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Numero do processo: 10830.009170/00-69
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 15 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Wed Dec 15 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Ano-calendário: 1997
Conexão. Auditoria de Produção.
Havendo legislação autônoma prevendo as presunções legais para o IRPJ e para o IPI, não se aplica, necessariamente, as conclusões do processo do IPI ao IRPJ.
Presunção.
Diante da utilização de uma presunção legal os fatos presuntivos devem ser apurados com precisão, pois já há incerteza, legalmente aceita pela lei, causada pela presunção, quanto ao fato presumido.
Numero da decisão: 1302-000.434
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: MARCOS RODRIGUES DE MELLO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1997 Conexão. Auditoria de Produção. Havendo legislação autônoma prevendo as presunções legais para o IRPJ e para o IPI, não se aplica, necessariamente, as conclusões do processo do IPI ao IRPJ. Presunção. Diante da utilização de uma presunção legal os fatos presuntivos devem ser apurados com precisão, pois já há incerteza, legalmente aceita pela lei, causada pela presunção, quanto ao fato presumido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator (documento assinado digitalmente) MARCOS RODRIGUES DE MELLO Presidente. e relator . Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Wilson Fernandes Guimarães, Lavinia Moraes de Almeida Nogueira Junqueira Daniel Salgueiro da Silva, Eduardo de Andrade, Irineu Bianchi e Marcos Rodrigues de Mello Fl. 294DF CARF MF Emitido em 07/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/04/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Assinado digitalmente em 07/04/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10830.009170/0069 Acórdão n.º 130200.434 S1C3T2 Fl. 282 2 Relatório 1. Tratase dos Autos de Infração, relativos ao Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica – IRPJ, à Contribuição para o Programa de Integração Social – PIS, à Contribuição para Financiamento da Seguridade Social COFINS e à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, lavrados em 08/12/2000, contra o contribuinte em epígrafe, com ciência em 13/12/2000, que formalizaram o crédito tributário no valor total de R$ 5.204.746,31, com os acréscimos legais cabíveis até a data da lavratura, decorrente de omissão de receita apurada em ação fiscal relativa ao IPI. 2. A infração foi assim descrita nos Autos de Infração (fl. 03, 16, 20 e 24): “OMISSÃO DE RECEITAS Omissão de receitas operacionais, no período de apuração e montante abaixo especificados, apurada através de auditoria de produção realizada pela fiscalização do IPI e caracterizada pela venda de produtos manufaturados à margem da escrituração contábilfiscal regular, conforme evidenciado através dos Quadros Demonstrativos (QD) 01/06 anexos ao presente instrumento bem como ao Auto de Infração do IPI protocolizado na DRF/Campinas sob o nº. 10830.009169/0080. Fato Gerador Valor Tributável ou Imposto Multa (%) 31/12/1997 R$ 8.164.663,34 75,00” 3. Inconformado com a exigência fiscal, o contribuinte, por intermédio de seus advogados e procuradores, protocolizou as impugnações de fls. 29/62, 63/96, 97/130, 131/169 , em 05/01/2001, relativas, respectivamente, aos lançamentos de IRPJ, PIS, CSLL e COFINS, apresentando,em sua defesa, as seguintes razões de fato e de direito: 3.1. Afirma ser incorreta a apuração da fiscalização, por considerar que a mesma quantidade de matéria prima ingressada em seu estabelecimento (latão e aço na forma de tarugos) teria dele saído sob a forma de produtos acabados, sem ponderar a sua transformação no curso do processo produtivo, a qual geraria perda de parte do aço utilizado, retirada do estabelecimento semanalmente. Assim, a partir das diferenças apuradas jamais se poderia cogitar da realização de operações de venda sem nota fiscal. 3.2. Para provar tais circunstâncias junta documentos que evidenciam a transformação da matéria prima e pleiteia perícia técnica para demonstrar tais fatos ou a realização de novas diligências pela fiscalização. 3.3. Tece argumentos relativos à isenção do IPI por ele invocada e à punição decorrente da falta de entrega de DCTF, muito embora tais matérias não repercutam nos lançamentos sob análise. Fl. 295DF CARF MF Emitido em 07/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/04/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Assinado digitalmente em 07/04/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10830.009170/0069 Acórdão n.º 130200.434 S1C3T2 Fl. 283 3 3.4. Alega ser abusiva e confiscatória a penalidade aplicada, bem como contrapõese à utilização da taxa SELIC para cálculo dos juros de mora, por entendêla inconstitucional. A DRJ decidiu: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 1997 Ementa: TRIBUTAÇÃO REFLEXA. A decisão proferida nos lançamentos decorrentes deve seguir a mesma orientação decisória prolatada no principal. OMISSÃO DE RECEITAS. LEVANTAMENTO QUANTITATIVO POR ESPÉCIE. Mantidos os indícios a partir dos quais a legislação autoriza a presunção de omissão de receitas, cabível a exigência do imposto e das demais contribuições incidentes sobre o lucro e o faturamento. Reproduzo o voto da DRJ: Conforme já mencionado, os Autos de Infração em apreço referemse a exigências decorrentes de omissão de receita apurada em fiscalização do IPI, objeto do processo administrativo 10830.009169/0080, já decidido pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto/SP, conforme Acórdão da 2a. Turma nº 1.118, de 09/04/2002, juntado por cópia às fls. 168/174. 6. O conteúdo de tal decisão revela que as mesmas razões de impugnação foram expendidas em ambos os autos, e todas elas clara e precisamente apreciadas pelo I. Relator Julgador Marcelo de Camargo Fernandes, cujo voto foi acolhido por unanimidade, pelo que, naquilo que corresponderem à omissão de receita e acessórios do crédito tributário, serão aqui adotadas. É o que se procede adiante: “PRELIMINAR 1. A perícia, nos termos em que solicitada pelo impugnante, não atendeu o disposto no inciso IV, do artigo 16 do Decreto nº 70.235/1972, portanto considerase como não formulada, nos termos do § 1o. do citado artigo. Ademais, constam nos autos os elementos suficientes e necessários para a boa formação de convicção do julgador. 2. Conseqüentemente, voto, preliminarmente, pelo indeferimento da perícia pleiteada. MÉRITO 3. Alega a impugnante que a fiscalização, por ocasião da auditoria de produção, deixou de considerar a perda de aço ocorrida no processo produtivo e que o refugo resultante jamais poderia ser ‘fiscalizado’ (sic) uma vez que é retirado semanalmente. Fl. 296DF CARF MF Emitido em 07/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/04/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Assinado digitalmente em 07/04/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10830.009170/0069 Acórdão n.º 130200.434 S1C3T2 Fl. 284 4 4. Entretanto, ao contrário do alegado, constatase na planilha de fl. 06 que tais refugos foram devidamente considerados pela fiscalização. Aliás, não é demais lembrar o autor da peça impugnatória que a sucata de metal não poderia ter saído desacompanhada da respectiva documentação fiscal, a qual, por sua vez, serviu de base para a retrocitada planilha. (negrito não consta do original) (...) 13. Quanto aos acréscimos moratórios, o raciocínio do impugnante apenas corrobora a validade das normas que instituíram o encargo, tendo em vista que a condição sine qua non para exigência dos juros é a mora do contribuinte. Se o imposto ora exigido tivesse sido pago no vencimento legal, inexistiria mora e, conseqüentemente, inexistiriam os juros de mora. 14. Pouco importa a forma como é fixada a taxa Selic, pois o caráter remuneratório ou moratório não depende da forma de cálculo ou da fixação da taxa, mas sim da natureza do fato jurídico que provoca sua incidência. 15. Vale dizer que, se as partes estão diante de um negócio jurídico, uma operação de mútuo no mercado financeiro, por exemplo, o respectivo contrato provavelmente deverá prever uma remuneração do capital em função do prazo de duração do empréstimo, que pode ser com base na taxa Selic ou em qualquer outra taxa de juros especificada no momento da avenca. Neste caso, seja qual for a taxa de juros combinada, ela terá caráter remuneratório em razão do uso do capital alheio por cento prazo, independentemente da forma como é calculada. 16. Entretanto, no caso de dívidas tributárias não pagas no vencimento legal, o fato jurídico é a mora ex re, que decorre de disposição literal da lei tributária. Ou seja, nascida a obrigação tributária principal com a concretização da hipótese de incidência no mundo fenomênico, a lei fixa um termo para o adimplemento da obrigação. A conjugação do advento do termo com a não efetivação do pagamento dá azo ao surgimento da mora ex re, condição sine qua non para a incidência do encargo, e o simples fato de a lei tributária ter escolhido uma taxa de juros que pode servir de base para remunerar negócios jurídicos privados não significa a desnaturação do caráter moratório advindo da lei. Não se olvide que, se o impugnante tivesse pago o imposto no vencimento legal, não existiria nem a mora nem os juros de mora dela decorrentes. 17. Portanto a Lei nº 9.065, de 1995, não violou o CTN, art. 110, pois em momento algum alterou a natureza jurídica de um instituto de direito privado, uma vez que não é forma de cálculo que vai definir a natureza da taxa de juros. 18. Quanto ao disposto na Lei nº 5.172, de 1966, art. 161, §1o., verificase que a redação do dispositivo permite que a lei ordinária disponha de modo diverso em relação ao percentual Fl. 297DF CARF MF Emitido em 07/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/04/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Assinado digitalmente em 07/04/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10830.009170/0069 Acórdão n.º 130200.434 S1C3T2 Fl. 285 5 de 1% ao mês, sem exigir que o novo percentual seja fixado na lei em sentido estrito. 19. Portanto, não existe nada de errado na Lei nº 9.065, de 1995, quando elegeu a taxa Selic para ser aplicada no cálculo dos juros de mora em relação a dívidas tributárias não pagas no vencimento, quando silenciou quanto à magnitude do encargo. 20. Outrossim, não é demais lembrar que a Delegacia da Receita Federal de Julgamento como órgão de jurisdição administrativa, tem a função, no contexto do sistema de autocontrole da legalidade dos atos administrativos, de examinar os procedimentos fiscais em conformidade com as normas legais vigentes. Falecelhe, como falece aos órgãos do Poder Executivo criados para desempenhar atribuições equivalentes, competência para pronunciarse a respeito de argüições de inconstitucionalidade. 21. Finalmente, vale recordar que a vedação constitucional ao confisco referese ao valor do tributo e não às penas cominadas pelo legislador ordinário por infração à legislação tributária. Outrossim, reiterese a incompetência desta instância para pronunciarse a respeito de argüições de inconstitucionalidade. 22. Pelo exposto, voto no sentido de julgar integralmente procedente o lançamento.” 7. Mantidos, assim, os fatos apurados em levantamento indireto de produção, a partir dos quais a lei autoriza a presunção de omissão de receitas, e por ter sido esta submetida à tributação na forma determinada no art. 24 da Lei nº 9.249/95, devem ser também mantidas as exigências aqui veiculadas. A recorrente tomou ciência do acórdão DRJ em 16/09/2002 e apresentou recurso em 15/10/2002. Em seu recurso reitera os argumentos da impugnação e alega também: ofensa ao princípio do contraditório, pois o Fiscal deixou de observar o processo produtivo da empresa, não levando em consideração todas as etapas produtivas, notadamente a formação de refugos A Segunda Câmara do 2º Conselho de Contribuintes decidiu sobre a matéria de interesse deste processo: “Quanto ao seu processo produtivo, segundo a qual de cada 200g de aço 150g são perdidos, inexistem elementos de prova de tal fato, e, ademais, tal alegação é, no mínimo, inverossímel. Logo, nada há que se reformar neste aspecto.” Fl. 298DF CARF MF Emitido em 07/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/04/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Assinado digitalmente em 07/04/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10830.009170/0069 Acórdão n.º 130200.434 S1C3T2 Fl. 286 6 Voto Conselheiro MARCOS RODRIGUES DE MELLO O recurso é tempestivo e deve ser conhecido. Embora não conste do auto de infração a base legal para o lançamento é o art. 41 da Lei 9430: Levantamento Quantitativo por Espécie Art.41.A omissão de receita poderá, também, ser determinada a partir de levantamento por espécie das quantidades de matérias primas e produtos intermediários utilizados no processo produtivo da pessoa jurídica. §1º Para os fins deste artigo, apurarseá a diferença, positiva ou negativa, entre a soma das quantidades de produtos em estoque no início do período com a quantidade de produtos fabricados com as matériasprimas e produtos intermediários utilizados e a soma das quantidades de produtos cuja venda houver sido registrada na escrituração contábil da empresa com as quantidades em estoque, no final do período de apuração, constantes do livro de Inventário. §2º Considerase receita omitida, nesse caso, o valor resultante da multiplicação das diferenças de quantidades de produtos ou de matériasprimas e produtos intermediários pelos respectivos preços médios de venda ou de compra, conforme o caso, em cada período de apuração abrangido pelo levantamento. §3º Os critérios de apuração de receita omitida de que trata este artigo aplicamse, também, às empresas comerciais, relativamente às mercadorias adquiridas para revenda. A DRJ entendeu haver tributação reflexa e que a decisão proferida nos lançamentos decorrentes deve seguir a mesma orientação decisória prolatada no principal.. Entendo que no caso concreto não se aplica a jurisprudência existente no 1º Conselho de Contribuinte, relativa a processos conexos, que levariam a dar a este processo a mesma decisão proferida no processo do IPI (Processo 108300091700069). Entendo que após a vigência do art. 41 da Lei 9430, acima transcrito, há legislação autônoma sobre a denominada auditoria de produção no âmbito de cada tributo. Entendo que mesmo diante da fragilidade da defesa apresentada, que não abordou tal tema, a decisão proferida no processo referente ao IPI não impede que este colegiado analise as provas constantes dos autos e a legislação específica referente ao IRPJ. Tornase relevante descrever o procedimento para verificação do contexto de formação da prova. Fl. 299DF CARF MF Emitido em 07/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/04/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Assinado digitalmente em 07/04/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10830.009170/0069 Acórdão n.º 130200.434 S1C3T2 Fl. 287 7 Em 16/11/2000 foi lavrado termo pela fiscalização (fls. 04), com ciência ao contribuinte, onde afirmase que foi constatada a existência de diferença na produção declarada do estabelecimento discriminada no QD 05 (fls. 06) e apurada através de auditoria de entrada, saídas e estoque consoante QD 01/04 (fls 05/06), ficando o contribuinte intimado a prestar esclarecimento no prazo de 7 (sete) dias e que a inércia da fiscalizada implicará n o prosseguimento regular da auditoria fiscal. Na mesma data (16/11), outro termo (fls. 08) que afirma que, em decorrência da ausência da escrituração do livro fiscal Registro de Inventário, modelo 7, que o contribuinte, através de seu preposto, confirma à fiscalização que ignora e desconhece a existência de estoques em 31/12/96 e 31/12/97 de todas as mercadorias relativas ao processo produtivo. Em termo lavrado pelo fisco e assinado pelo preposto da fiscalizada, datado de 24/11/2000 (fls.10), declarase que o referido contribuinte nada tem a declarar a respeito dos cálculos integrantes dos quadros demonstrativos anexos ao Termo datado de 16/11/2000. Em 28/11/2000, foi lavrado termo de verificação fiscal onde constatase, entre outros fatos, a omissão de receitas operacionais apuradas por auditoria de produção. Consta do termo: O levantamento indireto da produção , para efeito de verificar a correção no pagamento do 1PI, constitui técnica de fiscalização autorizada pela regra de regência do tributo Lei 4502/64, art. 108 e art.343 do RIP//82 (Dec. 87981182) , tendo por objetivo determinar, partindo de elementos conhecidos e provados, a produção real, verdadeira, obtida pelos estabelecimentos industriais, em certo período. Ou seja, determinar, através de fórmula matemática, a correlação entre as quantidades de insumos utilizados para a fabricação de determinado produto e a quantidade final obtida desse mesmo produto, num dado período de tempo. O reconhecimento da regularidade do lançamento encontrase condicionado a duas circunstancias: a) que o elemento subsidiário de referencia adotado na quantificação da produção seja significativo no processo industrial do estabelecimento; b) que a ponderação das perdas ou quebras obedeça a critérios de verificação e não resulte de mera presunção, desassistida de elementos de convicção quanto à sua veracidade. No presente caso, procedemos à reconstituição da produção relativa ao exercício de 1997 dos produtos industrializados pelo estabelecimento acessórios p/tubos de ferro/aço/cobre (buchas, cotovelos, uniões, nipple,etc) classificados nos códigos IIPI196 (Dec. 2092196) 73.07.19.20, 73.07.91.00, 73.07.92.00, 74.12.20.00, 73.18.16.00, 74.15.32.00 e 40.09.20.90 bem como partes e peças de válvulas e engates pneumáticos classificadas no código 84.81.90.90 a partir do consumo de todas as matériasprimas necessárias à industrialização dos referidos produtos, conforme evidenciado através dos elementos constantes dos quadros demonstrativos (QD) elaborados pela Fl. 300DF CARF MF Emitido em 07/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/04/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Assinado digitalmente em 07/04/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10830.009170/0069 Acórdão n.º 130200.434 S1C3T2 Fl. 288 8 fiscalização QD 01/06 anexos , aos quais a não se opôs a fiscalizada à vista do Termo de Declarações datado de 24/11/00. Dos elementos considerados na aferição da produção O levantamento fiscal louvouse nos registros efetuados nos livros fiscais Registro de Entradas, Registro de Saídas, notas fiscais de aquisição de matériasprimas bem como de saída de produtos manufaturados existentes no estabelecimento ao longo do curso da ação fiscal. Das quebras ou perdas de insumos na produção declarada. As perdas de matériasprimas no processo produtivo do ano de 1997 foram reconhecidas e quantificadas pela fiscalização conforme evidencia o QD 01 relativo ao Consumo das Matérias Primas com base nos registros efetuados nos livros e documentos fiscais. Do resultado da aferição da produção com base em elementos subsidiários. O confronto da quantidade de todas as matériasprimas disponíveis para consumo na produção declarada dos produtos mencionados no item 1.a (consumo informado das matérias primas registradas nos livros e documentos fiscais) com a quantidade de matériasprimas efetivamente consumidas na produção registrada • (consumo registrado) do estabelecimento evidenciou que a quantidade das matérias primas registradas nos livros e documentos fiscais foi maior ou superior (produção acabada total declarada a menor por falta de emissão de notas fiscais de venda e/ou estoque final de produtos acabados inventariado a menor) que a quantidade das matériasprimas consumidas na produção declarada, conforme evidencia o QD 05, por conseguinte, caracterizando tal evento a existência de produção não registrada ou omissão de receitas operacionais por venda de produtos manufaturados à margem da escrituração fiscal. Obs.: exigíveis IRPJ, PIS, COFINS e CONTRIBUIÇÃO SOCIAL (art. 892 do RIR/94.DEC.1041/94). Em 08/12/2000 foi lavrado o auto de infração, cuja ciência se deu em 13/12/2000. Relevante destacar no procedimento, além de um certo açodamento, pois o primeiro termo é datado de 16/11/2000 e o termo de constatação foi lavrado em 24/11/2000, que a fiscalização presume estoque zero tanto para o início do período como para o fim. Esta presunção se deu por ausência da escrituração do livro de registro de inventário. Não entendo razoável esta presunção. A IN 56/92, prescreve: Art. 3º A pessoa jurídica, para os fins do disposto no art. Fl. 301DF CARF MF Emitido em 07/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/04/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Assinado digitalmente em 07/04/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10830.009170/0069 Acórdão n.º 130200.434 S1C3T2 Fl. 289 9 1º, deverá promover, ao final de cada mês, levantamento de seus estoques, bem como sua escrituração no livro "Registro de Inventário". § 1º A data limite para a escrituração e legalização do livro de que trata este artigo deverá ser, para cada mês, aquela prevista para o pagamento do imposto de renda do mesmo mês. § 2º No caso de pagamento do imposto calculado por estimativa, a data limite de que trata o parágrafo anterior será o último dia útil do mês em que a pessoa jurídica, utilizandose da faculdade prevista no § 2º do art. 39 da Lei nº 8.383/91, suspender ou reduzir o pagamento do imposto mensal estimado. § 3º A pessoa jurídica que optar pelo pagamento do imposto por estimativa e não se utilizar da faculdade referida no parágrafo anterior, terá como data limite para escrituração e legalização do livro de que trata este artigo a data prevista para entrega tempestiva da declaração de ajuste anual. § 4º A nãoescrituração e legalização do livro "Registro do Inventário" nas datas limite apontadas neste art. sujeitará a pessoa jurídica ao arbitramento do lucro na forma da legislação vigente. Diante da utilização de uma presunção legal os fatos presuntivos devem ser apurados com precisão, pois já há incerteza, legalmente aceita pela lei, causada pela presunção, quanto ao fato presumido. Sem haver elementos nos autos sobre os estoques, entendo que não é possível a apuração da forma como foi feita. Também entendo que seria necessário trazer aos autos outros elementos sobre o processo produtivo, inclusive detalhando os tipos de produtos e as perdas geradas no processo produtivo, não se restringindo ao volume de cavacos e sucatas que constaram nas notas fiscais de saída No caso dos autos, mesmo tendo em vista que o lançamento do IPI foi mantido e que a matéria referente aos estoques não foi levantada pelo recorrente, tratandose de presunção legal, entendo que cabe ao fisco a prova do fato presuntivo de forma clara e consistente para fazer valer a força da presunção e considerar ocorrido o fato presumido. Diante do exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) .MARCOS RODRIGUES DE MELLO Relator Fl. 302DF CARF MF Emitido em 07/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/04/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Assinado digitalmente em 07/04/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10830.009170/0069 Acórdão n.º 130200.434 S1C3T2 Fl. 290 10 Fl. 303DF CARF MF Emitido em 07/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/04/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Assinado digitalmente em 07/04/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO
score : 1.0
Numero do processo: 13707.000086/2008-21
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 20 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Wed Oct 20 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2003
OMISSÃO DE RENDIMENTOS
As exclusões estabelecidas na Lei nº 8.852/94 são exclusões do conceito de remuneração, não são hipóteses de isenção ou não incidência de IRPF
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2101-000.818
Decisão: ACÓRDÃO Os membros do Colegiado, por unanimidade de Votos, em NEGAR
provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator
Matéria: IRPF- auto de infração eletronico (exceto multa DIRPF)
Nome do relator: Odmir Fernandes
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R -ENDIMFN OS As exclusões estabelecidas na Lei n' 8..852/94 são exclusOes do conceito de remuneração, não são hipóteses de isenção ou não ineideneia de IR Recurso Vol untãtio Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACÓRDÃO Os membros do (.-.',olegiado, O1 unanimidade de Votos, em NFGAR pioviinento ao recut so, nos teimas do voto do Relator. Participaram da sessão dc .julgamento os Conselheiros Alexandre .Naoki Nishioka, Ana .Neyie Olimpiolanda, Caro Marcos Cândido, Gonçalo 13olle1 Allage, José Rainrundo Tosta Santos e Odmirfernandes. Relatório Truta-se de Recurso Voluntario da decisão da l a Turma de Julgamento da DRF do Rio de Janeiro II, que manteve a exig6ricia do IRPF do exercício de 2003, decorrente da omissão de rendimentos e erro na transposição das despesas corn instrução e despesas inédicas A decisdo recorrida manteve a ex.i.Oncia em razão de o Recorrente não se insurgir contra os erros ia transposição das despesas com instrução e despesas médicas. Com relação aos rendimentos omitidos„ decorrentes do adicional par tempo de ('1".1;i(0, previsto na alinea "n" inciso III, do art. I", da Lei 8.852/94, a decisão entendeu que se tratam de rendimentos tributáveis.. As disposições normativas excluem o conceito de remuneração, sem cuidar de iseação, não incidência ou exclusão do -rendimento. Nas razões de recurso sustenta, em siatese, que os readimentos ditos omitidos decorrem do adicional poi- tempo de ser viço que nao 5 sujeitam ao imposto, na forma do art o , n, da Lei 8..852/94. Pede, assim, reforma da decisão recorrida Voto Coaselheno Odmir Fernandes, Relator O recurso preenche os requisitos de admissibilidade e deve ser conhecido. 0 Recorrendo admite erro na transposição das despesas coin instrução e despesas médicas, de firma que o recurso não se volta contra estas matérias. Com relação a omissão de rendimentos, sustenta o Recorrente que os valores omitidos decorrem dos adicionais par tempo deservi(o, pl eVistosmi inert "n", inciso III , do art. 1 0, da J ei 8.852/94, que não se sujeitam a tributação. A fiscalização não nega este fato, diz apenas que a exclusão prevista em lei do conceito dc remuneração, sear excluir o rendimento da tributação. Veiamos a disposição normativa da alínea "n", inciso Itl, art 1 0, da Lei 8.852/94, e o parágrafo prirnoinr "Art 1" Para os eferios desur Lei, a raiibuiyio peelanária devida na administmeao pfiblica direl , ndireta e fundacional de qualquer dos Poderes da Uniiio con/preemie.: 1 - (i.orno vencimento brkico: a) a fCii ilmiyao a que se Fejerc o ait 40 da Lei n" 8 112, de 11 de dezembro de 1990, devida pelo *UR -) eve, cicio do cargo, para 05 sei -vidores civis poi ela regidos-, PI c■cce ii I 37117 (10(103./20W,2 I 52-C1 T1 AcOr(Lio n ' 2101-0(tS18 Ff 2 c) o _safari() básico eslipulado cm pianos ou labelas de telribuicão ou nos contratos trabalho, convcnções, acordos 01/ dissidioN uiletivos, os empnwados - de eriun-asas pUblicas, de _sociedades cconoinia Inista, suas conli (dadas ou e014,q -uh15, 011 (10 qualsquei emprcsas 011 entidades de (JO capital patrimônio o podei - prihhco tenha o controle indaeto, inclusive em VU -tilde de incorpoiação ao porrinitinio Ii - (Min() VenC11/ICia08, a soma do vencimento basic° coin as vantagens permanentes reiljvos ao cargo, empi ego, post° ou aduação, III - Como remuneraciio, Cl _soma dos veneimento.s C 01-17 OS adicionais de caráter individual e denials vai/tag -ens, nestas comp eendidas relative -is natureza 00 00 local de taba/ho a prevista no t. 62 da .I. fl" ii 112, de 1990, ou outra paga sob O incsino fund(1mcnto„ _sendo exehtidtn: a) (111; ias, 1)) ojuda de oust() em raziTio de 111-100HK.Y1 de _sede on indenLação liansporte; c) vil 1.!') jai ditinento, ,!zr1 atilicrkiio de congionsação oi ganica, a que se refere o art 18 da Lei 8 237, de 1991, e) salái jo Tfamilia, t)gtertific(kao oil adieional n(Itality), ou décimo-teu eeiro whir g) abono pecuniário re.cuh7in.te da conversão de ate 113 ruin tei(o) das las, 11) adicional na/alidade; i) adicional enrcillo MHO al, j) adicional de férias, ate o lirnite de 1/3 Onn terço) sobre a reti- ibuição habitual, adicional vela estação serviço evtraoi dinai io, paw atendei situações ex:cepcionais e tempor/tilas, obedecidos os Iiinifes de dui ação pre vis.tos ein lei, contr. alos, ueígilcíuiientos, convenOes, acordos ou dissichos coletivos e ricsde Tie o valor pago não evcoda em mais de 50% (cinquienta cento) 0 estipidado para a hora de trabalho na formula no(mal, in) attic:Ionai noturno, enquanto 0 wilily) pc' nianecci scitdo prestado cm hortiiio que fundamente sua C011i_05.10, adleional por tempo de servico; Ante o exposto, conhe a e nego provimento ao recurs() para mauler a decisao leconida e a autuacao. mandcs 0) conversào de licCitCalY jaii0 en! peel'inia 11103410dr) para os e1nirref2,ados de CinpreW pUblica Oil ociedade de economia li Ia pot aro nofinanvo, estarulafio or) re.,..„,ulamentat aniet 101 a 1" do [ever Oil 0 de 1994, p) adicional de 1)1)(11)&1 idade, de periculosidade ou pelo eNercicio de atividades pcno.vts percebido cliii ante o period° em que o berrefic.jófio csiiver sujeito coiidiçõe Oil aos ri.scas (100 &lam cattsa sua concesscio, q) 1101.0 tepouso e alimenkkiro C adicional sobteaviso, a gut! .s0 resikxlivamente, O inciso 11 (10 art 3"c 0 11.- do ii (r'' da Eel n" 5 811. de 11 de ontulrro de 1972; )) ourras parcelas (JO earter . indeniEatótio «500 definido cm lei. ou Oa reconheeido, no mbito das empresas pUblicas e sociedades de eeonornia mista, pot' aio do Poder Executivo O disposio nO 11101:50 abrange adiantaltiCalOS clop 007(105 Ilatilteza De tato. 0 adicional pot tempo de serviço, previsto na alinea "n", inciso do al t, 1", da Lei 8.852/94, irOo significa dispensa da tributaeao do rendimento pelo imposto de ienda na pessoa lisica. 0 paragralb plirneim , ao estabelecer que todas as alineas, de "a" a do referindo inciso, decorrem dc adiantamentos, "desprovido de natureza indenizatória", esta se re:ferindo a remuneraçao, a "50 11 1 01 (10A Venehliell105 - COM Os: adicionais: de eartne-q - individual demais vantagens, flesh-is compreendidas as relativas à natureza OU ao local de trabalho., pievisto no inciso 1.11. Pot essa razao, a expressO° "exetusão", relendo no dispositivo, ralo significa exclusao do rendimento, mas exClusii° do conceito de remuneracOo. Direito texto de lei, mas sistema, o conjunto das disposicóes normativas, com os princípios, conceitos e regras, dai porque 1 . 10 CallteXt0 o dispositivo nos conduz ao entendimento esposado pela decisdo Recorrida. Basta ligeira leitura ao dispositivo para ver que existem outi as verbas citadas na mesma disposiezio normativa, a exemplo das di/tias, ajuda de custo, saldrio de família que Possuem isencOo do imposto; outras a exemplo do décimo teiceno mesma disposicio, que possuem tributaeao exclusiva .1.1a fonte, scrn permitir sequer o ajuste ou compcnsayao na declaracao anual de rendimentos. 4
score : 1.0
Numero do processo: 13971.002655/2005-08
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 29 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Thu Jul 29 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL - ITR
Exercício: 2001
ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE, COMPROVAÇÃO.
