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Numero do processo: 15504.001878/2011-20
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 18 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue May 14 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2008
ISENÇÃO. PROVENTOS DE APOSENTADORIA. PORTADOR DE MOLÉSTIA GRAVE.
Para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2201-002.104
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso.
Assinado digitalmente
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente.
Assinado digitalmente
Walter Reinaldo Falcão Lima - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Rodrigo Santos Masset Lacombe, Odmir Fernandes (Suplente Convocado), Walter Reinaldo Falcão Lima, Guilherme Barranco de Souza (Suplente Convocado) e Pedro Paulo Pereira Barbosa. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Gustavo Lian Haddad.
Nome do relator: WALTER REINALDO FALCAO LIMA
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PROVENTOS DE APOSENTADORIA. PORTADOR DE MOLÉSTIA GRAVE. Para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Maria Helena Cotta Cardozo Presidente. Assinado digitalmente Walter Reinaldo Falcão Lima Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Rodrigo Santos Masset Lacombe, Odmir Fernandes (Suplente Convocado), Walter Reinaldo Falcão Lima, Guilherme Barranco de Souza (Suplente Convocado) e Pedro Paulo Pereira Barbosa. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Gustavo Lian Haddad. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 00 18 78 /2 01 1- 20 Fl. 1128DF CARF MF Impresso em 15/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2013 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 30/ 04/2013 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 03/05/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 2 Relatório Por descrever bem os fatos, adoto o relatório do acórdão de primeira instância (fls. 1.107 e 1.108), que reproduzo a seguir: “Contra o citado contribuinte, foi constituída Notificação de Lançamento, fls. 21 a 27, relativa ao Imposto de Renda Pessoa Física, exercício 2008, anocalendário 2007, formalizando a exigência de crédito tributário no valor de R$ 2.388,08. O lançamento reportase aos dados informados na Declaração de Ajuste Anual retificadora do contribuinte, entre os quais foram alterados: o valor de rendimentos tributáveis de R$ 0,00 para R$ 72.800,24, em virtude de ter sido verificada omissão de rendimentos recebidos da Fundação Forluminas de Seguridade Social Forluz (R$ 55.837,56) e do Instituto Nacional do Seguro Social – INSS (R$16.962,68), uma vez que o contribuinte não apresentou laudo médico oficial para comprovar ser portador de moléstia grave;. o valor do imposto retido pela Fundação Forluminas de Seguridade Social Forluz de R$ 13.439,75 para R$ 9.053,01, pelos motivos abaixo transcritos: ‘Conforme DIRF (2002 a 2007), o total do IR em depósito judicial foi R$ 197.858,34. Segundo fl. 431, o valor de IRRF convertido em renda para a União foi R$ 133.286,38 (67,36%). Portanto, o valor de IRRF no ano base 2007 foi R$ 9.053,01 (R$13.439,75x67,36%). O rendimento tributável da Forluz correspondente é R$ 55.837,56 ([(R$ 9.053,01 + R$ 6.302,32) (parcela a deduzir) / 0,275])’ Na Declaração de Ajuste Anual original referente ao exercício 2008 apresentada em 27/04/2008 (fl. 1.088), foi apurado saldo a restituir no valor de R$ 2.037,41, tendo sido informados, entre outros dados, rendimentos tributáveis no valor total de R$76.703,83 e imposto retido no valor total de R$ 13.619,47. E na Declaração de Ajuste Anual retificadora apresentada em 01/09/2008, (fl. 47), foram informados rendimentos tributáveis no valor de R$ 0,00 e imposto pago no valor total de 13.619,47, tendo sido apurado imposto a restituir, via de conseqüência, no valor de R$13.619,47. Cientificado da exigência em 10/01/2011, fl. 35, em 03/02/2011, o contribuinte apresenta impugnação, fls. 03 e 05, na qual alega, em síntese, que: os rendimentos no valor de R$ 55.837,56 são isentos por tratarse de proventos de aposentadoria, reforma ou pensão de portador de moléstia grave; a moléstia grave está devidamente comprovada pela documentação anexada; Fl. 1129DF CARF MF Impresso em 15/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2013 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 30/ 04/2013 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 03/05/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 15504.001878/201120 Acórdão n.º 2201002.104 S2C2T1 Fl. 1.129 3 o total de rendimentos pagos pela fonte pagadora Forluz foi R$59.741,15, gerando um recolhimento de imposto no valor de R$ 13.439,75 e, conseqüentemente, uma restituição de R$ 13.439,75; quanto aos rendimentos recebidos do INSS, como não foi feito perícia pelo citado órgão, reconhece o valor retido como passível de tributação; o valor a ser compensado é o total recolhido pela fonte pagadora, no caso R$ 13.439,75 e não R$ 9.053,01; a proporcionalidade estabelecida na notificação não procede porque o valor pago (retirado do depósito em juízo) é resultante da ação movida contra a Receita Federal e se refere a recolhimentos feitos a maior no período de 1985 a 1994, conforme cópia do processo já entregue à Receita Federal. Tendo em vista as alegações apresentadas, o processo foi baixado em diligência, fls. 85 a 89, para que fosse solicitada a juntada de documentos extraídos do processo que teria sido movido pelo contribuinte contra a Receita Federal e do documento a que se refere à auditoriafiscal de fl. 12, bem como para que fosse o contribuinte intimado a comprovar ser portador de moléstia grave por meio de laudo médico oficial. A diligência foi cumprida, fls. 95 a 1.087, tendo sido a cópia do processo nº 2002.38.00.0318092 juntado aos autos e tendo sido o contribuinte intimado a apresentar laudo médico oficial. Em resposta, o contribuinte apresentou laudo de fls. 1.081 e 1.082.” A 5a Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte – MG julgou a impugnação procedente em parte (fls. 1.106 a 1.111), para alterar, em relação à fonte pagadora Forluz, o IRRF de R$ 9.053,01 para R$ 13.459,75 e os rendimentos tributáveis de R$ 55.837,56 para R$ 59.741,15. Não acatou a alegação do contribuinte de ser portador de moléstia grave, pelo fato de o laudo apresentado (fls. 1.081 e 1.082), datado de 14/06/2004, não consignar se a moléstia é ou não passível de controle, bem como não fazer referência ao seu prazo de validade. Por conseguinte foi apurado um imposto a restituir no valor de R$ 2.037,41. Cientificado do acórdão de primeira instância em 29/03/2012, conforme Aviso de Recebimento de fls. 1.112, o Interessado interpôs, em 23/04/2012, o Recurso de fls. 1.113 a 1.122, juntamente com os documentos de fls. 1.123 a 1.125, alegando, em suma, que: a) o legislador limitou a exigência do prazo de validade do laudo pericial às moléstias graves passíveis de controle; b) a jurisprudência do STJ adotou o entendimento de que, verificada a neoplasia maligna, o portador fará jus à isenção do imposto de renda, descartando a necessidade de comprovação de contemporaneidade de sintomas, bem como a recidiva da doença, pois o benefício em questão Fl. 1130DF CARF MF Impresso em 15/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2013 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 30/ 04/2013 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 03/05/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 4 visa diminuir o sofrimento do aposentado. Cita acórdãos do STJ nesse sentido; c) não obstante o exposto nas alíneas acima, Relatório emitido pelo Serviço Médico Oficial da Prefeitura Municipal de Belo Horizonte, juntado ao Recurso (fls. 1.124), comprova sua condição de portador de neoplasia maligna, tendo se submetido à cirurgia em 15/05/2004, permanecendo, desde então, sob controle médico com especialista da área; d) na sua declaração de ajuste anual do IRPF, relativo ao exercício 2007, anocalendário 2006, obteve imposto a restituir em razão da mesma causa que fundamenta o pedido contido em seu Recurso. Diante do exposto acima requer o conhecimento e provimento de seu Recurso para que lhe seja deferida a restituição no importe de R$ 13.619,47. É o Relatório. Voto Conselheiro Walter Reinaldo Falcão Lima, Relator O recurso é tempestivo e atende as demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. Nos termos do disposto no art. 6°, incisos XIV e XXI, da Lei n° 7.713, de 1988, com a redação que lhe foi dada pela Lei n° 11.052, de 2004, c/c o art. 30 da Lei n° 9.250, de 1995, abaixo reproduzidos, a isenção dos rendimentos de aposentadoria recebidos por portador de moléstia grave, a partir de 01/01/1996, depende da comprovação dos seguintes requisitos, cumulativamente; comprovação da doença por intermédio de laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios, e que os rendimentos estejam relacionados à aposentadoria, reforma ou pensão, sendo que o benefício em questão retroage à data em que a doença foi contraída, quando identificada no laudo pericial oficial. Lei n° 7.713, de 1988 “Art. 6º Ficam isentos do imposto de renda os seguinte rendimentos percebidos por pessoas físicas: [...] XIV – os proventos de aposentadoria ou reforma motivada por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, hepatopatia grave, estados avançados da doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome da imunodeficiência adquirida, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma; (Redação dada pela Lei nº 11.052, de 2004) Fl. 1131DF CARF MF Impresso em 15/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2013 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 30/ 04/2013 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 03/05/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 15504.001878/201120 Acórdão n.º 2201002.104 S2C2T1 Fl. 1.130 5 [...] XXI os valores recebidos a título de pensão quando o beneficiário desse rendimento for portador das doenças relacionadas no inciso XIV deste artigo, exceto as decorrentes de moléstia profissional, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída após a concessão da pensão. (Incluído pela Lei nº 8.541, de 1992) (Vide Lei 9.250, de 1995)” Lei nº 9.250, de 1995 “Art. 30. A partir de 1º de janeiro de 1996, para efeito do reconhecimento de novas isenções de que tratam os incisos XIV e XXI do art. 6º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, com a redação dada pelo art. 47 da Lei nº 8.541, de 23 de dezembro de 1992, a moléstia deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial, da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. § 1º O serviço médico oficial fixará o prazo de validade do laudo pericial, no caso de moléstias passíveis de controle. [...]” No caso em apreço o órgão julgador de primeira instância não acatou a isenção alegada em virtude de o laudo pericial apresentado (fls. 1.081 e 1.082) não consignar se a moléstia é ou não passível de controle, bem como não fazer referência ao seu prazo de validade. Em sede de Recurso Voluntário, foi anexado aos autos novo laudo pericial (fls. 1.123), datado de 26/03/2012, nos mesmos moldes daquele apresentado na impugnação, e assinado pelo mesmo médico que emitiu o primeiro laudo, o qual consta que o Contribuinte é portador de neoplasia maligna, tendo se submetido à cirurgia em 15/05/2004, permanecendo, desde então, sob controle médico com especialista da área. Assim, com a apresentação do novo laudo, emitido em 26/03/2012, não restam dúvidas de que aquele documento, juntamente com o laudo anteriormente apresentado, provam que no anocalendário fiscalizado, 2007, o Contribuinte era portador de moléstia grave, suprindo, com isso, a causa que originou o não reconhecimento da isenção pelo órgão julgador de primeira instância. Cumpre assinalar que, embora o § 4º do art. 16 do Decreto n° 70.235, de 1972 estabeleça que a prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que seja comprovada a ocorrência de quaisquer das hipóteses previstas naquele parágrafo, o que não foi feito pelo Recorrente, entendo que, neste caso, o princípio da verdade material deve prevalecer sobre o dispositivo legal citado, pois o que está em discussão é a legalidade da tributação, ou seja, saber se o fato gerador realmente ocorreu ou não. Por conseguinte apreciei o laudo anexado ao Recurso. Por fim, em decorrência da exclusão da base de cálculo dos rendimentos recebidos da fonte pagadora Forluz, cabe ao Contribuinte o direito à restituição do imposto no Fl. 1132DF CARF MF Impresso em 15/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2013 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 30/ 04/2013 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 03/05/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 6 valor correspondente a R$ 13.619,47, haja vista que os demais rendimentos sujeitos à tributação, recebidos do INSS, não geram imposto devido na declaração de ajuste anual fiscalizada. Diante do exposto acima voto por DAR provimento ao recurso. Assinado digitalmente Walter Reinaldo Falcão Lima Fl. 1133DF CARF MF Impresso em 15/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2013 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 30/ 04/2013 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 03/05/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO
score : 1.0
Numero do processo: 37322.000111/2006-97
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 06 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Wed May 06 00:00:00 UTC 2009
Ementa: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/12/1996 a 30/10/1998
Construção Civil - Aferição Indireta - Responsabilidade Solidária
DECADÊNCIA - STF - INCONSTITUCIONALIDADE DE DISPOSITIVOS - LEI 8.212/91
O Supremo Tribunal Federal através da Súmula Vinculante nº 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212, de 24/07/91, devendo, portanto, serem aplicadas as regras do Código Tributário Nacional.
SÚMULA NO 3
É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2301-000.262
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Câmara / lª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos acatar a preliminar de decadência para provimento do recurso, nos termos do voto do relator. Os Conselheiros Manoel Coelho Arruda Junior e Edgar Silva Vidal acompanharam o relator somente nas conclusões. Entenderam que se aplicava o artigo 150, §4º do CTN.
Nome do relator: Edgar Silva Vidal
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Fl. 244 „gJ.:Vt MINISTÉRIO DA FAZENDA "k731,-VI Wc.zi CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 37322.000111/2006-97 Recurso n° 152.544 Voluntário Acórdão n° 2301-00.262 — 3' Câmara l' Turma Ordinária Sessão de 06 de maio de 2009 Matéria Construção Civil - Responsabilidade Solidária - Empresas Em Geral Recorrente CONSTRUTORA LR LTDA. E OUTRO Recorrida DRP/BAURU/SP ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCLÁRIAS Período de apuração: 01/12/1996 a 30/10/1998 Construção Civil - Aferição Indireta - Responsabilidade Solidária DECADÊNCIA - STF - INCONSTITUCIONALIDADE DE DISPOSITIVOS - LEI 8.212/91 • O Supremo Tribunal Federal através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo, portanto, serem aplicadas as regras do Código Tributário Nacional. SÚMULA N.3 É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes .1" Processo n°37322.000111/2006-97 5I.C3T1 Acórdão n.° 2301-00.262 Fl. 245 ACORDAM os membros da 3' Câmara / l' Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos acatar a preliminar de decadência para provimento do recurso, nos termos do voto do relator. Os Conselheiros Manoel Coelho Arruda Junior e Edgar Silva Vidal acompanharam o relator somente nas conclusões. Entenderam que se aplicava o artigo 150, 4 do . • JULIO 4IA GOMES tt7President/ , /1/EDG • • 1 A V AL Relatior / . • - Participaram do julgamento os conselheiros: Marco André Ramos Vieira, Damião Cordeiro de Moraes, Marcelo Oliveira, Edgar Silva Vidal (Suplente), Liége Lacroix Thomasi, Adriana Sato, Manoel Coelho Arruda Junior e Julio Cesar Vieira Gomes (Presidente). 2 Processo n°37322.00011112006-97 S2-C3T1 Acórdão n.° 2301-00.262 H. 246 Relatório Trata-se de Recursos Voluntários interpostos pela Construtora LR Ltda. (fls. 216/233) e pela Almeida Marin Construções e Comércio Ltda. , devedora solidária (fls. 207/215), contra a DN n° 21.423.4/0447/2006, de .30/10/2006 (fls. 181/194), que manteve o lançamento constante da NFLD n°35.797.351-8.. O crédito tributário refere-se a contribuições devidas ao INSS e destinadas à Seguridade Social, correspondente à parte devida pelo empregado (não descontada) e à parte da empresa, inclusive para o financiamento dos beneficios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa , decorrentes dos riscos ambientais do trabalho. O fato gerador da NFLD é a remuneração da mã-de-obra empregada na execução da obra da construção civil 21.435.05584-76 — Empreendimento Botucatu B2/133 — Botucatu, sob responsabilidade da Construtora LR Ltda., contratada pela Almeida Marin Construções e Comércio Ltda., na forma de empreitada parcial. O período de apuração compreende as competências 12/1996 a 10/1998 e a as ciências da NFLD ocorreram em 22/12/2005 e 03/01/2006, respectivamente. Preliminarmente, a Construtora LR Ltda. alega: I — ter direito à devolução dos documentos apreendidos, ou no mínimo, conhecer as razões porque os interesses da SRP não foram satisfeitos; II — que no MPF que determinou a Refiscalização não constou a necessária fundamentação; No mérito: I — no tocante à desconsideração da contabilidade: a — a obra do barracão citada no item 8.9 da DN foi realizada no ano de 1994, com mão-de-obra fornecida pela empresa locadora do prédio e que esta fiscalização abrange o período a partir de 1995; b — não houve qualquer tentativa de transferência de responsabilidade tributária, pois o fato gerador, isto é, a contratação de mão-de-obra, com o conseqüente pagamento de salários foi realizado por outra empresa que não a recorrente. Portanto, a obrigação tributária já nasceu sob a responsabilidade da empresa locatária, não cabendo a aplicação do artigo 123 do CTN; c — necessária diligência que definirá o que aconteceu em relação às duas certidões emitidas pelo Oficial de Registro Civil; d - necessária a identificação dos livros que não constaram da primeira certidão, bem como os que não constaram da segunda, para que se possa conhecer e apresentar a devida e necessária justificativa; portanto, necessário a SRP esclarecer a implicação de 3 Processo n°37322.000111/2006-97 S2-C3T1 Acórdão n.° 2301-00162 Fl. 247 questão na desconsideração da contabilidade, no sentido do fortalecimento do contraditório e da ampla defesa; II— das atividades excluídas do CUB: a — os valores lançados são resultado do arbitramento, cuja base de cálculo foi o valor faturado pela recorrente por serviços prestados à empresa Almeida Marin Construções Ltda.. Portanto nenhuma relação com o custo SINDUSCON; b — apesar do arbitramento, a autoridade lançadora retirou da folha de pagamento algumas funções que, no sem entender, não fazem parte do CUB SINDUSCON. Essa decisão tem influência na alteração da base de cálculo da contribuição previdenciária lançada, majorando essa base. E mais, no período abrangido por este lançamento, a normativa que regulava este assunto não previa a exclusão das atividades que ora se quer excluir das folhas de pagamento; III — Defesa Complementar tem direito à redução do valor da multa moratória em 50%, pois se trata de arbitramento e não de GFIP; IV — Defesa Complementar falta de informação legal para que se faça o cálculo por competência no mês 11/96, sob a alegação de que não foram aferidos salários por não ter sido identificado faturamento para a obra. Informa que neste mês a empresa possui mão-de-obra, que deve ser aproveitada nos valores arbitrados em outra competência; V — Decadência reitera os argumentos contidos na impugnação (fls. 53/54), onde afirma que o crédito tributário foi atingido pela decadência, nos termos do artigo 150, § 4 do CTN, além da inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei 8.212/91, conforme vem decidindo nossos tribunais; VI — requer que o julgamento se faça em conexão/continência, com os lançamentos DEBCADs 'fs. 35.797.354-2, 35.797.345-3, 35.797.346-1, 35.797.347-0, 35.797.348-8, 35.797.352-6, 35.797.350-0, 35.797.353-4, de acordo com o artigo 35 da Portaria MPAS-88/04 A recorrente , com sede em São Paulo-SP, aproveitou-se da sentença proferida nos autos da Ação Civil Pública n° 1999.61.08.002977, de autoria do Ministério Público Federal em Bauru, para abster-se da exigência do recolhimento do depósito prévio equivalente a 30% do valor da exigência fiscal, previsto no artigo 10, da Lei 9.639/98. Quanto à Almeida Marin Construções Ltda., preliminarmente alega: I — a nulidade da decisão recorrida porque a notificação enviada à recorrente não se deu na pessoa do seu representante legal; • 4 Processo e 37322.000111f2006-97 S2-C3T1 Acórdão o.° 2301-00.262 Fl. 248 — que é nula também a decisão por flagrante cerceamento de defesa, pois não foram juntados à mesma os documentos pelos quais o agente fiscal teria apurado as irregularidades e concluído pelos valores que alega serem devidos; III — a ilegitimidade para figurar no pólo passivo do auto de infração ora impugnado; IV - que as contribuições foram apuradas por aferição indireta, a qual é dotada de caráter excepcional, devendo ser exercida somente em casos extremos. No mérito, pede a anulação da DN, por cerceamento de defesa, e a determinação para que nova notificação seja procedida de acordo com as exigências le ais. Processo n°37322.000111/2006-97 S2-C3T1 Acórdão n. 2301-00.262 Fl. 249 Voto 'ar Conselheiro EDGAR SILVA VIDAL , Relator Os recursos foram apresentados tempestivamente e preenchidos os requisitos para sua admissibilidade. Quanto ao prazo decadencial para a constituição do crédito tributário relativo às contribuições sociais previstas na Lei 8.212/91, o Supremo Tribunal Federal na sessões plenárias dos dias 11 e 12/06/2008, respectivamente, por unanimidade, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91 e editou a Súmula Vinculante n° 08., verbis: Súmula Vinculante n° 08: "São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5° do Decreto-lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário". Os efeitos da Súmula Vinculante são previstos no artigo 103-A da Constituição Federal, regulamentado pela Lei n° 11.417, de 19/12/2006, in verbis: Art. 103-A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de oficio ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federai estadual e municipal, bem como proceder .à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. (Incluído pela Emenda Constitucional n°45, de 2004). Lei n°11.417, de 19/12/2006: Regulamenta o art. I03-A da Constituição Federal e altera a Lei 722 9.784, de 29 de janeiro de 1999, disciplinando a edição, a revisão e o cancelamento de enunciado de súmula vinculante pelo Supremo Tribunal Federal, e dá outras providências. --- Art. 2' O Supremo Tribunal Federal poderá, de oficio ou por provocação, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, editar enunciado de súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vincularue em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma prevista nesta Lei. 6 • • • Processo e 37322.000111/2006-97 S2-C3T1 Acórdão n.° 2301-00.262 Fl. 250 sç /12 O enunciado da súmula terá por objeto a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais haja, entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública, controvérsia atual que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre idêntica questão. Como se constata, a partir da publicação na imprensa oficial, todos os órgãos judiciais e administrativos ficaram m obrigados a acatarem a Súmula Vinculante. Assim, tendo em vista que a regra de incidência de cada tributo é que define a sistemática de seu lançamento e, tendo a Contribuição Previdenciária natureza tributária, cuja legislação atribui ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento, sem prévio exame da autoridade administrativa, amoldando-se à sistemática de lançamento por homologação, a contagem do prazo decadencial desloca-se da regra geral estatuída no art. 173 do CTN, para encontrar respaldo no § 40 do art. 150, do mesmo Código, hipótese em que os cinco anos têm como termo inicial a data da ocorrência do fato gerador. Como a inércia da Fazenda Pública homologa tacitamente o lançamento e extingue definitivamente o crédito tributário, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação (CTN, art. 150, § 40), o que não se tem notícia nos autos, entendo decadente o direito da Fazenda Nacional de constituir o crédito tributário relativamente à contribuição, para os fatos geradores ocorridos há mais de 5 anos. Mesmo para aqueles que não concordam com a aplicação do art. 150, §4°, do CTN, o crédito previdenciário lançado também está atingido pela decadência. Neste caso, os contribuintes tomaram ciência da NFLD em 22/12/2005 e 03/01/2006, respectivamente. Logo, em se tratando de tributos cujos fatos geradores ocorreram no período de 12/96 a 10/98, conclui-se que o crédito tributário foi atingido pela decadência. CONCLUSÃO: Diante do exposto, voto POR CONHECER. dos Recursos e DAR-LHES PROVIMENTO, para reconhecer a decadência do crédito tributário constante da NFLD n° 35.797.351-8. . É como voto. Sala das Sessões, em 06 de 2io de 2009 . EDG 11(11/CA VIDA - RelatorI 7 Page 1 _0028000.PDF Page 1 _0028100.PDF Page 1 _0028200.PDF Page 1 _0028300.PDF Page 1 _0028400.PDF Page 1 _0028500.PDF Page 1
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Numero do processo: 13869.000055/00-25
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 27 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu May 09 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2000 a 31/03/2000
CRÉDITO PRESUMIDO. ÔNUS DA PROVA.
