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Numero do processo: 11610.000243/2010-66
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 12 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Jul 11 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2006
GLOSA DE DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO.
Exigido pela autoridade fiscal documentos que comprovem a efetividade da realização de despesas médicas indicadas pelo contribuinte em sua declaração e ajuste anual, ante a ausência de apresentação de quaisquer documentos, devem ser mantidas a glosas realizadas.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2401-004.239
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, conhecer do Recurso Voluntário e, no mérito, negar-lhe provimento. Vencidos os Conselheiros Luciana Matos Pereira Barbosa e Rayd Santana Ferreira, que davam provimento ao Recurso Voluntário.
André Luís Marsico Lombardi - Presidente
Carlos Alexandre Tortato - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: André Luís Marsico Lombardi, Miriam Denise Xavier Lazarini, Theodoro Vicente Agostinho, Carlos Alexandre Tortato, Maria Cleci Coti Martins, Luciana Matos Pereira Barbosa, Arlindo da Costa e Silva e Rayd Santana Ferreira.
Nome do relator: CARLOS ALEXANDRE TORTATO
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2006 GLOSA DE DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. Exigido pela autoridade fiscal documentos que comprovem a efetividade da realização de despesas médicas indicadas pelo contribuinte em sua declaração e ajuste anual, ante a ausência de apresentação de quaisquer documentos, devem ser mantidas a glosas realizadas. Recurso Voluntário Negado.
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AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. Exigido pela autoridade fiscal documentos que comprovem a efetividade da realização de despesas médicas indicadas pelo contribuinte em sua declaração e ajuste anual, ante a ausência de apresentação de quaisquer documentos, devem ser mantidas a glosas realizadas. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 61 0. 00 02 43 /2 01 0- 66 Fl. 44DF CARF MF Impresso em 11/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/07/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 07/07/ 2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO 2 Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, conhecer do Recurso Voluntário e, no mérito, negarlhe provimento. Vencidos os Conselheiros Luciana Matos Pereira Barbosa e Rayd Santana Ferreira, que davam provimento ao Recurso Voluntário. André Luís Marsico Lombardi Presidente Carlos Alexandre Tortato Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: André Luís Marsico Lombardi, Miriam Denise Xavier Lazarini, Theodoro Vicente Agostinho, Carlos Alexandre Tortato, Maria Cleci Coti Martins, Luciana Matos Pereira Barbosa, Arlindo da Costa e Silva e Rayd Santana Ferreira. Fl. 45DF CARF MF Impresso em 11/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/07/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 07/07/ 2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO Processo nº 11610.000243/201066 Acórdão n.º 2401004.239 S2C4T1 Fl. 45 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face do Acórdão nº. 1644.386 (fls. 27/31), proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo (DRJ/SP1), que julgou improcedente a impugnação (fls. 03/05) do contribuinte, conforme ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA – IRPF Anocalendário: 2006 DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. Não comprovados os pagamentos efetuados a título de despesas médicas é de manterse a glosa para essas deduções pleiteadas na declaração de ajuste anual. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido A Notificação de Lançamento de fls. 11/14 exigiu do contribuinte o recolhimento do crédito tributário no valor de R$ 15.950,00, a título de imposto suplementar, acrescido de multa de mora e juros, decorrente da glosa de despesas médicas declaradas pelo contribuinte em sua Declaração de Ajuste Anual. Na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal (fl. 12) a fiscalização informa a glosa de R$ 58.000,00, correspondente à Dedução Indevida de Despesas Médicas, nos seguintes termos: APÓS ANÁLISE DA DOCUMENTAÇÃO APRESENTADA EM RESPOSTA A INTIMAÇÃO FICAL, O TOTAL DA DEDUÇÃO RELATIVA A DESPESAS MÉDICAS (R$ 59.342,00) FOI ALTERADO PARA R$ 1.342,00 DEVIDO A: I – GLOSA DE DEDUÇÃO RELATIVA AO VALOR QUE A CONTRIBUINTE DECLAROU HAVER PAGO A WAGHI HALIM ADAS (10.000,00), POIS NÃO APRESENTOU DOCUMENTAÇÃO COMPROBATÓRIA DO EFETIVO PAGAMENTO DESTA DESPESA (CÓPIA MICROFILMADA DO CHEQUE COMPENSADO OU EXTRATO BANCÁRIO ONDE CONSTE SAQUE COINCIDENTE COM A DATA E VALOR CONSTANTES NO RECIBO APRESENTADO), EMBORA TENHA SIDO REGULARMENTE INTIMADA A APRESENTÁ LA, POIS ALEGA QUE TODOS OS SEUS PAGAMENTOS FORAM REALIZDOS EM DINHEIRO; II – GLOSA DA DEDUÇÃO RELATIVA AO TOTAL QUE DECLAROU HAVER PAGO A NICEAS TADEU O. RODRIGUES, POIS, DEVIDO AO ELEVADO VALOR QUE A CONTRIBUINTE DECLAROU HAVER PAGO A ESTE PROFISSIONAL (R$ 48.000,00), O FISCO A INTIMOU A COMPROVAR O EFETIVO Fl. 46DF CARF MF Impresso em 11/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/07/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 07/07/ 2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO 4 PAGAMENTO DESTA DESPESA (MEDIANTE APRESENTAÇÃO DAS CÓPIAS MICROFILMADAS DOS CHEQUE COMPENSADOS OU EXTRATOS BANCÁRIOS ONDE CONSTEM SAQUES COINCIDENTES COM AS DATAS E OS VALORES CONSTANTE NOS RECIBOS APRESENTADOS) E A CONTRIBUINTE NÃO APRESENTOU TAL COMPROVAÇÃO, POIS ALEGA QUE TODOS OS SEUS PAGAMENTOS SÃO EFETUADOS EM DINHEIRO. Em sede de impugnação, a contribuinte alegou que apresentou os recibos emitidos pelos profissionais, com o preenchimento dos requisitos legais exigidos (nome, endereço e CPF) no § 2º, III do art. 8º da Lei nº. 9.250/95. Intimada do acórdão da DRJ/SP1 em 20/03/2013 (A.R. fl. 35), que julgou improcedente a sua impugnação, a recorrente apresentou o seu recurso voluntário (fls. 36/39) em 05/04/2013, onde alega: a) Da inversão do ônus da prova e da boa fé: alega que todos os recibos dos serviços médicos/odontológicos foram apresentados, via fotocópia autenticada, em sede de impugnação e que não caberia ao Fisco exigir outro meio de comprovação (cheques microfilmados, saques em dinheiro) “sem antes cumprir a sua obrigação de provar que os pagamentos de R$ 58.000,00 não ingressaram no patrimônio” dos profissionais contratados; b) Ilegalidade da glosa realizada: alega que os recibos apresentados cumprem todos os requisitos exigidos no art. 8º, inciso II, alínea “a” c/c §§ 2º e 3º, todos da Lei nº. 9.250/95, quais sejam, “indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas – CPF ou no Cadastro Geral de Contribuintes – CGC de quem os recebeu”. Por este motivo, cumprido o requisito legal, somente na falta dos recibos é que poderia ser exigida a comprovação através de outros meio de prova, sendo, portanto, ilegal o lançamento. É o relatório. Fl. 47DF CARF MF Impresso em 11/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/07/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 07/07/ 2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO Processo nº 11610.000243/201066 Acórdão n.º 2401004.239 S2C4T1 Fl. 46 5 Voto Conselheiro Carlos Alexandre Tortato – Relator Admissibilidade O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, assim, dele tomo conhecimento. Mérito A legislação do imposto de renda da pessoa física permite a dedução de despesas médicas do referido imposto, nos termos do art. 8º, II, alínea “a” e § 2º, da Lei nº. 9.250/95, assim disposta: Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: (...) II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; (...) § 2º O disposto na alínea a do inciso II: I aplicase, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Geral de Contribuintes CGC de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; Fl. 48DF CARF MF Impresso em 11/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/07/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 07/07/ 2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO 6 Como se vê, para que seja conferida validade ao recibo emitido por profissional de saúde, exigese que constem no mesmo, cumulativamente: a) Nome do profissional; b) Endereço; c) CPF; Ocorre que, ainda que apresentados os recibos de pagamento, cabe à autoridade fiscal solicitar, por outros meios de prova, a efetiva ocorrência do pagamento realizado, nos termos do artigo 73 do Decreto 3.000/1999, assim disposto: Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º). § 1º Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (Decreto Lei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 4º). § 2º As deduções glosadas por falta de comprovação ou justificação não poderão ser restabelecidas depois que o ato se tornar irrecorrível na esfera administrativa (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 5º). § 3º Na hipótese de rendimentos recebidos em moeda estrangeira, as deduções cabíveis serão convertidas para Reais, mediante a utilização do valor do dólar dos Estados Unidos da América fixado para venda pelo Banco Central do Brasil para o último dia útil da primeira quinzena do mês anterior ao do pagamento do rendimento. Assim, ante a discricionariedade na eleição das deduções que requeiram efetiva comprovação, não há dúvidas que o art. 73 do RIR/99 confere à autoridade fiscal a prerrogativa de exigir outros documentos além dos próprios recibos. Nesse contexto, no curso do processo administrativo fiscal, a recorrente não trouxe quaisquer documentos a fim de comprovar, ou mesmo demonstrar a plausibilidade da ocorrência desses pagamentos. Em sede de impugnação e também em recurso voluntário, a contribuinte traz ao presente processo simplesmente alegações e argumentos no sentido de que bastam os recibos para a comprovação das despesas médicas incorridas. Alega ainda não haver previsão legal para a solicitação de outros documentos que não os recibos, todavia, como já demonstrado acima, o art. 73 do Decreto 3.000/99 prevê a possibilidade de solicitação de comprovação das deduções realizadas. Assim, ante a ausência de qualquer elemento de prova que leve a crer ou apresente quaisquer indícios de que os pagamentos de despesas médicas foram efetivamente realizados pela recorrente, de modo a lhe permitir a dedução na sua declaração de ajuste anual, deve ser negado provimento ao recurso voluntário. Fl. 49DF CARF MF Impresso em 11/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/07/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 07/07/ 2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO Processo nº 11610.000243/201066 Acórdão n.º 2401004.239 S2C4T1 Fl. 47 7 CONCLUSÃO Ante o exposto, voto por CONHECER e NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. É como voto. Carlos Alexandre Tortato. Fl. 50DF CARF MF Impresso em 11/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/07/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 07/07/ 2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO
score : 1.0
Numero do processo: 13808.002298/2001-38
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 06 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri May 13 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 1996
INCENTIVO FISCAL - FINOR. REQUISITOS - ART. 60 DA LEI 9.069/1995. PEDIDO DE REVISÃO DE ORDEM DE EMISSÃO DE INCENTIVOS FISCAIS - PERC.
A regularidade fiscal do sujeito passivo, com vistas ao gozo do incentivo, deveria ser averiguada em relação à data da apresentação da DIRPJ, onde o contribuinte manifestou sua opção pela aplicação nos Fundos de Investimentos.
Uma vez admitido o deslocamento do marco temporal para efeito de verificação da regularidade fiscal, há que se admitir também novos momentos para o contribuinte comprovar o preenchimento do requisito legal, dando-se a ele a oportunidade de regularizar as pendências enquanto não esgotada a discussão administrativa sobre o direito ao incentivo.
Não deve persistir o indeferimento do PERC quando o contribuinte comprova sua regularidade fiscal através de certidão negativa ou positiva, com efeito, de negativa, válida na data de apresentação do recurso.
Numero da decisão: 1402-002.161
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. Vencidos os Conselheiros Frederico Augusto Gomes de Alencar, Paulo Mateus Ciccone e Demetrius Nichele Macei que votaram pelo retorno dos autos à Unidade Local para análise do mérito. O conselheiro Leonardo de Andrade Couto acompanhou pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
LEONARDO DE ANDRADE COUTO - Presidente.
(assinado digitalmente)
LEONARDO LUIS PAGANO GONÇALVES- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Frederico Augusto Gomes de Alencar, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Demetrius Nichele Macei, Paulo Mateus Cissone, Gilberto Batista e Leonardo de Andrade Couto.
Nome do relator: LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 1996 INCENTIVO FISCAL - FINOR. REQUISITOS - ART. 60 DA LEI 9.069/1995. PEDIDO DE REVISÃO DE ORDEM DE EMISSÃO DE INCENTIVOS FISCAIS - PERC. A regularidade fiscal do sujeito passivo, com vistas ao gozo do incentivo, deveria ser averiguada em relação à data da apresentação da DIRPJ, onde o contribuinte manifestou sua opção pela aplicação nos Fundos de Investimentos. Uma vez admitido o deslocamento do marco temporal para efeito de verificação da regularidade fiscal, há que se admitir também novos momentos para o contribuinte comprovar o preenchimento do requisito legal, dando-se a ele a oportunidade de regularizar as pendências enquanto não esgotada a discussão administrativa sobre o direito ao incentivo. Não deve persistir o indeferimento do PERC quando o contribuinte comprova sua regularidade fiscal através de certidão negativa ou positiva, com efeito, de negativa, válida na data de apresentação do recurso.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2213; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T2 Fl. 438 1 437 S1C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13808.002298/200138 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1402002.161 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 6 de abril de 2016 Matéria IRPJ Recorrente TELECOMUNICAÇÕES DE SÃO PAULO S/A Recorrida FAZENDA PÚBLICA. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1996 INCENTIVO FISCAL FINOR. REQUISITOS ART. 60 DA LEI 9.069/1995. PEDIDO DE REVISÃO DE ORDEM DE EMISSÃO DE INCENTIVOS FISCAIS PERC. A regularidade fiscal do sujeito passivo, com vistas ao gozo do incentivo, deveria ser averiguada em relação à data da apresentação da DIRPJ, onde o contribuinte manifestou sua opção pela aplicação nos Fundos de Investimentos. Uma vez admitido o deslocamento do marco temporal para efeito de verificação da regularidade fiscal, há que se admitir também novos momentos para o contribuinte comprovar o preenchimento do requisito legal, dandose a ele a oportunidade de regularizar as pendências enquanto não esgotada a discussão administrativa sobre o direito ao incentivo. Não deve persistir o indeferimento do PERC quando o contribuinte comprova sua regularidade fiscal através de certidão negativa ou positiva, com efeito, de negativa, válida na data de apresentação do recurso. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. Vencidos os Conselheiros Frederico Augusto Gomes de Alencar, Paulo Mateus Ciccone e Demetrius Nichele Macei que votaram pelo retorno dos autos à Unidade Local para análise do mérito. O conselheiro Leonardo de Andrade Couto acompanhou pelas conclusões. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 80 8. 00 22 98 /2 00 1- 38 Fl. 438DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES, Assinado digitalmente em 10/05/2016 por LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por LEONARDO DE A NDRADE COUTO Processo nº 13808.002298/200138 Acórdão n.º 1402002.161 S1C4T2 Fl. 439 2 LEONARDO DE ANDRADE COUTO Presidente. (assinado digitalmente) LEONARDO LUIS PAGANO GONÇALVES Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Frederico Augusto Gomes de Alencar, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Demetrius Nichele Macei, Paulo Mateus Cissone, Gilberto Batista e Leonardo de Andrade Couto. Fl. 439DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES, Assinado digitalmente em 10/05/2016 por LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por LEONARDO DE A NDRADE COUTO Processo nº 13808.002298/200138 Acórdão n.º 1402002.161 S1C4T2 Fl. 440 3 Relatório Trata o presente de Recurso Voluntário (fl.313/327) interposto face v. acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de São Paulo (fls.340/347) que manteve o r. Despacho de indeferimento (fl.205) do Pedido de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais PERC (fls.1/2). No processamento eletrônico da DIRPJ, não foi reconhecido o direito ao incentivo fiscal, conforme extratos do sistema IRPJ (fls.302/303), o que motivou a apresentação do PERC, que foi indeferido no r. Despacho Decisório de fl. 205, em razão de irregularidades da contribuinte (fls. 136 a 204) perante a Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) e a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN). A Recorrente apresentou manifestação de inconformidade (fls.250/261), requerendo o deferimento do PERC, devido a comprovação de sua regularidade fiscal por meio das certidões anexas (fls.290/334). O v . acórdão "a quo" referente a manifestação de inconformidade, teve como fundamento para manter a negativa do PERC dois principais fatos: 1 que, no momento da análise do pedido, quando foi proferido o r. despacho de indeferimento, a Recorrente não teria comprovado sua regularidade fiscal, requisito este para a aprovação do pedido de repasse ao FINOR de parcela do seu IRPJ recolhido. 2 que a existência de Certidão Negativa ou Certidão Positiva com efeito negativo não é elemento suficiente para deferir o PERC e que os artigos 1 e 19 da Instrução Normativa da Secretaria da Receita Federal de 23 de outubro de 2000, reproduzidas nos artigos 1 e 10 da IN 734/07, bem como no artigo 614 do RIR/99. Vejamos a fundamentação do "r. decisum a quo". "12. A manifestante ainda afirma que a desconsideração de sua Certidão Positiva de Débitos com Efeito de Negativa é outra causa de cerceamento de seu direito de defesa e nulidade do despacho recorrido. A administração tributária não desconhece a emissão da invocada certidão que é referida inclusive no extrato de fl. 136. Contudo, a existência de Certidão Negativa de Débitos ou de Certidão Positiva com efeito de Negativa não é elemento suficiente para deferimento do Perc, de acordo com o que determinam os artigos 10 e 19 da Instrução Normativa do Secretário da Receita Federal n° 96, de 23 de outubro de 2000: [...] 13. Cabe pontuar que estas normas acima reproduzidas ainda estão em vigor nos artigos 10 e 10 da Instrução Normativa do Secretário da Receita Federal do Brasil n° 734, de 02 de maio de 2007, e que o artigo 614 do RIR11999 não diz que a Certidão Negativa ou Positiva com Efeitos de Negativa é documento indispensável para fruição do incentivo fiscal, como quer fazer crer a manifestante: [...] Fl. 440DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES, Assinado digitalmente em 10/05/2016 por LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por LEONARDO DE A NDRADE COUTO Processo nº 13808.002298/200138 Acórdão n.º 1402002.161 S1C4T2 Fl. 441 4 14. Não se pode exigir Certidão para se conceder ou reconhecer qualquer incentivo ou beneficio fiscal, mas se deve verificar a regularidade fiscal do sujeito passivo solicitante. Dito de outra forma: o que importa é a regularidade fiscal do contribuinte e não a existência de Certidão Negativa ou Positiva com efeitos de Negativa. Juntese a isto o fato de não existir qualquer norma que determine que a existência de certidão é suficiente para deferimento do beneficio. Portanto, não há como dizer que houve cerceamento do direito de defesa da recorrente ou nulidade do despacho impugnado. 15. O artigo 60 da Lei n° 9.069/1995 é assim redigido: [...] 16. A autoridade administrativa fundamentou o indeferimento do pedido da Manifestante na constatação de pendências junto à Secretaria da Receita Federal do Brasil e à Procuradoria da Fazenda Nacional (fls. 204 e 205), além de verificar a inscrição da empresa no Cadastro Informativo de Créditos não Quitados do Setor Público Federal (CADIN — fls. 181 e 184). 17. Cumpre, inicialmente, esclarecer quais são os requisitos necessários para que a contribuinte possa usufruir o beneficio fiscal em tela. Conforme o artigo 60 da Lei n° 9.069/1995, acima transcrito, é preciso que a contribuinte comprove a quitação de tributos e contribuições federais. 18. Pois bem, o despacho decisório da DIORT/DERAT/SP de fl. 205 verificou justamente o atendimento dessa condição, conforme demonstra a tabela de fl. 204 e as pesquisas aos sistemas informatizados de fls. 136 a 202. 19. Tendo em vista que a verificação da regularidade fiscal da contribuinte possui uma natureza essencialmente dinâmica, o despacho decisório realizou uma análise atualizada da situação da contribuinte e concluiu que, em 30/07/2008, data da elaboração do despacho decisório, a contribuinte se encontrava em situação irregular. [...] 21. Feitas essas considerações, concluise que o momento apropriado para a verificação da regularidade fiscal da contribuinte é justamente a data de expedição do Despacho Decisório, conforme corrobora o entendimento acima transcrito do 1° Conselho de Contribuintes. 22. Sendo assim, resta claro que não assiste razão à manifestante quanto à alegação de que a definição da data da regularidade fiscal deveria ser a da entrega da DIRPJ, isso porque, reiterando o previamente exposto, o momento de verificação da regularidade fiscal é a data de expedição do Despacho Decisório, e não a época da opção do incentivo fiscal. Ademais, tal pleito não encontra fundamento nas normas que regem a concessão de benefícios fiscais. Em seguida, inconformada com a r. decisão, interpôs Recurso Voluntário reiterando praticamente as mesmas alegações. Ato contínuo, os autos foram encaminhados para este Conselheiro relatar e votar. É o relatório. Fl. 441DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES, Assinado digitalmente em 10/05/2016 por LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por LEONARDO DE A NDRADE COUTO Processo nº 13808.002298/200138 Acórdão n.º 1402002.161 S1C4T2 Fl. 442 5 Voto Conselheiro Leonardo Luis Pagano Gonçalves Relator Inicialmente, é importante destacar, que como a matéria posta a lide no processo em epigrafe já foi pacificada pela Súmula 37 deste E. CARF/MF (abaixo colacionada), o cerne da questão cingese apenas em verificar se a documentação acostada aos autos comprovaria a regularidade da Recorrente no momento em que optou pelo incentivo ou se ela conseguiu comprovar no decorrer do presente processo. Súmula CARF no. 37 "Para fins de deferimento do Pedido de Revisão de Ordem de Incentivos Fiscais (PERC), a exigência de comprovação de regularidade fiscal deve se ater ao período a que se referir a Declaração de Rendimentos da Pessoa Jurídica na qual se deu a opção pelo incentivo, admitindose a prova da quitação em qualquer momento do processo administrativo, nos termos do Decreto nº 70.235/72." A Fiscalização não aponta quais eram as irregularidades ou débitos existentes no momento em que foi feita a opção pelo incentivo e o seu respectivo indeferimento. De acordo com os documentos constantes nos autos, a situação da Recorrente no momento do Pedido de Revisão de Ordem de Incentivos Fiscais PERC era regular, conforme fls. 03/164. Ocorre que quando a Fiscalização foi analisar o pedido (PERC), apenas em 2008, conforme intimação de fls.165, constatou algumas irregularidades e posteriormente decidiu indeferir o incentivo (fls.205). Não obstante, em sede de manifestação de inconformidade, a Recorrente juntou as fls. 290/334 as certidões positivas com efeito de negativas, comprovando novamente sua regularidade fiscal. Assim, seguindo o entendimento majoritário da jurisprudência deste E. CARF/MF, de que a Recorrente tem o direito de comprovar sua regularidade durante o curso do processo por meio de apresentação de certidões, não resta alternativa senão acolher o Pedido de Revisão de Incentivo Fiscal, reformando o v. acórdão "a quo" . Vejamos algumas ementas de v. acórdãos que consolidaram o entendimento majoritário e posteriormente forma utilizados para fundamentar a edição da Súmula CARF no 37. "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ ANOCALENDÁRIO: 1999 INCENTIVO FISCAL FINOR. REQUISITOS ART. 60 DA LEI 9.069/1995. PEDIDO DE REVISÃO DE ORDEM DE EMISSÃO DE INCENTIVOS FISCAIS PERC. Fl. 442DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES, Assinado digitalmente em 10/05/2016 por LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por LEONARDO DE A NDRADE COUTO Processo nº 13808.002298/200138 Acórdão n.º 1402002.161 S1C4T2 Fl. 443 6 A regularidade fiscal do sujeito passivo, com vistas ao gozo do incentivo, deveria ser averiguada em relação à data da apresentação da DIPJ, onde o contribuinte manifestou sua opção pela aplicação nos Fundos de Investimentos. Uma vez admitido o deslocamento do marco temporal para efeito de verificação da regularidade fiscal, há que se admitir também novos momentos para o contribuinte comprovar o preenchimento do requisito legal, dandose a ele a oportunidade de regularizar as pendências enquanto não esgotada a discussão administrativa sobre o direito ao incentivo. Não deve persistir o indeferimento do PERC quando o contribuinte comprova sua regularidade fiscal através de certidão negativa ou positiva, com efeito, de negativa, válida na data de apresentação do recurso. Preliminar Afastada. Recurso Voluntário Provido." (Proc. 16327.000075/200307 Acórdão 19800.80 de 09/12/2008) No mesmo sentido segue a ementa do v. acórdão no 1950.110 de 10/12/2008, proferido no processo no 16327.003860/200311, vejamos: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2001 Ementa: INCENTIVOS FISCAIS "PERC" COMPROVAÇÃO DA REGULARIDADE FISCAL A comprovação da regularidade fiscal deve se reportar à data da opção do beneficio, pelo contribuinte, com a entrega da declaração de rendimentos. Comprovada a regularidade fiscal em qualquer fase do processo ou não logrando a administração tributária comprovar irregularidades que se reportem ao momento da opção pelo beneficio, deve ser deferida a apreciação do Pedido de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais PERC.." Desta forma, face comprovação da regularidade da Recorrente por meio de certidões juntadas aos autos com a manifestação de inconformidade e com o Recurso Voluntário, conheço do Recurso e a ele dou provimento, reformando a r. decisão "a quo", deferindo o Pedido de Revisão de Incentivo Fiscal PERC. (assinado digitalmente) Leonardo Luis Pagano Gonçalves Relator. Fl. 443DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES, Assinado digitalmente em 10/05/2016 por LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por LEONARDO DE A NDRADE COUTO
score : 1.0
Numero do processo: 10280.003970/2004-53
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Mar 30 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ
Exercício: 1998, 2000
DECADÊNCIA. TERMO INICIAL.
Conforme decisão do STJ em Acórdão submetido ao regime do artigo 543-C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008, o prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) conta-se do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito.
NORMAS PROCESSUAIS. NULIDADE.
Comprovado que o procedimento fiscal foi feito regularmente, não se apresentando, nos autos, as causas apontadas no art. 59 do Decreto n° 70.235/1972, não há que se cogitar em nulidade processual, nem em nulidade do lançamento enquanto ato administrativo.
OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS COM RECURSOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA.
O art. 42 da Lei nº 9.430/96, instituiu presunção legal de omissão de receitas em relação aos valores creditados em instituição financeira para os quais o contribuinte, regularmente intimado, não comprove a origem dos recursos neles utilizados. Tratando-se de presunção legal, ocorre a inversão do ônus da prova em favor do fisco.
COMPROVAÇÃO DOS VALORES APURADOS.
