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Numero do processo: 10865.902972/2008-80
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 13 00:00:00 UTC 2012
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2003 ESTIMATIVAS. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO. O art. 11 da Instrução Normativa RFB nº 900, de 2008, que admite a restituição ou a compensação de valor pago a maior ou indevidamente de estimativa, é preceito de caráter interpretativo das normas materiais que definem a formação do indébito na apuração anual do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, aplicando- se, portanto, aos PER/DCOMP originais transmitidos anteriormente a 1º de janeiro de 2009 e que estejam pendentes de decisão administrativa. (SCI Cosit nº 19, de 2011)
Numero da decisão: 1803-001.351
Decisão: Acordam os membros da 3ª Turma Especial da 4ª Câmara da 1ª Seção do CARF, por maioria de votos dar provimento parcial ao recurso para determinar a verificação da liquidez e certeza do direito creditório, devendo os autos retornarem à unidade de origem para análise do mérito do pedido, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Vencido o Conselheiro Sérgio Rodrigues Mendes que dava provimento ao recurso.
Nome do relator: SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA
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PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO. O art. 11 da Instrução Normativa RFB nº 900, de 2008, que admite a restituição ou a compensação de valor pago a maior ou indevidamente de estimativa, é preceito de caráter interpretativo das normas materiais que definem a formação do indébito na apuração anual do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, aplicando se, portanto, aos PER/DCOMP originais transmitidos anteriormente a 1º de janeiro de 2009 e que estejam pendentes de decisão administrativa. (SCI Cosit nº 19, de 2011) Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros da 3ª Turma Especial da 4ª Câmara da 1ª Seção do CARF, por maioria de votos dar provimento parcial ao recurso para determinar a verificação da liquidez e certeza do direito creditório, devendo os autos retornarem à unidade de origem para análise do mérito do pedido, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Vencido o Conselheiro Sérgio Rodrigues Mendes que dava provimento ao recurso. Selene Ferreira de Moraes Presidente (Assinado Digitalmente) Sérgio Luiz Bezerra Presta Relator (Assinado Digitalmente) Fl. 678DF CARF MF Impresso em 07/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 07/0 8/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PR ESTA Processo nº 10865.902972/200880 Acórdão n.º 1803001.351 S1TE03 Fl. 679 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walter Adolfo Maresch, Victor Humberto da Silva Maizman, Sérgio Luiz Bezerra Presta, Sérgio Rodrigues Mendes, Viviane Aparecida Bacchmi, Selene Ferreira de Moraes. Relatório Por bem descrever os fatos relativos ao presente contencioso administrativo, adoto parte do relato do contido no Acórdão nº 1433.024 proferido pela 5ª Turma de Julgamento da DRJ em Ribeirão Preto SP, constante das fls. 59 e seguintes dos autos, a seguir transcrito: “Tratase de Manifestação de Inconformidade interposta em face do Despacho Decisório em que foi apreciada Declaração de Compensação (PER/DCOMP), por intermédio da qual a contribuinte pretende compensar débitos de sua responsabilidade com crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de tributo (CSLLestimativa, código de arrecadação 2484), concernente ao período de apuração 01/2003. Por despacho decisório, não foi reconhecido direito creditório a favor da contribuinte e, por conseguinte, nãohomologada a compensação declarada no presente processo, ao fundamento de que os pagamentos informados foram integralmente utilizados para quitação de débitos da contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Cientificada, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade alegando, em síntese, de acordo com suas próprias razões: que o despacho decisório recorrido conteria equívoco em relação aos valores expressos no quadro "Utilização dos pagamentos encontrados para o Darf discriminado no PER/DCOMP", os quais não corresponderiam aos efetivamente declarados. Os valores do alegado crédito apropriados nos PER/DCOMP n.° 17482.92249.031103.1.3.048560 e n.° 26081.87384.041103.1.3.043191 seriam, respectivamente, R$ 20.532,99 e R$ 58.933,18, e não os valores de R$ 22.773,04 e R$ 299.036,96 que constam no despacho decisório; que considerados tais valores, somados aos valores utilizados em PER/DCOMP relacionado(s) na impugnação, em cotejo com o montante do alegado direito creditório, de R$ 321.810,00, estaria evidenciada a procedência do valor do crédito original, e a existência de saldo suficiente para a compensação requerida. Ao final requer seja reconhecido, conforme documentação anexa, "que nada é devido em relação à PER/DCOMP não homologada, improcedendo o valor constante no DARF encaminhado e vinculado ao Processo Administrativo em referência”. A 5ª Turma de Julgamento da DRJ em Ribeirão Preto SP, na sessão de 25/03/2011, ao analisar a manifestação de inconformidade apresentada, proferiu o Acórdão nº 1433.024 entendendo “por unanimidade de votos, considerar IMPROCEDENTE a manifestação de inconformidade nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado”, em decisão assim ementada: Fl. 679DF CARF MF Impresso em 07/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 07/0 8/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PR ESTA Processo nº 10865.902972/200880 Acórdão n.º 1803001.351 S1TE03 Fl. 680 3 “Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Anocalendário: 2003 DCOMP. CRÉDITO. INDEFERIMENTO. Pendente, nos autos, a comprovação do crédito indicado na declaração de compensação formalizada, impõese o seu indeferimento. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido”. Cientificada da decisão de primeira instância em 23/05/2011 (AR fls. 68v), a FAZENDA SETE LAGOAS AGRÍCOLA S/A., qualificada nos autos em epígrafe, inconformada com a decisão contida no Acórdão nº 1433.024, recorre em 21/06/2011 (70 e segs) a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais objetivando a reforma do julgado reiterando, basicamente, os argumentos da Manifestação de Inconformidade. Em síntese, é o relatório. Voto Conselheiro Sergio Luiz Bezerra Presta Observando o que determina os arts. 5º e 33 ambos do artigo 33 do Decreto nº. 70.235/1972 conheço a tempestividade do recurso voluntário apresentado, preenchendo os demais requisitos legais para sua admissibilidade, dele, portanto tomo conhecimento. Antes de passar a questão principal dos autos, passo a tratar da peliminar decadência apontada pela Recorrente, que tem os seguintes argumentos, “verbis”: “(i) DA DECADÊNCIA Conforme dito no item anterior, a fiscalização não homologou as compensações declaradas sob o fundamento (ÚNICO) de que o crédito era insuficiente posto que já utilizado para o pagamento de outros débitos, "demonstrando o alegado" com números equivocados e distorcidos dos efetivamente declarados. Em face desta situação, a Recorrente apresentou suas razões de defesa, demonstrando a incorreção do apontado pela fiscalização e juntando documentos hábeis a comprovar a matéria objeto de discussão. Fl. 680DF CARF MF Impresso em 07/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 07/0 8/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PR ESTA Processo nº 10865.902972/200880 Acórdão n.º 1803001.351 S1TE03 Fl. 681 4 A incorreção foi ratificada pela 5ª Turma da Delegacia Tributária de Julgamento, a qual reconheceu o erro da fiscalização acatando as razões de defesa da ora Recorrente. Ocorre que, para total surpresa, decidiu por não homologar as compensações declaradas POR NOVO FUNDAMENTO, apontando que o Tipo do Crédito informado não seria passível de ressarcimento. Contudo, em que pese o respeito aos nobres Julgadores, com o procedimento adotado não podemos concordar, posto que a estes caberia apenas JULGAR a controvérsia instaurada e não SUBSTITUIR a fiscalização para o fim de homologar ou não a compensação declarada, sob fundamento diverso do apontado. Esta competência é da Secretaria da Receita Federal e não da Delegacia Tributária de Julgamento. Isto se deve ao fato de que, se o óbice apontado no v. acórdão fosse causa de nãohomologação pela fiscalização, esta deveria ter consignado também este fundamento no r. Despacho Decisório, posto que seria devidamente conferido ao contribuinte a oportunidade de apresentar todas as suas razões de defesa já na Manifestação de Inconformidade apresentada, assim como juntar os documentos contábeis necessários à comprovação do alegado. Entretanto, isto não ocorreu. Ao contrário, tal fato é apenas apontado no v. acórdão e, assim, o seu acatamento culminaria em verdadeira supressão de instância, posto que não seria possível contestar algo de que ainda não se tinha ciência Desta forma, se a fiscalização não apontou o 'Tipo do Crédito' como óbice à compensação, não poderia a autoridade julgadora fazêlo, pois esta matéria NÃO era objeto de discussão, não tendo sequer sido conferida a oportunidade ao contribuinte de insurgirse em face dela. Destacase que aos nobres Julgadores caberia apenas afastar o óbice apontado pela fiscalização e, assim, eventualmente e na mais otimista das hipóteses, retornar os autos à SRF para nova análise acerca da homologação ou não da compensação. Outrossim, tendo sido afastado o óbice apontado pela fiscalização no r. despacho decisório, bem como já tendo transcorrido o prazo de 05 (cinco) anos para que o fisco pudesse, eventualmente, não homologar a compensação declarada por novo fundamento, é medida de justiça a reforma parcial do v. acórdão para o fim de afastar a "decisão de nãohomologação sob fundamento diverso do apontado pela fiscalização", considerandose homologadas as compensações efetuadas com aludido crédito”. Porém, observado do Despacho Decisório, rastreamento nº. 791203693, constante das fls. 06 dos autos, vejo que ele foi emitido em 25/09/2008 e recebido pela Recorrente (AR fls. 12) no dia 01/10/2008 e a DECOMP nº. 22441.80946181103.1.3.044641 foi transmitida em 18/11/2003, conforme pode ser visto abaixo: Diante desses fatos fica claro que não houve a homologação tácita, como sustenta a Recorrente, tendo em vista que não foram transcorridos os cinco anos contados do pedido de compensação formalizado pelo contribuinte (em 18/11/2003). Fl. 681DF CARF MF Impresso em 07/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 07/0 8/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PR ESTA Processo nº 10865.902972/200880 Acórdão n.º 1803001.351 S1TE03 Fl. 682 5 Passando para a questão principal dos autos que esta posta às fls 66 do Acórdão nº 0530.542, a seguir transcrito: Diante desses argumentos a Recorrente, com o permissivo inserto nos Artigos 3º e 38 da Lei 9.784/99, combinado com a determinação do Art. 16 do Decreto nº 70.235/1972, juntou ao recurso voluntário “lançamentos contábeis comprobatórios da apuração de saldo negativo de CSLL”. Com efeito, conforme se observa do despacho decisório originário, o direito creditório foi indeferido única e exclusivamente pela suposta ausência de crédito. E, a 5ª Turma de Julgamento da DRJ em Ribeirão Preto SP, embora tenha assumido para si a tarefa de analisar o direito creditório, não pode decidir em decorrência dos “lançamentos contábeis comprobatórios da apuração de saldo negativo de CSLL”. Diante desse fato, observo a superveniência do entendimento contido na Solução de Consulta Interna Cosit nº 19, de 5/12/2011, assim ementada: “ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO ESTIMATIVAS. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO. O art. 11 da IN RFB nº 900, de 2008, que admite a restituição ou a compensação de valor pago a maior ou indevidamente de estimativa, é preceito de caráter interpretativo das normas materiais que definem a formação do indébito na apuração anual do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, aplicandose, portanto, aos PER/DCOMP originais transmitidos anteriormente a 1º de janeiro de 2009 e que estejam pendentes de decisão administrativa”. Esse entendimento, porém, tem por pressuposto a ocorrência de erro no cálculo ou no recolhimento da estimativa, não abrangendo a não apresentação dos documentos comprovadores dos créditos da Recorrente. Fl. 682DF CARF MF Impresso em 07/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 07/0 8/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PR ESTA Processo nº 10865.902972/200880 Acórdão n.º 1803001.351 S1TE03 Fl. 683 6 Claro está, também, que a Recorrente, quando do encerramento do ano calendário, deve confrontar, apenas, as estimativas que considerou devidas, sob pena de duplo aproveitamento do mesmo crédito. Dessa forma, a homologação expressa exige que o sujeito passivo comprove, perante a autoridade administrativa que o jurisdiciona: (a) o erro cometido no cálculo ou no recolhimento da estimativa; (b) a sua adequação para a formação do indébito; e (c) a correspondente disponibilidade, mediante prova de que já não se valeu desse indébito para liquidação do IRPJ devido no ajuste anual ou para formação do correspondente saldo negativo. Em face do exposto, e considerando tudo o mais que dos autos consta e com as justas e necessárias homenagens ao Conselheiro Sérgio Rodrigues Mendes, voto no sentido de DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, para reconhecer a possibilidade de formação de indébitos em recolhimentos por estimativa, mas sem homologar a compensação, por ausência de análise do mérito pela autoridade preparadora, com o consequente retorno dos autos ao órgão de origem, para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pretendido em compensação. Sergio Luiz Bezerra Presta – Relator (Assinado digitalmente) Fl. 683DF CARF MF Impresso em 07/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 07/0 8/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PR ESTA
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Numero do processo: 13888.004153/2007-14
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 12 00:00:00 UTC 2012
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2004 MULTA ISOLADA. COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA. Cabe multa isolada nos casos em que o contribuinte efetuou a compensação de tributos vencidos ou vincendos com créditos que não possuem os requisitos da liquidez e da certeza.
Numero da decisão: 1802-001.252
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em NEGAR provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1541; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1TE02 Fl. 36 1 35 S1TE02 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13888.004153/200714 Recurso nº 881.684 Voluntário Acórdão nº 1802001.252 – 2ª Turma Especial Sessão de 12 de junho de 2012 Matéria Multa Isolada Recorrente AA DE MELO & CIA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2004 MULTA ISOLADA. COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA. Cabe multa isolada nos casos em que o contribuinte efetuou a compensação de tributos vencidos ou vincendos com créditos que não possuem os requisitos da liquidez e da certeza. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em NEGAR provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) Gustavo Junqueira Carneiro Leão Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Marco Antonio Nunes Castilho, Gilberto Baptista, José de Oliveira Ferraz Correa, Nelso Kichel. Fl. 171DF CARF MF Impresso em 09/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 07/07/2012 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 13888.004153/200714 Acórdão n.º 1802001.252 S1TE02 Fl. 37 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto (SP), que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte. A Recorrente teve diversas compensações, informadas em Declaração de Compensação (DCOMP), não homologadas por ter utilizado crédito decorrente de decisão judicial ainda não transitada em julgado, hipótese vedada pelo art. 170A do Código Tributário Nacional (CTN). Desse modo foi lançada a multa de ofício isolada, no percentual de 75%, sobre o valor dos débitos, com base no art. 18 da Lei nº 10.833/03. Inconformada, a autuada impugnou o lançamento alegando, em síntese, que o presente lançamento seria nulo porquanto apresentou manifestação de inconformidade contra a decisão que deixou de homologar a compensação pretendida por caracterizar preterição do direito de defesa, uma vez que a manifestação de inconformidade suspenderia a exigibilidade dos débitos, e não caberia o lançamento da multa isolada referente a valores que ainda estão sendo discutidos, conforme julgados que transcreveu. Quanto ao mérito, alegou que no caso em tela não se aplica o art. 170A do CTN, pois a ilegalidade dos aumentos da aliquota do Finsocial, de onde provém o crédito por ela utilizado na compensação, já foi reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal (STF) e pelo art. 18, III, da Lei nº 10.522/02, tampouco se aplicaria à compensação imediata de valores, conforme jurisprudência que citada. Argumentou também que o referido artigo foi acrescido pela Lei Complementar nº 104/2001, portanto posteriormente ao recolhimento dos indébitos e, conforme jurisprudência que transcreveu, a compensação deve ser regida pela legislação vigente quando surgimento do crédito e não na data da efetivação da compensação. Conforme determinação do art. 18, § 3º, da Lei nº 10.833/03, o processo que analisou a compensação foi anexado a este. Posteriormente, a recorrente apresentou desistência da manifestação de inconformidade (fl. 125) referente ao processo de compensação, sendo este apartado do presente. A DRJ em Ribeirão Preto (SP), ao analisar o processo indeferiu a manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte, consubstanciando sua decisão na seguinte ementa: “ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2004 Fl. 172DF CARF MF Impresso em 09/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 07/07/2012 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 13888.004153/200714 Acórdão n.º 1802001.252 S1TE02 Fl. 38 3 COMPENSAÇÃO INDEVIDA. CRÉDITOS VEDADOS. MULTA ISOLADA. POSSIBILIDADE. Cabível a aplicação da multa isolada, referente à compensação indevida, a partir de 31/10/2003, quando o contribuinte compensa créditos ou débitos vedados por expressa disposição legal. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido” Inconformada com essa decisão, da qual tomou ciência em 18/08/2010, a Contribuinte apresentou recurso voluntário (fls. 139 a 148), em 09/09/2010 sem preliminares, onde reitera as alegações feitas anteriormente, sintetisando as alegações anteriormente feitas em três pontos: a) a regularidade da compensação declarada; b) a desnecessidade do trânsito em julgado; c) por fim, a inaplicabilidade do art. 170A do CTN. Este é o Relatório. Fl. 173DF CARF MF Impresso em 09/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 07/07/2012 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 13888.004153/200714 Acórdão n.º 1802001.252 S1TE02 Fl. 39 4 Voto Conselheiro Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Relator. O presente recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos para a sua admissibilidade, portanto dele tomo conhecimento. Tratase de aplicação de multa isolada, tendo em vista o indeferimento dos procedimentos de compensação realizados pela Recorrente, com suposto amparo em decisão judicial proferida em sede de Mandado de Segurança Coletivo impetrado pela Associação Comercial e Industrial de Americana. Fundamenta o Fisco que a requerente não poderia ser beneficiada pela decisão judicial em caráter coletivo, posto que a decisão não transitou em julgado, considerando não declarada a compensação da mesma. A multa aplicada foi consubstanciada Lei 10.833/2003, art. 18, in verbis: “Art. 18. O lançamento de ofício de que trata o art. 90 da Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001, limitarseá à imposição de multa isolada em razão de não homologação da compensação quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) § 1º Nas hipóteses de que trata o caput, aplicase ao débito indevidamente compensado o disposto nos §§ 6º a 11 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. § 2º A multa isolada a que se refere o caput deste artigo será aplicada no percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicado em dobro, e terá como base de cálculo o valor total do débito indevidamente compensado. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) § 3º Ocorrendo manifestação de inconformidade contra a não homologação da compensação e impugnação quanto ao lançamento das multas a que se refere este artigo, as peças serão reunidas em um único processo para serem decididas simultaneamente. § 4º Será também exigida multa isolada sobre o valor total do débito indevidamente compensado quando a compensação for considerada não declarada nas hipóteses do inciso II do § 12 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicandose o percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, duplicado na forma de seu § 1o, quando for o caso. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) Fl. 174DF CARF MF Impresso em 09/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 07/07/2012 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 13888.004153/200714 Acórdão n.º 1802001.252 S1TE02 Fl. 40 5 § 5º Aplicase o disposto no § 2º do art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, às hipóteses previstas nos §§ 2º e 4º deste artigo. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007)” Assim, resta claro que a lide se resume na aplicação ou não da multa isolada prevista na Lei nº 10.833/03, art. 18, com alterações posteriores, para os casos em que o contribuinte tenha sua DCOMP nãohomologada em virtude da utilização de créditos tributários oriundos de ações judiciais sem o devido trânsito em julgado. A Recorrente compensou valores recolhidos a titulo de FINSOCIAL com débitos de PIS dos períodos de fevereiro a junho de 2003. Alega que não há qualquer irregularidade nos procedimentos compensatórios realizados, inicialmente porque realizou a compensação dos indébitos advindos do recolhimento indevido da Contribuição ao FINSOCIAL com o devido amparo judicial, e ainda porque o referido crédito tributário já fora reiteradamente reconhecido tanto pelo Órgão Pleno do Supremo Tribunal Federal, quanto pela legislação vigente. A respeito da compensação, trasncrevo algumas palavras do Prof. Ricardo Lobo Torres em Curso de Direito Financeiro e Tributário, 11ª edição, pág. 295: “A compensação é admitida no direito tributário. A lei pode, nas condições e sob as garantias que a lei estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos liquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública (art. 170, do CTN)”. A Lei nº 8.333/91, art. 66, ao dispor sobre os créditos passíveis de compensação, lista as hipóteses onde há liquidez e certeza: “Art. 66. Nos casos de pagamento indevido ou a maior de tributos, contribuições federais, inclusive previdenciárias, e receitas patrimoniais, mesmo quando resultante de reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória, o contribuinte poderá efetuar a compensação desse valor no recolhimento de importância correspondente a período subseqüente. (Redação dada pela Lei nº 9.069, de 29.6.1995)” Voltando ao campo doutrinário, Paulo de Barros Carvalho, em seu Curso de Direito Tributário, 23ª edição, pág. 540, aborda com muita propriedade: “Significativa alteração, promovida pela Lei Complementar n. 104, de 10 de janeiro de 2001, dispôs que, no âmbito judicial, a compensação mediante o aproveitamento de tributos indevidamente recolhidos, somente será autorizada após o trânsito em julgado da decisão.” No caso de pagamento indevido ou a maior decorrente de erro, não há o que se comentar, eis que desde o momento do recolhimento há a presunção de liquidez e a certeza, não havendo medidas administrativas ou judiciais que devam ser tomadas. Fl. 175DF CARF MF Impresso em 09/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 07/07/2012 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 13888.004153/200714 Acórdão n.º 1802001.252 S1TE02 Fl. 41 6 Já na hipótese de pagamento apurado em declaração, passamos a considerar a hipótese do pagamento devido, a exemplo das retenções de fonte que extrapolam o saldo do tributo devido ao fim do período, mas que constituem saldo a maior que o devido. A terceira hipótese se enquadra no caso de decisão pelo STF em ação de inconstitucionalidade (ADin), com efeitos erga omnes, ou o Senado através da suspensão de execução de lei. Nesses casos qualquer contribuinte poderia efetuar pedido de compensação ou restituição. Caso ao invés de ADin a decisão seja dada em recurso extraordinário, apenas as partes relacionadas no processo se beneficiam da decisão. Assim, discordo das alegações feitas no Recurso Voluntário, eis que as decisões a respeito da inconstitucionalidade do FINSOCIAL no momento em que foram efetuadas, não tinham efeitos erga omnes e nem a Recorrente possuía amparo judicial para efetuar a compensação, eis que sua ação coletiva não havia transitado em julgado e nem sequer havia uma liminar que amparasse sua pretensão. Por isso, ante a falta de amparo judicial que desse liquidez e certeza para que a Recorrente efetuasse a compensação almejada, entendo que a mesma afrontou o art. 170A, CTN, que no presente caso não tem como ser afastado. A esse respeito a jurisprudência desse conselho é pacífica, como se observa pelas ementas dos julgados abaixo: “NORMAS PROCESSUAIS COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA POR INEXISTÊNCIA DE DIREITO CREDITÓRIO. MULTA ISOLADA POR COMPENSAÇÃO INDEVIDA. Se quando da apresentação das DCOMP vigia decisão que negava o direito que a contribuinte que queria ver reconhecido no Judiciário, ainda sem trânsito em julgado, caracterizada está a ação dolosa do contribuinte para evitar o pagamento do débito compensado, uma vez falsa a declaração de direito a seu favor e a existência de definitividade do julgado, desta forma ensejando a não homologação da compensação e a aplicação da multa isolada. Recursos negado. (Segundo Conselho de Contribuintes. 4ª Câmara. Turma Ordinária. Ac. nº 20401987 do Processo 10920000572200311 Em 08/11/2006)” “DCOMP. COMPENSAÇÃO. DECISÃO JUDICIAL NÃO TRANSITADA EM JULGADO. COMPENSAÇÃO NÃO AUTORIZADA. INCIDÃSNCIA DO ART. 170A. É indevida a compensação de débito com base em decisão judicial que não autorizou o exercício deste direito antes do seu trânsito em julgado. CONSECTÁRIOS LEGAIS: MULTA DE MORA E JUROS DE MORA. TAXA SELIC. A multa de mora é devida quando presentes as condições de sua exigibilidade. Art. 61 da Lei nº 9.430/96. É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liqüidação e Custódia Selic para títulos federais (Súmula nº 3, do 2º CC). MULTA ISOLADA POR COMPENSAÇÃO INDEVIDA. Estando vedada a compensação por expressa disposição legal, correta a aplicação da multa isolada, no Fl. 176DF CARF MF Impresso em 09/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 07/07/2012 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 13888.004153/200714 Acórdão n.º 1802001.252 S1TE02 Fl. 42 7 percentual de 75% (inciso I do art. 44 da Lei nº 9.430/96, c/c os arts. 18 da Lei nº 10.833/2003 e 170A do CTN). Recurso negado. (Segundo Conselho de Contribuintes. 2ª Câmara. Turma Ordinária. Acórdão nº 20219560 do Processo 13502720001200669 Em 03/02/2009). Sendo assim, assiste razão a DRJ de Ribeirão Preto (SP) em julgar improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário constituído. Por todo o exposto, voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso voluntário, mantendo a multa de ofício isolada. (assinado digitalmente) Gustavo Junqueira Carneiro Leão Fl. 177DF CARF MF Impresso em 09/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 07/07/2012 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA
score : 1.0
Numero do processo: 10120.008366/2004-56
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Apr 25 00:00:00 UTC 2012
Ementa: MULTA QUALIFICADA - A apresentação ao fisco federal, durante anos
consecutivos, de declarações que informam ausência de receitas, quando os livros fiscais estaduais e a escrituração do sujeito passivo demonstram que ele auferia receitas e conhecia seu valor, revelam intenção de ocultar ou retardar o conhecimento, pela autoridade administrativa, da ocorrência do fato gerador, implicando qualificação da multa de oficio.
