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Numero do processo: 10510.003492/2010-79
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 17 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 2302-000.159
Decisão: RESOLVEM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por
unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Nome do relator: ARLINDO DA COSTA E SILVA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/12/2005 a 30/11/2009 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. MARCO ANDRÉ RAMOS VIEIRA Presidente. Arlindo da Costa e Silva Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Marco André Ramos Vieira (Presidente de Turma), Manoel Coelho Arruda Junior (Vicepresidente de turma), Liége Lacroix Thomasi, Vera Kempers de Moraes Abreu e Arlindo da Costa e Silva. Tratase de crédito tributário lançado em desfavor da cooperativa em epígrafe, consistente em contribuições previdenciárias destinadas ao FNDE, INCRA, SEBRAE E SESCOOP, incidentes sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas a segurados empregados, e as contribuições de segurados contribuintes individuais destinadas ao SEST e SENAT conforme descrito no Relatório Fiscal a fls. 29/31. Fl. 113DF CARF MF Impresso em 21/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/05/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/05/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10510.003492/201079 Resolução n.º 2302000.159 S2C3T2 Fl. 115 2 Informa a Autoridade Lançadora que os fatos geradores das Contribuições Previdenciárias objeto do presente lançamento foram apurados a partir da comparação das bases de cálculo e contribuições por segurado constantes nas folhas de pagamento, GFIP e RAIS e planilha de cálculos trabalhistas. Aduz que os cooperados e dirigentes não constam das GFIP e que, também, não foi apresentada qualquer relação ou folha de pagamento que individualize suas remunerações. Irresignado com o supracitado lançamento tributário, o sujeito passivo apresentou impugnação a fls. 35/50. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Salvador/BA lavrou Decisão Administrativa textualizada no Acórdão a fls. 63/68, julgando procedente o lançamento e mantendo o crédito tributário em sua integralidade. O Sujeito Passivo foi cientificado da decisão de 1ª Instância no dia 14/04/2011, conforme Aviso de Recebimento a fl.. Inconformado com a decisão exarada pelo órgão administrativo julgador a quo, o ora Recorrente interpôs recurso voluntário, a fls., respaldando sua inconformidade em argumentação desenvolvida nos seguintes elementos: • Que a fiscalização deixou de considerar os valores pagos em razão de parcelamento de contribuições previdenciárias. Alega que, através do anexo 7, juntado ao Auto de Infração nº 37.270.8498, a cooperativa fez a juntada de comprovantes de pagamento de prestações do parcelamento, referentes aos meses de agosto/2009 a setembro/2010, assim como informações pertinentes ao parcelamento em foco, a fim de que os valores recolhidos sejam considerados e abatidos das exações ora lançadas. Relatados sumariamente os fatos relevantes. VOTO Conselheiro Arlindo da Costa e Silva, Relator. 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1.1. DA TEMPESTIVIDADE O sujeito passivo foi válida e eficazmente cientificado da decisão recorrida no dia 14/04/2010. Havendo sido o recurso voluntário protocolado no dia 13 de maio do mesmo ano, há que se reconhecer a tempestividade do recurso interposto. Fl. 114DF CARF MF Impresso em 21/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/05/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/05/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10510.003492/201079 Resolução n.º 2302000.159 S2C3T2 Fl. 116 3 Ante a ausência de questões preliminares, passamos à análise do mérito. 2. DO MÉRITO Cumpre assentar inicialmente que não serão objeto de apreciação por este Colegiado as matérias não expressamente contestadas pelo Recorrente, as quais se presumirão verdadeiras, assim como as matérias decididas pelo órgão de 1ª instância não expressamente contestadas pelo sujeito passivo em seu instrumento de Recurso Voluntário, as quais se presumirão como anuídas pela parte. 2.1. DO ALEGADO PARCELAMENTO Alega o Recorrente que a fiscalização deixou de considerar os valores pagos em razão de parcelamento de contribuições previdenciárias. Alega que, através do anexo 7, juntado ao Auto de Infração nº 37.270.8498, a cooperativa fez a juntada de comprovantes de pagamento de prestações do parcelamento, referentes aos meses de agosto/2009 a setembro/2010, assim como informações pertinentes ao parcelamento em foco, a fim de que os valores recolhidos sejam considerados e abatidos das exações ora lançadas. Com efeito, compulsando os autos, verificamos haverem sido considerados pela fiscalização os créditos decorrentes de LDC nas competências de julho/2005 a abril/2009, conforme registrado no Relatório de Documentos Apresentados – RDA a fls. 10/12, assim como no Relatório de Apropriação de Documentos Apresentados – RADA a fls. 13/16. A cooperativa alega ter efetuado o pagamento das parcelas referentes às competências agosto/2009 a setembro/2010, mas não honrou instruir os presentes autos com as cópias autenticadas dos comprovantes de recolhimento, fazendo apenas remissão ao Processo Administrativo Fiscal referente ao Auto de Infração nº 37.270.8498, a cujos autos este relator não teve nem tem acesso. Diante da impossibilidade de se apurar a consistência das alegações acima formuladas, pugnamos pela conversão do julgamento em diligência, para que a Fiscalização se manifeste, de maneira conclusiva, a respeito do aludido pagamento das prestações relativas aos meses de agosto/2009 a setembro/2010 e a influência de tal recolhimento, caso comprovado, no crédito tributário objeto do vertente Auto de Infração, em razão da apropriação dos valores recolhidos pelos diversos lançamentos efetuados na mesma ação fiscal. 3. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, pautamos pela conversão do julgamento em diligência, nos termos assentados no parágrafo a este precedente. Do resultado da diligência, antes de os autos retornarem a este Colegiado, concedase vista ao Recorrente, para que este, desejando, possa se manifestar no processo no prazo normativo. Fl. 115DF CARF MF Impresso em 21/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/05/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/05/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10510.003492/201079 Resolução n.º 2302000.159 S2C3T2 Fl. 117 4 É como voto. Arlindo da Costa e Silva Fl. 116DF CARF MF Impresso em 21/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/05/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/05/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 13816.000847/2003-01
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 22 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Contribuição para o PIS/PASEP Período de Apuração: 01/01/1998 a 31/12/1998 CONCOMITÂNCIA. IDENTIDADE ENTRE A MATÉRIA DISCUTIDA NA INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA E JUDICIAL. INEXISTÊNCIA Apenas implica renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de oficio, com o mesmo objeto do processo administrativo. Sendo diversos os objetos, não há que se falar em concomitância Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3301-001.586
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em afastar a preliminar de nulidade, vencidos a Relatora e os conselheiros Antônio Lisboa Cardoso e Maria Teresa Martinez Lopez. Quanto ao mérito, por unanimidade de votos, deu-se parcial provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora.
Nome do relator: ANDREA MEDRADO DARZE
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Contribuição para o PIS/PASEP Período de Apuração: 01/01/1998 a 31/12/1998 CONCOMITÂNCIA. IDENTIDADE ENTRE A MATÉRIA DISCUTIDA NA INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA E JUDICIAL. INEXISTÊNCIA Apenas implica renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de oficio, com o mesmo objeto do processo administrativo. Sendo diversos os objetos, não há que se falar em concomitância Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em afastar a preliminar de nulidade, vencidos a Relatora e os conselheiros Antônio Lisboa Cardoso e Maria Teresa Martinez Lopez. Quanto ao mérito, por unanimidade de votos, deuse parcial provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. [assinado digitalmente] Rodrigo da Costa Pôssas Presidente. [assinado digitalmente] Andréa Medrado Darzé Relatora. Participaram ainda da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (presidente), José Adão Vitorino de Morais, Maria Teresa Martinez Lopez, Paulo Guilherme Déroulède e Antônio Lisboa Cardoso. Fl. 374DF CARF MF Impresso em 29/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2012 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 25/09/2012 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 16/10/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face de decisão da DRJ em Campinas que deixou de apreciar o mérito do lançamento na parte em que entendeu haver identidade com a matéria submetida ao Poder Judiciário, e, no mais, manteve em parte o Auto de Infração e Imposição de Multa, para manter os valores principais lançados e exonerar a multa de ofício sobre eles aplicada. A ora Recorrente foi intimada da lavratura de Auto de Infração relativo à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS, em 18/07/2003 (fls. 175), para exigir o crédito tributário no valor total de R$ 329.076,37 (fls. 17), em virtude da não confirmação do processo judicial indicado para fins de compensação sem DARF dos débitos declarados nos períodos de junho a setembro de 1998. Inconformada com a exigência fiscal, a ora Recorrente apresentou impugnação, alegando, em estreita síntese: (i) que a compensação foi efetivamente deferida através de decisão judicial transitada em julgada, permitindo a compensação de Finsocial com Cofins, nos autos do processo de origem n° 94.258747 (não informado na DCTF), o qual, em grau de recurso junto ao TRF, recebeu o número 97.03.0164870 (indicado incorretamente na DCTF com o dígito " 3 " ao invés de "0"). Acrescentou que a compensação é direito subjetivo que decorre da própria Constituição e das Leis 8.383/91 combinada com a Lei 9.250/95. Questionou, ainda, o termo inicial da correção monetária, alegando que deve ser considerada a data em que for apurada a atitude equivocada do contribuinte. Discordou também da aplicação da taxa SELIC, que entende inconstitucional, e que os juros teriam sido calculados em percentuais cumulativos e extorsivos, muito superior ao admitido em nosso ordenamento jurídico, sobretudo no artigo 192, §3°, da Constituição Federal. Opõese à multa de ofício aplicada no percentual de 75%, por ser excessiva e totalmente incompatível com a realidade da atual economia, requerendo a sua exclusão ou que seja minorada. Em vista da incorporação da autuada pela empresa Siemens Ltda, com domicílio fiscal no município de São Paulo, foi o processo encaminhado a DERAT/SPO (fls. 199), que, após intimar o contribuinte a prestar esclarecimentos acerca do precatório recebido nos autos vinculados à Ação 94.00258747 (fls. 202), informou às fls. 308: Conforme decisão judicial, transitada em julgado em 08/05/1998, (...) foi reconhecido o direito à compensação dos valores recolhidos a maior de FINSOCIAL com débitos da COFINS, com observância do que dispõe a lei 8383/91, sem as limitações da IN n° 67/92, corrigidas monetariamente desde o indevido recolhimento, com incidência do IPC e do INPC (fls. 281307). Cumpre ressaltar que o precatório pago no valor de R$ 207.777,31 diz respeito apenas aos honorários e custas, conforme documentação apresentada pelo contribuinte (fls. 205 280). A DRJ em Campinas julgou parcialmente improcedente impugnação apresentada, nos seguintes termos: Fl. 375DF CARF MF Impresso em 29/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2012 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 25/09/2012 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 16/10/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 13816.000847/200301 Acórdão n.º 3301001.586 S3C3T1 Fl. 93 3 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 1998 DCTF. REVISÃO INTERNA. COMPENSAÇÃO. PROCESSO JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA COM PROCESSO ADMINISTRATIVO. LANÇAMENTO. A propositura de ação judicial antes da lavratura do auto de infração não obstaculiza a formalização do lançamento, mas impede a apreciação, pela autoridade administrativa a quem caberia o julgamento, das razões de mérito submetidas ao Poder Judiciário. MULTA DE OFÍCIO. DÉBITOS DECLARADOS. Em face do princípio da retroatividade benigna, exonera se a multa de ofício no lançamento decorrente de compensações não comprovadas, apuradas em declaração prestada pelo sujeito passivo, por se configurar hipótese diversa daquelas versadas no art. 18 da Medida Provisória n° 135/2003, convertida na Lei n° 10.833/2003, com a nova redação dada pelas Leis n° 11.051/2004 e n° 11.196/2005. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Irresignado, o contribuinte recorre a este Conselho, repetindo as razões apresentadas na impugnação. É o relatório. Voto Conselheira Andréa Medrado Darzé. O recurso é tempestivo, atende as demais condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Conforme é possível perceber do relato acima, a presente autuação decorreu, exclusivamente, da suposta falta de comprovação da existência dos processos judiciais nºs. 97.03.0164873 e nºs 97.03.0164870, informados pelo contribuinte em DCTF. Ocorre que tal alegação não procede. Com efeito, a decisão recorrida confirma expressamente a existência das referidos processos judiciais. Tanto é verdade que foi exatamente este o pressuposto fixado no acórdão para concluir que a propositura de ação judicial antes da lavratura do auto de infração não obstaculiza a formalização do lançamento, mas impede a apreciação, pela autoridade administrativa a quem caberia o julgamento, das razões de mérito submetidas ao Poder Judiciário. Fl. 376DF CARF MF Impresso em 29/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2012 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 25/09/2012 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 16/10/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 4 A despeito da apresentação pelo contribuinte de provas que afastam a fundamentação legal do AI (proc jud não comprovado), a DRJ preferiu manter a exigência com base em fatos diversos. Ao assim proceder, incorreu em flagrante nulidade, na medida em que realizou autuação nova, vez que baseada em fundamento legal igualmente novo, o que extrapola a sua competência. Afinal, como o fundamento da autuação foi apenas a não confirmação da existência de medida judicial válida, a apresentação de provas em sentido contrário (ou seja, que demonstram que existem as ações judiciais indicadas em DCTF, que a ora Recorrente figura em seu polo ativo e que a matéria que nela se discute é a exigência em questão) é suficiente para afastar a autuação, nos termos prescritos pelo art. 53 da Lei nº 9.784/99 c/c o art. 10, III, do Decreto nº 70.235/72. Por outro lado, entendo que a indicação do dígito errado de uma das ações relacionadas em DCTF configura de mero erro formal, que não pode servir como fundamento para afastar a presente conclusão, no sentido de que houve erro na fundamentação legal do AI. Nesse sentido já decidiu a 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais como se verifica do trecho do voto da Relatora no Ac. 930301.287: Ora, tendo o Fisco motivado seu ato na não comprovação do processo judicial e a realidade demonstrada no processo desmentir o motivo indicado, claro está que o auto de infração deve ser anulado pela própria Administração, a teor do que determina o art. 53 da Lei nº 9.784/99, combinado com o art. 10, III, do Decreto nº 70.235/72. Da mesma forma, como exposto na decisão recorrida, o lançamento de ofício deveria ter considerado decisão transitada em julgado favorável ao contribuinte. No mais, o recurso interposto, deveria trazer contestação a todos os itens expostos na decisão guerreada, e não somente quanto à liquidez dos créditos utilizados pela contribuinte na compensação, matéria, inclusive afeta à fiscalização, se tivessem sido observados todos os requisitos legais do lançamento. Pelo exposto, suscitei, de ofício, a nulidade do presente processo, em face de ter o contribuinte apresentado provas que afastam a veracidade da fundamentação fática que o originou (“ocorrência: Proc jud não comprovado"), a qual, todavia, foi rejeitada por este colegiado, por voto de qualidade. Superada a presente nulidade, passo à análise dos fundamentos apresentados pela Recorrente para a reforma da decisão recorrida, começando pela alegação de que a impugnação deveria ser totalmente conhecida uma vez que não estaria configurada a concomitância. Com efeito, restou consignado na decisão recorrida o seguinte: Do exposto, vêse que, quando do lançamento, o contribuinte estava amparado por decisão judicial autorizando a compensação de Finsocial com Cofins, no limite do direito creditório reconhecido. Todavia, a discussão judicial acerca da possibilidade de compensação e correspondente amparo à falta de recolhimento dos valores questionados não são obstáculo à formalização do Fl. 377DF CARF MF Impresso em 29/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2012 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 25/09/2012 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 16/10/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 13816.000847/200301 Acórdão n.º 3301001.586 S3C3T1 Fl. 94 5 crédito tributário pelo lançamento de ofício decorrente de revisão de DCTF em que informado n° do processo judicial não foi confirmado nos sistemas informatizados. O lançamento, consoante o art. 142 do CTN, é decorrente do caráter vinculado e obrigatório do ato administrativo, não podendo a fiscalização, sob pena de responsabilidade funcional, eximirse de efetuálo, mesmo estando suspensa a exigibilidade do crédito tributário. Sobre o assunto, no sentido de ilustrar tal posicionamento, podemos citar trecho do voto do Ex.mo. Sr. Juiz Relator Ari Pargendler, em decisão proferida pelo Egrégio Tribunal Federal da 4a Região, em sede de Agravo de Instrumento Processo n.° 91.04.033981: (...) Por outro lado, embora não obstaculizado o lançamento, incabível apreciação das razões de mérito da exigência relativamente ao reconhecimento do direito creditório e à admissibilidade da compensação, pois, como visto, foram objeto de discussão na ação judicial. Nesse sentido são as disposições do Ato Declaratório Normativo COSIT n° 03, de 14 de fevereiro de 1996 (DOU 15/02/96), que, em face do art. 38 da Lei n°. 6.830, de 22 de setembro de 1980, definiu: "a propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda, de ação judicial por qualquer modalidade processual , antes ou posteriormente à autuação, com o mesmo objeto, importa a renúncia às instâncias administrativas, ou desistência de eventual recurso interposto " (grifos do original). Ocorre que no caso concreto não se vislumbra a identidade de objetos. Com efeito, como bem colocado pela própria decisão recorrida o objeto da ação judicial indicado pelo contribuinte foi o reconhecimento da possibilidade de compensar a COFINS com o FINSOCIAL. Por outro lado, o que se discute no presente processo é a extinção ou não do crédito ora exigido por compensação. Pelo exposto, entendo que a impugnação deveria ser integralmente conhecida por ausência de identidade entre o objeto da ação judicial e o do presente processo e, como conseqüência, deveriam ser analisados os argumentos de mérito. Pelo exposto, voto por DAR PARCIAL PROVIMENTO ao recurso voluntário apenas para afastar a concomitância. Entretanto, para que esta decisão não implique supressão de instância e, por conseguinte, violação ao princípio do devido processo legal, determino o retorno desses autos à DRJ para que julgue os argumentos de mérito, em especial quanto à compensação dos débitos fiscais efetuada pelo contribuinte e glosada pela fiscalização, verificando se o crédito financeiro utilizado era suficiente para extinguir os débitos ora exigidos por compensação. [assinado digitalmente] Andréa Medrado Darzé Fl. 378DF CARF MF Impresso em 29/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2012 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 25/09/2012 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 16/10/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 6 Fl. 379DF CARF MF Impresso em 29/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2012 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 25/09/2012 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 16/10/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS
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Numero do processo: 10680.012032/2008-65
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 10 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF
Exercício: 2004
Ementa:
INTEMPESTIVIDADE DA IMPUGNAÇÃO.
