Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,282)
- Segunda Câmara (27,805)
- Primeira Câmara (25,086)
- Segunda Turma Ordinária d (17,871)
- Primeira Turma Ordinária (16,379)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,216)
- Primeira Turma Ordinária (16,197)
- Primeira Turma Ordinária (16,160)
- Segunda Turma Ordinária d (15,905)
- Segunda Turma Ordinária d (14,489)
- Primeira Turma Ordinária (13,087)
- Primeira Turma Ordinária (12,511)
- Segunda Turma Ordinária d (12,428)
- Quarta Câmara (11,514)
- Primeira Turma Ordinária (11,468)
- Quarta Câmara (85,170)
- Terceira Câmara (67,786)
- Segunda Câmara (56,453)
- Primeira Câmara (20,645)
- 3ª SEÇÃO (16,216)
- 2ª SEÇÃO (11,306)
- 1ª SEÇÃO (6,854)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (126,453)
- Segunda Seção de Julgamen (115,046)
- Primeira Seção de Julgame (76,951)
- Primeiro Conselho de Cont (49,052)
- Segundo Conselho de Contr (48,964)
- Câmara Superior de Recurs (37,972)
- Terceiro Conselho de Cont (25,978)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,061)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,961)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,607)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,489)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,270)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (3,899)
- HELCIO LAFETA REIS (3,843)
- ROSALDO TREVISAN (3,233)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,929)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,781)
- WILDERSON BOTTO (2,640)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,636)
- RODRIGO LORENZON YUNAN GA (2,493)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,841)
- 2019 (30,960)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,923)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,472)
- 2014 (22,376)
- 2013 (21,087)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,600)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,135)
- 2017 (16,840)
- 2009 (15,846)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2026 (16,157)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2022 (13,225)
Numero do processo: 10830.008862/2008-27
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 19 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Feb 19 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2006
AUTO DE INFRAÇÃO -APRESENTAÇÃO DOS LIVROS DIÁRIO E RAZÃO SEM FORMALIDADES LEGAIS-
Constitui infração a não exibição dos documentos relacionados às contribuições previdenciárias, ou a exibição de documento ou livro que não atenda as formalidades exigidas.
Numero da decisão: 2301-003.822
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora
MARCELO OLIVEIRA - Presidente.
BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Wilson Antonio de Souza Correa, Bernadete de Oliveira Barros, Mauro José Silva, Manoel Coelho Arruda Junior
.Marcelo Oliveira (Presidente), Adriano Gonzales Silvério, Bernadete de Oliveira Barros, Damião Cordeiro de Moraes, Mauro José Silva,
Nome do relator: BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201311
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2006 AUTO DE INFRAÇÃO -APRESENTAÇÃO DOS LIVROS DIÁRIO E RAZÃO SEM FORMALIDADES LEGAIS- Constitui infração a não exibição dos documentos relacionados às contribuições previdenciárias, ou a exibição de documento ou livro que não atenda as formalidades exigidas.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Feb 19 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 10830.008862/2008-27
anomes_publicacao_s : 201402
conteudo_id_s : 5325993
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Feb 19 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 2301-003.822
nome_arquivo_s : Decisao_10830008862200827.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS
nome_arquivo_pdf_s : 10830008862200827_5325993.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora MARCELO OLIVEIRA - Presidente. BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Wilson Antonio de Souza Correa, Bernadete de Oliveira Barros, Mauro José Silva, Manoel Coelho Arruda Junior .Marcelo Oliveira (Presidente), Adriano Gonzales Silvério, Bernadete de Oliveira Barros, Damião Cordeiro de Moraes, Mauro José Silva,
dt_sessao_tdt : Tue Nov 19 00:00:00 UTC 2013
id : 5306382
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:18:29 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046370683715584
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1785; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C3T1 Fl. 112 1 111 S2C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10830.008862/200827 Recurso nº 999.999 Voluntário Acórdão nº 2301003.822 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 19 de novembro de 2013 Matéria AUTO DE INFRAÇÃO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS EM GERAL Recorrente MARTINS E MORAES SERVIÇOS DE ADMINISTRAÇÃO E COBRANÇA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2006 AUTO DE INFRAÇÃO APRESENTAÇÃO DOS LIVROS DIÁRIO E RAZÃO SEM FORMALIDADES LEGAIS Constitui infração a não exibição dos documentos relacionados às contribuições previdenciárias, ou a exibição de documento ou livro que não atenda as formalidades exigidas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora MARCELO OLIVEIRA Presidente. BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Wilson Antonio de Souza Correa, Bernadete de Oliveira Barros, Mauro José Silva, Manoel Coelho Arruda Junior .Marcelo Oliveira (Presidente), Adriano Gonzales Silvério, Bernadete de Oliveira Barros, Damião Cordeiro de Moraes, Mauro José Silva, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 00 88 62 /2 00 8- 27 Fl. 112DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/01/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 25 /01/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 27/01/2014 por MARCELO OLIVEIRA 2 Relatório Tratase de Auto de Infração, lavrado em 15/08/2008, por ter a empresa acima identificada deixado de exibir documentos relacionados com as contribuições previstas na Lei 8.212/91, ou apresentálos sem que atendam as formalidades legais exigidas, infringindo, dessa forma, o art. 33, §§ 2º e 3o, da referida Lei, c/c o art. 232 e 233, parágrafo único, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.048/99. Conforme consta do Relatório Fiscal da Infração (fls. 12), a recorrente apresentou exibiu o Livro Diário referente ao ano de 2007 sem as formalidades extrínsecas (capa dura) e sem o devido registro no Cartório. A recorrente impugnou o débito e a Secretaria da Receita Federal do Brasil, por meio do Acórdão 0523.801, da 6a Turma da DRJ/CPS, (fls. 64), julgou o lançamento procedente. Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso tempestivo (fls. 68), alegando, em síntese, o que se segue. Inicialmente, reitera que todos os documentos foram devidamente apresentados em conformidade ao regime tributário imposto à recorrente, qual seja, o Simples Nacional. Reafirma que sempre cumpriu com suas obrigações, sejam elas recolhimento de tributo ou deveres instrumentais, de forma que sempre apresentou todos os documentos a que estava obrigada em virtude do regime no qual estava submetida, sendo impossível a exigência de documentos diversos dos exigidos às empresas no Simples. Informa que discute administrativamente a sua manutenção no Simples, sendo de rigor a suspensão do presente até o julgamento final das referidas manifestações de inconformidade, sob pena de ceifarse o contraditório e ampla defesa, bem como pelo risco de carrearse à recorrente decisões distintas sobre um mesmo fato. Entende que os documentos relacionados não podem ser exigidos pela autuante, visto que a recorrente encontrase no SIMPLES e a decisão que a exclui encontrase pendente de apreciação de manifestação de inconformidade. Por meio da Resolução 2301000.139, esta Turma da 3a Câmara do CARF converteu o julgamento em diligência para que a autoridade autuante se pronunciasse quanto ao regime de tributação da recorrente e, no caso de ser optante do SIMPLES, informasse se a empresa mantém a escrituração do Livro Caixa e do Livro de Registro de Inventário. Em cumprimento à decisão do CARF, a fiscalização intimou a empresa , por meio do TIF de 04/05/2012, a apresentar os Livros Caixa e de Registro de Inventário relativos à competência de 2007. Em Informação Fiscal de fls 104, a autoridade lançadora esclarece que a empresa é optante do SIMPLES e que, em resposta à intimação para apresentação dos Livros Caixa e de Registro de Inventário, a autuada respondeu que deixou de apresentar tais Livros Fl. 113DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/01/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 25 /01/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 27/01/2014 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10830.008862/200827 Acórdão n.º 2301003.822 S2C3T1 Fl. 113 3 por ter mantido, no ano de 2007, escrituração contábil regular, apresentando Livros Diário, Razão e Balancetes. É o relatório. Fl. 114DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/01/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 25 /01/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 27/01/2014 por MARCELO OLIVEIRA 4 Voto Conselheiro Bernadete de Oliveira Barros O recurso é tempestivo e todos os pressupostos de admissibilidade foram cumpridos, não havendo óbice ao seu conhecimento. Da análise do recurso apresentado, registro o que se segue. O AI em tela foi lavrado por ter a empresa apresentado o Livro Diário referente ao ano de 2007 sem as formalidades extrínsecas e sem o devido registro no Cartório. Em seu recurso, a recorrente insiste em afirmar que é optante do SIMPLES, o que a desobriga de apresentar o documento exigido pela fiscalização, e que discute administrativamente sua manutenção no referido sistema de tributação. De fato, restou constatado que a empresa é optante do referido sistema de tributação, e o § 16, do art. 225, do Decreto 3.048/99 estabelece que: Art. 225 A empresa também é obrigada a: (...) §16.São desobrigadas de apresentação de escrituração contábil: (Redação dada pelo Decreto nº 3.265, de 1999) (...) IIIa pessoa jurídica que optar pela inscrição no Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte, desde que mantenha escrituração do Livro Caixa e Livro de Registro de Inventário Contudo, depreendese da leitura do dispositivo legal transcrito acima, que a empresa optante do SIMPLES está desobrigada da apresentação dos Livros Diário e Razão somente no caso de manter os Livros Caixa e de Registro de Inventário. Ocorre que, em resposta à intimação para apresentação dos Livros Caixa e de Registro de Inventário, a autuada respondeu que deixou de apresentar tais Livros por ter mantido, no ano de 2007, escrituração contábil regular, apresentando Livros Diário, Razão e Balancetes. Portanto, como a própria recorrente afirma que não mantém os Livros Caixa e de Registro de Inventário, e mantém o Livro Diário, caberia a ela apresentar o Livro Diário revestido de todas as formalidades legais, o que não ocorreu no caso em tela. Assim, ao deixar de fazêlo, a recorrente descumpriu obrigação acessória a todos imposta, prevista no art. 33, § 2°e 3o, da Lei 8.212/91, e nos arts. 232 e 233, parágrafo único, do Decreto 3.048/99: Art.33. (...) Fl. 115DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/01/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 25 /01/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 27/01/2014 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10830.008862/200827 Acórdão n.º 2301003.822 S2C3T1 Fl. 114 5 § 2º A empresa, o servidor de órgãos públicos da administração direta e indireta, o segurado da Previdência Social, o serventuário da Justiça, o síndico ou seu representante, o comissário e o liqüidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial são obrigados a exibir todos os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas nesta Lei. (grifei) § 3° O regulamento disporá sobre local, data e forma de entrega do documento previsto no inciso IV. (Acrescentado pela MP nº 1.59614, de 10/11/97, convertida na Lei nº 9.528, de 10/12/97) Os artigos 232 e 233, do RPS dispõe que: Art. 232. A empresa, o servidor de órgão público da administração direta e indireta, o segurado da previdência social, o serventuário da Justiça, o síndico ou seu representante legal, o comissário e o liquidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial são obrigados a exibir todos os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas neste Regulamento. Art. 233. Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Instituto Nacional do Seguro Social e a Secretaria da Receita Federal podem, sem prejuízo da penalidade cabível nas esferas de sua competência, lançar de ofício importância que reputarem devida, cabendo à empresa, ao empregador doméstico ou ao segurado o ônus da prova em contrário. Parágrafo único. Considerase deficiente o documento ou informação apresentada que não preencha as formalidades legais, bem como aquele que contenha informação diversa da realidade, ou, ainda, que omita informação verdadeira. (grifei) Portanto, houve infração à legislação previdenciária e, como não é facultado ao servidor público deixar de aplicar uma lei, a Autoridade Fiscal, ao constatar o descumprimento de obrigação acessória, lavrou corretamente o presente auto, em observância ao art. 33 da Lei 8.212/91 e art. 293 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.048/99: Art.293. Constatada a ocorrência de infração a dispositivo deste Regulamento, a fiscalização do Instituto Nacional do Seguro Social lavrará, de imediato, autodeinfração com discriminação clara e precisa da infração e das circunstâncias em que foi praticada, dispositivo legal infringido e a penalidade aplicada e os critérios de sua gradação, indicando local, dia, hora de sua lavratura, observadas as normas fixadas pelos órgãos competentes. Nesse sentido, Considerando tudo mais que dos autos consta, Fl. 116DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/01/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 25 /01/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 27/01/2014 por MARCELO OLIVEIRA 6 VOTO no sentido de CONHECER do recurso para, no mérito, NEGAR LHE PROVIMENTO É como voto. Bernadete de Oliveira Barros – Relator Fl. 117DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/01/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 25 /01/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 27/01/2014 por MARCELO OLIVEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 10845.905883/2011-29
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Jan 27 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3801-000.564
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligencia, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Sidney Eduardo Stahl - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Flavio De Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Marcos Antonio Borges, Maria Ines Caldeira Pereira Da Silva Murgel, Paulo Antonio Caliendo Velloso Da Silveira, e eu , Sidney Eduardo Stahl, Relator
Nome do relator: SIDNEY EDUARDO STAHL
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201311
turma_s : Primeira Turma Especial da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Jan 27 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 10845.905883/2011-29
anomes_publicacao_s : 201401
conteudo_id_s : 5320829
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Jan 31 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 3801-000.564
nome_arquivo_s : Decisao_10845905883201129.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : SIDNEY EDUARDO STAHL
nome_arquivo_pdf_s : 10845905883201129_5320829.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligencia, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes - Presidente. (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Flavio De Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Marcos Antonio Borges, Maria Ines Caldeira Pereira Da Silva Murgel, Paulo Antonio Caliendo Velloso Da Silveira, e eu , Sidney Eduardo Stahl, Relator
dt_sessao_tdt : Tue Nov 26 00:00:00 UTC 2013
id : 5276007
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:17:22 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046370685812736
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1357; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE01 Fl. 451 1 450 S3TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10845.905883/201129 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3801000.564 – 1ª Turma Especial Data 26 de novembro de 2013 Assunto COMPENSAÇÃO Recorrente CARAVEL SERVICOS DE CONTAINERS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligencia, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Flavio De Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Marcos Antonio Borges, Maria Ines Caldeira Pereira Da Silva Murgel, Paulo Antonio Caliendo Velloso Da Silveira, e eu , Sidney Eduardo Stahl, Relator RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 45 .9 05 88 3/ 20 11 -2 9 Fl. 452DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/01/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 13/01/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10845.905883/201129 Resolução nº 3801000.564 S3TE01 Fl. 452 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face de decisão da DRJ de Ribeirão Preto que indeferiu pedido de restituição/compensação da contribuinte. A DRF de origem proferiu despacho decisório eletrônico não homologando a compensação sob o fundamento de que o pagamento informado em PER/DCOMP, através de guia DARF, foi integralmente utilizado para quitar débitos do contribuinte. Inconformado, apresentou o contribuinte manifestação de inconformidade sustentando, em síntese, que a origem do seu crédito decorre de pagamentos a maior, realizados em função da declaração de inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei n.º 9.718/1998 e que houve falta de aprofundamento na investigação dos fatos. Em face da inconstitucionalidade alegada, reclama que, na base de cálculo do tributo, somente deveriam ter sido incluídos os valores correspondentes ao seu faturamento, excluindose a parcela que foi calculada sobre receitas financeiras acostando aos autos os demonstrativos e os documentos correspondentes. Em sede de Manifestação de Inconformidade retifica o valor inicialmente pleiteado A Manifestação de Inconformidade foi julgada improcedente com base na seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/08/2000 a 31/08/2000 CONSTITUCIONALIDADE. A instância administrativa é incompetente para se manifestar sobre a constitucionalidade das leis e somente pode afastar as normas declaradas inconstitucionais nos casos expressamente previstos no ordenamento jurídico. RESTITUIÇÃO. AUSÊNCIA DE SALDO A RESTITUIR. Verificado que o crédito pleiteado foi totalmente utilizado, em momento anterior, para quitação de débitos declarados em DCTF, resta impossibilitada, por falta de saldo, a restituição. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. Manifestação de Inconformidade Improcedente Fl. 453DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/01/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 13/01/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10845.905883/201129 Resolução nº 3801000.564 S3TE01 Fl. 453 3 Direito Creditório Não Reconhecido Apresenta a contribuinte o presente Recurso Voluntário apontando como fundamento os mesmos apresentados na manifestação de inconformidade. É o importa relatar. Fl. 454DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/01/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 13/01/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10845.905883/201129 Resolução nº 3801000.564 S3TE01 Fl. 454 4 Voto Conselheiro Sidney Eduardo Stahl, Relator. O recurso é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, portanto dele tomo conhecimento. São dois os pontos que ainda se encontram em discussão no presente processo: o um, a possibilidade da recorrente retificar a Per/Dcomp em sua manifestação de inconformidade e o dois o seu direito ao aproveitamento dos valores indevidamente pagos em decorrência do alargamento da base de cálculo do PIS e da COFINS por conta da alteração do artigo 3 º, da Lei n.º 9.718/98. Quanto ao primeiro ponto, tenho que não há como se alterar o pedido de compensação/restituição no curso do presente processo, quer porque os limites do processo se dão na sua origem, nos termos do disposto no Decreto 70.235/1972, quer subsidiariamente pelo disposto no Código de Processo Civil, além disso, havendo meio próprio de retificação da Per/Dcomp não se pode permitir que se o faça por outros meios. Quanto ao segundo ponto apesar da brilhante tese esposada no acórdão da DRJ tenho que o presente processo deve seguir caminho diverso. O Pleno do Egrégio Supremo Tribunal Federal (STF), no julgamento dos Recursos Extraordinários n.ºs 357.950/RS, 358.273/RS, 390840/MG, Relator Ministro Marco Aurélio, e n.º.0846/PR, do Ministro Ilmar Galvão, pacificou o entendimento da inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo das contribuições destinadas ao PIS e à COFINS, promovida pelo § 1º, do artigo 3º, da Lei n.º 9.718/98, conforme ementa abaixo colacionada: CONSTITUCIONALIDADE SUPERVENIENTE ARTIGO 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718, DE 27 DE NOVEMBRO DE 1998 EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 20, DE 15 DE DEZEMBRO DE 1998. O sistema jurídico brasileiro não contempla a figura da constitucionalidade superveniente. TRIBUTÁRIO INSTITUTOS EXPRESSÕES E VOCÁBULOS SENTIDO. A norma pedagógica do artigo 110 do Código Tributário Nacional ressalta a impossibilidade de a lei tributária alterar a definição, o conteúdo e o alcance de consagrados institutos, conceitos e formas de direito privado utilizados expressa ou implicitamente. Sobrepõese ao aspecto formal o princípio da realidade, considerados os elementos tributários. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PIS RECEITA BRUTA NOÇÃO INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98. A jurisprudência do Supremo, ante a redação do artigo 195 da Carta Federal anterior à Emenda Constitucional nº 20/98, consolidouse no sentido de tomar as expressões receita bruta e faturamento como sinônimas, jungindoas à venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. É inconstitucional o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvida e da classificação contábil adotada. Fl. 455DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/01/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 13/01/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10845.905883/201129 Resolução nº 3801000.564 S3TE01 Fl. 455 5 Destacase, nesse aspecto, que a matéria foi reconhecida como de “Repercussão Geral” e julgada pelo Supremo Tribunal Federal, conforme decisão proferida no RE 585235, abaixo colacionado: Decisão: O Tribunal, por unanimidade, resolveu questão de ordem no sentido de reconhecer a repercussão geral da questão constitucional, reafirmar a jurisprudência do Tribunal acerca da inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei 9.718/98 e negar provimento ao recurso da Fazenda Nacional, tudo nos termos do voto do Relator. Vencido, parcialmente, o Senhor Ministro Marco Aurélio, que entendia ser necessária a inclusão do processo em pauta. Em seguida, o Tribunal, por maioria, aprovou proposta do Relator para edição de súmula vinculante sobre o tema, e cujo teor será deliberado nas próximas sessões, vencido o Senhor Ministro Marco Aurélio, que reconhecia a necessidade de encaminhamento da proposta à Comissão de Jurisprudência. Votou o Presidente, Ministro Gilmar Mendes. Ausentes, justificadamente, o Senhor Ministro Celso de Mello, a Senhora Ministra Ellen Gracie e, neste julgamento, o Senhor Ministro Joaquim Barbosa. Plenário, 10.09.2008. Assim, considerandose o disposto no art. 62A da Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, alterada pela Portaria MF nº 586, de 21 de dezembro de 20101 (Regimento Interno do CARF), devese afastar a tributação do PIS e da COFINS exigidas com base no disposto no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718, de 1998. Nada obstante, o órgão judicante a quo esqueceuse do dever da autoridade preparadora em zelar pela instrução na busca da verdade material, a teor do disposto na Lei 9.784, de 29 de janeiro de 1999, artigo 292, artigo 36, inteligência do artigo 37, artigo 38 e artigo 393. 1 Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (alterações introduzidas pela Port. MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010–DOU de 22.12.2010). 2 Art. 29. As atividades de instrução destinadas a averiguar e comprovar os dados necessários à tomada de decisão realizamse de ofício ou mediante impulsão do órgão responsável pelo processo, sem prejuízo do direito dos interessados de propor atuações probatórias. § 1º. O órgão competente para a instrução fará constar dos autos os dados necessários à decisão do processo. § 2º. Os atos de instrução que exijam a atuação dos interessados devem realizarse do modo menos oneroso para estes. 3 Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei. Art. 37. Quando o interessado declarar que fatos e dados estão registrados em documentos existentes na própria Administração responsável pelo processo ou em outro órgão administrativo, o órgão competente para a instrução proverá, de ofício, à obtenção dos documentos ou das respectivas cópias. Art. 38. O interessado poderá, na fase instrutória e antes da tomada da decisão, juntar documentos e pareceres, requerer diligências e perícias, bem como aduzir alegações referentes à matéria objeto do processo. § 1º. Os elementos probatórios deverão ser considerados na motivação do relatório e da decisão. § 2º. Somente poderão ser recusadas, mediante decisão fundamentada, as provas propostas pelos interessados quando sejam ilícitas, impertinentes, desnecessárias ou protelatórias. Art. 39. Quando for necessária a prestação de informações ou a apresentação de provas pelos interessados ou terceiros, serão expedidas intimações para esse fim, mencionandose data, prazo, forma e condições de atendimento. Parágrafo único. Não sendo atendida a intimação, poderá o órgão competente, se entender relevante a matéria, suprir de ofício a omissão, não se eximindo de proferir a decisão. Fl. 456DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/01/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 13/01/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10845.905883/201129 Resolução nº 3801000.564 S3TE01 Fl. 456 6 Não considerar tais documentos e negar o direito da contribuinte ao aproveitamento de seu crédito configuraria enriquecimento sem causa do Estado. Especificamente quanto à verdade material, transcrevo oportunas lições de Marcos Vinicius Neder e de Maria Tereza Martinez López: Em decorrência do princípio da legalidade, a autoridade administrativa tem o dever de buscar a verdade material. O processo fiscal tem por finalidade garantir a legalidade da apuração da ocorrência do fato gerador e a constituição do crédito tributário, devendo o julgador pesquisar, exaustivamente se, de fato, ocorreu a hipótese abstratamente prevista na norma e, em caso de impugnação do contribuinte, verificar aquilo que é realmente verdade, independente do alegado e provado, Odete Medauar preceitua que "o princípio da verdade material ou verdade real, vinculado ao princípio da oficialidade, exprime que a Administração deve tomar decisões com base nos fatos tais como se apresentam na realidade, não se satisfazendo com a versão oferecida pelos sujeitos Para tanto, tem o direito de carrear para o expediente todos os dados, informações, documentos a respeito da matéria tratada, sem estar jungida aos aspectos considerados pelos sujeitos. Segundo Alberto Xavier, a lei concede ao órgão fiscal meios instrutórios amplos para que venha formar sua livre convicção sobre os verdadeiros fatos praticados pelo contribuinte. Nesta perspectiva, é lícito ao órgão fiscal agir sponte sua com vistas a corrigir os fatos inveridicamente postos ou suprir lacunas na matéria de fato, podendo ser obtidas novas provas por meio de diligências e perícias. 4 Em que pese o direito da interessada, do exame dos elementos comprobatórios, constatase que, no caso vertente, os documentos apresentados devem ser devidamente examinados para se apurar se os referidos créditos estão corretos. Ante ao exposto, voto no sentido de converter o presente julgamento em diligência para que a Delegacia de origem: a) Examine os documentos existentes e a escrita fiscal da interessada em relação às compensações requeridas apurando se estão corretos os valores inicialmente pleiteados correspondentes á indevida ampliação da base de cálculo do artigo 3º, da Lei n.º 9.718/98; b) Cientificar a interessada do resultado da diligência, abrindo prazo para manifestação, se assim desejar; c) Retornar o processo a este CARF para julgamento. É como voto. (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl, Relator 4 NEDER, Marcos Vinicius; LOPEZ, Maria Tereza Martinez. Processo Administrativo Fiscal Federal Comentado 2ª ed. São Paulo: Dialética, 2004, p. 74. Fl. 457DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/01/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 13/01/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
score : 1.0
Numero do processo: 10940.901416/2008-46
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 05 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Nov 29 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2001
COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. DIREITO CREDITÓRIO. LIQUIDEZ E CERTEZA. ÔNUS DA PROVA.
