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Numero do processo: 19647.011361/2006-16
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 13 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Aug 08 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2001
PROCESSO ADMINISTRATIVO TRIBUTÁRIO. PRAZO RECURSAL. PRECLUSÃO.
A interposição de recurso deve ser realizada dentro do prazo legalmente previsto.
Numero da decisão: 2201-003.266
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso por intempestivo.
CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA - Presidente.
CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA - Relator.
.
EDITADO EM: 02/08/2016
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira (Presidente), Carlos Alberto do Amaral Azeredo, José Alfredo Duarte Filho (Suplente convocado), Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente convocada), Denny Medeiros da Silveira (Suplente convocado), Daniel Melo Mendes Bezerra, Carlos César Quadros Pierre e Ana Cecília Lustosa da Cruz.
Nome do relator: CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA
1.0 = *:*
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PRAZO RECURSAL. PRECLUSÃO. A interposição de recurso deve ser realizada dentro do prazo legalmente previsto. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso por intempestivo. CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Presidente. CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Relator. . EDITADO EM: 02/08/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira (Presidente), Carlos Alberto do Amaral Azeredo, José Alfredo Duarte Filho (Suplente convocado), Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente convocada), Denny Medeiros da Silveira (Suplente convocado), Daniel Melo Mendes Bezerra, Carlos César Quadros Pierre e Ana Cecília Lustosa da Cruz. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 64 7. 01 13 61 /2 00 6- 16 Fl. 573DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/ 08/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra a decisão da DRJ Recife que considerou procedente o lançamento tributário referente ao imposto sobre a renda da pessoa física decorrente de omissão de rendimentos verificada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada. Tais rendimentos omitidos foram verificados no anocalendário de 2001, tendo o lançamento tributário se aperfeiçoado com a ciência do Contribuinte do auto de infração (constante das folhas 4), em 16 de dezembro de 2005, por via postal, consoante se observa pelo AR acostado às folhas 491. Inconformado, o sujeito passivo interpôs impugnação ao lançamento (fls. 494), tempestivamente. Apreciando seus argumentos, a 1ª Turma da DRJ Recife assim relatou a lide instaurada (fls 520): "Contra o contribuinte acima identificado foi lavrado o Auto de Infração de fls.02/07, no qual é cobrado o Imposto sobre a Renda de Pessoa Física (IRPF), relativamente ao ano calendário de 2001, no valor total de R$ 1.599.910,60 (um milhão, quinhentos e noventa e nove mil, novecentos e dez reais e sessenta centavos), acrescido de multa de lançamento de oficio e de juros de mora, calculados até 30/11/2006, perfazendo um crédito tributário total de R$ 4.064.252,89 (quatro milhões, sessenta e quatro mil, duzentos e cinqüenta e dois reais e oitenta e nove centavos). 2. A fiscalização procedeu à lavratura do Auto de Infração, em virtude de ter sido constatada omissão de rendimentos provenientes de valores creditados em contas de depósito ou de investimento, mantidas em instituições financeiras, cuja origem dos recursos não foi comprovada mediante documentação hábil e idônea, conforme Termo de Encerramento de fls. 473/478. 3. Ciência do lançamento em16/12/2006, conforme AR de fls. 480. 4. Não concordando com a exigência, o contribuinte apresentou, em 15/01/2007, a impugnação de fls. 483/486, alegando, em síntese: I que foi casado com a Sra. Maria Cecília da Silveira Pires Lobo, tendo mantido com ela uma conta bancária em conjunto até determinada data; II que, desde a separação de fato, o impugnante direta ou indiretamente não mais movimentou a conta bancária n° 21016, objeto da investigação fiscal, ficando a movimentação sob o controle da Sra. Maria Cecília; III que, entre a separação de fato e 0 divórcio (e após este), o impugnante não passou cheques, depositou valores e não sacou dinheiro em espécie da referida conta bancária, nem adquiriu a disponibilidade jurídica ou econômica das quantias depositadas; Fl. 574DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/ 08/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Processo nº 19647.011361/200616 Acórdão n.º 2201003.266 S2C2T1 Fl. 574 3 IV que suas declarações de imposto de renda comprovam não ter havido evolução patrimonial que comprovaria ser ele o beneficiário dos valores movimentados na conta bancária; V que houve indicação incorreta do sujeito passivo da obrigação tributária, eis que não adquiriu a disponibilidade jurídica ou econômica apontada, não tendo, por conseguinte, ocorrido o fato gerador do tributo, conforme arts. 43 a 45 do Código Tributario Nacional, citando jurisprudência judicial amparada em, súmula do extinto Tribunal Federal de Recursos; VI que a auditorafiscal menciona que “a maioria dos cheques são nominais ao Sr. Luiz Maurício da Silveira Pires”, VII que o fato de existir à época vínculo conjugal, embora já estivesse separado de fato, não autoriza, por si só, a autuação em seu nome." Como resultado do julgamento das razões da impugnação e das alegações fiscais, a DRJ Recife, por unanimidade, proferiu o Acórdão 1125.359 que restou assim ementado: "Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Anocalendário: 2001 Ementa: OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Para os fatos geradores ocorridos a partir de 1° de janeiro de 1997, o art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996, autoriza a presunção legal de omissão de rendimentos com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ÔNUS DA PROVA. Se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a prova da origem dos recursos utilizados para acobertar seus depósitos bancários, que não pode ser substituída por meras alegações. CONTA BANCÁRIA MANTIDA EM CONJUNTO. ALEGAÇÃO DE AUSÊNCIA DE RESPONSABILIDADE PELA MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA. CONTRIBUINTE SEPARADO DE FATO. Não há de ser acatada a alegação de ausência de responsabilidade pela movimentação financeira ocorrida em conta bancária mantida em conjunto sob a mera alegação de que os titulares da conta estavam separados de fato, pois, além de serem aplicáveis à hipótese as normas relativas aos contribuintes na constância da sociedade conjugal, foi apresentada declaração de ajuste anual em conjunto. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 2001 Fl. 575DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/ 08/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA 4 Ementa: DECISÕES JUDICIAIS. EFEITOS. As decisões judiciais não se constituem em normas gerais, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação' ã'qí.Ê1lqú`er outra ocorrência; '"" senão àquela objeto da decisão, à exceção das decisões do STF sobre inconstitucionalidade da legislação. Lançamento Procedente" Cientificado da decisão que contrariou seus interesses, por via postal, em 24 de março de 2009 (AR fls. 532), o contribuinte apresentou recurso voluntário (fls . 534), em 24 de abril de 2009, no qual, na essência, reitera os argumentos constantes da sua impugnação. É o relatório do necessário. Voto Conselheiro Carlos Henrique de Oliveira Verificase, de plano na peça recursal (fls 534): "DA TEMPESTIVIDADE: ` O recorrente foi intimado do r.acórdão em 25.03.2009 (quarta feira). A contagem do prazo para o oferecimento do presente recurso só teve início em 26.03.2009 (quintafeira) de modo que é plenamente tempestiva a sua apresentação na presente data (22.04.2009, quartafeira)." (destaques nossos) Claro, portanto, o conhecimento do patrono do Recorrente quanto aos prazos legalmente previstos para a interposição do recurso. Voltemos aos autos do processo. Comprovase, como relatado, que a ciência do contribuinte da decisão vergastada se deu, por via postal, no dia 24 de março de 2009, uma terçafeira. Tal comprovação se dá pelo AR acostado às folhas 532 e abaixo reproduzido. Fl. 576DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/ 08/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Processo nº 19647.011361/200616 Acórdão n.º 2201003.266 S2C2T1 Fl. 575 5 Inegável a data de recebimento da correspondência. Claríssima a aposição do carimbo e a data manuscrita no documento postal. Mister ressaltar que a intimação que dá ciência da decisão, mencionada na descrição do conteúdo postado, textualmente assevera o prazo de trinta dias para interposição de recurso (fls. 529). Determinado portanto, o prazo recursal inicial. Na capa da peça recursal (fls. 534), podemos identificar, com clareza, o protocolo na Delegacia da Receita Federal em Recife/PE. Vejamos Constatada a data da protocolização do recurso voluntário: 24 de abril de 2009, uma sextafeira. Determina o Decreto nº 70.235/72, que regula o processo administrativo fiscal, versando sobre o recurso contra decisão de primeiro grau, em seu artigo 33: "Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão." Sobre os prazos, assim dispõe o mencionado Decreto nº 70.235/72: Fl. 577DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/ 08/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA 6 "Art. 5º Os prazos serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento. Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato." Importante ressaltar que o trigésimo dia do prazo previsto no Decreto nº 70.235/72, dia 23 de abril, quintafeira, foi dia útil em Recife. Flagrante a intempestividade. Não se comprovou documentalmente as alegações quanto à tempestividade constante do voluntário. Verificase o interregno de 31 dias entre a ciência do contribuinte e a interposição do recurso. Ausente um pressuposto de admissibilidade do recurso voluntário. Diante do exposto, não conheço do recurso, por intempestivo. Carlos Henrique de Oliveira Relator Fl. 578DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/ 08/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 13502.000060/00-23
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 05 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Jul 14 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Exercício: 2000
COMPENSAÇÃO. AFERIÇÃO DE LIQUIDEZ E CERTEZA DOS CRÉDITOS. PRAZO.
A aferição dos requisitos de liquidez e certeza dos créditos do sujeito passivo contra a Fazenda Pública, trazidos em declaração de compensação, é dever da Autoridade Fazendária. Seu prazo não se confunde com o prazo decadencial, aplicável à constituição de créditos tributários. Para os Pedidos de Compensação, convertidos em Declaração de Compensação, o prazo é de cinco anos, contados da data da apresentação do pedido original.
PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO. CRÉDITOS PRÓPRIOS COM DÉBITOS DE TERCEIROS. NÃO CONVERSÃO EM DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. INAPLICABILIDADE DA HOMOLOGAÇÃO TÁCITA.
A transformação dos pedidos de compensação pendentes em declarações de compensação, determinada pela alteração na redação do art. 74 da Lei nº 9.430/1996, não atingiu todos os pedidos de compensação, mas somente alguns deles, a saber, aqueles que se enquadravam nas novas regras estabelecidas para esse instituto. Os demais, conquanto preservado o direito adquirido, não foram alcançados por aquela transformação. Se não existe declaração de compensação de créditos com débitos de terceiros, os pedidos de compensação com débitos que não pertençam ao próprio contribuinte, mesmo que pendentes de análise por parte da Administração, não podem transmudar-se naquela, e não estão sujeitos à nova sistemática instituída para a compensação.
RECURSO VOLUNTÁRIO. EFEITO SUSPENSIVO DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA.
Da decisão de primeira instância cabe recurso voluntário, com efeito suspensivo. Esse efeito se impõe inclusive na situação em que não é reconhecida a conversão em declaração de compensação do pedido de compensação de créditos próprios com débitos de terceiros.
Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 2000
BENEFÍCIO FISCAL. REDUÇÃO DO IMPOSTO. COMPETÊNCIA DA AUTORIDADE FISCAL PARA RECONHECIMENTO.
A isenção ou redução do imposto é sempre decorrente de lei que especifique as condições e requisitos exigidos para a sua concessão, e é efetivada por despacho da autoridade administrativa, em requerimento com o qual o interessado faça prova do preenchimento das condições e do cumprimento dos requisitos previstos em lei ou contrato para concessão. Desta forma, o reconhecimento pela autoridade administrativa não é mero requisito formal, senão o que dá efetividade e concretude ao benefício fiscal previsto na lei. Para tanto, é competente o titular da unidade da Receita Federal do Brasil que jurisdiciona o requerente. Ausente tal reconhecimento, incabível a fruição do benefício fiscal.
Numero da decisão: 1301-002.066
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Flávio Franco Corrêa, que negava provimento, e Roberto Silva Júnior, que não conhecia da matéria atinente a "suspensão da exigibilidade".
(assinado digitalmente)
Waldir Veiga Rocha - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Júnior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo e Waldir Veiga Rocha. Ausente o Conselheiro Hélio Eduardo de Paiva Araújo.
Nome do relator: WALDIR VEIGA ROCHA
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camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Exercício: 2000 COMPENSAÇÃO. AFERIÇÃO DE LIQUIDEZ E CERTEZA DOS CRÉDITOS. PRAZO. A aferição dos requisitos de liquidez e certeza dos créditos do sujeito passivo contra a Fazenda Pública, trazidos em declaração de compensação, é dever da Autoridade Fazendária. Seu prazo não se confunde com o prazo decadencial, aplicável à constituição de créditos tributários. Para os Pedidos de Compensação, convertidos em Declaração de Compensação, o prazo é de cinco anos, contados da data da apresentação do pedido original. PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO. CRÉDITOS PRÓPRIOS COM DÉBITOS DE TERCEIROS. NÃO CONVERSÃO EM DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. INAPLICABILIDADE DA HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. A transformação dos pedidos de compensação pendentes em declarações de compensação, determinada pela alteração na redação do art. 74 da Lei nº 9.430/1996, não atingiu todos os pedidos de compensação, mas somente alguns deles, a saber, aqueles que se enquadravam nas novas regras estabelecidas para esse instituto. Os demais, conquanto preservado o direito adquirido, não foram alcançados por aquela transformação. Se não existe declaração de compensação de créditos com débitos de terceiros, os pedidos de compensação com débitos que não pertençam ao próprio contribuinte, mesmo que pendentes de análise por parte da Administração, não podem transmudar-se naquela, e não estão sujeitos à nova sistemática instituída para a compensação. RECURSO VOLUNTÁRIO. EFEITO SUSPENSIVO DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. Da decisão de primeira instância cabe recurso voluntário, com efeito suspensivo. Esse efeito se impõe inclusive na situação em que não é reconhecida a conversão em declaração de compensação do pedido de compensação de créditos próprios com débitos de terceiros. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Exercício: 2000 BENEFÍCIO FISCAL. REDUÇÃO DO IMPOSTO. COMPETÊNCIA DA AUTORIDADE FISCAL PARA RECONHECIMENTO. A isenção ou redução do imposto é sempre decorrente de lei que especifique as condições e requisitos exigidos para a sua concessão, e é efetivada por despacho da autoridade administrativa, em requerimento com o qual o interessado faça prova do preenchimento das condições e do cumprimento dos requisitos previstos em lei ou contrato para concessão. Desta forma, o reconhecimento pela autoridade administrativa não é mero requisito formal, senão o que dá efetividade e concretude ao benefício fiscal previsto na lei. Para tanto, é competente o titular da unidade da Receita Federal do Brasil que jurisdiciona o requerente. Ausente tal reconhecimento, incabível a fruição do benefício fiscal.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Flávio Franco Corrêa, que negava provimento, e Roberto Silva Júnior, que não conhecia da matéria atinente a "suspensão da exigibilidade". (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Júnior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo e Waldir Veiga Rocha. Ausente o Conselheiro Hélio Eduardo de Paiva Araújo.
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AFERIÇÃO DE LIQUIDEZ E CERTEZA DOS CRÉDITOS. PRAZO. A aferição dos requisitos de liquidez e certeza dos créditos do sujeito passivo contra a Fazenda Pública, trazidos em declaração de compensação, é dever da Autoridade Fazendária. Seu prazo não se confunde com o prazo decadencial, aplicável à constituição de créditos tributários. Para os Pedidos de Compensação, convertidos em Declaração de Compensação, o prazo é de cinco anos, contados da data da apresentação do pedido original. PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO. CRÉDITOS PRÓPRIOS COM DÉBITOS DE TERCEIROS. NÃO CONVERSÃO EM DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. INAPLICABILIDADE DA HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. A transformação dos pedidos de compensação pendentes em declarações de compensação, determinada pela alteração na redação do art. 74 da Lei nº 9.430/1996, não atingiu todos os pedidos de compensação, mas somente alguns deles, a saber, aqueles que se enquadravam nas novas regras estabelecidas para esse instituto. Os demais, conquanto preservado o direito adquirido, não foram alcançados por aquela transformação. Se não existe declaração de compensação de créditos com débitos de terceiros, os pedidos de compensação com débitos que não pertençam ao próprio contribuinte, mesmo que pendentes de análise por parte da Administração, não podem transmudarse naquela, e não estão sujeitos à nova sistemática instituída para a compensação. RECURSO VOLUNTÁRIO. EFEITO SUSPENSIVO DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. Da decisão de primeira instância cabe recurso voluntário, com efeito suspensivo. Esse efeito se impõe inclusive na situação em que não é AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 50 2. 00 00 60 /0 0- 23 Fl. 370DF CARF MF Impresso em 14/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/07/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 13502.000060/0023 Acórdão n.º 1301002.066 S1C3T1 Fl. 371 2 reconhecida a conversão em declaração de compensação do pedido de compensação de créditos próprios com débitos de terceiros. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2000 BENEFÍCIO FISCAL. REDUÇÃO DO IMPOSTO. COMPETÊNCIA DA AUTORIDADE FISCAL PARA RECONHECIMENTO. A isenção ou redução do imposto é sempre decorrente de lei que especifique as condições e requisitos exigidos para a sua concessão, e é efetivada por despacho da autoridade administrativa, em requerimento com o qual o interessado faça prova do preenchimento das condições e do cumprimento dos requisitos previstos em lei ou contrato para concessão. Desta forma, o reconhecimento pela autoridade administrativa não é mero requisito formal, senão o que dá efetividade e concretude ao benefício fiscal previsto na lei. Para tanto, é competente o titular da unidade da Receita Federal do Brasil que jurisdiciona o requerente. Ausente tal reconhecimento, incabível a fruição do benefício fiscal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Flávio Franco Corrêa, que negava provimento, e Roberto Silva Júnior, que não conhecia da matéria atinente a "suspensão da exigibilidade". (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Júnior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo e Waldir Veiga Rocha. Ausente o Conselheiro Hélio Eduardo de Paiva Araújo. Relatório ACRINOR ACRILONITRILA DO NORDESTE S/A, já devidamente qualificada nestes autos, recorre a este Conselho contra a decisão prolatada pela 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento Salvador/BA, que indeferiu os pedidos veiculados através de manifestação de inconformidade apresentada contra a decisão da Delegacia da Receita Federal em Camaçari/BA. Por bem descrever o ocorrido, valhome do relatório elaborado por ocasião do julgamento do processo em primeira instância, a seguir transcrito: Fl. 371DF CARF MF Impresso em 14/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/07/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 13502.000060/0023 Acórdão n.º 1301002.066 S1C3T1 Fl. 372 3 Tratase de manifestação de inconformidade ao despacho decisório, às fls. 261/269, que indeferiu o pedido de restituição, à fl. 01, não homologou as compensações declaradas com débitos próprios, às fls. 16, 18, 19, e indeferiu o pedido de compensação de crédito com débito de terceiros, às fls. 224. A autoridade fiscal admitiu o pedido de restituição, apesar de ressaltar que o pedido foi formulado erroneamente pois indicou restituição de IRRF incidente sobre aplicações financeiras, quando na realidade tratava de restituição do saldo negativo de IRPJ relativo ao ano base 1999. Apesar disso, o direito creditório não foi reconhecido em razão da inexistência do referido saldo negativo. Foi apontada redução indevida a título de incentivo SUDENE na apuração do imposto sobre o lucro real, em razão de ter sido apresentada a Declaração DAI/PTE 0490/88 expedida pela SUDENE, às fls. 221, desacompanhada da respectiva decisão da SRF concessória do benefício, conforme prescreve o art. 16 da Lei nº 4.239, de 1963. O contribuinte foi cientificado do despacho decisório e apresentou manifestação de inconformidade, às fls. 275/304, alegando, em síntese, que: a) houve prorrogação automática do incentivo até o anocalendário de 2001 para as pessoas jurídicas que gozavam da redução de 50% (cinqüenta por cento) do IRPJ em 31/12/2003, a teor da Lei nº 8.874, de 29 de abril de 1994; b) é desnecessário o requisito pleiteado pela Secretaria da Receita Federal, acerca do reconhecimento do incentivo em análise, pois, consoante jurisprudência do Conselho de Contribuintes, o direito à redução automática do benefício de redução, sujeita à prorrogação automática, é válida ainda que o reconhecimento tenha sido realizado por unidade da SRF incompetente; c) está desobrigada a apresentação do referido documento uma vez operada a decadência do direito de constituir o crédito tributário, consoante dispõe o art. 37 da Lei nº 9.430, de 1996; d) os valores não poderiam ser exigidos, pois foram extintos pela homologação tácita dos lançamentos, face o transcurso do prazo de 5 (anos) entre a data da ocorrência do fato gerador e a ciência da decisão ora recorrida, nos termos do art. 150, § 4º, do CTN; e) os pedidos de compensação foram protocolados em 15/10/1999 e 20/10/1999, portanto, nos termos do art 74, § 5º, da Lei nº 9430, de 1996, deveria ter sido reconhecida a homologação tácita das compensações declaradas; f) não há como se afastar a conversão dos pedidos de compensação de crédito com débitos de terceiros, sob a alegação de que não há previsão legal para a compensação de crédito com débitos de terceiros e que para haver conversão seria necessário atender todas as condições exigidas para declaração de compensação introduzidas pelas Leis nºs 10.637, de 2002, 10.837, de 2002, e 11.051, de 2004; g) não seria lícito à autoridade administrativa negar a validade à compensação de crédito com débito de terceiro durante a vigência do art. 15 da Instrução Normativa SRF nº 21, de 1997, sob pena de violação aos princípios da legalidade, segurança jurídica e da moralidade; h) independentemente da conversão do pedido de compensação em declaração, a manifestação de inconformidade tem efeito suspensivo em razão da sua natureza jurídica de impugnação, nos termos dos artigos 14 e 21 do Decreto nº 70.235, de 1972. Fl. 372DF CARF MF Impresso em 14/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/07/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 13502.000060/0023 Acórdão n.º 1301002.066 S1C3T1 Fl. 373 4 A 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Salvador/BA analisou a manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte e, mediante o Acórdão nº 11.917, de 14/03/2007 (fls. 313/318), deferiu parcialmente a solicitação, conforme ementa a seguir transcrita: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 1999 INCENTIVO DE REDUÇÃO SUDENE. RECONHECIMENTO. A pessoa jurídica que não comprova o reconhecimento pela autoridade tributária competente do direito à redução do Imposto sobre a Renda Pessoa Jurídica, não faz jus ao referido beneficio fiscal, embora tenha obtido, da SUDENE, a declaração de que satisfaz as condições mínimas necessárias ao gozo desse beneficio. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. Será considerada tacitamente homologada, a compensação dos débitos constantes de pedido de compensação, convertido em declaração de compensação, pendentes de apreciação pela SRF, no prazo de cinco anos, contados da data da protocolização do pedido, independentemente da procedência e do montante do crédito utilizado. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. DEBITO DE TERCEIROS. Os pedidos de compensação de crédito com débito de terceiros não foram convertidos em declaração de compensação, por ausência de previsão legal. Em síntese, a Turma Julgadora decidiu “por deferir em parte a solicitação, não reconhecendo o direito creditório pleiteado, reconhecendo a homologação tácita das compensações relativas aos débitos próprios, e determinando o prosseguimento da cobrança relativa aos débitos de terceiros não compensados”. Ciente da decisão de primeira instância em 10/05/2007, conforme documento de fl. 320, e com ela inconformada, a empresa apresentou recurso voluntário em 08/06/2007 (registro de recepção à fl. 321, razões de recurso às fls. 323/343), mediante o qual oferece, em apertada síntese, os seguintes argumentos: A recorrente reafirma seu direito à redução de 50% do IRPJ, com as mesmas palavras anteriormente trazidas na manifestação de inconformidade. No que tange à homologação tácita das compensações, a recorrente dirige suas reclamações contra a decisão de primeira instância, a qual reconheceu a homologação tácita das compensações com débitos próprios, não o fazendo com as compensações com débitos de terceiros. A interessada lembra a existência, à época, de previsão legal para essa espécie de compensação, afirma que também os pedidos de compensação com débitos de terceiros se teriam convertido em declarações de compensação e, assim sendo, imporseia o Fl. 373DF CARF MF Impresso em 14/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/07/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 13502.000060/0023 Acórdão n.º 1301002.066 S1C3T1 Fl. 374 5 reconhecimento da homologação tácita. Lembra, ainda, o efeito suspensivo atribuído ao recurso voluntário pela legislação que menciona. É o Relatório. Voto Conselheiro Waldir Veiga Rocha, Relator O recurso é tempestivo e dele conheço. Gira a lide em torno de pedido de restituição de direito creditório decorrente de saldo negativo de IRPJ do anocalendário 1999. Na sequência, foram apresentados pedidos de compensação diversos, pleiteando a compensação do alegado direito creditório com variados débitos tributários próprios e de terceiros. Como se viu do relatório, em fases anteriores o direito creditório não foi reconhecido, por inexistência de reconhecimento do direito ao benefício de redução do imposto, por parte da Delegacia da Receita Federal de jurisdição do contribuinte. Quanto aos pedidos de compensação, foi reconhecida a conversão em declaração de compensação e a homologação tácita dos pedidos de compensação com débitos próprios, o mesmo não ocorrendo com os pedidos de compensação com débitos de terceiros. Como preliminar de mérito, deve ser apreciada a alegação da recorrente de que estaria desobrigada da apresentação do documento (de reconhecimento do direito ao benefício de redução do imposto, por parte da Delegacia da Receita Federal de jurisdição do contribuinte) "uma vez operada a decadência do direito de constituir o crédito tributário, consoante dispõe o art. 37 da Lei nº 9.430/1996". A interessada acrescenta, ainda, que a decadência teria sido reconhecida no item 31 do Despacho Decisório proferido pela DRF Camaçari/BA. Não assiste razão à recorrente. A decadência do direito da Fazenda Nacional de constituir créditos tributários é regulada pelo art. 150, § 4º, ou art. 173, I, ambos do CTN, conforme a situação. No entanto, não é disso que trata o presente processo. Não há aqui a constituição de créditos tributários mediante lançamento de ofício mas sim a análise de pedido de restituição de alegado direito creditório, cumulado com pedidos de compensação desses alegados créditos com débitos tributários próprios e de terceiros, situação permitida à época em que formulados os pedidos. É a isso que se refere o mencionado item 31 do Despacho Decisório da DRF Camaçari/BA. Ao analisar o direito creditório alegado, aquela Autoridade concluiu por sua inexistência e que, em lugar de saldo negativo de IRPJ (passível de restituição ou compensação), na verdade haveria um saldo positivo do tributo (item 30) o qual, no entanto, não mais seria passível de exigência, posto que já extinto o prazo para o lançamento de ofício. Confirase o que consta à fl. 269: [...] Fl. 374DF CARF MF Impresso em 14/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/07/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 13502.000060/0023 Acórdão n.º 1301002.066 S1C3T1 Fl. 375 6 30. Diante disso, os valores apurados passam a ter a seguinte conformação: DIPJ/2000, ANOCALENDÁRIO 1999. FICHA 13A — CALCULO DO IR SOBRE O LUCRO REAL (fl. 153) [...] 19. IMPOSTO DE RENDA A PAGAR R$ 669.004,27 31. Cabe registrar que o saldo de imposto a pagar apurado não está mais passível de cobrança face ao que dispõe o inciso I do art. 173 do Código Tributário Nacional. A verificação da liquidez e certeza do alegado direito creditório é obrigação da Autoridade Administrativa, e decorre mesmo do art. 170 do CTN, que assim estipula (grifo não consta do original): Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. Quanto ao prazo para que se faça essa verificação (que não se confunde, em absoluto, com o prazo para a constituição de crédito tributário), duas diferentes situações se apresentam. Para os pedidos de compensação com débitos próprios, as alterações introduzidas pelo art. 74 da Lei nº 9.430/1996 (e modificações supervenientes) na sistemática de compensação conduziram à transformação dos pedidos de compensação em declarações de compensação, para cuja análise foi estabelecido o prazo de cinco anos, contado a partir da data da entrega do pedido. Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão.(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) § 1o A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) § 2o A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) [...] § 4o Os pedidos de compensação pendentes de apreciação pela autoridade administrativa serão considerados declaração de Fl. 375DF CARF MF Impresso em 14/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/07/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 13502.000060/0023 Acórdão n.º 1301002.066 S1C3T1 Fl. 376 7 compensação, desde o seu protocolo, para os efeitos previstos neste artigo.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) § 5o O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação.(Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) [...] Para os pedidos de compensação assim convertidos em declarações de compensação, a decisão de primeira instância já reconheceu a homologação tácita, inexistindo assim qualquer litígio nestes autos. Para os pedidos de compensação com débitos de terceiros, o acórdão recorrido considerou que não se operou a conversão em declaração de compensação e, por consequência, o prazo para homologação tácita estabelecido no § 5º, supra, não seria aplicável. Sobre esse assunto se discorrerá adiante, neste voto. Finalmente, argumenta a interessada que seria aplicável à situação o art. 37 da Lei nº 9.430/1996. Eis seu conteúdo: Art.37. Os comprovantes da escrituração da pessoa jurídica, relativos a fatos que repercutam em lançamentos contábeis de exercícios futuros, serão conservados até que se opere a decadência do direito de a Fazenda Pública constituir os créditos tributários relativos a esses exercícios. Observese que esse dispositivo não trata da decadência, mas sim da obrigação da guarda de documentos. Embora o texto legal mencione a constituição de créditos tributários por parte da Fazenda Pública, tenho por certo que igualmente devem ser mantidos sob boa guarda e apresentados quando solicitados os documentos obrigatórios que se destinem a comprovar a liquidez e a certeza de um direito creditório alegado pelo sujeito passivo, em sede de pedido de restituição/compensação. Observese que o ônus da prova é de quem alega o direito. Não pode a interessada, escudada no dispositivo legal acima, buscar desobrigarse da apresentação de prova de um direito por ela própria alegado. Nessa linha de raciocínio, afasto essa preliminar. No mérito, duas questões se apresentam. A primeira diz respeito à obrigatoriedade de apresentação de documento, emitido pela Receita Federal, que reconheça o direito à redução do IRPJ. A alegação da recorrente, em síntese, é de que o benefício fiscal, concedido por lei, teria sido objeto de sucessivas prorrogações automáticas, sendo que ela (a recorrente) estaria em pleno gozo da redução do imposto. Assim, descaberia "falar em reconhecimento pela Secretaria da Receita Federal, sobre a redução utilizada pela empresa". A DRF Camaçari analisou a matéria nos seguintes termos (fls. 267/268): 23. Com referência à dedução informada na linha 10 da Ficha 13A da DIPJ 2000 (fl. 153), vale observar que o valor corresponde à redução de 37,5% com base no lucro da exploração, demonstrada com o preenchimento das fichas 09 e 11, cujo Fl. 376DF CARF MF Impresso em 14/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/07/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 13502.000060/0023 Acórdão n.