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Numero do processo: 15940.000509/2007-94
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 09 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Jul 22 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2002
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ERRO MANIFESTO. MATÉRIA FORA DA LIDE. REDISCUSSÃO.
Embargos de Declaração conhecidos apenas para esclarecimento e supressão de matéria que fora discutida de forma desnecessária uma vez que já afastada da lide pelo provimento parcial da DRJ, sem contudo alterar o decidido de se ter negativa de provimento, suprimindo-se entretanto as ementas correlacionadas que trataram de matéria fora da lide.
FORNECEDORES. PAGAMENTO A TERCEIROS. CESSÃO DE CRÉDITO. PAGAMENTO SEM CAUSA.
Tributa-se como pagamento sem causa as importâncias repassadas a terceiros que não mantiveram qualquer espécie de relação jurídica ou negocial com a autuada, em atendimento a pedido de fornecedores seus, se inexistir comprovada relação jurídica ou negocial do fornecedor, cedente, com o terceiro qualificado, cessionário do crédito respectivo.
Numero da decisão: 1401-000.972
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, por unanimidade de votos, ACOLHER parcialmente os embargos, apenas para esclarecimentos e retificação da ementa, sem efeitos infringentes.
(assinado digitalmente)
Jorge Celso Freire da Silva Presidente
(assinado digitalmente)
Antonio Bezerra Neto - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Antonio Bezerra Neto, Alexandre Antônio Alkmim Teixeira, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Maurício Pereira Faro, Marcos Vinicius Barros Ottoni e Jorge Celso Freire da Silva.
Nome do relator: ANTONIO BEZERRA NETO
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2002 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ERRO MANIFESTO. MATÉRIA FORA DA LIDE. REDISCUSSÃO. Embargos de Declaração conhecidos apenas para esclarecimento e supressão de matéria que fora discutida de forma desnecessária uma vez que já afastada da lide pelo provimento parcial da DRJ, sem contudo alterar o decidido de se ter negativa de provimento, suprimindo-se entretanto as ementas correlacionadas que trataram de matéria fora da lide. FORNECEDORES. PAGAMENTO A TERCEIROS. CESSÃO DE CRÉDITO. PAGAMENTO SEM CAUSA. Tributa-se como pagamento sem causa as importâncias repassadas a terceiros que não mantiveram qualquer espécie de relação jurídica ou negocial com a autuada, em atendimento a pedido de fornecedores seus, se inexistir comprovada relação jurídica ou negocial do fornecedor, cedente, com o terceiro qualificado, cessionário do crédito respectivo.
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ERRO MANIFESTO. MATÉRIA FORA DA LIDE. REDISCUSSÃO. Embargos de Declaração conhecidos apenas para esclarecimento e supressão de matéria que fora discutida de forma desnecessária uma vez que já afastada da lide pelo provimento parcial da DRJ, sem contudo alterar o decidido de se ter negativa de provimento, suprimindose entretanto as ementas correlacionadas que trataram de matéria fora da lide. FORNECEDORES. PAGAMENTO A TERCEIROS. CESSÃO DE CRÉDITO. PAGAMENTO SEM CAUSA. Tributase como pagamento sem causa as importâncias repassadas a terceiros que não mantiveram qualquer espécie de relação jurídica ou negocial com a autuada, em atendimento a pedido de fornecedores seus, se inexistir comprovada relação jurídica ou negocial do fornecedor, cedente, com o terceiro qualificado, cessionário do crédito respectivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, por unanimidade de votos, ACOLHER parcialmente os embargos, apenas para esclarecimentos e retificação da ementa, sem efeitos infringentes. (assinado digitalmente) Jorge Celso Freire da Silva – Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 94 0. 00 05 09 /2 00 7- 94 Fl. 1211DF CARF MF Impresso em 22/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 24/05/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA 2 (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Antonio Bezerra Neto, Alexandre Antônio Alkmim Teixeira, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Maurício Pereira Faro, Marcos Vinicius Barros Ottoni e Jorge Celso Freire da Silva. Fl. 1212DF CARF MF Impresso em 22/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 24/05/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 15940.000509/200794 Acórdão n.º 1401000.972 S1C4T1 Fl. 1.089 3 Relatório Tratase de EMBARGOS DE DECLARAÇÃO em que se alega omissão, contradição e obscuridade no Acórdão nº 140100.536, proferido por esta 1a Turma da 4ª Câmara da 1a Seção do CARF, que, por unanimidade de votos, NEGARAM provimento ao recurso, nos termos da ementa abaixo: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2002 EMPRESAS INAPTAS. GLOSA DE CUSTOS. PROVA. Verificada a situação de declaração formal de inaptidão ou mesmo outras situações de declaração de inidoneidade previstas na legislação, a lei contempla uma exceção para que não seja aplicada a regra geral do artigo 82, que foi o intentado pela Recorrente sem sucesso. Para infirmar a referida presunção de inidoneidade é preciso que o adquirente dos bens ou o tomador comprove a efetividade da operação através de duas condições cumulativas postas pela legislação: a) “efetivação do pagamento do preço respectivo” e b) “o recebimento dos bens, direitos e mercadorias ou utilização dos serviços” (art. 82 da Lei n 9.430/96). ATO DECLARATÓRIO. EMPRESAS INAPTAS. EFEITOS. A natureza declaratória dos atos de inaptidão da Receita Federal do Brasil, uma vez que eles apenas reconhecem fatos já existentes, por isso, muitas vezes tem efeito extunc (retroativos), ao contrário dos atos constitutivos. Assim o Ato declaratório não constitui fato jurídico, apenas declara uma situação irregular que já se verificava no passado e que indícios convergentes mostram. No caso da pessoa jurídica declarada inexistente de fato, são categoricamente considerados inidôneos os documentos emitidos desde a paralisação das atividades da pessoa jurídica ou desde sua constituição, se ela jamais exerceu atividade regular, a teor do que prescreve o art. 43, § 3o, IV, da IN n° 200, de 2002. FORNECEDORES. PAGAMENTO A TERCEIROS. CESSÃO DE CRÉDITO. PAGAMENTO SEM CAUSA. Tributase como pagamento sem causa as importâncias repassadas a terceiros que não mantiveram qualquer espécie de relação jurídica ou negocial com a autuada, em atendimento a pedido de fornecedores seus, se inexistir comprovada relação jurídica ou negocial do fornecedor, cedente, com o terceiro qualificado, cessionário do crédito respectivo. Transcrevo parte do relatório do Acórdão embargado naquilo que é essencial: (...) Fl. 1213DF CARF MF Impresso em 22/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 24/05/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA 4 Contra empresa acima identificada havia lavrado auto de infração que lhe exigiu Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) no valor de R$681.843,69 e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) de R$245.463,71, acrescidos de juros de mora, multa de ofício e multa de ofício qualificada. A base legal que suportou a imposição tributária, bem assim o lançamento da multa e dos juros achamse descritos nos correspondentes demonstrativos do auto de infração (fls. 539/555). (...) A autoridade tributária relacionou no Termo de Verificação Fiscal (fls. 527/538) empresas fornecedoras consideradas inaptas por inexistência de fato cujos valores registrados como despesa na contabilidade da autuada foram objeto de glosa. Anexas cópias das representações de inaptidão por inexistência de fato (fls. 411/422). Consta de referido termo que houve glosa correspondente a depósitos que a interessada efetuou em contas correntes de terceiras empresas, para pagamento de fornecedores, sob a rubrica de cessão de créditos, em face de que não fora comprovado nexo para justificar a causa que dera origem. Tais valores foram considerados pagamentos efetuados sem comprovação de operação ou causa e capitulados no art. 674 do Regulamento do Imposto de Renda (RIR), de 1999. Elaborou a autoridade fiscal quadro demonstrativo da base de cálculo para lançamento dos tributos, levando em conta as glosas efetuadas (fl. 535). Os valores glosados, cujo montante é de R$ 2.727.374,77, achamse detalhados no relatório de fls. 523/526, que especifica as importâncias contabilizadas como pagamento e como cessão de crédito. No que diz respeito à multa de ofício, nos casos em que se constatou dedução indevida de custo decorrente de documentos fiscais de empresas consideradas inaptas houve imposição de penalidade qualificada, pela circunstância de que a autoridade tributária entendeu existir intenção dolosa, materializada no evidente intuito de fraude; quanto às glosas de outros valores não comprovados aplicouse a multa de ofício sem a qualificadora. Apenso aos autos consta o processo de representação fiscal para fins penais, n. 15940.000510/200719. (...) No mérito, argüiu que: a) improcede o lançamento de crédito tributário relativo às deduções referentes às empresas que foram consideradas irregulares, bem assim às deduções relativas às cessões de crédito; b)descabe a glosa dos custos, bem assim a imposição da multa qualificada, em face de que agiu com boafé; c)não houve verificação do efetivo ingresso dos produtos adquiridos, cujas notas fiscais foram glosadas, em ofensa ao princípio da verdade material; d) a declaração de inaptidão das empresas ocorreu em período posterior à ocorrência das operações. Ao final, propugnou pela acolhida de suas alegações. A DRJ, por unanimidade de votos, CANCELOU EM PARTE o lançamento (...) Fl. 1214DF CARF MF Impresso em 22/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 24/05/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 15940.000509/200794 Acórdão n.º 1401000.972 S1C4T1 Fl. 1.090 5 Irresignada com a decisão de primeira instância, a interessada interpôs recurso voluntário a este Conselho, repisando os tópicos trazidos anteriormente na impugnação, sem contudo suscitar dessa feita preliminar de nulidade. Em seu recurso a Recorrente reforça alguns pontos da sua impugnação, nos seguintes termos: o lançamento não pode prosperar, pois conforme documentos acostado aos autos, restam comprovados a efetividade das operações de compras, bem como o recebimento das mercadorias, o que se pode aferir pelos "tickets de Pesagem", bem como, o pagamento das mesmas. Nesse sentido, o próprio o julgador reconhece expressamente a aquisição das mercadorias constantes nos documentos fiscais: "Por fim há o registro da própria autoridade tributária que afirma ter a contribuinte efetuado as respectivas aquisições (fls. 527,537), conforme segue: 1 A empresa acima identificada adquiriu de fornecedores deste e outros Estados Matérias Primas (couro verde), para ser utilizado no processo de Fabrícação. (...) 4 Conclusão Fiscal Diante das verificações efetuadas e justificativas acima apresentadas e tudo o mais que do processo consta, não restou dúvidas que a empresa Vitapelli Ltda., adquiriu em Dezembro de 2002 (sic), matérias primas (couro verde) de empresas inexistentes de fato,... (grifouse)" ; o artigo 82, parágrafo único da Lei 9.430/96, é claro ao excepcionar a aplicação dos casos de inidoneidade de documentos fiscais quando o adquirente comprovar o pagamento do preço e o recebimento dos bens, direitos e mercadorias; é imprescindível a publicação do ato administrativo para que o mesmo possa projetar os efeitos jurídicos pretendidos, atingindo, dessa forma, terceiros. Sem publicação, o único efeito que o ato administrativo pode produzir é "interna corporis"; Em relação à tributação do pagamento sem causa, alega que “(...) partindo se do pressuposto de um negócio jurídico perfeito, onde houve o contrato de compra e venda, a tradição da mercadoria, o direito creditício decorrente dessa operação mercantil pode ser transferido a quem bem lhes aprouver” ; Acrescenta que a única ressalva que se apresenta, é a necessidade de notificação ao devedor, conforme previsto no art. 290 do Código Civil. Cumprida essa exigência legal, conforme cartas de 'cessão de crédito apresentadas, juntamente com a quitação das respectivas obrigações, configurase ai o negócio jurídico perfeito e acabado; Salienta ainda, a esse mesmo respeito que pela natureza da obrigação não havia impedimento algum para que o credor pudesse ceder livremente seu crédito a quem melhor aproveitasse, sendo certo afirmar que não tem a devedora, ora recorrente, como impedir, questionar ou mesmos exigir comprovação da relação negociai entre o cedente e o cessionário, como equivocadamente concluiu o julgado ora recorrido; com relação aos pagamentos efetuados a empresas de fomento mercantil (factoring), o julgador ressalta a necessidade da contratação por instrumento público ou particular, revestidos das formalidades do art. 654, § 1º do Código Civil. Alega Fl. 1215DF CARF MF Impresso em 22/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 24/05/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA 6 que o único terceiro interessado nessa relação jurídica é a própria recorrente, que foi devidamente notificada da cessão de crédito pelo faturizado ou pelo faturizador, conforme previsto no artigo 290 do Código Civil, efetuará o pagamento à quem de direito. Nesse entendimento, as cartas de cessão de crédito com firmas reconhecidas em cartório são mais que suficientes para comprovar tal relação jurídica e notificação ao devedor/recorrente. Portanto, é totalmente descabida a exigência de comprovação da relação jurídica entre o fornecedor (cedentefaturizado) e faturizador (cessionário), porque, aqueles, não estão obrigados a prestar contas de suas atividades comerciais para a ora Recorrente. Consta a seguinte conclusão no TVF de fls. 4.Conclusão Fiscal Diante , das verificações efetuadas e justificativas acima apresentadas e tudo o mais que do processo consta, não restou dúvidas que a empresa Vitapelli Ltda, adquiriu em Dezembro de 2002, matérias primas (couro verde) de empresas inexistentes de fato, cujos valores foram glosados e as diferenças de impostos apuradas serão cobradas através de Auto de Infração com os acréscimos e penalidades previstos em lei. • Sobre o Imposto de Renda e Contribuições apurados em decorrência da alteração dos resultados, pelos motivos expostos, referente as empresas consideradas inaptas, aplicase a multa de 150%, por evidente intuito de fraude, conforme previsto no art. 44, II da Lei no 9.430/96. No que se refere ao imposto decorrente das glosas dos demais valores não comprovados, aplicase a multa de 75% previsto no art. 44, I do mesmo diploma legal. Em sede de Embargos alega que: Após chamar a atenção para o princípio da legalidade e da verdade material destaca que: (...) a decisão embargada não contemplou as razões formuladas pelo contribuinte em relação ao confronto das provas produzidas com a presunção lançada pelo fisco. Limitouse em seus fundamentos a ressaltar tratarse de presunção júris tantum que admite a glosa de custos a partir de suposta inidoneidade de notas fiscais de compras de insumos, bem como caracterização de pagamentos sem causa em relação às operações de cessão de crédito pretensamente desamparada da relação jurídica correspondente, com aplicação de multa de ofício e multa agravada de 150%, a pretexto da existência de fraude. A decisão embargada deixou de contemplar as razões formuladas pela contribuinte, desde a sua impugnação, em relação à multa agravada, afastando a pretensão da então recorrente sem a devida comprovação do evidente intuito de fraude. Passa então a demonstrar a não caracterização do intuito de fraude na situação em comento, trazendo doutrina e jurisprudência à respeito. Por fim suscita por ocasião da sustentação oral e de memoriais no sentido de que o Acórdão embargado reverteu cancelamentos já efetuados pela primeira instância. Faz, então, acostar aos autos petição complementar aos embargos acusando erro de fato no Acórdão embargado. É o relatório. Fl. 1216DF CARF MF Impresso em 22/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 24/05/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 15940.000509/200794 Acórdão n.º 1401000.972 S1C4T1 Fl. 1.091 7 Voto Conselheiro Antonio Bezerra Neto, Relator Atendidos os requisitos de admissibilidade, tomo conhecimento dos embargos de declaração. a) 1a Omissão Em relação à primeira omissão, alega a Embargante que: não contemplou as razões formuladas pelo contribuinte em relação ao confronto das provas produzidas com a presunção lançada pelo fisco. Limitouse em seus fundamentos a ressaltar tratarse de presunção juris tantum que admite a glosa de custos a partir de suposta inidoneidade de notas fiscais de compras de insumos, bem como caracterização de pagamentos sem causa em relação às operações de cessão de crédito pretensamente desamparada da relação jurídica correspondente Não prospera a alegada omissão, a uma porque o Acórdão recorrido tratou especificamente sobre a questão de forma substanciosa, abrindo tópicos específicos para fundamentar cada uma delas. A duas, porque foi por demais genérica, utilizandose precisamente um único parágrafo onde não conseguiu apontar de forma específica onde estaria a omissão do Acórdão. A três, tratase de matéria eminentemente de prova, onde o relator transcreveu minuciosamente os motivos que o levaram a negar provimento. Por fim, ao que parece, o inconformismo do embargante referese ao fato de o Acórdão embargado haver adotado entendimento diverso daquele que entende seja o correto. Entretanto, tal circunstância não comparece como motivo suficiente a viabilizar os embargos de declaração. Isso porque eventual inconformismo do embargante deve ser objeto de discussão nos meios processuais cabíveis, porquanto os embargos declaratórios não se prestam a modificar o julgado ou a responder questionamentos das partes. Afasto, portanto, esta omissão. a) 2a Omissão – MULTA QUALIFICADA Sobre a multa qualificada (150%), foi aplicada apenas em parte do lançamento naqueles casos em que as empresas foram consideradas inaptas pelos motivos fundamentados no TVF e Acórdão embargado. Eis a conclusão do TVF, a esse respeito: Sobre o Imposto de Renda e Contribuições apurados em decorrência da alteração dos resultados, pelos motivos expostos, referente as empresas consideradas inaptas, aplicase a multa de 150%, por evidente intuito de fraude, conforme previsto no art. 44, II da Lei no 9.430/96. No que se refere ao imposto decorrente das glosas Fl. 1217DF CARF MF Impresso em 22/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 24/05/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA 8 dos demais valores não comprovados, aplicase a multa de 75% previsto no art. 44, I do mesmo diploma legal. Alega a Embargante que o Acórdão deixou de contemplar as razões formuladas pela contribuinte, desde a sua impugnação, em relação à multa agravada, afastando a pretensão da então recorrente sem a devida comprovação do evidente intuito de fraude. Passa então a demonstrar a não caracterização do intuito de fraude na situação em comento, trazendo doutrina e jurisprudência à respeito. Ora, a matéria não foi tratada, pois estava fora da lide desde a fase impugnatória. A Contribuinte não teceu uma linha sequer a esse respeito, muito menos em sede recursal. Ademais, como se verá mais adiante a matéria em questão não mais subsiste uma vez que toda a infração relacionada à qualificação da multa fora cancelada pela DRJ, qual seja, glosas de pagamentos a empresas declaradas inaptas por inexistência de fato. Dessa forma afasto também essa omissão. Por fim, também não prospera sua alegação trazida por ocasião da sustentação oral e de memoriais no sentido de que o Acórdão embargado reverteu cancelamentos já efetuados pela primeira instância. Em primeiro lugar, esclareçase que tais reversões de julgamentos só poderiam ser feitas no âmbito de Recurso de Ofício, o que não foi o caso. Tratavase apenas de julgamento de recurso voluntário da parte que remanesceu e por fim, considerações genéricas que por acaso o voto traga e que contradigam o entendimento da DRJ que fundamentou o cancelamento é permitido desde que não afeta a matéria transitada em julgado administrativamente. Entretanto, reconheço que a decisão de piso ao não ser muita clara, seja em sua fundamentação seja na parte dispositiva, ao tratar do cancelamento parcial deixou margens para que se interpretasse de forma equivocada a sua decisão. Do relatório produzido pela autoridade fiscal constatase que o lançamento tributário baseouse em três situações de fato: a) pagamentos de fornecimentos de produtos a terceiros, cessionários, indicados pelos fornecedores, cedentes, cuja relação negocial entre cedente e cessionário não fora comprovada; b) pagamentos a empresas declaradas inaptas por inexistência de fato, e, c) pagamentos de fornecimentos de produtos a terceiros, cessionários, indicados por empresas declaradas inaptas por inexistência de fato. As situações relacionadas sob itens “b” e “c” foram agrupadas em uma só rubrica e lançadas com multa qualificada. Cotejando a tabela abaixo extraída da decisão DRJ com a fls. 539 do processo onde se encontra o detalhamento da base de cálculo tributada de forma distinta, ou seja separandose a situação de empresas declaradas inaptas por inexistência de fato e pagamentos de fornecimentos a terceiros cessionários, verificase claramente que a DRJ cancelou na verdade toda a matéria atinente à primeira situação, qual seja, empresas declaradas inaptas por inexistência de fato , havendo ou não cessionários, incluindo aí a multa qualificada somente existente nessa situação. TABELA DE EXONERAÇÃO ELABORADA PELA DRJ Tributo Lançado Multa 150% Exonerado Multa exonerada IRPJ 88.222,87 132.334,30 88.222,87 132.334,30 CSLL 31.760,22 47.640,32 31.760,22 47.640,32 Fl. 1218DF CARF MF Impresso em 22/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 24/05/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 15940.000509/200794 Acórdão n.º 1401000.972 S1C4T1 Fl. 1.092 9 Dessa forma, reconheço que a primeira parte do meu voto tratei desnecessariamente de matéria não mais constante na lide, pois já superadas pelo cancelamento efetuado pela DRJ, motivo pelo qual retifico o Acórdão embargado para que subsista no mesmo apenas matéria relacionada ao item “a” acima relatado, qual seja, pagamentos de fornecimentos de produtos a terceiros, cessionários, indicados pelos fornecedores, cedentes, cuja relação negocial entre cedente e cessionário não fora comprovada. Retificase as ementas suprimindose as duas primeiras que trataram de situação relativa à glosa de pagamentos a empresas inaptas consideradas inexistentes de fato, uma vez que tal matéria não fazia parte da lide do Acórdão embargado, subsistindo, no entanto, a ementa abaixo já constante do referido julgado: FORNECEDORES. PAGAMENTO A TERCEIROS. CESSÃO DE CRÉDITO. PAGAMENTO SEM CAUSA. Tributase como pagamento sem causa as importâncias repassadas a terceiros que não mantiveram qualquer espécie de relação jurídica ou negocial com a autuada, em atendimento a pedido de fornecedores seus, se inexistir comprovada relação jurídica ou negocial do fornecedor, cedente, com o terceiro qualificado, cessionário do crédito respectivo. De qualquer sorte, as devidas reparações não afeta a parte dispositiva que negou provimento ao recurso. Por todo o exposto, acolhese parcialmente os embargos tão somente para esclarecimentos e retificação das ementas correlacionadas, sem lhes dar efeitos infringentes. (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Fl. 1219DF CARF MF Impresso em 22/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 24/05/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA
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Numero do processo: 10280.720003/2009-64
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 23 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Jun 06 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 30/12/2003, 30/01/2005, 28/02/2005, 30/07/2005, 30/08/2005, 30/09/2005
PROCEDIMENTO FISCAL. VÍCIO FORMAL. INOCORRÊNCIA.
Inexiste nulidade em lançamento que se tenha revestido das formalidades previstas no art. 10 do Decreto nº 70.235, de 1972, com as alterações da Lei nº 8.748, de 1993.
DIPJ. DACON. FORÇA PROBANTE. ERRO EM SEU CONTEÚDO. DEMONSTRAÇÃO. ÔNUS DO SUJEITO PASSIVO.
A DIPJ e o DACON contêm informações sobre os impostos e contribuições devidos pela pessoa jurídica, vinculando o declarante ao seu conteúdo e servindo de fundamento suficiente, na condição de documento confeccionado pelo próprio contribuinte, para a exigência de ofício. O conteúdo da DIPJ, para ser ilidido, depende da apresentação de documentos e provas do erro alegado, cujo ônus probante encontra-se a cargo do sujeito passivo.
Recurso Voluntário Negado
Recurso do Ofício Negado
Numero da decisão: 3302-002.143
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos,
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento aos recursos voluntário e de ofício, nos termos do voto do Relator.
(Assinado digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente
(Assinado digitalmente)
JOSÉ ANTONIO FRANCISCO - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto.
