. 5º, LV, da Constituição Federal e os arts. 2º, VII e VIII, e 50, I, II e § 1º, da Lei nº 9.784/1999. Dos relatos da autoridade autuante relacionados à “Operação Grandes Lagos” não resultaram débitos apurados contra a empresa da qual o impugnante é sócio, de modo que não pode se inferir desses fatos que ele obteve qualquer benefício nas operações. Da constatação de doação de imóveis ás filhas menores do impugnante não se infere que este tenha interesse comum nas situações que constituíram os fatos geradores das obrigações tributárias apuradas. Não há prova nos autos da prática pelo impugnante de atos com excesso de poderes ou infração à lei, contrato social ou estatutos, nos termos do art. 135, III, do CTN. Tampouco há prova de que o impugnante tenha sido beneficiado pelas supostas infrações, razão pela qual não há que se falar em interesse comum, na dicção do art. 124, I, do CTN. Ao contrário, o patrimônio do impugnante decresceu no período. A autoridade autuante, ao imputar responsabilidade solidária ao impugnante, confundiu a pessoa jurídica com a pessoa física integrante do quadro societário daquela. Assevera que, nos termos do art. 1052 do Código Civil, é descabida a responsabilização do quotista de sociedade empresária limitada pelas obrigações sociais da empresa. Afirma que a desconsideração da personalidade jurídica das sociedades, a fim de alcançar o patrimônio dos sócios, somente é admitida em casos excepcionais. Aduz que o mero interesse nos lucros da empresa não autoriza a aplicação do art. 124, I, do CTN, sendo indispensável a comprovação do interesse na relação jurídica privada subjacente ao fato jurídico tributário, prova essa que não consta dos autos. Tece o impugnante extensas considerações acerca do princípio da legalidade, citando farta doutrina e jurisprudência Afirma que a imputação de responsabilidade solidária ao sócio pelos tributos devidos pela pessoa jurídica requer a comprovação de fraude ou outras práticas ilícitas, previstas nos arts. 135 e 137 do CTN. É da Administração a carga da prova da vinculação do impugnante com os fatos geradores das obrigações tributárias apuradas, conforme prescreve o art. 142 do CTN e o art. 924 do RIR/1999. Não há nos autos prova de que o impugnante foi beneficiado pelas supostas irregularidades apontadas nos autos de infração lavrados Fl. 1806DF CARF MF Impresso em 09/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 16/04/ 2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 23/04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 16004.001059/200961 Acórdão n.º 1102001.086 S1C1T2 Fl. 1.807 7 contra a empresa. A autoridade autuante trouxe alegações sem comprovação, imputando responsabilidade tributaria por pura presunção. Ao final, requer o cancelamento do Termo de Sujeição Passiva Solidária. Da decisão recorrida: A já mencionada 1ª Turma da DRJ/Ribeirão Preto, ao apreciar a impugnação interposta, proferiu o Acórdão nº 1440.488, de 26 de fevereiro de 2013, por meio do qual decidiu pela procedência parcial do feito fiscal. Como consequência da alegação de que a apuração efetuada pela autoridade autuante incluía cheques devolvidos, transferências entre contas de mesma titularidade e operações de empréstimos, bem como não teriam sido compensados valores espontaneamente recolhidos de CSLL, PIS e COFINS, a DRJ converteu o julgamento em diligência para que unidade de origem elaborasse nova apuração considerando as circunstâncias alegadas. Dessa diligência, resultou, então, uma nova apuração que reduziu uma pequena parte do total do crédito tributário exigido (fls. 1435 a 1600). Intimado a manifestarse acerca das conclusões da diligência, dentre novas considerações a respeito dos cheques devolvidos e das transferências entre contas, a empresa impugnante inovou ao frisar a impossibilidade de acesso pelo Fisco às informações bancárias protegidas pelo sigilo de dados sem a devida autorização judicial. Diante da nova apuração e da nova manifestação da empresa, a DRJ excluiu da base de cálculo dos tributos lançados mais alguns valores de cheques devolvidos e de transferências entre contas da mesma titularidade. Contudo, não acolheu as demais alegações contidas nas impugnações apresentadas. Na parte que interessa, assim figurou a ementa do referido julgado: DECADÊNCIA DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA OMISSÃO DE RECEITAS CHEQUES DEVOLVIDOS TRANSFERÊNCIAS ENTRE CONTAS DE MESMA TITULARIDADE MULTA QUALIFICADA RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA Nos casos em que ficar comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, a contagem do prazo decadencial obedece a regra inscrita no art. 173, I, do CTN. Nos termos do art. 42 da Lei nº9.430/1996, são presumidas receitas omitidas as importâncias correspondentes a depósitos bancários de origem não comprovada pelo contribuinte. Na apuração das receitas omitidas, excluemse os cheques devolvidos e as transferências entre contas de mesma titularidade, quando comprovados pelo contribuinte. A utilização de notas fiscais “frias” para ocultar as respectivas operações é causa bastante para a qualificação da multa (150%). A prova da participação ativa do sóciogerente na prática das infrações tributárias, inclusive com utilização de notas fiscais “frias”, bem como a demonstração de que transferiu, após o início da ação fiscal, o patrimônio particular a terceiros para ocultálo de eventuais exigências tributárias, caracterizam interesse comum nos fatos geradores das obrigações tributárias apuradas, dando respaldo à imputação de responsabilidade solidária pelos créditos tributários lançados. Fl. 1807DF CARF MF Impresso em 09/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 16/04/ 2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 23/04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 16004.001059/200961 Acórdão n.º 1102001.086 S1C1T2 Fl. 1.808 8 Dos recursos voluntários: Além de repetir muito do que foi alegado na impugnação, a empresa autuada adicionou em seu recurso voluntário novos argumentos especificamente direcionados contra as razões de decidir do voto condutor do acórdão recorrido. Resumidamente, foram deduzidas as seguintes alegações: a) A DRJ não concordou com a decadência porque fixou a contagem do prazo no artigo 173, I, do CTN. No entanto, o suposto comportamento doloso foi rechaçado pela Justiça Federal, que acolheu parecer do próprio Ministério Público Federal, arquivando os autos do Processo nº 000258484.2010.403.6106. b) Houve quebra do seu sigilo bancário sem autorização judicial para tanto. A posição da jurisprudência, tanto do STJ, como do STF é contrária à tese do sigilo bancário por autoridade administrativa. Cita decisões neste sentido. c) A qualificação de depósitos bancários de origem não comprovada como receitas omitidas deve ser tomada apenas como elemento indiciário (repete o que já foi alegado na impugnação). Contesta a opinião da decisão recorrida sustentando que o ônus da prova, mesmo nos casos de presunções legais, é da autoridade lançadora. d) A fiscalização utilizouse de prova emprestada da operação da Polícia Federal como único meio de prova para fundamentar a multa qualificada. No entanto, os autos do inquérito policial instaurado em razão da propalada “Operação Grandes Lagos” foram arquivados porque, após o início daquela operação, pouco (ou quase nada) foi acrescido às investigações (processo nº 2006.61.24.0003631). Se as autoridades competentes para apurar o “esquema fraudulento” concluíram pelo arquivamento dos autos, como pode a autoridade autuante afirmar que houve crime e manter a multa agravada? Fraude não se presume. Ao final, requer a reforma da decisão recorrida e o cancelamento das autuações fiscais ou, se assim não for, que haja a desqualificação da multa aplicada e o reconhecimento da decadência de parte do crédito tributário. O presente processo foi, então, encaminhado para o CARF e distribuído para minha relatoria. Considerando que foi detectada ausência de citação do responsável solidário acerca da decisão da 1ª instância e a possibilidade do julgamento ser sobrestado em razão da alegada quebra de sigilo bancário sem autorização judicial, na sessão de 09 de julho de 2013, por meio da Resolução nº 1102000.167, esta Turma acolheu minha proposta de conversão do julgamento em diligência para que a autoridade administrativa: (i) juntasse aos autos a comprovação da autorização judicial para a quebra do sigilo bancário mencionada no Termo de Constatação; (ii) no caso de a autorização judicial ter sido promovida com a amplitude suficiente para abranger todas as pessoas físicas e jurídicas envolvidas na “Operação Grandes Lagos”, juntasse a comprovação de que a empresa contribuinte estaria incluída nessa amplitude; Fl. 1808DF CARF MF Impresso em 09/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 16/04/ 2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 23/04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 16004.001059/200961 Acórdão n.º 1102001.086 S1C1T2 Fl. 1.809 9 (iii) promovesse a ciência da empresa contribuinte sobre os elementos eventualmente juntados na diligência para que esta, querendo, se manifestasse; (iv) promovesse a ciência do responsável solidário sobre o resultado do julgamento proferido na 1ª instância e sobre os elementos eventualmente juntados na diligência para que este, querendo, apresentasse recurso voluntário. O processo retornou com os seguintes elementos: Quanto aos itens (i) e (ii), a unidade de origem informou (fls. 1773) que não houve autorização judicial para a quebra do sigilo bancário. O nome da empresa fiscalizada e o de seu sócio administrador não constavam das determinações judiciais para fiscalizar, tampouco das de quebra do sigilo bancário, no bojo da chamada “Operações Grandes Lagos”. O motivo que levou à abertura da fiscalização que redundou na presente autuação foi a verificação, quando se desenvolvia os trabalhos envolvendo a mencionada operação, de que a empresa autuada também havia sido cliente da maior empresa “noteira” descoberta na operação (a DISTRIBUIDORA DE CARNES E DERIVADOS SÃO PAULO LTDA). Ademais, foi constatado também que sua movimentação financeira era incompatível com as receitas declaradas. Por isso, as Requisições de Movimentação Financeiras (RMF) foram amparadas apenas na Lei Complementar nº 105/2001 e no Decreto nº 3.724/01. Quanto ao item (iii), a empresa não se manifestou. Quanto ao item (iv), a pessoa física apontada como responsável solidário apresentou seu recurso voluntário no qual, basicamente, repetiu o que foi alegado na impugnação. Adicionou, entretanto, o mesmo argumento trazido no recurso voluntário da empresa autuada segundo o qual a fiscalização teria se utilizado de prova emprestada que não teria sido suficiente para iniciar a ação penal na justiça federal. Requer, ao final, o cancelamento do Termo de Sujeição Passiva Solidária. É o relatório. Voto Conselheiro Ricardo Marozzi Gregorio, Relator Os recursos voluntários são tempestivos e preenchem os requisitos de admissibilidade, portanto, deles tomo conhecimento. Fl. 1809DF CARF MF Impresso em 09/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 16/04/ 2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 23/04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 16004.001059/200961 Acórdão n.º 1102001.086 S1C1T2 Fl. 1.810 10 Inicialmente, cumpre informar que a possibilidade de sobrestamento do julgamento por tratar de acesso a dados bancários, pelo Fisco, sem autorização judicial, aventada no voto condutor da Resolução nº 1102000.167, foi superada pela superveniente edição da Portaria MF nº 545, de 18/11/2013, a qual revogou os §§ 1º e 2º do artigo 62A do Anexo II do RICARF. Assim, nada mais impede o prosseguimento do julgamento. Quanto à alegação, propriamente dita, de que não poderia ser aceita a quebra do sigilo bancário sem autorização judicial, é de se ressaltar que a unidade de origem esclareceu que as RMF foram emitidas com amparo no que dispõem a Lei Complementar nº 105/2001 e o Decreto nº 3.724/01. Alegações de inconstitucionalidade acerca dessas disposições não podem ser apreciadas por este Colegiado. É que a atuação administrativa deve ser pautada pelas normas estabelecidas pela lei. A competência desta Casa está circunscrita a verificar os aspectos legais dessa atuação. Quanto a isso, vale a pena transcrever o que dispõem o artigo 62 do Anexo II do RICARF e a Súmula CARF nº 2: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (grifei) Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Ademais, cumpre enfatizar a exigência regimental para que os julgados desta Casa observem os entendimentos sumulados. É o que está determinado no artigo 72 do Anexo II do RICARF: Art. 72. As decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF. Assim, se o acesso às informações bancárias seguiu estritamente o que foi estabelecido pela legislação que regulamenta o assunto (contra isso a recorrente nada opôs), não há o que se invalidar no procedimento da fiscalização. Quanto à alegação de que os depósitos bancários de origem não comprovada só podem ser aceitos como elemento indiciário, está totalmente equivocada a visão da recorrente. Fl. 1810DF CARF MF Impresso em 09/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 16/04/ 2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 23/04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 16004.001059/200961 Acórdão n.