º 1301002.066 S1C3T1 Fl. 377 8 direito teria sido reconhecido pela Declaração DAI/PTE n° 0490/88. Esse documento é de apresenta obrigatória pelos contribuintes beneficiários dessa redução, conforme exigência presente no art. 16 da Lei nº 4.239, de 27/06/1963. A requerente juntou aos autos cópia autenticada da Declaração DAI/PTE 0490/88 expedida pela SUDENE (fl. 221). 24. O direito ao beneficio mencionado, com relação ao empreendimento mencionado na referida declaração da SUDENE, correspondia ao percentual de 50% do imposto de renda e adicionais não restituíveis. Com a edição da Lei n° 9.532, de 1997, esse percentual foi reduzido para 37,5% a partir de 10 de janeiro de 1998, conforme dispõe o § 2° do art. 3° desse diploma legal. 25. Todavia, para a fruição do referido beneficio, o art. 16 da Lei n° 4.239, de 1963, impunha a necessidade de reconhecimento do direito à redução pela Delegacia da Receita Federal que jurisdicione o domicilio fiscal do contribuinte, motivo por que a intimação que fora dirigida à requerente instavaa a apresentar, além do documento trazido aos autos, o correspondente pronunciamento da Secretaria da Receita Federal quanto ao referido direito (fl. 103). Nem mesmo se pode afirmar que se trata de desconhecimento da requerente se, ao solicitar prorrogação do prazo para apresentar os documentos solicitados na intimação, ela expressamente referenciava a "Portaria DAI/PTE 04/90 ... bem como respectiva decisão da SRF concessória do beneficio" (fls. 121 e 157). 26. Representando, o reconhecimento pela SRF, condição imprescindível para a fruição do beneficio de redução pretendido pela requerente, há que se desconsiderar a dedução correspondente, representada pelo valor consignado na linha 10 da Ficha 13A (fls. 153). O acórdão recorrido manteve esse entendimento, e o mesmo faço aqui. A isenção, modalidade de exclusão do crédito tributário, é tratada no Código Tributário Nacional em seus artigos 176 a 179. Considero que a redução do imposto, aqui analisada, é espécie da isenção, visto que a isenção exclui a totalidade do crédito tributário, enquanto a redução exclui apenas uma parte, definida por um percentual. A análise que se segue se aplica de igual modo à isenção e à redução. De particular interesse ao caso sob exame são os artigos 176 e 179, que transcrevo, em parte, abaixo (grifos não constam do original): Art. 176. A isenção, ainda quando prevista em contrato, é sempre decorrente de lei que especifique as condições e requisitos exigidos para a sua concessão, os tributos a que se aplica e, sendo caso, o prazo de sua duração. [...] Art. 179. A isenção, quando não concedida em caráter geral, é efetivada, em cada caso, por despacho da autoridade administrativa, em requerimento com o qual o interessado faça prova do preenchimento das condições e do cumprimento dos requisitos previstos em lei ou contrato para concessão. [...] Fl. 377DF CARF MF Impresso em 14/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/07/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 13502.000060/0023 Acórdão n.º 1301002.066 S1C3T1 Fl. 378 9 Cumpre destacar o aspecto da legalidade: a isenção sempre decorre de lei, é a lei, em última análise, quem afasta a imposição do tributo. Um segundo aspecto relevante, trazido pelo caput do art. 179, é o de que a isenção somente se torna efetiva, vale dizer, somente produz efeitos, quando, comprovados o preenchimento das condições e o cumprimento dos requisitos previstos em lei, a autoridade administrativa expressamente a reconhece. Ou seja, não basta o cumprimento dos requisitos legais. Ademais disso é indispensável o despacho da autoridade administrativa, sem o que a incidência tributária não é afastada. Nesse sentido, a exigência estabelecida pelo art. 179 do CTN foi regulamentada pelo atos a seguir transcritos (grifos não constam do original): Lei nº 4.239/1963: Art 16 A SUDENE, mediante as cautelas que instituir, fornecerá, as emprêsas interessadas, declaração de que satisfazem as condições exigidas para o benefício da isenção a que se refere o artigo 13, ou da redução prevista no artigo 14, documento que instruirá o processo de reconhecimento pelo Diretor da Divisão do Impôsto de Renda, do direito das emprêsas ao favor tributário. Decreto nº 55.334, de 31/12/1964 Art. 1º Fica aprovado o “Regulamento de aplicação dos incentivos fiscais administrados pela Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (SUDENE)” constantes do artigo 34, da Lei nº 3.995, de 14 de dezembro de 1961, e dos artigos 13, 14, 15, 16 e 18 a 23 da Lei nº 4.239, de 27 de junho de 1963, e artigo 14, da Lei nº 4.357, de 16 de junho de 1964, anexo ao presente decreto. [...] Art. 8º O Diretor da Divisão do Impôsto de Renda decidirá sôbre cada pedido de reconhecimento de direito aos benefícios de que trata êste Regulamento, dentro de cento e oitenta (180) dias da respectiva apresentação à competente repartição fiscal. § 1º Expirado o prazo indicado neste artigo sem que a emprêsa requerente tenha sido notificada de decisão contrária ao pedido, e enquanto não sobrevier decisão irrecorrível considerarseá a interessada automàticamente no pleno gôzo da isenção ou da redução pretendida se o favor tiver sido recomendado pela SUDENE através da declaração mencionada no artigo 7º dêste Regulamento. § 2º Do despacho que denegar, parcial ou totalmente, o pedido da emprêsa, caberá recurso voluntário para o 1º Conselho de Contribuintes, dentro do prazo de 30 (trinta) dias, a contar do recebimento da competente comunicação. § 3º Tornandose irrecorrível na esfera administrativa, a decisão contrária ao pedido a que se refere êste artigo, a repartição Fl. 378DF CARF MF Impresso em 14/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/07/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 13502.000060/0023 Acórdão n.º 1301002.066 S1C3T1 Fl. 379 10 competente procederá ao lançamento das importâncias que até então tenham sido com base aos artigos 13 e 14 da Lei número 4.239, de 27 de junho de 1963, deduzidas do impôsto de renda, impôsto adicional de renda e adicionais não restituíveis devido pela pessoa jurídica interessada, procedendo em seguida a sua cobrança na forma da legislação em vigor. § 4º A cobrança prevista no parágrafo anterior, não alcança as parcelas correspondentes às deduções feitas durante o período em que a pessoa jurídica interessada esteja, pela forma prevista no § 1º, no pleno gôzo da isenção ou da redução de que trata êste capítulo. Decreto nº 64.214/1969: Art. 8º A Secretaria Executiva da SUDENE, analisando a documentação a que se refere o artigo anterior e procedendo às investigações que julgar necessárias, emitirá parecer fundamentado para apreciação do Conselho Deliberativo, propondo, quando fôr o caso, a expedição da declaração a que alude o artigo 7º, ou o reconhecimento, pelo mesmo Conselho Deliberativo, do direito à isenção prevista no artigo 2º dêste Decreto, nos têrmos do artigo 37, da Lei nº 5.508, de 11 de outubro de 1968. § 1º As pessoas jurídicas ou firmas individuais, em favor das quais a SUDENE expedir a declaração a que alude o artigo anterior, instruirão, com o referido documento, o processo de reconhecimento, pelo órgão próprio da Secretaria da Receita Federal, do direito ao gôzo do beneficio previsto nos artigos 1º e 3º dêste Decreto, devendo o pedido formulado ser encaminhado àquela repartição, através da Delegacia da Receita Federal a que estiver jurisdicionado o requerente. § 2º O órgão próprio da Secretaria da Receita Federal decidirá sôbre cada pedido de reconhecimento do direito à redução prevista nos artigos 1º e 3º dêste Decreto, dentro de 180 (cento e oitenta) dias da respectiva apresentação à competente repartição fiscal. § 3º Expirado o prazo indicado no parágrafo anterior,sem que a requerente tenha sido notificada da decisão da decisão contrária ao pedido e enquanto não sobrevier decisão irrecorrível, considerarseá a interessada automàticamente no pleno gôzo da redução pretendida, se o favor tiver sido recomendado pela SUDENE através da declaração mencionada no artigo anterior. § 4º Do despacho que denegar, parcial ou totalmente, o pedido da requerente, caberá recurso voluntário para o 1º Conselho de Contribuintes, dentro do prazo de 30 (trinta) dias, a contar do recebimento da competente comunicação. § 5º Tornandose irrecorrível, na esfera administrativa, a decisão contrária ao pedido a que se refere êste artigo, a repartição competente procederá ao lançamento das importâncias que, até então, com base no artigo 14, da Lei nº Fl. 379DF CARF MF Impresso em 14/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/07/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 13502.000060/0023 Acórdão n.º 1301002.066 S1C3T1 Fl. 380 11 4.239, de 27 de junho de 1963, modificado pelo artigo 35, da Lei nº 5.508, de 11 de outubro de 1968, tenham sido reduzidas do impôsto de renda e adicionais não restituíveis devidos pela pessoa jurídica ou firma individual interessada, procedendo em seguida à sua cobrança, na forma da legislação em vigor. § 6º A cobrança prevista no parágrafo anterior não alcança as parcelas correspondentes às deduções feitas durante o período em que a pessoa jurídica ou firma individual interessada esteja em pleno gôzo da redução de que trata êste Decreto, na forma do § 3º dêste artigo. Observese: A mesma lei nº 4.239/1963, que em seu artigo 14 instituiu o benefício de redução do imposto aqui discutido, em seu artigo 16 prevê expressamente a necessidade de reconhecimento do favor fiscal pelo Diretor da Divisão do Imposto de Renda (atualmente, o Delegado da Receita Federal do Brasil). Esse artigo 16 foi, a seguir, regulamentado pelo Decreto nº 55.334/1964 e Decreto nº 64.214/1969, com o rito a ser seguido no processo administrativo que analisa o pedido de reconhecimento do benefício fiscal. Essa disciplina sofreu alterações ao longo do tempo1, mas em momento algum esse reconhecimento deixou de ser exigido. Como se tudo isso não fosse suficiente, de se ressaltar que a Declaração DAI/PTE nº 0490/88 (fl. 311), emitida pela SUDENE, que a interessada traz como prova suficiente para o gozo da redução do imposto, inicia da seguinte forma: Declaramos, para fins do artigo 16, da Lei nr. 4.239, de 27 de junho de 1963 e do artigo 8. parágrafo 1 do Decreto nr. 64.214, de 18 de março de 1969, [...]. Ou seja, a declaração que, no entender da interessada, seria suficiente para atestar que estaria em pleno gozo do benefício fiscal, é expressa ao afirmar que foi emitida para os fins dos dispositivos que especifica, ou seja, para a instrução de processo com pedido de reconhecimento do benefício junto ao órgão próprio da Secretaria da Receita Federal. Também o Poder Judiciário se tem manifestado no sentido da necessidade de manifestação por parte da autoridade administrativa, e de que é competente para tanto a autoridade fiscal (grifos não constam dos originais): “ .... I. A isenção somente comporta ser concedida se atendidas as condições e requisitos previstos em lei, e, quando vinculada à modalidade especial (CTN, art. 179), encontrase na dependência da prévia análise do caso concreto pelo órgão competente....” (TRF1ª Região. REO 93.01.037254/MG. Rel.: Juiz Alexandre Vidigal de Oliveira (convocado). 4ª Turma. Decisão: 27/08/99. DJ de 17/09/99, p. 113.) “ .... III. Não se tratando de isenção concedida em caráter geral, é da autoridade fiscal a competência para conceder isenção fiscal mediante requerimento com o qual o interessado faça prova que atende os requisitos estabelecidos em lei. ....”(TRF4ª Região. AC 97.04.495455/RS. Rel.: Des. Federal Fábio Rosa. 1ª Turma. Decisão:26/01/99. DJ de 24/03/99, p. 577.) 1 Mais recentemente, devem ser mencionados o Decreto nº 4.213/2002 e a Instrução Normativa SRF n° 267/2002. Fl. 380DF CARF MF Impresso em 14/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/07/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 13502.000060/0023 Acórdão n.º 1301002.066 S1C3T1 Fl. 381 12 “.... I. A isenção é hipótese de exclusão do crédito tributário. Segundo o art. 176 do CTN, a isenção é decorrente de lei que especifica condições e requisitos exigidos para a sua concessão, e o art. 179 dispõe que aquela é efetivada por despacho da autoridade administrativa, onde o interessado faça prova do preenchimento das condições e requisitos previstos para o gozo do benefício. ....” (TRF4ª Região. REO 95.04.552358/RS. Rel.: Des. Federal Hermes S. da Conceição Jr.. 2ª Turma. Decisão:24/06/99. DJ de 1º/09/99, p. 497.) Nessa linha de raciocínio, é forçoso concluir que, inexistindo ato expresso do titular da unidade da Receita Federal que jurisdiciona o contribuinte, o qual reconheça o benefício fiscal pretendido, a redução tributária não pode surtir efeitos. No caso concreto, o acórdão recorrido fez consignar (fl. 316) o desatendimento por parte da interessada ao requisito firmado pelo art. 16 da Lei nº 4.239/1963, qual seja, a inexistência de ato expresso da Autoridade Administrativa reconhecendo o direito à redução do imposto. Nesse contexto, a desconsideração da redução do imposto deve ser reputada correta. Na sequência, a recorrente se insurge contra a decisão de primeira instância, que não reconheceu a homologação tácita para os pedidos de compensação de créditos próprios com débitos de terceiros, ao entendimento de que estes não foram convertidos em declarações de compensação. Em síntese, a interessada lembra a existência, à época, de previsão legal para essa espécie de compensação (art. 74 da Lei nº 9.430/1996, regulamentado pelo art. 15 da IN SRF nº 21/1997), afirma que também os pedidos de compensação com débitos de terceiros se teriam convertido em declarações de compensação e, assim sendo, imporseia o reconhecimento da homologação tácita. Lembra, ainda, o efeito suspensivo atribuído ao recurso voluntário pela legislação que menciona. Para os fins do presente exame, cumpre transcrever a redação original do art. 74 da Lei nº 9.430/1996. Art. 74. Observado o disposto no artigo anterior, a Secretaria da Receita Federal, atendendo a requerimento do contribuinte, poderá autorizar a utilização de créditos a serem a ele restituídos ou ressarcidos para a quitação de quaisquer tributos e contribuições sob sua administração. Também relevante o art. 15 da Instrução Normativa nº 21/1997: Art. 15. A parcela do crédito a ser restituído ou ressarcido a um contribuinte, que exceder o total de seus débitos, inclusive os que houverem sido parcelados, poderá ser utilizada para a compensação com débitos de outro contribuinte, inclusive se parcelado. § 1ºA compensação de que trata este artigo será efetuada a requerimento dos contribuintes titulares do crédito e do débito, formalizado por meio do formulário "Pedido de Compensação de Crédito com Débito de Terceiros", de que trata o Anexo IV. Fl. 381DF CARF MF Impresso em 14/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/07/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 13502.000060/0023 Acórdão n.º 1301002.066 S1C3T1 Fl. 382 13 § 2ºSe os contribuintes estiverem sob jurisdição de DRF ou IRF A diferentes, o formulário a que se refere o parágrafo anterior deverá ser preenchido em duas vias, devendo cada contribuinte protocolizar uma via na DRF ou IRFA de sua jurisdição. § 3ºNa hipótese do parágrafo anterior, a via do Pedido de Compensação de Crédito com Débito de Terceiros, entregue à DRF ou IRFA da jurisdição do contribuinte titular do débito terá caráter exclusivo de comunicado. § 4ºNa hipótese do § 2º, a competência para analisar o pleito, efetuar a compensação e adotar os procedimentos internos de que trata o § 2ºdo art. 13 é da DRF ou IRFA da jurisdição do contribuinte titular do crédito. De se observar que o texto original do art. 74 da Lei nº 9.430/1996 não trazia qualquer restrição à compensação de créditos de um contribuinte com débitos de outros. Nesse sentido, a regulamentação da IN SRF nº 21/1997 não possui qualquer mácula, sendo essa espécie de compensação perfeitamente admissível até 10/04/2000, quando revogada pela Instrução Normativa SRF nº 41, de 07/04/2000. Essa era, pois, a legislação vigente em 15/02/2000, por ocasião da formalização do pedido de compensação de crédito com débito de terceiros, tratado no presente processo (fl. 227). O artigo 74 da Lei nº 9.430/1996 sofreu alterações, introduzidas pelo art. 49 da Medida Provisória nº 66, de 29/08/2002, posteriormente convertida na Lei nº 10.637, de 30/12/2002 (DOU de 31/12/2002), e passou a vigorar com a seguinte redação (grifos não constam do original): Artigo 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado2, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. § 1º A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. § 2º A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. § 3º Além das hipóteses previstas nas leis específicas de cada tributo ou contribuição, não poderão ser objeto de compensação: I o saldo a restituir apurado na Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda da Pessoa Física; 2 A expressão "inclusive os judiciais com trãnsito em julgado" não constava da MP 66, mas constou da Lei nº 10.637. Fl. 382DF CARF MF Impresso em 14/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/07/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 13502.000060/0023 Acórdão n.º 1301002.066 S1C3T1 Fl. 383 14 II os débitos relativos a tributos e contribuições devidos no registro da Declaração de Importação. § 4º Os pedidos de compensação pendentes de apreciação pela autoridade administrativa serão considerados declaração de compensação, desde o seu protocolo, para os efeitos previstos neste artigo. § 5º A Secretaria da Receita Federal disciplinará o disposto neste artigo. Posteriormente, o art. 74 da Lei 9.430/1996 sofreu nova modificação, com o advento do art. 17 da Medida Provisória nº 135, de 30/10/2003 (DOU de 31/10/2003), convertida na Lei nº 10.833, de 29/12/2003 (DOU de 30/12/2003). Sua redação passou a ser a seguinte (grifos não constam do original): Artigo 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. § 1º A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. § 2º A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. § 3º Além das hipóteses previstas nas leis específicas de cada tributo ou contribuição, não poderão ser objeto de compensação mediante entrega, pelo sujeito passivo, da declaração referida no § 1º: I o saldo a restituir apurado na Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda da Pessoa Física; II os débitos relativos a tributos e contribuições devidos no registro da Declaração de Importação. III os débitos relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal que já tenham sido encaminhados à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional para inscrição em Dívida Ativa da União; IV os créditos relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal com o débito consolidado no âmbito do Programa de Recuperação Fiscal Refis, ou do parcelamento a ele alternativo; e V os débitos que já tenham sido objeto de compensação não homologada pela Secretaria da Receita Federal. Fl. 383DF CARF MF Impresso em 14/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/07/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 13502.000060/0023 Acórdão n.º 1301002.066 S1C3T1 Fl. 384 15 § 4º Os pedidos de compensação pendentes de apreciação pela autoridade administrativa serão considerados declaração de compensação, desde o seu protocolo, para os efeitos previstos neste artigo. § 5º O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de cinco anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. § 6º A declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. § 7º Não homologada a compensação, a autoridade administrativa deverá cientificar o sujeito passivo e intimálo a efetuar, no prazo de trinta dias, contado da ciência do ato que não a homologou, o pagamento dos débitos indevidamente compensados. § 8º Não efetuado o pagamento no prazo previsto no § 7º, o débito será encaminhado à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional para inscrição em Dívida Ativa da União, ressalvado o disposto no § 9º. § 9º É facultado ao sujeito passivo, no prazo referido no § 7º, apresentar manifestação de inconformidade contra a não homologação da compensação. § 10. Da decisão que julgar improcedente a manifestação de inconformidade caberá recurso ao Conselho de Contribuintes. § 11. A manifestação de inconformidade e o recurso de que tratam os §§ 9º e 10 obedecerão ao rito processual do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, e enquadramse no disposto no inciso III do art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional, relativamente ao débito objeto da compensação. § 12. A Secretaria da Receita Federal disciplinará o disposto neste artigo, podendo, para fins de apreciação das declarações de compensação e dos pedidos de restituição e de ressarcimento, fixar critérios de prioridade em função do valor compensado ou a ser restituído ou ressarcido e dos prazos de prescrição. Da leitura dos dispositivos acima, constatase que a transformação dos pedidos de compensação pendentes em declarações de compensação não atingiu todos os pedidos de compensação, mas somente alguns deles, a saber, aqueles que se enquadravam nas novas regras de compensação. Os demais, conquanto preservado o direito adquirido, não foram alcançados por aquela transformação. Particularmente, o pedido de compensação aqui discutido tratava de compensação de créditos próprios (da ACRINOR ACRILONITRILA DO NORDESTE S/A) com débitos de terceiro (COMPANHIA QUÍMICA METACRIL), modalidade de compensação vedada pela nova redação do art. 74 da Lei nº 9.430/1996. Assim, não foi transformado em declaração de compensação quando da edição da Medida Provisória nº 66. Fl. 384DF CARF MF Impresso em 14/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/07/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 13502.000060/0023 Acórdão n.º 1301002.066 S1C3T1 Fl. 385 16 Daí concluo também que ao pedido de compensação do presente processo não se aplica, especialmente, o parágrafo 5º (homologação tácita no prazo de cinco anos) do art. 74 da Lei nº 9.430/1996, introduzido por alterações legislativas posteriores e que somente alcança as declarações de compensação e os pedidos nelas transformados. Em oportunidade anterior, este Colegiado, embora com diversa composição, também decidiu nesse sentido. Confirase o teor do voto vencedor, proferido pelo ilustre Conselheiro Paulo Jakson da Silva Lucas no Acórdão nº 1301001.875, de 19/01/2016. Sua linha de raciocínio é irretocável, e serve também como fundamento para a presente decisão. Com efeito, ao dispor que o sujeito passivo que apurar crédito, passível de restituição ou ressarcimento, pode utilizálo na compensação de débitos próprios, o caput do artigo 74 da Lei n° 9.430/96, na redação que lhe foi dada pela Lei n° 10.637, de 2002, excluiu do regramento estatuído, bem como do que foi introduzido pelas normas que lhe foram supervenientes, a compensação de créditos próprios com débitos de terceiro. O estabelecido nos parágrafos quarto e quinto do artigo em debate, a meu ver, só pode ser compreendido na exata delimitação feita pelo seu caput, isto é: a) os pedidos de compensação pendentes de apreciação que foram considerados, desde o seu protocolo, declaração de compensação, são aqueles cujos créditos foram apurados pelo sujeito passivo e os débitos, da mesma forma, são próprios, e b) o prazo de cinco anos para homologação da compensação declarada, no que diz respeito ao pedidos pendentes de apreciação pela autoridade administrativa na data da vigência da Lei n° 10.637, de 2002, só alcança as compensações que envolvam créditos e débitos próprios. Não se pode admitir que a interpretação do disposto nos parágrafos quarto e quinto do artigo 74 da Lei n° 9.430/96, na redação que lhes foi dada pelas Leis n's 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003, possa ser feita sem levar em conta o que dispõe o caput do artigo em referência. À evidência, não se pode considerar que a norma contida em um parágrafo de um determinado artigo da lei possa ser considerada dissociada da preconizada pelo caput desse mesmo artigo. [...] Logo, da leitura acima, concluise que a homologação tácita aplicase somente às declarações de compensação e aos pedidos de compensação convertidos em declarações de compensação, explicando: se a cabeça do art. 74 da Lei nº 9.430/96, na redação dada pela Lei nº 10.637/2002, somente versa sobre compensação de débitos e créditos próprios, não se poderia elastecer a interpretação do § 4º do artigo citado, que transformou os pedidos de compensação pendentes de decisão da administração em declaração de compensação, para abranger os pedidos de compensação com créditos de terceiros, em respeito à regra hermenêutica de que os parágrafos, por limitar a cabeça dos artigos, jamais devem ir além destes últimos. Como reforço citese fragmentos do Parecer PGFN/CDA/CAT nº 1499/05, ao meu ver, esclarecedor ao deslinde da matéria, vejamos: 41. Com efeito, o precitado art. 74 da Lei nº 9.430/96, na redação dada pelo art. 49 da Lei n' 10.637/02, ao instituir a "declaração de compensação", expressamente previu que a mesma só poderia ser prestada pelo próprio detentor do crédito contra o Fisco, ou seja, para que a "declaração de compensação" feita à Secretaria da Receita Federal extinga o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação (art. 74, § 2o., da Lei nº 9.430/96), mister se faz que o contribuinte utilizese de créditos próprios. Fl. 385DF CARF MF Impresso em 14/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/07/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 13502.000060/0023 Acórdão n.º 1301002.066 S1C3T1 Fl. 386 17 42. Se não existe "declaração de compensação" com créditos de terceiro, por óbvio, os pedidos de compensação com créditos que não pertençam ao próprio contribuinte, mesmo que pendentes de análise por parte da SRF, não podem transmudarse naquela. 43. E mais, permanecendo como pedidos de compensação, não estão sujeitos à nova sistemática instituída para a compensação. Por falta de previsão legal, o pedido de compensação com créditos de terceiros não pode ser considerado como uma declaração de compensação, e portanto, não pode ser regido pela nova sistemática introduzida pela Lei nº 10.637, de 2002. Ressalto que não se trata de negar a possibilidade de compensação de crédito próprio com débito de terceiros, desde que o pedido tenha sido formulado no período em que admitida essa modalidade de compensação e que existam créditos suficientes para a extinção dos débitos. No presente caso, se existente o direito creditório invocado, nenhum óbice haveria à compensação pleiteada. Tratase, sim, de não admitir que os pedidos de compensação referentes a essa modalidade tenham sido convertidos em declarações de compensação e, por consequência, também não reconhecer sua submissão ao prazo para homologação tácita estabelecido no § 5º do art. 74 da Lei nº 9.430/1996. Com esses fundamentos, nego provimento ao recurso voluntário, também quanto a esta matéria. Finalmente, cumpre apreciar o pedido da recorrente para que seja atribuído efeito suspensivo ao recurso, nos termos do art. 33 do Decreto nº 70.235/1972. Em primeira instância, a matéria foi assim abordada (grifos no original, fl. 317): A requerente alegou que independentemente da conversão do pedido de compensação em declaração de compensação, a manifestação de inconformidade tinha efeito suspensivo em razão da sua natureza jurídica de impugnação, nos termos dos artigos 14 e 21 do Decreto n° 70.235, de 1972. Entretanto, apesar da impugnação e da manifestação de inconformidade terem a mesma natureza de recurso, não se confundem pois tratam objetos diversos, a primeira trata da contestação do lançamento fiscal, quando a segunda contesta a decisão administrativa em processos administrativos relativos, à restituição, compensação, ao ressarcimento, à imunidade, à suspensão, à isenção e à redução de tributos e contribuições. O art. 151, inciso III, do CTN condiciona a suspensão da exigibilidade do crédito tributário à existência de lei que regule o processo administrativo tributário administrativo fiscal. A manifestação de inconformidade com efeito suspensivo só teve previsão legal a partir da Lei 10.833, de 2003, que alterou o art. 74, da Lei n° 9.430, de 1996, e se restringiu à nãohomologação da compensação. A nãohomologação está necessariamente vinculada a uma declaração de compensação instituída Lei n° 10.637, de 2002, o que não se confunde com o indeferimento de um pedido de compensação não convertido em declaração de compensação. Desta forma, devese perseguir a cobrança dos débitos constantes no pedido de compensação de débitos de terceiros, is fls. 224. Desta feita, a recorrente fundamenta seu pedido no art. 33 do Decreto nº 70.235/1972, verbis: Fl. 386DF CARF MF Impresso em 14/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/07/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 13502.000060/0023 Acórdão n.º 1301002.066 S1C3T1 Fl. 387 18 Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. Uma leitura muito estreita e rigorosa da legislação de regência levaria a conclusão em sentido contrário às pretensões da recorrente. Afinal, como se viu anteriormente, a extensão expressa do rito do Decreto nº 70.235/1972 à manifestação de inconformidade e ao recurso (§ 11 do art. 74 da Lei nº 9.430/1996) se fez somente para as novas declarações de compensação e para os pedidos de compensação nela transformados. Se, neste voto, já me manifestei no sentido de que os pedidos de compensação de créditos próprios com débitos de terceiros não se submetem a essa transformação, a consequência lógica é de que também a suspensão de exigibilidade do § 11 não seria aplicável. Nesse sentido foi a decisão de primeira instância. Não se pode perder de vista, no entanto, que já de longa data, muito antes da criação da declaração de compensação, a competência para julgamento da manifestação de inconformidade em processo de compensação era deferida às Delegacias da Receita Federal de Julgamento. Confirase o Ato Declaratório Normativo COSIT nº 17, de 15/06/1999 (DOU de 17/06/1999) (grifos não constam do original): O COORDENADORGERAL DO SISTEMA DE TRIBUTAÇÃO, no uso das atribuições que lhe confere o art. 199, inciso IV, do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal, aprovado pela Portaria MF No 227, de 3 de setembro de 1998, e tendo em vista o disposto no art. 2o da Lei No 8.748, de 9 de dezembro de 1993, e nos arts. 56 e 69 da Lei No 9.784, de 29 de janeiro de 1999, declara, em caráter normativo, às Superintendências Regionais da Receita Federal, às Delegacias da Receita Federal de Julgamento e aos demais interessados que: O julgamento, em primeira instância, dos processos administrativos fiscais relativos à solicitação de retificação de declaração, à restituição, à compensação, ao ressarcimento, à imunidade, à suspensão, à isenção e à redução de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, em que haja manifestação de inconformidade do sujeito passivo contra apreciações dos Delegados e dos Inspetores da Receita Federal, permanece na esfera de competência dos Delegados da Receita Federal de Julgamento. Outro ponto de grande relevância, no caso sob exame, é que a discussão gira exatamente sobre a conversão, ou não, do pedido de compensação de créditos próprios com débitos de terceiros em declaração de compensação. Nesse contexto, negar a suspensão da exigibilidade dos débitos trazidos à compensação antes de decisão final em sede administrativa poderia implicar em prejuízos de difícil reparação à interessada, tais como execução fiscal de débitos que, afinal, podem vir a ser declarados extintos, caso a presente decisão venha ser reformada em instância especial pela CSRF. Ou, ainda, que lhe seja negada certidão positiva de débitos com efeitos de negativa. Diante disso, a aplicação do supramencionado art. 33 do Decreto nº 70.235/1972 revelase correta, e o pedido deve ser atendido, reconhecendose o efeito suspensivo ao presente recurso voluntário. Fl. 387DF CARF MF Impresso em 14/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/07/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 13502.000060/0023 Acórdão n.º 1301002.066 S1C3T1 Fl. 388 19 Em conclusão, por todo o exposto, voto por rejeitar a preliminar de decadência e, no mérito, dou provimento parcial ao recurso voluntário, para reconhecerlhe efeito suspensivo. (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Fl. 388DF CARF MF Impresso em 14/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/07/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA
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Numero do processo: 10740.720032/2014-29
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 24 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Apr 12 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 29/03/2012 a 17/04/2014
MULTA ISOLADA. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. QUALIFICAÇÃO DA MULTA.
A multa isolada imposta em razão da compensação indevida possui previsão legal, não sendo possível o seu afastamento. O argumento do caráter confiscatório da multa encontra óbice na súmula n. 2 deste Conselho.
MULTA ISOLADA. PEDIDOS DE RESSARCIMENTO INDEFERIDOS. DISPOSITIVO LEGAL QUE IMPUNHA A PENALIDADE REVOGADO. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENÉFICA.
Conforme determina o artigo 106, inciso II, "a" do Código Tributário Nacional, tratando-se de ato não definitivamente julgado, a lei aplica-se a ato ou fato pretérito, quando deixe de defini-lo como infração.
No caso dos autos, a superveniência de dispositivo legal que deixa de definir como infração a hipótese fática descrita no lançamento (parágrafo 15 do art. 74 da Lei nº 9.430/1996 revogado pela MP nº 656/2014) impõe o cancelamento da sanção punitiva anteriormente aplicada.
Recurso Voluntário Negado..
Recurso de Ofício Negado.
Numero da decisão: 3301-002.847
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício e, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencida a Conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Relatora). Voto vencedor a cargo do Conselheiro Luiz Augusto do Couto Chagas.
ANDRADA MÁRCIO CANUTO NATAL - Presidente.
Maria Eduarda Alencar Câmara Simões - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: ANDRADA MÁRCIO CANUTO NATAL (Presidente), SEMÍRAMIS DE OLIVEIRA DURO, LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, MARCELO COSTA MARQUES D'OLIVEIRA, PAULO ROBERTO DUARTE MOREIRA, JOSÉ HENRIQUE MAURI, MARIA EDUARDA ALENCAR CÂMARA SIMÕES.