Tendo o lançamento fiscal sido efetuado a partir de divergências constatadas entre valores declarados à Receita Federal e os informados pela contribuinte ao Fisco Estadual, para impugnar os valores não basta ao contribuinte alegar que se equivocou ao prestar as informações à Fazenda Estadual, sendo
indispensável identificar os erros cometidos e comprová-los
documentalmente.
MATÉRIA PRECLUSA.
Questões não provocadas a debate em primeira instância, quando se instaura a fase litigiosa do procedimento administrativo, com a apresentação da petição impugnativa inicial, e nem mesmo vêm a ser demandadas na petição de recurso, e que não consistem em matéria de Ordem Pública, constituem matérias preclusas das quais não se toma conhecimento, por afrontar as regras do Processo Administrativo Fiscal
MULTA DE OFÍCIO.
A imposição da cobrança de multa de oficio decorre da lei em vigor, cuja aplicação não pode ser negada pelos agentes públicos.
JUROS DE MORA. TAXA SELIC.
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC
para títulos federais (Súmula CARF nº 4).
LANÇAMENTOS DECORRENTES.
Por se tratar de lançamentos com base exclusivamente em omissão de receitas, infrações que influencia igualmente a base de cálculo do IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, o que decidido quanto a esta matéria aplica-se a essas exações.
Numero da decisão: 1301-000.519
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade, rejeitar a
preliminar de nulidade de lançamento. Por qualidade, negar a preliminar de decadência relativa ao ano de 1998, vencidos os conselheiros Valmir Sandri, Guilherme Pollastri Gomes da Silva e
André Ricardo Lemes da Silva. No mérito, por maioria, negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os conselheiros Valmir Sandri e André Ricardo Lemes da Silva, que cancelavam os créditos de IRPJ e CSLL do ano calendário 2000. Por unanimidade, negar provimento ao recurso de ofício. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Waldir Veiga Rocha.
Nome do relator: Valmir Sandri
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Exercício: 1998, 2000 DECADÊNCIA. TERMO INICIAL. Conforme decisão do STJ em Acórdão submetido ao regime do artigo 543-C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008, o prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) conta-se do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito. NORMAS PROCESSUAIS. NULIDADE. Comprovado que o procedimento fiscal foi feito regularmente, não se apresentando, nos autos, as causas apontadas no art. 59 do Decreto n° 70.235/1972, não há que se cogitar em nulidade processual, nem em nulidade do lançamento enquanto ato administrativo. OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS COM RECURSOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. O art. 42 da Lei nº 9.430/96, instituiu presunção legal de omissão de receitas em relação aos valores creditados em instituição financeira para os quais o contribuinte, regularmente intimado, não comprove a origem dos recursos neles utilizados. Tratando-se de presunção legal, ocorre a inversão do ônus da prova em favor do fisco. COMPROVAÇÃO DOS VALORES APURADOS. Tendo o lançamento fiscal sido efetuado a partir de divergências constatadas entre valores declarados à Receita Federal e os informados pela contribuinte ao Fisco Estadual, para impugnar os valores não basta ao contribuinte alegar que se equivocou ao prestar as informações à Fazenda Estadual, sendo indispensável identificar os erros cometidos e comprová-los documentalmente. MATÉRIA PRECLUSA. Questões não provocadas a debate em primeira instância, quando se instaura a fase litigiosa do procedimento administrativo, com a apresentação da petição impugnativa inicial, e nem mesmo vêm a ser demandadas na petição de recurso, e que não consistem em matéria de Ordem Pública, constituem matérias preclusas das quais não se toma conhecimento, por afrontar as regras do Processo Administrativo Fiscal MULTA DE OFÍCIO. A imposição da cobrança de multa de oficio decorre da lei em vigor, cuja aplicação não pode ser negada pelos agentes públicos. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais (Súmula CARF nº 4). LANÇAMENTOS DECORRENTES. Por se tratar de lançamentos com base exclusivamente em omissão de receitas, infrações que influencia igualmente a base de cálculo do IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, o que decidido quanto a esta matéria aplica-se a essas exações.
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TERMO INICIAL. Conforme decisão do STJ em Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008, o prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito. NORMAS PROCESSUAIS. NULIDADE. Comprovado que o procedimento fiscal foi feito regularmente, não se apresentando, nos autos, as causas apontadas no art. 59 do Decreto n° 70.235/1972, não há que se cogitar em nulidade processual, nem em nulidade do lançamento enquanto ato administrativo. OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS COM RECURSOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. O art. 42 da Lei nº 9.430/96, instituiu presunção legal de omissão de receitas em relação aos valores creditados em instituição financeira para os quais o contribuinte, regularmente intimado, não comprove a origem dos recursos neles utilizados. Tratandose de presunção legal, ocorre a inversão do ônus da prova em favor do fisco. COMPROVAÇÃO DOS VALORES APURADOS. Tendo o lançamento fiscal sido efetuado a partir de divergências constatadas entre valores declarados à Receita Federal e os informados pela contribuinte ao Fisco Estadual, para impugnar os valores não basta ao contribuinte alegar que se equivocou ao prestar as informações à Fazenda Estadual, sendo Fl. 924DF CARF MF Impresso em 13/09/2011 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 29/04/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 29/04/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 02/05/2011 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 20/05/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10280.003970/200453 Acórdão n.º 130100.519 S1C3T1 Fl. 879 2 indispensável identificar os erros cometidos e comproválos documentalmente. MATÉRIA PRECLUSA. Questões não provocadas a debate em primeira instância, quando se instaura a fase litigiosa do procedimento administrativo, com a apresentação da petição impugnativa inicial, e nem mesmo vêm a ser demandadas na petição de recurso, e que não consistem em matéria de Ordem Pública, constituem matérias preclusas das quais não se toma conhecimento, por afrontar as regras do Processo Administrativo Fiscal. MULTA DE OFÍCIO. A imposição da cobrança de multa de oficio decorre da lei em vigor, cuja aplicação não pode ser negada pelos agentes públicos. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais (Súmula CARF nº 4). LANÇAMENTOS DECORRENTES. Por se tratar de lançamentos com base exclusivamente em omissão de receitas, infrações que influencia igualmente a base de cálculo do IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, o que decidido quanto a esta matéria aplicase a essas exações. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade, rejeitar a preliminar de nulidade de lançamento. Por qualidade, negar a preliminar de decadência relativa ao ano de 1998, vencidos os conselheiros Valmir Sandri, Guilherme Pollastri Gomes da Silva e André Ricardo Lemes da Silva. No mérito, por maioria, negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os conselheiros Valmir Sandri e André Ricardo Lemes da Silva, que cancelavam os créditos de IRPJ e CSLL do ano calendário 2000. Por unanimidade, negar provimento ao recurso de ofício. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Waldir Veiga Rocha. (assinado digitalmente) Alberto Pinto Souza Junior Presidente (assinado digitalmente) Valmir Sandri Relator (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha – Redator Designado Fl. 925DF CARF MF Impresso em 13/09/2011 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 29/04/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 29/04/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 02/05/2011 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 20/05/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10280.003970/200453 Acórdão n.º 130100.519 S1C3T1 Fl. 880 3 Participaram do julgamento os Conselheiros: Alberto Pinto Souza Junior, Waldir Veiga Rocha, Paulo Jakson da Silva Lucas, Valmir Sandri, André Ricardo Lemes da Silva e Guilherme Pollastri Gomes da Silva. Relatório O presente litígio instaurouse em relação a autos de infração cientificados ao contribuinte em 20 de outubro de 2004, relativos ao Imposto de Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ), à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS) e à Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS), todos com base na mesma infração e referentes a fatos geradores corridos nos anos calendário de 1998 e 2000. O sujeito passivo é acusado de ter praticado omissão de receitas à tributação, caracterizada pela falta de contabilização de valores de representativos da diferença de vendas declaradas a maior à Secretaria Executiva de Estado da Fazenda do Pará — SEFA, em DIEF, Declaração de Informações Econômicasfiscais e os declarados a menor à Secretaria da Receita Federal, SRF, em DIPJ, Declaração de informações Econômicasfiscais da Pessoa Jurídica, referente ao anocalendário de 2000, e omissão de receitas caracterizada pela falta de contabilização de depósitos bancários sem comprovação da origem dos recursos, respaldada em extratos bancários, mapas demonstrativos e relatório de fiscalização, referente ao ano calendário de 1998. A investigação junto ao contribuinte iniciouse em 27 de dezembro de 2002, relacionada com o anocalendário de 1998, em razão da movimentação financeira flagrantemente incompatível com as receitas declaradas. Posteriormente, o contribuinte foi cientificado da extensão da ação fiscal para os anos de 1999 e 2000, e foi intimado a esclarecer remessa/recebimento de US$ 105.400,00, em 20/05/1999, para New YorkNY USA, através da Beacon Bill Service Corporation/subconta Finah 310624, e a esclarecer a diferença existente entre as vendas informadas à Secretaria Executiva de Estado da FazendaSEFA, no ano calendário de 2000, e as vendas declaradas à Secretaria da Receita Federal. A ação fiscal foi parcialmente encerrada em outubro de 2004 (ciência em 20/10/2004), com lavratura de autos de infração para os anoscalendário de 1998 e 2000, para tributação das receitas omitidas. Para o ano de 1999 a ação fiscal prosseguiu em outro processo. Em impugnação tempestiva o contribuinte arguiu, em preliminares, a decadência, a nulidade dos autos de infração por irregularidades relacionadas como Mandado de Procedimento Fiscal, ofensa ao princípio da legalidade na caracterização do fato gerador, impossibilidade de autuação com base em presunção e indícios. No mérito, alegou inconstitucionalidade da multa, por ter caráter confiscatório, e impossibilidade de utilização da taxa Selic para fins de juros de mora. Em 30 de março de 2006, a DRJ em Belém anulou os lançamentos com base em irregularidades formais no MPF, recorrendo de ofício. A 5ª Câmara do extinto Primeiro Fl. 926DF CARF MF Impresso em 13/09/2011 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 29/04/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 29/04/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 02/05/2011 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 20/05/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10280.003970/200453 Acórdão n.º 130100.519 S1C3T1 Fl. 881 4 Conselho de Contribuintes deu provimento ao recurso de ofício, considerando que os lançamentos não padecem de qualquer vício. O contribuinte apresentou recurso voluntário à Câmara Superior de Recursos Fiscais, que negoulhe provimento, determinado o retorno dos autos à DRJ em Belém, para julgar as demais questões levantadas na impugnação. Em 29 de janeiro de 2010, a 1ª Turma de Julgamento da DRJ em Belém, por unanimidade de votos, julgou procedente em parte a impugnação, apenas para acolher parcialmente a decadência suscitada. Foram considerados decadentes os lançamentos do PIS e da COFINS cujos fatos geradores ocorreram até 30/11/1998. É a seguinte a ementa da decisão: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA — IRPJ Anocalendário: 1998, 2000 DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. Nos lançamentos por homologação, havendo pagamento antecipado do imposto, ou da contribuição, e ausentes o dolo, fraude ou simulação, realizase a contagem do prazo decadencial pelo disposto no art. 150 do CTN. De outra forma, aplicase a regra ordinária da decadência estampada no art. 173, inciso I, do CTN. DECISÕES ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. São improfícuos os julgados administrativos trazidos pelo sujeito passivo, pois tais decisões não constituem normas complementares do Direito Tributário, já que foram proferidas por órgãos colegiados sem, entretanto, uma lei que lhes atribuísse eficácia normativa, na forma do art. 100, II, do Código Tributário Nacional. DECISÕES JUDICIAIS. EFEITOS. ENTENDIMENTO DOMINANTE DOS TRIBUNAIS SUPERIORES. VINCULAÇÃO ADMINISTRATIVA. É vedada a extensão administrativa dos efeitos de decisões judiciais, quando comprovado que o contribuinte não figurou como parte na referida ação judicial. A autoridade julgadora administrativa não se encontra vinculada ao entendimento dos Tribunais Superiores, pois não faz parte da legislação tributária de que fala o artigo 96 do Código Tributário Nacional, salvo quando tenha gerado uma súmula vinculante, nos termos da Emenda Constitucional n.° 45, DOU de 31/12/2004. NORMAS PROCESSUAIS. NULIDADE. Comprovado que o procedimento fiscal foi feito regularmente, não se apresentando, nos autos, as causas apontadas no art. 59 do Decreto n° 70.235/1972, não há que se cogitar em nulidade processual, nem em nulidade do lançamento enquanto ato administrativo. PRELIMINAR DE NULIDADE POR VICIO FORMAL MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. É de ser rejeitada a nulidade do lançamento, por constituir o Mandado de Fl. 927DF CARF MF Impresso em 13/09/2011 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 29/04/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 29/04/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 02/05/2011 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 20/05/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10280.003970/200453 Acórdão n.º 130100.519 S1C3T1 Fl. 882 5 Procedimento Fiscal elemento de controle da administração tributária, não influindo na legitimidade do lançamento tributário. DEPÓSITO BANCÁRIO DE ORIGEM NÃO IDENTIFICADA. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. INTIMAÇÃO ESPECÍFICA. AMPLA DEFESA. IMPUGNAÇÃO. Não configura cerceamento de defesa, nas autuações com base na presunção contida no art. 42 da Lei 9.430/96, se a intimação para o fiscalizado justificar a origem dos depósitos bancários for bem específica, possibilitando ao Interessado saber exatamente sobre quais depósitos deveria produzir provas para ilidir a presunção legal. Ademais, após a ciência do auto de infração, com o litígio instaurado entre o fisco e o contribuinte, a legislação concede na fase impugnatória, ampla oportunidade para apresentação documentos e razões de fato e de direito. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RECEITAS. Os valores creditados em conta de depósito mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações são caracterizados como omissão de receitas. PRESUNÇÃO JURIS TANTUM. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. FATO INDICIÁRIO. FATO JURÍDICO TRIBUTÁRIO. A presunção legal juris tantum inverte o ônus da prova. Neste caso, a autoridade lançadora fica dispensada de provar que o depósito bancário não comprovado (fato indiciário) corresponde, efetivamente, ao auferimento de rendimentos. (fato jurídico tributário), nos termos do art. 334, IV, do Código de Processo Civil. Cabe ao contribuinte provar que o fato presumido não existiu na situação concreta. COMPROVAÇÃO DOS VALORES APURADOS. Tendo o lançamento fiscal sido efetuado a partir de divergências constatadas entre valores: os declarados/pagos e os escriturados, esses também informados pela contribuinte ao Fisco Estadual, tudo regularmente documentado no presente processo, descabem as alegações de irregularidade concernentes à prova produzida pela autoridade administrativa e à apuração fiscal. ALEGAÇÃO. COMPROVAÇÃO. As alegações desacompanhadas de documentos comprobatórios, quando esse for o meio pelo qual sejam provados os fatos alegados, não têm valor. MULTA DE OFÍCIO. A imposição da cobrança de multa de oficio decorre da lei em vigor que deve ser aplicada pelos agentes públicos, sob pena de responsabilidade. JUROS. TAXA SELIC. Tendo a cobrança dos juros de mora com base na Taxa SELIC previsão legal, não compete aos órgãos Fl. 928DF CARF MF Impresso em 13/09/2011 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 29/04/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 29/04/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 02/05/2011 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 20/05/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10280.003970/200453 Acórdão n.º 130100.519 S1C3T1 Fl. 883 6 julgadores administrativos apreciar argüição de sua ilegalidade/inconstitucionalidade. PEDIDO DE PERÍCIA. Devem ser indeferidos os pedidos de perícia, quando forem prescindíveis ao deslinde da questão a ser apreciada, não sendo o caso de solicitação de realização de perícia para produzir provas que caberia ao autuado apresentar, ainda mais quando se trata de presunção legal. TRIBUTAÇÃO REFLEXA Aplicase às contribuições sociais reflexas, no que couber, o que foi decido para a obrigação matriz, dada a íntima relação de causa e efeito que os une. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Da parte exonerada, houve recurso de ofício. Ciente da decisão em 05 de abril de 2010, a interessada ingressou com recurso em 29 do mesmo mês. Suscita a decadência e invoca a nulidade dos autos de infração por irregularidades relacionadas com o MPF e por infringir o art. 10 do Decreto nº 70.235/72, ao não conter o local, a data e a hora da lavratura. Pondera que a fiscalização não pode lavrar auto de infração sem a prova da efetiva ocorrência do fato gerador, que não é admissível o lançamento baseado em presunções. Assevera que o fisco supôs omissão de receitas com base nos extratos e informações financeiras, apurados indiscriminadamente, sem o correto esclarecimento se são rendimentos já tributados, isentos ou não tributados ou decorrentes de obrigações junto a instituições de crédito. Alega não terem sido consideradas as transferências entre agências de um mesmo contribuinte, o retorno de valores decorrentes de aplicações no mercado aberto, antecipações de empréstimos a curto prazo renováveis, adiantamento de contratos de câmbio, entre outros. Diz ainda que a fiscalização supôs a omissão de receitas com base nas informações "emprestadas" pelo fisco estadual, apuradas indiscriminadamente, sem observar se referidas informações encontravamse equivocadas e, posteriormente, corrigidas. Aduz que não houve o cotejo do montante que seria efetivamente tributável, já que a fiscalização não considerou operações isentas ou decorrentes de transferência. E mais, que a fiscalização descartou os livros fiscais apresentados, apesar de mencionálos e expressamente reconhecer sua existência. Menciona a impossibilidade de confissão em matéria tributável. Alega que as informações prestadas à SEFA, por meio da DIEF encontramse lançadas de forma errônea, não sendo provas legais de receita, uma vez que passíveis de correção, e que o fiscal considerou como receita valores contábeis de "saídas de mercadorias e produtos", enquanto na verdade seria "transferência de mercadorias e produtos". Diz que o erro nas informações prestadas ao Fisco Estadual somente foram detectados por meio da Ação Fiscal da Receita Federal, conforme faz prova idônea o Livro de Apuração do ICMS. Fl. 929DF CARF MF Impresso em 13/09/2011 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 29/04/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 29/04/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 02/05/2011 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 20/05/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10280.003970/200453 Acórdão n.º 130100.519 S1C3T1 Fl. 884 7 Afirma que a fiscalização deveria ter verificado as anotações mediante análise das receitas efetivamente recebidas pelo contribuinte, o quê não fez. Alega que tal levantamento deveria ter sido feito pelo fisco, como conseqüência natural de uma instrução probatória e de uma análise séria e acurada dos documentos fiscais apresentados, e que sua ausência importa cerceamento de defesa. Alegou inconstitucionalidade da multa, por ter caráter confiscatório, e impossibilidade de utilização da Selic para fins de juros de mora. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Valmir Sandri, Relator Ambos os recursos atendem os pressupostos legais para admissibilidade, devendo, portanto, ser conhecidos. Analisoos em conjunto porque a matéria que ensejou o recurso de ofício (decadência) integra também o recurso voluntário. A preliminar de nulidade dos lançamentos invocando irregularidades relacionadas com o MPF não pode ser conhecida, uma vez que já afastada pela Quinta Câmara do extinto Primeiro Conselho de Contribuintes. A recorrente suscita, ainda, nulidade dos autos de infração por infringência ao art. 10 do Decreto nº 70.235/72, por não mencionarem local, data e hora da lavratura. Esse fato, entretanto, constituiu mera irregularidade formal, sem o condão de implicar nulidade do ato administrativo do lançamento. Conforme dispõem os artigos 59 e 60 do Decreto nº 70.235/72, são nulos os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa, e quaisquer outras irregularidades, incorreções e omissões, que não essas, não importarão em nulidade e serão sanadas quando não resultarem em prejuízo do sujeito passivo. No caso, não foi apontado qualquer prejuízo do sujeito passivo por não constarem hora e data da lavratura (o local está indicado: o endereço do contribuinte – fls. 224). Em sua impugnação, a interessada argüiu a decadência, que foi acolhida apenas em parte pela 1ª Turma de Julgamento da DRJ em Belém, que afastou, por esse motivo, os lançamentos de PIS e COFINS referentes aos fatos geradores ocorridos até 30 de novembro de 1998. Entendeu, a Turma de Julgamento, que a decadência se rege pelo inciso I do art. 173 do CTN, afastando a regra do §4º do art. 150, pelo fato de não terem sido constatados pagamentos. Nos votos que até então vinha proferido neste E. Conselho, sempre me manifestei no sentido de que o que define se o termo inicial será aquele previsto no art. 173, I, ou no §4º do art. 150 do CTN, é a natureza do lançamento previsto na legislação específica do Fl. 930DF CARF MF Impresso em 13/09/2011 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 29/04/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 29/04/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 02/05/2011 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 20/05/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10280.003970/200453 Acórdão n.º 130100.519 S1C3T1 Fl. 885 8 tributo (por declaração ou por homologação), em nada influenciando a circunstância de ter ou não havido pagamento. Ocorre que a partir da Portaria MF 586, de 21 de dezembro de 2010, que introduziu o art. 62A ao Regimento Interno do CARF, e tendo em vista as decisões das Cortes Superiores de Justiça, venho me manifestando de acordo com essas jurisprudências, em respeito ao que dispõe o referido artigo, verbis: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. De fato, a matéria referente à decadência no caso de tributos sujeitos a lançamento por homologação já foi objeto de decisão do STJ na sistemática do art. 545C do Código de Processo Civil. Quando do julgamento do Recurso Especial nº 973.333, conforme a seguir reproduzido: RECURSO ESPECIAL Nº 973.733 SC (2007/01769940) RELATOR : MINISTRO LUIZ FUX RECORRENTE : INSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIAL INSS REPR. POR : PROCURADORIAGERAL FEDERAL PROCURADOR : MARINA CÂMARA ALBUQUERQUE E OUTRO(S) RECORRIDO : ESTADO DE SANTA CATARINA PROCURADOR : CARLOS ALBERTO PRESTES E OUTRO(S) EMENTA PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS RTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, Fl. 931DF CARF MF Impresso em 13/09/2011 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 29/04/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 29/04/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 02/05/2011 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 20/05/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10280.003970/200453 Acórdão n.º 130100.519 S1C3T1 Fl. 886 9 DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi,"Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Fl. 932DF CARF MF Impresso em 13/09/2011 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 29/04/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 29/04/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 02/05/2011 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 20/05/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10280.003970/200453 Acórdão n.º 130100.519 S1C3T1 Fl. 887 10 Vê se que pela jurisprudência do E. Superior Tribunal de Justiça, sempre que não constatado pagamento, o prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado – art. 173, I, do CTN , esclarecendo que: “o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado ‘corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação’”. Assim, em cumprimento ao art. 62A do Regimento Interno, confirmo a decisão de primeira instância, na parte que foi objeto de recurso de ofício, e dou provimento para acolher a decadência em relação ao anocalendário de 1998, por encontrarse de acordo com o que dispõe a jurisprudência do STJ, eis que tendo o contribuinte tomado ciência do lançamento em 20.10.2004, e tendo se iniciado a contagem do prazo decadencial em 01.01.1999, o termo final deuse em 01.01.2004. Quanto ao mérito, verificase que para o anocalendário de 1998, as omissões de receitas foram apuradas a partir de depósitos bancários de origem não comprovada. Já para o anocalendário de 2000, as omissões de receitas foram apuradas a partir de diferenças entre o faturamento informado ao fisco estadual e o informado à Receita Federal. Para afastar as exigências relativas ao anocalendário de 1998, a recorrente contesta a caracterização do fato gerador e determinação do crédito tributário, e alega impossibilidade de lançamento baseado em meras presunções. Inicialmente, digase que não há qualquer vedação no direito pátrio para efetivação de lançamento provado indiretamente, ou seja, por presunções. Apenas, se o lançamento se der com base em presunções simples, deve ela reunir os requisitos de gravidade, presunção e concordância. Quanto à presunção legal, nenhum ônus cabe ao fisco a não ser provar a ocorrência do fato indício, cabendo ao contribuinte o ônus de desconstituir a presunção. Não se verifica, também, nenhuma irregularidade no curso do procedimento fiscalizatório. Não se trata de lançamento baseado em suposições, como alega a Recorrente, eis que o lançamento foi efetuado a partir da presunção legal de omissão de receitas com base em créditos em instituições financeiras cuja origem o contribuinte não esclareceu ou comprovou, tendo, portanto, observado rigorosamente o procedimento cabível. Vejase que no presente caso, não atendida adequadamente à intimação ao contribuinte para fornecer extratos de movimentações financeiras, a fiscalização intimou as instituições financeiras a apresentálas e, depois de trabalhadas e expurgados os valores que não representavam efetivo ingresso, novamente intimou o contribuinte a esclarecer a origem, somente aplicando a presunção de omissão de receita em relação aos valores não comprovados, tal como determina a lei. É o que se constata a partir da intimação de fls. 382 e seguintes, em cujos termos esclarece a autoridade fiscal: (...) De posse das informações bancárias, as trabalhamos e as submetemos a V. Sa., através de termos próprios, datados de 05 e 26/03/2004, para que esclarecesse a origem dos créditos ali registrados; Fl. 933DF CARF MF Impresso em 13/09/2011 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 29/04/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 29/04/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 02/05/2011 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 20/05/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10280.003970/200453 Acórdão n.