Numero da decisão: 9101-001.324
Decisão: ACORDAM os membros da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso da Fazenda Nacional.
Matéria: Cofins - ação fiscal (todas)
Nome do relator: VALMIR SANDRI
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MULTA QUALIFICADA A apresentação ao fisco federal, durante anos consecutivos, de declarações que informam ausência de receitas, quando os livros fiscais estaduais e a escrituração do sujeito passivo demonstram que ele auferia receitas e conhecia seu valor, revelam intenção de ocultar ou retardar o conhecimento, pela autoridade administrativa, da ocorrência do fato gerador, implicando qualificação da multa de oficio. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso da Fazenda Nacional. (documento assinado digitalmente) Henrique Pinheiro Torres Presidente Substituto (documento assinado digitalmente) Valmir Sandri Relator Participaram do julgamento os Conselheiros: Henrique Pinheiro Torres (Presidente Substituto), Valmar Fonseca de Menezes, José Ricardo da Silva, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Junior, Alberto Pinto Souza Junior, Valmir Sandri, Jorge Celso Freire da Silva, Karem Jureidini Dias e Suzy Gomes Hoffmann. Fl. 749DF CARF MF Impresso em 26/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2012 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 18/07/2012 por HE NRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 29/06/2012 por VALMIR SANDRI 2 Relatório A Oitava Câmara do extinto Primeiro Conselho de Contribuintes, em sessão de 17 de agosto de 2006, proferiu decisão não unânime, consubstanciada no Acórdão n° 108 08.965 que, dando provimento parcial a recurso voluntário interposto pelo contribuinte MARQUEZ & MARTINS LTDA, considerou inaplicável aos lançamentos de Cofins objeto deste processo, a qualificação da multa de oficio de 75% para 150%. Desqualificada a multa, decidiu pela decadência de alguns períodos, pela aplicação do disposto no art. 150, § 4º, do CTN, ao invés do art. 173, I. Inconformada, a Fazenda Nacional interpôs, tempestivamente, Recurso Especial alegando contrariedade à lei e à prova dos autos. Argumenta o representante da Fazenda Nacional que a adoção da Súmula 1° CC n° 14, não seria aplicável para os fatos em questão, como entendeu o voto vencedor, restando claro que a conduta praticada pelo contribuinte ao longo do tempo, aliada aos resultados obtidos, evidenciam a clara intenção de fraudar o Fisco, razão pela qual a decadência deve ser adotada nos termos do inciso I do art. 173 do mesmo CTN. O Presidente da Câmara recorrida deu seguimento ao recurso por demonstrada, “em tese”, a contrariedade à lei. O contribuinte apresentou contrarrazões. É o relatório. Fl. 750DF CARF MF Impresso em 26/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2012 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 18/07/2012 por HE NRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 29/06/2012 por VALMIR SANDRI Processo nº 10120.008366/200456 Acórdão n.º 9101001.324 CSRFT1 Fl. 2 3 Voto Conselheiro Valmir Sandri, Relator O recurso é tempestivo e preenche os requisitos para a sua admissibilidade. Dele, portanto, tomo conhecimento. Conforme se depreende do relatório, a Fazenda Nacional entende que a decisão da Oitava Câmara, ao desqualificar a multa de ofício e tomar como termo inicial para a decadência a data da ocorrência do fato gerador, contraria a lei, pois a conduta praticada pelo contribuinte, aliada aos resultados obtidos, evidenciam a clara intenção de fraudar o Fisco por meio da ação dolosa prevista no inciso I, do art. 71 da Lei n° 4.502/64. No caso dos autos, a fiscalização apontou que as Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) referentes ao 1º, 2º, 3º e 4º trimestres de 1999, 2000, 2001; ao 2º., 3º e 4º. trimestres de 2003; e ao 1º e 2º trimestres de 2004; foram todas entregues em branco à Secretaria da Receita Federal (SRF), ou seja, não informaram qualquer crédito tributário devido, e não entregou as DCTF referentes aos quatro trimestres de 2002 e ao 1º trimestre de 2003. Além das DCTFs, as Declarações de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ/2000, 2001, 2002), referentes aos anoscalendários de 1999, 2000 e 2001, foram entregue em branco, sem qualquer informação ao fisco. Em procedimento de verificações obrigatórias, apurouse, a partir dos livros fiscais estaduais e da escrituração do contribuinte, que ele praticara operações comerciais, que estavam registradas em sua escrituração. Ante a conduta da contribuinte de apresentar reiteradamente declarações omitindo da autoridade tributária os débitos fiscais apurados, foi aplicada a multa qualificada de 150% prevista no art. 44, inciso II, da Lei n°. 9.430, de 1996. Tendo constatado o registro, nos sistemas da Receita, da existência de dois DARFs pagos, referentes a janeiro e fevereiro de 2000, a autoridade fiscal alocou esses pagamentos, nada exigindo para esses dois períodos, Submetida a matéria a julgamento, o Relator (que restou vencido) assim, se manifestou: Quanto à preliminar de decadência, não há como acolher, pois a conduta verificada nos autos sinaliza para a possível ocorrência de crime contra a ordem tributária, porque a Recorrente omitiu ou retardou o conhecimento pelo Fisco de suas operações comerciais com efeito tributário, exceto no período compreendido no 2° trimestre de 2002, único onde os valores foram coincidentes Isto posto, manifestome por REJEITAR a preliminar de nulidade suscitada pelo recorrente para, no mérito, DAR provimento PARCIAL ao recurso para reduzir a multa de 150% para 75% apenas para os fatos geradores ocorridos nos meses compreendidos pelo 2° trimestre de 2002. Fl. 751DF CARF MF Impresso em 26/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2012 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 18/07/2012 por HE NRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 29/06/2012 por VALMIR SANDRI 4 Contudo, apenas dois outros conselheiros acompanharam o Relator, tendo prevalecido a desqualificação da multa. O voto condutor assim se expressou: Peço vênia para dele discordar, somente quanto a aplicação da multa de oficio qualificada pelas omissões apuradas em procedimentos fiscais. Não cabe a manutenção parcial da multa qualificada no vertente caso, aliás, matéria já objeto de Súmula deste Conselho, publicada no DOU, Seção 1, dos dias 26, 27 e 28/06/2006, vigorando a partir de 28/07/2006, "in verbis": "Súmula 1°CC n° 14: A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de oficio, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo." Entendo que, para aplicar a multa qualificada prevista no inciso II do artigo 44 da Lei 9.430/96, sobre as omissões de receitas, seria necessária a absoluta certeza do evidente intuito de fraude. A irregularidade constatada foi a falta de informações prestadas à Receita Federal. Vejamos agora o teor da Lei 4.502/64, nos citados artigos, que definiram os crimes de sonegação, fraude e conluio, em comparação aos fatos trazidos pelo Auditor Fiscal: "Art. 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art. 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificai as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento Art. 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72." Realmente, não se conclui pela acusação e pelos documentos trazidos ao processo, nem tampouco pela escrituração e documentos oferecidos durante a fiscalização, que tenha havido qualquer uma destas figuras tributárias. Estes citados fatos acarretaram corretamente a constituição do crédito tributário, apurandose lucro tributável da pessoa jurídica, mas não podem, por si só, caracterizar o evidente intuito de fraude. Por tudo exposto, dou parcial provimento ao recurso para desqualificar a penalidade aplicada, para que seja aplicada a multa de oficio em 75%. Fl. 752DF CARF MF Impresso em 26/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2012 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 18/07/2012 por HE NRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 29/06/2012 por VALMIR SANDRI Processo nº 10120.008366/200456 Acórdão n.º 9101001.324 CSRFT1 Fl. 3 5 Com a devida vênia ao entendimento acima esposado, não me parece que a interpretação adotada pela maioria da Oitava Câmara seja a mais consentânea com os fatos. Inicialmente, destaco ser inaplicável a Súmula CARF nº 14, pois, no caso concreto, não se trata de “simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos”, hipótese de que trata a súmula, mas sim, de reiteração de conduta consistente na apresentação, ao fisco federal, durante anos consecutivos, de declarações que informam ausência de receitas. Para a qualificação da multa foi determinante o fato de, por anos consecutivos, o contribuinte informar à Receita Federal ausência de faturamento, quando os livros fiscais estaduais e sua escrituração demonstram que ele auferia receitas e conhecia seu valor. Essa conduta reiterada denota a intenção de subtrair (ou retardar) o conhecimento, pela autoridade tributária, da ocorrência do fato gerador. A reiteração da conduta é desnecessária para a tipificação estabelecida nos artigos 71 a 73 da Lei n° 4.502/64, que envolve qualquer ação ou omissão dolosa que implique impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento do fato gerador pela autoridade tributária, ou sua ocorrência. Dependendo da espécie de ação ou omissão praticada, basta apenas uma para caracterizar uma das figuras tratadas naqueles dispositivos. Contudo, em relação às outras espécies de ação ou omissão, a consistência/reiteração é elemento relevante para que se diferencie o simples erro da intenção de subtrair fatos ao conhecimento do fisco. Não é tão somente a reiteração que revela o dolo, mas sim as circunstâncias da conduta. A apresentação de declaração é obrigação acessória instituída pela legislação no interesse da arrecadação e fiscalização dos tributos. O fato de o contribuinte, no cumprimento dessa obrigação, prestar declarações inexatas, não é suficiente para caracterizar o dolo previsto nos arts. 71 a 73 da Lei nº 4.502/64, ensejadores da qualificação da multa. Contudo, se durante anos seguidos, sistematicamente o contribuinte informa ausência de faturamento, não há como entender que se tratou de equívoco do contribuinte, e que não houve intenção de impedir ou retardar, ainda que parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal. Assim, entendo assistir razão à Fazenda Nacional. Pelo exposto, DOU provimento ao recurso da Fazenda Nacional, para restaurar a qualificação da multa e, por conseqüência, afastar a decadência reconhecida pela Oitava Câmara. Sala das Sessões, em 25 de abril de 2012. (documento assinado digitalmente) Valmir Sandri Fl. 753DF CARF MF Impresso em 26/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2012 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 18/07/2012 por HE NRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 29/06/2012 por VALMIR SANDRI 6 Fl. 754DF CARF MF Impresso em 26/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2012 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 18/07/2012 por HE NRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 29/06/2012 por VALMIR SANDRI
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Numero do processo: 10166.721493/2010-66
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 17 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/07/2005 a 31/12/2006
MPF. PRORROGAÇÃO. NECESSIDADE DE SUBSTITUIÇÃO DA AUTORIDADE FISCAL. INEXISTÊNCIA.
Havendo prorrogação de MPF dentro do prazo de sua validade, não há o que se falar em substituição da autoridade fiscal.
PREVIDENCIÁRIO. ALIMENTAÇÃO. NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS INDEPENDENTEMENTE DE INSCRIÇÃO NO PAT. APLICAÇÃO EXCLUSIVAMENTE PARA AS PRESTAÇÕES IN NATURA.
Independentemente de inscrição no PAT, não incidem contribuições sociais, desde que a empresa faça a prestação in natura.
CONTRIBUIÇÃO PARA O INCRA. REVOGAÇÃO PELA LEGISLAÇÃO POSTERIOR. INOCORRÊNCIA.
É legítima a cobrança da contribuição para o INCRA, posto que não houve revogação da mesma pela legislação posterior que trata do Regime Geral de Previdência Social, podendo a mesma ser exigível inclusive das empresas urbanas.
APURAÇÃO COM ESTEIO EM FOLHAS DE PAGAMENTO E RECIBOS. PRESUNÇÃO DA OCORRÊNCIA DOS FATOS GERADORES. INOCORRÊNCIA.
Não há o que se falar em presunção dos fatos geradores das contribuições lançadas quando a apuração fiscal se deu com base na documentação exibida pelo sujeito, principalmente em folhas e recibos de pagamento.
LANÇAMENTO DE OFÍCIO. APLICAÇÃO DA MULTA PREVISTA NO ART. 44, I, DA LEI n.º 9.430/1996.
Nos lançamentos de ofício de contribuições sociais, aplica-se
a multa prevista no art. 44, I, da Lei n.º 9.430/1996, não se cogitando da aplicação da multa moratória prevista no art. 61 da mesma Lei.
MULTA CARÁTER CONFISCATÓRIO. IMPOSSIBILIDADE DE DECLARAÇÃO PELA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA.
Não pode a autoridade fiscal ou mesmo os órgãos de julgamento
administrativo afastar a aplicação da multa legalmente prevista, sob a justificativa de que tem caráter confiscatório.
JUROS SELIC. INCIDÊNCIA SOBRE OS DÉBITOS TRIBUTÁRIOS ADMINISTRADOS PELA RFB.
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial
de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2401-002.451
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Ausente momentaneamente o conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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PRORROGAÇÃO. NECESSIDADE DE SUBSTITUIÇÃO DA AUTORIDADE FISCAL. INEXISTÊNCIA. Havendo prorrogação de MPF dentro do prazo de sua validade, não há o que se falar em substituição da autoridade fiscal. PREVIDENCIÁRIO. ALIMENTAÇÃO. NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS INDEPENDENTEMENTE DE INSCRIÇÃO NO PAT. APLICAÇÃO EXCLUSIVAMENTE PARA AS PRESTAÇÕES IN NATURA. Independentemente de inscrição no PAT, não incidem contribuições sociais, desde que a empresa faça a prestação in natura. CONTRIBUIÇÃO PARA O INCRA. REVOGAÇÃO PELA LEGISLAÇÃO POSTERIOR. INOCORRÊNCIA. É legítima a cobrança da contribuição para o INCRA, posto que não houve revogação da mesma pela legislação posterior que trata do Regime Geral de Previdência Social, podendo a mesma ser exigível inclusive das empresas urbanas. APURAÇÃO COM ESTEIO EM FOLHAS DE PAGAMENTO E RECIBOS. PRESUNÇÃO DA OCORRÊNCIA DOS FATOS GERADORES. INOCORRÊNCIA. Não há o que se falar em presunção dos fatos geradores das contribuições lançadas quando a apuração fiscal se deu com base na documentação exibida pelo sujeito, principalmente em folhas e recibos de pagamento. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. APLICAÇÃO DA MULTA PREVISTA NO ART. 44, I, DA LEI n.º 9.430/1996. Fl. 2043DF CARF MF Impresso em 01/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/05 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/05/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 Nos lançamentos de ofício de contribuições sociais, aplicase a multa prevista no art. 44, I, da Lei n.º 9.430/1996, não se cogitando da aplicação da multa moratória prevista no art. 61 da mesma Lei. MULTA CARÁTER CONFISCATÓRIO. IMPOSSIBILIDADE DE DECLARAÇÃO PELA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. Não pode a autoridade fiscal ou mesmo os órgãos de julgamento administrativo afastar a aplicação da multa legalmente prevista, sob a justificativa de que tem caráter confiscatório. JUROS SELIC. INCIDÊNCIA SOBRE OS DÉBITOS TRIBUTÁRIOS ADMINISTRADOS PELA RFB. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Ausente momentaneamente o conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Elias Sampaio Freire Presidente Kleber Ferreira de Araújo Relator Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira e Marcelo Freitas de Souza Costa. Fl. 2044DF CARF MF Impresso em 01/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/05 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/05/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10166.721493/201066 Acórdão n.º 2401002.451 S2C4T1 Fl. 2.044 3 Relatório Tratase de recurso interposto pelo contribuinte acima identificado, contra decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento – DRJ em Brasília (DF), que julgou procedente o lançamento consubstanciado no Auto de Infração n.º 37.256.6553. O crédito em questão correspondente às contribuições destinadas aos terceiros (Salário Educação, INCRA, SENAC, SESC e SEBRAE) devidas pela empresa no período compreendido entre as competências 07/2005 a 12/2006 e as competências 13/2005 e 13/2006 referentes ao 13º salário), incidentes sobre as remunerações dos segurados empregados e contribuintes individuais, não declaradas na Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social – GFIP, referentes a: a) divergências encontradas entre os valores registrados na Folha de Pagamento e os declarados em GFIP; b) fornecimento de alimentação aos segurados empregados em desacordo com o PAT – Programa de Alimentação do Trabalhador; c) valores pagos aos segurados contribuintes individuais (sócias), a título de prólabore. O acórdão de primeira instância foi assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/07/2005 a 31/12/2006 CONTRIBUIÇÕES DESTINADAS A TERCEIROS. A empresa é obrigada a recolher as contribuições destinadas a Terceiros(Outras Entidades e Fundos) no mesmo prazo e sobre a mesma base de cálculo que a Lei 8.212/91 prescreve para as contribuições previdenciárias a seu cargo. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. ALIMENTAÇÃO. INSCRIÇÃO. PAT. AUSÊNCIA Integram o saláriodecontribuição os valores pagos a título de alimentação, em desacordo com o PAT Lei 6.321/76. ÔNUS DA PROVA. ALEGAÇÃO DESACOMPANHADA DE PROVA. Cabe ao impugnante trazer juntamente com suas alegações impugnatórias todos os documentos que dêem a elas força probante. JUROS SELIC. Fl. 2045DF CARF MF Impresso em 01/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/05 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/05/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 As contribuições sociais arrecadadas em atraso ficam sujeitas aos juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC, de caráter irrelevável. CARÁTER CONFISCATÓRIO DA MULTA Não é confiscatória a multa exigida nos estritos limites do previsto em lei para o caso concreto, não sendo competência funcional do órgão julgador administrativo apreciar alegações de ilegalidade ou inconstitucionalidade da legislação vigente. DECISÕES JUDICIAIS. EFEITOS. Os efeitos das decisões judiciais, no âmbito da Secretaria da Receita Federal do Brasil, possui como pressuposto a existência de decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal acerca da inconstitucionalidade da lei que esteja em litígio e, ainda assim, de ato específico do Secretário da Receita Federal do Brasil. Não estando enquadradas nesta hipótese, as decisões judiciais só produzem efeitos entre as partes envolvidas, não beneficiando nem prejudicando terceiros. PEDIDO DE DILIGÊNCIA INDEFERIMENTO. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar sem motivação ou prescindíveis. PEDIDO DE JUNTADA POSTERIOR DE DOCUMENTOS. PRECLUSÃO TEMPORAL. A prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual. DOMICÍLIO TRIBUTÁRIO. ENDEREÇO CADASTRAL. INTIMAÇÃO ENDEREÇADA AO ADVOGADO. INDEFERIMENTO. O domicílio tributário do sujeito passivo é o endereço, postal, eletrônico ou de fax fornecido pelo próprio contribuinte à Receita Federal do Brasil (RFB) para fins cadastrais. Dada a inexistência de previsão legal, indeferese o pedido de endereçamento das intimações ao escritório do procurador. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Na sua peça recursal, o sujeito passivo alegou, em síntese, que: a) todo o procedimento fiscal deve ser nulificado, posto que, há Mandados de Procedimento Fiscal MPF que não foram prorrogados dentro do prazo regulamentar e, assim, Fl. 2046DF CARF MF Impresso em 01/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/05 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/05/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10166.721493/201066 Acórdão n.º 2401002.451 S2C4T1 Fl. 2.045 5 os MPF subsequentes deveriam ter autorizado outro auditor fiscal para dar continuidade ao procedimento, conforme determina a legislação; b) não se admite no direito pátrio que se estabeleça obrigação tributária com esteio em presunção do fato gerador, como é o caso dos autos, em que o fisco baseouse para lavrar o AI em meras declarações prestadas mediante a Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social – GFIP; c) a empresa estava regularmente inscrita no Programa de Alimentação do Trabalhador – PAT, posto que a exigência de recadastramento mediante Portaria não tem validade, uma vez que fere o princípio da legalidade; d) mesmo que a empresa não estivesse regular perante o PAT, não poderiam incidir as contribuições sobre a alimentação fornecida mediante “Vale Alimentação”, posto que esse benefício não tem natureza de salário; e) a contribuição ao INCRA foi extintas pelas Leis n.º 7.787/1989, n.º 8.212/1991 e n.º 8.231/1991, sendo, portanto, ilegítima a sua instituição; f) a contribuição ao SEBRAE é inconstitucional por duas razões: não foi instituída por lei complementar, além de se caracterizar como bitributação; g) tendose em conta a alteração legislativa promovida pela MP n.º 449/2008, posteriormente convertida na Lei n.º 11.941/2009, deve ser aplicada a multa mais benéfica, com esteio no art. 61 da Lei n.