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Numero do processo: 10980.001469/2008-99
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 17 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Mar 27 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2003
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL (PAF). RECURSO INTEMPESTIVO.
O recurso interposto após 30 dias, contados da ciência da decisão de primeira instância, não deve ser conhecido pelo Conselho de Administrativo de Recursos Fiscais (Carf).
RECURSO INTEMPESTIVO. DEFINITIVIDADE DA DECISÃO A QUO
É definitiva a decisão de primeira instância quando não interposto recurso voluntário no prazo legal.
Recurso Voluntário Não Conhecido.
Numero da decisão: 2102-002.349
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NÃO CONHECER do recurso, pois perempto
Assinado digitalmente.
Giovanni Christian Nunes Campos - Presidente.
Assinado digitalmente.
Rubens Maurício Carvalho - Relator.
EDITADO EM: 18/03/2013
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Eivanice Canário da Silva, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Giovanni Christian Nunes Campos, Núbia Matos Moura, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Rubens Maurício Carvalho.
Nome do relator: RUBENS MAURICIO CARVALHO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2003 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL (PAF). RECURSO INTEMPESTIVO. O recurso interposto após 30 dias, contados da ciência da decisão de primeira instância, não deve ser conhecido pelo Conselho de Administrativo de Recursos Fiscais (Carf). RECURSO INTEMPESTIVO. DEFINITIVIDADE DA DECISÃO A QUO É definitiva a decisão de primeira instância quando não interposto recurso voluntário no prazo legal. Recurso Voluntário Não Conhecido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NÃO CONHECER do recurso, pois perempto Assinado digitalmente. Giovanni Christian Nunes Campos - Presidente. Assinado digitalmente. Rubens Maurício Carvalho - Relator. EDITADO EM: 18/03/2013 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Eivanice Canário da Silva, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Giovanni Christian Nunes Campos, Núbia Matos Moura, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Rubens Maurício Carvalho.
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RECURSO INTEMPESTIVO. O recurso interposto após 30 dias, contados da ciência da decisão de primeira instância, não deve ser conhecido pelo Conselho de Administrativo de Recursos Fiscais (Carf). RECURSO INTEMPESTIVO. DEFINITIVIDADE DA DECISÃO A QUO É definitiva a decisão de primeira instância quando não interposto recurso voluntário no prazo legal. Recurso Voluntário Não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NÃO CONHECER do recurso, pois perempto Assinado digitalmente. Giovanni Christian Nunes Campos Presidente. Assinado digitalmente. Rubens Maurício Carvalho Relator. EDITADO EM: 18/03/2013 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 00 14 69 /2 00 8- 99 Fl. 95DF CARF MF Impresso em 28/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2013 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 22/03/ 2013 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 27/03/2013 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10980.001469/200899 Acórdão n.º 2102002.349 S2C1T2 Fl. 11 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Eivanice Canário da Silva, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Giovanni Christian Nunes Campos, Núbia Matos Moura, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Rubens Maurício Carvalho. Relatório Para descrever a sucessão dos fatos deste processo até o julgamento na Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ), adoto de forma livre o relatório do acórdão da instância anterior de fls. 74 a 76: Trata o presente processo de lançamento suplementar de imposto de renda da pessoa física (código 2904) no valor de R$ 3.800,50, com multa de ofício de 75% no valor de R$ 2.850,37 e acréscimos legais, em decorrência da revisão da declaração de rendimentos correspondente ao exercício 2003, anocalendário 2002 e, efetuado por meio do Auto de Infração de fls. 07/12, lavrado em 24/09/2007. Conforme Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal de fls. 08, a fiscalização constatou na ação fiscal dedução indevida de despesas médicas no montante total de R$ 13.820,00 (Instituto de Medicina Lion S/C Ltda, CNPJ 00.897.080/000120: valor de R$ 1.820,00 e, Galvani Carraro Júnior, CPF 536.720.20982: valor de R$ 12.000,00), em virtude falta de comprovação dos efetivos pagamentos e tratamento. Cientificada do lançamento em 26/10/2007 por via postal (cópia do AR de fl. 71), a interessada ingressou, por meio de seu procurador regularmente constituído (cópia do instrumento de mandato de fl. 05), com a impugnação de fls. 01/03 e anexos de fls. 04/63. Faz uma síntese da ação fiscal e da autuação para, no mérito, argumentar que a autoridade lançadora não mencionou que em substituição aos laudos e prescrições a requerente apresentou uma declaração na qual o profissional “descreve e assegura haver realizado procedimento médico e recebido o valor dos honorários lançados na Declaração de Ajuste Anual” e que não mencionou que “com referência ao pagamento, o mesmo encontrase plenamente justificado face a existência de saldos em conta corrente bancária dos extratos anexados, com saques em diversos períodos, que permitem o pagamento em dinheiro dos honorários contratados.” Aduz, ainda, que “o pagamento em moeda corrente é mencionado na declaração entregue pelo profissional, como tendo sido a forma de pagamento ocorrida”. Considera que o procedimento adotado pela autoridade fiscal caracterizase como “abuso de autoridade administrativa” na medida que o art. 46 da Instrução Normativa nº 15, de 2001, “não permite interpretação ampla de seu texto”, posto que “a existência da palavra ‘podendo’ indica alternativa a alguma coisa, no caso a não apresentação do documento, em contrapartida o cheque nominativo, foi uma alternativa prevista pelo legislador para permitir aos contribuintes deduzirem pagamentos efetivamente realizados e que por qualquer motivo não possua o respectivo documento.” Sustenta que “possuía o documento e o apresentou, e apresentou mais do que lhe foi pedido”, que os valores dos saques nas contas correntes do banco Itaú e CEF foram assinalados e que dispunha de “numerário mais do que suficiente para cumprir com suas obrigações junto ao médico.” Fl. 96DF CARF MF Impresso em 28/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2013 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 22/03/ 2013 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 27/03/2013 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10980.001469/200899 Acórdão n.º 2102002.349 S2C1T2 Fl. 12 3 Protesta que inexiste infração às normas legais e que houve arbitrariedade no lançamento, para requerer a “impugnação total do auto de infração”. O processo foi encaminhado para julgamento (despacho de fl. 73), mas foi baixado em diligência para “confirmar a tempestividade”. Em atenção a este despacho, a SECAT/DRF/CURITIBA, fazendo citação ao memorando de fl. 64, informou que em 23/11/2007 deuse “entrada a impugnação” (despacho de fl. 73, “in fine”). É o relatório. Diante desses fatos, as alegações da impugnação e demais documentos que compõem estes autos, o órgão julgador de primeiro grau, ao apreciar o litígio, em votação unânime, julgou procedente o lançamento, mantendo o crédito consignado no auto de infração, considerando que os argumentos da recorrente não foram acompanhadas de provas suficientes e fundamentos legais, para desconstituir os fatos postos nos autos que embasaram o lançamento, resumindo o seu entendimento na seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Anocalendário: 2002 GLOSA DE DESPESAS MÉDICAS. FALTA DE COMPROVAÇÃO DOS GASTOS EFETUADOS. MANTIDA A GLOSA. Não comprovados, nos termos legais, os gastos da contribuinte com despesas médicas, por meio de documentação hábil e idônea da efetiva utilização dos serviços profissionais e do efetivo pagamento desses serviços, impõe manterse a glosa da dedução da base de cálculo do imposto de renda. Inconformado, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário, de fls. 81 a 85, ratificando os argumentos de fato e de direito expendidos em sua impugnação e requerendo pelo provimento ao recurso e cancelamento da exigência. Dando prosseguimento ao processo este foi encaminhado para o julgamento de segunda instância administrativa. É O RELATÓRIO. Voto Conselheiro Rubens Maurício Carvalho. ADMISSIBILIDADE O recurso dever ser interposto no prazo máximo de 30 (trinta) dias após a ciência, nos termos do artigo 33 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF). Da análise dos pressupostos de admissibilidade, verificase que o contribuinte tomou ciência do acórdão da DRJ em 10/02/2011, consoante AR de fl. 80, e observada regra de Fl. 97DF CARF MF Impresso em 28/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2013 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 22/03/ 2013 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 27/03/2013 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10980.001469/200899 Acórdão n.º 2102002.349 S2C1T2 Fl. 13 4 contagem de prazos do art. 5º do PAF, a data final para interposição do Recurso Voluntário seria 14/03/2011; contudo, o contribuinte protocolou o Recurso em 17/03/2011, conforme assinalado na primeira folha do Recurso à fl. 66, ou seja: 3 dias depois do prazo legal. Verificase destarte, que a presente reclamação não atende o pressuposto de admissibilidade da tempestividade do recurso voluntário, previsto na legislação que rege o processo administrativo fiscal e, portanto, não deve ser conhecida por este órgão julgador. Posto isso voto por NÃO CONHECER DO RECURSO pela intempestividade na sua apresentação. Assinado digitalmente. Rubens Maurício Carvalho Relator. Fl. 98DF CARF MF Impresso em 28/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2013 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 22/03/ 2013 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 27/03/2013 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS
score : 1.0
Numero do processo: 10730.009176/2008-00
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 20 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Mar 11 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2007
IRPF. DEDUÇÕES. DESPESA MÉDICA.
Comprovadas, através de recibos idôneos trazidos aos autos - e ainda de declarações firmadas pelos prestadores de serviços - a efetividade das despesas médicas efetuadas, devem as mesmas ser restabelecidas.
Numero da decisão: 2102-002.375
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso, para restabelecer as glosas de despesas médicas no valor total de R$ 16.510,90, relativamente ao Exercício 2007.
Assinado Digitalmente
Giovanni Christian Nunes Campos - Presidente
Assinado Digitalmente
Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti - Relatora
EDITADO EM: 05/12/2012
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS (Presidente), RUBENS MAURICIO CARVALHO, NÚBIA MATOS MOURA, ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, EIVANICE CANÁRIO DA SILVA.
Nome do relator: ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2007 IRPF. DEDUÇÕES. DESPESA MÉDICA. Comprovadas, através de recibos idôneos trazidos aos autos - e ainda de declarações firmadas pelos prestadores de serviços - a efetividade das despesas médicas efetuadas, devem as mesmas ser restabelecidas.
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DEDUÇÕES. DESPESA MÉDICA. Comprovadas, através de recibos idôneos trazidos aos autos e ainda de declarações firmadas pelos prestadores de serviços a efetividade das despesas médicas efetuadas, devem as mesmas ser restabelecidas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso, para restabelecer as glosas de despesas médicas no valor total de R$ 16.510,90, relativamente ao Exercício 2007. Assinado Digitalmente Giovanni Christian Nunes Campos Presidente Assinado Digitalmente Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti Relatora EDITADO EM: 05/12/2012 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS (Presidente), RUBENS MAURICIO CARVALHO, NÚBIA MATOS MOURA, ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, EIVANICE CANÁRIO DA SILVA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 73 0. 00 91 76 /2 00 8- 00 Fl. 78DF CARF MF Impresso em 11/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2013 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 01/03/2013 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 03/03/2013 por GIO VANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS 2 Relatório Em face da contribuinte acima identificada foi lavrada a Notificação de Lançamento de fls. 05/10 para exigência de IRPF em razão da omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica, e ainda em razão da glosa de despesas médicas por ela deduzidas no montante de R$ 21.632,67. Cientificada do lançamento, a contribuinte apresentou a impugnação de fls. 01/03, por meio da qual concordou com a omissão de rendimentos que lhe foi imputada, tendo discordado apenas com parte da glosa das despesas médicas. Trouxe os recibos médicos comprobatórios das despesas que reputava comprovadas. Na análise de suas alegações, os integrantes da DRJ em Campo Grande decidiram pela manutenção integral do lançamento, ao entendimento de que os recibos deixaram de demonstrar quem seriam os beneficiários dos serviços prestados. A contribuinte teve ciência de tal decisão e contra ela interpôs o Recurso Voluntário de fls. 37, por meio do qual reiterou o pedido formulado em sua Impugnação, anexando declarações firmadas pelos profissionais que lhe prestaram serviço, de forma a comprovar a efetividade dos mesmos. Os autos então foram remetidos a este Conselho para julgamento. É o Relatório. Voto Conselheira Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti, Relatora A contribuinte teve ciência da decisão recorrida em 05.04.2011, como atesta o AR de fls. 36. O Recurso Voluntário foi interposto em 04.05.2011 (dentro do prazo legal para tanto), e preenche os requisitos legais por isso dele conheço. Conforme relatado, tratase de processo em que se discute lançamento para exigência de IRPF em razão de omissão de rendimentos e também em razão da glosa das despesas médicas declaradas. A Recorrente não se insurgiu contra a omissão de rendimentos (reconhecendo que ela mesma esquecera de enviar as respectivas informações a seu contador), tendo apenas impugnado parte das despesas médicas. Quanto à parte impugnada, a decisão recorrida deixou de acolher o pedido da Impugnante, ao entendimento de que não restara devidamente comprovado nos recibos apresentados quem seriam os beneficiários dos serviços prestados. Em sede de Recurso Voluntário, a Recorrente insiste na possibilidade de deduzir as mencionadas despesas médicas e anexa aos autos declarações firmadas pelos prestadores de serviço, por meio das quais os mesmos corroboram a informação de que os serviços foram prestados a ela. Fl. 79DF CARF MF Impresso em 11/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2013 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 01/03/2013 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 03/03/2013 por GIO VANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10730.009176/200800 Acórdão n.º 2102002.375 S2C1T2 Fl. 79 3 Seu Recurso merece ser provido. A legislação fiscal prevê que para que o contribuinte possa se beneficiar da dedução de suas despesas médicas do Imposto de Renda, deverá ele ter em mãos, além dos recibos competentes (que devem preencher os requisitos da lei), quaisquer outros documentos que demonstrem a efetividade dos serviços prestados, ou o seu pagamento, quando for o caso. É o que determina o art. 8º da Lei nº 9.250/95: Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: (...) II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; (...) § 2º O disposto na alínea a do inciso II: I aplicase, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Geral de Contribuintes CGC de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; IV não se aplica às despesas ressarcidas por entidade de qualquer espécie ou cobertas por contrato de seguro; (...) No caso em exame, a Recorrente trouxe aos autos os recibos que demonstravam o pagamento por serviços médicos que foram pleiteados em sua DIRPF. Tais recibos preenchiam os requisitos da lei. A decisão recorrida, porém, deixou de acolher os documentos apresentados, ao entendimento de que deles não constariam os nomes dos beneficiários dos serviços, o que seria necessário pelo fato da Recorrente ter pleiteado em sua DIRPF a dedução de despesas médicas relativas a não dependentes seus (caso do plano de saúde). Fl. 80DF CARF MF Impresso em 11/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2013 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 01/03/2013 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 03/03/2013 por GIO VANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS 4 Contra ela, a Recorrente trouxe aos autos declarações firmadas pelos profissionais que lhe prestaram serviços, comprovando que fora ela mesma a beneficiária dos mesmos. Com isso, a Recorrente logrou refutar a alegação da decisão recorrida de que as despesas não poderiam ser acolhidas pela falta de demonstração de quem seriam os beneficiários dos serviços. Diante de tal situação, restaram comprovados os seguintes pagamentos: profissional especialidade fls. valor Luiz Augusto Nacife de Almeida cardiologia 38/40 440,00 Fabio Vidal Marques dentista 41/42 2.070,90 Maria Domingas Macedo alergia e imunologia 43/53 5.000,00 (valor dos recibos, sendo que a Recorrente somente deduziu R$ 4.000,00 da DIRPF) Carla Verônica B. da Silva psicóloga 54/66 10.000,00 Assim, VOTO no sentido de DAR provimento ao Recurso para restabelecer as glosas de despesas médicas no valor total de R$ 16.510,90, relativamente ao Exercício 2007. Assinado Digitalmente Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti Fl. 81DF CARF MF Impresso em 11/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2013 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 01/03/2013 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 03/03/2013 por GIO VANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS
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Numero do processo: 13886.000279/2009-00
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 13 00:00:00 UTC 2012
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Exercício: 2007 OPÇÃO PELA VIA JUDICIAL. OBJETO DIFERENTE. Não importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com diferente objeto do processo administrativo. MULTA ISOLADA. ATRASO NA ENTREGA DA DIPJ. O atraso na entrega da DIPJ pela pessoa jurídica obrigada enseja a aplicação da penalidade prevista na legislação tributária. DENÚNCIA ESPONTÂNEA Não se aplica o instituto da denúncia espontânea quando se tratar de multa isolada imposta em face do descumprimento de obrigação acessória.
Numero da decisão: 1801-001.168
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
Nome do relator: CARMEN FERREIRA SARAIVA
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OBJETO DIFERENTE. Não importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com diferente objeto do processo administrativo. MULTA ISOLADA. ATRASO NA ENTREGA DA DIPJ. O atraso na entrega da DIPJ pela pessoa jurídica obrigada enseja a aplicação da penalidade prevista na legislação tributária. DENÚNCIA ESPONTÂNEA Não se aplica o instituto da denúncia espontânea quando se tratar de multa isolada imposta em face do descumprimento de obrigação acessória. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (documento assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Presidente (documento assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Relatora Fl. 46DF CARF MF Impresso em 26/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 13/09/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 13/09/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13886.000279/200900 Acórdão n.º 180101.168 S1TE01 Fl. 39 2 Composição do Colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Carmen Ferreira Saraiva, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Maria de Lourdes Ramirez, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes. Relatório Contra a Recorrente acima identificada foi lavrado o Autos de Infração à fl. 02, com a exigência do crédito tributário no valor de R$500,00, a título de multa de ofício isolada por atraso na entrega em 05.02.2009 da Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) do anocalendário de 2006, cujo prazo final era 29.06.2007. Para tanto, foi indicado o seguinte enquadramento legal: art. 7º da Lei nº 10.426, de 24 de abril de 2002. Cientificada, a Recorrente apresentou a impugnação, fl. 01, suscitando que tendo recebido a intimação n° 13886/AME/992/2008, para serem refeitas as DIPJ's, referentes aos anos calendários de 2003 a 2007, vem expor o seguinte: A empresa entregou as DIPJ's dos anoscalendário acima dentro do prazo, uma vez que estava protegida por liminar concedida pela Justiça Federal de PiracicabaSP, em 29/04/02, sob n° 10348/2002, fls.398/403, livro 31312002, processo n° 9711058430. As DIPJ's foram entregues dentro do prazo estipulado para as empresas optantes pelo simples federal da época. Solicita que as multas aplicadas pela entrega (fora do prazo), refeitas dá acordo com a intimação acima, devem ser anuladas, baseadas no art. 63 da Lei 9.430/96, POR SER DE JUSTIÇA. Termos em que ` P. deferimento Está registrado como resultado do Acórdão da 3ª TURMA/DRJ/RPO/SP nº 1426.576, de 22.10.2009, fls. 2728: “Impugnação Improcedente”. Consta no Voto condutor O presente processo trata da cobrança de multa por atraso na entrega da DIPJ relativa ao anocalendário de 2006. A contribuinte alega que estava discutindo nesse período seu enquadramento no Simples, e que teria entregue suas declarações com base nesse regime tempestivamente. De fato, os documentos de fls. 18/26 indicam que a contribuinte, na qualidade de associada da Aesca (Associação das Empresas de Serviços Contábeis de Americana), obteve sentença em mandado de segurança que lhe assegurou o direito de submeterse ao Simples, sentença essa publicada em 28/06/2002. No entanto, a União interpôs recurso de apelação, o qual foi provido pela Sexta Turma do Tribunal Regional Federal (TRF), em sessão realizada em 20 de Fl. 47DF CARF MF Impresso em 26/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 13/09/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 13/09/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13886.000279/200900 Acórdão n.º 180101.168 S1TE01 Fl. 40 3 outubro de 2004, cujo acórdão foi publicado em 07/01/2005. Embora a interessada tenha ingressado com embargos de declaração, não consta que estes tenham sido recebidos com efeito suspensivo. Ressaltese, ainda, que referida ação já transitou em julgado, tendo sido negado, em definitivo, o direito da empresa em aderir ao Simples. Dessa forma, embora em 2006 a contribuinte estivesse de fato discutindo sua inclusão no Simples, não havia nenhuma medida judicial que lhe assegurasse a permanência nesse regime, estando, portanto, obrigada à entrega da DIPJ, e não da Declaração Simplificada. Restou ementado: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2006 Ementa: MEDIDA JUDICIAL. DIPJ. SIMPLES. A mera discussão judicial do direito de permanência no Simples, sem a comprovação de medida judicial com efeito suspensivo assegurando esse direito, não tem o condão de afastar a obrigatoriedade de entrega da DIPJ. Notificada em 04.03.2010, fl. 31v, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 05.04.2010 (segundafeira), fls. 3337, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge. Reitera os argumentos apresentados na impugnação. Suscita A Recorrente apresentou normalmente e dentro do prazo legal, a Declaração de Imposto de Renda Pessoa Jurídica relativa ao ano calendário de 2006. Contudo, a Autoridade Lançadora interpretou como prazo intempestivo contrariando amparo judicial via Mandado de Segurança impetrado pela AESCA — Associação das Empresas de Serviços Contábeis de Americana, Autos 97.1105843 0, da qual a Recorrente é associada, bem como a espontaneidade anteriormente a qualquer procedimento fiscal. Preclaros Julgadores, ainda que intempestivo fosse, a denúncia espontânea consiste na exclusão da responsabilidade por infrações cometidas quer sejam obrigações principais, quer sejam obrigações acessórias, à teor do Código Tributário Nacional em seu artigo 138 [...]. A partir da interpretação do Art. 138, do Código Tributário Nacional, verifica se que deve haver a análise de pressupostos de admissibilidade, através dos elementos uníssonos, que são: a tempestividade (momento da comunicação ao fisco), antes de qualquer procedimento fiscal, Neste sentido a manutenção da multa contraria expressas disposições legais. [...] À vista do exposto, demonstrada a insubsistência e improcedência total da decisão de primeira instância, requer que seja dado provimento ao presente Recurso. É o Relatório. Fl. 48DF CARF MF Impresso em 26/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 13/09/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 13/09/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13886.000279/200900 Acórdão n.º 180101.168 S1TE01 Fl. 41 4 Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência. A Recorrente alega que discute a matéria em ação judicial. A garantia da inafastabilidade da jurisdição prevê que a lei não pode excluir lesão ou ameaça a direito da apreciação da do Poder Judiciário, como também não pode prejudicar a coisa julgada, entendida como a imutabilidade dos efeitos da decisão judicial decorrente do esgotamento dos recursos eventualmente cabíveis. Nesse sentido, a decisão definitiva exarada em processo administrativo fiscal não tem força de coisa julgada, dada a sua suscetibilidade de revisão pelo Poder Judiciário. Por esta razão, importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial1. O Tribunal Regional Federal da 3ª Região no autos da Apelação em Mandado de Segurança nº 2004.03.99.0044236 julgado em 20.10.2004, originalmente impetrado pela AESCA Associação das Empresas de Serviços Contábeis de Americana sob nº 97.110584302 decidiu Tratase de remessa oficial e recurso de apelação em face da r. sentença de concessão da segurança, proferida em sede de Mandado de Segurança, no qual objetivava a Impetrante a inscrição de seus associados no SIMPLES, afastandose a incidência do artigo 9º, XIII da Lei 9.317/96. O MM. Juízo “a quo” concedeu a segurança no sentido de garantir aos associados da parte Impetrante sua submissão ao SIMPLES, afastandose os ditames do art. 9º, XIII da Lei 9317/96. Inconformada, apela a União Federal, pugnando pela reforma da r. sentença monocrática. [...] Tratase de Mandado de Segurança, proposto visando inscrever se no SIMPLES, sob a alegação, em síntese, da inconstitucionalidade do artigo 9º, XIII da Lei nº 9317/96, ferindo a isonomia tributária e o princípio da capacidade 1 Fundamentação legal: inciso XXXV e inciso XXXVI do art. 5º da Constituição Federal, art. 78 do Regimento Interno do CARF e Súmula CARF nº1. 2 Disponível em: <http://web.trf3.jus.br/acordaos/Acordao/PesquisarDocumento?processo=200403990044236> . Acesso em: 29 ago.2012. Fl. 49DF CARF MF Impresso em 26/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 13/09/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 13/09/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13886.000279/200900 Acórdão n.º 180101.168 S1TE01 Fl. 42 5 contributiva O Colendo Supremo Tribunal Federal, na ADIn nº 1.6431DF, entendeu, inicialmente, que não haveria inconstitucionalidade, “prima facie”, na Lei nº 9.317/96. [...] No caso dos autos, baseouse no critério da natureza da atividade, conforme previsto no inciso XIII do artigo 9º. Assim, não houve tratamento ofensivo à isonomia fiscal porque a situação objetiva criada a título de regime de vedações, decorreu de exercício razoável da competência que foi conferida ao Parlamento pelo constituinte para compor regime legal preferencial das micro e pequenas empresas, mediante adoção de critérios que, em absoluto, não igualaram desiguais, nem desigualaram iguais. Assim sendo, descabida se torna a sua pretensão por esse fundamento, já que a empresa prestadora de serviços de assessoria na área contábil optar pelo SIMPLES, tendo em vista a vedação do inciso XIII do artigo 9º da Lei n. 9317/96. [...] Finalmente, a validade constitucional da vedação contida no artigo 9º, especificamente no inciso XIII, da Lei nº 9.317/96 veio a ser sufragada pelo Colendo STF, no julgamento da Medida Cautelar na ADI nº 1.643 (Lei nº 9.317/96) [...] Diante do exposto, dou provimento à apelação da União Federal e à remessa oficial, para denegar a segurança. Restou demonstrado que a ação judicial ajuizada não tem o mesmo objeto do processo administrativo fiscal, o que não importa desistência do recurso voluntário interposto. Ademais, não ficou comprovado que a Recorrente tem provimento jurisdicional em seu favor para opção pelo Simples. A Recorrente discorda do procedimento de ofício. A obrigação tributária acessória decorre da legislação e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. Pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente a penalidade pecuniária. O Ministro de Estado da Fazenda pode instituir obrigações acessórias, cuja atribuição delegou ao RFB, relativamente a tributos federais por ele administrados, que pode estabelecer, inclusive, forma, prazo e condições para o seu cumprimento e o respectivo responsável. O documento que formalizála, comunicando a existência de crédito tributário, constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do referido crédito. O sujeito passivo que deixar de apresentar, dentre outras, a Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), a Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica, a Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) e a Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte (DIRF), nos prazos fixados pelas normas sujeitase às seguintes multas: Fl. 50DF CARF MF Impresso em 26/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 13/09/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 13/09/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13886.000279/200900 Acórdão n.º 180101.168 S1TE01 Fl. 43 6 (a) de dois por cento ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante do imposto de renda da pessoa jurídica informado na DIPJ, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega desta declaração ou entrega após o prazo, limitada a vinte por cento; (b) de dois por cento ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante dos tributos e contribuições informados na DCTF, na Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica ou na Dirf, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega destas declarações ou entrega após o prazo, limitada a vinte por cento; (c) de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas. Para efeito de aplicação dessas multas, reputase como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo originalmente fixado para a entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, da lavratura do auto de infração. A referida multa será reduzida à metade, caso a declaração seja apresentada antes de qualquer procedimento de ofício3. Especificamente sobre o lançamento, temse que até o vencimento das notificações constantes nos Autos de Infração serão concedidas reduções de 50% para pagamento à vista ou 40% para os pedidos de parcelamento formalizados no mencionado prazo4. A multa mínima a ser aplicada deve ser: (a) R$200,00 (duzentos reais), tratandose de pessoa jurídica inativa e pessoa jurídica optante pelo Simples; (b) R$500,00 ( quinhentos reais), nos demais casos5. Atinente à DIPJ, cabe esclarecer que todas as pessoas jurídicas, inclusive as equiparadas, deverão apresentála, via internet, anualmente, centralizada pela matriz: (a) para os anoscalendário de 1999 a 2008 até o último dia útil do mês de setembro do anocalendário subsequente; (b) para o anocalendário de 2009 até 30 de julho de 2010; (c) para o anocalendário de 2010 até 30 de junho de 2011; (d) para o anocalendário de 2011 até 29 de junho de 20126. 3 Fundamentação legal: art. 7º e art. 8º da Lei nº 10.426, de 24 de abril de 2002. 4 Fundamentação legal: art. 6º da Lei nº 8.218. de 29 de agosto de 1991, com redação dada pelo art. 28 da Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009. 5 Fundamentação legal: art. 113 e 138 do Código Tributário Nacional, art. 5º do Decretolei nº 2.124, de 13 de junho de 1984, Portaria MF nº 118, de 28 de junho de 1984, art. 16 da Lei n° 9.779, de 19 de janeiro de 1999,e art. 7º da Lei nº 10.426, de 24 de abril de 2002, alterada pela Lei nº 11.051, 29 de dezembro de 2004 e Súmulas CARF nºs 33 e 49. 6 Fundamentação legal: Instrução Normativa SRF nº 127, de 30 de outubro de 1998, Instrução Normativa RFB nº 1.028, de 30 de abril de 2010, Instrução Normativa RFB nº 1.149, de 28 de abril de 2011 e Instrução Normativa RFB nº 1.264, de 30 de março de 2012. Fl. 51DF CARF MF Impresso em 26/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 13/09/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 13/09/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13886.000279/200900 Acórdão n.º 180101.168 S1TE01 Fl. 44 7 Ademais, a Recorrente teve seu Pedido de Inclusão Retroativa pelo Simples formalizada no processo nº 13886.001244/200211 rejeitado, fls. 1112, de modo que fica sujeita às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas7. No presente caso, restou comprovado que houve atraso na entrega em 05.02.2009 da Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) do anocalendário de 2006, cujo prazo final era 29.06.2007. A proposição mencionada pela defendente, por conseguinte, não tem validade. A Recorrente suscita que está amparada pela denúncia espontânea. A denúncia espontânea da infração acompanhada do pagamento do tributo devido e dos juros de mora exclui a responsabilidade do sujeito passivo pela penalidade pecuniária em função da inobservância da conduta prescrita na norma jurídica primária. A exteriorização de vontade não tem forma prevista em lei e alcança tãosomente tributo sujeito ao lançamento por homologação que não esteja declarado à época e o recolhimento seja efetuado antes de qualquer procedimento fiscal8. Este instituto, todavia, não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração, ou seja, não se aplica à multa isolada imposta em face do descumprimento de obrigação acessória9. A afirmação suscitada pela defendente, destarte, não é pertinente. Em face do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva 7 Fundamentação legal: art. 16 da Lei nº 9.317, de 5 de dezembro de 1996. 8 Fundamentação legal: art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, art. 138 do Código Tributário Nacional. 9 Fundamentação legal: Súmulas CARF nºs 33 e 49. Fl. 52DF CARF MF Impresso em 26/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 13/09/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 13/09/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES
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Numero do processo: 19679.012735/2004-73
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 08 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ
Exercício: 2002
PEDIDO DE REVISÃO DE ORDEM DE INCENTIVOS FISCAIS. DEMONSTRAÇÃO DE REGULARIDADE FISCAL.