Nome do relator: JOSE ANTONIO FRANCISCO
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(VIVO S/A) FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 30/07/2003, 30/08/2003, 30/09/2003, 30/10/2003, 30/11/2003, 30/12/2003 DECADÊNCIA. SUPERVENIÊNCIA DE SÚMULA VINCULANTE DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. Aplicase às contribuições sociais a Súmula Vinculante do Supremo Tribunal Federal n. 8, que determinou a aplicação das regras previstas no Código Tributário Nacional sobre decadência. O termo inicial do prazo de decadência é a data do fato gerador, no caso de haver pagamentos antecipados. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 30/12/2003, 30/01/2005, 28/02/2005, 30/07/2005, 30/08/2005, 30/09/2005 PROCEDIMENTO FISCAL. VÍCIO FORMAL. INOCORRÊNCIA. Inexiste nulidade em lançamento que se tenha revestido das formalidades previstas no art. 10 do Decreto nº 70.235, de 1972, com as alterações da Lei nº 8.748, de 1993. DIPJ. DACON. FORÇA PROBANTE. ERRO EM SEU CONTEÚDO. DEMONSTRAÇÃO. ÔNUS DO SUJEITO PASSIVO. A DIPJ e o DACON contêm informações sobre os impostos e contribuições devidos pela pessoa jurídica, vinculando o declarante ao seu conteúdo e servindo de fundamento suficiente, na condição de documento confeccionado pelo próprio contribuinte, para a exigência de ofício. O conteúdo da DIPJ, para ser ilidido, depende da apresentação de documentos e provas do erro alegado, cujo ônus probante encontrase a cargo do sujeito passivo. Recurso Voluntário Negado Recurso do Ofício Negado AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 0. 72 00 03 /2 00 9- 64 Fl. 1542DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 30/05/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 30/05/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10280.720003/200964 Acórdão n.º 3302002.143 S3C3T2 Fl. 1.543 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento aos recursos voluntário e de ofício, nos termos do voto do Relator. (Assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente (Assinado digitalmente) JOSÉ ANTONIO FRANCISCO Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. Relatório Tratase de recursos de ofício e voluntário (fls. 1457 a 1538) este último apresentado em 01 de fevereiro de 2012 contra o Acórdão no 0122.986, de 20 de setembro de 2011, da 3ª Turma da DRJ/BEL (fls. 1436 a 1449), cientificado em 06 de janeiro de 2012, que, relativamente a auto de infração de Cofins e PIS dos períodos de julho a dezembro de 2003, janeiro, fevereiro, julho a setembro e dezembro de 2005, considerou a impugnação procedente em parte, nos termos de sua ementa, a seguir reproduzida: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 30/07/2003, 30/08/2003, 30/09/2003, 30/10/2003, 30/11/2003, 30/12/2003, 30/01/2005, 28/02/2005, 30/07/2005, 30/08/2005, 30/09/2005 PROCEDIMENTO FISCAL. VÍCIO FORMAL. INOCORRÊNCIA. Inexiste nulidade em lançamento que se tenha revestido das formalidades previstas no art. 10 do Decreto nº 70.235, de 1972, com as alterações da Lei nº 8.748, de 1993. DIPJ. DACON. FORÇA PROBANTE. ERRO EM SEU CONTEÚDO. DEMONSTRAÇÃO. ÔNUS DO SUJEITO PASSIVO. A DIPJ e o DACON contêm informações sobre os impostos e contribuições devidos pela pessoa jurídica, vinculando o declarante ao seu conteúdo e servindo de fundamento suficiente, na condição de documento confeccionado pelo próprio contribuinte, para a exigência de ofício. O conteúdo da DIPJ, Fl. 1543DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 30/05/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 30/05/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10280.720003/200964 Acórdão n.º 3302002.143 S3C3T2 Fl. 1.544 3 para ser ilidido, depende da apresentação de documentos e provas do erro alegado, cujo ônus probante encontrase a cargo do sujeito passivo. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. PRAZO DECADENCIAL. RECOLHIMENTO ANTECIPADO. Declarada a inconstitucionalidade dos textos normativos que estabeleciam o prazo de dez anos para o lançamento das contribuições sociais e havendo sido proferida, pelo STF, a Súmula Vinculante n° 08, concluise que a contagem do prazo decadencial dessas espécies tributárias regese pelo disposto no Código Tributário Nacional. Assim, na hipótese em que há recolhimento parcial antecipado, o prazo decadencial de cinco anos tem início na data de ocorrência do fato gerador, na forma do artigo 150, § 4°, do Estatuto Tributário. De outro lado, não havendo qualquer pagamento, aplicase a regra do artigo 173, inciso I, do mesmo diploma, pouco importando se houve ou não declaração, contandose o prazo do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Impugnação Procedente em Parte O auto de infração foi lavrado em 30 de dezembro de 2008, de acordo com o temo de fls. 782 a 787 (eProcesso). A Primeira Instância assim resumiu o litígio: Trata o presente processo de Auto de Infração relativo à Contribuição para o PIS, com fatos geradores em 30/07/2003, 30/08/2003, 30/09/2003, 30/10/2003, 30/11/2003, 30/12/2003, 30/01/2005, 28/02/2005, 30/07/2005, 30/08/2005 e 30/09/2005, no valor total de R$ 5.776.020,11 (fl. 792), compreendendo principal, multa de ofício de 75% e juros de mora calculados até 28/11/2008. A autoridade fiscal, nos termos da descrição dos fatos de fl. 794, informa que “durante o procedimento de verificações obrigatórias, foram constatadas divergências entre os valores constantes na DIPJ, DACON e contabilidade com os registrados nas DCTFs apresentadas, conforme evidenciado no Relatório de Fiscalização, parte integrante do presente Auto de Infração”. No referido relatório de fiscalização (fls. 782/787), o autuante apresenta, para os anoscalendários de 2003 e 2005, quadros descritivos de PIS NãoCumulativo que afirma haver apurado. Constatase, ainda, que os quadros descritivos constantes do relatório em tela foram confeccionados a partir das tabelas de fls. 780/781. Cientificada do lançamento em 30/12/2008 (fl. 793), a contribuinte apresentou, em 29/01/2009, a impugnação de fls. 800/809, a qual exibe o seguinte teor: a) O auto de infração é nulo, em face da insegurança quanto à matéria tributável. Com base no método simplesmente comparativo das declarações fiscais, presumiuse o não Fl. 1544DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 30/05/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 30/05/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10280.720003/200964 Acórdão n.º 3302002.143 S3C3T2 Fl. 1.545 4 recolhimento do PIS e da Cofins, sem a preocupação de se verificar a origem das divergências e a contabilidade da impugnante. Igualar uma declaração fiscal, passível de erro, com a contabilidade da impugnante não tem qualquer sentido jurídico, situação que já é suficiente para se decretar a nulidade do lançamento por vício substancial insanável. O lançamento não permite uma cognição integral dos fatos pertinentes ao objeto da exigência fiscal, tampouco apresenta aptidão ao manejo e à aplicação do direito em toda a extensão e complexidade que a matéria sob apreciação fiscal envolve. Tendo acesso a toda a documentação contábil, comercial e fiscal da impugnante, não se desincumbiu o Fisco de demonstrar a ocorrência do substrato fático apto a suportar a exigência, restando carente de motivação válida o auto de infração objurgado. Evadiuse a autoridade fiscal de perseguir a verdade material e demonstrar validamente a causa da autuação. Constatase que a autoridade fiscal, ao apurar os tributos supostamente em aberto, partiu da diferença entre os valores declarados em DCTF e em DIPJ. Todavia, identificou débitos declarados em DIPJ, a título de PIS nãocumulativo do ano calendário de 2003 que são, em verdade, o somatório dos valores atinentes ao PIS cumulativo e nãocumulativo declarados em DIPJ. Incorreu no mesmo erro atinente à apuração das diferenças de PIS nãocumulativo ao indicar como devedor créditos tributários de PIS nãocumulativo para os períodos de apuração 07 a 09/05, para os quais resta óbvio tratarse de PIS cumulativo. Os vícios apontados são insanáveis e afetam diretamente os valores identificados como não recolhidos ao PIS nãocumulativo em todo o anocalendário de 2003, bem como ao PIS dos períodos de apuração 07 a 09/05, indicados pela autoridade fiscal como sendo nãocumulativo, mas comprovadamente cumulativo. Em suma, a fiscalização não adotou os critérios legais de apuração da base de cálculo, exigindo o somatório das contribuições cumulativas e não cumulativas, em dissonância com a materialidade objeto da autuação. c) O auto de infração foi lavrado apenas no dia 30/12/2008, estando, portanto, atingidos pela decadência os créditos tributários em discussão cujos fatos geradores se deram anteriormente a 30/12/2003 (débitos de PIS, PA’s 07/03 a 12/03). d) Os valores identificados em DIPJ para o PIS nãocumulativo estão eivados de erro, pois não refletem a contabilidade da impugnante para os períodos de apuração de 07 a 12/2003. Inexistem valores a recolher em tais períodos de apuração, pois a eles já foram vinculados créditos decorrentes da aquisição de mercadorias, conforme a sistemática nãocumulativa, nos termos das informações lançadas no demonstrativo de apuração do PIS, Razão Analítico – PIS a recolher e Razão Analítico – Créditos de PIS sobre mercadorias adquiridas. Aduz que, de forma equivocada, declarou débitos de PIS nãocumulativo em suas DCTF, quando, em verdade, intencionava indicar os débitos como sendo PIS cumulativo. Igualmente, os recolhimentos Fl. 1545DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 30/05/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 30/05/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10280.720003/200964 Acórdão n.º 3302002.143 S3C3T2 Fl. 1.546 5 ocorridos sob o código de receita 6912 deverão ter alteradas suas destinações para o PIS cumulativo. e) Trata da regularidade dos recolhimentos de Cofins sob o regime nãocumulativo no anocalendário de 2004. f) Houve a regularidade dos recolhimentos do PIS não cumulativo no anocalendário de 2005 (períodos de apuração 01 e 02/05). Sustenta que os créditos tributários estão extintos, uma vez que não identificou valores a recolher nos períodos de apuração 01 e 02/05. Para tanto junta as informações lançadas no demonstrativo de apuração do PIS nãocumulativo, Razão Analítico – PIS a recolher e Razão Analítico – Créditos de PIS sobre mercadorias adquiridas. Vinculou aos citados débitos créditos decorrentes da aquisição de mercadorias, sendo improcedentes tais exigências. g) A autoridade fiscal indicou em seu termo de fiscalização valores supostamente devidos em relação ao PIS nãocumulativo referentes ao anocalendário de 2005. Ocorre que tais débitos reportamse, em verdade, ao PIS cumulativo, já havendo sido abordados anteriormente os equívocos incorridos pela autoridade fazendária. Ressalta que, em relação ao PIS cumulativo, já efetivou integralmente os recolhimentos cabíveis. h) Trata da regularidade dos recolhimentos de Cofins sob o regime cumulativo no anocalendário de 2005. i) Tomando em conta os fundamentos acima declinados, pleiteia que seja declarada a nulidade do auto de infração, por vício substancial insanável. Sucessivamente, requer a improcedência do auto de infração. Em face das alegações sustentadas pelo sujeito passivo, foi determinada, por intermédio do despacho de fls. 1.080/1.083, a realização de diligência para: a) aferir a concreta existência de créditos decorrentes da nãocumulatividade, referentes aos períodos de apuração de 12/2003, 01/2005 e 02/2005, bem como sua efetiva utilização, pela contribuinte, para extinção da respectiva contribuição ao PIS; b) relativamente aos períodos de apuração de 07, 08 e 09/2005, examinar, tomando por base a escrita da contribuinte, o quantum dos créditos tributários exigidos pelo lançamento de ofício e, notadamente, se os mesmos já haveriam sido extintos. Em observância ao que foi requerido por esta Delegacia da Receita Federal de Julgamento, foi expedido o Termo de Diligência de fl. 1.085, cientificado à impugnante em 03/05/2010. (AR de fl. 1.086), nos seguintes termos: “(...) dou ciência dos despachos exarados nos processos já identificados (cópias em anexo). Intimo, ainda, o mesmo a apresentar, no prazo de 20 (vinte) dias, os comprovantes dos recolhimentos dos tributos PIS (...) e Fl. 1546DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 30/05/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 30/05/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10280.720003/200964 Acórdão n.º 3302002.143 S3C3T2 Fl. 1.547 6 COFINS (...), consoante consta como efetuados nas impugnações e despachos.” Em resposta, a impugnante apresentou o documento de fls. 1.087/1.089, datado de 20/05/2010, no qual informa que, “para melhor instrução do processo administrativo, (...) trará todos os fundamentos que indicam a improcedência do lançamento”, voltando a aduzir, contudo, as mesmas alegações já incluídas em sua impugnação, fazendoas acompanhar, exclusivamente, de impressos relativos a comprovantes de arrecadação e DACONs. Em 03/03/2011 (AR de fl. 1.128), a contribuinte foi cientificada do Termo de Diligência Fiscal de fls. 1.124/1.127, que a intimou, dentre outras, a adotar as seguintes providências: Efetuar demonstrativo de apuração do PIS cumulativo e nãocumulativo; e comprovar, por intermédio do Diário, devidamente registrado, e do Razão, como foi apurado o PIS cumulativo e não cumulativo. Em 17/03/2011 (AR de fl. 1137), a interessada voltou a ser intimada (Termo de Diligência Fiscal de fls. 1.138/1.141) a apresentar, no prazo de dez dias, os documentos anteriormente requeridos pela autoridade fiscal condutora da diligência. Em 29/03//2011, a interessada apresentou o requerimento de fl. 1.133, solicitando a prorrogação de prazo, por mais trinta dias, para apresentação dos documentos, havendo sido deferido o pleito no mesmo documento, como se vê no despacho ali lançado à mão pela autoridade fiscal. Em 27/04/2011, a contribuinte apresentou o documento de fls. 1.174/1.176, no qual afirma que entrega os documentos solicitados, aduzindo esclarecimentos. Consta daquele documento que são juntados DARFs, PER/DComps e Razão contábil das respectivas contas, contudo em relação ao Razão contábil, limitouse a juntar folhas impressas intituladas Razão, correspondentes a demonstrativos supostamente extraídos do respectivo livro. Em 18/05/2011 (AR de fl. 1.375), foi entregue à impugnante o Termo de Reintimação Fiscal de fl. 1.374, do qual consta: “(...) intimo o mesmo a apresentar, no prazo de 10 (dez) dias, os livros Diário (escrituração obrigatória) e Razão para evidenciar os demonstrativos que o contribuinte diz ter extraído do livro Razão. Esclareço, por oportuno, que quando da auditoria todos os livros Diário e Razão foram colocados à disposição do auditor (...). Portanto, tornase despicienda, para fins de comprovação, a juntada de cópias de demonstrativos (eles podem ser feitos a qualquer momento e não expressar a realidade dos fatos) sem haver comparação com o Diário. Portanto, pela última vez (esta é a quarta intimação), reintimo o contribuinte a apresentar, no prazo de 10 (dez) dias, os livros Diário e Razão onde estão registrados os dados constantes do citado demonstrativo.” Fl. 1547DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 30/05/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 30/05/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10280.720003/200964 Acórdão n.º 3302002.143 S3C3T2 Fl. 1.548 7 Em 01/06/2011, a autoridade fiscal emitiu o Termo de Encerramento de Diligência de fl. 1.376, no qual declara: “O contribuinte foi intimado por 05 (cinco) vezes para apresentar os comprovantes dos recolhimentos dos tributos (...) e as provas de que o levantamento fiscal está incorreto, consoante afirma em suas razões de defesa. Mesmo reiteradamente requerido, os livros Diário ou Razão não foram exibidos à autoridade fiscal. Para demonstrar a improcedência do lançamento fiscal, a interessada alega que suas DIPJs estão incorretas e confeccionou mapas que diz ser cópia do livro Razão (...). Determina a autoridade julgadora (...) que seja apurado o quantum da contribuição remanescente. Este item fica prejudicado, uma vez que não posso atestar a veracidade dos mapas anexados pela defendente, em comparálos com os originais.” Em 28/06/2011, a contribuinte apresentou o documento de fls. 1.380/1.381, do qual consta: “Cumpre ressaltar que a intimação deuse em Belém/PA, enquanto grande parte da área fiscal da empresa e profissionais estão localizados em São Paulo/SP e Brasília/DF. Assim, apesar dos esforços empreendidos, a empresa não conseguiu localizar e agrupar a documentação exigida (...), razão pela qual requereu, em 30.05.2011, via correios, a dilação do prazo por mais 30 (trinta) dias, a fim de que possa cumprir a referida exigência (...). A fiscalização, no entanto, encerrou a diligência fiscal sem se manifestar ou observar o pedido de dilação da empresa (...). Ocorre que, nesse ínterim, a empresa Requerente localizou a documentação em sua filial em Brasília/DF. Contudo, como se trata de documentação bastante volumosa e de difícil transporte e armazenagem – cerca de 250 (...) caixas de documentos – requer a verificação dos documentos no local onde se encontram, arcando a empresa com todas as despesas de deslocamento, hospedagem e alimentação do fiscal responsável, se necessário.”" Conforme ementa reproduzida anteriormente, a DRJ cancelou o lançamento em relação aos períodos atingidos pela decadência (julho a novembro de 2003). No recurso, a Interessada repetiu as alegações da impugnação em relação ao seguinte: (a) o auto de infração é nulo, encontrandose maculado por vício substancial insanável; (b) o acórdão da DRJ/BEL ora em análise também é nulo, haja vista que se furtou a observar a documentação disponibilizada pela empresa, afrontando o princípio da verdade material, bem Fl. 1548DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 30/05/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 30/05/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10280.720003/200964 Acórdão n.º 3302002.143 S3C3T2 Fl. 1.549 8 como o da ampla defesa, nos termos do artigo 59, II, do Decreto n° 70.235/1972. Imperiosa, portanto, a realização de diligência fiscal para análise da documentação disponibilizada pela empresa; (c) a DIPJ não é instrumento hábil a constituir o crédito tributário, nem se reveste de caráter de verdade absoluta, admitindo prova em contrário, conforme atesta o próprio acórdão recorrido; (d) o crédito tributário referente a dezembro de 2003 está fulminado pela decadência; (e) a Recorrente realizou o recolhimento integral dos débitos objetos do lançamento. Voto Conselheiro José Antonio Francisco, Relator Os recursos satisfazem os requisitos de admissibilidade, deles devendose tomar conhecimento. Em relação ao recurso de ofício, aplicamse plenamente ao caso os fundamentos do acórdão de primeira instância, à vista da Súmula Vinculante do Supremo Tribunal Federal n. 8. A respeito da matéria, o Superior Tribunal de Justiça pacificou seu entendimento, como demonstra a ementa abaixo reproduzida (REsp 512840 / SP; Relatora: Ministra Eliana Calmon; DJ 23.05.2005 p. 194): TRIBUTÁRIO DECADÊNCIA LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO (ART. 150 § 4º E 173 DO CTN). 1. Nas exações cujo lançamento se faz por homologação, havendo pagamento antecipado, contase o prazo decadencial a partir da ocorrência do fato gerador (art. 150, § 4º, do CNT). 2. Somente quando não há pagamento antecipado, ou há prova de fraude, dolo ou simulação é que se aplica o disposto no art. 173, I, do CTN. 3. Em normais circunstâncias, não se conjugam os dispositivos legais. 4. Precedentes das Turmas de Direito Público e da Primeira Seção. 5. Recurso especial provido. Fl. 1549DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 30/05/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 30/05/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10280.720003/200964 Acórdão n.º 3302002.143 S3C3T2 Fl. 1.550 9 Como o lançamento foi efetuado em 30 de dezembro de 2008, restaram decaídos os períodos até novembro de 2003, uma vez que o fato gerador do período de dezembro de 2003 ocorreu apenas no dia 31, ficando aquém dos cinco anos. Dessa forma, já adentrando matéria relativa ao recurso voluntário, não ocorreu a decadência em relação ao período de dezembro de 2003. Quanto ao recurso voluntário, afastamse as alegações de nulidade da autuação. A Interessada alegou que não teria havido, de fato, exame de sua contabilidade, embora a Fiscalização se tenha referido aos valores declarados em DCTF como os valores apurados de acordo com a contabilidade. Do relatório fiscal, constou a informação de que os valores foram os constantes da escrituração fiscal. Apesar do não atendimento reiterado da Interessada às intimações para apresentar documentação, foram apresentados, em relação ao ano de 2003 (fl. 730 do e Processo), os livros Diário e Razão, em resposta à reintimação de fl. 714. Da mesma reintimação constou informação de que seriam realizadas verificações preliminares em relação aos anos de 2001 a 2007. Entretanto, não consta dos autos informação posterior sobre a apresentação de livros contábeis de períodos posteriores. Portanto, de fato os valores foram apurados, ao que tudo indica, dos valores da DIPJ, sem uma verificação da contabilidade. Nesse contexto, não há que se cogitar de nulidade da autuação, mas apenas da força probante que a DIPJ teria, com a finalidade de apurar as referidas diferenças. A DRJ considerou que os valores declarados em DIPJ teriam valor de confissão de dívida. Embora em relação a PIS e Cofins a DIPJ não tenha, de fato, tal finalidade (não visam as informações à constituição de crédito tributário), é certo que, como qualquer documento de apresentação obrigatória, presumemse verdadeiros os valores declarados. Nesse caso, é claro, a apresentação de prova contábil afastaria de pronto a presunção, pois a contabilidade tem uma força probante maior do que a DIPJ. A presente questão, entretanto, não pode ser analisada separadamente da diligência fiscal requerida pela DRJ, que entendeu que a Interessada havia apresentado argumento suficiente para colocar em dúvida a apuração. Entretanto, da diligência, resultou a não apresentação dos documentos contábeis, com a Interessada alegando havêlos localizado, mas ser muito volumosa, razão pela qual estaria à disposição para exame. Fl. 1550DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 30/05/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 30/05/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10280.720003/200964 Acórdão n.º 3302002.143 S3C3T2 Fl. 1.551 10 Portanto, o que se verifica, é que não se trata apenas de uso desidioso das informações da DIPJ, mas de uma falha sistemática da Interessada em atender às intimações, o que ocorreu tanto não ação fiscal quanto na diligência. Nesse sentido, a Interessada não apresentou sequer uma demonstração específica de como a referida documentação comprovaria suas alegações. Ainda em relação aos períodos de dezembro de 2003, de julho a setembro e dezembro de 2005, as alegações da Interessada, caso comprovadas, não implicariam nulidade da autuação, uma vez que apenas se constataria, especificamente em relação aos períodos mencionados, incorreção na apuração da base de cálculo e não vício insanável. Não se verifica, assim, serem nulos o auto de infração e o acórdão de primeira instância. Em relação ao recurso voluntário, parte já foi anteriormente abordada, especificamente no que diz respeito à decadência e à questão das provas. Ainda em relação às provas, já no que concerne à diligência, alegou a Interessada que a razão de não conseguir localizar e agrupar a documentação teria ocorrido pelo fato de estar ela em Sp e Brasília. Entretanto, inexiste uma relação de causa e efeito entre os fatos. Na atualidade, a transmissão de informações entre cidades distantes é muito fácil (telefone, Internet etc.) e não se vislumbra do fato de a documentação estar em Brasília a dificuldade atinente de se a localizar e agrupar. Em relação ao prazo de dilação a que se referiu a Interessada, não se tratou do primeiro caso. Conforme já esclarecido, a diligência já se estendia por um ano e a Fiscalização teria que, numa ou outra hora, adotar um critério para finalizála. Vejase que, além do prazo já anteriormente concedido pela Fiscalização, a Interessada havia requerido mais prazo ainda para cumprir a intimação. Notese que inexiste previsão legal para o deslocamento de funcionário público por conta da empresa, conforme sua alegação. Pelo contrário, os princípios administrativos vedam comportamento semelhante. Ademais, a Administração não poderia ficar à disposição da conveniência da Interessada, ainda que fosse possível a ela arcar com despesas de deslocamento e hospedagem de funcionário público. Portanto, a consideração de que já se havia finalizado a diligência não é uma “simples justificativa”. Não se trata, ainda, de suprimir a possibilidade de prova. Conforme esclarecido pelo acórdão de primeira instância, os documentos em questão deveriam ter sido apresentados com a impugnação de lançamento e, no caso dos autos, segundo a própria Interessada, somente foram localizados depois que se finalizou a diligência. Fato que contrasta com a alegação da impugnação de que a documentação estaria à disposição da Fiscalização durante a ação fiscal. Fl. 1551DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 30/05/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 30/05/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10280.720003/200964 Acórdão n.º 3302002.143 S3C3T2 Fl. 1.552 11 Ainda assim, seria possível, em tese, a apresentação da documentação, desde que comprovada a impossibilidade idônea da não apresentação com a impugnação, do que nem cogitou a Interessada. As regras do Decreto n. 70.235, de 1972, devem ser cumpridas e, no caso dos autos, os prazos concedidos pela Fiscalização foram mais do que razoáveis. No recurso, a Interessada repetiu as alegações quanto a serem indevidos os valores lançados. Tais argumentos foram os que levaram a DRJ a aprovar a diligência, objetivando a comprovação dos valores alegados, o que não foi possível devido à não apresentação da documentação antes do término da diligência. À vista do exposto, adoto os fundamentos do acórdão de primeira instância, com fulcro no art. 50, § 1º, da Lei n. 9.784, de 1999, para negar provimento a ambos os recursos. (Assinado digitalmente) JOSÉ ANTONIO FRANCISCO Fl. 1552DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 30/05/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 30/05/2013 por WALBER JOSE DA SILVA
score : 1.0
Numero do processo: 10830.004491/2007-23
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 19 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Apr 17 00:00:00 UTC 2012
Ementa: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Período de apuração: 01/06/2001 a 31/07/2005
DECADÊNCIA.
O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou
inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratando-se
de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das
contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código
Tributário Nacional - CTN.
Assim, comprovado nos autos o pagamento
parcial, aplica-se
o artigo 150, §4°; caso contrário, aplica-se
o disposto no
artigo 173, I. No caso de autuação pelo descumprimento de obrigação
acessória, a constituição do crédito é de ofício e a regra aplicável é a contida
no artigo 173, I.
GFIP. OMISSÕES. INCORREÇÕES. INFRAÇÃO. PENALIDADE
MENOS SEVERA. RETROATIVIDADE BENIGNA. PRINCÍPIO DA
ESPECIALIDADE.