º 9.430/1996; h) a multa aplicada é inconstitucional, em face do seu caráter confiscatório; i) não se admite a cumulação dos juros SELIC com índices de correção monetária e juros moratórios. Ao final, requer: a) declaração de nulidade do AI; b) reconhecimento da improcedência das contribuições lançadas; c) aplicação da multa mais benéfica; d) exclusão dos juros SELIC É o relatório. Fl. 2047DF CARF MF Impresso em 01/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/05 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/05/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Relator Admissibilidade O recurso merece conhecimento, posto que preenche os requisitos de tempestividade e legitimidade. A nulidade motivada por falha nos MPF Alega a recorrente que, tendo havido expiração de dois dos MPF, na substituição dos mesmos deveria o obrigatoriamente constar outra autoridade fiscal para dar continuidade ao procedimento. Não se tendo procedido dessa forma é nulo o procedimento fiscal. Consultando a sítio da RFB pude constatar que o MPF original, com duração de 120 dias foi emitido em 09/10/2009, com prazo de expiração em 06/02/2010 (120 dias, conforme art. 11, I, da Portaria RFB n.º 11.371/2007), as prorrogações deramse em 06/02/2010; 07/04/2010 e 06/06/2010 (60 dias, conforme art. 11, II, da mesma Portaria). Considerandose que a ciência do lançamento pelo sujeito passivo ocorreu em 12/07/2010, percebese que na data da ciência do lançamento havia MPF vigente e que não houve expiração de qualquer dos MPF lavrados, mas apenas prorrogação dos mandados. Assim, a afirmação da recorrente encontrase totalmente dissociada dos fatos ocorridos no processo. Afasto, então, essa preliminar. Fornecimento de vale alimentação sem inscrição no PAT Acerca da apuração de contribuições incidentes sobre a alimentação oferecida aos trabalhadores mediante o fornecimento de “vale alimentação”, o fisco afirmou que a empresa encontravase em situação irregular, quanto à inscrição no PAT. De acordo com a Auditoria, a empresa, por não ter efetuado no ano de 2004 o recadastramento obrigatório determinado pela Portaria da Secretaria de Inspeção do Trabalho do Ministério do Trabalho e Emprego n.º 66/2003, ficou irregular com o PAT para os exercícios de 2005 e 2006, descumprindo, assim, a norma que exonera a verba da incidência de contribuições previdenciárias. Alega a empresa que a Portaria não tem poder normativo para criar obrigações para os administrados e que somente em lei poderia ser veiculada essa exigência de recadastramento. Sobre essa questão é de se notar que a recorrente afirma que fez a inscrição no PAT no ano de 1999, cuja validade foi estendida até 2003, todavia, não atendeu à determinação da Portaria n.º 81, de 27/05/2004, editada pela Secretaria de Inspeção do Fl. 2048DF CARF MF Impresso em 01/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/05 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/05/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10166.721493/201066 Acórdão n.º 2401002.451 S2C4T1 Fl. 2.046 7 Trabalho em conjunto com o Departamento de Segurança e Saúde no Trabalho, que determinava o recadastramento das pessoas jurídicas beneficiárias no PAT no ano de 2004. Sustenta a empresa que essa Portaria não poderia instituir uma obrigação, mas apenas a lei em sentido estrito. A referida Portaria determinou em seu art. 1.º a prorrogação por 90 dias, a contar de 01/07/2004, do prazo para que as pessoas jurídicas efetuassem o recadastramento no programa, conforme estabelecido pela Portaria n.º 66/2003. Essa determinava: Art. 1º As pessoas jurídicas beneficiárias do Programa de Alimentação do Trabalhador PAT deverão recadastrarse, no período de 01 de março a 31 de maio de 2004. Parágrafo Único O recadastramento das pessoas jurídicas beneficiárias deverá ser efetuado por meio eletrônico, utilizando o formulário constante da página do Ministério do Trabalho e Emprego na internet (www.mte.gov.br/pat). (...) Art. 3º O nãorecadastramento no Programa de Alimentação do Trabalhador no prazo estipulado implicará o cancelamento automático do registro ou inscrição. Art. 4º A cópia do comprovante de recadastramento deverá ser mantida nas dependências da empresa, à disposição da Fiscalização Federal. (...) Verificase, assim, que, de fato, a empresa recorrente, por não haver efetuado o recadastramento, nos termos das Portarias acima mencionadas, teve o seu registro no programa cancelado. Nesse sentido, para os exercícios de 2005 e 2006, podese dizer que a empresa não era inscrita no programa, não podendo usufruir das benesses fiscais proporcionadas pelo mesmo. Quanto à validade das normas em questão, não vejo como negála. Consultando a legislação específica que trata do PAT, pude verificar que é obrigatória a inscrição no programa para que as empresas possam gozar de suas benesses. A Lei n.º 6.321/1976, que institui benefícios fiscais para as empresas que realizam despesas com a alimentação do trabalhador, em seu art. 4.º, prevê a regulamentação das suas regras por ato do Poder Executivo. Para cumprir esse desiderato, foi editado o Decreto n. 05, de 14/01/1991, que assim dispõe: Art. 1º A pessoa jurídica poderá deduzir, do Imposto de Renda devido, valor equivalente à aplicação da alíquota cabível do Imposto de Renda sobre a soma das despesas de custeio realizadas, no períodobase, em programas de alimentação do trabalhador, previamente aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social (MTPS), nos termos deste regulamento. Fl. 2049DF CARF MF Impresso em 01/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/05 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/05/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 8 (...) § 4º Para os efeitos deste Decreto, entendese como prévia aprovação pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social a apresentação de documento hábil a ser definido em portaria dos ministros do Trabalho e Previdência Social, da Economia, Fazenda e Planejamento e da Saúde. Nesse sentido, as regras trazidas pelas Portarias do então Ministério do Trabalho n.º 66/2003 e n.º 81/2004 estão albergadas pela autorização dada pelo Decreto regulamentador da Lei do PAT, não sendo cabível o questionamento da validade das mesmas. No que diz respeito à incidência de contribuição sobre tal parcela, cabenos trazer à colação o que dispõe o § 9.º do art. 28 da Lei n. 8.212/1991: § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (...) c) a parcela "in natura" recebida de acordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, nos termos da Lei n°6.321, de 14 de abril de 1976; (...) Observese do dispositivo transcrito que a previsão de isenção de contribuição sobre a alimentação fornecida aos empregados condiciona a desoneração a dois requisitos: que a alimentação seja fornecida “in natura” e que a sua disponibilização esteja em conformidade com as normas do PAT. Assim, não tendo a recorrente efetuado a sua adesão ao PAT para os exercícios de 2005 e 2006, conforme determinava a legislação aplicável, houve evidente descumprimento da norma inserta na alínea “c” do § 9.º do art. 28 da Lei n. 8.212/1991, haja vista que o fornecimento de alimentação foi efetuado em desacordo com a legislação do PAT, pelo que devem incidir contribuições sobre tais verbas. A alegação de que independentemente de inscrição no PAT não haveria tributação previdenciária quer, de forma oblíqua, declarar a invalidade de dispositivo da Lei n.º 8.212/1991, o que não pode ser acatado, sob pena da Autoridade Fiscal ficar sujeita à responsabilização funcional. É certo que a Fazenda tem reconhecido a não incidência de contribuições sociais sobre a alimentação fornecida aos empregados, independentemente de inscrição do empregador no PAT, todavia, essa regra aplicase apenas às prestações in natura, como se pode ver do Ato Declaratório da Procuradoria Geral da Fazenda Nacional n.º 03, de 20/12/2001: "Nas ações judiciais que visem obter a declaração de que sobre o pagamento in natura do auxílioalimentação não há incidência de contribuição previdenciária" . Fl. 2050DF CARF MF Impresso em 01/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/05 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/05/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10166.721493/201066 Acórdão n.º 2401002.451 S2C4T1 Fl. 2.047 9 A suposta presunção quanto à ocorrência dos fatos geradores Os autos estão a revelar que a apuração das contribuições deuse mediante análise da documentação apresentada pela empresa. Foi com esteio nas folhas de pagamento exibidas que o fisco definiu a remuneração paga aos segurados empregados e contribuintes individuais a serviço da empresa. Foram acostadas tabelas onde é indicado o saláriodecontribuição para cada um dos segurados que receberam pagamentos pelos serviços prestados a autuada. Esta por sua vez, embora manifeste inconformismo, não juntou qualquer elemento que pudesse alterar o resultado da apuração fiscal realizada. Foi apresentado demonstrativo de todas as guias de pagamento que foram aproveitadas no levantamento fiscal, não tendo a empresa levantado qualquer argumento que conduzisse a descrédito o trabalho de auditoria. Nos termos do art. 333 do Código de Processo Civil (Lei n.º 5.869/1973), utilizado subsidiariamente no processo administrativo fiscal, é do réu o encargo de provar a existência de fato que possa extinguir o direito do autor. Eis o dispositivo: Art.333.O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. (...) No caso em tela, o direito de Fisco de exigir as contribuições restaria extinto se o sujeito passivo conseguisse demonstrar que a Administração houvera incorrido em erro ao calcular o valor das contribuições ora lançadas. Considerandose que esse fato não restou demonstrado, deixo de acolher, por absoluta falta de provas, o argumento de que houve na espécie presunção de fatos geradores ou mesmo equívoco na apuração. Não custa repetir que a empresa não acostou qualquer retificação dos documentos que serviram de base para a confecção do lançamento. Contribuição ao INCRA Afirma a recorrente em seu arrazoado que a contribuição para o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária – INCRA teria sido extinta pela legislação posterior que tratou das contribuições do segmento rural para a Seguridade Social. Para afastar essa tese, devo utilizar a jurisprudência do STJ, a qual manifesta o entendimento de que a contribuição ao INCRA enquadrase como contribuição de intervenção no domínio econômico, sendo a mesma plenamente exigível. Eis um julgado que bem retrata o posicionamento daquele tribunal superior: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO DE INSTRUMENTO. EXECUÇÃO FISCAL. CONTRIBUIÇÃO DESTINADA AO INCRA. Fl. 2051DF CARF MF Impresso em 01/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/05 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/05/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 10 LEGALIDADE (RECURSO ESPECIAL REPETITIVO N. 977.058/RS, DJ DE 10/11/2008). REQUISITOS DE VALIDADE DA CDA. REVISÃO. SÚMULA 7 DESTE TRIBUNAL. MULTA. CARÁTER CONFISCATÓRIO. FUNDAMENTO CONSTITUCIONAL. TAXA SELIC. LEGITIMIDADE. PRONUNCIAMENTO DA PRIMEIRA SEÇÃO SOB O RITO DO ART. 543C, DO CPC. 1. O exame da alegação de que a CDA não preenche os requisitos de validade encontra óbice na Súmula 7 do STJ. Precedentes. 2. A Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça, mediante pronunciamento sob o regra prevista no art. 543C do CPC (REsp 977.058/RS, DJ de 10/11/2008), firmou o posicionamento no sentido de que, por se tratar de contribuição especial de intervenção no domínio econômico, a contribuição ao Incra, destinada aos programas e projetos vinculados à reforma agrária e suas atividades complementares, foi recepcionada pela Constituição Federal de 1988 e continua em vigor até os dias atuais, pois não foi revogada pelas Leis 7.787/89, 8.212/91 e 8.213/91, não existindo, portanto, óbice a sua cobrança, mesmo em relação às empresas urbanas. (grifo nosso). 3. Extrapola o limite de competência do recurso especial, ex vi do art. 105, III, da CF, enfrentar a tese recursal autoral, acerca da multa aplicada pelo descumprimento da obrigação tributária, fundada no principio constitucional do nãoconfisco. 4. A Primeira Seção, no julgamento do REsp 1.111.175/SP, em 10/6/2009, feito submetido à sistemática do art. 543C do CPC, decidiu pela legalidade da incidência da Taxa Selic para fins tributários. 5. Agravo regimental não provido. (AgRg no Ag 1394332 / RS, Rel. Ministro Benedito Gonçalves, Dje 26/05/2011) Diante desse julgado, posso concluir que, ao contrário do que afirma a recorrente, a jurisprudência tem sedimentado o entendimento de que a contribuição ao INCRA pode ser exigida inclusive das empresas urbanas, por se caracterizar como contribuição especial de intervenção no domínio econômico. Contribuição ao SEBRAE Para enfrentar essa alegação recursal é necessário uma análise da constitucionalidade de dispositivo legal aplicado pelo fisco para exigência da contribuição ao SEBRAE, daí, é curial que, a priori, façamos uma abordagem acerca da possibilidade de afastamento por órgão de julgamento administrativo de ato normativo por inconstitucionalidade. Sobre esse tema, notese que o escopo do processo administrativo fiscal é verificar a regularidade/legalidade do lançamento à vista da legislação de regência, e não das normas vigentes frente à Constituição Federal. Essa tarefa é de competência privativa do Poder Judiciário. Fl. 2052DF CARF MF Impresso em 01/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/05 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/05/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10166.721493/201066 Acórdão n.º 2401002.451 S2C4T1 Fl. 2.048 11 O Decreto n.º 70.235/1972, que rege o processo administrativo fiscal no âmbito da União, prescreve: Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) Nessa linha de entendimento, a própria Portaria MF nº 256, de 22/06/2009, que aprovou o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, é por demais enfática neste sentido, impossibilitando, regra geral, o afastamento de tratado, acordo internacional, lei ou decreto, a pretexto de inconstitucionalidade, nos seguintes termos: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar nº 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar nº 73, de 1993. Observese que, somente nas hipóteses ressalvadas no parágrafo único e incisos do dispositivo legal encimado poderá ser afastada a aplicação da legislação de regência. No âmbito do julgamento administrativo, a matéria acabou por ser sumulada, como se vê do seguinte enunciado de súmula: Súmula CARF Nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Essa súmula é de observância obrigatória, nos termos do “caput” do art. 72 do Regimento Interno do CARF1. Como se vê, este Colegiado falece de competência para se pronunciar sobre as alegações de inconstitucionalidade de lei e decreto trazidas pela recorrente. 1 Art. 72. As decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF. Fl. 2053DF CARF MF Impresso em 01/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/05 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/05/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 12 Diante do exposto, deixo de apreciar a alegação de inconstitucionalidade da contribuição destinada ao SEBRAE. A aplicação da multa De acordo com o Relatório Discriminativo do Débito, a multa foi aplicada no percentual de 24%, conforme determinava a legislação vigente à época da ocorrência dos fatos geradores, art. 35 da Lei n. 8.212/1991. Suscita a empresa que lhe fosse aplicada retroativamente a multa do art. 61 da Lei n.º 9.430/1996, todavia esse dispositivo somente se aplica no caso de recolhimento espontâneo, no qual é aplicada a multa de mora e juros. Havendo lançamento das contribuições, a legislação atual exigese a multa de ofício prevista no art. 44, I, da mesma Lei (75% do tributo devido), a qual é mais gravosa ao sujeito passivo, não devendo assim prevalecer. Arguiu a recorrente a inconstitucionalidade da multa aplicada, em face do seu caráter confiscatório. Na análise dessa razão, não se pode perder de vista que o lançamento da multa por descumprimento de obrigação de pagar o tributo é operação vinculada, que não comporta emissão de juízo de valor quanto à agressão da medida ao patrimônio do sujeito passivo, haja vista que uma vez definido o patamar da sua quantificação pelo legislador, fica vedado ao aplicador da lei ponderar quanto a sua justeza, restandolhe apenas aplicar a multa no quantum previsto pela legislação. Cumprindo essa determinação a autoridade fiscal, diante da ocorrência da falta de pagamento do tributo fato incontestável aplicou a multa no patamar fixado na legislação vigente a data dos fatos geradores, a qual era mais favorável à empresa. Além do mais, salvo casos excepcionais, é vedado a órgão administrativo declarar inconstitucionalidade de norma vigente e eficaz. Nessa linha de entendimento, dispõe o enunciado de súmula, abaixo reproduzido, o qual foi divulgado pela Portaria CARF n.º 106, de 21/12/2009 (DOU 22/12/2009): Súmula CARF Nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Essa súmula é de observância obrigatória, nos termos do “caput” do art. 72 do Regimento Interno do CARF2. Como se vê, este Colegiado falece de competência para se pronunciar sobre a alegação de inconstitucionalidade da multa aplicada, uma vez que o Fisco tãosomente utilizou os instrumentos legais de que dispunha. Juros SELIC Quanto à inaplicabilidade da taxa de juros SELIC para fins tributários, é matéria que já se encontra sumulada nesse Tribunal Administrativo, nos termos da Súmula CARF n. 04: (...) 2 Art. 72. As decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF. (...) Fl. 2054DF CARF MF Impresso em 01/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/05 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/05/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10166.721493/201066 Acórdão n.º 2401002.451 S2C4T1 Fl. 2.049 13 Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Nesse sentido, sendo a Súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF, nos temos do “caput” do art. 72 do Regimento Interno do CARF, não pode esse colegiado afastar a utilização da taxa de juros aplicada às contribuições lançadas no presente lançamento. Por outro lado, o Superior Tribunal de Justiça – STJ, decidiu com base na sistemática dos recursos repetitivos (art. 543C do CPC) que é legítima a aplicação da taxa SELIC aos débitos tributários, o que faz com que essa discussão tornese, até certo ponto, desnecessária. Eis a ementa do julgado: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL SUBMETIDO À SISTEMÁTICA PREVISTA NO ART. 543C DO CPC. VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC. NÃOOCORRÊNCIA. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. JUROS DE MORA PELA TAXA SELIC. ART. 39, § 4º, DA LEI 9.250/95. PRECEDENTES DESTA CORTE. 1. Não viola o art. 535 do CPC, tampouco nega a prestação jurisdicional, o acórdão que adota fundamentação suficiente para decidir de modo integral a controvérsia. 2. Aplicase a taxa SELIC, a partir de 1º.1.1996, na atualização monetária do indébito tributário, não podendo ser cumulada, porém, com qualquer outro índice, seja de juros ou atualização monetária. 3. Se os pagamentos foram efetuados após 1º.1.1996, o termo inicial para a incidência do acréscimo será o do pagamento indevido; no entanto, havendo pagamentos indevidos anteriores à data de vigência da Lei 9.250/95, a incidência da taxa SELIC terá como termo a quo a data de vigência do diploma legal em tela, ou seja, janeiro de 1996. Esse entendimento prevaleceu na Primeira Seção desta Corte por ocasião do julgamento dos EREsps 291.257/SC, 399.497/SC e 425.709/SC. 4. Recurso especial parcialmente provido. Acórdão sujeito à sistemática prevista no art. 543C do CPC, c/c a Resolução 8/2008 Presidência/STJ. (REsp 1111175 / SP, Relatora Ministra Denise Arruda, DJe. 01/07/2009) Também não há o que se falar em cumulação da taxa SELIC com correção monetária e juros moratórios, posto que, além da multa de ofício, foram aplicados apenas os juros SELIC, conforme demonstrado nos anexos que acompanham o AI. Conclusão Fl. 2055DF CARF MF Impresso em 01/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/05 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/05/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 14 Ante todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso. Kleber Ferreira de Araújo Fl. 2056DF CARF MF Impresso em 01/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/05 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/05/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
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Numero do processo: 37322.004038/2005-41
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 12 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Contribuições Previdenciárias
Período de Apuração: 04/2004
AFERIÇÃO INDIRETA. Serão calculadas por aferição indireta as
contribuições devidas, quando constatado pela fiscalização que a
contabilidade da empresa não registra o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço.
CONSTRUÇÃO CIVIL. Devidamente comprovados os fatos que constituem
parâmetro ao lançamento, deve ser mantida a autuação.
MULTA MORATÓRIA. PENALIDADE MAIS BENÉFICA.
O não pagamento de contribuição previdenciária constituía, antes do advento da Lei nº 11.941/2009, descumprimento de obrigação tributária punida com a multa de mora do art. 35 da Lei nº 8.212/1991.
Revogado o referido dispositivo e introduzida nova disciplina pela Lei 11.941/2009, devem ser comparadas as penalidades anteriormente prevista com a da novel legislação (art. 35 da Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 61 da Lei nº 9.430/1996), de modo que esta seja aplicada retroativamente, caso seja mais benéfica ao contribuinte (art. 106, II, “c” do CTN).
Não há que se falar na aplicação do art. 35A da Lei nº 8.212/1991
combinado com o art. 44, I da Lei nº 9.430/1996, já que estes disciplinam a multa de ofício, penalidade inexistente na sistemática anterior à edição da MP 449/2008, somente sendo possível a comparação com multas de mesma natureza. Assim, deverão ser cotejadas as penalidades da redação anterior e
da atual do art. 35 da Lei nº 8.212/1991
Numero da decisão: 2301-002.950
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, I) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em manter a multa aplicada; II) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a).
