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Numero do processo: 12466.722972/2011-21
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Nov 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jan 10 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Período de apuração: 19/10/2006 a 13/02/2007
MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL MPF. INSTRUMENTO INTERNO DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL (RFB). EVENTUAIS VÍCIOS NÃO ANULAM O LANÇAMENTO.
O Mandado de Procedimento Fiscal MPF se constitui em mero instrumento interno da Administração Tributária, destinado ao controle e ao planejamento das atividades fiscalizatórias, irregularidades em sua emissão não são suficientes para se anular o lançamento.
DANO AO ERÁRIO. INFRAÇÃO. PENA DE PERDIMENTO. CONVERSÃO EM MULTA. VALOR DA MERCADORIA. LEI 10.637/02. CESSÃO DE NOME. INFRAÇÃO. MULTA. DEZ POR CENTO DO VALOR DA OPERAÇÃO. LEI 11.488/07. RETROATIVIDADE BENIGNA. IMPOSSIBILIDADE.
Na hipótese de aplicação da multa de dez por cento do valor da operação, pela cessão do nome, nos termo do art. 33 da Lei nº 11.488/2007, não será declarada a inaptidão da pessoa jurídica prevista no art. 81 da Lei 9.430/96. A imposição da multa não prejudica a aplicação da multa equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias, pela conversão da pena de perdimento dos bens, prevista no art. 23, inciso V, do Decreto-Lei nº 1.455/76.
Descartada hipótese de aplicação do instituto da retroatividade benigna para penalidades distintas.
Numero da decisão: 9303-007.690
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencida a conselheira Tatiana Midori Migiyama, que lhe deu provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Demes Brito - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício).
Nome do relator: DEMES BRITO
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INSTRUMENTO INTERNO DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL (RFB). EVENTUAIS VÍCIOS NÃO ANULAM O LANÇAMENTO. O Mandado de Procedimento Fiscal MPF se constitui em mero instrumento interno da Administração Tributária, destinado ao controle e ao planejamento das atividades fiscalizatórias, irregularidades em sua emissão não são suficientes para se anular o lançamento. DANO AO ERÁRIO. INFRAÇÃO. PENA DE PERDIMENTO. CONVERSÃO EM MULTA. VALOR DA MERCADORIA. LEI 10.637/02. CESSÃO DE NOME. INFRAÇÃO. MULTA. DEZ POR CENTO DO VALOR DA OPERAÇÃO. LEI 11.488/07. RETROATIVIDADE BENIGNA. IMPOSSIBILIDADE. Na hipótese de aplicação da multa de dez por cento do valor da operação, pela cessão do nome, nos termo do art. 33 da Lei nº 11.488/2007, não será declarada a inaptidão da pessoa jurídica prevista no art. 81 da Lei 9.430/96. A imposição da multa não prejudica a aplicação da multa equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias, pela conversão da pena de perdimento dos bens, prevista no art. 23, inciso V, do DecretoLei nº 1.455/76. Descartada hipótese de aplicação do instituto da retroatividade benigna para penalidades distintas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 46 6. 72 29 72 /2 01 1- 21 Fl. 1512DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencida a conselheira Tatiana Midori Migiyama, que lhe deu provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Demes Brito Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício). Relatório Tratase de Recurso Especial de divergência, tempestivo, interposto pelo sujeito passivo ao amparo do art. 67, do Anexo II, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, contra Acórdão nº 3401002.807, de 11 de novembro de 2014, proferido pela 4ª Câmara/1ª Turma Ordinária da 3ª Seção de Julgamento do CARF, que decidiu por bem manter os recursos voluntários procedentes em parte, apenas para reconhecer a decadência para as declarações de importação com registros anteriores a 27/10/2006, que possui a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Período de apuração: 19/10/2006 a 13/02/2007 Ementa: INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA DE TERCEIROS. OCULTAÇÃO DO REAL ADQUIRENTE. Caracterizadas como por conta e ordem as operações de comércio exterior declaradas pela importadora como sendo por encomenda, o que implicou ocultação da real adquirente das mercadorias, resta tipificada a figura da interposição fraudulenta, sujeitando tanto a importadora como a suposta encomendante e a real adquirente, estas duas na condição de responsáveis solidárias, à penalidade de perdimento das mercadorias, a ser convertida em multa equivalente ao respectivo valor aduaneiro, nos casos em que estas não sejam localizadas ou tenham sido consumidas. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA. PENA DE PERDIMENTO. MULTA. DECADÊNCIA. Tratandose da imposição de pena de perdimento, na hipótese do artigo 618, XXII do Regulamento Aduaneiro (Decreto nº 4.543, de 26 de dezembro de 2002), por se cuidar de infração de caráter administrativo (aduaneiro), tem lugar a contagem do prazo decadencial na Fl. 1513DF CARF MF Processo nº 12466.722972/201121 Acórdão n.º 9303007.690 CSRFT3 Fl. 1.513 3 forma dos artigos 139 do DecretoLei nº 37, de 18 de novembro de 1966 e 669 do Regulamento Aduaneiro, cujo prazo de 5 (cinco) anos tem seu curso iniciado na data da infração. Devidamente cientificada, a Contribuinte opôs embargos de declaração, os quais foram rejeitados pelo Presidente da 4º Câmara da 3º Seção do CARF, ás fls. 1168/1173. Não conformada com o que foi decidido pela 4ª Câmara/1ª Turma Ordinária da 3ª Seção de Julgamento, a Contribuinte interpõe o presente Recurso Especial, suscita divergência jurisprudencial quanto as seguintes matérias: ausência de nulidade do Auto de Infração por vício de incompetência do auditor fiscal; possibilidade de indicação do mesmo AFRB para atuar em novo MPF em desfavor da Contribuinte; ausência de nulidade do auto de infração mesmo não tendo sido intimada acerca dos MPFs existentes; possibilidade de ausência e argumentação pormenorizada em face das DI's que arriam o Auto de Infração; e possibilidade de aplicação á empresa interposta (adquirente ostensiva) da pena de perdimento das mercadorias e da respectiva multa de 100% substitutiva. Para comprovar o dissenso, aponta como paradigmas os acórdãos nºs 3402 001.009, 1402001.366, 2403001.559, 2403001.867, 2803003.757, 3402002.362 e 3402002.460. Em seguida, o Presidente da 4ª da 3ª Seção de julgamento, negou seguimento ao Recurso, nos termos do despacho de admissibilidade, ás fls. 1404/1405. Houve reexame de admissibilidade, o Presidente do CARF decidiu em dar seguimento parcial ao recurso interposto pelo sujeito passivo, apenas quanto às seguintes matérias: (2) Nulidade do Auto de Infração por indicação do mesmo AFRFB para atuar em novo MPF em desfavor da Recorrente, e (5) Impossibilidade da aplicação à empresa interposta (adquirente ostensiva) da pena de perdimento das mercadorias e da respectiva multa de 100% substitutiva – aplicação exclusiva da multa prevista no art. 33 da Lei nº 11.488, de 2007. Cientificada, a Fazenda Nacional apresentou contrarrazões, ás fls 1423/1433, pugna pelo improvimento do Recurso interposto. No essencial é o Relatório. Voto Conselheiro Demes Brito Relator O recurso foi apresentado com observância do prazo previsto, bem como dos demais requisitos de admissibilidade. Sendo assim, dele tomo conhecimento e passo a decidir. Primeiramente, se faz necessário relembrar e reiterar que a interposição de Recurso Especial junto à Câmara Superior de Recursos Fiscais, ao contrário do Recurso Voluntário, é de cognição restrita, limitada à demonstração de divergência jurisprudencial, além da necessidade de atendimento a diversos outros pressupostos, estabelecidos no artigo 67 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015. Por isso mesmo, essa modalidade de apelo é chamada de Recurso Especial de Divergência e Fl. 1514DF CARF MF 4 tem como objetivo a uniformização de eventual dissídio jurisprudencial, verificado entre as diversas Turmas do CARF. Neste passo, ao julgar o Recurso Especial de Divergência, a Câmara Superior de Recursos Fiscais não constitui uma Terceira Instância, mas sim a Instância Especial, responsável pela pacificação dos conflitos interpretativos e, conseqüentemente, pela garantia da segurança jurídica dos conflitos. Passo a decidir. i) Divergência Nulidade do Auto de Infração por indicação do mesmo AFRFB para atuar em novo MPF em desfavor da Recorrente Com efeito, a Contribuinte aduz a anulação do lançamento por suposta violação de regra atinente ao MPF por indicação do mesmo AFRB para atuar em seu desfavor. Compulsando aos autos, verifico que o primeiro MPF, foi inaugurado pelo Agente Fiscal, Sr. Marcelo Ferreira de Oliveira, cuja validade estendida até 23/03/2008. Ocorre que, em razão da extinção desse primeiro MPF, o Inspetor da Alfândega de Vitória expediu um novo MPF para conclusão daquele primeiro, sob nº 07.2.00 2008001481, datado de 14/03/2008, neste novo MPF, foi novamente imputado ao Agente Fiscal, Sr. Marcelo Ferreira de Oliveira, a responsabilidade pela condução das fiscalizações em face da Contribuinte. Não vislumbro qualquer nulidade, o procedimento realizado tratase de um procedimento de administração, não é o MPF que tem com condão de legitimar o lançamento tributário. As nulidades no processo administrativo fiscal são aquelas constantes do art. 59 do Decreto nº 70.235/72, in verbis: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Os requisitos para lavratura do auto de infração, por sua vez, se encontram no art 10 do Decreto nº 70.235/72: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de 30 (trinta) dias; Fl. 1515DF CARF MF Processo nº 12466.722972/201121 Acórdão n.º 9303007.690 CSRFT3 Fl. 1.514 5 VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Os itens III descrição do fato e IV disposição legal infringida e a penalidade aplicável, colacionados acima, formam a motivação do lançamento a partir da qual surge a obrigação tributária em concreto, possibilitando identificar os sujeitos e quantificar o crédito tributário. Na lição de Paulo de Barros Carvalho1: "Motivo ou pressuposto é a realização do "evento", do qual tem notícia o agente da Administração Não é ainda o "fato jurídico tributário" que vai surgir na forma de um enunciado lingüístico, integrado no conteúdo do ato. É aquele acontecimento do inundo que feriu a sensibilidade de um sujeito de direito e está a espera da linguagem própria que lhe dê foros de objetividade." Há que se diferenciar ainda o motivo do ato administrativo da motivação, que integra a "formalização" do ato. Nos dizeres de Fabiana Del Padre Tomé2, motivo é requisito extrínseco ou pressuposto do ato administrativo, ao passo que a motivação é requisito intrínseco ou elemento do referido ato: "Enquanto o motivo é pressuposto fático do ato, representado pela "ocorrência da vida real que _satisfaz a todos os critérios identificadores tipificados na hipótese tributária", a motivação compõe o próprio ato administrativo, consistindo na descrição do motivo do ato, situada no antecedente da norma individual e concreta. Tratandose de ato de lançamento, o motivo é o evento tributário, ao passo que a motivação constitui o .fato jurídico correspondente O mesmo se verifica no ato de aplicação de penalidade: o motivo é o evento ilícito, sendo o fato da ilicitude introduzido no universo jurídico pela motivação." Sendo assim, não se configura nos autos as hipóteses que possam conduzir o auto de infração a sua nulidade, principalmente, quando o procedimento fiscal foi realizado com observância aos ditames dos arts. 142 e 149 do Código Tributário Nacional CTN e dos arts. 9 e 10 do PAF. Nesse mesmo diapasão, cabe salientar que esta E. Câmara Superior, já tem jurisprudência uníssona no sentido de que o MPF é um instrumento interno da Receita Federal do Brasil (RFB) eventuais vícios não anulam o lançamento. Senão vejamos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/12/2001 a 31/12/2001, 01/01/2002 a 31/01/2002, 01/04/2002 a 31/05/2002, 01/08/2002 a 30/09/2002, 01/04/2003 a 30/04/2003, 01/07/2003 a 31/08/2003, 01/11/2003 a 30/11/2003, 01/02/2004 1 CARVALHO, Paulo de Barros Direito tributário liguagem e método 2 ed. São Paulo, Noeses, 2008, p. 432. 2 TOMÉ, Fabiana Del Padre. Prova no direito tributário 2 ed São Paulo: Noeses, 2008, p. 289293 Fl. 1516DF CARF MF 6 a 31/03/2004, 01/06/2004 a 30/06/2004, 01/02/2005 a 28/02/2005, 01/05/2005 a 31/12/2005, 01/01/2006 a 28/02/2006 MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL MPF. INSTRUMENTO INTERNO DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL (RFB). EVENTUAIS VÍCIOS NÃO ANULAM O LANÇAMENTO. O Mandado de Procedimento Fiscal MPF se constitui em mero instrumento interno da Administração Tributária, destinado ao controle e ao planejamento das atividades fiscalizatórias, irregularidades em sua emissão não são suficientes para se anular o lançamento. Precedentes CARF. (Acórdão nº 9303005.795, Rel. Conselheiro Demes Brito, julgado em 21 de setembro de 2017). ii) Divergência Impossibilidade de aplicação à empresa interposta (adquirente ostensiva) da pena de perdimento das mercadorias e da respectiva multa de 100% substitutiva – aplicação exclusiva da multa prevista no art. 33 da Lei nº 11.488, de 2007. No que tange a tese da Contribuinte, no sentido de que a multa a ser aplicada ao caso seria a do artigo 33 da lei nº 11.488/07, não prospera, esta E. Câmara Superior tem jurisprudência firma, no sentido de que aplicação da multa de dez por cento do valor da operação, pela cessão do nome, nos termo do art. 33 da Lei nº 11.488/2007, não será declarada a inaptidão da pessoa jurídica prevista no art. 81 da Lei 9.430/96. A imposição da multa não prejudica a aplicação da multa equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias, pela conversão da pena de perdimento dos bens, prevista no art. 23, inciso V, do DecretoLei nº 1.455/76. Por se tratar de matéria idêntica, adoto como fundamento em minhas razões de decidir o voto condutor do acórdão nº 9303006.001, de 29 de novembro de 2017, de Relatoria do Ilustre Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal, o qual tive a honra de acompanhálo em seus fundamentos, passa a fazer parte integrante desta voto e acórdão. Vejamos: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 30/01/2006 a 23/06/2006 DANO AO ERÁRIO. INFRAÇÃO. PENA DE PERDIMENTO. CONVERSÃO EM MULTA. VALOR DA MERCADORIA. LEI 10.637/02.CESSÃO DE NOME. INFRAÇÃO. MULTA. DEZ POR CENTO DO VALOR DA OPERAÇÃO. LEI 11.488/07. RETROATIVIDADE BENIGNA. IMPOSSIBILIDADE. Na hipótese de aplicação da multa de dez por cento do valor da operação, pela cessão do nome, nos termo do art. 33 da Lei nº 11.488/2007, não será declarada a inaptidão da pessoa jurídica prevista no art. 81 da Lei 9.430/96. A imposição da multa não prejudica a aplicação da multa equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias, pela conversão da pena de perdimento dos bens, prevista no art. 23, inciso V, do DecretoLei nº 1.455/76. Descartada hipótese de aplicação do instituto da retroatividade benigna para penalidades distintas. Fl. 1517DF CARF MF Processo nº 12466.722972/201121 Acórdão n.º 9303007.690 CSRFT3 Fl. 1.515 7 A penalidade instituída pela Lei nº 11.488/07, equivalente a multa de dez por cento do valor da operação, aplicável à pessoa jurídica que cede o nome, não revogou nem trouxe qualquer consequência para os casos em que é cabível a cominação da multa de conversão da pena de perdimento, prevista no artigo 23 do DecretoLei nº 1.455/76, com a redação introduzida pela Lei 10.637/02. Há farta evidência de que a intenção do legislador jamais foi a de cominar penalidade mais branda a quaisquer das partes que se associam na prática de operação de importação ou exportação com ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável. Desde logo, vêse que os bens jurídicos tutelados por uma e por outra medida coercitiva não guardam nenhuma identidade entre si. Embora as duas infrações possam decorrer de um mesmo evento, a multa pela cessão do nome destinase a coibir o uso abusivo da pessoa jurídica, apenando conduta à qual era antes imposta a “pena” de inaptidão do CNPJ, medida que violentava os mais elementares pressupostos da ação estatal de controle da atividade privada, agindo com força desproporcional, ao impedir o particular de exercer sua atividade profissional. Por seu turno, a multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria importada destinase a coibir o ingresso de mercadoria estrangeira em situação irregular no território nacional, quando o bem, sujeito à pena de perdimento, escapa ao controle aduaneiro e é internalizado. Não se vislumbra nenhuma razão plausível para que se prestigie a inusitada interpretação de que o legislador, ao instituir a nova penalidade, tivesse a intenção de reduzir a sanção ou redefinir os limites de sua sujeição passiva ou de responsabilidade das partes envolvidas na infração por dano ao Erário. Como é de sabença, as infrações compreendidas nesse conceito são punidas com a pena de perdimento das mercadorias (artigo 23, § 1º, do DecretoLei 1.455/76). Completamente desarrazoado entender que, especifica e exclusivamente nos casos em que o dano ao Erário esteja associado à interposição fraudulenta de terceiros, a multa aplicável pela conversão da pena de perdimento deixe de ser equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias para converterse em inexpressivos dez por cento do valor da operação. Fosse essa a intenção do legislador e a primeira e obrigatória medida haveria de ser a exclusão da infração do rol de situações compreendidas no conceito de dano ao Erário, já que a este conceito está associada a ideia de penalidade gravíssima, cuja sanção é o perdimento das mercadorias. No que se refere à sujeição passiva/responsabilidade pela infração, é de ser perguntar: se o objetivo da legislação novel fosse, de fato, excluir a responsabilidade do importador pela infração de interposição fraudulenta, não seria suficiente que o texto da lei assim determinasse, de maneira clara e expressa? Por que supor que o legislador, nesse intento, escolheria meios tão transversais, criando uma nova multa, e sem fazer nenhuma ressalva às responsabilidades decorrentes da outra? Fl. 1518DF CARF MF 8 Mas, até aqui, tratamse, apenas, de abstrações com razoável conteúdo subjetivo. O que investe a questão posta em contornos de caráter definitivo são as disposições normativas que regulamentam a matéria. Inicio pelo art. 33 da Lei 11.488/2007. Art. 33. A pessoa jurídica que ceder seu nome, inclusive mediante a disponibilização de documentos próprios, para a realização de operações de comércio exterior de terceiros com vistas no acobertamento de seus reais intervenientes ou beneficiários fica sujeita a multa de 10% (dez por cento) do valor da operação acobertada, não podendo ser inferior a R$ 5.000,00 (cinco mil reais). Parágrafo único. À hipótese prevista no caput deste artigo não se aplica o disposto no art. 81 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (grifos acrescidos) O Regulamento Aduaneiro hoje vigente assim dispõe a respeito do assunto – Decreto 6.759/09: Art. 727. Aplicase a multa de dez por cento do valor da operação à pessoa jurídica que ceder seu nome, inclusive mediante a disponibilização de documentos próprios, para a realização de operações de comércio exterior de terceiros com vistas ao acobertamento de seus reais intervenientes ou beneficiários (Lei nº 11.488, de 2007, art. 33, caput). (...) § 3o A multa de que trata este artigo não prejudica a aplicação da pena de perdimento às mercadorias importadas ou exportadas. É de clareza singular. A Lei trata do efeito imediato da aplicação da multa, qual seja, afastar a declaração de inaptidão da pessoa jurídica (art. 81 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996). A meu ver, já seria suficiente, uma vez que apenas essa conseqüência foi prevista para os casos de imposição da multa por cessão de nome. Mas o Decreto deu o passo seguinte. O parágrafo 3º do art. 727 confirma com todas as letras o entendimento de que a imposição de multa por cessão de nome não prejudica a aplicação da pena de perdimento às mercadorias importadas ou exportadas2, afastando qualquer possibilidade de que prospere a interpretação de que aquela retroaja na forma do art. 106 do Código Tributário Nacional. E orientam no mesmo sentido as demais disposições infralegais acerca do assunto. Até a promulgação da Lei nº 11.488/2007, a cessão do nome para o acobertamento do real beneficiário da operação trazia como consequência (i) a pena de perdimento da mercadoria ou conversão em multa e (ii) proposição de inaptidão do CNPJ (IN SRF 568/2005). O artigo 343, inciso Fl. 1519DF CARF MF Processo nº 12466.722972/201121 Acórdão n.º 9303007.690 CSRFT3 Fl. 1.516 9 III, da IN SRF 568/2005 dispunha sobre a inaptidão da inscrição do CNPJ de entidade considerada inexistente de fato. O artigo 414, inciso III, considerava inexistente de fato a pessoa jurídica que "tenha cedido seu nome, inclusive mediante a disponibilização de documentos próprios, para a realização de operações de terceiros, com vistas ao acobertamento de seus reais beneficiários;". Treze dias após a edição da Lei nº 11.488/2007, foi publicada a IN RFB nº748/2007, revogando a IN RFB 568/2005. O artigo 41 da nova IN suprimiu a hipótese de cessão de nome com vistas ao acobertamento dos reais beneficiários em operações no exterior, como causa de declaração da inexistência de fato da PJ. Ou seja, também os atos normativos editados pela Secretaria da Receita Federal confirmam que a penalidade prevista no artigo 33 da Lei nº 11.488/2007 foi introduzida no ordenamento jurídico com propósito substituir a declaração de inaptidão pelo simples ato de ceder o nome. Todas as premissas até aqui adotadas e as conclusões a que remetem são, ainda, reforçadas pelo Parecer de encaminhamento do projeto de lei de Conversão da MP nº 351/2007 na Lei nº 11.488/2007, com a seguinte observação: “Já no art. 35, juntamente com a modificação da redação do art. 81 da Lei no 9.430, de 1996, contida no art. 15 do PLV, sugerimos a adequação dos critérios legais para se declarar a inaptidão de inscrição das pessoas jurídicas e da multa aplicável no caso de cessão de nome da empresa para realização de operações de comércio exterior de terceiros.” derradeira conclusão é a de que o ato de ceder o nome com vistas ao acobertamento do real beneficiário acarreta duas infrações, cujos bens jurídicos tutelados são distintos: o próprio erário e o controle aduaneiro como um todo, e a integridade do Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica. Enquanto o artigo 33 da Lei nº 11.488/2007 resguarda a higidez do CNPJ, coibindo seu uso indevido, em substituição da declaração de inaptidão, o inciso V do artigo 23 do Decretolei nº 1.455/1976 protege o Erário e o próprio controle aduaneiro. Finalmente, descartase a hipótese de violação do princípio non bisinidem. As disposições legais de que aqui tratamos foram, desde o início, concebidas à luz da interpretação dada pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional às abstrações normativas presentes na legislação tributária que regulamenta as operações de comércio exterior. Foi com base no Parecer PGFN CAT 1.316/01 que forjaramse os instrumentos capazes de alcançar todas as pessoas envolvidas nas atividades irregulares, principalmente, o proprietário das mercadorias importadas de forma irregular. Como se sabe, o artigo 31 do DecretoLei nº 37/66, considera contribuinte do Imposto de Importação aquele que promove a entrada de mercadoria estrangeira no território nacional. Fl. 1520DF CARF MF 10 Um dos pontos de partida de todo empreendimento que deu origem às alterações na legislação havidas ao longo do ano de 2001 foi a interpretação veiculada no Parecer PGFN CAT 1.316/01, segundo a qual o contribuinte do Imposto de Importação é a pessoa cujo nome aparece no conhecimento de carga como sendo o proprietário da mercadorias importada, independentemente de quem esteja efetivamente interessado na aquisição ou fizer as negociações prévias. Como consequência da manifestação do Órgão, as autuações da Fiscalização Federal passaram, obrigatoriamente, a indicar, como importador, a pessoa informada com tal nas declarações de importação, mesmo que um terceiro fosse quem, verdadeiramente, promovesse o ingresso das mercadorias em território nacional. Por conta disso, nos casos de infração por interposição fraudulenta, o sujeito passivo da obrigação principal anotado no auto de infração será sempre a pessoa que registrou a declaração de importação, embora, o mais das vezes, pretendase alcançar o verdadeiro proprietário das mercadorias, que, por força da legislação superveniente ao Parecer supra citado, figura como solidário pelo imposto e, em regra geral, também pelas infrações cometidas. Portanto, ainda que pareçam duas penalidades decorrentes de um mesmo evento e exigidas de uma mesma pessoa jurídica, tratamse, na verdade, de uma multa (10%) destinada a apenar o importador e de outra (100%) destinada àquele que, informalmente, se costuma chamar o "verdadeiro importador", identificado nas disposições legais como sendo o adquirente por conta e ordem ou encomendante das mercadorias. Em decisão recente, datada de 21 de março de 2017, acórdão nº 9303004.714, da relatoria da i. Conselheira Érika Costa Camargos Autran, este Colegiado firmou entendimento de que não se aplica à hipótese a retroatividade benigna. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Período de apuração: 23/08/2006 a 20/03/2007 CUMULATIVIDADE DA MULTA DO ART. 33 DA LEI Nº 11.488/07 E O PERDIMENTO DA MERCADORIA. RETROATIVIDADE BENIGNA DA LEI Nº 11.488/2007. IMPOSSIBILIDADE. A multa do art. 33 da Lei nº 11.488/07 veio para substituir a pena de inaptidão do CNPJ da pessoa jurídica, quando houver cessão de nome para a realização de operações de comércio exterior de terceiros com vistas no acobertamento de seus reais intervenientes ou beneficiários, e não prejudica a incidência da hipótese de dano ao erário, por ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, prevista no art. 23, V, do DL nº 1.455/76, apenada com perdimento da mercadoria. Desta maneira, descartada hipótese de aplicação da retroação benigna prevista no artigo 106, II, “c”, do Código Tributário Nacional por trataremse de penalidades distintas". Fl. 1521DF CARF MF Processo nº 12466.722972/201121 Acórdão n.º 9303007.690 CSRFT3 Fl. 1.517 11 Dispositivo Ex positis, nego provimento ao Recurso da Contribuinte. É como voto. (Assinado digitalmente) Demes Brito Fl. 1522DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 12448.726145/2014-78
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jan 15 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2013
PENSÃO ALIMENTÍCIA. REQUISITOS.
