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Numero do processo: 19515.001959/2010-71
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 17 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jul 30 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2000 a 31/01/2004
DOCUMENTAÇÃO DEFICIENTE. AFERIÇÃO INDIRETA. CABIMENTO.
A constatação, pelo exame da escrituração contábil ou de qualquer outro documento da empresa, de que a contabilidade não registra o movimento real das remunerações dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, é motivo justo, bastante, suficiente e determinante para a apuração, por aferição indireta, das contribuições previdenciárias efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário.
LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA PRINCIPAL. ART. 37 DA LEI Nº 8.212/91.
Uma vez constatado o atraso total ou parcial no recolhimento das contribuições sociais previstas na Lei de Custeio da Seguridade Social, a fiscalização lavrará Auto de Infração, com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem.
Recurso de Ofício Negado
Numero da decisão: 2302-003.224
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso de Ofício, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Liége Lacroix Thomasi Presidente de Turma.
Arlindo da Costa e Silva - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente de Turma), Leonardo Henrique Pires Lopes (Vice-presidente de turma), André Luis Mársico Lombardi, Leo Meirelles do Amaral, Juliana Campos de Carvalho Cruz e Arlindo da Costa e Silva.
Nome do relator: ARLINDO DA COSTA E SILVA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2000 a 31/01/2004 DOCUMENTAÇÃO DEFICIENTE. AFERIÇÃO INDIRETA. CABIMENTO. A constatação, pelo exame da escrituração contábil ou de qualquer outro documento da empresa, de que a contabilidade não registra o movimento real das remunerações dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, é motivo justo, bastante, suficiente e determinante para a apuração, por aferição indireta, das contribuições previdenciárias efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA PRINCIPAL. ART. 37 DA LEI Nº 8.212/91. Uma vez constatado o atraso total ou parcial no recolhimento das contribuições sociais previstas na Lei de Custeio da Seguridade Social, a fiscalização lavrará Auto de Infração, com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem. Recurso de Ofício Negado
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AFERIÇÃO INDIRETA. CABIMENTO. A constatação, pelo exame da escrituração contábil ou de qualquer outro documento da empresa, de que a contabilidade não registra o movimento real das remunerações dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, é motivo justo, bastante, suficiente e determinante para a apuração, por aferição indireta, das contribuições previdenciárias efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA PRINCIPAL. ART. 37 DA LEI Nº 8.212/91. Uma vez constatado o atraso total ou parcial no recolhimento das contribuições sociais previstas na Lei de Custeio da Seguridade Social, a fiscalização lavrará Auto de Infração, com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem. Recurso de Ofício Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso de Ofício, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Liége Lacroix Thomasi – Presidente de Turma. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 19 59 /2 01 0- 71 Fl. 1262DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 2 Arlindo da Costa e Silva Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente de Turma), Leonardo Henrique Pires Lopes (Vicepresidente de turma), André Luis Mársico Lombardi, Leo Meirelles do Amaral, Juliana Campos de Carvalho Cruz e Arlindo da Costa e Silva. Fl. 1263DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 19515.001959/201071 Acórdão n.º 2302003.224 S2C3T2 Fl. 1.256 3 Relatório Período de apuração: 01/01/2000 a 31/01/2004 Data da lavratura do Auto de Infração: 16/08/2010. Data da Ciência do Auto de Infração: 16/08/2010. Temse em pauta Recurso de Ofício interposto pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo I/SP, em face de Decisão Administrativa de 1ª Instância por esta proferida que reconheceu a procedência parcial do lançamento aviado no Auto de Infração de Obrigação Principal nº 37.283.6160, de 16/08/2010. De acordo com o Relatório Fiscal do Auto de Infração, o presente lançamento constitui Crédito Tributário Substitutivo, tendo em vista a declaração de nulidade da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito – NFLD DEBCAD n° 35.183.0383 (processo n° 19515.000789/200892), lavrada em 28/06/2004, proferida pela DecisãoNotificação n° 21.028.0/0054/2005, de 07/07/2005, a fls. 491/494, em virtude de erro na sua fundamentação legal devido à omissão do “Tipo de Débito – 62”, cuja descrição referese à “Lançamento Arbitrado – Empresas em Geral”, de correção inviável no sistema informatizado da Receita Federal do Brasil. O presente Auto de Infração engloba as contribuições previdenciárias a cargo dos segurados empregados, não retidas pela empresa e não repassadas ao órgão arrecadador, incidentes sobre seus respectivos Salários de Contribuição, apurados por aferição indireta. Na Auditoria Fiscal originária, a falta de apresentação de quaisquer documentos ou livros configurou a necessidade da utilização da aferição indireta para a constituição do crédito tributário, mediante o lançamento por arbitramento, respaldado no artigo 33, parágrafo 3º da Lei nº 8.212/91. Para tanto, foram consideradas as informações constantes do Relatório Fiscal do lançamento originário que apresenta, resumidamente, os seguintes fatos relevantes: a) Arbitrouse o numero de segurados empregados para a matriz e filiais, considerando as informações contidas no sistema informatizado do INSS de que, no período 01/2000 a 01/2004, houve, no máximo, 84 empregados vinculados. b) De acordo com o objeto social da empresa, o funcionamento adequado de cada estabelecimento não deveria apresentar menos que 51 empregados (1 gerente e 50 funcionários). Foram considerados ativos todos os estabelecimentos cadastrados no sistema informatizado do Instituto Nacional de Seguro Social — INSS. c) Nesses termos, o número de segurados do estabelecimento matriz foi arbitrado em 84 empregados (1 gerente geral, 1 gerente de setor e 82 funcionários), enquanto que os demais estabelecimentos foram arbitrados em 51 empregados (l gerente e 50 funcionários). Fl. 1264DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 4 d) Os valores de remuneração dos segurados empregados foram arbitrados de acordo com o seguinte critério: Gerente geral – R$ 5.000,00; Gerente de Setor – R$ 3.000,00; Gerente de Filial – R$ 3.000,00; Funcionários – R$ 500,00 (300,00 fixo + 200,00 comissões). e) As contribuições previdenciárias incidentes sobre a remuneração arbitrada resultou da aplicação dos seguintes percentuais: (a) contribuição dos segurados empregados – 8%; (b) contribuição da empresa – 20%; (c) contribuição adicional da empresa para o Seguro de Acidentes do Trabalho / financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade labor ativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho – 2%; (d) contribuições destinadas aos Terceiros – 5,8%. f) Considerando as informações constantes do Relatório Fiscal da NFLD substituída, a base de cálculo mensal da empresa foi arbitrada em R$ 1.001.000,00 para o período 01/2000 a 01/2004, conforme planilha demonstrativa de fls. 513. Irresignado, o Sujeito Passivo ofereceu impugnação administrativa a fls. 521/552, com a juntada de documentos a fls. 553/963. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo I/SP baixou o feito em diligência para que a Autoridade Lançadora prestasse esclarecimentos necessários ao julgamento, em especial, a análise dos documentos disponibilizados pelo contribuinte em sede de defesa administrativa, conforme Despacho nº 102/2010 a fls. 966/969. Em atendimento, a Autoridade Fiscal responsável pela diligência pronunciou se por meio do Relatório da Diligência Fiscal, com a juntada de documentos complementares a fls. 1462/1475 e 1015/1461, respectivamente, do Processo Administrativo Fiscal nº 19515.001958/201026. Promovida a ciência da referida Informação Fiscal ao Sujeito Passivo, este se manifestou formalmente a fls. 1480/1485 do Processo Administrativo Fiscal nº 19515.001958/201026, sustentando que, uma vez que o Mandado de Procedimento Fiscal teve início em 24/02/2010 para análise dos fatos ocorridos no período 01/2000 a 01/2004, o saldo remanescente resultante da diligência fiscal encontrarseia decaído. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo I/SP proferiu decisão administrativa textualizada no Acórdão nº 1641.635 13ª Turma da DRJ/SP1, a fls. 1229/1245, julgando procedente em parte o lançamento tributário, para retificar o crédito tributário na forma proposta pela Autoridade Lançadora em seu Relatório da Diligência Fiscal, nos termos expostos no Discriminativo Analítico do Débito Retificado DADR a fls. 992/1228, e recorrendo de ofício de sua decisão. O Sujeito Passivo foi cientificado da decisão de 1ª Instância no dia 16/02/2013, conforme nos termos do Edital a fls. 1251, deixando escoar o prazo legal sem oferecer Recurso Voluntário em face da decisão administrativa acima referida, conforme Termo de Perempção e Despacho de Encaminhamento a fls. 2057 e 2059, respectivamente, do Processo Administrativo Fiscal nº 19515.001958/201026. Relatados sumariamente os fatos de maior relevo. Fl. 1265DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 19515.001959/201071 Acórdão n.º 2302003.224 S2C3T2 Fl. 1.257 5 Voto Conselheiro Arlindo da Costa e Silva, Relator. 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE Presentes os requisitos de admissibilidade do Recurso de Ofício, dele conheço. 2. DO RECURSO DE OFÍCIO A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo I/SP proferiu decisão administrativa textualizada no Acórdão nº 1641.635 13ª Turma da DRJ/SP1, a fls. 1229/1245, julgando procedente em parte o lançamento tributário, para retificar o crédito tributário na forma proposta pela Autoridade Lançadora em seu Relatório da Diligência Fiscal, nos termos expostos no Discriminativo Analítico do Débito Retificado DADR a fls. 992/1228, e recorrendo de ofício de sua decisão. Não merece reparos a decisão de 1ª Instância. Com efeito, considerando as alegações apresentadas pelo Contribuinte em sede de Impugnação Administrativa, a DRJ/São Paulo I/SP baixou o feito em diligência fiscal para que fossem prestados esclarecimentos necessários ao julgamento, em especial, o exame dos documentos disponibilizados pelo Sujeito Passivo. Em atendimento, a Autoridade Fiscal responsável pela diligência emitiu Relatório da Diligência Fiscal, com a juntada de documentos complementares a fls. 1462/1475 e 1015/1461, respectivamente, do Processo Administrativo Fiscal nº 19515.001958/201026, no qual apresentou os seguintes esclarecimentos, em resumo: a) Que o contribuinte foi intimado e reintimado a apresentar os livros e documentos do período de 01/2000 a 01/2004 visando à verificação e análise de sua contabilidade com o intuito de dirimir as dúvidas suscitadas sobre o procedimento de constituição do crédito tributário, tendo em vista as alegações contidas na Impugnação interposta e os documentos anexados ao processo; b) Que, em 06/01/2012, após decorrido quase um ano da lavratura do Termo de Início do Procedimento Fiscal, o sujeito passivo disponibilizou parte dos documentos solicitados: DIPJ dos anosbase 2001, 2002, 2003 e 2004; Demonstração do Resultado do Exercício DRE Sintética e Fl. 1266DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 6 Balanços Patrimoniais referentes aos anoscalendário 2000, 2001, 2002, 2003 e 2004; Balancetes Contábeis Analíticos referentes às competências 12/2002, 12/2003, 12/2004; Resumos da Folha de Pagamento referentes aos anoscalendário 2000, 2003 e 2004; planilha comparativa da massa salarial da Folha de Pagamento, GFIP e RAIS; c) Que, em consulta ao Sistema Informatizado da Secretaria da Receita Federal – RFB, restou constatado que os estabelecimentos incluídos no levantamento fiscal estavam ativos no período da constituição do crédito tributário, razão pela qual foi mantido o levantamento fiscal para todos os estabelecimentos arrolados na tabela a fls. 1469/1470 do Processo Administrativo Fiscal nº 19515.001958/201026; d) Que, com base nos escassos documentos apresentados, a Autoridade Fiscal constatou a discrepância existente entre o salário de contribuição obtido por aferição indireta e o total da Receita Bruta da empresa, esta inferior àquela em todos os anoscalendário analisados, conforme ilustrado na tabela do item 19, a fl. 1470 do Processo Administrativo Fiscal nº 19515.001958/201026; e) Que realizada a comparação entre as declarações RAIS, GFIP e DIPJ e as informações constantes em Folha de Pagamento, levando em consideração os Custos Totais dos Balancetes Contábeis apresentados e as Receitas auferidas, conforme quadro exposto no item 20, a fls. 1470/1471 do Processo Administrativo Fiscal nº 19515.001958/201026, o Auditor Fiscal confirmou a existência de discrepância entre as informações referentes à massa salarial do período, concluindo que a empresa deixou de informar na RAIS e na GFIP o total da massa salarial paga aos segurados empregados, e que também não havia apresentado à Fiscalização todos os resumos das folhas de pagamento do período de 01/2000 a 01/2004; f) Que, considerando a escassez de informações disponibilizadas pelo contribuinte, a Autoridade Fiscal adequou a aferição da massa salarial às informações constantes dos documentos apresentados, conforme o procedimento descrito às fls. 1470/1474 do Processo Administrativo Fiscal nº 19515.001958/201026, e abaixo resumido: 1) Inicialmente, foi constatada a discrepância existente entre o salário de contribuição obtido por aferição indireta e o total das Receitas Brutas da empresa, sendo esta inferior àquele em todo o período analisado; 2) Foi efetuada a comparação da massa salarial constante da RAIS, GFIP e Folha de Pagamento, com os valores informados na DIPJ e aqueles constantes da conta Custos Totais dos Balancetes Contábeis apresentados, os quais foram confrontados com as Receitas auferidas. Tal análise possibilitou a apuração da grande discrepância existente entre a massa salarial da RAIS, GFIP e Folha de Pagamento, em comparação com os valores informados na DIPJ e aqueles constantes dos Balancetes Contábeis, na conta Custo dos Serviços Prestados. Com isso, a Autoridade Fiscal concluiu que a empresa deixou de informar na RAIS e na GFIP o total da massa salarial paga aos segurados empregados; Fl. 1267DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 19515.001959/201071 Acórdão n.º 2302003.224 S2C3T2 Fl. 1.258 7 3) Para adequação da aferição do salário de contribuição aos documentos apresentados pelo contribuinte, em especial seus Balancetes Contábeis, o Auditor Fiscal realizou comparativo entre o valor referente ao Custo dos Serviços Prestados dos anos 2003 e 2004 com os respectivos custos totais (anos em que tal discriminação constava dos balancetes) e aplicou esta proporção para os anos 2000, 2001 e 2002, obtendo o valor do custo ajustado; 4) De forma análoga, a Autoridade Fiscal apurou o valor da mão de obra contida no total das despesas administrativas dos anos 2000 e 2001 a partir do valor médio apurado nos anos 2002, 2003 e 2004, obtendo o valor da mão de obra ajustada. 5) Finalmente, os valores do custo ajustado e da mão de obra ajustada foram somados, obtendose o valor da mão de obra total anual. A partir deste valor, foi calculado o valor mensal da mão de obra para a empresa e para cada estabelecimento incluído no lançamento em análise, conforme discriminativo apresentado no item 29, a fl. 1473 do Processo Administrativo Fiscal nº 19515.001958/201026; g) Considerando os novos valores do salário de contribuição mensal, apurado por estabelecimento, a Autoridade Fiscal sugeriu a retificação do presente lançamento para sua adequação aos valores discriminados acima, conforme planilha apresentada no item 30, a fls. 1473/1474 do Relatório da Diligência Fiscal, acostado ao Processo Administrativo Fiscal nº 19515.001958/201026. Cientificado pessoalmente em 26/01/2012 do resultado da diligência fiscal, o contribuinte apresentou Aditamento à defesa a fls. 1480/1485 do Processo Administrativo Fiscal nº 19515.001958/201026, não se manifestando sobre a os critérios de arbitramento adotados pela Fiscalização, tampouco a respeito da nova base de cálculo apurada mediante aferição indireta, resumindo sua manifestação na tese de que o saldo remanescente resultante da diligência fiscal estaria decaído, uma vez que o Mandado de Procedimento Fiscal teve início em 24/02/2010 para análise dos fatos ocorridos no período 01/2000 a 01/2004. Entendo não merecer reparos a Decisão de Primeira Instância Administrativa. Com efeito, a estrutura normativa dos tributos em geral aponta no sentido de que a sua base de cálculo, em princípio, deve ser apurada com base em documentos do Sujeito Passivo que registrem, de forma precisa, os montantes pecuniários correspondentes a cada hipótese de incidência prevista nas leis de regência correspondentes. Para tanto, no caso das contribuições previdenciárias, exige o art. 32 da Lei de Custeio da Seguridade Social que a empresa, mensalmente, elabore folhas de pagamento, lance em títulos próprios de sua contabilidade todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias, informe ao Fisco Fl. 1268DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 8 Federal, mediante GFIP, todos os citados fatos geradores e outras informações de interesse do INSS, etc. Excepcionalmente, nas ocasiões em que o conhecimento fiel dos fatos geradores ocorridos na empresa, pelo exame dos documentos acima referidos, não for viável, o ordenamento jurídico admite o emprego meios indiretos para a apuração da base de cálculo das contribuições sociais devidas. No caso em apreciação, a recusa da Empresa, embora intimada, em apresentar todos os documentos necessários à perfeita identificação dos fatos geradores, obrigaram a Fiscalização a dimensionar a matéria tributável mediante o procedimento de aferição indireta, com fulcro no permissivo encartado nos §§ 3º e 6º do artigo 33 da Lei nº 8.212/91. A não observância das obrigações tributárias exigidas pela legislação de regência frustrou os objetivos da lei, prejudicando a atuação ágil e eficiente dos agentes do fisco, que se viram impelidos a despender uma energia investigatória suplementar na apuração dos fatos geradores em realce, não somente nos documentos suso destacados, mas, igualmente, em outras fontes de informação. Ocorre, todavia, que o Sujeito Passivo, no decorrer dos procedimentos de Fiscalização destinados à constituição do lançamento substitutivo, apresentou parte dos documentos a que fora intimado. Em honra ao princípio da verdade material e do Devido Processo Legal, não vislumbramos qualquer irregularidade no exame de tais documentos, os quais foram disponibilizados à analise da Autoridade Fiscal no decorrer do procedimento de fiscalização, além daqueles anexados à sua Impugnação. Buscase, assim, dimensionar a base de cálculo apurada por arbitramento, de maneira a aproximála o máximo possível da base de cálculo real, a qual somente poderia ser determinada caso todos os fatos geradores ocorridos no período fossem devidamente registrados nos documentos próprios previstos na legislação tributária, fato que não ocorreu no caso presente. Do exame do conjunto probatório acostado ao fim aos autos, concluiu a Autoridade Lançadora que a aferição indireta anteriormente realizada não era representativa da base de cálculo real, e reestruturou os critérios de arbitramento de maneira a adequála à nova realidade exposta na pletora documental. Do exame de tal critério, não vislumbramos qualquer excrescência ou desvio que possa macular o procedimento levado a efeito pelo Fisco. Da mesma maneira, levado tal critério de arbitramento e os termos da retificação do crédito tributário ao conhecimento do Sujeito Passivo, este não teceu qualquer contestação em face dos parâmetros de aferição indireta adotados pela Autoridade Fiscal. Nessa vertente, considerando que a própria Autoridade Lançadora, dentro dos parâmetros da legalidade e razoabilidade, reviu os critérios de arbitramento e propôs a retificação do crédito tributário; Considerando que o lançamento encontrase revestido de todas as formalidades exigidas por lei, e considerando que o Sujeito Passivo foi cientificado de todas as decisões de relevo exaradas no curso do presente feito, favorecendo, assim, a contradita dos termos do lançamento e o devido processo legal, entendo correta a decisão proferida pelo Fl. 1269DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 19515.001959/201071 Acórdão n.º 2302003.224 S2C3T2 Fl. 1.259 9 Órgão Julgador de 1ª Instância, razão pela qual pugnamos pela negativa de provimento ao Recurso de Ofício. 3. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, CONHEÇO do recurso de ofício para, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. Arlindo da Costa e Silva, Relator. Fl. 1270DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI
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Numero do processo: 10850.722324/2011-14
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jul 03 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3801-000.674
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Paulo Sérgio Celani - Presidente Substituto.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Borges - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani (Presidente Substituto), José Luiz Feistauer De Oliveira, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Jacques Mauricio Ferreira Veloso De Melo.
Nome do relator: MARCOS ANTONIO BORGES
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Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Paulo Sérgio Celani Presidente Substituto. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani (Presidente Substituto), José Luiz Feistauer De Oliveira, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Jacques Mauricio Ferreira Veloso De Melo. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 50 .7 22 32 4/ 20 11 -1 4 Fl. 489DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 05/05/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 10850.722324/201114 Resolução nº 3801000.674 S3TE01 Fl. 490 2 Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da decisão recorrida, que transcrevo a seguir: Trata o presente processo de Pedido de Restituição de créditos de Cofins, referentes a pagamento efetuado indevidamente ou ao maior. Os pedidos foram transmitidos através dos PER’s nº: (...) O despacho decisório de fls. 114/118, indeferiu os pedidos, pois os pagamentos indicados nos PER’s teriam sido integralmente utilizados para quitar débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição. O despacho foi encaminhado para ciência do contribuinte, conforme comprovante constante à fl. 120. Irresignado, o recorrente apresentou, tempestivamente, a manifestação de inconformidade de fls. 122/128, para alegar que: I. O Despacho Decisório não teria examinado o motivo real dos recolhimentos a maior, por não ter aventado a possibilidade de que tais pagamentos seriam devido à ampliação da base de cálculo do PIS e da Cofins de que trata a Lei nº 9.718/98; dessa forma, deveria ser reformado, em desrespeito ao artigo 65 da IN RFB nº 900/2008, e ao artigo 142 do Código Tributário Nacional – CTN; II. Os pagamentos indevidos, objeto dos pedidos de restituição, seriam devido à inconstitucionalidade do parágrafo 1º, do artigo 3º, da Lei nº 9.718/98, que trata da ampliação da base de cálculo do PIS e da Cofins; a discussão de tal matéria estaria superada pelo STF, pois já teria sido aplicada a repercussão geral no RE nº 585.235, de 10/09/2008; III. Outra prova da pacificação de tal entendimento seria a edição da Lei nº 11.941/2009, que teria revogado o parágrafo 1º, do artigo 3º, da Lei nº 9.718/98; IV. O entendimento do STF deveria ser aplicado às decisões administrativas, conforme os seguintes dispositivos: inciso I do parágrafo 6º, do artigo 26A, do Decreto nº 72.235/72 – PAF; inciso I, do artigo 59, do Decreto n° 7.574/2011; inciso I, parágrafo 1º, do artigo 62 e caput do artigo 62A., ambos do RICARF; Concluiu argumentando que na base de cálculo do PIS e da Cofins deveriam ser incluídos os valores correspondentes apenas às receitas de vendas de mercadorias e serviços. Solicitou comprovar as alegações através da realização de diligência, perícia e juntada de documentos. Fl. 490DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 05/05/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 10850.722324/201114 Resolução nº 3801000.674 S3TE01 Fl. 491 3 Apensou planilhas e balancetes contendo as receitas financeiras da empresa (fls. 150/206). A Delegacia de Julgamento em Ribeirão Preto (SP) proferiu a seguinte decisão, nos termos da ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 31/05/2001 AMPLIAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE. A inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo da Cofins e da Contribuição para o PIS/Pasep, reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal em recurso extraordinário, não gera efeitos erga omnes, sendo incabível sua aplicação a contribuintes que não façam parte da respectiva ação. RESTITUIÇÃO. AUSÊNCIA DE SALDO A RESTITUIR. Verificado que o crédito pleiteado foi totalmente utilizado, em momento anterior, para quitação de débitos declarados em DCTF, resta impossibilitada, por falta de saldo, a restituição. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/05/2001 PEDIDO DE PERÍCIA. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO. Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários à adequada solução da lide, indeferese, por prescindível, o pedido de diligência ou perícia. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada, a contribuinte recorre a este Conselho reproduzindo, na essência, as razões apresentadas por ocasião da impugnação e juntando documentação comprobatória. É o relatório. Fl. 491DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 05/05/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 10850.722324/201114 Resolução nº 3801000.674 S3TE01 Fl. 492 4 Voto Conselheiro Marcos Antonio Borges O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto dele tomase conhecimento. A questão posta em discussão cingese ao direito ao crédito de COFINS pago com base no art. 3º, § 1, da Lei n° 9.718, de 1998, que foram posteriormente declarados inconstitucionais pelo Supremo Tribunal Federal. Preliminarmente, entendo que deve ser considerada a documentação comprobatória apresentada em sede de Recurso Voluntário, que, em tese, estaria atingida pela preclusão consumativa, em obediência aos princípios da ampla defesa e da verdade material, conforme entendimento prevalente nesse colegiado e que foram juntadas em complemento aos documentos comprobatórios apensados anteriormente, os quais, em tese, ratificam os argumentos apresentados. No mérito, vejamos o alegado: A Lei nº 9.718/98, conversão da Medida Provisória nº 1.724/98, estendeu o conceito de faturamento, base de cálculo das contribuições PIS e Cofins, definindoo no §1º do art. 3º como "receita bruta" da pessoa jurídica, e esta seria “a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas”. Ocorre, todavia, que o Pleno do Egrégio Supremo Tribunal Federal (STF), no julgamento dos Recursos Extraordinários n.ºs 357.950/RS, 358.273/RS, 390840/MG, Relator Ministro Marco Aurélio, e n.º 346.0846/PR, do Ministro Ilmar Galvão, pacificou o entendimento da inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo das contribuições destinadas ao PIS e à Cofins, promovida pelo § 1º, do artigo 3º, da Lei n.º 9.718/98. Os aludidos acórdãos foram assim ementados: CONSTITUCIONALIDADE SUPERVENIENTE ARTIGO 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718, DE 27 DE NOVEMBRO DE 1998 EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 20, DE 15 DE DEZEMBRO DE 1998. O sistema jurídico brasileiro não contempla a figura da constitucionalidade superveniente. TRIBUTÁRIO INSTITUTOS EXPRESSÕES E VOCÁBULOS SENTIDO. A norma pedagógica do artigo 110 do Código Tributário Nacional ressalta a impossibilidade de a lei tributária alterar a definição, o conteúdo e o alcance de consagrados institutos, conceitos e formas de direito privado utilizados expressa ou implicitamente. Sobrepõese ao aspecto formal o princípio da realidade, considerados os elementos tributários. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PIS RECEITA BRUTA NOÇÃO INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98. A jurisprudência do Supremo, ante a redação do artigo 195 da Carta Federal anterior à Emenda Constitucional nº 20/98, consolidouse no sentido de tomar as expressões receita bruta e Fl. 492DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 05/05/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 10850.722324/201114 Resolução nº 3801000.674 S3TE01 Fl. 493 5 faturamento como sinônimas, jungindoas à venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. É inconstitucional o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvida e da classificação contábil adotada. No mais, o STF, no julgamento do RE nº 585.235, publicado no DJ nº 227 do dia 28/11/2008, julgado no qual havia sido aplicada a repercussão geral da matéria em exame, reconheceu a inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98. Segue a ementa, in verbis: RECURSO. Extraordinário. Tributo. Contribuição social. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ de 1º.9.2006; REs nos 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJ de 15.8.2006) Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Neste sentido, há de se observar o artigo 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo Fiscais (CARF), aprovado pela Portaria nº 256/2009 do Ministro da Fazenda, com alterações das Portarias 446/2009 e 586/2010, que dispõe que os Conselheiros têm que reproduzir as decisões do STF proferidas na sistemática da repercussão geral, in verbis: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543 C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Outrossim, o Decreto nº 70.235/72, que rege o processo fiscal, estabelece: “Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade* (...) §6º O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo:* I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal;* (...)” *Nova redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009 Fl. 493DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 05/05/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 10850.722324/201114 Resolução nº 3801000.674 S3TE01 Fl. 494 6 Atentese que em relação ao PIS, a partir da Lei 10.637, de 2002, e à Cofins, a partir da Lei 10.833, de 2003, para aquelas empresas sujeitas ao regime não cumulativo de apuração das referidas contribuições, essa discussão deixou de ser pertinente, vez que as normas em questão instituíram nova base de cálculo, desta feita com amparo na Constituição Federal, pela redação da Emenda Constitucional 20, de 1998. Além do mais, em consonância com o entendimento da Excelsa Corte, a Lei nº 11.941/09 revogou expressamente o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98. Da análise dos demonstrativos e da Declaração de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), verificase que outras receitas compuseram a base de cálculo da contribuição COFINS em desacordo com o conceito de faturamento adotado pelo Supremo Tribunal Federal (STF), qual seja, a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviço de qualquer natureza. Com efeito, é incontroverso o bom direito da recorrente em relação aos recolhimentos à título de Cofins nos períodos de apuração apontados nos pedidos de restituição, tendo em vista que esse litígio administrativo tem como objeto principal a restituição de contribuição paga a maior com fundamento na declaração de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 pelo Excelso STF (alargamento da base de cálculo do PIS e da Cofins). Em que pese o direito da interessada, do exame dos elementos comprobatórios, Constatase que, no caso vertente, os documentos apresentados são insuficientes para se apurar a correta composição da base de cálculo da contribuição da Cofins e eventuais pagamentos a maior. Ante ao exposto, voto no sentido de converter o presente julgamento em diligência, para que a Delegacia de origem: a) apure a composição da base de cálculo da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) com base na documentação apresentada e na escrita fiscal e contábil, relativo aos períodos de apuração apontados nos pedidos de restituição, e a correção dos valores inicialmente pleiteados correspondentes à indevida ampliação da base de cálculo do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98; b) cientifique a interessada quanto ao teor dos cálculos para, desejando, manifestarse no prazo de dez dias. Após a conclusão da diligência, retornar o processo a este CARF para julgamento. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Fl. 494DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 05/05/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por PAULO SERGIO CELANI
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Numero do processo: 10850.908560/2011-18
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Jul 21 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3801-000.652
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Paulo Sérgio Celani Presidente Substituto.