Nome do relator: MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES
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Recorrentes NICCHIO SOBRINHO CAFÉ S.A. FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 29/03/2012 a 17/04/2014 MULTA ISOLADA. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. QUALIFICAÇÃO DA MULTA. A multa isolada imposta em razão da compensação indevida possui previsão legal, não sendo possível o seu afastamento. O argumento do caráter confiscatório da multa encontra óbice na súmula n. 2 deste Conselho. MULTA ISOLADA. PEDIDOS DE RESSARCIMENTO INDEFERIDOS. DISPOSITIVO LEGAL QUE IMPUNHA A PENALIDADE REVOGADO. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENÉFICA. Conforme determina o artigo 106, inciso II, "a" do Código Tributário Nacional, tratandose de ato não definitivamente julgado, a lei aplicase a ato ou fato pretérito, quando deixe de definilo como infração. No caso dos autos, a superveniência de dispositivo legal que deixa de definir como infração a hipótese fática descrita no lançamento (parágrafo 15 do art. 74 da Lei nº 9.430/1996 revogado pela MP nº 656/2014) impõe o cancelamento da sanção punitiva anteriormente aplicada. Recurso Voluntário Negado.. Recurso de Ofício Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício e, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencida a Conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Relatora). Voto vencedor a cargo do Conselheiro Luiz Augusto do Couto Chagas. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 74 0. 72 00 32 /2 01 4- 29 Fl. 2467DF CARF MF Impresso em 12/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalment e em 24/03/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalmente em 05/04/2016 por AND RADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 31/03/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS Processo nº 10740.720032/201429 Acórdão n.º 3301002.847 S3C3T1 Fl. 2.468 2 ANDRADA MÁRCIO CANUTO NATAL Presidente. Maria Eduarda Alencar Câmara Simões Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: ANDRADA MÁRCIO CANUTO NATAL (Presidente), SEMÍRAMIS DE OLIVEIRA DURO, LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, MARCELO COSTA MARQUES D'OLIVEIRA, PAULO ROBERTO DUARTE MOREIRA, JOSÉ HENRIQUE MAURI, MARIA EDUARDA ALENCAR CÂMARA SIMÕES. Relatório Tratase de auto de infração lavrado em face da empresa Nicchio Sobrinho Café S.A., por meio do qual foi imposta a cobrança de multas isoladas em razão do cometimento das seguintes infrações: (i) compensação indevida de valores em PER/DCOMP, Fl. 2468DF CARF MF Impresso em 12/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalment e em 24/03/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalmente em 05/04/2016 por AND RADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 31/03/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS Processo nº 10740.720032/201429 Acórdão n.º 3301002.847 S3C3T1 Fl. 2.469 3 mediante a utilização de créditos de COFINS apropriado sobre notas fiscais de empresas de fachada e/ou cerealistas dissimuladas de comercial atacadista, hipótese enquadrada no art. 18, caput e parágrafo 2º da Lei nº 10.833/03, com redação dada pela Lei nº 11.488/07 (multa de 150% calculada sobre as compensações não homologadas, totalizando o valor de R$ 2.530.155,12); (ii) pedido de ressarcimento indeferido ou indevido, hipótese enquadrada nos parágrafos 15 e 16 do art. 74 da Lei nº 9.430/96, introduzido pelo art. 62 c/c o art. 139, inciso I, alínea "d" da Lei nº 12.249/10 (multa de 100% calculada sobre o valor do crédito objeto de pedido de ressarcimento indeferido ou indevido, totalizando R$ 7.948.066,39). Destaquese que o presente auto de infração versa tão somente sobre as referidas multas isoladas, enquanto a cobrança da COFINS decorrente da glosa dos créditos integrais e da respectiva recomposição das bases de cálculo com base no crédito presumido (aquisições de pessoas jurídicas foram consideradas fraudulentas) encontrase consubstanciada em vários outros processos administrativos. Os fundamentos da autuação, bem como da defesa apresentada pelo sujeito passivo, foram muito bem resumidos no relatório constante da r. decisão recorrida, cujo teor transcrevese a seguir: (...). Em ambos os casos o Auto de Infração faz referência ao “Termo de Encerramento de Ação Fiscal nº 031537/2013” (fls. 1.896 a 2.073) no qual a fiscalização informa, em apertada síntese, que a interessada efetuou pedidos de ressarcimento e compensação de créditos de PIS e Cofins derivados da aplicação do regime da incidência nãocumulativa das referidas contribuições, para todos os trimestres do ano de 2011. Em razão da glosa de créditos considerados indevidos e fictícios, foi apurada falta/insuficiência de recolhimento das contribuições o que ensejou o lançamento de ofício tratado no âmbito do processo administrativo nº 10740.720030/201430, já apreciado por esta DRJ. Houve ainda o indeferimento total dos pedidos de ressarcimento e das compensações vinculadas, com exceção do 3º trimestre, para o qual foi reconhecido parte do crédito pleiteado, tanto para o PIS quanto para a Cofins. Para análise dos pedidos de ressarcimento e compensação foram gerados processos específicos para cada tributo e trimestre em análise, também já apreciados por este colegiado. Cientificada em 16/05/2014 a interessada apresentou em 12/06/2014 a impugnação de folhas 2.092 a 2.188, na qual alega, na mesma linha da impugnação nos autos do PAF nº 10740.720030/201430, em resumo, que: ∙ se impõe a nulidade da decisão, pois houve cerceamento do direito de defesa e do contraditório, vez que a autuada não pode participar da produção da prova, o que gera a invalidade do MPF; ∙ a Autoridade Administrativa em momento algum oportunizou à empresa o direito de participar da colheita dos depoimentos prestados pelos produtores rurais, corretores e maquinistas; ∙ o mesmo raciocínio se aplica aos documentos que a Receita diz ter recebido do Ministério Público; ∙ os elementos probatórios trazidos ao processo encaixamse no conceito de prova ilícita, pois a ação penal na qual se encontra vinculada (autos n. 2008.50.05.00538 3) foi trancada, isto é, extinta, por força da decisão proferida no HC nº 2012.02.01.0143115, impetrado diretamente no TRF da 2ª Região; ∙ o direito de crédito decorrente da nãocumulatividade está de acordo com a legislação, pois adquiriu bens de pessoa jurídica domiciliada no País para posterior revenda; Fl. 2469DF CARF MF Impresso em 12/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalment e em 24/03/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalmente em 05/04/2016 por AND RADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 31/03/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS Processo nº 10740.720032/201429 Acórdão n.º 3301002.847 S3C3T1 Fl. 2.470 4 ∙ as aquisições de bens se deram por intermédio de pessoas jurídicas ativas no CNPJ e no Sintegra, com documentos que não foram declarados inidôneos e pagamentos efetuados por meio de transferência bancária; ∙ não há atribuição legal, nem possibilidade de a empresa exportadora verificar a atuação da empresa intermediária, pois tal procedimento cabe à Receita Federal; ∙ as empresas citadas como supostamente laranjas procediam por intermédio de corretores de café, vendendo para todo mercado brasileiro, sendo a Impugnante uma das adquirentes; ∙ ao adquirir ‘café cru em grão’ o revende no mercado externo, em alguns casos, antes da revenda, o rebeneficia, sem o exercício cumulativo das atividades de padronizar, beneficiar, preparar e misturar tipos ou separar por densidade dos grãos; ∙ o adquirente das sociedades cooperativas de produção agropecuária tem direito ao aproveitamento integral dos créditos da contribuição em referência, porque estas não têm direito à manutenção dos créditos ordinários originados da aquisição de bens e serviços; ∙ a cadeia produtiva do café a ser exportado pressupõe três etapas; ∙ na primeira etapa, a venda de café de pessoa física, produtor rural, não há Cofins incidente sobre a venda para cooperativa, mas a venda de pessoa jurídica (cerealista, agropecuária e sociedade cooperativa) para cooperativa de produtos do código NCM 9.01, fazse mediante suspensão da exigibilidade; ∙ o adquirente necessita ter os requisitos apontados na legislação para que a suspensão citada seja aplicável: lucro real, exerça as atividades citadas no §6º do art. 8º, caput, da Lei nº 10.925/2004, e utilização do produto in natura ou insumo na fabricação de produtos classificados no capítulo 9 da NCM; ∙ em virtude da suspensão na etapa anterior sociedades cooperativas de produção agropecuária têm direito ao aproveitamento presumido dos créditos da contribuição, visto que produzem “café cru em grão”; ∙ a sociedade cooperativa de produção agropecuária, inclusive agroindustrial, antes adquirente na 1ª etapa, agora, fornecedora, vende “café cru em grão” beneficiado para empresa exportadora, no caso, a empresa ora impugnante; ∙ nesse caso, a recorrente/adquirente tem direito ao aproveitamento do crédito integral, se a venda decorre de ato nãocooperativo; ∙ se a venda decorre de ato cooperativo, a recorrente/adquirente também tem direito ao aproveitamento do crédito integral, mas a legislação prevê ajuste na base de cálculo; ∙ a autoridade fiscal desconsiderou uma das etapas do processo produtivo do café, mais especificamente, a 2ª etapa; ∙ somente na saída do café in natura, destinado à utilização como insumo de produção do café cru em grão, é obrigatória a suspensão da exigibilidade da Cofins, assim, o aproveitamento do crédito presumido ocorre apenas na segunda etapa, não sendo o caso da impugnante que atua na terceira etapa; ∙ se os fornecedores da impugnante deixaram de recolher tributos ou apresentaram declarações falsas não cabe a esta qualquer responsabilidade; ∙ responsabilidade solidária aplicase somente ao sujeito passivo e decorre sempre de lei, não podendo ser presumida; ∙ a responsabilidade solidária não pode ser presumida, deve ser provada, como não foi provada, a compensação/ressarcimento deve ser deferida; ∙ afigurase ilegal a aplicação da multa de 100% (cem por cento) sobre os pedidos de ressarcimento indeferidos, pois o § 16° do art 74 do Lei n. 9.430/94 estabelece como hipótese de aplicação da penalidade em questão o crédito "obtido", isto é, aquele pago, ressarcido em pecúnia ao contribuinte. Ocorre que, no caso dos autos, a Impugnante sequer foi ressarcida. A autoridade fazendária indeferiu os pedidos de ressarcimento. Nesse contexto, descabe a aplicação do § 16, do art. 74; Fl. 2470DF CARF MF Impresso em 12/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalment e em 24/03/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalmente em 05/04/2016 por AND RADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 31/03/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS Processo nº 10740.720032/201429 Acórdão n.º 3301002.847 S3C3T1 Fl. 2.471 5 ∙ pesam sobre o mesmo fato gerador (pedido de ressarcimento do valor de R$ 1.681.334,37) as elevadíssimas multas de 150% (cento e cinquenta por cento) e 100% (cem por cento), conforme esclarecido nos itens 01 e 02 do auto de infração em decomposição. Tratandose do mesmo fato gerador, a aplicação concomitante de 02 (multas) constitui hipótese de non bis in idem, vedada pelo ordenamento jurídico; ∙ não há prova de dolo, e, além disso, a multa de 150% viola os princípios da proporcionalidade e do nãoconfisco. Ato contínuo, em sessão realizada em 06 de novembro de 2014, os membros da 17ª Turma da DRJ no Rio de Janeiro entenderam por julgar a impugnação improcedente, porém, mantendo o crédito tributário exigido apenas em parte, conforme acórdão a seguir transcrito: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 29/03/2012 a 17/04/2014 MULTA ISOLADA. COMPENSAÇÃO. INDEVIDA. CABÍVEL. Cabível a aplicação da multa isolada sobre o valor total do débito indevidamente compensado. MULTA ISOLADA. RESSARCIMENTO INDEFERIDO. RETROATIVIDADE BENIGNA. O princípio da retroatividade benigna impõe o cancelamento de multa lançada com base em legislação posteriormente alterada no sentido de não mais tratar como infração a conduta apenada. Impugnação Improcedente. Crédito Tributário Mantido em Parte. Intimado quanto ao teor da referida decisão em 11/11/2014, o sujeito passivo apresentou em 09/12/2014, tempestivamente, recurso voluntário. O processo, então, foi encaminhado a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais para fins de análise tanto do recurso voluntário apresentado pelo contribuinte, quanto do recurso de ofício. É o breve relatório. Voto Vencido Conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões: O Recurso Voluntário é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Fl. 2471DF CARF MF Impresso em 12/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalment e em 24/03/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalmente em 05/04/2016 por AND RADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 31/03/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS Processo nº 10740.720032/201429 Acórdão n.º 3301002.847 S3C3T1 Fl. 2.472 6 Quanto ao Recurso Necessário, constatase o seu cabimento na hipótese dos autos. Consoante determina o art. 34 do Decreto nº 70.235/1972, cumulado com a Portaria MF nº 3 de 03 de janeiro de 2008, está sujeita a recurso de ofício a decisão de primeira instância que exonerar o sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa de valor total superior a R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais). É o que se extrai dos dispositivos legais a seguir transcritos: Decreto nº 70.235/1972 Art. 34. A autoridade de primeira instância recorrerá de ofício sempre que a decisão: I exonerar o sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa de valor total (lançamento principal e decorrentes) a ser fixado em ato do Ministro de Estado da Fazenda. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997). Portaria MF nº 3/2008 Art. 1º O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar o sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais). No caso em deslinde, verificase que o sujeito passivo fora exonerado de crédito tributário lançado em maio de 2014 no valor de R$ 7.948.066,39, enquadrandose, portanto, nas hipóteses em que a decisão de primeira instância administrativa precisa ser confirmada por órgão de segunda instância administrativa para que tenha validade. Passase, então, à análise de ambos os recursos. Consoante narrado no relatório acima, o presente auto de infração versa sobre a imposição de duas multas isoladas distintas, consubstanciadas nas seguintes infrações: (i) compensação indevida de valores em PER/DCOMP, mediante a utilização de créditos de COFINS apropriado sobre notas fiscais de empresas de fachada e/ou cerealistas dissimuladas de comercial atacadista, hipótese enquadrada no art. 18, caput e parágrafo 2º da Lei nº 10.833/03, com redação dada pela Lei nº 11.488/07 (multa de 150% calculada sobre as compensações não homologadas, totalizando o valor de R$ 2.530.155,12); (ii) pedido de ressarcimento indeferido ou indevido, hipótese enquadrada nos parágrafos 15 e 16 do art. 74 da Lei nº 9.430/96, introduzido pelo art. 62 c/c o art. 139, inciso I, alínea "d" da Lei nº 12.249/10 (multa de 100% calculada sobre o valor do crédito objeto de pedido de ressarcimento indeferido ou indevido, totalizando R$ 7.948.066,39). Logo, as referidas multas serão tratadas separadamente, por meio dos tópicos I e II, a seguir indicados. I. DA MULTA ISOLADA SOBRE O VALOR DE DÉBITOS INDEVIDAMENTE COMPENSADOS. A primeira multa objeto do auto de infração foi aplicada em razão da compensação indevida de valores em declaração prestada em face da inexistência de saldo de crédito. O fiscal enquadrou a hipótese no art. 18, caput e parágrafo 2º da Lei nº 10.833/03, com redação dada pela Lei nº 11.488/07, in verbis: Fl. 2472DF CARF MF Impresso em 12/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalment e em 24/03/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalmente em 05/04/2016 por AND RADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 31/03/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS Processo nº 10740.720032/201429 Acórdão n.º 3301002.847 S3C3T1 Fl. 2.473 7 Art. 18. O lançamento de ofício de que trata o art. 90 da Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001, limitarseá à imposição de multa isolada em razão de nãohomologação da compensação quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) § 1o Nas hipóteses de que trata o caput, aplicase ao débito indevidamente compensado o disposto nos §§ 6o a 11 do art. 74 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. § 2º A multa isolada a que se refere o caput deste artigo será aplicada no percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicado em dobro, e terá como base de cálculo o valor total do débito indevidamente compensado. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) Os artigos 90 da Medida Provisória nº 2.15835/2001 e 44 da Lei nº 9.4340/1997, assim dispõem: Medida Provisória nº 2.15835/2001 Art. 90. Serão objeto de lançamento de ofício as diferenças apuradas, em declaração prestada pelo sujeito passivo, decorrentes de pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, indevidos ou não comprovados, relativamente aos tributos e às contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal. *** Lei nº 9.430/1996 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Vide Lei nº 10.892, de 2004) (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Vide Lei nº 10.892, de 2004) (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) a) na forma do art. 8o da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007). Ou seja, com base nos dispositivos legais supra transcritos, foi aplicada in casu multa de 150% calculada sobre as compensações não homologadas, totalizando o valor de R$ 2.530.155,12. Fl. 2473DF CARF MF Impresso em 12/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalment e em 24/03/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalmente em 05/04/2016 por AND RADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 31/03/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS Processo nº 10740.720032/201429 Acórdão n.º 3301002.847 S3C3T1 Fl. 2.474 8 Quanto à qualificação da multa de ofício, o fiscal autuante informou ter firmado convicção de que houve atitude dolosa da fiscalizada com o intuito de reduzir o montante devido das suas contribuições sociais, conforme se extrai da passagem do Termo de Encerramento da Ação Fiscal, abaixo transcrito: (...). 8. QUALIFICAÇÃO DA MULTA DE OFÍCIO Em virtude dos fatos narrados e considerando a atitude dolosa da fiscalizada de reduzir o montante devido das contribuições sociais e eximirse do pagamento de tributos, aplicouse a multa de ofício de 150% (cento e cinqüenta por cento) sobre os valores do PIS e da COFINS (item 7.4) lançados de ofício apurados em decorrência de aproveitamento de créditos integrais fictícios originados de notas fiscais de empresas de fachada e cerealistas dissimuladas de comercial atacadista, conforme apontado no item 7.1, e sobre os valores dos débitos compensados indevidamente (item 7.5.a) e 100% (cem por cento por cento) sobre o pedido de ressarcimento indevido (item 7.5.b). Quanto à qualificação da multa de ofício, o art. 44 a Lei n° 9.430, de 27/12/1996, com nova redação dada pelo art. 14, da Lei no 11.488, de 15/06/2007, que dispõe sobre a Legislação Tributária Federal, estabelece: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (...) § 1° O percentual de multa de que trata o inciso I do caput será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis (grifo nosso). Os arts. 71 e 72 da Lei n° 4.502, de 30 de novembro de 1964, definem sonegação e fraudes fiscais: Art. 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art. 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Quis o legislador estabelecer a atitude dolosa como pressuposto dos tipos penais definidos nos arts. 71 e 72 transcritos, os quais, uma vez caracterizados, implicam a majoração da multa de ofício prevista na legislação tributária. O conceito de dolo, para fins de tipificação dos delitos em apreço, encontrase no inciso I, do art. 18 do Código Penal: crime doloso é aquele em que o agente quis o resultado ou assumiu o risco de produzilo. Na seara penal, os incisos I, II e IV, do artigo 1º, e o inciso I, do artigo 2°, da Lei n° 8.137, de 27 de dezembro de 1990, que define os crimes contra a ordem tributária, assim expressam: Art. 1º Constitui crime contra a ordem tributária suprimir ou reduzir tributos, ou contribuição social e qualquer acessório mediante as seguintes condutas: I omitir informação, ou prestar declaração falsa às autoridades fazendárias; Fl. 2474DF CARF MF Impresso em 12/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalment e em 24/03/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalmente em 05/04/2016 por AND RADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 31/03/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS Processo nº 10740.720032/201429 Acórdão n.º 3301002.847 S3C3T1 Fl. 2.475 9 II fraudar a fiscalização tributária, inserindo elementos inexatos, ou omitindo operação de qualquer natureza, em documento ou livro exigido pela lei fiscal. (...) IV – elaborar, distribuir, fornecer, emitir ou utilizar documento que saiba ou deva saber falso ou inexato. Art. 2º Constitui crime da mesma natureza: I fazer declaração falsa ou omitir declaração sobre rendas, bens ou fatos, ou empregar outra fraude, para eximirse, total ou parcialmente, de pagamento de tributo; (...). NICCHIO SOBRINHO utilizou créditos integrais fictícios gerados por empresas de fachada ao longo dos períodos de apuração de 01/01/2011 a 31/12/2011. Aliás, essa prática reiterada vem desde os primórdios da sistemática do PIS/COFINS nãocumulativo, conforme farta documentação apreendida na empresa no curso do cumprimento do mandado de busca e apreensão expedido pela Justiça Federal. Com o uso desse expediente, a fiscalizada lograria êxito em se abster do pagamento do PIS e da COFINS e, em especial, o ressarcimento de créditos indevidos e a homologação das compensações indevidas de débitos, caso não fosse a atuação da administração tributária que, oportuna e tempestivamente, apurou a fraude e constituiu, de ofício, o crédito tributário suprimido/reduzido, não reconheceu integralmente o crédito pleiteado e tampouco homologou as compensações indevidas. Em razão da convicção firmada pela fiscalização quanto à intenção da fiscalizada em reduzir contribuições devidas e se eximir dos tributos devidos por meios defesos em lei contra a ordem tributária, a Lei n° 8.137/90, d e forma inequívoca, evidencia que a prestação de declaração falsa, a inserção de elementos inexatos em livro exigido pela lei fiscal, a utilização de documento que saiba ou deva saber falso ou inexato por si só, bem como empregar outra fraude, para eximirse, total ou parcialmente, de pagamento de tributo, inseremse no contexto de fraude à fiscalização tributária, sendo o tipo doloso. As centenas de registros contábeis referentes à escrituração das notas fiscais de pseudoempresas, bem como a apropriação dos correspondentes créditos sabidamente indevidos, não são meros erros contábeis, mas sim uma fraude de efeitos relevantes para a fiscalizada e para a Fazenda Nacional. NICCHIO SOBRINHO inseriu em seus livros contábeis créditos da não cumulatividade sabidamente inexistentes, fictícios, que resultaram em significativos pedidos de ressarcimento conjugado com compensações de outros tributos/contribuições. Além, da redução do PIS e da COFINS devidos. Essas pseudoempresas atacadistas, figuras apenas formais, foram utilizadas para dissimular as aquisições de café dos produtores rurais e/ou maquinistas pela NICCHIO SOBRINHO, com o único propósito de se apropriar de créditos integrais do PIS e da COFINS nãocumulativos. Ao longo deste Termo de Encerramento de Ação Fiscal, não só se comprovou a existência do esquema e o seu modus operandi como restou demonstrado que os dirigentes da empresa sabiam de tudo: a inserção de empresas de fachada como intermediárias fictícias nas operações de compra e venda de café para a NICCHIO SOBRINHO, a fim de proporcionar à empresa vantagens tributárias de créditos ilícitos do PIS/COFINS. Documentos apreendidos na NICCHIO SOBRINHO no curso da “OPERAÇÃO BROCA” revelaram que a empresa tinha total controle sobre as compras de café, fazendo nítida distinção entre o produtor vendedor e o emitente da nota fiscal (empresa laranja). Por exemplo, As planilhas eletrônicas de “CONTROLE DIÁRIO DE COMPRAS” de café mostram que a NICCHIO SOBRINHO agia de forma sistemática ao identificar os nomes dos produtores e/ou maquinistas que Fl. 2475DF CARF MF Impresso em 12/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalment e em 24/03/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalmente em 05/04/2016 por AND RADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 31/03/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS Processo nº 10740.720032/201429 Acórdão n.º 3301002.847 S3C3T1 Fl. 2.476 10 venderam o café para a NICCHIO SOBRINHO – e as respectivas empresas de fachada que apenas foram utilizadas como intermediárias fictícias. Isso está perfeitamente descortinado nas planilhas intituladas “CONTROLE DIÁRIO DE COMPRAS” de café que eram anexadas aos emails de EDSON BORTOLOZZO para os dirigentes da empresa: SÉRGIO NICCHIO, JORGE NICCHIO e MAXWEL NICCHIO. Os diálogos estabelecidos por MSN entre a CLONAL CORRETORA, de Edson Antônio Pancieri Filho, e EDSON BORTOLOZZO, da NICCHIO SOBRINHO, retratam com fidedignidade o modo de operar dos agentes que atuavam no mercado de compra e venda de café. Mostram que BORTOLOZZO participava ativamente das negociações. Todavia, as compras de produtores/maquinistas eram guiadas em nome de empresas de fachada. Em resumo, foram apuradas as seguintes condutas na NICCHIO SOBRINHO: a) prestar declaração falsa às autoridades fazendárias e fraudar a fiscalização tributária, inserindo elementos inexatos em documento ou livro exigido pela lei fiscal : contabilizou e também informou nos Demonstrativos de Apuração das Contribuições Socias créditos integrais fictícios decorrentes da aquisição de café para revenda; b) Utilizar documento que saiba ou deva saber falso ou inexato: as notas fiscais emitidas pelas pseudoempresas atacadistas são ideologicamente falsas e foram interpostas nas operações de compra de café de produtores rurais/maquinistas, com o objetivo de gerar créditos integrais de PIS e da COFINS para a NICCHIO SOBRINHO; c) Empregar outra fraude, para eximirse, total ou parcialmente, de pagamento de tributo: Esses créditos ilícitos geraram pedidos de ressarcimento e compensação com outros tributos. Considerando, em tese, a presença de crime contra ordem tributária e ainda a figura da sonegação, está demonstrado o intuito fraudulento do contribuinte em reduzir o montante devido das contribuições sociais e eximirse do pagamento de tributos, o que enseja a exasperação da multa. Ato contínuo, a decisão de primeira instância administrativa assim se manifestou: MULTA ISOLADA. COMPENSAÇÃO. INDEVIDA. CABÍVEL. Cabível a aplicação da multa isolada sobre o valor total do débito indevidamente compensado. Ao analisar o caso e a legislação aplicável, constatase de pronto que a imposição de tal multa neste caso concreto requer um pressuposto indispensável: a existência de débitos indevidamente compensados. Verificouse, de outro norte, que a matéria principal desta demanda foi analisada nos autos do Processo nº 10740.720030/201430, em sessão de julgamento realizada no dia 26 de janeiro de 2016, cuja ementa segue abaixo transcrita: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2012 Ementa: AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS. SIMULAÇÃO DE OPERAÇÃO COM PESSOA JURÍDICA. GLOSA DO CRÉDITO BÁSICO. APROVEITAMENTO NO PERCENTUAL REDUZIDO DO CRÉDITO PRESUMIDO. Fl. 2476DF CARF MF Impresso em 12/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalment e em 24/03/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalmente em 05/04/2016 por AND RADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 31/03/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS Processo nº 10740.720032/201429 Acórdão n.º 3301002.847 S3C3T1 Fl. 2.477 11 Comprovada pela fiscalização a existência de simulação, praticada mediante a interposição de pessoas jurídicas que aparentavam comprar e revender café, mas apenas emitiam documentos fiscais destinados a gerar créditos artificiais de PIS e Cofins ao adquirente do produto, exigese deste a diferença nos valores devidos das contribuições sociais não cumulativas, apurada mediante a glosa do crédito básico, próprio de aquisições de pessoas jurídicas, e aproveitamento no percentual reduzido do crédito presumido, aplicável às aquisições de pessoas físicas. Embora não tenha constado do acórdão acima transcrito, foi exigido no Processo nº 10740.720030/201430, além do valor das diferenças a título de PIS e COFINS identificadas em razão do indeferimento dos pedidos de compensação/ressarcimento, multa qualificada no percentual de 150%. É o que se extrai do relatório constante da decisão proferida naqueles autos: Trata o processo de autos de infração por falta/insuficiência de recolhimento de PIS/Cofins, decorrente da glosa de créditos considerados indevidos e fictícios, derivados da aplicação do regime da incidência não cumulativa das referidas contribuições. Em relação à Cofins, o crédito tributário foi constituído no valor total de R$ 5.184.661,00, incluindo juros de mora e multa qualificada de 150%; e, relativamente ao PIS, no valor total de R$ 1.125.617,15, incluindo juros de mora e multa qualificada de 150%. Consta na autuação como base legal do lançamento da Cofins a Lei nº 10.833/03, artigos 1º, 3º e 5º; e da multa, o art. 10, parágrafo único da Lei Complementar nº 70/91; e art. 44, inciso I (II) e § 1º, da Lei nº 9.430/96; enquanto o cálculo dos juros teve por base o art. 61, § 3º da Lei nº 9.430/96. Em passagem do seu voto, ao tratar especificamente sobre a imposição de tal multa qualificada a Relatora assim se manifestou: "8 Da indevida aplicação da multa de 75% (art. 44 da Lei n. 9.430/96) e 150% (§§ 16 do art. 74 da Lei n. 9.430/96) sobre o pedido de ressarcimento e compensação indevido/indeferido. Aplicação do princípio da proibição do non bis in idem. Incidência do princípio da proibição do confisco." Sustenta a recorrente que teria havido bis in idem na exigência concomitante da multa qualificada prevista no art. 44 da Lei n. 9.430/96 e daquela prevista no do art. 74 da Lei nº 9.430/96, na redação vigente à época dos fatos, exigida em outro processo. No entanto, são multas que tutelam bens completamente distintos, não havendo que se falar em bis in idem. A primeira é aplicável em face da falta de recolhimento espontâneo pela contribuinte e a segunda em face do pedido de ressarcimento indevido, sendo que ambas foram qualificadas em face da fraude. Não pode ser conhecida no presente processo a alegação de inconstitucionalidade da punição pelo pedido incorreto de ressarcimento ou de compensação, vez que a referida multa é objeto de exigência em outro processo administrativo, no qual a recorrente teve ou terá a oportunidade de apresentar a sua defesa. Por fim, também não pode ser conhecido o argumento da recorrente de lesão ao princípio constitucional do não confisco em face da aplicação da multa de ofício qualificada. No caso, verificar a eventual existência de Fl. 2477DF CARF MF Impresso em 12/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalment e em 24/03/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalmente em 05/04/2016 por AND RADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 31/03/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS Processo nº 10740.720032/201429 Acórdão n.º 3301002.847 S3C3T1 Fl. 2.478 12 confisco seria equivalente a reconhecer a inconstitucionalidade da multa, o que é vedado a este Conselho, salvo nas hipóteses autorizadas pelo seu Regimento Interno. O entendimento no sentido de que descabe ao julgador administrativo examinar alegação de inconstitucionalidade consta, inclusive, da Súmula no 2 do Carf, aprovada pelo Pleno e pelas Turmas da CSRF, nas sessões realizadas em 8 de dezembro de 2009 e 29 de novembro de 2010, divulgada pela Portaria Carf no 52, de 2010: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Ou seja, restou julgado no referido processo que as compensações realizadas pelo contribuinte foram indevidas e que houve simulação, praticada mediante a interposição de pessoas jurídicas, pelo que restaram mantidas as diferenças apuradas pela fiscalização, bem como a imposição da multa qualificada no percentual de 150%. Diante de tal julgamento, não cabe à presente Turma Ordinária, nesta oportunidade, analisar novamente esta matéria de fundo, limitandose à análise do cabimento da imposição da multa isolada aqui aplicada, em razão da compensação já definida como indevida. À primeira vista, verificase que tal cobrança possui previsão legal, consoante se extrai das leitura dos dispositivos legais reproduzidos no início do presente tópico, os quais permanecem em vigor. Cumpre, então, verificar se a cobrança realizada nos moldes indicados no auto de infração aqui analisado deverá subsistir. Consoante acima analisado, a exigência imposta encontra subsídio no art. 18, caput e parágrafo 2º da Lei nº 10.833/03, com redação dada pela Lei nº 11.488/07, cujo teor abaixo se transcreve: Art. 18. O lançamento de ofício de que trata o art. 90 da Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001, limitarseá à imposição de multa isolada em razão de nãohomologação da compensação quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo. Ou seja, a legislação dispõe que o lançamento de ofício constante do art. 90 da MP 2.15835/2001 limitarseá à imposição de multa isolada. Acontece que, no caso destes autos, o lançamento de ofício realizado pela fiscalização não se limitou à imposição da multa isolada. Ao contrário, exigiu tanto a multa isolada, quanto as diferenças identificadas após o indeferimento dos pedidos de compensação, acrescida de multa qualificada (vide processo nº 10740.720030/201430). Nesse contexto, entendo que a fiscalização tinha duas vias a seguir: (i) ou entendia pela falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo, limitandose a exigir a multa isolada disposta no art. 18 acima transcrito; ou (ii) levantava os valores correspondente às diferenças identificadas, exigindoas com o acréscimo das multas aplicáveis. Não poderia exigir as duas multas. Até porque, verificase que a imposição da multa isolada objeto dos presentes autos, no alto percentual de 150% sobre o valor do débito indevidamente compensado, quando também houve a imposição de multa qualificada neste mesmo percentual nos autos do processo Fl. 2478DF CARF MF Impresso em 12/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalment e em 24/03/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalmente em 05/04/2016 por AND RADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 31/03/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS Processo nº 10740.720032/201429 Acórdão n.º 3301002.847 S3C3T1 Fl. 2.479 13 nº 10740.720030/201430, representa cobrança deveras onerosa para o contribuinte, representando percentual correspondente a 300% sobre o mesmo valor (crédito indevidamente compensado). Ainda que a primeira multa seja aplicável em razão de pedido de compensação não homologado, ao passo que a segunda em face da falta de recolhimento espontâneo, tais cobranças são realizadas com base no mesmo montante (notese que ambas as multas fundamentamse no art. 44, inciso I e parágrafo 1º da Lei nº 9.430/1996). Logo, entendo insubsistente a cobrança em duplicidade realizada pela fiscalização, tornandose imperativa a imposição da multa objeto dos presentes autos. Outrossim, é importante que se destaque que não se está afastando a aplicação de dita norma sob o fundamento de inconstitucionalidade, o que encontraria óbice na súmula nº 02 do CARF. Estáse, em verdade, constatando que o referido art. 18 apenas seria aplicável em hipótese em que o lançamento de ofício se limitasse à imposição de multa isolada, o que não é o caso dos autos. Logo, inaplicável dito dispositivo legal pela sua própria redação. Pelas razões acima expostas, entendo por dar provimento ao Recurso Voluntário do contribuinte, para fins de afastar a multa aplicada em razão dos pedidos de compensação não homologados. II. DA MULTA ISOLADA SOBRE O VALOR DO RESSARCIMENTO INDEFERIDO OU INDEVIDO. A segunda multa objeto do auto de infração foi aplicada em razão de pedido de ressarcimento indeferido ou indevido. Em tal caso, o fiscal enquadrou a infração nos parágrafos 15 e 16 do art. 74 da Lei nº 9.430/96, introduzido pelo art. 62 c/c o art. 139, inciso I, alínea "d" da Lei nº 12.249/10, cujo teor abaixo se transcreve: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (...). § 15. Será aplicada multa isolada de 50% (cinquenta por cento) sobre o valor do crédito objeto de pedido de ressarcimento indeferido ou indevido. (Incluído pela Lei nº 12.249, de 2010); § 16. O percentual da multa de que trata o § 15 será de 100% (cem por cento) na hipótese de ressarcimento obtido com falsidade no pedido apresentado pelo sujeito passivo. (Incluído pela Lei nº 12.249, de 2010) Ou seja, foi aplicada multa de 100% calculada sobre o valor do crédito objeto de pedido de ressarcimento indeferido ou indevido, totalizando o valor de R$ 7.948.066,39. Quanto ao presente tópico, como bem identificou o Relator da decisão de primeira instância administrativa, verificase que o crédito tributário indicado no auto de infração deverá ser exonerado. Isso porque, como é cediço, o art. 106, inciso II, alínea "a" do Código Tributário Nacional determina de forma expressa que, tratandose de ato não definitivamente Fl. 2479DF CARF MF Impresso em 12/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalment e em 24/03/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalmente em 05/04/2016 por AND RADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 31/03/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS Processo nº 10740.720032/201429 Acórdão n.º 3301002.847 S3C3T1 Fl. 2.480 14 julgado, a lei aplicase a ato ou fato pretérito quando deixe de definilo como infração. Transcrevese a seguir o teor do referido dispositivo legal: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (Grifos apostos). Na hipótese em análise, o auto de infração impôs ao contribuinte, em razão do indeferimento de determinados pedidos de ressarcimento eletrônicos apresentados, a penalidade descrita no parágrafo 16 do art. 74 da Lei nº 9.430/1996, incluído pelo art. 62 da Lei nº 12.249/2010. Ocorre que o referido parágrafo fora revogado pela Medida Provisória nº 656 de 07 de outubro de 2014, in verbis: Art. 56. Ficam revogados: I imediatamente, os arts. 44 a 53 da Lei nº 4.380, de 21 de agosto de 1964, o art. 28 da Lei nº 10.150, de 21 de dezembro de 2000, e os §§ 15 e 16 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996; e II a partir da data de entrada em vigor da regulamentação de que trata o inciso III do § 2º do art. 52, o § 2º do art. 18 e o art.18A da Lei nº 8.177, de 1º de março de 1991. Em 30 de janeiro de 2015, tal revogação foi tratada também pela Medida Provisória nº 668/2015, que assim dispôs: Art. 4º Ficam revogados: I os arts. 44 a 53 da Lei nº 4.380, de 21 de agosto de 1964; II os §§ 15 e 16 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996; Por fim, esta última Medida Provisória foi convertida na Lei nº 13.137 de 19 de junho de 2015, a qual confirmou dita revogação por meio do dispositivo abaixo transcrito: Art. 27. Ficam revogados: I os arts. 44 a 53 da Lei no 4.380, de 21 de agosto de 1964; II os §§ 15 e 16 do art. 74 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Fl. 2480DF CARF MF Impresso em 12/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalment e em 24/03/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalmente em 05/04/2016 por AND RADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 31/03/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS Processo nº 10740.720032/201429 Acórdão n.º 3301002.847 S3C3T1 Fl. 2.481 15 Ou seja, a penalidade indicada no auto de infração (100% sobre o valor do crédito objeto de pedido de ressarcimento indeferido ou indevido) não mais existe no ordenamento jurídico pátrio (parágrafos 15 e 16 do art. 74 da Lei nº 9.430/1996 revogados pela MP nº 656/2014 e normas subsequentes), tendo deixado de definir o ato ou fato pretérito (indeferimento de pedidos de ressarcimento) como infração passível de imposição da multa em questão. Logo, a superveniência de dispositivo legal que deixa de definir como infração a hipótese fática descrita no lançamento impõe o cancelamento da sanção punitiva anteriormente aplicada. Nesse contexto, entendo que se apresenta irretocável a decisão de primeira instância administrativa, que, acolhendo o princípio da retroatividade benéfica, entendeu por exonerar o crédito tributário objeto destes autos em sua integralidade. Isso porque, tratandose de ato não definitivamente julgado, cuja conduta a lei nova passou a não mais penalizar, não há como se manter a exação outrora lançada, inclusive em atendimento ao disposto no art. 106, II, "a" do Código Tributário Nacional. Da conclusão Por todo o exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso de Ofício e dar provimento ao Recurso Voluntário do contribuinte, para fins de: (i) quanto à multa isolada aplicada sobre o valor de débitos indevidamente compensados (tópico I supra), reformar a decisão recorrida, para fins de exonerar o crédito tributário relativo à tal multa isolada imposta; (i) quanto à multa isolada aplicada sobre os pedidos de ressarcimento indeferidos ou indevidos (tópico II acima), manter a decisão de primeira instância administrativa que afastou a penalidade imposta com fundamento nos parágrafos 15 e 16 do art. 74 da Lei nº 9.430/96, introduzido pelo art. 62 c/c o art. 139, inciso I, alínea "d" da Lei nº 12.249/10, para fins de exonerar o crédito tributário relativo à tal multa, diante da revogação do dispositivo legal que impunha tal penalidade. Maria Eduarda Alencar Câmara Simões Relatora (ASSINADO DIGITALMENTE) MARIA EDUARDA ALENCAR CÂMARA SIMÕES Fl. 2481DF CARF MF Impresso em 12/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalment e em 24/03/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalmente em 05/04/2016 por AND RADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 31/03/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS Processo nº 10740.720032/201429 Acórdão n.º 3301002.847 S3C3T1 Fl. 2.482 16 Voto Vencedor Em relação à multa isolada aplicada sobre o valor de débitos indevidamente compensados, divirjo da relatora. Entendo que não há previsão legal para que tal multa seja exonerada. A legislação ao tempo da lavratura do auto de infração era a seguinte: Lei nº 10.833/2003: Art. 18. O lançamento de ofício de que trata o art. 90 da Medida Provisória no2.15835, de 24 de agosto de 2001, limitarseá à imposição de multa isolada em razão de nãohomologação da compensação quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo.(Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) § 1º Nas hipóteses de que trata o caput, aplicase ao débito indevidamente compensado o disposto nos§§ 6oa 11 do art. 74 da Lei no9.430, de 27 de dezembro de 1996. § 2º A multa isolada a que se refere o caput deste artigo será aplicada no percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei no9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicado em dobro, e terá como base de cálculo o valor total do débito indevidamente compensado.(Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) § 3o Ocorrendo manifestação de inconformidade contra a não homologação da compensação e impugnação quanto ao lançamento das multas a que se refere este artigo, as peças serão reunidas em um único processo para serem decididas simultaneamente. Lei nº 9.430/96, art. 74: (...) § 17. Aplicase a multa prevista no § 15, também, sobre o valor do crédito objeto de declaração de compensação não homologada, salvo no caso de falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo. (Incluído pela Lei nº 12.249, de 11 de junho de 2010) (Vide Lei nº 12.249/2010, art. 139, inc I, d) (...) Há retroatividade benigna incontroversa em relação a aplicação de multa isolada sobre os ressarcimentos indevidos. Como bem dito no acórdão recorrido, quanto à compensações não homologadas a penalidade continua em vigor, pois § 17 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de Fl. 2482DF CARF MF Impresso em 12/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalment e em 24/03/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalmente em 05/04/2016 por AND RADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 31/03/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS Processo nº 10740.720032/201429 Acórdão n.º 3301002.847 S3C3T1 Fl. 2.483 17 dezembro de 1996, teve apenas sua redação aperfeiçoada, sem alteração no sentido de atenuá la ou agravála. Assim, as multas isoladas aplicadas em relação às compensações não homologadas devem ser mantidas. Quanto ao alegado teor confiscatório encontrado na multa lançada de 150%, em suposta afronta ao inciso IV, art. 150, da CF/88, é de se destacar que não cabe, em sede de contencioso administrativo, analisar argüições de inconstitucionalidades de lei tributária com o fito de afastar sua incidência. De qualquer forma, resta notar que o apenamento lançado no presente feito está expressamente estabelecido no § 2º do artigo 18 da Lei 10.833, de 2003, já trancrito. Ademais, lembro que não há como, in casu, se argüir afronta à Constituição Federal dado que o referido artigo 150, da CF, diz respeito à vedação de se utilizar tributo com efeito de confisco, ao passo que aqui se trata de cominação infracional. A impossibilidade da análise de inconstitucionalidade, inclusive, é sumulada pelo CARF: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Por todos os fundamentos expostos, voto por negar provimento ao recurso voluntário, quanto a imposição da multa isolada aplicada sobre o valor de débitos indevidamente compensados. Conselheiro Luiz Augusto do Couto Chagas (ASSINADO DIGITALMENTE) LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS Fl. 2483DF CARF MF Impresso em 12/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalment e em 24/03/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalmente em 05/04/2016 por AND RADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 31/03/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS
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Numero do processo: 19740.000406/2008-12
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 27 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Mar 30 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1995 a 01/02/2000
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. LANÇAMENTO DECLARADO NULO. LANÇAMENTO SUBSTITUTIVO OU NOVO LANÇAMENTO.