O fisco pode exigir a comprovação da área de preservação permanente cuja exclusão o contribuinte pleiteou na D1TR. Não comprovada a existência efetiva da área mediante laudo técnico, é devida a glosa do valor declarado.
RESERVA LEGAL.. NECESSIDADE DE AVERBAÇÃO,
O § 8º do art. 16 da lei IV 4.771, de 1965 (Código Florestal) traz a obrigatoriedade de averbação na matrícula do imóvel da área de reserva legal.
Tal exigência se faz necessária para comprovar a área de preservação destinada à reserva legal, condição indispensável para a exclusão dessas áreas na apuração da base de cálculo do ITR.
JUROS MORATÓRIOS, SELIC.
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SEL1C para títulos federais, (Súmula CARF nº 4).
MULTA DE OFÍCIO. APLICAÇÃO. BASE LEGAL.
A multa de ofício por infração à legislação tributária tem previsão em disposição expressa de lei, devendo ser observada pela autoridade administrativa e pelos órgãos julgadores administrativos, por estarem a ela vinculados.
Recurso negado
Numero da decisão: 2201-000.764
Decisão: Acordam os membros do Colegiada, por unanimidade, negar provimento ao recurso em relação à área de preservação permanente, Por maioria, negar provimento ao recurso em relação à área de reserva legal. Vencido o conselheiro Moisés Giacomelli Nunes da Silva
Matéria: ITR - ação fiscal - outros (inclusive penalidades)
Nome do relator: PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL - ITR Exercício: 2001 ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE, COMPROVAÇÃO. O fisco pode exigir a comprovação da área de preservação permanente cuja exclusão o contribuinte pleiteou na D1TR. Não comprovada a existência efetiva da área mediante laudo técnico, é devida a glosa do valor declarado. RESERVA LEGAL.. NECESSIDADE DE AVERBAÇÃO, O § 8º do art. 16 da lei IV 4.771, de 1965 (Código Florestal) traz a obrigatoriedade de averbação na matrícula do imóvel da área de reserva legal. Tal exigência se faz necessária para comprovar a área de preservação destinada à reserva legal, condição indispensável para a exclusão dessas áreas na apuração da base de cálculo do ITR. JUROS MORATÓRIOS, SELIC. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SEL1C para títulos federais, (Súmula CARF nº 4). MULTA DE OFÍCIO. APLICAÇÃO. BASE LEGAL. A multa de ofício por infração à legislação tributária tem previsão em disposição expressa de lei, devendo ser observada pela autoridade administrativa e pelos órgãos julgadores administrativos, por estarem a ela vinculados. Recurso negado
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conteudo_txt : Metadados => date: 2010-12-14T17:14:48Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2010-12-14T17:14:47Z; Last-Modified: 2010-12-14T17:14:48Z; dcterms:modified: 2010-12-14T17:14:48Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; xmpMM:DocumentID: uuid:30b268eb-8b1b-4d89-931b-1d68a661d2db; Last-Save-Date: 2010-12-14T17:14:48Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2010-12-14T17:14:48Z; meta:save-date: 2010-12-14T17:14:48Z; pdf:encrypted: false; modified: 2010-12-14T17:14:48Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2010-12-14T17:14:47Z; created: 2010-12-14T17:14:47Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; Creation-Date: 2010-12-14T17:14:47Z; pdf:charsPerPage: 1684; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2010-12-14T17:14:47Z | Conteúdo => S2-C2T II I MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n" 13971,002655/2005-08 Recurso n" 341.423 Voluntário Acórdão n" 2201-00.764 — 2" Câmara / I" Turma Ordinária Sessão de .29 de , julho de .2010 Matéria ITR Recorrente MOBASA MODO BATISTELIA REFLORESTAMENTO Recorrida DRJ-CAMPO GRANDE/MS ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL - ITR Exercício: 2001 ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE, COMPROVAÇÃO. O fisco pode exigir a comprovação da área de preservação permanente cuja exclusão o contribuinte pleiteou na D1TR. Não comprovada a existência efetiva da área mediante laudo técnico, é devida a glosa do valor declarado. RESERVA LEGAL.. NECESSIDADE DE AVERBAÇÃO, O § 8" do art. 16 da lei IV 4.771, de 1965 (Código Florestal) traz a obrigatoriedade de averbação na matrícula do imóvel da área de reserva legal. Tal exigência se faz necessária para comprovar a área de preservação destinada à reserva legal, condição indispensável para a exclusão dessas áreas na apuração da base de cálculo do ITR. JUROS MORATORIOS, SEL1C. A partir de 1" de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SEL1C para títulos federais, (Súmula CARF n" 4). MULTA DE OFÍCIO. APLICAÇÃO. BASE LEGAL. A multa de ofício por infração à legislação tributária tem previsão em disposição expressa de lei, devendo ser observada pela autoridade administrativa e pelos órgãos julgadores administrativos, por estarem a ela vinculados. Recurso negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Assis de Oliveira Júnior — PresidentFr, )Patto Paulo ----610b1/0/ÍZ,t,-()1 ereira ) atorarbosa Acordam os membros do Colegiada, por unanimidade, negar provimento ao recurso em relação à área de preservação permanente, Por maioria, negar provimento ao recurso em relação à área de reserva legal. Vencido o conselheiro Moisés Giacomelli Nunes da Silva, EDITADO EM: 2 2 CUT NO Participaram da sessão: Pedro Paulo Pereira Barbosa, Rayana Alves de Oliveira França, Eduardo Tadeu Farah, Janaína Mesquita Lourenço de Souza, Moisés Giacomelli Nunes da Silva e Francisco Assis de Oliveira Júnior (Presidente). Relatório MOBASA MODO BATISTELLA REFLORESTAMENTO S.A. interpôs recurso voluntário contra acórdão da DRJ-CAMPO GRANDE/MS (fls.. 67) que julgou procedente lançamento, formalizado por meio do auto de infração de fls. 19/27, para exigência de Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural — ITR, referente ao exercício de 2001, no valor de R$ 11.302,41, acrescido de multa de oficio e de juros de mora, perfazendo um crédito tributário total lançado de R$ 28.183,68. Segundo o relatório fiscal o lançamento decorre da revisão da DITR/2001 da qual fiaram glosados os valores declarados como área de preservação permanente (204,2ha.) e área de reserva legal (480,0ha,). A Contribuinte não teria apresentado laudo técnico com a comprovação das áreas ambientais, nem registro com a averbação da área de reserva legal, A Contribuinte apresentou a impugnação de fis, 30/47 na qual alegou, em síntese, que é empresa reflorestadora e que atua há mais de vinte e cinco anos sempre com o devido respeito ao meio ambiente; que embora a Lei ri' 9,393/1996, determine a exclusão das áreas ambientais o Código Florestal (Lei n°4.771/65) não obriga a averbação dessas áreas em prazo certo; que o artigo 5' da Constituição Federal de 1988 reza que a função social da propriedade é cumprida quando ela atende simultaneamente aos requisitos de aproveitamento racional e adequado, utilização adequada dos recursos naturais e preservação do meio ambiente, Por fim, a Contribuinte insurgiu-se contra os juros calculados com base na taxa Selie que afirma serem confiscatórios e acima do limite legal. A DRJ-CAMPO GRANDE/MS julgou procedente em parte o lançamento para restabelecer a exclusão de área de 156,6ha. a título de reserva legal, com base, em síntese, 2 // Processo n" 13971.002655/2005-08 Acórdão n " 2201-00.764 S2-C2T 1 F1 2 na consideração de que, embora o ADA seja documento necessário para a comprovação das áreas ambientais, não é suficiente para comprovar a existência dessas áreas; que no caso das áreas de reserva legal, é requisito legal a prévia averbação à margem do registro, e para a área de preservação permanente, quando intimado, o contribuinte deve comprovar, por meio de laudo técnico, a existência efetiva das áreas protegidas. No caso concreto, a DR.1 identificou a averbação, anterior à data do fato gerador, de uma área de reserva legal de 156,6 ha, e concluiu que esta área deveria ser excluída, e que as glosas referentes às demais áreas deveria prevalecer ante a falta de comprovação. Sobre os juros Selie, ressaltou a legalidade de sua aplicação. A Contribuinte tomou ciência da decisão de primeira instância em 08/0112008 (fls. 100) e, em .30/01/2008, interpôs o recurso de tis. 101/115, que ora se examina, e no qual afirma que a decisão de primeira instância desprestigiou princípios constitucionais em nome de aspectos formais, ao exigir a averbação prévia como condição para o reconhecimento de área de reserva legal e de preservação permanente; que é a lei e não este ato formal que determina a existência dessas áreas. Sustenta, portanto, a desnecessidade da averbação como condição para a existência das áreas ambientais.. A Contribuinte insurge-se também contra a multa de 75% que afirma ter caráter confiscatório. É o relatório. Voto Conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. Fundamentação Como se vê, a decisão de primeira instância reconheceu a existência de área de reserva legal de 156,6ha. e restabeleceu a exclusão desta área. Resta em litígio, portanto, a glosa da área de preservação permanente e a parcela remanescente da área de reserva legal, esta por falta de averbação à margem do registro. Sobre a área de preservação permanente, o Contribuinte defende que a legislação não prevê a necessidade de averbação dessa área. E, de fato, não há tal previsão.. Mas isso não significa que o Contribuinte não tenha a obrigação de, quando intimado, comprovar a existência da área ambiental, o que pode ser feito por meio de laudo técnico. Note-se que as áreas ditas de preservação permanente são aquelas que satisfazem determinadas condições, que podem ser objetivamente demonstradas, como endo matas ciliares, topos de monos, etc., conforme art. 2" da ILei n" 4,771, de 1965, a seguir reproduzido: Ari 2° Consideram-se de preservação pernumente, pelo só efeito desta Lei, as florestas e demais formas de vegetação natural situadas: a) ao longo dos rios ou de qualquer curso d'água desde o seu uivei mais alto em . faixa marginal cuja largura mínima será: (Redação dada pela Lei n" 7 803 de 18.7 1989) 1 - de 30 (trinta) metros para os cursos d'água de menos de 10 (dez) metros de largura, (Redação dada pela Lei n" 7.803 de 18.7. 1989) 2 - de 50 (cinquenta) metros para os cursos d'água que tenham de 10 (dez) a 50 (cinquenta) metros de largura, (Redação dada pela Lei n"7 803 de 18.7.1989) 3 - de 100 (cem) metros para os cursos d'água que tenham de 50 (cinquenta) a 200 (duzentos) metros de largura; (Redação dada pela Lei n" 7 803 de 18 7.1989) 4 - de 200 (duzentos) metros para os cursos d'água que tenham de 200 (duzentos) a 600 (seiscentos) metros de largura; (Redação dada pela Lei n" 7 803 de 18.7.1989) .5 - de 500 ("quinhentos) metros para os cursos d'água que tenham largura superior a 600 (seiscentos) metros, (Incluído pela Lei n" 7.803 de 18 7 1989) b) ao redor das lagoas, lagos ou reservatórios d'água naturais ou artificiais, c) nas nascentes, ainda que intermitentes e nos chamados "olhos- d'água", qualquer que seja a sua situação topográfica, num raio mínimo de 50 ("cinquenta) metros de largura; (Redação dada pela Lei n"7.803 de 18 7.1989) d) no topo de morros, montes, montanhas e serras, e) nas encostas ou partes destas, com declividade superior a 45°, equivalente a 100% na linha de maior declive, f) nas restingas, como . fixadoras de dunas ou estabilizadoras de mangues; g) nas bordas dos tabuleiros ou chapadas, a partir da linha de ruptura do relevo, em faixa nunca inferior a 100 (cem) metros em projeções horizontais, (Redação dada pela Lei n" 7 803 de 18 7.1989) h) em altitude superior a 1,800 (mil e oitocentos) metros, qualquer que seja a vegetação. (Redação dada pela Lei n" 7.803 de 18.7.1989) Caberia à Contribuinte, portanto, apresentar laudo técnico identificando na propriedade a presença dessas situações: lagos, rios, morros, etc, que justificassem a existência das áreas de preservação e com a devida quantificação dessas áreas.. Não há corno admitir, apenas porque o contribuinte assim declarou, a existência de urna área de preservação 4 o Paulo Pereira Barbosa Processo n" 13971 002655/2005-08 S2-C211 Acórdão n." 2201-00.764 171 3 permanente, quando o agente fiscal, no exercício de sua competência, intimou a Contribuinte a comprovar a existência das tais áreas e não obteve resposta, que também não foi apresentada nas fases impugnatória e recursal. Quanto à área de reserva legal, sustenta a Recorrente, também, a desnecessidade da averbação como condição para a exclusão dessas áreas. Isto, entretanto, não é o que diz a Lei, O § 8" do art. 16 da Lei n" 4371, de 1965 é categórico ao prever que: § A área de reserva legal deve ser averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, sendo vedada a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, de desmembramento ou de retificação da área, com as exceções previstas neste Código A observância desse requisito, portanto é essencial. E sem ele resta incomprovada a área de reserva legal, Finalmente, quanto aos juros Selic e à multa, estas são exigências para as quais existem previsões legais expressas em normas às quais os órgãos julgadores administrativos não podem negar validade com base em juízo subjetivo de equidade ou na análise da repercussão econômica dessas exações. Diga-se também que não cabe aos órgãos julgadores administrativo, por lhes faltar competência para tanto, analisar argüições de inconstitucionalidade como é a alegação de violação ao princípio da vedação ao confisco. Conclusão Ante o exposto, encaminho meu voto no sentido de negar provimento ao recurso. 5
score : 1.0
Numero do processo: 13807.004543/00-08
Turma: Terceira Turma Superior
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Feb 02 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Tue Feb 02 00:00:00 UTC 2010
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Período de apuração: 01/03/1988 a 30/03/1992
0 direito de pleitear a restituição de tributo ou contribuição pago indevidamente ou em valor maior que o devido, inclusive na hipótese de o pagamento ter sido efetuado com base em lei posteriormente declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal em ação declaratória ou em recurso extraordinário, extingue-se após o transcurso do prazo de cinco anos contados da data da extinção do crédito tributário.
Recurso Especial do Procurador Provido.
Numero da decisão: 9303-000.829
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em dar
provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Leonardo Siade Manzan, Maria Teresa Martinez Lopez e Susy Gomes Hoffmann, que negavam provimento.
Matéria: Finsocial -proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: Gilson Macedo Rosenburg Filho
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ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/03/1988 a 30/03/1992 0 direito de pleitear a restituição de tributo ou contribuição pago indevidamente ou em valor maior que o devido, inclusive na hipótese de o pagamento ter sido efetuado com base em lei posteriormente declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal em ação declaratória ou em recurso extraordinário, extingue-se após o transcurso do prazo de cinco anos contados da data da extinção do crédito tributário. Recurso Especial do Procurador Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em dar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Leonardo Siade Manzan, Maria Teresa Martinez LOpez e Susy Gomes Hoffinann, que negavam provimento. EDITADO EM: 3 /03/2011 \ Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Judith do Amaral Marcondes Armando, Rodrigo Cardozo Miranda, 1 Gilson Macedo Rosenburg Filho, Leonardo Siade Manzan, Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martinez LOpez, Susy Gomes Hoffmann e Carlos Alberto Freitas Barreto. Relatório Trata-se de recurso especial interposto pela Fazenda Nacional, fls. 166/175, contra decisão do Acórdão n° 303-33749 da Segunda Câmara do Terceiro Conselho de Contribuinte, que afastou a decadência do direito de o contribuinte pleitear a restituição da contribuição para o Finsocial e determinou a devolução dos autos A. Delegacia de Julgamento para apreciar as demais questões de mérito. A ementa foi assim vazada, in verbis: FINSOCIAL. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE DE EXAME POR ESTE CONSELHO. INCONSTITUCIONALIDADE RECONHECIDA PELO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. PRESCRIÇÃO DO DIREITO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. INADMISSIBILIDADE. DIES A QUO. EDIÇÃO DE ATO NORMATIVO QUE DISPENSA A CONSTITUIÇÃO DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO. DUPLO GRAU DE JURISDIÇÃO. Em sua petição recursal, a Fazenda Nacional defende que o prazo para o sujeito passivo pleitear restituição de valores pagos indevidamente ou maior que o devido extingue-se com o decurso do prazo de cinco anos, contados da data da extinção do credito tributário, nos termos dos artigos 165 e 168, ambos do CTN. De acordo com seu arrazoado, a legislação tributária especificou o pagamento como modalidade de extinção do credito tributário. Rechaça a utilização da data da publicação da Medida Provisória n° 1.110/95 como termo inicial da contagem do prazo para pleitear a restituição do Finsocial. 0 recurso foi admitido nos termos do despacho n° 203/205 de fl. 112/2007. 0 contribuinte não apresentou contrarrazões. o Relatório. Voto Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho, Relator 0 recurso foi apresentado com observância do prazo pro to, bem como dos demais requisitos de admissibilidade. Sendo assim, dele tomo conhecimen to 1 - passo a apreciar. WO \, 2 Processo n° 13807.004543/00-08 CSRF-T3 Acórdão n.° 9303-00.829 Fl. 237 A controvérsia se instaurou por entendimentos divergentes quanto ao prazo decadencial para apresentar pedido de restituição de indébito referente à contribuição para o Finsocial. 0 Fazenda Pública repele a contagem da decadência tendo como ponto de partida a edição da Medida Provisória no 1.110/95. Pleiteia que o termo inicial se de nas datas dos efetivos de recolhimentos da exação. Delimitada lide, passo a análise. Cabe observar que dentro do sistema jurídico tributário, como definido no Código Tributário Nacional, inexiste base legal para que se estabeleça um novo prazo para os pedidos de restituição, mesmo que o pagamento tenha sido considerado indevido por interpretação superveniente. A arrecadação que por cinco anos não foi objeto de demanda restituitória não mais pode ser restituida. E o que determina o art. 168, I, do CTN sem que haja qualquer exceção a essa regra. 0 art. 165 do CTN reconhece o direito à repetição do indébito, todavia este direito deve ser exercido no prazo assinalado pelo art. 168 do mesmo diploma legal. "Art. 165. 0 sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento,' ressalvado o disposto no ,sç 4° do artigo 162, nos seguintes casos: I - cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; II - erro na edificação do sujeito passivo, na determinação da aliquota aplicável, no cálculo do montante do débito ou na elaboração ou conferência de qualquer documento relativo ao pagamento; III - reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória. Art. 168 - 0 direito de pleitear a restituição extingue-se com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados: I - nas hipóteses dos incisos 1 e II do artigo 165, da data da extinção do crédito tributário; II - na hipótese do inciso III do artigo 165, da data em que se tornar definitiva a decisão administrativa ou passar em julgado a decisão judicial que tenha reformado, anulado, revogado ou rescindido a decisão condenatória." Em relação à decadência, devemos notar que as normas processuais, ao fixarem os prazos que limitam o direito de ação, são ess n iais a segurança jurídica, pois delimitam o período em que se pode validamente questio ar um direito. Pelo conteúdo ser puramente formal, essas normas exigem, para a sua a Ili , ação a mera constatação da ocorrência, no mundo real, do transcurso ou não deste prazo - o delimitam o campo em que #441 3 se admite o direito de ação, constatando-se o transcurso do prazo em que se extingue este direito, não se pode admitir em juizo argumentos casuisticos que venham a questionar se este prazo é justo ou não. Do contrário, estar-se-ia ameaçando o direito investido no outro pólo da relação jurídica, que se encontra garantido exatamente pelo transcurso deste prazo. Esgotando-se o prazo legal, extingue-se o direito de pleitear a restituição, ainda que o pagamento tenha sido materialmente indevido. Assim, o contribuinte não mais o poderá reaver, se não pleitear a sua restituição dentro do prazo, sem que isto represente um enriquecimento ilícito do Erário. A lei não distingue entre as possíveis formas de pagamento indevido para estabelecer prazos distintos para o pedido de restituição; conseqüentemente, não cabe fazer esta distinção com base em argumentações estranhas A. norma. Portanto, existindo norma legal conferindo ao contribuinte o direito de pleitear a restituição de que trata o presente processo, e extinguindo-se esse direito no prazo de cinco anos, como previsto na legislação retrocitada, não cabe considerá-lo de outra forma, até mesmo em face das restrições impostas à autoridade administrativa para aplicação de seu poder discricionário em matéria explicitamente legislada. Considerando que o prazo para o pedido de restituição está definido no art.168, I, do Código Tributário Nacional — CTN, como exposto, para um melhor enfoque do assunto é interessante ser notado, nesta altura, que a exação em exame é contribuição sujeita a lançamento por homologação, pois cabe ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa. Desse modo, cumpre esclarecer em que data deve-se considerar extinto o crédito tributário no caso do lançamento por homologação. A solução está contida de forma clara no § 1 0 do artigo 150 do CTN: "Art. 150. 0 lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, opera-se pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. sç 1" 0 pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutária da ulterior homologação ao lançamento." Para melhor compreender o significado desse dispositivo, cito a lúcida lição de ALBERTO XAVIER: ... a condição resolutiva permite a eficácia imediata cio ato t, jurídico, ao contrário da condição suspensiva, que opera o diferimento dessa eficácia. Dispõe o artigo 119 do Código Civil que "se for resolutiva a condição, enquanto esta se não realizar, vigorará o ato jurídico, podendo exercer-se desde o momento deste o direito por ele estabelecido; mas, manifestada a condição, para todos os efeitos, se extingue o direito a que ela se op-5e". Ora, sendo a eficácia do pagamento efetuado pelo contribuinte imediata, imediato é o seu efeito liberatório, imediato é o efeito extintivo, imediata é a extinção definitiva do crédito. 0 que na figura da condição resolutiva sucede é que a eficácia entretanto produzida pode ser destruída com efeito retroativos se a condição se implementar." (Do Lançamento, Teoria Geral do Ato e do Processo Tributário", Editora Forense, 1998, pags. 98/99). 4 Processo n° 13807.004543/00-08 CSRF-T3 Acórdão n.° 9303-00.829 Fl. 238 O pagamento antecipado, portanto, extingue o crédito tributário e é a partir da sua data que se conta o prazo de cinco anos; o crédito é extinto quando ocorre a antecipação do seu pagamento, sob condição resolutória, consoante art.150, § 1 0, do Código Tributário Nacional — CTN. Registra o mestre ALIOMAR BALEEIRO (Direito Tributário Brasileiro, 10a ed., Forense, Rio, 1.993, p. 570) que o prazo de que cuida o art. 168 do CTN é de decadência; essa realidade criada pelo direito — a decadência — que dá ao tempo o condão de aperfeiçoar as relações, garantindo que, corn o decurso de prazo, as situações tornem-se definitivas. Nessa linha, a Lei Complementar no 118, de 09 de fevereiro de 2005, estabelece: "Art. 3' Para efeito de interpretação do inciso I do art. 168 da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 — Código Tributário Nacional, a extinção do crédito tributário ocorre, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, no momento do pagamento antecipado de que trata o § lo do art. 150 da referida Lei." Repare-se que o art. 106, I, do CTN, mencionado no art. 4° da LC n° 118/05, dispõe que a lei se aplica a ato ou fato pretérito quando seja expressamente interpretativa. "Art. 4" Esta Lei entra em vigor 120 (cento e vinte) dias após sua publicação, observado, quanto ao art. 3o, o disposto no art. 106, inciso I, da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 — Código Tributário Nacional." Por ser de caráter interpretativo, o dispositivo acima se aplica a fato pretérito, como se depreende da leitura do art. 106 do CTN: "Art. 106- A lei aplica-se a ato ou fato pretérito: I — em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade a infração dos dispositivos interpretados;" Voltando ao caso em análise, o contribuinte formalizou seu pedido de restituição em 10/05/2000 e os recolhimentos foram efetuados entre 15/07/1988 e 16/09/1992. Pelos fatos expostos, não é preciso empreender qualquer esforço matemático para concluir que o direito de utilizar os referidos recolhimentos como objeto de urn pedido de restituição já havia sido extinto, pois foi alcançado pela decadência, que se operou com o decurso do prazo de cinco anos, contados da data da extinção do crédito tributário, pelo pagamento. Nos casos de pagamento indevido ou a maior, fatos que justificam uma eventual repetição do indébito, a idéia de restituir é para que ocorra um reequilibrio patrimonial. 0 direito de repetir o que foi pago em ? .e do fato de não existir débito correspondente ao pagamento. Portanto, a restituição a devolução de um bem que foi transladado de um sujeito a outro equivocadamente. Dve ficar entre dois parâmetros, não podendo ultrapassar o enriquecimento efetivo recebido pe o agente em detrimento do devedor, tampouco ultrapassar o empobrecimento do outro ag isto 6, o montante em que o 5 acedo Ro enburg Fi o patrimônio sofreu diminuição. 0 ordenamento jurídico estabelece a obrigação de restituir a "todo aquele que recebeu o que lhe não era devido", e essa obrigação se extingue com a restituição do indevido ou com a decadência do direito. Forte nestes argumentos, dou provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. 6
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Numero do processo: 10410.005429/2006-19
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 14 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Tue Dec 14 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Ano-calendário: 2000, 2001, 2002, 2003
SUSPENSÃO DA ISENÇÃO. INOBSERVÂNCIA DOS DISPOSITIVOS LEGAIS. NULIDADE
O art. 32 da Lei nº 9.430/96 impõe à Administração o cumprimento dos procedimentos nele previstos para que se suspenda o benefício à isenção tributária. A sua inobservância acarreta a nulidade do ato administrativo expedido, por força do princípio da legalidade a que se submete a Administração Pública.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 1202-000.443
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado, para anular o Ato Declaratório Executivo no. 06/2007 excludente da isenção em razão da constatação de vício procedimental.