Cabe ao contribuinte o ônus de provar que o valor pleiteado a título de ressarcimento de crédito presumido de IPI é certo quanto a sua existência jurídica e líquido quanto ao valor.
INSUMOS EMPREGADOS NA INDUSTRIALIZAÇÃO DE PRODUTO NÃO TRIBUTÁVEL. AUSÊNCIA DE DIREITO CREDITÓRIO.
Não há direito aos créditos de IPI em relação às aquisições de insumos aplicados na fabricação de produtos classificados na TIPI como NT. (Súmula CARF nº 20).
Recurso Improvido.
Numero da decisão: 3301-001.745
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a).
Rodrigo da Costa Pôssas
Presidente
Antônio Lisboa Cardoso
Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Adão Vitorino de Moraes, Antônio Lisboa Cardoso (relator), Paulo Guilherme Déroulède, Andrea Medrado Darzé, Maria Teresa Martínez López e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente).
Nome do relator: ANTONIO LISBOA CARDOSO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/01/2000 a 31/03/2000 CRÉDITO PRESUMIDO. ÔNUS DA PROVA. Cabe ao contribuinte o ônus de provar que o valor pleiteado a título de ressarcimento de crédito presumido de IPI é certo quanto a sua existência jurídica e líquido quanto ao valor. INSUMOS EMPREGADOS NA INDUSTRIALIZAÇÃO DE PRODUTO NÃO TRIBUTÁVEL. AUSÊNCIA DE DIREITO CREDITÓRIO. Não há direito aos créditos de IPI em relação às aquisições de insumos aplicados na fabricação de produtos classificados na TIPI como NT. (Súmula CARF nº 20). Recurso Improvido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a). Rodrigo da Costa Pôssas Presidente Antônio Lisboa Cardoso Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Adão Vitorino de Moraes, Antônio Lisboa Cardoso (relator), Paulo Guilherme Déroulède, Andrea Medrado Darzé, Maria Teresa Martínez López e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente).
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ÔNUS DA PROVA. Cabe ao contribuinte o ônus de provar que o valor pleiteado a título de ressarcimento de crédito presumido de IPI é certo quanto a sua existência jurídica e líquido quanto ao valor. INSUMOS EMPREGADOS NA INDUSTRIALIZAÇÃO DE PRODUTO NÃO TRIBUTÁVEL. AUSÊNCIA DE DIREITO CREDITÓRIO. Não há direito aos créditos de IPI em relação às aquisições de insumos aplicados na fabricação de produtos classificados na TIPI como NT. (Súmula CARF nº 20). Recurso Improvido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a). Rodrigo da Costa Pôssas Presidente Antônio Lisboa Cardoso Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 86 9. 00 00 55 /0 0- 25 Fl. 228DF CARF MF Impresso em 13/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 08/05/20 13 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 07/04/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Adão Vitorino de Moraes, Antônio Lisboa Cardoso (relator), Paulo Guilherme Déroulède, Andrea Medrado Darzé, Maria Teresa Martínez López e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente). Relatório Cuidase de recurso em face da decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão PretoSP, que julgou improcedente o pedido de ressarcimento da ora Recorrente, sintetizado na ementa do acórdão a seguir reproduzida: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2000 a 31/03/2000 RESSARCIMENTO DO IPI. COMPROVAÇÃO. Quando dados ou documentos solicitados ao interessado forem necessários à apreciação de pedido formulado, o não atendimento no prazo fixado pela Administração para a respectiva apresentação implicará o indeferimento do pleito. RESSARCIMENTO. COMPENSAÇÃO.ÔNUS DA PROVA. É ônus processual da interessada fazer a prova dos fatos constitutivos de seu direito. RESSARCIMENTO. FABRICAÇÃO DE PRODUTOS NÃOTRIBUTADOS (NT). O direito ao aproveitamento, nas condições estabelecidas no art. 11 da Lei n° 9.779, de 1999, do saldo credor de IPI decorrente da aquisição de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem aplicados na industrialização de produtos, isentos ou tributados à alíquota zero, não alcança os insumos empregados em saídas nãotributadas (N/T) pelo imposto. Manifestação de Inconformidade Improcedente . Direito Creditório Não Reconhecido. De acordo com a informação fiscal, um dos fundamentos do indeferimento foi o fato de a empresa ter apresentado somente os livros referente ao estabelecimento matriz e que, pelo princípio da autonomia dos estabelecimentos, os documentos entregue deveriam ser do estabelecimento detentor do crédito. Sendo o caso de pedido de ressarcimento de saldo credor de IP I, este deve conter relação com a discriminação dos diversos insumos empregados na industrialização, sua classificação fiscal, cópia do Livro Registro de Apuração do IPI referente ao período de apuração, contendo inclusive o estorno do crédito correspondente ao valor solicitado, cópias de notas fiscais de aquisição de matériasprimas, produtos intermediários e materiais embalagens utilizados, a exclusão do crédito de IPI de insumos usados em produtos nãotributados e a proporção do uso dos insumos quando utilizados na industrialização de produtos NT Fl. 229DF CARF MF Impresso em 13/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 08/05/20 13 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 07/04/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO Processo nº 13869.000055/0025 Acórdão n.º 3301001.745 S3C3T1 Fl. 229 3 (nãotributados), relação dos produtos comercializados, sua classificação fiscal e alíquota, entre outros, sendo passível de exame toda a escrituração da empresa. Ao constatar saídas de produtos nãotributados pelo IPI, intimou a contribuinte, sem lograr êxito, para informar o valor a estornar dos créditos relativos aos insumos utilizados nesses produtos e a apresentar demonstrativos evidenciando a apuração do estorno, juntando documentos hábeis a sustentar estes valores. Ademais, tanto a Lei nº 9.779/99, quanto a IN SRF nº 33/99, não contemplam a possibilidade de utilização do saldo credor do IPI, decorrente da aquisição de insumos, quando o produto industrializado for nãotributado (NT). A referida Instrução Normativa vai além, ao impor o estorno dos créditos originários de aquisição de MP, PI e ME, quando destinados à fabricação de produtos nãotributados. Afirma ainda, ser é sólida a jurisprudência sobre o assunto, citandose, entre outros, o Acórdão nº 20215269, publicado no DOU, de 20 de julho de 2004, do 2º Conselho de Contribuinte, como se vê abaixo: IPI – CRÉDITOS BÁSICOS – RESSARCIMENTO O princípio da nãocumulatividade aplicase apenas aos produtos tributados incluídos no campo de incidência desse imposto. Não gozam direito a créditos de IPI as aquisições de insumos aplicados em produtos que correspondem à notação NT (Não Tributados) na tabela de incidência TIPI. Recurso ao qual se nega provimento. Cientificada em 09/03/2012 (AR – fl. 214), a Recorrente interpôs recurso voluntário em 09/04/2012 (fls. 216/225), em síntese, reiterando as alegações apresentadas na fase exordial, sustentando não haver justificativa para a negativa do direito creditório, asseverando que a documentação apresentada comprova o direito pleiteado, não podendo a autoridade administrativa escusarse a reconhecer o direito creditício do contribuinte. Alega também que não teve condições de apresentar parte de seus livros e documentos requeridos porque estavam apreendidos pela fiscalização estadual. É o relatório. Voto Conselheiro Antônio Lisboa Cardoso, Relator O recurso é tempestivo e encontrase revestido dos demais pressupostos legais necessários, devendo o mesmo ser conhecido. Conforme relatado, tratase de pedido de ressarcimento de crédito básico de IPI, relativo aos períodos de apuração do 1º trimestre de 2000, protocolado em 26/04/2000 (fl. 1), os quais não foram deferidos em razão da não comprovação quanto aos insumos utilizados na industrialização de produtos não tributados. Fl. 230DF CARF MF Impresso em 13/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 08/05/20 13 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 07/04/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO 4 Embora a Recorrente tenha afirmado que parte dos documentos solicitados se encontravam com o Fisco Estadual, todavia, não logrou comprovar a efetiva entrega desses documentos à fiscalização. Em diversos outros recursos apreciados neste Egrégio CARF a empresa não logrou comprovar o direito creditório, sendo que, em alguns casos, as compensações foram homologadas por decurso de prazo (e não pela confirmação do direito creditório), como ocorreu com o processo nº 13807.013135/200191, julgado na sessão de 22/08/2012, pelo Conselheiro Antonio Carlos Atulim, Acórdão nº 3403001.742, assim ementado: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 01/07/2001 a 30/09/2001 CRÉDITO PRESUMIDO. ÔNUS DA PROVA. Cabe ao contribuinte o ônus de provar que o valor pleiteado a título de ressarcimento de crédito presumido de IPI é certo quanto a sua existência jurídica e líquido quanto ao valor. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. A autoridade administrativa tem cinco anos para homologar a compensação declarada pelo sujeito passivo, sob pena de que a homologação ocorra em face do fato extintivo previsto no art. 74, § 5º da Lei nº 9.430/96. Recurso voluntário provido em parte. No presente processo, não estão sendo analisados declaração de compensação, tratandose tão somente de pedido de ressarcimento, conforme declaração à fl. 02 dos autos. Apesar de a Recorrente afirmar que entregou todos os documentos necessários à comprovação do crédito alegado, a mesma afirma que a mesma está “incompleta”, vez que “teve grande parte de seus livros e documentos apreendidos pela própria fiscalização, o que lhe impediu de atender integralmente ao solicitado”. Dessa forma, não tendo a Recorrente comprovado o direito creditório não há como deferir o seu pleito, sobretudo porque, parte dos insumos foram utilizados na produção de produtos nãotributáveis que não conferem qualquer direito creditório, estando o assunto inclusive sumulado no âmbito do CARF, in verbis: Súmula CARF nº 20: Não há direito aos créditos de IPI em relação às aquisições de insumos aplicados na fabricação de produtos classificados na TIPI como NT. Em face do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso. Sala das Sessões, em 27 de fevereiro de 2013 Antônio Lisboa Cardoso Fl. 231DF CARF MF Impresso em 13/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 08/05/20 13 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 07/04/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO Processo nº 13869.000055/0025 Acórdão n.º 3301001.745 S3C3T1 Fl. 230 5 Fl. 232DF CARF MF Impresso em 13/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 08/05/20 13 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 07/04/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO
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Numero do processo: 10880.684352/2009-46
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 28 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon May 13 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2007
AUSÊNCIA DE LITÍGIO. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE INTEMPESTIVA.
A fase litigiosa do procedimento relativo à compensação de tributos somente se instaura com a apresentação válida e tempestiva da manifestação de inconformidade.
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do voto do relator.
Numero da decisão: 3803-003.752
Decisão: (assinado digitalmente)
ALEXANDRE KERN - Presidente.
(assinado digitalmente)
JORGE VICTOR RODRIGUES - Relator.
EDITADO EM: 25/04/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Kern (Presidente), João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, Jorge Victor Rodrigues
Nome do relator: JORGE VICTOR RODRIGUES
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MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE INTEMPESTIVA. A fase litigiosa do procedimento relativo à compensação de tributos somente se instaura com a apresentação válida e tempestiva da manifestação de inconformidade. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) ALEXANDRE KERN Presidente. (assinado digitalmente) JORGE VICTOR RODRIGUES Relator. EDITADO EM: 25/04/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Kern (Presidente), João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, Jorge Victor Rodrigues AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 68 43 52 /2 00 9- 46 Fl. 97DF CARF MF Impresso em 13/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2013 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 08/05/20 13 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 10/05/2013 por ALEXANDRE KERN 2 Relatório Peço vênia aos pares para adotar o relatório da decisão recorrida, por dispor de forma didática dos elementos necessários à compreensão dos fatos submetidos à apreciação desta Corte. A interessada acima qualificada apresentou Declaração de Compensação nº 26868.02310.191208.1.3.045750, em 19/12/08, (fls. 07/08), pleiteando a compensação de débitos da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS de 09/2008, que totalizaram R$ 52.170,67 (cinqüenta e dois mil e cento e setenta reais e sessenta e sete centavos), com créditos da COFINS, decorridos de suposto pagamento a maior ou indevido ocorrido em 19/11/2007. Por meio de Despacho Decisório Eletrônico de fl. 02, emitido em 23/10/209, a compensação pleiteada não foi homologada, sob o fundamento de que a partir das características do DARF, por meio do qual teria ocorrido o pagamento a maior ou indevido, o pagamento foi integralmente utilizado para a quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Este Despacho Decisório foi enviado ao contribuinte por via postal, porém a correspondência retornou com a informação de mudança de endereço do destinatário (fl. 04/05). Afixouse, em 02/12/09, o Edital PER/DCOMP 2530/2009 (fls. 38/40), o qual permaneceu afixado até 16/12/09, para dar ciência à interessada da referida decisão. Em 18/02/2010, a empresa apresentou manifestação de inconformidade (fls. 11/26) alegando em síntese: Sem qualquer fundamento legal ou maiores explicações, a autoridade administrativa não homologou a compensação realizada pela empresa. Que tomou ciência do Despacho Decisório somente ao fazer diligência junto ao órgão administrativo, quando obteve informação de que a intimação se deu por Edital, haja vista não ter sido localizada em seu endereço sede. Em preliminares, alega que a empresa está sediada na Rua Dias Leme, nº 130, Mooca, São Paulo/SP, desde 03/11/2005, e recebe suas correspondências enviadas pela própria Receita Federal neste endereço. Desta forma, não se pode acatar que as tentativas de intimação restaram improfícuas. Não obstante a intimação do Despacho Decisório ter sido realizada via edital, há que se observar o direito da requerente em ter prosseguimento o recurso. O Despacho Decisório está totalmente eivado de nulidades. Fl. 98DF CARF MF Impresso em 13/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2013 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 08/05/20 13 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 10/05/2013 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10880.684352/200946 Acórdão n.º 3803003.752 S3TE03 Fl. 9 3 A alegação de que não restou crédito disponível não é fundamento para a referida decisão. A autoridade administrativa não motivou esta indisponibilidade. A autoridade administrativa deve ter total obediência à legalidade, e motivar as decisões proferidas nos processos sob sua jurisdição. Tratase de um despacho decisório eletrônico, que sequer passou pelo crivo de um Auditor Fiscal para confirmar a suposta indisponibilidade. O crédito sequer foi apreciado. A ausência de motivação, como é o caso, importa em nulidade do ato praticado. As garantias constitucionais do contraditório e ampla defesa foram usurpadas, pois a autoridade administrativa não analisou o mérito do pedido, nem intimou a empresa a esclarecer os motivos do pleito. Quanto ao mérito, alega que usou de base de cálculo ampliada para cálculo da COFINS, incluindo não só a receita decorrente do faturamento, mas também demais receitas que não devem compôla, e postulou a restituição/compensação do valor que pagou a maior desta exação. O pedido tem como base a declaração de inconstitucionalidade, em consonância com o disposto pela Lei º 9.430/96, e observa que a inconstitucionalidade desta ampliação já foi declarada, e cuja ação já transitou em julgado. Como não sabe o motivo do indeferimento, não há como promover uma defesa com a apresentação de documentos comprobatórios. Pede posterior produção de provas. Requer o recebimento da manifestação de inconformidade, em seus efeitos devolutivo e suspensivo; que sejam acatadas as preliminares argüidas, a fim de declarar nulo o referido Despacho Decisório; que sejam promovidas as diligências necessárias à comprovação do crédito. Caso não reconhecida a nulidade, requer seja reformada a referida decisão, e homologada a compensação. É o relatório. Conclusos foram os autos remetidos para julgamento pela 6a turma da DRJ/SP1, em sessão realizada em 02/12/2010, cujo resumo de decisão encontrase assim ementado: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2007 INTIMAÇÃO POR EDITAL. CABIMENTO. Fl. 99DF CARF MF Impresso em 13/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2013 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 08/05/20 13 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 10/05/2013 por ALEXANDRE KERN 4 É válida a intimação por e4dital quando resultarem improfícuas as intimações feitas pessoalmente ou por via postal. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE INTEMPESTIVA. A manifestação de inconformidade apresentada fora do prazo estabelecido na legislação não instaura a fase litigiosa do procedimento administrativo fiscal, não podendo ser conhecida. Manifestação de Inconformidade Não Conhecida. Direito Creditório não Reconhecido. Em suas razões de decidir o relator constatou que, uma vez não homologada a compensação, a autoridade administrativa cientificou o sujeito passivo dessa decisão intimandoo, por via postal, nos termos do art. 74 da Lei nº 9.430/96, dos arts. 15 e 23 do Dec. nº 70.235/72, entretanto a correspondência foi devolvida pelo correio com a indicação de mudança de endereço (fl. 04/05), bem assim que após consulta ao sistema CNPJ (fl. 09), verificouse que o domicílio tributário cadastrado pelo contribuinte na Secretaria da Receita Federal do Brasil correspondia ao mesmo que informado pelo contribuinte, e para o qual foi enviada a intimação emitida pela autoridade administrativa (fl. 05). Com a devolução da intimação envidada por via postal no endereço retromencionado é de ser considerada regular a notificação por edital (art. 23, § 1o), o qual foi fixado em 02/12/2009 (fls. 38/40), situação em que se considera que a intimação ocorreu quinze dias após a publicação do edital, ou seja, em 17/12/209. Efetuada a contagem do prazo para a apresentação da impugnação, que é de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação, concluise que a manifestação de inconformidade apresentada pela defesa em 18/02/2010 é intempestiva. Ressaltou o voto condutor que a tempestividade da manifestação de inconformidade constitui requisito para o exame das questões de mérito pelo julgador administrativo, à luz do que preceitua o art. 14 do Dec. 70.235/72 e do ADN Cosit nº 15/96, restando prejudicada esta análise. A conclusão é que sendo a manifestação de inconformidade intempestiva, não se instaura a fase litigiosa do procedimento, salvo quanto à própria discussão de tempestividade, portanto não sendo conhecida a referida manifestação. Ao tomar ciência da decisão de primeira instância em 26/01/11 (fls. 58/59), irresignada contra a mesma a contribuinte interpôs recurso voluntário em 22/02/11 (), conforme estampado no carimbo do protocolo. A Recorrente reiterou os argumentos expendidos na exordial, minudentemente, persistindo na tese de a intimação por via de edital, consubstanciada em informação prestada pelo Correio de que a empresa “mudouse”, não pode ser admitida, porque a informação não é verídica, protestou pela falta de esclarecimentos acerca do não reconhecimento do crédito declarado, dando azo ao cerceamento de defesa e, portanto, à nulidade do feito, mormente porque a decisão a quo não foi adequadamente motivada. Repisou a defesa acerca da legitimidade do crédito noticiado com base na IN RFB nº 900/08, que regula a restituição/compensação por via eletrônica, defendendo a legitimidade de sua pretensão de ressarcimento em face da realização de pagamento a maior/indevido, a partir de diversas teses jurídicas cuja sistemática de recursos repetitivos e de Fl. 100DF CARF MF Impresso em 13/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2013 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 08/05/20 13 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 10/05/2013 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10880.684352/200946 Acórdão n.º 3803003.752 S3TE03 Fl. 10 5 repercussão geral foram reconhecidas, bem assim considerando o trânsito em julgado dessas decisões, onde os demais contribuintes estão aptos a requerer a restituição dos tributos pagos nos moldes da legislação considerada ilegal/inconstitucional. Argüiu que todas as situações que dão legitimidade ao crédito da Recorrente há de ser comprovado em sede de diligências, o que se requer desde já. Aduziu, finalmente, que ante a inércia da autoridade administrativa em expor os motivos pelos quais não reconheceu o direito creditório, por conseguinte obstaculando a defesa da Recorrente, pugna pela apresentação de documentos probantes de suas alegações, embora tardiamente, com fulcro no art. 16, § 4o, ‘a’, do Dec. nº 70.235/72. Os requerimentos formulados apontaram para a suspensão dos efeitos da exigibilidade do crédito tributário constituído, bem assim para a reforma da decisão a quo, reconhecendose a nulidade da intimação por via de edital, além do direito creditório em sua integralidade e a homologação da compensação realizada. Postulou, finalmente, pela produção de provas documentais mesmo que tardias. Ademais disso, consta às fls. 72/73 o Despacho Decisório DIORT nº 67/2011, que atestou a intempestividade da manifestação de inconformidade, para concluir pela não instauração da fase litigiosa do processo administrativo, implicando a definitividade da decisão proferida pela autoridade administrativa, ao negar prosseguimento ao pleito devido à falta de objeto. Consta, ainda, dos autos, o ofício de notificação nº 00142012.00011, expedido pela Secretaria da 14a Vara Federal Cível da 1a Subseção Judiciária em São Paulo, em face do Mandado de Segurança nº 002237438.2010.4.03.6100, que noticia acerca do deferimento parcial de liminar para determinar a remessa do recurso voluntário da impetrante ao CARF, bem assim para determinar que a autoridade administrativa responsável pelo CARF seja notificada sobre o interesse na causa, a fim de manifestarse sobre a questão dos autos, nos termos do artigo 7o, II, da Lei nº 12.016/09. É o relatório. Voto VOTO Conselheiro Jorge Victor Rodrigues Relator O Recurso Voluntário é tempestivo, porém a Manifestação de Inconformidade não foi conhecida pela DRJ São Paulo I/SP, em razão da intempestividade de sua apresentação. Adoto pelos mesmos motivos expendidos no relatório as razões de fundamentação e de decidir do I. Conselheiro Relator Hélcio Lafetá Reis, proferidas nos autos do processo administrativo fiscal de nº , em julgamento realizado recentemente, às quais me filio. Fl. 101DF CARF MF Impresso em 13/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2013 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 08/05/20 13 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 10/05/2013 por ALEXANDRE KERN 6 Conforme já apontou a autoridade julgadora de primeira instância, o interessado havia sido intimado por via postal da decisão da repartição de origem que indeferira a compensação pleiteada, tendo sido a correspondência devolvida pelos Correios com a indicação de mudança de endereço, este coincidente com o domicílio tributário cadastrado pelo contribuinte na Secretaria da Receita Federal do Brasil, em razão do que procedeuse à intimação por edital, tudo em conformidade com o art. 23, §§ 1º e 2º, do PAF. Tendo sido o edital afixado na repartição de origem em 02/12/2009, o prazo de 15 dias referente à ciência do procedimento previsto no § 2º, IV, do art. 23 do PAF iniciouse no dia seguinte, 03/12/2009, com término em 17/12/2009, sendo esta a data em que se considerou feita a intimação. Cientificado em 17/12/2009 da decisão, o contribuinte teria o prazo de 30 dias para apresentar a sua manifestação de inconformidade, nos termos do art. 74, §§ 9º e 11, da Lei nº 9.430/1996 e art. 15 do PAF, prazo esse iniciado em 18/12/2009 e finalizado em 17/01/2010. Contudo, somente em 18/02/2010, o contribuinte protocolizou a Manifestação de Inconformidade na repartição de origem (fls. 10/26), configurandose, insofismavelmente, a intempestividade já amplamente atestada nos autos. Verificase que, no procedimento de intimação, a autoridade administrativa observou as regras do art. 23, §§ 1º e 2º, do PAF, tendo procedido à intimação por edital somente após a demonstrada improficuidade da citação por via postal, não tendo havido qualquer vício a reclamar por declaração de nulidade. Não se sustenta o argumento do contribuinte de que a administração tributária deveria ter diligenciado junto ao estabelecimento do sujeito passivo para confirmar a informação relativa à mudança de endereço atestada pelos Correios, seja em razão da inexistência de previsão normativa nesse sentido, seja por colidir com os princípios da celeridade processual e da eficiência previstos, respectivamente, no art. 5º, LXXVIII, e no art. 37, caput, da Constituição Federal. Nesse contexto, considerando o teor do art. 14 do PAF, temse que a fase litigiosa do procedimento somente se instaura com a apresentação válida da manifestação de inconformidade/impugnação, sendo que, uma vez intempestiva tal peça recursal, não se tem por inaugurada a lide, não se vislumbrando qualquer possibilidade de se dar prosseguimento ao processo, dada a total ausência de objeto. Assim como se registrou na instância anterior, aqui também se ressalta que uma vez configurada a perempção por intempestividade, a controvérsia se restringe à própria discussão da tempestividade, em razão do que não se devem examinar as demais preliminares e as razões de mérito apresentadas pelo contribuinte. Diante do exposto, voto por NÃO CONHECER do recurso. Fl. 102DF CARF MF Impresso em 13/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2013 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 08/05/20 13 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 10/05/2013 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10880.684352/200946 Acórdão n.º 3803003.752 S3TE03 Fl. 11 7 É como voto. [assinado digitalmente] Jorge Victor Rodrigues Relator Declaração de Voto Fl. 103DF CARF MF Impresso em 13/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2013 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 08/05/20 13 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 10/05/2013 por ALEXANDRE KERN 8 Ministério da Fazenda Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Terceira Seção Terceira Câmara Processo nº: 10880.684352/200946 Interessada: EDITORA GRÁFICOS BURTI LTDA TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no § 4º do art. 63, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, fica o recorrente intimado a tomar ciência do Acórdão no 3803003.752, de 28/11/2012, da 3a Turma Especial da 3a Seção. Brasília DF, em 29 de janeiro de 2013. [Assinado digitalmente] Alexandre Kern 3a Turma Especial da 3a Seção Presidente Ciente, com a observação abaixo: ( ) Apenas com ciência ( ) Com embargos de declaração ( ) Com recurso especial Em ____/____/______ Fl. 104DF CARF MF Impresso em 13/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2013 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 08/05/20 13 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 10/05/2013 por ALEXANDRE KERN
score : 1.0
Numero do processo: 10166.903013/2010-83
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 20 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Processo Administrativo Fiscal
Ano Calendário: 2007
DCOMP PEDIDO DE RETIFICAÇÃ0 E/OU CANCELAMENTO RECURSO RITO GERAL DO PROCESSO ADMINISTRATIVO FEDERAL.