A reabertura do prazo para a feitura de um novo lançamento destina-se apenas a permitir que seja sanada a nulidade do lançamento anterior, mas não autoriza um lançamento diverso, abrangente do que não estava abrangido no anterior. Assim, o novo lançamento, de caráter substitutivo, que se faz em decorrência do lançamento anterior, anulado por vício formal, não pode trazer inovações materiais, mas apenas corrigir o vício apontado.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2202-003.126
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso para reconhecer a decadência do direito de constituir novo lançamento, vencido o Conselheiro EDUARDO DE OLIVEIRA (Relator), que negou provimento. O Conselheiro MÁRCIO HENRIQUE SALES PARADA foi designado para redigir o voto vencedor.
Assinado digitalmente
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente
Assinado digitalmente
Eduardo de Oliveira Relator
Assinado digitalmente
Marcio Henrique Sales Parada Redator designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Junia Roberta Gouveia Sampaio, Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro, Eduardo de Oliveira, Jose Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado), Wilson Antonio de Souza Correa (Suplente Convocado), Martin da Silva Gesto e Marcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: EDUARDO DE OLIVEIRA
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REMUNERAÇÃO DE SEGURADOS. PARCELAS DESCONTADAS DOS SEGURADOS. Recorrente BOLSA DE VALORES DO RIO DE JANEIRO E OUTRO. Recorrida FAZENDA NACIONAL. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1995 a 01/02/2000 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. LANÇAMENTO DECLARADO NULO. LANÇAMENTO SUBSTITUTIVO OU NOVO LANÇAMENTO. A reabertura do prazo para a feitura de um novo lançamento destinase apenas a permitir que seja sanada a nulidade do lançamento anterior, mas não autoriza um lançamento diverso, abrangente do que não estava abrangido no anterior. Assim, o novo lançamento, de caráter substitutivo, que se faz em decorrência do lançamento anterior, anulado por vício formal, não pode trazer inovações materiais, mas apenas corrigir o vício apontado. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso para reconhecer a decadência do direito de constituir novo lançamento, vencido o Conselheiro EDUARDO DE OLIVEIRA (Relator), que negou provimento. O Conselheiro MÁRCIO HENRIQUE SALES PARADA foi designado para redigir o voto vencedor. Assinado digitalmente Marco Aurélio de Oliveira Barbosa –Presidente Assinado digitalmente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 74 0. 00 04 06 /2 00 8- 12 Fl. 264DF CARF MF Impresso em 30/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 24 /03/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEI RA, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 19740.000406/200812 Acórdão n.º 2202003.126 S2C2T2 Fl. 265 2 Eduardo de Oliveira – Relator Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada – Redator designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Junia Roberta Gouveia Sampaio, Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro, Eduardo de Oliveira, Jose Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado), Wilson Antonio de Souza Correa (Suplente Convocado), Martin da Silva Gesto e Marcio Henrique Sales Parada. Relatório O presente Processo Administrativo Fiscal – PAF encerra o Auto de Infração de Obrigação Principal – AIOP DEBCAD 37.179.5567, que objetiva o lançamento da contribuição social previdenciária, decorrente da remuneração paga, devida ou creditada aos trabalhadores da categoria de empregados – parte descontada dos trabalhadores, conforme Relatório Fiscal do Processo Administrativo Fiscal – PAF, de fls. 68 a 74, com período de apuração de 01/1995 a 01/2000, conforme Termo de Início de Ação Fiscal – TIAF, de fls. 56 e 57. O sujeito passivo foi cientificado do lançamento, em 01/09/2008, conforme Folha de Rosto do Auto de Infração de Obrigação Principal – AIOP, fls. 01. Consta, as fls. 85, Termo de Juntada de Processo por Apensação, o qual informa a juntada por apensação desse processo ao processo 19740.000407/200867, ocorrida, em 19/09/2008. O despacho, de fls. 86, informa a cientificação do contribuinte solidário por meio de Edital, constando este, as fls. 88. O contribuinte apresentou sua defesa/impugnação, petição com razões impugnatórias, acostadas, as fls. 89 a 112, recebida, em 14/10/2008, conforme carimbo de recepção, de fls. 89, estando acompanhada dos documentos, de fls. 113 a 190; 193 a 206. A impugnação foi considerada tempestiva, fls. 208. O órgão julgador de primeiro grau emitiu o Acórdão Nº 1226.876 13ª, Turma DRJ/RJ1, em 28/10/2009, fls. 216 a 226. A impugnação foi considerada procedente em parte. O crédito foi retificado pelo Discriminativo Analítico de Débito Retificado – DADR, de fls. 227 e 228. O contribuinte foi cientificado desse decisório, em 08/09/2011, conforme AR, de fls. 233. Fl. 265DF CARF MF Impresso em 30/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 24 /03/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEI RA, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 19740.000406/200812 Acórdão n.º 2202003.126 S2C2T2 Fl. 266 3 Irresignado o contribuinte impetrou Recurso Voluntário, petição de interposição com razões recursais, as fls. 236 a 247, remetido via postal, conforme envelope, de fls. 234, postado, em 29/09/2011, acompanhado dos documentos, de fls. 248 e 249. As razões recursais são as que a seguir constam de forma sumariada. Mérito. · que o presente lançamento é substitutivo e visa substituir a NFLD nº 35.005.8423/2000, declarada nula pelo CRPS, em razão de vício formal, sendo que no curso do contencioso fiscal, o fisco promoveu diversas retificações no lançamento, tendo sido a declaração de nulidade promovida sobre o débito retificado, devendo ser sobre esse resultado gerada as repercussões e demais efeitos jurídicos; · que o lançamento substitutivo deve ter limites, nos parâmetros intrínsecos do lançamento anulado, o crédito único outrora lançado foi subdividido em doze novos autos de infração, envolvendo seis prestadoras, com distintos créditos para parte patronal e SAT, bem como para segurados, sendo vedado que o novo lançamento tenha características distintas do substituído, não podendo o agente fiscal se valer de critérios fiscais diversos, apurando bases de cálculo diferenciadas, pois isso seria novo lançamento e não lançamento substitutivo, sendo que para tanto o lançamento substitutivo deve contemplar apenas a retificação do erro formal, qual seja a inclusão no Fundamentos Legais do Débitos – FLD da fundamentação da aferição indireta, artigo 33, §3º, da Lei 8.212/91, não sendo possíveis inovações que extrapolem os limites e parâmetros do lançamento anulado, não ostentando o presente lançamento a característica de substitutivo, pois os critérios fiscais de sua materialização, diferem da efetiva realidade do anulado; · que as bases de cálculo lançadas na notificação anulada, após retificações restou consubstanciada em R$ 0,00 para a competência 08/1998, mas no atual lançamento ela é de R$ 12.180,03, ocorrendo o mesmo para as competências 01/1998 a 07/1998; 09/1998 a 01/1999, com a consequente cobranças de contribuições distintas e com patamares diversos, tendo sido lançadas, também, competências que não constavam do lançamento originário 01/1998 a 01/1999, o que configura novo lançamento, uma vez que a existência de vício formal, enseja apenas a correção do vício para que se tenha um lançamento substitutivo e não um novo lançamento como no caso, com novas conclusões fiscais, períodos e bases de cálculo; · que o novo lançamento não ostentando a característica de substitutivo, não pode se valer do prazo do artigo 173, II, do CTN e em assim sendo operouse a decadência das contribuições tanto pelo artigo 150, § 4º, como pelo artigo 173, I, aplicandose a SV nº 08 STF; Fl. 266DF CARF MF Impresso em 30/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 24 /03/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEI RA, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 19740.000406/200812 Acórdão n.º 2202003.126 S2C2T2 Fl. 267 4 · que pela eventualidade caso não sejam as razões anteriormente expostas acolhidas, verificase que a decadência operouse, ainda, pela aplicação do artigo 173, II, pois a anulação deuse em 2005, assim o fisco só poderia constituir o crédito de 2000 em diante, considerandose a aplicação ao artigo 173, II c/c a SV nº 08 STF, mas tal só de daria se o lançamento fosse verdadeiramente substitutivo, o que não ocorre nos presentes autos; · Requer o contribuinte: a) recebimento e processamento do recurso; b) que a exigibilidade do crédito seja suspensa, artigo 151, III, do CTN; c) decretação de improcedência do lançamento. A autoridade preparadora reconheceu a tempestividade do recurso, fls. 250. Os autos foram remetidos ao CARF/MF, despacho de fls. 250. Consta, as fls. 262, Termo de Apensação (2), o qual informa a juntada por apensação desse processo ao processo 19740.000407/200867, ocorrida, em 24/05/2012. Isso já havia ocorrido em outra data, conforme, fls. 85. O presente processo fora distribuído inicialmente a outro Conselheiro, todavia ante a renúncia de seu mandato os autos foram redistribuídos. Os autos foram sorteados e distribuídos a esse conselheiro, em 09/10/2014, Lote 03. É o Relatório. Voto Vencido Conselheiro Eduardo de Oliveira relator. O recurso voluntário é tempestivo e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade ele merece ser apreciado. A questão da suspensão da exigibilidade não é competência do CARF, tal evento deve ser dar de forma automática, assim que a autoridade competente registrar a apresentação de reclamações/impugnações/recursos administrativo, artigo 151, III, da Lei 5.172/66, devendo ser perquirida junto à autoridade local da DRF circunscricionante do contribuinte, pois é ela quem deve promover o controle dessa situação. O presente PAF incorpora demanda muito simples a questão a saber e a definir é a seguinte, quando um lançamento fiscal é anulado por vício formal, na constituição do novo lançamento pode o fisco alterar os critérios objetivos do lançador anterior, ou seja, aquele que foi anulado ou deve o fisco se limitar exatamente ao que era existente no lançamento anterior e apenas copiálo, expurgando sem repetir no novo lançamento, isto é, no pretenso lançamento substitutivo o vício formal reconhecido na decisão administrativa anulatória do antecedente. Fl. 267DF CARF MF Impresso em 30/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 24 /03/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEI RA, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 19740.000406/200812 Acórdão n.º 2202003.126 S2C2T2 Fl. 268 5 O recurso do contribuinte, embora traga um série de explicações, esclarecimentos e argumentos, cingese a tese da inexistência de lançamento substitutivo, mas sim a de um novo lançamento, que não poderia aproveitar o prazo do artigo 173, II, da Lei 5.172/66 e assim todas as competências lançadas estariam decadentes, pois estas se referem ao período de 01/1998 a 01/1999 e somente teriam sido lançadas em, 01/09/2008, independentemente da regra de decadência a ser aplicada, artigo 150, §4º ou 173, I, ambos, da Lei 5.172/66. Todavia, não compartilho do entendimento do contribuinte, pois dizer que o fisco ao promover o relançamento de um crédito anulado, por vício formal, seja sob a denominação de lançamento substitutivo ou novo lançamento, tal situação impede que o fisco ponha em uso o seus poderes de fiscalização e que faça novas exigências e averiguações junto ao contribuinte é tolir a atividade estatal fiscal, sem que haja comando legal que assim o determine. A artigo 144, parágrafo 1º, da Lei 5.172/66, diz o que a seguir se transcreve. Art. 144. O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. § 1º Aplicase ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliado os poderes de investigação das autoridades administrativas, ou outorgado ao crédito maiores garantias ou privilégios, exceto, neste último caso, para o efeito de atribuir responsabilidade tributária a terceiros. Encampar a ideia da recorrente é o mesmo que dizer que o fisco não poderia se utilizar dessa regra, quando um lançamento é anulado por vício formal e outro deva ser lançado em seu lugar. E não é só o artigo 195, do citado diploma legal, diz. Art. 195. Para os efeitos da legislação tributária, não têm aplicação quaisquer disposições legais excludentes ou limitativas do direito de examinar mercadorias, livros, arquivos, documentos, papéis e efeitos comerciais ou fiscais, dos comerciantes industriais ou produtores, ou da obrigação destes de exibilos. Ou seja, o fisco tem o deverpoder de examinar todos os efeitos negociais ou não do contribuinte no curso do procedimento fiscal. Mas, não se para por aí, o lançamento é direito potestativo do fisco e cabe apenas a ele fisco desenvolver as atividades do procedimento fiscal e da forma que melhor couber para atingir ao se desiderato. De outro lado, ressaltase, também, que o lançamento tributário, na modalidade de ofício, é direito potestativo do fisco e o contribuinte não tem participação em sua produção, assim diz a lei, a jurisprudência e a doutrina, veja as transcrições abaixo. Fl. 268DF CARF MF Impresso em 30/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 24 /03/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEI RA, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 19740.000406/200812 Acórdão n.º 2202003.126 S2C2T2 Fl. 269 6 Lei 5.172/66 Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ERRO MATERIAL. PIS. OMISSÃO DE RECEITA OPERACIONAL. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. DECADÊNCIA. ATO FINAL. LAVRATURA DO AUTO DE INFRAÇÃO E NOTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. 1. Nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, quando o sujeito passivo omitese no cumprimento dos deveres que lhe foram legalmente atribuídos, deve a autoridade fiscal proceder ao lançamento de ofício (CTN, art. 149), iniciandose o prazo decadencial de cinco anos no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido feito (art. 173, I, do CTN). 2. Se a Fazenda Pública notifica o contribuinte do auto de infração no prazo de cinco anos a que alude o art. 173, I, do CTN, não há que se falar em decadência do direito à constituição do crédito tributário. 3. O direito de lançar é potestativo. Logo, iniciado o procedimento fiscal com a lavratura do auto de infração e a devida ciência do sujeito passivo da obrigação tributária no prazo legal, desaparece o prazo decadencial. 4. Súmula TFR 153: "Constituído, no qüinqüênio, através de auto de infração ou notificação de lançamento, o crédito tributário, não há que se falar em decadência, fluindo, a partir daí, em princípio, o prazo prescricional, que, todavia, fica em suspenso, até que sejam decididos os recursos administrativos". 5. Embargos de declaração acolhidos com efeitos infringentes, para dar provimento ao recurso especial. (EDRESP 200900655845, CASTRO MEIRA, STJ SEGUNDA TURMA, 14/02/2011) PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. MATÉRIA DECIDIDA NO RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA N° 973.733/SC. ARTIGO 543C, DO CPC. PRESCRIÇÃO DO DIREITO DE COBRANÇA JUDICIAL PELO FISCO. PRAZO QÜINQÜENAL. TRIBUTO SUJEITO À LANÇAMENTO POR Fl. 269DF CARF MF Impresso em 30/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 24 /03/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEI RA, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 19740.000406/200812 Acórdão n.º 2202003.126 S2C2T2 Fl. 270 7 HOMOLOGAÇÃO. OCORRÊNCIA. 1. O Código Tributário Nacional, ao dispor sobre a decadência, causa extintiva do crédito tributário, assim estabelece em seu artigo 173: "Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento." 2. A decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, quais sejam: (i) regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado; (ii) regra da decadência do direito de lançar nos casos em que notificado o contribuinte de medida preparatória do lançamento, em se tratando de tributos sujeitos a lançamento de ofício ou de tributos sujeitos a lançamento por homologação em que inocorre o pagamento antecipado; (iii) regra da decadência do direito de lançar nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação em que há parcial pagamento da exação devida; (iv) regra da decadência do direito de lançar em que o pagamento antecipado se dá com fraude, dolo ou simulação, ocorrendo notificação do contribuinte acerca de medida preparatória; e (v) regra da decadência do direito de lançar perante anulação do lançamento anterior (In: Decadência e Prescrição no Direito Tributário, Eurico Marcos Diniz de Santi, 3ª Ed., Max Limonad, págs. 163/210). 3. A Primeira Seção, quando do julgamento do REsp 973.733/SC, sujeito ao regime dos recursos repetitivos, reafirmou o entendimento de que " o dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). (Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em FALTA O Fl. 270DF CARF MF Impresso em 30/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 24 /03/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEI RA, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 19740.000406/200812 Acórdão n.º 2202003.126 S2C2T2 Fl. 271 8 JULGAMENTO AGUARDAR) 4. À luz da novel metodologia legal, publicado o acórdão do julgamento do recurso especial, submetido ao regime previsto no artigo 534C, do CPC, os demais recursos já distribuídos, fundados em idêntica controvérsia, deverão ser julgados pelo relator, nos termos do atrtigo 557, CPC (artigo 5º, I, da Res. STJ 8/2008). 5. In casu: (a) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (b) a obrigação ex lege de pagamento antecipado de contribuição social foi omitida pelo contribuinte concernente ao fato gerador compreendido a partir de 1995, consoante consignado pelo Tribunal a quo; (c) o prazo do fisco para lançar iniciou a partir de 01.01.1996 com término em 01.01.2001; (d) a constituição do crédito tributário pertinente ocorreu em 15.07.2004, data da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito que formalizou os créditos tributários em questão, sendo a execução ajuizada tão somente em 21.03.2005. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Agravo regimental desprovido. (AGRESP 201001395597, LUIZ FUX, STJ PRIMEIRA TURMA, 24/11/2010) TRIBUTÁRIO IOF DECADÊNCIA TERMO INICIAL FATO GERADOR DRAWBACK SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE IRRELEVÂNCIA PARA O EXERCÍCIO DO DIREITO POTESTATIVO AO LANÇAMENTO. 1. O IOF não é tributo inerente à atividade de importação/exportação e não integra, em regra, o Termo de Compromisso, forma de constituição do crédito tributário prevista na legislação aduaneira. 2. O fato gerador do IOF na operação de câmbio é a a sua efetivação pela entrega de moeda nacional ou estrangeira, ou de documento que a represente, ou sua colocação à disposição do interessado em montante equivalente à moeda estrangeira ou nacional entregue ou posta à disposição por este, nos termos do art. 63, II, do CTN. 3. A decadência, direito potestativo, não se interrompe, nem se suspende, de modo que o regime aduaneiro de drawback é irrelevante na fixação do termo inicial do prazo para a constituição do crédito tributário. 4. Recurso especial provido. (RESP 200702726133, ELIANA CALMON, STJ SEGUNDA TURMA, 18/02/2009) xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx Para uma melhor compreensão, podese citar o estado de sujeição em que se encontra o contribuinte ao lançamento tributário, não lhe sendo possível impedir o direito de a Fazenda Pública lançar o tributo. Efetuado o lançamento, no entanto, o sujeito passivo poderá simplesmente não realizar o pagamento, frustrando, então, a pretensão da Fazenda. Nesse caso, o prazo para o Fisco efetuar o lançamento tributário (direito potestativo), segundo essa tese, seria de Fl. 271DF CARF MF Impresso em 30/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 24 /03/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEI RA, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 19740.000406/200812 Acórdão n.º 2202003.126 S2C2T2 Fl. 272 9 decadência. Já o prazo para a cobrança do crédito tributário não pago (direito a uma pretensão) de prescrição. 1 xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx O processo de determinação e exigência do crédito tributário, ou processo de acertamento, ou simplesmente o lançamento tributário, dividise em duas fase: (a) unilateral ou não contenciosa e (b) bilateral, contenciosa ou litigiosa. Este processo também tem recebido a denominação de ação fiscal. A fase não contenciosa é essencial no lançamento de ofício de qualquer tributo. A fase não contenciosa ou unilateral termina com o termo de encerramento de fiscalização, que será acompanhado de um auto de infração nos casos em que alguma infração da legislação tributária tenha sido constatada. Denominase auto de infração o documento no qual o agente da autoridade da Administração tributária narra a infração ou as infrações da legislação tributária atribuídas por ele ao sujeito passivo da obrigação tributária, no período abrangido pela ação fiscal. 2 (todos os grifos são meus). A mera designação de substitutivo não tem o condão de limitar a autuação do fisco, pois no procedimento fiscal de lançamento, que visa o relançamento do crédito anulado não se pode impedir que o fisco aplique as prerrogativas do artigo 149 e seus inciso, da Lei 5.172/66, pois situações outras podem exigir que o lançamento seja reformulado e por certo esse lançamento não será idêntico ao anulado e isso não impede a aplicação do artigo 173, II, da Lei 5.172/66, o que importa não é a identidade do lançamento ou a forma de realizálo, mas sim o motivo de sua realização. Aliás, há várias decisões judiciais sobre a matéria que usa o termo “novo lançamento” no lugar de lançamento substitutivo e elas não entendem pela inaplicabilidade do artigo 173, II, da Lei 5.172/66 ao novo lançamento e observese que novo na linha de raciocínio da recorrente é completamente diferente do anterior, transcrevo alguns aresto. EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL DECADÊNCIA : NÃO FLUÊNCIA ENTRE OS DOIS LANÇAMENTOS, INCISO II DO ART. 173, CTN, E PRESCRIÇÃO INCONSUMADAS NÃO TRANSCORRIDO O QUINQUÊNIO LEGAL ENTRE A FORMALIZAÇÃO DEFINITIVA DO CRÉDITO E O AJUIZAMENTO DA EXECUÇÃO FISCAL OU O DESPACHO CITATÓRIO IMPROCEDÊNCIA AOS EMBARGOS. 1. Com 1 HABLE, José. Decadência e prescrição no direito civil em confronto com o direito tributário. Jus Navigandi, Teresina, ano 13, n. 1941, 24 out. 2008. Disponível em: http://jus.uol.com.br/revista/texto/11878. Auditor tributário da Secretaria de Fazenda do Distrito Federal, graduado em Agronomia pela UFPR, Administração de Empresas pela FAE e em Direito pela CEUB, pósgraduado em Direito Tributário pelo ICAT, mestre em Direito Internacional Econômico pela UCB, professor de Direito Tributário é autor do livro: "A Extinção do Crédito Tributário por Decurso de Prazo" 2 Machado, Hugo de Brito Curso de Direito Tributário 13 Edição Editora Malheiros 1998, pág. 336 e 337. Fl. 272DF CARF MF Impresso em 30/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 24 /03/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEI RA, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 19740.000406/200812 Acórdão n.º 2202003.126 S2C2T2 Fl. 273 10 relação à revisão de ofício praticada pelo Fisco acerca dos Lançamento dos ITR em cobrança, nenhuma irregularidade se constata, pois agiu a Fazenda Pública de acordo com o disposto no art. 149, inciso IX, do CTN, a autorizar o lançamento e a revisão de ofício, como no caso vertente, em que constatada a ausência de formalidade essencial, qual seja, o nome, cargo e o número da matrícula da autoridade a quem a lei outorgou competência para prolatar o ato, conforme cópia do julgamento proferido pelo Ministério da Fazenda Câmara Superior de Recursos Fiscais Terceira Turma. Ou seja, nova cobrança foi firmada. 2. Em sede decadencial, a incidirem ao vertente caso os comandos do inciso I e do inciso II do mesmo art. 173, CTN. Praticado o fato tributário, a simultaneamente ensejar instauração do lastro obrigacional tributário e surgimento do crédito pertinente este ainda que abstrato, pois com valor indefinido autoriza o ordenamento disponha o Estado de certo tempo para formalizar, materializar ou documentar aquele crédito, o qual é de 05 (cinco) anos e de matiz caduciário, consoante art. 173, CTN, e consagração doutrinária a respeito. 3. Impõe o legislador ficção jurídica na contagem de dito lapso decadencial, por meio da qual somente em janeiro do ano seguinte ao fato é que passa a fluir enfocado prazo (inciso I do art. 173, CTN). Também de se destacar que a figura jurídica a materializar dito lançamento tanto tem sido a de sua regular notificação ao sujeito passivo, quanto a de sua comunicação sobre a lavratura de AutodeInfração a respeito. 4. No tocante ao ITR/95, realizado um primeiro lançamento em 19/07/1996, este, após recurso administrativo, restou anulado por vício formal, por decisão proferida pelo Conselho de Contribuintes, em 02/03/2004. Posteriormente, procedeuse a novo lançamento, em 27/02/2008. Outrossim, em relação ao ITR/96, realizado um primeiro lançamento em 21/10/96, este, após recurso administrativo, restou anulado por vício formal, por decisão proferida pelo Conselho de Contribuintes, em 18/03/2003. Posteriormente, procedeuse a novo lançamento, em 03/11/2003. 5. Há de ser considerada a existência de causa suspensiva da exigibilidade nos termos do inciso III do art. 151, CTN, com a objetiva aplicação do inciso II daquele preceito inicialmente aqui recordada, evidentemente não se computando, para qualquer fim, a distância temporal para até aquele final julgamento fiscal referente ao segundo lançamento, anulatório/desconstitutivo sobre a cobrança. 6. Em retratada angulação e aliás, adiante os v. julgados, por símile ao conflito em prisma, que consagradores da nãofluência caduciária durante o período no qual suspensa a exigibilidade, na esteira da primeira parte da súmula 153 TFR. Precedentes. 7. Em seara prescricional, também não se encontra contaminado pela mesma o valor contido no executivo fiscal em apenso. Efetivamente, representa a prescrição elemento indispensável à estabilidade e consolidação das relações jurídicas ocorridas em sociedade, assegurandolhes permanência, durabilidade e certeza no tempo. 8. Constatada será a ocorrência da prescrição, com observância do estabelecido pelo artigo 174 do CTN, ao se verificar a transgressão do lapso temporal fixado pelo referido dispositivo, Fl. 273DF CARF MF Impresso em 30/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 24 /03/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEI RA, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 19740.000406/200812 Acórdão n.º 2202003.126 S2C2T2 Fl. 274 11 qual seja, 05 (cinco) anos para a ação de cobrança do crédito tributário em comento, contados da data de sua formalização definitiva. 9. Foram formalizados os créditos em questão, por meio dos novos Lançamentos realizados em 27/02/2008 (ITR/95) e em 03/11/2003 (ITR/96). Entretanto, em relação ao lançamento do ITR relativo ao ano 1996, intentou a parte contribuinte novo recurso na seara administrativa, restando suspensa a exigibilidade de referido crédito, até sua definitiva formalização, ocorrida em 27/05/2009. Assim, ajuizada a demanda executiva em 23/11/2010, com o despacho citatório proferido em 30/11/2010, já na vigência da Lei Complementar n. 118/05, revelase inconsumada a prescrição. 10. Não verificada qualquer das causas de extinção do crédito tributário elencadas no inciso V, do artigo 156, do CTN. 11. Improvimento à apelação. Improcedência aos embargos.(AC 00082927120134039999, JUIZ CONVOCADO SILVA NETO, TRF3 TERCEIRA TURMA, eDJF3 Judicial 1 DATA:21/10/2014 ..FONTE_REPUBLICACAO:.) TRIBUTÁRIO. PROCESSUAL CIVIL. CERCEAMENTO DE DEFESA. NÃO CONFIGURADO. NOTIFICAÇÃO. PRAZO DECADÊNCIAL. ARTIGO 173 CTN. NÃO OCORRÊNCIA. APLICABILIDADE DA TAXA SELIC. LEI 9.065/1995. 1. A embargada juntou aos autos cópia integral do processo administrativo às fls. 26138. Além disso, às fls. 156 foi oportunizado ao embargante manifestarse em face da impugnação e da cópia do processo administrativo, fazendoo às fls. 161167. Portanto, não há nulidade a se declarar. 2. O prazo para o lançamento, de ofício, de tributo apurado pelo Fisco é de 5 anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, conforme prevê o artigo 173, I, do CTN. 3. O fato gerador do tributo ocorreu no ano de 1991, conforme a disposição do CTN o prazo decadencial tem início no primeiro dia do exercício seguinte àquele no qual o lançamento poderia ter sido realizado, o que in casu ocorreu em 01/01/1992, considerados os cinco anos previstos em lei, o lançamento deveria ter sido realizado até 01/01/1997. Lançado o tributo em 12/07/1996, verificase que não ocorreu a decadência do direito de lançar o crédito tributário. 4. Este lançamento foi impugnado administrativamente pelo contribuinte. Em 22/07/1997 o referido lançamento foi declarado nulo, por não ter a notificação observado os requisitos estabelecidos no art. 142 do CTN e art. 11 do Decreto 70.235/1972. 5. Nos termos do inciso II, do art. 173, CTN, o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Assim, o prazo decadencial passou a ser contado em 22/07/1997, um novo lançamento poderia ter sido realizado até 22/07/2002.. 6. O art. 13 da Lei 9.065/1995, inclusive sob o aspecto formal, é compatível com o art. 161, § 1º, do CTN, segundo o qual o legislador ordinário estava autorizado a fixar juros de mora, conforme pacífica jurisprudência do STJ. Desde 1º/06/1996, os juros de mora incidentes sobre tributos arrecadados pelo Fisco Fl. 274DF CARF MF Impresso em 30/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 24 /03/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEI RA, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 19740.000406/200812 Acórdão n.º 2202003.126 S2C2T2 Fl. 275 12 Federal equivalem à taxa SELIC. 7. A constitucionalidade da aplicação da taxa SELIC como fator de correção do crédito tributário, bem acentuou o eminente Desembargador Federal Luciano Tolentino Amaral, no julgamento da AGTAG 2001.01.00.0444386/DF, Sétima Turma do TRF1, DJ 06/09/2004, p. 72, que a despeito de o STJ já se ter manifestado a respeito de sua legalidade (v.g.: REsp 443343/PR; REsp n. 507464/RS; REsp n. 512508/RS), é disposição de lei, que goza, em nosso ordenamento jurídico, de presunção de constitucionalidade [...]. 8. Apelação a que se nega provimento. AC00312836520034013300 AC APELAÇÃO CIVEL – 00312836520034013300 JUIZ FEDERAL CARLOS EDUARDO CASTRO MARTINS TRF1 7ª TURMA SUPLEMENTAR eDJF1 DATA:29/06/2011 PAGINA:331 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ANULAÇÃO DE LANÇAMENTO. VÍCIO FORMAL. INTERRUPÇÃO DA DECADÊNCIA. POSSIBILIDADE DE NOVO LANÇAMENTO. ARTIGO 5º E PARÁGRAFOS, DECRETOLEI Nº 2.124/84. NÃO APLICABILIDADE. PREQUESTIONAMENTO. 1. A decisão final que anular o lançamento, por vício formal, interrompe o prazo decadencial (artigo 173, II, CTN), que terá (re) início a partir do trânsito em julgado da ação judicial. 2. Não há que se falar em confissão de dívida suficiente à inscrição em dívida ativa no que se refere à quitação por meio de compensação, uma vez que o indeferimento do pedido de compensação deve ser comunicado ao contribuinte antes da inscrição em dívida ativa. 3. Embargos de declaração acolhidos parcialmente, para acrescentar a fundamentação e para fins de prequestionamento. AC 200572050010029 AC APELAÇÃO CÍVEL DÉCIO JOSÉ DA SILVA TRF4 PRIMEIRA TURMA D.E. 04/05/2010 Declinadas as manifestações acima descritas, entendo não haver nenhuma exigência legal e pelo contrário autorização da lei para que o fisco promova nova investigação dos fatos visando ao aperfeiçoamento da norma jurídica individual pelo lançamento. No que tange a alegação da decadência o período do débito anulado por vício formal compreende as competências 01/1995 a 01/1999 e foi lançado em 23/02/2000, assim sendo não havia se operado a decadência entre a primeira competência lançada em razão da data do lançamento. A decisão do CRPS que anulou o primitivo lançamento por vício formal se deu em, conforme transcrição abaixo. 3. O Auto de Infração tem por objetivo o de substituir em parte a NFLD n 35.005.8423, julgada nula por vício formal em decisão proferida pela 4ª Câmara de Julgamento do Conselho de Recursos da Previdência Social, por meio do acórdão n° 2492, de 25/10/2005. O novo lançamento que pretendeu substituir o anterior anulado foi realizado em 01/09/2009, ou seja, em período temporal inferior ao lustro legal para tal providência, considerandose a data da anulação. Fl. 275DF CARF MF Impresso em 30/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 24 /03/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEI RA, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 19740.000406/200812 Acórdão n.º 2202003.126 S2C2T2 Fl. 276 13 Dessa forma, e na esteira do precedente do Superior Tribunal de Justiça – STJ não tendo decorrido mais de cinco anos entre nenhum dos três marcos temporais, não há que se falar em decadência, observese o excerto. EMEN: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL. TRIBUTÁRIO. LANÇAMENTO ORIGINAL E LANÇAMENTO COMPLEMENTAR. ART. 18, §3º, DO DECRETO N. 70.235/72. CONTAGEM DO PRAZO DECADENCIAL DO DIREITO DO FISCO DE CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. ART. 173, I, II E PARÁGRAFO ÚNICO, DO CTN. 1. Regra geral, "o Código Tributário Nacional estabelece três fases inconfundíveis: a que vai até a notificação do lançamento ao sujeito passivo, em que corre prazo de decadência (art. 173, I e II); a que se estende da notificação do lançamento até a solução do processo administrativo, em que não correm nem prazo de decadência, nem de prescrição, por estar suspensa a exigibilidade do crédito (art. 151, III); a que começa na data da solução final do processo administrativo, quando corre prazo de prescrição da ação judicial da Fazenda (art. 174)" (Supremo Tribunal Federal, RE N. 95365/MG, Segunda Turma, Rel. Min. Décio Miranda, julgado em 13.11.1981). Na mesma linha, este Superior Tribunal de Justiça no REsp 58774 / SP, Primeira Turma, Rel. Min. Milton Luiz Pereira, julgado em 22.11.1995. 2. Nos casos em que há lançamento original e lançamento complementar proveniente da fase de diligências no curso do processo administrativo (art. 18, §3º, do Decreto n. 70.235/72), o lançamento originalmente efetuado, mesmo que eivado de vício formal, constitui o crédito tributário e interrompe o prazo decadencial para a notificação de lançamento complementar. Interpretação do art. 173, I, II, e parágrafo único, do CTN. Precedente do extinto Tribunal Federal de Recursos: AC N. 0050216/RS, Quinta Turma, Rel. Min. Justino Ribeiro, julgado em 16.3.1981. 3. No caso dos autos, considerando que se trata de tributo sujeito a lançamento por homologação cujo fato gerador ocorreu em 31.12.1998, que o lançamento original foi notificado ao sujeito passivo em 21.11.2003 e que a notificação do lançamento complementar se deu em 2005, não restam dúvidas de que não operou a decadência posto que não decorrido o quinquênio legal entre nenhum dos três marcos elencados. 4. Recurso especial provido. ..EMEN: (RESP 201001764681, MAURO CAMPBELL MARQUES, STJ SEGUNDA TURMA, DJE DATA:15/03/2011 ..DTPB:. (realcei). Assim sendo, também, rejeito a alegação de decadência das contribuições. Destarte, com os esclarecimentos acima afasto todos os pedidos da recorrente considerandoos improcedentes. CONCLUSÃO: Pelo exposto, voto pelo conhecimento do recurso, para no mérito negarlhe provimento, ante a insubsistência das alegações. (Assinado digitalmente). Fl. 276DF CARF MF Impresso em 30/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 24 /03/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEI RA, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 19740.000406/200812 Acórdão n.