º 130100.519 S1C3T1 Fl. 888 11 4. No entanto, V. Sa. nos apresentou receitas em valores bem inferiores aos movimentados nos extratos bancários, decorrentes de ingressos de recursos. Ressaltese que para se chegar aos valores apresentados, foram excluídas transferências entre bancos, aplicações financeiras de valores já existentes nas contas, bem como, outros valores não representativos de reais ingressos nas contas, como empréstimos, etc.; 5. Para que V. Sa. possa visualizar a verdadeira situação, elaboramos, então, um mapa comparativo das receitas apresentadas com os valores dos créditos bancários, de apenas dois bancos: HSBC e BRADESCO, que estamos anexando a este termo; 6. Referido mapa comparativo registra na coluna "Receitas de Origem não comprovadas", valores não cobertos pelas receitas apresentadas por V. Sa. e, por isso, passível de Autuação Fiscal, nos termos do artigo 42, da Lei 9.430 de 1996; 7. Estamos lhe remetendo, mais uma vez, relatório da movimentação dos bancos mencionados no item 5 HSBC e BRADESCO; e Vossa Senhoria tem o prazo de 05 (cinco) dias, a contar do recebimento deste termo, para, se julgar necessário, manifestarse sobre ele, seja apresentando documentos, tecendo comentários, etc. Por seu turno, genericamente alega o contribuinte que não foram consideradas as transferências entre agências de um mesmo contribuinte, o retorno de valores decorrentes de aplicações no mercado aberto, antecipações de empréstimos a curto prazo renováveis, adiantamento de contratos de câmbio. Porém não aponta, concretamente, um único caso em que essas operações foram desconsideradas. Em se tratando de presunção legal, materializado o fato indício (depósitos cuja origem o contribuinte, intimado, não logre comprovar), o valor integral do depósito é considerado receita omitida, descabendo qualquer consideração quanto a possíveis custos necessários para auferila, que não estejam comprovados. Quanto à omissão de receitas relativa ao anocalendário de 2000, também não houve qualquer “suposição”, por parte do fisco, mas apuração de omissão em razão da diferença entre o informado ao fisco estadual e o informado ao fisco federal. A partir de informações obtidas junto a Fazenda Estadual, a fiscalização identificou divergências entre os valores de vendas informados às duas administrações tributárias (estadual e federal). Apesar de intimado e reintimado a esclarecer as diferenças de valores das vendas informadas à Fazenda Estadual e à Receita Federal, o contribuinte nada esclareceu, o que levou a fiscalização a lavrar os autos de infração apontando omissão de receitas informadas à Secretaria da Receita Federal, correspondente à diferença a maior informada ao fisco estadual. Portanto, o lançamento não está baseado em “suposições”, como afirma o contribuinte, mas em valores por ele declarados à Fazenda Estadual. Se o contribuinte se equivocou ao prestar as informações à SEFA, por meio da DIEF, conforme alega, deveria Fl. 934DF CARF MF Impresso em 13/09/2011 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 29/04/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 29/04/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 02/05/2011 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 20/05/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10280.003970/200453 Acórdão n.º 130100.519 S1C3T1 Fl. 889 12 identificar os erros cometidos e comproválos documentalmente, não sendo suficiente trazer meras alegações. Da mesma forma, não cabia ao fisco federal desqualificar os valores declarados ao fisco estadual por divergirem dos registrados em livros, tendo em vista que o assentamento em livro só faz prova do que estiver lastreado em documentos hábeis. Ora, não basta alegar que os lançamentos estão embasados em presunções equivocadas e irremediavelmente contraditórias com a realidade dos fatos, sem provar qual a realidade dos fatos. As alegações genéricas, sem trazer os documentos comprobatórios e contextualizálos, não têm utilidade para invocar “ausência de demonstração da ocorrência do fato gerador”. Assim, diz à recorrente que “as informações prestadas (...) à SEFA, por meio da DIEF encontramse lançadas de forma errônea, não sendo provas legais de receita, uma vez que passíveis de correção, tendo o ilustre auditor fiscal considerado como receita valores contábeis de ‘saídas de mercadorias e produtos’, enquanto na verdade seria, como de fato é ‘transferência de mercadorias e produtos’ ”. Ocorre que nada nos autos indica que os valores de saídas de mercadorias e produtos foram indevidamente considerados receitas, quando de fato seriam transferências de mercadorias e produtos. O valor do faturamento de cada mês informado na DIEF e que serviu de base para os lançamentos feitos pelo Fisco Federal foi apenas aquele obtido “por venda de mercadoria”, nele não estando computados os valores referentes a transferências de mercadorias e transferências de produção, esses compreendidos no total maior de saídas do mês. Contudo, especificamente em relação ao IRPJ e à CSLL, tenho que a apuração da matéria tributável por parte da autoridade fiscal foi equivocada, eis que, se a tributação é com base no lucro real, e a diferença na matéria tributável está sendo apurada com base nas informações prestadas à Fazenda Estadual, não é razoável considerar apenas as vendas omitidas e desconsiderar as compras também informadas ao fisco estadual. Vejase que, segundo apurou a fiscalização, a partir das informações prestadas ao Estado, a interessada teria deixado de informar à Receita Federal cerca de 71% das receitas tributáveis. Contudo, os mesmos documentos do Fisco Estadual, que indicam operações de venda em montante superior em 71% aos escriturados/informados à Receita Federal, indicam também compras de insumos e mercadorias em montante superior em cerca de 75 % aos escriturados/informados à Receita Federal (fls. 273 a 284 dos autos). Ora, se a autoridade fiscal não está arbitrando o lucro, mas sim tributando a diferença a menor do lucro real apurado pela pessoa jurídica, e se o mesmo documento (no qual se baseou o auditor) que evidencia omissão de receita evidencia, também, omissão de compras, o ajuste da base tributável deve levar em conta apenas a diferença entre as rubricas omitidas. O fato é que, com base nas omissões (compra/venda) registradas na escrita do contribuinte, teria o fisco motivação para arbitrar o lucro da empresa. Entretanto, tendo optado por não fazêlo, não pode apurar o lucro real considerando as receitas e desconsiderando os custos quando a prova de ambos é a mesma (informações à Fazenda Estadual). Fl. 935DF CARF MF Impresso em 13/09/2011 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 29/04/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 29/04/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 02/05/2011 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 20/05/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10280.003970/200453 Acórdão n.º 130100.519 S1C3T1 Fl. 890 13 Conforme se depreende dos autos, as omissões de vendas levantadas pela fiscalização importaram em R$ 32.853.227,60. Por seu turno, a partir das mesmas informações prestadas à Secretaria de Fazenda Estadual (fls. 273 a 284), as compras de insumos e mercadoria no período, tiveram um custo efetivo (excluído o ICMS) de R$ 33.283.240,85. Logo, entendo que o lançamento fiscal tal qual feito, relativo ao ano calendário de 2000, não tem como prosperar, razão porque, dou provimento ao recurso para cancelar as exigências (IRPJ e CSLL). Finalmente, a Recorrente alega inconstitucionalidade da multa, ao argumento de ter caráter confiscatório, e ilegalidade da exigência dos juros de mora segundo a taxa Selic. A multa está aplicada rigorosamente de acordo com a lei de regência, descabendo a este Colegiado analisar se a norma viola princípio constitucional do não confisco. Nesse sentido, a Súmula nº 2, do CARF, de observância obrigatória pelos seus membros, nos termos do art. 72 do Regimento, enuncia: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Também quanto aos juros de mora a matéria já se encontra sumulada, como a seguir: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Por todo o exposto, REJEITO a preliminar de nulidade do lançamento, ACOLHO a preliminar de decadência relativo ao anocalendário de 1998, para no mérito DAR provimento PARCIAL ao recurso, para cancelar as exigências do IRPJ e CSLL relativo ao ano calendário de 2000. (assinado digitalmente) Valmir Sandri Voto Vencedor Conselheiro Waldir Veiga Rocha, Redator Designado Em que pese o bem elaborado e fundamentado voto do ilustre Relator, durante as discussões ocorridas por ocasião do julgamento do presente litígio surgiu divergência que levou a conclusão diversa, no recurso voluntário, quanto a dois pontos, a saber, a decadência para o anocalendário 1998 e a ocorrência da preclusão. No que toca à decadência, o ilustre Relator, baseado no art. 62A do vigente Regimento Interno do CARF (RICARF), fez aplicar a decisão do Superior Tribunal de Justiça, em regime de recursos repetitivos (art. 543C do CPC), nos autos do Recurso Especial nº Fl. 936DF CARF MF Impresso em 13/09/2011 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 29/04/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 29/04/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 02/05/2011 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 20/05/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10280.003970/200453 Acórdão n.º 130100.519 S1C3T1 Fl. 891 14 973.733 SC (2007/01769940). O julgamento se deu em 12/08/2009 e o acórdão foi publicado no DJe de 18/09/2009, restando assim ementado (grifos constam do original): PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). Fl. 937DF CARF MF Impresso em 13/09/2011 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 29/04/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 29/04/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 02/05/2011 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 20/05/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10280.003970/200453 Acórdão n.º 130100.519 S1C3T1 Fl. 892 15 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Em face dessa decisão, e de sua aplicabilidade obrigatória por parte dos integrantes deste CARF, o Relator proferiu seu voto no sentido de acolher a decadência para os fatos geradores ocorridos no anocalendário 1998. Ocorre que o próprio STJ já reviu seu posicionamento quanto ao termo inicial para a contagem do prazo decadencial, nos EDcl nos EDcl no AgRG no Recurso Especial nº 674.497 – PR (2004/01099782). Ressalto que o ilustre Ministro Relator, após mencionar expressamente o REsp nº 973.733, registra que “impõese o acolhimento dos presentes embargos de declaração, a fim de se adequar o decisório embargado à jurisprudência uniformizada no âmbito do STJ sobre a matéria”. O julgamento ocorreu em 09/02/2010, e o acórdão foi publicado no DJe em 26/02/2010, com a seguinte ementa: PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. RECOLHIMENTOS NÃO EFETUADOS E NÃO DECLARADOS. ART. 173, I, DO CTN. DECADÊNCIA. ERRO MATERIAL. OCORRÊNCIA. ACOLHIMENTO. EFEITOS MODIFICATIVOS. EXCEPCIONALIDADE. 1. Tratase de embargos de declaração opostos pela Fazenda Nacional objetivando afastar a decadência de créditos tributários referentes a fatos geradores ocorridos em dezembro de 1993. 2. Na espécie, os fatos geradores do tributo em questão são relativos ao período de 1º a 31.12.1993, ou seja, a exação só poderia ser exigida e lançada a partir de janeiro de 1994. Sendo assim, na forma do art. 173, I, do CTN, o prazo decadencial teve início somente em 1º.1.1995, expirandose em 1º.1.2000. Considerando que o auto de infração foi lavrado em 29.11.1999, temse por não consumada a decadência, in casu. 3. Embargos de declaração acolhidos, com efeitos modificativos, para dar parcial provimento ao recurso especial. De se observar a diferença relevante entre um e outro julgados: no primeiro caso (REsp nº 973.733), o termo inicial para a contagem do prazo decadencial era tido como sendo o primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, interpretação esta que fugia por completo à textualidade do art. 173, I, do CTN. No segundo julgado, revendo o Fl. 938DF CARF MF Impresso em 13/09/2011 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 29/04/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 29/04/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 02/05/2011 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 20/05/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10280.003970/200453 Acórdão n.º 130100.519 S1C3T1 Fl. 893 16 posicionamento anterior, o Tribunal passou a considerar que (naquele caso), completandose o fato gerador em 31 de dezembro de 1993, o lançamento somente poderia ser feito a partir de 1994, e o prazo decadencial começaria a fluir em 1º de janeiro de 1995. Após discussão, este colegiado considerou aplicável a modificação no entendimento do STJ, nos termos do anteriormente mencionado art. 62A do RICARF, o que levou a que, no caso concreto sob análise, os fatos geradores ocorridos em 31 de dezembro de 1998 pudessem ser objeto de lançamento a partir de 1999 e, por conseguinte, o prazo decadencial tivesse início em 1º de janeiro de 2000, findandose em 31 de dezembro de 2004. Como o lançamento foi cientificado ao sujeito passivo em 20 de outubro de 2004, não há que se falar em decadência para fatos geradores de IRPJ e CSLL ocorridos no anocalendário 1998. O segundo ponto acerca do qual surgiu divergência foi quanto à autuação por fatos geradores ocorridos no anocalendário 2000. Após fundamentadamente rejeitar os argumentos trazidos pela recorrente (sobre o que não houve qualquer discordância), o ilustre Relator trouxe à baila um hipotético erro na apuração da matéria tributável nesse ano calendário. É que as receitas omitidas identificadas pelo Fisco eram em valor substancialmente maior do que aquelas declaradas pelo sujeito passivo. Em assim sendo, considerou o Relator que o caminho adequado seria o arbitramento dos lucros ou ainda, por outra via, caso entendessem os autuantes que caberia a permanência no lucro real (hipótese dos autos), que deveriam ter sido considerados como custos os indicativos de entradas/compras de mercadorias informados ao órgão fazendário estadual. Desde que nem uma nem outra coisa foram feitas, o lançamento não poderia prosperar para o anocalendário 2000. Foi observado que esses argumentos, fundamentais para o voto proferido, não constaram nem da peça impugnatória, nem do recurso voluntário. Tratase de argumentos estranhos aos autos, sobre os quais não houve discussão nem menção anteriormente a este momento. Assim, a teor do que dispõe o artigo 17 do Decreto nº 70.235, de 1972, na redação que lhe foi dada pela Lei nº 9.532, de 1997, a matéria que não tenha sido expressamente contestada, considerarseá não impugnada, tornandose preclusa. Não tendo sido objeto de impugnação nem de recurso, nem se tratando de matéria de Ordem Pública, carece competência à autoridade de segunda instância para dela tomar conhecimento em sede de recurso voluntário. A maioria do Colegiado decidiu, então, no mérito, pelo improvimento do recurso voluntário em sua integralidade. Em conclusão, a decisão do colegiado foi por rejeitar a preliminar de nulidade do lançamento, negar a preliminar de decadência relativa ao ano de 1998 e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. Quanto ao recurso de ofício, negar provimento. (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Fl. 939DF CARF MF Impresso em 13/09/2011 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 29/04/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 29/04/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 02/05/2011 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 20/05/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10280.003970/200453 Acórdão n.º 130100.519 S1C3T1 Fl. 894 17 Fl. 940DF CARF MF Impresso em 13/09/2011 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 29/04/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 29/04/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 02/05/2011 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 20/05/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
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Numero do processo: 10805.900804/2008-64
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 10 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/11/2003 a 30/11/2003 Ementa: RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. REQUISITOS Os créditos líquidos e certos são passíveis de restituição/compensação, nos termos do que dispõe o art. 170 do Código Tributário Nacional.
Recurso Voluntário provido
Numero da decisão: 3201-001.969
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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ementa_s : Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/11/2003 a 30/11/2003 Ementa: RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. REQUISITOS Os créditos líquidos e certos são passíveis de restituição/compensação, nos termos do que dispõe o art. 170 do Código Tributário Nacional. Recurso Voluntário provido
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/11/2003 a 30/11/2003 Ementa: RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. REQUISITOS Os créditos líquidos e certos são passíveis de restituição/compensação, nos termos do que dispõe o art. 170 do Código Tributário Nacional. Recurso Voluntário provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Winderley Morais Pereira, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto e Tatiana Josefovicz Belisario. Relatório Tratase de Declaração de Compensação (Dcomp) com aproveitamento de suposto pagamento a maior. A Delegacia da Receita Federal emitiu Despacho Decisório Eletrônico de não homologação da compensação, tendo em vista que o pagamento apontado Fl. 193DF CARF MF Impresso em 28/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 2/12/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA 2 como origem do direito creditório estaria integralmente utilizado na quitação de débito do contribuinte. A interessada foi cientificada e apresentou manifestação de inconformidade, a qual a DRJ julgou improcedente, nas seguintes palavras: A não homologação da DCOMP em tela decorreu do fato de o DARF indicado na DCOMP como origem de crédito aproveitado na compensação ter sido integralmente utilizado na quitação de débitos informados pela própria contribuinte. O ato combatido aponta como causa da não homologação o fato de que, embora localizado o pagamento apontado na DCOMP como origem de crédito, o valor correspondente fora utilizado para a extinção anterior de débito confessado pela interessada. Assim, o exame das declarações prestadas pela própria interessada à Administração Tributária revela que o crédito utilizado na compensação declarada não existia. Por conseguinte, não havia saldo disponível (é dizer, não havia crédito líquido e certo) para suportar uma nova extinção,desta vez por meio de compensação.Decorre disso que o Despacho Decisório foi emitido corretamente, já que baseado nas informações disponíveis para a Administração Tributária. Alega a interessada que a referida declaração de compensação se deu pelo motivo de ter recolhido o PIS pelo regime não-cumulativo, sendo que a Lei nº 10.684, de 30 de maio de 2003, excluiu as cooperativas desse regime, incluindo no regime cumulativo, com efeitos a partir de 01/02/2003. Devido a isso, apresentou DCTF retificadora. Porém afirma a DRJ que esse fato, não implica, por si só, que os valores recolhidos seriam indevidos. Confira-se: Entretanto, o fato de ter recolhido o PIS pelo regime não- cumulativo, quando o correto seria pelo regime cumulativo, de forma alguma implica, por si só, que os valores recolhidos seriam indevidos. Com efeito, nada impede que os valores devidos a título de PIS pelo regime não cumulativo sejam inferiores aos devidos segundo o regime cumulativo, pois, mesmo que a alíquota se já superior no primeiro caso, existe a possibilidade de dedução de créditos, o que pode sim fazer com que o valor recolhidos e já menor do que o realmente devido. Assim, o exame das declarações prestadas pela própria interessada à Administração Tributária revela que o crédito utilizado na compensação declarada não existia. Por conseguinte, não havia saldo disponível (é dizer, não havia crédito líquido e certo) para suportar uma nova extinção, desta vez por meio de compensação. Decorre disso que o Despacho Decisório foi emitido corretamente, já que baseado nas informações disponíveis para a Administração Tributária. Por sua vez, a DCTF retificadora foi apresentada após a ciência do despacho decisório, não tendo igualmente o condão de fazer nascer o direito de crédito e de comprometer a decisão que não homologou a declaração de compensação. Por fim, na ótica da DRJ, o impugnante tem que demonstrar a certeza e liquidez do crédito com que pretendeu extinguir a obrigação tributária, através da declaração de Fl. 194DF CARF MF Impresso em 28/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 2/12/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 10805.900804/2008-64 Acórdão n.º 3201-001.969 S3-C2T1 Fl. 2 3 compensação, conforme art. 147 do CTN, fato que não ocorreu no caso narrado. Logo o direito creditório não pode ser admitido. Confira-se: Observe-se que o chamado ônus da prova é da contribuinte no que tange a existência e regularidade do crédito com que pretendeu extinguir a obrigação tributária. Com efeito, ao declarar à Autoridade Tributária que dispunha de crédito capaz de extinguir um débito, o contribuinte assume a incumbência de demonstrar sua liquidez e certeza quando do exame administrativo. Como visto, a disponibilidade do crédito não existia na faze em que aconteceu a conferência eletrônica da compensação e sua liquidez e certeza não foi demonstrada nesta fazer de contestação do despacho resultante. Concluindo, faltando aos autos a comprovação da existência de pagamento indevido ou a maior, o direito creditório não pode ser admitido e a compensação que dele se aproveita não pode ser homologada. Cientificado do acórdão, acima destacado, a recorrente apresentou recurso voluntário, afirmando que: a) houve a demonstração, por documentos, da existência do crédito e do valor da compensação pleiteada, conforme Anexo I; b) os referidos documentos demonstram seu direito ao crédito; c) apresentou DCTF retificadora, embora essa retificação tenha ocorrido após a identificação do erro por parte do Fisco. Iniciado o julgamento do recurso voluntário, nossa Turma, por unanimidade, decidiu converter o julgamento em diligência, nos seguintes termos: Todavia, entendo que essa não é a solução mais adequada ao caso concreto, uma vez que, diante da apresentação da DCTF retificadora, impende que esta seja analisada para verificar se procede ou não o crédito utilizado na compensação de tributo. Ante o exposto, CONVERTO O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, para que a unidade preparadora certifique o quantum representaria o crédito da recorrente, com base na documentação existente nos autos, intimando a contribuinte para apresentar dados adicionais, se necessário. Cumprindo-se ao determinado na Resolução, foi elaborado Relatório Fiscal e, em seguida, os autos retornaram ao CARF para julgamento. Contudo, a Turma enviá-los mais uma vez à unidade de origem, a fim de que a Recorrente fosse cientificada do Relatório Fiscal. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. Fl. 195DF CARF MF Impresso em 28/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 2/12/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA 4 O recurso atende a todos os requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele se conhece. A Recorrente pleiteou a compensação de débito seu com crédito decorrente de pagamento a maior de PIS. A unidade de origem indeferiu o pleito, ao fundamento de que o alegado crédito estava vinculado à quitação de outra obrigação devida pela Recorrente, que, no entanto, em sua manifestação de inconformidade, sustentou que o pagamento a maior resultou do fato de a cooperativa ter recolhido a contribuição sob regime de apuração não cumulativo, quando deveria tê-la recolhido na sistemática cumulativa. A DRJ não acolheu as razões de defesa, ao fundamento de que a DCTF retificadora foi apresentada após a ciência do despacho decisório. Assentou, ainda, que o erro de aplicação do regime de apuração não comprovaria o pagamento a maior, cabendo ao contribuinte o ônus de prová-lo. No recurso voluntário, a Recorrente juntou comprovantes da origem do pagamento a maior, em função da utilização equivocada do regime de apuração, nos quais informados dados coincidentes com os inseridos na DCTF retificadora. Em face dos argumentos encartados na primeira Resolução (a segunda destinou-se apenas a cientificar a Recorrente do teor do Relatório Fiscal), a Turma baixou os autos em diligência, para que a unidade de origem certificasse o valor do crédito, com base na documentação existente nos autos, intimando a Recorrente a apresentar dados adicionais, se necessário. No Relatório Fiscal de fls. 174/176, a autoridade diligenciadora conclui que o valor original do indébito tributário que a Recorrente teria direito a requerer a restituição e/ou compensação com débitos tributários próprios é de R$ 2.370,44 (dois mil, trezentos e setenta reais, e quarenta e quatro centavos), o mesmo pleiteado no PER/DCOMP. Solucionado o litígio, então. Ante o exposto, DOU PROVIMENTO ao recurso voluntário. É como voto. Charles Mayer de Castro Souza Fl. 196DF CARF MF Impresso em 28/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 2/12/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Relatório Voto
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Numero do processo: 10925.721393/2013-43
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 23 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Apr 11 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação - II
Período de apuração: 05/10/2011 a 09/08/2012
Ementa:
REVISÃO ADUANEIRA. QUESTIONAMENTO SOBRE A ORIGEM.
A integração dos efeitos de ato da administração que desqualifica, após desembaraço, certificado de origem não invalidado pelo país emissor demanda oportunidade para a contribuinte apresentar suas razões e obter aceitação para apresentar ou requerer outros meios de provas da origem dos produtos. O desatendimento implica descumprimento dos requisitos de validade da autuação, justificando sua anulação.
Numero da decisão: 3401-003.093
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício, e, por maioria de votos, em dar provimento aos recursos voluntários para anular o lançamento, vencidos os conselheiros Rosaldo Trevisan (relator), Fenelon Moscoso de Almeida e Robson José Bayerl, que negavam provimento. Em primeira votação o conselheiro Augusto Fiel Jorge D'Oliveira restou vencido, adotando a tese de impossibilidade de aplicação retroativa dos ADE no 36 e 37/2012, aderindo à tese vencedora da nulidade da autuação, por carência de fundamentação, em segunda votação. Designado o conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira para redigir o voto vencedor. Sustentou pelas autuadas o advogado Sidney Eduardo Stahl.
ROBSON JOSÉ BAYERL - Presidente Substituto.
ROSALDO TREVISAN - Relator.
ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Robson José Bayerl (presidente substituto), Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Rosaldo Trevisan, Waltamir Barreiros, Eloy Eros da Silva Nogueira, Elias Fernandes Eufrásio (suplente), Fenelon Moscoso de Almeida (suplente) e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente).
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Importação - II Período de apuração: 05/10/2011 a 09/08/2012 Ementa: REVISÃO ADUANEIRA. QUESTIONAMENTO SOBRE A ORIGEM. A integração dos efeitos de ato da administração que desqualifica, após desembaraço, certificado de origem não invalidado pelo país emissor demanda oportunidade para a contribuinte apresentar suas razões e obter aceitação para apresentar ou requerer outros meios de provas da origem dos produtos. O desatendimento implica descumprimento dos requisitos de validade da autuação, justificando sua anulação.