(assinado digitalmente)
Sidney Eduardo Stahl - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e José Luiz Feistauer de Oliveira.
Nome do relator: SIDNEY EDUARDO STAHL
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Paulo Sérgio Celani Presidente Substituto. (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e José Luiz Feistauer de Oliveira.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Paulo Sérgio Celani – Presidente Substituto. (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e José Luiz Feistauer de Oliveira. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 50 .9 08 56 0/ 20 11 -1 8 Fl. 140DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 19/07/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 10850.908560/201118 Resolução nº 3801000.652 S3TE01 Fl. 138 2 Relatório Trata o presente de Pedido de Restituição apresentado pelo contribuinte, com a finalidade de ter restituído valores supostamente recolhidos indevidamente, no valor total de R$ 513,00. Devidamente processado o pedido de restituição do contribuinte foi proferido despacho decisório que indeferiu o pedido formulado sob a justificativa de que existe um débito confessado pelo contribuinte por meio de DCTF, no valor igual do recolhimento objeto do pedido de restituição, inexistindo, portanto, crédito a ser restituído. Intimado, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade aonde requereu a reunião do presente processo a outros por ele relacionados, justificando que tratam da mesma matéria e possuem os mesmos fundamentos e em sede de preliminar alegou, em síntese, que não foi intimado para prestar quaisquer esclarecimentos quanto o direito ao seu crédito, bem como que a fiscalização não teria tomando conhecimento das razões que justificassem o pedido de restituição. No mérito aduziu que o crédito a que pretende a restituição fora indevidamente recolhido conforme ficou evidenciado na declaração de inconstitucionalidade do artigo 3º, parágrafo 1º da Lei n.º 9.718/1998 pelo STF. Em sede se julgamento da Manifestação de Inconformidade, a DRJ houve por bem julgála improcedente nos termos da seguinte ementa: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 31/10/2000 AMPLIAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE. A inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo da Cofins e da Contribuição para o PIS/Pasep, reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal em recurso extraordinário, não gera efeitos erga omnes, sendo incabível sua aplicação a contribuintes que não façam parte da respectiva ação. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/10/2000 PROVA DOCUMENTAL. PRECLUSÃO. A prova documental do direito creditório deve ser apresentada na manifestação de inconformidade, precluindo o direito de o contribuinte fazêlo em outro momento processual sem que se verifiquem as exceções previstas em lei. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido” Fl. 141DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 19/07/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 10850.908560/201118 Resolução nº 3801000.652 S3TE01 Fl. 139 3 Intimado do acórdão proferido pela DRJ, a contribuinte interpôs Recurso Voluntário, juntando nova documentação e alegando, além dos argumentos de sua Impugnação, que a DCTF não é o único meio de prova da existência do crédito passível de restituição, bem como que os artigos 165 do CTN e artigo 74 da Lei 9.430/96 não condicionam o reconhecimento do crédito a quaisquer retificações de declarações. Ademais, alega que os documentos apresentados em sua Impugnação (planilha de cálculo e livro diário e os respectivos termos de abertura e encerramento) são suficientes para comprovar o seu crédito e que a DRF teria inovado no processo trazendo tais argumentos novos à lide, o que permitiria, inclusive, a apresentação de provas adicionais ao presente processo ao contrário do que esposado no acórdão recorrido, sob pena de afronta ao princípio da verdade material. É o que importa relatar, Fl. 142DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 19/07/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 10850.908560/201118 Resolução nº 3801000.652 S3TE01 Fl. 140 4 Voto O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto dele tomo conhecimento. Examino preliminarmente o pedido de reunião dos processos, e tenho que assiste razão ao acórdão recorrido que entendeu pela impossibilidade de reunião dos processos. Tomo a decisão com base no artigo 1º da Portaria n.º 666/2008 da RFB, cuja redação abaixo se transcreve: “Art. 1 º Serão objeto de um único processo administrativo: I as exigências de crédito tributário do mesmo sujeito passivo, formalizadas com base nos mesmos elementos de prova, referentes: (...) II a suspensão de imunidade ou de isenção ou a nãohomologação de compensação e o lançamento de ofício de crédito tributário delas decorrentes; III as exigências de crédito tributário relativo a infrações apuradas no Simples que tiverem dado origem à exclusão do sujeito passivo dessa forma de pagamento simplificada, a exclusão do Simples e o lançamento de ofício de crédito tributário dela decorrente; IV os Pedidos de Restituição ou de Ressarcimento e as Declarações de Compensação (Dcomp) que tenham por base o mesmo crédito, ainda que apresentados em datas distintas; V as multas isoladas aplicadas em decorrência de compensação considerada não declarada.” Para a reunião dos processos, de acordo com o dispositivo normativo, o pedido de restituição ou de ressarcimento deve ter por base o mesmo crédito, o que não ocorre nos casos dos processos administrativos relacionados pela Recorrente, pois se tratam de crédito cujos período de apuração são distintos, muito embora a argumento para afastar o não reconhecimento do crédito seja o mesmo, ou seja, a inconstitucionalidade do artigo 3º, parágrafo 1º da Lei n.º 9.718/1998. Portanto, rejeito o pedido de reunião dos processos formulado pela Recorrente. Quanto ao mérito, entretanto, apesar da tese esposada no acórdão da DRJ tenho que o presente processo deve seguir caminho diverso. O Pleno do Egrégio Supremo Tribunal Federal (STF), no julgamento dos Recursos Extraordinários n.ºs 357.950/RS, 358.273/RS, 390840/MG, Relator Ministro Marco Aurélio, pacificou o entendimento da inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo das contribuições destinadas ao PIS e à COFINS, promovida pelo § 1º, do artigo 3º, da Lei n.º 9.718/98, conforme ementa abaixo colacionada: CONSTITUCIONALIDADE SUPERVENIENTE ARTIGO 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718, DE 27 DE NOVEMBRO DE 1998 EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 20, DE 15 DE DEZEMBRO DE 1998. O Fl. 143DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 19/07/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 10850.908560/201118 Resolução nº 3801000.652 S3TE01 Fl. 141 5 sistema jurídico brasileiro não contempla a figura da constitucionalidade superveniente. TRIBUTÁRIO INSTITUTOS EXPRESSÕES E VOCÁBULOS SENTIDO. A norma pedagógica do artigo 110 do Código Tributário Nacional ressalta a impossibilidade de a lei tributária alterar a definição, o conteúdo e o alcance de consagrados institutos, conceitos e formas de direito privado utilizados expressa ou implicitamente. Sobrepõese ao aspecto formal o princípio da realidade, considerados os elementos tributários. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PIS RECEITA BRUTA NOÇÃO INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98. A jurisprudência do Supremo, ante a redação do artigo 195 da Carta Federal anterior à Emenda Constitucional nº 20/98, consolidouse no sentido de tomar as expressões receita bruta e faturamento como sinônimas, jungindoas à venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. É inconstitucional o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvida e da classificação contábil adotada. Destacase, nesse aspecto, que a matéria foi reconhecida como de “Repercussão Geral” e julgada pelo Supremo Tribunal Federal, conforme decisão proferida no RE 585.235, abaixo colacionado: Decisão: O Tribunal, por unanimidade, resolveu questão de ordem no sentido de reconhecer a repercussão geral da questão constitucional, reafirmar a jurisprudência do Tribunal acerca da inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei 9.718/98 e negar provimento ao recurso da Fazenda Nacional, tudo nos termos do voto do Relator. Vencido, parcialmente, o Senhor Ministro Marco Aurélio, que entendia ser necessária a inclusão do processo em pauta. Em seguida, o Tribunal, por maioria, aprovou proposta do Relator para edição de súmula vinculante sobre o tema, e cujo teor será deliberado nas próximas sessões, vencido o Senhor Ministro Marco Aurélio, que reconhecia a necessidade de encaminhamento da proposta à Comissão de Jurisprudência. Votou o Presidente, Ministro Gilmar Mendes. Ausentes, justificadamente, o Senhor Ministro Celso de Mello, a Senhora Ministra Ellen Gracie e, neste julgamento, o Senhor Ministro Joaquim Barbosa. Plenário, 10.09.2008. Assim, considerandose o disposto no art. 62A da Portaria MF n.º 256, de 22 de junho de 2009, alterada pela Portaria MF n.º 586, de 21 de dezembro de 20101 (Regimento Interno do CARF), devese afastar a tributação do PIS e da COFINS exigidas com base no disposto no art. 3º, § 1º, da Lei n.º 9.718, de 1998. Nada obstante, o órgão judicante a quo esqueceuse do dever da autoridade preparadora em zelar pela instrução na busca da verdade material, a teor do disposto na Lei 1 Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (alterações introduzidas pela Port. MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010–DOU de 22.12.2010). Fl. 144DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 19/07/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 10850.908560/201118 Resolução nº 3801000.652 S3TE01 Fl. 142 6 9.784, de 29 de janeiro de 1999, artigo 292, artigo 36, inteligência do artigo 37, artigo 38 e artigo 393. Não considerar tais documentos e negar o direito da contribuinte ao aproveitamento de seu crédito configuraria enriquecimento sem causa do Estado. Especificamente quanto à verdade material, transcrevo oportunas lições de Marcos Vinicius Neder e de Maria Tereza Martinez López: Em decorrência do princípio da legalidade, a autoridade administrativa tem o dever de buscar a verdade material. O processo fiscal tem por finalidade garantir a legalidade da apuração da ocorrência do fato gerador e a constituição do crédito tributário, devendo o julgador pesquisar, exaustivamente se, de fato, ocorreu a hipótese abstratamente prevista na norma e, em caso de impugnação do contribuinte, verificar aquilo que é realmente verdade, independente do alegado e provado, Odete Medauar preceitua que "o princípio da verdade material ou verdade real, vinculado ao princípio da oficialidade, exprime que a Administração deve tomar decisões com base nos fatos tais como se apresentam na realidade, não se satisfazendo com a versão oferecida pelos sujeitos Para tanto, tem o direito de carrear para o expediente todos os dados, informações, documentos a respeito da matéria tratada, sem estar jungida aos aspectos considerados pelos sujeitos. Segundo Alberto Xavier, a lei concede ao órgão fiscal meios instrutórios amplos para que venha formar sua livre convicção sobre os verdadeiros fatos praticados pelo contribuinte. Nesta perspectiva, é lícito ao órgão fiscal agir sponte sua com vistas a corrigir os fatos inveridicamente postos ou suprir lacunas na matéria de fato, podendo ser obtidas novas provas por meio de diligências e perícias. 4 Em que pese o direito da interessada, do exame dos elementos comprobatórios, 2 Art. 29. As atividades de instrução destinadas a averiguar e comprovar os dados necessários à tomada de decisão realizamse de ofício ou mediante impulsão do órgão responsável pelo processo, sem prejuízo do direito dos interessados de propor atuações probatórias. § 1º. O órgão competente para a instrução fará constar dos autos os dados necessários à decisão do processo. § 2º. Os atos de instrução que exijam a atuação dos interessados devem realizarse do modo menos oneroso para estes. 3 Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei. Art. 37. Quando o interessado declarar que fatos e dados estão registrados em documentos existentes na própria Administração responsável pelo processo ou em outro órgão administrativo, o órgão competente para a instrução proverá, de ofício, à obtenção dos documentos ou das respectivas cópias. Art. 38. O interessado poderá, na fase instrutória e antes da tomada da decisão, juntar documentos e pareceres, requerer diligências e perícias, bem como aduzir alegações referentes à matéria objeto do processo. § 1º. Os elementos probatórios deverão ser considerados na motivação do relatório e da decisão. § 2º. Somente poderão ser recusadas, mediante decisão fundamentada, as provas propostas pelos interessados quando sejam ilícitas, impertinentes, desnecessárias ou protelatórias. Art. 39. Quando for necessária a prestação de informações ou a apresentação de provas pelos interessados ou terceiros, serão expedidas intimações para esse fim, mencionandose data, prazo, forma e condições de atendimento. Parágrafo único. Não sendo atendida a intimação, poderá o órgão competente, se entender relevante a matéria, suprir de ofício a omissão, não se eximindo de proferir a decisão. 4 NEDER, Marcos Vinicius; LOPEZ, Maria Tereza Martinez. Processo Administrativo Fiscal Federal Comentado 2ª ed. São Paulo: Dialética, 2004, p. 74. Fl. 145DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 19/07/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 10850.908560/201118 Resolução nº 3801000.652 S3TE01 Fl. 143 7 constatase que, no caso vertente, os documentos apresentados devem ser devidamente examinados para se apurar se os referidos créditos estão corretos. Ante ao exposto, voto no sentido de converter o presente julgamento em diligência para que a Delegacia de origem: a) Examine os documentos existentes e a escrita fiscal da interessada em relação às compensações requeridas apurando se estão corretos os valores inicialmente pleiteados correspondentes á indevida ampliação da base de cálculo do artigo 3º, da Lei n.º 9.718/98; b) Cientificar a interessada do resultado da diligência, abrindo prazo para manifestação, se assim desejar; c) Retornar o processo a este CARF para julgamento. É como voto. (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl, Relator Fl. 146DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 19/07/2014 por PAULO SERGIO CELANI
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Numero do processo: 10380.000962/2010-75
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 15 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jul 03 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007
VÍCIO MATERIAL. AUSÊNCIA DE PROVA. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA.
No presente caso, caracteriza-se a nulidade por vício material em face da ausência da perfeita descrição dos fatos, a saber, da relação de contribuintes individuais que não tiveram a contribuição retida ou recolhida, os períodos de apuração correspondentes à falta de retenção, nem quaisquer outros levantamentos fiscais que pudessem fazer referência a essas informações, essenciais à imputação da penalidade pretendida.
A falta de provas nos autos do processo administrativo fiscal gera a improcedência dos lançamentos.
Processo Anulado.
Numero da decisão: 2403-002.569
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em anular o lançamento por vício material. Vencidos os conselheiros Paulo Maurício Pinheiro Monteiro e Carlos Alberto Mees Stringari Ausente justificadamente o conselheiro Marcelo Freitas de Souza Costa.
Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente
Marcelo Magalhães Peixoto - Relator
Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Magalhães Peixoto, Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas, Ivacir Júlio de Souza, Daniele Souto Rodrigues e Paulo Maurício Pinheiro Monteiro.
Nome do relator: MARCELO MAGALHAES PEIXOTO
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AUSÊNCIA DE PROVA. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. No presente caso, caracterizase a nulidade por vício material em face da ausência da perfeita descrição dos fatos, a saber, da relação de contribuintes individuais que não tiveram a contribuição retida ou recolhida, os períodos de apuração correspondentes à falta de retenção, nem quaisquer outros levantamentos fiscais que pudessem fazer referência a essas informações, essenciais à imputação da penalidade pretendida. A falta de provas nos autos do processo administrativo fiscal gera a improcedência dos lançamentos. Processo Anulado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 00 09 62 /2 01 0- 75 Fl. 652DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 04/06 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 2 ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em anular o lançamento por vício material. Vencidos os conselheiros Paulo Maurício Pinheiro Monteiro e Carlos Alberto Mees Stringari Ausente justificadamente o conselheiro Marcelo Freitas de Souza Costa. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente Marcelo Magalhães Peixoto Relator Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Magalhães Peixoto, Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas, Ivacir Júlio de Souza, Daniele Souto Rodrigues e Paulo Maurício Pinheiro Monteiro. Fl. 653DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 04/06 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 10380.000962/201075 Acórdão n.º 2403002.569 S2C4T3 Fl. 3 3 Relatório Cuidase de Recurso Voluntário interposto em face do Acórdão nº. 09 35.678, fls. 605/614, que julgou improcedente a impugnação ofertada, mantendo incólume o crédito tributário, consubstanciado no AI DEBCAD 37.256.0512 (Parte Empregado e Contribuinte Individual), na qual pretende o recolhimento de contribuições destinadas à Seguridade Social, incidente sobre os pagamentos efetuados aos segurados empregados e contribuintes individuais, culminando no importe de R$ 7.914,38 (sete mil novecentos e catorze reais e trinta e oito centavos). O Auto de Infração abrange as competências 01/2006 a 12/2007, incluído o 13º salário, foram criados os seguintes levantamentos, segundo Relatório Fiscal, fls. 43/46: FPN – FOLHA DE PAGAMENTO Demonstra as contribuições devidas sobre as remunerações pagas e/ou devidas ou creditadas aos servidores, nos termos do art. 12, inciso I, alínea “a” da Lei 8.212/91. PAN – PAGAMENTO CONTR. INDIVIDUAL Relaciona as contribuições incidentes sobre os valores pagos a pessoas físicas referente a serviços prestados, onde a base de cálculo corresponde à contribuição de 11% sobre o valor bruto do pagamento efetuado ao contribuinte individual (autônomo), (Decreto 3048/99, art. 201, II). CTD – ASSESSORIA CONTÁBIL Relaciona as contribuições incidentes sobre os valores pagos a pessoas físicas referente a serviços prestados com assessoria contábil, onde a base de cálculo corresponde à contribuição de 11% sobre o valor bruto do pagamento efetuado, (Decreto 3048/99, art. 201, II). ALI – ALIMENTAÇÃO Relaciona as contribuições incidentes sobre os valores pagos a título de alimentação sem inscrição no PAT, (Decreto 3048/99, art. 214, § 9º e § 10). UNI – COOPERATIVA DE TRABALHO Serviços prestados por intermédio de cooperativas de trabalho – UNIMED (Dec. 3048/99, art. 201, III) PRO – PRÓLABORE Relaciona as contribuições incidentes sobre os valores pagos a título de prólabore, onde a base de cálculo corresponde à contribuição de 11% sobre o valor bruto do pagamento efetuado, (Decreto 3048/99, art 201, II). Fl. 654DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 04/06 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 4 Nenhum dos valores acima elencados foram declarados em GFIP e serviram como base de cálculo os valores encontrados em Folhas de Pagamento, Contabilidade, Arquivos Magnéticos, Recibos, Banco de dados da Receita Federal. DA IMPUGNAÇÃO Inconformada com o lançamento, a empresa contestou a autuação por meio de instrumento de fls. 51/72. DA DECISÃO DA DRJ Após analisar os argumentos da então Impugnante, a 5ª Turma da Delegacia da Receita do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora, DRJ/JFA, prolatou o Acórdão n° 09 35.678, fls. 605/614, a qual julgou improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário em sua integralidade, conforme ementa a seguir transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007 Debcad: 37.256.0512 CUSTEIO. CRÉDITO PREVIDENCIÁRIO. CONTRIBUIÇÕES DOS SEGURADOS EMPREGADOS E CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. DIREITO A DEFESA E AO AMPLO CONTRADITÓRIO. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL – MPF. A empresa é obrigada a reter e recolher a contribuição dos segurados empregados e contribuintes individuais, incidentes sobre o total de suas remunerações. O Mandado de Procedimento Fiscal – MPF, é válido pelo prazo de 60 dias, prorrogável, sucessivamente, por igual período com ciência ao contribuinte através do Termo de Continuidade da Ação Fiscal ou de qualquer ato escrito que indique o prosseguimento dos trabalhos. CERCEAMENTO DE DIREITO AO CONTRADITÓRIO E A AMPLA DEFESA. VERDADE MATERIAL. Não comportam as alegações de cerceamento do direito ao contraditório e à ampla defesa os processos administrativos que expõem claramente os fatos geradores que originaram o lançamento fiscal, bem como os dispositivos legais infringidos, dando ao contribuinte a perfeita compreensão dos fatos ocorridos. Não cabe invocar os princípios da verdade material quando a autoridade lançadora age dentro dos critérios da legislação, com moderação e justiça, e ainda realiza busca incessante e carreia aos autos provas a respeito da matéria tratada. PERÍCIA. INOBSERVÂNCIA DE REQUISITOS LEGAIS. DESNECESSIDADE. Considerase não formulado o requerimento genérico de realização de perícia, sem o atendimento de requisitos legalmente previstos. A prova pericial destinase ao julgador Fl. 655DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 04/06 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 10380.000962/201075 Acórdão n.º 2403002.569 S2C4T3 Fl. 4 5 que, quando considerála imprescindível, poderá determinála de ofício. DO RECURSO VOLUNTÁRIO Irresignada, a empresa interpôs, tempestivamente, Recurso Voluntário, fls. 618/640, requerendo a reforma do Acórdão da DRJ, utilizandose, para tanto, dos seguintes argumentos: 1. Nulidade do Auto de Infração por ausência de clareza na descrição dos fatos, culminando no cerceamento do direito de defesa; 2. Falta de Mandado de Procedimento Fiscal Complementar, de modo que todos os atos praticados pelo agente fiscal após o decurso do prazo do MPF são nulos de pleno direito; 3. Documentos não fiscais, inclusive supostos recibos de desconhecidos alheios à empresa recorrente, ou sem identificar o pagador, ou até mesmo sem indicar o pagamento jamais teriam o condão de autorizar, per si, a conclusão no sentido de que houve falta de recolhimento das contribuições previdenciárias; 4. Todos os pagamentos referentes aos funcionários estão devidamente lançados em GFIP; 5. Requer a realização de prova pericial a fim de apurar equívocos cometidos pelo auditor fiscal, tais como documentos não contábeis É o relatório. Fl. 656DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 04/06 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 6 Voto Conselheiro Marcelo Magalhães Peixoto, Relator DA TEMPESTIVIDADE Conforme documentos de fl. 650, temse que o recurso é tempestivo e reúne os pressupostos de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. DO CONHECIMENTO EX OFFICIO DE MATÉRIA DE ORDEM PÚBLICA Primeiramente, cabe discorrer acerca da possibilidade do reconhecimento de ofício a qualquer tempo, por parte do julgador, de questões afetas à ordem pública, independentemente de eventual suscitação por parte do Recorrente. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, como órgão máximo julgador dos processos administrativos fiscais na esfera federal, tem por fim precípuo o controle da legalidade dos atos administrativos praticados pelos agentes fiscalizadores e demais servidores públicos integrantes da Administração Tributária. Decorrência lógica é o dever da Administração de anular os atos por ela praticados quando verificados vícios de legalidade, conforme o comando emanado do art. 53 da Lei nº 9.784/99, o qual regula os processos administrativos federais, assim dispondo: Art. 53. A Administração deve anular seus próprios atos, quando eivados de vício de legalidade, e pode revogálos por motivo de conveniência ou oportunidade, respeitados os direitos adquiridos. Vêse que não se trata de uma faculdade da Administração, mas sim imperativo categórico que prevalecerá sempre que a legalidade for afrontada, independentemente de alegação dos sujeitos envolvidos ou instância processual. Isso porque o que se pretende salvaguardar, no caso em lume, transcende os interesses de determinado contribuinte para alcançar o interesse do Estado e da sociedade. Cuidase, pois, de questões de ordem pública, nas quais se pretende proteger bem jurídico reconhecidamente valioso para o Estado Democrático de Direito. Por tal razão é que este Conselho deve apreciar todas as questões de ordem pública, a qualquer tempo, ainda que não suscitadas no processo, a fim de preservar sua finalidade precípua de controlar a legalidade dos atos administrativos. Tal comando é corroborado, inclusive, pela Câmara Superior de Recursos Fiscais – CSRF, conforme julgados, cujas ementas a seguir são transcritas: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2001 Fl. 657DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 04/06 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 10380.000962/201075 Acórdão n.º 2403002.569 S2C4T3 Fl. 5 7 NORMAS GERAIS DO DIREITO TRIBUTÁRIO. ESPÓLIO. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. MULTA DE OFÍCIO. INAPLICABILIDADE. RECONHECIMENTO DE OFÍCIO. POSSIBILIDADE. OBSERVÂNCIA AO PRINCÍPIO DA LEGALIDADE DO LANÇAMENTO. De conformidade com os artigos 2º e 53 da Lei nº 9.784/1999, a Administração deverá anular, corrigir ou revogar seus atos quando eivados de vícios de legalidade, o que se vislumbra na hipótese dos autos, onde a multa de ofício aplicada no lançamento não encontra sustentáculo na legislação de regência. A atividade judicante impõe ao julgador a análise da legalidade/regularidade do lançamento em seu mérito e, bem assim, em suas formalidades legais. Tal fato, pautado no princípio da Legalidade, atribui a autoridade julgadora, em qualquer instância, o dever/poder de anular, corrigir ou modificar de ofício o lançamento, independentemente de se tratar de erro de fato ou de direito, sobretudo quando se referir à matéria de ordem pública (ilegalidade/irregularidade do lançamento), hipótese que se amolda ao caso vertente. Recurso especial negado. (CARF. Câmara Superior de Recursos Fiscais. 2ª Turma. Processo nº 10183.005264/200525. Acórdão nº 9202002.904. Sessão de 12 de setembro de 2013. Conselheiro Relator Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira) ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA – IRPJ Anocalendário: 1994, 1995, 1996 MULTA DE OFÍCIO – CRÉDITO TRIBUTÁRIO SUSPENSO POR LIMINAR – MATÉRIA SUMULADA – MATÉRIA DE ORDEM PÚBLICA – PRINCÍPIO DA RAZOABILIDADE. O Conselho de Contribuintes tem o dever de controlar a legalidade do lançamento, devendo expungir do lançamento eventuais atos sem base legal, com erros flagrantes, bem como apreciar as matérias de ordem pública, principalmente quando se trata de matéria sumulada. (CARF. Câmara Superior de Recursos Fiscais. 1ª Turma. Processo nº 10880.003243/9746. Acórdão nº 9101001.497. Sessão de 25 de outubro de 2012. Conselheiro Relator João Carlos Lima Júnior) Com efeito, o entendimento da Câmara Superior deste Conselho também se alastra aos julgados proferidos pelas Seções de Julgamento que o integra, in verbis: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA – IRPJ Fl. 658DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 04/06 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 8 Anocalendário: 2001 Ementa: DECADÊNCIA. MATÉRIA DE ORDEM PÚBLICA. RECONHECIMENTO DE OFÍCIO. AUSÊNCIA DE PAGAMENTO. APLICAÇÃO DO PRAZO DECADENCIAL DO ART. 173, I, DO CTN. Por ser matéria de ordem pública, a decadência pode ser declarada a qualquer tempo, inclusive de ofício. Todavia, tratandose de tributos sujeitos ao pagamento por homologação, inexistindo pagamentos nos períodos lançados deve ser observado o prazo decadencial previsto no art. 173, I, do Código Tributário Nacional. (CARF. 1ª Seção de Julgamento. 3ª Câmara/ 2ª Turma Ordinária. Processo nº 18471.002199/200542 . Acórdão nº 1302001.014. Sessão de 08 de novembro de 2012. Conselheiro Relator Luiz Tadeu Matosinho Machado) ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA – IRPF Exercício: 2007, 2008, 2009, 2010 DECADÊNCIA. OCORRÊNCIA. MATÉRIA DE ORDEM PÚBLICA. No caso de tributos sujeitos ao lançamento por homologação, na hipótese de não haver antecipação do pagamento, utilizase a sistemática prevista no inciso I, do art. 173, do CTN. A constituição do crédito tributário se deu por meio da lavratura do auto de infração e não respeito o prazo qüinqüenal legal. Como se trata de matéria de ordem pública, a decadência deve ser reconhecida de ofício. (...) (CARF. 2ª Seção de Julgamento. 