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Numero do processo: 10675.003251/2006-61
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 03 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Aug 03 00:00:00 UTC 2011
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Ano-calendário: 2001, 2002
NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
Somente ensejam a nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa.
PROVA LÍCITA. DOCUMENTAÇÃO ENCAMINHADA FISCALIZAÇÃO POR ORDEM JUDICIAL.
A documentação encaminhada ao Fisco com respaldo em decisão judicial constitui prova licita utilizada para fins de instrução de processo administrativo tributário. Não cabe à autoridade julgadora administrativa acolher questionamento sobre a legalidade do repasse de documentação e informações com amparo em autorização judicial.
IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ
Ano-calendário: 2001, 2002
OMISSÃO DE RECEITAS. SALDO CREDOR DE CAIXA.
Os cheques emitidos pela empresa em favor de terceiros e compensados por instituição bancária, quando lançados a débito da conta "Caixa" como ingresso de recursos, devem ter o correspondente registro a crédito desta conta, pela saída dos recursos para o pagamento dos gastos efetuados, de sorte a assegurar a neutralidade da sistemática contábil adotada. Não comprovando a empresa o registro desta saída, legitima a recomposição do saldo da conta "Caixa", com a exclusão dos valores indevidamente registrados como ingressos. A conseqüente apuração de saldo credor evidencia a prática de omissão de receitas.
LANÇAMENTO. ILEGITIMIDADE PASSIVA. PROVA INDICIARIA.
A prova indicidria, para referendar a identificação do sujeito passivo, deve ser constituída de indícios que sejam veementes, graves, precisos e convergentes, de modo que, examinados em conjunto, levem ao convencimento do julgador. Não estando comprovado ser a autuada a beneficiária dos recursos creditados em conta bancária no exterior, o lançamento não pode prosperar.
TRIBUTAÇÃO REFLEXA OU DECORRENTE. CSLL. PIS/PASEP. COFINS.
Tratando-se de lançamentos decorrentes ou reflexos efetuados em razão dos mesmos fatos que deram origem ao lançamento principal - IRPJ, aplica-se àqueles a mesma decisão adotada quanto A. exigência deste, em razão da intima relação de causa e efeito que os vincula.
Numero da decisão: 1102-000.491
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade do lançamento e, no mérito, DAR provimento PARCIAL ao recurso para cancelar a tributação a titulo de omissão de receitas com base nos depósitos bancários não contabilizados, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: João Otávio Oppermann Thomé
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I Sl-C1T2 Fl. 394 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processnn°. 10675.003251/2006-61 Recuiso no 179.629 Voluntário Acórdão n° 1102-00.491 — la Camara / 2' Turma Ordinária .Sessio de 3 de agosto de 2011 Matéria IRPJ Recorrente GIACAMPOS DIAMOND LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2001, 2002 NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Somente ensejam a nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. PROVA LÍCITA. DOCUMENTAÇÃO ENCAMINHADA FISCALIZAÇÃO POR ORDEM JUDICIAL. A documentação encaminhada ao Fisco com respaldo em decisão judicial constitui prova licita utilizada para fins de instrução de processo administrativo tributário. Não cabe à autoridade julgadora administrativa acolher questionamento sobre a legalidade do repasse de documentação e informações com amparo em autorização judicial. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2001, 2002 OMISSÃO DE RECEITAS. SALDO CREDOR DE CAIXA. Os cheques emitidos pela empresa em favor de terceiros e compensados por instituição bancária, quando lançados a débito da conta "Caixa" como ingresso de recursos, devem ter o correspondente registro a crédito desta conta, pela saída dos recursos para o pagamento dos gastos efetuados, de sorte a assegurar a neutralidade da sistemática contábil adotada. Não comprovando a empresa o registro desta saída, legitima a recomposição do saldo da conta "Caixa", com a exclusão dos valores indevidamente registrados como ingressos. A conseqüente apuração de saldo credor evidencia a prática de omissão de receitas. LANÇAMENTO. ILEGITIMIDADE PASSIVA. PROVA INDICIARIA. Autentiu, do ditame r 03108/2011 pc: ..:0A0 OTAV;0 Or: 'DR, HOME, 031 08/2011 por JOAO OTAVIO 0:;:;:tAmen 0 la 3312011 por IVFE MALF,Ce; LAS P0.5 SOA MONTEIS' Impress° em 01109,1 201 I por IVANA CLAUDIA SILVA CAS MO .DF CAR F ME Fl. 2 Processo n° 10675.003251/2006-61 si-cl 1'2 Acórddo n.° 1102-00.491 Fl. 395 A prova indicidria, para referendar a identificação do sujeito passivo, deve ser constituída de indícios que sejam veementes, graves, precisos e convergentes, de modo que, examinados em conjunto, levem ao convencimento do julgador. Não estando comprovado ser a autuada a beneficiária dos recursos creditados em conta bancária no exterior, o lançamento não pode prosperar. TRIBUTAÇÃO REFLEXA OU DECORRENTE. CSLL. P1S/PASEP. COFINS. Tratando-se de lançamentos decorrentes ou reflexos efetuados em razão dos mesmos fatos que deram origem ao lançamento principal - 1RPJ, aplica-se àqueles a mesma decisão adotada quanto A. exigência deste, em razão da intima relação de causa e efeito que os vincula. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade do lançamento e, no mérito, DAR provimento PARCIAL ao recurso para cancelar a tributação a titulo de omissão de receitas com base nos depósitos bancários não contabilizados, nos termos do voto do relator. Documento assinado digitalmente. Ivete Malaquias Pessoa Monteiro - Presidente. Documento assinado digitalmente. João Otávio Oppermann Thomé - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, João Carlos de Lima Jdnior, João Otavio Oppermann Thomé, Silvana Rescigno Guerra Barrett°, Leonardo de Andrade Couto, e Manoel Mota Fonseca. Relatório Contra a empresa acima qualificada foram lavrados, as fls. 135 a 170, os Autos de Infração do Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ, da Contribuição para o Programa de Integração Social — PIS, da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social — Cofins, e da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido — CSLL, perfazendo um crédito tributário no montante de R$ 3.434.949,44, aí já incluidos os juros de mora e a multa de oficio de 75%. No procedimento fiscal, que abrangeu os anos calendário 2001 e 2002, foram apuradas as seguintes infrações, conforme relatadas na "Descrição dos Fatos" de fls. 167 a 169: Autenticed OPPLJ ANN -1" C.'31 08/2011 por JOAO O rAVo OPPERMANN "I HOME. ssrOd3 Sj tOoor., em 10/08/2011 por IVE 'MS Pi .S SOA MONTEIR Impress° ern 01/09120 I 1 por LANA C1A::•JIA SILVA GAS ; NO DF CARF MF Fl. 3 Processo n° 10675.003251/2006-61 Acórdão n.° 1102-00.491 SI-C1T2 Fl. 396 I. Omissão de receitas por saldo credor de caixa. No ano calendário de 2002 o contribuinte contabilizou os cheques de emissão própria a débito da conta CAIXA, com contrapartida a conta BRADESCO S/A. Entretanto, deixou de creditar a conta CAIXA e debitar outra conta relativa ao pagamento, por ocasião da entrega dos cheques aos beneficiários, de modo que os cheques de emissão própria permaneciam contabilmente no CAIXA, apesar de já terem sido entregues aos beneficiários e até mesmo descontados. 2. Omissão de receitas por depósitos bancários não contabilizados. Trata-se de movimentação bancária efetuada no exterior, cujos documentos comprobatórios foram obtidos das autoridades norte-americanas por meio do Tratado de Mútua Assistência em Matéria Penal, com autorização judicial para seu uso pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. A Beacon Hill era empresa sediada em Nova Iorque, Estados Unidos da America, que atuava como preposto bancário-financeiro de pessoas físicas ou jurídicas, em agência do JP Morgan Chase Bank, administrando contas ou subcontas especificas, entre as quais a conta MIDDLER CORP. S.A. n° 530.765.955. Nesta conta foram identificadas diversas operações em que o contribuinte consta como beneficiário final dos recursos advindos das transações efetuadas. 0 contribuinte apresentou impugnação, fls. 177 a 185, fundada nos elementos e razões a seguir descritos, os quais foram posteriormente renovados também na fase recursal. Preliminarmente, demanda a nulidade do auto de infração por estar baseado em prova ilícita de fato inexistente. 0 contribuinte não efetuou remessa de valores para alimentar contas na Beacon Hill nem efetuou transferências de recursos para o exterior, ou do exterior para o Brasil. Os papéis de trabalho veiculados pela fiscalização não trazem em seu bojo nenhuma assinatura ou qualquer carimbo de autoridade que pudesse lhes conferir credibilidade, razão pela qual não gozam da presunção de prova efetiva. Não bastasse o fato de as operações autuadas não terem existido, os papéis que serviram de base à autuação constituem prova obtida de forma ilícita, por terem sido obtidos no exterior em desrespeito ás normas constitucionais, legais e contidas ern tratado internacional. Assim, trata-se de prova que não pode ser utilizada em processo administrativo nem judicial, nos termos do art. 5°, inciso LVI, da Constituição da República ("seio inadmissíveis, no processo, as provas obtidas por meios ilícitos",). A quebra do sigilo bancário somente pode ocorrer nos termos da Lei Complementar Federal n° 105, de 10 de janeiro de 2001, i.e., mediante prévia decisão fundamentada proferida por autoridade judiciária competente. A quebra de sigilo bancário de contas mantidas no exterior, e em particular nos Estados Unidos da América, exige: a) decisão judicial de autoridade judiciária brasileira com quebra de sigilo da conta indicada; b) decisão judicial de autoridade judiciária americana, com quebra de sigilo da conta indicada; c) pedido de cooperação internacional do Brasil, feito Auteriticad0 dig i 1INAPMR1140.61 ISIND,i,s,19q,Aaivrp.P,45Rky ABYPOE„.,EmpitYpAvil$iro, corn especificação 08/2011 por JOAO TI di.talrnerlte cm 13/03/2011 par IVEI . E S SOA MONITOR Impress() cm 01109/2011 r4:r IVANA CI.AtiaA VA 3 IF Fl. 4 Processo n° 10675.003251/2006-61 SI-CIT2 Acórdão n.° 1102-00.491 Fl. 397 do inquérito ou processo em que a documentação sera utilizada no Brasil; d) remessa da documentação para o Brasil, pela autoridade administrativa competente dos Estados Unidos da América, que limita o uso da documentação ao inquérito ou processo para o qual foi formulado o pedido de cooperação. Este procedimento está previsto no Decreto n° 3.810, de 02/05/2001, que ratificou no Brasil o Acordo de Assistência Judiciária em Matéria Penal entre o Governo da RepUblica Federativa do Brasil e o Governo dos Estados Unidos da América, celebrado em Brasilia, cm 14 de outubro de 1997, e conhecido pela sigla "MLAT". No caso concreto, a documentação bancária que instruiu o presente procedimento administrativo fiscal veio do exterior, fruto de quebra de sigilo no Banco Chase de New York, USA, da conta n° 6192033, mantida pela empresa BEACON HILL SERVICE CORPORATION — BHSC, bem como das suas sub-contas, dentre elas a conta LONTON TRADING LTD. Esta documentação bancária veio ao Brasil em desrespeito ás regras acima citadas. Como já ficou evidenciado nos diversos processos judiciais que tramitam nas várias unidades da Justiça Federal no Brasil, originários da denominada "Operação Farol da Colina", a documentação bancária da conta BEACON HILL foi obtida sem que houvesse quebra de sigilo bancário, quer por autoridade judiciária brasileira, quer por autoridade judiciária americana. No caso concreto, os documentos foram disponibilizados pelo Promotor de Justiça do Condado de Nova Iorque, Dr. Robert Morgenthau, ao Delegado da Policia Federal Dr. Paulo Roberto Falcão Ribeiro. Nos termos do Tratado, a autoridade competente para representar o pais e pedir a cooperação internacional, não era e nunca foi o Delegado de Policia Federal, mas o Secretário Nacional de Justiça, do Ministério da Justiça, função ocupada por CLAUDIA CHAGAS e posteriormente por ANTENOR PEREIRA MADRUGA FILHO. únicas autoridades legalmente habilitadas para pedir a quebra de sigilo bancário, em cooperação, a autoridade americana do Departamento de Justiça dos Estados Unidos da América. Nos termos do Tratado, a autoridade competente dos Estados Unidos da América para fornecer a documentação bancária é o Departamento de Justiça do Executivo Americano, e não o Promotor Robert Morgenthau. E, ainda que aquele Promotor Público fosse competente para tanto, a documentação só poderia ser utilizada para a investigação especificada no pedido, isto 6, o inquérito policial indicado. A utilização desta documentação em procedimento administrativo fiscal da Receita Federal somente poderia ter ocorrido após pedido formal do Governo do Brasil as Autoridades Americanas para este fim especi fico. A demonstração da ilicitude na obtenção da prova bancária, utilizada para a intimação fiscal e lavratura do auto de infração em epígrafe fica evidente com a leitura dos documentos aqui juntados por cópia (doc. n° 04, fls. 254 a 303). Portanto, em preliminar, o contribuinte pede e espera sejam desprezados todos os documentos bancários relativos a contas no exterior, os quais constituem prova obtida por meio ilícito ou derivada de prova ilícita. Auter,tioc,)d 0 ' 2011 por ,'0A0 OT" CFPL:MA!',IN 1 OMLP Asudo dtaene em 081 08/2011 por JOAO OTAV1O OPPERMANN THOME, simio oLoo ie om 1C,T=8;21 por V1 MALAQUIAS FT'S SOA NIONTEN-& 4 Impresso crn 01/09/2011 ,n'Dr IVANA CLAUDIA SILVA CAS 110 DF CARF MF Fl. 5 Processo n° 10675.003251/2006-61 SI-CIT2 Acórdão n.° 1102-00.491 Fl. 398 No mérito, aponta os equívocos na determinação da matéria tributável relativa ao saldo credor de caixa. A fiscalização expurgou os cheques compensados e registrados na conta caixa, debitando-os do saldo final de cada mês, para tributar o saldo credor apurado mensalmente. 0 lançamento com base na constatação de saldo credor na conta caixa deve ser re itó mediante a reconstituição ex officio do fluxo de entradas e saídas de recursos, para que reste caracterizada a presunção. Neste sentido, o demonstrativo "Recomposição da Conta " Contábil 1101010001 — Caixa", elaborado pelo fisco, não se presta a recompor a conta caixa do Impugnante, e não tem o condão de fundamentar o pretenso lançamento, pois não levou em consideração a movimentação diária de entrada e saída do caixa. A fiscalização simplesmente estornou os valores dos cheques questionados, sem apoio dos livros auxiliares. Além disto, a tributação a este titulo deve contemplar o maior saldo credor verificado no período, sob pena de se estar tributando duplamente os mesmos valores, sendo que, no caso concreto, foram tributados, mês a mês, os saldos apurados. De mais a mais, em nenhum momento restou comprovado que os cheques questionados pela Fiscalização teriam sido desviados para conta de terceiros ou utilizados para pagamento de despesas não contabilizadas. Transcreve jurisprudência do Conselho de Contribuintes e da Camara Superior de Recursos Fiscais em apoio ao seu entendimento. Finaliza pleiteando a anulação do lançamento, que se funda em prova ilícita de fato inexistente, e subsidiariamente, o cancelamento do lançamento a titulo de saldo credor de caixa, eis que consubstanciado em levantamento que não observou os requisitos para sua determinação. A 3' Turma de Julgamento da DRJ em Belo Horizonte/MG decidiu a lide por meio do Acórdão 02-20.565, fls. 317 a 347, mantendo integralmente o lançamento efetuado, conforme ementa a seguir transcrita: "Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica — IRPJ Data do fato gerador: 31/12/2001, 31/03/2002, 30/06/2002, 30/09/2002, 31/12/2002 OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS NÃO CONTABILIZADOS. Caracterizam-se como omissão de receita os valores creditados em conta de depósito, mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais a pessoa jurídica identificada como beneficiária, regularmente intimada, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações, sua contabilização e seu oferecimento à tributação. SALDO CREDOR DE CAIXA Caracteriza-se como omissão no registro de receita, ressalvada ao contribuinte a prova da improcedência da presunção, a indicação na escrituração de saldo credor de caixa. Auti.mticiado dirjitaimce m 03r:812011 ur j0A0 0iVIO OPI ; ; ;OM:, Asi;iinado clir.;itakkinkei c 031 08120 11 por JOAO 0170110 OPPERIMANN HOME, Assinado digitalmoi -ie em 10;08 0011 por IVI7TR MALAQUIAS PES SOA MONTE IR 5 Imprtisso ern 01/03/20 -11 por NANA CI. Fidji:JIA SILVA CASTRO DF CARE N4F FL 6 Processo n° 10675.003251/2006-61 si -cl T2 Acórdão n.° 1102 -00.491 Fl. 399 ' Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 30/11/2001, 31/12/2001, 31/01/2002, 28/02/2002, 31/03/2002, 30/04/2002, 31/05/2002, 30/06/2002, 31/07/2002, 31/08/2002, 30/09/2002, 31/10/2002, 30/11/2002,31/12/2002 PIS SOBRE OMISSÃO DE RECEITA. FALTA / INSUFICIÊNCIA DO PIS. O decidido no lançamento do IRPJ deve ser estendido aos demais lançamentos decorrentes, em face da relação de causa e efeito que os vincula. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 30/11/2001, 31/12/2001, 31/01/2002, 28/02/2002, 31/03/2002, 30/04/2002, 31/05/2002, 30/06/2002, 31/07/2002, 31/08/2002, 30/09/2002, 31/10/2002, 30/11/2002,31/12/2002 COFINS - OMISSÃO DE RECEITA. O decidido no lançamento do IRPJ deve ser estendido aos demais lançamentos decorrentes, em face da relação de causa e efeito que os vincula. Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Liquido - CSLL Data do fato gerador: 30/11/2001, 31/12/2001, 31/01/2002, 28/02/2002, 31/03/2002, 30/04/2002, 31/05/2002, 30/06/2002, 31/07/2002, 31/08/2002, 30/09/2002, 31/10/2002, 30/11/2002,31/12/2002 CSLL OMISSÃO DE RECEITAS. CSLL SOBRE RECEITAS OMITIDAS. O decidido no lançamento do IRPJ deve ser estendido aos demais lançamentos decorrentes, em face da relação de causa e efeito que os vincula." Cientificada desta decisão em 21.01.2009, conforme AR de fls. 352, e com ela inconformada, a contribuinte interpôs recurso voluntário ern 16.02.2009, fls. 353 a 364, no qual reprisa os mesmos argumentos já expostos por ocasião da inicial. Acrescenta a transcrição de trechos do Acórdão 108-09.669 para destacar que o CARF vem decidindo pela insuficiência das informações obtidas no bojo da operação Beacon Hill, por não se mostrarem conclusivas. o relatório. Voto Conselheiro João Otávio Oppermann Thomé 0 recurso é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. Quanto à preliminar de nulidade do lançamento por estar baseado em prova ilícita de fato inexistente, cumpre observar que, nos termos do artigo 59 do Decreto n° 70.235/72 - PAF, que rege o processo administrativo fiscal, somente ensejam a nulidade os Autenticodo digit `310:.;, ,201 1 por 0 UTAVi0 CPPMNIANN k3S;. di;;i1;,1;¡,.1:a em 08/ 08/2011 por JOAO OTAVi0 FPFRVIt-kNN1 HOME : digita:,11,.Tte ern 10/:;8/2011 por IvETE rvIALAO.I AA:3 PFS SOA MONTE1R Impresso ern 01/09/2011 por NANA CI AU JA SILVA GAS . UND 6 DF CARE' NIF Fl. 7 Processo n° 10675.003251/2006-61 SI-CIT2 Acórdão n.° 1102-00.491 Fl. 400 atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Nenhuma destas circunstâncias ocorreu no caso concreto. Assim, alegações atinentes a matéria de prova devem ser enfrentadas como matéria de mérito, o que pode levar à insubsistência parcial, ou até, em certos casos, total, do crédito lançado, mas não importam a sua nulidade. Passo A. análise dos itens constantes do lançamento efetuado. 1. SALDO CREDOR DE CAIXA. A fiscalização, analisando o Livro Razão da recorrente, verificou que os cheques de emissão própria eram lançados englobadamente a débito na conta CAIXA ao final de cada mês. Da mesma forma, também eram lançados englobadamente a crédito na conta CAIXA ao final de cada mês os depósitos bancários efetuados. Tal constatação motivou a Intimação Fiscal de fls. 16-17, para que a recorrente elaborasse, corn respeito aos cheques de sua emissão, urna relação discriminando o número dos cheques, valores, data de entrega ao beneficiário e data de baixa no Banco. Referida relação encontra-se às fls. 22 a 58. Analisando-se esta em confronto com os extratos bancários da recorrente, constantes do volume 1 do Anexo I, verifica-se que todos os cheques por ela emitidos, inclusive aqueles compensados em instituição bancária, transitaram pela conta Caixa. Quando uma empresa adota tal sistemática, de transitar toda a sua movimentação bancária pelo Caixa, é necessário que, em todas aquelas operações que não correspondam a um efetivo saque de numerário, ou a um depósito feito também em moeda corrente na conta bancária, haja o registro concomitante, na conta CAIXA, de um segundo lançamento anulando o efeito, na conta CAIXA, daquele primeiro lançamento. Esta é providência que se impõe em razão de que o "trânsito" destes recursos pela conta CAIXA, nestes casos, é meramente fictício, i.e., para fins de controle, já que o dinheiro não circula efetivamente pela referida conta. Exemplificando: se uma empresa paga uma despesa de telefone de R$ 100,00 por meio de um cheque de sua emissão, bastaria um único lançamento contábil para registrar a referida operação, e que seria, resumidamente, o seguinte: D — Despesas C — Bancos 100,00 Entretanto, com o propósito de melhor controlar a movimentação financeira, algumas empresas optam por efetuar dois lançamentos para registrar a mesma operação, conforme abaixo: Lançamento 1: D— Caixa C — Bancos 100,00 Autenticado dkiitaimerite rn03/01312 , 1 0.119arrlent0I2:UPPER;iilkNN It IOME, em 0_ 082011 por JOAO OTAVIO OPPERMANN 1HOME : Assinado dtLetmente em 10103i,I ,0 1 por IVETO MALAQUtAS P1-S SOA MONTEIE Impecsso em 01 /01:.;;2011 por VANA CI At; A LVA CASTRO DF CARE.' MF Fl Processo n° 10675.003251/2006-61 Sl-C1T2 Acórdão n.° 1102-00.491 Fl. 401 D — Despesas C — Caixa 100,00 0 efeito final, portanto, é rigorosamente o mesmo, tanto do ponto de vista contábil, quanto fiscal. Tendo a conta Caixa sido debitada e creditada pelo mesmo valor, não há qualquer irregularidade no referido procedimento. Entretanto, para que fique confirmada a neutralidade do procedimento conti,bil adotado, é necessário que seja comprovado o registro dos pagamentos efetuados pela empresa, com uso dos cheques emitidos, a crédito da conta Caixa. No caso dos autos, a empresa apenas registrava a saída de recursos, nos pagamentos efetuados por cheque, a débito da conta Caixa (contrapartida a crédito de Bancos), mas não registrava a concomitante saída destes mesmos recursos a crédito da conta Caixa, com contrapartida à conta competente para registrar a operação, conforme se trate de aquisição de bens ou mercadorias, pagamento de despesas, etc. De fato, tomando-se como exemplo o mês de janeiro de 2002, verifica-se que no razão da conta Caixa (fls. 401 do volume 2 do Anexo I), consta, a débito desta conta, a "entrada" de valor correspondente a todos os cheques emitidos pela empresa no período (R$ 303.433,63, conforme relação de fls. 22 dos autos, elaborada pela recorrente). Entretanto, afora o lançamento de quatro valores de diminuta expressão e que não guardam correlação com os valores daqueles cheques, consta neste mês um único lançamento a crédito da conta Caixa, no valor de R$ 293.373,20, cuja contrapartida é a conta Bancos. Conforme o extrato bancário (fls. 7 do volume 1 do Anexo 1) e resposta do próprio contribuinte (fls. 23) tal valor é decorrente de fechamento de câmbio exportação, evidenciando, portanto, não ter qualquer relação com os cheques emitidos. Assim, demonstrado que os cheques emitidos em favor de terceiros foram impropriamente registrados a débito da conta Caixa, criando, artificialmente, saldo disponível fictício, ou impedindo que esta revelasse saldo credor, correto o procedimento fiscal de excluir os seus valores na recomposição do seu saldo. De se observar que no caso de lançamento com base em saldo credor de caixa, ao contrário do apregoado pela recorrente, nenhuma necessidade há de que seja demonstrada pela fiscalização o desvio para conta de terceiros ou a utilização desses cheques para pagamento de despesas não contabilizadas. Pelo contrário, o ônus da prova, em se tratando de presunção legal, como é o caso, opera em sentido diametralmente oposto. Assim, demonstrada pelo fisco a ocorrência de saldo credor de caixa por obra da recomposição efetuada, tal demonstração poderia ter sido elidida pela recorrente por meio da apresentação de provas de que os valores daqueles cheques estavam de fato atrelados a operações regularmente contabilizadas pela empresa. Entretanto, a recorrente nenhuma prova produziu a seu favor, limitando-se a tentar descaracterizar a reconstituição efetuada pelo fisco, por não levar em consideração a movimentação diária de entrada e saída do caixa. Ora, conforme visto, é a própria recorrente que, em sua contabilidade, registrou os cheques emitidos a débito de Caixa em um Calico dia do mês (o último). Ademais, tomando-se novamente corno exemplo o mês de janeiro de 2002, veja-se que o fisco partiu do saldo final registrado, na contabilidade na conta Caixa neste mês, Autenticado diouiniente poi iJoAt.) otAiViCt OPA:Rtv:;,Nt; ; clOtat , rUe, e:,1 08/2011 por JOAO OTAV10 oi RMANN HOM3, As3inz,c10 1010512011 p:b . 1\it .7.1E :`.1::\LAQUIAS PES SOA MONTEIR 8 Impress° om 01009/',.D (1 purIVANA Cl N.2P,A SILV, DF CARFMF Fl. 9 Processo n° 10675.003251/2006-61 si-c Acórdão n.° 1102 -00.491 Fl. 402 ou seja, R$ 14.942,24 (débito) em 31/01/2002, e dele subtraiu o valor correspondente aos cheques emitidos no mês (R$ 303.433,63), os quais haviam sido lançados a débito pela empresa em 31/01/2002. Assim, certo é que, no minim, o saldo credor apurado neste mês é de R$ 288.490,89, e corresponde ao saldo credor apurado no dia 31/01/2002. A metodologia utilizada pelo fisco para tributação por saldo credor de caixa nada tern de nova, e, apenas a titulo de reforço, cito os seguintes precedentes: IRPJ — OMISSÃO DE RECEITAS — SALDO CREDOR DE CAIXA — RECOMPOSIÇÃO DE SALDO PELA EXCLUSÃO DE CHEQUES COMPENSADOS LANÇADOS A DÉBITO DESTA CONTA — Os cheques emitidos pela empresa em favor de terceiros, compensados por instituição bancária, lançados a débito da conta "Caixa" como recurso, deverão ter seu correspondente registro a crédito desta conta, pela saída de caixa para o pagamento do gasto, para que se opere a neutralidade da sistemática contábil adotada, vulgarmente chamada de "lançamento cruzado na conta Caixa". Não comprovando a empresa o registro desta saída, é legitima a recomposição do saldo da conta "Caixa", com a exclusão dos valores indevidamente registrados como Ingressos. A conseqüente apuração de saldo credor evidencia a prática de omissão de receitas. (Acórdão n° 108-05.548, sessão de 27 de janeiro de 1999) IRRJ — OMISSÃO DE RECEITAS — CHEQUES COMPENSADOS LANÇADOS A DÉBITO DE CAIXA. Os cheques emitidos pela empresa em favor de terceiros, que foram liquidados pelo serviço de compensação bancária, se lançados a débito da conta "Caixa", configuram suprimentos escriturais que acobertam o ingresso de receitas mentidas à margem da contabilidade, salvo se demonstrado o equivoco contábil, corn a contabilização da saída igualmente ficta. (Acórdão n° 108-02.182, sessão de 23 de agosto de 1995) LUCRO REAL — OMISSÃO DE RECEITA SALDO CREDOR DE CAIXA - Para que se possa comprovar o saldo credor de caixa, caracterizador da omissão de receita, há que se efetuar a recomposição do mesmo, excluindo os valores contabilizados irregularmente à seu débito na exata data da efetiva contabilização. (Acórdão n° 105-15.523, de 22.02.2006) Por fim, uma vez que, ao apurar o saldo credor ocorrido no mês de fevereiro de 2002, o fisco novamente partiu do saldo contábil da conta Caixa, agora no dia 28/02/2002, ou seja, desconsiderando a recomposição efetivada em janeiro, e dele subtraiu os cheques emitidos neste mês de fevereiro, que nada tem a ver corn aqueloutros de janeiro, improcedem também os protestos da recorrente quanto a uma eventual dupla tributação dos mesmos valores, pois demonstrado está que nenhuma relação há entre o saldo credor apurado em um mês e noutro. Pelo exposto, deve ser mantida a tributação relativa ao saldo credor de caixa apurado pela fiscalização. 2. DEPÓSITOS BANCÁRIOS 'NIX() CONTABILIZADOS. A autuação fiscal, no tocante aos depósitos bancários não contabilizados, foi feita no decorrer dos trabalhos vinculados à operação denominada -Beacon Hill", ou "Farol da Colina", em livre (e equivocada) tradução. Autenticado m 0310e/2011 0 f AV;0 01 , P1ANN THC)%1E, . em ,:.38 08/2011 por JOAO OFAV:0 CPPERMANN THomF, Asm digitalmcpte m 10 03/001 1ALAOLIA (' ' SOA MONTER Impref.,,so em 01/00/2011 por VANA CLAUDIA SILVA CASTRO , A R.F MF Ft. 10 Processo n° 10675.003251/2006-61 S1-C1T2 Acórdão n.° 1102-00.491 Fl. 403 Em breve histórico, tem-se que, em decorrência das investigações promovidas a partir da CPI do Banestado, foi constatado que a empresa BEACON HILL SERVICE CORPORATION - BHSC era uma das maiores beneficiárias de recursos oriundos daquele banco brasileiro. No curso do inquérito instaurado para apurar crime contra o Sistema Financeiro Nacional e contra a Ordem Tributária, o Departamento de Policia Federal solicitou ao Juizo da 2Vara Criminal Federal de Curitiba-PR, fls. 94 a 96, a quebra de sigilo bancário no exterior da empresa BHSC, sediada em Nova Iorque, Estados Unidos da América, a qual atuava como preposto bancário-financeiro de pessoas físicas ou jurídicas em agência do JP Morgan Chase Bank. O Juizo da 2a Vara Criminal Federal de Curitiba/PR encarregou a autoridade policial presidente do inquérito de obter a documentação pertinente (fls. 97 a 102). Esta, por sua vez, oficiou A. Promotoria do Distrito de Nova Iorque (District Attorney's of the County of New York), fls. 103 a 108, sobre o afastamento do sigilo bancário e pedido de investigação criminal nos EUA, solicitando fosse disponibilizada para análise a documentação existente naquele Órgão do Condado de Nova Iorque/EUA, relativa à empresa BEACON HILL SERVICE CORPORATION e suas respectivas sub-contas. As mídias eletrônicas e documentos contendo os dados financeiros relativos A. BEACON HILL foram disponibilizada para análise e cópia por das autoridades brasileiras após decisão judicial proferida pela Juiza Renee White da Suprema Corte norte americana (Order To Disclose, de 29/08/2003, fls. 109 a 111). Oficio da Promotoria do Distrito de Nova Iorque, de 09/09/2003, fls. 112, confirmam a legalidade e a validade da evidência verificada e copiada pela CPI e Policia Federal. Estas informações e documentos foram trazidos para o Pais pela autoridade policial, e, em 20/04/2004, conforme decisão da 2' Vara Criminal Federal de Curitiba/PR, fls. 113 a 115, foi deferido o acesso A. Receita Federal, Bacen e Coaf, a todos os documentos e arquivos eletrônicos obtidos pela autoridade policial relativamente a Beacon Hill. Diante do breve relato acima exposto, restam absolutamente sem fundamento as alegações da recorrente quanto a uma suposta ilicitude das provas coletadas. A "quebra do sigilo bancário", ao contrário do que sustenta a recorrente, foi aprovada tanto pela autoridade judiciária norte-americana quanto pela autoridade judiciária brasileira. Ademais, a legalidade e a validade das evidências coletadas foram expressamente atestadas pela autoridade que detinha a sua guarda. No que importa à sua utilização pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, esta foi expressamente autorizada pelo Juizo da 2a Vara Federal Criminal de Curitiba. Nestes termos, entendo que sequer compete A. autoridade julgadora administrativa questionar a legalidade de um repasse de documentação, quando este foi efetuado com amparo em autorização judicial. No mesmo sentido, cito o seguinte precedente: "PROVA ILÍCITA. DOCUMENTAÇÃO ENCAMINHADA is, FISCALIZAÇÃO POR ORDEM JUDICIAL. A documentação encaminhada ao Fisco corn respaldo de decisão judicial constitui prova licita utilizada para fins de instrução de processo administrativo tributário. Não cabe A. autoridade julgadora Autenticado oitarnente kC.) OTJVO :.)PPERMANN TII0Mii, A$sic■ado C Jti ern 03/ Obf2011 por JOAO 0 N 101011201 i pcsA MAI..A.M.11AS P S SOA MONTEIR lo Impresso 00) 0110912011 por VANA CLAUDIA SI: VAGAS; DF CARFMF FLIt Processo n° 10675.003251/2006-61 SI-CIT2 Acórdão n.