Matéria: IRPJ - outros assuntos (ex.: suspenção de isenção/imunidade)
Nome do relator: VALERIA CABRAL GEO VERCOZA
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INOBSERVÂNCIA DOS DISPOSITIVOS LEGAIS. NULIDADE O art. 32 da Lei nº 9.430/96 impõe à Administração o cumprimento dos procedimentos nele previstos para que se suspenda o benefício à isenção tributária. A sua inobservância acarreta a nulidade do ato administrativo expedido, por força do princípio da legalidade a que se submete a Administração Pública. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado, para anular o Ato Declaratório Executivo no. 06/2007 excludente da isenção em razão da constatação de vício procedimental. (assinado digitalmente) Nelson Lósso Filho Presidente. (assinado digitalmente) Valéria Cabral Géo Verçoza Relatora. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 01/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/03/2011 por VALERIA CABRAL GEO VERCOZA Assinado digitalmente em 29/03/2011 por VALERIA CABRAL GEO VERCOZA, 31/03/2011 por NELSON LOSSO FILH O Processo nº 10410.005429/200619 Acórdão n.º 120200.443 S1C2T2 Fl. 232 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Nelson Lósso Filho, João Bellini Junior, Valéria Cabral Géo Verçoza, Nereida de Miranda Finamore Horta, Orlando José Gonçalves Bueno, Flávio Vilela Campos. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 01/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/03/2011 por VALERIA CABRAL GEO VERCOZA Assinado digitalmente em 29/03/2011 por VALERIA CABRAL GEO VERCOZA, 31/03/2011 por NELSON LOSSO FILH O Processo nº 10410.005429/200619 Acórdão n.º 120200.443 S1C2T2 Fl. 233 3 Relatório Tratase de processo de suspensão de isenção em razão de haver sido constatada omissão de receitas, apurada com base em dados levantados em operação realizada pela Polícia Federal e Ministério Público Federal. Adoto o relatório da decisão de 1a. Instância por bem resumir a situação, o qual passo a transcrever (fls. 137/140): 1 – DA EXIGÊNCIA FISCAL Contra a empresa acima qualificada foi efetuada Representação Fiscal para Suspensão da Isenção Tributária, fls. 01/05, em razão de ter sido constatado que a contribuinte efetuou uma série de remessas para o exterior sem contabilizálas, configurando a omissão de receitas e infringindo os itens II, III e IV do parágrafo 3o. do art. 170 do RIR/99, assim como o artigo 55 da Lei no. 8.212 e o artigo 10 da Lei no. 9.718/98, o que acarreta a suspensão da imunidade. Decorrente da representação foi emitido o Ato Declaratório Executivo no. 6 de 08 de março de 2007 (DOU de 21/03/2007), fls. 116, suspendendo a isenção tributária da contribuinte. Na cópia do Termo de Verificação Fiscal (fls. 06 a 13), o autuante descreve detalhadamente todas as informações concernentes ao procedimento fiscal, que resultou no lançamento dos autos de infração de fls. 20 a 63, Processo no. 10410.005528/200609, e relata as apurações efetuadas na auditoria que passamos a resumir abaixo: (i) Dos Fatos: A empresa foi intimada em 14/10/2005 a apresentar os livros e documentos necessários para a auditoria fiscal e contábil, além de extratos bancários e comprovantes de transferências para o exterior. Em resposta, a contribuinte entrega Livros Diários e Razão 2000 a 2003. Em 14/10/2005 no Termo de Intimação Fiscal no. 1 a fiscalização solicita novamente extratos bancários da empresa. Em 11/11/2005 no Termo de Intimação Fiscal no. 2 a contribuinte foi intimada a apresentar a documentação probante e idônea sobre as operações de envio de recursos para o exterior através da administradora Beacon Hill Service Corporation e do Banco MTB HUDSON BANK em Nova Iorque, conforme Representação Fiscal apresentada pelos membros da Equipe Especial de Fiscalização, constituída nos termos da Portaria SRF no. 463, de 30/04/2004, a seguir discriminados: Tabela 2 – Depósitos – Beacon Hill – Conta Rigler Data Valor em US$ Data Valor em US$ Data Valor em US$ 30/11/2000 25.000,00 29/12/2000 20.000,00 28/03/2002 10.000,00 13/12/2000 39.000,00 10/01/2001 45.000,00 30/07/2002 10.000,00 14/12/2000 34.000,00 29/11/2001 10.000,00 25/09/2002 10.000,00 21/12/2000 35.000,00 30/01/2002 8.000,00 12/12/2002 10.000,00 Fl. 3DF CARF MF Emitido em 01/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/03/2011 por VALERIA CABRAL GEO VERCOZA Assinado digitalmente em 29/03/2011 por VALERIA CABRAL GEO VERCOZA, 31/03/2011 por NELSON LOSSO FILH O Processo nº 10410.005429/200619 Acórdão n.º 120200.443 S1C2T2 Fl. 234 4 Tabela 3 – Depósitos – MTB Hudson Bank Data Valor em US$ Data Valor em US$ Data Valor em US$ 21/01/2000 10.328,20 28/03/2000 4.980,00 10/11/2000 23.173,20 01/02/2000 29.973,20 30/06/2000 119.973,20 21/11/2000 19.973,20 15/02/2000 22.973,20 09/08/2000 54.973,20 22/11/2000 40.973,20 13/03/2000 9.978,20 18/09/2000 39.973,20 28/12/2000 39.980,00 13/03/2000 22.973,20 22/09/2000 9.978,20 02/01/2001 19.973,20 13/03/2000 42.373,20 06/10/2000 99.973,19 26/09/2003 10.978,00 16/03/2000 44.980,00 11/10/2000 34.973,20 18/07/2003 9.978,00 08/05/2003 9.972,20 Em 07/12/2005 a empresa afirma que não promoveu remessa de recurso financeiro para o exterior e que nunca manteve contato com as instituições financeiras citadas. Assevera que todas as receitas de vendas de jogadores e/ou intermediação de negócios esportivos com o exterior, encontramse devidamente registrados em sua contabilidade e a disposição da fiscalização. Novamente intimada a comprovar as operações em 22/02/2006, a empresa responde em 06/03/2006, reafirmando não ter tido qualquer contato com as instituições financeiras Beacon Hill e MTB Hudson Bank. Tendo sido constatado que a escrituração contábil da empresa não contempla as movimentações financeiras acima indicadas, a fiscalização concluiu que a contribuinte omitiu tais receitas de sua contabilidade. Assim, foi efetuado o lançamento por omissão de receitas com base no lucro real trimestral, opção de apuração do IRPJ da contribuinte, com lançamentos reflexos no PIS, CSLL e COFINS. II – Da Impugnação Contestando o Ato Declaratório Executivo no. 06 de 08 de março de 2007 (DOU de 21/03/2007), a contribuinte apresentou sua impugnação as fls. 407/417 [sic], alegando em síntese o seguinte: (i) Dos Fatos Afirma ser improcedente o Ato Declaratório pois o processo no. 10410.005528/200609 baseiase somente em suposições e aguarda julgamento na DRJ/RecifePE. Alega que o A.D.E. somente poderia ter sido editado após a contestação em definitivo de que a impugnante violou os dispositivos da Lei no. 9.430/96. Assevera que a única razão para todos esses procedimentos foi definida isoladamente pelo autuante como “Omissão de Receitas Caracterizadas pelas informações do Ministério Público Federal e Polícia Federal”. Afirma que o lançamento baseouse única e exclusivamente nas informações produzidas pela CPI do Banestado e que o auditor não produziu uma única prova que viesse ao auxílio da sua conclusão de que houve omissão de receitas. Assevera que a empresa “não mantém e nunca manteve qualquer vínculo, contrato ou negócio com a empresa Beacon Hill ou com o MTB Hudson Bank, tidos como sediados em New York – USA.” Fl. 4DF CARF MF Emitido em 01/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/03/2011 por VALERIA CABRAL GEO VERCOZA Assinado digitalmente em 29/03/2011 por VALERIA CABRAL GEO VERCOZA, 31/03/2011 por NELSON LOSSO FILH O Processo nº 10410.005429/200619 Acórdão n.º 120200.443 S1C2T2 Fl. 235 5 Alega que os valores apontados como transitados nas instituições financeiras investigadas como sendo em nome da impugnante não estão amparados por nenhuma autorização manifestada por escrito, cartão de autógrafo ou outros documentos similares, que indique a sua titularidade nessas movimentações. Afirma que promoveu negócios internacionais com a venda de jogadores de futebol, mas todas as receitas decorrentes desta atividade foram contabilizas e declaradas a Receita Federal. (ii) Do Direito Alega que a fiscalização descumpriu o disposto no parágrafo 1o. do art. 32 da Lei no. 9.430/96 e não lavrou qualquer notificação fiscal ao contribuinte, relatando os fatos que ensejariam a suspensão de seus benefícios fiscais, sem conceder o prazo de 30 dias para a apresentação das alegações e provas de sua defesa, conforme prevê o parágrafo 2o. do referido art. 32. (iii) Decadência Argumenta que o prazo para o lançamento dos tributos e contribuições apurados trimestralmente no ano calendário 2000 expirou totalmente em 01/01/2006. (iv) Da prova emprestada Assevera que o fisco recorreu ao instituto da prova emprestada para a emissão do auto de infração, o que afronta o princípio da verdade real. Não poderia o fisco federal valerse de provas colhidas por outra entidade e sem mais qualquer outro procedimento, imputar omissão de receita a impugnante. Anexa acórdãos do Conselho de Contribuintes e do STJ que tratam do instituto da prova emprestada. A decisão de 1a. Instância, por unanimidade de votos, indeferiu a solicitação da impugnante. O acórdão restou assim ementado: DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO De acordo com o § 4o. do art. 150 do CTN, o prazo decadencial de 5 (cinco) anos a contar da ocorrência do fato gerador, para a homologação do pagamento e a extinção definitiva do crédito Tributário, não se aplica se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. OMISSÃO DE RECEITAS. PRESUNÇÕES LEGAIS Caracterizamse como omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. SUSPENSÃO DE ISENÇÃO. OMISSÃO DE RECEITAS. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 01/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/03/2011 por VALERIA CABRAL GEO VERCOZA Assinado digitalmente em 29/03/2011 por VALERIA CABRAL GEO VERCOZA, 31/03/2011 por NELSON LOSSO FILH O Processo nº 10410.005429/200619 Acórdão n.º 120200.443 S1C2T2 Fl. 236 6 Suspendese a isenção da contribuinte pelo descumprimento de requisitos previstos na legislação tributária, em particular a falta de escrituração de receitas auferidas. PROVA EMPRESTADA. INOCORRÊNCIA Todas as imputações fiscais, decorrentes da comprovação da participação da impugnante nas operações sob suspeita, estão respaldadas nos laudos periciais elaborados pelo INC, nos autos do inquérito policial instaurado justamente para identificação dos remetentes e dos beneficiários dos recursos que transitaram pelas contas sob investigação. Solicitação indeferida. A fundamentação relativa aos itens (i), (iii) e (iv) enumerados no relatório acima transcrito teve como base os mesmos argumentos relativos ao processo 10410.005528/200609 que se refere ao imposto de renda e reflexos. Em relação à alegação de que a fiscalização descumpriu o disposto no parágrafo 1o. do art. 32 da Lei no. 9.430/96 e não lavrou qualquer notificação fiscal ao contribuinte, relatando os fatos que ensejariam a suspensão de seus benefícios fiscais, o voto condutor da decisão de 1a Instância assim tratou a questão: ... afirma o auditor ao final da Representação Fiscal para a suspensão da isenção tributária, fls. 01/05, que foi dado ciência à contribuinte, e que esta no prazo de 30 dias poderia apresentar suas alegações e provas que entender necessária. Entretanto, não consta no processo nenhuma prova material da entrega deste relatório e a impugnante afirma não têlo recebido. Mesmo que se considere a alegação da empresa, não houve desrespeito ao previsto no art. 32 da Lei no. 9.430/96. Isto porque a contribuinte durante a ação fiscal foi notificada dos fatos que determinaram a suspensão do benefício incluindo a data da ocorrência da infração. No Termo de Intimação Fiscal no 002, fls. 90/91, a fiscalização relata todas as transferências internacionais em nome da impugnante detalhando datas e valores. A contribuinte apresenta as suas alegações nas fls. 93/94, negando a autoria de tais remessas. No Termo de Intimação Fiscal de fls. 95/96, a empresa é intimada a apresentar documentação hábil e idônea sobre a origem dos valores remetidos para o exterior, detalhados mais uma vez por data e valor. No documento de fls. 100/101 a empresa nega a autoria novamente. Vêse, portanto, que por uma série de intimações fiscais a contribuinte foi notificada dos fatos que determinaram a suspensão do benefício, incluindo a data de ocorrência da infração, uma vez que as remessas relacionadas em tais termos não foram contabilizadas pela empresa. A impugnante apresentou suas contrarazões aos dois termos citados, e o Delegado da DRF/MaceióAL, ao tomar a sua decisão expressa no Parecer de fls. 112/113, tinha pleno conhecimento das alegações da empresa, mas determinou a emissão do Ato Declaratório Executivo no 06 de 08 de março de 2007, suspendendo a isenção tributária da impugnante. Fl. 6DF CARF MF Emitido em 01/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/03/2011 por VALERIA CABRAL GEO VERCOZA Assinado digitalmente em 29/03/2011 por VALERIA CABRAL GEO VERCOZA, 31/03/2011 por NELSON LOSSO FILH O Processo nº 10410.005429/200619 Acórdão n.º 120200.443 S1C2T2 Fl. 237 7 A empresa teve ciência da decisão da DRF/MaceióAL em 13/04/2008, fl. 118, e pode apresentar a sua impugnação dirigida a DRJ/RecifePE. Assim, os procedimentos exigidos pelo art. 32 da Lei no. 9.430/96 foram cumpridos pela fiscalização. Intimada da decisão de 1a. Instância em 18 de dezembro de 2008, a contribuinte apresenta, em 19 de janeiro de 2009 recurso voluntário aduzindo, em resumo, o que segue: 1. Tempestividade do recurso: a intimação se deu em 18/12/2008 e o prazo para interposição do recurso venceria em 17/01/2009, sábado, sendo, portanto automaticamente prorrogado para dia 19/01/2009, segundafeira. 2. Solicitação de cancelamento do Ato Declaratório Executivo no. 06/07, em função da necessidade de julgamento simultâneo ao processo administrativo 10410 005528/200609, sob pena de violação flagrante ao devido processo legal. 3. Anexa cópia integral do Recurso Voluntário apresentado no processo 10410005528/200609, que trata da constituição do crédito tributário. 4. Afirma que o procedimento adotado pela fiscalização não foi o adequado. Nas palavras da recorrente: A autoridade fazendária presume a omissão de receita, partindo da premissa de que houve remessa de numerários para o exterior, e se essa remessa não está na contabilidade e nos seus extratos bancários, é porque houve omissão de receita; Evidentemente, se percorreu o caminho contrário, seja porque era mais fácil, ou até mesmo porque seria o único. Dizse isso, pois se da análise da contabilidade da empresa e dos seus extratos bancários, não se conseguiu sequer um indício de que havia desvio de depósitos ou saques, ou qualquer outro indício que vinculasse às datas e os valores que supostamente confrontariam com as remessas para o exterior, é porque a recorrente não os fez. (...) Já em fls. 139, sem qualquer explicação, mas apenas por presunção, concluiu a autoridade fazendária, in verbis: Tendo sido constatado que a escrituração contábil da empresa não contempla as movimentações financeiras acima indicadas, a fiscalização concluiu que a contribuinte omitiu tais receitas de sua contabilidade. É verdadeiramente um absurdo a construção do raciocínio anteriormente reproduzido, pois imperiosa a necessidade de se constatar provas da omissão de receitas, e não meras presunções, sob pena de inverter por completo o devido processo legal e a ampla defesa, ao passo que se elevaria ao cume a obrigação da defesa negativa, melhor dizendo, provar aquilo que não fez, refugindo por completo os princípios processuais das provas, quais sejam, ao autor, a prova dos elementos constitutivos, e ao réu, dos impeditivos, modificativos ou extintivos. Fl. 7DF CARF MF Emitido em 01/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/03/2011 por VALERIA CABRAL GEO VERCOZA Assinado digitalmente em 29/03/2011 por VALERIA CABRAL GEO VERCOZA, 31/03/2011 por NELSON LOSSO FILH O Processo nº 10410.005429/200619 Acórdão n.º 120200.443 S1C2T2 Fl. 238 8 Como se viu, não há prova negativa, que é provar aquilo que não fez, porque alguém reputou que o fez. A autoridade administrativa precisa primeiro se desincumbir do fato constitutivo, que é provar a omissão de receitas. 5. Afirma que houve cerceamento de defesa em razão de o Ato Declaratório Executivo haver se baseado em fatos e supostas provas realizadas em outro processo. A suspensão da isenção não poderia ser declarada sem o trânsito em julgado da decisão administrativa. 6. Ressalta que a única razão para que se tenha presumido a omissão de receitas é a existência de um nome semelhante ao seu nos dados apurados na CPI do Banestado. Não houve a produção de nenhuma outra prova. Cita os artigos 923 e 924 do RIR/99 que estabelecem que a escrituração regular faz prova a favor do contribuinte e que a Administração é que deve provar a inveracidade dos fatos registrados na contabilidade. Se não há nenhuma prova documental de que os valores que foram remetidos ao exterior são oriundos dos registros bancários ou contábeis da Recorrente, não há o que se falar em presunção legal, ou tão pouco inverter o ônus da prova, sob pena de ferir de morte o que preconizado nos arts. 923 a 925 do RIR/99. (...) Ora, se a prova material que o Ato Declaratório de Suspensão da Isenção foram as investigações decorrentes da Polícia Federal e do MPF (prova emprestada), é óbvio que não tem lugar qualquer correlação com o levantamento contábil e bancário realizado pelo Sr. Fiscal, o que só corrobora a tese já demonstrada de que a omissão de receitas partiu do pressuposto da inversão do ônus da prova, ou seja, já admitindo inicialmente que a empresa remeteu valores para o exterior, teria aí, também, omitido essa receita nos seus apontamentos contábeis. 7. A recorrente informa que o ofício da Coordenação Geral de Fiscalização da Receita Federal datado de 27072005 aponta textualmente no seu item 12 a necessidade de maiores procedimentos e diligências e/ou fiscalização para tornarem conclusivas as identificações dos contribuintes (fl.222). 8. Outro ponto alegado pela recorrente diz respeito ao teor do Laudo de Exame Financeiro no. 069/2008 – INC/DITEC/DPF (fls. 224 a 228). Vejamos: Anexase por fim, a íntegra do Laudo de Exame Financeiro, Laudo 069/2008 do Instituto de Criminalística (INC), de onde se abstrai de forma conclusiva que não é possível identificar a Recorrente pela simples existência de configuração de sua denominação, senão vejamse suas observações, expressis verbis: 11. Tendo em vista a forma com que os dados foram originalmente inseridos (parciais, completos ou associados a informações complementares) há a possibilidade de se encontrar nomes de uma mesma pessoa física ou jurídica com grafias diferentes ou de transações não serem apontadas em razão da inexistência de convergências suficientes que permitissem suas identificações (destaques da recorrente) 12. Salientase que o arquivo de dados Base Unificada não apresenta campo com informações sobre o número do Cadastro de Pessoa Física (CPF) e nem sobre o número do Cadastro Fl. 8DF CARF MF Emitido em 01/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/03/2011 por VALERIA CABRAL GEO VERCOZA Assinado digitalmente em 29/03/2011 por VALERIA CABRAL GEO VERCOZA, 31/03/2011 por NELSON LOSSO FILH O Processo nº 10410.005429/200619 Acórdão n.º 120200.443 S1C2T2 Fl. 239 9 Nacional de Pessoa Jurídica (CNPJ), não sendo possível, então, vincular o número do cadastro ao resultado da pesquisa do nome. (destaque da recorrente) 13. Assim, diante da possibilidade de ocorrência de homônimos e de não haver vinculação por CPF ou CNPJ, recomendase a obtenção de maiores esclarecimentos junto aos administradores das contas utilizadas para realização das transferências ou acesso a outras informações para a vinculação do investigado (destaque da recorrente) Patente ficou a absoluta inexistência de provas robustas que pudesse legitimar a Autoridade Fazendária à ilação absurda de que há omissão de receitas pelo simples fato de que não encontrou nos movimentos bancários da Recorrente aquelas transferências que já reputa como realizadas pela Recorrente, mas, como ficou provado, não há prova segura nenhuma, mas simples e remotos indícios, pelo simples fato da homonomia. Ao final requer a determinação da nulidade do Ato Declaratório Executivo no. 06/2007 por vício formal ou, assim não entendendo os julgadores, o reconhecimento da ilegitimidade do sujeito passivo, por falta de prova material que justifique a suspensão da isenção tributária. É o relatório. Fl. 9DF CARF MF Emitido em 01/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/03/2011 por VALERIA CABRAL GEO VERCOZA Assinado digitalmente em 29/03/2011 por VALERIA CABRAL GEO VERCOZA, 31/03/2011 por NELSON LOSSO FILH O Processo nº 10410.005429/200619 Acórdão n.º 120200.443 S1C2T2 Fl. 240 10 Voto Conselheira Valéria Cabral Géo Verçoza O recurso é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, portanto dele tomo conhecimento. Discutese nesse processo a suspensão da isenção da Recorrente por infringência à legislação tributária, mais especificamente, por supostamente remeter recursos ao exterior sem a escrituração dos mesmos e oferecimento da receita à tributação. Inicialmente cabe analisar a legislação acerca da suspensão da isenção. O art. 32 da Lei no. 9.430/96 , em seu parágrafo 1o. estabelece a necessidade de notificação fiscal à pessoa beneficiária da isenção, relatando os fatos que determinam a suspensão do benefício, indicando a data da ocorrência da infração. Notificada, a beneficiária terá 30 dias para se manifestar, apresentando alegações e provas que entender necessárias. Ultrapassado esse prazo, o Delegado da Receita Federal decidirá sobre a procedência das alegações e expedirá ato declaratório suspensivo do benefício, dando ciência da decisão à interessada. A suspensão da isenção terá como termo inicial a data da prática da infração. Efetivada a suspensão, a interessada poderá, no prazo de 30 dias da ciência, apresentar impugnação ao ato declaratório, a qual será objeto de decisão pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento competente . Nesse momento, se for o caso, será lavrado auto de infração. Nessa situação, a impugnação contra o ato declaratório e contra a exigência do crédito tributário serão reunidas em um único processo, para serem decididos simultaneamente. Esses são, em resumo, os passos a serem observados em caso de suspensão da isenção. O que se verifica nos autos em apreço é que a Notificação Fiscal elaborada pelo i. AFRF foi datada em 14/12/2006 e que não há comprovação da entrega da mesma à entidade interessada. Essa situação é inclusive reconhecida na decisão de 1a. Instância. O Termo de Verificação Fiscal juntado aos autos é cópia integral daquele juntado ao processo 10410.005528/200609, sendo que o do presente processo é datado de 14/12/2006 enquanto o outro é de 20/12/2006. Das fls. 20 à 109 temse a juntada de cópias do processo de lançamento do crédito tributário e, em 08 de março de 2007, o Parecer no. 36/2007 – SAORT, da Delegacia da Receita Federal em Maceió – AL, opinando pela suspensão da isenção tributária, com base no seguinte fundamento: Em procedimento de fiscalização foi constatado que o contribuinte infringiu os dispositivos legais acima citados, culminou com a lavratura do AUTO DE Fl. 10DF CARF MF Emitido em 01/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/03/2011 por VALERIA CABRAL GEO VERCOZA Assinado digitalmente em 29/03/2011 por VALERIA CABRAL GEO VERCOZA, 31/03/2011 por NELSON LOSSO FILH O Processo nº 10410.005429/200619 Acórdão n.º 120200.443 S1C2T2 Fl. 241 11 INFRAÇÃO, em especial IRPJ e CSLL, MPF no. 440100/00345/05, e cientificado nesta mesma data (ver fls. 20/47), processo 10410.005528/200609. Em vista do exposto, opino pela SUSPENSÃO DA ISENÇÃO TRIBUTÁRIA deste contribuinte, mediante a expedição de Ato Declaratório, cuja minuta segue anexa. A publicação do Ato Declaratório Executivo se deu em 21 de março de 2007, conforme se verifica à fls. 116. Somente em 13 de abril de 2007 é que a interessada foi cientificada do processo de suspensão da imunidade com a consequente publicação do Ato Declaratório. Ora, a cronologia dos fatos deixa claro que o procedimento de suspensão da isenção não foi observado pelo i. AFRF, uma vez que a lavratura do auto de infração (fls. 20 a 63) se deu em 20/12/2006, imediatamente após a notificação fiscal, mesmo sem a ciência da interessada. Além disso, foram autuados em separado a notificação fiscal e os autos de infração, também em afronta à legislação aplicável. O julgamento dos dois processos foi apartado, tendo sido julgado em primeiro lugar o processo que trata do lançamento do crédito tributário, em 13 de junho de 2008, antes mesmo de se decidir sobre a suspensão da isenção, o que aconteceria apenas em 21 de novembro de 2008. Ora, a recorrente tem razão quando afirma que o presente processo merece ser anulado por vício insanável. Houve cerceamento do direito de defesa ao não se promover a intimação da interessada para se defender e produzir as provas cabíveis no processo de suspensão da isenção. A inversão dos julgamentos prejudicou sobremaneira a interessada uma vez que o julgamento do lançamento do crédito tributário é que serviu de base para justificar a suspensão da imunidade e não o contrário. Tanto é assim que o acórdão da decisão de 1a Instância adota as razões de decidir do acórdão 1122.689 da 4a. Turma da DRJ/REC (processo 10410.005528/200609). O d. Relator da decisão de 1a. Instância considerou que as intimações realizadas no processo 10410.005528/200609 foram suficientes para cumprir o disposto no art. 32 da Lei no. 9.430/96. Ora, os atos praticados no processo retro mencionado dizem respeito ao lançamento do crédito tributário. Entretanto, para que fosse possível realizar tal lançamento era preciso que a isenção tributária da interessada estivesse suspensa, o que na prática não aconteceu. O Ato Declaratório Executivo de suspensão foi publicado em 21 de março de 2007 e entrou em vigor na data de sua publicação. A lavratura dos autos de infração ocorreu em 20 de dezembro de 2006. Um outro ponto que merece destaque é que a lei determina que a suspensão da imunidade terá como termo inicial a data da prática da infração. Entretanto, como já mencionado no parágrafo anterior, o Ato Declaratório Executivo de suspensão foi publicado em 21 de março de 2007 e entrou em vigor na data de sua publicação, não mencionando efeitos retroativos, de acordo com o que estabelece a lei como termo inicial. Cumpre ressaltar que mesmo que se considerasse a afronta ao devido processo legal um vício sanável, entendo não haver elementos nos autos que justifiquem a suspensão da isenção. Não há qualquer prova que demonstre inequivocamente a omissão de receitas praticada pela interessada e que justificaria a suspensão do benefício. Fl. 11DF CARF MF Emitido em 01/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/03/2011 por VALERIA CABRAL GEO VERCOZA Assinado digitalmente em 29/03/2011 por VALERIA CABRAL GEO VERCOZA, 31/03/2011 por NELSON LOSSO FILH O Processo nº 10410.005429/200619 Acórdão n.º 120200.443 S1C2T2 Fl. 242 12 Não se pode negar que o nome da recorrente constou de arquivos magnéticos apreendidos na CPI do Banestado, mas não há qualquer vinculação da recorrente com as operações investigadas a não ser o nome. Não foi dada nenhuma explicação ou justificativa pela fiscalização para que a recorrente remetesse dinheiro para fora do país; qual seria a fonte desses recursos supostamente mantidos à margem da contabilidade e a comprovação da titularidade da conta remetente/destinatária desses recursos. Diante da situação aqui apresentada não há alternativa a não ser dar provimento ao recurso para anular o Ato Declaratório Executivo no. 06/2007 em razão da constatação de vício procedimental. É como voto. (assinado digitalmente) Valéria Cabral Géo Verçoza Fl. 12DF CARF MF Emitido em 01/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/03/2011 por VALERIA CABRAL GEO VERCOZA Assinado digitalmente em 29/03/2011 por VALERIA CABRAL GEO VERCOZA, 31/03/2011 por NELSON LOSSO FILH O
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Numero do processo: 15586.000113/2007-23
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Jan 28 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Fri Jan 28 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Ano calendário: 2002
OMISSÃO DE RECEITAS. PAGAMENTOS NÃO ESCRITURADOS.
Nos termos do art.40 da Lei nº 9.430/96, a falta de escrituração de pagamentos efetuados pela pessoa jurídica caracteriza omissão de receita.
Estando devidamente comprovada, com farto e convergente material
probatório obtido perante fornecedores, a realização de pagamentos referentes a aquisições de insumos, bem como a falta de escrituração, é legítima a autuação com base na presunção legalmente estabelecida.
MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. CABIMENTO.
Estando devidamente caracterizada nos autos a hipótese que autoriza a qualificação da multa de ofício, inclusive o evidente intuito de fraude, correta foi a sua aplicação no percentual de 150% (cento e cinquenta por cento) (art.44, II, da Lei nº 9.430/96, redação à época dos fatos geradores).
LANÇAMENTOS REFLEXOS. CSLL, PIS E COFINS.
O decidido no lançamento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ
é aplicável aos autos de infração reflexos em face da relação de causa e efeito entre eles existente.
ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Ano calendário:2002
MULTA DE OFÍCIO. PRINCÍPIO DA VEDAÇÃO AO CONFISCO.
IMPOSSIBILIDADE DE SE AFASTAR DISPOSITIVO LEGAL SOB
FUNDAMENTO DE INCONSTITUCIONALIDADE.
No processo administrativo fiscal, veda-se aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar lei sob fundamento de inconstitucionalidade (art.26A do Decreto nº 70.235/72; Súmula CARF nº 2). O percentual de 20% (vinte por cento) pleiteado pela defesa refere-se às multas moratórias.
Numero da decisão: 1401-000.452
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar
provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Luciano Inocêncio dos Santos e Maurício Pereira Faro, que votaram por afastar a multa qualificada no tocante aos pagamentos realizados por terceiros. Ausentes momentaneamente os Conselheiros Alexandre Antonio Alkmim Teixeira e Karem Jureidini Dias.
