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Numero do processo: 19311.720488/2013-32
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 25 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Apr 28 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Exercício: 2009, 2010
ALEGAÇÃO DE VIOLAÇÃO A PRECEITOS CONSTITUCIONAIS. INCOMPETÊNCIA DO CARF. SÚMULA CARF Nº 2.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Aplicação da Súmula CARF nº 2.
ALEGAÇÃO DE CERCEAMENTO AO DIREITO À AMPLA DEFESA E AO CONTRADITÓRIO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
A falta de intimação, durante o procedimento de fiscalização, para que a fiscalizada se manifeste sobre pagamentos de CSLL, PIS e COFINS não constitui cerceamento ao direito à ampla defesa e ao contraditório. Esse direito pode ser exercido após a lavratura do auto de infração, quando se estabelece o contencioso administrativo. Inexiste, pois, qualquer nulidade a ser reconhecida.
Numero da decisão: 1302-001.703
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao recurso voluntário. O Conselheiro Márcio Rodrigo Frizzo apresentou declaração de voto.
(assinado digitalmente)
Alberto Pinto Souza Junior - Presidente
(assinado digitalmente)
Waldir Veiga Rocha - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Waldir Veiga Rocha, Márcio Rodrigo Frizzo, Eduardo de Andrade, Hélio Eduardo de Paiva Araújo e Alberto Pinto Souza Junior. Ausente o Conselheiro Guilherme Pollastri Gomes da Silva.
Nome do relator: WALDIR VEIGA ROCHA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2009, 2010 OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. PROCEDÊNCIA. Caracterizam omissão de receita os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, coincidente em datas e valores, a origem dos recursos utilizados nessas operações. MULTA QUALIFICADA. CONDUTA DOLOSA. PROCEDÊNCIA. Não obstante as receitas omitidas tenham sido quantificadas mediante a aplicação de presunção legal, é certo que os procedimentos do Fisco identificaram e comprovaram conduta consistente em deliberadamente, ao longo de dois anos, desviar parte significativa dos recebimentos por vendas para a contacorrente do sócio, omitindo tais valores dos registros contábeis, das bases de cálculo dos tributos devidos e das declarações prestadas à autoridade tributária. Diante disso, inescapável a conclusão acerca da prática de atos dolosos com o intuito de ocultar da Autoridade Fazendária a ocorrência dos fatos geradores tributários. Correta a aplicação da multa qualificada de 150%. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2009, 2010 DECADÊNCIA. DECADÊNCIA. TERMO INICIAL. CONDUTA DOLOSA. APLICABILIDADE DO ART. 173, I, DO CTN. DECISÃO DO STJ NO REGIME DO ART. 543C DO CPC. APLICABILIDADE DO ART. 62A DO RICARF. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 31 1. 72 04 88 /2 01 3- 32 Fl. 1631DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2015 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 08/04/2015 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 28/04/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por MARCIO RODRIGO FRIZZO Processo nº 19311.720488/201332 Acórdão n.º 1302001.703 S1C3T2 Fl. 1.631 2 O prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito. Decisão do Superior Tribunal de Justiça no REsp nº 973.733, no regime do art. 543C do CPC. Aplicabilidade do art. 62A do Regimento Interno do CARF. No caso vertente, a conduta da contribuinte, consistente em deliberadamente, ao longo de dois anos, desviar parte significativa dos recebimentos por vendas para a contacorrente do sócio, omitindo tais valores dos registros contábeis, das bases de cálculo dos tributos devidos e das declarações prestadas à autoridade tributária não pode levar a conclusão diversa: tais atos foram conscientes e intencionais, com o objetivo de impedir o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2009, 2010 ALEGAÇÃO DE VIOLAÇÃO A PRECEITOS CONSTITUCIONAIS. INCOMPETÊNCIA DO CARF. SÚMULA CARF Nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Aplicação da Súmula CARF nº 2. ALEGAÇÃO DE CERCEAMENTO AO DIREITO À AMPLA DEFESA E AO CONTRADITÓRIO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. A falta de intimação, durante o procedimento de fiscalização, para que a fiscalizada se manifeste sobre pagamentos de CSLL, PIS e COFINS não constitui cerceamento ao direito à ampla defesa e ao contraditório. Esse direito pode ser exercido após a lavratura do auto de infração, quando se estabelece o contencioso administrativo. Inexiste, pois, qualquer nulidade a ser reconhecida. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao recurso voluntário. O Conselheiro Márcio Rodrigo Frizzo apresentou declaração de voto. (assinado digitalmente) Alberto Pinto Souza Junior Presidente (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Relator Fl. 1632DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2015 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 08/04/2015 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 28/04/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por MARCIO RODRIGO FRIZZO Processo nº 19311.720488/201332 Acórdão n.º 1302001.703 S1C3T2 Fl. 1.632 3 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Waldir Veiga Rocha, Márcio Rodrigo Frizzo, Eduardo de Andrade, Hélio Eduardo de Paiva Araújo e Alberto Pinto Souza Junior. Ausente o Conselheiro Guilherme Pollastri Gomes da Silva. Relatório DINIZ COMÉRCIO ATACADISTA DE PRODUTOS ALIMENTÍCIOS LTDA., já qualificada nestes autos, inconformada com o Acórdão n° 0733.769, de 20/12/2013, da 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Florianópolis/SC, recorre voluntariamente a este Colegiado, objetivando a reforma do referido julgado. Por bem descrever o ocorrido, valhome do relatório elaborado por ocasião do julgamento do processo em primeira instância, a seguir transcrito. Por meio dos autos de infração de fls. 1074 a 1143, são exigidas do contribuinte acima identificado as importâncias relacionadas na seguinte tabela, referente aos anoscalendário 2008 e 2009, apuradas em conformidade com o regime de apuração do lucro presumido, acrescidas de multa de ofício de 225% e de juros de mora. [Quadro à fl. 1474] O lançamento do IRPJ decorreu de receitas omitidas por conta de depósitos bancários de origem não justificada (omissão de receitas da atividade – receita bruta mensal na revenda de mercadorias, não declaradas e não escrituradas) – multa de 225%. Como lançamentos decorrentes da matéria tributável apontada no lançamento de IRPJ, foram lavrados também autos de infração a título de Contribuição para o PIS, de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS e de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, conforme descrito no Auto de Infração e detalhado no Termo de Constatação Fiscal, parte integrante dos Autos de Infração. 1. DO TERMO DE CONSTATAÇÃO FISCAL A autoridade autuante relatou no Termo de Constatação Fiscal os seguintes fatos (fls. 1145/1151): · Em cumprimento a outro Mandado de Procedimento Fiscal – MPF nº 012521, emitido em nome da pessoa física do contribuinte Ricardo de Almeida Diniz, CPF 004.426.87850 (sócio da fiscalizada), constatouse que parte dos valores depositados/creditados em suas contascorrentes bancárias eram provenientes de operações comerciais típicas de pessoas jurídicas; · Ante tal constatação, emitiuse uma Requisição de Movimentação Financeira – RMF ao Banco Bradesco, intimandoo a fornecer a relação dos sacados que quitaram os títulos em cobrança, cujos pagamentos foram depositados/creditados nas contascorrentes do Sr. Ricardo de Almeida Diniz; Fl. 1633DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2015 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 08/04/2015 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 28/04/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por MARCIO RODRIGO FRIZZO Processo nº 19311.720488/201332 Acórdão n.º 1302001.703 S1C3T2 Fl. 1.633 4 · De posse da citada relação enviada pelo Banco Bradesco, o Sr. Ricardo foi intimado para identificar qual de suas empresas emitiu os títulos de cobrança cujos valores foram depositados/creditados em suas contascorrentes pessoais (o Sr. Ricardo era titular de uma empresa individual e sócio de uma sociedade limitada, ambas no ramo de comércio de produtos alimentícios); · O Sr. Ricardo de Almeida Diniz não identificou qual de suas empresas emitiu os títulos. Assim, a Fiscalização lavrou termos de diligências fiscais para alguns sacados e constatou que os títulos foram emitidos pela pessoa jurídica impugnante, sendo que os números das contascorrentes informadas para os recebimentos eram da pessoa física do seu titular, Sr. Ricardo de Almeida Diniz; · Constatado que a pessoa jurídica recebia parte das suas vendas através das contascorrentes do seu titular, iniciouse um procedimento fiscal em nome da empresa, a qual foi intimada e reintimada a apresentar os livros comerciais e a esclarecer tal fato; · Em atenção ao Termo de Intimação datado de 17/01/2013, reiterado em 18/02/2013, o contribuinte apresentou, em 07/03/2013, os livros Diário do ano de 2008 e o livro Caixa do ano de 2009. Não foram apresentados, entretanto, os livros Razão do ano de 2008 nem os esclarecimentos sobre os motivos pelos quais recebia parte das suas vendas nas contas pessoais do seu titular; · A Fiscalização constatou que as vendas cujos recebimentos ocorreram mediante contascorrentes do titular não foram escrituradas nos livros comerciais da empresa e não foram oferecidas à tributação. Assim, em 20/03/2013, o sujeito passivo foi intimado a prestar esclarecimentos sobre tal constatação e reintimado a apresentar os livros Razão do ano de 2008 e a esclarecer por que recebeu parte de suas vendas através das contas bancárias do seu titular e deixou de contabilizálas. Entretanto, o contribuinte não atendeu ao Termo de Intimação; · Considerando que a empresa impugnante recebeu parte de suas vendas através das contas pessoais do seu titular; que tais vendas não foram contabilizadas e não integraram a base de cálculo do imposto de renda e das contribuições; que o contribuinte foi intimado e reintimado mas não esclareceu tais fatos, a Fiscalização considerou os valores recebidos mediante as contas pessoais da pessoa física do titular como receitas omitidas da pessoa jurídica, conforme § 5º do art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, e sobre elas efetuou o lançamento do crédito tributário de IRPJ e reflexos; · Os lançamentos foram acrescidos de juros e de multa de ofício, nos termos do §1º do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, em virtude dos indícios de crime de sonegação fiscal praticado de forma reiterada, a qual foi acrescida de 50%, conforme §2º, inciso I, daquele diploma legal, em função da recusa do contribuinte em atender aos termos de intimação fiscal; Fl. 1634DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2015 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 08/04/2015 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 28/04/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por MARCIO RODRIGO FRIZZO Processo nº 19311.720488/201332 Acórdão n.º 1302001.703 S1C3T2 Fl. 1.634 5 · Tendo em vista que o crédito tributário superou a quantia de R$ 2 milhões, que corresponde a mais de 30% do ativo permanente do sujeito passivo, houve o arrolamento de bens. 2. DA IMPUGNAÇÃO Inconformado, o autuado apresentou a impugnação de fls. 1315 a 1341, aduzindo, em síntese que: I – PRELIMINARMENTE I.1) Da decadência do crédito tributário · As competências de janeiro a maio de 2008 estariam abrangidas pela decadência, pois o auto de infração foi lavrado em 10/05/2013 e que, por se tratar de lançamento por homologação, deveria ser aplicado o § 4º do artigo 150 do CTN. I.2) Da ofensa aos princípios da eficiência jurídica, do contraditório e da ampla defesa · Como o objeto da ação fiscal foi o IRPJ, o autuado entende que não poderia ser cobrado por impostos reflexos; · Alegase ofensa aos princípios do contraditório e da ampla defesa, pois durante a fiscalização não teria havido oportunidade para a empresa se manifestar sobre o pagamento da CSLL, Cofins e PIS, e requer a nulidade do auto de infração. II – DO MÉRITO II.1) Da impossibilidade de arbitramento de Imposto de Renda em face de depósitos bancários · O impugnante questiona a legalidade e a constitucionalidade da obtenção dos dados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil junto às instituições financeiras; · Questiona o lançamento como omissão de receitas das diferenças decorrentes do cruzamento dos dados obtidos das instituições financeiras com os dados e declarações enviadas pelo contribuinte; · Alega que o arbitramento e as presunções deveriam ser o último recurso a ser adotado pela Fiscalização, e que a simples falta de escrituração dos depósitos bancários, por si só, não é suficiente para que sejam presumidas as omissões de receitas; · Defende que os depósitos bancários não constituem, por si só, fato gerador do imposto de renda, pois não caracterizam disponibilidade econômica de rendas e proventos; · Entende que não basta a simples presunção legal de que os depósitos constituem renda tributável, e que seria imprescindível que fosse comprovada a utilização dos valores depositados como renda consumida, evidenciando sinais exteriores de riqueza; Fl. 1635DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2015 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 08/04/2015 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 28/04/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por MARCIO RODRIGO FRIZZO Processo nº 19311.720488/201332 Acórdão n.º 1302001.703 S1C3T2 Fl. 1.635 6 · Alega que a Fiscalização não procedeu à perfeita identificação da renda omitida, e que teria como marco único os depósitos bancários, e, assim, o auto de infração seria ilegítimo, pois não teria observado todos os fatos e provas em busca da verdade material. II.2) Da ilegalidade das multas impostas · O impugnante alega que as porcentagens das multas aplicadas ferem os princípios do não confisco, da capacidade contributiva, da razoabilidade e da proporcionalidade, além do fato de ter atendido à Fiscalização com extremo zelo; · Questionase a afirmação da Autoridade Fiscal de que o contribuinte se recusou, sistematicamente, a atender aos termos de intimação, pois no próprio Termo de Constatação Fiscal são descritos os documentos por ele apresentados; · Alega que não houve intenção deliberada de fraudar a apuração do imposto, portanto, a multa aplicada pela recusa em atender aos termos de intimação não seria condizente com a conduta do impugnante; · Defende que não restou comprovado que a intenção do impugnante era de fraudar o Fisco, bem como não houve provas de que todos os depósitos realizados na conta corrente do Sr. Ricardo de Almeida Diniz são provenientes de operações comerciais de pessoas jurídicas, não sendo lícita, portanto, a aplicação da multa de ofício qualificada. DO PEDIDO · Diante do exposto, o impugnante requer o acolhimento das preliminares apontadas, com o consequente cancelamento da exigência fiscal objeto do auto de infração; · Caso não seja este o posicionamento, requer a desconstituição do lançamento decorrente do auto de infração pelas razões expostas acerca do mérito da questão; · Requer, enquanto perdure a discussão administrativa do débito ora impugnado, que a RFB se abstenha de quaisquer procedimentos de cobrança, em decorrência da suspensão da exigibilidade; · Caso seja necessária a realização de instrução probatória para a comprovação do quanto ora alegado, requer a produção de todos os tipos de prova em direito admitidos, inclusive as provas documentais ora juntadas. A 3ª Turma da DRJ em Florianópolis/SC analisou a impugnação apresentada pela contribuinte e, por via do Acórdão nº 0733.769, de 20/12/2013 (fls. 1472/1494), considerou parcialmente procedente o lançamento com a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008, 2009 Fl. 1636DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2015 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 08/04/2015 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 28/04/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por MARCIO RODRIGO FRIZZO Processo nº 19311.720488/201332 Acórdão n.º 1302001.703 S1C3T2 Fl. 1.636 7 DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGENS. PRESUNÇÃO LEGAL. OMISSÃO DE RECEITA. Caracterizam como omissão de receitas os valores creditados em conta de depósito junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. As presunções legais relativas obrigam a autoridade fiscal a comprovar, tãosomente, a ocorrência das hipóteses sobre as quais se sustentam as referidas presunções, atribuindo ao contribuinte o ônus de provar que os fatos concretos não ocorreram na forma como presumidos pela lei. Quando provado que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem a terceiro, evidenciando interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos ou receitas será efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2008, 2009 MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. DUPLICAÇÃO DO PERCENTUAL. LEGITIMIDADE. Constatado que na conduta do fiscalizado existem as condições previstas no art. 71 da Lei nº 4.502, de 1964, cabível a duplicação do percentual da multa de que trata o inciso I do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996 (com a nova redação do artigo dada pela Medida Provisória nº 351, de 22/01/2007, convertida na Lei nº 11.488, de 2007). MULTA DE OFÍCIO AGRAVADA. DESCABIMENTO O agravamento da multa de ofício em face do não atendimento à intimação para prestar esclarecimentos não se aplica nos casos em que a omissão do contribuinte já tem consequências específicas previstas na legislação. DECADÊNCIA. SONEGAÇÃO FISCAL. Comprovada a ocorrência de sonegação fiscal, iniciase a contagem do prazo decadencial de cinco anos no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, em conformidade com o art. 173, inciso I, do CTN. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2008, 2009 ARGUIÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE E ILEGALIDADE DA LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. Fl. 1637DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2015 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 08/04/2015 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 28/04/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por MARCIO RODRIGO FRIZZO Processo nº 19311.720488/201332 Acórdão n.º 1302001.703 S1C3T2 Fl. 1.637 8 As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de Arguições de inconstitucionalidade e ilegalidade de atos legais regularmente editados. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL/PIS/COFINS. Tratandose da mesma matéria fática e não havendo questões de direito específicas a serem apreciadas, aplicase aos lançamentos decorrentes a decisão proferida no lançamento principal (IRPJ). MOMENTO DE APRESENTAÇÃO DA PROVA. No âmbito do Processo Administrativo Fiscal, a prova documental deve ser apresentada no momento da manifestação de inconformidade, precluindo o direito de fazêlo em outro momento processual, a menos que demonstrado, justificadamente, o preenchimento de um dos requisitos constantes do art. 16, § 4º, do Decreto nº 70.235, de 1972, o que não se logrou atender neste caso. Por relevante, esclareço que o provimento parcial da impugnação se deveu exclusivamente ao afastamento, em primeira instância, do agravamento da multa de ofício aplicada, mantendose o lançamento em todos os demais aspectos. Não houve recurso de ofício. Ciente da decisão de primeira instância em 14/01/2014, conforme Aviso de Recebimento à fl. 1500, a contribuinte apresentou recurso voluntário em 11/02/2014 conforme carimbo de recepção à folha 1502. No recurso interposto (fls. 1504/1528), a recorrente repisa, com as mesmas palavras, os argumentos anteriormente trazidos em sede de impugnação, aos quais faz acrescentar as considerações a seguir sintetizadas. Acerca da decadência, a recorrente questiona o acórdão recorrido, o qual entendeu pela aplicação do art. 173, I, do CTN. Sustenta que o Agente Fiscal não teria conseguido demonstrar o intuito de sonegação por parte da recorrente. No tópico referente à alegação de cerceamento ao seu direito ao contraditório e à ampla defesa, a recorrente afirma que, ao contrário do que consta do acórdão recorrido, não existiria nos autos qualquer intimação ou reintimação para que se manifestasse referente ao pagamento dos tributos de CSLL, PIS e COFINS. Precisamente nesse ponto residiria o cerceamento alegado, tornando nula toda a autuação. Quanto à alegação de ilegalidade das multas impostas, a recorrente afirma que o julgador em primeira instância teria constatado que “o Agente Fiscal extrapolou a aplicação da multa no porcentual de 225%”, reduzindoa a 150%. Acrescenta que o relator do acórdão recorrido “descreve que existiram documentos apresentados pelo Recorrente”, diante do que manifesta seu entendimento de que “não havia motivo para enquadrálo no agravamento da multa de ofício”. No mais, reitera seus argumentos acerca do caráter confiscatório da multa de 150% e ofensa aos princípios da proporcionalidade e da razoabilidade. Fl. 1638DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2015 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 08/04/2015 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 28/04/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por MARCIO RODRIGO FRIZZO Processo nº 19311.720488/201332 Acórdão n.º 1302001.703 S1C3T2 Fl. 1.638 9 No tópico “Da impossibilidade de arbitramento de imposto de renda em face de depósitos bancários”, a recorrente nada acrescenta aos argumentos impugnatórios. É o Relatório. Voto Conselheiro Waldir Veiga Rocha, Relator O recurso voluntário é tempestivo e dele conheço. A preliminar de decadência será apreciada ao final deste voto. Ainda em preliminares, a recorrente argúi a nulidade do lançamento, por ofensa aos princípios da eficiência jurídica, do contraditório e da ampla defesa. Quanto à alegada ofensa ao princípio da eficiência jurídica, a interessada não é clara em sua exposição. Ao que parece, tal ofensa residiria em suposta falta de clareza nas acusações, tendo sido empregada, em algum momento, a expressão “IRPJ e outros”. Do exame dos autos, constato que tanto o Mandado de Procedimento Fiscal (MPF fl. 2) quanto o Termo de Início do Procedimento Fiscal (fl. 3) trazem claramente a indicação de que o tributo fiscalizado é o IRPJ. Ademais, o art. 8º da Portaria RFB nº 3.014/2011, que disciplina o MPF, é expresso ao dispor: Art. 8º Na hipótese em que infrações apuradas, em relação a tributo contido no MPFF ou no MPFE, também configurarem, com base nos mesmos elementos de prova, infrações a normas de outros tributos, estes serão considerados incluídos no procedimento de fiscalização, independentemente de menção expressa no MPF. Finalmente, os autos de infração lavrados (fls. 1073/1151) atendem a todos os requisitos legais, existindo um auto de infração para cada um dos tributos exigidos, cada um dos quais especifica a matéria tributável, alíquota, valor do tributo, acréscimos legais, entre outras informações indispensáveis. No que toca à alegação de cerceamento ao direito à ampla defesa e ao contraditório, reafirma a recorrente que não existiria nos autos qualquer intimação ou reintimação para que se manifestasse referente ao pagamento dos tributos de CSLL, PIS e COFINS. Não vislumbro nesse fato, nem por hipótese, qualquer cerceamento ao direito da interessada à ampla defesa. O procedimento de fiscalização tem natureza inquisitória, é quando o Fisco busca levantar os fatos e provas que permitam a perfeita identificação da matéria tributável. No caso concreto, a fiscalização girou em torno da movimentação financeira na contacorrente do Sr. Ricardo Diniz, sócio da fiscalizada, da busca de elementos que permitissem firmar a convicção de que se tratava de movimentação cujo titular, de fato, era a pessoa jurídica. Estabelecido esse ponto, a fiscalização passou a investigar se tal movimentação Fl. 1639DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2015 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 08/04/2015 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 28/04/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por MARCIO RODRIGO FRIZZO Processo nº 19311.720488/201332 Acórdão n.º 1302001.703 S1C3T2 Fl. 1.639 10 estaria, ou não, escriturada pela pessoa jurídica, cabendo também oferecer à fiscalizada a oportunidade de comprovar, de forma individualizada, a origem dos recursos utilizados nessas operações. A partir do momento em que formalizadas as exigências, com a lavratura e ciência de autos de infração de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, caberia à interessada, se fosse o caso, trazer os pagamentos que houvesse feito desses tributos. Além de eventuais pagamentos, deveria também fazer prova de que os tributos teriam incidido sobre as receitas tidas por omitidas, afastando, desta forma, a presunção legal de omissão de receitas. Nada disso encontro nos autos, nem em sede de impugnação, nem na atual fase recursal. Se a interessada não aproveita os momentos processuais de que dispõe para instruir sua defesa, por certo que não se há de reconhecer qualquer cerceamento a esse direito em fase procedimental, quando nem ainda havia processo administrativo formalizado. Rejeito, com esses fundamentos, a alegação de nulidade por ofensa aos princípios da eficiência jurídica, do contraditório e da ampla defesa. No mérito, a recorrente repete os argumentos acerca da impossibilidade (por sua ótica) de arbitramento de imposto de renda em face de depósitos bancários. A decisão de primeira instância rejeitou esse argumento, o que também faço aqui. Esclareçase, desde logo, que não há nos autos arbitramento de lucro. O lançamento se fez com base no lucro presumido, opção firmada pela interessada tempestivamente, na forma da lei, sobre a qual não recai qualquer questionamento. A acusação fiscal, neste processo trata de omissão de receitas, caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, nos termos do art. 42 da Lei n° 9.430, com a redação dada pela Lei n° 10.637/2002, a seguir transcrito: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. § 2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. § 3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; Fl. 1640DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2015 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 08/04/2015 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 28/04/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por MARCIO RODRIGO FRIZZO Processo nº 19311.720488/201332 Acórdão n.º 1302001.703 S1C3T2 Fl. 1.640 11 [...] Tratase, como é cediço, de presunção relativa, que admite prova em contrário. Mas essa prova cabe à recorrente. Ao Fisco cabe provar o fato indiciário, definido na lei como necessário e suficiente ao estabelecimento da presunção, qual seja, a ocorrência de depósitos bancários de origem não comprovada. Não há dúvidas de que os depósitos efetivamente ocorreram. Também não restam dúvidas de que os depósitos bancários feitos na contacorrente em nome do Sr. Ricardo Diniz se originaram de operações comerciais (vendas) da pessoa jurídica fiscalizada, o que restou amplamente comprovado pelo Fisco, inclusive mediante a realização de diligências junto às pessoas jurídicas que quitaram os títulos em cobrança, cujos pagamentos foram creditados na mencionada contacorrente do Sr. Ricardo Diniz. No entanto, regularmente intimada, a recorrente poderia afastar a presunção de omissão de receitas, desde que apresentasse, nos termos da lei, documentação hábil e idônea que comprovasse, individualizadamente, a origem dos valores creditados em suas contas correntes. Poderia comprovar, se fosse o caso, que, não obstante os valores houvessem transitado pela contacorrente do sócio, as vendas teriam sido regularmente contabilizadas pela pessoa jurídica e as receitas oferecidas à tributação. Nada disso encontro nos autos. Para os optantes pelo lucro presumido, a obrigação de escriturar toda a movimentação financeira, inclusive bancária e, ainda, de guardar todos os documentos e demais papéis que sirvam de base para a escrituração está prevista no art. 527 do Decreto nº 3.000/1999 (Regulamento do Imposto de Renda – RIR/99): Art. 527. A pessoa jurídica habilitada à opção pelo regime de tributação com base no lucro presumido deverá manter (Lei nº 8.981, de 1995, art. 45): I escrituração contábil nos termos da legislação comercial; II Livro Registro de Inventário, no qual deverão constar registrados os estoques existentes no término do anocalendário; III em boa guarda e ordem, enquanto não decorrido o prazo decadencial e não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes, todos os livros de escrituração obrigatórios por legislação fiscal específica, bem como os documentos e demais papéis que serviram de base para escrituração comercial e fiscal. Parágrafo único.O disposto no inciso I deste artigo não se aplica à pessoa jurídica que, no decorrer do anocalendário, mantiver Livro Caixa, no qual deverá estar escriturado toda a movimentação financeira, inclusive bancária (Lei nº 8.981, de 1995, art. 45, parágrafo único). Ao descumprir essa obrigação e, especialmente, ao fazer transitar parte de suas operações comerciais pela contacorrente do sócio, a recorrente queda sem meios hábeis para comprovação da origem dos valores que por lá transitaram. Não tendo a interessada qualquer cautela em documentar adequada e completamente os fatos, ficam por sua conta e risco as conseqüências de tal negligência. No caso, a conseqüência é a aplicação da presunção legal de omissão de receitas, nos estritos termos da lei, conforme anteriormente mencionado. Fl. 1641DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2015 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 08/04/2015 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 28/04/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por MARCIO RODRIGO FRIZZO Processo nº 19311.720488/201332 Acórdão n.º 1302001.703 S1C3T2 Fl. 1.641 12 Também não é demais registrar que a Súmula nº 182, do extinto Tribunal Federal de Recursos, bem assim a jurisprudência administrativa colacionada pela recorrente, se referem à legislação pretérita, anterior à vigência da Lei nº 9.430/1996, e se encontram superadas. No que tange a decisões mais recentes, com o devido respeito ao Poder Judiciário, não há, até o momento, alguma que vincule a decisão a ser proferida por este CARF, nos termos da legislação que rege o processo administrativo fiscal. A exigência deve, pois, ser mantida, negandose provimento ao recurso, quanto a este ponto. No que toca às multas de ofício, de se esclarecer que, no momento do lançamento, foi aplicado o percentual de 255%, correspondente à qualificação (duplicação do percentual de 75%, por entender o Fisco presente a sonegação fiscal, praticada de forma reiterada) e a majoração em 50% (pela recusa da então fiscalizada em atender aos termos de intimação fiscal). Em primeira instância, a majoração foi afastada, em decisão sobre a qual não cabe recurso. Resta a ser apreciada por este Colegiado a qualificação. Sobre as alegações de violação aos princípios constitucionais do não confisco, da capacidade contributiva, da razoabilidade e da proporcionalidade, cumpre trazer à colação o teor da Súmula CARF nº 2, de observância obrigatória por seus membros, com o que me eximo de considerações adicionais. Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Alega a recorrente que inexistiria a intenção deliberada de fraudar a apuração do imposto, que teria apresentado toda a documentação que possuía e, dessa forma, não seria lícita a aplicação da multa de ofício qualificada. Em primeira instância, a Turma Julgadora tratou a matéria como segue: [...] Entretanto, conforme relatado, a Fiscalização constatou que valores relevantes depositados/creditados em contascorrentes bancárias da pessoa física do titular da empresa impugnante eram provenientes de operações comerciais típicas de pessoas jurídicas, e não houve esclarecimentos pelo interessado. Em procedimento de diligências fiscais junto a alguns sacados, constatouse que os títulos foram emitidos pela pessoa jurídica impugnante, sendo que os números das contascorrentes informados para os recebimentos eram da pessoa física do seu titular, Sr. Ricardo de Almeida Diniz. [...] A Fiscalização constatou que as vendas cujos recebimentos ocorreram mediante contascorrentes do titular não foram escrituradas nos livros comerciais da empresa e não foram oferecidas à tributação. [...]. [...] Fl. 1642DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2015 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 08/04/2015 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 28/04/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por MARCIO RODRIGO FRIZZO Processo nº 19311.720488/201332 Acórdão n.º 1302001.703 S1C3T2 Fl. 1.642 13 Nesse ponto insta observar o montante da omissão de receitas nos períodos fiscalizados, de cerca de 40% do total auferido (fls. 1151): 1) Anocalendário de 2008: Receitas declaradas: R$ 5.857.058,46 Receitas não declaradas: R$ 4.612.418,97 (depósitos não contabilizados e não justificados, realizados em contas bancárias da pessoa física do titular da pessoa jurídica) 2) Anocalendário de 2009: Receitas declaradas: R$ 8.274.869,99 Receitas não declaradas: R$ 4.716.699,78 (depósitos não contabilizados e não justificados, realizados em contas bancárias da pessoa física do titular da pessoa jurídica) Nestes termos, evidenciado nos autos que o contribuinte, ao longo dos anos calendário de 2008 a 2009, obteve parte relevante de suas receitas com o exercício de suas atividades econômicas que eram recebidas mediante depósitos em contas bancárias da pessoa física titular da empresa e não eram contabilizadas e nem oferecidas à tributação, não se pode chegar a outra conclusão que não seja a de que o que houve, concretamente, foi conduta tendente a manter ao largo da tributação o montante dos seus ganhos auferidos. [...] Esta conduta do contribuinte tinha objetivos claros: impedir ao Fisco Federal o conhecimento do fato gerador dos impostos e contribuições administrados e fiscalizados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. Diante deste quadro de reiterada e sistemática insubordinação aos ditames da lei, não há como considerar que não houve intenção deliberada de fraudar a apuração do imposto devido, mas sim como uma consequência direta da intenção deliberada de omitir receitas, o que torna perfeitamente aplicável, sim, a multa duplicada prevista no § 1º do artigo 44 da Lei n.º 9.430, de 1996 (com a redação dada pela Lei 11.488, de 2007). Não faço reparos ao quanto decidido em primeira instância. Apesar de a quantificação da infração ter sido feita por presunção legal, a conduta da contribuinte, consistente em deliberadamente desviar parte significativa dos recebimentos por vendas para a contacorrente do sócio, omitindo tais valores dos registros contábeis, das bases de cálculo dos tributos devidos e das declarações prestadas à autoridade tributária se amolda à perfeição à sonegação fiscal, tal como descrita no art. 71 da Lei nº 4.502/1964: Art . 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; Fl. 1643DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2015 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 08/04/2015 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 28/04/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por MARCIO RODRIGO FRIZZO Processo nº 19311.720488/201332 Acórdão n.º 1302001.703 S1C3T2 Fl. 1.643 14 Com isso, correta a duplicação do percentual da multa, prevista no § 1º do artigo 44 da Lei n.º 9.430/1996, com a redação dada pela Lei nº 11.488/2007. O recurso voluntário deve ser rejeitado, também quanto a esta matéria. Finalmente, reclama a recorrente pela aplicação do § 4º do art. 150 do CTN, para fins de verificação da decadência. Por sua ótica, no momento do lançamento, a decadência já teria alcançado o direito da Fazenda Nacional de constituir créditos tributários para os meses de janeiro a maio de 2008. A decadência, especialmente no que toca aos tributos sujeitos ao lançamento dito por homologação, é matéria tormentosa, que tem suscitado interpretações variadas mesmo no âmbito deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Em oportunidades anteriores, tenho me manifestado no sentido de que o critério aplicável para se distinguir se um lançamento é por homologação ou de ofício deve ser a própria sistemática de apuração do tributo. Os tributos sujeitos a lançamento por homologação seriam aqueles para os quais a lei estabelece para o sujeito passivo que apure o valor devido e antecipe o pagamento, sem prévio exame da Autoridade Administrativa. Seria essa sistemática, a atividade exercida pelo contribuinte, que faria com que o lançamento fosse por homologação, e não a mera presença ou ausência de pagamento. Entretanto, com o louvável fito de fazer com que as decisões administrativas se conformassem à jurisprudência pacificada do Supremo Tribunal Federal e do Superior Tribunal de Justiça, o Regimento Interno deste Conselho (RICARF) sofreu alterações, especialmente a introdução do art. 62A no Anexo II da Portaria MF nº 256/2009, com a redação a seguir transcrita: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Introduzido pela Portaria MF nº 586/2010, publicada no DOU de 22/12/2010) Ocorre que a matéria sob exame, a saber, a aplicabilidade do art. 150, § 4º, ou do art. 173, I, ambos do CTN, já foi objeto de decisão definitiva de mérito proferida pelo Superior Tribunal de Justiça, em regime de recursos repetitivos (art. 543C do CPC), nos autos do Recurso Especial nº 973.733 SC (2007/01769940). O julgamento se deu em 12/08/2009 e o acórdão foi publicado no DJe de 18/09/2009, restando assim ementado (grifos constam do original): PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. Fl. 1644DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2015 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 08/04/2015 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 28/04/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por MARCIO RODRIGO FRIZZO Processo nº 19311.720488/201332 Acórdão n.º 1302001.703 S1C3T2 Fl. 1.644 15 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. Fl. 1645DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2015 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 08/04/2015 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 28/04/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por MARCIO RODRIGO FRIZZO Processo nº 19311.720488/201332 Acórdão n.º 1302001.703 S1C3T2 Fl. 1.645 16 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Posteriormente, o próprio STJ reviu seu posicionamento quanto ao termo inicial para a contagem do prazo decadencial, nos EDcl nos EDcl no AgRG no Recurso Especial nº 674.497 – PR (2004/01099782). Ressalto que o ilustre Ministro Relator, após mencionar expressamente o REsp nº 973.733, registra que “impõese o acolhimento dos presentes embargos de declaração, a fim de se adequar o decisório embargado à jurisprudência uniformizada no âmbito do STJ sobre a matéria”. O julgamento ocorreu em 09/02/2010, e o acórdão foi publicado no DJe em 26/02/2010, com a seguinte ementa: PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. RECOLHIMENTOS NÃO EFETUADOS E NÃO DECLARADOS. ART. 173, I, DO CTN. DECADÊNCIA. ERRO MATERIAL. OCORRÊNCIA. ACOLHIMENTO. EFEITOS MODIFICATIVOS. EXCEPCIONALIDADE. 1. Tratase de embargos de declaração opostos pela Fazenda Nacional objetivando afastar a decadência de créditos tributários referentes a fatos geradores ocorridos em dezembro de 1993. 2. Na espécie, os fatos geradores do tributo em questão são relativos ao período de 1º a 31.12.1993, ou seja, a exação só poderia ser exigida e lançada a partir de janeiro de 1994. Sendo assim, na forma do art. 173, I, do CTN, o prazo decadencial teve início somente em 1º.1.1995, expirandose em 1º.1.2000. Considerando que o auto de infração foi lavrado em 29.11.1999, temse por não consumada a decadência, in casu. 3. Embargos de declaração acolhidos, com efeitos modificativos, para dar parcial provimento ao recurso especial. De se observar a diferença relevante entre um e outro julgados: no primeiro caso (REsp nº 973.733), o termo inicial para a contagem do prazo decadencial era tido como sendo o primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, interpretação esta que fugia por completo à textualidade do art. 173, I, do CTN. No segundo julgado, revendo o posicionamento anterior, o Tribunal passou a considerar que (naquele caso), completandose o fato gerador em 31 de dezembro de 1993, o lançamento somente poderia ser feito a partir de 1994, e o prazo decadencial começaria a fluir em 1º de janeiro de 1995. De se ver, portanto, de que forma tais decisões devem ser reproduzidas no caso sob exame, em cumprimento das novéis disposições regimentais. O Superior Tribunal de Justiça aponta, inequivocamente, para a contagem do prazo decadencial segundo as disposições do art. 173, I, do CTN, como regra geral. Esse seria também o dispositivo aplicável quando a lei determine o pagamento antecipado do tributo e o contribuinte não cumpra com essa obrigação e, ainda, inexistindo declaração prévia do débito. Além disso, também seria a aplicável a regra geral (art. 173, I) quando constatado dolo, fraude ou simulação na conduta do contribuinte. E é precisamente este o motivo que vislumbro para que a contagem do prazo decadencial se dê a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ser efetuado. Fl. 1646DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2015 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 08/04/2015 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 28/04/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por MARCIO RODRIGO FRIZZO Processo nº 19311.720488/201332 Acórdão n.º 1302001.703 S1C3T2 Fl. 1.646 17 Tenho me manifestado em diversas ocasiões no sentido de que o dolo deve ser extraído de cada situação concreta sob exame. No caso vertente, a conduta da contribuinte, consistente em deliberadamente, ao longo de dois anos, desviar parte significativa dos recebimentos por vendas para a conta corrente do sócio, omitindo tais valores dos registros contábeis, das bases de cálculo dos tributos devidos e das declarações prestadas à autoridade tributária não pode levar a conclusão diversa: tais atos foram conscientes e intencionais, com o objetivo de impedir ou retardar o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, conformandose essa conduta à sonegação, na dicção do art. 71 da Lei nº 4.502/1964. A aplicação correta da lei ao reconhecimento ou não da decadência depende tão somente da presença do elemento volitivo, do dolo na conduta do contribuinte relacionada às infrações apuradas. Aplicandose ao caso concreto as disposições do art. 173, I, do CTN temos que, para os fatos geradores ocorridos no primeiro trimestre de 2008 (IRPJ e CSLL) ou no mês de janeiro de 2008 (PIS e COFINS), o lançamento poderia ser efetuado ainda dentro desse ano calendário. A fluência do prazo quinquenal se inicia no primeiro dia do exercício seguinte, a saber, em 01/01/2009, encerrandose em 31/12/2013. Tendo sido o lançamento cientificado ao sujeito passivo em 20/05/2013 (fl. 1311), não se há de falar em decadência. Se os fatos mais antigos não foram alcançados pela decadência, a mesma conclusão se pode estender aos fatos mais recentes. Por todo o exposto, concluo da mesma forma que a autoridade julgadora a quo, pela inocorrência da decadência no caso sob exame. Em conclusão, voto por rejeitar as preliminares de decadência e de nulidade do lançamento e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Declaração de Voto Conselheiro Márcio Rodrigo Frizzo. Em que pese a respeitável argumentação e fundamentação do relator já lançada em seu voto, peço venia para ressaltar algumas importantes peculiaridades do presente caso que poderão servir como parâmetros objetivos nos julgamentos de casos análogos. Fl. 1647DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2015 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 08/04/2015 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 28/04/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por MARCIO RODRIGO FRIZZO Processo nº 19311.720488/201332 Acórdão n.º 1302001.703 S1C3T2 Fl. 1.647 18 É notório que, diante da constatação de ausência da contabilização de valores que ingressam nas contas bancárias dos contribuintes, como regra a RFB declara a contabilidade daqueles como imprestável ou imprópria, realizando o arbitramento de seu lucro, com fulcro no art. 530, I e II, do Dec. 3.000/99 (RIR/99), a seguir transcrito: Art. 530. O imposto, devido trimestralmente, no decorrer do ano calendário, será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado, quando: I o contribuinte, obrigado à tributação com base no lucro real, não mantiver escrituração na forma das leis comerciais e fiscais, ou deixar de elaborar as demonstrações financeiras exigidas pela legislação fiscal; II a escrituração a que estiver obrigado o contribuinte revelar evidentes indícios de fraudes ou contiver vícios, erros ou deficiências que a tornem imprestável para: a) identificar a efetiva movimentação financeira, inclusive bancária; Não obstante, venho defendendo o entendimento de que a aplicação do preceito legal supratranscrito deve ser realizada com cautela, ou seja, em situações nas quais, muito embora reste evidenciada a ausência de escrituração da movimentação bancária do contribuinte, seja possível identificala e quantificala a fim de realizar o lançamento tributário, não deve haver o arbitramento do lucro dos contribuintes, mas a recomposição de sua contabilidade. Isto pois, ao meu ver, o arbitramento do lucro dos contribuintes deve ser aplicado em “ultima ratio”, porquanto de maneira geral os pune justamente por arbitrar um lucro que costuma ser maior do que se verificaria pelo regime de tributação do Lucro Real ou do Lucro Presumido. Ademais, quando a autoridade fiscal tem acesso aos extratos bancários dos contribuintes, seja por entrega espontânea por estes ou por meio de requisição às instituições financeiras (RMF), sendolhe possível verificar e quantificar a receita omitida, não há que se falar em impossibilidade de identificação da movimentação financeira e/ou bancária para sustentar o arbitramento do lucro. Tendo dito isto, ressalto que este entendimento – recomposição da contabilidade ao invés de arbitramento do lucro quando verificada omissão de receita por extratos bancários – , a meu ver mais adequado à finalidade legal, foi justamente o aplicado pelo AFRFB e, frisase, esta sendo mantido e amparado por unanimidade nesta Turma, como passo a demonstrar. Observase do relatório fiscal que se verificou a omissão de receitas caracterizada por depósitos bancários em 01 (uma) conta bancária (Bradesco) de terceiros (sócio da empresa recorrente), ou seja, deliberadamente a empresa recebia parte dos recursos de suas vendas em conta corrente bancária de um de seus sócios, sem que escriturasse tais operações, restando evidente que estas foram realizadas à margem de sua contabilidade. Desta forma, após intimações e dilações de prazo para que a recorrente esclarecesse aquela situação e apresentasse sua escrituração contábil, consolidouse como Fl. 1648DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2015 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 08/04/2015 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 28/04/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por MARCIO RODRIGO FRIZZO Processo nº 19311.720488/201332 Acórdão n.º 1302001.703 S1C3T2 Fl. 1.648 19 omissão de receitas o valor de R$ 9.329.118,75 (nove milhões, trezentos e vinte e nove mil, cento e dezoito reais e setenta e cinco centavos). Outrossim, restou evidente nos autos, através dos documentos contábeis e declarações realizadas pela recorrente, que houve o reconhecimento de receitas nos anos calendário de 2008 e 2009 no montante de R$ 14.131.928,45 (quatorze milhões, cento e trinta e um mil, novecentos e vinte e oito reais e quarenta e cinco centavos). Ou seja, em termos percentuais, a recorrente omitiu nos anoscalendários de 2008 e 2009 o valor correspondente acerca de 40% de toda sua receita auferida, conforme destacase na tabela abaixo: Ano calendário Receita Declarada Receita Omitida Total Receita % Receita Omitida 2008 R$ 5.857.058,46 R$ 4.612.418,97 R$ 10.471.485,43 44,10 2009 R$ 8.274.869,99 R$ 4.716.699,78 R$ 12.993.578,77 36,30 TOTAL R$ 14.131.928,45 R$ 9.329.118,75 R$ 23.465.064,20 39,80 Diante de tais circunstâncias, de maneira acertada o AFRFB não declarou a contabilidade da recorrente como imprestável ou imprópria, mas considerou o montante tido como receitas omitidas a fim de recompor a contabilidade da recorrente, realizando o lançamento tributário sobre as diferenças pelo lucro presumido (opção da recorrente), como restou evidenciado no auto de infração e, também, no seu relatório (fls. 1.148), nos termos destacados abaixo: 13 – O montante real das receitas de vendas obtidas pela empresa contribuinte foi apurado somandose as receitas declaradas em DIPJ (Declaração de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica) com as receitas depositadas/creditadas nas contas correntes pessoais do titular da empresa, que constam no histórico: “Liquidação de Cobrança”. Apurado o montante real das receitas, aplicouse sobre este montante a alíquota correspondente, e, do resultado abateuse o valor do imposto e das contribuições já declarados em DCTF, conforme demonstrado em planilha anexa. Portanto, mesmo diante da constatação de movimentação financeira em contas bancárias de terceiros (sócios) para ocultar operações de vendas realizadas à margem da contabilidade, diante da verificação de omissão de receitas no montante acerca de 40% da receita auferida, alcançando um valor de mais de R$ 9.000.000,00 (nove milhões) de receita omitida, o AFRFB não arbitrou o lucro da recorrente, mas recompôs sua contabilidade para considerar o valor omitido (inteiramente identificado através dos extratos bancários) na apuração de seu Lucro Presumido. O entendimento aplicado pelo AFRFB está sendo corroborado e reconhecido como correto através do presente acórdão, pois acaso meus pares continuassem defendendo que nestas circunstâncias o caso seria de arbitramento do lucro da recorrente, deveriam ter se inclinado por anular todo o lançamento ora em análise por sua nulidade material, qual seja a inadequação do regime de apuração do lucro da recorrente. Fl. 1649DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2015 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 08/04/2015 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 28/04/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por MARCIO RODRIGO FRIZZO Processo nº 19311.720488/201332 Acórdão n.º 1302001.703 S1C3T2 Fl. 1.649 20 (assinado digitalmente) Márcio Rodrigo Frizzo. Fl. 1650DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2015 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 08/04/2015 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 28/04/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por MARCIO RODRIGO FRIZZO
score : 1.0
Numero do processo: 15540.720598/2012-69
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 24 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon May 04 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2008, 2009
COOPERATIVAS. OPERAÇÕES REALIZADAS COM TERCEIROS.