A compensação, encontro de débitos e créditos, é forma de extinção do crédito tributário.
Para a concretização da compensação tributária deve ser comprovada, de maneira inequívoca, a liquidez e a certeza do direito creditório utilizado.
A prova do fato constitutivo do direito creditório compete ao autor do pedido.
Para que a autoridade administrativa possa reconhecer o direito creditório pleiteado pelo contribuinte e, por via de conseqüência, considerar as compensações tributárias informadas, é necessário que sejam carreados aos autos documentos que demonstrem, de forma inequívoca, a certeza e liquidez do crédito alegado, ex vi do disposto no art.170 do CTN.
Numero da decisão: 1802-001.885
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
(documento assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa- Presidente.
(documento assinado digitalmente)
Nelso Kichel- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel, Marciel Eder Costa e Gustavo Junqueira Carneiro Leão. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Marco Antônio Nunes Castilho.
Nome do relator: NELSO KICHEL
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201311
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2001 COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. DIREITO CREDITÓRIO. LIQUIDEZ E CERTEZA. ÔNUS DA PROVA. A compensação, encontro de débitos e créditos, é forma de extinção do crédito tributário. Para a concretização da compensação tributária deve ser comprovada, de maneira inequívoca, a liquidez e a certeza do direito creditório utilizado. A prova do fato constitutivo do direito creditório compete ao autor do pedido. Para que a autoridade administrativa possa reconhecer o direito creditório pleiteado pelo contribuinte e, por via de conseqüência, considerar as compensações tributárias informadas, é necessário que sejam carreados aos autos documentos que demonstrem, de forma inequívoca, a certeza e liquidez do crédito alegado, ex vi do disposto no art.170 do CTN.
turma_s : Segunda Turma Especial da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Nov 29 00:00:00 UTC 2013
numero_processo_s : 10940.901416/2008-46
anomes_publicacao_s : 201311
conteudo_id_s : 5311518
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Nov 29 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 1802-001.885
nome_arquivo_s : Decisao_10940901416200846.PDF
ano_publicacao_s : 2013
nome_relator_s : NELSO KICHEL
nome_arquivo_pdf_s : 10940901416200846_5311518.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa- Presidente. (documento assinado digitalmente) Nelso Kichel- Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel, Marciel Eder Costa e Gustavo Junqueira Carneiro Leão. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Marco Antônio Nunes Castilho.
dt_sessao_tdt : Tue Nov 05 00:00:00 UTC 2013
id : 5202793
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:16:14 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046370693152768
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1860; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1TE02 Fl. 203 1 202 S1TE02 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10940.901416/200846 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1802001.885 – 2ª Turma Especial Sessão de 05 de novembro de 2013 Matéria DCOMP Eletrônica Pagamento Indevido ou Maior Recorrente S/A MOAGEIRA E AGRÍCOLA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2001 COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. DIREITO CREDITÓRIO. LIQUIDEZ E CERTEZA. ÔNUS DA PROVA. A compensação, encontro de débitos e créditos, é forma de extinção do crédito tributário. Para a concretização da compensação tributária deve ser comprovada, de maneira inequívoca, a liquidez e a certeza do direito creditório utilizado. A prova do fato constitutivo do direito creditório compete ao autor do pedido. Para que a autoridade administrativa possa reconhecer o direito creditório pleiteado pelo contribuinte e, por via de conseqüência, considerar as compensações tributárias informadas, é necessário que sejam carreados aos autos documentos que demonstrem, de forma inequívoca, a certeza e liquidez do crédito alegado, ex vi do disposto no art.170 do CTN. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 94 0. 90 14 16 /2 00 8- 46 Fl. 203DF CARF MF Impresso em 29/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 29/11/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 25/11/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10940.901416/200846 Acórdão n.º 1802001.885 S1TE02 Fl. 204 2 (documento assinado digitalmente) Nelso Kichel Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel, Marciel Eder Costa e Gustavo Junqueira Carneiro Leão. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Marco Antônio Nunes Castilho. Fl. 204DF CARF MF Impresso em 29/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 29/11/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 25/11/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10940.901416/200846 Acórdão n.º 1802001.885 S1TE02 Fl. 205 3 Relatório Cuidam os autos do Recurso Voluntário (fls. 184/199) contra decisão da 2ª Turma da DRJ/Curitiba de fls. 172/174 que julgou a Manifestação de Inconformidade improcedente, não reconhecendo o direito creditório pleiteado. Quanto aos fatos, consta que em 23/11/2004 a contribuinte transmitiu eletronicamente via internet, por meio do Programa PER/DCOMP, a Declaração de Compensação Tributária nº 21002.00756.231104.1.3.045152 (fls. 12/17 e 156 a 160), informando compensação sob condição resolutória: a) débito (confessado): IRPJ – Lucro Real Anual, obrigação de antecipaçáo de imposto por estimativa mensal, código de receita 5993, do PA janeiro/2002, com data de vencimento 28/02/2002, assim especificado: principal: R$ 25.545,78; multa moratória: R$ 0,00; juros de mora: R$ 0,00; Total: R$ 25.545,78. b) débito (confessado): IRPJ – Lucro Real Anual, obrigação de antecipaçáo de imposto por estimativa mensal, código de receita 5993, do PA fevereiro/2002, com data de vencimento 28/03/2002, assim especificado: principal: R$ 1.425,05; multa moratória: R$ 0,00; juros de mora: R$ 0,00; Total: R$ 1.425,05. c) crédito utilizado: aproveitamento de crédito de R$ 26.970,83 (valor original), referente suposto pagamento indevido ou a maior de IRPJ estimativa mensal, código de receita 5993, do PA mensal 30/11/2001. Pagamento DARF no valor total de R$ 27.843,26, com data do recolhimento, arrecadação, de 28/12/2001. O despacho decisório da DRF/Ponta Grossa, de 18/07/2008, não reconheceu o direito creditório pleiteado, não homologando a compensação tributária informada. A propósito, transcrevo a fundamentação constante do referido Despacho Decisório eletrônico (fls. 11 e 162), in verbis: Fl. 205DF CARF MF Impresso em 29/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 29/11/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 25/11/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10940.901416/200846 Acórdão n.º 1802001.885 S1TE02 Fl. 206 4 (...) 3‐FUNDAMENTAÇAO, DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL Limite do crédito analisado, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão informado no PER/DCOMP: 27.843,26. A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. (...) Diante da inexistência do crédito, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada. (...) Enquadramento legal: Arts. 165 e 170 da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN) e Art. 74 da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (...) Inconformada com essa decisão monocrática da qual tomou ciência em 31/07/2008 (fls. 164/165), a contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade em 27/08/2008 de fls. 01/05 e anexos de fls. 06/160, aduzindo, em síntese, em suas razões: que os débitos informados na DCOMP, objeto dos autos, somam R$ 26.970,83; que o crédito utilizado/pleiteado de R$ 26.970,83 (= ao valor dos débitos informados na DCOMP) tem origem no pagamento a maior ou indevido do IRPJ estimativa mensal do PA novembro/2001; que, relativo ao PA novembro/2001, o imposto a pagar por antecipação (estimativa mensal), com base em balancete de suspensão/redução, foi de R$ 872,43; que, porém, efetuou antecipação de pagamento do imposto desse PA mensal no valor de R$ 27.843,26, código receita 5993, conforme recolhimento – DARF – de 28/12/2001; que, destarte, houve antecipação de pagamento do IRPJ estimativa mensal desse PA, de forma indevida ou a maior, no valor de R$ 26.970,83; que, para melhor compreensão do exposto, temse o demonstrativo resumo abaixo: DARF pagamento 28/dezembro/2001 – referente novembro/2001 27.843,26 Imposto de Renda devido referente novembro/2001 872,43 = Valor pago indevidamente em 28/dezembro/2001 – referente novembro/2001 26.970,83 que mesma conclusão extraíse da DIPJ 2002, anocalendário 2001 (declaração de ajuste anual), conforme Quadro Sinótico abaixo: Fl. 206DF CARF MF Impresso em 29/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 29/11/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 25/11/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10940.901416/200846 Acórdão n.º 1802001.885 S1TE02 Fl. 207 5 Imposto de Renda Declarado 130.976,27 Imposto de Renda a Compensar – DARF/DCTF 142.982,91 IRRF – DIRF Instituições Financeiras 14.964,19 SALDO A COMPENSAR 26.970,83 Obs: i) O crédito aproveitado, informado no demonstrativo acima, de R$ 142.982,91 tem origem, ou é composto, de antecipação de pagamentos do IRPJ estimativa dos meses do anocalendário 2001 por DARF (fls. 62/71) e de créditos de exercícios anteriores declarados na DCTF referente ao 4º trimestre/2001 (fls. 72/116); ii) O crédito aproveitado, informado no demonstrativo acima, de R$ 14.964,19 referese a IRRF do anobase 2000, conforme informado pelas respectivas DIRF das instituições financeiras da época (fl. 170/171). que se utilizou, para apuração do referido crédito pleiteado, do balanço de suspensão/redução (Lei nº 8.981/95, art. 35); que à luz do art. 66 da Lei 8.383/91, com redação da Lei nº 9.069/95 (art. 58), é facultado a utilização do crédito de pagamento indevido, em compensação tributária, já no mês subsequente; Por fim, com base nessas razões, a contribuinte concluiu, diversamente do que consta do despacho decisório, que a apuração do crédito e sua utilização na compensação deuse em consonância com a legislação tributária de regência. A DRJ/Curitiba, conforme já mencionsado no início do relatório, enfrentando o mérito da lide, julgou a manifestação de inconformidade improcedente, não reconhecendo o crédito pleiteado, conforme Acórdão da 2ª Turma, de 25/11/2010 (fls. 172/174), cuja ementa transcrevo, in verbis: (...) ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2001 IRPJ. PAGAMENTO INDEVIDO. CRÉDITO INEXISTENTE. ESTIMATIVA DEVIDA. APURAÇÃO DE IRPJ A PAGAR NO ENCERRAMENTO DO ANOBASE. O pagamento de IRPJ por estimativa não pode ser considerado indevido ou a maior quando tal estimativa era efetivamente devida e, ademais, não apurado saldo negativo de imposto de renda no encerramento do anocalendário. COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. Devem ser não homologadas as compensações declaradas quando não restar comprovada a existência do direito creditório respectivo. Fl. 207DF CARF MF Impresso em 29/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 29/11/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 25/11/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10940.901416/200846 Acórdão n.º 1802001.885 S1TE02 Fl. 208 6 Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido (...) Ciente desse decisum em 29/09/2011 (fls. 181/182), a contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 28/10/2011 (fls. 184/199), reiterando, em essência, as razões aduzidas na instância a quo e já apresentadas, resumidamente, neste relatório. Além disso, em relação ao IRRF instituições financeiras que, pela decisão a quo o valor não seria de R$ 14.964,19, mas sim apenas R$ 7.812,23 (a contribuinte utilizouse de IRRF proveniente de aplicações financeiras, indevidamente por dois motivos, em suma: 1) o IRRF retro mencionado, referese a Base Negativa de IRPJ e não a imposto pago indevidamente ou a maior, e; 2) O valor declarado pelas fontes pagadoras –Bancos via DIRF's Declarações de Imposto de Renda Retido na Fonte, somou apenas o montante de R$ 7.812,23 e não os R$ 14.964,19), a recorrente rebate, neste ponto, a decisão recorrida, acrescentando que: “que parte do saldo informado para compensação é de R$ 14.964,19 o qual é composto pelo valor de R$ 9.775,39, proveniente do exercício de 2000, devidamente corrigido pela taxa SELIC e o seu complemento, de retenções provenientes de 2001, conforme informações recebidas diretamente das instituições financeiras responsáveis pelas retenções tributárias”. que deve preponderar, nesta lide, é a essência do pagamento indevido ou maior, com base no que preconiza o artigo 66 e seu parágrafo primeiro da Lei n°. 8.383/91, com redação dada pelo artigo 58 da Lei n°. 9.069/95; que tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo pago a maior ou indevidamente, seja qual for a modalidade de seu pagamento (CTN, art. 165); Por fim, com base nessas razões, a recorrente pediu provimento ao recurso, vale dizer, para que seja reformada a decisão recorrida, reconhecido o crédito utilizado/pleiteado e homologada a compensação tributária objeto dos autos. É o relatório. Fl. 208DF CARF MF Impresso em 29/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 29/11/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 25/11/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10940.901416/200846 Acórdão n.º 1802001.885 S1TE02 Fl. 209 7 Voto Conselheiro Nelso Kichel, Relator. O Recurso Voluntário, por ser tempestivo e atender aos demais requisitos de admissibilidade, merece ser apreciado. Logo, dele conheço. Conforme relatado, os autos tratam de Declaração de Compensação Tributária – DCOMP nº 21002.00756.231104.1.3.045152 (fls. 12/17 e 156 a 160), transmitida eletronicamente em 23/11/2004, por meio da qual a contribuinte compensou, sob condição resolutória: a) débitos (confessados) do IRPJ – Estimativa Mensal, código de receita 5993, dos PA janeiro/2002 e fevereiro/2002, valor principal no montante de R$ 26.970,83; b) crédito utilizado (valor original): R$ 26.970,83, referente suposto pagamento indevido ou a maior do IRPJ estimativa mensal do PA mensal novembro/2001 DARF no valor total de R$ 26.970,83, com data do recolhimento de 28/12/2001. Entretanto, a decisão recorrida, na mesma esteira do despacho decisório, não reconheceu o direito creditório utilizado/pleiteado, deixando de homologar a compensação tributária, ante a inexistência de pagamento indevido ou maior do IRPJ estimativa mensal, relativo ao citado período de apuração. Nesta instância recursal, a recorrente rebelase contra a decisão recorrida, pedindo sua reforma, conforme razões já aduzidas, resumidamente, no relatório. Para a recorrente, o pagamento do IRPJ estimativa mensal do PA novembro/2001, no valor de R$ 26.970,83, seria indevido ou a maior, invocando balanço de suspensão/redução para esse mês. A irresignação da recorrente não merece prosperar. O crédito pleiteado não restou comprovado nos autos, seja na instância a quo, seja nesta instância recursal. Diversamente do alegado pela recorrente, para o PA novembro/2001, o IRPJ estimativa mensal foi apurado com base na receita bruta e acréscimos, e não com base em balanço de suspensão/redução, conforme Ficha 11 – Cálculo do Imposto de Renda Mensal por Estimativa, DIPJ 2002, anocalendário 2001, recepcionada eletronicamente pelo fisco em 28/06/2002 (fls. 117/155). A propósito, transcrevo a Ficha 11 da DIPJ 2002, anocalendário 2001, quanto à apuração do IRPJ estimativa mensal do PA novembro 2001 (fls. 128 e 168): Fl. 209DF CARF MF Impresso em 29/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 29/11/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 25/11/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10940.901416/200846 Acórdão n.º 1802001.885 S1TE02 Fl. 210 8 Ficha 11 – Cálculo do Imposto de Renda Mensal por Estimativa (fl. 129): Discriminação Novembro 2001 FORMA DE DETERMINAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO DO IMPOSTO DE RENDA: Com base na Receita Bruta e Acréscimos 01 Base de Cálculo do Imposto de Renda 132.621,55 IMPOSTO DE RENDA APURADO 02. À Alíquota de 15% 19.893,26 03. Adicional 11.262,16 DEDUÇÕES: 05. () Deduções de Incentivos Fiscais 795,73 (...) 11 Imposto de Renda a Pagar 30.359,49 Obs: (i) Entretanto, na DCTF/4º trimestre 2001 (DCTF retificadora) a contribuinte confessou débito do IRPJ estimativa mensal do PA novembro/2001, no valor de R$ 27.843,26 (fls. 168 e 169) e quitado por DARF (fl. 72). Como visto, há contradição na versão da contribuinte. Nas razões do recurso, a recorrente alegou que apurara o IRPJ do PA novembro 2001 com base em balancete de suspensão/redução, mas na DIPJ 2002 (anocalendário 2001) já havia informado ao fisco, conforme Ficha 11 (informações e dados transcritos acima) apuração com base na receita bruta e acréscimos para esse mês.. Se isso não fosse o bastante, nas razões de defesa, as quais estão resumidas no relatório, a contribuinte alegou que o débito apurado do IRPJ estimativa mensal do PA novembro/2001, com base em balanço de suspensão/redução, seria de apenas R$ 872,43. Ora, quanto ao PA novembro/2001 sem comprovação de erro material na base de cálculo do imposto ou na apuração do imposto do PA novembro/2001 (valores informados na DIPJ), a antecipação de pagamento do IRPJ estimativa é devida integralmente, pois foi efetuada na forma da legislação de regência. Incabível, destarte, a alegação de antecipação de pagamento indevido ou a maior para esse PA. A contribuinte, após encerrado o anocalendário (e após efetuada a entrega da DIPJ), não pode mudar, unilateralmente, a apuração do IRPJ mensal com base na receita bruta e acréscimos para balancete de suspensão redução, e ainda apresentando mera planilha ou demonstrativo resumo constante da impugnação e das razões do recurso. Não há que se falar em antecipação de pagamento indevido ou a maior do PA novembro/2001 sem comprovação da existência de erro material na base tributável informada na DIPJ 2002. Por isso, prejudicada a aplicação da Súmula CARF nº 84. Como visto, a recorrente não comprovou a liquidez e certeza do crédito pleiteado, motivo suficiente para sua denegação. Vale dizer, nos termos do art. 170 do CTN e art. 74 da Lei 9.430/96, somente é possível a compensação tributária de débitos com créditos líquidos e certos. Como visto, inexiste certeza e liquidez quanto ao crédito pleiteado. Fl. 210DF CARF MF Impresso em 29/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 29/11/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 25/11/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10940.901416/200846 Acórdão n.º 1802001.885 S1TE02 Fl. 211 9 No processo de compensação tributária, a contribuinte é autora do pedido de direito creditório contra o fisco; logo tem o ônus de comprovar o fato constitutivo do seu direito, nos termos do art. 333, I, do CPC (Lei nº 5869, de 11 de janeiro de 1973 e alterações posteriores), in verbis: Art. 333. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II (...) Já o Decreto nº 70.235/72, diploma legal que rege o Processo Administrativo Tributário Federal, nos arts. 15 e 16 estatui o momento da produção das provas, in verbis: Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Art. 16. A impugnação mencionará: I (...) II – (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir;(Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) IV – (...) V – (...) § 1º (...) § 2º (...) § 3º (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que:(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997)(Produção de efeito) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997)(Produção de efeito) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997)(Produção de efeito) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997)(Produção de efeito) (...) (Grifei) Fl. 211DF CARF MF Impresso em 29/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 29/11/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 25/11/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10940.901416/200846 Acórdão n.º 1802001.885 S1TE02 Fl. 212 10 A contribuinte, nesta instância recursal também não produziu prova do fato constitutivo do direito creditório alegado, pois não demonstrou, quanto ao PA novembro/2001, a existência de erro material na base tributável utilizada ou a existência de lapso material na apuração da estimativa, cujo valor foi declarado na DIPJ 2002, DCTF e recolhido por DARF, que pudesse justificar o pleito formulado de que houve antecipação de pagamernto indevido ou maior do imposto desse período mensal de apuração. Sem cotejar as informações constantes da DIPJ/DCTF com as informações constantes da escrituração contábil (livros Diário, Razão), balancetes analíticos mensais de suspensão/redução nos termos do art. 35 da Lei nº 8.981/95 e o LALUR, não há como aquilatar se houve, ou não, erro material na base de cálculo ou na apuração do IRPJ estimativa mensal do PA novembro/2001. Incabível, no caso, a análise se haveria ou não eventual saldo negativo suficiente, apurado na declaração de ajuste anual, para a compensação dos débitos confessados nestes autos, pois não é matéria objeto do pedido formulado na DCOMP. O pedido de crédito formulado na compensação delimita a máteria sob litígio e estabiliza o processo. Na DCOMP foi formulado pedido de crédito referente pagamento indevido ou a maior do IRPJ do PA novembro/2001, e não de eventual saldo negativo do anocalendário 2001. È vedado julgar além do pedido (ultra petita) e extra pedido (extra petita). Por tudo que foi exposto, voto para NEGAR provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) Nelso Kichel Fl. 212DF CARF MF Impresso em 29/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 29/11/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 25/11/2013 por NELSO KICHEL
score : 1.0
Numero do processo: 10640.901641/2008-67
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 09 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Feb 12 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 1802-000.361
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa Presidente
(assinado digitalmente)
Marco Antonio Nunes Castilho - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Marciel Eder Costa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Marco Antonio Nunes Castilho.
Nome do relator: MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201310
turma_s : Segunda Turma Especial da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Feb 12 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 10640.901641/2008-67
anomes_publicacao_s : 201402
conteudo_id_s : 5324208
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Feb 12 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 1802-000.361
nome_arquivo_s : Decisao_10640901641200867.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO
nome_arquivo_pdf_s : 10640901641200867_5324208.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente (assinado digitalmente) Marco Antonio Nunes Castilho - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Marciel Eder Costa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Marco Antonio Nunes Castilho.
