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Numero do processo: 13007.000041/2003-39
Turma: Segunda Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu May 07 00:00:00 UTC 2009
Ementa: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI Período de apuração: 01/06/2003 a 07/06/2003 NORMAS PROCESSUAIS. DIREITO AO CRÉDITO DE IPI SOBRE INSUMOS DESONERADOS. OPÇÃO PELA VIA JUDICIAL. RENÚNCIA À DISCUSSÃO DA MESMA MATÉRIA NA VIA ADMINISTRATIVA. A propositura de ação judicial, com o mesmo objeto do processo administrativo, implica renúncia às instâncias administrativas ou desistência do recurso interposto (Súmula nº 1, do 2º CC). DCOMP. DECISÃO JUDICIAL NÃO TRANSITADA EM JULGADO. CRÉDITOS E DÉBITOS DE ESPÉCIES DIFERENTES. COMPENSAÇÃO NÃO AUTORIZADA. INCIDÊNCIA DO ART. 170-A. É indevida a compensação de crédito com base em decisão judicial que não reconheceu este direito, ainda mais quando esta decisão ainda nem transitou em julgado, o que fere, também, as disposições do art. 170-A do CTN. DCTF E DCOMP. CONFISSÃO DE DIVIDA. DÉBITO COMPENSADO INDEVIDAMENTE. MP 2.158-35/2001, ART. 90. DERROGAÇÃO PARCIAL. LEI Nº 10.833/2003, ART. 18. LANÇAMENTO DE OFICIO. DESNECESSIDADE. A DCOMP apresentada antes de 31/10/2003, data da publicação da M2 nº 135/2003, que incluiu o § 6º no art. 74 da Lei n2 9.430/1996, não constitui confissão de divida. A DCTF constitui confissão de divida da totalidade do débito declarado, independentemente de este estar ou não vinculado à compensação, seja ela certa ou indevida. O lançamento de oficio dos débitos indevidamente compensados em DCTF só foi obrigatório na vigência do art. 90 da MP n2 2.158-35/2001, isto é, de 27/08/2001 a 30/10/2003. Com a derrogação parcial deste dispositivo, pelo art. 18 da Lei n2 10.833/2003, a cobrança destes débitos voltou a ser efetuada com base nas DCTF. Os débitos confessados em DCTF, mesmo na vigência do art. 90 da MP nº 2.158-35/2001, podem ser exigidos pelo Fisco, inclusive por meio de inscrição em dívida ativa e cobrança judicial. Precedentes do STJ. CONSECTÁRIOS LEGAIS. MULTA DE MORA E JUROS DE MORA. TAXA SELIC. A multa de mora é devida quando presentes as condições de sua exigibilidade. Art. 61 da Lei n 2 9.430/96. É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liqüidação e Custódia - Selic para títulos federais (Súmula nº 3, do 2º CC). Recurso negado.
Numero da decisão: 2101-000.134
Decisão: ACORDAM os membros da 1ª câmara / 1ª turma ordinária da segunda seção de julgamento, por maioria de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade. Vencidos os conselheiros Gustavo Kelly Alencar, Domingos de Sá Filho (Relator) e Maria Teresa Martínez López. No mérito, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso acerca da matéria em discussão concomitante com a apresentada ao Poder Judiciário. E, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Designado o Conselheiro Antonio Zomer para redigir o voto vencedor.
Matéria: IPI- processos NT - ressarc/restituição/bnf_fiscal(ex.:taxi)
Nome do relator: ANTONIO ZOMER

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MINISTÉRIO DA FAZENDA • \15i CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO t - Processo n° 13007.000041/2003-39 Recurso n° 156.130 Voluntário Acórdão n° 2101-00.134 — 1" Câmara / l a Turma Ordinária Sessão de 07 de maio de 2009 Matéria Compensação de IPI Recorrente BRASKEM S/A Recorrida DRJ-PORTO ALEGRE - RS ASSUNTO: INIPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI Período de apuração: 21/01/2003 a 31/01/2003 DCTF E DCOMP. CONFISSÃO DE DIVIDA. DÉBITO COMPENSADO INDEVIDAMENTE. MP 2.158-35/2001, ART. 90. DERROGAÇÃO PARCIAL. LEI N2 10.833/2003, ART. 18. LANÇAMENTO DE OFICIO. DESNECESS1DADE. A DCOMP apresentada a partir de 31/10/2003, data da publicação da MP 135/2003, que incluiu o § 6 2 no art. 74 da Lei n2 9.430/1996, constitui confissão de dívida. A DCTF constitui confissão de dívida da totalidade do débito declarado, independentemente de este estar ou não vinculado à compensação, seja ela certa ou indevida. O lançamento de oficio dos débitos indevidamente compensados em DCTF só foi obrigatório na vigência do art. 90 da MP n 2 2.158-35/2001, isto é, de 27/08/2001 a 30/10/2003. Com a derrogação parcial deste dispositivo, pelo art. 18 da Lei n2 10.833/2003, a cobrança destes débitos voltou a ser efetuada com base nas DCTF. Os débitos confessados em DCTF, mesmo na vigência do art. 90 da MP n2 2.158-35/2001, podem ser exigidos pelo Fisco, inclusive por meio de inscrição em dívida ativa e cobrança judicial. Precedentes do STJ. COMPENSAÇÃO COM BASE EM PROVIMENTO JUDICIAL. ARTIGO 170-A. O disposto no 170-A do CTN, acrescentado pela Lei Complementar n" 104, de 10 de janeiro de 2001, que veda a compensação de tributo objeto de contestação judicial antes do trânsito em julgado da sentença, somente é aplicável a pagamentos indevidos realizados após a vigência desse dispositivo, em face das regras do direito intertemporal. CONSECTÁRIOS LEGAIS: MULTA DE MORA. Devida quando presentes as condições de sua exigibilidade. Artigo 61 da Lei n° 9.430/96. JUROS DE o Processo n° 13007.000041/2003-39 S2-C1 Ti Acórdão n.° 2101-00.134 Fl. 541 MORA. TAXA SELIC. SÚMULA N° 3, do 2 CC: É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liqüidação e Custódia - Selic para títulos federais. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da P Câmara / 1" Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por maioria de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade. Vencidos os conselheiros Maria Teresa Martinez López (Relatora), Gustavo Kelly Alencar e Domingos de Sá Filho. Designado o Conselheiro Antonio Zomer para redigir o voto vencedor. No mérito, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso acerca da matéria em discussão concomitante com a apresentada ao Poder Judiciário. E, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Gustavo Kelly Alencar e Domingos de Sá Filho. 1 AIO MARCOS C : DIDO Presi ente "Yr ao, /41 A 1 0 ,1 III ER Relator-Designado Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Maria Cristina Roza da Costa, Antonio Carlos Atulim e Antônio Lisboa Cardoso. Relatório Trata-se de declaração de compensação para aproveitamento de créditos a título de IPI decorrente de aquisições isentas, aliquota zero e não tributadas, de janeiro de 2003, amparada no processo judicial n° 2000.71.00.018617-3/RS, para compensação com débito de IPI relativo ao período de apuração do último decêndio de janeiro de 2003. Em prosseguimento, adoto e transcrevo, em parte, a seguir, o relatório que compõe a Decisão Recorrida: "A interessada manifesta sua inconformidade com o Despacho Decisório do Delegado da Receita Federal em Porto Alegre/RS de fls. 62/3, que não reconheceu seu direito creditório e não homologou a compensação por ela declarada nas fls. 01/02, no valor de R$ 71.617,54. 2 Processo n° 13007.000041/2003-39 S2-CITI Acórdão n.° 2101-00.134 Fl. 542 A decisão atacada fundamentou-se no fato de os créditos, oferecidos pela interessada para contrapor aos débitos, serem decorrentes de decisão judicial não transitada em julgado, em desacordo com os arts. 170-A do Código Tributário Nacional, introduzido pela Lei Complementar n" 104/01, 74 da Lei n" 9.430/96, alterado pelas Lei n° 10.637/02 e 37 da IN SRF n° 210/02; e, porque os mesmos créditos não estão amparados na referida decisão judicial que reconheceu o direito apenas em relação aqueles apurados nos dez anos anteriores ao ajuizamento, tendo sido procedido seu estorno na escrita fiscal da interessada 26/32.), tudo nos termos do relatório de ação fiscal e despacho de fls. 37/55. Devidamente cientificada da decisão e intimada da cobrança dos débitos cuja compensação não foi homologada, a interessada, no devido prazo e por meio de seus procuradores, expôs as razões de sua inconformidade às fls. 70/139, sintetizadas a seguir. Após breve descrição dos fatos, pugna inicialmente pela atribuição de efeito suspensivo à presente manifestação de • inconformidade por força do art. 151 do CT1V, ainda que a legislação vigente à época das compensações (art. 74 da Lei n° 9.430/96) assim não previsse, colacionando acórdãos do Tribunal Regional Federal da 4" Região e do Superior Tribunal de Justiça nesse sentido. Vem, ainda, reforçar sua tese com as regras de aplicação da lei no tempo estabelecidas na Lei de Introdução ao Código Civil, que diz se aplicarem subsidiariamente em matéria tributária, defendendo que deve ser aplicada a lei vigente no momento da interposição do recurso, citando jurisprudência do STJ nessa vereda. Assim, conclui, que a norma processual aplicável é a vigente quando da apresentação da inconformidade com a decisão administrativa prolatada, o que se deu já na vigência do § 11, do art. 74, da Lei n°9.430/96, acrescido pela Lei n°10.833/03. Preliminarmente alega da nulidade da decisão administrativa, nos termos da legislação que transcreve, dizendo que a carta cobrança foi endereçada à OPP Química S/A, quando ela Braskem S/A, por tê-la incorporado, é quem responde pelos tributos por aquela devidos até a data da incorporação, o que invalida de forma insanável aquele ato administrativo. A seguir diz que a Receita Federal, ao interpretar a sentença concessiva da segurança como tendo garantido seu direito ao aproveitamento dos créditos guerreados tão somente em relação àqueles anteriores à impetração do mandado de segurança, não tendo nenhum efeito quanto ao futuro, incorreu em erro tanto fático como jurídico. Erro fático por inexistir nos autos qualquer negativa do direito em questão, dada à clareza, quer da sentença em reconhecê-lo quer do acórdão do TRF da 4" Região em confirmá-lo; e, jurídico, por tal interpretação contrariar a própria natureza do mandado de segurança cujo escopo é a urgente proteção de direito legitimo do administrado, afastando do mundo jurídico o ato que lhe impede de exercê-lo momentaneamente e no futuro. Diz que, por fundar-se numa 3 Processo n° 13007.000041/2003-39 S2-CITI Acórdão n.° 2101-00.134 Fl. 543 premissa falsa, a decisão está viciada de nulidade. Quanto aos efeitos do mandado de segurança e sua natureza traz a colação ensinamentos da doutrina e precedentes jurisprudenciais. Na seqüência, alega que a existência de decisão a seu favor transitada em julgado materialmente (sublinhado no original), impossibilita a cobrança do crédito tributário. Diz que a interessada teve garantido seu direito em todas as instâncias judiciais, e que a Fazenda Nacional, nunz último esforço, interpôs agravo regimental, recorrendo apenas parcialmente (grifado no original) da decisão monocrática do STF que não conheceu de seu recurso extraordinário. Refere que, no agravo, a Fazenda Nacional não atacou o mérito integral das decisões favoráveis à empresa, limitando-se a rediscutir o direito ao crédito na aquisição de instintos não-tributados (NT), a incidência de correção monetária e a definição da alíquota aplicável na apuração dos créditos objeto da lide. Em razão disso entende que o direito ao creditamento relativo aos insumos isentos ou sujeitos à alíquota zero, já é matéria decidida, não sendo mais passível de reforma. Reforça seu entendimento através da exposição de ensinamentos doutrinários e em disposições legais sobre a coisa julgada. A seguir contesta a aplicação do art. 170-A do CTN, acrescido pela Lei Complementar n° 104/2001, afirmando que tal norma aplica-se exclusivamente às ações judiciais impetradas a partir de 10 de janeiro de 2001, data em que entrou em vigor o referido dispositivo, não atingindo o Mandado de Segurança por ela impetrado, por ser anterior. Diz que tal entendimento está de acordo com a jurisprudência do STJ, trazendo à colação 2'Êjulgados daquela corte. Obsta, igualmente, à incidência do art. 170-A do CTN, o fato de quando da sua edição, já existir decisão judicial cujo teor não pode ser modificado por norma superveniente. Frisa que entendimento contrário implica em outorgar eficácia retroativa a essa norma, em desacordo com o sistema jurídico pátrio que consagra o principio da irretroatividade normativa, admitindo-a em hipóteses pontuais, como a das leis meramente interpretativas, não aplicável ao caso, socorrendo-se de excerto doutrinário nesse sentido. Alega, ainda, a impossibilidade da autoridade administrativa modificar a decisão judicial ou agregar comandos nela não contidos, já que inexiste na sentença previsão de aplicação do art. 170-A do CTN, transcrevendo disposições dos arts. 468 e 469 do Código de Processo Civil (CPC) e posicionamentos da doutrina para fortalecer sua argumentação. Reproduz trechos do pedido do mandado e da sentença concessiva da segurança para demonstrar que o direito concedido foi o aproveitamento imediato dos créditos, dizendo ser clara, na sentença, a autorização para escriturar os créditos e utilizá-los para abater débitos futuros. Afirma que somente o competente recurso à autoridade de superior grau hierárquico, no caso o TRF da 4" Região, poderia desconstituir, reformar ou anular a decisão de 4 Processo n° 13007.000041/2003-39 S2-C I TI Acórdão n.° 2101-00.134 Fl. 544 • 1" instância, poder este vedado à via administrativa, quer em obediência aos princípios da separação dos poderes e da inafastabilidade do controle judicial, quer pela ocorrência da preclusão consumativa. Discorre sobre a execução provisória da sentença que conceder o mandado, a qual não comporta recurso com efeito suspensivo, trazendo jurisprudência do STJ e doutrina sobre a matéria, e realça que a pretensão da Fazenda Nacional, em suspender a compensação imediata dos créditos, foi duplamente denegada nos recursos por ela interpostos. A seguir menciona e extrai excertos dos pareceres lavrados, a seu pedido, pelos professores Arruda Alvim, Eduardo Arruda Alvim, Ovídio Baptista e Roque Antônio Carrazza, que diz ratificarem seu entendimento sobre a matéria enz discussão, reconhecendo a autorização para imediata compensação dos créditos, a não aplicação do art. 170-A do CTN ao caso, e a ocorrência do trânsito em julgado material, por não ter a Fazenda Nacional, no Agravo Regimental por ela interposto, se insurgido in totum contra a decisão monocrática que negou seguimento ao seu Recurso Extraordinário, Daí em diante passa a explicitar os fundamentos jurídicos do direito ao aproveitamento dos créditos discutidos, bem como do seu amparo na doutrina. Diz que tal direito decorre do princípio constitucional da não-cumulatividade, que emerge do § 3° do art. 153 da Constituição Federal de 1988. Afirma que a não permissão do direito ao crédito decorrente da aquisição de insumos isentos, não-tributados ou tributados à alíquota zero, desnaturaria a exoneração tributária intentada pois na saída do produto tributado ao qual se incorporam, a exação incidiria sobre o valor dos ditos insumos, anulando-a. Reforça seu argumento de tal direito verter diretamente da CF/1988, a disposição expressa do constituinte em vedar a possibilidade do creditanzento em relação ao ICMS, tendo silenciado quanto ao IPI, e desta forma o permitindo, tacitamente. Ampara seus argumentas nas lições de diversos doutrinadores pátrios. Traz também à colação a posição do STF, onde, diz estar pacificada a jurisprudência do direito ao crédito em relação aos insumos isentos e sujeitos à aliquota zero, transcrevendo trechos de votos de alguns de seus ministros e mencionando vários arestos daquela corte. Diz que a tal orientação do pretório excelso deve submeter-se a SRF, por força do disposto no art. 1 0 do Decreto n°2.346, de 10 de outubro de 1997, cujo teor transcreve. Reforça que o precedente emanado do plenário da corte suprenza tem sido aplicado em várias decisões monocráticas do próprio STF, e orientado a integralidade da jurisprudência do STJ e dos cinco TRF. Evoca também a introdução do art. 103-A, na Carta Constitucional que dispõe sobre a edição de súmula pelo STF sobre matéria constitucional cujo efeito vinculará os demais órgãos do Poder Judiciário e a administração pública, intentando que a decisão referida é potencialmente sumular. Faz menção ao art. 557 do CPC que autoriza as decisões monocráticas denegando seguimento a recursos quanto à matérias em confronto com súmula ou jurisprudência dominante dos tribunais, dizendo que a orientação do STF é ( 5 Processo n° 13007.000041/2003-39 S2 -C1T1 Acórdão n.° 2101-00.134 Fl. 545 • necessariamente (sublinhado no original) pelo direito ao aproveitamento dos créditos pleiteados, e que enquanto não sobrevier outra de igual hierarquia em sentido diverso, é juridicamente inexigível qualquer conduta à ela contrária, pelo que é ilegal e inconstitucional a pretensão do estorno dos créditos da impugnante. Quanto ao julgamento ocorrido no STF • em 15 de fevereiro do corrente referido no despacho decisório, contrapõe que pende de decisão pelo Plenário a repercussão da mudança de entendimento sobre os processos já julgados, como também, no mesmo dia, o mesmo Plenário rejeitou Embargos de Declaração opostos pela Fazenda Nacional, buscando modificar o precedente anterior que autorizou o crédito, padecendo de ilegalidade e inconstitucionalidade deixar de aplicar a orientação vigente até então naquela Corte ante a inexistência de decisão contrária transitada em julgado sobre a matéria, baseando-se em mera expectativa de mudança de entendimento. Pugna pelo expurgo da incidência da multa de mora e juros de mora, reafirmando que todas as decisões proferidas no processo judicial, garantindo o seu direito ao aproveitamento aos créditos pleiteados, não foram objeto de reforma, encontrando-se em pleno vigor até a presente data. Assim, por estar amparada em provimento judicial, diz que não pode ser considerada em mora, reproduzindo dispositivos do Código Civil e excertos doutrinários a respeito desse instituto. Afirma que a sentença suspendeu a exigibilidade dos tributos na mesma medida em que reconheceu o direito aos créditos do IPL Reproduz o caput e ,sç 2" do art. 63 da Lei n" 9.430/96 que disciplina a matéria e colaciona jurisprudência administrativa e judicial, do Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda e do STF. 2)f. Por fim, pede o acolhimento da manifestação de inconformidade para reformar o despacho decisório e cancelar a carta de cobrança. É o relatório." Por meio do Acórdão DRJ/POA n" 10-14.588, de 6 de dezembro de 2007, os Membros da 3' Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Porto Alegre/RS decidiram, por unanimidade de votos, julgar improcedente a manifestação de inconformidade, para manter o despacho decisório que não reconheceu o direito creditório e não homologou a compensação. A Ementa dessa decisão possui a seguinte redação: "NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. MANDADO DE SEGURANÇA. DENEGAÇÃO. Denegada a segurança quanto ao aproveitamento de créditos decorrentes de aquisições de matérias-primas isentas, nào-tributadas ou sujeitas à aliquota zero, posteriormente ao ajuizamento da ação, não há provimento judicial para sua utilização. COMPENSAÇÃO. CERTEZA E LIQUIDEZ. TRÂNSITO EM JULGADO A compensação como .forma de extinção do crédito tributário exige que os créditos apurados pelo sujeito passivo gozem de certeza e liquidez. Em se tratando cie créditos decorrentes de ação judicial, há necessidade do trânsito em 6 Processo n° 13007.000041/2003-39 S2-C I T I Acórdão n.° 2101-00.134 Fl. 546 julgado e da liquidação da decisão que os reconheceu. ACRÉSCIMOS MORATÓRIOS. A exigência da multa de mora e dos juros moratórios decorre de expressa disposição legal. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. OPÇÃO PELA VIA JUDICIAL. A propositura pelo contribuinte de ação judicial com o mesmo objeto do processo administrativo fiscal, implica a renúncia da discussão na esfera administrativa, tornando-se nela definitiva. Solicitação Indeferida". Inconformada com a decisão prolatada pela primeira instância, a contribuinte apresenta recurso voluntário a este Eg.Conselho, no qual, em síntese e fundamentalmente alega que (i) houve equívoco da Delegacia de Julgamento relativamente à interpretação da decisão obtida pela contribuinte em processo judicial; (ii) há decisão favorável transitada em julgado; (iii) inaplicabilidade do artigo 170-A do CTN; (iv) o direito ao crédito relativo à aquisição de insumos isentos, não-tributados e com alíquota zero é decorrência lógica do princípio da não- cumulatividade; (v) deve ser afastada a multa de mora e juros tendo em vista que a contribuinte se pautou em expressa determinação judicial; (vi) a progressão da multa de oficio (37,5% à vista até o vencimento; 45% até o vencimento com parcelamento; 75% após o vencimento) conflita com o direito à ampla defesa posto que a infração não muda com o passar do tempo. Posteriormente, a contribuinte apresentou memorial, invocando "Questão de Ordem Pública — aplicação retroativa do art. 74, § 6', da Lei n°9.430/96 — Impossibilidade". Alega que as decisões da segunda Turma do CARF vem decidindo no sentido de que somente as declarações entregues a partir de 31/10/2003, data da publicação da MP n° 135/2003, que introduziu o § 6° ao art. 74 da Lei n° 9.430/96, constituem-se em confissão de divida e instrumento hábil e suficiente à exigência dos débitos confessados. Cita os seguintes (r. precedentes: AC. n° 202-18563 e 202-17254. Invoca a Solução de Consulta Interna n° 03, cujo teor, alega, deve ser observado por todos os agentes administrativos. Transcreve excertos da decisão administrativa. Cita entendimento do STJ — AgRg no REsp n° 770.939-SP, Reg. n° 2005/0126308-1, em sessão de 09/11/2005, rel. Min. Francisco Falcão, o qual determina que" em matéria e compensação tributária, deve ser observada a legislação vigente à época do ajuizamento da ação, não podendo ser julgada a causa à luz do direito superveniente". Citando decisões do STJ (AgRg no REsp 801.069/RS e RESP 419.476/RS), rejeita O entendimento de que a DCTF se caracterizaria em confissão de dívida no caso especifico de ter ocorrido a declaração de compensação. Traz como precedente o AC. n° 102-47809 para sustentar a alegação de inexistir saldo a pagar (confissão de dívida) na medida em que o pedido de compensação equivale ao pagamento da obrigação. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Maria Teresa Martinez López, Relatora O recurso voluntário é tempestivo, portanto dele tomo conhecimento. Em 10/02/2003 a empresa OPP Química S/A apresentou Declaração de Compensação (fl. 01) para compensar crédito de IPI, de janeiro de 2003, proveniente de fT 7 Processo n° 13007.000041/2003-39 S2-CI Ti Acórdão n.° 2101-00.134 Fl. 547 decisão judicial, solicitação que foi negada pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Porto Alegre/RS. Inconformada com referida decisão a empresa Braskem S/A, sucessora por incorporação da OPP Química S/A, apresentou recurso voluntário alegando que: (i) houve equívoco da Delegacia de Julgamento relativamente à interpretação da decisão obtida pela contribuinte em processo judicial; (ii) há decisão favorável transitada em julgado; (iii) não é aplicável o artigo 170-A do CTN; (iv) o direito ao crédito relativo à aquisição de insumos isentos, não- tributados e com alíquota zero é decorrência lógica do princípio da não-cumulatividade; (v) deve ser afastada a multa de mora e juros tendo em vista que a contribuinte se pautou em expressa determinação judicial; (vi) a progressão da multa de oficio (37,5% à vista até o vencimento; 45% até o vencimento com parcelamento; 75% após o vencimento) conflita com o direito à ampla defesa posto que a infração não muda com o passar do tempo. Conforme relatado, posteriormente, a contribuinte apresentou "Questão de Ordem Pública — aplicação retroativa do art. 74, § 6°, da Lei n° 9.430/96 — Impossibilidade". Alega que as decisões da segunda Turma do CARF vem decidindo no sentido de que somente as declarações entregues a partir de 3 1/10/2003, data da publicação da MP n° 135/2003, que introduziu o § 6° ao art. 74 da Lei n° 9.430/96, constituem-se em confissão de divida e instrumento hábil e suficiente à exigência dos débitos confessados. Cita os seguintes precedentes: AC. n° 202-18563 e 202-17254. Invoca a Solução de Consulta Inferna n° 03, cujo teor, alega, deve ser observado por todos os agentes administrativos. Transcreve excertos da decisão administrativa. Cita entendimento do STJ — AgRg no REsp n° 770.939-SP, Reg. n° 2005/0126308-1, em sessão de 09/11/2005, rel. Min. Francisco Falcão, o qual determina que" em matéria e compensação tributária, deve ser observada a legislação vigente à época do ajuizamento da ação, não podendo ser julgada a causa à luz do direito superveniente". Citando decisões do STJ (AgRg no REsp 801.069/RS e RESP 419.476/RS), rejeita o entendimento de que a DCTF se caracterizaria em confissão de dívida no caso específico de ter ocorrido a declaração de compensação. Termina na alegação de inexistir saldo a pagar (confissão de divida) na medida em que o pedido de compensação equivale ao pagamento da obrigação; traz como precedente o AC. no 102-47809). Preliminar de nulidade Passo primeiramente à questão de ordem pública: irretroatividade da Lei n° 9.430/96; necessidade de lançamento de oficio para cobrança de possíveis débitos confessados. Como bem exposto pela contribuinte, " as questões de ordem pública são aquelas que podem ser conhecidas em qualquer instância ou grau de jurisdição, inclusive na esfera administrativa, uma vez que sobre elas predomina o interesse público, não sendo derrogáveis e disponíveis pelas partes e pelos próprios julgadores". ti 8 Processo n° 13007.000041/2003-39 S2-CITI Acórdão n.° 2101-00.134 Fl. 548 Em apertada síntese, a recorrente alega a impossibilidade de cobrança dos débitos compensados sem o lançamento de ofício. Somente as declarações entregues a partir de 31/10/2003, data da publicação da MP n" 135/2003, que introduziu o § 6° ao art. 74 da Lei n° 9.430/96, constituem-se em confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente à exigência dos débitos confessados. Penso estar correto o entendimento externado pela contribuinte. Senão vejamos. É bem verdade que as conclusões sobre o tema — necessidade ou não de lançamento - vêm sendo resultantes da vivência de cada um; o resultado final depende exclusivamente do livre-convencimento do aplicador da lei em um caso concreto. Com bem defende o Prof. Hugo de Brito Machado', não existe uma só idéia contra a qual não se possa suscitar, fundamentadamente, outra idéia. O fato é que, ao interpretar uma lei ou um fato dentro do sistema jurídico, não há verdade absoluta, mas deve haver entendimento coerente, razoável, moral e ético. Para melhor elucidação dos fatos mister retornar ao passado. O início da trajetória dessa discussão se dá com o Decreto-Lei n° 2.124/84, cujo artigo 5° estava assim disposto: "Art. 5" O Ministro da Fazenda poderá eliminar ou instituir obrigações acessórias relativas a tributos federais administrados pela Secretaria da Receita Federal. sç 1 0 O documento que formalizar o cumprimento de obrigação acessória, comunicando a existência de crédito tributário, constituirá confissão de divida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do referido crédito. (.)". Posteriormente, a IN n° 77/98, com redação dada pela IN ° 14/2000, que orientou o entendimento da administração, preceituava assim: "Art. 1 0 Os saldos a pagar, relativos a tributos e contribuições, constantes da declaração de rendimentos das pessoas físicas e da declaração cio ITR, quando não quitados nos prazos estabelecidos na legislação, e da DCTF, serão comunicados à Procuradoria da Fazenda Nacional para fins de inscrição como Dívida Ativa da União. Parágrafo único. Na hipótese de indeferimento de pedido de compensação, efetuado segundo o disposto nos arts. 12 e 15 da Instrução Normativa SRF es 21, de 10 de março de 1997, alterada pela Instrução Normativa SRF n" 73, de 15 de setembro de 1997, os débitos decorrentes da compensação indevida na DCTF serão comunicados à Procuradoria da Fazenda Nacional para fins de inscrição como Divida Ativa da União, trinta dias após a ciência da decisão definitiva na esfera administrativa que manteve o indeferimento." (grifos, não do original) Coisa julgada, constitucionalidade e legalidade em matéria tributária/Coordenador Hugo de Brito Machado. São Paulo: Dialética, 2006, p.148. 9 Processo n° 13007.000041/2003-39 S2-C1T1 Acórdão n.° 2101-00.134 Fl. 549 Com a edição da MP n° 2.158/2001 2, nos casos em que o pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão da exigibilidade informados na DCTF fossem indevidos ou não comprovados, o entendimento da SRF e da PGFN passou a ser de que o lançamento deveria ser efetuado. Em meados de 2002 o STJ firmou jurisprudência no sentido de que nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, a declaração do contribuinte por meio da Declaração de Contribuições e Tributos Federais — DCTF — elide a necessidade da constituição formal do débito pelo Fisco 3 . Dá-se início, novamente, a entendimentos opostos, mas concomitantes, e cada qual com fundamentação coerente: uns amparados na interpretação do CTN, e outros na jurisprudência do STJ. No caso presente, há uma situação peculiar a afastar o entendimento geral. Não cabe simplesmente o estudo de se analisar da existência de débitos declarados ou não. Releva a análise a questão do pedido de compensação de débito informado em DCTF antes da MP n° 135/2003, que introduziu o § 6° ao art. 74 da Lei n° 9.430/90. A contribuinte informa o débito e ao mesmo tempo o pagamento em DCTF. Inexiste saldo a pagar declarado em DCTF — situação que, não fosse o procedimento anterior à MP n° 135/2003, poderia cair na vala comum da interpretação da jurisprudência do STJ. Nesse sentido, interessante reproduzir a Solução de Consulta Interna n° 3, de 08 de janeiro de 2004, ao esclarecer que "somente as declarações de compensação entregues à SRF a partir de 31/10/2003, data da publicação da MP ri2 135, de 2003, constituem-se confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente à exigência dos débitos indevidamente compensados". Veja-se excertos da premencionada consulta: "2. FUNDAMENTAÇÃO LEGAL 5.Para melhor compreensão da matéria convém transcrever inicialnzente o art. 17 da Lei n a 10.833, de 2003: "Lei n°10.833, de 2003. Art.17. O art. 74 da Lei n' 9.430, de 27 de dezembro de 1996, alterado pelo art. 49 da Lei na 10.637, de 2002, passa a vigorar com a seguinte redação: "Art. 74 §3 0 Além das hipóteses previstas nas leis especificas de cada tributo ou contribuição, não poderão ser objeto de compensação 2 Art. 90. Serão objeto de lançamento de oficio as diferenças apuradas, em declaração prestada pelo sujeito passivo, decorrentes de pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão da exigibilidade, indevidos ou não comprovados, relativamente aos tributos e às contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal. 3 Agravo Regimental no RESP n° 443.971/PR 4 § 6° - A decalração de compensação constitui confissão de divida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. ( to Processo n° 13007.000041/2003-39 S2-C I Ti Acórdão n.° 2101-00.134 Fl. 550 mediante entrega, pelo sujeito passivo, da declaração referida no áç 12: 111-os débitos relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal que já tenham sido encaminhados à Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional para inscrição em Dívida Ativa da União; IV-os créditos relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal com o débito consolidado no âmbito do Programa de Recuperação Fiscal - Refis, ou do parcelamento a ele alternativo; e V-os débitos que já tenham sido objeto de compensação não homologada pela Secretaria tia Receita Federal. §5' O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de cinco anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. §6'A declaração de compensação constitui confissão de divida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. §72151ão homologada a compensação, a autoridade administrativa deverá cientificar o sujeito passivo e intimá-lo a efetuar, no prazo de trinta dias, contado da ciência do ato que não a homologou, o pagamento dos débitos indevidamente compensados. §fflIslão efetuado o pagamento no prazo previsto no áç 7, o débito será encaminhado à Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional para inscrição em Dívida Ativa da União, ressalvado o disposto no 9. §9QÉ facultado ao sujeito passivo, no prazo referido no § 72, apresentar manifestação de inconformidade contra a não- homologação da compensação. §10. Da decisão que julgar improcedente a manifestação de inconformidade caberá recurso ao Conselho de Contribuintes. §11.A manifestação de inconformidade e o recurso de que tratam os §§ 9 e 10 obedecerão ao rito processual do Decreto n' 70.235, de 6 de março de 1972, e enquadram-se no disposto no inciso III do art. 151 da Lei e 5.172, de 25 de outubro de 1966- Código Tributário Nacional, relativamente ao débito objeto da compensação. §12.A Secretaria da Receita Federal disciplinará o disposto neste artigo, podendo, para fins de apreciação das declarações de compensação e dos pedidos de restituição e de ressarcimento, 11 Processo n° 13007.000041/2003-39 S2-C1 TI Acórdão n.