° 1102-00.491 Fl. 404 administrativa acolher questionamento sobre a legalidade do repasse de documentação e informações com amparo em autorização judicial." (Acórdão 101- 96.662, sessão de 17 de abril de 2008, relator Cons. Aloysio José Percinio da Silva) As mídias eletrônicas foram periciadas por Peritos Federais Criminais, que elaboraram Laudos Periciais, individualizados por contas ou subcontas, visando a identificar os titulares, procuradores e responsáveis pela movimentação. As fls. 6 a 18 do Anexo II encontra-se o Laudo de Exame Econômico- ceiro n° 1033/04 do Instituto Nacional de Criminalística, produzido especificamente para identificar os titulares, procuradores ou representantes da conta MIDLER CORP. S.A., no 530.765.055, de que trata os presentes autos. Neste laudo, os principais campos existentes nas planilhas dos arquivos eletrônicos examinados foram descritos pelos peritos. Foi a partir da referência ao nome da recorrente nos campos ULT BENE (que identificariam o beneficiário final) e/ou DETAIL PAYMENT (que forneceriam detalhes sobre as ordens de pagamento), que a Equipe Especial de Fiscalização, criada pela Portaria SRF n° 463/2004, identificou-a como beneficiária de recursos movimentados por meio da citada conta. Entretanto, de se observar que nas 17 (dezessete) operações bancárias as quais foi atribuida conexão com a recorrente, a sua identificação comporta diversas variantes, entre as quais: GIACAMPOS DIAMOND LTDA, GIA CAMPOS DIAMOND LTDA, GIACAMPU DIAMOND LTDA BRASIL, GIACOMPU DIAMOND LTDA, GIACAMPOUS DIAMONDS, GIA COMPU DIAMONDS, GIACAMPI DIAMONDS, G1ACOMPU DIAMONDS, GIOCAMPU DIAMONDS. Em uma dessas dezessete operações, não ha qualquer menção ao nome da recorrente. E em apenas três delas consta ainda o nome de Gulmar Campos ou Gulmar Campas, o que poderia ser uma referência ao nome de um dos sócios da recorrente, o Sr. Gilmar Alves Campos. Afora isto, nenhuma outra referência há a dados como endereço, CNPJ, ou operação comercial a que se refere, que pudessem estabelecer uma conexão precisa com a recorrente. Em todas as dezessete, o ordenante dos pagamentos apontados é YAELSTAR B.V.B.A., com endereço indicado na midia eletrônica na cidade de Antuérpia, Bélgica. A fiscalização identificou que a YAELSTAR B.V.B.A. é cliente da recorrente, conforme a Nota Fiscal de Exportação de diamantes em bruto n° 000027, que fez anexar aos autos as fls. 252 do volume 2 do Anexo I. Além disto, juntou as fls. 4-5 dos autos reproduções de página eletrônica na internet desta empresa, sediada na Bélgica, e que opera no comércio de diamantes, mesmo ramo de atuação da recorrente. Embora sejam indícios relevantes de que a recorrente possa efetivamente ser a beneficiária dos apontados recursos, entendo que o conjunto probatório não é suficiente para identificar, estreme de dúvidas, o sujeito passivo. A nota fiscal em questão por certo evidencia a existência de relações comerciais entre a recorrente e a ordenante dos pagamentos efetuados, mas nada mais que isto. Visto sob outra ótica, também permite inferir que o ordenante conhecia o nome da recorrente, Autentic:do dkj 8 mere em 08;0812011 por JOÃO OTAVR) 0i'2:,1;MANN ,m 00/ 0812011 por JOÃO OTAV:0 OPP[ - WAW: 22%, em 10/08/20 -; 1 pc:: ! siEl MALAQUIAS ES SOA MONTEIR II Impresso oro01/20/2011 por IVANA CLALi l :;;A OLVA CASTRO DF C,ARF MF FL 12 Processo n° 10675.003251/2006-61 SI-C1T2 Acórdão n.° 1102-00.491 Fl. 405 podendo ta-lo usado, por exemplo, para a finalidade de ocultar o efetivo beneficiário dos recursos. Trata-se, apenas, é claro, de uma suposição, entre tantas possíveis. De concreto, só o que se sabe é que houve uma movimentação financeira de recursos, ordenada por YAELSTAR B.V.B.A. (embora o próprio Laudo de Exame Econômico- Financeiro n° 1033/04 do Instituto Nacional de Criminalistica confirme que isto não significa sequer que ienha sido ele, necessariamente, o remetente original), em que os recursos foram sacados de uma conta bancária no banco KBC BANK N.V. e tiveram como destino a conta MIDLER do BHSC (BFISC AGENT FOR MIDLER CORP. SA ). A MIDLER CORP. SA, conforme o referido Laudo Pericial, seria empresa constituída, conforme "ACTA (Papel Notarial)" de 09/10/2001, por Gabriel Lewi e Clemente Dana, cidadãos uruguaio e argentino, respectivamente. Os documentos bancários examinados pelos peritos, no laudo relacionados, todos se referem somente a estes dois senhores como os responsáveis pela MIDLER CORP. SA , identificada ela como a CLIENTE responsável pela conta, em todos os cartões de assinatura e demais documentos de abertura da conta ("Signature Specimen Card", "Master Agency Agreement", "New Client Application", e "Customers Profile"). Em certo ponto do laudo, faz este menção a um "documento evidenciando relacionamento da empresa com pessoas físicas brasileiras, Rio de Janeiro, em operações com pedras preciosas (Vol. 01, fls. 97/98)", entretanto, tal documento não se encontra anexo aos autos. De qualquer sorte, no presente caso se trata de pessoa jurídica, e sediada em Minas Gerais. Não ha nenhum contrato, procuração, cartão de assinatura, ou qualquer outro documento que contenha alguma assinatura da recorrente, ou qualquer outro elemento que permita demonstrar que ela movimentasse estes recursos, ou autorizasse que fossem os mesmos movimentados por sua ordem, ou seja, nenhuma prova há de que ela de fato detinha a propriedade dos referidos recursos. Nenhuma ligação foi apontada entre a recorrente e a MIDLER CORP. SA ou qualquer de seus sócios, que assim também poderiam apenas ter utilizado o nome da recorrente para suas operações ilícitas. Ou seja, com base tão somente na menção ao nome da recorrente na mídia eletrônica, e na circunstancia de ser o suposto depositante dos recursos cliente daquela, porém sem outros indícios ou elementos de prova, pode-se no máximo chegar a um juizo de probabilidade de que ela efetivamente seja a beneficiária das transações efetuadas. Mas para que se pudesse imputar corn segurança a sujeição passiva a recorrente, seria necessário urn conjunto de indícios veementes, graves, precisos e convergentes, que fossem capazes de fundamentar o convencimento do julgador, mormente em face da negativa, por parte da recorrente, de qualquer ligação com os fatos, e tal conjunto probatório inexiste no caso. Neste sentido, cito os seguintes precedentes administrativos: PIS. PRESUNÇÃO. PROVA INDICIARIA. A "presunção" consiste nas conseqüências que a lei tira de um fato conhecido para provar um fato oculto. A prova indicidria, admitida pelo Direito, apóia-se em um conjunto de indícios veementes, graves, precisos e convergentes, capazes de demonstrar a ocorrência da infração e fundamentar o convencimento do julgador. (Acórdão n° 203-09180, sessão de 11.09.2003, relatora Cons. Luciana Pato Pecanha Martins) AutenIicado d;nerite ern 63A. ii:/2011 oTAvlo uppL THOME, 108/ 08/2011 por JOAO OTAVIO ()PET EMANE '1 Assinado dig msnu em 10/03/2011 rior IVE - 1 E MAIAQUAS SOA MONTER Impress° um 01/390011 por VANA OLAUL2A S '; , 12 a DF CARF MF FL 13 Processo n° 10675.003251/2006-61 S t -C! T2 Acórdão n.° 1102-00.491 Fl. 406 LANÇAMENTO — ILEGITIMIDADE PASSIVA — PROVA INDICIARIA. A prova indiciária para referendar a identificação do sujeito passivo deve ser constituída de indícios que sejam veementes, graves, precisos e convergentes, que examinados em conjunto levem ao convencimento do julgador. Recurso provido. (Acórdão n° 107-08.592, sessão de 25.05.2006, relatora Cons. Albertina Silva Santos de Lima) 0 art. 112 do CTN determina que a lei tributária que define infrações, ou lhe corniiia enalidades, interpreta-se de maneira mais favorável ao acusado, em caso de dúvida quanto a autoria, imputabilidade, ou punibilidade. Concluo, portanto, que não há prova nos autos que confirme ser a autuada de _fato a beneficiária das operações bancárias efetuadas, devendo, portanto, ser cancelada a tributação a titulo de omissão de receitas com base na presunção legal do artigo 42 da Lei n° 9.430/96. Quanto as exigências de PIS, Cofins, e CSLL, decorrentes das duas omissões de receita aqui tratadas (saldo credor de caixa, e depósitos bancários não contabilizados), aplica-se a elas o mesmo tratamento dispensado ao lançamento da exigência principal, em razão da intima relação de causa e efeito que os vincula. Pelo exposto, rejeito a preliminar de nulidade do lançamento, e, no mérito, dou parcial provimento ao recurso voluntário, para cancelar a tributação a titulo de omissão de receitas com base nos depósitos bancários não contabilizados. como voto. Documento assinado digitalmente. João Otávio Oppermann Thomé - Relator Autenticado digitalinent8i0812011 por JOAO OTAVIO CI YERMANN 1 r 08/2011 por JOAO OTAV 101(18120' SOA MONTEIR Impfes:3o oir: 01%09/2011 pc)r S:1 VA ç;=,,,S I 120 nen,o em (:3/ por 1VE-: MALAOUIAS 13
score : 1.0
Numero do processo: 16832.000360/2009-03
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 29 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Mar 29 00:00:00 UTC 2011
Ementa: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES
Ano calendário: 2004
OMISSÃO DE RECEITAS. FALTA DE ESCRITURAÇÃO DE PAGAMENTOS EFETUADOS. A falta de escrituração de pagamentos de compras, efetivamente realizados, autoriza a presumir que os recursos sejam oriundos de omissão de receitas.
INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTOS. Uma vez comprovada a
insuficiência de recolhimentos deve ser mantida a autuação.
MULTA QUALIFICADA. 150%. (CENTO E CINQÜENTA POR CENTO)
COMPRAS E PAGAMENTOS REGISTRADAS E DECLARADAS A MENOR. CONDUTA REITERADA. CABIMENTO. A conduta reiterada do de registrar na contabilidade, bem como declarar à Receita Federal, à menor
as compras e seus pagamentos, com o fito de ocultar as receitas, denota o elemento subjetivo da prática dolosa de reduzir tributo e enseja a aplicação de multa qualificada de 150% (cento e cinqüenta por cento), de que trata o art. 44, inciso II, da Lei nº 9.430/1996.
JUROS DE MORA. TAXA SELIC. O art. 61, caput e § 3º, c/c art. 5º, § 3º, da Lei nº 9.430/1996, que estabelecem a aplicação de juros moratórios com base na taxa Selic para os débitos tributários não pagos até o vencimento, estão plenamente em vigor no ordenamento jurídico, devendo, portanto, ser aplicados.
Recurso Voluntário Negado Provimento
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Numero da decisão: 1402-000.476
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Matéria: Simples - ação fiscal - insuf. na apuração e recolhimento
Nome do relator: Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira
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ementa_s : SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Ano calendário: 2004 OMISSÃO DE RECEITAS. FALTA DE ESCRITURAÇÃO DE PAGAMENTOS EFETUADOS. A falta de escrituração de pagamentos de compras, efetivamente realizados, autoriza a presumir que os recursos sejam oriundos de omissão de receitas. INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTOS. Uma vez comprovada a insuficiência de recolhimentos deve ser mantida a autuação. MULTA QUALIFICADA. 150%. (CENTO E CINQÜENTA POR CENTO) COMPRAS E PAGAMENTOS REGISTRADAS E DECLARADAS A MENOR. CONDUTA REITERADA. CABIMENTO. A conduta reiterada do de registrar na contabilidade, bem como declarar à Receita Federal, à menor as compras e seus pagamentos, com o fito de ocultar as receitas, denota o elemento subjetivo da prática dolosa de reduzir tributo e enseja a aplicação de multa qualificada de 150% (cento e cinqüenta por cento), de que trata o art. 44, inciso II, da Lei nº 9.430/1996. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. O art. 61, caput e § 3º, c/c art. 5º, § 3º, da Lei nº 9.430/1996, que estabelecem a aplicação de juros moratórios com base na taxa Selic para os débitos tributários não pagos até o vencimento, estão plenamente em vigor no ordenamento jurídico, devendo, portanto, ser aplicados. Recurso Voluntário Negado Provimento Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
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FALTA DE ESCRITURAÇÃO DE PAGAMENTOS EFETUADOS. A falta de escrituração de pagamentos de compras, efetivamente realizados, autoriza a presumir que os recursos sejam oriundos de omissão de receitas. INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTOS. Uma vez comprovada a insuficiência de recolhimentos deve ser mantida a autuação. MULTA QUALIFICADA. 150%. (CENTO E CINQÜENTA POR CENTO) COMPRAS E PAGAMENTOS REGISTRADAS E DECLARADAS A MENOR. CONDUTA REITERADA. CABIMENTO. A conduta reiterada do de registrar na contabilidade, bem como declarar à Receita Federal, à menor as compras e seus pagamentos, com o fito de ocultar as receitas, denota o elemento subjetivo da prática dolosa de reduzir tributo e enseja a aplicação de multa qualificada de 150% (cento e cinqüenta por cento), de que trata o art. 44, inciso II, da Lei nº 9.430/1996. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. O art. 61, caput e § 3º, c/c art. 5º, § 3º, da Lei nº 9.430/1996, que estabelecem a aplicação de juros moratórios com base na taxa Selic para os débitos tributários não pagos até o vencimento, estão plenamente em vigor no ordenamento jurídico, devendo, portanto, ser aplicados. Recurso Voluntário Negado Provimento Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 310DF CARF MF Emitido em 14/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/04/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE Assinado digitalmente em 13/04/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE, 14/04/2011 por ALBERTINA SIL VA SANTOS DE LIMA Processo nº 16832.000360/200903 Acórdão n.º 140200.476 S1C4T2 Fl. 2 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Albertina Silva Santos de Lima Presidente (assinado digitalmente) Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Albertina Silva Santos de Lima. Relatório JOSE PINHEIRO DOS SANTOS recorre a este Conselho contra a decisão proferida pela 7ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro – I, que em primeira instância julgou procedente a exigência, pleiteando sua reforma, com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF). Em razão de sua pertinência, transcrevo o relatório da decisão recorrida (verbis): Trata o presente processo de autos de infração de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) Simples, de Contribuição para Programa de Integração Social (Pis) Simples, de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) – Simples, de Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (Cofins) – Simples e de Contribuição para Seguridade Social (INSS) Simples, lavrados contra o interessado acima qualificado, pela DFI/Rio de Janeiro, referente ao anocalendário de 2004. O procedimento de ofício resultou em autos de infração de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) Simples, no valor de R$ 17.566,82 (fls. 133/156); Contribuição para Programa de Integração Social (Pis) Simples, no valor de R$ 17.566,82 (fls. 157/167); de Contribuição Social sobre Lucro Líquido (CSLL) Simples, no valor de R$ 28.271,04 (fls. 168/178); de Contribuição p/ Financ. Segurid. Social (Cofins) Simples, no valor de R$ 56.542,09 (fls. 179/189); de Contribuição p/ Seguridade Social (INSS) Simples, no valor de R$ 114.733,16 (fls. 190/202); multa de ofício de 150% (cento e cinqüenta por cento) e de multa de ofício de 75% (setenta e cinco por cento), nos termos dos autos de infração lavrados, e demais encargos de juros moratórios. As infrações apuradas foram as seguintes: Descrição dos fatos: 001) Omissão de receitas caracterizada pela falta de escrituração de pagamentos efetuados. Fl. 311DF CARF MF Emitido em 14/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/04/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE Assinado digitalmente em 13/04/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE, 14/04/2011 por ALBERTINA SIL VA SANTOS DE LIMA Processo nº 16832.000360/200903 Acórdão n.º 140200.476 S1C4T2 Fl. 3 3 002) Insuficiência de recolhimentos ocasionado na receita bruta mensal declarada, em razão dos valores omitidos, conforme demonstrativo de apuração dos valores não recolhidos (fls. 140/145). De acordo com o Termo de Verificação Fiscal (fls. 110/111), a fiscalização relatou o seguinte: Foi apurado junto à empresa SHV Gás Brasil Ltda. vendas de mercadorias ao interessado em valores maiores que as compras informadas pelo interessado na Declaração Simplificada. O interessado informou na Declaração Simplificada compras, no montante de R$ 597.392,60, enquanto que a empresa fornecedora (SHV Gás Brasil Ltda.) comprovou ter efetuado vendas ao interessado, no montante de R$ 2.877.017,00 (fls. 31/49), tendo apresentado as notas fiscais emitidas e informado a data do efetivo pagamento das faturas. O interessado foi intimado (fls. 50/83) a apresentar as notas fiscais elencadas pelo fornecedor, apresentar os documentos que serviram de base para a escrituração referente ao pagamento dessas faturas e justificar as diferenças entre os valores apresentados pelo mesmo e os valores escriturados/informados. O interessado, através dos documentos de fls. 88/109, elencou as notas fiscais cuja escrituração foi comprovada, não tendo logrado êxito em comprovar a escrituração da totalidade dos pagamentos das compras. A fiscalização concluiu que a ausência de escrituração na contabilidade do pagamento de duplicatas e demais obrigações autoriza que se presuma que tal quitação foi efetuada mediante recursos originários do não registro de receita, conforme dispõe o art. 281, II, do RIR/1999 (infração 001 dos autos de infração). As bases de cálculo para o lançamento de ofício constam à fls. 112/132, tendo sido excluídos os valores dos pagamentos cuja a escrituração foi comprovada. A fiscalização entendeu, ainda, que, como a infração apurada apresenta a ocorrência de fatos que, em tese, configurariam crime contra a ordem tributária, definido pelos arts. 1º e 2º da Lei nº 8.137/1990, aplicou a multa de ofício de 150% (art. 44, inciso II, da Lei nº 9.430/1996). De acordo com o Demonstrativo de Percentuais Aplicáveis sobre a Receita Bruta (fls. 138/139), as diferenças apuradas (receitas omitidas) influenciam no montante da Receita Bruta Mensal e na Receita Bruta Acumulada, que, por sua vez, tem influência direta na apuração de quais percentuais serão aplicáveis no cálculo dos tributos. Tendo o interessado omitido receita, a receita bruta declarada mensalmente foi menor. Se esta foi declarada a menor, o percentual aplicado sobre a receita bruta acumulada também foi menor, o que ocasionou insuficiência no recolhimento dos tributos (infração 002 dos autos de infração e Demonstrativo de apuração de valores não recolhidos fls. 140/145). Para esta infração, foi aplicada multa de 75% (art. 44, inciso II, da Lei nº 9.430/1996). Inconformado, o interessado apresentou a peça impugnatória, em 24/06/2009 (fls. 217/226), requerendo que os lançamentos sejam julgados improcedentes, alegando, em síntese, o seguinte: que no Termo de Verificação Fiscal, apesar de a fiscalização afirmar haver “pagamentos não contabilizados”, caracterizados por “ausência na escrituração na contabilidade do contribuinte”, em momento algum a fiscalização examinou a Fl. 312DF CARF MF Emitido em 14/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/04/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE Assinado digitalmente em 13/04/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE, 14/04/2011 por ALBERTINA SIL VA SANTOS DE LIMA Processo nº 16832.000360/200903 Acórdão n.º 140200.476 S1C4T2 Fl. 4 4 contabilidade, não podendo afirmar, portanto, a existência de pagamentos não contabilizados. que, apesar de intimado para que apresentasse o Livro Razão, o Impugnante não o fez, não tendo o ilustre fiscal reiterado a intimação para que o fizesse, nem examinado qualquer livro ou documento contábil da empresa. que, se a fiscalização não examinou a contabilidade do Impugnante, não pode amparar o lançamento na falta de escrituração dos pagamentos efetuados (art. 281, II, do RIR/1999), por mera presunção, sem o exame da contabilidade, a qual poderia justificar a infração tributada. que não se enquadra no dispositivo legal que presume omissão de receitas quando comprovada a falta de escrituração de pagamentos. que a fiscalização errou ao agravar a multa por evidente intuito de fraude, com base no art. 957, inciso II, do RIR/1999 (art. 44, inciso II, da Lei nº 9.430/1996). que para que seja agravada a multa por crime de sonegação fiscal, tanto o Regulamento, quanto à Lei nº 4.502/1964, exigem o evidente intuito de fraude que, como insculpido nos arts. 71, 72 e 73 desta Lei, decorre da existência de dolo específico, que evidentemente não pode ser presumido. que não se pode justificar, num lançamento com base em mera presunção, mesmo que legal, evidente intuito de fraude ou dolo, já que a sonegação fiscal tem que ser comprovada e não presumida. que é impossível a utilização da Selic como taxa de juros moratórios incidentes sobre débitos de natureza fiscal; cita ementa de REsp. do STJ. que, quanto à Contribuição para Programa de Integração Social (Pis) Simples, de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) – Simples, de Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (Cofins) – Simples e de Contribuição para Seguridade Social (INSS) – Simples, em razão da relação de causa e efeito, reporta se aos argumentos utilizados para o Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) – Simples. A decisão recorrida está assim ementada: OMISSÃO DE RECEITAS. FALTA DE ESCRITURAÇÃO DOS PAGAMENTOS EFETUADOS. A falta de escrituração de pagamentos comprovadamente efetuados autoriza a presumir que os recursos sejam oriundos de omissão de receitas. INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTOS. Uma vez comprovada a insuficiência de recolhimentos deve ser mantida a autuação. MULTA QUALIFICADA. 150%. (CENTO E CINQÜENTA POR CENTO) COMPRAS DECLARADAS A MENOR. CONDUTA REITERADA. CABIMENTO. A conduta reiterada do interessado de declarar a menor compras efetuadas objetiva ocultar o fato de que compras estão sendo efetuadas com recursos oriundos de omissão de receitas, o que denota o elemento subjetivo da prática dolosa de reduzir tributo e enseja a aplicação de multa qualificada de 150% (cento e cinqüenta por cento), de que trata o art. 44, inciso II, da Lei nº 9.430/1996. Fl. 313DF CARF MF Emitido em 14/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/04/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE Assinado digitalmente em 13/04/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE, 14/04/2011 por ALBERTINA SIL VA SANTOS DE LIMA Processo nº 16832.000360/200903 Acórdão n.º 140200.476 S1C4T2 Fl. 5 5 JUROS DE MORA. TAXA SELIC. O art. 61, caput e § 3º, c/c art. 5º, § 3º, da Lei nº 9.430/1996, que estabelecem a aplicação de juros moratórios com base na taxa Selic para os débitos tributários não pagos até o vencimento, estão plenamente em vigor no ordenamento jurídico, devendo, portanto, ser aplicados. Impugnação Improcedente Credito Tributário Mantido Cientificada da aludida decisão, a contribuinte apresentou recurso voluntário em 24/09/2009 (fls. 280 e seguintes), no qual repisa as alegações da peça impugnatória e, ao final, requer o provimento. É o relatório. Fl. 314DF CARF MF Emitido em 14/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/04/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE Assinado digitalmente em 13/04/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE, 14/04/2011 por ALBERTINA SIL VA SANTOS DE LIMA Processo nº 16832.000360/200903 Acórdão n.º 140200.476 S1C4T2 Fl. 6 6 Voto Conselheiro Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira, Relator. O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos legais e regimentais para sua admissibilidade, dele conheço. Conforme relatado, tratase de exigência de tributos federais, na sistemática do Simples, anocalendário de 2004, em razão de omissão de receitas apurada em face de pagamento de compras não escriturados, tendo a fiscalização aplicado a multa de 150% pelo evidente intuito de fraude. Em seu recurso voluntário a contribuinte, ao fim e ao cabo, não contesta o cerne da exigência, qual seja: efetuou compras de produtos para revenda junto a empresa SHV Gás Brasil Ltda, em todos os meses do anocalendário, porém, na Declaração do Simples informou à Receita Federal que essas compras atingiram o montante de R$ 597.392,60, sendo que em verdade adquiriu R$ 2.877.017,00 de produtos para revenda. Uma vez que a fiscalização tributou a omissão de receitas aplicando a presunção legal de pagamentos não escriturados (o art. 281, II, do RIR/1999), mas, segunda a recorrente, em momento algum teria obtido acesso aos livros contábeis e fiscais da empresa, a recorrente alega que a fiscalização presumiu a ausência de contabilização, portanto as exigências devem ser canceladas. Não cabe razão aos ilustres representantes das recorrente, senão vejamos: O art. 281, inciso II, do RIR/1999. “Art. 281 Caracterizase como omissão no registro de receita, ressalvada ao contribuinte a prova da improcedência da presunção, a ocorrência das seguintes hipóteses (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 12, §2º, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 40): I ...... II a falta de escrituração de pagamentos efetuados; III .....” Logo, a falta de escrituração dos pagamentos efetuados autoriza a presunção de omissão de receita.. Compulsando os autos, verificase que a fiscalização intimou os representantes da contribuinte a apresentar seus livros contábeis e fiscais no Termo de Início da Ação Fiscal (fl. 22), datado de 08/09/2008, e reintimado no Termo de Ciência de Continuação de Procedimento Fiscal (fl. 23), datado de 03/11/2008. Fl. 315DF CARF MF Emitido em 14/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/04/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE Assinado digitalmente em 13/04/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE, 14/04/2011 por ALBERTINA SIL VA SANTOS DE LIMA Processo nº 16832.000360/200903 Acórdão n.º 140200.476 S1C4T2 Fl. 7 7 Adiante, nos documentos de fls. 89/109, a própria contribuinte admite que as notas fiscais omitidas realmente não constam nos seus livros fiscais, ou seja, estão mesmo fora de sua contabilidade. Portanto, o lançamento está calcado na certeza de que os pagamentos dessas compras junto a empresa SHV Gás não foram contabilizados. E mais: em nenhum momento neste processo a contribuinte esclarece a origem dos recursos utilizados nos aludidos pagamentos, autorizando a presunção que foram feitos exatamente com a venda desses produtos, também omitida. As exigências fiscais estão absolutamente corretas. No que tange a multa qualificada, a recorrente afirma que não pode prevalecer em face de o lançamento estar calcado em presunção legal. De fato, em pese estar patente a omissão de receitas, haja vista que a única hipótese plausível da destinação dos milhares de botijões de gás comprados pela contribuinte foi a revenda aos consumidores, a prova continua indireta. À luz do artigo 44 inciso II da Lei 9.430/1996, c/c o artigo 71 da Lei 4.502/1964, a qualificação da multa, ao percentual de 150%, está condicionada a prova de conduta dolosa do contribuinte, visando retardar ou impedir o conhecimento da omissão pela autoridade tributária. Essa conduta deve ser sim comprovada e não pode ser presumida. Vamos então aos fatos: está comprovado nos autos que a contribuinte sistematicamente deixou de escriturar em torno de 80% de suas compras, bem como os pagamentos destas, nos 12 meses do ano de 2004. o contribuinte realizou pagamentos mensais de tributos federais na sistemática do Simples também ocultando os valores omitidos. ao final, apresentou a Declaração do Simples, onde declarou compras em valor condizente com os tributos sobre as receitas que declarou. Frisese que a atividade do contribuinte, revenda de gás, tem uma margem conhecida. A única conclusão verossímil é que o contribuinte agiu premeditadamente. Não só com o intuito de sonegar, mas também de impedir o Fisco Federal de tomar conhecimento dessa omissão. pelo com o intuito de ocultar que as compras foram efetuadas com recursos omitidos, estará, aí sim, caracterizado o dolo. Em outras palavras, a análise deve recair sobre o fato conhecido, in casu, a falta de escrituração dos pagamentos, a fim de que seja verificada a presença ou não do elemento subjetivo da prática dolosa. Por fim, no que tange a exigência de juros de mora à taxa Selic, tal qual registrado na decisão recorrida, o art. 61, caput e § 3º, c/c art. 5º, § 3º, da Lei nº 9.430/1996, determina que sobre os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições Fl. 316DF CARF MF Emitido em 14/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/04/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE Assinado digitalmente em 13/04/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE, 14/04/2011 por ALBERTINA SIL VA SANTOS DE LIMA Processo nº 16832.000360/200903 Acórdão n.º 140200.476 S1C4T2 Fl. 8 8 administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, incidirão juros de mora equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – SELIC, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento. O próprio STJ tem julgado nesse sentido, consoante decisão citado no acórdão recorrido: APLICAÇÃO DA SELIC – 1. Esta Corte pacificou entendimento quanto à legalidade da Taxa Selic, a qual contabiliza correção monetária e juros moratórios (precedentes múltiplos. [...] PROCESSO: 2003/00417242 DECISÃO: 04/11/2003 Publicado DJ – 15/12/2003)”. Ademais, Nesse sentido dispõe a Súmula nº 4 do CARF: “A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais.” Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira Fl. 317DF CARF MF Emitido em 14/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/04/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE Assinado digitalmente em 13/04/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE, 14/04/2011 por ALBERTINA SIL VA SANTOS DE LIMA
score : 1.0
Numero do processo: 11020.003215/2004-01
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 28 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Jul 28 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2000
MULTA ISOLADA E MULTA DE OFÍCIO. CONCOMITÂNCIA.
IMPOSSIBILIDADE.
A multa isolada não pode ser exigida concomitantemente com a multa de ofício. Precedentes.
Recurso provido.
Numero da decisão: 2101-001.193
Decisão: ACORDAM os Membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar
provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. Vencido o Conselheiro José Evande Carvalho Araujo, que negava provimento.
Nome do relator: ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2000 MULTA ISOLADA E MULTA DE OFÍCIO. CONCOMITÂNCIA. IMPOSSIBILIDADE. A multa isolada não pode ser exigida concomitantemente com a multa de ofício. Precedentes. Recurso provido.