O pedido de retificação ou cancelamento de Dcomp não está sujeito ao rito do Processo Administrativo Fiscal – PAF, submetendo-se ao rito geral do processo administrativo federal.
Numero da decisão: 3301-001.364
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário nos termos do voto da relatora.
Nome do relator: ANDREA MEDRADO DARZE
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PIS Recorrente FUNDAÇÃO DOS ECONOMIÁRIOS FEDERAIS FUNCEF Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano Calendário: 2007 DCOMP PEDIDO DE RETIFICAÇÃ0 E/OU CANCELAMENTO RECURSO RITO GERAL DO PROCESSO ADMINISTRATIVO FEDERAL. O pedido de retificação ou cancelamento de Dcomp não está sujeito ao rito do Processo Administrativo Fiscal – PAF, submetendose ao rito geral do processo administrativo federal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário nos termos do voto da relatora. [assinado digitalmente] Rodrigo da Costa Pôssas Presidente. [assinado digitalmente] Andréa Medrado Darzé Relatora. Participaram ainda da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (presidente), José Adão Vitorino de Morais, Maria Teresa Martinez Lopez, Alan Fialho Gandra e Antônio Lisboa Cardoso. Relatório Tratase de Embargos de Declaração opostos contra a decisão da DRJ em Brasília que não conheceu da manifestação de inconformidade formulada. Fl. 196DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2012 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 24/04/2012 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 2 A ora Recorrente apresentou Dcomp – Declaração de Compensação, débitos de IRRF e PIS, novembro e setembro/2006, com crédito de pagamento a maior de PIS, referente a julho/2006. Irresignada com a não homologação da compensação, a ora Recorrente apresentou manifestação de inconformidade, alegando, em apertada síntese, que: (i) por equívoco, ocorreu a sobreposição de três Dcomp que utilizam o mesmo crédito (julho/2006); (ii) os débitos também estariam indicados em duplicidade. Em face das razões apresentadas, concluiu que o correto seria a integral extinção e cancelamento da Dcomp “B” (tanto quanto ao crédito como aos débitos), como forma de permitir que o saldo remanescente da Dcomp “A” seja aproveitado pela Dcomp “C”, viabilizando a regular homologação desta última. A DRJ em Brasilia não conheceu da manifestação de inconformidade formulada, por entender que o indeferimento de pedido de cancelamento de Dcomp não está sujeito ao rito processual do Processo Administrativo Fiscal (PAF). Irresignado, o contribuinte apresentou Embargos de Declaração para que fosse reformada a decisão que não conheceu a manifestação de inconformidade. No seu entender o correto seria concluir pela sua procedência e pela homologação da compensação pleiteada em face dos seguintes argumentos: (i) não há pedido exclusivo de cancelamento das Dcomps, mas apenas alternativo; (ii) a retificação de um equívoco evidente pode e deve ser feito pela autoridade julgadora de ofício. A autoridade preparadora determinou a remessa dos autos a este Conselho Administrativo para a análise do pedido. É o relatório. Voto Conselheira Andréa Medrado Darzé. Conforme é possível perceber do relato acima, a recorrente opôs Embargos de Declaração para que fosse reformada a decisão da DRJ que não conheceu a manifestação de inconformidade e como conseqüência fosse homologada compensação pleiteada, por entender que se aplicaria ao presente caso o rito do Processo Administrativo Fiscal, uma vez que seu pedido principal seria de cancelamento da utilização do crédito e a cobrança dos débitos naquela DCOMP “B”, com o que se permitirá a regular análise da utilização do saldo de crédito da DCOMP “A” (já homologada) pela presente DCOMP “C” – e que neste caso se reconheça a então regular homologação da DCOMP “C”. Diante da inexistência de previsão legal específica de cabimento de Embargos de Declaração contra os acórdãos da DRJ a autoridade preparadora encaminhou o processo para este Conselho para sua análise. Ocorre que, como o pedido dos Embargos de Declaração foi, em verdade, de reforma da decisão recorrida e não de saneamento de omissão, contradição ou obscuridade e tendo em vista que o processo administrativo fiscal é regido pelo princípio do informalismo moderado (art. 2º, da Lei nº 9.784/99), o recebo como Recurso Voluntário, e por conta disso, dele tomo conhecimento. Fl. 197DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2012 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 24/04/2012 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10166.903013/201083 Acórdão n.º 3301001.364 S3C3T1 Fl. 93 3 De uma análise, ainda que superficial, da manifestação de inconformidade e do recurso interposto, inferese que o único argumento apresentado pela ora Recorrente para a reforma da decisão que não homologou a compensação pleiteada foi a suposta necessidade de cancelamento da Dcomp 41837.69542.041006.1.3.046224 (Dcomp “B”), por entender que a Dcomp 06405.18685.290806.1.3.049723 (Dcomp “A”) e a Dcomp 32921.22142.070307.1.3.044149 (Dcomp “C”) utilizaram o mesmo crédito e os mesmos débitos nela informados. Mesmo tendo alegado no recurso que referido pedido seria apenas alternativo, o que se constata é que o contribuinte não apresentou qualquer outra razão, de fato ou de direito, para justificar a reforma da decisão da DRF que não homologou a compensação pleiteada. Dessa forma, não merece qualquer reparo a decisão recorrida que não admitiu a manifestação de inconformidade. De fato, não versando a discussão sobre a existência do crédito que fundamentou o ato de não homologação, mas apenas as conseqüências do deferimento ou indeferimento do pedido de cancelamento das supostas Dcomp’s emitidas em duplicidade, não cabe o manejo de manifestação de inconformidade, tampouco compete às DRJ a análise Com efeito, prescreve o art. 229, IV, do Regimento Interno da Secretaria da Receia Federal do Brasil – Portaria MF nº 587/10, que compete às DRJ julgar manifestação de inconformidade do sujeito passivo contra apreciações das autoridades competentes relativos à restituição, compensação, ressarcimento, imunidade, suspensão, isenção e à redução de tributos e contribuições administrados pela RFB. Ocorre que, nos termos do art. 48 da Instrução Normativa SRF nº 600/2005, é cabível manifestação de inconformidade apenas contra atos (i) de indeferimento de direito creditório ou (ii) de não homologação de compensação, hipóteses estas nas quais não se enquadram o pedido de cancelamento de DCOMP. Como bem colocado pela decisão recorrida, inexiste previsão no sentido de que caiba manifestação de inconformidade no procedimento para retificação ou cancelamento de pedidos de restituição, ressarcimento e compensação ou declarações de compensação, previsto nos artigos 56 a 62 da IN SRF nº 600/2005. Em face de todo o exposto, nego provimento ao presente recurso voluntário, para manter a decisão que não conheceu a manifestação de inconformidade, tendo em vista não se tratar o processo administrativo fiscal de procedimento próprio para o cancelamento de DCOMP. [assinado digitalmente] Andréa Medrado Darzé Fl. 198DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2012 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 24/04/2012 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 4 Fl. 199DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2012 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 24/04/2012 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS
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Numero do processo: 18471.000168/2006-38
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 22 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu May 09 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguros ou relativas a Títulos ou Valores Mobiliários - IOF
Ano-calendário: 2001, 2002, 2003, 2004, 2005
CONTRATO DE MÚTUO ENTRE PESSOAS JURÍDICAS. BASE DE CÁLCULO. ALÍQUOTAS.
Na operação de empréstimo, sob qualquer modalidade, inclusive abertura de crédito, quando ficar definido o valor do principal a ser utilizado pelo mutuário, a base de cálculo é o principal entregue ou colocado à sua disposição e não excederá o valor resultante da aplicação da alíquota diária a cada valor de principal, prevista para a operação, multiplicada por trezentos e sessenta e cinco dias.
NULIDADES. VÍCIO FORMAL E VÍCIO MATERIAL.
O lançamento de ofício não pode ser mantido em decorrência de vício formal - enquadramento legal deficiente e incompleto, em desacordo com o prescreve o artigo 10, inciso IV, do Decreto 70.235/72, implicando em cerceamento do direito de defesa nos termos do artigo 59, II, do mesmo Decreto, e, também, em consequência da nulidade por vício material - em função de desajuste entre o evento praticado e os critérios da regra-matriz de incidência tributária, mais especificamente, erro na indicação do critério quantitativo (base de cálculo e alíquota).
Recurso Ofício negado.
Numero da decisão: 3202-000.562
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso de Ofício. Os conselheiros Gilberto de Castro Moreira Junior, Rodrigo Cardozo Miranda e Octávio Carneiro Silva Corrêa votaram pelas conclusões.
Irene Souza da Trindade Torres Presidente
Luís Eduardo Garrossino Barbieri Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres, Gilberto de Castro Moreira Junior, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Rodrigo Cardozo Miranda, Charles Mayer de Castro Souza e Octávio Carneiro Silva Corrêa.
Nome do relator: LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguros ou relativas a Títulos ou Valores Mobiliários - IOF Ano-calendário: 2001, 2002, 2003, 2004, 2005 CONTRATO DE MÚTUO ENTRE PESSOAS JURÍDICAS. BASE DE CÁLCULO. ALÍQUOTAS. Na operação de empréstimo, sob qualquer modalidade, inclusive abertura de crédito, quando ficar definido o valor do principal a ser utilizado pelo mutuário, a base de cálculo é o principal entregue ou colocado à sua disposição e não excederá o valor resultante da aplicação da alíquota diária a cada valor de principal, prevista para a operação, multiplicada por trezentos e sessenta e cinco dias. NULIDADES. VÍCIO FORMAL E VÍCIO MATERIAL. O lançamento de ofício não pode ser mantido em decorrência de vício formal - enquadramento legal deficiente e incompleto, em desacordo com o prescreve o artigo 10, inciso IV, do Decreto 70.235/72, implicando em cerceamento do direito de defesa nos termos do artigo 59, II, do mesmo Decreto, e, também, em consequência da nulidade por vício material - em função de desajuste entre o evento praticado e os critérios da regra-matriz de incidência tributária, mais especificamente, erro na indicação do critério quantitativo (base de cálculo e alíquota). Recurso Ofício negado.
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BASE DE CÁLCULO. ALÍQUOTAS. Na operação de empréstimo, sob qualquer modalidade, inclusive abertura de crédito, quando ficar definido o valor do principal a ser utilizado pelo mutuário, a base de cálculo é o principal entregue ou colocado à sua disposição e não excederá o valor resultante da aplicação da alíquota diária a cada valor de principal, prevista para a operação, multiplicada por trezentos e sessenta e cinco dias. NULIDADES. VÍCIO FORMAL E VÍCIO MATERIAL. O lançamento de ofício não pode ser mantido em decorrência de vício formal enquadramento legal deficiente e incompleto, em desacordo com o prescreve o artigo 10, inciso IV, do Decreto 70.235/72, implicando em cerceamento do direito de defesa nos termos do artigo 59, II, do mesmo Decreto, e, também, em consequência da nulidade por vício material em função de desajuste entre o evento praticado e os critérios da regramatriz de incidência tributária, mais especificamente, erro na indicação do critério quantitativo (base de cálculo e alíquota). Recurso Ofício negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 1. 00 01 68 /2 00 6- 38 Fl. 1060DF CARF MF Impresso em 13/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 25/04/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 08/05/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso de Ofício. Os conselheiros Gilberto de Castro Moreira Junior, Rodrigo Cardozo Miranda e Octávio Carneiro Silva Corrêa votaram pelas conclusões. Irene Souza da Trindade Torres – Presidente Luís Eduardo Garrossino Barbieri – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres, Gilberto de Castro Moreira Junior, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Rodrigo Cardozo Miranda, Charles Mayer de Castro Souza e Octávio Carneiro Silva Corrêa. Relatório O presente litígio decorre de lançamento de ofício, veiculado através de auto de infração (fls. 13/ss e 93/ss) lavrado em 06/02/2006 e com ciência ao contribuinte em 22/02/2006, para a cobrança do IOF Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguros ou relativas a Títulos ou Valores Mobiliários, em relação a Contratos de Mútuos firmados pela Recorrente – como mutuante – com empresas a ela vinculadas, na condição de mutuárias, no período base de 2001 a 2005. Foi lançado o IOF no valor de R$ 1.011.205,48, acrescidos de multa de 75% e juros de mora, perfazendo um crédito tributário de R$ 2.168.622,99. Por bem descrever os fatos, transcrevese o Relatório constante da decisão de primeira instância administrativa, verbis: Vistos e analisados os presentes autos, tratase de lançamento de oficio do Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguros ou relativas a Títulos ou Valores Mobiliários IOF, apurado em fiscalização levada a efeito pela Delegacia da Receita Federal/DRF DEFIC RJ e ao amparo do mandado de procedimento fiscal (MPF) n° 07.1.90.002005004424 e prorrogações, que cobriu o período base de 2001 a 2005. O valor do IOF lançado é de R$ 1.011.205,48, acrescidos de multa de 75% e juros de mora, perfazendo um crédito tributário de R$2.168.622,99 (vide fl. 2). 2 Os fatos que deram origem ao lançamento se encontram discriminados no auto de infração (AI) de fls. 93 a 108 e 115 e, ainda, no Termo de Constatação de Infração de fl. 13, tendo como motivação a manutenção através de conta corrente, de contratos de mútuos de recursos financeiros entre pessoas jurídicas, por prazo indeterminado, com suas empresa ligadas Sea Containers Brasil Ltda, Brasiluvas Agrícola Ltda, Orient Express Hotels e Empresas São Francisco S A, no período de fevereiro de 2001 a outubro de 2005, conforme escriturado no livro Razão às fls 71 a 92 e planilhas anexadas às fls. 14 a 70; 3 0 Autuante juntou aos autos, além de planilhas com saldos devedores diários de recursos financeiros mutuados: cópias do razão analítico da interessada (fls. 71/85); cópias de contratos de mútuo firmados entre a interessada e a Brasiluvas Agrícolas Fl. 1061DF CARF MF Impresso em 13/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 25/04/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 08/05/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 18471.000168/200638 Acórdão n.º 3202000.562 S3C2T2 Fl. 1.060 3 SA (fls.86/88); cópias de contrato de mútuo firmado entre a interessada e a Sea Containers Brasil Ltda (fls.89/92) e capitulou as infrações no Regulamento do IOF, Decreto 2219/97; artigo 13 da Lei 9779/1999; ADSRF n° 7/1999 e Regulamento do IOF, Decreto n° 4494/2002; 4 Inconformada com a exigência fiscal, a interessada apresentou impugnação de fls. 117 a 127 e documentos anexos de fls.128 a 555. A peça de defesa se fundamenta nos seguintes fatos e fundamentos de direito invocados pela interessada: 4.1 reconhece a concessão de crédito às quatro sociedades ligadas e citadas pelo Auditor fiscal que a autuou, instrumentados por vários contratos de mútuo, exceto à empresa São Francisco de Representação de Hotéis SA, realizados via conta corrente e detalha cada um deles com suas especificidades, acompanhando planilhas, datas e valores; 4.2 alega que a forma de o Auditor fiscal fazer o levantamento do IOF não possibilitou informar a base de cálculo empregada para cada modalidade de crédito, procurou tributar operações de crédito realizadas antes de I o de janeiro de 1999 entre pessoas jurídicas não financeiras e que não respeita a base de cálculo nem o limite máximo da alíquota do IOF prevista no § I o do artigo 7o do Decreto n° 2219/97 e no § I o do artigo 7o do Decreto 4494/2002; 4.3 invoca a declaração de nulidade do auto de infração por ser a capitulação imprecisa e indefinida da suposta infração cometida, citando o artigo 10 do Dec. 70235/72 que exige que o AI contenha, entre outros, a disposição legal infringida e a penalidade aplicável (grifo da interessada), citando jurisprudência administrativa da 2ª a Câmara do 1º Conselho de Contribuinte que vai ao encontro de seu entendimento; 4.4 afirma não incidir o IOF nos empréstimos realizados anteriormente a 1999, citando o CTN, art. 63, I e a Lei 5142, art 1º , I, o Decreto 2219/97, art. 2º e 3º para afirmar que para período anterior a 1999 somente operações de crédito realizadas por instituições financeiras constituíamse em fatos geradores do IOF e, portanto, sobre os empréstimos realizados à Sea Containers Brasil Ltda, todos anteriores à 1999, não incide o IOF; 4.5 entende que houve extrapolação do limite máximo da alíquota do IOF para operações ocorridas posteriormente a janeiro de 1999, cf. previsto nos regulamentos desse imposto, baixados pelos Decretos 2219/97 e 4492/2002, que estabeleciam alíquota diária de 0,0041% no limite do prazo de 365 dias (art. 7o dos decretos citados), invocando a improcedência do lançamento quanto aos valores que excedem a aplicação da alíquota máxima do IOF.; 4.6 reconhece em parte débitos relativos ao IOF para mútuos realizados posteriormente a janeiro de 1999 desde que Fl. 1062DF CARF MF Impresso em 13/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 25/04/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 08/05/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES 4 respeitados os limites de aplicação da alíquota de 1,4965% (0,0041% x 365 dias); 4.7 requer seja declarada a nulidade do AI ante a ausência de capitulação e menção vaga dos dispositivos legais supostamente infringidos e, caso não seja atendida nesse mister, requer quanto à parte contestada do crédito tributário lançado: cancelamento do lançamento em relação às operações realizadas antes de 1701/1999 e a revisão do lançamento para limitar o crédito tributário à aplicação da alíquota máxima de 1,4965% sobre o valor do crédito concedido, homologandose o pagamento efetuado pela impugnante e a extinção do crédito tributário cobrado. DA DILIGÊNCIA REALIZADA PELA RFB 5. Com o intuito de asseverar que todas as informações prestadas pela interessada em sua impugnação estavam em consonância com os registros contábeis e fiscais, foi o julgamento convertido em diligência, nos termos da Resolução n° 330, de 18/12/2008 (fls. 568/9), para que, analisada a contabilidade da interessada, fosse informado, para os anos calendários até 1998 (i) e a partir de 1999 (ii): a) se os contratos de mútuo foram liquidados pelos mutuários e quais foram eles, e b) se os valores de seus saldos devedores compõem o saldo devedor informado à fl. 14, discriminando aqueles que o compõem. 6. Em conseqüência dos termos da Resolução produziuse o termo de diligência fiscal e solicitação de documentos (fls. 571/2) com o conseqüente atendimento pela interessada e ajuntada dos documentos de fls.577 a 619. 