º 1102001.086 S1C1T2 Fl. 1.811 11 O artigo 42 da Lei nº 9.430/96 determina que: Art.42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Portanto, a presunção legal autoriza que o fato indiciário (depósitos bancários de origem não comprovada) seja equiparado ao fato presumido (omissão de receitas). A presunção contida na lei tem caráter relativo. Por isso, inverte o ônus da prova. Caberia, então, à recorrente afastar a verificação da ocorrência do fato indiciário (comprovando a origem dos depósitos bancários). Mas, isso, não foi feito. Pelas mesmas razões antes expostas, que tocam à competência regimental do CARF, não há como este Colegiado se pronunciar sobre a alegação de que a presunção legal erigida pela lei, por algum motivo, teria extrapolado o conceito constitucional de renda contido no artigo 43 do CTN. No tocante à não exclusão dos valores declarados em DIPJ da omissão de receita apurada com base em depósitos bancários de origem não comprovada, a recorrente não tem o que reclamar. Apesar de não ter apresentado qualquer prova na qual se pudesse inferir que a receita declarada estava incluída na movimentação bancária que foi objeto da fiscalização (poderia ter circulado em contas bancárias não verificadas ou como dinheiro em espécie), a empresa foi beneficiada pelo fato de a autuação ter compensado os tributos recolhidos espontaneamente na apuração do crédito tributário lançado. Ou seja, não há que se excluir os valores declarados em DIPJ porque eles já estão considerados na receita omitida e os correspondentes tributos recolhidos serviram para a compensação. Nada obstante, em minha opinião, a fiscalização poderia até ter sido mais rigorosa porque inexiste a convicção dessa relação de pertinência. A receita declarada poderia ter sido independentemente incluída na base para o arbitramento. No que diz respeito à qualificação da multa, a recorrente sustenta que não houve a prova da fraude. Segundo suas alegações, a única prova utilizada para fundamentar a multa qualificada, qual seja, a prova emprestada da “Operação Grandes Lagos”, teria sido refutada com o arquivamento do inquérito policial pelas autoridades competentes para apurar o “esquema fraudulento”. Nada obstante, o Termo de Constatação que fundamentou a lavratura dos autos de infração é suficientemente claro para se concluir que as informações enviadas à Receita Federal por conta da mencionada Operação não constituíram a única prova utilizada pela fiscalização para a qualificação da multa. Sobre isso, o trecho a seguir transcrito (fls. 1345 Fl. 1811DF CARF MF Impresso em 09/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 16/04/ 2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 23/04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 16004.001059/200961 Acórdão n.º 1102001.086 S1C1T2 Fl. 1.812 12 a 1348) descreve o resultado das circularizações efetuadas junto a terceiros que, de alguma forma, negociaram com a empresa autuada no período fiscalizado: A "Distribuidora de Carnes e Derivados São Paulo Ltda.", CNPJ 68.195.072/000175, também esteve sob ação fiscal em razão da demanda externa da Justiça Federal motivada pelas investigações da Policia Federal no âmbito da Operação Grandes Lagos (Processos Administrativofiscais no 16004.001247/2007 28 e no 16004.001818/200813), que revelam que a "Distribuidora de Carnes e Derivados São Paulo Ltda." 6, na verdade, uma distribuidora de notas fiscais. No bojo da citada ação fiscal, obtivemos os arquivos eletrônicos referentes às notas fiscais emitidas pela "Distribuidora de Carnes e Derivados São Paulo Ltda.", inclusive uma tabela com os códigos dos reais proprietários e vendedores da carne; nesta tabela o código "3" representa "Bento", e como se verá a seguir, tratase realmente de "Bento Gonçalves Neto & Cia. Ltda." (fls. 919921). A partir desses arquivos eletrônicos, fizemos uma extração de dados das notas fiscais com o código "3" e encontramos 55 (cinquenta e cinco) notas fiscais de compra, referentes ao período de 16/09/2004 a 31/12/2005. Nesse período de 2004 e 2005 anoscalendário abrangidos por este procedimento fiscal , verificamos que o somatório dessas notas fiscais de compra em 2004 é de R$226.314,00 (duzentos e vinte e seis mil, trezentos e catorze reais) e em 2005 é de R$263.405,00 (duzentos e sessenta e três mil, quatrocentos e cinco reais) (fls. 922). Com base nesses arquivos eletrônicos da "Distribuidora de Carnes e Derivados São Paulo Ltda.", CNPJ 68.195.072/000175, foram então selecionados, por amostragem, diversos supostos clientes e fornecedores de "Bento Gonçalves Neto & Cia. Ltda." (código "3" nos rodapés das notas), e submetidos a procedimento de auditoria denominado circuiarização. Relatamos a seguir as respostas de terceiros que confirmaram terem feito negócios com o senhor Bento, mesmo tendo aceitado notas fiscais de emissão da "Distribuidora de Carnes e Derivados São Paulo Ltda". Em resposta a Termo de Intimação Fiscal lavrado no dia 17/09/2008, Ademar Antonio de Toledo, CPF 032.319.09104, agricultor e criador de suínos domiciliado em Matão (SP), informou que os contatos telefônicos, nas ocasiões em que vendia suínos, eram feitos com a pessoa conhecida por "José ou Bento", no telefone (17) 2312005; que os transportes foram realizados por conta e risco do comprador; que os pagamentos eram feitos à vista, em dinheiro ou cheques, pelo condutor do veiculo utilizado no transporte. O intimado também apresentou diversos documentos que respaldam suas declarações, incluindose aí várias notas fiscais de entrada de emissão da "Distribuidora de Carnes e Derivados São Paulo Ltda.", nas quais se vê o código "3" no centro do rodapé (fls. 923957). Essas verificações sugerem que Ademar Antonio de Toledo era, de fato, fornecedor de suínos para abate de "Bento Gonçalves Neto & Cia. Ltda." e que este último se valia de notas fiscais emitidas pela "Distribuidora de Carnes e Derivados São Paulo Ltda." para acobertar sua operação comercial, permanecendo assim oculto ao fisco e suprimindo, fraudulentamente, os tributos devidos sobre sua operação (Lei nº 8.137/1990, Artigos 1º e 2º). Em resposta a Termo de Intimação Fiscal lavrado no dia 17/09/2008, Wilson Xavier Ferreira, CPF 060.466.43899, informou que primeiramente os compradores eram Jaqueline Cássia Ceron e seu marido José e posteriormente os compradores eram Bento Gonçalves Neto e Jose Helio Gomes Siqueira, telefone no (17) 3227 6288, Rua Espanha, 593, em São José do Rio Preto; que os transportes eram feitos Fl. 1812DF CARF MF Impresso em 09/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 16/04/ 2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 23/04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 16004.001059/200961 Acórdão n.º 1102001.086 S1C1T2 Fl. 1.813 13 por conta dos compradores e que quando as compras eram feitas pelo senhor Bento ou José, o caminhão utilizado tinha a placa BWY9660 e era dirigido por uma pessoa conhecida por Junior; que os pagamentos eram feitos parte à vista (em dinheiro) e parte a prazo, sendo que nos pagamentos a prazo eram usados cheques de terceiros (fls. 958985). O intimado também apresentou quinze notas fiscais de entrada de emissão da "Distribuidora de Carnes e Derivados São Paulo Ltda.", nas quais se vê o código "3" no centro do rodapé (fls. 971985). Essas verificações comprovam que Wilson Xavier Ferreira era, de fato, fornecedor de suínos para abate de "Bento Gonçalves Neto & Cia. Ltda." e que este último se valia de notas fiscais emitidas pela "Distribuidora de Carnes e Derivados São Paulo Ltda." para acobertar sua operação comercial, permanecendo assim oculto ao fisco e suprimindo, fraudulentamente, os tributos devidos sobre sua operação (Lei no 8.137/1990, Artigos 1º e 2º). Em resposta a Termo de Intimação Fiscal lavrado no dia 17/09/2008, Katayama Alimentos Ltda., CNPJ 47.765.979/000152, apresentou sua resposta informando o seguinte (fls. 9861007): 1 As transações comerciais foram efetuadas diretamente com o proprietário da "Distribuidora de Carnes e Derivados São Paulo Ltda.", Sr. Bento, que assim se identificava/intitulava, e o seu telefone para contato era (17)32276288. 2 O Senhor Bento se apresentou para a declarante na única ocasião em que esteve na sede desta, como empresário proprietário de várias empresas no ramo do COMÉRCIO VAREJISTA DE CARNES, sendo certo que realizou com a declarante outras transações comerciais em nome da empresa BENTO GONÇALVES NETO & CIA LTDA, CNPJ 53.443.727/000100, tendo sempre honrado todas as suas obrigações. 3 Uma única vez o comprador esteve na sede da empresa, por ocasião da primeira transação comercial. 4 As transações eram feitas por telefone. 5 A compradora retirava os produtos na sede da vendedora, com transporte próprio, conforme se constata das inclusas notas fiscais, donde se constata que o transporte é por conta do destinatário. 6 O local de abate era o Frigorifico Remuro Ltda ME em Nova Granada. 7 Recebia por suas vendas praticamente à vista, com prazo de apenas uma semana para recebimento. 8 Os pagamentos eram efetuados pelos motoristas dos caminhões no ato da retirada dos produtos na sede da declarante. 9 Nenhum comprovante era fornecido pelos compradores nos atos dos pagamentos; os motoristas levavam a nota fiscal e os produtos. 10 Os pagamentos eram efetuados através de cheques, todos eles emitidos pela empresa "Bento Gonçalves Neto & Cia. Ltda.". O intimado apresentou descrição detalhada de cada cheque emitido por "Bento Gonçalves Neto & Cia. Ltda." na sequência de sua resposta. A "Katayama Alimentos Ltda." apresentou também cópias dos seguintes elementos: Fl. 1813DF CARF MF Impresso em 09/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 16/04/ 2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 23/04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 16004.001059/200961 Acórdão n.º 1102001.086 S1C1T2 Fl. 1.814 14 1 seis notas fiscais de saída de sua emissão tendo como destinatário a "Distribuidora de Carnes e Derivados São Paulo Ltda."; 2 seis cheques emitidos por "Bento Gonçalves Neto & Cia. Ltda." em favor da "Katayama Alimentos Ltda."; 3 dois comprovantes de depósito/transferência para conta corrente em favor da "Katayama Alimentos Ltda.". A resposta da "Katayama Alimentos Ltda." comprova que ela era, de fato, fornecedora de animais para abate de "Bento Gonçalves Neto & Cia. Ltda." e que este último se valia de notas fiscais emitidas pela "Distribuidora de Carnes e Derivados São Paulo Ltda." para acobertar sua operação comercial, permanecendo assim oculto ao fisco e suprimindo, fraudulentamente, os tributos devidos sobre sua operação (Lei no 8.137/1990, Artigos 1° e 2°). Em resposta a Termo de Intimação Fiscal lavrado no dia 17/09/2008, Aureo de Fatima Manzano, CPF 973.842.67820, afirmou que (fls. 10081016): 1 o contato era feito somente com o Sr. Bento Gonçalves Neto, telefone (17) 3227 6288; 2 que o comprador era o Sr. Bento Gonçalves Neto, telefone (17) 32276288; 3 as vendas eram feitas somente por telefone; 4 os pedidos eram realizados verbalmente, nunca por escrito; 5 os transportes foram feitos por conta do comprador; 6 os suínos foram destinados para abate no Frigorifico Remuro, em Nova Granada, SP; 7 os recebimentos foram a prazo; 8 os pagamentos sempre foram feitos pelo Sr. Bento Gonçalves Neto, que vinha até a residência do vendedor; 9 não recebia nenhum comprovante no ato dos pagamentos; 10 os pagamentos eram feitos em cheques e dinheiro. O intimado também apresentou cinco notas fiscais de produtor de sua emissão, todas de venda e tendo como destinatário a "Distribuidora de Carnes e Derivados São Paulo Ltda." (fls. 10121016). A resposta de Aureo de Fatima Manzano ao termo de intimação fiscal comprova que ele era, de fato, fornecedor de suínos para abate de "Bento Gonçalves Neto & Cia. Ltda." e que este último se valia de notas fiscais emitidas pela "Distribuidora de Carnes e Derivados São Paulo Ltda." para acobertar sua operação comercial, permanecendo assim oculto ao fisco e suprimindo, fraudulentamente, os tributos devidos sobre sua operação (Lei n° 8.137/1990, Artigos 1° e 2°). Como se vê, além das informações que tinham sido obtidas no âmbito da “Operação Grandes Lagos” e fornecidas à Receita Federal, a fiscalização reuniu um conjunto Fl. 1814DF CARF MF Impresso em 09/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 16/04/ 2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 23/04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 16004.001059/200961 Acórdão n.