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CONCOMITÂNCIA. IMPOSSIBILIDADE. A multa isolada não pode ser exigida concomitantemente com a multa de ofício. Precedentes. Recurso provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. Vencido o Conselheiro José Evande Carvalho Araujo, que negava provimento. (assinado digitalmente) JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS Presidente Substituto (assinado digitalmente) ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Relator Fl. 104DF CARF MF Emitido em 08/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/08/2011 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 04/08/ 2011 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 11020.003215/200401 Acórdão n.º 210101.193 S2C1T1 Fl. 101 2 Participaram do julgamento os Conselheiros José Raimundo Tosta Santos (Presidente Substituto), Alexandre Naoki Nishioka (Relator), Celia Maria de Souza Murphy, José Evande Carvalho Araujo (convocado), Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa e Gonçalo Bonet Allage. Relatório Tratase de recurso voluntário (fls. 94/98) interposto em 13 de fevereiro de 2008 contra o acórdão de fls. 80/85, do qual o Recorrente teve ciência em 17 de janeiro de 2008 (fl. 93), proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto Alegre (RS), que, por unanimidade de votos, julgou parcialmente procedente o auto de infração de fls. 60/62, lavrado em 06 de dezembro de 2004, em decorrência de omissão de rendimentos de trabalho sem vínculo empregatício recebidos de pessoas físicas sujeitos a carnêleão e de multa isolada devido à falta de recolhimento do carnêleão, verificadas no anocalendário de 1999. O acórdão recorrido teve a seguinte ementa: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2000 CARNÊLEÃO. FALTA DE RECOLHIMENTO. MULTA ISOLADA. A Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, art. 44, II, "a", com a redação dada pelo art. 14 da Lei n° 11.488 de 15 de junho de 2007, disciplinada pela Instrução Normativa SRF n° 46, de 13 de maio de 1997, estabeleceu a aplicação da multa isolada para a pessoa física, sujeita ao pagamento do imposto na forma de carnêleão, que tenha deixado de fazêlo, sem prejuízo da multa calculada sobre o imposto suplementar apurado pelo Fisco. FALTA DE RECOLHIMENTO DO CARNÊLEÃO. RETROATIVIDADE DA LEI FISCAL. Redução do percentual da multa de 75% para 50%. Dispondo a lei nova de penalidade menos severa que a vigente ao tempo da prática da infração, aplicase ao fato pretérito. Lançamento Procedente em Parte” (fl. 80). Não se conformando, o Recorrente interpôs o recurso de fls. 94/98, no qual reiterou os argumentos apresentados na impugnação relativamente à multa isolada. É o relatório. Fl. 105DF CARF MF Emitido em 08/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/08/2011 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 04/08/ 2011 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 11020.003215/200401 Acórdão n.º 210101.193 S2C1T1 Fl. 102 3 Voto Conselheiro ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Relator. O recurso preenche os requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual dele conheço. No mérito, discutese apenas e tãosomente a multa isolada. Verificase que no auto de infração lavrado contra o Recorrente foram lançadas concomitantemente a multa de ofício, pelo não recolhimento do tributo ao final do anocalendário, e a multa isolada, pelo não recolhimento mensal do carnêleão. Tenho entendido que, em situações como a presente, o recurso deve ser provido. Com efeito, diante do princípio da consunção, transposto dos lindes do direito penal, viola a necessária proporcionalidade das penas a interpretação de que seriam cumuláveis referidas multas sobre o mesmo ilícito, qual seja, deixar de recolher o tributo devido. Assim sendo, considerandose que a antecipação do recolhimento é iter procedimental lógico à omissão de rendimentos, não se faz possível cumular as multas de ofício e isolada, sob pena de incorrerse em bis in idem punitivo, consoante já me manifestei em outras oportunidades: “MULTA ISOLADA E MULTA DE OFÍCIO CONCOMITÂNCIA IMPOSSIBILIDADE A multa isolada não pode ser exigida concomitantemente com a multa de ofício. Precedentes da 2ª Câmara e da Câmara Superior de Recursos Fiscais.” (Primeiro Conselho de Contribuintes, 2ª Câmara, Recurso Voluntário n.º 153.289, Relator Conselheiro Alexandre Naoki Nishioka, sessão de 05/11/2008) Válido conferir, neste esteio, o seguinte julgado da Câmara Superior de Recursos Fiscais: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA –IRPF Exercício: 2002, 2003 MULTA ISOLADA E MULTA DE OFÍCIO CONCOMITÂNCIA MESMA BASE DE CÁLCULO. A aplicação concomitante da multa isolada (inciso II, a, do art. 44, da Lei n° 9.430, de 1996, com a redação atribuída pela Lei n° 11.488, de 2007) com a multa de oficio (inciso I, do art. 44, da Lei n 9.430, de 1996), não é legítima quando incide sobre uma mesma base de cálculo. Precedentes desta Câmara Superior de Recursos Fiscais (acórdão n° 0104.987, julg. em 15/06/2004). Recurso especial negado.” (CSRF, 2ª Turma, Recurso Especial n.º 157.292, Acórdão n.º 920200.746, Relator Conselheiro Moisés Nunes da Silva, sessão de 13/04/2010). Fl. 106DF CARF MF Emitido em 08/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/08/2011 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 04/08/ 2011 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 11020.003215/200401 Acórdão n.º 210101.193 S2C1T1 Fl. 103 4 Nesse exato sentido decidiram, de forma reiterada, todas as câmaras, sem exceção, do antigo Conselho de Contribuintes, consoante alguns acórdãos selecionados, cujas ementas seguem transcritas: “MULTA ISOLADA A multa de que trata o art. 18 da Lei 10.833, de 2003, é a multa de ofício prevista no art. 44 da Lei nº 9.430/96. A expressão "multa isolada" não significa que se trate de multa diversa da multa de ofício, mas sim, que a multa de ofício é aplicada isoladamente, ou seja, desacompanhada do principal sobre o qual incidiu.” (1º Conselho de Contribuintes, 1ª Câmara, Recurso Voluntário n. 161.660, Relatora Conselheira Sandra Maria Faroni, j. em 06/03/2008.) “MULTA ISOLADA E MULTA DE OFÍCIO CONCOMITÂNCIA MESMA BASE DE CÁLCULO Pacífica a jurisprudência deste Primeiro Conselho de Contribuintes de que não cabe a aplicação concomitante da multa de lançamento de ofício com multa isolada, apuradas em face da mesma omissão (Acórdão CSRF nº 0104.987 de 15/06/2004).” (1º Conselho de Contribuintes, 2ª Câmara, Recurso Voluntário n. 153.809, Relatora Conselheira Núbia Matos Moura, j. em 07/08/2008 “MULTA ISOLADA – MULTA DE OFÍCIO – CUMULATIVIDADE – Afastase a multa isolada quando a sua aplicação cumulativamente com a multa de ofício implica na dupla penalização do mesmo fato.” (1º Conselho de Contribuintes, 3ª Câmara, Recurso Voluntário n. 161.967, Relator Conselheiro Paulo Jacinto do Nascimento, j. em 17/04/2008.) Assim sendo, acolho o entendimento segundo o qual é impossível a cumulação das multas de ofício e isolada, excluindose do quantum debeatur o valor referente à multa isolada. Eis os motivos pelos quais voto no sentido de DAR provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Relator Fl. 107DF CARF MF Emitido em 08/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/08/2011 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 04/08/ 2011 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 11020.003215/200401 Acórdão n.º 210101.193 S2C1T1 Fl. 104 5 Fl. 108DF CARF MF Emitido em 08/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/08/2011 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 04/08/ 2011 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S
score : 1.0
Numero do processo: 15165.002003/2007-57
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 10 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Aug 10 00:00:00 UTC 2011
Ementa: NORMAS PROCESSUAIS. TEMPESTIVIDADE. Em razão da comprovação do envio por via postal da impugnação, por meio da juntada do Aviso de Recebimento — AR na fase recursal, verifica-se a tempestividade da apresentação da peça impugnatória. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. A apreciação da matéria em segunda instância, sem que tenha sido apreciada em primeira instância, caracteriza supressão de instância, o que não se admite no direito processual administrativo tributário. Processo anulado a partir da decisão de primeira instância, inclusive.
Numero da decisão: 3201-00.748
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em anular a decisão de primeira instância, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
Nome do relator: Daniel Mariz Gudiño
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ementa_s : NORMAS PROCESSUAIS. TEMPESTIVIDADE. Em razão da comprovação do envio por via postal da impugnação, por meio da juntada do Aviso de Recebimento — AR na fase recursal, verifica-se a tempestividade da apresentação da peça impugnatória. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. A apreciação da matéria em segunda instância, sem que tenha sido apreciada em primeira instância, caracteriza supressão de instância, o que não se admite no direito processual administrativo tributário. Processo anulado a partir da decisão de primeira instância, inclusive.
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TEMPESTIVIDADE. Em razão da comprovação do envio por via postal da impugnação, por meio da juntada do Aviso de Recebimento — AR na fase recursal, verificase a tempestividade da apresentação da peça impugnatória. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. A apreciação da matéria em segunda instância, sem que tenha sido apreciada em primeira instância, caracteriza supressão de instância, o que não se admite no direito processual administrativo tributário. Processo anulado a partir da decisão de primeira instância, inclusive. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em anular a decisão de primeira instância, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Judith do Amaral Marcondes Armando Presidente. Daniel Mariz Gudiño Relator. EDITADO EM: 13/08/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Judith do Amaral Marcondes Armando (presidente da turma), Luciano Lopes de Almeida Moraes (vice presidente), Robson José Bayerl, Marcelo Ribeiro Nogueira, Luiz Eduardo Garrossino Barbieri e Daniel Mariz Gudiño. Ausente justificadamente a conselheira Mércia Helena Trajano D’Amorim. Fl. 1323DF CARF MF Emitido em 06/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/08/2011 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 13/08/2011 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 01/12/2011 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARM 2 Relatório Por bem descrever os fatos ocorridos até a data da prolação do acórdão recorrido, transcrevo abaixo o relatório do órgão julgador de 1ª instância, incluindo, em seguida, as razões de recurso voluntário apresentado pela Recorrente: Trata o presente processo de auto de infração pela suposta prática de interposição de pessoas. Valor total da autuação R$ 23.324.005,59 Seguem as alegações da fiscalização aduaneira. O presente auto de infração decorre da aplicação de multa equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias importadas, devida a impossibilidade de sua apreensão, pela empresa BSD Comercial, a qual teve sua inscrição no CNPJ declarada inapta. A empresa autuada teve a sua inscrição no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ) declarada inapta a partir de 20/09/2002, sendo que tal decisão é decorrente de representação em que se concluiu que a constituição da empresa se deu com o uso de interpostas pessoas, sendo que os sócios ostensivos (Srs. Paulo Oscar Goldenstein e Michael Domingues) não possuíam capacidade financeira sequer para o inicio das atividades empresarias. A empresa de nome Vizzel Corp adentrou no quadro social da empresa autuada em 14/05/2003 e é objeto de medida cautelar fiscal. Considerando o disposto no artigo 44 da Instrução Normativa (IN) SRF n° 200/2002, mantido pelos artigos 50 da IN SRF n° 568/2005 e 50 da IN RFB n° 748/2007, e considerando as pessoas elencadas no auto de infração PAF n° 10907.000957/200438, ou sejam os reais interessados e beneficiários pelos atos praticados pela BSD, as seguintes pessoas deverão ser responsabilizadas tributariamente: Isidoro Rozenblum Trosman, Rolando Rozenblum Elpem, Noemi Elpem Kotliarevski de Rozenblum, Karina Rozenblum, Leon Knopfholz, Calmon Knopfholz. Às folhas 0203 apresenta os documentos em anexo ao auto de infração. Tais documentos são: planilha de dados contendo todas as DIs registradas pela empresa a partir da data da inaptidão, folha de rosto de tais DIs, DIs entregues por decisão administrativa ou judicial, Relatório IFR/CTA n° 012/2004, parecer técnico IRF/CTA n° 021/2004, parecer técnico lRF/CTA n° 035/2005 e ato declaratório n° 096/2005, cópia de auto de infração que deu origem ao processo de inaptidão, cópia parcial da ação penal pública contra os interessados. Intimação da empresa e das pessoas físicas solidárias mediante o Edital Secat n° 059/2007 (fl. 574). 1) Sr. Leon Knopfholz apresenta impugnação às folhas 595603. Fl. 1324DF CARF MF Emitido em 06/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/08/2011 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 13/08/2011 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 01/12/2011 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARM Processo nº 15165.002003/200757 Acórdão n.º 320100.0748 S3C2T1 Fl. 1.235 3 Alega que no decorrer da ação penal ficou comprovado que nunca foi beneficiado diretamente pelos resultados da empresa BSD, fato que ensejou o reposicionarnento do Ministério Público Federal em favor da absolvição. Cita depoimentos da ação penal. Argumenta que o Ministério Público (ação penal) entende que os reais proprietários e dirigentes supremos da empresa eram Isidoro e Rolando. Solicita a exclusão da responsabilidade solidária. Junta as alegações finais do MP em anexo à defesa. 2) Sr. Calrnon Knopfholz apresenta impugnação às folhas 729 738. Alega que no decorrer da ação penal ficou comprovado que nunca foi beneficiado diretamente pelos resultados da empresa BSD, fato que ensejou o reposicionamento do Ministério Público Federal em favor da absolvição, com exceção da sua participação em um contrato de mútuo, fato este que não liga como beneficiário ou controlador da empresa. Argumenta que nas alegações finais da ação penal são citadas provas que corroboram a afirmativa de ausência de responsabilidade do Sr. Calmon nas atividades e resultados da empresa BSD. O réu na ação penal e aqui autuado ou impugnante somente atuou na empresa a título de funcionário encarregado pelo desenvolvimento de produtos. Cita depoimentos da ação penal. Solicita a exclusão da responsabilidade solidária. Junta as alegações finais do MP em anexo à defesa. 3) A empresa fiscalizada/autuada/interessada/impugnante, BSD Comercial, apresenta defesa às folhas 867884. Segue argumentação. Houve cerceamento de defesa pelo fato de o auto de infração ter sido lavrado antes da imposição da sanção administrativa. Alega ausência de motivação idônea a sustentar a aplicação da multa. A simples alusão ao processo de inaptidão não pode ser considerado como pressuposto para a autuação. O objeto do processo de inaptidão é a penalidade de inaptidão da inscrição no cadastro do CNPJ e o do presente processo é a multa pecuniária decorrente da conversão da pena de perdimento. Inexistem pressupostos que permitam a aplicação da pena de multa retroativa à data de 20/09/2002. Alega ausência de motivação e ofensa ao princípio de mesmo nome. Requer a nulidade da autuação pelo caráter sucinto da motivação. Fl. 1325DF CARF MF Emitido em 06/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/08/2011 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 13/08/2011 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 01/12/2011 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARM 4 Em caso de manutenção da multa, solicita a restituição dos tributos pagos. Solicita a nulidade da autuação e subsidiariamente a restituição dos tributos pagos. 4) Sra. Noemi Elpern Kotliarevski Rozenblum, Sr. Rolando Rozenblum Elpern, Sr. Isidoro Rozenblum Trosman e Sra. Karina Rozenblum Elpern apresentam impugnação às folhas 892898. Seguem os argumentos. Alega a impossibilidade de prosseguimento do auto de infração até a conclusão da ação penal pública. A ação penal é questão prejudicial ao processo administrativo fiscal. Solicita o sobrestamento do processo. Requer também que as alegações finais de folhas 920968 sejam aceitas como parte da defesa. Segue resumo final: a) nulidade em decorrência de violação do principio do juiz natural uma vez que o Juizo competente é o foro do lugar em que se consumar a infração e pelo fato de o procedimento haver se iniciado em documento anônimo; b) nulidade em decorrência da instauração da investigação com base em documento apócrifo; c) nulidade por impedimento do Juizo; d) ilegalidade na quebra do sigilo bancário; e) nulidade da oitiva da testemunha Luciano Baldi; f) bis in idem quanto à imputação do artigo 288 do Código Penal (quadrilha ou bando) com processo penal anterior do réu; g) contrariedade ao critério adotado na denúncia acerca da continuidade delitiva, desconsiderandose o puro critério temporal de um mês como limite; h) existência de conflito aparente entre o artigo 299 do CP e artigo 22 da Lei n° 7.492/86 e artigo 334 do CP; i) no mérito, reconhecimento da ausência de autoria e materializada quanto ao tipo do artigo 334 do CP. Alega também que o réu Rolando está sendo responsabilizado pelo fato de ser diretor da empresa, o que configura responsabilidade objetiva. Sustenta que não há comprovação da autoria e materialidade dos delitos conforme folhas 961966. Contesta os dados utilizados na ação penal, notadamente a planilha do valor das mercadorias. À folha 1001, informa a unidade de origem a tempestividade das impugnações de folhas 595728 (Sr. Leon Knopfholz), 729865 (Calmon Knopfholz), 867890 (BSD representada por Paulo Oscar Goldstein). Às folhas 10021004, há retorno do processo à unidade de origem para informar processo judicial, sendo que, à folha 1005, retornouse o processo a esta Delegacia da Receita do Brasil de Julgamento. Em diligência de folha 1006, solicitouse que fosse informada a existência de ação judicial cível com o mesmo objeto deste processo administrativo e que fosse confirmada a tempestividade da impugnação de folhas 892898. Por fim, solicitouse juntada, Fl. 1326DF CARF MF Emitido em 06/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/08/2011 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 13/08/2011 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 01/12/2011 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARM Processo nº 15165.002003/200757 Acórdão n.º 320100.0748 S3C2T1 Fl. 1.236 5 corno anexo, de cópia do processo n° 10907.000957/200438, que a autuação fiscal faz referência à folha 02. Em despacho de folhas 10091010, informouse que o processo judicial em questão era uma Ação Penal Pública. Em despacho de folha 1012, informavase a mera protocolização de impugnações. Em diligência de folha 1013, foi observado que a unidade de origem não cumprira o solicitado à folha 1006 acerca da tempestividade das impugnações, notadamente a de folhas 892 898. Observouse também que as pessoas autuadas não foram intimadas da diligência anterior. Às folhas 10381047, consta razões de impugnação complementar das pessoas fisicas rés na autuação fiscal Sra. Noemi, Sr. Rolando, Sr. Isidoro e Sra Karina. Alegam a impossibilidade da exigência abranger DIs cujas mercadorias se encontram na posse da Receita Federal conforme folha 251 do Anexo III. Além disso, pelo conteúdo do mesmo documento, denotase que as mercadorias apreendidas no auto de infração n° 10907000129/200661 foram entregues ao representante legal da empresa, mediante termo de fiel depositário. Todavia, não há nos autos cópia de tal autuação, o que acarreta nulidade do presente lançamento. Além disso, na cópia da sentença penal n° 2006.70.000122997 (fls. 193249), há ordem de confisco decretada pelo juízo criminal no que diz respeito às mercadorias discutidas nos autos n° 10907.000957/200438 e 10907.000129/200661. Não há prova de que a Receita Federal requisitou e não obteve sucesso na busca das mercadorias. Solicita improcedência do auto de infração. Argúem sentença penal de absolvição da Sras. Noemi Elpern Kotliarevski Rozenblum e Karina Rozenbhun Elpern. BSD Comercial apresenta razões complementares às folhas 10511052. Alega que a diligência somente confirma o exposto na impugnação acerca da ausência de motivação idônea da autuação fiscal. Alega que a Autoridade Fazendária limitouse a fazer remissão ao processo de representação para inaptidão, como se fosse pressuposto para adoção da medida. Argüi que o processo de representação tem por objeto importações havidas através de 29 DIs, sendo que o presente processo se refere a 385 DIs, das quais 28 integram o auto de infração n° 10904.000957/200432. Informa a unidade de origem à folha 1055, que somente são tempestivas as impugnações do Srs. Leon e Calmon Knopfholz e BSD Comercial. Ressalta que o adendo de impugnação protocolizada pela empresa BSD é intempestivo. Fl. 1327DF CARF MF Emitido em 06/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/08/2011 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 13/08/2011 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 01/12/2011 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARM 6 Em petição de folha 1057, apresenta a unidade de Paranaguá acerca das mercadorias da empresa autuada. Segue relatório. Mediante ação ordinária 2009.70.08/0003351, a empresa requereu invalidação do auto de infração 0917800/00375/08 (constante do PAF 10907.002525/200895), que lançou multa no valor de R$ 3.773.622,17, em virtude de conversão da pena de perdimento aplicada nos autos do PAF n° 10907.000129/2006 61, pela impossibilidade de apreensão da mercadoria. A empresa interessada afirma que as 24 DIs objeto da penalidade já foram incluídas em processo anterior de multa de conversão (10907.002003/200757), que possui idêntico fundamento legal, ferindo a vedação do bis in idem. Seguem informações da unidade de origem acerca desta questão. As mercadorias relacionadas pela autora nas 24DIs citadas foram de fato objeto de penalidade de perdimento constante no processo 10907.000129/200661. Em sentença, ao Fisco foi autorizado exigir a apresentação das mercadorias ao depositário (Paulo Oscar Goldstein) ou equivalente em dinheiro, sendo que tal providência possibilitará a efetivação da pena de perdimento criminal decretada. Instaurado a apresentar as mercadorias, o Sr. Paulo Oscar (responsável pela entidade) afirmou que houve a perda de objeto do Termo de Fiel Depositário por força da lavratura de auto de infração n° 15165.002003/200757 de imposição de multa equivalente ao valor aduaneiro. Informou ainda que as mercadorias foram liberadas para utilização industrial e comercial, o que caracteriza a situação do artigo 23, §3°, do DecretoLei n° 1.455/1976. Ao contrário do informado, o presente processo (15165.002003/200757) não contempla todas as mercadorias do PAF 10907.000129/200661. Somente foram incluídas as DIs n° 03/0948850 e 03/09109218. O próprio Sr. Paulo Oscar confirmou que não dispõe das mercadorias. Na decisão de primeira instância, proferida na Sessão de Julgamento de 23/10/2009, a 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis (SC) julgou improcedente as impugnações, mantendo o crédito tributário exigido, nos termos do Acórdão n° 07.17863 (fls. 1.063/1070v): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO – II Período de apuração: 20/09/2002 a 23/04/2004 CONVERSÃO DA PENA DE PERDIMENTO Convertese em multa equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias que foram importadas com recursos de origem, disponibilidade e transferência não comprovados e que não sejam localizadas ou que tenham sido consumidas. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Fl. 1328DF CARF MF Emitido em 06/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/08/2011 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 13/08/2011 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 01/12/2011 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARM Processo nº 15165.002003/200757 Acórdão n.º 320100.0748 S3C2T1 Fl. 1.237 7 A prévia análise de admissibilidade dos recursos voluntários foi bem sistematizada pela autoridade fiscal preparadora no quadro abaixo (fl. 1232): Desse modo, as partes interessadas interpuseram três recursos: o dos Srs. Isidoro Rozenblum Trosman, Rolando Rozenblum Elpern, Noemi Elpem Kotliarevski de Rozenblum, Karina Rozenblum Elpern, na qualidade de responsáveis tributários (fls. 1121/1127); o de BSD – Comercial Importação e Exportação Ltda., na qualidade de contribuinte (fls. 1131/1141); e o do Sr. Leon Knopfholz também na qualidade de responsável tributário (fls. 1148/1156). O Sr. Calmon Knopfholz não interpôs recurso voluntário. Posteriormente à interposição dos recursos voluntários, em 19/01/2010, a 2ª Vara Criminal da Justiça Federal em Curitiba respondeu ao Oficio n° 521/09 GAB/IRF/CTA PR, expedido pela Inspetoria da Receita Federal do Brasil em Curitiba, a fim de juntar cópia da sentença proferida na Ação Penal nº 2006.70.00.0122997, ainda pendente de trânsito em julgado (fls. 1164/1222v). Convém ressaltar que, entre as partes interessadas no presente processo administrativo, a sentença supracitada condenou apenas os Srs. Isidoro Rozenblum Trosman, Rolando Rozenblum Elpern e Calmon Knopfholz por diversos crimes contra o erário público, absolvendo os demais por falta de prova suficiente para a condenação (fl. 1208). Na forma regimental, o processo digitalizado foi distribuído e, posteriormente, encaminhado a este Conselheiro Relator em 01/03/2011. É o relatório. Voto Conselheiro Daniel Mariz Gudiño Conforme atesta a própria autoridade fiscal preparadora, os recursos voluntários são tempestivos e preenchem os demais requisitos de admissibilidade do Decreto nº 70.235 de 1972, razão pela qual deles tomo conhecimento. Fl. 1329DF CARF MF Emitido em 06/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/08/2011 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 13/08/2011 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 01/12/2011 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARM 8 Antes de analisar as peças recursais da BSD – Comercial Importação e Exportação Ltda e do Sr. Leon Knopfholz, analiso aquela que foi interposta conjuntamente pelos Srs. Isidoro Rozenblum Trosman, Rolando Rozenblum Elpern, Noemi Elpem Kotliarevski de Rozenblum e Karina Rozenblum Elpern. Isso porque, de acordo com a decisão recorrida, a sua impugnação foi intempestiva. Entretanto, tais Recorrentes comprovaram que o prazo previsto no Decreto nº 70.235 de 1972 foi observado, inclusive em atenção ao Ato Declaratório Normativo nº 19 de 2007 e à jurisprudência deste Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (fls. 1123/1126). Vejamos: Ato Declaratório Normativo COORDENADORGERAL DO SISTEMA DE TRIBUTAÇÃO COSIT nº 19 de 26.05.1997 D.O.U.: 27.05.1997 Processo Administrativo Fiscal. Remessa da Impugnação pelos Correios. Para os efeitos da tempestividade, considerase como data da entrega a da postagem da petição, devidamente comprovada (AR). O CoordenadorGeral do Sistema de Tributação, no uso de suas atribuições, e tendo em vista o disposto nos arts. 15 e 21 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972, com a redação dada do art. 1º da Lei nº 8.748, de 09 de dezembro de 1993, no Decreto de 15 de abril de 1991 e na Portaria nº 12, de 12 de abril de 1992, do Ministério Extraordinário para a Desburocratização, Declara, em caráter normativo, as Superintendências da Receita Federal, às Delegacias da Receita Federal de Julgamento e aos demais interessados que, quando o contribuinte efetivar a remessa da impugnação através dos Correios: a) será considerada como data da entrega, no exame da tempestividade do pedido, a data da respectiva postagem, constante do aviso de recebimento, devendo ser igualmente indicados neste último, nessa hipótese, o destinatário da remessa e o número de protocolo referente ao processo, caso existente; b) o órgão destinatário da impugnação anexará cópia do referido aviso de recebimento ao competente processo; c) na impossibilidade de se obter cópia do aviso de recebimento, será considerada como data da entrega a data constante do carimbo aposto pelos Correios no envelope, quando da postagem da correspondência, cuidando o órgão destinatário de anexar este último ao processo nesse caso. Sandro Martins Silva CoordenaçãoGeral do Sistema de Tributação ......................................................................................................... Assunto: Processo Administrativo Fiscal PAF Fl. 1330DF CARF MF Emitido em 06/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/08/2011 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 13/08/2011 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 01/12/2011 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARM Processo nº 15165.002003/200757 Acórdão n.º 320100.0748 S3C2T1 Fl. 1.238 9 Exercício: 1999 Ementa: NORMAS PROCESSUAIS TEMPESTIVIDADE. Em razão da comprovação do envio por via postal da impugnação, por meio da juntada do Aviso de Recebimento — AR na fase recursal, verificase a tempestividade da apresentação da peça impugnatória. (Acórdão nº 10709.331, Rel. Cons. Marcos Vinícius Neder de Lima, Sessão de 06.03.2008) ......................................................................................................... Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte Simples Anocalendário: 2003 Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL — IMPUGNAÇÃO POR VIA POSTAL — EXAME DA TEMPESTIVIDADE. Para efeitos de tempestividade, considerase como data da entrega do recurso a da postagem da petição, devidamente comprovada com AR ou cópia conferida com a original. (Acórdão nº 30133.560, Rel. Cons. Carlos Henrique Klaser Filho, Sessão de 24.01.2007) ......................................................................................................... IMPUGNAÇÃO POR VIA POSTAL. EXAME DA TEMPESTIVIDADE. PRELIMINAR ACATADA A teor do ADN 19197, será considerada como data da entrega, no exame da tempestividade do pedido, a data da respectiva postagem constante do aviso de recebimento, devendo ser igualmente indicados neste último, nessa hipótese, o destinatário da remessa e o número de protocolo referente ao processo, caso existente. (Acórdão nº 10321.179, Rel. Cons. João Bellini Júnior, Sessão de 18.03.2003) Considerando que a impugnação em questão foi tempestiva e não foi analisada pelo órgão julgado de 1ª instância, valhome novamente da jurisprudência desse Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais para tratar do assunto. Vejamos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 30/06/2006, 31/08/2006, 15/09/2006, 18/09/2006, 26/09/2006, 27/09/2006, 28/09/2006, 29/09/2006 NORMAS PROCESSUAIS. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. A apreciação da matéria em segunda instância, sem que tenha sido apreciada em primeira instância, caracteriza supressão de instância, o que não se admite no direito processual administrativo tributário. Fl. 1331DF CARF MF Emitido em 06/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/08/2011 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 13/08/2011 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 01/12/2011 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARM 10 Processo anulado a partir da decisão de primeira instância, inclusive. (Acórdão nº 20313.080, Rel. Cons. Eric Moraes de Castro e Silva, Sessão de 03.07.2008) ......................................................................................................... PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL — NULIDADE — São nulas as decisões que possam resultar em preterição de direito de defesa, mediante supressão de instância. (Acórdão nº CSRF/0400.660, Rel. Cons. Eric Moraes de Castro e Silva, Sessão de 03.07.2008) Diante do exposto, decido anular a decisão recorrida de modo que as razões da impugnação ofertada pelos Srs. Isidoro Rozenblum Trosman, Rolando Rozenblum Elpern, Noemi Elpem Kotliarevski de Rozenblum e Karina Rozenblum Elpern sejam apreciadas e julgadas pela Delegacia de Julgamento da Receita Federal em Florianópolis/SC. É como voto. Daniel Mariz Gudiño Relator Fl. 1332DF CARF MF Emitido em 06/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/08/2011 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 13/08/2011 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 01/12/2011 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARM
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Numero do processo: 36624.014325/2006-83
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 16 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Mar 16 00:00:00 UTC 2011
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Período de apuração: 01/04/2001 a 31/10/2005
MPF. VÍCIO FORMAL. INOCORRÊNCIA
A ciência do sujeito passivo na Notificação Fiscal de Lançamento de Débito após a expiração do Mandado de Procedimento Fiscal, não acarreta a nulidade do lançamento.
ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/04/2001 a 31/10/2005
PREMIAÇÃO. PROGRAMA DE INCENTIVO. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO.
INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS.
A verba paga pela empresa a segurados obrigatórios do RGPS, por
intermédio de programa de incentivo, tem natureza jurídica de gratificação, sendo portanto fato gerador de contribuições previdenciárias.
SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. GRATIFICAÇÃO. HABITUALIDADE.
O conceito jurídico de Salário de contribuição aviado no art. 28 da Lei nº 8.212/91 em momento algum vincula a natureza jurídica das parcelas integrantes da base de cálculo das contribuições previdenciárias à habitualidade de seu recebimento. Sendo a natureza da verba auferida qualificada juridicamente como gratificação de desempenho, basta para a sua sujeição à tributação previdenciária o seu mero recebimento pelo segurado
obrigatório do RGPS, mesmo que tal pagamento tenha ocorrido uma única vez no histórico funcional do beneficiário.
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. MULTA DE MORA. GRADAÇÃO.
A sistemática da gradação da multa de mora acarreta que, quanto mais tempo o obrigado tributário retiver o tributo devido, não o recolhendo aos cofres públicos, mais grave se revela a infração à obrigação tributária principal cometida, de molde que mais gravosa será a penalidade a ser imputada. Tal gradação não encontra óbices no ordenamento jurídico pátrio, de maneira
que, para ser de observância obrigatória, exige-se tão somente que seja instituída mediante lei stricto sensu, como assim o fez o art. 35 da Lei nº 8.212/91.
RFFP. CABIMENTO.
A representação fiscal para fins penais relativa aos crimes contra a ordem tributária definidos nos arts. 1º e 2º da Lei nº 8.137, de 27 de dezembro de 1990, será encaminhada ao Ministério Público após proferida a decisão final, na esfera administrativa, sobre a exigência fiscal do crédito tributário correspondente.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2302-000.923
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar
provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Manoel Coelho Arruda Junior e Edgar Silva Vidal que entenderam aplicar-se o art. 150, parágrafo 4º do CTN quanto a preliminar de extinção do crédito.