Da legislação de regência, extrai-se que são requisitos para a dedução da despesa com pensão alimentícia: a) a comprovação do efetivo pagamento dos valores declarados; b) que o pagamento tenha a natureza de alimentos; c) que a obrigação seja fixada em decorrência das normas do Direito de Família; e d) que seu pagamento esteja de acordo com o estabelecido em decisão judicial ou acordo homologado judicialmente ou, ainda, a partir do ano-calendário 2007, em conformidade com a escritura pública a que se refere o art. 1.124-A da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973.
Numero da decisão: 2001-000.964
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente
(assinado digitalmente)
Fernanda Melo Leal - Relatora.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho e Jose Ricardo Moreira.
Nome do relator: FERNANDA MELO LEAL
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REQUISITOS. Da legislação de regência, extraise que são requisitos para a dedução da despesa com pensão alimentícia: a) a comprovação do efetivo pagamento dos valores declarados; b) que o pagamento tenha a natureza de alimentos; c) que a obrigação seja fixada em decorrência das normas do Direito de Família; e d) que seu pagamento esteja de acordo com o estabelecido em decisão judicial ou acordo homologado judicialmente ou, ainda, a partir do ano calendário 2007, em conformidade com a escritura pública a que se refere o art. 1.124A da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Presidente (assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal Relatora. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho e Jose Ricardo Moreira. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 44 8. 72 61 45 /2 01 4- 78 Fl. 144DF CARF MF 2 Tratase de Notificação de Lançamento relativa a Imposto de Renda Pessoa Física, lavrada em nome do sujeito passivo em epígrafe, decorrente de procedimento de revisão de sua Declaração de Ajuste Anual do exercício 2013, anocalendário de 2012. De acordo com o Relatório de Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, foi apurada a glosa sobre as deduções indevidamente realizadas pelo sujeito passivo, por falta de comprovação, a título de Pensão Alimentícia Judicial e/ou por Escritura Pública e Contribuição à Previdência Privada e Fapi, despesas médicas e compensação indevida de IRRF. Regularmente cientificado da Notificação, a contribuinte, em suma, discordou da glosa das deduções e juntou documentos diversos para comprovar suas despesas e obrigação em pagar a pensão. De acordo com o despacho de fl. 36, a situação dos autos fez com que o lançamento acima descrito fosse revisto de ofício pela DRF/Rio de Janeiro. Assim, foram lavrados o Despacho Decisório e o Termo Circunstanciado de fls. 37/40, mantendo em parte o lançamento formalizado pela NL contestada, alterando seu resultado para: imposto suplementar código 2904, no valor de R$2.873,48, e imposto código 0211, no valor de R$1.882,21, além dos respectivos acréscimos legais. A DRJ Juiz de Fora, na análise da peça impugnatória, manifestou seu entendimento no sentido de o Contribuinte não logrou êxito em comprovar apenas a o pagamento da pensão alimentícia a sua ex esposa eis que dos documentos juntados verificase ter havido acordos homologados judicialmente entre o contribuinte e sua exesposa, firmando a obrigação alimentar alegada, no entanto, não foi anexado ao presente processo as comprovações dos efetivos pagamentos em discussão, depósitos em conta corrente da beneficiária. Em sede de Recurso Voluntário, junta o contribuinte documentações que não deixam dúvidas acerca da dedutibilidade de suas despesas em relação a pensão alimentícia.. É o relatório. Voto Conselheira Fernanda Melo Leal Relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade. Portanto, merece ser conhecido. Mérito Pensão alimentícia Merece trazer a baila logo de início o que dispõe a legislação no que se refere à pensão alimentícia. Vejamos o que está previsto no art. 8º, II, “f”, da Lei nº 9.250/1995: Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: Fl. 145DF CARF MF Processo nº 12448.726145/201478 Acórdão n.º 2001000.964 S2C0T1 Fl. 3 3 I de todos os rendimentos percebidos durante o anocalendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II das deduções relativas: (...) f) às importâncias pagas a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente, inclusive a prestação de alimentos provisionais; Ressaltese que a alínea “f” do inciso II do artigo 8º da Lei nº 9.250, de 1995, passou a ter nova redação com o advento da Lei n.º 11.727, de 23 de junho de 2008, redação esta que, nos termos do art. 21 desta Lei, entrou em vigor na data da publicação da Lei nº 11.441, de 4 de janeiro de 2007. Eis a nova redação: f) às importâncias pagas a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial, inclusive a prestação de alimentos provisionais, de acordo homologado judicialmente, ou deescritura pública a que se refere o art. 1.124A da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973 Código de Processo Civil; (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008) Conforme verificase da legislação acima transcrita, são requisitos para a dedução: a comprovação do efetivo pagamento dos valores declarados; que o pagamento tenha a natureza de alimentos; que a obrigação seja fixada em decorrência das normas do Direito de Família; e que seu pagamento esteja de acordo com o estabelecido em decisão judicial ou acordo homologado judicialmente ou, ainda, a partir do anocalendário 2007, em conformidade com a escritura pública a que se refere o art. 1.124A da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973. No caso em comento discutese apenas a dedutibilidade da pensão posto que que não teria sido comprovada pelo contribuinte o seu efetivo pagamento. Ocorre que em sede de Recurso Voluntário junta toda a documentação que não deixa dúvida acerca de sua do efetivo pagamento dos valores. Nesta senda entendo que deve ser trazido à baila o princípio pela busca da verdade material. Sabemos que o processo administrativo sempre busca a descoberta da verdade material relativa aos fatos tributários. Tal princípio decorre do princípio da legalidade e, também, do princípio da igualdade. Busca, incessantemente, o convencimento da verdade que, hipoteticamente, esteja mais aproxima da realidade dos fatos. De acordo com o princípio são considerados todos os fatos e provas novos e lícitos, ainda que não tragam benefícios à Fazenda Pública ou que não tenham sido declarados. Essa verdade é apurada no julgamento dos processos, de acordo com a análise de documentos, oitiva das testemunhas, análise de perícias técnicas e, ainda, na investigação dos fatos. Através das provas, buscase a realidade dos fatos, desprezandose as presunções tributárias ou outros procedimentos que atentem apenas à verdade formal dos fatos. Neste sentido, deve a administração promover de oficio as investigações necessárias à elucidação da verdade material para que a partir dela, seja possível prolatar uma sentença justa. Fl. 146DF CARF MF 4 A verdade material é fundamentada no interesse público, logo, precisa respeitar a harmonia dos demais princípios do direito positivo. É possível, também, a busca e análise da verdade material, para melhorar a decisão sancionatória em fase revisional, mesmo porque no Direito Administrativo não podemos falar em coisa julgada material administrativa. A apresentação de provas e uma análise nos ditames do princípio da verdade material estão intrinsecamente relacionadas no processo administrativo, pois a verdade material apresentará a versão legítima dos fatos, independente da impressão que as partes tenham daquela. A prova há de ser considerada em toda a sua extensão, assegurando todas as garantias e prerrogativas constitucionais possíveis do contribuinte no Brasil, sempre observando os termos especificados pela lei tributária. A jurisdição administrativa tem uma dinâmica processual muito diferente do Poder Judiciário, portanto, quando nos depararmos com um Processo Administrativo Tributário, não se deve deixar de analisálo sob a égide do princípio da verdade material e da informalidade. No que se refere às provas, é necessário que sejam perquiridas à luz da verdade material, independente da intenção das partes, pois somente desta forma será possível garantir o um julgamento justo, desprovido de parcialidades. Somase ao mencionado princípio também o festejado princípio constitucional da celeridade processual, positivado no ordenamento jurídico no artigo 5º, inciso LXXVIII da Constituição Federal, o qual determina que os processos devem desenvolverse em tempo razoável, de modo a garantir a utilidade do resultado alcançado ao final da demanda. Ratifico, ademais, a necessidade de fundamento pela autoridade fiscal, dos fatos e do direito que consubstancia o lançamento. Tal obrigação, a motivação na edição dos atos administrativos, encontrase tanto em dispositivos de lei, como na Lei nº 9.784, de 1999, como talvez de maneira mais importante em disposições gerais em respeito ao Estado Democrático de Direito e aos princípios da moralidade, transparência, contraditório e controle jurisdicional. Neste diapasão, verificando a boa fé, o respaldo em decisão judicial e os argumentos e documentos claros trazidos pelo contribuinte, além das efetivas provas da obrigação legal em pagar a pensão, entendo serem dedutíveis as despesas de pensão alimentícia incorridas pelo contribuinte. CONCLUSÃO: Diante tudo o quanto exposto, voto no sentido de, CONHECER e DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, para acatar integralmente a despesa de pensão alimentícia declarada pelo contribuinte. (assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal. Fl. 147DF CARF MF Processo nº 12448.726145/201478 Acórdão n.º 2001000.964 S2C0T1 Fl. 4 5 Fl. 148DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.910628/2012-24
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Nov 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jan 24 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do Fato Gerador: 30/04/2004
PER/DCOMP. CRÉDITO REGIME NÃO-CUMULATIVO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO.
Para que seja possível a homologação do PER/DCOMP é necessário haver nos autos documentos idôneos e capazes de justificar as alterações dos valores registrados em DCTF. A compensação de débitos somente pode ser efetuada mediante existência de créditos líquidos e certos da interessada juntos à Fazenda Pública - art. 170 do CTN.
Numero da decisão: 3401-005.502
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
ROSALDO TREVISAN Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (presidente), Carlos Alberto da Silva Esteves (suplente convocado em substituição a Mara Cristina Sifuentes, ausente justificadamente), Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, André Henrique Lemos, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Cássio Schappo, e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente).
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do Fato Gerador: 30/04/2004 PER/DCOMP. CRÉDITO REGIME NÃO-CUMULATIVO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. Para que seja possível a homologação do PER/DCOMP é necessário haver nos autos documentos idôneos e capazes de justificar as alterações dos valores registrados em DCTF. A compensação de débitos somente pode ser efetuada mediante existência de créditos líquidos e certos da interessada juntos à Fazenda Pública - art. 170 do CTN.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) ROSALDO TREVISAN Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (presidente), Carlos Alberto da Silva Esteves (suplente convocado em substituição a Mara Cristina Sifuentes, ausente justificadamente), Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, André Henrique Lemos, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Cássio Schappo, e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente).
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CRÉDITO REGIME NÃOCUMULATIVO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. Para que seja possível a homologação do PER/DCOMP é necessário haver nos autos documentos idôneos e capazes de justificar as alterações dos valores registrados em DCTF. A compensação de débitos somente pode ser efetuada mediante existência de créditos líquidos e certos da interessada juntos à Fazenda Pública art. 170 do CTN. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) ROSALDO TREVISAN – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (presidente), Carlos Alberto da Silva Esteves (suplente convocado em substituição a Mara Cristina Sifuentes, ausente justificadamente), Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, André Henrique Lemos, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Cássio Schappo, e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 91 06 28 /2 01 2- 24 Fl. 72DF CARF MF Processo nº 10980.910628/201224 Acórdão n.º 3401005.502 S3C4T1 Fl. 3 2 Relatório Versa o presente sobre o PER/DCOMP indicando como crédito pagamento indevido ou a maior de PIS, indeferido por meio de Despacho Decisório, por estar o pagamento indicado como indevido sendo utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível. Em sua Manifestação de Inconformidade, alega a empresa que “... apurou de forma incorreta o PIS e a Cofins, não utilizando os créditos permitidos pela apuração não cumulativa previstos pela Lei 10.833/2003 em seus artigos 3º e 15”. E para comprovar o alegado, anexa planilha demonstrativa de cálculo que embasou o pedido. A decisão de primeira instância foi pela improcedência da manifestação de inconformidade, por carência probatória a cargo da postulante (não comprovação do erro apontado), e por não haver direito a crédito das contribuições (PIS e COFINS) nas operações de distribuição de combustíveis, na sistemática da nãocumulatividade. Após ciência da decisão da DRJ, a empresa apresentou Recurso Voluntário tempestivo, na qual sustenta, em preliminar, a nulidade da decisão recorrida, sob o argumento de que esta se equivocou ao concluir que a recorrente atua, exclusivamente, no ramo de comercialização de produtos submetidos ao regime monofásico de tributação, e que, por tal razão, não apreciou os verdadeiros motivos que geraram o crédito ora pleiteado. No mérito, defendeu a existência do direito creditório derivado da comercialização de peças de veículos, cigarros, produtos de higiene pessoal, artigos de tabacaria, etc., os quais se encontram incluídos no regime nãocumulativo. Ao final, pugnou pela nulidade da decisão combatida e, subsidiariamente, pela reforma do acórdão. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401005.489, de 26 de novembro de 2018, proferido no julgamento do processo 10980.910586/201221, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 3401005.489): Fl. 73DF CARF MF Processo nº 10980.910628/201224 Acórdão n.º 3401005.502 S3C4T1 Fl. 4 3 "A recorrente interpôs Recurso Voluntário contra a decisão proferida em primeira instância pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) no prazo de 30 dias, de acordo com a Regra Geral sobre contagem de prazos no Processo Administrativo Fiscal, a qual é estabelecida pelos arts. 33 e 5º, do Decreto nº 70.235/72. Portanto, dele tomase conhecimento. Defende a recorrente que o acórdão ora se equivocou ao concluir que a recorrente atua exclusivamente no ramo de comercialização de produtos submetidos ao regime monofásico de tributação, motivo pelo qual julgou pela improcedência da Manifestação de Inconformidade. Conforme relatado, a recorrente em sua Manifestação de Inconformidade se limitou em alegar que “apurou de forma incorreta o PIS e a Cofins relativo ao período de janeiro a junho de 2004, não utilizando os créditos permitidos pela apuração não cumulativa previstos pela Lei 10.833/2003 em seus artigos 3º e 15”. O acórdão recorrido foi claro ao afirmar que: Conforme manifestação de inconformidade apresentada, a contribuinte alega haver efetuado pagamento a maior de PIS e Cofins, dos períodos de janeiro a junho de 2004, por não utilizar os créditos permitidos pelo art. 3º da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003 (o art. 15 desta Lei estende a aplicação de dispositivos ao PIS/Pasep). Contudo, não determina e tampouco discrimina a que se referem os aludidos créditos, se decorrentes de aquisição de bens para revenda, bens e serviços utilizados como insumos ou outras despesas da atividade. Tampouco a planilha apresentada menciona essa origem, discriminando apenas os valores dos aludidos créditos de cada período. [...] Assim, instaurado o contencioso administrativo, as alegações quanto ao suposto crédito decorrente de recolhimento indevido ou a maior devem estar comprovadas pela demonstração inequívoca do quantum recolhido indevidamente, mediante a apresentação de documentação hábil e idônea, consistente na escrituração contábil/fiscal do contribuinte, além de outros elementos de prova. Diante do exposto não há razões para cassar o acórdão guerreado, uma vez que apreciou e fundamentou a improcedência da Manifestação de Inconformidade. Quanto ao argumento de que o acórdão recorrido concluiu que a recorrente atua exclusivamente no “comércio a varejo de gasolina, álcool hidratado, óleos diesel e lubrificantes” Fl. 74DF CARF MF Processo nº 10980.910628/201224 Acórdão n.º 3401005.502 S3C4T1 Fl. 5 4 e que a comercialização de tais produtos não é onerada pelas contribuições do PIS/Pasep e da Cofins, motivo pelo qual não há razão para que a aquisição destes produtos gere crédito desta contribuição, não merece prosperar. Após apontar a carência probatória, o acórdão recorrido menciona que: De qualquer maneira, tendo em vista que o objeto social principal da contribuinte, segundo a Cláusula Terceira de seu Contrato Social, é o comércio a varejo de gasolina, álcool hidratado, óleos diesel e lubrificantes, cabe lembrar a legislação de regência que determinou a forma de tributação incidente sobre essa atividade econômica. Deste modo, percebese que o acórdão recorrido em momento algum afirma que a recorrente atua exclusivamente no “comércio a varejo de gasolina, álcool hidratado, óleos diesel e lubrificantes”, apenas complementa sua fundamentação no sentido de que o “objeto social principal da contribuinte” é a exploração destas atividades, e que estas não geram crédito. Ressaltase, que em momento algum a recorrente, na Manifestação de Inconformidade, informa a origem do aludido crédito, se decorrente de aquisição de bens para revenda, bens e serviços utilizados como insumos ou outras despesas da atividade. Por tais razões, não merece amparo a preliminar arguida. No mérito, a recorrente sustenta a existência do aludido credito, o qual deriva da comercialização de peças de veículos, cigarros, produtos de higiene pessoal, artigos de tabacaria, etc., os quais se encontram incluídos no regime nãocumulativo. Pois bem. Conforme relatado e também mencionado quando da análise da preliminar arguida, a recorrente simplesmente alegou possuir crédito de R$ 1.561,32, pois “apurou de forma incorreta o PIS e a Cofins relativo ao período de janeiro a junho de 2004, não utilizando os créditos permitidos pela apuração não cumulativa previstos pela Lei 10.833/2003 em seus artigos 3º e 15”. Ademais, não informa a origem do aludido crédito, se decorrente de aquisição de bens para revenda, bens e serviços utilizados como insumos ou outras despesas da atividade, assim como não anexa aos autos documentos capazes de demonstrar seu direito creditório. É de bom grado ressaltar que cabe ao contribuinte comprovar a existência do crédito que pretende utilizar para compensar com o débito, art. 373, I, do CPC, e à Administração Tributária verificar e validar o referido crédito. Por conseguinte, Fl. 75DF CARF MF Processo nº 10980.910628/201224 Acórdão n.º 3401005.502 S3C4T1 Fl. 6 5 confirmado o direito creditório, sobrevém a homologação, a qual extingue os débitos objeto da compensação. Assim, para que seja possível a homologação do PER/DCOMP é necessário haver nos autos documentos idôneos e capazes de justificar as alterações dos valores registrados em DCTF. Oportuno mencionar também que, nos termos do art. 170 do CTN, a compensação de débitos somente pode ser efetuada mediante existência de créditos líquidos e certos da interessada juntos à Fazenda Pública. Nesse sentido, a DCTF é instrumento de confissão de dívida e constituição definitiva do crédito tributário, conforme legislação de regência (art. 5º do Decreto Lei nº 2.124/84, e Instruções da RFB que dispõem sobre a DCTF). Ante o exposto, voto por conhecer e negar provimento ao Recurso Voluntário." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por conhecer e negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Fl. 76DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13851.902631/2016-61
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 28 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jan 28 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do Fato Gerador: 25/09/2013
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO INTEMPESTIVO.