Matéria: IRPJ - AF- omissão receitas - demais presunções legais
Nome do relator: Eduardo Martins Neiva Monteiro
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Recorrente BR MATERIAL FOTOGRÁFICO LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002 OMISSÃO DE RECEITAS. PAGAMENTOS NÃO ESCRITURADOS. Nos termos do art.40 da Lei nº 9.430/96, a falta de escrituração de pagamentos efetuados pela pessoa jurídica caracteriza omissão de receita. Estando devidamente comprovada, com farto e convergente material probatório obtido perante fornecedores, a realização de pagamentos referentes a aquisições de insumos, bem como a falta de escrituração, é legítima a autuação com base na presunção legalmente estabelecida. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. CABIMENTO. Estando devidamente caracterizada nos autos a hipótese que autoriza a qualificação da multa de ofício, inclusive o evidente intuito de fraude, correta foi a sua aplicação no percentual de 150% (cento e cinquenta por cento) (art.44, II, da Lei nº 9.430/96, redação à época dos fatos geradores). LANÇAMENTOS REFLEXOS. CSLL, PIS E COFINS. O decidido no lançamento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ é aplicável aos autos de infração reflexos em face da relação de causa e efeito entre eles existente. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2002 MULTA DE OFÍCIO. PRINCÍPIO DA VEDAÇÃO AO CONFISCO. IMPOSSIBILIDADE DE SE AFASTAR DISPOSITIVO LEGAL SOB FUNDAMENTO DE INCONSTITUCIONALIDADE. No processo administrativo fiscal, vedase aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar lei sob fundamento de inconstitucionalidade (art.26A do Decreto nº 70.235/72; Súmula CARF nº 2). O percentual de 20% (vinte por cento) pleiteado pela defesa referese às multas moratórias. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 28/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/02/2011 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO Assinado digitalmente em 19/02/2011 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, 28/02/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER Processo nº 15586.000113/200723 Acórdão n.º 140100.452 S1C4T1 Fl. 1.524 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Luciano Inocêncio dos Santos e Maurício Pereira Faro, que votaram por afastar a multa qualificada no tocante aos pagamentos realizados por terceiros. Ausentes momentaneamente os Conselheiros Alexandre Antonio Alkmim Teixeira e Karem Jureidini Dias. (assinado digitalmente) Viviane Vidal Wagner – Presidente (assinado digitalmente) Eduardo Martins Neiva Monteiro Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Viviane Vidal Wagner, Luciano Inocêncio dos Santos, Antonio Bezerra Neto, Maurício Pereira Faro e Eduardo Martins Neiva Monteiro. Relatório Tratase de autos de infração de IRPJ, CSLL, PIS e Cofins, anocalendário 2002, no valor originário total de R$ 573.652,47 (quinhentos e setenta e três mil, seiscentos e cinquenta e dois reais e quarenta e sete centavos), sobre o qual incidem juros de mora e multa de ofício, aplicada no percentual de 150%, com a ciência em 15/03/07 (fl.1.389). No “Termo de Encerramento da Ação Fiscal” (fls.1.319/1.353) e no campo “Descrição dos Fatos” constante dos autos de infração, relatouse, em resumo: a) a pessoa jurídica foi selecionada para fiscalização em razão de o valor total de compras informado por fornecedores nas DIPJ ser superior ao valor por ela declarado à Receita Federal do Brasil; b) de acordo com notas fiscais de compra, respectivos comprovantes de recebimento e registros contábeis apresentados pelos fornecedores, verificouse que a pessoa jurídica autuada deixara de escriturar, conforme livros Registro de Entradas e Caixa, pagamentos realizados à Gillette do Brasil Ltda, Polaroid do Brasil Ltda, Kodak da Amazônia Indústria e Comércio Ltda e Kodak Brasileira Comércio e Indústria Ltda; c) intimada a se pronunciar acerca dos fatos apurados e a comprovar a origem dos recursos empregados nos pagamentos das compras, a autuada não se manifestou; d) parcela expressiva das compras realizadas em nome do sujeito passivo foi quitada pela pessoa jurídica JARCOMF – Comércio de Material Fotográfico Ltda, CNPJ nº 03.607.086/000103; Fl. 2DF CARF MF Emitido em 28/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/02/2011 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO Assinado digitalmente em 19/02/2011 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, 28/02/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER Processo nº 15586.000113/200723 Acórdão n.º 140100.452 S1C4T1 Fl. 1.525 3 e) intimada a explicar a razão pela qual os pagamentos, no montante de R$4.726.244,66, foram realizados pela JARCOMF, a autuada novamente não se manifestou; f) os fornecedores Kodak Brasileira e Kodak da Amazônia informaram que a JARCOMF e a BR Material Fotográfico Ltda pertenceriam ao mesmo grupo empresarial (Q & Q Material Fotográfico Ltda), tendo enviado à fiscalização a relação das empresas do grupo e os contratos sociais da JARCOMF e da BR Material Fotográfico Ltda. Posteriormente, aquelas sociedades acrescentaram que “foram feitos depósitos bancários e as empresas foram informadas que se referiam a pagamentos de algumas faturas da BR. As mercadorias referentes às notas fiscais mencionadas foram entregues no endereço destacado na NF, ou seja, no endereço da empresa BR. O responsável pela BR MATERIAL FOTOGRÁFICO, à época das tratativas de compra e venda, era o senhor CLOVIS AVANCE, sócio do grupo”; g) a JARCOMF e seus sócios foram intimados, via correio, a informar a razão pela qual os pagamentos foram realizados em nome da autuada, a natureza da relação comercial entre as duas sociedades, bem como a apresentar a quitação da dívida da BR Material Fotográfico perante a JARCOMF. As correspondências foram todas devolvidas, vez que o domicílio tributário informado à Receita Federal do Brasil não foi encontrado. De igual forma, foram intimados, sem sucesso, os supostos sócios da JARCOMF à época dos fatos; h) após análise dos dados cadastrais constantes dos sistemas da Receita Federal do Brasil, relativos às sociedades pertencentes ao mencionado grupo econômico, e dos contratos sociais apresentados, verificouse: a JARCOMF declarouse inativa em 2004, ano de sua “venda” para os atuais sócios; desde 1994, diversas sociedades foram constituídas em nome de pessoas de baixo poder aquisitivo, de parentes dos Srs. Ailson Pedro Hespanhol e Clovis Avance, ou transferidas para o nome daqueles. Tais pessoas jurídicas foram, quando inativas ou em vias de se tornarem inativas, “transferidas” a terceiros, quase sempre pessoas de baixo poder aquisitivo; quase todas as sociedades relacionadas ao citado grupo econômico estão ou estiveram sob o comando de Clovis Avance, Ailson Pedro Hespanhol ou de algum de seus parentes (mãe, mulher, filhos). i) em depoimento prestado à Polícia Federal, Ailson Pedro Hespanhol declarou ser sócio com Clovis Avance da BR Material Fotográfico Ltda. Tal declaração é reforçada pelo fato de a sede da autuada funcionar em imóvel adquirido por tais pessoas físicas, conforme Declarações de Ajuste Anual (Ex 2000 a 2006) apresentadas por Ailson Pedro Hespanhol; j) de acordo com contratos sociais da JARCOMF e da BR Material Fotográfico, não há indício de participação societária entre elas, que possuem quadros societários distintos; k) foram considerados como omissão de receitas os valores correspondentes aos pagamentos não escriturados, inclusive os realizados pela JARCOMF na quitação de notas fiscais de compras emitidas em favor da autuada; l) documentos apresentados pelas empresas fornecedoras comprovariam que as compras consignadas nas notas fiscais discriminadas foram efetivamente pagas no anocalendário 2002; m) tais operações não foram escrituradas nos livros Caixa e Registro de Entradas, tampouco declaradas à Receita Federal do Brasil; n) a autuada não possuía recursos em montante compatível com os dispêndios realizados, o que confirma que transitaram à margem da escrituração contábil e fiscal; Fl. 3DF CARF MF Emitido em 28/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/02/2011 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO Assinado digitalmente em 19/02/2011 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, 28/02/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER Processo nº 15586.000113/200723 Acórdão n.º 140100.452 S1C4T1 Fl. 1.526 4 o) de acordo com a opção do contribuinte manifestada para o anocalendário 2002, a apuração foi realizada com base no lucro presumido; p) foram excluídos os débitos já informados à Receita Federal do Brasil; q) a multa foi aplicada no percentual de 150%, conforme razões resumidas no item específico “Agravamento da Multa de Ofício”. Os lançamentos foram considerados procedentes em primeira instância (fls.1.457/1.468), tendo o acórdão recebeu as seguintes ementas: OMISSÃO DE COMPRAS. Com o advento do artigo 40, da Lei n°. 9.430 de 1996, a falta de registro de compras passou a constituir parâmetro suficiente para caracterizar omissão de receita, não mais sendo necessário outros elementos de prova para configurar a movimentação de recursos fora da escrituração. OMISSÃO DOLOSA. COMPROVAÇÃO. Estando comprovada, em concreto, a capacidade do agente de antecipar e prever as conseqüências do seu modo de agir a prática de atos preparatórios e de execução que compõem percurso notoriamente utilizado para lesar o Fisco, culminando com a efetiva redução ou supressão de tributo, caracteriza a orientação para a realização da infração, isto é, o evidente intuito de reduzir ou suprimir tributo. OMISSÃO DOLOSA, SANÇÃO. A conduta que tenha a finalidade de impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador, ou das condições pessoais do contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente obtendose como resultado, a redução ou a supressão de tributo, está sujeita à multa agravada de 150% aplicada sobre a totalidade ou diferença do tributo omitido. LANÇAMENTO DECORRENTE. Decorrendo o lançamento da CSLL, PIS e COFINS de infração constatada na autuação do IRPJ, e reconhecida a procedência do lançamento deste, procede também o lançamento daquelas, em virtude da relação de causa e efeito que os une. JUROS DE MORA. É legítima a cobrança de juros de mora calculados com base na taxa Selic, nos termos do artigo 5°, parágrafo 3°, da Lei 9.430 de 1996, pois não representa ofensa ao disposto no parágrafo 1º do artigo 161, do CTN. No Recurso Voluntário (fls.1.486/1.521) interposto tempestivamente alegouse, em síntese: a) o próprio demonstrativo de pagamentos não escriturados, elaborado pela fiscalização, evidenciaria que o giro de caixa decorreu da aquisição de mercadorias em consignação, não havendo uma única prova a indicar a omissão de rendimentos. “A própria sistemática, período de apuração dos pagamentos/receitas, e a forma de comercialização, deixam clara a atividade comercial de aquisição de material em consignação”. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 28/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/02/2011 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO Assinado digitalmente em 19/02/2011 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, 28/02/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER Processo nº 15586.000113/200723 Acórdão n.º 140100.452 S1C4T1 Fl. 1.527 5 b) no processo administrativo fiscal, o ônus da prova recai sobre aquele que alega, ou seja, sobre o fisco, conforme ensinamentos doutrinários e decisões do Primeiro Conselho de Contribuintes; c) “...as presunções não constituem prova segura e como tal não fornecem ao julgador a certeza necessária para alicerçar o crédito tributário pretendido pelo Fisco”, devendo ser utilizadas apenas excepcionalmente; d) não haveria um mínimo substrato fáticojurídico para as autuações, que estariam baseadas apenas em indícios; e) não se poderia admitir a conclusão no sentido de que as receitas não teriam origem, vez que as vendas pelos fornecedores foram realizadas sob consignação. Em situações similares, temse considerado como custo da atividade, pelo lucro arbitrado, o percentual de 90,4%, que deveria ser descontado da base de cálculo dos demais tributos lançados. f) nenhuma das hipóteses de exclusão da base de cálculo previstas na Lei nº 9.718/98 teriam sido consideradas. De acordo com art.3º, §2º, só deve ser entendido como faturamento o valor das receitas auferidas que tenham relação com a sua atividade. Tal questão não teria sido diretamente debatida na decisão de primeira instância; g) “...não se pode entender faturamento como mero ingresso, do mais quando a própria fiscalização noticia que há valores que são repassados a terceiros, que correspondem ao custo da operação, e que não necessariamente condizem com o que tenha ingressado, faturado – objeto de receita auferida”; h) quanto à qualificação da multa, não restou caracterizada qualquer conduta omissiva ou comissiva fraudulenta, tendente a impedir ou retardar o conhecimento dos fatos pela autoridade fazendária. A fiscalização obteve todos os dados, inclusive de fornecedores. A penalidade não poderia ser imputada em um patamar tão desproporcional, que, inclusive, teria caráter confiscatório. O princípio do nãoconfisco seria aplicável às multas fiscais, consoante diversos precedentes judiciais que, inclusive, admitiriam a sua fixação em um máximo de 20% (vinte por cento). É o que importa relatar. Voto Conselheiro Eduardo Martins Neiva Monteiro, Relator. Conforme relatório supra, a fiscalização constatou que determinados pagamentos, relativos a compras realizadas perante determinados fornecedores, deixaram de ser escriturados pelo sujeito passivo. A autuação foi fundamentada no art.281, II, do Decreto nº 3.000, de 29/03/09, Regulamento do Imposto de Renda – RIR 99, que tem como base legal o art. 40 da Lei nº 9.430/96: RIR/99 Fl. 5DF CARF MF Emitido em 28/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/02/2011 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO Assinado digitalmente em 19/02/2011 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, 28/02/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER Processo nº 15586.000113/200723 Acórdão n.º 140100.452 S1C4T1 Fl. 1.528 6 Art.281. Caracterizase como omissão no registro de receita, ressalvada ao contribuinte a prova da improcedência da presunção, a ocorrência das seguintes hipóteses (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art.12, §2º, e Lei nº 9.430, de 1996, art.40): ..... II – a falta de escrituração de pagamentos efetuados; Lei nº 9.430/96 Art. 40. A falta de escrituração de pagamentos efetuados pela pessoa jurídica, assim como a manutenção, no passivo, de obrigações cuja exigibilidade não seja comprovada, caracterizam, também, omissão de receita. Vêse, portanto, que se trata de uma presunção legal, a exigir do Fisco a prova da existência de pagamentos e a sua não escrituração. Da análise dos autos, verificase a existência de elementos suficientes, idôneos e convergentes, que comprovam tais fatos, não se podendo falar em ausência de substrato fáticojurídico mínimo para as autuações. A realização dos pagamentos pode se confirmada pelo material probatório obtido perante fornecedores (v.g., notas fiscais de vendas, registros de saídas, movimentos de caixa, registros no Diário, movimentações de títulos liquidados, demonstrativos com a discriminação das notas fiscais e respectivos pagamentos, extratos de movimentação de carteira de cobrança bancária, recibos de entrega das mercadorias vendidas, duplicatas quitadas, ordens de pagamento, cheques nominais, guias de depósitos bancários, extratos bancários fls.113/1.084). Especificamente quanto às quitações realizadas pela JARCOMF, as notas fiscais foram emitidas em nome da autuada, tendo sido as mercadorias entregues no domicílio desta. Além disso, os controles internos do fornecedor indicam expressamente que as transações foram realizadas com a BR Material Fotográfico Ltda. De outra banda, os livros Caixa e Registro de Entradas atestam a não escrituração de tais pagamentos, conforme auditoria realizada pela Receita Federal do Brasil. Como complemento, as operações de compra e venda não constaram da declaração de rendimentos transmitida ao fisco federal. Apesar de intimada várias vezes a se pronunciar sobre os fatos, a autuada não se manifestou. Somese a tudo isso, o fato de, no recurso voluntário, não ter se insurgido contra a efetivação e falta de escrituração dos pagamentos, inclusive quanto àqueles realizados pela JARCOMF. O foco da defesa foi na natureza de tais compras (consignação) e na impossibilidade de inversão do ônus da prova quanto à omissão de receitas. Quanto à alegação de que a fiscalização definira que as compras teriam sido realizadas em consignação, não merece guarida. Além de a defesa não anexar uma única prova a respeito, no “Demonstrativo dos Pagamentos não Escriturados e das Compras omitidas” (fls.1.323/1.330), a expressão “valor consignado” (quarta coluna), como bem observado pela decisão de primeira instância: “...foi utilizado no sentido de informar qual foi o valor que constava nas respectivas notas fiscais e nas informações bancárias utilizadas para comprovar os pagamentos. Não consta nos autos nenhuma informação prestada pela Fiscalização no Fl. 6DF CARF MF Emitido em 28/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/02/2011 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO Assinado digitalmente em 19/02/2011 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, 28/02/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER Processo nº 15586.000113/200723 Acórdão n.º 140100.452 S1C4T1 Fl. 1.529 7 sentido de que as operações envolveram compra e venda em consignação. A Interessada não acostou aos autos nenhum documento que, ao menos indicasse que operou em regime de compra e venda por consignação. Não trouxe aos autos as necessárias notas fiscais de entrada que comprovariam o alegado, sequer apresentou os registros contábeis que confirmariam as alegações.” Com relação à impossibilidade de a fiscalização valerse de presunção, cabe dizer que não há dúvidas quanto à sua aceitação no âmbito do contencioso administrativo tributário federal, como acusam, por exemplo, os seguintes julgados: IRPJ – OMISSÃO DE RECEITA – FALTA DE ESCRITURAÇÃO DE PAGAMENTOS – Não elide a presunção de omissão de receita caracterizada pela falta de escrituração de pagamentos, a alegação de contabilização, como receita operacional, da venda de mercadoria cuja aquisição não foi contabilizada (...) (1º CC, 3ª Câmara, Acórdão nº 10323207, de 14/09/07) OMISSÃO DE RECEITA NÃO ESCRITURAÇÃO DE PAGAMENTOS Não logrando a contribuinte produzir prova elisiva da presunção legal de omissão de receita caracterizada pela falta de escrituração de pagamentos efetuados, procede o lançamento. (1ºCC, 3ª Câmara, Acórdão nº 10322586, de 16/08/06) IRPJ ANOCALENDÁRIO: 2002 OMISSÃO DE RECEITA PAGAMENTO NÃO CONTABILIZADO. Caracteriza omissão de receitas a falta de escrituração de pagamento realizado pela contribuinte, ressalvado o direito à prova da improcedência da presunção (...).(1ºCC, 8ª Turma Especial, Acórdão nº 198 00037) Consoante visto acima, o art.40 da Lei nº 9.430/96, ao contemplar uma presunção baseada na ausência de escrituração de pagamentos, inverte o ônus da prova especificamente quanto a este fato, cabendo ao recorrente infirmálo. Com relação ao argumento de defesa de que deveria ser abatido da base de cálculo dos tributos o percentual de 90,4%, relativo a custos incorridos, quando considerada a sistemática do arbitramento do lucro, cabe dizer que para o imposto de renda a base de cálculo levou em conta apenas 8% do total dos pagamentos não escriturados e das demais receitas escrituradas e declaradas (dos débitos apurados de IRPJ e CSLL, foram excluídos aqueles informados em DIPJ), vez que a apuração realizouse pelo lucro presumido, sendo portanto, ao final, mais favorável à sistemática defendida pelo próprio recorrente. No caso dos demais tributos, não há previsão legal que autorize a redução pleiteada. Quanto às hipóteses de exclusão da base de cálculo do PIS e da Cofins, previstas no art.3º, §2º, da Lei nº 9.718, de 27/11/98, a recorrente não as comprovou, tampouco as vinculou às receitas presumidamente omitidas, relacionadas aos pagamentos não escriturados, razão pela qual tal alegação também não pode ser acatada. Não é verdade que a decisão de primeira instância deixou de enfrentála, conforme se verifica da seguinte passagem: Fl. 7DF CARF MF Emitido em 28/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/02/2011 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO Assinado digitalmente em 19/02/2011 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, 28/02/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER Processo nº 15586.000113/200723 Acórdão n.º 140100.452 S1C4T1 Fl. 1.530 8 “A Interessada não comprovou a existência de custos que, porventura, teriam relação com a presente autuação, e muito menos, das deduções previstas no parágrafo 2º., do artigo 3º., da Lei nº.9.718, de 1998.” (fl.1.466) Ao se referir, no Termo de Encerramento de Ação Fiscal, a terceiros, a fiscalização não noticiou a existência de valores que representariam os custos das operações. Na verdade, apenas empregou tal termo como argumento adicional para a qualificação da multa de ofício, nos seguinte termos: “Utilizandose do procedimento de apropriarse do nome de terceiros para ocultar o pagamento de notas fiscais de compras não registradas e de omitir montante significativo de suas receitas, que deveria constar em sua declaração de rendimentos, a fiscalizada logrou êxito em eximirse, em grande parte, do pagamento do imposto de renda pessoa jurídica e contribuições devidos no anocalendário 2002”. Levando se em consideração a apuração do lucro pela forma presumida, bem como a base de cálculo do PIS e da Cofins (faturamento, nos termos do art.2º da Lei nº 9.718/98), ainda que identificados tais custos, não repercutiria nas exigências. Por fim, quanto à qualificação da multa de ofício, agiu bem a fiscalização, não havendo reparos a fazer. Tal penalidade foi fundamentada no inciso II do art.44 da Lei nº 9.430/96, cuja redação à época dos fatos geradores era: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: ..... II cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. Por sua vez, dispõe a Lei nº 4.502/64: Art.71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I – da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II – das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art.72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido, ou a evitar ou diferir o seu pagamento. Art.73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos artigos 71 e 72. Entendo que aquela fraude reclamada pela redação anterior do art.44, II, da Lei nº 9.430/96 consubstanciase no ardil, no embuste, também empregados como meios para Fl. 8DF CARF MF Emitido em 28/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/02/2011 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO Assinado digitalmente em 19/02/2011 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, 28/02/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER Processo nº 15586.000113/200723 Acórdão n.º 140100.452 S1C4T1 Fl. 1.531 9 impedir ou retardar o conhecimento, por parte da autoridade fazendária, do fato gerador ou das condições pessoais do contribuinte. O fato gerador ocorre e o contribuinte, mediante artifícios, tenta impedir de alguma forma, ou mesmo retardar, para com isso se valer de eventual extinção dos créditos tributários pela decadência, que a autoridade o detecte. O ordenamento jurídico por vezes exemplifica ações consideradas fraudulentas. A Lei nº 8.137, de 27/12/90, que define crimes contra a ordem tributária, econômica e contra as relações de consumo, é um bom e pertinente exemplo: Art. 1° Constitui crime contra a ordem tributária suprimir ou reduzir tributo, ou contribuição social e qualquer acessório, mediante as seguintes condutas: ….. II fraudar a fiscalização tributária, inserindo elementos inexatos, ou omitindo operação de qualquer natureza, em documento ou livro exigido pela lei fiscal; Art. 2° Constitui crime da mesma natureza: I fazer declaração falsa ou omitir declaração sobre rendas, bens ou fatos, ou empregar outra fraude, para eximirse, total ou parcialmente, de pagamento de tributo (...);(destaquei) A fraude, então, pode mesmo ser caracterizada com a omissão de operação de qualquer natureza em documento ou livro exigido pela lei fiscal, ou mesmo omissão de declaração sobre rendas, bens ou fatos. É possível inferir das provas que alicerçaram a ação fiscal que o contribuinte livre e conscientemente direcionou seu agir para impedir ou retardar o conhecimento, por parte das autoridades fazendárias, da ocorrência do fato gerador. Como entender diferentemente se deixou de efetuar a escrituração dos pagamentos de compras no montante de quase 9 (nove) milhões de reais? Levandose em consideração que as receitas escrituradas e declaradas (pouco mais de R$ 900.000,00) são incompatíveis, é possível concluir que os recursos para a quitação de tais compras, inclusive valendose o sujeito passivo de uma terceira pessoa, transitaram à margem da escrituração contábil e fiscal. Não fossem informações obtidas perante fornecedores da autuada, acerca de operações de compra e venda devidamente comprovadas, muito provavelmente a fiscalização federal não conseguiria saber da ocorrência do fato gerador tributário. Valhome, ainda, da seguinte fundamentação empregada em primeira instância para a manutenção da multa de ofício no percentual de 150%: “Da análise das informações de fls.1.340/1.346 e dos documentos ali apontados, revelase correta a informação da Fiscalização no sentido de que, a Interessada apropriouse do nome da JARCOMF COMÉRCIO DE MATERIAL FOTOGRÁFICO LTDA, para ocultar o pagamento de notas fiscais de compras não registradas, omitindo sistematicamente montante significativo de suas receitas na declaração de rendimentos. As informações de fls.1.085/1.095 e 1.342/1.346, contribuem para formar a convicção de que havia uma relação oficiosa, Fl. 9DF CARF MF Emitido em 28/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/02/2011 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO Assinado digitalmente em 19/02/2011 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, 28/02/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER Processo nº 15586.000113/200723 Acórdão n.º 140100.452 S1C4T1 Fl. 1.532 10 oculta entre a Interessada e a JARCOMF COMÉRCIO DE MATERIAL FOTOGRÁFICO LTDA. Deve ser consignado que, a presente penalidade referese ao ilícito praticado quando da ocorrência dos fatos geradores, não havendo que se confundir com qualquer conduta omissiva que porventura a Interessada possa ter, ou não praticado durante o procedimento fiscal, quando, se fosse o caso, aplicarseia penalidade diversa da dos autos.” No que concerne às alegações de vedação ao confisco, a aplicação da penalidade decorreu de comando expresso de lei, não cabendo neste julgamento juízo de razoabilidade ou proporcionalidade para reduzir o seu percentual. O comando legal não pode ser afastado ainda que sob o argumento de inconstitucionalidade, nos termos do art.26A do Decreto nº 70.235/72 e Enunciado nº 2 da súmula de jurisprudência dominante do CARF: Decreto nº 70.235/72 Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) Súmula CARF nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Decisões judiciais do Supremo Tribunal Federal e de Tribunais Regionais Federais, mencionadas pelo recorrente, não têm relação com multas de ofício tributárias federais, fundamentadas no dispositivo alhures mencionado. Ademais, não consta que o Supremo Tribunal Federal tenha declarado inconstitucional quaisquer das hipóteses arroladas no art.44 da Lei nº 9.430/96. O percentual de 20% (vinte por cento) aplicase somente às multas moratórias, que não se exigem nos autos, razão pela qual não se acata a pretensão de defesa. Considerando que no Recurso Extraordinário nº 582.461/SP foi reconhecida a repercussão geral quanto à avaliação da natureza confiscatória de multa moratória, não há que se falar em sobrestamento do julgamento com base no art.62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF, incluído pela Portaria MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010 (DOU de 22 de dezembro de 2010): Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. Fl. 10DF CARF MF Emitido em 28/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/02/2011 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO Assinado digitalmente em 19/02/2011 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, 28/02/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER Processo nº 15586.000113/200723 Acórdão n.º 140100.452 S1C4T1 Fl. 1.533 11 § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. Quanto aos lançamentos reflexos, em virtude da íntima relação de causa e efeito que os vincula, o que foi decidido com relação ao lançamento do IRPJ a eles estendese. Pelo exposto, VOTO no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Eduardo Martins Neiva Monteiro Fl. 11DF CARF MF Emitido em 28/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/02/2011 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO Assinado digitalmente em 19/02/2011 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, 28/02/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER
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Numero do processo: 13401.000734/2005-31
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 01 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Wed Sep 01 00:00:00 UTC 2010