Em cumprimento ao artigo 106, inciso II, alínea “c” do CTN, aplica-se
a penalidade menos severa modificada posteriormente ao momento da infração.
A norma especial prevalece sobre a geral: o artigo 32-A
da Lei n° 8.212/1991
traz regra aplicável especificamente à GFIP, portanto deve prevalecer sobre
as regras no artigo 44 da Lei n° 9.430/1996 que se aplicam a todas as demais
declarações a que estão obrigados os contribuintes e responsáveis tributários.
INCONSTITUCIONALIDADE.
É vedado ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais afastar dispositivo
de lei vigente sob fundamento de inconstitucionalidade.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2402-002.619
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento parcial para adequação da multa ao artigo 32-A
da Lei n° 8.212/91, caso mais benéfica.
Nome do relator: JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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ementa_s : ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/06/2001 a 31/07/2005 DECADÊNCIA. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratando-se de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional - CTN. Assim, comprovado nos autos o pagamento parcial, aplica-se o artigo 150, §4°; caso contrário, aplica-se o disposto no artigo 173, I. No caso de autuação pelo descumprimento de obrigação acessória, a constituição do crédito é de ofício e a regra aplicável é a contida no artigo 173, I. GFIP. OMISSÕES. INCORREÇÕES. INFRAÇÃO. PENALIDADE MENOS SEVERA. RETROATIVIDADE BENIGNA. PRINCÍPIO DA ESPECIALIDADE. Em cumprimento ao artigo 106, inciso II, alínea “c” do CTN, aplica-se a penalidade menos severa modificada posteriormente ao momento da infração. A norma especial prevalece sobre a geral: o artigo 32-A da Lei n° 8.212/1991 traz regra aplicável especificamente à GFIP, portanto deve prevalecer sobre as regras no artigo 44 da Lei n° 9.430/1996 que se aplicam a todas as demais declarações a que estão obrigados os contribuintes e responsáveis tributários. INCONSTITUCIONALIDADE. É vedado ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais afastar dispositivo de lei vigente sob fundamento de inconstitucionalidade. Recurso Voluntário Provido em Parte
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LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/06/2001 a 31/07/2005 DECADÊNCIA. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratandose de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional CTN. Assim, comprovado nos autos o pagamento parcial, aplicase o artigo 150, §4°; caso contrário, aplicase o disposto no artigo 173, I. No caso de autuação pelo descumprimento de obrigação acessória, a constituição do crédito é de ofício e a regra aplicável é a contida no artigo 173, I. GFIP. OMISSÕES. INCORREÇÕES. INFRAÇÃO. PENALIDADE MENOS SEVERA. RETROATIVIDADE BENIGNA. PRINCÍPIO DA ESPECIALIDADE. Em cumprimento ao artigo 106, inciso II, alínea “c” do CTN, aplicase a penalidade menos severa modificada posteriormente ao momento da infração. A norma especial prevalece sobre a geral: o artigo 32A da Lei n° 8.212/1991 traz regra aplicável especificamente à GFIP, portanto deve prevalecer sobre as regras no artigo 44 da Lei n° 9.430/1996 que se aplicam a todas as demais declarações a que estão obrigados os contribuintes e responsáveis tributários. INCONSTITUCIONALIDADE. É vedado ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais afastar dispositivo de lei vigente sob fundamento de inconstitucionalidade. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 72DF CARF MF Impresso em 13/06/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 05/06/ 2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial para adequação da multa ao artigo 32A da Lei n° 8.212/91, caso mais benéfica. Julio Cesar Vieira Gomes – Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Jhonatas Ribeiro da Silva e Nereu Miguel Ribeiro Domingues. Fl. 73DF CARF MF Impresso em 13/06/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 05/06/ 2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10830.004491/200723 Acórdão n.º 2402002.619 S2C4T2 Fl. 73 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou procedente a autuação fiscal lavrada com ciência em 07/11/2006 pela falta apresentação de Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações a Previdência Social — GFIP com informações inexatas nos dados não relacionados aos fatos geradores de contribuições previdenciárias, conforme detalha o relatório da decisão recorrida: PREVIDENCIÁRIO. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DESCUMPRIMENTO. GFIP. PREENCHIMENTO INCORRETO. RELEVAÇÃO DA MULTA. REQUISITOS. CÓDIGO DE DEFESA DO CONSUMIDOR. IMPOSSIBILIDADE. NÃO CONFISCO. Constitui infração a apresentação de GFIP em desconformidade com as formalidades especificadas no respectivo Manual de Orientação. Somente se cogita da relevação da multa aplicada se atendidos pelo sujeito passivo todos os requisitos legais, incluindo a correção integral da falta. O Código de Defesa do Consumidor alcança apenas as relações de consumo, o que não se cogita entre contribuinte e Fazenda Pública. Inexiste caráter confiscatório se a multa decorre de previsão legal e é fixada nos parâmetros da legislação vigente à época da exação. AUTUAÇÃO PROCEDENTE. ... O Auto de Infração AI em pauta, conforme Relatório Fiscal da Infração, fls. 06, foi lavrado por ter a empresa em referência deixado de entregar Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social — GFIP com informação de ausência de fato gerador (código 906) dos estabelecimentos 94.783.396/000134 (competências 0512005 e 07/2005) e 94.783.396/000215 (competência 06/2001). Contra a decisão, o recorrente interpôs recurso voluntário, onde se reiteram as alegações trazidas na impugnação: 4.1. que, nos termos do artigo 291 do Decreto 3.048/99, há circunstâncias atenuantes na aplicação da pena, fazendo a autuada jus a anulação ou relevação da multa, pois teria corrigido a falta; Fl. 74DF CARF MF Impresso em 13/06/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 05/06/ 2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 4.2. que, caso não seja este o entendimento do órgão julgador, a multa deverá ser reduzida, visto que está aplicada em patamares confiscatórios, tanto assim que o Código de Defesa do Consumidor limita as aplicações de multa ao percentual máximo de atamar2% (dois por cento). É o Relatório. Fl. 75DF CARF MF Impresso em 13/06/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 05/06/ 2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10830.004491/200723 Acórdão n.º 2402002.619 S2C4T2 Fl. 74 5 Voto Conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes, Relator Decadência Nas sessões plenárias dos dias 11 e 12/06/2008, respectivamente, o Supremo Tribunal Federal STF, por unanimidade, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91 e editou a Súmula Vinculante n° 08. Seguem transcrições: Parte final do voto proferido pelo Exmo Senhor Ministro Gilmar Mendes, Relator: Resultam inconstitucionais, portanto, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/91 e o parágrafo único do art.5º do Decretolei n° 1.569/77, que versando sobre normas gerais de Direito Tributário, invadiram conteúdo material sob a reserva constitucional de lei complementar. Sendo inconstitucionais os dispositivos, mantémse hígida a legislação anterior, com seus prazos qüinqüenais de prescrição e decadência e regras de fluência, que não acolhem a hipótese de suspensão da prescrição durante o arquivamento administrativo das execuções de pequeno valor, o que equivale a assentar que, como os demais tributos, as contribuições de Seguridade Social sujeitamse, entre outros, aos artigos 150, § 4º, 173 e 174 do CTN. Diante do exposto, conheço dos Recursos Extraordinários e lhes nego provimento, para confirmar a proclamada inconstitucionalidade dos arts. 45 e 46 da Lei 8.212/91, por violação do art. 146, III, b, da Constituição, e do parágrafo único do art. 5º do Decretolei n° 1.569/77, frente ao § 1º do art. 18 da Constituição de 1967, com a redação dada pela Emenda Constitucional 01/69. É como voto. Súmula Vinculante n° 08: “São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Os efeitos da Súmula Vinculante são previstos no artigo 103A da Constituição Federal, regulamentado pela Lei n° 11.417, de 19/12/2006, in verbis: Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa Fl. 76DF CARF MF Impresso em 13/06/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 05/06/ 2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004). Lei n° 11.417, de 19/12/2006: Regulamenta o art. 103A da Constituição Federal e altera a Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999, disciplinando a edição, a revisão e o cancelamento de enunciado de súmula vinculante pelo Supremo Tribunal Federal, e dá outras providências. ... Art. 2o O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, editar enunciado de súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma prevista nesta Lei. § 1o O enunciado da súmula terá por objeto a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais haja, entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública, controvérsia atual que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre idêntica questão. Como se constata, a partir da publicação na imprensa oficial, todos os órgãos judiciais e administrativos ficam obrigados a acatarem a Súmula Vinculante. Assim sendo, independente de meu entendimento pessoal sobre a matéria, manifestado em meus votos anteriores, inclinome à tese jurídica na Súmula Vinculante n° 08. Afastado por inconstitucionalidade o artigo 45 da Lei n° 8.212/91, resta verificar qual regra de decadência prevista no Código Tributário Nacional CTN se aplicar ao caso concreto. O Superior Tribunal de Justiça firmou entendimento no sentido da imprescindibilidade de pagamento parcial do tributo para que seja aplicada a regra decadencial do artigo 150, §4° do CTN; caso contrário, aplicase o artigo 173, I do CTN que transfere o termo a quo de contagem para o exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído. Também atribuiu status de repetitivos a todos os processos que se encontram tramitando sobre a matéria. E, por força do artigo 62A do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF n° 256, de 22/06/2009, a decisão deve ser reproduzida nas turmas deste Conselho. Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Fl. 77DF CARF MF Impresso em 13/06/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 05/06/ 2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10830.004491/200723 Acórdão n.º 2402002.619 S2C4T2 Fl. 75 7 Considerando o presente caso, deve ser aplicada a regra do artigo 173, I do CTN, pois se trata de lançamento de ofício por ser relativo ao descumprimento de obrigação acessória. Acontece que pela natureza da infração e o critério para aplicação da penalidade, somente estaria excluída a multa se todos os documentos fossem relativos a meses já decaídos, o que não é o caso. Nenhum dos meses foi alcançado pela decadência, quaisquer que sejam as regras aplicadas. Assim, deve ser rejeita a preliminar de decadência. O procedimento da fiscalização e formalização da autuação cumpriram todos os requisitos dos artigos 10 e 11 do Decreto n° 70.235, de 06/03/72, verbis: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Art. 11. A notificação de lançamento será expedida pelo órgão que administra o tributo e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do notificado; II o valor do crédito tributário e o prazo para recolhimento ou impugnação; III a disposição legal infringida, se for o caso; IV a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. O recorrente foi devidamente intimado de todos os atos processuais, assegurandolhe a oportunidade de exercício da ampla defesa e do contraditório, nos termos do artigo 23 do mesmo Decreto: Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10.12.1997) Fl. 78DF CARF MF Impresso em 13/06/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 05/06/ 2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 8 II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10.12.1997) III por edital, quando resultarem improfícuos os meios referidos nos incisos I e II. (Vide Medida Provisória nº 232, de 2004) A decisão recorrida também atendeu às prescrições que regem o processo administrativo fiscal: enfrentou todas as alegações do recorrente, com indicação precisa dos fundamentos e se revestiu de todas as formalidades necessárias. Não contém, portanto, qualquer vício que suscite sua nulidade, passando, inclusive, pelo crivo do Egrégio Superior Tribunal de Justiça: Art. 31. A decisão conterá relatório resumido do processo, fundamentos legais, conclusão e ordem de intimação, devendo referirse, expressamente, a todos os autos de infração e notificações de lançamento objeto do processo, bem como às razões de defesa suscitadas pelo impugnante contra todas as exigências. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 9.12.1993). “PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. NULIDADE DO ACÓRDÃO. INEXISTÊNCIA. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. SERVIDOR PÚBLICO INATIVO. JUROS DE MORA. TERMO INICIAL. SÚMULA 188/STJ. 1. Não há nulidade do acórdão quando o Tribunal de origem resolve a controvérsia de maneira sólida e fundamentada, apenas não adotando a tese do recorrente. 2. O julgador não precisa responder a todas as alegações das partes se já tiver encontrado motivo suficiente para fundamentar a decisão, nem está obrigado a aterse aos fundamentos por elas indicados “. (RESP 946.447RS – Min. Castro Meira – 2ª Turma – DJ 10/09/2007 p.216) Portanto, em razão do exposto e nos termos de regras disciplinadoras do processo administrativo fiscal, não se identificam vícios capazes de tornar nulo quaisquer dos atos praticados: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. No mérito Quanto à infração, ficou suficientemente demonstrada a incorreção nas GFIP e a recorrente não trouxe qualquer contraprova que afastasse a infração cometida, limitandose a contestar em tese a cobrança da multa e alegar uma correção que também não se faz acompanhada de qualquer documento que a sustente. Com relação às inconstitucionalidades apontadas, é vedada a esta instância julgadora afastar sob esse fundamento dispositivos legais em vigor. Sobre o tema, o CARF consolidou referido entendimento por meio do enunciado da Súmula n. 02, a seguir: Fl. 79DF CARF MF Impresso em 13/06/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 05/06/ 2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10830.004491/200723 Acórdão n.º 2402002.619 S2C4T2 Fl. 76 9 “Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” Porém, no presente caso o valor da multa no AI deve ser reduzido para ajustálo às novas regras mais benéficas trazidas pelo artigo 32A da Lei n° 8.212/1991. Nada mais que a aplicação do artigo 106, inciso II, alínea “c” do CTN: Código Tributário Nacional: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: ... II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.” De fato, nelas há limites inferiores. No caso da falta de entrega da GFIP, a multa não pode exceder a 20% da contribuição previdenciária e, no de omissão, R$ 20,00 a cada grupo de dez ocorrências: Art. 32A. (...): I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. Certamente, nos eventuais casos em a multa contida no autodeinfração é inferior à que seria aplicada pelas novas regras (por exemplo, quando a empresa possui pouquíssimos segurados, já que a multa era proporcional ao número de segurados), não há como se falar em retroatividade. Outra questão a ser examinada é a possibilidade de aplicação do §2° do artigo 32A: § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: Fl. 80DF CARF MF Impresso em 13/06/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 05/06/ 2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 10 I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. Deve ser esclarecido que o prazo a que se refere o dispositivo é aquele fixado na intimação para que o sujeito passivo corrija a falta. Essa possibilidade já existia antes da Lei n° 11.941, de 27/05/2009. Os artigos 291 e 292 que vigeram até sua revogação pelo Decreto nº 6.727, de 12/01/2009 já traziam a relevação e a atenuação no caso de correção da infração. E nos processos ainda pendentes de julgamento neste Conselho, os sujeitos passivos autuados, embora pudessem fazêlo, não corrigiram a falta no prazo de impugnação; do que resultaria a redução de 50% da multa ou mesmo seu cancelamento. Entendo, portanto, desnecessária nova intimação para a correção da falta, oportunidade já oferecida, mas que não interessou ao autuado. Resulta daí que não retroagem as reduções no §2°: Art.291.Constitui circunstância atenuante da penalidade aplicada ter o infrator corrigido a falta até o termo final do prazo para impugnação. §1oA multa será relevada se o infrator formular pedido e corrigir a falta, dentro do prazo de impugnação, ainda que não contestada a infração, desde que seja o infrator primário e não tenha ocorrido nenhuma circunstância agravante. ... CAPÍTULO VI DA GRADAÇÃO DAS MULTAS Art.292. As multas serão aplicadas da seguinte forma: ... V na ocorrência da circunstância atenuante no art. 291, a multa será atenuada em cinqüenta por cento. Por tudo, voto pelo provimento parcial do recurso apenas para reconhecer o direito de retroatividade do artigo 32A, incisos I e II da Lei n° 8.212, de 24/07/1991. Por tudo, voto pelo provimento parcial ao recurso voluntário. É como voto. Julio Cesar Vieira Gomes Fl. 81DF CARF MF Impresso em 13/06/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 05/06/ 2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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Numero do processo: 12719.000742/2005-41
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 31 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 3102-000.245
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em converter o
julgamento do recurso em diligência, para que seja providenciada a anexação de cópia de peças do processo nº 12719.000720/20058,
Matéria: II/IE/IPIV - ação fiscal - classificação de mercadorias
Nome do relator: LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em converter o julgamento do recurso em diligência, para que seja providenciada a anexação de cópia de peças do processo nº 12719.000720/20058, conforme descrito no voto do relator. (assinado digitalmente) Luis Marcelo Guerra de Castro Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Ricardo Rosa, Álvaro Almeida Filho, Winderley Morais Pereira, Jacques Maurício Veloso, Nanci Gama e Luis Marcelo Guerra de Castro. RELATÓRIO Por bem descrever a matéria litigiosa, adoto relatório que embasou o acórdão recorrido, que passo a transcrever: Versam os presentes autos sobre exigência dos direitos antidumping de que trata a Portaria MICT/MF n° 25, de 1998, e a Circular Secex n° 93, de 2003, incidentes sobre as importações de Policloreto de vinila enquadráveis no código NCM 3904.10.10, quando originários dos Estados Unidos da América e do México. Essa exigência decorreu da reclassificação fiscal das mercadorias descritas nas Declarações de Importação reportadas à fl. 02 deste processo, proposta pela fiscalização nos autos do processo n° 12719.000720/200581, de cuja peça acusatória foram retirados os fundamentos da presente exação. Fl. 282DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 7/06/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 12719.000742/200541 Resolução nº 3102000.245 S3C1T2 Fl. 2 2 Naqueles autos, o reenquadramento tarifário foi proposto mediante a utilização de prova emprestada e informações obtidas em páginas da internet mantidas em língua inglesa pelos diversos fabricantes/exportadores das mercadorias importadas que, sob diversos nomes comerciais, foi identificada, e assim submetida a despacho aduaneiro, como sendo: policloreto de vinila (PVC), originário de diversos países. O reenquadramento tarifário de que se trata consistiu no deslocamento para o código NCM 3904.10.10, que compreende o Poli(cloreto de vinila) em forma primária, não misturado com outras substâncias, obtido por processo de suspensão, classificado pelo contribuinte no código NCM 3904.10.90, que compreende o Poli(cloreto de vinila) em forma primária, não misturado com outras substâncias, obtidos por outros processos, que não o de suspensão ou de emulsão. No que tange à classificação tarifária das mercadorias importadas, a impugnante rejeita a utilização de prova emprestada, mormente quando essa não é conclusiva, a exemplo do que ocorre com o laudo de fl. 236; ressalta que pesquisas genéricas na internet não constituem meio de prova e protesta pelo respeito ao principio do uso do vernáculo que rege os atos e temos processuais. Protesta contra a inclusão de mercadoria não originária dos Estados Unidos da América ou do México dentre aquelas sobre cuja importação foram exigidos os ditos direitos antidumping. Sustenta que, em razão de sua natureza jurídica não tributária, não incidem sobre o valor exigido a título de antidumping os consectários previstos na legislação tributária. Ponderando as razões aduzidas pela autuada, juntamente com o consignado no voto condutor, decidiu o órgão a quo pela manutenção parcial da exigência, conforme se observa na ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: Outros tributos ou contribuições Período de apuração: 21/12/2001 a 16/07/2002 Ementa: DIREITOS ANTIDUMPING Sujeitamse ao Direito Antidumping de que trata a Portaria MICT/MF n°25, de 1998, e a Circular Secex no 93, de 2003, as importações de Policloreto de vinila enquadráveis no código NCM 3904.10.10, quando originários dos Estados Unidos da América e do México. Em se tratando de matéria não tributária e de fato gerador anterior à vigência da Medida Provisória n° 135, de 2003, não se aplica à espécie a multa de oficio inscrita na peça acusatória. Pelas mesmas razões, a demora no pagamento dos direitos antidumping está sujeita ao mesmo tratamento dispensável às causas cíveis que envolvam a União, conforme Parecer n° 083/98 emitido pela Procuradoria da Fazenda Nacional. Lançamento Procedente em Parte Como é possível extrair da ementa, decidiu o órgão recorrido pelo afastamento integral da multa e parcial dos direitos antidumping, mantidos exclusivamente com relação às Fl. 283DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 7/06/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 12719.000742/200541 Resolução nº 3102000.245 S3C1T2 Fl. 3 3 declarações de importação que, nos termos da decisão proferida em outro processo desse mesmo contribuinte, caracterizouse o erro de classificação. Após tomar ciência da decisão de 1ª instância, comparece a interessada mais uma vez ao processo para, em sede de recurso voluntário, essencialmente, reiterar as alegações manejadas por ocasião da instauração da fase litigiosa. Dado que o montante exonerado é inferior ao limite fixado na Portaria MF nº 03, de 03 de janeiro de 2008, não foi formulado recurso de ofício. É o Relatório. VOTO Conselheiro Luis Marcelo Guerra de Castro, Relator Tomo conhecimento do presente recurso, que foi tempestivamente apresentado e trata de matéria afeta à competência desta Terceira Seção. Considerando que não foi manejado qualquer argumento atinente à legalidade da cobrança de direitos antidumping sobre mercadorias classificadas no item 3904.10.101, o cerne do litígio está no enquadramento dos produtos nesse código tarifário. Nessa linha, após compulsar os autos, em especial o relatório fiscal e a decisão recorrida, estou convicto de que o processo não está em condições de ser julgado. Como já destacado, muitas das premissas que formaram a convicção da autoridade autuante e do órgão julgador de primeira instância foram extraídas do processo n° 12719.000720/20058, onde foi formulada a acusação de erro de classificação. Ocorre, entretanto, que nem todas as peças processuais que contribuiriam para a formação da convicção acerca daquele erro encontramse reproduzidas no presente processo, o que dificulta sobremaneira a tarefa deste Colegiado. De fato, o acórdão recorrido delibera que todas as conclusões assentadas no Acórdão DRJ/FNS n°0715.511, que acatou parcialmente a acusação de erro de classificação deveriam ser reproduzidas no presente processo, mas não reproduz quais seriam essas conclusões, nem determina a juntada daquele acórdão. Por outro lado, aponta a autoridade fiscal, no relatório reproduzido às fls. 140 e seguintes, mais especificamente à fl. 154 e 155, que as mercadorias descritas como plastic resin grade K5385, alegadamente produzidas pela pessoa jurídica Oxyde Chemicals, Inc., seriam produzidas pela pessoa jurídica Georgia Gulf Chemicals & Vinyles, fato que se comprovaria através da análise de fatura próforma, colacionada à fl. 126 daquele processo. Tal peça também não foi alvo de juntada ao presente. Ante ao exposto, proponho a conversão do julgamento em diligência a fim de que sejam reproduzidos e juntados ao presente processo todos os elementos relativos ao processo nº 12719.000720/20058 que tratem da reclassificação tarifária do policloreto de vinila, além da cópia do Acórdão DRJ/FNS n°0715.511. 1 Poli(cloreto de vinila), não misturado com outras substâncias, obtido por processo de suspensão. Fl. 284DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 7/06/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 12719.000742/200541 Resolução nº 3102000.245 S3C1T2 Fl. 4 4 Após a juntada, deverá ser providenciada a ciência do sujeito passivo e franqueado o prazo de 30 dias para que este, se desejar, formule suas considerações. Posteriormente, devem os autos retornar a este Colegiado para prosseguimento do julgamento. Sala das Sessões, em 31 de janeiro de 2013 Luis Marcelo Guerra de Castro Fl. 285DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 7/06/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO
score : 1.0
Numero do processo: 10314.004242/94-55
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 18 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Thu Jun 18 00:00:00 UTC 2009
Ementa: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO - II
Data do fato gerador: 13/10/1994
MULTAS DE OFICIO E DE MORA.
Descabidas suas imputações em caso de existência de liminar em mandado de segurança e de depósito de seu montante integral.
CONCOMITÂNCIA COM O PODER JUDICIÁRIO.
Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura, pelo sujeito passivo, de ação judicial com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação de matéria distinta da constante do processo judicial. (Súmula n° 5).
NULIDADE DO LANÇAMENTO.
Não há que falar em nulidade do lançamento se o sujeito passivo demonstrou entender o que lhe foi imputado, uma vez que não resta caracterizado cerceamento do direito de defesa.
RECURSO DE OFICIO E RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO.