dt_sessao_tdt : Wed Oct 09 00:00:00 UTC 2013
id : 5295365
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:18:08 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046370731950080
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1320; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1TE02 Fl. 89 1 88 S1TE02 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10640.901641/200867 Recurso nº Voluntário Resolução nº 1802000.361 – 2ª Turma Especial Data 9 de outubro de 2013 Assunto CSLL Recorrente SUDESTE CAMINHÕES SA Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa – Presidente (assinado digitalmente) Marco Antonio Nunes Castilho Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Marciel Eder Costa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Marco Antonio Nunes Castilho. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 06 40 .9 01 64 1/ 20 08 -6 7 Fl. 89DF CARF MF Impresso em 12/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2014 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 12 /02/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/02/2014 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO Processo nº 10640.901641/200867 Resolução nº 1802000.361 S1TE02 Fl. 90 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Juiz de Fora – RJ (DRJJFA), que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada pelo Recorrente e não homologou a compensação efetuada pela PERD/DCOMP no. 42073.71857.270904.1.7.039523 Para descrever os fatos, e também por economia processual, transcrevo o relatório constante do Acórdão citado, verbis: O interessado apresentou o PER/Dcomp n° 42073.71857.270904.1.7.03 9523 (fls. 05/09), visando compensar crédito relativo a saldo negativo CSLL referente ao ano calendário 2003, no valor de R$ 3.905,75, com débito de CSLL Estimativa referente a Dez/2003, também no valor de R$ 3.905,75. Em 26/08/2008, a DRF/JFA emitiu o Despacho Decisório de fl. 04, no qual se decidiu pela não homologação do referido PER/DCOMP por ter constatado que não foi apurado saldo negativo, uma vez que, na DIPJ/04 consta CSLL a pagar. Contra o feito, a empresa apresentou a manifestação de inconformidade de fls. 01 e 02, alegando, em suma, o seguinte: Consta do despacho ora impugnado que após analise das informações prestadas no PER/DCOMP 42073.71857.270904.1.7.039523, não foi possível localizar saldo negativo de base de calculo de CSL na DIPJ correspondente ao período de apuração do credito informado no aludido PER/DCOMP, e que por isso não foi homologada a compensação preiteada pela requerente. Face a não homologação, resultou na cobrança de R$3.905, 75 a título de principal além dos acréscimos legais pertinentes. Não concordando com a cobrança desse crédito tributário, vem a peticionaria, nessa oportunidade, apresentar suas razões fundamentadas nas provas que com esta seguem. Na verdade, causou espécie a não homologação pela Delegacia da Receita Federal do Brasil, por conseguinte a almejada compensação não foi aceita. Salvo melhor juízo, toda a rotina relativa ao preenchimento do indigitado documento foi seguido de acordo com as normas que disciplinam a matéria, no particular informou devidamente a origem do crédito de que dispunha. Em virtude do meio acolhimento pela via de processamento eletrônico, restou a requerente então essa oportunidade, que o faz com as provas a seguir: Fl. 90DF CARF MF Impresso em 12/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2014 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 12 /02/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/02/2014 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO Processo nº 10640.901641/200867 Resolução nº 1802000.361 S1TE02 Fl. 91 3 Cópia da declaração de Imposto de Renda apresentada no ano de 2003. Observem que nela está corretamente demonstrado o resultado do exercício de 2002, o crédito da CSSL no valor de R$6.064,54 é resultado de R$ 4.080,97 que foi recolhido em 31/07/02 por estimativa conf. DARF em anexo e a diferença no valor de R$1.983,57 vem do ano de 1999 que foi recolhido a maior, bem assim o débito no valor de R$3.905,75 foi devidamente compensado no Perd/Comp com base no ano de 2002, pois no final do exercício de 2002 a CSSL a pagar foi Menor que o recolhido. Senhores Julgadores! Não há, portanto, necessidade de a peticionaria alongar em seus argumentos e justificativas para provar que é possuidora do credito que dá sustentação á compensação pleiteada. N. termos espera deferimento. É o relatório. Em sua decisão, a DRJJFA considerou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela Recorrente através do Acórdão n° 09 31.546, Sessão de 29 de setembro de 2010: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano calendário: 2003 ERRO DE FATO. INOCORRÊNCIA. DIREITO CREDITÓRIO INEXISTENTE. Uma vez não caracterizada a ocorrência de erro de fato, bem como a existência do direito creditório solicitado, não há como homologar a compensação declarada. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada com a decisão, o Recorrente apresentou, em 03/12/2010, Recurso Voluntário (fls. 64 a 67) no qual aduziu: Que em momento algum a empresa desconhece o débito relativo ao anocalendário 2003 e por isso mesmo, junta cópia da DIPJ relativa ao ano calendário de 2002 na qual constam de forma clara o saldo de contribuição recolhida a maior em razão da estimativa, comparada com o valor devido em função do lucro real anual; Desnecessário aduzir nesta oportunidade ser legitima a pretensão da recorrente tentar recuperar os valores recolhidos a maior, no futuro, através da compensação na liquidação de eventuais débitos, conforme pretendeu nesse processo; Fl. 91DF CARF MF Impresso em 12/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2014 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 12 /02/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/02/2014 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO Processo nº 10640.901641/200867 Resolução nº 1802000.361 S1TE02 Fl. 92 4 Observem também, que na página 3 do PER/DCOMP juntado a este recurso está literalmente demonstrado que o crédito utilizado para compensação é oriundo de exercícios anteriores, no particular o ano calendário 2002. Tal registro por si só rechaça qualquer dúvida a respeito da legitimidade da pretensão da recorrente; Que a própria decisão recorrida, no item 3 acima transcrito, sustenta a existência de base negativa de CSLL naquele ano. Pórém, inusitadamente afirma que tal saldo nada tem a ver com a situação fática descrita; Junta todos os os DARF's, relativos ao ano de 2002, que comprovam os recolhimentos das estimativas durante o anocalendário, muito superiores ao débito de 2002, haja vista que, apurouse um lucro menor do que aquele que serviu de base para os recolhimentos efetuados durante o ano na estimativa, tornando então, o excesso indevido, por essa razão se pleiteou a compensação, devidamente assegurada por lei, em períodos subseqüentes; Junta ainda, cópia da DIPJ processada pela Secretaria da Receita Federal, que constitui a prova definitiva de todo o crédito de sua titularidade. Nessa robusta prova os Senhores irão encontrar registrados todos os valores que dão sustentação a pretensão da recorrente, tais como o saldo de imposto a recuperar, os valores das bases de cálculos em questão, enfim, todos os elementos indispensáveis à solução satisfatória para a recorrente ver seu direito reconhecido. Indica que na pagina 12 da aludida declaração encontrase o imposto devido de R$3.905,75, que em confronto com os recolhimentos da estimativa e retenções na fonte, acusam um saldo credor de R$ 4.099, 44 (pág. 16 DIPJ), tudo por conseqüência de recolhimentos durante ano calendário em valores superiores ao devido sobre o lucro final do exercício. O balanço patrimonial constante da declaração do item 5 está literalmente registrado a existência de saldo de R$20.154,72 de impostos e contribuições a recuperar. Desse saldo é que pretende buscar a compensação, por isso a menção no PER/DCOMP (pág. 43 DIPJ 2002/2003). É o relatório, passo a decidir. Voto Tempestividade A recorrente foi cientificada da decisão da DRJ, em 05.11.2010, conforme aviso de recebimento fls. 63 e, apresentou o recurso, tempestivamente, no prazo de 30 dias, em 03.12.2010, atendendo aos demais pressupostos para sua admissibilidade. Portanto, dele conheço. Fl. 92DF CARF MF Impresso em 12/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2014 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 12 /02/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/02/2014 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO Processo nº 10640.901641/200867 Resolução nº 1802000.361 S1TE02 Fl. 93 5 Mérito Durante a construção da sua tese de defesa, a Recorrente alega que restou comprovado nos documentos apresentados perante a Delegacia Regional de Julgamento de Juiz de Fora, a existência do crédito tributário, decorrente de saldo negativo de CSLL, referente ao anocalendário de 2003, no valor de R$3.905,75. Segundo a Recorrente, todos os argumentos e provas produzidas conduzem este órgão à homologação da PER/DCOMP, para que seja permitida a utilização deste crédito na compensação com débito de CSLL Estimativa, referente a Dezembro de 2003, também no valor de R$3.905,75. Entretanto, durante a instrução desse processo juntou documentação, bem como, fundamentou todas as suas alegações na existência de saldo negativo do CSLL, referente ao anocalendário de 2002 e, não do anocalendário de 2003, conforme consta da PERD/COMP. Daí o motivo pelo qual não houve homologação da compensação pretendida pela DRJ/JFA, conforme se depreende do voto condutor do acórdão, abaixo transcrito: Registrese, inicialmente, que a documentação acostada aos autos pela contribuinte — DIPJ/03 — se refere ao anocalendário 2002, e não ao anocalendário 2003 (fls. 10/20), como deveria ser. Isso porque no PER/DcomP transmitido consta crédito referente a Saldo Negativo de CSLL exercício 2004, anocalendário 2003, no valor de R$ 3.905,75 (fls.05/09). Na DIPJ/03, anocalendário 2002, por sua vez, consta Saldo Negativo de CSLL no valor de R$ 4.226,12, o que, s.m.j., nada tem a ver com o informado no PER/Dcomp sob análise (fl.18). Outrossim, em consulta aos sistemas informatizados da RFB, sistema Rede Receita, IRPJ, IRPJCONS, CONSULTA (CONSULTA DECLARACOES IRPJ), fica evidenciado que, no anocalendário de 2003, não houve Saldo Negativo de CSLL apurado pela empresa. Conforme telas anexadas aos autos (fls. 36/44), consta da DIPJ/04, tanto para a estimativa referente a dezembro/2003 (fls. 37/38) quanto para a apuração anual (fls. 39/43), CSLL a pagar no valor de R$ 3.905,75, ou seja, exatamente o valor declarado pela contribuinte no PER/Dcomp como crédito referente a Saldo Negativo de CSLL. Assim, como não restou caracterizada a ocorrência de erro de fato nas razões de defesa apresentadas pela manifestante, não há como lhe dar razão, motivo pelo qual o Despacho Decisório de fl. 04 deve ser mantido inalterado. Isso posto, encaminho meu voto por considerar improcedente a manifestação de inconformidade apresentada. Entendo que a indicação equivocada no PERD/COMP do anocalendário, 2003 ao invés de 2002, não inviabiliza a compensação pretendida. Fl. 93DF CARF MF Impresso em 12/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2014 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 12 /02/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/02/2014 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO Processo nº 10640.901641/200867 Resolução nº 1802000.361 S1TE02 Fl. 94 6 Vêse, na verdade, que desde a sua impugnação, até as razões do seu recurso voluntário e pelos documentos juntados, principalmente pelo PERD/COMP, é possível concluir que o contribuinte pretendeu quitar débito de estimativa de 2003, com a utilização de crédito de saldo negativo, referente ao anocalendário de 2002. Contudo, apesar da juntada da DIPJ do anocalendário de 2002, demonstrando a existência de base de cálculo negativa da CSLL, pelas demais provas trazidas aos autos, ainda não é possível extrair a liquidez e certeza do saldo negativo, referente ao anocalendário de 2002 e, se tal crédito já fora compensado com outros tributos, de sorte que o julgamento do presente processo demanda uma instrução complementar. Isto porque, quando da apresentação de sua impugnação, a Recorrente informa que o crédito de R$6.064,54, objeto de compensação – base de cálculo negativa da CSLL do anocalendário de 2002 – é resultado de R$4.080,97, que foi recolhido indevidamente em 31/07/02 por estimativa conforme Darf e, a diferença no valor de R$1.983,57, vem do ano de 1999 que foi recolhido a maior, bem assim o debito no valor de R$3.905,75, foi devidamente compensado no Perd/Comp, com base no ano de 2002, pois no final do exercício de 2002 a CSSL a pagar foi menor que o recolhido. Assim, é necessário que os autos sejam encaminhados à Delegacia da Receita Federal de Administração Tributária de Juiz de Fora, para que aquela unidade, à luz dos documentos contábeis e fiscais apresentados pela Recorrente e de outros que se entenda necessários para que verifique e informe: 1) O valor da base de cálculo negativa da CSLL, do anocalendário de 2002; 2) Se a eventual base de cálculo negativa da CSLL do anocalendário de 2002, já fora compensado com outros débitos federais e; 3) Se a eventual base de cálculo negativa da CSLL, do anocalendário de 2002, suporta a compensação pretendida através da PERD/COMP no. 42073.71857.270904.1.7.039523 Ao final, apresente relatório circunstanciado esclarecendo os questionamentos acima apresentados, cientificando a Contribuinte deste relatório, para que ela possa se manifestar no prazo de 30 dias, se assim desejar. Deste modo, voto no sentido de converter o julgamento em diligência, para que a DRF Juiz de Fora atenda ao acima solicitado. (assinado digitalmente) Marco Antonio Nunes Castilho Fl. 94DF CARF MF Impresso em 12/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2014 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 12 /02/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/02/2014 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO
score : 1.0
Numero do processo: 13839.915820/2009-33
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Jan 02 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Período de apuração: 01/01/2003 a 31/03/2003
INIDONEIDADE DE DOCUMENTOS FISCAIS EMITIDOS. CONHECIMENTO. ÔNUS DO CONTRIBUINTE.
É ônus do contribuinte servir-se das cautelas necessárias em suas relações negociais, não podendo opor à Fazenda Pública o desconhecimento da regularidade fiscal de fornecedor nem a boa-fé negocial para creditar-se de imposto sem lastro em documento fiscal idôneo para este fim.
SALDO CREDOR TRIMESTRAL DE IPI. DEMONSTRAÇÃO DA APURAÇÃO APÓS O PERÍODO DE RESSARCIMENTO. CORREÇÃO DO PROCEDIMENTO.
Mostra-se correta a apuração do menor saldo credor do imposto sobre produtos industrializados após o trimestre de formação. Sem a indicação de eventual erro contido no Demonstrativo de Apuração Após o Período de Ressarcimento considera-se hígido o seu resultado e o valor final deferido.
Numero da decisão: 3803-005.081
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Belchior Melo de Sousa - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: BELCHIOR MELO DE SOUSA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201311
ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Período de apuração: 01/01/2003 a 31/03/2003 INIDONEIDADE DE DOCUMENTOS FISCAIS EMITIDOS. CONHECIMENTO. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. É ônus do contribuinte servir-se das cautelas necessárias em suas relações negociais, não podendo opor à Fazenda Pública o desconhecimento da regularidade fiscal de fornecedor nem a boa-fé negocial para creditar-se de imposto sem lastro em documento fiscal idôneo para este fim. SALDO CREDOR TRIMESTRAL DE IPI. DEMONSTRAÇÃO DA APURAÇÃO APÓS O PERÍODO DE RESSARCIMENTO. CORREÇÃO DO PROCEDIMENTO. Mostra-se correta a apuração do menor saldo credor do imposto sobre produtos industrializados após o trimestre de formação. Sem a indicação de eventual erro contido no Demonstrativo de Apuração Após o Período de Ressarcimento considera-se hígido o seu resultado e o valor final deferido.
turma_s : Terceira Turma Especial da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Jan 02 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 13839.915820/2009-33
anomes_publicacao_s : 201401
conteudo_id_s : 5315603
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Jan 02 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 3803-005.081
nome_arquivo_s : Decisao_13839915820200933.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : BELCHIOR MELO DE SOUSA
nome_arquivo_pdf_s : 13839915820200933_5315603.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado - Presidente (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa - Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues.
dt_sessao_tdt : Tue Nov 26 00:00:00 UTC 2013
id : 5240927
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:16:47 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046370747678720
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2222; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE03 Fl. 241 1 240 S3TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13839.915820/200933 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3803005.081 – 3ª Turma Especial Sessão de 26 de novembro de 2013 Matéria RESSARCIMENTO/COMPENSAÇÃO IPI Recorrente ACMACK INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE MÁQUINAS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2003 a 31/03/2003 NULIDADE. PRESSUPOSTO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INEXISTÊNCIA A ausência de contraditório previamente ao despacho decisório eletrônico, que se funda em dados fornecidos pelo contribuinte não configura cerceamento do direito de defesa descabendo invocar a nulidade do ato. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2003 a 31/03/2003 CRÉDITOS. FORNECEDORES OPTANTES PELO SIMPLES. MANUTENÇÃO. APROVEITAMENTO.IMPOSSIBILIDADE. A legislação em vigor não permite o creditamento do IPI calculado pelo contribuinte sobre aquisições de estabelecimento optantes pelo SIMPLES. SALDO CREDOR TRIMESTRAL DE IPI. DEMONSTRAÇÃO DA APURAÇÃO APÓS O PERÍODO DE RESSARCIMENTO. CORREÇÃO DO PROCEDIMENTO. Mostrase correta a apuração do menor saldo credor do imposto sobre produtos industrializados após o trimestre de formação. Sem a indicação de eventual erro contido no Demonstrativo de Apuração Após o Período de Ressarcimento considerase hígido o seu resultado e o valor final deferido. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/01/2003 a 31/03/2003 INIDONEIDADE DE DOCUMENTOS FISCAIS EMITIDOS. CONHECIMENTO. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. É ônus do contribuinte servirse das cautelas necessárias em suas relações negociais, não podendo opor à Fazenda Pública o desconhecimento da AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 9. 91 58 20 /2 00 9- 33 Fl. 241DF CARF MF Impresso em 02/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 17/12/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 2 regularidade fiscal de fornecedor nem a boafé negocial para creditarse de imposto sem lastro em documento fiscal idôneo para este fim. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues. Relatório Esta Contribuinte transmitira o Pedido de Ressarcimento cumulado com Declaração de Compensação em que utilizou saldo credor de IPI referente ao 1º trimestre de 2003, no valor de R$ 66.642,51. Despacho Decisório eletrônico da DRF/Jundiaí, de 28 de outubro de 2009 reconheceu o valor de R$ 21.392,50 e homologou a Compensação até este limite. Em manifestação de inconformidade apresentada, a Contribuinte alegou: a) em preliminar, a nulidade do despacho decisório por falta de motivação e cerceamento do direito de defesa, conforme doutrina e julgados que cita; b) no mérito: (i) apontou para a nulidade da decisão, por vício formal, pelo fato de ter efetuado glosa de créditos supostamente adquiridos de empresas optantes pelo Simples sem concederlhe a oportunidade de defesa, e sem indicar o dispositivo legal violado, ferindo o disposto no inciso III do artigo 11 do Decreto nº 70.235/72; (ii) reclamou por erro na apuração do menor saldo credor ressarcível, em decorrência do que restoulhe deferimento parcial do pedido de ressarcimento e consequente homologação parcial dos débitos. Em julgamento da lide a DRJ/Ribeirão Preto, ao amparo dos arts. 14, 15 e 59 do Decreto nº 70.235/72 refutou a tese da nulidade do despacho decisório, informando o dispositivo legal indicado na decisão, o art. 74 da Lei nº 9.430/96. A decisão foi ementada como segue: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2003 a 31/01/2003 Fl. 242DF CARF MF Impresso em 02/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 17/12/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 13839.915820/200933 Acórdão n.º 3803005.081 S3TE03 Fl. 242 3 NULIDADE. PRESSUPOSTOS. Somente ensejam a nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Não se configura o cerceamento do direito de defesa quando os autos demonstrarem inequivocamente que foram preservados a ampla defesa e o contraditório. IPI. CRÉDITOS. FORNECEDORES OPTANTES PELO SIMPLES. A legislação em vigor não permite o creditamento do IPI calculado pelo contribuinte sobre aquisições de estabelecimento optantes pelo SIMPLES. Manifestação de Inconformidade Improcedente Cientificada da decisão em 28 de junho de 2013, sextafeira, irresignada, apresentou recurso voluntário em 29 de julho de 2013, em que reitera o mesmo argumento trazido na manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Belchior Melo de Sousa Relator O recurso é tempestivo e atende os demais requisitos para sua admissibilidade, portanto dele conheço. A Defesa reproduz em sua totalidade o que já viera na manifestação de inconformidade, sustentando o argumento de nulidade da decisão administrativa por falta de motivação e cerceamento do direito de defesa, nela inexistindo a fundamentação e ausente abertura prévia de espaço para que a Interessada se manifestasse. O despacho decisório eletrônico é um ato administrativo que se funda em informações prestadas pelo próprio contribuinte. É sobre este fato que ele se erige como o ápice de um procedimento automático que dispensa a participação prévia do contribuinte sem que se o tenha por nulo. Segundo o rito do processo administrativo fiscal, previsto no Decreto nº 70.235/72 a que se submetem também os processos de restituição, ressarcimento e compensação , é a manifestação de inconformidade que instaura o litígio, no âmbito do qual é que se deve desenvolver o contraditório e o exercício, pelo contribuinte, da ampla defesa. Não antes. Fl. 243DF CARF MF Impresso em 02/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 17/12/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 4 Para ser um ato válido o despacho decisório não precisa ser um documento descritivo, como não o é o emitido na forma eletrônica. Nem por isso se pode dizer, no presente caso, que é um ato imotivado, pois é seqüenciado dos inúmeros demonstrativos de apuração do ressarcimento pleiteado, cuja leitura conduz à exata percepção do que foi decidido. Por exemplo: · foi pleiteado o valor de R$ 66.642,51 e deferido o valor de R$ 21.392,50; · há um quadro que integra o despacho decisório que demonstra o saldo credor ressarcível ao final do trimestre pleiteado; · há outro quadro que mostra a origem do que não foi considerado ressarcível, com as respectivas notas fiscais identificadas; · há um quadro que mostra os créditos e débitos ajustados dos períodos subseqüentes ao trimestre do ressarcimento, tendo como base o saldo credor deste. Neste quadro se vê o movimento de débitos e créditos posteriores ao trimestre do ressarcimento e o quanto do saldo credor deste é reduzido pelos valores dos débitos que excedem os créditos, resultando no menor saldo credor anterior ao pedido de ressarcimento, aquele que será objeto do deferimento. A linguagem constante dos quadros que integram o despacho decisório está ao perfeito alcance do setor contábilfiscal da empresa, pois tal controle é tarefa própria do seu ofício, sendo prescindível a manifestação de perito. Os quadros são aptos a servir como um mapa a conduzir ao desfecho do ato administrativo, não havendo, pois, qualquer nulidade, nem cerceamento do direito de defesa. Importa destacar que é elementar o pressuposto de que contribuinte do IPI que se sujeita às formalidades escriturais peculiares desse imposto , conheça as disposições legais que estão no âmbito do seu direito subjetivo de se creditar e do seu dever quanto à forma de apuração deste imposto, no regime de lançamento por homologação. O lançamento por homologação consiste em procedimento fiscaltributário transferido ex vi legis do Estado para o contribuinte, que, ao apurar o quantum debeatur sem a participação do ente tributante recebe, por isso e concomitantemente, o ônus de fazêlo sob as balizas legais, não cabendo alegar desconhecimento para elidir sua responsabilidade por equívocos em que incorridos. Ao afirmar, desde a manifestação de inconformidade, que “não caberia, tampouco teria condições de a Recorrente checar se esse ou aquele contribuinte era contribuinte do Simples”, deixa claro que sabe que o direito material ao crédito não lhe pertence. Noutra palavra, apenas pretende afastar a sua responsabilidade pela apuração indevida de crédito apropriado em sua escrita. Ademais, consignese que no campo abaixo do despacho decisório consta o enquadramento legal: Art. 11 da Lei no 9.779/99; art. 164, inciso I, do Decreto no 4.544/2002 (RIPI). Art. 74 da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Quanto ao mérito das aquisições de insumos de fornecedor optante pelo Simples, afirma a Recorrente, em síntese da vasta argumentação, que não tinha condições de saber acerca da sua legitimidade para destacar IPI nas notas fiscais, e que não há norma legal Fl. 244DF CARF MF Impresso em 02/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 17/12/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 13839.915820/200933 Acórdão n.º 3803005.081 S3TE03 Fl. 243 5 que obrigue o contribuinte a confirmar ser essa inscrição do fornecedor. O seu desconhecimento da regularidade fiscal do fornecedor e a sua boafé negocial não são argumentos que prevaleçam em oposição à Fazenda para legitimar os créditos de IPI sem lastro em documento fiscal idôneo para este fim. Por fim, não cabe neste processo dar relevo a sua alegação de que o peso de alguma penalidade deva recair apenas sobre o seu fornecedor. No tocante ao mérito da apuração equivocada do menor saldo credor, a Recorrente não aponta onde se encontra o erro, restando claro que não manuseou os demonstrativos que seguem o despacho decisório, e se o fez não os compreendeu. Tomandose como caminho a exemplificação dada acima, somente no cotejo dos números do Demonstrativo da Apuração Após o Período de Ressarcimento e no apontamento de quais registros de débitos e créditos estariam incorretos para se concluir por erro na apuração, sem o que a reputo correta. Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso. Sala das sessões, 26 de novembro de 2013 (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Fl. 245DF CARF MF Impresso em 02/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 17/12/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
score : 1.0
Numero do processo: 10425.721167/2011-31
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 03 00:00:00 UTC 2013
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Ano-calendário: 2005, 2006
DECADÊNCIA.MULTA ISOLADA. REGRA DO ART. 173, I, DO CTN.
Ao lançamento da multa isolada prevista no art. 18, § 4º, da Lei nº 10.833/03, é aplicável o prazo decadencial previsto no art. 173, I, do CTN.
CRÉDITO DE DECISÃO JUDICIAL NÃO TRANSITADA EM JULGADO. COMPENSAÇÃO NÃO DECLARADA. MULTA ISOLADA.