Não se conhece do recurso apresentado após o prazo de trinta dias contados da ciência da decisão de primeira instância.
Recurso Voluntário Não Conhecido
Crédito Tributário Mantido
Numero da decisão: 3402-005.907
Decisão:
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do Recurso Voluntário, por intempestivo.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra (presidente da turma), Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Diego Diniz Ribeiro, Cynthia Elena de Campos, Renato Vieira de Ávila (suplente convocado), Pedro Sousa Bispo e Rodrigo Mineiro Fernandes. Ausente, justificadamente, a Conselheira Thais de Laurentiis Galkowicz.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do Fato Gerador: 25/09/2013 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO INTEMPESTIVO. Não se conhece do recurso apresentado após o prazo de trinta dias contados da ciência da decisão de primeira instância. Recurso Voluntário Não Conhecido Crédito Tributário Mantido
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do Recurso Voluntário, por intempestivo. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra (presidente da turma), Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Diego Diniz Ribeiro, Cynthia Elena de Campos, Renato Vieira de Ávila (suplente convocado), Pedro Sousa Bispo e Rodrigo Mineiro Fernandes. Ausente, justificadamente, a Conselheira Thais de Laurentiis Galkowicz.
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RECURSO INTEMPESTIVO. Não se conhece do recurso apresentado após o prazo de trinta dias contados da ciência da decisão de primeira instância. Recurso Voluntário Não Conhecido Crédito Tributário Mantido Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do Recurso Voluntário, por intempestivo. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra (presidente da turma), Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Diego Diniz Ribeiro, Cynthia Elena de Campos, Renato Vieira de Ávila (suplente convocado), Pedro Sousa Bispo e Rodrigo Mineiro Fernandes. Ausente, justificadamente, a Conselheira Thais de Laurentiis Galkowicz. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 85 1. 90 26 31 /2 01 6- 61 Fl. 146DF CARF MF Processo nº 13851.902631/201661 Acórdão n.º 3402005.907 S3C4T2 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente processo de Pedido de Restituição (PER), indeferido em decorrência do crédito alegado não estar disponível, por se encontrar o valor do DARF recolhido vinculado a um débito declarado. Cientificada, a contribuinte interpôs manifestação de inconformidade em que solicitou a revisão do despacho decisório, tendo em vista que retificou a DCTF do respectivo período de apuração. Alega que diversos pagamentos de PIS/Pasep e de Cofins “foram recolhidos indevidamente, de acordo com a Lei n° 10.925, de 2004, artigo 1o, inciso XVIII – Solução de Consulta Cosit de 29/06/2016, na qual determina a redução para zero das alíquotas incidentes”. Ato contínuo, a DRJCURITIBA (PR) julgou a manifestação de inconformidade improcedente, nos termos do Acórdão nº 06058.375. Neste Recurso, a Empresa repisou os mesmos argumentos apresentados na sua Impugnação e juntou aos autos as notas fiscais eletrônicas de vendas. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402005.906, de 28 de novembro de 2018, proferido no julgamento do processo 13851.902629/201692, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 3402005.906): "O recurso em análise não atende a todos os requisitos de admissibilidade, pois, no que se refere especificamente à tempestividade, quando da interposição do recurso, já havia transcorrido o prazo legal. Extraise do Decreto 70.235 de 06.03.1972 (PAF), dentre outros comandos, que o prazo para a interposição de recurso voluntário é de 30 (trinta) dias da ciência da decisão de 1ª instância. Segue transcrito os excertos normativos que importam ao presente exame: Fl. 147DF CARF MF Processo nº 13851.902631/201661 Acórdão n.º 3402005.907 S3C4T2 Fl. 4 3 (...) Art. 5º Os prazos serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento. Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser aplicado o ato Art.23 Farseá a intimação:. (...) II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelosujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº9.532/97) (...) §2º Considerase feita a intimação : (...) II no caso do inciso II do caput deste artigo, na data do recebimento ou, se omitida, quinze dias após a data da expedição da intimação; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (...) § 4º Para fins de intimação, considerase domicílio tributário do sujeito passivo: (Redação dada pela Lei nº11.196/2005) I o endereço postal por ele fornecido, para fins cadastrais, à administração tributária; e (Incluído pela Lei nº11.196, de 2005) (...) Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. (...) Temse que a data ciência do acórdão por meio eletrônico foi realizada em 27/04/2017 (fls.26). No caso sob exame, segundo a legislação de regência anteriormente transcrita, o termo final do prazo em questão ocorreu em 27/05/2017 (sábado), que por não ser dia útil, transferese o prazo para o dia 29/05/2017. Na folha 27 é demonstrado que o Recurso Voluntário somente foi apresentado no dia 31/05/2017. Portanto, o presente recurso é extemporâneo, pois foi apresentado fora do prazo legal. Fl. 148DF CARF MF Processo nº 13851.902631/201661 Acórdão n.º 3402005.907 S3C4T2 Fl. 5 4 Diante do exposto, voto no sentido de não conhecer do Recurso Voluntário, por intempestivo." Importa registrar que nos autos ora em apreço, assim como no paradigma, a ciência do acórdão da DRJ e a interposição do Recurso Voluntário ocorreram, respectivamente, em 27/04/2017 e 31/05/2017. Desta sorte, por absoluta identidade fática e jurídica, a decisão lá esposada pode ser perfeitamente aqui aplicada. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu não conhecer do Recurso Voluntário, por intempestivo. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 149DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10380.010159/2005-81
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 12 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Jul 15 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA (IRPJ)
Ano-calendário: 2000
ESCRITURAÇÃO. ÔNUS DA PROVA.
A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do Contribuinte dos fatos nela registrados apenas se comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais. Cabe ao Sujeito Passivo o ônus de provar que os dados por ele escriturados nos Livros Contábeis e informados em sua Declaração preenchem os requisitos da legislação tributária.
ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO (CSLL)
Ano-calendário: 2000
TRIBUTAÇÃO REFLEXA.
Aplica-se à exigência dita reflexa o que foi decidido quanto à exigência matriz, devido à íntima relação de causa e efeito entre elas.
Numero da decisão: 1402-003.935
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Evandro Correa Dias - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marco Rogerio Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Evandro Correa Dias, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Murillo Lo Visco, Barbara Santos Guedes, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Paulo Mateus Ciccone (Presidente).
Nome do relator: EVANDRO CORREA DIAS
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ementa_s : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA (IRPJ) Ano-calendário: 2000 ESCRITURAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do Contribuinte dos fatos nela registrados apenas se comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais. Cabe ao Sujeito Passivo o ônus de provar que os dados por ele escriturados nos Livros Contábeis e informados em sua Declaração preenchem os requisitos da legislação tributária. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO (CSLL) Ano-calendário: 2000 TRIBUTAÇÃO REFLEXA. Aplica-se à exigência dita reflexa o que foi decidido quanto à exigência matriz, devido à íntima relação de causa e efeito entre elas.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone - Presidente (documento assinado digitalmente) Evandro Correa Dias - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marco Rogerio Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Evandro Correa Dias, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Murillo Lo Visco, Barbara Santos Guedes, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Paulo Mateus Ciccone (Presidente).
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ÔNUS DA PROVA. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do Contribuinte dos fatos nela registrados apenas se comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais. Cabe ao Sujeito Passivo o ônus de provar que os dados por ele escriturados nos Livros Contábeis e informados em sua Declaração preenchem os requisitos da legislação tributária. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO (CSLL) Ano-calendário: 2000 TRIBUTAÇÃO REFLEXA. Aplica-se à exigência dita reflexa o que foi decidido quanto à exigência matriz, devido à íntima relação de causa e efeito entre elas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone - Presidente (documento assinado digitalmente) Evandro Correa Dias - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marco Rogerio Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Evandro Correa Dias, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Murillo Lo Visco, Barbara Santos Guedes, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Paulo Mateus Ciccone (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 01 01 59 /2 00 5- 81 Fl. 470DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 1402-003.935 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10380.010159/2005-81 Relatório Trata-se de recurso voluntário interposto contra acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Fortaleza (CE). Adoto, em sua integralidade, o relatório do Acórdão de Impugnação nº 08-18.715 - 3ª Turma da DRJ/FOR, complementando-o, ao final, com as pertinentes atualizações processuais. "Contra o Sujeito Passivo acima identificado foram lavrados Autos de Infração do Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) e reflexo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), fls. 3/12, além de Termo de Constatação Fiscal, fls. 14, 15, e Termo de Encerramento, fls. 112, para formalização e cobrança dos créditos tributários neles estipulados, totalizando R$ 1.302.493,11, incluindo encargos legais, relativos ao ano-calendário de 2000, conforme discriminação seguinte: Imposto/Contribuição Valor Apurado em R$ Fls. IRPJ 953.795,07 3/7 CSLL 348.698,04 8/12 TOTAL 1.302.493,11 ………. A infração apurada pela Fiscalização e relatada na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, fls. 5/7, 9/12, bem como detalhada no Termo de Constatação Fiscal, fls. 14, 15, acha-se descrita, em síntese, conforme indicado a seguir: Custos ou Despesas Não Comprovadas. Glosa de Despesas: O Contribuinte onerou indevidamente o resultado do exercício com uma despesa por supostos serviços prestados pela Empresa FRIST Participações e Administração Ltda., CNPJ 07.131.675/0001-19, no ano calendário 2000. Considerando que a despesa não foi comprovada, de acordo com as razões enumeradas no Termo de Constatação que acompanha o Auto de Infração, procedeu-se à sua glosa, apurando se nova base de cálculo do imposto, fls. 5. Conforme o Termo Constatação Fiscal acostado às fls. 14, 15, foram verificados os fatos a seguir discriminados: O Contribuinte foi intimado pelo Termo de Início de Fiscalização, do qual tomara ciência em 22/09/2005, a comprovar, mediante a apresentação de documentação hábil e idônea, a efetividade da prestação de serviços pela Empresa FRIST Participações e Administração Ltda, cujos valores foram debitados ao Resultado do ano calendário de 2000 a título de despesas (rubrica 6.1.2.3.02), conforme consta escriturado nos Livros Diário e Razão da Fiscalizada, fls. 46/53. O questionamento que então se fazia era devido à continuidade de procedimento investigatório anterior (Termo de Intimação Fiscal), de Fl. 471DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 1402-003.935 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10380.010159/2005-81 15/01/2004, em que o Contribuinte, em resposta apresentada à época, não logrou comprovar devidamente a veracidade dessas despesas, dado que: a) As duplicatas e Faturas apresentadas não se encontram lastreadas nem em Notas Fiscais de Serviços e nem em Contrato que discrimine a natureza dos serviços; b) Tais despesas teriam sido decorrentes de serviços prestados por uma Empresa denominada FRIST Participações e Administração Ltda., e teriam servido para baixar adiantamentos que haveriam sido concedidos, durante o ano de 1998, a uma outra Empresa denominada Atlanta Participações Ltda; c) Esta última Empresa, a Atlanta Participações e Administração Ltda., firmara, em 1998, contrato com a Construtora Marquise para assessorá-la na captação de recursos externos, bancários ou de investidores institucionais de valores superiores a US$ 5.500.000,00 (cinco milhões e quinhentos mil dólares norte americanos); d) O contrato, no valor de R$ 1.476.008,00, foi integralmente pago à Atlanta através de adiantamento contabilizado em 22/07/1998 pela Marquise; e) Posteriormente, a Atlanta teria cedido à Empresa FRIST Participações e Administração Ltda. os direitos e obrigações contratuais com a Construtora Marquise; f) A Empresa FRIST Participações e Administração Ltda. emitiu, então, no ano 2000, seis duplicatas seqüenciais contra a Construtora Marquise, nos valores e datas indicados, fls. 14; g) Tivesse havido, de fato, a cessão de direitos e obrigações contratuais da Atlanta com a Marquise, para a FRIST, certamente deveria ter sido repassado, igualmente, o adiantamento recebido pela Atlanta para a FRIST e esta jamais poderia emitir duplicata contra a Construtora Marquise, da qual era devedora; h) A FRIST Participações e Administração Ltda. apresentou, em 18/05/2001, Declaração de Informações Econômico Fiscais relativa ao ano calendário 2000 DIPJ/2001, como inativa, porém, curiosamente, após o Termo de Intimação Fiscal, de 15/01/2004, apresentou DIPJ retificadora, em 18/03/2004, em que registra como receita unicamente os valores das duplicatas que emitira contra a Construtora Marquise; i) Não consta dos arquivos da Receita Federal que a Construtora Marquise tenha apresentado DIRF relativa ao ano calendário 2000 em que indique a retenção de imposto de renda na fonte da Empresa FRIST Participações e Administração Ltda., embora, nas duplicatas emitidas por esta última esteja expressa a retenção de imposto na fonte no percentual de 1,5%, fls. 35, 37, 39, 41, 43, 45; e j) Até o momento da lavratura deste Termo, não foram apresentados comprovantes da efetividade dos serviços prestados pela FRIST Participações e Administração Ltda. à Construtora Marquise S/A no ano 2000, mas apenas o Instrumento de Cessão de Direitos e Obrigações do contrato da Marquise com a Atlanta, razão pela qual deve ser glosado totalmente o valor da despesa considerada na apuração das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL; Fl. 472DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 1402-003.935 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10380.010159/2005-81 k) É bom assinalar que, em seu expediente em que encaminhou o Instrumento de Cessão de Direitos e Obrigações, a Construtora informou sobre a existência, na sede da Empresa, de relatório que evidenciava a prestação dos serviços, mas estranhamente não fez a juntada deste documento, apesar de solicitada no Termo de Início de Fiscalização. Inconformado com a Exigência descrita, fls. 3/15, da qual tomara ciência em 08/11/2005, Aviso de Recepção às fls. 114, apresentou o Contribuinte Impugnação em 08/12/2005, fls. 115/120, através de Procuração, Instrumento às fls. 121, requerendo a improcedência da Autuação, invocando os fatos ocorridos, os princípios constitucionais tributários, a doutrina e jurisprudência, os dispositivos legais, mencionando a documentação suporte anexada, e alegando em síntese: DO DIREITO: Referida infração, apontada pela Fiscalização, diz respeito à não dedutibilidade de uma despesa de R$ 1.476.008,00, o que onerou indevidamente o resultado do exercício, por supostos serviços prestados pela Empresa FRIST Participações e Administração Ltda, CNPJ 07.131.675/0001 19, no ano calendário de 2000, supostamente não comprovada. Valendo se do Termo de Constatação Fiscal, que acompanha o Auto, a Fiscalização levanta dúvidas quanto à comprovação dos serviços executados pela Empresa FRIST ao Impugnante, argumentando, entre outros, que as despesas lançadas no resultado, oriundas das faturas emitidas, serviram para baixar, em 2000, adiantamentos que foram concedidos em 1998 a outra Empresa, denominada Atlanta Participações Ltda., por conta de assessoramento na captação de recursos externos. Esta, por sua vez, houvera cedido à FRIST os direitos e obrigações, celebrados contratualmente com o Impugnante. Dessa forma, conclui o Fisco, equivocadamente, que também deveria ter havido o repasse do adiantamento recebido, sem emissão de cobrança ao Impugnante, de quem a FRIST era devedora. Também expõe a Fiscalização que o Impugnante não teria apresentado DIRF relativa ao ano calendário de 2000, indicando a retenção do Imposto de Renda na Fonte da Empresa FRIST, embora a mesma estivesse expressa nas duplicatas emitidas, nem relatório que evidenciasse a prestação dos serviços, mas, tão somente, o Instrumento de Cessão de Direitos e Obrigações do Contrato do Impugnante com a Atlanta. Destaque se, entretanto, que a Fiscalização, em nenhum momento do Auto, nem no Termo de Constatação Fiscal, considerou inidôneos os documentos apresentados pelo Impugnante. Assinale se inclusive que, por força do art. 82, § único, da Lei 9.430/96, ainda mesmo que o documento fiscal tivesse sido emitido por pessoa jurídica inapta, a dedutibilidade da despesa seria admitida quando o tomador dos serviços comprovasse a efetivação do pagamento do preço respectivo e a utilização dos serviços. Também, com base no art. 299 do RIR/99, pode se concluir que, o importante é a motivação negocial na origem dos dispêndios usuais e normais nas transações ou operações da Empresa, sua necessidade à atividade da mesma e à Fl. 473DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 1402-003.935 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10380.010159/2005-81 manutenção da respectiva fonte produtora. Em suma, para comprovação da dedutibilidade da despesa, é indispensável que ela guarde relação com a atividade da Empresa e haja evidência da prestação do serviço, bem assim do instrumento contratual, da documentação do pagamento efetivado e monetização da operação. Assim, o Impugnante já disponibilizou, junto ao Fisco, o Instrumento de Cessão de Direitos e Obrigações do Contrato com a Atlanta, cuja ciência está demonstrada no Termo de Constatação Fiscal, bem como os relatórios que evidenciam a prestação dos serviços executados pela Empresa FRIST (docs. 2, 2. 1, fls. 122, 159, 220), a quem foram cedidos (pela Atlanta) os direitos e obrigações contratuais com o Impugnante, no assessoramento à captação de recursos externos, bancários ou de investidores institucionais. Saliente se que o responsável técnico pelos serviços e emissão dos relatórios, o Sr. Lincoln de Moraes Machado, economista com formação internacional, foi tradicional proprietário de instituição financeira de âmbito nacional, portanto, prestador de serviço com qualificação e capacitação profissional. O Impugnante assegura que o prestador ofereceu o leque de opções de captação que o mercado então oferecia e optou por aquelas que lhe eram mais interessantes quanto a prazos e custos, segundo indicação da Cessionária, como evidenciam os relatórios, provando se, assim, que o dispêndio corresponde à contrapartida de algo efetivamente prestado, recebido e necessário à fonte produtora da riqueza tributada. Ademais, verifica se no contrato do Impugnante com a Atlanta (parágrafo único da Cláusula Oitava) a possibilidade de subcontratação dos serviços, confirmando se a anuência do Impugnante à cessão feita pela Atlanta à FRIST (docs. 3 e 3. 1, fls. 124/129). Por outro lado, à cessão de direitos e obrigações contratuais da Atlanta com o Impugnante, para a FRIST, necessariamente não deveria ser repassado o adiantamento recebido pela Atlanta, uma vez que ambas se compuseram e o Impugnante, somente no ano calendário de 2000, é que registrou a despesa no resultado do exercício, cujos valores eram mantidos anteriormente em conta de adiantamento, ou seja, a despesa só foi considerada, quando da efetiva prestação dos serviços pelo Contratante, no caso, a cessionária FRIST. Vale salientar ainda que, em resposta ao Termo de Início de Fiscalização, a evidência da prestação dos serviços (Relatórios) foi disponibilizada ao Auditor-Fiscal na sede do Impugnante (doc. 4 anexado, fls. 130, REF. TERMO DE INÍCIO DE FISCALIZAÇÃO). Resta a juntada dos seis documentos probantes dos pagamentos das despesas contratadas (docs. 5, fls. 131/136, FATURA/DUPLICATA), bem como da DIRF retificadora e dos comprovantes da retenção do Imposto de Renda na Fonte (IRRF), efetuada em 2001 (docs. 6, que se faz às fls. 143/150). Por fim, destaque se que o Fisco constatou o registro da receita pela FRIST, a qual foi devidamente tributada, compensando o IRRF (docs. 7, fls. 151/158) e recolhendo todos os tributos. Ademais, o Relatório guarda estreita relação com o objeto do contrato e os pagamentos tornam mais clara a efetiva prestação dos serviços. Por último, não há ilicitude na cessão de direitos de um contrato de prestação de serviços Fl. 474DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 1402-003.935 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10380.010159/2005-81 profissionais e, ainda mais, com anuência da credora, como foi o caso sob comento e impugnação. A matéria, por sua vez, sendo de direito, vem sendo tratada de forma pacífica pelo Primeiro Conselho de Contribuintes que, invariavelmente, se manifesta favoravelmente nos termos a seguir: a) ACÓRDÃO 107 07.724 Órgão: 1º Conselho de Contribuintes/7ª Câmara, em 11.08.2004 IRPJ E OUTROS Ex(s): 1996: “DESPESA COM SERVIÇOS DE CONSULTORIA PROVA DA REALIZAÇÃO DO SERVIÇO. Entende se que os documentos trazidos aos autos pela Recorrente demonstram a efetiva realização do serviço, motivo pelo qual a despesa incorrida em relação ao mesmo não deve ser glosada. O simples fato do Relatório entregue pela prestadora de serviço não conter maiores identificações e formalidades não significa que não houve a prestação de serviço em tela. Isto porque não há qualquer legislação que estabeleça como pretende querer a i. DRJ uma específica forma de apresentação e formatação de Relatórios de serviços de consultoria. Desde que a contratante aceitou o trabalho que lhe foi apresentado, independente da sua forma, não há como se negar a realização do serviço. O prejuízo será apenas da contratante/contribuinte. Ademais, verifica se que há correspondência entre o conteúdo do Relatório e o objeto do contrato, sendo importante consignar que a emissão de nota fiscal e a comprovação do pagamento tornam mais claro o fato de que houve aquela prestação de serviço, documentos estes que não foram considerados inidôneos pela Fiscalização.” b) ACÓRDÃO 108 07.760 Órgão: 1º Conselho de Contribuintes/8ª Câmara, em 14.04.2004 IRPJ e OUTROS Ex.: 1993: “DESPESAS DE CONSULTORIA Cabível a dedução de dispêndios com consultoria administrativa, com reestruturação e modernização de empresa, no exercício de sua efetivação, quando aproveita de imediato maior eficiência no desenvolvimento de suas operações sociais.” c) ACÓRDÃO 101 92.961 Órgão: 1º Conselho de Contribuintes/1ª Câmara, em 26.01.2000 IRPJ E OUTROS Ex(s): 1988 a 1993: “I DESPESAS DE AUDITORIA, CONSULTORIA FINANCEIRA E ASSESSORIA DE DIVULGAÇÃO E PROPAGANDA Não prospera a ação fiscal que impugnou a apropriação de despesas operacionais, quando a Fiscalização não comprova a inveracidade dos fatos regularmente registrados na Contabilidade e a prova dos autos não revela qualquer fato que ilida a presunção de licitude da operação contabilizada.” Após recepcionado pela DRJ/FOR, o processo foi colocado em pauta da 3ª turma de julgamento desta Delegacia, sessão ocorrida em 06/10/2006, pelo Relator Original José Deusdedite Mendes, tendo o Colegiado decidido, por maioria de votos, pela conversão do julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que integraram a correspondente Resolução. Foi vencido o Relator, que propugnava pela improcedência da Autuação. Fl. 475DF CARF MF Fl. 7 do Acórdão n.