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QUESTIONAMENTO SOBRE A ORIGEM. A integração dos efeitos de ato da administração que desqualifica, após desembaraço, certificado de origem não invalidado pelo país emissor demanda oportunidade para a contribuinte apresentar suas razões e obter aceitação para apresentar ou requerer outros meios de provas da origem dos produtos. O desatendimento implica descumprimento dos requisitos de validade da autuação, justificando sua anulação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício, e, por maioria de votos, em dar provimento aos recursos voluntários para anular o lançamento, vencidos os conselheiros Rosaldo Trevisan (relator), Fenelon Moscoso de Almeida e Robson José Bayerl, que negavam provimento. 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ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Robson José Bayerl (presidente substituto), Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Rosaldo Trevisan, Waltamir Barreiros, Eloy Eros da Silva Nogueira, Elias Fernandes Eufrásio (suplente), Fenelon Moscoso de Almeida (suplente) e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente). Relatório Versa o presente sobre Auto de Infração lavrado em 22/07/2013 (fls. 2 a 137)1, para exigência de Imposto de Importação, no valor original de R$ 8.752.106,40, por ter a empresa submetido a despacho de importação mercadorias invocando acordo internacional para redução a zero da alíquota, com certificado de origem que veio a ser desqualificado por ato da CoordenaçãoGeral de Administração Aduaneira (COANA). No Relatório de Ação Fiscal (fls. 158 a 177), narra a fiscalização que: (a) a ação fiscal teve por objetivo verificar as importações de mercadorias classificadas no código NCM 0711.51.00 no período de janeiro de 2010 a dezembro de 2012, tendo como adquirente a empresa NACOM GOYA Indústria e Comércio de Alimentos LTDA (NACOM GOYA); (b) entre as importações verificadas, várias foram efetuadas ao amparo de certificados de origem desqualificados nos termos dos Atos Declaratórios Executivos (ADE) COANA no 36, de 29/10/2012, e no 37, de 13/11/2012, por descumprimento do Regime de Origem estabelecido no Anexo 13 do Acordo de Complementação Econômica (ACE) no 35, incorporado ao ordenamento jurídico brasileiro pelo Decreto no 2.075/1996; (c) a empresa FARTURA Alimentos LTDA (FARTURA) registrou, no período, 288 Declarações de Importação (DI) das referidas mercadorias, tratandose todas de cogumelos do gênero Agaricus, exportados pelas empresas chilenas "Exportadora MM Limitada" (que teve certificados de origem desqualificados pelo ADE COANA no 36/2012) e "Comercial Agrometa Ltda" (que teve certificados de origem desqualificados pelo ADE COANA no 37/2012), e sendo todas as importações por conta e ordem da empresa NACOM GOYA, que é relacionada como responsável solidária na autuação; (d) diante da desqualificação dos certificados de origem, cabe a cobrança do imposto de importação (os demais tributos possuem alíquota zero) que deixou de ser pago, com acréscimos e multa de lançamento de ofício (75%); e (e) a responsabilidade solidária tem fundamento no art. 95 do DecretoLei no 37/1966 e no art. 124 do Código Tributário Nacional (CTN), sendo que ambas as empresas se beneficiaram da prática da infração. A empresa NACOM GOYA, cientificada da autuação em 24/07/2013 (cf. AR de fl. 1033), apresentou Impugnação em 21/08/2013 (fls. 1038 a 1083), alegando, em síntese, que: (a) a investigação dos Certificados de Origem foi promovida pela COANA de forma sorrateira e ilegal, em descumprimento à legislação pátria e a tratados internacionais, violando o devido processo legal, a legalidade estrita e a verdade real, o que inquina de 1 Todos os números de folhas indicados nesta decisão são baseados na numeração eletrônica da versão digital do processo (eprocessos). Fl. 3357DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado dig italmente em 08/04/2016 por ROBSON JOSE BAYERL Processo nº 10925.721393/201343 Acórdão n.º 3401003.093 S3C4T1 Fl. 3.357 3 nulidade o lançamento; (b) as importações foram efetuadas com Certificados de Origem válidos, emitidos por autoridade competente do Chile, e subscritos por funcionário habilitado, tendo sido a empresa surpreendida com a desqualificação de tais certificados pela COANA, com base em simples resposta a quesito enviado à entidade chilena responsável pela certificação, que informou que não era possível determinar o país de origem dos produtos porque as empresas exportadoras não foram encontradas em seus domicílios; (c) não houve tentativa de esclarecer de fato a situação, com efetiva investigação sobre a origem das mercadorias; (d) o procedimento foi efetuado ao arrepio da legislação que trata da matéria, especificamente, arts. 18 e seguintes do ACE no 35, sequer havendo direito de defesa à empresa; (e) a NACOM GOYA fez Reclamação perante o MERCOSUL em 24/07/2013, e opôs Medida Provisória em 12/08/2013, buscando levar ao conhecimento das autoridades internacionais as irregularidades perpetradas pela COANA; (f) as importações foram efetuadas de boafé, sendo a origem atestada por órgão competente do país exportador, com fé pública, não podendo ter o importador consciência de que a origem das mercadorias seria de um terceiro país (se é que de fato são, pois nada nesse sentido foi comprovado); (g) a empresa solicitou à COANA cópia dos procedimentos investigativos, sequer obtendo resposta, o que motivou a impetração de Mandado de Segurança; (h) o lançamento é nulo por ser baseado em presunções, e diante da ausência de provas; (i) os Atos Declaratórios da COANA são fundados exclusivamente na Instrução Normativa no 149/2002, e não observaram o procedimento e o rito determinado no Anexo 13 do ACE no 35 (que possui status de lei ordinária), incorporado ao ordenamento brasileiro pelo Decreto no 2.075/1996; (j) a entidade chilena emissora dos Certificados de Origem (Sociedad de Fomento Fabril SOFOFA) era devidamente habilitada pelo governo chileno, conforme o art. 12 do Anexo 13 do ACE no 35, sendo responsabilidade daquele governo fiscalizar a entidade, e havendo presunção de veracidade nos documentos emitidos; (k) não foi cumprido o art. 17 do Anexo 13 do ACE no 35, tendo a COANA realizado questionamentos genéricos, sequer intimando a NACOM GOYA ou solicitando informações adicionais; (l) conforme art. 23 do Anexo 13 do ACE no 35, os Certificados de Origem somente poderiam ter sido desqualificados em caso de fraude, adulteração ou circunstância que dê lugar a prejuízo fiscal e econômico, o que não ocorreu, sendo a NACOM GOYA um terceiro de boafé, aplicandose o disposto no art. 167, § 2o do Código Civil brasileiro; (m) o órgão certificador "SOFOFA" tem obrigação de guarda dos documentos referentes a certificação, e violou seu dever de guarda, diante da resposta inconclusiva à COANA; (n) as empresas exportadoras encontramse devidamente constituídas perante os órgãos fiscalizadores do Chile, conforme documentação que anexa, e representantes da NACOM GOYA verificaram in loco os procedimentos de produção, conforme fotos de uma das sedes da empresa "Agrometa", no Chile; (o) seis declarações de importação que são objeto da presente autuação já foram objeto de autuação anterior, pelo mesmo motivo; (p) há necessidade de individualização da pena e, não havendo dolo, a NACOM GOYA não poder ser responsabilizada por penalidade; (q) para comprovar a verdadeira origem da mercadoria, há necessidade de prova pericial; e (r) a multa de ofício é inaplicável, pois não houve falta de pagamento ou recolhimento, falta de declaração ou declaração inexata, e não houve intuito de fraude; mas, ainda que fosse aplicável, a multa é confiscatória e deveria ser limitada a 20%, em função de retroatividade benigna. Requer, por fim, dilação de prazos para produção de provas documentais, em especial, laudos arbitrais do MERCOSUL e documentos a serem fornecidos pela COANA em função do Mandado de Segurança impetrado. A empresa FARTURA, por sua vez, cientificada da autuação em 25/07/2013 (cf. AR de fl. 1035), apresentou Impugnação em 22/08/2013 (fls. 1304 a 1348), com os mesmos argumentos que a NACOM GOYA, cabendo adicionar que defende sua ilegitimidade Fl. 3358DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado dig italmente em 08/04/2016 por ROBSON JOSE BAYERL 4 para figurar no polo passivo da autuação, por ser importadora por conta e ordem, mera prestadora de serviços, não tendo interferência na negociação das mercadorias. A decisão de primeira instância, proferida em 29/07/2014 (fls. 1600 a 1625), foi pela parcial procedência das impugnações, afastandose as alegações de nulidade, esclarecendose a diferença entre o contencioso em apreciação e os procedimentos de investigação de origem conduzidos pela COANA, afastandose a multa de ofício, em decorrência do Ato Declaratório Interpretativo no 13/2002, entendendo aplicáveis ao valor do imposto de importação apenas juros de mora e multa de mora (20%), reconhecendose a duplicidade de exigência em relação às seis DI apontadas, o que culmina em seu afastamento do presente processo, e mantendose ambas as empresas no polo passivo, tendo em vista a legislação que rege a matéria. O montante excluído ensejou a interposição de Recurso de Ofício. A empresa NACOM GOYA, cientificada da decisão de piso em 06/10/2014 (cf. AR de fl. 1653), apresentou Recurso Voluntário em 05/11/2014 (fls. 1788 a 1823), no qual reiterou a argumentação expressa em sua impugnação no que se refere a nulidades (por ofensa ao contraditório, à ampla defesa, à legalidade, inclusive tributária e à verdade material, agregando ainda demanda por nulidade por desrespeito à segurança jurídica e ao mérito (invocando as disposições do ACE no 35 e a boafé/ausência de fraude e regularidade dos documentos instrutivos das importações), acrescentando que, no julgamento de piso, houve: (a) omissão, em relação a argumentos de defesa, documentos e solicitação de perícia, no que se refere ao procedimento de investigação conduzido pela COANA, e que restou comprovado de forma inequívoca que as mercadorias são provenientes do Chile; (b) contradição, pois a constatação de que não há elementos que apontem a máfé da empresa é incompatível com a manutenção da autuação; e (c) cerceamento de defesa, pois a DRJ se manteve inerte ao pedido formulado para dilação de prazo para apresentação de provas/documentos. E que tais vícios eivariam de nulidade o julgamento da DRJ. Em síntese, no mérito, reitera a empresa que não foi informada sobre a investigação de origem, e que não se utilizou de benefício de forma indevida, visto que desconhecia a investigação dos certificados de origem, e suas importações continuaram a ser desembaraçadas sem quaisquer óbices. A empresa FARTURA, por seu turno, cientificada da decisão da DRJ em 07/10/2014 (cf. AR de fl. 1654), apresentou Recurso Voluntário também em 05/11/2014 (fls. 1658 a 1696), basicamente com as mesmas alegações da empresa NACOM GOYA, inclusive no que se refere às nulidades apontadas na decisão de piso e na inovação em relação a segurança jurídica. No mais, reitera o entendimento de que há ilegitimidade para que figure no polo passivo. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Rosaldo Trevisan, relator Os recursos voluntários apresentados são tempestivos e atendem os demais requisitos formais de admissibilidade e, portanto, deles se toma conhecimento. O Recurso de Ofício, por sua vez, é interposto em atendimento a requisitos normativos específicos, e deve também ser objeto de análise pelo colegiado. Fl. 3359DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado dig italmente em 08/04/2016 por ROBSON JOSE BAYERL Processo nº 10925.721393/201343 Acórdão n.º 3401003.093 S3C4T1 Fl. 3.358 5 Antes de ingressar na análise dos argumentos de defesa, confrontandoos com as razões da autuação, é importante trazer alguns esclarecimentos iniciais sobre as regras de origem em Direito Aduaneiro, e sobre qual, exatamente, é a questão relevante a ser debatida no presente processo. A partir de tais esclarecimentos, passase a analisar as alegações de defesa (nulidades apontadas pelas empresas recorrentes e mérito), culminando na análise da questão do recurso de ofício interposto e da responsabilidade solidária. 1. Esclarecimentos iniciais sobre Regras de Origem Imagine que uma empresa brasileira adquira uma máquina produzida na Itália, que é de propriedade de uma empresa mexicana, e se encontra na Argentina, de onde embarcará com destino ao Brasil. Teríamos uma importação com indicação de país de origem (Itália) diferente do país de aquisição (México) e do país de procedência (Argentina). No Brasil, como em diversos outros países, a declaração de importação no sistema informatizado específico (SISCOMEX) comporta campos diferentes para informações, v.g., sobre a origem e sobre a procedência da mercadoria. 2 Mas não é difícil saber qual o critério mais importante em Direito Aduaneiro, e que evita burlas: a origem. Por óbvio, o fato de o proprietário de uma mercadoria ser Argentino não a torna uma mercadoria argentina, e o fato de a mercadoria simplesmente ter sido proveniente da Argentina também não a torna argentina. Fosse assim, seriam, por exemplo, paraguaias (com todos os benefícios que deste atributo advêm) todas as mercadorias fabricadas no continente asiático e provenientes daquele país com destino ao Brasil. Bastaria um passeio do meio de transporte ou uma transferência intermediária para que a mercadoria tivesse alterado seu tratamento aduaneiro e/ou tributário. A NACOM GOYA parece confundir (ou mesclar) isso em sua defesa, ao afirmar que "restou comprovado de forma inequívoca que as mercadorias são provenientes do Chile, na medida em que foram apresentados na oportunidade da impugnação os documentos instrutivos das 228 declarações de importação" (fls. 1792). E ambas as empresas recorrentes atribuem importância, em sua defesa, à fatura comercial e aos documentos de transporte, documentos esses que se prestam primordialmente aos fatores "aquisição" e "procedência". Internacionalmente, a origem de uma mercadoria, critério de substancial relevância para o Direito Aduaneiro, está atrelada à sua fabricação (um produto inteiramente feito no Brasil é indiscutivelmente de origem brasileira), ou a processo de transformação substancial (turbinas de origem inglesa, trem de pouso de origem francesa, e motor de origem alemã, quando utilizados, no Brasil para fabricação de um avião, indiscutivelmente receberam transformação substancial, sendo o avião de origem brasileira), ou ainda a regras específicas estabelecidas em acordo internacional. 2 A terminologia aqui utilizada não é exatamente a trazida na legislação brasileira, o que não prejudica a explicação, destinada a diferenciar o país de origem daquele onde se encontra a mercadoria, ou de onde esta é embarcada. No Brasil, a Instrução Normativa SRF n. 69/1996 (assim como as normas que a sucederam, as Instruções Normativas SRF n. 206/2002 e RFB n. 680/2006) esclareceu detalhadamente como preencher os campos da declaração de importação (DI), e definiu como país de procedência aquele "onde a mercadoria se encontrava no momento de sua aquisição e de onde saiu para o Brasil, independentemente do país de origem ou do ponto de embarque final". De qualquer forma, resta inequívoca a distinição entre país de origem e país de procedência, ou entre país de origem e país onde fica o ponto de embarque final. Fl. 3360DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado dig italmente em 08/04/2016 por ROBSON JOSE BAYERL 6 Em função da origem das mercadorias podem existir benefícios aos importadores, por exemplo, os decorrentes de acordos de preferência tarifária. É o que se chama de origem preferencial. Por outro lado, a origem pode trazer ônus aos importadores, por exemplo, no que se refere a medidas de defesa comercial (como antidumping e direitos compensatórios). É o que se entende por origem nãopreferencial. Há regras nacional e internacionalmente estabelecidas para cada categoria. 3 Como no presente processo se está a tratar de origem preferencial, pois a empresa demanda redução de alíquota em função da origem da mercadoria, há que se perscrutar nas regras nacionais e internacionais referentes à matéria o cabimento do benefício. No Brasil, o DecretoLei no 37/1966, em seu art. 8o, estabelece que "o tratamento aduaneiro decorrente de ato internacional, aplicase exclusivamente a mercadoria originária do país beneficiário"(sic), complementando, em seu art. 9o, que "respeitados os critérios decorrentes do ato internacional de que o Brasil participe, entenderseá por país de origem da mercadoria aquele onde houver sido produzida, ou, no caso de mercadoria resultante de material ou mãodeobra de mais de um país, aquele onde houver recebido transformação substancial". Internacionalmente, as regras de origem são estabelecidas em cada acordo preferencial. Se o Brasil, por exemplo, celebra um acordo bilateral com a África do Sul, as regras de origem para efeitos de tal acordo serão nele estabelecidas ou indicadas. Em geral, tais acordos estabelecem as regras de origem aplicáveis, normalmente vinculadas a fabricação, transformação substancial, agregação de valor (ao produto final, em face das matériasprimas) e salto tarifário (mudança de posição na nomenclatura do Sistema Harmonizado), podendo ainda haver regras específicas para determinadas mercadorias/situações. E, também de forma geral, tais acordos estabelecem uma forma para se atestar (frequentemente por órgãos governamentais ou entidades por eles autorizadas) que as mercadorias são originárias de determinado país. 2. Esclarecimentos iniciais sobre a questão relevante a ser debatida no presente processo No caso dos autos, o acordo internacional que estabelece as regras de origem é o Acordo de Complementação Econômica (ACE) no 35, celebrado entre Brasil, Argentina, Paraguai, Uruguai e Chile, em 30/09/1996, no âmbito da ALADI (Associação Latino Americana de Integração), e incorporado ao ordenamento jurídico brasileiro pelo Decreto no 2.075, de 19/11/1996. Em tal decreto (que tem o acordo em anexo), esclarecese, no art. 1o, que o ACE acordo "será executado e cumprido tão inteiramente como nele se contém, inclusive quanto à sua vigência". No ACE no 35 são estabelecidas preferências, em um programa de liberalização comercial, para as mercadorias originárias dos países participantes, estabelecendose, no Artigo 13, que: "TÍTULO III REGIME DE ORIGEM 3 São raras, no Brasil, as obras sobre Regras de Origem, merecendo destaque a elaborada por especialistas do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior,sob a coordenação de Maruska Aguiar (Discussões sobre Regras de Origem, São Paulo: Aduaneiras, 2007). Internacionalmente, há que se salientar a recente publicação de obra com contribuições de autores relevantes como Ricardo Xavier Basaldúa e Germán Pardo Carrero (que também é o organizador) sobre regras de origem (Incidencia de la origen de la mercancía en materia tributaria, Bogotá: ICDT, 2015). Fl. 3361DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado dig italmente em 08/04/2016 por ROBSON JOSE BAYERL Processo nº 10925.721393/201343 Acórdão n.º 3401003.093 S3C4T1 Fl. 3.359 7 Artigo 13. As Partes aplicarão o regime de origem contido no Anexo 13 do presente Acordo às importações realizadas ao amparo do Programa de Liberalização Comercial. A Comissão Administradora do Acordo, estabelecida no Artigo 46, poderá: a. Modificar as normas contidas no citado Anexo; b. Modificar os elementos ou critérios dispostos no referido Anexo, com o objetivo de qualificar as mercadorias como originárias; c. Estabelecer, modificar, suspender ou eliminar requisitos específicos." A Comissão Administradora a que se refere o Artigo 46 é integrada pelo Grupo Mercado Comum (GMC) do MERCOSUL e o Ministério das Relações Exteriores do Chile, por meio da Direção Geral de Relações Econômicas Internacionais. E o Anexo 13 do acordo é preciso, já em seu Artigo 2, ao estabelecer que "para se beneficiar do Programa de Liberalização, as mercadorias deverão demonstrar o cumprimento dos requisitos de origem, de conformidade com o disposto no presente Anexo". No Artigo 3 são fixadas as regras que qualificam a origem, e, nos Artigos 4 a 6, os requisitos específicos que poderiam ser ainda estabelecidos pelos participantes. Mas é no Artigo 10 do Anexo 13 que reside a norma preponderante para o que se está a discutir no presente processo: Em todos os casos sujeitos à aplicação das normas de origem estabelecidas no Artigo 3, o Certificado de Origem é o documento indispensável para a comprovação da origem das mercadorias. Esse certificado deverá indicar inequivocamente que a mercadoria à qual se refere é originária da Parte Signatária em questão, nos termos e disposições do presente Anexo. (grifo nosso) Assim, não existe a possibilidade de que uma mercadoria possa gozar do tratamento preferencial previsto no acordo se não for atestada a sua origem por meio de Certificado de Origem. O Certificado de Origem, conforme o Artigo 12 do Anexo 13, é um documento emitido por repartições oficiais do país de origem (no caso dos autos, o Chile), ou por organismos públicos ou privados, mediante delegação (no caso dos autos, a Sociedad de Fomento Fabril SOFOFA), sob controle de repartição oficial, e deverá ser emitido com obediência às formalidades estabelecidas nos Artigos 13 a 16 do Anexo 13. O Certificado deverá ainda conter declaração juramentada do produtor final ou exportador da mercadoria (Artigo 11 do Anexo 13). Nas importações de que trata o presente processo, não consta que o desembaraço tenha ocorrido ao desamparo de Certificado de Origem. Resta inequívoco que foram acolhidos Certificados de Origem nas importações em comento, possibilitando o desembaraço aduaneiro das declarações de importação. O que se discute é a revisão aduaneira de tais declarações, com desconsideração da certificação de origem das mercadorias importadas (cogumelos do gênero Fl. 3362DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado dig italmente em 08/04/2016 por ROBSON JOSE BAYERL 8 Agaricus) apresentadas ao tempo do desembaraço, em função de Atos Declaratórios Executivos (ADE) emitidos pela COANA (no 36, de 29/10/2012, e no 37, de 13/11/2012), em relação a dois exportadores: "Exportadora MM Limitada" e "Comercial Agrometa Ltda". Tais ADE são reproduzidos, na íntegra, a seguir: "ATO DECLARATÓRIO EXECUTIVO COANA Nº 36, DE 29 DE OUTUBRO DE 2012 (DOU 16/11/2012) Dispõe sobre o encerramento de processo aduaneiro de investigação de origem. O COORDENADORGERAL DE ADMINISTRAÇÃO ADUANEIRA, no uso da atribuição que lhe confere o art. 129, inciso IV, do Anexo da Portaria do MF no 203, de 14 de maio de 2012, e tendo em vista o disposto nos arts. 20 e 23, Anexo 13 do Acordo de Complementação Econômica no 35, internalizado no Brasil por meio do Decreto no 2.075, de 19 de novembro de 1996, e os arts. 20 e 26 da Instrução Normativa SRF no 149, de 27 de março de 2002, declara: Art. 1o Concluído, com base no Relatório Fiscal Coana/Cotad/Divom no 2012/0001, o processo aduaneiro de investigação de origem das mercadorias "Cogumelos do gênero Agaricus", NCM 0711.51.00 (Naladi/SH 0711.90.19), do exportador chileno "Exportadora MM Limitada", aberto por meio do ADE Coana no 26/2012, de 24 de agosto de 2012. Art. 2o Desqualificados todos os Certificados de Origem que instruíram os despachos aduaneiros de importação de "Cogumelos do gênero Agaricus" exportados pela empresa mencionada no art. 1o, por descumprimento do Regime de Origem estabelecido no Anexo 13 do ACE 35. Art. 3o Fica suspensa a concessão de preferência tarifária para novas operações referentes às mesmas mercadorias exportadas pela empresa "Exportadora MM Limitada", do Chile. Art. 4o Este Ato Declaratório entra em vigor na data de sua publicação." (grifo nosso) "ATO DECLARATÓRIO EXECUTIVO COANA Nº 37, DE 13 DE NOVEMBRO DE 2012 (DOU 30/11/2012) Dispõe sobre o encerramento de processo aduaneiro de investigação de origem. O COORDENADORGERAL DE ADMINISTRAÇÃO ADUANEIRA, no uso da atribuição que lhe confere o art. 129, inciso IV, do Anexo da Portaria do MF no 203, de 14 de maio de 2012, e tendo em vista o disposto nos arts. 20 e 23, Anexo 13 do Acordo de Complementação Econômica no 35, internalizado no Brasil por meio do Decreto no 2.075, de 19 de novembro de 1996, e os arts. 20 e 26 da Instrução Normativa SRF no 149, de 27 de março de 2002, declara: Art. 1o Concluído, com base no Relatório Fiscal Coana/Cotad/Divom no 2012/0002, o processo aduaneiro de investigação de origem das mercadorias "Cogumelos do gênero Agaricus", NCM 0711.51.00 (Naladi/SH 0711.90.19), do Fl. 3363DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado dig italmente em 08/04/2016 por ROBSON JOSE BAYERL Processo nº 10925.721393/201343 Acórdão n.º 3401003.093 S3C4T1 Fl. 3.360 9 exportador chileno "Comercial Agrometa Ltda", aberto por meio do ADE Coana no 25/2012, de 24 de agosto de 2012. Art. 2o Desqualificados todos os Certificados de Origem que instruíram os despachos aduaneiros de importação de "Cogumelos do gênero Agaricus" exportados pela empresa mencionada no art. 1o, por descumprimento do Regime de Origem estabelecido no Anexo 13 do ACE 35. Art. 3o Fica suspensa a concessão de preferência tarifária para novas operações referentes às mesmas mercadorias exportadas pela empresa "Comercial Agrometa Ltda", do Chile. Art. 4o Este Ato Declaratório entra em vigor na data de sua publicação. " (grifo nosso) Então, a matéria relevante a discutir no presente processo não está atrelada à Certificação de Origem apresentada para o desembaraço, mas à possibilidade jurídica de Ato Declaratório Executivo da COANA desqualificar tais documentos. E a fundamentação para tal discussão também se encontra no Anexo 13 do ACE no 35, em seus Artigos 17 a 22, que tratam de "Processos de Verificação e Controle". De início, a simples leitura do Artigo 17 do Anexo 13 já deixa claro que em caso de dúvida, a autoridade aduaneira pode requerer informações adicionais: "Não obstante a apresentação do certificado de origem nas condições estabelecidas por este Anexo e nas que vier a estabelecer a Comissão Administradora do Acordo, as autoridades aduaneiras poderão, no caso de dúvidas fundamentadas em relação à autenticidade ou veracidade do certificado, requerer da repartição oficial da Parte Signatária exportadora responsável pela verificação e controle dos certificados de origem, informações adicionais com a finalidade de elucidar a questão ou iniciar as investigações pertinentes, quando procedente, informando à repartição oficial de controle da Parte Signatária importadora". (grifo nosso) Assim, a simples existência de Certificado de Origem, emitido por entidade competente do país de origem (no caso, o Chile), não afasta a possibilidade de verificação e controle no país importador (no caso, o Brasil), nos casos de dúvidas fundamentadas em relação à autenticidade ou veracidade do certificado. Os Artigos 18 a 22 do Anexo 13 trazem rito específico para a investigação de origem, possibilitando a suspensão dos benefícios no curso da investigação (Artigo 18), determinando a notificação sobre o início da investigação ao importador e à autoridade emissora, que deverá prestar a informação necessária (Artigo 19), estabelecendo prazo e forma para troca de informação entre as autoridades dos países, e seu caráter confidencial (Artigos 20 e 21), e dispondo sobre mecanismos de consulta entre as partes do acordo (Artigo 22). Fl. 3364DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado dig italmente em 08/04/2016 por ROBSON JOSE BAYERL 10 Mas não é tal rito que está aqui em discussão. Tal rito, destaquese, foi seguido em etapa anterior, relativa a investigação de origem, e não tem vínculo nenhum com o rito que rege o processo de determinação e exigência de créditos tributários, previsto no Decreto no 70.235/1972, e não em acordo internacional. A partir de tais premissas é que passam a ser analisadas, a seguir, as alegações de defesa preliminares e de mérito. 