É legítimo o lançamento da multa isolada, quando a declaração de compensação é considerada não-declarada. Considera-se não declarada a compensação de débitos do sujeito passivo, com crédito decorrente de decisão judicial não-transitada em julgado
Numero da decisão: 1302-001.255
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em afastar as preliminares suscitadas e, no mérito, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
Nome do relator: ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201312
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2005, 2006 DECADÊNCIA.MULTA ISOLADA. REGRA DO ART. 173, I, DO CTN. Ao lançamento da multa isolada prevista no art. 18, § 4º, da Lei nº 10.833/03, é aplicável o prazo decadencial previsto no art. 173, I, do CTN. CRÉDITO DE DECISÃO JUDICIAL NÃO TRANSITADA EM JULGADO. COMPENSAÇÃO NÃO DECLARADA. MULTA ISOLADA. É legítimo o lançamento da multa isolada, quando a declaração de compensação é considerada não-declarada. Considera-se não declarada a compensação de débitos do sujeito passivo, com crédito decorrente de decisão judicial não-transitada em julgado
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
numero_processo_s : 10425.721167/2011-31
conteudo_id_s : 5316330
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Jan 08 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 1302-001.255
nome_arquivo_s : Decisao_10425721167201131.pdf
nome_relator_s : ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
nome_arquivo_pdf_s : 10425721167201131_5316330.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em afastar as preliminares suscitadas e, no mérito, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
dt_sessao_tdt : Tue Dec 03 00:00:00 UTC 2013
id : 5246384
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:17:00 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046370757115904
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1853; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T2 Fl. 336 1 335 S1C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10425.721167/201131 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1302001.255 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 3 de dezembro de 2013 Matéria MULTA ISOLADA. COMPENSAÇÃO NÃODECLARADA. Recorrente ENGARRAFAMENTO COROA LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2005, 2006 DECADÊNCIA.MULTA ISOLADA. REGRA DO ART. 173, I, DO CTN. Ao lançamento da multa isolada prevista no art. 18, § 4º, da Lei nº 10.833/03, é aplicável o prazo decadencial previsto no art. 173, I, do CTN. CRÉDITO DE DECISÃO JUDICIAL NÃO TRANSITADA EM JULGADO. COMPENSAÇÃO NÃO DECLARADA. MULTA ISOLADA. É legítimo o lançamento da multa isolada, quando a declaração de compensação é considerada nãodeclarada. Considerase não declarada a compensação de débitos do sujeito passivo, com crédito decorrente de decisão judicial nãotransitada em julgado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em afastar as preliminares suscitadas e, no mérito, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Alberto Pinto Souza Junior – Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza. Junior, Tadeu Matosinho, Márcio Rodrigo Frizzo, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Cristiane Silva Costa e Waldir Veiga Rocha. Fl. 336DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/1 2/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 2 Relatório Versa o presente processo sobre recurso de ofício, interposto pelo contribuinte em face do Acórdão nº 1137.575 da 6ª Turma da DRJ/REC, cuja ementa assim dispõe: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2005, 2006 CRÉDITO DE DECISÃO JUDICIAL NÃO TRANSITADA EM JULGADO. COMPENSAÇÃO NÃO DECLARADA. MULTA ISOLADA. É ilegítima, por ser reputada como não declarada, a compensação de débitos do sujeito passivo, com crédito decorrente de decisão judicial não transitada em julgado, sendo cabível a exigência da multa isolada. COMPENSAÇÃO NÃODECLARADA. MULTA DE OFÍCIO ISOLADA. DECADÊNCIA. Considerase ocorrida a infração prevista no art. 18, § 4º, da Lei nº 10.833, de 2003, na data da decisão administrativa que considerou nãodeclarada a compensação. O direito de a Fazenda Pública aplicar a multa decai em cinco anos contados do primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência da infração. JURISPRUDÊNCIA JUDICIAL. EFEITOS. As decisões judiciais fazem coisa julgada às partes, não beneficiando nem prejudicando terceiros. Assim, não sendo parte do processo judicial, a decisão não é aplicável ao sujeito passivo. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2005, 2006 ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE E/OU ILEGALIDADE. INCOMPETÊNCIA DAS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS PARA APRECIAÇÃO. Não compete à autoridade administrativa, com fundamento em juízo sobre ilegalidade de norma tributária, negar sua aplicação ao caso concreto. Prerrogativa exclusiva do Poder Judiciário, por força de dispositivo constitucional. Impugnação Improcedente A recorrente foi intimada da decisão de primeira instância em 05/10/2012 (AR a fls. 298) e interpôs recurso voluntário em 05/11/2012 (doc. a fls. 300 e segs.), no qual alega as seguintes razões de defesa: a) que se trata de autuação para constituição de multa isolada, correspondente ao percentual de 75% sobre o valor compensado pela recorrente por meio de Declarações de Compensação, com créditos que foram reconhecidos judicialmente, no valor de R$ 10.913.741,49; b) que o auto de infração carece de fundamentação, haja vista a sua falta de clareza e objetividade quanto à indicação do dispositivo supostamente infringido pela recorrente, o que dificulta e cerceia o seu direito de defesa, o que implica em nulidade da autuação; c) que, em nenhum momento, fezse prova do fato alegado, o que vem também de concorrer para viciar com a pecha da nulidade da autuação; d) que ocorreu os créditos lançados estavam extintos pela decadência, nos termos do art. 150 do CTN; e) que entende o ilustre julgador que as compensações declaradas pela Recorrente, estando supedaneadas em decisão ainda não transitada em julgado, não podem ser consideradas declaradas, com fulcro no art. 31 da IN/SRF nº 600/05 e no art. 74 da Lei 9.430/96, com as alterações introduzidas pela Lei 11.051/04; Fl. 337DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/1 2/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10425.721167/201131 Acórdão n.º 1302001.255 S1C3T2 Fl. 337 3 f) que, todavia, referidas compensações foram garantidas por judiciosa decisão proclamada pelo Tribunal Regional Federal da 5ª Região, onde ali a recorrente e a empresa LB Móveis pleiteia o reconhecimento do direito à manutenção dos créditos incentivados de IPI, e à sua utilização mediante compensação com débitos próprios e de terceiros, na forma e nas hipóteses previstas nas IN SRF 21/97, 37/97 e 73/97, afastando as proibições impostas na IN SRF 41/00; g) que as decisões judiciais, em nenhum momento, condicionou a compensação ali requerida ao trânsito em julgado da ação ou vedou a compensação com débitos de terceiros; h) que manifestamente ilegal e abusivo o conteúdo do r. Despacho Decisório, visto que as normas nele indicadas não incidem na presente hipótese porque seus efeitos apenas se operam a partir de sua vigência (Lei 11.051, de 29 de dezembro de 2004), ou seja, os seus efeitos não podem retroagir de forma a obstaculizar o exercício daquele direito; i) que são ilegítimas as restrições introduzidas pela Lei 11.051/04, as quais violam o princípio da autonomia dos poderes, que ferem os principíos da irretroatividade, da segurança jurídica e do direito adquirido e, por último, que incompatível com o direito de petição insculpido no art. 5º, XXXIV, da CF/88; j) que a multa de 75% é confiscatória. É o relatório. Voto Conselheiro Alberto Pinto Souza Junior. O recurso voluntário é tempestivo e foi subscrito por mandatário com poder para tal, conforme instrumento a fls. 332, razão pela qual dele conheço. De plano, há que se esclarecer que não compete a este colegiado se pronunciar sobre as alegações de inconstitucionalidade da Lei 11.051/04 nem sobre a afirmação de que a multa de ofício seria confiscatória, por força do disposto na Súmula CARF nº 2, cujo verbete assim dispõe: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.”. Os demais argumentos expendidos pela recorrente são meras repetições de questões já devidamente enfrentadas pela decisão recorrida, razão pela qual passamos apenas a repisálas: a) equivocase a recorrente quando aplica a regra decadencial do art. 150 do CTN, pois o lançamento em tela tem por objeto a multa isolada prevista no art. 18, § 4º, da Lei nº 10.833/03, logo é aplicável, in casu, a regra do art. 173, I, do CTN; b) se as declarações de compensações consideradas não declaradas foram apresentadas em 2005 e 2006, não há falar que havia decaído o direito de o Fisco efetuar o lançamento da multa isolada em 19/12/2011 – data que a recorrente tomou ciência do auto de infração (vide AR a fls.126), já que o dies ad quem do referido prazo seria 31/12/2011 para as multas referentes às declarações apresentadas em 2005, logo, deve ser afastada a preliminar de decadência suscitada; Fl. 338DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/1 2/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 4 c) é totalmente infundada a alegação de que o auto de infração carece de clareza e objetividade quanto à indicação do dispositivo supostamente infringido, se não vejamos a sua descrição dos fatos e o seu enquadramento legal (doc. 115 e 118): “Em atendimento às Representações Fiscais, em anexo, aplicase multa isolada prevista no art. 18, § 4º, da Lei 10.833/03 porque ficou configurada a situação prevista no § 12, inciso II, alíneas “a”e “d”, do art. 74 da Lei nº 9.430/96, isto é, compensação não declarada. Estão contidos no anexo “Representações Fiscais” todas as Declarações de Compensações que serviram de base para os lançamentos listados abaixo, como também os pareceres e os despachos decisórios que consideraram não declaradas as citadas declarações”. “Art. 18, § 4º, da Lei 10.833/03, com redação dada pela Lei nº 11.051/04, § 12, inciso II, alíneas “a” e “d”, do art. 74 da Lei nº 9.430/96 e art. 173, inciso I, do CTN.”. d) da mesma forma, não procede a alegação de que houve aplicação retroativa da Lei nº 11.051, de 29 de dezembro de 2004, pois as DCOMP foram apresentadas entre julho de 2005 e dezembro de 2006. Por último, ressaltese que a decisão do Tribunal Regional Federal da 5ª Região alertava (no item 10 da ementa transcrita no Relatório a fls. 161 do Acórdão que a ajustou ao decidido no RE nº 562.980SC) que a compensação autorizada só poderia ser levada a efeito pela recorrente após o trânsito em julgado da sentença, em respeito ao “art. 170 do CTN”[sic]. Assim, ao contrário do que alega a recorrente, não havia decisão judicial determinando a compensação antes do seu trânsito em julgado. Em face do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. Alberto Pinto Souza Junior Relator Fl. 339DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/1 2/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 10880.907571/2006-66
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 06 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Jan 28 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2003
COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. EXTENSÃO DOS EFEITOS DA DCOMP COM DEMONSTRAÇÃO DO CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE. A não-homologação é o ato que resolve a extinção do crédito tributário, e a homologação tácita é o evento que torna definitiva esta mesma extinção. Inexiste homologação tácita do direito creditório informado em DCOMP. A homologação, expressa ou tácita, atribui certeza e liquidez apenas à parcela do direito creditório utilizado na DCOMP homologada.
SALDO NEGATIVO. ESTIMATIVAS COMPENSADAS. RECONHECIMENTO PARCIAL. Uma vez parcialmente afastados os argumentos apresentados para desconsideração dos créditos utilizados para compensação das estimativas que compõe o saldo negativo em litígio, deve ser ele recomposto para imputação aos débitos compensados.
Numero da decisão: 1101-000.998
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, em: 1) por maioria de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente à homologação da DCOMP, vencido o Relator Conselheiro Benedicto Celso Benício Júnior, acompanhado nas conclusões pelo Conselheiro José Ricardo da Silva; e 2) por maioria de votos, DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário relativamente ao mérito, vencido o Relator Conselheiro Benedicto Celso Benício Júnior, acompanhado pelo Conselheiro José Ricardo da Silva, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Edeli Pereira Bessa.
(documento assinado digitalmente)
MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO - Presidente.
(documento assinado digitalmente)
BENEDICTO CELSO BENÍCIO JÚNIOR - Relator
(documento assinado digitalmente)
EDELI PEREIRA BESSA Redatora designada
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (presidente da turma), José Ricardo da Silva (vice-presidente), Edeli Pereira Bessa, Benedicto Celso Benício Júnior, Mônica Sionara Schpallir Calijuri e Nara Cristina Takeda Taga.
Nome do relator: BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201311
camara_s : Primeira Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2003 COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. EXTENSÃO DOS EFEITOS DA DCOMP COM DEMONSTRAÇÃO DO CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE. A não-homologação é o ato que resolve a extinção do crédito tributário, e a homologação tácita é o evento que torna definitiva esta mesma extinção. Inexiste homologação tácita do direito creditório informado em DCOMP. A homologação, expressa ou tácita, atribui certeza e liquidez apenas à parcela do direito creditório utilizado na DCOMP homologada. SALDO NEGATIVO. ESTIMATIVAS COMPENSADAS. RECONHECIMENTO PARCIAL. Uma vez parcialmente afastados os argumentos apresentados para desconsideração dos créditos utilizados para compensação das estimativas que compõe o saldo negativo em litígio, deve ser ele recomposto para imputação aos débitos compensados.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Jan 28 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 10880.907571/2006-66
anomes_publicacao_s : 201401
conteudo_id_s : 5321090
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Jan 31 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 1101-000.998
nome_arquivo_s : Decisao_10880907571200666.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR
nome_arquivo_pdf_s : 10880907571200666_5321090.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, em: 1) por maioria de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente à homologação da DCOMP, vencido o Relator Conselheiro Benedicto Celso Benício Júnior, acompanhado nas conclusões pelo Conselheiro José Ricardo da Silva; e 2) por maioria de votos, DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário relativamente ao mérito, vencido o Relator Conselheiro Benedicto Celso Benício Júnior, acompanhado pelo Conselheiro José Ricardo da Silva, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Edeli Pereira Bessa. (documento assinado digitalmente) MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO - Presidente. (documento assinado digitalmente) BENEDICTO CELSO BENÍCIO JÚNIOR - Relator (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA Redatora designada Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (presidente da turma), José Ricardo da Silva (vice-presidente), Edeli Pereira Bessa, Benedicto Celso Benício Júnior, Mônica Sionara Schpallir Calijuri e Nara Cristina Takeda Taga.
dt_sessao_tdt : Wed Nov 06 00:00:00 UTC 2013
id : 5276268
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:17:31 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046370764455936
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 21; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2439; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C1T1 Fl. 2 1 1 S1C1T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10880.907571/200666 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1101000.998 – 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 06 de novembro de 2013 Matéria DCOMP Saldo Negativo CSLL Recorrente BOOZ & COMPANY DO BRASIL CONSULTORES LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003 COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. EXTENSÃO DOS EFEITOS DA DCOMP COM DEMONSTRAÇÃO DO CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE. A nãohomologação é o ato que resolve a extinção do crédito tributário, e a homologação tácita é o evento que torna definitiva esta mesma extinção. Inexiste homologação tácita do direito creditório informado em DCOMP. A homologação, expressa ou tácita, atribui certeza e liquidez apenas à parcela do direito creditório utilizado na DCOMP homologada. SALDO NEGATIVO. ESTIMATIVAS COMPENSADAS. RECONHECIMENTO PARCIAL. Uma vez parcialmente afastados os argumentos apresentados para desconsideração dos créditos utilizados para compensação das estimativas que compõe o saldo negativo em litígio, deve ser ele recomposto para imputação aos débitos compensados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, em: 1) por maioria de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente à homologação da DCOMP, vencido o Relator Conselheiro Benedicto Celso Benício Júnior, acompanhado nas conclusões pelo Conselheiro José Ricardo da Silva; e 2) por maioria de votos, DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário relativamente ao mérito, vencido o Relator Conselheiro Benedicto Celso Benício Júnior, acompanhado pelo Conselheiro José Ricardo da Silva, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Edeli Pereira Bessa. (documento assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 90 75 71 /2 00 6- 66 Fl. 197DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/12/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/12/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 2 MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO Presidente. (documento assinado digitalmente) BENEDICTO CELSO BENÍCIO JÚNIOR Relator (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA – Redatora designada Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (presidente da turma), José Ricardo da Silva (vicepresidente), Edeli Pereira Bessa, Benedicto Celso Benício Júnior, Mônica Sionara Schpallir Calijuri e Nara Cristina Takeda Taga. Fl. 198DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/12/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/12/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10880.907571/200666 Acórdão n.º 1101000.998 S1C1T1 Fl. 3 3 Relatório O feito em questão versa sobre Declarações de Compensação apresentadas no curso do anocalendário 2003, nas quais o sujeito passivo pretendeu compensar Saldo Negativo de CSLL apurado no anocalendário 2000 com tributos diversos. De acordo com a DIPJ/2001 do contribuinte (fls. 1112), a CSLL apurada em 2000 seria da ordem de R$ 229.483,97, ao passo que as Estimativas quitadas no período perfaziam a soma de R$ 608.764,70, do que resultaria um Saldo Negativo de R$ 379.280,73. Referidas Estimativas de CSLL do anocalendário 2000 foram quitadas parcialmente através de DARF (R$ 125.057,83), ao passo que a fração remanescente teria sido compensada com Saldo Negativo de CSLL atinente aos anos calendários 1998 e 1999. A primeira DCOMP constante desses autos é a de n. 06954.83653.130803.1.3.038859, Declaração essa que repousa às fls. 25 e na qual o sujeito passivo aponta crédito de Saldo Negativo de CSLL de 2000 da ordem de R$ 332.087,08. Como a própria numeração indica, a sua transmissão teve lugar em 13 de agosto de 2003. De acordo com o Despacho Decisório de fls. 30 e ss., verbis: O contribuinte em epígrafe transmitiu a este órgão, em 13 de agosto de 2003, Declaração de Compensação (fls. 01 a 04) informando crédito de saldo negativo de ‘Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido’ apurado no ajuste anual do anocalendário de 2000 no valor original de R$ 332.087,09 (trezentos e trinta e dois mil, oitenta e sete reais e oito centavos). Em consulta ao sistema SIEFPERDCOMP (fl. 05), verificouse o registro de Declarações de Compensação eletrônicas aproveitando o crédito em tela; essas DCOMPs estão relacionadas na tabela a seguir: DCOMP nº 06954.83653.130803.1.3.038859 03373.16007.140803.1.3.037262 25788.11829.270803.1.3.03.0972 42508.70794.131003.1.3.030970 Fl. 199DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/12/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/12/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 4 13258.26556.281003.1.3.030926 39321.65401.051103.1.3.030551 32069.45594.270907.1.7.035774 Todas essas DCOMPs encontramse nos autos, respectivamente às fls. 1, 42, 53, 57, 63, 67 e 71. É preciso salientar que a última das DCOMPs relacionadas consubstancia Retificadora da DCOMP n. 30713.36269.300703.1.3.037275, sendo que o crédito nela apontado também corresponde ao Saldo Negativo de CSLL do ano calendário 2000. A DCOMP retificada não se encontra nos autos. Outrossim, é importante salientar que todas as demais DCOMPs, inclusive a transmitida em 13 de agosto de 2003, apontam que o crédito nelas indicado já teria sido objeto de DCOMP prévia, qual seja, a DCOMP n. 10091.09332.300703.1.7.034500. Essa última DCOMP não está nos autos e, na esteira do supratranscrito excerto do Despacho Decisório, não foi localizada na consulta ao sistema SIEFPERDCOMP (cf. fólio n. 6). O Despacho Decisório afirmou a tempestividade de cada uma das DCOMPs listadas na tabela acima (fl. 32). Uma vez que o Saldo Negativo de 2000 ter seia formado a partir da quitação de estimativas de CSLL com Saldos Negativos de 1998 e 1999, a autoridade responsável pela análise houve por bem investigar esses períodos. No que tange ao anocalendário 1998, o contribuinte declarou na DIPJ/1999 que teria um Saldo Negativo de R$ 184.848,04, tendo em vista que a CSLL apurada no período seria de R$ 307.622,05 e as Estimativas recolhidas seriam de R$ 492.470,09. Nada obstante, o Fiscal localizou, em consulta ao sistema SINAL recolhimentos de estimativa apenas da ordem de R$ 155.809,77, de modo que, ao invés de Saldo Negativo, a contribuinte teria um saldo a pagar de CSLL em 1998 de R$ 151.812,28. No que tange ao anocalendário 1999, o sujeito passivo indicou na DIPJ/2000 um Saldo Negativo de CSLL de R$ 392.909,43, eis que a CSLL apurada no período seria de R$ 742.908,52, ao passo que teria recolhido Estimativas no montante de R$ 409.815,82 e que a quantia equivalente a 1/3 da COFINS efetivamente recolhida em 1999 (que poderia ser abatida da CSLL à luz do revogado §1º do art. 8º da Lei n. 9.718/98) corresponderia à monta de R$ 726.002,13. Contudo, a autoridade responsável pela prolação do Despacho Decisório apenas localizou recolhimentos de COFINS que poderiam ensejar abatimentos da ordem de R$ 699.161,38 (1/3 de R$ 2.097.484,14), ao passo que apenas havia um DARF recolhido a título de Estimativa, no valor de R$ 113.799,65. Assim sendo, o Saldo Negativo de CSLL de 1999 equivaleria a R$ 70.052,51, e não aos R$ 392.909,43 inicialmente apontados. A partir dessa análise, a autoridade fiscal procedeu ao exame da verificação do Saldo Negativo de 2000. Fl. 200DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/12/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/12/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10880.907571/200666 Acórdão n.º 1101000.998 S1C1T1 Fl. 4 5 Ante a inexistência de Saldo Negativo em 1998 e a redução do Saldo Negativo de 1999, o inicialmente apontado Saldo Negativo de 2000 converteuse em saldo devedor da ordem de R$ 32.650,34 (CSLL apurada de R$ 229.483,97, subtraída do reduzido Saldo Negativo de 1999 e dos DARFs de Estimativas recolhidas em 2000, no montante de R$ 125.057,83). Nessa senda, as Declarações de Compensação em exame não foram homologadas, ante o reconhecimento da inexistência de Saldo Negativo no ano calendário 2000. O contribuinte teve ciência desse Despacho Decisório em 14 de agosto de 2008, o que se depreende do exame do fólio n. 38. Em sua Manifestação de Inconformidade (fls. 8191), apresentada em 12 de setembro de 2008, o sujeito passivo alega o reconhecimento da homologação tácita, eis que a DCOMP inicial foi transmitida em 13 de agosto de 2003 e que a ciência do Despacho não homologatório teve lugar em 14 de agosto de 2008. No mérito, assevera que, em relação ao ano 1998 – período que a CSLL foi apurada em R$ 307.622,05 –, recolheu R$ 345.058,03, do que resultaria um Saldo Negativo de R$ 37.435,98. Os DARFs a ratificar tais assertivas foram juntados aos autos e repousam às fls. 106109. Quanto ao ano de 1999, esclarece que recolheu R$ 2.244.033,90 a título de COFINS, de modo que poderia abater R$ 748.011,30 da CSLL devida, o que levaria seu Saldo Negativo ao patamar de R$ 118.902,43. Os DARFs que dão conta desses recolhimentos encontramse às fls. 110115, sendo importante destacar que os cálculos do sujeito passivo levam em conta a COFINS de dezembro/1999, que foi recolhida em 14 de janeiro de 2000 (data do vencimento) no montante de R$ 146.549,76. Nessa senda, os pedidos deduzidos na Manifestação de Inconformidade têm o seguinte teor, litteris: Concluise, portanto, que, o pedido de compensação realizado pela ora Requerente foi intempestivamente analisado, pelo que, (sic) ocorreu a homologação tácita do crédito declarado na Declaração de Compensação transmitida no dia 13 de agosto de 2003. Considerados válidos tais créditos, as PER/DCOMPs transmitidas posteriormente, que neles se fundamentaram, devem ser tidas por devidamente homologadas; Na improvável hipótese de não ser considerada a decadência do direito do Fisco Federal de não homologar a Declaração de Compensação transmitida em 13 de agosto de 2003, deve ser considerado o quanto segue: a) relativamente ao anocalendário de 1998, a Requerente não possuía CSLL a pagar no valor de 151.812,28, mas sim, um crédito de saldo negativo de CSLL, no valor de R$ 37.435,98; Fl. 201DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/12/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/12/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 6 b) relativamente ao anocalendário de 1999, a Requerente possuía um saldo negativo de CSLL, no valor de R$ 118.902,43 e não de R$ 70.052,51, como quis a EQPIR; c) ao final do anocalendário de 2000, a Requerente não possuía um débito de CSLL no valor de R$ 32.650,35, pelo contrário, possuía um crédito de saldo negativo de CSLL, no valor de R$ 51.912,00; d) referido crédito, no valor de R$ 51.912,00, deve ser considerado quando da análise das PER/DCOMPs posteriormente transmitidas, de forma a reduzir eventuais débitos resultantes de compensações equivocadamente realizadas. (fl. 90; sem grifos no original) A DRJ/SP1 acolheu parcialmente a Manifestação de Inconformidade. Em relação ao anocalendário de 1998, a instância a qua efetivamente reconheceu os recolhimentos de R$ 345.058,03; contudo, essa instância recorrida houve por bem não levar em conta o consequente saldo negativo de R$ 37.435,98, ancorando se no seguinte argumento, litteris: De fato, os recolhimentos por estimativa condizem com o montante a que acredita fazer jus a requerente, conforme demonstram as cópias dos DARF de fls. 104/105 e 107), no entanto, o saldo negativo acaba por não ser reconhecível em virtude de ausência de pedido específico. O saldo negativo somente pode ser reconhecido quando a interessada efetuou pedido neste sentido ou por meio de pedido de restituição (até a IN RF nº 210/2002) ou por intermédio da utilização do Sistema PER/DCOMP da RFB a partir da IN SRF nº 210/2002. ( Em relação ao anocalendário 1999, o decisum ora recorrido pautouse pelo seguinte, verbis: Quanto ao pagamento da COFINS, a interessada acosta aos autos cópias dos DARF de fls. 108/113, os quais totalizam o montante alegado pela requerente. No entanto, a regra de compensação do 1/3 da COFINS efetivamente paga (§1º do art. 8º da Lei nº 9.718/98) possuía validade até a data de 01/01/2000 (MP nº 2.158/2001), dessa forma, o pagamento, feito após a referida data, não poderia ser adicionado ao cálculo da dedução mencionada. Tendo em vista que o pagamento da COFINS do documento nº 19 (fl. 113) foi efetuado em 14/01/2000, não poderia o montante ser incluído para o cálculo do 1/3 da COFINS dedutível da CSLL a pagar. Assim, não há que se alterar o saldo negativo apurado pela autoridade fiscal para este anocalendário. (fl. 136; sem grifos no original) Destarte, em não considerando qualquer alteração de valor do Saldo Negativo da CSLL de 2000, a decisão recorrida acolheu parcialmente a Manifestação de Inconformidade unicamente para homologar tacitamente a DCOMP n. 06954.83653.130803.1.3.038859, cujos débitos confessados perfazem a soma de R$ 1.750,20, de modo que foi mantida a não homologação de todas as demais Declarações de Compensação. Fl. 202DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/12/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/12/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10880.907571/200666 Acórdão n.