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Numero do processo: 44021.000077/2007-91
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 21 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Wed Oct 20 00:00:00 UTC 2010
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/07/1997 a 28/02/2000
PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO NOTIFICAÇÃO FISCAL, DE LANÇAMENTO DE DEBITO - CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS PERÍODO ATINGINDO PELA DECADÊNCIA QUINQUENAL - SUMULA VINCULANTE STF.
0 STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a
inconstitucionalidade do art. 45 da Lei nº 8212/1991, tendo inclusive no intuito de eximir qualquer questionamento quanto ao alcance da referida decisão, editado a "Súmula Vinculante no 8" São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decreto-lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário".
O lançamento foi efetuado em 22/12/2006, tendo a cientificação ao sujeito passivo ocorrido em 03/01/2007. Os fatos geradores ocorreram nas competências 07/1997 a 02/2000, o que fulmina em sua totalidade o direito do fisco de constituir o lançamento, independente de se tratar de lançamento por homologação ou de oficio.
ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 01/07/1997 a 28/02/2000
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO - CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS - QUESTIONAMENTO EM JUÍZO - MATÉRIA NÃO OBJETO DA AÇÃO POSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO.
Não existe óbice a apreciação da decadência em sede de preliminar, mesmo que o conhecimento do mérito da NFLD esteja prejudicado pela existência de ação judicial, quando no objeto da ação não se questiona a aplicação da decadência qüinqüenal.
RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO.
Numero da decisão: 2401-001.433
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em
declarar a decadência da totalidade das contribuições apuradas.
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA
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O lançamento foi efetuado em 22/12/2006, tendo a cientificação ao sujeito passivo ocorrido em 03/01/2007. Os fatos geradores ocorreram nas competências 07/1997 a 02/2000, o que fulmina em sua totalidade o direito do fisco de constituir o lançamento, independente de se tratar de lançamento por homologação ou de oficio. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/1997 a 28/02/2000 PREVIDENCIARIO - CUSTEIO - NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO - CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS - - QUESTIONAMENTO EM JUÍZO - MATÉRIA NÃO OBJETO DA AÇÃO POSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO. Não existe óbice a apreciação da decadência em sede de preliminar, mesmo que o conhecimento do mérito da NFLD esteja prejudicado pela existência de ação judicial, quando no objeto da ação não se questiona a a licação da decadência qüinqüenal. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em declarar a decadência da totalidade das contribuições apuradas. ELIAS SAMPAIO FREIRE Presidente CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA — Relatora Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Cleusa Vieira de Souza, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhaes de Oliveira. 2 Processo n°44021.000077/2007-91 S2-C4T 1 Ac6rd5o n." 2401-01.433 Fl. 359 Relatório O presente NFLD de n. 35.053.014-4, tem por objeto as contribuições sociais destinadas ao custeio da Seguridade Social, parcela a cargo da empresa sobre os serviços prestados por contribuintes individuais. 0 período do lançamento compreende as competências 07/1997 a 02/2000. Importante, destacar que a lavratura da NFLD deu-se cm 22/12/2006, tendo a cientificação ao sujeito passivo ocorrido em 03/01/2007. Inconformado coin a NFLD, a notificada apresentou defesa, conforme fls. 30 a 42. A notificada colacionou aos autos "AÇÃO DECLARATÓRIA de inexistência de relação jurídica tributária, contra o INSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIAL — INSS, no sentido seja, a final, julgada procedente a demanda, reconhecendo-se, por sentença, a inexistência da relação jurídica tributária que obrigue a Requerente a recolher a contribuição social instituída na Lei Complementar n° 84/96, em razão da sua flagrante ineonstitucionalidade. Foi exarada a Decisão-Notificação DN que confirmou a procedência do lançamento, fls. 319 a 322. Não concordando com a decisão do órgão previdenciário, foi interposto recurso, conforme fls. 328 a 345. A unidade descentralizada da SRP encaminhou o processo a este Conselho para Julgamento, sem o oferecimento de contra-razões. E o relatório. 3 Voto Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Relatora PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE: 0 recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação à fl. 352, onde identificasse a data do recebimento do recurso. Superados os pressupostos, passo as preliminares ao exame do mérito, DAS QUESTÕES PRELIMINARES: Antes de avaliar os argumentos apresentados pelo cont ribuinte quanto ao mérito do lançamento, entendo necessário tecer comentários acerca do instituto da decadência. Contudo, apesar de o recorrente questionar em juizo a exigência de contribuições sobre os serviços prestados pelos cooperados, contribuintes individuais, o que levaria ao não conhecimento do feito, destaco, que na referida ação não existe questionamento acerca da decadência das contribuições, razão porque não existe óbice a apreciação do feito Quanto a preliminar referente ao prazo de decadência para o fisco constituir os créditos objeto desta NFLD, subsumo todo o meu entendimento quanto a legalidade do art. 45 da Lei 8212/91(10 anos), outrora defendido, h. decisão do STF. Dessa forma, quanto a decadência de 5 anos, razão assiste ao contribuinte nos termos abaixo expostos. 0 STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n ° 8.212/1991, tendo inclusive no intuito de eximir qualquer questionamento quanto ao alcance da referida decisão, editado a Súmula Vinculante de n ° 8, senão vejamos: Stilt:Ida Humlante no 8"São inconstitucionais os parágrafo folic° do artigo 5" do Decreto-lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8,212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário 0 texto constitucional em seu art. 103-A deixa claro a extensão dos efeitos da aprovação da súmula vinculando, obrigando toda a administração pública ao cumprimento de seus preceitos. Dessa forma, entendo que este colegiada deverá aplica-la de pronto, mesmo nos casos em que não argilida a decadência qiiinqüenal por parte dos recorrentes. Assim, prescreve o artigo em questão: Art 103-A. 0 Supremo Tribunal Federal poderá, de oficio ou por provocação, mediante decisão de dois to-gas dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e ci administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder a sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecido em lei. Pt mess° n°4402 000077/2007-91 S2-C4T1 Acenclao 2401-01.433 Fl 360 Ao declarar a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n ° 8.212, prevalecem as disposições contidas no Código Tributário Nacional — CTN, quanto ao prazo para a autoridade previdencidria constituir os créditos resultantes do inadimplemento de obrigações previdenciárias. Cite-se o posicionamento do STJ quando do julgamento proferido pela Se0o no Recurso Especial de n 0 766,050, cuja ementa foi publicada no Diário da Justiça em 25 de fevereiro de 2008, nestas palavras: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. ISS ALEGADA NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO, VALIDADE DA CDA IMPOSTO SOBRE SERVIÇOS DE QUALQUER NATUREZA - ISS INSTITUIÇÃO FINANCEIRA. ENQUADRAMENTO DE ATIVIDADE NA LISTA DE SERVIÇOS ANEU AO DECRETO- LEI N" 406/68. ANALOGIA. IMPOSSIBILIDADE. INTERPRETAÇÃO EX7ENSIVA. POSSIBILIDADE HONORÁRIOS ADVOCATiCIOS. FAZENDA PÚBLICA VENCIDA. FIXAÇÃO. OBSEI?VAÇ'ÃO AOS LIMITES DO ,sç 3." DO ART 20 DO CPC. IMPOSSIBILIDADE DE REVISÃO EM SEDE DE RECURSO ESPECIAL. REDISCUSSÃO DE MATÉRIA FÁTICO-PROBATÓRIA. SÚMULA 07 DO STJ, DECADÉNCIA DO DIREITO DE 0 FISCO CONSTITUIR CRÉDITO TRIBUTÁRIO. INOCORRENCIA. ARTIGO 173, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CTN 1. 0 Imposto sabre Serviços é regido pelo DL 406/68, cujo fato gerador é a prestação de serviço constante na lista anexa ao referido diploma legal, por empresa ou prafissional autônomo, coin ou sem e.stabelecimento fixo, 2. A lista de serviços anexa ao Decreto-lei n." 406/68, pala fins de incidência do ISS sobre serviços bancários, é taxativa, admitindo-se, contudo, zuna leitura extensiva de cada item, no afã de se enquadrar serviços idênticos aos expressamente previstos (Precedente do STF: RE 361829/RI, publicado no DJ de 24.02 2006; Precedentes do ST1 Agl?g no Ag 770170/SC, publicado no D.I de 26.10.2006; e AgRg no Ag .577068/GO, publicado no DI de 28.08.2006). 3 Entrementes, o elY71170 do enquadramento dos atividades desempenhadas pela instintição bancária na Lista de Serviços anexa ao Decreto-Lei 406/68 demanda o reexame do conteúdo [ático probatório dos autos, insindiccivel ante a incidência da Súmula 7/STJ (Precedentes. do STJ: AgRg no Ag 770170/SC, publicado no DI de 2610.2006; e RE'sp 445I37/MG, publicado no DJ de 01.09.2006).. 4. Deveras, a verificação do preenchimento dos requisitos em Certidão de Divida Ativa demanda exame de matélia [ático-probatória, providência inviável em sede de Recurs() Especial ('Súmula 07/STJ) 5. Assentando a . Corte Estadual que "na Certidão de Divida Ativa consta o ironic' do devedor; seu endereço, o débito com seu valor originário, termo inicial, maneira de calcular juros de mora, corn seu fundamento legal (Código Tributário Municipal, Lei 17." 2141/94; 2517/97, 2628/98 e 2807/00) e a descrição de todos os acréscimos" e que "os demais requisitos podem ser observados nos autos de processo administrativo acostados aos autos de execução em apenso, onde se verificam: a procedência do débito (ISSQN), o exercicio correspondente (01/12/1993 a .31/10/1998), data e número do Termo de Inicio de Ação Fiscal, bem como do Auto de Infração que originou o débito", não cabe ao Superior Tribunal de Justiça o reexame dessa interencia. 6 Vencida a Fazenda Pública, a fixação dos honorários advocatícios não esta adstrita aos limites percentuais de 10% e 20%, podendo ser adotado como base de cálculo o valor dodo à causa ou condenação, nos termos do artigo 20, § 4", do CPC (Precedentes: AgRg no AG 623 659/Ri, publicado no DJ de 06 06 2005; e AgRg no Resp 592 430/MG, publicado no DJ de 29.11.2004). 7. A revisão do critério adotado pela Corte de origem, por eqiiidade, para a ,fixação dos honorários, encontra óbice na Súmula 07, do STJ, e no entendimento sumulado do Pretório Excelso. "Salvo limite legal, a ,fixação de honorários de advogado, em complemento da condenação, depende dos circunstâncias da causa, não dando lugar a recurso extraordinário" (Súmula 389/STF) 8 0 Código Tributário Nacional, ao dispor sobre a decadência, causa extintiva do crédito tributário, assint estabelece em seu artigo 173: "Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se após 5 (cinco) anos, contados: I - do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; - da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vicio formal, o lançamento anteriormente efetuado . Parágrafo único, O direito a que se refire este artigo extingue-se definitivamente corn o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento," 9, A decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontra-se regulada por cinco regras juridicas gerais e abstratas, quais sejam: (i) regra da decadência do direito de lançam- nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de oficio, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado; regra da decadência do direito de lançar nos casos em que notificado o contribuinte de medida preparatória do lançamento, em se tratando de tributos sujeitos lançamento de oficio ou de tributos sujeitos a lançamento por homologação em que inocorre o pagamento antecipado; (iim) regra da decadência do direito de lançar nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação em que ha parcial pagamento da exação devida; (iv) regra da decadência do direito de tango,- em que o pagamento antecipado se dá com fi ammde, dolo ou simulação, ocorrendo not do contribuinte acerca de medida preparatória; e (v) regra da decadência do direito de lançar perante anulação do lançamento anterior (In • Decadência e Prescrição no Direito Tributário, Eurico Marcos Diniz de San ti, 3" Ed, Max Limonad, págs. 16.3/210) 10. Nada obstante, as aludidas regras decadenciais apresentam prazo qüinqüenal coin dies a quo diversos. 11. Assim, conta-se do "do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" (artigo 173, I, do CTN), o prazo qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de oficio), quando iiâo preve. lei o pagamento antecipado da exa cão ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocone, sem a constatação de dolo, Processo n°44021 000077/2007-91 S2-C4T1 AcOrdilo n 2401-01.433 El. 361 fraude ort simulação do contribuinte, bent como in existindo notificação de qualquer medida preparatória por parte do Fisco. No particular; cumpre enfatizar que "o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o langamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercicio seguinte it ocorrência do PO imponível, sendo inadmissível a aplicação cumulativa dos prazos pi eViStOS nos artigos 150, .§ 4", e 173, do CTIV, em se tratando de tributos sujeitos a lançamento por homologação, a Pit de configurar desamazoado prazo decadencial decenal. 12, Por seu turno, nos casos em que in existe dever de pagamento antecipado (tributos sujeitos a lançamento de oficio) ou quando, existindo a aludida obrigação (tributos sujeitos a lançamento por homologação), há omissão do contribuinte na antecipação do pagantento, desde que in ocorrentes quaisquer ilícitos (fraude, dolo ou simulação), tendo sido, contudo, notificado de medida preparatória indispensável ao lançantento, .fluindo o termo inicial do prazo decadencial da aludida notificação (artigo 1 73, parágrafo único, do CTAI), independentemente de ter sido a mesma realizada antes ou depois de iniciado o prazo do inciso I, do artigo 173, do CTN. 13. Por outro lado, a decadência do direito de lançar do Fisco, em se tratando de tributo sujeito a lançamento por hontologagdo, quando ocorre pagamento antecipado inferior ao efetivamente devido, sem que o contribuinte tenha incorrido em fraude, dolo ou simulação, nem sido notificado pelo Fisco de quaisquer medidas preparatórias, obedece a regra prevista na primeira parte do § do artigo 150, do codex Tributário, segundo o qual, se a lei não fixar prazo a homologacão, será ele de cinco anos, a cantor da ocorrência do fato gerador: "Neste caso, concorte a contagem do prazo para o Fisco homologar expressamente o pagamento antecipado, concontitantemente, com o prazo para o Fisco, no caso de não homologação, empreender o correspondente lançamento tributário. Sendo assim, no termo final desse período, consolidam-se simultaneamente a homologação tácita, a pet-da do direito de homologar expressamente e, conseqdentemente, a impossibilidade jurídica de lançar de oficio" (In Decadência e Prescrição no Direito Tributário, Eurico Marcos Diniz de San/i, 3" Ed., Max Limonad , pig 170). 14, A notificação do ilícito tributário, medida indispensável para justificar a realização do ulterior lançamento, afigura-se como dies a quo do prazo decadencial qdinqüenal, em havendo pagamento antecipado efetuado com fraude, dolo ou simulação, regra que covrfigura ampliagão do lapso decadeizcial, in caw reiniciado, Entrementes, "transcorridos cinco anos sem que a autwidade administrativa se pronuncie, produzindo a indigitada notificação formalizadora do 1/jeito, operar-se-12 ao mesmo tempo a decadência do direito de lançar de oficio, a decadência do direito de constiluir juridicamente o dolo, fu -aude ou simulação para os efeitos do art, 173, parágrafo único, do CTN e a extinção do crédito tributário em razão da homologação tácita do pagamento antecipado" (Ettrico Marcos Diniz de Sand, in obra citada, pág 171) 15. Por lint, o artigo 173, IL do CTN, cuida da regra de decadência do 7 direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário quando .sobrevéni decisão definitiva, judicial ou administiativa, que anula o lançamento anteriormente efetuado, em virtude da verificação de vicio formal. Neste caso, o marco decadencial inicia-se da data em que se tornar definitiva a aludida decisão anulatória. 16 In cant (a) cuida-se de tributo sujeito a lançamento por homologação; (b) a obriga cão ex lega de pagamento antecipado do ISSON pelo contribuinte não restou adimplida, no que concerne aos fatos geradores ocorridos no período de dezembro de 1993 a outubro de 1998, consoante apurado pela Fazenda Pública Municipal em sede de procedimento administrativo fiscal, (c) a notificação do sujeito passivo da lavratura do Termo de Inicio da Ação medida preparatória indispensável ao lançamento direto substitutivo, deu-se em 27.11.1998; (d) a instituição financeira não efetuou o recolhimento por considerar intributáveis, pelo ISSON, as atividades apontadas pelo Fisco, e (e) a constituição do crédito tributário pertinente ocon mot em 01.09.1999, 17., Desta sorte, a regra decadencial aplicável ao caso concreto é a prevista no artigo 173, parágrafo único, do Codex Tributário, contando-se o prazo da data da notifica cão de medida preparatória indispensável ao lançamento, o que sucedeu em 27.11.1998 (antes do transcurso de cinco anos da ocorrência dos fatos imponiveis apurados), donde se dessume a higidez dos créditos tributários constituídos em 01.09.1999. 18 Recurso especial parcialmente conhecido e desprovido. (GRIFOS NOSSOS) Podemos extrair da referida decisão as seguintes orientações, com o intuito de balizar a aplicação do instituto da decadência qüinqüenal no âmbito --das contribuições previdenciarias após a publicação da Súmula vinculante n° 8 do STF: Conforme descrito no recurso acima: "A decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o credito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontra-se regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, quais sejam: (i) regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de oficio, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado; (ii) regra da decadência do direito de lançar nos casos em que notificado o contribuinte de medida preparatória do lançamento, em se tratando de tributos sujeitos a lançamento de oficio ou de tributos sujeitos a lançamento por homologação em quo inocotTe o pagamento antecipado; (iii) regra da decadência do direito de lançar nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação em que há parcial pagamento da exação devida; (iv) regra da decadência do direito de lançar em que o pagamento antecipado se da com fraude, dolo ou simulação, ocorrendo notificação do contribuinte acerca de medida preparatória; e (v) regra da decadência do direito de lançar perante anulação do lançamento anterior (In: Decadência e Prescrição no Direito Tributário, Eurico Marcos Diniz de Santi, 3" Ed., Max Limonad, págs. 163/210) 0 Código Tributário Nacional, an dispor sobre a decadência, causa extintiva do crédito tributário, nos casos de lançamentos em que não houve antecipação do pagamento assim estabelece em seu artigo 173: ' Art 173. 0 direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se após 5 (cinco) anos, contados' Processo n" 4402 I 000077/2007-91 S2-C4T1 Ace dao n 2401-01.433 Fl. 362 - do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter rido efetuado; II - da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vicio formal, o lançamento anteriormente efetuado Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extingue-se definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data cm que tenha sido iniciada a constituição do et édito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida pi eparatária indispensável ao lançamento " .16 em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, quando ocorre pagamento antecipado inferior ao efetivamente devido, sem que o contribuinte tenha incorrido em fraude, dolo ou simulação, aplica-se o disposto no § 40, do artigo 150, do CTN, segundo o qual, se a lei não fixar prazo à homologação, sera ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador, Senão vejamos o dispositivo legal que descreve essa assertiva: Art.150 - O lançamento por homologação, que ocorre quanta aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, opera-se pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa 1" - O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação do lançamento. § 2"- Não influem sobre a obrigação tributária quaisquer atos anteriores a homologagão, praticados pelo sujeito passivo ou por terceiro, visando a extinção total ou parcial do crédito. § 3"- Os atos a que se refere o parágrafo anterior serão, polêm consideiados na apuração do saldo porventura devido e, sendo o caso, na imposição de penalidade, ou sua graduação. § 4" - Se a lei não fixar prow a homologação, sera ele de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considera-se homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. (grifo nosso) Contudo, para que possamos identificar o dispositivo legal a ser aplicado, seja o art. 173 ou art 150 do CTN, devemos identificar a natureza das contribuições omitidas para que, só assim, possamos declarar da maneira devida a decadência de contribuições previdencidrias. Ocorre que no caso em questão, o lançamento foi efetuado ern 22/12/2006, tendo a cientificação ao sujeito passivo ocorrido em 03/01/2007. Os fatos geradores ocorreram nas competências 07/1997 a 02/2000, sendo assim, irrelevante a apreciação de qual dispositivo legal deve ser aplicado em relação ao mencionado período, haja vista que a decadência há de ser declarada por qualquer das teorias existentes. 9 CONCLUSÃO: Voto pelo CONHECIMENTO do recurso para DAR-LHE PROVIMENTO face a aplicação da decadência qüinqüenal. corno voto. Sala das Sessões, em 20 de outubro de 2010 ELA ETRISTMA MONTEIRO E S?LVA VIEIRA —Relatora 10 MINISTÉRIO DA FAZENDA Atire -CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS QUARTA CÂMARA - SEGUNDA SECAO Processo 110: 44021.000077/2007-91 Recurso n°: 150,863 TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no parágrafo 3 0 do artigo 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria Ministerial e 256, de 22 de junho de 2009, intime-se o(a) Senhor(a) Procurador(a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto a Quarta Camara da Segunda Seção, a tomar ciência do Acórdão n° 2401-01.433 Brasilia, 13 de Dezembro de 2010 WU.\-J,Q,x 111 \ MARIA M • DALE A SI VA Chefe da Secretaria da Quarta Camara Ciente, com a observação abaixo: [ 1 Apenas com Ciência [ 1 Com Recurso Especial [ Com Embargos de Declaração Data da ciência: / / Procurador (a) da Fazenda Nacional
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Numero do processo: 10943.000386/2007-48
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 01 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Wed Dec 01 00:00:00 UTC 2010
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS.
Período de apuração: 01/01/1999 a 31/10/1999
PREVIDENCIÁRIO. AUTO DE INFRAÇÃO. INOBSERVÂNCIA DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. ART. 32, INCISO IV, LEI N° 8.212/91.
Constitui fato gerador de multa, como forma de punição, deixar o contribuinte de informar, mensalmente, ao Fisco, por intermédio de GFIP, dados relacionados aos fatos geradores de contribuições previdenciárias e outras informações de interesse do mesmo.
NORMAS GERAIS DIREITO TRIBUTÁRIO. LIVRE CONVICÇÃO JULGADOR DECISÃO RECORRIDA. NULIDADE. INEXISTÊNCIA.
Nos termos do artigo 29 do Decreto n° 70.235/72, a autoridade julgadora de primeira instância, na apreciação das provas e razões ofertadas pela contribuinte, formará livremente sua convicção, podendo determinar diligência que entender necessária, não se cogitando em nulidade da decisão quando não comprovada a efetiva existência de preterição do direito de defesa do contribuinte.
PAF, APRECIAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. IMPOSSIBILIDADE.
De conformidade com os artigos 62 e 72, § 4º do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF, c/c a Súmula n° 2 do antigo 2° CC, às instâncias administrativas não compete apreciar questões de ilegalidade ou de inconstitucionalidade, cabendo-lhes apenas dar fiel cumprimento à legislação vigente, por extrapolar os limites de sua competência.
MULTA/PENAL1DADE, LEGISLAÇÃO POSTERIOR MAIS BENÉFICA RETROATIVIDADE. Aplica-se ao lançamento legislação posterior à sua lavratura que comine penalidade mais branda, nos termos do artigo 106, inciso II, alínea "c", do Código Tributário Nacional, impondo seja recalculada a multa com esteio na Medida Provisória n° 449/2008, convertida na Lei n° 11.941/2009.
RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO EM PARTE.
Numero da decisão: 2401-001.527
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos: I) rejeitar a preliminar de nulidade da decisão de primeira instância; e II) no mérito, dar provimento parcial ao recurso para recalcular o valor da multa, se mais benéfico ao contribuinte, de acordo com o disciplinado no artigo 32-A, inciso I, da Lei n° 8.212/91.