3. Da análise das alegações da defesa As empresas recorrentes apontam diversos princípios que entendem violados, todos ocasionando a nulidade da autuação, e indicam ainda omissão, contradição e cerceamento de defesa no julgamento de piso, que eivariam de nulidade também o acórdão emanado da DRJ. Afirmase, nas peças recursais, que houve omissão da DRJ em relação a argumentos de defesa, documentos e solicitação de perícia, no que se refere ao procedimento de investigação conduzido pela COANA, e cerceamento de defesa, pois a DRJ se manteve inerte ao pedido formulado para dilação de prazo para apresentação de provas/documentos. Sobre tais alegações, é de se informar que não houve efetivamente omissão da DRJ nesses temas, ou cerceamento de defesa. Houve, sim, esclarecimento de que o presente contencioso não trata do procedimento de investigação internacional de origem, mas sobre autuação por não ter a empresa possibilidade de gozar de benefício fiscal em virtude da desqualificação de certificados de origem em procedimento diverso, que observou rito diferenciado, com competência de julgamento distinta, e que as empresas estão a discutir em outros foros. Nas palavras do julgador de piso (fls. 1620/1621): "Afirmam as impugnantes que em função da IN 149/2002, a COANA não observou o procedimento e rito determinado pelo Anexo 13 do ACE35, culminando com má colheita de provas e cerceamento do direito de defesa do importador na edição dos referidos ADE. Na análise da matéria observase que não se trata de alegações contra o procedimento fiscal da unidade da RFB que efetivou o lançamento do crédito tributário, e sim contra o procedimento de investigação internacional de origem da mercadoria. O dever de observância, por parte dos julgadores administrativos, do entendimento da Secretaria da Receita Federal do Brasil expresso em atos normativos, encontrase disposto na Portaria MF nº 341, 12/07/2011, que disciplina a constituição das turmas e o funcionamento das Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento: (...) Os citados ADE Cona no 36 e 37 foram emitidos e publicados no DOU (fls. 11131114) com base no relatório conclusivo do processo aduaneiro de investigação de origem, aberto nos termos dos ADE Coana no 25 e 26, ambos de 2012 (fl. 1110 Fl. 3365DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado dig italmente em 08/04/2016 por ROBSON JOSE BAYERL Processo nº 10925.721393/201343 Acórdão n.º 3401003.093 S3C4T1 Fl. 3.361 11 1111), que resultou na desqualifição dos certificados de origem, tornando incabível o tratamento tarifário preferencial e motivando a revisão das Declarações de Importação que dele se beneficiaram indevidamente, conforme artigos 19 e 20 da IN 149/2002 c/c o art. 149, inc. V da Lei nº 5.172, de 25 de março de 1966 (Código Tributário Nacional CTN). (...) Assim, refoge competência a esta turma para apreciar as alegações relativas a cerceamento do direito de defesa por falta de resposta da petição encaminhada à Coana (fls.11611166) e relativas a vícios na produção de provas no procedimento e rito das trocas de informações entre as partes do acordo internacional (Processo Aduaneiro de Investigação de Origem), bem como tudo que diga respeito à investigação de autenticidade dos referidos Certificados de Origem. Ademais, as impugnantes noticiam que estas alegações (inobservância do procedimento e rito do anexo 13 do ACE35, inclusive com vícios na produção de provas) foram por elas levadas em Mandado de Segurança perante o poder judiciário brasileiro (fls.11681185) e também em Reclamação Particular perante o sistema de solução de controvérsias no Mercosul (fls. 1159), sendo estes motivos também justificadores da impossibilidade desta turma tomar conhecimento da matéria, não podendo sequer apreciar o pedido de perícia que resta prejudicado e automaticamente indeferido por não influir na solução administrativa do litígio perante esta DRJ. Quanto à dilação probatória requerida, é um direito que assiste às impugnantes nos termos estabelecidos na legislação processual administrativa, especificamente nos parágrafos 4.º e 5º do art. 16 do Decreto nº 70.235/72. Considerando a existência dos processos em tramitação noutras esferas decisórias, poderá ser requerida a aplicação da alínea “b” do citado § 4º, devido a fato ou a direito superveniente, quando as impugnantes reverterem naquele(s) processos os efeitos dos ADE que desqualificaram os Certificados de Origem, situação esta que parece não ter ainda acontecido uma vez que não foi requerida a juntada de qualquer documento nesse sentido." (grifo nosso) Vêse, assim, que a DRJ, que não pode negar vigência aos atos normativos emanados no âmbito da RFB, como os dois ADE emitidos pela COANA, deve simplesmente aplicálos, o que ocasiona a indiscutível desqualificação dos Certificados de Origem utilizados para instrução das declarações de importação registradas, restando pouco a discutir na análise das impugnações apresentadas. Aproveitamos tais considerações para reiterar as observações efetuadas no tópico anterior deste voto, referentes à distinção entre o presente contencioso e o procedimento de investigação de origem, regido por rito próprio. Percebase que as insurgências das Fl. 3366DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado dig italmente em 08/04/2016 por ROBSON JOSE BAYERL 12 empresas recorrentes no que se refere a contraditório e ampla defesa concentramse no procedimento de investigação de origem, e não no presente contencioso. Daí assistir razão à DRJ ao afirmar que não se vê, no presente contencioso, cerceamento de defesa ou violação ao contraditório. E, reparese, retornando à discussão sobre o procedimento de investigação internacional de origem, previsto em acordo internacional, que ali não há previsão de contencioso envolvendo particulares. O Artigo 17 do Anexo 13, aqui já transcrito, recordese, claramente dispõe que a simples apresentação de Certificado de Origem, ainda que assinado por autoridade competente e dentro dos requisitos previstos no acordo, pode ser questionado em caso de dúvidas fundamentadas em relação à autenticidade ou à veracidade. E que as autoridades aduaneiras do país importador poderão requerer informações adicionais da repartição oficial da Parte Signatária exportadora responsável pela verificação e controle dos certificados de origem com a finalidade de elucidar a questão ou iniciar as investigações pertinentes, quando procedente, informando à repartição oficial de controle da Parte Signatária importadora. E isso foi feito pela COANA (autoridade aduaneira brasileira), obtendose como resposta, da entidade chilena emissora dos Certificados de Origem (SOFOFA), que não era possível determinar o país de origem dos produtos porque as empresas exportadoras não foram encontradas em seus domicílios, como alega a própria defesa. Não se tem aqui a mínima dúvida de que se a própria entidade que emitiu os Certificados de Origem não os endossa, nem confirma o que certificou, resta descumprido o requisito para fruição de benefício de redução de alíquotas (preferência tarifária acordada). O Anexo 13 do ACE no 35 não prevê a participação ou a defesa do importador em tal procedimento, mas tão somente sua notificação quando do início da investigação, no Artigo 19: A autoridade aduaneira deverá notificar o início da investigação ao importador e à autoridade encarregada da verificação e controle na Parte Signatária exportadora, à qual solicitará a informação necessária para essa investigação. (grifo nosso) E os inícios das investigações foram publicados em Diário Oficial (Atos Declaratórios Executivos COANA no 25/2012 e 26/2012). Ademais, a importadora foi alertada sobre o procedimento de investigação também pela autoridade aduaneira, como se atesta de seu pedido de cópia integral do procedimento (fl. 1162): Fl. 3367DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado dig italmente em 08/04/2016 por ROBSON JOSE BAYERL Processo nº 10925.721393/201343 Acórdão n.º 3401003.093 S3C4T1 Fl. 3.362 13 Como o acordo prevê uma entidade competente para certificar origem (no caso, no Chile), e esta não a atesta a certificação apresentada, a função do Artigo 19 é possibilitar ao importador tomar as ações (privadas, civis/comerciais) que entender necessárias contra tal entidade ou contra o exportador que eventualmente tenha se equivocado em relação à origem da mercadoria, pelos prejuízos que lhe ocasionaram, e não um convite a atuar como parte no processo de investigação (que é público e confidencial). Veja que a expressão "à qual", que grifamos na transcrição do Artigo 19, não tem por objeto o importador, mas a autoridade encarregada da verificação e controle no país exportador. Reparese ainda que os artigos seguintes do Anexo 13 (Artigos 20 a 22) são restritos às repartições oficiais, cabendo aqui reproduzir excerto do Artigo 20: "A repartição oficial responsável pela verificação e controle dos Certificados de Origem deverá fornecer as informações solicitadas pela aplicação do disposto no Artigo 17, em um prazo não superior a 30 dias úteis, contados a partir da data do recebimento do respectivo pedido. As informações terão caráter confidencial e serão utilizadas, exclusivamente, para esclarecer essas questões." (grifo nosso) A própria previsão de recurso ao sistema de Solução de Controvérsias (do Acordo, e não do MERCOSUL), no Artigo 22, endossese, é restrita à Parte Signatária (país) e não a empresas: "Esgotada a instância de investigação, se as conclusões não forem satisfatórias para os envolvidos, as Partes Signatárias manterão consultas bilaterais. Se os resultados destas consultas não forem satisfatórios para a Parte Signatária afetada, esta poderá recorrer ao sistema de Solução de Controvérsias do Acordo." As empresas recorrentes protocolizaram Reclamação perante o MERCOSUL. E relatam ainda que houve impetração de Mandado de Segurança para que a COANA fornecesse cópia dos procedimentos investigativos. A cópia da primeira folha da "Reclamação Particular" (fls. 1159) no âmbito do MERCOSUL endossa o que dissemos em relação ao caráter privado da discussão, previsto no Artigo 19, que é independente da questão pública referente ao pagamento de tributos. Veja se que a reclamação é em face da SOFOFA e do Ministério das Relações Exteriores do Chile, e tem por fundamento o Artigo 39 e seguintes do Protocolo e Olivos (referente a Solução de Controvérsias no MERCOSUL), e não o sistema de Solução de Controvérsias do ACE no 35. Em que pese a problemática da (i)legitimidade passiva, do foro (in)adequado, e de não se noticiar nos autos qualquer prosseguimento em relação à reclamação, é de se informar que isso não traz prejuízo nenhum ao presente julgamento, que é sobre tema de ordem pública diverso (pagamento de tributos). Sobre o Mandado de Segurança Impetrado (cópia de consulta processual à fl. 1168, e da petição inicial às fls. 1169 a 1184), verificouse, em nome da verdade material, em consulta ao processo, no sítio web do TRF1, que foi obtida liminar, em 03/10/2013, para fornecimento da cópia integral dos procedimentos de investigação: Fl. 3368DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado dig italmente em 08/04/2016 por ROBSON JOSE BAYERL 14 Conforme informa a autoridade impetrada, a desqualificação dos Certificados de Origem relativos aos produtos chilenos importados, Cogumelos Agaricus, foi fundada em informação de entidade estrangeira, SOFAFA, responsável pela emissão daqueles certificados. À impetrante, portanto, não pode ser vedado o acesso ao processo e documentos que revelam os motivos que levaram a essa desqualificação, em obséquio à publicidade e a ampla defesa garantidas constitucionalmente. Entendo, assim, que o sigilo do processo não pode ser oposto à impetrante, principal interessada, máxime em razão dos certificados de origem dizerem respeito à mercadoria por ela importada. Ante o exposto, defiro a liminar para determinar o fornecimento à impetrante de cópia integral dos processos de investigação que deram origem às ADE’s nº 36 e 37/2012. E, na sentença, sujeita a reexame necessário, após a interposição de embargos de declaração, consignouse, em 09/12/2014: "CONCEDO A SEGURANÇA, para determinar o fornecimento à impetrante de cópia integral dos processos de investigação que deram origem às ADE’s nº 36 e 37/2012. Em consequência, julgo extinto o processo, com resolução de mérito, nos termos do disposto no art. 269, I, do CPC." Em 17/11/2015 o processo estava concluso para relatório e voto no "GAB. DF Souza Prudente". Também em relação ao processo judicial, que objetiva simplesmente a obtenção de cópia do procedimento, não se vê conflito com a matéria em discussão no presente processo administrativo. Ademais, desde a manifestação da autoridade impetrada naquele processo judicial, a empresa já tinha ciência da motivação da desqualificação dos Certificados de Origem, como se percebe pelo relatório, naqueles autos: "A autoridade impetrada apresentou as informações de fls. 196/202, justificando a não aceitação dos Certificados de Origem apresentados pela impetrante, relativo ao produto importado do Chile (fls. 14): 14. O procedimento foi iniciado com a edição do Ato Declaratório Coana n° 2012/25, e 2012/26, culminando com a desqualificação dos certificados de origem por intermédio dos ADE's 2012/36 e 2012/37. O fundamento para desqualificação dos Certificados de Origem, a afirmação da autoridade estrangeira, é inconteste, inclusive conhecido pela própria impetrante. O próprio país estrangeiro afirma que: (I) não foi possível determinar o país de origem dos produtos exportados pelas empresas exportadoras estrangeiras; e mais grave ainda, (II) não foi possível encontrar as empresas nos seus domicílios. Fl. 3369DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado dig italmente em 08/04/2016 por ROBSON JOSE BAYERL Processo nº 10925.721393/201343 Acórdão n.º 3401003.093 S3C4T1 Fl. 3.363 15 15. Temse portanto posicionamento firme do país estrangeiro, e não mera ação leviana, ou suposições, interpretações que superficialmente tenta emprestar a impetrante. 16. Se o próprio país de procedência das mercadorias afirma que não pode determinar sua origem, e mais ainda, sequer encontrar as empresas, a ação da Administração Aduaneira é absolutamente legítima e necessária. Não havia outra conduta a se esperar. 17. Não obstante a afirmação da autoridade estrangeira, uma vez encerrado o procedimento de investigação de origem, se as conclusões não forem satisfatórias para os envolvidos, as Partes Signatárias manterão consultas bilaterais, conforme disposto no art. 22 do Anexo 13 ao ACE 35. (...)" (grifo nosso) É preciso, então, mais uma vez, aclarar que o Certificado de Origem (conforme Art. 10 do Anexo 13 do ACE no 35) é "documento indispensável para a comprovação da origem das mercadorias", e a consequente obtenção de tratamento tributário preferencial na importação, e que "deverá indicar inequivocamente que a mercadoria à qual se refere é originária da Parte Signatária em questão" (Chile). E, após a manifestação da autoridade emissora do Certificado de Origem, resta patente que não se está a atestar qualquer origem. As importações, assim, não fazem jus à redução tarifária. E isso está longe de constituir uma penalidade. É simplesmente a consequência do não atendimento do requisito para a fruição do benefício. Daí a autuação ser motivada (fl. 5) simplesmente no "não reconhecimento da redução do imposto". E para chegar a tal conclusão, sequer é necessário passar por normas infralegais, não havendo violação à legalidade, ou, ainda à legalidade estrita. As normas infralegais invocadas são todas resultantes da competência atribuída no ACE no 35 à autoridade aduaneira. Em virtude do exposto, ausentes as nulidades apontadas em relação a cerceamento de defesa, contraditório e legalidade, inclusive estrita. Sobre a verdade material, e a alegação de que deveriam as autoridades brasileiras e chilenas seguir adiante nas investigações, não se contentando com as informações prestadas pela entidade certificadora oficial chilena de que as empresas não se encontravam em seus domicílios indicados, e que não era possível atestar a origem, cabe ressaltar que a resposta ao questionamento brasileiro foi dada pela SOFOFA, entidade competente para certificar a origem. Tal entidade certifica ou não a origem, e, no caso, reconheceu que os Certificados que havia anteriormente emitido não se prestavam a atestar a origem das mercadorias neles descritas. Não há meios para, nem é papel da Aduana brasileira, obrigar entidade de país estrangeiro a prosseguir no exame da matéria. E a empresa não apresenta qualquer elemento conclusivo sequer para provocar dúvida neste julgador, para que se indicasse medida pericial ou outra, destinada a atestar a efetiva origem das mercadorias, limitandose a anexar fotos e explicações genéricas. Ademais, ainda que fosse demandada perícia, o que aqui se entende como absolutamente desnecessário ao esclarecimento dos fatos, o perito não emitiria um Fl. 3370DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado dig italmente em 08/04/2016 por ROBSON JOSE BAYERL 16 Certificado de Origem nos temos do Anexo 13 do ACE no 35, o que continuaria a deixar as importações ao desamparo do benefício de redução de alíquota. Em relação à segurança jurídica, argumento inaugurado nos recursos voluntários, há que se destacar que a possibilidade de revisão aduaneira encontra expressa guarida na lei (art. 54 do DecretoLei no 37/1966) e no próprio Anexo 13 do ACE no 35, na Seção que trata de "Processos de Verificação e Controle" (Artigos 17 a 22). E não pode este CARF afastar comandos de estatura legal (como atesta a Súmula CARF no 2), ainda que a parte eventualmente os entenda inconstitucionais. Sobre a aparente contradição na decisão da DRJ, porque não foram verificados elementos que apontem a máfé da empresa, e a manutenção do lançamento, temos que novamente resulta de mácompreensão da motivação da autuação. Reiterese que a autuação é motivada simplesmente no "não reconhecimento da redução do imposto", em função de desqualificação de Certificados de Origem. Não se imputa na autuação conduta dolosa. E é exatamente isso que a DRJ toma em conta para afastar a multa de ofício com base no Ato Declaratório Interpretativo SRF no 13/2002 (sequer suscitado pela defesa). Mas em relação aos tributos, a ausência de dolo não tem o condão de provocar seu afastamento. Afinal de contas, as importações foram efetuadas sem o preenchimento dos requisitos para fruição do tratamento preferencial. Ausente, assim a contradição apontada. No mérito, a análise aqui empreendida tornou nítido que a empresa fez leitura equivocada do texto do ACE no 35, às vezes confundindo o procedimento lá estabelecido com o contencioso que se aprecia nestes autos, e, em outras ocasiões, entendendo que aquele procedimento lhe asseguraria participação mais ampla do que efetivamente assegura, ou que eventual reparação pelos prejuízos que a SOFOFA ou outra entidade lhe teriam ocasionado seria resolvida na esfera tributária nacional, e não na esfera civil internacional. É preciso ter em conta, na apreciação desta lide, que os procedimentos de investigação foram efetuados dentro do rito previsto no Anexo 13 do ACE no 35, e que os Certificados de Origem anteriormente emitidos não podem ser aceitos diante da informação oficial prestada pela própria emissora chilena dos Certificados de que além de não ser possível atestar a origem, as empresas sequer foram encontradas nos endereços indicados. Não há outra conclusão possível a não ser a de que a empresa não cumpriu, nas importações objeto da autuação, os requisitos de origem exigidos no Anexo 13 do ACE no 35. E isso tem como consequência a exigência dos tributos que deixaram de ser recolhidos, com os devidos acréscimos legais. No mérito, assim, é clara a procedência da autuação, visto que efetivamente as importações estão desamparadas da devida certificação de origem, requisito indispensável à fruição da redução de alíquotas. 4. Do recurso de ofício No que se refere às razões para exclusão da multa de ofício, reconhecendo apenas a aplicação dos acréscimos moratórios, em função do Ato Declaratório Interpretativo SRF no 13/2002, e à verificação de efetiva ocorrência de duplicidade de lançamento em relação a seis declarações de importação, pela DRJ, nada temos a opor. Fl. 3371DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado dig italmente em 08/04/2016 por ROBSON JOSE BAYERL Processo nº 10925.721393/201343 Acórdão n.º 3401003.093 S3C4T1 Fl. 3.364 17 Efetivamente, verificada a duplicidade, este segundo lançamento deve ser afastado em relação àquelas declarações de importação, pois não se pode exigir duas vezes o mesmo tributo em relação ao mesmo fato. E, no que se refere ao afastamento da multa de ofício, com exigência apenas de acréscimos moratórios, é de se destacar que atende a entendimento consagrado pela própria RFB, a ponto de ser plasmado no referido ato declaratório interpretativo. Tendo em vista tais observações, incumbese negar provimento ao recurso de ofício interposto. 5. Da responsabilidade solidária As importações de que trata o presente processo foram, como se narra na autuação, efetuadas pela empresa FARTURA Alimentos LTDA (FARTURA), tendo como adquirente a empresa NACOM GOYA Indústria e Comércio de Alimentos LTDA (NACOM GOYA). Informa ainda o fisco (fl. 158) que "todas as DI's da tabela do ANEXO I foram feitas por conta e ordem para o adquirente da mercadoria". E ambas as empresas figuram no polo passivo da autuação por força do art. 95 do DecretoLei no 37/1966 e por força 124 do Código Tributário Nacional (CTN). A empresa FARTURA discute a possibilidade de figurar no polo passivo, alegando que, por ser importadora por conta e ordem, mera prestadora de serviços, não tem interferência na negociação das mercadorias. Ocorre que a responsabilidade solidária pelo pagamento do imposto de importação, nas importações por conta e ordem, decorre de disposição expressa de lei, que não pode ser afastada por este tribunal administrativo (em face da já citada Súmula CARF no 2) artigos 31 e 32 do DecretoLei no 37/1966: "Art. 31. É contribuinte do imposto: (Redação pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) I o importador, assim considerada qualquer pessoa que promova a entrada de mercadoria estrangeira no Território Nacional; (Redação pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) (...) Art. 32. É responsável pelo imposto: (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) (...) Parágrafo único. É responsável solidário: (Redação dada pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) (...) c) o adquirente de mercadoria de procedência estrangeira, no caso de importação realizada por sua conta e ordem, por Fl. 3372DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado dig italmente em 08/04/2016 por ROBSON JOSE BAYERL 18 intermédio de pessoa jurídica importadora; (Incluída pela Lei nº 11.281, de 2006) d) o encomendante predeterminado que adquire mercadoria de procedência estrangeira de pessoa jurídica importadora.(Incluída pela Lei nº 11.281, de 2006)" (grifo nosso) Assim, a importação de mercadoria efetuada pela FARTURA (importador por conta e ordem) tendo como adquirente a empresa NACOM GOYA torna ambas as empresas legalmente aptas a figurar validamente no polo passivo da autuação. No caso, sequer é necessária demonstração efetiva (em que pese ela residir nos autos) de que ambas possuem interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal, nos termos do art. 124 do CTN. Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso de ofício e aos recursos voluntários apresentados. Rosaldo Trevisan Fl. 3373DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado dig italmente em 08/04/2016 por ROBSON JOSE BAYERL Processo nº 10925.721393/201343 Acórdão n.º 3401003.093 S3C4T1 Fl. 3.365 19 Voto Vencedor Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira, redator designado Tenho a missão de, neste voto, registrar o entendimento que o Colegiado, em sua maioria, decidiu deveria prevalecer nesta sessão de julgamento, com a máxima vênia com relação ao exposto pelo relator, em seu bem fundamentado voto. No caso, podemos ver que os autos de infração exigem os tributos incidentes sobre as importações, acrescidos de multas e juros, a partir de revisão aduaneira. A autuação está justificada pela desqualificação dos certificados de origem que instruíam essas declarações de importação, ou seja, pela conclusão de que todas essas importações não seriam originárias do Chile, e não fariam jus ao tratamento tarifário dado pelo Acordo internacional. A nosso ver, o auto de infração não logrou comprovar que as mercadorias não foram originadas do Chile, ou que os certificados não poderiam ser considerados válidos, ou que a razão para a emissão dos Atos Declaratórios Executivo ADE COANA 36 e 37, ambos de 2012 (em outubro de novembro desse ano), poderia ser considerada suficiente para justificar que cada uma e todas as 288 importações feitas entre outubro de 2010 e agosto de 2012 se referiam a produtos não originados do Chile. De acordo com o relatado, os Atos Declaratórios em comento partiram da informação prestada pelas autoridades chilenas de que não puderam verificar a origem chilena dos produtos por que as empresas exportadoras não foram localizadas nos domicílios informados. A autoridade fiscal pretende concluir, em procedimento de revisão aduaneira, com base no teor desses atos executivos da COANA, que as 288 importações se deram em condições de absoluta irregularidade quanto à sua origem não ser chilena. Notese que esse atos executivos compõem a fundamentação da autuação, mas ao contribuinte não foi dada oportunidade para contraditálos, em seus efeitos sobre as importações revisadas. E nem a autoridade fiscal ultrapassou o plano formal, para demonstrar que os produtos chilenos poderiam não ser originados do Chile. Ademais, a autoridade chilena não declarou que os produtos não eram originados do Chile, ou que não poderiam ser considerados válidos os certificados de origem emitidos entre 2011 e 2012. Não questionamos a competência da COANA para pretender desqualificar a certificação de origem nos termos previstos no Acordo Internacional em epígrafe. O relator invoca o artigo 10 do Anexo 13 do ACE 35 (transcrito no voto do relator) para explicar por que não há possibilidade de mercadoria aproveitar tratamento preferencial previsto em acordo se a sua origem não for atestada por certificado de origem. Fl. 3374DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado dig italmente em 08/04/2016 por ROBSON JOSE BAYERL 20 De fato, esse artigo do acordo internacional informa que os certificados de origem são indispensáveis para comprovar a origem. Mas ele não permite concluir que se possa afastar o tratamento tarifário simplesmente por que, em momento posterior aos desembaraços aduaneiros, a autoridade estrangeira não localizou as empresas exportadoras em seus domicílios. Recordemos, que é fato, que não está sendo contestado por nenhuma das partes, que os certificados de origem haviam instruído os despachos aduaneiros. Ora, Senhores Conselheiros, o artigo 9o do Decretolei no 37, de 1966, prevê que, "respeitados os critérios decorrentes do ato internacional de que o Brasil participe, entenderseá por país de origem da mercadoria aquele onde houve sido produzida, ou, no caso de mercadoria resultante de material ou mão de obra de mais de um país, aquele onde houve recebido transformação substancial." O Regulamento Aduaneiro, em seu artigo 563, em minha leitura, disciplina que a verificação da origem acolherá qualquer meio julgado idôneo, não se restringindo à formalidade dos certificados de origem. Ou seja, a lei aduaneira estabelece um conceito base de país de origem e admite que haja procedimento para se verificar a origem de determinada mercadoria. O auto de infração não demonstrou que os certificados de origem que instruíram os despachos eram nãoválidos, nem demonstrou que os produtos não eram originários do Chile. Além disso, a integração dos efeitos dos citados atos declaratórios executivos da COANA que desqualificam os certificados de origem por não ter sido localizado o exportador estrangeiro em seu domicílio em sede de revisão aduaneira, deveria comportar oportunidade de a contribuinte contraditálos. Essa decisão preteriu o direito de defesa. Nessa oportunidade, seriam observados os §§ do artigo 117 e o artigo 563, ambos do Regulamento Aduaneiro em vigor. A nosso ver, não se pode cingir a lide unicamente a um debate de direito, desconsiderando a questão probatória. Para não merecer o tratamento tarifário previsto no Acordo Internacional é necessário que o produto não tenha sua origem no país 'beneficiado' pelo Acordo. Concluímos, assim, por essas considerações, que a autuação não logrou trazer elementos para identificar a infração e atender os requisitos para sua validade (artigo 119, I, a, do DL no 37/1966; e artigo 10 c/c inciso II do artigo 59, ambos do Decreto no 70.235, de 1972). Eloy Eros da Silva Nogueira Fl. 3375DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado dig italmente em 08/04/2016 por ROBSON JOSE BAYERL
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Numero do processo: 14485.000527/2007-28
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 08 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Apr 04 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2000 a 31/12/2004
DA CONCOMITÂNCIA DE INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA E JUDICIAL. NÃO CONSTATAÇÃO.
A aplicação da concomitância de instância pressupõe a identidade de objeto litigioso nas discussões administrativa e judicial, fato não evidenciado nos elementos probatórios juntados aos autos.
SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. NULIDADE DA DECISÃO RECORRIDA.
É nula, em razão de supressão de instância, a decisão de primeiro grau que deixa de apreciar pontos fundamentais para o deslinde da contenda apresentados na impugnação.
Decisão Recorrida Nula.
Numero da decisão: 2402-005.095
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, declarar a nulidade da decisão de primeira instância (DRJ), em razão da falta de apreciação de pontos fundamentais para o deslinde da contenda apresentados na impugnação.