º 1102001.086 S1C1T2 Fl. 1.815 15 de provas que confirmam a utilização, por parte da empresa autuada, de notas fiscais emitidas pela empresa DISTRIBUIDORA DE CARNES E DERIVADOS SÃO PAULO LTDA. Com base nisso, a conduta foi considerada fraudulenta, com vistas a reduzir ou suprimir tributo, e enquadrada em uma das hipóteses previstas nos artigos 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/64, ensejando, portanto, a qualificação da multa aplicada conforme o disposto no § 1º do artigo 44 da Lei nº 9.430/96. Tudo isso ficou bem esclarecido no mencionado Termo de Constatação (fls. 1352 e 1353). Portanto, não há como concordar com a recorrente quando argumenta que não houve motivação para a qualificação da multa. Ao invés de se apegar aos resultados de inquéritos policiais e processos judiciais movidos contra terceiros, deveria refutar as provas reunidas contra si no presente processo administrativo. Não obstante, nada foi feito neste sentido, nem na impugnação, nem no recurso voluntário. Consequentemente, entendo que deva ser mantida a multa qualificada. Com isso, a questão da decadência já pode ser enfrentada. Sobre o tema, a matéria está disciplinada no § 4º do artigo 150 do CTN, verbis: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. (grifei) (...) § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. (grifei) Com efeito, entendo que a “atividade” exercida pelo sujeito passivo obrigado a antecipar o pagamento é a característica marcante dessa modalidade de lançamento chamado “por homologação”. Assim, o que se homologa é a atividade concernente à apuração de eventual crédito tributário sujeito à extinção. Independe, portanto, da existência de efetivo pagamento, até porque muita das vezes ele poderá não ser necessário, seja porque não é apurado crédito tributário ou porque existe crédito a favor do sujeito passivo que poderá ser aproveitado numa compensação. Nesse sentido, qualquer que seja o tributo, se ele for sujeito a essa sistemática denominada “lançamento por homologação”, o prazo decadencial de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador, para a homologação da atividade de apuração do crédito tributário efetivada pelo sujeito passivo, corresponderia ao mesmo prazo que dispõe o Fisco para o lançamento de ofício de eventuais diferenças não pagas e/ou declaradas. Fl. 1815DF CARF MF Impresso em 09/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 16/04/ 2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 23/04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 16004.001059/200961 Acórdão n.º 1102001.086 S1C1T2 Fl. 1.816 16 Porém, constatada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, a ressalva é expressa. Nessa hipótese, a regra do prazo decadencial para o Fisco efetuar o lançamento de ofício deslocase para aquela prevista no artigo 173, I, do CTN, qual seja, o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Confirase: Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; Para os fatos geradores ocorridos durante um determinado anocalendário, esse prazo inicial é contado a partir de 1º de janeiro do ano seguinte. Contudo, quanto aos fatos geradores ocorridos em 31 de dezembro, o primeiro dia em que o lançamento pode ser efetuado é justamente o dia 1º de janeiro do ano seguinte. Portanto, nesses casos, o prazo inicial passa a ser contado a partir de 1º de janeiro do ano subsequente. No entanto, esse meu entendimento não pode prevalecer neste julgamento. Isso porque o artigo 62A do Anexo II do RICARF dispõe que as decisões proferidas pelo STJ, na sistemática dos recursos repetitivos, devem ser reproduzidos nos julgamentos do CARF. Vejase seu teor: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. A questão da decadência foi objeto de decisão do STJ, na referida sistemática, no REsp nº 973.333SC, com a relatoria do Ministro Luiz Fux. Foi o seguinte a ementa dessa decisão: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. Fl. 1816DF CARF MF Impresso em 09/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 16/04/ 2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 23/04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 16004.001059/200961 Acórdão n.º 1102001.086 S1C1T2 Fl. 1.817 17 1. O prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs.. 163/210). 3. O dies a quo do prazo quinquenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs.. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs.. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs.. 183/199). (...) 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (REsp 973733 SC, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 12/08/2009, DJe 18/09/2009) Portanto, o início do prazo decadencial para o Fisco promover o lançamento de ofício, nos casos de tributos sujeitos à sistemática dos denominados “lançamentos por homologação”, restou assim configurado: Fl. 1817DF CARF MF Impresso em 09/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 16/04/ 2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 23/04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 16004.001059/200961 Acórdão n.º 1102001.086 S1C1T2 Fl. 1.818 18 1. Se ocorrer dolo, fraude ou simulação: primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ser efetuado (artigo 173, I, do CTN) 2. Se não ocorrer dolo, fraude ou simulação: a. Se houver pagamento (ou declaração): data da ocorrência do fato gerador (artigo 150, § 4º, do CTN) b. Se não houver pagamento (ou declaração): primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ser efetuado (artigo 173, I, do CTN) Voltando ao presente caso, importa notar que houve qualificação da multa decorrente de conduta dolosa qualificada no espectro dos artigos 71 a 73 da Lei nº 4.502/64. Portanto, devese aplicar ao caso a hipótese do artigo 173, I, do CTN, a contagem do prazo iniciase no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ser efetuado. Então, na situação mais crítica para o Fisco, relativamente aos fatos geradores anteriores a 31/12/2004, o início do prazo decadencial deve ser contado a partir de 1º de janeiro de 2005. Como a ciência dos autos de infração foi efetivada em 19/12/2009, os lançamentos correspondentes são legítimos. Por fim, quanto à responsabilidade tributária, a pessoa física apontada como sujeito passivo solidário alega que a imputação carece de fundamentação. Não haveria prova nos autos de que tenha praticado atos com excesso de poderes ou infração à lei, contrato social ou estatuto, nos termos do artigo 135, III, do CTN. Tampouco, haveria prova de que tenha sido beneficiado pelas supostas infrações, razão pela qual não haveria que se falar em interesse comum, na dicção do artigo 124, I, do mesmo CTN. Além disso, sustenta que para aplicação deste último dispositivo seria indispensável a comprovação do interesse na relação jurídica privada subjacente ao fato jurídico tributário, prova essa que não consta dos autos, e não o mero interesse nos lucros da empresa. Sem embargo, a conduta dolosa praticada pelo Sr. BENTO GONÇALVES NETO, sócio (com participação de 99% no capital) e administrador da empresa autuada, foi efetivamente demonstrada pelas provas reunidas pela fiscalização. Isso possibilitou a qualificação da multa e poderia caracterizar o ilícito reclamado no artigo 135, III, do CTN. É que a as condutas tipificadas nos artigos 71 a 73 da Lei nº 4.502/64, de fato, configuram uma hipótese de infração de lei. Todavia, verifico que a autoridade fiscal não recorreu a este dispositivo para enquadrar a responsabilidade tributária. Sua fundamentação deuse por intermédio do conceito de interesse comum contido no artigo 124, I (cf. Termo de Sujeição Passiva Solidária às fls. 1358 a 1360). O interesse comum é um conceito indeterminado que exige construção jurisprudencial. De imediato, impõese a consagrada interpretação segundo a qual ocorre tal hipótese quando duas ou mais pessoas se instalam no mesmo lado da relação obrigacional escolhido pelo legislador para a configuração da sujeição passiva tributária (exemplo clássico dos coproprietários de um imóvel em relação ao IPTU). Além disso, o STJ cristalizou o Fl. 1818DF CARF MF Impresso em 09/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 16/04/ 2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 23/04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 16004.001059/200961 Acórdão n.º 1102001.086 S1C1T2 Fl. 1.819 19 entendimento de que o fato de haver empresas que pertençam ao mesmo grupo econômico, por si só, não enseja a responsabilidade solidária (AgRg no REsp nº 1.102.894, AgRg no Ag nº 1.055.860, REsp nº 834.044, REsp nº 1.001.450). Portanto, em situações semelhantes, há que se demonstrar algo mais do que a mera pertinência dentro do grupo econômico. Entendo que caracterizase também o interesse comum quando é constatada a existência de pessoas diretamente beneficiadas por recursos financeiros ou patrimoniais fornecidos pelo contribuinte. No caso de pessoas jurídicas, normalmente essa situação vem acompanhada de uma ligação umbilical entre atividades aparentemente independentes, marcada pela confusão patrimonial, vinculação gerencial e coincidência de sócios administradores. No caso de pessoas físicas, normalmente há a apropriação direta dos recursos da empresa contribuinte, marcada pela obtenção de empréstimos ou usufruto de bens desprovidos de maiores formalidades. Essas pessoas não possuem apenas o interesse mediato no resultado econômicofinanceiro das atividades da empresa contribuinte, como é o que ocorre, de regra, com qualquer pessoa que regularmente pertença ao quadro societário de uma empresa. Têm também o interesse imediato e comum na situação que constitui o fato gerador da obrigação principal (a receita, o lucro). Isso porque se beneficiam dessas situações jurídicas diretamente, dispensando a regular distribuição de lucros, por obra da confusão patrimonial estabelecida entre suas esferas pessoais e a da empresa contribuinte. Nada obstante, no presente caso, não foram carreados aos autos elementos que consubstanciem a prova concreta de que a pessoa física apontada como responsável tributário tenha se beneficiado de uma confusão patrimonial estabelecida com a empresa contribuinte capaz de caracterizar o interesse comum. Não há na descrição dos fatos contida no Termo de Constatação Fiscal (fls. 1341 a 1356) a referência a qualquer situação que impute ao Sr. BENTO GONÇALVES NETO a apropriação direta dos recursos da empresa. A menção ao fato de que o recorrente teria efetuado a doação e alienação de imóveis após o início do procedimento fiscal pode até ser uma conduta capaz de a ele serem movidas ações cautelar fiscal e de fraude à execução, mas não configura uma das situações previstas na lei que permite a atribuição da responsabilidade tributária. Portanto, diante da equivocada qualificação, dentre as hipóteses possíveis, da atribuição da responsabilidade tributária, entendo que o Termo de Sujeição Passiva Solidária deva ser cancelado. Nada obstante, permanece o direito da Fazenda Pública de atribuir a responsabilidade tributária, em sede de execução fiscal, com base no artigo 135, III, do CTN. Pelo exposto, nego provimento ao recurso apresentado pela empresa contribuinte e dou parcial provimento ao recurso apresentado pelo Sr. BENTO GONÇALVES NETO para cancelar o Termo de Sujeição Passiva Solidária lavrado com fundamento no artigo 124, I, do CTN, ressalvandose o direito da Fazenda Nacional de, se for o caso, redirecionar contra ele eventual execução fiscal proposta contra a empresa contribuinte com base nesses mesmos fatos, a teor do disposto no artigo 135, III, do CTN, e na legislação processual vigente. É como voto. Fl. 1819DF CARF MF Impresso em 09/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 16/04/ 2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 23/04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 16004.001059/200961 Acórdão n.º 1102001.086 S1C1T2 Fl. 1.820 20 Documento assinado digitalmente. Ricardo Marozzi Gregorio Relator Fl. 1820DF CARF MF Impresso em 09/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 16/04/ 2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 23/04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME
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Numero do processo: 19515.000610/2011-01
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 19 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Mar 25 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 28/02/2011
PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES CADASTRAIS, FINANCEIRAS E CONTÁBEIS DE INTERESSE DO FISCO. OBRIGATORIEDADE.
O descumprimento de obrigação tributária acessória constitui fato gerador do auto de infração, convertendo-se em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária aplicada.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2803-003.167
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
(Assinado digitalmente)
Helton Carlos Praia de Lima Presidente
(Assinado digitalmente)
Amílcar Barca Teixeira Júnior Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Oseas Coimbra Júnior, Eduardo de Oliveira, Amilcar Barca Teixeira Junior, Natanael Vieira dos Santos e Léo Meirelles do Amaral.