Nome do relator: RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA
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COM. LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1999 a 31/10/1999 PREVIDENCIÁRIO. AUTO DE INFRAÇÃO. INOBSERVÂNCIA DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. ART. 32, INCISO IV, LEI Nº 8.212/91. Constitui fato gerador de multa, como forma de punição, deixar o contribuinte de informar, mensalmente, ao Fisco, por intermédio de GFIP, dados relacionados aos fatos geradores de contribuições previdenciárias e outras informações de interesse do mesmo. NORMAS GERAIS DIREITO TRIBUTÁRIO. LIVRE CONVICÇÃO JULGADOR. DECISÃO RECORRIDA. NULIDADE. INEXISTÊNCIA. Nos termos do artigo 29 do Decreto nº 70.235/72, a autoridade julgadora de primeira instância, na apreciação das provas e razões ofertadas pela contribuinte, formará livremente sua convicção, podendo determinar diligência que entender necessária, não se cogitando em nulidade da decisão quando não comprovada a efetiva existência de preterição do direito de defesa do contribuinte. PAF. APRECIAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. IMPOSSIBILIDADE. De conformidade com os artigos 62 e 72, § 4º do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF, c/c a Súmula nº 2 do antigo 2º CC, às instâncias administrativas não compete apreciar questões de ilegalidade ou de inconstitucionalidade, cabendo-lhes apenas dar fiel cumprimento à legislação vigente, por extrapolar os limites de sua competência. MULTA/PENALIDADE. LEGISLAÇÃO POSTERIOR MAIS BENÉFICA. RETROATIVIDADE. Aplica-se ao lançamento legislação posterior à sua lavratura que comine penalidade mais branda, nos termos do artigo 106, inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, impondo seja recalculada a multa com esteio na Medida Provisória nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 13/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/12/2010 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OL Assinado digitalmente em 07/12/2010 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OL, 08/12/2010 por ELIAS SAMPA IO FREIRE 2 RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO EM PARTE. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos: I) rejeitar a preliminar de nulidade da decisão de primeira instância; e II) no mérito, dar provimento parcial ao recurso para recalcular o valor da multa, se mais benéfico ao contribuinte, de acordo com o disciplinado no artigo 32-A, inciso I, da Lei n° 8.212/91. ELIAS SAMPAIO FREIRE - Presidente RYCARDO HENRIQUE MAGALHÃES DE OLIVEIRA – Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Cleusa Vieira de Souza, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 13/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/12/2010 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OL Assinado digitalmente em 07/12/2010 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OL, 08/12/2010 por ELIAS SAMPA IO FREIRE Processo nº 10943.000386/2007-48 Acórdão n.º 2401-01.527 S2-C4T1 Fl. 263 3 Relatório TRANSBRAÇAL PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS IND. COM. LTDA., contribuinte, pessoa jurídica de direito privado, já qualificada nos autos do processo administrativo em referência, recorre a este Conselho da decisão da então Gerência Regional de Arrecadação e Fiscalização em Santo André/SP, DN nº 21.634.0/082/99, que julgou procedente a autuação fiscal lavrada contra a empresa, com fulcro no artigo 32, inciso IV, da Lei nº 8.212/91, c/c artigos 225, inciso IV e § 3º, do RPS, por ter deixado de informar, mensalmente, ao Fisco, por intermédio de GFIP, dados relacionados aos fatos geradores de contribuições previdenciárias e outras informações de interesse do mesmo, em relação ao período de 01/1999 a 10/1999, conforme Relatório Fiscal da Infração, às fls. 10, e demais elementos que instruem o processo. Trata-se de Auto de Infração, lavrado em 04/12/1999, nos termos do artigo 293 do RPS, contra a contribuinte acima identificada, constituindo-se multa no valor de R$ 407.618,75 (Quatrocentos e sete mil, seiscentos e dezoito reais e setenta e cinco centavos), com base no artigo 284, inciso I, e § 1º, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.048/99, c/c artigo 32, inciso IV e §§ 4º e 7º, da Lei nº 8.212/91. Inconformada com a Decisão recorrida, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário, às fls. 61/70, procurando demonstrar sua improcedência, desenvolvendo em síntese as seguintes razões. Preliminarmente, pretende seja declarada a nulidade da decisão recorrida, argumentando ter incorrido em preterição do direito de defesa da contribuinte, ao deixar de apreciar todas as alegações suscitadas na sua peça inaugural, malferindo os princípios da legalidade, verdade material, razoabilidade e do devido processo legal administrativo. Em defesa de sua pretensão, assevera que a conduta da autoridade julgadora de primeira instância, acima elucidada, malferiu a decisão recorrida por lhe faltar o requisito motivação, indispensável à sua validade na condição de ato administrativo. Insurge-se contra a exigência consubstanciada na peça vestibular do feito, defendendo não ter deixado de apresentar à fiscalização os documentos solicitados, tendo a autoridade lançadora lavrado a autuação fiscal a partir de meras presunções, sobretudo em razão de a contribuinte somente não ter ofertado a documentação que não dispunha, a qual se encontrava em posse do fisco, consoante Termo de Apreensão de Documentos, datado de 27/05/1999, trazido à colação em sede de impugnação. Sustenta que tais documentos encontram-se em poder da Receita Federal, em caixas lacradas, impossibilitando a contribuinte a fornecê-los ao fiscal autuante. Contrapõe-se à multa aplicada, aduzindo para tanto ser nula de pleno direito, tendo em vista a forma utilizada em seu cálculo, ou seja, a maneira em que fora arbitrada, totalmente ilegal, não tendo a contribuinte em momento algum obstado o andamento da ação fiscal. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 13/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/12/2010 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OL Assinado digitalmente em 07/12/2010 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OL, 08/12/2010 por ELIAS SAMPA IO FREIRE 4 Por fim, pretende seja conhecido e provido seu Recurso Voluntário, para desconsiderar o Auto de Infração, tornando-o sem efeito, e no mérito, seja declarada a improcedência do lançamento. A então Secretaria da Receita Previdenciária apresentou suas contrarrazões, às fls. 195/196, em defesa da decisão recorrida, propondo a sua manutenção. Incluído na pauta do dia 24/09/2009, esta Egrégia Turma, por unanimidade de votos, entendeu por bem converter o julgamento em diligência, nos termos da Resolução n° 2401-00.074, às fls. 241/245, para que a autoridade fazendária informasse da existência de notificações fiscais relacionadas ao presente auto de infração, com o fito de auxiliar a determinação do recálculo da multa aplicada. Em atendimento à diligência supra, a autoridade competente elaborou Informação Fiscal, às fls. 252 e 261, elucidando inexistir NFLD concernente ao período de 01/1999 a 10/1999, objeto da autuação sob análise. É o relatório. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 13/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/12/2010 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OL Assinado digitalmente em 07/12/2010 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OL, 08/12/2010 por ELIAS SAMPA IO FREIRE Processo nº 10943.000386/2007-48 Acórdão n.º 2401-01.527 S2-C4T1 Fl. 264 5 Voto Conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Relator Presente o pressuposto de admissibilidade, por ser tempestivo, conheço do recurso voluntário e passo a examinar as alegações recursais. PRELIMINAR NULIDADE DECISÃO RECORRIDA Preliminarmente, requer a autuada a decretação da nulidade da decisão recorrida, por entender que a autoridade julgadora de primeira instância deixou de apreciar parte das alegações inseridas em sua defesa inaugural, em total preterição do direito de defesa da contribuinte. Muito embora a contribuinte lance referida assertiva, não faz prova ou indica qual omissão que o julgador monocrático teria incorrido, capaz de ensejar a preterição do seu direito de defesa. Como se observa do decisum atacado, de fato, a autoridade julgadora não adentrou a todas as alegações suscitadas pela então impugnante. Tal fato isoladamente, porém, não tem o condão de configurar preterição do direito de defesa do contribuinte, mormente quando este não afirma qual teria sido o prejuízo decorrente da conduta do julgador de primeira instância. Ademais, a jurisprudência de nossos Tribunais Superiores, a qual vem sendo seguida à risca por esta instância administrativa, entende que o simples fato de o julgador não dissertar a propósito de todas as razões recursais do contribuinte não implica necessariamente em nulidade da decisão, especialmente quando a recorrente lança uma infinidade de argumentos desprovidos de qualquer amparo legal ou lógico, com o fito exclusivo de protelar a demanda. A corroborar esse entendimento, cumpre trazer à baila Acórdão exarado pela 5ª Turma do STJ, nos autos do HC 35525/SP, com sua ementa abaixo transcrita: “HABEAS CORPUS. PROCESSO PENAL. NEGATIVA DE AUTORIA. NULIDADE DA SENTENÇA. LIVRE CONVICÇÃO MOTIVADA DO MAGISTRADO. ORDEM PARCIALMENTE CONHECIDA E, NESSA EXTENSÃO, DENEGADA. [...] 2. O só fato de o julgador não se manifestar a respeito de um ou outro argumento da tese defendida pelas partes não tem o condão de caracterizar ausência de fundamentação ou qualquer outro tipo de nulidade, por isso que não o exigem, a lei e a Constituição, a apreciação de todos os argumentos apresentados, mas que a decisão judicial seja devidamente motivada, ainda que por razões outras (Princípio da Livre Convicção Motivada e Princípio da Persuasão Racional, art. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 13/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/12/2010 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OL Assinado digitalmente em 07/12/2010 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OL, 08/12/2010 por ELIAS SAMPA IO FREIRE 6 157 do CPP). [...]” (Julgamento de 09/08/2007, Publicado no DJ de 10/09/2007) Nesse sentido, basta que o julgador adentre as questões mais importantes suscitadas pelo recorrente, decidindo de forma fundamentada e congruente, para que sua decisão tenha plena validade. No presente caso, extrai-se da defesa inaugural que a contribuinte traz à colação inúmeras alegações, inclusive, a propósito de inconstitucionalidade de leis, as quais não são oponíveis na esfera administrativa, bem como outras que não são capazes de rechaçar a pretensão fiscal. Assim, não se pode exigir que o julgador exponha e refute tais razões infundadas ou ilógicas. Pugna, ainda, a recorrente pela decretação da nulidade da decisão recorrida sob o argumento de que a autoridade julgadora se baseou nas informações e documentos constantes dos autos, privilegiando tal documentação em detrimento dos argumentos e elementos colocados a sua disposição na impugnação, impondo a conversão do julgamento em diligência para produção de provas indispensáveis ao deslinde da controvérsia. Não obstante o esforço da recorrente, sua irresignação, contudo, não merece acolhimento. Ao contrário do que alega a contribuinte, a autoridade recorrida não privilegiou o lançamento em prejuízo das razões e documentos apresentados pelo então impugnante. Observe-se, com relação aos documentos e razões ofertadas pelo contribuinte, que o julgador de primeira instância foi muito feliz em sua decisão, tendo em vista que cabe exclusivamente a ele conceder a força probante que assim entender. A documentação constante do processo se presta justamente para formar a convicção do julgador, podendo interpretá-la da forma que melhor entender, refutá-las ou desconsiderá-las, de acordo com sua convicção, conquanto que de forma fundamentada. Aliás, é o que determina o artigo 29 do Decreto 70.235/1972, como segue: “Seção VI Do Julgamento em Primeira Instância [...] Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias.” Dessa forma, o pleito do recorrente não tem o condão de macular a decisão recorrida, porquanto o julgador de primeira instância procedeu da melhor forma, exarando decisão fundamentada, debatendo acerca das razões pertinentes lançadas pelo contribuinte, formando livremente sua convicção, nos termos do dispositivo legal encimado. MÉRITO De conformidade com a peça vestibular do feito, a lavratura do presente auto de infração se deu em virtude da contribuinte ter deixado de informar em GFIP’s a integralidade dos dados cadastrais (Relação dos Trabalhadores constantes do Arquivo SEFIP- meio magnético) concernentes aos fatos geradores das contribuições previdenciárias e outras informações de interesse do INSS, inclusive Folhas de Pagamento Analítica para conferência e confronto, relativamente ao período de 01/1999 a 10/1999. Fl. 6DF CARF MF Emitido em 13/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/12/2010 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OL Assinado digitalmente em 07/12/2010 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OL, 08/12/2010 por ELIAS SAMPA IO FREIRE Processo nº 10943.000386/2007-48 Acórdão n.º 2401-01.527 S2-C4T1 Fl. 265 7 Nesse contexto, a contribuinte foi autuada, com fundamento no artigo 32, inciso IV, da Lei nº 8.212/91, ensejando a constituição do presente crédito previdenciário decorrente da aplicação da multa calculada com arrimo no artigo 284, inciso I, parágrafo primeiro, do RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99, que assim prescrevem: “Lei 8.212/91 Art. 32. A empresa também é obrigada: [...] IV – informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro Social-INSS, por intermédio de documento a ser definido em regulamento, dados relacionados aos fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS. [...]” “Regulamento da Previdência Social Art. 284. A infração ao disposto no inciso IV do caput do art. 225 sujeitará o responsável às seguintes penalidades administrativas: [...] I - valor equivalente a um multiplicador sobre o valor mínimo previsto no caput do art. 283, em função do número de segurados, pela não apresentação da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social, independentemente do recolhimento da contribuição, conforme quadro abaixo:” Verifica-se, que a recorrente não apresentou a documentação exigida pela Fiscalização na forma que determina a legislação previdenciária, incorrendo na infração prevista nos dispositivos legais supratranscritos, o que ensejou a aplicação da multa, nos termos do Regulamento da Previdência Social Nessa toada, improcede o argumentação da contribuinte de que teria deixado de fornecer a documentação ao Fisco em virtude de se encontrar em poder da Receita Federal do Brasil, uma vez que tais informações devem ser repassadas à Fazenda mediante instrumento próprio (GFIP) nos prazos insculpidos na legislação de regência, quando da ocorrência dos fatos geradores. Assim, uma vez iniciada a ação fiscal contra a contribuinte, esta é intimada a comprovar que prestou tais informações, podendo, inclusive (à época) corrigir a falta, o que não ocorrera na hipótese dos autos, dando margem à aplicação da penalidade, tendo o fiscal autuante agido da melhor forma em estrita observância aos dispositivos legais que regulamentam a matéria, não se cogitando em presunções na autuação. DA APRECIAÇÃO DE QUESTÕES DE INCONSTITUCIONALIDADES/ILEGALIDADES NA ESFERA ADMINISTRATIVA. Fl. 7DF CARF MF Emitido em 13/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/12/2010 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OL Assinado digitalmente em 07/12/2010 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OL, 08/12/2010 por ELIAS SAMPA IO FREIRE 8 Relativamente às ilegalidades e/ou inconstitucionalidade suscitadas pela contribuinte, além da exigência da multa ora aplicada encontrar respaldo na legislação previdenciária/tributária, cumpre esclarecer, no que tange a declaração de ilegalidade ou inconstitucionalidade, que não compete aos órgãos julgadores da Administração Pública exercer o controle de constitucionalidade de normas legais. Note-se, que o escopo do processo administrativo fiscal é verificar a regularidade/legalidade do lançamento à vista da legislação de regência, e não das normas vigentes frente à Constituição Federal. Essa tarefa é de competência privativa do Poder Judiciário. A própria Portaria MF nº 256/2009, que aprovou o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF, é por demais enfática neste sentido, impossibilitando o afastamento de leis, decretos, atos normativos, dentre outros, a pretexto de inconstitucionalidade ou ilegalidade, nos seguintes termos: “Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I - que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II - que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do Procurador-Geral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da Advocacia-Geral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar nº 73, de 1993; ou c) parecer do Advogado-Geral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar nº 73, de 1993.” Observe-se, que somente nas hipóteses contempladas no parágrafo único e incisos do dispositivo regimental encimado poderá ser afastada a aplicação da legislação de regência, o que não se vislumbra no presente caso. A corroborar esse entendimento, a Sumula nº 02, do 2º Conselho de Contribuintes, aprovada na Sessão Plenária de 18 de setembro de 2007, assim estabelece: “O Segundo Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de legislação tributária.” E, segundo o artigo 72, § 4 º do Regimento Interno do CARF, as Súmulas dos Conselhos de Contribuintes, que são o resultado de decisões unânimes, reiteradas e uniformes, serão de aplicação obrigatória por este Conselho. Fl. 8DF CARF MF Emitido em 13/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/12/2010 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OL Assinado digitalmente em 07/12/2010 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OL, 08/12/2010 por ELIAS SAMPA IO FREIRE Processo nº 10943.000386/2007-48 Acórdão n.º 2401-01.527 S2-C4T1 Fl. 266 9 Finalmente, o artigo 102, I, “a” da Constituição Federal, não deixa dúvida a propósito da discussão sobre inconstitucionalidade, que deve ser debatida na esfera do Poder Judiciário, senão vejamos: “Art. 102. Compete ao Supremo Tribunal Federal, precipuamente, a guarda da Constituição, cabendo-lhe: I – processar e julgar, originariamente: a) a ação direta de inconstitucionalidade de Lei ou ato normativo federal ou estadual e a ação declaratória de constitucionalidade de Lei ou ato normativo federal; [...]” Dessa forma, não há como se acolher a pretensão da contribuinte, também em relação à ilegalidade e inconstitucionalidade de normas ou atos normativos que fundamentaram o presente lançamento. Quanto às demais alegações da contribuinte, não merece aqui tecer maiores considerações, uma vez não serem capazes de ensejar a reforma da decisão recorrida e/ou macular o crédito previdenciário ora exigido, especialmente quando desprovidos de qualquer amparo legal ou fático, bem como já devidamente debatidas/rechaçadas pelo julgador de primeira instância. DO CÁLCULO DA MULTA – LEI Nº 11.941/2009 - RETROATIVIDADE Por derradeiro, em que pese à contribuinte não ter suscitado, mister destacar que posteriormente à lavratura do Auto de Infração fora publicada a Medida Provisória nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, trazendo nova redação ao artigo 32 da Lei nº 8.212/91, acrescentando, ainda, o artigo 32-A àquele Diploma Legal, estabelecendo nova forma do cálculo da multa ora exigida e, bem assim, determinando a exclusão da multa de mora do artigo 35 da Lei nº 8.212/91, com a conseqüente aplicação das multas constantes da Lei nº 9.430/96. Partindo dessa premissa, em face da legislação posterior contemplando penalidades mais benéficas para o mesmo fato gerador, impõe-se à aplicação desse novo calculo da multa, em observância ao disposto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, que assim prescreve: “Art. 106. A lei aplica-se a ato ou fato pretérito: I - em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II - tratando-se de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de defini-lo como infração; b) quando deixe de tratá-lo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; Fl. 9DF CARF MF Emitido em 13/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/12/2010 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OL Assinado digitalmente em 07/12/2010 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OL, 08/12/2010 por ELIAS SAMPA IO FREIRE 10 c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.” (grifamos) Nessa toada, impende recalcular o valor da multa, se mais benéfico ao contribuinte, de acordo com o disciplinado no artigo 32-A, inciso I, e parágrafos, da Lei nº 8.212/91, tendo em vista inexistir NFLD correlata para fins de dedução da multa de mora aplicada, conforme Informação Fiscal, de fls. 252 e 261. Por todo o exposto, estando o Auto de Infração sub examine parcialmente em consonância com os dispositivos legais que regulam a matéria, VOTO NO SENTIDO DE CONHECER DO RECURSO VOLUNTÁRIO, rejeitar a preliminar de nulidade da decisão recorrida e, no mérito, DAR-LHE PROVIMENTO PARCIAL, para recalcular a multa nos termos do artigo 32-A, inciso I, da Lei n° 8.212/91, se mais benéfico a contribuinte, pelas razões de fato e de direito encimadas. Sala das Sessões, em 1 de dezembro de 2010 RYCARDO HENRIQUE MAGALHÃES DE OLIVEIRA - Relator Fl. 10DF CARF MF Emitido em 13/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/12/2010 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OL Assinado digitalmente em 07/12/2010 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OL, 08/12/2010 por ELIAS SAMPA IO FREIRE
score : 1.0
Numero do processo: 35415.000655/2006-94
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 27 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Wed Jan 27 00:00:00 UTC 2010
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/02/1997 a 28/02/1999
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. INCIDENTES SOBRE PAGAMENTO EFETUADOS A SEGURADOS A TITULO DE PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS.
Tendo em vista a declaração da inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei n° 8.212/91, pelo Supremo Tribunal Federal, nos autos dos RE's nºs 556664, 559882 e 560626, oportunidade em que fora aprovada Súmula Vinculante n° 08, disciplinando a matéria.
Termo inicial: (a) Primeiro dia do exercício seguinte ao da ocorrência do fato gerador, se não houve antecipação do pagamento (CTN, ART. 173, I); (b) Fato Gerador, caso tenha ocorrido recolhimento, ainda que parcial (CTN, ART. 150, § 4º
No caso, tendo a cientificação ao sujeito passivo ocorrido no dia em 11/07/2006, ou mesmo considerando o término da ação fiscal que originou a Notificação Fiscal substituída, em 09/08/2005, todas as contribuições (período de 01/02/1997 a 28/02/1999), já se encontravam fulminadas pela decadência, independente de se tratar de lançamento por homologação ou de oficio.
RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO.
Numero da decisão: 2401-000.913
Decisão: ACORDAM os membros da 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Segunda
Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em declarar a decadência da totalidade das contribuições apuradas.
Nome do relator: CLEUSA VIEIRA DE SOUZA
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SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 35415.000655/2006-94 Recurso n° 151.766 Voluntário Acórdão n° 2401-00.913 — 4" Câmara / i a Turma Ordinária Sessão de 27 de janeiro de 2010 Matéria CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA Recorrente URUBUPUNGÁ TRANSPORTES E TURISMO LTDA Recorrida SECRETARIA DA RECEITA PREVIDENCIÁRIA - SRP ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/02/1997 a 28/02/1999 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. INCIDENTES SOBRE PAGAMENTO EFETUADOS A SEGURADOS A TITULO DE PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS. Tendo em vista a declaração da inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei n° 8.212/91, pelo Supremo Tribunal Federal, nos autos dos RE's n's 556664, 559882 e 560626, oportunidade em que fora aprovada Súmula Vinculante n° 08, disciplinando a matéria. Termo inicial: (a) Primeiro dia do exercício seguinte ao da ocorrência do fato gerador, se não houve antecipação do pagamento (CTN, ART. 173, I); (b) Fato Gerador, caso tenha ocorrido recolhimento, ainda que parcial (CTN, ART. 150, § No caso, tendo a cientificação ao sujeito passivo ocorrido no dia em 11/07/2006, ou mesmo considerando o término da ação fiscal que originou a Notificação Fiscal substituída, em 09/08/2005, todas as contribuições (período de 01/02/1997 a 28/02/1999), já se encontravam fulminadas pela decadência, independente de se tratar de lançamento por homologação ou de oficio. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 4 a Camara / i a Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em declarar a decadência da totalidade das contribuições apuradas. ELIAS SA FREIRE - Presidente CLEUSA VIEIRA Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Cleusa Vieira de Souza, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. 2 Processo n°35415.000655/2006-94 S2-C4T1 Acórdão n.°2401-00.913 Fl. 524 Relatório Trata-se de crédito lançado pela fiscalização, constante da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito —NFLD n° 37.013.572-5 lavrada em substituição da NFLD ri° 35.698.377-3, julgada nula pela Seção do Contencioso Administrativo, por vício insanável, conforme Decisão Notificação n° 21.028.0/017/2006, relativa às contribuições devidas à Seguridade Social, correspondentes à parte dos segurados, da empresa, do financiamento dos beneficio concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho e aquelas devidas destinadas às Entidades e Fundos (terceiros), incidentes sobre as remunerações de segurados empregados, no período de 02/1997 a 02/1999. Segundo o referido relatório fiscal, fls. 21/29, constituem fatos geradores das contribuições objeto do presente lançamento, os pagamentos efetuados a segurados empregados, a titulo de PLR, em desacordo com a legislação vigente, por não atenderem aos pressupostos previstos no caput, incisos I e II, além dos §§ 1° e 2° do artigo 2° da Lei n° 10.101/2000, considerados, assim, salários de contribuição. Infonna que os valores pagos, foram apurados a partir das folhas de pagamento específicas de PLR e corroborados pelos registros nos livros Diário e Razão, na conta de despesas com PLR. Tempestivamente, contribuinte apresentou sua impugnação, fls. 140/184, em que alega, em síntese que: A notificação não deve prosperar, ser anulada, pois a PLR foi paga de acordo com as disposições legais e que as alegações do Relatório Fiscal, se consubstanciam em meros indícios, decorrentes de ilação subjetiva e não em provas diretas, com incorreta interpretação das disposições contidas na Lei n° 10.101/2000; A impugnante com os seus empregados, no intuito de incentivar a produtividade, contemplando-os com a participação nos lucros e resultados, nos estritos moldes da legislação especifica. Tendo sido objeto de celebração de Convenção Coletiva de Trabalho, sendo ainda, as disposições nela contidas e nos planos de metas e qualidade claras e objetivas, com atenção à periodicidade de pagamento. O Serviço do Contencioso Administrativo da Delegacia da Receita Previdenciária em São Paulo —Norte, por meio da Decisão Notificação n°21.402.4/0057/2007, julgou procedente o lançamento, trazendo a referida decisão, a seguinte ementa: CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS — VALOR FIXO OU SOBRE SALÁRIO. DECADÊNCIA. MULTA. TAXA SELIC. Constitui salário d contribuição para os fins da Lei n° 8212/91, o pagamento a titulo de Participação nos Lucros ou Resultados — PLR, em desacordo com a Lei n a 10.101/2000. 3 Não apresentação de instrumento decorrente de negociações entre empresas e empregados, para o período 02/1997 a 02/1999, contrariando o art. 2' da Lei n°10.101/2000 É prerrogativa da auditoria fiscal da Previdência Social a desconsideração de negócio praticado com a finalidade de dissimular a ocorrência do fato gerador da contribuição social ou a natureza dos elementos constitutivos da obrigação previdenciária. Nos termos do artigo 45 da Lei n° 8212/91, o direito da Seguridade Social apurar e constituir seus créditos extingue-se após 10 anos, do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ser constituído. As contribuições incluídas em NFLD, estão sujeitas a juros e multa de caráter irrelevável, sendo lícita a incidência de juros com base na taxa SELIC, nos termos da Lei n" 9.065/95 e consolidação do artigo 34 da Lei n°8212/91. LANÇAMENTO PROCEDENTE. Contra a decisão, a contribuinte interpôs recurso a este Conselho, fls. 383/439, reproduzindo as razões aduzidas em sua impugnação, reiterando que já operou a decadência, não podendo prosperar os argumentos de que o próprio artigo 150, § 40 do CTN ressalva que pode ser instituído prazo diverso, desde que seja feito em lei. Conclui requerendo sejam acolhidas as presentes razões, com a conseqüente declaração de nulidade da Notificação Fiscal de lançamento de débito. É o relatório. 4 Processo n°35415.000655/2006-94 S2-C4T1 Acórdão n.° 2401-00.913 Fl, 525 Voto Conselheira Cleusa Vieira de Souza, Relatora Presentes os pressupostos de admissibilidade, sendo tempestivo o recurso, inexistindo, portanto, óbice ao seu conhecimento. Antes de proceder à análise de mérito das razões do presente recurso, cumpre apreciar a decadência suscitada Com relação à qual, vale esclarecer que até a Seção do mês de maio/2008, esta Câmara de julgamento, bem como esta Conselheira mantinha o entendimento de que a constituição do crédito previdenciário, aplicava-se as disposições contidas na Lei n° 8212/91, art. 45 que determina: "o direito de a Seguridade Social apurar e constituir seus créditos extingue-se em após dez anos a contar do 1° dia do exercício seguinte àquele que o crédito poderia ter sido constituído". Entretanto, o Supremo Tribunal Federal - STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n° 8.212/1991, tendo inclusive no intuito de eximir qualquer questionamento quanto ao alcance da referida decisão, editado a Súmula Vinculante de n ° 8, senão vejamos: Súmula Vinculante n°8 "São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5' do Decreto-lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário". No REsp 879.058fPR, DJ 22.02.2007, a Ia Turma do STJ pronunciou-se nos temos da seguinte ementa: "PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL. ACÓRDÃO RECORRIDO ASSENTADO SOBRE FUNDAMENTAÇÃO DE NATUREZA CONSTITUCIONAL. OMISSÃO NÃO CONFIGURADA. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO. TERMO INICIAL: (A) PRIMEIRO DIA DO EXERCÍCIO SEGUINTE AO DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR, SE NÃO HOUVE ANTECIPAÇÃO DO PAGAMENTO (CTN, ART. 173, I); (B) FATO GERADOR, CASO TENHA OCORRIDO RECOLHIMENTO, AINDA QUE PARCIAL (CTN, ART. 150, ,¢ 4°).PRECEDENTES DA 1" SEÇÃO. 1. omissis 2. omissis (.\59 3. O prazo decadencial para efetuar o lançamento do tributo é, em regra, o do art.173, I, do CT1V, segundo o qual 'direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se após 5 (cinco) anos, contados: I - do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado 4. Todavia, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação — que, segundo o art. 150 do CTN, 'ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa' e 'opera-se pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa' —, há regra especifica. Relativamente a eles, ocorrendo o pagamento antecipado por parte do contribuinte, o prazo decadencial para o lançamento de eventuais diferenças é de cinco anos a contar do fato gerador, conforme estabelece o § 4' do art. 150 do CTN. Precedentes da 1° Seção: ERESP 101.407/SP, Mi,,. Ari Pargendler, DJ de 08.05.2000; ERESP 278.727/DF, Min.Franciulli Netto, DJ de 28.10.2003; ERESP 279.473/SP, Min, Teori Zavascki, DJ de 11.10.2004; AgRg nos ERESP 2I6.758/SP, Min. Teori Zavascki, DJ de 10. 04.2006. 5. No caso concreto, todavia, não houve pagamento. Aplicável portanto, conforme a orientação acima indicada, a regra do art. 173, I, do CTN. 6. Recurso especial a que se nega provimento." E ainda, no REsp 757.922/SC, DJ 11.10.2007, a 1' Turma do STJ, mais uma vez, pronunciou-se nos temos da ementa colacionada: "EMENTA CONSTITUCIONAL, PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. ARTIGO 45 DA LEI 8212/91. OFENSA AO ART. 146,111, B, DA CONSTITUIÇÃO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO. TERMO INICIAL: (A) PRIMEIRO DIA DO EXERCICIO SEGUINTE AO DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR, SE NÃO HOUVE ANTECIPAÇÃO DO PAGAMENTO (CTN ART. 173, I); (B) FATO GERADOR, CASO TENHA OCORRIDO RECOLHIMENTO, AINDA QUE PARCIAL (C77V, ÁRT. 150, § 49. PRECEDENTES DA I` SEÇÃO. 1. "As contribuições sociais, inclusive as destinadas a financiar a seguridade social (CF, art. 195), têm, no regime da Constituição de 1988, natureza tributária. Por isso mesmo, aplica-se também a elas o disposto no art. 146, 111, b, da Constituição, segundo o qual cabe à lei complementar dispor sobre normas gerais em matéria de prescrição e decadência tributárias, compreendida nessa cláusula inclusive a fixação dos respectivos prazos. Conseqüentemente, padece de inconstitucionalidade formal o artigo 45 da Lei 8.212, de 1991, que fixou em dez anos o prazo de decadência para o lançamento das contribuições sociais devidas à Previdência Social" (Corte Especial, Argüição de 6 Processo n° 35415.000655/2006-94 S2-C4T1 Acórdão n.° 2401-00.913 Fl. 526 Inconstitucionalidade no REsp n' 616348/MG) 2. O prazo decadencial para efetuar o lançamento do tributo é, em regra, o do art. 173, 1, do CTN segundo o qual "o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se após 5 (cinco) anos, contados: 1- do primeiro dia do exercício seguinte àquele em qu. e o lançamento poderia ter sido efetuado 8 3. Todavia, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação — que, segundo o art. 150 do CTN, "ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa " e "opera-se pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa " — , há regra especifica. Relativamente a eles, ocorrendo o pagamento antecipado por parte do contribuinte, o prazo decadencial para o lançamento de eventuais diferenças é de cinco anos a contar do fato gerador, conforme estabelece o § 4 0 do art. 150 do CTIV. Precedentes jurisprudencia is. 4. No caso, trata-se de contribuição previdenciária, tributo sujeito a lançamento por homologação, e não houve qualquer antecipação de pagamento. Aplicável, portanto, a regra do art. 173, 1, do CT1V. 5. Recurso especial a que se nega provimento. É a orientação também defendida em doutrina: "Há uma discussão importante acerca do prazo decadencial para que o Fisco constitua o crédito tributário relativamente aos tributos sujeitos a lançamento por homologação. Nos parece claro e lógico que o prazo deste § 4" tem por finalidade dar segurança jurídica às relações tributárias da espécie. Ocorrido o fato gerador e efetuado o pagamento pelo sujeito passivo no prazo do vencimento, tal como previsto na legislação tributária, tem o Fisco o prazo de cinco anos, a contar do fato gerador, para emprestar definitividade a tal situação, homologando expressa ou tacitamente o pagamento realizado, com o que chancela o cálculo realizado pelo contribuinte e que supre a necessidade de um lançamento por parte do Fisco, satisfeito que estará o respectivo crédito. É neste prazo para homologação que o Fisco deve promover a fiscalização, analisando o pagamento efetuado e, entendendo que é insuficiente, fazendo o lançamento de oficio através da lavratura de auto de infração, em vez de chancelá-lo pela homologação. Com o decurso do prazo de cinco anos contados do fato gerador, pois, ocorre a decadência do direito do Fisco de lançar eventual diferença. A regra do § 4" deste art. 150 é regra especial relativamente à do art. 173, 1, deste mesmo Código. E, em havendo regra especial, prefere à regra geral. Não há que se falar em aplicação cumulativa de ambos os artigos." (Leandro Paulsen, Direito Tributário, Constituição e Código Tributário à Luz da Doutrina e da Jurisprudência, Ed. Livraria do Advogado, 6 ed., p. 1011) 7 "Ora, no caso da homologação tácita, pela qual se aperfeiçoa o lançamento, o CTN estabelece expressamente prazo dentro do qual se deve considerar homologado o pagamento, prazo que corre contra os interesses fazendá rios, conforme § 4o do art. 150 em análise. A conseqüência —homologação tácita, extintiva do crédito — ao transcurso in albis do prazo previsto para a homologação expressa do pagamento está igualmente nele consignada" (Misabel A. Machado Derzi, Comentários ao CTIV, Ed. Forense, 3a ed., p. 404) Ocorre que no caso em questão, na data da ciência da notificação fiscal, em 11/07/2006, ou mesmo considerando o término da ação fiscal que originou a Notificação Fiscal substituída, em 09/08/2005, todas as contribuições (período de 01/02/1997 a 28/02/1999), já se encontravam fulminadas pela decadência, irrelevante a apreciação de qual dispositivo legal deve ser aplicado, haja vista que a decadência há de ser declarada por qualquer das teorias existentes Isto posto; e VOTO no sentido de CONHECER DO RECURSO, para no mérito, DAR- LHE PROVIMENTO, para reconhecer a decadência de todo o período a que se refere o presente lançamento. Sala das Sessões, em 27 de janeiro de 2010 IC4 CLEUSA VIEIRA DE S ZA - Relatora MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS k;.}0n1 QUARTA CÂMARA - SEGUNDA SEÇÃO Processo n°: 35415.000655/2006-94 Recurso n°: 151.766 TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no parágrafo 3° do artigo 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria Ministerial n° 256, de 22 de junho de 2009, intime-se o(a) Senhor(a) Procurador(a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto à Quarta Câmara da Segunda Seção, a tomar ciência do Acórdão n° 2401-00.913. Brasília, 25 d fevereiro de 2010 ELIAS SAMP 10 FREIRE Presidente da Quarta Câmara Ciente, com a observação abaixo: [ ] Apenas com Ciência [ ] Com Recurso Especial [ ] Com Embargos de Declaração Data da ciência: / / Procurador (a) da Fazenda Nacional
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Numero do processo: 10882.003455/2002-22
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 01 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Thu Dec 02 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 1998
IMPOSTO DE RENDA. RECONHECIMENTO DE NÃO INCIDÊNCIA. PAGAMENTO INDEVIDO. RESTITUIÇÃO. CONTAGEM DO PRAZO DECADENCIAL.