Nome do relator: LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES
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ementa_s : Contribuições Previdenciárias Período de Apuração: 04/2004 AFERIÇÃO INDIRETA. Serão calculadas por aferição indireta as contribuições devidas, quando constatado pela fiscalização que a contabilidade da empresa não registra o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço. CONSTRUÇÃO CIVIL. Devidamente comprovados os fatos que constituem parâmetro ao lançamento, deve ser mantida a autuação. MULTA MORATÓRIA. PENALIDADE MAIS BENÉFICA. O não pagamento de contribuição previdenciária constituía, antes do advento da Lei nº 11.941/2009, descumprimento de obrigação tributária punida com a multa de mora do art. 35 da Lei nº 8.212/1991. Revogado o referido dispositivo e introduzida nova disciplina pela Lei 11.941/2009, devem ser comparadas as penalidades anteriormente prevista com a da novel legislação (art. 35 da Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 61 da Lei nº 9.430/1996), de modo que esta seja aplicada retroativamente, caso seja mais benéfica ao contribuinte (art. 106, II, “c” do CTN). Não há que se falar na aplicação do art. 35A da Lei nº 8.212/1991 combinado com o art. 44, I da Lei nº 9.430/1996, já que estes disciplinam a multa de ofício, penalidade inexistente na sistemática anterior à edição da MP 449/2008, somente sendo possível a comparação com multas de mesma natureza. Assim, deverão ser cotejadas as penalidades da redação anterior e da atual do art. 35 da Lei nº 8.212/1991
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Recorrente CONSTRUTOP ENGENHARIA E COMÉRCIO LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Contribuições Previdenciárias Período de Apuração: 04/2004 AFERIÇÃO INDIRETA. Serão calculadas por aferição indireta as contribuições devidas, quando constatado pela fiscalização que a contabilidade da empresa não registra o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço. CONSTRUÇÃO CIVIL. Devidamente comprovados os fatos que constituem parâmetro ao lançamento, deve ser mantida a autuação. MULTA MORATÓRIA. PENALIDADE MAIS BENÉFICA. O não pagamento de contribuição previdenciária constituía, antes do advento da Lei nº 11.941/2009, descumprimento de obrigação tributária punida com a multa de mora do art. 35 da Lei nº 8.212/1991. Revogado o referido dispositivo e introduzida nova disciplina pela Lei 11.941/2009, devem ser comparadas as penalidades anteriormente prevista com a da novel legislação (art. 35 da Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 61 da Lei nº 9.430/1996), de modo que esta seja aplicada retroativamente, caso seja mais benéfica ao contribuinte (art. 106, II, “c” do CTN). Não há que se falar na aplicação do art. 35A da Lei nº 8.212/1991 combinado com o art. 44, I da Lei nº 9.430/1996, já que estes disciplinam a multa de ofício, penalidade inexistente na sistemática anterior à edição da MP 449/2008, somente sendo possível a comparação com multas de mesma natureza. Assim, deverão ser cotejadas as penalidades da redação anterior e da atual do art. 35 da Lei nº 8.212/1991 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 791DF CARF MF Impresso em 20/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 1 1/09/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 12/09/2012 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 37322.004038/200541 Acórdão n.º 2301002.950 S2C3T1 Fl. 2 2 ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, I) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em manter a multa aplicada; II) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Marcelo Oliveira Presidente Leonardo Henrique Pires Lopes – Relator Presentes à sessão de julgamento os Conselheiros Marcelo Oliveira (Presidente), Adriano Gonzáles Silvério, Bernadete de Oliveira Barros, Damião Cordeiro de Moraes e Leonardo Henrique Pires Lopes. Relatório Tratase de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito lavrada em 04/05/2004, em face de CONSTRUTOP ENGENHARIA E COMÉRCIO LTDA., referente às contribuições previdenciárias destinadas à Seguridade Social, correspondentes à parte da empresa, dos segurados empregados, ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho e as destinadas a Terceiros. De acordo com o Relatório Fiscal de fls. 13/14, temse como fatos geradores os valores da mãodeobra utilizada na obra de construção civil e que foram apuradas por meio de aferição indireta, em virtude da não apresentação pela empresa dos livros diários de 1997, 1998, 2002 e 2003. Segundo afirma a fiscalização, a aferição foi efetuada de conformidade com as características da construção, enquadrara em 2 (dois) quartos com metragem inferior a 100 m², conforme consta no alvará de construção. Inconformada, a ora Recorrente apresentou Defesa tempestiva, às fls. 30/32. Desta feita, foi proferido o despacho de fls. 84, que determinou o encaminhamento do feito ao Auditor Fiscal, para sua análise e manifestação. Em cumprimento do disposto acima, foi apresentada Manifestação Fiscal (fls. 85/86), que concluiu que o débito ora em apreço deveria ser mantido em sua totalidade, esclarecendo que, da área inicial de 22.993,22 m², foram abertas novas matrículas no total e 5.097,08 m², que já teriam sido regularizadas perante o INSS. Fl. 792DF CARF MF Impresso em 20/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 1 1/09/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 12/09/2012 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 37322.004038/200541 Acórdão n.º 2301002.950 S2C3T1 Fl. 3 3 O débito do presente processo se referia à parte da obra, isto é, 5.358,56 m², tendo sido aplicado o disposto no art. 478 da IN 100, que determina que, na regularização de construção parcial, efetuarse á o enquadramento pela área total do projeto, aplicandose os redutores quando for o caso, apurandose as contribuições proporcionalmente à área já construída. Esclareceu, ainda, que os recolhimentos efetuados foram convertidos em área regularizada. Posteriormente, foi proferido novo despacho, de fl. 87, requerendo a manifestação da fiscalização, para fins de informar se, quando do cálculo do montante devido, foram levados em consideração os valores recolhidos na matrícula da obra, que constam no Sistema de Arrecadação, já que em consulta ao sistema Águia constatouse a existência de recolhimentos na matrícula da obra a partir de 11/1997, e também no ano de 2003, sendo que a ARO anexada às fls. 15/18 não foram indicados recolhimentos neste ano. Ato contínuo, foi apresentada a Manifestação da empresa, às f1s. 97/98, ratificando os argumentos já apresentados em sua defesa, sendo, entretanto, mantido o lançamento pela DecisãoNotificação de fls. 209/214, cuja ementa assim dispôs: NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO. CONSTRUÇÃO CIVIL. AFERIÇÃO INDIRETA DAS CONTRIBUIÇÕES. ÔNUS DA PROVA. Na falta de prova regular e formalizada, o montante dos salários pagos pela execução de obra de construção civil pode ser obtido mediante cálculo da mãodeobra empregada, proporcional à área construída e ao padrão de execução da obra, cabendo ao proprietário o ônus da prova em contrário. LANÇAMENTO PROCEDENTE. Irresignada, interpôs Recurso Voluntário às fls. 225/227, cujas razões podem ser resumidas às seguintes: 1) Questionou porque da metragem total da matrícula, de 22.993,22 m2, foram descontados, pelo fiscal, apenas as obras realizadas por terceiros, o que totaliza 5.097,08 m², desconsiderando, assim, a metragem de 3.531,12 m2, quando o próprio fiscal reconhece que esta metragem foi regularizada com base de cobertura de 70% da área, ou seja, bem superior se tivesse sido apresentado à contabilidade; 2) Conforme previsão do art. 478 da IN 100, onde houver regularização parcial, o enquadramento efetuarseá pela área total do projeto, de modo que a base não seria 17.894,14m2, mas sim de 14.365,02m2; 3) Aduziu que não entendeu como a fiscalização chegou ao valor da metragem de 5.358,56 m2, referente à construção de parte da obra, vez que o que foi solicitado pela empresa foi a regularização de 2.049,92 m2, representado por 18 casas; 4) A metragem de 3.531,12 m2 já havia sido regularizada em 2001, que não foi aceita pelo fiscal sob o fundamento de que teria sido feita com base em recolhimentos, e não com a apresentação contábil. Mas ainda que se some Fl. 793DF CARF MF Impresso em 20/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 1 1/09/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 12/09/2012 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 37322.004038/200541 Acórdão n.º 2301002.950 S2C3T1 Fl. 4 4 este valor com o que foi apresentado espontaneamente pela empresa, chegar seá ao valor de 5.581,04, e não de 5.358,56, que foi apontado como a totalidade de casas concluídas até 01/2003; 5) Não foi verificada qualquer dedução da área de 1.452,12 m2, resultantes da conversão dos recolhimentos efetuados em relação às 18 casas já regularizadas; 6) A empresa Recorrente retificou, por meio de requerimento 37322.004011/200559, datado de 29.09.2005, junto ao setor de fiscalização, a área total de 22.993,22 m2, porquanto já teria comercializado cerca de 70 lotes dentro do empreendimento, através de instrumento que transferiu ao comprador a responsabilidade pela construção individual de cada casa, assim como a respectiva regularização perante o INSS e Prefeitura Municipal de Bauru. Assim, a área reduziria de 22.993,22 m2 para 8.725,15 m2 Em seguida, foram apresentadas as contrarrazões às fls. 776/777, alegando a ausência de fato e de direito capazes de modificar a DecisãoNotificação, razão pela qual deveria ser mantido inalterado o presente lançamento. Destarte, foi proferido acórdão por este Conselho, que decidiu por converter o julgamento em diligência, por entender que existem inúmeras questões controvertidas, tais como: a) Saber qual a real metragem referente à obra matriculada no CEI nº 21.060.05583/79, que, a princípio, seria de 22.993,22 m2, mas a fiscalização reconhece e desconta as obras realizadas por terceiros de 5.097,08 m2, porém não considera a metragem de 3.531,12 m2, apontada pela Recorrente como já regularizada; b) Saber qual a área objeto do presente processo, já que a Recorrente afirma ser de 5.581,04 m2, enquanto que a fiscalização afirma que corresponde às contribuições relativas à construção de parte da obra, in casu, 5.358,56 m2. A partir das determinações do acórdão, foi realizada a diligência de fls. 781/782, cujas principais conclusões foram as seguintes: 1) A obra foi matriculada sob o nº 21.060.0558379, com área de 22.993,22 m2. Desta área, 5.097,08 m2 foram repassados a outras construtoras, que abriram matrículas em seus nomes e, por isso, o total das áreas repassadas a terceiros foi desmembrado da matrícula inicial. Desta forma, a responsabilidade da CONSTRUTOP, que inicialmente era de 22.993,22 m2 foi alterada para 17.896,14 m2, restando regularizada na ação fiscal a área de 5.358,56 m2. 2) O enquadramento da obra é feito em função da sua área total, que no caso é de 17.894,14 m2, informação necessária para alimentar a DISO. Dessa área, foi efetivamente construído 5.358,56 m2, sendo este o valor considerado para o cálculo. Fl. 794DF CARF MF Impresso em 20/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 1 1/09/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 12/09/2012 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 37322.004038/200541 Acórdão n.º 2301002.950 S2C3T1 Fl. 5 5 3) Foram regularizados 1.452,12 m2, relativos aos recolhimentos de contribuições previdenciárias já efetuados sobre salários pagos na obra, restando a regularizar o montante de 3.906,44 m2. 4) Sendo assim, somente será aproveitada para conversão em área regularizada a remuneração da mãodeobra utilizada na construção entre a data de início da obra e a data de expedição de habitese parcial ou documento oficial de término da área cuja regularização é pleiteada. 5) A baixa de obra de construção civil quando realizada em ação fiscal deve ser efetuada sempre com análise da contabilidade. Quando não existente ou apresentada forma não regular esta ocorrerá por meio de aferição indireta. No caso de baixa pelo setor de arrecadação, esta é feita a vista dos elementos apresentados pela empresa através da DISO, onde se verifica a correspondência entre a área construída com os recolhimentos pertinentes. Embora seja expedida CND, a obra quando de responsabilidade de pessoa jurídica necessariamente passa pela fiscalização para análise do custo efetivamente nela ocorrido, ocasião em que é feita a auditoria nos livros contábeis, se existentes, analisase os documentos de conclusão das áreas edificadas, os recolhimentos efetuados, bem como se os recolhimentos foram efetuados de acordo com as instruções do INSS, vigentes a época da construção. A área de 5.358,56 m2 foi verificada nos documentos de conclusão de obra, apresentados pela empresa. Assim retornaram os autos a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. É o relatório. Voto Conselheiro Leonardo Henrique Pires Lopes, Relator Dos Pressupostos de Admissibilidade Sendo tempestivo, conheço do Recurso e passo ao seu exame. Do Mérito Da aferição indireta Fl. 795DF CARF MF Impresso em 20/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 1 1/09/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 12/09/2012 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 37322.004038/200541 Acórdão n.º 2301002.950 S2C3T1 Fl. 6 6 O lançamento referese à cobrança de contribuições previdenciárias devidas em decorrência de obras de construção civil, tendo a base de cálculo adotada na presente notificação sido apurada mediante o procedimento de aferição indireta, consoante determinação do art. 33, §6º da Lei 8.212/91, in verbis: Art. 33. À Secretaria da Receita Federal do Brasil compete planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas à tributação, à fiscalização, à arrecadação, à cobrança e ao recolhimento das contribuições sociais previstas no parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições incidentes a título de substituição e das devidas a outras entidades e fundos. § 6º Se, no exame da escrituração contábil e de qualquer outro documento da empresa, a fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, serão apuradas, por aferição indireta, as contribuições efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. Da análise do dispositivo retro, é possível inferirse que, constatando a fiscalização que a escrituração contábil da empresa não registra a real movimentação da remuneração dos segurados a seu serviço, bem como de seu faturamento e lucro, devem tais valores ser calculados via aferição indireta, que é exatamente o caso dos autos, conforme se observará adiante. À empresa foram solicitados livros contábeis de 1997, 1998, 2002 e 2003, mas que não foram apresentados à fiscalização, o que autorizou a aferição indireta. Vejase que sequer o contribuinte questiona a adoção da aferição indireta, limitandose o seu recurso aos parâmetros de metragem utilizados, de modo que deve ser mantido o lançamento neste ponto. Dos parâmetros utilizados Após conversão do julgado em diligência, foram esclarecidos pontos sobre os quais pairavam dúvidas imprescindíveis ao julgamento do processo. Cabe destacar que sobre tal manifestação o contribuinte quedouse inerte, deixando de questionar os esclarecimentos prestados e de apontar erros no exame dos fatos. De qualquer forma, deve ser mantida a autuação em face dos esclarecimentos prestados pela fiscalização às fls. 781/782. Isto porque foi devidamente deduzida da metragem considerada na aferição indireta a área repassada a outras construtoras e que abrira matrículas em seus próprios nomes (5.097,08 m2), bem como foi considerada a área efetivamente construída para fins de arbitramento (5.358,56 m2). Esta área de 5.358,56 m2, por sua vez, foi extraída dos documentos de conclusão da obra, apresentados pela própria empresa, de modo que não há que se falar em confusão nos valores das metragens. Fl. 796DF CARF MF Impresso em 20/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 1 1/09/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 12/09/2012 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 37322.004038/200541 Acórdão n.º 2301002.950 S2C3T1 Fl. 7 7 Por outro lado, também foram consideradas as contribuições previdenciárias recolhidas entre o início da obra e o término da obra ou documento oficial de regularização, que convertidas em metragem correspondem à área de 1.452,12 m2, também devidamente abatidas do valor da área cuja contribuição seria devida, qual seja, 3.906,44 m2. Assim, não há que se reformar a decisão recorrida em comento. Da multa aplicada A autuação em comento referese ao descumprimento pelo contribuinte da sua obrigação tributária principal, consistente no dever de recolher a contribuição previdenciária dentro do prazo previsto em lei. Além do pagamento do tributo não recolhido, a legislação vigente à época da ocorrência dos fatos geradores previa a imposição ao contribuinte da penalidade correspondente ao atraso no pagamento, conforme art. 35 da Lei nº 8.212/1991, que escalonava a multa (I) de 4% a 20%, quando o valor devido não tivesse sido incluído em notificação fiscal de lançamento, (II) de 12% a 50% para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal, e (III) de 30% a 100% nos casos em que o débito já tivesse sido inscrito em dívida ativa. Como se depreende do caput do art. 35 referido (sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos...) a penalidade decorria do atraso no pagamento, independentemente de o lançamento ter sido efetuado de ofício ou não. Em outras palavras, não existia na legislação anterior a multa de ofício, aplicada em decorrência do lançamento de ofício pela auditoria fiscal, mas apenas a multa de mora, oriunda do atraso no recolhimento da contribuição. A punição do art. 35 da referida lei dirigiase à demora no pagamento, sendo mais agravada/escalonada de acordo com o momento em que fosse recolhida. Ocorre que, com o advento da MP nº 449/2008, posteriormente convertida na Lei nº 11.941/2009, o art. 35 da Lei nº 8.212/1991 foi revogado, tendo sido incluída nova redação àquele art. 35. A análise dessa nova disciplina sobre a matéria, introduzida em dezembro/2008, adquire importância em face da retroatividade benigna da legislação posterior que culmine penalidade mais benéfica ao contribuinte, nos termos do art. 106, II do CTN, in verbis: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; Fl. 797DF CARF MF Impresso em 20/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 1 1/09/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 12/09/2012 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 37322.004038/200541 Acórdão n.º 2301002.950 S2C3T1 Fl. 8 8 b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Cabe, portanto, analisar as disposições introduzidas com a referida MP nº 449/2008 e mantidas com a sua conversão na Lei nº 11.941/2009: Art. 35 da Lei nº 8.212/1991 Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Art. 61 da Lei nº 9.430/1996 Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. À primeira vista, a indagação de qual seria a norma mais favorável ao contribuinte seria facilmente resolvida, com a aplicação retroativa da nova redação do art. 35 da Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 61 da Lei nº 9.430/1996, sendo esta última a utilizada nos casos em que a multa de mora excedesse o percentual de 20% previsto como limite máximo pela novel legislação. Contudo, o art. 35A, também introduzido pela mesma Lei nº 11.941/2009, passou a punir o contribuinte pelo lançamento de ofício, conduta esta não tipificada na legislação anterior, calculado da seguinte forma: Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; Fl. 798DF CARF MF Impresso em 20/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 1 1/09/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 12/09/2012 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 37322.004038/200541 Acórdão n.º 2301002.950 S2C3T1 Fl. 9 9 II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: a) na forma do art. 8o da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. Pela nova sistemática aplicada às contribuições previdenciárias, o atraso no seu recolhimento será punido com multa de 0,33% por dia, limitado a 20% (art. 61 da Lei nº 9.430/1996). Sendo o caso de lançamento de ofício, a multa será de 75% (art. 44 da Lei nº 9.430/1996). Não existe qualquer dúvida quanto à aplicação da penalidade em relação aos fatos geradores ocorridos após o advento da MP nº 449/2008. Contudo, diante da inovação em se aplicar também a multa de ofício às contribuições previdenciárias, surge a dúvida de com que norma será cotejada a antiga redação do art. 35 da Lei nº 8.212/1991 para se verificar a existência da penalidade mais benéfica nos moldes do art. 106, II, “c” do CTN. Isto porque, caso seja acolhido o entendimento de que a multa de mora aferida em ação fiscal está disciplinada pelo novo art. 35 da Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 61 da Lei 9.430/1996, terá que ser limitada ao percentual de 20%. Ocorre que alguns doutrinadores defendem que a multa de mora teria sido substituída pela multa de ofício, ou ainda que esta seria sim prevista no art. 35 da Lei nº 8.212/1991, na sua redação anterior, na medida em que os incisos II e III previam a aplicação da penalidade nos casos em que o débito tivesse sido lançado ou em fase de dívida ativa, ou seja, quando tivesse decorrido de lançamento de ofício. Contudo, nenhum destes dois entendimentos pode prevalecer. Consoante já afirmado acima, a multa prevista na redação anterior do art. 35 da Lei nº 8.212/1991 destinavase a punir a demora no pagamento do tributo, e não o pagamento em razão de ação fiscal. O escalonamento existente era feito de acordo com a fase do pagamento, isto é, quanto mais distante do vencimento do pagamento, maior o valor a ser pago, não sendo punido, portanto, a não espontaneidade do lançamento. Também não seria possível se falar em substituição de multa de mora por multa de ofício, pois as condutas tipificadas e punidas são diversas. Enquanto a primeira relacionase com o atraso no pagamento, independentemente se este decorreu ou não de autuação do Fisco, a outra vinculase à ação fiscal. Por outro lado, não me parece correta a comparação da nova multa calculada conforme o art. 35A da Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 44, I da Lei nº 9.430/1996 (multa de ofício prevista em 75% do valor da contribuição devida) com o somatório das multas previstas no art. 32, §4º e 5º e no revogado art. 35 ambos da Lei nº 8.212/1991. Fl. 799DF CARF MF Impresso em 20/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 1 1/09/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 12/09/2012 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 37322.004038/200541 Acórdão n.º 2301002.950 S2C3T1 Fl. 10 10 Em primeiro lugar, esse entendimento somente teria coerência, o que não significa legitimidade, caso se entendesse que a multa de ofício substituiu as penalidades tanto pelo descumprimento da obrigação principal quanto pelo da acessória, unificandoas. Nesses casos, concluindose pela aplicação da multa de ofício, por ser supostamente a mais benéfica, os autos de infração lavrados pela omissão de fatos geradores em GFIP teriam que ser anulados, já que a penalidade do art. 44, I da Lei nº 9.430/1996 (multa de ofício) estaria substituindo aquelas aplicadas em razão do descumprimento da obrigação acessória, o que não vem sendo determinado pelo Fisco. Em segundo lugar, não se podem comparar multas de naturezas distintas e aplicadas em razão de condutas diversas. Conforme determinação do próprio art. 106, II do CTN, a nova norma somente retroage quando deixar de definir o ato como infração ou quando cominarlhe penalidade menos severa. Tanto em um quanto no outro caso verificase a edição de duas normas em momentos temporais distintos prescrevendo a mesma conduta, porém com sanções diversas. Assim, somente caberia a aplicação do art. 44, I da Lei nº 8.212/1996 se a legislação anterior também previsse a multa de ofício, o que não ocorria até a edição da MP nº 449/2008. A anterior multa de mora somente pode ser comparada com penalidades que tenha a mesma ratio, qual seja, o atraso no pagamento das contribuições. Revogado o art. 35 da Lei nº 8.212/1991, cabe então a comparação da penalidade aplicada anteriormente com aquela da nova redação do mesmo art. 35, já transcrita acima, que remete ao art. 61 da Lei nº 9.430/1996. Não só a natureza das penalidades leva a esta conclusão, como também a própria alteração sofrida pelo dispositivo. No lugar da redação anterior do art. 35, que dispunha sobre a multa de mora, foi introduzida nova redação que também disciplina a multa de mora, agora remetendo ao art. 61 da Lei nº 9.430/1996. Estes dois dispositivos é que devem ser comparados. Diante de todo o exposto, não é correto comparar a multa de mora com a multa de ofício. Esta terá aplicação apenas aos fatos geradores ocorridos após o seu advento. Para fins de verificação de qual será a multa aplicada no caso em comento, deverão ser cotejadas as penalidades da redação anterior e da atual do art. 35 da Lei nº 8.212/1991. Da Conclusão Diante do exposto, conheço do Recurso para, no mérito DARLHE PARCIAL PROVIMENTO, apenas para que sejam cotejadas as multas previstas no art. 35 em sua redação antiga e atual da Lei 8.212/91, aplicandose a que seja mais benéfica ao contribuinte. É como voto. Fl. 800DF CARF MF Impresso em 20/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 1 1/09/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 12/09/2012 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 37322.004038/200541 Acórdão n.º 2301002.950 S2C3T1 Fl. 11 11 Sala das Sessões, em 12 de julho de 2012 Leonardo Henrique Pires Lopes Fl. 801DF CARF MF Impresso em 20/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 1 1/09/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 12/09/2012 por MARCELO OLIVEIR A
score : 1.0
Numero do processo: 10680.909829/2010-00
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 10 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu May 02 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2006
Restituição. Compensação. Indébito de Estimativa.
Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. (Súmula CARF n º 84)
Reconhecimento do Direito Creditório. Análise Interrompida.
Inexiste reconhecimento implícito de direito creditório quando a apreciação da restituição/compensação restringe-se a aspectos como a possibilidade do pedido. A homologação da compensação ou deferimento do pedido de restituição, uma vez superado este ponto, depende da análise da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pela autoridade administrativa que jurisdiciona a contribuinte.
Numero da decisão: 1801-001.381
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, e determinar o retorno dos autos à unidade de jurisdição da recorrente para analise do mérito do litígio, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes Presidente
(assinado digitalmente)
Maria de Lourdes Ramirez Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Carmen Ferreira Saraiva, João Carlos de Figueiredo Neto, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes.