Em face da decisão contida no REsp nº 58.265/SP, admitido na sistemática dos recursos repetitivos, as situações que constituam operações realizadas com terceiros não associados (ainda que, em busca da consecução do objeto social da cooperativa), consubstanciam atos não-cooperativos, cujos resultados positivos devem integrar a base de cálculo do imposto de renda.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 1102-001.319
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, afastar a preliminar de nulidade e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário.
Documento assinado digitalmente.
João Otávio Oppermann Thomé - Presidente.
Documento assinado digitalmente.
Ricardo Marozzi Gregorio - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé, Ricardo Marozzi Gregorio, Alexandre dos Santos Linhares, Jackson Mitsui, João Carlos de Figueiredo Neto e Antonio Carlos Guidoni Filho.
Nome do relator: RICARDO MAROZZI GREGORIO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2008, 2009 COOPERATIVAS. OPERAÇÕES REALIZADAS COM TERCEIROS. Em face da decisão contida no REsp nº 58.265/SP, admitido na sistemática dos recursos repetitivos, as situações que constituam operações realizadas com terceiros não associados (ainda que, em busca da consecução do objeto social da cooperativa), consubstanciam atos não-cooperativos, cujos resultados positivos devem integrar a base de cálculo do imposto de renda. Recurso Voluntário Negado
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Omissão de receita. Atos não cooperados. Arbitramento. Recorrente UNIMED DE NOVA FRIBURGO SOC COOP DE SERV MED E HOSP LTD Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2008, 2009 DILIGÊNCIAS. PERÍCIAS. CONVICÇÃO DO JULGADOR. O artigo 18 do PAF tem natureza de cunho facultativo para a formação da convicção da autoridade julgadora de primeira instância ao conferir a esta a possibilidade de determinar a realização de diligências e perícias quando entender que são necessárias. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008, 2009 COOPERATIVAS. OPERAÇÕES REALIZADAS COM TERCEIROS. Em face da decisão contida no REsp nº 58.265/SP, admitido na sistemática dos recursos repetitivos, as situações que constituam operações realizadas com terceiros não associados (ainda que, em busca da consecução do objeto social da cooperativa), consubstanciam “atos nãocooperativos”, cujos resultados positivos devem integrar a base de cálculo do imposto de renda. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, afastar a preliminar de nulidade e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. Documento assinado digitalmente. João Otávio Oppermann Thomé Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 54 0. 72 05 98 /2 01 2- 69 Fl. 933DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 31/03/ 2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 01/05/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 15540.720598/201269 Acórdão n.º 1102001.319 S1C1T2 Fl. 934 2 Documento assinado digitalmente. Ricardo Marozzi Gregorio Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé, Ricardo Marozzi Gregorio, Alexandre dos Santos Linhares, Jackson Mitsui, João Carlos de Figueiredo Neto e Antonio Carlos Guidoni Filho. Relatório Inicialmente, esclareço que todas as indicações de folhas inseridas neste relatório e no subsequente voto dizem respeito à numeração digital do sistema eProcesso. Tratase de recurso voluntário interposto por UNIMED DE NOVA FRIBURGO SOC COOP DE SERV MED E HOSP LTD contra acórdão proferido pela DRJ/Rio de Janeiro I que concluiu pela procedência total dos lançamentos efetuados. Os créditos tributários lançados, no âmbito da DRF/NiteróiRJ, referentes ao IRPJ e reflexos, devidos nos períodos de apuração correspondentes aos anoscalendário de 2008 e 2009, totalizaram o valor de R$ 33.778.487,68. A autuação promoveu o arbitramento do lucro considerando a omissão de receita correspondentes a atos não cooperados. Cumpre esclarecer que a ação fiscal também resultou em lançamentos não consubstanciados no presente processo. Relativamente ao PIS, a tributação dos atos cooperados, por não ser reflexa do IRPJ, foi efetuada em outro processo. Relativamente à COFINS, a totalidade do crédito tributário constituído (referente a atos cooperados ou não) foi lançada num terceiro processo, com exigibilidade suspensa, em razão da existência de ação judicial tratando da tributação dessa contribuição. Em seu relatório, a decisão recorrida assim descreveu o caso: 2. De acordo com a descrição dos fatos às fls.11/15 e termo de verificação fiscal de fls.19/27, toda a receita auferida pelo interessado nos anoscalendário de 2008 e 2009 foi excluída na apuração do lucro real, uma vez que foi considerada decorrente de atos cooperativos não tributáveis. 3. A fiscalização, entretanto, segregou a receita bruta em três espécies: (1) ingressos, assim considerados os valores repassados aos médicos cooperados que atenderam os usuários do plano de saúde. Tratase de atos cooperativos, isentos do pagamento do IRPJ; (2) receitas da atividade, assim considerados os valores repassados para terceiros não cooperados que atenderam os usuários do plano de saúde. Tratase de ato não cooperativo, sujeito à incidência de IRPJ, conforme já decidido pelo Superior Tribunal de Justiça; (3) outras receitas, assim considerados Fl. 934DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 31/03/ 2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 01/05/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 15540.720598/201269 Acórdão n.º 1102001.319 S1C1T2 Fl. 935 3 os ingressos financeiros, patrimoniais e as receitas não operacionais (fl.23) sujeitos à incidência de IRPJ. 4. O interessado foi intimado em 13.07.2012, reintimado em 05.09.2012 e 18.12.2012, a apresentar quadro demonstrativo dos ingressos e da receita de atividade auferidos, mês a mês, relativos ao rateio na proporção direta da fruição, bem como os dispêndios e custos/despesas incorridos, mês a mês, relativos ao rateio na proporção direta da necessidade. 5. A escrituração contábil não segrega os valores relativos aos ingressos e à receita da atividade. O rateio foi realizado pela fiscalização com base nos documentos disponibilizados pelo interessado. Todavia, quanto aos dispêndios, a fiscalização concluiu que “pode haver, e tudo indica que há, valores relativos a Dispêndios que estão contabilizados em contas cujos saldos foram considerados na integralidade como Custos/Despesas pela AUTORIDADE FAZENDÁRIA. Isso pode ocorrer em virtude de o total do saldo de alguma rubrica conter valores referentes a Dispêndios, relativos a atos cooperativos, e, ao mesmo tempo, valores referentes a Custos/Despesas, relativos a atos nãocooperativos, segregáveis e discrimináveis apenas pela própria FISCALIZADA, sendo impossível a realização desse procedimentos pela AUTORIDADE FAZENDÁRIA, com os documentos ora disponibilizados. 6. Em sendo assim, a escrita foi considerada imprestável para determinar o lucro real e, por conseguinte, foi procedido ao arbitramento do lucro com fundamento no art.530, inciso II, do RIR/1999. Em decorrência, foi efetuado o lançamento de CSLL. 7. A apuração da base de cálculo do arbitramento encontrase discriminada às fls. 21/27 (receitas da atividade apurada após o rateio entre atos cooperativos e não cooperativos x 38,4 % acrescida de outras receitas) e no Termo de Arbitramento às fls. 28/38. 8. A fiscalização constatou que o interessado não ofereceu à tributação do PIS e da COFINS os valores referentes à receita bruta. Assim, como reflexo do lançamento de IRPJ, constituiu de ofício o lançamento do PIS tendo como base de cálculo a receita decorrente de atos não cooperativos e as demais receitas. Sobre os ingressos referentes a atos cooperativos, o PIS foi exigido no processo nº 15540.720599/201211. 9. O lançamento de Cofins foi também objeto de processo administrativo distinto. O crédito tributário foi constituído com a exigibilidade suspensa, por força do Recurso Extraordinário –RE/444363, interposto pelo interessado nos autos do mandado de segurança nº 99.05014918, encontrarse sobrestado no Supremo Tribunal Federal. 10. Cientificado dos lançamentos em 04.01.2013, o interessado, por intermédio de seu procurador, apresentou em 04.02.2013 a impugnação de fls.732/749 que, apesar de identificar corretamente o mandado de procedimento fiscalMPF (0710220/0081211) que resultou na lavratura dos autos de infração de IRPJ, CSLL e PIS, trazia em seu bojo fatos estranhos à lide como por exemplo: razão social, CNPJ, período de apuração e crédito exigido distintos do autuado . 11. O interessado foi então intimado a retificar ou ratificar a impugnação (fls.816/819), o que resultou na juntada das impugnações de fls.823/838 (IRPJ e CSLL); 839/864 (PIS) e 865/890 (Cofins), com os mesmos fundamentos da anterior, alegando, em síntese, que: Fl. 935DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 31/03/ 2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 01/05/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 15540.720598/201269 Acórdão n.º 1102001.319 S1C1T2 Fl. 936 4 é uma sociedade cooperativa, do ramo de trabalho, estando classificada como federação de sociedades cooperativas, conforme dispõe o art. 6º, inciso II, da Lei n 5.764, de 1972, e que opera em nome de suas sócias (cooperativas singulares e federações de cooperativas) contratos de plano de saúde previstos na Lei nº 9.656, de 1998; o auto de infração deixou de considerar o caráter instrumental das sociedades cooperativas, característica que atualmente é consagrada pela manifestação unânime de todos os tribunais; as UNIMED não têm fins lucrativos e não possuem receita de sua atividade operacional, pois agem sempre, seja qual for o tipo de cooperativa, em nome dos médicos associados às UNIMED singulares de sua base de atuação; por isso, não existe incidência tributária sobre a sua atuação econômica, mera atuação instrumental realizada em nome de terceiros, executada absolutamente a título gratuito; a não incidência do IRPJ e da CSLL está prevista na própria Lei nº 5.764, de 1971, especificamente no seu art.86, que permite o fornecimento de bens e serviços a não associados, desde que tal faculdade atenda aos objetivos sociais e estejam de conformidade com a Lei; o Superior Tribunal de JustiçaSTJ tem adotado esta tese e acolhido a não incidência dos questionados tributos sobre as cooperativas, a exemplo do Recurso Especial nº 523.554MG, 544.194MG e 612201/MG; os Tribunais Regionais têm seguido a orientação do STJ, como se observa em diversos julgados; como todo o seu faturamento é realizado em nome de seus sócios, não ocorre a implicação tributária ora questionada, razão pela qual a cobrança objeto da autuação é absolutamente indevida e não poderá prosperar. indevidamente, a autoridade fiscal desclassificou os demonstrativos contábeis do interessado, afirmando equivocadamente que não foi realizada a segregação dos atos cooperativos; na verdade, durante o procedimento fiscal, apresentou o balanço que cumpre as regras que regem a contabilidade das sociedades cooperativas médicas; na condição de sociedade cooperativa, as faturas mensais são recebidas em nome dos médicos cooperados, e os valores correspondentes apenas transitam pelo Caixa da sociedade, mas não concorrem para o patrimônio desta, razão pela qual não são considerados juridicamente como receitas, ex vi do art. 15, da Medida Provisória Nº 2.15835/01; a não incidência desse tributo também decorre da norma do art. 6º, inciso I, da Lei Complementar nº 70, de 1991, cuja vigência é incontestável em face das manifestações jurisprudenciais; ao contrário do asseverado no termo de verificação, promove na sua escrituração contábil a distinção dos valores relativos à sua receita e despesa, de forma a segregar eventuais atos com terceiros para fins de tributação; Fl. 936DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 31/03/ 2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 01/05/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 15540.720598/201269 Acórdão n.º 1102001.319 S1C1T2 Fl. 937 5 os documentos contábeis anexos demonstram o procedimento arbitrário da autoridade autuante, razões suficientes para se decretar a nulidade do auto de infração; os eminentes professores Roque Antonio Carrazza e Eduardo Domingos Bottallo, em parecer sobre consulta formulada pela Unimed do Brasil, firmaram entendimento quanto a não incidência da Cofins e do PIS sobre os atos cooperativos. 12. Em aditamento à inicial, o interessado requereu a produção de prova pericial (fls.892/897). Ao apreciar a impugnação apresentada, a 2ª Turma da já mencionada DRJ/Rio de Janeiro I proferiu o Acórdão nº 1260.809, de 25 de outubro de 2013, por meio do qual decidiu pela procedência total do feito fiscal. Assim figurou a ementa do referido julgado: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2008, 2009 NULIDADE Incabível a alegação de nulidade, comprovado que o auto de infração foi formalizado com obediência a todos os requisitos previstos em lei e que não se apresentam nos autos nenhum dos motivos apontados no art. 59 do Decreto nº 70.235/1972. PERÍCIA. INDEFERIMENTO. O deferimento de prova pericial está condicionado à demonstração pelo contribuinte de que a matéria abordada nos autos exige conhecimento técnico, situação que não se aplica ao presente caso. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008, 2009 COOPERATIVA DE TRABALHO MÉDICO. Sujeitamse à incidência tributária os resultados obtidos por sociedades cooperativas em operações diversas de ato cooperativo. Se, conjuntamente com os serviços dos associados, a cooperativa contrata com a clientela a preço global não discriminativo, o fornecimento de bens ou serviços de terceiros e/ou cobertura com diárias e serviços hospitalares, serviços de laboratórios e outros serviços, especializados ou não, prestados por não associados (terceiros não cooperados), pessoas físicas ou jurídicas, estas operações se caracterizam como atos não cooperativos e estão sujeitas à incidência tributária. ARBITRAMENTO DO LUCRO. ESCRITURAÇÃO. FALTA DE SEGREGAÇÃO DAS RECEITAS DA ATIVIDADE (ATOS NÃO COOPERATIVOS) E INGRESSOS (ATOS COOPERATIVOS). IMPRESTÁVEL. CABIMENTO. Fl. 937DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 31/03/ 2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 01/05/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 15540.720598/201269 Acórdão n.º 1102001.319 S1C1T2 Fl. 938 6 É cabível o arbitramento quando a escrituração do contribuinte contém deficiência que a torna imprestável para determinar o lucro real, por não segregar os valores relativos aos ingressos (atos cooperativos) e às receitas da atividade (atos não cooperativos). ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Anocalendário: 2008, 2009 CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO. PROGRAMA DE INTEGRAÇÃO SOCIAL. LANÇAMENTOS REFLEXOS. Tratandose da mesma matéria fática, e não havendo aspectos específicos a serem apreciados, aos lançamentos reflexos aplicase a mesma decisão do principal. Inconformada, a empresa interessada interpôs recurso voluntário onde, essencialmente, apresenta as seguintes alegações: Preliminarmente, pede nulidade da decisão recorrida, por cerceamento do direito de defesa, uma vez que foi indeferida a perícia requerida para verificar a ausência de segregação na escrituração contábil que culminou com o arbitramento. No mérito, propugna pela insubsistência da ação considerando que não incide tributação sobre os atos cooperativos. A própria Receita Federal, no Parecer Normativo CST nº 38/80, afirma que as cooperativas singulares dos médicos estão à margem da incidência. Conforme resolução do Conselho Federal de Contabilidade, os “ingressos” não são tributáveis e os dispêndios são considerados despesas dos cooperados. A recorrente opera exclusivamente em nome dos cooperados. Seus argumentos têm suporte em pacíficas manifestações do STJ. Não é possível o entendimento restritivo, como concluído pela decisão recorrida, de que o ato cooperativo estaria limitado à atividade de um cooperado prestada em favor de outro. É o relatório. Voto Conselheiro Ricardo Marozzi Gregorio, Relator O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Fl. 938DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 31/03/ 2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 01/05/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 15540.720598/201269 Acórdão n.º 1102001.319 S1C1T2 Fl. 939 7 Em sede preliminar, a recorrente pede a declaração de nulidade da decisão recorrida pelo fato de esta ter negado seu pedido de perícia formulado no aditamento à impugnação juntado de fls. 892 a 897. A instância a quo fundamentou o indeferimento no fato de que a interessada não atendeu aos requisitos previstos no inciso IV do artigo 16 do PAF. Acrescentou que a perícia não é um meio próprio para a comprovação que possa ser feita mediante a mera apresentação ou juntada de documentos, cuja guarda e conservação compete ao contribuinte, mas, sim, para esclarecimento de pontos duvidosos que exijam conhecimentos especializados. Tem razão a DRJ. O referido dispositivo do PAF possui o seguinte conteúdo: IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) Com efeito, esses requisitos não foram cumpridos no pedido originalmente formulado nem foram supridos no recurso. Além disso, verifico que a fiscalização constatou que a escrituração mantida pelo contribuinte não distinguia os ingressos das receitas, tampouco os dispêndios dos custos/despesas, considerando que todas as origens de recursos são ingressos e que todas as aplicações dos recursos são dispêndios. A segregação desses itens foi, então, solicitada através de termos de intimação e reintimação. Porém, a interessada não atendeu a essa solicitação (vide o Termo de Verificação Fiscal às fls. 19). Portanto, a recorrente teve todas as oportunidades para demonstrar que, diferentemente do constatado, havia segregação entre os ingressos e as receitas tributáveis e entre os dispêndios e os custos/despesas incorridos em sua escrituração contábil. Nada obstante, não se desincumbiu de fazêlo. Ainda assim, por conta própria, a fiscalização conseguiu excluir da receita bruta os valores referentes aos ingressos que julgou correspondentes aos atos cooperados. Com isso alega, inclusive, sua boafé porque poderia se acomodar e tributar a totalidade da receita bruta (vide a Descrição dos Fatos às fls. 13). Contudo, por não ser possível a segregação dos dispêndios dos custos/despesas, ficou prejudicada a apuração do lucro real relativamente às receitas tomadas como tributáveis. Procedeu, assim, ao arbitramento do lucro. Considerando que o arbitramento foi pautado na imprestabilidade da escrituração apresentada para determinar o lucro real relativamente às receitas tomadas como tributáveis; que a empresa teve tempo suficiente para infirmar essa constatação; e que o artigo 18 do PAF tem natureza de cunho facultativo para a formação da convicção da autoridade julgadora de primeira instância ao conferir a esta a possibilidade de determinar a realização de Fl. 939DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 31/03/ 2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 01/05/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 15540.720598/201269 Acórdão n.º 1102001.319 S1C1T2 Fl. 940 8 diligências e perícias quando entender que são necessárias; entendo que não houve vícios na decisão recorrida e mantenho a decisão denegatória quanto à idêntica pretensão recursal. Passo, então, à questão de mérito. Por tudo o que expõe, a recorrente alega que não é possível o entendimento restritivo, como concluído pela decisão recorrida, de que o ato cooperativo estaria limitado à atividade de um cooperado prestada em favor de outro. No entanto, a discussão acerca da incidência do imposto de renda sobre as operações realizadas com terceiros não associados às cooperativas foi enfrentada pelo STJ no REsp nº 58.265/SP, admitido na sistemática dos recursos repetitivos prevista no artigo 543C do Código de Processo Civil. Vejase a ementa: PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA. RESULTADO POSITIVO DECORRENTE DE APLICAÇÕES FINANCEIRAS REALIZADAS PELAS COOPERATIVAS. INCIDÊNCIA. ATOS NÃOCOOPERATIVOS. SÚMULA 262/STJ. APLICAÇÃO. 1. O imposto de renda incide sobre o resultado positivo das aplicações financeiras realizadas pelas cooperativas, por não caracterizarem "atos cooperativos típicos" (Súmula 262/STJ). 2. A base de cálculo do imposto de renda das pessoas jurídicas (critério quantitativo da regra matriz de incidência tributária) compreende o lucro real, o lucro presumido ou o lucro arbitrado, correspondente ao período de apuração do tributo. 3. O lucro real é definido como o lucro líquido do exercício ajustado pelas adições, exclusões ou compensações prescritas ou autorizadas pela legislação tributária (artigo 6º, do DecretoLei 1.598/77, repetido pelos artigos 154, do RIR/80, e 247, do RIR/99). 4. As sociedades cooperativas, quando da determinação do lucro real, apenas podem excluir do lucro líquido os resultados positivos decorrente da prática de "atos cooperativos típicos", assim considerados aqueles praticados entre as cooperativas e seus associados, entre estes e aquelas e pelas cooperativas entre si quando associados, para a consecução dos objetivos sociais (artigo 79, caput, da Lei 5.764/71). 5. O artigo 111, da Lei das Cooperativas (Lei 5.764/71), preceitua que são consideradas rendas tributáveis os resultados positivos obtidos pelas cooperativas nas operações de aquisição de produtos ou de fornecimento de bens e serviços a não associados (artigos 85 e 86) e de participação em sociedades não cooperativas (artigo 88), assim dispondo os artigos 87 e 88, parágrafo único, do aludido diploma legal (em sua redação original): Fl. 940DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 31/03/ 2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 01/05/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 15540.720598/201269 Acórdão n.º 1102001.319 S1C1T2 Fl. 941 9 "Art. 87. Os resultados das operações das cooperativas com não associados, mencionados nos artigos 85 e 86, serão levados à conta do 'Fundo de Assistência Técnica, Educacional e Social' e serão contabilizados em separado, de molde a permitir cálculo para incidência de tributos. Art. 88. Mediante prévia e expressa autorização concedida pelo respectivo órgão executivo federal, consoante as normas e limites instituídos pelo Conselho Nacional de Cooperativismo, poderão as cooperativas participar de sociedades não cooperativas públicas ou privadas, em caráter excepcional, para atendimento de objetivos acessórios ou complementares. Parágrafo único. As inversões decorrentes dessa participação serão contabilizadas em títulos específicos e seus eventuais resultados positivos levados ao 'Fundo de Assistência Técnica, Educacional e Social'." 6. Outrossim, o Decreto 85.450/80 (Regulamento do Imposto de Renda vigente à época) preceituava que: "Art. 129 As sociedades cooperativas, que obedecerem ao disposto na legislação específica, pagarão o imposto calculado unicamente sobre os resultados positivos das operações ou atividades: I de comercialização ou industrialização, pelas cooperativas agropecuárias ou de pesca, de produtos adquiridos de não associados, agricultores, pecuaristas ou pescadores, para completar lotes destinados ao cumprimento de contratos ou para suprir capacidade ociosa de suas instalações industriais (Lei n. 5.764/71, artigos 85 e 111); II de fornecimento de bens ou serviços a não associados, para atender aos objetivos sociais (Lei n. 5.764/71, artigos 86 e 111). III de participação em sociedades não cooperativas, públicas ou privadas, para atendimento de objetivos acessórios ou complementares, desde que prévia e expressamente autorizadas pelo órgão executivo federal competente (Lei n. 5.764/71, artigos 88 e 111). § 1º É vedado às cooperativas distribuir qualquer espécie de benefício às quotaspartes do capital ou estabelecer outras vantagens ou privilégios, financeiros ou não, em favor de quaisquer associados ou terceiros, excetuados os juros até o máximo de 12% (doze por cento) ao ano atribuídos ao capital integralizado (Lei n. 5.764/71, art. 24, § 3º, e DecretoLei n. 1.598/77, art. 39, I, b). § 2º A inobservância do disposto no parágrafo anterior importará tributação dos resultados, na forma prevista neste Regulamento." 7. Destarte, a interpretação conjunta dos artigos 111, da Lei das Cooperativas, e do artigo 129, do RIR/80, evidencia a mens Fl. 941DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 31/03/ 2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 01/05/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 15540.720598/201269 Acórdão n.º 1102001.319 S1C1T2 Fl. 942 10 legislatoris de que sejam tributados os resultados positivos decorrentes de atos não cooperativos, ou seja, aqueles praticados entre a cooperativa e não associados, ainda que para atender a seus objetivos sociais. 8. Deveras, a caracterização de atos como cooperativos deflui do atendimento ao binômio consecução do objeto social da cooperativa e realização de atos com seus associados ou com outras cooperativas, não se revelando suficiente o preenchimento de apenas um dos aludidos requisitos. 9. Ademais, o ato cooperativo típico não implica operação de mercado, ex vi do disposto no parágrafo único, do artigo 79, da Lei 5.764/71. 10. Conseqüentemente, as aplicações financeiras, por constituírem operações realizadas com terceiros não associados (ainda que, indiretamente, em busca da consecução do objeto social da cooperativa), consubstanciam "atos nãocooperativos", cujos resultados positivos devem integrar a base de cálculo do imposto de renda. 11. Recurso especial da Fazenda Nacional provido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Não obstante o tema central naquela discussão tenha sido o resultado positivo das aplicações financeiras realizada pelas cooperativas, em suas razões de decidir, ficou assentado o entendimento de que as situações que constituam operações realizadas com terceiros não associados (ainda que, em busca da consecução do objeto social da cooperativa), consubstanciam “atos nãocooperativos”, cujos resultados positivos devem integrar a base de cálculo do imposto de renda (cf. o item 10 da ementa). Essa conclusão foi sedimentada em outros julgamentos do STJ, estendendo, inclusive, o mesmo tratamento para o âmbito das contribuições para o PIS e a COFINS. Confirase: AgRg no Ag 1292439 / MG PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO REGIMENTAL. AGRAVO DE INSTRUMENTO. DIREITO TRIBUTÁRIO. COOPERATIVA DE TRABALHO. CONCEITO DE ATO COOPERATIVO TÍPICO. SERVIÇOS PRESTADOS A TERCEIROS. ATOS NÃO COOPERATIVOS. INCIDÊNCIA DO IRPJ, DA CSLL E DAS CONTRIBUIÇÕES AO PIS E COFINS SOBRE OS ATOS NEGOCIAIS. TEMA JÁ JULGADO PELO REGIME DO ART. 543C, DO CPC, E DA RESOLUÇÃO STJ 08/08. APLICAÇÃO DE MULTA. 1. O fornecimento de serviços a terceiros não cooperados e o fornecimento de serviços a terceiros não associados inviabiliza a configuração como atos cooperativos, devendo ser tributados normalmente. Precedentes: REsp 635.986/PR, Rel. Ministra Fl. 942DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 31/03/ 2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 01/05/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 15540.720598/201269 Acórdão n.º 1102001.319 S1C1T2 Fl. 943 11 Eliana Calmon, Segunda Turma, DJe 25.9.2008; REsp 746.382/MG, Rel. Min. Humberto Martins, DJ de 9.10.2006; REsp 1096776/PB, Segunda Turma, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 19/08/2010; AgRg no REsp 751.460/MG, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 13.2.2009; AgRg no AgRg no REsp 1033732/SP, Rel. Ministro Francisco Falcão, Primeira Turma, DJe 1.12.2008; EDcl nos EDcl no REsp 875.388/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Turma, DJe 29.10.2008. 2. O tema referente à tributação pelo IRPJ dos atos praticados pela cooperativa com terceiros não associados já foi objeto de julgamento em sede de recurso especial representativo da controvérsia REsp. n. 58.265 / SP, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 09.12.2009. 3. No referido julgamento, embora se estivesse apreciando a hipótese específica voltada ao Imposto de Renda e não às contribuições ao PIS e COFINS, nas razões de decidir restou firmado o pressuposto de que "[...] as operações realizadas com terceiros não associados (ainda que, indiretamente, em busca da consecução do objeto social da cooperativa), consubstanciam 'atos nãocooperativos', cujos resultados positivos devem integrar a base de cálculo do imposto de renda" (REsp. n. 58.265 / SP, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 09.12.2009). 4. Desse modo, definido que se tratam de atos nãocooperativos, não há que se falar em isenção do IRPJ, da CSLL e das contribuições ao PIS e COFINS por aplicação do art. 79, da Lei n. 5.764/71. 5. Observar que nos recursos representativos da controvérsia REsp. n. 1.141.667/RS e REsp. n. 1.164.716/MG, pendentes de julgamento, o que se discute não é o conceito de ato cooperativo típico (tema já abordado no recurso representativo da controvérsia REsp. n. 58.265/SP, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 09.12.2009), mas sim o confronto da isenção para o ato cooperativo típico previsto no art. 79, da Lei n. 5.764/71 com as restrições estabelecidas pelo art. 15, da Medida Provisória n. 2.15835, que restringiu as exclusões da base de cálculo das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS somente a determinados valores ali estabelecidos. 6. Agravo regimental de agravo de instrumento cujo tema foi julgado sob o regime do art. 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/08 no REsp. n. 58.265/SP, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 09.12.2009. Agravo manifestamente inadmissível, havendo que incidir o §2º, do art. 557 c/c art. 545, do CPC, fixandose a multa apropriada. 7. Agravo regimental não provido. AgRg no REsp 786612 / RS Fl. 943DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 31/03/ 2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 01/05/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 15540.720598/201269 Acórdão n.º 1102001.319 S1C1T2 Fl. 944 12 PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO REGIMENTAL. RECURSO ESPECIAL. DIREITO TRIBUTÁRIO. COOPERATIVA DE TRABALHO MÉDICO. UNIMED. CONCEITO DE ATO COOPERATIVO TÍPICO. SERVIÇOS PRESTADOS A TERCEIROS. ATOS NÃO COOPERATIVOS. INCIDÊNCIA DAS CONTRIBUIÇÕES AO PIS E COFINS SOBRE OS ATOS NEGOCIAIS. TEMA JÁ JULGADO PELO REGIME DO ART. 543C, DO CPC, E DA RESOLUÇÃO STJ 08/08. 1. A jurisprudência deste STJ já se firmou no sentido de que é legítima a incidência do PIS e da COFINS, tendo como base de cálculo o faturamento das cooperativas de trabalho médico, sendo que por faturamento deve ser compreendido o conceito que restou definido pelo STF como receita bruta de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza, por ocasião do julgamento da ADC 01/DF. Precedentes: REsp 635.986/PR, Segunda Turma, Rel. Min. Eliana Calmon, DJe de 25.9.2008; REsp 1081747 / PR, Segunda Turma, Rel. Min. Eliana Calmon, 15.10.2009. 2. O fornecimento de serviços a terceiros não cooperados e o fornecimento de serviços a terceiros não associados inviabiliza a configuração como atos cooperativos, devendo ser tributados normalmente. Precedentes: REsp 635.986/PR, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, DJe 25.9.2008; REsp 746.382/MG, Rel. Min. Humberto Martins, DJ de 9.10.2006; REsp 1096776/PB, Segunda Turma, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 19/08/2010; AgRg no REsp 751.460/MG, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 13.2.2009; AgRg no AgRg no REsp 1033732/SP, Rel. Ministro Francisco Falcão, Primeira Turma, DJe 1.12.2008; EDcl nos EDcl no REsp 875.388/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Turma, DJe 29.10.2008. 3. O tema referente à tributação pelo IRPJ dos atos praticados pela cooperativa com terceiros não associados já foi objeto de julgamento em sede de recurso especial representativo da controvérsia REsp. n. 58.265 / SP, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 09.12.2009. 4. No referido julgamento, embora se estivesse apreciando a hipótese específica voltada ao Imposto de Renda e não às contribuições ao PIS e COFINS, nas razões de decidir restou firmado o pressuposto de que "[...] as operações realizadas com terceiros não associados (ainda que, indiretamente, em busca da consecução do objeto social da cooperativa), consubstanciam 'atos nãocooperativos', cujos resultados positivos devem integrar a base de cálculo do imposto de renda" (REsp. n. 58.265 / SP, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 09.12.2009). 5. Desse modo, definido que se tratam de atos nãocooperativos, não há que se falar em isenção do IRPJ, da CSLL e das contribuições ao PIS e COFINS por aplicação do art. 79, da Lei n. 5.764/71. Fl. 944DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 31/03/ 2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 01/05/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 15540.720598/201269 Acórdão n.º 1102001.319 S1C1T2 Fl. 945 13 6. Observar que nos recursos representativos da controvérsia REsp. n. 1.141.667/RS e REsp. n. 1.164.716/MG, pendentes de julgamento, e RE 598.085RJ o que se discute não é o conceito de ato cooperativo típico (tema já abordado no recurso representativo da controvérsia REsp. n. 58.265/SP, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 09.12.2009), mas sim o confronto da isenção para o ato cooperativo típico previsto no art. 79, da Lei n. 5.764/71 com o estabelecido pelo art. 15, da Medida Provisória n. 2.15835, que restringiu as exclusões da base de cálculo das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS somente a determinados valores ali especificados. 7. Agravo regimental não provido. AgRg no Ag 1221603 / SP DIREITO TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL. COOPERATIVA DE TRABALHO. UNIMED. SERVIÇOS PRESTADOS A TERCEIROS. ATOS NÃO COOPERATIVOS. INCIDÊNCIA DO IRPJ E DA CSLL SOBRE OS ATOS NEGOCIAIS. TEMA JÁ JULGADO PELA SISTEMÁTICA PREVISTA NO ART. 543C, DO CPC EM RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. TRIBUTAÇÃO DE DESPESAS. FALTA DE PREQUESTIONAMENTO. APLICAÇÃO DAS SÚMULAS 282 E 356 DO STF. 1. Ato cooperativo é aquele que a cooperativa realiza com os seus cooperados ou com outras cooperativas, sendo esse o conceito que se extrai da interpretação do art. 79 da Lei nº 5.764/71, dispositivo que institui o regime jurídico das sociedades cooperativas. 2. Na hipótese dos autos, a contratação, pela Cooperativa, de serviços laboratoriais, hospitalares e de clínicas especializadas, atos objeto da controvérsia interpretativa, não se amoldam ao conceito de atos cooperativos, caracterizandose como atos prestados a terceiros. 3. A questão sobre a incidência tributária nas relações jurídicas firmadas entre as Cooperativas e terceiros é tema já pacificado na jurisprudência desta Corte, sejam os terceiros na qualidade de contratantes de planos de saúde (pacientes), os sejam na qualidade de credenciados pela Cooperativa para prestarem serviços aos cooperados (laboratórios, hospitais e clínicas), deve haver a tributação do IRPJ e CSLL normalmente sobre tais atos negociais. 4. Consoante o julgado no recurso representativo da controvérsia REsp. n. 58.265/SP, "[...] as operações realizadas com terceiros não associados (ainda que, indiretamente, em busca da consecução do objeto social da cooperativa), consubstanciam 'atos nãocooperativos', cujos resultados positivos devem integrar a base de cálculo do imposto de renda" Fl. 945DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 31/03/ 2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 01/05/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 15540.720598/201269 Acórdão n.º 1102001.319 S1C1T2 Fl. 946 14 (REsp. n. 58.265/SP, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 09.12.2009). 5. A tese de que se trata de tributação sobre uma despesa e não sobre uma receita da Cooperativa não foi apreciada pela Corte de origem, o que atrai o teor das Súmulas 282 e 356/STF. 6. Agravo regimental não provido. Como se percebe (vide o item 3 do último julgado transcrito), o entendimento do STJ sobre a natureza tributável dos atos praticados pelas “cooperativas do tipo UNIMED” é no sentido de que deve haver incidência tributária sobre as relações jurídicas estabelecidas entre estas e terceiros, sejam na qualidade de contratantes de planos de saúde (pacientes), sejam na qualidade de credenciados para prestarem serviços aos cooperados (laboratórios, hospitais e clínicas). Do que se depreende, assim, que a totalidade dos ingressos obtidos dos contratantes (pacientes) poderia ser tributada. Quanto à necessidade de que os julgados deste Colegiado observem as decisões do STJ proferidas na sistemática dos recursos repetitivos, o artigo 62A do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009, determina: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Portanto, é de se manter o resultado do procedimento fiscal que foi até mais benéfico para o contribuinte no sentido de excluir da tributação os valores que puderam ser identificados como correspondentes aos serviços prestados pelos associados da cooperativa. Pelo exposto, oriento meu voto no sentido de afastar a preliminar de nulidade e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. Documento assinado digitalmente. Ricardo Marozzi Gregorio Relator Fl. 946DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 31/03/ 2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 01/05/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 15540.720598/201269 Acórdão n.º 1102001.319 S1C1T2 Fl. 947 15 Fl. 947DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 31/03/ 2015 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 01/05/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME
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Numero do processo: 11080.013546/2007-89
Turma: Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 06 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed May 13 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Ano-calendário: 2002
IMPOSSIBILIDADE DO LANÇAMENTO DE OFÍCIO PARA A EXIGÊNCIA DA ESTIMATIVA NÃO RECOLHIDA DEPOIS DO ENCERRAMENTO DO EXERCÍCIO MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DIPJ - Configurada a força maior, não devida a multa por atraso na apresentação da DIPJ, mesmo quando comprovado que a sua entrega ocorreu fora do prazo. Exclusão da penalidade pelo descumprimento de obrigação acessória.