º 2202003.126 S2C2T2 Fl. 277 14 Eduardo de Oliveira. Voto Vencedor Conselheiro Marcio Henrique Sales Parada redator designado. O Ilustre Relator, Conselheiro Eduardo de Oliveira, resume assim a controvérsia, de forma muito clara, expondo as razões do Recorrente e seu próprio entendimento: O presente PAF incorpora demanda muito simples. A questão a saber e a definir é a seguinte: quando um lançamento fiscal é anulado por vício formal, na constituição do novo lançamento pode o fisco alterar os critérios objetivos do lançador anterior, ou seja, aquele que foi anulado ou deve o fisco se limitar exatamente ao que era existente no lançamento anterior e apenas copiálo, expurgando sem repetir no novo lançamento, isto é, no pretenso lançamento substitutivo o vício formal reconhecido na decisão administrativa anulatória do antecedente. O recurso do contribuinte, embora traga um série de explicações, esclarecimentos e argumentos, cingese a tese da inexistência de lançamento substitutivo, mas sim a de novo lançamento, que não poderia aproveitar o prazo do artigo 173, II, da Lei 5.172/66 e assim todas as competências lançadas estariam decadentes, pois estas se referem ao período de 01/1998 a 01/1999 e somente teriam sido lançadas em, 01/09/2008, independentemente da regra de decadência a ser aplicada, artigo 150, §4º ou 173, I, ambos, da Lei 5.172/66. Todavia, não compartilho do entendimento do contribuinte, pois dizer que o fisco ao promover o relançamento de um crédito anulado, por vício formal, seja sob a denominação de lançamento substitutivo ou novo lançamento, tal situação impede que o fisco ponha em uso o seus poderes de fiscalização e que faça novas exigências e averiguações junto ao contribuinte é tolir a atividade estatal fiscal, sem que haja comando legal que assim o determine. Entretanto, colho os seguintes julgados, da Câmara Superior deste CARF: Acórdão 9202002.731– 2ª Turma Sessão de 11 de junho de 2013 Período de apuração: 01/05/1996 a 30/04/1997, 01/06/1998 a 30/06/1998 DECADÊNCIA. LANÇAMENTO DECLARADO NULO. LANÇAMENTO SUBSTITUTIVO OU NOVO LANÇAMENTO. Fl. 277DF CARF MF Impresso em 30/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 24 /03/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEI RA, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 19740.000406/200812 Acórdão n.º 2202003.126 S2C2T2 Fl. 278 15 No presente caso a nulidade do primeiro lançamento foi declarada em face da ausência da perfeita descrição do fato gerador do tributo, em virtude da não caracterização da existência da cessão de mão de obra, o que caracteriza violação ao art. 142 do CTN. Saliento que, não estou aqui reapreciando a natureza do vício declarado por ocasião da anulação do primeiro lançamento. Estou sim, apreciando a conformidade do novo lançamento com o lançamento a que pretende substituir. Neste contexto, é lícito concluir que as investigações intentadas no sentido de determinar, aferir, precisar o fato que se pretendeu tributar anteriormente, revelamse incompatíveis com os estreitos limites dos procedimentos reservados ao saneamento do vício formal. Com efeito, sob o pretexto de corrigir o vício formal detectado, não pode o Fisco intimar o contribuinte para apresentar informações, esclarecimentos, documentos, etc. tendentes a apurar a matéria tributável. Se tais providências forem efetivamente necessárias para o novo lançamento, significa que a obrigação tributária não estava definida e o vício apurado não seria apenas de forma, mas, sim, de estrutura ou da essência do ato praticado. Ocorre que, para que se aplique o art. 173, II do CTN o novo lançamento deve conformarse materialmente com o lançamento anulado. Fazendose necessária perfeita identidade entre os dois lançamentos, posto que não pode haver inovação material no lançamento substitutivo ao lançamento anulado anteriormente. O que não ocorreu no presente caso, posto que o novo lançamento introduziu inovação material no que diz respeito à caracterização da cessão de mão de obra. Em suma, não há coincidência material entre o primeiro lançamento, tornado nulo, e o presente lançamento, que, em tese, teria o condão de substituílo. Destarte, o presente lançamento deve ser analisado como um novo lançamento e não como um lançamento substitutivo, o que acarreta a conclusão de que, no momento em que foi lançado, o crédito tributário a que se referia já se encontrava extinto pela decadência. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. Acórdão 9202003.185 – 2ª Turma Sessão de 07 de maio de 2014 Matéria CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/05/1995 a 31/05/1995, 01/11/1995 a 30/11/1995 Fl. 278DF CARF MF Impresso em 30/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 24 /03/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEI RA, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 19740.000406/200812 Acórdão n.º 2202003.126 S2C2T2 Fl. 279 16 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. LANÇAMENTO DECLARADO NULO. LANÇAMENTO SUBSTITUTIVO OU NOVO LANÇAMENTO. No presente caso a nulidade do primeiro lançamento foi declarada em face da ausência da perfeita descrição do fato gerador do tributo, em virtude da não caracterização da existência da cessão de mão de obra, o que caracteriza violação ao art. 142 do CTN. Não se está aqui a reapreciar a natureza do vício declarado por ocasião da anulação do primeiro lançamento, mas sim, a conformidade do novo lançamento com o lançamento a que pretende substituir. Sob o pretexto de corrigir o vício formal detectado, não pode o Fisco intimar a contribuinte para apresentar informações, esclarecimentos, documentos, etc. tendentes a apurar a matéria tributável. Se tais providências forem efetivamente necessárias para o novo lançamento, significa que a obrigação tributária não estava definida e não há que se falar em lançamento substitutivo, mas, sim, em novo lançamento. Assim, no momento em que foi lançado, o crédito tributário a que se referia já se encontrava extinto pela decadência. Nesse caso acima citado, em seu Voto, esclareceu o Conselheiro Relator Luiz Eduardo de Oliveira Santos: Faço notar se estar aqui diante de caso já analisado por esta mesma Câmara Superior em situação análoga, que envolvia a mesma autuada, mas com diferente prestadora de serviço (Acórdão CSRF nº 9.20200.2.729, 2a. Turma, de 11 de junho de 2013). A propósito, também ali se tratava de refazimento de lançamento por conta de anulação de NFLD anterior, tendo, tanto no caso ali tratado como no caso aqui sob análise, se intimado a contribuinte a apresentar, no curso da nova ação fiscal, livro diário, razão, contratos, notas fiscais e outros documentos referentes à serviços realizados pelas empresas prestadoras. Verifico, a propósito, que o entendimento esposado de forma unânime por esta Câmara Superior, ao qual me filiei e continuo a me filiar, é no sentido de que se está a tratar, aqui, de novo lançamento e não de mero refazimento anterior do lançamento nulo, tendo em vista a inovação material proporcionada pelos novos elementos carreados aos autos, objeto da intimação acima citada. Ou seja, não se está aqui a discutir novamente a natureza do vício do lançamento anteriormente declarado nulo (questão que entendo abrangida pela preclusão sustentada no âmbito das contrarrazões), mas sim a defender a descaracterização do lançamento anterior como substitutivo, o que gera como necessária conseqüência o reconhecimento da decadência para as competências de 05/1995 e 11/1995 objeto de lançamento, visto que só cientificado o presente auto em 30 de dezembro de 2005. (...) Fl. 279DF CARF MF Impresso em 30/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 24 /03/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEI RA, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 19740.000406/200812 Acórdão n.º 2202003.126 S2C2T2 Fl. 280 17 Diante do exposto, voto no sentido de conhecer do recurso para, no mérito, dar provimento ao recurso especial da contribuinte, visto que, em se tratando de novo lançamento (e não de lançamento substitutivo) por conta da inovação material realizada no âmbito da nova ação fiscal, os créditos aqui em questão, referentes às competências de 05/1995e 11/1995 já haviam sido fulminados pelo efeito decadencial, no momento de sua constituição. O mesmo raciocínio também foi reproduzido no Acórdão 9202003.186. Como se pode observar, o entendimento consolidado da Câmara Superior, em questão idêntica a essa aqui em debate, é que o novo lançamento, de caráter substitutivo, que se faz em decorrência do lançamento anterior, anulado por vício formal, não pode trazer inovações materiais, mas apenas corrigir o vício apontado. Sequer aceitouse que o Fisco novamente intimasse o contribuinte a prestar novos esclarecimentos ou apresentar novos documentos, sob o argumento de que se isso era necessário, o lançamento anteriormente anulado continha outras deficiências, além da forma. Leandro Paulsen esclarece que, no que toca ao inciso II, do artigo 173, do CTN: Cuidase de hipótese de reabertura do prazo decadencial, caracterizando, pois, efetiva interrupção do prazo que estava em curso. (in Direito Tributário: Constituição e Código tributário à luz da doutrina e da jurisprudência, 15 ed, ESMAFE:2013, pp 1196/7) Segundo Hugo de Brito Machado: Relevante é ressaltarmos que a reabertura do prazo para a feitura de um novo lançamento destinase apenas a permitir que seja sanada a nulidade do lançamento anterior, mas não autoriza um lançamento diverso, abrangente do que não estava abrangido no anterior (in Aspectos do Direito de Defesa no Processo Administrativo Tributário, RDDT 175/106, abr 2010) Dessa feita, com base na doutrina e na jurisprudência administrativa, peço vênia e divirjo da tese do Relator, para entender que o lançamento que, em decorrência de vício formal, substitui o anterior, não tem o condão de inovar, mas restringese a sanar o vício o que, no presente caso, não aconteceu. Assim, copiando mais uma vez o esclarecedor resumo da questão feito pelo Relator: No que tange a alegação da decadência o período do débito anulado por vício formal compreende as competências 01/1995 a 01/1999 e foi lançado em 23/02/2000, assim sendo não havia se operado a decadência entre a primeira competência lançada em razão da data do lançamento. A decisão do CRPS que anulou o primitivo lançamento por vício formal se deu em, conforme transcrição abaixo. Fl. 280DF CARF MF Impresso em 30/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 24 /03/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEI RA, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 19740.000406/200812 Acórdão n.º 2202003.126 S2C2T2 Fl. 281 18 3. O Auto de Infração tem por objetivo o de substituir em parte a NFLD n 35.005.8423, julgada nula por vício formal em decisão proferida pela 4ª Câmara de Julgamento do Conselho de Recursos da Previdência Social, por meio do acórdão n° 2492, de 25/10/2005. O novo lançamento que pretendeu substituir o anterior anulado foi realizado em 01/09/2009, ou seja, em período temporal inferior ao lustro legal para tal providência, considerandose a data da anulação. Tendo em vista as datas acima evidenciadas, VOTO por dar provimento ao recurso para reconhecer a decadência do direito de constituir novo lançamento, que não substituiu o anterior, mas inovou na exigência. Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada Fl. 281DF CARF MF Impresso em 30/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 24 /03/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEI RA, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA
score : 1.0
Numero do processo: 11030.000786/2003-85
Turma: Segunda Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Fri May 08 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Tue May 03 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/03/2003 a 31/03/2003
CRÉDITO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO.
Geram direito ao crédito presumido de IPI somente as aquisições de insumos tributadas pelas contribuições PIS e Cofins.
Numero da decisão: 2101-000.149
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso no que tange aos insumos adquiridos de não contribuintes. Vencidos os conselheiros Gustavo Kelly Alencar, Antônio Lisboa Cardoso, Domingos de Sá Filho e Maria Teresa Martinez López.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente.
(assinado digitalmente)
Hélcio Lafetá Reis - Relator ad hoc.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Caio Marcos Cândido (Presidente), Maria Cristina Roza da Costa, Gustavo Kelly Alencar, Antonio Zomer, Antônio Lisboa Cardoso, Maria Teresa Martinez López, Domingos de Sá Filho e Antônio Carlos Atulim.
Nome do relator: Hélcio Lafetá Reis
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/03/2003 a 31/03/2003 CRÉDITO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. Geram direito ao crédito presumido de IPI somente as aquisições de insumos tributadas pelas contribuições PIS e Cofins. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso no que tange aos insumos adquiridos de não contribuintes. Vencidos os conselheiros Gustavo Kelly Alencar, Antônio Lisboa Cardoso, Domingos de Sá Filho e Maria Teresa Martinez López. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator ad hoc. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Caio Marcos Cândido (Presidente), Maria Cristina Roza da Costa, Gustavo Kelly Alencar, Antonio Zomer, Antônio Lisboa Cardoso, Maria Teresa Martinez López, Domingos de Sá Filho e Antônio Carlos Atulim. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 03 0. 00 07 86 /2 00 3- 85 Fl. 141DF CARF MF Impresso em 03/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2016 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 17/03/2016 p or HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11030.000786/200385 Acórdão n.º 2101000.149 S2C1T1 Fl. 142 2 Na condição de relator ad hoc neste processo, reproduzo o relatório elaborado pela DRJ Porto Alegre/RS, que muito bem descreve os fatos controvertidos nos autos: Tratase de ressarcimento de crédito presumido do IPI, autorizado pela Lei n° 9.363, de 13/12/1996, em parte negado por despacho decisório da DRF de origem por tratarse de aquisições efetuadas a pessoas físicas. Na manifestação de inconformidade, a interessada esclarece que adquire pedras semipreciosas a garimpeiros e alega que só poderiam ser excluídas da base de cálculo do crédito presumido "as compras de matériaprima de pessoas físicas, se houvesse previsão legal, o que não há" e que o benefício foi instituído para compensar os exportadores do PIS/Pasep e da Cofins incidente sobre toda a cadeia e não apenas sobre a última operação. A decisão da DRJ Porto Alegre/RS que indeferiu a solicitação restou ementada da seguinte forma: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2003 a 31/03/2003 CRÉDITO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. Tãosomente as aquisições de insumos que sofrerem a incidência do PIS/Pasep e da Cofins geram direito ao Crédito presumido do IPI instituído para ressarcimento dessas contribuições. Cientificado da decisão de primeira instância, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário e requereu o reconhecimento do direito creditório, repisando os mesmos argumentos de defesa. É o relatório. Voto Conselheiro Hélcio Lafetá Reis Relator ad hoc Considerando o resultado do julgamento registrado em ata, no sentido de negar provimento ao recurso voluntário, encaminho o presente voto, na condição de relator ad hoc, no mesmo sentido do voto condutor do acórdão recorrido da DRJ Porto Alegre/RS, presente às fls. 118 a 119, dispensandose a sua reprodução neste voto. Nesse sentido, votase por NEGAR PROVIMENTO ao recurso. É o voto. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator ad hoc Fl. 142DF CARF MF Impresso em 03/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2016 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 17/03/2016 p or HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11030.000786/200385 Acórdão n.º 2101000.149 S2C1T1 Fl. 143 3 Fl. 143DF CARF MF Impresso em 03/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2016 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 17/03/2016 p or HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS
score : 1.0
Numero do processo: 16095.720132/2013-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 26 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Jun 02 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 3401-000.925
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, a conversão do julgamento em diligência. Ausente o Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Processo apreciado em 27/04/2016.
Robson José Bayerl - Presidente.
Eloy Eros da Silva Nogueira - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Robson José Bayerl (Presidente), Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge d'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, Waltamir Barreiros e Fenelon Moscoso de Almeida.
Nome do relator: ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA
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Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, a conversão do julgamento em diligência. Ausente o Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Processo apreciado em 27/04/2016. Robson José Bayerl Presidente. Eloy Eros da Silva Nogueira Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Robson José Bayerl (Presidente), Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge d'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, Waltamir Barreiros e Fenelon Moscoso de Almeida. Relatório Este processo trata de auto de infração que exige Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) e ao Programa de Integração Social (PIS), relativo a fatos geradores ocorridos nos períodos de outubro de 2008 a dezembro de 2010, (com crédito tributário no montante de R$ 669.143.349,29, incluídos principal, multa qualificada e agravada no percentual de 225% e juros de mora). O objeto social da contribuinte é o comércio atacadista de álcool carburante, biodiesel, gasolina e demais derivados do petróleo, exceto lubrificantes. A autoridade fiscal constatou, ao analisar as notas fiscais de venda da contribuinte, que a totalidade das suas receitas advém da revenda de álcool hidratado para fins carburantes. E no período fiscalizado RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 60 95 .7 20 13 2/ 20 13 -1 1 Fl. 27027DF CARF MF Impresso em 02/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 01/ 06/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA Processo nº 16095.720132/201311 Resolução nº 3401000.925 S3C4T1 Fl. 3 2 duas foram as formas de tributação do PIS e da Cofins sobre as receitas de álcool carburante: (i) de 01/01/2008 a 30/09/2008, o regime aplicável era o cumulativo com alíquotas diferenciadas de 1,46% e 6,74% respectivamente, sem a possibilidade de desconto de créditos sobre quaisquer custos, despesas ou encargos incorridos para a obtenção das receitas; (ii) a partir de 01/10/2008, passou a ser o regime da não cumulatividade, com a possibilidade de apuração de crédito sobre os insumos, porém sendo vetado o cálculo de crédito sobre as aquisições do próprio álcool. A contribuinte aderiu ao Regime Especial de Apuração (RECOB), por essa razão o PIS e a Cofins são calculados em função do volume do álcool revendido aos valores de R$ 21,43 e R$ 98,57 por metro cúbico, respectivamente. A partir dessas condições e das Notas Fiscais Eletrônicas (NFe) e da Escrituração Contábil Digital (ECD), a autoridade fiscal calculou a receita bruta de vendas e o valor devido dessas contribuições. Segundo o que ha nos autos, a autoridade fiscal constatou: (a) falta ou insuficiência de declaração, (b) a omissão de receitas e ( c) a glosa de créditos sobre aquisições no mercado interno. Ela verificou que o conjunto de infrações demonstra uma conduta (in verbis): 6 DA INFRAÇÃO A LEI Verificase de forma inequívoca que a empresa utilizouse de dois artifícios para reduzir a contribuição devida do PIS e da Cofins, conforme a sistemática da tributação das contribuições: No período de 01/2008 a 09/2008, regime cumulativo, informou no DACON base de cálculo bastante inferior à receita tributável apurada com base nas notas fiscais e contabilidade com evidente intenção de reduzir o montante da contribuição devida; e no período de 10/2008 a 12/2010, regime nãocumulativo, inseriu no DACON créditos em valores bem próximos aos da contribuição apurada, sem suporte de documentação comprobatória, resultando em valores devidos irrisórios em face do faturamento a empresa. Conforme demonstrado no item. 4.4, Comparativo dos Créditos, os créditos que o contribuinte teria direito, caso estes fossem comprovados e dedutíveis, seriam bem inferiores aos informados no DACON. Nos meses de setembro e outubro de 2009 os valores apurados, são iguais, bem como nos meses de fevereiro e março de 2010, uma situação, pouco razoável. Esses procedimentos adotados pela empresa procuravam dar uma aparência de regularidade nos recolhimentos e tinham finalidade de dificultar a identificação pelo Fisco do montante real dos tributos devidos e foram feitos em todos os meses do período fiscalizados de forma sistemática, não configurando exceção, que poderiam ser reputados como erro ocasional. Tratase de evidente ação dolosa que procurou modificar os parâmetros de cálculo da obrigação tributária principal, seja por redução da base de cálculo dos tributos ou pela inserção de créditos inexistentes, visando reduzir o montante dos tributos devidos. Tendo em vista a conduta fraudulenta por parte do contribuinte, descrita no itens 5 e 6 deste Termo, conforme previsto no inciso I, § 1° do Art.. 44 da Lei n° 9.430, ficou o contribuinte sujeito a duplicação da multa prevista no inciso I do caput do art. 44 da Lei ,n° 9.430, com o percentual de multa passando de 75% (Setenta e cinco) para 150% (Cento e cinquenta). Como o contribuinte não atendeu a nenhuma das intimações feitas pára apresentar documentos e prestar esclarecimentos, a multa aplicada foi agravada em 50% (Cinquenta), conforme previsto no inciso I, §2° do Art. 44 da Lei n° 9.430, perfazendo uma multa total de 225% (duzentos e vinte e cinco inteiros). Fl. 27028DF CARF MF Impresso em 02/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 01/ 06/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA Processo nº 16095.720132/201311 Resolução nº 3401000.925 S3C4T1 Fl. 4 3 Em síntese, a auditoria verificou as seguintes infrações fiscais: Omissão de Receita Sujeita a Contribuição para o PIS/COFINS (Diferença receita tributável x base de cálculo da DACON) Omissão de Receita Sujeita a Contribuição para o PIS/CQFINS (Omissão de Contribuição Por unidade de Produto. Regime Não Cumulativo) Glosa de Crédito de Aquisição no Mercado Interno Constituído Indevidamente (Créditos não Comprovados. Regime não— Cumulativo) Insuficiência de Recolhimento da Contribuição para o PIS/COFINS (Glosa de Créditos, Regime nãocumulativo). A autoridade lançadora incluiu no polo passivo pessoas físicas que estiveram diretamente ligadas aos fatos infracionais, e apresentou a motivação para essa providência nos seguintes termos: Continuando o Termo, a auditoria justifica o arrolamento de pessoas físicas como responsáveis solidárias da obrigação tributária. No campo tributário a solidariedade é regida pelo art. 124, I do CTN [...] que as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal são solidariamente obrigadas, em relação ao crédito tributário, pois os atos da empresa são sempre praticados através da vontade, de seus dirigentes [...]A responsabilidade tributária de terceiros, no caso dos sócios, gerente e administradores de pessoas jurídicas de direito privado, se encontra O crédito tributário que está sendo lançado [..] é decorrente de conduta fraudulenta, caracterizada como infração à legislação, com objetivo claro de reduzir o valor das contribuições devidas; e dificultar, a identificação dos verdadeiros beneficiários dos resultados da ação fraudulenta. São solidariamente responsáveis pelo crédito ora lançado, pois como administradores da empresa são responsáveis pelos fatos que originaram o crédito tributário ora lançado, conforme descrito nos Termos de Sujeição Passiva Solidária (TSPS) lavrados, as seguintes pessoas físicas: Seguemse os nomes incluídos no pólo passivo do lançamento: ... · Danilo de Queiroz Tavares, CPF 330.274.58850, sócio e administrador, 99% de participação a sociedade; · PETRONOVA ADM. DE COBRANÇA LTDA.,. CNPJ, 12.054.051/000185, com participação de 1% na sociedade. · Jose Renato Dos Santos, CPF 115.423.04814 · Willian Lopes da Silva, CPF 047.101.91851 · Edna Floriano da Silva, CPF 047.759.98854 · Willian Lopes da Silva Júnior, CPF 327.977.21845 · Edcreia Crispim Gonçalves, CPF 181.310.87816, sem participação formal na sociedade, no entanto, tinha procuração com amplos poderes para movimentar conta bancária da empresa, conforme TSPS. Fl. 27029DF CARF MF Impresso em 02/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 01/ 06/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA Processo nº 16095.720132/201311 Resolução nº 3401000.925 S3C4T1 Fl. 5 4 · Silvio Pimenta dos Santos, CPF 140.934.123873, sem participação formal na sociedade, no entanto tinha procuração com amplos poderes para movimentar conta bancária da empresa, conforme TSPS. Às pessoas físicas arroladas como responsáveis solidárias pelo cumprimento da obrigação tributária também foram dirigidas intimações com o conteúdo do auto de infração e termos bem como do respectivo Termo de Sujeição Passiva. Com exceção do documento endereçado ao sujeito passivo Silvio Pimenta dos Santos, cuja intimação foi recepcionada em seu domicílio fiscal em 21/10/2013, as correspondências postadas aos demais implicados solidariamente pelo cumprimento da obrigação tributária retornaram à Delegacia remetente por não localização do destinatário, havendo os correios assinalado o campo MUDOUSE. Desta forma, foram afixados Editais na Delegacia de jurisdição com o fim de intimálos e lhes dar ciência da autuação. Os sócios, ex sócios, administradores e pessoas que exerceram funções gerenciais da contribuinte, no período fiscalizado, foram autuados por responsabilidade solidária. Ocorre que todos os autuados, apesar de intimados, restaram revéis, exceto o Sr. Silvio Pimenta dos Santos, que impugnou o auto de infração. Os julgadores de 1º piso após apreciar os documentos que instruem o processo e a impugnação do Sr. Silvio Pimenta dos Santos, teceram as seguintes considerações e conclusões: · que não ficou demonstrado o interesse comum para fins de justificar a imputação de responsabilidade solidária do Sr. Silvio Pimenta dos Santos por força do disposto no artigo 124, inciso I, do CTN ("São solidariamente obrigadas as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal".) · mas que ficou demonstrado que o Sr. Sr. Silvio Pimenta dos Santos exerceu função ou atividade gerencial e administrativa para fins de justificar a imputação de responsabilidade tributária solidária nos termos do artigo 135 do CTN. Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: Ias pessoas referidas no artigo anterior; IIos mandatários, prepostos e empregados; IIIos diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado; · consideraram não impugnado o crédito constituído de ofício com relação ao valor principal pois o contribuinte, em sua impugnação "não apresenta as razões pelas quais seriam os cálculos fiscais incorretos ou onde haveria imprecisão no trabalho fiscal e tão pouco apresenta os números que entenderia como corretos", e as suas alegações são ineptas. Fl. 27030DF CARF MF Impresso em 02/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 01/ 06/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA Processo nº 16095.720132/201311 Resolução nº 3401000.925 S3C4T1 Fl. 6 5 · consideraram procedentes a aplicação da taxa SELIC e a elevação da multa de ofício para 225% e se declararam impedidos de apreciar os argumentos de ilegalidade e inconstitucionalidade; · reconheceram que a pessoa jurídica autuada e as demais pessoas físicas, com exceção do Sr. Silvio Pimenta, não impugnaram ou contestaram o auto de infração, e são revéis em relação á autuação e ao vínculo de responsabilidade · consideraram, para determinar os efeitos entre as pessoas que compõem o pólo passivo: Por fim, registrese que em relação ao principal lançado não se instaurou o litígio administrativo em relação a nenhum dos sujeitos passivos vinculados à obrigação tributária, devendose iniciar os procedimentos de cobrança dos devedores solidários, com exceção da pessoa física de Silvio Pimenta dos Santos que ainda pode recorrer ao CARF questionando o teor desse acórdão quanto à imputação de responsabilidade e quanto à legitimidade dos acréscimos. Eventual apresentação de recurso ao CARF pelo impugnante questionando o teor desse acórdão quanto aos acréscimos da multa e dos juros de mora, terá o condão de suspender a exigibilidade dessas parcelas também em proveito dos demais sujeitos passivos. O Acórdão n.º 14050.322, proferido em 16/05/2014, pela respeitável 14ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto ficou assim ementado: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/10/2008 a 31/12/2010 LANÇAMENTO DE OFÍCIO. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. ARGUMENTAÇÃO GENÉRICA E INESPECÍFICA. Considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada, conforme o art. 17, do Decreto n° 70.235, de 1972, com a redação da Lei n° 9.532, de 1997, não se admitindo alegações genéricas. MULTA DE OFÍCIO. PERCENTUAL. JUROS DE MORA. ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. A apreciação de questionamentos relacionados à ilegalidade e inconstitucionalidade da legislação tributária não é de competência da autoridade administrativa, sendo exclusiva do Poder Judiciário. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. TERCEIRO COM FUNÇÃO DE GERÊNCIA. DISSOLUÇÃO IRREGULAR. Comprovada a função de gerência de terceiro não integrante do quadro societário, a quem foi outorgado poderes de administração da pessoa jurídica, correta sua inclusão como responsável solidário pelos tributos devidos pela empresa irregularmente dissolvida e que agido com infração de lei. Impugnação Improcedente Fl. 27031DF CARF MF Impresso em 02/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 01/ 06/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA Processo nº 16095.720132/201311 Resolução nº 3401000.925 S3C4T1 Fl. 7 6 Crédito Tributário Mantido O Sr. Silvio Pimenta dos Santos ingressou com Recurso Voluntário por meio do qual ataca o julgamento de 1º piso e elenca as seguintes razões: · "decai a possibilidade de imputar ao Recorrente a tipicidade do crime apontado no decorrer do auto de infração", "uma vez que não houve omissão por sua parte, tampouco, poderia ser considerado um agente criminoso", e " os tributos objeto do presente AIIM não deixaram de ser realizados por culpa ou gerência do recorrente, pois, como bem mencionado foi no TERMO DE SUJEIÇÃO PASSIVA TRIBUTÁRIA". · "O Recorrente foi contratado exclusivamente para tal mister, ou seja, conferir os recursos que na conta junto ao Banco Bradesco entravam e saíam, a fim de dar feed back aos proprietários da empresa sob o que vinha sendo feito"; "por um exíguo período de tempo, o Recorrente teve uma procuração para gerir alguns dos recursos daquela empresa, estes exclusivamente provenientes em um único banco, este o Bradesco"; eventualmente ele autorizava o pagamento de conta a fornecedores; mas não tinha autonomia para abrir ou fechar contas, nem para decidir o que seria ou não pago, nem para administrar a atividade comercial da empresa; portanto o recorrente não teve poderes de gerência. · Não foram encontrados documentos ou provas escritas que demonstrassem à fiscalização que o Recorrente era o administrador da empresa, que geria seus negócios, que atuava como gestor ou de que fosse dela um sócio oculto. · não ficou comprovado o interesse comum previsto no inciso I do artigo 124 do CTN. · "POR NÃO HAVER INTERESSE COMUM ENTRE O RECORRENTE E OS SÓCIOS DA EMPRESA; ALIADO AO FATO DO RECORRENTE NÃO TER PODERES DE GESTÃO E ADMINISTRAÇÃO DOS NEGÓCIOS DA EMPRESA, não poderia haver a solidariedade aplicada pela fiscalização, constituindose uma violação aos direitos patrimoniais e morais do recorrente ter não só seu nome atrelado a débitos para os quais não deu causa, mas estar sendo patrimonialmente vinculado ao cumprimento de obrigações que não são suas." · a multa de ofício seria indevida por que o recorrente não praticou a infração, a elevação da multa de ofício para 225% é indevida: primeiro por que o recorrente não concorreu para a punição, segundo por que ela é é excessiva e confiscatória; e que não ficou comprovado que o recorrente não subfaturou ou manipulou declaração de importação para se locupletar a custas do horário. · a determinação do valor de débito é irregular, inexata e arbitrária em seus critérios; · a TAXA SELIC e os Juros aplicados sobre o indébito são ilegais e inadmissíveis. · ao final pede completa reforma do acórdão de 1º piso e a exclusão do recorrente do polo passivo e da solidariedade; e que fique afastada a afirmação de que o Fl. 27032DF CARF MF Impresso em 02/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 01/ 06/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA Processo nº 16095.720132/201311 Resolução nº 3401000.925 S3C4T1 Fl. 8 7 recorrente praticou conduta ilícita; e que, sobre eventual débito, incida apenas juros simples calculados de 1% ao mês, sem taxa SELIC, e multa de 50%. A Srª Edcreia Crispim Gonçalves, CPF n. 181.310.87816 apresenta Recurso Voluntário, por meio do qual ataca o auto de infração e o acórdão de 1º piso. Esse Recurso traz os mesmos argumentos, razões e pedidos que constam do Recurso ingressado por Silvio Pimenta dos Santos, razão por que não o reproduzimos aqui. Além desses, Edcréia Crispim Gonçalves afirma: (1º) que não teve ciência do auto de infração, que não foi dele intimada, e que, portanto, pede anulação do processo administrativo desde o início para que ela possa apresentar sua impugnação e ter sua defesa diante da 1ª instância; (2º) que era empregada/funcionária da contribuinte e recebia o salário mensal de R$ 3.000,00 como assistente de faturista, e que a procuração servia, quando necessário, para verificar o pagamento feito por cliente ou parceiro da empresa; (3º) que não há, nos documentos que instruem o processo, informação que demonstre ter recebido em sua conta pessoal nada além do seu salário. Em 24/04/2015, a contribuinte traz aos autos informação de que a 9ª turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto proferiu o Acórdão n.º 14 53.478, em 17/09/2014, no processo 16095.720173/201357, relacionado exatamente ao mesmo fato tratado nestes autos, mas com relação às contribuições previdenciárias, que a simples procuração outorgando poderes para movimentar conta bancária não comprova o poder de mando na empresa com o intuito de ensejar responsabilidade tributária, razão por que decidiram excluir Silvio Pimenta dos Santos do polo passivo dessa autuação. É o relatório. Voto Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira I Exame de Admissibilidade dos recursos: 1.1 Admissibilidade do Recurso Voluntário de Edcréia Crispim Gonçalves: A recorrente afirma não ter sido cientificada do auto de infração e de não ter tido oportunidade de impugnálo. Ao consultar os documentos que instruem os autos vejo que a ela foi enviado o auto de infração no endereço Rua Willis Roberto Banks, n. 525, ap. 85A, Parque Maria Domitilla, São Paulo, SP CEP 05.128000. E que no AR relacionado ao SEDEX n. SX.24940912.2.BR, consta o registro de "mudouse", em tentativa de entrega pelos Correios em 18/10/2013. Há uma consulta feita em 29/05/2013 ao sistema Cadastro de Pessoas Físicas da Receita Federal para o CPF dessa contribuinte, onde se pode ver que ali consta o endereço usado na intimação. Entretanto, a data dessa consulta (maio de 2013) é de 5 meses antes da intimação, que foi encaminhada em outubro de 2013. Fl. 27033DF CARF MF Impresso em 02/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 01/ 06/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA Processo nº 16095.720132/201311 Resolução nº 3401000.925 S3C4T1 Fl. 9 8 A contribuinte recebeu a intimação dando ciência do Acórdão de 1º piso no endereço Rua Dr. Rodrigo de Barros, 90, Luz, São Paulo, SP CEP 01106020. Proponho a este colegiado que, antes de adentrarmos à análise da lide, busquemos afastar qualquer dúvida a respeito das condições de revelia de Edcreia Crispim Gonçalves. Por isso, proponho a conversão do julgamento em diligência para o processo retornar à unidade de jurisdição da Receita Federal para informar as datas e condições de mudança de endereço da contribuinte desde a data de início do período fiscalizado ate o presente momento (histórico do CPF, com alterações de endereço; acompanhando de cópia do extrato do sistema informatizado do CPF e dos demais da Receita Federal que sirvam de apoio à comunicação de atos administrativos emitidos pela autoridade fiscal tributária). Conselheiro relator Eloy Eros da Silva Nogueira. Fl. 27034DF CARF MF Impresso em 02/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 01/ 06/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 15983.000510/2010-18
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 14 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Jul 07 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Exercício: 2005, 2006, 2007
PROCESSO ADMINISTRATIVO. CONCOMITÂNCIA. INTELIGÊNCIA DA SÚMULA CARF nº 1.