Para obtenção de benefício fiscal, o artigo 60 da Lei 9.069/95 prevê a demonstração da regularidade no cumprimento de obrigações tributárias em face da Fazenda Nacional. Segundo entendimento sumulado pela Corte Administrativa, “para fins de deferimento do Pedido de Revisão de Ordem de Incentivos Fiscais (PERC), a exigência de comprovação de regularidade fiscal deve se ater ao período a que se referir a Declaração de Rendimentos da Pessoa Jurídica na qual se deu a opção pelo incentivo, admitindo-se a prova da quitação em qualquer momento do processo administrativo, nos termos do Decreto nº. 70.235/72”.
Numero da decisão: 1102-000.784
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Matéria: IRPJ - outros assuntos (ex.: suspenção de isenção/imunidade)
Nome do relator: ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO
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DEMONSTRAÇÃO DE REGULARIDADE FISCAL. Para obtenção de benefício fiscal, o artigo 60 da Lei 9.069/95 prevê a demonstração da regularidade no cumprimento de obrigações tributárias em face da Fazenda Nacional. Segundo entendimento sumulado pela Corte Administrativa, “para fins de deferimento do Pedido de Revisão de Ordem de Incentivos Fiscais (PERC), a exigência de comprovação de regularidade fiscal deve se ater ao período a que se referir a Declaração de Rendimentos da Pessoa Jurídica na qual se deu a opção pelo incentivo, admitindose a prova da quitação em qualquer momento do processo administrativo, nos termos do Decreto nº. 70.235/72”. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Albertina Silva Santos de Lima Presidente (assinado digitalmente) Antonio Carlos Guidoni Filho Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Albertina Silva Santos de Lima, Antonio Carlos Guidoni Filho, João Otávio Opperman Thomé, Silvana Rescigno Guerra Barreto, José Sérgio Gomes e João Carlos de Figueiredo Neto. Fl. 334DF CARF MF Impresso em 23/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 03/10/2012 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 16/10/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 19679.012735/200473 Acórdão n.º 1102000.784 S1C1T2 Fl. 2 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra acórdão proferido pela Quarta Turma da Delegacia Regional de Julgamento de São PauloSP assim ementado, verbis: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA – IRPJ Anocalendário:2001 INCENTIVO FISCAL. FINAM. REQUISITOS PARA FRUIÇÃO DO BENEFÍCIO FISCAL. A situação de irregularidade fiscal do sujeito passivo apurada pela autoridade administrativa, perante a RFB, PGFN, INSS, FGTS, ou no CADIN, impede o reconhecimento ou a concessão de benefícios ou incentivos fiscais. DECISÕES ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. As decisões administrativas, mesmo aquelas proferidas pelos Conselhos de Contribuintes, não vinculam as instâncias julgadoras, restringindose às matérias e às partes envolvidas no litígio. Solicitação Indeferida.” O caso foi assim relatado pela instância a quo, verbis: “O presente processo versa acerca de Pedido de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais (PERC), protocolado em 29/09/2004, atinente à Declaração de Informações Econômico Fiscais de Pessoa Jurídica (DIPJ) do Exercício 2002— AnoCalendário 2001, formulado pela pessoa jurídica em epígrafe, ante as ocorrência consignadas em Extrato das Aplicações em Incentivos Fiscais (fl. 3), cujas inconsistências nele relatadas provocaram a redução e/ou cancelamento dos valores de imposto de renda aplicados no FINAM, outrora manifestada na declaração em referência (Ficha 29 — Aplicações em Incentivos Fiscais). A análise preliminar do direito pleiteado foi realizada com base na Norma de Execução — NE/SRF/COSIT n° 2, de 14/05/2004, segundo a qual restou constatado que o interessado apresentava pendências impeditivas à liberação do incentivo fiscal. Defronte as pendências impeditivas caracterizadas no exame inaugural do pleito em questão, a Divisão de Orientação e Análise Tributária (DIORT) da Delegacia da Receita Federal de Administração Tributária em São Paulo/SP (DERAT/SP), procedeu a lavratura da Intimação n°226/2008, de 25/06/2008, (fl. 137), concedendolhe o prazo de 30 (trinta) dias para promover a solução das irregularidades assinaladas, sob pena de indeferimento do pedido. Fl. 335DF CARF MF Impresso em 23/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 03/10/2012 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 16/10/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 19679.012735/200473 Acórdão n.º 1102000.784 S1C1T2 Fl. 3 3 Subseqüentemente, a unidade administrativa realizou nova análise da situação cadastral do contribuinte, constatando que restavam pendências fiscais impeditivas, conforme indicadas no relatório de fl 159, as quais ensejavam em manter inalterada a condição de liberação do incentivo fiscal. Assim, diante do fato da concessão ou reconhecimento de qualquer incentivo ou benefício fiscal concernente a impostos e contribuição federais administrados da Secretaria da Receita Federal do Brasil estar condicionada à comprovação de quitação dos tributos, nos termos do art. 60 da Lei n° 9.065, de 1995, a DIORT/DERAT/SP proferiu despacho decisório indeferindo o aludido pedido de revisão (fl. 160). Regularmente notificado dos termos da referida decisão administrativa em 18/11/2008, por via postal, consoante AR anexado ao verso da Intimação n° 6.317/2008, de 13/11/2008 (fl.161), a empresa incorporadora apresentou manifestação de inconformidade em 17/12/2008 (fls. 162/167), acompanhada da documentação probatória de fls. 168/298 e 202/247, segundo a qual requer o recebimento e provimento integral das contestações, em síntese, apoiandose nas seguintes alegações de fato e de direito: 1) Inicialmente, após breve relato dos fatos, insurgese contra o procedimento adotado pela Administração Tributária para averiguação da situação fiscal do contribuinte asseverando que, com fundamento no art. 60 da Lein° 9.069, de 1995, procedeu a verificação da regularidade na data da análise do PERC, assim, desconsiderandose a condição do sujeito passivo quando da apresentação da DIPJ, momento através do qual se dá a opção pelo incentivo fiscal; 2) Nesse sentido, atesta que a posição manifestada pela autoridade administrativa não se coaduna com a interpretação sistêmica da legislação de regência da matéria, tendo em vista que a melhor interpretação para a definição da data da regularidade fiscal do contribuinte deve coincidir com a data de entrega da DIPJ, cujo critério albergaria tratamento igualitário do período de fruição do benefício e a análise da situação fiscal do requerente, bem como ofereceria previsibilidade e segurança jurídica ao procedimento; 3) Assim, entende que a análise deve ser limitada a data de manifestação da adesão, visto que exigir a regularidade em relação a exercício em face da qual não haverá usufruto de benefício significaria impor ao contribuinte uma obrigação desvinculada ao incentivo fiscal pleiteado; 4) Fazendo menção de decisões administrativas proferidas pelo Conselho de Contribuintes e da DRJ/Campinas/SP, sustenta e reitera as arguições anteriores e aprofunda a questão exemplificando circunstâncias que asseguram sua posição contrária ao procedimento, depreendendo que o momento eleito Fl. 336DF CARF MF Impresso em 23/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 03/10/2012 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 16/10/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 19679.012735/200473 Acórdão n.º 1102000.784 S1C1T2 Fl. 4 4 pelo agente fiscal designado para a análise do PERC submete o contribuinte à inquestionável insegurança jurídica, na medida em que poderá ser escolhida justamente uma data qualquer na qual a pessoa jurídica não se encontre regular com o fisco, porém, eventualmente, em fase de adoção de providências no sentido de regularizar supostos endividamentos; 5) Sob este panorama, salienta que, quando do processamento da DIPJ transmitida pela empresa, houve a negativa do processamento do incentivo fiscal atrelado ao FINAM e FINOR, dada as ocorrências reportadas no Extrato de Aplicação em Incentivos Fiscais, segundo o qual reduziu o valor aplicado a "zero"; 6) Argumenta, assim, que foi justamente por não concordar com as irregularidades referenciadas pelo Extrato que tomou a iniciativa de protocolar o PERC a fim de demonstrar que a empresa recolheu integralmente o IRPJ suportaria a fruição do incentivo fiscal, bem como evidenciar a situação regular da entidade no momento da opção no FINAM; 7) Reforça, no entanto, que os percentuais de destinação dos incentivos fiscais foram aplicados em razão dos valores do IRPJ efetivamente recolhidos, desconsiderandose eventuais tributos cuja exigibilidade encontravase suspensa por medida judicial; 8) Especificando ainda mais suas contrarazões, acentua a contestação às inferências contidas no despacho decisório, destacando a situação fiscal das seguintes inscrições em Dívida Ativa da União, segundo a qual interpreta que não poderiam ser objeto de cobrança executiva no anocalendário de 2004, muito menos, servir de referência para indeferimento da fruição do incentivo fiscal: • 8.1) No tocante à inscrição n° 80.2.04.03887834, afirma que foi objeto de pedido de revisão protocolado em 1º/09/2004, pendente de análise até o momento do protocolo da manifestação de inconformidade. Assegura que se trata de valores de IRPJ relativos ao mês de dezembro do anocalendário de 1999, cuja importância foi declarada em DCTF, com suspensão da exigibilidade, por força de medida judicial em Mandado de Segurança n° 98.00040811 que visa a dedução da CSLL da base de cálculo do IRPJ. Encerra, afirmando que a exigibilidade do crédito tributário encontrase suspensa conforme comprova por meio de Certidão de Objeto e Pé do STJ e STF; 8.2) No que concerne à inscrição n° 80.6.04.04784590, assevera que também foi objeto de pedido de revisão protocolado em 1°/09/2004, pendente de análise até o momento do protocolo da manifestação de inconformidade. Assevera que se refere à CSLL relativa ao anocalendário de 1998, cujo importe foi declarado em DCTF. Assinala que parcela do montante confessado foi recolhido mediante DARF's acostados à defesa (Doc. 9 e 10), enquanto que o saldo remanescente de R$ Fl. 337DF CARF MF Impresso em 23/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 03/10/2012 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 16/10/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 19679.012735/200473 Acórdão n.º 1102000.784 S1C1T2 Fl. 5 5 58.511,21, apresenta suspensão da exigibilidade amparada por medida judicial em Mandado de Segurança n° 97.000066622, sendo objeto de depósitos judiciais firmados em 30/03/2001 e 31/07/2003, nos valores de R$ 145.020,45 e 20.070,55, respectivamente, montando os importes devidos nos anos de 1997 e 1998, conforme demonstra e faz prova nas planilhas e depósitos anexos; 8.3) No que tange à inscrição 80.2.08.00177868, foi efetuada a compensação nos meses de novembro e dezembro do ano calendário de 1995, amparada por medida judicial controlada na Ação Ordinária n° 95.00347490 e Medida Cautelar n° 95.00318733. Enfatiza ainda, em que pese o exercício da compensação de tais importes, os valores foram objeto de inscrição em Dívida Ativa da União que, por sua vez, estão sendo objeto de exceção de préexecutividade, porquanto a decadência do direito para constituição do crédito tributária. 9) Já em relação às pendências inerentes ao FGTS e INSS, procede a anexação das respectivas comprovações de regularidade fiscal, quais seja Certidão Negativa do INSS e o Certificado de Regularidade do FGTS; 10) Encerra suas exposições de mérito reivindicando que as pendências apontadas no despacho decisório não podem constituir motivo de indeferimento do PERC, tendo em conta que fica evidente a situação regular da pessoa jurídica, salientando que somente não apresentou Certidão Negativa em virtude erro do provocado pelo próprio órgão, que remeteu indevidamente os débitos para cobrança executiva perante a PGFN; 11) Finalmente, requer o provimento da peça impugnatória e, conseqüentemente, o deferimento integral do Pedido de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais — PERC relativo ao Exercício 2002 — AnoCalendário 2001. Ato contínuo, a autoridade preparadora encaminha os altos à DRJ/SPOI para julgamento da manifestação de inconformidade. É o relatório.” Em síntese, o acórdão recorrido rejeitou a manifestação de inconformidade apresentada sob o fundamento de que o momento apropriado para a verificação da regularidade fiscal do contribuinte é justamente a data de expedição do Despacho Decisório, conforme precedentes do 1° Conselho de Contribuintes sobre a matéria. Nesse sentido, em não tendo sido demonstrada a regularidade fiscal do contribuinte no momento que lhe fora solicitado pela Fiscalização (anocalendário de 2008 – fls 139 e fls. 247 e ss), o pedido de revisão de ordem de emissão de incentivos fiscais – PERC relativo ao anocalendário de 2001 deve ser indeferido. Em sede de recurso voluntário, a Contribuinte reproduz suas razões de impugnação, notadamente no tocante ao momento adequado para a verificação pela Fiscalização da regularidade Fiscal da Contribuinte para fins de acolhimento do PERC. Fl. 338DF CARF MF Impresso em 23/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 03/10/2012 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 16/10/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 19679.012735/200473 Acórdão n.º 1102000.784 S1C1T2 Fl. 6 6 É o relatório. Voto Conselheiro Antonio Carlos Guidoni Filho. O recurso voluntário é tempestivo e interposto por parte legítima, pelo que dele tomo conhecimento. Cingese a controvérsia, pois, em estabelecer a interpretação que deve ser dada ao art. 60 da Lei n. 9.069, de 1995, especialmente no que se refere ao momento da regularidade fiscal a ser comprovada pelo contribuinte. Citada legislação não faz expressa menção se o referido momento seria o do fato gerador, o da data da opção, o do indeferimento pelo Fisco ou, ainda, o momento do julgamento definitivo do PERC. Citada controvérsia encontrase superada nesta Corte Administrativa por força da edição da Súmula CARF n. 37, verbis: “Súmula CARF nº. 37: Para fins de deferimento do Pedido de Revisão de Ordem de Incentivos Fiscais (PERC), a exigência de comprovação de regularidade fiscal deve se ater ao período a que se referir a Declaração de Rendimentos da Pessoa Jurídica na qual se deu a opção pelo incentivo, admitindose a prova da quitação em qualquer momento do processo administrativo, nos termos do Decreto nº. 70.235/72.” Diante da edição de referida súmula, impõese o afastamento das razões do acórdão recorrido para justificar o indeferimento do direito de fruição do incentivo fiscal pelo Contribuinte, porquanto todas elas reportamse à situação fiscal da Contribuinte em 2008 (fls. 139 e fls. 247 e ss) e não na data da entrega da DIPJ relativa ao anocalendário de 2001, momento em que a Contribuinte optou por destinar parcela do imposto de renda ao fundo de investimento FINAM. Nesse sentido, ausente demonstração pela Fazenda Nacional de que a situação fiscal da Contribuinte era irregular no momento da opção do benefício fiscal, oriento meu voto no sentido de conhecer do recurso voluntário interposto para, no mérito, darlhe provimento. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Guidoni Filho Relator Fl. 339DF CARF MF Impresso em 23/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 03/10/2012 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 16/10/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 19679.012735/200473 Acórdão n.º 1102000.784 S1C1T2 Fl. 7 7 Fl. 340DF CARF MF Impresso em 23/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 03/10/2012 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 16/10/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA
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Numero do processo: 11065.002229/2006-44
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 07 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ
Ano calendário: 2002, 2003, 2004
SERVIÇOS TÉCNICOS PRESTADOS POR EMPRESA DO EXTERIOR.