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica e OutrosExercício: 2002Ementa: EXCLUSÃO DO SIMPLES. FALTA DE ESCRITURAÇÃO. ARBITRAMENTO DO LUCRO. Em face da exclusão da empresa doSimples, e na inexistência de escrituração regular, correta a exigência com base no lucro arbitrado. Irrelevante é a posterior apresentação de DIPJ, fulcrada no lucro real, se, em tempo hábil e suficiente anteriormente concedido, não logrou o contribuinte ofertar à Fiscalização tais documentos.DESENQUADRAMENTO DO SIMPLES COM EFEITO RETROATIVO. COMPENSAÇÃO DE VALORES RECOLHIDOS NA SISTEMÁTICA SIMPLIFICADA COM O CRÉDITO TRIBUTÁRIO APURADO DEOFÍCIO. O recolhimento do tributo na modalidade Simples, relativo aos mesmos períodos fiscalizados, confere ao contribuinte o direito de compensar os valores assim determinados, até o mês de sua exclusão, com débitos fiscais, inclusive os constituídos em lançamento de ofício. Há, no entanto, de haver prova da efetiva quitação daquelas cifras, sob pena de se indeferir o ajuste de contas intentado.INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI TRIBUTÁRIA. INCOMPETÊNCIA DA ADMINISTRAÇÃO. Os princípios constitucionais são dirigidos ao legislador, ou mesmo ao órgão judicial competente, não podendo se dizer que estejam direcionados à Administração Tributária, pois esta se submete ao princípio da legalidade, não podendo se furtar a aplicar a lei. Não pode a autoridade lançadora e julgadora administrativa afastar a aplicação da lei tributária, sob qualquer pretexto. Isso ocorrendo, significaria declarar, incidente tanto, a inconstitucionalidade da ordenação fiscal que funcionou como base legal do lançamento – tarefa privativa dos órgãos judiciais.PEDIDO DE PERÍCIAS Rejeita-se o pedido de perícia quando desnecessária, por existir nos autos elementos suficientes para o julgamento, bem assim quando não formulado conforme determinado pelo art. 18 do Decreto nº 70.235/72.Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Numero da decisão: 1803-000.645
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Turma Especial da PRIMEIRA SEÇÃO DEJULGAMENTO, NEGAR PROVIMENTO ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Matéria: IRPJ - AF - lucro arbitrado
Nome do relator: BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR
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ementa_s : Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica e OutrosExercício: 2002Ementa: EXCLUSÃO DO SIMPLES. FALTA DE ESCRITURAÇÃO. ARBITRAMENTO DO LUCRO. Em face da exclusão da empresa doSimples, e na inexistência de escrituração regular, correta a exigência com base no lucro arbitrado. Irrelevante é a posterior apresentação de DIPJ, fulcrada no lucro real, se, em tempo hábil e suficiente anteriormente concedido, não logrou o contribuinte ofertar à Fiscalização tais documentos.DESENQUADRAMENTO DO SIMPLES COM EFEITO RETROATIVO. COMPENSAÇÃO DE VALORES RECOLHIDOS NA SISTEMÁTICA SIMPLIFICADA COM O CRÉDITO TRIBUTÁRIO APURADO DEOFÍCIO. O recolhimento do tributo na modalidade Simples, relativo aos mesmos períodos fiscalizados, confere ao contribuinte o direito de compensar os valores assim determinados, até o mês de sua exclusão, com débitos fiscais, inclusive os constituídos em lançamento de ofício. Há, no entanto, de haver prova da efetiva quitação daquelas cifras, sob pena de se indeferir o ajuste de contas intentado.INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI TRIBUTÁRIA. INCOMPETÊNCIA DA ADMINISTRAÇÃO. Os princípios constitucionais são dirigidos ao legislador, ou mesmo ao órgão judicial competente, não podendo se dizer que estejam direcionados à Administração Tributária, pois esta se submete ao princípio da legalidade, não podendo se furtar a aplicar a lei. Não pode a autoridade lançadora e julgadora administrativa afastar a aplicação da lei tributária, sob qualquer pretexto. Isso ocorrendo, significaria declarar, incidente tanto, a inconstitucionalidade da ordenação fiscal que funcionou como base legal do lançamento – tarefa privativa dos órgãos judiciais.PEDIDO DE PERÍCIAS Rejeita-se o pedido de perícia quando desnecessária, por existir nos autos elementos suficientes para o julgamento, bem assim quando não formulado conforme determinado pelo art. 18 do Decreto nº 70.235/72.Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica e Outros Exercício: 2002 Ementa: EXCLUSÃO DO SIMPLES. FALTA DE ESCRITURAÇÃO. ARBITRAMENTO DO LUCRO. Em face da exclusão da empresa do Simples, e na inexistência de escrituração regular, correta a exigência com base no lucro arbitrado. Irrelevante é a posterior apresentação de DIPJ, fulcrada no lucro real, se, em tempo hábil e suficiente anteriormente concedido, não logrou o contribuinte ofertar à Fiscalização tais documentos. DESENQUADRAMENTO DO SIMPLES COM EFEITO RETROATIVO. COMPENSAÇÃO DE VALORES RECOLHIDOS NA SISTEMÁTICA SIMPLIFICADA COM O CRÉDITO TRIBUTÁRIO APURADO DE OFÍCIO. O recolhimento do tributo na modalidade Simples, relativo aos mesmos períodos fiscalizados, confere ao contribuinte o direito de compensar os valores assim determinados, até o mês de sua exclusão, com débitos fiscais, inclusive os constituídos em lançamento de ofício. Há, no entanto, de haver prova da efetiva quitação daquelas cifras, sob pena de se indeferir o ajuste de contas intentado. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI TRIBUTÁRIA. INCOMPETÊNCIA DA ADMINISTRAÇÃO. Os princípios constitucionais são dirigidos ao legislador, ou mesmo ao órgão judicial competente, não podendo se dizer que estejam direcionados à Administração Tributária, pois esta se submete ao princípio da legalidade, não podendo se furtar a aplicar a lei. Não pode a autoridade lançadora e julgadora administrativa afastar a aplicação da lei tributária, sob qualquer pretexto. Isso ocorrendo, significaria declarar, incidenter tantum, a inconstitucionalidade da ordenação fiscal que funcionou como base legal do lançamento – tarefa privativa dos órgãos judiciais. PEDIDO DE PERÍCIAS Rejeitase o pedido de perícia quando desnecessária, por existir nos autos elementos suficientes para o julgamento, Fl. 1DF CARF MF Emitido em 05/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/03/2011 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR Assinado digitalmente em 05/04/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, 27/03/2011 por BENEDICTO CELSO BE NICIO JUNIOR Processo nº 13401.000734/200531 Acórdão n.º 1803000.645 S1TE03 Fl. 2 2 bem assim quando não formulado conforme determinado pelo art. 18 do Decreto nº 70.235/72. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Turma Especial da PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, NEGAR PROVIMENTO ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) SELENE FERREIRA DE MORAES Presidente (assinado digitalmente) Benedicto Celso Benício Júnior Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Selene Ferreira de Moraes, Benedicto Celso Benício Júnior, Marcelo Fonseca Vicentini, Walter Adolfo Maresch, Sérgio Rodrigues Mendes e Luciano Inocêncio dos Santos. Relatório Contra a empresa supra qualificada foram lavrados os Autos de Infração a seguir especificados, para exigência de crédito tributário relativo ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica, IRPJ, à Contribuição para o Programa de Integração Social, PIS, à Contribuição • Social sobre o Lucro Líquido, CSLL e à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social, COFINS: TRIBUTO FLS Imposto/ Contribuição Juros de Mora Multa Proporcional TOTAL IRPJ 05 18.998,72 13.688,63 14.249,02 46.936,37 PIS 17 8.575,77 6.299,04 6.431,79 21.306,60 CSLL 11 14.249,03 10.266,46 10.686,76 35.202,25 Fl. 2DF CARF MF Emitido em 05/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/03/2011 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR Assinado digitalmente em 05/04/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, 27/03/2011 por BENEDICTO CELSO BE NICIO JUNIOR Processo nº 13401.000734/200531 Acórdão n.º 1803000.645 S1TE03 Fl. 3 3 COFINS 24 39.580,64 29.072,79 29.685,44 98.608,87 Total 202.054,09 De acordo com o Relatório de Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal às fls. 06 e 07 e Termo de Verificação Fiscal às fls. 57 e 58, foi realizado o arbitramento do lucro para o anocalendário de 2001, tendo em vista que o contribuinte, sujeito à tributação com base no Lucro Real, não possui escrituração na forma das leis comerciais e fiscais e, apesar de intimado e reintimado a apresentar os livros e documentos de sua escrituração, deixou de apresentálos. A empresa, optante pelo SIMPLES, excedeu o limite do faturamento no anocalendário de 2001, estipulado no art. 30 da Lei 9.732/1998, e não utilizou os percentuais corretos legalmente previstos. Foi efetuado lançamento com o devido enquadramento legal para os fatos geradores listados às fls. 6 e 7. Devidamente intimada, a autuada apresentou impugnação às fls. 60 e 61 fazendo, em síntese, as alegações a seguir descritas. afirma que a empresa recebeu o termo de início de fiscalização no dia 11/07/2005, após ser cumprida a exigência, a empresa foi reintimada, no dia 29/09/2005, a apresentar no prazo de 5 dias o livro Diário, Razão e LALUR ano 2001, sob a alegação de que excedeu o limite do SIMPLES em 2000. O prazo para entrega dos documentos não foi suficiente e a empresa solicitou "um prazo dentro do limite"; no dia 11/10/2005, ao tentar apresentar a documentação solicitada, foi surpreendido pelo fiscal, que informou que iria arbitrar o lucro, uma vez que não teria mais tempo para analisar, visto que a operação estava terminando e que seria feito o arbitramento do lucro; sabese que o prazo de 5 dias para apresentar informações solicitadas pelo fisco, conforme parágrafo 1° do art. 19 da Lei 3470 de 28/11/1958 (transcrito), aplicase nas situações em que as informações e documentos solicitados digam respeito a fatos que devam estar registrados na escrituração contábil ou fiscal do sujeito passivo, situação na qual, considera não se enquadrar a empresa, visto que a mesma não havia escriturado seus livros fiscais, pois apresentava informações de acordo com o regime do SIMPLES; são duas as discordâncias apresentadas pela impugnação: 1 – Em nenhuma das intimações o fisco menciona que não apresentação das informações pelo Lucro Real levaria ao arbitramento do lucro, a informação foi apenas verbal quando todo material já estava pronto para ciência do contribuinte; 2 – Após elaboração de todo material foi constatado que a apuração pelo Lucro Real resultou num saldo de tributos inferior aos impostos recolhidos pelo regime do SIMPLES, anexa DIPJ com base no Lucro Real relativa ao ano de 2001. 3 – Requer seja considerado indevido o Auto de Infração e põe à disposição do Fisco, para maiores esclarecimentos, o Diário, Razão e LALUR. A 3ª TURMA – DRJ EM RECIFE – PE, ao julgar a impugnação apresentada, manteve integralmente os lançamentos questionados, ementando sua decisão nos seguintes termos: Fl. 3DF CARF MF Emitido em 05/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/03/2011 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR Assinado digitalmente em 05/04/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, 27/03/2011 por BENEDICTO CELSO BE NICIO JUNIOR Processo nº 13401.000734/200531 Acórdão n.º 1803000.645 S1TE03 Fl. 4 4 “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA – IRPJ Anocalendário: 2001 SIMPLES EXCLUSÃO DE OFICIO A pessoa jurídica excluída do SIMPLES sujeitarseá, a partir do período em que se processarem os efeitos da exclusão, às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas. LUCRO REAL. FALTA DE APRESENTAÇÃO DE LIVROS E DOCUMENTOS. ARBITRAMENTO DO LUCRO. O lucro será arbitrado quando o sujeito passivo deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. O decidido quanto ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica aplicase à tributação dele decorrente. Lançamento Procedente” Cientificado da decisão em 09/04/2008, interpôs o contribuinte, em 09/05/2008, recurso voluntário a este conselho, aduzindo alegações símiles às aventadas na instância precedente, questionando a cominação da multa de ofício e dos juros de mora, por conta de eventual inconstitucionalidade, e requerendo, ainda, produção de prova pericial. É o relatório do essencial. Voto Conselheiro Benedicto Celso Benício Júnior, Relator: O recurso é tempestivo e atende aos pressupostos legais para seu seguimento. Dele conheço. (1) Do arbitramento De início, afirma o contribuinte que o arbitramento de seu lucro não teria observado os princípios básicos da tributação – contraditório, ampla defesa e busca pela verdade material, nomeadamente. Em tal direção, o fato de ter sido excluída retroativamente do Simples teria colocado a fiscalizada em situação desfavorável, no bojo da qual a apresentação das Declarações Simplificadas teriam se tornado inócuas, surgindo, em seu lugar, o dever de elaborar e escriturar, a posteriori, documentos e livros contábilfiscais pertinentes à tributação pelo lucro real. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 05/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/03/2011 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR Assinado digitalmente em 05/04/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, 27/03/2011 por BENEDICTO CELSO BE NICIO JUNIOR Processo nº 13401.000734/200531 Acórdão n.º 1803000.645 S1TE03 Fl. 5 5 Nessa condição, deveria o Fisco, para que pudesse exigir a apresentação da documentação devida, outorgar prazo condizente com a razoabilidade constitucional, capaz de permitir, ao contribuinte, a elaboração retroativa de seus escritos. Assim, porém, não teria ocorrido, segundo vê a autuada. O arbitramento do resultado, derivado da não oferta dos livros e dos documentos ínsitos à sistemática do lucro real, ampararseia em formalismos exacerbados e intoleráveis. Pois bem. A despeito de todas as arguições apresentadas, não há como se negar lidimidade ao mecanismo de arbitramento executado. A exclusão do Simples, com efeitos retroativos a partir do anobase de 2001, fez com que o contribuinte se sujeitasse, desde aquele pretérito átimo, ao regime de tributação ordinária. Ainda que a ciência do ato de desenquadramento tenha se dado somente em meados de 2005, deveria ter o contribuinte providenciado a elaboração retroativa dos escritos contábeis e fiscais obrigatórios, na forma da legislação pertinente. Claro que não seria admissível que a Fazenda cominasse penalidade ao contribuinte que assim não agisse, se não tivesse a primeira concedido, a este, lapso hábil de rgularização. No presente caso, porém, é fácil notar que os trabalhos fiscais se arrastaram por mais de 03 (três) meses, desde a entrega do Termo de Início, em 11/07/2005, até a ciência do AII lavrado, em 13/10/2005. Foram oferecidos interregnos mais do que suficientes para que o contribuinte apresentasse sua nova documentação. A despeito disso, não logrou este fornecer ao agente autuante os livros fiscais compulsórios. A hipótese se imiscui perfeitamente, à tipologia autorizadora do arbitramento, nos termos do artigo 530, inciso I, do RIR/99, verbis: “Art. 530. O imposto, devido trimestralmente, no decorrer do anocalendário, será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado, quando (Lei nº 8.981, de 1995, art. 47, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 1º): (...) I o contribuinte, obrigado à tributação com base no lucro real, não mantiver escrituração na forma das leis comerciais e fiscais, ou deixar de elaborar as demonstrações financeiras exigidas pela legislação fiscal; (...)” No mais, é de se recordar que a mensuração do lucro pela via arbitral não configura sanção. Ainda que dela possa resultar montante maior de tributo a recolher, certa é sua natureza de mera alternativa cont;abil, voltada à mensuração da base de cálculo do IRPJ (e reflexos), sempre que não houvesse como se alcançar o mesmo desiderato pelas vias ordinárias. Assim, escorreito é o procedimento adotado, não havendo dúvidas a respeito do montante lançado. (2) Da compensação com valores recolhidos na sistemática do Simples Fl. 5DF CARF MF Emitido em 05/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/03/2011 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR Assinado digitalmente em 05/04/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, 27/03/2011 por BENEDICTO CELSO BE NICIO JUNIOR Processo nº 13401.000734/200531 Acórdão n.º 1803000.645 S1TE03 Fl. 6 6 Peticiona o contribuinte, ademais, no sentido da compensação, junto às cifras imputadas, dos montantes recolhidos na sistemática do Simples. De acordo com sua convicção, o encontro de contas realizado faria, até mesmo, com que os lançamentos fossem cancelados, na medida em que os pagamentos simplificados seriam superiores aos devidos no regime de tributação pelo lucro real (DIPJ de fls. 46 e ss.). O tópico não oferece maiores dificuldades. Primeiramente, os valores inscritos em DIPJ, colacionada depois de realizado o regular arbitramento, não tem o condão de invalidade este último procedimento. Como se afirmou, a apresentação da declaração não foi feita em tempo hábil – razão pela qual se tornou correta a contabilização arbtiral. Ademais, não logrou o contribuinte comprovar o efetivo recolhimento dos valores informados nas Declarações Simplificadas. Não há como se deduzir pagamentos que sequer foram mostrados. Por fim, também não há que se falar em cobrança de passivos já extintos. Levandose em consideração a correta retroação da exclusão do contribuinte junto ao Simples, não se aperfeiçoou nenhum pagamento efetivo de tributo, desde o momento em que se deu o desenquadramento – in casu, o anobase de 2001. Houve, isto sim, recolhimentos antecipados de exação, que, uma vez comprovados, poderiam ser deduzidos das dívidas apuradas no regime de tributação ordinária. (3) Do caráter confiscatório da multa de ofício e da inaplicabilidade de juros moratórios à taxa Selic É impugnada, terceiramente, a cominação da multa proporcional de 75%, turno um, e dos juros de mora calculados à taxa referencial Selic, turno outro. Este tema é recorrente neste colegiado. Acerca dele, no entanto, não há como se proferir julgamento de substância, haja vista terem os órgãos administrativos atuação estritamente vinculada à lei. É vedado, tanto à Receita Federal, de um lado, quanto a este conselho, de outro, deixar de aplicar as normas tributárias vigentes, ainda que, em tese, possam elas estar eivadas de invalidade. Cabe ao Poder Legislativo, de forma prévia, ou ao Poder Judiciário, a posteriori, perscrutar pela adequação das leis ao sistema de normas gerais e de princípios construído em sede constitucional ou infraconstitucional. Este colegiado, na qualidade de autoridade administrativa, só pode zelar pela observância das normas em vigor, sem analisar sua pertinência sistêmica. Tragase à baila, a respeito, o enunciado da elucidativa Súmula nº 2 do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais: “Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” (4) Da necessidade de perícia Fl. 6DF CARF MF Emitido em 05/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/03/2011 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR Assinado digitalmente em 05/04/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, 27/03/2011 por BENEDICTO CELSO BE NICIO JUNIOR Processo nº 13401.000734/200531 Acórdão n.º 1803000.645 S1TE03 Fl. 7 7 Por fim, pugnou a recorrente, ainda, pela determinação de perícia, para que se analisasse a verossimilhança do cenário argumentativo por ela construído. O pleito de realização de provas técnicas desta natureza não merece prosperar. Afinal, o artigo 18 do Decreto nº 70.235/72, adiante transcrito, deixa ao julgador a avaliação da necessidade de prova pericial, segundo juízos objetivos de conveniência e de oportunidade: “Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine.” Sendo possível o deslinde do mérito recursal sem apelo a provas de índole excepcional, não há mais o que se discutir, sendo imperiosa a consideração da inutilidade do pleito pericial apresentado, tanto na instância anterior quanto na presente. Isto posto, NEGO PROVIMENTO ao recurso. Sala das Sessões, em 1º de setembro de 2010 (assinado digitalmente) Benedicto Celso Benício Júnior Fl. 7DF CARF MF Emitido em 05/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/03/2011 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR Assinado digitalmente em 05/04/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, 27/03/2011 por BENEDICTO CELSO BE NICIO JUNIOR
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Numero do processo: 13854.000242/2003-55
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 08 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Thu Dec 09 00:00:00 UTC 2010
Ementa: ASSUIVI 0: PROCESSO A DMINISTRATIVO FISCAL
Data do lato gerador: 30/11/1998, 31/12/1998
DCTF. ERRO NA IND1CAÇA-.0 DO NÚMERO DA AÇA0
JUDICIAL. LANÇAMENTO. POSSIBILIDADE.
O erro na indicação do número da ação judicial justifica o
lançamento fiscal ao limitar a ação do Fisco em veri ficar a
legitimidade da compensação efetuada com base na ação judicial
proposta, que passa a ser objeto de análise do âmbito do processo
administrativo de impugnação de lançamento.
AssuN 1 0: NORMS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Data do fato gerador: 30/11/1998, 31/12/1998
PIS. RESTITUIÇÃO. PRAZO. LEI COMPLEMENTAR N° 118,
DE 2005. MATÉRIA CONSTITUCIONAL, APRECIAÇÃO.
IMPOSSIBILIDADE..
0 Carl é incompetente para apreciar matéria relativa
ineonstitucionalidade de lei.
PIS. COMPENSAÇÃO. PRAZO PARA PEDIDO. TERMO
INICIAL.
Sendo compensáveis apenas os indébitos passíveis de restituição, o
prazo geral para compensação é de cinco anos contados da data do
recolhimento indevido ou a maior do que o devido, ou, ainda, da
data de tiansito em julgado da ação de conhecimento do qual resultar
o direito de compensação.
COMPENSAÇÃO. ART. 66 DA LEI 1\12 8.383, DE 1991.
REQUISITOS.
A compensação entre tributos da mesma espécie e destinaçáo
constitucional realizada pelo sujeito passivo no ámbito do
lançamento por homologação deveria ser registrada contabilmente
ma produzir efeitos legais.
Recurso voluntário negado
Numero da decisão: 3302-000.719
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar
provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Vencidos os Conselheiros
Fabíola Cassiano Keramidas, Alexandre Gomes e Gileno Gurjtio Barreto.
Nome do relator: JOSE ANTONIO FRANCISCO
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ementa_s : ASSUIVI 0: PROCESSO A DMINISTRATIVO FISCAL Data do lato gerador: 30/11/1998, 31/12/1998 DCTF. ERRO NA IND1CAÇA-.0 DO NÚMERO DA AÇA0 JUDICIAL. LANÇAMENTO. POSSIBILIDADE. O erro na indicação do número da ação judicial justifica o lançamento fiscal ao limitar a ação do Fisco em veri ficar a legitimidade da compensação efetuada com base na ação judicial proposta, que passa a ser objeto de análise do âmbito do processo administrativo de impugnação de lançamento. AssuN 1 0: NORMS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 30/11/1998, 31/12/1998 PIS. RESTITUIÇÃO. PRAZO. LEI COMPLEMENTAR N° 118, DE 2005. MATÉRIA CONSTITUCIONAL, APRECIAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE.. 0 Carl é incompetente para apreciar matéria relativa ineonstitucionalidade de lei. PIS. COMPENSAÇÃO. PRAZO PARA PEDIDO. TERMO INICIAL. Sendo compensáveis apenas os indébitos passíveis de restituição, o prazo geral para compensação é de cinco anos contados da data do recolhimento indevido ou a maior do que o devido, ou, ainda, da data de tiansito em julgado da ação de conhecimento do qual resultar o direito de compensação. COMPENSAÇÃO. ART. 66 DA LEI 1\12 8.383, DE 1991. REQUISITOS. A compensação entre tributos da mesma espécie e destinaçáo constitucional realizada pelo sujeito passivo no ámbito do lançamento por homologação deveria ser registrada contabilmente ma produzir efeitos legais. Recurso voluntário negado
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conteudo_txt : Metadados => date: 2011-09-02T11:50:45Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 7; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2011-09-02T11:50:45Z; Last-Modified: 2011-09-02T11:50:45Z; dcterms:modified: 2011-09-02T11:50:45Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; xmpMM:DocumentID: uuid:8c426f82-e635-46bf-ac49-989198ea3977; Last-Save-Date: 2011-09-02T11:50:45Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2011-09-02T11:50:45Z; meta:save-date: 2011-09-02T11:50:45Z; pdf:encrypted: false; modified: 2011-09-02T11:50:45Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2011-09-02T11:50:45Z; created: 2011-09-02T11:50:45Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; Creation-Date: 2011-09-02T11:50:45Z; pdf:charsPerPage: 1530; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2011-09-02T11:50:45Z | Conteúdo => S3-C312 Fl 267 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n 13854 000242/2003-55 Recurso n' 502.045 Voluntário Acórdão n" 3302-00.719 — 3" Câmara / 2" Turma Ordinária Sessão de 09 de dezembio de 2010 Matéria PIS - Auto de Infração Recorrente MONTECITRUS TRADING S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL. ASSUIVI 0: PROCESSO A DMINISTRATIVO FISCAL Data do lato gerador: 30/11/1998, 31/12/1998 DCTF. ERRO NA IND1CAÇA-.0 DO NÚMERO DA AÇA0 JUDICIAL. LANÇAMENTO. POSSIBILIDADE. O erro na indicação do número da ação judicial justifica o lançamento fiscal ao limitar a ação do Fisco em veri ficar a legitimidade da compensação efetuada com base na ação judicial proposta, que passa a ser objeto de análise do âmbito do processo administrativo de impugnação de lançamento. AssuN 1 0: NORMS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 30/11/1998, 31/12/1998 PIS. RESTITUIÇÃO. PRAZO. LEI COMPLEMENTAR N° 118, DE 2005. MATÉRIA CONSTITUCIONAL, APRECIAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE.. 0 Carl é incompetente para apreciar matéria relativa ineonstitucionalidade de lei. PIS. COMPENSAÇÃO. PRAZO PARA PEDIDO. TERMO INICIAL. Sendo compensáveis apenas os indébitos passíveis de restituição, o prazo geral para compensação é de cinco anos contados da data do recolhimento indevido ou a maior do que o devido, ou, ainda, da data de tiansito em julgado da ação de conhecimento do qual resultar o direito de compensação. COMPENSAÇÃO. ART. 66 DA LEI 1\12 8.383, DE 1991. REQUISITOS. A compensação entre tributos da mesma espécie e destinaçáo constitucional realizada pelo sujeito passivo no ámbito do lançamento por homologação deveria ser registrada contabilmente ma produzir efeitos legais. Recurso voluntário negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ploy Fabi Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar mento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Vencidos os Conselheiros la Cassiano Keramidas, Alexandre Gomes e Gileno Gurjtio Barreto. (ASSINADO DIGITALMENTE) Walber José da Silva - Presidente (ASSINADO DIG1TALMENTE) José Antonio Francisco - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros José Antonio isco, Fabiola Cassiano Keramidas, Alan Fialho Gandra, Alexandre Gomes e Gileno o Barreto. Rel tó rio Trata-se de recurso voluntário (fls. 246 a 262) apresentado em 04 de seterhbro de 2009 contra o Acáiddo it' 14-24.893, de 26 de junho de 2009, da 5 0 Turma da DR.02P0 (fls. 236 a 240), cientificado em 07 de agosto de 2009 e que, relativamente a auto de infiaçao eletrônico de PIS dos períodos de novembro e dezembro de 1998, considerou pro-dente em parte o lançamento, nos termos da ementa, a seguir reproduzida: ASSUNTO CON7RIBUI040 PARA O PLYPASEP Pet iodo de apmação 01/11/1998 a 30/11/1998. 01/12/1998 a 31/12/1998 Fr ar Guij AUDITORIA INTER.NA NA ()CIF PIS COAIPROVAC40 DA COAIPENSACJO DE TRIBUTOS EFETUADA AO ES DE OUTUBRO DE 2002 RESIHUICTO DECADÊNCL-1 A compensação *Mack a conk: e tisco do connibuinte, no moldes pet Miklos ante, lot mente à Aledickt Pt ovisória n' 66, de 2002. requisita lançamentos contábeis do encontro de contas tendentes a demonsttar a qua»tificação dos indébitos, a identificação dos dividas =dodos e a época do evento. incumbindo obset vai . (mom° a estd o pct.° clecadencicrl de 5 (Once) anos coontados da data da estinção do c: édito ltibtacitio o: . ■ :.: • •:. . ;• - ; : f7:;:s• 2 Proccsso n" 13854 000242/2003-55 S3-C312 Actird3o n' 3302-00.719 Fl 268 que, no caso c/c ti ibuto sujeito a lançamento por homologação, ocon e no momento do pug:mono, consoante inter pi elação dada pelo legislado complememar (Lei Complemental n" 118, c/c' 2005) ASSUNTO NOIWAS GERA1S DE DIREITO TRIBUTÃRIO Per iodo de apmação 01/11/1998 a 30/11/1998. 