A expressão mesmo objeto constante do texto sumulado diz respeito àquilo sobre o qual recairá o mérito da decisão, quando sejam idênticas as demandas. Portanto, tem-se como critérios de aplicação da impossibilidade do prosseguimento do curso normal do processo administrativo, em vista da concomitância com processo judicial, tanto o pedido como a causa de pedir, e não somente o pedido.
PROCESSO ADMINISTRATIVO. CONCOMITÂNCIA. OBSCURIDADE. AUSÊNCIA DE DETALHAMENTO DO OBJETO DA AÇÃO JUDICIAL
Há obscuridade quando ausente o exame da abrangência da decisão judicial sobre o lançamento tributário objeto do presente processo administrativo.
EMBARGOS ACOLHIDOS. EFEITO INFRINGENTES. CONHECIMENTO DO RECURSO VOLUNTÁRIO.
Verificada obscuridade na decisão e acatados os embargos de declaração, observa-se efeitos infringentes quando do conhecimento do recurso voluntário interposto.
IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE. PAGAMENTO SEM CAUSA OU A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO. NÃO APLICAÇÃO DA IMUNIDADE PREVISTA NO ARTIGO 150, VI, 'c' da CF.
O IRRF não está compreendido na mutilação de competência da União, ou seja, o imposto sobre a renda retido na fonte, por não incidir sobre o patrimônio, a renda, ou os serviços relacionados com as finalidades essenciais da instituição de ensino, não se encontra ao abrigo da imunidade mista prevista no artigo 150, VI, "c".
PROCEDIMENTO FISCAL. NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
Não há nulidade sem ausência de preterição de defesa, ou em ato emanado de autoridade competente. A emissão prévia de MPF autoriza o AFRFB a realizar o poder/dever de fiscalizar. Os documentos emitidos pelo sujeito passivo são, por óbvio, de conhecimento do emitente. O procedimento de fiscalização é inquisitório, instaurando-se o contraditório somente a partir da impugnação ao lançamento.
AUSÊNCIA DE MOTIVO IMPEDITIVO AO LANÇAMENTO CONSTANTE DE PROCESSO JUDICIAL.
Na ausência de motivo impeditivo ao lançamento constante de processo judicial, despicienda a alegação de concomitância. Lançamento tributário e consequente processo administrativos são válidos.
IRRF. INCIDÊNCIA SOBRE PAGAMENTO SEM CAUSA OU A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO. VALIDADE.
A tributação decorre de expressa disposição legal, sendo a posição doutrinária insuficiente para afastar a exação.
Numero da decisão: 2201-003.215
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, rejeitar a preliminar de não conhecimento dos embargos suscitada de ofício pelo Conselheiro Carlos César Quadros Pierre. Por unanimidade de votos, acolher os embargos e, sanando a contradição apontada, atribuindo-lhes efeito infringentes, afastar a concomitância reconhecida no acórdão nº 2101-002.725 de 10/03/2015 e, conhecendo do Recurso Voluntário interposto, rejeitar as preliminares e, no mérito, negar-lhe provimento. Fez sustentação oral o Dr. Hugo Leonardo Zagoni Teixeira OAB/DF 33.899. ]
(assinado digitalmente)
EDUARDO TADEU FARAH - Presidente.
(assinado digitalmente)
CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA - Relator.
EDITADO EM: 01/07/2016
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eduardo Tadeu Farah (Presidente), Carlos Henrique de Oliveira, Jose Alfredo Duarte Filho (Suplente convocado), Marcio de Lacerda Martins (Suplente convocado), Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente convocada), Carlos Alberto Mees Stringari, Carlos Cesar Quadros Pierre, Ana Cecília Lustosa da Cruz.
Nome do relator: CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF Exercício: 2005, 2006, 2007 PROCESSO ADMINISTRATIVO. CONCOMITÂNCIA. INTELIGÊNCIA DA SÚMULA CARF nº 1. A expressão mesmo objeto constante do texto sumulado diz respeito àquilo sobre o qual recairá o mérito da decisão, quando sejam idênticas as demandas. Portanto, tem-se como critérios de aplicação da impossibilidade do prosseguimento do curso normal do processo administrativo, em vista da concomitância com processo judicial, tanto o pedido como a causa de pedir, e não somente o pedido. PROCESSO ADMINISTRATIVO. CONCOMITÂNCIA. OBSCURIDADE. AUSÊNCIA DE DETALHAMENTO DO OBJETO DA AÇÃO JUDICIAL Há obscuridade quando ausente o exame da abrangência da decisão judicial sobre o lançamento tributário objeto do presente processo administrativo. EMBARGOS ACOLHIDOS. EFEITO INFRINGENTES. CONHECIMENTO DO RECURSO VOLUNTÁRIO. Verificada obscuridade na decisão e acatados os embargos de declaração, observa-se efeitos infringentes quando do conhecimento do recurso voluntário interposto. IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE. PAGAMENTO SEM CAUSA OU A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO. NÃO APLICAÇÃO DA IMUNIDADE PREVISTA NO ARTIGO 150, VI, 'c' da CF. O IRRF não está compreendido na mutilação de competência da União, ou seja, o imposto sobre a renda retido na fonte, por não incidir sobre o patrimônio, a renda, ou os serviços relacionados com as finalidades essenciais da instituição de ensino, não se encontra ao abrigo da imunidade mista prevista no artigo 150, VI, "c". PROCEDIMENTO FISCAL. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Não há nulidade sem ausência de preterição de defesa, ou em ato emanado de autoridade competente. A emissão prévia de MPF autoriza o AFRFB a realizar o poder/dever de fiscalizar. Os documentos emitidos pelo sujeito passivo são, por óbvio, de conhecimento do emitente. O procedimento de fiscalização é inquisitório, instaurando-se o contraditório somente a partir da impugnação ao lançamento. AUSÊNCIA DE MOTIVO IMPEDITIVO AO LANÇAMENTO CONSTANTE DE PROCESSO JUDICIAL. Na ausência de motivo impeditivo ao lançamento constante de processo judicial, despicienda a alegação de concomitância. Lançamento tributário e consequente processo administrativos são válidos. IRRF. INCIDÊNCIA SOBRE PAGAMENTO SEM CAUSA OU A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO. VALIDADE. A tributação decorre de expressa disposição legal, sendo a posição doutrinária insuficiente para afastar a exação.
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CONCOMITÂNCIA. INTELIGÊNCIA DA SÚMULA CARF nº 1. A expressão “mesmo objeto” constante do texto sumulado diz respeito àquilo sobre o qual recairá o mérito da decisão, quando sejam idênticas as demandas. Portanto, temse como critérios de aplicação da impossibilidade do prosseguimento do curso normal do processo administrativo, em vista da concomitância com processo judicial, tanto o pedido como a causa de pedir, e não somente o pedido. PROCESSO ADMINISTRATIVO. CONCOMITÂNCIA. OBSCURIDADE. AUSÊNCIA DE DETALHAMENTO DO OBJETO DA AÇÃO JUDICIAL Há obscuridade quando ausente o exame da abrangência da decisão judicial sobre o lançamento tributário objeto do presente processo administrativo. EMBARGOS ACOLHIDOS. EFEITO INFRINGENTES. CONHECIMENTO DO RECURSO VOLUNTÁRIO. Verificada obscuridade na decisão e acatados os embargos de declaração, observase efeitos infringentes quando do conhecimento do recurso voluntário interposto. IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE. PAGAMENTO SEM CAUSA OU A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO. NÃO APLICAÇÃO DA IMUNIDADE PREVISTA NO ARTIGO 150, VI, 'c' da CF. O IRRF não está compreendido na mutilação de competência da União, ou seja, o imposto sobre a renda retido na fonte, por não incidir sobre o patrimônio, a renda, ou os serviços relacionados com as finalidades essenciais da instituição de ensino, não se encontra ao abrigo da imunidade mista prevista no artigo 150, VI, "c". AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 98 3. 00 05 10 /2 01 0- 18 Fl. 1585DF CARF MF Impresso em 07/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01/ 07/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/07/2016 por EDUARDO TADEU FARAH 2 PROCEDIMENTO FISCAL. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Não há nulidade sem ausência de preterição de defesa, ou em ato emanado de autoridade competente. A emissão prévia de MPF autoriza o AFRFB a realizar o poder/dever de fiscalizar. Os documentos emitidos pelo sujeito passivo são, por óbvio, de conhecimento do emitente. O procedimento de fiscalização é inquisitório, instaurandose o contraditório somente a partir da impugnação ao lançamento. AUSÊNCIA DE MOTIVO IMPEDITIVO AO LANÇAMENTO CONSTANTE DE PROCESSO JUDICIAL. Na ausência de motivo impeditivo ao lançamento constante de processo judicial, despicienda a alegação de concomitância. Lançamento tributário e consequente processo administrativos são válidos. IRRF. INCIDÊNCIA SOBRE PAGAMENTO SEM CAUSA OU A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO. VALIDADE. A tributação decorre de expressa disposição legal, sendo a posição doutrinária insuficiente para afastar a exação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, rejeitar a preliminar de não conhecimento dos embargos suscitada de ofício pelo Conselheiro Carlos César Quadros Pierre. Por unanimidade de votos, acolher os embargos e, sanando a contradição apontada, atribuindolhes efeito infringentes, afastar a concomitância reconhecida no acórdão nº 2101 002.725 de 10/03/2015 e, conhecendo do Recurso Voluntário interposto, rejeitar as preliminares e, no mérito, negarlhe provimento. Fez sustentação oral o Dr. Hugo Leonardo Zagoni Teixeira OAB/DF 33.899. ] (assinado digitalmente) EDUARDO TADEU FARAH Presidente. (assinado digitalmente) CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Relator. EDITADO EM: 01/07/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eduardo Tadeu Farah (Presidente), Carlos Henrique de Oliveira, Jose Alfredo Duarte Filho (Suplente convocado), Marcio de Lacerda Martins (Suplente convocado), Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente convocada), Carlos Alberto Mees Stringari, Carlos Cesar Quadros Pierre, Ana Cecília Lustosa da Cruz. Relatório Fl. 1586DF CARF MF Impresso em 07/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01/ 07/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/07/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 15983.000510/201018 Acórdão n.º 2201003.215 S2C2T1 Fl. 1.586 3 Tratase de embargos de declaração interposto pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Santos em razão de alegada omissão e contrariedade constante da decisão prolatada, em 10 de março de 2015, pela 1ª Turma Ordinária da 1ª Câmara, representada pelo Acórdão 2101002.725 (fls. 1512), que restou assim ementada: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 2005, 2006, 2007 CONCOMITÂNCIA. PROCESSO ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. A propositura pelo contribuinte de ação judicial contra a Fazenda Pública antes ou após a autuação com o mesmo objeto, importa renúncia à instância administrativa ou desistência do recurso interposto, na forma do art. 38 da Lei 6.830, de 1980 e Súmula n° 1, do Carf. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário, para declarar a definitividade na esfera administrativa do crédito tributário lançado, por concomitância da discussão nas esferas administrativa e judicial. Vencida a Conselheira Maria Cleci Coti Martins, que apresentará declaração de voto." O Sr. Chefe do Serviço de Controle e Administração Tributária, Secat, da Delegacia de Santos por meio de despacho fundamentado, recomendou ao Sr Delegado a propositura de embargos de declaração, alegando (fls. 1575): O contribuinte apresentou Recurso Voluntário na data de 27/02/2012 (fls. 1.406/1.480). O CARF em sessão de 10.03.2015, por maioria de votos, decreta a renúncia à instância administrativa ou desistência do recurso interposto tendo em vista, na sua ótica, haver a concomitância do mesmo (recurso voluntário) com a ação judicial nº 2009.34.00.0122992 (No TRF 1º Região nº 0012218 65.2009.401.3400) e Agravo de Instrumento nº 2009.01.00.0281501 TRF 1º nº 0002749454.2009.4.01.0000). No pedido desta ação declaratória consta: e) ….declarar a imunidade do autor, nos termos do art. 150, VI, “c” da Constituição Federal de 1988, c/c art. 14 do CTN e cominar a ré a absterse de praticar quaisquer atos de cobrança dos tributos abrangidos pela imunidade apontada. (fls. 632). f) em decorrência do deferimento do pedido anterior que este juízo na esteira do entendimento do STJ, declare a inconstitucionalidade incidental da segunda parte do artigo 4º da Lei Complementar 118/05 e diante da situação fática da autora reconheça seu direito à restituição dos R$ 144.315,53 relativo ao IRRF sobre operações financeiras e IOF, ….(fls. 632) Fl. 1587DF CARF MF Impresso em 07/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01/ 07/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/07/2016 por EDUARDO TADEU FARAH 4 O artigo 150, VI, inciso C da Constituição Federal de 1988 estipula: Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: …..................................................................................................... ........................ VI – instituir impostos sobre: …..................................................................................................... ........................ c) patrimônio, renda ou serviços dos partidos políticos, inclusive suas fundações, das entidades sindicais dos trabalhadores, das instituições de educação e de assistência social, sem fins lucrativos, atendidos os requisitos da lei; (CF/1988). …..................................................................................................... ........................ § 4º As vedações expressas no inciso VI, alíneas “b” e “c”, compreendem somente o patrimônio, a renda e os serviços, relacionados com as finalidades essenciais das entidades nelas mencionadas. Na ação judicial nº 2009.34.00.0122992 a sentença foi pela improcedência do pedido (fls. 1.570). Entretanto, entendo, s.m.j., que o processo dever retornar ao CARF pelos seguintes motivos: a) O recurso voluntário traz outras matérias que não estão em discussão na ação judicial nº 2009.34.00.0122992, não tendo o CARF obedecido à parte final da Súmula CARF nº 1 que estipula “sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.(grifo nosso). (Parágrafo único do artigo 87 do Decreto nº 7.574, de 29.09.2011). A matéria distinta é aquela capaz de, se for dado provimento ao recurso voluntário, desconstituir o auto de infração, independentemente do resultado da ação judicial. Neste aspecto, entendo s.m.j., que as letras “a”, “b”, “c”, “d” e “g” (do relatório do acórdão do CARF) se enquadram na parte final da Súmula CARF nº 1. Inclusive na letra “g” consta que não houve manifestação “de sua alegação de não ocorrência do fato gerador com fulcro no art. 674 do RIR/99”. b) No pedido da ação judicial nº 2009.34.00.0122992 não consta pedido de que à entidade imune não se aplica o disposto artigo 61 da Lei nº 8.981/95 c) O IRRF cobrado no presente Auto de Infração, s.m.j., não se enquadra na letra “c” do inciso VI do artigo 150 da Constituição Federal de 1988, e, portanto, não estaria incluso no pedido da letra “e” da petição na ação judicial nº 2009.34.00.0122992 que se reporta a este dispositivo constitucional. Fl. 1588DF CARF MF Impresso em 07/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01/ 07/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/07/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 15983.000510/201018 Acórdão n.º 2201003.215 S2C2T1 Fl. 1.587 5 No artigo 65 do Regimento Interno do CARF (Portaria MF nº 343, de 09.06.2015) consta: Art. 65. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual deveria pronunciarse a turma. § 1º Os embargos de declaração poderão ser interpostos, mediante petição fundamentada dirigida ao presidente da Turma, no prazo de 5 (cinco) dias contados da ciência do acórdão: …................................................................................................... V – pelo titular da unidade da administração tributária encarregada da liquidação e execução do acórdão." O Delegado da Delegacia de Santos apresentou tempestivamente embargos de declaração que, na essência, argüi (fls. 1578): "O Delegado da Receita Federal do Brasil em Santos – SP, toma ciência do Acórdão nº 2101002.725 – 1º Câmara / 1º Turma Ordinária de 10.03.2015, constante às folhas 1.512/1527, e, vem interpor os presentes Embargos de Declaração: 1. Por entender haver omissão, no referido acórdão, em relação às matérias impugnadas, e, que não fazem parte da ação judicial (letras “a”, “b”, “c”, “d” e “g” (do relatório do acórdão do CARF), conforme despacho de folhas 1569/1574. Estas matérias deveriam ter sido objeto de manifestação do CARF conforme disposto na parte final da Súmula CARF nº 1 e Parágrafo único do artigo 87 do Decreto nº 7.574, de 29.09.2011. 2. Por obscuridade no referido acórdão do CARF; pois, não foi possível à autoridade preparadora identificar a matéria tratada no auto de infração com o pedido realizado na ação judicial nº nº 2009.34.00.0122992 (No TRF 1º Região nº 0012218 65.2009.401.3400) e Agravo de Instrumento nº 2009.01.00.0281501 TRF 1º nº 0002749454.2009.4.01.0000). O imposto cobrado no presente processo administrativo não estaria incluso, dentre as hipóteses tratadas pelo artigo 150, VI, inciso C da Constituição Federal de 1988, e não consta na ação judicial pedido de afastamento do disposto no 61 da Lei nº 8.891/95 ou a sua não aplicação no caso das entidades imunes." Em 01 de fevereiro de 2016, o Sr Presidente da 1ª Turma Ordinária da 1ª Câmara, relator do acórdão vergastado, admite parcialmente os embargos. São suas razões de decidir quanto à parte admitida (fls 1583): 2. Quanto à não inclusão do imposto objeto de lançamento nas hipóteses tratadas pelo art. 150, VI, "c" da Constituição Federal de 1988. Fl. 1589DF CARF MF Impresso em 07/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01/ 07/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/07/2016 por EDUARDO TADEU FARAH 6 Sem prejuízo da clareza da tese de nãoconhecimento adotada pelo Acórdão embargado e sobre a qual se discorreu de forma detalhada no item "1" supra, verifico que, em linha inclusive com a divergência levantada pela Conselheira vencida, caso se admitisse não estar o tributo objeto de lançamento abarcado pela imunidade constante do art. 150, VI, "c" da Constituição Federal, certo que subsistiria o lançamento, independentemente do resultado da ação judicial, o que poderia, inclusive, alterar, em meu entendimento, o posicionamento de nãoconhecimento esposado pelo embargado. Assim, a propósito, ainda que baseada a conclusão do decisum embargado em evidências fáticas constantes dos autos, julgo assistir razão à embargante nesta matéria, no sentido de carecer o Acórdão vergastado de fundamentação mais clara no voto vencedor acerca da abrangência ou não do tributo (imposto federal) objeto de lançamento, pela hipótese de nãoincidência (imunidade) constante do art. 150, V, "c" da CF/88, acompanhada tal fundamentação da posterior análise acerca de eventuais consequências para a tese de estar a matéria analisada contida no pedido deduzido na ação judicial 2009.34.00.0122992, tese esta veiculada pelo Acórdão embargado e questionada em sede de embargos. Ou seja, aqui, entendo que poderiam ter sido as evidências mencionadas afastadas caso, a partir de considerações de natureza jurídica, se convencesse a autoridade julgadora que o tributo objeto de lançamento não estaria acobertado pela imunidade discutida judicialmente, sendo que tal fato poderia resultar, a partir da simultânea conclusão pela não abrangência da nãocobrança do tributo objeto de lançamento pelo pedido deduzido judicialmente, na não aplicabilidade da tese de não conhecimento adotada. Concluindo, entendese, em linha com o demandado pela embargante, como caracterizada obscuridade no decisum recorrido quanto à matéria de abrangência ou não do imposto objeto de lançamento pela imunidade prevista no art. 150, VI, "c" da Constituição Federal de 1988, matéria que, uma vez abordada na ação judicial 2009.34.00.0122992, possui consequências nítidas quanto à possibilidade ou não de adoção da tese de não conhecimento veiculada pelo vergastado. Reconhecese aqui que, quando do saneamento da referida obscuridade (em especial caso se conclua pela ausência de prejudicialidade do feito judicial quando de análise da abrangência ou não do crédito tributário lançado pela imunidade citada), deva ser necessariamente revisitada a matéria de conhecimento do recurso, com a possível consequência de necessidade de posterior análise das demais preliminares e alegações de mérito, caso se defina, desta feita, pelo conhecimento do pleito recursal. Fl. 1590DF CARF MF Impresso em 07/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01/ 07/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/07/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 15983.000510/201018 Acórdão n.º 2201003.215 S2C2T1 Fl. 1.588 7 Destarte, diante do exposto, CONHEÇO dos presentes embargos de declaração e OS ADMITO PARCIALMENTE, a fim de que se sane a obscuridade acima apontada, através de manifestação do Colegiado acerca da abrangência ou não do imposto objeto de lançamento pela imunidade prevista no art. 150, VI, "c" da Constituição Federal de 1988. Tal análise deve ser seguida de revisitação ao pedido deduzido pelo contribuinte no âmbito da ação judicial no. 2009.34.00.0122992, acompanhada: a) de reanálise da conclusão do vergastado acerca do não conhecimento do recurso e b) do eventual prosseguimento na análise das demais preliminares e alegações de mérito do recurso voluntário de efls. 1406 a 1480, caso se defina, em sede de embargos, pelo conhecimento." (destacamos). Importante, nesse sentido, fazer constar do presente relatório que as alegações constantes do Recurso Voluntário interposto (fls. 1408), são na essência, as mesmas da impugnação apresentada (fls.528), a saber: a) que existe nulidade processual a ser acatada, em face de irregularidades na emissão, reemissão e ciência do MPF (Mandado de Procedimento Fiscal), que lastreou o procedimento fiscal (transcreve jurisprudência); a') que a decisão de primeira instância é nula por não ter examinados os argumentos constantes da impugnação sobre o tema; b) invalidade da ação fiscal, em razão de inobservância das Portarias nos 500/1995 e 3.007/2002, da RFB e que se referem a critérios e motivação para seleção de contribuintes a serem fiscalizados (cita normativos e doutrina); b') que a decisão de primeira instância é nula por não ter examinados os argumentos constantes da impugnação sobre o tema; c) nulidade do lançamento por cerceamento de defesa, tendo em vista ter recebido tão somente os autos de infração, o demonstrativo consolidado do crédito tributário e o termo de encerramento. Segundo suas literais palavras, "nenhuma cópia das "Novas" em que diz estar apoiada a autuação lhe foi fornecida" (destaque no original). Cita doutrina e jurisprudência; c') que a decisão de primeira instância é nula por não ter examinados os argumentos constantes da impugnação sobre o tema; d) ser impossível a constituição de crédito tributário em face da existência de ação judicial, destacando ser pacifico na jurisprudência administrativa que questões levadas a juizo Fl. 1591DF CARF MF Impresso em 07/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01/ 07/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/07/2016 por EDUARDO TADEU FARAH 8 perdem seu objeto na esfera administrativa. Transcreve doutrina e jurisprudência que entendeu pertinentes; d') que a decisão de primeira instância é nula por não ter examinados os argumentos constantes da impugnação sobre o tema; e)que a MP n° 446/2008 renovou, de forma incondicional e definitiva, i condição de entidade beneficente de assistência social do ISESC e que esta renovação atingiu a própria imunidade tributária da instituição; e') que a decisão de primeira instância é nula por não ter examinados os argumentos constantes da impugnação sobre o tema; f) que a desvinculação da defendente do programa PROUNI, "promovida pelo I. AFRFB é totalmente improcedente, visto que, nos termos da legislação vigente, tal atribuição, se fosse caso, não seria da competência de servidor da SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL, mas sim do MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO, perante o qual o IMPUGNANTE se encontra em perfeita regularidade" (todos os destaques do original); g) que "nos anos de 2006 e 2007, de uma receita de R$ 80.783.091,30 e R$ 80.650.513,03. respectivamente, o ISESC, mesmo depois da adesão a esse programa [PROUNI], em atendimento aos seus objetivos institucionais, e também em obediência a legislação de filantropia, concedeu bolsas de estudos a alunos carentes no montante de R$ 17.907.132,00 e Es 17.810.850,42. também respectivamente, o que representa 22,17% e 22,08% da sua receita bruta. Vale dizer, se assim agia, nenhuma r azão válida existiria para não cumprir as suas responsabilidades perante o PROUNT' (todos os destaques do original); h) que, "o que ocorreu, efetivamente, e foi devidamente justificado perante o MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO, é que aderiu ao programa oferecendo, exclusivamente, bolsas de 100% (integrais), o que lhe trouxe grandes dijiculdades para preencher o número exigido de bolsas, em face da ausência de demanda, da evasão e da inexistência de orientação pertinente por parte daquele órgão, tudo demonstrado no documento que lhe foi dirigido (doc. n° 09 apenso)" (todos os destaques do original); i) que, "em face dos irreais critérios estabelecidos pelo próprio MEC (..) o ISESC viuse na impossibilidade de preencher o número de bolsistas do PROUNI, o que foi admitido por aquele Ministério e levou a assinatura do "TERMO DE COMPROMISSO N° 33/2009 — DIPES/SESu/MEC", destinado a permitir a regularização da s ituação (doc. n° 10)" (todos os destaques do original). h') que a decisão de primeira instância é nula por não ter examinados os argumentos constantes da impugnação sobre o tema; Fl. 1592DF CARF MF Impresso em 07/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01/ 07/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/07/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 15983.000510/201018 Acórdão n.º 2201003.215 S2C2T1 Fl. 1.589 9 j) que se viu tributada nos "valores discriminados no auto de infração lavrado, correspondentes aos fatos geradores 01/08/2005 a 28/12/2007 a titulo de "OUTROS RENDIMENTOS — BENEFICIARIO NÃO IDENTIFICADO —FALTA DE RECOLHIMENTO DO IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE SOBRE PAGAMENTOS A BENEFICLi RIO NÃO IDENTIFICADO (.) com infringencia do disposto nos artigos 674 do RIR/99 e 61 da Lei n°8.981/95" (destaque no original); k) que não procede a tributação a esse titulo e que os pagamentos a beneficiários não identificados tiveram seu destino "perfeitamente reconhecido", as empresas TSL e NCM (traz jurisprudência do CARF, que entendeu pertinente, assim como doutrina de Antônio Airton Ferreira e outros); 1) que, por força do entendimento jurisprudencial e doutrinário, "mesmo que não identificados os beneficiários dos pagamentos, descaberia a exigência do Imposto de Renda nos moldes em que foi feita, visto inexistir fato gerador correspondente a esse tributo (..), tendo sido instituída, mediante o aludido artigo 61 da Lei n° 8.981/95, uma efetiva penalidade, o que ê vedado pelo artigo 3 ° do CTN" (que transcreve); m) que, "portanto, verificase que o lançamento tributário efetuado, além de ter incidido sobre pagamentos efetuados a pessoas jurídicas perfeitamente identificadas, o que afasta a incidência do artigo 674, caput, do RIR199 (artigo 61, caput, da Lei n°8.981/95), o foi com erros que recomendam a sua anulação". É o relatório do necessário. Voto Conselheiro Carlos Henrique de Oliveira Presentes os requisitos de admissibilidade dos presentes embargos, passo a examinálo. Segundo o órgão executor do acórdão vergastado, houve contrariedade e omissão na decisão prolatada pela 1ª Turma da 1ª Câmara desta Segunda Seção. Concordo com o despacho de admissibilidade quanto à obscuridade apontada no tocante ao exame da abrangência da decisão judicial sobre o lançamento tributário objeto do presente processo administrativo. Visando o saneamento da decisão, passo a analisar se o imposto sobre a renda retido na fonte incidente sobre os pagamentos efetuados pela entidade de educação está abarcado pela imunidade prevista no artigo 150, inciso VI, 'c', da Carta da República. Fl. 1593DF CARF MF Impresso em 07/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01/ 07/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/07/2016 por EDUARDO TADEU FARAH 10 Para tanto, necessárias algumas considerações sobre a imunidade das instituições de educação e assistência social, sem fins lucrativos. Cediço que imunidade é uma limitação da competência tributária da pessoa de direito público. Ao distribuir as competências tributárias entre os entes federativos, a Carta da República limitou essa competência quanto à determinadas pessoas e fatos. Sobre o tema, leciona Hugo de Brito Machado (Curso de Direito Tributário, 20ª ed., Ed. Malheiros, pag. 241): "Imunidade é o obstáculo decorrente de regra da Constituição `incidência da regra jurídica da tributação.O que é imune não pode ser tributado." Ao analisar as imunidades, Luís Eduardo Schoueri (Direito Tributário, 3ª ed. Ed. Saraiva, pag.414), assevera: "As imunidades dividemse em subjetivas, objetivas ou mistas, conforme, digam respeito a coisas, pessoas ou ambas. (...) A terceira categoria é a das chamadas imunidades mistas. Tais imunidades são revestidas tando do aspecto objetivo, porque conferidas em função de uma realidade de fato (i.e. determinado objeto, fato ou situação) quanto aspecto subjetivo, uma vez que abrangem o patrimônio, a renda e os serviços de pessoas, na par que esteja ligada a tais realidades de fato" (destaques nossos) Passando a examinar as chamadas imunidades mistas, o Professor Titular da Faculdade de Direito do Largo São Francisco, lembra que: "Para as entidades assistenciais e de educação, a 'ratio' da imunidade é ainda mais evidente: educação e assistência social estão entre as funções do Estado. Assim, quando uma entidade privada assume tais tarefas, desincumbe o Estado de executálas. Exerce, pois, atividade do Estado. Atua, assim, no setor público, em que não cabe cogitar de capacidade contributiva." Ora, como sabemos, a atuação assistencial e de educação por si só não inibe capacidade contributiva, visto que esta depende da atuação no domínio econômico, ou seja, com o exercício de uma atividade economicamente organizada, assim entendida aquele capaz de produzir um excedente como resultado dessa atividade, isto é, maiores receitas do que despesas, o chamado lucro. Imperioso notar que tal superávit não é vedado pela Carta, tampouco pela lei, nos termos do artigo 150, VI, 'c'. O que se impede são os fins lucrativos. Vejamos a lição de Regina Helena Costa sobre o tema (Curso de Direito Tributário, Constituição e Código Tributário Nacional. 3ª ed. Ed. Saraiva, pág. 116): "A qualificação de uma entidade com sendo "sem fins lucrativos" exige o atendimento de dois únicos pressupostos: a não distribuição dos lucros auferidos (ou superávits) e a não reversão do patrimônio da mesma às pessoas que a criaram, com a aplicação dos resultados econômicos positivos obtidos na própria entidade." (destacamos) Fl. 1594DF CARF MF Impresso em 07/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01/ 07/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/07/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 15983.000510/201018 Acórdão n.º 2201003.215 S2C2T1 Fl. 1.590 11 Nesse mesmo sentido caminha a lição de Schoueri. Vejamos (ob. cit., pag 436): "Para a imunidade de que ora se cogita, vale o que já foi exposto (...): o limite da imunidade encontrase quando as referidas entidades deixam as áreas próprias do setor público e passam a atuar no Domínio Econômico. Em outras palavras, também aqui parece aplicável o raciocínio de que a imunidade poderá ser encerrada na medida em que as mencionadas entidades passem a desempenhar atividades que poderiam ser igualmente desempenhadas por terceiros, já que, neste caso, estarão elas revelando a existência de recursos "disponíveis" (i e: não aplicados na sua finalidade essencial), não justificando a falta de tributação" (destacamos) Assentemos: a imunidade das instituições de educação pressupõe a atuação do particular no lugar do Estado, na prestação de serviço público. Tais serviços se caracterizam pela ausência de lucro, assim entendido o superávit da atividade do qual se apropria o particular, pois tal excedente denota capacidade contributiva, o que não se verifica na atividade estatal. Porém, é mister reconhecer que a própria manutenção da atividade, da instituição em si, exige a obtenção de recurso de tal monta que estes superem os dispêndios com a própria atividade, gerando excedentes que se espera, sejam investidos na prestação dos serviços públicos ao quais a entidade se destinou a executar. Do cotejo dos dois limites teóricos, surge a limitação da imunidade mencionada pelos doutrinadores citados. A imunidade das instituições educacionais e de assistência social exige que se cumpra os ditames legais, dentre os quais a ausência de fins lucrativos, assim entendido a ausência de distribuição de qualquer parcela de seu patrimônio ou de suas rendas, a qualquer título e a aplicação integral de seus recursos em seus objetivos institucionais. Dito de outro modo: não se encontram sob o manto da imunidade as parcelas de renda ou de patrimônio que sejam distribuídas ou não sejam reaplicadas na atividade essencial. Não é outra a lição da doutrina. Segundo Schoueri (ob. cit., pág. 437): "Caso, por outro lado, tais entidades atuem no campo do Domínio Econômico, então parece forçosa a extensão da imunidade ao patrimônio, renda ou serviços ali empregados (...) Assim, deve concluirse que a imunidade que ora se trata alcança as atividades que estejam fora do Domínio Econômico, i.e., aquelas que se entendem como serviço público." Logo, esse é o sentido que deve caminhar a interpretação do comando constitucional sobre a imunidade das entidades educacionais e de assistência social. Recordemos o texto da Carta Magna: Fl. 1595DF CARF MF Impresso em 07/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01/ 07/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/07/2016 por EDUARDO TADEU FARAH 12 "Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: (...) VI instituir impostos sobre:(Vide Emenda Constitucional nº 3, de 1993) a) patrimônio, renda ou serviços, uns dos outros; b) templos de qualquer culto; c) patrimônio, renda ou serviços dos partidos políticos, inclusive suas fundações, das entidades sindicais dos trabalhadores, das instituições de educação e de assistência social, sem fins lucrativos, atendidos os requisitos da lei; (...) § 4º As vedações expressas no inciso VI, alíneas "b" e "c", compreendem somente o patrimônio, a renda e os serviços, relacionados com as finalidades essenciais das entidades nelas mencionadas." (negritamos) Tal orientação interpretativa foi adotada pela Primeira Turma do Superior Tribunal de Justiça, ao examinar o REsp 745551/SC em sessão de 18 de outubro de 2005. O voto do Ministro Relator, José Delgado, em suas conclusões textualmente assevera: "Com razão a recorrente. Acrescentese à fundamentação acima expendida que o referido bem importado um aparelho de RX, para Tomografia Computadorizada é diretamente relacionado às suas finalidades essenciais inseridas no desempenho da atividade hospitalar por ela exercida, mais um motivo a corroborar a imunidade alegada." (destacamos) Assentes, com base na doutrina e jurisprudência, no conceito e nos limites da imunidade das instituições de ensino, passemos agora a verificar se o imposto sobre a renda retido na fonte incidente sobre pagamento sem causa ou a beneficiário desconhecido está contido na imunidade estudada. Para tanto, mister verificar a natureza jurídica da retenção do imposto de renda. Cediço que o imposto sobre a renda incide sobre aquilo que a lei, e somente ela, define como renda. Tal afirmação peremptória, em que pese a inúmera doutrina sobre tal conceito, decorre da simples determinação constitucional que a somente a lei complementar disporá sobre os fatos geradores, base de cálculo e contribuintes dos impostos discriminados na Carta da República (artigo 146, III, "a"). Tal missão coube ao Código Tributário Nacional, que explicitou no artigo 43: "Art. 43. O imposto, de competência da União, sobre a renda e proventos de qualquer natureza tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica: I de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos; Fl. 1596DF CARF MF Impresso em 07/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01/ 07/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/07/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 15983.000510/201018 Acórdão n.