DEDUTIBILIDADE DO LUCRO REAL. Comprovado que parte das
despesas de assistência técnica não envolveram transferência de tecnologia, incabível as restrições de dedutibilidade de que trata o artigo 354 e 355 do Regulamento do Imposto de Renda (RIR/99). De igual forma, cumpridas as condições no que tange aos serviços de assistência técnica, com transferência de tecnologia, cancela-se a glosa.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 1402-001.129
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Frederico Augusto Gomes de Alencar e Leonardo de Andrade Couto que negavam provimento. Designado o Conselheiro Antonio José Praga de Souza para redigir o voto vencedor
Nome do relator: FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR
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DEDUTIBILIDADE DO LUCRO REAL. Comprovado que parte das despesas de assistência técnica não envolveram transferência de tecnologia, incabível as restrições de dedutibilidade de que trata o artigo 354 e 355 do Regulamento do Imposto de Renda (RIR/99). De igual forma, cumpridas as condições no que tange aos serviços de assistência técnica, com transferência de tecnologia, cancela-se a glosa. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Frederico Augusto Gomes de Alencar e Leonardo de Andrade Couto que negavam provimento. Designado o Conselheiro Antonio José Praga de Souza para redigir o voto vencedor. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto - Presidente. (assinado digitalmente) Frederico Augusto Gomes de Alencar - Relator. (assinado digitalmente) Antônio José Praga de Souza - Redator designado. 1 Fl. 1007DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/ 12/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 04/12/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOM ES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 29/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo n° 11065.002229/2006-44 Acórdão n.° 1402-001.129 S1-C4T2 Fl. 1.008 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moises Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Leonardo de Andrade Couto. Relatório Stahl Brasil S/A recorre a este Conselho contra decisão de primeira instância proferida pela 1a Turma da DRJ Porto Alegre/RS, pleiteando sua reforma, com fulcro no artigo 33 do Decreto n° 70.235 de 1972 (PAF). Por pertinente, transcrevo o relatório da decisão recorrida (verbis): Contra o contribuinte foram lavrados autos de infração de Imposto de Renda Pessoa Jurídica - IRPJ (fls. 536/549) e de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL (fls. 550/553), exigindo um total de credito tributário de R$ 3.529.349,90. De acordo como Relatório da Ação Fiscal de folhas 562/582, a autuação deve-se, em síntese, aos seguintes fatos: 1. No ano-calendário de 2004 o sujeito passivo efetuou a importação de 3.000 kg do produto denominado "Solução de Poliuretano", efetivada junto a pessoas jurídicas a ele vinculadas ao preço de R$ 14,09 o quilo, o valor foi apurado pela fiscalização conforme demonstrado nas planilhas de folhas 305 a 307, valor com o qual o contribuinte concorda, conforme manifestação às folhas 327. 2. O contribuinte informou que utilizou como parâmetro para o cálculo do preço de transferência o Método do Preço de Revenda menos Lucro - PRL 20%, previsto no art. 241, inc. II, do RIR 99, disponibilizando a planilha e as notas fiscais de folhas 308 a 323, referente as vendas do produto. Com base nessas informações foi apurado o preço parâmetro de R$ 11,33 por quilo do produto. Como conseqüência, resultou o montante de R$ 6.301,08 de glosa de custos no ano- calendário de 2004. 3. O contribuinte contabilizou a débito da conta de resultado "4373.001005010 - Royalties e Assistência Técnica" os montantes de R$ 2.268.177,69, R$ 1.192.396,34 e R$ 2.919.652,87 nos anos calendário de 2002, 2003 e 2004 (fls. 342/344). Trata-se de assistência técnica que não está vinculada à introdução de algum processo especial de produção, mas, como referido pelo próprio contribuinte (fls. 386/387), é vinculada a toda a cadeia produtiva, comercial e administrativa da empresa, com a finalidade de cobrir os gastos de transferência de tecnologia entre a matriz e sua unidade para uniformizar a tecnologia utilizada globalmente pelo grupo. 4. Sendo assim, por força do disposto no art. 354, parág. 1°, do RIR/99, as despesas em questão somente são dedutíveis nos cinco primeiros anos de funcionamento da empresa, prorrogáveis por mais cinco anos pelo CMN. No ano- calendário de 2002 somente o montante de R$ 1.287.320,24 refere-se aos contratos de assistência técnica em questão, sendo que o valor remanescente está vinculado ao Projeto Nappa, alusivo as despesas com o processo de cisão do grupo controlador. 10 Fl. 1008DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/ 12/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 04/12/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOM ES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 29/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo n° 11065.002229/2006-44 Acórdão n.° 1402-001.129 S1-C4T2 Fl. 1.009 5. A pessoa jurídica iniciou suas atividades em 1978, passando ao longo dos anos por alterações de controle societário, a última delas em 2002. Por se tratar de despesas de assistência técnica que não se vinculam a um processo específico de produção, mas a toda a cadeia produtiva do contribuinte, o prazo limite para dedutibilidade da despesa é de cinco anos contados do início das atividades da empresa, prorrogáveis pelo CMN por até mais cinco anos. Os contratos de assistência técnica identificam a realização de planejamento econômico, projetos de engenharia, orientações e assistência na aquisição de materiais e na comercialização e desenvolvimento de novos produtos, além do apoio ao aperfeiçoamento ou implementação de tecnologias. Assim, foram adicionadas ao lucro líquido as despesas registradas a título de assistência técnica pagas a empresas sediadas no exterior, efetivadas nos anos-calendário de 2002, 2003 e 2004, conforme tabela à folhas 569. 6. O contribuinte, intimado, esclareceu que a finalidade dos contratos é cobrir os gastos de transferência de tecnologia entre a matriz e sua unidade, visando a uniformização da tecnologia utilizada pelo grupo. Essa transferência também se dá por meio de aprimoramentos dos conhecimentos técnicos dos produtos desenvolvidos pelo grupo, pela transferência de estratégia do grupo, bem como a implementação de processos fabris e comerciais uniformes, assim como a construção de equipamentos. Reafirmou tratar-se de assistência técnica vinculada a toda a cadeia produtiva, comercial e administrativa da empresa. Exemplificou que a assistência técnica abrange, entre outros serviços, o planejamento econômico, projetos de engenharia, planejamento de fabricação e logística, assistência na comercialização e desenvolvimento de novos produtos, apoio no desenvolvimento profissional, bem como planejamentos tecnológicos e financeiros. 7. O contribuinte contabilizou, a título de despesas com mudança do Sr. Pablo, na conta de resultado "4176.0010.04250 - Stahl Argentina - Ger Leat" o montante de R$ 11.783,92, apresentando para comprovar o lançamento o documento denominado "Demonstrativo de Gastos Stahl Argentina 2003", e esclarecendo que se trata que pagamento efetuado a título de transferência de domicílio do Sr. Pablo para o Brasil, quando da obtenção de visto de trabalho brasileiro (fls 476/481). Informou que o valor foi acordado entre as partes e que não possui outros comprovantes a não ser um recibo (fls. 481) assinado pelo interessado (fls. 503/504). Assim, foi considerado que a documentação não é hábil para comprovação da despesa (art. 264 do RIR/99) e não permite avaliar de foram atendidos os requisitos de necessidade, usualidade e normalidade estabelecidos pelo art. 299 do RIR/99. 8. Consta, também, a contabilização dos valores de R$ 22.780,77 e de R$ 61.640,38 a débito da conta de resultado "4176.0010.04250 Stahl Argentina Ger Leat", tendo como comprovante do registro um "slip" contábil com os históricos "Vlr. Referente acerto de conta corrente com a Stahl Holanda - despesas que ainda não haviam sido lançadas - R$ 22.780,77" e "vlr. ref. acerto de conta corrente com a Stahl Internacional - despesas que não haviam sido lançadas - 61.640,38". O contribuinte informou que se trata de encontro de contas para pagamento de despesas de envio de técnicos europeus à Argentina, bem como gastos de previdência desses profissionais, no período de 1998 e 1999, quando ainda não estava estabelecido o Escritório de Representação da Stahl Brasil naquele País. Para comprovar o contribuinte apresentou listagens emitidas por seus sistemas onde são relacionadas algumas despesas, além de cópias de algumas faturas emitidas por Stahl Holand BV contra a Stahl Brasil, acompanhadas por relação de despesas que estariam associadas a esses dispêndios (fls. 505/518). Assim, foi considerado que a documentação não é hábil para comprovação da despesa (art. 264 do RIR/99) e não 10 Fl. 1009DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/ 12/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 04/12/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOM ES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 29/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo n° 11065.002229/2006-44 Acórdão n.° 1402-001.129 S1-C4T2 Fl. 1.010 permite avaliar de foram atendidos os requisitos de necessidade, usualidade e normalidade estabelecidos pelo art. 299 do RIR/99. 9. Consta, ainda, a contabilização de R$ 40.000,00 a débito da conta de resultado "4360.0010.4250 - Stahl Argentina - Controladoria", para o qual o contribuinte apresentou o documento interno denominado "Stahl Brasil S/A - Previsões 2004" no qual consta a anotação "Despesa Stahl Argentina 2004". O contribuinte informou que as despesas em tela referem-se a uma estimativa de gastos despendidos na manutenção do escritório de representação na Argentina, já que até o segundo dia útil de janeiro de 2005 ainda não havia recebido os comprovantes de despesas (fls. 467/479). Para comprovar as despesas, o contribuinte apresentou as faturas 01/163 e 01/164, emitidas por seu próprio escritório de representação em Buenos Aires, nos valores de 16.178,32 e 5.268,34 pesos, a título de "Serviços Prestados" (fls. 488/489). Tais documentos não são hábeis para comprovar as despesas, tendo em vista que não há descrição e nem comprovação da efetividade dos serviços efetuados. Além disso, há de se considerar que se, a Stahl Brasil assume as despesas do Escritório de Representação, também deveria considerar, para fins de tributação, as receitas, o que anularia os efeitos no lucro líquido. 10. Em decorrência das infrações, acima apontadas, foi reduzido em R$ 977.203,69 o prejuízo fiscal apurado pelo contribuinte no ano-calendário de 2002 e o saldo acumulado de anos anteriores. No ano-calendário de 2003 foi utilizado do saldo dos prejuízos fiscais acumulados o valor de R$ 367.310,96, correspondente à trava dos 30%, estabelecida no art. 510 do RIR/99, para compensação com a irregularidade apuradas, restando um saldo de R$ 587.600,34. No ano-calendário de 2004, como o contribuinte havia compensado o valor de R$ 1.768.822,00, restou caracterizada a compensação indevida de prejuízos fiscais no valor de R$ 1.181.221,66. 11. A base de cálculo negativa da CSLL, apurada no ano-calendário de 2002, também foi reduzida em decorrência das infrações em R$ 977.203,69. No ano- calendário de 2003 foi utilizado o valor de R$ 367.310,96, correspondente à trava dos 30%, estabelecida no art. 58 da Lei n° 8.981, de 1995, para redução das irregularidades apuradas, restando um saldo de R$ 680.350,05. No ano-calendário de 2004, como o contribuinte havia compensado o valor de R$ 2.491.527,97, restou caracterizada a compensação indevida de base de cálculo negativa de CSLL no valor de R$ 1.811.177,92. O contribuinte apresentou a impugnação de folhas 588 a 631, alegando, em síntese, o seguinte: 12. O seu objeto social é a industrialização e comercialização de adesivos e produtos químicos altamente sofisticados para couro, calçados e afins e superfícies sintéticas. Nesse contexto, no exercício regular de suas atividades e para que possa cumprir seu objeto social, celebra contratos denominados de prestação de serviço e assistência técnica (docs. 3 e 4 - fls. 683/714) com a Stahl International BV, empresa pertencente ao Grupo STAHL e com sede na Holanda. 13. Embora os contratos sejam denominados de prestação de serviços e assistência técnica, a verdade é que o seu objeto é tão amplo que muitos serviços que são prestados pela Stahl BV não se classificam como assistência técnica, vez que não envolvem a transferência de tecnologia da empresa holandesa à Impugnante, o que se percebe facilmente pela leitura do último contrato (fls. 705/714), sendo que foram motivos de isenção da taxa de averbação, por parte do INPI, os serviços relacionados ao Expert em Marketing e Desenvolvimento, Gerente de Vendas, Expert em Recursos Humanos e Desenvolvimento de Pessoal, Expert em Treinamento de Marketing e Expert em Marketing de Permuthane (fls. 716/717). 10 Fl. 1010DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/ 12/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 04/12/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOM ES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 29/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo n° 11065.002229/2006-44 Acórdão n.° 1402-001.129 S1-C4T2 Fl. 1.011 14. Com relação aos outros serviços, muito embora à primeira vista transpareça implicar numa transferência de tecnologia da Holanda para a impugnante, se analisados em mais detalhes, em especial as descrições das atividades desenvolvidas pelos técnicos, também se perceberá que alguns deles não implicam, não acarretam, na aquisição de qualquer tecnologia. 15. Além disso, percebe-se que, apesar do contrato não se vincular a um processo específico, os serviços objeto dele, até mesmo pela sua multiplicidade, beneficiam não apenas um determinado processo especial de produção, mas vários, possíveis de identificação através de uma cuidadosa análise das atividades da empresa e que, também, deveriam ter sido considerados pelo Auditor-Fiscal quando da diligência fiscal. 16. Afora esses aspectos, a exigência fiscal é totalmente desprovida de argumentos jurídicos e carece de qualquer base legal, devendo ser cancelada, pois o parág. 3° do art. 12 da Lei n° 4.131, de 1962, matriz legal do art. 354, parág. 1°, do RIR/99, encontra-se revogado tacitamente desde a edição do art. 52 da Lei n° 4.506, de 1964, que passou a regular inteiramente a limitação da dedutibilidade com assistência técnica. 17. Caso se entenda que o art. 354, parág. 1°, do RIR/99 não esteja revogado, deve-se aceitar que a aplicabilidade do referido dispositivo legal e, por conseqüência suas restrições temporais, limitam-se às despesas que envolvam a aquisição de tecnologia por parte da empresa contratante brasileira, conforme é pacífico na doutrina e nas jurisprudências administrativa e judicial. 18. Nesse aspecto, embora não se encontre no ordenamento jurídico pátrio uma definição do que seja serviço de assistência técnica, verifica-se, através da construção doutrinária e jurisprudencial, que esses serviços envolvem, impreterivelmente, a transferência ou cessão de tecnologia e conhecimento de uma parte contratante para a outra. A contrario censu, pode-se definir serviços técnicos especializados aqueles que, muito embora não se caracterizem como assistência técnica, permaneçam técnicos, ou seja, depende para a execução de certo conhecimento próprio e específico não detido pelo contratante. Dessa forma, a única diferença entre um tipo de serviço e o outro reside na aquisição ou não pelo contratante de conhecimento novo, de tecnologia nova. 19. Em que pese o fato de o contrato determinar que o seu objeto envolve transferência de tecnologia, o que permitiu que o Auditor-Fiscal presumisse que os serviços prestados envolveram a efetiva prestação de assistência técnica, esta presunção é juris tantum, ou seja, deve admitir prova em contrário. De fato, o contrato e sua averbação pelo INPI, de per si, não elide a possibilidade de se comprovar a inexistência de uma efetiva transferência de tecnologia. 20. Assim, caso se verifique que a impugnante não se beneficiou ou já dispunha da tecnologia detida pela contratada, deverá ser aceita a inaplicabilidade das limitações do art. 354, parág. 1°, devendo as importâncias pagas em referência ao contrato se sujeitarem às regras gerais de necessidade e usualidade encontradas no art. 299 do RIR/99. 21. Embora a individualização dos serviços prestados pela Stahl BV já tenha sido anteriormente efetuada, quando da prestação de esclarecimentos, consoante se infere do documento anexado ao Relatório da Ação Fiscal na página 386, o Auditor- Fiscal optou por observar a linguagem literal do contrato e considerou todo e qualquer serviço, inclusive aqueles expressamente excluídos pelo INPI, como assistência técnica. 10 Fl. 1011DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/ 12/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 04/12/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOM ES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 29/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo n° 11065.002229/2006-44 Acórdão n.° 1402-001.129 S1-C4T2 Fl. 1.012 22. Como forma de viabilizar a comercialização dos produtos que industrializa, necessita que o seu quadro comercial seja formado por indivíduos altamente qualificados e que possuam não só conhecimentos técnicos, mas que dominem, também, as tendências estéticas e de moda que estão dominando o mundo. Como não possuía e por muito tempo teve dificuldades em obter visto de trabalho para estrangeiros, não restou alternativa senão contratar o corpo de técnicos treinados pela Stahl BV para desempenhar tal função. 23. Nesse contexto, ao chegar ao Brasil, os técnicos, dentro de seus respectivos campos de atuação e especialização, visitam os clientes, entendem suas necessidades e expectativas e os assessoram, de sorte que eles melhor compreendam a forma de aplicar seus produtos. É o que se pode verificar através dos relatórios de viagens e visitas anexados (fls. 719/781). 24. Observa-se que em nenhum momento os serviços prestados por esses técnicos acarretam a transferência de conhecimento ou tecnologia à impugnante. Ela apenas utiliza o conhecimento individual de cada técnico para poder comercializar seus produtos. Esses serviços não estão, claramente, beneficiando, aprimorando, modificando, qualquer processo ou produto, estão, de fato, apenas viabilizando a comercialização dos produtos químicos industrializados. Caso estivesse adquirindo tecnologia passaria a deter condições de assessorar diretamente seus clientes. Tanto é verdade que, depois de um tortuoso processo de obtenção de visto, contratou para o seu quadro de profissionais os Srs. Dieter Eehner e Cyprian Mauschumba, profissionais estes que estão vinculados e se reportam à gerência comercial. 25. Por fim, ainda que se argumente que exista algum tipo de transferência de tecnologia ao seus clientes, deve-se enquadrar os serviços prestados pela Stahl BV na limitação temporal do art. 354, parág. 1° do RIR/99, atribuindo como termo inicial de contagem do prazo de cinco anos a data em que o processo ou produto específico de cada cliente, em particular, tenha sido beneficiado com o conhecimento dos técnicos. 26. Reconhece que o valor de 10.980,00 Euros, pago ao Sr. Jan Hienhof - Diretor de Engenharia, envolve a transferência de tecnologia, Entretanto, os processos e produtos beneficiados pelos serviços são passíveis de identificação, de sorte que o início do prazo limite de cinco anos para a dedutibilidade das despesas deve coincidir com a data em que o referido processo ou produto tenha sido beneficiado pelos serviços. 27. Reconhece que os valores pagos, relativamente ao Srs Ramon Carula - Diretor de Engenharia Stahl América; Bob Johnson - Diretor de Engenharia Stahl; Rogier Van Duin - VP Pesquisa e Tecnologia e Leo Van den Heijden - VP R&D, envolvem a transferência de tecnologia. Entretanto, os processos e produtos beneficiados pelos serviços são passíveis de identificação, de sorte que o início do prazo limite de cinco anos para a dedutibilidade das despesas deve coincidir com a data em que o referido processo ou produto tenha sido beneficiado e não com o início das atividades da empresa. Razão pela qual se faz necessário a realização de diligência tendente a verificar quais os produtos e processos e a partir de quando foram beneficiados. 28. Os demais serviços, prestados nos anos de 2002, 2003 e 2004, referem-se a consultoria nas áreas comercial e marketing, de Recursos Humanos e de Desenvolvimento de Pessoas, revisões e verificações, que não envolvem a transferência de tecnologia. 29. Ainda que não se aceite que a maioria dos serviços não envolveu a transferência de tecnologia, devem ser excluídos, por coerência, os valores que o 10 Fl. 1012DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/ 12/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 04/12/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOM ES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 29/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo n° 11065.002229/2006-44 Acórdão n.° 1402-001.129 S1-C4T2 Fl. 1.013 próprio INPI reconhece que não acarreta em prestação de serviços de assistência técnica. Conforme se infere do próprio certificado de averbação (fls. 716/717), o INPI isentou, por entender que não envolve a transferência de tecnologia os serviços relacionados ao expert em marketing e desenvolvimento, Gerente de vendas; Expert em Recursos Humanos e Desenvolvimento de Pessoal, Expert em treinamento de Marketin, Expert emMarketin de Permuthane, que somaram 63.692,50 euros. 30. Além desse valor, devem ser excluídos os valores referente às despesas efetuadas a título de reembolso de despesas, já que não compõem o valor dos serviços contratados, sendo mera despesa necessária à sua consecução que, por força contratual, são assumidas pela impugnante. Tais valores são R$ 23.036,11, no ano- calendário de 2003, e R$ 46.680,00, no ano-calendário de 2004. 31. Ainda que não se aceite a revogação do art. 354, parág. 1° do RIR/99, é imperioso aceitar que o Auditor-Fiscal se equivocou ao estabelecer o termo a quo como sendo a data de constituição da Stahl Brasil S/A, pois partiu da informação de que os contratos celebrados com a Stahl BV não estavam vinculados a um processo específico, mas a toda a cadeia produtiva do contribuinte, o autuante firmou a equivocada premissa de que o prazo limite para a dedutibilidade das despesas provenientes do contrato seria de cinco anos do início das atividades da empresa. 32. A referida premissa é equivocada porque o autuante desconsiderou a realidade fática de que os serviços objeto do contrato (este sim vinculado a toda a cadeia produtiva), se individualmente considerados, se analisados sob a perspectiva dos técnicos que o prestam, conforme acima mencionado, estão sim vinculados a processos e produtos específicos relacionados às suas atividades. De sorte que, caso se entenda que os serviços efetivamente envolveram a transferência de tecnologia, será forçoso iniciar o prazo limite para a dedutibilidade na data em que determinado produto ou processo passou a ser beneficiado com a suposta tecnologia importada, pelo que se faz necessário a realização de diligência fiscal. 33. Na simples comparação entre os técnicos envolvidos na consecução dos serviços objeto do contrato que vigeu entre 1999 e 2003 e do contrato que vigeu entre 2004 a 2008, percebe-se que tem processos e produtos que passaram a ser beneficiados apenas recentemente, conforme abaixo: Pessoal Técnico Envolvido Contrato Contrato (2004 a 2008) (1999 a 2003) Técnico de laboratório para aplicação em couro Sim Sim Técnico Sênior de Couro Sim Sim Técnico Sênior de Permuthane Sim Não Técnico de laboratório para aplicação em Permuthame Sim Não Engenheiro de Processos Sim Sim Expert em Engenharia de projetos & planejamento de capital Sim Não Expert em Marketing e Desenvolvimento Sim Não Gerente de Vendas Sim Sim Expert em Recursos Humanos e Pessoal Sim Não Expert em Tecnologia da Informação Sim Não Controler\Gerente de Sistemas Sim Sim Gerente Geral do Negócio Couro Sim Sim Expert em Marketing de Permuthane Sim Não Gerente de Segurança, Saúde & Meio Ambiente Sim Não Expert em Planejamento de Manufatura & Recursos Sim Não 10 Fl. 1013DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/ 12/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 04/12/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOM ES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 29/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo n° 11065.002229/2006-44 Acórdão n.° 1402-001.129 S1-C4T2 Fl. 1.014 34. O produto Permuthane, produto químico utilizado em superfícies sintéticas, era importado junto à sua controladora até o ano de 2001. Com a decisão do Grupo de diversificar suas atividades, passou a produzir o Permuthane no Brasil a partir de 2002, o que requereu com mais freqüência serviços profissionais especializados no referido produto. Se não fabricava o referido produto no Brasil, como então adquirir tecnologia de produto ou processo? Somente com o início da produção foi que passou a necessitar dos serviços dos técnicos da Stahl BV, seja para realizar a intermediação com seus clientes, seja para adequar os equipamentos e processos industriais. As importâncias pagas foram de 71.300,00 Euros em 2002, 148.000,00 Euros em 2003 e 147.250,00 Euros em 2004. 35. Assim como o Permuthane, até o ano de 2001, dedicava-se única e exclusivamente ao mercado curtumeiro que atendia primordialmente o setor calçadista. Com o passar dos anos toda a indústria química passou a atender esse setor, de sorte que passou a focar suas atenções para o mercado de estofamento destinado às indústrias moveleira e automobilística. Somente a partir desse momento é que passou a necessitar de técnicos especializados nesse segmento para dar suporte aos seus clientes no Brasil e no Mercosul. Nesse contexto, os Srs. Cyprian Muschumba, especialista em estofamento para móveis, e Mervyn Alcock, especialista em estofamento automotivo, ajudaram a desenvolver o relacionamento mais estreito com clientes como a Braspelco, Arthur Lange, Vitapelli, apucarouro e Braana. As importâncias pagas foram de 52.500,00 Euros em 2002, 105.850,00 Euros em 2003 e 193.800,00 Euros em 2004. 36. Verifica-se, assim, que, ao contrário do que afirma o autuante, os processos e produtos podem ser individualizados, identificados de forma separada, de sorte que se faz mister, caso se entenda aplicável o art. 354, parág. do RIR/99, iniciar a contagem do prazo de cinco anos a partir da data em que o produto ou processo passou a ser beneficiado com a tecnologia adquirida. 