É intempestiva a impugnação apresentada após o transcurso do prazo legal de 30 (trinta) dias contados da data da ciência da intimação da exigência fiscal, excluindo-se o dia do início (data da ciência) e incluindo-se o do vencimento do prazo.
Numero da decisão: 2101-001.742
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Nome do relator: CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY
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ementa_s : Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 2004 Ementa: INTEMPESTIVIDADE DA IMPUGNAÇÃO. É intempestiva a impugnação apresentada após o transcurso do prazo legal de 30 (trinta) dias contados da data da ciência da intimação da exigência fiscal, excluindo-se o dia do início (data da ciência) e incluindo-se o do vencimento do prazo.
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É intempestiva a impugnação apresentada após o transcurso do prazo legal de 30 (trinta) dias contados da data da ciência da intimação da exigência fiscal, excluindose o dia do início (data da ciência) e incluindose o do vencimento do prazo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) ________________________________________________ LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente. (assinado digitalmente) ________________________________________________ CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Gonçalo Bonet Allage, José Raimundo Tosta Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Gilvanci Antonio de Oliveira Sousa e Celia Maria de Souza Murphy (Relatora). Fl. 128DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 16/ 07/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 21/08/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS 2 Relatório Trata o presente processo de Notificação de Lançamento contra a contribuinte em epígrafe, na qual foi apurada compensação indevida de imposto sobre a renda na fonte no montante de R$ 27.889,08. Em 17.9.2008, a contribuinte impugnou o lançamento (fls. 1 e 2), alegando, em síntese, que sofreu retenção do imposto de renda na fonte em acordo trabalhista, em decorrência de ação movida contra Gazeta Mercantil S/A, mas esta pessoa jurídica não apresentou os comprovantes da respectiva retenção. A 2.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte (MG) não conheceu da impugnação, por intempestividade, exarando o Acórdão n.º 0226.234, de 30 de março de 2010, com a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2004 IMPUGNAÇÃO. INTEMPESTIVIDADE. Considerase intempestiva a impugnação apresentada após o decurso do prazo de 30 (trinta) dias, a contar da data em que foi feita a intimação da exigência não tendo a faculdade, portanto, de instaurar a fase litigiosa do procedimento fiscal. Impugnação Não Conhecida Crédito Tributário Mantido Inconformada, a contribuinte interpôs recurso voluntário às fls. 86 e 87, no qual informa que teve ciência da Notificação em 9.6.2008 e, intimada a apresentar documentos, precisou recorrer à 2.ª Vara da Justiça do Trabalho de Uberlândia, o que demandou prazo mais extenso que o prazo legal. Por esse motivo, ficou impossibilitada de entregar a documentação solicitada pela Receita Federal, o que só foi possível em 17.9.2008. No mérito, alega que, em decorrência da ação trabalhista, recebeu o valor líquido de R$ 162.211,10, sendo descontados R$ 459,69 de contribuição previdenciária e R$ 27.889,08 de imposto sobre a renda na fonte, e que o valor glosado pela Receita Federal foi retido pela empresa Gazeta Mercantil S/A. Entende que a ação fiscal é improcedente, razão pela qual pede o acolhimento do recurso e o cancelamento do débito fiscal. É o Relatório. Voto Conselheira Celia Maria de Souza Murphy Fl. 129DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 16/ 07/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 21/08/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 10680.012032/200865 Acórdão n.º 2101001.742 S2C1T1 Fl. 2 3 A interessada teve ciência da Notificação de Lançamento constante deste processo no dia 9.6.2008, conforme comprovado às fls. 18 e 73 dos autos e apresentou sua impugnação em 17.9.2008. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte (MG) não conheceu da impugnação por intempestividade. Sobre o tema, vale ressaltar que o prazo para a apresentação da impugnação é de 30 dias contados a partir da data em que for feita a intimação da exigência. Vejamos o que estipula o Decreto n.º 70.235, de 1972, regulador do processo administrativo fiscal: Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. A contagem dos prazos no Processo Administrativo Fiscal está disciplinada no artigo 5.º do mesmo diploma legal, que assim dispõe, ipsis litteris: Art. 5° Os prazos serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento. Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato. No presente caso, iniciouse a contagem do prazo para a apresentação da impugnação em 10.6.2008, terçafeira, dia seguinte ao do recebimento da Notificação, e encerrouse em 9.7.2008. A interessada, contudo, só veio apresentar sua impugnação em 17.9.2008, vários meses após o encerramento do prazo, sob alegação de que estava aguardando a expedição de documentos solicitados à 2.ª Vara da Justiça do Trabalho de Uberlândia. No entanto, a falta de documentos por meio dos quais se pretende provar o alegado não constitui óbice à apresentação tempestiva da impugnação. O já mencionado Decreto n.º 70.235, de 1972, prevendo a ocorrência de situações impeditivas da exibição da prova quando da apresentação da impugnação, admite que documentos sejam trazidos aos autos em um momento processual posterior, a teor do seu artigo 16, verbis: Art. 16. A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) Fl. 130DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 16/ 07/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 21/08/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS 4 V se a matéria impugnada foi submetida à apreciação judicial, devendo ser juntada cópia da petição. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) [...] § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) § 6º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pela autoridade julgadora de segunda instância. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) (g.n.) Sendo assim, o argumento da interessada não a socorre, haja vista que, conforme se depreende da leitura dos dispositivos acima transcritos, no processo administrativo fiscal, os prazos recursais são peremptórios e preclusivos. Mesmo que haja impossibilidade de obter documentos a serem anexados à peça impugnatória, se é a vontade do contribuinte defenderse do lançamento perpetrado, a impugnação deve ser apresentada no prazo, haja vista que, decorrendo o lapso temporal previsto em lei sem que a impugnação seja entregue na unidade da Secretaria da Receita Federal do Brasil, extinguese, tal como ocorreu na hipótese, o direito do interessado de deduzila. Diante dessas colocações, não merece reparos a decisão a quo, que não conheceu da impugnação. Conclusão Ante todo o exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) _________________________________ Celia Maria de Souza Murphy Relatora Fl. 131DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 16/ 07/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 21/08/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 10680.012032/200865 Acórdão n.º 2101001.742 S2C1T1 Fl. 3 5 Fl. 132DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 16/ 07/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 21/08/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS
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Numero do processo: 10510.003313/2010-01
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 20 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Mar 18 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/08/2005 a 31/01/2009
ADESÃO AO PARCELAMENTO AUTORIZADO PELAS LEIS 11.196/1995 E 11.960/2009
Alega a Recorrente que aderiu ao parcelamento autorizado pelas leis acima. Contudo, o parcelamento antes aderido não foi contabilizado pela Fiscalização para efeito da autuação, uma fez que já declarado na GFIP. E, quanto as rubricas consideradas para efeito da autuação a Recorrente não provou a sua adesão, ao contrário, o documento juntado não passa de papelucho sem expressão no mundo jurídico.
MULTA CONFISCATÓRIA.
Não é multa confiscatória aquela que se enquadra à determinação legal. Bem como não há de se falar em concorrência de normas, se a que serviu de parâmetro trata de consumo e a legislação previdenciária tributária tem lei específica, não podendo aplicar multa de 2% (Lei 9.298/96)
Entretanto, segundo o CTN, Artigo 106, II, C se aplica a fato pretérito, quando a lei lhe comine penalidade menos gravosa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.
No caso em tela deve-se aplicar a Art. 61, da Lei n° 9.430/1996, até 11/2008, se mais benéfica A. Recorrente.
INEXISTÊNCIA DE FRAUDE.
Para comprovar a existência de fraude, mister que seja configurado o animus fraudandi. Não ocorrência. Também não alegado pela Fiscalização.
TAXA SELIC E JUROS
A aplicação da taxa SELIC nas autuações fiscais é determinação da legislação previdenciária, quando não é recolhido em tempo hábil as contribuições previdenciárias. Juros com base na taxa SELIC são autorizados pelo Artigo 34, da Lei n.º 8.212/91.
INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI
Esta Casa não pode avaliar inconstitucionalidade de lei, sendo o STF o Colegiado guardião da Constituição Federal.
Questão já resolvida pelo CARF em seu Regimento Interno, Artigo 62.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2301-003.178
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado: I) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei n° 9.430/1996, até 11/2008, se mais benéfica A. Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em manter a multa aplicada., II) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a).
(assinado digitalmente)
Marcelo Oliveira Presidente
(assinado digitalmente)
Wilson Antônio de Souza Côrrea Relator
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Marcelo Oliveira, Bernadete de Oliveira Barros, Leonardo Henrique Pires Lopes, Mauro José Silva, Wilson Antonio de Souza Corrêa, Damião Cordeiro de Moraes.
Nome do relator: WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/08/2005 a 31/01/2009 ADESÃO AO PARCELAMENTO AUTORIZADO PELAS LEIS 11.196/1995 E 11.960/2009 Alega a Recorrente que aderiu ao parcelamento autorizado pelas leis acima. Contudo, o parcelamento antes aderido não foi contabilizado pela Fiscalização para efeito da autuação, uma fez que já declarado na GFIP. E, quanto as rubricas consideradas para efeito da autuação a Recorrente não provou a sua adesão, ao contrário, o documento juntado não passa de papelucho sem expressão no mundo jurídico. MULTA CONFISCATÓRIA. Não é multa confiscatória aquela que se enquadra à determinação legal. Bem como não há de se falar em concorrência de normas, se a que serviu de parâmetro trata de consumo e a legislação previdenciária tributária tem lei específica, não podendo aplicar multa de 2% (Lei 9.298/96) Entretanto, segundo o CTN, Artigo 106, II, C se aplica a fato pretérito, quando a lei lhe comine penalidade menos gravosa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. No caso em tela deve-se aplicar a Art. 61, da Lei n° 9.430/1996, até 11/2008, se mais benéfica A. Recorrente. INEXISTÊNCIA DE FRAUDE. Para comprovar a existência de fraude, mister que seja configurado o animus fraudandi. Não ocorrência. Também não alegado pela Fiscalização. TAXA SELIC E JUROS A aplicação da taxa SELIC nas autuações fiscais é determinação da legislação previdenciária, quando não é recolhido em tempo hábil as contribuições previdenciárias. Juros com base na taxa SELIC são autorizados pelo Artigo 34, da Lei n.º 8.212/91. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI Esta Casa não pode avaliar inconstitucionalidade de lei, sendo o STF o Colegiado guardião da Constituição Federal. Questão já resolvida pelo CARF em seu Regimento Interno, Artigo 62. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado: I) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei n° 9.430/1996, até 11/2008, se mais benéfica A. Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em manter a multa aplicada., II) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Presidente (assinado digitalmente) Wilson Antônio de Souza Côrrea Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Marcelo Oliveira, Bernadete de Oliveira Barros, Leonardo Henrique Pires Lopes, Mauro José Silva, Wilson Antonio de Souza Corrêa, Damião Cordeiro de Moraes.