° 2101-00.134 Fl. 551 1 fixar critérios de prioridade em função do valor compensado ou a ser restituído ou ressarcido e dos prazos de prescrição." (NR) 6.A Declaração de Compensação (Dcomp) foi instituída pelo art. 49 da MP n' 66, de 29 de agosto de 2002, convertida na Lei n2 10.637, de 30 de dezembro de 2002. 7.Cotejando o texto da MP n 2 66, de 2002, com o da MP n2 135, de 2003, verifica-se que a Dcomp, à época em que foi instituída, não tinha o caráter de confissão de dívida. Tal status só lhe foi conferido com a edição da MP n 2 135, de 2003, cujo art. 17, ao adicionar novo § 62 ao art. 74 da Lei n2 9.430, de 27 de dezembro de 1996, atribuiu à declaração de compensação natureza de confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. 8.Essa é a interpretação mais consentânea com o Direito, segundo a qual as leis, em princípio, produzem efeitos para o futuro. 9.Portanto, somente as declarações de compensação entregues à SRF a partir de 31/10/2003, data da publicação da MP n° 135, , de 2003, constituem-se confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente à exigência dos débitos indevidamente compensados. (destaque sublinhado, não do original) 10.Quanto à segunda parte da primeira questão apresentada pela Corat quanto à aplicação do rito processual mencionado no § 11 do art. 74 da Lei n°9.430, de 1996, às Dcomp apresentadas 4<". antes da edição da MP n2 135, de 2003, e aos pedidos de . . compensação pendentes de apreciação, considerados declaração de compensação, ou seja, se as nianifestaçoes de inconformidade e os recursos já apresentados têm o condão de suspender a exigibilidade do crédito tributário, há que se considerar duas situações: a) verificado que se trata de compensação indevida de tributo ou contribuição não lançado de ofício nem confessado, b)deve-se promover o lançamento de oficio do crédito tributário, sendo que eventuais impugnações e recursos suspendem sua exigibilidade; " Tal entendimento da legislação está amparada pelo disposto no art. 144 do CTN, o qual determina que o lançamento reporta-se à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e rege-se pela lei então vigente, ainda que p6steriormente modificada ou revogada. Por todo o exposto, acolho a preliminar argüida para determinar o cancelamento das cobranças em razão da ausência de lançamento. Apenas, no caso de ser vencida na preliminar acima pelos meus ilustres pares é que enfrento as demais questões argüidas pela recorrente. Mérito: (12 Processo n° 13007.000041/2003-39 S2-C ITI Acórdão n.° 2101-00.134 Fl. 552 (i) Da alegação de equívoco relativamente à interpretação da decisão judicial Alega a contribuinte (entenda-se que, quando cito a contribuinte, refiro-me às empresas incorporadas pela Braskem que hoje as representa em face da sucessão), em primeiro lugar, que houve erro da Delegacia de Julgamento relativamente à interpretação da decisão obtida pela contribuinte em processo judicial. Isso porque, depois de o julgador explicitar sobre os fundamentos que o levou a tomar sua decisão relativamente ao processo judicial da contribuinte, à fl. 458 assim finaliza: "Em assim sendo, os créditos decorrentes das aquisições de insumos isentos, não-tributados ou tributados à aliquota zero, no que toca aqueles entrados no estabelecimento da impugnante após a impetração do mandado de segurança (06/07/2000), não estão alcançados pela segurança concedida nos autos do Mandado de Segurança impetrado, nem assegurados pelo acórdão do TRF-4 resultando correto, nesta parte, o entendimento da decisão hostilizada." (grifei) Alega também a contribuinte que houve omissão quanto aos pareceres trazidos aos autos que teriam consignado que o direito ao creditamento de IPI teria sido reconhecido judicialmente à recorrente, inclusive no que diz respeito às operações futuras. Cronologicamente, o que podemos obter dos autos é que o Mandado de Segurança n° 2000.71.00.018617-3 foi impetrado em 06/07/2000, e os créditos utilizados pela contribuinte para a presente compensação referem-se ao período aquisitivo dos insumos de janeiro de 2003 (fl. 02), razão porque, de acordo com a linha de raciocínio estabelecida na decisão a quo, a compensação não foi homologada, eis que o período aquisitivo é posterior à impetração do Mandado de Segurança. A cópia da tão debatida sentença encontra-se às fls. 275/282, e o dispositivo (fl. 281) vem assim disposto: "Dispositivo. Pelo exposto, concedo parcialmente a segurança requerida, para o efeito de reconhecer às impetrantes o direito de aproveitar os valores de aquisição de matérias primas isentas, não-tributadas, ou tributadas com aliquota zero de IPI como abatimento do valor de venda dos produtos que elaboram, para apuração do referido tributo. O aproveitamento mencionado fica limitado às operações de aquisição de insumos efetivadas dentro dos cinco anos anteriores ao ajuizamento da ação, e sobre eles será computada correção monetária segundo a variação da UFIR, até 3111211995, e daí até o efetivo aproveitamento segundo o § 4', do art. 39, da L 9,250/1995. Denego a segurança quanto aos demais pedidos." (grifos do original) Em primeiro lugar, bom se ter em conta que devido à supremacia do Judiciário sobre o Administrativo, cabe a este órgão tão-somente aplicar a lei estabelecida por aquele outro órgão, eis que a sentença faz lei entre as partes, sendo-nos vedado interpretar sentença ou acórdão, mesmo que não transitado em julgado. 13 Processo n° 13007.000041/2003-39 S2-CIT1 Acórdão n.° 2101-00.134 Fl. 553 A autoridade fiscal, corroborada pelo julgador "a quo", diante do procedimento adotado pela contribuinte, optou por interpretar a sentença judicial, utilizando-se da interpretação literal. No entanto, é temerária a decisão de interpretar sentença judicial. A partir do momento que se abre a via da interpretação, há que se fazê-lo de forma completa, e não superficial, perfunctória. Há que se analisar todas as questões de direito envolvidas, isso porque uma sentença não é proferida sem uma fundamentação legal e sem que se observe as regras estabelecidas em lei, doutrina e jurisprudência. Interpretar sem considerar todos esses fatores é correr o risco de se estar proferindo nova decisão, quando a este órgão cabe somente obedecê- la. Aliás, esse é o comando do próprio TRF4 nos autos da ação mandamental quando decide sobre pedido da União para que sejam sustados os efeitos da sentença concessiva da segurança: "Em que pese os argumentos erigidos pela apelante, os quais, diga-se de passagem, não vem recebendo o beneplácito jurisprudencial, é de se observar a impossibilidade de se dar vazão ao pleito antecipatório nesta quadra processual, vez que as alegações da recorrente, para subsistirem, dependem do minudente estudo dos autos, certo, ademais, que se deve atentar a existência de sentença monocrática reconhecendo parcialmente os fundamentos erigidos no "mandamus", pelo que não se (leve, perfunctoriamente, afastar os seus efeitos, mesmo porque fulcrada, a princípio, em análise exauriente dos elementos lançados à análise judicial." (grifos não do original) Muito bem, o motivo principal para que tanto a autoridade administrativa quanto o julgador a quo tenham interpretado a sentença foi o fato de que o agente fiscal está vinculado ao texto de lei, e deve aplicá-lo estritamente nos seus termos, e sendo assim, entenderam que deveriam interpretar o dispositivo da sentença. Ocorre que, toda lei surte efeitos próprios, e para se estabelecer os limites desses efeitos, há que se analisar de que tipo de norma estamos falando. No caso sob análise, a norma é a sentença proferida, portanto, passo a tecer algumas consideraçOes que entendo de suma importância. A ação judicial proposta pela incorporada foi um mandado de segurança. Em matéria tributária o cabimento dessa ação tem como fundamento o artigo 151, IV do Código Tributário Nacional que estabelece que suspende a exigibilidade do crédito tributário a concessão de liminar em mandado de segurança. O mandado de segurança é um importante veiculo colocado à disposição do contribuinte para, além de se insurgir contra a constitucionalidade de lei, questionar a validade da relação jurídica como disposta na lei, seja para ampliá-la ou para reduzi-la. No caso em questão, o mandado de segurança foi impetrado pela contribuinte com os seguintes objetivos: 1) Creditamento futuro de IPI; 14 Processo n° 13007.000041/2003-39 S2-C I TI Acórdão n.° 2101-00.134 Fl. 554 2) Creditamento retroativo (últimos 10 anos) de IPI; 3) Correção Monetária plena; 4) Compensação com quaisquer outras contribuições ou tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal; 5) Abstenção da Receita Federal quanto ao procedimento pretendido. Não se trata, portanto, de questionamento da inconstitucionalidade de lei, mas da declaração de um direito baseado no principio constitucional da não-cumulatividade relativamente ao IPI. Em suma, a contribuinte adquire insumos isentos do IPI, não tributados ou sujeitos à aliquota zero e dá saída a produtos tributados pelo IPI, de acordo com a classificação na TIPI e pleiteia, por meio de mandado de segurança, o direito a proceder ao aproveitamento do IPI no que se refere aos insumos adquiridos com isenção, não tributação ou tributação à aliquota zero, como se tivesse havido tributação na sua entrada com aliquota idêntica à incidente na saída do produto final para cuja fabricação concorrem, isso tanto para os insumos adquiridos nos últimos dez anos como para aqueles que forem adquiridos no futuro. O aproveitamento é requerido por meio de compensação com débitos futuros do mesmo imposto ou de outros tributos ou contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal. Nesse ponto, para que possamos verificar o alcance da sentença, há que se analisar algumas premissas: Mandado de segurança preventivo: De acordo com o artigo 1° da Lei n° 1.533/51, o mandado de segurança preventivo em matéria tributária tem corno pressuposto situação que motive o justo receio de sofrer violação por parte de autoridade seja ela ilegal, com abuso de poder ou em função da vinculação do funcionário público à lei, que a contribuinte pode considerar ilegal ou inconstitucional. No presente caso, o justo receio da contribuinte se deu em razão do aproveitamento que buscava não estar expressamente previsto em lei e que, portanto, ao adotar por conta e risco o procedimento de aproveitamento dos créditos de IPI, estaria se colocando em situação de risco de autuação. Desta forma, o bem que se buscou proteger com a prevenção, foi o direito de agir de acordo com o princípio da não-cumulatividade previsto na Constituição Federal, sem ser punido por isso. b) IPI — relação jurídica continuativa Em se tratando de IPI, estamos diante de uma relação jurídica continuativa, na qual há um encadeamento sistemático de operações, ou seja, a contribuinte do imposto se encontra em estado de sujeição sucessiva e habitual à norma tributária e, conseqüentemente, à exigência do tributo. Os fatos geradores são periódicos, repetem-se idêntica e sucessivamente, ao abrigo da mesma legislação. Para que referida relação jurídica cesse, é necessário que acontecimentos como a alteração da norma ou do objeto social da contribuinte, ou ainda, sua extinção, ocorram. c) Bem maior protegido pelo mandado de segurança: declaração do direito 15 Processo n° 13007.000041/2003-39 S2-C1 TI Acórdão n.° 2101-00.134 Fl. 555 Adotar o procedimento de aproveitamento dos créditos de IPI decorrentes de aquisições isentas, aliquota zero e não tributadas sem o permissivo legal expresso é que justificou o caráter preventivo do mandado de segurança, mas o bem maior que se buscou foi o reconhecimento, a declaração do direito no que se refere ao aproveitamento do IPI relativamente àqueles insumos, como se tivesse havido tributação na sua entrada com aliquota idêntica à incidente na saída do produto final para cuja fabricação concorre a contribuinte, isso tanto para os insumos adquiridos nos últimos dez anos como para aqueles que forem adquiridos no futuro. Não são os fatos passados ou os futuros o objeto da lide travada, mas o reconhecimento do direito, ou seja, da aplicabilidade do principio da não-cumulatividade previsto na Carta Magna em sua situação fática. d) Efeitos da sentença mandamental declaratória A sentença proferida em mandado de segurança tem natureza mandamental, porque dá uma ordem ao agente público para que pratique ou deixe de praticar determinado ato. Assim está que o direito liquido e certo protegido pela sentença mandamental é justamente a observância pela autoridade pública de regra ou conduta que não esteja expressamente prevista em lei, ou da inobservância daquela autoridade de lei que a contribuinte repute ilegal ou inconstitucional, de forma que o procedimento que vier a ser adotado não sirva como fundamento para, por exemplo, que lhe seja exigido o tributo. Portanto, a sentença mandamental além de declarar o direito líquido e certo que a contribuinte busca ver albergado, também traz consigo o comando, ou a ordem, para que as autoridades públicas procedam ou deixem de proceder desta ou daquela forma. e) Limites da sentença em mandado de segurança Os limites da sentença são estabelecidos pelos limites da lide, e quem define esses limites é o pedido do autor. Como bem esclarece o Prof. Humberto Theodoro Júnior' sobre a matéria: a sentença se interpreta pelo pedido e este, pela causa petendi. No caso das obrigações continuativas, a eficácia da sentença atinge todos os fatos subsumidos à hipótese prevista naquela norma. Não admitir essa condição é o mesmo que negar a garantia constitucional do mandado de segurança para que adquira sua plena eficácia. Seria como exigir que a cada ocorrência do fato previsto na norma sentencial que reconheceu o direito da contribuinte fosse necessária a impetração de novo mandado de segurança. A lei que é julgada aplicável ou inaplicável à incorporada relativamente a uma obrigação continuativa é válida para as ocorrências presentes, passadas e futuras, da mesma forma se estivermos falando de uma conduta. Isso porque a decisão dirige-se não a um fato determinado, mas à norma jurídica que comanda esse fato, ou às circunstâncias que o envolvem. Vejamos um exemplo prático e de fácil visualização: um contribuinte impetra mandado de segurança objetivando que a autoridade fiscal se abstenha de exigir-lhe 5 Coisa Julgada Tributária. Vários autores. São Paulo: MP editora, 2005, p. 186. 16 Processo n° 13007.000041/2003-39 S2-C1 TI Acórdão n.° 2101-00.134 Fl. 556 , determinado tributo em razão de sua inconstitucionalidade, e que os valores indevidamente recolhidbs possam ser utilizados em compensações com outros tributos, respeitando-se o prazo decadencial. Em sendo procedente a sentença, e não havendo qualquer mutação na legislação, não se pode crer que o magistrado considere inconstitucional somente o passado e obrigue a contribuinte a continuar recolhendo o tributo julgado inconstitucional. Despiciendo se falar sobre o futuro, contudo, necessária a delimitação do passado uma vez que normalmente há divergências quanto ao prazo decadencial. É bem verdade que a prática do passado exigia que a cada exercício fosse impetrado um mandado de segurança, muito embora a relação jurídica tributária fosse a mesma (mesmo sujeito ativo, mesmo sujeito passivo, mesma legislação). Porém, essa prática está totalmente superada, e em se tratando de relação jurídica de natureza continuativa, os efeitos da sentença são válidos para o presente, para o futuro e para o passado, sendo a recuperação dos valores indevidamente recolhidos limitada ao prazo decadencial. De posse dessas premissas, passamos ao caso concreto. Conforme já exposto anteriormente, o mandado de segurança foi impetrado com o objetivo de obter o permissivo judicial para efetuar o aproveitamento do IPI relativamente aos insumos isentos, não tributados ou tributados à aliquota zero, como se tivesse havido tributação na sua entrada com alíquota idêntica à incidente na saída do produto final para cuja fabricação concorre a incorporada, isso tanto para os insumos adquiridos nos últimos dez anos como para aqueles que forem adquiridos no futuro. Vamos nos ater ao pedido principal (direito ao creditamento) uma vez que os demais pedidos são secundários e não fazem sentido algum se o creditamento não for provido. O que se infere do pedido efetuado é que não foi restritivo, ou seja, não está limitado a um determinado fato, período ou operação concreta, isso porque se trata de uma relação jurídica continuativa. Ao pugnar por um direito abrangente e não a um fato específico, não seria nem necessário dizer que sua validade era para relações jurídicas futuras. Seria um non sense admitir que em relações continuativas a impetrante buscaria proteção para somente um período específico quando a legislação que rege aquele procedimento é a mesma e continuaria surtindo efeitos. O mesmo não se pode afirmar quando o bem que se busca está no passado. Isso porque sempre houve divergências quanto ao prazo decadencial ser de 5 ou 10 anos. Não estabelecer no pedido exatamente aquilo que se pretende, fundamentando a sua pretensão, é correr o risco de não obter o que lhe é direito, sem que possa discutir tal fato novamente. Desta forma, fica evidente que para que se possa "interpretar" uma sentença, a análise não pode ficar adstrita à gramática utilizada pelo julgador, mas ao tipo de ação proposta, aos efeitos e limites da sentença e, principalmente, ao bem que se busca. Não resta qualquer dúvida de que a sentença proferida nos autos do mandado de segurança n" 2000,71,00,018617-3 tem cunho declaratório visto que o direito liquido e certo que protege está radicado na observância de regra constitucional que estava sendo violada pela autoridade administrativa a partir do momento que não permitia que a contribuinte aproveitasse o crédito de IPI resultante das aquisições de insumos isentos, não tributados ou tributados à alíquota zero. E se o DIREITO foi deferido, também resta claro que o único limite que envolve /17 Processo n° 13007.000041/2003-39 S2-CIT I Acórdão n.° 2101-00.134 Fl. 557 a questão é o da decadência, isso porque não importa a imprecisão da ordem deferida, o certo é que a razão de ser do mandado de segurança era reconhecer a legalidade do procedimento a ser adotado quanto ao aproveitamento dos créditos de IPI, pedido esse formulado com o expresso propósito de não mais se sujeitar a qualquer ato constritivo da administração pública. Em suma, se o ato ilegal ou abusivo é declarado indevido, de forma genérica, em relação às situações jurídicas a ele ligadas como um todo, a coisa julgada projetar-se-á a exercícios financeiros futuros, até que haja alguma alteração no estado de fato e/ou de direito da decisão ou mesmo do contribuinte, ou ainda, da legislação envolvida. Se a ordem foi no sentido de que a autoridade se abstivesse de cobrar o imposto não recolhido em função do aproveitamento do crédito de IPI, disso se segue não ser possível cobrar tributo do beneficiário dessa decisão, dentro dos limites por ela impostos. Em linha a esse raciocínio já decidiu o TRF da 3' Região em apelação em mandado de segurança n" 91.03.030008-0, da lavra da Relatora Lúcia Figueiredo, no qual afirma que as relações jurídicas continuativas "protraem-se no tempo" e que "decidida a controvérsia, não há razão para que o remédio heróico seja proposto mensalmente, se vigente a mesma lei e se sucede a mesma situação de fato". Quanto ao procedimento autorizado pela sentença, é fato que o Tribunal Regional Federal da 4' Região foi chamado a agir por recurso voluntário tanto da parte autora como da Fazenda Nacional, independentemente do duplo grau necessário, e como ao administrativo cabe tão-somente obedecer a determinação judicial, o que temos na Ementa cuja cópia consta dos autos é o seguinte (seguem comentários desta julgadora entre parênteses e em negrito): "TRIBUTÁRIO. IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS — IPI. MATÉRIAS-PRIMAS E INSUMOS ISENTOS, NÃO-TRIBUTADOS OU TRIBUTADOS À ALíQUOTA ZERO. PRODUTO FINAL TRIBUTADO. POSSIBILIDADE DE CREDITA MENTO. COMPENSAÇÃO. CORREÇÃO MONETÁRIA. 1. O principio da não-cuniulatividade, insculpido no artigo 153, § 3', II, da Constituição Federal, deve ser observado em todas as etapas do processo produtivo, inclusive se houver o emprego de matérias-primas ou insumos isentos, não-tributados ou tributados à aliquota zero no processo de industrialização do produto. Se for eliminada a possibilidade de aproveitamento do crédito de IPI referente a insunzos adquiridos sem a incidência de aproveitamento do crédito de IPI referente a insumos adquiridos em a incidência dessa exação, estar-se-á anulando o tratamento privilegiado, pois a aliquota do tributo recairá sobre a totalidade do valor do produto industrializado e não somente sobre o valor agregado. (o TRF 4"R já exerceu o direito de interpretar a sentença de primeira instância confirmando que o direito líquido e certo que buscaram as impetrantes foi reconhecido, sem limitação temporal, uma vez que se trata de relação jurídica continuativa, não cabendo, portanto, à instância administrativa fazê-lo) 2. Á restrição imposta pelo art. 155, ,sÇ 2°, II, da Constituição, está adstrita ao ICMS. 18 Processo n° 13007.000041/2003-39 S2-C1 Ti Acórdão n.° 2101-00.134 Fl. 558 3. A distinção doutrinária entre isenção, não-tributação e tributação à alíquota zero não constitui óbice ao direito de crédito do IPI, visto que, na prática, todas são formas de desoneração tributária. Embora o art. 11 da Lei n°9.779/99 não abarque a hipótese dos autos, reforça essa tese, porquanto o legislador avalizou a igualdade de tratamento às situações de isenção e tributação com alíquota zero, resguardando a regra constitucional da não-cuniulatividade do IPL (fica ainda mais claro que o direito líquido e certo garantido às impetrantes é o direito de crédito do IPI como forma de desoneração tributária, não estando restrito a um determinado fato, período ou operação concreta) 4. O fato de o IPI possuir uma forma diferenciada de apuração, mediante a aferição de créditos e débitos por intermédio de uni "sistema de conta-corrente", não afasta a aplicação das regras do CTN. Embora os créditos em questão sejam escriturais, não há que negar que o não-creditamento, vedado pelo Regulamento do IPI, constitui pagamento indevido, a justificar o direito do contribuinte ao ressarcimento do tributo. (o TRF introduz seu entendimento quanto à possibilidade de a contribuinte aproveitar o crédito de IPI não somente via creditamento em escrita fiscal, mas por meio de ressarcimento, que pode ser tanto valor repetido, como compensado.) 5. Em sede de prazo decadencial, aplica-se o artigo 150, ,sç 4°, combinado com o artigo 168 do CTN, ou seja, o contribuinte terá direito à escrituração de créditos do IPI nos 10 (dez) anos anteriores à propositura da ação. (único momento em que o TRF limita a decisão, e isso somente no que concerne ao crédito acumulado, que deve respeitar os 10 anos anteriores à propositura da ação) 6. Na forma cio artigo 66 da Lei n" 8.383/91, é possível a compensação dos valores apurados a maior somente com prestações vincendas cio próprio IPI, extiguindo-se o crédito sob condição resolutória de ulterior homologação (art. 150, § 1' do CTN). O artigo 11 da Lei n" 9.779/99 em nada alterou a sistemática de compensação, devendo o contribuinte, se pretender utilizar tais créditos na compensação com outros tributos ou contribuições administrados pela SRF, protocolar requerimento administrativo nesse sentido. (o TRF concede expressamente o direito da contribuinte de aproveitar seus créditos por nteio de compensação, nos termos do artigo 66 da Lei n° 8.383/91, independentemente de pedido à SRF, desde que com débitos do próprio IPI, ficando esse procedimento sujeito a ulterior homologação. Também não vedou a compensação com demais tributos adnúnistrados pela SRF, somente condicionou ao requerimento administrativo) 7. Aplicável, no particular, a correção monetária integral, consoante precedente da 1" Seção deste Tribunal (EIAC no 1999.71.11.003968-3), inclusive com a incidência da Taxa SELIC, a partir de 0110111996, afastado, no entanto, qualquer outro acréscimo porque composta de correção monetária e juros 19 Processo n° 13007.000041/2003-39 S2-CITI Acórdão n.° 2101-00.134 Fl. 559 na forma do artigo 39, § 4 0, da Lei n° 9.250/95, sob pena de malferimento do princípio da isonomia." Desta forma, como o caso presente trata de aproveitamento de insumos adquiridos posteriormente ao ajuizamento do MS n° 2000.71.00.018617-3 (06/07/2000), neste item discordo da decisão de primeira instância no sentido de que a sentença reconheceu o direito ao aproveitamento dos créditos de IPI somente relativamente aos insumos adquiridos antes do ajuizamento do mandamtts, muito embora, como se verá abaixo, esse entendimento não interferirá no resultado do presente julgado. (ii) Da suposta decisão favorável transitada em julgado O Mandado de Segurança n° 2000.71.00.018617-3 foi impetrado em 06/07/2000, para obter o direito de aproveitamento do IPI apurado com base nas aliquotas de saída, relativamente às entradas dos últimos anos e posteriores ao ajuizamento da ação, para compensação com débitos de IPI e outros tributos administrados pela SRF. As impetrantes pediram, também, que a SRF fosse obstada de autuá-las pelo aproveitamento dos referidos créditos e de negar-lhes CND, bem como que os créditos fossem atualizados monetariamente, com a inclusão dos expurgos inflacionários. A liminar foi indeferida e o direito reconhecido por sentença, proferida em 23/10/2000 e juntada aos autos, que conferiu o direito ao aproveitamento dos créditos e, relativamente àqueles já acumulados, somente dos últimos cinco anos, para abatimento do IPI devido pelas saídas de seus produtos tributados, atualizados monetariamente pela UFIR até 31/12/1995 e pela taxa Selic a partir de janeiro de 1996. As impetrantes apelaram do prazo decadencial, do indeferimento do direito de compensação com outros tributos e da não obstrução dos atos fiscalizatórios da SRF e a Fazenda Nacional requereu o recebimento do recurso com efeito suspensivo e a cassação da segurança concedida por afronta à Constituição. O Tribunal Regional da 4 1̀ Região, em decisão prolatada em 21/03/2002 e juntada aos autos, deu provimento parcial às apelações, declarando o direito ao aproveitamento dos créditos de IPI relativos aos insumos utilizados na sua produção e, quanto ao prazo decadencial, estendeu-o para dez anos anteriores ao ajuizamento, com correção monetária integral, conforme precedentes do tribunal, aplicando-se, a partir de 1 2/01/1996, unicamente a taxa Selic. O TRF4 reconheceu o direito de compensação dos créditos com débitos do próprio IPI, nos termos do art. 66 da Lei n 2 8.383/91, que não exige liquidez e certeza para ser implementada, devendo as impetrantes, se quisessem utilizar os créditos de IPI para quitação de quaisquer outros tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, se sujeitar, primeiramente, ao exame prévio de sua liquidez e certeza. A Procuradoria da Fazenda Nacional ingressou com recurso extraordinário, o qual, inicialmente, teve o seu seguimento negado por decisão monocrática, depois tornada insubsistente pela Primeira Turma do STF, conforme demonstra a decisão publicada no DJE em 07/02/2008, verbis: "Decisão: Por maioria de votos, a Turma deu provimento ao agravo regimental no recurso extraordinário para que o extraordinário tenha regular seqüência, declarando 20 Processo n° 13007.000041/2003-39 S2-CITI Acórdão n.° 2101-00.134 Fl. 560 insubsistente o ato atacado mediante o agravo; vencidos os, Ministros Sydney Sanches, que o desprovia e o Ministro Carlos Britto, que lhe dava parcial provimento em sentido diverso. Não participou, justificadamente, deste julgamento a Ministra Cármen Lúcia. 1". Turma, 11.12.2007." No recurso extraordinário (RE n2 363.777), a União requer seja declarado inviável o creditamento de IPI sobre os insumos de aliquota zero e os não tributados, bem como seja vetada a correção monetária dos créditos escriturais de IPI. O referido recurso ainda não foi apreciado pelo STF. Portanto, resta incontroverso que a sentença proferida em primeira instância, que foi parcialmente reformulada pelo TRF da 4 LI Região, encontra-se ainda sem trânsito em julgado, quer formal, quer material, como defende a recorrente. (iii) Do artigo 170-A Relativamente à aplicação do artigo 170-A 6 do Código Tributário Nacional, por se tratar de matéria incidental, não consta da ementa já transcrita acima. A sua aplicabilidade, que foi requerida pela Fazenda Nacional, encontra-se devidamente analisada no voto do Ilustre Relator, cujos excertos a seguir reproduzo: "Ressalto, outrossim, que o disposto no 170-A do CT1V, acrescentado pela Lei Complementar n° 104, de 10 de janeiro de 2001, que veda a compensação de tributo objeto de contestação judicial antes do trânsito em julgado da sentença, somente é aplicável a pagamentos indevidos realizados após a vigência desse dispositivo, em face das regras do direito intertemporat " (negrito, não do original) 1Aliás, tal como o decidido pelo TRF da 4a Região, já é assente a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça quanto à sua inaplicabilidade aos processos ,... iniciados antes de sua vigência'. 6 Art. 170-A - É vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial. 7 "3. Salta aos olhos que a regra de conduta do caso concreto reflete-se na parte dispositiva da decisão judicial, a qual faz coisa julgada. Na hipótese dos autos, a parte dispositiva do julgado embargado não merece quaisquer reparos, pois refletiu sólida jurisprudência do STJ; constatou-se que demandas ajuizadas anteriormente à vigência da LC 1042001, não se aplica o art. 170-A do CTN. Embargos de declaração acolhidos, sem efeitos infringentes, exclusivamente para explicitar a não-incidência, in casu, do disposto no art. 170-A do CTN, inserido pela Lei Complementar n. 104/01" (EDcl no AgRg no REsp 726.241/CE, Relator Min. Humberto Martins, Segunda Turma, julgado em 22.4.2008, DJ 16.5.2008, p. 1). "quando a propositura da ação ocorrer antes da vigência da Lei Complementar n° 104 ,01, que introduziu no Código Tributário o artigo 170-A, ou seja, antes de 10.01.01, a compensação tributária prescinde da espera do trânsito em julgado da decisão que a autorizou, porquanto este diploma legal não possui natureza processual, o que faz com que se aplique ao tempo dos fatos. Precedentes de ambas as Turmas de Direito Público (..)" (REsp 918.680vSP, Rel. Min. Castro Meira, Segunda Turma, julgado em 22.5.2007, DJ 4.6.2007, p. 334). "o art. 170-A do CTN, inserido pela Lei Complementar n. 10401, dispõe que: "É vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial." 4. Na hipótese dos autos, todavia, constata-se que os pagamentos indevidos realizados antes da vigência do aludido art. 170-A do CTN, não são alcançados por essa norma. Agravo regimental provido 721 Processo n° 13007.000041/2003-39 S2-CITI Acórdão n.