Recurso negado.
Numero da decisão: 1103-000.803
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros da 3ª Turma Ordinária da 1ª. Câmara da PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(Assinado Digitalmente)
Aloysio José Percínio da Silva - Presidente
(Assinado Digitalmente)
Sérgio Luiz Bezerra Presta Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Aloysio José Percínio da Silva, Mário Sérgio Fernandes Barroso, Marcos Shigueo Takata, Eduardo Martins Neiva Monteiro e Sérgio Luiz Bezerra Presta.
Nome do relator: SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Ano-calendário: 2002 IMPOSSIBILIDADE DO LANÇAMENTO DE OFÍCIO PARA A EXIGÊNCIA DA ESTIMATIVA NÃO RECOLHIDA DEPOIS DO ENCERRAMENTO DO EXERCÍCIO MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DIPJ - Configurada a força maior, não devida a multa por atraso na apresentação da DIPJ, mesmo quando comprovado que a sua entrega ocorreu fora do prazo. Exclusão da penalidade pelo descumprimento de obrigação acessória. Recurso negado.
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Exclusão da penalidade pelo descumprimento de obrigação acessória. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros da 3ª Turma Ordinária da 1ª. Câmara da PRIMEIRA SSEEÇÇÃÃOO DDEE JJUULLGGAAMMEENNTTOO, por unanimidade negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (Assinado Digitalmente) Aloysio José Percínio da Silva Presidente (Assinado Digitalmente) Sérgio Luiz Bezerra Presta – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Aloysio José Percínio da Silva, Mário Sérgio Fernandes Barroso, Marcos Shigueo Takata, Eduardo Martins Neiva Monteiro e Sérgio Luiz Bezerra Presta. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 01 35 46 /2 00 7- 89 Fl. 642DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 13/0 5/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por SERGIO LUIZ BEZER RA PRESTA Processo nº 11080.013546/200789 Acórdão n.º 1103000.803 S1C1T3 Fl. 642 2 Relatório Por bem descrever os fatos relativos ao contencioso, adoto parte do relato do órgão julgador de primeira instância administrativa até aquela fase: “Tratase de impugnação ao auto de infração, o qual tem por fundamento a entrega intempestiva da Declaração de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), relativa ao ano calendário 2004, exercício 2005, entregue em 11/05/2006, sendo 30/06/2005 o termo final para o cumprimento da obrigação acessória (fl. 118 do processo em papel). O valor exigido é de R$1.194.633,59. A ciência do auto de infração deuse em 1º/11/07 (fl. 119 do processo em papel). A contribuinte apresentou impugnação em 03/12/2007 (fls. 0109 do processo em papel), alegando, em síntese: (a) a incapacidade de apresentar a DIPJ no prazo estabelecido, em virtude da indisponibilidade da maioria da documentação de prova, imprescindível para a contabilização dos atos e fatos relativos ao ano calendário 2004 – faz transcrições do “relatório de encerramento de ação fiscal” do processo administrativo 11080.009495/200618, concernente ao contribuinte Sr. Roberto Coimbra Frabbrin, sócio responsável da autuada, relatando que: (1) este fora preso em 11/04/2005, ocasião na qual toda a documentação atinente à pessoa física deste sócio, bem como a documentação fiscal da interessada, fora apreendida pela Polícia Federal e (2) tal documentação ainda estava retida em 20/02/2006, sendo presumivelmente liberada até 30/04/2006; (b) a inconsistência do lançamento fiscal em virtude dos acontecimentos que precederam o prazo da entrega da DIPJ 2004/2005 – em abril de 2005 os registros contábeis ainda estavam em fase de conciliação, não sendo possível concluílos em face da apreensão de sua documentação. Afirmou que o Sr. Roberto Coimbra Fabbrin esteve aprisionado de abril a dezembro de 2005, estando impossibilitado de buscar qualquer meio para entregar a DIPJ. A partir de sua soltura, passou a atuar junto à Justiça Federal para obter a documentação necessária para a finalização da contabilização da DIPJ 2004/2005. Juntou cópias de mandados de busca e apreensão nºs 34/05 (fl. 14) e 22/05 (fl. 15), de auto de apreensão relativo à “operação tango”, datado de 11/04/2005 (fls. 1520), mandado de intimação (crime) do qual é sujeito o Sr. Luis Carlos de Almeida Abadie (fl. 21) e auto de apresentação e apreensão referente ao mandado de busca e apreensão 22/05, datado de 25/04/05 (fls. 22117). Em 21/12/2009, esta 1ª Turma de Julgamento determinou a realização de diligência (fls. 132133), fundamentada nos seguintes termos: É fato inconteste que a documentação da interessada foi apreendida em abril de 2005. Entretanto, não ficou comprovado nos autos que tal documentação esteve indisponível à autuada, impossibilitando a apresentação da DIPJ 2004/2005. É razoável suporse que tenha sido entregue ao procurador da contribuinte cópia do Fl. 643DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 13/0 5/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por SERGIO LUIZ BEZER RA PRESTA Processo nº 11080.013546/200789 Acórdão n.º 1103000.803 S1C1T3 Fl. 643 3 material apreendido, a fim de possibilitar a si, ao seu sócio responsável, ou mesmo ao seu contador o exercício do direito de defesa. Cabe lembrar que à época da apreensão da documentação eram sócios da contendora, além do Sr. Roberto Coimbra Fabbrin, os Srs. Alberto Luiz Ulguim e Cristiano Freire Amorim (fls. 122125). Tais sócios teriam direito e dever de solicitar as referidas cópias, a fim de exercer o seu direito de defesa (seu direito) e cumprir obrigações tributárias principais e acessórias (seu dever). A fim de esclarecer a situação, proponho o encaminhamento dos autos à Delegacia de origem para que esta, juntando cópia da documentação pertinente, como as petições e os despachos que se refere a eles, informe se houve, por parte da autuada ou de seu procurador, a solicitação de cópia do material apreendido. Caso positivo, informe a data da solicitação e a data em que o material foi disponibilizado ou do despacho que negou o pedido. Em decorrência, foram juntados os documentos das fls. 138 a 245, foi exarado relatório descritivo (fl. 246) e foi reaberto o prazo para a manifestação da autuada, que, às fls. 252254, afirmou, em síntese: (a) os livros Diário e Razão do ano de 2004 que foram apreendidos pela Policia Federal, ainda não estavam totalmente encerrados; estavam por ser entregues dia 11 de abril 2005, conforme correspondência de 08/04/2005, só não acontecendo porque a Policia Federal apreendeuos juntamente com as demais documentações do escritório contábil; (b) o Juiz da 1ª Vara Federal Criminal SFN e JEF Criminal de Porto Alegre, informou (fl. 137) que os livros de 2004 não haviam sido apreendidos na Operação Tango; entretanto, o Sr. Delegado de Policia Federal, no Oficio 6972.760.04/2005 — NUFIN/DRCOR/SR/DPF/RS, de 30/06/2005 (fl. 139), afirmou que os livros Diário e Razão do ano calendário de 2004 encontramse apreendidos nos autos do processo 2004.71.00.0371334, que se encontra na lª Vara Federal Criminal de Porto Alegre, e no Oficio nº 912/05, de 14/07/2005, o Diretor da Secretaria da 1ª VFC, informa que o pedido ficou prejudicado, porque não houve apreensão dos originais dos livros Diário e Razão do ano 2004 (fl. 141), corretamente; (c) o Relatório de Fiscalização informou que foi apresentado o livro Razão do 1º semestre de 2004, em 2005, e as intimações feitas durante aquele procedimento fiscal, a partir de 11/04/2005, não puderam ser atendidas em razão da prisão do Sr. Roberto Fabbrin e a do contador da Vale; (d) em 28/07/2005, fls. 226, a DRF em Santa Maria encaminhou à DRF em Palmas/TO cópias de seus livros contábeis, por haver a anexação dos originais dos livros no Processo 11060.002066/200569 e oito volumes referentes aos originais de oito livros contábeis, apensados ao Processo 11060.002065/200514; (e) tendo em vista a prisão do Sr. Roberto Frabbrin e a do Sr. Luiz Carlos Abadie, contador, a DRF Palmas encontrou a sociedade Vale Palmas com as portas fechadas, e a declarou inapta; por esse motivo, não recebeu os documentos, e era impossível à sociedade inepta apresentar declarações; por isso, não foi possível finalizar os livros Diário e Razão do ano de 2004 e nem apresentar a declaração; Fl. 644DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 13/0 5/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por SERGIO LUIZ BEZER RA PRESTA Processo nº 11080.013546/200789 Acórdão n.º 1103000.803 S1C1T3 Fl. 644 4 somente quando mudou sua sede para São José/SC, foi e homologado o pedido de ativação de seu CNPJ, pode apresentar as declarações em atraso; (f) os dois Diretores citados por esta Delegacia de Julgamento, Valdemar Alta Júnior, e Alberto Luiz Ulguim foram excluídos da sociedade, respectivamente, em 13/11/2003, e em 12/08/2004; (g) que os documentos referentes ao ano de 2004, encontramse, ainda, apreendidos, até o trânsito em julgado da ação penal. Solicitou o encaminhamento do processo 11080.013546/200789, que está na Delegacia de Julgamento, à Delegacia de Julgamento em Florianópolis, em razão de seu domicilio fiscal e o de seu acionista majoritário se encontrarem em São José/SC, desde janeiro de 2009, onde podem ser facilmente localizados”. A 1ª Turma da DRJ/Porto AlegreRS, em sessão de 30/05/2012, ao analisar a peça impugnatória apresentada, proferiu o acórdão n° 1038.836 entendendo “por unanimidade de votos, julgar a impugnação improcedente, mantendo o crédito tributário exigido”, sob argumentos assim ementados: “ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Ano calendário: 2004 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE INFORMAÇÕES ECONÔMICOFISCAIS DA PESSOA JURÍDICA. FORÇA MAIOR NÃO COMPROVADA. É imponível a multa por atraso na entrega da DIPJ quando não há comprovação de situação que impeça a sua entrega. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido” Cientificada da decisão de primeira instância em 19/06/2012 (AR fls. 639), a VALE TRADING S/A., qualificada nos autos em epígrafe, inconformada com a decisão contida no Acórdão nº 1038.836, recorre em 18/07/2012 a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais objetivando a reforma do julgado reiterando os argumentos da peça impugnativa. Em 23/07/2012 é emitido despacho pela DRF em Florianópolis – SC, agencia São Jose (Fls. 640) atestando a tempestividade do recurso voluntario interposto. É o relatório do essencial. Fl. 645DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 13/0 5/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por SERGIO LUIZ BEZER RA PRESTA Processo nº 11080.013546/200789 Acórdão n.º 1103000.803 S1C1T3 Fl. 645 5 Voto Conselheiro SÉRGIO LUIZ BEZERRA PRESTA Relator Observando o que determina os arts. 5º e 33 ambos do Decreto nº. 70.235/1972 conheço a tempestividade do recurso voluntário apresentado, preenchendo os demais requisitos legais para sua admissibilidade, dele, portanto tomo conhecimento. A questão dos autos trata de multa por atraso na entrega da DIPJ Declaração de Informações Econômicofiscais da Pessoa Jurídica referente ao ano calendário de 2004, exercício 2005, cujo prazo de entrega era 30/06/2005 e somente foi entregue pela Recorrente em 11/05/2006; ou seja, 315 dias depois, com o seguinte demonstrativo do crédito tributário: Não tenho duvida que a apresentação da DIPJ fora do prazo, em um caso normal de temperatura e pressão, enseja a aplicação da multa de oficio, nos termos do que preceituam os dispositivos legais indicados no Auto de Infração. A penalidade é exigida em razão do descumprimento de obrigação acessória pelos contribuintes, mesmo nos casos em que não houve qualquer dano aos cofres públicos. Até porque, a responsabilidade dos contribuintes por infração tributária independe da sua intenção, natureza e extensão dos efeitos do ato, nos termos do art. 136 do CTN. Até porque, em se tratando de aplicação de multa por atraso na entrega da DIPJ relativa ao ano calendário de 2004, exercício 2005, cujo prazo de entrega era 30/06/2005 e somente foi entregue pela Recorrente em 11/05/2006, incide por força das determinações constantes do Art. 7° da Lei n° 10.426/2002, que pode ser observado na forma esquemática a seguir transcrita: Fl. 646DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 13/0 5/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por SERGIO LUIZ BEZER RA PRESTA Processo nº 11080.013546/200789 Acórdão n.º 1103000.803 S1C1T3 Fl. 646 6 A B C D 1 O sujeito passivo que deixar de apresentar: Declaração de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ); Declaração de Débitos e Créditos Tributários (DCTF); Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica e Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte (DIRF), nos prazos fixados Será intimado a apresentar a declaração original, no caso de não apresentação Sujeitarseá às seguintes multas I – de 2% por mês calendário ou fração incidente sobre o montante do imposto de renda da pessoa jurídica informado na DIPJ, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega da declaração, ou entrega após o prazo, limitada a 20%. II – de 2% no mês calendário ou fração incidente sobre o montante de tributos e contribuições informados na DCTF, na Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica ou na DIRF, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega destas Declarações ou entrega após o prazo, limitada a 20%. 2 Ou que as apresentar com incorreções ou omissões Ou a prestar esclarecimentos nos demais casos, no prazo estipulado pela Receita Federal do Brasil III – de R$ 20,00 para cada grupo de 10 informações incorretas ou omitidas. Observando a planilha acima, atentese que a coluna C (“sujeitarseá às seguintes multas”) é ligada pela conjunção “e” (e não “ou”), o que obriga sempre A. aplicação de multa por atraso em qualquer das hipóteses das linhas 1 e 2; ou seja, intimandose previamente ou não o contribuinte. E, o denominado “prazo fixado” a que se refere à coluna A, linha 1, é o prazo fixado pela legislação tributária (art.6° da IN SRF n° 482/2004) para entrega da DIPJ, e não um prazo aleatório posteriormente fixado pela Administração; que no presente caso era em 30/06/2005; mas a Recorrente só apresentou a DIPJ em 11/05/2006; ou seja, 315 dias depois. Diante do atraso a multa por atraso na entrega da DIPJ Declaração de Informações Econômicofiscais da Pessoa Jurídica referente ao ano calendário de 2004 foi de R$ 1.194.633,59. É pelo valor da multa que me inclino a observar a questão da verdade material. Então vamos a ela: Conforme posso observar do relato da 1ª Turma da DRJ/Porto AlegreRS a em 11/04/2005 (inicio do 2º trimestre) o Sr. Roberto Coimbra Frabbrin foi preso e segundo a Recorrente “toda a documentação atinente à pessoa física deste sócio, bem como a documentação fiscal da interessada, fora apreendida pela Polícia Federal e (2) tal Fl. 647DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 13/0 5/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por SERGIO LUIZ BEZER RA PRESTA Processo nº 11080.013546/200789 Acórdão n.º 1103000.803 S1C1T3 Fl. 647 7 documentação ainda estava retida em 20/02/2006, sendo presumivelmente liberada até 30/04/2006”; sendo que o Sr. Roberto Coimbra Fabbrin esteve preso até dezembro de 2005. Somente o fato da prisão do Sr. Roberto Coimbra Frabbrin é, smj, ensejador de uma desoneração de uma multa tão elevada; até porque o processo administrativo busca a descoberta da verdade material relativa aos fatos tributários. Aqui, ao cumprimento de uma obrigação acessória. Na verdade, houve descumprimento no prazo da obrigação; mas, não há que se falar em revelia ou rebeldia da Recorrente. Isso se dá pela própria definição de revel, derivado do latim “rebellis” (rebelde), que designa a pessoa que se rebela ou que não obedece a uma determinação administrativa, o que definitivamente não ocorreu no caso dos autos. Tento é que a DIPJ foi apresentada, extemporaneamente, mas foi apresentada. E, esta realidade é definida como “atraso”, “verbis”: “ATRASO Na linguagem corrente, a palavra serve para indicar toda a demora ou retardamento na execução de um ato. E no sentido jurídico, outra não é a significação que lhe dá: atraso no pagamento, demora no pagamento ou falta de pagamento de obrigação vencida: atraso do processo, demora em que se pratiquem os atos integrantes do processo”. (Vocabulário jurídico, Vol. IV, Gz, 11ª. Edição Editora Forense). Os fatos olhados à luz da definição acima demonstram que na realidade apenas houve um atraso na apresentação da DIPJ, e a multa de R$ 1.194.633,59, não é razoável; pois, perfaz R$ 3.792,00 (três mil, setecentos e noventa e dois mil reais) por dia de atraso. Conforme mencionado acima, não tenho dúvidas de que o caso trazido à discussão referese apenas à questão de ter ocorrido mero atraso no cumprimento de uma obrigação tributária acessória (apresentação da DIPJ), que foi reconhecido pela 1ª Turma da DRJ/Porto AlegreRS. Até porque, não encontro nos autos que houve obrigação tributária principal a ser adimplida. Para melhor ilustrar a questão, aqui abro um parêntese para analisar o que vem a ser uma obrigação tributária acessória. Segundo os artigos 113 e 115 do CTN podemos encontrar as definições das obrigações tributárias: “Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. § 2º A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. Fl. 648DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 13/0 5/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por SERGIO LUIZ BEZER RA PRESTA Processo nº 11080.013546/200789 Acórdão n.º 1103000.803 S1C1T3 Fl. 648 8 § 3º A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. (...) Art. 115. Fato gerador da obrigação acessória é qualquer situação que, na forma da legislação aplicável, impõe a prática ou a abstenção de ato que não configure obrigação principal”. Porém, vejo que essa conceituação foi desconsiderada pela 1ª Turma da DRJ/Porto AlegreRS, que não observou que o comando do art.115 do CTN fala de uma inexistência, pois a obrigação acessória não tem nem nunca teve fato gerador lastreado em uma obrigação principal que não existe. A lei, isso é certo, impõe certos deveres de “fazer” ou de “não fazer”, no interesse e conveniência da administração tributária. Um fato abstratamente previsto na lei pode se considerar, uma vez materializado, gerador do dever de pagar tributo. Ou seja, as obrigações acessórias não se estabelecem mediante normas de imputação, em que um dever se impõe uma vez preenchido determinado molde típico, como acontece com as obrigações principais. A lei impõe o dever jurídico imperativamente. Descumprida a obrigação acessória, incide a sanção da multa pecuniária, que não pode ter relação com o pagamento do tributo, quando esse foi satisfeito tempestivamente pelo contribuinte, fato incontroverso nos autos. É ai que entra em cena a obrigação imposta ao sujeito passivo da obrigação acessória de “fazer” ou “não fazer” algo. Descumprido o dever jurídico, aplicase uma multa, penalidade pecuniária que não tem, obviamente, natureza tributária, nem pode ter a base de cálculo do tributo, já cobrado e satisfeito. E, isso acontece porque o CTN define, no art. 3º, que “tributo é toda prestação pecuniária compulsória, em moeda ou cujo valor nela se possa exprimir, que não constitua sanção de ato ilícito, instituída em lei e cobrada mediante atividade administrativa plenamente vinculada”. Ou seja, tributo não pode ser considerado como sanção por ato ilícito. E, isso quer dizer que o tributo quando não é devido, não pode ser base de cálculo de uma obrigação acessória, sob pena de enriquecimento ilícito por parte do Estado. O descumprimento de um dever jurídico, estabelecido em lei nos interesses da administração fiscal, é um ato ilícito. Não pretendo me aprofundar considerações sobre a natureza do ilícito, na medida em que é noção razoavelmente clara. Porém, vejo o fato concreto, o “pandemônio” administrativo que a Recorrente passou, não posso me furtar de trazer à tona a certeza que o ilícito é o que é contrário ao direito; ilícito é descumprir um comando legal. Havia sim o comando legal de entregar a DIPJ; porém, como já disse a situação da Recorrente era atípica e pela sua atipicidade deve ser vista com a peculiaridade que o caso requer. Fl. 649DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 13/0 5/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por SERGIO LUIZ BEZER RA PRESTA Processo nº 11080.013546/200789 Acórdão n.º 1103000.803 S1C1T3 Fl. 649 9 Esse meu entendimento tem por base aquilo que o legislador brasileiro, ao editar o CTN, apropriouse da terminologia das obrigações ao estruturar o sistema tributário. Não se trata da apropriação da sistemática civilista apenas, mas de uma noção mesmo de norma jurídica e seus efeitos sobre os indivíduos. Talvez, em última análise, a questão se resuma às formas de traduzir a noção que se tem de direito e sistema jurídico, mais que as divergências propriamente entre conceitos e concepções filosóficas. Contudo, qualquer que seja a concepção adotada, convém que sua tradução, exposição e positivação seja clara: Ver a verdade material! Mesmo assim, não há como negar que a lei impõe ao sujeito passivo da obrigação acessória que faça ou não faça algo. Descumprido esse dever jurídico, será aplicada uma multa, uma penalidade pecuniária que não tem natureza tributária. Uma multa, uma penalidade pecuniária que tem que ser proporcional ao ato não realizado; uma multa, uma penalidade pecuniária que, por hipótese alguma, pode ter o seu um valor calculado sobre a operação ou um tributo que não era devido. Isso porque, o CTN, como visto acima, ao definir “tributo”, no art. 3º., determina com todas as letras de que não se trata de sanção por ato ilícito! Por essa razão trago uma pergunta: Será que o descumprimento de uma mera obrigação acessória (entrega da DIPJ), na situação em que estava a Recorrente, tem o condão de imputar uma multa no valor de R$ 1.194.633,59, (R$ 3.792,00 por dia de atraso)? A minha resposta é não! Reforço que ilícito é o que é contrário ao direito e, descumprir um comando legal é contrário ao direito, evidentemente. Então, sendo a multa penalidade pecuniária e, por conseguinte, sanção por ato ilícito, não é evidentemente tributo e por não ser tributo não pode ter como “fato gerador” a não entrega da DIPJ. Essa posição tem esteio na conversão afirmada no § 3º do art. 113 do CTN. Isso porque, o Direito Tributário repousa sobre uma ideia de que a responsabilidade tributária é objetiva. Todavia, essa não pode ser afirmação absoluta. Com relação às penalidades, observase um agravamento das mesmas, considerando a conduta específica adotada pelo contribuinte, subjetivada pelas suas intenções. Esse é o ponto que deve ser observado no presente caso! Tal observância fazse necessária porque a doutrina e a jurisprudência dos trazem, reiteradamente, uma flexibilização na configuração da responsabilidade objetiva. Embora o tipo infracional introduza um ilícito objetivo, o Poder Judiciário tem reduzido ou cancelado penalidades, fundado em considerações subjetivas acerca da conduta do contribuinte, como a boafé e a lealdade. Esse é o ponto que deve ser observado no presente caso! Fl. 650DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 13/0 5/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por SERGIO LUIZ BEZER RA PRESTA Processo nº 11080.013546/200789 Acórdão n.º 1103000.803 S1C1T3 Fl. 650 10 E, embora o artigo 136 do CTN seja taxativo no sentido de que a responsabilidade tributária é objetiva, a doutrina e a jurisprudência recomendam que essa regra seja interpretada com temperamento, comportando exceções de duas naturezas. Em primeiro lugar, têmse as exceções introduzidas por lei específica ao configurar uma infração tributária. O outro grupo referese às exceções que estão relacionadas à exclusão da penalidade, considerando a conduta do contribuinte. Esse é o ponto que deve ser observado no presente caso! É nesse esteio que o julgador administrativo pode “perdoar” a penalidade, considerando a conduta do contribuinte, concedendo, assim, anistia fiscal, com fundamento nos artigos 182, 108 e 112 do CTN. Essa possibilidade independe de lei específica, encontrando seu suporte de validade no art. 112 do CTN , que é categórico ao dispor que a lei tributária que define infrações ou lhe comina penalidades, interpretase da maneira mais favorável ao acusado, em caso de dúvida quanto à natureza da penalidade aplicável, ou à sua graduação. É exatamente com base no artigo 112 do CTN, que defendo que a penalidade pode e deve ser graduada (e até expurgada) pelo julgador ao interpretar a lei tributária (inciso IV), principalmente no caso de dúvida quanto à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou à natureza ou extensão dos seus efeitos (inc. II). E tudo depende da conduta do agente. Mas, que circunstâncias justificariam essa redução ou cancelamento das multas por parte do julgador administrativo ou judicial? De acordo com o entendimento do STF e STJ, diante das seguintes situações poderia haver a exclusão da penalidade: a) ausência de intenção de burlar o Fisco, que pode ser evidenciada pelo fato de a operação não ser tributada; b) a regularidade fiscal do contribuinte/responsável; c) não reincidência; d) ausência de fraude ou máfe, comprovada pela não utilização de meios fraudulentos; e) aparência de regularidade do negócio; e, f) conduta ética do contribuinte, consubstanciada no reconhecimento do erro acrescido do pagamento do tributo devido. No presente caso está configurado que a Recorrente enquadrase em todos os itens acima, o que já sustentaria a exclusão da penalidade. Portanto, podese afirmar que embora a responsabilidade seja objetiva, cabe ao julgador efetuar a dosimetria das multas tributárias considerando as circunstâncias materiais que estão envolvidas no caso concreto. Fl. 651DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 13/0 5/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por SERGIO LUIZ BEZER RA PRESTA Processo nº 11080.013546/200789 Acórdão n.º 1103000.803 S1C1T3 Fl. 651 11 Assim, pela excepcionalidade do caso, e como o processo administrativo busca a descoberta da verdade material relativa aos fatos tributários, voto no sentindo de dar provimento ao Recurso para excluir a cobrança da multa pela ausência da entrega da DIPJ Declaração de Informações Econômicofiscais da Pessoa Jurídica referente ao ano calendário de 2004, exercício 2005, apurada no auto de infração e ratificadas pelo Acórdão n° 1038.836 proferido pela 1ª Turma da DRJ/Porto AlegreRS. (assinado digitalmente) Sérgio Luiz Bezerra Presta r Fl. 652DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 13/0 5/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por SERGIO LUIZ BEZER RA PRESTA
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Numero do processo: 10680.013368/2005-01
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 01 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS
Período de apuração: 01/01/2000 a 31/12/2001
INSTITUIÇÃO DE EDUCAÇÃO OU DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. COFINS. ISENÇÃO.
São isentas da Cofins apenas as receitas relativas às atividades próprias das instituições de educação ou de assistência social, sem fins lucrativos, que prestem os serviços para os quais houverem sido instituídas e os coloque à disposição da população em geral, em caráter complementar às atividades do Estado.
ATIVIDADES PRÓPRIAS. DEFINIÇÃO. ESTATUTO.
Consideram-se atividades próprias da entidade todas aquelas que tenham sido previstas em seu Estatuto, independentemente da sua fonte de financiamento.
COFINS. BASE DE CÁLCULO. LEI 9.718. INCONSTITUCIONALIDADE. DECISÃO STF. REPERCUSSÃO GERAL.