2ª Câmara/ 1ª Turma Ordinária. Processo nº 10530.723471/201116. Acórdão nº 2201002.130. Sessão de 15 de maio de 2013. Conselheiro Relator Eduardo Tadeu Farah) ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 01/08/2002, 01/11/2002, 01/02/2003, 01/05/2003, 01/08/2003, 01/11/2003, 01/02/2004, 01/05/2004, 01/08/2004 (...) NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO. PENALIDADES. RETROATIVIDADE BENIGNA APLICADA EX OFFICIO. GARANTIA CONSTITUCIONAL. MATÉRIA DE ORDEM PÚBLICA. Fl. 659DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 04/06 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 10380.000962/201075 Acórdão n.º 2403002.569 S2C4T3 Fl. 6 9 A lei tributária posterior à ocorrência da infração, que for mais benéfica em relação à penalidade imputada ao contribuinte, deverá ser aplicada retroativamente sobre atos não definitivamente julgados e, por se tratar de garantia constitucional, pode ser suscitada ex officio pelo julgador, em razão de tratarse de matéria de ordem pública. (CARF. 3ª Seção de Julgamento. 4ª Câmara/ 2ª Turma Ordinária. Processo nº 19515.000716/200558 . Acórdão nº 3402002.238. Sessão de 24 de outubro de 2013. Conselheiro Relator João Carlos Cassuli Junior) Portanto, a legalidade dos atos administrativos dos agentes fiscalizadores, precipuamente no que tange ao lançamento, devem ser apreciadas de ofício e a qualquer tempo pelo julgador, por tratar de matéria afeta a ordem pública. DO MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL E VALIDADE Um auto de infração, para que seja válido, é imprescindível que esteja em consonância com os requisitos previstos no art. 142 do CTN, dispositivo este que não contempla a necessidade de emissão de Mandado de Procedimento Fiscal (MPF). Isso porque o MPF consiste tão somente em instrumento de controle interno da Receita Federal para organização das autuações e fiscalizações a que está incumbida. A ciência do MPF confere ao contribuinte o conhecimento do início de uma fiscalização, onde contém todas as informações acerca da fase inquisitória. Entretanto, eventual decurso de prazo sem a emissão de MPF Complementar não deslegitima o lançamento tributário, eis que o contribuinte já se encontra ciente de todos os trâmites do processo fiscalizatório. Não é outro o entendimento deste Conselho, tendo sido tal matéria já enfrentada e pacificada pela Câmara Superior de Recursos Fiscais – CSRF, in verbis: (...) NORMAS PROCESSUAIS. MPF. É de ser rejeitada a nulidade do lançamento, por constituir o Mandado de Procedimento Fiscal elemento de controle da administração tributária, não influindo na legitimidade do lançamento tributário. (Câmara Superior de Recursos Fiscais. Primeira Turma. Processo nº 13116.001419/200112. Acórdão nº 0106.100. Sessão de 02 de fevereiro de 2009. Conselheiro Presidente e Redator Designado Antônio José Praga de Souza) ____________________________________________________ ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. NORMAS PROCEDIMENTAIS. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL – INÍCIO DA AÇÃO FISCAL. EMISSÃO COM FALHAS. NULIDADE. INEXISTÊNCIA. São válidos os lançamentos precedidos de MPF ainda que a prorrogação não seja imediatamente após o vencimento do Fl. 660DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 04/06 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 10 documento anterior, resultando lapso temporal não coberto por mandado. Com emissão do primeiro documento, o contribuinte tomou ciência do motivo e demais características do procedimento fiscal, não se vislumbrando prejuízo à defesa. Portanto, não merece prosperar a alegação de nulidade relativa ao Mandado de Procedimento Fiscal. DO CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA – DA NULIDADE – DO VÍCIO MATERIAL Da análise dos autos, vêse que o relatório fiscal consigna em seus fatos, tão somente os levantamentos dos débitos autuados, seguidos de apertada síntese acerca do que se referia. Observase que o auditor fiscal apenas expôs os documentos que embasaram a autuação sem, contudo, estabelecer a conexão lógica entre eles e os levantamentos, ou mesmo discriminar ou esclarecer acerca da motivação fática que culminou na lavratura do presente auto de infração. A leitura do relatório fiscal demonstra uma atuação genérica e vaga, não havendo quaisquer esclarecimentos para a imputação dos créditos tributários em epígrafe. Exemplo disso é a informação quanto ao levantamento atinente à alimentação, na qual a única explanação emitida é a seguinte: Relaciona as contribuições incidentes sobre os valores pagos a título de alimentação sem inscrição no PAT, (Decreto 3048/99, art. 214, § 9º e § 10). Em momento algum traz consigo nem mesmo a forma como tal alimento era fornecido, se in natura, pecúnia ou ticket. Da mesma forma é a descrição quanto ao levantamento referente às cooperativas de trabalho, na qual o auditor fiscal apenas relata tratarse de serviços prestados por intermédio de cooperativas de trabalho – UNIMED (Dec. 3048/99, art. 201, III). Vêse que a hipótese verificada nos autos encaixase dentre aqueles lançamentos que a doutrina reclama o afastamento ante o cerceamento do direito de defesa, in verbis: “Ainda são comuns os lançamentos nos quais há apenas a titulação do título sob o qual está lançado o tributo, e o cálculo em tabela ou planilha contendo os valores”. (PAULSEN, Leandro; ÁVILA, René Bergman. Direito Processual Tributário: processo administrativo e execução fiscal à luz da doutrina e da jurisprudência. Porto Alegre: Livraria do Advogado, 2003, p.27) Neste sentido, o art. 10, do Decreto nº 70.235/72, estabelece, dentre outros, os elementos que deverão constar obrigatoriamente no auto de infração, in verbis: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; Fl. 661DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 04/06 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 10380.000962/201075 Acórdão n.º 2403002.569 S2C4T3 Fl. 7 11 V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. À respeito do inciso III do dispositivo supra, Marcos Vinícius Neder e Maria Teresa Martínez López tecem as seguintes considerações (NEDER, Marcos Vinícius; LÓPEZ, Maria Teresa Martínez. Processo Administrativo Fiscal Federal Comentado. 3ª ed. São Paulo: Dialética, 2010. p.209): “Descrição é ato ou efeito de descrever. Descrever é contar, pormenorizadamente, o fato. Por meio da descrição, revelamse os motivos fático e legal que levaram à autuação, estabelecendo a conexão entre os meios de prova coletados e/ou produzidos e a conclusão chegada pela autoridade fiscal. Seu objetivo é convencer o julgador da plausabilidade legal da autuação, demonstrando a relação entre a matéria constatada no auto com a hipótese descrita na norma jurídica. Os enunciados que atendem aos requisitos ‘III’ (descrição dos fatos) e ‘IV’ (disposição legal infringida) do artigo 10 do Decreto nº 70.235/72 formam a motivação do lançamento, que nada mais é que a descrição dos motivos que desencandeiam o surgimento da obrigação tributária em concreto, tornando possível identificar os sujeitos e quantificar o crédito tributário.” Vêse, pois, a imprescindibilidade de um encadeamento lógico que permita esclarecer as razões fáticas e sua relação com os dispositivos legais infringidos, tornandose inevitável o reconhecimento da nulidade da autuação em epígrafe. Entremostrase patente a ausência de clareza dos fatos, ensejando o cerceamento do direito de defesa por não ser possível verificar quais os fatores determinantes que culminaram na autuação. Não é outro entendimento deste Conselho, inclusive desta Turma, in verbis: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Data do fato gerador: 01/04/2003 NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. VÍCIO MATERIAL. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Ocorre vício material quando o lançamento não permitir ao sujeito passivo conhecer com nitidez a acusação que lhe é imputada, impedindo o pleno exercício do direito de defesa pelo contribuinte. No presente caso, caracterizase a nulidade por vício material em face da ausência da perfeita descrição dos fatos, a saber, da relação de contribuintes individuais que não tiveram a contribuição retida ou recolhida, os períodos de apuração correspondentes à falta de retenção, nem quaisquer outros Fl. 662DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 04/06 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 12 levantamentos fiscais que pudessem fazer referência a essas informações, essenciais à imputação da penalidade pretendida. Recurso Voluntário Provido. (CARF. 2ª Seção de Julgamento. 4ª Câmara/ 3ª Turma Ordinária. Acórdão nº 2403001.873. Processo nº 18108.002403/200735. Sessão de 19 de fevereiro de 2013. Conselheira Relatora Carolina Wanderley Landim) _________________________________________________ ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS. Período de apuração: 01/09/2001 a 28/02/2006 (...) AUSÊNCIA DE MOTIVAÇÃO DO LANÇAMENTO E DESCRIÇÃO PRECISA DOS FATOS GERADORES. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE POR VÍCIO MATERIAL. A falta de indicação precisa dos fatos que motivaram o lançamento, bem como da origem do crédito tributário lançado, fulminam o lançamento do nulidade, por vício material. (CARF. 2ª Seção de Julgamento. – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária. Acórdão nº 2401003.075. Processo nº 14485.001968/200747. Sessão de 19 de junho de 2013. Conselheira Relatora Cristina Monteiro e Silva Vieira) Ademais, a fiscalização não juntou aos presentes autos as provas que carrearam os lançamentos realizados, o que agrava o cerceamento do direito de defesa, apenas fazendo remissão a outro processo que não esse. Nesse sentido vem julgando o CARF: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2005 FALTA DE PROVAS. IMPROCEDÊNCIA. A falta de provas nos autos do processo administrativo fiscal gera a improcedência dos lançamentos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso de ofício. (assinado digitalmente) JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Presidente. (assinado digitalmente) FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Celso Freire da Silva, Antonio Bezerra Neto, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Karem Jureidini Dias, Sergio Luiz Bezerra Presta e Alexandre Antonio Alkmim Teixeira.(Processo, 12898.000344/200997; Relator(a): FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS; Nº Acórdão 1401001.021) **************************************************** Fl. 663DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 04/06 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 10380.000962/201075 Acórdão n.º 2403002.569 S2C4T3 Fl. 8 13 Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2004 a 01/01/2005 PROCEDIMENTO FISCAL IRREGULAR. AUSÊNCIA DE PROVAS NOS AUTOS. FALTA DE COMPROVAÇÃO DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. VIOLAÇÃO DA REGRAS ESSÊNCIAS DO LANÇAMENTO. SITUAÇÃO QUE IMPEDE O JULGADOR DE FORMAR SEU LIVRE CONVENCIMENTO. NULIDADE MATERIAL. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. Vencidos os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima e Oseas Coimbra Junior que votam pela diligência fiscal. (Assinado digitalmente). Helton Carlos Praia de Lima. Presidente (Assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira. Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Eduardo de Oliveira, Natanael Vieira dos Santos, Oséas Coimbra Júnior, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Gustavo Vettorato. (Processo 10315.001381/200810; Relator(a): EDUARDO DE OLIVEIRA; Nº Acórdão: 2803002.579) Por fim, com relação à extensão da declaração de nulidade, destaquese que o vício em questão é material, por atingir um dos pressupostos do art. 142 do Código Tributário Nacional, in casu, a determinação da matéria tributável. Nesse sentido, esta Segunda Seção já julgou desta forma no Recurso Voluntário n. 151.240, nos autos do Processo n. 36474.007407/200632, em 21 de setembro de 2010, que resultou no Acórdão n. 240201.175, advindo da 4ª Câmara, 2ª Turma Ordinária. Também, há de se destacar o julgamento no Recurso 129.310, Processo 10247.000082/0091 em 09 de julho de 2002, Acórdão n. 10706.695, ementado da seguinte forma: (...) RECURSO EX OFFICIO NULIDADE DO LANÇAMENTO VÍCIO FORMAL. A verificação da ocorrência do fato gerador da obrigação, a determinação da matéria tributável, o cálculo do montante do tributo devido a indentificação do sujeito passivo, definidos no art. 142 do Código Tributário Nacional CTN, são elementos fundamentais intrínsecos, do lançamento, sem cuja delimitação precisa não se pode admitir a existência da obrigação tributária em concreto. O levantamento e observância desses elementos básicos antecedem o são preparatórios à sua formalização, a qual se dá no momento seguinte, mediante a lavratura do auto de infração, seguida da notificação ao sujeito passivo, quando, aí sim, deverão estar presentes os seus requisitos formais, extrínsecos, como, por função e o número de matrícula, a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro Fl. 664DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 04/06 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 14 servidor autorizado, com a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. (...) No decorrer do voto condutor do acórdão, o relator, Dr. Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz , afirma: Mal comparando, poderíamos dizer que o vício substancial está para a constituição do crédito tributário assim como o cálculo estrutural está para a edificação, no ramo da construção civil, enquanto que a forma seria, para o lançamento de ofício, o equivalente ao acabamento, à "fachada", na edificação civil. Deduzse daí que o vício substancial pressupõe a ocorrência de defeito na estrutura que é o sustentáculo de toda edificação, seja na construção civil ou na constituição do crédito tributário, possuindo sua ocorrência, assim, efeito demolidor, que joga por terra a obra erigida com esse insanável vício. Em outro passo, o defeito de forma, de acabamento ou na "fachada", não possui os tais efeitos devastadores causados pelo vício de estrutura, sendo contomáveis, sem que dano de morte cause à edificação. Fazemse os acertos ou até mesmo as modificações pertinentes, porém, sem reflexo algum sobre as bases em que a obra tenha sido erigida ou à sua própria condição de algo que existe, apesar dos defeitos. e, a meu ver, são esses "defeitos menores"que o legislador quis contemplar quando admite que tais vícios, apenas eles, podem e devem ser sanados e que somente a partir da decisão que declarar a nulidade desse ato é que passaria a fluir o prazo de decadência para o sujeito ativo da obrigação tributária, exercer o direito a novo lançamento de ofício. No mesmo norte, é o julgamento do Acórdão n. 19200 015 IRPF, de 14/10/2008 da Segunda Turma Especial do Primeiro Conselho de Contribuintes: O vício material ocorre quando o auto de infração não preenche aos requisitos constantes do art. 142 do Código Tributário Nacional, havendo equívoco na construção do lançamento quanto à verificação das condições legais para a exigência do tributo ou contribuição do crédito tributário, enquanto que o vício formal ocorre quando o lançamento contiver omissão ou inobservância de formalidades essenciais, de normas que regem o procedimento da lavratura da auto, ou seja, da maneira de sua realização. Portanto, deve ser o presente auto anulado por vício material, ante a impossibilidade de verificar com precisão a matéria tributável em razão da ausência de motivação fática constatada no auto de infração em epígrafe, caracterizadora do cerceamento do direito de defesa. Não obstante os fundamentos acima, que demonstram a total nulidade do presente auto de infração, adentro ao mérito da questão no caso de superação por parte da turma. Fl. 665DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 04/06 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 10380.000962/201075 Acórdão n.º 2403002.569 S2C4T3 Fl. 9 15 CONCLUSÃO Do exposto, voto pelo provimento do Recurso Voluntário para anular o lançamento por vício material. Marcelo Magalhães Peixoto. Fl. 666DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 04/06 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI
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Numero do processo: 36394.001688/2004-48
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 15 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Jun 20 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1994 a 31/12/2000
LANÇAMENTO. REVISÃO DE OFÍCIO. IMPROCEDÊNCIA. AUSÊNCIA DE SUBSUNÇÃO AS HIPÓTESES DO CTN. CONTRIBUINTE SUBMETIDO A FISCALIZAÇÃO ANTERIOR TOTAL COM ANÁLISE DE CONTABILIDADE. A revisão do lançamento de ofício pela autoridade fiscal.deve se subsumir as hipóteses do art. 149 do CTN, devendo estarem plenamente justificadas as suas razões motivadoras. Não cabe a revisão do lançamento de ofício quando esta for efetuada para levar a efeito lançamento de valores de contribuições previdenciárias que deixaram de ser lançadas quando de procedimentos fiscais anteriores nos quais houve análise de contabilidade.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2402-003.727
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. O Conselheiro Ronaldo de Lima Macedo acompanhou o relator pelas conclusões. Declarou-se impedido o Conselheiro Julio César Vieira Gomes.
Júlio César Vieira Gomes - Presidente
Lourenço Ferreira do Prado - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Thiago Taborda Simões, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Ronaldo de Lima Macedo, Lourenço Ferreira do Prado.
Nome do relator: LOURENCO FERREIRA DO PRADO
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REVISÃO DE OFÍCIO. IMPROCEDÊNCIA. AUSÊNCIA DE SUBSUNÇÃO AS HIPÓTESES DO CTN. CONTRIBUINTE SUBMETIDO A FISCALIZAÇÃO ANTERIOR TOTAL COM ANÁLISE DE CONTABILIDADE. A revisão do lançamento de ofício pela autoridade fiscal.deve se subsumir as hipóteses do art. 149 do CTN, devendo estarem plenamente justificadas as suas razões motivadoras. Não cabe a revisão do lançamento de ofício quando esta for efetuada para levar a efeito lançamento de valores de contribuições previdenciárias que deixaram de ser lançadas quando de procedimentos fiscais anteriores nos quais houve análise de contabilidade. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. O Conselheiro Ronaldo de Lima Macedo acompanhou o relator pelas conclusões. Declarouse impedido o Conselheiro Julio César Vieira Gomes. Júlio César Vieira Gomes Presidente Lourenço Ferreira do Prado Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 36 39 4. 00 16 88 /2 00 4- 48 Fl. 491DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2013 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 17/10/20 13 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Thiago Taborda Simões, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Ronaldo de Lima Macedo, Lourenço Ferreira do Prado. Fl. 492DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2013 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 17/10/20 13 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 36394.001688/200448 Acórdão n.º 2402003.727 S2C4T2 Fl. 492 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto por SUPERMERCADOS BIG LTDA, em face do acórdão que manteve a integralidade da NFLD n. 35.553.5238. Tendo em vista que o presente processo retorna a este Eg. Conselho após baixa para cumprimento de diligência, peço vênias para adotar o relatório já lançados nos autos pela Em. Conselheira Ana Maria Bandeira, a seguir transcrito: Tratase de lançamento de contribuições devidas à Seguridade Social, correspondentes à contribuição dos segurados, da empresa, à destinada ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho, as destinadas a terceiros (SalárioEducação, SESC, SENAC, SEBRAE e INCRA). O lançamento foi efetuado em 30/03/2004 e, segundo o Relatório Fiscal (fls.124/135) o lançamento referese à diferenças de contribuições devidas à Seguridade Social incidentes sobre a remuneração de segurados empregados e administradores. A ação fiscal teria sido realizada em cumprimento ao Memorando Circular n° 004/2004, de 20/01/2004 da Coordenação Geral de Fiscalização e teve como elemento motivador a divergência de valores significativa no confronto entre os valores recolhidos espontaneamente pelo contribuinte ou constituídos em ações fiscais anteriores e as contribuições apuradas no sistema informatizado do INSS, no qual constam as informações declaradas pelo contribuinte na RAIS Relação Anual de Informações Sociais. A auditoria fiscal informa que a revisão do lançamento teve por base o art. 149, Inciso VIII do Código Tributário Nacional CTN e como a empresa deixou de apresentar a documentação solicitada, principalmente Livros Diário, Razão e folhas de pagamentos relativamente a todo o período, o lançamento foi efetuado por aferição indireta, tanto para a verificação do salário de contribuição dos segurados empregados como para as remunerações dos administradores. A auditoria fiscal demonstra como foi efetuado o arbitramento em cada um dos levantamentos. A notificada apresentou impugnação (fls. 155/188) após a qual foi emitida a DecisãoNotificação' n° 17.402.4/248/2004 (fls. 345/349) que considerou o lançamento procedente. Contra tal decisão a notificada apresentou recurso tempestivo (fls. 363/3980 onde alega que há nulidade por cerceamento de defesa face o indeferimento de prova pericial. Fl. 493DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2013 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 17/10/20 13 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 Tece considerações no sentido da inexistência de dolo ou culpa por parte da recorrente e que haveria necessidade de constar no corpo da NFLD a descrição da fato punívê1 (—Questiona a constitucionalidade da contribuição do Seguro AcidenteVde Trabalho SAT. O recurso teve seguimento por força de decisão judicial. Na assentada de 10/06/2010, esta Eg. Turma determinou a conversão do julgamento em diligência, tendo em vista que a presente NFLD originase da revisão de ofício de lançamento anterior com base no art. 149 do CTN. Naquela oportunidade, requereuse fossem esclarecidos os seguintes pontos: Voto no sentido de CONVERTER O PRESENTE JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA para que sejam informadas quais ações fiscais foram desenvolvidas no período em questão, bem como se houve ou não verificação da escritura contábil. Sobreveio resposta da fiscalização às fls. 467. É o que bastava relatar. Fl. 494DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2013 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 17/10/20 13 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 36394.001688/200448 Acórdão n.º 2402003.727 S2C4T2 Fl. 493 5 Voto Conselheiro Lourenço Ferreira do Prado, Relator CONHECIMENTO Tempestivo o recurso e presentes os demais pressupostos de admissibilidade, dele conheço. Sem preliminares. MÉRITO Conforme já relatado, esta Eg. Turma determinou a realização de diligência com a finalidade de esclarecer se o procedimento fiscal anterior a que fora submetida a recorrente e cujo respectivo lançamento veio a ser anulado de ofício sendo substiuído pelo presente, fora um procedimento de fiscalização total e que tenha analisado a sua contabilidade, para o mesmo período em questão relativamente ao presente lançamento. Em resposta ao solicitado, vieram os seguintes esclarecimentos prestados pela auditoria fiscal: A revisão de ofício foi motivada pela significativa divergência de valores encontrada após o cruzamento de dados realizado pela Coordenação geral de Fiscalização, da Diretoria de Receita Previdenciária do INSS, no confronto entre os valores referentes a contribuições para a Seguridade Social recolhidos espontaneamente e/ou constituídos em créditos previdenciários por meio de ações fiscais anteriores, com as contribuições apuradas no sistema informatizado DATAPREV/CNIS, do INSS, no qual constam as informações declaradas pelo Contribuinte nos relatórios Anuais de Informações Sociais RAIS. Em consulta ao sistema CADASTRO NACIONAL DE AÇÕES FISCAIS CNAF / AUDITORIA FISCAL PREVIDENCIÁRIA AFP, foram localizadas as seguintes ações fiscais abarcando o período de janeiro de 1994 a dezembro de 2004: • Procedimento Fiscal n° 01393063; Período examinado: 01/1993 a 04/1995 Livro Diário analisado: n° 22, data do Diário: 01/12/1999 Fiscalização TOTAL Procedimento Fiscal n° 02232120; Período examinado: 01/1995 a 10/1998 Fl. 495DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2013 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 17/10/20 13 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 Livro Diário analisado: n° 25, data do Diário: 01/05/1999 Fiscalização TOTAL Procedimento Fiscal n° 02689062; Período examinado: 06/1997 a 12/2000 Livro Diário analisado: n° 27, data do Diário: 01/12/1999 Fiscalização TOTAL Verificase, portanto, que resta clara a informação de que a recorrente foi submetida a fiscalização anterior, relativamente ao mesmo período e contribuições (procedimento fiscal n. 02689062), na qual fora analisada sua contabilidade, mediante livro diário. E com relação a revisão do lançamento de ofício, assim dispõe o art. 149 do CTN: Art. 149. O lançamento é efetuado e revisto de ofício pela autoridade administrativa nos seguintes casos: I quando a lei assim o determine; II quando a declaração não seja prestada, por quem de direito, no prazo e na forma da legislação tributária; III quando a pessoa legalmente obrigada, embora tenha prestado declaração nos termos do inciso anterior, deixe de atender, no prazo e na forma da legislação tributária, a pedido de esclarecimento formulado pela autoridade administrativa, recusese a prestálo ou não o preste satisfatoriamente, a juízo daquela autoridade; IV quando se comprove falsidade, erro ou omissão quanto a qualquer elemento definido na legislação tributária como sendo de declaração obrigatória; V quando se comprove omissão ou inexatidão, por parte da pessoa legalmente obrigada, no exercício da atividade a que se refere o artigo seguinte; VI quando se comprove ação ou omissão do sujeito passivo, ou de terceiro legalmente obrigado, que dê lugar à aplicação de penalidade pecuniária; VII quando se comprove que o sujeito passivo, ou terceiro em benefício daquele, agiu com dolo, fraude ou simulação; VIII quando deva ser apreciado fato não conhecido ou não provado por ocasião do lançamento anterior; IX quando se comprove que, no lançamento anterior, ocorreu fraude ou falta funcional da autoridade que o efetuou, ou omissão, pela mesma autoridade, de ato ou formalidade especial. Parágrafo único. A revisão do lançamento só pode ser iniciada enquanto não extinto o direito da Fazenda Pública. Fl. 496DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2013 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 17/10/20 13 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 36394.001688/200448 Acórdão n.º 2402003.727 S2C4T2 Fl. 494 7 No caso dos autos, a revisão se deu com supedâneo no disposto no art. 149, VIII, supra mencionado sob o argumento de que o novo lançamento apreciou “fato não conhecido ou não provado por ocasião do lançamento anterior.” Todavia, entendo que diante dos esclarecimentos prestados com o resultado da diligência, de fato, a justificativa contida no relatório fiscal não se subsume a hipótese da norma em comento. No presente caso foram lançadas diferenças de contribuições motivada pelo fato da Coordenação Geral de Fiscalização do INSS ter levado a efeito um cruzamento (após o lançamento anterior) entre os valores recolhidos espontaneamente pelo contribuinte acrescidos dos valores constituídos nas ações fiscais anteriores com as contribuições apuradas no sistema CNIS, com as informações da RAIS. Ou seja, a motivação de revisão do lançamento anterior, a meu ver não se justifica, sobretudo pelo fato de que a recorrente já fora objeto de fiscalização total, inclusive com a análise de sua contabilidade, de modo que inclusive as próprias informações do sistema CNIS/RAIS estavam a época dos procedimentos anteriores a total disposição da fiscalização. O que ocorreu, in casu, nos parece foi que diante de uma posterior verificação levada a efeito pelo Coordenador Geral de Fiscalização do INSS, este apurou que deixaram de ser lançados valores de contribuições que deveriam constar dos lançamentos anteriores, mas não diante da situação de “inexistir fato conhecido” ou mesmo “não provado por ocasião do lançamento anterior”. No presente caso a revisão do lançamento, a meu ver, se deu exclusivamente por nova reanálise dos documentos que a época estavam plenamente disponíveis à fiscalização previdenciária, ademais, oportunidade na qual fora inclusive analisada a sua contabilidade, que sequer fora objeto de apresentação no presente caso, o que justificou a adoção do procedimento de aferição indireta. Logo, diante das provas coligidas aos autos e da própria justificativa do lançamento, não vejo presentes as hipóteses do art. 149 do CTN, a justificar a revisão de ofício do lançamento anterior. Ante todo o exposto, DOU PROVIMENTO ao recurso voluntário, para declarar improcedente o presente lançamento. É como voto. Lourenço Ferreira do Prado. Fl. 497DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2013 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 17/10/20 13 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
score : 1.0
Numero do processo: 10480.907460/2008-24
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Aug 12 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004
IPI - RESSARCIMENTO/COMPENSAÇÃO - PER/DCOMP - GLOSA DE CRÉDITOS - NOTAS FISCAIS EMITIDAS POR EMPRESAS COM SITUAÇÃO DECLARADA INAPTA NO CADASTRO DO CNPJ - ART. 82 DA LEI Nº 9.430/96.