° 2101-00.134 Fl. 561 • Note-se que o Código Tributário Nacional não possui natureza processual, devendo ser aplicado ao tempo dos fatos. Assim, para os insumos adquiridos a partir da vigência da LC 104/01, mesmo que o processo seja anterior, aplicável a limitação prevista no artigo 170-A, por força do decidido pelo Tribunal. Aqui, poder-se-ia argüir que a norma em pauta não se aplica ao caso presente uma vez que não se trata de pagamento indevido, mas sim de créditos escriturais. Não podemos usar de dois pesos e duas medidas. Se para efeitos de deferir a compensação o crédito escritural foi elevado ao patamar de pagamento indevido, não há como afastar esse entendimento quando se trata da aplicabilidade de uma norma que pode ser prejudicial à contribuinte. Aliás, o V. Acórdão foi bem claro, conforme se observa do excerto acima, ao apontar o direito intertemporal para justificar a aplicabilidade do artigo 170-A do CTN somente para as compensações cujos créditos fossem oriundos de matérias-primas e insumos adquiridos após sua vigência. Veja-se que compensação e creditamento são coisas totalmente distintas. Há que se dar à lide o desfecho compatível com o direito invocado. Ao registro do crédito de IPI na escrituração contábil do tributo não se aplica o artigo 170-A, devendo-se aplicar referido dispositivo tão-somente no caso de compensação, como é o presente (precedentes jurisprudenciais — REsp 763568/PR, ia Turma, Rel. Min. Luiz Fux, DJ 07/11/2006; REsp 720851/RS, 2a Turma, Rel. Min. Castro Meira, DJ 10/10/2005; AgRg no REsp 673415/RS, Turma, Rel. Min. Francisco Falcão, DJ 01/07/2005). Desta forma, antes do trânsito em julgado da sentença, só é válida a compensação dos créditos oriundos dos insumos adquiridos até a vigência da LC 104/01 (10/01/2001), o que deve ser feito até seu esgotamento. Mas, como o caso presente trata de insumos adquiridos em janeiro de 2003, é indevido o aproveitamento dos créditos, conforme decisão judicial. (iv) Da análise de matéria em discussão judicial A contribuinte traz em seu recurso o exame de matéria discutida em ação judicial. A concomitância de processo judicial e administrativo com a mesma matéria é objeto da Súmula n° 1 deste 2° Conselho de Contribuintes, publicada no DOU de 26/09/2007, verbis: "SÚMULA N°1 Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de oficio, com o mesmo objeto do processo administrativo." Note-se que não há qualquer exceção quanto ao tipo de ação judicial, ao contrário, a Súmula é explicita ao mencionar "por qualquer modalidade processual", portanto, é indiferente se o processo judicial é ou não um Mandado de Segurança. (v) Multa de mora e juros Selic em parte, no sentido de afastar, no caso, o disposto no art. 170-A do CTN, inserido pela Lei Complementar n. 104,01" (AgRg no REsp 726.241/CE, Relator Min. Humberto Martins, Segunda Turma, julgado em 17.5.2007, 1/1 30.5.2007, p. 285). ( 22 Processo n° 13007.000041/2003-39 S2-C IT I Acórdão n.° 2101-00.134 Fl. 562 Relativamente à multa e juros de mora, artigo 61 da lei 'n° 9.430/96 assim estabelece: "Art.61.0s débitos para com a União, decorrentes de tributos e - contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1' de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. §3° Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3" do art. 5° 8, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento." (grifei) A multa de mora não depende da análise de elemento subjetivo para ser aplicada, ou seja, não importa se o atraso ou falta de pagamento se deu por culpa ou por força maior. Havendo o vencimento do débito sem que haja o pagamento, incide a multa. Os juros moratórios consistem em uma indenização pelo atraso no pagamento de uma divida. Ou seja, a Fazenda Pública, que tinha previsão de receber o pagamento do tributo, ficou privada da utilização dessa importância que permaneceu, indevidamente, em poder do contribuinte. Em decorrência do retardamento do pagamento, deve a Fazenda Pública ser remunerada por meio da aplicação dos juros moratórios, aplicados na forma que a lei assim dispuser. Assim, o débito deve ser exigido acrescido dos consectários legais de vez que os mesmos encontram-se expressamente estabelecidos em lei. A multa de mora no caput do artigo 61 da Lei n° 9.430/96 e os juros de mora com base na taxa SELIC no art. 13 da Lei n° 9.065, de 1995 c/c o art. 61, § 3° da Lei n° 9.430/96, de acordo com súmula n° 3 deste 2 a Eg. Conselho de Contribuintes conforme ementa a seguir transcrita: "SÚMULA NO 3, do 2 CC: É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liqüidação e Custódia — Selic para títulos federais." (vi) Multa de oficio Conforme se verifica às fls. 67 e 472, os DARF's emitidos para cobrança do débito são compostos pelo valor original, multa de mora (20%) e juros Selic. § 30 As quotas do imposto serão acrescidas de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC, para títulos federais, acumulada mensalmente, calculados a partir do primeiro dia s.e...101-4§ subseqüente ao do encerramento do período de apuração até o último dia do mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês do pagamento. 23 Processo n° 13007,000041/2003-39 S2•CITI Acórdão n.° 2101-00.134 Fl. 563 A multa de oficio, que vem prescrita no artigo 44 da lei n° 9.430/969, só será aplicável em caso de lançamento de oficio, ou seja, iniciada a ação fiscal sem que haja o pagamento do débito, devida a multa de oficio. Ocorre que o presente processo refere-se a declaração de compensação, a qual não foi homologada e, em decorrência disso, foi emitido DARF para pagamento, com acréscimo da multa de mora, mas não a de oficio posto que de lançamento não se trata. Portanto, por ser matéria estranha ao objeto do litígio, deixo de conhecê-la. Conclusão Por todo o exposto, voto no sentido de: - DAR provimento ao recurso voluntário tendo em vista que o pedido de compensação formulado antes da MP n° 135/2003. - Em sendo vencida, quanto à prejudicial de mérito, voto por negar provimento ao recurso. Sala das Sessões, em 07 de maio de 2009. MARIA TER A MARTINEZ LOPEZ 9 Art. 44. Nos casos de lançamento de oficio, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: 1 - de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; (...) 24 Processo n° 13007.000041/2003-39 S2-CITI Acórdão n.° 2101-00.134 F. 564 4 Voto Vencedor Conselheiro ANTONIO ZOMER, Designado Cuido neste voto da parte em que a relatora originária foi vencido, ou seja, da preliminar de nulidade da cobrança dos débitos cuja compensação não foi homologada, por falta de lançamento. A ora recorrente, BRASKEM S/A, desde 31/03/2003, é sucessora por incorporação, da OPP QUÍMICA S/A, que é a impetrante do mandado de segurança OPP POLIETILENOS S/A sob nova denominação, a qual, antes de ser incorporada, assumira como sucessora a outra impetrante - a OPP PETROQUIMICA S/A. Alega a recorrente que os débitos compensados não podem ser cobrados por falta de lançamento de oficio, uma vez que a DCOMP tratada neste processo não constitui confissão de divida, porque apresentada antes da vigência da MP n° 135/2003, depois convertida na Lei n2 10.833/2003.Alega, também, que a confissão de dívida não se operou nas DCTF, nas quais não foi declarado qualquer valor a titulo de saldo a pagar. Embora estas alegações só tenham sido levantadas após a apresentação do recurso voluntário, entendo que as mesmas devem ser admitidas e apreciadas pelo Colegiada por se tratar de questões de ordem pública. Com efeito, se admitidas as teses da contribuinte, o crédito tributário, mesmo que indevidamente compensado, só poderá ser cobrado por meio de auto de infração, restando indevida a expedição das cartas de cobrança impugnadas pela empresa, tanto na manifestação de inconformidade como no recurso voluntário. Passando à análise destas questões, anota-se, primeiramente, que as declarações de compensação — Dcomp constituem confissão de divida, apta a permitir a - cobrança dos débitos indevidamente compensados, conforme disposto nos §§ 6 2 a 82 do art. 74 da Lei n2 9.430/96, verbis: "„sç 6° A declaração de compensação constitui confissão de divida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. áç 7 0 Não homologada a compensação, a autoridade administrativa deverá cientificar o sujeito passivo e intimá-lo a efetuar, no prazo de 30 (trinta) dias, contado da ciência cio ato que não a homologou, o pagamento dos débitos indevidamente compensados. § 8° Não efetuado o pagamento no prazo previsto no § 7°, o débito será encaminhado à Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional para inscrição em Divida Ativa da União, ressalvado o disposto no § 9°." No entanto, como esses parágrafos só foram inseridos no art. 74 da Lei n2 9.430/96 pela Medida Provisória n2 135, que foi editada em 30 de outubro de 2003, as suas disposições só se aplicam a partir da publicação desta norma, que se deu em 31/10/2003. Isto porque, sendo a "confissão de dívida" um gravame que a lei nova imputou às Declarações de Compensação, esse atributo não alcança os fatos passados, pois os arts. 105 e 106 do Código 25 Processo n° 13007.000041/2003-39 S2-C1T1 Acórdão n.° 2101-00.134 Fl. 565 Tributário Nacional — CTN (Lei n2 5.172/66), que regulamentam a aplicação da lei tributária no tempo, proíbem esta retroação. Desta forma, o crédito tributário em discussão não pode, ser exigido com fundamento na declaração de compensação, pois ela não constituiu a confissão de dívida dos débitos indevidamente compensados, já que apresentada em 31/03/2003, antes do surgimento do § 62 do art. 74 da Lei n2 9.430/96, supratranscrito. No que se refere às DCTF, não há dúvida de que os débitos objeto da compensação não-homologada foram informados neste tipo de declaração. Também não há dúvida, aliás, não é motivo de discussão, o fato de que estas declarações constituem confissão de dívida. O motivo da discussão está no valor alcançado pela confissão: se é a totalidade do débito declarado ou apenas o saldo a pagar, depois da dedução dos valores pagos e/ou compensados pela contribuinte. Antes de adentrar na análise desta questão, é preciso esclarecer que ao preencher a Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais — DCTF, a contribuinte é obrigada a informar, além do débito apurado em cada fato gerador, como efetuou ou está efetuando a sua quitação. Assim, ao referido débito são vinculados créditos, que podem advir de pagamento por DARF, de compensação de pagamento indevido ou a maior feito em período anterior, de outras compensações, autorizadas judicialmente ou não, de pedido de parcelamento, ou de suspensão da exigibilidade por outros motivos. Só depois de deduzidos todos os créditos vinculados é que se informa o saldo a pagar, que se espera seja sempre zero, pois o prazo de entrega tempestiva da DCTF ocorre após o encerramento do prazo de quitação dos tributos nela declarados, e o contribuinte deve recolher os seus tributos na data de vencimento prescrita por lei. Se não o fizer, informa o por quê do seu procedimento na DCTF, preenchendo as linhas correspondentes aos tipos de créditos vinculados citados no parágrafo anterior. Entende a recorrente que a confissão de dívida realizada em DCTF alcança somente o valor declarado como saldo a pagar, o que tornaria totalmente inócua as disposições do art. 52 e §§ 1 2 e 22 do Decreto-Lei n2 2.124, del3/06/1984, verbis: "Art. 5 0 O Ministro da Fazenda poderá eliminar ou instituir obrigações acessórias relativas a tributos federais administrados pela Secretaria da Receita Federal. sç I" O documento que formalizar o cumprimento de obrigação acessória, comunicando a existência de crédito tributário, constituirá confissão de divida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do referido crédito. ,5Ç 2 0 Não pago no prazo estabelecido pela legislação, o crédito, corrigido monetariamente e acrescido da muita de vinte por cento e dos juros de mora devidos, poderá ser imediatamente inscrito em divida ativa, para efeito de cobrança executiva, observado o disposto no ás' 2" do artigo 7" do Decreto-lei n" 2.065, de 26 de outubro de 1983." Parece que não há necessidade de grande exercício interpretativo para deduzir que o objetivo do legislador foi eliminar a necessidade de lançamento do crédito 26 Processo n° 13007.000041/2003-39 S2-CITI AcOrdâo n.° 2101-00.134 Fl. 566 tributário declarado pelo contribuinte. E crédito tributário é o total do débito apurado e não o saldo a pagar, advindo de um acertamento da dívida informado pelo contribuinte, para evitar futuras cobranças indevidas por parte do Fisco. Ademais, o saldo a pagar é o resultado de urna simples conta de somar, cujas parcelas são o débito declarado e o total dos créditos vinculados (utilizados para a sua quitação). Se um dos créditos vinculados for glosado, por indevido ou não confirmado, o resultado da conta será alterado, repercutindo num valor maior do saldo a pagar. Assim, quando o Fisco glosa um valor compensado pelo contribuinte, nada mais faz do que aumentar o valor do saldo a pagar em igual montante. Mas esta correção do saldo a pagar só interessa para se identificar a parcela remanescente do débito confessado pelo contribuinte, que deve ser objeto de cobrança administrativa e até judicial, se for o caso. A Secretaria da Receita Federal do Brasil sempre entendeu que a confissão alcança todo o débito declarado, conforme se infere da leitura atenta do art. 1 2 e parágrafo único da Instrução Normativa n2 77, de 24/07/1998, na redação que lhe foi dada pela Instrução Normativa n2 14, de 14/02/2000, verbis: "Art. 1' Os saldos a pagar, relativos a tributos e contribuições, constantes da declaração de rendimentos das pessoas físicas e da declaração do ITR, quando não quitados nos prazos estabelecidos na legislação, e da DCTF, serão comunicados à Procuradoria da Fazenda Nacional para fins de inscrição como Dívida Ativa da União. Parágrafo único. Na hipótese de indeferimento de pedido de compensação, efetuado segundo o disposto nos arts. 12 e 15 da Instrução Normativa SRF n's 21, de 10 de março de 1997, alterada pela Instrução Normativa SRF n" 73, de 15 de setembro ?k de 1997, os débitos decorrentes da compensação indevida na DCTF serão comunicados à Procuradoria da Fazenda Nacional para .fins de inscrição como Dívida Ativa da União, trinta dias após a ciência da decisão definitiva na esfera administrativa que manteve o indeferimento." Veja-se que a instrução normativa não fala, em momento algum, que a confissão alcança apenas o saldo a pagar. O que se diz é que o saldo a pagar é, em princípio (caput do artigo), o que deve ser cobrado pelo Fisco. A norma do Fisco não trata de confissão de divida mas de cobrança dos débitos declarados em DCTF, sem a necessidade de lançamento de oficio, inclusive no tocante à parte do débito indevidamente compensado, quando se deve ajustar o saldo a pagar declarado (parágrafo primeiro). O capuz' do art. 1 2 da IN SRF n2 77/98 determina a cobrança imediata do saldo a pagar, pois contra esta exigência não há contraditório: o contribuinte declara e o Fisco aceita. Se declarou errado o saldo a pagar, o contribuinte pode retificar a DCTF mas nunca impugnar o valor espontaneamente declarado. O parágrafo único, a seu turno, trata da cobrança da parcela do débito decorrente de compensação indevida, determinando que o encaminhamento à Procuradoria da Fazenda Nacional, para inscrição em dívida ativa deste débito, seja feito somente após decorridos trinta dias da ciência da decisão definitiva que manteve o indeferimento. 27 Processo n° 13007.000041/2003-39 S2-CITI Acórdão n.° 2101-00.134 Fl. 567 !! . , Assim, a Receita Federal, antes de efetuar a cobrança dos débitos indevidamente compensados, garante o exercício da ampla defesa ao contribuinte, só remetendo o débito para inscrição em dívida ativa trinta dias após a ciência da decisão definitiva que manteve o indeferimento da compensação na via administrativa. Não é diferente o posicionamento do Superior Tribunal de Justiça — STJ, que, em reiteradas ocasiões, tem decidido que a declaração do débito em DCTF dispensa a necessidade de lançamento de oficio e permite a cobrança, tanto administrativa como judicial dos débitos declarados. Eis duas de suas decisões mais recentes acerca da matéria, sendo recorrente a Fazenda Nacional: 1) RECURSO ESPECIAL N° 999.020 - PR (2007/0248760-5). RELATOR: MINISTRO CASTRO MEIRA. DJe de 21/05/2008. Ementa: "TRIBUTÁRIO. DECLARAÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES DE TRIBUTOS FEDERAIS - DCTF. COMPENSAÇA-0. AUSÊNCIA DE PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CRÉDITO NÃO CONSTITUíDO DEVIDAMENTE. CERTIDÃO DE REGULARIDADE FISCAL. 1. É pacífico na jurisprudência desta Corte que a declaração do tributo por meio de DCTF, ou documento equivalente, dispensa o Fisco de proceder à constituição formal do crédito tributário. 2. Não obstante, tendo o contribuinte declarado o tributo via DCTF e realizado a compensaçcio nesse mesmo documento, também é pacifico que o Fisco não pode simplesmente desconsiderar o procedimento adotado pelo contribuinte e, sem qualquer notificação de indeferimento da compensação, proceder à inscrição do débito em dívida ativa com posterior ajuizamento da execução fiscal. f. 3. Inexiste crédito tributário devidamente constituído enquanto não finalizado o necessário procedimento administrativo que possibilite ao contribuinte exercer a mais ampla defesa, sendo vedado ao Fisco recusar o fornecimento de certidão de regularidade fiscal se outros créditos não existirem, 4. Recurso especial não provido." 2) RECURSO ESPECIAL N° 842.444 - PR (2006/0087836-5). Relator: MINISTRA ELIANA CALMON. DJe 07/10/2008. Ementa: "TRIBUTÁRIO - COMPENSAÇÃO - DECLARAÇÃO NÃO RECUSADA FORMALMENTE - INEXISTÊNCIA DE DÉBITO - CERTIDÃO NEGATIVA OU POSITIVA COM EFEITO DE NEGATIVA - CONCESSÃO - POSSIBILIDADE - PRECEDENTES DAS TURMAS DE DIREITO PÚBLICO. I. Com relação à possibilidade de expedição de certidão negativa ou positiva com efeito de negativa de débitoS tributários em regime de compensação afiguram-se possíveis as seguintes situações: / -j) 28 Processo n° 13007.000041/2003-39 S2-CITI Acórdão n.° 2101-00.134 Fl. 568 N a) declarada, via documento especifico (DCTF, GIA, GFIP e congêneres), a divida tributária, prescindível o lançamento formal porque já constituído o crédito, sendo inviável a expedição de certidão negativa ou positiva com efeitos daquela; b) declarada a compensação por intermédio de instrumento especifico, até que lhe seja negada a homologação, inexiste débito (condição resolutória), sendo devida a certidão negativa; c) negada a compensação, mas pendente de apreciação na esfera administrativa (fase processual anterior à inscrição em divida ativa), existe débito, mas em estado latente, inexigível, razão pela qual é devida a certidão positiva com efeito de negativa, após a vigência da Lei 10.833/03; d) inscritos em divida ativa os créditos indevidamente compensados, nega-se a certidão negativa ou positiva com efeitos de negativa. 2. Hipótese dos autos prevista na letra "b", na medida em que a declaração do contribuinte não foi recusada, nem este cientificado formalmente da recusa, de modo que inexiste débito tributário a autorizar a negativa da expedição da certidão negativa de débitos, nos termos do art. 205 do CTN. 3. Recurso especial não provido." Em ambos os casos, a Fazenda Nacional reclamou, no recurso especial, que as decisões recorridas, prolatadas pelo TRF da 4 a Região, ofendera ao art. 5 0, § 1°, do Decreto- lei n2 2.124/84, que prescreve que a declaração do contribuinte constitui o crédito tributário, tornando dispensável a formação do processo administrativo de acertamento da divida tributária. O TRF entendera que sem o lançamento de oficio o contribuinte não teria garantido o direito de defesa contra a glosa da compensação, como demonstra a ementa da decisão .. relativa ao segundo caso acima referido: "CERTIDÃO NEGATIVA DE DÉBITOS. DCTF. COMPENSAÇÃO. PROCEDIMENTO ADMINISTRATIVO. . LANÇAMENTO. , 1. A compensaçã o tributária, declarada em DCTF, acarreta a extinção do crédito tributário, sob condição resolutó ria de ulterior homologação, na forma dos arts. 156, inc. II, do Código Tributário Nacional e 74„ 2 0, da Lei 9.430/96. 2. Na hipótese de discordância quanto à compensação levada a efeito pelo contribuinte, cumpre ao Fisco instaurar o competente procedimento administrativo tendente à apuração de eventuais irregularidades. Inexistindo nos autos noticia acerca do mencionado procedimento, mostra-se ilegítima a recusa do Fisco no fornecimento de CND em favor da impetrante. 3. Apelação e remessa oficial improvidas." Ao contrário do TRF4, o STJ concluiu que a declaração em DCTF constitui a confissão de divida do débito integral e, caso haja glosa de compensação indicada neste  4 29 Processo n° 13007.000041/2003-39 S2-C1T1 Acórdão n.° 2101-00.134 Fl. 569 p. • instrumento, há que se garantir ao contribuinte o contraditório em todas as fases de defesa administrativa, sem o que o • débito cuja compensação não havia sido admitida não estaria definitivamente constituído. No caso da recorrente, foi-lhe garantido o direito à ampla defesa por meio da apresentação da manifestação de inconformidade contra a glosa da compensação, a qual foi apreciada pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento. Contra a decisão da DRJ foi-lhe garantido o direito ao recurso voluntário ora em julgamento. Assim, é certo que ao final da discussão administrativa, o débito em questão estará definitivamente constituído e o Fisco e a Fazenda Nacional estarão aptas a efetuar a sua cobrança, tanto administrativa quanto judicialmente. Outro ponto da defesa, levantado pela recorrente, funda-se no art. 90 da Medida Provisória n2 2.158-35/2001, que teria obrigado o Fisco a efetuar o lançamento em situações como a presente, nos seguintes termos: "Art. 90. Serão objeto de lançamento de ofício as diferenças apuradas, em declaração prestada pelo sujeito passivo, decorrentes de pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão da exigibilidade, indevidos ou não comprovados, relativamente aos tributos e às contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal." Este regramento, no entanto, prevaleceu somente até a edição da MP n 2 135, de 30/10/2003, convertida na Lei if 10.833, de 29/12/2003, em cujo art. 18 assim se dispôs, verbis: "Art.18. O lançamento de ofício de que trata o art. 90 da Medida Provisória n° 2.158-35, de 24 de agosto de 2001, limitar-se-á à imposição de multa isolada sobre as diferenças apuradas decorrentes de compensação indevida e aplicar-se-á unicamente 6 nas hipóteses de o crédito ou o débito não ser passível de compensação por expressa disposição legal, de o crédito ser de natureza não tributária, ou em que ficar caracterizada a prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei n" 4.502, de 30 de novembro de 1964. ás' 1 2 Nas hipóteses de que trata o caput, aplica-se ao débito indevidamente compensado o disposto nos §§ 6 2 a 11 do art. 74 da Lei no 9.430, de 1996. § 22 A multa isolada a que se refere o caput é a prevista nos incisos 1 e II ou no § 2" do art. 44 da Lei n" 9.430, de 1996, conforme o caso. " O art. 18 supratranscrito restringiu o lançamento previsto no art. 90 às raras hipóteses nele elencadas, e ainda assim, apenas da multa isolada. O art. 18 da Lei n2 10.833/2003 foi alterado por dispositivos legais supervenientes, porém, na essência, manteve- se a previsão de lançamento, unicamente, da multa isolada. Durante o curto espaço de tempo em que o art. 90 teve eficácia total, isto é, ainda não havia sido derrogado parcialmente, o Fisco efetuou vários lançamentos de oficio de 30 Processo n° 13007.000041/2003-39 S2-C ITI Acórdão n.° 2101-00.134 Fl. 570 • débitos indevidamente compensados em DCTF ou Dcomp. Estes lançamentos, se efetuados até 30/10/2003, não devem ser cancelados, pois tinham amparo legal para ser efetuados. No entanto, a sua existência não desfaz a confissão dos débitos feita nas DCTF. Porém, havendo lançamento de oficio, o Fisco deve efetuar a cobrança dos débitos com base neste instrumento e não nas DCTF. A partir de 31/10/2003, com a edição do art. 18 da MP n 2 135/2003, depois convertida na Lei n2 10.833/2003, o lançamento, mesmo no caso de declarações apresentadas antes dessa data, não mais poderia ser efetuado, por falta de amparo legal. O art. 18 da Lei n2 10.833/2003 'veio registrar em lei o entendimento de que o débito declarado em DCTF prescinde de lançamento para a sua cobrança. A mesma lei, no seu art. 17, ao inserir os §§ 9 a 11 no art. 74 da Lei n2 9.430/96, também registrou o entendimento já existente, de que se deveria garantir ao contribuinte o direito ao contraditório e à ampla defesa, nos casos em que a compensação não fosse admitida pelo Fisco. Eis o teor destes dispositivos legais, verbis: " 94 É facultado ao sujeito passivo, no prazo referido no 72, apresentar manifestação de inconformidade contra a não- homologação da compensação. (Incluído pela Lei n" 10.833, de 29.12.2003) 10. Da decisão que julgar improcedente a manifestação de inconformidade caberá recurso ao Conselho de Contribuintes.(Incluído pela Lei n°10.833, de 29.12.2003) ,§ 11. A manifestação de inconformidade e o recurso de que tratam os §§ 9' e 10 obedecerão ao rito processual do Decreto n 70.235, de 6 de março de 1972, e enquadram-se no disposto no inciso III do art. 151 da Lei n' 5.172, de 25 de outubro de 1966 - Código Tributário Nacional, relativamente ao débito objeto da compensação. (Incluído pela Lei n" 10.833, de 29.12.2003)" De tudo o que se viu até aqui, há de se concluir que a DCTF nunca deixou de constituir a confissão de divida da integralidade dos débitos declarados. No caso de glosa de compensação, no entanto, como vem decidindo o STJ e já previa a Receita Federal na Instrução Normativa n2 77/98, deve ser garantido ao contribuinte o direito ao contraditório e à ampla defesa administrativa. Por fim, observa-se que o procedimento de fiscalização está disciplinado em leis processuais. Como parte indissociável deste procedimento, o lançamento previsto no art. 142 do CTN está regulado pelos arts. 9° a 11 do Decreto n° 70.235/72, que é uma lei processual. Sendo assim, ao procedimento de lançamento aplica-se a lei posterior que tiver instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, a teor do que dispõe do § 1° do art. 144 do CTN, verbis: " Art. 144. O lançamento reporta-se à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e rege-se pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. 31 Processo n° 13007.000041/2003-39 S2-C1T1 Acórdão n.° 2101-00.134 Fl. 571 a n § I" Aplica-se ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliado os poderes de investigação das autoridades administrativas, ou outorgado ao crédito maiores garantias ou privilégios, exceto, neste último caso, para o efeito de atribuir responsabilidade tributária a terceiros." (destaquei) Certamente, o art. 18 da Lei n° 10.833, de 2003, que dispensou a necessidade de lançamento, no caso de débitos declarados em DCTF, enquadra-se entre as normas citadas neste dispositivo legal, sendo de aplicação obrigatória pela fiscalização. Desta forma, em situações como a presente, não há fundamento legal para a lavratura de auto de infração. Conseqüentemente, não há qualquer vicio de nulidade nas cartas expedidas pela Delegacia da Receita Federal do Brasil, para a cobrança dos débitos cuja compensação não foi homologada. No entanto, a cobrança, seja ela administrativa ou judicial, só poderá ter seguimento quando a decisão administrativa que mantiver a não-homologação da compensação tornar-se definitiva, ou seja, quando se concretizar uma das condições estipuladas pelo art. 42 do Decreto n° 70.235/72. Conclusão Ante todo o exposto, rejeito a preliminar de nulidade da cobrança dos débitos indevidamente compensados, posto de confessados em DCTF. Sala dasSe ies, em 07 de maio de 2009. 411114e ER 32

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Numero do processo: 10840.000928/2007-31
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 26 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Mar 19 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 2002-000.076
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, para que a Unidade da RFB de origem junte aos autos, a integralidade do Auto de Infração. (assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente. (assinado digitalmente) Virgílio Cansino Gil - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Mônica Renata Mello Ferreira Stoll.
Nome do relator: VIRGILIO CANSINO GIL

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1269; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2­C0T2  Fl. 2          1 1  S2­C0T2  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10840.000928/2007­31  Recurso nº            Voluntário  Resolução nº  2002­000.076  –  Turma Extraordinária / 2ª Turma   Data  26 de fevereiro de 2019  Assunto  IRPF  Recorrente  MARIA SILVIA VIANNA CIONE BARALDI  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Resolvem,  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  converter  o  julgamento  em  diligência,  para  que  a  Unidade  da  RFB  de  origem  junte  aos  autos,  a  integralidade do Auto de Infração.    (assinado digitalmente)  Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez ­ Presidente.      (assinado digitalmente)  Virgílio Cansino Gil ­ Relator.    Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Cláudia  Cristina Noira  Passos  da  Costa  Develly Montez  (Presidente),  Virgílio  Cansino Gil,  Thiago  Duca Amoni  e  Mônica Renata Mello Ferreira Stoll.  Relatório  Trata­se de Recurso Voluntário (fls. 33/34) contra decisão de primeira instância  (fls. 16/28), que julgou improcedente a impugnação do sujeito passivo.  Em razão da riqueza de detalhes, adoto o relatório da DRJ, que assim diz:     RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 40 .0 00 92 8/ 20 07 -3 1 Fl. 37DF CARF MF Processo nº 10840.000928/2007­31  Resolução nº  2002­000.076  S2­C0T2  Fl. 3            2 Do Lançamento O processo refere­se à auto de infração de  fl. 05/06 lavrado em face da contribuinte acima identificada, em decorrência  de  procedimento  interno  de  revisão  de  Declaração  Anual  de  Ajuste  de  Imposto  de  Renda  Pessoa  Física  relativo  ao  exercício  2003,  por  meio  do  qual foi retificado saldo de imposto a restituir de R$ 14.404,95 (catorze mil  quatrocentos  e quatro  reais  e noventa  e Cinco  centavos) para R$ 2.947,35  (dois mil novecentos e quarenta e sete reais e trinta e cinco centavos).  Infere­se do Demonstrativo das Alterações na Declaração  de  Ajuste  Anual,  fls.  06,  que  a  autoridade  lançadora  procedeu  à  glosa  do  valor de R$ 12.873,28 indevidamente utilizado a título de despesas médicas.  Da  Impugnação  Transcorrido  o  prazo  regulamentar  para  apresentação de defesa,  a  contribuinte apresentou manifestação  tempestiva  às  fls.  01/02,  anexando  documentos  às  fls.  03,  alegando  em  síntese  que  realizou  tratamento  dentário  com  a  Dra.  Silvia  Helena  Uzun,  CPF  n.°  162.235.258­00, sendo que o recibo foi emitido em nome de seu esposo por  questão meramente cadastral e o pagamento foi realizado pela requerente e  em espécie. Requer o cancelamento da glosa sobre o Recibo anexado às fls.  03 e retificação do saldo de imposto a restituir.  O  resumo  da  decisão  revisanda  está  condensado  na  seguinte  ementa  do  julgamento:  GLOSA DE DEDUÇÕES COM DESPESAS MÉDICAS.  Mantidas  as  glosas  de  despesas médicas,  visto  que  o  direito  ás  suas  deduções  condiciona­se  à  comprovação  da  efetividade  dos  serviços  prestados, bem como dos correspondentes pagamentos.  Inconformada,  a  contribuinte  apresentou  Recurso  Voluntário,  reiterando  as  alegações da impugnação.  É o relatório. Passo ao voto.    Voto  Conselheiro Virgílio Cansino Gil ­ Relator   Recurso Voluntário aviado a modo e tempo, portanto dele conheço.  A  contribuinte  foi  notificada  em  20/07/2009  (fl.  31);  Recurso  Voluntário  protocolado em 14/08/2009 (fl. 33), assinado pela própria contribuinte.  Há documentos que são  imprescindíveis para o  julgamento do feito, entre eles  está a integralidade do Auto de Infração, que por lapso no momento da digitalização dos autos  não  foi  juntado.  Assim,  proponho  a  conversão  do  julgamento  em  diligência,  para  que  a  Delegacia de origem junte a integralidade do Auto de Infração.  É como voto.  Fl. 38DF CARF MF Processo nº 10840.000928/2007­31  Resolução nº  2002­000.076  S2­C0T2  Fl. 4            3 (assinado digitalmente)  Virgílio Cansino Gil  Fl. 39DF CARF MF

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Numero do processo: 19515.722963/2013-19
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jan 30 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Mar 20 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF Exercício: 2009 IRRF - FALTA DE RETENÇÃO E DE RECOLHIMENTO. MULTA. OBRIGAÇÃO DA FONTE PAGADORA. Após o encerramento do período de apuração, a responsabilidade pelo pagamento do respectivo imposto passa a ser do beneficiário dos rendimentos, cabível a aplicação, à fonte pagadora, da multa pela falta de retenção ou de recolhimento, prevista no art. 9º, da Lei nº 10.426, de 2002, mantida pela Lei nº 11.488, de 2007, ainda que os rendimentos tenham sido submetidos à tributação no ajuste.
Numero da decisão: 9202-007.508
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, com retorno dos autos ao colegiado de origem, para apreciação das demais questões do recurso voluntário, vencidas as conselheiras Luciana Matos Pereira Barbosa (suplente convocada) e Ana Paula Fernandes, que lhe negaram provimento. Assinado digitalmente Maria Helena Cotta Cardozo – Presidente em exercício. Assinado digitalmente Pedro Paulo Pereira Barbosa - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Luciana Matos Pereira Barbosa (suplente convocada), Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). Ausente a conselheira Patrícia da Silva, substituída pela conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa.