Tal como disposto no Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, as decisões de Supremo Tribunal Federal, reconhecidas como de repercussão geral, deverão ser reproduzidas no julgamento do recurso apresentado pelo contribuinte. Inconstitucional o § 1º do artigo 3º da Lei 9.718/98, a COFINS incide apenas sobre o faturamento mensal, assim considerado a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 3102-00.926
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
Matéria: Cofins - ação fiscal (todas)
Nome do relator: Ricardo Paulo Rosa
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COFINS. ISENÇÃO. São isentas da Cofins apenas as receitas relativas às atividades próprias das instituições de educação ou de assistência social, sem fins lucrativos, que prestem os serviços para os quais houverem sido instituídas e os coloque à disposição da população em geral, em caráter complementar às atividades do Estado. ATIVIDADES PRÓPRIAS. DEFINIÇÃO. ESTATUTO. Consideramse atividades próprias da entidade todas aquelas que tenham sido previstas em seu Estatuto, independentemente da sua fonte de financiamento. COFINS. BASE DE CÁLCULO. LEI 9.718. INCONSTITUCIONALIDADE. DECISÃO STF. REPERCUSSÃO GERAL. Tal como disposto no Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, as decisões de Supremo Tribunal Federal, reconhecidas como de repercussão geral, deverão ser reproduzidas no julgamento do recurso apresentado pelo contribuinte. Inconstitucional o § 1º do artigo 3º da Lei 9.718/98, a COFINS incide apenas sobre o faturamento mensal, assim considerado a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza. Recurso Voluntário Provido Fl. 183DF CARF MF Emitido em 19/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/03/2011 por RICARDO PAULO ROSA Assinado digitalmente em 12/04/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, 14/03/2011 por RICARDO PAULO ROSA 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Luis Marcelo Guerra de Castro Presidente. Ricardo Paulo Rosa Relator. EDITADO EM: 14/03/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luis Marcelo Guerra de Castro, Ricardo Paulo Rosa, Beatriz Veríssimo de Sena, José Fernandes do Nascimento, Luciano Pontes de Maya Gomes e Nanci Gama. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório que embasou a decisão de primeira instância, que passo a transcrever. Lavrouse contra o contribuinte identificado o Auto de Infração de fls. 02/11, relativo à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins, totalizando um crédito tributário de R$ 662.109,54, incluindo multa de oficio e juros moratórios, correspondente aos períodos especificados em fls. 03/05. A autuação ocorreu em virtude de diferença apurada entre o valor escriturado e o declarado/pago. O enquadramento legal encontrase citado em fls. 11. Para a compreensão dos fatos referentes ao processo em tela, seguemse excertos do Termo de Verificação Fiscal (TVF) fls. 12/15, elaborado pela Fiscalização: De acordo com o estatuto da fiscalizada, a Congregação Claretiana é uma associação de caráter beneficente, educacional, cultural e de assistência social para fins não econômicos. Ainda, conforme o estatuto, a Congregação Claretiana é uma associação filantrópica, de direito privado, tendo por finalidade: a) a instrução através de escolas de ensino infantil, fundamental médio e superior; b) a difusão dos princípios morais e cívicos pela palavra oral, escrita, pela impressa, rádio, televisão, etc.; c) a filantropia pelas obras de assistência social a toda classe de necessitados, sem distinção de raça, cor, sexo, deficiência e credo religioso, por meio de dispensários, ambulatórios, creches, asilos, etc. Fl. 184DF CARF MF Emitido em 19/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/03/2011 por RICARDO PAULO ROSA Assinado digitalmente em 12/04/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, 14/03/2011 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10680.013368/200501 Acórdão n.º 310200.926 S3‐C1T2 Fl. 181 3 Não foi entregue DCTF e não foi constatado nenhum recolhimento de Cofins para o período objeto da ação fiscal. Foi editada a Instrução Normativa SRF 247/2002 que considera, conforme parágrafo 2° do art. 47, receitas derivadas das atividades próprias, somente aquelas decorrentes de contribuições, doações, anuidade ou mensalidade fixada por lei, assembléia ou estatuto, recebidas de associados ou mantenedores, sem caráter contraprestacional direto, destinadas ao seu custeio e ao desenvolvimento de seus objetivos sociais. Pela análise dos lançamentos contábeis da fiscalizada, encontrei as seguintes contas de receita, que devem integrar a base de cálculo da Cofins: 1. Contribuições escolares (registram o recebimento de matrículas e mensalidades escolares); 2. Alugueis recebidos (registram receitas de alugueis); 3. Juros recebidos (registram receitas de juros bancários em geral e multa e juros incidentes sobre as mensalidades escolares); 4. Descontos Recebidos (registra receitas de desconto no pagamento de mercadorias): 5. Correção Monetária de Investimentos (registram rendimentos de aplicações financeiras). Foi montada a planilha BASE DE CÁLCULO DA COFINS, sendo itens integrantes da mesma, aquelas receitas que não são próprias da atividade de uma instituição de assistência social. O valor da base da Cofins consta da coluna "Receita Total Tributável". Cientificado em 19/09/05 (fls. 04), o interessado apresentou, em 19/10/2005, impugnação ao lançamento, conforme arrazoado de fls. 113/125, acompanhado dos documentos de fls. 126/143, com as suas razões de defesa, assim resumidas: A defendente, conforme se constata da documentação em anexo, na qualidade de associação filantrópica e educacional, é reconhecida pelo Estado de Minas Gerais e pela União, respectivamente, através da Lei 4.247, de 19/12/66, e Decreto n°65.062, de 26/08/1969, como entidade de utilidade pública. No entanto, mesmo conhecedora da situação jurídica da defendente, confessada no início do Termo de Verificação Fiscal (TVF) e para espanto da mesma, esse órgão, ao alvedrio da lei, tentando impingirlhe responsabilidade inexistente, fez lavrar o TVF, em completa afronta ao art. 6°, da LICCB, art. 5°, inciso XXXVI, da CF/88, e a Súmula 654 do STF. A posição da defendente como beneficiária da renúncia fiscal encontrase acobertada completamente pelos dispositivos legais citados e pela jurisprudência dominante. Verificase, assim, que sendo a Congregação Claretiana uma entidade sem fins lucrativos, constituindose em instituição educacional quase centenária, não percebendo seus diretores quaisquer remunerações ou vantagens provenientes das rendas da entidade, e mantida pela Congregação dos Missionários Filhos do Fl. 185DF CARF MF Emitido em 19/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/03/2011 por RICARDO PAULO ROSA Assinado digitalmente em 12/04/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, 14/03/2011 por RICARDO PAULO ROSA 4 Imaculado Coração de Maria, portanto, uma entidade de utilidade pública federal, beneficente da referida imunidade, anteriormente à promulgação do Decretolei n° 1.572/77, tem direito adquirido à imunidade pretendida, sendo de todo insubsistente o TVF. Esse órgão sustenta que não foi entregue a DCTF para o período objeto da ação fiscal, gerando em função disso, o débito tributário, ao argumento de que a isenção da Cofins restringese às receitas oriundas das atividades próprias, e que a IN 247/2002 entende por receitas derivadas de atividades próprias somente aquelas decorrentes de contribuições, doações, anuidades ou mensalidades fixadas por lei, assembléia ou estatuto, recebida de associados ou mantenedores, sem caráter contraprestacional direto, destinadas ao seu custeio e ao desenvolvimento de seus objetivos sociais. Assim, entendeu, repitase, de forma equivocada esse órgão, que as contribuições escolares, aluguéis, juros, correção monetária, não são receitas derivadas próprias, e portanto devem integrar a base de cálculo da Cofins. Não há necessidade de emissão de DCTF como quer fazer crer a autuante, porque é a defendente beneficiária da renúncia fiscal, e o citado documento se aplica aos contribuintes não beneficiados pela imunidade. É certo que antes de se adentrar na questão relativa à discussão da legalidade da autuação, há de se sustentar que a Instrução Normativa 247 não pode, mesmo que sua interpretação estivesse correta, pretender auditar a Congregação Claretiana, que é titular de direito adquirido, em razão da sua previsão constitucional e ainda mais porque, em matéria tributária, conforme previsto no art. 146 da CF/88, somente através de Lei Complementar se pode dispor sobre a questão conforme preceitua o aludido dispositivo legal. Por outro lado, a receita da defendente, que esse órgão entende que deve fazer parte da base de cálculo da Cofins, é derivada própria, eis que decorrem de contribuições, doações, mensalidades, sem caráter contraprestacional direto, uma vez que destinadas integralmente ao seu custeio, e ao desenvolvimento de seus objetivos sociais, como o são também as contribuições escolares, os aluguéis recebidos, juros bancários, descontos recebidos, e correção monetária, que têm como finalidade precípua, a manutenção final da Congregação dos Missionários Filhos do Imaculado Coração de Maria, e r4eversão total em suas várias filantropias. "Ad cautelam", a defendente invoca o instituto da prescrição qüinqüenal, que na hipótese absurda, de se reconhecer a existência de qualquer débito em favor desse órgão, sejam excluídas da cobrança as parcelas por ela atingidas. Requer: a) reconhecer a condição da contestante de entidade de fins filantrópicos, e a sua conseqüente imunidade fiscal e previdenciária, com efeitos extunc; b) julgar improcedente o TVF pela absoluta insubsistência, declarando as receitas da defendente como derivadas próprias e isentas da base de cálculos da Cofins; c) a produção de todas as provas admitidas em direito. Assim a Delegacia da Receita Federal de Julgamento sintetizou, na ementa correspondente, a decisão proferida. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Fl. 186DF CARF MF Emitido em 19/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/03/2011 por RICARDO PAULO ROSA Assinado digitalmente em 12/04/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, 14/03/2011 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10680.013368/200501 Acórdão n.º 310200.926 S3‐C1T2 Fl. 182 5 Período de apuração: 01/01/2000 a 31/12/2001 Consideramse receitas derivadas das atividades próprias somente aquelas decorrentes de contribuições, doações, anuidades ou mensalidades fixadas por lei, assembléia ou estatuto, recebidas de associados ou mantenedores, sem caráter contraprestacional direto, destinadas ao seu custeio e ao desenvolvimento dos seus objetivos sociais. A atividade administrativa, sendo plenamente vinculada, não comporta apreciação discricionária no tocante aos atos que integram a legislação tributária. Insatisfeita com a decisão de primeira instância, a recorrente apresenta recurso voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por meio do qual repisa argumentos contidos na impugnação ao lançamento. É o relatório. Voto Conselheiro Ricardo Paulo Rosa. Preenchidos os requisitos de admissibilidade, tomo conhecimento do recurso voluntário apresentado pela recorrente. Liminarmente, constatase que, embora o recurso administrativo contenha, em essência, as mesmas alegações da peça impugnatória, não identificase no mesmo qualquer menção à ocorrência da prescrição arguida em sede de impugnação ao lançamento, razão por que considero a matéria como não recorrida. No mérito, discutese a incidência da Contribuição para Financiamento da Seguridade Social – Cofins, sobre receitas diversas auferidas pela Congregação Claretiana, consideradas pela fiscalização como não decorrentes de atividades próprias. Importante destacar que está equivocado o entendimento da recorrente de que a falta de apresentação das DCTF teria gerado o débito tributário sub judice. De fato, não houve a apresentação da mesma para o período objeto da autuação, contudo, a falta de pagamento decorre, em última análise, do enquadramento ou não das contribuições escolares, alugueis, juros, descontos e correção monetária de investimentos como receitas de atividades próprias, assim como do entendimento que se tenha a respeito do alcance do favor isentivo concedido pelo legislador, sendo a não apresentação das DCTF uma simples consequência da interpretação que se dá a essas duas questões, assim como o é a falta de pagamento do tributo. Tal como já foi explicitado nos autos, a Contribuição em epígrafe tem origem na Lei Complementar nº 70, de 30 de dezembro de 1991. No que concerne à sujeição passiva e ao campo de incidência, assim dispunha a norma legal. Art. 1° Sem prejuízo da cobrança das contribuições para o Programa de Integração Social (PIS) e para o Programa de Formação do Patrimônio do Servidor Público (Pasep), fica instituída contribuição social para financiamento da Seguridade Social, nos termos do inciso I do art. 195 da Constituição Federal, devida pelas Fl. 187DF CARF MF Emitido em 19/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/03/2011 por RICARDO PAULO ROSA Assinado digitalmente em 12/04/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, 14/03/2011 por RICARDO PAULO ROSA 6 pessoas jurídicas inclusive as a elas equiparadas pela legislação do imposto de renda, destinadas exclusivamente às despesas com atividadesfins das áreas de saúde, previdência e assistência social. Art. 2° A contribuição de que trata o artigo anterior será de dois por cento e incidirá sobre o faturamento mensal, assim considerado a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviço de qualquer natureza. Parágrafo único. Não integra a receita de que trata este artigo, para efeito de determinação da base de cálculo da contribuição, o valor: a) do imposto sobre produtos industrializados, quando destacado em separado no documento fiscal; b) das vendas canceladas, das devolvidas e dos descontos a qualquer título concedidos incondicionalmente. O artigo 6º da Lei Complementar isentava da contribuição algumas entidades, dentre elas as beneficentes de assistência social. Art. 6° São isentas da contribuição: I as sociedades cooperativas que observarem ao disposto na legislação específica, quanto aos atos cooperativos próprios de suas finalidades; II as sociedades civis de que trata o art. 1° do DecretoLei n° 2.397, de 21 de dezembro de 1987; III as entidades beneficentes de assistência social que atendam às exigências estabelecidas em lei. Com o advento da MP 2.158_35, ainda em edição anterior à identificada por este número, revogouse, com efeitos a partir de 30 de junho de 1999, o inciso III do artigo 6º da Lei Complementar nº 70/91. Art. 93. Ficam revogados: (...) II a partir de 30 de junho de 1999: a) os incisos I e III do art. 6o da Lei Complementar no 70, de 30 de dezembro de 1991; Por força destas alterações na legislação, na data de ocorrência dos fatos geradores deste processo, durante os anos de 2000 e 2001, a isenção objeto da lide estava normatizada no inciso X, do artigo 14 da MP 2.158_35/01. Art. 14. Em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1o de fevereiro de 1999, são isentas da COFINS as receitas: (...) X relativas às atividades próprias das entidades a que se refere o art. 13. Art. 13. A contribuição para o PIS/PASEP será determinada com base na folha de salários, à alíquota de um por cento, pelas seguintes entidades: I templos de qualquer culto; II partidos políticos; Fl. 188DF CARF MF Emitido em 19/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/03/2011 por RICARDO PAULO ROSA Assinado digitalmente em 12/04/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, 14/03/2011 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10680.013368/200501 Acórdão n.º 310200.926 S3‐C1T2 Fl. 183 7 III instituições de educação e de assistência social a que se refere o art. 12 da Lei no 9.532, de 10 de dezembro de 1997; IV instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural, científico e as associações, a que se refere o art. 15 da Lei no 9.532, de 1997; V sindicatos, federações e confederações; VI serviços sociais autônomos, criados ou autorizados por lei; VII conselhos de fiscalização de profissões regulamentadas; VIII fundações de direito privado e fundações públicas instituídas ou mantidas pelo Poder Público; IX condomínios de proprietários de imóveis residenciais ou comerciais; e X a Organização das Cooperativas Brasileiras OCB e as Organizações Estaduais de Cooperativas previstas no art. 105 e seu § 1o da Lei no 5.764, de 16 de dezembro de 1971. Lei 9.532/97. Art. 12. Para efeito do disposto no art. 150, inciso VI, alínea “c”, da Constituição, considerase imune a instituição de educação ou de assistência social que preste os serviços para os quais houver sido instituída e os coloque à disposição da população em geral, em caráter complementar às atividades do Estado, sem fins lucrativos. A meu ver, ante tais disposições legais, a despeito do que entende a recorrente, resta incontroverso que, durante os anos de 2000 e 2001, a isenção da Cofins atingia não mais a integralidade das receitas auferidas pelas entidades enquadradas como de assistência social ou educacionais, mas exclusivamente aquelas passíveis de serem enquadradas como oriundas de suas atividades próprias. Foi partindo deste mesmo entendimento que a Delegacia da Receita Federal de Julgamento considerou tributáveis todas as receitas que, segundo entendimento veiculado na Instrução Normativa da Secretaria da Receita Federal nº 247/02, não se enquadram no conceito de atividades próprias dessas entidades. Assim dispõe a IN 247/02. Art. 47. As entidades relacionadas no art. 92 desta Instrução Normativa: I — não contribuem para o PIS/Pasep incidente sobre o faturamento; e II — são isentas da Cofins em relação às receitas derivadas de suas atividades próprias. (...) § 2º Consideramse receitas derivadas das atividades próprias somente aquelas decorrentes de contribuições, doações, anuidades ou mensalidades fixadas por lei, assembléia ou estatuto, recebidas de associados ou mantenedores, sem caráter contraprestacional direto, destinadas ao seu custeio e ao desenvolvimento dos seus objetivos sociais." Entendo que está correta a linha de raciocínio que conduziu a decisão de piso. Contudo, creio que seja necessário analisar o alcance do conceito contido na expressão “derivadas das atividades próprias”, delimitador definido pelo legislador para o favor isentivo. Fl. 189DF CARF MF Emitido em 19/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/03/2011 por RICARDO PAULO ROSA Assinado digitalmente em 12/04/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, 14/03/2011 por RICARDO PAULO ROSA 8 Como se trata de definição trazida ao mundo jurídico por norma infralegal, penso que seja de recomendável perquirir quanto ao acerto do Órgão Público no trabalho de normatização das disposições contidas na Lei, assim como do agente autuante na interpretação dada à Instrução Normativa. De se destacar que essas questões não passaram desapercebidas na manifestação contida no texto do recurso voluntário apresentado a este Conselho. Seguindo neste caminho, temse que, nos termos da Lei propriamente dita, são isentas da Cofins as instituições de educação ou de assistência social, que prestem os serviços para os quais houverem sido instituídas e os coloque à disposição da população em geral, em caráter complementar às atividades do Estado, sem fins lucrativos, sendo essa isenção aplicável apenas às receitas derivadas das atividades próprias destas entidades. A isenção, portanto, está vinculada, por um lado, à qualidade da pessoa jurídica – instituição de educação ou de assistência social (...) sem fins lucrativos, e, por outro, ao enquadramento da receita como sendo própria da entidade. Conforme Dicionário Houaiss da língua portuguesa, a palavra próprio determina alguma coisa característica, inerente, peculiar, típica. Partindo desse conceito, entendo que o juízo a respeito da tipicidade das atividades desenvolvidas por uma entidade de assistência social deva ser feito levandose em consideração as informações presentes em seu estatuto, já que este não só registra a finalidade para a qual a entidade foi instituída, segundo vontade manifesta por seus fundadores, mas também testemunha a condição de interesse social determinada por lei para o gozo do favor isentivo. A despeito disso, no entender da Secretaria da Receita Federal do Brasil, manifesto por meio da Instrução Normativa nº 247/02, as receitas decorrentes de atividades próprias são somente aquelas (i) originadas de contribuições, doações, anuidades ou mensalidades (ii) fixadas por lei, assembléia ou estatuto, (iii) recebidas de associados ou mantenedores e (iv) sem caráter contraprestacional direto. Esse entendimento determina importante restrição no conceito em tela, na medida em que, ao definir atividades próprias como sendo exclusivamente aquelas decorrentes de contribuições, doações, anuidades ou mensalidades, recebidas de associados ou mantenedores e sem caráter contraprestacional direto, exclui, dentre outras, qualquer receita originada de valores pagos a título de cobrança, já que estas não se constituem em contribuições nem doações, são frequentemente eventuais e quando recolhidas anual ou mensalmente não são pagas por associados, nem por mantenedores, mas pelo público em geral e tem caráter contraprestacional direto. O Termo de Verificação Fiscal lavrado pela fiscalização, com fulcro no entendimento fixado pela Secretaria da Receita Federal, referese às contas de receita identificadas que, conforme entendimento dos fiscais autuantes, deveriam integrar a base de cálculo da Cofins, nos seguintes termos. Pela análise dos lançamentos contábeis da fiscalizada, encontrei as seguintes contas de receita, que devem integrar a base de cálculo da Cofins: 1 Contribuições escolares (registram o recebimento de matrículas e mensalidades escolares); 2. Alugueis recebidos (registram receitas de alugueis); Fl. 190DF CARF MF Emitido em 19/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/03/2011 por RICARDO PAULO ROSA Assinado digitalmente em 12/04/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, 14/03/2011 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10680.013368/200501 Acórdão n.º 310200.926 S3‐C1T2 Fl. 184 9 3. Juros recebidos (registram receitas de juros bancários em geral e multa e juros incidentes sobre as mensalidades escolares); 4. Descontos Recebidos (registra receitas de desconto no pagamento de mercadorias): 5. Correção Monetária de Investimentos (registram rendimentos de aplicações financeiras). Vejamos as disposições estatutárias da Congregação Claretiana. Art. 1°. A Congregação dos Missionários Filhos do Imaculado Coração de Maria ou Congregação Claretiana que, por maior comodidade, pode ser designada, pelo nome equivalente de Congregação Claretiana é uma Associação, filantrópica, de direito privado, fundada no dia 06 de julho de 1956, na cidade do Rio de Janeiro, Estado da Guanabara. Art. 2°. Esta associação tem caráter beneficente, educacional, cultural e de assistência social, para fins não econômicos. Seu objetivo, portanto, trabalhar pelo progresso intelectual, moral e social do povo, por todos os meios ao seu alcance, como sejam: a) à instrução, através de escolas de ensino infantil, fundamental (1° à 8°), médio e superior; b) a difusão dos princípios morais e cívicos pela palavra oral, escrita, pela imprensa, rádio, televisão, etc.; c) a filantropia pelas obras de assistência social a toda classe de necessitados, sem distinção de raça, cor, sexo, deficiência e credo religioso, por meio de dispensários, ambulatórios, creches, asilos, etc. A meu ver, a análise destes elementos permite distinguir dois grupos distintos. No primeiro, encontramse as contribuições escolares, conta na qual são registrados os recebimentos de valores pagos a título de matrículas e de mensalidades escolares; no segundo todas as demais receitas – alugueis, juros, descontos e correção monetária. Assim entendo porque as receitas oriundas de contribuições escolares parecemme ajustarse à disposição contida na alínea “a” artigo 2º do Estatuto da Congregação, que prevê, como meio de alcance de suas finalidades, a instrução, através de escolas de ensino infantil, fundamental (1° à 8°), médio e superior. Desta forma, ainda que claramente em desacordo com o disposto na IN 247/02, penso que a decisão a respeito da tributação das receitas decorrentes dessas contribuições deva ser tomada com maior cautela, já que tratamse de receitas provenientes de atividade comtemplada no Estatuto da Entidade. O mesmo não se pode dizer em relação às receitas de alugueis, juros, descontos e correção monetária. Salvo engano, embora admitidas, elas não podem ser pensadas como decorrentes das atividades próprias da Congregação Claretiana, pelo menos não à luz dos critérios até aqui adotados, sob pena de restarem todas as receitas indistintamente incluídas nesse conceito, independentemente de estarem elas identificadas ou não com as finalidades institucionais. Fl. 191DF CARF MF Emitido em 19/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/03/2011 por RICARDO PAULO ROSA Assinado digitalmente em 12/04/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, 14/03/2011 por RICARDO PAULO ROSA 10 Admitidas tais premissas, ao passo seguinte impõese determinar qual a justificativa para a exclusão das receitas provenientes de valores pagos a título de matrículas e mensalidades escolares do conceito de atividade própria. Embora tal não tenha sido explicitado no relatório produzido pela fiscalização e nem no voto condutor da decisão recorrida, é possível, num exercício dialético, constatar que elas descumprem dois dos requisitos determinados na IN 247: não são recebidos de associados nem de mantenedores, mas de alunos, e tem caráter contraprestacional direto. Temse, por conseguinte, que a receita decorrente de contribuições escolares não foi admitida como originada de atividades próprias da Congregação Claretiana não porque a atividade em si não seja própria da Entidade, mas por ser ela prestada mediante pagamento e por representar uma contraprestação de serviços correspondentes. Isso remete à conclusão de que uma mesma atividade pode ser considerada própria ou não dependendo exclusivamente de ela ser paga por alguém ou oferecida graciosamente à comunidade. Em outras palavras, a atividade é qualificada como própria ou não dependendo da sua fonte de financiamento. De fato, encontro grande dificuldade em admitir tal distinção. Segundo me parece, se a Congregação Claretiana foi criada, conforme estatuído, com a finalidade de oferecer instrução, através de escolas de ensino infantil, fundamental (1° à 8°), médio e superior, de que forma a cobrança por este serviço desqualifica a receita? Pareceme que, uma vez que a atividade em si está em harmonia com as disposições estatutárias, seria necessário demonstrar como a cobrança de mensalidades e matrículas tem como consequência a desqualificação da receita. Oportuno a esta altura acrescentar que a legislação que regula a desoneração tributária concedida às atividades assistenciais e educacionais parece nunca ter dispensado o ingresso de receitas como forma de financiamento das atividades próprias das entidades. A Lei 8.212/91, vigente à época dos fatos geradores, dispunha sobre as condições para isenção das contribuições para o financiamento da seguridade social concedida às entidades beneficentes de assistência social. Art. 55. Fica isenta das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 desta Lei a entidade beneficente de assistência social que atenda aos seguintes requisitos cumulativamente: I seja reconhecida como de utilidade pública federal e estadual ou do Distrito Federal ou municipal; II seja portadora do Certificado e do Registro de Entidade de Fins Filantrópicos, fornecido pelo Conselho Nacional de Assistência Social, renovado a cada três anos; II seja portadora do Registro e do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social, fornecidos pelo Conselho Nacional de Assistência Social, renovado a cada três anos; III promova a assistência social beneficente, inclusive educacional ou de saúde, a menores, idosos, excepcionais ou pessoas carentes; III promova, gratuitamente e em caráter exclusivo, a assistência social beneficente a pessoas carentes, em especial a crianças, adolescentes, idosos e portadores de deficiência; Fl. 192DF CARF MF Emitido em 19/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/03/2011 por RICARDO PAULO ROSA Assinado digitalmente em 12/04/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, 14/03/2011 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10680.013368/200501 Acórdão n.º 310200.926 S3‐C1T2 Fl. 185 11 IV não percebam seus diretores, conselheiros, sócios, instituidores ou benfeitores, remuneração e não usufruam vantagens ou benefícios a qualquer título; V aplique integralmente o eventual resultado operacional na manutenção e desenvolvimento de seus objetivos institucionais apresentando, anualmente ao órgão do INSS competente, relatório circunstanciado de suas atividades. § 1º Ressalvados os direitos adquiridos, a isenção de que trata este artigo será requerida ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS, que terá o prazo de 30 (trinta) dias para despachar o pedido. § 2º A isenção de que trata este artigo não abrange empresa ou entidade que, tendo personalidade jurídica própria, seja mantida por outra que esteja no exercício da isenção. § 3o Para os fins deste artigo, entendese por assistência social beneficente a prestação gratuita de benefícios e serviços a quem dela necessitar. § 4o O Instituto Nacional do Seguro Social INSS cancelará a isenção se verificado o descumprimento do disposto neste artigo. § 5o Considerase também de assistência social beneficente, para os fins deste artigo, a oferta e a efetiva prestação de serviços de pelo menos sessenta por cento ao Sistema Único de Saúde, nos termos do regulamento. § 6o A inexistência de débitos em relação às contribuições sociais é condição necessária ao deferimento e à manutenção da isenção de que trata este artigo, em observância ao disposto no § 3o do art. 195 da Constituição. Claramente, o que a legislação veda é a aplicação de recursos em atividades distintas, que não as de manutenção e desenvolvimento dos objetivos sociais da entidade, assim como a remuneração de seus dirigentes, mas nunca a cobrança por serviços prestados. De fato, não é demais acrescentar que, no plano social, não existe nenhum inconveniente em que as entidades assistenciais cobrem por parte dos serviços prestados à comunidade. Desde que revertam o resultado única e exclusivamente à manutenção e desenvolvimento de seus objetivos sociais, terão melhores condições e maior alcance no atendimento à população carente e, corolário, na obtenção dos resultados almejados por seus estatutos. Do ponto de vista estritamente jurídico, não se desconhece trataremse de dispositivos legais complementares. Este determina as condições para o gozo da isenção e aquele restringe a isenção a determinado tipo de receita. Inobstante, o que importa neste momento é ter a compreensão de que a percepção de receitas oriundas de pagamento por serviços prestados, em caráter contraprestacional, não está em dissonância com todo o arcabouço lógicojurídico que regula o favor isentivo sub examine, merecendo ser reconhecido como parte integrante da mecânica própria do tipo de atividade desenvolvido por entidades desta natureza. Esse entendimento é robustecido pelas disposições estatutárias da Congregação Claretiana prevendo o financiamento de suas atividades por meio da renda proveniente da prestação de serviços. Fl. 193DF CARF MF Emitido em 19/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/03/2011 por RICARDO PAULO ROSA Assinado digitalmente em 12/04/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, 14/03/2011 por RICARDO PAULO ROSA 12 CAPÍTULO SÉTIMO Do patrimônio social Art. 25. O patrimônio social da Congregação será formado: a) por bens imóveis, móveis e semoventes; b) por subvenções dos Poderes Públicos, federal, estadual e municipal; c) por donativos ou legados d) por contribuições de seus colaboradores e benfeitores; e) por renda acaso proveniente de seus bens ou serviços. (grifos meus) De tudo isso, forçoso concluir que as receitas decorrentes de contribuições escolares, a título de matrícula e mensalidades escolares, está de acordo com as disposições estatutárias da Congregação Claretiana, tanto no que concerne à previsão de realização da atividade, quanto à forma de financiamento, assim como em perfeita harmonia com a legislação que delimita as condições para o reconhecimento da isenção, restando ausentes os fundamentos para sua descaracterização como receita decorrente das atividades próprias. Superada essa questão, cumpre examinar a regularidade da exigência em relação às demais receitas objeto do auto de infração, quais sejam, as decorrentes de alugueis, juros, descontos e correção monetária. Como se disse, a origem da Contribuição em epígrafe encontrase na Lei Complementar nº 70, de 30 de dezembro de 1991, que, em seu artigo 2º referiuse à base de cálculo como sendo “o faturamento mensal, assim considerado a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviço de qualquer natureza”. Fácil perceber que alugueis, juros, descontos e correção monetária não estão contemplados no texto legal. De fato, a exigência encontra fundamento legal na Lei 9.718/98 que, ao promover o famigerado “alargamento da base de cálculo”, inclui na base tributável toda e qualquer receita, independentemente de sua classificação contábil, nos seguintes termos. Art. 2° As contribuições para o PIS/PASEP e a COFINS, devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado, serão calculadas com base no seu faturamento, observadas a legislação vigente e as alterações introduzidas por esta Lei. Art. 3º O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica. § 1º Entendese por receita bruta a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas. Contudo, a inconformidade dos contribuintes alcançados pelo alargamento levou o assunto ao Poder Judiciário. A matéria terminou por ser decidida pelo Supremo Tribunal Federal, considerada como de repercussão geral, nos seguintes termos. Decisão: O Tribunal, por unanimidade, resolveu questão de ordem no sentido de reconhecer a repercussão geral da questão constitucional, reafirmar a jurisprudência do Tribunal acerca da inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei 9.718/98 e negar provimento ao recurso da Fazenda Nacional, tudo nos termos do voto do Relator. Vencido, parcialmente, o Senhor Ministro Marco Aurélio, que entendia ser necessária a inclusão do processo em pauta. Em seguida, o Tribunal, Fl. 194DF CARF MF Emitido em 19/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/03/2011 por RICARDO PAULO ROSA Assinado digitalmente em 12/04/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, 14/03/2011 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10680.013368/200501 Acórdão n.º 310200.926 S3‐C1T2 Fl. 186 13 por maioria, aprovou proposta do Relator para edição de súmula vinculante sobre o tema, e cujo teor será deliberado nas próximas sessões, vencido o Senhor Ministro Marco Aurélio, que reconhecia a necessidade de encaminhamento da proposta à Comissão de Jurisprudência. Votou o Presidente, Ministro Gilmar Mendes. Ausentes, justificadamente, o Senhor Ministro Celso de Mello, a Senhora Ministra Ellen Gracie e, neste julgamento, o Senhor Ministro Joaquim Barbosa. Plenário, 10.09.2008. RE 585.235QO, Min. Cezar Peluso Tal como disposto no artigo 62A do Regimento Interno deste Conselho, conforme alteração introduzida pela Portaria 586/2010, as matérias de repercussão geral deverão ser reproduzidas no julgamento do recurso apresentado pelo contribuinte. "Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543 B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes."(AC) Código do Processo Civil Art. 543B. Quando houver multiplicidade de recursos com fundamento em idêntica controvérsia, a análise da repercussão geral será processada nos termos do Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal, observado o disposto neste artigo. § 1o Caberá ao Tribunal de origem selecionar um ou mais recursos representativos da controvérsia e encaminhálos ao Supremo Tribunal Federal, sobrestando os demais até o pronunciamento definitivo da Corte. § 2o Negada a existência de repercussão geral, os recursos sobrestados considerarseão automaticamente não admitidos. § 3o Julgado o mérito do recurso extraordinário, os recursos sobrestados serão apreciados pelos Tribunais, Turmas de Uniformização ou Turmas Recursais, que poderão declarálos prejudicados ou retratarse. § 4o Mantida a decisão e admitido o recurso, poderá o Supremo Tribunal Federal, nos termos do Regimento Interno, cassar ou reformar, liminarmente, o acórdão contrário à orientação firmada. § 5o O Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal disporá sobre as atribuições dos Ministros, das Turmas e de outros órgãos, na análise da repercussão geral. Por todo o exposto, considerando de um lado a correta classificação das receitas provenientes das contribuições escolares e, de outro, a decisão do Supremo Tribunal Fl. 195DF CARF MF Emitido em 19/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/03/2011 por RICARDO PAULO ROSA Assinado digitalmente em 12/04/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, 14/03/2011 por RICARDO PAULO ROSA 14 Federal quanto a inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei 9.718/98, VOTO POR DAR INTEGRAL PROVIMENTO ao recurso voluntário apresentado pela recorrente. Sala de Sessões, 01 de março de 2011. Ricardo Paulo Rosa – Relator. Fl. 196DF CARF MF Emitido em 19/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/03/2011 por RICARDO PAULO ROSA Assinado digitalmente em 12/04/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, 14/03/2011 por RICARDO PAULO ROSA
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Numero do processo: 11020.001409/2004-63
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 06 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Período de apuração: 01/09/2003 a 30/09/2003
INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. CRÉDITOS. COMPROVAÇÃO
As despesas passíveis de gerar crédito devem estar respaldadas em documentos revestidos de formalidades extrínsecas e que permitam identificar a natureza do serviço prestado e da mercadoria adquirida. Ausentes tais formalidades, impõe-se a glosa dos valores. A contrario senso, se os documentos preenchem as formalidades e o que é mais importante, permitem identificar o pagamento de serviço capaz de gerar créditos, não há fundamento para a glosa das despesas por eles respaldadas.
MERCADORIAS E SERVIÇOS EMPREGADOS EM DIFERENTES FINALIDADES
Constatado que o montante despendido com a aquisição de mercadorias e serviços engloba insumos empregados no processo produtivo e outras despesas não passíveis de tal classificação, impõe-se o rateio de tais dispêndios e, caso não seja possível sua realização, a glosa dos valores considerados para efeito de cálculo dos créditos.
DISPÊNDIOS CLASSIFICÁVEIS NO ATIVO PERMANENTE.
Os gastos atrelados a bens do ativo permanente devem ser incorporados ao valor do bem e depreciados ou, conforme o caso, amortizados, nos prazos de vida útil ou de amortização do bem ou direito, somente sendo admitidos, para efeito de cálculo do crédito, o valor da amortização ou depreciação apurados.
COLHEITA
Os serviços necessários à colheita da matéria-prima empregada no processo produtivo enquadram-se no conceito de insumo, para efeito de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep e da Contribuição para Financiamento da Seguridade Social não-cumulativos. Consequentemente, os gastos incorridos com o pagamento de tais serviços devem ser computados para efeito de cálculo do crédito passível de aproveitamento pelo Contribuinte.
COMERCIAL EXPORTADORA. VEDAÇÃO.
O direito de utilizar créditos decorrentes de aquisição de mercadorias e serviços não alcança empresa comercial exportadora que tenha adquirido mercadorias com o fim de exportação.