Ronaldo de Lima Macedo - Presidente
Kleber Ferreira de Araújo - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Ronaldo de Lima Macedo, João Victor Ribeiro Aldinucci, Natanael Vieira dos Santos, Marcelo Oliveira, Ronnie Soares Anderson, Kleber Ferreira de Araújo e Lourenço Ferreira do Prado.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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NÃO CONSTATAÇÃO. A aplicação da concomitância de instância pressupõe a identidade de objeto litigioso nas discussões administrativa e judicial, fato não evidenciado nos elementos probatórios juntados aos autos. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. NULIDADE DA DECISÃO RECORRIDA. É nula, em razão de supressão de instância, a decisão de primeiro grau que deixa de apreciar pontos fundamentais para o deslinde da contenda apresentados na impugnação. Decisão Recorrida Nula. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 48 5. 00 05 27 /2 00 7- 28 Fl. 706DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/03 /2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, declarar a nulidade da decisão de primeira instância (DRJ), em razão da falta de apreciação de pontos fundamentais para o deslinde da contenda apresentados na impugnação. Ronaldo de Lima Macedo Presidente Kleber Ferreira de Araújo Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Ronaldo de Lima Macedo, João Victor Ribeiro Aldinucci, Natanael Vieira dos Santos, Marcelo Oliveira, Ronnie Soares Anderson, Kleber Ferreira de Araújo e Lourenço Ferreira do Prado. Fl. 707DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/03 /2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 14485.000527/200728 Acórdão n.º 2402005.095 S2C4T2 Fl. 736 3 Relatório Tratase de recurso interposto pelo sujeito passivo contra o Acórdão n.º 16 23.836 de lavra da 13.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento – DRJ em São Paulo I (SP), que julgou improcedente em parte a impugnação apresentada para desconstituir a Notificação Fiscal de Lançamento de Débito n.º 37.011.2024. O crédito em questão referese à exigência das contribuições patronais para a Seguridade Social, inclusive aquela destinada ao financiamento do benefício concedido em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho – GILRAT, além das contribuições destinadas a outras entidades ou fundos (terceiros). Houve também o lançamento das contribuições dos segurados. De acordo com o relatório fiscal, fls. 65/68, os fatos geradores ocorreram com os pagamentos de remunerações a segurados empregados e contribuintes individuais, as quais foram identificadas mediante análise das folhas de pagamento e da escrita contábil. Assevera que foram acostados demonstrativos da composição da base de cálculo, cujos valores encontramse segregados em dois itens de apuração (levantamentos), a saber: a) CNG: verbas salariais contabilizadas e não declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social GFIP; e b) CIN: pagamentos a contribuintes individuais lançadas na contabilidade e também não declaradas na GFIP. Segundo a autoridade lançadora, a empresa não possuía autorização do INSS para gozo de isenção da cota patronal, por isso a utilização do código FPAS 639 (entidade beneficente de assistência social) deuse indevidamente, sendo que o correto e 574 (estabelecimento de ensino). Tal infração seria o motivo da exigência da cota patronal. Cientificado do lançamento em 29/06/2006, o sujeito passivo ofertou impugnação, fls. 109/122, na qual, inicialmente, afirmou que é uma pessoa jurídica de direito privado, constituída em 23/09/1925, que se dedica à prestação de serviços educacionais, culturais e assistenciais de fins filantrópicos, tendo por objetivo propiciar à infância, à adolescência e à população em geral oportunidades de instrução e aprimoramento educacional. Defendeu ser nula a notificação no período de 01/2000 a 11/2001, posto que este lapso já havia sido objeto de verificação fiscal, conforme comprovam as cópias do termo de encerramento de auditoria anterior (doc. 06) e das NFLD lavradas (docs. 07 a 09). Chamou a atenção de que teria se operado a decadência para as contribuições lançadas no exercício de 2000, em consonância com o que dispõe o inciso I do art. 173 do CTN. Fl. 708DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/03 /2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 4 Sustentou que é imune às contribuições incidentes sobre a folha de salários por ser associação constituída para prestar serviços educacionais sem fins lucrativos, declarada de utilidade pública municipal (doc. 10), de utilidade pública estadual (doc. 11) e de utilidade pública federal (doc. 12) e que se encontra registrada no Conselho Nacional de Assistência social desde 1944 (doc. 13), estando sob análise o pedido do certificado (doc. 13). O seu direito a imunidade, alegou, decorre do integral atendimento ao disposto no art. 14 do CTN, uma vez que: não distribui rendas ou patrimônio; aplicou integralmente as suas receitas em seus objetivos institucionais e as escriturou na forma legalmente prescrita. Advogou que a afirmação do fisco quanto a inexistência de requerimento ao INSS não pode atropelar o seu direito constitucional à imunidade. Apresentou jurisprudência, cujo entendimento é de que basta o atendimento do art. 14 do CTN para que as entidades possam gozar do benefício de não recolhimento da cota patronal previdenciária. Mesmo entendendo que são inconstitucionais as exigências do art. 55 da Lei n.º 8.212/1991, afirma que também não deixou de atendêlas. Em razão de ter aderido ao PROUNI, a Impugnante não só postulou novo certificado e o reexame de seus processos junto ao CNAS, como também formulou pedido de isenção das contribuições sociais junto ao Ministro de Estado da Previdência Social (doc. 16), em conformidade com a Medida Provisória n.º. 213/2004, o qual está sob apreciação. Argumentou que a grande maioria das remunerações de contribuintes individuais listadas pelo fisco não se referem a retribuição por serviço prestado, mas a pagamentos por outras causas, a exemplo de bolsas concedidas e verbas de capacitação profissional. Da mesma forma, os prêmios e gratificações concedidos aos empregados não se enquadram no conceito de saláriodecontribuição, por lhes faltar a caráter de habitualidade. Além do mais, o fisco teria considerado como contribuintes individuais diversos dos empregados, o que conduziu a erro na alíquota aplicada. Menciona a ocorrência de duplicidade na apuração, posto que houve o lançamento de contribuições sobre pagamentos que também foram incluídos na apuração que deu ensejo à NFLD n.º 37.011.2032. O então Serviço do Contencioso Administrativo da Delegacia da Receita Previdenciária em São Paulo Sul, determinou a realização de diligência fiscal, fls. 292/296, no sentido de que fosse emitido relatório fiscal substitutivo para esclarecimentos acerca dos pontos questionados na impugnação. O relatório substitutivo encontrase às fls. 301/304. Vejamos quais as principais informações nele contidas: a) apresenta novas planilhas de apuração, as quais foram denominadas: Verbas Salariais (horasextras, prêmios e gratificações); Verbas Salariais (horas extras) e Contribuintes Individuais Livro Diário; Fl. 709DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/03 /2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 14485.000527/200728 Acórdão n.º 2402005.095 S2C4T2 Fl. 737 5 b) as contribuições dos segurados contribuintes individuais não foram descontadas, motivo pelo qual não houve a lavratura de Representação para Fins Penais pelo delito de apropriação indébita; c) apresenta a sistemática de pagamento de horasextras pela empresa e conclui que os valores correspondentes não eram considerados pela empresa como saláriode contribuição; d) os prêmios e gratificações por não serem excepcionados do conceito de saláriodecontribuição devem ser mantidos na apuração; e) afirma que a empresa não era portadora do Registro e do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social, deixando de atender a um dos requisitos do art. 55 da Lei n.º 8.212/1991, sendo procedente à exigência. Mais adiante, fl. 335, há um despacho do auditor fiscal, detalhando ao órgão de julgamento os passos seguidos na diligência. Eis as afirmações: a) as contribuições dos segurados empregados foram excluídas, pelo fato de todos já contribuírem pelo limite máximo do saláriodecontribuição, além de que no cálculo da contribuição dos contribuintes individuais este limite foi respeitado; b) alguns segurados considerados contribuintes individuais, na verdade, eram empregados, por isso foram excluídos da apuração; c) as bolsas de estudo foram expurgadas da base de cálculo; d) houve retificação da rubrica hora extra, para excluir valores que a empresa declarava na GFIP; e) os valores apurados em lançamentos de ação fiscal pretérita foram objeto de abatimento, quando da apuração da NFLD n.º 37.011.2032; f) no relatório substitutivo foi lançado o correto fundamento que enquadraria a empresa no delito de sonegação; g) foram acostados o Termo de Arrolamento de Bens, Relação de Corresponsáveis e Relatório de Vínculos. Cientificada do relatório substitutivo, a entidade apresentou nova impugnação, fls. 366/378, na qual repetiu os mesmos argumentos postos na defesa anterior. A DRJ São Paulo I resolveu converter o julgamento em diligência, fls 383/385, desta feita para que o fisco adotasse providências no sentido de sanear diversas inconsistências verificadas nos demonstrativos anexados ao relatório substitutivo e para que fosse juntada petição inicial de ação proposta pela empresa contra o INSS tratando de imunidade do recolhimento das contribuições sociais. A informação fiscal decorrente desta diligência encontrase às fls. 398/399, na qual o fisco juntou diversos anexos para sanear as inconsistências apontadas pelo órgão de julgamento, além de que foi juntada petição inicial da ação acima mencionada. Fl. 710DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/03 /2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 6 Em sua resposta aos termos da informação fiscal, fls. 494/502, a empresa manifestouse alegando que: a) o agente do fisco não se manifestou sobre a decadência, a qual atingiria o período até 31/12/2000; b) o § 3.º do art. 126 da Lei n.º 8.212/1991, que trata da renúncia ao contencioso para os contribuinte que postulem no judiciário pedido com objeto idêntico ao tratado no processo administrativo, não se aplica à espécie, haja vista que a sua ação judicial possui caráter preventivo, ao passo que as impugnações administrativas têm natureza repressiva. Nesse sentido não há de se reconhecer a concomitância entre as lides judicial e administrativa; c) ao não juntar novos discriminativos do débito às planilhas geradas nas diligências, o fisco deixou de transmitir claramente à impugnante a origem do débito, prejudicando, por conseguinte, o seu direito à ampla defesa e ao contraditório; d) também foi negligenciada a obrigação de informar ao contribuinte a metodologia e os critérios adotados para se chegar as bases de cálculo retificadas; e) o agente fiscal deixou de se pronunciar claramente acerca dos valores apurados em duplicidade, em razão de haver sobreposição de fiscalizações sobre um mesmo período; f) afirma que se mantém o erro de alíquota por incorreto enquadramento de segurado empregado como contribuinte individual, além de exigência de contribuição sobre gratificações,as quais não podem ser tratadas como remuneração. Na decisão de primeira instância, fls. 565/582, foi reconhecida a decadência para o período de 01 a 11/2000 e 13/2000 (13.º salário), por aplicação do inciso I do art. 173 do CTN. Entendeu o órgão recorrido que não caberia o enfrentamento da tese da imunidade, uma vez que a empresa, por haver postulado no Judiciário ação visando ao reconhecimento da sua condição de imune, teria renunciado à discussão dessa matéria no contencioso administrativo. Foi afastada a suscitada afronta ao princípio da ampla defesa, por entender a DRJ que o lançamento, além de revestido das formalidades legais, possibilitou ao contribuinte a perfeita compreensão da origem das quantias exigidas. Também se enfatizou que as diligências foram executadas de forma a esclarecer e sanear falhas apresentadas pelo sujeito passivo em suas manifestações, o que garantiu a higidez do procedimento fiscal. Acerca do pedido de anulação do período de 01/2000 a 11/2001, o órgão a quo defendeu que não há o que se falar em duplicidade ou revisão de lançamento, haja vista que a ação fiscal pretérita não alcançou os lançamentos contábeis do período, conforme atesta o Termo de Encerramento Fiscal acostado na defesa. Sobre as correções efetuadas por ocasião das diligências, a DRJ asseverou que estas serviram para eliminar vícios passíveis de saneamento, os quais não implicam em nulidade, mas tão somente em retificação dos valores lançados, o que é permitido pela legislação. Fl. 711DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/03 /2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 14485.000527/200728 Acórdão n.º 2402005.095 S2C4T2 Fl. 738 7 Por fim foi indeferido o requerimento para juntada de novas provas, por entender a DRJ que não se verificou nenhuma das exceções previstas no § 4° do art. 16 do Decreto n° 70.235/1972. Concluise que a impugnação mereceria o provimento parcial para afastar o período decadente e retificar os valores conforme proposta do fisco em sede de diligência. Inconformado, o contribuinte interpôs recurso voluntário, fls. 587/608, no qual, alegou que: a) o lançamento é nulo para o período de 01/2000 a 12/2001, haja vista que já havia sido objeto de fiscalização anterior, onde foram lavradas as NFLD n.º 35.132.5794, 35.132.5808 e 35.132.5816; b) a nulidade deve ser reconhecida, posto que o fisco não demonstrou a ocorrência de quaisquer das hipóteses legais que pudessem autorizar a revisão de lançamento; c) ao contrário do que consta na decisão recorrida, o Livro Diário n.º 11 foi sim objeto de análise na auditoria anterior, conforme comprova relatório de NFLD lavrada na ocasião; d) devese reconhecer a decadência dos fatos geradores ocorridos em 2000, inclusive as competências de 12/2000 e 13/2000, nos termos do artigo 173, I, combinado com o artigo 156, V, ambos do CTN; e) é uma entidade educacional sem fins lucrativo e, por atender aos requisitos constantes do art. 14 do CTN, é imune ao recolhimento das contribuições lançadas, nos termos do § 7.º do art. 195 da Carta Magna; f) em razão de ter aderido ao PROUNI, a recorrente não só postulou novo certificado e o reexame de seus processos junto ao CNAS, como também formulou pedido de isenção das contribuições sociais junto ao Ministro de Estado da Previdência Social, como comprova documento acostado aos autos do processo administrativo em epígrafe, em conformidade com a Medida Provisória n°. 213/2004, o qual está sob apreciação; g) é no mínimo incoerente não reconhecer a qualidade de entidade beneficente de assistência social a uma instituição de educação que executa ação de assistência social no bojo de um programa criado pela própria União desde o primeiro semestre de 2005, ou seja, há mais de três anos ininterruptos; h) deixar de reconhecer a entidade notificada como beneficiária da imunidade apenas pela demora na aquisição do certificado expedido pelo Conselho Nacional de Assistência Social é dar mais valor ao formalismo que aos ditames da Lei Maior; i) É cabível, portanto, a juntada de prova documental posterior à impugnação e por tal motivo a Recorrente pugna pela apresentação do Certificado de Entidade de Assistência Social (CEAS) até julgamento definitivo; j) não deve prevalecer o entendimento de que houve renúncia à instância administrativa pela concomitância de objeto com ação judicial. É que a ação declaratória visa impedir a violação de um direito, objetivando principalmente a declaração da existência, ou Fl. 712DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/03 /2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 8 inexistência de uma relação jurídica enquanto que o presente recurso visa reparar o direito violado com a finalidade de anular o débito ora discutido; h) caso se entenda pela manutenção da multa, que seja reduzida à metade, em obediência aos princípios da proporcionalidade e da razoabilidade, uma vez que as contribuições foram classificadas como declaradas em GFIP, nos termos da própria decisão atacada, além de que a notificada não agiu com intuito doloso de fraudar o fisco; i) não foram retificadas as incorreções presentes no relatório fiscal substitutivo, mantendose no lançamento vícios graves que prejudicam o direito de defesa da recorrente; j) embora tenham sido apresentadas planilhas de retificação, o sujeito passivo não tomou conhecimento do Discriminativo Analítico do Débito DAD e nem do Discriminativo Sintético do Débito DSD, ficando impossibilitado de conhecer o reais valores devidos do tributo e da multa; k) acerca dos vícios apontados pela recorrente durante toda a marcha processual, o fisco deixou de transmitir com clareza e precisão a origem do débito, prejudicando o seu direito à ampla defesa e ao contraditório. Ao final pugna pelo provimento integral do recurso, pela juntada, se necessário, de novos elementos e pela realização de sustentação oral. É o relatório. Fl. 713DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/03 /2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 14485.000527/200728 Acórdão n.º 2402005.095 S2C4T2 Fl. 739 9 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Relator Admissibilidade O recurso merece conhecimento, posto que preenche os requisitos de tempestividade e legitimidade. Inocorrência de concomitância total entre discussão judicial e administrativa A DRJ, por aplicação do § 1.° do art. 123 da Lei n.° 8.213/1991, deixou de apreciar a totalidade das alegações da empresa referentes à imunidade frente ao recolhimento das contribuições sociais. Segundo o entendimento do órgão a quo, o sujeito passivo propôs no Judiciário ação com objeto idêntico àquele apresentado no processo administrativo fiscal, qual seja, o direito a não recolher as contribuições patronais. Compulsando os autos, verifiquei a petição inicial da ação, fls. 407/443. Ali buscase garantir o não recolhimento das contribuições patronais sob o argumento de que a entidade cumpre os requisitos do art. 114 do CTN, que é a norma aplicável para aferir o direito ao benefício fiscal, uma vez que o art. 55 da Lei n.° 8.212/1991 é inconstitucional por veicular matéria reservada pela Carta Magna a lei complementar. Na impugnação, fls. 109/222, observase que a notificada também alega a inconstitucionalidade do art. 55 da Lei n.° 8.212/1991, todavia, assevera que, mesmo diante desse vício, cumpre os requisitos ali enunciados, além de haver aderido ao PROUNI, o que lhe garantiria a imunidade pleiteada. De acordo com o enunciado no 1 de Súmula Vinculante do CARF (Portaria do Ministério da Fazenda no 383, de 14/07/2010), o contribuinte tem o direito de se defender na esfera administrativa, mas, caso tenha ingressado na via judicial para pleitear o mesmo objeto litigioso, a consequência jurídica é que a renúncia da via administrativa, levando o seu caso diretamente ao Poder Judiciário, ao qual cabe dar a última palavra quanto à interpretação e à aplicação do Direito e, por consectário lógico do principio da jurisdição una no sistema brasileiro, isso importará em não conhecimento do recurso na via administrativa. Súmula CARF no 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.(grifei) Registrase que a aplicação desse enunciado e da legislação que dispõe sobre a concomitância de instâncias administrativa e judicial, tais como o art. 38, parágrafo único, da Fl. 714DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/03 /2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 10 Lei 6.830/1980 e o art. 126, §3º, da Lei 8.213/1991, não é efetuada automaticamente, observandose somente a propositura de ação judicial pelo contribuinte, há de se verificar sempre a identidade de objeto nas discussões administrativas e judicial, para se adotar os seus comandos impositivos. Isso porque a identidade do objeto litigioso deverá ser constatada caso a caso, de modo a identificar as semelhanças fáticas e jurídicas das questões postuladas nas instâncias administrativa e judicial. Nesse sentido, tanto a doutrina como a jurisprudência do STJ (EDcl no REsp 840.556/AM) afirmam que quando a demanda administrativa versar sobre objeto menor ou idêntico ao da ação judicial estará caracterizada a concomitância de instância, nas palavras de Leandro Paulsen: “(...) o ato administrativo pode ser controlado pelo Judiciário e que apenas a decisão deste é que se torna definitiva, com o trânsito em julgado, prevalecendo sobre eventual decisão administrativa que tenha sido tomada ou pudesse vir a ser tomada. (...) Entretanto, tal pressupõe a identidade de objeto nas discussões administrativa e judicial”. (Leandro Paulsen e René Bergmann Ávila. Direito Processual Tributário. 8a ed. Porto Alegre: Livraria do Advogado, 2014, p. 560). No caso dos autos, o objeto da peça recursal, na parte relativa à imunidade, versa, em síntese, sobre as seguintes questões: a) inconstitucionalidade da Lei n.° 8.212/1991, com verificação da condição de imune pelas normas do art. 14 do CTN; b) cumprimento do art. 55 da Lei n.° 8.212/1991; c) benefício fiscal obtido com adesão ao PROUNI. Por sua vez, o objeto litigioso da ação judicial restringese à discussão mencionada no item "a", acima. Diante do cotejo das questões postuladas na via administrativa e judicial, verificase que a ação judicial é menos abrangente que o recurso administrativo, portanto, de se concluir que as questões relativas à imunidade mencionadas nos itens "b" e 'c" não podem ser alcançadas pela concomitância, posto que tratadas apenas no PAF. Nesse sentido, a DRJ, ao deixar de apreciar essas questões incorreu em omissão de pontos essenciais que deveriam ter sido enfrentados para o deslinde da contenda. Nesse sentido, não pode a turma do CARF apreciar essas matérias sob pena de incorrer na indesejável supressão de instância, com claro prejuízo ao sujeito passivo, que deixa de ver apreciadas razões relevantes do seu inconformismo nas duas instâncias de julgamento administrativo. Nesse passo, o caminho viável para afastar a mencionada omissão é a determinação de nulidade da decisão recorrida, com retorno dos autos à primeira instância para prolação de novo acórdão. É assim que têm sido encaminhadas questões dessa natureza pelas turmas do CARF, como se pode ver do recente aresto dessa turma: "Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Anocalendário: 1998 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL E DECISÃO JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA PARCIAL. SÚMULA CARF Nº 1. Fl. 715DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/03 /2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 14485.000527/200728 Acórdão n.º 2402005.095 S2C4T2 Fl. 740 11 Restando comprovado haver o contribuinte ter estabelecido litígio no Poder Judiciário cujo objeto abarca parte da matéria submetida à apreciação em processo administrativo, deve ser aplicada a Súmula CARF nº 1: "importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial", dada a prevalência do entendimento emanado naquela esfera sobre eventual decisão administrativa. FALTA DE APRECIAÇÃO DAS RAZÕES RECURSAIS. CERCEAMENTO DE DEFESA. NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRO GRAU. A falta de apreciação, por parte do acórdão de primeiro grau, de razões recursais aptas a ensejar a reforma ou cancelamento da exigência, implica em cerceamento de defesa via supressão de instância e violação da garantia de recorribilidade das decisões. Decisão Recorrida Nula." Acórdão n.° 2402004.733, de 09/12/2015 Assim, encaminho pela declaração de nulidade da decisão a quo. Conclusão Voto por anular a decisão de primeira instância. Kleber Ferreira de Araújo. Fl. 716DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/03 /2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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Numero do processo: 10435.000086/2005-37
Turma: Segunda Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Fri Jul 28 00:00:00 UTC 2006
Ementa: PIS/PASEP. DÉBITO DECLARADO EM DCTF. MULTA DE
OFÍCIO. INAPLICABILIDADE.
Os débitos declarados em DCTF e não pagos tempestivamente
devem ser objeto de remessa para Dívida Ativa da União,
ficando sujeitos à multa de mora, sendo inaplicável a multa de
oficio, consoante determina o art. 3 2 da MP n2 75/2002, que
alterou a redação do art. 90 da MP n2 2.158-35/2001.
JUROS DE MORA. TAXA SELIC.
de mora incidentes sobre o crédito tributário não
o prazo legal estão estabelecidos no art. 13 da Lei n2
9.065 consoante permissivo legal do § 1 2 do art. 161 do
CTN.
Recurso provido em parte.
Numero da decisão: 202-17.236
Decisão: ACORDAM os Membros da Segunda Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto da Relatora.