São insuscetíveis de aproveitamento na escrita fiscal os créditos concernentes a notas fiscais emitidas por empresas com inscrição inapta no cadastro do CNPJ.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Direito Creditório Reconhecido em Parte
Numero da decisão: 3402-002.421
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negou-se provimento ao recurso voluntário.
GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO
Presidente Substituto
FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D'EÇA
Relator
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente Substituto), Fernando Luiz da Gama Lobo d'Eça (Relator), Fenelon Moscoso de Almeida (Suplente), Pedro Sousa Bispo (Suplente), João Carlos Cassuli Júnior e Maurício Rabelo de Albuquerque Silva. Ausente, justificadamente, a Conselheira Nayra Bastos Manatta
Nome do relator: FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004 IPI RESSARCIMENTO/COMPENSAÇÃO PER/DCOMP GLOSA DE CRÉDITOS NOTAS FISCAIS EMITIDAS POR EMPRESAS COM SITUAÇÃO DECLARADA INAPTA NO CADASTRO DO CNPJ ART. 82 DA LEI Nº 9.430/96. São insuscetíveis de aproveitamento na escrita fiscal os créditos concernentes a notas fiscais emitidas por empresas com inscrição inapta no cadastro do CNPJ. Recurso Voluntário Provido em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negouse provimento ao recurso voluntário. GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Presidente Substituto FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D'EÇA Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 90 74 60 /2 00 8- 24 Fl. 154DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 31/07/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 01/08/2014 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO 2 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente Substituto), Fernando Luiz da Gama Lobo d'Eça (Relator), Fenelon Moscoso de Almeida (Suplente), Pedro Sousa Bispo (Suplente), João Carlos Cassuli Júnior e Maurício Rabelo de Albuquerque Silva. Ausente, justificadamente, a Conselheira Nayra Bastos Manatta Relatório Tratase de Recurso Voluntário (constante de arquivo em PDF sem numeração de páginas do processo físico) contra o Acórdão DRJ/REC nº 1136.958 de 16/05/12 constante de fls. 102/108 exarado pela 6ª Turma da DRJ de Recife PE que, por unanimidade de votos, houve por bem “julgar procedente em parte” a Manifestação de Inconformidade de fls. 32/35 (para reconhecer o direito creditório nos valores de R$ 364,24, R$ 153,47 e R$ 471,75, correspondentes, respectivamente, aos períodos de apuração: 2ª Qui, Jul/2004, 1ª Qui, Ago/2004 e 2ª Qui, Ago/2004), mantendo parcialmente o Despacho Decisório da DRF de Recife – PE (fls. 21/28), que deferiu parcialmente (pleiteado R$ 27.021,74; deferido R$ 15.536,96) o Pedido de Ressarcimento de crédito de IPI e Declaração de Compensação (PER/DCOMP 12465.94214.151004.1.3.019969 fls. 05/43 dos autos digitais) apresentada com suporte em saldo credor do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, referente ao 3º trimestre do anocalendário de 2004, no valor de R$ 27.021,74, bem como homologou parcialmente até o limite do crédito deferido, as respectivas compensações requeridas. Por seu turno, a r. decisão de fls. 102/108 da 6ª Turma da DRJ de Recife PE, houve por bem “julgar procedente em parte” a Manifestação de Inconformidade de fls. 32/35, mantendo parcialmente o Despacho Decisório da DRF de Recife – PE (fls. 21/28), aos fundamentos sintetizados na seguinte ementa: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004 PER/DCOMP. DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. GLOSA DE CRÉDITOS. NOTAS FISCAIS EMITIDAS POR EMPRESAS COM SITUAÇÃO CANCELADA NO CADASTRO DO CNPJ. São insuscetíveis de aproveitamento na escrita fiscal os créditos concernentes a notas fiscais emitidas por empresas com inscrição cancelada no cadastro do CNPJ. PER/DCOMP. DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. GLOSA DE CRÉDITOS. NOTAS FISCAIS EMITIDAS POR EMPRESAS OPTANTES PELO SIMPLES. São insuscetíveis de aproveitamento na escrita fiscal os créditos concernentes a notas fiscais de aquisição de matérias primas, produtos intermediários e materiais de embalagem emitidas por empresas optantes pelo SIMPLES, nos termos de vedação legal expressa. Manifestação de Inconformidade Improcedente Fl. 155DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 31/07/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 01/08/2014 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10480.907460/200824 Acórdão n.º 3402002.421 S3C4T2 Fl. 3 3 Direito Creditório Não Reconhecido” Nas razões de Recurso Voluntário (constante de arquivo em PDF sem numeração de páginas do processo físico) oportunamente apresentadas, a ora Recorrente sustenta a insubsistência da r. decisão recorrida tendo em vista que a redução no valor de seu crédito presumido seria conseqüência de interpretação restritiva da legislação vez que relativamente às aquisições acobertadas por NFs glosadas alega que desconhecia a situação particular dos fornecedores à data das aquisições e mesmo que quisesse tomar conhecimento estava impedida pelo sigilo fiscal, fazendo jus ao crédito conforme a jurisprudência citada. É o Relatório. Voto Conselheiro FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D'EÇA, Relator O Recurso Voluntário preenche os requisitos de admissibilidade razão pela qual dele conheço mas no mérito não merece provimento. Realmente, embora não se ignore que a autoridade administrativa possa desconsiderar atos ou negócios jurídicos praticados com a finalidade de dissimular a ocorrência do fato gerador do tributo ou a natureza dos elementos constitutivos da obrigação tributária, a Lei Complementar somente autoriza a desconsideração, desde que observados os procedimentos a serem estabelecidos em lei ordinária (art. 116, § único do CTN). Por seu turno, ao estabelecer os critérios objetivos para aferição da inidoneidade de documentos fiscais para fins de desconsideração dos atos e negócios jurídicos que lhes são subjacentes, o art. 82 da Lei nº 9.430 de 27/12/1996 (DOU 30/12/1996) veio expressamente dispor que: “Art. 82. Além das demais hipóteses de inidoneidade de documentos previstos na legislação, não produzirá efeitos tributários em favor de terceiros interessados, o documento emitido por pessoa jurídica cuja inscrição no cadastro geral de contribuintes tenha sido considerada ou declarada inapta. Parágrafo único. O disposto neste artigo não se aplica aos casos em que o adquirente de bens, direitos e mercadorias ou o tomador de serviços comprovarem a efetivação do pagamento do preço respectivo e o recebimento dos bens, direitos e mercadorias ou utilização dos serviços.” Como resulta claro do dispositivo retro transcrito, somente pode ser considerado inidôneo, não produzindo efeitos tributários em favor de terceiros, o documento emitido por pessoa jurídica cuja inscrição no CNPJ já tenha sido considerada ou declarada inapta, sendo certo que a inaptidão não se aplica aos adquirentes de bens, direitos e mercadorias ou o tomador de serviços, que comprovarem a efetivação do pagamento do preço respectivo e o recebimento dos bens. Entretanto, no caso concreto verificase que não obstante o CNPJ da emitente dos documentos fiscais se encontrasse inativos, a ora Recorrente não se desincumbiu do ônus Fl. 156DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 31/07/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 01/08/2014 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO 4 legalmente imposto de comprovar o efetivo pagamento do preço e respectivo recebimento dos bens, razão pela qual a r. decisão recorrida não merece reforma eis que se encontra devidamente fundamentada e rebate com vantagem uma a uma as objeções levantadas pela recorrente, merecendo subsistir por seu próprios fundamentos que, por amor à brevidade, adoto como razões de decidir e transcrevo: “Conforme se extrai dos autos, o reconhecimento parcial do saldo credor de IPI que dava suporte à compensação declarada se deveu à constatação de que algumas das empresas responsáveis pela emissão de notas fiscais referentes às aquisições efetuadas pelo requerente, ou seja, alguns dos seus fornecedores, quando da emissão dos referidos documentos fiscais, ou não se encontravam registrados no cadastro CNPJ ou estavam na situação de cancelado. Por tais motivos, as notas fiscais correspondentes foram glosadas. (...) Já no que se refere à empresa que detém o CNPJ: 70.323.134/000129 (Globaltech Indústria Comércio e Serviços Ltda ME), também mediante consulta efetuada no sistema CNPJ da Receita Federal do Brasil (fls. 99/100), constatase que, apesar de se encontrar indicada na situação cadastral “ATIVA”, a referida empresa consta informada como “INATIVA” na relação de Declarações, no período compreendido entre os anoscalendário de 1997 e 2005, ou seja, em período que abrange a época de emissão das notas fiscais glosadas (todas correspondentes ao 3º trimestre do anocalendário de 2004). De igual modo, com relação às glosas de créditos concernentes ao estabelecimento emitente de notas fiscais que se encontra indicado como cancelado no cadastro CNPJ, cumpre consignar que em consulta à situação cadastral do CNPJ:60.393.238/0001 56 (Indústria de Papel Gordinho Braune Ltda), mais uma vez obtida no sistema CNPJ da Receita Federal (fl. 101), verificase que a empresa em questão encontrase na situação “BAIXADA”, por motivo de incorporação, desde 01/09/2003, ou seja, muito antes da época de emissão das notas fiscais cujos créditos foram glosados (todas relativas ao 3ºtrimestre de 2004). Tais constatações evidentemente põem em xeque a idoneidade dos documentos fiscais em questão, pois sugerem a possibilidade dos referidos terem sido emitidos por empresa INATIVA e por empresa BAIXADA por incorporação e, portanto, inexistentes. Estas circunstâncias aliadas ao fato de não terem sido carreados aos autos pelo interessado os citados documentos fiscais, tampouco qualquer outro documento que respalde o pleito creditório, sem sombra de dúvidas compromete a constatação da certeza e liquidez do crédito vinculado à compensação requerida, requisito essencial ao reconhecimento do direito ao crédito do IPI, em face do que dispõe o art. 170 do Código Tributário Nacional – CTN, configurandose como obstáculo intransponível à obtenção da pretensão formulada. Daí a procedência das glosas de créditos apontadas nos demonstrativos anexos ao Despacho Decisório em apreço relativas aos CNPJ: 70.323.134/000129 e 60.393.238/000156. Fl. 157DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 31/07/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 01/08/2014 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10480.907460/200824 Acórdão n.º 3402002.421 S3C4T2 Fl. 4 5 Vale destacar ainda, por pertinente, que a argumentação do requerente no que diz respeito a sua incapacidade legal e administrativa para promover a fiscalização das suas empresas fornecedoras não é plausível de aceitação, pois não é esperado dele o desempenho das atribuições específicas do Fisco e sim os cuidados mínimos e essenciais, condizentes às pessoas jurídicas que comercializam, quanto à existência e credibilidade de seus fornecedores.” Assim, não se justifica a reforma da r. decisão recorrida nesse particular, que deve ser mantida por seus próprios e jurídicos fundamentos, considerando que tanto na fase instrutória, como na fase recursal, a ora a Recorrente não apresentou nenhuma evidencia concreta e suficiente para descaracterizar a glosa dos créditos. Isto posto, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário mantendo a r. decisão recorrida por seus próprios e jurídicos fundamentos. Sala das Sessões, em 23 de julho de 2014 FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D'EÇA Fl. 158DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 31/07/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 01/08/2014 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO
score : 1.0
Numero do processo: 10580.003472/00-31
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 09 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Jul 31 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 1801-000.238
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, declinar a competência de julgamento deste litígio, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes Presidente
(assinado digitalmente)
Maria de Lourdes Ramirez Relatora
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Cláudio Otávio Melchiades Xavier, Carmen Ferreira Saraiva, Sandra Maria Dias Nunes, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes
Relatório.
Cuida-se de recurso voluntário interposto contra acórdão da 4a. Turma da DRJ em Salvador/BA que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada contra ato de não homologação de compensações pleiteadas nos autos.
Pelo Despacho Decisório n°660/2009, a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Salvador/BA, indeferiu o direito de compensação de débitos declarados com direito creditório relativo a contribuição para o PIS/PASEP proveniente da Ação Ordinária 1997.33.581-0, na qual se discute o direito ao reconhecimento de indébito de PIS recolhido com base nos Decretos-lei n°2.445 e 2.449, ambos de 1988, uma vez que este mesmo crédito já tinha sido objeto de análise no processo administrativo n°10580.000290/00-17, Despacho Decisório DRF/SDR n°573, de 07/11/2008, para indeferi-lo, em razão da identidade entre os créditos pleiteados nas esferas judicial e administrativa, tendo o contribuinte optado em prosseguir com a execução.
Na manifestação de inconformidade tempestivamente apresentada a empresa alegou que em virtude da revogação dos efeitos suspensivos relativos aos débitos do PAF ora discutido, com impedimento à emissão de CND, ingressou com medida liminar através do processo n° 2002.33.00.023224-4, na 1a. Vara da Justiça Federal, com objetivo de restaurar a suspensão, tendo sido concedida a segurança, mas cuja medida judicial o órgão de origem insiste em contrariar.
No voto proferido a Turma Julgadora de 1a. instância indeferiu o pleito e consignou que a partir de janeiro de 2001, passou a ser vedada a compensação de tributo objeto de discussão judicial antes do trânsito em julgado da respectiva ação e os eventuais encontros de contas baseados em ação judicial a partir de então deveriam aguardar o desfecho da lide.
Explicou que o contribuinte ingressou com o PAF n° 10580.000290/00-17 visando a restituição dos valores do PIS pagos a maior tendo sido indeferido o direito pleiteado mediante o Despacho Decisório DRF/SDR n°573, de 07/11/2008, uma vez que ficou constatada a identidade entre o crédito nas esferas judicial e administrativa, e que o contribuinte optou em prosseguir com a execução, conforme Laudo Pericial da Primeira Vara da Seção Judiciária do Estado da Bahia, na ação constante dos auto n° 1997.33.581-0.
Nessas condições não poderia, por via obliqua, obter outro provimento jurisdicional, dado o risco de tornar-se detentor de dois títulos executivos, na esfera judicial, a execução, e no processo administrativo, a restituição e compensações a esta vinculada, fato que foi levado em consideração na apreciação do processo n° 10580.000290/0d- 17, para indeferi-lo, sendo vedado ao interessado utilizar novamente os créditos para compensação administrativa após ter obtido judicialmente o direito à repetição dos valores pagos a maior.
Notificada da decisão, em 05/02/2010 (sexta-feira), apresentou a interessada, em 09/03/2010, recurso voluntário, no qual alega que o crédito pleiteado na esfera administrativa difere consideravelmente do crédito pleiteado na ação judicial e que, para evitar possíveis prejuízos futuros, não poderia desistir da ação judicial.
Discorre a respeito do princípio da irretroatividade da lei, da constitucionalidade e da verdade material para concluir que restaria comprovada a regularidade das compensações efetuadas.
Ao final, pede pelo provimento do recurso voluntário com a homologação integral das compensações formalizadas.
É o relatório.
Nome do relator: MARIA DE LOURDES RAMIREZ
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, declinar a competência de julgamento deste litígio, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Presidente (assinado digitalmente) Maria de Lourdes Ramirez Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Cláudio Otávio Melchiades Xavier, Carmen Ferreira Saraiva, Sandra Maria Dias Nunes, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes Relatório. Cuida-se de recurso voluntário interposto contra acórdão da 4a. Turma da DRJ em Salvador/BA que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada contra ato de não homologação de compensações pleiteadas nos autos. Pelo Despacho Decisório n°660/2009, a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Salvador/BA, indeferiu o direito de compensação de débitos declarados com direito creditório relativo a contribuição para o PIS/PASEP proveniente da Ação Ordinária 1997.33.581-0, na qual se discute o direito ao reconhecimento de indébito de PIS recolhido com base nos Decretos-lei n°2.445 e 2.449, ambos de 1988, uma vez que este mesmo crédito já tinha sido objeto de análise no processo administrativo n°10580.000290/00-17, Despacho Decisório DRF/SDR n°573, de 07/11/2008, para indeferi-lo, em razão da identidade entre os créditos pleiteados nas esferas judicial e administrativa, tendo o contribuinte optado em prosseguir com a execução. Na manifestação de inconformidade tempestivamente apresentada a empresa alegou que em virtude da revogação dos efeitos suspensivos relativos aos débitos do PAF ora discutido, com impedimento à emissão de CND, ingressou com medida liminar através do processo n° 2002.33.00.023224-4, na 1a. Vara da Justiça Federal, com objetivo de restaurar a suspensão, tendo sido concedida a segurança, mas cuja medida judicial o órgão de origem insiste em contrariar. No voto proferido a Turma Julgadora de 1a. instância indeferiu o pleito e consignou que a partir de janeiro de 2001, passou a ser vedada a compensação de tributo objeto de discussão judicial antes do trânsito em julgado da respectiva ação e os eventuais encontros de contas baseados em ação judicial a partir de então deveriam aguardar o desfecho da lide. Explicou que o contribuinte ingressou com o PAF n° 10580.000290/00-17 visando a restituição dos valores do PIS pagos a maior tendo sido indeferido o direito pleiteado mediante o Despacho Decisório DRF/SDR n°573, de 07/11/2008, uma vez que ficou constatada a identidade entre o crédito nas esferas judicial e administrativa, e que o contribuinte optou em prosseguir com a execução, conforme Laudo Pericial da Primeira Vara da Seção Judiciária do Estado da Bahia, na ação constante dos auto n° 1997.33.581-0. Nessas condições não poderia, por via obliqua, obter outro provimento jurisdicional, dado o risco de tornar-se detentor de dois títulos executivos, na esfera judicial, a execução, e no processo administrativo, a restituição e compensações a esta vinculada, fato que foi levado em consideração na apreciação do processo n° 10580.000290/0d- 17, para indeferi-lo, sendo vedado ao interessado utilizar novamente os créditos para compensação administrativa após ter obtido judicialmente o direito à repetição dos valores pagos a maior. Notificada da decisão, em 05/02/2010 (sexta-feira), apresentou a interessada, em 09/03/2010, recurso voluntário, no qual alega que o crédito pleiteado na esfera administrativa difere consideravelmente do crédito pleiteado na ação judicial e que, para evitar possíveis prejuízos futuros, não poderia desistir da ação judicial. Discorre a respeito do princípio da irretroatividade da lei, da constitucionalidade e da verdade material para concluir que restaria comprovada a regularidade das compensações efetuadas. Ao final, pede pelo provimento do recurso voluntário com a homologação integral das compensações formalizadas. É o relatório.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, declinar a competência de julgamento deste litígio, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes – Presidente (assinado digitalmente) Maria de Lourdes Ramirez – Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Cláudio Otávio Melchiades Xavier, Carmen Ferreira Saraiva, Sandra Maria Dias Nunes, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes RELATÓRIO. Cuidase de recurso voluntário interposto contra acórdão da 4a. Turma da DRJ em Salvador/BA que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada contra ato de não homologação de compensações pleiteadas nos autos. Pelo Despacho Decisório n°660/2009, a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Salvador/BA, indeferiu o direito de compensação de débitos declarados com direito creditório relativo a contribuição para o PIS/PASEP proveniente da Ação Ordinária RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 05 80 .0 03 47 2/ 00 -3 1 Fl. 140DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 02/08/ 2013 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10580.003472/0031 Resolução nº 1801000.238 S1TE01 Fl. 3 2 1997.33.5810, na qual se discute o direito ao reconhecimento de indébito de PIS recolhido com base nos Decretoslei n°2.445 e 2.449, ambos de 1988, uma vez que este mesmo crédito já tinha sido objeto de análise no processo administrativo n°10580.000290/0017, Despacho Decisório DRF/SDR n°573, de 07/11/2008, para indeferilo, em razão da identidade entre os créditos pleiteados nas esferas judicial e administrativa, tendo o contribuinte optado em prosseguir com a execução. Na manifestação de inconformidade tempestivamente apresentada a empresa alegou que em virtude da revogação dos efeitos suspensivos relativos aos débitos do PAF ora discutido, com impedimento à emissão de CND, ingressou com medida liminar através do processo n° 2002.33.00.0232244, na 1a. Vara da Justiça Federal, com objetivo de restaurar a suspensão, tendo sido concedida a segurança, mas cuja medida judicial o órgão de origem insiste em contrariar. No voto proferido a Turma Julgadora de 1a. instância indeferiu o pleito e consignou que a partir de janeiro de 2001, passou a ser vedada a compensação de tributo objeto de discussão judicial antes do trânsito em julgado da respectiva ação e os eventuais encontros de contas baseados em ação judicial a partir de então deveriam aguardar o desfecho da lide. Explicou que o contribuinte ingressou com o PAF n° 10580.000290/0017 visando a restituição dos valores do PIS pagos a maior tendo sido indeferido o direito pleiteado mediante o Despacho Decisório DRF/SDR n°573, de 07/11/2008, uma vez que ficou constatada a identidade entre o crédito nas esferas judicial e administrativa, e que o contribuinte optou em prosseguir com a execução, conforme Laudo Pericial da Primeira Vara da Seção Judiciária do Estado da Bahia, na ação constante dos auto n° 1997.33.5810. Nessas condições não poderia, por via obliqua, obter outro provimento jurisdicional, dado o risco de tornarse detentor de dois títulos executivos, na esfera judicial, a execução, e no processo administrativo, a restituição e compensações a esta vinculada, fato que foi levado em consideração na apreciação do processo n° 10580.000290/0d 17, para indeferi lo, sendo vedado ao interessado utilizar novamente os créditos para compensação administrativa após ter obtido judicialmente o direito à repetição dos valores pagos a maior. Notificada da decisão, em 05/02/2010 (sextafeira), apresentou a interessada, em 09/03/2010, recurso voluntário, no qual alega que o crédito pleiteado na esfera administrativa difere consideravelmente do crédito pleiteado na ação judicial e que, para evitar possíveis prejuízos futuros, não poderia desistir da ação judicial. Discorre a respeito do princípio da irretroatividade da lei, da constitucionalidade e da verdade material para concluir que restaria comprovada a regularidade das compensações efetuadas. Ao final, pede pelo provimento do recurso voluntário com a homologação integral das compensações formalizadas. É o relatório. Fl. 141DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 02/08/ 2013 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Erro! Fonte de referência não encontrada. Fls. 4 ___________ VOTO Maria de Lourdes Ramirez – Relatora O recurso é tempestivo, mas não deve ser conhecido por esta Turma de Julgamento. Tratase de pedido de compensação pelo qual pretende, a recorrente, o reconhecimento de direito creditório a título de pagamento indevido de PIS recolhido com base nos Decretos 2.445 e 2.449, de 1988. Em relação à previsão legal para julgar esta matéria, a Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, que aprova o Regimento Interno do CARF, dispõe, no Anexo II: Art. 1° Compete aos órgãos julgadores do CARF o julgamento de recursos de ofício e voluntários de decisão de primeira instância, bem como os recursos de natureza especial, que versem sobre tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. Parágrafo único. As Seções serão especializadas por matéria, na forma dos arts. 2° a 4° da Seção I. Das Seções de Julgamento Art. 2° À Primeira Seção cabe processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de primeira instância que versem sobre aplicação da legislação de: I Imposto sobre a Renda das Pessoas Jurídicas (IRPJ); II Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL); III Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF), quando se tratar de antecipação do IRPJ; IV demais tributos e o Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF), quando procedimentos conexos, decorrentes ou reflexos, assim compreendidos os referentes às exigências que estejam lastreadas em fatos cuja apuração serviu para configurar a prática de infração à legislação pertinente à tributação do IRPJ; ... Fl. 142DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 02/08/ 2013 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10580.003472/0031 Resolução nº 1801000.238 S1TE01 Fl. 5 4 Art. 4° À Terceira Seção cabe processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de primeira instância que versem sobre aplicação da legislação de: I Contribuição para o PIS/PASEP e Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS), inclusive as incidentes na importação de bens e serviços; ... Analisando os mencionados dispositivos verificase a ausência de competência desta 1ª Turma Especial da 3ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento para exame do Recurso Voluntário. Pelo exposto voto por declinar a competência do julgamento do presente recurso para a 3ª Seção, com proposta de retorno dos autos à Secretaria dessa Câmara para as devidas providências. (assinado digitalmente) Maria de Lourdes Ramirez Fl. 143DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 02/08/ 2013 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES
score : 1.0
Numero do processo: 16643.000266/2010-15
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 03 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ
Exercício: 2006
Ementa:
PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. MÉTODO PRL 60. INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF Nº 243, DE 2002. LEGALIDADE.