Nome do relator: PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA

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9202­007.508  –  2ª Turma   Sessão de  30 de janeiro de 2019  Matéria  Multa ­ Falta de Retenção e Recolhimento.  Recorrente  FAZENDA NACIONAL  Interessado  MCKINSEY & COMPANY. INC. DO BRASIL CONSULTORIA LTDA.    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE ­ IRRF  Exercício: 2009  IRRF  ­  FALTA  DE  RETENÇÃO  E  DE  RECOLHIMENTO.  MULTA.  OBRIGAÇÃO DA FONTE PAGADORA.  Após  o  encerramento  do  período  de  apuração,  a  responsabilidade  pelo  pagamento  do  respectivo  imposto  passa  a  ser  do  beneficiário  dos  rendimentos,  cabível  a  aplicação,  à  fonte  pagadora,  da  multa  pela  falta  de  retenção ou de  recolhimento, prevista no art. 9º, da Lei nº 10.426, de 2002,  mantida pela Lei nº 11.488, de 2007, ainda que os rendimentos tenham sido  submetidos à tributação no ajuste.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam os membros do  colegiado, por  unanimidade de votos,  em conhecer  do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar­lhe provimento, com retorno dos  autos ao colegiado de origem, para apreciação das demais questões do recurso voluntário, vencidas  as conselheiras Luciana Matos Pereira Barbosa (suplente convocada) e Ana Paula Fernandes, que  lhe negaram provimento.    Assinado digitalmente  Maria Helena Cotta Cardozo – Presidente em exercício.     Assinado digitalmente  Pedro Paulo Pereira Barbosa ­ Relator.    Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Elaine  Cristina  Monteiro e Silva Vieira, Luciana Matos Pereira Barbosa (suplente convocada), Pedro Paulo Pereira     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 29 63 /2 01 3- 19 Fl. 902DF CARF MF     2 Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita  Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). Ausente a  conselheira Patrícia da Silva, substituída pela conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa.      Relatório  Cuida­se de Recurso Especial  interposto pela Fazenda Nacional em Face do  Acórdão nº 2201.002.295, proferido na Sessão de 17 de agosto de 2016, assim ementado:  ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE  IRRF  Exercício: 2009  PRELIMINAR.  FALTA  DE  RETENÇÃO  E  DE  RECOLHIMENTO.  MULTA  ISOLADA.  AUSÊNCIA  DE  PREVISÃO LEGAL.  A  multa  pela  falta  de  retenção  e  recolhimento  do  imposto  de  renda  na  fonte,  prevista  no  art.  9º  da  Lei  n°  10.426,  de  2002,  com  redação  data  pela  Lei  n°  11.488,  de  2007,  não  pode  ser  aplicada  isoladamente nos casos em que o  imposto não mais é  exigível da fonte pagadora.  A decisão foi assim registrada:  Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos,  dar provimento ao recurso voluntário.   O  recurso  visa  rediscutir  a  seguinte matéria: aplicação da multa de  ofício  isolada por falta de retenção de Imposto de Renda na fonte (art. 9º da Lei n° 10.426, de  2002).  Em exame preliminar de admissibilidade, a Presidente da Segunda Câmara,  da Segunda Seção do CARF deu seguimento ao apelo nos termos do Despacho de e­fls. 859 a  868.  Em  suas  razões  recursais  a  Fazenda  Nacional  aduz,  em  síntese,  que  a  incidência da multa isolada nos casos de falta de retenção e recolhimento do imposto pela fonte  pagadora  tem  previsão  expressa  no  art.  9º  da  Lei  nº  10.426,  de  2002;  que  da  leitura  desse  dispositivo,  verifica­se  que  a  mera  falta  de  retenção  já  faz  incidir  a multa  de  ofício;  que  a  matéria  foi  objeto de pronunciamento administrativo, pelo Parecer Cosit nº 01/2002; que. no  caso, considerando que a fonte pagadora deixou de proceder à retenção, é devida a incidência  da multa de ofício.  Cientificado do Acórdão Recorrido, do Recurso Especial do Procurador e do  Despacho  que  lhe  deu  seguimento  em  22/03/2017  (e­fls.  873),  o Contribuinte  apresentou  as  Contrarrazões de e­fls, 878 a 888, nas quais sustenta, em síntese, que a Lei nº 11.488, de 2017  (conversão da MP nº 351/07) revogou a previsão de multa de ofício isolada nos casos de falta  Fl. 903DF CARF MF Processo nº 19515.722963/2013­19  Acórdão n.º 9202­007.508  CSRF­T2  Fl. 3          3 de  retenção  do  imposto  de  renda  na  fonte;  que  a  nova  lei  aplica­se  aos  fatos  pretéritos,  em  razão da retroatividade benigna.  É o relatório.  Voto             Conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa ­ Relator  O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade.  Dele conheço.  Quanto  ao mérito,  a questão  já  foi  enfrentada por  este Colegiado,  inclusive  em julgado recente. Cito o Acórdão nº 9202­007.147, proferido na Sessão de 29 de agosto de  2018, de relatoria da Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo. Confira­se:  ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE  IRRF  Ano­calendário: 2005, 2006, 2007, 2008  PROCESSO  ADMINISTRATIVO  FISCAL.  INSTÂNCIA  ESPECIAL.  PRELIMINAR  ARGUIDA  DA  TRIBUNA.  CONHECIMENTO.  Não se conhece de preliminar arguida em sede de memorial ou  sustentação  oral,  cujo  conteúdo  não  tem  pertinência  com  o  objeto do Recurso Especial,  tampouco é aplicável ao Processo  Administrativo Fiscal.  PROCESSO  ADMINISTRATIVO  FISCAL.  RECURSO  ESPECIAL. PRESSUPOSTOS. PARADIGMA. VOTO VENCIDO  E VOTO VENCEDOR. DENOMINAÇÃO. IRRELEVÂNCIA.  Atendidos os pressupostos regimentais, o Recurso Especial deve  ser  conhecido.  No  contexto  dos  acórdãos  do  CARF,  o  voto  vencedor retrata a tese vencedora apenas quanto às matérias em  que  o  relator  originário  restou  vencido.  No  presente  caso,  a  relatora  originária  do  acórdão  paradigma  restou  vencida  apenas  quanto  à  qualificação  da  multa,  portanto  o  seu  voto,  ainda que denominado de vencido, retrata o posicionamento do  Colegiado relativamente à matéria principal, objeto do Recurso  Especial.  FALTA  DE  RETENÇÃO  E  DE  RECOLHIMENTO.  MULTA.  OBRIGAÇÃO DA FONTE PAGADORA.  Após  o  encerramento  do  período  de  apuração,  a  responsabilidade pelo pagamento do respectivo imposto passa a  ser do beneficiário dos rendimentos, cabível a aplicação, à fonte  pagadora, da multa pela  falta de  retenção ou de  recolhimento,  prevista no art. 9º, da Lei nº 10.426, de 2002, mantida pela Lei  nº  11.488,  de  2007,  ainda  que  os  rendimentos  tenham  sido  submetidos à tributação no ajuste.  Fl. 904DF CARF MF     4 Na  ocasião,  reformulando,  em  parte,  meu  entendimento  anterior  sobre  a  matéria, acompanhei o voto da relatora no sentido da incidência da multa isolada, exigível da  fonte pagadora, após o encerramento do período de apuração.  De fato, após o encerramento do período de apuração a fonte pagadora fica  dispensada do recolhimento do imposto que deixou de reter, passando tal responsabilidade para  o beneficiário dos rendimentos, mas não cessa a responsabilidade pela infração.  A multa tem previsão no art. 9º da Lei nº 10.426, de 2002, a saber:  “Art.9º. Sujeita­se às multas de que tratam o incisos I do art. 44  da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, duplicada na forma  do  parágrafo  primeiro,  quando  for  o  caso,  a  fonte  pagadora  obrigada  a  reter  tributo  ou  contribuição,  no  caso  de  falta  de  retenção  ou  recolhimento,  independentemente  de  outras  penalidades administrativas ou criminais cabíveis.  Parágrafo  único.  As  multas  de  que  trata  este  artigo  serão  calculadas  sobre  a  totalidade  ou  diferença  de  tributo  ou  contribuição  que  deixar  de  ser  retida  ou  recolhida, ou que  for  recolhida após o prazo fixado.”  O art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, após as alterações introduzidas pela Lei nº  11.488, de 2007, passou a ter a seguinte redação:  Art. 44. Nos casos de  lançamento de ofício, serão aplicadas as  seguintes multas:  I  ­  de  75%  (setenta  e  cinco  por  cento)  sobre  a  totalidade  ou  diferença  de  imposto  ou  contribuição  nos  casos  de  falta  de  pagamento  ou  recolhimento,  de  falta  de  declaração  e  nos  de  declaração inexata;  II ­ de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o  valor do pagamento mensal:  a)  na  forma  do  art.  8º  da  Lei  n  7.713,  de  22  de  dezembro  de  1988,  que  deixar  de  ser  efetuado,  ainda  que  não  tenha  sido  apurado  imposto  a  pagar  na  declaração de  ajuste,  no  caso  de  pessoa física;  b)  na  forma  do  art.  2o  desta  Lei,  que  deixar  de  ser  efetuado,  ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo  negativa  para  a  contribuição  social  sobre  o  lucro  líquido,  no  ano­calendário correspondente, no caso de pessoa jurídica.  Ora,  nos  casos  em  que  o  imposto  não  é mais  exigível  da  fonte  pagadora  ­  apenas para evitar o bis  in  idem  ­,  subsistindo a  responsabilidade pela  infração, permanece a  exigência da multa. Sobre o ponto, transcrevo excerto do voto condutor do já referido Acórdão  nº 9202­007.147:  Como se pode  constatar,  o art.  44,  acima, não  trata de multas  incidentes sobre imposto cobrado por meio de responsabilidade  tributária de  fonte pagadora, e sim de penalidades que recaem  diretamente  sobre  o  imposto  exigido  do  sujeito  passivo,  na  qualidade  de  contribuinte,  que  relativamente  ao  Imposto  de  Renda  é  o  próprio  beneficiário  dos  rendimentos.  Nesse  passo,  nenhuma  das  modalidades  de  exigência  elencadas  no  §  1º  se  Fl. 905DF CARF MF Processo nº 19515.722963/2013­19  Acórdão n.º 9202­007.508  CSRF­T2  Fl. 4          5 amolda à exigência estabelecida no art. 9º da Lei nº 10.426, de  2002,  portanto  não  há  que  se  falar  que  este  último dispositivo  tenha se referido ao art 44 da Lei nº 9.430, de 1996, para tomar  de  empréstimo  algo  além  dos  percentuais  nele  estabelecidos  –  75%  e  150%.  Isso  porque  a  problemática  que  envolve  as  modalidades de exigência das penalidades constantes do § 1º do  art. 44 – vinculadas ao imposto ou exigidas isoladamente – não  se  coaduna  com  a multa  por  falta  de  retenção  na  fonte.  Esta,  quando exigida, obviamente será isolada, eis que o principal, ou  seja, o  imposto, será cobrado não da fonte pagadora, mas sim,  repita­se, do beneficiário dos rendimentos.  Com estas considerações, constata­se que a referência feita pelo  art. 9º, da Lei nº 10.426, de 2002, aos incisos I e II, do art. 44, da  Lei nº 9.430, de 1996, está focada nos incisos I e II do caput, e  não nos incisos I e II do § 1º, do contrário estar­se­ia atribuindo  à  fonte  pagadora  o  papel  de  sujeito  passivo  contribuinte  do  tributo,  e  não  o  de  mera  intermediária  entre  este  e  o  Fisco,  responsabilidade esta conferida por lei.  Ora, se os incisos I e II do caput do art. 44, da Lei nº 9.430, de  1996,  tratam  de  penalidades  aplicáveis  ao  sujeito  passivo  na  qualidade de contribuinte, que no caso do Imposto de Renda é o  próprio  beneficiário  dos  rendimentos,  e  o  art.  9º  da  Lei  nº  10.426,  de  2002,  trata  exclusivamente  de  multa  por  descumprimento  da  obrigação  de  reter  e  recolher  o  tributo,  aplicável à fonte pagadora na qualidade de responsável, o único  elemento passível  de  empréstimo, do art. 44 para o art. 9º, diz  respeito  efetivamente  aos  percentuais  de  75%  ou  150%.  Com  efeito, não existe qualquer outro liame entre os dois dispositivos  legais.  Assim, embora se afaste, no caso, a exigência do imposto da fonte pagadora,  em  razão  do  seu  recolhimento  pela  beneficiária  dos  rendimentos,  isso  em  nada  afeta  a  responsabilidade pela infração, para a qual o art. 9º, da Lei nº 10.426, de 2002 c/c o art. 44 da  Lei nº 9.430, de 1996 prevê a incidência de multa, no percentual de 75%.  Ante o exposto, conheço do recurso e, no mérito, dou­lhe provimento.  Como o Colegiado a quo não apreciou outras questões do recurso voluntário,  em razão de sua posição sobre a inaplicabilidade da multa isolada, deve o processo retornar ao  Colegiado de origem para apreciação das demais questões do recurso voluntário.    Assinado digitalmente  Pedro Paulo Pereira Barbosa ­ Relator                  Fl. 906DF CARF MF     6                 Fl. 907DF CARF MF

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Numero do processo: 13502.720849/2011-55
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 26 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Mar 20 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/2007 a 30/03/2007 CRÉDITOS DA NÃO-CUMULATIVIDADE. INSUMOS. DEFINIÇÃO. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62 DO ANEXO II DO RICARF. O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerando-se a imprescindibilidade ou a importância de terminado item - bem ou serviço - para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo Contribuinte, conforme decidido no REsp 1.221.170/PR, julgado na sistemática de recursos repetitivos, cuja decisão deve ser reproduzida no âmbito deste conselho. CRÉDITOS DE INSUMOS. CONTRIBUIÇÕES NÃO-CUMULATIVAS. SERVIÇOS UTILIZADOS NO PROCESSO PRODUTIVO. Os serviços e bens utilizados na manutenção de máquinas e equipamentos utilizados no processo produtivo geram direito a crédito das contribuições para o PIS e a COFINS não-cumulativos. CRÉDITOS DE FRETES ENTRE ESTABELECIMENTOS. PÓS FASE DE PRODUÇÃO. As despesas com fretes entre estabelecimentos do mesmo contribuinte de produtos acabados, posteriores à fase de produção, não geram direito a crédito das contribuições para o PIS e a COFINS não-cumulativos. CRÉDITOS DE FRETES ENTRE ESTABELECIMENTOS DE INSUMOS. Os custos com fretes entre estabelecimentos do mesmo contribuinte para o transporte de insumos a serem utilizados no processo produtivo geram direito a crédito das contribuições para o PIS e a COFINS não-cumulativos. EMENTAS DE PIS/PASEP. IDENTIDADE DE MATÉRIAS. Aplicam-se ao PIS/Pasep as mesmas ementas elaboradas para a Cofins, em razão da identidade de matérias julgadas.
Numero da decisão: 3302-006.556
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício e em conhecer parcialmente do recurso voluntário e, na parte conhecida, em rejeitar a preliminar arguida e, no mérito, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer o creditamento sobre água bruta, água clarificada, água desmineralizada, sulfato de alumínio, cloro líquido, cal hidratada e cal virgem, antiespumantes e tego antifoam, ar instrumento, gás nitrogênio e nitrogênio líquido, propano, solvente dmf, inibidores de corrosão e corrshield e carbonato de sódio, esfera de cerâmicas, ar de serviço, gás freon, hipoclorito de sódio, kuriroyal, kurizet, monoetilenoglicol, lauril sulfato de sódio e sulfito de sódio, tambor e material de embalagem (sacarias, sacos, papel extensível, big bags, mag bags, bulk liner injetor, sacas para big bags, paletes, container/contendor flexível, bobinas/filme/filme stretch, etiquetas de papel, formulários e fitas adesivas para afixação nas embalagens, marcadores e tinta específica para impressoras, braçadeiras, caixa de papelão, filmes, fitas, colas, lacres, fios de algodão e poliester, barbante, lonas, papelão), junta de vedação, peça e partes de reposição (anel, arruela, barra chata, acoplamentos, porcas, buchas, barra redonda, barra roscada, conduletes, parafusos, chapas, dijuntores, plugues, pastilhas, pinos, relés, rotores, eixos, eletrodos, eletrodutos, flanges, mangueira, tampa de borracha, gaxetas, varetas para solda, válvulas, tubos, molas, transmissor, terminal, união, curvas, fusíveis e suas bases, juntas, cabos, conectores), vaselina, vaselina byk, gelatina microbiologia, dianodic e spectrus, vapores, serviços utilizados no processo produtivo (pintura industrial, inspeção de equipamentos e manutenção civil, isolamento térmico refratário antiácido, limpeza industrial, manutenção de equipamentos de laboratório, serviços de calderaria, de mecânica e de elétrica, serviços de tratamento de efluentes e análises físico-químicas de efluentes, serviços relativos aos materiais de embalagem, gerenciamento de empreendimentos e paradas), fretes sobre aquisições de insumos, sobre transporte interno de insumos e produtos inacabados, fretes sobre vendas para empresas ligadas à recorrente, vencidos o Conselheiro Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado) quanto ao creditamento do inibidor de corrosão e corrshield, carbonato de sódio, pintura industrial, tratamento de efluentes e o Conselheiro Walker Araújo quanto ao gerenciamento de paradas. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède - Presidente (assinado digitalmente) José Renato Pereira de Deus - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado) e Paulo Guilherme Deroulede (Presidente).
Nome do relator: JOSE RENATO PEREIRA DE DEUS

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3302­006.556  –  3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária   Sessão de  26 de fevereiro de 2019  Matéria  PIS/COFINS NÃO­CUMULATIVA ­ INSUMOS  Recorrentes  BRASKEM S/A              FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO:  CONTRIBUIÇÃO  PARA  O  FINANCIAMENTO  DA  SEGURIDADE  SOCIAL ­ COFINS  Período de apuração: 01/01/2007 a 30/03/2007  CRÉDITOS  DA  NÃO­CUMULATIVIDADE.  INSUMOS.  DEFINIÇÃO.  APLICAÇÃO DO ARTIGO 62 DO ANEXO II DO RICARF.  O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou  relevância,  ou  seja,  considerando­se  a  imprescindibilidade ou  a  importância  de  terminado  item  ­ bem ou  serviço  ­  para o desenvolvimento da  atividade  econômica  desempenhada  pelo  Contribuinte,  conforme  decidido  no  REsp  1.221.170/PR,  julgado  na  sistemática  de  recursos  repetitivos,  cuja  decisão  deve ser reproduzida no âmbito deste conselho.  CRÉDITOS  DE  INSUMOS.  CONTRIBUIÇÕES  NÃO­CUMULATIVAS.  SERVIÇOS UTILIZADOS NO PROCESSO PRODUTIVO.  Os  serviços  e  bens  utilizados  na manutenção  de máquinas  e  equipamentos  utilizados  no  processo  produtivo  geram  direito  a  crédito  das  contribuições  para o PIS e a COFINS não­cumulativos.  CRÉDITOS DE FRETES ENTRE ESTABELECIMENTOS. PÓS FASE DE  PRODUÇÃO.  As  despesas  com  fretes  entre  estabelecimentos  do  mesmo  contribuinte  de  produtos  acabados,  posteriores  à  fase  de  produção,  não  geram  direito  a  crédito das contribuições para o PIS e a COFINS não­cumulativos.  CRÉDITOS DE FRETES ENTRE ESTABELECIMENTOS DE INSUMOS.  Os  custos  com  fretes  entre  estabelecimentos  do mesmo  contribuinte  para  o  transporte de insumos a serem utilizados no processo produtivo geram direito  a crédito das contribuições para o PIS e a COFINS não­cumulativos.  EMENTAS DE PIS/PASEP. IDENTIDADE DE MATÉRIAS.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 50 2. 72 08 49 /2 01 1- 55 Fl. 4637DF CARF MF Processo nº 13502.720849/2011­55  Acórdão n.º 3302­006.556  S3­C3T2  Fl. 3          2 Aplicam­se  ao PIS/Pasep as mesmas  ementas  elaboradas para a Cofins,  em  razão da identidade de matérias julgadas.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  negar  provimento ao recurso de ofício e em conhecer parcialmente do recurso voluntário e, na parte  conhecida,  em  rejeitar  a  preliminar  arguida  e,  no  mérito,  por  maioria  de  votos,  em  dar  provimento  parcial  ao  recurso  voluntário  para  reconhecer  o  creditamento  sobre  água  bruta,  água clarificada, água desmineralizada, sulfato de alumínio, cloro  líquido, cal hidratada e cal  virgem,  antiespumantes  e  tego  antifoam,  ar  instrumento,  gás  nitrogênio  e nitrogênio  líquido,  propano,  solvente  dmf,  inibidores  de  corrosão  e  corrshield  e  carbonato  de  sódio,  esfera  de  cerâmicas, ar de serviço, gás freon, hipoclorito de sódio, kuriroyal, kurizet, monoetilenoglicol,  lauril  sulfato  de  sódio  e  sulfito  de  sódio,  tambor  e material  de  embalagem  (sacarias,  sacos,  papel  extensível,  big  bags,  mag  bags,  bulk  liner  injetor,  sacas  para  big  bags,  paletes,  container/contendor flexível, bobinas/filme/filme stretch, etiquetas de papel, formulários e fitas  adesivas  para  afixação  nas  embalagens,  marcadores  e  tinta  específica  para  impressoras,  braçadeiras, caixa de papelão, filmes, fitas, colas, lacres, fios de algodão e poliester, barbante,  lonas,  papelão),  junta  de  vedação,  peça  e  partes  de  reposição  (anel,  arruela,  barra  chata,  acoplamentos,  porcas,  buchas,  barra  redonda,  barra  roscada,  conduletes,  parafusos,  chapas,  dijuntores,  plugues,  pastilhas,  pinos,  relés,  rotores,  eixos,  eletrodos,  eletrodutos,  flanges,  mangueira, tampa de borracha, gaxetas, varetas para solda, válvulas, tubos, molas, transmissor,  terminal, união, curvas, fusíveis e suas bases, juntas, cabos, conectores), vaselina, vaselina byk,  gelatina microbiologia, dianodic e spectrus, vapores, serviços utilizados no processo produtivo  (pintura industrial, inspeção de equipamentos e manutenção civil, isolamento térmico refratário  antiácido,  limpeza  industrial,  manutenção  de  equipamentos  de  laboratório,  serviços  de  calderaria,  de  mecânica  e  de  elétrica,  serviços  de  tratamento  de  efluentes  e  análises  físico­ químicas  de  efluentes,  serviços  relativos  aos  materiais  de  embalagem,  gerenciamento  de  empreendimentos  e paradas),  fretes  sobre  aquisições de  insumos,  sobre  transporte  interno de  insumos  e  produtos  inacabados,  fretes  sobre  vendas  para  empresas  ligadas  à  recorrente,  vencidos  o  Conselheiro  Muller  Nonato  Cavalcanti  Silva  (Suplente  Convocado)  quanto  ao  creditamento  do  inibidor  de  corrosão  e  corrshield,  carbonato  de  sódio,  pintura  industrial,  tratamento de efluentes e o Conselheiro Walker Araújo quanto ao gerenciamento de paradas.  (assinado digitalmente)  Paulo Guilherme Déroulède ­ Presidente  (assinado digitalmente)  José Renato Pereira de Deus ­ Relator  Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Gilson  Macedo  Rosenburg  Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado,  Jose Renato Pereira de Deus,  Jorge  Lima  Abud,  Raphael  Madeira  Abad,  Muller  Nonato  Cavalcanti  Silva  (Suplente  Convocado) e Paulo Guilherme Deroulede (Presidente).  Relatório  Fl. 4638DF CARF MF Processo nº 13502.720849/2011­55  Acórdão n.º 3302­006.556  S3­C3T2  Fl. 4          3 Tratam­se  de  Autos  de  Infração  para  constituição  de  crédito  tributário  de  Cofins não­cumulativa e PIS/Pasep não­cumulativa, relativo ao 1º trimestre de 2007.  Por  bem  retratar  a  realidade  dos  fatos,  transcreve­se  o  relatório  da  decisão  recorrida:  Contra o interessado foram lavrados autos de infração de Cofins  no valor total de R$ 75.680.948,30 (fls. 02/10) e de PIS no valor  total de R$ 16.376.466,85 (fls. 11/19), referentes ao 1º trimestre  de  2007,  em  função  das  irregularidades  que  se  encontram  descritas nos Termos de Verificação Fiscal  (TVF) de  fls.  22/36  (Cofins) e 37/51 (PIS/Pasep);   A  empresa  apresenta  impugnações  às  fls.  989/1053  (Cofins)  e  1481/1545 (PIS), nas quais alega, em síntese:   a)  DA  NECESSIDADE  DE  REUNIÃO  DO  PRESENTE  PROCESSO COM O PAF 13502.720816/2011­13;   b)  DA  GLOSA  DECORRENTE  DA  FALTA  DE  APRESENTAÇÃO DE NOTAS FISCAIS COMPROBATÓRIAS;   c)  DA  GLOSA  INDEVIDA  DOS  CRÉDITOS  DECORRENTES  DA AQUISIÇÃO DE BENS E SERVIÇOS UTILIZADOS COMO  INSUMOS;   c.1)  DA  INCORRETA  INTERPRETAÇÃO DADA  AS  NORMAS  DE REGÊNCIAS DA COFINS E DO PIS;   c.2)  DOS  BENS  UTILIZADOS  COMO  INSUMOS  NO  PROCESSO PRODUTIVO;   c.2.1) Água Bruta, Água Desmineralizada, Água clarificada, Ar  de  Instrumento,  Ar  de  serviço,  Gás  Nitrogênio  e  Nitrogênio  Líquido, Vapor, Propano, Solvente DMF, Inibidor de Corrosão,  Carbonato de Sódio, Gás Freon, Material de embalagem;   d)  DOS  SERVIÇOS  UTILIZADOS  COMO  INSUMOS  NO  PROCESSO PRODUTIVO;   d.1)  Pintura  Industrial,  Inspeção  de  Equipamentos  e  Manutenção  Civil,  Isolamento  Térmico  Refratário  Antiácido,  Serviços  de  transporte,  Manutenção  De  Equipamentos  De  Laboratório,  Serviços  de  Caldeiraria,  Limpeza  Industrial,  Serviços de tratamento de eflluentes e análises físico­químicas de  efluentes, Serviços relativos aos materiais de embalagem;   e)  DA  INTERPRETAÇÃO  DAS  INs  SRF  N°  247  E  404  CONFORME As LEIs Nº 10.833/2003 e 10.637/2002;   f) DA GLOSA INDEVIDA DAS DESPESAS COM FRETE;   Foi requerido diligência fiscal por meio do Despacho nº 24, de  24 de maio de 2013;   Fl. 4639DF CARF MF Processo nº 13502.720849/2011­55  Acórdão n.º 3302­006.556  S3­C3T2  Fl. 5          4 A empresa apresentou “razões complementares à  impugnação”  (fls.  2.695/2.714),  nas  quais  reafirma  alegações  referentes  ao  conceito de insumo e alega improcedência da autuação fiscal em  face de erros cometidos pela fiscalização;   Efetuada  a  diligência  requerida  a  autoridade  fiscal  emitiu  o  Relatório de Diligência de fls. 2.377/2.389;   A empresa apresentou “manifestação aos termos do Relatório de  Diligência” (fls. 3.736/3.775);   Foi  requerido  nova  diligência  fiscal  por  meio  do Despacho  nº  47, de 12 de maio de 2015;   É o breve relatório.  Às fls. 2.686/2.687/2.689, a recorrente apresentou documentos de Desistência  Parcial  da manifestação  de  inconformidade  em  relação  a  valores  do  item NOTAS  FISCAIS  COMPROBATÓRIAS,  tendo  em  vista  a  opção  de  adesão  ao  parcelamento  da  Lei  nº  11.941/2009, por ocasião da reabertura do prazo de adesão promovida pela Lei nº 12.996/2014.  Em sessão de 29 de setembro de 2017, a 2ª Turma da DRF de Juiz de Fora ­  MG,  proferiu  o  acórdão  09­64668,  julgando  parcialmente  procedentes  as  impugnações  da  recorrente, nos termos da seguinte ementa:     ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA   Ano­calendário: 2007   PIS/PASEP ­ COFINS. INSUMOS   O  conceito  de  insumos  para  fins  de  crédito  de  PIS/Pasep  e  COFINS  é  o  previsto  no  §  5º  do  artigo  66  da  Instrução  Normativa SRF 247/2002, que se repetiu na IN 404/2004.   PIS/PASEP ­ COFINS. CRÉDITO SOBRE FRETE   Somente  os  valores  das  despesas  realizadas  com  fretes  contratados  para  a  entrega  de  mercadorias  diretamente  aos  clientes adquirentes, desde que o ônus tenha sido suportado pela  pessoa jurídica vendedora, é que podem gerar direito a créditos  a serem descontados das Contribuições.   Impugnação Procedente em Parte   Crédito Tributário Mantido em Parte.  Inconformada,  a  recorrente  interpôs  recurso  voluntário,  onde  ataca  o  r.  acórdão por  supostamente  ser nulo,  uma vez  ter  sido  tolhido  se direito de defesa  com a não  aceitação  da  complementação  da  impugnação,  alegando  erros  materiais  cometidos  pela  fiscalização,  da  glosa  efetuada pela  falta  de  apresentação  de  notas  fiscais,  discorre  de  forma  extensa  sobre  o  conceito  de  insumo  nas  aquisições  atingidas  pelas  contribuições  ao  PIS  e  COFINS,  passando  a  descrever  a  utilidade  dos  produtos  dos  quais  a  fiscalização  glosou  por  entender  não  se  tratarem  de  insumos,  descrevendo  os  serviços  utilizados  como  insumos  e  glosas das despesas com frete.  Fl. 4640DF CARF MF Processo nº 13502.720849/2011­55  Acórdão n.º 3302­006.556  S3­C3T2  Fl. 6          5 Juntado  o  recurso  voluntário  da  recorrente  o  processo  foi  distribuído  à  relatoria desse Conselheiro.  É o relatório.  Voto             Conselheiro José Renato Pereira de Deus, Relator.  Os  recursos  atendem  aos  pressupostos  de  admissibilidade  e  deles  tomo  conhecimento.  I ­ Do Recurso de Ofício  Nos termos do art. 34 do Decreto­Lei 70.235/72, tendo e vista a exoneração  de  parte  do  crédito  tributário  apontado  pela  fiscalização  como  devido,  a  decisão  deve  ser  submetida a revisão necessária.  Como podemos observar da decisão de piso a exoneração se deu em grande  parte  por  divergência  apontadas  entre  os  valores  apurados  pela  fiscalização  e  demonstrados  pela  recorrente  no  processo,  relacionadas  a  notas  fiscais  lançadas  em  arquivos  digitais  e  DACON.  A  divergência  foi  objeto  de  diligência  determinada  pela  autoridade  preparadora quando da análise das impugnações protocoladas pela recorrente. No relatório da  diligência restou consignado que:  “51.Conforme  alegado  na  impugnação,  e  com  respaldo  nos  documentos  apresentados,  cabe  a  glosa  pela  não  apresentação  de documentação comprobatória apenas dos valores constantes  na coluna ‘Diferença aceita na impugnação’ da tabela acima”.  Como  podemos  observar,  a  autoridade  fiscal  responsável  pela  diligência  atestou  a  diferença  entre  os  valores  glosados  pela  fiscalização  e  aqueles  apresentados  pela  recorrente  em  impugnação,  devidamente  comprovados,  devendo  persistir  a  glosa  sobre  os  valores em que não houve a comprovação.  No mesmo  sentido,  deve  permanecer  a  exoneração  relacionada  ao  produto  considerado  como  insumo  pela  fiscalização,  por  ser  utilizado  no  processo  de  produção  da  recorrente, qual seja, a borracha sebs, observe­se:  “51.Conforme  alegado  na  impugnação,  e  com  respaldo  nos  documentos  apresentados,  cabe  a  glosa  pela  não  apresentação  de documentação comprobatória apenas dos valores constantes  na coluna ‘Diferença aceita na impugnação’ da tabela acima”.  “51.Conforme  alegado  na  impugnação,  e  com  respaldo  nos  documentos  apresentados,  cabe  a  glosa  pela  não  apresentação  de documentação comprobatória apenas dos valores constantes  na coluna ‘Diferença aceita na impugnação’ da tabela acima”.  Fl. 4641DF CARF MF Processo nº 13502.720849/2011­55  Acórdão n.º 3302­006.556  S3­C3T2  Fl. 7          6 A mesma solução deve ser aplicada à reversão da glosa sobre os créditos de  PIS­importação e COFINS­importação vinculados a receita de exportação.  Conforme  restou  consignado no  relatório  da  diligência  requerida pela DRJ,  todos  os  créditos  de  importação  vinculados  à  exportação,  feita  a  análise  dos  documentos  entregues  pela  recorrente,  foi  apontada  a  comprovação  dos  valores  lançados  em  DACON,  vejamos:  No  pedido  de  diligência  foi  solicitado  que  "a  autoridade  fiscal  informe se os créditos vinculados à importação foram usados na  dedução  das  contribuições  lançadas  naqueles  processos.  Em  caso positivo, informar o valor utilizado".   No Relatório de Diligência a  fiscalização  informa que “10.Nas  recomposições dos DACON e nos TVF lavrados no supra citado  processo,  a  autoridade  fiscal  autuante  segue  a  intenção  do  contribuinte  de  não  usar  o  crédito  de  importação  vinculado  à  receita  de  exportação  para  dedução  das  contribuições  devida.  Por outro lado, também não considerou tal crédito como crédito  passível  de  ressarcimento. A não  utilização  de  tal  crédito  para  dedução  e  nem  a  sua  caracterização  como  passível  de  ressarcimento estão claras nas planilhas comparativas do PIS e  da  COFINS  e  na  planilha  de  perdcomp  restituído,  todas  anexadas  ao  processo.”,  ou  seja,  o  crédito  em questão  não  foi  deduzido da contribuição devida no período.   A empresa não efetuou essa dedução quando da apuração feita  por ela, pois ao deduzir outros créditos que julgava ter direito, a  contribuição devida foi zerada. Com a glosa parcial de créditos  quando  do  procedimento  fiscal  e  a  conseqüente  apuração  de  contribuição a pagar, esses créditos, se comprovados, devem ser  deduzidos da contribuição apurada.   A  fiscalização  informa  também  que  "11.Todos  os  créditos  de  PIS/COFINS  importação  vinculados  à  receita  de  exportação  declarados  nas  Fichas  06B  e  16B  do  DACON  (vide  tabela  abaixo)  foram  informados  na  linha  02  ­  Bens Utilizados  como  Insumos, sendo imprescindível a confirmação contábil/fiscal dos  valores  ali  declarados,  além  da  caracterização  de  tais  bens  importados como insumos geradores de crédito".   Após  intimar  a  empresa,  a  autoridade  fiscal  afirma  que  "14.Tendo  sido  feita  análise  dos  documentos  fiscais  apresentados,  ficaram  comprovados  os  valores  lançados  nos  DACON.  tanto  por  estarem  respaldados  por  operações  de  importação  confirmadas  pelos  documentos  fiscais,  como  por  terem sido os produtos importados caracterizados como insumos  geradores de crédito".   Assim, devem ser acrescidos às bases de cálculo dos créditos a  deduzir  das  contribuições  lançadas  os  valores  de  R$  9.145.576,90 em jan/2007, R$ 34.624.826,67 em fev/2007 e R$  41.892.294,55 em mar/2007, conforme Dacon do período.   Fl. 4642DF CARF MF Processo nº 13502.720849/2011­55  Acórdão n.