37. Reitera que seja realizada diligência à sua sede para que seja verificada e identificada com precisão a data em que os produtos e processos de produção ligados às suas atividades passaram a ser beneficiados com a suposta tecnologia adquirida da Stahl BV, pois é a única forma de se corrigir o erro procedido pelo autuante ao fixar o termo a quo como sendo o início das atividades da empresa. [ . ] 39. Por fim, requer que seja acolhida integralmente a impugnação, cancelando a exigência fiscal na sua totalidade, IRPJ, CSLL, multa e juros, assim como seja desconsiderada, para todos os fins, os ajustes procedidos no saldo da Base de Cálculo Negativa da CSLL e no saldo de Prejuízos Fiscais de IRPJ. Consta às folhas 787 informação do sujeito passivo de que efetuou o pagamento de uma parcela do crédito tributário lançado, sendo R$ 34.742,75 a título de IRPJ e R$ 12.507,39 a título de CSLL, mais a multa e juros correspondentes, relativos às infrações preço de transferência, despesas com mudança, acerto de contas com a Stahl Holanda e Stahl Internacional e gastos com escritório de Representação Argentina, devidamente transferidos para o processo n° 13055.000146/2006-65. Em razão dos fatos trazidos aos autos pelo autuante e a contraposição do impugnante, aliados à manifestação à respeito da necessidade de realização de diligência para identificação da data em que os produtos e processos de produção passaram a ser beneficiados com a suposta transferência de tecnologia, foi o processo remetido, em diligência, à Delegacia da Receita Federal do Brasil em Novo 10 Fl. 1014DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/ 12/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 04/12/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOM ES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 29/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo n° 11065.002229/2006-44 Acórdão n.° 1402-001.129 S1-C4T2 Fl. 1.015 Hamburgo para que fossem esclarecidos os seguintes pontos: (i) data em que o produto permuthane e os produtos do segmento Leather Finish passaram a ser produzidos no Brasil e, (ii) quais os valores em reais, por período de apuração, gastos com assistência técnica correspondentes a esses produtos, descontados os valores relativos aos serviços dispensados de registro pelo INPI. Retornam os autos com o Relatório de Diligência Fiscal de folhas 899 a 927, com as seguintes informações: 40. Intimado (fls. 844/845) a relacionar todos os produtos fabricados no período de janeiro de 1997 a dezembro de 2004, o contribuinte apresentou apenas as informações "a partir do ano de 2000 (disponível no atual sistema utilizado - ERP), tendo em vista a impossibilidade de acesso aos dados anteriores a essa data, que superam em muito, o prazo de 5(cinco) anos, estabelecido nos arts. 264 e 265, ambos do RIR 99." (fls. 849/856). 41. No referido cadastro, consta o registro mais antigo de todos os segmentos em 29/09/99. Data esta de cadastro mais antiga de um produto do segmento Finish Leather. Já o registro mais antigo de um produto do segmento Permuthane foi cadastrado em 05/10/1999. 42. Numa tentativa de aferir se efetivamente não haveria venda de produtos dos dois segmentos em períodos anteriores aos alegados pelo contribuinte como início de produção, foi solicitada a disponibilização na sede da pessoa jurídica de todas as notas fiscais de venda relativamente ao primeiro mês em que foram vendidos produtos das linhas Finish Leather e Permuthane, pelo que o contribuinte respondeu possuir somente documentos fiscais relativos ao período abrangido pelo prazo legal para guarda de documentos. 43. Em razão desses fatos, concluiu que não é possível identificar com precisão o início da produção nacional dos segmentos de produtos em tela. 44. Buscando esclarecimento junto à clientes do contribuinte, procedeu a intimação de oito deles (fls. 857/897), cujas respostas apontam a aquisição dos produtos destinados ao segmento de Syntethic leather/permuthane já no ano de 1992, e da linha Leather Finish no ano de 1994. Cientificado do resultado da diligência, o contribuinte se manifesta argumentando que: 45. Solicitou a realização de diligência fiscal para que fossem identificados com precisão quais são e a partir de quando os processos e produtos passaram a ser beneficiados com a suposta aquisição de tecnologia e conhecimento técnico da Stahl BV. 46. Forneceu todos os elementos que dispunha e prestou os esclarecimentos necessários para esclarecimento dos fatos. 47. O Relatório de Diligência Fiscal não se manifestou conclusivamente acerca do questionamento primordial da diligência, ou seja, não foi apurado quando os processos e produtos passaram a ser beneficiados com a suposta aquisição da tecnologia e conhecimento pessoal técnico da Stahl BV. 48. Reafirma, conforme se verifica dos tópicos "C - DO TERMO A QUO DA LIMITAÇÃO TEMPORAL DE CINCO ANOS IMPOSTA PELO 354, 1°" e "DO CASO PERMUTHANE", constantes na impugnação, que os produtos da divisão Permuthane passaram a se beneficiar do conhecimento dos colegas técnicos da Stahl 10 Fl. 1015DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/ 12/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 04/12/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOM ES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 29/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo n° 11065.002229/2006-44 Acórdão n.° 1402-001.129 S1-C4T2 Fl. 1.016 BV, após o ano de 2001, já que antes dessa data, os produtos comercializados eram todos importados. 49. No tocante aos produtos da Divisão Leather Finish, ao invés de comprovar que os produtos passaram a se beneficiar da assistência técnica e, conseqüentemente, a produzir em escala nacional, antes de 2001, o Auditor-Fiscal optou por, simplesmente, obter algumas afirmações e chegar a conclusões com base em meras presunções, tais como a afirmação de que os produtos da Divisão Leather Finish vem sendo produzidos desde setembro de 1994. 50. De acordo com os motivos acima expostos, as conclusões apresentadas no Relatório de Diligência Fiscal não devem influenciar os seus argumentos de defesa, pelo contrário, devem corroborar a precariedade do lançamento fiscal e a necessidade do seu integral cancelamento. É o relatório." A decisão de primeira instância, representada no Acórdão da DRJ n° 10- 35.759 (fls. 940-965) de 24/11/2011, por unanimidade de votos, deu parcial provimento à impugnação apresentada, cancelando a exigência relativa à CSLL. A decisão foi assim ementada. "Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2002, 2003, 2004 SERVIÇOS TÉCNICOS. TRANSFERÊNCIA DE TECNOLOGIA. CONTROLADORA NO EXTERIOR. DEDUTIBILIDADE DO LUCRO REAL. As despesas de assistência técnica, científica, administrativa e semelhantes, relativas à introdução de processo especial de produção somente poderão ser deduzidas nos cinco primeiros anos, quando demonstrada sua necessidade, sejam assinados e averbados no Instituto Nacional da Propriedade Industrial e registrados no Banco Central. Não se admitindo a dedução quando o contribuinte não provar a data em que o novo processo de produção teve início. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL. Ano-calendário: 2002, 2003, 2004 SERVIÇOS TÉCNICOS. TRANSFERÊNCIA DE TECNOLOGIA. CONTROLADORA NO EXTERIOR. DEDUTIBILIDADE DA BASE DE CÁLCULO DA CSLL. FALTA DE PREVISÃO LEGAL. As condições de dedutibilidade das despesas impostas ao Imposto de Renda da Pessoa Jurídica não se aplicam à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido quando não houver norma equivalente na legislação dessa contribuição." Contra a aludida decisão, da qual foi cientificada em 25/01/2012 (A.R. de fl. 969) a interessada interpôs recurso voluntário em 23/02/2012 (fls. 971-1.004) onde repisa os argumentos apresentados em sua Impugnação. É o relatório. 10 Fl. 1016DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/ 12/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 04/12/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOM ES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 29/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo n° 11065.002229/2006-44 Acórdão n.° 1402-001.129 S1-C4T2 Fl. 1.017 Voto Vencido Conselheiro Frederico Augusto Gomes de Alencar. O recurso voluntário reúne os pressupostos de admissibilidade previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal. Dele, portanto, tomo conhecimento. Delimita-se, inicialmente, a lide à matéria remanescente da decisão de primeira instância objeto do Recurso Voluntário apresentado, qual seja: a glosa de despesas correspondentes a pagamentos efetuados pelo contribuinte por serviços de assistência técnica tomados junto à Stahl International BV, empresa pertencente ao grupo Stahl, com sede na Holanda. Nesse sentido, por entender que a decisão recorrida bem enfrentou a matéria em foco, adoto seus fundamentos como razão de decidir no presente Voto, conforme a seguir apresentados. A autoridade fiscal glosou despesas correspondentes a pagamentos efetuados pelo contribuinte por serviços de assistência técnica tomados junto à Stahl International BV, empresa pertencente ao grupo Stahl, com sede na Holanda. A glosa deveu-se ao fato de os serviços de assistência técnica não estarem vinculados à introdução de algum processo especial de produção, mas, como referido pelo próprio contribuinte (fls. 386/387), estarem vinculados a toda a cadeia produtiva, comercial e administrativa da empresa, com a finalidade de cobrir os gastos de transferência de tecnologia entre a matriz e sua unidade para uniformizar a tecnologia utilizada globalmente pelo grupo. Sendo assim, por força do disposto no art. 354, parág. 1°, do RIR/99, as despesas em questão somente seriam dedutíveis nos cinco primeiros anos de funcionamento da empresa, prorrogáveis por mais cinco anos pelo CMN, prazo este que já teria transcorrido em razão do início das atividades no ano de 1978. Por sua vez, o contribuinte alega que, embora os contratos sejam denominados de prestação de serviços e assistência técnica, o seu objeto é tão amplo que muitos serviços não se classificam como assistência técnica, pois não envolvem a transferência de tecnologia, o que é facilmente perceptível na leitura do contrato, e que foram motivo de isenção de taxa de averbação por parte do INPI. A legislação do imposto de renda impõe uma série de condições para que seja autorizada a dedução, como despesa operacional, das importâncias pagas a pessoas jurídicas ou físicas domiciliadas no exterior a título de assistência técnica, científica, administrativa ou semelhante, encontrando-se o assunto regulamentado pelo art. 354 do RIR/1999: Art. 354. As importâncias pagas a pessoas jurídicas ou físicas domiciliadas no exterior a título de assistência técnica, científica, administrativa ou semelhante, quer fixas, quer como percentagem da receita ou do lucro, somente poderão ser deduzidas como despesas operacionais quando satisfizerem aos seguintes requisitos (Lei n° 4.506, de 1964, art. 52): I constarem de contrato registrado no Banco Central do Brasil; 10 Fl. 1017DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/ 12/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 04/12/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOM ES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 29/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo n° 11065.002229/2006-44 Acórdão n.° 1402-001.129 S1-C4T2 Fl. 1.018 II corresponderem a serviços efetivamente prestados à empresa através de técnicos, desenhos ou instruções enviadas ao País, ou estudos técnicos realizados no exterior por conta da empresa; III o montante anual dos pagamentos não exceder ao limite fixado por ato do Ministro de Estado da Fazenda, de conformidade com a legislação específica. Parág. 1°. As despesas de assistência técnica, científica, administrativa e semelhantes somente poderão ser deduzidas nos cinco primeiros anos de funcionamento da empresa ou da introdução do processo especial de produção, quando demonstrada sua necessidade, podendo esse prazo ser prorrogado até mais cinco anos por autorização do Conselho Monetário Nacional (Lei n° 4.131, de 1962, art. 12, parág. 3°). Parág. 2°. Não serão dedutíveis as despesas referidas neste art., quando pagas ou creditadas (Lei n°4.506, de 1964, art. 52, parág. único): Ipela filial de empresa com sede no exterior, em beneficio da sua matriz; II pela sociedade com sede no Brasil a pessoa domiciliada no exterior que mantenha, direta ou indiretamente, o controle de seu capital com direito a voto. Parág. 3°. O disposto no inc. II do parág. anterior não se aplica às despesas decorrentes de contratos que, posteriormente a 31 de dezembro de 1991, venham a ser assinados, averbados no Instituto Nacional da Propriedade Industrial INPI e registrados no Banco Central do Brasil, observados os limites e condições estabelecidos pela legislação em vigor (Lei n° 8.383, de 1991, art. 50). Já o art. 355 do RIR/1999 regulamenta os limites de dedução comuns às despesas com royalties e com assistência técnica, científica, administrativa e semelhantes: Limite e Condições de Dedutibilidade Art. 355. As somas das quantias devidas a título de royalties pela exploração de patentes de invenção ou uso de marcas de indústria ou de comércio, e por assistência técnica, científica, administrativa ou semelhante, poderão ser deduzidas como despesas operacionais até o limite máximo de cinco por cento da receita líquida das vendas do produto fabricado ou vendido (art. 280), ressalvado o disposto nos arts. 501 e 504, inc. V(Lei n° 3.470, de 1958, art. 74, e Lei n° 4.131, de 1962, art. 12, e Decreto-Lei n° 1.730, de 1979, art. 6°). Parág.1°. Serão estabelecidos e revistos periodicamente, mediante ato do Ministro de Estado da Fazenda, os coeficientes percentuais admitidos para as deduções a que se refere este art., considerados os tipos de produção ou atividades reunidos em grupos, segundo o grau de essencialidade (Lei n° 4.131, de 1962, art. 12, parág.1°). Parág. 2°. Não são dedutíveis as quantias devidas a título de royalties pela exploração de patentes de invenção ou uso de marcas de indústria e de comércio, e por assistência técnica, científica, administrativa ou semelhante, que não satisfizerem às condições previstas neste Decreto ou excederem aos limites referidos neste art., as quais serão consideradas como lucros distribuídos (Lei n° 4.131, de 1962, arts. 12 e 13). Parág. 3°. A dedutibilidade das importâncias pagas ou creditadas pelas pessoas jurídicas, a título de aluguéis ou royalties pela exploração ou cessão de patentes ou pelo uso ou cessão de marcas, bem como a título de remuneração que 10 Fl. 1018DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/ 12/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 04/12/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOM ES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 29/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo n° 11065.002229/2006-44 Acórdão n.° 1402-001.129 S1-C4T2 Fl. 1.019 envolva transferência de tecnologia (assistência técnica, científica, administrativa ou semelhantes, projetos ou serviços técnicos especializados) somente será admitida a partir da averbação do respectivo ato ou contrato no Instituto Nacional da Propriedade Industrial INPI, obedecidos o prazo e as condições da averbação e, ainda, as demais prescrições pertinentes, na forma da Lei n° 9.279, de 14 de maio de 1996. As despesas realizadas pela pessoa jurídica serão dedutíveis, como regra geral, no momento em que forem incorridas ou pagas e quando se mostrarem necessárias, usuais ou normais no tipo de operações ou atividades da empresa, nos termos preconizados pelo art. 47 da Lei n° 4.506, de 1964, regulamentado no art. 299 do RIR/1999: Art. 299. São operacionais as despesas não computadas nos custos, necessárias à atividade da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora (Lei n° 4.506, de 1964, art. 47). Parág. 1 °. São necessárias as despesas pagas ou incorridas para a realização das transações ou operações exigidas pela atividade da empresa (Lei n° 4.506, de 1964, art. 47, parág. 1°). Parág. 2°. As despesas operacionais admitidas são as usuais ou normais no tipo de transações, operações ou atividades da empresa (Lei n° 4.506, de 1964, art. 47, parág. 2°). Parág. 3°. O disposto neste art. aplica-se também às gratificações pagas aos empregados, seja qual for a designação que tiverem. Os requisitos de necessidade, usualidade e normalidade são condições gerais mínimas para que qualquer despesa possa ser considerada dedutível na determinação do Lucro Real. Sem prejuízo da observância da regra geral de dedutibilidade tributária, o legislador fixou outras restrições, específicas às remessas de importâncias efetuadas a pessoas jurídicas ou físicas domiciliadas no exterior a título de pagamentos de royalties e de assistência técnica, científica, administrativa ou semelhante. A Lei n° 4.131, de 1962, que disciplinou a aplicação do capital estrangeiro e as remessas de valores ao exterior, vedava que filial ou subsidiária de empresa estabelecida no Brasil enviasse a sua matriz com sede no exterior royalties pelo uso de patentes de invenção e de marcas de indústria e comércio, bem como a dedução desses valores da base de cálculo do imposto de renda. Posteriormente, a Lei n° 4.506, de 1964, que tratou do imposto de renda, vedou a dedutibilidade dos royalties relativos ao uso de patentes de invenção, processos e fórmulas de fabricação ou pelo uso de marcas de indústria ou de comércio, pagos pela sociedade com sede no Brasil a pessoa com domicílio no exterior que mantivesse, direta ou indiretamente, controle do seu capital com direito a voto, bem como estendeu a proibição de dedução para os pagamentos efetuados a título de assistência técnica, científica, administrativa ou semelhante, quando existente a mencionada vinculação entre a pessoa jurídica nacional e a estrangeira. A partir do advento da Lei n° 8.383, de 1991, o legislador estendeu à pessoa jurídica nacional que tomasse serviços de controladora sediada no exterior a autorização para a dedução dessas importâncias para fins de apuração do Lucro Real, desde que observados os mesmos requisitos aplicáveis na hipótese de serviço tomado de sociedade estrangeira sem vinculação societária: (i) o contrato estar 10 Fl. 1019DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/ 12/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 04/12/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOM ES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 29/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo n° 11065.002229/2006-44 Acórdão n.° 1402-001.129 S1-C4T2 Fl. 1.020 averbado no INPI, (ii) registro no BACEN e, (iii) cumprir os demais limites e condições estabelecidos pela legislação em vigor. Os condicionamentos legais que autorizam a atual dedução de importâncias pagas a pessoas jurídicas ou físicas domiciliadas no exterior a título de royalties e de assistência técnica, científica, administrativa ou semelhante, regulamentados pelos arts. 352 a 355 do RIR/1999, permitem concluir que a política cambial e tributária procura restringir remessas de tais naturezas quando as partes são relacionadas, indicando que, nestas situações, a não dedutibilidade dessas despesas seria a regra, somente ultrapassada pela via da exceção, quando atendidos determinados limites e requisitos, dentre os quais, o registro no Bacen e a averbação no INPI dos respectivos contratos. Portanto, se os contratos de serviços técnicos prestados por controladora no exterior não forem passíveis de registro no Bacen e de averbação no INPI, o tomador dos serviços no País não estará autorizado a deduzir os respectivos pagamentos da base de cálculo do IRPJ, na medida que para essa modalidade de despesa, além da necessária observação dos requisitos gerais de dedutibilidade discriminados no art. 299, são impostas ainda as regras específicas dos arts. 352 a 355 do RIR/1999. Assim, não é correto afirmar que os pagamentos decorrentes de contratos que não envolvam transferência de tecnologia, ou que não estejam registrados nestes órgãos, possam ser classificados como despesas dedutíveis somente por aplicação da regra geral prevista no art. 299 do RIR/1999. A glosa ora contraposta foi efetuada porque o autuante entendeu que as operações contratadas pelo contribuinte caracterizaram transferência de tecnologia e, por isso, sujeitas ao limite temporal do parág. 1° do art. 354 do RIR/99. O contribuinte, por sua vez, argumenta que o Auditor-Fiscal optou por observar a linguagem literal do contrato e considerou todo e qualquer serviço, inclusive aqueles expressamente excluídos pelo INPI, como sendo assistência técnica, o que não seria verdade, pois em nenhum momento os serviços prestados por esses técnicos acarreta na transferência de conhecimento ou tecnologia à impugnante, que apenas utiliza do conhecimento individual de cada técnico para poder comercializar seus produtos, embora reconheça que uma pequena parcela dos valores pagos envolveu a transferência de tecnologia. Observa-se o disposto no art. 354 do RIR/1999, em seu parág. 3°, incorporando os ditames da Lei n° 8.383, de 1991, que consigna que a vedação à dedução fiscal de despesas de assistência técnica, científica, administrativa ou semelhantes, quando pagas ou creditadas pela sociedade com sede no Brasil a sua controladora no exterior, não é aplicável aos contratos assinados e averbados no INPI: Art. 354.(...) parág. 2°Não serão dedutíveis as despesas referidas neste art., quando pagas ou creditadas (Lei n° 4.506, de 1964, art. 52, parág. único): I pela filial de empresa com sede no exterior, em benefício da sua matriz; II pela sociedade com sede no Brasil a pessoa domiciliada no exterior que mantenha, direta ou indiretamente, o controle de seu capital com direito a voto. parág. 3° O disposto no inc. II do parág. anterior não se aplica às despesas decorrentes de contratos que, posteriormente a 31 de dezembro de 1991, venham a ser assinados, averbados no Instituto Nacional da Propriedade Industrial INPI e 10 Fl. 1020DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/ 12/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 04/12/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOM ES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 29/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo n° 11065.002229/2006-44 Acórdão n.° 1402-001.129 S1-C4T2 Fl. 1.021 registrados no Banco Central do Brasil, observados os limites e condições estabelecidos pela legislação em vigor (Lei n° 8.383, de 1991, art. 50). O parág. 3° do art. 355 do Regulamento, em simetria com o dispositivo anterior, além de repetir a necessidade de averbação no INPI, como condição de dedutibilidade, vincula as atividades de "assistência técnica, científica, administrativa ou semelhantes, projetos ou serviços especializados" à expressão "transferência de tecnologia": Art. 355.(...) parág.3° A dedutibilidade das importâncias pagas ou creditadas pelas pessoas jurídicas, a título de aluguéis ou royalties pela exploração ou cessão de patentes ou pelo uso ou cessão de marcas, bem como a título de remuneração que envolva transferência de tecnologia (assistência técnica, científica, administrativa ou semelhantes, projetos ou serviços técnicos especializados) somente será admitida a partir da averbação do respectivo ato ou contrato no Instituto Nacional da Propriedade Industrial INPI, obedecidos o prazo e as condições da averbação e, ainda, as demais prescrições pertinentes, na forma da Lei n° 9.279, de 14 de maio de 1996. (realcei) Os serviços discriminados no parág. 3° do art. 355 do RIR/1999 (assistência técnica, científica, administrativa ou semelhantes, projetos ou serviços técnicos especializados), podem envolver, ou não, transferência de tecnologia, cabendo ao INPI a atribuição de averbar contratos de prestação de serviços que apresentem essa característica. Por sua vez, o INPI é uma autarquia cuja principal atribuição é executar as normas que regulam a propriedade industrial. Tendo em vista sua função social, econômica, jurídica e técnica, cabe-lhe o registro dos contratos que impliquem transferência de tecnologia, contratos de franquia e similares para produzirem efeitos em relação a terceiros, nos termos do art. 211 da Lei n° 9.279, de 1996 (Lei de Propriedade Industrial), razão pela qual é essencial verificar o alcance da expressão "transferência de tecnologia" para esse órgão. A autarquia, ao regulamentar o referido art. 211 da Lei n° 9.279, de 1996, editou o Ato Normativo INPI n° 135/97, que, em seu item 2, trouxe o seguinte entendimento: 2. O INPI averbará ou registrará, conforme o caso, os contratos que impliquem transferência de tecnologia, assim entendidos os de licença de direitos (exploração de patentes ou de uso de marcas) e os de aquisição de conhecimentos tecnológicos (fornecimento de tecnologia e prestação de serviços de assistência técnica e científica), e os contratos de franquia. Percebe-se que na acepção do referido Ato Normativo, os contratos que implicam transferência de tecnologia são os de licença de direitos e de aquisição de conhecimentos tecnológicos, sendo que este, por sua vez, compreende os contratos de fornecimento de tecnologia e prestação de serviços de assistência técnica e científica. As informações prestadas pelo INPI em seu sítio eletrônico na Internet (www.inpi.gov.br) levam à conclusão de que o órgão entende ser possível ocorrer transferência de tecnologia, ainda que não seja este o objeto principal do contrato de prestação de serviço, a teor de sua manifestação sobre os efeitos da averbação (http://www.inpi.gov.br/menuesquerdo/contrato/pasta_oquee/efeitos_html): 10 Fl. 1021DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/ 12/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 04/12/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOM ES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 29/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA http://www.inpi.gov.br http://www.inpi.gov.br/menuesquerdo/contrato/pasta_oquee/efeitos_html Processo n° 11065.002229/2006-44 Acórdão n.° 1402-001.129 S1-C4T2 Fl. 1.022 Efeitos da averbação/registro A averbação/registro de contrato de tecnologia é condição para: (... ) 3. Autorizar a dedutibilidade fiscal, por delegação de competência da Receita Federal e posteriormente por competência legal (Decreto N° 3.000/99), das importâncias pagas ou creditadas pelas pessoas jurídicas, a título de royalties pela exploração ou cessão de patentes, pelo uso ou cessão de marcas, bem como a título de remuneração que envolva transferência de tecnologia (aquisição de knowhow, assistência técnica, científica administrativa ou semelhantes, projetos ou serviços técnicos especializados) e franquia. Observa-se que o INPI considera que os contratos de prestação de serviços de assistência técnica, científica, administrativa ou semelhantes, de projetos ou serviços técnicos especializados também envolvem transferência de tecnologia e, assim, devem ser averbados. De modo inverso, o INPI lista uma série de serviços que não são passíveis de registro por não caracterizam transferência de tecnologia - http://www.inpi.gov.br/menuesquerdo/contrato/pasta_oquee/serv.dispensados_html Serviços não registráveis Por não caracterizarem transferência de tecnologia, nos termos do Art. 211 da Lei n" 9.279/96, alguns serviços técnicos especializados são dispensados de averbação pelo INPI. Segue lista não exaustiva desses serviços: 1. Agenciamento de compras, incluindo serviços de logística (suporte ao embarque, tarefas administrativas relacionadas à liberação alfandegária, etc.); 2. Serviços realizados no exterior sem a presença de técnicos da empresa brasileira, que não gerem quaisquer documentos e/ou relatórios, como por exemplo, beneficiamento de produtos; 3. Homologação e certificação de qualidade de produtos; 4. Consultoria na área financeira; 5. Consultoria na área comercial; 6. Consultoria na área jurídica; 7. Consultoria visando participação em licitação; 8. Serviços de "marketing"; 9. Consultoria realizada sem a vinda de técnicos às instalações da empresa cessionária; 10. Serviços de suporte, manutenção, instalação, implementação, integração, implantação, customização, adaptação, certificação, migração, configuração, parametrização, tradução, ou localização de programa de computador (software); 11. Serviços de treinamento para usuário final ou outro treinamento de programa de computador (software) que não caracterize transferência de tecnologia para a fabricação ou desenvolvimento de programa de computador (software), conforme Art. 11 da Lei n° 9.609/98; 10 Fl. 1022DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/ 12/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 04/12/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOM ES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 29/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA http://www.inpi.gov.br/menuesquerdo/contrato/pasta_oquee/serv.dispensados_html Processo n° 11065.002229/2006-44 Acórdão n.