No caso de reconhecimento da não incidência de tributo, a contagem do prazo decadencial do direito à restituição ou compensação tem início na data da publicação do Acórdão proferido pelo Supremo Tribunal Federal em ADIN, ou na data de publicação da Resolução do Senado que confere efeito erga omnes à decisão proferida inter partes em processo que reconhece inconstitucionalidade de tributo, ou na data de ato da administração tributária que reconheça a não incidência do tributo em abstrato. Não tendo transcorrido entre a data do reconhecimento da não incidência pela administração tributária do IRPF sobre rendimentos recebidos em PDV (IN SRF nº. 165, de 31 de dezembro de 1998) e a do pedido de restituição lapso de tempo superior a cinco anos, é de se considerar que não ocorreu a
decadência do direito de o contribuinte pleitear restituição de tributo pago indevidamente ou a maior que o devido.
Decadência afastada
Numero da decisão: 2102-000.983
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, DAR provimento ao recurso, para afastar a decadência e determinar o retorno dos autos para a unidade de origem para o exame das demais questões de mérito, vencida a Conselheira Núbia Matos Moura (relatora). Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Giovanni Christian Nunes Campos.
Nome do relator: NUBIA MATOS MOURA
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 1998 IMPOSTO DE RENDA. RECONHECIMENTO DE NÃO INCIDÊNCIA. PAGAMENTO INDEVIDO. RESTITUIÇÃO. CONTAGEM DO PRAZO DECADENCIAL. No caso de reconhecimento da não incidência de tributo, a contagem do prazo decadencial do direito à restituição ou compensação tem início na data da publicação do Acórdão proferido pelo Supremo Tribunal Federal em ADIN, ou na data de publicação da Resolução do Senado que confere efeito erga omnes à decisão proferida inter partes em processo que reconhece inconstitucionalidade de tributo, ou na data de ato da administração tributária que reconheça a não incidência do tributo em abstrato. Não tendo transcorrido entre a data do reconhecimento da não incidência pela administração tributária do IRPF sobre rendimentos recebidos em PDV (IN SRF nº. 165, de 31 de dezembro de 1998) e a do pedido de restituição lapso de tempo superior a cinco anos, é de se considerar que não ocorreu a decadência do direito de o contribuinte pleitear restituição de tributo pago indevidamente ou a maior que o devido. Decadência afastada
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PDV Recorrente JOSÉ ANTONIO DA SILVA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 1998 IMPOSTO DE RENDA. RECONHECIMENTO DE NÃO INCIDÊNCIA. PAGAMENTO INDEVIDO. RESTITUIÇÃO. CONTAGEM DO PRAZO DECADENCIAL. No caso de reconhecimento da não incidência de tributo, a contagem do prazo decadencial do direito à restituição ou compensação tem início na data da publicação do Acórdão proferido pelo Supremo Tribunal Federal em ADIN, ou na data de publicação da Resolução do Senado que confere efeito erga omnes à decisão proferida inter partes em processo que reconhece inconstitucionalidade de tributo, ou na data de ato da administração tributária que reconheça a não incidência do tributo em abstrato. Não tendo transcorrido entre a data do reconhecimento da não incidência pela administração tributária do IRPF sobre rendimentos recebidos em PDV (IN SRF nº. 165, de 31 de dezembro de 1998) e a do pedido de restituição lapso de tempo superior a cinco anos, é de se considerar que não ocorreu a decadência do direito de o contribuinte pleitear restituição de tributo pago indevidamente ou a maior que o devido. Decadência afastada Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, DAR provimento ao recurso, para afastar a decadência e determinar o retorno dos autos para a unidade de origem para o exame das demais questões de mérito, vencida a Conselheira Núbia Matos Moura Fl. 122DF CARF MF Emitido em 21/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/03/2011 por NUBIA MATOS MOURA Assinado digitalmente em 03/03/2011 por NUBIA MATOS MOURA, 09/03/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES C AMPO Processo nº 10882.003455/200222 Acórdão n.º 210200.983 S2C1T2 Fl. 112 2 (relatora). Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Giovanni Christian Nunes Campos. Assinado digitalmente Giovanni Christian Nunes Campos – Presidente e Redator designado Assinado digitalmente Núbia Matos Moura – Relatora EDITADO EM: 03/03/2011 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Acácia Sayuri Wakasugi, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Giovanni Christian Nunes Campos, Núbia Matos Moura, Rubens Maurício Carvalho e Vanessa Pereira Rodrigues Domene. Relatório JOSÉ ANTONIO DA SILVA requer, petição, fls. 01/02, restituição de Imposto de Renda Retido na Fonte incidente sobre verbas indenizatórias trabalhistas, recebidas em razão de adesão a Programa de Demissão Voluntária (PDV), no anocalendário 1997. A Delegacia da Receita Federal do Brasil em Osasco/SP indeferiu o pedido, Despacho Decisório, fls. 39/40, em razão de o contribuinte ter deixado de apresentar a documentação necessária para a análise do pleito. O contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, fls. 43/44, e a DRJ São Paulo II, por unanimidade de votos, indeferiu o pedido, conforme Acórdão DRJ/SPOII nº 1728.083, de 13/0/2008, fls. 53/56. Cientificado da decisão de primeira instância em 11/11/2008, fls. 58, o contribuinte apresentou, em 10/12/2008, fls. 59, recurso, fls. 60/77, onde alega, em apertada síntese, que o termo inicial do prazo decadencial é a data da entrega da declaração de imposto de renda do contribuinte. É o relatório. Fl. 123DF CARF MF Emitido em 21/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/03/2011 por NUBIA MATOS MOURA Assinado digitalmente em 03/03/2011 por NUBIA MATOS MOURA, 09/03/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES C AMPO Processo nº 10882.003455/200222 Acórdão n.º 210200.983 S2C1T2 Fl. 113 3 Voto Conselheira Núbia Matos Moura O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. Como se vê do relatório, a matéria em litígio gira em torno do termo inicial de contagem do prazo decadencial do direito de os contribuintes pleitearem a restituição de imposto incidente sobre verbas recebidas a título de PDV. A tese vencedora neste Conselho é de que o termo inicial seria a data da publicação da IN/SRF nº 165, de 1998, ou seja: 06/01/1999. Muito embora, esta seja a tese vencedora neste Conselho, com a devida vênia, divirjo desse entendimento. O prazo decadencial do direito de pleitear restituição de indébitos tributário é disciplinado no nosso ordenamento jurídico pela Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN), que assim dispõe nos arts. 165 e 168: Art. 165 O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 4º do art. 162 nos seguintes casos: I cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou a maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; (...) Art. 168 O direito de pleitear a restituição extinguese com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados: I das hipóteses dos incisos I e II do art. 165, da data da extinção do crédito tributário; Ora, o dispositivo acima transcrito define a data da extinção do crédito tributário, e não outra data qualquer, como termo inicial de contagem do prazo decadencial. Argumentam, entretanto, os que sustentam a tese contrária, que os contribuintes só puderam exercer o direito de pleitear a restituição com a publicação da Instrução Normativa, que reconheceu o direito. Tal argumento não é verdadeiro. Antes da vigência da referida Instrução Normativa os contribuinte podiam, sim, pleitear a restituição. A diferença é que antes seus pedidos eram indeferidos. Vale destacar que a Instrução Normativa veio apenas orientar e uniformizar a posição da Administração no sentido de deixar de exigir créditos tributários incidentes sobre Fl. 124DF CARF MF Emitido em 21/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/03/2011 por NUBIA MATOS MOURA Assinado digitalmente em 03/03/2011 por NUBIA MATOS MOURA, 09/03/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES C AMPO Processo nº 10882.003455/200222 Acórdão n.º 210200.983 S2C1T2 Fl. 114 4 essas verbas e, por conseqüência, deferir os pedidos de restituição, desde que formalizados dentro do prazo decadencial. Por outro lado, não se pode desprezar que a razão da existência do instituto da decadência nos diversos ordenamentos jurídicos não é outra senão o de evitar a persistência, de forma indefinida, de situações pendentes. O instituto da decadência prestigia a segurança jurídica, fundamento do ordenamento jurídico. E é precisamente esse princípio que se vulnera quando se confere à Instrução Normativa nº 165, de 1998 o efeito de interromper a contagem do prazo decadencial do direito de pleitear restituição. Concluise, portanto, que o termo inicial de contagem do prazo decadencial do direito de os contribuintes pleitearem a restituição de indébitos tributários é a data da extinção do crédito tributário que, no caso, ocorreu em 14/01/1997 (data do desligamento), extinguindose o direito em 14/01/2002. Como o pedido só foi formalizado em 05/11/2002, encontravase o direito fulminado pela decadência. Ante o exposto, VOTO no sentido de negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Núbia Matos Moura Relatora Voto Vencedor A questão do termo de início do prazo decadencial da restituição de tributo declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal – STF, quer em controle concentrado, quer em controle difuso, neste último caso após a Resolução Senatorial, bem como para o tributo reconhecido indevido pela própria administração fiscal, suscitou intenso debate no âmbito do então Primeiro Conselho de Contribuintes e da Câmara Superior de Recursos Fiscais do Ministério da Fazenda. Ao final, consolidouse a teoria da actio nata [enquanto não nasce a ação, não pode ela prescrever (actione nun nata non praescribitur)1, ou seja, o contribuinte somente poderia pleitear seu direito a partir do reconhecimento em abstrato da violação dele, implicando que o prazo decadencial somente contaria a partir do reconhecimento pelo poder público de que o tributo outrora pago era indevido], como foi exemplo o Acórdão CSRF/0400.182, prolatado na sessão de 13 de dezembro de 2005, relator o conselheiro Wilfrido Augusto Marques, que restou assim ementado: DECADÊNCIA – PEDIDO DE RESTITUIÇÃO – TERMO INICIAL –Em caso de conflito quanto à inconstitucionalidade da exação tributária, o termo inicial para contagem do prazo decadencial do direito de pleitear a restituição de tributo pago indevidamente iniciase: a) da publicação do acórdão proferido pelo Supremo Tribunal Federal em ADIN; 1 MONTEIRO, Washington de Barros. Curso de Direito Civil. Parte Geral. 32. ed. São Paulo: Savaiva, 1994, v. 1, p. 297. Fl. 125DF CARF MF Emitido em 21/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/03/2011 por NUBIA MATOS MOURA Assinado digitalmente em 03/03/2011 por NUBIA MATOS MOURA, 09/03/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES C AMPO Processo nº 10882.003455/200222 Acórdão n.º 210200.983 S2C1T2 Fl. 115 5 b) da Resolução do Senado que confere efeito erga omnes à decisão proferida inter partes em processo que reconhece inconstitucionalidade de tributo; c) ou, em havendo publicação de ato administrativo, a partir desta data. Como se percebe da ementa acima, o termo a quo do prazo decadencial depende de futura decisão do STF, no controle concentrado, ou da Resolução do Senado Federal, quando a decisão da Suprema Corte ocorrer no controle difuso, ou, ainda, da publicação de ato da administração que reconheça em abstrato que o tributo foi pago indevidamente. Devese ressaltar, por oportuno, que se assentou, também, no âmbito dos Conselhos de Contribuintes que o prazo decadencial seria qüinqüenal. No caso aqui em debate, somente a partir da publicação da Instrução Normativa da Secretaria da Receita Federal nº 165, de 31 de dezembro de 1998 (DOU de 06 de janeiro de 1999) surgiu o direito do requerente para pleitear a restituição do imposto retido, porque esta Instrução Normativa estampava o reconhecimento da Administração Tributária pela nãoincidência do imposto de renda sobre os rendimentos decorrentes de planos ou programas de desligamento voluntário. Assim sendo, seguindo a jurisprudência remansosa dos Conselhos de Contribuintes e da Câmara Superior de Recursos Fiscais, devese reconhecer que não ocorreu a decadência do direito de pleitear a restituição em discussão, pois o prazo decadencial somente começou a fluir a partir de 06 de janeiro de 1999, e, em 05/11/2002, data da protocolização do presente processo, ainda não tinha fluído o qüinqüênio decadencial. Ante o exposto, voto no sentido de afastar a decadência acolhida pela decisão recorrida, devolvendo o presente processo para a unidade de origem para o exame das demais questões de mérito. Assinado digitalmente Giovanni Christian Nunes Campos Fl. 126DF CARF MF Emitido em 21/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/03/2011 por NUBIA MATOS MOURA Assinado digitalmente em 03/03/2011 por NUBIA MATOS MOURA, 09/03/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES C AMPO
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Numero do processo: 10435.001125/2004-32
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 26 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Thu Aug 26 00:00:00 UTC 2010
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 01/10/1999 a 30/11/1999, 01/02/2000 a 29/02/2000, 01/01/2001 a 30/09/2002, 01/11/2002 a 31/12/2002
OPÇÃO PELA VIA JUDICIAL. EFEITOS.
Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo.
Aplicação da Súmula CARF nº 1.
Recurso Voluntário Não Conhecido
Numero da decisão: 3102-00.739
Decisão: Acórdão os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não tomar conhecimento do recurso, nos termos do voto do Relator. Ausente, justificadamente, a Conselheira Nanci Gama, que foi substituída pelo Conselheiro Helder Massaaki Kanamaru.
Matéria: PIS - ação fiscal (todas)
Nome do relator: Luis Marcelo Guerra de Castro
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/10/1999 a 30/11/1999, 01/02/2000 a 29/02/2000, 01/01/2001 a 30/09/2002, 01/11/2002 a 31/12/2002 OPÇÃO PELA VIA JUDICIAL. EFEITOS. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo. Aplicação da Súmula CARF nº 1. Recurso Voluntário Não Conhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acórdão os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não tomar conhecimento do recurso, nos termos do voto do Relator. Ausente, justificadamente, a Conselheira Nanci Gama, que foi substituída pelo Conselheiro Helder Massaaki Kanamaru Luis Marcelo Guerra de Castro - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros José Fernandes do Nascimento, Ricardo Paulo Rosa, Beatriz Veríssimo de Sena, Luciano Pontes de Maya Gomes, Nanci Gama, Helder Massaaki Kanamaru e Luis Marcelo Guerra de Castro. Relatório Fl. 964DF CARF MF Impresso em 25/07/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2010 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 7/10/2010 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO 2 Por bem descrever a matéria litigiosa, adoto relatório que embasou o acórdão recorrido, que passo a transcrever: Contra a empresa acima qualificada foram lavrados os Autos de Infração de fls. de fls. 11/18 e 439/446 do presente processo, para exigência das Contribuições PIS/COFINS, do presente processo, cujos processos foram juntados por anexação em cumprimento à disposição contida no art. 2º da Portaria SRF nº 6.129, de 02.12.2005 (fl. 425), para exigência dos créditos tributários, adiante especificados, referente aos períodos já mencionados: CRÉDITO TRIBUTÁRIO COFINS R$ PIS R$ CONTRIBUIÇÕES 830.311,14 98.880,88 JUROS DE MORA 238.470.12 46.501,47 MULTA 615.233,22 74.160,54 TOTAL 1.674.014,48 219.542,89 O procedimento fiscal concluiu com os lançamentos do crédito tributário diante da diferença constatada entre o valor escriturado e o declarado/pago das contribuições, conforme exposto na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal. Os valores da base de cálculo apurados foram levantados considerando os valores escriturados no livro Registro de Apuração do ICMS (fls. 70/248), os valores escriturados nos livros Registro de Entradas, Registro de Saídas, DCTF, Informações Prestadas à SRF, e os pagamentos constantes no sistema SINAL. Acrescenta que a empresa é optante do PAES, em relação aos débitos das contribuições PIS e Cofins, de meses de apuração dos anos calendários 2000, 2001, 2002 e janeiro de 2003 (Cofins), confessados em DCTF, não extintos por pagamentos, cópias anexas. Não declarados os débitos apurados na fiscalização, decorrentes das diferenças de base de cálculo, cujos valores não foram confessados em DCTF, que serão objeto de lançamento de ofício. Devidamente notificado e inconformado, o contribuinte apresentou impugnações (fls. 303/324 e 742/763), por seu representante legal, anexando cópias de documentos (fls. 325/401 e 764/854), expondo as razões a seguir: 1. Os autos de infração dizem respeito à cobrança das contribuições PIS e Cofins, com base nos arts. 2º e 3º da Lei nº 9.718/98, referente ao período fiscalizado de 31/10/99 a 31/12/02; 2. Em primeiro lugar, conforme Mandado de Segurança acostado, tem-se que ficou assegurada a tributação, no caso, sobre o lucro bruto; 3. A distinção entre a impugnante e as instituições financeiras, que estão autorizadas a recolher as referidas exações com deduções e exclusões da base de cálculo, resultando em recolhimento menor por parte das beneficiárias, não permitidas à impugnante, fere frontalmente o princípio da isonomia tributária insculpido no art. 150, II da CF, Fl. 965DF CARF MF Impresso em 25/07/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2010 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 7/10/2010 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10435.001125/2004-32 Acórdão n.º 3102-00.739 S3-C1T2 Fl. 2 3 entendimento corroborado por vários doutrinadores e por decisões proferidas nos tribunais superiores; 4. Por outro lado, a base de cálculo pretendida para tributação das analisadas contribuições, não tem cabimento, tendo sido decidido pelo STJ, no julgamento do RESP 501.628-SC, transcrito, que a base de cálculo estabelecida afronta o art. 110 do CTN; 5. Requer sejam os autos de infração julgados improcedentes, por falta de amparo legal, e por ser a base de cálculo afronta ao art. 110 do CTN. Ponderando as razões aduzidas pela autuada, juntamente com o consignado no voto condutor, decidiu o órgão de piso não tomar conhecimento da impugnação e declarar extinta a via administrativa, em razão de que restara caracterizada concomitância entre o presente litígio e o travado no âmbito do Poder Judiciário. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/10/1999 a 30/11/1999, 01/02/2000 a 29/02/2000, 01/01/2001 a 30/09/2002, 01/11/2002 a 31/12/2002 OPÇÃO PELA VIA JUDICIAL. RENÚNCIA À ESFERA ADMINISTRATIVA. Tendo o contribuinte optado pela discussão da matéria perante o Poder Judiciário, há renúncia às instâncias administrativas, não mais cabendo, nestas esferas, a discussão da matéria de mérito, debatida no âmbito da ação judicial. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/09/1999 a 30/11/1999, 01/02/2000 a 29/02/2000, 01/01/2001 a 30/09/2002, 01/11/2002 a 31/12/2003 OPÇÃO PELA VIA JUDICIAL. RENÚNCIA À ESFERA ADMINISTRATIVA. Tendo o contribuinte optado pela discussão da matéria perante o Poder Judiciário, há renúncia às instâncias administrativas, não mais cabendo, nestas esferas, a discussão da matéria de mérito, debatida no âmbito da ação judicial. Impugnação Não Conhecida Após tomar ciência da decisão recorrida, comparece a recorrente mais uma vez aos autos para, em sede de recurso voluntário, pleitear o reconhecimento do cerceamento do seu direito de defesa, supostamente maculado pelo não conhecimento da impugnação. Segundo aduz, somente a identidade total entre fatos, motivos e objetos caracterizaria a concomitântia entre os processos. Consequentemente, havendo diversidade, ainda que parcial, das causas de pedir nas vias administrativa e judicial, como se verificaria no presente litígio, deve a matéria litigiosa ser enfrentada nas duas esferas. Tal diversidade estaria caracterizada em razão de que, no Mandado de Segurança nº 2001.3129-3, pleiteara a tributação com base no lucro bruto e, na via Fl. 966DF CARF MF Impresso em 25/07/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2010 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 7/10/2010 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO 4 administrativa, além de se noticiar esse provimento judicial, questionou-se a base de cálculo apontada pelo Fisco, em face das conclusões assentadas no REsp nº 501.628-SC, que reconhecera, naquela metodologia, afronta ao art. 110 do CTN. No mérito, reitera os argumentos manejados por ocasião da instauração da fase litigiosa e pleiteia o reconhecimento da improcedência da autuação. É o Relatório Voto Conselheiro Luis Marcelo Guerra de Castro, Relator O presente recurso foi tempestivamente apresentado e trata de matéria afeta a esta Terceira Seção. Antes de enfrentar os argumentos que levam a recorrente a pugnar pela improcedência do Auto de Infração, é preciso investigar a presença ou não de concomitância entre o objeto do presente recurso voluntário (suposto pagamento das contribuições para o PIS e a Cofins em montante inferior ao das operações declaradas no Livro de Apuração do ICMS) e a matéria em debate no Mandado de Segurança nº 2001.3129-3, manejado perante a Justiça Federal do Estado de Pernambuco, cuja cópia da petição inicial encontra-se anexada às fls. 819 a 841 do presente processo. Para tanto, vejamos, em primeiro lugar, o que diz o parágrafo único do art. 38 da Lei 6.830, de 1980: Parágrafo Único - A propositura, pelo contribuinte, da ação prevista neste artigo importa em renúncia ao poder de recorrer na esfera administrativa e desistência do recurso acaso interposto. (grifei) No plano das normas administrativas, disciplinando a aplicação do mesmo dispositivo, editou a Secretaria da Receita Federal, por meio de seu Coordenador-Geral de Tributação, o Ato Declaratório Normativo nº 3, de 14 de fevereiro de 1996 (D.O. U. de 15 de fevereiro de 1996), cujas alíneas “a” e “b” esclarecem: a) A propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda, de ação judicial – por qualquer modalidade processual – , antes ou posteriormente à autuação, com o mesmo objeto, importa a renúncia às instâncias administrativas, ou desistência de eventual recurso interposto; b) Conseqüentemente, quando diferentes os objetos do processo judicial e do processo administrativo, este terá prosseguimento normal no que se relaciona à matéria diferenciada (por exemplo, aspectos formais do lançamento, base de cálculo, etc.);. Acerca do conceito de objeto da ação, recorro à lição de Humberto Theodoro Júnior 1 1 Curso de Direito Processual Civil, Vol. I. Rio de Janeiro. Forense. 1992, 9ª ed. p. 64 Fl. 967DF CARF MF Impresso em 25/07/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2010 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 7/10/2010 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10435.001125/2004-32 Acórdão n.º 3102-00.739 S3-C1T2 Fl. 3 5 O pedido, como objeto da ação, equivale à lide, isto é, à matéria sobre a qual a sentença de mérito tem de atuar. E o bem jurídico pretendido pelo autor perante o réu. E também pedido, no aspecto processual, o tipo de prestação jurisdicional invocada (condenação, execução, declaração, cautelar, etc.). Na mesma esteira, fixa a Súmula CARF nº 1: Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Tomando tal conceito como referência, desde já pedindo licença à recorrente, entendo que o fixa a concomitância não são os fundamentos manejados, mas o objeto da ação, ou seja, o pedido formulado perante as esferas administrativa e judicial. Consequentemente, a identificação desse aspecto da ação será o foco da presente análise. Como já se destacou anteriormente, buscou a recorrente, tanto na via mandamental quanto na administrativa, ver reconhecido o direito recolher as contribuições objeto de exigência fiscal em moldes diversos dos fixados pelo art. 3º, § 6º, inciso I e alíneas da Lei nº 9.718, de 1988. Em ambos as esferas, portanto, o que se pleiteia é a redução da base de cálculo fixada nos termos da lei que rege a cobrança das contribuições, restando indagar, a meu ver, se o resultado almejado, por caminhos diversos, é coincidente. Para viabilizar essa investigação, trago à colação excerto da petição que delineia o pedido formulado judicialmente: Requer, finalmente, se digne V. a conceder a segurança, reconhecendo definitivamente o direito da Impetrante de recolher as contribuições para o PIS e a Cofins com base de cálculo igual aquela prevista para as instituições bancárias, com todas as deduções e exclusões previstas na Lei 9.718 (art. 3°, § 6º, I e alíneas), de forma que a base de cálculo seja reduzida ao lucro operacional bruto, pela razões já expostas. O conceito de lucro operacional bruto, por sua vez, está fixado no art. 11, caput e § 2º, do Decreto-lei nº 1.598, de 1977. Dizem os dispositivos: Art 11 - Será classificado como lucro operacional o resultado das atividades, principais ou acessórias, que constituam objeto da pessoa jurídica. § 1º - (...) § 2º - Será classificado como lucro bruto o resultado da atividade de venda de bens ou serviços que constitua objeto da pessoa jurídica. Fl. 968DF CARF MF Impresso em 25/07/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2010 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 7/10/2010 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO 6 Ou seja, o pleito judicial da recorrente é limitar a base de cálculo das contribuições ao valor auferido nas operações relacionadas à sua atividade empresarial, após a dedução dos custos atrelados a tais atividades. Já na esfera administrativa, apesar de não indicar precisamente as parcelas consideradas na autuação que deveriam deixar de compor a base de cálculo, sustenta que a exigência é ilegal, em razão das conclusões do E. Superior Tribunal de Justiça quando do julgamento do REsp nº 501.628-SC 2 , no qual se concluiu que a Lei nº 9.718/98 violara o art. 110 do CTN, em razão da ampliação do conceito de faturamento promovida por aquele diploma. Veja-se excerto do voto condutor: O artigo 2º da Lei 9.718⁄98 tem a redação seguinte: As contribuições para o PIS⁄PASEP e a COFINS, devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado, serão calculadas com base no seu faturamento, observadas a legislação vigente e as alterações introduzidas por esta lei. O que se questiona, no entanto, é a mudança no conceito de faturamento, o que, na visão dos contribuintes, ensejou a alteração da base de cálculo. E isto porque, os artigos 2º e 3º, § 1º, da lei em comento, incorporaram todas as receitas auferidas pela pessoa jurídica para efeito de incidência da COFINS, inserindo-se no conceito de faturamento. (...) Sob o prisma do artigo 110 do CTN, é possível enfrentar a querela, visto que se alega que a Lei 9.718⁄98 alterou o conceito jurídico de FATURAMENTO, para nele inserir o conceito de RENDA BRUTA. O artigo 110 do CTN preconiza a impossibilidade de a lei tributária alterar definição, conteúdo, instituto, conceito e formas do Direito Privado, o que leva à impossibilidade de alterar a lei nova, sub examen, o conceito de FATURAMENTO. Posteriormente, quando da retificação do voto, a Ministra Relatora fez juntar aos autos o voto-vista exarado no REsp nº 516.403 - RJ: Lendo atentamente o rol das exclusões de incidências, não fui capaz de encontrar, por exemplo, a não-incidência dos resultados das aplicações financeiras, receita que, naturalmente, não pode ser incluída no conceito de faturamento. Em verdade, a Lei 9.718⁄98 buscou tributar outras receitas além daquelas representativas da atividade operacional da empresa, criando novo conceito para o termo, o que levou a infringir o art. 110 do CTN. De referência à alínea "c", temos que o paradigma apontado, do STF – RE 150.755-1⁄PE, não deixa dúvida quanto ao conceito de 2 Ministra Eliana Calmon, julgado em 10 de fevereiro de 2004. Fl. 969DF CARF MF Impresso em 25/07/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2010 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 7/10/2010 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10435.001125/2004-32 Acórdão n.º 3102-00.739 S3-C1T2 Fl. 4 7 faturamento, dado pelo STF, e que veio a ser desautorizado pela Lei 9.718⁄98. Com essas considerações, por infringência ao art. 110 do CTN e por divergência jurisprudencial, conheço do recurso especial para lhe dar provimento, pedindo vênia ao relator. O que se vê, portanto, é que, sob fundamento diverso, o pleito formulado na esfera administrativa é igualmente limitar a base de cálculo das contribuições ao valor das receitas auferidas na atividade empresarial constante do objeto societário. A diferença entre as esferas é, portanto, que, na judicial, além de restringir a base de cálculo à receita operacional, pleiteia-se ainda deduzir os custos incorridos nessa atividade. Ora, se o pleito judicial alcança a totalidade do formulado na via administrativa, evidentimente caracterizou-se a desistência tácita fixada no já transcrito parágrafo único do art. 38 da Lei nº 6.830/80. Peço vênia para transcrever manifestação do Superior Tribunal de Justiça nos autos do REsp nº 840.556 – AM 3 : TRIBUTÁRIO. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. MANDADO DE SEGURANÇA. AÇÃO JUDICIAL. RENÚNCIA DE RECORRER NA ESFERA ADMINISTRATIVA. IDENTIDADE DO OBJETO. ART. 38, PARÁGRAFO ÚNICO DA LEI Nº 6.830/80. 1. Incide o parágrafo único do art. 38, da Lei nº 6.830/80, quando a demanda administrativa versar sobre objeto menor ou idêntico ao da ação judicial. 2. A exegese dada ao dispositivo revela que: "O parágrafo em questão tem como pressuposto o princípio da jurisdição una, ou seja, que o ato administrativo pode ser controlado pelo Judiciário e que apenas a decisão deste é que se torna definitiva, com o trânsito em julgado, prevalecendo sobre eventual decisão administrativa que tenha sido tomada ou pudesse vir a ser tomada. (...) Entretanto, tal pressupõe a identidade de objeto nas discussões administrativa e judicial". (Leandro Paulsen e René Bergmann Ávila. Direito Processual Tributário. Porto Alegre: Livraria do Advogado, 2003, p. 349). (os grifos não constam do original) Assim, na esteira da jurisprudência do STJ, essencialmente em função do princípio da Unidade da Jurisdição e da inegável subsunção dos fatos narrados à hipótese descrita no parágrafo único do art. 38 da Lei nº 6.830 de 1980, penso que agiu bem a r. delegacia de julgamento ao deixar de conhecimento da impugnação. Ante ao exposto, voto no sentido de não tomar conhecimento do presente recurso e ratificar extinção do litígio na esfera administrativa. 3 Ministro Luiz Fux, DJ de 20/11/2006. Fl. 970DF CARF MF Impresso em 25/07/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2010 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 7/10/2010 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO 8 Sala das Sessões, em 26 de agosto de 2010 Luis Marcelo Guerra de Castro Fl. 971DF CARF MF Impresso em 25/07/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2010 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 7/10/2010 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO
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Numero do processo: 10580.001890/2003-06
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 14 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Tue Dec 14 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Ano-calendário: 1998
PROCESSO ADMINISTRATIVOFISCAL. RECURSO INTEMPESTIVO.