º 1101000.998 S1C1T1 Fl. 5 7 O sujeito passivo tomou ciência da decisão da DRJ em 15 de dezembro de 2009 (fl. 140) e o correlato Recurso Voluntário (fls. 146165) foi interposto em 14 de janeiro de 2010. Nessa irresignação, o contribuinte alega o seguinte, verbis: Não obstante o acima exposto, a Receita Federal ao emitir decisão sobre esse processo 10880.907571/200666 vinculado especificamente à DCOMP nº 06954.83653.130803.1.3.038859, muito espertamente induziu em erro a ora Recorrente, ao pretender vincular outras DCOMPS a esse processo, conforme se verifica do seguinte trecho do despacho decisório EQPIR relativo a esse mesmo processo(...)(fl. 148) Alega que as outras DCOMPs formaram processos administrativos outros, que lista ao fólio n. 149, de modo que o Despacho Decisório teria prolatado decisão para além dos limites do objeto da vertente contenda. Nada obstante, não deduz nenhum pedido expresso com esteio nesse argumento, que portanto não foi alçado à condição de causa de pedir – muito pelo contrário, vez que, consoante se verá adiante, pede a homologação de todas as Declarações de Compensação em destaque. Aduz que a decisão recorrida deveria ser reformada, eis que o reconhecimento da homologação tácita da DCOMP n. 06954.83653.130803.1.3.038859 acarretaria a homologação definitiva do crédito nela indicado, de modo que as ulteriores Declarações de Compensação deveriam ser homologadas. Quanto ao Saldo Negativo de 1998, salienta que a DRJ reconheceu a sua existência – no montante de R$ 37.435,98, na esteira do quanto postulado na Manifestação de Inconformidade –, sendo errônea de não considerálo hábil à amortização de estimativa do anocalendário 2000 pela falta de pedido administrativo específico, vez que tal obrigatoriedade apenas teria surgido com a Instrução Normativa n. 210/2002. Em relação ao anocalendário de 1999, salienta que, apesar de ter recolhido a COFINS de dezembro de 1999 em 14 de janeiro de 2000, a quantia correspondente a 1/3 desse recolhimento poderia ser deduzida da CSLL devida no período, eis que a supressão desse benefício a partir de janeiro de 2000 não alcançaria a COFINS atinente a período de apuração anterior. Traz ainda considerações no sentido de que a operação dos efeitos derivados da MP 18588, que revogou o benefício em questão, deveria obedecer à anterioridade nonagesimal. Ao final, seus pedidos são deduzidos com o seguinte teor, litteris: Diante de todo o exposto, a recorrente requer, alternativamente: (i) a reforma integral do v. acórdão proferido pela 7ª Turma da DRJ/SP1 para reconhecer que o pedido de compensação contido na DCOMP nº 06954.83653.130803.1.3.038859 e realizado pela ora Requerente foi intempestivamente analisado, pelo que, ocorreu a homologação tácita do crédito nela declarado no dia 13 de agosto de 2003. Desta feita, partindose da premissa de que tal crédito é válido, requerse desde já a homologação das compensações contidas nas Fl. 203DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/12/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/12/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 8 PER/DCOMPs transmitidas posteriormente e que nesse crédito se fundamentou; reconhecendose, por fim, a decadência do direito do Fisco Federal de não homologar os pedidos de compensação da ora requerente, pelo que ocorreu a homologação tácita das mesmas; (ii) caso assim não o entendam estes Eméritos Julgadores, requerse a reforma parcial do acórdão proferido pela 7ª Turma da DRJ/SP1 para reconhecer o crédito decorrente de saldo negativo de CSLL apontado neste recurso, relativamente aos anoscalendário de 1998, 1999 e 2000 no valor final de R$ 51.912,27. (fl. 164 É o relatório. Fl. 204DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/12/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/12/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10880.907571/200666 Acórdão n.º 1101000.998 S1C1T1 Fl. 6 9 Voto Vencido Conselheiro BENEDICTO CELSO BENÍCIO JÚNIOR, Relator: O Recurso Voluntário é tempestivo e, portanto, dele tomo conhecimento. Antes que se passe ao exame do objeto do Recurso Voluntário, é importante que sejam tecidas considerações acerca de dois pontos. Primeiramente, no que tange ao supracitado fato de que, em cada uma das Declarações de Compensação aqui analisadas (à exceção daquela transmitida em 2007, retificadora da DCOMP n. 30713.36269.300703.1.3.037275) existe a indicação de que o crédito nelas apontado fora previamente indicado na DCOMP n. 10091.09332.300703.1.7.03 4500, tomarei essa circunstância como irrelevante para a vertente controvérsia. Com efeito, tanto as autoridades fiscais que se debruçaram sobre este processo quanto o contribuinte absolutamente silenciaram quanto a esse fato. Para além disso, a própria Equipe de Análise de Processos de I.R. – EQPIR, responsável pela prolação do Despacho Decisório, expressamente afirmou que, em consulta ao sistema SIEFPERDCOMP – a que esse relator não tem acesso –, as DCOMPs transmitidas pelo sujeito passivo com o fito de aproveitar o crédito de Saldo Negativo de CSLL do anocalendário 2000 são unicamente as listadas à fl. 6, justamente aquelas reproduzidas na tabela supratranscrita. Nessa senda, em consonância com todo e qualquer elemento constante desses autos, assumirei que a DCOMP que inicialmente aponta o crédito de Saldo Negativo é a de n. 06954.83653.130803.1.3.038859 (fls. 25), transmitida em 13 de agosto de 2003 e na qual o sujeito passivo declara ao Fisco a existência de um Saldo Negativo de CSLL do ano 2000 de R$ 332.087,08. A segunda observação que deve ser feita é a relativa às considerações do contribuinte deduzidas em Recurso Voluntário (fls. 148150) no sentido de o Despacho Decisório proferiu decisão que extrapola o objeto da controvérsia que deveria ser dirimida, por versar não apenas sobre a DCOMP n. 06954.83653.130803.1.3.038859, mas sobre todas as demais arroladas à fl. 6. Em primeiro lugar, é preciso dizer que o contribuinte não deduziu qualquer pedido com fulcro em tal argumento, de modo que não foi ele (o argumento) tido como causa petendi pelo ora Recorrente; diversamente, o contribuinte deduz pedido que em nada se coaduna com tais considerações, eis que pleiteia a homologação de todas as Declarações de Compensação arroladas à fl. 6. Para além disso, temse que o procedimento adotado pela Equipe de Análise de Processos de I.R. – EQPIR revelase absolutamente consentâneo com a análise de Declarações de Compensaões múltiplas lastreadas em um único e idêntico crédito, Fl. 205DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/12/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/12/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 10 circunstância essa que inclusive tem a propriedade de evitar a prolação de decisões conflitantes em relação a um mesmo crédito. Ademais, a Recorrente indica processos administrativos que pretensamente encerrariam as discussões sobre as Declarações de Compensação que lançam mão do Saldo Negativo de CSLL de 2000 transmitidas posteriormente à DCOMP inicial, de 13 de agosto de 2003. Contudo, a análise de tais processos no Sistema Comprot conduz ao entendimento de que tais feitos encerram unicamente o controle sobre os débitos indicados nas demais DCOMPs, inexistindo informação no sentido de que tais processos tenham sido movimentados a qualquer Delegacia da Receita Federal de Julgamento. Frisese ainda que essa considerações do sujeito passivo apenas foram trazidas a lume em sede de Recurso Voluntário, sendo certo que tanto o Despacho Decisório quanto a Manifestação de Inconformidade quanto a Decisão da DRJ/SP1 sempre trataram de todas as compensações atreladas ao Saldo Negativo de CSLL do anocalendário 2000 conjuntamente. Tecidos esses apontamentos iniciais, de rigor que se passe ao exame dos pedidos deduzidos no Recurso Voluntário. Entendo que o pedido principal do contribuinte deve ser acolhido. Com efeito, é absolutamente estreme de dúvidas que a DCOMP em que inicialmente mencionado o crédito de Saldo Negativo de CSLL do anocalendário 2000 – no montante de R$ 332.087,08 – foi transmitida em 13 de agosto de 2003, ao passo que a ciência do Despacho Decisório que não homologou todas as DCOMPs atreladas ao citado crédito apenas teve lugar em 14 de agosto de 2008, é dizer, mais de cinco anos depois da sua transmissão, de modo que inquestionável a sua homologação tácita. É preciso dizer que inexiste controvérsia quanto à homologação tácita da DCOMP n. 06954.83653.130803.1.3.038859, tendo em vista que a própria instância a qua expressamente reconheceu que a análise da DCOMP em referência teve lugar após o transcurso do prazo inserto no §5º do art. 74 da Lei n. 9.430/96. Nada obstante, diversamente do que restou decidido pela Egrégia DRJ/SP1, entendo que a operação da homologação tácita de uma DCOMP acarreta não apenas a definitiva extinção do débito nela indicado, mas enseja também a cristalização do crédito apontado na respectiva Declaração de Compensação em favor do sujeito passivo. Com efeito, a Lei n. 10.637/2002 – editada antes da transmissão das DCOMPs em referência – deu nova redação ao art. 74 da Lei n. 9.430/96, dispositivo esse que passou a ter o seguinte teor, litteris: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. A partir da leitura desse dispositivo, percebese que apenas podem ser compensados aqueles créditos do contribuinte passíveis de restituição ou de ressarcimento. Fl. 206DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/12/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/12/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10880.907571/200666 Acórdão n.º 1101000.998 S1C1T1 Fl. 7 11 Ao tempo da transmissão das DCOMPs aqui analisadas – em que se indica, a título de crédito, o Saldo Negativo de CSLL de 2000 –, estava em vigor a Instrução Normativa n. 210/2002, que expressamente estabelecia em seu art. 6º a possibilidade de restituição de Saldos Negativos de IRPJ e CSLL. Com o advento dessa Instrução Normativa, mesmo os encontros de contas de um mesmo sujeito passivo que versassem sobre créditos e débitos de tributos da mesma espécie passaram a depender de requerimento administrativo – in casu, a Declaração de Compensação –, a exemplo do que se passava com os Pedidos de Restituição. No caso dos autos, estáse diante de Declarações de Compensação que já foram transmitidas através do formulário PER/DCOMP, o que se depreende da sua mera leitura. Nesse cenário, ao apresentar uma Declaração de Compensação, o contribuinte leva ao conhecimento do Fisco a informação do crédito que pretende aproveitar, sendo que o objeto precípuo dos processos administrativos fiscais que encerram controvérsias sobre compensações gravita justamente em torno do respectivo crédito: tanto é assim que a própria competência das Seções desse Egrégio Tribunal Administrativo, em se tratando de feitos que envolvem compensações, definese pela natureza do crédito em testilha, pouco importando o débito discutido. Assim, tendo o sujeito passivo indicado em Declaração de Compensação crédito superior ao débito apontado, penso ser um contrassenso entender que a respectiva homologação tácita, por decurso de tempo sem manifestação das autoridades fiscais, opere unicamente a definitividade do débito envolvido – débito que, consoante dito acima, ocupa um posto secundário em processos de compensação, até porque os débitos, após o advento da Lei n. 10.833/2003, são confessados com a apresentação da Declaração de Compensação. É impensável que, tendo indicado crédito em monta superior ao débito declinado, se presuma que o sujeito passivo não pretendia ulteriormente lançar mão da respectiva diferença em seu favor. E, tendo esse crédito sido devidamente informado em Declaração de Compensação, as autoridades fiscais tinham plenas possibilidades de se voltar contra ele, verificando sua existência e o seu patamar, mas isso unicamente dentro do lapso temporal de 5 (cinco) anos, contados da correlata apresentação. Ou seja, se o contribuinte ostensivamente informa um crédito ao Fisco ao apresentar uma DCOMP e tendo o Fisco o deverpoder de se debruçar sobre esse crédito – analisando a sua existência e o seu montante –, pareceme óbvio que o transcurso do prazo legal para a realização desse exame deve acarretar consequências sobre tudo aquilo que deveria passar pelo crivo das intempestivas autoridades fiscais, e não apenas sobre o débito. Uma vez que, na esteira do supracitado art. 74 da Lei n. 9.430/96, apenas podem ser compensados os créditos passíveis de restituição, fica claro que a homologação de uma Declaração de Compensação envolve intrinsecamente um juízo prévio acerca da possibilidade de restituição do respectivo crédito. Esse juízo prévio sobre a possibilidade de restituição do crédito pode ter lugar em termos expressos – nas hipóteses em que o sujeito passivo transmite expresso Pedido de Restituição antes da apresentação de uma Declaração de Compensação, ocasião em que se lança mão do crédito cuja restituição se pleiteou para o encontro de contas –, ou então de modo Fl. 207DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/12/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/12/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 12 tácito, nas hipóteses em que o crédito a ser compensado já vem inicialmente informado em Declaração de Compensação, tendo em vista que a apresentação de formal Pedido de Restituição não é condição para o regular processamento de Declaração de Compensação. Esse Colendo Conselho Administrativo Fiscais já perfilhou entendimento rigorosamente análogo – no sentido de que, uma vez decorrido o lapso temporal necessário para a homologação tácita, homologase não apenas a extinção do débito indicado, mas também o crédito declinado na respectiva Declaração de Compensação. Com efeito, é exatamente isso que se depreende da leitura da seguinte ementa, litteris: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2002 PERDCOMP. INDÉBITO RECONHECIDO. UTILIZAÇÃO. PRAZO PRESCRICIONAL. INAPLICABILIDADE O prazo prescricional de cinco anos previsto no artigo 168 do Código Tributário Nacional se aplica ao direito do contribuinte de pleitear a restituição ou ressarcimento. Se o contribuinte apresentou, dentro do prazo legal, PERDCOMP e o indébito nele indicado foi reconhecido pelo Fisco, não cabe aplicar novo prazo prescricional aos PERDCOMP posteriormente apresentados para utilização do saldo do direito creditório já reconhecido anteriormente. O sujeito passivo poderá apresentar Declaração de Compensação que tenha por objeto crédito apurado ou decorrente de pagamento efetuado há mais de 5 (cinco) anos, desde que referido crédito tenha sido objeto de pedido de restituição ou de ressarcimento apresentado à RFB antes do transcurso do referido prazo (IN SRF nº. 1.300, de 2012, art. 41, § 10). (Processo n. 10680.902786/201023; Acórdão n. 1801001.450; Cons. Rel. Maria de Lourdes Ramirez; j. 8.5.2013; sem grifos no original) Do voto condutor do aresto em destaque – que foi seguido pela unanimidade dos julgadores –, são extraídas as seguintes esclarecedoras passagens, litteris: A partir de outubro de 2002, com as alterações na legislação tributária federal, passouse a exigir que o contribuinte que desejasse se utilizar de indébitos tributários na compensação de tributos apresentasse tal solicitação ao Fisco. Como, nos termos da legislação, somente indébitos passíveis de restituição podem ser utilizados em compensações, havia a necessidade de o interessado apresentar, primeiro, um pedido de restituição para, só então, apresentar um pedido de compensação e, posteriormente, a declaração de compensação. Atualmente, o PERDCOMP é o instrumento eletrônico por meio do qual o contribuinte interessado pleiteia a restituição de determinados indébitos tributários e a sua utilização em compensações com créditos tributários. A sigla do documento significa PEDIDO ELETRÔNICO DE RESTITUIÇÃO/DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. Assim, todo PERDCOMP encerra, primeiramente, um pedido de restituição. Encontrase anexada aos autos cópia do PERDCOMP RETIFICADOR de n º 34121.30504.041007.1.7.027706 (fls. 22 e ss. do processo digital) que a Fl. 208DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/12/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/12/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10880.907571/200666 Acórdão n.º 1101000.998 S1C1T1 Fl. 8 13 interessada apresentou em 04/10/2007 (o PERDCOMP retificado data de 22/12/2004). Nesse PERDCOMP retificador a recorrente já havia consignado o valor do direito creditório relativo a saldo negativo de IRPJ do anocalendário 2002, no valor de R$ 76.910,73, apesar de terse utilizado, nesse documento, da parcela de R$ 1.229,66 do saldo negativo. Em outras palavras, com o PERDCOMP de n. 34121.30504.041007.1.7.027706, a recorrente já havia apresentado ao Fisco o seu pedido de restituição do indébito a título de saldo negativo de IRPJ do anocalendário 2002, no valor de R$ 76.910,73. Esse documento foi apresentado dentro do prazo prescricional previsto no artigo 168 do CTN: Art. 168. O direito de pleitear a restituição extinguese com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados: I – nas hipótese dos incisos I e II do artigo 165, da data da extinção do crédito tributário; II – na hipótese do inciso III do artigo 165, da data em que se tornar definitiva a decisão administrativa ou passar em julgado a decisão judicial que tenha reformado, anulado, revogado ou rescindido a decisão condenatória. No caso dos autos, uma vez reconhecido o indébito a título de saldo negativo de IRPJ do anocalendário 2002, no valor integral de R$ 76.910,73, como de fato o foi tanto pelo despacho decisório, como pela Turma Julgadora de 1a. instância, a interessada dele pode se aproveitar enquanto houver saldo disponível. Esse, inclusive, é o entendimento da própria administração tributária, como se verifica do teor da IN SRF nº. 1.300, de 2012: Art. 41. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive o crédito decorrente de decisão judicial transitada em julgado, relativo a tributo administrado pela RFB, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos administrados pela RFB, ressalvadas as contribuições previdenciárias, cujo procedimento está previsto nos arts. 56 a 60, e as contribuições recolhidas para outras entidades ou fundos. § 1º A compensação de que trata o caput será efetuada pelo sujeito passivo mediante apresentação à RFB da Declaração de Compensação gerada a partir do programa PER/DCOMP ou, na impossibilidade de sua utilização, mediante a apresentação à RFB do formulário Declaração de Compensação constante do Anexo VII a esta Instrução Normativa, ao qual deverão ser anexados documentos comprobatórios do direito creditório. § 5º O sujeito passivo poderá compensar créditos que já tenham sido objeto de pedido de restituição ou de ressarcimento apresentado à RFB, desde que, à data da apresentação da Declaração de Compensação: Fl. 209DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/12/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/12/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 14 I o pedido não tenha sido indeferido, mesmo que por decisão administrativa não definitiva, pela autoridade competente da RFB; e II – se deferido o pedido, ainda não tenha sido emitida a ordem de pagamento do crédito. ... § 10. O sujeito passivo poderá apresentar Declaração de Compensação que tenha por objeto crédito apurado ou decorrente de pagamento efetuado há mais de 5 (cinco) anos, desde que referido crédito tenha sido objeto de pedido de restituição ou de ressarcimento apresentado à RFB antes do transcurso do referido prazo e, ainda, que sejam satisfeitas as condições previstas no § 5º. (fls. 35 do citado Acórdão n. 1801001.450) Concordo inteiramente com as assertivas constantes desse julgado, inclusive pelo fato de entender que esse supratranscrito §10 do art. 41 da IN SRF n. 1.300/2012 – dispositivo que corresponde a outros absolutamente idênticos constantes das Instruções Normativas n. 460/2004, 600/2005 e 900/2008 – simplesmente ratificava o que já se passava sob a égide da Instrução Normativa n. 210/2002, quando esse já válido comando não era expresso. Apesar de essas considerações já serem mais do que suficientes para o deslinde da controvérsia, não poderia deixar de consignar meu repúdio pelo procedimento adotado pelas autoridades responsáveis pela prolação do Despacho Decisório, tendo em vista que, para o fim de não reconhecerem a existência do Saldo Negativo de CSLL do ano calendário de 2000, empreenderam, nos idos do anocalendário de 2008, inconteste e malsinada auditoria fiscal dos anos 1998 e 1999, períodos esses que jamais poderiam ter sido auditados, ante a inequívoca operação da decadência. De fato, não há dúvidas de que, para chegar à equivocada conclusão acerca da inexistência do Saldo Negativo de CSLL de 2000, a Equipe de Análise de Processos de I.R. – EQPIR alterou drasticamente o tributo apurado e declarado em DIPJ dos anoscalendário 1998 e 1999, transformando o Saldo Negativo do primeiro em Saldo devedor e minorando sensivelmente o Saldo negativo do segundo. E tudo isso praticamente 10 (dez) anos depois desses exercícios, em procedimento que jamais poderia prosperar. Por todo o exposto, dou PROVIMENTO AO RECURSO VOLUNTÁRIO, de modo a homologar tacitamente o crédito de Saldo Negativo de CSLL 2000 apontado na Declaração de Compensação n. 06954.83653.130803.1.3.038859 – no montante de R4 332.087,08; por consequência, homologo todas as demais Declarações de Compensação listadas à fl. 6, na ordem da sua apresentação e até o limite do crédito ora reconhecido. É como voto. BENEDICTO CELSO BENÍCIO JÚNIOR Fl. 210DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/12/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/12/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10880.907571/200666 Acórdão n.º 1101000.998 S1C1T1 Fl. 9 15 Voto Vencedor Conselheira EDELI PEREIRA BESSA De 13/08/2003 a 05/11/2003 a contribuinte transmitiu Declarações de Compensação DCOMP para utilização de saldo negativo de CSLL apurado no anocalendário 2000, no valor original de R$ 379.280,73. Analisando a composição do crédito, a autoridade fiscal reduziu as estimativas informadas na DIPJ de R$ 608.764,70 para R$ 196.833,63, montante inferior ao débito apurado no ajuste anual, de modo que não houve direito creditório reconhecido ao sujeito passivo. A nãohomologação das compensações foi cientificada à interessada em 14/08/2008. Diante deste contexto, a autoridade julgadora de 1ª instância declarou, de plano, a homologação tácita da DCOMP transmitida em 13/08/2003, especialmente porque não vislumbrou os impedimentos à compensação veiculados no §3º do art. 74 da Lei nº 9.430/96, com a redação dada pela Lei nº 10.833/2003. Quanto às demais DCOMP, o I. Relator, depois de observar que as autoridades fiscais silenciaram a respeito da DCOMP indicada como origem do crédito (nº 10091.09332.300703.1.7.034500), e fixando sua abordagem na primeira DCOMP considerada na análise (nº 06954.83653.130803.1.3.038859), argumentou que a homologação tácita desta também cristalizaria o direito creditório nela apontado, mormente tendo em conta que a contribuinte levou ao conhecimento do Fisco o valor que pretendia aproveitar em compensação, e a partir daí as controvérsias se limitariam ao respectivo crédito, aspecto que inclusive delimita a competência de julgamento dos órgãos integrantes do contencioso administrativo, evidenciando ser o débito um aspecto secundário. Não vislumbro o tema sob esta mesma ótica. Entendo que o prazo fixado no §5º do art. 74 da Lei nº 9.430/96, a partir da alteração inserida pela Medida Provisória nº 135/2003, prestase a firmar a extinção definitiva do débito por meio de compensação. Isto porque, na forma do §2º daquele dispositivo legal, a compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação, de modo que a nãohomologação é o ato que resolve a extinção do crédito tributário, e a homologação tácita é o evento que torna definitiva esta mesma extinção. É certo que a extinção definitiva, nestes termos, continua sendo por compensação, ou seja, mediante encontro de contas de um direito creditório do sujeito passivo com o crédito tributário por ele devido. Assim, por via reflexa, a homologação tácita atribui a liquidez e certeza exigida pelo art. 170 do CTN para que um direito creditório sirva de moeda para liquidação de créditos tributários. Todavia, esta liquidez e certeza é limitada à parcela do direito creditório utilizada na compensação homologada tacitamente, e não sobre a totalidade do direito creditório indicado na DCOMP. E isto porque a DCOMP não veicula pedido de restituição do indébito total apurado, mas apenas, e implicitamente, da parcela utilizada em compensação. Na medida em que, nos termos do art. 156, II, do CTN, a compensação é forma de extinção do crédito tributário, e se materializa mediante a oposição de um direito do sujeito passivo contra um Fl. 211DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/12/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/12/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 16 débito tributário por ele reconhecido perante a Fazenda Nacional, de modo que o direito creditório apresentado à Fazenda Nacional, nesta operação, é o valor especificamente utilizado para liquidação do débito, ainda que demonstrado em sua integralidade e em montante superior ao necessário para aquela compensação específica. A alteração promovida pela Medida Provisória nº 66/2002 (convertida na Lei nº 10.637/2002) no art. 74 da Lei nº 9.430/96 deixa claro que a manifestação de vontade contida na DCOMP limitase à afirmação do crédito utilizado para liquidação dos débitos compensados: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão.(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) § 1º A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) [...] (negrejouse) Esta interpretação também está exteriorizada em atos normativos da Receita Federal desde a edição da Instrução Normativa SRF nº 460/2004: Art. 27. O crédito do sujeito passivo para com a Fazenda Nacional que exceder ao total dos débitos por ele compensados mediante a entrega da Declaração de Compensação somente será restituído ou ressarcido pela SRF caso tenha sido requerido pelo sujeito passivo mediante Pedido de Restituição ou Pedido de Ressarcimento formalizado dentro do prazo previsto no art. 168 do Código Tributário Nacional. É certo que a Instrução Normativa SRF nº 210/2002 cogitava da possibilidade de restituição de indébito de ofício, nos seguintes termos: Art. 3º A restituição de quantia recolhida a título de tributo ou contribuição administrado pela SRF poderá ser efetuada: I – a requerimento do sujeito passivo ou da pessoa autorizada a requerer a quantia, mediante utilização do "Pedido de Restituição"; II – mediante processamento eletrônico da Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda da Pessoa Física (DIRPF); ou III – de ofício, em decorrência de representação do servidor que constatar o indébito tributário. § 1º A representação a que se refere o inciso III deverá ser encaminhada à autoridade da SRF competente para decidir sobre o direito creditório do sujeito passivo, acompanhada de comprovante do recolhimento e de demonstrativo no qual fique evidenciado o valor do indébito. § 2º Na hipótese de pedido de restituição formulado por representante do sujeito passivo, o requerente deverá encaminhar à SRF procuração conferida por instrumento público ou por instrumento particular com firma reconhecida ou, quando for o caso, decisão judicial que o autorize a requerer a quantia. § 3º A restituição do imposto de renda apurado na DIRPF regerseá pelos atos normativos da SRF que tratam especificamente da matéria, ressalvado o disposto nos arts. 9º e 10 desta Instrução Normativa. Fl. 212DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/12/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/12/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10880.907571/200666 Acórdão n.