Nome do relator: AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR
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CUSTEIO. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES CADASTRAIS, FINANCEIRAS E CONTÁBEIS DE INTERESSE DO FISCO. OBRIGATORIEDADE. O descumprimento de obrigação tributária acessória constitui fato gerador do auto de infração, convertendose em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária aplicada. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima – Presidente (Assinado digitalmente) Amílcar Barca Teixeira Júnior – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Oseas Coimbra Júnior, Eduardo de Oliveira, Amilcar Barca Teixeira Junior, Natanael Vieira dos Santos e Léo Meirelles do Amaral. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 06 10 /2 01 1- 01 Fl. 282DF CARF MF Impresso em 26/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 1/03/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 21/03/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 19515.000610/201101 Acórdão n.º 2803003.167 S2TE03 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Auto de Infração de Obrigação Acessória lavrado em desfavor do contribuinte acima identificado, tendo em vista que a empresa descumpriu as regras estabelecidas no art. 32, III e parágrafo 11, da lei nº 8.212/91 c/c o art. 225, III, do RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99, deixando de apresentar todos os documentos, informações e esclarecimentos necessários à fiscalização. O Contribuinte devidamente notificado apresentou defesa tempestiva. A impugnação foi julgada em 06 de fevereiro de 2013 e ementada nos seguintes termos: ASSUNTO: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 28/02/2011 AUTO DE INFRAÇÃO (AI). FORMALIDADES LEGAIS. SUBSUNÇÃO DOS FATOS À HIPÓTESE NORMATIVA. O Auto de Infração (AI) que se encontra revestido das formalidades legais, tendo sido lavrado de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam o assunto, apresentando, assim, adequada motivação jurídica e fática, bem como os pressupostos de liquidez e certeza, pode ser exigido nos termos da Lei. Constatado que os fatos descritos se amoldam à norma legal indicada, deve o Fisco proceder ao lançamento, eis que esta é atividade vinculada e obrigatória. AUTO DE INFRAÇÃO. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. Constitui infração à legislação previdenciária a não apresentação, por parte da empresa, de documentos, informações e esclarecimentos solicitados pelo Fisco, no interesse do mesmo. Art. 32, III, da Lei 8.212/91. JUROS. TAXA SELIC. SUSPENSÃO DA INCIDÊNCIA DOS JUROS DURANTE O TRÂMITE DO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. Sobre as contribuições sociais pagas com atraso incidem, a partir de 01.04.1997, juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – SELIC. O Código Tributário Nacional autoriza a fixação de percentual de juros de mora diverso daquele previsto no § 1º do art. 161. Não cabe ao julgador administrativo afastar a aplicação de lei ordinária validamente inserida no ordenamento pátrio. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, regra que comporta exceções desde que expressa em lei. Fl. 283DF CARF MF Impresso em 26/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 1/03/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 21/03/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 19515.000610/201101 Acórdão n.º 2803003.167 S2TE03 Fl. 4 3 PRODUÇÃO DE PROVAS. APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS. A apresentação de provas, inclusive provas documentais, no contencioso administrativo, deve ser feita juntamente com a impugnação, precluindo o direito de fazêlo em outro momento, salvo se fundamentado nas hipóteses previstas. PEDIDO DE PERÍCIA. INDEFERIMENTO. O pedido de perícia deve ser apreciado levandose em consideração a matéria de fato ou a razão de natureza técnica do assunto, cuja comprovação não possa ser feita no corpo dos autos. Caso contrário, deve ser indeferido. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformado com resultado do julgamento da primeira instância administrativa, o Contribuinte apresentou recurso tempestivo, onde alega, em síntese, o seguinte: O Processo Administrativo Fiscal é composto pelo DEBCAD 37.315.0326, tendo em vista que a Autuante entendeu ter havido o descumprimento da obrigação acessória prevista no art. 32, III e parágrafo 11, com a redação da MP N. 449, de 03.12.2008, convertida na Lei n. 11.941, de 25.05.2009, combinada com o art. 225, III, do RPS, aprovado pelo Decreto n. 3.048, de 06.05.99, uma vez que, de acordo com o Termo de Verificação Fiscal (fls. 159), não houve a apresentação de todos os documentos, informações e esclarecimentos necessários à fiscalização. O Auto de Infração impugnado e ora recorrido, decorre da autuação contida no Processo Administrativo Fiscal nº 19515.004023/201000, tratandose, portanto, de tributação reflexa. No Termo de Verificação Fiscal – fl. 159/160 dos autos, parte integrante dos Autos de Infração lavrados, a Autuante, relata os motivos que o levaram a constituir o crédito tributário impugnado e ora recorrido. A recorrente, inconformada com a autuação que lhe foi imposta, impugnou os autos de infração lavrados apresentando suas razões de fato e de direito – conforme os documentos de fls. 168 a 172 dos autos, com a juntada de cópia da impugnação interposta nos autos do Processo Administrativo Fiscal nº 19515.004023/201000 – fls. 207 a 234 dos autos. Em seu voto, a digna Julgadora – Relatora rebate as considerações de fato e de direito da Recorrente no que pertine a imputação dos juros moratórios calculados com base na taxa SELIC, a sua não imputação durante o trâmite do processo administrativo fiscal, a produção de novos argumentos, provas e perícias que se fizessem necessárias. Senhores e ínclitos Conselheiros do CARF, e em especial, o digníssimo Conselheiro Relator de uma de suas Turmas e Câmaras, estes os fatos contidos nestes autos que a Recorrente contesta, aduzindo ao que já foi amplamente noticiado em sua exordial Fl. 284DF CARF MF Impresso em 26/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 1/03/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 21/03/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 19515.000610/201101 Acórdão n.º 2803003.167 S2TE03 Fl. 5 4 impugnatória que, requer, seja considerada como parte integrante deste Recruso, e pelas razões de fato e de direito a seguir expendidas. Há que se concluir que o auto de infração lavrado, tem estreita conexão com o auto de Infração objeto do Processo Administrativo Fiscal nº 19515.004023/201000, porquanto todos tiveram sua origem na ação fiscal desenvolvida pela determinação contida no mesmo Mandado de Procedimento Fiscal. Desta forma, ainda que houvesse algumas impropriedades quanto à conexão dos referidos processos, conforme alegado pela JulgadoraRelatora, o fato, em homenagem a verdade material do todo ocorrido, é de que a autuação constituindo o crédito tributário questionado decorre de supostas infrações ocorridas nos autos do processo administrativo que ensejou a autuação impugnada e objeto do Acórdão ora recorrido. Ante os fundamentos constantes das considerações preliminares, resta indubitável que a autuação fiscal impugnada e ora recorrida tem a sua origem no conjunto dos procedimentos administrativos fiscais retro mencionados, tratandose, portanto, de tributação reflexiva e, assim, deve ser considerada. Com o devido respeito a ilustre JulgadoraRelatora do Acórdão ora recorrido, em sua explanação singularmente deixou de observar prescrições legais supervenientes que dão pleno amparo ao cidadão/contribuinte de protestar pela solicitação de diligência, perícia e juntada de documentos antes da decisão do feito em 1ª instância administrativa. Ainda que não sejam acolhidas todas as razões de fato e de direito expendidas no recurso ora interposto, o que se admite somente para fins de argumentação, os juros moratórios incidentes sobre o crédito tributário constituído deve fica limitado ao percentual de 1% (um por cento) ao mês. A taxa SELIC não pode ser aplicada. Ante todo o exposto e relatado, a recorrente comparece perante essa instância de julgamento, requerendo que: Se acolha no mérito as razões de fato e de direito expendidas nesta exordial recursal, declarandose a improcedência da autuação impugnada e ora recorrida; Se mantido o lançamento, ainda que parcialmente, se afaste a cobrança dos juros moratórios com base na Taxa SELIC; Sucessivamente, requer que não incida os juros moratórios durante o trâmite do processo administrativo fiscal, desde a data da protocolização desta impugnação até decisão final deste contencioso na esfera administrativa. Protesta, finalmente, com base no disposto na Lei nº 9.784/99, art. 2º, 3º, III e 69, pela produção de novos argumentos de fato e de direito, provas admitidas em direito, diligências e perícias, se necessárias. Não apresentadas as contrarrazões. Fl. 285DF CARF MF Impresso em 26/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 1/03/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 21/03/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 19515.000610/201101 Acórdão n.º 2803003.167 S2TE03 Fl. 6 5 É o relatório. Fl. 286DF CARF MF Impresso em 26/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 1/03/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 21/03/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 19515.000610/201101 Acórdão n.º 2803003.167 S2TE03 Fl. 7 6 Voto Conselheiro Amílcar Barca Teixeira Júnior, Relator. O recurso voluntário é tempestivo, e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado. Consta nos autos que a empresa deixou de prestar à fiscalização todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis de interesse do sujeito ativo da obrigação tributária. Em seu recurso o contribuinte alega conexão deste com outro processo, bem como sustenta que no acórdão recorrido, a ilustre relatora deixou de observar prescrições legais supervenientes que dão pleno amparo ao contribuinte de protestar pela solicitação de diligência, perídia e juntada de documentos antes da decisão do feito em 1ª instância administrativa. Alega também que os juros moratórios incidentes sobre o crédito tributário devem ficar limitados ao percentual de 1% (um por cento) ao mês e que a taxa SELIC é indevida. Ao contrário das alegações da recorrente, é perceptível que o julgador a quo observou claramente as prescrições legais atinentes à matéria, não restando qualquer mácula que possa mudar o rumo da decisão recorrida. No que diz respeito aos juros moratórios, também sem razão o contribuinte. In casu, aplicase diretamente a Súmula CARF nº 4, de observância obrigatória para os membros do CARF. Pela conduta, a empresa infringiu o inciso III do art. 32 da Lei nº 8.212/91 c/c o inciso III do art. 225 do Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99. Com efeito, as alegações contidas no recurso manejado pelo contribuinte não merecem prosperar, tendo em vista que no procedimento fiscalizatório observouse corretamente as determinações do art. 142 do Código Tributário Nacional – CTN, in verbis: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Fl. 287DF CARF MF Impresso em 26/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 1/03/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 21/03/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 19515.000610/201101 Acórdão n.º 2803003.167 S2TE03 Fl. 8 7 Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Ademais, não se pode perder de vista que o assunto ora em debate diz respeito à obrigação tributária descumprida. Neste ponto, prevalecerá os comandos do art. 113 do CTN, in verbis: Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º. A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. § 2º. A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem como objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. § 3º. A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente a penalidade pecuniária. Da simples leitura dos dois artigos do CTN acima descritos, resta amplamente evidenciado que o trabalho realizado pela autoridade administrativa, por ocasião do lançamento realizado em desfavor do contribuinte, encontrase totalmente em consonância com o ordenamento jurídico Pátrio, não havendo, in casu, qualquer mácula capaz de alterar a realidade fática. O descumprimento de obrigação acessória, portanto, constitui fato gerador do auto de infração, convertendose em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária aplicada. Em situação como essa, o contribuinte não pode alegar desconhecimento da legislação. Ele é, portanto, o único responsável pela infração cometida. De outra parte, não se pode perder de vista que a responsabilidade pela infração é objetiva, independe da culpa ou da intenção do agente para que surja a imposição do auto de infração. Conforme disposto no art. 136 do CTN, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato, a não ser que haja disposição em contrário. Deve ficar claro, portanto, que as obrigações acessórias são impostas aos sujeitos passivos como forma de auxiliar e facilitar a ação fiscal. Por meio das obrigações acessórias a fiscalização conseguirá verificar se a obrigação principal foi cumprida. Fl. 288DF CARF MF Impresso em 26/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 1/03/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 21/03/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 19515.000610/201101 Acórdão n.º 2803003.167 S2TE03 Fl. 9 8 A legislação engloba as leis, os tratados e as convenções internacionais, os decretos e as normas complementares que versem, no todo ou em parte, sobre tributos e relações jurídicas a eles pertinentes, conforme dispõe o art. 96 do CTN. A aplicação de penalidade por descumprimento de obrigação acessória constante da Lei n.º 8.212/91, está dentro dos pressupostos legais e constitucionais, não foi inquinada de inconstitucionalidade pelo Supremo Tribunal Federal, estando totalmente válida e devendo ser obedecida pela via administrativa. A autuação objeto do presente recurso, foi executada de acordo com os preceitos legais e o Auto de Infração lavrado, contém todos os elementos essenciais à sua validade, descritos no art. 10 do Decreto n.º 70.235, de 06/03/1972, devendo ser mantido na sua integralidade, já que a recorrente não comprovou a correção da falta. Destarte, não vislumbro no recurso aviado pelo contribuinte qualquer possibilidade de alterar o lançamento, bem como a correta decisão proferida pelos julgadores da primeira instância administrativa. Mantenho, pois, o lançamento em sua forma originária. CONCLUSÃO. Pelo exposto, voto por CONHECER do recurso para, no mérito, NEGAR LHE PROVIMENTO. É como voto. (Assinado digitalmente) Amílcar Barca Teixeira Júnior – Relator. Fl. 289DF CARF MF Impresso em 26/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 1/03/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 21/03/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 11030.904106/2012-95
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed May 28 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/10/2008 a 31/10/2008
BASE DE CÁLCULO. FATURAMENTO. INCLUSÃO DO ICMS.