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Voluntário Acórdão nº 2301003.178 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 20 de novembro de 2012 Matéria CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA Recorrente MUNICÍPIO DE CEDRO DE SAO JOÃO PREFEITURA MUNICIPAL Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/08/2005 a 31/01/2009 ADESÃO AO PARCELAMENTO AUTORIZADO PELAS LEIS 11.196/1995 E 11.960/2009 Alega a Recorrente que aderiu ao parcelamento autorizado pelas leis acima. Contudo, o parcelamento antes aderido não foi contabilizado pela Fiscalização para efeito da autuação, uma fez que já declarado na GFIP. E, quanto as rubricas consideradas para efeito da autuação a Recorrente não provou a sua adesão, ao contrário, o documento juntado não passa de papelucho sem expressão no mundo jurídico. MULTA CONFISCATÓRIA. Não é multa confiscatória aquela que se enquadra à determinação legal. Bem como não há de se falar em concorrência de normas, se a que serviu de parâmetro trata de consumo e a legislação previdenciária tributária tem lei específica, não podendo aplicar multa de 2% (Lei 9.298/96) Entretanto, segundo o CTN, Artigo 106, II, C se aplica a fato pretérito, quando a lei lhe comine penalidade menos gravosa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. No caso em tela devese aplicar a Art. 61, da Lei n° 9.430/1996, até 11/2008, se mais benéfica A. Recorrente. INEXISTÊNCIA DE FRAUDE. Para comprovar a existência de fraude, mister que seja configurado o ‘animus fraudandi’. Não ocorrência. Também não alegado pela Fiscalização. TAXA SELIC E JUROS A aplicação da taxa SELIC nas autuações fiscais é determinação da legislação previdenciária, quando não é recolhido em tempo hábil as AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 51 0. 00 33 13 /2 01 0- 01 Fl. 130DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2013 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 01/02/2013 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 15/03/2013 por MARCELO OLIVE IRA 2 contribuições previdenciárias. Juros com base na taxa SELIC são autorizados pelo Artigo 34, da Lei n.º 8.212/91. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI Esta Casa não pode avaliar inconstitucionalidade de lei, sendo o STF o Colegiado guardião da Constituição Federal. Questão já resolvida pelo CARF em seu Regimento Interno, Artigo 62. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado: I) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei n° 9.430/1996, até 11/2008, se mais benéfica A. Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em manter a multa aplicada., II) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira – Presidente (assinado digitalmente) Wilson Antônio de Souza Côrrea – Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Marcelo Oliveira, Bernadete de Oliveira Barros, Leonardo Henrique Pires Lopes, Mauro José Silva, Wilson Antonio de Souza Corrêa, Damião Cordeiro de Moraes. Fl. 131DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2013 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 01/02/2013 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 15/03/2013 por MARCELO OLIVE IRA Processo nº 10510.003313/201001 Acórdão n.º 2301003.178 S2C3T1 Fl. 3 3 Relatório De acordo com o Relatório Fundamentos Legais do débito FLD, fls.18, Auto de Infração lavrado contra a Recorrente para a constituição do crédito tributário para a cobrança de contribuições devidas a outras entidades e fundos (terceiros) nas competências agosto de 2005 a dezembro de 2007, fevereiro a dezembro de 2008 Foram lançadas as contribuições devidas pela empresa ao SEST e ao SENAT, cujas alíquotas somadas alcançam o percentual de 2,5%. As contribuições lançadas incidem sobre as remunerações pagas aos contribuintes individuais prestadores de serviço de frete. O lançamento do débito corresponde às bases de cálculo não oferecidas à tributação pelo contribuinte através da declaração em Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), que foram apuradas pela fiscalização com base nas Relações de Pagamento fornecidas pelo contribuinte. Tomou ciência e tempestivamente anatematizou o AI, através de impugnação, cuja qual foi julgada improcedente pela DRJ. Em 21.MAR.2011 foi notificada da DN e em 18 de abril do mesmo ano aviou o presente Remédio Recursal com as seguintes alegações: i) adesão ao parcelamento autorizado pelas Leis 11.196/1995 e 11.960/2009; ii) caráter confiscatório da multa; iii) inexistência de fraude; iv) juros – aplicação SELIC – Inconstitucionalidade; ao final requer a procedência do Recurso Voluntário, modificando a decisão anatematizada. É a síntese do necessário. Fl. 132DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2013 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 01/02/2013 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 15/03/2013 por MARCELO OLIVE IRA 4 Voto Conselheiro Wilson Antônio de Souza Côrrea Relator O presente Recurso Voluntário acode os pressupostos de admissibilidade, razão pela qual, desde já, dele conheço. ADESÃO AO PARCELAMENTO AUTORIZADO PELAS LEIS 11.196/1995 E 11.960/2009 Alega a Recorrente que aderiu ao parcelamento autorizado pelas leis 11.196/1995 e 11.960/2009, cujo comprovante foi juntado com a peça de impugnação. Todavia, com todo respeito à Defesa, mas o documento que foi acostado com a peça defensiva às fls. 39 em PDF do segundo volume, não passa de um papelucho, sem expressão jurídica, pois nem mesmo preenchido está, e, se quer tem número de protocolo. Se a intenção foi criar imbróglio para dificultar o profícuo conhecimento dos fatos, não foi feliz, pois o relapso sinalizou com mais evidência. Mas, por outro lado, no item 08 do Relatório Fiscal informa que foram considerados a crédito do contribuinte os valores parcelados constantes nos DCG Débito Confessado em GFIP existentes em nome do impugnante nos sistemas informatizados da Receita Federal do Brasil RFB, identificados. De forma que os valores já parcelados foram abatidos das contribuições apuradas na fiscalização. Este abatimento pode ser constatado no Relatório de Apropriação de Documentos Apresentados RADA, fls. 29 a 34, onde os parcelamentos encontramse identificados pela sigla LDC Lançamento de Débito Confessado. Quanto as divagações a respeito das leis de concessão ao parcelamento de nada servem, pois se não provou a adesão infrutífera é, e, ainda, não foram lançados débitos já conhecidos pela fiscalização como parcelados e confessados em GFIP. Neste quesito não assiste razão a Recorrente. CARÁTER CONFISCATÓRIO DA MULTA Requer em sua peça recursiva a não aplicação da multa, porque insiste que houve adesão ao parcelamento das leis acima mencionadas. E, argumenta também que em caso de aplicação da multa tem que ser aplicada a de 2% conforme preconiza a Lei 9.298/96, por ser a mais benéfica, já que a doutrina, segundo a Recorrente, e a Jurisprudência, no caso de concurso de lei, aplicase a mais favorável ao contribuinte. Quanto ao parcelamento, tratase de questão já ultrapassada e decidida, onde não se conheceu dele porque não houve prova cabal de sua adesão. Então, há aplicação da multa, se a tese defensiva é esta. E, referente ao concurso de leis, onde se roga aplicação da multa de 2% com fulcro na Lei n° 9.298/96, por haver concurso de leis e por ser a mais benéfica, urge trazer à Fl. 133DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2013 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 01/02/2013 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 15/03/2013 por MARCELO OLIVE IRA Processo nº 10510.003313/201001 Acórdão n.º 2301003.178 S2C3T1 Fl. 4 5 baila uma breve noção de que isto ocorre quando um mesmo fato possui tipicidade em relação a mais de uma norma aparentemente iguais, ou seja, seria duas ou mais normas aplicáveis a um mesmo caso concreto. Evidente que existe somente a aparência, porque não há de fato o chamado concurso de normas. E, em caso de aparência apenas uma só será aplicada, mas não como diz a Recorrente, no caso em tela, pois prevalecerá a especialidade da lei. É necessário que se diga que no presente caso não houve conflito de leis, uma vez que a apontada pela Recorrente trata de relação de consumo, caso que não guarda se quer aparência com relação de contribuição. Admitindose, por amor a dialética jurídica, que houve concurso de normas, temos que a apontada pela Recorrente, ou seja, a Lei 9.298/96 dispõe sobre a proteção do consumidor, ao passo que a relação existente entre as partes não é de consumo, mas sim de contribuinte, portanto, pela especialidade temse que a Lei 8.212/91 é específica para o caso. Mas, uma coisa o Recorrente tem razão, quanto a aplicação mais benéfica do dispositivo da norma, conforme prevê o CTN, Artigo 106, inciso II, C, que a lei se aplica a fato pretérito quando lhe comine penalidade menos gravosa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Neste caso, como parte do período de apuração é anterior à data da edição da MP 449, é necessário verificar qual penalidade de multa é a menos onerosa ao contribuinte, qual seja, a oriunda da legislação ao tempo da prática ou a da legislação atual. Assim, penso que a menos gravosa seja o Art. 61, da Lei n° 9.430/1996, até 11/2008, se mais benéfica à Recorrente. INEXISTÊNCIA DE FRAUDE Diz a Recorrente que não houve fraude, mas sim parcelamento que a própria Fiscalização reconhece, razão pela qual não há inadimplência e tão pouco fraude. De fato, como alhures dito a Fiscalização reconheceu o parcelamento de outros débitos antes já declarados em GFIP, cujos quais não fizeram parte da autuação. O que não houve foi a dita adesão as leis antes mencionadas, onde o Recorrente informou ter juntado documento comprovando o seu reconhecimento de parcelamento das rubricas autuadas, o que não é verdade. Mas, isto, por si só não configura fraude, assistindo razão a Recorrente. Mas, que não confunda aplicação de pena por fraude, com punição de não cumprimento de obrigação previdenciária. Por outro lado, a Fiscalização não fulcrou sua atuação nesta questão, cuja qual nem foi cogitada. TAXA SELIC E JUROS Fl. 134DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2013 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 01/02/2013 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 15/03/2013 por MARCELO OLIVE IRA 6 Quanto a desejada exclusão dos juros e da dita ilegalidade na aplicação da taxa SELIC, não assiste razão a Recorrente, porque a fiscalização não inventou as suas aplicações. Ao contrário, é determinação da legislação previdenciária. Em não sendo recolhido no tempo adequado as contribuições previdenciárias, o contribuinte ‘atrasado’ tem que honrar com a sua desídia ou outra razão qualquer, que não importa ao fisco. Mas, o certo é que, tal exigência serve para não permitir a agressão ao principio da isonomia, tão bem defendida pela Carta Cidadã, uma fez que o contribuinte que não recolher no prazo fixado, não pode ter o mesmo tratamento daquele outro que cumpri regularmente as suas obrigações fiscais. Quanta as ditas aplicações ilegais dos juros com base na taxa SELIC, urge verificar que a sua utilização está disciplinada no artigo 34, da Lei n.º 8.212/91: “Art. 34. As contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas pelo INSS, incluídas ou não em notificação fiscal de lançamento, pagas com atraso, objeto ou não de parcelamento, ficam sujeitas aos juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC, a que se refere o art. 13 da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995, incidentes sobre o valor atualizado, e multa de mora, todos de caráter irrelevável. (Restabelecido com redação alterada pela MP nº 1.571/97, reeditada até a conversão na Lei nº 9.528/97. A atualização monetária foi extinta, para os fatos geradores ocorridos a partir de 01/95, conforme a Lei nº 8.981/95. A multa de mora esta disciplinada no art. 35 desta Lei)” Em 18 de setembro de 2007 o Segundo Conselho de Contribuintes aprovou a SÚMULA Nº 3, com o seguinte teor, que põe uma pá de cal na argumentação defensiva, ‘ex vi’: “SÚMULA Nº 3 É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – Selic para títulos federais.” Dito isto, não há dúvida da regularidade e acerto cometido pela Fiscalização em sua autuação, onde usou os juros com base na taxa SELIC. INCOSTITUCIONALIDADE DE LEI. Esta Corte administrativa, como todas as demais, inclusive judicial, exceto o Supremo Tribunal Federal, não têm competência para distribuir, analisar e julgar processos e ou matérias que tratam de inconstitucionalidade de lei. Devese ater o Recorrente ao entendimento anotado no Parecer CJ 771/97 que: “O guardião da Constituição Federal é o Supremo Tribunal Federal, cabendo a ele declarar a inconstitucionalidade de lei ordinária. Se o destinatário de uma lei sentir que ela é inconstitucional, o Pretório Excelso é o órgão competente para tal declaração. Já o administrador ou servidor público não pode se eximir de aplicar uma lei porque o seu destinatário entende ser inconstitucional quando não há manifestação definitiva do STF a respeito”. Fl. 135DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2013 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 01/02/2013 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 15/03/2013 por MARCELO OLIVE IRA Processo nº 10510.003313/201001 Acórdão n.º 2301003.178 S2C3T1 Fl. 5 7 De forma que, ainda que seja uma vírgula mal distribuída num parágrafo da lei anatematizada pelo Recorrente, o caminho a postular inconstitucionalidade e perquirir direitos é o Pretório Excelsior, e não esta via. Mais ainda, há de destacar que a atividade administrativa encontrase com vinculo ao que determina a lei, como dito por muitos, ‘as ações do gestor público é escravizada pela lei’. Neste sentido, peço vênia para juntar escólio do perleúdo jurista Alexandre de Moraes ( curso de direito constitucional, 17ª ed. São Paulo. Editora Atlas 2004.314) colaciona valorosa lição: “O tradicional princípio da legalidade, previsto no art. 5º, II, da CF, aplicase normalmente na administração pública, porém de forma mais rigorosa e especial, pois o administrador público somente poderá fazer o que estiver expressamente autorizado em lei e nas demais espécies normativas, inexistindo, pois, incidência de vontade subjetiva. Esse principio coadunase com a própria função administrativa, de executor do direito, que atua sem finalidade própria, mas sem em respeito à finalidade imposta pela lei, e com a necessidade de preservarse a ordem jurídica” E, de mais a mais, observase que o o Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria 256, de 22/06/2009, veda aos Conselheiros de Contribuintes afastar aplicação de lei ou decreto sob fundamento de inconstitucionalidade, conforme disposto em seu art. 62. Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Para finalizar, trago à baila que o Conselho Pleno, no exercício de sua competência, uniformizou a jurisprudência administrativa sobre tal matéria, por meio do Enunciado 02/2007, ‘in verbis’: Enunciado nº 02: O Segundo Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de legislação tributária. Portanto, neste quesito, pelas fortes razões acima, não merece nenhuma reforma a decisão ‘a quo’. CONCLUSÃO Diante do acima exposto, como o presente recurso voluntário atende os pressupostos de admissibilidade, dele conheço, para no mérito DARLHE PARCIAL PROVIMENTO quanto aplicação da multa insculpida no Artigo Art. 61, da Lei n° 9.430/1996, até 11/2008, se mais benéfica à Recorrente, e, nas demais questões, manter a decisão hostilizada. É o voto. Fl. 136DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2013 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 01/02/2013 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 15/03/2013 por MARCELO OLIVE IRA 8 (assinado digitalmente) Wilson Antônio de Souza Côrrea Relator . Fl. 137DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2013 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 01/02/2013 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 15/03/2013 por MARCELO OLIVE IRA
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Numero do processo: 10730.008343/2007-14
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 12 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2005
IRPF. DEDUÇÕES. DESPESA MÉDICA.