Nome do relator: MARIA DE LOURDES RAMIREZ
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2006 Restituição. Compensação. Indébito de Estimativa. Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. (Súmula CARF n º 84) Reconhecimento do Direito Creditório. Análise Interrompida. Inexiste reconhecimento implícito de direito creditório quando a apreciação da restituição/compensação restringe-se a aspectos como a possibilidade do pedido. A homologação da compensação ou deferimento do pedido de restituição, uma vez superado este ponto, depende da análise da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pela autoridade administrativa que jurisdiciona a contribuinte.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2006 RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. INDÉBITO DE ESTIMATIVA. Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. (Súmula CARF n º 84) RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. ANÁLISE INTERROMPIDA. Inexiste reconhecimento implícito de direito creditório quando a apreciação da restituição/compensação restringese a aspectos como a possibilidade do pedido. A homologação da compensação ou deferimento do pedido de restituição, uma vez superado este ponto, depende da análise da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pela autoridade administrativa que jurisdiciona a contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, e determinar o retorno dos autos à unidade de jurisdição da recorrente para analise do mérito do litígio, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes – Presidente (assinado digitalmente) Maria de Lourdes Ramirez – Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 90 98 29 /2 01 0- 00 Fl. 97DF CARF MF Impresso em 02/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2013 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 18/04/ 2013 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 18/04/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Carmen Ferreira Saraiva, João Carlos de Figueiredo Neto, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes. Relatório Cuidase de recurso voluntário interposto contra o acórdão n º 0234.860, de 27/09/2011, da 2a. Turma da DRJ em Belo Horizonte/MG (fls. 70/74) que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada contra o Despacho Decisório da DRF em Belo Horizonte/MG, que não homologou as compensações declaradas em DCOMP. Histórico Trata o presente processo de Declaração de Compensação transmitida eletronicamente em 28/02/2007 (fls. 63/67), que informa direito creditório relativo a pagamento indevido ou a maior de estimativa de IRPJ relativa ao mês de maio de 2006 (recolhimento em junho/2006). O valor da estimativa recolhida em DARF foi de R$ 77.275,43. O valor pleiteado original é de R$ 858,53 (corrigido de R$ 922,92), indicado para compensação de débito de estimativa de IRPJ do mês de janeiro de 2007, no mesmo valor do crédito corrigido pleiteado. Pelo Despacho Decisório Eletrônico da DRF em Belo Horizonte/MG, emitido em 06/09/2010 (fl. 24) não houve reconhecimento do direito creditório pleiteado sob a seguinte justificativa; “Limite do crédito analisado, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão informado no PER/DCOMP: 858,53. Analisadas as informações prestadas no documento acima identificado, foi constatada a improcedência do crédito informado no PER/DCOMP, por tratarse de pagamento a título de estimativa mensal da pessoa jurídica tributada pelo lucro real, caso em que o recolhimento somente pode ser utilizado na dedução do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período.” Foi apresentada manifestação de inconformidade (fls. 02/06) na qual alega, a interessada, que, de acordo com balancete mensal levantado, não teria apurado qualquer valor devido de IRPJ mas, por engano, acabou por efetuar recolhimento, conforme DARF anexado, o que caracterizaria pagamento indevido ou a maior, não vedado pelo artigo 10 da IN SRF n º 600, de 2005. Analisando o pedido a 2a. Turma Julgadora da DRJ em Belo Horizonte/MG indeferiu o pleito ao argumento de que, nos termos da IN SRF 600/2005, pagamentos efetuados a título de estimativa de IRPJ ou CSLL não podem ser utilizados como indébito, em compensação, e somente podem ser aproveitados para dedução da imposto ou contribuição anual devidos ou na composição do saldo negativo respectivo (fls. 63/67). Notificada da decisão, em 13/12/2011, como demonstra a cópia do AR (fl. 79 processo digital) apresentou, a interessada, em 05/01/2012, recurso voluntário. Nas razões de Fl. 98DF CARF MF Impresso em 02/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2013 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 18/04/ 2013 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 18/04/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10680.909829/201000 Acórdão n.º 1801001.381 S1TE01 Fl. 3 3 defesa, além de reproduzir os argumentos deduzidos na manifestação de inconformidade, transcreve trechos de acórdão deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, sobre o assunto, de lavra desta relatora. Ao final pugna pelo acolhimento do recurso. É o relatório. Voto Conselheira Maria de Lourdes Ramirez, Relatora. O recurso é tempestivo. Dele tomo conhecimento. No mérito observase que a DRF em Belo Horizonte/MG indeferiu o pleito ao argumento de que não poderia haver recolhimento indevido ou a maior no cálculo e pagamento de estimativas mensais de IRPJ e de CSLL no curso do anocalendário a gerar um indébito a favor do contribuinte passível de restituição e compensação. Tal questão já foi superada neste órgão de julgamento como se verifica da seguinte Súmula: Súmula CARF n º 84. Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. O pagamento indevido de estimativas caracterizase na hipótese de erro no recolhimento. Assim, se o valor efetivamente pago foi superior ao devido, seja com base na receita bruta, seja com base no balancete de suspensão/redução, essa diferença é passível de restituição ou compensação, e esse pedido ou utilização pode, inclusive, ser feito no curso do anocalendário, já que independente de evento futuro e incerto. No presente caso, a contribuinte afirma ter efetuado, por engano, o recolhimento de estimativa de IRPJ do mês de maio de 2006, quando seus balancetes indicavam que não haveria tal obrigatoriedade. Alega, portanto, que o pagamento seria indevido. Imperioso, entretanto, para homologação da compensação, a confirmação da existência, suficiência e disponibilidade do indébito alegado. Ou seja, a homologação expressa exige que a contribuinte comprove, perante a autoridade administrativa que a jurisdiciona, o erro cometido, seja na apuração da estimativa com base em receita bruta, seja com base em balancete de suspensão/redução, a sua adequação para a formação do indébito pretendido e a correspondente disponibilidade, mediante prova de que não se valeu desta antecipação para liquidação da CSLL devida no ajuste anual, ou para formação do correspondente saldo negativo. Fl. 99DF CARF MF Impresso em 02/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2013 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 18/04/ 2013 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 18/04/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES 4 E isto porque, em verdade, o fato de o único fundamento da decisão ser a impossibilidade de aproveitamento de indébitos decorrentes de recolhimentos estimados, não permite concluir pela integridade da formação do crédito. A autoridade administrativa centrou sua decisão, exclusivamente, na possibilidade do pedido, e assim não analisou a efetiva existência do crédito. Superada esta questão, necessário se faz a apreciação do mérito pela autoridade administrativa competente, quanto aos demais requisitos para homologação da compensação. Cumpre registrar, inclusive, que, enquanto a contribuinte não for cientificada de uma nova decisão quanto ao mérito de sua compensação, os débitos compensados permanecem com a exigibilidade suspensa, por não se verificar decisão definitiva acerca de seus procedimentos. E, caso tal decisão não resulte na homologação total das compensações promovidas, develhe ser facultada nova manifestação de inconformidade, possibilitandolhe a discussão do mérito da compensação nas duas instâncias administrativas de julgamento. Por todo o exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário, para reconhecer a possibilidade de formação de indébitos em recolhimentos por estimativa, mas sem homologar a compensação por ausência de análise do mérito pela autoridade preparadora, com o conseqüente retorno dos autos à jurisdição da contribuinte, para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pretendido em compensação. (assinado digitalmente) Maria de Lourdes Ramirez – Relatora Fl. 100DF CARF MF Impresso em 02/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2013 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 18/04/ 2013 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 18/04/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES
score : 1.0
Numero do processo: 37284.001274/2006-91
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 17 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 2302-000.171
Decisão: RESOLVEM os membros da 3ª câmara / 2ª turma ordinária da segunda seção de julgamento, por unanimidade, em converter o julgamento em diligência nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado
Nome do relator: MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR
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Recorrida FAZENDA NACIONAL RESOLVEM os membros da 3ª câmara / 2ª turma ordinária da segunda seção de julgamento, por unanimidade, em converter o julgamento em diligência nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado MARCO ANDRÉ RAMOS VIEIRA Presidente MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros estando presentes MARCO ANDRÉ RAMOS VIEIRA (Presidente), LIEGE LACROIX THOMASI, ARLINDO DA COSTA E SILVA, MANOEL COELHO ARRUDA JÚNIOR E ADRIANA SATO. Fez sustentação oral: Fábio Augusto Chilo. OAB 221616 Fl. 226DF CARF MF Impresso em 20/08/2012 por LUZILMAR XIMENES MESQUITA MATOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/ 07/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por MARCO ANDRE RAMOS V IEIRA Processo nº 37284.001274/200691 Resolução n.º 2302171 S2C3T2 Fl. 2 2 Relatório Peço vênia para consignar ao este relatório o histórico apresentado pela Autoridade Julgadora de Primeira Instância [fls. 69/72]: Tratase de autodeinfração, consolidado em 20/12/2005, emitido contra a empresa em epígrafe, em razão de haver infringido o dispositivo previsto no parágrafo 5°, inciso IV, do artigo 32, da Lei 8.212/91. 2. Segundo o Relatório Fiscal da Infração, As fls. 13/15, o presente Al foi lavrado por ter sido constatado que a empresa apresentou Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social — GFIP, nas competências entre 01/1999 a 10/2004, com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. 3. Foi constatado que o contribuinte, na qualidade de pessoa jurídica, deixou de informar nas GFIP's o valor mensal da receita bruta proveniente da comercialização da produção rural própria (venda de bovinos), além do valor da comercialização de produtos adquiridos de produtores rurais — pessoas físicas (compra de milho), agora, na condição de subrogado das obrigações fiscais desses contribuintes (produtores). 4. Em decorrência da infração ao dispositivo legal acima enunciado, considerando a ausência de agravantes e atenuantes, foi aplicada a multa, no valor de R$ 127.978,42 (cento e vinte e sete mil novecentos e setenta e oito reais e quarenta e dois centavos), em conformidade com o artigo 284, incisos I e II, do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto 3.048/99 e artigo 32, inciso IV, parágrafo 5°, da Lei 8.212/91, com redação conferida pela Lei 9.528/97, observado o disposto nos artigos 92 e 102 da citada lei, com valores atualizado pela Portaria MPS n° 822, de 12/05/2005, conforme Relatório Fiscal da Aplicação da Multa, As fls. 15/17. 5. Inconformada, a notificada contestou o lançamento, tempestivamente, em 09/01/2006, sendo as seguintes as razões de defesa suscitadas contra o autodeinfração em epígrafe: 6. Preliminarmente, alega afronta ao disposto no art. 37, da Lei n° 8.212/91, ao entender que os fatos geradores das contribuições ora cobradas não foram discriminados de forma clara e precisa, o que dificultou a elaboração da defesa. Colaciona jurisprudência do Conselho de Contribuintes, além de doutrina abalizada. 7. Pugna pela "incapacidade dos agentes fiscais" alegando, primeiramente, que a fiscalização ocorreu em local indevido, por ter sido desenvolvida em Andradina SP, e não em laciara — GO, local de Fl. 227DF CARF MF Impresso em 20/08/2012 por LUZILMAR XIMENES MESQUITA MATOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/ 07/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por MARCO ANDRE RAMOS V IEIRA Processo nº 37284.001274/200691 Resolução n.º 2302171 S2C3T2 Fl. 3 3 sua sede, já que "6 na matriz que a empresa centraliza a sua documentação fiscal hábil a demonstrar a regularidade de seus procedimentos". 8. Acrescenta que "se a fiscalização tivesse ocorrido em laciara/Go, os fiscais autuantes teriam descoberto que a impugnante não exerce qualquer atividade agroindustrial, mesmo tendo a possibilidade de exercêla com base em seu contrato social". 9. Alega, ainda, que os fiscais não comprovaram estarem habilitados no Conselho Regional de Contabilidade — CRC, o que os desautorizaria a exercerem atividades privativas de contador, sob pena de violação ao Principio da Reserva Legal (art. 5°, inc. ll e XII, da CF/88) e 41) à legislação federal que regulamenta a profissão, restando caracterizado, se assim ocorrer, abuso de poder e o exercício ilegal de profissão. Entende que a "simples nomeação pelo Poder Público" não é suficiente para que o agente fiscal tenha capacidade técnica e legal para exercer tal função. Cita jurisprudência e doutrina neste sentido. 10. No mérito, alega que a exigência da contribuição denominada NOVO FUNRURAL está sendo questionada judicialmente e, como a obrigação acessória em tela está intimamente ligada ao recolhimento da contribuição, "caindo o principal, decai o acessório". 11. Alega que a Lei n.° 8.212/91, alterada pela Lei n.° 8.870/94, não se aplica ao presente caso, uma vez que a impugnante não é agroindústria, e que apenas se dedica criação de gado, embora seu objeto social prevê a possibilidade de serem desenvolvidas atividades de agroindústria no futuro. 12. Entende que, ainda que se tratasse de empresa agroindustrial, a Lei n° 8.870/94 não pode ser mais aplicada, tendo em vista a declaração de inconstitucionalidade do § 2° do art. 25 desta lei, no julgamento da ADIN n° 11031. Menciona, em síntese, ter ocorrido decadência do direito de o fisco lançar os créditos cujos fatos geradores ocorreram no período entre janeiro/1997 a dezembro/2000, devendo os mesmos serem extintos, com base no inc V, do art.156, art. 173 e § 4° e art. 150, todos do Código Tributário Nacional — CTN. 14. Argumenta ser inaplicável o art. 45, da Lei 8.212/91, que estipula o prazo decadencial de 10 (dez) anos, pois, consoante estabelecido no art. 146, inc. Ill, alínea "b", da CF/88, somente Lei Complementar poderia estabelecer normas gerais de direito tributário envolvendo a prescrição e decadência. Colaciona decisões do Conselho de Contribuintes e jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça. 15. Entende não haver sentido que a impugnante tenha a obrigação de financiar os empregados da pessoa física e que, se não o fizer, tenha que recolher a multa com base no seu próprio quadro de funcionários. Alega que, nos termos do § 4° do art. 32, da Lei 8.212/91, que não especifica de que segurados se trata, a multa deveria recair sobre a quantidade de funcionários do empregador pessoa física, que originariamente tem a obrigação de recolher. Fl. 228DF CARF MF Impresso em 20/08/2012 por LUZILMAR XIMENES MESQUITA MATOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/ 07/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por MARCO ANDRE RAMOS V IEIRA Processo nº 37284.001274/200691 Resolução n.º 2302171 S2C3T2 Fl. 4 4 16. Alega possuir a infração natureza continuada, cuja definição é extraída do Direito Penal. Entende, desta forma, que o fiscal não poderia ter aplicado a multa reiteradas vezes. Colaciona jurisprudência a respeito. 17. Insurgese contra a cobrança de juros com base na Taxa Selic alegando, em síntese, que a criação e a forma de apuração da referida taxa vêm ocorrendo através de atos administrativos (normas inferiores), em desrespeito ao principio da legalidade expressa, além de se demonstrar imprestável para fins tributários, por se tratar de taxa remuneratória de capital, que traz embutida a correção monetária, afrontando o disposto no art. 161, do CTN e art. 192, da CF/88, que prevêem que os juros devem ser de 1% (um por cento) ao mês. Ressalta a "incompatibilidade da atualização por meio da taxa Selic (que também contém juros) e ainda a incidência de juros sobre a referida atualização". 18. Alega a impossibilidade de se aplicar conjuntamente a taxa Selic e o juros de mora, por representar cobrança em duplicidade, sem respaldo em nossas Cortes. Aduz possuir a multa, no percentual de 25% (vinte e cinco) do valor do débito, caráter confiscatório, em razão do montante excessivo, o que está em dissonância com o sistema jurídico. Colaciona trecho de Parecer de representante do Ministério Público Federal do Estado do Paraná neste sentido. 19. Por fim, requer seja recebida a presente defesa, além de: a) que sejam atendidas as preliminares para declarar nulo de pleno direito o lançamento alcançado pela autuação; b) que seja julgado totalmente improcedente o Al pelos argumentos expostos; c) que, uma vez reconhecida a inconstitucionalidade da cobrança, seja anulado o auto, pois não há que se falar em informar na GFIP rubrica que não são devidas; d) seja reconhecida a decadência, como prejudicial de mérito, para afastar a exigência entre 1999 a 2000, inclusive; e) que, na eventualidade de subsistir a autuação, seja reduzida a multa para o mínimo legal permitido, excluindose a cumulação de valores, bem como seja a base de cálculo da multa apenas o número de funcionários do empregador pessoa física; f) que sejam acatados e julgados todos os pontos da presente defesa sob pena de omissão. Protesta pela juntada de todos os meios de prova admitidos em Direito. Foi prolatada DN n. 23.401.4/080/2006 [fls. 69/78] que julgou procedente a autuação. Intimado em 13/03/2006 [fl. 81], o Sujeito Passivo interpôs recurso voluntário [fls. 84/110] que, em síntese, reitera os argumentos disposto em defesa. É o relatório. Fl. 229DF CARF MF Impresso em 20/08/2012 por LUZILMAR XIMENES MESQUITA MATOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/ 07/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por MARCO ANDRE RAMOS V IEIRA Processo nº 37284.001274/200691 Resolução n.º 2302171 S2C3T2 Fl. 5 5 Voto Conselheiro Manoel Coelho Arruda Júnior Cumprido o requisito de admissibilidade frente à tempestividade conheço do recurso e passo ao seu exame. Preliminar Tratase de autodeinfração, consolidado em 20/12/2005, emitido contra a empresa em epígrafe, em razão de haver infringido o dispositivo previsto no parágrafo 5°, inciso IV, do artigo 32, da Lei 8.212/91. Segundo o Relatório Fiscal da Infração, As fls. 13/15, o presente Al foi lavrado por ter sido constatado que a empresa apresentou Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social — GFIP, nas competências entre 01/1999 a 10/2004, com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. Foi constatado que o contribuinte, na qualidade de pessoa jurídica, deixou de informar nas GFIP's o valor mensal da receita bruta proveniente da comercialização da produção rural própria (venda de bovinos), além do valor da comercialização de produtos adquiridos de produtores rurais — pessoas físicas (compra de milho), agora, na condição de subrogado das obrigações fiscais desses contribuintes (produtores). Nesse sentido, entendo que deva ser o julgamento convertido em diligência para verificar se já houve julgamento do lançamento que trata da remuneração referente ao valor mensal da receita bruta proveniente da comercialização da produção rural própria (venda de bovinos), além do valor da comercialização de produtos adquiridos de produtores rurais — pessoas físicas (compra de milho), agora, na condição de subrogado das obrigações fiscais desses contribuintes (produtores). CONCLUSÃO Voto pela conversão em diligência, devendo a Receita Federal informar se já houve julgamento do(s) processo(s) que tratam das remunerações dos ao valor mensal da receita bruta proveniente da comercialização da produção rural própria (venda de bovinos), além do valor da comercialização de produtos adquiridos de produtores rurais — pessoas físicas (compra de milho), agora, na condição de subrogado das obrigações fiscais desses contribuintes (produtores). É como voto. Manoel Coelho Arruda Júnior –Conselheiro Relator Fl. 230DF CARF MF Impresso em 20/08/2012 por LUZILMAR XIMENES MESQUITA MATOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/ 07/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por MARCO ANDRE RAMOS V IEIRA
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Numero do processo: 10830.004077/2007-14
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 14 00:00:00 UTC 2012
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Período de apuração: 01/06/1999 a 31/01/2006
ALTERAÇÃO DA LEGISLAÇÃO. MULTA MAIS BENÉFICA. APLICAÇÃO DA NORMA SUPERVENIENTE.
Tendo havido alteração na legislação que instituiu sistemática de cálculo da penalidade por descumprimento de obrigação acessória, deve-se aplicar a norma superveniente aos processos pendentes de julgamento, se mais benéfica ao sujeito passivo.
INCORREÇÕES NA GFIP QUE NÃO IMPLICAM EM LANÇAMENTO DA OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. APLICAÇÃO DA NORMA MAIS BENÉFICA. IMPOSIÇÃO DE PENALIDADE ÚNICA.
Tendo-se em conta que a legislação atual prevê lavratura única para as falhas relativas a GFIP que não impliquem em lançamento de ofício, deve subsistir apenas uma das lavraturas efetuadas com base na legislação anterior, que previa autuações distintas a depender da natureza das falhas verificadas.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2401-002.572
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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MULTA MAIS BENÉFICA. APLICAÇÃO DA NORMA SUPERVENIENTE. Tendo havido alteração na legislação que instituiu sistemática de cálculo da penalidade por descumprimento de obrigação acessória, devese aplicar a norma superveniente aos processos pendentes de julgamento, se mais benéfica ao sujeito passivo. INCORREÇÕES NA GFIP QUE NÃO IMPLICAM EM LANÇAMENTO DA OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. APLICAÇÃO DA NORMA MAIS BENÉFICA. IMPOSIÇÃO DE PENALIDADE ÚNICA. Tendose em conta que a legislação atual prevê lavratura única para as falhas relativas a GFIP que não impliquem em lançamento de ofício, deve subsistir apenas uma das lavraturas efetuadas com base na legislação anterior, que previa autuações distintas a depender da natureza das falhas verificadas. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. Elias Sampaio Freire Presidente Kleber Ferreira de Araújo Relator Fl. 70DF CARF MF Impresso em 21/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/08 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 21/08/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 71DF CARF MF Impresso em 21/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/08 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 21/08/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10830.004077/200714 Acórdão n.º 2401002.572 S2C4T1 Fl. 71 3 Relatório Tratase do Auto de Infração – AI n.º 35.957.6150, lavrado para aplicação de multa decorrente do descumprimento da obrigação acessória de declarar a Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social GFIP em conformidade com o respectivo Manual de Orientação. De acordo com o Relatório Fiscal da Infração, fl. 14, a autuada registrou na GFIP informações incorretas, acarretando em cálculo a maior das contribuições devidas. O Relatório de Aplicação da Multa, fl. 15, apresenta a fundamentação legal que sustentou a aplicação da penalidade e os critérios fixados para a sua gradação. Foi acostada planilha, fls. 16/18, na qual são discriminadas, por competência, as falhas verificadas pela Auditoria. Apresentada a impugnação, a Delegacia da Receita Previdenciária em Campinas (SP) declarou procedente a autuação, mantendo integralmente a multa, ver fls. 30/33. Irresignado, o sujeito passivo interpôs recurso, fls. 39/46, no qual, em apertada síntese, alegou que: a) todos os fatos que deram ensejo ao AI foram suficientemente rebatidos nas NFLD que guardam relação com o mesmo; b) embora nos relatórios fiscais conste que foram examinados os Livros Diário de n.ºs 12, 13 e 14, no Termo de Encerramento da Ação Fiscal há a menção à análise apenas no Livro de n.º 14. Esse fato representa incoerência gritante; c) o fisco deixou de examinar documentos essenciais ao desenvolvimento do trabalho de fiscalização, por isso, todo o procedimento deve ser anulado; d) para comprovar citas as requisições documentais feitas mediante os Termos de Intimação para a Apresentação de Documentos – TIAD, lavrados em 24/10/2006 e 07/11/2006, nos quais foram solicitados documentos de períodos não incluídos na ação fiscal; e) não foi levado em conta pelo fisco o disposto na Lei n.º 10.666/2003, que prevê a possibilidade de redução em 50% na alíquota RAT, nos casos em que o índice de ocorrência de acidentes na empresa é inferior à média de sua atividade econômica; f) de acordo com decisão do STJ, que menciona, o grau de risco da atividade deveria ser verificado de acordo com a atividade preponderante em cada CNPJ da empresa; g) deveria ter sido aplicada, para definição da alíquota RAT, o Fator Acidentário Previdenciário, instituído pela Resolução n.º 1.236, de 28/04/2004, esta exarada pelo Conselho Nacional de Previdência Social; Fl. 72DF CARF MF Impresso em 21/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/08 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 21/08/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 h) insiste em afirmar que o fisco deixou de apreciar os documentos que poderiam comprovar a ocorrência da infração, fato que leva a nulidade de todo o procedimento; i) para comprovar o alegado, requer a juntada de documentos a posteriori. Ao final, requesta pela nulificação de todos os processos decorrentes da ação fiscal sob enfoque. É o relatório. Fl. 73DF CARF MF Impresso em 21/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/08 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 21/08/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10830.004077/200714 Acórdão n.º 2401002.572 S2C4T1 Fl. 72 5 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Relator Admissibilidade O recurso merece conhecimento, posto que preenche os requisitos de tempestividade e legitimidade. Alteração na legislação – aplicação da norma superveniente Tendose em conta a alteração da legislação na parte que cuida da aplicação de multa decorrente de infrações relacionadas à GFIP, é de se fazer uma retrospectiva dos dispositivos legais que tratam da questão. Observase que com o advento da Medida Provisória MP n.º 449/2008, convertida na Lei n.º 11.941/2009, houve profunda alteração no cálculo das multas decorrentes de descumprimento das obrigações principais e acessórias relacionadas às contribuições previdenciárias. Na sistemática anterior, a infração de omitir fatos geradores em GFIP era punida com a multa correspondente a cem por cento da contribuição não declarada, ficando a penalidade limita a um teto calculado em função do número de segurados da empresa. Havia ainda as punições cumulativas por a) apresentar a guia com erros em campos não relacionados aos fatos geradores de contribuições sociais; b) preparar a declaração em desconformidade com o Manual de Orientações e c) não apresentar GFIP distintas por estabelecimento ou obra de construção civil do tomador de serviços. Com a nova legislação, há duas sistemáticas de aplicação da multa. Inexistindo o lançamento das contribuições, aplicase apenas a multa de ofício prevista no art. 32A da Lei n. 8.212/1991, que é calculada a partir de um valor fixo para cada grupo de 10 informações incorretas ou omitidas, nos seguintes termos: Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitar seá às seguintes multas:(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e (...) Todavia pelo art. 35A da mesma Lei, também introduzido pela Lei n.º 11.941/2009, ocorrendo o lançamento da obrigação principal, a penalidade decorrente do erro ou omissão na GFIP fica incluída na multa constante no crédito constituído. Deixa, assim, de haver cumulação de multa punitiva (descumprimento de obrigação acessória) e multa incidente sobre o tributo devido, condensandose ambas em valor único. Fl. 74DF CARF MF Impresso em 21/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/08 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 21/08/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 Considerandose que no AI que ora se julga, o erro apontado não gerou contribuições a recolher, pelo contrário, o valor das contribuições foi declarado a maior, aplica se atualmente ao caso a norma do art. 32A, I, da Lei n.º 8.212/1991. Ressaltese que na mesma ação fiscal, dois outros AI foram lavrados sem que também motivassem lançamento de obrigação principal, quais sejam: a) AI n.º 35.957.6133 – erros em campos não relacionados aos fatos geradores de contribuições previdenciárias; b) AI n.º 35.957.6141 – apresentação da GFIP única para diversos tomadores de serviço. De acordo com o art. 32A, I, da Lei n.º 8.212/1991 caberia apenas um AI englobando as três situações, ou seja, todas as condutas seriam consideradas como incorreções/omissões, verificandose o número de campos com falhas para definir o valor da penalidade. Tendose em conta que foi mantida parcialmente a multa para o AI n.º 35.957.6133, devese, em homenagem ao disposto no art. 106, II, “c”, do CTN cancelar a multa do presente AI e daquele de n.º 35.957.6141, posto que, conforme vimos, hodiernamente a legislação manda que se lavre apenas uma autuação, condensandose numa mesma lavratura todas as falhas que não acarretem lançamento de ofício de contribuições. Para aplicação da multa menos gravosa, devese manter apenas uma das três lavraturas, justificandose, na espécie, a manutenção do AI n.º 35.957.6133, pelo fato da multa no mesmo ter sido aplicada por competência, favorecendo a comparação com a sistemática atual, que também fundase na imposição de penalidade por competência. Observese que no presente AI, bem como no de n.º 35.957.6141, a penalidade é um valor fixo, que independe da quantidade de erros. Justificase assim o cancelamento da multa imposta no presente AI. Conclusão Diante do exposto, voto por dar provimento ao recurso. Kleber Ferreira de Araújo Fl. 75DF CARF MF Impresso em 21/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/08 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 21/08/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
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Numero do processo: 16327.000628/2009-17
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 05 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Apr 22 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2005, 2006
DESPESAS OPERACIONAIS. DEDUTIBILIDADE. NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA.
A dedução de despesas operacionais na apuração do Lucro Real fica condicionada à estrita observância das normas estipuladas pela legislação tributária, motivo pelo qual devem ser glosadas despesas determinadas por intermédio de critérios de apuração livremente definidos pelo sujeito passivo e divergentes daqueles definidos em lei.
DESPESAS. DEDUTIBILIDADE. PROVA
Uma vez provado erro da fiscalização ao não considerar por coerência os valores positivos obtidos em determinados meses para efeito de abater a glosa, uma vez que a operação deve ser desconsiderada em seu todo e, não apenas glosando os prejuízos transferidos de uma empresa para outra, na apuração da despesa indedutível. Da mesma forma, o lançamento deve ser cancelado na parte em que a Recorrente prova que cometera erro elaboração de relatórios gerenciais que foram base para autuação.
JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. CABIMENTO.
É cabível a aplicação de juros de mora sobre multa de ofício, pois a teor do art. 161 do Código Tributário Nacional sobre o crédito tributário não pago correm juros de mora, como a multa de ofício também constitui o crédito tributário sobre ela também necessariamente incide os juros de mora na medida em que também não é paga no vencimento.
CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO. DECORRÊNCIA. CSLL.
Tratando-se de tributação reflexa de irregularidade descrita e analisada no lançamento de IRPJ, constante do mesmo processo, e dada à relação de causa e efeito, aplica-se o mesmo entendimento à exigência de CSLL.