Não se conhece do Recurso Voluntário que deixa de atender às condições de admissibilidade e desenvolvimento regular do Processo Administrativo Fiscal PAF.
Todavia, conhece-se do Recurso, em relação aos responsáveis
solidários, se não dada a ciência das decisões a eles nos termos do mesmo PAF.
RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA Deve ficar evidenciada a existência
de beneficiários organizados para atender a um interesse comum que tenha convergência para a situação que enseja o fato gerador (art. 124, I, do CTN).
Numero da decisão: 1202-000.445
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, CONHECER
EM PARTE do recurso apresentado pelas pessoas físicas Aloísio Sandes Santana e Vilsara Sandes Santana Araújo no que se refere à imputação da responsabilidade, para excluílos da responsabilização tributária, e NÃO CONHECER do recurso apresentado pela pessoa jurídica, por intempestivo, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
Matéria: IRPJ - AF- omissão receitas- presunção legal Dep. Bancarios
Nome do relator: Nereida de Miranda Finamore Horta
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1998 PROCESSO ADMINISTRATIVOFISCAL. RECURSO INTEMPESTIVO. Não se conhece do Recurso Voluntário que deixa de atender às condições de admissibilidade e desenvolvimento regular do Processo Administrativo Fiscal PAF. Todavia, conhecese do Recurso, em relação aos responsáveis solidários, se não dada a ciência das decisões a eles nos termos do mesmo PAF. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA Deve ficar evidenciada a existência de beneficiários organizados para atender a um interesse comum que tenha convergência para a situação que enseja o fato gerador (art. 124, I, do CTN). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, CONHECER EM PARTE do recurso apresentado pelas pessoas físicas Aloísio Sandes Santana e Vilsara Sandes Santana Araújo no que se refere à imputação da responsabilidade, para excluílos da responsabilização tributária, e NÃO CONHECER do recurso apresentado pela pessoa jurídica, por intempestivo, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) Nelson Lósso Filho Presidente. (documento assinado digitalmente) Nereida de Miranda Finamore Horta Relatora Fl. 1DF CARF MF Impresso em 13/02/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2012 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HO, Assinado digitalmente em 11/02/2012 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 29/01/2012 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMO RE HO Processo nº 10580.001890/200306 Acórdão n.º 120200.445 S1C2T2 Fl. 540 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Nelson Lósso Filho, Flavio Vilela Campos, João Bellini Junior, Valéria Cabral Géo Verçoza, Nereida de Miranda Finamore Horta e Orlando Jose Gonçalves Bueno. Relatório Tratase de Auto de Infração (fls 16 a 31) lavrado em 11 de março de 2003, contra a empresa TRAVEL IMPORTAÇÃO EXPORTAÇÃO E ASSESSORIA LTDA., relativos ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) e seus reflexos na Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), contribuição ao PIS e COFINS, com aplicação de multa de 225%, no Auto de Infração, tendo sido reduzida para 150 %, pela decisão da DRJ/ BA, e juros com base na taxa SELIC, tendo como fundamento a omissão de receitas nos 1º e 2º trimestres do anoscalendários de 1998, conforme disposto no Termo de Verificação Fiscal (fls. 33 a 41). O valor total constante no Auto de Infração é de R$ 7.269.037,10. Foram apontados, como tributariamente responsabilizados, além dos sócios cadastrais da empresa — Srs João Reis Batista dos Santos (responsável perante a Secretaria da Receita Federal) e Marcus Aurélio Sandes Nunes —, os Srs. Jorge Luiz Christ Mussumesci, Rafael Lustig, Aloísio Sandes Santana e a Sra. Vilsara Sandes Santana Araújo, segundo o disposto no artigo 124, I, do Código Tributário Nacional – CTN, a saber: “Art. 124. São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal;.” Consoante o Termo de Verificação Fiscal da fiscalização iniciada em 27 de março de 2001: empresa sob fiscalização foi constituída em dezembro de 1993, tendo como sócios os Srs.Aloisio Sandes Santana e Paulo Sérgio Franco Maia. Em 27 de fevereiro de 1997, houve alteração do seu quadro societário, tendo ingressado na sociedade a Sra. Vilsara Sandes Santana Araujo e Marcus Aurélio Sandes Nunes, bem como a alteração de endereço da empresa. Em 20 de março de 1997, a Sra. Vilsara Sandes retirouse da sociedade, nela ingressando o Sr. João Reis Batista dos Santos. A empresa teve sua inscrição no CNPJ cancelada por liquidação voluntária, em 8 de junho de 1998, inclusive, com apresentação de declaração de inatividade. Das intimações e respostas à fiscalização O Termo de Início foi encaminhado no endereço constante no cadastro da Receita Federal, todavia, foi devolvido pelos correios, em 2 de abril do mesmo ano, com a informação de que a contribuinte era desconhecida. Em 11 de abril do mesmo ano, o mesmo termo foi encaminhado para o endereço do sócio e representante perante a SRF, Sr.João Reis Batista dos Santos, que o recebeu em 20 de abril. Em 2 de maio, foi recebida a correspondência do Sr. José Everaldo Maia, identificado como contador, informando que a empresa sob fiscalização não possui livros contábeis ou fiscais relativos ao ano de 1998. Novamente, em 16 de maio do mesmo ano, novo termo de intimação foi enviado ao Sr. João Reis Batista dos Santos, solicitando, entre outros, extratos bancários e esclarecimentos sobre os livros contábeis referentes a 1998. Fl. 2DF CARF MF Impresso em 13/02/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2012 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HO, Assinado digitalmente em 11/02/2012 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 29/01/2012 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMO RE HO Processo nº 10580.001890/200306 Acórdão n.º 120200.445 S1C2T2 Fl. 541 3 Em resposta datada de 23 de maio,o Sr. João Reis Batista dos Santos: informou já não dispor dos extratos bancários; quanto aos livros contábeis, afirmou já ter respondido tal questão em 2 de maio; apresentou, também, cópia do cartão do CGC, do contrato social e suas alterações posteriores. A fiscalização, por sua vez, entendeu que nada fora dito acerca da possibilidade de escrituração dos livros contábeis, portanto, enviou em 27 de julho, nova intimação ao Sr. João Reis, recebida em 2 de agosto. Em 22 de fevereiro de 2002, no ano seguinte, foi enviado novo termo de intimação ao Sr. João Reis Batista dos Santos, que foi recebido em 26 de fevereiro, solicitando, além dos extratos bancários, pronunciamento acerca da possibilidade de escrituração dos livros contábeis. Em 5 de março, o Sr. João Reis respondeu à intimação: afirmando deixar de apresentar livros contábeis vez que a empresa "nunca chegou a funcionar" (fl. 152); quanto aos extratos bancários, disse que, embora a titular das contas fosse a empresa sob fiscalização, essas eram movimentadas pelos Srs. Jorge Luiz Christ Mussumesci e Rafael Lustig, fornecendo seus CPF e endereços deles. A intimação somente foi enviada em 22 de fevereiro de 2002, tendo em vista que a contribuinte obteve, em 19 de junho de 2001, liminar em Mandado de Segurança determinando que a SRF se abstivesse de quebrar o sigilo bancário da Interessada. Todavia, em 21 de janeiro de 2002, a liminar foi revogada, denegandose a segurança (fls. 139/148). Das informações fornecidas pelas instituições financeiras Foram emitidas Requisição de Informações Financeiras (RMF) para os Bancos do Brasil, Itaú e Bradesco, nos termos do artigo 3º, inciso VII, do Decreto n° 3.724, de 2001. As informações cadastrais e extratos bancários em meio magnético constam das fls. 158, 169, 179 e 185. De posse desses extratos, foi feita a eliminação das transferências entre as contas, resgates e aplicações, financiamentos, estornos e valores irrelevantes. As três instituições financeiras apresentaram os cartões de autógrafos em nome dos Srs. João Reis Batista dos Santos e Marcos Aurélio Sandes Nunes (fls. 163, 175 e 186), sócios da interessada. O Banco do Brasil e o Bradesco apresentaram também cópias de procuração pública, registrada no Tabelionato do 9° Oficio de Notas da Comarca de Salvador, através da qual o Sr. João Reis Batista dos Santos outorga poderes ao Sr. Marcus Aurélio Sandes Nunes, para movimentar contas bancárias. O Banco Itaú também forneceu procuração concedida pelo Sr. João Reis, para que o Sr. Mateus Sandes movimentasse as contas bancárias da fiscalizada. Observouse que, na alteração contratual datada de 20 de março de 1997, cláusula 7, "a administração e gerência da sociedade será exercida exclusivamente pelo Sr. João Reis Batista dos Santos", razão da necessidade da procuração. Fl. 3DF CARF MF Impresso em 13/02/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2012 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HO, Assinado digitalmente em 11/02/2012 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 29/01/2012 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMO RE HO Processo nº 10580.001890/200306 Acórdão n.º 120200.445 S1C2T2 Fl. 542 4 Verificouse também a existência de cheque nominal ao Sr. Marcus Aurélio Sandes Nunes. Tanto na referida procuração pública quanto na ficha cadastral junto ao Banco Bradesco , o endereço do Sr. João Reis é Alameda Javanezas, 95, Caminho das Árvores, e não aquele constante na SRF. O endereço para correspondências junto ao Banco Itaú (fl. 188) é a sala 103 da Av. ACM, 3.247, que pertencia ao Sr. Aloisio Sandes Santana, conforme sua declaração de rendimentos. Da empresa UNO CÂMBIO E TURISMO LTDA. O Sr. João Reis Batista dos Santos foi intimado, em 8 de abril de 2002, a prestar esclarecimentos, que foi feito em 18 de abril. Em seu depoimento, relatou que: em 1996, foi convidado pelo Sr. Aloisio Sandes Santana a trabalhar na empresa Uno Cambio e Turismo Ltda, a qual funcionava na Av. ACM; 3.247, Ed. Empresarial Delta, 10º andar; na "Uno" também trabalhavam o Sr. Aloisio Sandes Santana, o Sr. Marcus Aurélio Sandes Nunes e a Sra. Vilsara Sandes Santana Araújo, os dois últimos sobrinhos do primeiro; a "Uno", necessitava utilizar uma conta bancária, portanto, solicitou a abertura de uma nova empresa que, em seu nome, movimentasse valores; o Sr. Aloisio Sandes Santana ofereceu — em reunião em que estavam presentes, além dele, os sócios da "Uno", Srs. Jorge Luiz Cluist Mussumesci e Rafael Lustig — a empresa ora fiscalizada, para que, em seu nome, fossem movimentados valores da "Uno”. o Sr. Aloísio Saldes Santana convidou o Sr. João Reis Batista dos Santos, que aceitou, a compor o quadro societário da Interessada, uma vez que os sócios desta apresentavam problemas de cadastro; foram abertas contas bancárias em nome da Interessada, e os talões de cheques lhes eram apresentados pela Sra. Vilsara Sandes e, assinados em branco, eram entregues a ela ou ao Sr. Aloísio Sandes Santana; desconhece as operações que deram origem à movimentação financeira, bem como os destinatários dos cheques, sabendo apenas que eram operações feitas em dinheiro ou cheques, não sendo utilizados cartões de crédito; em virtude do montante movimentado nas contas, em 1998, o Sr. Aloísio Sandes Santana propôs que se encerrassem tais contas bancárias, tendo, também, sido dada baixa na inscrição da empresa junto à SRF; os sócios da "Uno" moravam no Rio de Janeiro, vindo, ocasionalmente, a Salvador, sendo o Sr. Aloísio Sandes Santana o responsável pelo estabelecimento de Salvador e pelos contatos com os sócios da "Uno"; Fl. 4DF CARF MF Impresso em 13/02/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2012 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HO, Assinado digitalmente em 11/02/2012 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 29/01/2012 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMO RE HO Processo nº 10580.001890/200306 Acórdão n.º 120200.445 S1C2T2 Fl. 543 5 A fiscalização solicitou documentos que comprovam poderes perante os Bancos para movimentar recursos das contas bancárias, quando verificou que nenhum dos cheques emitidos em nome da empresa sob fiscalização foi assinado pelo Sr. João Reis Batista dos Santos, mas pelo Sr Marcos Aurélio Sandes Nunes, o que contradiz as afirmações do Sr. João Reis, de que assinava os cheques em branco e os entregava ao Sr. Aloísio Sandes Santana ou à Sra. Vilsara Sandes Santana Araújo. Sr. Marcus Aurélio Sandes Nunes foi novamente intimado, tanto pelo seu endereço constante do cadastro da SRF quanto pelo seu endereço constante da procuração pública, cuja cópia foi fornecida pelas instituições financeiras, tendo ambas retornado, uma delas com a informação de que o endereço era desconhecido e outra que o endereço era insuficiente. A fiscalização verificou que a "Uno", com inscrição no CNPJ sob o número 35.819.3821000164, e endereço no Rio de Janeiro, teve, em 1996, a sua razão social alterada para Winter Turismo e Câmbio Ltda e, em 1999, cancelou sua inscrição no CNPJ (fls 198/201). Essa empresa (“Winter”) tinha uma filial na Av ACM, 3247, sala 103, Salvador/BA, ou seja, também no Ed. Empresarial Delta, a qual foi constituída em 1995 e cancelada em 1997. Havia, também, uma filial em São Paulo , constituída em 1994 e cancelada em 1999. Em 1996, foi alterado o responsável pela "Winter" perante a SRF, o qual deixou de ser o Sr. Sergio Martins Vilhena e passou a ser o Sr. Jorge Luiz Christ Mussumesci (sócio da “Uno”). Foram enviadas também correspondências para os endereços cadastrais dos sócios da "Winter", que retornaram com a informação de que eles haviam se mudado. Cabe ressaltar que algumas dessas correspondências foram recebidas e, posteriormente, devolvidas com a informação acerca da mudança do destinatário. Sr. João Reis Batista dos Santos informou os novos endereços dos sócios da "Winter", quando novas correspondências foram enviadas. A intimação enviada para o Sr. Rafael Lustig foi devolvida com a informação de que ele era desconhecido. Já o termo de intimação fiscal enviado para o Sr. Jorge Luiz Christ Mussumesci foi recebida, em 20 de dezembro de 2002 pela Sra. Caroline G. Mussumesci, porém ele nunca se pronunciou. Da empresa NJS PARTICIPAÇÕES LTDA. Concomitantemente, estavam sendo realizados procedimentos de fiscalização junto à empresa NJS Participações Ltda., quando se verificou que existem diversos elementos que se relacionam à Interessada, dentre os quais citamos: o contador das duas empresas é o Sr. José Everaldo Maia; o Sr. João Reis Batista dos Santos, responsável pela fiscalizada perante a SRF, consta como testemunha das assinaturas dos sócios cadastrais da "NJS" junto ao Banco do Brasil, sendo que esses afirmam não serem responsáveis pelas referidas assinaturas, além de não terem assinado o contrato social da empresa, fato confirmado por laudo do Instituto de Criminologia Afrânio Peixoto; a fiscalizada consta como referência para outras informações cadastrais da "NJS" junto ao Banco do Brasil e o Sr. Marcus Aurélio Sandes Nunes, sócio da fiscalizada e responsável pela sua movimentação financeira, ali aparece como testemunha; Fl. 5DF CARF MF Impresso em 13/02/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2012 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HO, Assinado digitalmente em 11/02/2012 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 29/01/2012 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMO RE HO Processo nº 10580.001890/200306 Acórdão n.º 120200.445 S1C2T2 Fl. 544 6 o Sr. Luiz Marcelo Pereira de Aguiar, procurador da "NJS" e responsável pela assinatura de cheques em nome desta, é cunhado do Sr. Aloisio Sandes Santana, exsócio da fiscalizada, e seu endereço para correspondências junto ao Banco Bradesco é de propriedade de sua irmã Angela Isabel Gomes Aguiar, namorada do Sr. Aloisio Sandes, que também reside no local; tanto o Sr. Sr. Aloisio Sandes como terceiros que realizaram operações relativas à movimentação financeira em conta da "NJS", indicam os Srs. Rafael Lustig e Jorge Luiz Christ Mussumesci como mentores de tais operações; a "Uno" também foi citada por diversas pessoas que realizaram depósitos ou foram beneficiárias de débitos nas contas bancárias da "NJS", como a empresa que havia sido contatada; vários desses contribuintes que realizaram operações bancárias com a “NJS" nos informaram terem efetuado as transações na Av. ACM, Ed. Delta, sendo esse o endereço cadastral da fiscalizada e de filial da "Uno"; os beneficiários dos débitos e responsáveis pelos créditos nas contas bancárias da fiscalizada e da "NJS" coincidem por diversas vezes ; as agências bancárias onde as duas empresas mantiveram contas são coincidentes; a empresa Catussaba Hotel Ltda., intimada a esclarecer as operações realizadas com a "NJS", informou tratarse de pagamento relativo a hospedagem de turistas estrangeiros, acrescentando que a casa de câmbio responsável era a "Uno", que se localizava no Ed. Delta Center, e os contatos eram os Srs. João Reis e Aloisio; a "Uno", bem como o Sr. João Reis Batista dos Santos, constam como referência do Sr. Romildo Nascimento dos Santos, sócio cadastral da "NJS", junto ao Banco Itaú; o endereço informado pelo procurador da "NJS", Sr. Luiz Marcelo Pereira de Aguiar, ao Banco do Brasil, é a Av. ACM, 3.247, Ed. Empresarial Delta, sala 203, endereço cadastral da fiscalizada; esta encerrou suas atividades, o que indica que as contas da "NJS" passaram a ser utilizadas nas atividades que, até então, eram da fiscalizada; em alguns documentos fornecidos pelas instituições financeiras, encontraram depósitos em conta da "NJS", em que fora preenchido como beneficiário "Travel", cujo nome foi riscado e preenchido o da "NJS", (fls. 401/402); verificase, também, a existência de depósito em conta da "NJS",estando preenchido como favorecido "Marcus Sandes" (fl. 448); observaram existir cheques em nome da "NJS", em cujo verso consta "conforme Marcus"ou "Marcus tesoureiro" ; Fl. 6DF CARF MF Impresso em 13/02/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2012 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HO, Assinado digitalmente em 11/02/2012 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 29/01/2012 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMO RE HO Processo nº 10580.001890/200306 Acórdão n.º 120200.445 S1C2T2 Fl. 545 7 constataram ainda que os Srs. Antonio Carlos Francisco de Oliveira, Jailton Balbino da Silva e Gileno Gomes Passos foram beneficiários de diversos cheques em valores elevados, emitidos pela "NJS", sendo que tais beneficiários não apresentam em seus dados constantes do cadastro da SRF compatibilidade com o montante recebido, e suas assinaturas demonstram grafismo simplificado, fazendonos crer tratarse de interpostas pessoas, que foram utilizadas tãosomente para retirada dos valores das instituições financeiras, ressaltando que esses senhores também aparecem como beneficiários de cheques emitidos pela fiscalizada (demonstrativo de fls. 79/82); foi enviada intimação fiscal para os três, apenas o Sr. Gileno Gomes Passos foi localizado e respondeu , tendo sido ele destinatário de cheques nominais, emitidos pela "NJS", em total superior a R$4.000.000,00, durante o ano de 1998; o Sr. Gileno compareceu à sede DRFSalvador, em 28/10/2002, e informou que: trabalhando como motoboy autônomo junto a um delivery de comida chinesa, foi convidado por dois senhores, chamados Rafael Lustig e Jorge, para trabalhar com eles, sacando dinheiro junto ao Banco do Brasil; aceitou o trabalho, passando a ser contatado por telefone celular e comparecendo à agência do Banco do Brasil, no Caminho das Árvores, em Salvador, quando lhe era entregue, pelos citados senhores, o cheque a ser sacado e a carta de solicitação da disponibilização dos valores pela instituição financeira, os quais eram apresentados ao caixa; após realizar o saque, entregava o dinheiro aos Srs. Rafael e Jorge, recebia a quantia de R$100,00 pelo serviço prestado, observando que os dois senhores dirigiamse à sala reservada da agência bancária; desconhece os endereços deles, sabendo apenas ser um de São Paulo e outro do Rio de Janeiro. Sr. Gileno escreveu correspondência de próprio punho esclarecendo o que falou acima (fls 342); ficou constatado que o Sr. João Reis Batista dos Santos foi beneficiário de cheque nominal emitido pela "NJS", no valor de R$80.000,00, ele foi intimado a esclarecer o fato, tendo ele respondido que tal cheque foi depositado em sua conta bancária, que era movimentada pelos Srs. Jorge Luiz Christ Mussumesci e Rafael Lustig, desconhecendo, pois a operação realizada ; na declaração de rendimentos do Sr. Aloísio Sandes Santana, exercício de 1999, constam como bens: quotas da empresa Unitour Turismo e Cambio Ltda, no valor de US$22.100,00 (vinte e dois mil e cem dólares norte americanos) — como saldo da aquisição de US$61.000,00 junto à Cash Tour —e dinheiro em espécie, no valor de R$175.000,00, parecendo ser não plausível que essa quantia em moeda nacional estivesse fora de instituições financeiras, e, no ano seguinte, o valor aumenta para R$215.000,00 ; em 13 de setembro de 1999, Sr. Aloísio Sandes Santana foi excluído do quadro societário da "Unitour", tendo como sócios dessa, a Sra; Vilsara Sandes Santana Araújo — antiga sócia da empresa sob fiscalização — e o Sr. Marcos Antonio Brito de Araújo. Entendeu a fiscalização que tais elementos apontam para a existência de operações envolvendo câmbio de moeda estrangeira, o que vem ao encontro das informações prestadas por pessoas que realizaram operações vinculadas a lançamentos nas contas bancárias da "NJS", e demonstram a utilização de diversas empresas, com o envolvimento de várias pessoas físicas, que operam no mercado de câmbio; Aspectos Tributários Fl. 7DF CARF MF Impresso em 13/02/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2012 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HO, Assinado digitalmente em 11/02/2012 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 29/01/2012 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMO RE HO Processo nº 10580.001890/200306 Acórdão n.º 120200.445 S1C2T2 Fl. 546 8 a empresa sob fiscalização não apresentou DCTF referente ao ano calendário de 1998, tendo apresentado declaração de inatividade para o período. Consta na declaração de rendimentos do anocalendário de 1998 que ficou sem iniciar suas atividades, embora, nas declarações relativas aos anoscalendário de 1995 e 1996, existam receitas nos meses de maio de 1995 e novembro e dezembro de 1996. a contribuinte não apresentou qualquer livro ou documento, ficando apenas a alternativa de arbitramento do lucro pela não apresentação de livros e documentos (artigo 530, inciso 111, do RIR/99) diante da informação do Sr. João Reis Batista dos Santos, responsável pela autuada perante a SRF, de que as operações relativas aos depósitos/lançamentos a crédito, nas contas bancárias da fiscalizada, diziam respeito a serviços, o que foi confirmado por todos os fatos acima relatados, foi aplicado o percentual de 38,4 %, conforme previsto no artigo 532 do RIR199, para obtenção do lucro arbitrado. procedeuse ainda à destruição dos arquivos magnéticos contendo informações bancárias da empresa em comento. Do dolo Pelo relato acima, ficou demonstrada a existência de acordo entre diversas pessoas físicas e jurídicas visando à utilização de contas bancárias em nome de terceiros — o que, por si só, já caracteriza o dolo. Diversos outros aspectos dos procedimentos adotados pela contribuinte denotam a intenção de iludir e de evitar suas reais responsabilidades. Para atingir seus objetivos — esquivarse a suas responsabilidades, ou realizar operações não permitidas — os responsáveis praticaram diversas ações irregulares, como realizar operações em nome de interpostas pessoas e prestar informações falsas Administração Pública. Conclui que houve também dolo nos procedimentos adotados pela contribuinte, bem como os Srs. Aloísio Sandes Santana, CPF n° 003.293.12553, Vilsara Sandes Santana Araújo, CPF n° 489.569.02534, Jorge Luiz Christ Mussumesci, CPF n° 834.526.72700, e Rafael Lustig, CPF n° 093.690.03851, tendo em vista que colaboraram para a realização dos atos acima relatados, conheciam a sua irregularidade, sendo, pois, responsáveis pelos mesmos, juntamente com os sócios cadastrais da fiscalizada. Assim sendo, foi aplicada a multa prevista no artigo 957, inciso II, do RIR/99, vez que fica caracterizada a fraude, com a utilização de artifícios, tais como falsificação de assinaturas, prestação de informações falsas às autoridades fiscais, produção de documentos inidôneos e apresentação de declaração falsa de inatividade, com o objetivo de burlar o fisco e evitar suas responsabilidades perante terceiros. A multa foi agravada, conforme previsto no artigo 959 do RIR/99, uma vez que a contribuinte, regularmente intimada na pessoa de seu representante perante a SRF, deixou de atender, no prazo marcado, à solicitação para apresentação de extratos bancários. DA IMPUGNAÇÃO DA AUTUADA Requer que o lançamento seja julgado improcedente tendo em vista que: Do Direito sobre a omissão de rendimentos O artigo 42 da Lei n° 9.430/96 pretende criar uma presunção legal; entre o fato conhecido (fato indiciário) e o fato desconhecido (provável) deve haver uma correlação segura e direta, não podendo haver dúvidas sobre a materialização dessa correlação, sob pena desse artifício legal resultar indevido por absoluta inadequação do conceito jurídico escolhido para sua concretização. Fl. 8DF CARF MF Impresso em 13/02/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2012 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HO, Assinado digitalmente em 11/02/2012 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 29/01/2012 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMO RE HO Processo nº 10580.001890/200306 Acórdão n.