Numero da decisão: 3201-00.227
Decisão: ACORDAM os membros da 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de oficio. Por unanimidade de votos, afastar a preliminar e negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
Matéria: II/IE/IPIV - ação fiscal - classificação de mercadorias
Nome do relator: Anelise Daudt Prieto
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Descabidas suas imputações em caso de existência de liminar em mandado de segurança e de depósito de seu montante integral. CONCOMITÂNCIA COM O PODER JUDICIÁRIO, Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura, pelo sujeito passivo, de ação judicial com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação de matéria distinta da constante do processo judicial. (Súmula n° 5). NULIDADE DO LANÇAMENTO. Não há que falar em nulidade do lançamento se o sujeito passivo demonstrou entender o que lhe foi imputado, uma vez que não resta caracterizado cerceamento do direito de defesa. RECURSO DE OFICIO E RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2' Câmara / l a Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de oficio. Por unanimidade de votos, afastar a preliminar e negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. L LO GUERRA CASTRO - Presidente cZ2te aabcrria ANELISE DAUDT PRIETO - Relatora Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Nanci Gama, Nilton Luiz Bartoli, Vanessa Albuquerque Valente, Irene Souza da Trindade Torres, Heroldes Bahr Neto e Celso Lopes Pereira Neto. • Processo n° 103 I 4.004242/94-55 S3-C2T1 Acórdão n°3201-00.227 Fl. 367 Relatório Trata o presente processo de auto de infração que desclassificou veículos denominados "jipes, modelo HILUX SW4", do código 8703.23.0700 para o código 8703.23.1001. Para maior detalhamento adoto o relatório da decisão recorrida, que transcrevo a seguir: "Trata o presente processo de Auto de Infração lavrado em ato de conferência aduaneira contra a contribuinte em epígrafe, com formalização de exigência de crédito tributário referente ao Imposto sobre Produtos Industrializados, multa de mora e multa proporcional com fundamento no artigo 364, II do RIPI/82. A interessada registrou as DI's n° 256.083 a n° 256.116, em 13/10/94, utilizando a classificação TAB 8703.23.0700, com alíquota de 20% para o II e 8% para o IPI, sendo que a correta classificação, segundo a fiscalização, seria o código 8703.23.1001, com alíquotas de 20% para o II e 30% para o IPI. Ciente do Auto de Infração em 03/11/1994, fls. 174 v., em 21/11/1994, apresentou a impugnação de fls. 175 e ss, onde informou que concornitantemente interpôs Mandado de Segurança, em 22/6/94, objeto do processo 94.0014661-2 perante a 21° Vara da Seção Judiciária de São Paulo da Justiça Federal, obtendo liminar em 12/8/94. De acordo com certidão de fls. 238, a liminar foi cassada em 11/11/94, com julgamento de mérito em desfavor da contribuinte. A impugnante recorreu da decisão ao TRF. De acordo com despacho de fls. 291, o processo judicial ainda não se encontra julgado. A Resolução DRJ/SPO n° 476/95.41.24 fls. 202, decidiu sobrestar o julgamento da impugnação interposta, uma vez que a matéria versada neste processo é a mesma que se encontra "sub judice", devolvendo o processo à repartição de origem. Às fls. 246 consta despacho da Unidade de origem informando a existência de depósito judicial (fls. 213), em 11/10/94, suficiente para a cobertura do débito do litígio. Às fls. 291 consta despacho do SECAT-IRF-SP encaminhando os autos do processo à DRJ-SPO-II, em razão do julgamento da impugnação ter ficado sobrestado (fls. 202) e considerando que esta Delegacia hoje tem entendimento diverso do da época, ou seja, realizando o julgamento do lançamento e vinculando sua exigibilidade à conclusão da discussão no Poder Judici. rio." 2 Processo n°10314.004242/94-55 S3-C2T1 Acórdão n.° 3201-00.227 Fl. 368 A II Turma da DRJ/SPOII considerou o lançamento procedente em parte, em , decisão que recebeu a seguinte ementa: "Assunto: Imposto sobre a Importação - II Data do fato gerador: 13/10/1994 CONCOMITÂNCIA ENTRE PROCESSO ADMINISTRATIVO E JUDICIAL PRINCÍPIO DA OFICIALIDADE - O processo administrativo deve ser impulsionado da forma mais prática possível para atingir, o quanto antes, sua decisão final. MANDADO DE SEGURANÇA com concessão de liminar suspendendo a exigibilidade do crédito tributário alusivo ao tributo. Não se toma conhecimento da impugnação no tocante à matéria que já é objeto de ação judicial. MULTAS - A existência de liminar em mandado de segurança, que acoberte o procedimento do contribuinte, anterior ao registro da DI, impede o lançamento das multas de oficio e de mora. Também o depósito judicial do montante integral do crédito tributário anterior à autuação suspende a exigibilidade do tributo, não cabendo a aplicação de multas." A Turma manteve o lançamento referente ao Imposto sobre Produtos Industrializados no valor de 822.358,87 UFIR e exonerou o lançamento relativo às multas de oficio e de mora no valor de 986.830,64 UFIR. Dessa decisão recorreu de oficio, por ser o valor do crédito exonerado superior ao limite de alçada da Portaria MF n°375/01. Na parte final do voto a relatora esclareceu que: "Tendo sido deferida a liminar suspensiva da exigibilidade do crédito em 12/8/94 na data do registro das DI's, ocorrida em 13/10/94 (art. 7°, III, do Decreto n° 70.235/72), constata-se que o crédito tributário encontrava-se suspenso antes da perda da espontaneidade decorrente do inicio da fiscalização, sendo incabível, portanto, o lançamento da multa de oficio e da multa de mora por força do art. 63, §§ 1° e 2°, respectivamente, da Lei n° 9.430/9. Também, de acordo com o despacho de fls. 246, da unidade de origem, a contribuinte efetuou o depósito judicial (fls. 213), em 11/10/94, suficiente para a cobertura do débito em litígio. Uma vez que a autuação se deu em 03/11/94, não cabe a aplicação das multas de oficio e mora, em razão da exigibilidade do tributo estar suspensa, nos termos do art. 151 do CTN. Cientificada da decisão, a contribuinte apresentou, tempestivamente, recurso voluntário, cujo seguimento foi indeferido pela Inspetoria da Receita Federal do Brasil de São Paulo (doc. de fl. 361), tendo sido alegado que, conforme disposto no Memorando MF/SRF/COSIT n° 195/1996, seria descabido recurso voluntário em caso de concomitância entre processos administrativo e judicial. rí2 3 Processo n°10314.004242/94-55 S3-C2T1 Acórdão n.° 3201-00.227 Fl. 369 A empresa defendeu não haver enquadramento dos fatos às normas jurídicas extraídas do artigo 1°, parágrafo la, do Decreto-Lei n° 1.737/1979 e do artigo 38, parágrafo único, da Lei n° 6.830/1980, não restando caracterizada renúncia a qualquer esfera, seja administrativa ou judicial. Alegou, ainda, que o ADN COSIT n° 3/1996 contraria as leis citadas. Trouxe julgados que consideram inconstitucional o artigo 38 da Lei n°6.830/1980. Defendeu a nulidade da decisão recorrida por cerceamento do direito de defesa e afirmou que sequer pode ser afirmado que o mandado de segurança e o processo têm o mesmo objeto, uma vez que o objetivo da liminar era o desembaraço das mercadorias, ao passo que o presente processo, superveniente, decorre de auto de infração lavrado pelo Fisco mesmo com conhecimento do prévio depósito integral dos valores e desembaraço das mercadorias. Afirmou que a autuação é arbitrária e ilegal, já que fere o disposto no artigo 62 do Decreto n°70.235/1972. Alegou nulidade do auto de infração, uma vez que não há qualquer menção ou descrição das disposições legais acaso infringidas. No mérito, defendeu a classificação adotada, socorrendo-se do disposto no Ato Declaratório Normativo n° 32, de 28/09/1993. Aduziu ter ocorrido majoração ilegal do IPI por meio do Parecer Normativo n° 2/1994 e alegou a inconstitucionalidade da alteração da alíquota do IPI, face ao princípio da seletividade em função da essencialidade do produto. Concluiu solicitando a declaração' de nulidade da decisão de primeira instância ou, se assim não for, o julgamento do recurso com a apreciação dos seus argumentos. É o relatório. pe • 4 Processo n° 10314.004242194-55 S3-C2T1 Acórdão n.° 3201-00.227 Fl. 370 Voto Conselheira ANELISE DAUDT PRIETO, Relatora A decisão recorrida exonerou um crédito de 986.830,64 UFIR, seguramente superior ao limite de alçada para a interposição de recurso de oficio. Assim, tomo-lhe conhecimento e passo a analisá-lo. Entendo que andou bem o decisum ao afastar as multas de mora e de oficio lançadas no auto de infração. Com efeito, o Código Tributário Nacional, em seu artigo 151, incisos II e IV, estabelece que suspendem a exigibilidade do crédito tributário o depósito de seu montante integral e a concessão de medida liminar em mandado de segurança. Ora, é incontroverso que, antes da ocorrência do fato gerador, com o registro, em 13/10/1994, das declarações de importação, o sujeito passivo já estava amparado por medida liminar concedida em mandado de segurança em 12/08/1994 (fl. 255). Além disso, o contribuinte havia efetuado o depósito judicial em 11/10/1994 (fls. 213 e 246). Portanto, na data do fato gerador e na data do lançamento, em 03/11/1994, a exigibilidade do crédito tributário estava suspensa, não cabendo a interposição de penalidades. Assim, nego provimento ao recurso de oficio. Quanto ao recurso voluntário, não há qualquer amparo legal para o seu não seguimento por concomitância, mormente quando este é o principal ponto por ele abordado. Impedir seu seguimento implicaria cerceamento do direito de defesa. Para uma melhor análise das alegações de inexistência de concomitância, vale transcrever excertos do despacho do MM Juiz Federal por meio do qual foi deferida a liminar: "Não vislumbro, nesta análise preliminar, "fumus boni júris" suficiente a conceder liminar antecipativa da decisão de mérito a ser proferida, notadamente porque se discute nos autos classificação tarifária, ou seja, se "jipes" de determinada categoria devem ser considerados "utilitários" ou "veículos de passeio comuns". Como corolário desse posicionamento resulta que somente a final é que se poderá aferir — se não for exigida dilação probatória — se a exigência de alíquota majorada do IPI o é em função da seletividade do produto ou não, circunstância que eventualmente poderia afastar ou continuar a propalada ilegalidade ou inconstitutionalidade. Nada obstante, para evitar risco de dano consistente na demora da liberação dos veículos que ficariam impossibilitados de ser comercializados, CONCEDO A LIMINAR para determinar que a autoridade Impetrante 7412 6?" • Processo n° 10314.004242/94-55 S3-C2T1 Acórdão n.° 3201-00.227 Fl. 371 promova o desembaraço aduaneiro, mediante a apresentação do comprovante do recolhimento do tributo, à aliquota de 8% (oito por cento), CONDICIONADA À PRESTAÇÃO DE CONTRA-CAUTELA consistente no depósito prévio, em dinheiro e à disposição deste Juízo dos 22% (vinte e dois por cento) de diferença de aliquota discutida." (grifei) Como se depreende do texto acima, a discussão de mérito no Poder Judiciário diz respeito à classificação da mercadoria importada e é exatamente este o fulcro desta lide. A matéria não requer maiores delongas, uma vez que já foi objeto da Súmula n° 5 do Terceiro Conselho de Contribuintes, que tem aplicação obrigatória e recebeu o seguinte enunciado: e "Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura, pelo sujeito passivo, de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação de matéria distinta da constante do processo judicial." Portanto, não há que falar em apreciação de mérito por este Colegiado. Por sua vez, agiu bem a DRJ ao se pronunciar tão somente sobre as penalidades, devendo ser afastada a argüição de nulidade da decisão. Quanto à aventada nulidade do lançamento, também não procede, uma vez que a empresa demonstrou ter entendido perfeitamente o que lhe foi imputado, não havendo que se falar em cerceamento do direito de defesa. Em face do exposto, conheço do recurso de oficio e nego-lhe provimento. Conheço do recurso voluntário quanto às alegações de nulidade do lançamento e da decisão de primeiro grau e afasto-as. Conheço dele também no que concerne à existência ou não de concomitância e nego-lhe provimento. Finalmente, deixo de conhecê-lo em relação ao mérito. Sala das Sessões, em 18 de junho de 2009 CiapicLi NELISE DAUDT PRIETO, Relatora 6
score : 1.0
Numero do processo: 10970.720341/2011-42
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 17 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Jul 09 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/07/2009 a 30/04/2011
PREVIDENCIÁRIO. DISCUSSÃO JUDICIAL.
Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2403-002.011
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento.
Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente
Marcelo Magalhães Peixoto - Relator
Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Magalhães Peixoto, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Ivacir Júlio De Souza, Maria Anselma Coscrato Dos Santos e Carolina Wanderley Landim.
Nome do relator: MARCELO MAGALHAES PEIXOTO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/07/2009 a 30/04/2011 PREVIDENCIÁRIO. DISCUSSÃO JUDICIAL. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo. Recurso Voluntário Negado
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento. Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente Marcelo Magalhães Peixoto - Relator Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Magalhães Peixoto, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Ivacir Júlio De Souza, Maria Anselma Coscrato Dos Santos e Carolina Wanderley Landim.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1628; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T3 Fl. 2 1 1 S2C4T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10970.720341/201142 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2403002.011 – 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária Sessão de 17 de abril de 2013 Matéria CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA Recorrente CANÁPOLIS PREFEITURA MUNICIPAL Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/07/2009 a 30/04/2011 PREVIDENCIÁRIO. DISCUSSÃO JUDICIAL. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente Marcelo Magalhães Peixoto Relator Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Magalhães Peixoto, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Ivacir Júlio De Souza, Maria Anselma Coscrato Dos Santos e Carolina Wanderley Landim. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 97 0. 72 03 41 /2 01 1- 42 Fl. 270DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 25/06 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 2 Relatório Cuidase de Recurso Voluntário interposto em face do Acórdão n. 0941.002, que manteve em todos os seus termos o crédito tributário sob análise, cujo Auto de Infração foi consolidado em 18/11/2011 e cientificado ao contribuinte em 28/11/2011. Lavrado no importe de R$ 1.778.464,06 (um milhão, setecentos e setenta e oito mil, quatrocentos e sessenta e quatro reais e seis centavos), a autuação é oriunda da glosa de compensações indevidas de contribuições previdenciárias, conforme narrado no Relatório Fiscal, fls. 14/18, cujos trechos são transcritos: “2 – O município procedeu à compensação de contribuições arrecadadas a Previdência Social com base na alínea ‘h’ do inciso I do art. 12 da Lei n. 8.212. de 1991, acrescentada pelo §1º do art.13 da Lei 9.506, de 1997. 3 – A exigência das contribuições previdenciárias incidentes sobre valores pagos a detentores de mandato eletivo, com fulcro na legislação citada no item 2 foi suspensa pela Resolução nº 26 do Senado Federal, de 21 de junho de 2005, em virtude de declaração de inconstitucionalidade decidida pelo Supremo Tribunal Federal, nos autos do Recurso Extraordinário nº 351.7171. 4 – A partir de 19 de setembro de 2004, são devidas as contribuições previdenciárias decorrentes de valores pagos devidos ou creditados aos exercentes de mandato eletivo de acordo com a alínea ‘j’ do inciso I do art. 12 da Lei 8.212, de 1991 com a redação acrescentada pela Lei 10.887, de 18 de junho de 2004, desde que sejam tais servidores vinculados ao Regime Geral de Previdência Social. 5 – O município efetuou a compensação nos períodos de maio/2006 a março/2008 e de julho/2009 a abril/2011, mediante informação em Guia de Recolhimento do FGTS e Informação à Previdência Social – GFIP (...). 6 – O município apresentou planilhas de cálculo contendo os valores originários e atualização monetária denominadas ‘CONTROLE DE CRÉDITO INSS da Prefeitura Municipal de Canápolis – MG’ e ‘CONTROLE DE CRÉDITO INSS da Câmara Municipal de Canápolis – MG’ conforme ANEXO XXIV relativo ao período de maio/2000 a setembro/2004. 6.1 – As planilhas do item 6 não foram consideradas como fundamento na procedência das compensações efetuadas, tendo em vista que não foram informadas em Guia de Recolhimento do FGTS e Informação à Previdência Social – GFIP no período de setembro/1999 a setembro/2004 e consequentemente não foram recolhidas. (...) Fl. 271DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 25/06 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 10970.720341/201142 Acórdão n.º 2403002.011 S2C4T3 Fl. 3 3 8 – O município de Canápolis – Prefeitura Municipal informou incorretamente os valores das compensações em GFIP no período de janeiro/2008 a março/2008 e de julho/2009 a abril/2011, visto que conforme demonstrado na planilha de ANEXO I o crédito decorrente dos pagamentos indevidos esgotaram no mês de janeiro/2008. 8.1 – Foram efetuadas as glosas de compensações a partir da competência janeiro/2008 a março/2008 que é objeto do Auto de InfraçãoAI n. 37.358.5560 e do período de julho/2009 a abril/2011 que é objeto do Auto de InfraçãoAI n. 51.006.1230. (...) 13 – O Auto de Infração – AI de Obrigações acessórias n. 51.006.1249 foi lavrado em decorrência da apresentação de Guia de Recolhimento do FGTS e Informação a Previdência Social – GFIP com incorreções, infringindo o disposto no art. 32, inciso IV, da Lei 8.212/91, ou seja, informou incorretamente os campos relativos à compensação no período de janeiro/2008 a março/2008 e de junho/2009 a abril/2011”. DA IMPUGNAÇÃO Inconformada com o lançamento, a empresa contestou o presente Auto de Infração por meio do instrumento de fls. 105/144. DA DECISÃO DA DRJ Após analisar os argumentos da Recorrente, em 01 de agosto de 2012, a 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal em Juiz de Fora (MG), prolatou o Acórdão 0941.002, de fls. 214/222, mantendo procedente o lançamento, conforme ementa que abaixo se transcreve, verbis: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/07/2009 a 30/04/2011. AÇÃO JUDICIAL. PARCELAMENTO. DIREITO CREDITÓRIO. SELIC. A existência de ação judicial com mesmo objeto da impugnação implica na renúncia ao contencioso administrativo. O direito creditório decorrente de parcelamento necessita que esse seja perfeitamente identificado, inclusive no que toca às rubricas parceladas, bem como que se conclua pela impossibilidade de sua retificação, como se tem com sua liquidação. O índice Selic acumulado mensalmente é o utilizado nos acréscimos decorrentes de pagamentos indevidos. Impugnação Improcedente. Crédito Tributário Mantido. Fl. 272DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 25/06 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 4 DO RECURSO Irresignada, a empresa interpôs, tempestivamente, recurso voluntário, de fls. 226/247, requerendo a reforma do Acórdão, alegando, em suma, a procedência das compensações glosadas, bem como a ilegitimidade da exigência de retificação de GFIP, disposta na Portaria MPS nº. 133/2006, uma vez que fere o princípio da legalidade por extrapolar seu poder regulamentar colacionando, para tanto, precedente do TRF 1ª Região. É o relatório. Fl. 273DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 25/06 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 10970.720341/201142 Acórdão n.º 2403002.011 S2C4T3 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Marcelo Magalhães Peixoto, Relator DA TEMPESTIVIDADE De acordo com o documento de fl. 249, temse que o recurso é tempestivo e reúne os pressupostos de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. DA DISCUSSÃO JUDICIAL Conforme se percebe das fls. 158/172, as matérias discutidas no processo em tela são as mesmas debatidas em Processo Judicial ajuizado pela recorrente perante a subseção judiciária em Uberlândia/MG, tombado sob o número 549548.2010.4.01.3803, denominada Ação Declaratória do Direito à Compensação Tributária, cujos pedidos meritórios são os seguintes: 2 – Seja concedido o presente pleito, declarando o seu direito de compensar sem os limites preconizados pela Lei Complementar n. 118/05 e Portaria de n. 133 do MPS o que foi pago a título de contribuição social incidente sobre os subsídio dos exercentes de mandato eletivo municipal no período de setembro de 1998 a 18 de setembro de 2004 com parcelas vincendas de contribuição previdenciária, determinando a ré – União – que não lhe imponha sanções, ou quaisquer óbices, por essa compensação. 3 – Aplicandose UFIR e a taxa SELIC. Ao ingressar com a referida medida judicial, a Recorrente abdicou do seu direito de discutir administrativamente, nos termos da Súmula n. 1 do CARF, verbis: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. (grifo nosso) Diante da referida Súmula, não há como prosperar a alegação da Recorrente que ingressou com as ações antes do procedimento de fiscalização. Razão pela qual a análise por esta esfera administrativa resta prejudicada. Por fim, esclareçase que o recorrente, em suas razões voluntárias, alega o Direito à compensação antes do trânsito em julgado, com espeque no art. 170A do CTN, no Fl. 274DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 25/06 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 6 entanto, percebase que não é esta uma matéria posta em análise pela auditoria fiscal, não sendo motivo para a glosa e portanto, não integrante da lide administrativa. CONCLUSÃO Ante o exposto, voto para negar provimento ao recurso. Marcelo Magalhães Peixoto Fl. 275DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 25/06 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI
score : 1.0
Numero do processo: 23034.021550/2001-60
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 15 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Jun 21 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1995 a 30/06/2001
CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA PARCIAL. NULIDADE DO LANÇAMENTO. AUSÊNCIA DE DESCRIÇÃO SUFICIENTE DOS FATOS.
É nulo o auto de infração que não descreve satisfatoriamente o fato que o fundamenta.
No presente caso, parte do lançamento fiscal foi alcançada pela decadência quinquenal, pela disposição do art. 150, § 4º, do Código Tributário Nacional.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2803-002.358
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. Vencido o Conselheiro Helton Carlos Praia de Lima que votou pela procedência das diferenças apuradas após o prazo decadencial. Fez sustentação oral o patrono do contribuinte, Dr. Leandro Cabral e Silva, OAB/SP nº 234.687.
(Assinado digitalmente)
Helton Carlos Praia de Lima - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Natanael Vieira dos Santos - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Amilcar Barca Teixeira Junior, Oséas Coimbra Júnior, Natanael Vieira dos Santos, Gustavo Vettorato e Eduardo de Oliveira.