Inclui-se na base de cálculo da contribuição a parcela relativa ao ICMS devido pela pessoa jurídica na condição de contribuinte, eis que toda receita decorrente da venda de mercadorias ou da prestação de serviços corresponde ao faturamento, independentemente da parcela destinada a pagamento de tributos.
Numero da decisão: 3803-005.543
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os conselheiros João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues que davam provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Hélcio Lafetá Reis.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado- Presidente.
(assinado digitalmente)
Jorge Victor Rodrigues - Relator.
(assinado digitalmente)
Hélcio Lafetá Reis Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Redator designado), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues (Relator).
Nome do relator: JORGE VICTOR RODRIGUES
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/2008 a 31/10/2008 BASE DE CÁLCULO. FATURAMENTO. INCLUSÃO DO ICMS. Incluise na base de cálculo da contribuição a parcela relativa ao ICMS devido pela pessoa jurídica na condição de contribuinte, eis que toda receita decorrente da venda de mercadorias ou da prestação de serviços corresponde ao faturamento, independentemente da parcela destinada a pagamento de tributos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os conselheiros João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues que davam provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Hélcio Lafetá Reis. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente. (assinado digitalmente) Jorge Victor Rodrigues Relator. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis – Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Redator designado), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues (Relator). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 03 0. 90 41 06 /2 01 2- 95 Fl. 63DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/04/2014 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11030.904106/201295 Acórdão n.º 3803005.543 S3TE03 Fl. 64 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em contraposição à decisão da DRJ Belo Horizonte/MG que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada por Indústria de Plásticos Marau Ltda., esta manejada em decorrência da emissão de despacho decisório em que a repartição de origem denegara o Pedido de Restituição formulado, pelo fato de que o pagamento declarado já havia sido integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição. Em sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte alegara que o indébito decorreria de pagamento a maior da contribuição, em razão do cálculo efetuado com base na totalidade da receita bruta auferida no período, sem a exclusão da parcela referente ao ICMS, que, no seu entender, por se revestir da qualidade de ingresso, não integraria o conceito de faturamento. A DRJ Belo Horizonte/MG não reconheceu o direito creditório por considerar que inexistiria previsão legal que autorizasse a exclusão do ICMS da base de cálculo da contribuição. Registrese que, em sua decisão, a Delegacia de Julgamento não fez qualquer juízo de valor ou mesmo qualquer referência ao conjunto probatório trazido aos autos pelo contribuinte, restringindo sua análise à matéria de direito. Cientificado da decisão de primeira instância em 27 de setembro de 2013, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário em 22 de outubro do mesmo ano e reiterou seu pedido de restituição, repisando os mesmos argumentos de defesa. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Jorge Victor Rodrigues. O recurso preenche os pressupostos de admissibilidade, dele conheço. A matéria devolvida ao Tribunal ad quem se circunscreve à inclusão do ICMS da base de cálculo do PIS e da Cofins. Acerca desta matéria há o reconhecimento da repercussão geral pelo STF, por meio de acórdão publicado no DJE de 16/05/2008, ex vi da Ata nº 11 de 12/05/2008, DJE nº 88, divulgado em 15/05/2008. Em 27/08/2013 restaram os autos conclusos à Min. Rel. Cármen Lúcia (RE 574.706, leading case). Para os fatos acima narrados o RICARF/2009 orientava ao colegiado quais os procedimentos a serem adotados, ex vi do disposto nos §§ 1º e 2º do seu artigo 62A, ou seja pelo sobrestamento do julgamento do recurso até que seja proferida a decisão nos termos do Fl. 64DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/04/2014 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11030.904106/201295 Acórdão n.º 3803005.543 S3TE03 Fl. 65 3 art. 543B, da Lei nº 5.869/73 (CPC). Tudo isto encontrase consubstanciado no RE 574706 RG / PR, cuja ementa transcrevese adiante: REPERCUSSÃO GERAL NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO. Relator(a): Min. CÁRMEN LÚCIA Julgamento: 24/04/2008. Ementa: Reconhecida a repercussão geral da questão constitucional relativa à inclusão do ICMS na base de cálculo da COFINS e da contribuição ao PIS. Pendência de julgamento no Plenário do Supremo Tribunal Federal do Recurso Extraordinário n. 240.785. Decisão: O Tribunal reconheceu a existência de repercussão geral da questão constitucional suscitada. Não se manifestaram os Ministros Gilmar Mendes e Ellen Gracie. Ministra CÁRMEN LÚCIA Relatora Publicação: DJe088 DIVULG 15052008 PUBLIC 16052008. EMENT VOL0231910 PP02174. Tema 69 Inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS. Veja RE 240785. Por fim foi editada a Portaria CARF nº 001, de 03/01/2012, que estabelecia os procedimentos a serem adotados para o sobrestamento de processos de que trata o § 1º do art. 62A do RICARF/09, por meio do caput e parágrafo único do seu artigo 1º. Como visto há a decisão pelo STF de reconhecimento da repercussão geral nos termos do artigo 543B, da Lei nº 5.869/73, como também há a orientação expressa para o sobrestamento do julgamento que verse sobre a mesma matéria sob a égide desse mandamus, ou seja, as orientações emanadas dos respectivos Regimentos Internos se coadunam. Destarte, recentemente, veio a Portaria MF nº 545/2013, DOU de 20/11/13, para alterar o RICARF/09, notadamente no que atine aos §§ 1º e 2º do artigo 62A, senão vejamos os dispositivos contidos no artigo 1º desta Portaria. Art. 1º Revogar os parágrafos primeiro e segundo do art. 62A do Anexo II da Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, publicada no DOU de 23 de junho de 2009, página 34, Seção 1, que aprovou o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. De sorte que não há a controvérsia atinente ao sobrestamento, resta o pronunciamento acerca da questão da legalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo das referidas contribuições, por conseguinte da cobrança do tributo nessa condição. Confirase: A Constituição Federal criou o tributo e traça a moldura para que o legislador ordinário (respeitados limites) institua a exação tributária cuja competência lhe foi outorgada. Para a instituição válida da exação, como regra, a lei ordinária deverá contemplar alguns critérios, quais sejam: a) material, temporal e espacial, localizados no antecedente da estrutura da norma jurídica; b) critérios pessoal e quantitativo no conseqüente Fl. 65DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/04/2014 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11030.904106/201295 Acórdão n.º 3803005.543 S3TE03 Fl. 66 4 dessa norma, também de nominados de Regra Matriz de Incidência Tributária RMIT. Tudo o que se refere a tributo e a exação tributária passa por esta regra. Feitas tais considerações passo à construção da norma jurídica em sentido estrito (regra matriz de incidência tributária) das contribuições sociais instituídas nas Leis nº 10.637/02 e 10.833/03,respectivamente. (a) Regramatriz de incidência do PIS NãoCumulativo: De acordo com o disposto na Lei nº. 10.637/02, a regramatriz de incidência tributária do PIS NãoCumulativo pode ser construída da seguinte forma, in verbis: Lei nº. 10.637/02. “Art. 1º. A contribuição para o PIS/PASEP tem como fato gerador o faturamento mensal (...); § 2º A base de cálculo da contribuição para o PIS/PASEP é o valor do faturamento (...)” (Grifei) Como dito na lei, temse: Critério material: auferir FATURAMENTO (Art. 1º, caput) Critério temporal: mensal (Art. 10); Critério espacial: no âmbito nacional; Critério pessoal: União (sujeito ativo) e pessoa jurídica que aufere faturamento (sujeito passivo) (Art. 4º); Critério quantitativo: Base de cálculo – Valor do Faturamento (Art. 1º, § 2º); Alíquota – 1,65% (Art. 2º). Do cotejo entre hipótese de incidência e a base de cálculo verificase que o fato signo presumível de riqueza eleito pelo legislador ordinário para instituir o PIS Não Cumulativo foi o faturamento, o qual foi afirmado pela base de cálculo. (b) Regramatriz de incidência da COFINS NãoCumulativa: Assim estabelece o caput e o § 2o do artigo 1o da Lei nº 10.833/03, in verbis: Lei nº. 10.833/03. “Art. 1º. A contribuição para a COFINS tem como fato gerador o faturamento mensal (...); § 2º A base de cálculo da contribuição para a COFINS é o valor do faturamento (...)” (Grifei) Como dito na lei, temse: Fl. 66DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/04/2014 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11030.904106/201295 Acórdão n.º 3803005.543 S3TE03 Fl. 67 5 Critério material: auferir FATURAMENTO (Art. 1º, caput); Critério temporal: mensal (Art. 10); Critério espacial: no âmbito nacional; Critério pessoal: União (sujeito ativo) e pessoa jurídica que aufere faturamento (sujeito passivo) (Art. 4º); Critério quantitativo: Base de cálculo – Valor do Faturamento (Art. 1º, § 2º); Alíquota – 7,6% (Art. 2º) Igualmente ao PIS, observase do cotejo entre hipótese de incidência e a base de cálculo que a riqueza eleita pelo legislador ordinário para instituir a COFINS Não Cumulativa foi o faturamento, o qual foi afirmado pela base de cálculo. Pela dicção legal dos artigos 1º das Leis ordinárias vertentes não há qualquer dissonância entre a hipótese de incidência e a base de cálculo. A base de cálculo, em seu desiderato nuclear, tem por escopo dimensionar economicamente o valor do fato que ensejou a tributação e, por isso, precisa, necessariamente, guardar estreita relação com o critério material consignado na hipótese de incidência. Além da função mensuradora, a base de cálculo também tem o papel de confirmar, afirmar ou infirmar a hipótese de incidência, sendo certo que nesse último caso, ou seja, quando a base de cálculo tiver o condão de infirmála, deverá prevalecer o disposto no critério quantitativo, por servir como discrímen na averiguação da espécie tributária de que se cuida. Na espécie, o critério quantitativo afirma a hipótese de incidência que é o faturamento. Assim, devem as contribuições sociais relativas ao PIS e à COFINS Não Cumulativas incidir sobre as receitas advindas tãosomente da venda de mercadorias e/ou da prestação de serviços, ou seja, o faturamento.(Grifei). A definição de faturamento pelo STF, sem maiores delongas, encontrase no julgamento da inconstitucionalidade da Lei nº 9.718/98. No que tange à base de cálculo eleita para a incidência do PIS e da COFINS, decidiram os Ministros do Supremo Tribunal Federal, em sessão plenária, em fixar do conteúdo semântico de faturamento, como sendo o das entradas decorrentes da venda de mercadorias e/ou da prestação de serviços. Nesse passo, para explicitar o conteúdo semântico do signo “faturamento” transcrevemos abaixo trecho do voto vista proferido pelo Ministro Cesar Peluzo: “[...] Ainda no universo semântico normativo, faturamento não pode soar o mesmo que receita, nem confundidas ou identificadas as operações (fatos) ‘por cujas realizações se manifestam essas grandezas numéricas’. Fl. 67DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/04/2014 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11030.904106/201295 Acórdão n.