º 120200.445 S1C2T2 Fl. 547 9 A movimentação bancária não implica em omissão de renda, pois segundo o artigo 43, inciso I, do CTN, renda é o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos. Princípio da Capacidade Contributiva Houve desrespeito porque a fiscalização se utilizou, indevidamente, dos seus poderes para obter a quebra do sigilo bancário, ao em vez de diligenciar para obter informações da capacidade contributiva da empresa. Autuação Contesta o lançamento e reafirma que as declarações prestadas por seu sócio João Reis Batista dos Santos. Acresce que a fiscalização ouviu dezenas de pessoas físicas e jurídicas que depositaram dinheiro nas contas bancárias da "NJS" ou cujas contas bancárias receberam créditos dessa empresa e concluíram que: existe convergência no sentido de que as operações realizadas envolvem câmbio com moeda estrangeira; as respostas convergem para a empresa "Uno", cuja razão social foi alterada para "Winter. Com efeito, nas informações prestadas por essas pessoas, o nome da "Uno" é citado dez vezes e os Srs. Jorge Luiz Christ Mussurnesei e Rafael Lustig são citados inúmeras vezes. Apurou, também, a fiscalização que a "Uno" era uma empresa com sede no Rio de Janeiro, com filiais em Salvador, São Paulo e Miami, e que aqueles senhores são sócios da "Winter", que é a nova razão social da "Uno". Pelas informações colhidas pela fiscalização, fica evidente que a "Uno" trabalhava com uma rede de hotéis em todo o País. A "Travel" funcionou apenas como suporte dessa organização (a "Uno"), emprestando seu nome para movimentação bancária de parte de seus negócios. Essa organização tinha como sócios somente os senhores Jorge Luiz Christ Mussumesci e Rafael Lustig, como apontam todos os depoimentos colhidos pela fiscalização. Sua estratégia consistia em movimentar grandes quantias, sempre em nome de terceiros inocentes, com vistas a que seus negócios escusos, mas aparentemente legais para esses terceiros, não pudessem ser ligados aos seus nomes. Assim, foram usados os nomes de empresas corno a "Travel", a "NJS", e os nomes do Sr. Gileno Gomes Passos e do Sr. Luiz Marcelo Pereira Aguiar. A presunção legal que justificou o enquadramento dos depósitos bancários como receita omitida requer que a titular desses depósitos seja uma empresa no regular desempenho de suas atividades. A “Travel” já estava desativada, tendo sido sua última operação em 2006, como apurou a fiscalização. DA IMPUGNAÇÃO DOS SRS. ALOISIO SANDES SANTANA E VILSARA SANDES SANTANA ARAÚJO Alegando,em resumo, que: Em relação à “Quebra do sigilo bancário e irretroatividade da lei e ao Desrespeito ao Princípio da Capacidade Contributiva”, repetemse os mesmos argumentos apresentados pela empresa "Travel". Quanto à “Responsabilidade Tributária”, mesmo que o lançamento não seja cancelado, a exigibilidade do crédito seria somente contra a pessoa jurídica titular dos depósitos bancários e não contra terceiros que não são sócios, administradores, mandatários, etc., da empresa responsável pelos depósitos. Fl. 9DF CARF MF Impresso em 13/02/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2012 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HO, Assinado digitalmente em 11/02/2012 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 29/01/2012 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMO RE HO Processo nº 10580.001890/200306 Acórdão n.º 120200.445 S1C2T2 Fl. 548 10 Na hipótese dos autos, segundo o artigo 135 do CTN, os sócios, os mandatários, prepostos, empregados, diretores, gerentes ou representantes são pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes às obrigações tributárias resultantes de: a) atos praticados com excesso de poderes, ou b) atos praticados com infração de lei,contrato social ou estatuto. Ora, em nenhum momento a autoridade lançadora tentou ou conseguiu demonstrar que algum dos impugnantes tenham procedido com excesso de poderes, contrariando o contrato social da TRAVEL ou tenham agido com infração de lei. Em 1998, ano do lançamento, o Srs. Aloísio e Vilsara já haviam se desligado do quadro societário da "Travel" há mais de um ano. Ao Sr. Aloisio Sandes Santana imputaselhe o fato de ser proprietário da sala 103 da Av. ACM, 3247, onde funcionava a "Travel"; o fato de ter oferecido aos Srs. Jorge Luiz Christ Mussumesci e Rafael Lustig, sócios da "Uno", o nome da 'Travel” para movimentar valores; o fato de os cheques assinados pelo Sr. João Reis terem sido entregues a ele ou à Sra.Vilsara; e o fato de haver declarado possuir cerca de R$ 175.000,00, fora de instituições financeiras, o que seria bastante implausível, além de quotas da empresa "Unitour" e US$ 22.100,00. Desde 26/02/1997, conforme Cláusula 2ª de Alteração Contratual, que o endereço da “Travel" era a sala 203 do prédio situado na Av. ACM, 3.247, alteração ocorrida antes de 1998, e, não, a sala 103 da Av. ACM, 3.247, de propriedade do Sr. Aloisio Sandes, corno endereço da "Travel". Finalmente, o fato de haver declarado ter em moeda, em 31/12/1998, cerca de R$200.000,00, sendo parte em reais (R$ 175.000,00) e outra em dólares US$22.100,00), equivalentes, na época, a R$24.752,00, se explica pelo fato do Sr. Aloisio Sandes ser portador de cardiopatia grave, conforme documentos juntados, e já foi, várias vezes, aos EUA para tratamento de saúde. Com receio de que volte a precisar viajar em caráter emergencial, mantinha, por precaução, uma reserva em moeda corrente, em dólares e outra em reais. Contra a Sra. Vilsara Sandes Santana Araújo pesa o fato de haver participado,em 1997, pelo período de 22 dias, da sociedade "Travel"; de ser sobrinha do Sr. Aloisio Sandes; e de haver recebido cheques assinados pelo Sr. João Reis. Fatos que não são listados no artigo 135 do CTN. Pelo exposto, não existe fundamento legal para mantêlos na condição de responsáveis tributários pelo crédito devido pela "Travel". DO JULGAMENTO DA DRJ O Acórdão da DRJ em Salvador/BA de nº 04661, de 29 de janeiro de 2004, dispõe que: A DRJ carece de competência para pronunciarse a respeito de conformidade de lei ou sua constitucionalidade. Não pode afastar a aplicação de lei cuja inconstitucionalidade não tenha sido expressamente declarada em decisão definitiva do STF. Da responsabilidade das pessoas físicas: os fatos narrados não deixam qualquer dúvida quanto à participação direta dos Srs. Jorge Luiz Christ Mussumesci e Rafael Lustig — sócios da "Winter" — nas transações efetuadas com a utilização das contas bancárias da Autuada. Evidentemente, foram eles os maiores beneficiários de tais operações e, como tal, procede a responsabilidade tributária que lhes foi imputada na peça exordial. Fl. 10DF CARF MF Impresso em 13/02/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2012 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HO, Assinado digitalmente em 11/02/2012 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 29/01/2012 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMO RE HO Processo nº 10580.001890/200306 Acórdão n.º 120200.445 S1C2T2 Fl. 549 11 a ligação da Sra. Vilsara Sandes Santana Araújo com a Autuada está perfeitamente caracterizada, como também sua condição de empregada da "Winter", cujas operações eram realizadas com a utilização de contas bancárias da Autuada, justificandose a responsabilidade tributária que lhe foi conferida. os sócios, Srs. João Reis Batista dos Santos e Marcus Aurélio Sandes Nunes, a responsabilidade tributária é natural e decorrente de sua participação na sociedade. Os Requerentes interpretam o artigo 121, inciso II,do CTN, restritivamente. Consoante artigo 124, I, do CTN, há coresponsabilidade tributária atribuída aos Srs. Jorge Luiz Christ Mussumesci, Rafael Lustig, Aloisio Sandes Santana, Vilsara SantanaAraújo, bem como aos sócios Srs. João Reis Batista dos Santos e Marcus Aurélio Sandes Nunes. A interessada se recusou a entregar os extratos bancários, apesar de reiteradamente intimada. Logo, a fiscalização tinha razões para solicitar das instituições financeiras por meios legalmente estabelecidos, que não somente através do Poder Judiciário. Quanto à forma de determinação do montante do lucro arbitrado, segue o disposto no artigo 27, inciso I, da Lei n° 9.430, de 1996, bem como os artigos 15, § 1°, III, e 16 da Lei n°9.249, de 26 de dezembro de 1995. A fim de ocultar receitas, a interessada, seus sócios, prepostos e demais pessoas ligadas, algumas aqui coresponsabilizadas, empreenderam ações que evidenciam a intencionalidade da fraude (dolo). Dentre as irregularidades cometidas pelos responsáveis, tem se, por exemplo, a realização de transações em nome de interpostas pessoas, a apresentação de declaração de inatividade fictícia, a prestação de informações inverídicas. Portanto, restou comprovada a ação dolosa tendente a impedir ou ocultar a ocorrência do fato gerador do imposto de renda e demais tributos reflexos. Assim sendo, justificase a aplicação da multa de lançamento de oficio agravada, no percentual de 150%, prevista no artigo 44, inciso II, da Lei n° 9.430, de 1996, e não a de 225%, previsto no artigo 44, § 2°, da Lei n°9.430, de 1996. DO RECURSO VOLUNTÁRIO O referido Acórdão foi afixado em Edital de nº017/2004, em 8 de setembro de 2004, sendo desafixado em 25 de outubro de 2004 (fls 620). Em 2 de dezembro de 2004, o Delegado da RF em Salvador encaminhou o processo à PGFN para inscrição em Dívida Ativa, mediante Despacho de nº 5417/2004. Em 30 de novembro de 2006, foi solicitada cópia do processo (fls 486). Em 20 de dezembro de 2006, foi protocolado Recurso Voluntário (fls 490). Nos autos consta apenas a intimação via Edital, não há qualquer comprovação de intimação pessoal ou via postal. No Recurso Voluntário apresentado por TRAVEL IMPORTAÇÃO EXPORTAÇÃO E ASSESSORIA LTDA., ALOÍSIO SANDES SANTANA e VILSARA SANDES SANTANA ARAÚJO: as recorrentes alegam tempestividade, tendo em vista DRF já havia sido informada que as intimações deveriam ser enviadas ao endereço do seu procurador, advogado Fl. 11DF CARF MF Impresso em 13/02/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2012 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HO, Assinado digitalmente em 11/02/2012 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 29/01/2012 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMO RE HO Processo nº 10580.001890/200306 Acórdão n.º 120200.445 S1C2T2 Fl. 550 12 regularmente constituído, à Av. Antônio Carlos Magalhães, n° 2487, Edficio Femandez Plaza, sala 1006, Pituba, nesta Capital, CEP. 40.280000. a DRF somente intimou a “TRAVEL”, e somente ela, foi intimada em antigo endereço, situado na Av. Antônio Carlos Magalhães, 3.247, sala 203, Iguatemi, Salvador (BA), conforme AR devolvido constante das fls. 619. Os domicílios do Sr. Aloísio Sandes Santana, da Sra. Vilsara Sandes Santana Araújo e Marcus Aurélio Sandes Nunes são conhecidos pois os mesmos apresentam declaração de rendimentos indicando seus endereços. Pelo exposto, não foi observado o disposto no artigo 23, III, do Decreto nº 70.235/1972. Requer que seja suspensa a inscrição em Dívida Ativa e que os autos, juntamente com o recurso e documentos a ela acostados, sejam encaminhados para o CARF. Por fim, confirma todos os argumentos levantados na Impugnação, requerendo que seja declarada a improcedência do lançamento e excluídos do rol de responsáveis, por falta de amparo legal, o Sr. Aloisio Sandes Santana, a Sra. Vilsara Sandes Santana Araújo e os sócios da empresa: Srs. João Reis Batista dos Santos e Marcus Aurélio Sandes Nunes. É o relatório. Voto Conselheira Nereida de Miranda Finamore Horta Primeiramente temos que analisar se o Recurso Voluntário atende os pressupostos de admissibilidade. Requer a recorrente que o seu Recurso Voluntário seja conhecido, tendo em vista que não foi observado o disposto no artigo 23, III, do Decreto nº 70.235/1972. A Delegacia da Receita Federal intimou a recorrente no endereço cadastral como constava do cadastro do CNPJ, que é a informação constante nos seus cadastros. Consoante julgamento da CSRF, cujo Acórdão nº40104.349, de 2 de dezembro de 2002, está assim ementado: “INTIMAÇÃO VIA POSTAL DOMICÍLIO TRIBUTÁRIO ARTIGO 23 DO PAF É valida a intimação encaminhada ao domicílio tributário informado pelo contribuinte à Secretaria da Receita Federal para fins cadastrais, ainda que, na impugnação, o sujeito passivo se faça representar por procurador que tenha requerido o envio de intimações para o seu próprio endereço. Recurso negado.” A intimação é válida quando feita no endereço cadastrado no sistema da Receita Federal. Essa decisão tem como fundamento legal o artigo 23 do Decreto 70.235/72, com a nova redação dada pela Lei 9.532/97, para regular as intimações por via postal, a saber: Fl. 12DF CARF MF Impresso em 13/02/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2012 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HO, Assinado digitalmente em 11/02/2012 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 29/01/2012 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMO RE HO Processo nº 10580.001890/200306 Acórdão n.º 120200.445 S1C2T2 Fl. 551 13 “Art 23 — Farseá a intimação: II — por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; ....... § 4º Considerase domicilio tributário eleito pelo sujeito passivo o do endereço postal, eletrônico ou de fax, por ele fornecido, para fins cadastrais, à Secretaria da Receita Federal." Portanto, a intimação via postal foi feita corretamente no endereço fornecido pela recorrente pessoa jurídica – TRAVEL IMPORTAÇÃO EXPORTAÇÃO E ASSESSORIA LTDA. à Secretaria da Receita Federal. A mesma recorrente alega tempestividade, tendo em vista que a DRF já havia sido informada que as intimações deveriam ser enviadas ao endereço do seu bastante procurador, advogado regularmente constituído, à Av. Antônio Carlos Magalhães, n° 2487, Edficio Femandez Plaza, sala 1006, Pituba, nesta Capital, CEP. 40.280000, novamente, a intimação deve ser feita à contribuinte em seu domicílio tributário cadastrado no sistema da Secretaria da Receita Federal do Brasil e, não, pelo endereço do seu representante e bastante procurador. Portanto, procedeu corretamente a DRF. Em sendo improfícua a intimação via postal, nos termos do inciso III do mesmo artigo 23, deve ser realizada a intimação através de Edital, o qual foi afixado em dependência, franqueada ao público, do órgão encarregado da intimação e ficou afixado pelo prazo de 30 dias. Nesse passo, foram seguidos corretamente os procedimentos previstos em lei por parte das autoridades fiscais, logo, não conheço do Recurso Voluntário da recorrente TRAVEL IMPORTAÇÃO EXPORTAÇÃO E ASSESSORIA LTDA.por ser intempestivo, pois foi apresentado após 30 dias da data da intimação da decisão da DRJ (artigo 33 do Decreto nº 70.235/1972). Nos termos do artigo 3º da Portaria da RECEITA FEDERAL DO BRASIL RFB nº 2.284, de 29 de novembro de 2010, a qual dispõe sobre os procedimentos a serem adotados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil quando da constatação de pluralidade de sujeitos passivos de uma mesma obrigação tributária, todos os autuados deverão ser cientificados do auto de infração, com abertura de prazo para que cada um deles apresente impugnação e o referido o prazo é contado, para cada sujeito passivo, a partir da data em que tiver sido cientificado do lançamento. Assim, a intimação, também no caso de pluralidade de sujeitos passivos, deve atender aos procedimentos dispostos no artigo 23 retromencionado: primeiramente, via postal e pessoal, e, quando restados improfícuos, via Edital. Ocorre que os Srs. Aloísio e Vilsara, considerados responsáveis solidários pela autoridade lançadora nos termos do artigo 124, I, do CTN, não foram intimados via postal ou pessoal. Consta nos autos e foi alegado por eles que a Delegacia da Receita Federal de origem não fez, primeiramente, a intimação por via postal a eles ou mesmo pessoalmente, portanto, a intimação por Edital não pode ser acatada porque não houve observação dos procedimentos previstos no disposto no artigo 23, III, do Decreto nº 70.235/1972 e Portaria da RFB nº 2284/2010, isto é, que a intimação por edital pode ser feita Fl. 13DF CARF MF Impresso em 13/02/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2012 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HO, Assinado digitalmente em 11/02/2012 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 29/01/2012 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMO RE HO Processo nº 10580.001890/200306 Acórdão n.º 120200.445 S1C2T2 Fl. 552 14 desde que tenham sido improfícuas a intimação pessoal ou por via postal, as quais não foram efetuadas. Como essas pessoas físicas listadas como responsáveis não foram devidamente intimadas via postal ou pessoal, não há o que se falar em intempestividade. Assim também corre a jurisprudência administrativa nos termos do Acórdão nº 10222.194, de 7 de dezembro de 2005, cuja ementa dispõe: “IRPJ E OUTROS Ex(s): 1998 e 1999 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. INTIMAÇÃO POSTAL. A intimação postal só se legitima com a prova de seu recebimento no domicílio tributário do sujeito passivo, não se podendo validar intimação por via postal enviada para o antigo endereço residencial do seu procurador. 1° Conselho de Contribuintes / 3a. Câmara.” Verifiquei que o procurador dos responsáveis solidários tinha poderes para representálos (fls 548/549) e apresentou Recurso Voluntário. Com base no artigo 214, § 1º¸do Código de Processo Civil, a saber: “Art. 214. Para a validade do processo é indispensável a citação inicial do réu. § 1º O comparecimento espontâneo do réu supre, entretanto, a falta de citação.” Consideramse intimados os responsáveis solidários na data em que os seus procuradores compareceram espontaneamente, que é a data em que apresentaram o Recurso Voluntário, em 20 de dezembro de 2006. Por todo o exposto, no meu entender, o Recurso dos responsáveis é tempestivo e dele tomo conhecimento. Conforme alegam em seus Recursos Voluntário, os responsáveis Srs. Aloisio Sandes Santana e Sra. Vilsara Sandes Santana Araújo devem ser excluídos uma vez que não ficou devidamente comprovada a sua responsabilidade solidária nos termos do artigo 124, II, do CTN. A referida Portaria RFB nº2284, de 29 de novembro de 2010, também dispõe em seu artigo 2º que: “Art. 2º Os AuditoresFiscais da Receita Federal do Brasil, na formalização da exigência, deverão, sempre que, no procedimento de constituição do crédito tributário, identificarem hipóteses de pluralidade de sujeitos passivos, reunir as provas necessárias para a caracterização dos responsáveis pela satisfação do crédito tributário lançado. § 1º A autuação deverá conter a descrição dos fatos e o enquadramento legal das infrações apuradas e do vínculo de responsabilidade. Fl. 14DF CARF MF Impresso em 13/02/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2012 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HO, Assinado digitalmente em 11/02/2012 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 29/01/2012 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMO RE HO Processo nº 10580.001890/200306 Acórdão n.º 120200.445 S1C2T2 Fl. 553 15 § 2º Na hipótese de que trata o caput, não será exigido Mandado de Procedimento Fiscal para os responsáveis”. (grifamos) Contra o Sr. Aloisio Sandes Santana foi feito vínculo com imóvel de sua propriedade que é a sala 103 da Av. ACM, 3247, onde funcionava a empresa TRAVEL IMPORTAÇÃO EXPORTAÇÃO E ASSESSORIA LTDA, o fato de ter ajudado os Srs. Jorge Luiz Christ Mussumesci e Rafael Lustig na movimentação de valores; o fato dos cheques assinados pelo sócio da recorrente terem sido entregues a ele ou à Sra.Vilsara; e o fato de ter declarado um montante equivalente a R$ 175.000,00 que não está depositado ou investido em nenhuma instituição financeira. Importante constar que a autoridade lançadora não trouxe provas contundentes para demonstrar que houve atos que comprovassem que os responsáveis foram beneficiados pela omissão das receitas e que houve interesse comum na situação que constitua fato gerador, nos termos do artigo 124, I, do CTN. O único fato da autuação por responsabilidade que restou comprovado foi a propriedade do imóvel, todavia, em sua impugnação, o responsável explicou que, desde 26/02/1997, conforme Cláusula 2ª de Alteração Contratual, o endereço da recorrente era a sala 203 do prédio situado na Av. ACM, 3.247, alteração ocorrida antes de 1998, e, não, a sala 103 da Av. ACM, 3.247, de propriedade do Sr. Aloisio Sandes, como endereço da recorrente. Mesmo que fosse o mesmo imóvel, não é prova capaz de comprovar o interesse comum. Contra a Sra.Vilsara Sandes Santana Araújo foi indicada como sujeito passivo por haver participado,em 1997, pelo período de 22 dias, no capital social da recorrente; por ser sobrinha do Sr. Aloisio Sandes; e por ter recebido cheques assinados pelo Sr. João Reis. Novamente não são provas capazes de comprovar que havia um interesse comum. Ora, os fatos elencados não são adequados para evidenciar o interesse comum a que convergiam as ações deles na constituição do fato gerador, não ficou evidenciado o interesse comum, faltou comprovação para a alegação da indicação, assim sendo, não há porque identificar a responsabilidade dos Srs. Aloísio e Sra Vilsara.imputandose lhes a responsabilidade tributária por força do interesse comum (art. 124, I, do CTN). Assim, em relação aos responsáveis Srs. Aloísio e Sra Vilsara, não há responsabilidade comprovada. Quanto aos sócios da empresa: Srs. João Reis Batista dos Santos e Marcus Aurélio Sandes Nunes, a responsabilidade é decorrente de sua participação na sociedade e advém do artigo 124, II, do CTN. Assim, não há como excluílos. Por todo o exposto, conheço em parte dos recursos apresentado pelos responsabilizados tributariamente, Sr. Aloisio Sandes e Sra Vilsara Sandes Santana Araújo para excluílos do rol de responsabilidade por não ter ficado comprovado o interesse comum , e não conhecer do recurso conheço do recurso da empresa TRAVEL IMPORTAÇÃO EXPORTAÇÃO E ASSESSORIA LTDA por ser intempestivo. (documento assinado digitalmente) Nereida de Miranda Finamore Horta Relatora Fl. 15DF CARF MF Impresso em 13/02/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2012 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HO, Assinado digitalmente em 11/02/2012 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 29/01/2012 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMO RE HO Processo nº 10580.001890/200306 Acórdão n.º 120200.445 S1C2T2 Fl. 554 16 Fl. 16DF CARF MF Impresso em 13/02/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2012 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HO, Assinado digitalmente em 11/02/2012 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 29/01/2012 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMO RE HO
score : 1.0
Numero do processo: 11610.003222/2001-10
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 20 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Wed Oct 20 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF
Exercício: 1998
0MISSÃO DE RENDIMENTOS
Rendimentos recebidos de pessoa jurídica por dependente. Responsabilidade pela declaração de rendimentos recebidos pelo dependente.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2101-000.814
Decisão: ACORDÃO o membros do Colegiado, por unanimidade dc votos, em
NEGAR provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator
Matéria: IRPF- auto de infração eletronico (exceto multa DIRPF)
Nome do relator: Odmir Fernandes
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Responsabilidade pel a declaração dc rendimentos recebidos pelo dependente Recurso VOlunidrio Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes au tos.. ACORDÀO o membros do Colegi ado, por unanimidade dc votos, em NEGAR p1 ovimento ao reeurso, nos termos do voto 1-*, ator. Caro Marcos Candid() -Pyesidente EDITADO EM: 10/02/2011 Participaram da sessão de .julgamento os Conselheiros Alexandre Naoki Nishioka, Ana Neyle Olímpio Holanda, Caio Marcos Candi do Gonçalo Bonet Adage, Jose Raimundo 'l'osta Santos e Wink: Fernandes Re la t rio hata-se dc Recurso Vol unthio da decisão da 4' Turma de fulgamento da DRJ de Brasilia-DF que manteve em parte da exigência do WIT do exercício de [998, ano calendatio 1997, deconente da omissão de rend ililefitOS, do (a) próprio contribuinte, no valor de R$ 1 000,00; (b) da dependente, Leila Renata Andrade Santos Abraates CPF 030.645628- 19, a saber: Playeenter. R$ 8.385,72; Cromo Cart Artes Chmificas Ltda, R$ 318,88; Fundaydo Padre Anchreta R$ 14.641,86 e (.1 Produções Artisticas Ltda, R$ 4 473,00; (c) omissão de rendimentos de al uguéis ou royalties recebidos de pessoa juddica pela dependente Leila Renata de Andrade Santos Abrantes, junto a Fundação Padre Anchicta, no valor de R.$ 2 894,94 .A decisão recorrida reduziu a exigência i n reconhecer que parte dos rendimentos ornitidos em sua declaração foram comprovados e submetidas a tributação na Deciaração de Ajuste de sua .filha menor 'Leila .R.enata Andrade Santos .Abrantes. Parte da exigência foi mantida - por -talta de comprovação do oferecimento i tributação na sua ou na declaração da filha menor. Nas razões de recurso sustenta que não recebeu os rendimentos objeto da autuação, que forum auferidos e declarados por sua filha Cinthya Rachel de Andrade Santos A.brantes, Mellor A. 'beneliciaria dos rendimentos for sua filha e seu cônjuge Leila Renata de Andrade Santos Abrantes.. A contratação foi feita cm seu nome em razdo da filha menor. -For oferecid.o na Declaração de Ajuste Anual de sua Olha, o valor de R$ sendo que os rendirnentos considerados omitidos totalizam 32.984,40, existindo apenas a diferença de R$ 2,838,44, decorrente de lapso na declaração dc rendimentos,.. Sustente também que a limita de apresentação dos comprovantes e contratos deveu-se ao fato de não ou não existirem por contingência da atividade, terem sido extraviados ou pelo tato de não residir com a cônjuge, face a sua separação judicial em 2001. É o relatório. Voto Conselheiro Odmir Fernandes, Relator 0 recurso preenche os requisitos de admissibilidade e deve se conhecido. A principal. fonte da ornissao de rendimentos decorre da receita recebida pot decorrência do trabalho artístico de sua filha menor Cintliya Rachel de Andrade Santos Abrantes, Embora o Recorrente tenha demonstrado exercer a atividade de engenheito junto ao M.elifi-SP, ficou incontroverso nos autos que cram suas dependentes o cônjuge Leila Renata dc Andrade Santos Abrantes e a filha do casal Cinthya Rachel de Andrade Santos Abrantes.. Os documentos juntados aos autos pelo Recorrente, por ocasido do recurso, -mencionam o C.PF de sua titularidmidc c assim os rendimentos, obtidos FloS informes das fontes 2 Ante o exposto, conheço - nego provimento ao recurso para manter a. decisao I ecorrida e a autuactlio. iiulndcs Process° n" I I 6 I 0 003222/2001 - [ 0 S2-C1T1 Ac6N;I:io ri 2101-00.814 1H . 2 pelas pagadoras na Dirfs tornam ineontestaveis sua responsabilidade pela declaraçao dos rendimentos recebidos pot . sua li I ha, na sua declaraçao ou da menor.. A. deeisao recorrida, ao analisar a declaraçao de sua Id ha (fls. 3 2 a 34), constatou o (irerceimento a tributaçao de parte dos rendimentos "omitidos" em sua declaraçao, com exelusao dessa parte da exigencia Contudo, nil° excluiu as demais exigências por Ira) existir qualquer prova de que os mesmos corre,spon.da.m aos valores (la:fart-1(1os pela -filha menor, ficando assim a lide recursal limitada aos valores que nulo foram contestados. -Elubora Letitia apresentado alguns documentos nesta rase recall sal, nulo logrou o contribuinte-recorrente demonstrar que os valores seriam objelos dos montantes declarados pela -filha Cinthya...Nao existe indicaçao da fonte e menos ainda. coincidência das importírncias, o que impede qualquer reconheeimento do inconformismo reeursal.
score : 1.0
Numero do processo: 36216.002428/2006-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Feb 11 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Fri Feb 11 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/12/2000 a 30/04/2005
Ementa: PREVIDENCIÁRIO. COOPERATIVA DE TRABALHO. DESPESAS DEDUTÍVEIS. MULTA. JUROS. INCONSTITUCIONALIDADE DAS NORMAS APLICADAS
De conformidade com os preceitos contidos no no inciso IV, do art. 22 da Lei nº 8212/91, regulamentada pelo Decreto nº 3.048/99, a empresa deve contribuir com 15%sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços relativamente aos serviços que lhe são prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho. Somente poderão ser deduzidas,
as despesas previstas na legislação pertinente.
TAXA SELIC E MULTA. LEGALIDADE. Não há que se falar em
inconstitucionalidade ou ilegalidade na utilização da taxa de juros SELIC para aplicação dos acréscimos legais ao valor originário do débito, porquanto encontra amparo legal no artigo 34 da Lei nº 8.212/91.
APRECIAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. IMPOSSIBILIDADE.