Matéria: DCTF_PIS - Auto eletronico (AE) lancamento de tributos e multa isolada (PIS)
Nome do relator: Maria Cristina Roza da Costa
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DÉBITO DECLARADO EM DCTF. MULTA DE OFÍCIO. INAPLICABILIDADE. Os débitos declarados em DCTF e não pagos tempestivamente devem ser objeto de remessa para Dívida Ativa da União, • ficando sujeitos à multa de mora, sendo inaplicável a multa de oficio, consoante determina o art. 3 2 da MP n2 75/2002, que alterou a redação do art. 90 da MP n2 2.158-35/2001. *ROS DE MORA. TAXA SELIC. • s de mora incidentes sobre o crédito tributário não rec. tid. • o prazo legal estão estabelecidos no art. 13 da Lei n2 9.065 consoante permissivo legal do § 1 2 do art. 161 do CTN. Recurso pr e idnn parte. Vistos, relatados e discutidos os pr entá autos de recurso interposto por BONANZA SUPERMERCADOS LTDA. ACORDAM os Membros da Segunda Câuara do Segundo Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em dar proviment arcial ao recurso, nos termos do voto da Relatora. Sala d.. Sessões, em 28 de julho de 2006. "ff r • o io Carlos Atulim Presidente - e„,;.; \\. ana Cristina Roza•D•C‘sta Relatora Participaram, ainda, do presente julgamento os Conselheiros Gustavo Kelly Alencar, Nadja Rodrigues Romero, Ivan Allegretti (Suplente), Antonio Zomer, Simone Dias Musa (Suplente) e Maria Teresa Martínez López. 1 .. , 22 CC-MF •.- - Ministério da Fazenda Fl. '07 ...,' \g"- Segundo Conselho de Contribuintes •i ->„,,, Processo n2 : 10435.000086/2005-37 Recurso n2 : 130.933 Acórdão n2 : 202-17.236 Recorrente : BONANZA SUPERMERCADOS LTDA. ‘2) ,49 RELATÓRIO -..:; (-- Trata-se de recurso voluntário apresentado contra decisão proferida pela 2 2 Turma de Julg. z to da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Recife - PE. ,!,, ' e wonomia processual reproduzo abaixo o relatório da decisão recorrida: " • .tã a empresa acima qualificada foi lavrado o Auto de Infração, a seguir espect . ad • para exigência de crédito tributário relativo à Contribuição para o Programa s'ib tegração Social (PIS), período de apuração junho de 1997. 1 (.) 2. O lançamento o efetuado em vista de falta de recolhimento ou pagamento do principal e declaras so"&exata, como também faz constar o enquadramento legal, conforme se verifica no s‘.\4e infração n° 0000151, fls. 04/05. 3.Inconformada, a contrib — :' sresentou peça impugnatária à fl. 02, onde alega que o mencionado débito foi objeto s :.(s, 1 s 'n ação de acordo com o Pedido de Compensação anexo ao Processo n°10435.000: ' 4 0- 5." Apreciando as razões postas na i iugnação, o Colegiado de primeira instância proferiu decisão julgando procedente o lançament• consoante relato contido no voto, como segue: "Entende a autuada que por pleitear cres *tos em processo administrativo de compensação já teria o direito assegurado. Contus s para ter direito à compensação, o crédito tem que ser líquido e certo. Entretanto, à époc • 'a lavratura do Auto de Infração, a contribuinte não havia efetuado o recolhimento devi. s e nem estava amparada por decisão definitiva administrativa e ou decisão 'udicial ansitada em Sul!ado que determinasse a extinção da Contribuição para o Programa s - Integração Social - PIS por meio de compensação com créditos decorrentes de pagamen s a maior ou indevido ou gerados de valores a serem ressarcidos/restituídos, definitiva -nte reconhecidos. Como a Defendente não comprovou ter crédito a compensar por s cisão definitiva administrativa ou judicial transitada em julgado, tal alegação não pode pr erar." \xp\t Intimada a conhecer da decisão em 14/06/2005, a interessada, insurre k contra seus termos, apresentou, em 13/07/2005, recurso voluntário a este Egrégio Consenn . de Contribuintes, com as seguintes razões de improcedência total do auto de infração e da dec -0 singular, alegando em recurso: a) cerceamento do direito de defesa em razão da indicação de um amontoado de dispositivos legais, dentre os quais não sabe de qual se defender; b) decadência do direito de o Fisco lançar a exigência, uma vez que o fato gerador ocorreu em junho de 1997, cuja homologação tácita ocorreu em 2001, havendo tomado ciência do aviso de cobrança em 22/01/2002, quando ocorridos mais de cinco anos do fato gerador; & 2 29 CC-MF • Ministério da Fazenda FI. Segundo Conselho de Contribuintes Processo nst : 10435.000086/2005-37 Recurso nst : 130.933 Acórdão n : 202-17.236 c) inaplicabilidade da taxa Selic como juros de mora, uma vez que o § 1 2 do art. 161 do CTN não admite percentual superior a 1%; e d) inconstitucionalidade da aplicação da taxa Selic nas relações tributárias, por o se constituir em índice criado por lei, conforme pronunciamento já realizado pelo STF. Alfim, requer seja declarada a nulidade da denúncia fiscal diante do cerceamento do dire o de defesa e decadência, bem como que, em caso de dúvida, a norma jurídica seja interpreta., de forma mais favorável à recorrente, nos termos do art. 112 do CTN. Requer, também, a • odução de provas por todos os meios permitidos em direito, inclusive juntada posterior de pro as, perícia e diligência. A a . • ridade preparadora informa a efetivação da garantia da instância recursal, conforme fl. 52. É o relatóri. o \S`ç) • 3 Q • Ministério da Fazenda 2 CC-MF Fl. '<x, Segundo Conselho de Contribuintes • Processo n2 : 10435.000086/2005-37 Recurso nft : 130.933 Acórdão n : 202-17.236 VOTO DA CONSELHEIRA-RELATORA • MARIA CRISTINA ROZA DA COSTA O recurso voluntário atende aos requisitos legais exigidos para sua . dmissibilidade e conhecimento. Trata-se de lançamento eletrônico n2 000151, de exigência da contribuição para o PIS, - erente à filial 0017, cuja descrição dos fatos é "falta de recolhimento ou pagamento do princip. declaração inexata, conforme Anexo III". anexo Ia, de fl. 06, aponta: d• débito informado na DCTF com vinculação de DARF" - R$968,69; "DA' /- firmado"; "data de -kfcAnento" - 15/07/1997; ‘-1 "valor confir • o" - R$96,86; "saldo em aberto" 38j5k,83; "situação do DARF'; \S' "pgto não localizado" e o gm. pendência de MM e de JM'. No anexo III, de fl. 07, apon \omo período de apuração 01-06/1997, como data de vencimento 15/07/1997 e como débito •'•1 n.,:•41 a pagar o valor do principal lançado: R$ 871,83, multa de oficio de 75% e juros de mo : ' ;:lculados até 28/02/2002. Portanto, trata-se de débito declarado - • I) TF para o qual consta valor de Darf confirmado correspondente a 10% do valor declarado. • isxl• não se defende a recorrente. Quanto à decadência, verifica-se, de pronto,recorrente equivocou-se na forma de calcular o prazo decadencial. O referido prazo tem o dies a quo no dia 01/07/1 '55--; o dies ad quem no dia 30/06/2002. Portanto, a ciência do aviso de cobrança em 22/01/200 ' • tinguiu a contagem do prazo decadencial, impedindo que operassem seus efeitos. Quanto ao lançamento de oficio, por referir-se a período de . • uração relativo ao mês de junho de 1997, foi observado o disposto no art. 90 da Medida Provisár n° 2.158-35, de 24/08/2001, que determinou que "as diferenças apuradas, em declaração presta, • pelo sujeito passivo, decorrentes de pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de e :ibilidade, indevidos ou não comprovados, relativamente aos tributos e às contribuições administr • os pela Secretaria da Receita Federal", seriam objeto de lançamento de oficio. Entretanto, modificação legislativa posterior, introduzida pela Medida Provis ia n2 75, de 24/10/2002, determinou que "A aplicação do disposto no art. 90 da . Medida Provisóri • n o 2.158-35, de 24 de agosto de 2001, fica limitada aos casos em que as diferenças apuradas decorrem de: 1- na hipótese de compensação, direito creditório alegado com base em crédito: a) de natureza não tributária; b) não passível de compensação por expressa disposição normativa; c) inexistente de fato; d) fundados em documentação falsa;". 4 is - . ',- 22 CC-MF Ministério da Fazendak-,-"---z• -.. I'L Fl. Segundo Conselho de Contribuintes Processo n-q : 10435.000086/2005-37 Recurso 1)1 12 : 130.933 Acórdão 119- : 202-17.236 Tratando-se de crédito tributário não definitivamente julgado, deve ser aplicado o disposto no art. 106 do CTN, em razão da aplicação de penalidade mais gravosa, prevista na legislação que motivou o ato administrativo do lançamento de oficio. 1 Desse modo, por se tratar de lançamento de oficio efetuado com base em valores 1 de . ados pela recorrente, bem como por inexistir na peça recursal defesa no sentido de negar, I exting . • r, modificar o direito da Fazenda em exigir o tributo identificado nos presentes autos, entendo e - va • 'esmo ser mantido. -4. n pf to à multa de oficio, pelo mesmo motivo acima exposto - débito declarado - entendo que dev- ezpicc ida, em face da alteração legislativa que limitou a aplicação do art. 90 p4da MP n2 2.158-35 ' ex; 98os nos quais não se inclui o ora analisado, por força do disposto no citado art. 106, inciso :ema "c", do CTN, o qual aplica a lei a ato ou fato pretérito quando houver cominação de pe $ iqájle menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, como se vê no prese -c49pf Por oportuno, de ,"%cr lembrado que o não pagamento tempestivo de tributo devidamente declarado em DCTF d. ir.¡Fm, automaticamente, à aplicação da multa de mora. Quanto à Taxa Referenci. it Sistema Especial de Liquidação e de Custódia - Selic, saliente-se que sua cobrança está em . e krmidade com a autorização contida no art. 161, § 12, do Código Tributário Nacional, e vis. ,riicamente, ressarcir o Tesouro Nacional do rendimento do capital que permaneceu à disposiç ... d!ntribuinte, no período de tempo até seu efetivo recolhimento. No presente caso, os arts. 84 da Lei n2 8. ' : .(2-A - 01/01/95, c/c o art. 13 da Lei n2 9.065/95, e os arts. 26 da MP n2 1.542/96, 30 da MP n2 1.7 I -9N--- reedições e 61, § 32, da Lei n2 9.430/96, dispõem de forma diversa, razão pela qual não merec - ero a a ecisão recorrida. Observe-se que, relativamente aos débitos da F. , -4%Nacional para com o • contribuinte, esta também é a taxa aplicada, até que seja efetivada, por .Ekekt ófgão tributante, a restituição ou compensação do tributo. Desta forma, a aplicação da t. . &etre, com base no citado diploma legal, combinado com o art. 161, § 1 2, do Código Tributário , acional, não sofre de qualquer mácula de ilegalidade. Com as considerações acima, voto por dar provimento parcial .o recurso voluntário para excluir a multa de oficio. Sala das Sessões, em 28 de julho de 2006. 4.4... ARIA CRISTINA RO dA COSTA • . • J\ 5 Page 1 _0027000.PDF Page 1 _0027100.PDF Page 1 _0027200.PDF Page 1 _0027300.PDF Page 1
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Numero do processo: 10320.720066/2007-35
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Jan 29 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Apr 18 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2003
PAF. NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. INOCORRÊNCIA.
Não é nulo acórdão de primeira instância que simplesmente reproduz legislação que rege matéria suscitada pelo Contribuinte em sua impugnação.
ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL (ADA). OBRIGATORIEDADE.
A partir do exercício de 2001, para os contribuintes que desejam se beneficiar da isenção da tributação do ITR, a apresentação do ADA passou a ser obrigatória (ou a comprovação do protocolo de requerimento daquele Ato, junto ao Ibama, em tempo hábil), por força da Lei nº 10.165, de 28/12/2000.
IMUNIDADE RECÍPROCA. INAPLICABILIDADE
Incabível se cogitar em imunidade recíproca prevista na Constituição Federal, quando não restar comprovado nos autos que o imóvel integra o patrimônio do Estado.
Numero da decisão: 2201-002.832
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar alegada e, no mérito, negar provimento ao recurso.
Assinado Digitalmente
EDUARDO TADEU FARAH Relator
Assinado Digitalmente
CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI - Presidente em Exercício.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI (Presidente em exercício), MARCIO DE LACERDA MARTINS (Suplente convocado), IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, MARIA ANSELMA COSCRATO DOS SANTOS (Suplente convocada), EDUARDO TADEU FARAH, MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ. Ausente, justificadamente, o Conselheiro HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR (Presidente).
Nome do relator: EDUARDO TADEU FARAH
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NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. INOCORRÊNCIA. Não é nulo acórdão de primeira instância que simplesmente reproduz legislação que rege matéria suscitada pelo Contribuinte em sua impugnação. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL (ADA). OBRIGATORIEDADE. A partir do exercício de 2001, para os contribuintes que desejam se beneficiar da isenção da tributação do ITR, a apresentação do ADA passou a ser obrigatória (ou a comprovação do protocolo de requerimento daquele Ato, junto ao Ibama, em tempo hábil), por força da Lei nº 10.165, de 28/12/2000. IMUNIDADE RECÍPROCA. INAPLICABILIDADE Incabível se cogitar em imunidade recíproca prevista na Constituição Federal, quando não restar comprovado nos autos que o imóvel integra o patrimônio do Estado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar alegada e, no mérito, negar provimento ao recurso. Assinado Digitalmente EDUARDO TADEU FARAH – Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 32 0. 72 00 66 /2 00 7- 35 Fl. 598DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 2 Assinado Digitalmente CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Presidente em Exercício. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI (Presidente em exercício), MARCIO DE LACERDA MARTINS (Suplente convocado), IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, MARIA ANSELMA COSCRATO DOS SANTOS (Suplente convocada), EDUARDO TADEU FARAH, MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ. Ausente, justificadamente, o Conselheiro HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR (Presidente). Relatório Trata o presente processo de lançamento de ofício relativo ao Imposto Sobre a Propriedade Territorial Rural ITR, exercício 2003, consubstanciado na Notificação de Lançamento (fls. 01/04), pela qual se exige o pagamento do crédito tributário total no valor de R$ 99.020,81, relativo ao imóvel denominado “Gleba Alegria”, cadastrado na RFB sob o nº 5.971.6347, com área declarada de 11.445,0 ha, localizado no Município de Mirador/MA. A fiscalização glosou a área declarada de preservação permanente de 11.445,0 ha, correspondente a área total do imóvel. Cientificado do lançamento, o interessado apresentou tempestivamente Impugnação, alegando, conforme se extrai do relatório de primeira instância, verbis: informa que arrematou o imóvel, em ação de execução, com base em laudo técnico elaborado por um de seus técnicos, que, infelizmente foi vitima de engodo, por ocasião da vistoria, posto que lhe foi apresentado um imóvel que na verdade não se referia ao imóvel em questão; esclarece que foi, então, elaborado um segundo laudo técnico, para avaliar e medir a área do imóvel, tendo o técnico constatado que a Fazenda Alegria encontrase encravada no Parque Estadual do Mirador, no Maranhão e por isso elaborou Noticia Crime, endereçada à Procuradoria Geral de Justiça/MA, na qual se narrou a situação, inclusive juntando o Decreto Estadual n° 7.461/1980, constatando que as terras do Parque são todas terras devolutas pertencentes ao Estado do Maranhão e que não poderiam vincularse a patrimônio de particular; considera que, no caso, todos os títulos de domínio existentes são nulos, sendo, consequentemente, nulas, a hipoteca e a arrematação, bem como as inscrições do imóvel efetuadas perante a RFB, ressaltando que o negócio jurídico nulo não produz qualquer efeito no mundo jurídico, já que a nulidade é de ordem pública e de alcance geral, pode e deve ser decretada de oficio, a requerimento dos interessados e até mesmo do MP; conclui que não detém a propriedade do imóvel, por se tratar de terras devolutas pertencentes ao Estado do Maranhão, integrante da área do Parque Mirador; Fl. 599DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10320.720066/200735 Acórdão n.º 2201002.832 S2C2T1 Fl. 3 3 considera que a Notificação foi expedida por entender a autoridade fiscal que não comprovou a isenção da área declarada de preservação permanente, por meio do ADA, laudo técnico ou certidão de órgão público competente, contudo, ocorre que apresentou, tempestivamente, Laudo Técnico elaborado por profissional competente, além de cópia da noticia crime, já mencionada; ressalta que há jurisprudência emanada do 3° Conselho de Contribuintes, no sentido de que não encontra base legal a exigência de que as áreas declaradas de preservação permanente somente sejam reconhecidas mediante ADA, podendo tal comprovação ser efetuada mediante laudo técnico elaborado por profissional competente; entende que a prova da existência das áreas de preservação permanente é robusta, consubstanciada no Relatório Técnico Avaliação e Medição do imóvel, salientando que, conforme se vê nas “Conclusões e Considerações Finais”, o imóvel encontrase totalmente dentro da área do Parque Estadual do Mirador, pertencente ao Governo do Estado do Maranhão, inclusive, faz parte do Relatório, o Mapa Geográfico e Mapa de uso atual dos solos; requer a nulidade da Notificação pelo fato de a fiscalização ter ignorado o laudo técnico, que foi elaborado por profissional capacitado, com estrita observância das normas técnicas, sem proceder verificação das áreas de preservação permanente; entende que, da mesma forma padece de nulidade a Notificação, considerando que ela, segundo a autoridade fiscal, foi lavrada por não ter o impugnante, no seu entender, atendido a intimação para apresentar a documentação comprobatória da área de preservação permanente; salienta que atendeu, tempestivamente, à intimação, apresentando o laudo técnico e demais documentos, os quais comprovam a existência da área de preservação permanente, razão pela qual requerse a nulidade da Notificação; requer que, na hipótese desta DRJ reconhecer a nulidade apontada, e na hipótese de decidir o mérito a seu favor a quem aproveita, considerando se que o mérito da demanda encontra se justo e bem fundamentado, que não a pronuncie nem mande repetir o ato ou suprir a falta, nos exatos termos do §3°, do art. 59, do Decreto nº 70.235/72; entende que o §7°, art. 10, da Lei nº 9.393/96 dispõe que é suficiente a declaração do contribuinte para exclusão das áreas de proteção ambiental, dispensando qualquer comprovação prévia e dispensando, assim, a apresentação do ADA, ficando o declarante responsável pelo pagamento do imposto correspondente com juros e multa, caso fique comprovado que a sua declaração não é verdadeira; Fl. 600DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 4 salienta que não restou comprovado pela fiscalização que a sua declaração não é verdadeira, ou seja, não havendo o devido processo de verificação a fim de que fosse constatada a existência da área de preservação permanente declarada; entende que não existe no ordenamento jurídico base legal a justificar a autuação procedida sobre as áreas de preservação permanente, posto que, independentemente de qualquer ato declaratório, seja do Fisco ou de qualquer outro órgão administrativo, tais áreas devem ser obrigatoriamente preservadas, e, portanto, necessariamente isentas do ITR; salienta que admitir que a não apresentação do ADA possa impedir a isenção do ITR, equivale a incentivar a utilização de áreas que devem ser preservadas, o que redundaria em crime ambiental; considera que a fiscalização fundamentou a Notificação no art. 170, §1º, da Lei nº 6.938/91, com a redação dada pela Lei nº 10.165/2000, entretanto, não se pode admitir que a partir da entrada em vigor desse dispositivo houvesse fundamento para a exigência do ADA como condição prévia para o reconhecimento de isenção do ITR, mesmo porque referida exigência estaria tacitamente revogada em face do §7º, art. 10, da Lei nº 9.393/96, que dispensa a comprovação prévia das áreas ambientais para fins de isenção do ITR; expõe que a fiscalização, também, fundamenta a Notificação no art. 10, §3°, do RITR, todavia, o Decreto n° 4.382/2002 tem o condão, tãosomente, de regulamentar a Lei nº 9.393/96, que determinou a isenção do ITR, não podendo um Decreto estabelecer mais do que a própria lei, a propósito de regulamentála, sendo que a Lei nº 9.393/96 não autoriza, em nenhum momento, a apresentação do ADA; considera, ainda, que a IN SRF n° 256/2002, também, repete no seu art. 10, §3º, a obrigatoriedade de apresentação do ADA para efeito de excluir da área tributável, as áreas de preservação permanente, regra esta que não encontra amparo no art. 10 da Lei nº 9.393/96; reitera que, de acordo com a Lei nº 9.393/96, a exigência de ato declaratório existe somente com relação às alíneas "h" e "c" do inciso II do §1º do art. 10, já em relação à alínea "a" do inciso II do §1° desse dispositivo legal, não existe essa obrigatoriedade, mesmo porque referida alínea faz menção expressa à Lei n° 4.771/65, na qual já se encontram definidas as áreas de preservação permanente e de reserva legal; observa que no art. 2° da Lei nº 4.771/65, resta consignado que as terras ali previstas são consideradas de preservação permanente “pelo só efeito desta Lei”, o que afasta a obrigatoriedade de qualquer outra comprovação; reitera que o imóvel é composto integralmente por áreas de preservação permanente, na forma do art. 2° da Lei nº 4.771/65, e que se encontra encravado no Parque Estadual do Mirador, sendo, portanto, terras devolutas do Estado do Maranhão, o que Fl. 601DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10320.720066/200735 Acórdão n.º 2201002.832 S2C2T1 Fl. 4 5 pode ser comprovado pela análise do Decreto Estadual n° 7.641/1980, em anexo; afirma que análise do Laudo Técnico e do Decreto n° 7.641/80, verificase que a área do Parque Mirador é a mesma onde se encontra o imóvel, e, portanto, são terras devolutas do Estado do Maranhão e, ainda, que pelo Decreto percebese que se trata o Parque Estadual do Mirador, incontestavelmente, de área de preservação permanente, prevista na Lei nº 4.771/65, conforme se infere dos arts. 1°, §2°, II, e art. 2°; salienta que a apresentação do Decreto Estadual representa prova contundente de que o imóvel, por estar encravado integralmente nas terras do Parque Mirador, e, portanto, terras devolutas, sobre ele não incide o ITR, constituindose referido Decreto, em documento que prova muito mais a existência de áreas de interesse ambiental e de preservação permanente, do que o próprio ADA exigido, haja vista que se trata o Decreto de documento ao qual foi dada ampla publicidade, por meio de órgão oficial do Estado; reitera que não apresentou declaração falsa, única hipótese, ex vi do art. 10, §7°, da Lei nº 9.393/96, que enseja o pagamento posterior com juros e multa, sendo, portanto, a exclusão das áreas de preservação permanente da tributação, medida que se impõe; aduz que, se não foi merecedora de fé por parte da autoridade lançadora a sua declaração, este fato necessita do devido processo regular para o arbitramento da base de cálculo do tributo por ela perpetrado, com o levantamento de vários dados e elementos, concretos e verdadeiros, que possibilitem de forma lógica e racional um regular arbitramento, conforme preceitua o art. 148, do CTN; continua o argumento afirmando que essa regra se coaduna com a prevista no § 7º, art. 10, da Lei nº 9.393/96, que estabelece que somente quando fique comprovado que a declaração do contribuinte não é verdadeira é que o mesmo fica responsável pelo pagamento do imposto correspondente, com juros e multa prevista na mencionada lei, fato este que não restou comprovado pela fiscalização; informa que o Decreto Estadual n° 7.641/1980, que criou o Parque Estadual do Mirador, traz, em seu art. 3°, que as terras compreendidas na área do Parque Estadual são oriundas de terras devolutas pertencentes ao Estado do Maranhão, acarretando, com isso, a impossibilidade de existência de relação jurídica tributária vinculando o impugnante, o imóvel e a Fazenda Nacional; ressalta que o art. 26 da Constituição da República estabelece quais são os bens que integram o patrimônio dos Estados membros e a Constituição do Estado do Maranhão, consoante com a Carta Magna, aponta em seu art. 13 quais são as suas terras devolutas; Fl. 602DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 6 salienta que, resta claro que os títulos de domínio apresentados ao impugnante para a constituição do ônus real sobre a Fazenda Alegria, que se encontra dentro do Parque Estadual do Mirador, são documentos sem validade jurídica, uma vez que as terras devolutas não se encontram entre os bens comercializáveis, não podendo integrar o patrimônio de particular algum; lembra que sendo o imóvel integrante do patrimônio do Estado do Maranhão, se encontra sob o albergue da imunidade recíproca, de que trata o art. 150, VI, "a", da Constituição da República; menciona o que dispõe o art. 1º da Lei nº 9.393/1996, acerca da hipótese de incidência tributária do ITR, e afirma que não se enquadra em nenhuma das situações descritas como hipótese de incidência do ITR; conclui que não detém o domínio útil, nunca chegou a ter a posse, direta ou indireta, nem possui a propriedade do imóvel, que integra o Parque Estadual do Mirador; ressalta que, ainda que o imóvel fosse passível de tributação, a sua área tributável seria zero, uma vez que as terras em que se acha encravado é área de preservação permanente e entendimento diverso seria institucionalizar o confisco ao patrimônio de quem não pode promover a exploração econômica do imóvel, e cita a Limitação ao Poder de Tributar contida no art. 150, IV, da Carta da República; entende que foi demonstrada a insubsistência da Notificação, posto que toda a área do imóvel é de preservação permanente, como declarado, tendo, por conseguinte, uma área aproveitável igual a zero, sendo, pois, indevida a alíquota de 20,0%, aplicada sobre um VTN correspondente a 100% da área do imóvel; requer a realização de perícia, in loco, com base no art. 16 do Decreto n° 70.235/72, com vistas a comprovar que o imóvel se encontra encravado no Parque Estadual do Mirador, portanto, de preservação permanente, considerando o Principio da Verdade Material; entende que se faz imprescindível a realização de diligências a cartórios e a órgãos de cadastro de imóveis rurais, com vistas a averiguar a área do Parque Estadual do Mirador e da fidelidade dos registros cartorários, tudo em função do dever de investigação e do principio da verdade material; indica assistente técnico para a realização da perícia geográfica, bem como os seguintes quesitos para serem respondidos pelo perito; por todo o exposto, requer: a) que seja recebida a impugnação, com todos os seus efeitos, inclusive o de suspender a exigibilidade do crédito tributário; b) que seja declarada de oficio a nulidade da Notificação de Lançamento, por conter vicio formal, conforme demonstrado; Fl. 603DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10320.720066/200735 Acórdão n.º 2201002.832 S2C2T1 Fl. 5 7 c) que na hipótese de reconhecer a nulidade apontada, e considerando que o mérito da demanda encontrase justo e bem fundamentado, requer que, na hipótese de decidir o mérito a seu favor a quem aproveita, que não a pronuncie nem mande repetir o ato ou suprir a falta, nos exatos termos do §3°, do art. 59, do Decreto n° 70.235/72; d) uma vez admitida, seja dado provimento ao pleito para julgar insubsistente a Notificação de Lançamento, reconhecendose a imunidade recíproca, estabelecida no art. 150, VI, a, da Constituição da República, em razão de o imóvel ser de propriedade do Estado do Maranhão e afastandose, como conseqüência, a constituição de qualquer crédito tributário relativo a valores de impostos ou decorrentes de penalidades pecuniárias; e) em não se reconhecendo a imunidade recíproca, que seja dado provimento à impugnação, para julgar insubsistente a Notificação de Lançamento em decorrência da inexistência de área tributável, vez que as terras objeto da autuação encontram se em área de preservação permanente; f) a realização de prova pericial de caráter geográfico, para aferição da área do Parque Estadual do Mirador, nos termos dos quesitos formulados e sob o acompanhamento do assistente técnico indicado; g) a realização de diligências a cartórios e aos órgãos de cadastro de imóveis rurais, de modo a se aferir a legalidade e fidelidade dos registros imobiliários e cadastrais do suposto imóvel Fazenda Alegria, bem como do Parque Estadual do Mirador; h) a juntada dos documentos adiante relacionados, a titulo probatório, bem como o deferimento da possibilidade de juntada posterior de documentos que guardem relação com o caso em tela, tudo em função do principio da verdade material, do dever de colaboração e do dever de investigação; i) a sua intimação para tomar conhecimento e se pronunciar sobre quaisquer diligências, perícias e documentos apresentados pela administração fazendária, por força do principio do contraditório e da ampla defesa. Ressalvase que as referências à numeração das folhas das peças processuais, feitas no relatório e no voto, referemse aos autos primitivamente formalizados em papel, antes de sua conversão em meio digital, no qual as referidas peças estão reproduzidas sob a forma de imagem. A 1ª Turma da DRJ em Brasília/DF julgou integralmente procedente o lançamento, consubstanciado nas ementas abaixo transcritas: DO FATO GERADOR DO ITR E DO SUJEITO PASSIVO DA OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA Fl. 604DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 8 O Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (ITR) tem como fato gerador a propriedade, o domínio útil ou a posse de imóvel, localizado fora da zona urbana do município, em 1º de janeiro de cada ano. Constando nos autos documentos que comprovam a propriedade de imóvel rural, há a ocorrência do fato gerador do imposto. O proprietário do imóvel rural é contribuinte do ITR. Não comprovada a perda da propriedade do imóvel, por Ação de Nulidade e Cancelamento de Registro, em período anterior à ocorrência do fato gerador do ITR/2003 (1º.01.2003), deve ser mantido o contribuinte no pólo passivo da relação jurídicotributária. DA IMUNIDADE RECÍPROCA. INAPLICABILIDADE Não comprovado nos autos que o imóvel integra o patrimônio do Estado do Maranhão, por Decisão Judicial transitada em julgado, até a data do fato gerador do imposto, não há que se cogitar do benefício da imunidade recíproca prevista na Constituição da República. DA NULIDADE LANÇAMENTO Contendo a Notificação de Lançamento todos os requisitos obrigatórios previstos no Processo Administrativo Fiscal (PAF) e tendo sido o procedimento fiscal instaurado em conformidade com as normas e os princípios constitucionais vigentes, possibilitando ao contribuinte exercer plenamente o seu direito de defesa, não há que se falar em qualquer irregularidade que macule o lançamento (Nulidade). DO ÔNUS DA PROVA Cabe ao contribuinte, quando solicitado pela autoridade fiscal, comprovar com documentos hábeis, os dados cadastrais informados na sua DITR, posto que é seu o ônus da prova. DAS ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E DE INTERESSE ECOLÓGICO Essas áreas ambientais, para fins de exclusão do ITR, devem ser reconhecidas como de interesse ambiental pelo IBAMA, ou pelo menos, que seja comprovada a protocolização, em tempo hábil, do requerimento do respectivo ADA, além do ato específico emitido por órgão competente, para a área localizada dentro de Parque Estadual. DA PROVA PERICIAL A perícia técnica destinase a subsidiar a formação da convicção do julgador, limitandose ao aprofundamento de questões sobre provas e elementos incluídos nos autos, não podendo ser utilizada para suprir o descumprimento de uma obrigação prevista na legislação. Crédito Tributário Mantido Intimado da decisão de primeira instância em 17/03/2014 (fl. 410), o autuado apresenta Recurso Voluntário em 14/04/2014 (fls. 413/431), sustentando, essencialmente, os mesmos argumentos defendidos em sua Impugnação. Fl. 605DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10320.720066/200735 Acórdão n.º 2201002.832 S2C2T1 Fl. 6 9 É o relatório. Voto Conselheiro Eduardo Tadeu Farah, Relator O recurso reúne os requisitos de admissibilidade. Como visto do relatório, a autoridade fiscal glosou a área declarada de preservação permanente de 11.445,0 ha, correspondente a área total do imóvel, relativamente ao exercício de 2003. Antes de se entrar no mérito da questão, cumpre enfrentar, de antemão, a preliminar de cerceamento do direito de defesa. Alega o suplicante, em linhas gerais, que a autoridade recorrida inovou ao fundamentar seu julgamento com legislação que não consta do Auto de Infração. De pronto, não assiste razão ao recorrente. Analisando detidamente a decisão recorrida, verificase que a autoridade julgadora de primeira instância apenas reproduziu dispositivos legais que demonstram a necessidade de apresentação do ADA, já que houve diversos questionamentos suscitados pelo recorrente acerca de sua desnecessidade. Ademais, compulsandose a impugnação apresentada, constatase que o sujeito passivo defendeuse, adequadamente, de todas as acusações fiscais. Portanto, não identifiquei na decisão recorrida qualquer inovação que tenha cerceado o direito defesa do recorrente. No mérito, melhor sorte não está reservada ao recorrente. Embora defenda a desnecessidade de apresentação do ADA, conforme jurisprudências colacionadas, cumpre esclarecer que sua entrega tornouse obrigatória a partir do exercício de 2001, para os contribuintes que desejam se beneficiar da isenção da tributação do ITR, conforme determina a Lei n° 10.165/2000: Art. 17O. Os proprietários rurais que se beneficiarem com redução do valor do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR, com base em Ato Declaratório Ambiental ADA, deverão recolher ao Ibama a importância prevista no item 3.11 do Anexo VII da Lei no 9.960, de 29 de janeiro de 2000, a título de Taxa de Vistoria. (NR) § 1oA. A Taxa de Vistoria a que se refere o caput deste artigo não poderá exceder a dez por cento do valor da redução do imposto proporcionada pelo ADA. (AC) § 1o A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória. (NR) (grifei) Pelo que se vê, o ADA é um dos requisitos legais para que algumas áreas especificadas na legislação não sejam tributadas pelo ITR. Portanto, a partir da edição da Lei nº 10.165/2000 a entrega do ADA, para fins de redução do valor a pagar do ITR, é obrigatória. A Fl. 606DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 10 alegação de que o imóvel é composto apenas por área de reserva legal e preservação permanente, já que se encontra encravado no Parque Nacional do Mirador, conforme o Decreto Estadual nº 7.641/80, fls. 170/172, e Relatório Técnico, fls. 111/114, esbarra na legislação que determina a apresentação do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR. Ressaltese que a invocação do princípio da verdade material não desonera o recorrente da apresentação de provas documentais hábeis previstas na legislação tributária. Fazse oportuno salientar que nesta instância administrativa prevalece o entendimento de que a dispensa de comprovação relativa às áreas de interesse ambiental (preservação permanente/utilização limitada), conforme redação do parágrafo 7º, do art. 10, da Lei nº 9.393/1996, introduzido originariamente pelo art. 3º da MP nº 1.95650, de maio de 2000, e mantido na MP 2.16667, de 24/08/2001, ocorre quando da entrega da declaração do ITR, o que não dispensa o contribuinte de, uma vez sob procedimento administrativo de fiscalização, comprovar as informações contidas em sua declaração por meio dos documentos hábeis previstos na legislação de regência da matéria. No que tange à alegação de imunidade recíproca, penso que a tese não merece acolhimento, já que esse instituto constitucional aplicase ao patrimônio, renda e serviços da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e não ao contribuinte (sociedades de economia mista que explora atividade econômica), consoante dispõe o art. 150, inciso VI, letra "a", da Constituição Federal. Na verdade, o imóvel objeto da exação pertence ao recorrente, e não ao Estado do Maranhão, conforme se infere da certidão do Cartório de Registro de Imóveis da Comarca de Mirador/MA (R6, Mat. 778, de 13.06.2000), fls. 150/152, além do Registro na Carta de Arrematação de fls. 112/113. Assim, consoante dispõe a Lei nº 9.393/1996, havendo propriedade, posse ou domínio útil de imóvel rural, ocorre o fato gerador do ITR, já que o imposto é devido por qualquer das pessoas que se prenda ao imóvel rural. Sobre legitimidade passiva do contribuinte, peço venia para transcrever as observações do acórdão recorrido: Ressaltese que se constatou que as declarações para o imóvel em tela vêm sendo sistematicamente entregues em nome do contribuinte, inclusive a DITR/2012, corroborando a legitimidade passiva e com o reconhecimento de o imóvel estar sujeito à incidência do ITR. Além disso, o cadastro do imóvel continua ATIVO no CAFIR, às fls. 385, e, consequentemente, produzindo todos seus efeitos, além de não constar, até a presente data, qualquer pedido de alteração ou de cancelamento do mesmo, nos termos da IN/RFB nº 830/2008, que dispõe sobre esse Cadastro. Portanto, não se vislumbra, pois, qualquer erro na eleição do sujeito passivo. Ressaltese que a ação movida pelo contribuinte “Notitia Criminis” fls. 163/172, não tem o condão afastar a legitimidade passiva sobre o imóvel objeto da exação e, tampouco, comprovar que o imóvel encontrase encravado no Parque Nacional do Mirador. Por fim, cumpre destacar que é improfícua a jurisprudência administrativa e judicial trazida pelo recorrente, mormente porque essas decisões, mesmo que proferidas pelos órgãos colegiados, sem uma lei que lhes atribua eficácia, não constituem normas complementares do Direito Tributário. Fl. 607DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10320.720066/200735 Acórdão n.º 2201002.832 S2C2T1 Fl. 7 11 Ante ao exposto, voto por rejeitar a preliminar e, no mérito, negar provimento ao recurso. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah Fl. 608DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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Numero do processo: 10865.003727/2007-15
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 08 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri May 13 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 1401-000.353
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, sobrestar o julgamento, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Antonio Bezerra Neto Presidente
(assinado digitalmente)
Fernando Luiz Gomes de Mattos - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto (Presidente), Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Marcos de Aguiar Villas Boas, Ricardo Marozzi Gregorio e Aurora Tomazini de Carvalho.