7. Da análise dos referidos documentos o diligente Auditor produziu o termo de conclusão de diligência e intimação de fls. 620/1, que assim concluiu: a) todos os contratos de mutuo constantes de fls 157 a 342 foram liquidados em 21/03/2006; b) os valores dos saldos devedores apurados a fls 14, com base' na escrituração contábil do contribuinte, naquela data, é composto por: Brasiluvas R$ 6.621.800,00; Sea Containers BrasilR$ 4.377.288,00; c) foram juntadas ao p. processo cópias das folhas do Razão analítico onde constam os registros dos mútuos (fls. 580/619). (OBS: da análise dos documentos juntados aos autos, máxime o Razão analítico da interessada, foram ratificados todos os valores que serviram de base ao lançamento, pelo que as conclusões do Relator terão por base tanto os documentos juntados anteriormente ao p.processo quanto aqueles juntados depois da referida diligência, visto que são coerentes, conexos e complementares). Fl. 1063DF CARF MF Impresso em 13/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 25/04/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 08/05/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 18471.000168/200638 Acórdão n.º 3202000.562 S3C2T2 Fl. 1.061 5 8. Dada por concluída a diligência, foi seu resultado encaminhado ao endereço da interessada, tomando ela ciência do mesmo em 27/06/2009 f. comprova o aviso de recebimento dos Correios (fl. 622) e sobre ele se manifestando às fls.623/4, reiterando o pedido constante de sua impugnação de que: "i) seja cancelado o lançamento em relação às operações de crédito feitas anteriormente a I o de janeiro de 1999 e ii) seja revisado o lançamento quanto às demais operações para limitar o crédito tributário à aplicação da alíquota máxima de 1,4965% sobre o valor do crédito concedido, com a homologação dos pagamentos efetuados pela impugnante e extinção do crédito tributário cobrado". É o relatório. A 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro I julgou o lançamento improcedente, nos termos do Acórdão n.º 1226.827 de 22 de outubro de 2009 (folhas 626/ss), o qual recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE OPERAÇÕES DE CRÉDITO, CÂMBIO E SEGUROS OU RELATIVAS A TÍTULOS OU VALORES MOBILIÁRIOS IOF. Anocalendário: 2001, 2002, 2003,2004, 2005 Ementa: BASE DE CÁLCULO. Na operação de empréstimo, sob qualquer modalidade, inclusive abertura de crédito, quando ficar definido o valor do principal a ser utilizado pelo mutuário, a base de cálculo é o principal entregue ou colocado à sua disposição e não excederá o valor resultante da aplicação da alíquota diária a cada valor de principal, prevista para a operação, multiplicada por trezentos e sessenta e cinco dias. APLICAÇÃO DA LEI. A legislação tributária aplicase imediatamente aos fatos geradores futuros e pendente, assim entendidos aqueles cuja ocorrência tenha tido inicio, mas não esteja completa. ARGUIÇÃO DE NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. Somente ensejam nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente o com preterição de direito de defesa do contribuinte. Descabe a alegação de nulidade quando não existirem atos insanáveis e quando a autoridade autuante observa os procedimentos legais. Impugnação Procedente Crédito Tributário Exonerado Fl. 1064DF CARF MF Impresso em 13/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 25/04/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 08/05/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES 6 Desta decisão foi apresentado Recurso de Ofício, nos termos do que dispõe o inciso II, art. 25 do Decreto n.º 70.235/72, com a redação dada pela n.º 11.941/2009, assim como ao que dispõe a Portaria do Ministério da Fazenda (MF) n.º 3/2008. A interessada foi cientificada do Acórdão em 09/12/2010 (folha 648 – frente e verso). O processo digitalizado foi distribuído e, posteriormente, encaminhado a este Conselheiro Relator na forma regimental. É o relatório Voto Conselheiro Luís Eduardo G. Barbieri, Relator. O Recurso de Ofício apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele se conhece. O Recurso não deve ser provido pelos motivos que passamos a elencar. Como relatado, o lançamento de ofício pretendia cobrar IOF em relação a Contratos de Mútuos firmados pela Recorrente (mutuante) com empresas a ela vinculadas (mutuários), no período base de 2001 a 2005. Segundo descrito no Termo de Constatação (fl. 13 – Vol. I), a fiscalização informa que apurou “falta de recolhimento do IOF incidente sobre a manutenção, através de conta corrente, de contratos de mútuo de recursos financeiros entre pessoas jurídicas, por prazo indeterminado, com suas empresas Sea Containers Brasil, Brasiluvas Agrícola Ltda, Orient Express e Empresa São Francisco, durante o período de 02/2001 e 10/2005, conforme escriturado no Razão, fls. 71 a 92, tendo sido o cálculo do imposto feito pelo somatório dos saldos devedores diários, conforme planilhas de fls. 14/70”. O enquadramento legal informado pela fiscalização foi o seguinte (fl. 13 e 97): “DISPOSITIVOS INFRINGIDOS Regulamento do IOF, Decreto n° 2219/97; artigo 13 da Lei n° 9779/1999; ADSRF n° 7/1999 e Regulamento do IOF, Decreto n° 4494/2002”. Da análise dos autos verificase que a fiscalização incorreu nos seguintes erros na constituição do crédito tributário por meio do lançamento de ofício efetuado: informou de forma deficiente e incompleta o enquadramento legal, errou na apuração da base de cálculo e também na indicação da alíquota aplicável. Vejamos. A fiscalização citou os Regulamentos do IOF aprovados pelo Decreto n°. 2219/97 e pelo Decreto n°. 4494/2002 sem, entretanto, especificar quais os artigos destes dispositivos legais a empresa havia infringido. Citou, ainda, o artigo 13 da Lei 9.779/99 que tem a seguinte redação: Art. 13. As operações de crédito correspondentes a mútuo de recursos financeiros entre pessoas jurídicas ou entre pessoa jurídica e pessoa física sujeitamse à incidência do IOF segundo as mesmas normas aplicáveis às operações de financiamento e empréstimos praticadas pelas instituições financeiras. Fl. 1065DF CARF MF Impresso em 13/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 25/04/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 08/05/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 18471.000168/200638 Acórdão n.º 3202000.562 S3C2T2 Fl. 1.062 7 § 1º Considerase ocorrido o fato gerador do IOF, na hipótese deste artigo, na data da concessão do crédito. § 2° Responsável pela cobrança e recolhimento do IOF de que trata este artigo é a pessoa jurídica que conceder o crédito. § 3o O imposto cobrado na hipótese deste artigo deverá ser recolhido até o terceiro dia útil da semana subsequente à da ocorrência do fato gerador. (grifamos) Depreendese do enunciado prescritivo acima transcrito (art. 13 da Lei 9.779/99) que o aspecto temporal da regramatriz de incidência tributária, no caso de operações decorrentes de contrato de mútuo entre pessoas jurídicas, é da data da concessão do crédito. Portanto, se considerarmos como fundamento legal apenas o artigo 13 da Lei 9.779/99 (uma vez que a fiscalização cita, ainda, os Regulamentos do IOF sem especificar quais os artigos específicos), assiste razão à interessada quando afirma, em sua Impugnação (fl. 124 – Vol. I), que o fato gerador (aspecto temporal da regramatriz de incidência) do IOF ocorre no momento da concessão do crédito, e assim sendo, somente os créditos concedidos por pessoas jurídicas nãofinanceiras a partir do advento da Lei 9.779/99 estariam sujeitas a esta incidência. Destarte, para os empréstimos concedidos pela interessada às empresas a ela ligadas, anteriormente à Lei 9.779/99 (publicada no DOU em 20/01/99) não haveria a incidência do IOF. A relação dos Contratos de Mútuos, com as respectivas datas, foi obtida com base no resultado da diligência efetuada a pedido da DRJ – Rio de Janeiro (Resolução No. 330 de 18/12/2008 – fls. 568/ss – Vol. III), e encontrase acostada aos autos às folhas 577/ss. Consta, ainda, dos autos cópias dos citados Contratos de Mútuos às folhas 158/ss. De outro lado, temos que os artigos 6º e 7º do Decreto 4.494/02 assim dispõem: Art. 6° O IOF será cobrado à alíquota máxima de um vírgula cinco por cento ao dia sobre o valor das operações de crédito (Lei n° 8.894, de 1994, art. 1o). (...) Art. 7° A base de cálculo e respectiva alíquota reduzida do IOF são (Lei n° 8.894, de 1994, art. 1o, parágrafo único, e Lei n° 5.172, de 1966, art. 64, inciso I): I na operação de empréstimo, sob qualquer modalidade, inclusive abertura de crédito: a) quando não ficar definido o valor do principal a ser utilizado pelo mutuário, inclusive por estar contratualmente prevista a reutilização do crédito, até o termo final da operação, a base de cálculo é o somatório dos saldos devedores diários apurado no último dia de cada mês, inclusive na prorrogação ou renovação: 1. mutuário pessoa jurídica: 0,0041%; 2. mutuário pessoa física: 0,0041% b) quando ficar definido o valor do principal a ser utilizado pelo mutuário, a base de cálculo é o principal entregue ou Fl. 1066DF CARF MF Impresso em 13/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 25/04/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 08/05/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES 8 colocado à sua disposição, ou quando previsto mais de um pagamento, o valor do principal de cada uma das parcelas: 1. mutuário pessoa jurídica: 0,0041% ao dia; 2. mutuário pessoa física: 0,0041% ao dia; (...) §1º O IOF, cuja base de cálculo não seja apurada por somatório de saldos devedores diários, não excederá o valor resultante da aplicação da alíquota diária a cada valor de principal, prevista para a operação, multiplicada por trezentos e sessenta e cinco dias, ainda que a operação seja de pagamento parcelado. Neste caso, também houve erro na indicação da base de cálculo utilizada e da alíquota aplicável, conforme bem destacou o votocondutor do Acórdão nº 1226.827 DRJ Rio de Janeiro, cujos trechos abaixo transcrevemos: 27. Verificado que os contratos apresentados tanto pelo autuante como pela interessada têm o valor do principal determinado, o lançamento do IOF deveria tomar como base estes valores e não os saldos diários como procedeu o autuante, consoante determinação do art. 7o, I, "b" e §único do Decreto 4.494/02. DA BASE DE CÁLCULO E DA ALÍQUOTA DO IOF 28. Como definido pelos Decretos de regência, a base de cálculo do IOF é valor do principal entregue ou colocado à disposição do mutuário e a alíquota, para operações entre pessoas jurídicas é de 0,0041% ao dia. 29. A base de cálculo utilizada pelo Autuante, segundo o Termo de Constatação de Infração (fl. 13), foi retirado do livro Razão, da interessada, cujas cópias foram juntadas às fls. 71 a 92, e levada a compor as planilhas de fls 14 a 70, identificada pelo valor correspondente àquele retirado do Razão. 30. Desta forma, procede razão à interessada quanto à alegação de que "o Auditor fiscal ao fazer o levantamento do IOF não possibilitou informar a base de cálculo empregada para cada modalidade de crédito", visto que as bases de cálculo do IOF constam das planilhas juntadas aos autos, porém nem todas são passíveis de aplicação da alíquota de 0,0041% sem limitação (de prazo); e esse tipo de autuação, objeto do AI sob comento, somente deve alcançar as bases de cálculo representadas por valores de mútuos entre pessoas jurídicas, sem prazo, realizado por meio de conta corrente e que serão passíveis de serem tributadas, devendo ser excluídas todas as outras bases às quais se impõe a limitação prevista no art. §1º do art. 7° do Dec. 4.494/2002 (ou seja, 0,0041% x 365 dias). 31. Tal ilação decorre da análise dos saldos devedores estipulados pelo Autuante, à fl. 14 e seguintes, cujo valor de R$ 10.999.088,00, que é o somatório do saldo constante no Razão analítico de fl. 71, da empresa Sea Containers Brasil de R$ 4.377.288,00 e do saldo constante à fl. 72, da empresa Brasiluvas Agrícola Ltda de R$ 6.621.800,00. O valor de R$ Fl. 1067DF CARF MF Impresso em 13/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 25/04/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 08/05/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 18471.000168/200638 Acórdão n.º 3202000.562 S3C2T2 Fl. 1.063 9 10.999.088,00 se repete, sem alteração, de 1/02/2001 a 31/05/2003 (fls. 14 a 40), sem incluir valores de saldos devedores da empresa São Francisco de Representações Ltda, embora tenha havido inúmeras alterações do saldo devedor desta (fls. 541/7). De 176/2003 a 31/10/2005 não consta nas bases de cálculo, igualmente, nenhum valor de saldo devedor dessa empresa. 32 Assim, não havendo valores tributáveis de IOF na base de cálculo indicada pela Fiscalização, levando em conta o somatório de saldos devedores diários resultantes de manutenção em conta corrente de contratos de mútuos de recursos financeiros entre pessoas jurídicas, por prazo indeterminado, no período de 02/2001 a 10/2005, conforme termo de constatação lavrado e fundamentação legal capitulada, inexiste valor de imposto a ser lançado. Deste modo, o lançamento de ofício efetuado não pode ser mantido, seja em decorrência da nulidade por vício formal – enquadramento legal deficiente e incompleto, em desacordo com o prescreve o artigo 10, inciso IV, do Decreto 70.235/72, implicando em cerceamento do direito de defesa nos termos do artigo 59, II, do mesmo Decreto; seja em consequência da nulidade por vício material – em função do desajuste entre o evento praticado (contrato de mútuo com o valor do principal definido) e os critérios da regramatriz de incidência tributária, mais especificamente, erro na indicação do critério quantitativo (base de cálculo e alíquota). Ante ao exposto, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao Recurso de Ofício. É como voto. Luís Eduardo Garrossino Barbieri Fl. 1068DF CARF MF Impresso em 13/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 25/04/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 08/05/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES
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Numero do processo: 11020.001962/2007-49
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 27 00:00:00 UTC 2012
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 12/01/2005 DECISÃO ADMINISTRATIVA DEFINITIVA. O presente processo não trata de pedido de restituição e sim, exclusivamente, de declaração de compensação. O pedido de restituição foi apreciado e julgado administrativamente em outro processo e não cabe, aqui, discutir novamente direito creditório para o qual já houve decisão definitiva no âmbito administrativo. Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3302-001.668
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: WALBER JOSE DA SILVA
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O presente processo não trata de pedido de restituição e sim, exclusivamente, de declaração de compensação. O pedido de restituição foi apreciado e julgado administrativamente em outro processo e não cabe, aqui, discutir novamente direito creditório para o qual já houve decisão definitiva no âmbito administrativo. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente e Relator. EDITADO EM: 29/06/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. Fl. 124DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/06/2012 por WALBER JOSE DA SILVA 2 Relatório Trata o presente de duas Declarações de Compensação, transmitidas nos dias 09/12/2004 e 12/01/2005, e consideradas não declaradas pela DRF de Caxias do Sul RS (fls. 51/53) porque o crédito utilizado pela recorrente foi indeferido em PER/DCOMP, controlado no Processo nº 13016.000927/200292, cuja ciência do indeferimento do crédito ocorreu em data anterior ao da transmissão das DCOMP deste processo. O processo do crédito foi definitivamente julgado no âmbito administrativo em desfavor da recorrente. No despacho decisório foi consignado que não cabe manifestação de inconformidade à DRJ, nos termos do § 2º do art. 31 da IN nº 460/2004. Ainda assim a empresa apresentou manifestação de inconformidade, que restou não conhecida pela DRJ de Juiz de Fora MG, em relação à DCOMP apresentada no dia 12/01/2005, e foi apreciada em relação à DCOMP apresentada no dia 09/12/2004, nos termos do Acórdão nº 0933.279, de 25/01/2011, conforme ementa abaixo: DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO CONSIDERADA NÃO DECLARADA. Não há previsão de recurso às Delegacias da Receita Federal de Julgamento contra decisão que considere compensação não declarada. DECISÃO DEFINITIVA. Não cabe discutir direito creditório para o qual já houve decisão definitiva no âmbito administrativo, indeferindo igual pleito da contribuinte. Desta decisão a empresa interessada tomou ciência no dia 21/02/2011 (AR de fle. 87) e, não se conformando, no dia 11/03/2011 ingressou com o recurso voluntário de flse 89/102, no qual discorre sobre a origem do crédito utilizado na compensação declarada, o prazo para pleitear restituição e o direito à compensação a que se refere a Lei nº 8.393/91 para concluir pedindo o reconhecimento do crédito utilizado na compensação. É o Relatório. Voto Conselheiro Walber José da Silva, Relator. O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais preceitos legais. Dele se conhece. Como relatado, a empresa apresentou declaração de compensação utilizando crédito solicitado em outro processo e que já tinha conhecimento do indeferimento do pedido de restituição. Fl. 125DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/06/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 11020.001962/200749 Acórdão n.º 330201.668 S3C3T2 Fl. 2 3 No seu recurso voluntário a empresa pretende discutir, novamente, o crédito utilizado na compensação declarada, matéria já decidida no Processo nº 13016.000927/2002 92, pleiteando o seu reconhecimento. Silenciou quanto ao não conhecimento da manifestação de inconformidade relativamente à DCOMP apresentada no dia 12/01/2005, posterior à Lei nº 11.051/2004. Como disse a decisão recorrida, o crédito a que se refere a recorrente já havia sido indeferido no âmbito administrativo, com decisão definitiva (arts. 42 e 43 do Decreto nº 70.235/72), não cabendo mais a sua rediscussão, ainda mais neste processo que trata exclusivamente de declaração de compensação e não de pedido de restituição. No mais, com fulcro no art. 50, § 1o, da Lei no 9.784/19991, adoto e ratifico os fundamentos do acórdão de primeira instância. Por tais razões, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Walber José da Silva 1 Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: [. . .] § 1o A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão parte integrante do ato. Fl. 126DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/06/2012 por WALBER JOSE DA SILVA
score : 1.0
Numero do processo: 11634.001245/2007-07
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jun 26 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL - ITR
Exercício: 2003, 2004, 2005
NORMAS PROCESSUAIS. PROVA DOCUMENTAL. MOMENTO APRESENTAÇÃO. APÓS IMPUGNAÇÃO. POSSIBILIDADE. PRINCÍPIO DA INSTRUMENTALIDADE E VERDADE MATERIAL.
O artigo 16, § 4º, do Decreto nº 70.235/72, estabelece como regra geral para efeito de preclusão que a prova documental deverá ser apresentada juntamente à impugnação do contribuinte, não impedindo, porém, que o julgador conheça e analise novos documentos ofertados após a defesa inaugural, em observância aos princípios da verdade material e da instrumentalidade dos atos administrativos, sobretudo quando são capazes de rechaçar em parte ou integralmente a pretensão fiscal, bem como se prestam a corroborar alegações suscitadas desde o início do processo. Recurso especial negado.