Nome do relator: NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/1995 a 30/06/2001 CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA PARCIAL. NULIDADE DO LANÇAMENTO. AUSÊNCIA DE DESCRIÇÃO SUFICIENTE DOS FATOS. É nulo o auto de infração que não descreve satisfatoriamente o fato que o fundamenta. No presente caso, parte do lançamento fiscal foi alcançada pela decadência quinquenal, pela disposição do art. 150, § 4º, do Código Tributário Nacional. Recurso Voluntário Provido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. Vencido o Conselheiro Helton Carlos Praia de Lima que votou pela procedência das diferenças apuradas após o prazo decadencial. Fez sustentação oral o patrono do contribuinte, Dr. Leandro Cabral e Silva, OAB/SP nº 234.687. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima - Presidente. (Assinado digitalmente) Natanael Vieira dos Santos - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Amilcar Barca Teixeira Junior, Oséas Coimbra Júnior, Natanael Vieira dos Santos, Gustavo Vettorato e Eduardo de Oliveira.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1995 a 30/06/2001 CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA PARCIAL. NULIDADE DO LANÇAMENTO. AUSÊNCIA DE DESCRIÇÃO SUFICIENTE DOS FATOS. É nulo o auto de infração que não descreve satisfatoriamente o fato que o fundamenta. No presente caso, parte do lançamento fiscal foi alcançada pela decadência quinquenal, pela disposição do art. 150, § 4º, do Código Tributário Nacional. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. Vencido o Conselheiro Helton Carlos Praia de Lima que votou pela procedência das diferenças apuradas após o prazo decadencial. Fez sustentação oral o patrono do contribuinte, Dr. Leandro Cabral e Silva, OAB/SP nº 234.687. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima Presidente. (Assinado digitalmente) Natanael Vieira dos Santos Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 23 03 4. 02 15 50 /2 00 1- 60 Fl. 1818DF CARF MF Impresso em 21/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 28/0 5/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 29/05/2013 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 23034.021550/200160 Acórdão n.º 2803002.358 S2TE03 Fl. 1.819 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Amilcar Barca Teixeira Junior, Oséas Coimbra Júnior, Natanael Vieira dos Santos, Gustavo Vettorato e Eduardo de Oliveira. Fl. 1819DF CARF MF Impresso em 21/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 28/0 5/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 29/05/2013 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 23034.021550/200160 Acórdão n.º 2803002.358 S2TE03 Fl. 1.820 3 Relatório 1. O processo sob análise referese à Notificação para Recolhimento de Débito – NRD, lavrada pelo Ministério da Educação em 14/12/2004, com ciência ao sujeito passivo em 21/12/2004, referente às contribuições devidas ao Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE). 2. Conforme dispõe a Informação 797/2004, fls. 120/121, consta que: “(...) a empresa efetuou depósitos judiciais referentes às competências 12/1997 a 11/1999, amparada pela liminar concedida no processo n.º 97.00529916, conforme planilha de cálculo oferecida pela empresa, f. 26. Para o período de 12/1999 a 07/2000 não foram apresentados comprovantes de depósitos judiciais em guias de recolhimento da contribuição do salário educação. As bases de contribuição foram levantadas com base nos recolhimentos efetuados nas guias do INSS e encontramse registradas no Demonstrativo Financeiro da Empresa, f. 08. (...) verificamos divergências entre o valor depositado em 20/08/1999, referente ao período de dezembro de 1997 a junho de 1999, e os valores levantados pela inspeção, atualizados para essa data, devido à não inclusão da multa. Para determinar a diferença a ser recolhida pela empresa, procedemos ao seguinte cálculo: valor total depositado (coluna J) equivale a (100% +acréscimos legais (coluna F) assim como o salárioeducação depositado (coluna K) equivale a 100%; diferença a recolher (coluna L) + salárioeducação devido (coluna C) – salário educação depositado (coluna K). (...) Em 27/08/2001, a fim de comprovar o recolhimento regular do salárioeducação no período de 12/1999 a 07/2000, a empresa encaminhou cópias de guias de recolhimento ao INSS e GFIP, ff. 50/71. No entanto, em consulta ao sistema PLENUS do INSS, verificamos que o código de terceiros indicado para os recolhimentos desse período foi o 114, não contemplando, assim, o salárioeducação, ff. 108/111. Quanto ao Sistema de Manutenção do Ensino Fundamental (SME), a empresa não apresentou a totalidade das declarações, não comprovando, assim, as deduções realizadas. Apesar de ter enviado algumas declarações após a inspeção, às fls. 73 a 98, restam débitos nos seguintes semestres: 2º/1995, 1º e 2º/1997, 2º/2000 e 1º/2001. (...).” 3. Buscando reverter o lançamento, a contribuinte apresentou recurso, reiterando os argumentos trazidos na impugnação, aduzindo em síntese: “a) que seja declarada a decadência do direito de lançar o crédito relativo aos fatos geradores ocorridos de 07/95 a 11/99; Fl. 1820DF CARF MF Impresso em 21/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 28/0 5/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 29/05/2013 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 23034.021550/200160 Acórdão n.º 2803002.358 S2TE03 Fl. 1.821 4 b) que seja declarada a nulidade do lançamento em função da ausência de fundamentação da Notificação quanto aos valores lançados a título de DS – recolhimento a menor nos meses de 09 a 11/00, 04 a 06/01; c) seja declarada a nulidade do lançamento em razão da apuração incorreta dos valores relacionados ao salárioeducação nos meses que a fiscalização aponta como inexistentes quaisquer comprovantes de depósito ou recolhimento da contribuição; d) seja desconstituído o crédito tributário exigido, notadamente no que se refere a diferença apurada entre o valor depositado pela recorrente relativamente à não inclusão da multa moratória, em função da mesma ser indevida; e) seja desconstituído o crédito tributário exigido em razão da suposta ausência de recolhimento do salárioeducação nos meses de dezembro de 1999 a julho de 2000, verificandose que a base de cálculo do período foi apurada erroneamente pela fiscalização; f) seja deferida a realização da perícia contábil a fim de esclarecer as bases de cálculo utilizadas pela recorrente para recolhimentos efetuados; g) seja desconstituído o credito tributário exigido em virtude da não apresentação da totalidade das declarações relacionadas ao Sistema de Manutenção de Ensino Fundamental (SME) do período de julho de 1995 a dezembro de 1997 e julho de 2000 a junho de 2001; h) seja desconstituído o crédito tributário exigido relativamente aos valores lançados a título de “DS – Recolhimento a Menor” nos meses de setembro a novembro de 2000 e janeiro a abril e junho de 2001, em razão dos mesmos estarem devidamente comprovados.” 4. Sem apresentação de contrarrazões, os autos foram enviados para a apreciação e julgamento por este Conselho. É o relatório. Fl. 1821DF CARF MF Impresso em 21/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 28/0 5/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 29/05/2013 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 23034.021550/200160 Acórdão n.º 2803002.358 S2TE03 Fl. 1.822 5 Voto Conselheiro Natanael Vieira dos Santos, Relator. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1. Conheço do recurso voluntário, uma vez que foi tempestivamente apresentado, preenche os requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº. 70.235, de 6 de março de 1972 e passo a analisálo. DA DECADÊNCIA 2. Inicialmente, é importante que seja feita a análise da decadência, conforme requerido pelo contribuinte, tendo em vista que parte do crédito tributário constituído já se encontra decaída, segundo o prazo quinquenal previsto no Código Tributário Nacional CTN. 3. Sobre essa questão, cumpre ressaltar que, o Supremo Tribunal Federal STF, por unanimidade, declarou a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91 e editou a Súmula Vinculante n° 08, in verbis: “(...). Resultam inconstitucionais, portanto, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/91 e o parágrafo único do art.5º do Decretolei n° 1.569/77, que versando sobre normas gerais de Direito Tributário, invadiram conteúdo material sob a reserva constitucional de lei complementar. Sendo inconstitucionais os dispositivos, mantém se hígida a legislação anterior, com seus prazos quinquenais de prescrição e decadência e regras de fluência, que não acolhem a hipótese de suspensão da prescrição durante o arquivamento administrativo das execuções de pequeno valor, o que equivale a assentar que, como os demais tributos, as contribuições de Seguridade Social sujeitamse, entre outros, aos artigos 150, § 4º, 173 e 174 do CTN. Diante do exposto, conheço dos Recursos Extraordinários e lhes nego provimento, para confirmar a proclamada inconstitucionalidade dos arts. 45 e 46 da Lei 8.212/91, por violação do art. 146, III, b, da Constituição, e do parágrafo único do art. 5º do Decretolei n° 1.569/77, frente ao § 1º do art. 18 da Constituição de 1967, com a redação dada pela Emenda Constitucional 01/69. É como voto.” ............................................................. “Súmula Vinculante n° 08: Fl. 1822DF CARF MF Impresso em 21/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 28/0 5/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 29/05/2013 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 23034.021550/200160 Acórdão n.º 2803002.358 S2TE03 Fl. 1.823 6 São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário.” 4. Os efeitos da Súmula Vinculante são previstos no artigo 103A da Constituição Federal, regulamentados pela Lei n° 11.417, de 19/12/2006, in verbis: “Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei.” 5. Ainda sobre o assunto, a Lei n° 11.417, de 19 de dezembro de 2006, dispõe o que segue: “Art. 2º O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, editar enunciado de súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma prevista nesta Lei. § 1º O enunciado da súmula terá por objeto a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais haja, entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública, controvérsia atual que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre idêntica questão.” 6. Assim, como demonstrado, a partir da publicação na imprensa oficial, todos os órgãos judiciais e administrativos ficam obrigados a acatarem a Súmula Vinculante. Dessa forma, afastado por inconstitucionalidade o artigo 45 da Lei n° 8.212/91, resta verificar qual regra de decadência prevista no CTN deve se aplicar ao caso concreto. 7. Acerca das regras de verificação da decadência, frisese, posto que importante, que a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça consolidouse no seguinte sentido: “(...) 1. Está assentado na jurisprudência desta Corte que, nos casos em que não tiver havido o pagamento antecipado de tributo sujeito a lançamento por homologação, é de se aplicar o art. 173, inc. I, do Código Tributário Nacional (CTN). Isso porque a disciplina do art. 150, § 4º, do CTN estabelece a necessidade de antecipação do pagamento para fins de contagem do prazo decadencial. Precedente em recurso representativo de controvérsia (REsp 973733/SC, Rel. Min. Luiz Fux, Primeira Seção, DJe 18.9.2009). [...] 3. Recurso especial parcialmente Fl. 1823DF CARF MF Impresso em 21/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 28/0 5/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 29/05/2013 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 23034.021550/200160 Acórdão n.º 2803002.358 S2TE03 Fl. 1.824 7 provido”. (REsp 1015907/RS, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, DJe 10/09/2010) “(...) 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o ‘primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado’ corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, ‘Decadência e Prescrição no Direito Tributário’, 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199) (...). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. Fl. 1824DF CARF MF Impresso em 21/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 28/0 5/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 29/05/2013 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 23034.021550/200160 Acórdão n.º 2803002.358 S2TE03 Fl. 1.825 8 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008”. (REsp 973733/SC, Rel. Min. Luiz Fux, DJe 18/09/2009). 8. Compulsando os autos, fls. 43/52, depreendese que houve o recolhimento parcial das contribuições previdenciárias, por meio das Guias da Previdência Social (GPS). Assim, tenho como certo que deva ser aplicada a regra constante do artigo 150, § 4º, do CTN. 9. Dessa forma, tendo em vista que a recorrente foi cientificada do lançamento fiscal em 21/12/2004, referente às contribuições do período de 01/01/1995 a 31/06/2001 ficam alcançadas pela decadência quinquenal as competências 01/01/1995 a 31/11/1999, restando mantidas as competências 12/1999 a 06/2001. 10. No entanto, considerando a existência de débito remanescente, passo a examinar as demais questões recursais. DA AUTUAÇÃO FISCAL 11. Conforme relatado, cuidase de lançamento constituído pelo FNDE por meio de Notificação para Recolhimento de Débito (NRD), que apontou irregularidade nos recolhimentos referentes ao salárioeducação e na aplicação dos recursos do Sistema de manutenção de Ensino Fundamental (SME) durante fiscalização realizada na empresa Metro Tecnologia LTDA. 12. Frisese que as peças iniciais do lançamento devem servir como norteador para a defesa do contribuinte e para consolidar legalmente o débito, sob pena de cercear o direito de defesa do contribuinte. 13. No presente caso, ao analisar detidamente os autos, verifico a ausência de elementos essenciais para o lançamento ser consolidado, notadamente, a falta de motivação referente ao fato gerador e das circunstâncias que levaram ao lançamento do débito, isso por que a informação nº. 797/2004 (fl. 120) e a Notificação para Recolhimento de Débito (NRD), às fls. 122 – peças iniciais e que relatam o fato gerador – limitamse a somente dizer que existe um débito relativo à contribuição do salárioeducação referente ao período de 01/1995 a 06/2001, com as seguintes discriminações (fls. 120/121): a) “a empresa efetuou depósitos judiciais referentes as competências 12/1997 a 11/1999, amparada pela liminar concedida no processo n.º 97.00529916, conforme planilha de cálculo fornecida pela empresa, f. 26. Para o período de 12/1999 a 07/2000 não foram apresentados comprovantes de depósitos judiciais nem guias de recolhimento da contribuição do salário educação (...). A diferença apurada em novembro de 1999, no valor de R$ 1.054,54; foi incluída no referido quadro. (...); b) verificamos divergências entre o valor depositado em 20/08/1999, referente ao período de 1997 a junho de 1999, e os valores levantados pela inspeção, atualizados para essa data, devido a não inclusão da multa (...); Fl. 1825DF CARF MF Impresso em 21/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 28/0 5/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 29/05/2013 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 23034.021550/200160 Acórdão n.º 2803002.358 S2TE03 Fl. 1.826 9 c) em 27/08/2001, a fim de comprovar o recolhimento regular do salárioeducação no período de 12/1999 a 07/2000, a empresa encaminhou cópias de guias de recolhimento do INSS e GFIP, às fls. 50 a 71. No entanto, em consulta ao sistema PLENUS do INSS, verificamos que o código de terceiros indicado para o recolhimento desse período foi o 114, não contemplando, assim, o salário educação, às fls. 108 a 111; d) quanto ao Sistema de Manutenção do Ensino Fundamental (SME), a empresa não apresentou a totalidade das declarações, não comprovando, assim, as deduções realizadas. Apesar de ter enviado algumas declarações após a inspeção, às fls. 73 a 98, restam débitos nos seguintes semestres: 2º/1995, 1º e 2º/1996, 1º e 2º/1997, 2º/2000 e 1º/2001. (...).” 14. Relativamente aos valores lançados a título de “DS – recolhimento a menor” nos meses de setembro a novembro de 2000 e janeiro a abril e junho de 2001, a recorrente aduziu, em seu recurso, a ausência do motivo pelo qual a autoridade fiscal exige os valores descritos em sua planilha anexa. Dessa forma, houve cerceamento de defesa, diante da dificuldade de identificação da tributação, já que o relatório que acompanha a notificação não explana o critério pelo qual se entendeu devida a contribuição, tampouco porque esta teria sido recolhida a menor. 15. Sobre o assunto, a Informação 1313/2005 – DIADE/CGACI/DIFIN/FNDE/MEC (fl. 939) dispôs da seguinte forma: “No que diz respeito ao questionamento para que seja declarada a nulidade do lançamento em função da ausência de fundamentação da Notificação quanto aos valores lançados a título de DS – recolhimento a menor nos meses de 09 a 11/00, 01 a 06/01, informamos que a origem do débito da presente Notificação se refere a diferença entre as bases de contribuição constantes das folhas de pagamento, de acordo com o demonstrativo de fl. 08. Registramos que os aludidos levantamentos foram recepcionados pelo S. Valter dos Santos e a senhora Rosane Ap. Dias dos Santos, ambos lotados no Departamento de Recursos Humanos. Ressaltamos que não há procedência em alegar a falta de fundamentação, tendo em vista que a empresa tomou conhecimento das bases que originaram os débitos, e, na ocasião não se manifestou, inclusive recebeu uma via do levantamento, além de assinar os termos que fazem parte da cobrança, bem como a fundamentação legal da presente cobrança se encontra no rodapé da notificação recepcionada pela empresa.” 16. Desse modo, cumpre enfatizar a necessidade de descrição do fato de forma satisfatória, pois esta deve permitir a perfeita compreensão dos fatos e os fundamentos de direito que em face dos mesmos levaram a autoridade a realizar o lançamento. 17. Observase que o procedimento sintético, nos quais há apenas a titulação do título sob o qual está sendo lançado o tributo, e o cálculo em tabela ou planilha contendo os valores, não é suficiente à validade do auto, que deve, no seu corpo ou relatório fiscal, conter a explicação do que foi feito. Fl. 1826DF CARF MF Impresso em 21/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 28/0 5/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 29/05/2013 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 23034.021550/200160 Acórdão n.º 2803002.358 S2TE03 Fl. 1.827 10 18. A falta de descrição completa (assim entendida aquela suficiente à compreensão da ação fiscal) implica nulidade absoluta do auto de infração. Tal importância da descrição dos fatos devese à circunstância de que é por meio dela que o autuante demonstra a consonância da matéria de fato constatada na ação fiscal e a hipótese abstrata constante da norma jurídica. 19. Corroborando esse entendimento, têmse as seguintes jurisprudências: “NORMA PROCESSUAL – NULIDADE – Fatos insuficientemente descritos no auto de infração constituem cerceamento do direito de defesa e configuram descumprimento de requisito essencial exigido no art. 10, inciso III, Decreto n.º 70.235/72. Processo anulado “ab initio”. (2º CC – Ac. 202 05692 – 2ª V). PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL – IMUNIDADE – NULIDADE POR VÍCIO FORMAL – A imprecisa descrição dos fatos, pela falta de motivação do ato administrativo, impedindo a certeza e a segurança jurídica, macula o lançamento de vício insanável, tornando nula a respectiva constituição. Processo anulado na initio. (2º CC – Ac. 20309332 – 3ª C. – Rel. Maria Teresa Martinez Lopez – DOU 31.08.2004 – p. 43)”. 20. Portanto, constatase a patente violação ao art. 10, III, do Decreto 70.235/72, que assim preceitua: “Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: III – a descrição do fato; (...).” 21. Nesse contexto, considero superficial e deficiente a descrição fática efetuada pela fiscalização, uma vez que não faz o devido batimento entre o caso fático, a legislação vigente e enquadramento fiscal. 22. Ademais, o art. 50 da Lei n.º 9.784/99 estabelece a necessidade de os atos administrativos, que neguem, limitem ou afetem direitos ou interesses, serem motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos. 23. Celso Antônio Bandeira de Mello, em sua obra intitulada ‘Curso de Direito Administrativo’ (2000, p. 433), traz argumentos de enorme valia acerca do princípio da motivação e sua aplicação, notadamente as razões técnicas, lógicas e jurídicas que servem de calço ao ato conclusivo, de modo a poderse avaliar sua procedência jurídica e racional perante o caso concreto, in verbis: “Princípio da motivação, isto é, o da obrigatoriedade de que sejam explicitados tanto o fundamento normativo quanto o fundamento fático da decisão, enunciandose, sempre que necessário, as razões técnicas, lógicas e jurídicas que servem de calço ao ato conclusivo, de molde a poderse avaliar sua procedência jurídica e racional perante o caso concreto. Ainda aqui se protegem os interesses do administrado, seja por convencêlo do acerto da providência tomada – o que é o mais rudimentar dever de uma Administração democrática , seja por deixar estampadas as razões do decidido, ensejando sua revisão Fl. 1827DF CARF MF Impresso em 21/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 28/0 5/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 29/05/2013 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 23034.021550/200160 Acórdão n.º 2803002.358 S2TE03 Fl. 1.828 11 judicial, se inconvincentes, desarrazoadas ou injurídicas. Aliás, confrontada com a obrigação de motivar corretamente, a Administração terá de coibirse em adotar providências (que de outra sorte poderia tomar) incapazes de serem devidamente justificadas, justamente por não coincidirem com o interesse público que está obrigada a buscar.” (g.n.) 24. Nessa esteira, registrase a importância de uma clara descrição dos fatos, como elemento motivador do lançamento fiscal, conforme nos relata em lapidar lição Leliana Pontes Vieira, em sua obra ‘Contencioso e Processo Fiscal’ (1996, p. 40), colacionamos: “c) Descrição dos fatos esta descrição deve ser bastante clara, de modo a permitir, de um lado, que o acusado, conhecendo o fato ilícito que lhe é imputado possa exercer o seu direito constitucional de ampla defesa. E, de outro, para que o julgador nela encontre, conjugandoa com os demais elementos do processo, o necessário suporte para formar sua convicção.” 25. A propósito, a Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal, trata em seu art. 2º que a Administração Pública obedecerá, dentre outros, ao princípio da motivação. 26. Isto porque, a atividade administrativa de lançamento requer a verificação da ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, como preceitua o CTN, em seu art. 142. Nesse sentido, o próprio art. 37, da Lei nº 8.212/91, dispõe que a fiscalização deverá lavrar notificação de débito, com discriminação clara e precisa dos fatos geradores: “constatado o atraso total ou parcial no recolhimento de contribuições tratadas nesta Lei, ou em caso de falta de pagamento de beneficio reembolsado, a fiscalização lavrará notificação de débito, com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, conforme dispuser o regulamento.” (g.n.) 27. Acrescento ainda que a peça essencial do lançamento deve propiciar o contraditório e a ampla defesa do sujeito passivo da obrigação tributária, assim como a adequada análise do crédito. Nesse aspecto, é cediço que não se pode vincular a recorrente a uma determinada obrigação tributária, sem que haja comprovação da ocorrência do fato gerador que ensejou tal cobrança, vez que o onus probandi cabe ao fisco. 28. Sobre o ônus da prova, convém destacar importante contribuição do jurista Paulo Celso Bergstrom Bonilha, in “Da prova no Processo Administrativo Tributário”: “O vocábulo ônus provém do latim (onus) e conserva o significado de fardo, carga, peso ou imposição. Nessa acepção, o ônus de provar (onus probandi) consiste na necessidade de prover os elementos probatórios suficientes para a formação do convencimento da autoridade julgadora. Bem de ver que a ideia de ônus da prova não significa a de obrigação, no sentido da existência de dever jurídico de provar. Tratase de uma necessidade ou risco da prova, sem a qual não é possível obter êxito na causa. São sujeitos da prova, assim, tanto o contribuinte quanto a Fazenda, com o intuito de convencer a autoridade julgadora da veracidade dos fundamentos de suas opostas pretensões. Esse Fl. 1828DF CARF MF Impresso em 21/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 28/0 5/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 29/05/2013 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 23034.021550/200160 Acórdão n.º 2803002.358 S2TE03 Fl. 1.829 12 direito de prova dos titulares da relação processual convive com o poder atribuído às autoridades (preparadora e julgadora) de complementar a prova.” 29. No mesmo sentido é o Código de Processo Civil ao asseverar em seu artigo 333, inciso I, que o “ônus da prova incumbe ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito”. 30. Além disso, segundo dispõe a recorrente, a fiscalização não apurou correta base de cálculo, limitandose a deduzir, em virtude do equívoco cometido pelo contribuinte no recolhimento das contribuições, que as GPS fornecidas continham somente os 3,3% destinados a outras contribuições de terceiros, não considerando a inclusão do salário educação nas mesmas, que aumentaria o percentual para 5,8%. 31. Pela análise dos autos, percebese a verossimilhança das alegações, pois, até mesmo, a decisão (Informação 1313/2005), entendeu equivocadas as bases de cálculo utilizadas, como segue (fls. 939): “Com relação à análise dos questionamentos da empresa concernente aos itens “b” e “c” verificamos que os técnicos do PROINSPE informaram no Demonstrativo Financeiro de fl. 08, que as bases apuradas nas competências 12/99 a 06/01, foram levantadas por meio de Guias da Previdência Social (GPS), no entanto, apuramos as bases destas competências relacionadas nas GFIP’s e GPS’s extraídas do Sistema PLENUS/INSS, de fls. 911/922, e, foram apuradas bases inferiores as levantadas pelo PROINSPE, sendo assim, retificamos na cobrança as bases das competências relacionadas acima, conforme quadro de fls. 923”. 32. Para melhor esclarecer, os itens “b” e “c”, aos quais se refere à Informação, são os seguintes: “b) que seja declarada a nulidade do lançamento em função da ausência de Fundamentação da Notificação quanto aos valores lançados a título de DS – recolhimento a menor nos meses de 09 a 11/00, 01 a 06/01, e, ainda, que seja deferida a realização de perícia contábil a fim de esclarecer as bases de cálculo utilizadas pela impugnante para os recolhimentos efetuados; c) seja declarada a nulidade do lançamento em razão da apuração incorreta dos valores nos meses que a fiscalização aponta como inexistentes quaisquer comprovantes de depósito ou recolhimento da contribuição, bem como a existência de erro na base de cálculo apurada pela fiscalização nos meses de 12/99 a 07/00.” 33. Feitas essas considerações, diante da falta de fundamentação do lançamento e pela ausência de discriminação suficiente dos fatos, dou provimento ao recurso voluntário nos termos acima delineados. CONCLUSÃO 34. Por todo o exposto, conheço do recurso voluntário, para, no mérito, dar lhe provimento. Fl. 1829DF CARF MF Impresso em 21/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 28/0 5/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 29/05/2013 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 23034.021550/200160 Acórdão n.º 2803002.358 S2TE03 Fl. 1.830 13 É como voto. (Assinado digitalmente) Natanael Vieira dos Santos. Fl. 1830DF CARF MF Impresso em 21/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 28/0 5/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 29/05/2013 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA
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Numero do processo: 13873.000827/2008-51
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 15 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Sep 15 00:00:00 UTC 2011
Ementa: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Anocalendário:
2007
MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO (DSPJ) – É
devida multa por atraso na apresentação da Declaração Simplificada, quando
comprovado que a sua entrega ocorreu fora do prazo. Penalidade pelo
descumprimento de obrigação acessória.
Lançamento Procedente.