Nome do relator: Não se aplica
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Recorrida Fazenda Nacional Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, sobrestar o julgamento, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto – Presidente (assinado digitalmente) Fernando Luiz Gomes de Mattos Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto (Presidente), Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Marcos de Aguiar Villas Boas, Ricardo Marozzi Gregorio e Aurora Tomazini de Carvalho. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 65 .0 03 72 7/ 20 07 -1 5 Fl. 998DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 6/05/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10865.003727/200715 Resolução nº 1401000.353 S1C4T1 Fl. 3 2 Relatório Por bem descrever os fatos, adoto e transcrevo parcialmente o relatório que integra a decisão de piso, fls. 763764: Trata o presente processo de declarações de compensação eletrônicas, abaixo relacionadas, com utilização do saldo negativo de IRPJ do ano calendário de 2003, no valor de RS 15.021.920,52, cujo direito creditório foi reconhecido parcialmente, no valor de R$ 7.749.422,70, por meio do despacho decisório de folhas 306/313. A interessada foi cientificada em 30/12/2008 (fls. 337) e apresentou manifestação de inconformidade em 29/01/2009 (fls. 338/366), alegando em síntese: que as estimativas de janeiro, março, maio, junho, julho, agosto, setembro, outubro e novembro que são objeto de compensação não Fl. 999DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 6/05/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10865.003727/200715 Resolução nº 1401000.353 S1C4T1 Fl. 4 3 homologada em outros processos, ainda estão pendentes de decisão do recurso e que em caso de manutenção da decisão de não homologação, a estimativa será cobrada naquele processo; que a parcela da estimativa de junho, no valor de R$ 30.353,14 não foi confirmada em virtude da dcomp 15169.67130.250505.1.3.013040 não ter sido analisada e o contribuinte não pode ser prejudicado pela inércia da administração pública. que o despacho esqueceu de considerar a compensação de 303.317,51 relativa a estimativa de outubro, por meio da dcomp 21738.41282.290104.1.3.044304, já homologada no processo 10865.000626/200431; que em relação a estimativa de outubro " o valor constante da DCOMP retificadora, e que fora admitida, encontrase equivocado tratandose, sem dúvida, de erro de fato (falha de digitação), e será objeto de pedido de revisão de débito a ser apresentado pela contribuinte nos autos do processo 10865.000627/200567 para que conste o valor efetivamente devido, ou seja, R$ 457.723,23; que, em relação a estimativa de novembro, o despacho esqueceu de considerar que R$ 202.982,09 foi compensado na DCOMP 20176.93389.270904.1.7.046978 já homologada; que o despacho simplesmente olvidou considerar que, do total de R$ 1.386.974,54 foi indicado a compensação um valor de R$ 633.141,72 através da DCOMP 40974.41247.290104.1.3.043142 que foi parcialmente homologada, conforme consta do despacho decisório prolatado nos autos do processo 10865.000626/200431; que o r. despacho simplesmente olvidou considerar que, do total de R$ 1.386.974,54 foi indicado a compensação um valor de R$ 205.563,14 através da DCOMP 21738.41282.290104.1.3.044304, que foi parcialmente homologada, conforme consta do despacho decisório prolatado nos autos do processo 10865.000626/200431; que o r. despacho novamente fez confusão quanto à existência de débitos, uma vez que, o débito indicado a compensação na referida Dcomp retificadora, no valor de R$ 500.300,46 referese a CSLL e não 1RPJ. que o despacho desconsidera o imposto pago pelo contibuinte no exterior, alegando que a documentação não foi traduzida e que junta cópias dos documentos traduzidos. A 8ª Turma da DRJ/RJ1, por unanimidade de votos, deu provimento parcial à manifestação de inconformidade da interessada, para reconhecer o direito creditório adicional no valor de R$ 1.941.867,19 e homologar as demais compensações declaradas até o limite do crédito reconhecido. A citada decisão foi formalizada por meio de Acórdão assim ementado, fls. 762: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003 SALDO NEGATIVO IRPJ. COMPENSAÇÃO DE ESTIMATIVAS. Fl. 1000DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 6/05/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10865.003727/200715 Resolução nº 1401000.353 S1C4T1 Fl. 5 4 As compensações declaradas, pendentes de decisão administrativa, não gozam dos atributos de certeza e liquidez, exigidos pelo art. 170 CTN. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte Cientificada da aludida decisão em 16/03/2011, fl. 828, a contribuinte apresentou recurso voluntário em 15/04/2011, fls 829 e seguintes, no qual repisa as alegações da peça impugnatória, contesta as conclusões do acórdão recorrido e, ao final, requer (verbis, grifado): […] Percebese, portanto, que a discussão acerca da quitação do imposto devido nas estimativas cingese a três pontos: As compensações efetuadas com o Saldo negativo de 2002, cujo crédito está sendo discutido no Processo 10865.000657/200310; As compensações efetuadas com pagamento indevido ou a maior das estimativas de 2003, controladas no Processo 10865.000626/200431; As compensações efetuadas com crédito de IPI ao 2º Trimestre de 2003, controladas no Processo 10865.900991/200618. Além disso, houve quitação de alguns débitos nos anos anteriores a 2010 e que não foram reconhecidas no v. acórdão. [...]Finalmente, no que se refere à parcela de julho/2003, no valor de R$ 1.393.354,46, não menciona o Acórdão que quanto à decisão da DRJ que manteve o não reconhecimento do crédito, foi interposto Recurso Voluntário com Pedido de Conversão em diligência nos autos do Processo 10865.900991/200618 (doc.33) para que a administração apure que o crédito naquele processo é legítimo e decorre do aproveitamento regular de crédito de IPI e de pagamento indevido e a maior, conforme se observa da respectiva petição de Recurso. Tecidas essas considerações, têmse, também que a análise do crédito decorrente do saldo negativo de 2003 deve ser considerada conforme o Quadro Explicativo – Anexo III. [...]Tecidas as considerações acima, verificase indispensável a conversão do julgamento em diligência para que o fisco possa realizar o trabalho de alocação dos débitos pagos e das homologações recentes, de forma a rever a composição do saldo negativo dos anos de 2001, 2002 e 2003, a fim de homologar as compensações com os créditos deles decorrentes, sob pena de não o fazendo, incorrer em enriquecimento ilícito em detrimento do contribuinte. Requer, outrossim, que seja determinada a conversão do julgamento em diligência, e, ao final, seja dado provimento ao presente Recurso Voluntário, uma vez que confirmados todos os créditos de saldo negativo dos anos mencionados, ficando, portanto, validado o saldo negativo do ano de 2003 que gerou o crédito discutido no presente processo. Em 05/11/2001, por meio da Resolução nº 140200.080 (fls. 951958), a 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara deste CARF converteu o julgamento em diligência para os seguintes fins: Fl. 1001DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 6/05/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10865.003727/200715 Resolução nº 1401000.353 S1C4T1 Fl. 6 5 1) reunir a este o processo 10865.000657/200310, após o julgamento em 1ª. instância, caso interposto o recurso voluntário (se não houver recurso voluntário, verificar os reflexos da decisão no presente processo); 2) reunir a este os processos 10865.900991/200618, 10865.000626/200431, 10865.000971/200475, 10865.000627/200567 (nos quais o contribuinte já interpôs recurso voluntário), também para julgamento em conjunto, ou caso já estejam julgados em segunda instância, verificar os reflexos da decisão no presente processo; 3) Proceder as verificações propugnadas pelo contribuinte nas peças recursais dos aludidos processos, conforme quadros anexos aos recursos, efetuando os procedimentos cabíveis. 4) Ao final, deverá ser lavrado relatório consubstanciado dos procedimentos executados pela unidade de origem, bem com cientificado o contribuinte para, caso deseje, manifestar no prazo de 30 dias. A autoridade competente da unidade de origem redigiu a Informação Fiscal de fls. 966967, recusandose a adotar as providências determinadas por este CARF, com base nos seguintes argumentos, verbis (grifado no original): Tratandose de processo digital, a anexação somente pode ser feita se os processos estiverem na mesma localização, atividade e sob a responsabilidade do mesmo servidor, o que impede o atendimento da juntada solicitada uma vez que nenhum dos processos citados encontrase na DRF/Limeira. Quanto à análise das razões trazidas pelo contribuinte, nota que ele próprio contribuinte alega que “no decorrer do processo a situação fática das compensações e pagamentos que ensejaram o crédito utilizado nos PerDCOMPS analisados no presento processo se alterou”, portanto não cabe à DRF/Limeira manifestarse sobre fatos ocorridos posteriormente ao seu despacho decisório, pois a diligência somente se presta a esclarecer dúvidas relativas aos fatos que foram ou deveriam ter sido analisados pelo auditor fiscal quando da emissão do despacho decisório. Considerando que o Relator originário não mais integrava este CARF, o processo foi submetido a novo sorteio. Em 10/10/2013 o processo foi sorteado ao Conselheiro Leonardo de Andrade Couto. Em 09/04/2014, por meio da Resolução nº 1402000.249, a 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara deste CARF, por maioria de votos, decidiu sobrestar o julgamento do presente processo, até que sejam apreciados no CARF os processos nº 10865.000657/200310, nº 10865.900991/200618, nº 10865.000626/200431, nº 10865.000971/200475 e nº 10865.000627/200567. O processo nº 10865.000626/200431 está sendo julgado por esta Turma, na presente sessão de julgamento. Conforme consultas feita ao sistema Eprocesso, em 12/11/2015, constatei que: a) o processo nº 10865.000657/200310 ainda aguarda distribuição. Fl. 1002DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 6/05/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10865.003727/200715 Resolução nº 1401000.353 S1C4T1 Fl. 7 6 b) os processos nº 10865.900991/200618 e 10865.000627/200567 foram distribuídos ao Conselheiro Thiago Moura de Albuquerquer Alves, da 2º Turma Ordinária, da 2ª Câmara, da 3ª Seção de Julgamentos deste CARF. Em 18/03/2105 o julgamento destes 2 processos foi convertido em diligência, por meio das Resoluções nº 3202000.344 e nº 3202 000.345, respectivamente. c) o processo nº 10865.000971/200475 foi excluído do sistema Eprocesso (sem indicação expressa do motivo dessa exclusão). Em 06/08/2015, por decisão da Secretaria desta 4ª Câmara (v. Despacho de Encaminhamento, fls. 973), o presente processo foi distribuído a este Conselheiro, por conexão ao processo nº 10865.000626/200431. O Conselheiro Leonardo de Andrade Couto, relator anterior, permanece nesse CARF. É o relatório. Fl. 1003DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 6/05/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10865.003727/200715 Resolução nº 1401000.353 S1C4T1 Fl. 8 7 Voto Conselheiro Fernando Luiz Gomes de Mattos Conforme relatado, o saldo negativo do IRPJ a que se refere o crédito pleiteado foi composto por diversos valores do imposto devido a título de estimativas, que teriam sido quitadas mediante compensação. Nos termos da Resolução 140200.080, prolatada pela 2ª Turma Ordinária desta 4ª Seção, o pedido aqui analisado só pode ser analisado após o julgamento, no CARF, dos diversos processos de compensação que tratam da quitação das estimativas. Por esta razão, determinouse o sobrestamento do julgamento do presente processo, até que sejam apreciados no CARF os processos nº 10865.000657/200310, nº 10865.900991/200618, nº 10865.000626/200431, nº 10865.000971/200475 e nº 10865.000627/200567. De todos estes processos, apenas o de nº 10865.000626/200431 foi julgado, nesta data, por esta Turma de Julgamento. O processo nº 10865.000657/200310 ainda aguarda distribuição. Os processos nº 10865.900991/200618 e 10865.000627/200567 aguardam julgamento pela 2º Turma Ordinária, da 2ª Câmara, da 3ª Seção de Julgamento deste CARF. E o processo nº 10865.000971/200475 foi excluído do sistema Eprocesso, sem indicação expressa do motivo dessa exclusão. Diante do exposto, proponho a continuidade do sobrestamento do julgamento do presente processo, até que sejam apreciados no CARF os processos nº 10865.000657/200310, nº 10865.900991/200618, nº 10865.000971/200475 e nº 10865.000627/200567. É como voto. (assinado digitalmente) Fernando Luiz Gomes de Mattos Relator Fl. 1004DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 6/05/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO
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Numero do processo: 10882.000497/2002-10
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jun 09 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Jun 24 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/04/1988 a 28/02/1996
DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL. CARACTERIZAÇÃO. REQUISITOS.
O dissídio jurisprudencial apto a ensejar a abertura da via recursal extrema consiste na interpretação divergente da mesma norma aplicada a fatos iguais ou semelhantes, o que implica a adoção de posicionamento distinto para a mesma matéria versada em hipóteses semelhantes na configuração dos fatos embasadores da questão jurídica. A dessemelhança nas circunstâncias fáticas sobre as quais se debruçam os acórdãos paragonados impede o estabelecimento de base de comparação para fins de dedução da divergência argüida.
Recurso Especial do Procurador Não Conhecido
Numero da decisão: 9303-004.151
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso especial da Fazenda Nacional, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente.
(assinado digitalmente)
Gilson Macedo Rosenburg Filho - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos (Substituto convocado), Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
Nome do relator: GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO
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CARACTERIZAÇÃO. REQUISITOS. O dissídio jurisprudencial apto a ensejar a abertura da via recursal extrema consiste na interpretação divergente da mesma norma aplicada a fatos iguais ou semelhantes, o que implica a adoção de posicionamento distinto para a mesma matéria versada em hipóteses semelhantes na configuração dos fatos embasadores da questão jurídica. A dessemelhança nas circunstâncias fáticas sobre as quais se debruçam os acórdãos paragonados impede o estabelecimento de base de comparação para fins de dedução da divergência argüida. Recurso Especial do Procurador Não Conhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso especial da Fazenda Nacional, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos (Substituto convocado), Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 00 04 97 /2 00 2- 10 Fl. 358DF CARF MF Impresso em 24/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 1/06/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 22/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 2 Relatório Tratase de recurso especial de interposto pela Fazenda Nacional ao amparo do art. 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 25 de junho de 2009, em face do Acórdão nº 3401 00.626, de 17 de março de 2010, fls. 308 a 312, cuja ementa foi vazada nos seguintes termos. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 31/01/1997 a 31/05/1997 MULTA DE OFÍCIO. RETROATIVIDADE BENIGNA. Excluise a multa de ofício lançada, com fundamento no art. 106, II, c, do CTN, haja vista a modificação provocada pelo caput do art. 18 da Lei n° 10.833/2003, no artigo 90 da Medida Provisória n° 2.15835, de 24/08/2001. Assunto : Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 31/01/1997 a 31/05/1997 PAGAMENTOS COMPROVADOS. UTILIZADOS PARA FINS DE REDUÇÃO DE LANÇAMENTO EM PROCEDIMENTO DE OFICIO ANTERIOR. Caracterizaria indevida duplicidade em desfavor da Fazenda Nacional o aproveitamento por parte do contribuinte de pagamentos efetuados, devidamente comprovados, porém, j á considerados para fins do lançamento em auto de infração realizado em procedimento de oficio anterior. Assunto : Normas de Administração Tributária Período de apuração: 31/01/1997 a 31/05/1997 DÉBITOS INCLUÍDOS NO REFIS. EXCLUSÃO DELES. INCOMPETÊNCIA DO CARF. Refoge à competência deste Colegiado apreciar e promover pedido de exclusão de débitos supostamente incluídos no Refis. Recurso de Oficio Negado e Recurso Voluntário Negado. A controvérsia suscitada cingese à aplicação do princípio da retroatividade benéfica ao art. 18 da Lei n° 10.833, de 29 de dezembro de 2003, para fins de exclusão da multa de ofício. Em sua peça recursal, a Fazenda Pública argumenta que o sujeito passivo agiu com intuito de fraude, utilizandose de débitos em verdade inexistentes, para fins de compensação, eis que não poderia esta ser realizada com base em créditos ilíquidos e não certos, para extinção de outros débitos, inobstante asseverada a observância do rito do art. 170 A, restando, assim, a compensação indevida (inexistente), sendo correta a aplicação da multa isolada em razão do disposto na legislação que menciona. O recurso teve seguimento nos termos do Despacho nº 34001489, fls. 329. O sujeito passivo apresentou contrarrazões às fls. 338 a 347. Fl. 359DF CARF MF Impresso em 24/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 1/06/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 22/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10882.000497/200210 Acórdão n.º 9303004.151 CSRFT3 Fl. 359 3 É o relatório. Voto Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho, Relator O recurso foi apresentado com observância do prazo previsto, restando contudo investigar adequadamente o atendimento aos demais pressupostos de admissibilidade, prerrogativa, em última análise, da composição plenária da Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, a qual tem competência para não conhecer de recurso especiais nos quais não estejam presentes os pressupostos de admissibilidade respectivos. Compulsando os autos, constatase que a decisão recorrida laborou em face de Auto de Infração eletrônico nº 0002597, fls. 95 e 96, decorrente do processamento da DCTF do anocalendário 1997, decorrente da constatação da falta de localização de pagamento e de compensação não confirmada de débitos Cofins. O recurso de ofício não mereceu provimento porque o Colegiado a quo entendeu correta a aplicação do princípio da retroatividade benigna, exonerando a multa de oficio, feita pela decisão administrativa de primeira instância incidente sobre os valores que remanesceram também se mostrou correta. Considerou que o art. 90 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001, dispositivo legal que embasou a autuação, sofreu alteração substancial com a edição do art. 18 da Medida Provisória nº 135, de 30 de outubro de 2003 (convertida na Lei nº 10.833, de 2003), com a redação dada pela Lei nº 11.051, de 29 de dezembro de 2004, limitandoo a uma imposição de multa isolada sobre as diferenças apuradas em auditoria de DCTF, decorrentes de compensação indevida, porém, aplicada unicamente nas hipóteses em que o crédito seja de terceiros; refírase ao "créditoprêmio"; refirase a título público; seja decorrente de decisão judicial não transitada em julgado; não se refira a tributos e contribuições administrados pela SRF; ou em que ficar caracterizada a prática das infrações previstas nos art. 71 a 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, ratificando que em nenhuma dessas ocorrências se enquadrou o procedimento do sujeito passivo. A decisão indicada como paradigmática, Acórdão nº 20313.150, por sua vez, analisou caso de lançamento de ofício por prática de conduta dolosa e fraudulenta contra o Erário, pois realizada a compensação nos moldes do que ilicitamente requerida, para beneficiar o sujeito passivo com a expedição de Certidões Negativas a seu favor e para a realização e continuidade de suas atividades empresariais. Nesse contexto, julgou correta a aplicação da multa isolada, nos termos previstos pelo art. 18 da Lei nº 10.833, de 2003. Como se vê, as decisões paragonadas laboram a partir de circunstâncias fáticas distintas: a recorrida, negou provimento ao apelo voluntário porque ausente qualquer circunstância que justificasse a manutenção da multa isolada segundo a novel redação do art. 90 da MP nº 2.15835, de 2001; A indicada como paradigma negou provimento ao recurso voluntário e manteve a aplicação da multa isolada justamente por julgar presentes circunstâncias qualificativas da infração, em compensação indevida prevista pelo art. 18 da Lei nº 10.833, de 2003. Essas dessemelhanças fáticas impedem o estabelecimento de base de comparação para fins de dedução da divergência jurisprudencial. E em se tratando de espécies Fl. 360DF CARF MF Impresso em 24/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 1/06/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 22/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 4 díspares nos fatos embasadores da questão jurídica, não há como se estabelecer comparação e deduzir divergência. Neste sentido, reportome ao Acórdão no CSRF/010.956, de 27/11/89: “Caracterizase a divergência de julgados, e justificase o apelo extremo, quando o recorrente apresenta as circunstâncias que assemelhem ou identifiquem os casos confrontados. Se a circunstância, fundamental na apreciação da divergência a nível do juízo de admissibilidade do recurso, é “tudo que modifica um fato em seu conceito sem lhe alterar a essência” ou que se “agrega a um fato sem alterálo substancialmente” (Magalhães Noronha, in Direito Penal, Saraiva, 1o vol., 1973, p. 248), não se toma conhecimento de recurso de divergência, quando no núcleo, a base, o centro nevrálgico da questão, dos acórdãos paradigmas, são díspares. Não se pode ter como acórdão paradigma enunciado geral, que somente confirma a legislação de regência, e assente em fatos que não coincidem com os do acórdão inquinado.” Com essas considerações, não conheço do recurso especial do Fazenda Nacional em razão da não comprovação da divergência jurisprudencial. Sala de sessões, em 07/06/2016 Gilson Macedo Rosenburg Filho Fl. 361DF CARF MF Impresso em 24/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 1/06/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 22/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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