º 3803005.543 S3TE03 Fl. 68 6 [...] Como se vê sem grande esforço, o substantivo receita designa aí o gênero, compreensivo das características ou propriedades de certa classe, abrangente de todos os valores que, recebidos da pessoa jurídica, se lhe incorporam à esfera patrimonial. Todo valor percebido pela pessoa jurídica, a qualquer título, será, nos termos da norma, receita (gênero). Mas nem toda receita será operacional, porque poderá havêla não operacional. [...] Não precisa recorrer às noções elementares da Lógica Formal sobre as distinções de gênero e espécie, para reavivar que, nesta, sempre há um excesso de conotação e um déficit de denotação em relação àquele. Nem para atinar logo em que, como já visto, faturamento também significa percepção de valores e, como tal, pertence ao gênero ou classe receita, mas com a diferença específica de que compreende apenas os valores oriundos do exercício da ‘atividade econômica organizada para a produção ou a circulação de bens ou serviços’ (venda de mercadorias e de serviços). [...] Donde, a conclusão imediata de que, no juízo da lei contemporânea ao início da vigência da atual Constituição da República, embora todo faturamento seja receita, nem toda receita é faturamento.12” (grifamos). No caso do PIS e da COFINS NãoCumulativos o que se observa é que o legislador ordinário, apesar de possuir a competência tributária para tributar a receita, novamente contemplou, através de lei, que tais contribuições incidissem sobre o faturamento, adotandoo como critério material da hipótese e afirmandoo na base de cálculo. Todavia, ao definir faturamento, recaiu no mesmo equívoco deflagrado em relação à Lei 9.718/98, senão vejamos: Lei nº. 10.637/02 “Art. 1º. A contribuição para o PIS/PASEP tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil; § 2º A base de cálculo da contribuição para o PIS/PASEP é o valor do faturamento, conforme definido no caput (...)” (Grifei) Lei nº. 10.833/03 “Art. 1º. A contribuição para a COFINS faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil § 2º A base de cálculo da contribuição para a COFINS é o valor dofaturamento, conforme definido no caput (...)” (Grifei) Fl. 68DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/04/2014 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11030.904106/201295 Acórdão n.º 3803005.543 S3TE03 Fl. 69 7 Notese que a definição legal apresentada pelo legislador ordinário ao faturamento nas Leis nºs. 10.637/02 e 10.833/03 é exatamente a mesma veiculada na Lei nº. 9.718/98, que foi repelida, brilhantemente, pelo Supremo Tribunal Federal. Todavia, conforme se verifica da redação dos dispositivos legais que instituíram tais exações, bem como das regrasmatrizes engendradas outrora, a receita não foi contemplada como critério material da hipótese muito menos como aspecto quantitativo dessas contribuições. Por isso, em obediência ao magno princípio da Legalidade e, primordialmente, o sobre princípio da Segurança Jurídica, as exações vertentes deverão incidir tãosomente sobre o faturamento, sob pena de inconstitucionalidade e de ilegalidade. Admitirse o contrário implica na violação dos princípios constitucionais da Legalidade, Estrita Legalidade Tributária, Segurança Jurídica e Razoabilidade e, além disso, tem o condão de infringir entendimento já assentado pela Suprema Corte acerca da distinção entre os conteúdos semânticos de faturamento e de receita que, por sua vez, resulta na violação ao disposto no artigo 110 do Código Tributário Nacional, cuja afronta passamos a ponderar. Insta frisar que a definição legal adotada pelo legislador ordinário no caput dos artigos 1º das Leis nºs. 10.637/02 e 10.833/01 é simplesmente a mesma que a revista no § 1º, do artigo 3º, da Lei nº. 9.718/98, sobre a qual recaiu o peso da incompatibilidade com o sistema jurídico, consoante decisum da Suprema Corte que, pontificou, claramente, a distinção existente entre os conteúdos semânticos de faturamento e de receita. Sendo assim, uma vez que novamente a intenção do legislador ordinário foi a de equiparar a abrangência dos fatos signos presuntivos de riqueza – faturamento e receita – como se albergassem a mesma qualidade de ingressos (entendase receita), então, é indubitável que recaiu em ilegalidade, na medida em que violou o disposto no artigo 110 do Código Tributário Nacional, que alude: Art. 110. A lei tributária não pode alterar a definição, conteúdo e o alcance de institutos, conceitos e formas de direito privado, utilizados, expressa ou implicitamente, pela Constituição Federal, pelas Constituições dos Estados, ou pelas Leis Orgânicas do Distrito Federal ou dos Municípios, para definir ou limitar competências tributárias. Tanto há discrepância entre os conteúdos semânticos dos signos faturamento e receita, que o legislador constituinte inseriu o disjuntivo “ou” no artigo 195, inciso I, “b”, da Constituição Federal, ipsis litteris: Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: Fl. 69DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/04/2014 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11030.904106/201295 Acórdão n.º 3803005.543 S3TE03 Fl. 70 8 I – do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na formada lei, incidentes sobre:... b) a receita OU o faturamento.(Grifei) A distinção entre esses substantivos foi aventada pelo Ministro Marco Aurélio, no julgamento do RE 380.840/MG, nos seguintes termos: “A disjuntiva ‘ou’ bem revela que não se tem a confusão entre o gênero ‘receita’ e a espécie ‘faturamento”. Sobre a imprescindibilidade de se obedecer ao limite semântico do signo tratado pelo direito privado, segue a maciça jurisprudência excelsa: “...TRIBUTÁRIO – INSTITUTOS – EXPRESSÕES E VOCÁBULOS – SENTIDO. A normapedagógica do artigo 110 do Código Tributário Nacional ressalta a impossibilidade de a lei tributária alterar a definição, o conteúdo e o alcance de consagrados institutos, conceitos e formas de direito privado utilizados expressa ou implicitamente. Sobrepõese ao aspecto formal o princípio da realidade, considerados os elementos tributários.” (STF, RE 380.9405/MG, Rel. Min. Marco Aurélio, por maioria, j. 09/11/2005, DJ 15/08/2006) – Destacamos. PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL.AMPLIAÇÃO DA BASE DECÁLCULO DO PIS E DA COFINS REALIZADA PELO ART. 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718/98. ART. 110 DO CTN. ALTERAÇÃO DA DEFINIÇÃO DE DIREITO PRIVADO. EQUIPARAÇÃO DOS CONCEITOS DE FATURAMENTO E RECEITA BRUTA. PRECEDENTES DO STJ E DO STF. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE PELO PRETÓRIO EXCELSO. PRINCÍPIO DA UTILIDADE. PROCESSUAL. RESERVA DE PLENÁRIO. INAPLICABILIDADE. ...2. A Lei nº 9.718/98, ao ampliar a base de cálculo do PIS e da COFINS e criar novo conceito para o termo “faturamento”, para fins de incidência da COFINS, com o objetivo de abranger todas as receitas auferidas pela pessoa jurídica, invadiu a esfera da definição do direito privado, violando frontalmente o art. 110 do CTN....” (AgRg no Ag 954.490/SP, 1ª T., Rel. Min. José Delgado, v.u., j. 24/03/2008, DJ 24/08/2008)É imperiosa para a harmonia do sistema jurídico que a atividade legislativa se amolde aos limites traçados pelo ordenamento, principalmente quando se está diante do poder de tributar que implica, sem dúvida alguma, na expropriação de parte do patrimônio dos contribuintes. Por isso, não pode o ente tributante agir de forma abusiva, alterando os conteúdos semânticos dos signos presuntivos de riqueza e, desse modo, gerar absoluta insegurança das relações jurídicas, posto que tal conduta fere o princípio da razoabilidade, como Fl. 70DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/04/2014 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11030.904106/201295 Acórdão n.º 3803005.543 S3TE03 Fl. 71 9 bem explicitou o Ministro Celso de Mello, na ADIMCQO 2551 / MG, in verbis: “TRIBUTAÇÃO E OFENSA AO PRINCÍPIO DA PROPORCIONALIDADE. O Poder Público, especialmente em sede de tributação, não pode agir imoderadamente, pois a atividade estatal achase essencialmente condicionada pelo princípio da razoabilidade, que traduz limitaçãomaterial à ação normativa do Poder Legislativo. O Estado não pode legislar abusivamente. A atividade legislativa está necessariamente sujeita à rígida observância de diretriz fundamental, que, encontrando suporte teórico no princípio da proporcionalidade, veda os excessos normativos e as prescrições irrazoáveis do Poder Público. O princípio da proporcionalidade, nesse contexto, achase vocacionado a inibir e a neutralizar os abusos do Poder Público no exercício de suas funções, qualificandose como parâmetro de aferição da própria constitucionalidade material dos atos estatais. A prerrogativa institucional de tributar, que o ordenamento positivo reconhece ao Estado, não lhe outorga o poder de suprimir (ou de inviabilizar) direitos de caráter fundamental constitucionalmente assegurados ao contribuinte. É que este dispõe, nos termos da própria Carta Política, de um sistema de proteção destinado aamparálo contra eventuais excessos cometidos pelo poder tributante ou, ainda, contra exigências irrazoáveis veiculadas em diplomas normativos editados pelo Estado.” (ADIMCQO 2551 / MG MINAS GERAIS, Relator Min. CELSO DE MELLO, Julgamento: 02/04/2003, Órgão Julgador: Tribunal Pleno, Publicação DJ 20042006 PP00005 – (grifei.) (c) Já a Regramatriz de incidência do ICMS: De acordo com o disposto na CF/88, a regramatriz de incidência tributária do ICMS pode ser construída nos moldes do art. 155, c/c a LC nº 87/96, in verbis: CF/88. “Art. 155. Compete aos Estados e ao Distrito Federal instituir impostos sobre: II operações relativas à circulação de mercadorias e sobre prestações de serviços de transporte interestadual e intermunicipal e de comunicação, ainda que as operações e as prestações se iniciem no exterior;(Redação dada pela Emenda Constitucional nº 3, de 1993). Art. 12. Considerase ocorrido o fato gerador do imposto no momento: I da saída de mercadoria de estabelecimento de contribuinte, ainda que para outro estabelecimento do mesmo titular; Fl. 71DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/04/2014 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11030.904106/201295 Acórdão n.º 3803005.543 S3TE03 Fl. 72 10 II do fornecimento de alimentação, bebidas e outras mercadorias por qualquer estabelecimento; III da transmissão a terceiro de mercadoria depositada em armazém geral ou em depósito fechado, no Estado do transmitente; IV da transmissão de propriedade de mercadoria, ou de título que a represente, quando a mercadoria não tiver transitado pelo estabelecimento transmitente; V do início da prestação de serviços de transporte interestadual e intermunicipal, de qualquer natureza; VI do ato final do transporte iniciado no exterior; VII das prestações onerosas de serviços de comunicação, feita por qualquer meio, inclusive a geração, a emissão, a recepção, a transmissão, a retransmissão, a repetição e a ampliação de comunicação de qualquer natureza; VIII do fornecimento de mercadoria com prestação de serviços: a) não compreendidos na competência tributária dos Municípios; b) compreendidos na competência tributária dos Municípios e com indicação expressa de incidência do imposto de competência estadual, como definido na lei complementar aplicável; IX – do desembaraço aduaneiro de mercadorias ou bens importados do exterior; (Redação dada pela Lcp 114, de 16.12.2002) X do recebimento, pelo destinatário, de serviço prestado no exterior; XI – da aquisição em licitação pública de mercadorias ou bens importados do exterior e apreendidos ou abandonados; (Redação dada pela Lcp 114, de 16.12.2002) XII – da entrada no território do Estado de lubrificantes e combustíveis líquidos e gasosos derivados de petróleo e energia elétrica oriundos de outro Estado, quando não destinados à comercialização ou à industrialização; (Redação dada pela LCP nº 102, de 11.7.2000) XIII da utilização, por contribuinte, de serviço cuja prestação se tenha iniciado em outro Estado e não esteja vinculada a operação ou prestação subseqüente. § 1º Na hipótese do inciso VII, quando o serviço for prestado mediante pagamento em ficha, cartão ou assemelhados, considerase ocorrido o fato gerador do imposto quando do fornecimento desses instrumentos ao usuário. § 2º Na hipótese do inciso IX, após o desembaraço aduaneiro, a entrega, pelo depositário, de mercadoria ou bem importados do exterior deverá ser autorizada pelo órgão responsável pelo seu Fl. 72DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/04/2014 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11030.904106/201295 Acórdão n.