FRETES
A autorização legal para creditamento das despesas com frete e armazenagem suportados pelo vendedor somente passou a vigorar em 01/02/2004 e, ainda assim, não se estende a transferências entre estabelecimentos.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 3102-00.969
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em dar provimento parcial ao recurso, para acatar os créditos decorrentes de despesas com mão-de-obra terceirizada, empregada na extração de madeira e devidamente documentada em nota fiscal idônea
Matéria: PIS - proc. que não versem s/exigências de cred. Tributario
Nome do relator: Luis Marcelo Guerra de Castro
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ementa_s : CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/09/2003 a 30/09/2003 INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. CRÉDITOS. COMPROVAÇÃO As despesas passíveis de gerar crédito devem estar respaldadas em documentos revestidos de formalidades extrínsecas e que permitam identificar a natureza do serviço prestado e da mercadoria adquirida. Ausentes tais formalidades, impõe-se a glosa dos valores. A contrario senso, se os documentos preenchem as formalidades e o que é mais importante, permitem identificar o pagamento de serviço capaz de gerar créditos, não há fundamento para a glosa das despesas por eles respaldadas. MERCADORIAS E SERVIÇOS EMPREGADOS EM DIFERENTES FINALIDADES Constatado que o montante despendido com a aquisição de mercadorias e serviços engloba insumos empregados no processo produtivo e outras despesas não passíveis de tal classificação, impõe-se o rateio de tais dispêndios e, caso não seja possível sua realização, a glosa dos valores considerados para efeito de cálculo dos créditos. DISPÊNDIOS CLASSIFICÁVEIS NO ATIVO PERMANENTE. Os gastos atrelados a bens do ativo permanente devem ser incorporados ao valor do bem e depreciados ou, conforme o caso, amortizados, nos prazos de vida útil ou de amortização do bem ou direito, somente sendo admitidos, para efeito de cálculo do crédito, o valor da amortização ou depreciação apurados. COLHEITA Os serviços necessários à colheita da matéria-prima empregada no processo produtivo enquadram-se no conceito de insumo, para efeito de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep e da Contribuição para Financiamento da Seguridade Social não-cumulativos. Consequentemente, os gastos incorridos com o pagamento de tais serviços devem ser computados para efeito de cálculo do crédito passível de aproveitamento pelo Contribuinte. COMERCIAL EXPORTADORA. VEDAÇÃO. O direito de utilizar créditos decorrentes de aquisição de mercadorias e serviços não alcança empresa comercial exportadora que tenha adquirido mercadorias com o fim de exportação. FRETES A autorização legal para creditamento das despesas com frete e armazenagem suportados pelo vendedor somente passou a vigorar em 01/02/2004 e, ainda assim, não se estende a transferências entre estabelecimentos. Recurso Voluntário Provido em Parte
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CRÉDITOS. COMPROVAÇÃO As despesas passíveis de gerar crédito devem estar respaldadas em documentos revestidos de formalidades extrínsecas e que permitam identificar a natureza do serviço prestado e da mercadoria adquirida. Ausentes tais formalidades, impõese a glosa dos valores. A contrario senso, se os documentos preenchem as formalidades e o que é mais importante, permitem identificar o pagamento de serviço capaz de gerar créditos, não há fundamento para a glosa das despesas por eles respaldadas. MERCADORIAS E SERVIÇOS EMPREGADOS EM DIFERENTES FINALIDADES Constatado que o montante despendido com a aquisição de mercadorias e serviços engloba insumos empregados no processo produtivo e outras despesas não passíveis de tal classificação, impõese o rateio de tais dispêndios e, caso não seja possível sua realização, a glosa dos valores considerados para efeito de cálculo dos créditos. DISPÊNDIOS CLASSIFICÁVEIS NO ATIVO PERMANENTE. Os gastos atrelados a bens do ativo permanente devem ser incorporados ao valor do bem e depreciados ou, conforme o caso, amortizados, nos prazos de vida útil ou de amortização do bem ou direito, somente sendo admitidos, para efeito de cálculo do crédito, o valor da amortização ou depreciação apurados. COLHEITA Os serviços necessários à colheita da matériaprima empregada no processo produtivo enquadramse no conceito de insumo, para efeito de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep e da Contribuição para Financiamento da Seguridade Social nãocumulativos. Consequentemente, os gastos incorridos Fl. 1DF CARF MF Emitido em 04/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/08/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Assinado digitalmente em 03/08/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO 2 com o pagamento de tais serviços devem ser computados para efeito de cálculo do crédito passível de aproveitamento pelo Contribuinte. COMERCIAL EXPORTADORA. VEDAÇÃO. O direito de utilizar créditos decorrentes de aquisição de mercadorias e serviços não alcança empresa comercial exportadora que tenha adquirido mercadorias com o fim de exportação. FRETES A autorização legal para creditamento das despesas com frete e armazenagem suportados pelo vendedor somente passou a vigorar em 01/02/2004 e, ainda assim, não se estende a transferências entre estabelecimentos. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em dar provimento parcial ao recurso, para acatar os créditos decorrentes de despesas com mãodeobra terceirizada, empregada na extração de madeira e devidamente documentada em nota fiscal idônea (assinado digitalmente) Luis Marcelo Guerra de Castro Presidente e Relator Participaram do julgamento os Conselheiros Luis Marcelo Guerra de Castro, Ricardo Paulo Rosa, Luciano Pontes de Maya Gomes e Nanci Gama. Relatório Tratase de recurso voluntário manejado em desfavor do Acórdão 1021.120 2ª Turma da DRJ/Porto Alegre, assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/2003 a 30/10/2003 Ementa: Existe vedação legal para o creditamento de despesas que não podem ser caracterizadas como insumos dentro da sistemática de apuração de créditos pela nãocumulatividade de Pis e Cofins. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Conforme consta do relatório de verificação às fls. 118 a 121v, a Autoridade Fiscal, após análise da escrita do sujeito passivo e dos comprovantes apresentados, rejeitou os créditos baseados nas seguintes aquisições: Fl. 2DF CARF MF Emitido em 04/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/08/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Assinado digitalmente em 03/08/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 11020.001409/200463 Acórdão n.º 310200.969 S3C1T2 Fl. 2 3 a) Gasolina, óleo diesel e lubrificantes diversos: face à não segregação entre o consumo atrelado ao processo produtivo e aquele destinado transporte de empregados e diretores a serviço; b) Partes e peças diversas, glosadas com base nos seguintes fundamentos: Representariam itens que não se incorporariam ao processo produtivo (rolamentos, retentores, arruelas, parafusos, porcas, correntes, correias, arame farpado, dentre outros); Representariam itens sujeitos a desgaste por ação direta, mas que não poderiam ser considerados em face da ausência de segregação entre o processo produtivo objeto do presente processo e outras atividades desempenhadas pela recorrente (construção civil); Parte dos documentos que respaldariam esses créditos estariam ilegíveis e, consequentemente, não permitiriam a identificação dos itens adquiridos ou representariam nota fiscal de venda a consumidor, que não trazem em seus elementos a exata identificação do adquirente; c) Fretes Aduz a autoridade fiscal que a legislação de regência só passou a admitir o creditamento do frete suportados pelo vendedor a partir de 1º de fevereiro de 2004 (art. 3°, IX da Lei n° 10.833, de 2003) e, ainda assim, não englobaria os fretes referentes a transferências entre estabelecimentos. d) Ausência de comprovação da vinculação dos serviços ao processo produtivo Serviços contabilizados nos CFOP relativos a aquisição de serviços de industrialização por encomenda e “outros serviços” foram alvo de glosa em razão dos seguintes fundamentos: Ausência de identificação do serviço prestado (notas fiscais nº 55, expedida por José Clair Padilha de Souza e nº 2, por Miguel Tramontin); Serviços descritos como construção civil, supostamente vinculada à manutenção do imóvel, mas que, em verdade representariam benfeitorias e despesas pré produção, que não poderiam ser considerados insumos; Impossibilidade de verificação da efetiva prestação dos serviços, em face dos instrumentos contratuais não se encontrarem registrados em cartório de títulos e documentos; Ausência de “pertinência com a situação fática”. Segundo a Autoridade Fiscal, os contratos diriam respeito a “serviço temporário” e a contribuinte atestaria que não contratara trabalhadores temporários, nem teria conhecimento da sua contratação pelas pessoas jurídicas responsáveis pela execução dos serviços. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 04/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/08/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Assinado digitalmente em 03/08/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO 4 Ausência de comprovantes do recebimento dos produtos provenientes da prestação de serviços ou de ordens de serviço: Segundo consta do Relatório Fiscal, a Contribuinte teria informado que, após a emissão da nota fiscal, as anotações relativas às toras extraídas, os registros relativos ao seu recebimento eram descartados e que, por tal motivo, não mais possuiria tais comprovantes em seus arquivos; Consignouse, ainda, que os documentos relativos ao serviço de extração de madeira não informam a quantidade extraída, razão pela qual não seria possível aferir a efetiva prestação de serviço e a consequente destinação comercial da madeira. Impossibilidade de segregação dos custos associados à extração de madeiras daqueles associados à manutenção de florestas e a reflorestamento: Na medida em que os primeiros dispêndios poderiam ser computados como insumos e os últimos deveriam ser alvo de contabilização no Ativo Imobilizado, na conta “reflorestamento” ou na conta "benfeitorias em propriedades de terceiros”. Consta do Relatório Fiscal a informação de que, segundo a Contribuinte as operações de “roçadas” representariam entre 15 e 20% do total; Falha documental: Os documentos emitidos por Paulo Roberto Correa da Silva e Manoel Antonio Pereira e Cia Ltda. não preencheriam formalidades extrínsecas, uma vez que não conteriam a inscrição “Nota Fiscal”. No que se refere aos documentos expedidos pela pessoa jurídica Manoel Antônio Pereira e Cia, foi ainda anotada a ausência do número de inscrição no CNPJ. Devidamente intimado, compareceu a Contribuinte ao processo para, em sede de Manifestação de Inconformidade, contestar as glosas nos seguintes termos: a) Combustíveis e lubrificantes: Diferentemente do alegado, a resposta apresentada em 13 de outubro de 2008 informara o destino dos combustíveis, mas suas razões teriam sido ignoradas. Elenca as máquinas utilizadas, seu emprego no processo produtivo, bem assim o tipo de combustível e lubrificante relativo a cada uma delas. Questiona, ademais, a glosa integral em razão de que os insumos utilizados nos veículos de transporte seriam mínimos, se comparados com os efetivamente utilizados no processo produtivo. b) Partes e peças: As partes e peças seriam insumos para fins de apuração do crédito de PIS/Cofins. As instruções normativas que embasaram a ação fiscal seriam manifestamente ilegais, pois impõem restrições não previstas em lei, que permitiria o desconto de créditos atrelados a bens e serviços que desempenhariam o papel de insumo. Sustenta que o conceito de insumo, para efeito de apuração de crédito de IPI é diferente daquele aplicável ao PIS e à Cofins, atrelado à totalidade das receitas auferidas que, Fl. 4DF CARF MF Emitido em 04/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/08/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Assinado digitalmente em 03/08/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 11020.001409/200463 Acórdão n.º 310200.969 S3C1T2 Fl. 3 5 para serem obtidas, exigiriam a assunção de custos e despesas. Cita doutrina que respaldaria tal pretensão. Assim, as partes e peças glosadas (rolamentos, retentores, arruelas, parafusos, porcas, correntes, correias, arame farpado, pregos), seriam itens obrigatórios e essenciais, para a consecução de sua atividade e, consequentemente, não poderiam ser considerados como dissociados da atividade produtiva. Tece considerações acerca da desoneração do processo produtivo perseguida pela não cumulatividade. c) Fretes: Por equívoco, apurou fretes nas operações de venda. d) Serviços não comprovadamente utilizados no processo produtivo: Segundo se extrairia do contrato social da contribuinte seu objeto social seria o reflorestamento, o manejo de florestas, o beneficiamento de madeira, a indústria e comércio, a importação e exportação de madeiras. Consequentemente, seria insubsistente o raciocínio de que roçadas, plantio, extração de toras não estariam atrelados ao processo produtivo. Antes de serrar a madeira seria necessário extraíla, arrastála e empilhála. Antes disso, seria necessária a realização de roçadas para abrir caminho na floresta. Questiona, ainda, o que denominou formalismo excessivo empregado na análise dos contratos. A contribuinte contratou prestadores de serviços, conforme se extrai das notas fiscais, comprovantes de pagamento e demais documentos apresentados. Discorda do fato de que a ausência da inscrição “nota fiscal” nos documentos expedidos por Paulo Roberto Correa da Silva e Manoel Antônio Pereira e Cia lhes retiram a validade, na medida em que as mesmas trariam no bojo a descrição dos serviços e o destaque do imposto. Tal falha, no se sentir meramente formal, deveria ser imputada à gráfica que os imprimiu. Ressalvadas as hipóteses de conluio e fraude, que não se verificariam no presente, a glosa das despesas representaria violação ao princípio da não cumulatividade. Por outro lado, a contribuinte seria terceira de boafé e, como tal não poderia ser penalizada pela falta de terceiro. Finalmente, a exigência de comprovação de recebimento dos produtos seria fruto do desconhecimento das atividades da contribuinte. Reitera que a conferência dos serviços é realizada na floresta e, após tal conferência, emitida a correspondente nota fiscal, bem assim que o não arquivamento dos controles internos não torna o serviço inexistente. Questiona, finalmente, a emissão de extrato de débito em nome de pessoa jurídica diversa da detentora dos créditos litigiosos. Após a regular ciência do acórdão recorrido, comparece a Contribuinte ao processo para, essencialmente, reiterar as alegações manejadas por ocasião da instauração da fase litigiosa. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 04/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/08/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Assinado digitalmente em 03/08/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO 6 É o Relatório. Voto Conselheiro Luis Marcelo Guerra de Castro, Relator Tomo conhecimento do presente recurso, que foi tempestivamente apresentado e trata de matéria afeta à competência desta Terceira Seção Não foi suscitada preliminar. Antes de adentrar na análise dos elementos carreados ao processo, entendo pertinente esclarecer a opinião deste relator no sentido de que o conceito de insumo, para efeito de apuração de créditos do PIS e da Cofins não cumulativos, não segue o mesmo viés que norteia a apuração de créditos do Imposto sobre Produtos Industrializados. Neste, privilegiase o critério físico e naquele, o da pertinência. Evidentemente, isso não significa equiparar a insumo, para efeito de cálculo dos créditos de PIS e Cofins, toda e qualquer despesa inerente à atividade econômica. Em relação a esse aspecto, preciso é o comando do art. 3º, II, da Lei nº 10.637, de 2002, na versão que vigia à época da apuração da contribuição: II – bens e serviços utilizados como insumo na fabricação de produtos destinados à venda ou na prestação de serviços, inclusive combustíveis e lubrificantes; Finalmente, no que se refere a máquinas e equipamentos incorporados ao ativo imobilizado, bem assim às benfeitorias em bens de terceiros, o valor do crédito será apurado mediante aplicação das alíquotas do PIS sobre os encargos de depreciação e amortização, conforme consignado no §1º, III do mesmo art. 3º1 Em suma, para efeito da discussão que povoa o presente litígio, somente são passíveis de gerar crédito do PIS os bens e serviços utilizados no processo de fabricação e, no caso dos bens do ativo imobilizado, os valores de depreciação e amortização. Por outro lado, justamente em razão de que não se poderia apropriar toda e qualquer despesa como insumo, é que a apuração dos créditos não pode prescindir de uma escrituração que permita identificar o dispêndio, permitindo que se afira natureza do bem o serviço e, principalmente, o seu emprego. Igualmente importante, finalmente, é destacar a vedação expressa no § 3º, I e II do art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002: § 3º O direito ao crédito aplicase, exclusivamente, em relação: I aos bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País; II aos custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País; 1 § 1º O crédito será determinado mediante a aplicação da alíquota prevista no art. 2º sobre o valor: (...) III dos encargos de depreciação e amortização dos bens mencionados nos incisos VI e VII do caput, incorridos no mês; Fl. 6DF CARF MF Emitido em 04/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/08/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Assinado digitalmente em 03/08/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 11020.001409/200463 Acórdão n.º 310200.969 S3C1T2 Fl. 4 7 Feitas tais considerações, passase à análise higidez das glosas alvo de litígio. 1. Combustíveis e Lubrificantes Pedindo vênia ao Recorrente, não vejo como reconhecer os créditos relativos às aquisições de combustíveis e lubrificantes. Evidentemente, tal convicção não tem qualquer relação com a natureza das despesas, textualmente contempladas no já transcrito inciso II do art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002. Como já mencionado, não foi trazido ao processo qualquer elemento que demonstre qual foi o valor ou quantitativo efetivamente empregados nas máquinas que compõem o processo produtivo da Recorrente e quais são utilizados em veículos que, se observado o texto da lei, não seriam utilizados em tal finalidade. 2. Partes e Peças Sabidamente, por força do § 2º do art. 301 do Regulamento do Imposto de Renda aprovado pelo Decreto nº 3000, de 19992, bens com duração superior a um ano ou partes e peças passíveis de incorporação a bens daquela natureza, que não se desgastem no período de um ano, devem ser contabilizados no ativo imobilizado e depreciados ou amortizados no período de sua vida útil. Devido a tal regra, não há como considerar insumos partes e peças que tenham se incorporado aos bens que compõem o ativo imobilizado. Da mesma forma, se não é possível segregar a utilização dos bens, entre as atividades atreladas à extração e beneficiamento de madeira e as demais atividades exercidas pela Recorrente, não há como considerar os dispêndios com insumos passíveis de utilização em mais de uma atividade. Corretas, portanto, as glosas relativas ao presente item. 3 Fretes Como já destacado, o sujeito passivo admite o equívoco perpetrado quando da apuração de crédito baseados em despesas de fretes sobre vendas, o que dispensa maiores análises. Corretas, portanto, as glosas relativas a esse grupo de despesas. 4 Outros Serviços cuja Vinculação ao Processo Produtivo não Restaria Comprovada Algumas das glosas referentes ao presente grupo estão atreladas à falha na descrição dos serviços, e, pelos fundamentos já expendidos anteriormente, devem ser mantidas. Sem a descrição dos serviços, não há como reconhecêlos. 2 § 2º Salvo disposições especiais, o custo dos bens adquiridos ou das melhorias realizadas, cuja vida útil ultrapasse o período de um ano, deverá ser ativado para ser depreciado ou amortizado (Lei nº 4.506, de 1964, art. 45, § 1º). Fl. 7DF CARF MF Emitido em 04/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/08/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Assinado digitalmente em 03/08/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO 8 Por outro lado, sem a devida segregação, não há como acatar os pagamentos que englobam extração, beneficiamentos e replantio de floresta, na medida em que estes últimos devem ser incorporados ao valor desses bens do ativo e exauridos juntamente com os mesmos. Igualmente descabido é o crédito alegado como decorrente de despesas de construção civil, mas que, em verdade, representam beneficiamentos em imóveis de terceiros. Ou seja, os beneficiamentos (roçadas), o plantio e as demais benfeitorias passíveis de amortização não são insumos, para efeito do cálculo do PIS e da Cofins não cumulativos. Penso igualmente que os documentos que não preenchem os requisitos formais mínimos, como o número de inscrição no CNPJ e a inscrição “nota fiscal”, igualmente não merecem ser considerados. Entretanto, estou convicto de que a ausência de controle do quantitativo extraído e de registro do contrato em cartório, por si, sejam motivos suficientes para que não se acatem as despesas com extração de madeira. Em primeiro lugar, como é cediço, regra geral, a averbação no correspondente Cartório de Registro de Títulos e Documentos tem como função primordial a garantia da publicidade do ato, não representando, portanto, condição para sua validade. Em segundo, não concordo que a ausência de quantificação da madeira extraída, arrastada e empilhada inviabilize a aceitação das despesas, na medida em que, se cotejados os valores pagos e os estipulados nos contratos, facilmente se chegaria ao quantitativo extraído. Até porque, o crédito litigioso não decorre da aquisição de determinada quantidade de madeira extraída, mas o valor do serviço contratado. Finalmente, não consigo divisar na aparente incongruência na resposta à intimação o efeito assumido no Relatório Fiscal. Com efeito, o sujeito passivo efetivamente negou que tenha contratado trabalhadores temporários e alegou desconhecimento da sua contratação, mas isso longe está de reduzir o poder probante do contrato. De fato, analisando as notas fiscais às fls. 72 e 73, emitidas pela pessoa jurídica Florestal Caraúno, percebese que o valor descontado a título de Contribuição corresponde ao percentual fixado no art. 31 da Lei nº 8.212, de 19913, o que demonstra que, pelo menos para o executor do serviço, estavase diante de locação de mãodeobra, nos termos da Lei nº 6.019. de 1974. Concluise, assim, que há uma divergência de interpretação acerca do enquadramento da relação contratual ou que simplesmente o sujeito passivo entendeu que esse fato lhe seria prejudicial. Penso, entretanto, que quaisquer dessas duas hipóteses longes estão de influenciar a relação se subsunção do fato a norma, até porque, no que se refere à solução do presente litígio, pouco importa a modalidade contratual empregada. 3 Art.31.A empresa contratante de serviços executados mediante cessão de mãodeobra, inclusive em regime de trabalho temporário, deverá reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços e recolher a importância retida até o dia dois do mês subseqüente ao da emissão da respectiva nota fiscal ou fatura, em nome da empresa cedente da mãodeobra, observado o disposto no § 5º do art. 33. Fl. 8DF CARF MF Emitido em 04/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/08/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Assinado digitalmente em 03/08/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 11020.001409/200463 Acórdão n.º 310200.969 S3C1T2 Fl. 5 9 Não custa destacar, nesse aspecto, que a vedação aos créditos decorrentes de pagamento de mãodeobra diz respeito exclusivamente aos pagamentos realizados a pessoas físicas, ex vi do § 2, do art. 3º da Lei nº 10.637, de 20024. Nesse aspecto, trazse à colação a orientação sedimentada na Solução de Consulta nº 30, de 26 de janeiro de 2010,da Superintendência da Receita Federal do Brasil da 9ª Região (original não destacado): As ferramentas adquiridas para utilização em máquinas da linha de produção, a contratação de mãodeobra de pessoas jurídicas para operação e manutenção de equipamentos da linha de produção e a contratação de serviços de pessoas jurídicas aplicados diretamente sobre o produto em transformação ou sobre as ferramentas utilizadas nas máquinas pertencentes à linha de produção são considerados insumos, para fins de creditamento da Contribuição para o PIS/PASEP. Ante ao exposto, considero suficientemente comprovadas as despesas descritas nas notas fiscais de fls. 72 e 73. 5 Aviso de Cobrança O órgão julgador de piso já se manifestou acerca da alegação de falha na expedição do aviso de cobrança, em nome de pessoa jurídica que não integra a lide, determinando a correção de tal falha, que torna prescindível a manifestação deste colegiado acerca da matéria. 6 Conclusão Com essas considerações, dou parcial provimento ao recurso para acatar exclusivamente os créditos sobre os valores relativos a despesas com extração de madeira documentadas nas notas fiscais às fls. 72 e 73 Sala das Sessões, em 6 de abril de 2011 (assinado digitalmente) Luis Marcelo Guerra de Castro 4 § 2º Não dará direito a crédito o valor de mãodeobra paga a pessoa física. Fl. 9DF CARF MF Emitido em 04/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/08/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Assinado digitalmente em 03/08/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO
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Numero do processo: 11080.919020/2012-71
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 25 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue May 12 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 18/04/2008
PROCESSO ADMINISTRATIVO. DESPACHO DECISÓRIO. ALEGAÇÃO DE NULIDADE. NÃO ACATADA.
Não é nulo o Despacho Decisório que contém os elementos essenciais do ato administrativo.
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA.
Não é líquido e certo crédito decorrente de pagamento informado como indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis o direito ao crédito.
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO.
Declaração de compensação fundada em direito de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior não pode ser homologada se a contribuinte não comprovou a existência do crédito.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DIREITO DE CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA.
O ônus da prova incumbe ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito.
MULTA E JUROS DE MORA.
Débitos indevidamente compensados por meio de Declaração de Compensação não homologada sofrem incidência de multa e juros de mora.
INCONSTITUCIONALIDADE. DE NORMA INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. INCOMPETÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 2.
Não compete aos julgadores administrativos pronunciar-se sobre a inconstitucionalidade de leis ou atos normativos.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3801-005.160
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Participou do julgamento o Conselheiro Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo em substituição ao Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira que se declarou impedido
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Paulo Sérgio Celani - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Cássio Schappo e Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo.
Nome do relator: PAULO SERGIO CELANI
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DESPACHO DECISÓRIO. ALEGAÇÃO DE NULIDADE. NÃO ACATADA. Não é nulo o Despacho Decisório que contém os elementos essenciais do ato administrativo. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. Não é líquido e certo crédito decorrente de pagamento informado como indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis o direito ao crédito. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. Declaração de compensação fundada em direito de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior não pode ser homologada se a contribuinte não comprovou a existência do crédito. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DIREITO DE CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova incumbe ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito. MULTA E JUROS DE MORA. Débitos indevidamente compensados por meio de Declaração de Compensação não homologada sofrem incidência de multa e juros de mora. INCONSTITUCIONALIDADE. DE NORMA INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. INCOMPETÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 2. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 91 90 20 /2 01 2- 71 Fl. 127DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.919020/201271 Acórdão n.º 3801005.160 S3TE01 Fl. 3 2 Não compete aos julgadores administrativos pronunciarse sobre a inconstitucionalidade de leis ou atos normativos. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Participou do julgamento o Conselheiro Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo em substituição ao Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira que se declarou impedido (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Sérgio Celani Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Cássio Schappo e Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo. Relatório Inicialmente, esclarecese que estão em julgamento nesta 1ª Turma Especial da 3ª Seção de Julgamento do CARF cento e quarenta e oito processos da mesma contribuinte, em que o cerne da discussão é o mesmo: a certeza e liquidez de crédito pleiteado, decorrente de pagamento indevido ou a maior de Cofins, ou contribuição para o PIS/Pasep ou IPI, e o ônus da prova deste direito. Feitas estas observações, passase ao relato propriamente dito. Tratase de recurso voluntário apresentado contra decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em CuritibaDRJ/CTA que julgou improcedente manifestação de inconformidade apresentada contra despacho decisório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de origem. O processo se iniciou com PER/DCOMP, por meio do qual a contribuinte pleiteou o reconhecimento de direito de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de tributo e a compensação de débitos tributários com o crédito pleiteado. Fl. 128DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.919020/201271 Acórdão n.º 3801005.160 S3TE01 Fl. 4 3 De acordo com o Despacho Decisório, a partir das características do DARF informado no PER/DCOMP, foram localizados um ou mais pagamentos, utilizados para quitação de débitos da contribuinte, não restando crédito disponível suficiente para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Assim, diante da inexistência/insuficiência de crédito, a compensação declarada não foi homologada ou foi homologada apenas parcialmente. Como enquadramento legal foram citados os arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172 de 25/10/1966 (Código Tributário Nacional CTN), e o art. 74 da Lei nº 9.430, de 27/12/1996, conforme quadro “3 – FUNDAMENTAÇÃO, DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL” do despacho decisório “ Extraio do relatório da decisão recorrida resumo das alegações apresentadas pela contribuinte contra o despacho decisório: “Na manifestação apresentada, a contribuinte argúi em preliminar a nulidade do Despacho Decisório, alegando o não atendimento ao requisito constitucional da fundamentação do ato administrativo, além de ferir os princípios de ampla defesa, contraditório e do devido processo legal, estando, outrossim, revestido de desvio de finalidade. Expõe que o ato administrativo resumiuse a informar a não homologação da compensação declarada com o parco fundamento da inexistência de crédito disponível; entende que o procedimento correto da fiscalização seria o de intimar a contribuinte para que prestasse informações sobre a origem do crédito, bem como do fundamento de validade; e ressalta a necessidade de fundamentação ou motivação dos atos administrativos para o exame de sua legalidade, finalidade e moralidade administrativa. Alega que o Despacho Decisório não se presta a dar início ao contraditório administrativo, eis que carente de fundamentação, restando prejudicado o seu direito de defesa, e que também extrapolou sua função precípua, tornandose meio oblíquo pelo qual a fiscalização buscou interromper o prazo de homologação da compensação declarada. Diz que a autoridade preparadora deixou de cumprir seu dever de ofício de bem instruir o procedimento fiscal, como a solicitação de informações, apreensão de documentos, diligências, dentre outros expedientes. Sob o tema “Do Mérito”, discorre especificamente sobre o princípio da verdade material, citando diversos doutrinadores. Mas nada aduz sobre o origem do suposto crédito, apenas alegando a posterior juntada de documentos que comprovariam as ‘alegações trazidas na presente manifestação’, eis que o direito creditório, diz, pode ser comprovado a qualquer tempo. Por fim, argumenta sobre a inaplicabilidade da multa de mora em face do princípio constitucional de não confisco e dos princípios administrativos da razoabilidade e da proporcionalidade.. A ementa do acórdão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em CuritibaDRJ/CTA que julgou improcedente a manifestação de inconformidade contém o seguinte teor: “ASSUNTO: ... Data do Fato Gerador: ... CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INTIMAÇÃO PARA ESCLARECIMENTOS. Fl. 129DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.919020/201271 Acórdão n.º 3801005.160 S3TE01 Fl. 5 4 A ausência de pedido de esclarecimentos ou realização de diligência na fase preparatória do procedimento fiscal não caracteriza cerceamento do direito de defesa, que é assegurado na fase do contraditório, inaugurada com a manifestação de inconformidade. 1PIS/PASEP. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. RECOLHIMENTO VINCULADO A DÉBITO CONFESSADO. Correto o Despacho Decisório que não homologou a compensação declarada por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o recolhimento alegado como origem do crédito está integral e validamente alocado para a quitação de débito confessado. PAGAMENTO A MAIOR QUE O DEVIDO. COMPROVAÇÃO. A mera alegação do direito creditório, desacompanhada de provas baseadas na escrituração contábil/fiscal do período, não é suficiente para demonstrar a existência de direito creditório pleiteado. MULTA E JUROS DE MORA. DÉBITOS NÃO HOMOLOGADOS. Os débitos indevidamente compensados sofrem a incidência de multa e juros de mora, nos percentuais determinados pela legislação, calculados a partir do primeiro dia subsequente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento da contribuição até o dia em que se efetivar o seu pagamento, uma vez que a declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos não homologados.” No recurso voluntário a recorrente repete as alegações da manifestação de inconformidade. É o relatório. 1 Nos processos em que o crédito alegado se refere à Cofins, consta COFINS. Nos processos em que o crédito seria originado de Contribuição para o PIS/Pasep, consta PIS/PASEP. Fl. 130DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.919020/201271 Acórdão n.º 3801005.160 S3TE01 Fl. 6 5 Voto Conselheiro Paulo Sergio Celani, Relator. Admissibilidade do recurso voluntário. O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos para julgamento nesta turma especial. Preliminar de nulidade do despacho decisório. O processo se iniciou com PER/DCOMP da contribuinte, no qual informou ter realizado pagamento indevido ou a maior do tributo em discussão. A Secretaria da Receita Federal do BrasilRFB, baseandose em dados constantes de seus sistemas informatizados, alimentados por informações prestadas pelo próprio contribuinte, por meio de declarações fiscais próprias, constatou que o pagamento informado foi integralmente utilizado para quitar tributo informado em DCTF, logo, tributo considerado devido, não restando crédito disponível para a compensação declarada. Isto está claro no quadro “3 – FUNDAMENTAÇÃO, DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL” do despacho decisório, no qual constam os artigos 165 e 170 da Lei nº 5.172, de 25/10/66 (CTN), e o artigo 74 da Lei nº 9.430, de 27/12/1996, como fundamentos para a não homologação da compensação. No mesmo quadro 3, consta que diante da inexistência do crédito não se homologava a compensação declarada, bem como o valor devedor consolidado, correspondente aos débitos indevidamente compensados, e a data para pagamento. Há, ainda, a informação de que para verificação de valores devedores e emissão de DARF, deveria ser consultado o endereço da internet “www.receita.fazenda.gov.br”, na opção “Onde Encontro” ou através de certificação digital na opção “eCAC”, assunto “PER/DCOMP Despacho Decisório”. Logo, não procede a alegação de que o despacho decisório não contém fundamentação e de que houve desvio de finalidade. Por outro lado, a manifestação de inconformidade, a qual, por força do art. 74, §§ 9º a 11 da Lei nº 9.430, de 1996, aplicamse as regras previstas no Decreto nº 70.235, de 1972, demonstra que a contribuinte exerceu plenamente seu direito ao contraditório, sem nenhuma dificuldade, provando que não houve cerceamento do direito de defesa. Por estas razões, votase por negar provimento às alegações preliminares. Fl. 131DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.919020/201271 Acórdão n.º 3801005.160 S3TE01 Fl. 7 6 Certeza e liquidez do crédito pleiteado. Conforme visto acima: i) O processo se iniciou com PER/DCOMP da contribuinte, no qual informou ter realizado pagamento indevido ou a maior de tributo; ii) Foi constatado pela RFB que o pagamento informado como indevido ou a maior fora integralmente utilizado para quitar tributo informado em DCTF, logo, tributo considerado devido; iii) Isto está claro no quadro “3 – FUNDAMENTAÇÃO, DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL” do despacho decisório; iv) Esta constatação baseouse em dados constantes do sistemas informatizados da RFB, alimentados por informações prestadas pelo próprio contribuinte, por meio de declarações fiscais próprias. Uma vez que o pagamento informado como indevido ou a maior estava totalmente vinculado a tributo declarado em DCTF como devido, o DARF a ele relativo não prova a existência de crédito algum A DRJ/CTA, tendo em vista que a contribuinte não apresentou documentação fiscal e contábil hábil e suficiente para comprovação da certeza e liquidez do crédito pleiteado, manteve o despacho decisório. As decisões da DRF e da DRJ estão amparadas no fato de a legislação tributária dispor que a DCTF é instrumento de confissão de dívida e constituição definitiva do crédito tributário (art. 5º do DecretoLei nº 2.124, de 1984) e que a compensação de débitos tributários somente pode ser efetuada mediante existência de créditos líquidos e certos do interessado perante a Fazenda Pública (art. 170 do Código Tributário NacionalCTN), e de a lei que trata do processo administrativo tributário federal estabelecer que a prova documental deve ser apresentada na impugnação (art. 16, §4º, do Decreto nº 70.235, de 1972). Apesar de a decisão de primeira instância ter sido fundamentada de modo a dar a conhecer à contribuinte as razões de fato e de direito que levaram ao indeferimento de sua manifestação de inconformidade, nenhum documento ou livro fiscal ou contábil foi apresentado com o recurso voluntário. A recorrente limitouse a discorrer sobre o princípio da verdade material. Tratandose de despacho eletrônico, admitese a apresentação destes documentos e livros após a decisão da DRJ, pois alguns Conselheiros entendem que o princípio da verdade material assim autoriza, outros entendem que se está diante de caso em que a prova se destina a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos, hipótese prevista no art. 16, §4º, letra “c” do Decreto nº 70.235, de 1972. O importante é que a contribuinte, até o presente, não apresentou nenhum documento ou livro, fiscal ou contábil, que pudesse comprovar seu direito. Logo, não comprovou a certeza e liquidez do crédito pleiteado. Fl. 132DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.919020/201271 Acórdão n.º 3801005.160 S3TE01 Fl. 8 7 Não é só isso. A recorrente sequer argumentou sobre os fatos ou direito que ensejariam o crédito. Por estas razões, com fundamento no art. 170 do CTN e no art. 333 do CPC, aplicável subsidiariamente ao caso, que determina que o ônus da prova incumbe ao autor quanto ao fato constitutivo de seu direito, não cabe o reconhecimento do crédito pleiteado. Sobre multa e juros de mora Os artigos 61 e 74 da Lei nº 9.430, de 1996, deixam claro que são devidos juros de mora e multa no presente caso. Cito: “Art.61.Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) §1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. §2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. §3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. (Vide Medida Provisória nº 1.725, de 1998) (Vide Lei nº 9.716, de 1998)” “Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão.(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) §1º A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) §2º A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) (...) §6º A declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos Fl. 133DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.919020/201271 Acórdão n.º 3801005.160 S3TE01 Fl. 9 8 indevidamente compensados. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) §7º Não homologada a compensação, a autoridade administrativa deverá cientificar o sujeito passivo e intimálo a efetuar, no prazo de 30 (trinta) dias, contado da ciência do ato que não a homologou, o pagamento dos débitos indevidamente compensados.(Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) §8º Não efetuado o pagamento no prazo previsto no §7º, o débito será encaminhado à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional para inscrição em Dívida Ativa da União, ressalvado o disposto no §9º. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) §9º É facultado ao sujeito passivo, no prazo referido no § 7º, apresentar manifestação de inconformidade contra a não homologação da compensação. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) §10. Da decisão que julgar improcedente a manifestação de inconformidade caberá recurso ao Conselho de Contribuintes.(Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) §11. A manifestação de inconformidade e o recurso de que tratam os §§ 9º e 10 obedecerão ao rito processual do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, e enquadramse no disposto no inciso III do art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional, relativamente ao débito objeto da compensação. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) (...)” Vejase que os §§ 6º a 8º acima dispõem que a declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados e que, não homologada a compensação e não efetuado o pagamento no prazo previsto no §7º, o débito será encaminhado à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional para inscrição em Dívida Ativa da União, sendo devidos juros de mora e multa. A exigência do pagamento destes débitos não se submete a julgamento administrativo. Além disso, os membros do CARF não podem afastar aplicação ou deixar de observar lei sob fundamento de inconstitucionalidade, salvo em casos excepcionais não presentes, a teor do disposto no art. 62 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22/6/2009, e do disposto no art. 26A da Decreto nº 70.235, de 1972, com redação dada pela Lei nº 11.941, de 27/5/2009. O mesmo se conclui do enunciado da Súmula CARF nº 2, verbis: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Fl. 134DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.919020/201271 Acórdão n.º 3801005.160 S3TE01 Fl. 10 9 Conclusão Pelo exposto, em especial, pela não comprovação da existência de direito de crédito líquido e certo, voto por negar provimento ao recurso voluntário, mantendose a decisão recorrida. (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani. Fl. 135DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 11030.002239/2005-04
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 27 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri May 29 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/04/2004 a 30/06/2004
REGIME DA NÃO-CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS PRESUMIDOS. EMPRESAS CEREALISTAS.
O crédito presumido tratado no § 11 do art. 3° da Lei n° 10.637, de 2002, enquanto em vigor, desde que vinculado às receitas de exportações auferidas no mesmo período de apuração, pode ser utilizado na forma dos §§ 1° e 2° do art. 5° da mesma Lei, para fins de para ressarcimento em dinheiro, observadas as disposições contidas nos dispositivos legais referidos e na legislação pertinente.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3801-004.878
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, por negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel (Relatora), Cássio Schappo e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira que davam provimento integral ao recurso. Designado para elaborar o voto vencedor o Conselheiro Flávio de Castro Pontes.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Cássio Schappo, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel (Relatora), Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Flávio de Castro Pontes.