De conformidade com os artigos 62 e 72, § 4º do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF,
c/c a Súmula nº 2 do antigo 2º CC, às instâncias administrativas não compete apreciar questões de ilegalidade ou de inconstitucionalidade, cabendo-lhes apenas dar fiel cumprimento à legislação vigente, por extrapolar os limites de sua competência.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2401-001.652
Decisão: Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, negar
provimento ao recurso
Nome do relator: CLEUSA VIEIRA DE SOUZA
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ementa_s : Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/12/2000 a 30/04/2005 Ementa: PREVIDENCIÁRIO. COOPERATIVA DE TRABALHO. DESPESAS DEDUTÍVEIS. MULTA. JUROS. INCONSTITUCIONALIDADE DAS NORMAS APLICADAS De conformidade com os preceitos contidos no no inciso IV, do art. 22 da Lei nº 8212/91, regulamentada pelo Decreto nº 3.048/99, a empresa deve contribuir com 15%sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços relativamente aos serviços que lhe são prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho. Somente poderão ser deduzidas, as despesas previstas na legislação pertinente. TAXA SELIC E MULTA. LEGALIDADE. Não há que se falar em inconstitucionalidade ou ilegalidade na utilização da taxa de juros SELIC para aplicação dos acréscimos legais ao valor originário do débito, porquanto encontra amparo legal no artigo 34 da Lei nº 8.212/91. APRECIAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. IMPOSSIBILIDADE. De conformidade com os artigos 62 e 72, § 4º do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, c/c a Súmula nº 2 do antigo 2º CC, às instâncias administrativas não compete apreciar questões de ilegalidade ou de inconstitucionalidade, cabendo-lhes apenas dar fiel cumprimento à legislação vigente, por extrapolar os limites de sua competência. Recurso Voluntário Negado
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2119; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T1 Fl. 3.080 1 3.079 S2C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 36216.002428/200611 Recurso nº 143.889 Voluntário Acórdão nº 2401001.652 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 11 de fevereiro de 2011 Matéria CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA Recorrente BASF S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/12/2000 a 30/04/2005 Ementa: PREVIDENCIÁRIO. COOPERATIVA DE TRABALHO. DESPESAS DEDUTÍVEIS. MULTA. JUROS. INCONSTITUCIONALIDADE DAS NORMAS APLICADAS De conformidade com os preceitos contidos no no inciso IV, do art. 22 da Lei nº 8212/91, regulamentada pelo Decreto nº 3.048/99, a empresa deve contribuir com 15%sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços relativamente aos serviços que lhe são prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho. Somente poderão ser deduzidas, as despesas previstas na legislação pertinente. TAXA SELIC E MULTA. LEGALIDADE. Não há que se falar em inconstitucionalidade ou ilegalidade na utilização da taxa de juros SELIC para aplicação dos acréscimos legais ao valor originário do débito, porquanto encontra amparo legal no artigo 34 da Lei nº 8.212/91. APRECIAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. IMPOSSIBILIDADE. De conformidade com os artigos 62 e 72, § 4º do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, c/c a Súmula nº 2 do antigo 2º CC, às instâncias administrativas não compete apreciar questões de ilegalidade ou de inconstitucionalidade, cabendolhes apenas dar fiel cumprimento à legislação vigente, por extrapolar os limites de sua competência. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso Fl. 1DF CARF MF Emitido em 29/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/03/2011 por MARIA MADALENA SILVA Assinado digitalmente em 17/03/2011 por CLEUSA VIEIRA DE SOUZA, 22/03/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 Elias Sampaio Freire Presidente. Cleusa Vieira de Souza Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Cleuza Vieira de Souza, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira Fl. 2DF CARF MF Emitido em 29/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/03/2011 por MARIA MADALENA SILVA Assinado digitalmente em 17/03/2011 por CLEUSA VIEIRA DE SOUZA, 22/03/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 36216.002428/200611 Acórdão n.º 2401001.652 S2C4T1 Fl. 3.081 3 Relatório Tratase de Crédito Previdenciário lançado contra a empresa em epígrafe, constante da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD nº 35.903.6449 que, de acordo com o relatório fiscal, fls. 56/59, referese à contribuições previdenciárias devidas ao Instituto Nacional do Seguro Social INSS e destinadas à Seguridade Social, correspondentes a contribuições da empresa sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços prestados por intermédio de cooperativa de trabalho, conforme o disposto no inciso IV, do art. 22 da Lei nº 8212/91, regulamentada pelo Decreto nº 3.048/99 e alterações posteriores. As contribuições devidas foram declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social – GFIP da referida empresa. Segundo o relatório fiscal, o presente débito referese ao período de 12/2000 a 04/2005, constituindo fatos geradores das contribuições objeto do presente lançamento, o pagamento dos serviços prestados por cooperados por intermédio de cooperativa de trabalho – COOPERATIVA DE TRABALHO DOS PROFISSIONAIS DE AGRONOMIA LTDA – UNICAMPO, CNPJ nº 72.042.799/000190. Serviu de base para a emissão da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito – NFLD os registros contábeis apresentados via meio magnético. Informa o citado relatório fiscal que a empresa apresentou arquivos de notas fiscais de serviços, alegando que se tratavam de pagamentos referentes a serviços de cooperados, reconhecendo a obrigatoriedade do recolhimento de 15% e pagamentos de reembolso de despesas, não reconhecendo a obrigatoriedade do recolhimento de 15%. Foram levantados como fatos geradores os valores dos recibos de prestação de serviços denominados reembolsos. Informa, ainda, o referido relatório, que foram excluídos os valores referentes a reembolso de locações, já que a legislação faz somente esta previsão de dedução, além de custo de alimentação e fornecimento de valetransporte, conforme o disposto no art. 161 da IN 100/2004. Tempestivamente, a empresa contratante apresentou sua defesa, requerendo a dilação do prazo para apresentação de documentos e, eventual aditamento de defesa, trazendo dentre outras, as alegações de que não pode concordar a notificada com a referida autuação, vez que o d. agente fiscal parte de premissa que não se sustenta, como se os valores por ele identificados, creditados à cooperativa, não se tratam de pagamento de serviços prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho. Por último argüiu a inconstitucionalidade da aplicação da taxa SELIC e concluiu requerendo seja declarada insubsistente a Notificação Fiscal de lançamento de Débito –NFLD, desconstituindose o crédito tributário apurado. A Delegacia da Receita Previdenciária em São Bernardo do Campo, por meio da DecisãoNotificação nº 21.434.4/0035/2006, julgou procedente o lançamento, cuja decisão trouxe a seguinte ementa: CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. COOPERATIVA DE TRABALHO. DESPESAS DEDUTÍVEIS. MULTA. JUROS. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 29/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/03/2011 por MARIA MADALENA SILVA Assinado digitalmente em 17/03/2011 por CLEUSA VIEIRA DE SOUZA, 22/03/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 INCONSTITUCIONALIDAE DAS NORMAS APLICADAS. DILAÇÃO PROBATÓRIA. INDEFERIMENTO. Quando não documentalmente comprovadas, as despesas para a execução de serviços feitos por cooperados por intermédio de cooperativa de trabalho não podem ser deduzidas do valor da base de cálculo das contribuições previstas no art. 22, inciso IV, da Lei nº 8212/91, como assim dispõem as normas que regem a matéria. A sujeição das contribuições previdenciárias incluídas em notificação fiscal de lançamento à multa de mora e aos juros equivalentes à taxa SELIC encontramse previstas em legislação própria, cabendo à autoridade administrativa fazer cumprir o que nela está determinado face ao caráter obrigatório e vinculante da atividade de lançamento. É de competência exclusiva do Supremo Tribunal Federal –STF, processar e julgar, originariamente, ação de inconstitucionalidade de lei ou ato federal ou estadual, conforme expresso no art. 102, I, “a” da Constituição Federal. A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazelo em outro momento processual, a menos que demonstre, com fundamentos, uma das condições previstas no § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235/72. LANÇAMENTO PROCEDENTE. Intimado da decisão e com ela não se conformando, o interessado ingressou com recurso a este Conselho, reproduzindo os argumentos aduzidos em sua impugnação, requereu a reforma da decisão. Insiste na tese de que os valores que serviram de base para o lançamento são, em verdade, reembolso de despesas, não havendo assim que se falar em contribuição previdenciária incidente sobre tais importes. (os grifos são do original). Ressaltou que para que a recorrente tenha meios de defesa e demonstre o equívoco cometido na autuação, mister se faz a juntada dos documentos aos autos neste momento processual, vez que, inviabilizado na oportunidade da apresentação da defesa. Ressaltou, ainda, que não se está falando em valor correspondente a serviços prestados, nem de material ou equipamentos, para a exclusão da base de cálculo de contribuição. O caso trata de tributação sobre “reembolso de despesas” despesas estas, efetuadas pelos cooperados, devidamente comprovadas à recorrente, pela cooperativa e devidamente reembolsada, conforme determinação contratual. Entende cabível a aplicação por analogia , do § 9º do art. 28 da Lei nº 8212/91. Alegou, ainda, que mesmo que a lei não excluísse da base de cálculo, após a Emenda Constitucional nº 20/98, valores que não sejam provenientes de rendimentos do trabalho, sejam eles do trabalho assalariado ou não, eventual cobrança sobre valores, como no caso, relacionados a reembolso de despesas, seriam inconstitucionais, mas acredita a recorrente não ser necessário chegar a este nível de discussão para solucionar o equívoco cometido pelo fiscal e corroborado pela Auditora Fiscal. Voltou a insurgir conta a taxa SELIC argüindo sua inconstitucionalidade e concluiu que tendo em vista as diversas razões expostas, deve ser reformada a decisão proferida, declarando a Notificação Fiscal de Lançamento de Débito totalmente insubsistente, Fl. 4DF CARF MF Emitido em 29/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/03/2011 por MARIA MADALENA SILVA Assinado digitalmente em 17/03/2011 por CLEUSA VIEIRA DE SOUZA, 22/03/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 36216.002428/200611 Acórdão n.º 2401001.652 S2C4T1 Fl. 3.082 5 cancelandose o lançamento de débito objeto da NFLD nº 35.903.6449. Juntou aos autos os documentos de fls. 117/3026. Foi efetuado o depósito recursal, nos termos da legislação em vigor, fls. 113. A Secretaria da Receita Previdenciária ofereceu contrarazões, em que alegou que os argumentos ora apresentados já foram devidamente apreciados quando da emissão da Decisão recorrida. Estes autos foram objeto de julgamento pela 4ª Câmara de Julgamento do CRPS, que por meio da Decisão nº 13/2007, o Julgamento foi convertido em diligência, para que a autoridade lançadora proceda à análise dos documentos apresentados em sede recursal, informando se assiste razão ou não a insurreição do contribuinte, se os documentos mencionados às fls. 117/3026 afetam o lançamento de alguma forma. Após o que, em prestígio ao contraditório e a ampla defesa, dêse ao contribuinte o prazo de 10 dias para, caso queira, se manifestar sobre o resultado da diligência ora requerida. Em cumprimento ao solicitado, conforme se verifica da informação de fls. 3035, a autoridade lançadora informa que foram excluídos do levantamento apenas os valores referentes a reembolso de locações, já que a legislação faz somente esta previsão de dedução, além de custo de alimentação e fornecimento de valetransporte. Argumentou que a legislação é clara quanto às parcelas dedutíveis da base de cálculo, ou seja, custo de alimentação, vale transporte, material ou utilização de equipamentos. Informa que a fiscalização já efetuou as devidas deduções com reembolso de locação. Portanto, não assiste razão a insurreição do contribuinte, ou seja, os documentos apresentados não afetam o lançamento. Intimada a Recorrente manifestouse, no sentido de que Verificase ainda, nas "Notas de Débito" de reembolsos, nas quais consta expressamente descrito que o valor pago e nelas indicado tratase efetivamente de reembolso de despesas, de modo que não pode o nobre agente fiscal em sua análise, fls. 3038/3039, simplesmente desconsiderar o que se exprimiu em tais documentos para manter o lançamento combatido, assim como o nobre julgador não poderá fazêlo. Ressaltou que, a intenção da juntada dos referidos documentos, devidamente acompanhados dos comprovantes dos reembolsos efetuados, era de efetivamente demonstrar que os reembolsos possuem lastro e que definitivamente não podem ser considerados como remuneração de cooperados, não incidindo sobre estes, portanto a contribuição previdenciária. Nesse sentido, há que se destacar que, se há documentos que comprovam as alegações da ora peticionária e se, em nenhum momento a nobre Autoridade Fiscal manifestou se o sentido de considerar tais documentos falsos ou fraudulentos, o que ensejaria o entendimento de que a ora peticionária em conluio com a cooperativa forjaram documentos com intuito de fraudar o INSS, estes não podem simplesmente ser desconsiderados. Assim, restando comprovado que, atendida previsão legal que exclui tais valores da base de cálculo da contribuição, bem como que este reembolso foi expressamente previsto pelas partes contratantes, conforme restou comprovado pelos contratos juntados, atendida assim a outra condição para sua exclusão, concluise que não há que se falar em débito, vez que sobre os valores decorrentes da efetiva remuneração dos cooperados, a contribuição previdenciária foi devidamente paga. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 29/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/03/2011 por MARIA MADALENA SILVA Assinado digitalmente em 17/03/2011 por CLEUSA VIEIRA DE SOUZA, 22/03/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 Concluiu alegando que não resta base legal para tributação equivocadamente indicada pelo d. agente fiscal, deve ser reformada a decisão da Ilma. Autoridade Fiscal que julgou a questão, e não merece prosperar também a conclusão resultante da diligência e análise dos documentos efetuada, por não haver acrescentado qualquer fator pendente de apreciação ou distinto das informações até o presente momento debatidas. É o relatório. Fl. 6DF CARF MF Emitido em 29/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/03/2011 por MARIA MADALENA SILVA Assinado digitalmente em 17/03/2011 por CLEUSA VIEIRA DE SOUZA, 22/03/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 36216.002428/200611 Acórdão n.º 2401001.652 S2C4T1 Fl. 3.083 7 Voto Conselheira Cleusa Vieira de Souza Relatora Presentes os pressuposto de admissibilidade, porquanto o recurso é tempestivo e devidamente preparado com o depósito recursal obrigatório, nos termos da legislação em vigor. Razão porque, merece ser conhecido. Conforme relatado, tratase de Crédito Previdenciário lançado contra a empresa em epígrafe, constante da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD nº 35.903.6449 que, de acordo com o relatório fiscal, fls. 56/59, referese à contribuições previdenciárias devidas ao Instituto Nacional do Seguro Social INSS e destinadas à Seguridade Social, correspondentes a contribuições da empresa sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços prestados por intermédio de cooperativa de trabalho, conforme o disposto no inciso IV, do art. 22 da Lei nº 8212/91, regulamentada pelo Decreto nº 3.048/99 e alterações posteriores. As contribuições devidas foram declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social – GFIP da referida empresa. A Lei nº 9.876/1999, acrescentando ao art. 22 da Lei nº 8212/91 o inciso IV, veio a promover uma substituição tributária estribada no art. 128 do Código Tributário Nacional CTN, onde o contratante passou a ser responsável pelo recolhimento das contribuições incidentes sobre as remunerações pagas aos segurados cooperados em substituição à cooperativa. ( in verbis) Art. 22 ......... (...) IV quinze por cento sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, relativamente a serviços que lhe são prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho. Coube ao Regulamento da Previdência Social estabelecer as regras quanto aos valores que integrariam a base de cálculo da contribuição previdenciária, atribuindo, inclusive, ao Instituto Nacional do Seguro Social – INSS a prerrogativa de normatizar o assunto. Assim é que a IN/INSS/DC, o faz nos seguintes termos: Art. 161 – Poderá ser deduzidas da base de cálculo da retenção as parcelas que estiverem discriminadas na nota fiscal, na fatura ou no recibo de prestação de serviços que correspondam: I – ao custo de alimentação in natura fornecida pela contratada, de acordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e Emprego, conforme Lei nº 6.321/1976; II – ao fornecimento de valetransporte de conformidade com a legislação própria. Fl. 7DF CARF MF Emitido em 29/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/03/2011 por MARIA MADALENA SILVA Assinado digitalmente em 17/03/2011 por CLEUSA VIEIRA DE SOUZA, 22/03/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 8 Parágrafo único. A fiscalização poderá exigir da contratada a comprovação das deduções previstas neste artigo. No presente caso, a controvérsia cingese, não no sentido de ser ou não devida as contribuições sobre os valores relativos à prestação de serviços propriamente dita, mas sobre os valores que a empresa denominou “reembolso de despesas” e que a fiscalização considerou como retribuição à prestação dos serviços, fundamentandose na legislação previdenciária que identifica quais ar verbas são passíveis de reembolso e em que condições o seriam. Por essa razão, em face dos documentos apresentados pela recorrente, de acordo com a decisão nº 013/2007, da 4ª Câmara de Julgamento do CRPS, quando do julgamento do presente processo, converteu o julgamento em diligência para que a autoridade lançadora procedesse à análise dos documentos apresentados em sede recursal, informando se assiste razão ou não a insurreição do contribuinte, se os documentos mencionados às fls. 117/3026 afetam o lançamento de alguma forma. Em resposta informa a autoridade lançadora que foram excluídos do levantamento apenas os valores referentes a reembolso de locações, já que a legislação faz somente esta previsão de dedução, além de custo de alimentação e fornecimento de vale transporte, conforme disposições contidas na IN 100, (que transcreve) É sabido que na prestação de serviços de cooperados por intermédio de cooperativa de trabalho, havendo o fornecimento de material ou a utilização de equipamentos, próprios ou de terceiros, exceto equipamentos manuais, fica facultado á cooperativa de trabalho discriminar na nota fiscal ou na fatura emitida para a empresa contratante, o valor correspondente a material ou a equipamentos, que será excluído da base de cálculo da contribuição, desde que contratualmente previsto e devidamente comprovado o custo de aquisição dos materiais e de locação de equipamentos de terceiros, se for o caso, observado o disposto no art. 161;" É certo que os cooperados de cooperativas de trabalho são considerados contribuintes individuais e a legislação já faz a previsão de uma contribuição menor, ou seja, 15% e não 20% como normalmente se fazem para os contribuintes em geral, prevendo gastos diversos da própria administração das cooperativas. Contudo, a legislação é clara quanto às parcelas dedutiveis da base de cálculo, ou seja, custo de alimentação, vale transporte, material ou a utilização de equipamentos exceto equipamentos manuais e, pelo que se verifica dos autos, a fiscalização já efetuou as devidas deduções com reembolsos de locação. Em que pese a alegação da Recorrente de que em nenhum momento a nobre Autoridade Fiscal manifestouse o sentido de considerar tais documentos falsos ou fraudulentos, o que ensejaria o entendimento de que a ora peticionária em conluio com a cooperativa forjaram documentos com intuito de fraudar o INSS, estes não podem simplesmente ser desconsiderados. Vale esclarecer que esta não é a questão, somente aquilo que a empresa chama de reembolso, não atende às exigências previstas na legislação previdenciária, como parcelas dedutíveis e por essa razão foram considerados como pagamento aos cooperados. Portanto, não se assiste razão a insurreição do contribuinte, ou seja, os documentos apresentados não afetam o lançamento. A fiscalização, portanto, manteve o débito em sua integra. Fl. 8DF CARF MF Emitido em 29/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/03/2011 por MARIA MADALENA SILVA Assinado digitalmente em 17/03/2011 por CLEUSA VIEIRA DE SOUZA, 22/03/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 36216.002428/200611 Acórdão n.º 2401001.652 S2C4T1 Fl. 3.084 9 Insurgese a contribuinte contra a aplicação da Taxa Selic, por entender ser ilegal e inconstitucional, tal entendimento, todavia, não tem o condão de macular a exigência em questão, porquanto, as contribuições sociais arrecadadas pelo INSS estão sujeitas à taxa referencial do SELIC – Sistema Especial de Liquidação e de Custódia, nos termos do artigo 34 da Lei nº 8.212/91, não prosperando a alegação da impossibilidade de utilização para a fixação de juros de mora, senão vejamos: “Art. 34. As contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas pelo INSS, incluídas ou não em notificação fiscal de lançamento, pagas com atraso, objeto ou não de parcelamento, ficam sujeitas aos juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC, a que se refere o art. 13 da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995, incidentes sobre o valor atualizado, e multa de mora, todos de caráter irrelevável. (Restabelecido com redação alterada pela MP nº 1.571/97, reeditada até a conversão na Lei nº 9.528/97. A atualização monetária foi extinta, para os fatos geradores ocorridos a partir de 01/95, conforme a Lei nº 8.981/95. A multa de mora esta disciplinada no art. 35 desta Lei)” Nesse sentido, devida a contribuição e não sendo recolhida até a data do vencimento, fica sujeita aos acréscimos legais na forma da legislação de regência. Nesse contexto, correta a aplicação da taxa SELIC, com fulcro no artigo 34 da Lei nº 8.212/91 e em que pese a argüição de ilegalidade e inconstitucionalidade de sua aplicação, insta convir que tal argumento não pode ser acolhido, isto porque sua exigência se assentou em norma legal em pleno vigor. Nesse sentido, impõe salientar que o escopo do processo administrativo fiscal, é tãosomente verificar a regularidade/legalidade do lançamento à vista da legislação de regência e não a verificação da legalidade das normas frente à constituição. Ademais, de conformidade com os artigos 62 e 72, § 4º do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, c/c a Súmula nº 2 do antigo 2º CC, às instâncias administrativas não compete apreciar questões de ilegalidade ou de inconstitucionalidade, cabendolhes apenas dar fiel cumprimento à legislação vigente, por extrapolar os limites de sua competência Por todo o exposto; VOTO no sentido de CONHECER DO RECURSO, e no mérito, NEGAR LHE PROVIMENTO. Cleusa Vieira de Souza Fl. 9DF CARF MF Emitido em 29/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/03/2011 por MARIA MADALENA SILVA Assinado digitalmente em 17/03/2011 por CLEUSA VIEIRA DE SOUZA, 22/03/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 10 Fl. 10DF CARF MF Emitido em 29/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/03/2011 por MARIA MADALENA SILVA Assinado digitalmente em 17/03/2011 por CLEUSA VIEIRA DE SOUZA, 22/03/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
score : 1.0
Numero do processo: 19515.001145/2004-98
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 11 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Thu Nov 11 00:00:00 UTC 2010
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Ano-calendário: 1999
NULIDADE.
É nulo o auto de infração quanto ao ilícito que não houver sido
suficientemente fundamentado.
ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Ano-calendário: 1999
REGIME DE COMPETÊNCIA.
Os juros sobre o capital próprio, como, de regra, as demais despesas, somente podem ser levados ao resultado do exercício a que competirem.
Numero da decisão: 1201-000.348
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos,
ACOLHER a preliminar de nulidade do lançamento por cerceamento do direito de defesa relativa à glosa de despesas de variação cambial e, no mérito, por voto de qualidade, NEGAR provimento ao recurso, vencidos os Conselheiros Antônio Carlos Guidoni Filho, Rafael
Correia Fuso e Régis Magalhães Soares de Queiroz (Relator) que DAVAM provimento ao recurso. Designado o Conselheiro Marcelo Cuba Netto para redação do voto vencedor.
Nome do relator: REGIS MAGALHAES SOARES DE QUEIROZ
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ementa_s : PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 1999 NULIDADE. É nulo o auto de infração quanto ao ilícito que não houver sido suficientemente fundamentado. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Ano-calendário: 1999 REGIME DE COMPETÊNCIA. Os juros sobre o capital próprio, como, de regra, as demais despesas, somente podem ser levados ao resultado do exercício a que competirem.
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É nulo o auto de infração quanto ao ilícito que não houver sido suficientemente fundamentado. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1999 REGIME DE COMPETÊNCIA. Os juros sobre o capital próprio, como, de regra, as demais despesas, somente podem ser levados ao resultado do exercício a que competirem. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, ACOLHER a preliminar de nulidade do lançamento por cerceamento do direito de defesa relativa à glosa de despesas de variação cambial e, no mérito, por voto de qualidade, NEGAR provimento ao recurso, vencidos os Conselheiros Antônio Carlos Guidoni Filho, Rafael Correia Fuso e Régis Magalhães Soares de Queiroz (Relator) que DAVAM provimento ao recurso. Designado o Conselheiro Marcelo Cuba Netto para redação do voto vencedor. (documento assinado digitalmente) Claudemir Rodrigues Malaquias Presidente (documento assinado digitalmente) Regis Magalhães Soares de Queiroz – Relator (documento assinado digitalmente) Marcelo Cuba Netto – Redator designado Fl. 1DF CARF MF Emitido em 30/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/04/2011 por MARCELO CUBA NETTO Assinado digitalmente em 26/05/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, 25/05/2011 por REGIS MAGALHAE S SOARES DE QUEI, 25/04/2011 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 19515.001145/200498 Acórdão n.º 120100.348 S1C2T1 Fl. 2 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Claudemir Rodrigues Malaquias (Presidente), Regis Magalhães Soares Queiroz, Marcelo Cuba Netto, Rafael Correia Fuso, Antonio Carlos Guidoni Filho (Vice Presidente) e Eduardo Martins Neiva Monteiro (Suplente Convocado). Relatório Cuidase de lançamento decorrente da glosa de despesa relativa a variação cambial passiva de contrato de venda de ações de empresa controlada e glosa da dedutibilidade da despesa de juros sobre capital próprio referentes à exercícios anteriores (1997 e 1998). O termo de verificação fiscal de fls. 93 está assim redigido: “Exercício de 2000 ano calendário 1999 I OS FATOS 1 DESPESAS INDEDUTÍVEIS VARIAÇÃO CAMBIAL PASSIVA Glosa de variação cambial passiva decorrente de contrato de venda de ações de empresa controlada CIA AGRÍCOLA SONORA ESTÂNCIA CNPJ 47.902.283/000120, ao comprador Sr. Francisco Giobbi, CPF 667.249.70806, brasileiro, residente no Estado de São Paulo Capital, conforme contrato firmado em 18 de dezembro de 1997. VALOR TRIBUTÁVEL R$ 6.490.944,25 2 EXCLUSÃO NÃO AUTORIZADA NA APURAÇÃO DO LUCRO REAL Redução indevida do Lucro Real, em virtude da exclusão, não autorizada pela legislação do Imposto de Renda decorrente da remuneração de juros sobre capital próprio, referentes à exercícios anteriores (1997 e 1998), que ora glosamos, por se tratar de despesa, cuja dedutibilidade encontrase condicionada a cada exercício,e nas condições estabelecidas em Lei. VALOR TRIBUTÁVEL R$ 7.001.422,18. II INFRINGÊNCIAS No subitem I.1 o contribuinte infringiu aos Arts. 247, 249, inciso I, 251 e parágrafo único, e 299 do RIR/99,combinado com o art. 1° do DecretoLei 857, de 11 de setembro de 1969. No subitem I.2 o contribuinte infringiu ao Art. 250, inciso I, do RIR/99”. O relatório elaborado na Delegacia da Receita Federal de Julgamento está assim lavrado: Fl. 2DF CARF MF Emitido em 30/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/04/2011 por MARCELO CUBA NETTO Assinado digitalmente em 26/05/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, 25/05/2011 por REGIS MAGALHAE S SOARES DE QUEI, 25/04/2011 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 19515.001145/200498 Acórdão n.º 120100.348 S1C2T1 Fl. 3 3 “Em decorrência da ação fiscal, foram lavrados autos de infração para exigir da interessada o IRPJ e CSLL , sobre fatos geradores ocorridos no anocalendário de 1999, nos valores abaixo discriminados, acrescidos de multa e juros de mora. TRIBUTO MONTANTE (R$) IRPJ 2.861.253,85 CSLL 621.751,41 DA AUTUAÇÃO Conforme Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal de fl. 96 a 105 e o consignado no Termo de Constatação Fiscal (fl. 93 a 94) as autuações decorreram de: DESPESAS INDEDUTÍVEIS VARIAÇÃO CAMBIAL PASSIVA. Glosa de variação cambial passiva decorrente de contrato de venda de ações de empresa controlada CIA AGRÍCOLA SONORA ESTÂNCIA CNPJ 47.902.283/00120 ao comprador Sr. Francisco Giobbi, CPF 667.249.70806, conforme contrato firmado em 18/12/97. EXCLUSÃO NÃO AUTORIZADA NA APURAÇÃO DO LUCRO REAL Redução indevida do Lucro Real em virtude da exclusão, não autorizada da remuneração dos juros sobre capital próprio referentes à exercícios anteriores (1997 e 1988), por se tratar de despesa cuja dedutibilidade encontrase condicionada a cada exercício e nas condições estabelecidas em lei.” A DRJ negou provimento à impugnação para manter o lançamento em acórdão que restou assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário. 1999 Ementa NULIDADE Rejeitase a preliminar de nulidade se a fiscalização agiu em perfeita consonância com o artigo 142 do CTN, e ainda com as normas contidas no Decreto 70.235/72. JUNTADA POSTERIOR DE DOCUMENTOS. A prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; refirase a fato ou a direito superveniente ou destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos DESPESAS INDEDUTÍVEIS VARIAÇÃO CAMBIAL PASSIVA. Não é válida a contabilização de variações cambiais passivas em 1999 relativos a valores a receber em 2000. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 30/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/04/2011 por MARCELO CUBA NETTO Assinado digitalmente em 26/05/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, 25/05/2011 por REGIS MAGALHAE S SOARES DE QUEI, 25/04/2011 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 19515.001145/200498 Acórdão n.