Numero da decisão: 9202-002.162
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Matéria: IRPF- ação fiscal - Dep.Bancario de origem não justificada
Nome do relator: RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA
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PROVA DOCUMENTAL. MOMENTO APRESENTAÇÃO. APÓS IMPUGNAÇÃO. POSSIBILIDADE. PRINCÍPIO DA INSTRUMENTALIDADE E VERDADE MATERIAL. O artigo 16, § 4º, do Decreto nº 70.235/72, estabelece como regra geral para efeito de preclusão que a prova documental deverá ser apresentada juntamente à impugnação do contribuinte, não impedindo, porém, que o julgador conheça e analise novos documentos ofertados após a defesa inaugural, em observância aos princípios da verdade material e da instrumentalidade dos atos administrativos, sobretudo quando são capazes de rechaçar em parte ou integralmente a pretensão fiscal, bem como se prestam a corroborar alegações suscitadas desde o início do processo. Recurso especial negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Fl. 1DF CARF MF Impresso em 24/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/07/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 05/07/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OL Processo nº 11634.001245/200707 Acórdão n.º 920202.162 CSRFT2 Fl. 1.019 2 (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo – Presidente (Assinado digitalmente) Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira – Relator EDITADO EM: 05/07/2012 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Susy Gomes Hoffmann (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gonçalo Bonet Allage, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Pedro Anan Junior, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Relatório ALICE REIKO HAYAMA, contribuinte, pessoa física, já devidamente qualificada nos autos do processo administrativo em epígrafe, teve contra si lavrado Auto de Infração, em 30/11/2007, exigindolhe crédito tributário concernente ao Imposto de Renda Pessoa Física IRPF, decorrente de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, em relação aos anoscalendário 2002 a 2004, conforme peça inaugural do feito, às fls. 777/782, e demais documentos que instruem o processo. Após regular processamento, interposto recurso voluntário à 2a Seção de Julgamento do CARF contra Decisão da 4a Turma da DRJ em Curitiba/PR, Acórdão nº 06 16.583/2008, às fls. 874/884, que julgou procedente em parte o lançamento fiscal em referência, a Egrégia 1ª Turma Ordinária da 1a Câmara, em 02/12/2009, por unanimidade de votos, achou por bem DAR PROVIMENTO PARCIAL AO RECURSO VOLUNTÁRIO DA CONTRIBUINTE, o fazendo sob a égide dos fundamentos inseridos no Acórdão nº 2101 00.381, sintetizados na seguinte ementa: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2003, 2004, 2005 IRPF LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS RMF EXPEDIÇÃO MOTIVAÇÃO A demora injustificada para a entrega dos extratos da movimentação bancária autoriza a expedição da Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira (RMF), nos termos Fl. 2DF CARF MF Impresso em 24/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/07/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 05/07/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OL Processo nº 11634.001245/200707 Acórdão n.º 920202.162 CSRFT2 Fl. 1.020 3 do art. 33, I, da Lei n° 9.430, de 1996, em combinação com o artigo 3', VII, do Decreto n°3.724, de 2001. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS Para os fatos geradores ocorridos a partir de 1' de janeiro de 1997, o art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996, autoriza a presunção legal de omissão de rendimentos com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo. ÔNUS DA PROVA Se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a prova da origem dos recursos utilizados para acobertar seus depósitos bancários, que não pode ser substituída por meras alegações. Preliminar rejeitada. Recurso parcialmente provido.” Irresignada, a Procuradoria da Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial, às fls. 922/925, com arrimo nos artigos 64, inciso II, e 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, procurando demonstrar a insubsistência do Acórdão recorrido, desenvolvendo em síntese as seguintes razões: Após breve relato das fases ocorridas no decorrer do processo administrativo fiscal, insurgese contra o Acórdão atacado, por entender ter contrariado entendimento levado a efeito por outras Câmaras dos Conselhos a respeito da mesma matéria, conforme se extrai do Acórdão nº 20218.463, impondo seja conhecido o recurso especial da recorrente, porquanto comprovada a divergência arguida. Sustenta que o entendimento inscrito no Acórdão encimado, ora adotado como paradigma, diverge do decisum guerreado, uma vez impor que o momento para juntada de provas é o da realização do pedido, nos processos de iniciativa do contribuinte, e na impugnação, nos de iniciativa do Fisco, o que afasta a possibilidade de conhecimento de documentos ofertados em sede de recurso voluntário em total afronta aos preceitos dos artigos 16, § 4°, e 17 do Decreto n° 70.235/72. Contrapõese ao entendimento da Turma recorrida, aduzindo para tanto que proveu em parte o recurso voluntário da autuada, conhecendo de documentação apresentada exclusivamente em sede de recurso voluntário, a qual não foi submetida à apreciação do julgador de primeira instância, estando, portanto, sob o manto da preclusão. Em defesa de sua pretensão, infere que a contribuinte sequer teve o trabalho de procurar justificar a apresentação extemporânea de aludido documento, de fl. 911, na forma que exige o artigo 16, § 4°, do Decreto n° 70.235/72, de maneira a corroborar a sua pretensão, possibilitando o seu conhecimento e/ou acolhimento. Por fim, requer o conhecimento e provimento do Recurso Especial, impondo a reforma do decisum ora atacado, nos termos encimados. Submetido a exame de admissibilidade, o ilustre Presidente da 1ª Câmara da 2a SJ do CARF, entendeu por bem admitir o Recurso Especial da Fazenda Nacional, sob o argumento de que a recorrente logrou comprovar que o Acórdão guerreado divergiu de outras Fl. 3DF CARF MF Impresso em 24/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/07/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 05/07/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OL Processo nº 11634.001245/200707 Acórdão n.º 920202.162 CSRFT2 Fl. 1.021 4 decisões exaradas pelas demais Câmaras dos Conselhos de Contribuintes/CARF a propósito da mesma matéria, conforme Despacho n° 21000205/2010, às fls. 930/931. Instada a se manifestar a propósito do Recurso Especial da Fazenda Nacional, a contribuinte apresentou suas contrarrazões, às fls. 934/939, corroborando as razões de fato e de direito do Acórdão guerreado. Igualmente, a contribuinte interpôs Recurso Especial de Divergência, às fls. 961/982, o qual não veio a ser conhecido pelo Presidente da Câmara recorrida, consoante Despacho n° 210100513/2010, 1.015/1.016, devidamente ratificado pelo Presidente da Câmara Superior de Recursos Fiscais, em face de reexame necessário, nos termos do Despacho n° 210100513/2010R, de fl. 1.017. É o Relatório. Voto Conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Relator Presentes os pressupostos de admissibilidade, sendo tempestivo e acatada pelo ilustre Presidente da 1ª Câmara da 2a SJ do CARF a divergência suscitada pela Fazenda Nacional, conheço do Recurso Especial e passo ao exame das razões recursais. Conforme se depreende da análise do Recurso Especial, pretende a recorrente a reforma do Acórdão em vergasta, alegando, em síntese, que as razões de decidir ali esposadas contrariaram a jurisprudência administrativa traduzida no decisum paradigma trazido à colação, bem como a legislação de regência, uma vez ter conhecido documento/prova ofertada pela contribuinte somente em sede de recurso voluntário, ensejando a retificação parcial do crédito, ao contrário do que restou assentado no decisório paradigma. A corroborar seu entendimento, alega que a contribuinte sequer fez questão de justificar a apresentação extemporânea do documento de fl. 911, na forma que exige o artigo 16, § 4°, do Decreto n° 70.235/72, o que faz incidir o instituto da preclusão processual, não devendo ser conhecida referida documentação. Como se observa, resumidamente, o cerne da questão posta nos autos é a eterna discussão a propósito da preclusão processual em confrontação com o princípio da verdade material, seus limites e requisitos. Consoante se infere dos autos, concluise que a pretensão da Fazenda Nacional não merece acolhimento, por não espelhar a melhor interpretação a respeito do tema, contrariando a farta e mansa jurisprudência administrativa. Do exame dos elementos que instruem o processo, constatase que o Acórdão recorrido apresentase incensurável, devendo ser mantido em sua plenitude, como passaremos a demonstrar. Antes mesmo de se adentrar ao mérito, cumpre trazer à baila a legislação tributária específica que regulamenta a matéria, mais precisamente artigos 16 e 17 do Decreto n° 70.235/72, que assim prescrevem: “Art. 16. A impugnação mencionará: Fl. 4DF CARF MF Impresso em 24/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/07/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 05/07/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OL Processo nº 11634.001245/200707 Acórdão n.º 920202.162 CSRFT2 Fl. 1.022 5 [...] § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito)” Dessa forma, salvo nos casos em que a legislação de regência permite ou mesmo nas hipóteses de observância ao princípio da verdade material, não merece conhecimento a matéria aventada em sede de recurso voluntário ou posteriormente, que não tenha sido objeto de contestação na impugnação, considerando tacitamente confessada pela contribuinte a parte do lançamento não contestada, operando a constituição definitiva do crédito tributário com relação a esses levantamentos, mormente em razão de não se instaurar o contencioso administrativo para tais questões. A grande celeuma, em verdade, tratase em definir quando estaremos diante da preclusão inafastável e quando poderá ser rechaçada em face dos permissivos legais que regem o tema ou mesmo em homenagem ao princípio da verdade material. Em nosso sentir, o certo é que nem podemos pender para um lado ou para outro, firmando de pronto convencimento sobre a questão. Ou seja, em verdadeira confrontação, não devemos admitir a preclusão como instituto absoluto e sólido, bem como não podemos abrir mão do regramento processual a todo instante em observância ao princípio da verdade material. Melhor elucidando, de um lado, não se pode cogitar em conhecer de uma prova ou documento a todo momento, independente de quaisquer explanações e/ou justificativas, ou mesmo quando impertinentes e meramente protelatórias, tendentes a confundir a análise da demanda. De outro, inexiste razão de não se tomar conhecimento de documentação fundamental ao deslinde da controvérsia, mesmo que ofertada em momento posterior à defesa inaugural, especialmente em homenagem ao dever do julgador de analisar a legalidade do lançamento. Diante dessas considerações, chegamos a simples conclusão que cada caso concreto deverá ser analisado individualizadamente, ressalvando suas próprias peculiaridades, não se devendo firmar convencimento, como questão de direito, escorado na preclusão ou no princípio da verdade material, os quais irão se sobressair por suas próprias especificidades. Fl. 5DF CARF MF Impresso em 24/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/07/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 05/07/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OL Processo nº 11634.001245/200707 Acórdão n.º 920202.162 CSRFT2 Fl. 1.023 6 Na hipótese dos autos, durante toda ação fiscal e início do processo administrativo, a contribuinte não obteve êxito em comprovar que parte da movimentação bancária ora tributada diz respeito a transferências entre contas da mesma titularidade ou por meio de transferências bancárias, na forma que vem alegando desde a defesa inaugural, como a própria recorrente confirma no bojo do seu Recurso Especial (12. Acrescentese que desde a fase de fiscalização o contribuinte alegava, sem provar, que o rendimento em análise é oriundo de resgate de aplicação financeira conforme se vê das fls. 746 e 881). Entrementes, por ocasião da interposição de seu recurso voluntário contra o Acórdão de primeira instância que julgou procedente em parte o lançamento fiscal, a contribuinte fez acostar aos autos Aviso de Crédito, de fl. 911, comprovando o creditamento em sua conta bancária n° 021.0993 – Agência 3500 – Banco Safra S/A, no valor de R$ 287.438,76, realizado em 10/12/2002, respaldado em resgate de aplicação de renda fixa, na própria instituição bancária, pugnando pela decretação da insubsistência do feito. Inobstante a contribuinte somente ter trazido à colação referida documentação em sede de recurso voluntário, mister se faz analisála e acolhêla, se for o caso, com fulcro nos princípios da instrumentalidade processual e da verdade material, uma vez ser capaz de rechaçar em parte a pretensão fiscal, além de corroborar alegação suscitada desde o início da fiscalização. Em outras palavras, muito embora se apresente como prova nova, tal documento vem a reforçar a tese já aventada pela contribuinte, fato que oferece guarida ao seu pleito. A propósito da matéria, o ilustre doutrinador Márcio Pestana se manifesta com muita propriedade, nos seguintes termos: “O princípio da verdade material possui contornos bem específicos no processo administrativo, e, portanto, no processo administrativotributário. Significa que a Administração Pública, no desenrolar do processo administrativo, possui o dever de a ele carrear todos os dados, registros, informações etc. que possua ou que venha a deles tomar conhecimento, independentemente do que o Administrado tenha já realizado ou pretenda ainda realizar no tocante à produção de provas. Querse dizer que a Administração Pública, que, sobejamente, está a serviço do interesse público e, portanto, coletivo, deve incessantemente buscar mensagens sobre o objeto que sejam relevantes à controvérsia, seja referindose ao evento, seja referindose ao fato jurídico, não se limitando a conformarse com a verdade formal; isto é, aquela constante do suporte físico que se designa processo administrativotributário, ou dos autos, como, corriqueiramente, dizse.” (PESTANA, Marcio. A Prova no Processo Administrativo Tributário. Rio de Janeiro. CAMPUS Jurídico, 2007. p. 5253) Por seu turno, o renomado doutrinador James Marins, ao analisar o tema assim preleciona: “A exigência da verdade material corresponde à busca pela aproximação entre a realidade factual e sua representação formal; aproximação entre os eventos ocorridos na dinâmica econômica e o registro formal de sua existência; entre a Fl. 6DF CARF MF Impresso em 24/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/07/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 05/07/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OL Processo nº 11634.001245/200707 Acórdão n.º 920202.162 CSRFT2 Fl. 1.024 7 materialidade do evento econômico (fato imponível) e sua formalização através do lançamento tributário. A busca pela verdade material é princípio de observância indeclinável da Administração tributária no âmbito de suas atividades procedimentais e processuais. (MARINS, James. Direito Processual Tributário Brasileiro (Administrativo e Judicial). São Paulo. Dialética, 3ª Edição, 2003. p. 179) A jurisprudência administrativa não discrepa desse entendimento, consoante se infere dos Acórdãos da Câmara Superior de Recursos Fiscais e do Primeiro Conselho de Contribuintes, com suas ementas abaixo transcritas: “PROCESSO ADMINISTRATIVO TRIBUTÁRIO – PROVA MATERIAL APRESENTADA EM SEGUNDA INSTÂNCIA DE JULGAMENTO – PRINCÍPIO DA INSTRUMENTALIDADE PROCESSUAL E A BUSCA DA VERDADE MATERIAL A não apreciação de provas trazidas aos autos depois da impugnação e já na fase recursal, antes da decisão final administrativa, fere o princípio da instrumentalidade processual prevista no CPC e a busca da verdade material, que norteia o contencioso administrativo tributário. "No processo administrativo predomina o princípio da verdade material no sentido de que aí se busca descobrir se realmente ocorreu ou não o fato gerador, pois o que está em jogo é a legalidade da tributação. O importante é saber se o fato gerador ocorreu e se a obrigação teve seu nascimento [...]”(3a Turma da CSRF – Acórdão n° CSRF/0304.371 – Processo n° 10825.001713/9601, Sessão de 16/05/2005) “Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF Anocalendário: 2000, 2001, 2003 PROVAS ACOSTADAS AOS AUTOS APÓS O PRAZO DE INTERPOSIÇÃO DO RECURSO VOLUNTÁRIO IMPRESCINDIBILIDADE DA ANÁLISE PARA O DESLINDE DA CONTROVÉRSIA VERDADE MATERIAL A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, exceto se comprovado a ocorrência de uma das hipóteses do art. 16, § 4º, do Decreto nº 70.235/72. Essa é a regra geral insculpida no Processo Administrativo Fiscal Federal. Entretanto, os Regimentos dos Conselhos de Contribuinte e da Câmara Superior de Recursos Fiscais sempre permitiram que as partes pudessem acostar memoriais e documentos que reputassem imprescindíveis à escorreita solução da lide. Em homenagem ao princípio da verdade material, pode o relator, após análise perfunctória da documentação extemporaneamente juntada, e considerando a relevância da matéria, integrála aos autos, analisandoa, ou convertendo o feito em diligência. [...]” (Sexta Câmara do Primeiro Conselho – Acórdão n° 10616.716 – Processo nº 10120.003058/200515, Sessão de 22/01/2008) Com mais especificidade, esta 2a Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, ao contemplar a matéria em recente julgado, à sua unanimidade, entendeu por bem admitir o conhecimento de documentos ofertados somente em sede de recurso voluntário, em Fl. 7DF CARF MF Impresso em 24/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/07/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 05/07/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OL Processo nº 11634.001245/200707 Acórdão n.º 920202.162 CSRFT2 Fl. 1.025 8 observância ao princípio da verdade material, mormente em razão de possibilitar a revisão do lançamento, como se extrai do Acórdão n° 9202001.781, Sessão de 28/09/2001, da lavra do ilustre Conselheiro Francisco Assis de Oliveira Junior, com a seguinte ementa: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/02/1997 a 28/02/1997, 01/11/1997 a 31/12/1997, 01/03/1998 a 31/12/1998 DOCUMENTOS. JUNTADA POSTERIOR À IMPUGNAÇÃO. REVISÃO DO LANÇAMENTO. VERDADE MATERIAL. Embora apresentados após a impugnação, os documentos juntados importam revisão do lançamento, em obediência ao princípio da verdade material que rege o processo administrativo. Empreitada total , a responsabilidade solidária se elide com a adoção dos procedimentos previstos na legislação. Recurso especial negado.” (Processo n° 36402.000091/200430) Conforme de depreende das decisões encimadas, a documentação acostada aos autos pela contribuinte, ainda que posteriormente à interposição de sua defesa inaugural, deve ser objeto de apreciação pela autoridade julgadora, conquanto que pertinentes e capazes de afastar parte ou integralmente a exigência fiscal consubstanciada no lançamento. Em outras palavras, em nosso entendimento, com certas ressalvas e apoiado em limites razoáveis, não faz sentido e esvazia a própria competência deste Colegiado, fecharmos os olhos para documentos pertinentes ofertados pela contribuinte tendentes a contrapor à pretensão fiscal, notadamente quando o dever do julgador administrativo, precipuamente, é examinar a legalidade do ato administrativo do lançamento. In casu, o que torna ainda mais digno de realce é que a contribuinte vem sustentando tal tese desde a ação fiscal, não se cogitando em alegação nova, mas somente devidamente comprovada em sede de recurso voluntário, impondo o seu conhecimento, sobretudo quando se destina a contrapor lançamento escorado na presunção legal insculpida no artigo 42 da Lei n° 9.430/96, que desloca o dever de prova justamente ao contribuinte, sendo defeso, portanto, afastar tal possibilidade que a própria norma contempla para afastar a tributação. Dessa forma, escorreito o Acórdão recorrido devendo, nesse sentido, ser mantido o provimento parcial ao recurso voluntário da contribuinte, na forma decidida pela 1ª Turma Ordinária da 1a Câmara da 2a Seção de Julgamento do CARF, uma vez que a recorrente não logrou infirmar os elementos que serviram de base ao decisório atacado. Por todo o exposto, estando o Acórdão guerreado em consonância com os dispositivos legais que regulam a matéria, VOTO NO SENTIDO DE NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO ESPECIAL DA PROCURADORIA, pelas razões de fato e de direito acima esposadas. (Assinado digitalmente) Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira Fl. 8DF CARF MF Impresso em 24/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/07/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 05/07/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OL Processo nº 11634.001245/200707 Acórdão n.º 920202.162 CSRFT2 Fl. 1.026 9 Fl. 9DF CARF MF Impresso em 24/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/07/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 05/07/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OL
score : 1.0
Numero do processo: 10240.000085/2005-70
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 19 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL - ITR
Exercício: 2000
EXPLORAÇÃO EXTRATIVA. ÍNDICE DE RENDIMENTO E PLANO DE
MANEJO.
A área de exploração extrativa para fins de apuração do ITR será calculada observando-se os índices de rendimentos por produtos fixados pela Secretaria da Receita Federal, admitindo-se que seja considerada a área total objeto de plano de manejo sustentado, desde que aprovado pelo órgão competente e cujo cronograma esteja sendo cumprido pelo contribuinte.
ÁREAS DE DECLARADO INTERESSE ECOLÓGICO. EXCLUSÃO DA ÁREA TRIBUTÁVEL.
As áreas de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas, assim declaradas por ato do órgão competente, federal ou estadual, que ampliem as restrições de uso previstas pelas áreas de preservação permanente e de reserva legal poderão ser excluídas da área tributável para fins de apuração do ITR, devendo o contribuinte comprovar o reconhecimento específico para
a área da sua propriedade particular para que possa gozar do benefício fiscal.
ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Exercício: 2000
INCONSTITUCIONALIDADE
É vedado o afastamento da aplicação da legislação tributária sob o argumento de inconstitucionalidade, por força do disposto no Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Matéria que já se encontra pacificada pela Súmula no 2 do CARF, em vigor desde 22/12/2009.