º 3302­006.556  S3­C3T2  Fl. 8          7 Constatei ainda, na análise da recomposição do Dacon, que os  créditos  de  "Importações  vinculados  às  receitas  não  tributadas  no  mercado  interno"  no  mês  de  jan/2007  não  foram  considerados. Portanto,  deve  ser  incluído  nas  bases de  cálculo  de  créditos  das  contribuições, mês  de  jan/2007,  o  valor  de R$  723.723,03, conforme Dacon do período. (destaques do original)  Considerando o  acima expostos,  podemos observar que  as  exonerações  dos  créditos  tributários  foram  precedidas  de  minuciosa  análise  realizada  em  diligências  e  devidamente  escoradas  por  documentação  idônea,  motivo  pelo  qual  voto  por  conhecer  do  recurso de ofício, contudo negar­lhe provimento.  II ­ Do Recurso Voluntário  Tratam­se  de  Autos  de  Infração  para  constituição  de  crédito  tributário  de  Cofins  não­cumulativa  e  PIS/Pasep  não­cumulativa,  relativo  ao  1º  trimestre  de  2007.  A  demanda gravita em torno do conceito de insumo que, em sua aquisição, dariam à recorrente o  direito de creditar de parcela dos valores pagos a título das contribuições ao PIS e à COFINS.  II.1  ­  Preliminar  ­  Nulidade  da  decisão  recorrida  ­  Preterição  direito  de  defesa  Para  a  recorrente,  a  não  aceitação  de  razões  complementares,  apresentadas  em momento anterior à prolação da decisão recorrida, sob o argumento de que haveria de ser  considerada a preclusão da matéria e documentos ali trazidos, pois, em tese, deveriam ter sido  apresentados quando do protocolo da impugnação, nos termos dos art. 16 e 17 do Decreto nº  70.235/72, feriu seu direito à ampla defesa e acesso ao devido processo.  Entendo que a alegação da recorrente não merece guarida.  Em relação a esse ponto, é importante destacar a disposição contida no §4º do  art.  16  do  Decreto  nº  70.235,  de  6  de  março  de  1972,  que  trata  da  apresentação  da  prova  documental na impugnação, precluindo o direito de fazê­lo em outro momento processual.  Em que pese existir entendimento pela não admissão destes documentos com  fulcro no dispositivo citado, penso que no presente caso houve uma nova impugnação e não só  a  juntada  de  novos  documentos  mencionados  na  impugnação  ou  que  demonstrassem  a  existência de fato novo que pudesse alterar ou extinguir o lançamento.   A  juntada  de  novos  documentos  posteriormente  à  apresentação  de  impugnação  administrativa  é  matéria  já  discutida  perante  este  E.  Conselho,  devendo  ser  analisada no  caso  concreto  (CRSF Acórdão nº 9101­002.791),  no  entanto,  a  apresentação de  "complementação de impugnação", mesmo que acompanhada de outros documentos não pode  ser permitida, devendo ser decretada a preclusão, conforme ocorrido no caso em apreço.  Dessa  forma,  a  "complementação  de  impugnação"  e  os  documentos  apresentados com a mesma não devem ser admitidos e apreciados.  Não  obstante,  em  que  pese  ter  havido  a  decretação  de  preclusão  pelo  r.  acórdão  recorrido  da  razões  complementares  à  impugnação,  entendo  que  o  resultado  da  diligência  determinada  pela  DRJ,  promoveu  a  revisão  de  ofício  dos  créditos  tributários,  Fl. 4643DF CARF MF Processo nº 13502.720849/2011­55  Acórdão n.º 3302­006.556  S3­C3T2  Fl. 9          8 afastando  eventuais  os  equívocos  apontados  nos  lançamentos,  o  que  levou  a  considerável  redução dos valores lançados.  Vale  lembrar  que  a  recorrente  foi  intimada  da  diligência,  participou  ativamente de sua produção, respondendo aos questionamentos da autoridade fiscal,  juntando  provas e demais documentos que comprovariam seu direito, não havendo desta forma mácula  ao seu direito de defesa, muito menos falta de acesso ao devido processo legal.  Ressalta­se  que  em  nenhum  momento  foram  apontadas  as  causas  que  poderiam levar à nulidade da r. decisão, trazidas pelo art. 59 do Decreto nº 70.235/72 e, por tais  razões, entendo não haver nulidade da decisão recorrida.  II.2 ­ Do Mérito  II.2.1  ­  Da  glosa  decorrente  da  falta  de  apresentação  de  notas  fiscais  comprobatórias  O assunto em destaque foi objeto de apreciação quando da análise do recurso  necessário, realizada tópicos acima.  Conforme descrito, as inconsistênciaS verificadas entre os valores apontados  pela  fiscalização  e  aqueles  trazidos  e  comprovados  pela  recorrente,  foram  devidamente  corrigidos e exonerados em sua grande parte.  No  que  se  refere  ao  saldo  apontado  que  persistiria  a  título  de  lançamento,  devido  sua  não  comprovação,  foram  objeto  de  adesão  à  parcelamento  trazido  pela  Lei  nº  11.941/09,  conforme  expressamente  informado  pela  recorrente,  que  fez  juntar  ao  processo  cópias dos pedidos de adesão.  Assim,  não  há  o  que  ser  analisado  quanto  ao  presente  tópico,  consequentemente, não conheço da matéria por não haver litígio.  II.2.2 ­ Conceito de Insumo  No  mérito,  inicialmente,  exponho  o  entendimento  deste  relator  acerca  da  definição do termo "insumos" para a legislação da não­cumulatividade das contribuições.  A respeito da definição de insumos, a não­cumulatividade das contribuições,  embora  estabelecida  sem  os  parâmetros  constitucionais  relativos  ao  ICMS  e  IPI,  foi  operacionalizada mediante o confronto entre valores devidos a partir do auferimento de receitas  e  o  desconto  de  créditos  apurados  em  relação  a  determinados  custos,  encargos  e  despesas  estabelecidos  em  lei.  A  apuração  de  créditos  básicos  foi  dada  pelos  artigos  3º  das  Leis  nº  10.637/2002 e nº 10.833/2003.   A regulamentação da definição de insumo foi dada, inicialmente, pelo artigo  66  da  IN  SRF  nº  247/2002,  e  artigo  8º  da  IN  SRF  nº  404/2004,  as  quais  adotaram  um  entendimento  restritivo,  calcado  na  legislação  do  IPI,  especialmente  quanto  à  expressão  de  bens utilizados como insumos.   A  partir  destas  disposições,  três  correntes  se  formaram:  a  defendida  pela  Receita  Federal,  que  utiliza  a  definição  de  insumos  da  legislação  do  IPI,  em  especial  dos  Fl. 4644DF CARF MF Processo nº 13502.720849/2011­55  Acórdão n.º 3302­006.556  S3­C3T2  Fl. 10          9 Pareceres Normativos CST nº 181/1974 e nº 65/1979. Uma segunda corrente que defende que  o conceito de insumos equivaleria aos custos e despesas necessários à obtenção da receita, em  similaridade com os custos e despesas dedutíveis para o IRPJ, dispostos nos artigos 289, 290,  291 e 299 do RIR/99. E, uma terceira corrente, que defende, com variações, um meio termo, ou  seja, que a definição de insumos não se restringe à definição dada pela legislação do IPI e nem  deve ser tão abrangente quanto a legislação do imposto de renda.  Para  dirimir  todas  as  peculiaridades  que  envolve  a  questão  do  crédito  de  PIS/COFINS,  o  STJ  julgou  a  matéria,  na  sistemática  de  como  recurso  repetitivo,  no  REsp  1.221.170/PR, em 22/02/2018, com publicação em 24/04/2018.  "Pacificando"  o  litígio,  o  STJ  julgou  a  matéria,  na  sistemática  de  recurso  repetitivo,  no  REsp  1.221.170/PR,  em  22/02/2018,  com  publicação  em  24/04/2018,  o  qual  restou decidido com a seguinte ementa:  EMENTA  TRIBUTÁRIO.  PIS  E  COFINS.  CONTRIBUIÇÕES  SOCIAIS.  NÃO­CUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO. CONCEITO DE  INSUMOS.  DEFINIÇÃO  ADMINISTRATIVA  PELAS  INSTRUÇÕES  NORMATIVAS  247/2002  E  404/2004,  DA  SRF,  QUE TRADUZ PROPÓSITO RESTRITIVO E DESVIRTUADOR  DO  SEU  ALCANCE  LEGAL.  DESCABIMENTO.  DEFINIÇÃO  DO  CONCEITO  DE  INSUMOS  À  LUZ  DOS  CRITÉRIOS  DA  ESSENCIALIDADE OU  RELEVÂNCIA.  RECURSO  ESPECIAL  DA  CONTRIBUINTE  PARCIALMENTE  CONHECIDO,  E,  NESTA EXTENSÃO, PARCIALMENTE PROVIDO, SOB O RITO  DO ART. 543­C DO CPC/1973 (ARTS. 1.036 E SEGUINTES DO  CPC/2015).  1.  Para  efeito  do  creditamento  relativo  às  contribuições  denominadas  PIS  e  COFINS,  a  definição  restritiva  da  compreensão  de  insumo,  proposta  na  IN  247/2002  e  na  IN  404/2004,  ambas  da  SRF,  efetivamente  desrespeita  o  comando  contido no art. 3o., II, da Lei 10.637/2002 e da Lei 10.833/2003,  que contém rol exemplificativo.  2. O conceito de insumo deve ser aferido à  luz dos critérios da  essencialidade  ou  relevância,  vale  dizer,  considerando­se  a  imprescindibilidade ou a importância de determinado item – bem  ou  serviço  –  para  o  desenvolvimento  da  atividade  econômica  desempenhada pelo contribuinte.  3. Recurso Especial representativo da controvérsia parcialmente  conhecido  e,  nesta  extensão,  parcialmente  provido,  para  determinar o retorno dos autos à  instância de origem, a  fim de  que  se  aprecie,  em  cotejo  com  o  objeto  social  da  empresa,  a  possibilidade  de  dedução  dos  créditos  relativos  a  custo  e  despesas  com:  água,  combustíveis  e  lubrificantes,  materiais  e  exames  laboratoriais,  materiais  de  limpeza  e  equipamentos  de  proteção individual­EPI.  4. Sob o rito do art. 543­C do CPC/1973 (arts. 1.036 e seguintes  do  CPC/2015),  assentam­se  as  seguintes  teses:  (a)  é  ilegal  a  disciplina  de  creditamento  prevista  nas  Instruções  Normativas  Fl. 4645DF CARF MF Processo nº 13502.720849/2011­55  Acórdão n.º 3302­006.556  S3­C3T2  Fl. 11          10 da  SRF  ns.  247/2002  e  404/2004,  porquanto  compromete  a  eficácia  do  sistema  de  não­cumulatividade  da  contribuição  ao  PIS  e  da  COFINS,  tal  como  definido  nas  Leis  10.637/2002  e  10.833/2003; e  (b) o conceito de  insumo deve ser aferido à  luz  dos  critérios  de  essencialidade  ou  relevância,  ou  seja,  considerando­se  a  imprescindibilidade  ou  a  importância  de  terminado  item  ­  bem  ou  serviço  ­  para  o  desenvolvimento  da  atividade econômica desempenhada pelo Contribuinte.  ACÓRDÃO  Vistos, relatados e discutidos estes autos, acordam os Ministros  da  Primeira  Seção  do  Superior  Tribunal  de  Justiça,  na  conformidade  dos  votos  e  das  notas  taquigráficas  a  seguir,  prosseguindo no julgamento, por maioria, a pós o realinhamento  feito, conhecer parcialmente do Recurso Especial e, nessa parte,  dar­lhe parcial provimento, nos  termos do voto do Sr. Ministro  Relator, que lavrará o ACÓRDÃO.   Votaram  vencidos  os  Srs.  Ministros  Og  Fernandes,  Benedito  Gonçalves  e  Sérgio  Kukina.  O  Sr.  Ministro  Mauro  Campbell  Marques, Assusete Magalhães (voto­vista), Regina Helena Costa  e Gurgel de Faria (que se declarou habilitado a votar) votaram  com o Sr. Ministro Relator. Não participou do julgamento o Sr.  Ministro Francisco Falcão.  Brasília/DF, 22 de fevereiro de 2018 (Data do Julgamento).  NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO  MINISTRO RELATOR  A  PGFN  opôs  embargos  de  declaração  e  o  contribuinte  interpôs  recurso  extraordinário. Não obstante a ausência de julgamento dos embargos opostos, a PGFN emitiu a  Nota SEI nº 63/2018, com a seguinte ementa:  Recurso  Especial  nº  1.221.170/PR  Recurso  representativo  de  controvérsia. Ilegalidade da disciplina de creditamento prevista  nas  IN  SRF  nº  247/2002  e  404/2004.  Aferição  do  conceito  de  insumo à luz dos critérios de essencialidade ou relevância.  Tese  definida  em  sentido  desfavorável  à  Fazenda  Nacional.  Autorização para dispensa de contestar e recorrer com fulcro no  art. 19, IV, da Lei n° 10.522, de 2002, e art. 2º, V, da Portaria  PGFN n° 502, de 2016.   Nota Explicativa do art. 3º da Portaria Conjunta PGFN/RFB nº  01/2014.  O item 42 da nota reproduz o acatamento da definição dada no julgamento do  repetitivo, nos seguintes termos:  "42.  Insumos  seriam,  portanto,  os  bens  ou  serviços  que  viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços e que  neles  possam  ser  direta  ou  indiretamente  empregados  e  cuja  subtração  resulte  na  impossibilidade  ou  inutilidade  da  mesma  Fl. 4646DF CARF MF Processo nº 13502.720849/2011­55  Acórdão n.º 3302­006.556  S3­C3T2  Fl. 12          11 prestação  do  serviço  ou  da  produção,  ou  seja,  itens  cuja  subtração  ou  obste  a  atividade  da  empresa  ou  acarrete  substancial  perda  da  qualidade  do  produto  ou  do  serviço  daí  resultantes.  43. O raciocínio proposto pelo “teste da subtração” a revelar a  essencialidade  ou  relevância  do  item  é  como  uma  aferição  de  uma “conditio sine qua non” para a produção ou prestação do  serviço.  Busca­se uma eliminação hipotética, suprimindo­se mentalmente  o  item  do  contexto  do  processo  produtivo  atrelado  à  atividade  empresarial  desenvolvida.  Ainda  que  se  observem  despesas  importantes  para  a  empresa,  inclusive  para  o  seu  êxito  no  mercado, elas não são necessariamente essenciais ou relevantes,  quando  analisadas  em  cotejo  com  a  atividade  principal  desenvolvida pelo contribuinte, sob um viés objetivo.  [...]  64.  Feitas  essas  considerações,  conclui­se  que,  por  força  do  disposto nos §§ 4º, 5º e 7º do art. 19, da Lei nº 10.522, de 2002,  a  Secretaria  da  Receita  Federal  do  Brasil  deverá  observar  o  entendimento do STJ de que:  “(a) é ilegal a disciplina de creditamento prevista nas Instruções  Normativas  da  SRF  ns.  247/2002  e  404/2004,  porquanto  compromete  a  eficácia  do  sistema  de  não­cumulatividade  da  contribuição ao PIS e da COFINS, tal como definido nas Lei nº  10.637/2002 e 10.833/2003;  e (b) o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de  essencialidade  ou  relevância,  ou  seja,  considerando­se  a  imprescindibilidade ou a importância de determinado item – bem  ou  serviço  –  para  o  desenvolvimento  da  atividade  econômica  desempenhada pelo Contribuinte.  65. Considerando  a  pacificação  da  temática  no  âmbito  do  STJ  sob  o  regime  da  repercussão  geral  (art.  1.036  e  seguintes  do  CPC) e a consequente inviabilidade de reversão do entendimento  desfavorável  à  União,  a  matéria  apreciada  enquadra­se  na  previsão do art. 19, inciso IV, da Lei nº 10.522, de 19 de julho de  2002[5] (incluído pela Lei nº 12.844, de 2013), c/c o art. 2º, V,  da  Portaria  PGFN  nº  502,  de  2016,  os  quais  autorizam  a  dispensa  de  contestação  e  de  interposição  de  recursos,  bem  como  a  desistência  dos  já  interpostos,  por  parte  da  Procuradoria­Geral da Fazenda Nacional.  66.  O  entendimento  firmado  pelo  STJ  deverá,  ainda,  ser  observado no âmbito da Secretaria da Receita Federal do Brasil,  nos  termos  dos  §§  4º,  5º  e  7º  do  art.  19,  da  Lei  nº  10.522,  de  2002[6],  cumprindo­lhe,  inclusive,  promover  a  adequação  dos  atos  normativos  pertinentes  (art.  6º  da  Portaria  Conjunta  PGFN/RFB nº 01, de 2014).  Fl. 4647DF CARF MF Processo nº 13502.720849/2011­55  Acórdão n.º 3302­006.556  S3­C3T2  Fl. 13          12 67. Por fim, cumpre esclarecer que o precedente do STJ apenas  definiu  abstratamente  o  conceito  de  insumos  para  fins  da  não­ cumulatividade da contribuição ao PIS e da COFINS. Destarte,  tanto  a  dispensa  de  contestar  e  recorrer,  no  âmbito  da  Procuradoria­Geral  da  Fazenda  Nacional,  como  a  vinculação  da  Secretaria  da  Receita  Federal  do  Brasil  estão  adstritas  ao  conceito  de  insumos  que  foi  fixado  pelo  STJ,  o  qual  afasta  a  definição  anteriormente  adotada  pelos  órgãos,  que  era  decorrente  das  Instruções  Normativas  da  SRF  nº  247/2002  e  404/2004.  68. Ressalte­se, portanto, que o precedente do STJ não afasta a  análise  acerca  da  subsunção  de  cada  item  ao  conceito  fixado  pelo STJ. Desse modo, tanto o Procurador da Fazenda Nacional  como  o  Auditor­Fiscal  que  atuam  nos  processos  nos  quais  se  questiona  o  enquadramento  de  determinado  item  como  insumo  ou não para fins da não­cumulatividade da contribuição ao PIS  e  da COFINS  estão  obrigados  a  adotar  o  conceito  de  insumos  definido  pelo  STJ  e  as  balizas  contidas  no  RESP  nº  1.221.170/PR,  mas  não  estão  obrigados  a,  necessariamente,  aceitar  o  enquadramento  do  item  questionado  como  insumo.  Deve­se,  portanto,  diante  de  questionamento  de  tal  ordem,  verificar  se  o  item  discutido  se  amolda  ou  não  na  nova  conceituação decorrente do Recurso Repetitivo ora examinado.  V   Encaminhamentos   69.  Ante  o  exposto,  propõe­se  seja  autorizada  a  dispensa  de  contestação e recursos sobre o tema em enfoque, com fulcro no  art.  19,  IV,  da  Lei  nº  10.522,  de  2002,  c/c  o  art.  2º,  V,  da  Portaria PGFN nº 502, de 2016, nos termos seguintes:"  Em seguida, a Secretaria da Receita Federal do Brasil, analisando a decisão  proferida  no  REsp  1.221.170/PR,  emitiu  o  Parecer  Normativo  nº  5/2018,  com  a  seguinte  ementa:  Ementa.  CONTRIBUIÇÃO  PARA  O  PIS/PASEP.  COFINS.  CRÉDITOS  DA  NÃO  CUMULATIVIDADE.  INSUMOS.  DEFINIÇÃO  ESTABELECIDA  NO  RESP  1.221.170/PR.  ANÁLISE E APLICAÇÕES.   Conforme  estabelecido  pela  Primeira  Seção  do  Superior  Tribunal  de  Justiça  no  Recurso  Especial  1.221.170/PR,  o  conceito  de  insumo  para  fins  de  apuração  de  créditos  da  não  cumulatividade  da Contribuição  para  o PIS/Pasep  e  da Cofins  deve  ser  aferido  à  luz  dos  critérios  da  essencialidade  ou  da  relevância  do  bem  ou  serviço  para  a  produção  de  bens  destinados à venda ou para a prestação de serviços pela pessoa  jurídica.   Consoante a tese acordada na decisão judicial em comento:   a) o “critério da essencialidade diz com o item do qual dependa,  intrínseca e fundamentalmente, o produto ou o serviço”:   Fl. 4648DF CARF MF Processo nº 13502.720849/2011­55  Acórdão n.º 3302­006.556  S3­C3T2  Fl. 14          13 a.1) “constituindo elemento estrutural e inseparável do processo  produtivo ou da execução do serviço”;   a.2)  “ou,  quando  menos,  a  sua  falta  lhes  prive  de  qualidade,  quantidade e/ou suficiência”;   b)  já  o  critério  da  relevância  “é  identificável  no  item  cuja  finalidade,  embora  não  indispensável  à  elaboração  do  próprio  produto  ou  à  prestação  do  serviço,  integre  o  processo  de  produção, seja”:  b.1) “pelas singularidades de cada cadeia produtiva”;   b.2) “por imposição legal”.   Dispositivos Legais. Lei nº 10.637, de 2002, art. 3º, inciso II; Lei  nº 10.833, de 2003, art. 3º, inciso II.  Referido  parecer,  analisando  o  julgamento  do  REsp  1.221.170/PR,  reconheceu  a possibilidade de  tomada  de  créditos  como  insumos  em  atividades  de  produção  como um todo, ou seja, reconhecendo o insumo do insumo (item 3 do parecer), EPI, testes de  qualidade  de  produtos,  tratamento  de  efluentes  do  processo  produtivo,  vacinas  aplicadas  em  rebanhos (item 4 do parecer), instalação de selos exigidos pelo MAPA, inclusive o transporte  para  tanto  (item  5  do  parecer),  os  dispêndios  com  a  formação  de  bens  sujeitos  à  exaustão,  despesas do imobilizado lançadas diretamente no resultado, despesas de manutenção dos ativos  responsáveis pela produção do insumo e o do produto, moldes e modelos, inspeções regulares  em  bens  do  ativo  imobilizado  da  produção,  materiais  e  serviços  de  limpeza,  desinfecção  e  dedetização  dos  ativos  produtivos  (item  7  do  parecer),  dispêndios  de  desenvolvimento  que  resulte  em  ativo  intangível  que  efetivamente  resulte  em  insumo  ou  em  produto  destinado  à  venda  ou  em  prestação  de  serviços  (item  8.1  do  parecer),  dispêndios  com  combustíveis  e  lubrificantes em a) veículos que suprem as máquinas produtivas com matéria­prima em uma  planta industrial; b) veículos que fazem o transporte de matéria­prima, produtos intermediários  ou produtos em elaboração entre estabelecimentos da pessoa jurídica; c) veículos utilizados por  funcionários de uma prestadora de serviços domiciliares para irem ao domicílio dos clientes; d)  veículos utilizados na atividade­fim de pessoas jurídicas prestadoras de serviços de transporte  (item  10  do  parecer),  testes  de  qualidade  de  matérias­primas,  produtos  em  elaboração  e  produtos acabados, materiais fornecidos na prestação de serviços (item 11 do parecer).  Por outro lado, entendeu que o julgamento (questões estas que não possuem  caráter  definitivo  e  que  podem  ser  revistas  em  julgamento  administrativo)  não  daria  margem  à  tomada  de  créditos  de  insumos  nas  atividades  de  revenda  de  bens  (item  2  do  parecer), alvará de funcionamento e atividades diversas da produção de bens ou prestação de  servilos (item 4 do parecer),  transporte de produtos acabados entre centros de distribuição ou  para  entrega  ao  cliente  (nesta  última  situação,  tomaria  crédito  como  frete  em  operações  de  venda),  embalagens  para  transporte  de  produtos  acabados,  combustíveis  em  frotas  próprias  (item 5 do parecer), ferramentas (item 7 do parecer), despesas de pesquisa e desenvolvimento  de  ativos  intangíveis  mal­sucedidos  ou  que  não  se  vinculem  à  produção  ou  prestação  de  serviços (item 8.1 do parecer), dispêndios com pesquisa e prospecção de minas, jazidas, poços  etc de recursos minerais ou energéticos que não resultem em produção (esforço mal­sucedido),  contratação  de  pessoa  jurídica  para  exercer  atividades  terceirizadas  no  setor  administrativo,  vigilância,  preparação  de  alimentos  da  pessoa  jurídica  contratante  (item  9.1  do  parecer),  dispêndios com alimentação, vestimenta, transporte, educação, saúde, seguro de vida para seus  Fl. 4649DF CARF MF Processo nº 13502.720849/2011­55  Acórdão n.º 3302­006.556  S3­C3T2  Fl. 15          14 funcionários, à exceção da hipótese autônoma do inciso X do artigo 3º (item 9.2 do parecer),  combustíveis  e  lubrificantes  utilizados  fora  da  produção  ou  prestação  de  serviços,  exemplificando a) pelo setor administrativo; b) para transporte de funcionários no trajeto de ida  e  volta  ao  local  de  trabalho;  c)  por  administradores  da  pessoa  jurídica;  e)  para  entrega  de  mercadorias  aos  clientes;  f)  para  cobrança  de  valores  contra  clientes  (item  10  do  parecer),  auditorias em diversas áreas, testes de qualidade não relacionados com a produção ou prestação  de serviços (item 11 do parecer).  Em resumo, considerando a decisão proferida pelo STJ e o posicionamento  do Parecer Normativo Cosit 05/2018, temos as seguintes premissas que devem ser observadas  pela empresa para apuração do crédito de PIS/COFINS: 1. Essencialidade, que diz respeito ao  item  do  qual  dependa,  intrínseca  e  fundamentalmente,  o  produto  ou  o  serviço,  constituindo  elemento estrutural e inseparável do processo produtivo ou da execução do serviço, ou, quando  menos,  a  sua  falta  lhes  prive  de  qualidade,  quantidade  e/ou  suficiência;  2.  Relevância,  considerada como critério definidor de insumo, é identificável no item cuja finalidade, embora  não  indispensável  à  elaboração  do  próprio  produto  ou  à  prestação  do  serviço,  integre  o  processo de produção, seja pelas singularidades de cada cadeia produtiva (v.g., o papel da água  na  fabricação  de  fogos  de  artifício  difere  daquele  desempenhado  na  agroindústria),  seja  por  imposição  legal  (v.g.,equipamento  de  proteção  individual  ­  EPI),  distanciando­se,  nessa  medida,  da  acepção  de  pertinência,  caracterizada,  nos  termos  propostos,  pelo  emprego  da  aquisição na produção ou na execução do serviço.  As  conclusões  acima  descritas  em  grande  parte  já  faziam  parte  de  meu  entendimento  quanto  ao  conceito  de  insumos  e,  eram  utilizados  nos  em  votos  anteriores,  contudo,  levando em consideração ao que  é ditado pelo  art.  62,  do  anexo  II,  do RICARF,  a  decisão prolatada pelo STJ deve ser observada em sua totalidade.  Com essas considerações, passa­se à análise do caso concreto.  II.2.3 ­ Das glosas de Insumo  Antes de tratar especificamente de cada um dos item glosados, pois segundo  o entendimento da fiscalização, não se subsumiriam ao conceito de insumo, temos que ressaltar  que a questão esta diretamente ligada à possibilidade de se enquadrar os produtos adquiridos  pela  recorrente  e  aplicados  em  sua  atividade  como  tal,  vale  dizer,  não  foi  suscitada  pela  fiscalização ou no acórdão recorrido, falta de prova da aquisição e comprovação de utilização  dos mesmos no processo produtivo.  Pelo contrário, a farta quantidade de documentos trazidos pela recorrente no  decorrer  do  processo  administrativo,  destacando  de  forma  especial  o  laudo  do  IPT  (e­fls.  2775/3160),  demonstrou  o  processo  produtivo  da  recorrente  e  a  utilização  dos  insumos  na  industrialização  de  produtos  finais,  bem  como  a  contratação  de  prestação  de  serviços  especializados indispensáveis para a manutenção de suas atividades.  O resumo das razões da fiscalização para a realização das glosas encontram­ se às e­fls. 220/229 do processo.  II.2.3.1 ­ Água bruta, água clarificada  Conforme  demonstrado  pela  recorrente  a  água  bruta  adquirida  e  outros  produtos químicos, são utilizados como insumo na produção do produto final água clarificada e  Fl. 4650DF CARF MF Processo nº 13502.720849/2011­55  Acórdão n.º 3302­006.556  S3­C3T2  Fl. 16          15 água potável, sendo certo que parte de sua produção é destinada à venda para terceiros e parte  utilizada como insumo na produção de diversos outros produtos, a exemplo do PVC, além de  ser componente indispensável para o resfriamento de diversas plantas industriais da recorrente.  Vale destacar que, em que pese haver a transformação da água bruta em água  clarificada  pela  própria  recorrente,  há  ainda  a  necessidade  de  se  promover  a  aquisição  de  referido insumo junto a terceiros (Copesul ­ Cia Petroquimica do Sul, p. ex).  Ressalta­se  ainda  que  a  água  potável,  outro  subproduto  resultante  da  industrialização da água bruta, também é vendida a terceiros e utilizada na atividade fabril da  recorrente.  Desta forma, considerando o que fora tratado acima com relação ao conceito  de  insumo, entendo que a água bruta e a água clarificada são essenciais para a produção dos  produtos industrializados pela recorrente, havendo assim a necessidade de serem revertidas as  glosas dos créditos das contribuições ao PIS e à COFINS, verificados quando da sua aquisição.  II.2.3.2 ­ Água desmineralizada  A exemplo do item anterior, restou demonstrado pelos documentos juntados  aos  autos que a  água desmineralizada  adquirida  pela  recorrente  é utilizada  como  insumo em  seu  processo  produtivo,  gerando  vapor,  que  tem  fração  comercializada  a  terceiros  e  outra  fração utilizada em seu parque fabril, na produção de outros produtos, como o polietileno.  Na descrição da produção do polietileno, feita no laudo do IPT, resta claro a  essencialidade  da  água  desmineralizada  na  formação  dos  pellets,  forma  final  em  que  é  comercializado  o  polietileno.  O  mesmo  se  aplica  à  produção  do  PVC,  que  segundo  as  informações é realizado pelo sistema de suspensão, extraindo o calor gerado na operação.  Subsumindo­se,  assim,  ao  conceito  de  insumo  aqui  esposado,  as  glosas  referentes aos créditos na aquisição de água desmineralizada devem ser revertidas.  II.2.3.3 ­ Sulfato de alumínio, Cloro líquido, Cal hidratada e Cal virgem  Todos  os  produtos  químicos  trazidos  no  presente  item,  são  utilizados  pela  recorrente  no  tratamento  e  na  produção  das  águas  clarificada,  desmineralizada  e  potável,  apresentando­se como itens indispensáveis para que se alcance o produto final.  Destarte, subsumem­se ao conceito de insumo trazidos pelo STJ e aclarados  pela RFB no Parecer Normativo Cosit nº 05/2018, motivo pelo qual a glosa estabelecida pela  fiscalização dos créditos das contribuições em comento, devem ser revertidas.  II.2.3.4 ­Antiespumantes e Tego antifoam  Conforme  demonstrado  pela  recorrente  e  pelo  Laudo  do  IPT,  são  insumos  utilizados no controle de formação de espuma na etapa de recuperação de Acetonitrila.  Tendo  em  vista  que  a  utilização  dos  antiespumantes  restou  demonstrada  essencial para a consecução do processo produtivo da recorrente, a exemplo do item anterior,  as glosas que recaíram sobre suas aquisições, também devem ser revertidas.  II.2.3.5 ­ Ar Instrumento  Fl. 4651DF CARF MF Processo nº 13502.720849/2011­55  Acórdão n.º 3302­006.556  S3­C3T2  Fl. 17          16 Pelo  que  restou  demonstrado  dos  documentos  juntados  ao  caderno  processual,  o  ar  instrumento  adquirido  pela  recorrente  é  utilizado  para  o  acionamento  de  equipamentos pneumáticos dispostos nos parques fabris de todas as suas unidades.  Referidos  equipamentos  são  indispensáveis  para  a  industrialização  de  seus  produtos e, via de consequência, sem sua movimentação que é feita pelo ar instrumento, não há  produção.  Apurou­se  ainda  que  diversos  dispositivos  de  segurança,  como  válvulas  de  controle,  são  acionados  pelo  ar  instrumento,  fato  esse  que  demonstra  ser  essencial  para  a  consecução da atividade da recorrente.  Mais uma vez, demonstrada a essencialidade do produto adquirido, qual seja,  ar  instrumento,  necessária  ser  faz  a  reversão da  glosa perpetrada pela  fiscalização e mantida  pela decisão da DRJ.  II.2.3.6 ­ Gás Nitrogênio e Nitrogênio Líquido  Referidos  produtos  são  utilizados  para  formar  uma  espécie  de  manta  protetora,  impedindo  a  contaminação  das  matérias­primas  (gases  pressurizados  a  altas  temperaturas) por oxigênio, além de serem utilizados nas etapas de  secagem, na  remoção de  solventes do produto final e na recuperação do n­hexano dos efluentes líquidos e subprodutos  gerados no decorrer do processo de produção.  A  posição  da  fiscalização  e  da  DRJ  quanto  ao  conceito  de  insumo,  demonstrada no auto de infração e na decisão recorrida, tem por fundamento o artigo 66 da IN  SRF  nº  247/2002,  e  artigo  8º  da  IN  SRF  nº  404/2004,  as  quais  adotaram  um  entendimento  restritivo, calcado na legislação do IPI.  Referida  posição  não  tem  mais  espaço,  havendo  a  necessidade  de  serem  seguidos  os  caminhos  estabelecidos  no  REsp  1.221.170/PR,  devidamente  aclarados  pelo  Parecer Normativo Cosit nº 05/2018, editado pela RFB.  Nesse diapasão, a desqualificação do produto como insumo por não entrar em  contado  direto  com  as  demais  matérias  primas  no  processo  produtivo,  não  deve  prosperar  frente a essencialidade e relevância no desenvolvimento da atividade, mesmo que não tenha o  malfadado contato direito.  Destarte,  demonstrado  que  o  gás  nitrogênio  e  o  nitrogênio  líquido  são  essenciais  para  o  desenvolvimento  da  atividade  da  empresa,  seja  no  resfriamento  de  equipamentos  e  suas  partes,  seja  como  veículo  condutor  de  outros  insumos,  a  glosa  determinada pela fiscalização se mostra equivocada, havendo a necessidade de ser revertida.  II.2.3.6 ­ Propano  O propano tem duas funções no processo produtivo do polietileno de alta ou  baixa densidade, a primeira é  funcionar como agente diluente e a  segunda diz  respeito a  sua  propriedade de remoção do calor dispersado durante o processo de produção.  Desta  feita,  os  créditos  glosados  pela  fiscalização  e  mantidos  pela  decisão  recorrida, devem ser restabelecidos em favor da recorrente.  Fl. 4652DF CARF MF Processo nº 13502.720849/2011­55  Acórdão n.º 3302­006.556  S3­C3T2  Fl. 18          17 II.2.3.7 ­ Solvente DMF  Na mesma  toada do  item anterior, o  solvente DMF, conforme demonstrado  nos  autos  do  presente  processo  (especialmente  no  laudo  do  IPT),  é  insumo  utilizado  no  processo  produtivo  do  Buatadieno  1,3  de  alta  pureza,  promovendo  a  separação  de  vários  componentes, para se chegar ao produto final.  Assim, necessária a reversão da glosa dos créditos das aquisições de referido  insumo.  II.2.3.8 ­ Inibidores de corrosão e Corrshield e Carbonato de sódio  Ao  longo  do  tempo,  o  processo  de  produção  dos  produtos  da  recorrente,  conforme  demonstrado  no  laudo  do  IPT,  que  utiliza­se  de  vários  componentes  químicos  diferentes, promove o desgaste do maquinário que compõe seu parque fabril.  Visando  evitar  a  deterioração  precoce  dessas  máquinas  e  equipamentos,  adquire e utiliza inibidores de corrosão, que tem por objetivo proteger as partes e peças destes  contra o desgaste, bem como diminuir o risco de impurezas geradas pelo desgaste, venham a  tornar  o  produto  final  imprestável.  A  mesma  função  é  exercida  pelo  carbonato  de  sódio,  utilizado para neutralizar o ácido clorídrico, substancia corrosiva.  