A Instrução Normativa SRF nº 243, de 2002, ao expressar, com precisão matemática, os elementos a serem considerados na determinação do custo dos bens, serviços ou direitos, adquiridos do exterior de pessoa vinculada, dedutível da determinação do lucro real e da base de cálculo da CSLL, segundo o método do Preço de Revenda menos Lucro (PRL), atuou, com propriedade, nos exatos termos do disposto no art. 100 do Código Tributário Nacional. Irrelevante, ex vi do disposto no art. 118 do mesmo Código Tributário Nacional, os efeitos econômicos advindos da interpretação promovida pelo ato normativo combatido.
PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. MÉTODO DO PREÇO DE REVENDA MENOS LUCRO (PRL). FRETES, SEGUROS E TRIBUTOS INCIDENTES NA IMPORTAÇÃO.
Por força do disposto no parágrafo 6º do art. 18 da Lei nº 9.430, de 1996, integram o custo, para efeito de dedutibilidade, o valor do frete e do seguro, cujo ônus tenha sido do importador e os tributos incidentes na importação. A não consideração dos referidos dispêndios na determinação do preço parâmetro pelo método PRL impõe a comprovação, por meio de documentação hábil e idônea, de que tais valores não foram computados no preço de revenda praticado.
JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFICIO. TAXA SELIC Nos termos da legislação de regência, procede a incidência de juros de mora com base na taxa SELIC sobre a multa de ofício não paga no vencimento.
Em consonância com o art. 139 do CTN, o crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta. No crédito tributário estão compreendidos o valor do tributo e o valor da multa.
Numero da decisão: 1301-000.967
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário, para manter os lançamentos do IRPJ e da CSLL e, por maioria, manter a aplicação dos juros de mora com base na taxa Selic sobre a multa de ofício, vencido, nesse ponto, o conselheiro Relator Wilson Fernandes Guimarães, que aplicava a taxa de juros de 1% a.m. Designado o conselheiro Paulo Jakson da Silva Lucas para redigir o voto vencedor na parte em que restou vencido o conselheiro Relator.
Nome do relator: Wilson Fernandes Guimarães
1.0 = *:*
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Exercício: 2006 Ementa: PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. MÉTODO PRL 60. INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF Nº 243, DE 2002. LEGALIDADE. A Instrução Normativa SRF nº 243, de 2002, ao expressar, com precisão matemática, os elementos a serem considerados na determinação do custo dos bens, serviços ou direitos, adquiridos do exterior de pessoa vinculada, dedutível da determinação do lucro real e da base de cálculo da CSLL, segundo o método do Preço de Revenda menos Lucro (PRL), atuou, com propriedade, nos exatos termos do disposto no art. 100 do Código Tributário Nacional. Irrelevante, ex vi do disposto no art. 118 do mesmo Código Tributário Nacional, os efeitos econômicos advindos da interpretação promovida pelo ato normativo combatido. PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. MÉTODO DO PREÇO DE REVENDA MENOS LUCRO (PRL). FRETES, SEGUROS E TRIBUTOS INCIDENTES NA IMPORTAÇÃO. Por força do disposto no parágrafo 6º do art. 18 da Lei nº 9.430, de 1996, integram o custo, para efeito de dedutibilidade, o valor do frete e do seguro, cujo ônus tenha sido do importador e os tributos incidentes na importação. A não consideração dos referidos dispêndios na determinação do preço parâmetro pelo método PRL impõe a comprovação, por meio de documentação hábil e idônea, de que tais valores não foram computados no preço de revenda praticado. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFICIO. TAXA SELIC Nos termos da legislação de regência, procede a incidência de juros de mora com base na taxa SELIC sobre a multa de ofício não paga no vencimento. Em consonância com o art. 139 do CTN, o crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta. No crédito tributário estão compreendidos o valor do tributo e o valor da multa.
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MÉTODO PRL 60. INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF Nº 243, DE 2002. LEGALIDADE. A Instrução Normativa SRF nº 243, de 2002, ao expressar, com precisão matemática, os elementos a serem considerados na determinação do custo dos bens, serviços ou direitos, adquiridos do exterior de pessoa vinculada, dedutível da determinação do lucro real e da base de cálculo da CSLL, segundo o método do Preço de Revenda menos Lucro (PRL), atuou, com propriedade, nos exatos termos do disposto no art. 100 do Código Tributário Nacional. Irrelevante, ex vi do disposto no art. 118 do mesmo Código Tributário Nacional, os efeitos econômicos advindos da interpretação promovida pelo ato normativo combatido. PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. MÉTODO DO PREÇO DE REVENDA MENOS LUCRO (PRL). FRETES, SEGUROS E TRIBUTOS INCIDENTES NA IMPORTAÇÃO. Por força do disposto no parágrafo 6º do art. 18 da Lei nº 9.430, de 1996, integram o custo, para efeito de dedutibilidade, o valor do frete e do seguro, cujo ônus tenha sido do importador e os tributos incidentes na importação. A não consideração dos referidos dispêndios na determinação do preço parâmetro pelo método PRL impõe a comprovação, por meio de documentação hábil e idônea, de que tais valores não foram computados no preço de revenda praticado. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFICIO. TAXA SELIC Nos termos da legislação de regência, procede a incidência de juros de mora com base na taxa SELIC sobre a multa de ofício não paga no vencimento. Fl. 771DF CARF MF Impresso em 06/09/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 14/0 8/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 06/09/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA J UNIOR, Assinado digitalmente em 14/08/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS Processo nº 16643.000266/201015 Acórdão n.º 130100.967 S1C3T1 Fl. 772 2 Em consonância com o art. 139 do CTN, o crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta. No crédito tributário estão compreendidos o valor do tributo e o valor da multa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário, para manter os lançamentos do IRPJ e da CSLL e, por maioria, manter a aplicação dos juros de mora com base na taxa Selic sobre a multa de ofício, vencido, nesse ponto, o conselheiro Relator Wilson Fernandes Guimarães, que aplicava a taxa de juros de 1% a.m. Designado o conselheiro Paulo Jakson da Silva Lucas para redigir o voto vencedor na parte em que restou vencido o conselheiro Relator. “documento assinado digitalmente” Alberto Pinto Souza Junior Presidente Wilson Fernandes Guimarães Relator Paulo Jakson da Silva Lucas Redator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Alberto Pinto da Souza Junior, Paulo Jakson da Silva Lucas, Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. Fl. 772DF CARF MF Impresso em 06/09/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 14/0 8/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 06/09/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA J UNIOR, Assinado digitalmente em 14/08/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS Processo nº 16643.000266/201015 Acórdão n.º 130100.967 S1C3T1 Fl. 773 3 Relatório SANOFI AVENTIS FARMACÊUTICA LTDA, já devidamente qualificada nestes autos, inconformada com a decisão da 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo, São Paulo, que manteve, na íntegra, os lançamentos tributários efetivados, interpõe recurso a este colegiado administrativo objetivando a reforma da decisão em referência. Trata o processo de exigências de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), relativas ao anocalendário de 2005, formalizadas em razão da imputação de prática de irregularidades em operações submetidas às normas de preços de transferência. Por bem sintetizar os fatos apurados e as razões trazidas em sede de impugnação por parte da contribuinte, transcrevo, a seguir, excertos do relato que consta na decisão exarada em primeira instância. DOS FATOS Da cronologia das intimações realizadas no curso da ação fiscal e Do procedimento adotado pela contribuinte para apuração dos preços de transferência nas operações de importação e da apresentação de novos cálculos após intimação do Fisco Às fls. 229/233, a fiscalização sintetiza as intimações à contribuinte, e respectivas respostas, realizadas no curso da ação fiscal, sendo particularmente relevantes para o caso em tela as seguintes. Em 05/01/2010, a contribuinte foi intimada (Termo de Início de Fiscalização, fl. 75) a apresentar as seguintes informações e/ou documentos: • Lista de empresas vinculadas; • Planilha resumo de apuração de preços de transferência na importação, conforme apurado na DIPJ/2006 (anocalendário 2005); • Em meio magnético, as memórias de cálculo (planilhas) e banco de dados que subsidiaram a apuração dos preçosparâmetro, dos preços praticados e dos ajustes, conforme apuração da DIPJ/2006. Em resposta à intimação (fl. 80), a contribuinte apresentou a lista de empresas vinculadas no exterior, planilhas resumo de preços de transferência na importação (através das quais apurou ajuste total de R$ 825.890,30, que foi adicionado ao lucro líquido do anocalendário de 2005 e oferecido à tributação) e bancos de dados em meio digital que subsidiaram a apuração. Esses arquivos digitais encontramse gravados no CDROM anexo ao Termo de Verificação Fiscal, sendo que para cada item importado de empresa vinculada foi apresentado um arquivo magnético no formato MS Excel, num total de 99 arquivos. Em seus cálculos, a contribuinte Fl. 773DF CARF MF Impresso em 06/09/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 14/0 8/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 06/09/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA J UNIOR, Assinado digitalmente em 14/08/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS Processo nº 16643.000266/201015 Acórdão n.º 130100.967 S1C3T1 Fl. 774 4 utilizou os métodos PIC (Preços Independentes Comparados), e PRL (Preço de Revenda menos Margem de Lucro), com margens de lucro de 20% (PRL20) e 60% (PRL60). Analisando a referida resposta, a fiscalização constatou que a apuração dos preçosparâmetro pelo método PRL60 foi realizada pela contribuinte com base na metodologia prevista da IN SRF n° 32/2001 (artigo 12, § 11, inciso II), que foi expressamente revogada pela IN SRF n° 243/2002, que prevê metodologia de cálculo dos preçosparâmetro para insumos aplicados na produção com margem de 60% (PRL60) de maneira diversa daquela prevista na IN SRF n° 32/2001; e também a contribuinte apurou os preços praticados na importação com base no valor FOB para os casos em que o preçoparâmetro foi apurado pelo método PRL, o que também está em desacordo com o entendimento da Receita Federal, pois o frete, o seguro e o imposto de importação também devem integrar o preço praticado na importação, tendo em vista que, no método PRL, não foram deduzidos do preço parâmetro. Em 09/06/2010, a contribuinte foi intimada (fl. 183) a corrigir a apuração dos preçosparâmetro do método PRL60 (aplicando a IN SRF n° 243/2002) e dos preços praticados segundo o método PRL (para incluir no custo o frete, o seguro e o imposto de importação). A contribuinte apresentou o que fora solicitado (fls. 187/208), deixando consignado, no entanto, que "essa sistemática de cálculo não representa o entendimento, por parte da SanofiAventis Farmacêutica Ltda., da legislação vigente para o anocalendário em questão, tendo a empresa procedido ao cálculo exclusivamente para atendimento ao termo de intimação". Com essa nova apuração, o ajuste total passou a ser de R$ 13.757.452,97 (fl. 189). Da apuração dos preços de transferência O custo ou preço praticado de um produto e também seu preçoparâmetro são obtidos, via de regra, pela média dos preços praticados em operações realizadas durante todo o anocalendário sob análise. Assim sendo, para determinar o preço parâmetro na importação ou o preçoparâmetro de cada produto, é necessário realizar o levantamento de todas as operações realizadas durante o ano, a fim de se calcular a média. A contribuinte realizou esse levantamento e está demonstrado nas planilhas listadas às fls. 235/240, das quais foi impresso um exemplo de cada e juntado no Anexo III a este Termo. DAS VERIFICAÇÕES REALIZADAS PELO FISCO Em atendimento a intimação da fiscalização, a contribuinte apurou corretamente o preçoparâmetro de acordo com os métodos PRL e PIC, previstos na legislação pertinente (IN SRF n° 243/2002), obtendo um valor total de ajuste de R$ 13.757.452,97 (métodos PRL 20 e PRL60, fl. 189). No entanto, na DIPJ/2006, a contribuinte adicionou valor de ajuste de R$ 825.890,30, correspondente à apuração inicial, que fora realizada com preços praticados calculados com base nos valores FOB de importação e os preços parâmetro do método PRL60 calculados com base na metodologia prevista na IN SRF n° 32/2001. Fl. 774DF CARF MF Impresso em 06/09/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 14/0 8/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 06/09/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA J UNIOR, Assinado digitalmente em 14/08/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS Processo nº 16643.000266/201015 Acórdão n.º 130100.967 S1C3T1 Fl. 775 5 DO DIREITO No cálculo dos preços praticados pelo método PRL há que se observar o disposto no artigo 18, § 6º , da Lei n° 9.430/96 e o artigo 4º , § 4º , da IN SRF n° 243/2002. Os valores de frete, seguro e imposto de importação certamente não poderiam deixar de integrar o preçoparâmetro, uma vez que são agregados ao custo da importação e compõem o preço final da mercadoria importada. Assim, para comparar os 2 preços (preço praticado e preçoparâmetro), é essencial que ambos estejam no mesmo patamar de valores agregados. Por isso a contribuinte foi intimada a alterar o cálculo do preço praticado, para incluir no custo o frete, o seguro e o imposto de importação. Para o cálculo do preçoparâmetro na importação, há que se observar os artigos 8º (método PIC) e 12 (método PRL) da IN SRF n° 243/2002. Concluise, portanto, que o valor do ajuste apurado no decorrer da fiscalização encontra fundamento na legislação supracitada. BASE DE CÁLCULO DIFERENÇAS APURADAS LANÇAMENTOS Em face do exposto, foi apurada a diferença tributável de R$ 12.931.562,67, conforme a seguir demonstrado (valores em reais): Ajuste apurado no procedimento fiscal 13.757.452,97 () Ajuste apurado na DIPJ/2006 825.890,30 = Diferença tributável 12.931.562,67. Foram, então, efetuados os seguintes lançamentos, relativos ao anocalendário de 2005: ... Obs. Houve compensação (limite de 30%) de prejuízos fiscais (IRPJ) e base de cálculo negativa (CSLL) de períodos anteriores (FAPLI/FACS às fls. 303/304). DA IMPUGNAÇÃO Cientificada dos lançamentos em 14/10/2010 (fls. 288 e 293), a contribuinte, por meio de seus advogados, regularmente constituídos (fl. 349/350), apresentou, em 12/11/2010, a impugnação de fls. 306/40, alegando, em síntese, o seguinte: DOS FATOS A impugnante, relativamente às operações de importação de bens realizadas com empresas vinculadas, havia adotado os métodos PIC, PRL20 e PRL60 para a apuração dos preços de transferência, resultando, ao final ajuste no valor total de R$ 825.890,30. Para o cálculo do preçoparâmetro pelo método PRL60, a impugnante adotara a metodologia prevista na IN SRF n° 32/2001 (a mesma prevista no inciso II do Lei n° 9.430/96); e nos métodos PRL20 e PRL60, os preços praticados foram apurados Fl. 775DF CARF MF Impresso em 06/09/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 14/0 8/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 06/09/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA J UNIOR, Assinado digitalmente em 14/08/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS Processo nº 16643.000266/201015 Acórdão n.º 130100.967 S1C3T1 Fl. 776 6 com base no valor FOB, ou seja, sem a inclusão do frete, do seguro e do imposto de importação. Por discordar da metodologia utilizada pela impugnante, a fiscalização intimoua a apresentar novos cálculos, de acordo com a metodologia prevista na IN SRF n° 243/2002, e com a inclusão do frete, do seguro e do imposto de importação do cálculo do preço praticado. Com o único e exclusivo propósito de atender à intimação fiscal, a impugnante elaborou novos cálculos, nos termos solicitados pela fiscalização, apurando ajuste no valor total de R$ 13.757.452,97. Tendo em vista que os novos cálculos do preço de transferência apresentados pela impugnante (repitase, apenas para cumprir a intimação fiscal) estavam de acordo com a metodologia prevista na IN SRF n° 243/2002 (que, no entender da fiscalização, seria a correta), foi apurado ajuste a ser adicionado ao lucro líquido no anocalendário de 2005 no valor de R$ 12.931.562,67 (= R$ 13.757.452,97 R$ 825.890,30). Portanto, os Autos de Infração foram lavrados em razão do entendimento da fiscalização de que: (1) para o cálculo do preçoparâmetro pelo método PRL60, deveria ter sido adotada a metodologia prevista na IN SRF n° 243/2002; e (2) para o cálculo do preço praticado pelos métodos PRL20 e PRL60, o frete, o seguro e o imposto de importação deveriam ter sido incluídos ao custo do bem importado. Contudo, os Autos de Infração não podem prosperar, pelos motivos a seguir expostos. DA ILEGALIDADE DA METODOLOGIA PREVISTA NA IN SRF N° 243/2002 PARA O CÁLCULO DO PREÇOPARÂMETRO PELO MÉTODO PRL60 O método PRL60 foi introduzido no nosso ordenamento jurídico pela Lei n° 9.959/2000, que deu nova redação à alínea "d" do inciso II do artigo 18 da Lei n° 9.430/96. Com o objetivo de regulamentar esse novo método, foi editada a IN SRF n° 113/2000 (que alterou a IN SRF n° 38/97) e, posteriormente, a IN SRF n° 32/2001, que guardava compatibilidade com o texto do artigo 18 da Lei n° 9.430/96. Em 11/11/2002, a IN SRF n° 32/2001 foi expressamente revogada pela IN SRF n° 243/2002, que, por sua vez, passou a "regulamentar", dentre outras matérias relacionadas aos preços de transferência, a metodologia de apuração do preço parâmetro pelo método PRL60. Ocorre que a IN SRF n° 243/2002 (artigo 12) alterou substancialmente a metodologia de apuração do preçoparâmetro pelo método PRL60, dispondo de forma diversa do previsto no inciso II do artigo 18 da Lei n° 9.430/96 e da revogada IN SRF n° 32/2001. Aliás, a própria fiscalização reconheceu expressamente que a IN SRF n° 243/2002, com relação a método PRL60, prevê metodologia de cálculo do preçoparâmetro de maneira diversa da IN SRF n° 32/2001 (p. 7 do Termo de Verificação Fiscal, fl. 231). A IN SRF n° 243/2002 acabou criando novos critérios para a determinação da margem de lucro e o preçoparâmetro pelo método PRL60, extrapolando e contrariando o previsto no inciso II do artigo 18 da Lei n° 9.430/96. Fl. 776DF CARF MF Impresso em 06/09/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 14/0 8/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 06/09/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA J UNIOR, Assinado digitalmente em 14/08/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS Processo nº 16643.000266/201015 Acórdão n.º 130100.967 S1C3T1 Fl. 777 7 E é essa metodologia prevista no texto legal (inciso II do artigo 18 da Lei n° 9.430/96) que deve ser respeitada pelos órgãos da Administração Pública, não dispondo o Poder Executivo de competência para, por meio de instrução normativa (ato meramente interpretativo e complementar), inovar no plano normativo, criando critérios de apuração do preço de transferência que não encontram fundamento legal. A aplicação da metodologia prevista no artigo 12 da IN SRF n° 243/2002 implica apuração de preçoparâmetro inferior ao que seria apurado pela metodologia prevista no inciso II do artigo 18 da Lei n° 9.430/96 e, por decorrência, majoração indevida da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, em total afronta ao artigo 97 do CTN. Assim, diante do exposto, e demonstrada a ilegalidade do artigo 12 da IN SRF n° 243/2002, os Autos de Infração em questão devem ser cancelados. Da MP n° 478/2009 Em 29/12/2009, foi publicada a MP n° 478/2009, que alterava o artigo 18 da Lei n° 9.430/96 e, também, a metodologia de apuração do preço de transferência pelo método PRL60. Dentre outros propósitos, a MP n° 478/2009 tinha o evidente objetivo de, se convertida em lei, corrigir as ilegalidades do artigo 12 da IN SRF n° 243/2002 quanto à metodologia de apuração do preçoparâmetro pelo método PRL60. É o que se evidencia claramente da exposição de motivos da referida MP. A MP n° 478/2009 não foi convertida em lei e teve seu prazo de vigência encerrado em 01/06/2010, de modo que o artigo 12 da IN SRF n° 243/2002 permanece sem fundamento na legislação ordinária. Da violação do princípio "arm's lenght" Como se não bastasse o artigo 12 da IN SRF n° 243/2002 afrontar o disposto no artigo 18 da Lei n° 9.430/96 e no artigo 97 do CTN, também viola o princípio "arm's length" (previsto no artigo 9º da Convenção Modelo da OCDE e recepcionado pelo Brasil). O artigo 12 da IN SRF n° 243/2002 criou uma fórmula abstrata completamente distante da realidade da transação de mercado, na medida em que proporcionaliza o preço de venda e exclui a elevada margem de lucro de 60%, reduzindo, significativamente, o preçoparâmetro. Desse modo, a comparação deixou de ser efetuada entre o preço de mercado e o preço praticado com a empresa vinculada, uma vez que se exige do contribuinte uma margem de lucro irreal, ignorandose solenemente o princípio "arm's length". Assim, por mais esse motivo, o artigo 12 da IN SRF n° 243/2002 não deve ser aplicado ao caso concreto. Da competência dos Órgãos Administrativos de Julgamento para afastar ilegalidades perpetradas pelo Poder Executivo ao editar instrução normativa Nem se alegue que os Órgãos Administrativos de Julgamento não estariam autorizados a afastar, no caso concreto, as ilegalidades perpetradas pelo artigo 12 da IN SRF n° 243/2002, pois os referidos órgãos devem obedecer ao princípio da legalidade, conforme disposto no artigo 37 da CF/88 e nos artigos 2º e 53 da Lei n° 9.784/99. Fl. 777DF CARF MF Impresso em 06/09/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 14/0 8/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 06/09/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA J UNIOR, Assinado digitalmente em 14/08/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS Processo nº 16643.000266/201015 Acórdão n.º 130100.967 S1C3T1 Fl. 778 8 Destaquese, ainda, que o lançamento tributário é uma atividade administrativa vinculada à lei, e não ao disposto em instrução normativa. Assim, os Órgãos Administrativos de Julgamento, ao se depararem com uma divergência entre o texto da lei e o texto da instrução normativa, devem, por força do princípio da legalidade, prestigiar o disposto na legislação ordinária, afastando, no caso concreto o ato ilegal do Poder Executivo. Nesse sentido, cabe destacar, a título exemplificativo, a jurisprudência pacífica do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF sobre a impossibilidade de a IN SRF n° 38/97 restringir a aplicação do método PRL nos casos de bens importados aplicados à produção, justamente porque tal restrição não está prevista na Lei n° 9.430/96. Destaquese que o artigo 12 da IN SRF n° 243/2002 possui vício de ilegalidade semelhante ao da IN SRF n° 38/97, de modo que esse entendimento do CARF se aplica, inevitavelmente, ao presente caso. Diante do exposto, não há qualquer óbice para que a aplicação do artigo 12 da IN SRF n° 243/2002 seja afastada no caso concreto, especialmente porque ficou demonstrada a ilegalidade desse dispositivo ao ser confrontado com o disposto no artigo 18 da Lei n° 9.430/96. DA INDEVIDA INCLUSÃO DO FRETE, DO SEGURO E DO IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO NO PREÇO PRATICADO MÉTODOS PRL20 E PRL60 Nos Autos de Infração em questão, entendeu a fiscalização que, para o cálculo do preço praticado pelos métodos PRL20 e PRL60, o frete, o seguro e o imposto de importação deveriam ter sido acrescidos ao custo do bem importado. Contudo, a prevalecer esse entendimento, estarseia introduzindo indiretamente uma limitação à dedutibilidade de custos pagos pelo importador à própria União (no caso do imposto de importação) ou a terceiras empresas com as quais o importador não possui vínculo algum (no caso das despesas com frete e seguro). Ao estabelecer que integram o custo, para efeito de dedutibilidade, as despesas de frete, seguro e imposto de importação, o § 6º do artigo 18 da Lei n° 9.430/96 deixa claro que tais despesas são sempre dedutíveis para o importador. Tal conclusão fica ainda mais evidente quando se verifica que, diante da possibilidade de que a importação se dê sob o regime CIF ou FOB, o dispositivo legal em questão somente assegura a dedução dos custos relativos a frete e seguro " cujo ônus tenha sido do importador", ou seja, na modalidade FOB. Portanto, a comparação a ser efetuada deve se dar sempre entre o preço parâmetro apurado pelo método PRL e aquele pago pelo importador à vinculada, uma vez que o frete, o seguro e o imposto de importação são custos efetivos, que não são afetados pelo vínculo entre importador e exportador, e, portanto, integralmente dedutíveis. Em conseqüência, por mais esse motivo, não pode prevalecer o crédito tributário lançado nos presentes autos. DA NÃO INCIDÊNCIA DE JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO Fl. 778DF CARF MF Impresso em 06/09/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 14/0 8/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 06/09/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA J UNIOR, Assinado digitalmente em 14/08/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS Processo nº 16643.000266/201015 Acórdão n.º 130100.967 S1C3T1 Fl. 779 9 Por fim, na remota hipótese de ser mantida a autuação, desde já a impugnante insurgese contra eventual exigência de juros de mora sobre a multa de ofício lançada em conjunto com o tributo supostamente devido, por inexistir amparo legal (nem o artigo 161 do CTN, nem o artigo 61 da Lei n° 9.430/96 dão suporte a essa exigência), conforme, inclusive, já reconhecido pelo antigo Conselho de Contribuintes. DAS CONCLUSÕES E DO PEDIDO A impugnante apresenta suas conclusões às fls. 344/345, e requer o cancelamento integral da exigência fiscal. A já citada 5a Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo, analisando o feito fiscal e a peça de defesa, decidiu, por meio do Acórdão nº. 1629.458, de 09 de fevereiro de 2011, pela procedência dos lançamentos. O referido julgado restou assim ementado: MÉTODO PRL. PREÇOS PRATICADOS. FRETE, SEGURO E TRIBUTOS. Na apuração dos preços praticados segundo o método PRL (Preço de Revenda menos Lucro), devese incluir o valor do frete e do seguro, cujo ônus tenha sido do importador, e os tributos incidentes na importação. MÉTODO PRL60. ILEGALIDADE DA INSTRUÇÃO NORMATIVA. Não compete à esfera administrativa a análise da legalidade ou inconstitucionalidade de normas jurídicas. JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. Tratandose de aspecto concernente à cobrança do crédito tributário, a autoridade julgadora não se manifesta a respeito de juros sobre multa de ofício. CSLL. DECORRÊNCIA. O decidido quanto ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica aplicase à tributação decorrente dos mesmos fatos e elementos de prova. Irresignada, a contribuinte, apresentou o recurso de folhas 673/735, por meio do qual requereu a juntada de Parecer Técnico elaborado por Elen Peixoto Orsini, e, renovando argumentos expendidos na peça impugnatória, adita: que os órgãos administrativos de julgamento, notadamente o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, têm competência para afastar, no caso concreto, as ilegalidades cometidas pelo Poder Executivo ao expedir Instruções Normativas, como é o caso do art. 12 da Instrução Normativa SRF nº 243/2002; que a aplicação do art. 12 da Instrução Normativa SRF nº 243/2002 deve ser afastada no caso concreto, especialmente porque este dispositivo, ao ser confrontado com o disposto no art. 18 da Lei nº 9.430/1996 e no art. 97 do Código Tributário Nacional, “não passa pelo teste da legalidade”; Fl. 779DF CARF MF Impresso em 06/09/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 14/0 8/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 06/09/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA J UNIOR, Assinado digitalmente em 14/08/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS Processo nº 16643.000266/201015 Acórdão n.