Nome do relator: Arlindo da Costa e Silva
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VÍCIO FORMAL. INOCORRÊNCIA A ciência do sujeito passivo na Notificação Fiscal de Lançamento de Débito após a expiração do Mandado de Procedimento Fiscal, não acarreta a nulidade do lançamento. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/04/2001 a 31/10/2005 PREMIAÇÃO. PROGRAMA DE INCENTIVO. SALÁRIO DE CONTRI BUIÇÃO. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. A verba paga pela empresa a segurados obrigatórios do RGPS, por intermédio de programa de incentivo, tem natureza jurídica de gratificação, sendo portanto fato gerador de contribuições previdenciárias. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. GRATIFICAÇÃO. HABITUALIDADE. O conceito jurídico de Salário de contribuição aviado no art. 28 da Lei nº 8.212/91 em momento algum vincula a natureza jurídica das parcelas integrantes da base de cálculo das contribuições previdenciárias à habitualidade de seu recebimento. Sendo a natureza da verba auferida qualificada juridicamente como gratificação de desempenho, basta para a sua sujeição à tributação previdenciária o seu mero recebimento pelo segurado obrigatório do RGPS, mesmo que tal pagamento tenha ocorrido uma única vez no histórico funcional do beneficiário. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. MULTA DE MORA. GRADAÇÃO. A sistemática da gradação da multa de mora acarreta que, quanto mais tempo o obrigado tributário retiver o tributo devido, não o recolhendo aos cofres públicos, mais grave se revela a infração à obrigação tributária principal Fl. 332DF CARF MF Emitido em 25/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/04/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/04/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 09/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 2 cometida, de molde que mais gravosa será a penalidade a ser imputada. Tal gradação não encontra óbices no ordenamento jurídico pátrio, de maneira que, para ser de observância obrigatória, exigese tão somente que seja instituída mediante lei stricto sensu, como assim o fez o art. 35 da Lei nº 8.212/91. RFFP. CABIMENTO. A representação fiscal para fins penais relativa aos crimes contra a ordem tributária definidos nos arts. 1º e 2º da Lei nº 8.137, de 27 de dezembro de 1990, será encaminhada ao Ministério Público após proferida a decisão final, na esfera administrativa, sobre a exigência fiscal do crédito tributário correspondente. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Manoel Coelho Arruda Junior e Edgar Silva Vidal que entenderam aplicarse o art. 150, parágrafo 4º do CTN quanto a preliminar de extinção do crédito. Marco André Ramos Vieira Presidente. Arlindo da Costa e Silva Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco André Ramos Vieira (Presidente de Turma), Manoel Coelho Arruda Junior (Vicepresidente de turma), Liége Lacroix Thomasi, Adriana Sato, Arlindo da Costa e Silva e Edgar Silva Vidal. Fl. 333DF CARF MF Emitido em 25/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/04/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/04/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 09/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 36624.014325/200683 Acórdão n.º 230200.923 S2C3T2 Fl. 327 3 Relatório Período de apuração MPF : 01/01/1996 a 31/12/2005 Período de apuração do débito: 01/04/2001 a 31/12/2005 Data da lavratura da NFLD : 31/10/2006 Data da Ciência da NFLD: 03/11/2006 Tratase de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito – NFLD compreendendo contribuições previdenciárias destinadas ao custeio da Seguridade Social e a outras entidades e fundos, correspondentes à parte patronal, incidentes sobre os valores pagos aos segurados obrigatórios do RGPS mediante Cartão de Premiação denominados "Premium Card" e "Flexcard", emitidos pela empresa “Incentive House S/A”, conforme descrito no Relatório Fiscal a fls. 31/33. Relata o auditor fiscal notificante que os fatos geradores que deram origem ao presente crédito tributário foram apurados com base nos valores nominais das notas fiscais de serviços e ou faturas de serviços, emitidas pela Empresa Incentive House S/A, CNPJ 00.416.126/000141, apresentadas pelo sujeito passivo, os quais foram confrontados com os lançamentos contábeis do período de 01/2001 a 12/2005. Tais dispêndios foram registrados na contabilidade da Notificada na Conta/Rubrica Serviços de Pessoa Jurídica, havendo sido adotadas como competência tributária as datas dos lançamentos das notas fiscais nos Livros Diário. Discorre, outrossim, que a empresa concede aos empregados e contribuintes individuais uma premiação, com produtos destinados a ações motivacionais e programa de estímulo ao aumento de produtividade, a estreitar relacionamentos, e/ou divulgar marcas do Cliente junto ao seu público alvo, conforme definição do Contrato de Prestação de Serviços, assinado em 14/04/2004. Esclarece o auditor fiscal notificante que as alíquotas relativas às contribuições dos segurados foram aplicadas de acordo com a faixa salarial que eles se enquadram. Por derradeiro, informa a Autoridade Lançadora que empresa notificada não informou os fatos geradores em apreço nas correspondentes Guias de Recolhimento do FGTS e Informação à Previdência Social, nas quais não houveram sido, igualmente, declarados os beneficiários das premiações em tela. Aduz que tal irregularidade deu ensejo à Auto de Infração nº 37.014.3582, bem como a correspondente Representação Fiscal para Fins Penais, eis que tal conduta configura, em tese, o crime de sonegação de contribuições previdenciárias previsto no artigo 337A, inciso I, do Código Penal, com redação dada pela Lei 9.983, de 14/07/2000. Irresignado com o supracitado lançamento tributário, o Notificado apresentou impugnação a fls. 106/127. Fl. 334DF CARF MF Emitido em 25/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/04/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/04/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 09/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 4 A Delegacia da Receita Previdenciária em São Paulo/Oeste lavrou Decisão Notificação (DN), a fls. 240/249, julgando procedente a Notificação Fiscal e mantendo o crédito tributário em sua integralidade. O Sujeito Passivo foi cientificado da decisão de 1ª Instância no dia 04 de junho de 2007, conforme Aviso de Recebimento – AR, a fl. 252. Inconformada com a decisão exarada pelo órgão administrativo julgador a quo, o ora Recorrente interpôs recurso voluntário, a fls. 259/292, respaldando sua contrariedade em argumentação desenvolvida nos seguintes termos: • Que os pagamentos por intermédio do cartão constituemse premiações não habituais que visam exclusivamente a premiar o bom desempenho da atividade de cada colaborador e, por esta razão, não são salários. Aduz que o cartão de premiação visa ao aumento da produtividade, sendo concedido pelo desempenho do beneficiário individual e que não são habituais, pois depende da atividade de cada colaborador, concluindo que, nestas condições, não haveria incidência de contribuição ao INSS; • Que a Notificação só foi postada em 01/11/2006, após o prazo de execução do Mandado de Procedimento Fiscal com termo final estabelecido para 31/10/2006 e, em decorrência da intempestividade, todas as Notificações e Autuações seriam nulas; • Que o relatório fiscal não esclarece o porquê de os pagamentos em realce serem considerados como salário, nem expõe o fundamento legal para o referido enquadramento, deixando de apresentar todos os elementos essenciais à exata descrição da infração, o que implicaria cerceamento de defesa e nulidade da Notificação; • Que foram atingidas pela decadência, nos termos do art. 150 do CTN, as competências relativas aos meses de 04/2001 a 10/2001, considerando que a Notificação foi enviada em 01/11/2006. • Que inexiste prova da habitualidade dos valores recebidos pelos beneficiários à titulo de cartão premiação. • Que não merece prevalecer a multa gradativa do valor supostamente devido relativo à contribuição não recolhida, determinando percentuais menores para o caso da ora recorrente não apresentar defesa ou não recorrer da presente autuação. • Que a multa aplicada viola os direitos fundamentais inscritos no art. 5º LVI e LV da Constituição, requerendo a redução do valor aplicado; • Que é inadmissível a representação criminal antes da decisão final do processo administrativo, tendo em vista que este possibilita ao contribuinte o exercício do contraditório e da ampla defesa e a instauração penal consubstanciase em uma ameaça ao contribuinte. Ao fim, requer o Recorrente a declaração de decadência parcial das obrigações tributárias lançadas, a improcedência da NFLD em julgo, bem como a redução da multa aplicada. Fl. 335DF CARF MF Emitido em 25/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/04/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/04/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 09/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 36624.014325/200683 Acórdão n.º 230200.923 S2C3T2 Fl. 328 5 Relatados sumariamente os fatos relevantes. Fl. 336DF CARF MF Emitido em 25/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/04/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/04/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 09/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 6 Voto Conselheiro Arlindo da Costa e Silva, Relator. 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE O sujeito passivo foi valida e eficazmente cientificado da decisão recorrida em 04/06/2007, segundafeira, iniciandose pois o decurso do prazo recursal na terçafeira seguinte, digase, 05/06/2007. Havendo sido o recurso voluntário protocolado no dia 03 de julho do mesmo ano, há que se reconhecer a tempestividade do recurso interposto. Presentes os demais requisitos de admissibilidade do recurso. Dele conheço. 2. DAS QUESTÕES PRELIMINARES 2.1. DA COBERTURA DO MPF. Alega o Recorrente que a NFLD em tela somente foi postada em 01/11/2006, após o prazo de execução do Mandado de Procedimento Fiscal com termo final estabelecido para 31/10/2006 e, em decorrência da intempestividade, todas as Notificações e Autuações seriam nulas. Não procedem as alegações ora clamadas. Publicado com o escopo de estabelecer normas gerais sobre o planejamento das atividades da administração previdenciária em matéria fiscal, o Decreto n° 3.969, de 15 de outubro de 2001, determinou que os procedimentos fiscais relativos aos tributos federais previdenciários deverão ser instaurados mediante ordem específica denominada Mandado de Procedimento Fiscal (MPF), o qual extinguirseá pela conclusão do procedimento fiscal correspondente, registrado em termo próprio, ou, alternativamente, pelo decurso do seu prazo de validade, consideradas as prorrogações ocorridas. Nessa perspectiva, a ação fiscal, para ser qualificada como regular, necessita ser conduzida sob a cobertura de MPF válido, aqui incluídas suas prorrogações, desde a sua deflagração até o seu encerramento, devendo o auditor fiscal, nesse interregno, emitir todos os documentos fiscais atávicos ao seu ofício que importem numa conduta a ser praticada pelo Fiscalizado, tais como Notificações Fiscais e autos de infração. O texto do art. 142 do CTN informa que o Lançamento Tributário constitui se atividade privativa da autoridade administrativa fiscal, e circunscrevese à verificação da ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, à determinação da matéria tributável, ao cálculo do montante do tributo devido, à identificação do sujeito passivo e, sendo caso, à propositura de aplicação da penalidade cabível. Código Tributário Nacional CTN Fl. 337DF CARF MF Emitido em 25/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/04/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/04/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 09/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 36624.014325/200683 Acórdão n.º 230200.923 S2C3T2 Fl. 329 7 Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Deflui das tintas do citado art. 142 que o ato jurídico consubstanciado na ciência do contribuinte encontrase fora da atividade do lançamento, deste não fazendo parte constitutiva. Configurase tal ato de ciência, todavia, requisito de eficácia do lançamento, para que este possa produzir todos os efeitos jurídicos que lhe são típicos, máxime em relação ao notificado, de molde a se lhe assegurar o contraditório e a ampla defesa. A data de constituição do crédito tributário, seja por NFLD, seja mediante Auto de Infração, não pode ser interpretada portanto como o dia de ciência ao contribuinte, mas, sim, o da lavratura do lançamento estampado ostensivamente na folha de rosto do documento respectivo. Nesse quadro, a lavratura formal da Notificação Fiscal ou do Auto de Infração, executada pela autoridade administrativa competente, constituise o verdadeiro requisito de existência do ato jurídico em realce, figurando a ciência do contribuinte mero requisito de eficácia, não pode esta ser interpretada como ato integrante do procedimento administrativo do lançamento. Assim, não estando inserida no iter procedimental do lançamento, a ciência da Notificação Fiscal pelo sujeito passivo ocorrida após a expiração do prazo constante do Mandado de Procedimento Fiscal não figura, de modo algum, como causa de nulidade do lançamento tributário em questão, eis que este houve por formalizado, e assim constituído o crédito tributário, sob o manto de cobertura do MPF. De molde a espancar qualquer dúvida, a Câmara Superior do Conselho de Recursos da Previdência Social publicou a Resolução MPS/CRPS nº 1/2006, a qual fez editar o Enunciado nº 25 dispondo que a notificação do sujeito passivo após o prazo de validade do MPF não implica nulidade do lançamento. RESOLUÇÃO MPS/CRPS N. 1, de 23 de fevereiro de 2006. Edita o enunciado nº 25 do Conselho de Recursos da Previdência Social. A CÂMARA SUPERIOR do Conselho de Recursos da Previdência Social especializada em matéria de custeio, no uso da competência que lhe é atribuída pelo artigo 303, parágrafo 1 , inciso IV, do Decreto n. 3048/99, na redação do Decreto n. 4.729, de 09 de junho de 2003, publicado no Diário Oficial da União de 10 de junho de 2003, tendo em vista o disposto no artigo 61, Parágrafos 1 e 2 e artigo 63, Parágrafo 5 , Inciso I da Portaria MPS n. 88/2004 Regimento Interno do CRPS – e Fl. 338DF CARF MF Emitido em 25/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/04/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/04/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 09/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 8 cumprindo deliberação do Conselho Pleno em reunião realizada no dia 23 de Fevereiro de 2006, resolve: Editar o seguinte enunciado: Enunciado nº 25 A notificação do sujeito passivo após o prazo de validade do Mandado de Procedimento Fiscal – MPF – não acarreta nulidade do lançamento. 2.2. DA DECADÊNCIA. O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento exarado na Súmula Vinculante nº 8, em julgamento realizado em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46 da Lei n º 8.212/91, nos termos que se vos seguem: Súmula Vinculante nº 8 “São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Conforme estatuído no art. 103A da Constituição Federal, a Súmula Vinculante nº 8 é de observância obrigatória tanto pelos órgãos do Poder Judiciário quanto pela Administração Pública, devendo este Colegiado aplicála de imediato. Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. Afastada por inconstitucionalidade a eficácia das normas inscritas nos artigos 45 e 46 da Lei n º 8.212, urgem serem seguidas as disposições relativas à matéria em relevo inscritas no Código Tributário Nacional – CTN e nas demais leis de regência. O instituto da decadência no Direito Tributário, malgrado respeitadas posições em sentido diverso, encontrase regulamentado no art. 173 do Código Tributário Nacional CTN, que reza ipsis litteris: Código Tributário Nacional CTN Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; Fl. 339DF CARF MF Emitido em 25/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/04/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/04/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 09/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 36624.014325/200683 Acórdão n.º 230200.923 S2C3T2 Fl. 330 9 II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extingue se definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. A análise da subsunção do fato in concreto à norma de regência revela que, ao caso sub examine, operase a incidência das disposições inscritas no inciso I do transcrito art. 173 do CTN. Nessa condição, tendo sido o lançamento realizado em 31 de outubro de 2006, este apenas alcançaria os fatos geradores ocorridos a partir da competência dezembro/2000, inclusive, excluído os fatos geradores relativos ao 13º salário desse mesmo ano. Considerando que a vertente Notificação Fiscal opera o lançamento de contribuições previdenciárias referentes às competências abril/2001 a outubro/2005, não demanda áurea mestria concluir que a obrigação tributária principal em julgo não se houve ainda por finada pela algozaria do instituto da decadência tributária. Vencidas as preliminares, passamos a análise do mérito. 3. DO MÉRITO Cumpre inicialmente assentar que não serão objeto de apreciação por este Colegiado as matérias não expressamente contestadas pelo Recorrente, as quais se presumirão verdadeiras, por força normativa das disposições inscritas no art. 17 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. 3.1. DA NATUREZA REMUNERATÓRIA DAS PREMIAÇÃOES. Alega o Recorrente que os pagamentos por intermédio do cartão constituem se premiações não habituais que visam exclusivamente a premiar o bom desempenho da atividade de cada colaborador e, por esta razão, não são salários. Aduz que o cartão de premiação visa ao aumento da produtividade, sendo concedido pelo desempenho do beneficiário individual e que não são habituais, pois depende da atividade de cada colaborador, concluindo que, nestas condições, não haveria incidência de contribuição ao INSS; Tal rogativa não merece acolhida por este Colegiado. Fl. 340DF CARF MF Emitido em 25/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/04/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/04/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 09/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 10 A vexata quaestio sobre a qual se funda a lide em debate reside na subsunção ou não dos valores pagos mediante cartão premiação ao conceito legal de Salário de Contribuição, para os fins exclusivos de incidência de contribuições previdenciárias. Grassa no seio dos que operam no mètier do Direito do Trabalho a serôdia ideia de que a remuneração do empregado é constituída, tão somente, por verbas representativas de contraprestação de serviços efetivamente prestados pelos empregados. A retidão de tal concepção poderia até ter sua primazia aferida ao tempo da promulgação do DecretoLei n.º 5.452 (nos idos de 1943), que aprovou a Consolidação das Leis do Trabalho. CONSOLIDAÇÃO DAS LEIS DO TRABALHO CLT Art. 457 Compreendemse na remuneração do empregado, para todos os efeitos legais, além do salário devido e pago diretamente pelo empregador, como contraprestação do serviço, as gorjetas que receber. (Redação dada pela Lei nº 1.999, de 1.10.1953) § 1º Integram o salário não só a importância fixa estipulada, como também as comissões, percentagens, gratificações ajustadas, diárias para viagens e abonos pagos pelo empregador. (Redação dada pela Lei nº 1.999, de 1.10.1953) § 2º Não se incluem nos salários as ajudas de custo, assim como as diárias para viagem que não excedam de 50% (cinquenta por cento) do salário percebido pelo empregado. (Redação dada pela Lei nº 1.999, de 1.10.1953) § 3º Considerase gorjeta não só a importância espontaneamente dada pelo cliente ao empregado, como também aquela que for cobrada pela empresa ao cliente, como adicional nas contas, a qualquer título, e destinada a distribuição aos empregados. (Redação dada pelo Decretolei nº 229, de 28.2.1967) Art. 458 Além do pagamento em dinheiro, compreendese no salário, para todos os efeitos legais, a alimentação, habitação, vestuário ou outras prestações "in natura" que a empresa, por forca do contrato ou do costume, fornecer habitualmente ao empregado. Em caso algum será permitido o pagamento com bebidas alcoólicas ou drogas nocivas. (Redação dada pelo Decretolei nº 229, de 28.2.1967) § 1º Os valores atribuídos às prestações "in natura" deverão ser justos e razoáveis, não podendo exceder, em cada caso, os dos percentuais das parcelas componentes do saláriomínimo (arts. 81 e 82). (Incluído pelo Decretolei nº 229, de 28.2.1967) § 2º Para os efeitos previstos neste artigo, não serão consideradas como salário as seguintes utilidades concedidas pelo empregador: (Redação dada pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001) I – vestuários, equipamentos e outros acessórios fornecidos aos empregados e utilizados no local de trabalho, para a prestação do serviço; (Incluído pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001) II – educação, em estabelecimento de ensino próprio ou de terceiros, compreendendo os valores relativos a matrícula, mensalidade, anuidade, livros e material didático; (Incluído pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001) III – transporte destinado ao deslocamento para o trabalho e retorno, em percurso servido ou não por transporte público; (Incluído pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001) IV – assistência médica, hospitalar e odontológica, prestada diretamente ou mediante segurosaúde; (Incluído pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001) V – seguros de vida e de acidentes pessoais; (Incluído pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001) VI – previdência privada; (Incluído pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001) VII – (VETADO) (Incluído pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001) Fl. 341DF CARF MF Emitido em 25/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/04/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/04/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 09/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 36624.014325/200683 Acórdão n.º 230200.923 S2C3T2 Fl. 331 11 § 3º A habitação e a alimentação fornecidas como salárioutilidade deverão atender aos fins a que se destinam e não poderão exceder, respectivamente, a 25% (vinte e cinco por cento) e 20% (vinte por cento) do saláriocontratual. (Incluído pela Lei nº 8.860, de 24.3.1994) § 4º Tratandose de habitação coletiva, o valor do salárioutilidade a ela correspondente será obtido mediante a divisão do justo valor da habitação pelo número de cohabitantes, vedada, em qualquer hipótese, a utilização da mesma unidade residencial por mais de uma família. (Incluído pela Lei nº 8.860/94) Todavia, o caráter de constância somente se verifica na eterna propensão à mudança. O mundo evolui, as relações jurídicas se transformam, acompanhando..., os conceitos evolvemse... Nesse compasso, a exegese das normas jurídicas não é, de modo algum, refratária a transformações. Ao contrário, tais são exigíveis. A sucessiva evolução na interpretação das normas já positivadas ajustamnas à nova realidade mundial, resgatandolhes o alcance visado pelo legislador, mantendo dessarte o ordenamento jurídico sempre espelhado às feições do mundo real. Hodiernamente, o conceito de remuneração não se encontra mais circunscrito às verbas recebidas pelo trabalhador em razão direta e unívoca do trabalho por ele prestado ao empregador. Se assim o fosse, o décimo terceiro salário, as férias, o final de semana remunerado, as faltas justificadas e outras tantas rubricas frequentemente encontradas nos contracheques não teriam natureza remuneratória, já que não representam contraprestação por serviços executados pelo obreiro. Paralelamente, as relações de trabalho hoje estabelecidas tornaramse por demais complexas e diversificadas, assistimos à introdução de novas exigências de exclusividade e de imagem, novas rubricas salariais foram criadas para contemplar outras prestações extraídas do trabalhador que não o suor e o vigor dos músculos. Esses ilustrativos, dentre tantos outros exemplos, tornaram o ancião conceito jurídico de remuneração totalmente démodé. Antenada a tantas transformações, a doutrina mais balizada passou a interpretar remuneração não como a contraprestação pelos serviços efetivamente prestados pelo empregado, mas sim, as verbas recebidas pelo obreiro decorrentes do contrato de trabalho. Com efeito, o liame jurídico estabelecido entre empregador e empregado segue os contornos delineados no contrato de trabalho no qual as partes, observado o minimum minimorum legal, podem pactuar livremente. No panorama atual, a pessoa física pode oferecer ao contratante, além do seu labor, também a sua imagem, o seu não labor nas empresas concorrentes, a sua disponibilidade, sua credibilidade no mercado, ceteris paribus. Já o contratante, por seu turno, em contrapartida, pode oferecer não só o salário stricto sensu como também uma série de vantagens diretas, indiretas, em utilidades, in natura, e assim adiante... Mas ninguém se iluda: Mesmo as parcelas oferecidas sob o rótulo de mera liberalidade, todas elas ostentam, em sua essência, uma nota contraprestativa. Todas elas colimam, inequivocamente, oferecer um atrativo financeiro/econômico para que o obreiro estabeleça e mantenha vínculo jurídico com o empregador. Por esse novo prisma, todas aquelas rubricas citadas no parágrafo precedente figuram abraçadas pelo conceito amplo de remuneração, eis que se consubstanciam acréscimos patrimoniais auferidos pelo empregado e fornecidas pelo empregador em razão do contrato de Fl. 342DF CARF MF Emitido em 25/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/04/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/04/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 09/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 12 trabalho e da lei, muito embora não representem contrapartida direta pelo trabalho realizado. Nesse sentido, o magistério de Amauri Mascaro Nascimento: “Fatores diversos multiplicaram as formas de pagamento no contrato de trabalho, a ponto de ser incontroverso que além do saláriobase há modos diversificados de remuneração do empregado, cuja variedade de denominações não desnatura a sua natureza salarial ... (...) Salário é o conjunto de percepções econômicas devidas pelo empregador ao empregado não só como contraprestação pelo trabalho, mas, também, pelos períodos em que estiver à disposição daquele aguardando ordens, pelos descansos remunerados, pelas interrupções do contrato de trabalho ou por força de lei” Nascimento, Amauri M. , Iniciação ao Direito do Trabalho, LTR, São Paulo, 31ª ed., 2005. Registrese, por relevante, que o entendimento a respeito do alcance do termo “remuneração” esposado pelos diplomas jurídicos mais atuais se divorciou de forma substancial daquele conceito antiquado presente na CLT. Citese, exemplificativamente, a definição jurídica do Salário de contribuição aviado no art. 28 da Lei nº 8.212/91, in verbis: Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) (grifos nossos) II para o empregado doméstico: a remuneração registrada na Carteira de Trabalho e Previdência Social, observadas as normas a serem estabelecidas em regulamento para comprovação do vínculo empregatício e do valor da remuneração; III para o contribuinte individual: a remuneração auferida em uma ou mais empresas ou pelo exercício de sua atividade por conta própria, durante o mês, observado o limite máximo a que se refere o § 5o; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). IV para o segurado facultativo: o valor por ele declarado, observado o limite máximo a que se refere o § 5o. (Incluído pela Lei nº 9.876, de 1999). Notese que o conceito jurídico de Salário de contribuição, base de incidência das contribuições previdenciárias, foi estruturado de molde a abraçar toda e qualquer verba recebida pelo obreiro, a qualquer título, em decorrência não somente dos serviços efetivamente Fl. 343DF CARF MF Emitido em 25/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/04/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/04/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 09/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 36624.014325/200683 Acórdão n.º 230200.923 S2C3T2 Fl. 332 13 prestados, mas também, no interstício em que o trabalhador estiver à disposição do empregador, nos termos do contrato de trabalho. Advirtase que o termo “remunerações” encontrase empregado no caput do transcrito art. 28 em seu sentido amplo, abarcando todos os componentes atomizados que integram a contraprestação da empresa aos segurados obrigatórios que lhe prestam serviços. Tais conclusões decorrem de esforços hermenêuticos que não ultrapassam a literalidade dos enunciados normativos supratranscritos, eis que o texto legal revelase cristalino ao estabelecer, como base de incidência, o “total das remunerações pagas ou creditadas a qualquer título”. Nesse cenário, a vista dos ensinamentos colhidos na melhor doutrina trabalhista, avulta compreenderemse no hodierno conceito de remuneração os três componentes do gênero, especificados nos moldes que se vos seguem: 1 Remuneração Básica – Também denominada “Verbas de natureza Salarial”. Referese à remuneração em dinheiro recebida pelo trabalhador pela venda de sua força de trabalho. Diz respeito ao pagamento fixo que o obreiro aufere de maneira regular, na forma de salário mensal ou na forma de salário por hora. 2 Incentivos Salariais São programas desenhados para recompensar funcionários com bom desempenho. Os incentivos são concedidos sob diversas formas, como bônus, gratificações, prêmios, participação nos resultados a título de recompensa por resultados alcançados, dentre outros. 3 Benefícios Quase sempre denominados como “remuneração indireta”. Muitas empresas, além de ter uma política de tabela de salários, oferecem uma série de benefícios ora em pecúnia, ora na forma de utilidades ou “in natura”, que culminam por representar um ganho patrimonial para o trabalhador, seja pelo valor da utilidade recebida, seja pela despesa que o profissional deixa de desembolsar diretamente. Nesse novel cenário, a regra primária importa na tributação de toda e qualquer verba paga, creditada ou juridicamente devida ao empregado, ressalvadas aquelas que a própria lei excluir do campo de incidência. No caso específico das contribuições previdenciárias, a regra de excepcionalidade encontrase estatuída no parágrafo 9º do citado art. 28 da Lei nº 8.212/91, o qual, dada a sua relevância, transcrevemos em sua integralidade: Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: (...) §9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) (grifos nossos) a) Os benefícios da previdência social, nos termos e limites legais, salvo o saláriomaternidade; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). Fl. 344DF CARF MF Emitido em 25/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/04/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/04/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 09/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 14 b) As ajudas de custo e o adicional mensal recebidos pelo aeronauta nos termos da Lei nº 5.929, de 30 de outubro de 1973; c) A parcela "in natura" recebida de acordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, nos termos da Lei nº 6.321, de 14 de abril de 1976; d) As importâncias recebidas a título de férias indenizadas e respectivo adicional constitucional, inclusive o valor correspondente à dobra da remuneração de férias de que trata o art. 137 da Consolidação das Leis do Trabalho CLT; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). e) As importâncias: (Alínea alterada e itens de 1 a 5 acrescentados pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) 1. Previstas no inciso I do art. 10 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias; 2. Relativas à indenização por tempo de serviço, anterior a 5 de outubro de 1988, do empregado não optante pelo Fundo de Garantia do Tempo de Serviço FGTS; 3. Recebidas a título da indenização de que trata o art. 479 da CLT; 4. Recebidas a título da indenização de que trata o art. 14 da Lei nº 5.889, de 8 de junho de 1973; 5. Recebidas a título de incentivo à demissão; 6. Recebidas a título de abono de férias na forma dos arts. 143 e 144 da CLT; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). 7. Recebidas a título de ganhos eventuais e os abonos expressamente desvinculados do salário; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). 8. Recebidas a título de licençaprêmio indenizada; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). 9. Recebidas a título da indenização de que trata o art. 9º da Lei nº 7.238, de 29 de outubro de 1984; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). f) A parcela recebida a título de valetransporte, na forma da legislação própria; g) A ajuda de custo, em parcela única, recebida exclusivamente em decorrência de mudança de local de trabalho do empregado, na forma do art. 470 da CLT; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). h) As diárias para viagens, desde que não excedam a 50% (cinquenta por cento) da remuneração mensal; i) A importância recebida a título de bolsa de complementação educacional de estagiário, quando paga nos termos da Lei nº 6.494, de 7 de dezembro de 1977; j) A participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica; l) O abono do Programa de Integração SocialPIS e do Programa de Assistência ao Servidor PúblicoPASEP; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) m) Os valores correspondentes a transporte, alimentação e habitação fornecidos pela empresa ao empregado contratado para trabalhar em localidade distante da de sua residência, em canteiro de obras ou local que, por força da atividade, exija Fl. 345DF CARF MF Emitido em 25/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/04/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/04/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 09/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 36624.014325/200683 Acórdão n.º 230200.923 S2C3T2 Fl. 333 15 deslocamento e estada, observadas as normas de proteção estabelecidas pelo Ministério do Trabalho; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) n) A importância paga ao empregado a título de complementação ao valor do auxíliodoença, desde que este direito seja extensivo à totalidade dos empregados da empresa; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) o) As parcelas destinadas à assistência ao trabalhador da agroindústria canavieira, de que trata o art. 36 da Lei nº 4.870, de 1º de dezembro de 1965; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). p) O valor das contribuições efetivamente pago pela pessoa jurídica relativo a programa de previdência complementar, aberto ou fechado, desde que disponível à totalidade de seus empregados e dirigentes, observados, no que couberem, os arts. 9º e 468 da CLT; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) q) O valor relativo à assistência prestada por serviço médico ou odontológico, próprio da empresa ou por ela conveniado, inclusive o reembolso de despesas com medicamentos, óculos, aparelhos ortopédicos, despesas médicohospitalares e outras similares, desde que a cobertura abranja a totalidade dos empregados e dirigentes da empresa; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) r) O valor correspondente a vestuários, equipamentos e outros acessórios fornecidos ao empregado e utilizados no local do trabalho para prestação dos respectivos serviços; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) s) O ressarcimento de despesas pelo uso de veículo do empregado e o reembolso creche pago em conformidade com a legislação trabalhista, observado o limite máximo de seis anos de idade, quando devidamente comprovadas as despesas realizadas; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) t) O valor relativo a plano educacional que vise à educação básica, nos termos do art. 21 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que não seja utilizado em substituição de parcela salarial e que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). u) A importância recebida a título de bolsa de aprendizagem garantida ao adolescente até quatorze anos de idade, de acordo com o disposto no art. 64 da Lei nº 8.069, de 13 de julho de 1990; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) v) Os valores recebidos em decorrência da cessão de direitos autorais; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) x) O valor da multa prevista no § 8º do art. 477 da CLT. (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) Cumpre observar que, nos termos do art. 111, II do CTN, devese emprestar interpretação restritiva às normas que concedam outorga de isenção. Nesse diapasão, em Fl. 346DF CARF MF Emitido em 25/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/04/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/04/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 09/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 16 sintonia com a norma tributária há pouco citada, para se excluir da regra de incidência é necessária a fiel observância dos termos da norma de exceção, tanto assim que as parcelas integrantes do supraaludido § 9º, quando pagas ou creditadas em desacordo com a legislação pertinente, passam a integrar a base de cálculo da contribuição para todos os fins e efeitos, sem prejuízo da aplicação das cominações legais cabíveis. Código Tributário Nacional CTN Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: I suspensão ou exclusão do crédito tributário; II outorga de isenção; Contextualizado nesses termos o quadro jurídiconormativo aplicável ao casoespécie, visualizando com os olhos de ver a questão controvertida ora em debate, sob o foco de tudo o quanto até o momento foi apreciado, verificamos que as verbas auferidas pelos segurados obrigatórios que prestam serviços à Recorrente, mediante Cartões de Premiação denominados "Premium Card" e "Flexcard", subsumemse no conceito de “salário de Contribuição” assentado no caput do art. 28 da Lei nº 8.212/91, não estando acobertados por nenhuma das hipóteses de não incidência destacadas no §9º desse mesmo dispositivo legal, razão pela qual integram a base de cálculo das contribuições previdenciárias. 