º 1101000.998 S1C1T1 Fl. 10 17 Todavia, adequandose às disposições legais antes transcritas, a Instrução Normativa SRF nº 460/2004 firmou corretamente o posicionamento no sentido de que o sujeito passivo deve manifestar seu interesse em restituir a integralidade do indébito até o término do prazo previsto para tanto, sob pena de prescrição de seu direito à devolução da parcela até então não utilizada em compensação. Admitir que o crédito veiculado na DCOMP corresponde ao valor ali integralmente demonstrado poderia ter outras conseqüências desfavoráveis ao sujeito passivo, tendo em conta que desde a Lei nº 12.249/2010 há penalidade que toma este valor como referência: Art. 62. O art. 74 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, passa a vigorar com a seguinte redação: “Art. 74. ....................................................................... ............................................................................................. § 15. Será aplicada multa isolada de 50% (cinquenta por cento) sobre o valor do crédito objeto de pedido de ressarcimento indeferido ou indevido. § 16. O percentual da multa de que trata o § 15 será de 100% (cem por cento) na hipótese de ressarcimento obtido com falsidade no pedido apresentado pelo sujeito passivo. § 17. Aplicase a multa prevista no § 15, também, sobre o valor do crédito objeto de declaração de compensação não homologada, salvo no caso de falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo.” (NR) Crédito objeto de declaração de compensação, na hipótese do §17 acrescido ao art. 74 da Lei nº 9.430/96, é o valor utilizado para liquidação dos débitos, sendo inadmissível cogitar da aplicação de penalidade sobre a parcela demonstrada na DCOMP, acerca da qual não houve manifestação de vontade do sujeito passivo quanto à sua utilização. Por oportuno observo que, embora o cabeçalho do documento apresentado pelo sujeito indique as expressões PEDIDO DE RESSARCIMENTO OU RESTITUIÇÃO e DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO, abreviadas sob a indicação PER/DCOMP, os dados iniciais do documento exibem, claramente, o tipo de documento que sujeito passivo apresentou, qual seja, Declaração de Compensação (fl. 01). Recordo, ainda, que o CTN e a legislação ordinária não estipulam qualquer prazo para a autoridade fiscal manifestarse acerca de direito creditório alegado pelo sujeito passivo, devendo este manter a guarda dos comprovantes necessários para prestar eventuais esclarecimentos acerca de seu direito enquanto o crédito não lhe for reconhecido ou, então, transcorrido o prazo para nãohomologação de todas as compensações nas quais o referido direito creditório foi utilizado, dado que nesta segunda hipótese nenhum utilidade terá eventual questionamento da autoridade fiscal acerca destas operações, visto que nenhum débito compensado poderá ser cobrado. Assim, por todo o exposto, a homologação tácita da DCOMP apenas afirma a liquidez e certeza da parcela do direito creditório utilizada especificamente na compensação que, em 5 (cinco) anos contados de sua formalização, não foi analisada pela autoridade competente. Com referência às demais DCOMP vinculadas a crédito de mesma natureza, mas não alcançadas pela homologação tácita, a autoridade fiscal pode, validamente, negar a não homologação se não apurar direito creditório suficiente a amparálas, e disponível depois de Fl. 213DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/12/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/12/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 18 descontada a parcela destinada às anteriores compensações eventualmente homologadas tacitamente. Neste ponto, portanto, divirjo do provimento dado pelo I. Relator ao recurso voluntário. Prosseguindo, o I. Relator discorda dos questionamentos que, expostos em despacho decisório lavrado no curso do anocalendário 2008, negou a existência de saldos negativos de CSLL apurados em 1998 e 1999, utilizados em compensação com as estimativas de CSLL que integraram a composição do saldo negativo apurado no anocalendário 2000. As informações de fls. 17/22 evidenciam que, por meio de DCTF apresentadas ao longo do anocalendário 2000, a contribuinte indicou que estimativas de CSLL apuradas nos meses de janeiro/2000 (R$ 201.160,95), fevereiro/2000 (R$ 180.599,76), março/2000 (R$ 6.637,17), maio/2000 (R$ 52.558,63), julho/2000 (R$ 41.355,65) e agosto/2000 (R$ 1.394,71), haviam sido liquidadas mediante compensação sem DARF, ali informando como origem do crédito a apuração de saldo negativo próprio em períodos anteriores (31/12/1998 e 31/12/1999). A autoridade fiscal admitiu parcialmente tal liquidação pois: · o saldo negativo de CSLL apurado no anocalendário 1998 representaria menos que o montante informado em DIPJ (R$ 184.848,04), na medida em que as estimativas deduzidas pelo sujeito passivo (R$ 492.470,89) seriam inferiores ao que informado em DCTF (R$ 284.487,74) e deste valor apenas R$ 155.809,77 teria sido efetivamente pago, resultando antecipações inferiores à CSLL devida no ajuste anual (R$ 307.622,05); · o saldo negativo de CSLL apurado no anocalendário 1999 representaria apenas R$ 70.052,51 do total informado em DIPJ de R$ 392.909,43, porque a dedução de 1/3 da COFINS deveria estar limitada a R$ 699.161,38, e as estimativas somente teriam sido declaradas e pagas no valor de R$ 113.799,65. Diante deste contexto, apenas o saldo negativo de CSLL apurado no ano calendário de 1999, e no valor de R$ 70.052,51, prestouse a liquidar parcialmente a estimativa de janeiro/2000 com ele compensada (R$ 71.775,80 do total de R$ 201.160,95). Como disse, em 2008 a autoridade fiscal ainda estava autorizada a questionar a existência do saldo negativo de CSLL apurado no anocalendário 2000, vez que este foi utilizado em compensações formalizadas ao longo do anocalendário 2003, ainda não alcançadas integralmente pela homologação tácita. Acrescento que além de não alcançadas pela homologação tácita, em 2008 também não se verificara a decadência do direito de o Fisco questionar a apuração do referido saldo negativo, vez que os prazos decadenciais estão previstos para fins de lançamento de crédito tributário, ou seja, para que a autoridade fiscal: 1) discorde do tributo pago com base em apuração do sujeito passivo; 2) supra a omissão do sujeito passivo na apuração daquele pagamento; ou 3) pratique o lançamento dos tributos ou penalidades cuja constituição a Lei reserva ao agente fiscal. Esta é a dicção do Código Tributário Nacional (Lei nº 5.172/66): Art. 150 O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio Fl. 214DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/12/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/12/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10880.907571/200666 Acórdão n.º 1101000.998 S1C1T1 Fl. 11 19 exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação do lançamento. (...) § 4º Se a lei não fixar o prazo à homologação, será ele de 5 (cinco) anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. [...] Art. 173 O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue se após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. (negrejouse) A decadência, nestes termos, encerra o poderdever do Fisco de formalizar o crédito tributário por intermédio do lançamento, pondo fim à relação jurídica material surgida entre o contribuinte e o Estado com a ocorrência do fato gerador. Recordo que a atividade de lançamento é definida pelo art. 142 do Código Tributário Nacional como o procedimento tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Nestes termos, se a autoridade fiscal constatar divergências na apuração que resultou em saldo negativo de IRPJ, não poderá lançar a diferença apurada se o fato gerador lucro pertencer a período já atingido pela decadência. Mas pode e deve o Fisco indeferir pedido de restituição ou não homologar compensações que tenham se valido de indébito tributário inexistente conforme o ajuste realizado de ofício. E, no presente caso, a autoridade fiscal não confirmou a extinção, por compensação, das estimativas que compõem o saldo negativo de CSLL do anocalendário 2000, providência ao seu alcance pelas razões antes expostas. É certo que, para tanto, negou parcialmente a existência dos saldos negativos apurados em 1998 e 1999, fazendose necessário definir se, para tanto, desfez operações já consolidadas pelo tempo. Considerando que, pelo até aqui exposto, os saldos negativos informados em DIPJ não se sujeitam a homologação tácita, passo a avaliar se os componentes daqueles saldos negativos poderiam ser desconsiderados depois de já transcorridos 5 (cinco) anos de sua apuração. No que tange ao anocalendário 1998, conforme consta às fls. 12/16, a contribuinte declarou débitos de estimativas vinculados a pagamento nos valores de R$ Fl. 215DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/12/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/12/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 20 36.666,03; R$ 40.862,93; R$ 54.376,15 e R$ 152.582,63, mas a autoridade fiscal não confirmou o pagamento do primeiro e do último débito, e acrescentou aos confirmados o recolhimento de R$ 60.570,69. Todavia, ao informar os valores devidos e vinculálos a pagamentos em DCTF, a contribuinte submeteu a apuração daqueles débitos a exame da Administração Tributária, não podendo o Fisco questionála depois de transcorridos 5 (cinco) anos da ocorrência do fato gerador, na forma do art. 150, §4º do CTN, ainda que seja para dizer que o pagamento não se verificou. Neste ponto, o saldo negativo de CSLL no anocalendário 1998, na parte em que formado pelos débitos de estimativas declarados no total de R$ 284.487,74, deve ser admitido, e uma vez confrontadas estas antecipações com o débito de R$ 307.622,05, restaria à interessada um crédito de R$ 23.134,31 para legitimar outra parcela das estimativas de CSLL do anocalendário 2000, com este crédito compensada. Para além disso, a interessada demonstrou, em manifestação de inconformidade, que efetivamente recolheu as estimativas declaradas em DCTF no ano calendário 1998, bem como a parcela de R$ 60.570,29 identificada pela autoridade fiscal, de modo que estariam legitimadas antecipações no valor total de R$ 345.058,03, elevando o saldo negativo de CSLL no anocalendário 1998 para R$ 37.435,98. A autoridade julgadora de 1ª instância reconheceu estas quitações, mas disse que o saldo negativo daí resultante não poderia ser reconhecido à falta de pedido específico. Neste ponto, porém, olvidouse que a contribuinte informara em DCTF, ao longo do ano calendário 2000, a compensação das estimativas com aqueles créditos, que por serem de mesma espécie, não dependeriam de pedido administrativo, a teor do então vigente art. 66 da Lei nº 8.383/91. Por tais razões, entendo que a glosa promovida pela autoridade fiscal deve ser parcialmente afastada, convalidandose as estimativas de CSLL que, no anocalendário 2000, foram compensadas com saldo negativo de CSLL do anocalendário 1998, até o montante comprovado de R$ 37.435,98. No que tange ao anocalendário 1999, conforme consta à fl. 16, a contribuinte declarou um único débito de estimativa vinculado a pagamento no valor de R$ 113.799,65, e este valor foi admitido pela autoridade fiscal. Restaram sem qualquer demonstração ou declaração as demais antecipações que elevariam aquele valor a R$ 409.815,82, de modo que nenhuma outra parcela pode ser reconhecida na composição do saldo negativo àquele título. A autoridade fiscal também discordou da dedução de 1/3 da COFINS paga no anocalendário, por desconsiderar a contribuição que, devida em dezembro/99, somente foi paga em janeiro/2000, asseverando que a dedução somente vigorou até 01/01/2000. Todavia, como bem observa a recorrente, a Lei nº 9.718/98, em seu art. 8º, §2º, inciso I, admitia a dedução de 1/3 da COFINS correspondente a mês compreendido no período de apuração da CSLL a ser compensada, de modo que a COFINS correspondente a dezembro/99 poderia se prestar como base de cálculo da dedução, desde que fosse efetivamente paga, como foi em seu vencimento (14/01/2010), embora neste segundo momento a lei já estivesse revogada. Observo, porém, que embora tais recolhimentos de COFINS pudessem autorizar dedução de R$ 748.011,30, a contribuinte somente fez uso, em sua apuração, de dedução no valor de R$ 726.002,13, de modo que a glosa promovida pela Fiscalização deve ser afastada, mas apenas para restabelecer a dedução utilizada pela contribuinte na apuração do saldo negativo de CSLL do anocalendário 1999 (R$ 726.002,13). E isto especialmente porque Fl. 216DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/12/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/12/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10880.907571/200666 Acórdão n.º 1101000.998 S1C1T1 Fl. 12 21 esta dedução tem repercussões contábeis, ensejando estorno da contribuição que, incidente sobre o faturamento, reduz a receita líquida do período, não sendo possível estendêla para além do que registrado pelo sujeito passivo. Por tais razões, entendo que a glosa promovida pela autoridade fiscal deve ser parcialmente afastada, convalidandose as estimativas de CSLL que, no anocalendário 2000, foram compensadas com saldo negativo de CSLL do anocalendário 1999, até o montante comprovado que passa a ser de R$ 96.893,26, superior àquele já admitido pela autoridade fiscal, no valor de R$ 70.052,51. No mais, acompanho o I. Relator na parte inicial de seu voto, quando afasta os demais questionamentos formais opostos pela recorrente. Diante de todo o exposto, voto no sentido de REJEITAR a arguição de homologação tácita de todas as compensações declaradas e DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para convalidar as estimativas de CSLL do anocalendário 2000 que venham a ser liquidadas pela imputação das parcelas suplementares de saldo negativo de CSLL aqui reconhecidas relativamente aos anoscalendário 1998 (R$ 37.435,98) e 1999 (de R$ 70.052,51 para R$ 96.893,26). O saldo negativo de CSLL suplementar daí apurado no ano calendário 2000 deve ser imputado na ordem de declaração das compensações pelo sujeito passivo, aí incluída a DCOMP cuja homologação tácita foi declarada pela decisão de 1ª instância. EDELI PEREIRA BESSA Fl. 217DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/12/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/12/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO
score : 1.0
Numero do processo: 13839.002708/2004-26
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jul 18 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Nov 25 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 1999, 2000, 2001
Ementa:
NORMAS PROCESSUAIS- RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA- DESCUMPRIMENTO DE REQUISITO DE ADMISSIBILIDADE.
Não demonstrado que o acórdão recorrido deu à lei tributária interpretação divergente da que lhe conferiu outro colegiado, não se conhece do recurso especial.
Numero da decisão: 9101-001.707
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, Por unanimidade de votos, recurso não conhecido por ausência de divergência.
(documento assinado digitalmente)
HENRIQUE PINHEIRO TORRES
Presidente Substituto
(documento assinado digitalmente)
VALMIR SANDRI
Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros: Henrique Pinheiro Torres (Presidente Substituto), Marcos Aurélio Pereira Valadão, Paulo Roberto Cortêz (Suplente convocado), Viviane Vidal Wagner (Suplente Convocada), Jorge Celso Freire da Silva, Karem Jureidini Dias, Valmir Sandri, Plínio Rodrigues de Lima, João Carlos de Lima Júnior.
Matéria: IRPJ - glosa de compensação de prejuízos fiscais
Nome do relator: VALMIR SANDRI
1.0 = *:*
toggle all fields
materia_s : IRPJ - glosa de compensação de prejuízos fiscais
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201307
camara_s : 1ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 1999, 2000, 2001 Ementa: NORMAS PROCESSUAIS- RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA- DESCUMPRIMENTO DE REQUISITO DE ADMISSIBILIDADE. Não demonstrado que o acórdão recorrido deu à lei tributária interpretação divergente da que lhe conferiu outro colegiado, não se conhece do recurso especial.
turma_s : 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Mon Nov 25 00:00:00 UTC 2013
numero_processo_s : 13839.002708/2004-26
anomes_publicacao_s : 201311
conteudo_id_s : 5309975
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Nov 26 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 9101-001.707
nome_arquivo_s : Decisao_13839002708200426.PDF
ano_publicacao_s : 2013
nome_relator_s : VALMIR SANDRI
nome_arquivo_pdf_s : 13839002708200426_5309975.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, Por unanimidade de votos, recurso não conhecido por ausência de divergência. (documento assinado digitalmente) HENRIQUE PINHEIRO TORRES Presidente Substituto (documento assinado digitalmente) VALMIR SANDRI Relator Participaram do julgamento os Conselheiros: Henrique Pinheiro Torres (Presidente Substituto), Marcos Aurélio Pereira Valadão, Paulo Roberto Cortêz (Suplente convocado), Viviane Vidal Wagner (Suplente Convocada), Jorge Celso Freire da Silva, Karem Jureidini Dias, Valmir Sandri, Plínio Rodrigues de Lima, João Carlos de Lima Júnior.
dt_sessao_tdt : Thu Jul 18 00:00:00 UTC 2013
id : 5192712
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:16:09 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046370772844544
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1753; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT1 Fl. 2 1 1 CSRFT1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 13839.002708/200426 Recurso nº 155.960 Especial do Procurador Acórdão nº 9101001.707 – 1ª Turma Sessão de 18 de julho de 2013 Matéria IRPJ Recorrente Fazenda Nacional Interessado Bosch Rexroth Ltda. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 1999, 2000, 2001 Ementa: NORMAS PROCESSUAIS RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA DESCUMPRIMENTO DE REQUISITO DE ADMISSIBILIDADE. Não demonstrado que o acórdão recorrido deu à lei tributária interpretação divergente da que lhe conferiu outro colegiado, não se conhece do recurso especial. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, Por unanimidade de votos, recurso não conhecido por ausência de divergência. (documento assinado digitalmente) HENRIQUE PINHEIRO TORRES Presidente Substituto (documento assinado digitalmente) VALMIR SANDRI Relator Participaram do julgamento os Conselheiros: Henrique Pinheiro Torres (Presidente Substituto), Marcos Aurélio Pereira Valadão, Paulo Roberto Cortêz (Suplente convocado), Viviane Vidal Wagner (Suplente Convocada), Jorge Celso Freire da Silva, Karem Jureidini Dias, Valmir Sandri, Plínio Rodrigues de Lima, João Carlos de Lima Júnior. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 9. 00 27 08 /2 00 4- 26 Fl. 975DF CARF MF Impresso em 26/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 20/11/2013 por HE NRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 02/09/2013 por VALMIR SANDRI Processo nº 13839.002708/200426 Acórdão n.º 9101001.707 CSRFT1 Fl. 3 2 Relatório Cuidase de recurso especial de divergência interposto pela D. Procuradoria da Fazenda Nacional, em face da decisão consubstanciada no Acórdão n° 10709.183 (sessão de 17 de outubro de 2007) que, por unanimidade de votos, NEGOU provimento ao recurso de oficio e por unanimidade de votos, DEU provimento ao recurso voluntário, cancelando integralmente o lançamento formalizado sob acusação de compensação indevida de prejuízos fiscais e falta de recolhimento do IRPJ sobre a base de cálculo estimada em função da receita bruta e acréscimos ou balancetes de redução e suspensão. A decisão foi formalizada no mencionado acórdão, que recebeu a seguinte ementa: IRPJ — COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS — LIMITAÇÃO MEDIDA JUDICIAL — Se era indevida a multa de oficio no lançamento de tributos com exigibilidade suspensa, quando o contribuinte possuía medida judicial para compensar integralmente os prejuízos fiscais, indevida também é a multa isolada aplicada em função de estimativas recolhidas a menor, calculadas com base em balanços ou balanceies de suspensão em que fora utilizada a compensação integral. Especificamente, insurgese a recorrente contra o afastamento da multa isolada, lançada com base no art. 44, inciso I e seu § 1°, inciso IV da Lei n° 9.430/96. Diz que a Câmara recorrida julgou que a multa pela não transcrição, no Livro Diário, dos balancetes de suspensão ou redução não poderia ser exigida porque o contribuinte estaria abrigado por decisão liminar que lhe permitia a compensação integral de prejuízos fiscais. Assevera que a interpretação diverge da adotada pela Oitava Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes no Acórdão nº 10806.571, que mantém referida cobrança quando o contribuinte não recolhe o tributo devido, por estimativa, sem justificar o não recolhimento mediante a transcrição do balancete de suspensão no Livro Diário, conforme ementa a seguir: IRPJ — ESTIMATIVA — FALTA DE RECOLHIMENTO — MULTA ISOLADA DENÚNCIA ESPONTÂNEA EM FACE DO PREJUlZ0 — INOCORRÊNCIA — O art. 44, I, § 1', IV, da Lei 9430/96 prevê expressamente a hipótese de incidência da multa isolada quando a empresa, sujeita ao recolhimento por estimativa, deixar de fazêlo, ainda que tenha ao final do período base anual apurado prejuízo. Portanto, a apuração de prejuízo ou a entrega da Declaração com prejuízo não corresponde à denúncia espontânea do art. 138 do CTN, que estabelece a exclusão da responsabilidade da infração se esta for denunciada como recolhimento do tributo, o que não ocorreu. Afirma a PFN que se apresenta clara divergência entre a Câmara recorrida e a Oitava Câmara, relativamente a interpretação do art. 44, §1°, "IV", da Lei 9.430/96, pois, enquanto a Sétima Câmara entende que a multa não se justifica quando o contribuinte não Fl. 976DF CARF MF Impresso em 26/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 20/11/2013 por HE NRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 02/09/2013 por VALMIR SANDRI Processo nº 13839.002708/200426 Acórdão n.º 9101001.707 CSRFT1 Fl. 4 3 apura imposto a pagar ao final do ano calendário, por força de compensação dos prejuízos fiscais obtida em decisão judicial, a Oitava Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes julgou que a multa deve ser aplicada mesmo quando o contribuinte demonstre, ao final do ano calendário, que não poderia ter recolhido o tributo devido por estimativa. Assevera que, para a Oitava Câmara, o contribuinte deve justificar o não recolhimento mediante a transcrição dos balancetes de suspensão do Livro Diário, e quando isso não acontece, é inteiramente cabível a multa isolada, mesmo que o contribuinte demonstre, ao final do ano calendário, que não deveria ter recolhido imposto nenhum durante o ano. Pugnando pela reforma da decisão, alega a PFN que multa isolada "é devida pelos contribuintes que optaram pela apuração anual do imposto de renda, mas não efetuam recolhimentos mensais, e não justificam esse fato com a transcrição dos balancetes de suspensão/redução no Livro Diário”. Destaca que o entendimento da Sétima Câmara foi no sentido de que a multa não pode ser exigida quando o contribuinte demonstra, após o decurso do ano, que não havia imposto a ser recolhido justamente porque havia decisão judicial que permitia a compensação dos prejuízos fiscais. Resume o entendimento do Acórdão recorrido na seguinte conclusão: se o tributo não for devido, não cabe multa isolada, mesmo que o contribuinte não tenha efetuado a transcrição dos balancetes de suspensão/redução no Livro Diário. Contesta esse entendimento dizendo que: (a) a multa está prevista em lei e seu fato gerador restou plenamente caracterizado; (b) a decisão judicial em nada interfere, porque não excluiu o dever de elaborar os balanços e balancetes; (c) a Câmara procurou atenuar o rigor da lei, mediante o uso de equidade, por considerar excessivamente gravosa a multa quando o contribuinte não possuísse tributo a pagar no final do anocalendário; (d) a Câmara criou nova hipótese de dispensa de tributo, não prevista em lei, o que é vedado; (e) a jurisprudência do Conselho não vem dispensando a cobrança da multa em questão. O Presidente da Sétima Câmara deu seguimento ao recurso por considerar atendidos os pressupostos de admissibilidade. É o relatório. Voto Conselheiro Valmir Sandri, Relator Cumpre, inicialmente, analisar se restou caracterizado o dissídio jurisprudencial que autorizaria o recurso especial para uniformização. Conforme se viu do relatório, a Fazenda Nacional, para justificar a existência de decisões divergentes, afirma que: (a) a Câmara recorrida julgou que a multa pela não transcrição, no Livro Diário, dos balancetes de suspensão ou redução não poderia ser exigida porque o contribuinte estaria abrigado por decisão liminar que lhe permitia a compensação integral de prejuízos fiscais; (b) tal interpretação diverge da adotada pela Oitava Câmara, que entendeu ser devida quando o contribuinte não recolhe o tributo devido, por estimativa, sem justificar o não recolhimento mediante a transcrição do balancete de suspensão no Livro Diário; (c) enquanto a Sétima Câmara entende que a multa não se justifica quando o contribuinte não apura imposto a pagar ao final do ano calendário, por força de compensação Fl. 977DF CARF MF Impresso em 26/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 20/11/2013 por HE NRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 02/09/2013 por VALMIR SANDRI Processo nº 13839.002708/200426 Acórdão n.º 9101001.707 CSRFT1 Fl. 5 4 dos prejuízos fiscais obtida em decisão judicial, a Oitava Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes julgou que a multa deve ser aplicada mesmo quando o contribuinte demonstre, ao final do ano calendário, que não poderia ter recolhido o tributo devido por estimativa. O primeiro ponto a ser destacado, no caso, é que não há, no Termo de Verificação Fiscal, acusação de falta de transcrição dos balanços/balancetes, não tendo sido esse o motivo da aplicação da penalidade, como sugere a PFN. Ao contrário, o TVF menciona valores por estimativas com base em balanços/balancetes de suspensão ou redução zerados todos os meses, registrando, ainda, que da análise do LALUR e planilhas apresentadas, constatase que o contribuinte vinha compensando 100% do Lucro Real com prejuízos de períodos anteriores. Depois, o entendimento expressado no acórdão prolatado pela Sétima Câmara não foi no sentido de que a multa não pode ser exigida quando o contribuinte demonstra, após o decurso do ano, que não havia imposto a ser recolhido. O móvel da dispensa da multa pela Sétima Câmara foi que o contribuinte deixou de recolher as estimativas porque, ao calcular o imposto mensal estimado com base na receita bruta, compensou integralmente prejuízos amparado em medida judicial, obtendo valores zerados (como deixa entrever o TVF). Assim, estando amparado por medida judicial para compensar integralmente os prejuízos, descabe exigir multa pelo não recolhimento das estimativas. Confirase: “De fato tem razão a recorrente quando afirma que a manutenção da multa isolada e a exclusão da multa de ofício configura evidente contrasenso, uma vez que ambas foram exigidas em virtude da falta de recolhimento de tributo com a exigibilidade suspensa. Ora, a medida judicial em vigor no curso do anocalendário permitia que a autuada compensasse integralmente seus prejuízos fiscais. Claro que nos balanços ou balancetes de redução ou suspensão da estimativa também, pois estes são meras antecipações do ajuste anual em 31 de dezembro. Por isso, voto por se negar provimento ao recurso de ofício e dar provimento ao recurso voluntário no tocante à multa isolada.” Como visto acima, não foi demonstrada pela D. Procuradoria a alegada divergência de interpretação entre o acórdão recorrido e o paradigma, razão porque, NÃO conheço de seu recurso especial. Sala das Sessões, em 18 de julho de 2013. (documento assinado digitalmente) Valmir Sandri Fl. 978DF CARF MF Impresso em 26/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 20/11/2013 por HE NRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 02/09/2013 por VALMIR SANDRI Processo nº 13839.002708/200426 Acórdão n.º 9101001.707 CSRFT1 Fl. 6 5 Fl. 979DF CARF MF Impresso em 26/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 20/11/2013 por HE NRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 02/09/2013 por VALMIR SANDRI
score : 1.0
Numero do processo: 10183.720528/2007-36
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 13 00:00:00 UTC 2013
Ementa: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL - ITR
Exercício: 2004
DILIGÊNCIA. PEDIDO NEGADO
Não gera nulidade do processo o indeferimento do pedido de diligencia, uma vez que ao contribuinte é assegurado meios e oportunidades para a produção de outras provas, capazes de supri-la com segurança e celeridade.
ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA. ÁREA DE INTERESSE ECOLÓGICO. GLOSA.
Podem ser informadas como áreas de interesse ecológico, as áreas assim declaradas mediante ato do órgão competente, federal ou estadual, que sejam: (i) destinadas à proteção dos ecossistemas, e que ampliem as restrições de uso previstas para as áreas de preservação permanente e de reserva legal e (ii) comprovadamente imprestáveis para a atividade rural. A falta da comprovação de tais condições impede a exclusão da referida área para fins de fruição do benefício da isenção. ÁREA DE RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO.
Áreas de reserva legal são aquelas averbadas à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, de sorte que a falta da averbação impede sua exclusão para fins de cálculo da área tributável. VALOR DA TERRA NUA (VTN). ARBITRAMENTO. LAUDO DE AVALIAÇÃO. O arbitramento do valor da terra nua, apurado com base nos valores do Sistema de Preços de Terra (SIPT), deve prevalecer sempre que o laudo de avaliação do imóvel apresentado pelo contribuinte, para contestar o lançamento, não seja elaborado nos termos da NBR-ABNT 14653-3. Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2102-002.638
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar
provimento ao recurso. Vencido o Conselheiro Atílio Pitarelli, que dava provimento. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Núbia Matos Moura.
Nome do relator: ATILIO PITARELLI
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201308
camara_s : Primeira Câmara
ementa_s : IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL - ITR Exercício: 2004 DILIGÊNCIA. PEDIDO NEGADO Não gera nulidade do processo o indeferimento do pedido de diligencia, uma vez que ao contribuinte é assegurado meios e oportunidades para a produção de outras provas, capazes de supri-la com segurança e celeridade. ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA. ÁREA DE INTERESSE ECOLÓGICO. GLOSA. Podem ser informadas como áreas de interesse ecológico, as áreas assim declaradas mediante ato do órgão competente, federal ou estadual, que sejam: (i) destinadas à proteção dos ecossistemas, e que ampliem as restrições de uso previstas para as áreas de preservação permanente e de reserva legal e (ii) comprovadamente imprestáveis para a atividade rural. A falta da comprovação de tais condições impede a exclusão da referida área para fins de fruição do benefício da isenção. ÁREA DE RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO. Áreas de reserva legal são aquelas averbadas à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, de sorte que a falta da averbação impede sua exclusão para fins de cálculo da área tributável. VALOR DA TERRA NUA (VTN). ARBITRAMENTO. LAUDO DE AVALIAÇÃO. O arbitramento do valor da terra nua, apurado com base nos valores do Sistema de Preços de Terra (SIPT), deve prevalecer sempre que o laudo de avaliação do imóvel apresentado pelo contribuinte, para contestar o lançamento, não seja elaborado nos termos da NBR-ABNT 14653-3. Recurso Voluntário Negado.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
numero_processo_s : 10183.720528/2007-36
conteudo_id_s : 5310112
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Nov 27 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 2102-002.638
nome_arquivo_s : Decisao_10183720528200736.pdf
nome_relator_s : ATILIO PITARELLI
nome_arquivo_pdf_s : 10183720528200736_5310112.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencido o Conselheiro Atílio Pitarelli, que dava provimento. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Núbia Matos Moura.
dt_sessao_tdt : Tue Aug 13 00:00:00 UTC 2013
id : 5194929
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:16:10 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046370775990272
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2311; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C1T2 Fl. 216 1 215 S2C1T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10183.720528/200736 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2102002.638 – 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 13 de agosto de 2013 Matéria IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Recorrente SAENGE ENGENHARIA DE SANEAMENTO E EDIFICAÇÕES LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2004 DILIGÊNCIA. PEDIDO NEGADO Não gera nulidade do processo o indeferimento do pedido de diligencia, uma vez que ao contribuinte é assegurado meios e oportunidades para a produção de outras provas, capazes de suprila com segurança e celeridade. ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA. ÁREA DE INTERESSE ECOLÓGICO. GLOSA. Podem ser informadas como áreas de interesse ecológico, as áreas assim declaradas mediante ato do órgão competente, federal ou estadual, que sejam: (i) destinadas à proteção dos ecossistemas, e que ampliem as restrições de uso previstas para as áreas de preservação permanente e de reserva legal e (ii) comprovadamente imprestáveis para a atividade rural. A falta da comprovação de tais condições impede a exclusão da referida área para fins de fruição do benefício da isenção. ÁREA DE RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO. Áreas de reserva legal são aquelas averbadas à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, de sorte que a falta da averbação impede sua exclusão para fins de cálculo da área tributável. VALOR DA TERRA NUA (VTN). ARBITRAMENTO. LAUDO DE AVALIAÇÃO. O arbitramento do valor da terra nua, apurado com base nos valores do Sistema de Preços de Terra (SIPT), deve prevalecer sempre que o laudo de avaliação do imóvel apresentado pelo contribuinte, para contestar o lançamento, não seja elaborado nos termos da NBRABNT 146533. Recurso Voluntário Negado Fl. 216DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2013 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 14/09/2013 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 23/09/2013 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10183.720528/200736 Acórdão n.º 2102002.638 S2C1T2 Fl. 217 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencido o Conselheiro Atílio Pitarelli, que dava provimento. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Núbia Matos Moura. Assinado digitalmente JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS Presidente Assinado digitalmente ATILIO PITARELLI Relator Assinado digitalmente NÚBIA MATOS MOURA Relatora Designada Participaram do presente julgamento os Conselheiros Alice Grecchi, Atilio Pitarelli, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, José Raimundo Tosta Santos, Núbia Matos Moura e Rubens Maurício Carvalho. Relatório Tratase de Recurso Voluntário face decisão da 1a Turma da DRJ/CGE, de 09 de outubro de 2009 (fls. 165/176), que por unanimidade de votos afastou as preliminares argüidas e no mérito deu provimento parcial à impugnação apresentada tempestivamente pelo ora Recorrente, proprietário de uma área declarada de 19.505,2 hectares, situada no município de São José do Xingu MT, mantendo assim, parcialmente, a exigência fiscal objeto do auto de infração lavrado em 25/06/2007 (fl. 08), remanescendo o valor de R$ 387.614,08 (fl. 176). Da descrição dos fatos que originaram o lançamento minuciosamente apresentados às fls. 03/04, depreendese que o mesmo decorre da glosa da declaração como Área de Preservação Permanente de 2.745,5 hectares; Área de Reserva Legal de 2.626,7 e 12.950,0 de Área de Interesse Ecológico e de Servidão Florestas, pela falta de comprovação das mesmas, e arbitramento do Valor da Terra Nua, pela falta de apresentação de Laudo Técnico, arbitrando com base as informações do Sistema de Preço de Terras. O contribuinte declarou R$ 86,64 e a fiscalização arbitrou em R$ 117,50 o hectare. Notificado do lançamento o Recorrente apresentou impugnação constante das fls. 16/159, consubstancia nas razões assim relatada na decisão de primeira instancia (fls. 166/167): • O ADA possui natureza declaratória e, assim, apenas se limita a certificar uma situação já existente; a constituição das Áreas de preservação permanente e de reserva legal decorrem de lei e, independentemente da apresentação do ADA ou da averbação da Área de utilização, o importante é apenas saber se as mesmas existem no imóvel rural; • A Medida Provisória 2.166/01 dispõe que é suficiente a declaração do contribuinte para exclusão das Áreas de Fl. 217DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2013 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 14/09/2013 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 23/09/2013 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10183.720528/200736 Acórdão n.º 2102002.638 S2C1T2 Fl. 218 3 preservação permanente e utilização limitada; para desconsiderar tais Áreas, o órgão fiscalizador deve ir até ao imóvel e constatar a inexistência das mesmas; • Apresentou laudo elaborado por profissional competente, comprovando a existência das Áreas de preservação permanente, reserva legal, interesse ecológico e servidão florestal no imóvel; a área de 12.950,0 ha. declarada de servidão florestal tratase de Área inserida dentro do Parque do Xingu, que é Área de proteção integral, como atestam os laudos que apresenta; tais Áreas podem compor a reserva legal para se chegar ao percentual exigido pelo Código Florestal; • O desrespeito à normas ambientais, que não cabe ser fiscalizado pela Administração Fazendária, não pode ensejar aumento de tributo, em respeito ao principio da legalidade; • Para ilustrar seu entendimento quanto ao ADA transcreveu jurisprudência administrativa sobre o assunto; • Além do exposto, que já permite exclusão do imposto, o imóvel está localizado no Parque Estadual do Xingu, criado pelo Decreto n.° 3.58512001e alterado pelo Lei Estadual n.° 8.054/2003, que está classificado como de proteção integral pela Secretaria de Estado do Meio Ambiente do Mato Grosso, como constou do laudo fornecido à fiscalização; os artigos 30 da Lei e do Decreto citados dispõe que as terras situadas dentro dos limites do Parque ficam declaradas de utilidade pública para fins de desapropriação; a área declarada como de utilização limitada abrange a de preservação permanente e a inserida no Parque Estadual, devendo ser excluída do cálculo do tributo, conforme Lei n.° 9.393/1996, art. 10, II, "a" e "b"; • A posterior verificação, por parte do fisco, do lançamento por homologação, deve pautarse por princípios constitucionais que regem a Administração Pública e o Estado Democrático de Direito, como o da proporcionalidade, legalidade, razoabilidade, entre outros; apresentou laudo de avaliação atribuindo ao imóvel valor que expressa a realidade das terras na regido, como declarado, sendo ilegal a desconsideração desse valor e o arbitramento de outro; cabe ao fisco provar a falta de idoneidade do valor declarado; • Ao final, o interessado também requereu a realização de pericia,s e necessário, para comprovação das áreas de preservação permanente e de utilização limitada e apuração do VTN do imóvel, indicando perito e quesitos. É o relatório. Como mencionado acima, a decisão proferida em primeira instancia administrativa deu parcial provimento à impugnação, afastando a exigência sobre a Área de Proteção Permanente, com a seguinte ementa: Exercício: 2004 PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. Não cabe aos órgãos administrativos apreciar arguições de inconstitucionalidade de dispositivos da legislação em vigor, matéria reservada ao Poder Judiciário. Fl. 218DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2013 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 14/09/2013 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 23/09/2013 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10183.720528/200736 Acórdão n.º 2102002.638 S2C1T2 Fl. 219 4 ÁREAS ISENTAS. TRIBUTAÇÃO. Para a exclusão da tributação sobre áreas de preservação permanente e outras é necessária a comprovação da existência efetiva dessas Áreas e cumprimento de exigências legais, como entrega do ADA ao Ibama e averbação da reserva legal e servidão florestal na matricula do imóvel. VALOR DA TERRA NUA. A base de cálculo do imposto será o valor da terra nua apurado pela fiscalização, com base no SIPT, se não existir comprovação que justifique reconhecer valor menor. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Em grau de Recurso a este colegiado, aduz a Recorrente: a) Preliminarmente, que o indeferimento do pedido de perícia topográfica/florestal e de avaliação constitui cerceamento ao direito de defesa, pois desconsiderou os laudos técnicos apresentados, sem permitir que outra prova fosse produzida; Quanto ao mérito, b) A decisão recorrida não afastou a glosa da reserva legal e de servidão florestal e interesse ecológico, por não constar no ADA de 1.998 e contar no de 2007, apresentado intempestivamente, o que contraria vários precedentes deste colegiado, transcritos na peça recursal; c) Que o ADA tem natureza meramente declaratória, não constituindo direito, assim como a averbação da área de reserva legal não implica na sua existência, que cabe à fiscalização a constatação ou inexistência, sem partir para suposição, ou por ADA não apresentado ou apresentado a destempo; d) A Medida Provisória 2.166/01 prevê como suficiente a declaração do contribuinte sobre a existência das áreas declaradas e glosadas pelo fisco, a quem é atribuída a função de constatar ou não a sua existência, conforme precedentes do STJ, que transcreve, dispensando os contribuintes da apresentação do ADA e de averbação da reserva legal, para usufruir do benefício de excluí las da base de cálculo do imposto, sendo este suprido com a apresentação de Laudo Técnico; e) Que sem fundamentação legal, a decisão recorrida manteve a exigência do imposto, exclusivamente, pela falta de apresentação tempestiva do ADA e da falta de averbação da reserva legal; Fl. 219DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2013 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 14/09/2013 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 23/09/2013 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10183.720528/200736 Acórdão n.º 2102002.638 S2C1T2 Fl. 220 5 f) A área de interesse ecológico está inserida no Parque Estadual do Xingu, criado pelo decreto 3585/2001 e alterado pela lei estadual 8054/2003, compreendidos no Laudo Técnico como de Reserva Legal, em razão das mesmas características de utilização limitada, também desconsiderada, por falta de averbação junto ao Registro de Imóveis; g) O art. 3o da lei estadual 8054/2003 dispõe que as terras situadas dentro dos limites do Parque do Xingu ficam declaradas de utilidade publica para fins de desapropriação, e h) Que o VTN arbitrado pela fiscalização é descabido, pois contraria o declarado nos termos do art. 8o, par. 2o da lei 9393/96, não podendo o fisco tributar sobre riqueza fictícia, o que também foi evidenciado através de Laudo Técnico É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Atilio Pitarelli, Relator. O recurso é tempestivo, em conformidade do prazo estabelecido pelo artigo 33 do Decreto n° 70.235, de 06 de março de 1972, foi interposto por parte legítima e está devidamente fundamentado. Inicialmente, afasto a preliminar levantada de cerceamento ao direito de defesa, pois a mesma não ocorreu, tendo o contribuinte oportunidade e meios bastante conhecidos para refutar a imputação fiscal, sem a necessidade de qualquer diligência. Tanto é, que apresentou Laudos Técnicos para isto. Assim, quanto ao mérito, cabe destacar que restou para apreciação deste colegiado, as glosas das áreas de reserva legal, de 2.626,7 hectares, pela falta de apresentação do ADA e da averbação junto ao Cartório de Registro de Imóveis, área de interesse ecológico, também pela falta de averbação na matrícula e de servidão florestal, pela falta de ato do poder público, declarando a área com esta destinação, de 12.950,0 hectares. A área de 2.745,5 ha pertinentes à Área de Proteção Permanente foi restabelecida pelos julgadores de primeira instancia. Cabe ainda apreciar a questão do VTN, que segundo a decisão recorrida, “no Laudo Técnico elaborado em 2007, dele não tratou, e no de 2008, não está acompanhado de ART para o CREA, embora tenha, conforme reconhece o seu relator, fornecido algumas informações sobre o imóvel, como localização e distribuição das áreas, precedeu a levantamento de valores de transação e de ofertas de imóveis relativas aos anos de 2006 e 2007 e considerou tais valores para apuração do VTN do imóvel no ano de 2008 e, em seguida, pra retroagir esse valor pra os exercícios de 2003 a 2005, se valeu de índice de TJLP, o que não encontra amparo nas normas da ABNT para fundamentar um laudo com fundamentação e grau de precisão II, como indicado na NBR 14.653 da ABNT, e requerido pela autoridade fiscal.” Fl. 220DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2013 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 14/09/2013 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 23/09/2013 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10183.720528/200736 Acórdão n.º 2102002.638 S2C1T2 Fl. 221 6 Partindo da questão pertinente à Reserva Legal, a mesma constou nos Laudos apresentados pela Recorrente, tanto no de 2.007 quanto no de 2.008, não obstante, sem consignar a averbação na matrícula no Cartório de Registro de Imóveis. No Laudo de 17/09/2007 (fls. 71/85), elaborado pelo Engenheiro Agrônomo Deonésio Moreira da Silva, CREA MT 490D, atesta à fl. 82, que a propriedade possui uma área destinada a reserva legal, de 15.604,1 ha, não inferior a 80% do exigido pela lei 4.771/65, com a redação dada pela MP 2.16667/2001. Afirmou ainda este profissional, que toda a propriedade está inserida dentro dos limites do Parque Estadual do Xingu, criado em 07/12/2001 pelo Decreto 3.585/2001 e alterado pela lei estadual 8.054/2003 portanto, fora do Parque Nacional do Xingu. Este apresentou ART. Seguido a ele, na peça de impugnação, foi apresentado o Laudo de Avaliação e Ambiental, sem ART, (fls. 90/159), assinado pelo Engenheiro Agrônomo José Roberto Kershaw, à fl, 97, ratifica a existência de 15.604,10 ha de reserva legal. Faz referência ao Parque Estadual do Xingu, embora apenas citando os limites e confrontações, sem afirmar, ao contrário do outro engenheiro, que a área total o integrava. Na fl. 163, consta um ADA apresentado em 08/09/1988, contando uma área de APP de 5.851,5 ha e reserva legal de 9.752,6 ha. Com consta no Relatório, a área destinada a reserva legal não foi considerada em função da falta de averbação na matrícula do Registro de Imóveis, obrigação esta, que tomando por base entendimento do STJ, entendo desnecessária, conforme vários precedentes daquela Corte, única com competência para dirimir conflitos face a interpretações da legislação federal. Exemplificativamente: AgRg no REsp 1315220 / MG AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL2012/00586175 Relator(a) Ministro ARNALDO ESTEVES LIMA (1128) Órgão Julgador T1 PRIMEIRA TURMA Data do Julgamento 05/03/2013 Data da Publicação/Fonte DJe 12/03/2013 Ementa PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. INCLUSÃO DA ÁREA DE RESERVA LEGAL DA BASE DE CÁLCULO DO ITR. NÃO CABIMENTO. AVERBAÇÃO NA MATRÍCULA DO IMÓVEL. DESNECESSIDADE. PRECEDENTES DO STJ. AGRAVO NÃO PROVIDO. 1. De acordo com entendimento consolidado pela Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça, para as áreas de preservação ambiental permanente e reserva legal, é inexigível a Fl. 221DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2013 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 14/09/2013 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 23/09/2013 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10183.720528/200736 Acórdão n.º 2102002.638 S2C1T2 Fl. 222 7 apresentação de ato declaratório do IBAMA ou da averbação dessa condição à margem do registro do imóvel para efeito de isenção do ITR. 2. Agravo regimental não provido. Acórdão Vistos, relatados e discutidos os autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da PRIMEIRA TURMA do Superior Tribunal de Justiça, por unanimidade, negar provimento ao agravo regimental, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Napoleão Nunes Maia Filho, Benedito Gonçalves, Sérgio Kukina e Ari Pargendler votaram com o Sr. Ministro Relator. Palavras de Resgate IMPOSTO SOBRE PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL, IMPOSTO TERRITORIAL RURAL. Assim, no tocante às glosas, quer me parecer que assiste razão à Recorrente, que apresentou dois Laudos Técnicos, firmando por Engenheiros Agrônomos, um com ART, indicando as áreas de RL, na qual também estaria inserida as que denominou de Área de Interesse Ecológico e de Servidão Florestal, não vislumbrando razão para dele exigir outros documentos. No tocante ao VTN, também entendo que assiste razão à Recorrente, Não obstante a decisão recorrida ter feito referencia ao trabalho fiscal como se o arbitramento tivesse tomado por base a média das DITRs do município, o mesmo não ocorreu, pois o trabalho fiscal foi levado a efeito tomando por base a aptidão agrícola do solo, segundo o SIPT (fl. 13), que indicou o valor de R$ 117,60, e o contribuinte, através de laudo (fl. 119), apurou o valor de R$ 93,80, ou seja, aproximadamente, 80% do valor arbitrado, o que não pode ser considerado valor vil. Na DITR, foi declarado o VTN de R$ 86,64 o hectare. Por essas razões, entendo que a pretensão fiscal não deve prosperar, quer no tocante à glosa das áreas, uma vez existente Laudo Técnico com ART do Engenheiro Agrônomo responsável, e no meu entender, sem necessidade de ADA ou mesmo da averbação, e no tocante ao VTN, pela proximidade do valor arbitrado, que afasta presunção de que o mesmo foi utilizado com intuito de não pagar o imposto devido, partindo de um valor vil. Há de se considerar também, que foi apresentado um Laudo Técnico, embora sem ART, apresentando um VTN superior ao declarado, que foi de R$ 86,64 ha. Destarte, entendo que as glosas das áreas de reserva legal, nas quais estão inseridas a que o contribuinte denominou de interesse ecológico e de servidão florestal devem ser restabelecidas, excluindo assim da base de calculo, o total de 15.604,10 hectares (fl. 97) e sobre a área tributável, calcular o imposto tomando por base o VTN de R$ 93,80 (fl. 119). Por todo o exposto, afasto a preliminar argüida e quanto ao mérito, DOU PROVIMENTO ao Recurso Voluntário do contribuinte. Assinado digitalmente ATILIO PITARELLI Fl. 222DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2013 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 14/09/2013 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 23/09/2013 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10183.720528/200736 Acórdão n.º 2102002.638 S2C1T2 Fl. 223 8 Relator Voto Vencedor Divirjo do ilustre Relator quanto ao seu entendimento no que diz respeito às áreas de reserva legal e de Interesse Ecológico e de Servidão Florestal e também quanto ao arbitramento do VTN. De pronto, cumpre dizer que o contribuinte informou em sua DITR a existência de área de reserva legal e área de interesse ecológico e de servidão florestal com dimensões de 2.626,7 ha e 12.950,0 ha, respectivamente. Conforme disposto no art. 10, §1º, II, “b” e “c” da Lei nº 9.393, de 19 de dezembro de 1993, podem ser informadas como áreas de interesse ecológico, as áreas assim declaradas mediante ato do órgão competente, federal ou estadual, que sejam: (i) destinadas à proteção dos ecossistemas, e que ampliem as restrições de uso previstas para as áreas de preservação permanente e de reserva legal e (ii) comprovadamente imprestáveis para a atividade rural. No presente caso, os laudos apresentados pelo contribuinte não atestam a existência de áreas de interesse ecológico no imóvel, posto que ambos fazem referência apenas às áreas de preservação permanente e áreas de reserva legal, sendo certo que neste ponto não houve divergência entre o entendimento majoritário da Turma e do relator, que também não reconheceu a existência da área de interesse ecológico. A divergência se deu em razão de o relator ter reconhecido a área declarada pelo contribuinte como de interesse ecológico como sendo área de reserva legal. Importante destacar que um dos laudos chegou a dizer, fls. 78, que a totalidade do imóvel está inserida no Parque Estadual do Xingu, no entanto, este mesmo laudo não menciona a existência de áreas de interesse ecológico no imóvel, limitandose a dizer que na Fazenda Naja existem 2.745,5 ha de área de preservação permanente e 15.604,1 ha de área de reserva legal. Nestes termos, deve ser mantida a glosa integral da área de interesse ecológico, nos termos em que consubstanciado no lançamento. Quanto à área de reserva legal, temse que a autoridade julgadora de primeira instância manteve a glosa efetivada pela autoridade fiscal em razão da falta de averbação da referida área junto à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente. De fato, a Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, em seu § 8º, art. 16, determina que a área de reserva legal deve ser averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente. No presente caso, não há nos autos prova de que a área de reserva legal esteja averbada, de sorte que mantémse a glosa efetuada pela autoridade fiscal. No que se refere ao arbitramento do VTN, adoto as razões de decidir da autoridade julgadora de primeira instância para não acolher a pretensão do recorrente de ver reconhecido o VTN declarado: Fl. 223DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2013 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 14/09/2013 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 23/09/2013 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10183.720528/200736 Acórdão n.º 2102002.638 S2C1T2 Fl. 224 9 A contribuinte apresentou dois, laudos técnico, sendo que o primeiro, elaborado no ano de 2007, apenas apresenta informação sobre distribuição das áreas do imóvel, não tratando do VTN. Quanto ao segundo laudo técnico, de 2008, elaborado por engenheiro agrônomo, não está acompanhado da ART para o CREA, e, apesar de fornecer algumas informações sobre o imóvel, como localização e distribuição das áreas, procedeu a levantamento de valores de transação e de ofertas de imóveis relativas aos de 2006 e 2007 e considerou tais valores para apuração do VTN do imóvel no ano de 2008 e, em seguida, para retroagir esse valor para os Exercícios de 2003 a 2005, se valeu de índice de TJLP, o que não encontra amparo nas normas da ABNT para fundamentar um laudo com fundamentação e grau de precisão II, como indicado na NBR 14.653 da ABNT, e requerido pela autoridade fiscal. Essa norma exige levantamento de elementos amostrais, com comprovação da situação de cada imóvel tomado como paradigma, tratamento estatístico e outros itens que não foram utilizados no laudo apresentado, privandoo do rigor cientifico que se exige de trabalhos dessa natureza. Registrese que o laudo não discrimina a situação de cada imóvel utilizado como paradigma, mas, mesmo assim, após indicar o valor por hectare de cada transação e oferta coletada, apurou R$ 93,80 como valor por hectare para o cálculo do VTN do imóvel aqui tratado, considerando que apenas pouco mais de 5% do valor médio por hectare encontrado com base nos dados coletados se refere à terra nua, e, por fim, apresentou demonstrativo indicando que o VTN do imóvel tratado corresponde a mais de 64% do valor total encontrado. Assim, impõese reconhecer que o laudo apresentado não contém o rigor exigido pela norma da ABNT para que possa ser aceito como prova suficiente para justificar a revisão do VTN tributado, apurado com base na média dos valores declarados nas DITR do Exercício 2004 processadas do mesmo município, conforme consulta de fls. 12, de R$ 117,60 por hectare. Destaquese, que o arbitramento do VTN se deu nos moldes do estabelecido no art. 14 da Lei nº 9.393, de 1996, e o laudo apresentado pelo contribuinte, conforme exaustivamente explanado pela autoridade a quo, deixou de atender ao disposto na NBR/ABNT 14653 – parte 3, que tem por objetivo detalhar as diretrizes e padrões específicos de procedimentos para a avaliação de imóveis rurais. Ressaltese que é requisito obrigatório dos laudos, seja qual for o grau de fundamentação, no mínimo, três dados de mercado, efetivamente utilizados, sendo que nos graus II e III são obrigatórios no mínimo cinco dados de mercado efetivamente utilizados. Nestes termos, há de se concluir que o laudo apresentado pelo contribuinte para contestar o arbitramento efetivado pela autoridade lançadora não se presta para a finalidade pretendida pelo recorrente, já que não atende ao disposto na NBR/ABNT 146533, de sorte que há de prevalecer o arbitramento do valor da terra nua, nos moldes em que consubstanciado no lançamento. Ante o exposto, voto por NEGAR provimento ao recurso. Assinado digitalmente Fl. 224DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2013 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 14/09/2013 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 23/09/2013 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10183.720528/200736 Acórdão n.º 2102002.638 S2C1T2 Fl. 225 10 Núbia Matos Moura Fl. 225DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2013 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 14/09/2013 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 23/09/2013 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS
score : 1.0
Numero do processo: 10865.721356/2011-25
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 20 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Feb 06 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2009, 2010, 2011
IPI. TABELA DE INCIDÊNCIA. LEGALIDADE. ALTERAÇÃO DA TABELA E ALÍQUOTAS POR DECRETO.