Numero da decisão: 1803-001.062
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Turma Especial da Primeira Seção de
Julgamento, por unanimidade NEGAR PROVIMENTO o recurso voluntário, nos termos do
relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: Sergio Luiz Bezerra Presta
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Penalidade pelo descumprimento de obrigação acessória. Lançamento Procedente. ACORDAM os membros da 3ª Turma Especial da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade NEGAR PROVIMENTO o recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Selene Ferreira de Moraes Presidente (assinado digitalmente) Sergio Luiz Bezerra Presta Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Selene Ferreira de Moraes, Meigan Sack Rodrigues, Walter Adolfo Maresch, Victor Humberto da Silva Maizman, Sérgio Rodrigues Mendes e Sérgio Luiz Bezerra Presta. Relatório Fl. 28DF CARF MF Impresso em 25/05/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 25/0 5/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 10/05/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PR ESTA 2 Por bem descrever os fatos relativos ao contencioso, adoto parte do relato do órgão julgador de primeira instância até aquela fase: “A empresa acima qualificada apresentou manifestação de inconformidade contra o Auto de Infração, (fl. 02), solicita o cancelamento das multas pecuniárias aplicadas pelo atraso na entrega da declaração relativa ao exercício de 2008. Em seu pedido inicial, a contribuinte alegou, em síntese, que: com a implantação do Super Simples, houve dados confusos causando transtornos e dúvidas; falta de orientação mais precisa por orientação da Receita; a requerente entende que ambos os lados cometeram erros, como a empresa pelo atraso da entrega da DSPJ e os órgãos governamentais .pela falta de orientação mais precisa. Requer o contribuinte por ser de Justiça o cancelamento do auto de infração. (...)”. A 1ª Turma da DRJ/RIBEIRÃO PRETOSP, em sessão de 27/04/2009, ao analisar a peça impugnatória apresentada, proferiu o acórdão n° 1423.441 entendendo “por unanimidade de votos, julgar procedente o lançamento, nos termos do voto do relator”, sob argumentos assim ementados: “ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES ANOCALENDÁRIO: 2007 DECLARAÇÃO SIMPLIFICADA. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA. É legalmente prevista a cobrança de multa por atraso na entrega de declaração, mesmo que a entrega desta declaração se de antes de qualquer procedimento de oficio. Lançamento Procedente” A decisão da 1ª Turma da DRJ/RIBEIRÃO PRETOSP teve os seguintes argumentos: “(...) A multa pelo inadimplemento da obrigação acessória está estabelecida pelo art. 50, §3°, do Decretolei n° 2.124, de 13/06/1984: (...) A penalidade aplicada está de conformidade com o estabelecido na legislação que rege a matéria, ou seja, artigo 7° da Lei n° 10.426, de 26 de abril de 2002, que prevê: (...) Fl. 29DF CARF MF Impresso em 25/05/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 25/0 5/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 10/05/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PR ESTA Processo nº 13873.000827/200851 Acórdão n.º 1803001.062 S1TE03 Fl. 29 3 Não obstante, as razões de defesa concluemse que a empresa estava sujeita a apresentação de declaração no período a que se refere à exigência e deixou de cumprir tal obrigação acessória prevista na legislação tributária sujeitandose as penalidades aplicadas. Dessa forma, voto pela manutenção do lançamento da multa pelo atraso na entrega de declaração, conforme consta no auto em exame. (...)” Cientificado da decisão em 16/07/2009, interpôs o contribuinte, em 03/08/2009, Recurso Voluntário a este Conselho, com poucas razões, mantendo os argumentos da peça impugnatória apresentada. É o relatório do essencial. Fl. 30DF CARF MF Impresso em 25/05/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 25/0 5/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 10/05/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PR ESTA 4 Voto Conselheiro SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA Observando o que determina os arts. 5º e 33 ambos do artigo 33 do Decreto nº. 70.235/1972 conheço a tempestividade do recurso voluntário apresentado, preenchendo os demais requisitos legais para sua admissibilidade, dele, portanto tomo conhecimento. Tratase de Auto de Infração eletrônico lavrado para exigência de multa por atraso na entrega da DSPJ (anocalendário de 2007). A Recorrente sustenta que “com a implantação do Super Simples, houve dados confusos e inteligíveis que partiram dos órgãos tributários das áreas Federal, Estadual e Municipal, causando transtornos e dúvidas” e que “a implantação do Super Simples, gerou dúvidas, erros, omissões, etc, como já vem ocorrendo com relação a outras obrigações com prazo estipulado, até agora, muito confusas, tal como o SPED Contábil, ou DIPJ do lucro Real, Isentos e Imunes, cujo o prazo de entrega era 30 de junho de 2009, e até a presente data não foi elaborado o programa para as referidas Declarações”. Contudo, não assiste razão à Recorrente. A apresentação da DSPJ fora do prazo enseja a aplicação da multa de oficio, nos termos do que preceituam os dispositivos legais indicados no Auto de Infração. A penalidade é exigida em razão do descumprimento de obrigação acessória pelos contribuintes, mesmo nos casos em que não houve qualquer dano aos cofres públicos. Até porque, a responsabilidade dos contribuintes por infração tributária independe da sua intenção, natureza e extensão dos efeitos do ato, nos termos do art. 136 do CTN. Deste modo, apesar de a Recorrente sustentar que a não entrega da DSPJ aconteceu por motivos alheios a sua vontade, sua pretensão não merece acolhida, pois não afasta a sua responsabilidade, imposta pela legislação, de apresentar as suas declarações no prazo estipulado. Até porque, em se tratando de aplicação de multa por atraso na entrega da DSPJ relativa ao ano calendário de 2007, incide por força das determinações constantes do Art. 7° da Lei n° 10.426/2002, que pode ser observado na forma esquemática a seguir transcrita: A B C D 1 O sujeito passivo que deixar de apresentar: Declaração de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ); Declaração de Débitos e Créditos Tributários (DCTF); Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica e Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte (DIRF), nos prazos fixados Será intimado a apresentar a declaração original, no caso de não apresentação Sujeitarseá às seguintes multas I – de 2% por mês calendário ou fração incidente sobre o montante do imposto de renda da pessoa jurídica informado na DIPJ, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega da declaração, ou entrega após o prazo, limitada a 20%. II – de 2% no mês calendário ou fração incidente sobre o montante de tributos e contribuições informados na DCTF, na Declaração Fl. 31DF CARF MF Impresso em 25/05/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 25/0 5/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 10/05/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PR ESTA Processo nº 13873.000827/200851 Acórdão n.º 1803001.062 S1TE03 Fl. 30 5 Simplificada da Pessoa Jurídica ou na DIRF, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega destas Declarações ou entrega após o prazo, limitada a 20%. 2 Ou que as apresentar com incorreções ou omissões Ou a prestar esclarecimentos nos demais casos, no prazo estipulado pela Receita Federal do Brasil III – de R$ 20,00 para cada grupo de 10 informações incorretas ou omitidas. Observando a planilha acima, atentese que a coluna C (“sujeitarseá às seguintes multas”) é ligada pela conjunção “e” (e não “ou”), o que obriga sempre A. aplicação de multa por atraso em qualquer das hipóteses das linhas 1 e 2; ou seja, intimandose previamente ou não o contribuinte. E, o denominado “prazo fixado” a que se refere à coluna A, linha 1, é o prazo fixado pela legislação tributária (art.6° da IN SRF n° 482/2004) para entrega da DSPJ, e não um prazo aleatório posteriormente fixado pela Administração. Outrossim, a intimação prévia para prestar esclarecimentos só se aplica no caso de apresentação de declaração com incorreções ou omissões (linha 2). Diante desse fato, não há o que se falar se houve ou não pronunciamento ou qualquer ação por parte do fisco em relação ao atraso na entrega da DSPJ, tendo em vista que a Recorrente tinha um prazo para cumprir a obrigação e simplesmente não a fez. E, mesmo que o Fisco não tenha feito qualquer movimento para cobrar o cumprimento da obrigação acessória da Recorrente, a entrega da DSPJ fora do prazo não está albergada pelo instituto da denuncia espontânea. Essa é a posição da Súmula Carf nº 49, com o seguinte teor: “Sumula 49 A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração”. No âmbito do Judiciário, a jurisprudência é pacífica em ambas as turmas do Superior Tribunal de Justiça (STJ), no sentido de que a denúncia espontânea não é aplicável às multas pelo descumprimento de obrigações acessórias, de natureza formal e desvinculadas diretamente do fato gerador da obrigação principal: “TRIBUTÁRIO. MULTA MORATÓRIA. ART. 138 DO CTN. ENTREGA EM ATRASO DA DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS. 1. A denúncia espontânea não tem o condão de afastar a multa decorrente do atraso na entrega da declaração de rendimentos, uma vez que os efeitos do artigo 138 do CTN não se estendem às obrigações acessórias autônomas. Precedentes. 2. Recurso especial não provido. (REsp 1129202/SP, Rel. Ministro CASTRO MEIRA, SEGUNDA TURMA, julgado em 17/06/2010, DJe 29/06/2010) Fl. 32DF CARF MF Impresso em 25/05/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 25/0 5/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 10/05/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PR ESTA 6 PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL.DCTF. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA. POSSIBILIDADE. JURISPRUDÊNCIA PACIFICADA. SÚMULA 83/STJ. INCIDÊNCIA. 1. Aresto recorrido que se encontra em consonância com a jurisprudência assente do STJ no sentido de que não se mostra desarrazoada a aplicação de multa em razão do atraso na entrega da Declaração de Contribuições e Tributos Federais DCTF. Precedentes. 2. Agravo regimental nãoprovido. (AgRg no Ag 985.433/SP, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 18/12/2008, DJe 13/02/2009) PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE OPERAÇÕES IMOBILIÁRIAS. MULTA MORATÓRIA. CABIMENTO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA NÃO CONFIGURADA. 1 A entrega das declarações de operações imobiliárias fora do prazo previsto em lei constitui infração formal, não podendo ser considerada como infração de natureza tributária, apta a atrair o instituto da denúncia espontânea previsto no art. 138 do Código Tributário Nacional. Do contrário, estarseia admitindo e incentivando o nãopagamento de tributos no prazo determinado, já que ausente qualquer punição pecuniária para o contribuinte faltoso. 2 A entrega extemporânea das referidas declarações é ato puramente formal, sem qualquer vínculo com o fato gerador do tributo e, como obrigação acessória autônoma, não é alcançada pelo art. 138 do CTN, estando o contribuinte sujeito ao pagamento da multa moratória devida. 3 Precedentes: AgRg no REsp 669851/RJ, Rel. Ministro FRANCISCO FALCÃO, PRIMEIRA TURMA, julgado em 22.02.2005, DJ 21.03.2005; REsp 331.849/MG, Rel. Ministro JOÃO OTÁVIO DE NORONHA, SEGUNDA TURMA, julgado em 09.11.2004, DJ 21.03.2005; REsp 504967/PR, Rel. Ministro FRANCISCO PEÇANHA MARTINS, SEGUNDA TURMA, julgado em 24.08.2004, DJ 08.11.2004; REsp 504967/PR, Rel. Ministro FRANCISCO PEÇANHA MARTINS, SEGUNDA TURMA, julgado em 24.08.2004, DJ 08.11.2004; EREsp n° 246.295RS, Relator Ministro JOSÉ DELGADO, DJ de 20.08.2001; EREsp n° 246.295RS, Relator Ministro JOSÉ DELGADO, DJ de 20.08.2001; RESP 250.637, Relator Ministro Milton Luiz Pereira, DJ 13/02/02. 4 – Agravo regimental desprovido. (AgRg no REsp 884.939/MG, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA TURMA, julgado em 05/02/2009, DJe 19/02/2009)” Por fim, como vem afirmando o Preeminente Conselheiro Sérgio Rodrigues Mendes em diversos julgamentos análogos realizados por essa 3ª Turma Especial “não se afasta a responsabilidade da empresa no caso, porque culpa lhe cabe, tanto na escolha do encarregado da elaboração e entrega das declarações (culpa in eligendo), quanto na fiscalização das suas tarefas (culpa in vigilando)”. Assim, considerando tudo o que consta dos autos, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO. Sérgio Luiz Bezerra Presta Relator (assinado digitalmente) Fl. 33DF CARF MF Impresso em 25/05/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 25/0 5/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 10/05/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PR ESTA Processo nº 13873.000827/200851 Acórdão n.º 1803001.062 S1TE03 Fl. 31 7 Fl. 34DF CARF MF Impresso em 25/05/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 25/0 5/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 10/05/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PR ESTA
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Numero do processo: 10314.001457/00-25
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Aug 14 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Fri Aug 14 00:00:00 UTC 2009
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Data do fato gerador: 18/11/1997
CLASSIFICAÇÃO FISCAL - EFEITOS DA REFORMA DE DECISÃO EM
PROCESSO DE CONSULTA
Na hipótese de alteração ou reforma, de oficio, de Solução de Consulta sobre classificação de mercadorias, aplicam-se as conclusões da solução alterada ou reformada em relação aos atos praticados até a data em que for dada ciência ao consulente da nova orientação.
IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. RESTITUIÇÃO. TRANSFERÊNCIA DO
RESPECTIVO ENCARGO FINANCEIRO.
Não se aplica ao Imposto de Importação (II), com relação à repetição de indébito, as disposições contidas no artigo 166 do Código Tributário Nacional, por serem incompatíveis com a natureza do tributo (Parecer/COSIT n°47/2003).
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3201-000.278
Decisão: ACORDAM os membros da 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira
Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora.
Nome do relator: Rosa Maria de Jesus da Silva Costa de Castro
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ementa_s : NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 18/11/1997 CLASSIFICAÇÃO FISCAL - EFEITOS DA REFORMA DE DECISÃO EM PROCESSO DE CONSULTA Na hipótese de alteração ou reforma, de oficio, de Solução de Consulta sobre classificação de mercadorias, aplicam-se as conclusões da solução alterada ou reformada em relação aos atos praticados até a data em que for dada ciência ao consulente da nova orientação. IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. RESTITUIÇÃO. TRANSFERÊNCIA DO RESPECTIVO ENCARGO FINANCEIRO. Não se aplica ao Imposto de Importação (II), com relação à repetição de indébito, as disposições contidas no artigo 166 do Código Tributário Nacional, por serem incompatíveis com a natureza do tributo (Parecer/COSIT n°47/2003). Recurso Voluntário Provido.
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IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. RESTITUIÇÃO. TRANSFERÊNCIA DO RESPECTIVO ENCARGO FINANCEIRO. Não se aplica ao Imposto de Importação (II), com relação à repetição de indébito, as disposições contidas no artigo 166 do Código Tributário Nacional, por serem incompatíveis com a natureza do tributo (Parecer/COSIT n°47/2003). Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da r Câmara / I a Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. Processo n°10314.001457/00-25 S3-C2T1 Acórdào n.° 3201-00.278 Fl. 192 411 C7VL C7,0-. • JUDITH DO • M • RAL MARCONDES ARMANDO Presiden - "&k>a .ÓLj 4) 40 ROSA LirIA DE JESUS DA SILVA COSTA DE CASTRO Relatora Participaram, ainda , do presente julgamento os Conselheiros, Ricardo Paulo Rosa, Mércia Helena Trajano D'Amorim, Marcelo Ribeiro Costa e Luciano Lopes de Almeida Moraes. 2 Processo n° 10314.001457/00-25 S3-C2TI Acórdão n.°3201-00.278 Fl. 93 Relatório Por bem espelhar os fato ocorridos até aquele incidente processual, reproduzo o relatório constante do Acórdão n" 08-11.740, proferido pela 2" Turma, da i. Delegacia da Receita Federal em Fortaleza (fls. 146/155): Trata o presente processo de manifestação de inconformidade contra decisão que indeferiu pedido de restituição, acompanhado de pedido de compensação, de parte de pagamentos do Imposto de Importação, no valor de R$ 19.392,81. O PEDIDO DE RESTITUIÇÃO SEGUIDO DE COMPENSAÇÃO 2. Consta que, por meio da DI n° 069865, de 20/06/1995, a requerente procedeu à importação da mercadoria "MYKON ATC WRITE" (N,N,N,N — tetraacetiletilenodiamina estabilizado com carboximetil-celulose sódica), classificando-a no código NCM 292230.90, cuja aliquota do imposto de importação, à época, era de 2%. 3. Entretanto, com base nos exames procedidos pelo Laboratório Nacional de Análises — LABANA (fls. 32-33), a Equipe de Classificação • e Valoração Aduaneira discordou do código adotado pela requerente e entendeu que o correto seria o código NCM 3823.90.90 (aliquota 11 — 14%), pelo que, em 29/05/1996, deu ciência ao importador do Demonstrativo de Cálculo de Lançamento Complementar — DCLC 242/96 (folha 31), onde o mesmo foi intimado a apresentar Declaração Complementar de Importação (DCI), de modo a recolher os tributos e acréscimos legais decorrentes da reclassificação fiscal. 4. Desse modo, a partir daí a requerente passou a adotar o código apontado pela fiscalização, e conseqüentemente, o imposto de importação passou a ser calculado e recolhido com base em uma aliquota mais elevada. 5. Ocorre que, por meio do processo MF 10880.014252/98-80, a recorrente procedeu consulta fiscal com o intuito de esclarecer a correta classificação do produto. Como resposta, e conforme fimdamentação contida na Decisão DIANA/SRRF/8" RF n° 319, de 29/06/1998 (fls. 21-25), cuja conclusão foi de que o código correto é 2922.30.90, ou seja, o código adotado anteriormente ao evento do Demonstrativo de Cálculo de Lançamento Complementar, de 1996. 6. Assim, em 10/04/2000, por meio do processo em epígrafe e com fundamento na IN SRF n°21/97, a recorrente solicitou restituição acompanhada de pedido de compensação de parte do pagamento do imposto de importação relativo à mercadoria objeto da Declaração de Importação (DI) n° 97/1070526-1, de 18/11/1997 (fls. 18-20), por entender ter havido pagamento a maior. A DECISÃO DENEGATORIA 7. Em análise ao pleito, a SEFIA/IRF/SP, por meio do despacho de fls. 35-36, destacou que: 3 Processo n° 10314.001457/00-25 S3-C2TI Acórdão n°3201-00.278 Fl. 194 (..) ao formalizar o pedido de consulta, a interessada deixou de informar que já havia sido intimada a cumprir obrigação tributária relativa ao fato objeto da consulta (..) razão pela qual, entendemos configurada a hipótese de não atendimento ao art. 52, II, do Decreto 70.235/72 (PAF) 8. Para, em seguida, concluir que: (..) a decisão DIANA/SRRF/8" RE não se aplica ao presente caso, uma vez que, nos termos do Decreto 70.235/72 (PAF), o Decreto 2.227/85 e IN SRF 59/85, a nova classificação somente será aplicada aos fatos geradores ocorridos até a data da protocolização da consulta e aos fatos geradores ocorridos a partir da data em que a consulente for notificada da decisão que RESULTE EM AGRAVAMENTO DA TRIBUTAÇÃO. (sic) 9. Em decorrência, foi proposto encaminhamento do processo ao SESIT/IRF/SP, para apreciação. Apreciada a questão, o SESIT solicitou, em 30/11/2000, que fosse efetuada consulta à DISIT/SRRF/8 a RF, nos seguintes termos (fls. 37-38): I. Qual a correta classificação tarifária a ser seguida para o produto de que trata a referida consulta? 2. A partir de que momento a decisão de uma consulta referente à classificação tarifária produz efeitos? 3. Uma decisão dessa natureza retroage para fins de retificação da classificação do mesmo produto já desembaraçado em situações anteriores à referida consulta? 10. Com base na Portaria n° 333, de 03/10/2001, o processo foi encaminhado à Seção de Orientação e Análise Tributária (SAORT) da Inspetoria da Receita Federal em São Paulo em 16/10/2001, a qual, nos termos do despacho de fls. 39-40, informou que: • (...) em 29/01/2001, a DIANA/SRRF/8" RF tornou insubsistente a decisão 319 (..) e que a interessada tinha que adotar o código inicial da qual já havia sido autuada às fls. 73 a 78 do PROCESSO DE CONSULTA (.), através da DECISÃO DIANA/SRRF/8"RF n" 005, de 29/01/2001; • Manifestou-se o GRED em despacho de fls. 35/6, informando ter efetuado a revisão da DI 97/1070526-1, de 18/11/97, sem resultado, não havendo Retificação da DL portanto não existe tributo a ser restituído. 11. Entendeu ainda que, como os recolhimentos foram efetuados por meio de DARF manual, não cabe a aplicação do art. 4° da IN SRF n°34, de 1998, o qual prevê que compete ao titular da unidade de despacho aduaneiro reconhecer o direito ao crédito nos casos de impostos pagos na forma da IN SRF n° 98/97, ou seja, por meio de débito automático em conta corrente, cabendo tal tarefa à unidade jurisdicionante do contribuinte, nos termos do art. 7° da IN SRF n° 21, de 1997. 12. O processo foi encaminhado à DRF/CAMPINAS, que, por entender não se tratar de matéria de sua competência, o reencaminhou à Alfândega do Aeroporto Internacional de Viracopos, sendo que o processo lhe foi devolvido por se tratar de pedido de compensação. 4 Processo n° I 0314.001457/00-25 83-C2T1 Acórdão n.° 3201-00.278 Fl. 195 13. Após diversas providências administrativas de controle do processo por parte do SEORT/DRF/CAMP1NAS, conforme especificadas nos despachos de fls. 43-44, bem como a formalização de Representação (folha 45), o processo seguiu à SAORT/IRF/SP que, nos termos da DECISÃO SAORT n°098, de 2003 (fls. 47-48) e pelos motivos expostos nos itens 6 e 8 do presente Relatório, indeferiu o pedido da interessada, não reconhecendo o direito à restituição do crédito tributário pleiteado. A MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE 14. Cientificado do despacho decisório em 22/12/2003, conforme aviso de recebimento juntado às fls. 51, a interessada apresentou em 13/01/2004 sua manifestação de inconformidade (fls. 52-62), por meio de representação (fls. 63-65), oportunidade em que discorda da decisão proferida. 15. Em sua manifestação, após breve relato dos fatos, a interessada aduz a consulta fiscal inerente ao processo 10880.014252/98-80, que concluiu que a classificação correta do produto é a do código 2922.30.90, incidindo, pois, uma alíquota menor. Para tanto, transcreveu diversas ementas de decisões do Conselho de Contribuintes para defender restar claro o direito de restituição dos valores pagos a maior. 16. Alegou que, no que pese o pedido de compensação haver sido indeferido, sob o argumento de que a Decisão n° 005 de 05/04/2001 (sic) tomou nula a Decisão n° 319 de 29/06/1998, esse fato não obsta o direito de restituição da requerente, uma vez que a mesma estava recolhendo o valor da alíquota a maior desde 24/05/1996 quando foi autuada e concomitantemente ao procedimento de autuação, a requerente protocolizou a consulta, que foi solucionada em 29/06/1998, permanecendo seu direito à restituição em face do lapso de tempo entre os dois procedimentos. 17. Traz à baila o princípio da segurança jurídica para defender que a recorrente não pode ser penalizada por cumprir dispositivo exarado pela própria Receita Federal, e, pondera ainda que, negar o pleito é o mesmo que agir de modo contrário ao princípio da retroatividade mais benigna ao contribuinte. 18. Neste sentido, transcreveu trecho da obra de Valdir de Oliveira Rocha (Comentário ao Código Tributário Nacional, vol 2, Ed. Saraiva, p. 56), o qual se refere ao art. 5', XL, da Constituição Federal ("a lei penal não retroagirá, salvo para beneficiar réu"); texto de lavra de Celso Ribeiro Bastos, o qual se refere ao principio expresso no art. 2', caput, do Código Penal (Ninguém pode ser punido por fato que lei posterior deixa de considerar crime, cessando em virtude dela a execução e os efeitos penais da sentença condenatória), princípio o qual entende que deve ser aplicado por analogia ao caso presente; transcreve outras ementas de julgados do STJ e TRF/2"R, e ainda, suscitou o parágrafo único do artigo 100 do CTN. 19. Defende que, na ocasião do pagamento e posterior pedido de restituição, a norma que estava em vigor era a da resposta à consulta expedida pela Decisão n° 319 de 29/06/1998, não cabendo a alegação de que a Decisão de n° 005, de 05/04/2001 (sic) retroage seus efeitos, sendo certo que a mesma somente tem validade e eficácia a partir de sua publicação datada de 19/03/2001, ou seja, a recorrente, em face do princípio da temporalidade, se encontraria protegida sob a égide do efeito da consulta fiscal n° 319/98, no período de 18/06/1998 a 19/03/2001. Processo n° 10314.001457/00-25 S3-C2T1 Acórdão n.