º 130100.967 S1C3T1 Fl. 780 10 que a ilegalidade do art. 12 da Instrução Normativa SRF nº 243/2002 está configurado por dois fundamentos jurídicos: i) instituição, pelo Poder Executivo, de fórmula de cálculo do preçoparâmetro pelo método PRL60 absolutamente diversa da fórmula estabelecida pelo Poder Legislativo (art. 18 da Lei nº 9.430, de 1996); e ii) majoração (indevida) da base de cálculo do IRPJ e da CSLL mediante aplicação de critérios de apuração previstos, única e exclusivamente, no texto de uma Instrução Normativa, afrontando o disposto no art. 97 do Código Tributário Nacional; nos termos do inciso II do art. 18 da Lei nº 9.430, de 1996, o legislador instituiu a seguinte fórmula matemática para apuração do preçoparâmetro pelo método do PRL 60: Preço Parâmetro = PLV – ML60% (PLV – VA), onde: PLV = Preço Líquido de Venda (preço de revenda do bem importado, diminuído dos descontos incondicionais, dos tributos incidentes sobre vendas e das comissões pagas) ML60% = Margem de Lucro de 60% VA = Valor Agregado que o legislador ordinário fixou uma margem de lucro altíssima mas, por outro lado, autorizou a subtração do valor agregado no país; que a fórmula matemática instituída pelo legislador ordinário visou equacionar a altíssima margem de lucro de 60% à realidade das empresas brasileiras (a Recorrente apresenta quadro ilustrativo de apuração do preçoparâmetro, calculado com base na fórmula que considera correta); que o do art. 12 da Instrução Normativa SRF nº 243/2002 introduziu nova fórmula de apuração do preçoparâmetro pelo método PRL60, dispondo de forma absolutamente diversa do previsto no inciso II do art. 18 da Lei nº 9.430, de 1996, e na revogada IN SRF nº 32/2001; que na Lei nº 9.430/96 jamais houve qualquer menção ao percentual de participação dos bens importados no custo total do bem produzido e à participação dos bens importados no preço de venda do bem produzido como fatores determinantes da margem de lucro e do preçoparâmetro (a Recorrente apresenta quadro ilustrativo de apuração do preço parâmetro, calculado com base na Instrução Normativa SRF nº 243/2002); que não há previsão legal para excluir o valor agregado no cálculo do preço parâmetro (o valor agregado deve ser excluído do preço líquido de venda apenas para fins de cálculo da margem de lucro de 60%); que, com a proporcionalização do preço líquido de venda, o valor é reduzido na exata proporção do percentual de participação do valor de aquisição do insumo no custo total, reduzindo o preçoparâmetro e, por conseguinte, aumentando a base de cálculo do IRPJ e da CSLL; que tal mudança de metodologia (fórmula) foi efetuada sem amparo legal, por meio de simples edição da Instrução Normativa SRF nº 243/2002, o que não pode prosperar em um Estado Democrático de Direito, que preza pela legalidade na tributação; Fl. 780DF CARF MF Impresso em 06/09/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 14/0 8/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 06/09/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA J UNIOR, Assinado digitalmente em 14/08/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS Processo nº 16643.000266/201015 Acórdão n.º 130100.967 S1C3T1 Fl. 781 11 que, ainda que fosse possível sustentar o entendimento da Fazenda Nacional de que a interpretação literal do art. 18 da Lei nº 9.430/96 poderia resultar em diferentes fórmulas de apuração do preçoparâmetro pelo método PRL60, o parágrafo 4º do art. 18 da Lei nº 9.430/96 confere ao contribuinte o direito de aplicação do método mais favorável; que comprovase matematicamente que a aplicação da fórmula de apuração do preçoparâmetro pelo método PRL60 da Instrução Normativa nº 243/2002 mais do que dobra a tributação que seria obtida com a aplicação do método PRL20, influenciando, inevitavelmente, a opção de importar para revender em vez de importar para produzir e posteriormente revender; que o estímulo à importação para revenda direta simplesmente não é compatível com a neutralidade pretendida pelas normas de preços de transferência, não representando uma interpretação razoável do pretendido pela Lei nº 9.430/1996; que é mais vantajoso para o contribuinte descumprir a legislação de preço de transferência e ter o seu lucro arbitrado do que cumprila; que, diferentemente do alegado pela Fazenda Nacional, a fórmula de apuração do preçoparâmetro pelo método PRL60 prevista no art. 12 da Instrução Normativa nº 243/2002 não é adequada, não permite apurar o preço justo em decorrência do “efeito circular”, como também não evita a transferência de lucros entre empresas vinculadas, uma vez que, na maioria das vezes, premia o contribuinte que não cumpre com a legislação de preços de transferência e transfere lucros para o exterior; que, ao estabelecer que integram o custo, para efeito de dedutibilidade, as despesas com frete, seguro e Imposto de Importação, o parágrafo 6º do art. 18 da Lei nº 9.430/96 deixou claro que tais despesas são sempre dedutíveis para o importador, notadamente quando não guardam qualquer relação com a vinculada, não lhes sendo aplicável a restrição do caput do art. 18 da Lei nº 9.430/96; que a comparação a ser efetuada deve se dar sempre entre o preço parâmetro apurado pelo método “PRL” e aquele pago pelo importador à vinculada, uma vez que o frete, o seguro e o imposto de importação são custos efetivos, incorridos no Brasil, que não são afetados pelo vínculo existente entre importador e exportador; que, considerando que a cobrança dos juros de mora sobre a multa de ofício se deu apenas após a intimação da decisão de primeira instância, o CARF deve apreciar os argumentos de defesa por ela apresentados, que demonstram a improcedência de tal exigência por ausência de previsão legal. É o Relatório. Fl. 781DF CARF MF Impresso em 06/09/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 14/0 8/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 06/09/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA J UNIOR, Assinado digitalmente em 14/08/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS Processo nº 16643.000266/201015 Acórdão n.º 130100.967 S1C3T1 Fl. 782 12 Voto Vencido Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães Atendidos os requisitos de admissibilidade, conheço do apelo. Trata a lide de exigências de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), relativas ao anocalendário de 2005, formalizada em razão da imputação das infrações abaixo indicadas, apuradas a partir da revisão dos cálculos elaborados pela fiscalizada na determinação dos ajustes relativos a preços de transferência. i) determinação do preçoparâmetro com base no método PRL 60 sem observância das disposições da Instrução Normativa nº 243, de 2002; ii) ausência de cômputo, na determinação do preçoparâmetro com base no método PRL, do frete, seguro e imposto de importação. Aprecio, pois, as alegações trazidas pela autuada em sede de recurso voluntário. METODOLOGIA (FÓRMULA) PREVISTA NA IN SRF Nº 243/2002 Argumenta a Recorrente, em apertada síntese, que a metodologia (fórmula) trazida pela Instrução Normativa SRF nº 243, de 2002, para o cálculo do preçoparâmetro pelo método “PRL 60%” é ilegal. Diz que tal ilegalidade repousa, basicamente, em dois fundamentos, quais sejam: a) instituição, pelo Poder Executivo, de fórmula de cálculo absolutamente diversa da fórmula estabelecida pelo Poder Legislativo (art. 18 da Lei nº 9.430, de 1996); e b) majoração (indevida) da base de cálculo do Imposto de Renda e da Contribuição Social mediante aplicação de critérios de apuração previstos, única e exclusivamente, no texto de uma Instrução Normativa, afrontando o disposto no art. 97 do Código Tributário Nacional. A Recorrente requer, ainda, a juntada de Parecer Técnico que, segundo alega, aborda as diferenças existentes entre a fórmula de cálculo prevista no artigo 18 da Lei nº 9.430/96 e a fórmula de cálculo prevista no artigo 12 da Instrução Normativa SRF nº 243, de 2002. A meu ver, tal requisição vem acompanhada de afirmação digna de reparo, vez que o art. 18 da Lei nº 9.430/96 não estabeleceu qualquer fórmula para a determinação do preço parâmetro relativo ao denominado método PRL 60%. As fórmulas, seja a porventura trazida pelo contribuinte, sejam as previstas em atos normativos editados pela Receita Federal (Instruções Normativas nºs 113/2000; 32/2001; e 243/2002), representam expressões matemáticas do exercício interpretativo feito pelo aplicador da lei, relativamente às disposições do art. 18 da Lei nº 9.430/96. Fl. 782DF CARF MF Impresso em 06/09/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 14/0 8/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 06/09/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA J UNIOR, Assinado digitalmente em 14/08/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS Processo nº 16643.000266/201015 Acórdão n.º 130100.967 S1C3T1 Fl. 783 13 Abstraída a questão relacionada ao cômputo, na determinação do preço parâmetro, do frete, do seguro e do imposto de importação, matéria que será objeto de apreciação no item seguinte, a presente análise, no caso vertente, dirigese no sentido de aferir se a Instrução Normativa nº 243, de 2002, ao estabelecer fórmula para determinação do denominado preço parâmetro, foi além dos limites a ela impostos, isto é, extrapolou a lei que objetivou complementar. Digo que a questão limitase à análise das prescrições trazidas pela Instrução Normativa nº 243/2002, pois, no caso vertente, o anocalendário fiscalizado foi o de 2005, período em vigia o referido ato normativo. Aqui, não existe também questionamento relacionado aos cálculos efetuados segundo a metodologia trazida pela Instrução Normativa nº 243, eis que a Fiscalização intimou a Recorrente a apurar, no curso da ação fiscal, o ajuste a ser feito segundo o estabelecido pelo referido ato normativo e os lançamentos tributários foram efetivados em conformidade com a referida apuração. De início, acolho o argumento da Recorrente no sentido de que este Colegiado detém competência para, se for o caso, afastar atos normativos expedidos pela Receita Federal do Brasil, na parte em que o referido ato revelarse contrário a lei. Retornando à questão da “fórmula”, repiso que, a meu ver, não estamos diante de “instituição, pelo Poder Executivo, de fórmula de cálculo do preço parâmetro pelo método PRL 60% absolutamente diversa da fórmula estabelecida pelo Poder Legislativo (art.18 da Lei nº 9.430/1996”), vez que, como já dito, a lei (o Poder Legislativo) não estabeleceu “fórmula” no sentido empregado pela ora Recorrente, isto é, não exprimiu por meio de símbolos os elementos que compunham o chamado preço parâmetro (a rigor, nem mesmo a Instrução Normativa nº 243/2002 fez isso). Vejamos, então, o disposto em cada um dos atos antes referenciados, relativamente ao caso em debate (art. 18 da Lei nº 9.430/96 e art. 12 da Instrução Normativa nº 243/2002). Lei nº 9.430/96 Art. 18. Os custos, despesas e encargos relativos a bens, serviços e direitos, constantes dos documentos de importação ou de aquisição, nas operações efetuadas com pessoa vinculada, somente serão dedutíveis na determinação do lucro real até o valor que não exceda ao preço determinado por um dos seguintes métodos: ... II Método do Preço de Revenda menos Lucro PRL: definido como a média aritmética dos preços de revenda dos bens ou direitos, diminuídos: a) dos descontos incondicionais concedidos; b) dos impostos e contribuições incidentes sobre as vendas; c) das comissões e corretagens pagas; Fl. 783DF CARF MF Impresso em 06/09/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 14/0 8/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 06/09/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA J UNIOR, Assinado digitalmente em 14/08/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS Processo nº 16643.000266/201015 Acórdão n.º 130100.967 S1C3T1 Fl. 784 14 d) da margem de lucro de: 1. sessenta por cento, calculada sobre o preço de revenda após deduzidos os valores referidos nas alíneas anteriores e do valor agregado no País, na hipótese de bens importados aplicados à produção; ... Instrução Normativa nº 243/2002 Art. 12. A determinação do custo de bens, serviços ou direitos, adquiridos no exterior, dedutível da determinação do lucro real e da base de cálculo da CSLL, poderá, também, ser efetuada pelo método do Preço de Revenda menos Lucro (PRL), definido como a média aritmética ponderada dos preços de revenda dos bens, serviços ou direitos, diminuídos: I dos descontos incondicionais concedidos; II dos impostos e contribuições incidentes sobre as vendas; III das comissões e corretagens pagas; IV de margem de lucro de: ... b) sessenta por cento, na hipótese de bens, serviços ou direitos importados aplicados na produção. § 1º Os preços de revenda, a serem considerados, serão os praticados pela própria empresa importadora, em operações de venda a varejo e no atacado, com compradores, pessoas físicas ou jurídicas, que não sejam a ela vinculados. § 2º Os preços médios de aquisição e revenda serão ponderados em função das quantidades negociadas. § 3º Na determinação da média ponderada dos preços, serão computados os valores e as quantidades relativos aos estoques existentes no início do período de apuração. § 4º Para efeito desse método, a média aritmética ponderada do preço será determinada computandose as operações de revenda praticadas desde a data da aquisição até a data do encerramento do período de apuração. § 5º Se as operações consideradas para determinação do preço médio contiverem vendas à vista e a prazo, os preços relativos a estas últimas deverão ser escoimados dos juros neles incluídos, calculados à taxa praticada pela própria empresa, quando comprovada a sua aplicação em todas as vendas a prazo, durante o prazo concedido para o pagamento. Fl. 784DF CARF MF Impresso em 06/09/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 14/0 8/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 06/09/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA J UNIOR, Assinado digitalmente em 14/08/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS Processo nº 16643.000266/201015 Acórdão n.º 130100.967 S1C3T1 Fl. 785 15 § 6º Na hipótese do § 5º, não sendo comprovada a aplicação consistente de uma taxa, o ajuste será efetuado com base na taxa: I referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia (Selic), para títulos federais, proporcionalizada para o intervalo, quando comprador e vendedor forem domiciliados no Brasil; II Libor, para depósitos em dólares americanos pelo prazo de seis meses, acrescida de três por cento anuais a título de spread, proporcionalizada para o intervalo, quando uma das partes for domiciliada no exterior. § 7º Para efeito deste artigo, serão considerados como: I incondicionais, os descontos concedidos que não dependam de eventos futuros, ou seja, os que forem concedidos no ato de cada revenda e constar da respectiva nota fiscal; II impostos, contribuições e outros encargos cobrados pelo Poder Público, incidentes sobre vendas, aqueles integrantes do preço, tais como ICMS, ISS, PIS/Pasep e Cofins; III comissões e corretagens, os valores pagos e os que constituírem obrigação a pagar, a esse título, relativamente às vendas dos bens, serviços ou direitos objeto de análise. ... § 10. O método de que trata a alínea "b" do inciso IV do caput será utilizado na hipótese de bens, serviços ou direitos importados aplicados à produção. § 11. Na hipótese do § 10, o preço parâmetro dos bens, serviços ou direitos importados será apurado excluindose o valor agregado no País e a margem de lucro de sessenta por cento, conforme metodologia a seguir: I preço líquido de venda: a média aritmética ponderada dos preços de venda do bem produzido, diminuídos dos descontos incondicionais concedidos, dos impostos e contribuições sobre as vendas e das comissões e corretagens pagas; II percentual de participação dos bens, serviços ou direitos importados no custo total do bem produzido: a relação percentual entre o valor do bem, serviço ou direito importado e o custo total do bem produzido, calculada em conformidade com a planilha de custos da empresa; III participação dos bens, serviços ou direitos importados no preço de venda do bem produzido: a aplicação do percentual de participação do bem, serviço ou direito importado no custo total, apurado conforme o inciso II, sobre o preço líquido de venda calculado de acordo com o inciso I; IV margem de lucro: a aplicação do percentual de sessenta por cento sobre a "participação do bem, serviço ou direito Fl. 785DF CARF MF Impresso em 06/09/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 14/0 8/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 06/09/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA J UNIOR, Assinado digitalmente em 14/08/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS Processo nº 16643.000266/201015 Acórdão n.º 130100.967 S1C3T1 Fl. 786 16 importado no preço de venda do bem produzido", calculado de acordo com o inciso III; V preço parâmetro: a diferença entre o valor da "participação do bem, serviço ou direito importado no preço de venda do bem produzido", calculado conforme o inciso III, e a margem de lucro de sessenta por cento, calculada de acordo com o inciso IV. A Recorrente assinala: [...] 29. O inciso II do artigo 18 da Lei nº 9.430/1996 define o método “PRL 60%” como sendo a média aritmética dos preços de revenda dos bens, diminuídos dos descontos incondicionais, dos tributos incidentes sobre as vendas, das comissões pagas e da margem de lucro de 60%, calculada sobre o preço líquido de venda subtraído o valor agregado no País. [...] Resta evidente que a leitura que a Recorrente faz do disposto no art. 18 da Lei nº 9.430/96 resulta de exercício interpretativo, representando, apenas, uma, entre tantas interpretações possíveis. Para fins de solução da controvérsia, contudo, o que importa apreciar é se a interpretação feita pela Recorrente efetivamente traduz a disposição da lei. Cabe, da mesma forma, verificar se a “interpretação oficial”, promovida pela Receita Federal e esposada na Instrução Normativa nº 243, reflete o comando da lei, de modo a afastar a trazida pela ora Recorrente. Não me parece restar dúvida que o valor resultante da aplicação da “fórmula” descrita pela Recorrente não tem qualquer relação com o denominado preço parâmetro almejado pela lei. As regras de preços de transferência, introduzidas no ordenamento jurídico pátrio por meio da já citada Lei nº 9.430, de 1996, objetivam impedir que, por meio de artifícios, rendas que deveriam permanecer no país sejam transferidas para o exterior. Tratandose de operações de importação de bens, serviços e direitos, tais transferências poderiam se dar por meio de superfaturamento, em que os custos seriam artificialmente majorados. A diferença entre o custo majorado e o que seria incorrido em uma operação sem artificialismos revela o montante da renda que, indevidamente, está sendo remetido ao exterior. O que, no parágrafo anterior, denominouse CUSTO INCORRIDO SEM ARTIFICIALISMOS, nada mais é que o PREÇO PARÂMETRO almejado pela lei a partir do estabelecimento de métodos matemáticos. O que a legislação de preços de transferência objetiva, portanto, é identificar, por meio de métodos matemáticos, o custo (no caso da importação) efetivo de determinado bem, serviço ou direito, caso a operação não seja realizada com pessoa vinculada ou com pessoa situada em país ou dependência com tributação favorecida ou cuja legislação interna oponha sigilo à divulgação de informações referentes à sua constituição societária ou titularidade. Fl. 786DF CARF MF Impresso em 06/09/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 14/0 8/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 06/09/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA J UNIOR, Assinado digitalmente em 14/08/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS Processo nº 16643.000266/201015 Acórdão n.º 130100.967 S1C3T1 Fl. 787 17 Observase que, no método em debate (PRL 60), o legislador partiu do preço de revenda para chegar ao custo. Assim, me parece razoável que se possa buscar a expressão matemática do preço parâmetro por meio do caminho inverso, isto é, através dos elementos formadores do preço. Em elevada sintetização, a formação de preços consiste em um processo de acumulação de custos, acrescida de uma margem de lucro. Admitida uma liberdade terminológica, isto é, abandonado o rigor dos conceitos próprios da teoria econômica, podese afirmar que o preço praticado por determinado unidade produtiva resulta da soma dos custos totais incorridos no processo produtivo, incluídos aí a remuneração dos fatores de produção (valor agregado), acrescidos de uma margem de lucro. A grosso modo, o preço de venda (PV) de um determinado produto poderia ser assim determinado: PV = custo de importação dos insumos + custo incorrido no processo produtivo (remuneração de fatores = valor agregado) + impostos, descontos incondicionais, comissões, etc. (despesas fixas e variáveis) + margem de lucro. No caso da aplicação do método do Preço de Revenda menos Lucro a insumo importado utilizado no processo produtivo, o preço parâmetro representa o custo de importação livre dos elementos previstos na lei como integrantes do preço de revenda. Daí que se considera esse preço de revenda diminuído dos descontos incondicionais; dos impostos e contribuições incidentes sobre as vendas; das comissões e corretagens pagas; da margem de lucro fixada pela lei (60% sobre o preço de revenda após deduzidos os descontos incondicionais, os impostos e contribuições incidentes sobre as vendas e as comissões e corretagens pagas); e do valor agregado do país. Exprimindo matematicamente esta primeira análise, teríamos: PP = PR – C/D – ML (PR – C/D) – VA Onde: PP = Preço Parâmetro; C/D = Custos e Despesas previstos na lei; ML = Margem de Lucro VA = Valor Agregado Considerando “PR – C/D” como Preço Líquido de Revenda (PLV), teríamos: PP = PLV – ML (PLV) – VA Vêse, pois, que, na metodologia do PRL, a determinação do preço parâmetro parte do preço de revenda para, excluindo os elementos formadores deste mesmo preço (custos e despesas incorridos; margem de lucro; e valor agregado) chegar ao valor de comparação estipulado pela lei. Noutra vertente, utilizandose a mesma nomenclatura acima, o preço parâmetro sugerido pela Recorrente seria expresso da seguinte forma: Fl. 787DF CARF MF Impresso em 06/09/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 14/0 8/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 06/09/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA J UNIOR, Assinado digitalmente em 14/08/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS Processo nº 16643.000266/201015 Acórdão n.º 130100.967 S1C3T1 Fl. 788 18 PP = PLV – ML (PLV – VA) ou PP = PLV – ML (PLV) + ML (VA) Notese que, neste caso, o preço de comparação (preço parâmetro), que deveria representar o preço de revenda diminuído dos seus elementos formadores, passa a ser o preço de revenda diminuído dos custos e despesas incorridos e da margem de lucro incidente sobre ele, porém, acrescido da margem de lucro incidente sobre o valor agregado, o que, à evidência, revela artificialismo na sua determinação e desvio em relação ao pretendido pela lei. Como reforço à interpretação aqui expendida, sirvome do pronunciamento do Ilustre Conselheiro Leonardo Andrade do Couto (acórdão nº 110200610, de 23 de novembro de 2011), que, escudandose em estudo feito pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, naquilo que importa reproduzir, assinalou: [...] Em recente trabalho sobre o tema, a PGFN justifica o porquê da apuração nos termos supra estipulados em detrimento à sistemática suscitada pelo sujeito passivo, e esclarece que pela leitura do art. 18, da Lei nº 9.430/96 já se poderia chegar a essa conclusão: É importante ressaltar, nesse passo, que a fórmula mencionada pode ser extraída da leitura do art. 18 da Lei nº 9.430/96, considerando a falta de clareza na redação do item 1 do inciso II, in verbis: II Método do Preço de Revenda menos Lucro PRL: definido como a média aritmética dos preços de revenda dos bens ou direitos, diminuídos: a) dos descontos incondicionais concedidos; b) dos impostos e contribuições incidentes sobre as vendas; c) das comissões e corretagens pagas; d) da margem de lucro de: 1. sessenta por cento, calculada sobre o preço de revenda após deduzidos os valores referidos nas alíneas anteriores e do valor agregado no País, na hipótese de bens importados aplicados à produção; (grifos do original) De fato, é possível interpretar o texto legal no sentido de que o parâmetro seria obtido a partir da “média aritmética dos preços de revenda dos bens ou direitos, diminuídos (i) dos descontos incondicionais concedidos, (ii) dos impostos e contribuições incidentes sobre as vendas, (iii) das comissões e corretagens pagas, (iv) da margem de lucro de sessenta por cento, e (v) do valor agregado no País”. Fl. 788DF CARF MF Impresso em 06/09/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 14/0 8/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 06/09/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA J UNIOR, Assinado digitalmente em 14/08/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS Processo nº 16643.000266/201015 Acórdão n.º 130100.967 S1C3T1 Fl. 789 19 A margem de lucro de sessenta por cento, por sua vez, seria calculada exclusivamente “sobre o preço de revenda após deduzidos os valores referidos nas alíneas anteriores”. Nesse sentido, vale transcrever as observações de Ricardo Marozzi Gregório acerca da falta de clareza do texto legal: “Neste ponto, um importante aspecto deve ser observado. Trata se da falta de clareza do texto introduzido no item “1” da nova alínea “d”. Com efeito, afirmase que a margem de lucro de 60% deve ser “calculada sobre o preço de revenda após deduzidos os valores referidos nas alíneas anteriores e do valor agregado no País” Ora, uma primeira leitura deste trecho faz pressupor que houve erro gramatical na utilização da preposição “de” juntamente com o artigo “o” antes da expressão “valor agregado”. Assim, para que ficasse gramaticalmente correta, ao invés de “do valor agregado” deveria se assumir que a lei quis dizer “o valor agregado”. [...] Quanto à primeira investigação, já se mencionou que uma possível premissa para a interpretação da falta de clareza do texto introduzido no item “1” da nova alínea “d” do artigo 18, inciso II, da Lei nº 9.430/96, é a aceitação de que houve um erro gramatical na utilização da preposição “de” juntamente com o artigo “o” antes da expressão “valor agregado”. Pois bem, uma outra possível premissa é a que sustenta que não houve erro gramatical, mas técnica redacional inapropriada. Para melhor esclarecimento, vale a pena reproduzir a íntegra do novo texto do artigo 18, inciso II, depois da alteração introduzida pela Lei nº 9.959/00: [...] A técnica redacional inapropriada, identificada por Victor Polizelli, decorre da percepção de que a expressão “do valor agregado” não se refere à palavra “deduzidos”, presente no mesmo item “1” da alínea “d”, mas sim à palavra “diminuídos”, que consta no “caput” do próprio inciso II. Esta técnica seria justificada pela intenção de se evitar a inserção de uma alínea “e”, pois a exclusão do valor agregado só se aplicaria na hipótese de bens aplicados à produção. [...] Assumindo essa premissa para as hipóteses de produção local, uma outra fórmula de apuração do preço parâmetro pode ser identificada: PP = PL – 0,6 x PL – VA.” 1 Nessa linha de raciocínio, notase que a expressão “do valor agregado” se refere ao termo “diminuídos” (inciso II), e não à palavra “deduzidos” (item 1 da alínea d). Como apontado no trecho citado, cuidase de técnica redacional inapropriada, voltada a evitar a inclusão de mais uma alínea no inciso II do art. 18, hipótese que se visualiza abaixo: II Método do Preço de Revenda menos Lucro PRL: definido como a média aritmética dos preços de revenda dos bens ou direitos, diminuídos: 1 Preços de Transferência: uma avaliação da sistemática do método PRL. In: Tributos e Preços de Transferência. 3º vol. São Paulo: Dialética, 2009. p. 170195. Fl. 789DF CARF MF Impresso em 06/09/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 14/0 8/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 06/09/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA J UNIOR, Assinado digitalmente em 14/08/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS Processo nº 16643.000266/201015 Acórdão n.º 130100.967 S1C3T1 Fl. 790 20 a) dos descontos incondicionais concedidos; b) dos impostos e contribuições incidentes sobre as vendas; c) das comissões e corretagens pagas; d) da margem de lucro de: 1. sessenta por cento, calculada sobre o preço de revenda após deduzidos os valores referidos nas alíneas anteriores, na hipótese de bens importados aplicados à produção; 2. vinte por cento, calculada sobre o preço de revenda, nas demais hipóteses. e) e do valor agregado no País, na hipótese de bens importados aplicados à produção. Por outro lado, a tese de que o valor agregado deve ser incluído no cálculo da margem de lucro não está em sintonia à própria dicção do dispositivo legal Para abrigar a interpretação proposta pela contribuinte, o item 1 do inciso II do art. 18 da Lei nº 9.430/96 deveria ser redigido nos seguintes termos: “1. sessenta por cento, calculada sobre o preço de revenda após deduzidos os valores referidos nas alíneas anteriores e o valor agregado no País, na hipótese de bens importados aplicados à produção.” ou “1. sessenta por cento, calculada sobre o preço de revenda após a dedução dos valores referidos nas alíneas anteriores e do valor agregado no País, na hipótese de bens importados aplicados à produção.” ... Em resumo, é necessário deixar claro que a interpretação meramente gramatical do art. 18 da Lei nº 9.430/96 pode resultar em diferentes fórmulas de cálculo do PRL 60, o que denota que não há uma única fórmula “pronta e acabada” no diploma legal. Assim como em qualquer texto, a interpretação da Lei nº 9.430/96 é plurívoca, o que dá margem a dúvidas que devem ser esclarecidas pela regulamentação administrativa. O fato de a margem de lucro fixada pela lei ser tida como “altíssima”, provocando, com isso, efeitos econômicos indesejáveis, a meu ver, não autoriza a Recorrente a buscar, na tentativa de atenuar tais efeitos, formulação de expressão distinta da prevista em lei na determinação do preço de comparação. Creio não restar dúvida que a Instrução Normativa 243/2002 revela interpretação distinta da que foi feita pela a que lhe antecedeu (Instrução Normativa SRF nº 32, de 2001), mas isso não autoriza a conclusão de que a interpretação anterior estava em conformidade com a lei e a atual representou inovação. Ao contrário, como anteriormente demonstrado, a interpretação trazida pela Instrução Normativa SRF nº 243, de 2002, é a que Fl. 790DF CARF MF Impresso em 06/09/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 14/0 8/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 06/09/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA J UNIOR, Assinado digitalmente em 14/08/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS Processo nº 16643.000266/201015 Acórdão n.