As alterações e adaptações da Tabela de Incidência do IPI, concebida pela Lei 4.502/1964, levadas a efeito a partir da legislação superveniente, Decreto-Lei 1.199/1971 e Decreto-Lei 1.154/1971 - ambos aprovados pelo Senado, com intuito de adequar a TIPI ao sistema de nomenclatura de mercadorias e à extrafiscalidade, cumpriram os requisitos legais da época.
Ademais, encontra-se pacificada no âmbito do STJ que após a Constituição Federal de 1988, a Tabela de Incidência do IPI - TIPI, veiculada mediante decreto executivo, configura inovação no ordenamento jurídico, ex vi do disposto no artigo 153, § 1º, da Carta Magna, que autoriza a mitigação do princípio da legalidade estrita no que pertine à definição das alíquotas do Imposto sobrpodem ser alteradas por Decreto (RESP 1136948).
Embargos de Declaração Providos
Numero da decisão: 3101-001.468
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade, acolher os embargos de declaração, para suprir a omissão e rerratificar o acórdão embargado, sem efeitos infringentes, nos termos do voto do Relator.
Henrique Pinheiro Torres - Presidente
Luiz Roberto Domingo - Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros Rodrigo Mineiro Fernandes o, Valdete Aparecida Marinheiro, Waldir Navarro Bezerra (Suplente), Vanessa Albuquerque Valente, Luiz Roberto Domingo (Relator) e Henrique Pinheiro Torres (Presidente).
Nome do relator: LUIZ ROBERTO DOMINGO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201308
camara_s : Primeira Câmara
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2009, 2010, 2011 IPI. TABELA DE INCIDÊNCIA. LEGALIDADE. ALTERAÇÃO DA TABELA E ALÍQUOTAS POR DECRETO. As alterações e adaptações da Tabela de Incidência do IPI, concebida pela Lei 4.502/1964, levadas a efeito a partir da legislação superveniente, Decreto-Lei 1.199/1971 e Decreto-Lei 1.154/1971 - ambos aprovados pelo Senado, com intuito de adequar a TIPI ao sistema de nomenclatura de mercadorias e à extrafiscalidade, cumpriram os requisitos legais da época. Ademais, encontra-se pacificada no âmbito do STJ que após a Constituição Federal de 1988, a Tabela de Incidência do IPI - TIPI, veiculada mediante decreto executivo, configura inovação no ordenamento jurídico, ex vi do disposto no artigo 153, § 1º, da Carta Magna, que autoriza a mitigação do princípio da legalidade estrita no que pertine à definição das alíquotas do Imposto sobrpodem ser alteradas por Decreto (RESP 1136948). Embargos de Declaração Providos
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Feb 06 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 10865.721356/2011-25
anomes_publicacao_s : 201402
conteudo_id_s : 5322548
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Feb 06 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 3101-001.468
nome_arquivo_s : Decisao_10865721356201125.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : LUIZ ROBERTO DOMINGO
nome_arquivo_pdf_s : 10865721356201125_5322548.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade, acolher os embargos de declaração, para suprir a omissão e rerratificar o acórdão embargado, sem efeitos infringentes, nos termos do voto do Relator. Henrique Pinheiro Torres - Presidente Luiz Roberto Domingo - Relator Participaram do julgamento os Conselheiros Rodrigo Mineiro Fernandes o, Valdete Aparecida Marinheiro, Waldir Navarro Bezerra (Suplente), Vanessa Albuquerque Valente, Luiz Roberto Domingo (Relator) e Henrique Pinheiro Torres (Presidente).
dt_sessao_tdt : Tue Aug 20 00:00:00 UTC 2013
id : 5287748
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:17:45 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046370785427456
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2115; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C1T1 Fl. 1.345 1 1.344 S3C1T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10865.721356/201125 Recurso nº Embargos Acórdão nº 3101001.468 – 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 20 de agosto de 2013 Matéria Normas Gerais de Direito Tributário Embargante PLASTSEVEN INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2009, 2010, 2011 IPI. TABELA DE INCIDÊNCIA. LEGALIDADE. ALTERAÇÃO DA TABELA E ALÍQUOTAS POR DECRETO. As alterações e adaptações da Tabela de Incidência do IPI, concebida pela Lei 4.502/1964, levadas a efeito a partir da legislação superveniente, Decreto Lei 1.199/1971 e DecretoLei 1.154/1971 ambos aprovados pelo Senado, com intuito de adequar a TIPI ao sistema de nomenclatura de mercadorias e à extrafiscalidade, cumpriram os requisitos legais da época. Ademais, encontrase pacificada no âmbito do STJ que após a Constituição Federal de 1988, “a Tabela de Incidência do IPI TIPI, veiculada mediante decreto executivo, configura inovação no ordenamento jurídico, ex vi do disposto no artigo 153, § 1º, da Carta Magna, que autoriza a mitigação do princípio da legalidade estrita no que pertine à definição das alíquotas do Imposto sobrpodem ser alteradas por Decreto” (RESP 1136948). Embargos de Declaração Providos Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade, acolher os embargos de declaração, para suprir a omissão e rerratificar o acórdão embargado, sem efeitos infringentes, nos termos do voto do Relator. Henrique Pinheiro Torres Presidente Luiz Roberto Domingo Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 72 13 56 /2 01 1- 25 Fl. 1346DF CARF MF Impresso em 06/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2013 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 22/09/2013 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10865.721356/201125 Acórdão n.º 3101001.468 S3C1T1 Fl. 1.346 2 Participaram do julgamento os Conselheiros Rodrigo Mineiro Fernandes o, Valdete Aparecida Marinheiro, Waldir Navarro Bezerra (Suplente), Vanessa Albuquerque Valente, Luiz Roberto Domingo (Relator) e Henrique Pinheiro Torres (Presidente). Relatório Tratase de Embargos de Declaração opostos pela Contribuinte contra Acórdão n° 3101001.202, de 21/08/2012, que, por unanimidade, negou provimento ao Recurso Voluntário, conforme a seguinte ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 2009, 2010, 2011 PROVA DOCUMENTAL. PRECLUSÃO. PROVA TESTEMUNHAL. A prova documental deve ser apresentada pelo Contribuinte quando da apresentação da impugnação ao auto de infração, salvo nos casos prescritos nas alíneas do § 4º, do artigo 16, do Decreto nº 70.235/72. A prova testemunhal somente será produzida quando imprescindível para julgamento da lide. ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. NÃO CUMULATIVIDADE. INCOMPETÊNCIA DAS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS PARA APRECIAÇÃO. As autoridades administrativas não possuem competência para declarar inconstitucional lei ou ato legal regularmente editado, vide artigo 26A do Decreto nº 70.235/1972 e artigo 62 do Regimento Interno do CARF. Posicionamento pacificado pela jurisprudência com a edição da Súmula nº 2 pelo CARF. Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Anocalendário: 2009, 2010, 2011 CRÉDITO DE IPI. AQUISIÇÃO DE BENS DESTINADOS AO ATIVO PERMANENTE. Não possuí direito ao crédito de IPI a aquisição de bens destinados ao ativo permanente da empresa, Súmula 495 do STJ. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 2009, 2010, 2011 JUROS DE MORA – TAXA SELIC – SÚMULA CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Fl. 1347DF CARF MF Impresso em 06/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2013 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 22/09/2013 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10865.721356/201125 Acórdão n.º 3101001.468 S3C1T1 Fl. 1.347 3 Alega a Embargante que o Acórdão foi omisso ao deixar de apreciar a legalidade da exigência do IPI com base em TIPI publicada por meio de Decreto do Poder Executivo o que atenta contra o princípio da legalidade. É o Relatório. Voto Conselheiro Luiz Roberto Domingo, Relator Conheço dos Embargos de Declaração por tempestivos e atender aos demais requisitos de admissibilidade. Realmente, o Acórdão não se pronunciou sobre a legalidade da exigência do IPI calculado com base em alíquota aprovada por Decreto do Poder Executivo, que a Embargante entende afrontar o princípio da estrita legalidade. Ocorre que a TIPI aprovada pela Lei n° 4.502/1964, sofreu alterações pelos DecretoLei n° 1.199/1971 e DecretoLei n° 1.154/1971, que além de possibilitar que o Poder Executivo alterasse as alíquotas do IPI para os produtos listados na TIPI, permitiu também que houvesse a adaptação da TIPI, aprovada pelo Decreto 61.514/67, ao sistema de Nomenclatura Brasileira de Mercadorias – NBM, o que convalidou a edição das TIPI subseqüentes aprovadas pelo Poder Executivo. Com a adesão pelo Brasil ao Acordo Internacional do Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias e decorrentes atualizações publicadas pela Organização Mundial das Alfândegas (OMA), e respectiva adoção para o IPI, a TIPI passou a ser atualizada na forma preconizada pelos DecretosLeis acima mencionados. A partir de 1988, com a nova ordem constitucional ao IPI foi ratificado o caráter da extrafiscalidade passando as alíquotas serem fixadas por Decreto. Tal prática foi reconhecida como válida pelo Superior Tribunal de Justiça que nos autos do REsp 1136948 decidiu: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL. RECURSO ESPECIAL. ALEGADA NEGATIVA DE VIGÊNCIA A DECRETOS. CONHECIMENTO. IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI. TABELA DE INCIDÊNCIA DO IPI TIPI. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. RAÇÃO PARA ANIMAIS. ALÍQUOTA ZERO. PREPARAÇÕES ALIMENTARES COMPLETAS PARA CÃES E GATOS ACONDICIONADAS EM EMBALAGENS COM PESO SUPERIOR A 10 QUILOS. NÃO INCIDÊNCIA DO IPI. 1. O artigo 105, III, “a”, da Constituição Federal de 1988, prescreve que compete ao Superior Tribunal de Justiça julgar, em recurso especial, as causas decididas, em única ou última instância, pelos Tribunais Regionais Federais ou pelos Tribunais Fl. 1348DF CARF MF Impresso em 06/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2013 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 22/09/2013 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10865.721356/201125 Acórdão n.º 3101001.468 S3C1T1 Fl. 1.348 4 dos Estados, do Distrito Federal e Territórios, quando a decisão recorrida contrariar tratado ou lei federal, ou negarlhes vigência. 2. O conceito de lei federal, para fins de cabimento do recurso especial, abrange “os atos normativos (de caráter geral e abstrato), produzidos por órgão da União com base em competência derivada da própria Constituição, como são as leis (complementares, ordinárias, delegadas) e as medidas provisórias, bem assim os decretos autônomos e regulamentares expedidos pelo Presidente da República” (Precedente da Corte Especial: EREsp 663.562/RJ, Rel. Ministro Ari Pargendler, Corte Especial, julgado em 05.12.2007, DJ 18.02.2008); (Precedentes das Turmas de Direito Público: REsp 954.067/RJ, Rel. Ministro José Delgado, Primeira Turma, julgado em 27.05.2008, DJe 23.06.2008; REsp 853.627/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Turma, julgado em 06.03.2008, DJe 07.04.2008; REsp 965.246/PE, Rel. Ministro Castro Meira, Segunda Turma, julgado em 18.10.2007, DJ 05.11.2007; e REsp 879.221/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, julgado em 18.09.2007, DJ 11.10.2007). 3. Ademais, a Tabela de Incidência do IPI TIPI, veiculada mediante decreto executivo, configura inovação no ordenamento jurídico, ex vi do disposto no artigo 153, § 1º, da Carta Magna, que autoriza a mitigação do princípio da legalidade estrita no que pertine à definição das alíquotas do Imposto sobre Produtos Industrializados, tributo com evidente carga extrafiscal. 4. A TIPI é ato normativo (de caráter geral e abstrato) oriundo do Poder Executivo que elenca e classifica os produtos industrializados cuja saída enseja a tributação pelo IPI, correlacionando as alíquotas aplicáveis, de acordo com os critérios da essencialidade e especificidade, observandose as disposições contidas nas respectivas notas complementares, excluídos os produtos a que corresponde a notação "NT" (não tributado). 5. O acórdão recorrido ressaltou, em suas razões de decidir, que "De acordo com os laudos técnicos incontroversos, acostados às fls. 3236 e 166167 e certificados, croquis de rotulagem e relatórios completos de registro do produto emitidos pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e do Abastecimento, verificase que os alimentos fabricados pela autora, de acordo com suas especificações, modo de usar, composição e formulação são alimentos completos para cães e gatos, podendo ser fornecidos como única e exclusiva fonte alimentar para estes animais." 6. A partir de 1988, a Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados, restou, sucessivamente, aprovada pelos seguintes decretos executivos: Decreto 97.410, de 23 de dezembro de 1988 (revogado pelo Decreto 2.092/96), que entrou em vigor em 1º de janeiro de 1989; Fl. 1349DF CARF MF Impresso em 06/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2013 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 22/09/2013 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10865.721356/201125 Acórdão n.º 3101001.468 S3C1T1 Fl. 1.349 5 Decreto 2.092, de 10 de dezembro de 1996 (revogado pelo Decreto 3.777/2001), que entrou em vigor na data da publicação, produzindo efeitos a partir de janeiro de 1997; Decreto 3.777, de 23 de março de 2001 (revogado pelo Decreto 4.070/2001), que entrou em vigor na data da publicação, produzindo efeitos a partir de 1º de abril de 2001; Decreto 4.070, de 28 de dezembro de 2001 (revogado pelo Decreto 4.542/2002), que entrou em vigor na data da publicação, produzindo efeitos a partir de 1º de janeiro de 2002; Decreto 4.542, de 26 de dezembro de 2002 (revogado pelo Decreto 6.006/2006), que entra em vigor na data da publicação, produzindo efeitos a partir de 1º de janeiro de 2003; e Decreto 6.006, de 28 de dezembro de 2006 (atualmente em vigor), que entra em vigor na data de sua publicação, produzindo efeitos a partir de 1º de janeiro de 2007. 7. Não obstante as sucessivas alterações legislativas, o Capítulo 23, da TIPI, sempre versou sobre a classificação dos Alimentos preparados para Animais (entre outros), restando esclarecido em Nota Introdutória o seguinte: "1 Incluemse na posição 23.09 os produtos dos tipos utilizados para alimentação de animais, não especificados nem compreendidos em outras posições, obtidos pelo tratamento de matérias vegetais ou animais, de tal forma que perderam as características essenciais da matéria de origem, excluídos os desperdícios vegetais, resíduos e subprodutos vegetais resultantes desse tratamento." 8. Deveras, no bojo dos decretos executivos que aprovaram a TIPI, estipularamse "Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado", entre as quais se sobrelevava a de que: "3. Quando pareça que a mercadoria pode classificarse em duas ou mais posições por aplicação da Regra 2.b) ou por qualquer outra razão, a classificação deve efetuarse da forma seguinte: a) A posição mais específica prevalece sobre as mais genéricas. Todavia, quando duas ou mais posições se refiram, cada uma delas, a apenas uma parte das matérias constitutivas de um produto misturado ou de um artigo composto, ou a apenas um dos componentes de sortidos acondicionados para venda a retalho, tais posições devem considerarse, em relação a esses produtos ou artigos, como igualmente específicas, ainda que uma delas apresente uma descrição mais precisa ou completa da mercadoria. b) Os produtos misturados, as obras compostas de matérias diferentes ou constituídas pela reunião de artigos diferentes e as mercadorias apresentadas em sortidos acondicionados para venda a retalho, cuja classificação não se possa efetuar pela aplicação da Regra 3.a), classificamse pela matéria ou artigo que lhes confira a característica essencial, quando for possível realizar esta determinação. c) Nos casos em que as Regras 3.a) e 3.b) não permitam efetuar a classificação, a mercadoria classificase na posição situada Fl. 1350DF CARF MF Impresso em 06/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2013 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 22/09/2013 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10865.721356/201125 Acórdão n.º 3101001.468 S3C1T1 Fl. 1.350 6 em último lugar na ordem numérica, dentre as suscetíveis de validamente se tomarem em consideração." 9. Consequentemente, revelase imperiosa a observância da especificidade do produto industrializado para fins de enquadramento na classificação fiscal enumerada na TIPI. 10. O Decreto 76.986/76, revogado pelo Decreto 6.296/2007, que regulamentava a Lei 6.198/74 (que dispõe sobre a inspeção e a fiscalização obrigatórias dos produtos destinados à alimentação animal), assim discorria sobre o conceito de "ração animal": "Art 4º Ficam sujeitos à inspeção e à fiscalização todos os produtos empregados ou suscetíveis observadas as seguintes definições: (...) III ração animal qualquer mistura de ingredientes capaz de suprir as necessidades nutritivas para manutenção, desenvolvimento e produtividade dos animais a que se destine; (...) § 1º Para efeito deste Regulamento, entendese como ração balanceada, a ração animal, o concentrado e o suplemento, definidos nos itens III, IV e V deste Artigo. (...)" 11. Destarte, a posição "Alimentos para cães e gatos, acondicionados para venda a retalho" (código 2309.10.9900, atual 2309.10.00) não prevalece, nem engloba o alimento denominado "ração animal", uma vez existente código mais específico, qual seja: 2309.10.0200 (atual 2309.90.10), que versa sobre "Preparações destinadas a fornecer ao animal a totalidade dos elementos nutritivos necessários para uma alimentação diária racional e equilibrada (alimentos compostos completos)", as quais são tributadas à alíquota zero. 12. Outrossim, não incide o IPI sobre "preparações alimentares completas para cães e gatos acondicionadas em embalagens com peso superior a 10 quilos". 13. Com efeito, a TIPI, anexa à Lei 4.502/64, elencava sob o código 23.07, os "Alimentos preparados para animais e outras preparações utilizadas na alimentação de animais (estimulantes, etc.), quando acondicionados em recipientes, embalagens ou envoltórios, destinados á apresentação do produto", ao qual era atribuída a alíquota ad valorem de 6% (seis por cento). 14. Contudo, sobreveio modificação do código 23.07, da TIPI, com o advento do DecretoLei 400/68, que configurou mutilação na hipótese de incidência do tributo, verbis: "Art 2º Na Tabela anexa à Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, substituamse pelos seguintes os textos das posições e incisos abaixo especificados e, quando fôr o caso, as respectivas alíquotas: (...) Posição 23.07 Alimentos preparados para animais e outras preparações utilizadas na alimentação de animais (estimulantes, etc.), acondicionados em unidades de até 10kg 8%." 15. É certo que as posições não reproduzidas na TIPI correspondem a produtos não sujeitos ao IPI, ex vi do disposto no § 2º, do artigo 10, da Lei 4.502/64. Fl. 1351DF CARF MF Impresso em 06/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2013 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 22/09/2013 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10865.721356/201125 Acórdão n.º 3101001.468 S3C1T1 Fl. 1.351 7 16. Ademais, a mitigação do princípio da legalidade estrita (artigo 153, § 1º, da CF/88) abrange apenas a definição das alíquotas do IPI, subsistindo óbice inarredável à ampliação de sua hipótese de incidência mediante decreto do Poder Executivo (artigos 150, I, da CF/88, e 97, do CTN), malgrado o disposto no artigo 4º, do DecretoLei 1.199/71, verbis: "Art 4º O Poder Executivo, em relação ao Imposto sobre Produtos Industrializados, quando se torne necessário atingir os objetivos da política econômica governamental, mantida a seletividade em função da essencialidade do produto, ou, ainda, para corrigir distorções, fica autorizado: I a reduzir alíquotas até 0 (zero); II a majorar alíquotas, acrescentando até 30 (trinta) unidades ao percentual de incidência fixado na lei; III a alterar a base de cálculo em relação a determinados produtos, podendo, para esse fim, fixarlhes valor tributável mínimo." 17. No mesmo sentido, assentou o Supremo Tribunal Federal que: "TRIBUTÁRIO. IPI. ALIMENTO PARA ANIMAIS. ACONDICIONAMENTO EM UNIDADES DE DEZ QUILOS OU MAIS. NÃOINCIDÊNCIA. DL Nº 1.199/71. Situação que não poderia ter sido alterada por meio de decreto (Decreto nº 89.241/83), sem ofensa ao art. 21, I e V, da EC 01/69. Recurso não conhecido." (RE 160.392/SP, Rel. Ministro Ilmar Galvão, Primeira Turma, julgado em 31.10.1997, DJ 13.02.1998) 18. Agravo regimental desprovido. (AgRg no REsp 1136948/RS, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA TURMA, julgado em 04/03/2010, DJe 22/03/2010) Com base nessa jurisprudência pacificada, ACOLHO os Embargos de Declaração, para suprir a omissão e rerratificar o acórdão embargado, sem efeitos infringentes. Luiz Roberto Domingo Fl. 1352DF CARF MF Impresso em 06/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2013 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 22/09/2013 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES
score : 1.0