3.1.1. DA NATUREZA JURÍDICA DAS PREMIAÇÕES Destaca o Recorrente que as verbas pagas aos seus empregados mediante Cartões de Premiação denominados "Premium Card" e "Flexcard" constituemse ganhos eventuais, não integrando o conceito de Salário de Contribuição por força das disposições inscritas no art. 28, §9º, ‘e’, 7 da Lei nº 8.212/91. Tal argumentação é totalmente descabida. Na hipótese sub oculi, não é exigida áurea mestria para perceber que tais pagamentos ostentam natureza jurídica de gratificação. Da pena de Plá Rodriguez, citado por Mascaro Nascimento, grafouse singular conceito de gratificações como as “somas em dinheiro de tipo variável, outorgadas voluntariamente pelo patrão aos seus empregados, a título de prêmio ou incentivo, para lograr a maior dedicação e perseverança destes. Mostrase valioso relembrar, no que pertine à natureza de liberalidade das gratificações, as palavras de Cabanellas: “provado ou comprovado o caráter habitual, geral, invariável e periódico da gratificação, esta perde a sua voluntariedade característica, para se converter em obrigatória; então, deixa de ser liberalidade para se transformar em direito exigível pelo trabalhador e inescusável pelo empregador” (Guillermo Cabanellas de Torres, Compendio de Derecho Laboral, Bibliográfica Omeba, Buenos Aires, 1968) É exatamente o que ocorre no caso concreto sobre o qual ora nos debruçamos. As verbas em destaque não se consubstanciam em ganhos eventuais, mas, sim, numa contraprestação remuneratória auferida pelos empregados que hajam alcançado as metas estabelecidas pela empresa, conforme declarado expressamente pelo Recorrente a fl. 231, in verbis: “... os referidos prêmios dependem do fato de o beneficiário ter atingido ou não as metas estabelecidas no plano de incentivo, ao Fl. 347DF CARF MF Emitido em 25/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/04/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/04/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 09/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 36624.014325/200683 Acórdão n.º 230200.923 S2C3T2 Fl. 334 17 contrário do que ocorre com sua remuneração habitual que será devida, enquanto perdurar o seu contrato de trabalho, independentemente de seu desempenho profissional.” Atingindo o colaborador as metas, este se titulariza no direito subjetivo à gratificação, podendo esta ser exigida inclusive judicialmente. O que é isso senão uma gratificação de desempenho ? Por tudo o quanto foi ora discutido, avulta que o benefício auferido pelos beneficiários das premiações oferecidas pelo Recorrente, dada a sua natureza jurídica de gratificação e por não constar expressamente no rol numerus clausus de hipóteses de não incidência tributária, constituise parcela integrante do Salário de contribuição dos segurados, estando sujeito, por decorrência legal vinculante, à incidência de contribuições sociais previdenciárias. 3.2. DA MOTIVAÇÃO Alega o Recorrente que o relatório fiscal não esclarece o porquê de os pagamentos em realce serem considerados como salário, nem expõe o fundamento legal para o referido enquadramento, deixando de apresentar todos os elementos essenciais à exata descrição da infração, o que implicaria cerceamento de defesa e nulidade da Notificação; Tal rogativa não reúne os requisitos necessários para prosperar. Avulta das alegações ora clamadas a necessidade de os relatórios fiscais serem emitidos também em Braille, para que todos, indistintamente, aproveitandose da sensibilidade epicrítica, possam ter acesso aos seus fundamentos. O item 2.1. do Relatório Fiscal, a fl. 31, destaca que os valores consolidados na NFLD em litígio referemse a remuneração de empregados pagas por meio de cartão de premiação. Na mesma esteira, o item 2.1.2 informa que Constituem fatos geradores dos tributos ora lançados, os valores pagos aos segurados empregados por meio do cartão de premiação, denominado "Premium Card" e "Flexcard", com produtos destinados a ações motivacionais e programa de estímulo ao aumento de produtividade, conforme cópias de notas fiscais em anexo. Os "programas visam a aumentar a produtividade, estreitar relacionamentos, e/ou divulgar marcas do Cliente junto ao seu público alvo", conforme definição do Contrato de Prestação de Serviços, assinado em 14/04/2004, que segue em anexo. Revela ainda que os fatos geradores foram apurados com base nos valores nominais das notas fiscais de serviços e ou faturas de serviços, emitidas pela Empresa Incentive House S/A — CNPJ 00.416.126/000141, apresentadas pelo sujeito passivo, os quais foram confrontados com os lançamentos contábeis do período de 01/2001 a 12/2005. Esses gastos foram registrados na contabilidade da Notificada na Conta/Rubrica Serviços de Pessoa Jurídica. Fl. 348DF CARF MF Emitido em 25/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/04/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/04/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 09/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 18 Na sequência, o anexo do Relatório Fiscal a fl. 39/93 elenca todos os beneficiários das premiações em realce, seus respectivos CPF e NIT, bem como os valores por eles auferidos em cada competência. Na mesma toada, cita o Relatório Fiscal que a empresa não informou esses fatos geradores em GFIP, tampouco os beneficiários da gratificação em apreço. De outro eito, o relatório FLD FUNDAMENTOS LEGAIS DO DÉBITO, a fls. 19/22, descreve pormenorizadamente toda a fundamentação legal que oferece esteio jurídico ao lançamento ora em julgo, cabendo ressaltar que no tópico reservado aos fundamentos legais das rubricas encontramse destacadas toda a base legal instituidora das contribuições sociais ora lançadas. Como se observa, razão não assiste ao Recorrente eis que os relatórios que integram a NFLD em estudo não ostentam qualquer obscuridade ou dúvida quanto à hipótese de incidência dos tributos objeto deste lançamento. 3.3. DA HABITUALIDADE DO PAGAMENTO. Pondera o Recorrente inexistirem provas da habitualidade dos valores recebidos pelos beneficiários à titulo de cartão premiação. Razão não lhe assiste. O conceito jurídico de Salário de contribuição aviado no art. 28 da Lei nº 8.212/91 em momento algum vincula a natureza jurídica das parcelas integrantes da base de cálculo das contribuições previdenciárias à habitualidade de seu recebimento. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) (grifos nossos) II para o empregado doméstico: a remuneração registrada na Carteira de Trabalho e Previdência Social, observadas as normas a serem estabelecidas em regulamento para comprovação do vínculo empregatício e do valor da remuneração; III para o contribuinte individual: a remuneração auferida em uma ou mais empresas ou pelo exercício de sua atividade por conta própria, durante o mês, observado o limite máximo a que se refere o §5º; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). Fl. 349DF CARF MF Emitido em 25/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/04/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/04/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 09/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 36624.014325/200683 Acórdão n.º 230200.923 S2C3T2 Fl. 335 19 Conforme já destacado nos tópicos precedentes, sendo a natureza da verba ora em apreço qualificada juridicamente como gratificação de desempenho, basta para a sua sujeição à tributação previdenciária o seu mero recebimento pelo segurado obrigatório do RGPS, mesmo que tal pagamento tenha ocorrido uma única vez no histórico funcional do beneficiário. O anexo do Relatório Fiscal, a fls. 39/93, elenca todos os beneficiários das premiações em debate, seus respectivos CPF e NIT, bem como os valores por eles auferidos em cada competência, além de outras informações pertinentes ao caso sub examine. A veracidade das informações contidas no suso citado anexo poderia ter sido sindicada e contestada pelo Recorrente mas não o foi , motivo pelo qual, nos termos do art. 17 do Decreto nº 70.235/72, devese lhe emprestar presunção iuris tantum de legalidade e veracidade. 3.4. DA GRADAÇÃO DA MULTA DE MORA. Exorta o Recorrente que não mereceria prevalecer a multa gradativa do valor supostamente devido relativo à contribuição não recolhida, determinando percentuais menores para o caso do Recorrente não apresentar defesa ou não recorrer da presente autuação. À suplica acima pautada não se reserva melhor sorte que as demais. De plano, cabe esclarecer que, em momento algum, a Constituição Federal vedou o emprego do mecanismo de gradação da multa de mora em razão da gravidade do atraso no recolhimento do tributo devido. A sistemática da gradação acima aludida acarreta que, quanto mais tempo o obrigado tributário retiver o tributo devido, não o recolhendo aos cofres públicos, mais grave se revela a infração à obrigação tributária principal cometida, de molde que mais gravosa será a penalidade a ser imputada. Tal gradação não encontra óbices no ordenamento jurídico pátrio, de maneira que, para ser de observância obrigatória, exigese tão somente que seja instituída mediante lei stricto sensu, como assim o fez o art. 35 da Lei nº 8.212/91. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991. Art. 34. As contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas pelo INSS, incluídas ou não em notificação fiscal de lançamento, pagas com atraso, objeto ou não de parcelamento, ficam sujeitas aos juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC, a que se refere o art. 13 da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995, incidentes sobre o valor atualizado, e multa de mora, todos de caráter irrelevável. (grifos nossos) Fl. 350DF CARF MF Emitido em 25/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/04/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/04/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 09/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 20 Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) quatorze por cento, no mês seguinte; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). d) cinquenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). III para pagamento do crédito inscrito em Dívida Ativa: a) sessenta por cento, quando não tenha sido objeto de parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) setenta por cento, se houve parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) oitenta por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito não foi objeto de parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). d) cem por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito foi objeto de parcelamento. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). §1º Na hipótese de parcelamento ou reparcelamento, incidirá um acréscimo de vinte por cento sobre a multa de mora a que se refere o caput e seus incisos. §2º Se houver pagamento antecipado à vista, no todo ou em parte, do saldo devedor, o acréscimo previsto no parágrafo anterior não incidirá sobre a multa correspondente à parte do pagamento que se efetuar. §3º O valor do pagamento parcial, antecipado, do saldo devedor de parcelamento ou do reparcelamento somente poderá ser Fl. 351DF CARF MF Emitido em 25/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/04/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/04/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 09/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 36624.014325/200683 Acórdão n.º 230200.923 S2C3T2 Fl. 336 21 utilizado para quitação de parcelas na ordem inversa do vencimento, sem prejuízo da que for devida no mês de competência em curso e sobre a qual incidirá sempre o acréscimo a que se refere o § 1º deste artigo. §4º Na hipótese de as contribuições terem sido declaradas no documento a que se refere o inciso IV do art. 32, ou quando se tratar de empregador doméstico ou de empresa ou segurado dispensados de apresentar o citado documento, a multa de mora a que se refere o caput e seus incisos será reduzida em cinquenta por cento. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). Conforme já aventado alhures, estando os agentes fiscais inteiramente vinculados aos ditames da à Lei, e, restando os preceitos introduzidos pelas leis que regem as contribuições ora em apreciação plenamente vigentes e eficazes, a inobservância desses comandos legais implicaria negativa de vigência por parte do Auditor Fiscal Notificante, fato que desaguaria inexoravelmente em responsabilidade funcional dos agentes do Fisco Federal. Reiterese que as disposições introduzidas pela legislação tributária em apreço, até o presente momento, não foram ainda vitimadas de qualquer sequela decorrente de declaração de inconstitucionalidade, seja na via difusa seja na via concentrada, exclusiva do Supremo Tribunal Federal, produzindo portanto todos os efeitos jurídicos que lhe são típicos. 3.5. DOS PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS Sustenta o Recorrente que a multa aplicada viola os direitos fundamentais inscritos no art. 5º LVI e LV da Constituição, requerendo a redução do valor aplicado. O presente apelo não pode ter o seguimento pretendido. Os princípios constitucionais destacados pelo Recorrente representam garantias asseguradas aos litigantes, nos processos judiciais ou administrativos, ao contraditório e à ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes, sendo inadmissíveis, no processo, as provas obtidas por meios ilícitos. Conforme destacado nos tópicos precedentes, verificamos que a NFLD em relevo foi lavrada em harmonia com os dispositivos legais e normativos que disciplinam a matéria, tendo o agente fiscal demonstrado, de forma clara e precisa, a ocorrência dos fatos geradores da contribuição previdenciária, fazendo constar, nos relatórios que compõem a Notificação, de forma discriminada por estabelecimento, levantamento e competência, as bases de cálculo da exação, as destinações de cada tributo, as alíquotas aplicáveis em cada caso, os montantes apurados, bem como as diferenças a serem recolhidas. O Relatório Fiscal expôs todos os elementos que motivaram a lavratura da vertente NFLD e o Relatório Fundamentos Legais do Débito encerrou todos os dispositivos legais amparam o procedimento adotado e as rubricas lançadas. O lançamento encontrase revestido de todas as formalidades exigidas por lei, dele constando, além dos relatórios já citados, os MPF, TIAF e TEAF, dentre outros, havendo Fl. 352DF CARF MF Emitido em 25/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/04/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/04/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 09/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 22 sido o Sujeito Passivo cientificado de todas as decisões de relevo exaradas no curso do presente feito, restando garantido dessarte o pleno exercício do contraditório e da ampla defesa ao Notificado. A ação se encontra amparada por Mandado de Procedimento Fiscal válido, a fl. 20, havendo sido os fatos geradores que compõem o presente lançamento apurado a partir de documentos apresentados pelo próprio Recorrente, deste exigidos mediante termos próprios de intimação a fls. 21/23. Dessarte, não vislumbramos pois qualquer vício ou violação aos princípios constitucionais iluminados pelo Recorrente na formalização do débito a amparar as suas alegações. 3.6. DA REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS. Alega ainda ser inadmissível a representação criminal antes da decisão final do processo administrativo, tendo em vista que este possibilita ao sujeito passivo o exercício do contraditório e da ampla defesa e a instauração penal consubstanciarseia em uma ameaça ao contribuinte. O clamor acima postado não merece abrigo. O art. 66 do Decretolei nº 3.688, de 3 de outubro de 1941 leis das contravenções penais – qualifica como “Omissão de Comunicação de Crime” o comportamento perpetrado por servidor público consistente na não comunicação à autoridade competente de conduta que represente, em tese, crime de ação pública, de que teve conhecimento no exercício de função pública. DECRETOLEI Nº 3.688 DE 3 DE OUTUBRO DE 1941 OMISSÃO DE COMUNICAÇÃO DE CRIME Art. 66. Deixar de comunicar à autoridade competente: I crime de ação pública, de que teve conhecimento no exercício de função pública, desde que a ação penal não dependa de representação; II crime de ação pública, de que teve conhecimento no exercício da medicina ou de outra profissão sanitária, desde que a ação penal não dependa de representação e a comunicação não exponha o cliente a procedimento criminal: Pena multa. Calcando nas mesmas teclas, o art. 16 da Lei nº 8.137/90, a qual define os crimes contra a ordem tributária, estatui que qualquer pessoa, aqui incluídos, por óbvio, os agentes públicos, poderá provocar a iniciativa do Ministério Público nos crimes descritos nessa lei, fornecendolhe por escrito informações sobre o fato e a autoria, bem como indicando o tempo, o lugar e os elementos de convicção. Fl. 353DF CARF MF Emitido em 25/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/04/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/04/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 09/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 36624.014325/200683 Acórdão n.º 230200.923 S2C3T2 Fl. 337 23 Lei nº 8.137, de 27 de dezembro de 1990 Art. 16. Qualquer pessoa poderá provocar a iniciativa do Ministério Público, nos crimes descritos nesta lei, fornecendo lhe por escrito informações sobre o fato e a autoria, bem como indicando o tempo, o lugar e os elementos de convicção. Parágrafo único. Nos crimes previstos nesta Lei, cometidos em quadrilha ou coautoria, o coautor ou partícipe que através de confissão espontânea revelar à autoridade policial ou judicial toda a trama delituosa terá a sua pena reduzida de um a dois terços. (Parágrafo incluído pela Lei nº 9.080, de 19.7.1995) Nessa perspectiva, revelase a Representação Fiscal para Fins Penais – RFFP mera peça processual de informações, coletadas no curso da ação fiscal, a ser elaborada pelo agente público sempre que se deparar com conduta que represente, em tese, crime contra a ordem tributária, devendo conter, dentre outros elementos, exposição minuciosa do fato e os elementos caracterizadores do ilícito; indícios de prova material do ilícito ou qualquer outro documento sob suspeição que tenha sido apreendido no curso da ação fiscal; cópia autenticada do auto de infração e de termos fiscais lavrados; termos lavrados de depoimentos, declarações, perícias e outras informações obtidas de terceiros, utilizados para fundamentar a constituição do crédito tributário ou a apreensão de bens sujeitos à pena de perdimento; a qualificação completa das pessoas físicas responsáveis; a qualificação completa da pessoa ou das pessoas físicas a quem se atribua a prática do delito, mesmo que o fiscalizado seja pessoa jurídica; A identificação completa, se for o caso, da pessoa jurídica autuada, cópia dos contratos sociais e suas alterações, ou dos estatutos e atas das assembleias; qualificação completa das pessoas que possam ser arroladas como testemunhas; cópia das declarações de rendimentos, relativas ao período em que se apurou ilícito, da pessoa ou das pessoas físicas representadas e da pessoa jurídica envolvida, no caso de crime contra a ordem tributária; etc. No âmbito da legislação previdenciária, o art. 616 da IN SRP nº 3/2005 impõe ao auditor fiscal o dever funcional de formalizar a RFFP sempre que este, no exercício de suas atribuições institucionais, tiver conhecimento da ocorrência de comportamento omissivo ou comissivo que configure, em tese, crime de ação penal pública que não dependa de representação do ofendido ou de requisição do Ministro da Justiça, bem como qualquer contravenção penal. Instrução Normativa SRP nº 3, de 14 de julho de 2005 Art. 616. Por disposição expressa no art. 66 do DecretoLei nº 3.688, de 1941 (Lei de Contravenções Penais), o AFPS formalizará RFFP sempre que, no exercício de suas funções internas ou externas, tiver conhecimento da ocorrência, em tese, de:(Revogado pela IN RFB nº 851, de 28 de maio de 2008) I crime de ação penal pública que não dependa de representação do ofendido ou de requisição do Ministro da Justiça; II contravenção penal. Parágrafo único. Considerase, nos termos do DecretoLei nº 3.914, de 1941 (Lei de Introdução ao Código Penal e à Lei de Contravenções Penais): Fl. 354DF CARF MF Emitido em 25/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/04/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/04/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 09/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 24 I crime, a infração penal a que a lei comina pena de reclusão ou de detenção, quer isoladamente, quer alternativa ou cumulativamente com a pena de multa; II contravenção, a infração penal a que a lei comina isoladamente pena de prisão simples ou de multa, ou ambas, alternativa ou cumulativamente. Art. 617. São crimes de ação penal pública, dentre outros, os previstos nos arts. 15 e 16 da Lei nº 7.802, de 1989, alterada pela Lei nº 9.974, de 2000, nos arts. 1º, 2º e 3º da Lei nº 8.137, de 1990, nos arts. 54 a 56, 60 e 61 da Lei nº 9.605, de 1998, e os a seguir relacionados, previstos no DecretoLei nº 2.848, de 1940 (Código Penal):(Revogado pela IN RFB nº 851, de 28 de maio de 2008) I homicídio culposo simples ou qualificado, com previsão nos §§ 3º e 4º do art. 121; II exposição ao risco, com previsão no art. 132; III a apropriação indébita previdenciária, com previsão no art. 168A; IV o estelionato, com previsão no art. 171; V a falsificação de selo ou de sinal público, com previsão no art. 296; VI a falsificação de documento público, com previsão no art. 297; VII a falsificação de documento particular, com previsão no art. 298; VIII a falsidade ideológica, com previsão no art. 299; IX o uso de documento falso, com previsão no art. 304; X a supressão de documento, com previsão no art. 305; XI a falsa identidade, com previsão nos arts. 307 e 308; XII o extravio, a sonegação ou a inutilização de livro ou documento, com previsão no art. 314; XIII o emprego irregular de verbas ou rendas públicas, com previsão no art. 315; XIV a prevaricação, com previsão no art. 319; XV a violência arbitrária, com previsão no art. 322; XVI a resistência, com previsão no art. 329; XVII a desobediência, com previsão no art. 330; XVIII o desacato, com previsão no art. 331; XIX a corrupção ativa, com previsão no art. 333; XX a inutilização de edital ou de sinal, com previsão no art. 336; XXI a subtração ou a inutilização de livro ou de documento, com previsão no art. 337; XXII a sonegação de contribuição social previdenciária, com previsão no art. 337A. Art. 618. São contravenções penais, entre outras:(Revogado pela IN RFB nº 851, de 28 de maio de 2008) I recusar dados sobre a própria identidade ou qualificação, com previsão no art. 68 do Decretolei nº 3.688, de 1941 (Lei das Contravenções Penais); Fl. 355DF CARF MF Emitido em 25/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/04/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/04/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 09/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 36624.014325/200683 Acórdão n.º 230200.923 S2C3T2 Fl. 338 25 II deixar de cumprir normas de higiene e segurança do trabalho, com previsão no § 2º do art. 19 da Lei nº 8.213, de 1991. O Plenário do Supremo Tribunal Federal, apreciando pedido de concessão de liminar postulado na ADIn nº 1.571, proclamou que o art. 83 da Lei 9.430/96 não estipulou uma condição de procedibilidade da ação penal por delito tributário. Consignou o STF que tal dispositivo dirigiuse apenas a atos da administração fazendária, prevendo o momento em que a notitia criminis acerca de delitos contra a ordem tributária, descritos nos arts. 1º e 2º da Lei 8.137/90 deveriam ser encaminhada ao Ministério Público. (Informativo STF n. 64, 1728 mar. 97, p. 1 e 4). Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 Art. 83. A representação fiscal para fins penais relativa aos crimes contra a ordem tributária definidos nos arts. 1º e 2º da Lei nº 8.137, de 27 de dezembro de 1990, será encaminhada ao Ministério Público após proferida a decisão final, na esfera administrativa, sobre a exigência fiscal do crédito tributário correspondente. (grifos nossos) Parágrafo único. As disposições contidas no caput do art. 34 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, aplicamse aos processos administrativos e aos inquéritos e processos em curso, desde que não recebida a denúncia pelo juiz. Ao contrário do tipo penal previsto no art. 2º, I, da Lei 8.137/90, consoante clássica diferenciação, pertence à categoria denominada delito formal, isto é, descreve o resultado naturalístico (supressão de pagamento de tributo) mas não o exige para a consumação formal do delito, os delitos previstos no art. 1º da Lei 8.137/90 são qualificados como crimes materiais, havendo a necessidade de se aguardar a decisão administrativa, para somente então poder ser intentada a ação penal. Dessarte, não havendo Notificação Fiscal ou Auto de Infração válido e/ou definitivo, não se pode dar, em tese, por caracterizado o crime, nem sequer excogitar sua materialidade, pois o artigo 142 do CTN estatui ser competência privativa da autoridade administrativa a constituição do crédito tributário pelo lançamento; Por outro lado, o artigo 5º, inciso LV, da CF, garante, ademais, a todo e qualquer contribuinte o direito de impugnar o lançamento tributário; Ademais, o art. 34 da Lei 9.249/95 concede ao sujeito passivo a alternativa de pagar o tributo devido e seus acessórios antes da denuncia, para ver extinta a punibilidade dos crimes descritos nos artigos 1º e 2º da Lei n. 8.137/90; Nesse contexto, o Pretório Excelso, por maioria, acolheu e aprovou proposta de edição da Súmula Vinculante nº 24, com o seguinte teor: “Não se tipifica crime material contra a ordem tributária, previsto no artigo 1º, inciso I, da Lei nº 8.137/90, antes do lançamento definitivo do tributo”. Diante desse quadro, constituise dever funcional do auditor fiscal a elaboração, ainda no curso da ação fiscal, da Representação Fiscal para Fins Penais, sempre que, no exercício de suas atribuições institucionais, tiver conhecimento da ocorrência de comportamento omissivo ou comissivo que configure, em tese, crime de ação penal pública Fl. 356DF CARF MF Emitido em 25/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/04/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/04/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 09/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 26 que não dependa de representação do ofendido ou de requisição do Ministro da Justiça, bem como qualquer contravenção penal. A representação acima referida, instruída com os elementos de prova e demais informações pertinentes, constituirseá de autos apartados e permanecerá sobrestada no âmbito da administração tributária até decisão definitiva na esfera administrativa que paute pela procedência total ou parcial do lançamento, quando, então, poderá ser encaminhada ao órgão do Ministério Público, para a devida instauração da persecução penal. Cumpre ressaltar, por relevante, que a prestação da RFFP ao Ministério Público não consubstanciase em hipótese de quebra de sigilo fiscal, conforme se depreende dos termos insculpidos no art. 198, §3º, I do CTN: Código Tributário Nacional CTN Art. 198. Sem prejuízo do disposto na legislação criminal, é vedada a divulgação, por parte da Fazenda Pública ou de seus servidores, de informação obtida em razão do ofício sobre a situação econômica ou financeira do sujeito passivo ou de terceiros e sobre a natureza e o estado de seus negócios ou atividades. (Redação dada pela Lcp nº 104, de 10.1.2001) § 3o Não é vedada a divulgação de informações relativas a: (Incluído pela Lcp nº 104, de 10.1.2001) I – representações fiscais para fins penais; (Incluído pela Lcp nº 104, de 10.1.2001) Assim esculpido o arcabouço legislativo/jurisprudencial, podemos afirmar inexistir qualquer irregularidade da formalização da RFFP em destaque, eis que o seu encaminhamento ao Ministério Público somente se dará após o Trânsito em Julgado administrativo da NFLD em julgo, mesmo assim, na estrita hipótese da procedência total ou parcial do lançamento levado a efeito pela Autoridade Lançadora. 4. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, CONHEÇO do recurso voluntário para, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. Arlindo da Costa e Silva Fl. 357DF CARF MF Emitido em 25/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/04/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/04/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 09/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 36624.014325/200683 Acórdão n.º 230200.923 S2C3T2 Fl. 339 27 Fl. 358DF CARF MF Emitido em 25/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/04/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/04/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 09/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 13811.001318/2005-28
Turma: Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 25 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed May 25 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL
Ano-calendário: 1999
Ementa: COMPENSAÇÃO DE CSLL COM 1/3 DE COFINS.
EXISTÊNCIA DE AÇÃO JUDICIAL. A compensação de CSLL com 1/3 da
Cofins só é admissível nos casos de Cofins efetivamente paga, conforme disposição expressa de lei (art. 8º da Lei 9.718/1998). A propositura de ação judicial contestando a majoração da alíquota da Cofins de 2% para 3%, sem depósito, não afasta tal exigência legal.
Numero da decisão: 1103-000.461
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por maioria de votos, NEGAR
provimento ao recurso. Vencido o Cons. Hugo Correia Sotero.
Nome do relator: ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA
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ementa_s : Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Ano-calendário: 1999 Ementa: COMPENSAÇÃO DE CSLL COM 1/3 DE COFINS. EXISTÊNCIA DE AÇÃO JUDICIAL. A compensação de CSLL com 1/3 da Cofins só é admissível nos casos de Cofins efetivamente paga, conforme disposição expressa de lei (art. 8º da Lei 9.718/1998). A propositura de ação judicial contestando a majoração da alíquota da Cofins de 2% para 3%, sem depósito, não afasta tal exigência legal.
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EXISTÊNCIA DE AÇÃO JUDICIAL. A compensação de CSLL com 1/3 da Cofins só é admissível nos casos de Cofins efetivamente paga, conforme disposição expressa de lei (art. 8º da Lei 9.718/1998). A propositura de ação judicial contestando a majoração da alíquota da Cofins de 2% para 3%, sem depósito, não afasta tal exigência legal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, ACORDAM os membros do colegiado, por maioria de votos, NEGAR provimento ao recurso. Vencido o Cons. Hugo Correia Sotero. Aloysio José Percínio da Silva – Presidente e Relator Participaram do julgamento os Conselheiros Mário Sérgio Fernandes Barroso, Marcos Shigueo Takata, José Sérgio Gomes, Eric Moraes de Castro e Silva, Hugo Correia Sotero e Aloysio José Percínio da Silva. Relatório Fl. 235DF CARF MF Emitido em 26/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/08/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/08/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA 2 Tratase de pedido de restituição (fls. 01/11) de crédito de CSLL do ano calendário 1999 no valor original de R$ 3.924.005,44, decorrente de apuração anual. A contribuinte informou que o montante requerido resultou de compensação da CSLL com 1/3 da Cofins correspondente aos períodos de janeiro a dezembro do mesmo período, benefício previsto no art. 8º, §§ 1º ao 4º, da Lei 9.718/1998, não utilizado no próprio anocalendário em razão de proteção judicial obtida em mandado de segurança garantindo o pagamento da Cofins à alíquota de 2%, sem, portanto, submeterse à majoração para 3%. Dessa forma, não atendera a uma das condições da referida norma. Posteriormente, em face da decisão proferida pelo Plenário do STF nos autos do Recurso Extraordinário n° 336.1341/RS, declarando a constitucionalidade do artigo 8° da Lei n° 9.718/98 e, conseqüentemente, ratificando a majoração da alíquota da Cofins de 2% para 3% no período de fevereiro a dezembro de 1999, e tendo em vista o beneficio da Lei 10.637/2002, desistiu da disputa judicial (Doc. 4 – fls. 20/25), e pagou os valores devidos correspondentes à mencionada majoração (Doc. 7 – fls. 72/77). Com o pagamento relativo à majoração da alíquota da Cofins de janeiro a dezembro de 1999, estariam implementadas as condições previstas na lei para a compensação com a CSLL. Assim, tendo em vista que se submetera à incidência das duas contribuições sociais, seria legítimo o crédito da CSLL no valor equivalente à parcela representativa da majoração da alíquota da Cofins. A contribuinte assegurou que a lei não estabeleceu condição temporal para o benefício, “e nem poderia, pois as pessoas jurídicas que pagaram CSLL no ano de 1999 e ainda não efetuaram a compensação dos valores relativos a 1/3 da COFINS (majoração da alíquota), relativamente ao período de fevereiro a dezembro de 1999, porque discutiram perante o Poder Judiciário a ilegalidade e inconstitucionalidade do artigo 8° da referida Lei n° 9.718/98, não podem receber tratamento diferenciado, neste caso, menos benéfico.” Informou que o crédito não pôde ser aproveitado para a quitação de parcelas vincendas de tributos e contribuições administrados pela Receita Federal via PER/DCOMP, uma vez que esse programa, por aceitar a sistemática apenas dentro do decurso de prazo de cinco anos do encerramento do ano calendário, gera erro impedindo o envio do pedido (Doc. 3 – fls. 20). Na impossibilidade de utilização do meio próprio, decidiu apresentar o presente pedido em formulário. O pedido foi negado pela DRF de origem com base no Despacho Decisório EQPIR/PJ (fls. 167). A contribuinte manifestou inconformidade (fls. 176). A 5º Turma da DRJ/São Paulo ISP julgou improcedente a contestação, nos termos do Acórdão nº 1624.101/2010 (fls. 196), adotado por unanimidade, assim resumido: “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 1999 Ementa: Fl. 236DF CARF MF Emitido em 26/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/08/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/08/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 13811.001318/200528 Acórdão n.º 110300.461 S1C1T3 Fl. 2 3 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO PRAZO PARA UTILIZAÇÃO DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO O prazo para que o contribuinte possa pleitear a restituição de tributo ou contribuição pago indevidamente ou em valor maior que o devido, inclusive na hipótese de o pagamento ter sido efetuado com base em lei posteriormente declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal em ação declaratória ou em recurso extraordinário, extinguese após o transcurso do prazo de 5 (cinco) anos, contado da data da extinção do crédito tributário. COMPENSAÇÃO DA CSLL COM 1/3 DA COFINS EFETIVAMENTE PAGA. Tanto a Lei nº 7918/98 como a IN SRF nº 06/1999, são explicitas em condicionar o beneficio da compensação da CSLL com ate 1/3 da COFINS que tivesse sido efetivamente recolhida a alíquota de 3%.” Cientificada da decisão em 23/02/2010 (fls. 203), a contribuinte interpôs recurso voluntário no dia 23 do mês seguinte (fls. 204). É o relatório. Voto Conselheiro ALOYSIO JOSÉ PERCÍNIO DA SILVA – Relator O recurso é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade. Conforme relatado, o pedido de restituição é relativo suposto saldo resultante de compensação de CSLL com 1/3 da Cofins correspondente aos períodos de janeiro a dezembro de 1999, conforme art. 8º, §§ 1º ao 4º, da Lei 9.718/1998, não utilizado no próprio Fl. 237DF CARF MF Emitido em 26/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/08/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/08/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA 4 anocalendário em razão de proteção judicial obtida em mandado de segurança garantindo o pagamento da Cofins à alíquota de 2%. Preliminarmente, a turma recorrida entendeu haver expirado o prazo de cinco anos para formulação do pedido, previsto no art. 168, I, do CTN – Código Tributário Nacional. O pedido foi apresentado no dia 08/06/2005. Penso de modo diverso, tendo em vista que, em tese, o crédito requerido só teria surgido na data do pagamento, no ano de 2002, dentro, portanto, do qüinqüênio legal acima referido. No mérito, rejeitouse o pedido com base na exigência legal de a referida compensação poder ser realizada unicamente com 1/3 da Cofins efetivamente paga, conforme exigência do art. 8º da Lei 9.718/1998, o que não ocorre no caso concreto. O comando legal referido tem a seguinte redação: “Art. 8° Fica elevada para três por cento a alíquota da COFINS. §1° A pessoa jurídica poderá compensar, com a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL devida em cada período de apuração trimestral ou anual, até um terço da COFINS efetivamente paga, calculada de conformidade com este artigo. §2° A compensação referida no §1°: I somente será admitida em relação à COFINS correspondente a mês compreendido no período de apuração da CSLL a ser compensada, limitada ao valor desta; II no caso de pessoas jurídicas tributadas pelo regime de lucro real anual, poderá ser efetuada com a CSLL determinada na forma dos arts. 28 a 30 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996. §3° Da aplicação do disposto neste artigo, não decorrerá, em nenhuma hipótese, saldo de COFINS ou CSLL a restituir ou a compensar com o devido em períodos de apuração subseqüentes. §4° A parcela da COFINS compensada na forma deste artigo não será dedutível para fins de determinação do lucro real.” Destacou o voto condutor do acórdão contestado: “... como a própria contribuinte admite, embora tenha desistido da ação judicial em 29 de novembro de 2002, e tenha recolhido os débitos de COFINS relativos ao anocalendário nessa data, essa compensação já não estava mais em vigor pois, como visto acima esse benefício foi revogado pela Medida Provisória nº 215835, de 2001, ou seja, ainda que pudesse alegar que ao efetuar o pagamento em 2002, passaria a ter direito a compensação, se não houvesse a condição do pagamento da Cofins antes do vencimento do débito da CSLL, ainda assim não poderia se beneficiar pois essa compensação já não estava mais em vigor.” (os destaques constam do texto original) A interpretação pela DRJ dos dispositivos legais aplicáveis pareceme apropriada, devendo ser prestigiada neste julgamento. Devese também observar a ressalva contida no §3º do art. 8º da Lei 9.718/1998, acima transcrito, quanto à conseqüência da utilização da compensação, da qual Fl. 238DF CARF MF Emitido em 26/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/08/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/08/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 13811.001318/200528 Acórdão n.º 110300.461 S1C1T3 Fl. 3 5 “não decorrerá, em nenhuma hipótese, saldo de COFINS ou CSLL a restituir ou a compensar com o devido em períodos de apuração subseqüentes.” A opção pela via judicial não resultou em tratamento diferenciado prejudicial à contribuinte, tendo em vista que o seu pedido não abrangeu a garantia da compensação de 1/3 da Cofins com a CSLL. Ao adotar tal caminho, ela assumiu os riscos decorrentes da sua escolha. Conseqüência diversa haveria na hipótese de existência de depósito judicial no montante integral do valor contestado. Entretanto, esse não é o caso sob exame. Conclusão Nego provimento ao recurso. ALOYSIO JOSÉ PERCÍNIO DA SILVA Fl. 239DF CARF MF Emitido em 26/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/08/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/08/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA
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Numero do processo: 19515.000684/2007-52
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Mar 14 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Mon Mar 14 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF
Exercício: 2002, 2003
Ementa:
Recurso de Oficio IRPF. DEPÓSITOS EFETUADOS EM CONTA MANTIDA EM
INSTITUIÇÃO NO EXTERIOR. LANÇAMENTOS A DEBITO. INOCORRENCIA DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS.