° 1402-001.129 S1-C4T2 Fl. 1.023 12. Licença de uso de programa de computador (software); 13.Distribuição de programa de computador (software); 14. Aquisição de cópia única de programa de computador (software). Da analise dessa lista e das demais orientações da autarquia, pode-se concluir que o serviço de assistência técnica, em regra, acarreta a transferência de tecnologia, independentemente de existência de cláusula formal neste sentido. O INPI também externa seu entendimento sobre o alcance da expressão "Serviços de Assistência Técnica e Científica", ou "SAT", em seu sítio eletrônico (http://www.inpi.gov.br/menuesquerdo/contrato/tiposdecontrato/prestacaodeservicos deassistenciatecnicaecientifica): Prestação de Serviços de Assistência Técnica e Científica (SAT) Contratos que estipulam as condições de obtenção de técnicas, métodos de planejamento e programação, bem como pesquisas, estudos e projetos destinados à execução ou prestação de serviços especializados. São passíveis de registro no INPI os serviços relacionados a atividade-fim da empresa, assim como os serviços prestados em equipamentos e/ou máquinas no exterior, quando acompanhados por técnico brasileiro e/ou gerarem (sic) qualquer tipo de documento, como por exemplo, relatório. Infere-se desse dispositivo que os serviços técnicos vinculados a atividade fim da pessoa jurídica também envolvem a transferência de tecnologia, já que são passíveis de registro no INPI. Assim, os critérios utilizados pelo órgão técnico responsável por identificar contratos que implicam transferência de tecnologia devem ser adotados para fins deste julgamento. A questão que se apresenta nos autos, repete-se, é a seguinte. De um lado o autuante entendendo que os contratos questionados envolvem a transferência de tecnologia. Do outro, o impugnante alegando que, embora registrados no INPI, os contratos não envolvem a transferência de tecnologia. Como visto acima, os serviços prestados por controladora no exterior que não envolvem a transferência de tecnologia não são passíveis de dedução como despesas operacionais, pois, além dos requisitos gerais para a dedutibilidade do art. 299 do RIR/99, são impostas as regras dos arts. 352 a 355 do mesmo Regulamento. O INPI entendeu, exceto uma pequena parcela dos serviços, que há transferência de tecnologia e, por isso, efetuou o registro dos referidos contratos. Essa é a linha que deve ser seguida para fins de solução do litígio. A Autoridade Fiscal deve, sem contestação, admitir que todos os contratos registrados pelo INPI, por ser este o órgão técnico responsável pela avaliação e registro dos contratos, envolvem a transferência de tecnologia. Por outro lado, os serviços excluídos do registro pelo INPI não devem ter sua dedução aceita, tendo em vista que é condição cumulativa para a dedutibilidade que a despesa seja necessária e usual (art. 299, do RIR/99), que seja passível de averbação pelo referido Instituto e que seja registrado o contrato no Banco Central do Brasil (parág. 3° do art. 354, do RIR/99). Resta então, para fins de se admitir a dedução como despesas operacionais dos serviços registrados pelo INPI, identificar se esses serviços acarretaram na 10 Fl. 1023DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/ 12/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 04/12/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOM ES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 29/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA http://www.inpi.gov.br/menuesquerdo/contrato/tiposdecontrato/prestacaodeservicos Processo n° 11065.002229/2006-44 Acórdão n.° 1402-001.129 S1-C4T2 Fl. 1.024 introdução de novo processo especial de produção, que é a única hipótese de dedutibilidade admitida pelo parág. 1° do art. 354 do RIR/99 que resta, uma vez que já transcorreu prazo superior a dez primeiros anos de funcionamento da empresa no Brasil. Ao prestar informações ao autuante sobre a natureza dos contratos (fls. 386), o contribuinte esclareceu que a assistência técnica não está vinculada somente a um produto, ou mesmo somente aos produtos fabricados, mas a toda a cadeia produtiva, comercial e administrativa da empresa. Na impugnação, o contribuinte reforça a argumentação de que o objeto do contrato é tão amplo que muitos serviços não se classificam como assistência técnica, uma vez que não envolvem a transferência de tecnologia e não beneficiam, aprimoram ou modificam qualquer processo ou produto, mas, de fato, apenas viabilizam a comercialização dos produtos químicos por ele industrializados. Observa, entretanto, que os serviços, quando individualmente considerados, se forem analisados sob a perspectiva dos técnicos que o prestam, estão sim vinculados à processos e produtos específicos relacionados às suas atividades, por isso, caso se entenda que há transferência de tecnologia, é forçoso iniciar o prazo limite para a dedutibilidade na data em que determinado produto ou processo passou a ser beneficiado com a tecnologia importada. O impugnante aponta que, até o ano de 2001, importava junto à sua controladora o produto Permuthane, começando a produzi-lo no Brasil a partir de 2002, quando passou a necessitar dos serviços dos técnicos da Stahl BV, seja para realizar intermediações com seus clientes, seja para adequar os equipamentos e processos industriais. Aponta, também, que a partir de 2002 passou a atuar no seguimento de estofados para as indústrias moveleira e automobilística, quando passou a necessitar de técnicos especializados nesse segmento para dar suporte aos seus clientes no Brasil e no Mercosul. Para essas duas situações o contribuinte aponta a necessidade de realização diligência fiscal para ser identificado com precisão a data em que os produtos e processos de produção passaram a ser beneficiados com a suposta transferência de tecnologia. Embora se tenha determinado a realização da diligência, coincidentemente na forma em que foi solicitada pelo impugnante, ela não foi determinada em razão do seu pedido, mas porque a sua argumentação se apresentou razoável sob o ponto de vista do parág. 1° do art. 354 do RIR/99, que permite a dedução como despesas operacionais das importâncias pagas a pessoas jurídicas domiciliadas no exterior a título de assistência técnica, científica, administrativa ou semelhante nos cinco primeiros anos de introdução do processo especial de produção. Isso porque quem tem condições de identificar com precisão a data em que os produtos e processos de produção passaram a ser beneficiados com a transferência de tecnologia é o próprio contribuinte, que é fabricante dos produtos. O autuante, ao tentar esclarecer os pontos levantados no pedido de diligência, foi muito além de sua atribuição, quando buscou informações junto à terceiros e aos sistemas de controle das importações da Receita Federal. Bastava ter ficado na intimação para que o contribuinte apresentasse os elementos que comprovassem a data em que foram introduzidas as novas tecnologias no seu sistema produtivo. Mas o contribuinte, ao contrário do que se esperava, além de tentar transferir para o fisco o dever de provar os fatos que são de sua incumbência, não forneceu ao 10 Fl. 1024DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/ 12/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 04/12/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOM ES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 29/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo n° 11065.002229/2006-44 Acórdão n.° 1402-001.129 S1-C4T2 Fl. 1.025 diligenciador os elementos necessários para a definição da data da introdução das novas tecnologias no seu sistema produtivo. Para que uma despesa seja dedutível do imposto de renda é imprescindível que haja a prova irrefutável de que os fatos efetivamente tenham ocorrido na forma em que são alegados pelo contribuinte. Os fatos tributários não são notórios que prescindem de prova, prevalece, sempre, no processo administrativo fiscal, a máxima ônus probandi incumbit ei qui dicit. Portanto, aquele que argüi direito em seu favor deverá demonstrar e provar esse direito, seja ele o sujeito ativo seja ele o sujeito passivo da relação jurídico-tributária. Nesse sentido, observa-se o disposto no art. 333 do Código de Processo Civil, abaixo transcrito: 333 - O ônus da prova incumbe: I - ao autor quanto ao fato constitutivo do seu direito. É importante salientar, também, que todas as operações, transações e os registros contábeis da pessoa jurídica deverão estar respaldados em documentais hábeis, idôneos e irrefutáveis, para que possam fazer prova a favor do direito contribuinte, conforme dispõe o art. 973 do RIR/99. Da mesma forma, o Código Civil, em seu art. 226, dispõe que os livros e fichas dos empresários e sociedades provam contra as pessoas a que pertencem, e, em seu favor, quando, escriturados sem vício extrínseco ou intrínseco, forem confirmados por outros subsídios. De acordo com esse dispositivo, para ser utilizada a escrituração com força probante em favor do seu titular, ela deve cumprir todas as formalidades legais e estar lastreadas em documentos hábeis para provar a operação, os quais devem permanecer arquivados e guardados até que ocorra a prescrição e decadência de todos os atos ali inseridos, nos termos do art. 1.194 do Código Civil. Portanto, não há um prazo certo para arquivamento dos atos empresariais, ainda mais se levando em conta a existência de causa interruptivas e suspensivas de prescrição, anotadas nos arts 197 e seguintes do Código Civil. Ao contribuinte, inegavelmente, cabe o ônus de provar o seu direito. Contudo, o impugnante não logrou provar de modo inequívoco o seu direito. Não provou na impugnação e não provou por ocasião da diligência, pois deixou de apresentar os elementos solicitados pelo diligenciador. A prova da data precisa em que os produtos e processos de produção passaram a ser beneficiados com a transferência de tecnologia era imprescindível, pois revelaria o direito alegado pelo impugnante. Não o fazendo, tendo o dever de provar, o contribuinte submete-se às conseqüências negativas do fato não provado. Desse modo, em relação ao IRPJ, a glosa deve ser mantida. É como voto. (assinado digitalmente) Frederico Augusto Gomes de Alencar - Relator. 10 Fl. 1025DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/ 12/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 04/12/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOM ES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 29/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo n° 11065.002229/2006-44 Acórdão n.° 1402-001.129 S1-C4T2 Fl. 1.026 Voto Vencedor Conselheiro Antonio José Praga de Souza, Redator Designado. Nos debates para julgamento dos recursos voluntários interpostos neste processo divergi do ilustre relator, conselheiro Frederico Alencar, quanto glosa de despesas por serviços tomados junto à Stahl International BV, empresa pertencente ao grupo Stahl, com sede na Holanda. Aduz a Fiscalização que seriam serviços de assistência técnica, com transferência de tecnologia, cujas condições dedutibilidade específicas não foram atendidas. Assim não entendo. Em verdade, tratam-se, em sua maioria, de serviços que não envolvem transferência de tecnologia, o que é facilmente perceptível pela leitura do contrato, bem como em razão de terem recebido isenção da taxa de averbação por parte do INPI. Conforme asseverado pela recorrente, existem serviços tecnicos especializados que não envolvem transferência de tecnologia ou seja, apenas dependem, para a sua execução, de certo conhecimento próprio e específico detido por seu prestador. No caso dos autos, observa-se que a maior parte dos serviços prestados pela STAHL BV à Contribuinte se inserem na definição de "serviços técnicos especializados", isto é, sem transferência de tecnologia, por tratar-se de assessoria nas áreas de venda, de marketing e segurança do trabalho, consoante quadro apresentado no recurso voluntário, abaixo reproduzido: Nome do Prestador Cargo Serviço Prestado Produto Beneficiado Valor José Maria Baucells Dieter Wehner Cyprian Muschamba Meryyn Alcock Remon Hagestein Jack Coomans Aldo Urbina Bill Boyko John Shoemans Lawrence Irwin Mike Tomkin Técnicos Sêniores, em laboratório, de Couro e de Couro Permuthane. Visita em clientes, para verificar quais suas necessidades e expectativas, compreendendo e aplicando-as aos produtos industrializados pela RECORRENTE e, com isso, identificar quais as melhores combinações de adesivos e químicos utilizacos em seu processo produtivo específico. Todos os produtos da RECORRENTE. Frank Policky Vice- Presidente do Grupo STAHL Consultoria na área comercial: orientação à gerência local acerca da melhor forma como se relacionar com clientes e como assessorá-los da forma mais eficaz. Todos os produtos da RECORRENTE Ano- calendário de 2003: 4.500,00 Euros. 10 Fl. 1026DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/ 12/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 04/12/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOM ES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 29/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo n° 11065.002229/2006-44 Acórdão n.° 1402-001.129 S1-C4T2 Fl. 1.027 10 Fl. 1027DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/ 12/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 04/12/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOM ES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 29/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo n° 11065.002229/2006-44 Acórdão n.° 1402-001.129 S1-C4T2 Fl. 1.028 Michae1 v/ockovich r Bunoi Chairman Gerente de Vendas de Couro Consultoria comercial: assessorar na etebo ração e implementação do plano de vendas e orientar a equipe de : vendas da RECORRENTE em sua execução. T Todos os produtos da RECORRENTE Ano- calendário de 2004: 17.750,00 euros. Álvaro Vaqueiro Chairman Américas Consultoria comercial: assegurar a aplicação dos sistemas de gestão pela RECORRENTE, bem como verificar o cumprimento do planejamento estratégico de vendas Todos os produtos da RECORRENTE Ano- calendário de 2004: 29.650,00 euros. Louis Bienfait Controller STAHL HOLDINGS Consultoria comercial: assegurar a aplicação dos sistemas de gestão pela RECORRENTE. Todos os produtos da RECORRENTE Ano- calendário de 2004: 29.650,00 euros. Armando Abrego Segurança do Trábathò Consultoria em segurança do trabalho: assegurar que os níveis de segurança necessários à execução das atividades da RECORRENTE estavam sendo observados. Todos os produtos da RECORRENTE Ano- calendário de 2004: 29650,00 euros. Ken Readman Consultor de Segurança Consultoria em segurança do trabalho: assegurar que os níveis de segurança necessários à execução das atividades da RECORRENTE estavam sendo observados. Todos os produtos da RECORRENTE Ano- calendário de 2004: 29650,00 euros. Da leitura dos quadros acima, constata-se que os serviços acima descritos, constata-se que os serviços são de consultoria, que evidentemente não envolvem mesmo transferência de tecnologia, tanto assim não são serviços registráveis no INPI, tal qual se extrai do sitio do órgão na internet (http://www.inpi.gov.br/menu- esquerdo/contrato/pastaoquee/serv.dispensadoshtml): Formei pleno convencimento da veracidade dessas alegações em face dos contratos, relatórios de viagens e visitas, bem como comprovantes de despesas anexados pela RECORRENTE em sua impugnação, às fls. 718 e seguintes. Convenci, também, que essas despesas com serviços técnico; sem transferência de tecnologia, bem como todos os demais decorrentes da prestação dos serviços, tais como hospedagens, viagens, alimentação etc. dos consultores, atendem aos preceitos de dedutibilidade do artigo 299 do RIR/99. Logo, também sobre esse aspecto não deve prevalecer a glosa. Portanto, nessa parte cumpre dar provimento ao recurso. 10 Fl. 1028DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/ 12/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 04/12/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOM ES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 29/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA http://www.inpi.gov.br/menu- Processo n° 11065.002229/2006-44 Acórdão n.° 1402-001.129 S1-C4T2 Fl. 1.029 No que tange aos serviços com transferência de tecnologia, também cabe razão à recorrente, isso porque foram cumpridos os requisitos dos artigos 354 e 355 do RIR/99. Tratam-se dos serviços discriminados no quadro abaixo reproduzido: Nome do Prestador Cãrgó Serviço Prestado Valor -Jan Nienhof Diretor de Enqenharia Assegurar que os procedimentos adotados pêlã RECORRENTE estão de acordo com os padrões globais do grupo STAHL, assim como implementar novos equipamentos adquiridos. Ano-calendáriò "dè 2003: 10.980,00 euros (Üan Nienhof) Ramon Caruía Diretor de Enqenharia Assegurar que os procedimentos adotados pêlã RECORRENTE estão de acordo com os padrões globais do grupo STAHL, assim como implementar novos equipamentos adquiridos. Ano-calendáriò "dè 2003: 10.980,00 euros (Üan Nienhof) , BòbJohnsori Diretor de Engenharia Assegurar que os procedimentos adotados pêlã RECORRENTE estão de acordo com os padrões globais do grupo STAHL, assim como implementar novos equipamentos adquiridos. Ano-calendáriò "dè 2003: 10.980,00 euros (Üan Nienhof) Rogier Van Duín Pesquisa e Tec-noloaia Assegurar que os procedimentos adotados pêlã RECORRENTE estão de acordo com os padrões globais do grupo STAHL, assim como implementar novos equipamentos adquiridos. Ano-calendáriò "dè 2003: 10.980,00 euros (Üan Nienhof) Leo Van de Heijden Pesquisa e Tecnologia Assegurar que os procedimentos adotados pêlã RECORRENTE estão de acordo com os padrões globais do grupo STAHL, assim como implementar novos equipamentos adquiridos. Ano-calendáriò "dè 2003: 10.980,00 euros (Üan Nienhof) Peter Koczur Gerente dê Operações Coordenar o desenvolvimento dos procedimentos de manufatura, com o objetivo de conseguir o máximo de produção e distribuição de produtos. i M Ano-calendário de 2004: 15.200,00 Euros. Aduz a recorrente que se trata de serviços destinados à introdução de processo especial de produção, relativo aos produtos das linhas Permuthane e Leather Finish que até o ano de 2001 eram importados e, a partir daí, começou a produzi-los no Brasil. A recorrente demonstra isso através do quadro comparativo dos contratos de serviços técnicos de 1999/2003 e 2004/2008 , que reproduzo do recurso voluntário: Pessoal Técnico Envolvido Contrato (2004 a 2006) Contrato (1999 a 2003) Técnico de laboratório para aplicação em couro Sim Sim TéòrVicò Sênior de Couro Sim Sim Técnico Sênior de Permuthane Sim Não Técnico de Laboratório oara aplicação em Permuthane Sim Não Engenheiro de Processos Sim Sim Expert em Engenharia de Projetos & Planejamento de Capital Sim Não Expert em Marketina e Desenvolvimento Sim Não Gerente de Vendas Sim Sim Expert em Recursos Humanos e de Pessoal Sim Não Éxpêrt em Tecnologia da Informação Sim Não Controier/ôerente de Sistemas Sim Sim Esclarece a recorrente (fls. 991 e seguintes): 10 Fl. 1029DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/ 12/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 04/12/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOM ES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 29/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo n° 11065.002229/2006-44 Acórdão n.° 1402-001.129 S1-C4T2 Fl. 1.030 47. Não bastassem todas essas informações, a RECORRENTE ainda descreveu a forma como se deu a fabricação/introdução dos produtos das linhas Permuthane e Leader Finish no Brasil. Vejamos! 11.1 - Do caso "PERMUTHANE" 48. Até o ano de 2001, toda a demanda local da linha Permuthane, produtos utilizados em superfícies sintéticas, era suprida mediante a importação desses produtos junto à controladora STAHL BV. 49. Apenas a partir de 2002, com a decisão do Grupo de diversificar suas atividades no Brasil, a RECORRENTE passou a requerer, com mais freqüência e intensidade, os serviços de profissionais especializados em Permuthane. 50. Observe-se que, até então, a RECORRENTE não fabricava esse produto, de modo que não poderia adquirir qualquer tecnologia a ele relacionada antes dessa data. 51. Desse modo, a partir de 2002, a RECORRENTE passou a necessitar dos serviços dos técnicos da STAHL BV, seja para realizar a intermediação com seus clientes, seja para adequar os equipamentos e processos industriais. 52. Outra forma de se demonstrar que a linha Permuthane passou a ser produzida pela RECORRENTE em 2002 decorre do crescimento exponencial verificado nas vendas desses produtos a partir desse ano. 11.2 - Do segmento "Leather Finish " 54. Até o ano de 2001, a IMPUGNANTE dedicava-se única e exclusivamente ao mercado curtumeiro, que atendia o setor calçadista. Contudo, com o passar dos anos, o referido setor passou a ser atendido por quase toda a indústria química, de sorte que os produtos industrializados até então pela RECORRENTE perderam valor agregado, tornando-se quase uma "commodity. 55. Diante disso, a RECORRENTE passou a focar suas atenções no mercado de estofamentos, destinado às indústrias moveleira e automobilística, momento a partir do qual passou a necessitar de técnicos especializados nesse segmento, para dar suporte aos seus clientes do Brasil e do Mercosul. 56. Portanto, no presente caso, conforme demonstrou a RECORRENTE, é perfeitamente possível individualizar os processos e produtos beneficiados com a tecnologia oriunda da mão de obra fornecida pela controladora STAHL BV, bem como a data em que tais produtos passaram a ser fabricados no Brasil, de sorte que a contagem do prazo de cinco anos, prevista no art. 354, §1°, do RIR/99, deve ocorrer a partir da aquisição dessa nova tecnologia, isto é, 2002. 11.3 - Do registro dos contratos COM transferência de tecnologia no INPI. 57. Desde já esclarece a RECORRENTE, que relativamente aos contratos que envolveram transferência de tecnologia - citados no tópico II desta peça defensiva -, houve o respectivo registro no INPI, conforme exigência contida no art. 355, §3°, do RIR/99, a saber: (...) 58. Aliás, o próprio acórdão recorrido reconhece que houve o respectivo registro. Vejamos: "O INPI entendeu, exceto um pequena parcela dos serviços, que há transferência de tecnologia e, por isso, efetuou o registro dos referidos contratos. (...) Resta então, para fins de se admitir a dedução como despesas 10 Fl. 1030DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/ 12/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 04/12/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOM ES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 29/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo n° 11065.002229/2006-44 Acórdão n.° 1402-001.129 S1-C4T2 Fl. 1.031 operacionais dos serviços registrados pelo INPI, identificar se esses serviços acarretaram na introdução de novo processo especial de produção, que é a única hipótese de dedutibilidade admitida pelo §1 °do art. 354 do RIR/99 que resta, uma vez que já transcorreu prazo superior a dez primeiros anos de funcionamento da empresa no Brasil." 59. Ademais, a jurisprudência reiterada desse Conselho tem sido no sentido de que a averbação do contrato no INPI implica presunção da efetividade e necessidade. Nesse sentido, o voto da Relatora SANDRA MARIA FARONI no acórdão n° 01- 93.803 (Processo n.° 10865.000114/00-15), a saber: (...) 60. Como se vê, considerando que a matéria é de reconhecida complexidade técnica, nada mais justo que deferir sua apreciação a órgão técnico especializado, como é o INPI, de modo que a Receita Federal, nesses casos, constitui apenas um "terceiro" na relação entre INPI e o contribuinte. 61. O que se observa, no caso em tela, é que o acórdão recorrido, a todo custo, tenta criar obstáculos à dedutibilidade de despesas previstas no §3° do art. 355 do RIR/99, já que, após admitir, expressamente, que houve o respectivo registro dos contratos no INPI, negou o direito à RECORRENTE por entender que não restou comprovada a data em se iniciou o novo processo especial de produção em relação aos produtos das linhas Permuthane e Leather Finish. 62. Ora, conforme exaustivamente debatido em sua de 3a, a RECORRENTE informou que ambos os produtos das linhas i armuthane e Leather - passaram a ser fabricados por ela a h ae 2002, o que foi devidamente comprovado pela entrega à "sAalização de arquivos magnéticos (CDs) contendo todas as: «formações solicitadas no pedido de diligência, a partir do ano de 2000. 63. E conforme demonstrar-se-à a seguir, a RECORRENTE não tem obrigação de prestar quaisquer informações relativamente a período anterior a 2000, em razão da ocorrência da decadência do direito do Fisco à constituição do crédito tributário. (...)" Compulsei os autos tendo constado a veracidade e pertinência das alegações da recorrente, consoante doc. às fls. 706-717 dos autos, pelo que merecem ser acolhidas. Por fim, cumpre registrar que não se questiona nos autos a efetividade e o pagamento de todas as despesas glosadas, objeto do recurso e apreciadas neste acórdão. A discussão limitou-se à dedutibilidade para fins de apuração do IRPJ e CSLL, que ora é acatada. Conclusão Diante do exposto, voto no sentido dar provimento ao recurso voluntário, para cancelar as respectivas parcelas da exigência objeto do litígio. É este o voto condutor do presente acórdão. (assinado digitalmente) Antônio José Praga de Souza - Redator Designado. 10 Fl. 1031DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/ 12/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 04/12/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOM ES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 29/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA
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Numero do processo: 15586.001061/2007-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 29 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Apr 02 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 3102-000.239
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o recurso em diligência, nos termos do voto do relator. A Conselheira Nanci Gama declarou-se impedida..