Numero da decisão: 2202-001.846
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para restabelecer a título de Área de Interesse Ecológico o equivalente a 9.013,64 ha
Matéria: ITR - notific./auto de infração eletrônico - outros assuntos
Nome do relator: MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL - ITR Exercício: 2000 EXPLORAÇÃO EXTRATIVA. ÍNDICE DE RENDIMENTO E PLANO DE MANEJO. A área de exploração extrativa para fins de apuração do ITR será calculada observando-se os índices de rendimentos por produtos fixados pela Secretaria da Receita Federal, admitindo-se que seja considerada a área total objeto de plano de manejo sustentado, desde que aprovado pelo órgão competente e cujo cronograma esteja sendo cumprido pelo contribuinte. ÁREAS DE DECLARADO INTERESSE ECOLÓGICO. EXCLUSÃO DA ÁREA TRIBUTÁVEL. As áreas de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas, assim declaradas por ato do órgão competente, federal ou estadual, que ampliem as restrições de uso previstas pelas áreas de preservação permanente e de reserva legal poderão ser excluídas da área tributável para fins de apuração do ITR, devendo o contribuinte comprovar o reconhecimento específico para a área da sua propriedade particular para que possa gozar do benefício fiscal. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2000 INCONSTITUCIONALIDADE É vedado o afastamento da aplicação da legislação tributária sob o argumento de inconstitucionalidade, por força do disposto no Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Matéria que já se encontra pacificada pela Súmula no 2 do CARF, em vigor desde 22/12/2009.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL - ITR Exercício: 2000 EXPLORAÇÃO EXTRATIVA. ÍNDICE DE RENDIMENTO E PLANO DE MANEJO. A área de exploração extrativa para fins de apuração do ITR será calculada observando-se os índices de rendimentos por produtos fixados pela Secretaria da Receita Federal, admitindo-se que seja considerada a área total objeto de plano de manejo sustentado, desde que aprovado pelo órgão competente e cujo cronograma esteja sendo cumprido pelo contribuinte. ÁREAS DE DECLARADO INTERESSE ECOLÓGICO. EXCLUSÃO DA ÁREA TRIBUTÁVEL. As áreas de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas, assim declaradas por ato do órgão competente, federal ou estadual, que ampliem as restrições de uso previstas pelas áreas de preservação permanente e de reserva legal poderão ser excluídas da área tributável para fins de apuração do ITR, devendo o contribuinte comprovar o reconhecimento específico para a área da sua propriedade particular para que possa gozar do benefício fiscal. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2000 INCONSTITUCIONALIDADE É vedado o afastamento da aplicação da legislação tributária sob o argumento de inconstitucionalidade, por força do disposto no Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Matéria que já se encontra pacificada pela Súmula no 2 do CARF, em vigor desde 22/12/2009. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 347DF CARF MF Impresso em 11/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALO, Assinado digitalmente e m 10/07/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGA O CALO 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para restabelecer a título de Área de Interesse Ecológico o equivalente a 9.013,64 ha. (Assinado digitalmente) Nelson Mallmann – Presidente (Assinado digitalmente) Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga - Relatora Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Rafael Pandolfo, Antonio Lopo Martinez, Odmir Fernandes, Pedro Anan Júnior e Nelson Mallmann. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Helenilson Cunha Pontes. Fl. 348DF CARF MF Impresso em 11/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALO, Assinado digitalmente e m 10/07/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGA O CALO Processo nº 10240.000085/2005-70 Acórdão n.º 2202-01.846 S2-C2T2 Fl. 2 3 Relatório Contra a contribuinte acima qualificada foi lavrado o Auto de Infração de fls. 31 a 34, integrado pelos demonstrativos de fls. 37 e 38, pelo qual se exige a importância de R$39.703,12, a título de Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR, exercício 2000, acrescida de multa de ofício de 75% e juros de mora, relativo ao imóvel rural denominado Seringal Novo Mundo, cadastrado na Secretaria da Receita Federal sob no 5.316.607-8, localizado no município de Ariquemes/RO. DA AÇÃO FISCAL O procedimento fiscal decorre do trabalho de revisão da DITR/2000 no qual foi solicitado à contribuinte apresentar (fls. 7 e 8): (a) certidão de inteiro teor ou matrícula atualizada do Registro Imobiliário; e (b) plano de manejo aprovado ou autorizado pelo IBAMA até 31/12/1999, no qual deverão estar discriminados os produtos, as áreas utilizadas com cada produto e a quantidade colhida de cada um deles (a quantidade colhida deverá ser comprovada mediante a apresentação de notas fiscais). Em consulta à Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal (fls. 33 e 34), verifica-se que foi apurada falta de recolhimento do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural, em virtude da glosa da área de exploração extrativa, uma vez que não foi apresentado o plano de manejo sustentado aprovado ou autorizado pelo IBAMA e, apesar de haver averbações de áreas de manejo sustentado na cópia não autenticada da certidão de inteiro teor do imóvel fiscalizado, caberia à contribuinte comprovar que o cronograma do Plano de Manejo estava sendo cumprido. DA IMPUGNAÇÃO Irresignada com o lançamento, a contribuinte interpôs a impugnação de fls. 42 a 56, instruída com os documentos de fls. 57 a 93, cujo resumo se extrai da decisão recorrida (fl. 97): Não concordando com a exigência, o contribuinte apresentou, em 07/01/2005, a impugnação de fls. 42/93, alegando em síntese: I – que “O imóvel objeto do presente recurso está inserido em áreas de interesse ecológico nos termos da Lei estadual”; II – que “O imóvel objeto do presente estava inserido na zona 4 do Zoneamento Sócio-Econômico de Rondônia, nos termos da Lei Complementar 52, de 20 de dezembro de 1991”; III – que “O imóvel inserido na zona 4 do Zoneamento Sócio-Econômico de Rondônia, ficou prejudicado por restrições de Uso Especiais, que limitou as atividades dos proprietários a não desmatar, ou seja, não alterar o meio físico e as condições naturais das florestas.”; Fl. 349DF CARF MF Impresso em 11/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALO, Assinado digitalmente e m 10/07/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGA O CALO 4 IV – que “Está comprovado através da certidão de inteiro teor da matrícula do imóvel, a existência dos projetos de manejo aprovados pelo Ibama, os mesmos encantam-se em funcionamento.”; V – que “As informações referentes aos planos de manejo devem ser fornecidas pelo Ibama para que o mesmo possa informar detalhadamente a real situação dos mesmos e a SRF poderá solicitar ao mesmo.”; VI – que “Não há razoabilidade, tributar área coberta com projetos de manejo em exploração, pois áreas manejadas são consideradas pela legislação como áreas produtivas, e não havia exigência legal para o contribuinte comprovar cumprimento de cronograma.”; VII – que “... o ciclo de corte é determinado pelo Ibama, de acordo com a recomposição da floresta, mediante prévia vistoria.”; VIII – que o fisco feriu o princípio da legalidade “Se não existia exigência legal na época para o contribuinte comprovar que o plano de manejo estava cumprindo cronograma, o fisco não poderá exigir”; IX – que o lançamento fere o princípio constitucional da proibição de utilizar tributo com efeito de confisco. DO JULGAMENTO DE 1ª INSTÂNCIA Apreciando a impugnação apresentada, a 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Recife (PE) manteve integralmente o lançamento, proferindo o Acórdão no 11-20.420 (fls. 95 a 104), de 28/09/2005, assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL - ITR Exercício: 2000 ÁREA DE EXPLORAÇÃO EXTRATIVA. GLOSA. Deve ser mantida a glosa da área declarada como de exploração extrativa, quando o contribuinte não a comprova mediante documentação hábil e idônea. ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA/ÁREA DECLARADA DE INTERESSE ECOLÓGICO. COMPROVAÇÃO. Não se tributa com o Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR a área de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas, assim declaradas mediante ato do órgão competente, federal ou estadual, e que ampliem as restrições de uso previstas para as áreas de preservação permanente e reserva legal, ou seja, restrições além do manejo sustentável. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2000 ISENÇÃO. INTERPRETAÇÃO LITERAL. A legislação tributária que disponha sobre outorga de isenção deve ser interpretada literalmente. Fl. 350DF CARF MF Impresso em 11/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALO, Assinado digitalmente e m 10/07/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGA O CALO Processo nº 10240.000085/2005-70 Acórdão n.º 2202-01.846 S2-C2T2 Fl. 3 5 DO RECURSO Cientificada do Acórdão de primeira instância, em 10/11/2007 (vide AR de fl. 107), a contribuinte apresentou, em 04/12/2007, tempestivamente, o recurso de fls. 108 a 121, no qual alega, em síntese, que: 1. o imóvel está inserido em uma reserva florestal, criada pelo Estado de Rondônia, por meio da Lei Complementar no 52, de 1991, que instituiu o Zoneamento Sócio Econômico e Ecológico do Estado de Rondônia; 2. ao contrário do entendimento adotado na decisão recorrida, de acordo com o disposto no art. 2o da Lei Complementar no 52, de 1991, o imóvel está encravado em área de interesse ecológico cujas restrições impostas pela lei, limitam o uso do imóvel ao desmatamento de apenas 5 hectares, obrigando o proprietário do imóvel a preservar os recursos naturais de forma auto-sustentada; 3. esse fato está claramente demonstrado e comprovado nos autos, pois a Certidão da SEDAM anexada aos autos, não deixa dúvidas em relação à existência das áreas de preservação permanente e de utilização limitada, bem como das áreas de reserva legal, reportando-se ao art. 10, §1o, da Lei no 9.393, de 1996, que estabelece a exclusão de tais áreas; 4. para reforçar seus argumentos, transcreve precedentes administrativos sobre a isenção das áreas de interesse ecológico; 5. reproduz o art. 10, §7o, da Lei no 9.393, de 1996, introduzido pela Medida Provisória 2.166-65, de 2001, alegando que em momento algum o fisco comprovou qualquer falsidade ou irregularidade na declaração apresentada, bem como o art. 150, inciso I, da Constituição Federal, segundo o qual é vedado exigir ou aumentar tributo sem lei que o estabeleça; 6. afirma, ainda, que não há lei que autorize o fisco a lançar imposto sobre área de reservas florestais, criadas pela União ou pelos Estados membros, como no caso em apreço, e, portanto, o lançamento seria nulo de pleno direito, por ser ilegal e inconstitucional; 7. defende que foi comprovado por meio de certidão de inteiro teor, que o imóvel da contribuinte possui projetos de manejo funcionando e que o órgão oficial que controla essas atividades é o IBAMA, cabendo ao mesmo fornecer as informações, caso a Secretária da Receita Federal assim necessite; 8. a alíquota de 20% de ITR sobre um imóvel caracteriza confisco da propriedade privada, pois significa que em cinco anos o proprietário perderia a propriedade para o Estado. 9. Ao final, requer (fl. 121): 1- Que o presente seja recebido processado e provido para, reformar a V. Decisão da 1ª Turma da DRJ- RECIFE, e cancelar o Auto de infração, que lançou ex-ofício o ITR/2000 sobre a imóvel de Código n° 5316607-8 de propriedade da empresa impugnante, por ser nulo de pleno direito, por não obedecer ao princípio da legalidade. Fl. 351DF CARF MF Impresso em 11/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALO, Assinado digitalmente e m 10/07/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGA O CALO 6 2- Seja considerada a declaração do 1TR 2000 apresentada pelo contribuinte, nos seu inteiro teor. 3- Requer juntada da decisão do Terceiro Conselho de Contribuintes, que isentou a empresa impugnante de pagamento de 1TR do imóvel encravado na Zona 4 do Zoneamento Socioeconômico e Ecológico do Estado de Rondônia. DA DILIGÊNCIA Em sessão de 21/09/2010, a Segunda Turma da Segunda Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais decidiu converter o julgamento em diligência, por meio da Resolução no 2202-00.091 (fls. 149 a 155), cujo voto reproduzo a seguir: O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. Conforme relatado, o lançamento decorre da glosa da área de exploração extrativa declarada pela contribuinte, uma vez que não foi apresentado o Plano de Manejo Sustentado aprovado ou autorizado pelo IBAMA, nem comprovado que o cronograma do referido plano estava sendo cumprido. Por outro lado, o argumento principal da recorrente é de que o imóvel estaria inserido em uma reserva florestal, criada pelo Estado de Rondônia, por meio da Lei Complementar no 52, de 1991 (fls. 78 a 82), que instituiu o Zoneamento Sócio- econômico e Ecológico do Estado de Rondônia. Anexa, ainda, documento emitido pela Secretaria de Desenvolvimento Ambiental do Estado de Rondônia – SEDAM, segundo o qual a propriedade da contribuinte (Seringal Novo Mundo) estaria inserida nas zonas 2 e 4, definidas no referido zoneamento, na proporção de 15,44% e 84,56%, respectivamente (fls. 58 e 59). A exclusão das áreas de interesse ecológico da área tributável para fins de apuração do ITR está condicionada a que tais áreas visem a proteção dos ecossistemas, assim declaradas mediante ato do órgão competente, federal ou estadual, e que estas ampliem as restrições de uso previstas pelas áreas de preservação permanente e de reserva legal (art. 10, §1o, inciso II, alínea “b”, da Lei no 9.393, de 19 de dezembro de 1996). O Zoneamento Sócio-econômico e Ecológico do Estado de Rondônia constitui instrumento básico de planejamento e orientação de política e diretrizes governamentais, necessárias ao desenvolvimento harmônico e integrado do Estado, no qual foram definidas diversas zonas, segundo as características regionais específicas e capacidade de ofertas ambientas próprias (art. 2o). Não obstante a definição das zonas 2 e 4 traga em seu bojo algumas restrições de uso, não foi vedado totalmente a exploração agrícola, permitindo-se o desmatamento dentro de certos limites. Assim, para a caracterização das áreas protegidas ambientalmente pelo poder público situadas no Estado de Rondônia, deve-se observar, ainda, o disposto nos arts. 5o e 6o da Lei Complementar no 52, de 1991, que definem como área de interesse ecológico do Estado as unidades de preservação e conservação de âmbito federal legalmente instituídas e as unidades de preservação e conservação listadas no art. 18 das Disposições Transitórias da Constituição do Estado de Rondônia. O declaração do SEDAM juntada aos autos pela contribuinte, apesar de informar que a propriedade estaria inserida nas zonas 2 e 4 do Zoneamento Sócio- econômico e Ecológico do Estado de Rondônia, não esclarece se esta, ou parte desta, Fl. 352DF CARF MF Impresso em 11/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALO, Assinado digitalmente e m 10/07/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGA O CALO Processo nº 10240.000085/2005-70 Acórdão n.º 2202-01.846 S2-C2T2 Fl. 4 7 está inserida em uma área de interesse ecológico para proteção dos ecossistemas que amplie as restrições de uso previstas pelas áreas de preservação permanente e de reserva legal. Destarte, para que se possa formar um juízo acerca da matéria em discussão, voto no sentido de CONVERTER o julgamento em diligência, para que a autoridade preparadora: 1. solicite ao IBAMA informar se o imóvel em questão está inserido, no todo ou em parte, em área de declarado interesse ecológico para proteção dos ecossistemas, prevista no art. 10, §1o, inciso II, alínea “b”, da Lei no 9.393, de 1996, esclarecendo se existe superposição com a área de preservação permanente (15.000ha) já declarada pela contribuinte (fl. 2); 2. ao final, antes da devolução dos autos ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, a recorrente deve ser cientificada do resultado do item anterior para que se manifeste, se assim o desejar, no prazo de 30 dias. Ressalte-se que eventuais cópias de documentos a serem anexadas ao presente processo deverão ser autenticadas a vista do original, com a devida identificação do servidor responsável. Em cumprimento a diligência solicitada, foi encaminhado o Ofício no 389/2010/DRF/PVO/Sacat (fl. 136) ao IBAMA, de 23/11/2010, reiterado pelo Ofício no 429/2010/DRF/PVO/Sacat, de 30/12/2010 (fl. 137). Em resposta (fl. 138), o órgão ambiental informou que não havia registro do imóvel naquele instituto. Posteriormente, a autoridade preparadora encaminhou dois ofícios à Secretaria de Desenvolvimento Ambiental do Estado de Rondônia – SEDAM (fls. 139 e 140), solicitando as informação requerida pelo órgão julgador. Por meio do Ofício no 2646/GAB/SEDAM, de 26/10/2011 (fl. 141), foi encaminhado o Parecer no 01107/2011, referente ao imóvel “Seringal Novo Mundo”, elaborado pela Coordenadoria de Geociências daquela Secretaria, cujo teor a seguir transcreve-se (fl. 142): De acordo com as informações fornecidas pelo interessado, e com base em nosso banco de dados, constatamos que o imóvel Seringal Novo Mundo, com relação a 2ª APROXIMAÇÃO DO ZSEE/RO, lei 233 06/06/2000 e sua (sic) alterações, não se enquadra como de interesse ecológico, conforme previsto no art. 10, §1o, inciso II, alínea "b", da lei n° 9393 de 1.996. Até a data de 06/06/2000 vigorava a 1ª aproximação do ZSEE/RO, amparada pelo decreto 3782/88 e LC 52/91 e nesta situação, 24.013,64 ha, do imóvel se enquadravam como de interesse ecológico, conforme previsto no art. 10, § 1o, inciso II, alínea "b", da lei n° 9393 de 1.996. CONCLUSÃO: Até 06/06/2000, (24.013,64ha) se enquadravam como de interesse ecológico, e após esta data o imóvel não possui área enquadrada como de interesse ecológico conforme preconiza a lei. Cientificada do resultado da diligência, a contribuinte apresentou a petição de fls. 146 e 147, na qual alega, em síntese que: • a informação prestada pela SEDAM certifica que 24.013,64ha da área do imóvel se enquadrava como área de interesse ecológico, nos termos do Fl. 353DF CARF MF Impresso em 11/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALO, Assinado digitalmente e m 10/07/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGA O CALO 8 art. 10, §1o, inciso II, alínea “b”, da Lei no 9.393, de 1996, até 06/06/2000, quando ainda vigorava a 1ª aproximação do ZSEE/RO, amparada pelo Decreto no 3.782, de 1988, e na Lei Complementar no 52, de 1991; • para efeito do exercício 2000 (fato gerador 01/01/2000), estava em vigor ainda a Lei Complementar no 52, de 1991, e portanto, imóvel estava inserido em área de interesse ecológico que são isentas de impostos. DA DISTRIBUIÇÃO Processo inicialmente distribuído para esta Conselheira na sessão pública da Segunda Turma da Segunda Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais do mês de março de 2010. Os autos retornaram de diligência digitalizados até à fl. 3461. 1 Processo digital. Numeração do e-processo. O processo físico encontra-se numerado das fls. 1 a 130 e 135 a 148 (fls. 1 a 148 e 328 a 345 da digitalização). Fl. 354DF CARF MF Impresso em 11/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALO, Assinado digitalmente e m 10/07/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGA O CALO Processo nº 10240.000085/2005-70 Acórdão n.º 2202-01.846 S2-C2T2 Fl. 5 9 Voto Conselheira Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. Em síntese, na peça recursal argúi-se que: (i) o imóvel objeto de lançamento estaria inserido em área de interesse ecológico e, portanto, seria isento do ITR; (ii) a recorrente comprovou que possui plano de manejo funcionando, cabendo ao IBAMA fornecer as informações que a Receita Federal entendesse serem necessárias; (iii) a aplicação da alíquota de 20% representa confisco da propriedade privada. 1 Área de Exploração Extrativa x Área de Interesse Ecológico Inicialmente, cabe fazer uma distinção entre a área declarada como de exploração extrativa e a área de interesse ecológico. As áreas de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas poderão ser excluídas da área total do imóvel para fins de apuração da área tributável, desde que “assim declaradas mediante ato do órgão competente, federal ou estadual e que ampliem as restrições de uso previstas” pelas áreas de preservação permanente e de reserva legal (art. 10, §1o, inciso II, alínea “b”, Lei no 9.393, de 19 de dezembro de 1996). Por outro lado, as áreas declaradas como de exploração extrativa são áreas tributáveis que compõem a área efetivamente utilizada para fins de determinação do grau de utilização do imóvel (relação percentual entre a área efetivamente utilizada e a área aproveitável), conforme disposto no art. 10, §1o, inciso VI, da Lei no 9.393, de 1996. A seguir, passa-se a análise de cada uma das questões levantadas pela recorrente. 2 Exploração extrativa Conforme relatado, o lançamento decorre da glosa da área de exploração extrativa declarada pela contribuinte, uma vez que não foi apresentado o Plano de Manejo Sustentado aprovado ou autorizado pelo IBAMA, nem comprovado que o cronograma do referido plano estava sendo cumprido. Compulsando-se os autos, verifica-se que a contribuinte ao preencher o quadro “Distribuição da Área Utilizada” (fl. 2) informou 10.000,0ha como área utilizada com exploração extrativa, sendo oportuno transcrever o art. 10 da Lei no 9.393, de 1996, na parte em que trata sobre o tema: Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos Fl. 355DF CARF MF Impresso em 11/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALO, Assinado digitalmente e m 10/07/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGA O CALO 10 pela Secretaria da Receita Federal, sujeitando-se a homologação posterior. §1o Para os efeitos de apuração do ITR, considerar-se-á: [...] V - área efetivamente utilizada, a porção do imóvel que no ano anterior tenha: [...] c)sido objeto de exploração extrativa, observados os índices de rendimento por produto e a legislação ambiental; [...] §3o Os índices a que se referem as alíneas “b” e “c” do inciso V do §1o serão fixados, ouvido o Conselho Nacional de Política Agrícola, pela Secretaria da Receita Federal, que dispensará da sua aplicação os imóveis com área inferior a: a) 1.000 ha, se localizados em municípios compreendidos na Amazônia Ocidental ou no Pantanal mato-grossense e sul-mato- grossense; b) 500 ha, se localizados em municípios compreendidos no Polígono das Secas ou na Amazônia Oriental; c) 200 ha, se localizados em qualquer outro município [...]. §4o Para os fins do inciso V do §1o, o contribuinte poderá valer- se dos dados sobre a área utilizada e respectiva produção, fornecidos pelo arrendatário ou parceiro, quando o imóvel, ou parte dele, estiver sendo explorado em regime de arrendamento ou parceria. §5o Na hipótese de que trata a alínea “c”do inciso V do §1o, será considerada a área total objeto de plano de manejo sustentado, desde que aprovado pelo órgão competente, e cujo cronograma esteja sendo cumprido pelo contribuinte. [...] Como se percebe, a área de exploração extrativa deverá ser informada levando-se em conta os índices de rendimentos fixados por produto, podendo-se considerar a “área total objeto de plano de manejo sustentado, desde que aprovado pelo órgão competente, e cujo cronograma esteja sendo cumprido pelo contribuinte.” Uma vez que na DITR apresentada (fls. 2 e 3) o campo “Quantidade Produzida” encontra-se zerado, não havendo nos autos qualquer prova da produção efetiva. Cabia à contribuinte apresentar o plano de manejo sustentado, acompanhado do cronograma comprovando que o mesmo estava sendo cumprido para que pudesse considerar integralmente a área declarada como de exploração extrativa, o que não ocorreu. O fato de estar consignado na matrícula do imóvel (fls. 12 a 17) compromisso firmado entre o antigo proprietário e o IBAMA de que em parte da propriedade rural haveria Fl. 356DF CARF MF Impresso em 11/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALO, Assinado digitalmente e m 10/07/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGA O CALO Processo nº 10240.000085/2005-70 Acórdão n.º 2202-01.846 S2-C2T2 Fl. 6 11 apenas a exploração racional com regime de manejo de rendimento sustentado não é suficiente para comprovar a existência do plano de manejo e que o mesmo estivesse sendo cumprido. Logo, nos termos da lei, não foi atendida a condição para que pudesse ser considerada integralmente a área declarada como de exploração extrativa. Quanto à alegação de que caberia ao IBAMA fornecer as informações necessárias referente aos projetos de manejo, cumpre lembrar que o ITR é tributo sujeito ao lançamento por homologação, ou seja, cabe ao contribuinte a apuração e o pagamento do imposto devido, “independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitando-se a homologação posterior” (art. 10 da Lei no 9.393, de 1996). Assim, as informações que serviram de base para apuração do imposto devido devem estar amparadas em documentação hábil e idônea, podendo a autoridade fiscal solicitar os esclarecimentos que julgar necessários e exigir a apresentação dos mesmos, pois, muito embora a juntada de tais documentos seja dispensada quando da entrega da declaração, deve o contribuinte mantê-los em boa guarda para sua apresentação quando solicitada (art. 40 do Decreto no 4.382, de 2002, que regulamentou a fiscalização do ITR). Da mesma forma, no que se refere à alegação de que em momento algum o fisco comprovou qualquer falsidade ou irregularidade na declaração apresentada, conforme esclarecido anteriormente, o ITR é tributo sujeito ao lançamento por homologação, e, portanto, as informações que serviram de base para apuração do imposto devido devem estar amparadas em documentação hábil e idônea, a ser apresentada quando solicitado pelo fisco. A falta de comprovação dos valores declarados ou a prestação de informações inexatas, incorretas ou fraudulentas, autoriza a fiscalização a efetuar o lançamento de ofício, nos termos do art. 14 da Lei no 9.393, de 1996. Dessa forma, agiu com acerto a fiscalização ao glosar a área declarada a título de exploração extrativa. 3 Área de Interesse Ecológico No que se refere à exclusão das áreas de declarado interesse ecológico da área tributável para fins de apuração do ITR, cabe transcrever o art. 10, §1o, inciso II, alíneas “a” e “b”, da Lei no 9.393, de 19 de dezembro de 1996: Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitando-se a homologação posterior. §1o Para os efeitos de apuração do ITR, considerar-se-á: [...] II - área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei no 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei no 7.803, de 18 de julho de 1989; Fl. 357DF CARF MF Impresso em 11/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALO, Assinado digitalmente e m 10/07/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGA O CALO 12 b) de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas, assim declaradas mediante ato do órgão competente, federal ou estadual, e que ampliem as restrições de uso previstas na alínea anterior; [...] Como se vê, a isenção das áreas de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas está condicionada a que sejam assim declaradas mediante ato do órgão competente, federal ou estadual e que estas ampliem as restrições de uso previstas pelas áreas de preservação permanente e de reserva legal. A Lei no 4.771, de 15 de setembro de 1965 (Código Florestal) já previa em seu art. 5o a criação de Parques e Reservas Biológicas com a finalidade de conciliar a proteção integral da flora, da fauna e das belezas naturais com objetivos educacionais, recreativos e científicos. Da mesma forma, a Lei no 6.902, de 27 de abril de 1981, dispunha sobre a criação de Estações Ecológicas e Áreas de Proteção Ambiental. Posteriormente, a Constituição Federal, ao tratar do Meio Ambiente, autorizou o poder público a criar espaços territoriais a serem especialmente protegidos, visando obstar qualquer utilização que comprometesse a integridade dos atributos naturais que justifiquem sua proteção, conforme disposto em seu art. 225 (grifei): Art. 225. Todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se ao Poder Público e à coletividade o dever de defendê-lo e preservá-lo para as presentes e futuras gerações. § 1o - Para assegurar a efetividade desse direito, incumbe ao Poder Público: I - preservar e restaurar os processos ecológicos essenciais e prover o manejo ecológico das espécies e ecossistemas; II - preservar a diversidade e a integridade do patrimônio genético do País e fiscalizar as entidades dedicadas à pesquisa e manipulação de material genético; III - definir, em todas as unidades da Federação, espaços territoriais e seus componentes a serem especialmente protegidos, sendo a alteração e a supressão permitidas somente através de lei, vedada qualquer utilização que comprometa a integridade dos atributos que justifiquem sua proteção; IV - exigir, na forma da lei, para instalação de obra ou atividade potencialmente causadora de significativa degradação do meio ambiente, estudo prévio de impacto ambiental, a que se dará publicidade; Regulamentando o dispositivo constitucional acima transcrito, foi editada a Lei no 9.985, de 18 de julho de 2000, que prevê a criação, por ato do Poder Público, de diversas áreas de interesse ambiental denominadas unidades de conservação da natureza, as quais se dividem em dois grandes grupos: Unidades de Proteção Integral e Unidades de Uso Sustentável. As primeiras visam preservar a natureza, sendo admitido apenas o uso indireto dos seus recursos naturais, com as exceções previstas na referida lei, enquanto que as segundas, Fl. 358DF CARF MF Impresso em 11/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALO, Assinado digitalmente e m 10/07/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGA O CALO Processo nº 10240.000085/2005-70 Acórdão n.º 2202-01.846 S2-C2T2 Fl. 7 13 compatibilizar a conservação da natureza com o uso sustentável de parcela dos seus recursos naturais. O art. 55 da Lei no 9.985, de 2000, dispõe que “as unidades de conservação e áreas protegidas criadas com base nas legislações anteriores e que não pertençam às categorias previstas nesta Lei serão reavaliadas,[...]”. Ainda de acordo com a lei ambiental, cada uma das unidades de conservação da natureza pode ser dividida em setores ou zonas com objetivos e restrições próprios, o que torna necessário o reconhecimento específico do órgão competente federal ou estadual para a área da propriedade particular, identificando as áreas que podem ou não serem exploradas economicamente e de que forma. No caso dos autos, a contribuinte apresenta cópia da Lei Complementar Estadual no 52, de 20 de dezembro de 1991 (fls. 78 a 82), que dispõe sobre o Zoneamento Sócio-econômico e Ecológico do Estado de Rondônia, e documento emitido pela Secretaria de Desenvolvimento Ambiental do Estado de Rondônia – SEDAM, segundo o qual a propriedade da contribuinte (Seringal Novo Mundo) estaria inserida nas zonas 2 e 4, definidas no referido zoneamento, na proporção de 15,44% e 84,56%, respectivamente (fls. 58 e 59), sem esclarecer se esta, ou parte desta, estaria inserida em uma área de interesse ecológico para proteção dos ecossistemas que amplie as restrições de uso previstas pelas áreas de preservação permanente e de reserva legal. Em sessão plenária de 21/09/2010, esta Turma converteu o julgamento do presente processo em diligência para que fosse oficiado o IBAMA (fls. 149 a 155). Conforme já relatado, o órgão ambiental informou que não havia registro do imóvel naquele instituto. A autoridade preparadora, então, enviou os Ofícios nos 152 e 377/2011/DRF/PVO/Sacat à Secretaria de Desenvolvimento Ambiental do Estado de Rondônia – SEDAM (fls. 139 e 140). Em resposta (fl. 141), foi encaminhado o Parecer Técnico no 01107/2011, referente ao imóvel “Seringal Mundo Novo”, elaborado pela Coordenadoria de Geociências da SEDAM (fl. 142), no qual o técnico responsável conclui que: “Até 06/06/2000, (24.013,64ha) se enquadravam como de interesse ecológico, e após esta data o imóvel não possui área enquadrada como de interesse ecológico conforme preconiza a lei.”(fl. 142). Não obstante tenha sido expressamente questionado “se existe superposição com a área de preservação permanente (15.000ha) já declarada pelo contribuinte” (fls. 139 e 140), a SEDAM foi omissa nesse ponto. Na petição de fls. 146 e 147, a contribuinte não contesta a informação da SEDAM no sentido de que a área de interesse ecológico é de 24.013,64ha existindo, nos termos do art. 10, §1o, inciso II, alínea “b”, da Lei no 9.393, de 1996, até 06/06/2000, quando ainda vigorava a 1ª aproximação do ZSEE/RO. Como se sabe, no caso do ITR, o fato gerador ocorre em 1o de janeiro de cada ano por força do disposto no art. 1o da Lei no 9.393, de 1996 e, portanto, para o exercício 2000, o fato gerador ocorreu em 01/01/2000. Dessa forma, tendo em vista a informação do órgão ambiental estadual, há que se reconhecer uma área de interesse ecológico equivalente a 24.013,64ha. Importa salientar, entretanto, que a área total do imóvel é 27.339,0ha e que a área de preservação permanente originalmente declarada e que foi mantida pela fiscalização é de 15.000,0ha, evidenciando-se a superposição desta com a área de interesse ecológico. Fl. 359DF CARF MF Impresso em 11/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALO, Assinado digitalmente e m 10/07/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGA O CALO 14 Assim, a vista dos elementos que compõe os autos, deve ser excluída da área tributável para fins do ITR o valor de 9.013,64ha (24.013,64ha – 15.000,0ha), a título de área de interesse ecológico. 4 Alegação de Confisco Quanto à alegação de que a alíquota de 20% de ITR sobre um imóvel caracteriza confisco da propriedade privada, cumpre esclarecer que, uma vez que existente comando expresso em lei (art. 11 da Lei no 9.393, de 1996) determinando sua aplicação na apuração do imposto devido, não cabe aos agentes públicos questionarem a constitucionalidade da lei vigente mediante juízos subjetivos, dado o Princípio da Legalidade que vincula a atividade administrativa. Da mesma forma, não cabe a este Colegiado afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade, por força do disposto no art. 62 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF no 256, de 22 de junho de 2009 (publicada no DOU de 23/06/2009), que regula o julgamento administrativo de segunda instância. Ademais, esse entendimento já está sumulado pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF : Súmula CARF no 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. processo judicial. Ressalte-se que o enunciado sumular é de aplicação obrigatória nos julgamentos de segundo grau, nos termos do art. 72, §4o, do Anexo II do Regimento Interno do CARF. Assim, não pode qualquer Conselheiro adotar posicionamento diferente de matéria pacificada por meio de súmula ainda em vigor. 5 Conclusão Diante do exposto, voto por DAR provimento PARCIAL ao recurso para excluir da área tributável 9.013,64ha, a título de área de interesse ecológico. (Assinado digitalmente) Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga Fl. 360DF CARF MF Impresso em 11/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALO, Assinado digitalmente e m 10/07/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGA O CALO
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Numero do processo: 13204.000147/2005-78
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 23 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon May 06 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/05/2005 a 31/05/2005
MATÉRIA NÃO IMPUGNADA.