Comprovadas, através de recibos idôneos trazidos aos autos e
ainda de declarações firmadas pelos prestadores de serviços a
efetividade das despesas médicas efetuadas, devem as mesmas ser restabelecidas.
Numero da decisão: 2102-001.294
Decisão: ACORDAM os membros da 1ª câmara / 2ª turma ordinária do segunda
SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, para restabelecer a dedução do valor total de R$ 12.316,00 a título de despesas médicas no ano-calendário 2004.
Matéria: IRPF- auto de infração eletronico (exceto multa DIRPF)
Nome do relator: ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI
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materia_s : IRPF- auto de infração eletronico (exceto multa DIRPF)
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005 IRPF. DEDUÇÕES. DESPESA MÉDICA. Comprovadas, através de recibos idôneos trazidos aos autos e ainda de declarações firmadas pelos prestadores de serviços a efetividade das despesas médicas efetuadas, devem as mesmas ser restabelecidas.
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decisao_txt : ACORDAM os membros da 1ª câmara / 2ª turma ordinária do segunda SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, para restabelecer a dedução do valor total de R$ 12.316,00 a título de despesas médicas no ano-calendário 2004.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1741; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C1T2 Fl. 66 1 65 S2C1T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10730.008343/200714 Recurso nº 516.362 Voluntário Acórdão nº 210201.294 – 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 12 de maio de 2011 Matéria IRPF deduções Recorrente ELISA MELLO SOUZA Recorrida 6ª Turma da DRJ em Brasília ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005 IRPF. DEDUÇÕES. DESPESA MÉDICA. Comprovadas, através de recibos idôneos trazidos aos autos e ainda de declarações firmadas pelos prestadores de serviços a efetividade das despesas médicas efetuadas, devem as mesmas ser restabelecidas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1ª câmara / 2ª turma ordinária do segunda SSEEÇÇÃÃOO DDEE JJUULLGGAAMMEENNTTOO, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, para restabelecer a dedução do valor total de R$ 12.316,00 a título de despesas médicas no ano calendário 2004. Assinado digitalmente Giovanni Christian Nunes Campos Presidente Assinado digitalmente Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti Relator EDITADO EM: 13/05/2011 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Giovanni Christian Nunes Campos (Presidente), Núbia Matos Moura, Atilio Pitarelli, Rubens Mauricio Carvalho e Acácia Sayuri Wakasugi. Fl. 1DF CARF MF Impresso em 30/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2011 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 24/10/2011 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 31/10/2011 por GIO VANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS 2 Relatório Em face da contribuinte acima identificada foi lavrada a Notificação de Lançamento de fls. 03/06 para exigência de IRPF em razão da glosa de despesas médicas e com instrução, e ainda da dedução indevida de dependente no anocalendário 2004. Cientificada do lançamento, a contribuinte apresentou a impugnação de fls. 01, por meio da qual requereu a juntada de recibos devidamente preenchidos e com endereço. Na análise de suas alegações, os membros da DRJ em Brasília decidiram pela manutenção integral do lançamento em razão da falta de identificação dos beneficiários dos tratamentos médicos nos recibos apresentados. Consideraram como não impugnadas a glosa das despesas com instrução, bem como dedução com dependentes. A contribuinte teve ciência de tal decisão e contra ela interpôs o Recurso Voluntário de fls. 42/44, por meio do qual requer que sejam reputadas como comprovadas as despesas médicas no total de R$ 12.316,00, pois não logrou comprovar os R$ 16.581,86 objeto do lançamento. Concordou expressamente com a manutenção do lançamento no que diz respeito às despesas com instrução e dedução de dependente. Afirma que ela mesma foi a beneficiária de todos os serviços médicos prestados, e apesar de não concordar com a interpretação dada ao caso pela decisão recorrida, anexa ao seu Recurso declarações prestadas por todos os médicos emitentes dos recibos, atestando a efetiva prestação do serviço. Reiterou, então, o pedido de que fosse acolhida a dedução de R$ 12.316,00 a título de despesas médicas. Os autos foram remetidos a este Conselho para julgamento. É o Relatório. Voto Conselheiro Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti, Relator O contribuinte teve ciência da decisão recorrida em 08.09.2009, como atesta o AR de fls. 41. O Recurso Voluntário foi interposto em 28.09.2009 (dentro do prazo legal para tanto), e preenche os requisitos legais por isso dele conheço. Tratase de Recurso Voluntário interposto em face de decisão que manteve lançamento de IRPF, por meio do qual foram glosadas as despesas médicas declaradas pela Recorrente, bem como despesas com instrução e com dependentes. A Recorrente – desde a apresentação de sua Impugnação – somente se insurge contra a glosa das despesas médicas, tendo expressamente concordado com as demais infrações. Fl. 2DF CARF MF Impresso em 30/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2011 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 24/10/2011 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 31/10/2011 por GIO VANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10730.008343/200714 Acórdão n.º 210201.294 S2C1T2 Fl. 67 3 Além disso, em sede de Recurso, esclarece que nem todas as despesas médicas podem ser comprovadas por ela, e por isso pugna pelo restabelecimento do valor de R$ 12.316,00, quando o total das despesas médicas glosadas era de R$ 16.581,86. Para comprovar a efetividade das despesas que reputa como comprovadas, a Recorrente trouxe – ainda em sede de Impugnação – os recibos comprobatórios dos referidos dispêndios. Tais recibos, porém, não foram acolhidos pela decisão recorrida, ao argumento de que não teriam a indicação do beneficiário dos tratamentos médicos pagos. Eis o que motivou a manutenção da glosa das despesas médicas pela decisão recorrida: A Impugnante com o objetivo de comprovar as deduções com despesas médicas anexa diversos recibos, às fls. 07/17, contudo verificamos que nenhum dos recibos especifica o nome do beneficiário das despesas médicas, portanto, tais documentos estão em desacordo com a legislação acima demonstrada. A falta de comprovação por documentação hábil e idônea dos valores informados a titulo de dedução de despesas médicas na Declaração do Imposto de Renda importa na manutenção da glosa. Em seu Recurso Voluntário, a Recorrente se insurge contra tal entendimento, afirmando que se o recibo foi emitido em seu nome, isto significa que os serviços médicos foram prestados a ela. Além disso, e a fim de demonstrar o seu bom direito, anexou ao recurso declarações firmadas por cada um dos médicos signatários dos recibos, por meio das quais os mesmos corroboram o seu conteúdo, ratificando os valores recebidos e informando que ela foi a beneficiária dos serviços prestados. A decisão recorrida merece reforma. Isto porque o art. 8º da Lei nº 9.250/95 assim determina: Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: (...) II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; (...) § 2º O disposto na alínea a do inciso II: I aplicase, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades Fl. 3DF CARF MF Impresso em 30/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2011 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 24/10/2011 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 31/10/2011 por GIO VANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS 4 que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Geral de Contribuintes CGC de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; IV não se aplica às despesas ressarcidas por entidade de qualquer espécie ou cobertas por contrato de seguro; (...) Como se vê, a lei determina que para a comprovação das despesas médicas efetuadas pelo contribuinte deverá ele ter em mãos recibos que o comprovem, e – na falta destes (ou quando estes não mereçam fé) – outros documentos que comprovem o pagamento e a efetividade do serviço. No caso em exame, a decisão recorrida deixou de acolher os recibos trazidos aos autos pela Recorrente para demonstrar suas despesas médicas pelo fato de que o beneficiário dos serviços prestados não estaria evidenciado em tais documentos. Com o devido respeito, este entendimento não pode prosperar. Para deixar de acolher os recibos trazidos pela Recorrente – documentação esta que, de acordo com a lei, seria suficiente para comprovar as despesas médicas deduzidas na DIRPF – caberia às autoridades julgadoras ter trazido mais subsídios que indicassem que os recibos apresentados não serviam ao fim a que se destinam (de comprovar tais despesas). Ora, a afirmação da Recorrente está correta: se não há indicação do contrário, é de se presumir que o beneficiário dos serviços médicos prestados é sempre a pessoa em nome da qual os recibos foram emitidos. Assim, o motivo utilizado pela decisão recorrida para não aceitar os recibos trazidos pela Recorrente não seria suficiente para manter a glosa que deu origem ao lançamento. Os recibos em questão seriam, por si sós, documentação suficiente a comprovar estes dispêndios. No entanto, inconformada com a manutenção do lançamento, a Recorrente foi além, e trouxe aos autos declarações firmadas pelos emitentes dos recibos, por meio das quais os valores pagos são confirmados, bem como a respectiva prestação de serviço, tendo como beneficiária a Recorrente. Diante do exposto, é de se acolher as deduções pleiteadas pela Recorrente, no limite dos valores constantes dos recibos trazidos aos autos, que somam R$ 12.316,00, da seguinte forma: profissional Valor fls. dos autos William R$ 1.690,00 61 a 63 Fl. 4DF CARF MF Impresso em 30/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2011 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 24/10/2011 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 31/10/2011 por GIO VANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10730.008343/200714 Acórdão n.º 210201.294 S2C1T2 Fl. 68 5 Hidemitsu R$ 660,00 52 e 53 Fabio R$ 5.000,00 48 a 51 Maria Lucia R$ 200,00 46 e 47 Marcia R$ 4.580,00 54 a 60 Assembleia R$ 186,00 45 R$ 12.316,00 Assim, VOTO no sentido de DAR provimento ao recurso para restabelecer a dedução do valor total de R$ 12.316,00 a título de despesas médicas no anocalendário 2004. Sala das Sessões, em 12 de Maio de 201112 de maio de 2011 Assinado digitalmente Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti Fl. 5DF CARF MF Impresso em 30/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2011 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 24/10/2011 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 31/10/2011 por GIO VANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS
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Numero do processo: 10675.907152/2009-01
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 06 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Apr 10 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 1801-000.161
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento na realização de diligências, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Carmen Ferreira Saraiva, João Carlos de Figueiredo Neto e Ana de Barros Fernandes.