Nome do relator: MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/2004 a 30/06/2004 REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITOS PRESUMIDOS. EMPRESAS CEREALISTAS. O crédito presumido tratado no § 11 do art. 3° da Lei n° 10.637, de 2002, enquanto em vigor, desde que vinculado às receitas de exportações auferidas no mesmo período de apuração, pode ser utilizado na forma dos §§ 1° e 2° do art. 5° da mesma Lei, para fins de para ressarcimento em dinheiro, observadas as disposições contidas nos dispositivos legais referidos e na legislação pertinente. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, por negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel (Relatora), Cássio Schappo e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira que davam provimento integral ao recurso. Designado para elaborar o voto vencedor o Conselheiro Flávio de Castro Pontes. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 03 0. 00 22 39 /2 00 5- 04 Fl. 125DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 21/05/2 015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL Processo nº 11030.002239/200504 Acórdão n.º 3801004.878 S3TE01 Fl. 11 2 Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Cássio Schappo, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel (Relatora), Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Flávio de Castro Pontes. Relatório Por bem descrever os fatos, transcrevo o Relatório da DRJ de Santa Maria – RS: A contribuinte supra identificada teve indeferido parcialmente o direito creditório referente a saldo credor de PIS do 2° trimestre de 2004 no valor de R$ 65.831,21, tendo sido deferido o valor de R$ 8,99, conforme Despacho Decisório DRF/PFO, de 18 de julho de 2006, que se encontra à fl. 28. De acordo com o Termo de Verificação Fiscal que se encontra às fls. 25 e 26, que serviu de base ao Despacho Decisório, a contribuinte, que é cerealista, teve glosados os créditos presumidos apurados sobre as aquisições de produtos de origem vegetal de pessoas físicas, que foram comercializados com fim específico de exportação, em virtude da inexistência de previsão legal que autorize a apuração de tais créditos e reconhecida a legitimidade dos demais créditos pleiteados. Inconformada com o referido Despacho Decisório, a contribuinte apresentou a manifestação que se encontra às fls. 35 a 51, acompanhada dos documentos que se encontram às fls. 52 a 76, na qual encontramse os seus argumentos, que podem ser assim resumidos: Alegou a fiscalização, com base no art. 3°, parágrafos 5° e 11, da Lei n° 10.833, de 29 de dezembro de 2003, que o direito creditório não era passível de ressarcimento por causa de a venda dos produtos adquiridos de pessoas físicas ter sido efetuada com “fim específico de exportação”. Em relação a essas vendas, são anexadas cópias, por amostragem, de notas fiscais de vendas de soja em grãos para cada uma das agroindústrias Bunge Alimentos S/A e ADM do Brasil Ltda., assim como os respectivos Memorandos de Exportação emitidos pelas mesmas onde estão relacionadas todas as demais notas fiscais. A contribuinte não concorda com o posicionamento da fiscalização, em razão da existência da autorização legal na hipótese em que os créditos legitimamente apurados na compra não foram passíveis de dedução na venda em face de comando isentivo quando os produtos são exportados. Fl. 126DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 21/05/2 015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL Processo nº 11030.002239/200504 Acórdão n.º 3801004.878 S3TE01 Fl. 12 3 Os créditos foram apurados em sintonia com as prescrições contidas no preceito geral do art. 3°, da Lei n° 10.637, de 30 de dezembro de 2002, segundo o qual, do valor apurado na forma do art. 2°, a pessoa jurídica poderá descontar créditos, notadamente no que concerne às aquisições dos produtos de que trata o § 11, do art. 3°, da Lei n° 10.833, de 2003, aplicável ao PIS por força de seu artigo 15 e em obediência ao princípio da nãocumulatividade expressa no art. 195, § 12, da Constituição Federal de 1988 (CF), com a alteração da Emenda Constitucional n° 42, de 2003. Como não houve débitos nas operações de remessa das mercadorias da contribuinte para as empresas Bunge Alimentos e ADM do Brasil, com o fim específico de exportação, em virtude dos dispositivos constitucionais e legais que afastam a incidência da contribuição, resulta claro que os créditos decorrentes das aquisições precedentes (compra de soja) permanecem incólumes, sendo inegavelmente passíveis de ressarcimento, nos termos do art. 5°, parágrafos 1° e 2°, da Lei n° 10.637, de 2002, que é a previsão legal que a fiscalização e o Delegado da DRF/Passo Fundo, em seu despacho, afirmaram não existir. No entendimento da fiscalização, o crédito presumido em exame somente poderia ter sido apurado e utilizado nos casos em que as aquisições dos produtos “in natura” de origem vegetal junto a pessoas físicas fossem, posteriormente, revendidas para as agroindústrias adquirentes que produzam mercadorias de origem a animal ou vegetal, destinadas à alimentação humana ou animal. Sugeriram os agentes fiscais, que o excerto do parágrafo 5° do art. 3° da Lei n° 10.833, de 2003, onde está redigido “as pessoas jurídicas que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal” impediria, quando a revenda dos produtos fosse, a posteriori, destinada ao mercado externo, a apropriação e ressarcimento dos créditos do PIS em questão. Esse entendimento da fiscalização deveuse à confusão feita entre as duas situações diametralmente opostas, tratadas nos parágrafos 5° e 11, do art. 3º, da Lei n° 10.833, de 2003, já que o § 5° trata de créditos a que teriam direito as agroindústrias, como são a Bunge e a ADM, e o § 11, de créditos a que teriam direito as empresas cerealistas, como a contribuinte, em relação às aquisições de produtos “in natura” de origem vegetal. O comando do § 11 foi no sentido de que para a fruição do direito ao crédito presumido pelas empresas cerealistas as vendas teriam que ser realizadas a pessoas jurídicas que sejam agroindústrias (§ 5°), não havendo nenhum outro requisito como os aventados pelos agentes fiscais, visto que o que não é legalmente vedado é amplamente permitido, por força do princípio da reserva legal, nada impedindo que os produtos sejam posteriormente exportados pela empresa adquirente. O disciplinamento do § 5°, do dispositivo supra, é dirigido às agroindústrias, no sentido de que somente terão direito ao Fl. 127DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 21/05/2 015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL Processo nº 11030.002239/200504 Acórdão n.º 3801004.878 S3TE01 Fl. 13 4 crédito presumido do PIS, nas aquisições de produtos de origem vegetal de pessoas físicas, quando tais produtos sejam utilizados como insumos na fabricação de produtos destinados à alimentação animal ou humana, não havendo dúvida que tratam de créditos presumidos distintos dos tratados no § 11. Sabese que a lei que concede benefícios fiscais deve ser interpretada restritivamente e que nada há nela que condicione/exija, expressamente, que os produtos vendidos pela contribuinte às empresas agroindustriais Bunge e ADM sejam utilizados como insumos, tampouco que impeça a posterior exportação dos mesmos. A lei requer, apenas, que os produtos sejam vendidos à agroindústria, o que foi indiscutivelmente observado e cumprido. Portanto, tendo havido a venda dos produtos (soja) pela contribuinte a agroindústrias, mesmo que não tenham sido utilizados como insumos, ou, ainda, tenham sido posteriormente, por elas, exportados tais produtos, o direito ao crédito presumido da contribuinte está garantido. Requereu a contribuinte que seja declarado improcedente o Despacho Decisório ou seja declarado o direito creditório passível de ressarcimento, determinandose a devolução do valor pleiteado. A tempestividade da manifestação de inconformidade foi atestada à fl. 77. Analisando o litígio, a DRJ de Santa Maria entendeu por bem negar a solicitação, conforme ementa abaixo transcrita: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/04/2004 a 30/06/2004 REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITOS PRESUMIDOS. EMPRESAS CEREALISTAS. Os créditos presumidos por aquisição de produtos de origem vegetal de pessoas físicas somente podem ser calculados pelas empresas cerealistas sobre as vendas efetuadas a agroindústrias que os utilize como insumos. Consta recurso voluntário apresentado tempestivamente, no qual a Recorrente alega, em síntese que: 1. Embora não tenha havido débitos nas operações de remessa das mercadorias da Recorrente para as empresas BUNGE ALIMENTOS S/A e ADM DO BRASIL LTDA. para o que anotou a fiscalização tratarse de "fim especifico de exportação", fundamentalmente porque o crédito tributário da União que seria devido na "saída" é excluído por sua própria vontade, os créditos resultantes das aquisições precedentes (compra de soia) permanecem incólumes, sendo inegavelmente passíveis de ressarcimento, nos termos dos §§ 1° e 2° do artigo 50 da citada Lei no. 10.637/02. Colaciona, nesta linha, pronunciamentos das Superintendências das 9° e 10a. Regiões Fiscais. Fl. 128DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 21/05/2 015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL Processo nº 11030.002239/200504 Acórdão n.º 3801004.878 S3TE01 Fl. 14 5 2. Mesmo que assim não se entenda, fato é que a intenção do legislador foi no sentido de permitir a fruição do crédito presumido pelas cerealistas quando a revenda de produtos in natura adquiridos das pessoas físicas sejam "realizadas às pessoas jurídicas a que se refere o § 5°" (ex vi § 11°), a saber, que "produzam mercadorias de origem animal ou vegetal" (ex vi § 5°). Dai deduzirse que o primeiro comando pede sejam identificadas, no segundo, as pessoas jurídicas pertinentes, isto é, as agroindustriais. E esta foi, justamente, a operação realizada pela Recorrente. Conjugando o §11 com o § 5°, não se poderá chegar à outra conclusão senão a de que são absolutamente independentes, mas que aproximam uma da outra quando pretende saber de quais pessoas jurídicas estáse a tratar (as adquirentes e revendedoras). Transcreve, neste sentido, Solução de Consulta da Superintendência da 6a. Região Fiscal. Requer seja dado provimento total a seu Recurso Voluntário. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. Analisando o caso, verificase que a negativa do ressarcimento do crédito pretendido pela Recorrente, decorrente da aquisição de produtos (soja/grãos) diretamente de produtores rurais pessoas físicas, deuse em face de o agente fiscal entender que tais créditos não poderiam ser ressarcidos quando o destino da mercadoria for o mercado externo, ante à inexistência de previsão legal autorizativa. Baseiase nos §§ 11 e 5° do art. 3° da Lei n°. 10.833/03. De acordo com a decisão da Delegacia de Julgamento, o entendimento da fiscalização está correto, eis que a Recorrente não poderia calcular créditos presumidos sobre as aquisições de produtos de origem vegetal feitas de pessoas físicas, visto que tais créditos somente poderiam ser calculados sobre as vendas realizadas a estabelecimentos agroindustriais, e as empresas adquirentes dos produtos da Recorrente (soja), embora sejam agroindústrias, operavam nas aquisições tratadas nos autos como empresas exportadoras. A questão, portanto, cingese ao direito da Recorrente ao crédito presumido de PIS nas exportações. Pois bem. A manutenção de créditos dos tributos nãocumulativos, inclusive o PIS, incidente nas operações anteriores à exportação, é uma das formas que o legislador nacional lança mão para garantir a neutralidade fiscal, de forma a evitar a exportação de tributos e a promover competitividade internacional. O chamado “princípio do destino”, que impõe a completa desoneração das exportações, foi adotado no ordenamento jurídico brasileiro. Fl. 129DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 21/05/2 015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL Processo nº 11030.002239/200504 Acórdão n.º 3801004.878 S3TE01 Fl. 15 6 Assim, não basta que haja apenas a desoneração dos tributos incidentes sobre a exportação propriamente dita, mas, também de toda a cadeia produtiva, já que a tributação incidente em etapas anteriores, por óbvio, influencia no preço praticado junto ao mercado exterior. Não acatar tal premissa significaria admitir a indesejada “exportação de tributos”. Justamente por essa razão é que o direito à apuração de créditos do PIS acumulados em decorrência da exportação de produtos é medida imprescindível para garantir igualdade de tratamento fiscal para os produtos nacionais exportados para o exterior. E para que os efeitos da cumulatividade e da exportação de tributos sejam neutralizados, imprescindível haver a devolução dos créditos da nãocumulatividade que se acumulam quando da exportação, incluindose, nesse rol, os créditos presumidos. No caso da contribuição ao PIS/Pasep, o legislador não abandonou esse princípio. Vejase. São dois os regimes utilizados para a apuração dos créditos de tal contribuiçâo: (i) os descontos apurados a partir dos ingressos de insumos e outros, como prescrito em lei (regime geral) e (ii) a antecipação de crédito presumido, também definido em lei (regime especial). O regime especial de crédito presumido foi, inicialmente, atribuído para as indústrias de produtos alimentícios de origem vegetal e animal por meio do artigo 3o., parágrafos 5º e 6º, da Lei 10.833/2003, dispositivos que foram revogados pela Lei 10.925/2004, a qual dispôs acerca do regime em questão em seu artigo 8º. O que importa destacar é que o crédito presumido do PIS previsto inicialmente no artigo 3o., parágrafos 5º e 6º, da Lei 10.833/2003, e posteriormente no artigo 8º da Lei 10.925/2004, é instrumento complementar ao crédito ordinário do regime geral. Isto porque abrange situações nas quais o contribuinte não poderia aproveitar os créditos ordinários da sistemática nãocumulativa, em virtude da ausência de escrituração ou de qualquer outro impedimento, como é o caso da origem das mercadorias ocorrer a partir de pessoas físicas ou cooperativas. Justamente para buscar a tributação única sobre as receitas, descontandose o tributo “acumulado” na cadeia, é que o legislador criou o crédito presumido. Não se trata de benefício fiscal. Tratase, sim, de observância pura e legítima do princípio da não cumulatividade, cuja aplicação não pode ser vista como uma opção do legislador, mas sim como um comando inarredável. A apropriação do crédito de PIS nas exportações, seja este decorrente do regime geral ou do regime especial (crédito presumido) de apuração, busca justamente evitar a cumulatividade. E, havendo a exportação da mercadoria, independentemente do regime de apuração do crédito, o princípio da não cumulatividade deve imperar. No caso presente, a remessa das mercadorias da Recorrente para as agroindústrias apontadas, com fim específico de exportação, ensejou a não incidência do tributo em tela por força do art. 5°, incisos I e III da Lei n° 10.637/02, e também em face da imunidade prevista no inciso I, § 2o., do artigo 149 da Carta Constitucional. Mas os créditos resultantes das aquisições precedentes (compra de soja) permanecem incólumes, sendo passíveis de ressarcimento, conforme previsto nos §§ 1° e 2° do artigo 5o. da Lei no. 10.637/2002: Fl. 130DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 21/05/2 015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL Processo nº 11030.002239/200504 Acórdão n.º 3801004.878 S3TE01 Fl. 16 7 "Art. 5°. A contribuição para o PIS/PASEP não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de: I exportação de mercadorias para o exterior; [...]. Ill vendas a empresa comercial exportadora com o fim especifico de exportação. § 1° Na hipótese deste artigo, a pessoa jurídica vendedora poderá utilizar o credito apurado na forma do art 3°, para fins de: I dedução do valor da contribuição a recolher, decorrente das demais operações no mercado interno; II compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação especifica aplicável à matéria. § 2° A pessoa jurídica que, até o final de cada trimestre do ano civil, não conseguir utilizar o crédito por qualquer das formas previstas no § 1o. poderá solicitar o seu ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria". Não há, no texto legal transcrito, qualquer óbice ou limitação à sua aplicação em face do regime de apuração do crédito (regime geral ou especial/presumido). E nem poderia haver, considerando que o dispositivo vem dispor sobre a observância ampla da não cumulatividade constitucionalmente assegurada nas operações de exportação. Não por outra razão esse entendimento foi adotado pela Superintendência Regional da Receita Federal, 9a. Região Fiscal, através da Solução de Consulta n°46 de 03 de fevereiro de 2006 e também pela 10a. Região Fiscal, através da Solução de Consulta n°59 de 27 de abril de 2005, ambas colacionadas pela Recorrente em suas defesas. Esta é a única interpretação conforme a Constituição e coerente com o sentido do crédito presumido na forma de regime especial, que só se justifica para alcançar aquelas operações que não geram créditos ordinários. O crédito presumido deve ser compreendido de acordo com sua finalidade, que é aquela de permitir a nãocumulatividade e a neutralidade fiscal dos produtos relativamente aos quais a apuração de créditos no regime de apuração geral é vedada. Vale citar aqui as preciosas lições do jurista Heleno Taveira Torres, que muito acertadamente dispôs sobre o tema: Ora, a finalidade do artigo 8º da Lei 10.925/2004 é garantir ao adquirente o direito de exportar produtos com “acúmulo de créditos” de PIS/Cofins cuja funcionalidade do mecanismo de não cumulatividade adotado não tem como autorizar o aproveitamento dos créditos acumulados ao longo da cadeia produtiva, a colidir com os princípios da isonomia e da neutralidade concorrencial. Numa interpretação conforme à Constituição, não tem justificativa lógica e racional que se Fl. 131DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 21/05/2 015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL Processo nº 11030.002239/200504 Acórdão n.º 3801004.878 S3TE01 Fl. 17 8 admitisse manter créditos acumulados de PIS/Cofins unicamente pela diferenciação das pessoas que vendem os produtos agrícolas: (i) impedimento para utilização de créditos ordinários da nãocumulatividade em relação à aquisição de pessoas físicas ou cooperativas de pessoas físicas e; (ii) autorização para aproveitamento de créditos ordinários, na aquisição de produtos agrícolas de pessoas jurídicas. Por conseguinte, a atribuição do crédito presumido de PIS/Cofins, conferida à aquisição de pessoas físicas ou cooperativas de pessoas físicas deve ser abrangente, por não se tratar de benefício fiscal, mas de típico caso de cumprimento do princípio de não cumulatividade e respeito à garantia de isonomia. Créditos presumidos de PIS e Cofins nas exportações. Revista Consultor Jurídico, 30 de maio de 2012 http://www.conjur.com.br/2012mai30/consultortributario creditospresumidospiscofinsexportacoes Por todo o exposto, julgo procedente o Recurso Voluntário para reconhecer o direito creditório da Recorrida referente a saldo credor de PIS do 1° trimestre de 2004 no valor de R$ 22.928,54. Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel – Relatora Fl. 132DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 21/05/2 015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL Processo nº 11030.002239/200504 Acórdão n.º 3801004.878 S3TE01 Fl. 18 9 Voto Vencedor Flávio de Castro Pontes – Presidente e Redator Designado. Ainda que respeitáveis as razões da ilustre relatora, discordase do seu entendimento. Esta controvérsia tem por objeto o crédito presumido decorrente de, em tese, atividades agroindustriais. A interessada alega que os créditos foram apurados e escriturados em sintonia com as prescrições contidas no preceito geral do art. 3° da Lei n°. 10.637/02, em especial em relação às aquisições dos produtos de que trata o § 11, art. 3° da Lei n°. 10.833/03, aplicável ao PIS por força de seu artigo 15. que em razão do princípio constitucional da não cumulatividade, os créditos presumidos apurados sobre as aquisições de produtos de origem vegetal (soja) de pessoas físicas permanecem incólumes, portanto passíveis de ressarcimento nos termos dos §§ 1° e 2° do artigo 50 da Lei Ordinária 10.637/02. A solução deste conflito de interesses passa necessariamente pelo exame do disposto nos revogados §§ 5º e 11 da Lei 10.833/2003: § 5o Sem prejuízo do aproveitamento dos créditos apurados na forma deste artigo, as pessoas jurídicas que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 2 a 4, 8 a 12 e 23, e nos códigos 01.03, 01.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, 15.07 a 1514, 1515.2, 1516.20.00, 15.17, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da Nomenclatura Comum do Mercosul NCM, destinados à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da COFINS, devida em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens e serviços referidos no inciso II do caput deste artigo, adquiridos, no mesmo período, de pessoas físicas residentes no País. (Revogado pela Lei nº 10.925, de 2004) § 11. Sem prejuízo do aproveitamento dos créditos apurados na forma deste artigo, as pessoas jurídicas que adquiram diretamente de pessoas físicas residentes no País produtos in natura de origem vegetal, classificados nas posições 10.01 a 10.08 e 12.01, todos da NCM, que exerçam cumulativamente as atividades de secar, limpar, padronizar, armazenar e comercializar tais produtos, poderão deduzir da COFINS devida, relativamente às vendas realizadas às pessoas jurídicas a que se refere o § 5o, em cada período de apuração, crédito presumido calculado à alíquota correspondente a 80% (oitenta por cento) daquela prevista no art. 2o sobre o valor de aquisição Fl. 133DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 21/05/2 015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL Processo nº 11030.002239/200504 Acórdão n.º 3801004.878 S3TE01 Fl. 19 10 dos referidos produtos in natura.9grifouse) (Revogado pela Lei nº 10.925, de 2004) A questão central é identificar se a interessada exerce a atividade econômica de produção das mercadorias. De um lado, a recorrente insiste que em razão do princípio constitucional da nãocumulatividade, os créditos presumidos apurados sobre as aquisições de produtos de origem vegetal (soja) de pessoas físicas permanecem incólumes, portanto passíveis de ressarcimento nos termos dos §§ 1° e 2° do artigo 50 da Lei Ordinária 10.637/02. De outro giro, a autoridade fiscal sustenta que a não faz jus ao crédito presumido sobre as aquisições em discussão, por falta de previsão legal. A propósito, confira se o teor da informação fiscal: Através do exame da documentação posta a disposição desta Fiscalização, constatamos que a contribuinte apurou os créditos, tanto do PIS quanto da COFINS, com base na sua escrituração contábil e fiscal, nas quais foram constatadas irregularidades nos meses de fevereiro, março e abril de 2004, sendo objeto de glosa os créditos presumidos apurados sobre as aquisições de produtos de origem vegetal_(soja) de pessoas físicas domiciliadas no país, que após as atividades de limpar, secar, padronizar, armazenar e comercializar com fim especifico de exportação, deram origem a parte dos créditos pleiteados nos respectivos processos de apuração trimestral, conforme DACON anexa. Registrese que, o § 11 do artigo 3° da Lei n° 10.833/2003, somente autoriza o aproveitamento do crédito presumido pelas empresas Cerealistas, calculado a alíquota de 80% da prevista nos demais casos, relativamente as vendas efetuadas as pessoas jurídicas que produzam mercadoria de origem animal ou vegetal das posições especificadas no §5 do art.3°, destinados a alimentação humana, ou animal. (grifouse) Concordase com a posição da autoridade fiscal. O citado § 11 da Lei 10.833/2003 estabelece um requisito para os créditos presumidos em questão, que às vendas sejam realizadas as pessoas jurídicas que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas em diversos códigos da NCM. Do exame da situação fática, verificase que as vendas foram realizadas pela contribuinte para outras empresas com o fim especifico de exportação e não passaram por um novo processo de industrialização como previsto na norma em comento. Assim sendo, temse, no caso vertente, que deve prevalecer a interpretação da fiscalização fededral. Insistase que se trata de adequação dos fatos à norma legal, portanto afasta se uma eventual interpretação sistêmica com o preceito geral do art. 3°, art. 5º e parágrafos da Lei n°. 10.637/02 e com o princípio da nãocumulatividade. Não se de trata de juízo superficial como quer fazer crer a interessada, mas sim da falta de previsão legal para o creditamento em discussão. Fl. 134DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 21/05/2 015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL Processo nº 11030.002239/200504 Acórdão n.º 3801004.878 S3TE01 Fl. 20 11 Em caso análogo da mesma contribuinte, o não reconhecimento dos créditos presumidos foi acolhida, de forma unânime, em outro julgado deste Conselho: CRÉDITO DA COFINS NÃOCUMULATIVA. EMPRESA CEREALISTA. Os produtos de origem vegetal adquiridos de pessoa física só geram crédito da COFINS nãocumulativa se forem submetidos à secagem, lavagem, padronização, armazenagem e vendidos a empresas produtoras de alimentos destinados a consumo humano ou animal. (...) (Terceira Seção de Julgamento, 4ª Câmara, 1ª Turma Ordinária, processo 11030.002244/200517, Acórdão nº 340100.907, de 28/07/2010). Em conclusão, a solicitação da interessada, não pode prosperar por falta de amparo legal. Ante ao exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário interposto. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes – Redator designado Fl. 135DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 21/05/2 015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL
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Numero do processo: 10580.720216/2006-69
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu May 20 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IRPJ EXERCÍCIO 2002
IRPJ – VALORES DECLARADOS EM DIPJ
INFORMAÇÕES PRESTADAS NA DIPJ DO EXERCÍCIO – VALIDADE – Procedem os ajustes realizados que consideram os valores declarados na DIPJ como válidos, ante as provas juntadas aos autos na fase inquisitória e através de diligência.
ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL - NULIDADES
ASSENTAMENTOS CONTÁBEIS – Livro Razão - Os dados constantes do Razão
servem para respaldar exigência fiscal, nos termos do artigo 276 do RIR/1999.
INSTRUÇÃO PROCESSUAL- LIVRE CONVENCIMENTO DO JULGADOR – NULIDADE DA DECISÃO – INOCORRÊNCIA – Válido o julgamento que, independente do resultado insatisfatória da diligência fiscal, conclui pela suficiência da instrução e firma convencimento quanto à matéria de fato.
DECISÃO DE PRIMEIRO GRAU – PROVIMENTO PARCIAL – VALIDADE – Acolher parte das razões oferecidas em grau de impugnação e ajustar a exigência frente a este provimento parcial não se reveste em atividade de lançamento, nem implica em nulidade do feito.
PAF – NULIDADE DA DECISÃO – CITAÇÃO DE DISPOSITIVOS – Descabe a Preliminar de nulidade do acórdão de 1o. grau, por invocar o inciso V do § 3º do artigo 74 da Lei 9430/1996, cuja redação inicial se dá através da Lei 10833/2007, para justificar a negativa de PER/DECOMPs protocolados em outubro de 2003, quando este argumento não vem descolado da base legal do lançamento, dos fatos e das provas juntadas e analisados na decisão.
ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL – PRECLUSÃO PRECLUSÃO CONSUMATIVA – Descabe conhecer, no âmbito deste litígio, razões oferecidas referentes a processo que negou compensação e não teve, tempestivamente, manifestação de inconformidade por parte da Contribuinte.
PREQUESTIONAMENTO – Apenas se toma conhecimento de matéria não prequestionada quando se tratar de fato superveniente.
PAF PROVAS- Tratando-se de matéria de prova, o julgador formará livremente a sua convicção, nos termos do art. 29 do Dec. 70.235/72.
ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL FALTA DE RECOLHIMENTO DE IRPJ E CSLL POR ESTIMATIVA MENSAL. MULTA ISOLADA. CONCOMITÂNCIA. A multa isolada por falta de recolhimento de IRPJ ou CSLL sobre base de cálculo mensal estimada não pode ser aplicada cumulativamente com a multa de lançamento de ofício prevista no art. 44, I, da Lei 9.430/96, sobre os mesmos valores apurados em procedimento fiscal.
Numero da decisão: 1102-000.203
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos afastar as preliminares e, no mérito, por maioria de votos, dar provimento ao recurso para cancelar a exigência da multa isolada,vencido o Conselheiro José Sérgio Gomes que nega provimento ao recurso.Declarou-se impedido o Conselheiro Manoel Mota Fonseca.
Nome do relator: Ivete Malaquias Pessoa Monteiro
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Recorrida 1 A . TURMA/DRJ-SALVADOR /BA IRPJ EXERCÍCIO 2002 IRPJ – VALORES DECLARADOS EM DIPJ INFORMAÇÕES PRESTADAS NA DIPJ DO EXERCÍCIO – VALIDADE – Procedem os ajustes realizados que consideram os valores declarados na DIPJ como válidos, ante as provas juntadas aos autos na fase inquisitória e através de diligência. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL - NULIDADES ASSENTAMENTOS CONTÁBEIS – Livro Razão - Os dados constantes do Razão servem para respaldar exigência fiscal, nos termos do artigo 276 do RIR/1999. INSTRUÇÃO PROCESSUAL- LIVRE CONVENCIMENTO DO JULGADOR – NULIDADE DA DECISÃO – INOCORRÊNCIA – Válido o julgamento que, independente do resultado insatisfatória da diligência fiscal, conclui pela suficiência da instrução e firma convencimento quanto à matéria de fato. DECISÃO DE PRIMEIRO GRAU – PROVIMENTO PARCIAL – VALIDADE – Acolher parte das razões oferecidas em grau de impugnação e ajustar a exigência frente a este provimento parcial não se reveste em atividade de lançamento, nem implica em nulidade do feito. PAF – NULIDADE DA DECISÃO – CITAÇÃO DE DISPOSITIVOS – Descabe a Preliminar de nulidade do acórdão de 1 o . grau, por invocar o inciso V do § 3 o .do artigo 74 da Lei 9430/1996, cuja redação inicial se dá através da Lei 10833/2007, para justificar a negativa de PER/DECOMPs protocolados em outubro de 2003, quando este argumento não vem descolado da base legal do lançamento, dos fatos e das provas juntadas e analisados na decisão. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL – PRECLUSÃO PRECLUSÃO CONSUMATIVA – Descabe conhecer, no âmbito deste litígio, razões oferecidas referentes a processo que negou compensação e não teve, tempestivamente, manifestação de inconformidade por parte da Contribuinte. PREQUESTIONAMENTO – Apenas se toma conhecimento de matéria não prequestionada quando se tratar de fato superveniente. Fl. 415DF CARF MF Emitido em 23/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/01/2011 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIR Assinado digitalmente em 23/02/2011 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIR 2 PAF PROVAS- Tratando-se de matéria de prova, o julgador formará livremente a sua convicção, nos termos do art. 29 do Dec. 70.235/72. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL FALTA DE RECOLHIMENTO DE IRPJ E CSLL POR ESTIMATIVA MENSAL. MULTA ISOLADA. CONCOMITÂNCIA. A multa isolada por falta de recolhimento de IRPJ ou CSLL sobre base de cálculo mensal estimada não pode ser aplicada cumulativamente com a multa de lançamento de ofício prevista no art. 44, I, da Lei 9.430/96, sobre os mesmos valores apurados em procedimento fiscal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos afastar as preliminares e, no mérito, por maioria de votos, dar provimento ao recurso para cancelar a exigência da multa isolada,vencido o Conselheiro José Sérgio Gomes que nega provimento ao recurso.Declarou-se impedido o Conselheiro Manoel Mota Fonseca. Documento assinado eletronicamente IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO –Presidente e Relatora EDITADO EM: Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros João Otavio Opperman Thomé, Silvana Rescigno Barreto, José Sergio Gomes (Suplente convocado) e João Carlos Lima Junior(Vice-Presidente) Fl. 416DF CARF MF Emitido em 23/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/01/2011 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIR Assinado digitalmente em 23/02/2011 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIR Processo nº 10580.720216/2006-69 Acórdão n.º 1102-00203 S1-C1T2 Fl. 416 3 Relatório ITALSOFA BAHIA LTDA. teve contra si lavradas a exigência para o Imposto de Renda da Pessoa Jurídica-IRPJ, fls.141, pelas seguintes infrações: "001 - IMPOSTO DE RENDA PESSOA JURÍDICA DIFERENÇA APURADA ENTRE O VALOR ESCRITURADO E O DECLARADO/PAGO Durante o procedimento de verificações obrigatórias foram constatadas divergências entre o valor declarado e o valor escriturado. 0 contribuinte não declarou em DCTF o imposto apurado no ajuste anual, escriturado no Livro Razão em 31/12/2001 à página 240, porém compensou parte do imposto, tal compensação foi considerada indevida em razão do SEORT/DRF/SDR, ter julgado improcedente o referido pedido de ressarcimento. O processo 10580.011627/2002-36 encontra- se apensado a este." O fato gerador ocorreu em 31 de dezembro de 2001 e o valor lançado do imposto é de R$ 636.888,00. No que tange a multa assim se expressa o auto: 002 MULTAS ISOLADAS DIFERENÇA APURADA ENTRE O VALOR ESCRITURADO E O VALOR DECLARADO/PAGO - IRPJ ESTIMATIVA Durante o procedimento de verificações obrigatórias foram constatadas divergências entre os valores declarados e os valores escriturados gerando falta de pagamento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica, incidente sobre a base de cálculo estimada em função da receita bruta e acréscimos e/ou balanços de suspensão ou redução, conforme planilhas em anexo". Irresignada a Contribuinte apresenta a impugnação às fls. 238/250, onde, em síntese, oferece a preliminar de nulidade porque o lançamento tomou por base elementos constantes do seu livro Razão, e no seu entender, incapaz de suportar a exigência. O cruzamento coteja as informações prestadas na Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) do período autuado (2001), com aquelas constantes das demonstrações contábeis ( Livro Razão, conta contábil n° 2.1.04.02.001 do passivo circulante). Reclama da impossibilidade de se conceder ao documento contábil validade absoluta, por se revestir mais da qualidade de relatório gerencial. Assim, à informação que presta aos administradores da sociedade não se estende à utilidade tributária. Até porque os lançamentos refletiam meras provisões contábeis de recolhimento de tributos no mês, ou período subseqüente. Desse modo seriam necessárias outras informações imprescindíveis para Fl. 417DF CARF MF Emitido em 23/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/01/2011 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIR Assinado digitalmente em 23/02/2011 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIR 4 formar o conhecimento, presentes em conta contábil diversa, não analisada, na oportunidade, pela autoridade fiscal. Provaria sua assertiva, bem como o inexatidão das informações levadas em consideração pelo Agente autuante, o quadro comparativo que elabora cotejando os valores apurados como devidos pelo agente fiscal (valores originais), e os aqueles entende devidos (valores originais) com seus respectivos recolhimentos (ditos através de DARF ou Per/Dcomp) além dos próprios documentos que serviram de base à referida memória de cálculo (LALUR, DIPJ, DARFs, Per/Dcomps -anexo I). Quanto ao mérito, se louva na teoria da eventualidade para dizer que, se não admitidos os argumentos expendidos em sede preliminar, mesmo na hipótese de apresentação de DCTF com omissões e incorreções, a infração na forma proposta não prosperaria. Necessário esclarecer dois pressupostos: a declaração do débito em DCTF e o pagamento propriamente dito do débito. O não-pagamento do tributo equivale a descumprimento de obrigação principal, e sujeita o infrator ao recolhimento do valor principal, acrescido das penalidades previstas na legislação aplicável, enquanto que a não-declaração do débito (recolhido) deve implicar em multa por descumprimento de obrigação acessória. Esses motivos suficientes para que a autoridade fiscal desconsidere os recolhimentos realizados, ante à justificativa de que ele não foi declarado. A administração tributária dispõe de meios para conhecer os (in) adimplementos de cada contribuinte. Os DARF e as Per/DComp ficam registrados na base de dados da Receita Federal. Uma simples pesquisa nesta base permite, com raras exceções, satisfatório conhecimento das práticas de recolhimento do sujeito passivo. Quanto ao cabimento da MULTA ISOLADA, alude o caráter de trasitoriedade dos recolhimentos mensais do Imposto de Renda, pois, encerrado o ano- calendário, é possível a verificação de saldo negativo de Imposto de Renda a ser restituído ao contribuinte. Com fundamento no inciso IV do artigo 44, da Lei n° 9.430/96, a Autoridade Fiscal aplicou a multa isolada de 75% (setenta e cinco por cento) sobre o lucro estimado, supostamente não recolhido nos meses de junho, agosto, outubro e novembro de 2001, em desacordo com a verdade material, como anteriormente alegado. Discorre sobre a natureza da multa e da ponderação que o próprio tribunal administrativo vem realizando, quando afirma seu cabimento apenas nos casos em que sua de exigência efetuada no decurso do próprio ano-calendário ou quando, encerrado o este período, seja verificado prejuízo ao fisco em face de recolhimento a menor do imposto efetivamente devido no ajuste anual. Conclui , que além de inexigível em decorrência do efetivo recolhimento das antecipações, a Multa Isolada carece ainda de qualquer fundamento no que toca à sua aplicação aos anos-calendário findos. Resume o pedido na ordem seguinte: a)acolhimento da preliminar argüida, ante a impossibilidade de prosperar a exigência, com base, apenas no razão que não é documento elaborado com a finalidade fiscal, não podendo, desta forma, ser usado como paradigma para cruzamentos de dados com a DCTF; Fl. 418DF CARF MF Emitido em 23/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/01/2011 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIR Assinado digitalmente em 23/02/2011 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIR Processo nº 10580.720216/2006-69 Acórdão n.º 1102-00203 S1-C1T2 Fl. 417 5 b)Ainda preliminarmente, seja declarada a nulidade do lançamento referente à multa isolada para todo o ano- calendário de 2001, vez que, todas as antecipações devidas foram comprovadamente recolhidas; c)No mérito, em caso de serem ultrapassadas as preliminares, seja julgado improcedente o lançamento de ofício do valor total do débito, tendo em vista que o imposto devido foi efetivamente pago, não podendo prevalecer multa por imposto não recolhido; d) Ainda no mérito, sejam extintas as multas isoladas para todo o ano-calendário de 2001, vez que a exigência dos recolhimentos por estimativa perde a eficácia quando encerrado o período de apuração do Imposto de Renda.” A DRJ SALVADOR às fls.271, converte o julgamento em diligência, conforme despacho n o .20 de 04/04/2007, onde solicita as seguinte providências: (...) apurar os valores das estimativas mensais do IRPJ anual a partir das bases de cálculos extraídas da escrita fiscal e contábil do contribuinte, observando a opção do contribuinte ao apurar o valor das estimativas mensais com base no balanço ou balancete de redução ou suspensão, ou com base na receita bruta e acréscimos; elaborar demonstrativo confrontando os valores apurados no item anterior com os valores provisionados no livro Razão; intimar o contribuinte a comprovar as deduções da contribuição anual e das estimativas mensais constantes nas DIPJ; elaborar demonstrativo confrontando os valores das estimativas mensais e da IRPJ anual declarados em DCTF como os valores apurados com base na escrita fiscal do contribuinte, deduzidos dos valores efetivamente comprovados no item "c". Após a realização da diligência o contribuinte deverá ser cientificado para sua manifestação no prazo de 30 (trinta) dias, nos termos dos artigos 18 e 29 do Decreto n° 70.235, de 06 de março de 1972 (PAF). Sobreveio a decisão, fls.337/347, acórdão 15-19.762 - 1a Turma da DRJ/SDR de 25/06/2009, assim ementado e decidido: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2001 LIVRO RAZÃO. NULIDADE. O Livro Razão é instrumento adequado para verificação pelo Fisco de possíveis irregularidades quanto à base de cálculo de tributo, não constituindo nulidade os lançamentos constituídos com base nos elementos extraídos do referido livro. Fl. 419DF CARF MF Emitido em 23/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/01/2011 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIR Assinado digitalmente em 23/02/2011 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIR 6 ASSUNTO: I MPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - I R P J Ano-calendário: 2001 LANÇAMENTO. DIPJ. CONFISSÃO DE DÍVIDA. Cabível o lançamento do imposto informado na Declaração de Informação Econômico Fiscal - DIPJ, porém não recolhido e nem objeto de confissão de dívida. MULTA ISOLADA. ESTIMATIVAS MENSAIS DECLARADAS EM DCTF. RETROATIVIDADE BENIGNA. É devida a multa isolada de 75% (setenta e cinco por cento) calculada com base nos valores das estimativas mensais do Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica que o contribuinte deixou de recolher, ainda que estas tenham sido declaradas em DCTF, observando-se a redução para 50% (cinqüenta por cento) pela aplicação do princípio da retroatividade benigna vigente no direito tributário. Lançamento Procedente em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos e no uso da competência atribuída pelo artigo 25, inciso I, do Decreto n° 70.235, de 06 de março de 1972 (Processo Administrativo Fiscal - PAF), c/c a Portaria do MF n° 95, de 30 de abril de 2007: Acordam os membros da 1 a Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, julgar procedente em parte o Auto de Infração fls. 141/148, nos termos do relatório e voto que acompanham o presente julgado. Cientifique-se a interessada, ressalvando-lhe o direito à interposição de recurso voluntário ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais no prazo de trinta dias, conforme facultado pelo art. 33 do Decreto n.° 70.235, de 6 de março de 1972, alterado pelo .rt. 1° da Lei n.° 8.748, de 9 de dezembro de 1993.” O Resultado da diligência está consignado no voto do Relator do acórdão combatido que, mesmo declarando sua contrariedade com a forma utilizada pelo diligenciante, entendeu que os autos estavam instruídos para julgamento. Afasta a preliminar de nulidade sob argumento de que os livros contábeis se prestam a qualquer verificação pelo Fisco, pelo caráter oficial que possuem. Quanto ao mérito reconhece como certo o valor declarado através da DIPJ, porque não seria possível considerar o razão em detrimento dos cálculos elaborados e oferecidos a apreciação do Fisco, a partir do Lucro Real. Desta forma determina que se considere o valor da provisão para o IRPJ, em R$ 491.222,25 e não de R$ 636.888,06, mas, como não houve a informação deste resultado em DCTF, justificado se encontra o lançamento. À alegação de nada dever ao fisco por ter realizado compensações, opõe que o processo n o . 