Considera-se não impugnada a matéria que não tenha sido contestada especificamente na manifestação de inconformidade.
CONTRIBUIÇÕES NÃO CUMULATIVAS. BASE DE CÁLCULO.
A base de calculo das contribuições ao PIS e à Cofins no regime não-cumulativo engloba a totalidade das receitas da pessoa jurídica, sendo inaplicável a extensão administrativa dos efeitos da decisão do STF acerca da inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718/98.
REGIME NÃO CUMULATIVO. INSUMOS. CONCEITO.
No regime não cumulativo das contribuições o conteúdo semântico de insumo é mais amplo do que aquele da legislação do IPI e mais restrito do que aquele da legislação do imposto de renda, abrangendo os bens e serviços que integram o custo de produção.
CRÉDITOS. SERVIÇOS DE REMOÇÃO DE REJEITOS INDUSTRIAIS.
É legítima a tomada de crédito da contribuição não-cumulativa em relação ao serviço de remoção de lama vermelha, por integrar o custo de produção do produto destinado à venda (alumina).
CRÉDITOS. SERVIÇO DE MANUTENÇÃO DO ATIVO IMOBILIZADO.
Tratando-se de gasto passível de ativação obrigatória, é incabível a tomada de crédito diretamente sobre o custo do serviço de manutenção de material refratário.
CRÉDITOS. DEPRECIAÇÃO.
O exercício da opção prevista no art. 3º, VI, § 14 da Lei nº 10.833/03, em relação a bens parcialmente depreciados, deve recair apenas sobre o valor residual desses bens.
Recurso voluntário provido em parte.
Numero da decisão: 3403-002.039
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para reconhecer o direito de o contribuinte tomar o crédito da contribuição sobre o valor do serviço de remoção de lama vermelha. Vencido o Conselheiro Rosaldo Trevisan, que negou provimento na íntegra.
(Assinado com certificado digital)
Antonio Carlos Atulim Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Ivan Allegretti e Marcos Tranchesi Ortiz.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM
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Considerase não impugnada a matéria que não tenha sido contestada especificamente na manifestação de inconformidade. CONTRIBUIÇÕES NÃO CUMULATIVAS. BASE DE CÁLCULO. A base de calculo das contribuições ao PIS e à Cofins no regime não cumulativo engloba a totalidade das receitas da pessoa jurídica, sendo inaplicável a extensão administrativa dos efeitos da decisão do STF acerca da inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718/98. REGIME NÃO CUMULATIVO. INSUMOS. CONCEITO. No regime não cumulativo das contribuições o conteúdo semântico de “insumo” é mais amplo do que aquele da legislação do IPI e mais restrito do que aquele da legislação do imposto de renda, abrangendo os “bens” e “serviços” que integram o custo de produção. CRÉDITOS. SERVIÇOS DE REMOÇÃO DE REJEITOS INDUSTRIAIS. É legítima a tomada de crédito da contribuição nãocumulativa em relação ao serviço de remoção de lama vermelha, por integrar o custo de produção do produto destinado à venda (alumina). CRÉDITOS. SERVIÇO DE MANUTENÇÃO DO ATIVO IMOBILIZADO. Tratandose de gasto passível de ativação obrigatória, é incabível a tomada de crédito diretamente sobre o custo do serviço de manutenção de material refratário. CRÉDITOS. DEPRECIAÇÃO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 20 4. 00 01 47 /2 00 5- 78 Fl. 181DF CARF MF Impresso em 06/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/04/201 3 por ANTONIO CARLOS ATULIM 2 O exercício da opção prevista no art. 3º, VI, § 14 da Lei nº 10.833/03, em relação a bens parcialmente depreciados, deve recair apenas sobre o valor residual desses bens. Recurso voluntário provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para reconhecer o direito de o contribuinte tomar o crédito da contribuição sobre o valor do serviço de remoção de lama vermelha. Vencido o Conselheiro Rosaldo Trevisan, que negou provimento na íntegra. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Ivan Allegretti e Marcos Tranchesi Ortiz. Relatório Tratase de pedido de ressarcimento de crédito do PIS no regime não cumulativo, cumulado com as declarações de compensação anexas aos autos. Por meio do despacho decisório emitido em 17/12/2008, foi reconhecido parcialmente o direito de crédito e homologadas parcialmente as compensações declaradas. Conforme se depreende do Parecer SAORT e do Relatório de Diligência acostado ao processo nº 13204.000015/200546, que lastreou o despacho da autoridade administrativa, a fiscalização efetuou os seguintes ajustes nos créditos apurados pelo contribuinte: a) Glosa de IPI recuperável (art. 66, § 3.°, da IN SRF n.° 247/2002), incluído indevidamente na base de cálculo dos créditos, como parte integrante do valor de aquisição dos bens (item 2 do Relatório de Diligência Fiscal); b) Glosa de despesas de serviços de transporte de "lama vermelha" e "manutenção de refratários", conforme art. 66, § 5.°, I, "b", da IN SRF n.° 264/2003 e art. 346, § 2.°, do RIR/99 (item 3 do Relatório de Diligência Fiscal); c) Ajustes nos valores dos créditos a descontar referente ao ativo imobilizado (art. 3º, VI, § 14 da Lei nº 10.833/03), em razão de o contribuinte ter feito a opção em setembro de 2005 e ter retroagido os cálculos ao mês de maio de 2004; (item 4 do Relatório de Diligência Fiscal); d) No mês de janeiro de 2005 foi retificado o saldo de crédito presumido disponível para desconto relativo ao estoque de abertura; (item 5 do Relatório de diligência Fiscal); Fl. 182DF CARF MF Impresso em 06/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/04/201 3 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13204.000147/200578 Acórdão n.º 3403002.039 S3C4T3 Fl. 13 3 e) Alteração dos "ajustes positivos de créditos", em conformidade com os valores apontados em memória de cálculo do contribuinte, sendo os valores da memória de cálculo ajustados pela fiscalização de acordo com o percentual de rateio relativo aos mercados interno e externo (40% e 60%, respectivamente); (item 6 do relatório de Diligência Fiscal); f) Em março de 2005 houve retificação das bases de cálculo informadas no DACON em decorrência de lançamentos constantes da conta 420200, retificados pela fiscalização conforme balancetes disponibilizados pelo contribuinte; (item 7 do Relatório de Diligência Fiscal) g) Acréscimo às bases de cálculo da Contribuição para o PIS e da Cofins de variações monetárias ativas (receitas financeiras) não oferecidas à tributação. Não há direito ao crédito quanto às perdas em função do câmbio, por representarem despesas financeiras que não são decorrentes de empréstimos ou financiamentos obtidos de pessoas jurídicas e nem se enquadrarem nas hipóteses legais de dedução da base de cálculo (art. 1º, § 3º das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03); (item 8 do relatório de Diligência Fiscal); i) Foi corrigido erro nos DACON transmitidos, pois o contribuinte não informou ou informou incorretamente valores objeto de compensação em Decomp, referente a alguns meses do ano de 2005, gerando saldos de créditos indevidos de um mês para o mês seguinte. Regularmente notificado do despacho, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, alegando, em síntese, que: a) é ilegal incluir os ganhos de variação cambial em empréstimos contraídos no exterior nas bases de cálculo do PIS e da Cofins, pois além das receitas financeiras não comporem o faturamento, a previsão legal contida no art. 3º, V, da Lei nº 10.637/02 é no sentido da sua dedução; b) a pretensão fiscal tem lastro no art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718/98, que foi declarado inconstitucional pelo STF; c) é equivocado o entendimento da fiscalização quanto ao conceito de “insumos”, pois o PN CST nº 65/79 estabelece que a expressão “consumidos” no processo produtivo deve ser entendida em sentido amplo. Todos os produtos que forem empregados no processo de industrialização e não diretamente aplicados no produto final, são idôneos à geração de créditos. Assim, tanto a lama vermelha, quanto o material refratário participam e são essenciais à produção da alumina, não havendo relevância alguma o fato de terem ou não contato físico com o produto em fabricação; e) quanto aos créditos tomados sobre as aquisições para o ativo imobilizado, alegou que com o advento do art. 21 da Lei nº 10.865/2004, passou a existir o direito de apurar o crédito relativo à aquisição de máquinas, equipamentos e bens afins de acordo com o valor de aquisição dos mesmos, no prazo máximo de quatro anos; f) requereu o acolhimento de suas razões para o fim de desconstituição das glosas e protestou pela produção de prova pericial. A DRJ – Belém julgou improcedente a manifestação de inconformidade. Foi considerada não impugnada a matéria em relação à qual não houve contestação e considerado não formulado o pedido de perícia. Quanto à inclusão das receitas financeiras na base de cálculo, ficou decidido que no regime nãocumulativo a base de cálculo é a totalidade das receitas da pessoa jurídica. Quanto aos insumos, ficou decidido que só geram direito a crédito insumos aplicados ou consumidos em ação direta sobre o produto em fabricação. Quanto aos serviços, foi decidido que embora não haja a exigência de ação direta, é necessário para a geração do crédito que os serviços sejam aplicados ou consumidos diretamente na linha de produção do bem destinado à venda. Finalmente, quanto à apropriação de créditos sobre encargos de depreciação de máquinas e equipamentos incorporados ao imobilizado, ficou decidido que o contribuinte, tendo exercido a opção por tomar o crédito sobre o custo de Fl. 183DF CARF MF Impresso em 06/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/04/201 3 por ANTONIO CARLOS ATULIM 4 aquisição em setembro de 2005, não poderia ter adotado base de cálculo com efeito retroativo ao mês de maio de 2004. O pedido de perícia foi rejeitado em face da DRJ ter considerado a providência desnecessária. Regularmente notificado do Acórdão de primeira instância em 05/04/2012, o contribuinte apresentou recurso voluntário em 04/05/2012. Em relação à matéria argüida na impugnação e enfrentada pela DRJ, alegou em síntese o seguinte: a) ilegalidade e a inconstitucionalidade da inclusão das receitas financeiras na base de cálculo da contribuição e a ilegalidade da glosa efetuada quanto aos serviço de remoção de rejeitos industriais e do material refratário, em face do conceito de insumo que deve nortear a aplicação da legislação das contribuições nãocumulativas; b) em relação à glosa do crédito sobre máquinas e equipamentos incorporados ao imobilizado, alegou que seu direito emana do art. 3º, VI, da Lei nº 10.833/2004 e do art. 1º, I e II, §§ 1º e 2º da IN 457/2004. Além disso, a Lei nº 11.196/2005, o Decreto nº 5.789/2006 e o Decreto nº 5.988/2006 previram que as empresas beneficiadas por incentivos fiscais da SUDAM poderiam optar por uma periodicidade diferenciada de 1/12 para os equipamentos descritos no Regime Especial de Aquisição de Bens de Capital para empresas exportadoras; c) não ocorrência de matérias não impugnadas, pois uma vez acolhidas as razões recursais relativas ao mérito, as alterações perpetradas pela fiscalização seriam irrelevantes; d) insurgiuse contra o acórdão recorrido na parte em que afirmou que não tinham valor as soluções de consulta e a jurisprudência, em virtude de não possuírem eficácia normativa. As demais alegações contidas no recurso voluntário não foram objeto de glosa por parte da fiscalização ou não foram objeto de impugnação por parte da recorrente. Requereu o acolhimento do recurso voluntário para o fim de desconstituir as glosas do despacho decisório, possibilitando o aproveitamento integral do valor do crédito constante da declaração de compensação. É o relatório. Voto Conselheiro Antonio Carlos Atulim, Relator. O recurso preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. O cotejo do relatório de diligência fiscal com a impugnação revela que o contribuinte deixou de manifestar sua inconformidade em relação a vários ajustes efetuados pela fiscalização. Entende o contribuinte que o provimento deste recurso “tornará irrelevantes” os demais ajustes efetuados. O art. 16, III, do Decreto nº 70.235/72 estabelece que a impugnação (ou no caso, a manifestação de inconformidade), deve ser específica e vir acompanhada dos documentos hábeis à comprovação das alegações de defesa. E o art. 17, do mesmo diploma, estabelece que se considera não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada. Fl. 184DF CARF MF Impresso em 06/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/04/201 3 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13204.000147/200578 Acórdão n.º 3403002.039 S3C4T3 Fl. 14 5 Sendo assim, ao contrário do que entende o contribuinte, os ajustes efetuados pela fiscalização na apuração do crédito que não foram expressamente contestados, tornaram se definitivos na esfera administrativa. O litígio só foi instaurado quanto à base de cálculo das contribuições (inclusão das receitas financeiras provenientes de variações cambiais), quanto às glosas dos serviços de remoção de rejeitos industriais e manutenção de refratários e quanto à glosa do crédito tomado sobre a aquisição de bens para o ativo imobilizado. As questões levantadas no recurso voluntário que não foram objeto de glosa por parte da fiscalização ou que não foram objeto da manifestação de inconformidade não serão tratadas neste voto. Relativamente à questão das receitas financeiras, a fiscalização consignou no item 8 do relatório de diligência o seguinte: “(...) 8 No que concerne aos lançamentos a débito das contas de receita 410102 (Alumínio Brasileiro S/A.ALBRAS) e 410107 (Cia. Vale do Rio Doce CVRD), meses de janeiro à março, bem como, na conta 421111001, meses de abril à dezembro, em atendimento ao Termo de Intimação e Solicitação de Esclarecimentos (em anexo), o contribuinte informou que referese a ajustes de preços decorrentes da venda de produtos no mercado interno, em face de sua fixação em moeda estrangeira e/ou desvios de características físico/químicas. Verificado pela fiscalização os termos do contrato de fornecimento de Alumina, celebrado com a empresa ALBRAS (em anexo), observase que tais ajustes tem a natureza de descontos condicionais (despesas financeiras), em função da variação (decréscimo) da taxa do dólar ocorrida entre a data da emissão da Nota Fiscal de Venda e o recebimento do preço pactuado (cláusulas 12.3 e 12.4). Ainda que acordado entre as partes a emissão de documento complementar posterior à entrega dos bens, tal convenção não descaracteriza a natureza de variação monetária. Nestas situações, impõese a tributação do ganho (receita financeira), não dando direito a créditos as perdas em função do câmbio, por representarem despesas financeiras não decorrentes de empréstimos/financiamentos obtidos de pessoas jurídicas, tão pouco se enquadram como parcelas não integrantes da base de cálculo do PIS/COFINS, de que tratam o art. 1º , § 3º das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03, verbis: (...) omissis... Desta forma, os lançamentos identificados no Livro Razão (cópias em anexo) sob os históricos ajuste de preço/alumina/venda e acerto faturamento, bem como, os correspondentes tributos/contribuições ICMS/PIS/COFINS (ajuste/acerto), utilizados pelo contribuinte como parcelas redutoras das vendas no mercado interno, foram adicionados à BC por ele informada nos DACON's transmitidos à RFB (planilha em anexo). (...)” Em relação a este item da recomposição das bases de cálculo da contribuição devida, o contribuinte se limitou a invocar no recurso voluntário a ilegalidade e a inconstitucionalidade da inclusão de receitas financeiras na base de cálculo da contribuição. Cabe esclarecer que a declaração de inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718/98 só interfere na apuração da base de cálculo das contribuições ao PIS e à Cofins no regime cumulativo. Fl. 185DF CARF MF Impresso em 06/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/04/201 3 por ANTONIO CARLOS ATULIM 6 O caso concreto versa sobre os créditos apurados no regime não cumulativo previsto nas Leis nº 10.637/02 (PIS) e 10.833/03 (Cofins). A base de cálculo dessas contribuições no regime nãocumulativo inclui a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente da sua denominação ou classificação contábil, in verbis: Lei nº 10.833/03: “Art. 1º A Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, com a incidência nãocumulativa, tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. § 1º Para efeito do disposto neste artigo, o total das receitas compreende a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. § 2º A base de cálculo da contribuição é o valor do faturamento, conforme definido no caput. (...)” Lei nº 10.637/02: “Art. 1º A contribuição para o PIS/Pasep tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. § 1º Para efeito do disposto neste artigo, o total das receitas compreende a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. § 2º A base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep é o valor do faturamento, conforme definido no caput. (...)” Tendo em vista que essas leis foram publicadas após a promulgação da Emenda Constitucional nº 20, de 16 de dezembro de 1998, a ampliação do conceito de faturamento está amparada pela nova redação do art. 195, I, “b”, da CF/88, que passou a autorizar a incidência com base no faturamento ou na receita. Relativamente à jurisprudência do STJ invocada pelo contribuinte, verificase que no RESP 1.059.041/RS, o tribunal considerou que as variações cambiais positivas decorrentes da exportação de mercadorias estão imunes à incidência das contribuições, em razão do art. 149, § 2º, I da CF/88. Essa questão da imunidade das variações cambiais positivas obtidas nas operações de exportação de produtos é objeto de repercussão geral decretada no RE nº 627.815 (Tema 329) e poderia render ensejo ao sobrestamento do julgamento do recurso voluntário, caso o contribuinte tivesse trazido alguma prova de que as variações monetárias foram auferidas na exportação de seus produtos. O contribuinte se limitou a invocar a decisão do STJ sem comprovar que o caso concreto é semelhante ao precedente daquele tribunal. A leitura do excerto do relatório de diligência acima transcrito, revela que não foram tributadas variações cambiais decorrentes da exportação de produtos, mas Fl. 186DF CARF MF Impresso em 06/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/04/201 3 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13204.000147/200578 Acórdão n.