Tendo sido tributados os créditos em conta mantida no exterior, de valores imputados a determinado beneficiário, não pode prevalecer a tributação dos débitos realizados na mesma referida conta, sem que se estabeleça uma comparação com os rendimentos declarados e/ou lançados de oficio.
Recurso de oficio negado.
IRPF. DEPÓSITOS EFETUADOS EM CONTA MANTIDA EM INSTITUIÇÃO NO EXTERIOR. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. PROVA INDICIARIA. TITULARIDADE E BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADOS. INFRAÇÃO NÃO COMPROVADA.
Depósitos em contas mantidas no exterior não caracterizam, por si so, omissão de rendimentos quando o Auto de Infração não trouxer como enquadramento legal a aferição por presunção de omissão de rendimentos calcada em depósitos bancários de origem não comprovada, prevista no art. 42, da Lei n° 9.430/96. Assim sendo, trata-se de omissão direta de rendimentos, caso em que compete a autoridade lançadora comprovar, através de meios idôneos e capazes, que os depósitos bancários são de titularidade e tem como beneficiário o contribuinte colocado como sujeito
passivo da obrigação tributária.
Recurso voluntário provido.
Numero da decisão: 2202-001.022
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar
provimento ao Recurso de Oficio. Quanto ao Recurso Voluntário, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso.
Nome do relator: JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR
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DEPÓSITOS EFETUADOS EM CONTA MANTIDA EM INSTITUIÇÃO NO EXTERIOR. LANÇAMENTOS A DÉBITO. INOCORRÊNCIA DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Tendo sido tributados os créditos em conta mantida no exterior, de valores imputados a determinado beneficiário, não pode prevalecer a tributação dos débitos realizados na mesma referida conta, sem que se estabeleça uma comparação com os rendimentos declarados e/ou lançados de ofício. Recurso de ofício negado. IRPF. DEPÓSITOS EFETUADOS EM CONTA MANTIDA EM INSTITUIÇÃO NO EXTERIOR. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. PROVA INDICIÁRIA. TITULARIDADE E BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADOS. INFRAÇÃO NÃO COMPROVADA. Depósitos em contas mantidas no exterior não caracterizam, por si só, omissão de rendimentos quando o Auto de Infração não trouxer como enquadramento legal a aferição por presunção de omissão de rendimentos calcada em depósitos bancários de origem não comprovada, prevista no art. 42, da Lei nº 9.430/96. Assim sendo, tratase de omissão direta de rendimentos, caso em que compete a autoridade lançadora comprovar, através de meios idôneos e capazes, que os depósitos bancários são de titularidade e tem como beneficiário o contribuinte colocado como sujeito passivo da obrigação tributária. Recurso voluntário provido. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 19/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/04/2011 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR Assinado digitalmente em 29/04/2011 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, 29/04/2011 por NELSON MALLMANN 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso de Ofício. Quanto ao Recurso Voluntário, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Nelson Mallmann Presidente (assinado digitalmente) João Carlos Cassuli Junior Relator Participaram do julgamento os Conselheiros: Antonio Lopo Martinez, Pedro Anan Júnior, Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, João Carlos Cassuli Junior, Ewan Teles Aguiar e Nelson Mallmann. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Helenilson Cunha Pontes. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 19/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/04/2011 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR Assinado digitalmente em 29/04/2011 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, 29/04/2011 por NELSON MALLMANN Processo nº 19515.000684/200752 Acórdão n.º 220201.022 S2C2T2 Fl. 16 3 Relatório Versa o presente processo de Auto de Infração (fls. 141 a 145), relativo ao Imposto de Renda de Pessoa Física, em decorrência de procedimento de revisão de declaração de ajuste anual dos exercícios de 2002 e 2003 (anoscalendário 2001 e 2002), no qual se exige crédito tributário no montante de R$5.469.493,19 (cinco milhões, quatrocentos e sessenta e nove mil, quatrocentos e noventa e três reais e dezenove centavos), já acrescidos de juros de mora (calculado até 28/02/2007), multa proporcional e multa isolada (passíveis de redução), calculados de acordo com a legislação de regência. Pelo Termo de Início de Fiscalização (fls. 04/06), recebido em 25/10/2006, o contribuinte foi intimado a apresentar esclarecimentos acerca das movimentações financeiras em discussão. Nesta o contribuinte foi identificado como beneficiário final em operações de transferência de recursos para o exterior, ocorridas em 2001 e 2002, com intermediação da empresa Gatex Corporation, sediada em Nova Iorque, EUA, através de uma conta mantida no Merchants Bank of New York. Essas transferências perfazem um montante de US$2.158.060,00 (dois milhões, cento e cinqüenta e oito mil e sessenta dólares amercianos). Em suma, as infrações decorrem de movimentação de recursos no exterior cuja origem não foi comprovada mediante documentação hábil e idônea, configurando, assim, omissão de rendimentos, caracterizada por valores creditados em conta de depósito ou investimento mantida em instituição financeira sem origem comprovada. DA IMPUGNAÇÃO Por meio de procurador constituído, o interessado apresentou a impugnação (fls. 155/171), em 23/04/2007, na qual levanta as razões de sua defesa. Preliminarmente requer reabertura de prazo para impugnação, alegando demora na obtenção de vistas do processo, que se deu somente em 19/04/2007 (fl. 172), ou seja, quatro dias antes do prazo final para protocolo da impugnação. Requer, também em sede de preliminar, a nulidade dos documentos que instruíram a autuação e serviram de base para o lançamento, destacando que muitos destes apresentavamse em linguagem alienígena e sem autenticação ou qualquer formalidade, tratandose de cópias reprográficas simples. Ainda na preliminar, argüi decadência do lançamento no que tange os valores referentes ao anocalendário 2001, alegando que o prazo qüinqüenal, previsto no CTN, já havia expirado à data do lançamento. No tocante ao mérito, o impugnante reportase inicialmente ao Termo de Verificação Fiscal, integrante do Auto de Infração, alega não existir nenhum fato comprobatório vinculandoo ao delito configurado, havendo somente descrição genérica da situação, não restando qualquer conexão entre o contexto e o impugnante. Ressalta ainda o fato de o lançamento respaldarse em provas emprestadas, porém não autorizadas, o que não poderia ser admitido. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 19/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/04/2011 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR Assinado digitalmente em 29/04/2011 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, 29/04/2011 por NELSON MALLMANN 4 Afirma ter entrado em contato com a instituição bancária apontada como seu vínculo financeiro, objetivando a produção de prova negativa e obteve uma resposta (fls.202/205), notificando impossibilidade de fornecer qualquer informação, concluindo, assim, ter havido boafé por parte do impugnante. Ao fim pleiteia, ainda, redução de penalidade por inexistência de dolo, ardil e máfé e pelo fato de configurar, da maneira em que se encontra, evidente confisco. Além de requerer que se torne sem efeito a multa isolada, por esta encontrarse naquela vinculado a efetiva omissão. DO JULGAMENTO DE 1ª INSTÂNCIA A 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de São Paulo SPOII (SP), decidiu pela procedência, em parte, do lançamento, proferindo Acórdão n° 17 30.703 (fls. 214 a 231), de 09/03/2009, nos seguintes termos: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2001, 2002. Ementa: PRELIMINARES. NULIDADE. Tendo o auto de infração sido lavrado por servidor competente, com estrita observância das normas reguladoras da atividade de lançamento e, existentes no instrumento os elementos necessários para que o contribuinte exerça o direito do contraditório e da ampla defesa, assegurado pela Constituição Federal, afastamse as preliminares de nulidade argüidas. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE. Tendo o auto de infração sido lavrado com estrita observância das normas reguladoras da atividade de lançamento e, existentes no instrumento todas as formalidades necessárias para que o contribuinte exerça o direito do contraditório e da ampla defesa, não há que se falar em cerceamento do direito de defesa. PROVA MATERIAL DOCUMENTO EM IDIOMA ESTRANGEIRO. VALIDADE. Consideramse habilmente aprovados os fatos consignados em documentos produzidos a partir de dados eletrônicos disponibilizados à Secretaria da Receita Federal pela Justiça Federal, extraídos de Laudos Periciais. A ausência de tradução para o vernáculo não acarreta o cerceamento do direito de defesa, seja por haver referências expressas em português nos autos ou por ter sido atingida a sua finalidade essencial de propiciar a defesa do contribuinte e fazer prova junto às autoridades julgadoras. PRELIMINAR. DECADÊNCIA. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 19/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/04/2011 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR Assinado digitalmente em 29/04/2011 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, 29/04/2011 por NELSON MALLMANN Processo nº 19515.000684/200752 Acórdão n.º 220201.022 S2C2T2 Fl. 17 5 Tendo havido recolhimento a menor do tributo, ensejando lançamento de ofício, o início da contagem do prazo decadencial terá efeito no primeiro dia do exercício seguinte àquele previsto para a entrega da declaração de ajuste anual, conforme previsto no art. 173, I do CTN. FATO GERADOR. OCORRÊNCIA. A tributação independe da denominação dos rendimentos, títulos ou direitos, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem dos bens produtores da renda e da forma de percepção das rendas ou proventos, bastando, para a incidência do imposto, o benefício do contribuinte por qualquer forma e a qualquer título. Mantida a tributação dos valores comprovadamente creditados em conta mantida no exterior pelo contribuinte. Excluemse os valores correspondentes aos débitos efetuados na mesma conta por não caracterizarem, por si, fato gerador de imposto de renda. MULTA QUALIFICADA. A omissão, na declaração de ajuste anual, da existência de conta bancária no exterior, bem como a realização de operações à revelia das autoridades monetárias e fiscais brasileiras revela evidente intuito de fraude, ensejando a aplicação da multa de ofício qualificada. Lançamento Procedente em Parte. Como se vê, o contribuinte figura, nos documentos em discussão, em duas posições: ora como beneficiário, ora como remetente. Há, a título de movimentação atribuída ao impugnante, US$949.415,00 (novecentos e quarenta e nove mil, quatrocentos e quinze dólares americanos) correspondentes a crédito na conta Merchants; porém o montante de US$1.208.645,00 (um milhão, duzentos e oito mil, seiscentos e quarenta e cinco dólares americanos) refere à débito na mesma conta. Quanto aos créditos supracitados, entendeu a decisão recorrida como inquestionável o benefício ao impugnante, contudo, no que se refere aos débitos efetuados na mesma conta, não se pode prevalecer a tributação sem que haja comparação com os rendimentos declarados e/ou lançados de ofício. Portanto, excluiu da tributação os valores relacionados no Demonstrativo das Movimentações (fls. 126/127) como remetidos, correspondentes a US$1.208.645,00 (um milhão, duzentos e oito mil, seiscentos e quarenta e cinco dólares americanos). O lançamento considerado procedente em parte, segue da seguinte maneira: Infrações apuradas no lançamento: US$5.123.645,94 Infrações exoneradas no acórdão: US$2.896.149,53 Fl. 5DF CARF MF Emitido em 19/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/04/2011 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR Assinado digitalmente em 29/04/2011 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, 29/04/2011 por NELSON MALLMANN 6 Infrações mantidas: US$2.227.496,41 Em síntese, a 5ª Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal de São Paulo – SPOII (SP) acordou, por unanimidade, por considerar procedente em parte o lançamento, se exonerando parcialmente o crédito tributário constituído, conforme acima demonstrado. DO RECURSO De ofício: Encontrase previsto, em legislação, o cabimento de Recurso de Ofício por parte da Unidade de Julgamento de 1ª Instância, quando a exoneração do crédito tributário efetuada na decisão prolatada for superior a R$1.000.000,00 (um milhão de reais), a 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento DRJ/SPOII, submeteu a apreciação de sua decisão a este Colegiado, nos seguintes termos: “Submetase à apreciação do Egrégio Conselho de Contribuintes, de acordo com o art. 34 do Decreto n° 70.235, de 1972 e alterações introduzidas pela Lei n° 8.748, de 1993 e Portaria MF 375, de 2001, por força de recurso necessário.” Voluntário: Cientificado do Acórdão de Primeira Instância, em 17/04/2009 (vide AR de fl. 237), o contribuinte apresentou tempestivamente, em 19/05/2009, o recurso de fls. 243 e 278. Após breve introdução, o ora recorrente dizse surpreendido com a decisão da primeira instância, sendo assim, requer a reforma integral desta pela Câmara de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. No recurso direcionado ao CARF, o recorrente não traz fatos novos, porém reitera os fundamentos levantados em sede de impugnação que, em síntese, são: Cerceamento de Defesa: reafirma o fato de que lhe foi concedido vistas do processo há poucos dias do encerramento do prazo para apresentação da impugnação de primeira instância, comprovando a existência de obstáculo ao exercício da prerrogativa de defesa, devendo, portanto, ser novamente intimado para apresentar impugnação; Autuação lastreada em documentos apresentados em idioma estrangeiro, sem autenticação e sem qualquer formalidade mínima para comprovar sua validade; Boa fé do ora recorrente pelo fato deste ter entrado em contato com o banco situado no exterior, recebendo, como resposta, que ele não pode ter acesso aos dados que não lhe pertencem; Alega não ter sido vinculada a conduta do ora recorrente às ilicitudes cometidas pelo Banestado, existindo apenas indícios emprestados de investigação genérica de outros órgãos, sendo assim, a sua autuação foi feita por meio de provas emprestados, sistemática não admitida; Prazo decadencial referente às exigências relacionadas ao ano de 2001, devido ao fato de existir cinco anos para efetuar o ato jurídico administrativo de lançamento e, em não sendo cumprido, decai o direito de celebrálo; Fl. 6DF CARF MF Emitido em 19/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/04/2011 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR Assinado digitalmente em 29/04/2011 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, 29/04/2011 por NELSON MALLMANN Processo nº 19515.000684/200752 Acórdão n.º 220201.022 S2C2T2 Fl. 18 7 Anulação da multa agravada de 150%, por configurar evidente confisco e, ainda, tornar sem efeito a multa isolada, por estar inserida naquela vinculada a efetiva omissão de receita. Ao fim espera o julgamento procedente do recurso administrativo, de modo que a autuação seja declarada/julgada integralmente improcedente e/ou insubsistente, tornando sem efeito qualquer lançamento e/ou aplicação de penalidade que vincule ou venha a vincular o recorrente ao pagamento de importância tributária relativa ao processo em discussão. Alternativamente requer procedência do recurso no sentido de restituir todo o prazo para impugnação de primeira instância, concedendo a devida capacidade de ampla defesa, para que se possa instruir o processo com os documentos que não puderam ser acostados pelos motivos já relacionados anteriormente. Em não sendo acolhidos os requerimentos supracitados, requer a redução da penalidade aplicada em função da inexistência de dolo, ardil ou máfé. Requer, finalmente, redução da multa agravada em 150% por configurar evidente confisco e, ainda, tornar sem efeito a multa isolada por estar inserida naquela vinculada a efetiva omissão de receita. DA DISTRIBUIÇÃO Tendo o processo sido distribuído a esse relator por sorteio regularmente realizado, vieram os autos para relatoria, por meio de processo eletrônico, em 02 (dois) Volumes, totalizando 280 (duzentas e oitenta) folhas, estando apto para análise desta Colenda 2ª Turma Ordinária da Segunda Seção do CARF. É o relatório. Fl. 7DF CARF MF Emitido em 19/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/04/2011 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR Assinado digitalmente em 29/04/2011 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, 29/04/2011 por NELSON MALLMANN 8 Voto Conselheiro João Carlos Cassuli Junior, Relator. Recurso de Ofício: O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade, tendo em vista que a opção da DRJ ora Recorrente de considerar o Lançamento Procedente em Parte resultou na exoneração parcial do valor do crédito autuado que, conforme relatório acima, resulta, em um montante de US$ 1.208.645,00 (um milhão, duzentos e oito mil, seiscentos e quarenta e cinco dólares americanos). Portanto, conheço do recurso de ofício. De acordo com o que se obtém do voto do Relator do Acórdão nº. 1730.703, proferido pela DRJ ora Recorrente, o valor mantido na autuação referese aos créditos em conta mantida no exterior, não sendo mantidos, assim, os valores referentes aos débitos, exatamente nos seguintes termos: (...) uma vez tributados os créditos em conta mantida no exterior, dos quais o contribuinte foi beneficiário, não pode prevalecer a tributação dos débitos, sem que se estabeleça uma comparação com os rendimentos declarados e/ou lançados de ofício. (...) Vale ressaltar o fato de que nos documentos produzidos pela Equipe Especial de Fiscalização, o contribuinte figura em duas posições, ora como beneficiário e ora como remetente. Assim, as implicações tributárias deverão ser analisadas em separado, onde os ingressos em conta configuram possível rendimento, beneficiado ao contribuinte. Porém, no que tange os débitos configurados junto à referida conta, não há como concordar com a tributação destes, por não caracterizar, por si só, a ocorrência de fato gerador do imposto de renda. Neste sentido, posicionome por conhecer do Recurso de Ofício e negar lhe provimento. Recurso Voluntário: Inicialmente, em análise aos pressupostos de validade da autuação, enfrento a questão apresentada no voto da decisão Recorrida, afastando por hora o enfrentamento das demais questões relevantes. Recorre o contribuinte, da decisão proferida, em que considera Procedente em Parte o Lançamento, exonerando parcialmente o crédito tributário constituído no tocante aos débitos de conta no exterior, mantendo, porém, as movimentações referentes aos créditos na conta do Merchants Bank of New York, em um montante de US$949.415,00 (novecentos e quarenta e nove mil, quatrocentos e quinze dólares americanos). Em análise aos documentos acostados aos autos, verificase que a autuação baseouse em laudos periciais confeccionados pelo Instituto Nacional de Criminalística do Departamento da Polícia Federal, pelos quais se identifica o autuado como beneficiário final de movimentações em conta no exterior, com a intermediação da empresa Gatex Corporation, sem trazer, no entanto, a prova fática de que o contribuinte autuado era o real beneficiário dos Fl. 8DF CARF MF Emitido em 19/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/04/2011 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR Assinado digitalmente em 29/04/2011 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, 29/04/2011 por NELSON MALLMANN Processo nº 19515.000684/200752 Acórdão n.º 220201.022 S2C2T2 Fl. 19 9 valores, muito menos descrição precisa e suficiente que viesse a vincular a conduta do ora recorrente às ilicitudes narradas. Cotejando esse dispositivo àqueles contidos no Termo de Verificação Fiscal, temos que a Autoridade lançadora fundamentou a exigência nos seguintes dispositivos: Arts. 1° a 3° e parágrafos da Lei 7.713/88, artigos 1° a 3° da Lei 8.134/90 e artigos 37, 38, 43, 55, incisos I a IV, VI, IX a XII, XIV a XIX, 56 e 83 do Decreto 3.000/99 — RIR/99, além do art. 1º. da Lei nº. 9.887/99 e do art. 1º. da MP nº. 22/2002, convertida na Lei nº. 10.451/2002. Esses dispositivos legais são amparo para toda e qualquer autuação em que se possa atestar através de provas contundentes, veementes, graves e convergentes à omissão de rendimentos imputada ao contribuinte. Tal possibilidade se verifica na correlação intrínseca dos rendimentos movimentados em contascorrentes fiscalizadas, com a identificação dos mesmos como tratandose de rendimentos tributáveis, bem como, ainda, com a correta identificação de que os recursos foram percebidos pelo(s) titular (es) da (s) conta (s), ou ainda, que este obteve um acréscimo patrimonial a descoberto, ou, ainda, também tenha apresentado “sinais exteriores de riqueza”. Todas as informações captadas que representam um conjunto probatório apto e convergente a demonstrar de forma consistente a efetividade da omissão de rendimentos, podem dar amparo ao Auto de Infração baseado na imputação de omissão de rendimentos pura e simples, desde que, inarredavelmente, produzidas nesta situação pelo Fisco. Com respeito aos que pensam em sentido diferente, em caso contrário – ou seja, sem haver provas contundentes e convergentes produzidas pelo Fisco –, ao se evidenciar que tal conjunto probatório consiste em apenas “fortes indícios” de que a omissão ocorreu, podemos chamar as provas apresentadas de provas indiciárias, ou ainda, de lançamento baseado em presunção simples. Porém, a linha que separa a Autoridade lançadora da aplicar a “presunção simples”, passando a utilizarse de uma “constatação efetiva” das omissões apontadas (presunção absoluta), é tênue, merecendo tal questão possuir tratativa específica dentro do Direito Tributário a fim de guardar a sua melhor aplicação e, consequentemente, proteger os direitos constitucionais que amparam os administrados. Neste tocante, com o advento da Lei 9.430/96, por meio do artigo 42, veio ao mundo jurídico a figura da presunção legal de omissão de rendimentos baseada em depósito bancário de origem não comprovada, ou seja, aquela presunção fundada em um conjunto de fatores que, se identificados na situação sob fiscalização, por mais que sejam apenas “fortes indícios”, amparam a Autoridade Administrativa a presumir legalmente a ocorrência da infração, cabendo, a partir desta presunção, ao contribuinte o ônus da prova em contrário. É o que se extrai do dispositivo abaixo: Art.42.Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou deinvestimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação Fl. 9DF CARF MF Emitido em 19/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/04/2011 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR Assinado digitalmente em 29/04/2011 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, 29/04/2011 por NELSON MALLMANN 10 hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. §1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. §2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. §3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 1.000,00 (mil reais), desde que o seu somatório, dentro do ano calendário, não ultrapasse o valor de R$ 12.000,00 (doze mil reais). §4º Tratandose de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira. § 5º Quando provado que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem a terceiro, evidenciando interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos ou receitas será efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento. § 6º Na hipótese de contas de depósito ou de investimento mantidas em conjunto, cuja declaração de rendimentos ou de informações dos titulares tenham sido apresentadas em separado, e não havendo comprovação da origem dos recursos nos termos deste artigo, o valor dos rendimentos ou receitas será imputado a cada titular mediante divisão entre o total dos rendimentos ou receitas pela quantidade de titulares. Iniciouse com esta disposição legal, a criação de uma presunção legal de omissão de rendimentos, inversão do ônus de provar a origem dos rendimentos, por parte do contribuinte, e, consequentemente, da demonstração da não ocorrência dos fatos presumidos pela Autoridade Administrativa. Falase da existência da figura da presunção relativa (que admite prova em contrário), cabendo esta ao contribuinte, ao contrário do que vigorava na legislação anterior, a qual exigia do Fisco, diante dos indícios, a efetiva comprovação fática da ocorrência da infração por ele apontada. Obtémse da doutrina de Silvana Mancini Karan, no artigo “A omissão de rendimentos decorrentes de depósitos bancários de origem não conhecida e sua discussão nos tribunais administrativo e judicial” (in Imposto de Renda Pessoa Física – á luz da jurisprudência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, da coordenadoria de Pedro Anan Jr. E Marcelo Magalhães Peixoto), um conceito claro das presunções: Fl. 10DF CARF MF Emitido em 19/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/04/2011 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR Assinado digitalmente em 29/04/2011 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, 29/04/2011 por NELSON MALLMANN Processo nº 19515.000684/200752 Acórdão n.º 220201.022 S2C2T2 Fl. 20 11 “Ocorre, entretanto, que o artigo mencionado contém uma legítima presunção legal relativa cujo principal efeito é a inversão do ônus probatório. Lembramos que as presunções absolutas são aquelas que não admitem prova em contrário. As relativas são consideradas afirmações verdadeiras até que a outra parte (neste caso, o contribuinte) prove que a afirmação da autoridade fiscal lançadora é improcedente.” Acerca do tema “presunções”, leciona o professor LUÍS EDUARDO SCHOUEIRI: “A razão porque não cabe o emprego de presunções simples em lugar das provas é imediata: estando o sistema tributário brasileiro submetido à rigidez do princípio da legalidade, a subsunção dos fatos à hipótese de incidência tributária é mandatória para que se dê o nascimento da obrigação do contribuinte. Admitir que o mero raciocínio de probabilidade por parte do aplicador da lei substitua a prova é conceber a possibilidade ainda que remota diante de altíssima probabilidade que motivou a ação fiscal de que se possa exigir um tributo sem que necessariamente tenha ocorrido o fato gerador.” ("Presunções Simples e Indícios no Procedimento Administrativo Fiscal", in "Processo Administrativo Fiscal 2º Volume", Editora Dialética, págs. 85 e 86 – grifei) Notase, portanto, que no campo das presunções e versando a matéria de depósitos bancários, há apenas uma possibilidade legal de consubstanciar o lançamento de ofício a título de IRPF sem a demonstração fática e indubitável da infração apontada, qual seja, consubstanciar o lançamento tributário na base legal que permite tal presunção, qual seja, o art. 42 da Lei 9.430/96. Trazendo este panorama aos autos, sobressai a situação de que as provas trazidas pela Autoridade Administrativa consideram as movimentações financeiras realizadas no exterior, como rendimentos tributáveis auferidos pelo contribuinte, sem demonstrar que o mesmo era efetivamente o responsável pela pessoa jurídica mencionada nos arquivos digitais trazidos pela CPMI do Banestado, e, portanto, teriam tais valores sido omitidos na declaração de ajuste anual prestada à Autoridade Tributária. Do que se observa dos autos, resta claro que ao efetuar o lançamento do crédito tributário a título de omissão de rendimentos (e não em “presunção” de omissão de rendimentos – art. 42, supracitado), baseado apenas na análise de movimentação de valores de contas no exterior, cuja titularidade imputa seja do contribuinte fiscalizado, sem efetuar prova de que os mesmos tenham sido omitidos, ou que o contribuinte seja o seu real beneficiário, acabou por admitirse a Autoridade administrativa ao instruir o Auto de Infração com as provas necessárias. No entanto, ao analisar o enquadramento legal da autuação, verificase que a mesma não está baseada no art. 42, acima citado. Antes, ela baseouse em prova indiciária, sem, contudo nela estar fundamentada. Assim sendo, competia ao Fisco corroborar a prova indiciária, já que no caso não lhe favorecia a presunção do art. 42, da Lei nº 9.430/96 A prova colhida pela Autoridade Lançadora para que consubstanciar ao lançamento assim constituído, deveria ser grave, veemente, convergente e ainda, absoluta, não admitindo dúvida em relação à ocorrência do fato gerador da obrigação tributária exigida, bem Fl. 11DF CARF MF Emitido em 19/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/04/2011 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR Assinado digitalmente em 29/04/2011 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, 29/04/2011 por NELSON MALLMANN 12 assim quanto a efetiva titularidade dos recursos pretensamente omitidos, e, ainda (mas não menos importante), que referidas pessoas sejam os efetivos beneficiários dos recursos. Conforme exposto alhures, à opção de capitulação da infração na omissão de rendimento direta incumbiuse a Autoridade Fiscal da prova cabal dos fatos apontados, o que não se evidencia dos autos e que contraria a jurisprudência dominante neste Conselho: “IRPF Omissão de rendimentos recebidos de RI ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA – IRPF Exercício: 2005, 2006 OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA. CHEQUES NOMINAIS, PROVA INDICIARIA. Para caracterizar a infração de omissão de rendimentos a prova indiciária deve ser constituída de indícios que sejam veementes, graves, precisos e convergentes, que examinados em conjunto levem ao convencimento do julgador. Recurso Voluntário Provido, Vistos, relatados e discutidos presentes autos, Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso, nos termos do voto da relatora.” (Acórdão 210200.885. Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF. 2ª. Seção. 2ª Turma da 1ª Câmara. Dt. Jul. 24/09/2010. Dt. Publ. 25.01.2011) “PIS. PRESUNÇÃO. PROVA INDICIÁRIA. A ´presunção´ consiste nas conseqüências que a lei tira de um fato conhecido para provar um fato oculto. A prova indiciária, admitida pelo Direito, apóiase em um conjunto de indícios veementes, graves, precisos e convergentes, capazes de demonstrar a ocorrência da infração e fundamentar o convencimento do julgador.” (Acórdão 20309180. 2º Conselho de Contribuintes. 3ª Câmara.Dr. 11/09/2003) Assim, na medida em que a Autoridade lançadora não produziu provas através de outros elementos que, em conjunto com as transferências/depósitos bancários analisadas, pudessem então subsidiar o entendimento de que tratarseiam aqueles movimentos econômicos, de rendimentos tributáveis omitidos, padece a autuação de uma aprofundada produção de prova. Observo ainda que o contribuinte alegou, em todas as intimações que cumpriu, que desconhecia por completo os fatos apontados pela Autoridade lançadora, sustentando não ser ele o responsável pelas movimentações financeiras apontadas como omitidas, solicitando, inclusive, esclarecimentos acerca da referida conta junto ao banco norte americano, para que se manifestasse acerca da suposta conta em seu nome, sem, no entanto, obter sucesso ante ao fato de o banco ter sido sucedido por outra instituição financeira, que alegou não possuir elementos para lhe prestar as informações por ele solicitadas. De se notar, ainda neste tocante, a fragilidade dos apontamentos efetuados pela fiscalização, uma vez que a mesma não trouxe aos autos a prova cabal que pudesse comprovar que as movimentações financeiras analisadas na conta nº. 9008295, do Merchants Bank of New York, fossem de titularidade do recorrente. Fl. 12DF CARF MF Emitido em 19/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/04/2011 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR Assinado digitalmente em 29/04/2011 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, 29/04/2011 por NELSON MALLMANN Processo nº 19515.000684/200752 Acórdão n.º 220201.022 S2C2T2 Fl. 21 13 A rigor do que comanda a Lei, em sendo o caso de infração de omissão rendimentos, não baseada na possibilidade legal de presunção, deveria a Autoridade Fiscal ter demonstrado o nexo causal entre a origem dos movimentos financeiros analisados e sua correspondente “omissão” na declaração de ajuste anual do contribuinte, demonstrando ser esse o real beneficiário dos recursos. Neste sentido, fazse pertinente mencionar que o artigo 42 da Lei 9.430/96, criou uma presunção juris tantum, imputando ao contribuinte o dever de provar a origem dos recursos movimentados em conta de depósito ou investimento junto a instituição financeira, cominando, para a ausência da prova da referida origem, a conclusão de que tais recursos caracterizamse em omissão de rendimentos presumida. Entretanto, esta hipótese é admitida no Direito quanto aos lançamentos tributários consubstanciados em presunções legais autorizadas por lei, tais como a da capitulação legal exemplificada acima, e, não sendo este o caso dos autos, tendo em vista que a autuação foi lavrada com base nos artigos. 1° a 3° e parágrafos da Lei 7.713/88, artigos 1° a 3° da Lei 8.134/90 e artigos 37, 38, 43, 55, incisos I a IV, VI, IX a XII, XIV a XIX, 56 e 83 do Decreto 3.000/99 — RIR/99, além do art. 1º. da Lei nº. 9.887/99 e do art. 1º. da MP nº. 22/2002, convertida na Lei nº. 10.451/2002, não se aplica a presunção de omissão de rendimentos, devendo haver, pelo contrário, a comprovação de que os recursos efetivamente são omissão de rendimentos do contribuinte sob fiscalização. Verificase, assim, a inadequação do procedimento adotado pelo Auditor Fiscal com o enquadramento legal por ele empregado ao lavrar o Auto de Infração, de modo que a exigência fiscal assim constituída, a míngua de outras provas que corroborassem tratarem os depósitos bancários de rendimentos omitidos pelo contribuinte, ou ainda que seria ele o titular e o beneficiário dos referidos recursos, não merece prosperar. O acórdão nº. 20309.180, de 11.09.2003, do Conselho de Contribuintes, evidencia o fato de que a prova indiciária, que visa autorizar a presunção, deve estar calcada em um conjunto de indícios veementes, nos traz: “PRESUNÇÃO. PROVA INDICIÁRIA. A "presunção" consiste nas conseqüências que a lei tira de um fato conhecido para provar um fato oculto. A prova indiciária, admitida pelo Direito, apóiase em um conjunto de indícios veementes, graves, precisos e convergentes, capazes de demonstrar a ocorrência da infração e fundamentar o convencimento do julgador.” (Relatora Cons. LUCIANA PATO PEÇANHA MARTINS grifei) Ainda nesse sentido, a despeito de não ser em idêntico caso, destaco a Jurisprudência da Câmara Superior de Recursos Fiscais, que no Acórdão CSRF/0104.177, assevera a impossibilidade de autuação baseada em prova indiciária, sem a expressa presunção legal autorizadora: “IRPF ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO VERIFICADO COM BASE EM ARBITRAMENTO DE CUSTO DE CONSTRUÇÃO As hipóteses de arbitramento estão definidas no art. 148 do CTN e são apenas duas, a saber: ausência de documentação ou documentação imprestável. Nesta segunda hipótese, cabe ao Fisco comprovar que a documentação apresentada pelo contribuinte não é merecedora de fé, para Fl. 13DF CARF MF Emitido em 19/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/04/2011 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR Assinado digitalmente em 29/04/2011 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, 29/04/2011 por NELSON MALLMANN 14 somente após proceder ao arbitramento. Assim, o arbitramento do custo de construção com base na tabela SINDUSCON não pode ser utilizado como meio de prova para confrontar valores declarados e comprovados pelo contribuinte. A prova indiciária somente é admitida nos casos em que há presunção legal autorizadora.” Conforme se depreende da decisão tomada pela Câmara Superior deste Colegiado, não se admite a prova indiciária em casos em que não esteja expressamente autorizada a presunção legal, de forma que se evidencia a ausência de provas da omissão direta de rendimentos, devendose, então, ser exonerada a exigência fiscal insuficientemente fundamentada em provas contundentes e convergentes. Situação em tudo semelhante à presente já foi examinada pela 7ª Câmara do extinto Conselho de Contribuintes (atual CARF), que concluiu pela impossibilidade do lançamento subsistir, na hipótese de uma pessoa jurídica. No entanto, apesar de se tratar de pessoa jurídica, entendese que essa conclusão é em tudo aplicável ao caso em julgamento, razão pela qual trazse a baila o acórdão nº 10708.592, de 25.05.2006, unânime, que teve como Relatora a CONSELHEIRA ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA e cuja ementa consigna: “LANÇAMENTO – ILEGITIMIDADE PASSIVA – PROVA INDICIÁRIA. A prova indiciária para referendar a identificação do sujeito passivo deve ser constituída de indícios que sejam veementes, graves, precisos e convergentes, que examinados em conjunto levem ao convencimento do julgador. Recurso provido.” Do voto, extraio os seguintes excertos, em tudo aplicáveis aqui: “A empresa nega desde o início da ação fiscal, que tenha efetuado as remessas e argumenta que não foi identificada nas planilhas produzidas pelo Laudo. Alega que a representação fiscal em que consta seu nome, como titular das remessas, foi elaborada pela Secretaria da Receita Federal, por meio da Equipe Especial de Fiscalização, mas, que não há nos autos, de onde a SRF obteve, os dados: nome completo, endereço e CNPJ, para redigir a Representação Fiscal, dentre centenas de outras “Vancox”, no mundo. E que não pode pairar dúvidas com relação à pessoa que praticou a situação descrita como o núcleo do fato gerador. Conforme o laudo nº 1613/04, mencionado no relatório, a Beacon Hill Service Corporation, sediada em Nova Iorque, atuava como preposto bancário financeiro de pessoas físicas ou jurídicas, principalmente representadas por brasileiros, em agência do JP Morgan Chase Bank, administrando contas ou subcontas específicas, entre as quais a subconta LONTON TRADING LTD, nº 310113. No referido laudo, consta que o perito utilizouse de facilidades de consulta, agregação, comparação e relacionamento oferecidos por software de banco de dados, e que foram realizadas validações e cruzamentos a fim de extrair os registros relativos à subconta LONTON TRADING LTD, nº 310113, consolidandose as transações eletrônicas a débito e a crédito, obtidas de mídias computacionais. No Anexo à representação nº 167/94, da Equipe Especial de Fiscalização (fls. 65/66), estão relacionadas diversas operações em relação à conta da Lonton, nº 310113, cujo cliente é descrito em cada operação com parte dos termos: “VANCOX, VANCOX Ltda, B/O VANCOX, Belo Horizonte, MG, Brazil”. Fl. 14DF CARF MF Emitido em 19/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/04/2011 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR Assinado digitalmente em 29/04/2011 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, 29/04/2011 por NELSON MALLMANN Processo nº 19515.000684/200752 Acórdão n.º 220201.022 S2C2T2 Fl. 22 15 Ou seja, há indícios de que a contribuinte possa ser a empresa responsável por essas remessas, pelos termos mencionados no parágrafo anterior, entretanto, a evidência que se infere a partir de um indício deve ser aceita com a devida cautela, pois, o indício é apenas o ponto inicial para o prosseguimento e aprofundamento das investigações. A fiscalização nos autos, não demonstrou como chegou à conclusão de que a contribuinte autuada é a que realizou as operações de remessas ao exterior. Ressaltese que embora no doc. de fls. 64 (Representação fiscal nº 167/04), esteja assinalado com um “x” à mão, na quadrícula relativa a “cópias de ordens de pagamentos relacionados aos contribuintes elencados quando coletadas/disponibilizadas, referentes às operações acima transcritas”, que esses documentos poderiam estar anexados, constato que essas cópias de ordens de pagamento não constam nos autos. Sobre prova indiciária transcrevo ementa relativa ao acórdão nº 10708326, da sessão de 09.11.2005, que teve como relator o Conselheiro Luiz Martins Valero: PAF PROVA INDICIÁRIA A prova indiciária é meio idôneo para referendar uma autuação, quando a sua formação está apoiada num encadeamento lógico de fatos e indícios convergentes que levam ao convencimento do julgador. ... Não consta nos autos documento que faça a prova de que as remessas foram efetuadas pela autuada. Ainda que não fosse prova direta, mas, se a investigação tivesse colhido fortes indícios, veementes, graves, precisos e convergentes, que examinados em conjunto pudessem levar à constatação de que as remessas foram realizadas pela autuada, permitiria que o julgador tivesse mais elementos de convicção para que pudesse concluir de forma segura pela titularidade das remessas ao exterior, não confirmadas no Livro Caixa da autuada. A obrigação principal de acordo com o parágrafo primeiro do art. 113 do CTN surge com a ocorrência do fato gerador, e segundo o art. 114 do mesmo Código, o fato gerador da obrigação tributária é a situação definida em lei como necessária e suficiente à sua ocorrência. O art. 121 do CTN dispõe que o sujeito passivo da obrigação principal é a pessoa obrigada ao pagamento de tributo ou penalidade pecuniária. Pelo art. 142 do mesmo Código, compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente e entre outros requisitos, identificar o sujeito passivo. Assim, se a fiscalização considerou ter sido a autuada a titular das remessas ao exterior, deveria ter trazido aos autos, a prova de que as remessas foram efetuadas efetivamente por esse sujeito Fl. 15DF CARF MF Emitido em 19/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/04/2011 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR Assinado digitalmente em 29/04/2011 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, 29/04/2011 por NELSON MALLMANN 16 passivo, e a partir daí, verificar com os demais elementos, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária. Entretanto, os elementos constantes nos autos, não provam que as operações indicadas tenham sido praticadas pela recorrente. Ressaltese que o art. 112 do CTN determina que a lei tributária que define infrações, ou lhe comina penalidades, interpretase de maneira mais favorável ao acusado, em caso de dúvida quanto a: “autoria, imputabilidade, ou punibilidade” (inciso III). Concluo que não há prova nos autos que indique ser a autuada, o sujeito passivo que tenha efetuado as operações de remessas ao exterior.” Reportando os fundamentos paradigmas, acima, ao caso em exame, se conclui das provas trazidas aos autos, que não restou cabalmente comprovada a omissão de rendimentos na qual foi enquadrada a autuação sob revisão, pelo que entendese deficientemente instruída a prova da ocorrência do fato gerador, de modo a macular a matéria tributária objeto do lançamento ora revisado. Em assim considerando, analisando todo o contexto probatório que culminou na exigência fiscal, entendo haver ausência de prova da materialidade da infração apontada, pelo que deixo de enfrentar as demais questões atinentes ao processo, por considerálas prejudicadas, inclusive a atinentes a decadência, matéria igualmente de ordem pública. Assim, diante de todo o exposto, voto no sentido de dar provimento ao Recurso Voluntário, para exonerar a exigência tributária. (assinado digitalmente) João Carlos Cassuli Junior. Fl. 16DF CARF MF Emitido em 19/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/04/2011 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR Assinado digitalmente em 29/04/2011 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, 29/04/2011 por NELSON MALLMANN
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Numero do processo: 19515.002731/2004-50
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 23 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Feb 23 00:00:00 UTC 2011
Ementa: PLANEJAMENTO TRIBUTÁRIO — Não tendo sido apurada a ocorrência de planejamento tributário ilegal no momento do lançamento tributário não cabe à DRJ trazer à baila a fim de manter o lançamento efetuado, sob pena de inovação do lançamento.