º 2201003.215 S2C2T1 Fl. 1.591 13 II de proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos no inciso anterior." (negritamos) Inegável, portanto, exceto por aqueles que constroem teorias apartadas do direito constitucional e do direito positivo, que o imposto sobre a renda incide sobre o produto do capital, do trabalho, da combinação de ambos e sobre todos os demais acréscimos patrimoniais não compreendidos nas situações anteriores. Simples assim! Ora, da definição acima cabe a inferência direta: contribuinte do imposto é aquele que aferiu renda, por ter incidido no fato gerador. Correto, mas não só esse. O próprio CTN, ao tratar do sujeito passivo, e novamente cumprindo seu papel constitucional de determinar os sujeitos passivos dos impostos, explicitou no artigo 45, parágrafo único: Art. 45. Contribuinte do imposto é o titular da disponibilidade a que se refere o artigo 43, sem prejuízo de atribuir a lei essa condição ao possuidor, a qualquer título, dos bens produtores de renda ou dos proventos tributáveis. Parágrafo único. A lei pode atribuir à fonte pagadora da renda ou dos proventos tributáveis a condição de responsável pelo imposto cuja retenção e recolhimento lhe caibam. Forçoso recordar, por amor à clareza e a metodologia da interpretação científica, que tal comando em tudo e por tudo se coaduna com a determinação codicista da sujeição passiva tributária, que no artigo 121, explicita que são sujeitos passivos, o contribuinte, por ter relação direita com a ocorrência do fato gerador e o responsável, aquele que sem ser o contribuinte, tem a obrigação determinada pela lei. Com esses permissivos constantes da lei quadro tributária, o legislador competente, fez constar na lei tributária a previsão da retenção do imposto sobre a renda, em especial na Lei nº 7.713/88. Em regra, o imposto sobre a renda retido na fonte é mera antecipação tributária, devendo ser o imposto sobre a renda da pessoa física apurado anualmente, por meio da declaração de ajuste anual. Tal constatação, embora conhecida de todos, é importante para fixarmos que o contribuinte e a incidência tributária não se deslocaram com a forma de tributação disposta pela Lei nº 7.713/88, revelandose, o fonte, mera técnica arrecadatória. Em síntese: Contribuinte é aquele que auferiu renda. Responsável é aquele que pagou o rendimento auferida pelo contribuinte. Ambos sujeitos passivos do imposto sobre a renda, nos termos do artigo 121 do CTN. Voltando os olhos especificamente para o imposto sobre a renda retido na fonte incidente sobre os pagamentos a beneficiários não identificados, encontraremos a seguinte determinação na Lei nº 7.713/88: "Art. 47. Fica sujeito à incidência do imposto de renda exclusivamente na fonte, à alíquota de trinta por cento, todo rendimento real ou ganho de capital pago a beneficiário não identificado." Fl. 1597DF CARF MF Impresso em 07/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01/ 07/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/07/2016 por EDUARDO TADEU FARAH 14 Com a edição da Lei nº 8.981/95 há um alargamento da hipótese de incidência, do imposto sobre a renda retido na fonte incidente sobre o pagamento efetuado pela pessoa jurídica a beneficiário não identificado, vez que tal diploma legal fez constar o dever de retenção e recolhimento também nos casos de pagamento sem causa ou sem comprovação da operação. Vejamos o texto da Lei: "Art. 61. Fica sujeito à incidência do Imposto de Renda exclusivamente na fonte, à alíquota de trinta e cinco por cento, todo pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas a beneficiário não identificado, ressalvado o disposto em normas especiais. § 1º A incidência prevista no caput aplicase, também, aos pagamentos efetuados ou aos recursos entregues a terceiros ou sócios, acionistas ou titular, contabilizados ou não, quando não for comprovada a operação ou a sua causa, bem como à hipótese de que trata o§ 2º, do art. 74 da Lei nº 8.383, de 1991. § 2º Considerase vencido o Imposto de Renda na fonte no dia do pagamento da referida importância. § 3º O rendimento de que trata este artigo será considerado líquido, cabendo o reajustamento do respectivo rendimento bruto sobre o qual recairá o imposto." Inegável a ampliação das situações ensejadoras da tributação exclusiva pelo imposto de renda na fonte à alíquota de 35%. Não só nos casos da ausência da identificação do beneficiário como também nos pagamentos em que não houver a comprovação da motivação de tal pagamento, ou mesmo da operação que ensejou tal remuneração. Até aqui, nada de novo sobre a dinâmica do IR e do IRRF, exceto que, como dito acima, em regra o fonte é antecipação de recolhimento do IR devido. No caso do pagamento sem causa ou a beneficiário não identificado estamos diante de uma exceção posta pela lei. Tratase de tributação exclusiva, ou seja, aquele que percebeu o rendimento, o provento de qualquer natureza ( uma vez que não se pode afirmar que se trata de renda do trabalho, do capital, ou da combinação de ambos), não levará tal base de cálculo e o respectivo tributo recolhido ao ajuste anual a ser realizado pela chamada declaração de imposto de renda. Mister reforçar a conclusão acima, em face da importância da mesma no deslinde da questão: o pagamento sem causa ou a beneficiário não identificado são proventos de qualquer natureza para estes, e portanto, devem ser tributados pelo imposto sobre a renda. A técnica de tributação legalmente determinada é a da tributação exclusiva na fonte com a aplicação de alíquota diferenciada de 35%, nos termos do artigo 61 da Lei nº 8.981/95. Diante do exposto, podemos concluir que o imposto sobre a renda retido na fonte (IRRF) é, em regra, mera antecipação tributária do imposto sobre a renda (IR) devido pelo contribuinte, ou seja, por aquele que auferiu renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho, da combinação de ambos e sobre todos os demais acréscimos patrimoniais não compreendidos nas situações anteriores. Como exceção, e aí teremos o IRRF como técnica arrecadatória, há situações que a lei determina que o fonte seja submetido ao regime da tributação exclusiva, isto é, tanto a renda quanto o tributo recolhidos não serão computados no ajuste anual. Fl. 1598DF CARF MF Impresso em 07/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01/ 07/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/07/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 15983.000510/201018 Acórdão n.º 2201003.215 S2C2T1 Fl. 1.592 15 Assentados na natureza jurídica do imposto sobre a renda retido na fonte, e na definição dos sujeitos passivos, contribuinte e responsável, analisemos se a imunidade das instituições de ensino aproveitando a lição de Hugo de Brito Machado obstacula a incidência da regra jurídica da tributação. Vimos, linhas atrás, que a imunidade das instituições de ensino, por expressa disposição do parágrafo 3º do artigo 150 da Constituição "compreendem somente o patrimônio, a renda e os serviços, relacionados com as finalidades essenciais". Nesse sentido, o IRRF não está compreendido na mutilação de competência da União, ou seja, o imposto sobre a renda retido na fonte, por não incidir sobre o patrimônio, a renda, ou os serviços relacionados com as finalidades essenciais da instituição de ensino, não se encontra ao abrigo da imunidade mista prevista no artigo 150, VI, "c". A uma, porque tal exação decorre da renda auferida por outrem que não a própria entidade imune. Como visto e repetido, o imposto de renda retido na fonte é mera antecipação tributária, ou como exceção, técnica de tributação pela qual se materializa a exclusividade, a separação da renda e do tributo recolhido dos demais rendimentos e antecipações de recolhimento. A duas, porque a instituição de ensino não é contribuinte do IRRF, sendo responsável, ou seja, é sujeito passivo por responsabilidade, nos termos do artigo 45, § u, combinado com o artigo 121, II, ambos do CTN. Nem se diga que, no caso concreto, a incidência tributária não se deu sobre a renda auferida pelo destinatário do pagamento sem causa, uma vez que o tributo, nos termos do parágrafo 3º do artigo 61 acima reproduzido, deva ser calculado considerandose o pagamento realizado como sendo o valor líquido, isto é, o rendimento auferido deve ser recalculado de modo que o valor efetivamente pago seja tal que represente o valor bruto menos o tributo (à alíquota de 35%) devido. Tal método de cálculo é aplicável a todas, simplesmente todas, situações que ensejam a tributação pelo IRRF. Isso é mais uma prova de que o beneficiário do recebimento arcou com o tributo, ou seja, o IR incidiu sobre a renda auferida. Por todo o exposto, entendo que o imposto sobre a renda retido na fonte incidente sobre o pagamento a beneficiário não identificado ou sem causa comprovada não se encontra alcançado pela imunidade tributária das instituições de ensino sem fins lucrativo. Por tal conclusão, voto pelo conhecimento dos embargos propostos, atribuindolhe efeitos infringentes para retificar a decisão proferida, no sentido do conhecimento do recurso voluntário interposto, em face do não reconhecimento da não concomitância de instâncias observada na decisão vergastada. Em tempo, por amor a clareza, também afasto o argumento constante da decisão embargada sobre a necessidade de julgamento em conjunto com o processo administrativo 15983.000817/200985, que trata, no âmbito administrativo da suspensão da imunidade da Recorrente. Ora, se não há concomitância entre o presente procedimento e o judicial por não estar o lançamento que aqui se discute no âmbito da imunidade das entidades educacionais Fl. 1599DF CARF MF Impresso em 07/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01/ 07/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/07/2016 por EDUARDO TADEU FARAH 16 sem fins lucrativos, também não há aplicabilidade da artigo 32, § 9º, da Lei 9.430/96, que versa sobre o julgamento conjunto dos autos de infração lançados em decorrência da suspensão de imunidade, uma vez que a decisão proferida no mencionado processo não afetará, nem tangencialmente, a decisão aqui proferida. Tal afirmação decorre da constatação que não há vinculação entre a obrigação tributária ensejadora do crédito tributário aqui discutido, com o status de entidade imune objeto do processo administrativo acima identificado. Assim, por consequência, passo a apreciar o recurso voluntário na ordem das suas alegações. PRELIMINARES DE NULIDADE AS NULIDADES DO MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL (MPF) Alega a recorrente nulidade no procedimento de fiscalização, com consequente nulidade no lançamento tributário em face de descompasso entre os ditames constantes do mandado e desenvolvimento do procedimento fiscalizatório. Segundo o recurso, o MPF continha determinação de período a ser fiscalizado diverso daquele que efetivamente apurado pelo Fisco. Também, no sentir do recurso, a representação da cassação da imunidade foi realizada fora da vigência do MPF, vez que a primeira prorrogação foi efetivada em abril de 2009 e o MPF original tenha prazo até junho de 2008. Não obstante o exposto, ainda houve extrapolação dos limites do procedimento autorizado pelo mandado, uma vez que dele não constava a avaliação dos requisitos da imunidade tributária. As alegações da Recorrente não merecem prosperar. Vejamos. O mandado de procedimento fiscal foi instituído pelo Decreto nº 3.724 de 2001, e visa: "Regulamenta o art. 6o da Lei Complementar nº105, de 10 de janeiro de 2001, relativamente à requisição, acesso e uso, pela Secretaria da Receita Federal, de informações referentes a operações e serviços das instituições financeiras e das entidades a elas equiparadas." No bojo de suas disposições encontramos: " Art. 2º Os procedimentos fiscais relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil serão executados, em nome desta, pelos Auditores Fiscais da Receita Federal do Brasil e somente terão início por força de ordem específica denominada Mandado de Procedimento Fiscal (MPF), instituído mediante ato da Secretaria da Receita Federal do Brasil. (...) §4o O Secretário da Receita Federal do Brasil estabelecerá os modelos e as informações constantes do MPF, os prazos para sua execução, as autoridades fiscais competentes para sua expedição, bem como demais hipóteses de dispensa ou situações em que seja necessário o início do procedimento Fl. 1600DF CARF MF Impresso em 07/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01/ 07/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/07/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 15983.000510/201018 Acórdão n.º 2201003.215 S2C2T1 Fl. 1.593 17 antes da expedição do MPF, nos casos em que haja risco aos interesses da Fazenda Nacional. §5oA Secretaria da Receita Federal do Brasil, por intermédio de servidor ocupante do cargo de AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, somente poderá examinar informações relativas a terceiros, constantes de documentos, livros e registros de instituições financeiras e de entidades a elas equiparadas, inclusive os referentes a contas de depósitos e de aplicações financeiras, quando houver procedimento de fiscalização em curso e tais exames forem considerados indispensáveis. §6oA Secretaria da Receita Federal do Brasil, por intermédio de seus administradores, garantirá o pleno e inviolável exercício das atribuições do AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil responsável pela execução do procedimento fiscal. (...)" (destacamos) Claro resta, da leitura atenta dos trechos destacados, que o Mandado de Procedimento Fiscal tem por finalidade a simples instauração do procedimento de fiscalização, visando a otimização dos recursos humanos disponíveis no âmbito da Receita Federal do Brasil, em especial, dos servidores competentes para o desenvolvimento dos procedimentos fiscais, os Auditores Fiscais da Receita Federal do Brasil. Nesse sentido, exceto nos casos textualmente elencados, os procedimentos fiscais devem ser precedidos de MPF e nesse sentido, por expressa disposição do artigo 2º do Decreto nº 3.724/01, são imprescindíveis. Porém, como textualmente expresso no parágrafo 6º do artigo 2 mencionado, a Secretaria da Receita Federal do Brasil, deve garantir as prerrogativas dos Auditores Fiscais uma vez que o pleno e inviolável exercício dessas prerrogativas decorrem de lei, lei tributária que visa garantir o interesse público na obtenção dos recursos derivados necessários para o custeio do Estado Brasileiro. Nesse sentido, mister realçar que tais prerrogativas, são poderes/deveres do Fisco, em razão de expressa disposição do artigo 142 do CTN, que determina ser a atividade do lançamento vinculada e obrigatória, não cabendo portanto, limitações ao exercício do dever de lançamento do Auditor Fiscal quando por ele verificado o crédito tributário. Claro que findo o processo inquisitório da fiscalização, haverá por meio do devido processo administrativo tributário, em que se garante o contraditório e a ampla defesa o necessário controle de legalidade dos atos praticados pelo Auditor Fiscal. Assim, verifico como aliás reconhece o próprio recorrente a existência prévia do MPF devidamente instaurado, sendo o procedimento fiscal todo amparado pela ordem prévia emanada da autoridade competente, nos termos do Decreto nº 3.724/01. Em acréscimo, mister ressaltar que como bem apontado na decisão de piso, houve também o cumprimento da Portaria RFB nº 11.371/07, que normatizou o desenvolvimento dos procedimentos fiscais no âmbito da Receita Federal. Portanto, ao se considerar que a ciência do MPF darseá pela internet, eventual ausência de ciência em termo de prorrogação de MPF , ou ausência de especificidades Fl. 1601DF CARF MF Impresso em 07/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01/ 07/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/07/2016 por EDUARDO TADEU FARAH 18 do procedimento fiscal no termo de mandado não são vícios, vez que não constam das normas instituidoras do mandado de procedimento, quanto mais ensejadores da nulidade arguída. Não obstante o exposto, mister recordar que as nulidades no âmbito do processo administrativo fiscal (PAF), são as determinadas no artigo 59 do Decreto nº 70.235, ou seja, os atos emandos das autoridade incompetentes e os praticados com preterição do direito de defesa. Nenhum dos vícios ensejadores da nulidade foram observados no curso do procedimento fiscal ou do processo administrativo, pois os mandados questionados foram expedidos por servidor competente. Por fim, quanto à decisão de piso, entendoa motivada e fundamentada quanto ao tema, não havendo reparos a serem realizados. Pelo exposto, afasto as nulidades apontadas no recurso, uma vez que não encontram amparo na legislação de regência. DA INVALIDADE DA AÇÃO FISCAL POR INOBSERVÂNCIA DO DISPOSTO NAS PORTARIAS Nº 500/95 E 3.007/01. DA SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL . Segundo o recurso, o procedimento fiscal instaurado não cumpriu os requisitos constantes das Portarias nº 500/95 e 3.007/01 da Secretaria da Receita Federal do Brasil, o que fere os princípios norteadores da Administração Pública, em especial os da impessoalidade, imparcialidade e justiça fiscal. Segundo tais portarias as unidades descentralizadas da Receita deverão seguir o planejamento das atividades de fiscalização elaborado pela Coordenação Geral de Fiscalização. No curso do procedimento fiscalizatório o contribuinte, aqui recorrente, solicitou informação à Delegacia da Receita Federal em Santos, que em resposta, asseverou o cumprimento de tais normas. São os termos da resposta: "Com o presente, acusamos o recebimento da petição protoco lizada nesta Delegacia da Receita Federal do Brasil em 15/06/2010 (Protocolo Auxiliam" 041153). Esclarecemos, então, que o Instituto Superior de Educação Santa Cecília ISESC foi selecionado para fiscalização com total observância das normas para execução de procedimentos fiscais estabelecidas pela CoordenaçãoGeral de Fiscalização COFIS. A ação fiscal programada para o ISESC está prevista nos quantitativos das atividades fiscais proposta por esta Delegacia e incluídos no planejamento da atividades de fiscalização de tributos federais aprovado pela COFIS, conforme disciplinado no artigo 1º da Portaria mencionada na petição dessa instituição. Portanto, assim como toda a programação de fiscalização desta Delegacia, a seleção para fiscalização observou os princípios do interesse público, da Impessoalidade, da imparcialidade, da finalidade, da razoabilidade e da justiça fiscal, com vistas a prevenção e combate à evasão fiscal." Não satisfeito, o contribuinte alega invalidade da ação fiscal em razão de não saber os motivos da fiscalização. Fl. 1602DF CARF MF Impresso em 07/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01/ 07/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/07/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 15983.000510/201018 Acórdão n.º 2201003.215 S2C2T1 Fl. 1.594 19 Ora, qual a nulidade observada no procedimento? Qual a norma violada? Em que medida? Cediço que a Administração Pública no exercício de seu mister, ostenta presunção de legalidade dos atos que pratica, devendo rever de ofício qualquer mácula que eventual ostente. Ao ser demando pelo administrado sobre o cumprimento da norma, a autoridade competente, agindo por delegação da autoridade superior, informa o cumprimento da legislação de regência do ato administrativo praticado. Nesse sentido, exsurge a presunção, a fé pública do servidor de carreira competente para tanto. O Fisco, como parte integrante da Administração Pública, exercente de função típica de Estado, prima pelo cumprimento da legislação tributária, se vinculando às normas exaradas inclusive no âmbito da administração. Nesse sentido, ao informar ao contribuinte que a motivação da procedimento fiscal se encontra amparado nas normas aplicáveis, surge uma presunção iures tantum, relativa portanto, dessa adequação. Por ser uma presunção relativa, cabe prova em contrário. Logo, entendendo haver descumprimento das portarias mencionadas, caberia ao contribuinte indagar à Coordenação Geral de Fiscalização sobre a questão e apresentar sua prova para que este julgador administrativo pudesse valorála. Compulsando os autos, não encontro o afastamento da presunção relativa. Nem se diga, como quer fazer crer o contribuinte em seu recurso, que exigir dele a demonstração do descumprimento da portaria, seria exigir a produção de prova negativa. Como dito, bastaria simples requerimento à Autoridade Competente para elucidação da questão Em tempo, quanto à decisão de piso, entendoa motivada e fundamentada quanto ao tema, não havendo reparos a serem realizados. Nesse sentido, afasto a nulidade arguida. DA NULIDADE DO LANÇAMENTO. POR CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA Alega o Recorrente cerceamento do direito de defesa uma vez que os documentos constantes do Termo de Verificação Fiscal não lhe foram franqueados. Vejamos seus argumentos (fls 1426): "Sirva de exemplo o que se contém à página 10/12 do "TERMO DE VERIFICAÇÃO E DE CONSTATAÇÃO FISCAL", segundo parágrafo, onde o i. AFRFB autuante faz referência às "DECLARAÇÕES DE IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTEDIRF" que embasaram a desvinculação do RECORRENTE do PROUNI, sem que tais documentos lhe tenham sido entregues, impedindo por completo a sua defesa nesse aspecto, o qual corresponde ao ponto nodal da autuação, tanto que ali constou: Fl. 1603DF CARF MF Impresso em 07/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01/ 07/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/07/2016 por EDUARDO TADEU FARAH 20 "Os fatos acima citados, com relação ao quantitativo de bolsas distribuídas e a comprovação da exigência determinada nos artigos 1° da MP 213/2004 e da Lei 11096/2005 (renda per capita), descaracterizam o Instituto Superior de Educação Santa Cecília ISESC de adesão ao PROUNI, consequentemente, da isenção dos impostos e contribuições estabelecidos no art° 8° da referida legislação" Com base nesse exemplo que como expressamente dito pelo Recorrente no excerto acima transcrito, é o ponto nodal do lançamento traz vasta citações de exauditores da Receita, sobre a ofensa à ampla defesa existente no procedimento de fiscalização. Novamente não se verifica a nulidade alegada. Não há ofensa à ampla defesa. Em primeiro lugar, por um motivo de uma simplicidade franciscana. O documento que, segundo o recorrente, não foi entregue ao Fisco, e por isso não é de conhecimento do Recorrente, só pode ter sido por ele produzido, uma vez que se trata de uma declaração de imposto de renda retido na fonte. Ora, beira a insensatez dizer que houve cerceamento do direito de defesa por falta de acesso a um documento produzido necessariamente pelo sujeito passivo. Não obstante a flagrante desnecessidade de qualquer outro argumento contrário, mister ressaltar que na dialética processual instaurada pela impugnação ao lançamento, cabe ao autor, o Fisco, a comprovação de seu direito e ao contribuinte, o réu, a comprovação dos fatos modificativos, impeditivos e extintivos do direito do credor. No caso, a se considerar que tal documento não foi franqueado ao contribuinte, ele é comprovador do lançamento e portanto, embasador do direito de crédito do Fisco. Não se pode esquecer que, em regra, tratase de documento produzido pelo próprio contribuinte, como em regra como dito são todos os documentos que comprovam a ocorrência do fato gerador tributário. Ciente deste crédito por meio do Auto de Infração, é dele, das alegações fiscais, que o contribuinte irá se defender, recordando que os documentos que embasam essa pretensão são oriundos do próprio contribuinte. Para suprir tal deficiência, se existente o que não se observa no caso em apreço basta simples consulta aos autos. Necessário realçar que no caso em apreço impossível tal necessidade uma vez que a prova documental controvertida necessariamente foi produzida pelo Recorrente. Logo não se observa nenhum cerceamento ao direito de defesa. E mais, quanto à decisão de primeiro grau, entendoa motivada e fundamentada quanto ao tema, não havendo reparos a serem realizados. No mérito DA IMPOSSIBILIDADE DE CANCELAMENTO ADMINISTRATIVO DA IMUNIDADE EM RAZÃO DA EXISTÊNCIA DE AÇÕES JUDICIAIS Alega a Recorrente, com base em farta jurisprudência administrativa, a impossibilidade de análise no âmbito da Administração Pública, de questões submetidas ao crivo do Judiciário. Fl. 1604DF CARF MF Impresso em 07/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01/ 07/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/07/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 15983.000510/201018 Acórdão n.º 2201003.215 S2C2T1 Fl. 1.595 21 Sobre o tema, já me pronunciei de maneira exaustiva quando da análise dos embargos interpostos pela DRF Santos. Assim, por todo o exposto acima, nego seguimento ao recurso nessa parte, por entender que o lançamento tributário contra o qual se insurge o Recorrente, não está protegido pela imunidade discutida nos processos judiciais mencionados no Recurso. Com essa premissa, entendo despiciendo analisar a decisão de piso sobre a questão. DA PRETENSA IMUNIDADE VIGENTE SOB O MANTO DA MPV Nº 446/08 Novamente as alegações do recurso se tornam irrelevantes, com as considerações sobre o efeito da imunidade em discussão sobre o lançamento tributário controvertido. No mesmo sentido, desnecessário, para o deslinde do caso em apreço, a discussão sobre a impossibilidade da RFB desvincular a Recorrente do PROUNI. DA INVALIDADE DA TRIBUTAÇÃO DE QUE TRATA O AUTO DE INFRAÇÃO IMPUGNADO Alega a recorrência a improcedência do lançamento tributário, efetuado com fulcro no descumprimento de preceito constante no artigo 61 da Lei 8.891/95. São seus argumentos (fls 1456): "Data vénia, improcede inteiramente a tributação a í esse título. De fato, o artigo 674 do RIR/99, que reproduz integralmente o artigo 61 da LEI N° 8.981/95, assim está redigido: "Art. 674. Está sujeito à incidência do imposto, exclusivamente na fonte, à alíquota de trinta e cinco por cento, todo pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas a beneficiário não identificado, ressalvado o disposto em normas especiais (Lei n° 8.981, de 1995, Art. 61). Ora, por certo, improcede a autuação realizada, visto que, em primeiro lugar, conforme (descrito no "TERMO DE VERIFICAÇÃO E DE CONSTATAÇÃO FISCAL", acima reproduzido (SUBITEM 6.1), os pagamentos tidos como efetuados a "beneficiário não identificado" tiveram o seu destino perfeitamente reconhecido (as empresas TSL ASSESSORIA EDUCACIONAL LTDA. e NCM PROMOÇÕES E EVENTOS LTDA.), fato esse, por si só, suficiente para nulificar o auto dp infração lavrado, como, aliás, já decidiu o E. PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, no ACÓRDÃO N° 10616.863 (RECURSO N° 156.969), em 24/04/2008. cuja ementa contém: (...)" (sulbinhados nossos) Novamente não assiste razão ao Recorrente. Fl. 1605DF CARF MF Impresso em 07/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01/ 07/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/07/2016 por EDUARDO TADEU FARAH 22 Como dito, o lançamento é relativo ao imposto de renda retido na fonte incidente sobre o pagamento a beneficiário não identificado ou sem comprovação de causa. O próprio recurso aponta o fundamento legal, que é claríssimo. Simples leitura do texto da Lei nº 8.981/95 elucida a questão e afasta a alegação constante do apelo: "Art. 61. Fica sujeito à incidência do Imposto de Renda exclusivamente na fonte, à alíquota de trinta e cinco por cento, todo pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas a beneficiário não identificado, ressalvado o disposto em normas especiais. § 1º A incidência prevista no caput aplicase, também, aos pagamentos efetuados ou aos recursos entregues a terceiros ou sócios, acionistas ou titular, contabilizados ou não, quando não for comprovada a operação ou a sua causa, bem como à hipótese de que trata o§ 2º, do art. 74 da Lei nº 8.383, de 1991." (destacamos) Logo, os singelos argumentos apresentados pelo Recorrente que a identificação do beneficiário afasta o lançamento são afastados com a mera leitura do texto legal. Cumpre ainda ressaltar que em que pese os sólidos conhecimentos do autores do RIR 99 comentado e apresentado como respaldo doutrinário sobre a exação representada pelo artigo 61 da Lei nº 8.981/95, a exação decorre da lei. Como dito acima, ao analisar os embargos de declaração acatados, há nítida ampliação da incidência da tributação exclusiva com base no imposto de renda retido pelo artigo 61 da Lei nº 8.981/95. Quanto aos argumentos relativos ao descabimento da exigência do Imposto sobre a Renda no caso em apreço, por conta do aspecto de penalidade da norma, cabe a reprodução do meu entendimento exarado páginas atrás: "Até aqui, nada de novo sobre a dinâmica do IR e do IRRF, exceto que, como dito acima, em regra o fonte é antecipação de recolhimento do IR devido. No caso do pagamento sem causa ou a beneficiário não identificado estamos diante de uma exceção posta pela lei. Tratase de tributação exclusiva, ou seja, aquele que percebeu o rendimento, o provento de qualquer natureza ( uma vez que não se pode afirmar que se trata de renda do trabalho, do capital, ou da combinação de ambos), não levará tal base de cálculo e o respectivo tributo recolhido ao ajuste anual a ser realizado pela chamada declaração de imposto de renda. Mister reforçar a conclusão acima, em face da importância da mesma no deslinde da questão: o pagamento sem causa ou a beneficiário não identificado são proventos de qualquer natureza para estes, e portanto, devem ser tributados pelo imposto sobre a renda. A técnica de tributação legalmente determinada é a da tributação exclusiva na fonte com a aplicação de alíquota diferenciada de 35%, nos termos do artigo 61 da Lei nº 8.981/95." Fl. 1606DF CARF MF Impresso em 07/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01/ 07/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/07/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 15983.000510/201018 Acórdão n.º 2201003.215 S2C2T1 Fl. 1.596 23 Logo, não vejo, no direito tributário positivo, o aspecto de sanção na norma esculpida no artigo 61 da Lei nº 8.981/95. É mera técnica arrecadatória do imposto sobre a renda. Pelo exposto, nego provimento ao recurso voluntário nessa parte. Conclusão Diante dos argumentos e fundamentos apresentados, voto por conhecer dos embargos de declaração apresentados pela DRF Santos, e acatálos, com efeitos infringentes, para saneando a contrariedade apontada, afastar a concomitância reconhecida no acórdão vergastado e conhecendo do Recurso Voluntário interposto, afastar as preliminares de nulidade argüidas, e no mérito negarlhe provimento, mantendo o crédito tributário em sua totalidade. Carlos Henrique de Oliveira Relator Fl. 1607DF CARF MF Impresso em 07/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01/ 07/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/07/2016 por EDUARDO TADEU FARAH
score : 1.0
Numero do processo: 12326.001742/2010-49
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 14 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue May 03 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2008
Ementa:
IRPF. MOLÉSTIA GRAVE
Somente estão acobertados pela isenção concedida aos portadores de moléstia grave, os rendimentos de aposentadoria recebidos a partir da data em que a doença foi contraída, quando identificada no laudo pericial.
Numero da decisão: 2201-003.125
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade votos, dar provimento parcial ao recurso para considerar como rendimento tributável o montante de R$ 49.993,02, em substituição ao valor anteriormente considerado pela decisão de primeira instância.
Assinado Digitalmente
Eduardo Tadeu Farah Presidente e Relator
EDITADO EM: 30/04/2016
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Eduardo Tadeu Farah (Presidente), Carlos Henrique de Oliveira, Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos Cesar Quadros Pierre e Ana Cecilia Lustosa da Cruz. Ausente, justificadamente, a Conselheira Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente convocada).