10580.011627/2002-36, citado como suficiente à quitação, foi indeferido e transitou em julgado no âmbito administrativo (apensado aos autos , fls.215). Em 02/10/2003 o Contribuinte tomou ciência do despacho decisório do SEORT/SDR, que indeferiu aquele pedido de ressarcimento do IPI e não homologou as compensações pretendidas (inclusive os R$ 469.477,35 referente ao IRPJ, com código 2430 - Fl. 420DF CARF MF Emitido em 23/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/01/2011 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIR Assinado digitalmente em 23/02/2011 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIR Processo nº 10580.720216/2006-69 Acórdão n.º 1102-00203 S1-C1T2 Fl. 418 7 IRPJ-PJ OBRIGADAS AO LUCRO REAL - DECLARAÇÃO DE AJUSTE) e os autos não noticiam acerca da manifestação de inconformidade contra esse ato. Assim, sem efeito o argumento de que essa compensação quitara a exigência objeto deste litígio. Esclarece que tais valores não se constituíram em confissão de dívida vez que os Pedidos de Compensação foram apresentados anteriormente a 31 de outubro de 2003, data da publicação da Medida Provisória n° 135/2003, que em seu artigo 17 § 6° prevê que a declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados, não estando portanto acobertado pelo entendimento da Solução de Consulta Interna n° 18 de 13 de outubro de 2006, assim ementada: Os débitos de estimativas declaradas em DCTF devem ser utilizados para fins de cálculo e cobrança da multa isolada pela falta de pagamento e não devem ser encaminhados para inscrição em Dívida Ativa da União; Na hipótese de falta de pagamento ou de compensação considerada não declarada, os valores dessas estimativas devem ser glosados quando da apuração do imposto a pagar ou do saldo negativo apurado na DIPJ, devendo ser exigida eventual diferença do IRPJ ou da CSLL a pagar mediante lançamento de ofício, cabendo a aplicação de multa isolada pela falta de pagamento de estimativa. Na hipótese de compensação não homologada, os débitos serão cobrados com base em Dcomp, e, por conseguinte, não cabe a glosa dessas estimativas na apuração do imposto a pagar ou do saldo negativo apurado na DIPJ. Declara válido o lançamento com o respectivo ajuste para o valor de R$ 491.222,25, dada a ausência de confirmação de recolhimento ou compensação das estimativas. Com respeito ao item 02 do Auto de Infração, onde se exige a multa isolada pela falta de recolhimento das estimativas, a Contribuinte justifica seu procedimento com o anexo I, folha 209. A falta de quitação das estimativas sobre as quais recaiu a multa isolada por ausência de pagamento, se dera através das PER/DCOMP de números: 424419642501181003.1330131-33, 3281.42926.201003.1.3.01-9308 e 0786162997.201003.130170-45. Aqui também não se constituem tais DCOMP confissão de dívida porque foram transmitidas em data anterior a 31 de outubro de 2003 (21/10/2003, e 10/10/2003), logo após cientificada do despacho que indeferiu os créditos prêmios do IPI e , por conseqüência, não homologava as supostas compensações. Por isto o lançamento se mostra correto. Conclui pela pertinência da multa tanto de ofício quanto isolada , porque não restou comprovado o recolhimento de quaisquer parcela de estimativa da CSLL, quer seja por DARF ou por PER/DCOMP. Aceita como legítimos os valores declarados em DCTF e imputa o percentual de 50% para alíquota da multa isolada, em atenção ao princípio da retroatividade benigna, face do disposto no artigo 14, da Medida Provisória n° 351, de 2007, que deu nova redação ao referido artigo 44, da Lei 9.430/96, reduzindo o percentual da referida multa para 50% (cinqüenta por cento), percentual previsto, também, no artigo 14, da Lei n° 11.488, de 15 de junho de 2007, que deu a seguinte redação àquele dispositivo legal: Fl. 421DF CARF MF Emitido em 23/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/01/2011 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIR Assinado digitalmente em 23/02/2011 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIR 8 Art. 14. O art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, passa a vigorar com a seguinte redação, transformando-se as alíneas a, b e c do § 2º nos incisos I, II e III: "Artigo 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I - de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II - de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal. Demonstra os valores ajustados ao provimento concedido. Inconformada a Contribuinte opõe o recurso de fls.353/360,onde, em síntese, narra todo procedimento, repisa os argumentos expendidos na inicial. Em preliminar, pede a declaração de nulidade do procedimento pelos seguintes fatos: 1) impossibilidade de permanecer a exigência com origem em dados constantes do Razão que de forma isolada respalda exigência fiscal; 2)inválida a decisão de primeiro grau, ante a manifesta insatisfação do julgador com o resultado da diligência; 3)instrução processual insuficiente para respaldar o julgamento. Ante a ineficiência da fiscalização o julgador se revestiu da competência de lançador e refaz o cálculo do imposto e o cruzamento entre DCTF e razão contábil, indevidamente. Pede o retorno dos autos à fiscalização para que as provas formadas com base na escrita fiscal sejam consideradas desde o princípio. No mérito - Valor do Ajuste Anual do IRPJ 2001 e Aplicação de Multas Isoladas: Rejeitada a preliminar de nulidade, o que admite apenas para argumentar, diz rebater as matérias de mérito, principalmente o cálculo do valor do imposto devido no ano de 2001 e a multa isolada nos meses d e junho, agosto e novembro de 2001. No tocante ao recálculo do ajuste anual do IRPJ o acórdão considerou os valores declarados na DIPJ, chegando ao montante devido e não recolhido de R$ 491.222,25, sem considerar os pagamentos realizados, inicialmente através das PERDCOMP (PAT 10580.011627/2002-36, pedido indeferido em 19/08/2003, por ausência de cumprimento das formalidades exigidas na IN/SRF n o .210/2002 e no artigo 369 do RIPI). Explica o motivo de sua ausência naqueles autos e alega que interpôs eletronicamente outros pedidos de compensação, em 16/10/2003, 18/10/2003, 20/10/2003, para os mesmos tributos nos períodos em que a compensação restou prejudicada. O julgador concluiu que tais PER/DCOMP seriam indevidos, uma vez que compensavam débitos que haviam sido objeto de pedido anterior, nos termos do artigo 74 § 3 o ., inciso V da Lei 9430/1996. Mas o inciso V do § 3 o .do artigo 74 da Lei 9430/1996, cuja redação original veio com a Lei n° 10.833, de 2 9 de dezembro de 2 0 0 3, não se aplicaria aos seus pedidos Fl. 422DF CARF MF Emitido em 23/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/01/2011 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIR Assinado digitalmente em 23/02/2011 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIR Processo nº 10580.720216/2006-69 Acórdão n.º 1102-00203 S1-C1T2 Fl. 419 9 protocolados em outubro de 2003.conclui que as compensações são devidas e devem ser consideradas para abatimento do saldo devedor apurado de R$ 491.222,25. e que no julgamento em segunda instância seria possível confirmar que este entendimento é também o da Receita Federal, conforme se extrai da decisão incidental proferida nos autos do processo n° 10580.011627/2002-36, às fls. 47. Pede esclarecimentos quanto a fundamentação da negativa de compensação das estimativas de IRPJ realizadas nas PER/DCOMP transmitidas em 2003, informa que não fora intimada daquela decisão na época adequada (bem como não consta dos autos prova neste sentido, linha na qual pretende seja reanalisada aquela compensação) De acordo com a Ficha 43 da DIPJ 2002 seria possível verificar o valor do IRRF do período e reconhecê-lo para reduzir a exigência, no valor de RS 21.744,90. Após estas contas, o seu débito não é RS 636.888,06 e nem de R$ 491.222,25, mas a importância de R$ 369.198,90, valor que demonstra. Quanto às multas isoladas aplicadas expende as mesmas considerações sobre os pagamentos para afirmar que foram realizados e portanto nada haveria a lhe ser exigido. Pede, se superada a preliminar de nulidade, que sejam consideradas como pagamentos as compensações efetuadas através dos PER/DCOMP 32419.64250.181003.1.3.01-3133, 007861.62997.201003.1.3.01-7045 e 32821.42926.200103.1.3.01-9308, além do valor do IRRF da DIPJ/2002. Resume o pedido na seguinte ordem: a) acolhimento da preliminar de nulidade; b) no mérito, seja considerado como valor da exigência a importância de 369.198,90 e sobre este valor se realizem as compensações efetuadas (42419.64250.181003.1.3.01- 3133, 07861.62997.201003.1.3.01-7045 e 32821.42926.200103.1.3.01-9308) e do IRRF constante da Ficha 43 da DIPJ 2002; c)cancelamento da multas isoladas nos meses de junho, agosto e novembro de 2001, vez que todos os recolhimentos foram efetuados através de PER/DCOMP, conforme antes apontado, sem nenhuma divergência entre estes e os valores declarados em DCTF; d)requerer, com fulcro no artigo 32 do Decreto n° 70.235/1972, a fundamentação da decisão tomada incidentalmente no processo n° 10580.011627/2002-36, às fls. 47, principalmente o motivo pelo qual não foram consideradas as compensações do IRPJ realizadas nos PER/DCOMP 42419.64250.181003.1.3.01-3133 e 07861.62997.201003.1.3.01- 7045, com o código 2362-1; e)requer a produção de todos os meios de prova em direito admitidos, especialmente a prova documental anexada. É este o Relatório. Fl. 423DF CARF MF Emitido em 23/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/01/2011 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIR Assinado digitalmente em 23/02/2011 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIR 10 Voto Conselheiro Ivete Malaquias Pessoa Monteiro , Relator Trata-se de lançamento para exigência do Imposto de Renda Pessoa Jurídica, por diferença apurada entre o valor escriturado e o declarado/pago , no ano calendário de 2001.Consigna o autuante, no lançamento, que não houve declaração em DCTF do imposto decorrente do ajuste anual, escriturado no Livro Razão, em 31/12/2001, fls. 240. Continua o autuante para informar que através do PAT 10580.011627/2002- 36, pretendeu a Contribuinte realizar compensações referentes às antecipações devidas para o IRPJ. Todavia, tal pedido foi julgado improcedente, pelo SEORT/DRF/SDR. Dito processo encontra-se apensado a este, já transitado em julgado. Há, também cobrança da multa isolada por diferenças apuradas entre o valor escriturado e o valor declarado/pago para o “ IRPJ-estimativa”, nos meses de junho, agosto e novembro de 2001. Convertido o julgamento em diligência, seu resultado foi considerado deficiente, pelo relator de primeiro grau, contudo, capaz de fornecer os elementos necessários para firmar sua convicção e dar cumprimento do devido processo legal. Tanto é que acolhe parte das pretensões da Contribuinte e reduz o lançamento nos valores cujas provas juntadas, pela Recorrente ,considera aceitáveis. As razões de recurso, conforme anteriormente relatado , quanto à preliminar de nulidade, pode ser resumida na impossibilidade de utilizar os dados constantes do Razão , para, de forma isolada, respaldar exigência fiscal, embora admita que o fisco pode utilizá-los como elemento de prova , nos termos do artigo 276 do RIR/1999. Também não poderia prevalecer a decisão de primeiro grau ante a insatisfação do julgador com o resultado da diligência que julgou desfavoravelmente seu pleito. Argui a deficiência na instrução dos autos para julgamento, por falta de elementos.Diante da ineficiência da fiscalização o julgador se revestiu da competência de lançador e refaz o cálculo do imposto e o cruzamento entre DCTF e razão contábil, indevidamente. Pede o retorno dos autos à fiscalização para que as provas formadas com base na escrita fiscal sejam consideradas desde o princípio. Neste item a Contribuinte se equivoca porque tanto o lançamento, quanto a decisão de primeiro grau passam pelo controle de legalidade do ato administrativo. Seja o lançamento ou a decisão, não se pautara, exclusivamente, no Livro Razão. Tanto que o provimento concedido pela autoridade de primeiro grau considerou o declaração prestada pela Contribuinte, a base de cálculo para fins da exigência. Nenhuma mácula enxergo no tocante à conclusão do Colegiado de 1 o . grau que, mesmo reclamando da realização insatisfatória da diligência fiscal, entendeu que os autos estavam suficientemente instruídos para firmar as suas convicções, como se vê nas judiciosas razões constantes do voto condutor do acórdão guerreado: (...) Todavia, na minha opinião pessoal, que nesta oportunidade passo a expor para a Turma, é possível o julgamento da referida Fl. 424DF CARF MF Emitido em 23/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/01/2011 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIR Assinado digitalmente em 23/02/2011 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIR Processo nº 10580.720216/2006-69 Acórdão n.º 1102-00203 S1-C1T2 Fl. 420 11 lide com os elementos anteriormente dispostos nos autos, e assim o farei. Preliminarmente.cabe aqui argumentar que é a Impugnante empresa sujeita à tributação pelo lucro real e assim o escolheu, estando pois, o Fisco, autorizado a utilizar quaisquer que sejam os livros contábeis e/ou fiscais para buscar a verdadeira situação fiscal da empresa. Assim dispõe o artigo 276 do RIR/99. Art. 276. A determinação do lucro real pelo contribuinte está sujeita à verificação pela autoridade tributária, com base no exame de livros e documentos de sua escrituração, na escrituração de outros contribuintes, em informação ou esclarecimentos do contribuinte ou de terceiros, ou em qualquer outro elemento de prova, observado o disposto no art. 922 (Decreto-Lei nº 1.598, de 1977, art. 9º). Desta forma não tem o menor cabimento o argumento de que o Livro Razão não seja um instrumento hábil para verificar a regularidade dos valores declarados e pagos a Fazenda Pública. Isto posto, fica totalmente afastada a possibilidade de nulidade do lançamento por estar embasado nos lançamentos contábeis. Cabe evidentemente perquirir sobre o acerto do Fisco na interpretação das contas em causa. Consta do Auto de Infração que: 0 contribuinte não declarou em DCTF o imposto apurado no ajuste anual, escriturado no Livro Razão em 31/12/2001 à página 240, porém compensou parte do imposto, R$ 469.477,35, em seu pedido de ressarcimento,objeto do processo nr. 10580.011627/2002-36. Entretanto, tal compensação foi considerada indevida em razão do SEORT/DRF/SDR, ter julgado improcedente o referido pedido de ressarcimento. O processo 10580.011627/2002-36 encontra-se apensado a este.” O fato gerador ocorreu em 31 de dezembro de 2001 e o valor lançado do imposto é de R$ 636.888,00. Conforme consta do Livro Razão, conta 2.1.04.02.001 – IRPJ, em 31/12/2001, a empresa efetuou provisão para pagamento do IRPJ no valor de R$ 636.888,06, o que, acompanhando a boa técnica contábil, seria sim, o valor apurado de IRPJ a recolher e portanto de obrigatória informação na correspondente DCTF. Contudo, a realidade fiscal da Impugnante, que deveria estar em consonância com a contabilidade, até mesmo para tomadas de decisões gerenciais e societárias, tem apuração diversa. Ao verificar-se a DIPJ do exercício de 2002, ano-calendário 2001, podemos constatar a seguinte apuração do IRPJ. Fl. 425DF CARF MF Emitido em 23/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/01/2011 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIR Assinado digitalmente em 23/02/2011 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIR 12 Lucro Real-2.060.888,99 IRPJ percentual de 15%-309.13,35 Adicional-182.088,90 Imposto de Renda na Fonte-(21.744,90) Imposto de Renda Estimativa-(469.477,35)IRPJ A PAGAR- ZERO Desta forma cabe razão ao contribuinte quando alega o efetivo quantum devido. Não podemos tomar como correto o razão em detrimento dos cálculos elaborados e oferecidos a apreciação do Fisco, a partir do Lucro Real. Assim, fica constatado que o valor da provisão do IRPJ, a constar no razão, deveria ser de R$ 491.222,25 e não de R$ 636.888,06. Deste modo, estava o contribuinte obrigado a declarar tal quantia em DCTF mais não o fez, cabendo perfeitamente o lançamento. Igualmente padece de fundamento a alusão de que o Colegiado usurpara as funções de lançadores ao ajustar o lançamento ante os fatos trazidos à colação ( na fase inquisitória, impugnativa e na diligência). Porque esse ajuste se contém no poder/dever do julgador tributário, em obediência aos princípios de regência do PAF (dentre estes o da legalidade objetiva, da vinculação, e da oficialidade). Também improcede o pedido para que se cancele a decisão de primeiro grau, uma vez que a mesma se realizou em conformidade com o Decreto 70235/1972, como se vê na transcrição seguinte: Art. 31. A decisão conterá relatório resumido do processo, fundamentos legais, conclusão e ordem de intimação, devendo referir-se, expressamente, a todos os autos de infração e notificações de lançamento objeto do processo, bem como às razões de defesa suscitadas pelo impugnante contra todas as exigências. Ao argumento de que nulidade do acórdão haveria por invocar o inciso V do § 3 o .do artigo 74 da Lei 9430/1996, cuja redação inicial se dá através da Lei 10833/2007, para justificar a negativa de PER/DECOMPs protocolados em outubro de 2003, se opõe que este foi apenas mais um argumento, porque as PER/DCOMPs sequer podem ser discutidas nestes autos por dizerem respeito a outro processo, conforme anteriormente relatado, tratando-se de matéria temporalmente preclusa, como leciona Marins,James [Direito processual tributário brasileiro(administrativo e judicial)2 a .ed. São Paulo:Dialética,2002, fls.266]: Dá-se a preclusão temporal quando o contribuinte deixa de praticar ato processual a seu encargo ou o faz fora do prazo previsto na legislação ou fixado pela administração, casos em que perde o contribuinte o direito de realizar o ato ou remanesce sem efeito o ato processual praticado extemporaneamente” Por isto não se aborda esta matéria neste momento processual. Podem-se resumir as preliminares no contexto que respeita à análise das provas e, neste aspecto, o PAF, regulamentado através do Decreto 70235/1972, assim dispõe: Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias. Fl. 426DF CARF MF Emitido em 23/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/01/2011 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIR Assinado digitalmente em 23/02/2011 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIR Processo nº 10580.720216/2006-69 Acórdão n.º 1102-00203 S1-C1T2 Fl. 421 13 Ou seja, a livre convicção faz parte da atividade judicante, em nada ferindo o devido processo legal. Por todo exposto neste tópico afastam-se as preliminares de nulidade. No mérito, o pedido para que “seja considerado o valor da exigência em 369.198,90 e sobre este valor se realizem as compensações ditas “validamente efetuadas” ( 42419.64250.181003.1.3.013133, 07861.62997.201003.1.3.01-7045 e 32821.42926.200103.1.3.01-9308), bem como se compense o IRRF constante da Ficha 43 da DIPJ 2002 “ resta prejudicado por se tratar de matéria preclusa, nos termos do artigo 14 e 17 do Decreto 70235/1972, a seguir reproduzido: Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. (...) Art. 17. Considerar-se-á não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. A pretensão do cancelamento da multas isoladas nos meses de junho, agosto e novembro de 2001, vez que todos os recolhimentos foram efetuados através de PER/DCOMP acima citados, não havendo divergência entre estes e os valores declarados em DCTF, se opõem os argumentos acima citados Demais disto conhecer deste item de recurso implicaria em analisar o pedido de compensação, cujo fórum competente não é este processo e sim aqueles nos quais foi interposto, em obediência ao comando normativo da INSRF 21/97, nos termos dos artigos 6 o . e 7 o . a seguir transcritos: IN SRF 21/97 - IN - Instrução Normativa SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL - SRF nº 21 de 10.03.1997 Art. 6º À exceção do valor a restituir relativo ao imposto de renda de pessoa física, apurado na declaração de rendimentos, todas as demais restituições em espécie, de quantias pagas ou recolhidas indevidamente ou em valor maior que o devido, a título de tributo ou contribuição administrado pela SRF, nas hipóteses relacionadas no art. 2º , serão efetuadas a requerimento do contribuinte, pessoa física ou jurídica, dirigido à unidade da SRF de seu domicílio fiscal, acompanhado dos comprovantes do pagamento ou recolhimento e de demonstrativo dos cálculos. Art. 7º Compete à autoridade administrativa da Delegacia da Receita Federal (DRF) ou da Inspetoria da Receita Federal, classe A (IRF-A), do domicílio fiscal do contribuinte, decidir acerca do crédito pleiteado e autorizar o seu pagamento, relativamente à parte em que for favorável a decisão, na forma da Instrução Normativa Conjunta nº 117, de 16 de novembro de 1989, expedida pela SRF e pela Secretaria do Tesouro Nacional (STN). Todavia, neste item, há uma questão favorável a Contribuinte, quanto ao mérito da própria exigência da multa isolada, quando exigida concomitantemente com a multa de ofício, no mesmo procedimento, o caso dos autos. Fl. 427DF CARF MF Emitido em 23/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/01/2011 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIR Assinado digitalmente em 23/02/2011 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIR 14 Curvei-me ao entendimento da Câmara Superior de recursos fiscais que reiteradamente tem decidido acerca da impossibilidade de aplicação conjunta, sobre mesma base de cálculo, das multas previstas nos incisos I e II do art 44 da Lei 9.430/96, com aquela relativa à ausência de recolhimento mensal por estimativa, prevista para aplicação isoladamente do tributo, conforme ementas a seguir transcritas: “MULTA ISOLADA E MULTA DE OFÍCIO. CONCOMITÂNCIA. MESMA BASE DE CÁLCULO. A aplicação concomitante da multa isolada (inciso III, do § 1º, do art. 44, da Lei nº 9.430, de 1996) e da multa de ofício (incisos I e II, do art. 44, da Lei n 9.430, de 1996) não é legítima quando incide sobre uma mesma base de cálculo. (Acórdão 103-22.217) PENALIDADE. MULTA ISOLADA. FALTA DE RECOLHIMENTO DE IRPJ POR ESTIMATIVA. CONCOMITÂNCIA COM MULTA DE OFÍCIO EXIGIDA PELA CONSTATAÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITAS. Incabível a aplicação concomitante da multa por falta de recolhimento de tributo com base em estimativa e da multa de ofício exigida pela constatação de omissão de receitas, que tiveram como base o mesmo valor apurado em procedimento fiscal. (Acórdão 108- 07.493) MULTA ISOLADA E MULTA DE OFÍCIO. CONCOMITÂNCIA. MESMA BASE DE CÁLCULO. A aplicação concomitante da multa isolada (inciso III, do § 1º, do art. 44, da Lei nº 9.430, de 1996) e da multa de ofício (incisos I e II, do art. 44, da Lei n 9.430, de 1996) não é legítima quando incide sobre uma mesma base de cálculo. (Acórdão CSRF/01-04.987)” No tocante ao pedido para que, com base no artigo 32 do Decreto n° 70.235/1972, se aplique neste caso os fundamentos da decisão tomada incidentalmente no processo n° 10580.011627/2002-36 (juntados às fls. 47) principalmente o motivo pelo qual não foram consideradas as compensações do IRPJ realizadas nos PER/DCOMP 42419.64250.181003.1.3.01-3133 e 07861.62997.201003.1.3.017045, com o código 2362-1”, opõem-se as razões acima reproduzidas, restando também prejudicada a análise deste item. Ao requerimento para produção de todos os meios de prova em direito admitidos, especialmente a prova documental anexada, destaca-se que todos os documentos juntados foram devidamente analisados e aproveitados. O que não encontra previsão legal é quanto a se estender a fase da produção de provas, que se encerra na impugnação, excetos nos casos de fatos supervenienetes, como se observa na letra do artigo 16 do Decreto 70235/1972, a seguir transcrito: Art. 16. A impugnação mencionará: I - a autoridade julgadora a quem é dirigida; II - a qualificação do impugnante; III - os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazê-lo em outro momento processual, a menos que: Fl. 428DF CARF MF Emitido em 23/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/01/2011 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIR Assinado digitalmente em 23/02/2011 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIR Processo nº 10580.720216/2006-69 Acórdão n.º 1102-00203 S1-C1T2 Fl. 422 15 a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refira-se a fato ou a direito superveniente; c) destine-se a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos. Nesta ordem de juízos, DOU parcial provimento ao recurso para cancelar a exigência da multa isolada. IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO Fl. 429DF CARF MF Emitido em 23/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/01/2011 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIR Assinado digitalmente em 23/02/2011 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIR 16 Fl. 430DF CARF MF Emitido em 23/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/01/2011 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIR Assinado digitalmente em 23/02/2011 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIR Processo nº 10580.720216/2006-69 Acórdão n.º 1102-00203 S1-C1T2 Fl. 423 17 1 TERMO DE INTIMAÇÃO Intime-se um dos Procuradores da Fazenda Nacional, credenciado junto a este Conselho, da decisão consubstanciada no acórdão supra, nos termos do art. 81, § 3°, do anexo II, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria Ministerial nº 256, de 22 de junho de 2009. Brasília, 08/ 06/2010. JOSÉ ANTONIO DA SILVA Chefe de Equipe da 1ª Câmara do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais-MF Ciência Data: ____/___________/________ _____________________________ Nome: Procurador(a) da Fazenda Nacional Encaminhamento da PFN: [ ] apenas com ciência; [ ] com Recurso Especial; [ ] com Embargos de Declaração; [ ]_________________________ . Fl. 431DF CARF MF Emitido em 23/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/01/2011 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIR Assinado digitalmente em 23/02/2011 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIR
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Numero do processo: 13005.001104/2009-80
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 18 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Jun 24 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/10/2008 a 31/03/2009
AUTO DE INFRAÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVAS. NULIDADE
É nulo o Auto de Infração por ausência de motivação. A imputação de penalidades requer o devido lastro em provas.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3102-002.382
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora.
[assinado digitalmente]
Ricardo Paulo Rosa - Presidente.
[assinado digitalmente]
Andréa Medrado Darzé - Relatora.
Participaram, ainda, da sessão de julgamento os conselheiros Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Mirian de Fátima Lavocat de Queiroz, Nanci Gama e José Luiz Feistauer de Oliveira.
Nome do relator: ANDREA MEDRADO DARZE
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. [assinado digitalmente] Ricardo Paulo Rosa - Presidente. [assinado digitalmente] Andréa Medrado Darzé - Relatora. Participaram, ainda, da sessão de julgamento os conselheiros Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Mirian de Fátima Lavocat de Queiroz, Nanci Gama e José Luiz Feistauer de Oliveira.
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PIS Recorrente COOPERATIVA LANGUIRU LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/10/2008 a 31/03/2009 AUTO DE INFRAÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVAS. NULIDADE É nulo o Auto de Infração por ausência de motivação. A imputação de penalidades requer o devido lastro em provas. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. [assinado digitalmente] Ricardo Paulo Rosa Presidente. [assinado digitalmente] Andréa Medrado Darzé Relatora. Participaram, ainda, da sessão de julgamento os conselheiros Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Mirian de Fátima Lavocat de Queiroz, Nanci Gama e José Luiz Feistauer de Oliveira. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face da decisão da DRJ em Salvador que julgou improcedente a impugnação apresentada, por entender que (i) as cooperativas de produção agropecuária podem excluir da base de cálculo das contribuições apenas os valores repassados aos associados decorrentes da comercialização dos produtos por eles entregues à cooperativa e os custos agregados a esses produtos, quando da sua AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 00 5. 00 11 04 /2 00 9- 80 Fl. 166DF CARF MF Impresso em 24/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2015 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 11/06/2015 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 13/06/2015 por RICARDO PAULO ROSA 2 comercialização; e que (ii) os benefícios previstos pela legislação tributária para as sociedades cooperativas dizem respeito apenas às suas atividades específicas (ato cooperativo), não se estendendo às demais atividades (ato não cooperativo). Por bem descrever os fatos ocorridos até o presente momento processual, os quais foram relatados com riqueza de detalhes, adoto o relatório da decisão recorrida, transcrevendoo abaixo na íntegra: Tratase de Autos de Infração referentes à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social — Cofins (fls. 0104) e à Contribuição para o Programa de Integração Social PIS (fls. 0508), dos períodos de apuração de outubro de 2008 a março de 2009. Os autos de infração foram formalizados para registrar infração à legislação tributária sem exigência de crédito tributário, nos termos do § 4° do art. 9° do Decreto n° 70.235, de 1972, com a redação dada pela Lei n° 11.941, de 2009, a seguir transcrito: Art. 90 A exigência do crédito tributário e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada tributo ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. § 1º Os autos de infração e as notificações de lançamento de que trata o caput deste artigo, formalizados em relação ao mesmo sujeito passivo, podem ser objeto de um único processo, quando a comprovação dos ilícitos depender dos mesmos elementos de prova. (...) § 4º O disposto no caput deste artigo aplicase também nas hipóteses em que, constatada infração à legislação tributária, dela não resulte exigência de crédito tributário. Observese que estão apensados a este processo quatro outros processos, quais sejam, PAF n°13052.000139/200936, n° 13052.000141/200913, n°13052.000241/200931, 13052.000242/200986, trazendo os Pedidos Eletrônicos de Ressarcimento de créditos da não cumulatividade do PIS e da Cofins, do 4° trimestre de 2008 e do 1° trimestre de 2009, sendo que os respectivos despachos decisórios, que reconheceram apenas parcialmente os créditos pleiteados, fundamentaramse na ação fiscal constante deste processo n° 13005.001104/2009 80. Conforme apontado pelo auditorfiscal, do exame dos PER/DCOMP’s entregues pela contribuinte foi constatado que os valores solicitados eram superiores àqueles efetivamente existentes. As divergências encontradas foram relativas à apuração do PIS e da Cofins na sistemática não cumulativa, conforme descrito no Relatório de Ação Fiscal (fls. 09 12). As divergências apontadas podem ser assim sintetizadas: 1. Cálculo a maior no item "custos agregados ao produto" na área de abate de frangos. 2. Valores excluídos a maior das "Sobras Líquidas". Fl. 167DF CARF MF Impresso em 24/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2015 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 11/06/2015 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 13/06/2015 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 13005.001104/200980 Acórdão n.º 3102002.382 S3C1T2 Fl. 13 3 Cientificada da exigência fiscal em 14/12/09, a autuada apresenta em 08/01/10 a Impugnação de folhas 48 a 58, intitulada "Manifestação de Inconformidade", sendo essas as suas razões de defesa, em resumo: • Por “custos agregados ao produto” devese entender exatamente o que quis dizer a Instrução Normativa SRF n° 247/02, alterada pela IN SRF n° 358/03, isto é, "considerase custo agregado ao produto agropecuário os dispêndios [...] decorrentes de operações de parcerias e integração entre a cooperativa e o associado ". • As instruções normativas têm caráter de normas complementares, vindo a padronizar o entendimento da Administração Pública acerca da aplicação da lei. Tratandose a tributação de uma atividade plenamente vinculada, a aplicação de uma norma não pode ser arbitrária. A autuação se deu contrariando entendimento da própria SRF, mostrandose eivado de danosa liberalidade. • A cooperativa está a serviço dos cooperados e como tal, nesse negócio de produção de frangos, serve como agente facilitador, com estruturas que foram criadas para atender aos interesses dos cooperados. • A autoridade autuante narra que os cooperados receberiam lotes de pintos de um dia, divididos em duas partes, sendo uma pertencente à cooperativa e outra pertencente ao cooperado. Mas essa forma de pensar é errada, pois o próprio conceito de cooperativa não comporta tal afirmação, visto que tudo é dos cooperados e os próprios cooperados são a cooperativa. • Quanto à exclusão de valores das "Sobras Líquidas", não existe regra, legal ou infralegal, que obrigue o procedimento sugerido pelo auditor. • Em caso de não aceitação das razões já expostas, salienta que os cálculos devem ser refeitos para a apuração do novo valor de créditos presumidos que poderão ser utilizados pela cooperativa. A DRJ em Salvador julgou improcedente a impugnação apresentada, nos seguintes termos: COOPERATIVA. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÕES. As cooperativas de produção agropecuária podem excluir da base de cálculo os valores repassados aos associados decorrentes da comercialização dos produtos por eles entregues à cooperativa e os custos agregados a esses produtos, quando da sua comercialização. COOPERATIVA. ATO COOPERATIVO E NÃO COOPERATIVO. Os benefícios previstos pela legislação tributária para as sociedades cooperativas dizem respeito apenas às suas Fl. 168DF CARF MF Impresso em 24/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2015 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 11/06/2015 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 13/06/2015 por RICARDO PAULO ROSA 4 atividades específicas (ato cooperativo), não se estendendo às demais atividades (ato não cooperativo). Impugnação Improcedente Irresignado, o contribuinte recorre a este Conselho basicamente reafirmando as alegações da sua impugnação. É o relatório. Voto Conselheira Andréa Medrado Darzé. O recurso é tempestivo, atende as demais condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Conforme é possível perceber do relato acima, a presente controvérsia gira e torno da definição do conteúdo e alcance (i) da expressão “custo agregados ao produto agropecuário” para fins de exclusão da base de cálculo do PIS e da COFINS; bem como (ii) da necessidade de segregação dos atos não cooperados como requisito para autorizar a exclusão das sobras líquidas da base de cálculo dessas contribuições. Passemos à análise de cada um deles. Pois bem. Especificamente em relação às sociedades cooperativas, o art. 15 da Medida Provisória n° 1.8587/99 definiu algumas receitas que poderiam ser excluídas da base de cálculo da COFINS, desde que observados alguns requisitos legais: Art. 15. As sociedades cooperativas poderão, observado o disposto no art. 66 da Lei nº 9.430, de 1996, excluir da base de cálculo da COFINS: I os valores repassados aos associados, decorrentes da comercialização de produto por eles entregue à cooperativa; II as receitas de venda de bens e mercadorias a associados. § 1º Para os fins do disposto no inciso II, a exclusão alcançará somente as receitas decorrentes da venda de bens e mercadorias vinculados diretamente à atividade econômica desenvolvida pelo associado e que seja objeto da cooperativa. § 2° As operações referidas no parágrafo anterior serão contabilizadas destacadamente, pela cooperativa, e comprovadas mediante documentação hábil e idônea, com identificação do adquirente, do valor da operação, da espécie de bem ou mercadoria e quantidades vendidas. O referido artigo, a partir da reedição de 24 de setembro de 1999, passou ter a seguinte redação: Art. 15. As sociedades cooperativas poderão, observado o disposto nos arts. 2° e 3° da Lei n º9.718, de 27 de novembro de 1998, excluir da base de cálculo da COFINS e do PIS/PASEP: Fl. 169DF CARF MF Impresso em 24/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2015 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 11/06/2015 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 13/06/2015 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 13005.001104/200980 Acórdão n.º 3102002.382 S3C1T2 Fl. 14 5 I os valores repassados aos associados, decorrentes da comercialização de produto por eles entregue à cooperativa; II as receitas de venda de bens e mercadorias a associados; III as receitas decorrentes da prestação, aos associados, de serviços especializados, aplicáveis na atividade rural, relativos a assistência técnica, extensão rural, formação profissional e assemelhadas; IV as receitas decorrentes do beneficiamento, armazenamento e industrialização de produção do associado; V as receitas financeiras decorrentes de repasse de empréstimos rurais contraídos junto a instituições financeiras, até o limite dos encargos a estas devidos. § 1º Para os fins do disposto no inciso II, a exclusão alcançará somente as receitas decorrentes da venda de bens e mercadorias vinculados diretamente à atividade econômica desenvolvida pelo associado e que seja objeto da cooperativa. § 2° Relativamente às operações referidas nos incisos I a V do caput: I a contribuição para o PIS/PASEP será determinada, também, de conformidade com o disposto no art. 13; II serão contabilizadas destacadamente, pela cooperativa, e comprovadas mediante documentação hábil e idônea, com a identificação do associado, do valor da operação, da espécie do bem ou mercadorias e quantidades vendidas. Não bastassem as exclusões da base de cálculo do PIS/COFINS acima relacionadas, especificamente em relação às cooperativas de produção agropecuária e de eletrificação rural, o legislador entendeu por bem autorizar a exclusão dos custos agregados ao produto agropecuário dos associados, quando da sua comercialização e os valores dos serviços prestados pelas cooperativas de eletrificação rural a seus associados. É o que prescreve expressamente o art. 17 da Lei n° 10.684/03: Art. 17. Sem prejuízo do disposto no art. 15 da Medida Provisória n° 2.15835, de 24 de agosto de 2001, e no art. 1º da Medida Provisória n° 101, de 30 de dezembro de 2002, as sociedades cooperativas de produção agropecuária e de eletrificação rural poderão excluir da base de cálculo da contribuição para o Programa de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público PIS/PASEP e da Contribuição Social para o Financiamento da Seguridade Social COFINS os custos agregados ao produto agropecuário dos associados, quando da sua comercialização e os valores dos serviços prestados pelas cooperativas de eletrificação rural a seus associados. Parágrafo único. O disposto neste artigo alcança os fatos geradores ocorridos a partir da vigência da Medida Provisória n° 1.85810, de 26 de outubro de 1999. Fl. 170DF CARF MF Impresso em 24/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2015 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 11/06/2015 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 13/06/2015 por RICARDO PAULO ROSA 6 O presente dispositivo legal foi regulamentado pelo art. 33 da Instrução Normativa SRF n° 247/02, posteriormente alterado pela IN SRF n° 358/03: Art. 33. As sociedades cooperativas, para efeito de apuração da base de cálculo das contribuições, podem excluir da receita bruta o valor: I repassado ao associado, decorrente da comercialização, no mercado interno, de produtos por eles entregue à cooperativa, observado o disposto no § 1º. II das receitas de venda de bens e mercadorias a associados; III das receitas decorrentes da prestação, aos associados, de serviços especializados, aplicáveis na atividade rural, relativos a assistência técnica, extensão rural, formação profissional e assemelhadas; IV das receitas decorrentes do beneficiamento, armazenamento e industrialização de produção do associado; V das receitas financeiras decorrentes de repasse de empréstimos rurais contraídos junto a instituições financeiras, até o limite dos encargos a estas devidos; e VI das sobras apuradas na Demonstração do Resultado do Exercício, antes da destinação para a constituição do Fundo de Reserva e do Fundo de Assistência Técnica Educacional e Social, previstos no art. 28 da Lei n° 5.764, de 16 de dezembro de 1971. (...) § 2° As exclusões previstas nos incisos II a IV do caput. I ocorrerão no mês da emissão da nota fiscal correspondente a venda de bens e mercadorias elou prestação de serviços pela cooperativa; e II terão as operações que as originaram contabilizadas destacadamente, sujeitas à comprovação mediante documentação hábil e idônea, com a identificação do associado, d do valor, da espécie e quantidade dos bens, mercadorias ou serviços vendidos. § 7° As sociedades cooperativas de produção agropecuária poderão excluir da base de cálculo, os valores: I de que tratam os incisos I a VI do caput; II dos custos agregados ao produto agropecuário dos associados quando de sua comercialização. (...) § 9° Considerase custo agregado ao produto agropecuário os dispêndios incorridos com matériaprima, mãodeobra, encargos sociais, locação, manutenção, depreciação e demais bens aplicados na produção, beneficiamento ou acondicionamento e os decorrentes de operações de parcerias e Fl. 171DF CARF MF Impresso em 24/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2015 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 11/06/2015 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 13/06/2015 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 13005.001104/200980 Acórdão n.