º 120100.348 S1C2T1 Fl. 4 4 BIS IN IDEM. Não foi constatada a existência, posto que, tal instituto ocorre somente quando o mesmo fato gerador é tributado duas ou mais vezes na mesma pessoa jurídica, fato que não ocorreu. EXCLUSÃO NÃO AUTORIZADA NA APURAÇÃO DO LUCRO REAL JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO. Sob pena de infringir o regime de competência previsto na legislação própria, é vedado à pessoa jurídica computar em um exercício o montante dos juros sobre capital próprio de períodos anteriores. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Anocalendário: 1998 CSLL. DECORRÊNCIA. Decorrendo a exigência da mesma imputação que fundamentou o lançamento do IRPJ, deve ser adotada, no mérito, a mesma decisão proferida para o imposto de renda, desde que não presentes argüições específicas ou elementos de prova novos. ADICIONAL DE 4% DA CSLL. Tendo em vista a correta aplicação do adicional de CSLL, mantémse a aplicação do adicional na forma como consta da autuação. DA COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS DE PERÍODOS ANTERIORES. Face a inexistência de prejuízos fiscais anteriores, indeferese a compensação solicitada. JUROS DE MORA CALCULADOS COM BASE NA TAXA SELIC. Como o cálculo dos juros de mora com base na taxa SELIC foi efetuado beneficiou o contribuinte. Mantémse o cálculo inserto no Auto de Infração. O recurso voluntário está a fls. 348, sustentando (i) cerceio de defesa pela indicação errônea de fundamento legal que embasou o auto de infração; (ii) sustenta a legalidade da dedutibilidade da variação cambial passiva, em vista de que tinha créditos a receber indexados em moeda estrangeira que sofreram desvalorização; (iii) a legalidade da dedutibilidade da remuneração de juros sobre capital próprio, referentes à exercícios anteriores. É o relatório. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 30/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/04/2011 por MARCELO CUBA NETTO Assinado digitalmente em 26/05/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, 25/05/2011 por REGIS MAGALHAE S SOARES DE QUEI, 25/04/2011 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 19515.001145/200498 Acórdão n.º 120100.348 S1C2T1 Fl. 5 5 Voto Vencido Conselheiro REGIS MAGALHÃES SOARES DE QUEIROZ, relator: O recurso voluntário foi protocolizado dentro do prazo legal e, portanto, dele tomo conhecimento. 1. Da glosa da despesa de variação cambial e o cerceamento de defesa pela falha de fundamentação do lançamento O auto de infração foi realmente demasiado conciso ao fundamentar essa parte do lançamento, tendo que apenas afirmou o quanto segue: 1 DESPESAS INDEDUTÍVEIS VARIAÇÃO CAMBIAL PASSIVA Glosa de variação cambial passiva decorrente de contrato de venda de ações de empresa controlada CIA AGRÍCOLA SONORA ESTÂNCIA CNPJ 47.902.283/000120, ao comprador Sr. Francisco Giobbi, CPF 667.249.70806, brasileiro, residente no Estado de São Paulo Capital, conforme contrato firmado em 18 de dezembro de 1997. VALOR TRIBUTÁVEL R$ 6.490.944,25 Na fundamentação legal, citou os arts. 247, 249, inc. I, 251, parágrafo único e 299, todos do RIR/1999, que tratam da apuração do lucro real e sua escrituração, bem como o art. 1º, do DecretoLei nº 857/69, que trata da nulidade dos contratos, títulos e quaisquer documentos, bem como as obrigações que exeqüíveis no Brasil, que estipulem pagamento em ouro, em moeda estrangeira, ou, por alguma forma, restrinjam ou recusem, nos seus efeitos, o curso legal da moeda nacional. Da referencia ao art. 1º, do DecretoLei 857/60 depreendese que o motivo da glosa da variação cambial teria sido a suposta nulidade do contrato de compra e venda de ações da sociedade Companhia Agrícola Sonora Estância, estipulando entre a recorrente e o Sr. Giobbi, por ter previsto obrigação em moeda estrangeira ou, o que de fato ocorreu, obrigação em real mas indexado à moeda estrangeira. A DRJ teceu diversas considerações acerca da incorreção do procedimento adotado pela recorrente, de dedução da variação cambial – todas rebatidas pelo recurso voluntário, é bom que se diga – mas que, a meu ver, são absolutamente impertinentes ao deslinde do caso, uma vez que o fundamento que está sub examem é exclusivamente o ato exarado pela autoridade autuante, exclusivamente à luz de seus próprios fundamentos legais, que foram adotados pela autoridade competente para a prática do lançamento que, sendo plenamente vinculado, fica amalgamado em seus fundamentos. Trazer na fase recursal elementos e fundamentos outros para supostamente justificar o ato administrativo é tentar praticálo novamente, o que não é possível seja porque Fl. 5DF CARF MF Emitido em 30/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/04/2011 por MARCELO CUBA NETTO Assinado digitalmente em 26/05/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, 25/05/2011 por REGIS MAGALHAE S SOARES DE QUEI, 25/04/2011 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 19515.001145/200498 Acórdão n.º 120100.348 S1C2T1 Fl. 6 6 ele já foi externado anteriormente seja pela ausência de competência funcional da autoridade julgadora para tanto. Assim, me aterei à validade do fundamento utilizado pela autoridade autuante, para justificar a glosa à despesa de variação cambial: a nulidade do contrato de compra e venda de ações pela previsão de pagamento em moeda estrangeira, cfr. art. 1º, do DecretoLei nº 857, de 11 de setembro de 1969. A leitura da longa cláusula 8.3 que trata do pagamento denota que ela não estipula nenhuma obrigação cujo pagamento deve ocorrer em moeda estrangeira. Muito ao contrário, a cláusula estipula o pagamento em reais: “O preço total certo e ajustado, para esta venda e compra, é de R$ 16.711.500,00”. Tanto que parte do sinal foi pago em cheque, emitido contra o Banco Sudameris e parte foi pago mediante endosso "pro solvendo" de nota promissória de emissão da Cia. Agrícola Sonora Estância em favor do ora COMPRADOR É verdade que o contrato faz referencia à equivalência do preço em dólares norte americanos, mas só porque o contrato é indexado nesta moeda. Tanto que há disposição expressa tratando da “correção cambial” do débito estipulado em reais, a serem pagos no Brasil em reais. Há, inclusive, disposição contratual expressa mitigando os efeitos deletérios da indexação cambial em caso de midi ou maxi desvalorização do real, fixando limites à variação cambial a fim de evitar perdas que pudessem levar o contrato à inexequibilidade ou ao desequilíbrio contratual. Antes da instituição do Plano Real, o entendimento do Col. STJ sobre a interpretação deste dispositivo legal era no sentido – guardados as inevitáveis divergências que soem ocorre naquela Corte – de que a vedação atinava exclusivamente com a circulação de moeda estrangeira dentro do país, de forma que a indexação de obrigações na variação cambial, desde que pagáveis em moeda nacional, era tolerada. No julgamento do RESP nº 79.476, o Min. Eduardo Ribeiro consignou em ementa que “com o mercado globalizado, avançando ate mesmo para a criação de moeda única, como no caso da unidade européia, o anacronismo de pretender inviabilizar o padrão internacional, dado pelas moedas fortes como o dólar, o marco e a libra, não tem passagem, ademais de esbarrar em precedente da corte”. Já no corpo de seu voto, o Ministro afirmou: “Pretendese tenha havido infração ao disposto no DecretoLei 857/69. Tal, entretanto, a toda evidencia não se verificou. Ali se veda seja estipulado o pagamento em ouro ou moeda estrangeira. Isso não ocorreu. Determinouse o pagamento em importância equivalente a determinado montante de dólares, o que é coisa diversa”. No mesmo sentido o RESP 36120 / SP, rel. Min. Waldemar Sveiter: COMERCIAL VALIDADE DE CONTRATO CELEBRADO EM MOEDA ESTRANGEIRA PAGAMENTO EM CRUZEIRO EXEGESE DA NORMA CONTIDA NO ART. 1. DO DECRETO LEI N. 857/69. Fl. 6DF CARF MF Emitido em 30/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/04/2011 por MARCELO CUBA NETTO Assinado digitalmente em 26/05/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, 25/05/2011 por REGIS MAGALHAE S SOARES DE QUEI, 25/04/2011 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 19515.001145/200498 Acórdão n.º 120100.348 S1C2T1 Fl. 7 7 I legitimo é o pacto celebrado em moeda estrangeira, desde que o pagamento se efetive pela conversão na moeda nacional. Ii alegação de nulidade do ajuste por suposta violação ao art. 1. Do decretolei n. 857/69, não favorece os participes na celebração do negocio porque estariam tirando proveito da própria torpeza. Iii o legislador visou evitar não a celebração de pactos ou obrigações em moedas estrangeiras, mas sim, aqueles que estipulassem o seu pagamento em outro valor que não o cruzeiro moeda nacional recusando seus efeitos ou restringindo seu curso legal. Iv inteligência do art. 1., do decretolei n. 857/69. Precedentes RESPs nos. 4.819RJ e 11.8010RJ. V recurso não conhecido. Essa interpretação mudou com o advento do Plano Real, que como instrumento de combate à inflação e a fim de minar a denominada “memória inflacionária”, proibiu a indexação de contratos pela variação cambial no art. 6º, da Lei 8.889/94, que assim dispôs: Art. 6º É nula de pleno direito a contratação de reajuste vinculado à variação cambial, exceto quando expressamente autorizado por lei federal e nos contratos de arrendamento mercantil celebrados entre pessoas residentes e domiciliadas no País, com base em captação de recursos provenientes do exterior. Alguns anos depois, a Lei nº 10.192/2001 vou ao tema, e reforçou: Art. 1º As estipulações de pagamento de obrigações pecuniárias exeqüíveis no território nacional deverão ser feitas em Real, pelo seu valor nominal. Parágrafo único. São vedadas, sob pena de nulidade, quaisquer estipulações de: I pagamento expressas em, ou vinculadas a ouro ou moeda estrangeira, ressalvado o disposto nos arts. 2º e 3º do Decreto Lei nº 857, de 11 de setembro de 1969, e na parte final do art. 6º da Lei nº 8.880, de 27 de maio de 1994; II reajuste ou correção monetária expressas em, ou vinculadas a unidade monetária de conta de qualquer natureza; III correção monetária ou de reajuste por índices de preços gerais, setoriais ou que reflitam a variação dos custos de produção ou dos insumos utilizados, ressalvado o disposto no artigo seguinte. Nesse sentido, o precedente do Col. STJ cuja ementa se transcreve abaixo: Fl. 7DF CARF MF Emitido em 30/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/04/2011 por MARCELO CUBA NETTO Assinado digitalmente em 26/05/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, 25/05/2011 por REGIS MAGALHAE S SOARES DE QUEI, 25/04/2011 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 19515.001145/200498 Acórdão n.º 120100.348 S1C2T1 Fl. 8 8 REsp 673468 / MG RECURSO ESPECIAL 2004/00959191 Relator(a)Ministro LUIS FELIPE SALOMÃO QUARTA TURMA Data do Julgamento 28/09/2010 Data da Publicação 07/10/2010 Ementa CIVIL E PROCESSUAL. CONTRATO DE COMPRA E VENDA DE SOJA COM ADIANTAMENTO PARCIAL DO PREÇO. CORREÇÃO MONETÁRIA ATRELADA AO DÓLAR AMERICANO. CELEBRAÇÃO POSTERIOR À LEI N.º 8.880/94. IMPOSSIBILIDADE. CREDOR QUE NÃO INTEGRA O SISTEMA FINANCEIRO NACIONAL. APLICABILIDADE DA LEI DE USURA. 1. Com o advento da Lei n.º 8.880/94, que criou a URV como padrão de valor monetário, bem como as medidas provisórias que redundaram, finalmente, na edição da Lei n.º 10.192/01(Plano Real), a vinculação de correção monetária ao dólar americano ficou expressamente vedada, salvo em hipóteses legalmente autorizadas. (...) As novas estipulações legais trazidas pelas leis 8.889/94 e 10.192/2001, em meu entender, reforçam que a estipulação de cláusula de indexação pela variação cambial não era vedada pelo DecretoLei 857/69, tanto que foi necessária a edição de uma nova lei para atingir a esse desiderato. A luz dessa situação houve grave defeito de fundamentação no ato administrativo de lançamento, mais do que conciso, que padece do defeito da incompletude na descrição dos fatos que motivaram o lançamento e na fundamentação legal invocada para justificar a glosa. Não por outro motivo a impugnação não tratou sobre a questão central da acusação, tendo divagado longamente sobre o melhor critério de contabilização de receitas futuras em moeda estrangeira como bem reporta o ilustre Voto Vencido encartado na r. decisão a quo, ao reconhecer a nulidade do lançamento por cerceamento de defesa decorrente da parca fundamentação (fls. 331): “Todavia, não passou, por certo, pela cabeça da impugnante que esse foi — ou pode ter sido — o motivo da glosa, uma vez que ela não abordou esse assunto em momento algum na impugnação. É evidente, portanto, que ela não se defendeu, como deveria, da acusação de ter computado indevidamente, no lucro líquido do exercício, a contrapartida da variação monetária verificada.” Outra evidencia da ausência de fundamentação que justifica o lançamento é a extensa seara de argumentos utilizados pelo voto vencedor, que na falta de uma clara baliza à justificar a glosa, acabou sendo forçado a percorrer inúmeras possibilidades para justificar o ato administrativo. O mesmo se vislumbra até mesmo no voto vencido quando, a par de reconhecer a omissão do dever de fundamentar, preocupouse também em justificar a Fl. 8DF CARF MF Emitido em 30/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/04/2011 por MARCELO CUBA NETTO Assinado digitalmente em 26/05/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, 25/05/2011 por REGIS MAGALHAE S SOARES DE QUEI, 25/04/2011 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 19515.001145/200498 Acórdão n.º 120100.348 S1C2T1 Fl. 9 9 adequação da contabilização da despesa de variação cambial passiva a luz dos melhores critérios contábeis, também à fls. 331. Ora, se a autuação entendeu que a indexação de contrato em moeda estrangeira é nula e por isso inválida qualquer reconhecimento de despesa de variação cambial, descabe analisar a melhor técnica para o reconhecimento deste tipo de obrigação, como se se tratasse de obrigação passível de indexação cambial. Ou bem a cláusula de indexação cambial é valida e o que se analisa é a correta contabilização da obrigação, ou ela é nula na forma que a legislação invocada pelo auto de infração parece entender e aí pouco importa a melhor contabilização das obrigações cambiais, uma vez que esta obrigação não terá esta natureza por imposição legal. O que não se pode fazer é dar à cláusula aparentemente se alega nula um tratamento de cláusula válida, mas contabilizada de forma equivocada, como fazem a impugnação, o voto vencedor e, em certa passagem, mesmo o voto vencido. Tal inversão de ordem só ocorre, obviamente, porque o libelo acusatório está insuficientemente relatado e fundamentado em base legal insuficiente e falha. Assim, nesta parte, meu voto vai no mesmo sentido do voto vencido, a fim de reconhecer o defeito de fundamentação do auto de infração e a conseqüente improcedência do lançamento. 2. Da glosa da despesa de juros sobre capital próprio. A auto de infração fundamentou a glosa da despesa com o pagamento de juros sobre capital próprio nos seguintes termos: “2 EXCLUSÃO NÃO AUTORIZADA NA APURAÇÃO DO LUCRO REAL Redução indevida do Lucro Real, em virtude da exclusão, não autorizada pela legislação do Imposto de Renda decorrente da remuneração de juros sobre capital próprio, referentes à exercícios anteriores (1997 e 1998), que ora glosamos, por se tratar de despesa, cuja dedutibilidade encontrase condicionada a cada exercício, e nas condições estabelecidas em Lei.” O art. 9º, da Lei nº 9.249/95, autoriza à pessoa jurídica deduzir da apuração do lucro real os juros pagos aos sócios e aos acionistas a título de remuneração sobre capital próprio, verbis: “Art. 9º A pessoa jurídica poderá deduzir, para efeitos da apuração do lucro real, os juros pagos ou creditados individualizadamente a titular, sócios ou acionistas, a título de remuneração do capital próprio, calculados sobre as contas do patrimônio líquido e limitados à variação, pro rata dia, da Taxa de Juros de Longo Prazo TJLP. Fl. 9DF CARF MF Emitido em 30/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/04/2011 por MARCELO CUBA NETTO Assinado digitalmente em 26/05/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, 25/05/2011 por REGIS MAGALHAE S SOARES DE QUEI, 25/04/2011 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 19515.001145/200498 Acórdão n.º 120100.348 S1C2T1 Fl. 10 10 § 1º O efetivo pagamento ou crédito dos juros fica condicionado à existência de lucros, computados antes da dedução dos juros, ou de lucros acumulados e reservas de lucros, em montante igual ou superior ao valor de duas vezes os juros a serem pagos ou creditados." Segundo a Instrução Normativa SRF nº 11/96, os juros sobre capital próprio tem tratamento tributário como receita financeira, conforme dispões seu art. 29: "Juros Sobre Capital Próprio Art. 29. Para efeito de apuração do lucro real, observando o regime de competência, poderão ser deduzidos os juros pagos ou creditados individualmente ao titular, sócios ou acionistas, a título de remuneração do capital próprio, calculados sobre as contas do patrimônio liquido e limitados à variação, pro rata die, da Taxa de Juros de Longo Prazo – TJLP. (...) § 4º Os juros a que se refere este artigo, inclusive quando exercida a opção de que trata o § 1º ou quando imputados aos dividendos, auferidos por beneficiário pessoa jurídica submetida ao regime de tributação com base no: a) – lucro real, serão registrados em conta de receita financeira e integrarão lucro real e a base de cálculo da contribuição social sobre o lucro; (...)" Não obstante o regramento fiscal é de reconhecerse haver dissenso acerca da natureza jurídica dos juros sobre capital próprio: se dividendos ou receita financeira como, aliás, deixa entrever a r. decisão recorrida quando faz referência à contraposição de entendimentos entre a SRFB e a regulamentação da CVM. Resolver essa vexata quaestio, entretanto, é irrelevante para o deslinde do presente processo. Para Fábio Ulhoa Coelho, os juros sob capital próprio remuneram o investidor pela indisponibilidade dos recursos, enquanto os dividendos remuneram particular sucesso do empreendimento social. Segundo este autor: 1 “A limitação dos juros sobre o capital à TJLP, estabelecida pelo legislador tributário (Lei n. 9.249/95, art. 9º, caput), estabelece uma equivalência genérica entre essa espécie de remuneração do acionista e a que ele, normalmente particular sucesso do empreendimento social encontraria no mercado, caso destinasse os mesmos recursos a investimento diverso. Os dividendos representam, por sua vez, a remuneração proporcionada ao investimento, pelo sucesso da empresa explorada pela companhia. Se a sociedade anônima, em determinado exercício, paga juros no limite legal da TJLP, e ainda, delibera a 1 Fábio Ulhoa Coelho: Curso de Direito Comercial Vol. 2, 9ª Edição, p. 342/343, Ed. Saraiva – 2006. Fl. 10DF CARF MF Emitido em 30/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/04/2011 por MARCELO CUBA NETTO Assinado digitalmente em 26/05/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, 25/05/2011 por REGIS MAGALHAE S SOARES DE QUEI, 25/04/2011 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 19515.001145/200498 Acórdão n.º 120100.348 S1C2T1 Fl. 11 11 distribuição de dividendos, os acionistas podem distinguir, com clareza, a parcela da remuneração de seu capital, que seria também obtida, em média, noutros investimentos oferecidos no mercado (juros), da parcela gerada de modo particular pela concreta alternativa de investimento por eles adotada (dividendos)” . Nessa linha, observamos que o Col. STJ já reconheceu que conquanto os juros sobre capital próprio não possuam a natureza de dividendos, já que estes incidem sobre o lucro apresentado no exercício pela companhia eles são inegavelmente espécies do gênero “remuneração dos acionistas”, 2 incidentes sobre as reservas patrimoniais retidas em anos anteriores pela Sociedade Anônima.3 Não é de estranhar, portanto, que o entendimento daquela Corte de que Lei nº 9.249/95 faculta à pessoa jurídica fazer valer o seu creditamento sem que ocorra o efetivo pagamento de maneira imediata, aproveitandose da capitalização durante esse tempo, posto que os juros sobre capital próprio dizem respeito ao patrimônio líqüido da empresa, o que permite que sejam creditados de acordo com os lucros e reservas acumulados. 4 O que vale para fins de demonstração de resultado e de tributação é o momento do efetivo pagamento dos juros sobre capital próprio, sendo irrelevante se eles foram apurados com base nos lucros do exercício corrente ou dos passados. A interpretação que o Col. STJ faz da legislação chega a conclusão diametralmente oposta àquela da autoridade julgadora a quo. Para a Corte Superior, “a legislação não impõe que a dedução dos juros sobre capital próprio deva ser feita no mesmo exercíciofinanceiro em que realizado o lucro da empresa. Ao contrário, permite que ela ocorra em anocalendário futuro, quando efetivamente ocorrer a realização do pagamento”, pois “tal conduta se dá em consonância com o regime de caixa, em que haverá permissão da efetivação dos dividendos quando esses foram despendidos, não importando a época em que ocorrer, mesmo que seja em exercício distinto ao da apuração”. 5 O entendimento adotado pela r. decisão a quo, segundo o Col. STJ, “obrigaria as empresas a promover o creditamento dos juros a seus acionistas no mesmo exercício em que apurado o lucro, impondo ao contribuinte, de forma oblíqua, a época em que se deveria dar o exercício da prerrogativa concedida pela Lei 6.404/1976”, o que não encontra resguardo na legislação de regência. 6 Sobre o tema, vale transcrever a ementa do REsp 1086752 / PR, de relatoria do Min. Francisco Falcão , julgado em 17/02/2009: MANDADO DE SEGURANÇA. DEDUÇÃO. JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO DISTRIBUÍDOS AOS SÓCIOS / ACIONISTAS. BASE DE CÁLCULO DO IRPJ E DA CSLL. EXERCÍCIOS ANTERIORES. POSSIBILIDADE. 2 Resp 1.112.717 – RS. 3 AgRg no REsp 1166243 / RS. 4 REsp 1.086.753 / PR. 5 Idem ibidem. 6 Idem ibidem. Fl. 11DF CARF MF Emitido em 30/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/04/2011 por MARCELO CUBA NETTO Assinado digitalmente em 26/05/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, 25/05/2011 por REGIS MAGALHAE S SOARES DE QUEI, 25/04/2011 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 19515.001145/200498 Acórdão n.º 120100.348 S1C2T1 Fl. 12 12 I Discutese, nos presentes autos, o direito ao reconhecimento da dedução dos juros sobre capital próprio transferidos a seus acionistas, quando da apuração da base de cálculo do IRPJ e da CSLL no anocalendário de 2002, relativo aos anoscalendários de 1997 a 2000, sem que seja observado o regime de competência. II A legislação não impõe que a dedução dos juros sobre capital próprio deva ser feita no mesmo exercíciofinanceiro em que realizado o lucro da empresa. Ao contrário, permite que ela ocorra em anocalendário futuro, quando efetivamente ocorrer a realização do pagamento. III Tal conduta se dá em consonância com o regime de caixa, em que haverá permissão da efetivação dos dividendos quando esses foram de fato despendidos, não importando a época em que ocorrer, mesmo que seja em exercício distinto ao da apuração. IV "O entendimento preconizado pelo Fisco obrigaria as empresas a promover o creditamento dos juros a seus acionistas no mesmo exercício em que apurado o lucro, impondo ao contribuinte, de forma obliqua, a época em que se deveria dar o exercício da prerrogativa concedida pela Lei 6.404/1976". V Recurso especial improvido. No mesmo sentido confirase, ainda do Col. STJ, o REsp 1086752 / PR. Do antigo 1º Conselho de Contribuintes, ainda que existentes decisões em sentido contrário, eu adoto a conclusão dos seguintes precedentes: 1º Conselho de Contribuintes / 1a. Câmara / ACÓRDÃO 101 96.751 em 29.05.2008 IRPJ E OUTRO Ex(s): 2002 e 2006 Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anoscalendário: 2002 e 2006 Ementa: JUROS S/CAPITAL PRÓPRIO DEDUTIBILIDADE LIMITE TEMPORAL O período de competência, para efeito de dedutibilidade dos juros sobre capital próprio da base de cálculo do imposto de renda, é aquele em que há deliberação de órgão ou pessoa competente sobre o pagamento ou crédito dos mesmos, podendo, inclusive, remunerar o capital tomando por base o valor existente em períodos pretéritos, desde que respeitado os critérios e limites previsto em lei na data da deliberação do pagamento ou crédito, ou seja, nada obsta a distribuição acumulada de JCP desde que provada, ano a ano, ter esse sido passível de distribuição, levando em consideração os parâmetros existentes no anocalendario em que se deliberou sua distribuição. Fl. 12DF CARF MF Emitido em 30/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/04/2011 por MARCELO CUBA NETTO Assinado digitalmente em 26/05/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, 25/05/2011 por REGIS MAGALHAE S SOARES DE QUEI, 25/04/2011 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 19515.001145/200498 Acórdão n.º 120100.348 S1C2T1 Fl. 13 13 LANÇAMENTO DECORRENTE CSLL Tratandose de lançamento reflexo, a solução dada ao lançamento matriz é aplicável, no que couber, ao lançamento decorrente, quando não houver fatos novos a ensejar decisão diversa, ante a íntima relação de causa e efeito que os vincula. Recurso Voluntário Provido. Por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso. Antonio Praga Presidente Publicado no DOU em: 11.08.2008 Relator: Valmir Sandri 1º Conselho de Contribuintes / 7a. Câmara / ACÓRDÃO 107 08.941 em 28.03.2007 IRPJ E OUTROS Exs.:1996 a 2000 (...) IRPJ JUROS SOBRE O CAPITAL PRÓPRIO JCP PAGAMENTO ACUMULADO POSSIBILIDADE Provado nos autos do processo que, ano a ano, a recorrente tinha capacidade para distribuir JCP, nada obsta que possa fazêlo em ano calendário posterior, de forma acumulada. IRPJ JUROS SOBRE O CAPITAL PRÓPRIO JCP PAGAMENTO ACUMULADO LIMITES PARA AFERIÇÃO DE DEDUTIBILIDADE Ainda que nada obste a distribuição acumulada de JCP desde que provada, ano a ano, ter este sido passível de distribuição , para efeitos de aferição dos limites possíveis de dedutibilidade do encargo, se deve levar em conta os parâmetros existentes no anocalendário em que se deliberou a sua distribuição. (...) Marcos Vinicius Neder de Lima Presidente. Publicado no DOU em: 31.08.2007 3. Dispositivo Isso posto, dou provimento ao recurso voluntário para acolher a preliminar de cerceamento de defesa pela fundamentação defeituosa do auto de infração e, desta forma, anular o lançamento relativo à glosa da despesa de variação cambial. No mérito, dar provimento ao recurso voluntário para julgar improcedente o lançamento decorrente da glosa da despesa de juros sobre capital próprio. É o voto. REGIS MAGALHÃES SOARES DE QUEIROZ Fl. 13DF CARF MF Emitido em 30/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/04/2011 por MARCELO CUBA NETTO Assinado digitalmente em 26/05/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, 25/05/2011 por REGIS MAGALHAE S SOARES DE QUEI, 25/04/2011 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 19515.001145/200498 Acórdão n.º 120100.348 S1C2T1 Fl. 14 14 Conselheiro Relator Voto Vencedor Conselheiro Marcelo Cuba Netto, Redator Designado. Esclareçase inicialmente que a presente divergência referese apenas a parte do voto do relator que cuida da glosa de despesas com juros sobre o capital próprio. Pois bem, sobre a escrituração a que as pessoas jurídicas estão obrigadas o art. 177 da Lei nº 6.404/76 assim prescreve: Art. 177. A escrituração da companhia será mantida em registros permanentes, com obediência aos preceitos da legislação comercial e desta Lei e aos princípios de contabilidade geralmente aceitos, devendo observar métodos ou critérios contábeis uniformes no tempo e registrar as mutações patrimoniais segundo o regime de competência. (grifamos) Segundo o regime de competência as receitas e despesas devem ser reconhecidas na escrituração no momento em que forem, respectivamente, auferidas ou incorridas, independentemente de seu recebimento ou pagamento. O regime de competência é, portanto, a regra, consistindo mera exceção a adoção do regime de caixa quando expressamente estabelecido na legislação, como na hipótese da dedução de tributos cuja exigibilidade esteja suspensa (art. 344, § 1º, do RIR/99), e da dedução da variação monetária passiva (art. 30 da Medida Provisória nº 2.03723/2000). No caso sob exame, tratase da dedução de despesa com juros sobre o capital próprio (JCP) para o qual o art. 9º da Lei 9.249/95, a seguir transcrito, não estabeleceu exceção ao regime de competência. Art. 9º A pessoa jurídica poderá deduzir, para efeitos da apuração do lucro real, os juros pagos ou creditados individualizadamente a titular, sócios ou acionistas, a título de remuneração do capital próprio, calculados sobre as contas do patrimônio líquido e limitados à variação, pro rata dia, da Taxa de Juros de Longo Prazo TJLP. §1º O efetivo pagamento ou crédito dos juros fica condicionado à existência de lucros, computados antes da dedução dos juros, ou de lucros acumulados e reservas de lucros, em montante igual ou superior ao valor de duas vezes os juros a serem pagos ou creditados.(Redação dada pela Lei nº 9.430, de 1996) Em outras palavras, se pretender gozar da faculdade de distribuir JCP a seus sócios, a pessoa jurídica deverá reconhecer a despesa ao longo do tempo em que empregado o capital objeto da remuneração. Constituída, se for o caso, a obrigação de distribuir JCP, a pessoa jurídica poderá extinguila imediatamente através de “pagamento” ao sócio, ou deixar a Fl. 14DF CARF MF Emitido em 30/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/04/2011 por MARCELO CUBA NETTO Assinado digitalmente em 26/05/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, 25/05/2011 por REGIS MAGALHAE S SOARES DE QUEI, 25/04/2011 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 19515.001145/200498 Acórdão n.º 120100.348 S1C2T1 Fl. 15 15 extinção para momento posterior, caso em que deverá registrar, também imediatamente, o “crédito” ao sócio. Como, no caso, a contribuinte deduziu no anocalendário de 1999 despesas com juros sobre o capital próprio que, por força do regime de competência, somente poderiam ter sido levadas ao resultado dos anos de 1997 e 1998, voto por manter essa parcela do lançamento. (documento assinado digitalmente) Marcelo Cuba Netto Fl. 15DF CARF MF Emitido em 30/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/04/2011 por MARCELO CUBA NETTO Assinado digitalmente em 26/05/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, 25/05/2011 por REGIS MAGALHAE S SOARES DE QUEI, 25/04/2011 por MARCELO CUBA NETTO
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Numero do processo: 10680.014480/2006-31
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 27 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Jan 27 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJAno-calendário: 2001DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA.Não restou configurada a decadência, uma vez que sequer houve o transcurso do prazo qüinqüenal previsto no art. 150, § 4º do CTN.GLOSA DE CUSTOS. FALTA DE COMPROVAÇÃO. CONSÓRCIO. Deve ser mantida a glosa dos custos se não foi apresentada documentação hábil e idônea a comprovar as prestações específicas de cada participante no consórcio, bem como os critérios de partilha das receitas e despesas.GLOSA DE IRRF APROPRIADO COMO PERDA OPERACIONAL. Não comprovado o direito à dedução do valor como despesa, deve ser mantida a glosa.Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Numero da decisão: 1803-000.797
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Ausente momentaneamente o Conselheiro Benedicto Celso Benício Júnior.