Nome do relator: ANA DE BARROS FERNANDES
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento na realização de diligências, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes – Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Carmen Ferreira Saraiva, João Carlos de Figueiredo Neto e Ana de Barros Fernandes. RELATÓRIO A empresa recorre do Acórdão nº 0939.085/12 exarado pela Segunda Turma de Julgamento da DRJ em Juiz de Fora/MG, fls. 56 a 61, que julgou improcedente o direito creditório pleiteado pela contribuinte, bem como não homologar as pertinentes compensações deste crédito com débitos tributários, formalizados nos Per/Dcomp (pedidos de restituição e declaração de compensação) – fls. 01 a 05. Aproveito trechos do relatório e voto do aresto vergastado para historiar os fatos: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 06 75 .9 07 15 2/ 20 09 -0 1 Fl. 91DF CARF MF Impresso em 10/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 13/11/2 012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10675.907152/200901 Resolução nº 1801000.161 S1TE01 Fl. 3 2 “A interessada transmitiu a DCOMP n° 35603.42532.140606.1.3.048221, visando compensar o débito nela declarado, com crédito oriundo de pagamento indevido de CSLL, efetuado em 29/10/2004. A DRFUberlândia/MG emitiu Despacho Decisório eletrônico, à fl. 07 do processo virtual, no qual não homologa a compensação pleiteada diante da inexistência de crédito. A empresa apresenta manifestação de inconformidade, na qual alega, em síntese, que: · ao calcular e preencher o DARF relativo a Contribuição Social s/Lucro LíquidoCSLL, referente ao 3° trimestre de 2004, cometeu um equivoco fazendo constar naquele documento um valor maior que o devido; · apresenta a cópia da ficha 18 A (doc. em anexo) da DIPJ onde constam os valores da receita bruta do 3° trimestre de 2004, bem como o respectivo cálculo dessa contribuição; · o recolhimento a maior da Contribuição Social S/ Lucro LíquidoCSLL, relativa ao 3° trimestre de 2004, se deu através dos Darfs (doc. em anexo). · após constatar que havia efetuado o recolhimento a maior, providenciou a retificação da DCTFOriginal (doc. em anexo) entregue em 14/11/2003, transmitindo a DCTFRetificadora (doc. em anexo), em 29/12/2008, onde fez constar, respectivamente, o valor informado originariamente e o valor realmente devido; · diante da existência do crédito acima discriminado, resolveu, então, aproveitar parte desse valor para compensar o débito apurado de COFINS, da competência 05/2006, cuja data de vencimento se deu em 14/06/2006, tudo isso em conformidade com a legislação vigente àquela época, e, para demonstrar esta compensação, entregou em 14/06/2006 a Declaração de Compensação PER/DCOMP (doc. em anexo), onde informou que estava realizando a compensação da quantia de R$ 11.163,40, crédito apurado em relação a parcela da Contribuição Social recolhida em 29/10/2004, que, corrigida, atingiu o valor de R$ 14.250,08, conforme demonstra o PER/DCOMP retro citado, em sua página de n° 02. · além da informação constante do PER/DCOMP, a requerente também informou esta compensação na pág. 46 (doc.em anexo) da DCTF do 1° Semestre do ano 2006. [...] A empresa apresentou as declarações (DCTF e DIPJ) originais do 3° trimestre de 2004 com informação de débito de CSLL no total de R$ 37.286,87, vinculado a pagamento em DARF's de R$ 18.643,44, com datas de vencimento em 29/10/2004 e 30/11/2004. A DCOMP em análise foi transmitida em 14/06/2006. A ciência do despacho decisório eletrônico ocorreu em 19/08/2009 (AR de fl. 10 do processo virtual). A contribuinte apresentou DCTF retificadora em 29/12/2008 e DIPJ retificadora em 18/09/2009, após a ciência do despacho decisório. Fl. 92DF CARF MF Impresso em 10/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 13/11/2 012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10675.907152/200901 Resolução nº 1801000.161 S1TE01 Fl. 4 3 Portanto, na data da transmissão da DCOMP, só existiam a DCTF e a DIPJ originais. A manifestação de inconformidade confirma que esse novo valor, informado na DCTF e na DIPJ retificadoras, fora apurado e declarado à RFB em data posterior à transmissão da DCOMP n° 35603.42532.140606.1.3.048221, sem comprovar que houve erro de fato na informação prestada nas declarações originais (DCTF e DIPJ). Erro de fato é aquele que independe de averiguações para sua constatação. Considerando que a DCTF constituise em confissão de dívida, os débitos nela declarados e não pagos são exigíveis, sendo passíveis de inscrição em Dívida Ativa da União para futura execução fiscal. Assim o pagamento efetuado foi corretamente alocado ao débito declarado pela empresa, não existindo de fato saldo disponível a ser usado em compensação, na data da transmissão da DCOMP em análise. Com fulcro no parágrafo 14°, do artigo 74 da Lei 9.430/1996, que prevê que "a Secretaria da Receita Federal SRF disciplinará o disposto neste artigo, inclusive quanto à fixação de critérios de prioridade para apreciação de processos de restituição, de ressarcimento e de compensação", foi emitida a Instrução Normativa SRF n° 210/2002, cujo artigo 28 estabelece que "na compensação efetuada pelo sujeito passivo, os créditos serão valorados na forma prevista nos arts. 38 e 39 e os débitos sofrerão a incidência de acréscimos legais, na forma da legislação de regência, até a data da entrega da Declaração de Compensação" (grifei). Tal Instrução Normativa foi revogada pela de n° 460/2004, que por sua vez foi revogada pela de n° 600/2005, que mantêm a mesma determinação também no artigo 28. A Lei 9.430/1996, em seu artigo 74, com alterações produzidas pela Lei 10.637/2002, assim dispõe: [...] Assim não resta dúvida de que a compensação se dá na data da transmissão da DCOMP, sendo que nessa data não existia o crédito declarado na DCOMP analisada. O despacho decisório considerou a informação contida em DCTF porque somente essa existia quando da apresentação da DCOMP e quando da emissão do despacho decisório. A informação em DCOMP da existência de crédito disponível em função de pagamento a maior de tributo tem que estar suportada em informações existentes nos sistemas utilizados pela RFB (controle de DARF, DCTF, DIPJ, DIRF, DACON) ou suportada nos livros e documentos escriturados à época da transmissão da DCOMP. O crédito registrado em DCOMP deve ser líquido e certo, a teor do artigo 170 do CTN, para que ocorra a homologação da compensação a ele vinculada, cabendo à contribuinte, quando instada, fazer prova a seu favor, uma vez que se constitui num pleito seu e não em lançamento realizado pela administração tributária. [...] Assim, quanto ao pedido de produção de novas provas, só se pode aqui dizer que a inserção de novos elementos de prova no processo depois de transcorrido o prazo de impugnação, só pode ser deferida no caso de estarem presentes alguma(s) das circunstâncias previstas no parágrafo 4.° do artigo 16 do Decreto n.° 70.235/72 (impossibilidade de apresentação durante o prazo de impugnação, por conta de "força maior", "fato ou direito superveniente" etc.), o que só poderá ser avaliado quando da situação em concreto. Fl. 93DF CARF MF Impresso em 10/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 13/11/2 012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10675.907152/200901 Resolução nº 1801000.161 S1TE01 Fl. 5 4 [...] Pelo exposto, voto pela improcedência da manifestação de inconformidade e o não reconhecimento do direito creditório pleiteado, mantendose a não homologação da compensação pleiteada.” A empresa interpôs, tempestivamente (AR – 27/02/12; Recurso – 27/03/12), o Recurso de fls. 73 a 88, reiterando as argumentações da defesa exordial e juntou aos autos folhas do Razão Analítico buscando comprovar o valor das receitas brutas auferidas no período e o cálculo devido de apuração do tributo em espécie. Pretende com esta providência comprovar os erros de recolhimentos a maior realizados e o seu direito no indébito tributário. É o relatório. Passo ao voto. VOTO Conselheira Ana de Barros Fernandes, Relatora Conheço do recurso interposto, por tempestivo. A recorrente pleiteia restituição da CSLL relativa ao 3º trimestre de 2004, que alega ter recolhido com erro, a maior. Diz que o valor devido e correto é R$ 14.960,06, mas recolheu R$ 37.286,87, em duas parcelas (R$ 18.643,43 cada uma), e traz contas do Razão Analítico para comprovar as receitas auferidas no período. Este processo tem como objeto um dos DARF relativo à parcela recolhida em 29/10/2004 e o valor pleiteado é a diferença entre R$ 18.643,43 e R$ 7.480,03 (R$ 14.960,06: 02), que perfaz R$ 11.163,40. A turma julgadora de primeira instância não admitiu o pedido de restituição/compensação com fundamento no fato de as declarações retificadoras – DIPJ e DCTF – foram entregues após o despacho decisório e porque entende que à data do pedido de compensação, o débito tributário da CSLL confessado na DCTF original foi devidamente pago. No entanto, se houve efetivamente erro no cálculo da CSLL devida, é direito da recorrente reaver o indébito tributário, ainda que tenha confessado anteriormente qualquer outro valor, em razão do princípio da indisponibilidade do crédito tributário. A norma tributária veda a retificação da Declaração de Compensação e Pedido de Restituição (Per/Dcomp) após o despacho decisório, mas não alcança as retificações de DIPJ (meramente informativa) ou DCTF. Ressaltese que a DCTF retificadora substitui em todos os efeitos a DCTF original e não surtirá efeitos nas hipóteses que a norma tributária estabelece. Determina o artigo 11 da Instrução Normativa RFB nº 903/08: DA RETIFICAÇÃO DE DECLARAÇÕES Art. 11. A alteração das informações prestadas em DCTF será efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. Fl. 94DF CARF MF Impresso em 10/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 13/11/2 012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10675.907152/200901 Resolução nº 1801000.161 S1TE01 Fl. 6 5 § 1º A DCTF retificadora terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente, e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados. § 2º A retificação não produzirá efeitos quando tiver por objeto alterar os débitos relativos a impostos e contribuições: I cujos saldos a pagar já tenham sido enviados à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) para inscrição em DAU, nos casos em que importe alteração desses saldos; II cujos valores apurados em procedimentos de auditoria interna, relativos às informações indevidas ou não comprovadas prestadas na DCTF, sobre pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, já tenham sido enviados à PGFN para inscrição em DAU; ou III em relação aos quais a pessoa jurídica tenha sido intimada de início de procedimento fiscal. § 3º A retificação de valores informados na DCTF, que resulte em alteração do montante do débito já enviado à PGFN para inscrição em DAU, somente poderá ser efetuada pela RFB nos casos em que houver prova inequívoca da ocorrência de erro de fato no preenchimento da declaração. § 4º Na hipótese do inciso III do § 2º, havendo recolhimento anterior ao início do procedimento fiscal, em valor superior ao declarado, a pessoa jurídica poderá apresentar declaração retificadora, em atendimento a intimação fiscal e nos termos desta, para sanar erro de fato, sem prejuízo das penalidades calculadas na forma do art. 9º. (grifos não pertencem ao original) Para comprovar o erro mister é a apresentação da contabilidade escriturada à época dos fatos. Entendo que ao trazer, ainda que em fase recursal, as contas do Razão analítico que são utilizadas para apurar o tributo devido, a recorrente faz início de prova do direito que alega fazer jus. Todavia, não prescinde o exame da contabilidade completa escriturada à época (balancetes registrados no Diário e verificação da possível existência de outras contas de receitas auferidas no período em comento). Voto na conversão do julgamento na realização de diligência para que: a) a fim de reratificar os cálculos da recorrente, a autoridade fiscal verifique o valor da base de cálculo da CSLL relativa ao 3º trimestre de 2004 junto a contabilidade completa da recorrente, explicitando os cálculos em Relatório Fiscal e juntando, em cópia, os registros contábeis pertinentes; b) a autoridade competente informe se os valores já foram inscritos na Dívida Ativa da União. Fl. 95DF CARF MF Impresso em 10/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 13/11/2 012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10675.907152/200901 Resolução nº 1801000.161 S1TE01 Fl. 7 6 A recorrente deverá ser cientificada do resultado da diligência proposta para, desejando, manifestarse em prazo regulamentar. Após, retornem os autos a esta Conselheira. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Fl. 96DF CARF MF Impresso em 10/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 13/11/2 012 por ANA DE BARROS FERNANDES
score : 1.0
Numero do processo: 16327.000614/2007-23
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 12 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Apr 09 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 2101-000.115
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. Declarou-se impedido o conselheiro Alexandre Naoki Nishioka. Acompanhou o julgamento a patrona da recorrente, Dra. Alessandra Cher - OAB SP 127566.
(assinado digitalmente)
___________________________________
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente
(assinado digitalmente)
___________________________________
José Raimundo Tosta Santos Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), José Raimundo Tosta Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Célia Maria de Souza Murphy e Gilvanci Antonio de Oliveira Sousa e Eivanice Canário da Silva.
Nome do relator: Não se aplica
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. Declarou-se impedido o conselheiro Alexandre Naoki Nishioka. Acompanhou o julgamento a patrona da recorrente, Dra. Alessandra Cher - OAB SP 127566. (assinado digitalmente) ___________________________________ Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente (assinado digitalmente) ___________________________________ José Raimundo Tosta Santos Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), José Raimundo Tosta Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Célia Maria de Souza Murphy e Gilvanci Antonio de Oliveira Sousa e Eivanice Canário da Silva.
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. Declarouse impedido o conselheiro Alexandre Naoki Nishioka. Acompanhou o julgamento a patrona da recorrente, Dra. Alessandra Cher OAB SP 127566. (assinado digitalmente) ___________________________________ Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente (assinado digitalmente) ___________________________________ José Raimundo Tosta Santos – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), José Raimundo Tosta Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Célia Maria de Souza Murphy e Gilvanci Antonio de Oliveira Sousa e Eivanice Canário da Silva. Relatório O recurso voluntário em exame pretende a reforma do Acórdão nº 1629.844 (fl. 45), que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação ao Auto de Infração de fls. 29/35. Em decorrência de revisão sumária da Declaração de Contribuições e Tributos Federais DCTF, correspondente ao 4º trimestre do ano calendário de 2002, a autuada foi RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 63 27 .0 00 61 4/ 20 07 -2 3 Fl. 82DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 09/0 4/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 08/04/2013 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS Processo nº 16327.000614/200723 Resolução nº 2101000.115 S2C1T1 Fl. 77 2 notificada a recolher o crédito tributário no valor de R$202.172,00, a título de multa de mora não paga, quando do recolhimento em atraso de tributo sem o referido acréscimo legal. Em sua defesa a contribuinte, alega, em apertada síntese, que o valor exigido é completamente indevido pelo fato de a impugnante ter recolhido corretamente o tributo, por meio da denúncia espontânea, com o acréscimo de juros moratórios, nos exatos termos do artigo 138 do Código Tributário Nacional. Ao apreciar o litígio, o Órgão julgador de primeiro grau manteve integralmente o lançamento, resumindo o seu entendimento na seguinte ementa: Assunto: imposto sobre a Renda Retido na Fonte IRRF Anocalendário: 2002 DCTF. REVISÃO INTERNA. Não há que se falar em denúncia espontânea, para os fins de aplicação dos efeitos previstos no artigo 138 do CTN, nos casos de simples pagamento em atraso de débitos confessados em DCTF. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Em seu apelo ao CARF a recorrente aduz que, antes do início de qualquer ação fiscal, o tributo devido foi primeiramente recolhido fora de seu vencimento legal, com acréscimo de juros moratórios e, somente após, foi declarado em DCTF, sendo totalmente descabida a exigência de multa moratória por ser típico caso de denúncia espontânea, nos termos da Súmula nº 360 do STJ. SUMULA N° 360 — O benefício da denúncia espontânea não se aplica aos tributos sujeitos a lançamento por homologação regularmente declarados, mas pagos a des tempo." (DJ 08/09/2008) Contrario sensu, argumenta que, se o contribuinte não houver declarado o tributo que está sendo recolhido mediante denúncia espontânea, como ocorre no caso, estará configurado aquele instituto, conforme também pacificado pela E. 1ª Seção do C. Superior Tribunal de Justiça, em acórdão unânime proferido nos autos de Recurso Especial Representativo de Controvérsia, nos termos do art. 543C do Código de Processo Civil (RESP 1.149.022SP, DJ: 24/06/2010, relator Ministro Luiz Fux). Elaborou quadro demonstrativo com a data do recolhimento e a data da declaração em DCTF retificadora, datada de 05/09/2003, para evidenciar que o recolhimento fora do prazo, com acréscimo de juros de mora, apontado no lançamento, foi efetuado antes do início de qualquer ação fiscal e antes da apresentação da respectiva DCTF retificadora, caracterizando uma verdadeira confissão de dívida, nos moldes do artigo 138 do CTN. É o relatório. Voto Conselheiro JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Relator Fl. 83DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 09/0 4/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 08/04/2013 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS Processo nº 16327.000614/200723 Resolução nº 2101000.115 S2C1T1 Fl. 78 3 O recurso atende os requisitos de admissibilidade. A exigência da multa de mora em litígio originouse da realização de auditoria interna na DCTF do 4º trimestre do anocalendário de 2002. Constatouse o pagamento do IRRF em atraso, com juros de mora, mas sem o acréscimo da multa moratória. Tanto a jurisprudência administrativa como a judicial é pacífica no sentido de que o recolhimento efetuado a destempo, mas antes do início do procedimento de fiscalização ou da declaração do débito em DCTF, tem o benefício da denúncia espontânea, prevista no artigo 138 do CTN. De fato, nos termos da decisão do STJ nos autos do REsp nº 1.149.022/SP (relator Ministro Luiz Fux, DJE de 24/06/2010), processado como recurso repetitivo e, portanto, de observância obrigatória pelo CARF, por força do artigo 62A do seu Regimento Interno, a denúncia espontânea resta caracterizada como verdadeira confissão de dívida, com a conseqüente exclusão da multa moratória, quando há o recolhimento do tributo devido em momento anterior ou concomitante à declaração da dívida. A esse respeito, o voto condutor da decisão a quo se manifestou nos seguintes termos: No tocante à alegação de que os recolhimentos foram integralmente praticados de maneira espontânea, o que afastaria a incidência das penalidades, cumpre destacar que se tratam de valores declarados e pagos em atraso e, portanto, de mero adimplemento intempestivo das obrigações. E, nesse caso, não se aplicam os efeitos da espontaneidade referidos no art. 138, que se dirige apenas à confissão espontânea de infrações à legislação tributária desconhecidas do Fisco. Por outro lado, a contribuinte informa que o pagamento indicado no Comprovante de Arrecadação e DARF às fls. 40/41, recolhido em 31/07/2003, precedeu a entrega da DCTF retificadora, à fl. 38, apresentada em 05/09/2003, razão pela qual aplicase ao caso a norma do artigo 138 do CTN. Em que pese as evidências em favor da recorrente, entendo que somente a partir da análise das alterações promovidas através da DCTF retificadora, em relação ao declarado na DCTF anterior, é possível confirmar se a retificadora datada de 05/09/2003 tratou do recolhimento de R$1.010.860,00 ou se este referese a débitos já declarados, conforme asseverou a decisão recorrida. Em face ao exposto, proponho a conversão do julgamento em diligência, a ser realizada pela repartição fiscal de origem, para que informe nos autos – diante dos elementos de prova que nele constam e informações nos sistemas da SRFB – se o pagamento em atraso indicado no auto de infração ocorreu antes da apresentação da DCTF retificadora. Se necessário, poderá a autoridade administrativa solicitar da contribuinte os elementos de prova que entender necessários à comprovação dos pagamentos em momento anterior à apresentação das DCTF’s. Se o resultado da diligência não corresponder às informações indicadas no demonstrativo à fl. 67, a contribuinte deve ser intimada para se manifestar no prazo de trinta dias. (assinado digitalmente) José Raimundo tosta Santos Fl. 84DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 09/0 4/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 08/04/2013 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS
score : 1.0
Numero do processo: 14041.000201/2009-81
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 23 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Mar 18 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 2402-000.321
Decisão: RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência. Declarou-se impedida a conselheira Ana Maria Bandeira.