Numero da decisão: 1401-000.938
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos,
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, pelo voto de qualidade, EM DAR provimento PARCIAL ao recurso para considerar as glosas no valor de R$10.213.375,21 para o ano-calendário de 2005 e de R$8.378.034,34 para o ano-calendário de 2006. Vencidos os Conselheiros Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Maurício Pereira Faro e Karem Jureidini Dias que davam provimento integral ao recurso. Por maioria de votos, NEGARAM provimento em relação aos juros de mora sobre a multa de oficio. Vencidos os Conselheiros Maurício Pereira Faro e Karem Jureidini Dias..
(assinado digitalmente)
Jorge Celso Freire da Silva Presidente
(assinado digitalmente)
Antonio Bezerra Neto Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto, Alexandre Antônio Alkmim Teixeira, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Maurício Pereira Faro, Karem Jureidini Dias e Jorge Celso Freire da Silva.
Nome do relator: ANTONIO BEZERRA NETO
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CRÉDITO FINANCIAMENTO E INVESTIMENTO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005, 2006 DESPESAS OPERACIONAIS. DEDUTIBILIDADE. NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. A dedução de despesas operacionais na apuração do Lucro Real fica condicionada à estrita observância das normas estipuladas pela legislação tributária, motivo pelo qual devem ser glosadas despesas determinadas por intermédio de critérios de apuração livremente definidos pelo sujeito passivo e divergentes daqueles definidos em lei. DESPESAS. DEDUTIBILIDADE. PROVA Uma vez provado erro da fiscalização ao não considerar por coerência os valores positivos obtidos em determinados meses para efeito de abater a glosa, uma vez que a operação deve ser desconsiderada em seu todo e, não apenas glosando os prejuízos transferidos de uma empresa para outra, na apuração da despesa indedutível. Da mesma forma, o lançamento deve ser cancelado na parte em que a Recorrente prova que cometera erro elaboração de relatórios gerenciais que foram base para autuação. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. CABIMENTO. É cabível a aplicação de juros de mora sobre multa de ofício, pois a teor do art. 161 do Código Tributário Nacional sobre o crédito tributário não pago correm juros de mora, como a multa de ofício também constitui o crédito tributário sobre ela também necessariamente incide os juros de mora na medida em que também não é paga no vencimento. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO. DECORRÊNCIA. CSLL. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 06 28 /2 00 9- 17 Fl. 426DF CARF MF Impresso em 22/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 17/04/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16327.000628/200917 Acórdão n.º 1401000.938 S1C4T1 Fl. 425 2 Tratandose de tributação reflexa de irregularidade descrita e analisada no lançamento de IRPJ, constante do mesmo processo, e dada à relação de causa e efeito, aplicase o mesmo entendimento à exigência de CSLL. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, pelo voto de qualidade, EM DAR provimento PARCIAL ao recurso para considerar as glosas no valor de R$10.213.375,21 para o anocalendário de 2005 e de R$8.378.034,34 para o anocalendário de 2006. Vencidos os Conselheiros Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Maurício Pereira Faro e Karem Jureidini Dias que davam provimento integral ao recurso. Por maioria de votos, NEGARAM provimento em relação aos juros de mora sobre a multa de oficio. Vencidos os Conselheiros Maurício Pereira Faro e Karem Jureidini Dias.. (assinado digitalmente) Jorge Celso Freire da Silva – Presidente (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto, Alexandre Antônio Alkmim Teixeira, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Maurício Pereira Faro, Karem Jureidini Dias e Jorge Celso Freire da Silva. Fl. 427DF CARF MF Impresso em 22/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 17/04/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16327.000628/200917 Acórdão n.º 1401000.938 S1C4T1 Fl. 426 3 Relatório Tratase de recurso voluntário contra Acórdão da 10ª Turma da Delegacia da Receita Federal de São Paulo ISP. Adoto e transcrevo o relatório constante na decisão de primeira instância, compondo em parte este relatório: DA AUTUAÇÃO Conforme o Termo de Verificação Fiscal de fls.121/125, em fiscalização empreendida junto à empresa acima identificada, o autuante verificou em síntese que: 1. Há divergência entre o valor adicionado ao lucro líquido na DIP J/2007, R$2.652.280,45 (fls.47), e o total de tributos declarados com exigibilidade suspensa na DCTF, no total de R$3.217.923,59. Essa divergência ocorreu porque a contribuinte não adicionou ao lucro líquido valores referentes a PIS e COFINS, com exigibilidade suspensa, no mês de dezembro de 2006, nos valores de R$79.068,40 e R$486.574,77, respectivamente (fls.43/44 e 46). 2. A contribuinte atuada, enquanto ainda possuía a antiga denominação de PLATY PARTICIPAÇÕES, recebeu a outorga do direito de ofertar, com exclusividade, produtos e serviços financeiros aos clientes da empresa LOJAS AMERICANAS S/A. 2.1. Em junho de 2005, a PLATY PARTICIPAÇÕES não possuía autorização do BANCO CENTRAL DO BRASIL (BACEN) para ofertar esses serviços, de modo que celebrou contrato de Permissão de Uso do Direito de Lavra com o BANCO ITAUCRED, CNPJ 59.461.152/000134, firmado em 16/06/2005 (fls.51/56), que tinha como principais características: 2.1.1. A PLATY PARTICIPAÇÕES autorizava o BANCO ITAUCRED a ofertar, distribuir e comercializar empréstimo pessoal com cheques aos clientes, durante o prazo compreendido entre 16/06/2005 e a data em que o BANCO ITAUCRED viesse a ser informado sobre a obtenção, pela PLATY PARTICIPAÇÕES, de autorização do BACEN para operar como instituição financeira. 2.1.2. O resultado das operações relativas à oferta, distribuição e comercialização de empréstimo pessoal com cheque pelo BANCO ITAUCRED era apurado mensalmente. Caso fosse apurado lucro, o BANCO ITAUCRED repassaria à PLATY PARTICIPAÇÕES tal lucro. Caso fosse apurado prejuízo, a PLATY PARTICIPAÇÕES ressarciria o BANCO ITAUCRED. 3. Esse contrato permitiu ao BANCO ITAUCRED conceder crédito a clientes da empresa LOJAS AMERICANAS S/A. Dessa forma, o BANCO ITAUCRED conduziu suas atividades operacionais e assumiu o risco da concessão de crédito. Fl. 428DF CARF MF Impresso em 22/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 17/04/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16327.000628/200917 Acórdão n.º 1401000.938 S1C4T1 Fl. 427 4 4. Por sua vez, a contribuinte autuada reconheceu o resultado líquido das operações do BANCO ITAUCRED com clientes da empresa LOJAS AMERICANAS S/A, entre lucros, e prejuízos como despesa operacional. 5. Conforme o exposto, as perdas incorridas pelo BANCO ITAUCRED, na condução de seus negócios com clientes da empresa LOJAS AMERICANAS S/A, foram ressarcidas pela contribuinte autuada. Sendo assim, o ressarcimento contratual de prejuízos, em que o BANCO ITAUCRED incorreu, não pode ser considerado como despesa necessária à atividade da contribuinte autuada e nem é dedutível para fins fiscais. 6. Examinando os artigos 249, 251, 264, 299, §§1° e 2O, e 300, do RIR/99, verificase que as despesas operacionais são aquelas não computadas nos custos, necessárias à atividade da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora. No mesmo sentido é o Parecer Normativo COSIT n° 32/1981. 7. Desta forma, somente poderá ser considerada como operacional e dedutível, para fins de IRPJ e da CSLL, a despesa para a qual for demonstrada a estrita conexão do gasto com a atividade explorada, bem como é condição essencial que esteja revestida de caráter de necessidade, de normalidade e de usualidade no tipo de operações desenvolvidas pela empresa. 8. Tais requisitos devem inclusive ser observados nos contratos denominados atípicos, como é o caso do contrato firmado entre a contribuinte autuada e o BANCO ITAUCRED. 9. O BANCO ITAUCRED auferiu resultados negativos na sua atividade operacional e, nesse caso, temse um contrato temporário e atípico que estabeleceu que a contribuinte autuada teria direito a resultados positivos auferidos pelo BANCO ITAUCRED e a obrigação de reembolsar perdas do BANCO ITAUCRED. Essas perdas auferidas pelo BANCO ITAUCRED não fizeram parte do desenvolvimento das atividades da contribuinte autuada, mas sim das atividades do próprio BANCO ITAUCRED. 10. Portanto, em razão do disposto na legislação fiscal, concluise que o ressarcimentos praticados pela contribuinte autuada, por não se enquadrarem nos conceitos de despesas necessárias, normais e usuais, não podem ser consideradas como dedutíveis na apuração do Lucro Real e da base de cálculo da CSLL. 11. As matérias tributáveis na presente ação fiscal foram: 11.1. Adição ao lucro líquido de 2006 dos valores referentes a PIS e COFINS, com exigibilidade suspensa, no mês de dezembro de 2006, de R$79.068,40 e R$486.574,77, respectivamente. 11.2. Adições (i) ao lucro líquido de 2005 de R$12.515.000,00 e (ii) ao lucro líquido de 2006 de R$10.548.865,71, a título de ressarcimento ao BANCO ITAUCRED de prejuízos auferidos em suas operações de crédito. Em decorrência das constatações feitas pela fiscalização, em 01/07/2009 foram lavrados Autos de Infração de IRPJ (fls.132/138) e CSLL (fls.139/146), com os valores a seguir discriminados: Demonstrativo do IRPJ Fl. 429DF CARF MF Impresso em 22/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 17/04/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16327.000628/200917 Acórdão n.º 1401000.938 S1C4T1 Fl. 428 5 Crédito Tributário Enquadramento Legal Valor em RS Imposto Arts. 247, 249, I, 250, III, 251 e parágrafo único, 299, 300, 344, §1°, 509 e 510, do RIR/99; art. 41, § 1°, da Lei n° 8.981/95. 3.612.573, 52 Juros de Mora (até 29/05/2009) Art.6, §2°, da Lei n° 9.430/96. 956.609,4 6 Multa de Ofício Art.44,1, da Lei n° 9.430/96. 2.709.430,1 3 TOTAL 7.278.613, 11 Demonstrativo da CSLL Crédito Tributário Enquadramento Legal Valor em RS Contribuição Art.2° e §§, da Lei n° 7.689/88; art.l 0, da Lei n° 9.316/96; art.28, da Lei n° 9.430/96; art.37, da Lei n° 10.637/02; art.273, do RIR/99; art.58, da Lei n° 8.981/95 e art. 16, da Lei n° 9.065/95. 1.227.153, 98 Juros de Mora (até 29/05/2009) Art.28 c/c 6o, §2°, da Lei n° 9.430/96. 324.950,3 7 Multa de Ofício Art.44,1, da Lei n° 9.430/96. 920.365,4 8 TOTAL 2.472.469, 83 DA IMPUGNAÇÃO A autuada apresentou a impugnação de fls.153/170, protocolizada em 31/07/2009 e acompanhada dos documentos de fls. 171/282, expondo, em síntese, que: 1. A Fiscalização adicionou ao lucro líquido de 2006 os valores referentes ao PIS e a COFINS com exigibilidade suspensa, sob o fundamento de inobservância doart §1°, da Lei n° 8.981/95. 1, 1.1. Com relação à adição efetuada na base de cálculo do IRPJ, a impugnante concorda com tal procedimento, motivo pelo qual efetuou o recolhimento do DARF de fls. 178. 2. Notese, contudo, que o art.41, §1°, da Lei n° 8.981/95, ao estabelecer a indedutibilidade dos tributos subjudice para o IRPJ, não o fez para a CSLL. 2.1. A Fiscalização afrontou o princípio da legalidade, previsto no art.150, da CF, e no art.97, do CTN, ao impor o recolhimento da CSLL sem a dedução dos tributos e contribuições com exigibilidade suspensa, uma vez que não há previsão legal para tanto. 3. As operações de empréstimos pessoais com cheque realizadas com clientes da empresa LOJAS AMERICANAS S/A eram de exclusividade da impugnante e, portanto, não poderiam ser confundidas com as atividades próprias do BANCO ITAUCRED. Por essa razão, o BANCO ITAUCRED era remunerado pela impugnante. 3.1. A comprovação de que as despesas devem ser reconhecidas na impugnante ocorre porque os resultados dessas operações eram transferidos para a Fl. 430DF CARF MF Impresso em 22/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 17/04/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16327.000628/200917 Acórdão n.º 1401000.938 S1C4T1 Fl. 429 6 impugnante. A dedutibilidade dessa despesa para a impugnante se coloca na mesma medida em que o resultado positivo seria receita tributável para ela. 4. Não procede o entendimento de que o BANCO ITAUCRED assumiu o risco da concessão de crédito, pois a provisão de créditos de liquidação duvidosa era subtraída do resultado das operações, conforme o resumo da planilha de fls. 160/161. 4.1. Por força contratual, o BANCO ITAUCRED atuava apenas como intermediário, recebendo uma compensação por isso, sem qualquer variabilidade de resultados. Os riscos eram da impugnante, que recebia os lucros ou pagava os prejuízos da exploração da base de clientes. 5. O interesse social da impugnante é a exploração da base de clientes da empresa LOJAS AMERICANAS S/A, sendo essa sua atividade operacional. Sendo assim, as despesas ou receitas recebidas do BANCO ITAUCRED são operacionais para a impugnante e representam a razão de sua existência empresarial. 6. Durante o período em que atuou como intermediário para a impugnante, o BANCO ITAUCRED prestou contas à impugnante e, consequentemente, também à empresa LOJAS AMERICANAS S/A, sobre os resultados da parceria e da venda de produtos da base de clientes explorada, os quais foram objeto de auditoria externa (fls.239/248). Portanto, o valor da despesa reconhecida e deduzida pela impugnante em 2005 e 2006 se mostra normal e usual. 7. Em dezembro de 2005, a impugnante e o BANCO ITAUCRED divergiram sobre os resultados das operações em questão: enquanto a impugnante totalizou R$7.860.680,00 (fls.236/237), o BANCO ITAUCRED entendeu que o prejuízo era de R$12.515.000,00 (valor este constante do DRE de 2005 e considerado pela Fiscalização para glosa do prejuízo). 7.1. Diante dessa divergência, a diferença entre tais valores foi provisionada pela impugnante (fls.238), e os procedimentos de cálculo foram submetidos à auditoria externa, cuja conclusão apontou um prejuízo da parceria de R$10.213.375,21 (fls.239/248). Logo, é equivocada a glosa de R$12.515.000,00 efetuada pela Fiscalização para o anocalendário de 2005. 7.2. O confronto entre a composição de efeitos do laudo da auditoria externa e a autuação fiscal é apresentado por meio da planilha de fls.165, que também faz menção aos seguintes documentos: (i) prejuízo apurado em junho/2006 (repasse do resultado auferido em maio/2006 fls.249/253); (ii) reajuste das diferenças apontadas no primeiro quadrimestre de 2006 (fls.254/255); e (iii) resultado final computado para o mês de junho de 2006 (fls.256/263). 8. Com relação ao anocalendário de 2006, a Fiscalização não considerou (i) o resultado negativo em junho (acerto de maio/2006, no valor de prejuízo de R$1.537.390,22, acrescido de correção de R$18.990,08 fls.249/253) e (ii) os resultados positivos da parceira ocorridos em (ii.l) julho/2006 (acerto referente a junho, que totalizou um lucro corrigido de R$2.691.704,77, a ser pago à impugnante pelo BANCO ITAUCRED fls.264/268) e (ii.2) agosto/2006 (acerto referente a julho, que totalizou um lucro corrigido de R$1.061.760,541, a ser pago à impugnante pelo BANCO ITAUCRED fls.269/273), que foram computados em contas contábeis de receita e, portanto, sujeitos à tributação. Fl. 431DF CARF MF Impresso em 22/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 17/04/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16327.000628/200917 Acórdão n.º 1401000.938 S1C4T1 Fl. 430 7 8.1. Assim, conforme a planilha de fls.274/276, ao invés do valor de R$10.548.865,71, deveria ser considerado o valor de R$8.378.034,34, para o ano calendário de 2006. 8.2. Após esse período, a impugnante já estava apta a operar e houve a aquisição da carteira do BANCO ITAUCRED (fis.277/282) e rescisão do contrato de permissão de uso do direito de lavra. 9. Nos termos do §3°, do art.61, da Lei n° 9.430/96, os juros de mora incidem somente sobre os tributos, afastandose sua aplicação sobre a multa de mora. Se, sobre a multa de mora não são aplicáveis juros moratórios, não cabe aplicar tais juros sobre a multa de ofício, o que é confirmado pelos art.164, e art.161, §1°, do CTN. É o relatório. . A DRJ MANTEVE o lançamento, nos termos da ementa abaixo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005, 2006 DESPESAS OPERACIONAIS. DEDUTIBILIDADE. NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. A dedução de despesas operacionais na apuração do Lucro Real fica condicionada à estrita observância das normas estipuladas pela legislação tributária, motivo pelo qual devem ser glosadas despesas determinadas por intermédio de critérios de apuração livremente definidos pelo sujeito passivo e divergentes daqueles definidos em lei. DESPESAS OPERACIONAIS. ÔNUS DA PROVA. ALEGAÇÕES DESACOMPANHADAS DE COMPROVAÇÃO DOCUMENTAL. Cabe ao impugnante trazer juntamente com suas alegações impugnatórias todos os documentos que dêem a elas força probante. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2006 CSLL. TRIBUTOS E CONTRIBUIÇÕES COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA. PROVISÕES NÃO DEDUTÍVEIS. Os tributos e contribuições cuja exigibilidade estiver suspensa por decisão judicial não podem ser deduzidos na apuração da base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, haja vista a expressa vedação legal determinada pelo §1°, do art.41, c/c art.57, ambos da Lei n° 8.981/95. Irresignada com a decisão de primeira instância, a interessada interpôs recurso voluntário a este CARF, repisando os tópicos trazidos anteriormente na impugnação e aduzindo em complemento: Fl. 432DF CARF MF Impresso em 22/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 17/04/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16327.000628/200917 Acórdão n.º 1401000.938 S1C4T1 Fl. 431 8 Apesar de operacionalmente as atividades de operação dos empréstimos pessoais com cheque não ocorrerem efetivamente com a Recorrente por determinado período, tal atividade sempre foi exclusiva dela. Por isso foi necessário o Acordo de Associação prever expressamente a possibilidade de a Recorrente ceder o uso do seu direito de lavra para uma das empresas afiliadas da Itaú Holding durante o período em que estava impossibilitada de operar. Aduz que foi necessária a criação de uma contabilidade gerencial no Banco Itaucred, com o objetivo de fazer cumprir o acordo de Associação, já que as operações de empréstimos pessoais com cheque realizadas com clientes da LASA eram de exclusividade da Recorrente e, portanto, não poderiam ser confundidas com as atividades próprias do Banco Itaucred. Por essa razão, devese ressaltar que o Banco Itaucred era remunerado. Essa contabilidade gerencial no Banco Itaucred não pode ser tratada, tal como o foi indevidamente pela decisão recorrida, como uma "contabilidade paralela" criada pela Recorrente, à margem das determinações legais. Tal procedimento foi necessário para não confundir as operações de empréstimos realizadas com clientes da LASA (de exclusividade da Recorrente), com as atividades próprias do Banco Itaucred. Não procede também a alegação da fiscalização, confirmada pela DRJ/SP, de que o Banco Itaucred foi quem assumiu o risco da concessão do crédito. Isso porque, por força dos contratos ora em comento (vide cláusula 4.2.2 do Acordo de Associação), o Banco Itaucred atuava apenas como intermediário recebendo uma compensação por isso, sem qualquer variabilidade de resultados. Todos os riscos sempre foram da Recorrente, que recebia os lucros ou pagava os prejuízos. Dessa forma, o risco do crédito era sempre transferido para a Recorrente, na medida em que impactava no resultado mensal das operações. É o relatório. Fl. 433DF CARF MF Impresso em 22/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 17/04/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16327.000628/200917 Acórdão n.º 1401000.938 S1C4T1 Fl. 432 9 Voto Conselheiro Antonio Bezerra Neto, Relator O recurso preenche os requisitos de admissibilidade. Delimitação da lide Em relação à adição efetuada na base de cálculo do IRPJ, dos tributos com exigibilidade suspensa, a Recorrente, desde a fase impugnatória concordou com tal exação, não fazendo, portanto, parte da lide. No tocante à adição na base de cálculo da CSLL, dos tributos também com exigibilidade suspensa, embora tenha se defendido na fase impugnatória, terminou concordando com a exação em fase recursal, abrindo mão dessa discussão e optando por quitar essa parcela com os benefícios concedidos pela Lei n° 11.941/09. Porém, conforme despacho juntado pela DRF o DARF quitado não é suficiente para fazer face à exação, de toda sorte, a matéria não faz mais parte da lide, restando o crédito tributário também consolidado na esfera administrativa, cabendo à autoridade executora apenas imputar a esse crédito a quantia já paga. Despesas operacionais necessárias Desta forma, a matéria que ainda remanesce em discussão nestes autos, restringese às adições efetuadas pela autoridade fiscal (T) ao lucro liquido de 2005 de R$ 12.515.000.00 e ao lucro liquido de 2006 de R$ 10.548.865,71. a título de ressarcimento do Banco Itaucred à Recorrente, de prejuízos obtidos em suas operações de crédito. No caso a fiscalização considerou tais reembolsos com despesas desnecessárias à atividade da Recorrente. O ponto teórico relevante então a ser discutido no caso concreto passa pelo estudo do conceito de despesa necessária dado pela legislação tributária de forma a se poder considerar uma despesa dedutível ou não. Como se sabe, a norma é a dedutibilidade das despesas necessárias, e não as meramente volitivas, conforme regra encartada no RIR/99: “Art. 299. São operacionais as despesas não computadas nos custos, necessárias à atividade da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora (Lei nº 4.506, de 1964, art. 47). § 1º São necessárias as despesas pagas ou incorridas para a realização das transações ou operações exigidas pela atividade da empresa (Lei nº 4.506, de 1964, art. 47, § 1º). § 2º As despesas operacionais admitidas são as usuais ou normais no tipo de transações, operações ou atividades da empresa (Lei nº 4.506, de 1964, art. 47, § 2º.)” (Grifei). Fl. 434DF CARF MF Impresso em 22/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 17/04/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16327.000628/200917 Acórdão n.º 1401000.938 S1C4T1 Fl. 433 10 O primeiro ponto a ser analisado é a questão da necessidade, usualidade ou normalidade da referida despesa. Essa regra é a que mais oferece dificuldade na análise em virtude da vagueza e subjetividade desses conceitos. Na verdade, o que a legislação tenta perseguir através desses conceitos é uma referência à idéia do que seja “mera liberalidade”, em que não haveria a correlação correspondente, direta ou indiretamente, entre gastos despendidos/receita correlata auferida. Como se vê, não obstante ser a existência real da despesa, condição necessária para a sua dedutibilidade, ela não é suficiente. Há que se comprovar também a sua necessidade diante da atividade desenvolvida pela empresa. É que despesas assumidas, pagas ou incorridas por mera liberalidade não são aceitas pela legislação fiscal ou são aceitas dentro de determinados limites. Caso concreto O Banco Itaú Holding Financeira S.A (Itaú Holding) e as Lojas Americanas S.A (LASA) celebraram, em 27 de abril de 2005, um acordo de associação, por meio do qual se comprometeram a formar uma associação para oferta, distribuição e comercialização, com exclusividade de produtos e serviços financeiros aos clientes da LASA Com o objetivo de implementar a associação, o Itaú Holding, por meio de sua afiliada Banco Itaú S.A., e a LASA passaram a participar da empresa Vitória Participações S.A., detendo a totalidade das ações representativas de seu capital social em igual proporção. A Vitória Participações passou a ser acionista controladora da empresa FAI (Recorrente, anteriormente denominada Platy Participações S.A.), que depois de obter autorização do Banco Central para operar como instituição financeira, passou a ser o veículo operacional da associação gerindo os produtos e serviços financeiros aos clientes da LASA. A Recorrente, enquanto ainda possuía a antiga denominação de Platy Participações, recebeu a outorga do direito de ofertar, com exclusividade, produtos e serviços financeiros aos clientes da empresa LASA (Lojas Americanas), pois não possuía autorização do Bacen para ofertálos. Assim, celebrou contrato de Permissão de Uso do Direito de Lavra com o Banco Itaucred. O contrato previa o repasse para a Recorrente de lucros ou prejuízos, conforme fosse o caso, como se ela mesmo estivesse gerindo as operações. Segundo a Recorrente, por força contratual, o Banco Itaucred atuava apenas como intermediário, recebendo uma compensação por isso, sem qualquer variabilidade de resultados. Os riscos eram da Recorrente, que recebia os lucros ou pagava os prejuízos da exploração da base de clientes. Sendo assim, as despesas ou receitas recebidas do Banco Itaucred são operacionais para a Recorrente e representam a razão de sua existência empresarial. Como se vê, a premissa básica a partir do qual toda a operação se inicia gira em torno do fato de que a Recorrente não tinha autorização do Bacen para se passar por uma instituição financeira e manejar legalmente tais operações. Só por isso já se vê que as despesas oriundas de operações financeiras não podem ser consideradas normais, usuais e típicas de uma empresa que ainda não era uma instituição financeira. É uma questão até bastante lógica e objetiva de se resolver. Fl. 435DF CARF MF Impresso em 22/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 17/04/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16327.000628/200917 Acórdão n.