01/12/1998 a 31/12/1998 APL1C.1c..TO LEGISLAÇÃO T1?IBUT.4RL-1 RETROAIIHDA DE 13ENIGN.4 Tialcindo-se c/c aio não definitivamente julgado aplica-se en ornivamente a lei nova quando The comine pena/idade menos sever a que a pi Cristo na lei vigente ao tempo do lançamento (CTIV, wt 106. IL -c.") I ançamenio p, ocedente em pcure 0 auto de in fração foi lavrado em 02 de julho de 2003 (11 125) e, segundo o teimo de (is, 17 e 18, o processo judicial vinculado aos débitos em DCTF não teria sido comprovado. O lançamento foi "revisto" pelo despacho decisório de lis. 207 e 208 em 03 de outubto de 2008, segundo o qua!: Data o presence pi acesso de Impugnação à Atuo de Infração - DO It, na qual a cowl ibuinte alega que os pai Iodos de aptuação (PAs) objetos cio Auto, quais sejam 11 e 12/1998, r (del entes (lo PIS. Pram compensados .supostamente em confoimidade com de.clscio judicial transilada fen, julgado no Alandado de Segui onça 88 0040351-4, cujo trcimite se deu na 20" :'ai a da Justiça Feder al na cidade de Sao Paulo Ocorre que a ritferida cleciEel0 openers declarou inconsiiincionalidade clo.s Decreto.s-Leis 2 445 e 2 449 c/c 1988. não ,se discutindo compensação Os 108/115) A decisão do 1z:fetid(' (Nilo judicial nansitou em julgado ern 22 c/c .vetembt o de 1992 Alesino não se falculdo compensagdo ação judicial, a 1N/SRE n° 21, de 10/03/1997, alterada pc/c: 1N/SRF n° 73. de 15/09/1997, em seu al ligo 14, autori:ou a compensação independentemente cle requer ¡mein°, se relativo a labia() on corm ibuição da mesma espécie, .se o crédito fosse anterio, ao débito Ent, crania no caso um tela. a contribuinte não possuia mais o eito de compenvar os pagamentos indevidos. reakadas raj 21/06/1993. vivo que, confoi me an 168, inciso I, combinado com cvi 165. inciso 1 do CTN, extingue-se em cinco anos o &ten° c/c pleiteai a resiintição de pagamento convidelado indevido, i eali=ado espontaneamente 1 , ■ • F 1. Apresentada a impugnação, a DIU assim relatou o litígio: aia-se de lançamento consubstanciado ein auto de inflação. ion 'cicio ent 10•06/2003, em WI tuck de apuração de tegulmidades quamo a quitação de debitas dechnados em Deck» ação de Conn ibuiçcies e Ti !limos Federais ocm, para exigis da autuada o i ecolhimento da Conti ilmição pat a a Pi op atua de Integi ação Social (PIS), código de teceim n" 8109. concernente aos mesas de norembi o a de:embt o de 1998, no valor ele R$ 25666,97. acrescida da multa ele oficia c/c 7.5% (setenta e cinco poi cento), na imporaincia de R$ /9250,22 e dos jutos de mola na quantia de RS 21 090,72 Regulameme cientificada a autuada irwessou cam a impugnação de fls Ui/li. acompanhada dos documentos dc 11s 12/123, pot meio da qual fustiga a exigência aigutneniando, em sintese, que os débitos sob cobiança finam compensados com cielitos do pi dpi lo PIS deco, rentes de recolhimentos leitos com base nos inconstifficionais ,i's 2 445 e 2 -149, ambos de 1988. was com execução suspensa pela Resolução da Senado Feder al n 0 49, de 1995, e também em iv:0o de sentençct judicial ti cmsitada em julgado que the assegui ou o direito de recolher o PIS sem obser núncio dessas nor mas Achcia também, que a equirocada indicação na DCTF cio mimeio do pi ocesso judicial que ou ighiou seu crédito (88 004351-4 ao c/c 88 00403,51-4) não jusnlica a aumação fiscal Ao Jima requereu a insubsistênciti do auto de mli ação e o cuquiramento do pacesso A impugnação preriamente analisada pela Delegacia c/a Receita Federal do Brasil cm Ribeh ao PI eta-SP que, trabalhemelo com a hipótese da existência de feito não conhecido ou não provado par ocasião do lançamento intimou a contribuinte à apresentação de documentos, .11 132, e após análise destes exalou o despacho c/c 11s 207/208 opinando peler manutenção da exigência Notificada. a Recorrente avian a petição de fls 214/231 repasando suas razfies anto iates Acresceit, ainda, que não ocorreu a decadência do direito c/c pleiteai os indébitas em face do pi a.ro c/c 10 ((fez) twos para tanto No recurso, a Interessada repetiu as alegações da impugnação e alegou nito ter ocorrido per da cio pram para compensação. o relatório. Voto Conselheiro José Antonio Francisco, Relator 0 recurso é tempestivo e satisfaz os demais requisitos de admissibilidade, devendo-se tomar conhecimento. dele 4 Process() e 1385-1 000242/2003-55 S3-C3 12 A dadfiu o" 3302-00.719 11'269 Conforme esclarecido nos autos, o lançamento originou-se supostamente do eiro da Interessada na indicação do número da ação judicial na DCTF (88.004351-4 em vez de 88.0040351-4). Conquanto é ampla a jurisprudancia de que "mero erro" na declaração no justifica o lançamento, há que se saber se, de fato, se trata de "mero eiro". Primeiramente, há que se considerar que o erro implicou o lançamento pelo fato de não se localizar o processo judicial indicado, o que a rigor justi ficou o lançamento. Entretanto, demonstrado o erro na indicação do miner° do processo, ha que consideiai que tal fat° implicou a impossibilidade, dentro do prazo decadencial, de o Fisco vet ificar outros aspectos relativos A legitimidade das compensações declaradas. Assim, o "meio erro" significaria que, de fato, a mencionada ação ,judicial permitiria ao contribuinte a realização da compensação declarada.. Caso algum outro aspecto tornasse tais compensações de alguma forma irregulares não se trataria de mero erro. Assim, é legitimo que o Fisco exija da Interessada, no âmbito do presente processo administrativo, a demonstração integi at da legitimidade da compensação. Portanto, partindo-se do fato de que a Interessada realizou as compensações depois do trânsito em julgado da ação judicial, é preciso verificar se elas foram realizadas corretamente. Nesse contexto, é pieciso esclarecer que a análise efetuada pela DR1 foi correta, pois efetuou exatamente tal análise, concluindo que as compensações realizadas por conta e risco do contribuinte devem obedecer ao disposto no art. 66 da Lei ti 0 8.383, de 1991, sendo registradas na contabilidade, dentro do prazo de cinco anos.. Quanto ao prazo para o pedido, observe-se que a tese de que o prazo iniciar- se-ia na data da publicação de resolução do Senado Federal ou de decisão do STF em ação diteta também já foi superada pelo próprio Superior Tribunal de Justiça. Portanto, a única controvérsia que existe atualmente sobre a contagem de prazo para iestituição gila em torno de o termo inicial ser a data do recolhimento ou a da homologação tácita ("cinco mais cinco"). Nesse contexto, deve-se considerar que a tese dos "cinco mais cinco", alem de não se alinhar ao conceito de "actio nata" e aos princípios gerais que regem a prescrição, teve sua aplicação piejudicada em face das disposições dos arts. 3 ° e 4° da Lei Complementar tio 118, de 2000, abaixo reproduzido: Alt 3" Para deito de Weimar:0o do inciso ido at t 168 da Lei n' .5.172, de 2.5 de amain° de 1966 — Código Tributário Nacional, a evtinvilo do crddito tributário °cot e, no caso de tributo -suje.ito a lançamento por homologavaa, no moment° cio pagamento antecipado de que ata o § 1 0 cio ail 150 da teferida Lei Art 4" Eva Lei extra en: rigor 120 (cento e vinte) dias após sua publicaçao. obsellyula quanto ao art 3°, o disposto no art 106, 5 1,1 inciso 1 . da Lei HO .5172 de 25 de outubro de /966 -- Código 1, ibutcit ia Nacional No tocante à sua aplicação, o Superior Tribunal de Justiça adotou, equ vocadamente, o entendimento de que a disposição somente teria aplicação em relação aos ped os de restituição apresentados após a sua publicação, como ocorreu no Resp n° 644.736- PE.. 1 1 Entretanto, o Supremo Tribunal Federal, ao analisar recurso extraordinário da Uni o em que se alegara violação à cláusula de reserva de plenário (RE 486.888-PE), dete minou ao Superior Tribunal de Justiça que analisasse, por meio do órgtio especial, a incci istitucionalidade do dispositivo. dive inco Assim, em acidente de inconstitucionalidade (Al) ern embargos de gencia no mencionado recurso especial, o Superior Tribunal de Justiça declarou a istitucionalidade cia segunda parte do art. 4° em questão, da seguinte forma: CONSMUCIONAL TRIBUTARIO LEI INTERPREIA [IVA PRAZO DE PRESCRIC)TO PAR-I A REPEI1C.-TO DE INDÉBITO, NOS I RIBUTOS SUJEITOS A LANCAMEN1O POR HallOLOGAC,-TO LC 118/2005 NAT UREZ-1 MOD1F ICA MI (E SIMPLESMENTE INIERPREIAIMI) DO SEU ARTIGO 3 °. INCONSIT UCIONALIDADE DO SEU ART 4 ", NA PARTE QUE DEIERMINA A APLICACJO RETROATIPA 1 Sob: e o tema uelacionado com a pest:110o da ação de lepetição c/c indébito tributói la a jm isp, uddncia do STJ (1 ' Seção) ef no sentido de que. em se natando de Whitt° sujeito a lançamento pcn homologação, o pi azo de ChM- U(1110A pl evicto no t 168 do UN, tem inicio, não no data do recolhimento do ti ibuto indevido, e sim na data da homologação - esp, essa ou tácita - do Iançamento Segundo entende o Dibunal, pata que o crédito se considere extinto, basin o pagamento é indi.speastivel a homologação do lançamento, hipótese de extinção albergado pelo at: 156,1.'11, do C1N Assim, somente a partir dessa homologação é que ter ia inicio o pi azo pi crista no art 168, 1 E, não havendo homologação expresso, o prow para a repetição do indébito acaba sendo. na rodade, de clez anos a contat do fato get ado, 2 Esse entendimento, embot a ndo tenha a cicies ão unifoune da dotift lua e nem de tacks os prizes. é o que legitimmente define o contetido e o sentido das nounas clue disciplincun a matt:11a, já que se now c/a entendimento emanado do órgao do Potter haciicith lo que tem a anibuição c onstitncional de hue, etri-lav 3 O au 3" da LC 118/2005, a pretexto de into -petal esses mermos enunciadas, conferiu-lhes, 17C1 vet dctcle, um sentido e tun alccmce difereme daquele dado pelo huliciótio Ainda que defenscivel a 'into pi etagdo dada, não há coma negat que a Lei inovou no piano normativa pois tent OU das dispas/cães intopretadcts um dos seus sentidos possirets, justamente aquele tido como colter° pelo STJ, itudtprete e guaulião da legislação feclet al 4 Assim, acuando -se de preceito nounativo modijicativo e não simplesmente intespretativo, o au 3" da LC 118/2005 só pode . I \-; Processo n" 13854 000242/2003-55 S3-C3 12 AcOrdao n " 3302-09.719 Fl 270 sei eficticia p1 °Apathy:, incidindo apenas sob' e situaçães que venham a ocorter a pat fir da sua vigência. 5 0 at ago 4", segunda pat te. da 1C 118/2005, que determina a aplicação reo maim cio seu ai! 3 0 , para alcançar inclusive fatos passados, ofende o pi incipio constitucional da autonomia e independência dos podei es (CF, art 2a) e o da garantia do di, Ow adquit ido, do ato jut id/co perlidto e da coisa julgada (CF. art 50, VA7137) 6 ...irgiiição de Inc onstinicionalidade acolhida Do exposto, conclui-se ser inegável tratar-se de matéiia constitucional, uma vez que o mencionado alt. 4° determina a aplicação retioativa da inteipetação dada pelo al A matéria ainda se encontra em julgamento no Supremo Ti ibunal Federal (RE 566.621) e, como se trata de matéria constitucional, o disposto no art.. 62 do Regimento Interno do Carl, anexo II da Portaria Ml n° 256, de 2009, impede que seja afastada da aplicação da lei ao caso concreto, anteriormente à manifestação definitiva do plenário do Supremo Tiibunal Federal. Ademais, conforme sua Súmula n° 2, o Carl é incompetente para se pronunciai a respeito de inconstitucionalidade de lei: O C/IRF udo e compelente pata se pi onunciar sobre a inconstitucionalidade dc legislação li ibutát ia Considerando a Súmula STF itg 150, que diz que 'prescreve a execução no mesmo prciat de prescrição da ação" de conhecimento, o prazo para a Interessada realizar as compensações contabilmente iniciat-se-ia em 22 de setembro de 1992, quando transitou em julgado a última Ainda assim, as compensações seriam possíveis até 22 de setembro de 1997 C, portanto, foram realizadas fora do prazo. Em relação aos indébitos posteriores, conforme assinalado pelo Acórdão de primeira instfincia, somente poderiam ser efetuadas compensações até junho de 1998, tendo as DCTI: sido apresentadas em 1999. Ademais, como já decidido várias vezes por esta Turma, é a compensação, em sede de direito tributário, um ato,jurfdico positivo e no um encontro automático de contas. No caso da compensação do art. 66 da Lei n° 8.383, de 1991, a compensação deveria ser realizada escrituraimente pelo sujeito passivo. Tal modalidade de compensação não se confunde com a do art, 74 da Lei n° 9.430, de 1996, em sua antiga redação, que era realizada pelo Fisco à vista da apresentação de pedido pelo sujeito passivo. Assim, a compensação escritural somente poderia ser efetuada entre ti ibutos da mesma espécie e destinação constitucional, enquanto que as demais deveriam ser objeto de pedido, confoime esclarecido pela piOpiia solução de consulta que a Interessada citou em seu recur so. A vista do exposto, voto por negar provimento ao recurso. 7 ' 1.1 Sala das Sessões, em 09 de dezembi o de 2010 (ASSINADO DIGITALMENTE) José Antonio Fianeisco
score : 1.0
Numero do processo: 12045.000249/2007-62
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 02 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Thu Dec 02 00:00:00 UTC 2010
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/1994 a 30/04/1999.
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS RELATIVAS A FATOS
GERADORES APURADOS EM RECLAMATÓRIO TRABALHISTA.
COMPETÊNCIA DE COBRANÇA.
Para fatos geradores ocorridos até 16 de dezembro de 1998, não há limitação na competência do fisco em efetuar a cobrança das contribuições previdenciárias e de terceiros relativas a reclamatórios trabalhistas. A partir de tal data, não havendo ação condenatória, a competência do fisco foi mantida integralmente. Ainda nesse período, havendo ação condenatória, a
competência do fisco remanesce somente em relação às contribuições de
terceiros.
HABITAÇÃO FORNECIDA PELO EMPREGADOR. NATUREZA SALARIAL QUANDO DISPENSÁVEL PARA O TRABALHO.
A habitação fornecida pelo empregador ao empregado, quando dispensáveis para a realização do trabalho, tem natureza salarial. É fato notório que a habitação para diretores em grandes centros urbanos é dispensável para o trabalho, pois estes tem várias opções disponíveis para serem suportadas pelo
sua própria remuneração.
DECADÊNCIA. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA DEVIDA EM DECORRÊNCIA DE AÇÃO TRABALHISTA. IMPOSSIBILIDADE DE LANÇAMENTO PELO FISCO. CESSÃO DE MÃO DE OBRA. SOLIDARIEDADE. HABITAÇÃO FORNECIDA PELO EMPREGADOR. INEXISTÊNCIA DE NATUREZA SALARIAL.
O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo, portanto, ser aplicadas as regras de decadência estabelecidas no Código Tributário Nacional
A teor do art. 31 da Lei nº 8.212/91, a empresa contratante de serviços executados mediante cessão de mão de obra responde solidariamente com o executor pelas obrigações para com a Seguridade Social.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Crédito Tributário Mantido em Parte.
Numero da decisão: 2301-001.780
Decisão: Acordam os membros do colegiado, em relação à decadência, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para declarar a decadência de parte do período com base artigo 150, §4° do CTN, vencida a conselheira Bernadete de Oliveira Barros que aplicava o artigo 173, I do CTN. Quanto à competência para execução das contribuintes decorrentes de reclamatórias trabalhistas, por maioria de votos, entendeu-se que a competência
para o período lançado era da fiscalização e não da justiça do trabalho, vencidos os conselheiros Damião Cordeiro de Moraes e Edgar Silva Vidal. No mérito, quanto à moradia, por maioria de votos, em manter os valores lançados, vencidos os conselheiros Damião Cordeiro de Moraes, Edgar Silva Vidal e Adriano Gonzales Silvério que davam provimento; quanto à cessão de mão de obra, por unanimidade de votos, em manter os valores. Apresentará
voto vencedor o conselheiro Mauro José Silva, quanto à competência para o período lançado em razão das reclamatórias trabalhistas e ao auxílio moradia.
Nome do relator: DAMIAO CORDEIRO DE MORAES
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1994 a 30/04/1999. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS RELATIVAS A FATOS GERADORES APURADOS EM RECLAMATÓRIO TRABALHISTA. COMPETÊNCIA DE COBRANÇA. Para fatos geradores ocorridos até 16 de dezembro de 1998, não há limitação na competência do fisco em efetuar a cobrança das contribuições previdenciárias e de terceiros relativas a reclamatórios trabalhistas. A partir de tal data, não havendo ação condenatória, a competência do fisco foi mantida integralmente. Ainda nesse período, havendo ação condenatória, a competência do fisco remanesce somente em relação às contribuições de terceiros. HABITAÇÃO FORNECIDA PELO EMPREGADOR. NATUREZA SALARIAL QUANDO DISPENSÁVEL PARA O TRABALHO. A habitação fornecida pelo empregador ao empregado, quando dispensáveis para a realização do trabalho, tem natureza salarial. É fato notório que a habitação para diretores em grandes centros urbanos é dispensável para o trabalho, pois estes tem várias opções disponíveis para serem suportadas pelo sua própria remuneração. DECADÊNCIA. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA DEVIDA EM DECORRÊNCIA DE AÇÃO TRABALHISTA. IMPOSSIBILIDADE DE LANÇAMENTO PELO FISCO. CESSÃO DE MÃO DE OBRA. SOLIDARIEDADE. HABITAÇÃO FORNECIDA PELO EMPREGADOR. INEXISTÊNCIA DE NATUREZA SALARIAL. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo, portanto, ser aplicadas as regras de decadência estabelecidas no Código Tributário Nacional A teor do art. 31 da Lei nº 8.212/91, a empresa contratante de serviços executados mediante cessão de mão de obra responde solidariamente com o executor pelas obrigações para com a Seguridade Social. Recurso Voluntário Provido em Parte. Crédito Tributário Mantido em Parte.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, em relação à decadência, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para declarar a decadência de parte do período com base artigo 150, §4° do CTN, vencida a conselheira Bernadete de Oliveira Barros que aplicava o artigo 173, I do CTN. Quanto à competência para execução das contribuintes decorrentes de reclamatórias trabalhistas, por maioria de votos, entendeu-se que a competência para o período lançado era da fiscalização e não da justiça do trabalho, vencidos os conselheiros Damião Cordeiro de Moraes e Edgar Silva Vidal. No mérito, quanto à moradia, por maioria de votos, em manter os valores lançados, vencidos os conselheiros Damião Cordeiro de Moraes, Edgar Silva Vidal e Adriano Gonzales Silvério que davam provimento; quanto à cessão de mão de obra, por unanimidade de votos, em manter os valores. Apresentará voto vencedor o conselheiro Mauro José Silva, quanto à competência para o período lançado em razão das reclamatórias trabalhistas e ao auxílio moradia.
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Empresas em Geral; Salário Indireto: Habitação Recorrente NET SÃO PAULO LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1994 a 30/04/1999. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS RELATIVAS A FATOS GERADORES APURADOS EM RECLAMATÓRIO TRABALHISTA. COMPETÊNCIA DE COBRANÇA. Para fatos geradores ocorridos até 16 de dezembro de 1998, não há limitação na competência do fisco em efetuar a cobrança das contribuições previdenciárias e de terceiros relativas a reclamatórios trabalhistas. A partir de tal data, não havendo ação condenatória, a competência do fisco foi mantida integralmente. Ainda nesse período, havendo ação condenatória, a competência do fisco remanesce somente em relação às contribuições de terceiros. HABITAÇÃO FORNECIDA PELO EMPREGADOR. NATUREZA SALARIAL QUANDO DISPENSÁVEL PARA O TRABALHO. A habitação fornecida pelo empregador ao empregado, quando dispensáveis para a realização do trabalho, tem natureza salarial. É fato notório que a habitação para diretores em grandes centros urbanos é dispensável para o trabalho, pois estes tem várias opções disponíveis para serem suportadas pelo sua própria remuneração. DECADÊNCIA. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA DEVIDA EM DECORRÊNCIA DE AÇÃO TRABALHISTA. IMPOSSIBILIDADE DE LANÇAMENTO PELO FISCO. CESSÃO DE MÃO DE OBRA. SOLIDARIEDADE. HABITAÇÃO FORNECIDA PELO EMPREGADOR. INEXISTÊNCIA DE NATUREZA SALARIAL. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo, portanto, ser aplicadas as regras de decadência estabelecidas no Código Tributário Nacional. Fl. 963DF CARF MF Emitido em 08/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/08/2011 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 22/08/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assina do digitalmente em 16/08/2011 por MAURO JOSE SILVA 2 A teor do art. 31 da Lei nº 8.212/91, a empresa contratante de serviços executados mediante cessão de mãodeobra responde solidariamente com o executor pelas obrigações para com a Seguridade Social. Recurso Voluntário Provido em Parte. Crédito Tributário Mantido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, em relação à decadência, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para declarar a decadência de parte do período com base artigo 150, §4° do CTN, vencida a conselheira Bernadete de Oliveira Barros que aplicava o artigo 173, I do CTN. Quanto à competência para execução das contribuintes decorrentes de reclamatórias trabalhistas, por maioria de votos, entendeuse que a competência para o período lançado era da fiscalização e não da justiça do trabalho, vencidos os conselheiros Damião Cordeiro de Moraes e Edgar Silva Vidal. No mérito, quanto à moradia, por maioria de votos, em manter os valores lançados, vencidos os conselheiros Damião Cordeiro de Moraes, Edgar Silva Vidal e Adriano Gonzales Silvério que davam provimento; quanto à cessão de mão de obra, por unanimidade de votos, em manter os valores. Apresentará voto vencedor o conselheiro Mauro José Silva, quanto à competência para o período lançado em razão das reclamatórias trabalhistas e ao auxílio moradia. (assinado digitalmente) Julio Cesar Vieira Gomes Presidente. (assinado digitalmente) Damião Cordeiro de Moraes Relator. (assinado digitalmente) Mauro José da Silva Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes (Presidente), Bernadete de Oliveira Barros, Damiao Cordeiro de Moraes, Mauro José Silva, Adriano Gonzales Silverio, Edgar Silva Vidal Fl. 964DF CARF MF Emitido em 08/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/08/2011 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 22/08/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assina do digitalmente em 16/08/2011 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 12045.000249/200762 Acórdão n.º 230101.780 S2C3T1 Fl. 2 3 Relatório 1. Tratase de recurso voluntário interposto pela empresa NET SÃO PAULO LTDA contra decisão de primeira instância que julgou procedente o lançamento, por ter o contribuinte incorrido nos seguintes fatos geradores: a) as remunerações de empregados incluídas nas notas fiscais de prestação de serviços com cessão de mão de obra, serviços de limpeza, vigilância e trabalho temporário – período de 01/94 a 12/97; b) parcelas legais integrantes do salário de contribuição, decorrente de liquidação de acordos ou sentenças homologados na Justiça do Trabalho – período 02/97 a 03/99; c) valores pagos, aluguel e condomínio, para o diretor comercial Carlos Vasman e para o diretor superintendente Marco Aurélio dos Anjos Ferreira – salário in natura – período 10/98 a 04/99. 2. A decisão recorrida restou ementada nos seguintes termos: “CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. CESSÃO DE MÃODEOBRA. LANÇAMENTO POR ARBITRAMENTO. LEGALIDADE. ACORDOS/SENTENÇAS TRABALHISTAS. SALÁRIO IN NATURA. SALÁRIOEDUCAÇÃO. LEI. SEGURO ACIDENTE DO TRABALHO. GRAU DE RISCO. ATIVIDADE PREPONDERANTE. CONTRIBUIÇÕES EM ATRASO. JUROS. MULTA. CONSTITUCIONALIDADE. O tomador de quaisquer serviços executados mediante cessão de mãodeobra, inclusive em regime de trabalho temporário, responde solidariamente com o prestador, não se aplicando o benefício de ordem, inteligência do artigo 31 e parágrafos da Lei 8.212/91 e alterações posteriores. É lícita a apuração por aferição indireta do salário de contribuição quando a documentação comprobatória é apresentada de forma deficiente, parágrafo 3º do artigo 33 da Lei 8.212/91. Nas sentenças judiciais ou acordos homologados em que não figurem, discriminadamente, as parcelas legais de incidência, parágrafo 3º do artigo 33 da Lei n.º 8.212/91. Nas sentenças judiciais ou acordos homologados em que não figurem, discriminadamente, as parcelas legais de incidência, a contribuição previdenciária incidirá sobre o valor total, art. 43, parágrafo único da Lei 8.212/91. Entendese por salário de contribuição a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, inclusive sob a forma de utilidade, art. 28, I, e parágrafos da Lei 8.212/91. Fl. 965DF CARF MF Emitido em 08/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/08/2011 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 22/08/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assina do digitalmente em 16/08/2011 por MAURO JOSE SILVA 4 O Instituto Nacional do Seguro Social – INSS pode arrecadar e fiscalizar contribuições por lei devidas a Terceiros, inclusive as destinadas ao FNDE (Salário Educação), inteligência do artigo 94 e parágrafo único da Lei nº 8.212/91 e alterações posteriores. Legalidade da contribuição para financiamento da complementação das prestações por acidente do trabalho – SAT (competência até 06/97) / financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (competência a partir de 07/97), artigo 22,II, da Lei n.º 8.212/91, regulamentado pelo Decreto n.º 612/92 e n.º 2173/97. Sobre as contribuições sociais em atraso incidem, a partir de 01/04/97, juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – SELIC, e multa de mora que não pode ser relevada, artigos 34 e 35 da Lei n.º 8.212/91 e alterações posteriores. Compete exclusivamente ao Supremo Tribunal Federal decidir sobre matéria relativa a constitucionalidade de lei. LANÇAMENTO PROCEDENTE EM PARTE.” 3. Inconformado com o julgado, o contribuinte apresentou recurso voluntário nos termos baixo, que ora transcrevo das contrarazões: “DAS RECLAMAÇÕES TRABALHISTAS 11. Transcreve o artigo 43 da Lei n.º 8.212/91 e alega que qualquer análise ou interpretação deve ser feita de forma restritiva. Deste modo, não se pode concluir do mesmo modo que na DN, posto que o referido artigo não indica que a discriminação deve ser relativa às verbas componentes dos valores de natureza indenizatórias e/ou salariais. A norma legal estava atendida a partir do momento em que se definia a quantia vinculada às verbas e indenizatórias, como mostra a própria jurisprudência da DN. 12. Admitir que o texto legal está a exigir que, além da discriminação entre salarial e/ou indenizatória, sejam discriminadas todas as verbas componentes, caracteriza uma extensão inadmissível na interpretação da norma tributária. 13. Desrespeitar a decisão judicial transitada em julgado, mesmo que desprovida de especificação precisa das parcelas salariais/indenizatórias pode abalar os princípios constitucionais da coisa julgada e segurança jurídica. O correto seria o INSS, caso sintase lesado, interpor ação rescisória ou anulatória. (...) DA QUESTÃO DO SALÁRIO UTILIDADE – LOCAÇÃO 15. A caracterização das partes relativas a aluguéis pagos em residência de diretores da empresa não corresponde à realidade fática e contraria precedentes administrativos. 16. Devese determinar a natureza destes aluguéis: se são atribuídos pela prestação de serviços ou para o trabalho (cita Manuel de Fiscalização editado pela OS INSS/DAF 141 de 20/06/96) Fl. 966DF CARF MF Emitido em 08/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/08/2011 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 22/08/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assina do digitalmente em 16/08/2011 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 12045.000249/200762 Acórdão n.º 230101.780 S2C3T1 Fl. 3 5 17. Os diretores em questão residiam no Rio de Janeiro, conforme o próprio cadastro de Coresponsáveis emitido pela fiscalização, e foram transferidos para São Paulo para o melhor desenvolvimento da atividade empresarial da Recorrente. Foram juntados os contratos de locação que comprovam que a locação está feita em nome de pessoa jurídica e não de pessoa e física e, a qualquer momento, pode ter novos inquilinos em função das necessidades da empresa. Transcreve doutrina e jurisprudência. DA RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA 18. ‘(...) Percebese no discriminativo analítico do débito retificado – DADR (anexo à DN), às fls. 16/19, nas competências 03/94 a 11/94, ao confrontalo com o correspondente Relatório de Fatos Geradores p/ levantamento (anexo à NFLD), nas respectivas competências suso mencionadas, que matemse a cobrança sobre serviços prestados pelas empresas CLEAN MALL e LIMPIDUS, cujos débitos foram excluídos na totalidade, conforme reconhecido na DN. Esta situação é verificada nas competências 04/94. 06/94, 08/94. 09/94, 10/94 e 11/94. Ademais, indicações nestas competências não identificadas, devem ser revistas, para que não sofra o contribuinterecorrente, uma tributação relativa à solidariedade de prestadores de serviços que restam excluídos do universo obrigacional – previdenciário em debate, cabendo ao fisco previdenciário, de forma precisa, aclamar o efetivo fato gerador da cobrança que promove. Esta situação é verificada nas competências 03/94, 05/94 e 07/94. Portanto, inclusive em obediência aos termos dispostos na DN a retificar o débito, que seja previsto novamente o lançamento em debate, para o fim de, tanto identificar precisamente o fato gerador nas competências 03/94, 05/94 e 07/94, quanto, para excluir os valores correspondentes ao débito de solidariedade das empresas CLEAN MALL e LIMPIDUS, nesta competência (caso exista) e, especialmente nas competências 04/94, 06/94, 08/94, 09/94, 10/94 e 11/94, cuja cobrança ainda encontrase ativa, mesmo após a retificação operada.(...)’ DA EMPRESA CINELÂNDIA 19. Alega que é obrigação do INSS, em respeito a princípios constitucionais, constatar a inexistência de cobertura fiscal no solidário, sob pena de incorrer em bitributação. 20. Apesar da ausência do TEAF correspondente, a informação oferecida pela referida prestadora a seu tomador, levada a conhecimento do fisco, deveria ensejar a obrigação por parte do INSS de verificar seus cadastros, como foi feita no caso das prestadoras PROEVI, CLEAN MALL e LIMPIDUS. 21. O benefício de ordem não significa que o INSS não deve checar se, sobre a mão de obra vinculada à prestação de serviços, já existe cobertura fiscal. São dois momentos distintos: a viabilidade de se promover o lançamento em desfavor do tomador ou do prestador, e a impossibilidade de se promover o lançamento em uma destas pessoas sem verificar se a outra já recebera uma fiscalização correspondente ao período vinculado à ação fiscal respectiva. Deste modo o INSS deve verificar junto ao Posto Fiscal da prestadora CINELÂNDIA a existência de cobertura fiscal no período abrangido por esta NFLD, inclusive por ter quitado um parcelamento efetuado junto ao INSS. (...) Fl. 967DF CARF MF Emitido em 08/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/08/2011 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 22/08/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assina do digitalmente em 16/08/2011 por MAURO JOSE SILVA 6 DA SOLIDARIEDADE – TEMPORÁRIOS 25. Em relação à prestadora CONEXÃO, é impossível admitirse que uma empresa com débitos constituídos em seu desfavor, vinculados ao mesmo período da NFLD, seja mantida no levantamento. Portanto, há que se excluir da totalidade do débito os valores correspondentes às faturas com recolhimentos específicos (apresenta relação às fls. 402/404), bem como por força da existência de diversos lançamentos já consumados sobre estes fatos geradores, com relação à empresa CONEXÃO (relaciona os DEBCADS). 