º 3102002.382 S3C1T2 Fl. 15 7 integração entre a cooperativa e o associado, bem assim os de comercialização ou armazenamento do produto entregue pelo cooperado. Como é possível perceber da leitura conjunta dos enunciados normativos acima transcritos, as cooperativas de produção agropecuária estão autorizadas a excluir da base de cálculo do PIS e da COFINS, dente outros valores, os custos agregados ao produto agropecuário dos associados quando de sua comercialização. Estes, por sua vez, são definidos expressamente como os dispêndios incorridos com matériaprima, mãodeobra, encargos sociais, locação, manutenção, depreciação e demais bens aplicados na produção, beneficiamento ou acondicionamento e os decorrentes de operações de parcerias e integração entre a cooperativa e o associado, bem assim os de comercialização ou armazenamento do produto entregue pelo cooperado. Sendo esta a disposição normativa e restando incontroverso nos autos que a ora Recorrente “trabalha, entre outros setores, no abate de frangos criados por cooperados em sistema de parceria rural” (fl. 09) e que todas as suas operações são feitas com cooperados, a conclusão é única: está correto o procedimento do contribuinte de excluir da base de cálculo do PIS e da COFINS todos os dispêndios decorrentes de operações de parcerias e integração entre a cooperativa e o associado e não apenas aqueles relativos à comercialização ou armazenamento do produto entregue pelo cooperado. Ocorre que ao analisar a presente regra, a fiscalização concluiu o seguinte: Finalmente, podese excluir da base de cálculo os custos agregados ao produto agropecuário dos associados, quando de sua comercialização, conforme o art. 17 da Lei 10.684/03. Notese que quando esta lei fala de comercialização está se referindo à venda, por parte da cooperativa dos produtos beneficiados, e não da venda dos cooperados do produto em bruto à cooperativa, uma vez que essa operação não configura comercialização. Desta forma, temos que a base de cálculo pode ser reduzida de todos os valores agregados à ele pela cooperativa, compreendendo os custos industriais e comerciais da venda. Em termos de legislação infralegal, que melhor detalha aquilo que foi determinado em lei ordinária, podemos ver que efetivamente é bem abrangente o escopo de despesas que podem ser consideradas como tendo sido agregadas ao produto, especificando a IN SRF n ° 247/02, alterada pela IN SRF 358/2003, que considerase custo agregado ao produto agropecuário os dispêndios pagos ou incorridos com matéria prima, mãodeobra, encargos sociais, locação, manutenção, depreciação e demais bens aplicados na produção, beneficiamento ou acondicionamento e os decorrentes de operações de parcerias e integração entre a cooperativa e o associado, bem assim os de comercialização ou armazenamento do produto entregue pelo cooperado. No entanto a legislação infralegal não pode ampliar o escopo da legislação ordinária, e estes custos a serem abatidos da base de Fl. 172DF CARF MF Impresso em 24/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2015 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 11/06/2015 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 13/06/2015 por RICARDO PAULO ROSA 8 cálculo são aqueles agregados ao produto entregue pelo cooperado, que é uma pequena fração das aves produzidas. Quando a IN inclui entre estes custos os custos decorrentes de parceria, também são os custos relativos às aves de propriedade do cooperado. Se 10% das aves são do cooperado, então dos custos com fretes e rações, 10% dos valores podem ser utilizados para ser deduzidos da base de cálculo. Não nos parece, todavia, ser esta a melhor solução a ser dada ao concreto. Afinal, a disposição normativa é clara no sentido de que os custos decorrentes de parceria podem ser excluídos da base de cálculo do PIS e da COFINS. Por outro lado, diversamente do que sugere a fiscalização, no que foi seguida pela decisão recorrida, não se vislumbra transbordamento dos limites legais pela IN em referência. Isso por uma questão singela, mas decisiva: todos os produtos em questão são dos associados, não podendo se falar propriamente em produtos dos associados e da cooperativa, tampouco que os produtos decorrentes de parceria não sejam dos associados. Neste contexto, assiste razão à Recorrente quando afirma que: O Auditor afirma que os cooperados recebem lotes de pintos de um dia, divididos em duas partes, sendo uma pertencente a cooperativa e outra pertencente ao cooperado. Essa afirmação não é procedente, visto que os lotes de pintos remetidos aos cooperados não possuem qualquer divisão ou separação, sendo emitida uma nota fiscal de remessa da quantidade de pintos compatível com a capacidade de alojamento existente na propriedade de cada cooperado. Na sequência, o Auditor afirma que apenas uma parcela das aves é de propriedade do cooperado, mas admite que a venda não configura operação de mercado nos termos da legislação cooperativista, que continua pertencendo ao cooperado que é o "dono" da cooperativa. Em sendo o "dono" da cooperativa, como de fato o é, toda a produção lhe pertence. Quando o Auditor faz referência a legislação infralegal (IN 247102 e IN 358/2003) cita claramente a possibilidade de serem excluídos os custos agregados decorrentes de operações de parceria e integração entre a cooperativa e o associado e ainda reforça que os custos a serem abatidos da base de cálculo são aqueles agregados ao produto entregue pelo cooperado, porém, na sequência afirma que o produto entregue pelo cooperado é apenas uma fração das aves produzidas, o que não é procedente, visto que toda produção é entregue à cooperativa. Ainda o Auditor afirma que os custos decorrentes das operações de parceria passiveis de dedução nos termos da Instrução Normativa seriam somente relativos as aves de propriedade do cooperado e ainda, de forma totalmente equivocada, afirma no exemplo citado que 90% nada tem de atividade cooperativada, sob alegação de que a cooperativa adquire insumos e serviços de terceiros. A caracterização do ato cooperativo na produção de frangos existe enquanto a produção for realizada pelos cooperados, mesmo que na forma de parceria ou integração, não importando a origem da matéria prima (ovos, pintos, rações, medicamentos, etc...). No caso das matérias primas o ato Fl. 173DF CARF MF Impresso em 24/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2015 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 11/06/2015 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 13/06/2015 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 13005.001104/200980 Acórdão n.º 3102002.382 S3C1T2 Fl. 16 9 cooperativo se caracteriza pelo fornecimento aos cooperados, não importando, como já foi dito, a sua origem. Importante esclarecer que a produção de animais em forma de parceria com os cooperados está prevista no estatuto social da cooperativa e se constitui em uma das mais autênticas formas de atuação do cooperativismo, onde o ato cooperativo se apresenta com maior evidência. Feitos estes esclarecimentos, inferese que o Recorrente tinha direito de excluir da base de cálculo do PIS e da COFINS todos os custos agregados ao produto agropecuário em regime de parceria e de integração com os associados, não apenas o percentual de suposta participação dos cooperados em cada lote, na média de 17%, como o fez a fiscalização. Assim, devem ser afastadas as presentes glosas e anulada as exigências delas decorrentes. A outra glosa procedida pela fiscalização diz respeito às sobras líquidas. Com efeito, restou consignado no Termo de Verificação Fiscal o seguinte: O contribuinte também incorreu em erro quando do cálculo das exclusões referentes às sobras líquidas, que são os valores equivalentes, nas cooperativas, ao lucro de uma empresa. Estes valores devem ser excluídos da base de cálculo da mesma forma que o contribuinte calcula seus demais débitos e créditos, separando cada uma das atividades (venda de aves, laticínios, embutidos e supermercado). Por exemplo, vamos imaginar que o contribuinte não possua senão o supermercado e beneficiamento de leite, sendo o último em sistema de cooperativa. Neste caso as sobras líquidas deverá ser deduzidas da base de cálculo da produção de leite, mesmo que a alíquota do leite seja zerada (claro que, em termos financeiros não haverá diferença entre uma base de cálculo de R$10.000.000,00 e outra de R$9.000.000,00 no caso do leite, por ter o mesmo alíquota zerada), mas este R$1.000.000,00 de sobras distribuídas não poderá ser deduzido da base de cálculo do PIS e COFINS das vendas do supermercado. E é isso exatamente que o contribuinte faz, ao não segregar o valor das sobras, não dividindoo entre suas quatro áreas de atuação e vendas no mercado externo. Como se vê, a glosa decorreu da alegada ausência de segregação das sobras líquidas entre suas áreas de autuação em sistema de cooperativa e supermercados (não cooperativo). A Recorrente, por sua vez, alega em sua defesa que a legislação não exigiria tal segregação. Não assiste razão, todavia, à Recorrente. Com efeito, a legislação autoriza apenas e tão somente a exclusão as sobras líquidas da base de cálculo dessas contribuições. E a própria definição do conceito de sobra líquida permite concluir que a autorização legal se volta Fl. 174DF CARF MF Impresso em 24/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2015 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 11/06/2015 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 13/06/2015 por RICARDO PAULO ROSA 10 para o resultado positivo decorrente da realização de atos cooperados. Afinal, o objeto da exclusão é apenas a sobra e não o lucro. Assim, restando incontroverso nos autos a ausência de segregação, e o que é pior, que também o resultado positivo decorrente de atos que não cooperados foram deduzidos da base de cálculo do PIS/COFINS, há que se reconhecer que andou bem a fiscalização quando procedeu a presente glosa. Além disso, como fui vencida no mérito, suscitei de ofício nulidade do Auto de Infração por falta de embasamento em provas. Pois bem. Nos casos de lançamento por homologação, como ocorre no presente caso, determina a lei que, praticado o evento tributário, cabe ao próprio sujeito passivo a tarefa de constituir a respectiva obrigação para, em seguida, proceder ao pagamento antecipado do montante devido. Tudo devidamente lastreado em provas. A função do Poder Público, nessas situações, resumese a controlar a regularidade da linguagem emitida pelos particulares, rejeitandoa ou homologandoa, expressa ou tacitamente (art. 150, do CTN), o que faz mediante o cotejo das provas com as declarações prestadas. Assim, o lançamento, quando existente, aparece apenas como ato que substitui aquele inicialmente emitido pelo administrado ou que saneia a sua omissão. Daí o motivo de a manifestação expressa da Fazenda Pública alusiva aos créditos tributários submetidos a esta modalidade de constituição vir, em regra, acompanhada da aplicação de uma penalidade, objetivada num auto de infração e imposição de multa. Com efeito, no exercício da atividade de fiscalização, compete ao Agente Público apurar, em estrita observância às regras relativas à produção de provas, os fatos praticados pelos particulares, o que inclui a realização: i. do evento tributário; e ii. do próprio ilícito, decorrente do não recolhimento do tributo ou do seu pagamento a menor, acompanhado, ou não, da inobservância de dever instrumental. Constatado que essas ocorrências se enquadram nos contornos definidos em hipóteses normativas e havendo tempo hábil, deve a Autoridade Administrativa relatálos em linguagem competente, imputandolhes as respectivas relações jurídicas: tributária e sancionatória. Tudo, geralmente, mediante a lavratura de auto de infração e imposição de multa que, por funcionar também como verdadeiro “lançamento”, deve observância aos mesmos pressupostos de validade desse ato. Com efeito, nos termos do art. 142, do CTN, o ato de lançamento, além de vinculado, é obrigatório. Assim, ciente da ocorrência de eventos tributários, impõese à Autoridade Administrativa o dever de realizálo, atendendo a todos os elementos que o tipo legal encerra, sem qualquer liberdade, seja no que se refere ao procedimento, seja no que toca ao conteúdo do ato, seja, ainda, no que diz respeito ao momento de expedilo. Seguindo, passo a passo, a sequência procedimental definida em lei, terá que, valendose dos dados concretos de que dispõe, devidamente lastreados em provas, constituir a respectiva obrigação tributária e/ou a própria multa. Ao disciplinar o processo administrativo fiscal federal, o legislador estabeleceu expressamente no art. 9° do Decreto n° 70.235/72, a necessidade de o lançamento ser instruído com prova concludente de que os eventos tributários ocorreram em estrita conformidade com a descrição de hipóteses normativas. Ao assim prescrever, deixou claro que a linguagem jurídica dos atos de gestão tributária, mesmo quando o sujeito competente para Fl. 175DF CARF MF Impresso em 24/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2015 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 11/06/2015 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 13/06/2015 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 13005.001104/200980 Acórdão n.º 3102002.382 S3C1T2 Fl. 17 11 expedila seja a Administração Pública, deve estar devidamente respaldada em provas. Ausentes estas, ilegítima aquela. Em termos mais diretos, para que o auto de infração possa prevalecer, surtindo o efeito que lhe é próprio, deve ser realizado de maneira clara e objetiva, revestido com os meios de prova que lhe dão suporte. Afinal, da mesma forma que o particular, não pode a Fazenda simplesmente alegar fatos. Tem que demonstrar a sua ocorrência pelos instrumentos juridicamente admissíveis, sob pena de invalidade do ato produzido. Fabiana Del Padre Tomé, aplicando as lições de Celso Antônio Bandeira de Melo ao Direito Tributário, adverte que o lançamento, como qualquer ato administrativo, apresenta aspectos internos à sua estrutura e outros externos, que antecedem sua formação: elementos e pressupostos, respectivamente. Compondo os elementos, identificamse: i. a forma, ii. a motivação e iii. o conteúdo. Já, no que se refere aos pressupostos, temos i. a competência, ii. o motivo, iii. as formalidades procedimentais, iv. a finalidade e v. a causa, assim definidos pela autora: Pressupostos: (i) competência: diz respeito ao sujeito produtor do ato, devendo ser agente público investido de poderes para fazêlo; (ii) motivo: acontecimento no mundo fenomênico que exige ou possibilita a prática do ato, figurando como suporte fáctico da motivação; (iii) formalidades procedimentais: rito a ser observado pelo sujeito produtor do ato; (iv) finalidade: objetivo pretendido com a prática do expediente administrativo; (v) causa: conexão lógica entre o motivo do ato, motivação e conteúdo. […] Elementos: (i) forma: modo pelo qual o ato se revela (suporte físico, em que se veicula linguagem escrita); (ii) motivação: descrição dos motivos de fato que ensejaram a produção do ato (antecedente da norma individual e concreta); (iii) conteúdo: prescrição normativa constante do ato (conseqüente da norma individual e concreta), que, nos dizeres de Celso Antônio Bandeira de Mello, encerra a “própria alteração na ordem jurídica produzida pelo ato”, abrangendo os sujeitos ativo e passivo da relação jurídica, bem como seu objeto1. Paulo de Barros Carvalho ao tratar dos elementos do ato de lançamento, mais especificamente da motivação, nos ensina: A motivação do ato administrativo de lançamento ou antecedente é a descrição da ocorrência do fato jurídico tributário normativamente provada segundo as regras em direito admitidas. É a motivação do ato o liame que possibilita a consecução do princípio da legalidade nos atos administrativos. A força impositiva da obrigação de pagar o crédito tributário decorre da motivação do ato, que se lastreia na prova da realização do fato e na subsunção à hipótese da norma jurídica tributária. A motivação é, portanto, o elo entre o prescritor da 1 TOMÉ, Fabiana Del Padre. A prova no direito tributário. 2. ed. São Paulo: Noeses, 2008, p. 290291. Fl. 176DF CARF MF Impresso em 24/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2015 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 11/06/2015 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 13/06/2015 por RICARDO PAULO ROSA 12 norma de lançamento e o prescritor da regramatriz de incidência, que viabiliza a realização e o controle da legalidade dos atos administrativos. Por isso, a ausência de motivação vicia a norma de lançamento tributário. Mas não basta a simples descrição do motivo do ato. A motivação deve consignar objetivamente as presunções legais e a prova dos fatos índices que se referem ao fato jurídico tributário. Feito isso, a observância do procedimento legitimará a motivação do ato. A construção da motivação do ato de lançamento tributário rege se pelas regras que definem o procedimento da autoridade, na conformação desse ato de aplicação do direito2. Nessa linha de raciocínio, fica evidente que o interesse da Fazenda tem como pressuposto justamente a ocorrência do fato tributário propriamente dito ou o ilícito, cujos elementos configuradores supõemse presentes e comprovados no lançamento ou no auto de infração. A ausência de motivação, ou seja, de prova, enseja a nulidade do ato de constituição do débito, devendo ser alegado pelo sujeito passivo em impugnação ou mesmo declarado de ofício pelo órgão julgador. Afinal, se, por um lado, a lei permite a Administração Pública aparelharse e exercitar diretamente atos de cobrança, por outro, não a exime de provar o fundamento e a legitimidade de sua pretensão. Não há de se admitir, sob qualquer argumento, que o atributo da “presunção de legitimidade” 3, próprio ao ato de lançamento e ao auto de infração e imposição de multa, seja suficiente para inverter o ônus da prova, atribuindo aos particulares o dever de fazer prova contrária às cogitações não demonstradas do Fisco. Direitos e garantias individuais, tais como o princípio da estrita legalidade tributária, o da ampla defesa, o do contraditório e, em especial, o da segurança jurídica, impedem entendimento nesse sentido. Não fora isso e a própria natureza vinculada desses atos, acompanhada de determinação legal expressa no sentido de que a exigência do crédito deve estar devidamente instruída com laudos, perícias, depoimentos, termos e demais documentos indispensáveis à comprovação dos fatos que alega (art. 9° do Decreto n° 70.235/72) já seriam suficientes para barrar iniciativas dessa natureza. Assim, apenas o lançamento que estiver devidamente respaldado em provas poderá ser considerado legítimo, conforme o sistema. Não basta que a autoridade competente relate o evento ocorrido. É necessário que sua linguagem esteja fundamentada em provas. Do exposto decorre a conclusão de que, sendo o lançamento ou o ato administrativo de aplicação de penalidade realizados sem respaldo em provas, estando, 2 Parecer inédito. 3 Nesse sentido, explica Suzy Gomes Hoffmann: “A presunção de legitimidade em favor do ato administrativo do lançamento quer significar que, por ter sido emitido por agente competente, se presume válido, até que seja posto fora do sistema por outra norma. Por conseguinte, não é porque o funcionamento do sistema do direito exige a presunção de que todas as normas são válidas até que sejam postas fora do sistema pelos meios competentes, que se pode concluir que o conteúdo dessas normas está em sintonia com as regras do sistema e com os enunciados fácticos a que deve corresponder. Além do mais, não pode ser invocado o princípio da supremacia do interesse público ao interesse particular para fortalecer o entendimento de que há a presunção de legitimidade do conteúdo do ato administrativo do lançamento tributário, pois, como visto, o interesse público é pelo cumprimento da lei. Portanto, se for verificado que no ato de lançamento tributário não se observou o necessário detalhamento do relato do fato, a necessária adequação do fato e da relação jurídica instaurada aos padrões definidos na norma geral e abstrata, não deve prevalecer tal ato, devendo ser expulso do sistema em detrimento do fato de que, da sua manutenção no sistema, poderia advir receita ao Estado”. (HOFFMANN, Suzy Gomes. Prova no Direito Tributário. São Paulo: Copola Editora, 1999, p. 17980). Fl. 177DF CARF MF Impresso em 24/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2015 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 11/06/2015 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 13/06/2015 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 13005.001104/200980 Acórdão n.º 3102002.382 S3C1T2 Fl. 18 13 portanto, viciados na motivação, é imperativa sua retirada do ordenamento jurídico pela autoridade competente. No caso concreto, a autoridade fiscal descordou da interpretação atribuída ao contribuinte a respeito da expressão “custo agregados ao produto agropecuário” para fins de exclusão da base de cálculo do PIS e da COFINS e, por conta disso, entendeu que a cooperativa de produção agropecuária pode excluir da base de cálculo apenas os valores repassados aos associados decorrentes da comercialização dos produtos por eles entregues à cooperativa e os custos agregados a esses produtos, quando da sua comercialização. Por conta disso, procedeu à segregação do que, no seu entender, poderia ser considerado na redução da base de cálculo do que não o poderia com base no seguinte procedimento: Através de levantamentos feitos nas notas fiscais de remessa e venda de frangos dos cooperados para a Languiru observase que o percentual de ,participação dos cooperados em cada lote é em média de 17%. Chegamos a este valor somando os valores pagos aos cooperados pelo fornecimento de aves no primeiro trimestre de 2009 (R$5.175.590,08) e dividindo este valor pelo valor que estes mesmos cooperados remeteram de animais em retorno através do.CFOP 1451. Ocorre que a fiscalização não instruiu o lançamento com sequer uma nota fiscal a que faze referência, o que o fulmina de nulidade. Com efeito, o presente Auto de Infração não está devidamente motivado, afinal, não há nos autos qualquer prova que lastreie a segregação procedida. A alegação de que o percentual de participação dos cooperados em cada lote é em média de 17% é embasada em meras suposições, já que o Fisco não trouxe qualquer lastro. De fato, a manutenção do presente AI demandaria a presença de elementos que atestassem o percentual de participação dos cooperados. Somente assim, poderseia verificar o acerto ou não do trabalho fiscal. Em face do exposto, voto por dar provimento ao Recurso Voluntário, para cancelar integralmente o Auto de Infração por manifesta nulidade em face da ausência de motivação (lastro em provas). [Assinado digitalmente] Andréa Medrado Darzé Fl. 178DF CARF MF Impresso em 24/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2015 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 11/06/2015 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 13/06/2015 por RICARDO PAULO ROSA 14 Fl. 179DF CARF MF Impresso em 24/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2015 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 11/06/2015 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 13/06/2015 por RICARDO PAULO ROSA
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Numero do processo: 11080.918903/2012-64
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 25 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon May 11 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 20/10/2008
PROCESSO ADMINISTRATIVO. DESPACHO DECISÓRIO. ALEGAÇÃO DE NULIDADE. NÃO ACATADA.
Não é nulo o Despacho Decisório que contém os elementos essenciais do ato administrativo.
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA.
Não é líquido e certo crédito decorrente de pagamento informado como indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis o direito ao crédito.
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO.
Declaração de compensação fundada em direito de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior não pode ser homologada se a contribuinte não comprovou a existência do crédito.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DIREITO DE CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA.
O ônus da prova incumbe ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito.
MULTA E JUROS DE MORA.
Débitos indevidamente compensados por meio de Declaração de Compensação não homologada sofrem incidência de multa e juros de mora.
INCONSTITUCIONALIDADE. DE NORMA INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. INCOMPETÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 2.
Não compete aos julgadores administrativos pronunciar-se sobre a inconstitucionalidade de leis ou atos normativos.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3801-005.086
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Participou do julgamento o Conselheiro Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo em substituição ao Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira que se declarou impedido
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Paulo Sérgio Celani - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Cássio Schappo e Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo.
Nome do relator: PAULO SERGIO CELANI
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 20/10/2008 PROCESSO ADMINISTRATIVO. DESPACHO DECISÓRIO. ALEGAÇÃO DE NULIDADE. NÃO ACATADA. Não é nulo o Despacho Decisório que contém os elementos essenciais do ato administrativo. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. Não é líquido e certo crédito decorrente de pagamento informado como indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis o direito ao crédito. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. Declaração de compensação fundada em direito de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior não pode ser homologada se a contribuinte não comprovou a existência do crédito. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DIREITO DE CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova incumbe ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito. MULTA E JUROS DE MORA. Débitos indevidamente compensados por meio de Declaração de Compensação não homologada sofrem incidência de multa e juros de mora. INCONSTITUCIONALIDADE. DE NORMA INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. INCOMPETÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 2. Não compete aos julgadores administrativos pronunciar-se sobre a inconstitucionalidade de leis ou atos normativos. Recurso Voluntário Negado.
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DESPACHO DECISÓRIO. ALEGAÇÃO DE NULIDADE. NÃO ACATADA. Não é nulo o Despacho Decisório que contém os elementos essenciais do ato administrativo. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. Não é líquido e certo crédito decorrente de pagamento informado como indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis o direito ao crédito. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. Declaração de compensação fundada em direito de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior não pode ser homologada se a contribuinte não comprovou a existência do crédito. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DIREITO DE CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova incumbe ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito. MULTA E JUROS DE MORA. Débitos indevidamente compensados por meio de Declaração de Compensação não homologada sofrem incidência de multa e juros de mora. INCONSTITUCIONALIDADE. DE NORMA INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. INCOMPETÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 2. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 91 89 03 /2 01 2- 64 Fl. 125DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.918903/201264 Acórdão n.º 3801005.086 S3TE01 Fl. 3 2 Não compete aos julgadores administrativos pronunciarse sobre a inconstitucionalidade de leis ou atos normativos. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Participou do julgamento o Conselheiro Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo em substituição ao Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira que se declarou impedido (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Sérgio Celani Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Cássio Schappo e Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo. Relatório Inicialmente, esclarecese que estão em julgamento nesta 1ª Turma Especial da 3ª Seção de Julgamento do CARF cento e quarenta e oito processos da mesma contribuinte, em que o cerne da discussão é o mesmo: a certeza e liquidez de crédito pleiteado, decorrente de pagamento indevido ou a maior de Cofins, ou contribuição para o PIS/Pasep ou IPI, e o ônus da prova deste direito. Feitas estas observações, passase ao relato propriamente dito. Tratase de recurso voluntário apresentado contra decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em CuritibaDRJ/CTA que julgou improcedente manifestação de inconformidade apresentada contra despacho decisório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de origem. O processo se iniciou com PER/DCOMP, por meio do qual a contribuinte pleiteou o reconhecimento de direito de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de tributo e a compensação de débitos tributários com o crédito pleiteado. Fl. 126DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.918903/201264 Acórdão n.º 3801005.086 S3TE01 Fl. 4 3 De acordo com o Despacho Decisório, a partir das características do DARF informado no PER/DCOMP, foram localizados um ou mais pagamentos, utilizados para quitação de débitos da contribuinte, não restando crédito disponível suficiente para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Assim, diante da inexistência/insuficiência de crédito, a compensação declarada não foi homologada ou foi homologada apenas parcialmente. Como enquadramento legal foram citados os arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172 de 25/10/1966 (Código Tributário Nacional CTN), e o art. 74 da Lei nº 9.430, de 27/12/1996, conforme quadro “3 – FUNDAMENTAÇÃO, DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL” do despacho decisório “ Extraio do relatório da decisão recorrida resumo das alegações apresentadas pela contribuinte contra o despacho decisório: “Na manifestação apresentada, a contribuinte argúi em preliminar a nulidade do Despacho Decisório, alegando o não atendimento ao requisito constitucional da fundamentação do ato administrativo, além de ferir os princípios de ampla defesa, contraditório e do devido processo legal, estando, outrossim, revestido de desvio de finalidade. Expõe que o ato administrativo resumiuse a informar a não homologação da compensação declarada com o parco fundamento da inexistência de crédito disponível; entende que o procedimento correto da fiscalização seria o de intimar a contribuinte para que prestasse informações sobre a origem do crédito, bem como do fundamento de validade; e ressalta a necessidade de fundamentação ou motivação dos atos administrativos para o exame de sua legalidade, finalidade e moralidade administrativa. Alega que o Despacho Decisório não se presta a dar início ao contraditório administrativo, eis que carente de fundamentação, restando prejudicado o seu direito de defesa, e que também extrapolou sua função precípua, tornandose meio oblíquo pelo qual a fiscalização buscou interromper o prazo de homologação da compensação declarada. Diz que a autoridade preparadora deixou de cumprir seu dever de ofício de bem instruir o procedimento fiscal, como a solicitação de informações, apreensão de documentos, diligências, dentre outros expedientes. Sob o tema “Do Mérito”, discorre especificamente sobre o princípio da verdade material, citando diversos doutrinadores. Mas nada aduz sobre o origem do suposto crédito, apenas alegando a posterior juntada de documentos que comprovariam as ‘alegações trazidas na presente manifestação’, eis que o direito creditório, diz, pode ser comprovado a qualquer tempo. Por fim, argumenta sobre a inaplicabilidade da multa de mora em face do princípio constitucional de não confisco e dos princípios administrativos da razoabilidade e da proporcionalidade.. A ementa do acórdão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em CuritibaDRJ/CTA que julgou improcedente a manifestação de inconformidade contém o seguinte teor: “ASSUNTO: ... Data do Fato Gerador: ... CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INTIMAÇÃO PARA ESCLARECIMENTOS. Fl. 127DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.918903/201264 Acórdão n.º 3801005.086 S3TE01 Fl. 5 4 A ausência de pedido de esclarecimentos ou realização de diligência na fase preparatória do procedimento fiscal não caracteriza cerceamento do direito de defesa, que é assegurado na fase do contraditório, inaugurada com a manifestação de inconformidade. 1PIS/PASEP. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. RECOLHIMENTO VINCULADO A DÉBITO CONFESSADO. Correto o Despacho Decisório que não homologou a compensação declarada por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o recolhimento alegado como origem do crédito está integral e validamente alocado para a quitação de débito confessado. PAGAMENTO A MAIOR QUE O DEVIDO. COMPROVAÇÃO. A mera alegação do direito creditório, desacompanhada de provas baseadas na escrituração contábil/fiscal do período, não é suficiente para demonstrar a existência de direito creditório pleiteado. MULTA E JUROS DE MORA. DÉBITOS NÃO HOMOLOGADOS. Os débitos indevidamente compensados sofrem a incidência de multa e juros de mora, nos percentuais determinados pela legislação, calculados a partir do primeiro dia subsequente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento da contribuição até o dia em que se efetivar o seu pagamento, uma vez que a declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos não homologados.” No recurso voluntário a recorrente repete as alegações da manifestação de inconformidade. É o relatório. 1 Nos processos em que o crédito alegado se refere à Cofins, consta COFINS. Nos processos em que o crédito seria originado de Contribuição para o PIS/Pasep, consta PIS/PASEP. Fl. 128DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.918903/201264 Acórdão n.º 3801005.086 S3TE01 Fl. 6 5 Voto Conselheiro Paulo Sergio Celani, Relator. Admissibilidade do recurso voluntário. O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos para julgamento nesta turma especial. Preliminar de nulidade do despacho decisório. O processo se iniciou com PER/DCOMP da contribuinte, no qual informou ter realizado pagamento indevido ou a maior do tributo em discussão. A Secretaria da Receita Federal do BrasilRFB, baseandose em dados constantes de seus sistemas informatizados, alimentados por informações prestadas pelo próprio contribuinte, por meio de declarações fiscais próprias, constatou que o pagamento informado foi integralmente utilizado para quitar tributo informado em DCTF, logo, tributo considerado devido, não restando crédito disponível para a compensação declarada. Isto está claro no quadro “3 – FUNDAMENTAÇÃO, DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL” do despacho decisório, no qual constam os artigos 165 e 170 da Lei nº 5.172, de 25/10/66 (CTN), e o artigo 74 da Lei nº 9.430, de 27/12/1996, como fundamentos para a não homologação da compensação. No mesmo quadro 3, consta que diante da inexistência do crédito não se homologava a compensação declarada, bem como o valor devedor consolidado, correspondente aos débitos indevidamente compensados, e a data para pagamento. Há, ainda, a informação de que para verificação de valores devedores e emissão de DARF, deveria ser consultado o endereço da internet “www.receita.fazenda.gov.br”, na opção “Onde Encontro” ou através de certificação digital na opção “eCAC”, assunto “PER/DCOMP Despacho Decisório”. Logo, não procede a alegação de que o despacho decisório não contém fundamentação e de que houve desvio de finalidade. Por outro lado, a manifestação de inconformidade, a qual, por força do art. 74, §§ 9º a 11 da Lei nº 9.430, de 1996, aplicamse as regras previstas no Decreto nº 70.235, de 1972, demonstra que a contribuinte exerceu plenamente seu direito ao contraditório, sem nenhuma dificuldade, provando que não houve cerceamento do direito de defesa. Por estas razões, votase por negar provimento às alegações preliminares. Fl. 129DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.918903/201264 Acórdão n.º 3801005.086 S3TE01 Fl. 7 6 Certeza e liquidez do crédito pleiteado. Conforme visto acima: i) O processo se iniciou com PER/DCOMP da contribuinte, no qual informou ter realizado pagamento indevido ou a maior de tributo; ii) Foi constatado pela RFB que o pagamento informado como indevido ou a maior fora integralmente utilizado para quitar tributo informado em DCTF, logo, tributo considerado devido; iii) Isto está claro no quadro “3 – FUNDAMENTAÇÃO, DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL” do despacho decisório; iv) Esta constatação baseouse em dados constantes do sistemas informatizados da RFB, alimentados por informações prestadas pelo próprio contribuinte, por meio de declarações fiscais próprias. Uma vez que o pagamento informado como indevido ou a maior estava totalmente vinculado a tributo declarado em DCTF como devido, o DARF a ele relativo não prova a existência de crédito algum A DRJ/CTA, tendo em vista que a contribuinte não apresentou documentação fiscal e contábil hábil e suficiente para comprovação da certeza e liquidez do crédito pleiteado, manteve o despacho decisório. As decisões da DRF e da DRJ estão amparadas no fato de a legislação tributária dispor que a DCTF é instrumento de confissão de dívida e constituição definitiva do crédito tributário (art. 5º do DecretoLei nº 2.124, de 1984) e que a compensação de débitos tributários somente pode ser efetuada mediante existência de créditos líquidos e certos do interessado perante a Fazenda Pública (art. 170 do Código Tributário NacionalCTN), e de a lei que trata do processo administrativo tributário federal estabelecer que a prova documental deve ser apresentada na impugnação (art. 16, §4º, do Decreto nº 70.235, de 1972). Apesar de a decisão de primeira instância ter sido fundamentada de modo a dar a conhecer à contribuinte as razões de fato e de direito que levaram ao indeferimento de sua manifestação de inconformidade, nenhum documento ou livro fiscal ou contábil foi apresentado com o recurso voluntário. A recorrente limitouse a discorrer sobre o princípio da verdade material. Tratandose de despacho eletrônico, admitese a apresentação destes documentos e livros após a decisão da DRJ, pois alguns Conselheiros entendem que o princípio da verdade material assim autoriza, outros entendem que se está diante de caso em que a prova se destina a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos, hipótese prevista no art. 16, §4º, letra “c” do Decreto nº 70.235, de 1972. O importante é que a contribuinte, até o presente, não apresentou nenhum documento ou livro, fiscal ou contábil, que pudesse comprovar seu direito. Logo, não comprovou a certeza e liquidez do crédito pleiteado. Fl. 130DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.918903/201264 Acórdão n.º 3801005.086 S3TE01 Fl. 8 7 Não é só isso. A recorrente sequer argumentou sobre os fatos ou direito que ensejariam o crédito. Por estas razões, com fundamento no art. 170 do CTN e no art. 333 do CPC, aplicável subsidiariamente ao caso, que determina que o ônus da prova incumbe ao autor quanto ao fato constitutivo de seu direito, não cabe o reconhecimento do crédito pleiteado. Sobre multa e juros de mora Os artigos 61 e 74 da Lei nº 9.430, de 1996, deixam claro que são devidos juros de mora e multa no presente caso. Cito: “Art.61.Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) §1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. §2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. §3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. (Vide Medida Provisória nº 1.725, de 1998) (Vide Lei nº 9.716, de 1998)” “Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão.(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) §1º A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) §2º A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) (...) §6º A declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos Fl. 131DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.918903/201264 Acórdão n.º 3801005.086 S3TE01 Fl. 9 8 indevidamente compensados. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) §7º Não homologada a compensação, a autoridade administrativa deverá cientificar o sujeito passivo e intimálo a efetuar, no prazo de 30 (trinta) dias, contado da ciência do ato que não a homologou, o pagamento dos débitos indevidamente compensados.(Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) §8º Não efetuado o pagamento no prazo previsto no §7º, o débito será encaminhado à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional para inscrição em Dívida Ativa da União, ressalvado o disposto no §9º. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) §9º É facultado ao sujeito passivo, no prazo referido no § 7º, apresentar manifestação de inconformidade contra a não homologação da compensação. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) §10. Da decisão que julgar improcedente a manifestação de inconformidade caberá recurso ao Conselho de Contribuintes.(Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) §11. A manifestação de inconformidade e o recurso de que tratam os §§ 9º e 10 obedecerão ao rito processual do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, e enquadramse no disposto no inciso III do art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional, relativamente ao débito objeto da compensação. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) (...)” Vejase que os §§ 6º a 8º acima dispõem que a declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados e que, não homologada a compensação e não efetuado o pagamento no prazo previsto no §7º, o débito será encaminhado à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional para inscrição em Dívida Ativa da União, sendo devidos juros de mora e multa. A exigência do pagamento destes débitos não se submete a julgamento administrativo. Além disso, os membros do CARF não podem afastar aplicação ou deixar de observar lei sob fundamento de inconstitucionalidade, salvo em casos excepcionais não presentes, a teor do disposto no art. 62 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22/6/2009, e do disposto no art. 26A da Decreto nº 70.235, de 1972, com redação dada pela Lei nº 11.941, de 27/5/2009. O mesmo se conclui do enunciado da Súmula CARF nº 2, verbis: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Fl. 132DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.918903/201264 Acórdão n.º 3801005.086 S3TE01 Fl. 10 9 Conclusão Pelo exposto, em especial, pela não comprovação da existência de direito de crédito líquido e certo, voto por negar provimento ao recurso voluntário, mantendose a decisão recorrida. (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani. Fl. 133DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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