O carbonato de sódio, por exemplo, é adicionado no reator de polimetrização  para  neutralizar  o  ácido  clorídrico,  e  utilizado  na Unidade  de  Tratamento  de  Água  atuando  como alcalinizante proporcionado o pH adequado para o processo de floculação empregado na  produção de água clarificada.  Como podemos observar, em que pese não ser adicionado ao produto final ou  consumido  durante  o  processo  de  produção,  referidos  inibidores,  mostram­se  indispensáveis  para  o  desempenho  das  atividades  da  recorrente,  devendo  assim  serem  conceituados  como  insumos  que  adquiridos  garantem  o  direito  ao  crédito  de  PIS  e  COFINS,  havendo  a  necessidade de reversão da glosa lançada pela fiscalização.  II.2.3.9 ­ Esfera de cerâmicas  As  esferas  de  cerâmica  utilizadas  pela  recorrente  em  seus  processos  produtivos, ao contrário do alegado pela fiscalização, mesmo contra seu conceito de insumo, é  aplicada diretamente no processo produtivo.  São  utilizadas  em  diversas  fases  do  processo  produtivo,  promovendo  a  sustentação de catalisadores e peneiras moleculares.  Vale ressaltar que, seguindo o conceito de insumo defendido até aqui, mesmo  que  o  produto  não  entrasse  em  contato  direto  no  processo  produtivo,  mas  se  demonstrasse  essencial  para  o  desenvolvimento  do  mesmo,  no  presente  caso,  deve  ser  considerado  como  insumo e, por tal razão, a glosa que recaiu sobre os valores lançados como créditos devem ser  revertidas.  II.2.3.9 ­ Ar de serviço  Fl. 4653DF CARF MF Processo nº 13502.720849/2011­55  Acórdão n.º 3302­006.556  S3­C3T2  Fl. 19          18 A exemplo do ar instrumento, o ar de serviço é utilizado pela recorrente em  seus processos produtivos como força motriz de equipamentos, válvulas de segurança, etc., que  compõem o parque industrial da contribuinte.  Não  bastasse  essa  função  de  referido  produto,  ele  também  é  utilizado  na  limpeza  e  inspeção  de  compartimentos  com  alto  grau  de  perigo  para  a  saúde  de  seus  funcionários e também ao meio ambiente.  Para que  a  inspeção  de  referidos  compartimentos  seja  feita  com  segurança,  são submetidos à injeção do ar de serviço que serve para garantir que se possa fazer a inspeção  dos equipamentos, que são totalmente vedados, vale dizer sem a utilização do ar de serviço a  inspeção  não  seria  possível,  o  que  de  fato  poderia  prejudicar,  ou  até mesmo  inviabilizar  as  atividades da recorrente.  Assim, a exemplo do ar de instrumento o ar de serviço deve ser considerado  como insumo, revertendo­se a glosa relacionadas aos créditos de sua aquisição.  II.2.3.9 ­ Gás Freon  O  gás  freon  (suva  R­134  e  R­22)  é  um  fluído  refrigerante  utilizado  no  resfriamento  de  torres  de  condensação  e  geladeiras  de  armazenagem  dos  componentes  químicos necessários à produção dos produtos finais.  Na  hipótese  de  não  haver  o  resfriamento  garantido  pelo  gás  freon,  os  componentes  utilizados  pela  recorrente  como  matéria  prima,  submetidos  à  temperatura  ambiente  decompõem­se,  podendo  até  mesmo  causar  a  explosão  do  recipiente  em  que  se  encontra armazenado.  Desta  forma, mostra­se  como  componente  indispensável  para  a  consecução  do mesmo, portanto  insumo e, consequentemente, as glosas efetivadas dos créditos apurados  pela recorrente devem ser revertidas.  II.2.3.9 ­ Hipoclorito de sódio, kuriroyal, kurizet, monoetilenoglicol, lauril  sulfato de sódio e sulfito de sódio  Os componentes químicos listados no presente tópico mostram­se essenciais  para  a  produção  industrial  da  recorrente,  seja  utilizando­os  como  insumos  diretos  para  se  chegar ao produto final, seja como insumos utilizados para garantir o perfeito funcionamento  de componentes mecânicos, hidráulicos ou pneumáticos do parque industrial.  O hipoclorito de sódio e de cálcio são utilizados, por exemplo, no tratamento  das águas industriais; o monoetilenoglicol é um fluído selante utilizado na bombas de injeção  dos  sistema de Acetonitrila;  o  lauril  sulfato  de  sódio  e  o  sulfito  de  sódio  são  emulsificantes  empregado na produção do PVC.  Assim, todos se subsumem ao conceito de insumo, garantindo a reversão da  glosa dos créditos realizada pela fiscalização.  II.2.3.10 ­ Tambor e material de embalagem  Fl. 4654DF CARF MF Processo nº 13502.720849/2011­55  Acórdão n.º 3302­006.556  S3­C3T2  Fl. 20          19 O  tambor  tratado  nesse  tópico,  nada mais  é  do  que  um  recipiente utilizado  para  a  armazenagem  de  subprodutos  e  resíduos  do  processo  produtivo,  que  em  virtude  dos  serviços de manutenção e limpeza efetuados no parque fabril, devem ser acondicionados para  seu transporte.  O  recipiente,  como  dito  serve  tanto  para  a  remoção  quanto  para  a  armazenagem  de  produto  final,  possibilitando  seu  acondicionamento  adequado  e  transporte  seguro.  A  recorrente  utiliza­se  ainda  de  sacarias,  sacos,  papel  extensível,  big  bags,  mag  bags,  bulk  liner,  injetor,  sacas  para  big  bags,  paletes,  container/contendor  flexível,  bobinas/filme/filme stretch, etiquetas de papel,  formulários e  fitas adesivas para afixação nas  embalagens,  marcadores  e  tinta  específica  para  impressoras,  braçadeiras,  caixa  de  papelão,  filmes, fitas, colas, lacres, fios de algodão e poliester, barbante, lonas, papelão.  Como podemos observar, levando em consideração a análise dos documentos  juntados  aos  autos  e  laudo do  IPT,  referidos materiais  são  utilizados  como  embalagens  para  transporte e manutenção da qualidade do produto final a ser comercializado pela recorrente.  Destarte,  considerando  que  os materiais  aqui  relacionados  subsumem­se  ao  atual  conceito  de  insumo,  devido  sua  relevância  ao  processo  de  produção  da  recorrente,  necessária se faz a reversão da glosa dos crédito realizada pela fiscalização.  II.2.3.11 ­ Junta de vedação, peça e partes de reposição  No  tange às  juntas de vedação  restou demonstrado que sua utilização se dá  durante o processo produtivo da recorrente, mais precisamente no processo chamado elitróse,  mostrando­se necessária para o desenvolvimento desse.  Foram  glosados  pela  fiscalização  os  créditos  tomados  pela  recorrente  relacionados  a  aquisição  de  partes  e  peças  de  reposição,  como  anel,  arruela,  barra  chata,  acoplamentos,  porcas,  buchas,  barra  redonda,  barra  roscada,  conduletes,  parafusos,  chapas,  dijuntores,  plugues,  pastilhas,  pinos,  relés,  rotores,  eixos,  eletrodos,  eletrodutos,  flanges,  mangueira, tampa de borracha, gaxetas, varetas para solda, válvulas, tubos, molas, transmissor,  terminal, união, curvas, fusíveis e suas bases, juntas, cabos, conectores.  Da  leitura  do  caderno  processual,  podemos  verificar,  das  planilhas  apresentadas  pela  recorrente  e,  em  especialmente  do  laudo  apresentado  pela  recorrente  feito  pelo  IPT  que  os  itens  acima  descritos  enquadram­se  no  conceito  de  insumos,  havendo  a  necessidade de reversão de suas glosas.  II.2.3.12  ­  Vaselina,  Vaselina  BYK,  gelatina  microbiologia,  dianodic  e  spectrus  Os  produtos  listados  no  item  em  apreço,  subsumem­se  ao  conceito  de  insumo,  uma  vez  que  demonstram­se  essenciais  para  a  produção  dos  produtos  finais  comercializados pela recorrente.  A vaselina é adicionada ao polipropileno, para regular sua dosagem, agindo  como catalisador na polimerização; a vaselina BYK é utilizada na planta Spherilene no preparo  de pasta catalítica; a gelatina microbiologia atua como agente dispersante na produção do PVC;  Fl. 4655DF CARF MF Processo nº 13502.720849/2011­55  Acórdão n.º 3302­006.556  S3­C3T2  Fl. 21          20 e  o  diadonic  e  spectrus  são  adicionados  à  água  de  resfriamento  para  inibir  a  corrosão  do  sistema, evitando a proliferação de microorganismos, incrustração de sais e no controle do pH.  O Laudo  técnico  do  IPT,  que  teve por  base  a verificação  de  documentos  e  visita in loco, para a análise do processo produtivo, atesta tal essencialidade, devendo a glosa  dos créditos relacionadas a estes produtos serem revertidas.  II.2.3.13 ­ Vapores  As  mesmas  soluções  acima  propostas  até  o  momento,  no  sentir  desse  Conselheiro  devem  ser  aplicadas  às  glosas  dos  créditos  feitas  pela  fiscalização,  no  que  diz  respeito à aquisição de vapores.  Pois bem. Restou demonstrado que os vapores são elementos indispensáveis  para as atividades da recorrente, seja como na forma de energia térmica, que move grande parte  da  planta  fabril,  seja  na  aplicação  direta  na  produção  dos  produtos  fabricados,  ou  ainda,  na  limpeza e conservação dos equipamentos da recorrente.  Assim,  necessária  se  faz  a  reversão  das  glosas  dos  créditos  realizada  pela  fiscalização.  II.2.3.14 ­ Serviços utilizados no processo produtivo  Neste  tópico  temos  a  análise  relacionada  às  glosas  feitas  dos  créditos  de  contratação de prestação de serviços, tendo em vista o entendimento da fiscalização de que não  estariam diretamente relacionados ao processo produtivo da recorrente.  Foram glosados os créditos sobe os serviços de pintura industrial, inspeção de  equipamentos e manutenção civil,  isolamento  térmico refratário antiácido,  limpeza  industrial,  manutenção de equipamentos de laboratório, serviços de transporte, serviços de calderaria, de  mecânica  e  de  elétrica,  serviços  de  tratamento  de  efluentes  e  análises  físico­químicas  de  efluentes, serviços relativos aos materiais de embalagem, gerenciamento de empreendimentos e  paradas.  Pois  bem.  De  acordo  com  a  decisão  do  STJ  e  Parecer  Normativo  Cosit  05/2018,  são  considerados  insumos  geradores  de  créditos  das  contribuições  os  bens  e  serviços  adquiridos e utilizados na manutenção de bens do ativo imobilizado da pessoa jurídica responsáveis  por qualquer etapa do processo de produção de bens destinados à venda e de prestação de serviço.  Pelo  que  foi  apurado  do  processo,  os  serviços  acima  elencados,  exceto  aqueles apontados como serviços de transporte que na minha visão referem­se a custos de frete,  subsumem­se ao conceito de insumo, fazendo­se necessária a reversão de suas glosas.  II.2.3.14 ­ Glosas despesa com frete  Quanto aos fretes a decisão recorrida determinou a glosa sobre as despesas,  justificando­a da seguintes forma:  Quanto às despesas de fretes, salientamos que o direito a crédito  em relação a frete contratados de pessoas jurídicas domiciliadas  no país é previsto nos inciso IX do art. 3º da Lei nº 10.833/2003  (Cofins)  e  inciso  II  do  art.  15  do  mesmo  diploma  legal  Fl. 4656DF CARF MF Processo nº 13502.720849/2011­55  Acórdão n.º 3302­006.556  S3­C3T2  Fl. 22          21 (PIS/Pasep).  As  hipóteses  de  creditamento  devem  seguir,  estritamente, a disciplina estabelecida pelo legislador ordinário.   Assim,  somente  os  valores  das  despesas  realizadas  com  fretes  contratados  para  a  entrega  de  mercadorias  diretamente  aos  clientes adquirentes, desde que o ônus tenha sido suportado pela  pessoa jurídica vendedora, é que podem gerar direito a créditos  a serem descontados das Contribuições.   Portanto,  por  não  integrar  o  conceito  de  insumo  utilizado  na  produção e nem ser considerada operação de venda, os valores  das despesas efetuadas com fretes contratados, ainda que pagos  ou  creditados  a  pessoas  jurídicas  domiciliadas  no  país  para  simples  transferências,  a  qualquer  título,  de  mercadorias  acabadas  ou  em  elaboração  entre  estabelecimentos  da  mesma  pessoa  jurídica,  não  geram  direito  a  créditos  a  serem  descontados da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins devida  apuradas de forma não­cumulativa.  As glosas  recaíram sobre as despesas de fretes na  transferência de produtos  acabados entre estabelecimentos da recorrente, além daqueles havidos nas vendas para empresa  ligadas.  No que diz  respeito à glosa dos fretes vinculados ao  transporte de produtos  acabados entre estabelecimento da recorrente, entendo que não há como acolher a pretensão da  recorrente.  Como  cediço,  as  normas  de  regência  permitem  o  creditamento  das  contribuições  não  cumulativas  i)  sobre  o  frete  pago  quando  o  serviço  de  transporte  quando  utilizado como insumo na prestação de serviço ou na produção de um bem destinado à venda,  com  base  no  inciso  II  do  art.  3°  das  Leis  nºs  10.637/02  e  10.833/03;  e  ii)  sobre  o  frete  na  operação de venda, quando o ônus for suportado pelo vendedor, conforme os arts. 3º, IX e 15,  II da Lei n° 10.833/03.  Há  também  direito  ao  crédito  sobre  despesas  com  fretes  pagos  a  pessoas  jurídicas  quando  o  custo  do  serviço,  suportado  pelo  adquirente,  é  apropriado  ao  custo  de  aquisição de um bem utilizado como insumo ou de um bem para revenda; bem como de fretes  pagos  a  pessoa  jurídica  para  transporte  de  insumos  ou  produtos  inacabados  entre  estabelecimentos, dentro do contexto do processo produtivo da pessoa jurídica.  Portanto,  tratando­se  de  frete  entre  os  estabelecimentos  da  Recorrente  de  produtos acabados, entendo que glosa deve ser mantida.  Entretanto,  a mesma  solução  não  serve  a  glosa  dos  fretes  para  vendas  para  empresas ligadas à recorrente.  Conforme  demonstrado  nas  impugnações  e  documentos  trazidos  com  as  mesmas, tratam­se de empresas que, embora mantenham vínculo societário, são independentes  juridicamente.  Os  documentos  (notas  fiscais  e  conhecimento  de  transporte)  demonstram  a  realização  de  operações  de  venda  e  não  transferência  de  produtos  acabados  entre  estabelecimentos da mesma pessoa jurídica.  Fl. 4657DF CARF MF Processo nº 13502.720849/2011­55  Acórdão n.º 3302­006.556  S3­C3T2  Fl. 23          22 Desta  feita,  tratando­se  de  frete  de  venda  a  terceiros,  entendo  que  a  glosa  deve ser revertida e garantido à recorrente o direito ao crédito.  III ­ Conclusão  Diante  do  exposto,  voto  por  negar  provimento  ao  recurso  de  ofício  e  em  conhecer  parcialmente  do  recurso  voluntário  e,  na  parte  conhecida,  em  rejeitar  a  preliminar  arguida e,  no mérito,  por maioria de votos,  em dar provimento parcial  ao  recurso voluntário  para  reconhecer  o  creditamento  sobre  água  bruta,  água  clarificada,  água  desmineralizada,  sulfato de alumínio, cloro líquido, cal hidratada e cal virgem, antiespumantes e tego antifoam,  ar  instrumento,  gás  nitrogênio  e  nitrogênio  líquido,  propano,  solvente  dmf,  inibidores  de  corrosão  e  corrshield  e  carbonato  de  sódio,  esfera  de  cerâmicas,  ar  de  serviço,  gás  freon,  hipoclorito de sódio, kuriroyal, kurizet, monoetilenoglicol,  lauril  sulfato de sódio e sulfito de  sódio, tambor e material de embalagem (sacarias, sacos, papel extensível, big bags, mag bags,  bulk  liner  injetor,  sacas  para  big  bags,  paletes,  container/contendor  flexível,  bobinas/filme/filme stretch, etiquetas de papel,  formulários e  fitas adesivas para afixação nas  embalagens,  marcadores  e  tinta  específica  para  impressoras,  braçadeiras,  caixa  de  papelão,  filmes,  fitas,  colas,  lacres,  fios  de  algodão  e  poliester,  barbante,  lonas,  papelão),  junta  de  vedação, peça e partes de reposição (anel, arruela, barra chata, acoplamentos, porcas, buchas,  barra  redonda,  barra  roscada,  conduletes,  parafusos,  chapas,  dijuntores,  plugues,  pastilhas,  pinos,  relés,  rotores,  eixos,  eletrodos,  eletrodutos,  flanges,  mangueira,  tampa  de  borracha,  gaxetas,  varetas  para  solda,  válvulas,  tubos,  molas,  transmissor,  terminal,  união,  curvas,  fusíveis e suas bases, juntas, cabos, conectores), vaselina, vaselina byk, gelatina microbiologia,  dianodic  e  spectrus,  vapores,  serviços  utilizados  no  processo  produtivo  (pintura  industrial,  inspeção de equipamentos e manutenção civil, isolamento térmico refratário antiácido, limpeza  industrial, manutenção de equipamentos de laboratório, serviços de calderaria, de mecânica e  de elétrica, serviços de tratamento de efluentes e análises físico­químicas de efluentes, serviços  relativos  aos materiais  de  embalagem,  gerenciamento  de  empreendimentos  e  paradas),  fretes  sobre aquisições de insumos, sobre transporte interno de insumos e produtos inacabados, fretes  sobre vendas para empresas ligadas à recorrente.  É como voto.  (assinado digitalmente)  José Renato Pereira de Deus ­ Relator                                Fl. 4658DF CARF MF

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Numero do processo: 10920.000205/2007-41
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 30 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Mar 07 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3201-001.708
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Relatório A interessada apresentou pedido de ressarcimento de PIS, cumulado com compensação de débito próprio, com origem no segundo trimestre de 2004. Por bem retratar os fatos constatados nos autos, passamos a transcrever o Relatório da decisão de primeira instância administrativa: Trata o presente processo de Pedido de Ressarcimento de crédito acompanhado de Declaração de Compensação de Contribuição para Programa de Integração Social — PIS não-cumulativa, decorrentes das operações da interessada com o mercado externo, por meio do qual a contribuinte pleiteia a repetição do montante de R$ 789,62, referente ao segundo trimestre de 2004. Do Despacho Decisório Na apreciação do pleito, manifestou-se a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Joinville/SC pelo reconhecimento parcial do direito de crédito pleiteado e pela homologação da compensação somente at o limite do credito reconhecido (Termo Fiscal e Despacho Decisório juntados aos autos), fazendo-o com base no não acatamento de certos valores incluídos pela contribuinte na base de cálculo apurada, conforme segue. 1. Bens e Serviços utilizados como insumos Extrai-se do relatório fiscal que foram glosados por não se enquadrarem no conceito de insumo adotado no âmbito da contribuição para o PIS e da Cofins não cumulativas: os gastos com materiais de consumo; as despesas indiretas com pessoal, entre essas alimentação, transporte, cestas básicas, despesas com viagens, uniformes e equipamentos de segurança; as despesas administrativas indiretas como projetos de produtos, assessoria empresarial ou comercial, honorários advocatícios, serviços de telefonia fixa e móvel, comissões de venda e vigilância de seus estabelecimentos; e também as despesas incorridas referentes a aquisições de "equipamentos, partes, peças, máquinas, incluídos os materiais para sua fabricação ou manutenção, e quaisquer outros itens que devam ser incorporados ao ativo imobilizado da empresa, a teor do que dispõe o art. 301 do Decreto n.° 3.000/1999". 2. Outros Valores/Operações com Direito a Crédito Relata a autoridade fiscal que glosou os valores informados no Dacon a este título em razão de a interessada não ter trazido o demonstrativo destes, apesar de intimada duas vezes para tanto. 3. Despesas de aluguéis de máquinas e equipamentos locados de pessoas jurídicas A autoridade fiscal glosou os valores informados a titulo de despesas de aluguéis de máquinas e equipamentos locados de pessoas jurídicas, no caso, as empresas Rocha Top Terminais e Operadores Portuários Ltda. (R$ 942.579,96), Cargolink Armazéns de Carga Ltda. (R$ 5.509.147,17) e WR Operadores Portuários Ltda. (R$ 7.381.682,79) — valores informados no período analisado, no caso, os anos de 2003 a 2005, por entender que os fatos apurados demonstram que, na realidade, "...todo o mecanismo utilizado foi simulado, visando elisão fiscal, mascarando a operação real de aquisição pela WRC dos equipamentos como locação de terceiros...". Em relação à empresa Rocha Top, foram glosadas os valores dos pagamentos efetuados entre janeiro/2003 e abril/2004, os quais não foram acompanhados de emissão dos respectivos documentos fiscais, somente de recibos; foram aceitos pagamentos e também outros referentes a outras locações de equipamentos semelhantes com a Rocha Top respaldados por nota fiscal, no caso ocorridos a partir de maio/2004. Os mencionados valores foram glosados pelas razões que seguem. 3.1. Obrigatoriedade das Notas Fiscais Informa, inicialmente, a autoridade fiscal que apesar de os locadores serem prestadores de serviços, possuindo notas fiscais do modelo requerido, não houve a apresentação de notas fiscais de serviços. Relata que quando intimada a apresentar as notas fiscais referentes às operações de locação de equipamentos e de aquisição de bens do ativo imobilizado, a interessada não o fez, alegando serem operações dispensadas de emissão. Afirma então que, apesar de ser "pacifico entendimento de que o ISSQN somente é devido nas locações de bens móveis com mão-de-obra, estando portanto a locação pura e simples do bem fora do campo de incidência de tal tributo", é obrigatória a emissão de notas fiscais de serviço por todos os prestadores de serviços, desde que não dispensados desta obrigação por meio de Decreto Municipal ou Estadual. Informa, então, que em consulta à Secretaria de Finanças do Município de São Francisco do Sul, esta informou via e-mail que as empresas em questão não estão dispensadas da emissão de nota fiscal fatura de serviços por aquela Secretaria. No mais, afirma que, a teor do artigo 41 da Lei Complementar n.° 9/1999 do Município de Sao Francisco do Sul, abaixo transcrito, "quem está sujeito ao pagamento do imposto é o contribuinte (sujeito passivo) e não a operação (fato gerador) para obrigação de emissão de nota fiscal", razão pela qual ser prestador de serviço de operação portuária ou agenciamento marítimo configura fato suficiente para enquadrar a pessoa jurídica como contribuinte do ISS, e portanto obrigado à emissão de nota fiscal, mesmo que podendo efetuar prestações abrangidas e outras não abrangidas pelo campo de incidência do tributo. Segue o artigo mencionado: Art. 41: Os contribuintes sujeitos ao pagamento do Imposto Sobre Serviços de Qualquer Natureza, calculado sobre o preço dos serviços, ficam obrigados a emitir Nota Fiscal de Serviços e / ou Nota Fiscal Fatura de Serviços, de modelo Oficial, ou cztpom do terminal de venda - PDV estabelecidos peia Secretaria de Finanças. 3.2. Contratos de locação de equipamentos Em relação aos Contratos de Locação de Equipamentos firmados entre a interessada e as empresas Rocha Top, CargOlink e WR, relata a autoridade fiscal: Contrato Firmado com Rocha Top: Contrato de Locação de Equipamentos firmado com Rocha Top..., originariamente pertencida WR, que foi substituída pela WRC como contratante através do Segundo Termo Aditivo, datado de I.° de maio de 2002, mês de inicio de suas operações e seguinte ao de sua constituição. Tem por objeto a locação de duas empilhadeiras modelos Top Loader e Reach Stacker. Apesar de o locador ser prestador de serviços, possuindo notas ,fiscais do modelo requerido, os pagamentos efetuados entre janeiro/2003 e abril/2004 não foram acompanhados de emissão dos respectivas documentos fiscais, somente de recibos. A partir de maio/2004 estes pagamentos e também outros referentes a outras locações de equipamentos semelhantes com a Rocha Top foram respaldados por nota/iscal. Contrato Firmado com Cargolink: O Contrato de Locação de Equipamentos firmado com Cargolink foi assinado em 11 de março de 2002, antes do inicio das operações do interessado, e refere-se a um guindaste portuário modelo HMK 300-E. O instrumento inicia dizendo "Considerando que para financiar a aquisição do Equipamento a CARGOLINK contraiu, junto ao Banco Bradesco S.A., empréstimo e que, como garantia do referido empréstimo, deu o Equipamento em alienação fiduciária em favor do Banco Bradesco S.A...."e continua "Considerando que a WRC é uma sociedade que está sendo constituída pela CARGOLINK, em sociedade com a WR OPERADORES PORTUÁRIOS LTDA. para o desenvolvimento conjunto de atividades de movimentação de carga no porto de Sao Francisco do Sul..." (grifou-se). A cláusula segunda estipula "Pela Locação do Equipamento, a WRC pagará à CARGOLINK I quantia semestral correspondente às parcelas de amortização do principal, juros, tributos, prêmios de se tiro, comissão de repasse e demais encargos que sejam devidos pela CARGOLINK ao Banco Bradesco S.A. em decorrência do Contrato de Financiamento (o "Aluguel") ... Os valores, prazos e demais condições dos pagamentos a serem efetuados a titulo de Aluguel... serão reajustados nos mesmos termos do reajuste das parcelas a serem pagas pela CARGOLINK ao Banco Bradesco.S.A. em decorrência do Contrato de Financiamento." (grifou-se). Quando intimado a apresentar cópia da nota fiscal de aquisição do equipamento GUINDAB-0001 - Guindaste Móvel Portuário sob o qual calculou créditos de depreciação, o interessado apresentou um Contrato de Opção de Compra firmado entre Cargolink e WR datado de 08 de março de 2002 com a mesma descrição, e portanto dele originário, do Contrato de Locação de Equipamentos em questão, com Termo de Cessão e Aditivo onde WR repassa o direito a opção de compra para WRC, datado de 11 de março de 2002, mesma data do Contrato objeto desta análise e antes do inicio de sua operações. O Contrato de Opção de Compra estipula que "Em contrapartida à outorga da Opção de Compra. WR paga neste ato à CARGOLINK ... a quantia de R$ 674.313,00... pelo que a CARGOLINK dá à WR plena quitação da quantia ora recebida." e segue "Na hipótese de a WR exercer a Opção de Compra, o preço a ser pago pela WR à CARGOLINK para a aquisição do Equipamento fica fixado em RS 10.000,00..." (grifou-se). Esta contrapartida paga pela Cargo link foi reembolsada pela WRC quando iniciou as operações, considerando que houve mesmo a transferência de valor, tanto que imobilizou o bem em janeiro/2003 e iniciou a depreciação sob descrição GUINDAA-000I Guindaste Móvel Portuário, com valor de aquisição R$ 674.313,00, conforme denota-sena planilha de depreciações entregue pelo interessado,... Percebe-se também que este valor é muito próximo aos 15% exigidos como entrada, conforme cláusula 3 Terms of Payment do contrato de compra do guindaste firmado entre Cargolink e Demag Mobile Cranes segundo fax de Demag Mobile Cranes ... foi de C 375.000 menos bônus de C 40.000, total C 335.000 (trezentos e trinta e cinco mil euros),convertido a taxa de câmbio vigente em 20/07/2001, data .final para pagamento determinada na mesma cláusula, perfaz R$ 717.070,85 (2,14051 REAL/BRASIL (790) = I EURO/COM.EUROPEIA (978), fonte: Banco Central). Contrato Firmado corn WR: O Contrato de Locação de Equipamentos firmado corn WR... foi assinado em 11 de março de 2002, antes do inicio das operações do interessado, e refere-se a um guindaste portuário modelo HMK 300-E, Mutatis mutandis, é idêntico ao Contrato de Locação de Equipamentos firmado com Cargolink. 0 instrumento inicia dizendo "Considerando que em 25 de junho de 2002 a WR adquiriu um guindaste..." (grifou-se), num claro erro de datas pois o contrato seria anterior aquisição, confirmado pelos documentos seguintes. Prossegue "Considerando que o Equipamento é objeto de contrato de arrendamento mercantil..." e "Considerando que a WRC é uma sociedade que está sendo constituída pela WR, em sociedade com a CARGOLINK ARMAZÉNS DE CARGA LTDA.... para o desenvolvimento conjunto de atividades de movimentação de carga no porto de São Francisco do Sul..." (grifou-se). A clausula segunda estipula "Pela Locação do Equipamento, a WRC pagará à WR quantia correspondente a todas as obrigações pecuniárias, incluindo o valor residual garantido, juros, tributos e demais encargos que sejam devidos pela WR ao Safra Leasing S.A. —Arrendamento Mercantil em decorrência do Contrato de Arrendamento Mercantil (o "Aluguel") .. Os valores, prazos e demais condições dos pagamentos a serem efetuados a titulo de Aluguel... serão reajustado nos mesmos termos do reajuste das parcelas a serem pagas pela WR ao Safra Leasing S.A. - Arrendamento Mercantil em decorrência do Contrato de Arrendamento Mercantil." (grifou-se). A cláusula oitava da o prazo de vigência de 5 anos, terminando em fevereiro/2007, enquanto o arrendamento encerrou em outubro/2005, juntamente com o último pagamento efetuado. O Contrato de Arrendamento Mercantil do equipamento estipula o valor residual garantido "VRG Final devido no final (parte ou total): R$ 69.050.02" com vencimento juntamente cOni a última contraprestação em 31/10/2005. Este valor, que seria devido pela arrendatária W R, se houve mesmo pagamento, Ibi pago pela WRC, tanto que imobilizou o bem ern outubro/2005 e iniciou a depreciação sob descrição GUINDAB-0001 Guindaste Móvel Portuário, com valor de aquisição R$ 69.050,02 conforme denota-se na planilha de depreciações entregue pelo interessado No tópico "4.3.1.4.3 Da vineulação entre as empresas" o auditor fiscal inicialmente destaca que a WR e WRC funcionam no mesmo endereço, Rua Marechal Deodoro, 156, com a denominação adicional "sala A" para WRC. Relata que a WR foi sócia, em conjunto com Cargolink e outros, da WRC até 14/07/2006, que havia participações recíprocas nos quadros societários de várias empresas e que em 13 de julho de 2006 a WR foi incorporada pela WRC. Resume, então, a confusão verificada nos quadros societários das empresas, demonstrando as pessoas físicas detentoras das empresas, "atualmente ou no período sob análise", através do quadro que abaixo se reproduz: (...) Conclui que a empresa WRC pertencia fundamentalmente a todas as pessoas listadas, através de participações cruzadas envolvendo outras empresas como por exemplo Cabral Serviços Marítimos Ltda., Douat Cia. de Participações, Litoral Investimentos Ltda., Litoral Empreendimentos Ltda. e Litoral Agencia Marítima Ltda. Ante os fatos apresentados, afirma a autoridade fiscal: Todos os fatos acima descritos levam esta auditoria a acreditar que todo o mecanismo utilizado foi simulado, visando a elisão fiscal, mascarando a operação real de aquisição pela WRC dos equipamentos como locação de terceiros, tendo como intuito a geração de créditos das contribuições objeto desta análise, e, possivelmente, criação de despesas dedutíveis na apuração do IREI e CSLL e distribuição disfarçada de lucros visto que se tratam na verdade das mesmas pessoas [os sócios das empresas]. Da Manifestação de Inconformidade Inconformada com as razões postas para as glosas efetuadas a contribuinte as contestou por meio dos argumentos que seguem. No tópico "II. Da inexistência de obrigatoriedade relacionada a emissão de Nota Fiscal por conta da realização de operação de locação de bem móvel" a contribuinte inicialmente discorre sobre "o correto tratamento tributário dispensado pela legislação e pelos Tribunais pátrios com relação à locação de bens móveis", e alega: (..) resta consolidado no ordenamento jurídico brasileiro a não incidência do ISS sobre as atividades de locação relacionadas aos bens móveis. Assim sendo, nota-se na legislação que a obrigatoriedade de emissão de Nota Fiscal esta intimamente vinculada ao controle do calculo do ISS sobre o preço dos serviços de contribuintes sujeitos ao seu pagamento. Logo, se o tributo em tela não incide sobre determinada atividade, ou seja, sobre o seu preço, não se mantem a obrigatoriedade de emitir Nota Fiscal et empresa que a realiza. (. ) Se irregularidade alguma houve, aplicável ao caso a pena pelo descumprimento da obrigação tributário acessória de emissão de nota fiscal e não o indeferimento do crédito, que encontra amparo na legislação tributária federal e foi apropriado com base em uma operação efetivamente ocorrida, documentada Ressalte-se que o ilustre auditor fiscal da Receita Federal do Brasil em seu relatório não põe em dúvida a validade dos contratos de locação dos bens e nem a efetiva realização das operações, limitando-se o mesmo a desconsiderar as operações do contribuinte com base em suposta simulação e caracterização de distribuição disfarçada de lucros... Ademais, os vícios de simulação e distribuição disfarçada de lucros nem sequer foram imputados à operação de locação de empilhadeiras realizada entre a Contribuinte e a empresa Rochatop Terminais e Operadores Portuários Ltda. tendo o Auditor Fiscal da RFB desconsiderado os créditos de PIS/COFINS sobre estas despesas simplesmente pela ausência de notas fiscais, como se a despesa não tivesse ocorrido e fosse necessária as atividades da contribuinte. Nos tópicos "III. Da inexistência de fraude ou simulação", "IV. Não Caracterização de Distribuição Disfarçada de Lucros" e "V. Ainda Sobre a Simulação: Sua Distinção de Negócio Jurídico Indireto - Histórico do Negócio Havido entre as Partes Contratantes da Locação" A interessada traz argumentos de variada ordem tanto no sentido de demonstrar a irregularidade do feito fiscal como em defesa da regularidade das operações de locação de equipamentos utilizados em sua atividade produtiva a fim de demonstrar que não houve qualquer tipo de simulação de sua parte no intuito de beneficiar-se indevidamente de créditos da não-cumulatividade da contribuição para o PIS e da Cofins, criação de despesas dedutíveis na apuração do IRPJ e CSLL e distribuição disfarçada de lucros. Em relação aos insumos aplicados na prestação de serviços, titulo VI, a interessada inicialmente lista os bens e serviços adquiridos e seus respectivos fornecedores, abaixo reproduzida, a fim de que "possam ser analisados os argumentos": (...) Irresignada, a contribuinte apresentou, no prazo legal, recurso voluntário (arquivo não paginável), por meio do qual alega, no que interessa ao deslinde do litígio, a nulidade do acórdão recorrido, com fundamento nas seguintes razões de defesa: Em face das alegações apresentadas pela empresa, a DRJ baixou os autos em diligência, a fim de que a unidade preparadora providenciasse a análise da demonstração e da composição da base de cálculo do PIS não cumulativo, mediante a comprovação por meio de documentos contábeis e/ou fiscais. Na sua realização, requereu-se a entrega do balancete de março de 2003 e orientou-se a empresa sobre o fato de que os Livros Diário e Razão deveriam ficar à disposição do Fisco, caso requeridos. Segue, então, argumentando que em todos estes documentos fiscais evidencia-se que a empresa adquiriu bens ou contratou serviços os quais foram totalmente aplicados em suas atividades, as quais se relacionam à operação portuária e envolvem o maquinário utilizado para a sua realização; o que em nenhum momento foi impugnado pela autoridade fiscal. Afirma que a glosa dos créditos de PIS/COFINS ocorreu, portanto, conforme se infere da invocação ao artigo 301 do RIR/99 pela autoridade fazenddria, pelo fato de esta ter considerado todas as aquisições de produtos como enquadráveis no ativo imobilizado e não enquanto insumos. Com base nesse entendimento, argumenta que os produtos adquiridos o foram com a finalidade exclusiva de manter os seus ativos em condições operacionais e que, quando incorporados as respectivas máquinas e equipamentos, possuem vida útil inferior a um ano e/ou não aumentam a vida útil dos bens do seu ativo imobilizado em prazo superior a um ano, razão pela qual não se justifica a sua incorporação ao ativo permanente, para que seja então depreciado ou amortizado. Aduz que o elevado custo de aquisição de um bem não impõe sua classificação no ativo imobilizado e acrescenta que a prova do aumento da vida útil do bem para além de um ano, para fins de sua inclUsdo no ativo imobilizado, cabe ao fisco, a teor de várias decisões do Conselho de Contribuintes que elenca. Por fim, em relação aos outros valores/operações com direito a crédito argumenta que, ao contrário do que afirma a autoridade fiscal, forneceu à fiscalização todos os documentos necessários, como comprovam as cópias em anexo dos protocolos prestados pelo Auditor Fiscal, indicando o recebimento dos documentos solicitados, e a consignação que consta do recebimento dos documentos solicitados no Termo de Verificação e Encerramento da Análise Fiscal. Aduz que, por não haver qualquer impugnação especifica quanto aos documentos apresentados por esta contribuinte, torna-se impossível à mesma exercer seu direito de defesa nos termos asseguradOs pela Constituição Federal de 1988. Pugna então pelo afastamento da glosa em vista de não ser verdadeira a informação de que a contribuinte deixou de se manifestar quando lhe foram solicitados documentos e informações. A 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Florianópolis julgou improcedente a manifestação de inconformidade, proferindo o Acórdão DRJ/FNS n.