Luis Marcelo Guerra de Castro - Presidente.
Winderley Morais Pereira - Relator.
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Luis Marcelo Guerra de Castro, Ricardo Paulo Rosa, Helder Massaaki Kanamaru, Winderley Morais Pereira, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho e Nanci Gama.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o recurso em diligência, nos termos do voto do relator. A Conselheira Nanci Gama declarouse impedida.. Luis Marcelo Guerra de Castro Presidente. Winderley Morais Pereira Relator. Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Luis Marcelo Guerra de Castro, Ricardo Paulo Rosa, Helder Massaaki Kanamaru, Winderley Morais Pereira, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho e Nanci Gama. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto com as devidas adições, o relatório da autoridade de primeira instância. "Trata o presente processo de Auto de Infração de fls. 592 a 615, lavrado contra a contribuinte em epígrafe, relativo à falta/insuficiência de recolhimento da Contribuição para o Financiamento da Seguridade RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 55 86 .0 01 06 1/ 20 07 -1 1 Fl. 1452DF CARF MF Impresso em 02/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2013 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 25/03/ 2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 11/03/2013 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 15586.001061/200711 Resolução nº 3102000.239 S3C1T2 Fl. 3 2 Social — COFINS, referente aos períodos de apuração de 12/2002 a 01/2004 no valor de R$ 36.520.347,33 incluído principal, multa de oficio e juros de mora calculados até 30/11/2007. No Relatório de Encerramento da Ação Fiscal (fls. 592 a 608), a autoridade lançadora registra, em resumo, que: a) A ação fiscal teve como origem o Despacho Decisório DRF/VIT/ES proferido no processo n° 11543.001207/200412, amparado no Parecer SEORT IV 767/2007 que tratou da análise de Declarações de Compensação de débitos de IRPJ, CSLL e Cofins através do aproveitamento de créditos do PIS nãocumulativo de que trata o § 1 ° do art. 5° da Lei 10.637/2002; b) As informações constantes dos sistemas da RFB e aquelas colhidas em diligência no estabelecimento da pessoa jurídica dão conta que a Cia Nipo Brasileira de Pelotização Nibrasco atua na produção e comercialização de pelotas de minério de ferro. Sua produção é comercializada tanto no mercado interno, com vendas para a Companhia Vale do Rio Doce — CVRD, CNPJ 33.592.510/022042, como no mercado externo; c) 0 Parecer SEORT de fls. 213/236 relatou as infrações constatadas que compreenderam ausência de tributação sobre as receitas de vendas em operação no mercado interno, receitas financeiras (variação monetária) e outras receitas (transferência de créditos de ICMS); d) 0 Memorando 307/2007 informou ainda da tramitação do Mandado de Segurança n° 99.00020359 onde se discutem as modificações trazidas pela Lei 9.718/98; e) Todas as verificações fiscais patrocinadas pelo SEORT, em especial as atinentes as isenções das supostas vendas com o fim especifico de exportação, receitas financeiras e cessão de créditos de ICMS, também dizem respeito à órbita da base de cálculo da COFINS; f) A Nibrasco impetrou o Mandado de Segurança n° 99.00020359 para não ser compelida ao recolhimento da COFINS e do PIS com base na Lei 9.718/98. 0 juízo da 6ª Vara Federal/ES deferiu a liminar assegurando o direito de recolher a COFINS com base na sistemática anterior (LC 70/91). A sentença de 1º grau ratificou a liminar. 0 TRF da 2ª Regido cassou parte da decisão de 1º grau no que se refere à alíquota da COFINS. Foram opostos Embargos de declaração pela autora; g) Em 06/06/2007 a empresa efetuou depósito judicial do valor da COFINS decorrente da majoração da alíquota introduzida pela Lei 9.718/98; h) Em face do encaminhamento da documentação por parte do SEORT, foi emitido o MPF Complementar de fl. 01 para que a fiscalização procedesse ao lançamento da COFINS devida, de dezembro de 2002 a janeiro de 2004; Fl. 1453DF CARF MF Impresso em 02/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2013 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 25/03/ 2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 11/03/2013 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 15586.001061/200711 Resolução nº 3102000.239 S3C1T2 Fl. 4 3 i) 0 contribuinte apresentou DCTF para os períodos de dez/02 a jan/04 nas quais restaram constatados os débitos de COFINS, bem como as compensações e suspensão da exigibilidade; j) A empresa apresentou demonstrativos da base de cálculo da COFINS (fls. 582/583), em conformidade com suas DCTF; k) Com base nos valores escriturados pela Nibrasco e o trabalho fiscal realizado pelo SEORT, aliado com a ação judicial n° 99.00020359, a fiscalização estruturou a COFINS devida à alíquota de 3% sobre os seguintes valores: Vendas de produtos no mercado interno, objeto das Notas Fiscais de Saída CFOP 5.11 e 5.101, à empresa ligada CVRD, vez que a isenção concedida para as operações de venda à empresa comercial exportadora contempla apenas as vendas com o fim especifico de exportação para o exterior. Receitas decorrentes da alienação de créditos de ICMS, registradas nos Livros de Apuração do ICMS sob o código 5.601 (fls. 158, 161, 164 e 167). A COFINS calculada à alíquota de 3% sobre tais receitas encontrase suspensa por força da decisão exarada pelo TRF 2ª Região. l) As tabelas constantes do Termo demonstram, de forma individualizada, as bases de cálculo da COFINS, em conformidade com as planilhas de fls. 554/581 elaborada pelo SEORT; m) Em face de a Nibrasco estar amparada por acórdão exarado pelo TRF, os valores obtidos da alteração da base de cálculo pela inclusão das receitas financeiras e receitas provenientes da alienação de créditos de ICMS foram objeto de lançamento de oficio com exigibilidade suspensa e sem aplicação da multa de oficio em processo distinto, a fim de prevenir a decadência (tabelas 2 e 3); n) Ainda ao amparo da decisão judicial em comento, foi constituída a COFINS sobre as receitas decorrentes de vendas de produtos no mercado interno, à alíquota de 3% (tabela 1); o) A tabela 1 foi preenchida já com seus valores líquidos, ou seja, os valores brutos de venda, excluídos os descontos incondicionais, devoluções de vendas ou estornos porventura existentes; p) Os valores apurados na forma acima não foram incluídos nas DCTF apresentadas pela empresa. 0 enquadramento legal citado no Auto de Infração foi: artigos 2°, inciso II e parágrafo único, 3°, 10, 22 e 51 do Decreto 4.524/02. A base legal dos juros de mora exigidos consta em fls. 615. Após tomar ciência da autuação em 12/12/2007 (fl. 609), a empresa autuada, inconformada, apresentou a impugnação de fls. 620 a 636 e anexos de fl. 637 a 745 em 10/01/2008 alegando, em síntese que: a) A requerente não realiza operação de venda de pelota de minério de ferro que não seja destinada ao mercado externo; Fl. 1454DF CARF MF Impresso em 02/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2013 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 25/03/ 2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 11/03/2013 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 15586.001061/200711 Resolução nº 3102000.239 S3C1T2 Fl. 5 4 b) As vendas realizadas pela requerente para a CVRD são destinadas ao mercado externo, conforme memorandos de exportação colacionados aos autos; c) A Carta Magna prescreve expressamente imunidade tributária atinente às receitas decorrentes de exportação (art. 149, § 2 °, inciso I da CF); d) A disposição constitucional referese à regra da imunidade constitucional das receitas de operações de exportação e, por isso, não deve ser interpretado restritivamente; e) Assim, para o aproveitamento da imunidade não importa que a venda seja destinada a recinto alfandegado ou mesmo que seja destinada diretamente ao embarque para exportação. Basta que o contribuinte comprove que figura na cadeia de exportação e que suas receitas decorrem de operações de exportação; f) Com base no artigo 279 do Regulamento do Imposto de Renda, o crédito de 1CMS não pode ser qualificado como receita, pois representa simplesmente um valor retificador do custo anteriormente suportado na aquisição de insumos; g) Somente pode ser enquadrado no conceito de receita o ingresso de divisas proveniente de contraprestação decorrente do fornecimento de bens ou serviços; h) Tanto o STJ como o STF têm entendimento pacificado no sentido de que a base de cálculo da contribuição para o PIS/PASEP e a COFINS deve ser pautada pelos limites das Leis Complementares 07/70 e 70/91, ou seja, o resultado decorrente do fornecimento de bens e serviços; i) O STJ, em caso análogo, entendeu que o crédito presumido de IPI não pode figurar na base de cálculo do PIS; j) Admitir a incidência da COFINS sobre o crédito de ICMS equivaleria a nulificar a sistemática adotada pelo legislador, pois se restauraria a incidência em cascata daquele imposto sobre os insumos consumidos no processo produtivo voltado à exportação; k) Ainda que se entenda que o crédito presumido é receita, seria incabível a sua inclusão na base de cálculo da COFINS e do PIS, uma vez que as receitas de exportação são isentas dessa contribuição; l) Por fim, requer seja dado provimento à impugnação com a finalidade de reformar o auto de infração combatido e requer, ainda, a produção de todos os meios de prova cabíveis no processo administrativo fiscal." A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento afastou as alegações quanto a cessão de créditos de ICMS por não ser objeto do presente lançamento, restando para apreciação somente a exigência da COFINS sobre as vendas no mercado interno, que segundo a Recorrente teriam como destino final a exportação. A decisão da DRJ manteve integralmente o lançamento. A decisão foi assim ementada. Fl. 1455DF CARF MF Impresso em 02/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2013 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 25/03/ 2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 11/03/2013 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 15586.001061/200711 Resolução nº 3102000.239 S3C1T2 Fl. 6 5 “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/12/2002 a 31/01/2004 VENDAS COM FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO. COMPROVAÇÃO. Somente se consideram isentas da COFINS as receitas de vendas efetuadas com o fim específico de exportação quando comprovado que os produtos tenham sido remetidos diretamente do estabelecimento industrial para embarque de exportação ou para recintos alfandegados, por conta e ordem da empresa comercial exportadora. PROCESSO ADMINSITRATIVO FISCAL. PERÍCIA. DILIGÊNCIAS. A autoridade julgadora de primeira instância indeferirá as diligência e perícias que considerar prescindíveis ou impraticáveis, fazendo constar do julgamento o seu indeferimento fundamentado. Lançamento Procedente" Cientificada da decisão, a autuada apresentou recurso voluntário repisando as alegações já apresentadas na impugnação, reafirmando o direito a imunidade, em razão das suas vendas no mercado terem como destino final a exportação e pedindo a interpretação extensiva da imunidade tributária prevista no art. 149, § 2º da Constituição Federal e no art. 6º da Lei nº 10.833/2003. Em 16/04/2012 a Recorrente apresentou documentos alegando a existência de fato novo com implicação direta no resultado do julgamento. Foram trazidos argumentos reafirmando que os produtos em discussão foram exportados, alegando que o pátio da Companhia Vale do Rio Doce, para onde foram encaminhados os produtos a serem exportados, seriam área alfandegada. Também foram trazidos aos autos cópia do acórdão nº 1334.003, da 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro II, que ao tratar da mesma matéria, deu razão a Recorrente, decidindo que em razão da área da CVRD ser alfandegada estariam atendidos os requisitos necessários para a configuração da exportação dos produtos. Quando da apreciação do recurso voluntário esta turma resolveu converter o julgamento em diligência a fim de que unidade preparadora verificasse as afirmações trazidas pela Recorrente que a área de destino das mercadorias revendidas pela Recorrente foram entregues em área alfandegada e se as conclusões do acórdão nº 1334.003 da DRJ Rio de Janeiro II confirmariam que as pelotas de minério de ferro produzidas pela Recorrente, foram exportadas. Em atendimento a resolução do CARF, a Delegacia da Receita Federal informou por meio do termo fiscal (fl. 889 a 890), que a diligência não foi realizada, em razão dos documentos citados não constarem dos autos. O processo retornou ao CARF e a este Relator para prosseguimento do julgamento. É o Relatório. Fl. 1456DF CARF MF Impresso em 02/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2013 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 25/03/ 2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 11/03/2013 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 15586.001061/200711 Resolução nº 3102000.239 S3C1T2 Fl. 7 6 Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator. A discussão presente no processo trata da questão sobre a imunidade aplicada a A discussão presente no processo trata da questão sobre a imunidade aplicada a COFINS sobre as vendas de produtos ao exterior. A imunidade para a COFINS alcança as exportações realizadas diretamente pela Recorrente, e também as vendas realizadas a comerciais exportadoras com destino a exportação. A previsão constitucional da imunidade para as vendas ao exterior consta do art. 149, § 2º. "Art. 149. Compete exclusivamente à União instituir contribuições sociais, de intervenção no domínio econômico e de interesse das categorias profissionais ou econômicas, como instrumento de sua atuação nas respectivas áreas, observado o disposto nos arts. 146, III, e 150, I e III, e sem prejuízo do previsto no art. 195, § 6º, relativamente às contribuições a que alude o dispositivo. § 1º Os Estados, o Distrito Federal e os Municípios instituirão contribuição, cobrada de seus servidores, para o custeio, em benefício destes, do regime previdenciário de que trata o art. 40, cuja alíquota não será inferior à da contribuição dos servidores titulares de cargos efetivos da União. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 41, 19.12.2003) § 2º As contribuições sociais e de intervenção no domínio econômico de que trata o caput deste artigo: (Incluído pela Emenda Constitucional nº 33, de 2001) I não incidirão sobre as receitas decorrentes de exportação; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 33, de 2001) II incidirão também sobre a importação de produtos estrangeiros ou serviços; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 42, de 19.12.2003) III poderão ter alíquotas: (Incluído pela Emenda Constitucional nº 33, de 2001) a) ad valorem, tendo por base o faturamento, a receita bruta ou o valor da operação e, no caso de importação, o valor aduaneiro; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 33, de 2001) b) específica, tendo por base a unidade de medida adotada. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 33, de 2001) § 3º A pessoa natural destinatária das operações de importação poderá ser equiparada a pessoa jurídica, na forma da lei. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 33, de 2001) § 4º A lei definirá as hipóteses em que as contribuições incidirão uma única vez. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 33, de 2001)" Fl. 1457DF CARF MF Impresso em 02/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2013 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 25/03/ 2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 11/03/2013 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 15586.001061/200711 Resolução nº 3102000.239 S3C1T2 Fl. 8 7 A previsão da isenção da COFINS consta do art. 14, incisos II, VIII, IX da MP nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001. “Art.14.Em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1o de fevereiro de 1999, são isentas da COFINS as receitas: Idos recursos recebidos a título de repasse, oriundos do Orçamento Geral da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, pelas empresas públicas e sociedades de economia mista; IIda exportação de mercadorias para o exterior; IIIdos serviços prestados a pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas; IVdo fornecimento de mercadorias ou serviços para uso ou consumo de bordo em embarcações e aeronaves em tráfego internacional, quando o pagamento for efetuado em moeda conversível; Vdo transporte internacional de cargas ou passageiros; VIauferidas pelos estaleiros navais brasileiros nas atividades de construção, conservação modernização, conversão e reparo de embarcações préregistradas ou registradas no Registro Especial BrasileiroREB, instituído pela Lei no 9.432, de 8 de janeiro de 1997; VIIde frete de mercadorias transportadas entre o País e o exterior pelas embarcações registradas no REB, de que trata o art. 11 da Lei no 9.432, de 1997; VIIIde vendas realizadas pelo produtorvendedor às empresas comerciais exportadoras nos termos do DecretoLei no 1.248, de 29 de novembro de 1972, e alterações posteriores, desde que destinadas ao fim específico de exportação para o exterior; IXde vendas, com fim específico de exportação para o exterior, a empresas exportadoras registradas na Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior;(grifei) Xrelativas às atividades próprias das entidades a que se refere o art. 13. §1oSão isentas da contribuição para o PIS/PASEP as receitas referidas nos incisos I a IX do caput. §2oAs isenções previstas no caput e no § 1o não alcançam as receitas de vendas efetuadas: Ia empresa estabelecida na Amazônia Ocidental ou em área de livre comércio; IIa empresa estabelecida em zona de processamento de exportação; Revogado pela Lei nº 11.508, de 2007 IIIa estabelecimento industrial, para industrialização de produtos destinados à exportação, ao amparo do art. 3o da Lei no 8.402, de 8 de janeiro de 1992.” Fl. 1458DF CARF MF Impresso em 02/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2013 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 25/03/ 2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 11/03/2013 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 15586.001061/200711 Resolução nº 3102000.239 S3C1T2 Fl. 9 8 As motivações para o lançamento e o entendimento que não foram comprovados a exportação de parte da produção da Recorrente, veio do parecer SAORT n° 767/2007, conforme consta do Relatório de Encerramento da Ação Fiscal (fl. 603). Do Parecer SAORT (fl. 221), extraio o trecho abaixo. " 27. Depreendese então que para fazer jus à isenção prevista no art. 5° da Lei 10.637/02, não basta que as vendas sejam efetuadas As empresas comerciais exportadoras e que estas promovam a exportação. Tornase indispensável também que os produtos vendidos tenham sido remetidos diretamente do estabelecimento industrial para embarque de exportação ou para recintos alfandegados, por conta e ordem da empresa comercial exportadora. 28. Intimados a empresa destinatária (CVRD) a elucidar como se operou a entrega das pelotas de minério de ferro, e, no caso de as mesmas terem sido diretamente remetidas do estabelecimento industrial para embarque de exportação ou para recintos alfandegados, por conta e ordem da empresa comercial exportadora, a apresentar a documentação suporte de tais remessas. Foi esclarecido que as pelotas são entregues no pátio da remetente, inexistindo, desse modo, a documentação requerida. Tal fato foi corroborado com visita realizada ao parque fabril da NIBRASCO. Convém salientar que, apesar da NIBRASCO estar instalada próxima a terminais portuários, seu estabelecimento não está compreendido em área ou recinto alfandegado. 29. Simultaneamente, foi oficiado junto a Inspetoria da Receita Federal do Brasil a fim de elucidar acerca do alfandegamento dos pátios das usinas de pelotização das empresas coligadas da Companhia Vale do Rio Doce (CVRD). Atendendo ao oficio, constatouse que referidos pátios não são alfandegados, estando as áreas de alfandegamento da CVRD definidos no ADE SRRF07 N°320/2006, publicado no DOU de 18/09/2006 (fls. 884\887), o que não engloba as áreas dos pátios das usinas de pelotização. 30. Sobre o assunto, já disciplina o Art. 111 do CTN (Código Tributário Nacional) que a norma tributária deve ser interpretada literalmente, não cabendo ao sujeito passivo se valer de preceitos da analogia ou de interpretações extensivas, a fim de se enquadrar no bojo da norma isentiva. Assim sendo, não configurado o fim especifico de exportação delineado pelo art. 39, § 2° Lei n°.9.532 1997 e pela IN SRF n° 247/02, acima disciplinados, não cabe ao sujeito passivo fazer jus à isenção pretendida." No mesmo caminho foi o acórdão da autoridade de primeira instância, que informou como fato preponderante para a negativa de considerar os produtos como exportados, o fato de não terem sido remetidos à área alfandegada. (fls. 763 a 764) " 0 que se discute nos autos, portanto, não é a isenção da contribuição em tela sobre as receitas decorrentes de exportação, mas sim a comprovação de que as vendas de produtos A. CVRD tenham sido realizadas com o fim especifico de exportação, na forma exigida em lei. Evidentemente, para fazer jus ao beneficio fiscal, o contribuinte deve estar respaldado por documentos que comprovem que a operação realizada efetivamente se insere em uma das hipóteses legalmente Fl. 1459DF CARF MF Impresso em 02/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2013 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 25/03/ 2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 11/03/2013 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 15586.001061/200711 Resolução nº 3102000.239 S3C1T2 Fl. 10 9 previstas. Da mesma forma, a escrituração contábil da empresa deve refletir exatamente os fatos ocorridos e deve estar baseada em documentação hábil que lhe dê suporte. No caso em exame, a interessada não realizou diretamente a exportação dos seus produtos para o exterior, mas sim a venda dos produtos para a Companhia Vale do Rio Doce, afirmando em sua impugnação que todas as vendas foram destinadas exclusivamente ao mercado externo. No entanto, conforme relatado no Parecer SEORT n° 767/2007, proferido no processo relativo As Declarações de Compensação, a autoridade fiscal constatou através de diligência realizada com o objetivo de apuração do crédito a compensar, que as vendas em questão devem ser tratadas como operações normais realizadas no mercado interno. Tal conclusão teve por base a análise das Notas Fiscais de venda emitidas pela empresa, dos registros contábeis no Livro Razão e Livro de Apuração do ICMS, bem como nas informações obtidas através de diligência realizada junto ao estabelecimento da CVRD, destinatário das mercadorias produzidas pelo contribuinte, ocasião em que foram analisados os livros contábeis da empresa adquirente e as notas fiscais de venda ao exterior, não sendo possível constatar, também com base nestes documentos, que as vendas efetuadas pela Nibrasco à CVRD tivessem a finalidade especifica de exportação, nos termos definidos pela legislação. Também se comprovou através da diligência junto à CVRD que as mercadorias adquiridas da Nibrasco não foram diretamente remetidas para embarque de exportação nem foram entregues em recinto alfandegado." Verificase que a informação, quanto a remessa das mercadorias para recinto alfandegado, estão dentre os motivos da não comprovação de que existiu a exportação. Dai concluise que se comprovado que as mercadorias foram remetidas a recinto alfandegado da CVRD, o fato poderia influenciar na apuração dos fatos alegados pela Recorrente na sua impugnação e no recurso voluntário. Entendo, que de nenhuma maneira este fato possa ensejar vício no Auto de Infração, pois a motivação já estava originalmente ali descrita, que era a insuficiência de comprovação das exportações das mercadorias. Em momento posterior ao julgamento da autoridade de primeira instância, foram trazidos aos autos posição diversa da mesma turma de julgamento que ao analisar um lançamento com matéria correlata, decidiu por entender que as mercadorias foram remetidas à recinto alfandegado da CVRD, confirmando a posição defendida pela Recorrente que os produtos em discussão foram remetidos a área alfandegada, estando comprovados assim a exportação exigida na legislação par fruição da isenção da Cofins. A Recorrente alega que os fatos trazidos aos autos em momento posterior a apresentação do recurso voluntário, tratase de fato novo e relevante para a solução da lide. A apresentação de documentos após a impugnação é matéria tratada no art. 16, § 4º do Decreto nº 70.235/72. "Art. 16. A impugnação mencionará: ... Fl. 1460DF CARF MF Impresso em 02/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2013 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 25/03/ 2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 11/03/2013 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 15586.001061/200711 Resolução nº 3102000.239 S3C1T2 Fl. 11 10 § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. " Nos termos do art. 16, a prova documental será apresentada na impugnação, sendo permitida a apresentação em outro momento do processo, quando atendida uma das três hipóteses, previstas no artigo. Neste sentido, destaco a alínea "b" do referido artigo, que permite a apresentação de prova que refirase a fato novo que pode modificar a decisão final do julgamento. A vedação do art. 16 do CTN vem no sentido de impedir que documentos apresentados em momentos posteriores a impugnação dificulte a conclusão do processo e a sua decisão final. Visto que se fosse indiscriminadamente aceitos documentos e alegações após a impugnação, os julgamento poderiam ser intermináveis. A apresentação pura e simples de fatos e documentos com viés de procrastinação não podem ser aceitos. Entretanto, existem situações em que a discussão da lide passa por questões fáticas que por documentos apresentados durante o percurso processual causariam a solução de forma definitiva da lide. Tais documentos se não apreciados podem envolver discussões futuras que nada ajudam as partes. Nestes casos, entendo que, quando entendido que tais documentos influenciam diretamente a solução da lide e de forma justificada, tais documentos não puderam ser apresentados no momento oportuno. Entendo que devam ser aceitos e considerados para o julgamento. Tal posição também foi adotada no Acórdão 920201.914, exarado pela 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, na sessão do dia 30/11/2011, de Relatoria do i. Conselheiro Manoel Coelho de Arruda Junior. Daquela decisão transcrevo parte da ementa que entendo bastante elucidatória e da qual, peço vênia, para também fazer dela minhas razões de decidir. "PROVAS ACOSTADAS AOS AUTOS APÓS O PRAZO DE INTERPOSIÇÃO DO RECURSO VOLUNTÁRIO IMPRESCINDIBILIDADE DA ANÁLISE PARA O DESLINDE DA CONTROVÉRSIA VERDADE MATERIAL. A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, exceto se comprovado a ocorrência de uma das hipóteses do art. 16, § 40, do Decreto n° 70.235/72. Essa é a regra geral insculpida no Processo Administrativo Fiscal Federal. Entretanto, os Regimentos dos Conselhos de Contribuinte e da Câmara Superior de Recursos Fiscais sempre permitiram que as partes pudessem acostar memoriais e documentos que reputassem imprescindíveis à escorreita solução da lide. Em homenagem ao princípio da verdade material, pode o relator, após análise perfunctória da documentação extemporaneamente juntada, e considerando a relevância da matéria, integrála aos autos, analisandoa, ou convertendo o feito em diligência." Fl. 1461DF CARF MF Impresso em 02/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2013 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 25/03/ 2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 11/03/2013 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 15586.001061/200711 Resolução nº 3102000.239 S3C1T2 Fl. 12 11 Entendo, que o principio da verdade material e da ampla defesa, são intrínsecos ao Processo Administrativo Fiscal e em que pese o fato, do seu informalismo contido, estes corolários não podem ser afastados, devendo pelo contrário, ser privilegiados, visto que, qualquer discussão administrativa que seja maculada, por procedimentos processuais questionáveis, pode vir no futuro a ser objeto de novas discussões, o que sem dúvida, afasta um dos grandes benefícios do processo administrativo, que busca abreviar a solução do litígios a contento das partes, portanto, mais uma vez, considerando a manutenção da ampla defesa, entendo que devese analisar os argumento trazidos pela Recorrente que poderiam comprovar que as mercadorias foram remetidas a recinto alfandegado da CVRD. Diante do exposto e buscando a verdade material dos fatos, foi determinada a realização de diligência para que unidade preparadora procedesse a analise das afirmação traga pela Recorrente que a área de destino das mercadorias revendidas pela Recorrente foram entregues em área alfandegada e se as conclusões do acórdão nº 1334.003 da DRJ Rio de Janeiro II, que confirmariam que as pelotas de minério de ferro produzidas pela Recorrente, foram exportadas, se aplicariam aos períodos controlados no presente processo. Entretanto, conforme o termo fiscal à fl. 889 a 890, a diligência não foi realizada devido a falta dos documentos nos autos. Consultando a Secretaria da Terceira Seção, identifiquei que os documentos foram entregues pela Recorrente e recepcionados no CARF, porém, devido a dificuldades operacionais não foram anexados aos autos. Diante deste fato, voto no sentido de determinar providências à Secretária para anexar os arquivos digitais com a documentação apresentada pela Recorrente e converter novamente o julgamento em diligência para que a Unidade Preparadora realize as verificações que entender necessária para confirmas as premissas e tecer considerações que julgar pertinentes acerca da fundamentação que orientaram a prolação do Acórdão nº 1334.003. Concluída tais verificações, deverá ser franqueado o prazo de 30 dias para manifestação da recorrente e, findo tal prazo, devolvidos os autos a este CARF para prosseguimento do julgamento. Winderley Morais Pereira Fl. 1462DF CARF MF Impresso em 02/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2013 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 25/03/ 2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 11/03/2013 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA
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Numero do processo: 15504.016323/2009-68
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 07 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Apr 01 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 2005
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO.