° 3201-00.278 Fl. 196 20. Finalizando sua manifestação de inconformidade, a interessada requer restituição de parte do imposto de importação, por entender que o mesmo foi pago a maior, e a conseqüente, reforma da decisão, com o reconhecimento do direito de compensação do valor recolhido indevidamente, corrigido monetariamente. FLUXO DO PROCESSO 21. Diante da manifestação de inconformidade apresentada, e após a juntada da documentação pertinente, o processo foi encaminhado em 17/03/2004 à DRJ/SPO II/SP, unidade originalmente competente para julgar a lide. 22. Por força da Portaria SRF IV 956, de 08/04/2005, D.O.0 de 12/04/2005, que transferiu a competência de julgamento, o processo foi encaminhado a esta DRJ/Fortaleza. CONVERSÃO DO JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA 23. Submetido ao julgamento desta 2 a Turma da DRJ/Fortaleza, esta decidiu por sua conversão em diligência, nos termos da RESOLUÇÃO DRJ/FOR n° 503, de 09/12/2005 (fls. 84-90). 24. Em atendimento, foram juntados aos autos os documentos e informações de fls. 95-109, tendo sido dado ciência à interessada do resultado da diligência, conforme fls. 112- 113, culminando com sua manifestação às tls. 115-121, subsidiada com os documentos de outorga dos signatários às tls. 122-133 e 135-144. Vale destacar, que a matéria tratada nos processos conforme • abaixo relacionados é idêntica, e, como tal, em atendimento à diligência solicitada, por uma questão de economia processual, unia cópia do processo de consulta ME 10880.014252/98-80 foi juntada ao processo ME 10314.001471/00-56:: 10314.001465/00-53 10314.001480/00-47 10314.001468/00-41 10314.001466/00-16 10314.001469/00-12 10314.001462/00-65 10314.001467/00-89 10314.001470/00-93 10314.001464/00-91 10314.001459/00-51 10314.001453/00-74 10314.001456/00-62 10314.001472/00-19 10314.001481/00-18 10314.001455/00-08 10314.001471/00-56 10314.001458/00-98 10314.001474/00-44 10314.001463/00-28 10314.001477/00-32 10314.001457100-25 10314.001452/00-10 10314.001478/00-03 10314.001476/00-70 10314.001451/00-49 10314.001479/00-68 10314.001460/00-30 10314.001475/00-15 10314.001454/00-37 • A respeito da nova manifestação apresentada pela interessada, esta, em suma, ratificou o teor de sua manifestação inicial, ressaltando, quanto aos motivos que suscitaram a anulação da decisão n°319, que o auto de infração já se encontrava extinto 6 Processo n° 10314.001457/00-25 S3-C2TI Acórdão n.° 3201-00.278 Fl. 197 por pagamento. Frisou que o pagamento objeto do pleito foi comprovado no sistema SINAL, e ao final, solicitou a restituição conforme petição inicial. Em 13/07/2007, o processo retornou a esta unidade julgadora para prosseguimento dojulgamento. Nada obstante os argumentos aduzidos pela contribuinte (doravante denominada Interessada), a decisão de primeira instância indeferiu a solicitação da mesma, pelas razões sintetizadas na ementa abaixo transcrita: Assunto: Normas de Administração Tributária Data do fato gerador: 18/11/1997 MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. Constatado que o produto MYKON ATC WRITE Manaus (N,N,1V,N - tetraacetiletilenodiamina estabilizado com carboximetil-celulose sódica) classifica-se no código NCM 3824.90,89; que sua correspondente alíquota do imposto de importação é igual a do código NCM aplicado no despacho aduaneiro; e que, via de conseqüência, o valor recolhido do imposto de importação coincide com o valor deste tributo inerente à da correta classificação fiscal do bem importado, não há crédito tributário a ser restituído ou compensado. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 18/11/1997 SOLUÇÃO DE CONSULTA. ALTERAÇÃO DE ENTENDIMENTO ANTERIOR. EFEITOS. A alteração de entendimento expresso em Solução de Consulta alcançará apenas os fatos geradores que ocorreram após a sua publicação ou após a ciência do consulente, exceto se a nova orientação lhe for mais favorável, caso em que esta atingirá, também, o período abrangido pela solução anteriormente dada. Contudo, se constatado que o fato gerador objeto do pedido de restituição ou compensação ocorreu anteriormente à Solução de Consulta tornada insubsistente e superada por unia nova orientação, que, por sua vez, não acarreta em tratamento mais favorável, incabível será a aplicação do principio da retroatividade mais benigna. Regularmente intimada da decisão supra em 29 de novembro de 2007, a Interessada protocolizou Recurso Voluntário (fls. 159 e seguintes), no dia 14 de dezembro do mesmo ano. Nesta peça recursal, após elaborar um breve relato dos fatos ocorridos, reitera os termos de sua peça impugnatória. Assevera, nesse diapasão, que apesar de o desembaraço de a mercadoria ter se dado em 1997, o pedido de restituição foi formulado em 2000, com fulcro em Solução de Consulta proferida em 1998. Eis a breve síntese dos fatos. 7 Processo n° 103 I 4.001457/00-25 83-C2T1 Acórdão n.° 3201-00.278 Fl. 198 Voto Conselheira ROSA MARIA DE JESUS DA SILVA COSTA DE CASTRO, Relatora O processo preenche os requisitos de admissibilidade e, portanto, dele conheço. Consoante relatado, o presente feito trata de pedido de restituição de suposto pagamento a maior por parte do importador, em razão do mesmo haver adotado o código 3824.90.90 (fls. 20), com aliquota de 17% (DI 97/1070526-1, de 18/11/1997), enquanto que, pela decisão (solução de consulta) ri° 319, de 29/06/1998, inerente ao processo n° 10880.014252/98-80, o código correto seria 2922.30.90, cuja alíquota II, em 18/11/1997, era de 5%. Em suma, assim se pode expor Os principais fatos atinentes à lide em epígrafe: a) Antes de 29/05/1996 — A interessada adotava o código 2922.30.90 — Alíquota II — 2%; b) Em 29/05/1996 — Lançamento DCLC 242/96 — Fundamentação -> código 3823.90.90; c) Em 18/11/1997 — Registro Dl 97/1070526-1— código 3824.90.90 — Alíquota II — 17%; d) Em 18/06/1998 — Formalização de Consulta - processo ri° 10880.014252/98- 80; e) Em 29/06/1998 — Solução de Consulta - Decisão DIANA/SRRF/8°RF n° 319, de 29/06/1998 — Conclusão -> código TEC 2922.30.90; O Em 10/04/2000 — Pedido de Restituição/Compensação - Fundamentação -> código TEC 2922.30.90; g) Em 29/01/2001 — Decisão DIANA/SRRF/8"RF n° 005, de 29/01/2001 — Reforma o entendimento inicial — Torna insubsistente a Decisão DIANA/SRRF/8°RF tf 319, de 29/06/1998 - Conclusão -> código TEC 3824.90.89 — Alíquota II de 17% em 18/11/1997 (data do registro da DI 97/1070526-1); Inicialmente, devo explicitar que, consoante exposto pela decisão recorrida, a SEFIA/IRF/SP (fis. 35-36), está equivocada ao afirmar que"(..) ao formalizar o pedido de consulta, a interessada deixou de informar que já havia sido intimada a cumprir obrigação tributária relativa ao fato objeto da consulta (..) razão pela qual, entendemos configurada a hipótese de não atendimento ao art. 52, II, do Decreto 70.235/72 (PAF)". Senão vejamos: 8 Processo n° 10314.001457/00-25 S3-C2T1 Acórdão n.° 3201-00.278 Fl. 199 "(...) a Fiscalização se equivocou ao entender que, por ocasião da formulação da consulta que culminou com a Decisão n` 319/1998, a interessada se encontrava sob procedimento fiscal, o que acarretaria suposto vicio de forma, objeto, inclusive, de Representação Fiscal. De acordo com o teor do processo de consulta ME 10880.014252/98-80, o qual se encontra juntado ao processo ME 10314.001471/00-56, e, em especial, nos termos do PARECER/DIANA/SRRFO8 1‘1" 332/2003 (fls. 496), do Despacho de fls. 501-503, e do Despacho de fls. 504, onde a COANA ratificou o entendimento da DIANA/SRRF08, inexistiram os supostos vícios deforma." Dessa forma, tem-se que a solução do litígio em apreço reside em contextualizar o regramento contido nos parágrafos 6° e 7", do art. 14, da Instrução Normativa n° 230/2004, cujas disposições, além de deverem obediência às normas que lhe são hierarquicamente superiores, não podem, como não pode qualquer ato integrante da legislação, ser objeto de interpretação que, conferindo ao ato normativo inequívoca incoerência, fira-o em sua própria e intrínseca lógica. Do dispositivo acima mencionado consta: § 6Q Na hipótese de alteração de entendimento expresso em Solução de Consulta, a nova orientação alcança apenas os fatos geradores que ocorrerem após a sua publicação na imprensa oficial ou após a ciência do consulente exceto se a nova orientação lhe for mais favorável, caso em que esta atingirá, também, o período abrangido pela solução anteriormente dada. § 7"- Na hipótese de alteração ou relbrma, de oficio, de Solução de Consulta sobre classificação de mercadorias, APLICAM-SE AS CONCLUSÕES DA SOLUÇÃO ALTERADA OU REFORMADA EM RELAÇÃO AOS ATOS PRATICADOS ATÉ A DATA EM QUE FOR DADA CIÊNCIA AO CONSULENTE DA NOVA ORIENTAÇÃO. Desses dizeres, especialmente do transcrito § 6", sabe-se que todas as Soluções de Consulta, proferidas a respeito de toda e qualquer matéria, inclusive classificação de mercadoria, estão sujeitas a nova orientação, seja em decorrência de solução de divergência, seja em decorrência de solução de consulta interna ou de qualquer outro ato interpretativo acerca da espécie consultada que, expedido por órgão central da Secretaria da Receita Federal, uniformize nacionalmente eventual diversidade de entendimento. Sendo assim, é inconteste que às Soluções de Consulta, inclusive as proferidas sobre classificação de mercadorias, quando objeto de orientação introduzida em face das hipóteses referidas no transcrito § 6°, deverá ser dispensado o tratamento ali previsto, o qual expressamente contempla a retroatividade benigna (para afetar fatos geradores passados). Todavia, quanto à manutenção dessa benignidade nos casos de revisão de oficio a que estão sujeitas as Soluções de Consulta que tenham por objeto a classificação de mercadorias, surgem, polêmicos, entendimentos diversos. 9 Processo n°10314.001457/00-25 53-C2T1 Acórdão n.° 3201-00.278 Fl. 200 Nada obstante, nesses casos entendo que se deve apelar à matriz legal da norma, qual seja, § 12 de seu artigo 48, da Lei n°9.430/1996, a qual ao disciplinar o instituto da consulta, dispôs: §12- Se, após a resposta à consulta, a administração alterar o entendimento nela expresso, a nova orientação atingirá, apenas, os fatos geradores que ocorram após dado ciência ao consulente ou após a sua publicação na imprensa oficial. Conforme se verifica, caso a nova orientação for menos benéfica ao Contribuinte, esta somente poderá ser aplicada a fatos geradores posteriores à sua publicação ou ciência ao consulente (mantendo-se incólume os atos praticados sob à égide da Consulta reformada). Por outro lado, apesar de não ter sido objeto de debate (ainda), devo ressaltar que por se tratar de restituição de Imposto de Importação (II), não se aplicam ao caso concreto as disposições contidas no artigo 166 do Código Tributário Nacional, consoante manifestação exarada pela própria Administração Tributária no Parecer/COSIT n° 47/2003, abaixo parcialmente transcrito: Assunto: Imposto sobre a Importação - Ementa: IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. ART. 166 DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL. INAPLICABILIDADE O Imposto de Importação não se constitui tributo que, por sua natureza, comporta transferência do respectivo encargo .financeiro. O sujeito passivo do Imposto de Importação não necessita comprovar à Secretaria da Receita Federal que não repassou seu encargo financeiro a terceira pessoa para ter direito à restituição do imposto pago indevidamente ou em valor maior que o devido. Reforma do Parecer CST/DAA n(2 1.965, de 18 de julho de 1980. Dispositivos Legais: Lei n(25.172, de 1966, art. 166. 4.Confbrme bem lembrado pela Disit da SRRF06, não há como negar que todos os impostos, taxas e contribuições pagos por uma sociedade simples ou empresária tendem a ser por esta integralmente satisfeitos mediante a receita oriunda da venda dos bens por ela produzidos ou adquiridos ou dos serviços por ela prestados, ou seja, o ónus dos tributos acaba sendo indiretamente suportado pelos consumidores de seus bens e serviços. 5.0 encargo financeiro do tributo também pode ser ~rido a terceira pessoa via convenção particular, como no caso do contrato de locação em que o proprietário do imóvel ajusta com seu inquilino que este deve efetuar o pagamento do Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU) devido anualmente pelo proprietário imóvel. Da mesma forma, têm-se hoje casos de venda de veículos automotores em que a concessionária lo Processo n° 10314.001457100-25 S3-C2T1 Acórdão n°3201-00.278 Fl. 201 compromete-se a pagar o Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores (IPVA) devido pelo proprietário do veiculo em seu primeiro ano de uso. 6.Dito isso, deve-se então esclarecer que o art. 166 do CTN não buscou regular a restituição dos tributos objeto dessas transferências "voluntárias" de encargo financeiro, mas sim a restituição daqueles tributos que, em razão de sua natureza jurídica (base de cálculo e/ou fato gerador fixado na lei tributária que instituiu o tributo), comportam uma natural transferência de seu encargo ,financeiro do sujeito passivo da obrigação tributária (contribuinte de direito) a terceira pessoa (contribuinte de fato). 7.Como exemplo, tem-se os casos do Imposto sobre Produtos Industrializados (INL do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e de Prestação de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicações (ICMS) e do Imposto sobre Serviços de Qualquer Natureza (ISS), tributos esses cuja própria natureza jurídica (incidência na alienação de bens ou serviços e exigência juntamente com o preço dos bens vendidos ou dos serviços prestados) pressupõe a transferência do encargo financeiro do tributo àquele que adquire o bem ou o serviço (contribuinte de fino). 8.Impostos da natureza dos acima elencados são classificados como indiretos por muitos operadores do Direito, como é o caso do Jurista Fábio Fannuchi, que ul tima o seguinte: "O imposto é direto quando em uma só pessoa reúnem-se as condições de contribuinte de fato (aquele que arca com o ónus representado pelo tributo) e de direito (aquele que é responsável pelo cumprimento de todas as obrigações tributárias previstas na legislação). E é da renda devida por declaração, onde a relação jurídica-tributária se estabelece diretamente entre sujeitos ativo e passivo, sem interferência de terceiros. O imposto é indireto, quando existe uma pessoa que contribui e outra que, perante o sujeito ativo da relação, deve cumprir com as obrigações de controlar, arrecadar e recolher o tributo, ficando responsável pelo débito caso não proceda como a legislação ordene. E o caso do imposto de circulação de mercadorias, que tem como contribuinte de direito o comerciante, o industrial ou o produtor." (grifou-se) Uma vez que ao sujeito passivo do tributo dito indireto cabem tão-somente as atividades de controle e arrecadação/recolhimento de tributo cujo ónus é transferido ao adquirente do bem ou do serviço, a ele não é devida, salvo prova em contrário, a restituição de valor recolhido indevidamente aos cofres da União, assim como contra ele há presunção de apropriação indébita de tributo devido e não recolhido aos cofres públicos, em similitude à retenção e não-recolhimento de tributo ou contribuição pela fonte pagadora de rendimentos. I I Processo n° 103!4.001457/00-25 S3-C2T1 • Acórdão n." 3201-00.278 Fl. 202 11.Ademais, referida exegese guarda consonância com o entendimento que vem sendo dado à matéria pelo Superior Tribunal de Justiça, nos seguintes termos: "Tributos que comportem, por sua natureza, transferência do respectivo encargo financeiro são somente aqueles em relação aos quais a própria lei estabeleça dita transferência. Somente em casos assim, aplica-se a regra do art. 166 do Código Tributário Nacional, pois a natureza a que se reporta tal dispositivo legal só pode ser a jurídica, que é determinada pela lei correspondente, e não por meras circunstâncias económicos que podem estar, ou não, presentes, sem que se disponha de um critério seguro para saber quando se deu, ou não se deu, aludida transferência. Na verdade, o art. 166 do CTN contém referência bem clara ao fino de que deve haver pelo intérprete sempre, em casos de repetição de indébito, identificação se o tributo, por sua natureza, comporta a transferência do respectivo encargo financeiro para terceiro ou não, quando a lei, expressamente, não determina que o pagamento da exação é feita por terceitv, como é o caso do ICMS e do IPI. A prova a ser exigida na primeira situação deve ser aquela possível e que se apresente bem clara, a .fim de não se colaborar para o enriquecimento ilícito do poder tributante. Nos casos em que a lei expressamente determina que o terceiro assutniu o encargo, necessidade há, de modo absoluto, que esse conceda autorização para a repetição de indébito." (grifou-se) 12. Tratando-se, portanto, de recolhimento de impostos ditos indiretos, há que se observar, na repetição do indébito ao contribuinte de direito, as exigências estabelecidos no art. 166 do CTN, conforme bem assevera o Professor Bernardo Ribeiro de Moraes, in verbis: "Assim, em relação aos tributos que comportem, por sua natureza, transferência do respectivo encargo .financeiro — casos de tributos indiretos — o pedido de repetição de indébito tributário deve atender aos seguintes pressupostos: a) ter sido pago o tributo. A prova a ser feita se refere ao pagamento do tributo; h) ter prova de que, na qualidade de contribuinte ou interessado, assumiu o encargo financeiro relativo ao tributo, seja não tendo transferido o seu valor a terceiro (prova negativa de transferência do tributo), seja tendo transferido o seu valor a terceiro e se achar autorizado por este a receber a repetição (prova positiva de transferência do tributo e de autorização do contribuinte de fato); c) ser esse pagamento indevido sem causa jurídica. A prova a ser feita é a de que o sol vens pagou sem ser devedor, em razão das hipóteses contidas nos incisos I, 11 e Hl do art. 165 do Código Tributário Nacional." (grifou-se) 12 Processo n°10314.001457/00-25 S3-C2Ti Acórdão n.° 3201-00.278 Fl. 203 13.0 entendimento ora esposado, ressalte-se, guarda perfeita consonância com a Súmula n°546 do Supremo Tribunal Federal, assim enunciada: "Cabe a restituição do tributo pago indevidamente, quando reconhecido, por decisão, que o contribuinte de jure não recuperou do contribuinte de fito o quantum respectivo. 14.0 Imposto de Importação não se caracteriza tributo cuja natureza jurídica comporta a transferência do respectivo encargo financeiro — inexistem, para o Imposto de Importação (inclusive nos casos de importação de determinado bem por conta e ordem de terceiros), as figuras do contribuinte de fato e do contribuinte de direito. 15.Nas hipóteses em que se pode cogitar a ocorrência da transferência do encargo financeiro do tributo, referida transferência dá-se não em decorrência da natureza jurídica do tributo, mas sim da natureza jurídica do importador ou de sua atividade econômica, a qual pressupõe o auferünento de receita suficiente para cobrir seus custos e despesas (inclusive tributárias), 16. Muitas vezes, a aludida transferência do encargo financeiro do tributo sequer existe, como nas importações de mercadorias por pessoas .fisicas não-comerciantes e que não prestam serviços utilizando-se dos bens por ela importados, bem assim nas importações destinadas ao ativo permanente. 17.A.ssinz, não sendo o Imposto de Importação um tributo que, por sua natureza, comporta transferência do respectivo encargo .financeiro, o sujeito passivo do imposto não necessita comprovar à Secretaria da Receita Federal (SRF) que não repassou seu encargo financeiro a terceira pessoa para ter direito à restituição do imposto pago indevidamente ou em valor maior que o devido. 18.Esclareça-se, por oportuno, que tratamento diverso do atribuído ao Imposto de Importação merece ser dado ao IPI vinculado à importação, haja vista, conforme anteriormente afirmado, que o IP! constitui-se um tributo cuja natureza jurídica comporta a transferência do respectivo encargo financeiro. 18.1 Assim, o IPI vinculado à importação pago indevidamente ou em valor maior que o devido somente poderá ser restituído ao importador quando este comprovar à SRF que, além de não ter se utilizado do IPI pago na importação na dedução de débitos do IPI decorrentes das vendas de produtos industrializados sujeitos à incidência do imposto, também não repassou seu encargo financeiro a terceira pessoa (não se utilizou do valor pago a título de IPI vinculado à importação como custo ou despesa), ou, caso tenha repassado referido encargo, que está expressamente autorizado a pleitear a restituição do imposto pago indevidamente ou em valor maior que o devido por aquele que 13 Processo n° 10314.001457/00-25 S3-C2TI Acórdão n.° 3201-00.278 Fl. 204 assumiu o encargo financeiro do imposto na aquisição dos bens vendidos ou dos serviços prestados pelo importador. 19.Necessária, portanto, mostra-se a reforma do Parecer CST/DAA n° 1.965, de 18 de julho de 1980, por intermédio do qual esta Cosit expressou o entendimento de que o Imposto de Importação inseria-se na determinação contida no art. 166 do CTN e que, em razão disso, sua restituição estaria condicionada à prova de assunção do respectivo encargo financeiro ou, no caso de transferência do ónus a terceiro, à expressa autorização deste. CONCLUSÃO 20.Diante de todo o exposto, conclui-se que o Imposto de Importação não se constituiu tributo que, por sua natureza, comporta transferência do respectivo encargo financeiro. Assim, o sujeito passivo do Imposto de Importação não necessita comprovar à Secretaria da Receita Federal que não repassou seu encargo financeiro a terceira pessoa para ter direito à restituição do imposto pago indevidamente ou em valor maior que o devido. Em face do exposto, voto pelo deferimento do pedido formulado pela Interessada. Sala das Sessões, em 14 de agosto de 2009 • 7 • ROSA MARI E JESUS DA SILVA COSTA DE CASTRO - Relatora 14 MINISTÉRIO DA FAZENDA egi CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS "er»fr.i. #410Ilt (. ., TERCEIRA SEÇÃO-stlrg...- Processo n°: 10314.001457/00-25 Recurso n.°: 141076 TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no j 3 0 do art. 81 anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria Ministerial d. 256, de 22 de junho de 2009, intime-se o(a) Senhor(a) Procurador(a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto a este Conselho, a tornar ciência do Acórdão n.° 3201-00.278. Brasília, 18 de a osto e 2009. LUIZ HU BE ? NI! C • /Z, • RNANDES Chefe da 2'. ii. m ra 4a Ter eira Seção \— Ciente, com a observação abaixo: [ I Apenas com Ciência [ I Com Recurso Especial [ I Com Embargos de Declaração Data da ciência: / / Procurador (a) da Fazenda Nacional Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1 _0000400.PDF Page 1 _0000500.PDF Page 1 _0000600.PDF Page 1 _0000700.PDF Page 1 _0000800.PDF Page 1 _0000900.PDF Page 1 _0001000.PDF Page 1 _0001100.PDF Page 1 _0001200.PDF Page 1 _0001300.PDF Page 1 _0001400.PDF Page 1 _0001500.PDF Page 1
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Numero do processo: 35476.001052/2007-76
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 07 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Tue Jul 07 00:00:00 UTC 2009
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/08/2003 a 30/12/2005
CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA - CUSTEIO -
DESCARACTERIZAÇÃO DE VINCULO PACTUADOÊ
atribuída à fiscalização da SRP a prerrogativa de, seja qual for a forma de
contratação, desconsiderar o vínculo pactuado e efetuar o enquadramento
como segurados empregados da empresa contratante, desde que presentes os
requisitos do art. 12,!, "a", da Lei n. 8.212/91.
Os elementos caracterizadores do vínculo empregatício estão devidamente
demonstrados no relatório fiscal da NFLD.
CO-RESPONSÁVEIS
Todos representantes legais do sujeito passivo devem constar do CORESP,
consoante determinações contidas nos normativos legais que tratam da
constituição do crédito previdenciário.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2301-000.504
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto da relatora. Vencido o Conselheiro Leonardo Henrique Pires Lopes que entendeu que deveria ser excluídos da relação de co-responsáveis os sócios da recorrente.