º 1401000.938 S1C4T1 Fl. 434 11 Só pode ser considerada como operacional e dedutível a despesa para a qual foi provada a conexão do gasto com a atividade explorada e seja revestida do caráter de necessidade, de normalidade e de usualidade no tipo de operações desenvolvidas pela empresa. Portanto, como as perdas auferidas pelo Banco Itaucred não fizeram parte do desenvolvimento das atividades da contribuinte autuada, mas sim das atividades do próprio Banco Itaucred. Por outras palavras, o Banco Itaucred é que de fato e de direito concedia crédito a clientes da Lojas Americanas, sendo ele quem assumia o risco da concessão de crédito. Portanto, os ressarcimentos feitos pela autuada ao Itaucred não podem ser deduzidos para efeitos de IRPJ e CSLL. Não se trata aqui de não se permitir a confecção de contratos atípicos, pois o Direito Civil os prevê. O que não se pode é atribuir efeitos tributários diversos daqueles previstos na legislação tributária e contábil. Sendo empresas de um mesmo grupo econômico bem que se poderia aceitar o rateio de custos desde que fosse criteriosamente detalhado de forma a que o Fisco pudesse averiguar a sua consistência lógica e contábil. Na verdade o que se poderia ter feito e que estava no acordo original era um contrato de prestação de serviços onde uma parte (Banco Itaucred) presta um determinado serviço (gerir a carteira de clientes da LASA) em troca de remuneração e onde os custos fossem rateados através de critérios bem definidos. Porém, como bem ressaltado pela DRJ, o que se fez foi um Contrato de Permissão de Uso do Direito de Lavra, não oneroso, pois não foi definida a remuneração a ser recebida pelo Banco Itaucred em função dos serviços prestados à contribuinte autuada, onde o resultado obtido era todo ele repassado à Recorrente, sendo que a contabilidade ficava blindada, pois toda a documentação contábil estaria na posse do Banco Itaucred. Ora, isso não é possível. Além de se inviabilizar e ou no mínimo dificultar muito qualquer auditoria contábil/fiscal por parte da Receita Federal, vai de encontro à legislação contábil e tributária que prevê a individualização das operações, bem assim princípio de que todo registro contábil deve estar respaldado em documentação individualizada, hábil e idônea. E nesse ponto a DRJ foi muito percuciente em apontar esse tipo de falha no desvirtuamento desse contrato atípico para fins tributário ao confrontar o Acordo original de Associação(fls. 179/222) e o Contrato de Permissão de Uso do Direito de Lavra (fls.223/224):. Embora as razões já tecidas neste Voto já sejam suficientes para NEGARSE provimento, Adoto como razões complementares os fundamentos expostos a seguir extraídos da decisão de piso: (...) A partir dos itens acima transcritos, é possível constatar que tanto a contribuinte autuada [FAI/PLATY], quanto o BANCO ITAUCRED são empresas pertencentes a um grupo de sociedades de fato, conforme os ensinamentos de Fábio Ulhoa Coelho (Manual de Direito Comercial. 13 ed. São Paulo: Saraiva, 2002. p.220): Os grupos de fato se estabelecem entre sociedades coligadas ou entre controladora e controlada. Coligadas são aquelas em que uma participa de 10% ou mais do capital social da outra, sem controlála. Já controladora é aquela que detém o poder de controle de outra companhia. Fl. 436DF CARF MF Impresso em 22/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 17/04/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16327.000628/200917 Acórdão n.º 1401000.938 S1C4T1 Fl. 435 12 Feitas estas considerações iniciais, cabe apontar que o item 4.2.2 do "Acordo de Associação", firmado entre o ITAÚ HOLDING e a LASA, previa a celebração tanto de (i) um contrato de prestação de serviços para a oferta, distribuição e comercialização de empréstimo pessoal com cheque, a ser pactuado entre a contribuinte autuada [FAI] e a afiliada do ITAÚ HOLDING [BANCO ITAUCRED], como de (ii) um convênio de rateio de custos entre o BANCO ITAÚ ou suas Afiliadas e a LASA [LOJAS AMERICANAS S/A]. Logo, nos termos do acordo de associação, a relação originalmente prevista entre a contribuinte atuada e o BANCO ITAUCRED era uma prestação de serviços, devendo eventuais custos serem divididos entre as empresas participantes, de acordo com um convênio de rateio. Contudo, ao invés do contrato de prestação de serviços e do convênio de rateio de custos, houve a celebração entre a contribuinte autuada e o BANCO ITAUCRED do Contrato de Permissão de Uso do Direito de Lavra de fls.223/228. A partir da leitura do instrumento contratual em questão, observase que tal contrato de permissão de uso não se ateve a apenas cuidar da prestação de serviços em si, mas também estipulou como se daria a apuração do resultado das operações de empréstimo pessoal com cheque do BANCO ITAUCRED. Segundo os critérios livremente acordados entre ambas as empresas, a apuração do resultado das operações de empréstimo pessoal com cheque do BANCO ITAUCRED se deu em conformidade com o cálculo definido pelas parcelas da planilha de fls.228. Aqui é mister ressaltar que a planilha de fls.228 difere dos critérios legais estipulados para a determinação do resultado sob o ponto de vista da legislação tributária. Em outras palavras, os critérios avençados entre a contribuinte autuada e o BANCO ITAUCRED são diferentes dos critérios legais utilizados para elaborar o demonstrativo contábil do Demonstrativo de Resultado do Exercício, bem como não levam em considerações as adições e exclusões necessárias para a apuração do 1RPJ e da CSLL. Ocorre, todavia, que a contribuinte autuada não se limitou a utilizar a apuração de resultados estipulada livremente entre as partes somente para efeitos das negociações empresarias. Na verdade, a contribuinte empregou os mesmos critérios para a apuração de despesas que influíram na determinação do IRPJ e da CSLL. Nesse ponto, fica clara a tentativa da contribuinte de burlar a legislação tributária, ao tentar impor critérios de apuração de resultado divergentes daqueles definidos em lei. Cabe notar que a burla resta evidente ao se compulsar as planilhas de apuração de resultado calculadas conforme os critérios livremente definidos pela contribuinte, presentes às fls.232 e 235 (junho a novembro de 2005), 60 (dezembro/2005), 63 (janeiro/2006), 67 (fevereiro/2006), 70 (março/2006), 73 (abril/2006) e 76 (maio/2006). Analisandose os documentos em questão verificase que houve: a) A dedução de provisão de créditos de liquidação duvidosa sem a observância dos critérios estabelecidos pelo art.9°, da Lei n° 9.430/96; b) A dedução de custos sem a identificação de qual seria o critério! rateio eventualmente utilizado pelas partes, ou seja, não é possível inferir que as parcelas Fl. 437DF CARF MF Impresso em 22/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 17/04/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16327.000628/200917 Acórdão n.º 1401000.938 S1C4T1 Fl. 436 13 de custos relacionadas nas planilhas em questão tenham se relacionado, especificamente, à prestação de serviços do BANCO ITAUCRED à contribuinte autuada. O procedimento adotado pela impugnante demonstra o evidente intuito de criar uma contabilidade paralela determinada pelos critérios da planilha de fls.228, à margem das determinações legais, que, contudo, possuiria implicações no registro de despesas pretensamente regulares, a serem escrituradas na contabilidade formal da empresa, consoante é possível constatar na composição da linha 30, da ficha 05B, da DIPJ/2007 ("Outras despesas operacionais" fls.49), da qual constam as despesas apuradas pela contabilidade paralela levada a efeito pela contribuinte. Cabe ainda apontar que, ao contrário do alegado pela impugnante, o contrato de permissão de uso não estabeleceu qual seria a remuneração a ser recebida pelo BANCO ITAUCRED em função dos serviços prestados à contribuinte autuada. Ademais, é necessário destacar que a titularidade dos créditos cabia ao BANCO ITAUCRED, tanto assim que, ao final do contrato, houve a necessidade de transferência dos créditos pelo BANCO ITAUCRED à contribuinte autuada, conforme o excerto de fls.279: Em 01 de agosto de 2006, os Créditos foram transferidos pelo Itaucred a FAI, pelo seu valor contábil na data base de 31 de julho de 2006, através de Instrumento Particular de Cessão de Créditos datado em 07 de novembro de 2006, [...] Portanto, não subsiste a alegação de que o risco pelos créditos não competia ao BANCO ITAUCRED, uma vez que a instituição financeira era titular dos créditos com todas as respectivas garantias, conforme demonstra o trecho do relatório de fls.280: A Cessão de Crédito foi efetuada sem coobrigação pelo Itaucred, onde todos os créditos foram cedidos juntamente com suas respectivas garantias, documentação física e magnética ou eletrônica, assim como todos os respectivos direitos do Itaucred sobre os Créditos, incluindo o fluxo futuro a eles relativo. Pelo trecho acima, fica claro o desvirtuamento do contrato que, a princípio, deveria tratar de uma prestação de serviços do BANCO ITAUCRED à contribuinte autuada, cuja contrapartida seja a remuneração pelo serviço prestado, mas na realidade tratou da transferência da titularidade dos créditos ao BANCO ITAUCRED, pela qual a contribuinte autuada receberia resultados apurados com inobservância dos ditames legais. Por todo o exposto, a transferência de resultados entre as sociedades do grupo econômico de fato ocorreu de forma irregular, de que são provas cabais tanto a apropriação indevida da provisão de créditos de liquidação duvidosa, como a ausência de determinação dos critérios para o rateio de custos. Logo, é procedente a glosa da dedução de despesas operacionais efetuada pela Fiscalização. Portanto, mantenho a glosa. Fl. 438DF CARF MF Impresso em 22/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 17/04/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16327.000628/200917 Acórdão n.º 1401000.938 S1C4T1 Fl. 437 14 Base de Cálculo Erros Divergência de valor para o ano de 2005 Em dezembro de 2005, por ocasião da prestação de contas do Banco Itaucred com a Recorrente, ou seja, na época do “tombamento” onde foi feito o fechamento das operações e a cessão de créditos para a Recorrente, houve divergência sobre o valor correto dos reembolsos. Enquanto a FAI entendeu que os resultados da operação em questão, apurados para esse ano, deveriam ser de R$ 7.467.729,00, que acrescidos de CDI totalizou um valor de R$ 7.860.680,00 (doc. 05 da impugnação), o Banco Itaucred entendeu que o prejuízo era de R$ 12.515.000,00 (valor esse constante do Demonstrativo de Resultado do Exercício DRE de 2005 e considerado pela fiscalização para glosa do prejuízo). A DRJ nega o pleito da Recorrente lastreandose fundamentalmente na ressalva feita pela Auditoria KPMG, mais do que pautandose por outros documentos trazidos pela Recorrente. Eis os termos da negativa da DRJ, naquilo que é relevante: Cabe inicialmente verificar qual é o escopo do referido relatório, o que é apresentado às fls.240, de acordo com os excertos abaixo: Atendendo à solicitação de V.Sas, efetuamos revisão da planilha de acerto de contas entre as empresas Platy Participações S.A. (Platy) e Banco Itaucred Financiamentos S.A. (Itaucred), referente ao resultado apurado pela Itaucred, provindo das operações de empréstimos pessoais com cheque ocorridas entre 16 de junho de 2005 e 30 de novembro de 2005, de acordo com procedimentos previamente discutidos, aprovados por V.Sas, e formalizados em nossa proposta datada de 23 de janeiro de 2006. Conforme a citada proposta, nossos trabalhos, executados mediante procedimentos pré acordados, diferem em natureza, escopo e extensão dos procedimentos requeridos em um trabalho de auditoria, cujo objetivo é emitir uma opinião sobre os demonstrativos financeiros e saldos contábeis. Assim, essa revisão foi efetuada substancialmente por meio da inspeção de documentação comprobatória. A suficiência dos procedimentos previamente acordados bem como da amostra selecionada para teste e da documentaçãosuporte apresentada, são de responsabilidade da Administração da Platy e Itaucred. Consequentemente, não forneceremos representação quanto à suficiência desses procedimentos, quer pelo objetivo para o qual o relatório foi solicitado, quer para qualquer outro propósito. Do trecho acima transcrito verificase que: (i) o relatório em questão não é um trabalho de auditoria, mas sim uma verificação amostrai de documentação fornecida pela contribuinte autuada e pelo BANCO ITAUCRED; (ii) o trabalho de verificação restringiuse às operações de empréstimo pessoal com cheque ocorridas entre 16/06/2005 e 30/11/2005. (...) Uma vez que o relatório em questão apenas reproduziu as conclusões da própria contribuinte, caberia à impugnante demonstrar por meio de documentação hábil e idônea que eventualmente existiria a alegada diferença em relação aos cálculos utilizados pela Fiscalização para apurar a despesa glosada. Contudo, a Fl. 439DF CARF MF Impresso em 22/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 17/04/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16327.000628/200917 Acórdão n.º 1401000.938 S1C4T1 Fl. 438 15 contribuinte não trouxe qualquer outro elemento aos autos que desse sustentação à existência das diferenças apontadas. A meu ver, a Recorrente trouxe provas suficientes para cancelar a autuação. Na verdade a DRJ, no mínimo teria que ter baixado o feito em diligência. Como já foi dito, a “blindagem contábil” que foi feita, justamente inviabiliza uma análise contábil lastreada em documentos hábeis e idôneos da própria contribuinte, uma vez que toda a documentação e as operações foram feitas por terceiros e estão em uma contabilidade gerencial, pretendendose simular uma contabilidade verdadeira. Logo, pela natureza da glosa, o apontamento de um erro justamente no quantum dessa glosa, pretender que o contribuinte trouxesse aos autos a prova individualizada de todas as operações envolvidas nesse erro, seria ir longe demais. É a chamada “prova diabólica”. No caso, contentome com a prova trazida aos autos de forma sintética, mas baseandose em documentos contábeis da Recorrente (Razão) e nos mesmos relatórios gerenciais trazidos aos autos de forma mais analítica, todos eles consistentes uns com os outros. É sabido que a coerência e a ausência de consistência é tido também como um conceito de verdade. Pois a verdade pressupõe coerência interna. Na falta de uma verdade absoluta, o conceito moderno de coerência prevalece sobre outros conceitos de verdades, como por exemplo, o conceito de verdade como correspondência. Consta dos autos o relatório da KPMG que, diversamente do apurado pelas partes, apontou prejuízo da parceria de R$ 10.213.375,21 (doc. 07 da impugnação). Com a finalidade de demonstrar que o valor apontado pela auditoria externa foi computado para reajuste do resultado do ano de 2005, a Recorrente anexou aos autos o prejuízo apurado em junho/2006 (repasse do resultado auferido em maio/2006 doc. 08 da impugnação), o reajuste das diferenças apontadas no 1º quadrimestre de 2006 (docs. 09 e 10 da impugnação) e o resultado final computado para o mês de junho de 2006 (doc. 11 da impugnação). Composição de Efeitos do Laudo da KPMG x Autuação Fiscal Descrição VALOR em R$ Documento de referência Total da despesa glosada pela autoridade fiscal 12.515.000,00 DREItaucred Total da despesa efetivamente deduzida pela contribuinte na soma do ano de 2005 e ajuste feito em 2006 10.213.375,21 Doc. 07 impugnação 2.301.624.79 Diferença Porque em junho essa diferença foi ajustada e Fl. 440DF CARF MF Impresso em 22/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 17/04/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16327.000628/200917 Acórdão n.º 1401000.938 S1C4T1 Fl. 439 16 tributada, vejamos ... Despesa de FAI em junho de 2006, relativa ao valor cobrado pelo Banco Itaucred pelo encerramento dos resultados da parceria de maio de 2006 1.537.390,22 DOC. 08 impugnação Despesa relativa ao valor a pagar pela FAI para Itaucred relativo a diferença do primeiro quadrimestre de 2006 apontada pela KPMG 1.018.156,96 Doc. 09 impugnação Estorno de despesa relativo ao valor a receber pela FAI por pagamento a maior feito para o Banco Itaucred na vaisão da KPMG relativo ao primeiro quadrimestre de 2006 1.642.115,07 Doc. 10 impugnação Estorno de despesa relativo ao ano de 2005, conforme laudo KPMG 2.301.624,79 (C) Total do resultado da parceria alocado em junho de 2006 (receita tributada 1.388.192,68 D Soma Valor da receita reconhecida da parceria em junho de 2006 1.387.682,15 Doc. 11 da impugnação Diferença imaterial 510,53 Todos os documentos já trazidos na impugnação estão coerentes com os valores reproduzidos na tabela acima trazida em seu recurso, justificando assim os acertos e erros propugnados pela Recorrente. Dessa, forma Dou provimento parcial ao recurso para considerar como glosa de despesas apenas o valor de R$ 10.213.375,21 para o anocalendário de 2005. Fl. 441DF CARF MF Impresso em 22/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 17/04/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16327.000628/200917 Acórdão n.º 1401000.938 S1C4T1 Fl. 440 17 Divergência de valor para o ano de 2006 O mesmo panorama em linhas gerais da divergência ocorrida no ano calendário de 2005 aplicase para o anocalendário de 2006. Enquanto auditor baseandose apenas no DRE apurou um montante de glosa no valor de R$ R$ 10.548.865,71, a Recorrente entende que tal valor sofreu modificações e que na verdade seria de R$ 8.378.034,34. A DRJ nega o pleito da Recorrente lastreandose fundamentalmente na falta de documentos individualizados hábeis e idôneos a lastrear o referido erro. Eis os seus termos, no essencial: Cumpre destacar, a princípio, a incoerência entre as informações prestadas pela contribuinte: por um lado, no decorrer do procedimento de fiscalização, a empresa formulou resposta por escrito a termo de intimação fiscal, justificando o valor de "outras despesas operacionais" declarado na DIPJ/2007, enquanto que, por outro lado, em sede de impugnação, a contribuinte refuta tanto a resposta previamente apresentada, quanto o próprio valor declarado na DIP J/2007. Em verdade, ao trazer aos autos a tabela de fls.274, a impugnante estabeleceu uma evidente contradição com as informações que a própria contribuinte prestou na planilha de fls.57. Enquanto que, nos meses de junho, julho e agosto de 2006, a planilha de fls.57 apresenta, respectivamente, os valores de R$1.387.682,15, 0,00 e 0,00, a tabela de fls.274 traz, para os mesmos meses, os valores de R$(l.537.390,22), R$2.659.765,72, R$1.048.455,87. Há que se ressaltar que em nenhum momento da impugnação a contribuinte prestou qualquer esclarecimento relativo à contradição acima identificada. De fato, a contribuinte trouxe apenas os registros contábeis de fls.249/250, 264/265 e 269/270, juntamente com as planilhas sintéticas de "acerto de contas" de fls.253, 268 e 273, que, no entender da impugnante, justificariam os resultados apontados na tabela de fls.274 relativos aos meses de junho, julho e agosto de 2006. Contudo, os registros contábeis trazidos pela contribuinte, bem como as respectivas planilhas sintéticas, foram desacompanhados de qualquer outro documento hábil e idôneo que lhes conferissem sustentação. (destaquei) A Recorrente, por sua vez, explica a diferença nos seguintes termos: Todavia, a fiscalização deixou de considerar o resultado negativo apurado em junho (acerto de maio/06 no valor de prejuízo de R$ 1.537.390,22, acrescido de correção de R$ 18.990,08 doc. 08 da impugnação) e o resultado positivo da parceria ocorrido em julho/2006 (acerto referente a junho que apontou um lucro de R$ 2.659.770,73, que corrigido totalizou R$ 2.691.704,77 a ser pago à Recorrente pelo Banco Itaucred doc. 12 da impugnação) e ago/2006 (acerto referente a julho que apontou um lucro de R$ 1.048.455,87, que corrigido totalizou R$ 1.061.760,54, a ser pago à Recorrente pelo Banco Itaucred doc. 13 da impugnação), que, por sua Fl. 442DF CARF MF Impresso em 22/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 17/04/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16327.000628/200917 Acórdão n.º 1401000.938 S1C4T1 Fl. 441 18 natureza positiva, foram computados em contas contábeis de receita e, portanto, sujeitos à tributação. Conforme colocou a DRJ, o contribuinte trouxe uma série de documentos aos autos e, que a meu ver, devem ser considerados em seu conjunto: De fato, a contribuinte trouxe apenas os registros contábeis de fls.249/250, 264/265 e 269/270, juntamente com as planilhas sintéticas de "acerto de contas" de fls.253, 268 e 273, que, no entender da impugnante, justificariam os resultados apontados na tabela de fls.274 relativos aos meses de junho, julho e agosto de 2006. Checando minuciosamente os documentos acima referidos, chego a conclusão diversa da DRJ. Vale aqui também aquelas mesmas considerações já alinhavadas no tópico anterior (anocalendário de 2005), referente ao critério lógico da “coerência” e a questão da “prova diabólica”. A contradição aventada pela DRJ é justamente o erro que a Recorrente aponta e a partir de outros documentos e provas que se entrelaçam consegue demonstrar e me convencer de que de fato houve erros que devem ser considerados. Por outras palavras, no caso, contentome com a prova trazida aos autos de forma sintética, mas baseandose em documentos contábeis da Recorrente (Razão) e nos mesmos relatórios gerenciais trazidos aos autos de forma mais analítica, todos eles consistentes uns com os outros. Por fim, acrescento que levo em consideração os valores positivos obtidos em determinados meses para efeito de abater a glosa, uma vez que a operação deve ser desconsiderada em seu todo e, não apenas glosando os prejuízos (que são em sua grande maioria, digase de passagem). Por todo o exposto, dou provimento parcial para considerar o valor da glosa de 2006 no montante de R$ 8.378.034,34. Juros de mora sobre Multa de Ofício Insurgese a Recorrente contra a cobrança de juros de mora sobre multa de ofício. Na defesa desse tese, geralmente se utilizam do argumento a contrario sensu. Ou seja, como a única hipótese de incidência de juros sobre multa estaria consignada no parágrafo único do art. 43 da Lei nº 9.430/96, deve, por exclusão, nas demais hipóteses, ser expurgada a aplicação dos juros sobre a multa aplicada, que só passará a incidir nos termos do § 1º do art. 161 do CTN. Ora, como todo argumento a contrario sensu, devese usálo com muita cautela, pois é inseto a ele a chamada “falácia do falso antecedente”. Pois, se uma regra “p” implica “q”. Não se pode concluir com todo o rigor lógico que “não p” implique também em “não q”. Isso porque pode existir outras forma de chegarse a “q”. Por outras palavras, Se “p” (em havendo multa de ofício isolada) > (implica) “q” (implica o cálculo de juros de mora sobre ela). Isso não que dizer que se negarmos “p” (no caso da multa de ofício sobre tributo, Fl. 443DF CARF MF Impresso em 22/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 17/04/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16327.000628/200917 Acórdão n.º 1401000.938 S1C4T1 Fl. 442 19 pois não se trata de multa isolada) estaremos negando necessariamente a existência de “q” (cálculo de juros de mora sobre essa multa). Pois, obviamente, outros antecedentes podem existir, como de fato existem na legislação, “r”, “s” etc que impliquem também em “q”. Como é sabido, a multa de ofício, ex vi art. 44 da Lei nº 9.430/96, deverá incidir sobre o crédito tributário não pago (diferença entre o tributo devido e o recolhido). A partir da leitura do Código Tributário Nacional, concluise que a multa, apesar de não ter a natureza de tributo, faz parte do crédito tributário. É a inteligência dos artigos 3º e 113 do CTN, conjugado com art. 139 que assim dispõe “O crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta” Ou seja, enquanto o art. 3° exclui as multas da definição de tributo, os dispositivos seguintes (art. 113, §1°, e art. 139) trazemnas para compor o crédito tributário. Por conseguinte, a cobrança das multas lançadas de ofício deve receber o mesmo tratamento dispensado pelo CTN ao crédito tributário. Por sua vez, o art. 161 do Código Tributário Nacional dispõe que os juros de mora passam a integrar o crédito tributário não pago, de forma a que a incidência da multa alcança tanto o crédito tributário principal quanto os juros de mora sobre ele incidentes. Em resumo, é cabível a aplicação de juros de mora sobre multa de ofício, pois a teor do art. 161 do Código Tributário Nacional sobre o crédito tributário não pago correm juros de mora, como a multa de ofício também constitui o crédito tributário sobre ela também necessariamente incide os juros de mora na medida em que também não é paga no vencimento. Assim, não procede o argumento da Recorrente no sentido de afirmar que apenas a partir da existência do parágrafo único do art. 43 da Lei nº 9.430/96 é que poderá incidir juros de mora sobre a multa aplicada. Ora, tal previsão diz respeito à aplicação de multa isolada sem crédito tributário. Assim, a teleologia de tal dispositivo legal vem a reboque de se ratificar a incidência dos juros sobre a multa que não toma como base de incidência valores de crédito tributário sujeitos à incidência ordinária da multa de ofício. O Conselheiro Alkmim foi muito feliz em sua explicação por ocasião do Acórdão 140100.155 no qual a referida matéria também foi enfrentada: (...) Seria o óbvio não conter referida previsão quando a multa é aplicada sobre crédito tributário não pago. Isso porque, ao contrário do que afirma a Recorrente, caso existisse tal previsão – de incidência de juros sobre multa , poder seia imaginar a dupla incidência dos juros, é dizer, uma sobre o crédito tributário e outra sobre a multa depois de formalizada. Em se tratando de tributo não pago, a multa deve incidir sobre a totalidade do crédito tributário que deixou de ser recolhido, incluindose nele a correção monetária e os juros. Assim, na verdade, não é o juros que incide sobre a multa, mas sim a multa que incide sobre o crédito tributário com juros e correção monetária. Diante do exposto, mantenho os juros de mora sobre a multa de ofício. CSLL. Lançamento reflexo Fl. 444DF CARF MF Impresso em 22/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 17/04/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16327.000628/200917 Acórdão n.º 1401000.938 S1C4T1 Fl. 443 20 Por fim, tendo se em vista que, quanto ao Auto de Infração relativo à CSLL, fato motivador foi o mesmo relativo ao IRPJ, aplicase a esse assunto as razões esposadas no voto relativas ao IRPJ. Por todo exposto, DOU provimento PARCIAL ao recurso para considerar as glosas no valor de R$ 10.213.375,21 para o anocalendário de 2005 e de R$ 8.378.034,34 para o anocalendário de 2006. (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Fl. 445DF CARF MF Impresso em 22/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 17/04/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO
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Numero do processo: 10140.720063/2007-10
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 19 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL - ITR
Exercício: 2005
ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE/ RESERVA PARTICULAR DO PATRIMÔNIO NATURAL. EXIGÊNCIA DE ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL (ADA) POR LEI. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO.