Júlio César Vieira Gomes Presidente
Ronaldo de Lima Macedo Relator
Participaram do presente Julgamento os Conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Thiago Taborda Simões.
Nome do relator: Não se aplica
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Recorrida FAZENDA NACIONAL RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência. Declarouse impedida a conselheira Ana Maria Bandeira. Júlio César Vieira Gomes – Presidente Ronaldo de Lima Macedo– Relator Participaram do presente Julgamento os Conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Thiago Taborda Simões. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 40 41 .0 00 20 1/ 20 09 -8 1 Fl. 223DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/02/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 14041.000201/200981 Resolução nº 2402000.321 S2C4T2 Fl. 3 2 RELATÓRIO Tratase de lançamento fiscal decorrente do descumprimento de obrigação tributária principal, referente às contribuições devidas à Seguridade Social, incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados, relativa à parcela desses segurados não descontada e não recolhida em época própria, referente ao período de 01/1999 a 02/1999. De acordo com o Relatório Fiscal (fls. 20/28), este lançamento foi efetuado em decorrência da anulação das NFLD’s nº 35.019.6095 e 35.019.6087 pelo Conselho de Recursos da Previdência Social (CRPS). A Recorrente interpôs impugnação (fls. 46/78) requerendo a total improcedência do lançamento. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) em Brasília/DF – por meio do Acórdão no 0343.889 da 7a Turma da DRJ/BSB (fls. 80/93) – considerou o lançamento fiscal procedente em parte, uma vez que foi declarada a exclusão dos valores apurados na competência 02/1999, em decorrência da não aplicação da solidariedade a partir de 02/1999 nos serviços de construção civil por empreitada parcial, e entendeu que: (i) na hipótese de lançamento substitutivo, o prazo decadencial é de 5 anos a contar da decisão definitiva que anulou o lançamento anterior; (ii) as decisões administrativas só são validas a partir da ciência do interessado; (iii) as duas empresas respondem solidariamente e sem benefício de ordem; (iv) é regular a notificação somente em face da Via Engenharia; (v) a Recorrente poderia ter elidido a sua responsabilidade, apresentando documentos, como não o fez, é correta a aplicação da aferição indireta; (vi) é devida a multa incidente sobre as contribuições previdenciárias não recolhidas; e (vii) as decisões colacionadas não constituem normas complementares de direito tributário. A Recorrente interpôs recurso voluntário (fls. 96/109) argumentando que: (i) o prazo decadencial contase 5 anos após a lavratura do acórdão que anulou os lançamentos anteriores por vício formal; (ii) o crédito já decaiu para o legítimo contribuinte; (iii) a autoridade tributária arbitrou quem seria o responsável pelo tributo e discricionariamente perdoou o contribuinte; e (iv) a Recorrente não é responsável solidário, não devendo sofrer a incidência da multa. A Delegacia da Receita Federal do Brasil (DRF) em Brasília/DF informa que o recurso interposto é tempestivo e encaminha os autos ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) para processamento e julgamento (fls. 110/111). É o relatório. Fl. 224DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/02/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 14041.000201/200981 Resolução nº 2402000.321 S2C4T2 Fl. 4 3 VOTO Conselheiro Ronaldo de Lima Macedo, Relator Analisando o processo, verificase que há questões que devem ser devidamente dirimidas pela autoridade administrativa competente (Fisco). Isto porque, um dos argumentos suscitados nas razões de recurso do contribuinte diz respeito à possível decadência do crédito tributário, levando em consideração o prazo previsto no art. 173, II, do CTN. Para que a contagem do prazo decadencial possa ser devidamente realizada, é mister que se tenha devidamente definido no processo qual a data em que o contribuinte foi notificado da decisão que anulou o lançamento anterior. No entanto, até o presente momento, tal data não foi devidamente comprovada. De acordo com o item 2 do Relatório Fiscal, a data da ciência da decisão que anulou o lançamento anterior teria ocorrido a partir de 18/02/2004, posto que esta data se refere à data da carta encaminhada pelo INSS à empresa, e não à efetiva data que esta obteve a ciência. “2. Cumpre observar que a ciência à Via Engenharia S.A da anulação das NFLDs mencionadas ocorreu a partir de 18/02/2004 (data da carta encaminhada pelo INSS/Serviço de Or. Gerenciamento de Recuperação de Créditos).” – destacouse Assim, é mister que o processo baixe em diligência para que a autoridade competente junte no processo cópia do AR (ou documento equivalente) que comprove a data em que o contribuinte foi notificado das decisões que anularam as NFLD’s nº 35.019.6095 e 35.019.6087. Requerse também que a carta encaminhada ao contribuinte, mencionada no item 2 do Relatório Fiscal, seja anexada ao processo. Caso a preliminar de decadência seja superada após a análise dos documentos apresentados pela fiscalização, poderá ser necessário analisar também o teor das notificações anuladas, bem como as decisões que as anularam. Assim, fazse oportuno requerer a juntada de cópia integral das NFLD’s nº 35.019.6095 e 35.019.6087. Em síntese, requerse: (i) cópia do AR (ou documento equivalente) que comprove a data em que o contribuinte foi notificado das decisões que anularam as NFLD’s nº 35.019.6095 e 35.019.6087; (ii) cópia da carta encaminhada ao contribuinte, mencionada no item 2 no Relatório Fiscal; e (iii) cópia integral dos autos relativos às NFLD’s nº 35.019.6095 e 35.019.6087. Por fim, após as providências solicitadas, o Fisco deverá dar ciência à Recorrente desta decisão e da sua manifestação, com os demonstrativos e cópias que se fizerem necessários, e concederá prazo de 30 (trinta) dias, da ciência, para que a Recorrente, caso deseje, apresente recurso complementar. Diante do exposto, voto no sentido de CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA para as providências solicitadas. Ronaldo de Lima Macedo. Fl. 225DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/02/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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Numero do processo: 10730.005986/2005-36
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 16 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2003
DESPESAS MÉDICAS. APRESENTAÇÃO DE RECIBOS. SOLICITAÇÃO DE OUTROS ELEMENTOS DE PROVA PELO FISCO. COMPROVAÇÃO COM DOCUMENTAÇÃO COMPLEMENTAR.
Podem ser deduzidos da base de cálculo do imposto de renda os pagamentos efetuados, no ano-calendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias, pelo contribuinte, relativos ao
próprio tratamento e ao de seus dependentes.
Todas as deduções estão sujeitas à comprovação ou justificação, podendo a autoridade lançadora solicitar motivadamente elementos de prova da efetividade dos serviços médicos prestados e dos correspondentes pagamentos.
Hipótese em que o recorrente teve sucesso em comprovar as deduções ainda pleiteadas.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2101-001.839
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento ao recurso, para restabelecer dedução de despesas médicas no valor de
R$10.780,00.
Nome do relator: JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO
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APRESENTAÇÃO DE RECIBOS. SOLICITAÇÃO DE OUTROS ELEMENTOS DE PROVA PELO FISCO. COMPROVAÇÃO COM DOCUMENTAÇÃO COMPLEMENTAR. Podem ser deduzidos da base de cálculo do imposto de renda os pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias, pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes. Todas as deduções estão sujeitas à comprovação ou justificação, podendo a autoridade lançadora solicitar motivadamente elementos de prova da efetividade dos serviços médicos prestados e dos correspondentes pagamentos. Hipótese em que o recorrente teve sucesso em comprovar as deduções ainda pleiteadas. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, para restabelecer dedução de despesas médicas no valor de R$10.780,00. Fl. 78DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/ 08/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 30/08/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 10730.005986/200536 Acórdão n.º 2101001.839 S2C1T1 Fl. 74 2 (assinado digitalmente) _____________________________________ Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente (assinado digitalmente) ___________________________________ José Evande Carvalho Araujo Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), José Evande Carvalho Araujo, Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa, Célia Maria de Souza Murphy, Alexandre Naoki Nishioka. Relatório AUTUAÇÃO Contra a contribuinte acima identificada, foi lavrado o Auto de Infração de fls. 26 a 29, referente a Imposto de Renda Pessoa Física, exercício 2003, para glosar deduções indevidas de despesas médicas, reduzindo o Imposto a Restituir de R$3.827,90 para R$237,97. IMPUGNAÇÃO Cientificada do lançamento, a contribuinte apresentou impugnação (fls. 1 a 8), acatada como tempestiva. O relatório do acórdão de primeira instância descreveu o lançamento e o recurso da seguinte maneira (fls. 56v a 58): Foi lavrado contra MARLICE DIAS PARIZZI, já qualificada nos autos, em 20/09/2005, o Auto de Infração AI de fls. 26 a 29 que reduziu o valor do imposto de renda a restituir, apurado conforme Declaração de Ajuste Anual, exercício 2003 de R$ 3.827,90 para R$ 237,97. Conforme demonstrativos de fls. 27/28, o presente Auto de Infração é decorrente de revisão de valores informados na Declaração de Ajuste Anual, exercício 2003, anocalendário 2002, tendo em vista que a contribuinte, após intimada, não comprovou que teria suportado pagamentos de R$ 13.054,30 referente a despesas médicas informadas em sua declaração de ajuste. Consta no demonstrativo de fl. 27, que foram glosados, em relação à Declaração de Ajuste Anual, exercício 2003, os seguintes pagamentos: R$ 150,00 a Eduardo de A Campello Favere; R$ 2.274,30 a Unimed São Gonçalo e Niterói; R$ 2.500,00 a Suely Lopes keller e; R$ 8.130,00 a COPE – Centro Odontológico de Especialidades Ltda. Fl. 79DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/ 08/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 30/08/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 10730.005986/200536 Acórdão n.º 2101001.839 S2C1T1 Fl. 75 3 O presente lançamento teve origem na mesma ação fiscal que originou o Auto de Infração, processo 10.730.004930/200564 (cópia de fls 30/39), o qual contém em seus demonstrativos: que em 25/06/2004 a contribuinte foi intimada por meio do Termo de Início de Fiscalização e Termo de Intimação (fls. 26/27 do citado processo) para comprovar as deduções de despesas médicas informadas nas suas Declarações de Ajuste Anual do Imposto de Renda Pessoa Física, exercícios 2001, 2002 e 2003; que o representante do sujeito passivo. Sr. Carlos Vaz, apresentou documentos e esclarecimentos (fl. 30 do citado processo) datados de 10/08/2004 no qual informou dentre outros, que a forma de pagamento relativa aos recibos de tratamento odontológicos apresentados foi em espécie, na data de cada recibo, que alguns se referem a períodos mensais de tratamento e que não houve reembolso ou ressarcimento de despesas efetuadas nem teriam sido os encargos suportados por terceiros; que em 13/09/2004 foi emitido Termo de Constatação e Reintimação (fls. 32/33 do referido processo), no qual constataramse a existência de gasto com planos de saúde declarados cujos beneficiários não são dependentes do sujeito passivo e o não atendimento do item 4 do Termo de Intimação de 25/06/2004, uma vez que não foi comprovado o efetivo pagamento de cada despesa médica que teria ocorrido em espécie; que em 28/10/2004 o contribuinte solicitou a prorrogação de prazo de dez dias úteis para a apresentação da documentação solicitada e em 10/12/2004 o representante prestou novas informações; que a contribuinte alegou que os recursos para os pagamentos das despesas particulares, inclusive de seu tratamento odontológico, são resultado de saques efetuados no BANERJ de parte do dinheiro recebido do Instituto Nacional de Previdência do Estado do Rio de Janeiro e que parte do dinheiro recebido além de ser aplicado no BANERJ, passou a constituir poupança particular guardado em cofre na sua casa, desde o falecimento de seus pais, por questões de segurança pessoal; que para demonstrar o alegado juntou cópias de extratos bancários, da análise dos quais não foi possível encontrar saques de valores semelhantes aos recibos de “despesas médicas” em datas anteriores às suas emissões, deixando de comprovar os respectivos pagamentos em espécie; que foi observado nos extratos a existência de diversos cheques compensados; que também foi verificado nos extratos a existência de alguns saques em valores fracionados típicos de pagamentos no caixa de contas e títulos; que em relação a alegação de formação de poupança “domiciliar” constatou se que tal informação não consta da Declaração de Ajuste Anual de Imposto de Renda, exercício 2001, anocalendário 2000; que consta na Declaração de Ajuste Anual de Imposto de Renda, exercício 2002, um valor de poupança “domiciliar” que ao final do ano calendário de 2001 era de R$ 19.880,00 e que ao início não existia; que consta na Declaração de Ajuste Anual de Imposto de Renda, exercício 2003 um valor de poupança “domiciliar” que ao final do ano calendário de 2002 era de R$ 40.000,00 e; Fl. 80DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/ 08/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 30/08/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 10730.005986/200536 Acórdão n.º 2101001.839 S2C1T1 Fl. 76 4 que como as despesas médicas declaradas são de valores consideráveis e a contribuinte não comprovou ter suportado tais pagamentos (que teriam sido feitos em “espécie”) por meio de demonstração de saques e transferências bancárias compatíveis com os recibos de pagamento apresentados e declarados, tais valores foram glosados. O sujeito passivo foi cientificado do presente AI, no dia 27/10/2005, por via postal, conforme assinatura às fls. 43/44 e apresentou impugnação (fls. 01/08) em 25/11/2005, na qual, basicamente, alega: que concorda com a glosa da dedução referente à Unimed São Gonçalo Niterói Ltda (R$ 2.274,30); que as glosas efetuadas pelo fiscal autuante referemse a recibos hábeis e idôneos não levados em consideração, que tais deduções de despesas médicoodontológicas foram efetuadas para tratamento da contribuinte e pagas a profissionais legalmente habilitados com sua inscrições nos órgãos regionais para o exercício de suas especialidades os quais, por sua parte, confirmam mediante declarações juntadas a autenticidade dos recibos fornecidos; que tais valores considerado pelo Auditor Fiscal como consideráveis não foram pagos de uma só vez mas em pequenas parcelas mensais; que se a Fiscalização considerou que a contribuinte pagou em espécie despesas “elevadas” “(...) ficase sem saber qual o verdadeiro “critério” adotado pelo mesmo representante do Fisco em relação a valor ínfimo, insignificante, devidamente comprovado (...)” para glosar despesa relativa a recibo de R$ 150,00; que a contribuinte ao proceder deduções o fez de acordo com a legislação de regência o Regulamento do Imposto de Renda. Cita legislação; que os recibos juntados, de que se valeu o contribuinte para efetuar as deduções possuem todos os requisitos recomendados pela lei; que conforme legislação citada somente se exige a comprovação mediante cheque nominativo, na falta de documentação, ou seja, como forma alternativa, no caso da inexistência dos recibos fornecidos pelos profissionais liberais o que não é o caso. Cita decisões administrativas; que a como a contribuinte possui algumas contas correntes. “(...) É impossível admitir que a contribuinte não efetue diversos saques, mensalmente, para a sua sobrevivência pessoal. Face ao atendimento de diversas despesas particulares. (...)”; que parte desses recursos são sacados à medida de suas necessidades para atender, de imediato, diversas despesas havidas e outra parte do dinheiro constitui reserva pessoal, “(...) economizada durante muitos anos (...)”que a contribuinte se dá ao direito de manter em seu poder, por questão de segurança e para evitar descontos a título de CPMF e com a qual a impugnante efetua pagamentos em casas lotéricas e de outras despesas, inclusive, despesas médicas; que se o profissional liberal deu o recibo como prova da prestação do serviço à paciente e ainda atesta, no mesmo comprovante, que recebeu a quantia da consulta correspondente ao serviço realizado, fica demonstrado inequivocamente, que o ônus da despesa foi da referida paciente; Fl. 81DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/ 08/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 30/08/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 10730.005986/200536 Acórdão n.