INCORPORAÇÃO DE CONTROLADA - Na incorporação de empresa controlada é licito ao contribuinte deduzir como perda de capital a diferença entre o valor contábil e o valor do acervo liquido avaliado a preços de mercado. Art. 430 RIR.
Numero da decisão: 1102-000.408
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso voluntário para anular o lançamento fiscal em sua integra, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Nome do relator: João Carlos de Lima Junior
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INCORPORAÇÃO DE CONTROLADA - Na incorporação de empresa controlada é licito ao contribuinte deduzir como perda de capital a diferença entre o valor contábil e o valor do acervo liquido avaliado a preços de mercado. Art. 430 RIR. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso voluntário. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso voluntário para anular o lançamento fiscal em sua integra, nos termos do relatório e voto que integram o lesente julgado. Processo n° 19515.002731/2004-50 SI-C.1"f2 Acórchio n.° 1102-00.408 Fl. 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ivete Malaquias Pessoa Monteiro (Presidente da Turma), José Sérgio Gomes, Joao Otávio Oppennann Thomé, Joao Carlos de Lima Júnior (Vice-Presidente), Manoel Mota Fonseca e Silvana Rescigno Guerra Barreto. Relatório Trata-se de autos de infração relacionado a IRPJ no valor de RS 470.542,25 (quatrocentos e setenta mil quinhentos e quarenta e dois mil reais e vinte e cinco centavos) e CSLL no valor de R$ 150.573,51 (cento e cinquenta mil quinhentos e setenta e três reais e cinquenta e urn centavos), ambos atualizados, com multa e juros e lavrados no dia 24 de novembro de 2004 por dedução indevida de despesas do lucro liquido do anos-calendários de 1999 e 2000. De acordo corn o termo de verificação fiscal de fls. 154/156 a contribuinte contabilizou em conta do Ativo Diferido, subconta "Perda corn a incorporação" despesas amortizáveis no valor de R$ 5.465.973,79 (cinco milhões quatrocentos e sessenta e cinco mil novecentos e setenta e três reais e setenta e nove centavos) em virtude de incorporação da sociedade PGS S/A CNPJ n° 02.099.546/001-77. 0 critério para contabilização do patrimônio da incorporada foi o valor de seu patrimônio liquido composto por bens tangíveis, avaliados pelo valor de mercado, apurado com base no balancete patrimonial de 31/12/1997, no valor de R$ 1.302.026,21 (um milhão trezentos e dois mil vinte e seis reais e vinte e um centavos) contabilizando, a partir desta data, amortização mensal de R$ 65.071,12 (sessenta e cinco mil setenta e um reais e doze centavos) como despesa dedutivel, com consequente redução de seu lucro liquido. Ainda, segundo o termo lavrado pela fiscalização, em 15 de janeiro de 2004 a contribuinte foi intimada a apresentar as justificativas da contabilização da perda corn a incorporação da empresa PGS S/A e os documentos que deram suporte a operação realizada, inclusive o laudo de avaliação que o contrato de aquisição mencionava. Contudo, a empresa apresentou algumas planilhas identificando a operação em ordem cronológica de data e procedimento, bem corno lançamentos contábeis, onde somente salienta que ocorreu perda de capital, não conseguindo esclarecer e comprovar o motivo do lançamento identificado e contabilizado como perda. Diante disso, a fiscalização entendeu que foram deduzidas indevidamente do lucro liquido para apuração do Lucro Real, na conta 03.03.07.03.09 de janeiro a junho de 1999 definida como amortização de Goodvtill e na conta 5895, definida como amortização .perda incorporação PGS de julho de 1999 a dezembro de 2000, o valor mensal de RS 65.071,12. Processo n" 19515.002731/2004-50 SI-C I T2 Acórclao n.° 1102-00.408 Fl. 3 A contribuinte impugnou os lançamentos, (folhas 17/186) alegando que a autoridade, imaginando tratar-se de incorporação, regida pelo art. 7° da Lei 9.532/1997, esperava receber cópia do laudo que indicasse o fundamento do ágio, os critérios para a sua amortização, etc. Ocorre que a incorporação foi regida pelo artigo 430 do Regulamento do Imposto de Renda, o qual admite que na incorporação da investida pela investidora a diferença entre acervo liquido recebido e o valor contábil do investimento seja deduzida para fins dc apuração do lucro real, desde que avaliado tal acervo a pregos de mercado. A referida legislação permite que a apropriação ao resultado da eventual perda decorrente do processo de incorporação fosse postergada no tempo, mediante o registro de um ativo diferido passível de amortização no período máximo de 10 anos. A contribuinte esclareceu que no inicio do mês de dezembro de 1997 era titular de participação no capital da PGS S/A, participação esta registrada em seus livros pelo valor contábil de R$ 6.752.000,00, conforme livro diário (folha 232), quando os sócios das duas empresas deliberaram promover a incorporação da PGS S/A pela PROGRESS, nos termos do protocolo de justificativas fls. 234/238, cujo item 06 estabelece como parâmetro de avaliação o valor do património liquido a ser incorporado, composto por bens tangíveis, avaliados a valor de mercado, apurado com base no balancete patrimonial levantado em 22/12/1997. Explica que através deste balancete ficou constatado que o ativo total da incorporada alcançava a casa de R$ 1.302.026,21 e que tal valor não constava no laudo de avaliação como, equivocadamente, imaginou a Autoridade Lançadora. Assim, como a PROGRESS tinha um investimento registrado na PGS S/A no valor de R$ 6752.000,00 e recebeu, por ocasião da extinção do mesmo, pela incorporação de um acervo liquido avaliado a preço de mercado, pouco mais de R$ 1,3 milhão, estava autorizada a registrar como perda do capital dedutivel a diferença de R$ 5.443.685,23 na conta do ativo diferido, conforme determina o artigo 430 do RIR/99. Ao analisar a impugnação apresentada a DRJ de Santa Maria manteve o lançamento (fls. 271/275) entendendo que é possível a dedução da diferença entre o acervo liquido recebido e o valor contábil do investimento para fins de apuração do lucro real, desde que o sujeito passivo participe como cotista ou acionista, o que não aconteceu no caso em tela. Isso porque, entende a DRJ que no caso concreto ocorreu a incorporação da PGS S/A pela PROGRESS com o pagamento de ágio e, para tanto, apresenta cronologia dos fatos nos seguintes termos: 3 Processo o' 19515.00273 I /2004-50 S 1 T2 Acórclao n.° 1102-00.408 Fl. 4 Em 09 dezembro de 1997 — Subscrição por parte da PROGRESS 29.105 Ações Ordinárias Nominativas na Sociedades PGS S/A, conforme aprovado na AGE de 05/12/1997, mediante a transferência de R$ 6.752.000,00 segundo a escrituração do Livro Diário (fls. 232); Em 09 de dezembro de 1997 — Saida da sociedade PGS S/A dos acionistas PGS SOFTWARE LTDA e Paulo Sérgio Caputo, representantes da totalidade do capital social, mediante o resgate da totalidade de suas ações (5.559.497) pelo valor nominal das ações. Capital social da PSG é reduzido de R$ 6.875.000,00 para R$ 1.315.503,00, conforme ata de assembléia extraordinária fls. 107; Em 10 de dezembro de 1997 — contabilização da incorporação dos ativos da PGS, com base na avaliação emitida pela EMPRAPE em 10/12/1997, e da perda da incorporação, no valor de R$ 5.449.973,79, fls. 267; Em 19 de dezembro de 1997 — Protocolo de incorporação e justificação da PGS S/A, fls. 234/238; Em 22 de dezembro de 1997 — Aprovação da incorporação PGS S/A conforme Terceira Alteração ao contrato Social. Fls. 259/262 Em 22 de dezembro de 1997 — Emissão do laudo de avaliação dos bens tangíveis no valor de R$ 106.900,00. Conclui a DRJ que o contribuinte tentou dar feição de incorporação de uma sociedade na qual detinha participação acionária adquirida com ágio, mas os fatos apontam que ele lançou mão do artificio de subscrever um pequeno número de ações (29.105), mediante a transferência de R$ 6.752.000,00, proporcionando a retirada simultânea da sociedade dos demais acionistas (5.559.497 ações) pelo valor nominal de cada ação (1,00). No dia seguinte efetua a incorporação dos ativos da PGS S/A, gerando uma perda de R$ 5.449.973.79. Assim, a referida ação não se submete às disposições da legislação invocada pela defesa, pois se tenta dar aos fatos a roupagem de uma incorporação de sociedade da qual a incorporadora detinha participação societária, quando na verdade, se trata de incorporação pura e simples com pagamento de ágio, cuja exclusão da tributação não encontra abrigo na legislação. A contribuinte apresentou recurso voluntário à fls. 280/292 arguindo, em preliminar, a nulidade do julgamento de primeira instância em decorrência do cerceamento do seu direito de defesa, haja vista que, a autoridade inovou na motivação do lançamento fiscal combatido. 4 Processo n° 19515.002731/2004-50 S1-C1T2 Acórcliio n.° 1102-00.408 Fl. 5 Isso porque, na elaboração do auto de infração a autoridade fiscal concluiu ter a empresa promovido a ilegal amortização do ágio pago quando da aquisição da empresa PGS S/A, enquadrando a referida transgressão fiscal no artigo 7" da Lei 9.532/97, que justamente disciplina a amortização do agio/deságio verificado nas operações societárias. E, de forma contrária ao entendimento do fiscal, a recorrente demonstrou cm sua defesa que a operação praticada não envolveu a amortização ao ágio regulada pelo artigo 7" da Lei n° 9.532/97, tendo em vista que se trata de incorporação com perda de capital investido, cuja dedução se lastreia no artigo 430 do RIR. Porém, a decisão da DRJ inovou o motivo do lançamento fiscal e passou a contestar a própria operação praticada pela empresa, consubstanciada na compra da empresa PGS S/A com ágio, indedutivel, pela ausência de participação societária na empresa. Diante disso requereu, em preliminar, que seja declarada nula a decisão de primeira instância, determinando-se a remessa dos autos para novo julgamento perante a Delegacia da Receita Federal de Julgamento competente. No mérito, aduziu a contribuinte que cumpriu as regras atinentes dedutibilidade das perdas de capital na incorporação realizada pela recorrente, conforme autorizado, já que: Por deter menos de 10% das ações da empresa PGS S/A, o investimento realizado pela recorrente poderia ser contabilizado pelo método do custo de aquisição; Tal fato, por si só, já afastaria a aplicação do artigo 386 do RIR/99, aplicável aos casos em que a participação societária é adquirida com ágio ou deságio; Inobstante a isso, o artigo 7" da Lei n" 9.532/97 — que conferiu vida ao artigo 386 do RIR/99 — Iniciou sua vigência em 01/01/1998, data posterior ao fato gerador do IRPJ e CSLL, ocorrido na data da sua incorporação, qual seja 12/1997. E o relatório. Processo n° 19515.002731/2004-5(1 AcOrdao n.° 1102-00.408 Sl-C1T2 FL 6 Voto Conselheiro Joao Carlos de Lima Júnior - Relator Inicialmente cumpre esclarecer que de acordo com o termo de intimação fiscal MPF n° 08.1.90.00-2003-03212-3 de fls. 103 a contribuinte foi intimada a justificar a dedução das despesas com amortização contabilizadas mensalmente nos anos calendários de 1999 a 2003, na conta 03.03.07.03833 referente à perda com incorporação realizada em 09/12/1997, nos valores de R$ 65.071,12. (Sessenta e cinco mil setenta e um reais e doze centavos) Em atendimento a intimação fiscal, a empresa apresentou as fls. 104/105, a sua justificativa aduzindo que as despesas foram geradas em virtude da incorporação da empresa PGS/SA, conforme termos do "Protocolo e Justi fi cativas", o qual foi apresentado anexo e aduz que o critério para a avaliação do patrimônio da incorporada seria o valor do patrimônio liquido a ser incorporado, composto de bens tangíveis, avaliado a valor de mercado. Assim, diante do investimento registrado na PGS/SA no valor de R$ 6.752.000,00 e, do recebimento por conta da sua extinção pela incorporação de um acervo liquido, avaliado a preço de mercado, no importe de R$ 1.302.026,21 a requerente estava autorizada a registrar como perda de capital dedutível na conta de ativo passível de amortização, a diferença de R$ 5.465.973,79 conforme previsão do artigo 430 do RIR. Inobstante a justificativa e documentação apresentada, a fiscalização entendeu que a empresa promoveu, indevidamente, a amortização do ágio pago na aquisição da empresa PGS S/A, e lavrou os autos de infração de fls. 160/161 e 165/166 enquadrando referida transgressão fiscal no artigo 7 0 da Lei 9.532/97, que justamente disciplina a amortização do agio/deságio verificado nas operações societárias. Art. 7" A pessoa jurídica que absorver patrinu5nio de outra, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, na qual detenha participação societária adquirida com ágio ou deságio, apurado segundo o disposto no art. 20 do Decreto-lei n." 1.598, de 26 de dezembro de 1977: I - deverá registrar o valor do ágio ou deságio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "a" do § 2" do art. 20 do Decreto-lei n." 1.598, de 1977, em contrapartida á conta que registre o bell? ou direito que lhe deu causa; II - deverá registrar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "c" do § 2° do art. 20 do Decreto-lei IL" 1.598, 6 Processo n° 19515.002731/2004-50 SI-C1T2 Acórc1iio 11. 0 1102-00.408 Fl. 7 de 1977, em contrapartida a conta de ativo permanente, não sujeita a amortização; - poderá amortizar o valor do ágio cujo .fitndamento seja o de que trata a alínea "h " do § 2" do art. 20 do Decreto-Lei n" 1.598, de 1977, nos balanços correspondentes à apuração de lucro real, levantados em t até dez anos-calendários subseqüentes c‘i incorporação, .fusão ou cisão, a razão de 1/60 (um sessenta avos), no maxim), para cada més do período de apuração; III - poderá amortizar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "h" do § 20 do art. 20 cio Decreto-lei n° 1.598, de 1977, nos balanços correspondentes c't apuração de lucro real, levantados posteriormente a incorporação, fusão ou cisão, a razão de 11172 sessenta avos, no máximo, para cada 711(13.S cio período de apuração; (Redação dada pela Lei no 9.718, de 1998) IV - deverá amortizar o valor do deságio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "b" do § 2" do art. 20 do Decreto-lei 1.598, de 1977, nos balanços correspondentes a apuração de lucro real, levantados durante os cinco anos-calendários subseqüentes à incorporação, fusão ott cisão, à razão de 1/60 (um sessenta avos), no mínimo, para cada inés do período de apuração. § 1" 0 valor registrado act forma do inciso I integrará o custo do bem ou direito para efeito de apuração de ganho ou perda de capital e de depreciação, amortização ou exaustão. 2" Se o hem que deu causa ao ágio ou deságio não houver sido transferido, na hipótese de cisão, para o patrimônio da sucessora, esta deverá registrar: o ágio, em conta de ativo diferido, para amortização na ,fonna prevista no inciso III; h) o deságio, em conta de receita diferida, para amortização na forma prevista no inciso IV § 3" 0 valor registrado na forma do inciso II do caput: será considerado custo de aquisição, para efeito de apuração de ganho ott perda de capital na alienação do direito que Me deu causa ou na sua transferência para sócio ou acionista, na hipótese devolução de capital; b) poderá ser deduzido como perda, no encerramento das atividades da empresa, se comprovada, nessa data, ci inexistência do 'Undo de comércio ou do intangível que lhe deu cattsa. § 4° Na hipótese da alínea "b" do parágrafo anterior, a posterior utilização económica do fundo de comércio ou intangível sujeitará a pessoa física ou jurídica usuária ao pagamento dos tributos e contribuições que deixarcun de ser pagos, acrescidos 7 Processo rl° 19515.002731/2004-50 si-cl T2 Acórcliio n.° 1102-00.408 Fl. S de juros de mora e multa, calculados de conformidade Coln a legisla cão vigente. ,sç 5" 0 valor que servir de base de cálculo dos tributos e contribuições a que se refere o parágrafo anterior poderá ser registrado cm conta do ativo, como custo do direito. A contribuinte, apresentando entendimento contrário, elaborou sua defesa a fim de comprovar que a operação praticada não se trata de amortização do ágio regulada pelo artigo 7' da Lei 9.532/97, mas sim de incorporação corn perda do capital investido nos termos do artigo 430 do Regulamento do Imposto de Renda. Art. 430. Na fusão, incorporação ou cisão de sociedades com extinção de ações ou quotas de capital de unia possuída por outra, a diferença entre o valor contábil das ações ou quotas extintas e o valor de acervo liquido que as substituir será computada na determinação do lucro real de acordo com as seguintes normas (Decreto-Lei n" 1.598, de 1977, art. 34): I - somente sera dedutivel C01110 perda de capital a diferença entre o valor contábil e o valor do acervo liquido avaliado preços de mercado, e o contribuinte poderá, para efeito de determinar o lucro real, optar pelo tratamento da diferença como ativo diferido, amortizável no prazo máximo de dez anos; II - sera computado como ganho de capital o valor pelo qual tiver sido recebido o acervo liquido que exceder ao valor contábil das ações ou quotas extintas, 771(ls o contribuinte poderá, observado o disposto nos ,§'§' 1" e 2", diferir a tributação sobre a parte do ganho de capital em bens do ativo permanente, até que esse seja realizado. I - somente sera dedutivel como perda de capital a diferença entre o valor contábil e o valor do acerco liquido avaliado a preps de mercado, e o contribuinte poderá, para efeito de determinar o lucro real, optar pelo tratamento da diferença como ativo diferido, amortizável no prazo máximo de dez anos; II - será computado como ganho de capital o valor pelo qual tiver sido recebido o acervo liquido que exceder ao valor contábil das ações ou quotas extintas, mas o contribuinte poderá, observado o disposto nos ,ss' ssç e 2", diferir a tributação sobre a parte do ganho de capital em bens do ativo permanente, até que esse seja realizado. Contudo, a DRJ através da decisão apresentada às fls. 271/275 inovou a motivação do lançamento fiscal, passando a questionar todas as operações realizadas entre as empresas antes da incorporação e concluiu ser indevida a dedução realizada pela recorren tendo em vista tratar-se de planejamento tributário realizado em desacordo com a legislação Processo n° 19515.002731/2004-50 S1-C I T2 AcOrdao n.° 1102-00.408 Fl. 9 Ocorre que tal motivação não foi exposta em nenhum momento durante a lavratura do auto de infração, tanto que o contribuinte apresentou sua impugnação defendendo- se da acusação fiscal de ter havido incorporação corn pagamento de ágio, sem a devida comprovação da sua natureza e não do argumento de que houve ou não urn planejamento tributário corn o intuito de mascarar a efetiva operação. É certo que não compete à Delegacia da Receita Federal de Julgamento inovar o lançamento tributário, imputando em sua decisão um novo fundamento legal para justificar o lançamento fiscal efetuado. Se fosse acatada a inovação promovida pela DRJ o direito de defesa da contribuinte seria cerceado, haja vista que a requerente teria que comprovar seu direito rebatendo o novo fundamento exposto na decisão em uma única Instância Administrativa, qual seja o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais — CARF. Dessa forma, devem ser afastadas as razões de decidir apresentadas pela DRJ por inovar a motivação fiscal do lançamento. Afastada a decisão da DRJ, faz-se necessário analisar o recurso voluntário interposto sobre a ótica da acusação fiscal inicial, qual seja: a amortização do ágio pago na aquisição da empresa PGS S/A tipificado no artigo 7" da Lei 9.532/97. Nesse ponto é importante ressaltar que em nenhum momento da autuação a operação de incorporação realizada pela empresa foi questionada sobre um eventual planejamento tributário, tendo entendido a autoridade fiscal apenas que o ágio decorrente dessa operação foi contabilizado indevidamente. Contudo, não se trata de incorporação regida pela Lei 9.532/97, isso porque as empresas envolvidas na operação possuíam relação controlada e controladora e, nestes casos, o artigo 430 do Regulamento do Imposto de Renda admite que a diferença entre acervo liquido recebido e o valor contábil do investimento seja deduzida para fins de apuração do lucro real, desde que avaliado tal acervo a preços de mercado. Dessa forma, verifica-se que no inicio do mês de dezembro de 1997 a contribuinte possuía participação no capital da PGS S/A, participação esta registrada em se livros pelo valor contábil de R$ 6.752.000,00, conforme livro diário (folha 232), quando JOÃO CARLOS A JUNIOR Processo no 19515.002731/2004-50 SI-CIT2 Acórciao n.° 1102-00.408 Fl. 10 sócios das duas empresas deliberaram promover a incorporação da PGS S/A pela PROGRESS, nos termos do protocolo de justificativas fls. 234/238, cujo item 06 estabelece como parâmetro de avaliação o valor do patrimônio liquido a ser incorporado, composto por bens tangiveis, avaliados a valor de mercado, apurado com base no balancete patrimonial levantado em 22/12/1997. Sendo que através deste balancete ficou constatado que o ativo total da incorporada alcançava a casa de R$ 1.302.026,21. Como a PROGRESS tinha urn investimento registrado na PGS S/A no valor de R$ 6.752.000,00 e recebeu, por ocasião da extinção do mesmo, pela incorporação de um acervo liquido avaliado a preço de mercado, pouco mais de RS 1,3 milhão, estava autorizada a registrar como perda do capital dedutivel a diferença de RS 5.443.685,23 na conta do ativo diferido. Assim, verifica-se que não houve a contabilização indevidamente de ágio na operação, mas sim dedução da perda de capital decorrente de operação de incorporação de empresa controlada, conforme determina o artigo 430 do RIR199. Deste modo, tendo em vista que a operação realizada pela empresa possui respaldo legal previsto no Artigo 430 do RIR, e que a acusação fiscal não foi de planejamento tributário, dou provimento ao recurso voluntário interposto a fim de cancelar os lançamentos fiscais lavrados. É corno voto. Brasilia-DF, 23 de fevereiro 2011. 10
score : 1.0
Numero do processo: 10830.720418/2007-01
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 26 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu May 26 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Exercício: 2002
COMPENSAÇÃO DELIMITAÇÃO DA LIDE
A definição da lide nos processos relativos à compensação é similar àqueles exclusivos de repetição de indébito. Em ambos os tipos de processos, alterar o crédito implica mudar o seu próprio objeto, o que não pode ser admitido pelas instâncias recursais.
Numero da decisão: 1201-000.508
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR
provimento ao recurso.