º 07-21.781, de 29/10/2010 (fls. 887 e ss.), assim ementado: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2004 PEDIDOS DE RESTITUIÇÃO, COMPENSAÇÃO OU RESSARCIMENTO. COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA A CARGO DO CONTRIBUINTE. No âmbito especifico dos pedidos de restituição, compensação ou ressarcimento, é ônus do contribuinte/pleiteante a comprovação minudente da existência do direito creditório. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Ano-calendário: 2004 REGIME DA NÃO-CUMULATIVIDADE. CONDIÇÕES DE CREDITAMENTO. Dão direito a crédito, no âmbito do regime da não-cumulatividade, custos e despesas com bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no Pais, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados A venda. REGIME DA NÃO-CUMULATIVIDADE. CONCEITO DE INSUMOS. No regime da não-cumulatividade, só são considerados como insumos, para fins de creditamento de valores: aqueles utilizados na fabricação ou produção de bens destinados A venda; as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; e os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no Pais, aplicados diretamente na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito creditório não reconhecido Irresignada, a contribuinte apresentou o recurso voluntário de fls. 982 e ss., por meio do qual aponta equívoco da decisão ao dizer que houve parcial revelia dela (por não se manifestar quanto a algumas glosas), porquanto todas as glosas teriam sido impugnadas; reitera as suas razões sobre o direito aos créditos sobre aluguéis de equipamentos, sobre insumos e serviços de outras pessoas jurídicas; invoca, noutros termos, alteração de fundamentos, pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, para a manutenção das glosas a título de "outros valores/operações com direito a crédito", ao tempo em que menciona impossibilidade de exercício de defesa, por não haver impugnação específica aos documentos por ela apresentados, no mister de comprovar seus créditos. Evoca o art. 112 do CTN - in dubio pro contribuinte. Ao final, requer a reforma da decisão de primeiro grau e o reconhecimento integral dos créditos. Por meio da Resolução de fls., os autos foram baixados em diligência, a fim de que se verificasse "se os fatos descritos no termo de verificação e encerramento da análise fiscal que antecede o indeferimento do pedido de ressarcimento estão lastreados, pelo menos em parte, “em fatos cuja apuração serviu para configurar a prática de infração à legislação pertinente à tributação do IRPJ”. Em despacho, informou-se não terem sido encontrados registros de realização de procedimento fiscal relativo ao IRPJ referente ao período de 2003 a 2005, aos quais se referem os pedidos de ressarcimento. Por meio da petição de fls., a Recorrente requer o julgamento conjunto deste processo com outros idênticos de seu interesse. O processo foi distribuído a este Conselheiro Relator, na forma regimental. É o relatório. Voto
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Relatório A interessada apresentou pedido de ressarcimento de PIS, cumulado com compensação de débito próprio, com origem no segundo trimestre de 2004. Por bem retratar os fatos constatados nos autos, passamos a transcrever o Relatório da decisão de primeira instância administrativa: Trata o presente processo de Pedido de Ressarcimento de crédito acompanhado de Declaração de Compensação de Contribuição para Programa de Integração Social — PIS não-cumulativa, decorrentes das operações da interessada com o mercado externo, por meio do qual a contribuinte pleiteia a repetição do montante de R$ 789,62, referente ao segundo trimestre de 2004. Do Despacho Decisório Na apreciação do pleito, manifestou-se a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Joinville/SC pelo reconhecimento parcial do direito de crédito pleiteado e pela homologação da compensação somente at o limite do credito reconhecido (Termo Fiscal e Despacho Decisório juntados aos autos), fazendo-o com base no não acatamento de certos valores incluídos pela contribuinte na base de cálculo apurada, conforme segue. 1. Bens e Serviços utilizados como insumos Extrai-se do relatório fiscal que foram glosados por não se enquadrarem no conceito de insumo adotado no âmbito da contribuição para o PIS e da Cofins não cumulativas: os gastos com materiais de consumo; as despesas indiretas com pessoal, entre essas alimentação, transporte, cestas básicas, despesas com viagens, uniformes e equipamentos de segurança; as despesas administrativas indiretas como projetos de produtos, assessoria empresarial ou comercial, honorários advocatícios, serviços de telefonia fixa e móvel, comissões de venda e vigilância de seus estabelecimentos; e também as despesas incorridas referentes a aquisições de "equipamentos, partes, peças, máquinas, incluídos os materiais para sua fabricação ou manutenção, e quaisquer outros itens que devam ser incorporados ao ativo imobilizado da empresa, a teor do que dispõe o art. 301 do Decreto n.° 3.000/1999". 2. Outros Valores/Operações com Direito a Crédito Relata a autoridade fiscal que glosou os valores informados no Dacon a este título em razão de a interessada não ter trazido o demonstrativo destes, apesar de intimada duas vezes para tanto. 3. Despesas de aluguéis de máquinas e equipamentos locados de pessoas jurídicas A autoridade fiscal glosou os valores informados a titulo de despesas de aluguéis de máquinas e equipamentos locados de pessoas jurídicas, no caso, as empresas Rocha Top Terminais e Operadores Portuários Ltda. (R$ 942.579,96), Cargolink Armazéns de Carga Ltda. (R$ 5.509.147,17) e WR Operadores Portuários Ltda. (R$ 7.381.682,79) — valores informados no período analisado, no caso, os anos de 2003 a 2005, por entender que os fatos apurados demonstram que, na realidade, "...todo o mecanismo utilizado foi simulado, visando elisão fiscal, mascarando a operação real de aquisição pela WRC dos equipamentos como locação de terceiros...". Em relação à empresa Rocha Top, foram glosadas os valores dos pagamentos efetuados entre janeiro/2003 e abril/2004, os quais não foram acompanhados de emissão dos respectivos documentos fiscais, somente de recibos; foram aceitos pagamentos e também outros referentes a outras locações de equipamentos semelhantes com a Rocha Top respaldados por nota fiscal, no caso ocorridos a partir de maio/2004. Os mencionados valores foram glosados pelas razões que seguem. 3.1. Obrigatoriedade das Notas Fiscais Informa, inicialmente, a autoridade fiscal que apesar de os locadores serem prestadores de serviços, possuindo notas fiscais do modelo requerido, não houve a apresentação de notas fiscais de serviços. Relata que quando intimada a apresentar as notas fiscais referentes às operações de locação de equipamentos e de aquisição de bens do ativo imobilizado, a interessada não o fez, alegando serem operações dispensadas de emissão. Afirma então que, apesar de ser "pacifico entendimento de que o ISSQN somente é devido nas locações de bens móveis com mão-de-obra, estando portanto a locação pura e simples do bem fora do campo de incidência de tal tributo", é obrigatória a emissão de notas fiscais de serviço por todos os prestadores de serviços, desde que não dispensados desta obrigação por meio de Decreto Municipal ou Estadual. Informa, então, que em consulta à Secretaria de Finanças do Município de São Francisco do Sul, esta informou via e-mail que as empresas em questão não estão dispensadas da emissão de nota fiscal fatura de serviços por aquela Secretaria. No mais, afirma que, a teor do artigo 41 da Lei Complementar n.° 9/1999 do Município de Sao Francisco do Sul, abaixo transcrito, "quem está sujeito ao pagamento do imposto é o contribuinte (sujeito passivo) e não a operação (fato gerador) para obrigação de emissão de nota fiscal", razão pela qual ser prestador de serviço de operação portuária ou agenciamento marítimo configura fato suficiente para enquadrar a pessoa jurídica como contribuinte do ISS, e portanto obrigado à emissão de nota fiscal, mesmo que podendo efetuar prestações abrangidas e outras não abrangidas pelo campo de incidência do tributo. Segue o artigo mencionado: Art. 41: Os contribuintes sujeitos ao pagamento do Imposto Sobre Serviços de Qualquer Natureza, calculado sobre o preço dos serviços, ficam obrigados a emitir Nota Fiscal de Serviços e / ou Nota Fiscal Fatura de Serviços, de modelo Oficial, ou cztpom do terminal de venda - PDV estabelecidos peia Secretaria de Finanças. 3.2. Contratos de locação de equipamentos Em relação aos Contratos de Locação de Equipamentos firmados entre a interessada e as empresas Rocha Top, CargOlink e WR, relata a autoridade fiscal: Contrato Firmado com Rocha Top: Contrato de Locação de Equipamentos firmado com Rocha Top..., originariamente pertencida WR, que foi substituída pela WRC como contratante através do Segundo Termo Aditivo, datado de I.° de maio de 2002, mês de inicio de suas operações e seguinte ao de sua constituição. Tem por objeto a locação de duas empilhadeiras modelos Top Loader e Reach Stacker. Apesar de o locador ser prestador de serviços, possuindo notas ,fiscais do modelo requerido, os pagamentos efetuados entre janeiro/2003 e abril/2004 não foram acompanhados de emissão dos respectivas documentos fiscais, somente de recibos. A partir de maio/2004 estes pagamentos e também outros referentes a outras locações de equipamentos semelhantes com a Rocha Top foram respaldados por nota/iscal. Contrato Firmado com Cargolink: O Contrato de Locação de Equipamentos firmado com Cargolink foi assinado em 11 de março de 2002, antes do inicio das operações do interessado, e refere-se a um guindaste portuário modelo HMK 300-E. O instrumento inicia dizendo "Considerando que para financiar a aquisição do Equipamento a CARGOLINK contraiu, junto ao Banco Bradesco S.A., empréstimo e que, como garantia do referido empréstimo, deu o Equipamento em alienação fiduciária em favor do Banco Bradesco S.A...."e continua "Considerando que a WRC é uma sociedade que está sendo constituída pela CARGOLINK, em sociedade com a WR OPERADORES PORTUÁRIOS LTDA. para o desenvolvimento conjunto de atividades de movimentação de carga no porto de Sao Francisco do Sul..." (grifou-se). A cláusula segunda estipula "Pela Locação do Equipamento, a WRC pagará à CARGOLINK I quantia semestral correspondente às parcelas de amortização do principal, juros, tributos, prêmios de se tiro, comissão de repasse e demais encargos que sejam devidos pela CARGOLINK ao Banco Bradesco S.A. em decorrência do Contrato de Financiamento (o "Aluguel") ... Os valores, prazos e demais condições dos pagamentos a serem efetuados a titulo de Aluguel... serão reajustados nos mesmos termos do reajuste das parcelas a serem pagas pela CARGOLINK ao Banco Bradesco.S.A. em decorrência do Contrato de Financiamento." (grifou-se). Quando intimado a apresentar cópia da nota fiscal de aquisição do equipamento GUINDAB-0001 - Guindaste Móvel Portuário sob o qual calculou créditos de depreciação, o interessado apresentou um Contrato de Opção de Compra firmado entre Cargolink e WR datado de 08 de março de 2002 com a mesma descrição, e portanto dele originário, do Contrato de Locação de Equipamentos em questão, com Termo de Cessão e Aditivo onde WR repassa o direito a opção de compra para WRC, datado de 11 de março de 2002, mesma data do Contrato objeto desta análise e antes do inicio de sua operações. O Contrato de Opção de Compra estipula que "Em contrapartida à outorga da Opção de Compra. WR paga neste ato à CARGOLINK ... a quantia de R$ 674.313,00... pelo que a CARGOLINK dá à WR plena quitação da quantia ora recebida." e segue "Na hipótese de a WR exercer a Opção de Compra, o preço a ser pago pela WR à CARGOLINK para a aquisição do Equipamento fica fixado em RS 10.000,00..." (grifou-se). Esta contrapartida paga pela Cargo link foi reembolsada pela WRC quando iniciou as operações, considerando que houve mesmo a transferência de valor, tanto que imobilizou o bem em janeiro/2003 e iniciou a depreciação sob descrição GUINDAA-000I Guindaste Móvel Portuário, com valor de aquisição R$ 674.313,00, conforme denota-sena planilha de depreciações entregue pelo interessado,... Percebe-se também que este valor é muito próximo aos 15% exigidos como entrada, conforme cláusula 3 Terms of Payment do contrato de compra do guindaste firmado entre Cargolink e Demag Mobile Cranes segundo fax de Demag Mobile Cranes ... foi de C 375.000 menos bônus de C 40.000, total C 335.000 (trezentos e trinta e cinco mil euros),convertido a taxa de câmbio vigente em 20/07/2001, data .final para pagamento determinada na mesma cláusula, perfaz R$ 717.070,85 (2,14051 REAL/BRASIL (790) = I EURO/COM.EUROPEIA (978), fonte: Banco Central). Contrato Firmado corn WR: O Contrato de Locação de Equipamentos firmado corn WR... foi assinado em 11 de março de 2002, antes do inicio das operações do interessado, e refere-se a um guindaste portuário modelo HMK 300-E, Mutatis mutandis, é idêntico ao Contrato de Locação de Equipamentos firmado com Cargolink. 0 instrumento inicia dizendo "Considerando que em 25 de junho de 2002 a WR adquiriu um guindaste..." (grifou-se), num claro erro de datas pois o contrato seria anterior aquisição, confirmado pelos documentos seguintes. Prossegue "Considerando que o Equipamento é objeto de contrato de arrendamento mercantil..." e "Considerando que a WRC é uma sociedade que está sendo constituída pela WR, em sociedade com a CARGOLINK ARMAZÉNS DE CARGA LTDA.... para o desenvolvimento conjunto de atividades de movimentação de carga no porto de São Francisco do Sul..." (grifou-se). A clausula segunda estipula "Pela Locação do Equipamento, a WRC pagará à WR quantia correspondente a todas as obrigações pecuniárias, incluindo o valor residual garantido, juros, tributos e demais encargos que sejam devidos pela WR ao Safra Leasing S.A. —Arrendamento Mercantil em decorrência do Contrato de Arrendamento Mercantil (o "Aluguel") .. Os valores, prazos e demais condições dos pagamentos a serem efetuados a titulo de Aluguel... serão reajustado nos mesmos termos do reajuste das parcelas a serem pagas pela WR ao Safra Leasing S.A. - Arrendamento Mercantil em decorrência do Contrato de Arrendamento Mercantil." (grifou-se). A cláusula oitava da o prazo de vigência de 5 anos, terminando em fevereiro/2007, enquanto o arrendamento encerrou em outubro/2005, juntamente com o último pagamento efetuado. O Contrato de Arrendamento Mercantil do equipamento estipula o valor residual garantido "VRG Final devido no final (parte ou total): R$ 69.050.02" com vencimento juntamente cOni a última contraprestação em 31/10/2005. Este valor, que seria devido pela arrendatária W R, se houve mesmo pagamento, Ibi pago pela WRC, tanto que imobilizou o bem ern outubro/2005 e iniciou a depreciação sob descrição GUINDAB-0001 Guindaste Móvel Portuário, com valor de aquisição R$ 69.050,02 conforme denota-se na planilha de depreciações entregue pelo interessado No tópico "4.3.1.4.3 Da vineulação entre as empresas" o auditor fiscal inicialmente destaca que a WR e WRC funcionam no mesmo endereço, Rua Marechal Deodoro, 156, com a denominação adicional "sala A" para WRC. Relata que a WR foi sócia, em conjunto com Cargolink e outros, da WRC até 14/07/2006, que havia participações recíprocas nos quadros societários de várias empresas e que em 13 de julho de 2006 a WR foi incorporada pela WRC. Resume, então, a confusão verificada nos quadros societários das empresas, demonstrando as pessoas físicas detentoras das empresas, "atualmente ou no período sob análise", através do quadro que abaixo se reproduz: (...) Conclui que a empresa WRC pertencia fundamentalmente a todas as pessoas listadas, através de participações cruzadas envolvendo outras empresas como por exemplo Cabral Serviços Marítimos Ltda., Douat Cia. de Participações, Litoral Investimentos Ltda., Litoral Empreendimentos Ltda. e Litoral Agencia Marítima Ltda. Ante os fatos apresentados, afirma a autoridade fiscal: Todos os fatos acima descritos levam esta auditoria a acreditar que todo o mecanismo utilizado foi simulado, visando a elisão fiscal, mascarando a operação real de aquisição pela WRC dos equipamentos como locação de terceiros, tendo como intuito a geração de créditos das contribuições objeto desta análise, e, possivelmente, criação de despesas dedutíveis na apuração do IREI e CSLL e distribuição disfarçada de lucros visto que se tratam na verdade das mesmas pessoas [os sócios das empresas]. Da Manifestação de Inconformidade Inconformada com as razões postas para as glosas efetuadas a contribuinte as contestou por meio dos argumentos que seguem. No tópico "II. Da inexistência de obrigatoriedade relacionada a emissão de Nota Fiscal por conta da realização de operação de locação de bem móvel" a contribuinte inicialmente discorre sobre "o correto tratamento tributário dispensado pela legislação e pelos Tribunais pátrios com relação à locação de bens móveis", e alega: (..) resta consolidado no ordenamento jurídico brasileiro a não incidência do ISS sobre as atividades de locação relacionadas aos bens móveis. Assim sendo, nota-se na legislação que a obrigatoriedade de emissão de Nota Fiscal esta intimamente vinculada ao controle do calculo do ISS sobre o preço dos serviços de contribuintes sujeitos ao seu pagamento. Logo, se o tributo em tela não incide sobre determinada atividade, ou seja, sobre o seu preço, não se mantem a obrigatoriedade de emitir Nota Fiscal et empresa que a realiza. (. ) Se irregularidade alguma houve, aplicável ao caso a pena pelo descumprimento da obrigação tributário acessória de emissão de nota fiscal e não o indeferimento do crédito, que encontra amparo na legislação tributária federal e foi apropriado com base em uma operação efetivamente ocorrida, documentada Ressalte-se que o ilustre auditor fiscal da Receita Federal do Brasil em seu relatório não põe em dúvida a validade dos contratos de locação dos bens e nem a efetiva realização das operações, limitando-se o mesmo a desconsiderar as operações do contribuinte com base em suposta simulação e caracterização de distribuição disfarçada de lucros... Ademais, os vícios de simulação e distribuição disfarçada de lucros nem sequer foram imputados à operação de locação de empilhadeiras realizada entre a Contribuinte e a empresa Rochatop Terminais e Operadores Portuários Ltda. tendo o Auditor Fiscal da RFB desconsiderado os créditos de PIS/COFINS sobre estas despesas simplesmente pela ausência de notas fiscais, como se a despesa não tivesse ocorrido e fosse necessária as atividades da contribuinte. Nos tópicos "III. Da inexistência de fraude ou simulação", "IV. Não Caracterização de Distribuição Disfarçada de Lucros" e "V. Ainda Sobre a Simulação: Sua Distinção de Negócio Jurídico Indireto - Histórico do Negócio Havido entre as Partes Contratantes da Locação" A interessada traz argumentos de variada ordem tanto no sentido de demonstrar a irregularidade do feito fiscal como em defesa da regularidade das operações de locação de equipamentos utilizados em sua atividade produtiva a fim de demonstrar que não houve qualquer tipo de simulação de sua parte no intuito de beneficiar-se indevidamente de créditos da não-cumulatividade da contribuição para o PIS e da Cofins, criação de despesas dedutíveis na apuração do IRPJ e CSLL e distribuição disfarçada de lucros. Em relação aos insumos aplicados na prestação de serviços, titulo VI, a interessada inicialmente lista os bens e serviços adquiridos e seus respectivos fornecedores, abaixo reproduzida, a fim de que "possam ser analisados os argumentos": (...) Irresignada, a contribuinte apresentou, no prazo legal, recurso voluntário (arquivo não paginável), por meio do qual alega, no que interessa ao deslinde do litígio, a nulidade do acórdão recorrido, com fundamento nas seguintes razões de defesa: Em face das alegações apresentadas pela empresa, a DRJ baixou os autos em diligência, a fim de que a unidade preparadora providenciasse a análise da demonstração e da composição da base de cálculo do PIS não cumulativo, mediante a comprovação por meio de documentos contábeis e/ou fiscais. Na sua realização, requereu-se a entrega do balancete de março de 2003 e orientou-se a empresa sobre o fato de que os Livros Diário e Razão deveriam ficar à disposição do Fisco, caso requeridos. Segue, então, argumentando que em todos estes documentos fiscais evidencia-se que a empresa adquiriu bens ou contratou serviços os quais foram totalmente aplicados em suas atividades, as quais se relacionam à operação portuária e envolvem o maquinário utilizado para a sua realização; o que em nenhum momento foi impugnado pela autoridade fiscal. Afirma que a glosa dos créditos de PIS/COFINS ocorreu, portanto, conforme se infere da invocação ao artigo 301 do RIR/99 pela autoridade fazenddria, pelo fato de esta ter considerado todas as aquisições de produtos como enquadráveis no ativo imobilizado e não enquanto insumos. Com base nesse entendimento, argumenta que os produtos adquiridos o foram com a finalidade exclusiva de manter os seus ativos em condições operacionais e que, quando incorporados as respectivas máquinas e equipamentos, possuem vida útil inferior a um ano e/ou não aumentam a vida útil dos bens do seu ativo imobilizado em prazo superior a um ano, razão pela qual não se justifica a sua incorporação ao ativo permanente, para que seja então depreciado ou amortizado. Aduz que o elevado custo de aquisição de um bem não impõe sua classificação no ativo imobilizado e acrescenta que a prova do aumento da vida útil do bem para além de um ano, para fins de sua inclUsdo no ativo imobilizado, cabe ao fisco, a teor de várias decisões do Conselho de Contribuintes que elenca. Por fim, em relação aos outros valores/operações com direito a crédito argumenta que, ao contrário do que afirma a autoridade fiscal, forneceu à fiscalização todos os documentos necessários, como comprovam as cópias em anexo dos protocolos prestados pelo Auditor Fiscal, indicando o recebimento dos documentos solicitados, e a consignação que consta do recebimento dos documentos solicitados no Termo de Verificação e Encerramento da Análise Fiscal. Aduz que, por não haver qualquer impugnação especifica quanto aos documentos apresentados por esta contribuinte, torna-se impossível à mesma exercer seu direito de defesa nos termos asseguradOs pela Constituição Federal de 1988. Pugna então pelo afastamento da glosa em vista de não ser verdadeira a informação de que a contribuinte deixou de se manifestar quando lhe foram solicitados documentos e informações. A 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Florianópolis julgou improcedente a manifestação de inconformidade, proferindo o Acórdão DRJ/FNS n.º 07-21.781, de 29/10/2010 (fls. 887 e ss.), assim ementado: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2004 PEDIDOS DE RESTITUIÇÃO, COMPENSAÇÃO OU RESSARCIMENTO. COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA A CARGO DO CONTRIBUINTE. No âmbito especifico dos pedidos de restituição, compensação ou ressarcimento, é ônus do contribuinte/pleiteante a comprovação minudente da existência do direito creditório. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Ano-calendário: 2004 REGIME DA NÃO-CUMULATIVIDADE. CONDIÇÕES DE CREDITAMENTO. Dão direito a crédito, no âmbito do regime da não-cumulatividade, custos e despesas com bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no Pais, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados A venda. REGIME DA NÃO-CUMULATIVIDADE. CONCEITO DE INSUMOS. No regime da não-cumulatividade, só são considerados como insumos, para fins de creditamento de valores: aqueles utilizados na fabricação ou produção de bens destinados A venda; as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; e os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no Pais, aplicados diretamente na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito creditório não reconhecido Irresignada, a contribuinte apresentou o recurso voluntário de fls. 982 e ss., por meio do qual aponta equívoco da decisão ao dizer que houve parcial revelia dela (por não se manifestar quanto a algumas glosas), porquanto todas as glosas teriam sido impugnadas; reitera as suas razões sobre o direito aos créditos sobre aluguéis de equipamentos, sobre insumos e serviços de outras pessoas jurídicas; invoca, noutros termos, alteração de fundamentos, pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, para a manutenção das glosas a título de "outros valores/operações com direito a crédito", ao tempo em que menciona impossibilidade de exercício de defesa, por não haver impugnação específica aos documentos por ela apresentados, no mister de comprovar seus créditos. Evoca o art. 112 do CTN - in dubio pro contribuinte. Ao final, requer a reforma da decisão de primeiro grau e o reconhecimento integral dos créditos. Por meio da Resolução de fls., os autos foram baixados em diligência, a fim de que se verificasse "se os fatos descritos no termo de verificação e encerramento da análise fiscal que antecede o indeferimento do pedido de ressarcimento estão lastreados, pelo menos em parte, “em fatos cuja apuração serviu para configurar a prática de infração à legislação pertinente à tributação do IRPJ”. Em despacho, informou-se não terem sido encontrados registros de realização de procedimento fiscal relativo ao IRPJ referente ao período de 2003 a 2005, aos quais se referem os pedidos de ressarcimento. Por meio da petição de fls., a Recorrente requer o julgamento conjunto deste processo com outros idênticos de seu interesse. O processo foi distribuído a este Conselheiro Relator, na forma regimental. É o relatório. Voto