º 2101001.839 S2C1T1 Fl. 77 5 que o Fiscal adotou critério presuntivo e deveria ter se deslocado até os emitentes dos recibos para comprovar a autenticidade dos mesmos.; que nesse caso cabe a inversão do ônus da prova; que tal situação leva a uma total debilidade do trabalho realizado não se revestindo o presente lançamento da tipicidade fechada padecendo de liquidez e certeza; que a impugnante junta declarações fornecidas pelos prestadores de serviço atestando a autenticidade dos serviços realizados e dos recibos fornecidos. Cita decisões administrativas; que requer a determinação de improcedência do auto de infração face ao disposto no artigo 80 do RIR e; que seja julgado no mérito pela absoluta falta de tipicidade. O impugnante juntou cópias de documentos dentre as quais: cópia de recibo, emitido em 03/10/2002, por Eduardo de Sá Campello Faveret, Médico, no valor de R$ 150,00 (fl. 10); cópia de recibo, emitido em 27/09/2002, por Suely Lopes Keller, Psicóloga, no valor de R$ 2.500,00 (fl. 11); cópia de declaração, emitido em 31/10/2005, por Suely Lopes Keller, na qual a mesma atesta a autenticidade do recibo, que prestou serviços de psicoterapia à contribuinte e que o valor constante no recibo foi pago em dinheiro em parcelas mensais e sucessivas nos meses de janeiro a setembro de 2002 (fl. 12) e; cópia de nota fiscal nº 64 recibo, emitido em 26/09/2002, pelo COPE – Centro Odontológico de Especialidades Ltda., no valor de R$ 8.130,00 (fl.13) . (...) ACÓRDÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento julgou procedente o lançamento, em julgamento consubstanciado na seguinte ementa (fls. 56 a 59v): Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 2003 DESPESAS MÉDICAS. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora. Somente são dedutíveis as despesas médicas quando comprovado que seu pagamento foi suportado economicamente pelo contribuinte. Impugnação Improcedente Fl. 82DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/ 08/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 30/08/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 10730.005986/200536 Acórdão n.º 2101001.839 S2C1T1 Fl. 78 6 Direito Creditório Não Reconhecido RECURSO AO CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS (CARF) Cientificado da decisão de primeira instância em 11/11/2010 (fl. 62), o contribuinte apresentou, em 13/12/2010, o recurso de fls. 63 a 71, onde afirma: a) que possui disponibilidade financeira em contacorrente e em espécie para suportar as despesas médicas; b) que não se utiliza de cheques bancários ou outra forma de pagamento diferente do desembolso em espécie; c) que comprovou suas despesas médicas de acordo com o determinado na legislação; d) que trouxe aos autos outros elementos de prova além dos recibos, como declarações dos profissionais; e) que cabia ao Fisco comprovar que as despesas não ocorreram; f) que a jurisprudência do CARF é favorável a sua pretensão e que não foi considerada pelo julgado recorrido. O processo foi distribuído a este Conselheiro, numerado até a fl. 72, que também trata do envio dos autos ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. É o relatório. Voto Conselheiro José Evande Carvalho Araujo, Relator O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. Não há arguição de qualquer preliminar. A contribuinte informou, em sua declaração de ajuste do exercício de 2003 (fl. 51), ter auferido rendimentos tributáveis de R$115.200,00, e deduziu despesas médicas no valor de R$ 21.419,98. Conforme informado na descrição dos fatos do auto de infração (fl. 27), do total de deduções, a fiscalização glosou R$13.054,30 referente às seguintes despesas médicas, por falta de comprovação do efetivo pagamento: Fl. 83DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/ 08/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 30/08/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 10730.005986/200536 Acórdão n.º 2101001.839 S2C1T1 Fl. 79 7 NOME DO BENEFICIÁRIO VALOR Eduardo de Sá Campello Faveret 150,00 Unimed São Gonçalo e Niterói (como responsável) 2.274,30 Suely Lopes Keller 2.500,00 COPE Centro Odontológico de Especialidades Ltda 8.130,00 TOTAL 13.054,30 Na impugnação a contribuinte concorda com a glosa do pagamento à Unimed, mas defende seu direito para as demais. O acórdão recorrido manteve as glosas ainda em discussão, e no voluntário o recorrente reafirma seu direito às deduções. Para fazer jus a deduções na Declaração de Ajuste Anual, tornase indispensável que o contribuinte observe todos os requisitos legais, sob pena de ter os valores pleiteados glosados. Afinal, todas as deduções, inclusive as despesas médicas, por dizerem respeito à base de cálculo do imposto, estão sob reserva de lei em sentido formal, por força do disposto na Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional (CTN), art. 97, inciso IV. Por oportuno, confirase o estabelecido na Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, a propósito de dedução de despesas médicas: Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: (...). II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no ano calendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; (...). § 2º O disposto na alínea “a” do inciso II: (...). II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Geral de Contribuintes CGC de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; Fl. 84DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/ 08/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 30/08/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 10730.005986/200536 Acórdão n.º 2101001.839 S2C1T1 Fl. 80 8 Por sua vez, o Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999, Regulamento do Imposto de Renda, RIR/1999, art. 73, dispõe: Art.73.Todas as deduções estão sujeitas à comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, §3º). Verificase, portanto, que a dedução de despesas médicas na declaração do contribuinte está, sim, condicionada ao preenchimento de alguns requisitos legais. Observese que a dedução exige a efetiva prestação do serviço, tendo como beneficiário o declarante ou seu dependente, e que o pagamento tenha se realizado pelo próprio contribuinte. Assim, havendo qualquer dúvida em um desses requisitos, é direito e dever da Fiscalização exigir provas adicionais da efetividade do serviço, do beneficiário deste e do pagamento efetuado. E é dever do contribuinte apresentar comprovação ou justificação idônea, sob pena de ter suas deduções não admitidas pela autoridade fiscal. O problema consiste em saber até que ponto são razoáveis as exigências da autoridade fiscal para comprovação das despesas médicas. Em muitos casos, a fiscalização termina por demandar a apresentação de pagamento diretamente correlacionado com débito, como cheque utilizado para liquidar a despesa, ou saque de valor exato na mesma data. Mas os contribuintes replicam que ninguém é obrigado a pagar suas despesas com cheques nem efetuar saques individuais para cada dispêndio. Penso que a dificuldade já surge quando da informação das despesas na declaração de ajuste. A cada ano, as indicações da Receita Federal são pela possibilidade de comprovação das despesas médicas mediante recibos. A título de exemplo, transcrevo orientações contidas no Perguntas e Respostas do IRPF, exercício 2005, pergunta 337: A dedução dessas despesas é condicionada a que os pagamentos sejam especificados, informados na Relação de Pagamentos e Doações Efetuados da Declaração de Ajuste Anual, e comprovados, quando requisitados, com documentos originais que indiquem o nome, endereço e número de inscrição no CPF ou CNPJ de quem os recebeu. Admitese que, na falta de documentação, a comprovação possa ser feita com a indicação do cheque nominativo com que foi efetuado o pagamento. Assim, a própria Receita Federal orienta que a comprovação, se necessária, pode ser feita com a apresentação de recibo ou nota fiscal originais, podendo ser dar, caso o contribuinte não tenha esse documento, com a apresentação de cheque nominativo. Observese que a opção do cheque nominativo é dada a favor do contribuinte, nos casos em que o profissional se recuse a dar recibo. Verifiquei que essa orientação foi repetida em todos os Perguntas em Respostas dos exercícios seguintes. Apenas no documento do exercício de 2011 foi acrescentada a seguinte informação: Fl. 85DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/ 08/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 30/08/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 10730.005986/200536 Acórdão n.º 2101001.839 S2C1T1 Fl. 81 9 Conforme previsto no art. 73 do RIR/1999, a juízo da autoridade fiscal, todas as deduções estarão sujeitas a comprovação ou justificação, e, portanto, poderão ser exigidos outros elementos necessários à comprovação da despesa médica. Não se pode ignorar, no entanto, que é bastante comum o expediente de se declarar despesas médicas inexistentes, ou majorar o valor das ocorridas, com o objetivo de diminuir o imposto devido. Contando com a ineficiência da Administração Pública, e com a nefasta idéia, corrente em nosso país, de que a sonegação é um crime aceitável devido à alta carga tributária, alguns contribuintes declaram deduções expressivas, e buscam justificálas com recibos que não refletem o realmente ocorrido. Situação inaceitável que precisa ser coibida pela Administração Pública. Diante desse quadro, os julgamentos administrativos neste CARF são bastante diversos. Existem aqueles que julgam que, uma vez comprovada a despesa mediante recibos, é dever do Fisco provar que a informação é falsa. Por outro lado, é forte a corrente que pensa que, caso a autoridade fiscal exija comprovação adicional do contribuinte, invertese o ônus da prova, sendo função do sujeito passivo produzir a comprovação exigida. Filiome ao segundo grupo, tanto pelas determinações do art. 73 do RIR/99, acima transcrito, que exige que as deduções sejam justificadas a juízo da autoridade lançadora, quanto pelo disposto no art. 333, inciso I, do Código de Processo Civil, que atribui a quem declara o ônus de demonstrar fato constitutivo do seu direito. Mas penso que a fiscalização deve demonstrar criteriosamente porque não aceitou a comprovação mediante recibo que atenda às características da legislação. Somente com a análise das exigências fiscais, bem como das respostas do contribuinte, será possível se concluir pela procedência, ou não, das glosas efetuadas. No caso, apesar de não constar dos autos a intimação solicitando a comprovação dos pagamentos, a descrição dos fatos demonstra que ela existiu, pois foi justamente a falta dessa demonstração que ocasionou as glosas. E, devido ao expressivo valor das deduções, entendo ter sido razoável a exigência de comprovação do pagamento. É claro que o contribuinte tem todo o direito de pagar suas despesas em dinheiro, mas, em especial para aquelas de maior valor, deve ter o cuidado de demonstrar melhor o serviço e os desembolsos. Já para as despesas de menor monta, é razoável se entender um menor cuidado na demonstração dos serviços médicos. Ressaltese que, mesmo para as despesas de maior valor, esta Turma de Julgamento tem frequentemente admitido a dedução de despesas médicas quando se comprova, mediante documentação complementar (laudos médicos, perícias, exames e fichas clínicas), a efetiva realização do tratamento, ainda que não acompanhada da prova do pagamento. Assim, apesar da exigência de comprovação dos pagamentos não ter sido cumprida pelo recorrente, ainda se deve analisar cada despesa médica individualmente para Fl. 86DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/ 08/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 30/08/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 10730.005986/200536 Acórdão n.º 2101001.839 S2C1T1 Fl. 82 10 verificar se as provas trazidas ao processo são suficientes para justificar as deduções, como passo agora a fazer. a) Eduardo de Sá Campello Faveret – R$150,00: Foi apresentado: • Recibo de fl. 10 informando a realização de consulta médica em 3/10/2002. No caso, a despesa é de valor muito pequeno, e o recibo atende aos requisitos da legislação, sendo descabida maiores exigências para sua comprovação, pelo que restabeleço essa dedução. b) Unimed São Gonçalo e Niterói (como responsável) – R$ 2.274,30: Em sua impugnação, a contribuinte reconhece a procedência da glosa, o que faz com que sua apreciação não mais esteja no escopo desse julgamento. c) Suely Lopes Keller – R$2.500,00: Foram apresentados: • Recibo de fl. 11, informando a realização de sessões psicoterápicas no período de janeiro a setembro de 2002; • Declaração de fl. 12, firmada pela profissional em 31/10/2005, confirmando a prestação do serviço à contribuinte e o pagamento em dinheiro em parcelas mensais e sucessivas nos meses de janeiro a setembro de 2002, conforme anotações na ficha da paciente. Neste caso, apesar do valor do serviço ser elevado, os valores das parcelas mensais de cerca de R$278,00 são compatíveis com o pagamento em dinheiro, o recibo atende aos requisitos da legislação, e a própria natureza do tratamento psicoterápico traz dificuldades de comprovação complementar outra que a declaração do profissional. Ademais, como as outras despesas médicas serão consideradas como comprovadas, essa dedução se torna de pequeno valor com relação ao total da rubrica e aos rendimentos tributáveis, sendo razoável uma exigência menor nas provas exigidas. Assim considero o conjunto probatório como suficiente para me convencer da efetividade do serviço médico, pelo que restabeleço essa dedução. d) COPE Centro Odontológico de Especialidades Ltda – R$8.130,00 Foi apresentada: • Nota fiscal de serviços emitida pela clínica odontológica informando tratamento dentário durante o ano de 2002 (fl. 13). Fl. 87DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/ 08/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 30/08/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 10730.005986/200536 Acórdão n.º 2101001.839 S2C1T1 Fl. 83 11 Penso que a nota fiscal de serviço é o documento válido para comprovar a prestação de serviço por pessoa jurídica e que, pelo seu maior rigor formal, possui uma presunção de legitimidade mais forte. Como o documento fiscal foi emitido por clínica odontológica, descreve tratamento dentário, e o valor cobrado é compatível com o serviço e com a renda da contribuinte, julgo ser desnecessária a exigência de provas complementares, pelo que restabeleço essa dedução. Conclusão: Diante do exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário, para restabelecer dedução de despesas médicas no valor de R$10.780,00. (assinado digitalmente) José Evande Carvalho Araujo Fl. 88DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/ 08/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 30/08/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS
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Numero do processo: 13362.720047/2008-91
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 20 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Sat Mar 16 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2005
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE DO LANÇAMENTO. INEXISTÊNCIA.