º 1402-003.935 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10380.010159/2005-81 Constaram inicialmente do Pleito da citada diligência, abrangida pela Resolução 699/2006, fls. 289/301, as apreciações a seguir especificadas: Da análise do Termo de Constatação Fiscal, fls. 14, 15, verificou se que a glosa da despesa referente ao suposto serviço prestado pela Empresa FRIST Participações e Administração Ltda móvel do Lançamento em análise se deu por suposta ausência de comprovação da efetividade da prestação daquele serviço. Sustentaram os Autuantes que o Contribuinte não teria logrado comprovar devidamente a veracidade daquela despesa, citando, dentre outros argumentos, que "as duplicatas e faturas apresentadas não se encontram lastreadas nem em Notas Fiscais de Serviços e nem em Contrato que discrimine a natureza dos serviços". A Defesa, por seu turno, argumentou que a Fiscalização em nenhum momento considerou inidôneas as provas apresentadas e que a prestação do serviço restaria evidente porquanto presentes os elementos indispensáveis para sua comprovação relação entre o serviço prestado e a atividade da Empresa, evidência da prestação do serviço, instrumento contratual e documentação do pagamento efetivado contidos nos documentos trazidos aos autos e descritos a seguir: a) Instrumentos contratuais: i)INSTRUMENTO PARTICULAR DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE ASSESSORIA E CONSULTORIA ECONÔMICO FINANCEIRA, celebrado entre a Construtora Marquise S/A e a Atlanta Participações Ltda., fls. 25/28, datado de 05/01/1998; ii)INSTRUMENTO PARTICULAR DE CESSÃO DE DIREITOS E OBRIGAÇÕES RELATIVOS À PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE ASSESSORIA E CONSULTORIA ECONÔMICO FINANCEIRA, celebrado entre as duas Empresas identificadas acima e a FRIST Participações e Administração Ltda., fls. 90, 91, datado de 03/01/2000; b) Documentos que comprovariam os pagamentos do serviço contratado: i)faturas emitidas pela FRIST contra o Autuado, fls. 34/45; ii)retenções na fonte referentes aos valores pagos: 1. DARFs do ano calendário 2000, pagos em 2001, 145/151; 2. DIRF retificadora, fls. 143, apresentada em 07/12/2005; c) Relatórios que evidenciariam a prestação dos serviços executados: i) RELATÓRIO DE CONSULTORIA ECONÔMICO FINANCEIRA/CONSTRUTORA MARQUISE S/A/JANEIRO DE 2000, elaborado pela FRIST, fls. 159/219; ii) RELATÓRIO DE CONSULTORIA ECONÔMICO FINANCEIRA/ CONSTRUTORA MARQUISE S/A/MAIO DE 1999, elaborado pela Atlanta e pela FRIST, fls. 220/282. Fl. 476DF CARF MF Fl. 8 do Acórdão n.º 1402-003.935 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10380.010159/2005-81 Não obstante a afirmação do Impugnante de que os Autuantes não consideraram inidôneos quaisquer dos documentos apresentados, é de se atentar para o fato de que, ao considerar as faturas apresentadas (item (b.i) acima) desprovidas de lastro (ausência tanto de notas fiscais de serviço quanto de contrato que discriminasse a natureza do serviço), a Fiscalização lança dúvidas quanto ao seu uso como documentação hábil para comprovar o efetivo pagamento do serviço contratado. Esclareça-se que, ao trazer aos autos as cópias dos contratos (item (a) acima), a Defesa apenas sinaliza na direção da efetiva contratação do serviço, sem, no entanto, comprovar a realização dos pagamentos a ele atinentes. De fato, não há lugar para conclusões diversas, já que as faturas que representariam a concretização dos pagamentos datam de momento posterior à celebração daqueles contratos. Ademais, até mesmo a conexão entre as faturas e os contratos apresentados pela Defesa carece de precisão, vez que no campo DISCRIMINAÇÃO DOS SERVIÇOS, constante das faturas, se faz referência a um contrato assinado em 05/01/2000, enquanto que os trazidos pela Defesa datam de 05/01/1998 e 03/01/2000. Dessa forma, foi entendido que a efetiva comprovação da existência/inexistência dos pagamentos do serviço contratado seria mais adequadamente esclarecida com a juntada aos autos das respectivas notas fiscais de serviço, emitidas pela contratada. Outro ponto que merece destaque diz respeito aos relatórios que evidenciariam a prestação do serviço e sua autoria. É de se notar que ambos (c.i e c.ii) não contêm qualquer tipo de assinatura que identifique o autor ou responsável técnico por sua elaboração. Tal fato se mostra importante para o julgamento da Lide porquanto a qualificação e a capacitação técnica do autor daquelas peças foram levantadas pela Defesa como parte da justificativa de que o dispêndio incorrido corresponderia “à contrapartida de algo efetivamente prestado, recebido e necessário à fonte produtora da riqueza tributada”. Apenas o documento de fls. 122/123, emitido pela contratada em 25/05/1999, sugere o encaminhamento para o Contratante de um relatório final de consultoria econômico-financeira (presumivelmente o de maio/99 (c.ii)). Tal documento, no entanto, não se presta para uma conclusão definitiva de que o relatório juntado aos autos (c.ii) seria, realmente, parte do produto do serviço contratado, vez que inexistem naquele relatório elementos suficientes que possam referenciá-lo ao citado documento. Assim, foi entendido que os relatórios (c.i e c.ii), para serem aceitos como prova do serviço contratado, necessitariam ter comprovadas, inequivocamente, sua origem (provenientes da Empresa contratada), sua autoria e a responsabilidade técnica por sua elaboração. Em virtude das apreciações descritas concluiu-se que os elementos acostados aos autos eram insuficientes para análise conclusiva da Lide, o que motivou a conversão do julgamento em diligência para que a Autoridade Responsável Fl. 477DF CARF MF Fl. 9 do Acórdão n.º 1402-003.935 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10380.010159/2005-81 pela sua realização adotasse as seguintes providências, além de outras que achasse pertinentes à questão: 1º)Trouxesse aos autos, caso existissem, as notas fiscais de serviço relativas à transação, devendo para tal finalidade serem intimadas as partes envolvidas, ou seja, Construtora Marquise S/A, FRIST Participações e Administração Ltda. e/ou Atlanta Participações Ltda., para que apresentassem tais documentos ou justificassem a sua não apresentação; 2º)Comprovasse, de forma inequívoca, a procedência dos Relatórios de Consultoria Econômico-Financeira, fls. 159/282, intimando para tal fim a Empresa prestadora do serviço (FRIST) e os autores/responsáveis técnicos a atestarem que os citados Relatórios são de sua autoria/responsabilidade, bem como a demonstrarem, através da comprovação de haverem executado serviços semelhantes, que detinham a capacidade para realizá-los. Em atenção ao solicitado, a Autoridade Lançadora elaborou o Relatório Conclusivo de Diligência Fiscal, fls. 306/310, a seguir sintetizado, tendo sido anexos os documentos correspondentes ao citado Relatório às fls. 311/383. Do Despacho de fls. 383 constou a informação de que o Autuado tomou ciência do referido Relatório em 08/07/2009, conforme AR às fls. 381, havendo sido facultado ao dito Contribuinte o prazo de 30 (trinta) dias, a contar da data da ciência, para que se manifestasse sobre o citado Relatório de fls. 306/310. DO DESENVOLVIMENTO DE DILIGÊNCIA JUNTO À EMPRESA FRIST: No Termo de Início de Diligência, recebido pela Empresa FRIST, em 08/08/2008, requereu-se que ela, além dos seus Livros contendo sua escrituração contábil e fiscal, referentes ao ano-calendário de 2000, cópias de seus atos constitutivos, a relação dos clientes a quem teria prestado serviços ao longo dos anos de 1998, 1999 e 2000 e as notas fiscais de serviços emitidas no ano de 2000 em especial aquelas relativas às Faturas de Números 100/2000, 150/2000, 200/2000, 250/2000, 300/2000 e 350/2000, cujo sacado seria a Construtora Marquise S/A. Em sua resposta, datada de 12/08/2008, a FRIST alegou, fundamentalmente, que, segundo a legislação vigente, o prazo máximo para a manutenção de documentos é de cinco anos e que, embora mantivesse um "arquivo morto" contendo a documentação que já foi alvo de prescrição, com as chuvas ocorridas no primeiro semestre de 2008 este arquivo morto foi inundado, e restaram imprestáveis os documentos referentes aos anos de 2001 para trás, inclusive. Quanto a seus atos constitutivos, junto à resposta supra, a FRIST apresentou fotocópia do instrumento Alteração e Consolidação do Contrato Constitutivo da Sociedade Limitada Denominada FRIST - Participações e Administração Ltda. Por seu turno, em resposta ao Ofício 42/2008/SEFIS/DRF/FOR, a Junta Comercial do Estado do Ceará (JUCEC), encaminhou por meio do Ofício 1943/2008, fotocópias do contrato social originário da Empresa FRIST, dos Fl. 478DF CARF MF Fl. 10 do Acórdão n.º 1402-003.935 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10380.010159/2005-81 primeiro, segundo, terceiro, quarto aditivos, bem como do instrumento de alteração e consolidação referido no item anterior. Foi ainda encaminhado o Ofício 651/2008/SEFIS/DRF/FOR à Secretaria de Finanças do Município de Fortaleza (SEFIN-PMF) com solicitação de que fosse informado: 1) Se a Empresa FRIST requerera sua inscrição no Cadastro Municipal de Contribuintes do ISSQN e em que data se deu tal requerimento, 2) se a Empresa solicitara baixa de sua inscrição ou se promovera alterações dos seus dados cadastrais e em que data tais eventos teriam ocorrido e, finalmente, 3) se a Empresa requerera autorizações para emissão de Notas Fiscais de Serviço ou de Cupons Fiscais, em que datas tais solicitações foram feitas e em que datas as autorizações concedidas. No Ofício 97/2008-SEFIN- PMF encontram-se as informações solicitadas. Também foram efetuadas pesquisas aos sistemas de controle da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) relativamente às Declarações apresentadas ao longo dos anos-calendário de 1998 a 2007 pela Empresa FRIST. DA ANÁLISE DOS ELEMENTOS COLETADOS NA DILIGÊNCIA: Como acima referido a Empresa FRIST alegou não mais possuir quaisquer Livros e Documentos pertinentes ao esclarecimento do fato sob exame. O único elemento apresentado pela Empresa foi o Instrumento de Alteração e Consolidação do seu Contrato Constitutivo. Nem mesmo a relação de clientes a que teria prestado serviços entre 1998 e 2000 foi apresentada. O exame do Contrato de Constituição da Empresa FRIST e de seus Aditivos revelou que: A Empresa foi constituída em 09/11/1982 com a denominação de Jamierson - Comércio & Indústria Ltda., e nome de fantasia FRIST. Na cláusula quarta estabeleceu-se o objetivo da Sociedade como sendo "à compra e venda de confecções e oportunamente a fabricação de suas próprias confecções". O primeiro Aditivo, datado de 15/08/1983, teve por única finalidade alterar a cláusula quarta acima referida que passou a ter o seguinte teor: "São objetivos da Sociedade a compra e venda de confecções e oportunamente a fabricação de suas próprias confecções e a comercialização de pedras preciosas e semi- preciosas". O segundo Aditivo, datado de 07/05/1986, trata somente de alteração do endereço da Sociedade, da retirada de um sócio e o concomitante ingresso de outro. O terceiro Aditivo, datado de 03/10/1988, tratou da alteração da razão social da Empresa que passou a ser FRIST -PARTICIPAÇÕES E ADMINISTRAÇÃO LTDA., da alteração do endereço, da retirada de um sócio e ingresso de outro e dos objetivos sociais (cláusula quarta) que passaram a ser os seguintes: "São objetivos da Sociedade: a) a compra e venda de confecções no varejo e/ou atacado e oportunamente a fabricação de suas próprias confecções; b) a comercialização no varejo de pedras preciosas e semi-preciosas; c) representações comerciais; d) participação acionária em sociedades mercantis; Fl. 479DF CARF MF Fl. 11 do Acórdão n.º 1402-003.935 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10380.010159/2005-81 e e) a organização e administração de empresa (sic) subsidiárias sob o sistema de HOLDING". O quarto aditivo, datado de 04/09/1990, trata de aumento do capital social e da inclusão na atividade da Sociedade da "criação de caprinos e ovinos como também a comercialização dos mesmos". Por fim, o instrumento "Alteração e Consolidação do Contrato Constitutivo da Sociedade Limitada denominada FRIST - Participações e Administração Ltda.", datado de 09/01/2004, estabeleceu em sua cláusula quarta que os objetivos sociais da Empresa passaram a ser: "a) a compra e venda de confecções no varejo e/ou atacado e oportunamente a fabricação de suas próprias confecções; b) a comercialização no varejo de pedras preciosas e semi-preciosas; c) representações comerciais; d) participação acionária em outras sociedades; e) a organização e administração de empresas subsidiárias sob o sistema de "holding"; f) a criação de caprinos e ovinos como também a comercialização das mesmas; e g) a importação e exportação de mercadorias em geral". O Of. 97/2008-SEFIN-PMF informou que a Empresa FRIST PARTICIPAÇÕES E ADMINISTRAÇÃO LTDA.: Requereu sua inscrição no cadastro de Produtores de Bens e Serviços da SEFIN-PMF, somente em 29/08/2008; Na mesma data de sua inscrição promoveu as seguintes alterações: a) tipo de tributação: de NENHUMA para RECEITA BRUTA; b) tipo de Contribuinte: de RESPONSÁVEL TRIBUTÁRIO, para EMPRESA; e c) da atividade principal: de COMÉRCIO VAREJISTA DE ARTIGOS DO VESTUÁRIO E ACESSÓRIOS, para REPRESENTANTES COMERCIAIS E AGENTES DO COMÉRCIO DE MERCADORIA EM GERAL NÃO ESPECIALIZADO; Não requereu a emissão de documentos fiscais. O exame das Declarações apresentadas pela Empresa FRIST PARTICIPAÇÕES E ADMINISTRAÇÃO LTDA. revelou que: A Empresa apresentou Declarações de Informações Econômico-Fiscais da Pessoa Jurídica (DIPJs) relativas aos anos-calendário de 1998, de 1999 e de 2004 a 2007. Em todas estas Declarações a Empresa informou não haver auferido receitas decorrentes seja da revenda de mercadorias adquiridas de terceiros, da venda de mercadorias de fabricação própria, seja em decorrência da prestação de serviços; A Empresa apresentou Declarações de Inativa relativa aos anos-calendário de 2001, 2002 e 2003; por óbvio, ao longo de todos esses anos-calendário, a Empresa não auferiu quaisquer receitas; Quanto ao ano-calendário de 2000, inicialmente a Empresa FRIST apresentou Declaração de Inatividade em 18/05/2001. Posteriormente, em 18/03/2004, apresentou, para esse ano-calendário de 2000, DIPJ cuja forma de tributação fora o lucro presumido e em que consta que teria auferido receitas decorrentes da prestação de serviço no valor de R$ 1.230.000,00. Fl. 480DF CARF MF Fl. 12 do Acórdão n.º 1402-003.935 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10380.010159/2005-81 CONCLUSÕES DOS ELEMENTOS DA DILIGÊNCIA: Conforme consta do Contrato Social da Empresa FRIST PARTICIPAÇÕES E ADMINISTRAÇÃO LTDA., e de seus Aditivos, os seus objetivos sociais na época da ocorrência do fato sob exame (ano-calendário de 2000) eram: "a) a compra e venda de confecções no varejo e/ou atacado e oportunamente a fabricação de suas próprias confecções; b) a comercialização no varejo de pedras preciosas e semi-preciosas; c) representações comerciais; d) participação acionária em sociedades mercantis; e e) a organização e administração de empresa subsidiárias sob o sistema de HOLDING" e a "criação de caprinos e ovinos como também a comercialização dos mesmos", ou seja, a prestação de serviços e, especificamente, a prestação de serviços de assessoria e consultoria econômico-financeira jamais fez parte dos objetivos sociais dessa Empresa; Na época do fato, a Empresa FRIST nem sequer possuía inscrição no cadastro de Produtores de Bens e Serviços da SEFIN-PMF, a qual foi requerida somente em 29/08/2008, depois, portanto, do início do procedimento de diligência. Não podem existir notas fiscais de serviço relativas à alegada operação sob exame, nem quaisquer outras notas fiscais de serviços de emissão da empresa FRIST. Simplesmente porque essa Empresa, na época dos fatos, não era inscrita no cadastro da SEFIN-PMF. Além disso, mesmo após a sua inscrição, a Empresa não requereu à SEFIN-PMF a autorização para emissão de documentos fiscais. O exame das Declarações apresentadas pela Empresa, relativas aos anos- calendário de 1998 a 2007, revela que a FRIST jamais auferiu quaisquer receitas, seja em decorrência da revenda de mercadorias, da venda de mercadorias de fabricação própria, seja decorrentes da prestação de serviços. A Empresa, inclusive, apresentou, inicialmente, Declarações de Inatividade relativas aos anos-calendário de 2000, 2001, 2002 e 2003. Estranhamente, quanto ao ano-calendário de 2000, a Empresa FRIST tendo, como dito acima, entregue Declaração de Inatividade, posteriormente, apresentou, em 18/03/2004, Declaração Retificadora onde teria auferido como receita os valores de: R$246.000,00 (jan/2000), R$492.000,00 (fev/2000) e R$492.000,00 (mar/2000), totalizado um montante de R$1.230.000,00 (1o trimestre/2000). Ou seja, a diferença entre este valor e o montante objeto do Lançamento de Ofício é de R$246.000,00 (correspondente a uma das "faturas" relativa ao mês de janeiro). De todo o acima exposto pode-se, finalmente concluir que: a) não existem notas fiscais de serviço referentes à alegada prestação de serviço (simplesmente porque em 2000 a Empresa FRIST não possuía inscrição junto ao cadastro da SEFIN-PMF e também porque essa Empresa nunca requereu ou foi autorizada a emitir documentos fiscais, b) A Empresa FRIST durante o período de 10 (dez) anos, compreendido entre 1998 a 2007, não possuiu um cliente sequer e jamais auferiu quaisquer receitas em decorrência da prestação de serviços, da revenda de mercadorias ou da venda de produtos de fabricação própria." Fl. 481DF CARF MF Fl. 13 do Acórdão n.º 1402-003.935 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10380.010159/2005-81 O Acórdão de Impugnação nº 08-18.715 - 3ª Turma da DRJ/FOR considerou a Impugnação Improcedente, conforme a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2000 ESCRITURAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do Contribuinte dos fatos nela registrados apenas se comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais. Cabe ao Sujeito Passivo o ônus de provar que os dados por ele escriturados nos Livros Contábeis e informados em sua Declaração preenchem os requisitos da legislação tributária. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Ano-calendário: 2000 TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO. Aplica-se à exigência dita reflexa o que foi decidido quanto à exigência matriz, devido à íntima relação de causa e efeito entre elas, ressalvadas as alterações exoneratórias a que se procedeu de ofício, decorrentes de novos critérios de interpretação ou de legislação superveniente. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2000 CONSELHOS DE CONTRIBUINTES. DECISÕES ADMINISTRATIVAS. A teor do art. 100, inciso II, do Código Tributário Nacional (CTN), as decisões administrativas, mesmo proferidas pelos órgãos colegiados, sem uma lei que lhes atribua eficácia, não constituem normas complementares do Direito Tributário e não podem ser estendidas genericamente a outros casos, somente aplicando-se sobre a questão em análise e vinculando as partes envolvidas naqueles litígios. Observa-se que a decisão do órgão julgador a quo teve como seguintes fundamentos: APRECIAÇÃO DA DESPESA POR SUPOSTOS SERVIÇOS PRESTADOS 1. Ao se compulsarem os autos, verificou-se que o Lançamento em litígio foi motivado pela não comprovação com documentação hábil e idônea da prestação de serviços da Empresa FRIST Participações Ltda. à Autuada, cuja despesa foi escriturada e declarada pela Fiscalizada, tendo sido salientado pelos Autuantes que "as duplicatas e faturas apresentadas não se encontram lastreadas nem em Notas Fiscais de Serviços e nem em Contrato que discrimine a natureza dos serviços". 2. Argumentou a Defesa que a prestação do serviço caracterizou-se evidente pois teriam sido verificados os elementos indispensáveis para sua comprovação relação entre o serviço prestado e a atividade da Empresa, Fl. 482DF CARF MF Fl. 14 do Acórdão n.º 1402-003.935 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10380.010159/2005-81 evidência da prestação do serviço, instrumento contratual e documentação do pagamento efetivado contidos nos documentos trazidos aos autos. 3. Todavia, de conformidade com o art. 264 do RIR/1999, que preceitua que “a pessoa jurídica é obrigada a conservar em ordem, enquanto não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes, os livros, documentos e papéis relativos a sua atividade,....”, para que os argumentos apresentados pela Defesa fossem aceitos, seria imprescindível a comprovação/demonstração a seguir descrita: a. Fossem trazidas aos autos as notas fiscais de serviço relativas à transação; b. Fosse comprovada de forma inequívoca, a procedência dos Relatórios de Consultoria Econômico-Financeira, fls. 159/282; c. os Autores/Responsáveis técnicos atestassem serem de sua autoria/responsabilidade os citados Relatórios;os Autores/Responsáveis técnicos demonstrassem, através da comprovação de haverem executado serviços semelhantes, que detinham a capacidade para realizá-los. 4. Conforme consta do Contrato Social da Empresa FRIST PARTICIPAÇÕES E ADMINISTRAÇÃO LTDA., e de seus Aditivos, os seus objetivos sociais na época da ocorrência do fato sob exame (ano- calendário de 2000) eram: "a) a compra e venda de confecções no varejo e/ou atacado e oportunamente a fabricação de suas próprias confecções; b) a comercialização no varejo de pedras preciosas e semi-preciosas; c) representações comerciais; d) participação acionária em sociedades mercantis; e e) a organização e administração de empresa subsidiárias sob o sistema de HOLDING" e a "criação de caprinos e ovinos como também a comercialização dos mesmos", ou seja, a prestação de serviços e, especificamente, a prestação de serviços de assessoria e consultoria econômico-financeira jamais fez parte dos objetivos sociais dessa Empresa; 5. Não podem existir notas fiscais de serviço relativas à alegada operação sob exame, nem quaisquer outras notas fiscais de serviços de emissão da empresa FRIST, simplesmente porque essa Empresa, na época dos fatos, não era inscrita no cadastro da SEFIN-PMF. Além disso, mesmo após a sua inscrição, a Empresa não requereu à SEFIN-PMF a autorização para emissão de documentos fiscais. 6. O exame das Declarações apresentadas pela Empresa, relativas aos anos- calendário de 1998 a 2007, revela que a FRIST jamais auferiu quaisquer receitas, seja em decorrência da revenda de mercadorias, da venda de mercadorias de fabricação própria, seja decorrentes da prestação de serviços. A Empresa, inclusive, apresentou, inicialmente, Declarações de Inatividade relativas aos anos-calendário de 2000, 2001, 2002 e 2003. Estranhamente, quanto ao ano-calendário de 2000, a Empresa FRIST tendo, como dito acima, entregue Declaração de Inatividade, posteriormente, apresentou, em 18/03/2004, Declaração Retificadora onde teria auferido como receita os valores de: R$246.000,00 (jan/2000), R$492.000,00 Fl. 483DF CARF MF Fl. 15 do Acórdão n.º 1402-003.935 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10380.010159/2005-81 (fev/2000) e R$492.000,00 (mar/2000), totalizado um montante de R$1.230.000,00 (1o trimestre/2000). Ou seja, a diferença entre este valor e o montante objeto do Lançamento de ofício é de R$246.000,00 (correspondente a uma das "faturas" relativa ao mês de janeiro). 7. No que diz respeito à afirmação do Impugnante de que os Autuantes não teriam considerado inidôneos quaisquer dos documentos apresentados, cabe atentar para o fato de que, ao considerar as faturas apresentadas desprovidas de lastro, que se caracterizou principalmente pela ausência de notas fiscais de serviço, a Fiscalização lançou dúvidas quanto ao seu uso como documentação hábil para comprovar o efetivo pagamento do serviço contratado. 