º 3803005.543 S3TE03 Fl. 73 11 desembaraço, que somente se fará mediante a exibição do comprovante de pagamento do imposto incidente no ato do despacho aduaneiro, salvo disposição em contrário. § 3o Na hipótese de entrega de mercadoria ou bem importados do exterior antes do desembaraço aduaneiro, considerase ocorrido o fato gerador neste momento, devendo a autoridade responsável, salvo disposição em contrário, exigir a comprovação do pagamento do imposto. (Incluído pela Lcp 114, de 16.12.2002) Art. 13. A base de cálculo do imposto é: I na saída de mercadoria prevista nos incisos I, III e IV do art. 12, o valor da operação; II na hipótese do inciso II do art. 12, o valor da operação, compreendendo mercadoria e serviço; III na prestação de serviço de transporte interestadual e intermunicipal e de comunicação, o preço do serviço; IV no fornecimento de que trata o inciso VIII do art. 12; a) o valor da operação, na hipótese da alínea a; b) o preço corrente da mercadoria fornecida ou empregada, na hipótese da alínea b; V na hipótese do inciso IX do art. 12, a soma das seguintes parcelas: a) o valor da mercadoria ou bem constante dos documentos de importação, observado o disposto no art. 14; b) imposto de importação; c) imposto sobre produtos industrializados; d) imposto sobre operações de câmbio; e)quaisquer outros impostos, taxas, contribuições e despesas aduaneiras; (Redação dada pela Lcp 114, de 16.12.2002) VI na hipótese do inciso X do art. 12, o valor da prestação do serviço, acrescido, se for o caso, de todos os encargos relacionados com a sua utilização; VII no caso do inciso XI do art. 12, o valor da operação acrescido do valor dos impostos de importação e sobre produtos industrializados e de todas as despesas cobradas ou debitadas ao adquirente; VIII na hipótese do inciso XII do art. 12, o valor da operação de que decorrer a entrada; IX na hipótese do inciso XIII do art. 12, o valor da prestação no Estado de origem. Fl. 73DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/04/2014 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11030.904106/201295 Acórdão n.º 3803005.543 S3TE03 Fl. 74 12 § 1o Integra a base de cálculo do imposto, inclusive na hipótese do inciso V do caput deste artigo: (Redação dada pela Lcp 114, de 16.12.2002) I o montante do próprio imposto, constituindo o respectivo destaque mera indicação para fins de controle; II o valor correspondente a: a) seguros, juros e demais importâncias pagas, recebidas ou debitadas, bem como descontos concedidos sob condição; b) frete, caso o transporte seja efetuado pelo próprio remetente ou por sua conta e ordem e seja cobrado em separado. § 2º Não integra a base de cálculo do imposto o montante do Imposto sobre Produtos Industrializados, quando a operação, realizada entre contribuintes e relativa a produto destinado à industrialização ou à comercialização, configurar fato gerador de ambos os impostos. § 3º No caso do inciso IX, o imposto a pagar será o valor resultante da aplicação do percentual equivalente à diferença entre a alíquota interna e a interestadual, sobre o valor ali previsto. § 4º Na saída de mercadoria para estabelecimento localizado em outro Estado, pertencente ao mesmo titular, a base de cálculo do imposto é: I o valor correspondente à entrada mais recente da mercadoria; II o custo da mercadoria produzida, assim entendida a soma do custo da matériaprima, material secundário, mãodeobra e acondicionamento; III tratandose de mercadorias não industrializadas, o seu preço corrente no mercado atacadista do estabelecimento remetente. § 5º Nas operações e prestações interestaduais entre estabelecimentos de contribuintes diferentes, caso haja reajuste do valor depois da remessa ou da prestação, a diferença fica sujeita ao imposto no estabelecimento do remetente ou do prestador. Complementarmente ao artigo 13 os artigos 8º e 15 também tratam de base de cálculo. Como dito na lei, temse: Critério material: Sair mercadoria do estabelecimento de contribuinte; fornecer alimentação, bebidas e outras mercadorias por qualquer estabelecimento; a transmissão, dentre outros estabelecidos no artigo 12 da LC nº 87/96. Critério temporal: é o momento da saída, do fornecimento, da transmissão, do início da prestação de serviços de transporte interestadual e intermunicipal, etc, (Art. 12, LC 87/96); Critério espacial: no âmbito estadual; Fl. 74DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/04/2014 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11030.904106/201295 Acórdão n.º 3803005.543 S3TE03 Fl. 75 13 Critério pessoal: Estado/DF (sujeito ativo) e pessoa jurídica que promove a saída de mercadorias do estabelecimento (sujeito passivo) (Art. 12); Critério quantitativo: Base de cálculo – O valor da operação (vide art. 12, I, III e IV); Alíquota – fixada pelo Senado Federal as alíquotas mínimas e máximas (CF/88, art. 155, § 1º, IV e § 2º, IV e VI); Do cotejo entre hipótese de incidência e a base de cálculo verificase que o fato signo presuntivo de riqueza eleito pelo legislador ordinário para instituir o ICMS, em tese, foi o VALOR DA OPERAÇÃO, o qual foi afirmado pela base de cálculo. Os elementos informadores da incidência e da base de cálculo da norma tributária ensejadora do PIS e da Cofins, bem assim da constituição da relação jurídico tributária não guarda nenhuma relação com aqueles elementos orientadores para incidência do ICMS, ou seja, as regras matrizes do PIS e da Cofins em nada se assemelha àquela do ICMS, razão o bastante para que o ICMS seja afastado da base de cálculo do PIS e da Cofins. Por outro enfoque: A lei infraconstitucional deve identificar, pormenorizadamente, todos os elementos essenciais da norma tributária, principalmente no tocante à hipótese de incidência, sob pena de não poder ser exigida pelo fisco. Nas palavras de XAVIER apud CARRAZZA descreve o mesmo que “a tipicidade pressupõe (...) uma descrição rigorosa dos seus elementos constitutivos, cuja integral verificação é indispensável para produção de efeitos” (p. 386, 2003). Vale dizer que o princípio da Tipicidade Tributária não dá margem para o intérprete ou ao aplicador da lei para o exercício de entendimentos contraditórios, mais abrangentes ou restritivos ao descrito pela norma constitucional. Dito isto e, considerando que o ICMS passou a integrar a base de cálculo do PIS e da Cofins em razão da interpretação do contido no art. 2º da Lei nº 9.718/98, de que o faturamento corresponde à receita bruta da pessoa jurídica, sendo irrelevante o tipo de atividade que ela exerça e a classificação contábil adotada para essas receitas (art. 13, § 1º, I, da LC 87/96, ex vi "cálculo por dentro" fator aplicado ao cálculo deste tributo de competência estadual, inadequado á questão posta em discussão), é certo que esse conceito é totalmente distinto daquele fixado na LC 7/70 e na LC 70/91. Por relevante cabe aqui o registro acerca da distinção entre os termos “receita” e “ingresso”, eis que a primeira é a quantia recebida/apurada/arrecadada, que acresce o patrimônio da pessoa física/jurídica, em decorrência direta ou indireta da atividade econômica por ela exercida. Já o ingresso pressupõe tanto as receitas como os valores pertencentes a terceiros (que integram o patrimônio de outrem), pois não importam em modificação do patrimônio de quem os recebe e implica em posterior entrega para quem pertence efetivamente. Fl. 75DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/04/2014 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11030.904106/201295 Acórdão n.º 3803005.543 S3TE03 Fl. 76 14 É que o ICMS para a empresa é mero ingresso, para posterior destinação ao Fisco, entendido este como o titular de tais valores. Este é o entendimento da Terceira Turma do TRF da 3ª Região, que decidiu que o ICMS não deve integrar a base de cálculo do PIS e da Cofins, reconhecendo outrossim o direito à compensação dos valores pagos indevidamente nos últimos dez anos. Ainda que não concluído o julgamento da ADC 18 e do RE 240785/MG, o STF já sinalizou acerca do entendimento sobre a impossibilidade da inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS/Cofins, cujo relator, o Exmº. Min. Marco Aurélio, assim ressaltou: "Descabe assentar que os contribuintes da Cofins faturam, em si, o ICMS. O valor deste revela, isto sim, um desembolso a beneficiar a entidade de direito público que tem a competência para cobrálo. A conclusão a que chegou a Corte de origem, a partir de premissa errônea, importa na incidência do tributo que é a Cofins, não sobre o faturamento, mas sobre outro tributo já agora da competência de unidade da Federação. (...) Difícil é conceber a existência de tributo sem que se tenha uma vantagem, ainda que mediata, para o contribuinte, o que se dirá quanto a um ônus, como é o ônus fiscal atinente ao ICMS. O valor correspondente a este último não tem a natureza de faturamento. Não pode, então, servir à incidência da Cofins, pois não revela medida de riqueza apanhada pela expressão contida no preceito da alínea "b" do incido I do artigo 195 da Constituição Federal. O fundamento da tese reside no fato de que o ICMS constitui receita do ente tributante, ou seja, do Estado, não podendo integrar a base de cálculo do PIS e da Cofins a cargo da empresa sob pena de exigirse tributo sem o devido lastro constitucional previsto no art. 195, inciso I, alínea "b" da Constituição Federal. Assim, a inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da Cofins fere os princípios da capacidade contributiva, razoabilidade, proporcionalidade, equidade de participação no custeio da seguridade social, imunidade recíproca e confisco à Constituição. Filiaramse ao voto do Relator os Ministros Ricardo Lewandowski, Carlos Ayres Britto, Cezar Peluso, Sepúlveda Pertence e Carmem Lúcia; o Ministro Eros Grau negou provimento ao recurso, faltando votar os Senhores Ministros Gilmar Mendes, Ellen Gracie e Celso Mello. Diante de todo o exposto a Administração Pública somente poderá impor ao contribuinte o ônus da exação quando houver estrita adequação entre o fato e a hipótese legal de incidência do tributo, ou seja, sua descrição típica. É condição sine qua non para a exigibilidade de um tributo. Neste contexto, nas palavras de Alberto Xavier (in Os Princípios da Legalidade e da Tipicidade da Tributação, São Paulo, RT. 1978, pág. 37/38) “a lei deve conter, em seu bojo, todos os elementos de decisão no caso concreto, de forma que a decisão concreta seja Fl. 76DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/04/2014 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11030.904106/201295 Acórdão n.º 3803005.543 S3TE03 Fl. 77 15 imediatamente dedutível da lei, sem valoração pessoal do órgão de aplicação da lei, o que decorre do artigo 150, inciso I, da Constituição Federal de 1988.” Assim, toda a atividade da Administração Tributária e os critérios objetivos na identificação do sujeito passivo, do valor do montante apurado e das penalidades cabíveis devem ser tipificados de forma fechada na lei. É a norma jurídica, consubstanciada, em regra geral, na lei ordinária que deverá descrever as hipóteses de incidência, não deixando brechas ao aplicador da lei, especialmente à Administração Pública, para uma interpretação extensiva, e mais, para o uso da analogia, ao seu bel prazer. Portanto, sendo a definição de fato gerador a situação definida em lei como necessária e suficiente ao nascimento da obrigação tributária principal, àquela de pagar tributo e, no caso do PIS e da Cofins, é auferir faturamento, não há se falar em inclusão do ICMS na base de cálculo desses tributos, eis que tanto o fato gerador, quanto a base de cálculo é totalmente diversa, não se coadunam. O Ministro Cesar Peluzo, no votovista proferido no julgamento do RE nº. 350.950, foi peremptório ao atestar que: “A base de cálculo é tão importante na identificação do tributo, que prevalece em relação ao fato gerador no caso em conflito.” Na hipótese sob exame não há qualquer discrepância entre o critério material e a base de cálculo preceituados em lei, posto que ambas contemplam o faturamento como fato signo presuntivo de riqueza para que as contribuições vertentes pudessem ser exigidas. Contudo, mesmo que houvesse divergência entre aquele (critério material) e esse (critério quantitativo) – ad argumentandum tantum – é a base de cálculo que deverá prevalecer porter o condão, inclusive, de desnaturalizar o tributo, conforme decisão pretoriana. Nestesentido, uma vez que a base de cálculo eleita pelo legislador ordinário foi o faturamento – eisso não há dúvidas – então, essa há que preponderar.Assim, é inconteste que sobre o PIS e COFINS NãoCumulativos devem incidir sobre ofaturamento, cujo aspecto semântico difere de receita, conforme já assentou a SupremaCorte. Não há se falar em valor da operação. Há uma tendência, tanto nos Tribunais Regionais Federais como nos Superiores, notadamente no STF, de enxugar a base de cálculo dos tributos, de valores que não representam faturamento dos Contribuintes. A decisão Plenária do STF excluindo o ICMS da base de cálculo da COFINS e do PIS nas operações envolvendo importações confirma esta tendência. Confirase: Ementa: TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. NÃO INCLUSÃO DO ICMS E DO ISS NA BASE DE CÁLCULO DAS CONTRIBUIÇÕES. COMPENSAÇÃO. COMPROVAÇÃO. DESNECESSIDADE DE PROVA PERICIAL. 