26. Em relação à prestadora LTM, apresenta lista de parcelamento junto ao INSS e conclui que, no período anterior a 12/97, inclusive, a referida prestadora encontra se com cobertura fiscal, pouco importando a inexistência de GRPS especificas pela prestação de serviços. O que importa é que o prestador parcelou sua dívida, e nada indica que não venha pagando. A conclusão da DN de que seria necessário verificar o Livro Diário é descabida. Tem que haver absoluta convicção de que o prestador não está honrando este passivo para que algo seja cobrado do tomador.” 5. Por sua vez, o fisco defende a manutenção da decisão proferida, posto que não há causa para sua reforma. 6. Os autos foram encaminhados para a apreciação da 4ª CAJ. Nessa ocasião, o julgamento foi convertido em diligência para que “a altarquia informe se as mesmas foram efetivamente fiscalizafas e, em caso positivo, o início e o término das ações fiscais, em consequência de argumentos de duplicidade de cobrança” (fl. 783). 7. Procedidas as diligências, em 25 de setembro de 2002, a 4ª CAJ, ao proceder à nova análise do processo, novamente retornou os autos para diligência, às fls. 800 a 803, nos seguintes termos: “1) Por proposta do representante do governo, que o INSS confirme no sistema informatizado os recolhimentos de fls. 217/251; e 2) Por proposta da Presidente, do representante das empresas e do representante dos trabalhadores, diligência para a verificação de débitos ioncluídos em notificações, nas empresas contratadas, ficalizafas antecedentemente, relacionados com os fatos geradores da presente NFLD, na forma do disposto nos artigos 246 e seguintes da IN/INSS 70, com atibnência à cobrança em duplicidade.” 8. Em complemento à dilegência fiscal anterior foi realizada nova averiguação sobre a discriminação de todas as notas fiscais envolvidas no lançamento, a fim de que fosse verificado e informado, de forma conclusiva, se os valores relativos às contribuições previdenciárias decorrentes de responsabilidade solidária já foram recolhidos ou confessados pelas empresas prestadoras. (fls. 810 a 812) 9. Devidamente cientificada da conclusão das diligências, e aberto prazo para manifestação da empresa, a mesma restou inerte. É o relatório. Fl. 968DF CARF MF Emitido em 08/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/08/2011 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 22/08/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assina do digitalmente em 16/08/2011 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 12045.000249/200762 Acórdão n.º 230101.780 S2C3T1 Fl. 4 7 Voto Vencido Conselheiro Damião Cordeiro de Moraes PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1. Considerando que os pressupostos de admissibilidade já foram analisados e o recurso conhecido, nos termos do decidido em assentada anterior (fl. 783), passo ao exame das questões recursais trazidas pelo contribuinte. DA DECADÊNCIA 2. Inicialmente, é importante que seja feita a análise da decadência, tendo em vista que alguns créditos tributários constituídos pelo lançamento fiscal, já se encontram decaídos segundo o prazo quinquenal previsto nos termos do Código Tributário Nacional. 3. Sobre essa questão, cumpre dizer que, nas sessões plenárias dos dias 11 e 12/06/2008, respectivamente, o Supremo Tribunal Federal STF, por unanimidade, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91 e editou a Súmula Vinculante n° 08. Seguem transcrições: “Parte final do voto proferido pelo Exmo Senhor Ministro Gilmar Mendes, Relator: Resultam inconstitucionais, portanto, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/91 e o parágrafo único do art.5º do Decretolei n° 1.569/77, que versando sobre normas gerais de Direito Tributário, invadiram conteúdo material sob a reserva constitucional de lei complementar. Sendo inconstitucionais os dispositivos, mantém se hígida a legislação anterior, com seus prazos quinquenais de prescrição e decadência e regras de fluência, que não acolhem a hipótese de suspensão da prescrição durante o arquivamento administrativo das execuções de pequeno valor, o que equivale a assentar que, como os demais tributos, as contribuições de Seguridade Social sujeitamse, entre outros, aos artigos 150, § 4º, 173 e 174 do CTN. Diante do exposto, conheço dos Recursos Extraordinários e lhes nego provimento, para confirmar a proclamada inconstitucionalidade dos arts. 45 e 46 da Lei 8.212/91, por violação do art. 146, III, b, da Constituição, e do parágrafo único do art. 5º do Decretolei n° 1.569/77, frente ao § 1º do art. 18 da Constituição de 1967, com a redação dada pela Emenda Constitucional 01/69. É como voto. Súmula Vinculante n° 08: Fl. 969DF CARF MF Emitido em 08/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/08/2011 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 22/08/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assina do digitalmente em 16/08/2011 por MAURO JOSE SILVA 8 São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. 4. Os efeitos da Súmula Vinculante são previstos no artigo 103A da Constituição Federal, regulamentados pela Lei n° 11.417, de 19/12/2006, in verbis: “Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei.” 5. Ainda sobre o assunto, Lei n° 11.417, de 19 de dezembro de 2006, dispõe o que segue: “Regulamenta o art. 103A da Constituição Federal e altera a Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999, disciplinando a edição, a revisão e o cancelamento de enunciado de súmula vinculante pelo Supremo Tribunal Federal, e dá outras providências. ... Art. 2º O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, editar enunciado de súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma prevista nesta Lei. § 1º O enunciado da súmula terá por objeto a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais haja, entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública, controvérsia atual que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre idêntica questão. (...)” 6. Como se constata, a partir da publicação na imprensa oficial, todos os órgãos judiciais e administrativos ficam obrigados a acatarem a Súmula Vinculante. 7. Dessa forma, afastado por inconstitucionalidade o artigo 45 da Lei n° 8.212/91, resta verificar qual regra de decadência prevista no Código Tributário Nacional CTN se aplicar ao caso concreto. 8. Compulsando os autos, depreendese das notificações expedidas contra a recorrente que o fisco constatou a inexistência de recolhimento diante da avaliação das remunerações de empregados incluídas nas notas fiscais de prestação de serviço com cessão de mãodeobra, serviços de limpeza, vigilância e trabalho temporário. Sendo assim, entendo que deva ser aplicada a regra do artigo 150, §4º, do CTN. Fl. 970DF CARF MF Emitido em 08/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/08/2011 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 22/08/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assina do digitalmente em 16/08/2011 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 12045.000249/200762 Acórdão n.º 230101.780 S2C3T1 Fl. 5 9 9. Assim sendo, tendo sido cientificado o recorrente do lançamento fiscal em 02/06/1999, referente às contribuições do período de 01/01/1994 a 31/12/1997, fica alcançado pela decadência quinquenal as competências 01/1994 a 05/1994, restando mantidas as competências 06/1994 a 12/1997. 10. Em razão do exposto, retiro do lançamento fiscal as competências 01/1994 a 05/1994. E considerando a existência de débito remanescente, passo a examinar as demais questões recursais. DA IMPOSSIBILIDADE DE LANÇAMENTO COM BASE EM VALORES RELATIVOS A AÇÕES TRABALHISTAS 11. Conforme consta do relatório fiscal, o débito foi lançado em razão de contribuições devidas à Seguridade Social correspondentes as seguintes rubricas: processos trabalhistas (período de crédito – 02/97 a 03/99); cessão de mão de obra (período de crédito – 01/94 a 12/97); e salários in natura (período do débito – 10/98 a 04/99). 12. Ocorre que, o lançamento referente a valores obtidos por intermédio de ação reclamatória trabalhista, não executada na Vara do Trabalho, deve ser analisado por este colegiado de ofício, uma vez que se trata de controle de legalidade do lançamento fiscal por este órgão julgador. 13. Além disso, a matéria diz respeito à própria constituição do crédito tributário, o que denota uma maior preocupação com os elementos que assegurem a validade do lançamento fiscal visando a futura cobrança, evitandose assim posteriores questionamentos judiciais por parte do contribuinte. 14. Importante ressaltar também, que o processo administrativo tributário deve caminhar em direção à realização do interesse maior, qual seja o da ordem jurídica. Nesse diapasão é que a ilegalidade a qual se procura coibir, por intermédio do exame de ofício, inibe a possibilidade de o fisco realizar o lançamento do crédito tributário, posto que antes de infringir um direito individual, fere a ordem social. 15. Assim, vale destacar, como ponto primordial, que um dos principais objetivos do julgamento no âmbito administrativo é a restauração e garantia da ordem jurídica para os administrados, fazendo prevalecer a legalidade na atividade de exigência fiscal. 16. Recusar tal assertiva é, acima de tudo, negar os efeitos de lei vigente que disciplina a matéria a ser apreciada adiante, pelo que estaria, o Tribunal Administrativo, indevidamente substituindo a figura do próprio legislador, que aprovou norma dando tratamento diferente ao procedimento adotado pelo fisco para a realização de lançamento de tributo de forma imprópria. 17. Isso porque, a atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, ou seja, a competência para constituir o crédito tributário por meio do lançamento fiscal deve observar a legislação tributária vigente em respeito ao principio da legalidade estrita. 18. Por ser condizente a essa linha de raciocínio, peço licença aos nobres companheiros para transcrever a ementa de julgado deste Conselho, em que se ressalta, inclusive, o controle interno dos atos praticados pela administração tributária: Fl. 971DF CARF MF Emitido em 08/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/08/2011 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 22/08/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assina do digitalmente em 16/08/2011 por MAURO JOSE SILVA 10 “PROCESSO ADMINISTRATIVO TRIBUTÁRIO NEGATIVA DE EFEITOS DE LEI VIGENTE COMPETÊNCIA PARA EXAME Estando o julgamento administrativo estruturado como uma atividade de controle interno dos atos praticados pela administração tributária, sob o prisma da legalidade e da legitimidade, não poderia negar os efeitos de lei vigente, pelo que estaria o Tribunal Administrativo indevidamente substituindo o legislador e usurpando a competência privativa atribuída ao Poder Judiciário.” (Acórdão 10513969; Relator: Conselheiro Álvaro Barros Barbosa Lima; Julgado em 06/11/2002) 19. Nesse momento, cumpre ressaltar que, conforme informações contidas no relatório da notificação fiscal de lançamento de débito, tenho como certo que os valores lançados originaramse de processos, conforme restou comprovado à fl. 75, quando da citação da rubrica como “Processos Trabalhistas”. 20. Com efeito, nos termos do previsto na Emenda Constitucional n.º20/1998 houve uma cisão de competência jurisdicional em relação às contribuições sociais. Como regra, a competência para dizer o direito em relação aos tributos federais é da Justiça Federal, conforme art. 109 da Constituição Federal, entretanto, em relação cobrança das contribuições sociais previstas no art. 195, I, “a”, e II, e seus acréscimos legais, decorrentes das sentenças que proferir, a competência passou a ser exclusivamente da Justiça do Trabalho. 21. Nesta linha, o teor do art. 114, §3º, contido na Emenda Constitucional n.º20/1998: "Art. 114 Compete à Justiça do Trabalho processar e julgar: (..) § 3º Compete ainda à Justiça do Trabalho executar, de ofício, as contribuições sociais previstas no art. 195, I, "a", e II, e seus acréscimos legais, decorrentes das sentenças que proferir.” 22. Porém, mesmo antes da elevação do tema a nível constitucional, a Lei nº 8.212/91 (com a alteração da Lei nº 8.620, de 5/1/93) em seu artigo 43 estabeleceu que, nas ações trabalhistas, o juiz determinaria de imediato o recolhimento das importâncias devidas à seguridade social. Eis os termos do dispositivo citado: “Art. 43. Nas ações trabalhistas de que resultar o pagamento de direitos sujeitos à incidência de contribuição previdenciária, o juiz, sob pena de responsabilidade, determinará o imediato recolhimento das importâncias devidas à Seguridade Social. (Redação dada pela Lei nº 8.620, de 5.1.93) Parágrafo único. Nas sentenças judiciais ou nos acordos homologados em que não figurarem, discriminadamente, as parcelas legais relativas à contribuição previdenciária, esta incidirá sobre o valor total apurado em liquidação de sentença ou sobre o valor do acordo homologado.” 23. De forma que, a rediscussão da contribuição previdenciária advinda do bojo de ações que tramitam ou tramitaram naquela justiça especializada não poderá mais ser Fl. 972DF CARF MF Emitido em 08/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/08/2011 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 22/08/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assina do digitalmente em 16/08/2011 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 12045.000249/200762 Acórdão n.º 230101.780 S2C3T1 Fl. 6 11 feita no âmbito do procedimento fiscalizatório. Esse foi o entendimento firmado no julgamento do Recurso n.º 241.346, da Relatoria do Conselheiro Marco André Ramos Viera: “Considerando que a Justiça do Trabalho possui competência constitucional para execução de ofício das sentenças que proferir (art. 114 da Constituição Federal); da mesma forma que a decisão que reconhecer a não incidência de contribuições não poderá ser rediscutida pela Previdência Social, a decisão que reconhecer a incidência também não poderá ser rediscutida fora do Poder Judiciário. Por uma questão lógica, quem é competente para executar é também competente para declarar tal direito.” 24. Também foi esse o meu entendimento ao apreciar o Recurso n.º 241.206, de minha relatoria, que restou ementado nos seguintes termos: “COMPETÊNCIA DO AUDITOR FISCAL. DESNECESSIDADE DE HABILITAÇÃO PROFISSIONAL. DECADÊNCIA. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PREVIDENCIÁRIA. REMUNERAÇÃO DOS EMPREGADOS. PRO LABORE. VALORES OBTIDOS EM DECISÃO DA JUSTIÇA TRABALHISTA. LANÇAMENTO INDEVIDO. INCIDÊNCIA DA TAXA SELIC. Não se exige a habilitação profissional de contador para que o auditor fiscal possa verificar a escrita fiscal da pessoa jurídica e proceder ao lançamento de eventuais créditos tributários. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo, portanto, ser aplicadas as regras de decadência estabelecidas no Código Tributário Nacional. Compete exclusivamente à Justiça do Trabalho executar, de ofício, as contribuições sociais previstas no art. 195, I, "a", e II, e seus acréscimos legais, decorrentes das sentenças que proferir. É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – SELIC.” 25. Nesta linha de raciocínio é que a Jurisprudência emanada deste Colegiado, observando inclusive o princípio da isonomia, tem sido no sentido de negar o direito, tanto ao contribuinte de obter a restituição de valores cobrados indevidamente na Justiça Trabalhista, quanto ao próprio fisco de poder cobrar tais valores no âmbito administrativo. 26. A propósito, cito os seguintes acórdãos: “RESTITUIÇÃO. PARCELA A CARGO DO SEGURADO. RECLAMATÓRIA TRABALHSITA. SETENÇA TRANSITADA EM JULGADO. IMPOSSIBILIDADE DE REDISCUSSÃO PELA VIA ADMINISTRATIVA. Fl. 973DF CARF MF Emitido em 08/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/08/2011 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 22/08/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assina do digitalmente em 16/08/2011 por MAURO JOSE SILVA 12 A sentença transitada em julgado na Justiça do Trabalho faz coisa julgada material, conforme previsto no art. 269 do Código de Processo Civil. Eventual rediscussão das contribuições previdenciárias descontadas do segurado somente é possível mediante ação rescisória, restando afastada a via administrativa.” (Recurso n.º 144.672; Relator: Conselheiro Damião Cordeiro de Moraes) “A EC nº 20/98, a partir da sua vigência, transferiu para a Justiça do Trabalho promover de ofício a execução das contribuições sociais. RECURSO CONHECIDO E PROVIDO.” (Acórdão 182/2006; Relatora: Conselheira Maria das Graças Ferreira Silva) “RESTITUIÇÃO. PARCELA A CARGO DO SEGURADO. RECLAMATÓRIA TRABALHISTA. ACORDO HOMOLOGADO. COISA JULGADA MATERIAL. IMPOSSIBILIDADE DE REDISCUSSÃO PELA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. Os acordos homologados pela Justiça do Trabalho fazem coisa julgada material, conforme previsto no art. 269, inciso III do CPC. Uma vez transitando em julgado, a rediscussão da matéria somente é possível mediante ação rescisória.” (Recurso n.º 141.348; Relator: Conselheiro Marco André Ramos Vieira) 27. Destacase, ainda, a decisão proferida em sede de recurso de revista pelo Tribunal Superior do Trabalho: “CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS COMPETÊNCIA DA JUSTIÇA DO TRABALHO ALCANCE DO ART. 114, VIII, DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 45/2005 SÚMULA Nº 368 DESTA CORTE. A nova redação conferida ao art. 114 da Constituição Federal, pela Emenda Constitucional nº 45/2005, no seu inciso VIII, conservou a competência da Justiça do Trabalho, anteriormente prevista no § 3º, no que tange às contribuições sociais, para efeito de sua execução no Judiciário Trabalhista. Já a norma ordinária que veio explicitar o alcance do seu comando, não só define o fato gerador do tributo, ou seja, sentença condenatória ou acordo homologado, ou, ainda, sentença declaratória do vínculo de emprego, como também ressalta que as contribuições serão exigidas tanto do empregado quanto do empregador. Mais do que isso, por não desconhecer a realidade jurídicoprocessual que ocorre no diaadia da Justiça do Trabalho, esclarece que a sua competência abrange, inclusive, a cobrança das contribuições sobre o valor total da condenação ou do acordo homologado, mesmo quando na decisão não é reconhecido o vínculo de emprego, mas declarada a existência de prestação de serviços. Recurso de revista provido.” (Recurso nº ROPS1898/200301606.00; Magistrado Responsável Juiz Convocado José Antônio Pancotti; Sentença RR1898/2003016 0600.7; Autor: Instituto Nacional do Seguro Social – INSS; Demandado: Ádina Nila Varela Valença / New Stetic Dental Ltda) Fl. 974DF CARF MF Emitido em 08/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/08/2011 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 22/08/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assina do digitalmente em 16/08/2011 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 12045.000249/200762 Acórdão n.º 230101.780 S2C3T1 Fl. 7 13 28. Desta forma, tendo sido o crédito lançado com base em ações trabalhistas, movidas dentro dos períodos de 02/1997 a 03/1999, portanto posteriores à vigência das normas acima delineadas (art. 43, da Lei 8.212/91), no meu sentir, ocorre a impossibilidade de o auditor fiscal lançar as contribuições previdenciárias sobre as reclamatórias trabalhistas; devendo, caso queira, recorrer à justiça do trabalho para a apreciação da matéria. 29. Sendo assim, voto pela exclusão do lançamento, no que se refere ao crédito que tomou por base as reclamatórias judiciais, referente às competências de 02/1997 a 03/1999. DA SOLIDARIEDADE DO TOMADOR DE SERVIÇO 30. No que se refere à solidariedade do tomador de serviço, muito embora o contribuinte procure demonstrar que “é ilegal disciplinar matéria relativa a sujeito passivo por meio de lei ordinária, pois a matéria atem campo de abrangência.através de lei complementar. A Lei 8.212/91 e suas alterações, todas de caráter ordinário, bem como os decretos nos quais alicerçou –se a fiscalização, não podem autorizar o fisco previdenciário a caracterizar o tomador de serviços como sujeito passivo”, tal alegação não merece prosperar. 31. Isso porque, o inciso II, do parágrafo único, do artigo 121, do Código Tributário Nacional – CTN, traz como responsável o sujeito passivo da obrigação principal, quando, sem revestir a condição de contribuinte, sua obrigação decorra de disposição expressa em lei, e não em lei complementar, como segue: “Art. 121. Sujeito passivo da obrigação principal é a pessoa obrigada ao pagamento de tributo ou penalidade pecuniária. Parágrafo único. O sujeito passivo da obrigação principal dizse: I contribuinte, quando tenha relação pessoal e direta com a situação que constitua o respectivo fato gerador; II responsável, quando, sem revestir a condição de contribuinte, sua obrigação decorra de disposição expressa de lei.” 32. Dessa forma, ao contrário do alegado pela empresa, a base legal utilizada pela autoridade fiscal para fundamentar o seu lançamento encontra respaldo na legislação tributária. 33. Posto isso, tornase importante mencionar que o instituto da responsabilidade solidária das contribuições previdenciárias por cessão de mão de obra encontrava fundamento legal na referida lei, tomando por base a redação vigente à época dos fatos, qual seja: “Redação com vigência no período de 25/07/91 a 27/06/97: Art. 31. O contratante de quaisquer serviços executados mediante cessão de mãodeobra, inclusive em regime de trabalho temporário, responde solidariamente com o executor pelas obrigações decorrentes desta lei, em relação aos serviços a ele prestados, exceto quanto ao disposto no art. 23. Redação com vigência no período de 28/06/97 a 22/10/98: Fl. 975DF CARF MF Emitido em 08/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/08/2011 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 22/08/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assina do digitalmente em 16/08/2011 por MAURO JOSE SILVA 14 Art. 31. O contratante de quaisquer serviços executados mediante cessão de mãodeobra, inclusive em regime de trabalho temporário, responde solidariamente com o executor pelas obrigações decorrentes desta Lei, em relação aos serviços prestados, exceto quanto ao disposto no art. 23, não se aplicando, em qualquer hipótese, o benefício de ordem. (Redação dada pela Lei 9.528, de 10.12.97)” (g.n.) 34. E, conforme o parágrafo único, do artigo 124, do CTN, a responsabilidade solidária não comporta o benefício de ordem: “Art. 124. São solidariamente obrigadas: (...) Parágrafo único. A solidariedade referida neste artigo não comporta benefício de ordem.” 35. Sendo assim, não há óbice no ato de o fisco ter lançado crédito contra o recorrente no que se aos serviços prestados por terceiros mediante cessão de mão de obra. 36. Diante do exposto, mantenho intacto o lançamento para as competências de 12/94 a 12/97, uma vez que para os períodos 04/94, 06/94, 08/94 a 11/94 já houve a exclusão do lançamento em decisão de primeira instância. (346 a 380) DO FORNECIMENTO DE HABITAÇÃO AOS DIRETORES 37. O contribuinte afirma que “... a moradia fornecida pela empresa a seus diretores, e relacionadas como utilidade como utilidade pela fiscalização previdenciária, resulta como necessária ao desenvolvimento das atividades de direção da empresa, ora estabelecida em São Paulo. Os diretores possuem domicílio no Rio de Janeiro, conforme confirmase pelo cadastramento de coresponsáveis, residem nestas locações, que podem ter outros residentes desde que atendidas as necessidades empresariais, apenas em função do trabalho, ou seja, para o trabalho, e não como remuneração recebida pelo trabalho.” (fl. 395) 38. A cláusula 16ª do contrato de aluguel juntado pelo contribuinte às fls. 416 e seguintes estabelece que “o imóvel objeto do presente contrato destinase a moradia de um diretor da locatária e sua família, cujo nome será apresentado em carta timbrada da locatária ao locador, por ocasião do início do contrato de locação. Caso, no decorrer da locação, haja substituição do mesmo, a empresa locatária se compromete a submeter à aprovação do locador o nome do novo morador.”(g.n) 39. Posto isso, resta demonstrado que o imóvel encontrase locado com a única função de servir de ocupação a quem esteja no cargo de diretor da empresa, devido à necessidade de sua estadia no local em decorrência do exercício de sua função na empresa. 40. Dessa forma, no que se refere ao fornecimento de moradia, segundo o ensinamento de Sergio Pinto Martins, se esta for concedida para a prestação de serviços, estará descaracterizada a sua natureza salarial. (Direito do Trabalho, 24ª Edição – Editora Atlas, 2008, página 213). 41. Nesse sentido, de acordo com o artigo 458, da Consolidação das Leis Trabalhistas – CLT, caso a disponibilização de habitação seja indispensável ao trabalho, porque senão a prestação de serviços se tornaria inviável, constituise em instrumento de trabalho e como tal deve ser gratuito não devendo ser considerado como salário. Fl. 976DF CARF MF Emitido em 08/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/08/2011 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 22/08/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assina do digitalmente em 16/08/2011 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 12045.000249/200762 Acórdão n.º 230101.780 S2C3T1 Fl. 8 15 42. Segundo reza o artigo 28, parágrafo 9º, da Lei 8.212/91, não integrará o saláriodecontribuição “os valores correspondentes a transporte, alimentação e habitação fornecidos pela empresa ao empregado contratado para trabalhar em localidade distante da de sua residência, em canteiro de obras ou local que, por força da atividade, exija deslocamento e estada, observadas as normas de proteção estabelecidas pelo Ministério do Trabalho”. (g.n.) 43. Sobre a matéria, a jurisprudência do Tribunal Superior do Trabalho TST pacifico seu entendimento no seguinte sentido: “RECURSO DE REVISTA DAS RECLAMADAS. NATUREZA JURÍDICA DA MORADIA (ALUGUEL), DO VEÍCULO E DAS PASSAGENS AÉREAS. Esta Corte Superior já pacificou o seu entendimento a respeito, mediante a Orientação Jurisprudencial n.º 131 da SBDI – 1, segundo a qual as vantagens previstas no art. 458 da CLT, quando demonstrada a sua indispensabilidade para o trabalho, não integram o salário do empregado. Recurso conhecido e provido.” (Acórdão 4ª Turma TST Rel. Min. Barros Levenhagem, RR – 75.195/2001.1, publicado no DJ de 17/10/2003). 44. Na mesma linha de raciocínio, o inciso I, da Súmula n.º 367, do TST, dispõe que o fornecimento ao empregado, pelo empregador, de habitação, energia elétrica e veículo, quando indispensáveis para a realização do trabalho, não possuem natureza salarial, conforme transcrição abaixo: “Súmula nº 367 TST Res. 129/2005 DJ 20, 22 e 25.04.2005 Conversão das Orientações Jurisprudenciais n.º 24, 131 e 246 da SDI1. Utilidades "In Natura" Habitação Energia Elétrica Veículo Cigarro Integração ao Salário I A habitação, a energia elétrica e veículo fornecidos pelo empregador ao empregado, quando indispensáveis para a realização do trabalho, não têm natureza salarial, ainda que, no caso de veículo, seja ele utilizado pelo empregado também em atividades particulares. (exOJs nº 131 Inserida em 20.04.1998 e ratificada pelo Tribunal Pleno em 07.12.2000 e nº 246 Inserida em 20.06.2001)” 45. Com base nas razões apresentadas, podese concluir que não configura salárioutilidade a moradia cedida pelo empregador para melhor desempenho da função exercida pelo empregado, posto que é necessária a sua fixação no local da prestação de serviços. 46. Por todo o exposto, voto pela exclusão do lançamento, no que se refere ao fornecimento de habitação aos diretores, referente às competências de 10/1998 a 04/1999. CONCLUSÃO Fl. 977DF CARF MF Emitido em 08/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/08/2011 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 22/08/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assina do digitalmente em 16/08/2011 por MAURO JOSE SILVA 16 47. Ante o exposto, voto no sentido de CONHECER do recurso voluntário, para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO PARCIAL, restando intactas no lançamento as competência 12/94 a 12/97. É como voto. (assinado digitalmente) Damião Cordeiro de Moraes Relator Fl. 978DF CARF MF Emitido em 08/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/08/2011 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 22/08/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assina do digitalmente em 16/08/2011 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 12045.000249/200762 Acórdão n.