8. De todo o acima exposto inferiu-se que não existem notas fiscais de serviço referentes à alegada prestação de serviço simplesmente porque em 2000 a Empresa FRIST não possuía inscrição junto ao cadastro da SEFIN-PMF e também porque essa Empresa nunca requereu ou foi autorizada a emitir documentos fiscais, além do que se deduz que a Empresa FRIST durante o período de 10 (dez) anos, compreendido entre 1998 a 2007, não possuiu um cliente sequer e não auferiu quaisquer receitas em decorrência da prestação de serviços, da revenda de mercadorias ou da venda de produtos de fabricação própria. 9. Ademais, pelos motivos que foram descritos, verificou-se patentemente que não foi comprovada de forma inequívoca a procedência dos Relatórios de Consultoria Econômico-Financeira, fls. 159/282, e a autoria/capacidade dos técnicos dos citados Relatórios, pois tais Documentos não apresentaram qualquer tipo de assinatura que identificasse o autor ou responsável técnico por sua elaboração, ao que se acresce que tal questão não teve qualquer esclarecimento por parte da FRIST nem da Empresa Autuada. Por tais razões, descabem os argumentos da Defesa de que teriam sido verificados os elementos indispensáveis para a comprovação da despesa de prestação de serviços em exame, e procede a Autuação apreciada que decorreu da indedutibilidade daquela despesa. 10. Conforme detalhado no Relatório Conclusivo de Diligência Fiscal, fls. 306/310, e sintetizado nos parágrafos anteriores, verificou-se claramente que não foi comprovada nem a utilização de serviços pelo seu tomador nem houve evidência da prestação de tais serviços, de modo a que tivesse sido comprovada a sua dedutibilidade, pois ficou demonstrado que não existem notas fiscais de serviço referentes à sua alegada prestação nem foi comprovada de forma inequívoca a procedência dos Relatórios de Consultoria Econômico-Financeira, fls. 159/282, e a autoria/capacidade dos técnicos dos citados Relatórios, pelo que a invocação aos dispositivos transcritos não descaracteriza a Autuação e sim a ratifica. 11. No que concerne ao entendimento constante nos acórdãos proferidos na esfera administrativa citados pelo Contribuinte, há de se dizer, apenas, que são tomados como simples exemplificação da tese defendida pelo Manifestante, uma vez que não se constituem em norma complementar, pois as decisões administrativas e judiciais são eficazes somente em relação Fl. 484DF CARF MF Fl. 16 do Acórdão n.º 1402-003.935 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10380.010159/2005-81 às partes envolvidas na Lide, não se aplicando a terceiros, nos termos do Código do Processo Civil (CPC), art. 472, bem como do artigo 100 do Código Tributário Nacional (CTN), e, portanto, não vinculam as decisões desta Instância Julgadora, restringindo-se aos casos julgados e às partes inseridas no processo de que resultou a Decisão. 12. Ademais, com relação ao lançamento apreciado pelo presente Acórdão, não foram trazidos aos autos os documentos hábeis que comprovassem a real prestação de serviços de que decorreu a Autuação, e tal peculiaridade não foi objeto dos trechos dos Acórdãos do Conselho de Contribuintes apresentados pela Defesa, do que se deduz que ali não se tratou da mesma matéria aqui examinada. INDÍCIOS ROBUSTOS ADICIONAIS DE NÃO OCORRÊNCIA DA PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS: 13. Relevante salientar outrossim que, além de não terem sido acostadas aos autos as notas fiscais de prestação do serviço nem haver sido comprovada de forma inequívoca a procedência dos Relatórios de Consultoria Econômico-Financeira, fls. 159/282, e a autoria/capacidade dos técnicos dos citados Relatórios, os indícios adicionais explicitados pela Diligência e a seguir enfatizados corroboram a conclusão de que não houve a prestação de serviços alegada pela Empresa Autuada: 14. Conforme os dados do Contrato Social da FRIST e de seus Aditivos, a prestação de serviços e, especificamente, a prestação de serviços de assessoria e consultoria econômico-financeira jamais fez parte dos objetivos sociais dessa Empresa; 15. à época do Lançamento a Empresa FRIST nem sequer possuía inscrição no cadastro de Produtores de Bens e Serviços da SEFIN-PMF, a qual foi requerida somente em 29/08/2008, depois, portanto, do início do procedimento de diligência; 16. pelos dados da Diligência, não houve qualquer comprovação de que a Empresa FRIST durante o período de 10 (dez) anos, inclusive durante o ano de 2000, possuíra um cliente sequer nem que auferira quaisquer receitas em decorrência da prestação de serviços, da revenda de mercadorias ou da venda de produtos de fabricação própria, ressaltando-se que, tendo estranhamente, quanto ao ano-calendário de 2000, entregue Declaração de Inatividade, posteriormente, apresentou, em 18/03/2004, Declaração Retificadora onde teria auferido como receita um montante de R$1.230.000,00 (1o trimestre/2000). Ou seja, a diferença entre esse valor e o montante objeto do Lançamento de Ofício seria de R$246.000,00 (correspondente a uma das "faturas" relativa ao mês de janeiro); 17. verificou-se desproporcionalidade não justificável entre o preço do serviço que teria sido pago à FRIST, o qual constituiu a despesa declarada e não comprovada, e a vantagem a ser obtida mediante a assessoria prestada por essa Empresa à Autuada. TRIBUTAÇÃO REFLEXA CSLL: Fl. 485DF CARF MF Fl. 17 do Acórdão n.º 1402-003.935 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10380.010159/2005-81 18. No que diz respeito ao Lançamento Reflexo CSLL, aplica-se "mutatis mutandis" o que foi decidido quanto à Exigência matriz, devido à íntima relação de causa e efeito entre elas. Inconformada com a decisão a quo, a recorrente interpôs recurso voluntário, em que repisa os argumentos de fato e de direito trazidos em sua impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Evandro Correa Dias, Relator. O recurso voluntário é tempestivo e atende ao demais requisitos, motivo pelo qual dele conheço. A recorrente reitera que a Fiscalização em nenhum momento considerou inidôneas as provas apresentadas e que a prestação do serviço restaria evidente porquanto presentes os elementos indispensáveis para sua comprovação relação entre o serviço prestado e a atividade da Empresa, evidência da prestação do serviço, instrumento contratual e documentação do pagamento efetivado contidos nos documentos trazidos aos autos: Valha frisado, por isso, que a fiscalização, em nenhum momento do Auto, nem no Termo de Constatação Fiscal, considerou inidôneos os documentos apresentados pela então Impugnante. Assinale- se inclusive que, por força do art. 82, § único, da Lei n° 9.430/96, ainda mesmo que o documento fiscal tivesse sido emitido por pessoa jurídica inapta, a dedutibilidade da despesa seria admitida desde que o tomador dos serviços comprovasse a efetivação do pagamento do preço respectivo e a utilização e a evidência dos serviços, como realmente se fez. Veja-se a propósito o entendimento prolatado no Acórdão 101-92.961 pela 8ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes, em 26.01.2000, verbis: "I - DESPESAS DE AUDITORIA, CONSULTORIA FINANCEIRA E ASSESSORIA DE DIVULGAÇÃO E PROPAGANDA. Não prospera a ação fiscal que impugnou a apropriação de despesas operacionais, quando a Fiscalização não comprova a inveracidade dos fatos regularmente registrados na Contabilidade e a prova dos autos não revela qualquer fato que ilida a presunção de licitude da operação contabilizada". Além do mais, há considerar que a glosa da despesas referente ao serviço prestado pela FRIST Participações e Administração Ltda., fundamento do Lançamento sob análise, se deu por suposta ausência de comprovação da efetividade da prestação daquele serviço, embora se veja, como está dito no r. Acórdão, no item "DO DIREITO", o destaque de "que o Fisco constatou o registro da receita pela FRIST, a qual foi devidamente tributada, compensando o IRRF (docs. 7, fls. 151/158) e recolhendo todos os tributos" [sublinhou-se] Por outro lado, também está dito ali que "o Relatório guarda estreita relação com o objeto do contrato e os pagamentos tornam mais clara a efetiva prestação dos serviços. Por último, não há ilicitude na cessão de direitos de um contrato de prestação de serviços profissionais e, ainda mais, com anuência da credora, como foi o caso sob comento e impugnação". [sublinhou-se] No que pertine com a análise de documentos coletados na Diligência, há menção de que, "Posteriormente, em 18/03/2004, O apresentou, para esse ano-calendário Fl. 486DF CARF MF Fl. 18 do Acórdão n.º 1402-003.935 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10380.010159/2005-81 de 2000, DIPJ cuja forma de tributação fora o lucro presumido e em que consta que teria auferido receitas decorrentes da prestação de serviço no valor de R$ 1.230.000,00". Noutro passo, está dito, no Acórdão, que "Estranhamente, quanto ao ano-calendário de 2000, a Empresa FRIST tendo, como dito acima, entregue Declaração de Inatividade, posteriormente, apresentou, em 18/03/2004, Declaração Retificadora onde teria auferido como receita os valores de R$ 246.000,00 (jan 2000), R$ 492.000,00 (fev/2000) e R$ 492.000,00 (mar/2000), totalizado em montante de R$ 1.230.000,00 ((Io trimestre/2000). Ou seja, a diferença entre este valor e o montante objeto do Lançamento de ofício é de R$ 246.000,00 (correspondente a uma das faturas relativa ao mês de janeiro), relato que colide com a afirmação anterior de não ter a empresa apresentado a DPIJ/2000. Persistindo na afirmação quanto à não prestação dos serviços, tendo-a por "suposta", pela não comprovação nos Relatórios de Consultoria da procedência Econômico- financeira, e autoria/capacidade dos técnicos do citado Relatório, e, ainda, de que tais documentos não apresentaram qualquer tipo de assinatura que identificasse o autor ou responsável técnico, objeta-se que o responsável técnico pelos serviços e emissão dos relatórios, é o Sr. Lincoln de Moraes Machado, (v. Contrato) economista com formação internacional, o qual foi tradicional proprietário de instituição financeira de âmbito nacional (Banco Bancesa), portanto, prestador de serviço com qualificação e capacitação profissional. A Recorrente assegura que o prestador ofereceu o leque de opções de captação que o mercado então oferecia e optou por aquelas que lhe eram mais interessantes quanto a prazos e custos, segundo indicação da Cessionária, como evidenciam os relatórios, provando-se, assim, que o dispêndio corresponde à contrapartida de algo efetivamente prestado, recebido e necessário à fonte produtora da riqueza tributada, da forma preconizada pelo parágrafo único do art. 82, da Lei 9.430/19 cujo dispositivo diz não aplicar-se "aos casos em que o adquirente de bens, direitos e mercadorias ou o tomador de serviços comprovarem a efetivação do pagamento do preço respectivo e o recebimentos dos bens, direitos e mercadorias (....)". Conforme salientado na Impugnação de então, foi feita a juntada dos seis documentos probantes dos pagamentos das despesas contratadas (doe. 5), bem como da DIRF retificadora e dos comprovantes da retenção do Imposto de Renda na Fonte (IRRF), efetuada em 2001 (doe. 6). Por fim, destaque-se que o Fisco constatou o registro da receita pela Frist, a qual foi devidamente tributada, compensando o IRRF (does. 7) e recolhidos todos os tributos. Incontestável que o Relatório guarda estreita relação com o objeto do contrato constante dos autos do processo e os pagamentos tornam mais clara a efetiva prestação dos serviços. Por último, não há ilicitude na cessão de direitos de um contrato de prestação de serviços profissionais e, ainda mais, com anuência da credora, como foi o caso sob comento e impugnação. Em que pese a afirmação da recorrente de que quaisquer dos documentos apresentados foram considerados inidôneos, observa-se o entendimento da fiscalização é que esses não seriam hábeis a comprovar a efetividade dos supostos serviços prestados pela Frist Participações e Administração Ltda., no ano-calendário de 2000, conforme razões enumeradas no Termo de Constatação: a) As duplicatas e Faturas apresentadas não se encontram lastreadas nem em Notas Fiscais de Serviços e nem em Contrato que discrimine a natureza dos serviços; b) Tais despesas teriam sido decorrentes de serviços prestados por uma Empresa denominada FRIST Participações e Administração Ltda., e teriam servido para baixar adiantamentos que haveriam sido concedidos, durante o ano de 1998, a uma outra Empresa denominada Atlanta Participações Ltda; Fl. 487DF CARF MF Fl. 19 do Acórdão n.º 1402-003.935 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10380.010159/2005-81 c) Esta última Empresa, a Atlanta Participações e Administração Ltda., firmara, em 1998, contrato com a Construtora Marquise para assessorá-la na captação de recursos externos, bancários ou de investidores institucionais de valores superiores a US$ 5.500.000,00 (cinco milhões e quinhentos mil dólares norte americanos); d) O contrato, no valor de R$ 1.476.008,00, foi integralmente pago à Atlanta através de adiantamento contabilizado em 22/07/1998 pela Marquise; e) Posteriormente, a Atlanta teria cedido à Empresa FRIST Participações e Administração Ltda. os direitos e obrigações contratuais com a Construtora Marquise; f) A Empresa FRIST Participações e Administração Ltda. emitiu, então, no ano 2000, seis duplicatas seqüenciais contra a Construtora Marquise, nos valores e datas indicados, fls. 14; g) Tivesse havido, de fato, a cessão de direitos e obrigações contratuais da Atlanta com a Marquise, para a FRIST, certamente deveria ter sido repassado, igualmente, o adiantamento recebido pela Atlanta para a FRIST e esta jamais poderia emitir duplicata contra a Construtora Marquise, da qual era devedora; h) A FRIST Participações e Administração Ltda. apresentou, em 18/05/2001, Declaração de Informações Econômico Fiscais relativa ao ano calendário 2000 DIPJ/2001, como inativa, porém, curiosamente, após o Termo de Intimação Fiscal, de 15/01/2004, apresentou DIPJ retificadora, em 18/03/2004, em que registra como receita unicamente os valores das duplicatas que emitira contra a Construtora Marquise; i) Não consta dos arquivos da Receita Federal que a Construtora Marquise tenha apresentado DIRF relativa ao ano calendário 2000 em que indique a retenção de imposto de renda na fonte da Empresa FRIST Participações e Administração Ltda., embora, nas duplicatas emitidas por esta última esteja expressa a retenção de imposto na fonte no percentual de 1,5%, fls. 35, 37, 39, 41, 43, 45; e j) Até o momento da lavratura deste Termo, não foram apresentados comprovantes da efetividade dos serviços prestados pela FRIST Participações e Administração Ltda. à Construtora Marquise S/A no ano 2000, mas apenas o Instrumento de Cessão de Direitos e Obrigações do contrato da Marquise com a Atlanta, razão pela qual deve ser glosado totalmente o valor da despesa considerada na apuração das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL; k) É bom assinalar que, em seu expediente em que encaminhou o Instrumento de Cessão de Direitos e Obrigações, a Construtora informou sobre a existência, na sede da Empresa, de relatório que evidenciava a prestação dos serviços, mas estranhamente não fez a juntada deste documento, apesar de solicitada no Termo de Início de Fiscalização. A partir dos elementos coletados na diligência fiscal contatou-se que: Conforme consta do Contrato Social da Empresa FRIST PARTICIPAÇÕES E ADMINISTRAÇÃO LTDA., e de seus Aditivos, a prestação de serviços e, especificamente, a prestação de serviços de assessoria e consultoria econômico-financeira jamais fez parte dos objetivos sociais dessa Empresa; Na época do fato, a Empresa FRIST nem sequer possuía inscrição no cadastro de Produtores de Bens e Serviços da SEFIN-PMF, a qual foi requerida somente em 29/08/2008, depois, portanto, do início do procedimento de diligência. Não podem existir notas fiscais de serviço relativas à alegada operação sob exame, nem quaisquer outras notas fiscais de serviços de emissão da empresa FRIST. Simplesmente porque essa Empresa, na época dos fatos, Fl. 488DF CARF MF Fl. 20 do Acórdão n.º 1402-003.935 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10380.010159/2005-81 não era inscrita no cadastro da SEFIN-PMF. Além disso, mesmo após a sua inscrição, a Empresa não requereu à SEFIN-PMF a autorização para emissão de documentos fiscais. O exame das Declarações apresentadas pela Empresa, relativas aos anos- calendário de 1998 a 2007, revela que a FRIST jamais auferiu quaisquer receitas, seja em decorrência da revenda de mercadorias, da venda de mercadorias de fabricação própria, seja decorrentes da prestação de serviços. A Empresa, inclusive, apresentou, inicialmente, Declarações de Inatividade relativas aos anos-calendário de 2000, 2001, 2002 e 2003. Estranhamente, quanto ao ano-calendário de 2000, a Empresa FRIST tendo, como dito acima, entregue Declaração de Inatividade, posteriormente, apresentou, em 18/03/2004, Declaração Retificadora onde teria auferido como receita os valores de: R$246.000,00 (jan/2000), R$492.000,00 (fev/2000) e R$492.000,00 (mar/2000), totalizado um montante de R$1.230.000,00 (1o trimestre/2000). Ou seja, a diferença entre este valor e o montante objeto do Lançamento de Ofício é de R$246.000,00 (correspondente a uma das "faturas" relativa ao mês de janeiro). De todo o acima exposto pode-se, finalmente concluir que: a) não existem notas fiscais de serviço referentes à alegada prestação de serviço (simplesmente porque em 2000 a Empresa FRIST não possuía inscrição junto ao cadastro da SEFIN-PMF e também porque essa Empresa nunca requereu ou foi autorizada a emitir documentos fiscais, b) A Empresa FRIST durante o período de 10 (dez) anos, compreendido entre 1998 a 2007, não possuiu um cliente sequer e jamais auferiu quaisquer receitas em decorrência da prestação de serviços, da revenda de mercadorias ou da venda de produtos de fabricação própria." Em síntese, houve as seguintes conclusões quanto à emissão de notas fiscais e da prestação de serviço da empresa FRIST: a) não existem notas fiscais de serviço referentes à alegada prestação de serviço (simplesmente porque em 2000 a Empresa FRIST não possuía inscrição junto ao cadastro da SEFIN-PMF e também porque essa Empresa nunca requereu ou foi autorizada a emitir documentos fiscais, b) A Empresa FRIST durante o período de 10 (dez) anos, compreendido entre 1998 a 2007, não possuiu um cliente sequer e jamais auferiu quaisquer receitas em decorrência da prestação de serviços, da revenda de mercadorias ou da venda de produtos de fabricação própria." Observa-se que as conclusões da diligência foram no sentido de confirmar a acusação fiscal de que o contribuinte não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a efetividade da prestação de serviços pela empresa Frist Participações e Administração Ltda, cujos valores foram debitados ao Resultado do ano-calendário de 2000 a título de despesas (rubrica 6.1.2.3.02), conforme consta escriturado nos Livros Diário e Razão da recorrente. Fl. 489DF CARF MF Fl. 21 do Acórdão n.º 1402-003.935 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10380.010159/2005-81 A recorrente, embora intimada do relatório de diligência, não apresentou manifestação quanto ao resultado dessa, portanto não trouxe quaisquer elementos aos autos que confrontassem as conclusões da Autoridade Fiscal. A recorrente argumenta que o ônus de comprovar a inveracidade das operações registradas contabilmente é da Fazenda, não tendo o contribuinte a obrigação de produtor provas: A RECORRENTE propugna pela juridicidade da pretensão da Fazenda, que deve estar fundamentada na ocorrência do fato gerador e das infrações, cujos elementos que os constituem supõe-se estar presentes e comprovados nas operações registradas contabilmente; o contrário disto, isto é, se qualquer de um destes elementos constituir-se em "incerteza", o ônus probatório de comprovar a sua existência é da Fazenda, não tendo o contribuinte, sujeito passivo, a obrigação de produzir as provas, devendo os elementos colhidos pela fiscalização mostrarem-se convincentes de que as despesas eram desnecessárias ou, doutra forma, embasadas em documentação incapaz de sustentá-las. A legislação em que se apoiou a RECORRENTE em sua Impugnação (arts. 249, inciso I; 251 e 264, caput; e 299, §§ 1º e 2o , bem assim o art. 300 e 304 do RIR/1999), refere- se à determinação do lucro real, aos custos, despesas, encargos, provisões, participações e quaisquer outros valores deduzidos na apuração do lucro líquido (...) e de que "a pessoa jurídica sujeita à tributação com base no lucro real deve manter escrituração com observância das leis comerciais e fiscais (Decreto-lei n° 1.598, de 1977, art. 7o, parâmetros esses cumpridos fielmente pela RECORRENTE. A questão do ônus da prova dos fatos registrados na contabilidade é disciplinada nos artigos 923 e 924 do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999, in verbis: Art. 923. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais (Decreto-Lei nº 1.598, de 1977, art. 9º, § 1º). Ônus da Prova Art. 924. Cabe à autoridade administrativa a prova da inveracidade dos fatos registrados com observância do disposto no artigo anterior (Decreto-Lei nº 1.598, de 1977, art. 9º, § 2º). Não assiste razão à recorrente em seus argumentos, pois no presente caso, embora houvesse o registro dos fatos alegados na contabilidade, não houve a comprovação desses por documentos hábeis, para a escrituração surtisse o efeito de fazer prova em favor do contribuinte, logo não foram preenchidos os requisitos para que coubesse à autoridade fiscal a prova da inveracidade dos fatos. Apesar disso, foram trazidos pela autoridade fiscal elementos no sentido de que não houve nem a emissão de notas fiscais nem a prestação de serviços pela Frist no ano- calendário de 2000. A recorrente afirma que não recebeu o Termo de Início de Diligência: Compulsando-se os autos do processo, a Contribuinte atendeu às intimações da fiscalização, apresentando os documentos que lhe foram exigidos. Saliente-se, todavia, que o Termo de Início de Diligência (fls. 312, 313), assinando prazo de 10 (dez) dias para apresentação de 5 (cinco) itens, foi encaminhado à FRIST PARTICIP. E ADMINISTRAÇÃO (fls. 314) e não à CONSTRUTORA MARQUISE, que assim, não a recebeu, por falha da própria fiscalização, não podendo ser agora responsabilizada pelo que ocorreu depois disto; daí ter constado, no Relatório, no item 11. ".....que, em resposta ao Termo de Início de Fiscalização, a evidência da prestação dos serviços Fl. 490DF CARF MF Fl. 22 do Acórdão n.º 1402-003.935 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10380.010159/2005-81 (Relatórios) foi disponibilizada ao auditor fiscal na sede da Impugnante (doc. 4), ora anexados. RESTA A JUNTADA DOS SEIS DOCUMENTOS PROBANTES DOS PAGAMENTOS DAS DESPESAS CONTRATADAS (docs. 5)", (destacou-se), justamente por não lhe ter chegado às mãos a intimação, endereçada apenas à FRIST, com "AR, e não à RECORRENTE. (Fls. 314 e ss.). Observa-se que, embora, a recorrente afirme que não recebeu o Termo de Início de Diligência, pois esse foi direcionado à empresa Frist Participações e Administração Ltda., essa recebeu o relatório conclusivo de diligência fiscal (fls. 336 e 340), conforme aviso de recebimento (fls. 384). Conclui-se que a recorrente não trouxe ao autos os elementos necessários para a comprovação das despesas referente aos supostos serviços prestados pela Frist Participações e Administração Ltda., também não logrou êxito em contrapor as conclusões da diligência realizada e da decisão de 1ª Instância. Quanto ao lançamento referente à CSLL, aplica-se à exigência dita reflexa o que foi decidido quanto à exigência matriz (IRPJ), devido à íntima relação de causa e efeito entre elas. Conclusão Ante o exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Evandro Correa Dias Fl. 491DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.932180/2013-17
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 08 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Jun 17 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE (IRRF)
Data do fato gerador: 31/10/2012
DESPACHO DECISÓRIO. NULIDADE.