Nome do relator: Bernadete de Oliveira Barros
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Recorrida SECRETARIA DA RECEITA PREVIDENCIÁRIA Assnrro: CONTRIBUIÇOES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/08/2003 a 30/12/2005 CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA - CUSTEIO - DESCARACTERIZAÇÃO DE VINCULO PACTUADO- Ê atribuída à fiscalização da SRP a prerrogativa de, seja qual for a forma de contratação, desconsiderar o vínculo pactuado e efetuar o enquadramento como segurados empregados da empresa contratante, desde que presentes os requisitos do art. 12,!, "a", da Lei n. 8.212/91. Os elementos caracterizadores do vínculo empregatício estão devidamente demonstrados no relatório fiscal da NFLD. CO-RESPONSÁVEIS Todos representantes legais do sujeito passivo devem constar do CORESP, consoante determinações contidas nos normativos legais que tratam da constituição do crédito previdenciário. Recurso Voluntário Negado kOk• Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. 11) y 4/—• Processo n°35476.001052/2007-76 S2-C3T1 Acórdão n.° 2301-00304 Fl. 264 ACORDAM os membros da 3* Câmara / i Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto da relatora. Vencid • o CG nselheiro Leonardo Henrique Pires Lopes que entendeu que deveria ser excluídos da :iG Ge co-responsáveis os sócios da recorrente. 14nGgwkwir JULIO E • • VIEIRA GOMES Presid- e D G 4-f° BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Relatora Participaram do julgamento os conselheiros: Damião Cordeiro de Moraes, Edgar Silva Vidal (Suplente), Maria Helena Lima dos Santos (Suplente), Bernadete de Oliveira Barros, Leonardo Henrique Pires Lopes e Julio Cesar Vieira Gomes (Presidente). 2 Processo n0 35476.001052/2007-76 S2-C3T1 Acórdão n.• 2301-00304 Fl. 265 Relatório Trata-se de crédito previdenciário lançado contra a empresa acima identificada, referente às contribuições devidas à Seguridade Social, correspondentes à contribuição dos empregados, à da empresa, à destinada ao financiamento dos beneficios decorrentes dos riscos ambientais do trabalho e aos terceiros. Conforme Relatório Fiscal (fls. 41 a 47), o fato gerador da contribuição lançada é o pagamento efetuado pela prestação de serviços, à recorrente, do segurado RONALDO HEILBUT, sócio-gerente da empresa Rano do Brasil Consultores Ltda, e considerado empregado pela fiscalização, no período de 08/2003 a 12/2005, por ter sido constatada a presença dos requisitos caracterizadores da relação de emprego. A autoridade lançadora informa que os fatos geradores foram apurados com base no exame dos livros contábeis, notas fiscais de prestação de serviços, bem como nas informações contidas nos sistemas informatizados da Previdência Social. Expõe os motivos pelos quais entendeu que houve a simulação de prestação de serviços entre duas pessoas jurídicas, e esclarecendo que ficou constatada, de fato, a prestação de serviços entre pessoa fisica e a empresa notificada. A empresa notificada impugnou o débito via peça de fls. 52 a 80, alegando, em apertada síntese, inexistência de vínculo empregatício entre a recorrente e o segurado apontado pela fiscalização, impossibilidade do reconhecimento do vínculo empregatício pelo Auditor Fiscal, impossibilidade de responsabilizar o sócio/administrador por débitos previdenciários da impugnante. A Secretaria da Receita Previdenciária, por meio da Decisão-Notificação n° 21.424.4/170/2007 (fls. 83 a 92), julgou a Notificação Fiscal de Lançamento de Débito - NFLD procedente e a recorrente, inconformada com a decisão, apresentou recurso (95 a 128), repetindo basicamente as alegações trazidas na defesa. Preliminarmente, reafirma que o agente fiscal não é competente para desconsiderar personalidade jurídica e declarar a existência de vínculo de emprego e registra que a prestação de serviços pela sociedade Rano do Brasil à recorrente ocorre de forma totalmente regular e legal, mediante contrato. Sustenta que cabe ao Juiz descaracterizar personalidade jurídica quando verificar a existência de abuso de direito, excesso de poder, infração da lei, fato ou ato ilícito ou violação dos estatutos ou contrato social, avaliando cuidadosamente as provas, cabendo ao agente administrativo apenas buscar o pronunciamento do poder judiciário a respeito. Afirma que a norma é clara no sentido de que o que pode ser desconsiderado é o vínculo pactuado entre um empregador e um segurado, pessoa fisica, não havendo nada que permita ao Auditor Fiscal decidir pela desconsideração da personalidade jurídica de empresa que presta serviços a outra, tendo o agente notificante assumido funções jurisdicionais, o que tomou nulo o presente auto de infração. 3 Processo n°35476.001052/2007-76 52-C3T1 Acórdão n.• 2301-00.504 Fl. 266 Argumenta que não foram apresentadas provas no processo administrativo instaurado pela fiscalização que permitisse decretar a desconsideração da personalidade jurídica do prestador de serviços e ressalta que foram anexados ao relatório fiscal tão somente uma lista de ramais e uma notícia da intemet, nada havendo em relação aos demais dados. Defende o princípio de que a fraude não se presume, devendo ser provada através de elementos robustos e não pífios, como os levantados pela fiscalização e cita a doutrina e a jurisprudência para reforçar seus argumentos. No mérito, reitera que inexiste relação de emprego entre a recorrente e o Sr. Ronaldo Heilbult, sendo que a relação que uniu as partes é uma relação inter-empresarial, e que os elementos carreados à NFLD não são suficientes para caracterizar uma relação de emprego, o que toma o lançamento nulo. Assevera que a fiscalização do INSS jamais teve competência para declarar a existência de uma relação de emprego, pois, nos termos do art. 114 da CF, o órgão competente para tanto é a Justiça do Trabalho, e traz julgados na tentativa de comprovar suas alegações. Discorre sobre cada elemento caractedzador da relação de emprego para concluir que as provas trazidas no processo não têm o condão de caracterizar o vínculo de emprego pretendido entre a recorrente e o prestador de serviços. Entende que a disponibilização de um local determinado dentro da empresa para a prestadora realizar seus serviços esporádicos não caracteriza, de per si, uma relação empregatícia, e argumenta que o reembolso de despesas por parte da recorrente, como alimentação, viagens e multa, devido a exigências contabilisticas, foi lançada de forma a levar a crer que se pagava um valor mensal fixo. Relativamente à matéria produzida pela intemet, alega que é totalmente desprovida de credibilidade e que qualquer prestação de serviços está sujeita à realização de tarefas estipuladas em contrato, lembrando que a existência de contrato escrito visa exatamente resguardar o direito das partes no que conceme à descrição do serviço desejado pelo contratante e, conseqüentemente, do serviço que deverá ser prestado. Frisa que o contrato de prestação de serviço celebrado é claro a respeito da não pessoalidade na prestação de serviços e que o auto de infração carece de provas acerca da existência de pessoalidade na prestação de serviços. Infere que os documentos anexos comprovam a ausência de exclusividade e argumenta que, mesmo que houvesse a dedicação exclusiva, tal fato seria decorrente da opção negociai, não havendo norma legal que impeça um prestador de serviço de manter um único cliente, o que seria uma demonstração de que os prestadores de serviços da recorrente encontram-se recompensados por tal exclusividade. Em relação à habitualidade, afirma. que não há provas de controle de horário do Sr Ronaldo, ressaltando que, ainda que houvesse habitualidade, somente esse elemento não gera vinculo de emprego, pois faltam os demais requisitos, que são os mais importantes para configuração dessa relação. rn-•"1 4 Processo n°35476.001052/2007-76 S2-C3T1 Acórdão n.• 2301-00304 Fl. 267 Insiste na ausência de responsabilidade dos diretores apontados na autuação, sob a alegação de que somente a própria recorrente deve responder pelos tributos e sanções fiscais devidos, caso o crédito tributário seja constituído definitivamente. Em contra-razões (fls. 204/205), a SRP manteve os termos da Decisão- Notificação. • Às fls. 207 a 208, a Recorrente se manifestou requerendo a juntada dos documentos de fls. 209 a 249. É o relatório. • • Processo n°35476.001052/2007-76 S2-C3T1 Acórdão n.• 2301-00304 Fl. 268 Voto Conselheira BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Relatora • O recurso é tempestivo e não há óbice para seu conhecimento. Preliminarmente, a notificada alega que o agente fiscal não é competente para desconsiderar personalidade jurídica e declarar a existência de vínculo de emprego. Entende que cabe ao Juiz descaracterizar personalidade jurídica, e que ao agente administrativo cabe apenas buscar o pronunciamento do poder judiciário a respeito. Contudo, tal entendimento não encontra respaldo na jurisprudência deste Conselho de Contribuintes e de nossos tribunais, conforme julgados cujos trechos transcrevo abaixo: TRF l' Região - Apelação Cível 94.01.13621-1/MG DJ 12/04/2002 "Salienta-se ainda que é desnecessária qualquer declaração judicial prévia para anular os atos jurídicos entre as partes, já que seus reflexos tributários existem independentemente da validade jurídica dos atos praticados pelos contribuintes, nos termos do artigo 118, I, do Código Tributário Nacional Ademais, a questão central dos autos cinge-se à repercussão para os efeitos tributários do ato simulado, ou seja, de sua ineficácia para fins de dedução de tais prejuízos. Uma vez comprovada que o sujeito passivo agiu com dolo, fraude ou simulação, como de fato o foi no caso em tela, a autoridade administrativa tem plenos poderes para efetuar a glosa da dedução de imposto ilegitimamente realizada pela Autora, nos termos do art. 149, inciso VII, do CITY..." TRF 4' Região - Apelação Em Mandado De Segurança n° 2003.04.01.0581274 — Data da Decisão: 31/08/2005 PROCESSUAL CIVIL. JULGAMENTO ULTRA PETITA. TRIBUTÁRIO. OMISSÃO DE RECEITAS. IMPOSTO DE RENDA MOVIMENTAÇÃO BANCÁRIA. (.) 3. A proposição de invalidade do procedimento fiscal não merece guarida, pois os elementos coligidos aos autos dão conta de que o Fisco procedeu à investigação e à fiscalização dentro dos limites da lei, não ocorrendo qualquer excesso violador de direito individual, garantindo-se à impetrante a ampla defesa e o contraditório, tanto na via administrativa, quanto na judicial. 4. Restando provados, à saciedade, os fatos que ernbasaram o lançamento tributário, bem como o dolo, a fraude e a simulação, 6 Processo rr 35476.001052/2007-76 S2-C3T1 Acórdão n.° 2301-00304 Fl. 269 é desnecessária a utilização da teoria da desconsideração da personalidade jurídica da empresa, aplicando-se o art. 149. VIL do CIN. Acórdão 107-08247— Sétima Câmara — 12/09/2005 IMPOSTO DE RENDA DE PESSOA JURÍDICA — OMISSÃO DE RECEITA — INTERPOSIÇÃO DE PESSOAS — SIMULAÇÃO. Comprovado pela Fiscalização que a Recorrente utilizou-se de terceiro para omitir receita, fato este que não foi descaracterizado em qualquer momento por aquela, é de ser mantido o Lançamento de Oficio. IRPJ — SIMULAÇÃO — MULTA AGRAVADA. Mantém-se a multa agravada se caracterizada a omissão de receita através de simulação. Nesse mesmo sentido, cita-se o entendimento de Heleno Urres em sua obra Direito Tributário e Direito Privado — Autonomia Privada, Simulação, Elusão Tributária — Ed. Revista dos Tribunais —2003 — pág. 371: "Como é sabido, a Administração Tributária não tem nenhum interesse direto na desconstituição dos atos simulados, salvo para superar-lhes a forma, visando a alcançar a substância negociai, nas hipóteses de simulação absoluta. Para a Administração Tributária, como bem recorda Alberto Xavier, é despiciendo que tais atos sejam considerados válidos ou nulos, eficazes ou ineficazes nas relações privadas entre os simuladores, nas relações entre terceiros ou nas relações entre terceiros com interesses conflitantes. Eles são simplesmente inoponíveis à Administração, cabendo a esta o direito de superação, pelo regime de desconsideração do ato negocial, da personalidade jurídica ou da forma apresentada, quando em presença do respectivo "motivo" para o ato administrativo: o ato simulado" Portanto, na presença de simulação, a auditoria fiscal tem o dever-poder de não permanecer inerte, pois tais negócios são inoponíveis ao fisco no exercício da atividade plenamente vinculada do lançamento, que no caso em tela encontra respaldo ainda no artigo 149, inciso VII do CTN que dispõe o seguinte: Art. 149. O lançamento é efetuado e revisto de oficio pela autoridade administrativa nos seguintes casos: VII - quando se comprove que o sujeito passivo, ou terceiro em beneficio daquele, agiu com dolo, fraude ou simulação; Entendo que os expedientes utilizados pela recorrente tinham por objetivo simular negócio jurídico, no qual a intenção das partes é uma, a forma jurídica adotada é outra. A empresa se defende alegando que a norma é clara no sentido de que o que pode ser desconsiderado é o vínculo pactuado entre um empregador e um segurado, pessoa fisica, não havendo nada que permita ao Auditor Fiscal decidir pela desconsideração da personalidade jurídica de empresa que presta serviços a outra, tendo o agente notificante assumido funções jurisdicionais, o que tomou nulo o presente auto de infração. 7 Processo n°35476.001052/2007-76 S2-C3T1 Acórdão n.° 2301-00304 Fl. 270 No entanto, a auditoria deixou claro, no Relatório da NFLD, que caracterizou a pessoa fisica que prestou serviços à notificada por meio da pessoa jurídica por ela mesma constituída, como empregada da recorrente, tendo em vista a realidade fática constatada durante a ação fiscal desenvolvida na tomadora. Portanto, o que houve no caso em tela foi a caracterização de pessoa fisica como segurado empregado da recorrente, tendo em vista a constatação da presença dos elementos caracterizadores da relação de emprego. A recorrente se vale do principio de que a fraude não se presume para sustentar que ela deve ser provada através de elementos robustos. Porém, apesar de solicitado por meio de TIAD, a notificada não apresentou o contrato de prestação de serviços firmado entre a recorrente e a empresa prestadora e demais documentos necessários ao correto enquadramento do tipo de serviço prestado. Ao proceder dessa forma, a recorrente impossibilitou ao fiscal a demonstração da existência ou não de vínculo de emprego no serviço prestado. Portanto, houve a inversão do ônus da prova, cabendo à recorrente comprovar o que alega. E, da análise dos fatos apresentados, verifica-se a existência de uma simulação no procedimento de terceirização adotado pela notificada em relação à empresa apontada no Relatório Fiscal. Na definição de Clóvis Beviláqua, a simulação é uma declaração enganosa da vontade, visando produzir efeito diverso do ostensivamente indicado (Código Civil dos Estados Unidos do Brasil Comentado — 152 Edição). O Código Civil Brasileiro de 2002 traz, no § 1 0, do art. 167, as hipóteses em que fica configurada a ocorrência de simulação: Art. 167. É nulo o negócio jurídico simulado, mas subsistirá o que se dissimulou, se válido for na substância e na forma. 1 o Haverá simulação nos negó dos jurídicos quando: I - aparentarem conferir ou transmitir direitos a pessoas diversas daquelas às quais realmente se conferem, ou transmitem; - contiverem declaração, confissão, condição ou cláusula não verdadeira; III - os instrumentos particulares forem antedatados, ou pós- datados E, conforme demonstrado nos autos, a situação verificada pela auditoria fiscal se enquadra perfeitamente no dispositivo legal transcrito acima. Segundo Orlando Gomes, ocorre simulação quando em um negócio jurídico se verifica intencional divergência entre a vontade real e a vontade declarada, com o fim de enganar terceiro (Introdução ao Estudo do Direito — 7 Edição). • 8 Processo n°35476.001052/2007-76 S2-C3T1 Acórdão n.° 2301-00.504 Fl. 271 De acordo com o art. 118, inciso I do CTN, a definição legal do fato gerador é interpretada abstraindo-se da validade jurídica dos atos efetivamente praticados pelos contribuintes, responsáveis, ou terceiros, bem como da natureza do seu objeto ou dos seus efeitos. Assim, em respeito ao Princípio da Verdade Material e pelo poder-dever de buscar o ato efetivamente praticado pelas partes, a Administração, ao verificar a ocorrência de simulação, pode superar o negócio jurídico simulado para aplicar a lei tributária aos verdadeiros participantes do negócio. Pelos motivos acima expostos, rejeito a preliminar suscitada. No mérito, a recorrente tenta demonstrar que inexiste relação de emprego entre a recorrente e o Sr. Ronaldo Heilbult, e que a fiscalização do INSS jamais teve competência para declarar a existência de uma relação de emprego, pois, nos termos do art. 114 da CF, o órgão competente para tanto é a Justiça do Trabalho. Contudo, a fiscalização constatou a ocorrência de todos os requisitos necessários para a caracterização da relação de emprego , exigidos pelo art. 12, I, "a" da Lei n. 0 8 .212/91 c/c art. 9. °, I, "a", do RPS, aprovado pelo Decreto n. 03.048/99, quais sejam, a não- eventualidade (habitualidade), a remuneração e a subordinação. Aplica-se portanto, ao caso, o artigo 9°, da Consolidação das Leis do Trabalho, que considera nulos de pleno direito os atos praticados com o objetivo de desvirtuar, impedir ou fraudar a aplicação dos preceitos nela contidos E como o parágrafo 2. " do art. 229 do Decreto 3.048/99, permite ao Auditor Fiscal desconsiderar o vínculo pactuado, a Auditoria, ao verificar a ocorrência dos requisitos da relação de emprego, agiu em conformidade com ditames legais e enquadrou corretamente o trabalhador como empregado da notificada para efeitos da legislação previdenciária. Esse enquadramento será automático sempre que estiverem presentes, na prestação do serviço, os pressupostos da relação de emprego, quais sejam, a remuneração, a habitualidade e a subordinação, porque a lei assim determina, mesmo que no contrato formalizado entre as partes esteja definido de forma diversa, pois a relação de emprego não é aferida pelos elementos formais do ajuste, mas do conteúdo emergente de sua execução. Dessa forma, ao contrário do que entende a recorrente, desde que presentes os requisitos do art. 12, I, "a", da Lei n. 8.212/91, pode sim o Auditor Fiscal desconsiderar a contratação do segurado por meio de empresas terceirizadas para considerá-lo como empregado da contratante, exclusivamente para fins de recolhimento da contribuição previdenciária, pois houve a ocorrência do fato gerador. A notificada argumenta, ainda, que a relação que uniu as partes é uma relação inter-empresarial, e que os elementos carreados à NFLD não são suficientes para caracterizar uma relação de emprego, o que toma o lançamento nulo. Todavia, a existência dos elementos que indicam a existência de vínculo empregatício entre o Sr. Ronaldo e a empresa recorrente foi constatada pela fiscalização, e a empresa, apesar de intimada por meio do competente TIAD (fls. 37/38), não apresentou os 9 Processo n°35476.00105212007-76 S2-C3T1 Acórdão n.• 2301-00304 Fl. 272 documentos que pudessem afastar tais indícios ou comprovar a inexistência do vínculo empregatício constatado. E, segundo o Ministro Carlos Veloso "Corre em favor do ato administrativo a presunção da legitimidade. Assim, se o lançamento fiscal previdenciário aponta a existência de empregados e não trabalhadores autônomos, cumpre ao contribuinte ilidir, mediante prova, essa presunção" (TRF AC. 101.404-MG, Min. Carlos Veloso — DJU 05/09185, pág. 14800). Dessa forma, o agente fiscal, ao constatar a existência dos elementos caracterizadores da relação de emprego e a falta do recolhimento da contribuição devida incidente sobre a remuneração paga a segurado empregado, lavrou corretamente a presente NFLD, inscrevendo de oficio a importância que julgou devida, em observância ao disposto no § 3° do art. 33, da Lei 8212/1991. A fiscalização constatou, nos registros contábeis, pagamentos mensais efetuados pela recorrente, no período de 08/2003 a 12/2005, à empresa Rano do Brasil Consultores Ltda, da qual o Sr. Ronaldo é o sócio, bem como o reembolso de despesas com viagens, refeições e multas de trânsito. Verificou-se, também, que a referida empresa prestadora não possuía empregados, sendo o serviço era prestado pelo Sr, Ronaldo, que possuía uma sala nas dependências da recorrente e um número de ramal telefônico na lista dos ramais dos funcionários da Nature's Plus. A recorrente não nega tais afirmações, mas apenas se justifica defendendo que a disponibilização de um local determinado dentro da empresa para a prestadora realizar seus serviços esporádicos não caracteriza, de per si, uma relação empregatícia, e argumenta que o reembolso de despesas por parte da recorrente, como alimentação, viagens e multa, devido a exigências contabilísticas, foi lançada de forma a levar a crer que se pagava um valor mensal fixo. Ou seja, a recorrente não nega que arca com as despesas do consultor na prestação dos serviços, como alimentação, viagens e multa de trânsito e que ainda suporta os custos de instalações, como imóvel, móveis, energia etc. Pelo contrário, reconhece que registra pagamentos mensais, não apresenta os documentos solicitados relativos a tais pagamentos e ainda quer que a fiscalização comprove a existência do vínculo empregaticio. Porém, como amplamente exposto acima, a pretensão da recorrente não possui amparo legal. Foi observado pela fiscalização, inclusive, o pagamento em dobro nas competências 12/2003 e 12/2004, indicando o pagamento de décimo-terceiro salário, e o desconto mensal de valor referente a 22 refeições, a exemplo do que ocorre com os demais empregados da notificada. A afirmação de que a empresa contratada presta serviços para outras empresas não resiste a uma análise crítica, pois aceitar tal afirmação é o mesmo que aceitar que a empresa contratada presta serviço para outra empresas utilizando-se das instalações da notificada, o que configuraria uma situação, no mínimo, estranha e inusitada. o Processo n°35476.001052/2007-76 S2-C3T1 Acórdão n.° 2301-00304 Fl. 273 Relativamente à matéria produzida pela intenaet, na qual o Sr Ronaldo Heilbult é entrevistado como diretor da Nature's Plus Farmacêutica Ltda, a recorrente alega que a mesma é totalmente desprovida de credibilidade. Entretanto, esse elemento apenas corrobora a correção do procedimento adotado pela fiscalização e, somado aos demais fatos verificados e à falta de apresentação dos documentos solicitados pelo agente notificante, demonstram a existência do vínculo empregatício apontado no Relatório Fiscal. A recorrente lembra que qualquer prestação de serviços está sujeita à realização de tarefas estipuladas em contrato e que a existência de contrato escrito visa exatamente resguardar o direito das partes no que concerne à descrição do serviço desejado pelo contratante e, conseqüentemente, do serviço que deverá ser prestado. Todavia, reitera-se, não foi apresentado o referido contrato com a estipulação das tarefas e descrição do serviço prestado. Portanto, o argumento de que "o contrato de prestação de serviço celebrado é claro a respeito da não pessoalidade na prestação de serviços e que o auto de infração carece de provas acerca da existência de pessoalidade na prestação de serviços" restou prejudicado. A empresa entende que os documentos anexos comprovam a ausência de exclusividade e argumenta que, mesmo que houvesse a dedicação exclusiva, tal fato seria decorrente da opção negociai, não havendo norma legal que impeça um prestador de serviço de manter um único cliente, o que seria uma demonstração de que os prestadores de serviços da recorrente encontram-se recompensados por tal exclusividade. Contudo, cumpre observar que em nenhum momento a fiscalização ou a autoridade julgadora afirmou que é ilegal a prestação de serviço a um único cliente, conforme entendeu de forma equivocada a recorrente. No entanto, tal fato, aliado à falta de documentos e aos outros elementos encontrados, reforça a convicção de que o Sr. Roberto é empregado da empresa recorrente. Ademais, das notas fiscais apresentadas às fls. 222 a 248, apenas as de fls. 236 a 242 se referem ao período do débito, sendo que a de fl. 241 se refere à prestação de serviços à empresa notificada e as de fls. 237 a 240 e 242, se referem a prestação de serviços à empresa EMS S/A, sócio majoritário da empresa notificada. Assim, entendo que os documentos apresentados pela recorrente após o contra-razões oferecido pela Autarquia Previdenciária não comprovam suas alegações e não são suficientes para ilidir o procedimento fiscal. Portanto, entendo que restou demonstrada a existência dos elementos caracterizadores do vínculo empregatício entre a empresa notificada e o Sr. Ronaldo Heilbult, que lhe prestou serviços por meio de empresa interposta, exigidos pelo art. 12, I, "a" da Lei n. 8.212/91 c/c art. 9. °, I, "a", do RPS, aprovado pelo Decreto n. 3.048/99, quais sejam, a não- eventualidade (habitualidade), a remuneração e a subordinação. Conforme consta dos autos, os elementos que caracterizaram a condição de empregado, identificados pela fiscalização, foram: II Processo e 35476.001052/2007-76 S2-C3T1 Acórdão C' 23014)0304 Fl. 274 a pessoalidade, em razão da impossibilidade de o trabalhador se fazer substituir no trabalho executado, mesmo porque a empresa constituída pelo Sr. Ronaldo não possuía empregados; a não-eventualidade, uma vez que a natureza das atividades realizadas pela contratada está entre aquelas exercidas permanentemente pela notificada; a subordinação jurídica, já que verificou-se a falta de autonomia na execução das atividades, pois o referido prestador do serviço cumpre ordens dos sócios da empresa contratante e a remuneração, já que foi constatado o pagamento mensal , inclusive indícios de pagamento de décimo terceiro salário e 22 refeições mensais. Em relação à habitualidade, a recorrente afirma que não há provas de controle de horário do Sr Ronaldo. No entanto, sobre a matéria, assim já decidiram os Tribunais: "Não se conceitua o trabalho eventual quando a junção do empregado está direta, essencial e permanentemente ligada ao processo produtivo ou à finalidade econômica da empresa" (Proc. IRT — S.1375/67 .r Região, sic) "A eventualidade deve ser entendida como relativa a trabalho intrinsecamente transitório e não, apenas, temporário. Ela não guarda relação propriamente dita com a execução de serviços pelo empregado, mas com os objetivos do empreendimento a que se dedica" (Ac. TRT 3° Reg. 7 E - RO 1263/86, sic). "Não é o período de tempo em que o trabalho é executado, mas a relação entre o conteúdo do serviço prestado e o objetivo social da empresa que define a natureza não eventual do trabalho para a configuração da relação de emprego" (Ac. TRT 12° Reg. RO 1.-65/85, sic). Assim, pelo que foi trazido aos autos, tanto pela fiscalização quanto pela recorrente, entendo que restou caracterizada a habitualidade no serviço prestado pelo Sr. Ronaldo à recorrente. Dessa forma, concluo que a NFLD foi lavrada de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam a matéria, tendo o agente notificante demonstrado, de forma clara e precisa, a ocorrência do fato gerador da contribuição previdenciária, fazendo constar, nos relatórios que compõem a Notificação, os fundamentos legais que amparam o procedimento adotado e as rubricas lançadas. O Relatório Fiscal traz todos os elementos que motivaram a lavratura da NFLD e o relatório Fundamentos Legais do Débito — FLD, encerra todos os dispositivos legais que dão suporte ao procedimento do lançamento, separados por assunto e período correspondente, garantindo, dessa forma, o exercício do contraditório e ampla defesa à notificada. r*, 12 Processo n° 35476.001052/2007-76 S2-C3T1 Acórdão n.° 2301-00.504 Fl. 275 Com relação ao entendimento de que não se pode imputar responsabilidade solidária aos sócios pelo pagamento das obrigações tributárias sem a comprovação de que ocorreram as hipóteses previstas nos arts. 134, 135 e 137 do CTN, cumpre esclarecer que a inclusão do nome dos co-responsáveis é um dos requisitos necessários para a constituição do crédito, e visa principalmente o sucesso de finura execução fiscal, nos termos do art. 4° da lei 6830/80. Vale ressaltar que os diretores e/ou sócios não estão sendo penalizados com a lavratura da NFLD em tela, já que a mesma foi lavrada contra a NATURE'S PLUS, que é o sujeito passivo da obrigação tributária. Conforme restou demonstrado na folha de rosto da NFLD e no Relatório Fiscal, o contribuinte sob ação fiscal é a NATURE'S PLUS FARMACÊUTICA LTDA, e não os seus sócios. E, ao constatar o inadimplemento das obrigações previdenciárias, o agente notificante lançou corretamente o débito em nome dos contribuintes inadimplentes, fazendo constar os co-responsáveis nos relatórios da NFLD, consoante determinações contidas nos normativos legais que regem a matéria. Nesse sentido e Considerando tudo mais que dos autos consta, Voto do sentido de CONHECER do recurso, rejeitar as preliminares e, no mérito, NEGAR-LHE PROVIMENTO. •É como voto. Sala das Sessões, em 07 de julho de 2009 BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS - Relatora 13 Page 1 _0016700.PDF Page 1 _0016800.PDF Page 1 _0016900.PDF Page 1 _0017000.PDF Page 1 _0017100.PDF Page 1 _0017200.PDF Page 1 _0017300.PDF Page 1 _0017400.PDF Page 1 _0017500.PDF Page 1 _0017600.PDF Page 1 _0017700.PDF Page 1 _0017800.PDF Page 1
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