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MOLÉSTIA GRAVE Somente estão acobertados pela isenção concedida aos portadores de moléstia grave, os rendimentos de aposentadoria recebidos a partir da data em que a doença foi contraída, quando identificada no laudo pericial. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade votos, dar provimento parcial ao recurso para considerar como rendimento tributável o montante de R$ 49.993,02, em substituição ao valor anteriormente considerado pela decisão de primeira instância. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah – Presidente e Relator EDITADO EM: 30/04/2016 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Eduardo Tadeu Farah (Presidente), Carlos Henrique de Oliveira, Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos Cesar Quadros Pierre e Ana Cecilia Lustosa da Cruz. Ausente, justificadamente, a Conselheira Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente convocada). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 32 6. 00 17 42 /2 01 0- 49 Fl. 76DF CARF MF Impresso em 03/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH 2 Relatório Trata o presente processo de lançamento de ofício relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, anocalendário 2007, consubstanciado na Notificação de Lançamento de fls. 03/05, pela qual se exige o pagamento do crédito tributário total no valor de R$ 10.613,99. De acordo com a Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, fl. 6, a fiscalização apurou "... omissão de rendimentos tributáveis recebidos de Pessoa Jurídica, sujeitos à tabela progressiva, no valor de R$ 66.657,45 recebido(s) pelo titular e/ou dependentes, da(s) fonte(s) pagadora(s) relacionada(s) abaixo, indevidamente declarados como isentos e/ou nãotributáveis, em razão de o contribuinte não ter comprovado ser portador de moléstia considerada moléstia grave ou sua condição de aposentado, pensionista ou reformado nos termos da legislação em vigor...". Cientificada do lançamento, a Curadora do Sr. Alberto Lyra, a Sra. Carla Lyra Ganem (documentos às fls. 12 e 14), ingressou com a impugnação de fl. 01, alegando, conforme se extrai do relatório de primeira instância, verbis: ... que seu pai encontrase interditado judicialmente com sentença transitada em julgado por ser portador de demência (CID 10 F03), além de ser portador de cardiopatia grave. Sendo assim, está solicitando a restituição do imposto retido no ano calendário 2008, visto que o mesmo foi retido na fonte indevidamente já que, desde 2007, o contribuinte encontrase isento do imposto de renda pessoa física, de acordo com o art. 6º, XIV, da Lei nº 7.713/88. Por fim, argui que está anexando aos autos os documentos que ratificam suas alegações e se coloca à disposição para quaisquer outros esclarecimentos. Ressaltese que o processo foi encaminhado à Junta Médica da GRA/RJ, em 25/03/2011, por intermédio da Diligência DRJ/RJ2/2ª Turma nº 869/2011 (fl. 35) que, em atenção, expediu o laudo pericial oficial de fl. 36. A 2ª Turma da DRJ Rio de Janeiro/RJ2 julgou procedente em parte a impugnação, conforme ementa abaixo transcrita: OMISSÃO DE RENDIMENTOS. MOLÉSTIA GRAVE. Existindo laudo ou parecer emitido por serviço médico oficial atestando ser o contribuinte portador de moléstia grave, justificada está a isenção prevista no artigo 6º, inciso XIV, da Lei nº 7.713/1988, com a redação dada pela Lei nº 11.052, de 29 de dezembro de 2004, sobre proventos provenientes de aposentadoria lançados como omissos pela fiscalização. O Contribuinte foi cientificado da decisão de primeira instância em 21/06/2013 (fl. 51) e, em 19/07/2013, interpôs o recurso de fls. 54/57, sustentando, essencialmente, os mesmos argumentos postos em sua impugnação. É o relatório. Voto Fl. 77DF CARF MF Impresso em 03/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 12326.001742/201049 Acórdão n.º 2201003.125 S2C2T1 Fl. 3 3 Conselheiro Eduardo Tadeu Farah, Relator O recurso reúne os requisitos de admissibilidade. Em seu apelo alega a Curadora do Sr. Alberto Lyra, a Sra. Carla Lyra Ganem, que o contribuinte é portador de moléstia grave desde fevereiro de 2003 e, consequentemente, os rendimentos declarados em sua DIRPF/2007 não poderiam ser alcançados pela tributação, conforme documentos carreados às fls. 38/53. Inicialmente, convém trazer a lume as prescrições dispostas no inciso XXXIII do art. 39 do Decreto nº 3000/1999 RIR/1999, bem como no § 4º do mesmo artigo: Art. 39. Não entrarão no cômputo do rendimento bruto: XXXIII – os proventos de aposentadoria ou reforma, desde que motivadas por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, estados avançados de doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome de imunodeficiência adquirida, e fibrose cística (mucoviscidose), com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma (Lei nº 7.713, de 1988, art. 6º, inciso XIV, Lei nº 8.541, de 1992, art. 47, e Lei nº 9.250, de 1995, art. 30, §2º);... §4º Para o reconhecimento de novas isenções de que tratam os incisos XXXI e XXXIII, a partir de 1º de janeiro de 1996, a moléstia deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, devendo ser fixado o prazo de validade do laudo pericial, no caso de moléstias passíveis de controle (Lei nº 9.250, de 1995, art. 30 e §1º). Pelo que se depreende da análise o excerto legal, para fazer jus à isenção pleiteada é necessário que a moléstia grave esteja prevista em lei e que os rendimentos percebidos por portador dessas moléstias sejam oriundos de aposentadoria, pensão ou reforma, bem como a moléstia grave seja comprovada através de laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. Dito isso, compulsandose os autos, mais precisamente o documento sem título assinado pelo médico Dr. Mario Jorge Pereira Reis, fl. 61, além da Declaração de Internação, fl. 70, verificase que os citados documentos não se prestam a comprovar a moléstia grave, já que não estão revestidos das formalidades legais que o caracterize como Laudo Pericial e tampouco foi emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios, nos estritos termos da legislação supracitada, bem como na forma do §1º e seguintes do art. 5º da IN SRF nº 15/2001. Assim, em que pese todos os argumentos da defesa, mormente que esse tipo de moléstia não se manifesta subitamente, acompanho o entendimento da autoridade recorrida Fl. 78DF CARF MF Impresso em 03/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH 4 de que "... de acordo com o laudo pericial exarado pela superintendência de Administração do Ministério da Fazenda, em 02/06/2011 (fl.36), o Sr. Alberto Lyra é portador de alienação mental, desde 09/10/2007, data da Interdição da Perícia Judicial (fls.15/16)". Por fim, verifico que assiste razão à defesa, relativamente à alegação de que o acórdão recorrido incorreu em erro ao calcular o rendimento tributável, já que o laudo reconheceu a patologia a partir do mês de outubro de 2007, portanto, o rendimento tributável a ser considerado é de R$ 49.993,02 (R$ 66.657,45 / 12 = R$ 5.554,78 X 9). Ante a todo o exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso para considerar como rendimento tributável o montante de R$ 49.993,02, em substituição ao valor anteriormente considerado pela decisão de primeira instância. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah Fl. 79DF CARF MF Impresso em 03/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH
score : 1.0
Numero do processo: 10880.035362/97-95
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 15 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Aug 08 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 1992
ITR. PAGAMENTO A MAIOR. RESTITUIÇÃO. CONVERSÃO DE MOEDA. ATUALIZAÇÃO DE VALOR.
A partir de 1º de janeiro de 1996, a compensação ou restituição será acrescida de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia - SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente, calculados a partir da data do pagamento indevido ou a maior até o mês anterior ao da compensação ou restituição e de 1% relativamente ao mês em que estiver sendo efetuada, conforme artigo 39 da Lei 9.250, de 1995.
Abrange ela tanto a recomposição do valor da moeda como juros propriamente. Assim, afasta a aplicação cumulativa de qualquer outro indexador (UFIR, por exemplo) ou taxa de juros. A SELIC é aplicável a contar de janeiro de 1996. Dessa feita, se posterior o indébito, aplica-se a SELIC desde o pagamento indevido. Se anterior, aplicam-se os indexadores de correção monetária até dezembro de 1995 e, então, a SELIC.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2202-003.462
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
Assinado digitalmente
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente.
Assinado digitalmente
Marcio Henrique Sales Parada - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dílson Jatahy Fonseca Neto, Rosemary Figueiroa Augusto (Suplente Convocada), Martin da Silva Gesto e Márcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: MARCIO HENRIQUE SALES PARADA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 1992 ITR. PAGAMENTO A MAIOR. RESTITUIÇÃO. CONVERSÃO DE MOEDA. ATUALIZAÇÃO DE VALOR. A partir de 1º de janeiro de 1996, a compensação ou restituição será acrescida de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia - SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente, calculados a partir da data do pagamento indevido ou a maior até o mês anterior ao da compensação ou restituição e de 1% relativamente ao mês em que estiver sendo efetuada, conforme artigo 39 da Lei 9.250, de 1995. Abrange ela tanto a recomposição do valor da moeda como juros propriamente. Assim, afasta a aplicação cumulativa de qualquer outro indexador (UFIR, por exemplo) ou taxa de juros. A SELIC é aplicável a contar de janeiro de 1996. Dessa feita, se posterior o indébito, aplica-se a SELIC desde o pagamento indevido. Se anterior, aplicam-se os indexadores de correção monetária até dezembro de 1995 e, então, a SELIC. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente. Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada - Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dílson Jatahy Fonseca Neto, Rosemary Figueiroa Augusto (Suplente Convocada), Martin da Silva Gesto e Márcio Henrique Sales Parada.
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PAGAMENTO A MAIOR. RESTITUIÇÃO. CONVERSÃO DE MOEDA. ATUALIZAÇÃO DE VALOR. A partir de 1º de janeiro de 1996, a compensação ou restituição será acrescida de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente, calculados a partir da data do pagamento indevido ou a maior até o mês anterior ao da compensação ou restituição e de 1% relativamente ao mês em que estiver sendo efetuada, conforme artigo 39 da Lei 9.250, de 1995. Abrange ela tanto a recomposição do valor da moeda como juros propriamente. Assim, afasta a aplicação cumulativa de qualquer outro indexador (UFIR, por exemplo) ou taxa de juros. A SELIC é aplicável a contar de janeiro de 1996. Dessa feita, se posterior o indébito, aplicase a SELIC desde o pagamento indevido. Se anterior, aplicamse os indexadores de correção monetária até dezembro de 1995 e, então, a SELIC. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Marco Aurélio de Oliveira Barbosa – Presidente. Assinado digitalmente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 03 53 62 /9 7- 95 Fl. 158DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 03 /08/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10880.035362/9795 Acórdão n.º 2202003.462 S2C2T2 Fl. 159 2 Marcio Henrique Sales Parada Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dílson Jatahy Fonseca Neto, Rosemary Figueiroa Augusto (Suplente Convocada), Martin da Silva Gesto e Márcio Henrique Sales Parada. Relatório Trata o presente processo de pedido de restituição protocolado pela contribuinte acima identificada, em 19/12/1997, requerendo a restituição do valor pago a título de ITR, relativo ao exercício de 1992, tendo por objeto o imóvel rural denominado "Fazenda Tendas", localizado no município de Três Corações/MG, no valor originário de Cr$ 48.894.512,52, que com as conversões monetárias que entende cabíveis corresponderia a R$ 7.419,03. Alegou, em síntese, que se tratava de pagamento indevido, pois referirseia a Notificação declarada nula, por uma decisão da Delegacia da Receita Federal competente. Entregara uma DITR com as informações sobre a área e, dentro do prazo legal, apresentara uma declaração retificadora. A Receita Federal, porém, ao efetuar o lançamento e encaminhar a Notificação para pagamento do tributo, usara os dados da primeira declaração, sem considerar, como deveria, a retificadora. O pedido de restituição foi indeferido pela DRF em Varginha/MG, que apontou que o valor pleiteado de R$ 7.419,03 corresponde a conversão em reais de 8.145,62 UFIR pelo valor da UFIR mensal de R$ 0,9108 (dezembro de 1997), quando o correto seria a conversão pela UFIR no valor de R$ 0,8287 (janeiro de 1996). Essa diferença transformaria o "saldo credor" requerido em dívida de ITR, lançado. Foi resguardado o direito de manifestação de inconformidade à Delegacia da Receita Federal de Julgamento (DRJ). A interessada apresentou sua manifestação, houve um despacho para saneamento dos autos feito pela DRJ e nova manifestação da contribuinte, requerendo, em síntese que: fosse anulado o despacho decisório da DRF em Varginha/MG; fosse retificado o lançamento do ITR/1992, referente ao imóvel cadastrado sob o nº 1.682.3588; fosse ela intimada sobre o procedimento de retificação para manifestação prévia. Ao analisar os autos e os pedidos da contribuinte, assim dispôs, em resumo, a DRJ em Brasília/DF: a) não se vislumbra qualquer vício de nulidade no despacho proferido pela DRF em Varginha/MG. Rejeitou tal preliminar. b) não obstante a interessada requerer a restituição integral do valor pago a título de ITR/1992, em 21/12/1992, cabe deduzir deste valor aquele efetivamente devido a título do imposto naquele exercício, referente à Fazenda "Tendas". Explica que a Notificação original foi considerada nula mas depois de processadas as devidas correções nas áreas e no VTN declarados, foi efetuado o lançamento do ITR no valor de CR$ 3.043,65, também com vencimento em 21/12/1992. Entendeu que esse valor caberia ser considerado como dedução do valor pretendido como a restituir neste processo. Deduzindo o valor pago em 21/12/1992, de Fl. 159DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 03 /08/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10880.035362/9795 Acórdão n.º 2202003.462 S2C2T2 Fl. 160 3 Cr$ 48.894.512,52, do efetivamente devido de Cr$ 3.043.650,00, encontrou R$ 5.543,17, utilizando como fator de conversão a UFIR de R$ 0,8287. Assim, reputouse procedente em parte a impugnação apresentada, determinando a restituição de R$ 5.543,17. Esclareceu que valor deveria ser corrigido pela Taxa Selic acumulada de janeiro de 1996 até o mês anterior à restituição/compensação, mais 1% no mês de sua efetivação. Em 18 de julho de 2011(fl. 137), a contribuinte apresentou recurso voluntário em face do Acórdão da DRJ, com as seguintes razões, em suma: 1 Em 21/12/1992, a contribuinte efetuou o recolhimento de Cr$ 48.894.512,52, relativos ao ITR/1992, de seu imóvel. Ocorre que tal valor foi recolhido indevidamente, pois havia incorreções na declaração, o que ocasionou um pagamento "em valor maior que o devido", apesar de ter sido apresentada uma declaração retificadora. Destaca que tal valor, convertido em moeda corrente na data do pedido de restituição corresponde a R$ 7.419,03. 2 A Autoridade Julgadora considerou que no pedido de restituição houve utilização incorreta da UFIR para conversão em Reais. Utilizou então a UFIR de janeiro de 1996 (0,8287) quando o correto, entende a recorrente, seria a UFIR de dezembro de 1997 (0,9108), como pretende. Isso porque o pedido de restituição foi feito em 19 de dezembro de 1997. PEDE o reconhecimento de seu direito creditório "integral". É o Relatório. Voto Conselheiro Marcio Henrique Sales Parada, relator. Não localizei nestes autos o Aviso de Recebimento ou qualquer referência à data em que o contribuinte foi efetivamente cientificado do Acórdão recorrido. Não é possível, assim, verificar a tempestividade do recurso apresentado em 18 de julho de 2011 (fl. 137). Aplico o disposto no § 1º do artigo 239 do Código de Processo Civil de 2015 e, atendidas as demais condições de admissibilidade, tomo conhecimento do recurso. O recurso é um tanto contraditório. De sua leitura verificase que a contribuinte reconhece que havia um ITR a pagar relativo ao exercício de 1992. É certo que o valor não era aquele que foi pago em 21/12/1992, mas, na condição de contribuinte, havia para ela um ônus tributário. Foi entregue uma declaração com valores errados isso já foi reconhecido pela Receita Federal que gerou uma Notificação com valor acima do devido. Entretanto, corrigidos esses valores, permaneceu uma dívida tributária que, em parte, deve ser quitada com o valor recolhido através do DARF aqui em questão (fl. 03), restituindose a diferença. Isso já foi explicado pelo Julgador a quo. Também foi explicado como se chegou ao valor efetivamente devido. Esse cálculo não é questionado no recurso. Então, não pode pretender a recorrente ter reconhecido "integralmente o crédito pleiteado", como consta do pedido. Fl. 160DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 03 /08/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10880.035362/9795 Acórdão n.º 2202003.462 S2C2T2 Fl. 161 4 A questão, portanto, em sede recursal, cingese apenas à conversão em moeda corrente (Reais) do valor a ser restituído, por conta de divergência com o índice referencial de valores a ser empregado UFIR, se aquele referente a janeiro de 1996, como usou a DRJ, ou aquele referente a dezembro de 1997 (data do pedido de restituição), como pretende a recorrente. Vejamos a legislação aplicável à matéria, que grifo para esclarecer. Lei nº 8.383, de 1991: Art. 66. Nos casos de pagamento indevido ou a maior de tributos, contribuições federais, inclusive previdenciárias, e receitas patrimoniais, mesmo quando resultante de reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória, o contribuinte poderá efetuar a compensação desse valor no recolhimento de importância correspondente a período subseqüente. (Redação dada pela Lei nº 9.069, de 29.6.1995) (Vide Lei nº 9.250, de 1995) § 1º ... § 2º ... § 3º A compensação ou restituição será efetuada pelo valor do tributo ou contribuição ou receita corrigido monetariamente com base na variação da UFIR. (Redação dada pela Lei nº 9.069, de 29.6.1995) § 4º As Secretarias da Receita Federal e do Patrimônio da União e o Instituto Nacional do Seguro Social INSS expedirão as instruções necessárias ao cumprimento do disposto neste artigo. (Redação dada pela Lei nº 9.069, de 29.6.1995) Lei nº 9.250, de 1995: Art. 39. A compensação de que trata o art. 66 da Lei nº 8.383, de 30 de dezembro de 1991, com a redação dada pelo art. 58 da Lei nº 9.069, de 29 de junho de 1995, somente poderá ser efetuada com o recolhimento de importância correspondente a imposto, taxa, contribuição federal ou receitas patrimoniais de mesma espécie e destinação constitucional, apurado em períodos subseqüentes. (...) § 4º A partir de 1º de janeiro de 1996, a compensação ou restituição será acrescida de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente, calculados a partir da data do pagamento indevido ou a maior até o mês anterior ao da compensação ou restituição e de 1% relativamente ao mês em que estiver sendo efetuada. (Vide Lei nº 9.532, de 1997) Fl. 161DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 03 /08/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10880.035362/9795 Acórdão n.º 2202003.462 S2C2T2 Fl. 162 5 A seu turno, a Receita Federal editou a Instrução Normativa RFB nº 900, de 2008, que estava em vigor quando da decisão de 1ª instância aqui debatida e foi citada por aquela Autoridade, cujo teor do artigo 72 é repetido pela atualmente em vigor Instrução Normativa RFB nº 1300, de 20 de novembro de 2012: Art. 83. O crédito relativo a tributo administrado pela RFB, passível de restituição ou reembolso, será restituído, reembolsado ou compensado com o acréscimo de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia (Selic) para títulos federais, acumulados mensalmente, e de juros de 1% (um por cento) no mês em que: I a quantia for disponibilizada ao sujeito passivo; (...) § 1º No cálculo dos juros de que trata o caput, será observado, como termo inicial da incidência: (...) III na hipótese de pagamento indevido ou a maior: a) o mês de janeiro de 1996, se o pagamento tiver sido efetuado antes de 1º de janeiro de 1996; Portanto, a Lei nº 9.250, de 1995, previu a aplicação, na esfera federal, da SELIC na repetição de indébito tributário a contar de janeiro de 1996. Abrange ela tanto a recomposição do valor da moeda como juros propriamente. Assim, afasta a aplicação cumulativa de qualquer outro indexador (UFIR, por exemplo) ou taxa de juros. A SELIC é aplicável a contar de janeiro de 1996. Dessa feita, se posterior o indébito, aplicase a SELIC desde o pagamento indevido. Se anterior, aplicamse os indexadores de correção monetária até dezembro de 1995 e, então, a SELIC. É exatamente isso que consta da decisão recorrida. Apurado o saldo a restituir, pela subtração do valor pago e o efetivamente devido (valor este não questionado no recurso), e transformado esse saldo em UFIR pelo valor da UFIR na data do pagamento, converteuse em Reais pelo índice de janeiro de 1996. A partir daí, a correção do valor a restituir é feita exclusivamente aplicandose a taxa Selic, mensalmente, na forma como foi explicado pela decisão recorrida, na folha 132. Não há que se falar em UFIR de dezembro de 1997. A contribuinte nada perde, porque o valor sofre correções desde o pagamento a maior até a efetiva restituição. Apenas utilizamse índices diferentes em cada período, conforme estabelecido em lei, acima transcrita. Sem razão, portanto, a manifestação da contribuinte e entendo que deva permanecer o direito creditório conforme apurado pela decisão recorrida. Ante o exposto, VOTO por negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Fl. 162DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 03 /08/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10880.035362/9795 Acórdão n.º 2202003.462 S2C2T2 Fl. 163 6 Marcio Henrique Sales Parada Fl. 163DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 03 /08/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA
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Numero do processo: 11070.001543/2007-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 09 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon May 09 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/1998 a 31/12/1998
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. RESSARCIMENTO.
INEXISTÊNCIA.
Constatado a inexistência do crédito transferido da matriz para filial em processo sede da discussão, impõe o lançamento como meio de corrigir a utilização indevida.
MULTA. REVOGAÇÃO DA LEGISLAÇÃO, INEXISTÊNCIA.
O advento da Lei nº 11.488/2007 não revogou o art. 80 da Lei nº 4.502, que continuou vigendo com nova redação, mantendo a multa a ser aplicada nos casos de falta de lançamento do valor, total ou parcial, do Imposto sobre Produtos Industrializados de 75% do valor do imposto que deixou de ser lançado ou recolhido.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3302-002.921
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso Voluntário. Fez sustentação oral: Dra. Camila Gonçalves de Oliveira - OAB 15791
Ricardo Paulo Rosa - Presidente.
Domingos de Sá Filho - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Ricardo Paulo Rosa (presidente), Jose Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Helcio Lafeta Reis, Sarah Maria Linhares de Araujo e Walker Araujo.
Nome do relator: DOMINGOS DE SA FILHO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/01/1998 a 31/12/1998 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. RESSARCIMENTO. INEXISTÊNCIA. Constatado a inexistência do crédito transferido da matriz para filial em processo sede da discussão, impõe o lançamento como meio de corrigir a utilização indevida. MULTA. REVOGAÇÃO DA LEGISLAÇÃO, INEXISTÊNCIA. O advento da Lei nº 11.488/2007 não revogou o art. 80 da Lei nº 4.502, que continuou vigendo com nova redação, mantendo a multa a ser aplicada nos casos de falta de lançamento do valor, total ou parcial, do Imposto sobre Produtos Industrializados de 75% do valor do imposto que deixou de ser lançado ou recolhido. Recurso Voluntário Negado
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso Voluntário. Fez sustentação oral: Dra. Camila Gonçalves de Oliveira - OAB 15791 Ricardo Paulo Rosa - Presidente. Domingos de Sá Filho - Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Ricardo Paulo Rosa (presidente), Jose Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Helcio Lafeta Reis, Sarah Maria Linhares de Araujo e Walker Araujo.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1774; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 6 1 5 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11070.001543/200711 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3302002.921 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 09 de dezembro de 2015 Matéria CREDITO PRESUMIDO DE IPI Recorrente JOHN DEERE BRASIL LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/1998 a 31/12/1998 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. RESSARCIMENTO. INEXISTÊNCIA. Constatado a inexistência do crédito transferido da matriz para filial em processo sede da discussão, impõe o lançamento como meio de corrigir a utilização indevida. MULTA. REVOGAÇÃO DA LEGISLAÇÃO, INEXISTÊNCIA. O advento da Lei nº 11.488/2007 não revogou o art. 80 da Lei nº 4.502, que continuou vigendo com nova redação, mantendo a multa a ser aplicada nos casos de falta de lançamento do valor, total ou parcial, do Imposto sobre Produtos Industrializados de 75% do valor do imposto que deixou de ser lançado ou recolhido. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso Voluntário. Fez sustentação oral: Dra. Camila Gonçalves de Oliveira OAB 15791 – Ricardo Paulo Rosa Presidente. Domingos de Sá Filho Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 07 0. 00 15 43 /2 00 7- 11 Fl. 126DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 12/04/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 07/05/2016 por RICARDO PAULO ROSA 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Ricardo Paulo Rosa (presidente), Jose Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Helcio Lafeta Reis, Sarah Maria Linhares de Araujo e Walker Araujo. Relatório Cuidase de Recurso Voluntário interposto visando modificar a decisão de piso que manteve o lançamento referente crédito presumido de IPI transferido da matriz para filial oriundo do período de apuração de 01.01.1998 a 31.12.1998. Valor glosado refere à transferência do crédito presumido efetuado por meio da nota fiscal de nº 829 em 31 de agosto de 2003, emitida pelo estabelecimento matriz no montante de R$ 275.923,82. A razão da glosa do crédito transferido possui origem no processo administrativo fiscal de nº 11070.001541/200722 naquele feito restou demonstrado à inexistência de saldo credor de IPI após reconstituição da escrita, o saldo constatado passou a ser devedor. Adoto o relatório da Decisão recorrida por espelhar a realidade dos autos: “Relatório Tratase de auto de infração lavrado pela fiscalização da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Santo Ângelo, para exigência do montante de R$ 741.739,22, à data da autuação, que corresponde ao IPI acrescido de juros de mora e da multa de ofício de 75% de que trata o art. 80, inc. I, da Lei n° 4.502, de 1964, com a redação dada pelo art. 45 da Lei n° 9.430, de 1996. Foi realizado procedimento de auditoria no estabelecimento matriz, objeto do processo administrativo n° 11070.001541/200722, com o fim de verificar a legitimidade do crédito presumido do IPI, autorizado pela Lei n. 9.363, de 13 de dezembro de 1996, referente ã Contribuição para o PIS/Pasep e à Contribuição para a Seguridade Social (Cofins), incidentes nas aquisições de matériasprimas (MP), produtos intermediários (PI) e material de embalagem (ME), empregados na industrialização de produtos exportados no período de janeiro e dezembro de 1998.. O crédito presumido em questão foi escriturado extemporaneamente pelo referido estabelecimento, de forma acumulada, no terceiro decêndio de agosto de 2003, sendo que parte dele (R$ 319.632,52) foi transferida para o estabelecimento autuado, por meio da Nota Fiscal de Transferência de Crédito n° 829 (fl. 25). Após examinar as planilhas e memórias de cálculo efetuados para apuração dos créditos, o Livro Registro de Apuração do IPI, e Demonstrativos de Crédito Presumido DCP correspondentes aos períodos auditados, a fiscalização constatou que o estabelecimento matriz apurou o crédito presumido de IPI de forma centralizada e sem a utilização de sistema de apuração de custos coordenada e integrado. Fl. 127DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 12/04/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 07/05/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 11070.001543/200711 Acórdão n.º 3302002.921 S3C3T2 Fl. 7 3 Também foi verificado que a parte dos créditos (períodos de janeiro a julho de 1998) estavam prescritos por ocasião da escrituração, o que teve reflexos no montante final, como será detalhado a seguir, motivando a glosa integral do valor que foi aproveitado na escrita do estabelecimento matriz e filiais, mediante transferência. Consta no Termo de Verificação Fiscal de fls. 19 a 24, em síntese que: tendo em vista a aplicação do art. 1° do Decreto n° 20.910, de 1932, e o entendimento constante no Parecer Normativo CST n° 515, de 1971 e demais normas que tratam da matéria, a parcela de crédito presumido correspondente aos períodos entre janeiro e julho de 1998 se encontrava prescrita no momento de sua escrituração, por já haver transcorrido cinco anos desde o encerramento dos respectivos períodos de apuração. o crédito presumido referente aos períodos prescritos (janeiro a julho de 1998) totalizou R$ 1.700.465,04; devido ã exclusão da base de cálculo do crédito presumido do valor das matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem utilizados em produtos não acabados e/ou acabados mas não vendidos, existentes em 31/12/1998, consoante prevê a legislação, o valor do crédito presumido relativo a dezembro de 1998 resultou em negativos R$ 726.839,82, e o valor acumulado no ano de 1998 ficou reduzido a RS 1.455.817,23, de acordo com o cálculo do contribuinte. Todavia, não haveria direito a esse valor, porque é menor que o apurado em relação ao período prescrito; a reconstituição da escrita, após a glosa do crédito presumido considerado indevidamente aproveitado resultou em saldo devedor do IPI, tanto para o estabelecimento matriz, que utilizou parte do valor acumulado (R$ 860.260,72) para dedução do IPI devido nas saídas para o mercado interno do próprio estabelecimento, como para as filiais que receberam os restantes R$ 595.556,34, mediante notas de transferência de crédito, para deduçao do imposto por elas devido. no presente processo, conforme esclarecido a fl. 19, antes da reconstituição do saldo do terceiro decêndio de agosto de 2003, o contribuinte havia apurado saldo devedor de RS 104.001,09 (fls. 07 a 10). Após a reconstituição, o saldo devedor passou a ser de R$ 423.633,61, sendo que a diferença (R$ 319.632,52) corresponde ao valor que deixou de ser recolhido em virtude do aproveitamento indevido de crédito presumido de IPI, valor esse que está sendo exigido, com multa de ofício e juros de mora, por meio do auto de infração de fl. 12 e seguintes. Irresignado, o contribuinte apresentou a impugnação tempestiva de fls 34/48, na qual sustenta, em síntese, com base na Portaria MF n° 129, de 1995, artigos 1° a 4°, que a apuração do crédito presumido seria anual, e assim, válida somente no final do exercício, independente da faculdade de apropriálo Fl. 128DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 12/04/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 07/05/2016 por RICARDO PAULO ROSA 4 mensalmente, por antecipação, não havendo, por isso, que se falar em prescrição mensal. Entende que a utilização antecipada não modificaria a forma de apuração anual, pois segundo o art. 4° da citada norma, o exportador que tiver optado pela antecipação deverá confrontar os valores presumidos com 0 crédito apurado anualmente, recolhendo a diferença, se for o caso, até 31 de março do ano seguinte ao do encerramento do balanço. Sustenta que 0 cálculo do crédito presumido teria como fundamento a praticabilidade, usando a presunção como meio mais simples de atingir o objetivo da lei, não podendo o auditor modificalo, e que a escrituração poderia ser feita até 31/12/2003. Segue argumentando que, sendo a apuração anual, a prescrição do direito a utilização do crédito teria por termo inicial 0 primeiro dia do exercício seguinte ao do ano calendário da apuração. Alega que o autuante também teria adotado a apuração anual, uma vez que teria subtraído os créditos de agosto a novembro do resultado negativo encontrado no final do 'ano 1998 Õ que' denotaiia, no seu entendimento, a nulidade da glosa (e do auto de infração) seja pela incorreta interpretação dada á forma de apuração, seja pela dualidade de premissas. V Transcreve ementas de Acórdãos proferidos pelo antigo Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, atual Conselho Administrativo de Recursos Fiscais,, bem como a ementa da Solução de Consulta n° 149, de 2001, exarada pelas 6” Região Fiscal, que entende aplicáveis ao seu caso. . Com relaçao à multa de ofício, argumenta que a base legal apontada no auto de infração (art. 45 da Lei n° 9.430, de 1996) foi revogado pelo art. 40 da Lei n° 11.488, de 2007, que transcreve. Cita decisões do CC que determinaram o cancelamento da exigência, baseadas no art. 106, inc. II, alinea ”c” do Código Tributário Nacional e, com base nisso, solicita a relevação da penalidade'aplicada. Por fim, apenas a título de argumentação, sugere que,.sendo mantida a posição de que os créditos são mensais, devese admitir o creditamento de R$ 482.192,01, relativo aos períodos de agosto a novembro de 1998., para que se evite a utilização de dois pesos e duas medidas. É o relatório.” Regularmente notificado do acórdão de primeira instância em 13/12/2010, o contribuinte apresentou recurso voluntário em 12/01/2011 no qual reprisou as alegações da manifestação de inconformidade. É o relatório. Fl. 129DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 12/04/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 07/05/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 11070.001543/200711 Acórdão n.º 3302002.921 S3C3T2 Fl. 8 5 Voto Conselheiro Domingos de Sá Filho, Relator. O recurso preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. O crédito glosado e objeto de lançamento decorrem do desfecho do processo 11070.001152/200722, cuja relatoria coube a esse relator que negou provimento ao recurso e manteve o crédito tributário. No caso concreto o crédito de IPI foi transferido da matriz para a filial por meio da nota fiscal de nº 829 em 31 de agosto de 2003. Concluído o julgamento naquele processado, a meu sentir, a mesma decisão deve ser aplicada na integra ao caso aqui tratado, pois a origem do crédito transferido da matriz para a filial foi decidido naquele processado constatado à inexistência de saldo credor. Nos autos do processo 11070.001152/200722 discutiu decadência do direito de se creditar relativo ao período de janeiro de 1998 a julho de 1998, e, verificado inexistência de saldo credor no final do período de agosto de 1998 a novembro de 1998, acertadamente a fiscalização procedeu ao lançamento em razão da utilização do crédito inexistente pelo contribuinte. Em sendo assim, o lançamento que constituiu o crédito tributário merece prosperar. DA MULTA APLICADA DE 75%. Também não assiste razão a Recorrente. A penalidade aplicada encontra assentada no art. 80, inciso I, da lei nº 4.502/1964, vigente ao tempo dos fatos geradores. Bem explicitado na motivação da decisão recorrida que a Lei nº 11.488 de 2007 não revogou o art. 80 da Lei 4.502, apenas deu nova redação sem afastar aplicação da pena. Constatado inexistência de crédito possível de restituição ou compensação como restou decidido nos autos do processo nº 11070.001152/200722 há de se negar provimento ao apelo. Diante do exposto, nego provimento ao recurso. É como voto. Domingos de Sá Filho Fl. 130DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 12/04/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 07/05/2016 por RICARDO PAULO ROSA 6 Fl. 131DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 12/04/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 07/05/2016 por RICARDO PAULO ROSA
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