Estando demonstrados os cálculos e a apuração efetuada e possuindo o despacho decisório todos os requisitos necessários à sua formalização, sendo proferido por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pode exercer o contraditório e a ampla defesa e onde constam todos os requisitos exigidos nas normas legais pertinentes ao processo administrativo fiscal, não há que se falar em nulidade.
DESPACHO DECISÓRIO. CERCEAMENTO DE DIREITO DE DEFESA.
Na medida em que o despacho decisório que indeferiu a restituição requerida teve como fundamento fático a verificação dos valores objeto de declarações do próprio sujeito passivo, não há que se falar em cerceamento de defesa.
COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INTEGRALMENTE ALOCADO.
Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, quando o recolhimento alegado como origem do crédito estiver integralmente alocado na quitação de débitos confessados.
Numero da decisão: 2401-006.423
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10880.900539/2014-60, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(documento assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Presidente e Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier (Presidente), Cleberson Alex Friess, Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite, Rayd Santana Ferreira e Marialva de Castro Calabrich Schlucking.
Nome do relator: MIRIAM DENISE XAVIER
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NULIDADE. Estando demonstrados os cálculos e a apuração efetuada e possuindo o despacho decisório todos os requisitos necessários à sua formalização, sendo proferido por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pode exercer o contraditório e a ampla defesa e onde constam todos os requisitos exigidos nas normas legais pertinentes ao processo administrativo fiscal, não há que se falar em nulidade. DESPACHO DECISÓRIO. CERCEAMENTO DE DIREITO DE DEFESA. Na medida em que o despacho decisório que indeferiu a restituição requerida teve como fundamento fático a verificação dos valores objeto de declarações do próprio sujeito passivo, não há que se falar em cerceamento de defesa. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INTEGRALMENTE ALOCADO. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, quando o recolhimento alegado como origem do crédito estiver integralmente alocado na quitação de débitos confessados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10880.900539/2014-60, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier – Presidente e Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier (Presidente), Cleberson Alex Friess, Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite, Rayd Santana Ferreira e Marialva de Castro Calabrich Schlucking. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 93 21 80 /2 01 3- 17 Fl. 72DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 2401-006.423 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.932180/2013-17 Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do Acórdão nº 2401-006.258, de 08 de maio de 2019 - 4ª Câmara/1ª Turma Ordinária, proferido no âmbito do processo n° 10880.900539/2014-60, paradigma deste julgamento. “Trata o presente processo de Manifestação de Inconformidade contra ato da autoridade administrativa que não homologou a compensação declarada por meio eletrônico (PER/DCOMP), relativamente a crédito de IRRF que teria sido recolhido a maior no período de apuração constante dos autos. Como bem relatado pela instância a quo , o Despacho Decisório não homologou o pedido de compensação em debate, sob o fundamento de que, embora localizado o pagamento que deu origem ao suposto crédito original de pagamento indevido ou a maior, o mesmo estava à época do encontro de contas integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte não restando crédito disponível para a compensação dos débitos informados. Notificada da decisão a Contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, alegando, em síntese, que: 1. Sem qualquer fundamento legal ou maiores explicações, a autoridade administrativa não homologou a compensação realizada pela empresa, através do despacho decisório proferido nos presentes autos. 2. A alegação de que não existe crédito disponível não pode ser entendida como fundamento do despacho decisório, sem constar o porquê dessa inexistência. 3. A autoridade administrativa não se deu ao trabalho de motivar sua decisão, a teor do art. 50 da Lei n° 9.784, de 1999. 4. A não homologação dessa compensação ocorreu por sistema informatizado, porque o crédito sequer foi apreciado. Limitou-se a autoridade administrativa em fazer uma verificação prévia se o pagamento realizado indevidamente ou a maior estava disponível em seus sistemas. Ainda inconformada, a Recorrente apresenta Recurso Voluntário, repisando parte de suas razões apresentadas em sede de Impugnação que são, em síntese, as seguintes: a) o V. Acórdão merece reforma, basicamente, porque firmou entendimento equivocado, o ato administrativo que não reconheceu o direito creditório do contribuinte é vinculado, devendo conter os pressupostos de fato e de direito, em obediência ao princípio da legalidade; b) Na mesma esteira de entendimento, o ato administrativo deve ser motivado para se mostrar eficaz, razão pela qual não deve prosperar o acórdão ora guerreado; c) o crédito que se fundou o direito subjetivo do contribuinte foi protocolado por meio de compensação, todavia, sem qualquer fundamentação a autoridade não homologou a compensação realizada pela Recorrente, através de Despacho Decisório Fl. 73DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 2401-006.423 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.932180/2013-17 eletrônico, onde se questiona a falta de elementos do ato administrativo, ou seja, falta de fundamentação e nulidades; d) Todavia entenderam os Nobres Julgadores que o Despacho Decisório foi devidamente fundamentado, cabendo ao Recorrente o ônus da prova dos fatos modificativos, impeditivos ou extintivos da pretensão fazendária, julgando improcedente a Impugnação; e) Reitera a necessidade de motivação, a teoria dos motivos determinantes e o cerceamento de defesa como institutos jurídicos a embasarem sua pretensão de reforma do ato administrativo ora em debate ; f) Defende a tese de que a Fazenda Nacional deve rever seus próprios atos, seja para revogá-los (quando inconvenientes) seja para anulá-los (quando ilegais) Cita a Súmula 473 do STF, os arts. 1º e 5º inciso LVI da CF/88., como normas de conteúdo vedatório para obtenção de provas pelo Poder Público que derive de transgressão a cláusulas de ordem constitucional; g) Ao final requer a reforma do v. Acórdão, eis que a controvérsia posta é identificar se o ato administrativo é vinculado ou discricionário. É o Relatório.” Voto Conselheira Miriam Denise Xavier, Relatora. Este processo foi julgado na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica-se o decidido no Acórdão nº 2401-006.258, de 08 de maio de 2019 - 4ª Câmara/1ª Turma Ordinária, proferido no âmbito do processo n° 10880.900539/2014-60, paradigma deste julgamento. Transcreve-se, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido na susodita decisão paradigma, a saber, Acórdão nº 2401-006.258, de 08 de maio de 2019 - 4ª Câmara/1ª Turma Ordinária: Acórdão nº 2401-006.258 - 4ª Câmara/1ª Turma Ordinária “1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE RECURSO VOLUNTÁRIO O presente Recurso Voluntário foi apresentado, TEMPESTIVAMENTE, razão pela qual dele CONHEÇO, já que presentes os requisitos de sua admissibilidade 2. DA PRELIMINAR a) nulidade A alegação de nulidade do Despacho Decisório não merece prosperar posto que o mesmo foi realizado dentro dos ditames delineados em lei, apresentando de forma clara e objetiva o motivo da não homologação da compensação, qual seja, a Fl. 74DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 2401-006.423 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.932180/2013-17 inexistência de crédito disponível para a compensação dos débitos informados na declaração de compensação - DCOMP. Nesse diapasão, não há cerceamento de defesa em nenhuma fase do curso processual capaz de produzir qualquer tipo de nulidade ou óbice para que se avance na análise de mérito no presente feito. 3. DO MÉRITO Em seu Recurso Voluntário o contribuinte, em síntese, se restringe a alegar que o ato administrativo, que não reconheceu o seu direito creditório, é vinculado , devendo conter os pressupostos de fato e de direito que o motivaram, sob pena de cerceamento do seu direito de defesa e desobediência ao princípio da legalidade. O que se observa é que assim, as alegações preliminares acabam se confundindo com as de mérito. Todavia, razão não assiste à Recorrente, senão vejamos: Conforme esclarecido pela instância de piso e verificado pela análise dos autos, as próprias declarações e documentos produzidos pela Recorrente fundamentaram os motivos da não-homologação do Despacho Decisório in casu, caracterizando assim a prova e a motivação do ato administrativo, sendo de pleno conhecimento do Recorrente já que por ele produzidos. Após análise detalhada, não foi identificado por esta Relatora qualquer erro na decisão de indeferimento da compensação, nem tampouco a Recorrente apontou eventual divergência, capaz de maculá-lo. A causa da não homologação é clara e objetiva, e se deve ao fato de que, nos sistemas da Receita Federal, embora localizado o DARF do pagamento apontado na DCOMP como origem do crédito, o valor correspondente foi totalmente utilizado e alocado aos débitos informados em DCTF, não restando dele o saldo apontado na DCOMP como crédito. Logo, não padece de nulidade o despacho decisório proferido por autoridade competente, contra o qual o Recorrente pôde exercer o contraditório e a ampla defesa e onde constam todos os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal. Conforme se verifica, o débito declarado e pago encontra-se em conformidade com a correspondente DCTF, a qual tem seus efeitos determinados pelo § 1º do artigo 5º do Decreto lei nº 2.124, de 13 de junho de 1984, entre eles o da confissão da dívida e o condão de constituir o crédito tributário, dispensada qualquer outra providência por parte do Fisco. Como ja esclarecido acima, quando da transmissão e da análise do PER/DCOMP em tela, o crédito efetivamente não existia, pois o pagamento efetuado estava integralmente alocado ao débito declarado pela própria contribuinte em sua DCTF. Dessa forma, a recorrente, na data da transmissão do PER/ DCOMP não era detentora de crédito líquido e certo, condição sem a qual não há direito à restituição ou compensação. E não tendo trazido elementos hábeis a desconstituir a confissão do débito que fez na DCTF, inexiste razão para se reconhecer o pleiteado direito Fl. 75DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 2401-006.423 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.932180/2013-17 creditório relativo a pagamento pretensamente maior do que o devido, referente ao período de apuração. Ou seja, de maneira diametralmente oposta às suas alegações recursais, o ato administrativo foi motivado e fundamentado, todavia não foi homologado por absoluta falta de amparo legal para sua concessão. Da análise da DCTF retificadora ativa da Requerente (juntada por imagem no Acórdão de Manifestação de Inconformidade, referente ao tributo e período em análise, verificou-se que ela declarou um débito de IRRF referente ao fato gerador daquela data e vinculou um pagamento de igual valor. Já no quadro reproduzido no voto, podemos verificar que o DARF, pago em atraso com multa de mora e juros de mora, foi integralmente alocado para o saldo a pagar do débito declarado, cujos valores são idênticos. A Requerente pagou em atraso o tributo e corretamente adicionou a multa de mora e os juros de mora, valor que ele agora indevidamente reclama de volta para compensação. Conforme informado pela DRJ , além do DARF constante dos presentes autos, ter sido alocado ao débito normal do período, regularmente declarado em DCTF, a Recorrente solicita sobre esse valor, a homologação de 152 pedidos de compensação que, somados, resultam em um valor de R$ 1.974.130,39, conforme relação dos processos de PER/DCOMP para o mesmo DARF, transcritas no voto do Acórdão ora recorrido. E este fato indica que a Recorrente se movimenta no sentido de efetuar compensação administrativa, não amparada na legislação, para liquidar débitos com créditos inexistentes. Todavia, utiliza-se do expediente de prestação de informação falsa, pois no PER/DCOMP há um campo onde é perguntado se aquele crédito proveniente de pagamento indevido ou a maior já foi informado em outro PER/DCOMP, ao que a Recorrente respondeu “Não” em todos os PER/DCOMP, em infração que ensejaria a aplicação da Lei n° 10.833, de 2003, art. 18, §2º, com a redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007. 4. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, voto para CONHECER do recurso e, no mérito, NEGAR-LHE PROVIMENTO, nos termos do relatório e voto. É como voto.” Pelos motivos expendidos, voto para CONHECER do recurso e, no mérito, NEGAR-LHE PROVIMENTO, nos termos do relatório e voto. (documento assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Fl. 76DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 2401-006.423 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.932180/2013-17 Fl. 77DF CARF MF
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Numero do processo: 10920.723614/2015-20
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 24 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Jul 04 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3201-001.987
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do Recurso Voluntário em diligência. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10920.723601/2015-51, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Paulo Roberto Duarte Moreira - Presidente Substituto e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Giovani Vieira, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Leonardo Correia Lima Macedo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado em substituição ao conselheiro Charles Mayer de Castro Souza), Tatiana Josefovicz Belisário, Laércio Cruz Uliana Junior e Paulo Roberto Duarte Moreira (Presidente Substituto). Ausente, justificadamente, o conselheiro Charles Mayer de Castro Souza.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 10920.723601/201551, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Paulo Roberto Duarte Moreira Presidente Substituto e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Giovani Vieira, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Leonardo Correia Lima Macedo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado em substituição ao conselheiro Charles Mayer de Castro Souza), Tatiana Josefovicz Belisário, Laércio Cruz Uliana Junior e Paulo Roberto Duarte Moreira (Presidente Substituto). Ausente, justificadamente, o conselheiro Charles Mayer de Castro Souza. Relatório Tratase de Pedido de Ressarcimento de créditos de contribuição não cumulativa, que não restou integralmente reconhecido. A análise do crédito se deu a partir da análise da documentação e das informações apresentadas pelo Contribuinte para comprovação do direito aos créditos pleiteados em confronto com os dados nas bases da RFB, SPED Fiscal e SPED Contribuições. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 20 .7 23 61 4/ 20 15 -2 0 Fl. 1893DF CARF MF Processo nº 10920.723614/201520 Resolução nº 3201001.987 S3C2T1 Fl. 3 2 A fiscalização realizou diversas glosas, por entender que derivavam de valores que não se geravam direito ao crédito pleiteado, consoante despacho decisório acostado aos autos. A recorrente apresentou manifestação de inconformidade que restou julgada improcedente pelo colegiado a quo. O Recurso Voluntário da Recorrente foi interposto de forma hábil e tempestiva, contendo, em breve síntese, os seguintes argumentos: II – Dos Fatos A Recorrente informa que a fiscalização glosou os créditos de (i) bens utilizados como insumos; (ii) serviços utilizados como insumos; (iii) energia elétrica/Térmica; (iv) despesas com alugueis, máquinas e equipamentos; (v) armazenagem e frete na operação de venda; (vi) importação – serviços utilizados como insumos e (vii) crédito presumido da agroindústria, todos oriundos do seu Pedido de Ressarcimento e Declaração de Compensação. III – Preliminar a) Da indispensável conversão do julgamento em diligência A Recorrente alega ausência de motivação do ato fiscal para as glosas dos créditos cujo ressarcimento foi requerido por meio de PER/DCOMP. Sustenta que os itens de créditos glosados são considerados insumos, e assim são classificados em vista do entendimento adotado ao termo e já pacificado no âmbito desse Tribunal Administrativo. Ademais alega que a glosa foi realizada sem a devida motivação. Como reforço ao argumento, cita doutrina, jurisprudência e faz menção ao princípio da verdade material. Ao final desse ponto, a Recorrente conclui quanto a necessidade de conversão do julgamento em diligência, a fim de confirmar a relação dos itens glosados com o processo produtivo da Recorrente. IV – Do Direito a) Do crédito de PIS/COFINS – Princípio da nãocumulatividade – Conceito de Insumos A Recorrente afirma que o conceito de insumos utilizado pela fiscalização está superado. Assim, o entendimento das Instruções Normativas nº 247/2002 (PIS) e nº 404/2004 (COFINS) não mais subsiste. Nessa linha, afirma que as Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03 admitem a não cumulatividade das parcelas de PIS/COFINS, como forma primordial de promover a redução da carga tributária buscando a desoneração pelo pagamento destas contribuições. Reforça o argumento com jurisprudência da CSRF deste CARF. Sustenta que na lógica atual devese analisar o conceito de insumo sob a ótica da essencialidade/necessidade. Cita trecho do REsp nº 1.221.170, proferido em 23/09/2015. Colaciona doutrina. b) Das glosas efetuadas pela fiscalização Fl. 1894DF CARF MF Processo nº 10920.723614/201520 Resolução nº 3201001.987 S3C2T1 Fl. 4 3 A Recorrente relaciona as glosas efetuadas pela fiscalização, a saber: (i) Bens utilizados como insumos: entradas de bens não enquadrados como insumos, dentre eles: aquisição de pneus; produtos para tratamento de efluentes; materiais de embalagem; despesas com serviços de frete entre filiais, despesas com serviços tomados de pessoa física, aquisições de combustíveis; (ii) Serviços utilizados como insumos – entradas se serviços não enquadrados como insumos; (iii) Crédito extemporâneo; (iv) Crédito Presumido Agroindústria. Em seguida aborda cada uma das glosas. b.1) Dos bens utilizados como insumos A Recorrente elenca bens que teriam sido glosados, dentre os quais: b.1.1) pneus; b.1.2) produtos para tratamento de efluentes; b.1.3) lonas, pallets; b.1.4) frete entre filiais; b.1.5) fretes na aquisição de produtos de pessoa física; e b.1.6) óleo diesel (combustível). Em sua defesa, para reverter as glosas cita extensa jurisprudência do CARF. c) Do Crédito Extemporâneo A Recorrente contesta a glosa dos créditos extemporâneos. Nesse ponto alega que a apuração dos créditos da contribuição em voga toma por base as despesas ocorridas no mês de apuração, conforme indicam os incisos I a IV do § 1º do art. 3º da Lei nº 10.833/03. Faz referência a orientação prevista no § 4º do art. 3º da Lei nº 10.833/03. Cita o Ato Declaratório Executivo COFIS nº 34/2010. Alega que fez a utilização dos créditos tidos por extemporâneos dentro do prazo estabelecido no art. 1º do Decreto nº 20.910/32. Faz referência ao Acórdão nº 3403002.420. Defende que não haveria necessidade de prévia retificação do DACON por parte do contribuinte. d) Serviços Utilizados como Insumos A Recorrente deseja afastar a alegação fazendária quanto a preclusão atinente a supostas glosas não contestadas. Discorre sobre os créditos relativos a: d.1) manutenção predial/veicular Quanto ao item manutenção, temse que correspondem a reparos necessários em veículos utilizados nos transportes de produção e transportes comerciais, conforme já devidamente esclarecido e descrito no item “pneus” anteriormente exposto. No mesmo sentido, a Manifestante também se utiliza de manutenções preventivas na estrutura da empresa, para conservação desta estrutura predial específica da produção. Fl. 1895DF CARF MF Processo nº 10920.723614/201520 Resolução nº 3201001.987 S3C2T1 Fl. 5 4 d.2) Cursos Mesmo entendimento se aplicam aos cursos, posto que relacionado a qualificação dos funcionários do setor da produção, que aplicam o conhecimento adquirido na execução dos trabalhos produtivos, tal como: habilitação para exercer a atividade de Operador de Empilhadeira, Operador de Caldeira, etc d.3) Despesas de importação frete/despachante Dito isso, cabe ainda à Recorrente demonstrar seu inconformismo quanto às glosas efetuadas pela Autoridade Pública no que tange às despesas oriundas de fretes de importação de matériaprima, bem como de despesas com desembaraço aduaneiro destas mercadorias do Porto até o efetivo internamento no estabelecimento da empresa. d.4) Energia elétrica e térmica Relata o Termo de Informação Fiscal a glosa parcial de créditos apurados pela Recorrente sobre despesas relacionadas à aquisição de energia elétrica, na medida em que tais valores não refletiriam a energia elétrica efetivamente consumida, mas sim valores relativos à Cosit, juros e multas. Tal entendimento não merece prosperar, na medida em que tais valores integram, de maneira indissociável, o custo de aquisição da energia elétrica, não sendo possível se cogitar da impossibilidade de apuração do crédito correspondente sobre a totalidade do valor pago na operação. A cobrança da taxa de iluminação pública, assim como a aquisição de energia elétrica por meio de demanda contratada em tensão previamente estabelecida, serve de valioso exemplo para a análise da medida em questão, uma vez que tais despesas não podem ser dissociadas da fatura corresponde à remuneração paga pela energia elétrica efetivamente consumida. d.5) demais glosas No mesmo item referente aos “Serviços utilizados como insumos”, a Autoridade Pública informa outras glosas, quais sejam, de comissões de compras/vendas, mãodeobra temporária, dentre outros. Por consequência, a sua manutenção no acórdão recorrido também se operou devido ao conceito aplicado a termo insumo. e) Crédito Presumido Agroindústria A Recorrente alega que a fiscalização glosou de forma equivocada as aquisições referentes à emissão fora dos períodos em análise/apuração. V – Da Ausência de preclusão no Processo Administrativo Fiscal | Princípio da Verdade Material Fl. 1896DF CARF MF Processo nº 10920.723614/201520 Resolução nº 3201001.987 S3C2T1 Fl. 6 5 A Recorrente argumenta quanto a ausência de preclusão no Processo Administrativo Fiscal e sobre o princípio da verdade material. VI – Da Atualização Monetária/Incidência da SELIC A Recorrente alega que quando do ressarcimento dos créditos faz jus aos acréscimos de correção monetária e juros correspondentes, sob pena de constituir evidente enriquecimento sem causa da Administração em prejuízo ao contribuinte. É o relatório. Voto Paulo Roberto Duarte Moreira, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 3201001.981, de 24 de abril de 2019, proferido no julgamento do processo 10920.723601/201551, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Resolução nº 3201001.981): "O recurso atende a todos os requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele se conhece. Em apertada síntese, a Recorrente sustenta que a fiscalização: a) glosou os créditos de PIS/COFINS sem analisar efetivamente o processo produtivo da empresa; b) aplicou o conceito restritivo de insumo para glosar créditos; c) negou a utilização de créditos extemporâneos; d) glosou indevidamente serviços utilizados como insumos; e) negou equivocadamente crédito presumido da agroindústria. De forma geral, no tocante a reversão das glosas, cabe razão a recorrente. O STJ, por meio do Recurso Especial nº 1.221.170/PR, em decisão de 22/02/2018, proferida na sistemática dos recursos repetitivos, firmou as seguintes teses em relação aos insumos