1. O ICMS não deve ser incluído na base de cálculo do PIS e da COFINS, tendo em vista recente posicionamento do STF sobre a questão no julgamento, ainda em andamento, do Recurso Extraordinário nº 240.7852. 2. Embora o referido julgamento ainda não tenha se encerrado, não há como negar que traduz concreta expectativa de que será adotado o entendimento de que o ICMS deve ser excluído da base de cálculo do PIS e da Fl. 77DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/04/2014 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11030.904106/201295 Acórdão n.º 3803005.543 S3TE03 Fl. 78 16 COFINS. 3. O ISS que como o ICMS não se consubstancia em faturamento, mas sim em ônus fiscal não deve, também, integrar a base de cálculo das aludidas contribuições. 4. A parte que pretende a compensação tributária deve demonstrar a existência de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior. 5. Na ausência de documento indispensável à propositura da demanda, deve ser julgado improcedente o pedido, com relação ao período cujo recolhimento não restou comprovado nos autos. 6. Deve ser resguardado ao contribuinte o direito de efetuar a compensação do crédito aqui reconhecido na via administrativa (REsp n. 1137738/SP). 7. A não inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS é matéria de direito que não demanda dilação probatória. O pedido de compensação solucionase com a apresentação das guias de recolhimento (DARF), que prescinde de exame por perito. 8. Precedentes. 9. Apelo parcialmente provido. TRF3 APELAÇÃO CÍVEL AC 23169 SP 0023169 44.2011.4.03.6100 (TRF3) Data de publicação: 07/02/2013. Ementa: TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. NÃO INCLUSÃO DO ICMS E DO ISS NA BASE DE CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO. 1. O ICMS e, por idênticos motivos, o ISS não devem ser incluídos na base de cálculo do PIS e da COFINS, tendo em vista recente posicionamento do STF sobre a questão no julgamento, ainda em andamento, do Recurso Extraordinário nº 240.7852. 2. No referido julgamento, o Ministro Março Aurélio, relator, deu provimento ao recurso, no que foi acompanhado pelos Ministros Ricardo Lewandowski, Carlos Britto, Cezar Peluso, Carmen Lúcia e Sepúlveda Pertence. Entendeu o Ministro relator estar configurada a violação ao artigo 195 , I , da Constituição Federal , ao fundamento de que a base de cálculo do PIS e da COFINS somente pode incidir sobre a soma dos valores obtidos nas operações de venda ou de prestação de serviços, ou seja, sobre a riqueza obtida com a realização da operação, e não sobre o ICMS, que constitui ônus fiscal e não faturamento. Após, a sessão foi suspensa em virtude do pedido de vista do Ministro Gilmar Mendes (Informativo do STF n. 437, de 24/8/2006). 3. Embora o referido julgamento ainda não tenha se encerrado, não há como negar que traduz concreta expectativa de que será adotado o entendimento de que o ICMS e, consequentemente, o ISS, devem ser excluídos da base de cálculo do PIS e da COFINS. 4. A impetrante tem direito, na espécie, a compensar os valores indevidamente recolhidos. No entanto, ela não comprovou ter pago as contribuições que pretende compensar, mediante a juntada das guias de recolhimento. 5. A via especial do mandado de segurança, em que não há dilação probatória, impõe que o autor comprove de plano o direito que alega ser líquido e certo. E, para isso, deve trazer à baila todos os documentos hábeis à comprovação do que requer. Sem esses elementos de prova, tornase carecedora da ação. Precedente do C. STJ. 6. Dessarte, quanto à compensação dos créditos, cujos pagamentos não restaram comprovados nos autos, a parte deve ser considerada carecedora da ação. 7. Apelação, parcialmente, provida.. TRF3 APELAÇÃO EM MANDADO DE SEGURANÇA Fl. 78DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/04/2014 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11030.904106/201295 Acórdão n.º 3803005.543 S3TE03 Fl. 79 17 AMS 6072 SP 2007.61.11.0060722 (TRF3). Data de publicação: 16/06/2011. Finalmente vencida a questão da inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da Cofins, restou a questão de prova acerca da certeza e liquidez da existência do crédito alegado pela Recorrente, em quantidade o bastante para solver o débito existente na data da transmissão do Per/DComp, haja vista que o ônus probante cabe ao transmitente do referido documento, o que deve ser efetivado juntamente com a apresentação da manifestação de inconformidade, eis que preclui o direito de fazêlo em outro momento processual, ressalvadas as hipóteses previstas no § 4º do artigo 16 do Decreto nº 70.235/72. No caso vertente o contribuinte não logrou demonstrar cabalmente a existência de crédito suficiente à satisfação da compensação, pois os documentos acostados se referem tão somente à existência de crédito, o que não é o bastante. Neste aspecto, de os documentos apresentados pela Recorrente não serem o bastante e suficientes para demonstrar cabalmente acerca do quantum e da liquidez e certeza do crédito alegado, assiste razão ao juízo a quo, eis que aos mesmos deveriam se somar, no mínimo, as DCTF’s correspondentes e o Livro Razão relacionados ao período de apuração objeto do pedido de restituição, em observância aos princípios da segurança jurídica, da verdade material, da razoabilidade e da proporcionalidade, esculpidos no artigo 37, CF/88. É cediço que quando da apresentação de Per/DComp à repartição fiscal, por se tratar de iniciativa do próprio contribuinte, cabe ao transmitente o ônus probante da liquidez e certeza do crédito tributário alegado em valores superiores ao débito informado na DComp. Por sua vez à autoridade administrativa cabe a verificação da existência e regularidade desse direito, mediante o exame de provas hábeis, idôneas e suficientes a essa comprovação. Ex positis oriento o meu voto pelo provimento parcial do recurso interposto. É como voto. Jorge Victor Rodrigues Relator. Voto Vencedor Conselheiro Hélcio Lafetá Reis – Redator designado Tendo sido designado pelo Presidente da 3ª Turma Especial para redigir o voto vencedor, passo a expor os fundamentos de fato e de direito em que ele se baseia. Com base no relatório supra, contatase que a controvérsia nos autos se restringe à existência ou não do direito de exclusão do ICMS da base de cálculo da contribuição. Fl. 79DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/04/2014 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11030.904106/201295 Acórdão n.º 3803005.543 S3TE03 Fl. 80 18 De início, ressaltese que permanece pendente, pelo prisma constitucional, a discussão acerca da exclusão do valor do ICMS da base de cálculo das contribuições para o PIS e Cofins. A matéria encontrase sob análise do Supremo Tribunal Federal (STF) que já reconheceu a sua repercussão geral, estando pendente de julgamento o mérito do Recurso Extraordinário nº 574.706, cuja ementa tem o seguinte teor: Ementa: Reconhecida a repercussão geral da questão constitucional relativa à inclusão do ICMS na base de cálculo da COFINS e da contribuição ao PIS. Pendência de julgamento no Plenário do Supremo Tribunal Federal do Recurso Extraordinário n. 240.785. Encontrase pendente de julgamento, também, a Ação Declaratória de Constitucionalidade (ADC) 1, cuja ementa da medida cautelar assim dispõe: EMENTA Medida cautelar. Ação declaratória de constitucionalidade. Art. 3º, § 2º, inciso I, da Lei nº 9.718/98. COFINS e PIS/PASEP. Base de cálculo. Faturamento (art. 195, inciso I, alínea "b", da CF). Exclusão do valor relativo ao ICMS. 1. O controle direto de constitucionalidade precede o controle difuso, não obstando o ajuizamento da ação direta o curso do julgamento do recurso extraordinário. 2. Comprovada a divergência jurisprudencial entre Juízes e Tribunais pátrios relativamente à possibilidade de incluir o valor do ICMS na base de cálculo da COFINS e do PIS/PASEP, cabe deferir a medida cautelar para suspender o julgamento das demandas que envolvam a aplicação do art. 3º, § 2º, inciso I, da Lei nº 9.718/98. 3. Medida cautelar deferida, excluídos desta os processos em andamentos no Supremo Tribunal Federal Por não se ter ainda uma decisão definitiva de mérito no STF, não há que se invocar o art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), em que se prevê a obrigatoriedade de os conselheiros reproduzirem o teor de decisão transitada em julgado em processos submetidos à regra da repercussão geral (art. 543B do Código de Processo Civil – CPC). Além do mais, tendo a Portaria MF nº 545, de 18 de novembro de 2013, revogado os parágrafos primeiro e segundo do mesmo art. 62A do Anexo II do RICARF, desde então, não se perscruta mais acerca de possível sobrestamento de julgamentos no âmbito deste Colegiado enquanto pendente decisão definitiva no regime do art. 543B do CPC. Para a análise do mérito da presente controvérsia, não se pode perder de vista que o ICMS é imposto cujo cálculo se processa pelo método denominado “por dentro”, ou seja, o montante do imposto integra a sua própria base de cálculo; logo, pretender excluir o valor do imposto para cálculo do PIS e da Cofins é pretender reduzir o próprio faturamento. Em conformidade com esse entendimento, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) editou a súmula n° 68 com o seguinte teor: a parcela relativa ao ICM incluise na base de calculo do PIS. 1 ADC n° 18/DF Fl. 80DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/04/2014 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11030.904106/201295 Acórdão n.º 3803005.543 S3TE03 Fl. 81 19 Essa mesma conclusão tem sido exarada em outros julgados, como por exemplo na decisão contida no Recurso Especial n° 501.626/RS e no AMS 2004.71.01.0050408/PR do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, in verbis: REsp 501626 / RS TRIBUTÁRIO PIS E COFINS: INCIDÊNCIA INCLUSÃO NO ICMS NA BASE DE CÁLCULO. 1. O PIS e a COFINS incidem sobre o resultado da atividade econômica das empresas (faturamento), sem possibilidade de reduções ou deduções. 2. Ausente dispositivo legal, não se pode deduzir da base de cálculo o ICMS. (grifei) 3. Recurso especial improvido. AMS APELAÇÃO EM MANDADO DE SEGURANÇA Processo: 2004.70.01.0050408 Ementa: PIS E COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DA PARCELA DO ICMS. Incluise na base de cálculo do PIS e da COFINS a parcela relativa ao ICMS devido pela empresa na condição de contribuinte (Súmula 258, TFR e Súmula 68, STJ), eis que tudo o que entra na empresa a título de preço pela venda de mercadorias corresponde à receita faturamento , independente da parcela destinada a pagamento de tributos. (grifei) Nesse sentido, temse que a receita de vendas de mercadorias configura o faturamento da pessoa jurídica, base de cálculo da contribuição, sendo irrelevante haver ou não tributo nela incluso, pois a Constituição Federal, ao atribuir competência à União para instituir a contribuição, não disseca os elementos constituintes do termo linguístico “faturamento”, prevendose a incidência sobre todo o montante assim constituído. Além do mais, nos termos do art. 110 do Código Tributário Nacional (CTN), “[a] lei tributária não pode alterar a definição, o conteúdo e o alcance de institutos, conceitos e formas de direito privado, utilizados, expressa ou implicitamente, pela Constituição Federal, pelas Constituições dos Estados, ou pelas Leis Orgânicas do Distrito Federal ou dos Municípios, para definir ou limitar competências tributárias”. Nos termos do art. 1º da Lei nº 10.637, de 2002, a contribuição para o PIS não cumulativa tem como fato gerador o faturamento, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil, encontrandose previstas no § 3º do mesmo artigo as exclusões autorizadas, havendo a previsão de exclusão de créditos de ICMS transferidos onerosamente a outros contribuintes do imposto, nos casos de operações de exportação (inciso VII do § 3º do art. 1º da Lei nº 10.637, de 2003), mas somente nessa hipótese. Dessa forma, concluise pela impossibilidade de exclusão do ICMS da base de cálculo da contribuição para o PIS e da Cofins. Fl. 81DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/04/2014 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11030.904106/201295 Acórdão n.º 3803005.543 S3TE03 Fl. 82 20 Diante do exposto, voto por NEGAR provimento ao recurso. É como voto. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis – Redator designado Fl. 82DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/04/2014 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS
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