A partir do exercício de 2001, com a introdução do art. 17 na Lei nº 6.938, de 1981, por força da Lei nº 10.165, de 2000, o Ato Declaratório Ambiental (ADA) passou a ser obrigatório para fins de exclusão da área de preservação permanente da base de cálculo do ITR. VALOR DA TERRA NUA (VTN).
ARBITRAMENTO COM BASE NO SISTEMA DE PREÇOS DE TERRAS (SIPT). UTILIZAÇÃO DO VTN MÉDIO DITR. EM DETRIMENTO DA UTILIZAÇÃO DO VTN MÉDIO POR APTIDÃO AGRÍCOLA.
Incabível a manutenção do Valor da Terra Nua (VTN) arbitrado pela fiscalização, com base no Sistema de Preços de Terras (SIPT), utilizando VTN médio das DITR entregues no município de localização do imóvel, por contrariar o disposto no art. 14 da Lei nº 9.393, de 1996.
Recurso provido em parte.
Numero da decisão: 2202-001.828
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, dar provimento parcial ao recurso para restabelecer a Área de Utilização Limitada/RPPN, bem como o Valor da Terra Nua – VTN declarado pela Recorrente. Vencidos os Conselheiros Rafael Pandolfo, Odmir Fernandes e Pedro Anan Junior, que proviam o recurso. Fez sustentação oral, seu representante legal, Dr. Mauricio Terciotti, inscrito na OAB/RJ sob o nº. 130.273.
Nome do relator: ANTONIO LOPO MARTINEZ
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EXIGÊNCIA DE ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL (ADA) POR LEI. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. A partir do exercício de 2001, com a introdução do art. 17 na Lei nº 6.938, de 1981, por força da Lei nº 10.165, de 2000, o Ato Declaratório Ambiental (ADA) passou a ser obrigatório para fins de exclusão da área de preservação permanente da base de cálculo do ITR. VALOR DA TERRA NUA (VTN). ARBITRAMENTO COM BASE NO SISTEMA DE PREÇOS DE TERRAS (SIPT). UTILIZAÇÃO DO VTN MÉDIO DITR. EM DETRIMENTO DA UTILIZAÇÃO DO VTN MÉDIO POR APTIDÃO AGRÍCOLA. Incabível a manutenção do Valor da Terra Nua (VTN) arbitrado pela fiscalização, com base no Sistema de Preços de Terras (SIPT), utilizando VTN médio das DITR entregues no município de localização do imóvel, por contrariar o disposto no art. 14 da Lei nº 9.393, de 1996. Recurso provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, dar provimento parcial ao recurso para restabelecer a Área de Utilização Limitada/RPPN, bem como o Valor da Terra Nua – VTN declarado pela Recorrente. Vencidos os Conselheiros Rafael Pandolfo, Odmir Fernandes e Pedro Anan Junior, que proviam o recurso. Fez sustentação oral, seu representante legal, Dr. Mauricio Terciotti, inscrito na OAB/RJ sob o nº. 130.273. (Assinado digitalmente) Fl. 213DF CARF MF Impresso em 15/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 13/08/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 11/08/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 2 Nelson Mallmann – Presidente (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez – Relator Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Rafael Pandolfo, Antonio Lopo Martinez, Odmir Fernandes, Pedro Anan Júnior e Nelson Mallmann. Ausente justificadamente o Conselheiros Helenilson Cunha Pontes. Fl. 214DF CARF MF Impresso em 15/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 13/08/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 11/08/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10140.720063/200710 Acórdão n.º 220201.828 S2C2T2 Fl. 2 3 Relatório Em desfavor do contribuinte, CONSERVATION INTERNATIONAL DO BRASIL, foi lavrada Notificação de Lançamento, mediante a qual se exige a diferença de Imposto Territorial Rural — ITR, Exercício 2005, no valor total de R$ 1.909.194.30, do imóvel rural inscrito na Receita Federal sob o n° 3.299.088 0, localizado no município de Aquidauana — MS. Na descrição dos fatos (f. 02/03), o fiscal autuante relata que foi apurada a falta de recolhimento do ITR, decorrente da glosa total das áreas declaradas como de Preservação Permanente (APP) e de Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN), bem como da alteração do Valor da Terra Nua, em adequação aos valores constantes do SIPT. Em consequência, houve aumento da base de cálculo, da alíquota e do valor devido do tributo. Cientificada, a interessada apresentou a impugnação de fls. 22/27. Em síntese, alega: que a maior parte do imóvel é constituída pela RPPN Fazenda Rio Negro. Afirma que a RPRN encontrase devidamente averbada. que cumpriu todas as exigências legais para a instituição da RPPN; que é pública e notória a atuação da impugnante no cenário da defesa do meio ambiente. que o valor da terra nua, apurado com base no SIPT não condiz com o valor real do imóvel. A DRJ Campo Grande ao apreciar as razões da interessada, julgou a impugnação procedente em parte nos termos da ementa a seguir: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2005 VALOR DA TERRA NUA. O valor da terra nua, apurado pela fiscalização , em procedimento de ofício nos ternos do art . 14 da Lei 9 . 393/96 , não é passível de alteração , quando o contribuinte não apresentar elementos de convicção que justifiquem reconhecer valor menor. RPPN. ISENÇÃO. REQUISITOS. ADA. AVERBAÇÃO. Por disposição legal, para serem consideradas isentas, as áreas de preservação permanente, de reserva legal e de Reserva Fl. 215DF CARF MF Impresso em 15/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 13/08/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 11/08/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 4 Particular do Patrimônio Natural (RPPN) devem ser reconhecidas mediante Ato Declaratório Ambiental ADA, cujo requerimento deve ser protocolado dentro do prazo estipulado . As áreas de reserva legal e de RPPN , além do ADA, necessitam estar averbadas junto ao Cartório de Registro de Imóveis , em data anterior à da ocorrência do fato gerador. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte A autoridade de primeira instância indica que no ADA tempestivo apresentado para o Exercício aqui tratado, somente consta a informação de uma área de 1.529,4 ha. Somente esta área de utilização limitada pode ser aceita. Segundo ao autoridade recorrida verificadas as alterações decorrentes, concluise que o imposto devido deve ser alterado para R$ 758.939,14. Insatisfeito o interessado interpõe recurso voluntário onde reiterando ponto descritos na impugnação. Entre os principais pontos indica: que ao entendimento de que o ADA seria obrigatório para fins de redução do ITR a pagar, conflita com o disposto na Lei no. 9393/96, que dispõe do ITR; que ainda que seja obrigatória a apresentação do ADA, a comprovação da Área de Preservação Permanente e da Área de RPPN não é feita exclusivamente através dele, com base no princípio da verdade material; o recorrente realizou comprovação da APP e da área RPPN, tendo demonstrado que cumpriu os requisitos para fruição da não incidência do ITR. dos equívocos da fiscalização no tocante ao grau de utilização, impactando na alíquota aplicável e no que refere a VTN uma vez que o valor declarado originalmente foi de R$ 799,84/ha, enquanto que aquele obtido pelo Fisco foi de R$480,81. Em Memorial protocolado em 01/06/2012, o recorrente traz aos autos, o ADA relativo ao Exercício de 2003, onde está consignado o valor de 7.000 hectares como área de RPPN. É o relatório. Fl. 216DF CARF MF Impresso em 15/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 13/08/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 11/08/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10140.720063/200710 Acórdão n.º 220201.828 S2C2T2 Fl. 3 5 Voto Conselheiro Antonio Lopo Martinez, Relator O presente recurso voluntário reúne os pressupostos de admissibilidade previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal e deve, portanto, ser conhecido por esta Turma de Julgamento. A discussão principal de mérito diz respeito às áreas de preservação permanente/RPPN e ao valor da terra nua. DO ADA COMO REQUISITO PARA ISENÇÃO Como é de notório conhecimento, o ITR incide sobre: (i) o direito de propriedade do imóvel rural; (ii) o domínio útil; (iii) a posse por usufruto; (iv) a posse a qualquer título, tudo conforme ditado pela Lei nº 9.393, de 1996. Conquanto, este tributo será devido sempre que no plano fático se configurar a hipótese de incidência ditada pela norma (Lei 9393/96): (i) a norma dita que a obrigação tributária nasce sempre em primeiro de janeiro de cada ano uma vez que a periodicidade deste tributo é anual; (ii) o imóvel deve estar localizado em zona rural; (iii) os demais requisitos já constam acima posse, propriedade ou domínio útil. Tenho para mim que para excluir as áreas de Interesse Ambiental de Preservação Permanente e as de Utilização Limitada da base de cálculo do ITR e anular a sua influência na determinação do Grau de Utilização, duas condições têm de ser atendidas. Uma é a sua averbação a margem da escritura no Cartório de Registro de Imóveis outra é a sua informação no Ato Declaratório Ambiental – ADA. Destaquese que ambas devem ser atendidas à época a que se refere a Declaração do ITR. É de se ressaltar, que em nenhum momento estou questionando a existência e o estado das Reservas Preservacionistas, relatórios técnicos que atestam a sua existência não atingem o âmago da questão. Mesmo aquelas possíveis áreas consideradas inaproveitáveis, para integrarem as reservas da propriedade, para fins de cálculo do ITR, devem, no meu ponto de vista, obrigatoriamente, atender as exigências legais. Um dos objetivos precípuos da legislação ambiental e tributária é, indubitavelmente, estimular a preservação do meio ambiente, via beneficio fiscal. No entanto, o beneficio da exclusão do ITR, inclusive em áreas de proteção e/ou interesse ambiental como os Parques Estaduais, não se estende genérica e automaticamente a todas as áreas do imóvel por ele abrangidas. Somente se aplica a áreas especificas da propriedade, vale dizer, somente para as áreas de interesse ambiental situadas no imóvel como: área de preservação permanente, área de reserva legal, área de reserva particular do patrimônio natural e área de proteção de ecossistema bem como área imprestável para a atividade rural, desde que reconhecidas de interesse ambiental e desde que haja o reconhecimento dessas áreas por ato especifico, por imóvel, expedido pelo IBAMA, o Ato Declaratório Ambiental (ADA). Fl. 217DF CARF MF Impresso em 15/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 13/08/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 11/08/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 6 Não tenho dúvidas de que a obrigatoriedade da apresentação do ADA para fins de exclusão das áreas de preservação permanente e de utilização limitada (reserva legal) da base de cálculo do ITR, surgiu no ordenamento jurídico pátrio com o art. 1º da Lei nº 10.165, de 2000 que incluiu o art. 17, § 1º na Lei nº 6.938, de 31 de agosto de 1981, para os exercícios a partir de 2001, verbis: Art. 17 O Os proprietários rurais que se beneficiarem com redução do valor do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR, com base em Ato Declaratório Ambiental ADA, deverão recolher ao Ibama a importância prevista no item 3.11 do Anexo VII da Lei no 9.960, de 29 de janeiro de 2000, a título de Taxa de Vistoria." (NR) (...) § 1o A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória. Tal dispositivo teve vigência a partir do exercício de 2001, anteriormente a este, a imposição da apresentação do ADA para tal fim era definido por ato infralegal, que contrariava o disposto no § 1º do inciso II do art. 97, do Código Tributário Nacional. Os presentes autos tratam do lançamento de ITR do exercício de 2005, portanto, a exigência do ADA para fins de exclusão da base de cálculo daquele tributo encontra respaldo legal, pelo quê, deve ser mantido quanto a este ponto. Enfim, a solicitação tempestiva do ADA constituiuse um ônus para o contribuinte. Assim, caso não desejasse a incidência do ITR sobre as áreas de preservação permanente e de utilização limitada/reserva legal, o proprietário do imóvel deveria ter providenciado, dentro do prazo legal, o requerimento do ADA. Quando do sustentação oral, o recorrente trouxe ao autos comprovante que demonstra que teria apresentado ADA em 18/02/2004, onde neste estaria consignada a área de reserva particular do patrimônio natutal (ARPPN) no montante de 7.000 hectares, al como consignado em sua declaração. No que toca a área de preservação permanente declarado, o recorrente não comprovou nos autos a protocolização tempestiva do requerimento/ADA, junto ao IBAMA/órgão conveniado. É oportuno salientar, que Conselho Administrativo de Recursos Fiscais tem entendido em suas decisões de que a dispensa de comprovação relativa às áreas de interesse ambiental (preservação permanente/utilização limitada), conforme redação do parágrafo 7°, do art. 10, da Lei n° 9.363, de 1996, introduzido originariamente pelo art. 3º da MP n° 1.95650, de 2000, e mantido na MP n° 2.16667, de 2001, ocorre quando da entrega da declaração do ITR, o que não dispensa o contribuinte de, uma vez sob procedimento administrativo de fiscalização, comprovar as informações contidas em sua declaração por meio dos documentos hábeis previstos na legislação de regência da matéria. Desta forma, tendo sido comprovada apenas no tocante a área de RPPN a protocolização tempestiva do Ato Declaratório Ambiental — ADA, junto ao IBAMA/órgão conveniado, cabe restabelecer as glosas efetuadas pela fiscalização em relação a areas de RPPN, mantendo aquelas referente a área de preservação permanente. Fl. 218DF CARF MF Impresso em 15/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 13/08/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 11/08/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10140.720063/200710 Acórdão n.º 220201.828 S2C2T2 Fl. 4 7 Urge, registrar que não se questiona a existência das áreas tal como alegada pelo recorrente, apenas não se demonstrou ter sido atendido os requisitos para a concessão da isenção. Do VTN Na parte atinente ao cálculo do Valor da Terra Nua VTN, entendeu a autoridade lançadora que houve subavaliação, tendo em vista o valor constante do Sistema de Preço de Terras (SIPT), instituído pela então SRF em consonância ao art. 14, caput, da Lei n° 9.393, de 1996, razão pela qual o VTN declarado para o imóvel. Em síntese, podemos dizer que o VTNm/ha representa a média ponderada dos preços mínimos dos diversos tipos de terras de cada microrregião, observandose nessa oportunidade o conceito legal de terra nua previsto na legislação de regência sobre o assunto, utilizandose como data de referência o último dia do ano anterior ao do lançamento. A utilização da tabela SIPT, para verificação do valor de imóveis rurais, a princípio, teria amparo no art. 14 da Lei nº 9.393, de 1996. Como da mesma forma, o valor do SIPT só é utilizado quando, depois de intimado, o contribuinte não apresenta elementos suficientes para comprovar o valor por ele declarado, da mesma forma que tal valor fica sujeito à revisão quando o contribuinte comprova que seu imóvel possui características que o distingam dos demais imóveis do mesmo município. Não tenho dúvidas de que as tabelas de valores indicados no SIPT, quando elaboradas de acordo com a legislação de regência, servem como referencial para amparar o trabalho de malha das declarações de ITR e somente deverão ser utilizados pela autoridade fiscal se o contribuinte não lograr comprovar que o valor declarado de seu imóvel corresponde ao valor efetivo na data do fato gerador. Para tanto, a fiscalização deve enviar uma intimação ao contribuinte solicitando a comprovação dos dados declarados antes de proceder à formalização do lançamento. Vivemos em um Estado de Direito, onde deve imperar a lei, de tal sorte que o indivíduo só se sentirá forçado a fazer ou não fazer alguma coisa compelido pela lei. Daí porque o lançamento ser previsto no art. 142 do Código Tributário Nacional como atividade plenamente vinculada, isto é, sem possibilidade de a cobrança se firmar em ato discricionário, e, por outro lado, obrigatória, isto é o órgão da administração não pode deixar de cobrar o tributo previsto em lei. Assim, sendo se faz necessário uma análise preliminar sobre a possibilidade da utilização dos valores constantes da tabela SIPT, quando elaborada tendo por base as DITR do município onde se localiza o imóvel. Ou seja, se faz necessário enfrentar a questão da legalidade da forma de cálculo que é utilizado, nestes caso, para se encontrar os valores determinados na referida tabela. Razão pela qual, se faz necessário verificar qual foi metodologia utilizada para se chegar aos valores constantes da tabela SIPT, principalmente, nos casos em que restar comprovado, nos autos do processo, que a mesma foi elaborada tendo por base a média dos VTN das DITR entregues no município da localização do imóvel. Esta forma de valoração do VTN atenderia as normas legais para se proceder ao arbitramento do VTN a ser utilizado, pela autoridade fiscal, na revisão da DITR? Fl. 219DF CARF MF Impresso em 15/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 13/08/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 11/08/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 8 Sem dúvidas, que tal ponto não deixa de ser importante, posto que, em se entendendo que as normas de cálculo utilizadas para a confecção da Tabela SIPT, tomada como base para o arbitramento do VTN pela autoridade fiscal, não se demonstram adequadas à lei, tal situação faria prevalecer o VTN indicado pelo contribuinte em laudo técnico ou de sua Declaração. Este é o caso questão, onde o VTN extraído do SIPT referese à média dos VTNs das DITRs apresentadas para o mesmo município e não do VTN médio por aptidão agrícola, onde se avalia os preços médios por hectare de terras do município onde esta localizado o imóvel, apurado através da avaliação pela Secretaria Estadual de Agricultura os preços de terras levando em conta de existência de lavouras, campos, pastagens, matas. O VTN, segundo a fls. 12, é calculado sem aptidão agrícola. Analisando o conteúdo das normas reguladoras para a fixação dos preços médios de terras por hectare só posso concluir, que o levantamento do VTN, levando conta a média dos VTN constantes da DITRs, não condiz com o proposto pelo art. 14 da Lei nº 9.393, de 1996, verbis: Art. 14. No caso de falta de entrega do DIAC ou do DIAT, bem como de subavaliação ou prestação de informações inexatas, incorretas ou fraudulentas, a Secretaria da Receita Federal procederá à determinação e ao lançamento de ofício do imposto, considerando informações sobre preços de terras, constantes de sistema a ser por ela instituído, e os dados de área total, área tributável e grau de utilização do imóvel, apurados em procedimentos de fiscalização. § 1º As informações sobre preços de terra observarão os critérios estabelecidos no art. 12, § 1º, inciso II da Lei nº 8.629, de 25 de fevereiro de 1993, e considerarão levantamentos realizados pelas Secretarias de Agricultura das Unidades Federadas ou dos Municípios. Assim se manifesta o art. 12 da Lei nº 8.629, de 1993: Artigo 12 Considerase justa a indenização que permita ao desapropriado a reposição, em seu patrimônio, do valor do bem que perdeu por interesse social. § 1º A identificação do valor do bem a ser indenizado será feita, preferencialmente, com base nos seguintes referenciais técnicos e mercadológicos, entre outros usualmente empregados: I valor das benfeitorias úteis e necessárias, descontada a depreciação conforme o estado de conservação; II valor da terra nua, observados os seguintes aspectos: a) localização do imóvel; b) capacidade potencial da terra; c) dimensão do imóvel. § 2º Os dados referentes ao preço das benfeitorias e do hectare da terra nua a serem indenizados serão levantados junto às Prefeituras Municipais, órgãos estaduais encarregados de avaliação imobiliária, quando houver, Tabelionatos e Cartórios Fl. 220DF CARF MF Impresso em 15/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 13/08/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 11/08/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10140.720063/200710 Acórdão n.º 220201.828 S2C2T2 Fl. 5 9 de Registro de Imóveis, e através de pesquisa de mercado. (o grifo não é do original) Resta claro, que com a publicação da Lei nº 9.393, de 1996, em seu art. 14 dispõe que as informações sobre preços de terras observarão os critérios estabelecidos no artigo 12, § 1°, inciso II, da Lei n 8.629, de 25 de fevereiro de 1.993, e considerarão levantamentos realizados pelas Secretarias de Agricultura das Unidades Federadas ou dos municípios. Ora, se a fixação do VTNm não teve por base esse levantamento (por aptidão agrícola), o que está comprovado nos autos, já que a autoridade fiscal lançadora se utilizou do VTN médio das DITRs entregues no município, então não se cumpriu o comando legal e o VTNm adotado para proceder ao arbitramento pela autoridade lançadora não é legítimo, sendo inservível para o fim da recusa do valor declarado ou pretendido pelo contribuinte. Diante do entendimento que o VTN médio utilizado pela autoridade fiscal lançadora não cumpre as exigências legais determinadas pela legislação de regência, penso ser irrelevante continuar a discussão da questão do Laudo de Avaliação do VTN, já que compartilho com o entendimento, que nesses casos, deve ser restabelecido o VTN declarado pelo recorrente em sua DITR glosado pela autoridade fiscal. Ante ao exposto, voto dar provimento parcial ao recurso para restabelecer a Área de Utilização Limitada/RPPN, bem como o Valor da Terra Nua – VTN declarado pela Recorrente. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez Fl. 221DF CARF MF Impresso em 15/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 13/08/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 11/08/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ
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