para creditamento do PIS/COFINS: (a) é ilegal a disciplina de creditamento prevista nas Instruções Normativas da SRF ns. 247/2002 e 404/2004, porquanto compromete a eficácia do sistema de nãocumulatividade da contribuição ao PIS e da COFINS, tal como definido nas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003; e (b) o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de terminado item bem ou serviço para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo Contribuinte. Fl. 1897DF CARF MF Processo nº 10920.723614/201520 Resolução nº 3201001.987 S3C2T1 Fl. 7 6 Assim, em vista do disposto pelo STJ no RE nº 1.221.170/PR quanto a ilegalidade das Instruções Normativas da SRF ns. 247/2002 e 404/2004, bem como da jurisprudência deste CARF, a discussão seria centrada na análise dos para verificar se atendem ou não aos requisitos da essencialidade, relevância ou imprescindibilidade conforme ensinamento do superior tribunal. Entretanto, quando do início do julgamento do processo na sessão de abril de 2019, foi suscitada dúvida na parte relativa a linha 26 crédito presumido agroindústria. Nesse ponto a Recorrente alega que a fiscalização glosou de forma equivocada as aquisições referentes à emissão fora dos períodos em análise/apuração. Seriam as notas fiscais com emissão de 2007 a 2009. De um lado, a decisão de primeira instância leva a crer que o problema estaria na retificação do demonstrativo da Dacon para ter direito ao crédito. Notese que a menção de que “os créditos presumidos de agroindústria, calculados à época, foram utilizados para desconto das próprias contribuições em seus respectivos períodos” importa na medida em que demonstra que houve a apuração e o desconto deste tipo de crédito no Dacon referente à época da emissão das notas ora glosadas. Assim, se àquela época, a interessada, como alega, não as incluiu na base de cálculo do crédito presumido demonstrado no Dacon daquele período, cabia então retificar tal demonstrativo e somente então trazer o eventual crédito remanescente para desconto no Dacon ora em análise. (efl. 3379) (...) E o Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais Dacon é o instrumento que a legislação estabelece como meio através do qual o contribuinte deve informar ao Fisco, entre outros dados, os montantes das receitas auferidas (tributada no mercado interno, não tributada no mercado interno e de exportação) e demonstrar a apuração do valor devido da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins não cumulativas e dos créditos que entende possuir. No que se refere à base de cálculo dos créditos, o referido demonstrativo possui fichas e linhas específicas para cada hipótese legalmente prevista de geração de crédito, que devem necessariamente refletir a real composição da base de cálculo do crédito apurado, identificando corretamente os custos e despesas que a compõem, ocorridos ao longo do respectivo período de apuração; ou seja, os custos que compõem a base de cálculo de cada tipo de crédito apurado no Dacon devem estar corretamente neste informados, conforme a sua natureza, a fim de que reste perfeitamente demonstrada a origem do crédito a que o contribuinte declara ter direito, para fins de viabilizar a oportuna e necessária análise e conferência deste pela autoridade administrativa fazendária competente para deferir ou não o pleito do contribuinte, no caso, a Delegacia da Receita Federal do Brasil Fl. 1898DF CARF MF Processo nº 10920.723614/201520 Resolução nº 3201001.987 S3C2T1 Fl. 8 7 – DRF com jurisdição no domicílio fiscal do contribuinte/pleiteante. Assim é que não se pode prescindir das informações que estão declaradas no Dacon e das formalidades de que se reveste este demonstrativo/declaração. A declaração válida à época do pedido tem que ser considerada para todos os efeitos legais, visto que os fatos ali descritos devem representar de forma inequívoca o direito da contribuinte e a sua natureza, a fim possibilitar a confirmação, pela DRF, de seu valor e forma de apuração, bem como o meio possível de utilização pelo contribuinte. Em situações como esta, em que os dados utilizados pela Receita Federal para analisar a procedência do crédito e sua utilização são extraídos de registros informatizados baseados em valores declarados pelo sujeito passivo, cabe ao próprio sujeito passivo o ônus de retificar as declarações incorretas anteriormente encaminhadas. Portanto, como o crédito e a apuração deste deve estar perfeitamente demonstrada no Dacon, havendo qualquer eventual erro de declaração é ônus do contribuinte corrigilo em tempo hábil, a fim de se assegurar que a análise de seu pleito seja realizada de fato sobre o direito creditório que acredita possuir. Por conta disso, não resta dúvidas que a análise do pedido formulado (PER/DCOMP) limitase ao escopo do que consta no Dacon. E esta é a razão pela qual, ao contrário do que entende a Recorrente, a Autoridade Administrativa pode perfeitamente negar o direito ao crédito incluído no pedido, mas informado de forma diversa ou não constante deste demonstrativo, em respeito à sua função precípua, visto que se assim não fosse, ao Fisco restaria inviabilizada a correta aferição da certeza e liquidez do crédito e o controle do real aproveitamento deste pelo contribuinte. Portanto, ao não informar nos Dacon anteriores créditos remanescentes passíveis de desconto no Dacon ora em análise, a contribuinte retirou a possibilidade de análise e reconhecimento pela DRF da procedência e legitimidade de eventual crédito existente à época. (efl. 3380) Diante disso, é que não cabe à Autoridade Administrativa julgadora assentir com o desconto de créditos de períodos anteriores, não informados no respectivo Dacon, em detrimento da natureza deste demonstrativo e, sobretudo, da competência originária da DRF para analisar e decidir sobre a existência e procedência do crédito declarado pelo contribuinte ao Fisco. Salientese que não se está aqui a negar eventual direito de crédito a que a contribuinte tenha direito em relação as notas fiscais em tela, mas apenas negando que seus valores possam integrar a base de cálculo do crédito do período ora em análise. Diante disso, não há como restabelecer a presente glosa. (efl. 3381) Fl. 1899DF CARF MF Processo nº 10920.723614/201520 Resolução nº 3201001.987 S3C2T1 Fl. 9 8 De outro lado, a Recorrente alega a possibilidade de comprovação da existência dos créditos presumidos. Ou seja, comprovandose a existência dos créditos presumidos suficientes, além daqueles já utilizados inicialmente, comprovase o correto procedimento de ressarcimento efetuado pela Recorrente, devendo os mesmos serem reconhecidos e deferidos em sua integralidade. (efl. 3462) É que não se fale em retificação da DACON, pois, quando do aproveitamento destes créditos presumidos, os mesmos são tratados como extemporâneos pela Recorrente e são devidamente lançados em DACON’s dos períodos ora analisados. Ou seja, utilizou a Recorrente os créditos presumidos de 2007 a 2009 para desconto das contribuições dos períodos de 2010 a 2013, além daqueles já anteriormente utilizados como afirmado pelo fiscal, mas, não sendo os mesmos já utilizados anteriormente. (efl. 3464) Portanto, estamos falando de créditos distintos, conforme relação de notas fiscais apresentadas na manifestação anterior. Por consequência, e a fim de justificar o equívoco fiscal, apresentou a Recorrente planilha demonstrando os saldos de cada período, inclusive com as notas fiscais que originaram o crédito de 2007 a 2009 utilizados naquele período, bem como a relação das notas fiscais de aquisição de 2007 a 2009 utilizadas nos períodos de 2010 a 2013 ora questionados. Tratase de prova produzida em sede de Manifestação de Inconformidade, mas não apreciada no acórdão recorrido. (efl. 3465) Diante das colocações de ambos os lados, a turma julgadora considerou por bem converter o julgamento em diligência para verificar se realmente sobrou crédito para ser utilizado. A conversão em diligência é para apurar nas NFs e livros de entrada o valor do crédito presumido e confrontar tais valores com os créditos utilizados no próprio período e nos períodos subsequentes. A Recorrente informa que fez o controle dos créditos presumidos no livro de entrada e que produziu prova em sede de manifestação de inconformidade que não fora apreciada. O CARF possui o reiterado entendimento de ser possível a conversão do feito em diligência, com base no artigo 29, combinado com artigo 16, §§4º e 6º, do PAF– Decreto 70.235/72, com a produção de relatório conclusivo sobre o assunto. Assim, entendo que no presente processo há dúvida razoável acerca de tais créditos, justificando a conversão do feito em diligência, não sendo prudente julgar o recurso em prejuízo da Recorrente, sem que a questão levantada seja dirimida. Diante do exposto, voto pela conversão do julgamento em diligência à repartição de origem, para que aprecie a documentação de Fl. 1900DF CARF MF Processo nº 10920.723614/201520 Resolução nº 3201001.987 S3C2T1 Fl. 10 9 comprovação da existência dos alegados créditos, bem como, caso necessário, proceda a intimação da Recorrente para no prazo de 30 (trinta) dias, renovável uma vez por igual período, a apresentar outros documentos, porventura, ainda necessários aptos a comprovar os valores pretendidos. Ao final deve a autoridade da repartição de origem informar se há ou não o direito creditório alegado pela Recorrente. Isto posto, deve ser oportunizada à Recorrente o conhecimento dos procedimentos efetuados pela repartição fiscal, inclusive do relatório elaborado pela fiscalização, com abertura de vistas pelo prazo de 30 (trinta) dias, prorrogável uma vez por igual período, para que se manifeste, para, na sequência, retornarem os autos a este colegiado para prosseguimento do julgamento." Importante frisar que as situações fática e jurídica presentes no processo paradigma encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por converter o julgamento em diligência à repartição de origem, para que aprecie a documentação de comprovação da existência dos alegados créditos, bem como, caso necessário, proceda a intimação da Recorrente para no prazo de 30 (trinta) dias, renovável uma vez por igual período, a apresentar outros documentos, porventura, ainda necessários aptos a comprovar os valores pretendidos. Ao final deve a autoridade da repartição de origem informar se há ou não o direito creditório alegado pela Recorrente. Isto posto, deve ser oportunizada à Recorrente o conhecimento dos procedimentos efetuados pela repartição fiscal, inclusive do relatório elaborado pela fiscalização, com abertura de vistas pelo prazo de 30 (trinta) dias, prorrogável uma vez por igual período, para que se manifeste, para, na sequência, retornarem os autos a este colegiado para prosseguimento do julgamento (assinado digitalmente) Paulo Roberto Duarte Moreira. . Fl. 1901DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10680.926668/2016-04
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jun 17 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Jul 24 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 23/11/2012
COMPENSAÇÃO DE OFÍCIO. DISCORDÂNCIA DO CONTRIBUINTE. CRÉDITO TRIBUTÁRIO COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA NOS TERMOS DO ART. 151 DO CTN. RETENÇÃO DO VALOR A SER RESSARCIDO. IMPOSSIBILIDADE. COMPENSAÇÃO VOLUNTÁRIA. HOMOLOGAÇÃO. STJ. RECURSO REPETITIVO. ART. 62, §2º DO RICARF.
Não se pode impor compensação de ofício ou reter valores passíveis de ressarcimento, nos termos do parágrafo único do artigo 73 da Lei n° 9.430/1996 c/c § 4º do art. 89 da Instrução Normativa RFB nº 1.717/2017, quando os débitos do contribuinte para com o Fisco estiverem com exigibilidade suspensa nos termos do art. 151 do CTN. Deve ser homologada a compensação voluntária declarada. Reprodução do entendimento firmado pelo STJ no Resp n°1.213.082/PR, julgado sob a sistemática dos recursos repetitivos, por força do §2° do art. 62 do RICARF.
Numero da decisão: 3401-006.393
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, Fernanda Vieira Kotzias, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Oswaldo Gonçalves de Castro Neto, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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DISCORDÂNCIA DO CONTRIBUINTE. CRÉDITO TRIBUTÁRIO COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA NOS TERMOS DO ART. 151 DO CTN. RETENÇÃO DO VALOR A SER RESSARCIDO. IMPOSSIBILIDADE. COMPENSAÇÃO VOLUNTÁRIA. HOMOLOGAÇÃO. STJ. RECURSO REPETITIVO. ART. 62, §2º DO RICARF. Não se pode impor compensação de ofício ou reter valores passíveis de ressarcimento, nos termos do parágrafo único do artigo 73 da Lei n° 9.430/1996 c/c § 4º do art. 89 da Instrução Normativa RFB nº 1.717/2017, quando os débitos do contribuinte para com o Fisco estiverem com exigibilidade suspensa nos termos do art. 151 do CTN. Deve ser homologada a compensação voluntária declarada. Reprodução do entendimento firmado pelo STJ no Resp n°1.213.082/PR, julgado sob a sistemática dos recursos repetitivos, por força do §2° do art. 62 do RICARF. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, Fernanda Vieira Kotzias, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Oswaldo Gonçalves de Castro Neto, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 92 66 68 /2 01 6- 04 Fl. 49DF CARF MF 2 Relatório Tratase de recurso voluntário em face da decisão da Delegacia de Julgamento em Curitiba que julgou improcedente a manifestação de inconformidade, conforme ementa abaixo transcrita: (...) DCOMP. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. NÃO HOMOLOGAÇÃO. CRÉDITO INTEGRALMENTE RECONHECIDO EM PER. DISCORDÂNCIA QUANTO À COMPENSAÇÃO EM PROCEDIMENTO DE OFÍCIO. Correta a não homologação da declaração de compensação vinculada a pedido de restituição deferido parcialmente e a manifesta discordância do contribuinte quanto aos procedimentos de compensação de ofício, tendo em vista que o direito creditório reconhecido encontrase retido até que os débitos existentes em nome do contribuinte para com a Fazenda Pública sejam liquidados. Cientificada do acórdão de piso, a empresa interpôs Recurso Voluntário, sustentando que: a) o crédito utilizado na compensação já foi reconhecido pela autoridade administrativa, como consta expressamente da decisão recorrida; b) o crédito não deve ser objeto de retenção, com fundamento no parágrafo único do artigo 73 da Lei n° 9.430/1996 c/c § 4º do art. 89 da Instrução Normativa RFB nº 1.717/2017, em razão da discordância da Recorrente quanto à realização da compensação de ofício, pois os débitos estão com exigibilidade suspensa conforme a certidão positiva com efeitos de negativa apresentada; c) as normas que preveem a retenção de créditos em razão da negativa de se proceder à compensação de ofício de débitos com exigibilidade suspensa contrariam o art. 151 do Código Tributário Nacional e o art. 146, III, ‘b’ da Constituição, que confere a tal código a competência para dispor sobre crédito tributário; d) deve ser reproduzida pelo Conselho a tese formulada pelo STJ no REsp n° 1.213.082/PR, julgado sob a sistemática dos recursos repetitivos, que considera ilegal a compensação de ofício de débitos com exigibilidade suspensa na forma do art. 151 do CTN, por força do §2° do art. 62 do RICARF. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevsan, Relator Fl. 50DF CARF MF Processo nº 10680.926668/201604 Acórdão n.º 3401006.393 S3C4T1 Fl. 3 3 O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 3401006.346, de 17 de junho de 2019, proferido no julgamento do Processo nº 10680.925847/201616. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 3401006.346): "A controvérsia posta nos autos, acerca da não homologação da compensação declarada no PER/DCOMP nº 17327.68767.220416.1.3.040501, reside especificamente na possibilidade de o Fisco reter os créditos que a Recorrente pretende compensar em razão da discordância desta quanto à realização de sua compensação de ofício com outros débitos da empresa, os quais se encontram com exigibilidade suspensa, nos termos do art. 151 do CTN. A fiscalização aplicou à espécie o parágrafo único do artigo 73 da Lei n° 9.430/1996 c/c § 4º do art. 89 da Instrução Normativa RFB nº 1.717/2017, a seguir reproduzidos: Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996 (...) Art. 73. A restituição e o ressarcimento de tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil ou a restituição de pagamentos efetuados mediante DARF e GPS cuja receita não seja administrada pela Secretaria da Receita Federal do Brasil será efetuada depois de verificada a ausência de débitos em nome do sujeito passivo credor perante a Fazenda Nacional. (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) I (revogado); (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) II (revogado). (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) Parágrafo único. Existindo débitos, não parcelados ou parcelados sem garantia, inclusive inscritos em Dívida Ativa da União, os créditos serão utilizados para quitação desses débitos, observado o seguinte: (Incluído pela Lei nº 12.844, de 2013) I o valor bruto da restituição ou do ressarcimento será debitado à conta do tributo a que se referir; (Incluído pela Lei nº 12.844, de 2013) II a parcela utilizada para a quitação de débitos do contribuinte ou responsável será creditada à conta do respectivo tributo. (Incluído pela Lei nº 12.844, de 2013) Instrução Normativa RFB nº 1.717 de 2017 (...) Da Compensação de Ofício Fl. 51DF CARF MF 4 Art. 89. A restituição e o ressarcimento de tributos administrados pela RFB ou a restituição de pagamentos efetuados mediante DARF e GPS cuja receita não seja administrada pela RFB será efetuada depois de verificada a ausência de débitos em nome do sujeito passivo credor perante a Fazenda Nacional. § 1º Existindo débito, ainda que consolidado em qualquer modalidade de parcelamento, inclusive de débito já encaminhado para inscrição em Dívida Ativa da União, de natureza tributária ou não, o valor da restituição ou do ressarcimento deverá ser utilizado para quitálo, mediante compensação em procedimento de ofício. § 2º A compensação de ofício de débito parcelado restringese aos parcelamentos não garantidos. § 3º Previamente à compensação de ofício, deverá ser solicitado ao sujeito passivo que se manifeste quanto ao procedimento no prazo de 15 (quinze) dias, contados do recebimento de comunicação formal enviada pela RFB, sendo o seu silêncio considerado como aquiescência. § 4º Na hipótese de o sujeito passivo discordar da compensação de ofício, a autoridade da RFB competente para efetuar a compensação reterá o valor da restituição ou do ressarcimento até que o débito seja liquidado. (grifo nosso) Assim, verificada a existência de débitos e ante a discordância da Recorrente quanto à realização da compensação de ofício, os valores a serem restituídos foram retidos até a liquidação dos débitos em aberto e, com isso, indeferido o pedido de compensação por ausência de saldo disponível, procedimento que veio a ser confirmado pela decisão recorrida. A Recorrente se insurge contra tal procedimento, sob a alegação de que seus débitos em aberto estariam com exigibilidade suspensa nos termos do art. 151 do CTN, fazendo prova do alegado mediante juntada de certidão positiva com efeitos de negativa. Deste modo, procederse à compensação de ofício de créditos tributários com exigibilidade suspensa significaria extinguir compulsoriamente créditos sequer exigíveis, tendo a Instrução Normativa RFB nº 1.717/2017 exorbitado de seu poder regulamentar ao contrariar o art. 151 do CTN e a própria Constituição Federal em seu art. 146, III, b, que atribui competência à lei complementar para dispor sobre crédito tributário. Sobre o tema, o STJ já se manifestou, sob a sistemática dos recursos repetitivos (tema 484), no Resp. n° 1.213.082/PR, cujo ementa reproduzo: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA (ART. 543C, DO CPC). ART. 535, DO CPC, AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO. COMPENSAÇÃO DE OFÍCIO PREVISTA NO ART. 73, DA LEI N. 9.430/96 E NO ART. 7º, DO DECRETOLEI N. 2.287/86. CONCORDÂNCIA TÁCITA E RETENÇÃO DE VALOR A SER RESTITUÍDO OU RESSARCIDO PELA SECRETARIA DA Fl. 52DF CARF MF Processo nº 10680.926668/201604 Acórdão n.º 3401006.393 S3C4T1 Fl. 4 5 RECEITA FEDERAL. LEGALIDADE DO ART. 6º E PARÁGRAFOS DO DECRETO N. 2.138/97. ILEGALIDADE DO PROCEDIMENTO APENAS QUANDO O CRÉDITO TRIBUTÁRIO A SER LIQUIDADO SE ENCONTRAR COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA (ART. 151, DO CTN). 1. Não macula o art. 535, do CPC, o acórdão da Corte de Origem suficientemente fundamentado. 2. O art. 6º e parágrafos, do Decreto n. 2.138/97, bem como as instruções normativas da Secretaria da Receita Federal que regulamentam a compensação de ofício no âmbito da Administração Tributária Federal (arts. 6º, 8º e 12, da IN SRF 21/1997; art. 24, da IN SRF 210/2002; art. 34, da IN SRF 460/2004; art. 34, da IN SRF 600/2005; e art. 49, da IN SRF 900/2008), extrapolaram o art. 7º, do DecretoLei n. 2.287/86, tanto em sua redação original quanto na redação atual dada pelo art. 114, da Lei n. 11.196, de 2005, somente no que diz respeito à imposição da compensação de ofício aos débitos do sujeito passivo que se encontram com exigibilidade suspensa, na forma do art. 151, do CTN (v.g. débitos inclusos no REFIS, PAES, PAEX, etc.). Fora dos casos previstos no art. 151, do CTN, a compensação de ofício é ato vinculado da Fazenda Pública Federal a que deve se submeter o sujeito passivo, inclusive sendo lícitos os procedimentos de concordância tácita e retenção previstos nos §§ 1º e 3º, do art. 6º, do Decreto n. 2.138/97. Precedentes: REsp. Nº 542.938 RS, Primeira Turma, Rel. Min. Francisco Falcão, julgado em 18.08.2005; REsp. Nº 665.953 RS, Segunda Turma, Rel. Min. João Otávio de Noronha, julgado em 5.12.2006; REsp. Nº 1.167.820 SC, Segunda Turma, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 05.08.2010; REsp. Nº 997.397 RS, Primeira Turma, Rel. Min. José Delgado, julgado em 04.03.2008; REsp. Nº 873.799 RS, Segunda Turma, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 12.8.2008; REsp. n. 491342/PR, Segunda Turma, Rel. Min. João Otávio de Noronha, julgado em 18.05.2006; REsp. Nº 1.130.680 RS Primeira Turma, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 19.10.2010. 3. No caso concreto, tratase de restituição de valores indevidamente pagos a título de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica IRPJ com a imputação de ofício em débitos do mesmo sujeito passivo para os quais não há informação de suspensão na forma do art. 151, do CTN. Impõese a obediência ao art. 6º e parágrafos do Decreto n. 2.138/97 e normativos próprios. 4. Recurso especial parcialmente provido. Acórdão submetido ao regime do art. 543C, do CPC, e da Resolução STJ n. 8/2008. (REsp 1213082/PR, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 10/08/2011, DJe 18/08/2011) Fl. 53DF CARF MF 6 No julgado, a Corte reconheceu a ilegalidade da imposição de compensação de ofício aos débitos com exigibilidade suspensa por força do art. 151 do CTN e, in casu, verificase que a certidão apresentada às fls. 27/28 menciona expressamente que os débitos da Recorrente estão com exigibilidade suspensa nos termos do art. 151 do CTN. Desta feita, impende a aplicação do §2° do art. 62 do RICARF para reproduzir o entendimento do STJ, a fim de possibilitar a compensação pleiteada, ressalvandose a necessidade de renovação da certidão positiva com efeitos de negativa por ocasião da liquidação deste julgado para se verificar a permanência do requisito de suspensão da exigibilidade dos débitos. Ante o exposto, voto por CONHECER do Recurso Voluntário e, no mérito, DAR PROVIMENTO ao mesmo." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado decidiu por CONHECER do Recurso Voluntário e, no mérito, DAR PROVIMENTO ao mesmo. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevsan Fl. 54DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10680.009935/2005-16
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jul 10 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Jul 29 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Ano-calendário: 2004
MULTA. ATRASO. DCTF. ENVIO PELO CORREIO. ADE 24.