º 230101.780 S2C3T1 Fl. 9 17 Voto Vencedor Conselheiro Mauro José Silva, Redator Designado Nosso voto diz respeito à parte relativa às contribuições previdenciárias relacionadas com ações trabalhistas e ao auxílio moradia. O eminente relator posicionouse no sentido de que compete exclusivamente à Justiça do Trabalho executar, de ofício, as contribuições sociais previstas no art. 195, I, "a", e II, e seus acréscimos legais, decorrentes das sentenças que proferir. A argumentação do relator tem fundamento em texto constitucional vigente após a edição da emenda 20/98, ou seja, após 16 de dezembro de 1998, conforme podemos observar no item 11 do respectivo voto. Com efeito, desde aquela data a Constituição Federal já traz dispositivo que confere competência à Justiça do Trabalho para executar as contribuições previdenciárias decorrentes de ações trabalhistas. No entanto, no caso em análise, temos fatos geradores anteriores e posteriores a tal data, o que resulta na necessidade de darmos tratamento diferenciado a uma situação e a outra. Esse era o conteúdo que acertadamente já constava do art. 128 da Instrução Normativa 3/2005, in verbis: Art. 128. Serão adotados os seguintes procedimentos de fiscalização quanto às contribuições sociais incidentes sobre os fatos geradores reconhecidos por sentença proferida em reclamatória trabalhista:(Revogado pela Instrução Normativa nº 971, de 13 de novembro de 2009) I nas decisões cognitivas ou homologatórias cumpridas ou cuja execução se tenha iniciado até 15 de dezembro de 1998, data anterior ao início da vigência da Emenda Constitucional nº 20, o AFPS, durante a AuditoriaFiscal, ao constatar o não recolhimento das contribuições sociais devidas ou o recolhimento inferior ao devido, deverá apurar e lançar os créditos correspondentes; II nas decisões cognitivas ou homologatórias cumpridas ou cuja execução se tenha iniciado a partir de 16 de dezembro de 1998, é de competência da Justiça do Trabalho promover de ofício a execução da cobrança das contribuições sociais, devendo a fiscalização apurar e lançar exclusivamente o débito que porventura verificar em ação fiscal, relativo às: a) contribuições destinadas a outras entidades ou fundos, conforme disposto no art. 94 da Lei nº 8.212, de 1991, exceto aquelas executadas pelo Juiz do Trabalho; b) contribuições incidentes sobre remunerações pagas durante o período trabalhado, com ou sem vínculo empregatício, quando, por qualquer motivo, não houver sido executada a cobrança pela Justiça do Trabalho. Fl. 979DF CARF MF Emitido em 08/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/08/2011 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 22/08/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assina do digitalmente em 16/08/2011 por MAURO JOSE SILVA 18 Parágrafo único. O disposto no inciso II do caput não implica dispensa do cumprimento, pelo sujeito passivo, das obrigações acessórias previstas na legislação previdenciária. Dessa forma, entendemos que a posição do eminente relator só pode ser considerada aplicável para fatos geradores posteriores a 16 de dezembro de 1998. Quanto aos fatos geradores ocorridos posteriormente a entrada em vigor da Emenda Constitucional 20/1998, em 16 de dezembro de 1998, genericamente concordamos com a posição do relator. Porém, a questão merece um melhor esclarecimento, pois não basta que a Justiça Trabalho tenha sido acionada e emitido qualquer provimento jurisdicional para que a competência de execução passe a ser daquele órgão do Poder Judiciário. Conforme previsto no art. 114, inciso VIII da Constituição Federal, a competência da Justiça do Trabalho diz respeito à execução das contribuições previdenciárias decorrentes das sentenças que proferir. Como se sabe, para que haja uma execução é necessária a existência de um título executivo, judicial ou extrajudicial. No caso das ações trabalhistas, devemos ter um título executivo judicial obtido em ação condenatória. No caso de mera ação declaratória de existência de vínculo trabalhista, não haverá qualquer título judicial a ser executado e, portanto, não haverá competência da Justiça do Trabalho para executar tais tributos. Essa posição está em sintonia com o Acórdão do STF no RESP 569.0563, de 11/09/2008, cuja ementa reproduzimos a seguir: “EMENTA Recurso extraordinário. Repercussão geral reconhecida. Competência da Justiça do Trabalho. Alcance do art. 114, VIII, da Constituição Federal. 1. A competência da Justiça do Trabalho prevista no art. 114, VIII, da Constituição Federal alcança apenas a execução das contribuições previdenciárias relativas ao objeto da condenação constante das sentenças que proferir. 2. Recurso extraordinário conhecido e desprovido.” Assim sendo, para os fatos geradores posteriores a 16 de dezembro de 1998, é preciso que seja esclarecido se nas ações trabalhistas do caso em análise houve sentença condenatória. Em caso positivo, alinhome com a posição do relator. Caso contrário, entendo que a Secretaria da Receita Federal manteve a competência para providenciar o lançamento dos respectivos tributos e promover sua cobrança administrativa e, posteriormente, se for o caso, judicial no órgão judiciário ordinariamente competente para tanto. Por oportuno, tudo o que dissemos até aqui não se aplica às contribuições de terceiros, em obediência ao dispositivo contido no art. 114 do texto constitucional. Para tais contribuições permanece a execução a cargo da Procuradoria da Fazenda Nacional que o fará no órgão próprio do Poder Judiciário. A mencionada execução ordinariamente toma como base título executivo extrajudicial obtido após a apuração da certeza e liquidez do crédito tributário Fl. 980DF CARF MF Emitido em 08/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/08/2011 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 22/08/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assina do digitalmente em 16/08/2011 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 12045.000249/200762 Acórdão n.º 230101.780 S2C3T1 Fl. 10 19 lançado pela Secretaria da Receita Federal do Brasil como resultado de processo administrativo fiscal Nesse sentido a jurisprudência do Tribunal Superior do Trabalho(TST) é pacífica na linha do Acórdão a seguir transcrito: Ementa: AGRAVO DE INSTRUMENTO. RECURSO DE REVISTA. EXECUÇÃO DE SENTENÇA. INCOMPETÊNCIA DA JUSTIÇA DO TRABALHO. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS A TERCEIROS. VIOLAÇÃO AO ARTIGO 114 DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL. A revista se viabiliza ao conhecimento, na medida em que os incisos I, a, e II do artigo 195, expressamente citado pelo § 3o do artigo 114 da Constituição Federal, limitam a competência para execução das quotas das contribuições previdenciárias devidas pelo empregador, não alcançando as contribuições de terceiros (SESI, SENAI, SESC e outras), criadas por legislação ordinária, que reserva ao INSS a competência para fiscalização e arrecadação, como mero intermediário. Agravo de Instrumento conhecido e provido. APLICABILIDADE DA TR. VIOLAÇÃO AOS INCISOS II, XXXV E LV DO ARTIGO 5O DA CF. Não restando caracterizada violação direta e literal aos dispositivos constitucionais invocados, a admissibilidade do recurso de revista em sede de execução trabalhista encontra óbice no disposto no § 2º do artigo 896 da CLT e no Enunciado 266 do TST. De qualquer forma, convém trazer à baila o entendimento assente desta Corte, acerca da matéria questionada, consubstanciado na Orientação Jurisprudencial nº 300 da SDI 1/TST Revista não conhecida. INCOMPETÊNCIA DA JUSTIÇA DO TRABALHO. CONTRIBUIÇÕES A TERCEIROS. Havendo expressa remissão do § 3º do artigo 114 da CF, ao artigo 195, incisos I, letra a e II, do Texto Constitucional, a competência reconhecida a esta Justiça Especializada para execução das contribuições previdenciárias não alcança as contribuições de terceiros criadas por legislação ordinária, que reserva ao INSS o ônus para fiscalização e arrecadação, como mero intermediário. Revista conhecida e provida. Processo: RR 16104071.1996.5.08.0005 Data de Julgamento: 07/12/2004, Relator Juiz Convocado: Luiz Antonio Lazarim, 4ª Turma, Data de Publicação: DJ 11/02/2005. Em síntese, na parte do lançamento relativa aos reclamatórios trabalhistas nosso voto é no sentido de: (i) manter integralmente o crédito tributário lançado para fatos geradores anteriores a 16 de dezembro de 1998; (ii) para fatos geradores ocorridos a partir de 16 de dezembro de 1998, havendo ação condenatória, manter o crédito tributário somente em relação às contribuições de terceiros; ou para fatos geradores ocorridos a partir de 16 de dezembro de 1998, não havendo ação condenatória, manter integralmente o lançamento tanto em relação às contribuições de terceiros quanto em relação às contribuições previdenciárias. Fl. 981DF CARF MF Emitido em 08/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/08/2011 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 22/08/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assina do digitalmente em 16/08/2011 por MAURO JOSE SILVA 20 Incidência da contribuição previdenciária sobre salárioutilidade configurado com o fornecimento de habitação. Necessidade de o fisco demonstrar que o benefício era dispensável para o trabalho ou para a prestação de serviço. Iniciamos a análise sobre a incidência da contribuição previdenciária instituída pela Lei 8.212/91 sobre o salárioutilidade configurado com o fornecimento de habitação analisando o dispositivo constitucional que outorgou competência para a União instituir tal contribuição. Os dispositivos que tratam do assunto estão, primordialmente, no art. 195, no entanto, não podemos desconhecer o conteúdo do §art. 201 Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) a) a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) (...) II do trabalhador e dos demais segurados da previdência social, não incidindo contribuição sobre aposentadoria e pensão concedidas pelo regime geral de previdência social de que trata o art. 201; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) (...) Art. 201. A previdência social será organizada sob a forma de regime geral, de caráter contributivo e de filiação obrigatória, observados critérios que preservem o equilíbrio financeiro e atuarial, e atenderá, nos termos da lei, a: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) (...) § 11. Os ganhos habituais do empregado, a qualquer título, serão incorporados ao salário para efeito de contribuição previdenciária e conseqüente repercussão em benefícios, nos casos e na forma da lei. (Incluído dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) Fl. 982DF CARF MF Emitido em 08/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/08/2011 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 22/08/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assina do digitalmente em 16/08/2011 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 12045.000249/200762 Acórdão n.º 230101.780 S2C3T1 Fl. 11 21 Como se vê, a Constituição conferiu competência à União para instituir contribuição para financiar a seguridade social – incluída nesta a previdência social, conforme o caput do art. 194 – que pode incidir, no caso do empregador, sobre a folha de salários e demais rendimentos do trabalho; e, no caso, do trabalhador, sobre base de cálculo com relação à qual não houve expressa previsão de limites. Importante atentar para o fato de o §11º do art. 2001 ter autorizado a instituição de incidência da contribuição previdenciária sobre os ganhos habituais a qualquer título. Portanto, para as contribuições previdenciárias, temos que, desde pelo menos a edição da emenda 20/98, a incidência destas estava autorizada, entre outros, para os seguintes fatos geradores: • No caso dos empregadores, sobre a folha de salários e demais itens remuneratórios(rendimentos) pagos à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício, bem como sobre os ganhos habituais do empregado pagos a qualquer título; • No caso dos trabalhadores, não há expressa delimitação dos fatos geradores. Como é cediço, a constituição apenas autoriza a criação de tributos, deixando para a Lei Ordinária do ente federativo a tarefa de criar a exação autorizada pelo Texto Magno. No caso das contribuições para a seguridade social é a Lei 8.212/91 que cumpre esse papel de forma mais específica, apesar de existirem outras contribuições destinadas a financiar a seguridade social criadas por outras leis(PIS, COFINS e CSLL, por exemplo). A referida lei determinou, em seu art. 11, que os empregadores, a quem denominou de empresas, seriam contribuintes de contribuições sociais “incidentes sobre a remuneração paga ou creditada aos segurados a seu serviço”(parágrafo único, alínea “a”)., sendo segurados aquelas pessoas enumeradas no art. 12. Para os trabalhadores, a lei definiu que a contribuição incidiria o saláriodecontribuição, sendo este definido no art. 28. A definição das hipóteses de incidência da contribuição das empresas é encontrada no art. 22, o qual em seus quatro incisos estabelece a incidência de uma contribuição previdenciária geral sobre a remuneração dos empregados, uma contribuição previdenciária relacionada aos riscos do trabalho, uma contribuição previdenciária sobre contribuintes individuais e uma contribuição previdenciária devida sobre pagamentos a cooperativas de trabalho. Interessanos para o momento a contribuição previdenciária das empresas cuja hipótese está presente no inciso I do art. 22, in verbis: Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: I vinte por cento sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas a qualquer título, durante o mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos que lhe prestem serviços, destinadas a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de Fl. 983DF CARF MF Emitido em 08/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/08/2011 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 22/08/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assina do digitalmente em 16/08/2011 por MAURO JOSE SILVA 22 utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços, nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999) Analisando o referido dispositivo, podemos constatar, portanto, que três são as hipóteses de incidência do inciso I: remunerações, ganhos habituais sobre a forma de utilidades e adiantamentos decorrentes de reajuste salarial. Logo, cabenos verificar se os pagamentos feitos pelo empregador a título de previdência complementar estão alcançados por algumas incidências do inciso I do art. 22. Para tanto, em obediência ao art. 110 do CTN, iremos buscar o alcance das expressões constantes em tais hipóteses de incidência na legislação trabalhista. Assim, remuneração será aquilo que a CLT assim o considera. Sistematizando o conteúdo dos arts. 457 e 458 do código trabalhista, temos que remuneração é gênero do qual o salário lato sensu e as gorjetas são espécies. Ao seu turno, o salário lato sensu compreende o salário stricto sensu, as comissões, as porcentagens, as diárias e ajudas de custo que ultrapassam 50% do salário stricto sensu, as gratificações ajustadas, os abonos e as utilidades não excepcionadas pela lei trabalhista. A essa altura podemos concluir que as utilidades excepcionadas pela CLT não estão abrangidas pelo conceito de remuneração. No entanto, conforme esclarecido anteriormente, a Constituição autorizou a incidência da contribuição previdenciária não só sobre a remuneração como também sobre os ganhos habituais dos empregados a qualquer título, ao passo que a Lei 8.212/91 instituiu a incidência da contribuição das empresas sobre os ganhos habituais dos empregados sob a forma de utilidades. No que tange ao fornecimento de habitação e sua caracterização como salárioutilidade, o TST possui a Súmula 367 que esclarece em que situações a habitação fornecida podem ser considerada como salárioutilidade. In verbis: Súmula TST 367 Utilidades "in natura". Habitação. Energia elétrica. Veículo. Cigarro. Não integração ao salário. I A habitação, a energia elétrica e veículo fornecidos pelo empregador ao empregado, quando indispensáveis para a realização do trabalho, não têm natureza salarial, ainda que, no caso de veículo, seja ele utilizado pelo empregado também em atividades particulares. II O cigarro não se considera salário utilidade em face de sua nocividade à saúde. O conteúdo da Súmula 367, portanto, o qual adotamos integralmente para o caso, exige que o fornecimento de habitação seja dispensável para a realização do trabalho. Tal Fl. 984DF CARF MF Emitido em 08/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/08/2011 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 22/08/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assina do digitalmente em 16/08/2011 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 12045.000249/200762 Acórdão n.º 230101.780 S2C3T1 Fl. 12 23 circunstância, salvo a caracterização de fato notório, precisa ser provada pelo fisco, pois é este que alega a desnecessidade. A autoridade fiscal precisa carrear aos autos um conjunto probatório que demonstre a desnecessidade do fornecimento de habitação para a realização do trabalho. Caracterizada a dispensabilidade, estará preenchido o requisito para a consideração do fornecimento de habitação como salárioutilidade e, portanto, como elemento que compõe a remuneração. É de ser notado que, estando dentro do conceito de remuneração, o salário utilidade está no campo de incidência tanto da contribuição da empresas sobre a remuneração dos empregados como da contribuição das empresas sobre a remuneração dos contribuintes individuais. No caso em análise, a dispensabilidade do fornecimento de habitação para diretores atuarem em uma grande cidade é fato notório que dispensa prova. Não haveria qualquer dificuldade de o Diretor adquirir ou locar um imóvel às suas próprias expensas. Dessa maneira, entendemos que, de acordo com o que explanamos acima, a inclusão dos valores dispendidos com habitação dos diretores na base de cálculo da contribuição previdenciária foi correta. Ainda que aqui tratássemos de diretores não empregados, teríamos o mesmo desfecho. A remuneração dos diretores contribuintes individuais(não empregados) tem previsão no inciso III do art. 22, in verbis: Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: (...) III vinte por cento sobre o total das remunerações pagas ou creditadas a qualquer título, no decorrer do mês, aos segurados contribuintes individuais que lhe prestem serviços; (Incluído pela Lei nº 9.876, de 1999). Art. 12. São segurados obrigatórios da Previdência Social as seguintes pessoas físicas: (...) V como contribuinte individual: (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). (...) f) o titular de firma individual urbana ou rural, o diretor não empregado e o membro de conselho de administração de sociedade anônima, o sócio solidário, o sócio de indústria, o sócio gerente e o sócio cotista que recebam remuneração decorrente de seu trabalho em empresa urbana ou rural, e o associado eleito para cargo de direção em cooperativa, associação ou entidade de qualquer natureza ou finalidade, bem como o síndico ou administrador eleito para exercer atividade Fl. 985DF CARF MF Emitido em 08/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/08/2011 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 22/08/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assina do digitalmente em 16/08/2011 por MAURO JOSE SILVA 24 de direção condominial, desde que recebam remuneração; (Incluído pela Lei nº 9.876, de 1999). Conforme os dispositivos acima transcritos, a empresa está obrigada ao pagamento da contribuição previdenciária incidente sobre a remuneração dos contribuintes individuais com base na remuneração destes. Ocorre que, não sendo estes empregados, sua relação com a empresa não está regida pela legislação trabalhista. Logo, o conceito de remuneração para os contribuintes individuais não está adstrito ao conteúdo da CLT por força do art. 110 do CTN, como no caso dos empregados. Por conta disso, fomos buscar outras disposições de nosso direito positivo que tratem, genericamente, de remuneração e encontramos o art. 74 da Lei 8.383/91, in verbis: Art. 74. Integrarão a remuneração dos beneficiários: I a contraprestação de arrendamento mercantil ou o aluguel ou, quando for o caso, os respectivos encargos de depreciação, atualizados monetariamente até a data do balanço: a) de veículo utilizado no transporte de administradores, diretores, gerentes e seus assessores ou de terceiros em relação à pessoa jurídica; b) de imóvel cedido para uso de qualquer pessoa dentre as referidas na alínea precedente; II as despesas com benefícios e vantagens concedidos pela empresa a administradores, diretores, gerentes e seus assessores, pagos diretamente ou através da contratação de terceiros, tais como: a) a aquisição de alimentos ou quaisquer outros bens para utilização pelo beneficiário fora do estabelecimento da empresa; b) os pagamentos relativos a clubes e assemelhados; c) o salário e respectivos encargos sociais de empregados postos à disposição ou cedidos, pela empresa, a administradores, diretores, gerentes e seus assessores ou de terceiros; d) a conservação, o custeio e a manutenção dos bens referidos no item I. 1° A empresa identificará os beneficiários das despesas e adicionará aos respectivos salários os valores a elas correspondentes. (...) A lei, portanto, no caso de administradores, gerentes e seus assessores inclui na remuneração todo e qualquer benefício ou vantagem concedido pela empresa, o que, certamente, inclui o pagamento de aluguéis. Em resumo, na parte do lançamento relativa aos reclamatórios trabalhistas nosso voto é no sentido de: (i) manter integralmente o crédito tributário lançado para fatos geradores anteriores a 16 de dezembro de 1998; (ii) para fatos geradores ocorridos a partir de Fl. 986DF CARF MF Emitido em 08/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/08/2011 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 22/08/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assina do digitalmente em 16/08/2011 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 12045.000249/200762 Acórdão n.º 230101.780 S2C3T1 Fl. 13 25 16 de dezembro de 1998, havendo ação condenatória, manter o crédito tributário somente em relação às contribuições de terceiros; ou para fatos geradores ocorridos a partir de 16 de dezembro de 1998, não havendo ação condenatória, manter integralmente o lançamento tanto em relação às contribuições de terceiros quanto em relação às contribuições previdenciárias. Na parte referente ao aluguel dos diretores, votamos pelo manutenção do lançamento. (assinado digitalmente) Mauro José Silva – Redator Designado Fl. 987DF CARF MF Emitido em 08/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/08/2011 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 22/08/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assina do digitalmente em 16/08/2011 por MAURO JOSE SILVA
score : 1.0
Numero do processo: 13706.000207/2007-63
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 19 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Tue Oct 19 00:00:00 UTC 2010
Ementa: MPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA — IRPF
Exercício: 2002
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO - Verificada a existência de contradição
no julgado 6 de se acolher os Embargos de Declaração apresentados pelo FAZENDA NACIONAL.
RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE - APURAÇÃO DISCUSSÃO JUDICIAL. A tributação de rendimentos recebidos acumuladamente que tem como origem discussão judicial, deve ser feita observando-se as tabelas progressivas e aliquotas mensais vigentes na época em que os rendimentos deveriam ter sido pagos, e não calculado de maneira global. É inválida a apuração feita com base em valores globais.
IRPF - ERRO NO CRITÉRIO MATERIAL - A precisa indicação da infração e o critério material da apuração são aspectos essenciais na fixação da matéria tributável de modo que eventual erro nesse aspecto do lançamento se constitui vicio substancial e insanável e, portanto, enseja a nulidade do lançamento
Embargos acolhidos.
Acórdão reiratificado
Numero da decisão: 2202-000.834
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, acolher os Embargos Declaratórios para, rerratificando o Acórdão n.° 2202-00.434, de 10/03/2010, sanando a contradição apontada, manter a decisão original.
Matéria: IRPF- auto de infração eletronico (exceto multa DIRPF)
Nome do relator: ANTONIO LOPO MARTINEZ
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RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE - APURAÇÃO DISCUSSÃO JUDICIAL. A tributação de rendimentos recebidos acumuladamente que tem como origem discussão judicial, deve ser feita observando-se as tabelas progressivas e aliquotas mensais vigentes na época em que os rendimentos deveriam ter sido pagos, e não calculado de maneira global. É inválida a apuração feita com base em valores globais. IRPF - ERRO NO CRITÉRIO MATERIAL - A precisa indicação da infração e o critério material da apuração são aspectos essenciais na fixação da matéria tributável de modo que eventual erro nesse aspecto do lançamento se constitui vicio substancial e insanável e, portanto, enseja a nulidade do lançamento Embargos acolhidos. Acórdão reiratificado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, acolher os Embargos Declaratórios para, rerratificando o Acórdão n.° 2202-00.434, de 10/03/2010, sanando a contradição apontada, manter a decisão (Assinado digitalmente) Nelson MalImam — Presidente '.do diqMIflinlo orn 03/11;2010 por NELSON MALLMANN. 03111,12010 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Atilcniivado diclitalmonto on 03!11/2010 por ANTONIO LOPO MARTINE:7 EmiUclo r2m 30/1112010 polo Ministélio do Fa:nrido DV CA RI" M H. 2 (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez — Relator a3DE -L Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calamina Astorga, João Carlos Cassuli Júnior (Suplente convocado), Antonio Lopo Martinez, Ewan Teles Aguiar (Suplente convocado), Pedro Anan Junior e Nelson Mallmann (Presidente), Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Helenilson Cunha Pontes e Gustavo Lian Haddad, Relatório Trata-se de Embargos de Declaração opostos pela Fazenda, sob alegação de existência de contradição , uma vez que 'verifica-se que na parte dispositiva do acórdão, figura informação diversa dos fundamentos do voto, no julgado materializado no Acórdão n. 2202- 00.434 de lavra deste Conselheiro na sessão de 10-de março de 2010. Nos termos do referido acórdão esta Camara, decidiu, por maioria, dar provimento ao recurso voluntário interposto pelo contribuinte. No entanto no voto, o relator manifestava-se no sentido de negar provimento ao recurso, A Embargante alega a contradição no referido julgamento, 0 relator ao apreciar o embargo, propôs o acolhimento do embargo pelo fato da contradição ser evidente. A presidência da Camara, as fls. 110-verso, solicitou que o processo fosse encaminhado ao Conselheiro para inclusão em pauta. o relatório. Voto Conselheiro Antonio Lopo Martinez, Relator Os presentes Embargos foram opostos objetivando a manifestação desta C. Camara quanto a contradição existente no acórdão embargado, A contradição é clara e os embargos devem ser acolhidos . Reapreciando as questões cabe transcrever o relatório, constante naquele acórdão embargado: "Em desfavor do contribuinte, JAYME FERREIRA MOREIRA,- . foi lavrado auto de infração referente ao ano-calendário de 2001, exercício de 2002, consubstanciado no Auto de Infração as As. 04, que apurou imposto suplementar de R$ 27760,34, multa de oiled° no valor de KS 20 820,25, e acréscimos moratórios calculados até a lavra fura. A descrição dos fatos e o enquadramento legal encontram-se detalhados no demonstrativo fl 07, versando sobre a seguinte infração: Assinodo dioitalmente em 031111201C1 por NELSON MAIIMANN. 031112010 por ANTONIO LOPO MARTINEZ. Aulenticado diaitolmenté em 03/11/2010 per ANTONIO LOPO MARTINEZ 2 Emitido em 30/11 1 201U pelo Ministério do Fozenda DF CAR I N,1 1. 3 Processo n" 13706 000207/2007-63 S2-C2T2 Actirdiio n." 2202-00.834 Fl 2 Foram alterados as seguintes linhas de sua declaração Rendimentos recebidos de pessoas jurídicas para R$ 152.111,45, Imposto de renda retido na fonte para R$ 4.872,09. Cientificado do Auto de Infração em 29/12/2006 (fls. 21e 22), o contribuinte protocolizou impugnação em 22/0112007 (fls. 01 e 02), alegando que o valor encontra-se retido no processo 1025/89 da 30" Vara do Trabalho, conforme mencionado pela juiza do Trabalho Dia Leticia Costa Abdalla no documento anexo à impugnação. Nesse aspecto, alega que, embora o valor tenha sido retido, foge ao seu alcance efetuar a liberação de valores que estão à disposição do juizo da 30" Vara do Trabalho, cabendo exclusivamente àquele magistrado decidir sobre o momento em que tais valores serão liberados à Receita Federal. Nesse aspecto, a Dra Leticia Costa Abdalla da 30" Vara do Trabalho estaria disposta a prestar qualquer esclarecimento Receita Federal, bastando que se oficie a ela. Em 15 de junho de 2007, os membros da 3" Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento do Rio de Janeiro, proferiram Acórdão que, por unanimidade de votas, considerou procedente o lançamento, fundamentado no fato de que somente o imposto de renda retido na fonte para o qual exista comprovação pode ser pleiteado em declaração Cientificado em 09/07/2007, o contribuinte, se mostrando irTesignado, apresentou, em 08/08/2007, o Recurso Voluntário, de ,fls. 45/64, reiterando as razões da sua impugnação, cis quais .16 foram devidamente explicitadas, reforçando as seguintes pontos; - Da coisa julgada e da apuração do imposto de renda pelo regime de competência; - Da suspensão da exigibilidade do crédito pelos depósito integral, anteriormente ao vencimento da obrigação, e o forçoso expurgo da multa de oficio e dos encargos moratórios. É o relatório," Nota-se que a questão no processo concentra-se na discussão de como deve ser a tributação dos rendimentos recebidos acumuladamente em decorrência de ação trabalhista. Nesta matéria registre-se a existência do Parecer 287/2009 da PGFN que recomenda que nos casos de rendimentos recebidos acumuladamente deve ser levada em consideração as tabelas e aliquotas das épocas próprias a que se referem tais rendimentos, devendo o cálculo ser mensal e não global. Diante disso, entendo que ocorreu uma falha no critério material de apuração do tributo no caso concreto. Uma vez que não 6 possível realizar um ajuste no lançamento para acomodar a falha no critério material de apuração do mesmo, não há como manter o auto de infração nessas condições. Assicado digitalinonte cm 03/11/2010 por NELSON MALLMANN. 0311112010 por ANTONIO LOPO MARTI1JEZ . Autonticodo dklit;:tImecto cm 03/11 1 2010 por ANTONIO L000 MARTINEZ 3 Emitido em MI I 1/2010 polo Minjopçirj do Fannda DI: CARP M F 1:1 4 A precisa indicação da infração e o critério material da apuração são aspectos essenciais na fixação da matéria tributável de modo que eventual erto nesse aspecto do lançamento se constitui vicio substancial e insanável e, portanto, enseja a nulidade do lançamento. Estamos diante portanto de um erro material no lançamento Em razão de todo o exposto, voto no sentido de acolher os embargos apresentados para reti ficar o voto do Acórdão n°, 2202. 00.434, de 10 de março de 2010 e, sanando a contradição suscitada, dar provimento ao recurso voluntário. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez Assinedo cligitatmente em 03/11/2010 por NELSON MALLMANN 03 1 1112010 por ANTONIO LOP() MARTINE7 Autenticado digitalmente em 0301/2010 por ANTONIO LOP° MARTINEZ 4 Ernitir.to ern 30/11/2010 polo Ministério do Fazenda
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