º 130100.967 S1C3T1 Fl. 791 21 melhor traduz os comandos estampados no art. 18 da Lei nº 9.430/96, vez que revela com maior precisão o objetivo almejado pelo referido diploma legal. No que diz respeito à proporcionalização, penso que a questão é de ordem puramente matemática (e não jurídica), que empresta maior exatidão na determinação do preço parâmetro. Tratandose de comparação de custos (CUSTO LEGAL/PREÇO PARÂMETRO X CUSTO APROPRIADO), resta evidente que eu não posso confrontar o custo do insumo (PARTE DO PRODUTO) com o custo total do produto. Ademais, como destacado pelo Parecer trazido pela Recorrente, a proporcionalização em comento produz a exclusão in totum do valor agregado, permitindo, assim, a explicitação mais adequada do preço parâmetro. Aliás, no que diz respeito ao Parecer referenciado no parágrafo anterior, vejo que as conclusões nele esposadas concorrem para confirmar o que aqui já foi dito acerca das eventuais distorções econômicas decorrentes da aplicação da fórmula trazida pela IN 243, isto é, a questão centrase na margem de lucro fixa trazida pela lei, motivo pelo qual, como se verá adiante, a legislação superveniente cuidou de flexibilizála segundo a natureza da atividade explorada. A alegada “majoração (indevida) da base de cálculo do IRPJ e da CSLL”, logicamente, é mera decorrência do exercício interpretativo feito pela Recorrente acerca das disposições do art. 18 da Lei nº 9.430/96, que, afastando os preceitos da Instrução Normativa nº 243/2002, revelou alternativa matemática mais favorável para a determinação do ajuste exigido pela legislação de regência. O fato de a exposição de motivos da Medida Provisória nº 478, de 2009, assinalar que grande parte da legislação relativa a preços de transferência encontrase baseada em normas complementares não autoriza concluir que referida Medida pretendeu, como quer crer a Recorrente, corrigir “ilegalidades perpetradas pelo art. 12 da Instrução Normativa SRF nº 243/2002”. O objetivo, a bem da verdade, foi, nos exatos termos ali expressos, “reduzir a litigiosidade que a matéria tem suscitado”. Resta evidente que a inclusão da fórmula de determinação do preço parâmetro sob discussão em dispositivo com força de lei, a exemplo do que fez a recente Medida Provisória nº 563, de 03 de abril de 2012, contribui para a redução dos litígios, mas, como dito, isto não significa dizer que a interpretação trazida pela norma complementar editada pela Receita Federal inovou em relação ao comando legal da qual ela emergiu. Em sentido contrário, penso que a contemplação em referência reafirma a procedência da interpretação infralegal, vez que representa absoluta convergência com o objetivo almejado pelas regras de preços de transferência. Cabe destacar que, não obstante a reprodução da metodologia trazida pela Instrução Normativa 243/2002, tanto a Medida Provisória nº 478, como a de nº 563, não trataram exclusivamente desta matéria (metodologia do cálculo do preço parâmetro), eis que promoveram, fundamentalmente, alteração na margem de lucro. Releva notar que os efeitos econômicos apontados pela Recorrente, decorrentes da aplicação do método PRL 60, residem, essencialmente, na fixação, pela lei, da Fl. 791DF CARF MF Impresso em 06/09/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 14/0 8/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 06/09/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA J UNIOR, Assinado digitalmente em 14/08/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS Processo nº 16643.000266/201015 Acórdão n.º 130100.967 S1C3T1 Fl. 792 22 margem de lucro de 60%, matéria em relação a qual, ao menos em seara administrativa, a autoridade julgadora não pode se desviar do estabelecido em lei. A Medida Provisória nº 563/2012, ao reproduzir a metodologia estampada na Instrução Normativa 243/2002, joga por terra o argumento de que referida norma complementar viola o princípio “arm’s lenght” e reafirma o reverberado por densa doutrina no sentido de que, visto pela ótica econômica, o fator negativo do método PRL 60 repousa na margem de lucro de 60%, considerada excessiva se comparada a aplicável aos casos de importação para revenda (20%). Esclareço que, aqui, não se está negando eventuais efeitos negativos, do ponto de vista econômico, da fórmula estampada na IN 243, mas, apenas, destacando que ela retrata de forma fiel o estabelecido pela lei de regência. A Recorrente, por sua vez, ciente de que a margem de lucro fixada pela lei revelouse excessiva e de que a autoridade administrativa julgadora encontrase impedida de atenuar os efeitos decorrentes de tal excessividade, empresta interpretação equivocada na aplicação do método, procurando, por via oblíqua, reduzir o ajuste tributário. Descabe, no caso, falarse em aplicação de “método mais favorável”, eis que não estamos diante, exatamente, de diversidade de utilização de métodos, mas, sim, de divergência em relação à interpretação de um único método. No que diz respeito à alegação de que a “fórmula criada pela IN SRF nº 243/2002 é irrazoável, irreal, inadequada e injusta”, destaco que, como é cediço, não cabe à autoridade administrativa, no exercício da atividade revisional, pronunciarse sobre tais adjetivações, devendo, apenas, verificar se a interpretação retratada na norma complementar guarda absoluta conformidade com o texto da lei. Nesse particular (conformidade com o texto da lei), reitero o entendimento no sentido de que a expressão matemática extraída das disposições da IN 243 é a que otimiza o pretendido pelas normas de preços de transferência, eis que: i) matematicamente, preserva uma margem de lucro mínima, no patamar fixado pela lei (60%); ii) possibilita o ajuste tomando por base o insumo importado, e não o valor total do produto dele decorrente; iii) exclui integralmente o valor agregado, permitindo a explicitação do preço parâmetro livre de qualquer artificialismo; iv) em que pese eventuais distorções econômicas no âmbito em que é aplicada (empresas submetidas ao controle), alcança o objetivo pretendido pelas normas de preços de transferência. INCLUSÃO DO FRETE, DO SEGURO E DO IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO NO PREÇO PRATICADO – MÉTODOS “PRL20%” E “PRL 60%” Alega a Recorrente que o acréscimo do frete, do seguro e do imposto de importação ao custo do bem importado introduz, indevidamente, uma limitação à dedutibilidade dos custos pagos pelo importador à própria União (como é o caso do imposto de Fl. 792DF CARF MF Impresso em 06/09/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 14/0 8/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 06/09/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA J UNIOR, Assinado digitalmente em 14/08/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS Processo nº 16643.000266/201015 Acórdão n.º 130100.967 S1C3T1 Fl. 793 23 importação) e a terceiras empresas com as quais o importador não possui vínculo algum (como é o caso das despesas com frete e seguro), de modo que não deve prevalecer. Diz que, nos termos do parágrafo 6º do art. 18 da Lei nº 9.430/96, as despesas incorridas com frete, seguro e imposto de importação são sempre dedutíveis, não estando sujeitas à limitação imposta pelo art. 18 da Lei nº 9.430/96 e, portanto, também não devem integrar o preço praticado para efeito de comparação com o preçoparâmetro, sob pena de restringir a sua dedutibilidade. Relativamente aos valores do frete, seguro e tributos incidentes na importação, releva, de início, reproduzir as disposições da Lei nº 9.430, de 1996, acerca da matéria. Com efeito, temos (verbis): Art. 18. Os custos, despesas e encargos relativos a bens, serviços e direitos, constantes dos documentos de importação ou de aquisição, nas operações efetuadas com pessoa vinculada, somente serão dedutíveis na determinação do lucro real até o valor que não exceda ao preço determinado por um dos seguintes métodos: [...] § 6º Integram o custo, para efeito de dedutibilidade, o valor do frete e do seguro, cujo ônus tenha sido do importador e os tributos incidentes na importação. Antes de adentrar à questão propriamente dita, destaco que o disposto no parágrafo 6º do art. 18 da Lei nº 9.430, de 1996, acima transcrito, há muito disciplina a apropriação de custos na determinação da base de cálculo do imposto de renda das pessoas jurídicas submetidas ao lucro real. Nessa linha, assim dispõe o artigo 13 do DecretoLei nº 1.598, de 1977. Art. 13 O custo de aquisição de mercadorias destinadas à revenda compreenderá os de transporte e seguro até o estabelecimento do contribuinte e os tributos devidos na aquisição ou importação. § 1º O custo de produção dos bens ou serviços vendidos compreenderá, obrigatoriamente: a) o custo de aquisição de matériasprimas e quaisquer outros bens ou serviços aplicados ou consumidos na produção, observado o disposto neste artigo; [...] O referido dispositivo constitui, inclusive, matriz legal dos artigos 289 e 290 do Regulamento do Imposto de Renda de 1999 (RIR/99). Penso que não exista dúvida de que a disposição contida na Lei nº 9.430, de 1996, efetivamente diz respeito ao custo contábil. Entendo, também, que a norma em comento tem aplicação genérica, isto é, não diz respeito a um determinado método de determinação de preçoparâmetro, mas, sim, à determinação do custo em qualquer dos métodos preconizados no artigo em que se encontra inserida. Fl. 793DF CARF MF Impresso em 06/09/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 14/0 8/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 06/09/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA J UNIOR, Assinado digitalmente em 14/08/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS Processo nº 16643.000266/201015 Acórdão n.º 130100.967 S1C3T1 Fl. 794 24 A meu ver, quando se trata de aplicação de métodos de preços de transferência, o cuidado que se deve ter (na consideração ou não do frete, seguros e tributos incidentes na importação na determinação do custo de importação) diz respeito a possibilidade de se distorcer os termos da comparação que se pretende empreender. A Instrução Normativa nº 38, de 1997, ao tratar das NORMAS COMUNS AOS CUSTOS NA IMPORTAÇÃO, estabeleceu que, na determinação do custo de bens adquiridos no exterior, o frete, o seguro e os tributos incidentes na importação poderiam ali ser computados (parágrafo 4º do artigo 4º). Contudo, não resta dúvida de que a expressão PODERIA utilizada pelo ato normativo foi direcionada para os métodos dos Preços Independentes Comparados (PIC) e do Custo de Produção mais Lucro (CPL), como devidamente esclarecido em momento posterior pela Instrução Normativa nº 32, de 2001, conforme reprodução abaixo2. Normas Comuns aos Custos na Importação Art. 4º Para efeito de apuração do preço a ser utilizado como parâmetro, nas importações de empresa vinculada, não residente, de bens, serviços ou direitos, a pessoa jurídica importadora poderá optar por qualquer dos métodos referidos nesta Seção, exceto na hipótese do § 1º, independentemente de prévia comunicação à Secretaria da Receita Federal. [...] § 4º Para efeito de apuração do preço a ser utilizado como parâmetro, calculado com base no método de que trata o art. 12, serão integrados ao preço os valores de transporte e seguro, cujo ônus tenha sido da empresa importadora, e os de tributos não recuperáveis, devidos na importação. § 5º Nos preços apurados com base nos arts. 8º e 13, os valores referidos no parágrafo anterior poderão ser adicionados ao custo dos bens adquiridos no exterior, desde que sejam, da mesma forma, considerados no preço praticado para fins de dedutibilidade na tributação do lucro real. Observese, assim, que a regra é a inclusão, na determinação do custo da importação, do frete, seguro e dos tributos devidos na importação. Tratandose, entretanto, do método PIC e do CPL, para que não haja distorção na comparação, tais valores devem ser considerados tanto na determinação dos preços parâmetro, como nos preços praticados. No caso do método do Preço de Revenda menos Lucro, todavia, ausente a comprovação de que na determinação dos preços de revenda não se encontram agregados os valores correspondentes ao frete, ao seguro e ao tributos devidos na importação, descabe falar em exclusão dos referidos valores. A inclusão ou não de tais montantes, à evidência, associase às condições de comparabilidade, isto é, como dito, comprovasse a Recorrente que na determinação dos seus preços de revenda não fez repercutir os dispêndios em comento, ganharia plausibilidade a sua argumentação, porém, na inexistência de tal comprovação, a suposição decorre do que é tecnicamente correto, qual seja, a de que nos preços de revenda praticados encontramse incluídos os gastos incorridos na importação do produto. 2 Os artigos 12, 8º e 13, referenciados no artigo, tratam do PRL, PIC e CPL, respectivamente. Fl. 794DF CARF MF Impresso em 06/09/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 14/0 8/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 06/09/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA J UNIOR, Assinado digitalmente em 14/08/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS Processo nº 16643.000266/201015 Acórdão n.º 130100.967 S1C3T1 Fl. 795 25 Releva esclarecer, neste ponto, que não são raras as ocasiões em que a Administração Tributária edita (de forma imprópria) Instruções Normativas que acabam por produzir inovações no ordenamento jurídico. Não obstante, não me parece que, no caso sob exame, tenha havido tal extrapolação, eis que o que o ato proporcionou foi tãosomente a clarificação acerca da forma de determinação dos valores para fins de comparação (custo da importação e preço parâmetro), sob pena de, por omissão, ter que corroborar cálculos distorcidos. Apreciando idêntica matéria, o Ilustre Conselheiro Alexandre Antônio Alkmin Teixeira, nos autos do processo administrativo nº 16327.000966/200274 (acórdão nº 10517.077), assinalou: A questão gira em tomo da imperiosidade, ou não, da consideração dos custos de transporte e seguro e do imposto de importação na composição do preço parâmetro. Isso porque a Recorrente entende que "sendo o frete e o seguro pagos a terceiros e o II ao Erário Federal, tratase de encargos não manipuláveis pela importadora e a empresa vinculada no exterior e que, portanto, não devem ser levadas em consideração na comparação entre o preço dos produtos praticados entre estas e aqueles considerados aceitáveis pelo mercado" (fls. 1188). Por outro lado, "a Fiscalização, conforme impõe o par. 4° do art. 4° da IN SRF n° 32/01, trabalhou com o Custo de Importação CIF, ou seja, o valor do frete e do seguro, suportado pelo importador, foi incluído no cálculo. Vejamos o que dispõe o § 6° do referido art. 18 da Lei n° 9.430/96: ... Como bem pontuou a decisão recorrida "examinandose o dispositivo no contexto dos objetivos pretendidos pela legislação de preços de transferência, observase que os valores do frete, do seguro internacional e do imposto de importação certamente não poderiam deixar de ser considerados na busca pelo preço parâmetro, pois, apesar de normalmente não constituírem encargos devidos à empresa vinculada no exterior, esses valores são agregados ao custo de importação e compõem o preço pelo qual a mercadoria importada ficou efetivamente disponível para o importador no Brasil". De outra forma, não é razoável supor que o preço utilizado possa ser contraposto ao preço parâmetro utilizandose critérios diversos na composição do custo em um e noutro caso. Não pode, assim, referidas parcelas serem excluídas da composição do custo a ser considerado na importação. E não se está falando, aqui, de aplicação retroativa da IN n°. 32/01. Isso porque a disposição constante da IN n°. 38/97 de que os valores de transporte e seguro poderão integrar o custo de bens adquiridos do exterior não pode fugir à própria disposição da lei que é tomada como seu fundamento, sendo lida nos termos do Fl. 795DF CARF MF Impresso em 06/09/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 14/0 8/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 06/09/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA J UNIOR, Assinado digitalmente em 14/08/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS Processo nº 16643.000266/201015 Acórdão n.º 130100.967 S1C3T1 Fl. 796 26 disposto no parágrafo 6º do art. 18 da Lei n°. 9.430/96. Não consiste, assim, a reclamada disposição da IN/97, em mera faculdade do Contribuinte, mas senão um dever de, na composição do custo de importação, adicionar os valores referentes ao frete e seguro. O mesmo se diga com relação aos II, que somente tratará bases corretas de comparação se for considerado no custo de ambos os valores apurados. Por todo o exposto, sou pela manutenção da exigência decorrente da matéria apreciada no presente item. MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA DE JUROS DE MORA Sustenta a Recorrente que, na hipótese de os lançamentos tributários serem mantidos, não deverão ser exigidos os juros de mora sobre a multa de ofício lançada por inexistir amparo legal. No que diz respeito à incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício, em que pese a existência de densos pronunciamentos deste Colegiado em sentidos diversos, mantenho o entendimento de que a expressão “ ...débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal” assinalada pelo artigo 61 da Lei nº 9.430/96, não dá respaldo para que, com base no parágrafo 3º do mesmo artigo, possa ser cobrado juros SELIC sobre a multa de ofício. Diante de tais circunstâncias, inclinome no sentido de acolher os argumentos trazidos pela ilustre Conselheira Sandra Maria Farone no acórdão nº 10194.441, de 03 de dezembro de 2003. Ali restou ementado, verbis: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO – Acolhemse os embargos de declaração para deixar claro que, na execução do acórdão, os juros de mora à taxa selic só incidem sobre o valor do tributo, não alcançando o valor da multa aplicada. Sobre a multa podem incidir juros de mora à taxa de 1% ao mês, contados a partir do vencimento do prazo para impugnação. Os fundamentos de tal entendimento encontramse a seguir reproduzidos. [...] O art. 161 do CTN determina que o crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, ressalvando apenas a pendência de consulta formulada dentro do prazo legal para pagamento do crédito. O § 1º do mesmo artigo determina que, se a lei não dispuser de forma diversa, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. No caso de multa por lançamento de ofício, seu vencimento dáse no prazo de 30 dias contados da ciência do auto de infração. Assim, o valor da multa lançada, se não pago no prazo de impugnação, sujeitase aos juros de mora. As disposições legais que tratam dos juros de mora são as seguintes: Lei 8.383/91 Fl. 796DF CARF MF Impresso em 06/09/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 14/0 8/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 06/09/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA J UNIOR, Assinado digitalmente em 14/08/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS Processo nº 16643.000266/201015 Acórdão n.º 130100.967 S1C3T1 Fl. 797 27 Art. 59. Os tributos e contribuições administrados pelo Departamento da Receita Federal, que não forem pagos até a data do vencimento, ficarão sujeitos à multa de mora de vinte por cento e a juros de mora de um por cento ao mês calendário ou fração, calculados sobre o valor do tributo ou contribuição corrigido monetariamente. Lei 8.981/95 Art. 84. Os tributos e contribuições sociais arrecadados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores vierem a ocorrer a partir de 1º de janeiro de 1995, não pagos nos prazos previstos na legislação tributária serão acrescidos de: I juros de mora, equivalentes à taxa média mensal de captação do Tesouro Nacional relativa à Dívida Mobiliária Federal Interna; Lei 9.065/95 Art. 13. A partir de 1º de abril de 1995, os juros de que tratam a alínea c do parágrafo único do art. 14 da Lei nº 8.847, de 28 de janeiro de 1994, com a redação dada pelo art. 6º da Lei nº 8.850, de 28 de janeiro de 1994, e pelo art. 90 da Lei nº 8.981, de 1995, o art. 84, inciso I, e o art. 91, parágrafo único, alínea a.2, da Lei nº 8.981, de 1995, serão equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente. (Obs. A alínea c do parágrafo único do art. 14 da Lei 8.847/94 e o art. 91, parágrafo único, alínea a.2, da Lei 8.981/95 referemse a juros sobre parcelamentos). Lei 9.430/96 Art. 43. Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente. Parágrafo único. Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão juros de mora, calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Como se vê, só há dispositivo legal autorizando a cobrança de juros de mora à taxa SELIC sobre a multa no caso de lançamento de multa isolada, não porém quando ocorrer a formalização da exigência do tributo acrescida da multa proporcional. Nesse caso, só podem incidir juros de mora à taxa de 1%, a partir do trigésimo dia da ciência do auto de infração, conforme previsto no § 1o do art. 161 do CTN. [...] Nessa mesma linha, os acórdãos abaixo indicados: ACÓRDÃO nº 10709.344, julgado em 16/04/2008: Fl. 797DF CARF MF Impresso em 06/09/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 14/0 8/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 06/09/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA J UNIOR, Assinado digitalmente em 14/08/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS Processo nº 16643.000266/201015 Acórdão n.º 130100.967 S1C3T1 Fl. 798 28 MULTA DE OFÍCIO JUROS DE MORA – Sobre a multa de ofício lançada juntamente com o tributo ou contribuição, não paga no vencimento, incidem juros de mora de 1% (um por cento) ao mês, nos termos do art. 161 do Código Tributário Nacional. ACÓRDÃO nº 10196.448, julgado em 09/11/2007: JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO – No lançamento de ofício, o valor originário do crédito tributário compreende o valor do tributo e da multa por lançamento de ofício. Sobre a multa por lançamento de ofício não paga no vencimento incidem juros de mora. Em se tratando de tributos cujos fatos geradores tenham ocorrido após 31/12/1994, sobre a multa por lançamento de ofício incidem juros de mora de 1% ao mês. Assim, considerado tudo que do processo consta, conduzo meu voto no sentido de DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para determinar que na execução da presente decisão sejam cobrados juros de mora de 1% sobre a multa de ofício lançada. “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães – Relator Voto Vencedor Conselheiro Paulo Jakson da Silva Lucas. Em que pese o bem elaborado e fundamentado voto do Ilustre Relator, durante as discussões ocorridas por ocasião do julgamento do presente litígio surgiu divergência quanto ao entendimento acerca da incidência dos juros de mora com base na taxa SELIC sobre a multa de ofício lançada. Para o Relator, sobre a multa por lançamento de ofício incidem juros de mora de 1% ao mês. Não foi essa, contudo, a conclusão a que chegou esta Turma Ordinária. Sobre esse tema a jurisprudência tem sido muito controvertida. Confrontemos, pois, a legislação com o fato concreto. Tratase de multa por lançamento de ofício, formalizado em 2010, relativo a fatos geradores ocorridos em 2005. O art. 161 do CTN determina que o crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, ressalvando apenas a pendência de consulta formulada dentro do prazo legal para pagamento do crédito. Seu § 1° determina que, se, a lei não dispuser de forma diversa, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. Fl. 798DF CARF MF Impresso em 06/09/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 14/0 8/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 06/09/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA J UNIOR, Assinado digitalmente em 14/08/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS Processo nº 16643.000266/201015 Acórdão n.º 130100.967 S1C3T1 Fl. 799 29 Para uma melhor compreensão da matéria, vejamos o que diz os dispositivos legais acerca das multas e dos juros de mora, incidentes sobre os créditos tributários não pagos nos respectivos vencimentos. Lei n° 8.383, de 30 de dezembro de 1991 CAPÍTULO VII – Das Multas e dos Juros de Mora Art. 59 – Os tributos e contribuições administrados pelo Departamento da Receita Federal, que não forem pagos até a data do vencimento, ficarão sujeitos à multa de mora de um por cento ao mêscalendário ou fração, calculados sobre o valor do tributo ou contribuição corrigido monetariamente. § 1° A multa de mora será reduzida a dez por cento, quando o débito for pago até o último dia útil do mês subseqüente ao do vencimento. § 2° A multa incidirá a partir do primeiro dia após o vencimento do débito; os juros, a partir do primeiro dia do mês subseqüente. .......................... Lei n° 8.981, de 20 de janeiro de 1995 Art. 84 – Os tributos e contribuições sociais arrecadados pela Secretaria da Recita Federal, cujos fatos geradores vierem a ocorrer a partir de 1° de janeiro de 1995, não pagos nos prazos previstos na legislação tributária serão acrescidos de: I – juros de mora, equivalentes à taxa média mensal de captação do Tesouro Nacional relativa à Dívida Mobiliária Federal Interna; ............................. Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996 Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1° de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 1° A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2° O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3° Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o §3° do art. 5°, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do Fl. 799DF CARF MF Impresso em 06/09/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 14/0 8/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 06/09/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA J UNIOR, Assinado digitalmente em 14/08/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS Processo nº 16643.000266/201015 Acórdão n.º 130100.967 S1C3T1 Fl. 800 30 prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. ......................................... Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002 Art. 29. Os débitos de qualquer natureza para com a Fazenda Nacional e os decorrentes de contribuições arrecadadas pela União, constituídos ou não, cujos fatos geradores tenham ocorrido até 31 de dezembro de 1994, que não hajam sido objeto de parcelamento requerido até 31 de agosto de 1995, expressos em quantidade de UFIR, serão reconvertidos para real, com base no valor daquela fixado para 1° de janeiro de 1997. § 1° A partir de 1° de janeiro de 1997, os créditos apurados serão lançados em reais. § 2° Para fins de inscrição dos débitos referidos neste artigo em Dívida Ativa da União, deverá ser informado à Procuradoria Geral da Fazenda Nacional o valor originário dos mesmos, na moeda vigente à época da ocorrência do fato gerador da obrigação. § 3° Observado o disposto neste artigo, bem assim a atualização efetuada para o ano de 2000, nos termos do art. 75 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, fica extinta a Unidade de Referência Fiscal – UFIR, instituída pelo art. 1° da Lei n° 8.383, de 30 de dezembro de 1991. Art. 30. Em relação aos débitos referidos no art. 29, bem como aos inscritos em Dívida Ativa da União, passam a incidir, a partir de 1° de janeiro de 1997, juros de mora equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia – SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente, até o último dia do mês anterior ao do pagamento, e de 1% (um por cento) no mês de pagamento. Da leitura dos dispositivos legais transcritos, se depreende claramente que os legisladores definiram inicialmente como base de incidência de juros de mora, tributos e contribuições e, posteriormente, débitos de qualquer natureza para com a Fazenda Nacional e os decorrentes de contribuições arrecadadas pela União. Logo, em consonância com o art. 139 do CTN, o crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta. Portanto, no crédito tributário estão compreendidos o valor do tributo e o valor da multa. Ou seja, o valor originário do débito, sobre o qual incidem os juros de mora, não exclui a multa de ofício. No caso de multa por lançamento de ofício, seu vencimento é no prazo de 30 dias contados da ciência do auto de infração. Assim, o valor da multa lançada, se não pago no prazo, sujeitase aos juros de mora com base na taxa SELIC. Fl. 800DF CARF MF Impresso em 06/09/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 14/0 8/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 06/09/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA J UNIOR, Assinado digitalmente em 14/08/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS Processo nº 16643.000266/201015 Acórdão n.º 130100.967 S1C3T1 Fl. 801 31 Portanto, nos termos da legislação transcrita, procede a incidência de juros de mora com base na taxa SELIC sobre a multa de ofício não paga no vencimento. (assinado digitalmente) Paulo Jakson da Silva Lucas – Redator Designado Fl. 801DF CARF MF Impresso em 06/09/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 14/0 8/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 06/09/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA J UNIOR, Assinado digitalmente em 14/08/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS
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Numero do processo: 10920.916500/2011-06
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Jun 06 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3803-000.449
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros da 3ª Turma Especial da 3ª Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, para que a repartição de origem junte a estes autos o resultado final e definitivo do processo nº 10480.729052/2012-10, em que se discute o auto de infração referente à reclassificação fiscal de mercadorias.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado Presidente
(assinado digitalmente)
Hélcio Lafetá Reis Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Demes Brito e Jorge Victor Rodrigues..