Admitem-se embargos declaratórios para retificar a decisão original, quando evidenciado o equívoco na referência aos valores constantes dos autos.
Numero da decisão: 1202-000.950
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos para retificar a decisão contida no Acórdão nº 1202-000.363, alterando o que se decidiu para dar parcial provimento ao recurso voluntário para afastar a glosa de despesas com a RC Barros Locadora - ME no valor de R$634.845,17, no ano-calendário de 2004 e de R$81.256,05, no ano-calendário de 2005, sendo mantidos os demais termos da decisão. Ausente, justificadamente, a conselheira Nereida de Miranda Finamore Horta.
(assinado digitalmente)
Nelson Lósso Filho - Presidente
(assinado digitalmente)
Viviane Vidal Wagner - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Nelson Lósso Filho, Carlos Alberto Donassolo, Viviane Vidal Wagner, Geraldo Valentim Neto e Orlando Jose Gonçalves Bueno.
Nome do relator: VIVIANE VIDAL WAGNER
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos para retificar a decisão contida no Acórdão nº 1202-000.363, alterando o que se decidiu para dar parcial provimento ao recurso voluntário para afastar a glosa de despesas com a RC Barros Locadora - ME no valor de R$634.845,17, no ano-calendário de 2004 e de R$81.256,05, no ano-calendário de 2005, sendo mantidos os demais termos da decisão. Ausente, justificadamente, a conselheira Nereida de Miranda Finamore Horta. (assinado digitalmente) Nelson Lósso Filho - Presidente (assinado digitalmente) Viviane Vidal Wagner - Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Nelson Lósso Filho, Carlos Alberto Donassolo, Viviane Vidal Wagner, Geraldo Valentim Neto e Orlando Jose Gonçalves Bueno.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1848; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C2T2 Fl. 2 1 1 S1C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15504.016323/200968 Recurso nº Embargos Acórdão nº 1202000.950 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 7 de março de 2013 Matéria Glosa de despesas Embargante EGESA ENGENHARIA S/A Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2005 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. Admitemse embargos declaratórios para retificar a decisão original, quando evidenciado o equívoco na referência aos valores constantes dos autos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos para retificar a decisão contida no Acórdão nº 1202000.363, alterando o que se decidiu para dar parcial provimento ao recurso voluntário para afastar a glosa de despesas com a RC Barros Locadora ME no valor de R$634.845,17, no anocalendário de 2004 e de R$81.256,05, no anocalendário de 2005, sendo mantidos os demais termos da decisão. Ausente, justificadamente, a conselheira Nereida de Miranda Finamore Horta. (assinado digitalmente) Nelson Lósso Filho Presidente (assinado digitalmente) Viviane Vidal Wagner Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Nelson Lósso Filho, Carlos Alberto Donassolo, Viviane Vidal Wagner, Geraldo Valentim Neto e Orlando Jose Gonçalves Bueno. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 01 63 23 /2 00 9- 68 Fl. 338DF CARF MF Impresso em 02/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 21/03/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 27/03/2013 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 15504.016323/200968 Acórdão n.º 1202000.950 S1C2T2 Fl. 3 2 Relatório A Delegada da Receita Federal do Brasil em Belo Horizonte, com fulcro no inciso I do art. 65 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, apresenta embargos de declaração em face da decisão proferida no Acórdão n° 1202000363, da sessão de 8/05/2012, com o seguinte teor: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário para afastar a glosa das despesas com RC Barros Locadora — ME, no valor de R$716.101,20 e Isac Moarees Comercio e Transporte Ltda, nos valores de R$232.544,69 para o ano de 2005 e R$76.656,60 para o ano de 2004. Considerando que não houve recurso da Procuradoria da Fazenda Nacional e que os autos retornaram ao órgão preparador para dar cumprimento ao acórdão e ciência ao sujeito passivo, aponta a embargante a seguinte contradição: DA CONTRADIÇÃO 4.. No voto do relator, ao tratar no item "2 RC Barros Locadora ;— ME", consta nas fls. 301 que foram glosados os valores de: R$851.130,60 no anocalendário de 2.004 e de R$115.656,40 no ano calendário de 2005. 5. Ainda no mesmo voto consta o seguinte: Em relação aos pagamentos realizados pela recorrente como remuneração dos serviços contratados, conforme as notas fiscais de serviços discriminadas, efetuada através de cópias de cheques ou comprovantes de transferência bancária – TED (Anexo VI, fls.123157), restaram comprovados os seguintes montantes: Anocalendário 2004: R$ 716.101,20 Anocalendário 2005: nihil Sendo assim, tendo sido comprovadas as duas condições cumulativas da efetividade da operação (pagamento e utilização dos serviços), deve ser parcialmente restabelecida a despesa glosada neste item, até o montante do pagamento comprovado. 6. Entretanto, compulsando os autos, verificamos que nas informações constantes do Anexo VI, fls. 128/157, que trata das,notas fiscais pagamentos referentes a RC Barros Locadora — ME, constam o seguinte: Fl. 339DF CARF MF Impresso em 02/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 21/03/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 27/03/2013 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 15504.016323/200968 Acórdão n.º 1202000.950 S1C2T2 Fl. 4 3 Nota Fiscal Emissão Valor Pagamento 004 09/8/04 57.960,00 40.614,03 010 03/09/04 154.471,80 1.126.017,47 013 01/09/04 166.688,55 123.964,75 015 02/11/04 199.395,00 151.415,29 016 04/12/04 272.614,65 206.243,63 SUBTOTAL EM 2004 851.130,00 634.845,17 016 04/01/05 115.676,40 81.256,05 TOTAL GERAL (2004/2005) 966.806,40 716.101,22 7. Como se denota, o total admitido como comprovado pelo ilustre relator no valor de R$716.101,22, inclui o valor pago no ano de 2005, sendo que no Voto nada foi considerado como comprovado em relação a RC BARROS LOCADORA ME no ano de 205 ("Anocalendário 2005:nihiI"). 8. Assim, se for mantido os termo do voto, haverá reflexo no saneamento, já que valores excluídos da base de cálculo influenciaram os resultados de um ano para o outro. Os embargos foram admitidos pelo presidente da turma, na forma do art. 65 e §§ do RICARF. É o relatório. Voto Conselheira Viviane Vidal Wagner, Relatora Os Embargos são tempestivos e foram acolhidos pelo presidente da turma através de despacho, por ter sido vislumbrada a existência da contradição apontada pela embargante. Compete ao colegiado decidir sobre o efetivo cabimento do recurso e adotar a medida sanatória apropriada A embargante aponta contradição no voto contido no Acórdão n° 1202 000363, no tocante à decisão de “dar parcial provimento ao recurso voluntário para afastar a glosa das despesas com RC Barros Locadora — ME, no valor de R$716.101,20”, apontando equívoco no montante considerado comprovado pelo colegiado. Muito embora se trate de equívoco referente a valor, não se trata de mero erro de cálculo, passível de retificação via simples despacho, tendo em vista que, além de constar da parte dispositiva do acórdão, o respectivo montante estaria englobando dois exercícios analisados (2004 e 2005), conforme demonstrado pela embargante. Assim, considerase que qualquer alteração no referido montante exige a manifestação do colegiado para ser legitimada. A decisão recorrida aponta que não houve comprovação das despesas registradas em relação a RC BARROS LOCADORA ME no ano de 2005, quando fez constar: "Anocalendário 2005: nihil". Todavia, compulsandose os autos, verificase que, seguindo o critério adotado para 2004, houve a comprovação de parte da despesa de 2005, como se vê no quadro abaixo, elaborado a partir dos documentos constantes do Anexo VI: Fl. 340DF CARF MF Impresso em 02/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 21/03/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 27/03/2013 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 15504.016323/200968 Acórdão n.º 1202000.950 S1C2T2 Fl. 5 4 Nota Fiscal fls. Emissão Valor Bruto Pagamento fls. 4 128 9/8/2004 57.960,00 40.614,03 130 10 133 3/9/2004 154.471,80 112.607,47 137 13 138 1/9/2004 166.688,55 123.964,75 142 15 143 2/11/2004 199.395,00 151.415,29 147 16 148 4/12/2004 272.614,65 206.243,63 152 SUBTOTAL EM 2004 851.130,00 634.845,17 16 153 4/1/2005 115.676,40 81.256,05 157 TOTAL GERAL (2004/2005) 966.806,40 716.101,22 De fato, tem razão a embargante. A conclusão da decisão foi equivocada e contraditória, pois o total considerado comprovado, a partir da documentação acostada, engloba o montante referente à parcela da despesa lançada em 2005. Assim, devem ser acolhidos os presentes embargos para retificar a decisão contida no Acórdão n° 1202000363, restando consignado que se decidiu “dar parcial provimento ao recurso voluntário para afastar a glosa das despesas com RC Barros Locadora — ME, no valor de R$634.845,17, no ano calendário de 2004, e de R$ 81.256,05, no ano calendário de 2005”, sendo mantidos os demais termos da decisão. (assinado digitalmente) Viviane Vidal Wagner Fl. 341DF CARF MF Impresso em 02/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 21/03/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 27/03/2013 por NELSON LOSSO FILHO
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Numero do processo: 10283.907853/2009-45
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 19 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS Data do fato gerador: 16/07/2008 REPETIÇÃO DE INDÉBITO. RETIFICAÇÃO DE DCTF. PROVA DO INDÉBITO. Provado que a DCTF foi retificada antes da emissão do despacho decisório, deve a autoridade administrativa competente tomar as providências para apurar a liquidez e certeza do crédito pleiteado. Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3302-001.754
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: WALBER JOSE DA SILVA
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RETIFICAÇÃO DE DCTF. PROVA DO INDÉBITO. Provado que a DCTF foi retificada antes da emissão do despacho decisório, deve a autoridade administrativa competente tomar as providências para apurar a liquidez e certeza do crédito pleiteado. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente e Relator. EDITADO EM: 23/07/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Amauri Amora Câmara Júnior, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. Fl. 159DF CARF MF Impresso em 10/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/07/2012 por WALBER JOSE DA SILVA 2 Relatório No dia 25/08/2009 a empresa SALDANHA RODRIGUES LTDA transmitiu o PER/DCOMP nº 18838.74839.250809.1.7.041517, retificador do PER/DCOMP nº 03929.93661.210809.1.3.043056, declarando a compensação de débito de CSLL com crédito pleiteado no PER/DCOMP nº 21201.91642.220709.1.3.047480, relativo ao pagamento indevido de Cofins efetuado no dia 16/07/2008. A DRF em Manaus AM indeferiu o pedido da Recorrente alegando que o Darf indicado no PER/DCOMP fora integralmente aproveitado para liquidar débito regularmente declarado em DCTF, conforme Despacho Decisório de fl. 6. Ciente da decisão, a empresa interessada ingressou com a manifestação de inconformidade de fls. 12/46, cujas alegações estão sintetizadas no relatório do acórdão recorrido, que leio em sessão. A 3a Turma de Julgamento da DRJ em Belém PA indeferiu a solicitação da Recorrente, nos termos do Acórdão no 0121.145, de 22/03/2011, sob o fundamento de que a Recorrente não provou a existência do crédito alegado, conforme ementa abaixo reproduzida. DÉBITO TRIBUTÁRIO. CONSTITUIÇÃO. ERRO. ÔNUS DA PROVA. O crédito tributário também resulta constituído nas hipóteses de confissão de dívida previstas pela legislação tributária, como é o caso da DCTF. Tratandose de suposto erro que aponta para a inexistência do débito declarado, o contribuinte possui o ônus de prova do direito invocado. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. ÔNUS DA PROVA. Considerase não homologada a declaração de compensação apresentada pelo sujeito passivo quando não reste comprovada a existência do crédito apontado como compensável. Nas declarações de compensação referentes a pagamentos indevidos ou a maior o contribuinte possui o ônus de prova do seu direito. MPF Inexistindo qualquer dos procedimentos previstos no art. 3º da Portaria RFB n° 11.371, de 2007, não há que se falar em emissão de MPF para a análise de pedido de restituição e compensação. A Recorrente tomou ciência da decisão de primeira instância no dia 27/04/2011, conforme AR de fl. 97, e, discordando da mesma, ingressou, no dia 18/05/2011, com o recurso voluntário de fls. 98/131, no qual alega, naquilo que interessa ao deslinde da questão, que: 1 preliminarmente, é nulo do despacho decisório porque existe prova do crédito pleiteado, consubstanciado no Darf pago no dia 16/07/2008 (fl. 47), na DCTF retificadora transmitida no dia 24/06/2009 (fl. 49) e no DACON transmitida no dia 20/09/2008; Fl. 160DF CARF MF Impresso em 10/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/07/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10283.907853/200945 Acórdão n.º 330201.754 S3C3T2 Fl. 2 3 2 tem direito ao crédito pleiteado porque realizou venda de produtos relacionados no Anexo III do Decreto nº 426/08, tendo recolhido a exação destas operações; 3 o lançamento em questão não há como se sustentar por vício no seu enquadramento legal; 4 os erros de direito acarretam a nulidade dos julgados e das autuações fiscais. Não cita a quais erros se refere; É o Relatório. Voto Conselheiro Walber José da Silva, Relator. O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais preceitos legais e, por esta razão, merecer ser conhecido. Como relatado, trata o presente de Declaração de Compensação (retificadora) apresentada no dia 25/08/2009 na qual a empresa recorrente declara que utilizou o crédito pleiteado no Pedido de Restituição eletrônico nº 21201.91642.220709.1.3.047480 na compensação de débito de CSLL. Na forma do § 3º, do art. 59, do Decreto nº 70.235/72, deixo de apreciar os argumentos de nulidade do despacho decisório e da decisão recorrida, suscitados pela recorrente. Também deixo de apreciar os argumentos relativos a autuações fiscais por serem estranhos à lide. Aqui não se trata de lançamento de crédito tributário, como bem disse a decisão recorrida. Quanto ao mérito, tem razão a Recorrente. O Despacho Decisório foi emitido no dia 07/10/2009 (fl. 6) e, antes da sua emissão, exatamente no dia 24/06/2009 (conforme Recibo de fl. 49), a empresa Recorrente apresentou DCTF retificadora para alterar o valor da Cofins devida no período de apuração de junho de 2008, de R$ 61.695,12 para R$ 506,91. Desta forma, não procede a alegação constante do Despacho Decisório de que o valor do pagamento da Cofins do PA 06/08 fora integralmente alocado ao débito declarado em DCTF porque o débito declarado pela Recorrente, na data da emissão do Despacho Decisório, era de R$ 506.91 e o valor do pagamento é de R$ 61.695,12, restando diferença passível de restituição ou de alocação a outros débitos da empresa Recorrente. Deve, portanto, a autoridade administrativa da RFB tomar as providências necessária à apuração da liquidez e certeza do crédito pleiteado nos PER/DCOMP nº Fl. 161DF CARF MF Impresso em 10/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/07/2012 por WALBER JOSE DA SILVA 4 21201.91642.220709.1.3.047480 e 18838.74839.250809.1.7.041517, considerando as provas e argumentos trazidas aos autos pela Recorrente e outras que julgar imprescindível para apurar a verdade material e formar sua convicção. Reconhecido a liquidez e certeza do crédito pleiteado, deve a autoridade da RFB homologar a compensação declarada. Caso contrário, ou seja, não apurando crédito líquido e certo a favor da Recorrente, ou apurando em valor inferior ao pleiteado, deve a autoridade da RFB dar ciência de sua decisão à Recorrente, abrindolhe prazo para apresentação de manifestação de inconformidade. Por último, e a título de informação, devo destacar que o crédito da Recorrente foi pleiteado no PER/DCOMP nº 21201.91642.220709.1.3.047480 e que o presente PER/DCOMP nº 18838.74839.250809.1.7.041517 trata somente da compensação de débito de CSLL. No entanto, diante da afirmação do despacho decisório de que o crédito está sendo tratado neste processo, é que se analisou e decidiu sobre o direito creditório pleiteado pela Recorrente. Isto posto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário para determinar que a autoridade da RFB apure a liquidez e a certeza do crédito pleiteado pela Recorrente, considerando as provas trazidas aos autos e outras que julgar conveniente, e, se for o caso, homologue a compensação declarada pela Recorrente. (assinado digitalmente) Walber José da Silva Fl. 162DF CARF MF Impresso em 10/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/07/2012 por WALBER JOSE DA SILVA
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Numero do processo: 10970.000604/2008-06
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 20 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Mar 11 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2006
CARNÊ-LEÃO. MULTA ISOLADA E MULTA DE OFÍCIO. CONCOMITÂNCIA.
Descabe a aplicação da multa isolada por falta de recolhimento mensal do imposto de renda devido a título de carnê-leão concomitantemente com a multa de ofício decorrente da apuração de omissão de rendimentos recebidos de pessoas físicas.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2801-002.928
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Tânia Mara Paschoalin e Carlos César Quadros Pierre.
Assinado digitalmente
Antonio de Pádua Athayde Magalhães - Presidente.
Assinado digitalmente
Marcelo Vasconcelos de Almeida - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio de Pádua Athayde Magalhães, Tânia Mara Paschoalin, Ewan Teles Aguiar, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Carlos César Quadros Pierre. Ausente o Conselheiro Sandro Machado dos Reis. Ausente, ainda, justificadamente, o Conselheiro Luiz Cláudio Farina Ventrilho.
Nome do relator: MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2006 CARNÊ-LEÃO. MULTA ISOLADA E MULTA DE OFÍCIO. CONCOMITÂNCIA. Descabe a aplicação da multa isolada por falta de recolhimento mensal do imposto de renda devido a título de carnê-leão concomitantemente com a multa de ofício decorrente da apuração de omissão de rendimentos recebidos de pessoas físicas. Recurso Voluntário Provido
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Tânia Mara Paschoalin e Carlos César Quadros Pierre. Assinado digitalmente Antonio de Pádua Athayde Magalhães - Presidente. Assinado digitalmente Marcelo Vasconcelos de Almeida - Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio de Pádua Athayde Magalhães, Tânia Mara Paschoalin, Ewan Teles Aguiar, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Carlos César Quadros Pierre. Ausente o Conselheiro Sandro Machado dos Reis. Ausente, ainda, justificadamente, o Conselheiro Luiz Cláudio Farina Ventrilho.