Matéria: IRPJ - AF- omissão receitas - demais presunções legais
Nome do relator: SELENE FERREIRA DE MORAES
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INOCORRÊNCIA. Não restou configurada a decadência, uma vez que sequer houve o transcurso do prazo quinquenal previsto no art. 150, § 4º do CTN. GLOSA DE CUSTOS. FALTA DE COMPROVAÇÃO. CONSÓRCIO. Deve ser mantida a glosa dos custos se não foi apresentada documentação hábil e idônea a comprovar as prestações específicas de cada participante no consórcio, bem como os critérios de partilha das receitas e despesas. GLOSA DE IRRF APROPRIADO COMO PERDA OPERACIONAL. Não comprovado o direito à dedução do valor como despesa, deve ser mantida a glosa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.Ausente momentaneamente o Conselheiro Benedicto Celso Benício Júnior. (assinado digitalmente) Selene Ferreira de Moraes – Presidente e Relatora. EDITADO EM: 17/02/2011 Fl. 1DF CARF MF Emitido em 17/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/02/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Assinado digitalmente em 17/02/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Selene Ferreira de Moraes, Benedicto Celso Benício Júnior, Walter Adolfo Maresch, Marcelo Fonseca Vicentini, Sérgio Rodrigues Mendes, Luciano Inocêncio dos Santos. Relatório Tratase de auto de infração de IRPJ, calculado com base no lucro real, relativo ao ano de 2001, no valor total de R$ 365.021,72. A fiscalização apontou os seguintes fatos e infrações: • Não foram comprovadas por documentação hábil despesas escrituradas como “despesas operacionais – perda”, contabilizadas nas contas n° 4.1.01.03.0007 (fretes e carretos), e 4.1.01.03.0999 (outros serviços). • Enquadramento legal do auto de infração: art. 249, inciso I, e art. 251, parágrafo único do RIR/99. Irresignada com a exigência, a contribuinte apresentou impugnação, em que alegou em síntese que: a) No decorrer de 2001 realizou operações com parceiros e subempreiteiros, além de acertos de contas contábeis sem movimentação. b) Pela base legal informada não foi possível tipificar o enquadramento da despesa indedutível. c) A documentação relativa aos apontamentos, medições etc, deve permanecer no local da obra. Frenquentemente esses documentos são guardados de modo inadequado, o que torna grandemente difícil o seu resgate. Glosa de R$ 225.000,00 d) Em 21/11/2001 foi emitida a nota fiscal de serviço n° 1.726, na qual constou o valor de R$ 225.000,00 lançado como custo –fretes e carretos, com a discriminação de “acerto diferença de distância de transporte de material de jazida”. O destinatário foi a empresa Conserva de Estradas Ltda. Em 20/07/2000, a autuada e a Conserva firmaram instrumento particular de compromisso de constituição de consórcio, cujas cláusulas previam que todos os custos diretos e indiretos, despesas comuns, inclusive as garantias contratuais exigidas, seriam repartidas entre as consorciadas, na proporção de suas respectivas participações no consórcio. e) A Conserva e a autuada ganharam uma concorrência que tinha por objeto a execução de obras de complementação da ampliação da capacidade rodoviária do Corredor São Paulo/Curitiba/Florianópolis. Conforme termo de recebimento definitivo dos serviços de execução, emitido pelo DNIT, essa obra foi completada e entregue. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 17/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/02/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Assinado digitalmente em 17/02/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 10680.014480/200631 Acórdão n.º 180300.797 S1TE03 Fl. 242 3 f) O acerto de fretes e carretos é devido à distância diversa entre o transporte de brita sobre a parte da obra realizada pela Conserva em relação à parte autuada. Glosa de R$ 45.058,00 g) A nota fiscal foi emitida pela Construtora OCS, fornecedor que é um subempreiteiro cujo objeto social é a exploração dos serviços de engenharia civil e rodoviária. Foi subcontratado em 01/11/2000 para a realização de parte da obra na Rodovia Fernão Dias. h) A subcontratação decorre da otimização do contrato PJU – 22.026/99, firmado entre a autuada e o DERMG em 29/09/99, o qual possui, anexo, a proposta de preços e serviços e que prevê o revestimento vegetal por hidrossemeadura e drenagem. Ambas as descrições constam na NF em causa. É comum as construtoras apresentarem valores em caixa para enfrentar pagamento de empregados e outros desembolsos nas obras, situação que ocorreu com o pagamento da NF 1 em 10/01/2001, como se pode comprovar pelo movimento de caixa da época e pelo recibo dado na própria nota fiscal. Glosas de R$ 50.000,00 e R$ 58.000,00 i) Notas fiscais emitidas por Elizabeth Rezende dos Santos, firma individual e subempreiteiro fornecedor que possui como atividade a prestação de serviços consistente no plantio de grama e de construção civil. Foi subcontratado para a realização de obras na Rodovia Fernão Dias. As notas fiscais foram liquidadas mediante pagamento em dinheiro, conforme movimento de caixa. Os recebimentos foram apostos nos corpos das notas fiscais. Glosas de R$ 59.548,90 referente à NF 000187 j) A nota fiscal foi emitidas por Elizabeth Rezende dos Santos e apresentou pequena rasura no campo Preço R$, que integra a descrição dos serviços. Entretanto o valor de serviços e total da nota fiscal apresentavam valor correto. k) O valor de R$ 51.273.71, pago em cheque, resulta do saldo apurado após a dedução do INSS retido no montante de R$ 3.275,19 (conforme GPS) e do desconto de adiantamento de R$ 5.000,00, conforme recibo aposto no corpo da nota fiscal. Glosas de R$ 70.000,00 e R$ 41.000,00 l) Notas fiscais emitidas por JCM Engenharia e Construções Ltda., subempreiteiro cujo objeto social é terraplenagem, pavimentação, drenagem, obras complementares de estrada. As notas fiscais foram liquidadas mediante pagamento em dinheiro, conforme movimento de caixa. Os recebimentos foram apostos nos corpos das notas fiscais. m) Decadência da exigência fiscal, pois sendo o lançamento por homologação, extinguese o direito do fisco lançar os tributos após 5 anos da ocorrência do fato gerador. Glosa de perda não comprovada no valor de R$ 17.033,27 Fl. 3DF CARF MF Emitido em 17/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/02/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Assinado digitalmente em 17/02/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES 4 n) Esse montante é composto de três valores, dos quais serão tratados os dois mais significativos: R$ 14.968,30, referente a IRRF sobre aplicações financeiras contabilizado a maior, e R$ 2.052,88 relativo a IR pago a maior. o) A multa de 75% é desproporcional. A Delegacia de Julgamento considerou o lançamento procedente, com base nos seguintes fundamentos: Argüição de falha na capitulação legal a) Os artigos consignados no lançamento fornecem o fundamento legal da infração e permitem identificar perfeitamente as infrações imputadas. b) O art. 300 trata de toda e qualquer despesa ou custo, e não apenas de rendimentos pagos a terceiros. Decadência c) Se aplicável o art. 150, § 4°, do CTN, a decadência em causa só se daria em 31/12/2006, sendo que o lançamento foi efetuado em 28/12/2006. Observações gerais sobre a dedutibilidade de custos e despesas d) Incumbe ao contribuinte comprovar as despesas deduzidas, devendo munir a contabilidade de documentos que comprovem a natureza e a efetiva realização dos serviços. Glosa de R$ 225.000,00 e) Nenhum dos documentos apresentados constituem prova de que houve a execução de serviço de transporte, tampouco se informa o percurso percorrido, os meios utilizados, o que teria sido transportado. Sem dispor desses elementos essenciais, a fiscalização não tem como avaliar a necessidade e a utilidade do pretenso custo ou despesa. f) Tanto o contrato de constituição do consórcio quanto o de execução da obra não especificam nenhum tipo de transporte que deveria ser realizado pelas partes, nem muito menos fornece pormenor algum a esse respeito. Os dizeres da nota fiscal não permitem identificar precisamente de que serviço se trata. A declaração da Conserva, pela mesma razão, também não pode ser aceita como prova da prestação efetiva do serviço. g) É indiferente que a Conserva tenha registrado o respectivo valor como receita em sua escrituração. A dedutibilidade de determinado gasto não é determinada pelo tratamento contábil e fiscal que lhe der o beneficiário do pagamento, mas sim pela utilidade e necessidade dele em relação a quem fizer o pagamento. Glosa de R$ 45.058,00 h) Não ficou comprovada a execução efetiva dos serviços, por meio dos documentos mencionados no próprio contrato de subempreitada. i) É no mínimo incomum que quantia de tal monta tenha sido paga em dinheiro a outra pessoa jurídica, e não por meio de movimentação bancária. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 17/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/02/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Assinado digitalmente em 17/02/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 10680.014480/200631 Acórdão n.º 180300.797 S1TE03 Fl. 243 5 j) Os documentos relativos ao contrato com o DERMG, quando muito, demonstram que havia motivação para contratar subempretadas, mas não que foram efetivamente executadas por aqueles que supostamente foram beneficiários dos pagamentos glosados. Glosa de quantias pagas a Elizabet Rezende dos Santos k) As considerações expendidas acerca da glosa analisada na subseção precedente valem também para as aqui vertentes, já que todas as circunstâncias são idênticas. O contrato de subempreitada assinado contém as mesma cláusulas, mas não foi apresentada a planilha de preços a que se refere o contrato. l) O documento de fls. 51 não oferece nenhuma certeza quanto à contabilização do adiantamento. Embora exista o registro de R$ 5.000,00, no histórico dizse apenas que esse valor foi transferido do caixa da obra 158, mas não se esclarece para que fim e a quem se destinou. Glosa de quantias pagas à JCM Engenharia e Construções Ltda. m) As considerações expendidas acerca da glosa analisada na subseção precedente valem também para as aqui vertentes, já que todas as circunstâncias são idênticas. O contrato de subempreitada assinado contém as mesma cláusulas, mas não foi apresentada a planilha de preços a que se refere o contrato. Glosa de perdas com IRRF sobre aplicações financeiras n) Não constitui boa técnica contábil compensar os excessos verificados numa conta com os de outra, ainda mais quando se trata de contas de natureza distinta. A conta em que se registra receita financeira é conta de resultado, ao passo que a conta em que se registra IRRF a compensar é de natureza patrimonial. o) Se o informe de rendimentos e retenção fornecido pela Caixa Econômica Federal é que estava errado, cabia à autuada exigir da instituição que os corrigisse, e não compensar as perdas resultantes desse erro mediante manobra contábil esdrúxula. Multa de ofício p) A autuante aplicou estritamente o disposto no art. 44, inciso I, § 1° , inciso II, da Lei n° 9.430/1996. Contra a decisão, interpôs a contribuinte o presente Recurso Voluntário, em que tece as seguintes considerações: a) Nos dispositivos mencionados na autuação não se materializa a tipificação cerrada, clara e objetiva dos tributos devidos na situação fática aplicada à recorrente, sendo que até sofreu interpretação pelo órgão julgador de primeira instância buscando deixar a base legal de imposição em condições de exigibilidade com a referência ao art. 304, do RIR/99. b) O acórdão 0213.973 da DRJ/BHE implicou em inovação na fundamentação. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 17/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/02/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Assinado digitalmente em 17/02/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES 6 c) O serviço de transporte é imprescindível a atividade de construção civil e quando vinculado a “viagens a jazida”, se refere ao transporte de brita (rocha), sendo que a aferição da sua realização ocorreu na Conserva, mantenedora dos registros dos custos desse transporte. d) A Construtora OCS era uma empresa de pequeno porte recém criada, que possui estrutura enxuta, muitas vezes não lhe sendo possível desenvolver os controles requeridos pela fiscalização. e) A contabilização do IRRF foi realizada a maior conforme quadro às fls. 206. f) Considerando que a recorrente adotou no ano calendário de 2001 o recolhimento do IRPJ e CSLL por estimativa mensal com balanço de redução/suspensão, claro está que o fato gerador é complexivo e continuado, sendo cada mês de apuração referente a cada fato gerador. g) O STF já entendeu pela inconstitucionalidade de multa excessivamente onerosa e desproporcional ao agravo causado pelo devedor. Em 13 de novembro de 2009 foi protocolada petição em que a recorrente desiste parcialmente do recurso interposto, parcelando os débitos citados no item 1.2 da impugnação. É o relatório. Voto Conselheira Selene Ferreira de Moraes A contribuinte foi cientificada por via postal, tendo recebido a intimação em 19/10/2009 (AR de fls. 190). O recurso foi protocolado em 20/11/2007, logo, é tempestivo e deve ser conhecido. Preliminarmente é mister delimitar a matéria que restou controversa após a desistência de fls. 229. Os débitos citados no item 1.2 da impugnação referemse à glosas dos seguintes valores: Data Nota fiscal n° /lançamento Valor (R$) 28/12/2000 0000001 – emitida pela Construtora OCS (anexo I – fls. 30) 45.058,00 28/02/2001 e 07/08/2001 164 e 184 – emitidas por Elizabeth Rezende dos Santos (anexo I – fls. 46 e 49) 50.000,00 e 58.000,00 05/09/2001 187 – emitidas por Elizabeth Rezende dos Santos (anexo I – fls. 52) 59.548,90 Fl. 6DF CARF MF Emitido em 17/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/02/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Assinado digitalmente em 17/02/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 10680.014480/200631 Acórdão n.º 180300.797 S1TE03 Fl. 244 7 21/03/2001 e 16/04/2001 208 e 210 – emitidas por JCM Eng. Constr. Ltda. (anexo I – fls. 65 e 68) 70.000,00 e 41.000,00 Por conseguinte permanece o litígio em relação às seguintes glosas, discutidas nos itens 1.1 e 1.3 da impugnação: Data Nota fiscal n° /lançamento Valor (R$) 21/11/2001 1726 – desconto por serviços prestados a Conserva de Estradas Ltda. (anexo I – fls. 2) 225.000,00 31/12/2001 Perda operacional lançamento às fls. 452 do livro Diário n° 52 (anexo I – fls. 74/91) 17.033,27 I. Decadência No tocante à decadência, nem sequer é necessário abordar a questão polêmica do termo inicial do prazo decadencial, uma vez que o lançamento foi efetuado antes do transcurso do prazo de cinco anos, contado a partir da ocorrência do fato gerador. A contagem a partir do termo inicial previsto no art. 150, § 4°, do CTN, nos leva ao menor prazo legal possível. De acordo com a DIPJ 2002 (fls. 98) a empresa adotou o regime anual de apuração do IRPJ e da CSLL. Assim, para efeitos do lançamento de ofício, há que se considerar como data de ocorrência do fato gerador o último dia do correspondente ano calendário, ou seja, 31/12/2001. O presente lançamento foi efetuado em 28/12/2006, ou seja, antes de transcurso do prazo quinquenal previsto no art. 150, § 4º do CTN. Logo, não merece acolhida a preliminar de decadência arguida. II. Nulidade por falha no enquadramento legal Aduz a recorrente que nos dispositivos mencionados na autuação não se materializa a tipificação cerrada, clara e objetiva dos tributos devidos na situação fática aplicada à recorrente, sendo que até sofreu interpretação pelo órgão julgador de primeira instância buscando deixar a base legal de imposição em condições de exigibilidade com a referência ao art. 304, do RIR/99. A seguir transcrevemos todos os dispositivos legais mencionados no enquadramento legal da autuação: IRPJ Fl. 7DF CARF MF Emitido em 17/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/02/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Assinado digitalmente em 17/02/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES 8 RIR/99 “Art. 249. Na determinação do lucro real, serão adicionados ao lucro líquido do período de apuração (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 6º, § 2º): I os custos, despesas, encargos, perdas, provisões, participações e quaisquer outros valores deduzidos na apuração do lucro líquido que, de acordo com este Decreto, não sejam dedutíveis na determinação do lucro real;” Art. 251. A pessoa jurídica sujeita à tributação com base no lucro real deve manter escrituração com observância das leis comerciais e fiscais (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 7º).Leia mais: Parágrafo único. A escrituração deverá abranger todas as operações do contribuinte, os resultados apurados em suas atividades no território nacional, bem como os lucros, rendimentos e ganhos de capital auferidos no exterior (Lei nº 2.354, de 29 de novembro de 1954, art. 2º, e Lei nº 9.249, de 1995, art. 25). Art. 300. Aplicamse aos custos e despesas operacionais as disposições sobre dedutibilidade de rendimentos pagos a terceiros (Lei nº 4.506, de 1964, art. 45, § 2º).” CSLL Lei n° 7.689/88 Art. 2º A base de cálculo da contribuição é o valor do resultado do exercício, antes da provisão para o imposto de renda. § 1º Para efeito do disposto neste artigo: a) será considerado o resultado do períodobase encerrado em 31 de dezembro de cada ano; b) no caso de incorporação, fusão, cisão ou encerramento de atividades, a base de cálculo é o resultado apurado no respectivo balanço; c ) o resultado do períodobase, apurado com observância da legislação comercial, será ajustado pela: 1 adição do resultado negativo da avaliação de investimentos pelo valor de patrimônio líquido; 2 adição do valor de reserva de reavaliação, baixada durante o períodobase, cuja contrapartida não tenha sido computada no resultado do períodobase; 3 adição do valor das provisões não dedutíveis da determinação do lucro real, exceto a provisão para o Imposto de Renda; 4 exclusão do resultado positivo da avaliação de investimentos pelo valor de patrimônio líquido; Fl. 8DF CARF MF Emitido em 17/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/02/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Assinado digitalmente em 17/02/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 10680.014480/200631 Acórdão n.º 180300.797 S1TE03 Fl. 245 9 5 exclusão dos lucros e dividendos derivados de investimentos avaliados pelo custo de aquisição, que tenham sido computados como receita; 6 exclusão do valor, corrigido monetariamente, das provisões adicionadas na forma do item 3, que tenham sido baixadas no curso de períodobase. § 2º No caso de pessoa jurídica desobrigada de escrituração contábil, a base de cálculo da contribuição corresponderá a dez por cento da receita bruta auferida no período de 1º de janeiro a 31 de dezembro de cada ano, ressalvado o disposto na alínea b do parágrafo anterior. Lei n° 9.249/95 Art. 19. A partir de 1º de janeiro de 1996, a alíquota da contribuição social sobre o lucro líquido, de que trata a Lei nº 7.689, de 15 de dezembro de 1988, passa a ser de oito por cento. Parágrafo único. O disposto neste artigo não se aplica às instituições a que se refere o § 1º do art. 22. da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, para as quais a alíquota da contribuição social será de dezoito por cento. Lei n° 9.316/96 Art. 1º O valor da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido não poderá ser deduzido para efeito de determinação do lucro real, nem de sua própria base de cálculo. Parágrafo único. Os valores da Contribuição Social a que se refere este artigo, registrados como custo ou despesa, deverão ser adicionados ao Lucro Líquido do respectivo período de apuração para efeito de determinação do Lucro Real e de sua própria base de cálculo. Lei n° 9.430/1996 Art. 28. Aplicamse à apuração da base de cálculo e ao pagamento da contribuição social sobre o lucro líquido as normas da legislação vigente e as correspondentes aos arts. 1º a 3º, 5º a 14, 17 a 24, 26, 55 e 71, desta Lei. MP n° 1.85810/1999 Art.6oA contribuição social sobre o lucro líquido CSLL, instituída pela Lei no 7.689, de 15 de dezembro de 1988, será cobrada com o adicional: Ide quatro pontos percentuais, relativamente aos fatos geradores ocorridos de 1o de maio de 1999 a 31 de janeiro de 2000; IIde um ponto percentual, relativamente aos fatos geradores ocorridos de 1o de fevereiro de 2000 a 31 de dezembro de 2002. Fl. 9DF CARF MF Emitido em 17/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/02/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Assinado digitalmente em 17/02/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES 10 Parágrafo único.O adicional a que se refere este artigo aplica se, inclusive, na hipótese do pagamento mensal por estimativa previsto no art. 30 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, bem assim às pessoas jurídicas tributadas com base no lucro presumido ou arbitrado.” Da leitura destes dispositivos extraise que a infração imputada à contribuinte foi a dedução indevida de custos ou despesas, do lucro real e da base de calcula da CSLL. O Termo de Verificação Fiscal constitui parte integrante do auto de infração. Nele foram explicitados claramente os motivos pelos quais a fiscalização considerou indedutíveis as despesas e custos glosados, conforme tabela abaixo: Data Nota fiscal n° /lançamento Valor (R$) Motivação da glosa pela fiscalização 21/11/2001 1726 – desconto por serviços prestados a Conserva de Estradas Ltda. (anexo I – fls. 2) 225.000,00 Não foi comprovada a necessidade e usualidade do dispêndio a título de custo. Faltou demonstrar objetivamente a diferença deduzida a título de acerto: qual transporte? Quando? Qual o documento que originou o custo? 31/12/2001 Perda operacional lançamento às fls. 452 do livro Diário n° 52 (anexo I – fls. 74/91) 17.033,27 As cópias do Razão contábil da conta 1.1.04.02 e subcontas do ano de 1999 não são suficientes para comprovar o direito à dedução do valor como despesa. A tabela acima afasta integralmente a alegação de nulidade da autuação. A decisão recorrida não inovou a autuação, sendo que o voto condutor do acórdão apenas apenas rebateu corretamente as alegações da recorrente, esclarecendo corretamente o sentido do art. 300. A menção ao art. 304 não configura nenhuma inovação do lançamento, não merecendo reparos a decisão recorrida quanto a este tópico. Por conseguinte é improcendente a argumentação da recorrente, que não só compreendeu, mas também se defendeu adequadamente contra as infrações que lhe foram imputadas. III. Do mérito No tocante ao mérito, no cabe apreciar a documentação apresentada pela recorrente. A tabela abaixo relaciona os documentos apresentados: Custo ou despesa (R$) Documentos apresentados (Anexo I) 225.000,00 1 NF 1.726 e Fatura 162.12.01, emitidas pela recorrente, tendo como destinatário dos serviços a empresa Conserva de Estradas (fls. 2 e 4). 2 Declaração da empresa Conserva de Estradas (fls. 3). 3 Contrato PG – 221/200000 entre DNIT e o consórcio Fl. 10DF CARF MF Emitido em 17/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/02/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Assinado digitalmente em 17/02/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 10680.014480/200631 Acórdão n.º 180300.797 S1TE03 Fl. 246 11 Conserva/Torc (fls. 5/10). 4 Termo de Recebimento dos serviços (fls. 11/12). 5 Instrumento de constituição de consórcio (fls. 13/16). 6 Extrato do contrato entre o DNIT e o Consórcio 17.033,27 1 Demonstrativo de retenção do IRRF (fls. 70) 2 Informes de rendimentos emitido pela Caixa Econômica Federal (fls. 71/73) 3 Livro Razão (fls. 74/91) III.1. – Glosa de R$ 225.000,00 Esta parcela foi contabilizada a débito da conta 4.1.01.03.0007 – Fretes e carretos, com o seguinte histórico: “Vr. ref. Acerto na fat. 162.12.0”. Nesta fatura consta o seguinte no campo “descrição dos serviços e valor”: valor da 12a. medição dos serviços de execução da obra de complementação do corredor São PauloCuritibaFlorianópolis. O valor de R$ 225.000,00 foi descontado da receita medida a título de acerto de diferença da distância de transporte de material de jazida. Aduz a recorrente que celebrou convênio com a empresa Conserva, e que o acerto é devido à distância diferenciada entre o transporte de brita sobre a parte da obra realizada pela Conserva em relação à sua parte. Afirma ainda que o serviço de transporte é imprescindível a atividade de construção civil, seno que a aferição da sua realização ocorreu na Conserva, mantenedora dos registros dos custos desse transporte. Os arts. 278 e 279 da Lei nº 6.404/1976, que regulam a criação dos consórcios assim dispunham na época da constituição do presente consórcio: “Art. 278. As companhias e quaisquer outras sociedades, sob o mesmo controle ou não, podem constituir consórcio para executar determinado empreendimento, observado o disposto neste Capítulo. § 1º O consórcio não tem personalidade jurídica e as consorciadas somente se obrigam nas condições previstas no respectivo contrato, respondendo cada uma por suas obrigações, sem presunção de solidariedade. § 2º A falência de uma consorciada não se estende às demais, subsistindo o consórcio com as outras contratantes; os créditos que porventura tiver a falida serão apurados e pagos na forma prevista no contrato de consórcio. Art. 279. O consórcio será constituído mediante contrato aprovado pelo órgão da sociedade competente para autorizar a alienação de bens do ativo permanente, do qual constarão: I a designação do consórcio se houver; II o empreendimento que constitua o objeto do consórcio; III a duração, endereço e foro; Fl. 11DF CARF MF Emitido em 17/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/02/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Assinado digitalmente em 17/02/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES 12 IV a definição das obrigações e responsabilidade de cada sociedade consorciada, e das prestações específicas; V normas sobre recebimento de receitas e partilha de resultados; VI normas sobre administração do consórcio, contabilização, representação das sociedades consorciadas e taxa de administração, se houver; VII forma de deliberação sobre assuntos de interesse comum, com o número de votos que cabe a cada consorciado; VIII contribuição de cada consorciado para as despesas comuns, se houver. Parágrafo único. O contrato de consórcio e suas alterações serão arquivados no registro do comércio do lugar da sua sede, devendo a certidão do arquivamento ser publicada.” Ao analisarmos o instrumento de consórcio anexado verificamos que a definição sobre a participação de cada empresa é genérica, e não define claramente as obrigações e responsabilidades de cada sociedade consorciada, nem das prestações específicas, conforme demonstram as claúsulas a seguir reproduzidas (anexo I – fls. 14): “6.1 – As CONSORCIADAS participarão nas responsabilidades e obrigações decorrentes do presente acordo na seguinte proporção: CONSERVA DE ESTRADAS LTDA. .................................... 56% TORCTERRAPLENAGEM, OBRAS RODOVIÁRIAS E CONSTRUÇÕES LTDA. ............................................. ..........44% 6.2 – Todos os custos diretos e indiretos, despesas comuns, inclusive as garantias contratuais exigidas serão repartidas entre as CONSORCIADAS na proporção do item 6.” Para que seja possível auditar as receitas e despesas de um consórcio é necessária a apresentação de sua contabilidade. Como é possível verificar o recebimento das receitas e a partilha dos resultados sem sua apresentação? As perguntas formuladas pela fiscalização – qual o transporte, quando foi realizado, qual o documento que deu origem ao lançamento – são pertinentes e permanecem sem resposta. Se a aferição dos custos do tranporte de brita foi efetuada pela Conserva, bastaria anexar os documentos comprobatórios. Eventuais acertos não podem ser entendidos como desconto comercial, mas sim como operações a serem contabilizadas de acordo com as regras previstas no instrumento de consórcio. Notese que no instrumento anexado não há nenhuma norma específica sobre a contabilização das operações dos consórcios, dispondo apenas que todos os custos diretos e indiretos serão repartidos na proporção indicada no item 6.1 do contrato. Os empresários têm o dever de manter a escrituração dos negócios de que participam, nos termos do art. 1.179 do Código Civil (lei n° 10.406/2002), e do art. 10 do Código Comercial (lei n° 556/1850, revogado pela Lei n° 10.406/2002): “Art. 1.179. O empresário e a sociedade empresária são obrigados a seguir um sistema de contabilidade, mecanizado ou Fl. 12DF CARF MF Emitido em 17/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/02/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Assinado digitalmente em 17/02/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 10680.014480/200631 Acórdão n.º 180300.797 S1TE03 Fl. 247 13 não, com base na escrituração uniforme de seus livros, em correspondência com a documentação respectiva, e a levantar anualmente o balanço patrimonial e o de resultado econômico. Art. 10 Todos os comerciantes são obrigados: 1 a seguir uma ordem uniforme de contabilidade e escrituração, e a ter os livros para esse fim necessários; 2 a fazer registrar no Registro do Comércio todos os documentos, cujo registro for expressamente exigido por este Código, dentro de 15 (quinze) dias úteis da data dos mesmos documentos (artigo nº. 31), se maior ou menor prazo se não achar marcado neste Código; 3 a conservar em boa guarda toda a escrituração, correspondências e mais papéis pertencentes ao giro do seu comércio, enquanto não prescreverem as ações que lhes possam ser relativas (Título. XVII); 4 a formar anualmente um balanço geral do seu ativo e passivo, o qual deverá compreender todos os bens de raiz móveis e semoventes, mercadorias, dinheiro, papéis de crédito, e outra qualquer espécie de valores, e bem assim todas as dívidas e obrigações passivas; e será datado e assinado pelo comerciante a quem pertencer.” É oportuno citarmos um trecho da exposição de motivos do Código de Comércio Napoleônico, lembrado por Fábio Ulhoa Coelho, em sua obra “Curso de Direito Comercial”: “A consciência do comerciante está escrita nos seus livros; neles é que o comerciante registra todas as suas ações; são, para ele, uma espécie de garantia (...). Quando surgem contestações, é preciso que a consciência do juiz fique esclarecida; e é então que os livros são necessários, pois que eles são os confidentes das ações do comerciante”. A documentação constante dos autos é insuficiente para demonstrar as condições mínimas exigidas pela lei para o funcionamento de um consórcio. Por conseguinte, merece subsistir a glosa de custos efetuada pela fiscalização. III.2. Glosa de R$ 17.033,27 A fiscalização intimou a recorrente a comprovar o valor de R$ 17.033,27, apropriado como perdas em 31/12/2001 a título de “Res. IRRF s/ aplic. Financeira 1999 não compensado nas declarações por não constarem dos comprovantes de rendimentos recebidos”. A recorrente afirma que o reconhecimento a maior do IRRF transitou por receita e sua baixa em 31/12/2001 foi o estorno da receita financeira contabilizada a maior, em Fl. 13DF CARF MF Emitido em 17/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/02/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Assinado digitalmente em 17/02/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES 14 1998 e 1999, não havendo motivo para glosar um acerto de conta, normatizado pelo art. 2°, § 2°, do Decretolei n° 486/1969, in verbis: “Art. 2º A escrituração será completa, em idioma e moeda corrente nacional em forma mercantil, com individualização e clareza por ordem cronológica do dia, mês e ano, sem intervalos em branco, nem entrelinhas, borraduras, rasuras, emendas e transportes para as margens. § 1º É permitido o uso do código de números ou de abreviaturas, desde que estes constem de livro próprio, revestido das formalidades estabelecidos neste decretolei. § 2º Os erros cometidos serão corrigidos por meio de lançamentos de estorno”. A Delegacia de Julgamento entendeu que não constitui boa técnica contábil compensar os excessos verificados numa conta com os de outra, ainda mais quando se trata de contas de natureza distinta. A conta em que se registra receita financeira é conta de resultado, ao passo que a conta em que se registra IRRF a compensar é de natureza patrimonial. Se ocorreu de fato um registro de receita financeira a maior no ano calendário de 1999, com reflexos no lucro real e na base de cálculo da CSLL, a contribuinte deveria ter pleiteado a restituição/compensação de eventuais créditos apurados, e não registrado uma perda, no ano calendário de 2001, como se fosse um estorno de receita financeira. No tocante à parcela de R$ 2.052,87 a recorrente afirmou que o crédito já estava prescrito, ou seja, “foi registrado contabilmente em período anterior a 1998 e já havia expirado o prazo para aproveitar a restituição/compensação, motivo pelo qual foi levado a resultado”. Tais fatos e os documentos anexados aos autos realmente não são suficientes para comprovar o direito à dedutibilidade de tais valores, tal como afirmado pela fiscalização. Ante todo o exposto, nego provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Selene Ferreira de Moraes Fl. 14DF CARF MF Emitido em 17/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/02/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Assinado digitalmente em 17/02/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES
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