Nome do relator: HELCIO LAFETA REIS
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Resolvem os membros da 3ª Turma Especial da 3ª Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, para que a repartição de origem junte a estes autos o resultado final e definitivo do processo nº 10480.729052/201210, em que se discute o auto de infração referente à reclassificação fiscal de mercadorias. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado – Presidente (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Demes Brito e Jorge Victor Rodrigues.. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto para se contrapor à decisão da DRJ Ribeirão Presto/SP que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada pelo contribuinte supra identificado, em decorrência da decisão presente no despacho decisório lavrado pela repartição de origem, em que se deferiu apenas em parte o direito creditório pleiteado e homologouse parcialmente a compensação declarada. De acordo com o Termo de Informação Fiscal, em razão da reclassificação de mercadorias fabricadas pelo contribuinte, com a consequente reconstituição da escrita fiscal, lavrouse auto de infração para se exigirem as parcelas do imposto apuradas a partir da RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 20 .9 16 50 0/ 20 11 -0 6 Fl. 307DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/06/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 04/06/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10920.916500/201106 Resolução nº 3803000.449 S3TE03 Fl. 308 2 utilização das alíquotas consideradas devidas pela Fiscalização (processo administrativo nº 10480.729052/201210), do que resultou na redução do saldo credor do imposto passível de ressarcimento ao final do trimestre. Cientificado do despacho decisório, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade e requereu a anulação do despacho decisório, com o reconhecimento da procedência das classificações fiscais por ela adotadas, alegando serem indevidos os motivos alegados pela Fiscalização para a reclassificação fiscal e lavratura do auto de infração no processo administrativo nº 10480.729052/201210. Submetidos os presentes autos a julgamento na DRJ Ribeirão Preto/SP, decidiu se pela improcedência da Manifestação de Inconformidade, tendo o acórdão sido ementado nos seguintes termos: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS – IPI Período de apuração: 01/04/2009 a 30/06/2009 RESSARCIMENTO DE IPI. SALDO CREDOR DO TRIMESTRE CALENDÁRIO. Havendo redução do saldo credor de IPI do trimestrecalendário, em virtude de lançamento de imposto, deferese o ressarcimento do novo saldo credor, após a reconstituição da escrita fiscal. Quando a delegacia de origem já deferiu o valor correspondente ao saldo credor reconstituído, não resta saldo a ser deferido. JUNTADA DE PROVAS. MOMENTO PROCESSUAL. Sob pena de preclusão temporal, o momento processual para o oferecimento da manifestação de inconformidade é o marco para apresentação de prova documental. A juntada posterior de documentação só é possível em casos especificados na lei. COMUNICAÇÃO. ATOS PROCESSUAIS. ESCRITÓRIO DO ADVOGADO. As notificações e intimações devem ser enviadas ao domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido No voto condutor do acórdão recorrido, registrouse que o auto de infração formalizado no bojo do processo nº 10480.729052/201210 fora julgado pela mesma Turma da DRJ Ribeirão Preto/SP na mesma data em que se julgou o presente processo, tendo sido mantido integralmente o lançamento efetuado pela repartição de origem, por ter sido considerada como correta a reclassificação fiscal promovida pela Fiscalização. Cientificado da decisão em 7 de março de 2014, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário no dia 27 do mesmo mês e requereu a anulação do despacho decisório, reconhecendose a procedência das classificações fiscais por ele adotadas, com a consequente homologação da compensação declarada, ou, subsidiariamente, a realização de perícia técnica Fl. 308DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/06/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 04/06/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10920.916500/201106 Resolução nº 3803000.449 S3TE03 Fl. 309 3 ou, ainda, o sobrestamento do presente processo até o julgamento definitivo do processo nº 10480.729052/201210, em que se discute o auto de infração decorrente da reclassificação fiscal promovida pela Fiscalização. É o relatório. Voto O recurso é tempestivo, atende as demais condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Conforme acima relatado, controvertese nos autos sobre o reconhecimento de parte do direito creditório pleiteado e a homologação apenas parcial da compensação declarada, em razão da reconstituição da escrita fiscal da pessoa jurídica, de que decorreu o lançamento de ofício das parcelas do imposto que exsurgiram após a reclassificação fiscal dos produtos promovida pela Fiscalização. Em consulta efetuada aos sistemas Comprot e EProcesso em 7 de abril de 2014, constatouse que o processo administrativo nº 10480.729052/201210, em que se discute o auto de infração, foi julgado pela DRJ Ribeirão Preto/SP em 29 de janeiro de 2014, encontrandose na DRF Recife/PE desde 3/2/2014. Conforme constou do acórdão da DRJ Ribeirão Preto/SP, uma vez que já haviam sido analisados, no bojo dos autos em que se controverte sobre o lançamento de ofício, os elementos de fato e de direito que embasaram os trabalhos da Fiscalização, não era cabível, no momento do julgamento deste processo, a reanálise dos fundamentos da autuação. Nesse sentido, considerando que o deslinde deste processo depende do que vier a ser julgado definitivamente no processo nº 10480.729052/201210, voto pela conversão do julgamento em diligência à repartição de origem, para que se junte a estes autos o resultado final e definitivo a ser obtido no processo em que se discute o auto de infração, ficando este processo sobrestado até a providência requerida. Após a providência requerida, os autos deverão retornar a esta 3ª Turma Especial da 3ª Seção do CARF para julgamento. É como voto. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator Fl. 309DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/06/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 04/06/2014 por HELCIO LAFETA REIS
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Numero do processo: 10380.905399/2009-90
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 08 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Jun 27 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Exercício: 2006
BENEFÍCIO FISCAL DE REDUÇÃO DO IMPOSTO DE RENDA. RECONHECIMENTO RETROATIVO. EFICÁCIA.
Confere-se eficácia plena a Laudo Constitutivo, e respectivo Ato Declaratório Executivo, que reconheceram o benefício fiscal de redução do imposto de renda de forma retroativa, de modo a propiciar à Recorrente todos os direitos que possuiria se tais normas individuais e concretas houvessem sido editadas contemporaneamente aos fatos tributários.
Numero da decisão: 1803-002.147
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Cármen Ferreira Saraiva Presidente
(assinado digitalmente)
Sérgio Rodrigues Mendes - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Cármen Ferreira Saraiva, Meigan Sack Rodrigues, Walter Adolfo Maresch, Victor Humberto da Silva Maizman, Sérgio Rodrigues Mendes e Arthur José André Neto.
Nome do relator: SERGIO RODRIGUES MENDES
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RECONHECIMENTO RETROATIVO. EFICÁCIA. Conferese eficácia plena a Laudo Constitutivo, e respectivo Ato Declaratório Executivo, que reconheceram o benefício fiscal de redução do imposto de renda de forma retroativa, de modo a propiciar à Recorrente todos os direitos que possuiria se tais normas individuais e concretas houvessem sido editadas contemporaneamente aos fatos tributários. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 90 53 99 /2 00 9- 90 Fl. 96DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 17/04/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 18/04/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10380.905399/200990 Acórdão n.º 1803002.147 S1TE03 Fl. 97 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Cármen Ferreira Saraiva – Presidente (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Cármen Ferreira Saraiva, Meigan Sack Rodrigues, Walter Adolfo Maresch, Victor Humberto da Silva Maizman, Sérgio Rodrigues Mendes e Arthur José André Neto. Fl. 97DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 17/04/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 18/04/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10380.905399/200990 Acórdão n.º 1803002.147 S1TE03 Fl. 98 3 Relatório Por bem retratar os acontecimentos do presente processo, adoto o Relatório do acórdão recorrido (fls. 68verso): Tratase de Manifestação de Inconformidade interposta contra Despacho Decisório que indeferiu a declaração de compensação informada por meio do PER/DCOMP nº 26801.08665.210606.1.3.043099. 2. O pedido de compensação objetivava compensar débito(s) com suposto pagamento a maior de Cofins (sic), efetuado em 30/11/2005. O Despacho Decisório (fls. 05/06) considerou improcedente o crédito informado na PER/DCOMP, à luz da seguinte fundamentação: Limite do crédito analisado correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão informado no PER/DCOMP: R$ 37.057,27. Analisadas as informações prestadas no documento acima identificado, foi constatada a improcedência do crédito informado no PER/DCOMP por tratarse de pagamento a título de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, caso em que o recolhimento somente pode ser utilizado na dedução do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica – IRPJ ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período. 3. O referido decisório está arrimado no seguinte enquadramento legal: os arts. 165 e 170 da Lei 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN); art. 10 da IN SRF n° 600, de 2005; art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. 4. Cientificado da decisão em 03/04/2009 (fls. 07), o administrado apresentou manifestação de inconformidade (fls. 08/11), requerendo a homologação da compensação pleiteada com crédito oriundo de pagamento a maior, com as seguintes alegações: a) O pagamento a maior deveuse ao fato de que o requerente não deduziu corretamente, da base de cálculo do imposto, as receitas da atividade incentivada, nos termos do artigo 223, § 6°, do RIR/1999; b) O crédito que o requerente possui não diz respeito a uma eventual diferença no resultado anual, ou seja, não decorre do ajuste relativo à efetiva base de cálculo do imposto, mas sim ao valor excedente indevidamente recolhido aos cofres públicos; c) Trouxe decisões administrativas em seu favor. 5. Os processos n° 10380.905400/200986, 10380.905399/200990, 10380.905398/200945, 10380.905397/200909 e 10380.904905/200923 foram julgados em conjunto, por referiremse ao mesmo crédito pleiteado. 2. A decisão da instância a quo foi assim ementada (fls. 68): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Fl. 98DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 17/04/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 18/04/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10380.905399/200990 Acórdão n.º 1803002.147 S1TE03 Fl. 99 4 Anocalendário: 2005 INDÉBITO DE ESTIMATIVA MENSAL. SALDO NEGATIVO. BALANCETE DE SUSPENSÃO/REDUÇÃO IRREGULAR. DEFERIMENTO PARCIAL. Não caracterizado o indébito do pagamento de estimativa, surgido com a apresentação de Balancete de Suspensão/Redução irregular, deve ser atendido, em parte, o pedido formulado, na forma de saldo negativo, desde que presentes as seguintes condições: (i) o requerente não utilizou o alegado pagamento indevido de estimativa no ajuste anual do imposto ou contribuição; (ii) o sujeito passivo declarou saldo negativo. BALANCETE DE SUSPENSÃO/REDUÇÃO. REGULARIDADE. PRAZO. É irregular o Balancete de Suspensão/Redução, original ou retificador, que houver sido elaborado ou transcrito, nos livros Diário e Lalur, depois do vencimento do débito de estimativa, cujo pagamento se pretenda suspender ou reduzir. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte 3. Cientificada da referida decisão em 06/05/2011 (fls. 73), a tempo, em 20/05/2011, apresenta a interessada Recurso de fls. 77 a 82, nele argumentando, em síntese: a) que, apresentada manifestação de inconformidade, a DRJ/FOR reconheceu a legitimidade da compensação, mas acolheu apenas em parte o pedido, para excluir do crédito o valor relativo à sua atualização mensal, e determinar que tal atualização somente tivesse início em janeiro de 2006. Para tanto, entendeu que o pagamento da estimativa do IRPJ somente se tornou indevido (a maior) com a apuração do imposto, que ocorreu no dia 31 de dezembro de 2006 (sic), e que, depois de encerrado o exercício, não poderia mais haver a retificação dos Balancetes de Suspensão ou Redução BSR; b) que a decisão recorrida faz indevida referência ao Balancete de Suspensão ou Redução — BSR, que não foi o motivo da constatação do pagamento indevido das antecipações; c) que, na verdade — independentemente da apuração do resultado parcial que ocorre nos referidos balancetes — a Recorrente pagou a estimativa de forma incorreta e a maior. Isso porque deixou de deduzir da base de calculo da estimativa o valor correspondente às receitas da atividade incentivada (Benefício concedido pela Agência de Desenvolvimento do Nordeste ADENE em 20.12.2005, com efeitos retroativos a janeiro de 2005), nos termos do § 6º do art. 223 do RIR/99); d) que, uma vez aplicada corretamente a legislação que trata da apuração da base de cálculo da estimativa de IRPJ, o valor a ser pago deveria ser bem menor. Assim, tratase de pagamento indevido cujo crédito dele decorrente poderia ser aproveitado no mês seguinte. Como tal, portanto, deve ser considerado para efeito de atualização pela SELIC; Fl. 99DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 17/04/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 18/04/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10380.905399/200990 Acórdão n.º 1803002.147 S1TE03 Fl. 100 5 e) que, na verdade, a própria decisão recorrida reconhece que o pagamento indevido pode restar consumado no mesmo mês do recolhimento da estimativa, nos casos em que houver erro manifesto na apuração da base de cálculo sobre a receita bruta, como é precisamente o caso de que aqui se cuida. Os julgadores de primeiro grau deixaram de aplicar a SELIC a partir do mês seguinte ao recolhimento indevido apenas em razão do equívoco de considerar relevante o BSR, quando neste caso não o é; f) que, com a revogação do art. 10 da Instrução Normativa nº 600/2005, a Administração Tributária reconheceu o direito de os contribuintes utilizarem o crédito oriundo dos pagamentos indevidos de estimativa de IRPJ para compensar com débitos de outros tributos devidos dentro do mesmo ano, ou seja, antes da apuração feita em dezembro; e g) que não há a menor dúvida, portanto, de que os créditos da Recorrente devem ser atualizados pela SELIC a partir do mês subsequente àquele em que ocorreu o pagamento indevido. Em mesa para julgamento. Fl. 100DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 17/04/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 18/04/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10380.905399/200990 Acórdão n.º 1803002.147 S1TE03 Fl. 101 6 Voto Conselheiro Sérgio Rodrigues Mendes, Relator Atendidos os pressupostos formais e materiais, tomo conhecimento do Recurso. Estimativa paga indevidamente 2. O presente voto se reporta a diversos processos da Recorrente, atinentes a Pedidos de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp), cujos créditos pleiteados, decorrentes de pagamentos indevidos do IRPJ mensal por estimativa, são referentes aos meses de fevereiro, março, setembro, outubro e novembro de 2005 (meses de pagamento). 3. Os despachos decisórios de todos esses processos não homologaram as compensações declaradas mediante Per/DComp, com fundamento no art. 10 da Instrução Normativa SRF nº 600, de 28 de dezembro de 2005. 4. Superada essa questão já nas próprias decisões recorridas, adentrouse ao mérito do pedido, manifestandose, essas decisões, em contrariedade parcial ao pleito da Recorrente, sob os seguintes fundamentos: a) que, no caso, se trata de pagamento a maior, ou seja, devido segundo determinação legal vigente à época em que efetuado, e não de pagamento indevido; b) que, tendo o Balancete de Suspensão ou Redução (BSR) a finalidade de suspender ou reduzir o pagamento da estimativa de determinado mês, tais efeitos se exaurem no vencimento da correspondente estimativa, de modo que eles não podem ser produzidos ou retificados posteriormente com eficácia retroativa; c) que o BSR apresentado altera a forma de apuração do débito de estimativa, originalmente determinado sobre a receita bruta (em alguns processos); e d) que o ato concessivo do incentivo fiscal possui caráter constitutivo, não podendo retroagir ao início do ano de 2005. 5. Dessa forma, as decisões recorridas negaram a caracterização de pagamento indevido de estimativa, mas o admitiram como pagamento a maior do imposto, reconhecendo parcialmente o direito creditório pleiteado, considerandoo válido, para efeito de atualização monetária, a partir de janeiro de 2006. 6. Posta assim a questão, cumpre dizer, de início, que é fato incontroverso a existência de direito creditório por parte da Recorrente. Fl. 101DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 17/04/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 18/04/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10380.905399/200990 Acórdão n.º 1803002.147 S1TE03 Fl. 102 7 7. A única discussão que remanesce nos autos é quanto ao termo inicial a ser considerado para a efetivação desse direito creditório, se da data de cada pagamento efetuado, no decorrer do anocalendário de 2005, ou se de janeiro de 2006, como entenderam as decisões recorridas. 8. Chamo a atenção para o fato de que não se está diante de pedido de retificação ou de elaboração de BSR, mas de pleito de restituição/compensação de valor pago indevidamente. 9. Assim, não procede a extensa argumentação da decisão recorrida, no sentido de ser impossível dita retificação ou elaboração e de que o BSR apresentado alteraria a forma de apuração do débito de estimativa, originalmente determinado sobre a receita bruta (em alguns processos). 10. Abrese, aqui, um parêntese para se destacar o que segue. 11. Por meio do Laudo Constitutivo nº 0334/2005, de 20 de dezembro de 2005, expedido pela Agência de Desenvolvimento do Nordeste (ADENE), teve a Recorrente reconhecido o benefício fiscal de Redução do Imposto de Renda, nos termos do art. 13 da Lei nº 4.239, de 27 de junho de 1963, com a nova redação dada pelo art. 3º da Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997, e alterações posteriores, conforme Medida Provisória nº 2.19914, de 24 de agosto de 2001 e Decreto nº 4.213, de 26 de abril de 2002, sendo o início do prazo de fruição do benefício o anocalendário de 2005. 12. Posteriormente, pelo Ato Declaratório Executivo nº 016, de 13 de março de 2006, a Delegacia da Receita Federal em FortalezaCE reconheceu que a Recorrente faz jus à redução do imposto de renda, e adicionais não restituíveis, calculados com base no lucro da exploração, relativamente ao empreendimento de que trata o Laudo Constitutivo nº 0334/2005, expedido pelo Ministério da Integração Nacional, na forma ali discriminada (Percentual de redução do Imposto de Renda e adicionais não restituíveís: 75% (setenta e cinco por cento); Início do prazo de fruição do beneficio: anocalendário 2005; Prazo total de fruição: 10 anos; Término do prazo de fruição do beneficio: anocalendário de 2014). 13. Fechado o parêntese, observase que, na determinação do imposto devido mensalmente com base em balanço ou balancete de suspensão ou redução (BSR), no período abrangido por esse mesmo balanço ou balancete, admitese a dedução dos incentivos fiscais Regionais de Redução e/ou Isenção do Imposto. 14. Logicamente, se o citado Laudo Constitutivo, e o respectivo Ato Declaratório Executivo, houvesse sido emitido antes do início do anocalendário de 2005, não teria feito uso, a Recorrente, da determinação do imposto devido mensalmente com base em estimativa sobre a receita bruta (o que se deu em alguns processos), mas, sim, daquela primeira (BSR). 15. Não é, pois, correto, se pretender equiparar a situação em análise a uma espécie de “mudança de opção” (em alguns processos), tomada ao livre arbítrio da Recorrente, para a situação excepcional ora analisada. 16. Tratase, como visto, de fato superveniente e relevante, com reflexos retroativos por força de lei, como segue (anocalendário em que o empreendimento entrou em operação 2002): Fl. 102DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 17/04/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 18/04/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10380.905399/200990 Acórdão n.º 1803002.147 S1TE03 Fl. 103 8 Art. 1º Sem prejuízo das demais normas em vigor aplicáveis à matéria, a partir do anocalendário de 2000, as pessoas jurídicas que tenham projeto protocolizado e aprovado até 31 de dezembro de 2013 para instalação, ampliação, modernização ou diversificação enquadrado em setores da economia considerados, em ato do Poder Executivo, prioritários para o desenvolvimento regional, nas áreas de atuação das extintas Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste Sudene e Superintendência de Desenvolvimento da Amazônia Sudam, terão direito à redução de 75% (setenta e cinco por cento) do imposto sobre a renda e adicionais, calculados com base no lucro da exploração. (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) § 1º A fruição do benefício fiscal referido no caput deste artigo darseá a partir do anocalendário subseqüente àquele em que o projeto de instalação, ampliação, modernização ou diversificação entrar em operação, segundo laudo expedido pelo Ministério da Integração Nacional até o último dia útil do mês de março do anocalendário subseqüente ao do início da operação. (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) § 2º Na hipótese de expedição de laudo constitutivo após a data referida no § 1º, a fruição do benefício darseá a partir do ano calendário da expedição do laudo. § 3º O prazo de fruição do benefício fiscal será de 10 (dez) anos, contado a partir do anocalendário de início de sua fruição. (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) 17. Essa, aliás, a conclusão a que chegou a Informação Fiscal que instruiu a edição do mencionado Ato Declaratório Executivo: 4.4. De acordo com os parágrafos 1º a 3º do art. 73 da Instrução Normativa nº 267, de 23 de dezembro de 2002 c/c o § 3º do art. 1º da Medida Provisória nº 2.19914, de 24 de agosto de 2001, com a redação dada pelo art. 32 da Lei nº 11.196/2005, a fruição do benefício se dará, a partir do anocalendário 2005 até o anocalendário 2014, tendo em vista que o empreendimento entrou em operação no anocalendário 2002 e o Laudo Constitutivo foi expedido em 20 de dezembro de 2005 (fls. 24 a 28). 18. E se referido favor fiscal possui, inegavelmente, efeitos ex tunc, não se pode pretender limitar esses efeitos com fundamento em procedimentos adotados pela Recorrente, quando ainda não reconhecido a ela aquele benefício. 19. Portanto, é de se conferir eficácia plena ao Laudo Constitutivo, e respectivo Ato Declaratório Executivo, que reconheceram o benefício fiscal de redução do imposto de renda de forma retroativa, de modo a propiciar à Recorrente todos os direitos que possuiria se tais normas individuais e concretas houvessem sido editadas contemporaneamente aos fatos tributários. Fl. 103DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 17/04/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 18/04/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10380.905399/200990 Acórdão n.º 1803002.147 S1TE03 Fl. 104 9 20. Afirma a decisão recorrida que, no caso, se trataria de “pagamento a maior”, ou seja, devido segundo determinação legal vigente à época em que efetuado, e não de “pagamento indevido”. 21. Se, por “pagamento devido” deve ser entendido aquele efetuado de acordo com a lei vigente ao tempo de sua realização – como, aliás, entende a própria decisão recorrida estáse diante de um pagamento indevido, já que a lei vigente àquela época era a que concedia o benefício fiscal à Recorrente, fato esse reconhecido posteriormente, de forma expressa, tanto pela ADENE, quanto pela RFB. 22. Afirma, ainda, a decisão recorrida que a utilização do BSR seria uma opção do contribuinte e se destinaria a suspender ou reduzir o pagamento do imposto/contribuição devido em cada mês (tendo por referência o que seria recolhido com base na receita bruta), uma vez demonstrado que o valor acumulado já pago excede o valor do imposto/contribuição, inclusive adicional, calculado com base no lucro real do período em curso. 23. Sucede, porém, que, no presente caso, em face da retroação do benefício fiscal obtido pela Recorrente, o BSR terá outra função, que não a de simples redução ou suspensão de antecipação mensal, qual seja, apurar se e em que mês no período correspondente, efetuouse pagamento que, em face daquele benefício, não se teria procedido (“pagamento indevido”). 24. Não se trata, portanto, de “gerar pagamento indevido de estimativa”, mas, apenas, de reconhecer a sua inevitável existência no caso em análise. 25. Defende, ainda, a decisão recorrida, que o ato concessivo do incentivo fiscal possuiria caráter constitutivo, não podendo retroagir ao início do ano de 2005. 26. Considerando, porém, que a própria Delegacia da Receita Federal em Fortaleza reconheceu a redução de imposto de renda, por meio do Ato Declaratório Executivo (ADE) nº 16, de 13/03/2006, com início do prazo de fruição do beneficio no anocalendário 2005, não se sustenta o alegado “caráter constitutivo do ato concessivo do incentivo fiscal”, mas sim, a sua natureza meramente declaratória, com a inevitável retroação de seus efeitos ao início do anocalendário apontado. 27. Por fim, ainda que ultrapassado tudo o que se disse, devese ter presente o contido no § 3º do art. 15 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, de seguinte teor (destacouse): Art. 15. A base de cálculo do imposto, em cada mês, será determinada mediante a aplicação do percentual de oito por cento sobre a receita bruta auferida mensalmente, observado o disposto nos arts. 30 a 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995. [...]. § 3º As receitas provenientes de atividade incentivada não comporão a base de cálculo do imposto, na proporção do Fl. 104DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 17/04/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 18/04/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10380.905399/200990 Acórdão n.º 1803002.147 S1TE03 Fl. 105 10 benefício a que a pessoa jurídica, submetida ao regime de tributação com base no lucro real, fizer jus. 1 28. Considerandose que 100% (cem por cento) da receita da Recorrente é incentivada, apenas 25% dessa receita comporia a base de cálculo para determinação do imposto devido mensalmente com base em estimativa sobre a receita bruta (redução de 75%): 1 Perguntas e Respostas – DIPJ 2006: 604 Na determinação da base de cálculo estimada qual o tratamento aplicável às receitas provenientes de atividades incentivadas (isenção ou redução)? A pessoa jurídica que gozar de incentivos fiscais calculados com base no lucro da exploração poderá excluir da receita bruta total, para fins de determinação da base de cálculo estimada, o valor da receita bruta ou redução a que tiver direito. O valor efetivo do benefício de isenção ou redução calculado com base no lucro da exploração será determinado em 31 de dezembro de cada ano. Disponível em: <www.receita.fazenda.gov.br/publico/perguntao/dipj2006/PergRespDIPJ2006.pdf>. Acesso em: 30 mar. 2014. Fl. 105DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 17/04/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 18/04/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10380.905399/200990 Acórdão n.º 1803002.147 S1TE03 Fl. 106 11 Conclusão Em face do exposto, e considerando tudo o mais que dos autos consta, voto no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, para reconhecer o direito creditório, a título de pagamento a maior de estimativa, de R$ 122.336,10, relativo a novembro de 2005, na parte correspondente à Selic calculada até janeiro de 2006, e homologar a compensação pleiteada dos débitos que a ele façam referência até o limite do direito creditório reconhecido (processos nºs 10380.905400/200986, 10380.905399/200990, 10380.905398/200945, 10380.905397/200909 e 10380.904905/200923). É como voto. (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes Fl. 106DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 17/04/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 18/04/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA
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