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MULTA ISOLADA E MULTA DE OFÍCIO. CONCOMITÂNCIA. Descabe a aplicação da multa isolada por falta de recolhimento mensal do imposto de renda devido a título de carnêleão concomitantemente com a multa de ofício decorrente da apuração de omissão de rendimentos recebidos de pessoas físicas. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Tânia Mara Paschoalin e Carlos César Quadros Pierre. Assinado digitalmente Antonio de Pádua Athayde Magalhães Presidente. Assinado digitalmente Marcelo Vasconcelos de Almeida Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio de Pádua Athayde Magalhães, Tânia Mara Paschoalin, Ewan Teles Aguiar, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Carlos César Quadros Pierre. Ausente o Conselheiro Sandro Machado dos Reis. Ausente, ainda, justificadamente, o Conselheiro Luiz Cláudio Farina Ventrilho. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 97 0. 00 06 04 /2 00 8- 06 Fl. 96DF CARF MF Impresso em 11/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 24/02/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 28/02/2013 por ANTONIO DE PA DUA ATHAYDE MAGALHAES Processo nº 10970.000604/200806 Acórdão n.º 2801002.928 S2TE01 Fl. 97 2 Relatório Tratase de Auto de Infração relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física – IRPF por meio do qual se exige crédito tributário no valor de R$ 35.954,17, incluídos multa de ofício no percentual de 75% (setenta e cinco por cento), juros de mora e multa isolada exigida pela falta de recolhimento mensal do imposto de renda devido a título de carnêleão. O crédito tributário foi constituído em razão de ter sido verificado, na Declaração de Ajuste Anual do contribuinte, exercício 2006, os seguintes fatos: Omissão de rendimentos de trabalho sem vínculo empregatício, recebidos de pessoa física, no valor de R$ 50.200,00. Omissão de rendimentos recebidos a título de pensão alimentícia judicial, no valor de R$ 13.940,00. O contribuinte apresentou a impugnação de fls. 48/53 deste processo digital, concordando com as infrações de omissão de rendimentos (matéria não impugnada) e contestando tão somente a aplicação da multa isolada aplicada em face da ausência do recolhimento mensal do imposto de renda devido a título de carnêleão. A impugnação apresentada foi julgada improcedente, por intermédio do acórdão de fls. 74/79, assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2006 MULTA ISOLADA E MULTA DE OFÍCIO. CONCOMITÂNCIA. A aplicação da multa isolada decorre de descumprimento do dever legal de recolhimento mensal de carnêleão, não se confundindo com a multa proporcional aplicada sobre o valor do imposto apurado após constatação de Declaração de Ajuste Anual inexata. DECISÕES ADMINISTRATIVAS E JUDICIAIS. EFEITOS. As decisões administrativas, mesmo as proferidas pelo Conselho de Recursos Fiscais, e as judiciais, não proferidas pelo STF, não se constituem em normas gerais, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência, senão aquela objeto da decisão. Cientificado da decisão de primeira instância em 26/07/2011 (AR à fl. 83), o interessado interpôs, em 25/08/2011, o recurso de fl. 84/88. Na peça recursal aduz, em síntese, que: A multa de ofício (Lei nº 9.430/1996, art. 44, I) é aplicada para os casos em que não foi pago ou declarado o valor efetivamente recebido, gerando, dessa forma, um imposto de renda a ser pago na declaração de ajuste anual. Fl. 97DF CARF MF Impresso em 11/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 24/02/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 28/02/2013 por ANTONIO DE PA DUA ATHAYDE MAGALHAES Processo nº 10970.000604/200806 Acórdão n.º 2801002.928 S2TE01 Fl. 98 3 A multa isolada (Lei nº 9.430/1996, art. 44, II, “a”) nada mais é do que uma punição para quem deveria ter recolhido o imposto de renda antecipadamente pelo carnêleão e não o fez, ou seja, o que se puni é a ausência de antecipação via carnêleão. Esclarecida a natureza das duas multas, concluise pela impossibilidade de cumulação entre elas: ou se aplica a multa de ofício (75%), como se deu no caso em questão, ou se aplica a multa isolada (50%). As decisões do CARF há muito tem optado pelo afastamento da multa isolada. Ao fim, requer a anulação do Auto de Infração, por absoluta improcedência da aplicação da multa isolada de 50%. Voto Conselheiro Marcelo Vasconcelos de Almeida, Relator Conheço do recurso, porquanto presentes os requisitos de admissibilidade. A controvérsia restringese à aplicação da multa isolada por falta de recolhimento mensal do imposto de renda devido a título de carnêleão, uma vez que o Recorrente reconheceu, expressamente, as infrações de omissão de rendimentos apontadas na “Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal” do presente Auto de Infração, tendo, inclusive, efetuado o pagamento da parcela incontroversa (DARF à fl. 55 deste processo digital). Quando várias normas punitivas concorrem entre si na disciplina jurídica de determinadas condutas, tornase importante investigar se a penalidade prevista para punir uma delas pode absorver a outra. No caso em exame, o não recolhimento mensal devido a título de carnêleão pode ser visto como etapa preparatória do ato de reduzir o imposto ao final do anocalendário. A primeira conduta é, portanto, meio de execução da segunda. Com efeito, o bem jurídico mais importante é, sem dúvida, a efetividade da arrecadação tributária, atendida pelo recolhimento do tributo apurado ao fim do anocalendário, e o bem jurídico de relevância secundária é a antecipação do imposto devido a título de carnê leão. Em se tratando de aplicação de penalidades, aplicase, aqui, a lógica do princípio penal da consunção. Pelo critério da consunção, ao se violar uma pluralidade de normas, passandose de uma violação menos grave para outra mais grave, como sucede no caso em análise, prevalece a norma relativa à penalidade mais grave. Nessa linha de raciocínio, descabe a aplicação da multa isolada por falta de recolhimento mensal do imposto de renda devido a título de carnêleão concomitantemente com a multa de ofício decorrente da apuração de omissão de rendimentos recebidos de pessoas físicas. Cobrase apenas esta última, no percentual de 75% sobre o imposto devido. Fl. 98DF CARF MF Impresso em 11/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 24/02/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 28/02/2013 por ANTONIO DE PA DUA ATHAYDE MAGALHAES Processo nº 10970.000604/200806 Acórdão n.º 2801002.928 S2TE01 Fl. 99 4 Acrescento que a cobrança da multa isolada referente aos rendimentos sujeitos ao carnêleão, concomitantemente com a multa de ofício de 75%, penaliza o contribuinte duplamente, em face da identidade das bases de cálculo de ambas. A jurisprudência deste Conselho é pacífica em relação a não imputação de dupla penalidade pecuniária ao contribuinte em decorrência da omissão de rendimentos recebidos de pessoa física. Nesse sentido, oportuna é a transcrição de excerto do voto condutor vencedor do Acórdão nº 9202002.073, proferido pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, na sessão de 22 de março de 2012, por intermédio do qual se negou provimento a recurso especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional: “O entendimento que tem prevalecido é o de que havendo lançamento de diferença de imposto deve ser cobrada a multa de lançamento de ofício juntamente com o tributo (multa de ofício normal), não havendo que se falar na aplicação de multa isolada. Por outro lado, quando o imposto apurado na Declaração de Ajuste Anual houver sido pago, mas havendo omissão quanto ao recolhimento do carnêleão, dever ser lançada a multa isolada, e somente ela”. Na mesma linha: Acórdão nº 9202001.976 da CSRF. Em resumo: a denominada "multa isolada" do art. 44, II, “a” da Lei nº 9.430/1996 apenas deve ser aplicada aos casos em que não possa ser a multa exigida em conjunto com o tributo devido (Lei nº 9.430/1996, I), não havendo que se cogitar do cabimento concomitante das multas de ofício e isolada. Pelo exposto, voto por dar provimento ao recurso para afastar a aplicação da multa isolada. Assinado digitalmente Marcelo Vasconcelos de Almeida Fl. 99DF CARF MF Impresso em 11/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 24/02/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 28/02/2013 por ANTONIO DE PA DUA ATHAYDE MAGALHAES
score : 1.0
Numero do processo: 10680.940556/2009-29
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 04 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Apr 10 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Exercício: 2003
PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE.
Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal.
PRODUÇÃO DE PROVAS. ASPECTO TEMPORAL.
A peça de defesa deve ser formalizada por escrito incluindo todas as teses de defesa e instruída com os todos documentos em que se fundamentar, sob pena de preclusão, ressalvadas as exceções legais.
HOMOLOGAÇÃO TÁCITA.
A homologação tácita da compensação somente pode ser declarada no caso em que transcorrer o prazo de cinco contados da data da sua entrega da Per/DComp e a notificação do sujeito passivo.
SALDO NEGATIVO DE IRPJ. IRRF. COMPROVAÇÃO.
O IRRF somente pode ser compensado se a pessoa jurídica possuir comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora, para fins de apuração do saldo negativo de IRPJ no encerramento do período.
DOUTRINA. JURISPRUDÊNCIA.
Somente devem ser observados os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa.
INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Numero da decisão: 1801-001.272
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam, os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes - Presidente
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria de Lourdes Ramirez, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Carmen Ferreira Saraiva, João Carlos de Figueiredo Neto, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes.
Nome do relator: CARMEN FERREIRA SARAIVA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Exercício: 2003 PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal. PRODUÇÃO DE PROVAS. ASPECTO TEMPORAL. A peça de defesa deve ser formalizada por escrito incluindo todas as teses de defesa e instruída com os todos documentos em que se fundamentar, sob pena de preclusão, ressalvadas as exceções legais. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. A homologação tácita da compensação somente pode ser declarada no caso em que transcorrer o prazo de cinco contados da data da sua entrega da Per/DComp e a notificação do sujeito passivo. SALDO NEGATIVO DE IRPJ. IRRF. COMPROVAÇÃO. O IRRF somente pode ser compensado se a pessoa jurídica possuir comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora, para fins de apuração do saldo negativo de IRPJ no encerramento do período. DOUTRINA. JURISPRUDÊNCIA. Somente devem ser observados os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam, os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes - Presidente (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria de Lourdes Ramirez, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Carmen Ferreira Saraiva, João Carlos de Figueiredo Neto, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes.
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Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal. PRODUÇÃO DE PROVAS. ASPECTO TEMPORAL. A peça de defesa deve ser formalizada por escrito incluindo todas as teses de defesa e instruída com os todos documentos em que se fundamentar, sob pena de preclusão, ressalvadas as exceções legais. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. A homologação tácita da compensação somente pode ser declarada no caso em que transcorrer o prazo de cinco contados da data da sua entrega da Per/DComp e a notificação do sujeito passivo. SALDO NEGATIVO DE IRPJ. IRRF. COMPROVAÇÃO. O IRRF somente pode ser compensado se a pessoa jurídica possuir comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora, para fins de apuração do saldo negativo de IRPJ no encerramento do período. DOUTRINA. JURISPRUDÊNCIA. Somente devem ser observados os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 94 05 56 /2 00 9- 29 Fl. 128DF CARF MF Impresso em 10/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 07/12/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10680.940556/200929 Acórdão n.º 1801001.272 S1TE01 Fl. 129 2 Acordam, os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Presidente (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria de Lourdes Ramirez, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Carmen Ferreira Saraiva, João Carlos de Figueiredo Neto, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes. Relatório A Recorrente formalizou o Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp) em 11.09.2007, fls. 0613, utilizandose do crédito relativo ao saldo negativo de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) no valor de R$15.258,09 referente ao quarto trimestre do anocalendário de 2002. Em conformidade com o Despacho Decisório Eletrônico, fl. 05, as informações relativas ao reconhecimento do direito creditório foram analisadas das quais se concluiu pelo deferimento em parte do pedido: Valor original do saldo negativo informado no PER/DCOMP com demonstrativo de crédito: R$15.258,09 Valor na DIPJ: R$15.258,09 Somatório das parcelas de composição do crédito na DIPJ: R$22.940,83 IRPJ devido: R$7.682,74 Valor do saldo negativo disponível= (Parcelas confirmadas limitado ao somatório das parcelas na DIPJ) – (IRPJ devido) limitado ao menor valor entre saldo negativo DIPJ e PER/DCOMP, observado que quando este cálculo resultar negativo, o valor será zero. Valor do saldo negativo disponível: R$13.148,86 O crédito reconhecido foi insuficiente para compensar integralmente os débitos informados no PER/DCOMP, razão pela qual HOMOLOGO PARCIALMENTE a compensação declarada no PER/DCOMP acima identificado. Cientificada em 22.12.2009, fl. 56, a Recorrente apresentou a manifestação de inconformidade em 14.01.2010, fls. 0204, apresentando os argumentos abaixo sintetizados. Tece esclarecimento sobre o art. 150 do Código Tributário Nacional suscitando que “o período de apuração do crédito fiscal tem o fato gerador ocorrido no 4° Fl. 129DF CARF MF Impresso em 10/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 07/12/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10680.940556/200929 Acórdão n.º 1801001.272 S1TE01 Fl. 130 3 trimestre de 2002, e o lançamento em 22.12.2009”, pelo que conclui que teria se efetivado a “decadência do referido lançamento”. Esclarece ser [...] claro e cristalino, pelas notas fiscais emitidas à época anexadas ao procedimento, que o imposto foi retido, e como prevê a legislação não foi recolhido conforme determinação legal, pela tomadora de serviços [e ainda que] no intuito de preservar o direito da Manifestante ante a impossibilidade de apresentar os DARF's de recolhimento do IRRF, por tratarse de documentação confidencial de sua clientela, anexa planilha das retenções discriminadas no período do contencioso, bem como as respectivas notas fiscais. Conclui Tendo em vista o exposto, demonstrada a insubsistência e improcedência da ação fiscal, espera e requer que seja acolhida a presente manifestação de inconformidade, para o fim de assim ser decidido, cancelandose o débito fiscal reclamado. Nestes Termos, Pede Deferimento. Está registrado como resultado do Acórdão da 4ª TURMA/DRJ/BHE/MG nº 0237.687, de 17.02.2012, fls. 107112:“Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte” para reconhecer a parcela superveniente de R$51,79, fl. 104. Restou ementado ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA – IRPJ Período de apuração: 01/10/2002 a 31/12/2002 Declaração de Compensação. O reconhecimento do direito creditório decorrente de saldo negativo de IRPJ depende da comprovação das parcelas de composição do crédito informadas no PERDCOMP. IRRF – Comprovação O imposto de renda retido na fonte sobre quaisquer rendimentos somente pode ser utilizado como componente do saldo negativo de IRPJ, se o contribuinte comprovar, mediante documentação hábil e idônea, que sofreu a retenção deste imposto. Notificada em 15.03.2012, fl. 116, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 13.04.2012, fls. 118124, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge, reiterando os argumentos apresentados na manifestação de inconformidade. Acrescenta que deve ser declarada a prescrição intercorrente dos débitos confessado em Per/DComp. Alega que tem direito ao reconhecimento da parcela remanescente de saldo negativo do IRPJ do quarto trimestre de 2002 no valor de R$2.071,42 originário de IRRF. Solicita produção de todos os meios de prova. Com o objetivo de fundamentar as razões apresentadas na peça de defesa, Fl. 130DF CARF MF Impresso em 10/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 07/12/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10680.940556/200929 Acórdão n.º 1801001.272 S1TE01 Fl. 131 4 interpreta a legislação pertinente, indica princípios constitucionais que supostamente foram violados e faz referências a entendimentos doutrinários e jurisprudenciais em seu favor. É o relatório. Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora O recurso voluntário é tempestivo, e considerando o preenchimento dos demais requisitos legais de sua admissibilidade, merece ser apreciado. A Recorrente afirma que houve prescrição intercorrente relativamente aos débitos confessados. Tem cabimento o exame da objeção de prescrição por ser matéria de ordem pública que pode ser conhecida a requerimento da parte ou de ofício, a qualquer tempo e em qualquer instância de julgamento. Este instituto pode ser definido como a perda da pretensão do direito de a Fazenda Pública cobrar o crédito tributário já constituído pelo lançamento, tendo em vista o decurso do prazo de cinco anos previsto em lei. Constituído definitivamente o crédito não tributário, após o término regular do processo administrativo, prescreve em 5 (cinco) anos a ação de execução da administração pública federal. Ademais, não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal.1. No presente caso os débitos confessados em Per/DComp estão com a exigibilidade suspensa pela apresentação do recurso voluntário, nos termos das leis reguladoras do processo administrativo fiscal, medida que tem o efeito de suspender o prazo de prescrição2. A afirmação suscitada pela defendente, destarte, não é pertinente. A Recorrente solicita a realização de todos os meios de prova. Sobre a matéria, vale esclarecer que no presente caso se aplicam as disposições do processo administrativo fiscal que estabelece que a peça de defesa deve ser formalizada por escrito incluindo todas as teses e instruída com os todos documentos em que se fundamentar, precluindo o direito de a Recorrente praticar este ato e apresentar novas razões em outro momento processual, salvo a ocorrência de quaisquer das circunstâncias ali previstas. Embora lhe fossem oferecidas várias oportunidade no curso do processo, a Recorrente não apresentou a comprovação inequívoca de quaisquer fatos que tenham correlação com as situações excepcionadas pela legislação de regência 3. A realização desses meios probantes é prescindível, uma vez que os elementos probatórios produzidos por meios lícitos constantes nos autos são suficientes para a solução do litígio. A justificativa arguida pela defendente, por essa razão, não se comprova. 1 Fundamentação legal: inciso III do art. 151, inciso V do art. 156 e art. 174 do Código Tributário Nacional, art. 269 do Código de Processo Civil, Lei nº 9.873, de 23 de novembro de 1999 e Súmula CARF nº 11. 2 Fundamentação legal: art. 220 do Regimento Interno da RFB, aprovado pela Portaria MF nº 587, de 21 de dezembro de 2010. 3 Fundamentação legal: art. 16 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Fl. 131DF CARF MF Impresso em 10/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 07/12/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10680.940556/200929 Acórdão n.º 1801001.272 S1TE01 Fl. 132 5 A Recorrente suscita que ocorreu a homologação tácita da Per/DComp. O sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo administrado pela RFB, passível de restituição, pode utilizálo na compensação de débitos. A partir de 01.10.2002, a compensação somente pode ser efetivada por meio de declaração e com créditos e débitos próprios, que ficam extintos sob condição resolutória de sua ulterior homologação. Também os pedidos pendentes de apreciação foram equiparados a declaração de compensação, retroagindo à data do protocolo. Posteriormente, ou seja, em de 30.12.2003, ficou estabelecido que a Per/DComp constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados, bem como que o prazo para homologação tácita da compensação declarada é de cinco anos, contados da data da sua entrega. Ademais, o procedimento se submete ao rito do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional. O procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de tributo pago a maior4. Em relação à homologação tácita da compensação, temse que somente pode ser declarada no caso em que transcorrer o prazo de cinco contados da data da sua entrega da Per/DComp e a notificação do sujeito passivo. No presente caso, a Per/DComp foi transmitida em 11.09.2007, fls. 0613 e houve ciência do Despacho Decisório Eletrônico, fl. 05, em 22.12.2009, fl. 56. Assim, não transcorreu o prazo de cinco contados da data da sua entrega e a notificação da Recorrente. A justificativa arguida pela defendente, por essa razão, não se comprova. A Recorrente suscita que a Per/DComp deve ser deferida. O pressuposto é de que a pessoa jurídica deve manter os registros de todos os ganhos e rendimentos, qualquer que seja a denominação que lhes seja dada, independentemente da natureza, da espécie ou da existência de título ou contrato escrito, bastando que decorram de ato ou negócio. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor dela dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais5. A legislação prevê que no regime de tributação com base no lucro real a pessoa jurídica pode deduzir do valor apurado no encerramento do período, o IRRF sobre as receitas que integraram a base de cálculo correspondente6. Para tanto, as pessoas jurídicas são obrigadas a prestar aos órgãos da RFB, no prazo legal, informações sobre os rendimentos que pagaram ou creditaram no anocalendário anterior, por si ou como representantes de terceiros, com indicação da natureza das respectivas importâncias, do nome, endereço e número de inscrição no CNPJ, das pessoas que o receberam, bem como o imposto de renda retido da fonte, mediante a Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte (DIRF). Também as pessoas jurídicas que efetuarem pagamentos com retenção do imposto na fonte, devem 4 Fundamentação legal: art. 165, art. 168, art. 170 e art. 170A do Códido Tributário Nacional, art. 9º do Decreto Lei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, 1º e art. 2º, art. 51 e art. 74 da Lei nº 9.430, de 26 de dezembro de 1996, art. 49 da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002 e art. 17 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003. 5 Fundamentação legal : art. 195 do Código Tributário Nacional, art. 51 da Lei nº 7.450, de 23 de dezembro de 1985, art. 6º e art. 9º do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, art. 37 da Lei nº 8.981, de 20 de novembro de 1995, art. 6º e art. 24 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995 e art. 1º e art. 2º da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. 6 Fundamentação legal: Lei 10.833 de 29 de dezembro de 2003. Fl. 132DF CARF MF Impresso em 10/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 07/12/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10680.940556/200929 Acórdão n.º 1801001.272 S1TE01 Fl. 133 6 fornecer à pessoa jurídica beneficiária, até o dia 31 de janeiro, documento comprobatório, em duas vias, com indicação da natureza e do montante do pagamento, das deduções e do imposto retido no anocalendário anterior, que no caso é o Informe de Rendimentos. Assim, o IRRF somente pode ser compensado se a pessoa jurídica possuir comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora para fins de apuração do saldo negativo de IRPJ no encerramento do anocalendário 7. A legislação prevê que no regime de tributação com base no lucro real a pessoa jurídica pode deduzir do valor apurado no encerramento do período, o IRRF incidente sobre as receitas que integraram a base de cálculo correspondente, inclusive aquele referente ao código de arrecadação nº 1708, decorrente de prestação de serviço entre pessoas jurídicas8. O procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de tributo pago a maior. Em relação ao valores de IRRF, vale ressaltar que cabe à Recorrente produzir o conjunto probatório de suas alegações9. Todas as DIRF apresentadas pelas fontes pagadoras, fls. 100106, foram consideradas, em conformidade com a Planilha de fls. 9899. Embora lhe fossem oferecidas várias oportunidades no curso do processo, a Recorrente não apresentou os Informes de Rendimentos respectivos de IRRF, documentos estes imprescindíveis para este fim. As notas fiscais e a Planilha juntada aos autos pela Recorrente, entretanto, não se constituem comprovação hábil para evidenciar inequivocamente que o crédito remanescente pleiteado de saldo negativo de IRPJ do quarto trimestre do anocalendário de 2002 esteja correto. A tese protetora exposta pela defendente, assim sendo, não está demonstrada. No que concerne à interpretação da legislação e aos entendimentos doutrinários e jurisprudenciais indicados pela Recorrente, cabe esclarecer que somente devem ser observados os atos para os quais a lei atribua eficácia normativa, o que não se aplica ao presente caso10. A alegação relatada pela defendente, consequentemente, não está justificada. Atinente aos princípios constitucionais que a Recorrente aduz que supostamente foram violados, cabe ressaltar que o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, uma vez que no âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de 7 Fundamentação legal: art. 86 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, art. 11 do DecretoLei nº 1.968, de 23 de novembro de 1982 e art. 10 do DecretoLei nº 2.065, de 26 de outubro de 1983. 8 Fundamentação legal: Lei 10.833 de 29 de dezembro de 2003, art. 83 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995 e art. 6º da Lei nº 9.064, de 20 de junho de 1995. 9 Fundamentação legal:§ 1º do art. 147 do Código Tributário Nacional e art. 16 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. 10 Fundamentação legal: art. 100 do Código Tributário Nacional e art. 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Fl. 133DF CARF MF Impresso em 10/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 07/12/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10680.940556/200929 Acórdão n.º 1801001.272 S1TE01 Fl. 134 7 inconstitucionalidade11. A proposição afirmada pela defendente, desse modo, não tem cabimento. Em face do exposto voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva 11 Fundamentação legal: art. 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 e Súmula CARF nº 2. Fl. 134DF CARF MF Impresso em 10/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 07/12/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES
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