º 3403002.039 S3C4T3 Fl. 15 7 basicamente receitas financeiras decorrentes de contratos cujos valores estavam atrelados à variação da moeda estrangeira. O contribuinte não contestou em momento algum a natureza dessas receitas. Não há nenhuma alegação no sentido de que seriam decorrentes da exportação de produtos. Portanto, não há razão para se cogitar do sobrestamento deste recurso, sendo inaplicável o entendimento do RESP nº 1.059.041. Já quanto ao RESP nº 898.372, cuja ementa foi transcrita pela recorrente, verificase que o STJ entendeu que a incidência das contribuições sobre variações cambiais positivas decorrentes de contratos firmados em moeda estrangeira, ocorre no momento da liquidação da obrigação contraída, pois enquanto isso não ocorrer, o que se tem é mera expectativa de receita. Segundo o texto do item 8 do relatório de diligência, o contribuinte utilizou as despesas financeiras como dedução das receitas financeiras na apuração das contribuições. A descrição da fiscalização sugere que foi aplicado o entendimento costumeiro que a Administração vem dispensando a casos semelhantes, qual seja: tendo em vista que o contribuinte optou pelo regime de competência, foram incluídas nas bases de cálculo as variações monetárias positivas aferidas em cada período de apuração durante a vigência do contrato, desconsiderandose as variações negativas ocorridas no mesmo período, aplicandose de forma literal o art. 9º da Lei nº 9.718/98 combinado com o art. 30, § 1º da Medida Provisória nº 2.15835/2001. Este colegiado, com outra composição, já enfrentou essa questão no Acórdão nº 340301.503, relatado pelo Conselheiro Marcos Tranchesi Ortiz, no qual, por maioria de votos, foi firmado entendimento semelhante àquele do STJ, no sentido de que só pode ser considerado como receita o ingresso que se incorpore definitivamente ao patrimônio da pessoa jurídica. Entretanto, no caso concreto, tanto a discussão sobre a constitucionalidade da tributação das receitas financeiras, quanto a questão do momento do reconhecimento contábil dessas receitas são irrelevantes, uma vez que para o ano calendário de 2005 a alíquota do PIS e da Cofins sobre as receitas em questão foi reduzida a zero pelos Decretos nº 5.164, de 30 de junho de 2004 e pelo Decreto nº 5.442, de 09 de maio de 2005. Portanto, a adoção do entendimento contido no Acórdão 340301.503 quanto ao momento do reconhecimento contábil da receita financeira proveniente da flutuação do preço da moeda estrangeira não resultará em nenhum efeito prático sobre este processo. Relativamente aos insumos, segundo o item 3 do relatório de diligência fiscal, as glosas recaíram sobre o serviço de remoção de lama vermelha e sobre o serviço para substituição de revestimentos refratários em bens do ativo imobilizado. A motivação para a glosa do serviço de transporte de lama vermelha consistiu em que esse serviço não foi consumido ou aplicado no processo produtivo para a fabricação do produto destinado à venda, pois a lama é resíduo obtido por decantação da mistura bauxita/soda cáustica (polpa), oriunda de etapas anteriores do processo produtivo. Assim, pelo que se pode entender, o serviço de remoção de lama foi glosado porque é aplicado em algo que “sai” da linha de produção sem ser o produto final e não em algo que “entra” na linha para contribuir na formação do produto destinado a venda. Fl. 187DF CARF MF Impresso em 06/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/04/201 3 por ANTONIO CARLOS ATULIM 8 No que tange aos bens e aos serviços aptos a gerarem créditos da contribuição, a discórdia entre a fiscalização e os contribuintes reside na conceituação do vocábulo “insumo” existente no art. 3º, II das Lei nº 10.637/02 e 10.833/03. A fiscalização atribui a esse vocábulo o mesmo conceito de produto intermediário fixado pelo PN CST nº 65/79 para o IPI, enquanto que os contribuintes almejam adotar todos os custos e despesas operacionais previstos pela legislação do imposto de renda. No caso do IPI são considerados produtos intermediários aptos a gerarem créditos do imposto, apenas aqueles produtos que sofram desgaste, sejam consumidos, ou que sofram perda das propriedades físicas ou químicas em decorrência de ação direta do produto em fabricação (PN CST nº 65/79). A defesa, por seu turno, alegou que os produtos glosados são indispensáveis ao seu processo industrial, enquadrandose perfeitamente ao permissivo legal que dá direito ao crédito. A questão é polêmica, mas uma análise mais detida das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03 revela que o legislador não determinou que o significado do vocábulo “insumo” fosse buscado na legislação deste ou daquele tributo. Se não existe tal determinação, o intérprete deve atribuir ao vocábulo “insumo” um conteúdo semântico condizente com o contexto em que está inserido o art. 3º , II, da Lei nº 10.833/02. Nesse passo, distinguemse as não cumulatividades do IPI e do PIS/Cofins. No IPI a técnica utilizada é imposto contra imposto (art. 153, § 3º, II da CF/88). No PIS/Cofins, a técnica é base contra base (art. 195, § 12 da CF/88 e arts. 2º e 3º , § 1º da Lei nº 10.637/02 e 10.833/04). Em relação ao IPI, o art. 49 do CTN estabelece que: “A não cumulatividade é efetivada pelo sistema de crédito do imposto relativo a produtos entrados no estabelecimento do contribuinte, para ser abatido do que for devido pelos produtos dele saídos, num mesmo período, conforme estabelecido neste Capítulo (...)”. E o art. 226 do RIPI/10 estabelece quais eventos dão direito ao crédito: “Os estabelecimentos industriais e os que lhes são equiparados poderão creditarse (Lei nº 4.502, de 1964, art. 25): I do imposto relativo a matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, adquiridos para emprego na industrialização de produtos tributados, incluindose, entre as matériasprimas e os produtos intermediários, aqueles que, embora não se integrando ao novo produto, forem consumidos no processo de industrialização, salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente; (...)” (Grifei) A fim de delimitar o conceito de produto intermediário no âmbito do IPI, foi elaborado o Parecer Normativo CST nº 65/79, por meio do qual fixouse a interpretação de que, para o fim de gerar créditos de IPI, o produto intermediário deve se assemelhar à matéria prima, pois a base de incidência do IPI é o produto industrializado. Daí a necessidade do produto intermediário, que não se incorpore ao produto final, ter que se desgastar ou sofrer Fl. 188DF CARF MF Impresso em 06/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/04/201 3 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13204.000147/200578 Acórdão n.º 3403002.039 S3C4T3 Fl. 16 9 alteração em suas propriedades físicas ou químicas em contato direto com o produto em fabricação. Já no regime não cumulativo das contribuições ao PIS e à Cofins, o crédito é calculado, em regra, sobre os gastos e despesas incorridos no mês, em relação aos quais deve ser aplicada a mesma alíquota que incidiu sobre o faturamento para apurar a contribuição devida (art. 3º, § 1º das Leis nº 10.637/02 e 10.833/04). E os eventos que dão direito à apuração do crédito estão exaustivamente citados no art. 3º e seus incisos, onde se nota claramente que houve uma ampliação do número de eventos que dão direito ao crédito em relação ao direito previsto na legislação do IPI. Essa distinção entre os regimes jurídicos dos créditos de IPI e das contribuições nãocumulativas permite vislumbrar que no IPI o direito de crédito está vinculado de forma imediata e direta ao produto industrializado, enquanto que no âmbito das contribuições está relacionado ao processo produtivo, ou seja, à fonte de produção da riqueza. Assim, a diferença entre os contextos da legislação do IPI e da legislação das contribuições, aliada à ampliação do rol dos eventos que ensejam o crédito pela Lei nº 10.833/04, demonstra a impropriedade da pretensão fiscal de adotar para o vocábulo “insumo” no art. 3º, II, da Lei nº 10.833/04, o mesmo conceito de “produto intermediário” vigente no âmbito do IPI. Contudo, tal ampliação do significado de “insumo”, implícito na redação do art. 3º da Lei nº 10.833/04, não autoriza a inclusão de todos os custos e despesas operacionais a que alude a legislação do Imposto de Renda, pois no rol de despesas operacionais existem gastos que não estão diretamente relacionados ao processo produtivo da empresa. Se a intenção do legislador fosse atribuir o direito de calcular o crédito das contribuições não cumulativas em relação a todas despesas operacionais, seriam desnecessários os dez incisos do art. 3º, da Lei nº 10.833/04, onde enumerouse de forma exaustiva os eventos que dão direito ao cálculo do crédito. Portanto, no âmbito do regime nãocumulativo das contribuições, o conteúdo semântico de “insumo” é mais amplo do que aquele da legislação do IPI e mais restrito do que aquele da legislação do imposto de renda, abrangendo os “bens” e “serviços” que, não sendo expressamente vedados pela lei, forem essenciais ao processo produtivo para que se obtenha o bem ou o serviço desejado. Na busca de um conceito adequado para o vocábulo insumo, no âmbito das contribuições nãocumulativas, a tendência da jurisprudência no CARF caminha no sentido de considerar o conceito de insumo coincidente com conceito de custo de produção, pois além de vários dos itens descritos no art. 3º das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03 integrarem o custo de produção, esse critério oferece segurança jurídica tanto ao fisco quanto aos contribuintes, por estar expressamente previsto no artigo 290 do Regulamento do Imposto de Renda. Voltando ao caso concreto, a análise do processo produtivo empreendida pela fiscalização no relatório de diligência, revela que esse processo gera o rejeito denominado lama vermelha, que é umbilicalmente ligado ao processo produtivo, tendo em vista que esse rejeito se origina da decantação da polpa (mistura de bauxita com soda cáustica). Não há como se concordar com a tese da fiscalização, no sentido de que custos incorridos com itens que não contribuem para a obtenção da alumina não podem ser Fl. 189DF CARF MF Impresso em 06/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/04/201 3 por ANTONIO CARLOS ATULIM 10 considerados como insumo. O fato de o gasto ocorrer com algo que “sai” da linha de produção ou mesmo de ser posterior à obtenção do produto final não significa que seja um gasto que não integre o custo de produção. Além disso, deve ser lembrado que a lama não surge por geração espontânea no processo industrial. Esse resíduo surge porque a bauxita está dispersa no solo. E é o solo impregnado de bauxita e contaminado por outras substâncias que é umedecido com soda cáustica para formar a polpa que será decantada e filtrada. Portanto, de certo modo, a lama “entra” na linha de produção para possibilitar a extração da alumina e depois “sai” durante o processo como resíduo industrial. É uma situação análoga à da soda cáustica. A soda “entra” na linha para formar a polpa e depois “sai” da linha sob a forma de rejeito junto com a lama. Tratandose de rejeito inerente à produção da alumina, o serviço de transporte para a sua remoção é um custo de produção que se enquadra perfeitamente na disposição do art. 290, I do RIR/99. Deve, portanto, gerar créditos do regime não cumulativo, pois se enquadra na previsão do art. 3º, II, das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03. Relativamente aos serviços de colocação de materiais refratários, a glosa foi motivada no fato de que o contribuinte não tem direito à tomada do crédito diretamente sobre o custo do serviço, mas apenas sobre despesa mensal de depreciação, pois o gasto é passível de ativação obrigatória. Segundo o relatório de diligência fiscal, não houve a ativação do gasto e o próprio contribuinte respondeu ao termo de intimação fiscal informando que a periodicidade do serviço é superior a um ano. O contribuinte não contestou o motivo da glosa, limitandose a alegar que a fiscalização só reconheceria o crédito se o refratário tivesse sido enquadrado como ativo imobilizado, onde o tempo legal de apropriação é de 1/12. Entende o contribuinte que pode optar por classificar o material refratário como insumo, pois a legislação não dispensa tratamento diferente, quer esse material seja tratado como insumo, quer seja tratado como ativo imobilizado. Em primeiro lugar é preciso esclarecer que a glosa recaiu sobre serviços de manutenção de materiais refratários, que o próprio contribuinte reconheceu terem durabilidade superior a um ano. Assim, a glosa não recaiu sobre o bem “material refratário”, mas sim sobre um serviço que é destinado à reparação do ativo imobilizado e que possui durabilidade superior a um ano. Sendo incontroverso nos autos que não houve a ativação do gasto que está sujeito à ativação obrigatória (art. 346 do RIR/99), foi correto o entendimento da fiscalização no sentido de glosar o crédito tomado diretamente sobre o custo de aquisição do serviço. A diversidade de tratamento, que a recorrente diz inexistir, está prevista no art. 3º, § 1º, III, da Lei nº 10.637/02 e 10.833/03, combinado com o art. 346 do RIR/99. Quanto ao ajuste nos créditos tomados sobre a despesa de depreciação com base na opção prevista no art. 3º, VI, § 14 da Lei nº 10.833/03, o único óbice oposto pela fiscalização foi o exercício da opção por parte do contribuinte no mês de setembro de 2005 com efeito retroativo a abril de 2004. No item 4 do Termo de Diligência, anexo ao processo 13204.000015/2005 46, a fiscalização consignou o seguinte: Fl. 190DF CARF MF Impresso em 06/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/04/201 3 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13204.000147/200578 Acórdão n.º 3403002.039 S3C4T3 Fl. 17 11 “(...) 4 No mês de setembro de 2005, a base de cálculo do crédito a descontar referente ao ativo imobilizado [PIS (FICHA 06 / LINHA 10); COFINS(FICHA 12 / LINHA 10)] foi informada pelo contribuinte nos valores de R$ 24.862.400,49 (mercado interno) e R$ 38.887.344,36 (mercado externo), perfazendo um total de R$ 63.749.744,85. A memória de cálculo disponibilizada pelo sujeito passivo (em anexo) revela interpretação incorreta das disposições legais que permitem, à opção da pessoa jurídica, descontar créditos sobre máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, no prazo de 4 anos, adquiridos no País ou no exterior a partir de maio de 2004. Tendo exercido a opção no mês de setembro de 2005, a base de cálculo (R$ 63.749.744,85) utilizada pelo contribuinte (planilha em anexo) reflete efeitos retroativos ao mês de maio/2004, resultado do somatório de 1/48 das aquisições efetivadas entre os meses de maio/2004 à agosto/2005 (R$ 66.778.984,50), diminuídos os valores dos créditos informados nos DACON's referentes aos meses de agosto à dezembro/2004 (R$ 359.286,67), janeiro à março/2005 (R$ 1.001.232,73), abril/2005 (R$ 333.744,24), maio/2005 (R$ 333.744,24), junho/2005 (R$ 333.744,24), julho/2005 (R$ 333.744,24) e agosto/2005 (R$ 333.743,24). Tal procedimento vai de encontro ao previsto nas normas legais que regem a matéria, senão vejase: "Lei nº 10.833/03 Art. 3 Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) VImáquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado adquiridos para utilização na produção de bens destinados à venda, ou na prestação de serviços; (...) § 14 Opcionalmente, o contribuinte poderá calcular crédito de que trata o inciso III do § 1 a deste artigo, relativo à aquisição de máquinas e equipamentos destinados ao ativo imobilizado, no prazo de 4 (quatro) anos, mediante a aplicação, a cada mês, das alíquotas referidas no caput do art. 2 desta Lei sobre o valor correspondente a 1/48 (um quarenta e oito avos) do valor de aquisição do bem, de acordo com a regulamentação da Secretaria da Receita Federal. (Incluído pela Lei n s 10.865, de 2004)" (grifos nossos) "Instrução Normativa SRF ns 457/04 Art. 1º As pessoas jurídicas sujeitas à incidência nãocumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), em relação aos serviços e bens adquiridos no País ou no exterior a partir de maio de 2004. observado, no que couber, o disposto no art. 69 da Lei nQ 3.470, de 1958, e no art. 57 da Lei na 4.506. de 1964, podem descontar créditos calculados sobre os encargos de depreciação de: I máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado para utilização na produção de bens destinados a venda ou na prestação de serviços; § 2º Opcionalmente ao disposto no § 1º. para fins de apuração da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, o contribuinte pode calcular créditos sobre o valor de aquisição de bens referidos no caput deste artigo no prazo de: Fl. 191DF CARF MF Impresso em 06/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/04/201 3 por ANTONIO CARLOS ATULIM 12 I 4 (quatro) anos, no caso de máquinas e equipamentos destinados ao ativo imobilizado: Art. 2º Os créditos de que trata o art. 1º9 devem ser calculados mediante a aplicação, a cada mês, das alíquotas de 1,65% (um inteiro e sessenta e cinco centésimos por cento) para a Contribuição para o PIS/Pasep e de 7,6% (sete inteiros e seis décimos por cento) para a Cofins sobre o valor: II de 1/48 (um quarenta e oito avos) do valor de aquisição dos bens, na forma do inciso I do § 2º do art. 1º; (...) § 2° Na data da opção de que tratam os incisos I e II do § 2º do art. 1º, em relação aos bens nele referidos, parcialmente depreciados, as alíquotas de que trata o caput devem ser aplicadas, conforme o caso, sobre a parcela correspondente a 1/48 ou 1/24 do seu valor residual. (...) Art. 7º Considerase efetuada a opção de que tratam os §§ 2º dos arts. 1º e 3º, de forma irretratável, com o recolhimento das contribuições apuradas na forma neles previstas" (grifos nossos) Com efeito, a melhor exegese que se extrai dos textos legais retrocitados é a de que a opção exercida tem caráter irretratável, com efeitos ex nunc. Tratandose de bens parcialmente depreciados, a regulamentação dispõe que as alíquotas a serem aplicadas (1,65% e 7,6%) deverão recair sobre 1/48 do valor residual. Aplicarseá idêntica interpretação ante à inexistência de depreciação, quando da opção, qual seja, cálculo dos créditos com base em 1/48 do valor de aquisição do bem. Ressalta se que, em qualquer caso, o aspecto temporal deverá ser observado, conforme previsto no art. 57 da Lei nº 4.506/64, o qual condiciona o reconhecimento da depreciação a partir da época em que o bem é posto em serviço ou em condições de operar. Deste modo, considerandose que o contribuinte, na apuração das contribuições PIS/COFINS referente ao mês de setembro/2005, adotou por opção a sistemática prevista no art. 1º , § 2º , inciso I da IN SRF nº 457/04, refezse a base de cálculo (BC) dos créditos atinentes aos meses de setembro à dezembro de 2005, com base na memória de cálculo por ele disponibilizada, a saber: possibilidade de desconto dos créditos em 4 anos, a partir do mês de setembro (opção), tomandose o custo de aquisição acumulado de maio/2004 à agosto/2005 (R$ 516.382.102,56), diminuído dos valores já descontados pelo sujeito passivo ( R$ 3.029.239,60 ) e rateandose o saldo em 48 meses (R$ 10.694.851,31). Adicionandose 1/48 da aquisição de setembro/2005 (R$ 457.004,90), resulta em uma BC mensal de R$ 11.151.856.21 (planilha em anexo). (...)” Verificase, assim, que a fiscalização não questionou nem o direito à opção e tampouco o direito à depreciação em quatro anos. Apenas questionou o critério retroativo que o contribuinte imprimiu quando da opção pela forma de cálculo do crédito com base no art. 3º, VI, § 14 da Lei nº 10.833/2003. Contra o critério adotado pela fiscalização, o contribuinte argumento com a Lei nº 11.196/2005 que previu que as empresas beneficiadas por incentivos fiscais da SUDAM poderiam optar por uma periodicidade diferenciada de 1/12 para os equipamentos descritos no Regime Especial de Aquisição de Bens de Capital para empresas exportadoras. A alegação é improcedente, pois se o contribuinte entende que tinha direito à depreciação acelerada de um ano deveria ter optado por esse regime e não pela depreciação em quatro anos. A fiscalização apenas corrigiu o cálculo da opção efetuada pelo próprio contribuinte em depreciar os bens em quatro anos (art. 3º, VI, § 14 da Lei nº 10.833/03). Fl. 192DF CARF MF Impresso em 06/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/04/201 3 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13204.000147/200578 Acórdão n.º 3403002.039 S3C4T3 Fl. 18 13 Ademais, a alegação do contribuinte veio desacompanhada de provas no sentido de que os bens em relação aos quais a fiscalização fez a correção da apropriação da despesa de depreciação, se enquadravam nos Decretos nº 5.789/2006 e o Decreto nº 5.988/2006. Por fim, quanto à questão da eficácia das decisões em processos de consulta e da jurisprudência administrativa e judicial, tratase de matéria que não tem relevância para o deslinde deste processo, pois este julgado está de acordo com a jurisprudência majoritária do CARF, que vem adotando o custo de produção como critério para estabelecer o que é insumo para fins da geração de créditos das contribuições não cumulativas. Em face do exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso para reconhecer o direito de o contribuinte tomar o crédito da contribuição não cumulativa em relação aos serviços de remoção de lama vermelha. Este julgado limitouse a reconhecer o direito em tese, ficando a quantificação do crédito, o cálculo e a homologação da compensação declarada a cargo da autoridade administrativa da circunscrição fiscal do contribuinte. Antonio Carlos Atulim Fl. 193DF CARF MF Impresso em 06/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/04/201 3 por ANTONIO CARLOS ATULIM
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