Diante de inviabilidade técnica que impediu o envio de DCTF pela internet, como atesta o ADE 24/2005, não é exigida multa se o contribuinte enviou a declaração pelo correio na data de vencimento do prazo
Numero da decisão: 9101-004.280
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do Recurso Especial, vencida a conselheira Edeli Pereira Bessa, que não conheceu do recurso. No mérito, por unanimidade de votos, acordam em negar-lhe provimento. Julgado dia 11/07/2019, no período da manhã.
(documento assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rêgo- Presidente
(documento assinado digitalmente)
Cristiane Silva Costa - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Edeli Pereira Bessa, Demetrius Nichele Macei, Viviane Vidal Wagner, Livia de Carli Germano, Amélia Wakako Morishita Yamamoto (suplente convocada) e Adriana Gomes Rêgo (Presidente). Ausente o conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado.
Nome do relator: CRISTIANE SILVA COSTA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do Recurso Especial, vencida a conselheira Edeli Pereira Bessa, que não conheceu do recurso. No mérito, por unanimidade de votos, acordam em negar-lhe provimento. Julgado dia 11/07/2019, no período da manhã. (documento assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo- Presidente (documento assinado digitalmente) Cristiane Silva Costa - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Edeli Pereira Bessa, Demetrius Nichele Macei, Viviane Vidal Wagner, Livia de Carli Germano, Amélia Wakako Morishita Yamamoto (suplente convocada) e Adriana Gomes Rêgo (Presidente). Ausente o conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado.
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ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Ano-calendário: 2004 MULTA. ATRASO. DCTF. ENVIO PELO CORREIO. ADE 24. Diante de inviabilidade técnica que impediu o envio de DCTF pela internet, como atesta o ADE 24/2005, não é exigida multa se o contribuinte enviou a declaração pelo correio na data de vencimento do prazo Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do Recurso Especial, vencida a conselheira Edeli Pereira Bessa, que não conheceu do recurso. No mérito, por unanimidade de votos, acordam em negar-lhe provimento. Julgado dia 11/07/2019, no período da manhã. (documento assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo- Presidente (documento assinado digitalmente) Cristiane Silva Costa - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Edeli Pereira Bessa, Demetrius Nichele Macei, Viviane Vidal Wagner, Livia de Carli Germano, Amélia Wakako Morishita Yamamoto (suplente convocada) e Adriana Gomes Rêgo (Presidente). Ausente o conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado. Relatório Trata-se de processo originado pela lavratura de Auto de Infração para exigência de multa de R$ 200,00 pelo atraso na entrega de DCTF relativa ao 4º trimestre de 2004 (fls. 17). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 00 99 35 /2 00 5- 16 Fl. 169DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 9101-004.280 - CSRF/1ª Turma Processo nº 10680.009935/2005-16 O contribuinte apresentou impugnação administrativa (fls. 3), que foi julgada improcedente pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belo Horizonte (fls. 21): ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Ano-calendário: 2004 DCTF. ENTREGA POR VIA POSTAL. A remessa, por via postal, de CD contendo DCTF não caracteriza o cumprimento da obrigação de apresentar referida declaração. O contribuinte apresentou recurso voluntário (fls. 59), ao qual a 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 3ª Seção do CARF deu provimento (acórdão 3201-00.088), conforme ementa a seguir transcrita: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS ANO-CALENDÁRIO: 2004 DCTF - DECLARAÇÃO DE DÉBITOS E CRÉDITOS FEDERAIS. PROBLEMAS TÉCNICOS NOS SISTEMAS ELETRÔNICOS DA SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL. ENTREGA POR VIA POSTAL. Demonstrado que a entrega da declaração DCTF, deixou de ocorrer pelo único meio aceito pela legislação, por culpa exclusiva da administração, e não havendo a previsão expressa de meio alternativo, é aplicável à espécie, por analogia, legislação diversa sobre os meios normalmente aceitos para entrega de documentos à RFB, dentre os quais, a via postal. A Procuradoria, intimada por RM emitida em 22/07/2010 e recebida em 29/07/2010 (fls. 131), interpôs recurso especial em 19/08/2010, sustentando divergência na interpretação da lei tributária quanto à exigência de multa pelo atraso na DCTF, identificando o acórdão paradigma nº 302-38631. O recurso especial foi admitido pelo então Presidente da 2ª Câmara da 3ª Seção (fls. 156). O contribuinte foi intimado para apresentação de contrarrazões (fls. 166), mas não se manifestou. É o relatório. Voto Conselheira Cristiane Silva Costa, Relatora. Conheço do recurso especial, adotando as razões do Presidente de Câmara. Passo ao exame do mérito. Lembro que os autos tratam de DCTF apresentada no prazo legal (15/02/2005) pelo correio, conforme comprovante às fls. 19 dos autos, considerando que o sistema teve problema técnico, devidamente reconhecido pelo Ato Declaratório Executivo SRF nº 24/2005. O ADE SRF nº 24/2005 dispõe: O SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL, no uso da atribuição que lhe confere o inciso III do art. 230 do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal, aprovado pela Portaria MF nº 30, de 25 de fevereiro de 2005, tendo em vista o disposto na Fl. 170DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 9101-004.280 - CSRF/1ª Turma Processo nº 10680.009935/2005-16 Instrução Normativa SRF nº 255, de 11 de dezembro de 2002, e considerando os problemas técnicos ocorridos, em 15 de fevereiro de 2005, nos sistemas eletrônicos desenvolvidos pelo Serviço Federal de Processamento de Dados (Serpro) para a recepção e transmissão de declarações, declara: Artigo único. As Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) relativas ao 4º trimestre de 2004, que tenham sido transmitidas nos dias 16, 17 e 18 de fevereiro de 2005, serão consideradas entregues no dia 15 de fevereiro de 2005. Destaca-se trecho do voto condutor no acórdão recorrido: Ainda como documento comprobatório de suas afirmações, anexa its fls. 07, correspondência enviada pelo Centro de Atendimento ao Contribuinte da Delegacia da Receita Federal de Belo Horizonte — CAC/DRF/BH, datada de 08/04/2005 e recebida apenas em 16/05/2005, comunicando que o envio da declaração pelo correio não foi aceita, por falta de previsão legal. Após receber esta correspondência, a recorrente reenviou, agora via internet, em 18/05/2005, sua declaração. (...) Diante do exposto e considerando que: I- a entrega, via internet, da declaração DCTF, deixou de ocorrer no dia 15/02/2005, por culpa exclusiva da administração, que não viabilizou o único meio de entrega previsto na legislação; 2- a legislação não previa meio alternativo para esta entrega, sendo aplicável, por analogia, legislação diversa sobre os meios normalmente aceitos de entrega de documentos 6 SRF, entre os quais a via postal; 3- restou comprovado o envio da declaração, por via postal, na data limite para a entrega, qual seja, 15/02/2005; julgo que a recorrente cumpriu com sua obrigação de apresentar a DCTF relativa ao 4° trimestre de 2004, na data prevista na legislação, e que é incabível a multa aplicada A Procuradoria apresenta recurso especial sustentando que: Sabe-se ainda que, por problemas técnicos detectados no sistema eletrônico de envio da citada declaração em 15/02/2005, o Secretário da Receita Federal editou o Ato Declaratório Executivo nº 24, em 08/04/2005, no qual considerou como entregues em 15/02/2005 "as Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) relativas ao 4 Trimestre de 2004, que tenham sido transmitidas nos dias 16,17 e 18 de fevereiro de 2005." O contribuinte, entretanto, não apresentou a mencionada DCTF em meio magnético via internet, tal como exclusivamente exigido pelo art. 4º da Instrução Normativa SRF nº 255/2002 O acórdão recorrido não merece reforma. Como mencionado pela Procuradoria, a Instrução Normativa nº 255/2002, vigente ao tempo dos fatos em análise no processo, previa a transmissão pela internet: Art. 4º A DCTF será apresentada em meio magnético, mediante a utilização de programa gerador de declaração, disponível na Internet, no endereço. Art. 5º A DCTF deverá ser apresentada até o último dia útil da primeira quinzena do segundo mês subseqüente ao trimestre de ocorrência dos fatos geradores, sendo transmitida via Internet, na forma determinada pela Secretaria da Receita Federal. Ademais, a mesma IN SRF previa que seria considerada não entregue a declaração que não atendesse às especificidades técnicas: Art. 7º O sujeito passivo que deixar de apresentar a DCTF nos prazos fixados ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentar declaração original, Fl. 171DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 9101-004.280 - CSRF/1ª Turma Processo nº 10680.009935/2005-16 no caso de não-apresentação, ou a prestar esclarecimentos, nos demais casos, no prazo estipulado pela Secretaria da Receita Federal, e sujeitar-se-á às seguintes multas: § 5º Considerar-se-á não entregue a declaração que não atender às especificações técnicas estabelecidas pela Secretaria Receita Federal. De toda forma, inviabilizada a entrega pela internet no dia 15/02/2005, como atesta o ADE acima reproduzido, o contribuinte apresentou pelo correio, até porque não tinha conhecimento – e nem poderia – do ADE publicado 2 (dois) meses depois, que autorizou a transmissão até o dia 18/fevereiro. O contribuinte foi bastante cauteloso e, na medida do possível, transmitiu informações à Receita Federal no prazo legal. Acrescento que poderia o auditor fiscal da Receita Federal – com apoio no artigo 7º, caput, acima reproduzido, legitimar o recebimento da DCTF, não se justificando a imposição de penalidade pelo descumprimento de obrigação (entrega de DCTF pela internet), que incontestavelmente era impossível naquele momento. Diante de tais razões, voto por negar provimento ao recurso especial da Procuradoria, mantendo o acórdão recorrido. (documento assinado digitalmente) Cristiane Silva Costa Fl. 172DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10640.721719/2013-29
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 07 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Jul 10 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2008, 2009, 2010, 2011
ISENÇÃO POR MOLÉSTIA GRAVE. RENDIMENTOS DE APOSENTADORIA.
Estando demonstrado que os rendimentos auferidos são decorrentes de aposentadoria, nos termos do art. 39, incisos XXXI e XXXIII, do RIR/99 e sendo o contribuinte portador de moléstia grave, devem ser tratados como isentos tais rendimentos.
Mantém-se, todavia, como tributáveis os rendimentos auferidos que não sejam decorrentes da aposentadoria.
Numero da decisão: 2202-005.167
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para considerar como isentos os rendimentos auferidos pelo contribuinte da Fundação Universidade de São João Del Rei nos anos-calendário 2009, 2010 e 2011, assim como no ano-calendário 2008, porém, em relação a este último ano-calendário, apenas os que foram recebidos da referida fonte pagadora a partir de julho de 2008.
(assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Presidente
(assinado digitalmente)
Martin da Silva Gesto - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros Marcelo de Sousa Sateles, Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Rorildo Barbosa Correia, Virgilio Cansino Gil (Suplente convocado), Leonam Rocha de Medeiros e Ronnie Soares Anderson. Ausente a conselheira Andréa de Moraes Chieregatto.
Nome do relator: MARTIN DA SILVA GESTO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2008, 2009, 2010, 2011 ISENÇÃO POR MOLÉSTIA GRAVE. RENDIMENTOS DE APOSENTADORIA. Estando demonstrado que os rendimentos auferidos são decorrentes de aposentadoria, nos termos do art. 39, incisos XXXI e XXXIII, do RIR/99 e sendo o contribuinte portador de moléstia grave, devem ser tratados como isentos tais rendimentos. Mantém-se, todavia, como tributáveis os rendimentos auferidos que não sejam decorrentes da aposentadoria.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para considerar como isentos os rendimentos auferidos pelo contribuinte da Fundação Universidade de São João Del Rei nos anos-calendário 2009, 2010 e 2011, assim como no ano-calendário 2008, porém, em relação a este último ano-calendário, apenas os que foram recebidos da referida fonte pagadora a partir de julho de 2008. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson - Presidente (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros Marcelo de Sousa Sateles, Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Rorildo Barbosa Correia, Virgilio Cansino Gil (Suplente convocado), Leonam Rocha de Medeiros e Ronnie Soares Anderson. Ausente a conselheira Andréa de Moraes Chieregatto.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1713; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T2 Fl. 150 1 149 S2C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10640.721719/201329 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2202005.167 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 07 de maio de 2019 Matéria IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Recorrente REYNALDO FERNANDINO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2008, 2009, 2010, 2011 ISENÇÃO POR MOLÉSTIA GRAVE. RENDIMENTOS DE APOSENTADORIA. Estando demonstrado que os rendimentos auferidos são decorrentes de aposentadoria, nos termos do art. 39, incisos XXXI e XXXIII, do RIR/99 e sendo o contribuinte portador de moléstia grave, devem ser tratados como isentos tais rendimentos. Mantémse, todavia, como tributáveis os rendimentos auferidos que não sejam decorrentes da aposentadoria. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para considerar como isentos os rendimentos auferidos pelo contribuinte da Fundação Universidade de São João Del Rei nos anoscalendário 2009, 2010 e 2011, assim como no anocalendário 2008, porém, em relação a este último anocalendário, apenas os que foram recebidos da referida fonte pagadora a partir de julho de 2008. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Presidente (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros Marcelo de Sousa Sateles, Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima, Ludmila Mara Monteiro de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 64 0. 72 17 19 /2 01 3- 29 Fl. 150DF CARF MF Processo nº 10640.721719/201329 Acórdão n.º 2202005.167 S2C2T2 Fl. 151 2 Oliveira, Rorildo Barbosa Correia, Virgilio Cansino Gil (Suplente convocado), Leonam Rocha de Medeiros e Ronnie Soares Anderson. Ausente a conselheira Andréa de Moraes Chieregatto. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto nos autos do processo nº 10640.721719/201329, em face do acórdão nº 1048.816, julgado pela 8ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto Alegre (DRJ/POA), em sessão realizada em 12 de fevereiro de 2014, no qual os membros daquele colegiado entenderam por julgar procedente o lançamento. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da DRJ de origem que assim os relatou: “Mediante Auto de Infração, de fls. 02/29, exigese do contribuinte acima qualificado o recolhimento da importância de R$ 9.380,93, calculados até 05/2013, em virtude da constatação de irregularidades na declaração de ajuste anual referente aos exercícios de 2009, 2010, 2011 e 2012. A autoridade lançadora informa às fls. 04 que procedeu glosa de valores indevidamente deduzidos a título de dependentes, quais sejam Reynaldo Fernandino Junior e Mariana Cristina Silva Fernandino já haviam sido informados como dependente pela Srª Solângela Silva Fernandino, mãe de Reynaldo Junior e Mariana Cristina. As despesas médicas relativas aos referidos dependentes foram objeto de glosa. A fiscalização relatou ainda que “o hábito (do sujeito passivo) de inserir despesas inidôneas em suas DAA já foi demonstrado nos autos do processo nº 10640.723822/201222”. O notificado apresentou impugnação, de fls. 88/93, alegando, em resumo, que sua esposa retificou a declaração após o início do procedimento fiscal e retirou os dependentes que ali constavam. Em vista disso, entende ter direito as deduções dos filhos Mariana Cristina e Reinaldo Fernandino bem como as despesas médicas correspondentes. Adiante afirmou que é portador de moléstia grave desde 1987, conforme laudo pericial emitido por serviço médico oficial. Dessa forma, os rendimentos recebidos a partir de 03/2007 são isentos, inclusive os recebidos a título de licença médica.” A DRJ de origem entendeu pela procedência do lançamento realizado, mantendose na integralidade o débito tributário. O contribuinte, inconformado com o resultado do julgamento, apresentou recurso voluntário, às fls. 110/114, alegando que é portador de moléstia grave e, diante disso, requer o cancelamento do lançamento, em razão da isenção fiscal. Fl. 151DF CARF MF Processo nº 10640.721719/201329 Acórdão n.º 2202005.167 S2C2T2 Fl. 152 3 Na mesma oportunidade, o contribuinte requereu a juntada aos autos dos seguintes documentos: laudo pericial (fl. 120), boletins pessoais (fls.121/144) e portaria n.º 707 que concedeu a aposentadoria (fls. 145/146) e portaria n.º 1.101 que retificou a aposentadoria (fl.148). É o relatório. Voto Conselheiro Martin da Silva Gesto Relator O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. O contribuinte alega que é portador de moléstia grave desde 1987 e que os rendimentos a partir de 03/2007 são isentos, inclusive os recebidos a título de licença médica. Anexou cópia do Laudo Pericial expedido pela Prefeitura Municipal de São João Del Rey em 10/01/2013 (fl. 94 e novamente à fl. 120). Consta no referido documento que o ora recorrente é portador de moléstia grave – cardiopatia grave e diabetes desde 06/1987. A DRJ de origem entendeu que não há prova nos autos de que os rendimentos auferidos sejam decorrentes de aposentadoria ou pensão, condição necessária para que seja reconhecida a isenção pretendida (art. 39, incisos XXXI e XXXIII, do RIR/99). Assim sendo, compreenderam os julgadores da instância a quo que não haveria motivação para que os rendimentos sejam declarados isentos de tributação pelo imposto de renda pessoa física. Analisando as DIRPF do período do lançamento (anoscalendário 2008 a 2011), verificase que o contribuinte possui nos referidos exercícios somente rendimento de uma única fonte pagadora: FUNDACAO UNIVERSIDADE DE SÃO JOÃO DEL REI. Conforme documento de fls. 145/146, foi concedida a aposentadoria ao contribuinte (Portaria nº 682 de 18 de julho de 2008), pela UNIVERSIDADE FEDERAL DE SÃO JOÃO DELREI – UFSJ. Diante disso, os rendimentos recebidos pelo contribuinte após 18/07/2008 devem ser tratados como isentos, em razão da moléstia grave, conforme Laudo Pericial expedido pela Prefeitura Municipal de São João Del Rey em 10/01/2013 (fl. 94 e novamente à fl. 120). No entanto, haja vista que os rendimentos percebidos pelo recorrente antes de julho/2008 não são rendimentos decorrentes de aposentadoria, em relação a estes a tributação deve persistir. Ante o exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso, para considerar como isentos os rendimentos auferidos pelo contribuinte da Fundação Universidade de São João Del Rei nos anoscalendário 2009, 2010 e 2011, assim como no anocalendário 2008, Fl. 152DF CARF MF Processo nº 10640.721719/201329 Acórdão n.º 2202005.167 S2C2T2 Fl. 153 4 porém, em relação a este último anocalendário, apenas os que foram recebidos da referida fonte pagadora a partir de julho de 2008. (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Relator Fl. 153DF CARF MF
score : 1.0