Não é nulo o lançamento que preenche os requisitos do artigo 11 do Decreto n.º 70.235, de 1972, cujos fatos enquadrados como infração estão claramente descritos e suficientemente caracterizados, permitindo ao contribuinte o exercício da ampla defesa.
PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE.
Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal. Aplicação da Súmula CARF n.º 11.
Numero da decisão: 2101-002.066
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
________________________________________________
LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS - Presidente.
(assinado digitalmente)
________________________________________________
CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Gonçalo Bonet Allage, José Raimundo Tosta Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Gilvanci Antonio de Oliveira Sousa e Celia Maria de Souza Murphy (Relatora).
Nome do relator: CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY
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CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE DO LANÇAMENTO. INEXISTÊNCIA. Não é nulo o lançamento que preenche os requisitos do artigo 11 do Decreto n.º 70.235, de 1972, cujos fatos enquadrados como infração estão claramente descritos e suficientemente caracterizados, permitindo ao contribuinte o exercício da ampla defesa. PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal. Aplicação da Súmula CARF n.º 11. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) ________________________________________________ LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente. (assinado digitalmente) ________________________________________________ CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 36 2. 72 00 47 /2 00 8- 91 Fl. 150DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 22/ 02/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 28/02/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Gonçalo Bonet Allage, José Raimundo Tosta Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Gilvanci Antonio de Oliveira Sousa e Celia Maria de Souza Murphy (Relatora). Relatório Trata o presente processo de Notificação de Lançamento contra o contribuinte em epígrafe, na qual foi apurado Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural suplementar em decorrência da falta de comprovação do Valor da Terra Nua – VTN e da área de benfeitorias declarados. A interessada impugnou o lançamento (fls. 11 a 20), alegando duas preliminares: (i) a necessidade de unificação dos quatro processos administrativos dos quais é titular, em nome da preservação do meio ambiente; (ii) a nulidade do lançamento, eis que o auto de infração não contém nem a assinatura da autoridade emissora nem a descrição dos fatos. No mérito, disse que não havia argumentos a defender. A 1.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) em Brasília (DF) julgou a impugnação improcedente, por meio do Acórdão n.º 0342.977, de 11 de maio de 2011, mediante a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2005 DO PROCEDIMENTO FISCAL O procedimento fiscal foi instaurado de acordo com a legislação vigente, possibilitando ao contribuinte exercer plenamente o contraditório e a ampla defesa, não havendo que se falar em qualquer irregularidade capaz de macular o lançamento. NULIDADE. VICIO FORMAL. NOTIFICAÇÃO ELETRÔNICA Prescinde de assinatura a notificação de lançamento emitida por processo eletrônico. MATÉRIAS NÃO IMPUGNADAS ÁREAS OCUPADAS COM BENFEITORIAS ÚTEIS E NECESSÁRIAS DESTINADAS À ATIVIDADE RURAL E VTN TRIBUTADO. Considerase não impugnadas as matérias que não tenham sido expressamente contestadas, conforme legislação processual. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformada, a interessada interpôs recurso voluntário, no qual repisa seus argumentos de impugnação e pede seja declarada a preclusão da decisão a quo, porque tomada a destempo. Fl. 151DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 22/ 02/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 28/02/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 13362.720047/200891 Acórdão n.º 2101002.066 S2C1T1 Fl. 3 3 É o Relatório. Voto Conselheira Celia Maria de Souza Murphy O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos legais previstos no Decreto n° 70.235, de 1972. Dele conheço. 1. Da nulidade do lançamento Em sede de impugnação, a interessada suscita uma preliminar de nulidade do lançamento, eis que o Auto de Infração não traz qualquer assinatura, de quem quer que seja; além disso, tais papéis, a seu ver, não contêm os critérios de apuração do tributo. No recurso voluntário, reitera seus argumentos. O lançamento constante deste processo decorreu da falta de comprovação das informações declaradas no DIAT Documento de Informação e Apuração do ITR (Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural). Tendo em vista que o contribuinte, regularmente intimado, não comprovou a área declarada de benfeitorias úteis e necessárias destinadas à atividade rural e não apresentou Laudo de Avaliação do imóvel rural ou outro documento hábil e idôneo que demonstrasse a procedência do Valor da Terra Nua declarado, foi lavrada a Notificação de Lançamento, anexada aos autos às fls. 1 a 4. No âmbito dos tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, é autoridade competente para executar os procedimentos de fiscalização e promover o lançamento o Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil, nos termos da Lei n.º 11.457, de 2007: Art. 6o São atribuições dos ocupantes do cargo de Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil: I no exercício da competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil e em caráter privativo: a) constituir, mediante lançamento, o crédito tributário e de contribuições; b) elaborar e proferir decisões ou delas participar em processo administrativofiscal, bem como em processos de consulta, restituição ou compensação de tributos e contribuições e de reconhecimento de benefícios fiscais; c) executar procedimentos de fiscalização, praticando os atos definidos na legislação específica, inclusive os relacionados com o controle aduaneiro, apreensão de mercadorias, livros, documentos, materiais, equipamentos e assemelhados; Fl. 152DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 22/ 02/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 28/02/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS 4 d) examinar a contabilidade de sociedades empresariais, empresários, órgãos, entidades, fundos e demais contribuintes, não se lhes aplicando as restrições previstas nos arts. 1.190 a 1.192 do Código Civil e observado o disposto no art. 1.193 do mesmo diploma legal; e) proceder à orientação do sujeito passivo no tocante à interpretação da legislação tributária; f) supervisionar as demais atividades de orientação ao contribuinte; II em caráter geral, exercer as demais atividades inerentes à competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil. (g.n.) Examinando os autos, constatase que a Notificação de Lançamento (fls. 1 a 4) foi emitida por servidor competente. O responsável pelo lançamento, ocupante do cargo de Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil, foi identificado, com nome, matrícula e função. Sendo assim, afastada a possibilidade de haver nulidade do lançamento em razão de ter sido lavrado por autoridade incompetente, cumpre verificar se a falta da assinatura do servidor, no ato administrativo que veicula o lançamento, é causa de nulidade. A Notificação de Lançamento é uma das formas pelas quais o crédito tributário pode ser exigido. Vejamos o que, sobre o tema, prescreve o Decreto n.º 70.235, de 1972, que regula o processo administrativo fiscal: Art. 9o A exigência do crédito tributário e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada tributo ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. (grifouse) Os requisitos de validade da Notificação de Lançamento são aqueles previstos no artigo 11 do Decreto n.º 70.235, de 1972, que a seguir transcrevese: Art. 11. A notificação de lançamento será expedida pelo órgão que administra o tributo e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do notificado; II o valor do crédito tributário e o prazo para recolhimento ou impugnação; III a disposição legal infringida, se for o caso; IV a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Parágrafo único. Prescinde de assinatura a notificação de lançamento emitida por processo eletrônico. A Notificação de Lançamento constante dos autos deste processo, lavrada por Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil (agente competente), na função de Delegado da Fl. 153DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 22/ 02/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 28/02/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 13362.720047/200891 Acórdão n.º 2101002.066 S2C1T1 Fl. 4 5 Receita Federal do Brasil, preenche todos os requisitos de validade exigidos pela lei que regula o processo administrativo fiscal. O contribuinte está identificado; os fatos enquadrados como infração estão perfeitamente caracterizados e acompanhados da disposição legal infringida; o valor do crédito tributário está especificado (imposto, multa e juros), assim como o prazo para recolhimento do valor calculado ou para a impugnação do lançamento. Na hipótese, como se tratou de emissão eletrônica da Notificação de Lançamento, ficou dispensada a assinatura da autoridade emitente, a teor do parágrafo único do artigo 11 do Decreto n.º 70.235, de 1972. Apesar disso, a recorrente argumenta que a Notificação de Lançamento viola seu direito de defesa, eis que não descreve os fatos, não tem motivação nem especifica os critérios utilizados. É certo que está eivado de nulidade o lançamento veiculado sem a descrição dos fatos e sem motivação, assim como aquele que não informa os critérios utilizados, prejudicando a defesa da parte interessada. Todavia, não é o que se observa nos autos. A descrição dos fatos e que ensejaram o lançamento em debate, assim como os critérios adotados e a fundamentação legal foram claramente externadas na “Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal”, integrante da Notificação de Lançamento (vide fls. 2), de modo a proporcionar ao contribuinte pleno conhecimento dos fatos, motivos e fundamentos, permitindolhe o exercício da plena defesa. E, de fato, a parte interessada exerceu esse direito, por meio da impugnação e do recurso voluntário no âmbito administrativo fiscal. Cumpre ressaltar, por oportuno, que, no curso da ação fiscal, a interessada foi regularmente notificada a se manifestar, apresentando provas, e não o fez. Na impugnação, poderia ter apresentado provas que viessem contrapor o lançamento; mas, mais uma vez, assim não procedeu. Sendo assim, do exame dos autos, não se verificou o alegado cerceamento do direito de defesa nem qualquer irregularidade que pudesse dar causa a uma declaração de nulidade do lançamento. Por esses motivos, não assiste razão à recorrente. 2. Da prescrição intercorrente Em sede recursal, a parte interessada informa que a decisão administrativa de primeiro grau foilhe notificada três anos e dois meses após ter comparecido à unidade da Secretaria da Receita Federal do Brasil. Argumenta que um lapso temporal dessa magnitude opera contra o princípio constitucional da eficiência, de observância obrigatória pelos órgãos públicos, e viola o artigo 49 da Lei n.º 9.784, de 1999. Por esses motivos, entende ter ocorrido a preclusão da decisão recorrida, por ter esta sido tomada a destempo. A prescrição intercorrente, que espelha a situação descrita acima, consubstanciase, em poucas palavras, na inércia da autoridade em praticar o ato processual pertinente, retardando o curso do processo por um lapso de tempo superior ao estabelecido para a prática do ato. Fl. 154DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 22/ 02/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 28/02/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS 6 O tema da prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal já foi amplamente discutido no âmbito deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF que, após reiteradas decisões, emitiu a Súmula CARF, cujo texto a seguir transcrevese: Súmula CARF nº 11: Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal. Tendo em vista que as Súmulas do CARF são de observância obrigatória nas decisões proferidas por este Conselho, aplicase, ao caso, a Súmula CARF n.º 11. 3. Da unificação dos procedimentos Por fim, a interessada repisa o pedido de unificação dos procedimentos referentes aos anoscalendários 2003 a 2006, em nome da preservação do meio ambiente. Em que pese à legítima preocupação com a preservação das árvores e dos recursos naturais, o pedido da interessada deixou de ter relevância, haja vista que, atualmente, os autos dos processos administrativos fiscais são eletrônicos, ou seja, não mais utilizam papel. Conclusão Ante todo o exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) _________________________________ Celia Maria de Souza Murphy Relatora Fl. 155DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 22/ 02/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 28/02/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS
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