Nome do relator: GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES
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Em ambos os tipos de processos, alterar o crédito implica mudar o seu próprio objeto, o que não pode ser admitido pelas instâncias recursais. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Claudemir Rodrigues Malaquias Presidente. (assinado digitalmente) Guilherme Adolfo dos Santos Mendes Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Claudemir Rodrigues Malaquias (Presidente), Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Rafael Correia Fuso, Marcelo Cuba Netto, Antonio Carlos Guidoni Filho e Regis Magalhães Soares de Queiroz . Fl. 204DF CARF MF Emitido em 31/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/08/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 2 9/08/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por GUILHERME ADOLF O DOS SANTOS ME Processo nº 10830.720418/200701 Acórdão n.º 120100.508 S1C2T1 Fl. 184 2 Relatório DO PEDIDO INICIAL, DO INDEFERIMENTO E DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE O objeto do presente processo referese a declarações de compensação, cuja homologação foi parcial, conforme despacho decisório de fls. 54 a 56. A manifestação de inconformidade foi apresentada às fls. 67 a 72. Abaixo tomo de empréstimo o relatório elaborado pela autoridade julgadora de primeiro grau acerca das referidas peças: Trata o presente processo de Declarações de Compensação apresentadas eletronicamente, por meio das quais a interessada pleiteia o reconhecimento de direito creditório com origem em saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2001, para a compensação de débitos de períodos de apuração subseqüentes. 2. A autoridade fiscal deferiu o direito creditório pleiteado, nos termos do Despacho Decisório de fls. 54/56, que se transcreve: "Relatório Trata o presente processo das Declarações de Compensação de n° 19938.10429.150803.1.3.020007, n° 10881.85974.300903.1.3.020822, n° 38142.00322.311003.1.3.025703, n° 18685.75381.171203.1.3.026808, n° 32536.28642.301203.1.3.021583, transmitidas em 15/08/2003, 30/09/2003, 31/10/2003, 17/12/2003 e 30/12/2003, respectivamente, as quais utilizam crédito de Saldo Negativo de IRPJ, referente ao anocalendário de 2001, para compensar débitos de estimativas de IRPJ do ano de 2003 (fls. 0311, 2124). Em relação a PER/DCOMP n° 19938.10429.150803.1.3.020007, a empresa vinculou a PER/DCOMP ao processo n° 10830.002858/200341, e indicou como período de apuração do crédito o exercício de 2002, que se refere ao anocalendário 2001. No entanto, o processo 10830.002858/200341 trata de Declaração de Compensação com crédito de saldo negativo de IRPJ do ano de 2002 (fls. 2124). Com isso, a empresa foi intimada, através do processo (...), para esclarecer a diferença, retificando a PER/COMP, caso fosse necessário. A interessada tomou ciência da intimação em 19/09/2007, porém não respondeu à intimação (fls. 2527). Fl. 205DF CARF MF Emitido em 31/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/08/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 2 9/08/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por GUILHERME ADOLF O DOS SANTOS ME Processo nº 10830.720418/200701 Acórdão n.º 120100.508 S1C2T1 Fl. 185 3 Tendo em vista o não cumprimento da intimação, foi levado em consideração o período de apuração do crédito indicado na PER/DCOMP, por isso, está sendo tratada neste processo. Os débitos das PER/COMP supracitadas foram declarados em DCTF, conforme fls. 1516, 4647, do presente processo. Estes débitos foram cadastrados no sistema PROFISC (fls. 4849). Fundamentação (...) 1) Do Saldo Negativo de IRPJ ano 2001 Do exame da Ficha 09 a (Demonstração do Lucro Real) da DIPJ/2002, n° 0964348, verificouse que a empresa informou ter obtido prejuízos fiscal, conforme fl. 29. Com isso, não haveria IR a pagar por parte da empresa, no entanto, de acordo com a informação prestada na Ficha 12 A (Cálculo do IR sobre o Lucro Real), constatouse que a interessada informou nas deduções o total de R$ 67.232,54 de Imposto de Renda Retido na Fonte, e R$ 57.578,07 referente à estimativa do mês de janeiro, a qual foi quitada por compensação (fls. 3034). Através de consulta a Declaração do Imposto de Renda Retido na Fonte (DIRF) foi confirmado a dedução de IRRF informado pela empresa na Ficha 12 A (fls. 37,40). Em relação à estimativa de janeiro, a empresa foi intimada a fim de "apresentar planilha demonstrativa das compensações referentes aos débitos de estimativa de IRPJ dos anos de 2000 e 2001, indicando a origem do(s) crédito(s) utilizado(s) nestas compensações, destacando os períodos de apuração destes" (fl. 43). A interessada tomou ciência desta em 16/02/2008, porém, novamente não cumpriu a intimação (fl. 45). Com isso, foi considerada a compensação da estimativa de IRPJ de janeiro de 2001 com o saldo negativo de IRPJ de 2000, conforme declarado em DCTF pela empresa (fl. 44). Realizando o cálculo da compensação referente ao remanescente do saldo negativo de IRPJ de 2000 (após as compensações efetuadas no processo n° 10830.720.005/200807), com a estimativa de IRPJ de janeiro de 2001, verificase que o crédito foi suficiente Fl. 206DF CARF MF Emitido em 31/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/08/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 2 9/08/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por GUILHERME ADOLF O DOS SANTOS ME Processo nº 10830.720418/200701 Acórdão n.º 120100.508 S1C2T1 Fl. 186 4 para quitar todo o débito, confirmandose assim a quitação da estimativa (fls. 5053). Logo, concluise pelo reconhecimento do saldo negativo de IRPJ, no valor de R$ 124.810,61, referente ao ano de 2001." 3. Em 22 de fevereiro de 2008 foi proferida a Intimação número 10830/SEORT/DRF/CPS/0148/2008, fl. 56, nos seguintes termos: "Pelo presente, comunicamos que foi reconhecido o direito creditório constante(s) no processo em epígrafe e foi(ram) HOMOLOGADA(S) a(s) compensação(ões) até o limite do direito creditório reconhecido, conforme Despacho Decisório, em anexo, proferido pelo (...), remanescendo débitos de acordo com o extrato do processo em anexo, com as respectivas alocações decorrentes das compensações efetuadas. Fica o interessado, na pessoa de seu representante legal, INTIMADO a recolher ao erário o montante devido, no prazo de 30 (trinta) dias a contar da ciência, utilizandose da(s) guia(s) DARF anexa(s), conforme o art. 68, da Instrução Normativa SRF n.° 600/2005. (...) Por oportuno, informamos que a não quitação os débitos e a não apresentação de manifestação de inconformidade implicará a remessa para inscrição em Dívida Ativa da União, conforme determinação do §1°, do art. 68, da Instrução Normativa SRF n.° 600/2005." 4. Cientificada do Despacho Decisório por meio do AR de fl. 66, em 03 de março de 2008, a contribuinte apresentou sua manifestação de inconformidade em 02 de abril de 2008, fls. 67/72, com as alegações que se seguem. 4.1. Diz que a DRF/Campinas teria reconhecido apenas em parte o direito creditório pleiteado. E que tal entendimento teria se baseado na insuficiência do saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2001 (R$ 124.810,61), para quitar a totalidade dos débitos declarados em Declaração de Compensação. Em suas palavras: "3.2. Tal entendimento parte da premissa de que o crédito utilizado nas DCOMPs formalizadas pela interessada corresponderia, em sua totalidade, a saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2001, conforme informado pela própria interessada nas referidas DCOMPs. 3.3. Todavia, a informação prestada pela Interessada foi equivocada, já que foram utilizados nas compensações, além do crédito correspondente ao saldo negativo de IRPJ do ano Fl. 207DF CARF MF Emitido em 31/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/08/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 2 9/08/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por GUILHERME ADOLF O DOS SANTOS ME Processo nº 10830.720418/200701 Acórdão n.º 120100.508 S1C2T1 Fl. 187 5 calendário de 2001, saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2000 e Imposto de Renda na Fonte do próprio ano de 2003, como segue: [Demonstrativos de fl. 69] 3.4. Para que melhor se entende a origem e evolução do direito creditório efetivamente utilizado pela Interessada para quitar por compensação os débitos informados nas referidas DCOMP, fazse necessário voltar ao ano calendário de 1999, ano em que o referido crédito teve início." 4.2. Afirma que no anocalendário 1999 apurou saldo negativo de R$ 95.135,59, utilizado para a compensação das estimativas de IRPJ dos meses de fevereiro/2000, fevereiro/2002 e março/2002. 4.3. No anocalendário de 2000, apurou saldo negativo de R$ 227.921,77, utilizado para a compensação de diversas estimativas, entre as quais fevereiro/2001, fevereiro a março de 2002, fevereiro a agosto de 2003. 4.4. Em relação à estimativa de IRPJ do mês de fevereiro de 2002, no valor de R$ 67.729,88, diz que informou na DCTF que a parcela de R$ 13.645,29 teve origem no AC 2000, enquanto a de R$ 54.084,59 no AC 1999, quando o correto seria R$ 13.645,29 no AC de 1999 e R$ 54.084,59 no AC de 2000. 4.5. Ademais, em relação às estimativas de abril a agosto de 2003, informou nas DCTF que os saldos negativos usados seriam dos anoscalendário de 2001 e 2002, mas, de fato, utilizouse do saldo negativo do anocalendário de 2000. 4.6. Acrescenta que, esclarecido o equívoco e demonstrada a existência de direito creditório, as compensações referentes às estimativas de abril a agosto de 2003 devem ser homologadas. 4.7. Ressalta que no processo administrativo número 10830.720005/200807, teriam sido homologadas compensações referentes a débitos de estimativas de abril a julho de 2003, com saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2000. E continua: "3.11. Assim, para que o crédito da Interessada não seja utilizado em duplicidade, convém que o processo n° 10830.720005/200907 seja apensado ao presente, afim de que se verifique as compensações lá homologadas." 4.8. Argumenta que o direito creditório com origem no saldo negativo do anocalendário de 2001 foi usado para compensar estimativas devidas entre agosto de 2003 a janeiro de 2004, conforme demonstrativo de fl. 71. 4.9. E que, após retificada a informação no sentido de que a estimativa de julho de 2003, bem como parte (R$ 29.551,47) da estimativa de agosto de 2003, teriam sido quitadas mediante compensação com saldo negativo do AC 2000, o montante do Fl. 208DF CARF MF Emitido em 31/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/08/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 2 9/08/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por GUILHERME ADOLF O DOS SANTOS ME Processo nº 10830.720418/200701 Acórdão n.º 120100.508 S1C2T1 Fl. 188 6 saldo negativo do AC 2001 seria suficiente para quitar a parcela remanescente da estimativa de agosto de 2003, setembro de 2003 e janeiro de 2004. 4.10. Conclui sua petição: "3.14. Dessa forma, as compensações efetuadas pela interessada relativa ao IRPJ estimado de agosto a dezembro de 2003, objeto das DCOMP em discussão no presente processo, também devem ser homologadas." DA DECISÃO DE PRIMEIRO GRAU A decisão recorrida (fls. 150 a 157) denegou o pedido, nos termos de sua ementa, in verbis: COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO. OBSERVÂNCIA DO PERÍODO DE APURAÇÃO. A compensação dos débitos declarados deve ser efetuada de acordo com o direito creditório identificado e delimitado pela contribuinte nas Declarações de Compensação, não cabendo à autoridade administrativa proceder a compensação com saldo negativo cujo período de apuração é diverso do apontado pelo sujeito passivo da obrigação tributária. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. ALTERAÇÃO DOS FUNDAMENTOS DE PEDIR. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. INOVAÇÃO. A alteração da origem do crédito pleiteado, que embasou a declaração de compensação, de saldo negativo de IRPJ, com origem no anocalendário de 2001 para o anocalendário de 2000, apresentada na fase litigiosa, encerra verdadeira inovação, configurandose em nova solicitação da contribuinte, não passível de apreciação originária pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento. DO RECURSO VOLUNTÁRIO O sujeito passivo apresentou recurso voluntário, às fls. 166 a 180, mediante o qual reiterou as razões da impugnação, bem como aduziu que a decisão de primeiro grau está equivocada ao negar o direito de retificação das declarações de compensação por meio de manifestação de inconformidade. Abaixo, transcrevemos na literalidade a defesa quanto a esse último ponto: 5. DA POSSIBILIDADE DE ALTERAÇÃO DAS INFORMAÇÕES CONSTANTES DA DCOMPs POR MEIO DE Fl. 209DF CARF MF Emitido em 31/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/08/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 2 9/08/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por GUILHERME ADOLF O DOS SANTOS ME Processo nº 10830.720418/200701 Acórdão n.º 120100.508 S1C2T1 Fl. 189 7 MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE E RECURSO VOLUNTÁRIO 5.1. Como visto, a decisão recorrida entende que a RECORRENTE não poderia retificar, por meio da manifestação de inconformidade, dados relacionados às DCOMPs sob análise, já que isso somente poderia ser efetuado por meio de retificação das referidas DCOMPs, antes de proferido o Despacho Decisório que reconheceu parcialmente o crédito, ou por meio da apresentação de novas DCOMPs. 5.2. Todavia, o entendimento da decisão recorrida, além de equivocado, contraria o princípio da verdade material e a jurisprudência administrativa, conforme se demonstrará a seguir. 5.3. O princípio da legalidade previsto no art. 150, I, da Constituição Federal (CF) e art. 97 do Código Tributário Nacional (CTN) impõe à lei a definição de todos os aspectos do fato gerador da obrigação tributária. 5.4. A vinculação do lançamento tributário aos estritos termos da lei faz com que impere no Direito Tributário a busca pela verdade material em detrimento da verdade formal. Assim, contrariamente ao que se verifica no Direito Privado, em que o julgador firma seu entendimento a partir de um juízo de probabilidade, decorrente da valoração das provas trazidas aos autos pelos litigantes, no processo administrativo fiscal, o julgador deve aterse aos fatos, somente mantendo a exação tributária quando cabalmente demonstrada a ocorrência do respectivo fato gerador ou a nãoextinção do crédito tributário. 5.5. Com base no princípio da verdade material, a jurisprudência administrativa tem entendido que é possível a alteração de dados constantes de DCOMPs, especificamente relacionados à origem do crédito, mediante esclarecimentos prestados pelo contribuinte no curso do processo. 5.6. Nesse sentido, citemse os seguintes acórdãos do antigo 1° Conselho de Contribuintes, atual Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF): "COMPENSAÇÃO ERRO NO PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO E/OU PEDIDO Uma vez demonstrado o erro no preenchimento da declaração e/ou pedido, deve a verdade material prevalecer sobre a formal." (Acórdão n° 10196.829, de 27.06.2008, Relator Valmir Sandri). "REPETIÇÃO DE INDÉBITO E COMPENSAÇÃO ORIGEM DO CRÉDITO PLEITEADO Restando claro que a dúvida acerca da origem do crédito pleiteado pelo contribuinte foi dissipada pelos elementos carreados aos autos, a autoridade julgadora deve, em homenagem ao Fl. 210DF CARF MF Emitido em 31/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/08/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 2 9/08/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por GUILHERME ADOLF O DOS SANTOS ME Processo nº 10830.720418/200701 Acórdão n.º 120100.508 S1C2T1 Fl. 190 8 princípio da verdade material e do informalismo, proceder a análise do pedido formulado." (Acórdão no 10516.675, de 14.12.2007, Relator Wilson Fernandes Guimarães) 5.7. De notar que o Acórdão n o 10516.675, acima referido, tratou de situação bastante semelhante à da RECORRENTE, em que o contribuinte havia formalizado compensação informando a utilização de crédito correspondente a saldo negativo do ano de 1997, mas, por ocasião da manifestação de inconformidade, admitiu ter incorrido em equívoco, visto que o crédito pleiteado referiase ao ano de 1998. 5.8. A Quinta Câmara do 1 0 CC entendeu que, uma vez demonstrado, a partir da documentação carreada pelo contribuinte, que a compensação havia sido efetuada com o saldo negativo de 1998, e não com o de 1997, o pedido de compensação deveria ser analisado dessa forma. 5.9. Dessa forma, também no caso da RECORRENTE, impõese a análise das DCOMPs por ela formalizadas com as alterações indicadas na manifestação de inconformidade por ela apresentada e sintetizadas na seção 2, acima. 5.10. Ainda neste particular, convém ressaltar que a informação de que a extinção de parcela da estimativa de novembro de 2003, no valor de R$ 3.476,17, informada como tendo sido quitada com saldo negativo de 2002, foi, na verdade, quitada com o saldo negativo de 2001, não interfere na análise das DCOMPs objeto do processo em epigrafe, sendo meramente explicativa. 5.11. Ou seja, tal retificação de informação somente terá relevância no processo em que se examina a compensação daquela parcela, originalmente informada como tendo sido efetuada com saldo negativo de 2002, e não neste processo. 5.12. Assim, não se está diante de alteração do valor do débito compensado, que realmente somente poderia ser feita mediante o protocolo de nova DCOMP. É o relatório do essencial. Voto Conselheiro Guilherme Adolfo dos Santos Mendes Na impugnação, o próprio contribuinte confessa que se equivoca ao pleitear o saldo negativo do exercício de 2002. Fl. 211DF CARF MF Emitido em 31/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/08/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 2 9/08/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por GUILHERME ADOLF O DOS SANTOS ME Processo nº 10830.720418/200701 Acórdão n.º 120100.508 S1C2T1 Fl. 191 9 É importante destacar que a declaração de compensação traz como pressuposto um pedido de reconhecimento de crédito tributário, cuja apreciação é, portanto, condição do encontro de contas. Aliás, por causa disso, a própria competência de julgamento das seções do CARF é definida em razão da natureza do crédito pleiteado e não em função do débito, conforma disposição do Regimento Interno, que abaixo reproduzimos: Art. 7° (...) (...) § 1° A competência para o julgamento de recurso em processo administrativo de compensação é definida pelo crédito alegado, inclusive quando houver lançamento de crédito tributário de matéria que se inclua na especialização de outra Câmara ou Seção. Desse modo, a refrega administrativa submetida ao contencioso é sempre em face do direito ao crédito ou ao direito do seu encontro com o débito para fins de extinção. Em outros termos, a lide sempre está vinculada ao crédito. A definição da lide nos processos relativos à compensação é similar àqueles exclusivos de repetição de indébito. Nestes processos, alterar o crédito implica mudar o próprio objeto do processo, o que não pode ser admitido pelas instâncias recursais. Se num pedido de restituição, foi requerido um certo valor e, depois, já nas instâncias recursais, o interessado afirma que se equivocou, uma vez que pretendida pedir outro valor, esse suposto equívoco comporta, na verdade, um novo pedido. O mesmo se diga em relação à pedidos de alteração do crédito nos processos de compensação. Evidentemente, isso não pode ser levado a um rigor cego. Às vezes, o sujeito passivo, erra apenas em alguma característica do valor pleiteado; informa, por exemplo, o valor correto, mas no campo para registrar o período, registra um ano diverso. Nesses casos, o reconhecimento do seu erro e a sua correção não implicam inovação do pedido, mas sim seu correto reconhecimento a despeito do equívoco cometido. A autoridade julgadora deve sempre se esforçar para identificar o pedido do interessado, ainda que ele cometa erros que dificultem tal identificação. Nesses casos, esses erros podem e devem ser reconhecidos em qualquer momento processual. Não é, contudo, o caso presente, uma vez que o crédito apontado nas declarações de compensação é perfeitamente identificável (foram registrados nas DCOMP o exercício de 2002 e o valor do saldo negativo deste ano consignado na declaração de rendimento) e diverso daqueles que, em momento inoportuno, a defesa afirma terem sido os que realmente pretendia compensar. CONCLUSÃO Em face do exposto, voto por negar provimento ao recurso. Fl. 212DF CARF MF Emitido em 31/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/08/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 2 9/08/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por GUILHERME ADOLF O DOS SANTOS ME Processo nº 10830.720418/200701 Acórdão n.º 120100.508 S1C2T1 Fl. 192 10 (assinado digitalmente) Guilherme Adolfo dos Santos Mendes Relator Fl. 213DF CARF MF Emitido em 31/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/08/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 2 9/08/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por GUILHERME ADOLF O DOS SANTOS ME
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Numero do processo: 11853.001168/2007-01
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Jul 29 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Fri Jul 29 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Data do fato gerador: 01/08/2002, 01/12/2005
REMUNERAÇÃO INDIRETA CARTÃO ELETRÔNICO
O valor pago através de cartão eletrônico pago em desacordo com o
estabelecido na Lei 8.212/91 integra o salário de contribuição,
PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS
Para ocorrer à isenção fiscal sobre os valores pagos aos trabalhadores a título de participação nos lucros ou resultados, a empresa deverá observar a legislação específica sobre a matéria.
PLR em desacordo a Lei 10,101/2000 está sujeito à incidência da
contribuição previdenciária por possuir natureza remuneratória.
Numero da decisão: 2301-002.246
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª câmara / 1ª turma ordinária do segunda
SEÇÃO DE JULGAMENTO, Por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado
Nome do relator: WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA
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PLR em desacordo a Lei 10,101/2000 está sujeito à incidência da contribuição previdenciária por possuir natureza remuneratória. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª câmara / 1ª turma ordinária do segunda SSEEÇÇÃÃOO DDEE JJUULLGGAAMMEENNTTOO, [Por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.] MARCELO OLIVEIRA Presidente Wilson Antonio de Souza Correa Relator Fl. 204DF CARF MF Impresso em 13/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 12/08/2011 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 16/08/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/08/2011 por WILSON ANTONIO DE SOUZA COR REA 2 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros ADRIANO GONZALES SILVERIO, BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, MAURO JOSE SILVA, LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES . Relatório Tratase de Auto de Infração (AI) materializada pelo n° 37.041.0424 consolidado em 16/11/2006, em desfavor da empresa Recorrente por deixar de preparar folhas de pagamento das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pela Previdência Social. De acordo com o Relatório Fiscal (fls. 18/21) a empresa afrontou os ditames previstos na Lei n°. 8.212, de 24.07.91, art. 32, I, combinado com o art. 225, I, § 9 0, do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto no 3.048, de 6 de maio de 1999, republicado no DOU em 12/5/1999 e alterações posteriores. Ainda nesse contexto, consta no relatório fiscal de autuação que ao analisar os documentos apresentados pela empresa, verificouse que houve pagamento de remunerações a segurados por meio de cartões eletrônicos no período de 08/2002 a 12/2005. Entretanto, tais remunerações não constam das folhas de pagamento apresentadas pela empresa. Adiante, consta no Relatório Fiscal da multa aplicada (fls. 19/21) prevê que a multa aplicada está prevista no art. 92 da Lei n ° 8.212, de 24 de julho de 1991 e alterações posteriores (Lei n ° 9.528, de 10 de dezembro de 1997), e no art. 283, inciso I, letra "a" do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 6 de maio de 1999, republicado no DOU em 12/5/1999 e alterações posteriores. De acordo com o relatório e os cálculos demonstrados, a multa corresponde ao montante de R$ R$ 11.569,50 (onze mil quinhentos e sessenta e nove reais e cinqüenta centavos, observadas as circunstâncias agravante e, por fim, desconsiderando circunstâncias atenuantes por não existir, conforme dispõe os artigos 290 e 291 do RPS, aprovado pelo Decreto n ° 3.048/1999. Irresignada com a autuação, a Recorrente apresentou sua Impugnação tempestiva (fls. 107/120) onde, em síntese, pleiteia inconsistência do Auto de Infração, tendo em vista os seguintes pontos: Preliminarmente: Fl. 205DF CARF MF Impresso em 13/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 12/08/2011 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 16/08/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/08/2011 por WILSON ANTONIO DE SOUZA COR REA Processo nº 11853.001168/200701 Acórdão n.º 230102.246 S2C3T1 Fl. 204 3 Que o lançamento padece de certeza e liquidez; O cancelamento da agravante aplicada, art. 290, IV, Dec. 3048/99 Mérito: a) Que os prêmios pagos aos funcionários, por meio de cartões eletrônicos, não constituem forma de remuneração integrante ao salário. Argumenta, ainda, que exclui do campo de incidência da contribuição previdenciária as importâncias pagas a títulos de ganhos eventuais, portanto, não caracterizando, desta maneira, base imponível e saláriodecontribuição, da contribuição previdenciária, nos termos em que excetuam o art. 22, §2° e art. 28, § 9°, e), n° 7, ambas da Lei n°8.212/91. Nessa trilha, a Delegacia da S.R.P em Brasília, por meio do Despacho Decisório de Retificação n° 23.401.4/022/2007 (fls. 133/136) dispôs que a presente autuação incorreu em erro quanto à fixação do valor da multa, o que caracteriza erro formal sanável, nos termos da Portaria MPS n.° 520, de 19/05/2004, o valor da multa será retificado de R$ 115.694,20 (cento e quinze mil, seiscentos e noventa e quatro reais e vinte centavos), para R$ 92.555,36 (noventa e dois mil e quinhentos e cinqüenta e cinco reais e trinta e seis centavos). Sendo assim, a Recorrente apresentou nova impugnação (fls. 138/151) reiterando todos os argumentos e fundamentos expostos na impugnação anterior. No entanto, a Secretaria da Receita Federal do Brasil, por meio do Acórdão n° 0322.896, proferido pela 6ª Turma da DRJ/BSA (fls. 158/167), julgou o lançamento fiscal procedente com multa retificada, conforme ementário : “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Data do fato gerador: 16/11/2006 NFLD N.° 37.041.0424 Ementa:AUTO DE INFRAÇÃO Constitui infração à Legislação Previdenciária deixar a empresa de preparar folhas de pagamento das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pela Previdência Social. LANÇAMENTO PROCEDENTE COM MULTA RETIFICADA. Fl. 206DF CARF MF Impresso em 13/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 12/08/2011 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 16/08/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/08/2011 por WILSON ANTONIO DE SOUZA COR REA 4 Lançamento Procedente” Inconformada com a aludida decisão, a Recorrente interpôs, Recurso (fls. 175/188) alegando, em síntese, o que se segue: Que não houve violação aos artigos 32, I, da Lei 8.212/1991 e 225, 1, § 90, do Decreto 3.048/1999; Entende que o pagamento de abono não constituía fato gerador do tributo, por isso, não tinha que fazer constar esses valores da folha de pagamento, aduz que essa exigência só diz respeito aos fatos geradores das contribuições. Eis o relato dos fatos. Voto Conselheiro Wilson Antonio de Souza Correa, Relator Sendo tempestivo, conheço do recurso e passo ao seu exame do mérito. PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE Das preliminares apontadas no presente recurso voluntário, temse que o mesmo foi interposto tempestivamente, conforme informação ‘a quo’ sem o recolhimento do depósito ou arrolamento, o que permissível face Súmula Vinculante n° 21 do STF , ‘in verbis’: STF Súmula Vinculante nº 21 PSV 21 DJe nº 223/2009 Tribunal Pleno de 29/10/2009 DJe nº 210, p. 1, em 10/11/2009 DOU de 10/11/2009, p. 1 Constitucionalidade Exigência de Depósito ou Arrolamento Prévios de Dinheiro ou Bens para Admissibilidade de Recurso Administrativo. É inconstitucional a exigência de depósito ou arrolamento prévios de dinheiro ou bens para admissibilidade de recurso administrativo. GN Como dizem os latinos: ‘na clareza da lei cessa sua interpretação’. Estando a impugnação e o recurso voluntário tempestivos, não havendo a necessidade de recolhimento de depósito recursal e tão pouco arrolamento de bens, em razão Fl. 207DF CARF MF Impresso em 13/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 12/08/2011 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 16/08/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/08/2011 por WILSON ANTONIO DE SOUZA COR REA Processo nº 11853.001168/200701 Acórdão n.º 230102.246 S2C3T1 Fl. 205 5 de Súmula Vinculante, os pressupostos extrínsecos encontramse adequados, merecendo avaliação as preliminares e ao exame do mérito. DA DITA PENALIZAÇÃO EM DUPLICIDADE E DO PLR No mérito temse que a questão posta à apreciação referese a remunerações pagas e ou creditadas aos funcionários da Recorrente, segundo ela a título de prêmios, por meio de cartões eletrônicos, no período compreendido de 08/2002 a 12/2005, sem o devido e imperioso recolhimento à Previdência Social, porque se trata de abonos/prêmios previstos na Lei 8.212/91, Artigo 28, § 8°, e que segue os contornos da Lei 10.101/2000. Diante ao não cumprimento da obrigação, a Fiscalização da Receita Federal do Brasil lavrou os Autos de Infração por violação ao disposto nos arts. 32, I, II da Lei 8.212/1991 e 225, I II, §§ 8° e 9°, do Decreto 3.048/1999, com a agravante de reincidência genérica prevista no art. 290, V, do Decreto 3.048/1999. Em Recurso Voluntário a Recorrente alega que ambos AI´s a penalizam duas vezes pelo mesmo fato Gerador. Diz ainda que, embora não tenha cumprido as exigências da Lei 10.101/2000 os abonos / prêmios contornam os moldes da PLR. Ora, não há nos autos incidência de duplicidade de penalização pelo mesmo fato gerador. Ao contrário, vêse que a Fiscalização esmerouse na aplicação do AI, e, quando necessário, diante de erro material, perfeitamente sanável, retificou a multa imposta. Ainda que houvesse duplicidade de penalização, o que não há, conforme dito acima há de observar que a Recorrente anatematizou este quesito somente no recurso voluntário proposto, o que está atingido pela preclusão, já que não argumentou tal fato no momento inicial de sua defesa, ou seja, na impugnação. E, aceitála agora seria admitir a supressão de instância. Assim, não há duplicidade de penalização e a matéria está preclusa. Quanto ao pagamento pelo meio de cartão eletrônico, a recorrente alega ser abono e incentivo aos empregados, configurando a Participação nos Lucros e Resultados, e que por isto não integra o Salário de Contribuição para fins de incidência das contribuições. Fl. 208DF CARF MF Impresso em 13/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 12/08/2011 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 16/08/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/08/2011 por WILSON ANTONIO DE SOUZA COR REA 6 Contudo, não incide contribuição social apenas sobre a Participação de Lucros e Resultados concedida nos moldes preconizados pela Constituição e legislação. Cumpre esclarecer que a não vinculação da participação nos lucros à remuneração não é auto aplicável, já que a Constituição Federal remeteu à lei a função de estabelecer critérios e regras para desvincular a participação nos lucros da remuneração, o que, entendo, foi feito com muita propriedade pela Lei 10.101/00. Esse é também o entendimento da Consultoria Jurídica do MPS, conforme Parecer 1748/99 cujo trecho transcrevo a seguir: 6. A parcela denominada participação nos lucros é uma garantia constitucional nos termos do inciso XI do art. 7º, in verbis: Art. 7º São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visam à melhoria de sua condição social: XI participação nos lucros, ou resultados, desvinculada da remuneração, e, excepcionalmente, participação na gestão da empresa, conforme definido em lei. (grifei) 7. No entanto, o direito a participação dos lucros, sem vinculação à remuneração, não é auto aplicável, sendo sua eficácia limitada a edição de lei, consoante estabelece a parte final do inciso anteriormente transcrito. 8. Necessita portanto, de regulamentação para definir a forma e os critérios de pagamento da participação nos lucros, com a finalidade precípua de se evitar desvirtuamento dessa parcela. 9. A regulamentação ocorreu com a edição da Medida Provisória nº 794, 29 de dezembro de 1994, que dispõe sobre a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados das empresas e dá outras providências, hoje reeditada sob o nº 1.76956, de 8 de abril de 1999. 10. A partir da adoção da primeira Medida Provisória e nos seus termos, passou a ser lícito o pagamento de participação nos lucros desvinculada da remuneração, mas, destaco, a desvinculação da remuneração só ocorrerá se atender os requisitos pré estabelecidos. Assim, diante das provas nos autos vêse que a Recorrente em nenhum momento respeitou a legislação, pois tão pouco realizou qualquer acordo, e ainda que houvesse realizado não é a simples previsão em acordo coletivo ou o pagamento de parcelas intituladas pelo empregador de PLR é que vai retirar a natureza salarial da verba em comento. O que irá afastar a verba paga a título de Participação nos Lucros e Resultados da incidência tributária é a estreita observância à legislação específica que trata da matéria. A Lei 10.101/00 estabelece os critérios para o pagamento do PRL e a Lei 8.212/91 determina que apenas não integra o salário de contribuição a participação nos lucros paga de acordo com o estabelecido na lei específica. Dessa forma, para não integrar a base de cálculo da contribuição previdenciária, o pagamento a título de PRL deve seguir o que determina a Lei 10.101/00: Fl. 209DF CARF MF Impresso em 13/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 12/08/2011 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 16/08/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/08/2011 por WILSON ANTONIO DE SOUZA COR REA Processo nº 11853.001168/200701 Acórdão n.º 230102.246 S2C3T1 Fl. 206 7 O referido dispositivo legal estabelece que: Art.2º A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: I comissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; II convenção ou acordo coletivo. § 1º Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: I índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; II programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente . (grifei) Assim, para que seja isenta de contribuições previdenciárias, o programa de PLR da empresa deveria estabelecer regras claras e objetivas, impondo critérios e condições para que o segurado empregado faça jus ao recebimento do pagamento. Esse também é o entendimento da ministra Eliana Calmon, do STJ, que se manifestou no sentido de que, para ocorrer a isenção fiscal sobre os valores pagos aos trabalhadores a título de participação nos lucros ou resultados, a empresa deverá observar a legislação específica sobre a questão. Para a ministra, ao ocorrer o descumprimento da Lei 10.101/2000, as quantias creditadas pela empresa aos empregados passa a ter natureza de remuneração, sujeitas, portanto, à incidência da contribuição previdenciária. Por tudo que foi exposto acima, concluo que a verba intitulada como abono pago através de cartão eletrônico com contornos de Participação nos Resultados foi paga em desconformidade com a legislação que rege a matéria. E, como a alínea “j”, do § 9º, do art. 28 da Lei 8.212/91, isenta de contribuição previdenciária apenas a participação nos lucros ou resultados da empresa quando paga ou creditada de acordo com a lei específica, no caso a Lei nº 10.101/99, a referida verba, paga pela recorrente em desacordo com o mencionado diploma legal, integra o salário de contribuição. Fl. 210DF CARF MF Impresso em 13/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 12/08/2011 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 16/08/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/08/2011 por WILSON ANTONIO DE SOUZA COR REA 8 Diante do exposto tenho que restou demonstrado o descumprimento da Lei 10.101/2000, razão pela qual entendo que os valores pagos através de cartão eletrônico integram a base de cálculo da contribuição previdenciária. E, da análise das frias peças dos autos, conheço do recurso e nego provimento, devendo manter incólume o Acórdão da DRJ de Brasília. Este é meu voto Sala das Sessões, em 29 de julho de 2011 Wilson Antonio de Souza Correa Fl. 211DF CARF MF Impresso em 13/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 12/08/2011 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 16/08/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/08/2011 por WILSON ANTONIO DE SOUZA COR REA
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