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1688; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3­C2T1  Fl. 1.037          1 1.036  S3­C2T1  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10920.000205/2007­41  Recurso nº            Voluntário  Resolução nº  3201­001.708  –  2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária  Data  31 de janeiro de 2019  Assunto  PIS. RESSARCIMENTO.COMPENSAÇÃO  Recorrente  WRC OPERADORES PORTUÁRIOS LTDA  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.    Resolvem  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  converter  o  julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.   (assinado digitalmente)   Charles Mayer de Castro Souza ­ Presidente e Relator.    Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro  Souza  (Presidente),  Paulo  Roberto  Duarte  Moreira,  Tatiana  Josefovicz  Belisario,  Marcelo  Giovani Vieira,  Pedro Rinaldi  de Oliveira  Lima,  Leonardo Correia Lima Macedo,  Leonardo  Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.  Relatório  A  interessada  apresentou  pedido  de  ressarcimento  de  PIS,  cumulado  com  compensação de débito próprio, com origem no segundo trimestre de 2004.  Por  bem  retratar  os  fatos  constatados  nos  autos,  passamos  a  transcrever  o  Relatório da decisão de primeira instância administrativa:  Trata  o  presente  processo  de  Pedido  de  Ressarcimento  de  crédito  acompanhado  de Declaração  de Compensação  de Contribuição  para  Programa  de  Integração  Social  —  PIS  não­cumulativa,  decorrentes  das  operações  da  interessada  com  o  mercado  externo,  por  meio  do  qual  a  contribuinte  pleiteia  a  repetição  do  montante  de  R$  789,62,  referente ao segundo trimestre de 2004.     RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 20 .0 00 20 5/ 20 07 -4 1 Fl. 1037DF CARF MF Processo nº 10920.000205/2007­41  Resolução nº  3201­001.708  S3­C2T1  Fl. 1.038          2 Do  Despacho  Decisório  Na  apreciação  do  pleito,  manifestou­se  a  Delegacia  da  Receita  Federal  do  Brasil  em  Joinville/SC  pelo  reconhecimento  parcial  do  direito  de  crédito  pleiteado  e  pela  homologação  da  compensação  somente  at  o  limite  do  credito  reconhecido (Termo Fiscal e Despacho Decisório juntados aos autos),  fazendo­o com base no não acatamento de certos valores incluídos pela  contribuinte na base de cálculo apurada, conforme segue.  1. Bens e Serviços utilizados como insumos Extrai­se do relatório fiscal  que  foram  glosados  por  não  se  enquadrarem  no  conceito  de  insumo  adotado  no  âmbito  da  contribuição  para  o  PIS  e  da  Cofins  não  cumulativas:  os  gastos  com  materiais  de  consumo;  as  despesas  indiretas  com  pessoal,  entre  essas  alimentação,  transporte,  cestas  básicas,  despesas  com  viagens,  uniformes  e  equipamentos  de  segurança;  as  despesas  administrativas  indiretas  como  projetos  de  produtos,  assessoria  empresarial  ou  comercial,  honorários  advocatícios, serviços de telefonia fixa e móvel, comissões de venda e  vigilância de seus estabelecimentos; e  também as despesas incorridas  referentes  a  aquisições  de  "equipamentos,  partes,  peças,  máquinas,  incluídos os materiais para sua fabricação ou manutenção, e quaisquer  outros  itens  que  devam  ser  incorporados  ao  ativo  imobilizado  da  empresa, a teor do que dispõe o art. 301 do Decreto n.° 3.000/1999".  2.  Outros  Valores/Operações  com  Direito  a  Crédito  Relata  a  autoridade  fiscal  que  glosou  os  valores  informados  no Dacon  a  este  título em razão de a interessada não ter trazido o demonstrativo destes,  apesar de intimada duas vezes para tanto.  3.  Despesas  de  aluguéis  de  máquinas  e  equipamentos  locados  de  pessoas  jurídicas A  autoridade  fiscal  glosou  os  valores  informados  a  titulo de despesas de aluguéis de máquinas e equipamentos locados de  pessoas  jurídicas,  no  caso,  as  empresas  Rocha  Top  Terminais  e  Operadores Portuários Ltda. (R$ 942.579,96), Cargolink Armazéns de  Carga Ltda. (R$ 5.509.147,17) e WR Operadores Portuários Ltda. (R$  7.381.682,79) — valores informados no período analisado, no caso, os  anos de 2003 a 2005, por entender que os fatos apurados demonstram  que, na realidade, "...todo o mecanismo utilizado foi simulado, visando  elisão fiscal, mascarando a operação real de aquisição pela WRC dos  equipamentos como locação de terceiros...".  Em  relação  à  empresa  Rocha  Top,  foram  glosadas  os  valores  dos  pagamentos  efetuados  entre  janeiro/2003 e abril/2004, os  quais não  foram  acompanhados  de  emissão  dos  respectivos  documentos  fiscais,  somente  de  recibos;  foram  aceitos  pagamentos  e  também  outros  referentes  a  outras  locações  de  equipamentos  semelhantes  com  a  Rocha Top respaldados por nota fiscal, no caso ocorridos a partir de  maio/2004.  Os mencionados valores foram glosados pelas razões que seguem.  3.1.  Obrigatoriedade  das  Notas  Fiscais  Informa,  inicialmente,  a  autoridade  fiscal  que  apesar  de  os  locadores  serem  prestadores  de  serviços,  possuindo  notas  fiscais  do  modelo  requerido,  não  houve  a  apresentação de notas fiscais de serviços.  Fl. 1038DF CARF MF Processo nº 10920.000205/2007­41  Resolução nº  3201­001.708  S3­C2T1  Fl. 1.039          3 Relata que quando intimada a apresentar as notas fiscais referentes às  operações de locação de equipamentos e de aquisição de bens do ativo  imobilizado,  a  interessada  não  o  fez,  alegando  serem  operações  dispensadas de emissão.  Afirma  então  que,  apesar  de  ser  "pacifico  entendimento  de  que  o  ISSQN  somente  é  devido  nas  locações  de  bens  móveis  com  mão­de­ obra, estando portanto a locação pura e simples do bem fora do campo  de  incidência de  tal  tributo", é obrigatória a emissão de notas  fiscais  de  serviço  por  todos  os  prestadores  de  serviços,  desde  que  não  dispensados  desta  obrigação  por  meio  de  Decreto  Municipal  ou  Estadual.  Informa,  então,  que  em  consulta  à  Secretaria  de  Finanças  do  Município  de  São Francisco  do  Sul,  esta  informou  via  e­mail  que  as  empresas em questão não estão dispensadas da emissão de nota fiscal  fatura de serviços por aquela Secretaria.  No  mais,  afirma  que,  a  teor  do  artigo  41  da  Lei  Complementar  n.°  9/1999  do  Município  de  Sao  Francisco  do  Sul,  abaixo  transcrito,  "quem está  sujeito ao pagamento do  imposto é o contribuinte  (sujeito  passivo) e não a operação (fato gerador) para obrigação de emissão de  nota  fiscal",  razão  pela  qual  ser  prestador  de  serviço  de  operação  portuária  ou  agenciamento  marítimo  configura  fato  suficiente  para  enquadrar  a  pessoa  jurídica  como  contribuinte  do  ISS,  e  portanto  obrigado  à  emissão  de  nota  fiscal,  mesmo  que  podendo  efetuar  prestações  abrangidas  e  outras  não  abrangidas  pelo  campo  de  incidência do tributo. Segue o artigo mencionado:  Art.  41:  Os  contribuintes  sujeitos  ao  pagamento  do  Imposto  Sobre  Serviços de Qualquer Natureza, calculado sobre o preço dos serviços,  ficam  obrigados  a  emitir Nota  Fiscal  de  Serviços  e  /  ou Nota  Fiscal  Fatura de Serviços, de modelo Oficial, ou cztpom do terminal de venda  ­ PDV estabelecidos peia Secretaria de Finanças.  3.2. Contratos de locação de equipamentos Em relação aos Contratos  de  Locação  de  Equipamentos  firmados  entre  a  interessada  e  as  empresas Rocha Top, CargOlink e WR, relata a autoridade fiscal:  Contrato  Firmado  com  Rocha  Top:  Contrato  de  Locação  de  Equipamentos  firmado  com Rocha  Top...,  originariamente  pertencida  WR,  que  foi  substituída  pela  WRC  como  contratante  através  do  Segundo Termo Aditivo, datado de I.° de maio de 2002, mês de inicio  de suas operações e seguinte ao de sua constituição. Tem por objeto a  locação de duas empilhadeiras modelos Top Loader e Reach Stacker.  Apesar de o locador ser prestador de serviços, possuindo notas ,fiscais  do  modelo  requerido,  os  pagamentos  efetuados  entre  janeiro/2003  e  abril/2004  não  foram  acompanhados  de  emissão  dos  respectivas  documentos  fiscais,  somente  de  recibos.  A  partir  de  maio/2004  estes  pagamentos  e  também  outros  referentes  a  outras  locações  de  equipamentos  semelhantes  com  a  Rocha  Top  foram  respaldados  por  nota/iscal.  Contrato  Firmado  com  Cargolink:  O  Contrato  de  Locação  de  Equipamentos firmado com Cargolink foi assinado em 11 de março de  2002,  antes  do  inicio  das operações  do  interessado,  e  refere­se a  um  Fl. 1039DF CARF MF Processo nº 10920.000205/2007­41  Resolução nº  3201­001.708  S3­C2T1  Fl. 1.040          4 guindaste portuário modelo HMK 300­E. O instrumento inicia dizendo  "Considerando  que  para  financiar  a  aquisição  do  Equipamento  a  CARGOLINK  contraiu,  junto  ao  Banco  Bradesco  S.A.,  empréstimo  e  que,  como  garantia  do  referido  empréstimo,  deu  o  Equipamento  em  alienação  fiduciária  em  favor  do  Banco  Bradesco  S.A...."e  continua  "Considerando que a WRC é uma sociedade que está sendo constituída  pela  CARGOLINK,  em  sociedade  com  a  WR  OPERADORES  PORTUÁRIOS LTDA. para o desenvolvimento  conjunto de atividades de  movimentação de carga no porto de Sao Francisco do Sul..."  (grifou­ se).  A  cláusula  segunda  estipula  "Pela  Locação  do  Equipamento,  a  WRC  pagará  à  CARGOLINK  I  quantia  semestral  correspondente  às  parcelas  de  amortização  do  principal,  juros,  tributos,  prêmios  de  se  tiro,  comissão de  repasse e demais  encargos que  sejam devidos  pela  CARGOLINK ao Banco Bradesco S.A. em decorrência do Contrato de  Financiamento (o "Aluguel") ...  Os  valores,  prazos  e  demais  condições  dos  pagamentos  a  serem  efetuados a  titulo de Aluguel...  serão reajustados nos mesmos termos  do reajuste das parcelas a serem pagas pela CARGOLINK ao Banco  Bradesco.S.A. em decorrência do Contrato de Financiamento." (grifou­ se).  Quando  intimado  a  apresentar  cópia  da  nota  fiscal  de  aquisição  do  equipamento GUINDAB­0001 ­ Guindaste Móvel Portuário sob o qual  calculou  créditos  de  depreciação,  o  interessado  apresentou  um  Contrato de Opção de Compra firmado entre Cargolink e WR datado  de  08  de  março  de  2002  com  a  mesma  descrição,  e  portanto  dele  originário, do Contrato de Locação de Equipamentos em questão, com  Termo  de  Cessão  e  Aditivo  onde  WR  repassa  o  direito  a  opção  de  compra  para WRC,  datado de  11  de março  de  2002, mesma data  do  Contrato objeto desta análise e antes do inicio de sua operações.  O  Contrato  de  Opção  de  Compra  estipula  que  "Em  contrapartida  à  outorga da Opção de Compra. WR paga neste ato à CARGOLINK ... a  quantia de R$ 674.313,00... pelo que a CARGOLINK dá à WR plena  quitação  da  quantia  ora  recebida."  e  segue  "Na  hipótese  de  a  WR  exercer  a  Opção  de  Compra,  o  preço  a  ser  pago  pela  WR  à  CARGOLINK  para  a  aquisição  do  Equipamento  fica  fixado  em  RS  10.000,00..."  (grifou­se). Esta contrapartida paga pela Cargo  link  foi  reembolsada  pela  WRC  quando  iniciou  as  operações,  considerando  que houve mesmo a transferência de valor, tanto que imobilizou o bem  em janeiro/2003 e iniciou a depreciação sob descrição GUINDAA­000I  Guindaste  Móvel  Portuário,  com  valor  de  aquisição  R$  674.313,00,  conforme  denota­sena  planilha  de  depreciações  entregue  pelo  interessado,... Percebe­se também que este valor é muito próximo aos  15% exigidos como entrada, conforme cláusula 3 Terms of Payment do  contrato  de  compra  do  guindaste  firmado  entre  Cargolink  e  Demag  Mobile  Cranes  segundo  fax  de  Demag  Mobile  Cranes  ...  foi  de  C  375.000 menos bônus de C 40.000, total C 335.000 (trezentos e trinta e  cinco mil  euros),convertido a  taxa de  câmbio  vigente  em 20/07/2001,  data .final para pagamento determinada na mesma cláusula, perfaz R$  717.070,85  (2,14051  REAL/BRASIL  (790)  =  I  EURO/COM.EUROPEIA (978), fonte: Banco Central).  Fl. 1040DF CARF MF Processo nº 10920.000205/2007­41  Resolução nº  3201­001.708  S3­C2T1  Fl. 1.041          5 Contrato Firmado corn WR: O Contrato de Locação de Equipamentos  firmado  corn WR...  foi  assinado  em  11  de  março  de  2002,  antes  do  inicio  das  operações  do  interessado,  e  refere­se  a  um  guindaste  portuário  modelo  HMK  300­E,  Mutatis  mutandis,  é  idêntico  ao  Contrato  de  Locação  de  Equipamentos  firmado  com  Cargolink.  0  instrumento inicia dizendo "Considerando que em 25 de junho de 2002  a WR adquiriu um  guindaste..."  (grifou­se),  num  claro  erro  de  datas  pois o contrato seria anterior aquisição, confirmado pelos documentos  seguintes.  Prossegue  "Considerando  que  o  Equipamento  é  objeto  de  contrato de arrendamento mercantil..." e "Considerando que a WRC é  uma sociedade que está sendo constituída pela WR, em sociedade com  a  CARGOLINK  ARMAZÉNS  DE  CARGA  LTDA....  para  o  desenvolvimento conjunto de atividades de movimentação de carga no  porto  de  São  Francisco  do  Sul..."  (grifou­se).  A  clausula  segunda  estipula "Pela Locação do Equipamento, a WRC pagará à WR quantia  correspondente a  todas  as  obrigações  pecuniárias,  incluindo o valor  residual  garantido,  juros,  tributos  e  demais  encargos  que  sejam  devidos pela WR ao Safra Leasing S.A. —Arrendamento Mercantil em  decorrência  do Contrato  de Arrendamento Mercantil  (o  "Aluguel")  ..  Os  valores,  prazos  e  demais  condições  dos  pagamentos  a  serem  efetuados a titulo de Aluguel... serão reajustado nos mesmos termos do  reajuste das parcelas a serem pagas pela WR ao Safra Leasing S.A. ­  Arrendamento Mercantil em decorrência do Contrato de Arrendamento  Mercantil." (grifou­se).  A  cláusula  oitava  da  o  prazo  de  vigência  de  5  anos,  terminando  em  fevereiro/2007,  enquanto  o  arrendamento  encerrou  em  outubro/2005,  juntamente com o último pagamento efetuado.  O  Contrato  de  Arrendamento  Mercantil  do  equipamento  estipula  o  valor  residual garantido "VRG Final devido no  final  (parte ou  total):  R$  69.050.02"  com  vencimento  juntamente  cOni  a  última  contraprestação  em  31/10/2005.  Este  valor,  que  seria  devido  pela  arrendatária W  R,  se  houve  mesmo  pagamento,  Ibi  pago  pela  WRC,  tanto que  imobilizou o bem ern outubro/2005 e  iniciou a depreciação  sob descrição GUINDAB­0001 Guindaste Móvel Portuário, com valor  de  aquisição  R$  69.050,02  conforme  denota­se  na  planilha  de  depreciações  entregue  pelo  interessado  No  tópico  "4.3.1.4.3  Da  vineulação entre as empresas" o auditor fiscal  inicialmente destaca  que  a  WR  e  WRC  funcionam  no  mesmo  endereço,  Rua  Marechal  Deodoro,  156,  com  a  denominação  adicional  "sala  A"  para  WRC.  Relata  que  a WR  foi  sócia,  em  conjunto  com Cargolink  e outros,  da  WRC até 14/07/2006, que havia participações recíprocas nos quadros  societários de várias empresas e que em 13 de julho de 2006 a WR foi  incorporada  pela  WRC.  Resume,  então,  a  confusão  verificada  nos  quadros  societários  das  empresas,  demonstrando  as  pessoas  físicas  detentoras  das  empresas,  "atualmente  ou  no  período  sob  análise",  através do quadro que abaixo se reproduz:  (...)  Conclui  que  a  empresa WRC pertencia  fundamentalmente  a  todas  as  pessoas listadas, através de participações cruzadas envolvendo outras  empresas como por exemplo Cabral Serviços Marítimos Ltda., Douat  Fl. 1041DF CARF MF Processo nº 10920.000205/2007­41  Resolução nº  3201­001.708  S3­C2T1  Fl. 1.042          6 Cia.  de  Participações,  Litoral  Investimentos  Ltda.,  Litoral  Empreendimentos Ltda. e Litoral Agencia Marítima Ltda.  Ante os fatos apresentados, afirma a autoridade fiscal:  Todos  os  fatos  acima  descritos  levam  esta  auditoria  a  acreditar  que  todo  o  mecanismo  utilizado  foi  simulado,  visando  a  elisão  fiscal,  mascarando a operação real de aquisição pela WRC dos equipamentos  como  locação  de  terceiros,  tendo  como  intuito  a  geração  de  créditos  das  contribuições  objeto  desta  análise,  e,  possivelmente,  criação  de  despesas  dedutíveis  na  apuração  do  IREI  e  CSLL  e  distribuição  disfarçada  de  lucros  visto  que  se  tratam  na  verdade  das  mesmas  pessoas [os sócios das empresas].  Da  Manifestação  de  Inconformidade  Inconformada  com  as  razões  postas para as glosas efetuadas a contribuinte as  contestou por meio  dos argumentos que seguem.  No  tópico  "II.  Da  inexistência  de  obrigatoriedade  relacionada  a  emissão  de  Nota  Fiscal  por  conta  da  realização  de  operação  de  locação de  bem móvel"  a  contribuinte  inicialmente  discorre  sobre  "o  correto  tratamento  tributário  dispensado  pela  legislação  e  pelos  Tribunais pátrios com relação à locação de bens móveis", e alega:  (..)  resta  consolidado  no  ordenamento  jurídico  brasileiro  a  não  incidência do ISS sobre as atividades de locação relacionadas aos bens  móveis.  Assim sendo, nota­se na legislação que a obrigatoriedade de emissão  de Nota Fiscal esta  intimamente  vinculada ao controle do calculo do  ISS  sobre  o  preço  dos  serviços  de  contribuintes  sujeitos  ao  seu  pagamento.  Logo,  se  o  tributo  em  tela  não  incide  sobre  determinada  atividade, ou seja, sobre o seu preço, não se mantem a obrigatoriedade  de emitir Nota Fiscal et empresa que a realiza.  (. )  Se  irregularidade  alguma  houve,  aplicável  ao  caso  a  pena  pelo  descumprimento da obrigação tributário acessória de emissão de nota  fiscal  e  não  o  indeferimento  do  crédito,  que  encontra  amparo  na  legislação  tributária  federal  e  foi  apropriado  com  base  em  uma  operação efetivamente ocorrida, documentada Ressalte­se que o ilustre  auditor  fiscal  da Receita Federal  do Brasil  em  seu  relatório não põe  em dúvida a validade dos contratos de locação dos bens e nem a efetiva  realização  das  operações,  limitando­se  o  mesmo  a  desconsiderar  as  operações  do  contribuinte  com  base  em  suposta  simulação  e  caracterização de distribuição disfarçada de lucros...  Ademais,  os  vícios  de  simulação  e  distribuição  disfarçada  de  lucros  nem sequer foram imputados à operação de locação de empilhadeiras  realizada  entre  a  Contribuinte  e  a  empresa  Rochatop  Terminais  e  Operadores Portuários Ltda.  tendo  o  Auditor  Fiscal  da  RFB  desconsiderado  os  créditos  de  PIS/COFINS sobre estas despesas simplesmente pela ausência de notas  Fl. 1042DF CARF MF Processo nº 10920.000205/2007­41  Resolução nº  3201­001.708  S3­C2T1  Fl. 1.043          7 fiscais,  como  se a despesa não  tivesse ocorrido  e  fosse necessária as  atividades da contribuinte.  Nos  tópicos  "III.  Da  inexistência  de  fraude  ou  simulação",  "IV.  Não  Caracterização  de  Distribuição  Disfarçada  de  Lucros"  e  "V.  Ainda  Sobre a Simulação:  Sua  Distinção  de  Negócio  Jurídico  Indireto  ­  Histórico  do  Negócio  Havido  entre  as Partes Contratantes  da  Locação" A  interessada  traz  argumentos  de  variada  ordem  tanto  no  sentido  de  demonstrar  a  irregularidade  do  feito  fiscal  como  em  defesa  da  regularidade  das  operações  de  locação  de  equipamentos  utilizados  em  sua  atividade  produtiva  a  fim  de  demonstrar  que  não  houve  qualquer  tipo  de  simulação  de  sua  parte  no  intuito  de  beneficiar­se  indevidamente  de  créditos  da  não­cumulatividade  da  contribuição  para  o  PIS  e  da  Cofins, criação de despesas dedutíveis na apuração do IRPJ e CSLL e  distribuição disfarçada de lucros.  Em relação aos  insumos aplicados na prestação de  serviços,  titulo  VI, a interessada inicialmente lista os bens e serviços adquiridos e seus  respectivos  fornecedores,  abaixo  reproduzida,  a  fim  de  que  "possam  ser analisados os argumentos":  (...)  Irresignada,  a  contribuinte  apresentou,  no  prazo  legal,  recurso  voluntário  (arquivo  não  paginável),  por  meio  do  qual  alega,  no  que  interessa ao deslinde do litígio, a nulidade do acórdão recorrido, com  fundamento nas seguintes razões de defesa:  Em  face  das  alegações  apresentadas  pela  empresa,  a DRJ  baixou  os  autos  em  diligência,  a  fim  de  que  a  unidade  preparadora  providenciasse a análise da demonstração e da composição da base de  cálculo do PIS não cumulativo, mediante a comprovação por meio de  documentos  contábeis  e/ou  fiscais.  Na  sua  realização,  requereu­se  a  entrega do balancete de março de 2003 e orientou­se a empresa sobre  o fato de que os Livros Diário e Razão deveriam ficar à disposição do  Fisco, caso requeridos.  Segue,  então,  argumentando  que  em  todos  estes  documentos  fiscais  evidencia­se  que  a  empresa  adquiriu  bens  ou  contratou  serviços  os  quais  foram  totalmente  aplicados  em  suas  atividades,  as  quais  se  relacionam  à  operação  portuária  e  envolvem  o maquinário  utilizado  para a sua realização; o que em nenhum momento foi impugnado pela  autoridade  fiscal.  Afirma  que  a  glosa  dos  créditos  de  PIS/COFINS  ocorreu, portanto,  conforme  se  infere da  invocação ao artigo 301 do  RIR/99  pela  autoridade  fazenddria,  pelo  fato  de  esta  ter  considerado  todas  as  aquisições  de  produtos  como  enquadráveis  no  ativo  imobilizado e não enquanto insumos.  Com base nesse entendimento, argumenta que os produtos adquiridos o  foram  com  a  finalidade  exclusiva  de  manter  os  seus  ativos  em  condições  operacionais  e  que,  quando  incorporados  as  respectivas  máquinas  e  equipamentos,  possuem  vida  útil  inferior  a  um  ano  e/ou  não aumentam a vida útil dos bens do seu ativo imobilizado em prazo  superior a um ano, razão pela qual não se justifica a sua incorporação  Fl. 1043DF CARF MF Processo nº 10920.000205/2007­41  Resolução nº  3201­001.708  S3­C2T1  Fl. 1.044          8 ao ativo  permanente,  para  que  seja  então  depreciado  ou  amortizado.  Aduz  que  o  elevado  custo  de  aquisição  de  um  bem  não  impõe  sua  classificação  no  ativo  imobilizado  e  acrescenta  que  a  prova  do  aumento  da  vida  útil  do  bem para  além de  um ano,  para  fins  de  sua  inclUsdo no ativo imobilizado, cabe ao fisco, a teor de várias decisões  do Conselho de Contribuintes que elenca.  Por  fim,  em  relação  aos  outros  valores/operações  com  direito  a  crédito argumenta que, ao contrário do que afirma a autoridade fiscal,  forneceu  à  fiscalização  todos  os  documentos  necessários,  como  comprovam as cópias em anexo dos protocolos prestados pelo Auditor  Fiscal,  indicando  o  recebimento  dos  documentos  solicitados,  e  a  consignação que consta do recebimento dos documentos solicitados no  Termo de Verificação e Encerramento da Análise Fiscal. Aduz que, por  não  haver  qualquer  impugnação  especifica  quanto  aos  documentos  apresentados  por  esta  contribuinte,  torna­se  impossível  à  mesma  exercer  seu  direito  de  defesa  nos  termos  asseguradOs  pela  Constituição Federal de 1988. Pugna então pelo afastamento da glosa  em  vista  de  não  ser  verdadeira  a  informação  de  que  a  contribuinte  deixou  de  se  manifestar  quando  lhe  foram  solicitados  documentos  e  informações.  A 4ª Turma da Delegacia  da Receita  Federal  de  Julgamento  em Florianópolis  julgou  improcedente  a manifestação  de  inconformidade,  proferindo  o Acórdão DRJ/FNS  n.º  07­21.781, de 29/10/2010 (fls. 887 e ss.), assim ementado:  ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL  Ano­calendário: 2004  PEDIDOS  DE  RESTITUIÇÃO,  COMPENSAÇÃO  OU  RESSARCIMENTO.  COMPROVAÇÃO  DA  EXISTÊNCIA  DO  DIREITO  CREDITÓRIO.  ÔNUS  DA  PROVA  A  CARGO  DO  CONTRIBUINTE.  No  âmbito  especifico  dos  pedidos  de  restituição,  compensação  ou  ressarcimento,  é  ônus  do  contribuinte/pleiteante  a  comprovação  minudente da existência do direito creditório.  ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP  Ano­calendário: 2004  REGIME  DA  NÃO­CUMULATIVIDADE.  CONDIÇÕES  DE  CREDITAMENTO.  Dão  direito  a  crédito,  no  âmbito  do  regime  da  não­cumulatividade,  custos  e  despesas  com  bens  e  serviços  adquiridos  de  pessoa  jurídica  domiciliada no Pais, utilizados como insumo na prestação de serviços e  na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados A venda.  REGIME DA NÃO­CUMULATIVIDADE. CONCEITO DE INSUMOS.  No regime da não­cumulatividade, só são considerados como insumos,  para fins de creditamento de valores: aqueles utilizados na fabricação  ou  produção  de  bens  destinados  A  venda;  as  matérias  primas,  os  Fl. 1044DF CARF MF Processo nº 10920.000205/2007­41  Resolução nº  3201­001.708  S3­C2T1  Fl. 1.045          9 produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros  bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de  propriedades  físicas  ou  químicas,  em  função  da  ação  diretamente  exercida  sobre  o  produto  em  fabricação,  desde  que  não  estejam  incluídas  no  ativo  imobilizado;  e  os  serviços  prestados  por  pessoa  jurídica  domiciliada  no  Pais,  aplicados  diretamente  na  prestação  de  serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à  venda.  Manifestação de Inconformidade Improcedente  Direito creditório não reconhecido  Irresignada, a contribuinte apresentou o recurso voluntário de fls. 982 e ss., por  meio do qual aponta equívoco da decisão ao dizer que houve parcial revelia dela (por não se  manifestar quanto a algumas glosas), porquanto todas as glosas teriam sido impugnadas; reitera  as  suas  razões  sobre o direito  aos  créditos  sobre  aluguéis de  equipamentos,  sobre  insumos e  serviços  de  outras  pessoas  jurídicas;  invoca,  noutros  termos,  alteração  de  fundamentos,  pela  Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, para a manutenção das glosas a título de  "outros valores/operações com direito a crédito", ao tempo em que menciona impossibilidade  de  exercício  de  defesa,  por  não  haver  impugnação  específica  aos  documentos  por  ela  apresentados, no mister de comprovar seus créditos. Evoca o art. 112 do CTN ­ in dubio pro  contribuinte.  Ao  final,  requer  a  reforma  da  decisão  de  primeiro  grau  e  o  reconhecimento  integral dos créditos.  Por meio da Resolução de fls., os autos foram baixados em diligência, a fim de  que  se  verificasse  "se  os  fatos  descritos  no  termo  de  verificação  e  encerramento  da  análise  fiscal que antecede o  indeferimento do pedido de ressarcimento estão  lastreados, pelo menos  em  parte,  “em  fatos  cuja  apuração  serviu  para  configurar  a  prática  de  infração  à  legislação  pertinente  à  tributação  do  IRPJ”.  Em  despacho,  informou­se  não  terem  sido  encontrados  registros de realização de procedimento fiscal relativo ao IRPJ referente ao período de 2003 a  2005, aos quais se referem os pedidos de ressarcimento.  Por meio  da  petição  de  fls.,  a Recorrente  requer  o  julgamento  conjunto  deste  processo com outros idênticos de seu interesse.  O processo foi distribuído a este Conselheiro Relator, na forma regimental.   É o relatório.  Voto  Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator.  Presentes  os  demais  requisitos  de  admissibilidade,  entendemos  que  o  recurso  deve ser conhecido.  A  Recorrente,  pessoa  jurídica  que  presta  serviços  portuários,  notadamente  movimentação de cargas unitizadas em contêineres, apresentou diversos pedidos eletrônicos de  ressarcimento  de  créditos  de  PIS/Cofins,  os  quais  também  serão,  nesta  mesma  assentada,  julgados em conjunto.  Fl. 1045DF CARF MF Processo nº 10920.000205/2007­41  Resolução nº  3201­001.708  S3­C2T1  Fl. 1.046          10 Conferido  em  parte,  em  alguns  processos,  o  direito  reclamado  e  indeferido  noutros,  a  Recorrente  apresentou manifestações  de  inconformidade,  posteriormente  julgadas  improcedentes pela DRJ.  Nos autos do processo de nº 10920.000216/2007­21,  já  julgado pela 3ª Turma  Especial  desta  3ª  Seção  do  CARF,  constatou  o  relator  do  Acórdão  nº  3803­005.250,  de  29/01/2014, conselheiro Corintho Oliveira Machado:  Em  preliminar,  cumpre  atentar  para  uma  alegação  trazida  pela  recorrente desde o início da lide ­ falta de impugnação específica aos  documentos  apresentados  pela  contribuinte,  no  mister  de  comprovar  seus  créditos  que,  de  fato,  dificultou  sobremaneira  a  defesa  da  ora  recorrente.  Esse  vício na  forma como  foram apresentadas as glosas dos  créditos  solicitados  (sem  discriminação  por  nota  fiscal,  ou  mesmo  por  fornecedor)  trouxe  não  só  dificuldade  de  defesa  para  a  contribuinte  mas também para o julgador de piso, conforme ver­se­á adiante.  Nota­se, no vestíbulo do voto, que a i. relatora elenca várias rubricas  que  teriam  sido  glosadas  pela  auditoria­fiscal  (reportadas  no  item  4.3.1.3 do Termo de Verificação e Encerramento da Análise Fiscal)1 e  que não  teriam sido objeto da manifestação de  inconformidade. Nada  obstante, ao se analisar a tabela de notas fiscais glosadas do despacho  decisório,  fl.  276,  encontra­se  um  total  de  24  notas  que  são  tratadas  conjuntamente pelo Fisco, como sendo de ativo imobilizado, materiais  de  uso/consumo  e  despesas  administrativas.  Pois  bem,  essas  notas  fiscais  todas  foram  objeto  sim  da  manifestação  de  inconformidade  apresentada,  não  sobrando  espaço  algum  para  glosas  não  manifestadas.  O tratamento das glosas no despacho decisório nesse formato genérico  trouxe ainda problemas de avaliação para o julgamento que exsurgem  nos  últimos  parágrafos  do  voto,  quando  são  tratados  os  serviços  de  “intermediação  de  negócios  comerciais”  prestados  pela  empresa  Cargotop  Participações  Ltda  e  os  serviços  de  “assistência  técnica”  prestados  pela  empresa  Demag  Granes  &  Componentes  Ltda.  O  acórdão  dá  a  entender  que  tais  valores  não  foram  informados  corretamente na linha 03 da ficha do Dacon (despesas com “Serviços  Utilizados como Insumo”) e por isso nada aqui cabe ser dito, por não  haver nenhuma glosa a esse título, entretanto, o despacho decisório é  claro  ao  mencionar  expressamente  as  notas  fiscais  relativas  a  esses  fornecedores no  item 2.2.1.1, não sendo  legítimo  ignorar a existência  das glosas expressas tão somente porque não foram informados os seus  valores  no  campo  correto  do  Dacon,  como  sentencia  o  decisum  guerreado.                                                              1 (...) Ressalte­se que gastos com materiais de consumo, despesas indiretas com pessoal entre essas: alimentação,  transporte,  cestas  básicas,  despesas  com  viagens,  uniformes  e  equipamentos  de  segurança  e  despesas  administrativas indiretas como projetos de produtos, assessoria empresarial ou comercial, honorários advocatícios,  serviços de telefonia fixa e móvel, comissões de venda e vigilância de seus estabelecimentos, evidentemente não  se  enquadram  no  conceito  de  insumo  e  não  podem  ser  considerados  para  fins  de  apuração  dos  créditos  de  PIS/PASEP e COFINS não­cumulativos. (...)  Fl. 1046DF CARF MF Processo nº 10920.000205/2007­41  Resolução nº  3201­001.708  S3­C2T1  Fl. 1.047          11 Na mesma  linha  de  raciocínio  valor  não  informado no Dacon  está  a  rubrica  "Outros  Valores/Operações  com  Direito  a  Crédito",  porém  aqui  há  vício  explícito  do  despacho  decisório,  que menciona  a  glosa  dos  valores,  por  não  haver  qualquer  documento  trazido  pelo  contribuinte, mas não menciona o valor glosado a esse título.  Ao meu  sentir,  esses  vícios  na maneira  como  foram  apresentadas  as  glosas dos créditos solicitados, ainda no despacho decisório, geraram  efetivamente  cerceamento  do  direito  de  defesa  do  solicitante,  e  merecem ser declarados como nulidades sem chance de convalescença,  pois  inquinaram  todos  os  demais  atos  processuais  deste  contencioso,  sem prejuízo do refazimento do ato administrativo (despacho decisório)  de  forma  apropriada,  ou  seja,  com  a  necessária  discriminação  das  glosas dos créditos por documento apresentado, como requer desde o  início a recorrente.  Posto isso, voto pelo PROVIMENTO PARCIAL do recurso voluntário,  para declarar nulo o processo desde o despacho decisório inclusive.    Seguimos  o  voto  do  relator  na  parte  em  que  descreve  as  deficiências  do  Despacho Decisório, mas alvitramos desfecho diferente.  Entendemos que uma mera diligência poderá sanar as dúvidas a serem dirimidas  (art. 18 do Decreto nº 70.235, de 1972).  Pelo  exposto,  voto  por  CONVERTER  O  JULGAMENTO  EM  DILIGÊNCIA,  a  fim  de  que  a  unidade  preparadora  elabore,  para  o(s)  PER/DCOMP(s)  objeto dos autos, Relatório Fiscal detalhado sobre as razões das glosas, nos moldes em que já  realizado  quando  do  refazimento  do  Despacho  Decisório  que  acostou  ao  processo  nº  10920.000216/2007­21 (novo Despacho Decisório às fls. 1015/1041 do referido processo).  Encerrada  a  instrução  processual,  a  Recorrente  deverá  ser  intimada  para  manifestar­se  no  prazo  de  30  (trinta)  dias,  findo  o  qual,  sem  ou  com  apresentação  de  manifestação,  devem  os  autos  serem  devolvidos  a  este  Colegiado  para  a  continuidade  do  julgamento.  É como voto.  (assinado digitalmente)  Charles Mayer de Castro Souza                 Fl. 1047DF CARF MF Processo nº 10920.000205/2007­41  Resolução nº  3201­001.708  S3­C2T1  Fl. 1.048          12             Fl. 1048DF CARF MF

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7647057 #
Numero do processo: 15504.730111/2017-05
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 30 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Mar 12 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2015 DESPESAS MÉDICAS GLOSADAS. DEDUÇÃO MEDIANTE APRESETAÇÃO DE CHEQES NOMINATIVOS. AUSÊNCIA DE INDÍCIOS QUE JUSTIFIQUEM A INIDONEIDADE DOS COMPROVANTES. Cheques nominativos utilizados para pagamento das despesas médicas têm força probante para efeito de dedução do Imposto de Renda Pessoa Física. A glosa por recusa de comprovação através de cheques nominativos, pela autoridade fiscal, deve estar sustentada em indícios consistentes e elementos que indiquem a falta de idoneidade dos documentos. A ausência de elementos que indique a falsidade ou incorreção dos cheques os torna válidos para comprovar as despesas médicas incorridas, por força do que dispõe a legislação tributária. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. RECONHECIMENTO DO DÉBITO. Considera-se não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo contribuinte ou reconhecido o crédito tributário lançado.
Numero da decisão: 2001-001.090
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro José Ricardo Moreira que negou provimento. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes - Presidente (assinado digitalmente) Jose Alfredo Duarte Filho - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho, Fernanda Melo Leal e Jose Ricardo Moreira.
Nome do relator: JOSE ALFREDO DUARTE FILHO

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1678; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2­C0T1  Fl. 53          1 52  S2­C0T1  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  15504.730111/2017­05  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  2001­001.090  –  Turma Extraordinária / 1ª Turma   Sessão de  30 de janeiro de 2019  Matéria  IRPF ­ DEDUÇÃO ­ DESPESAS MÉDICAS  Recorrente  ZENAIDE FERREIRA  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA ­ IRPF  Ano­calendário: 2015  DESPESAS  MÉDICAS  GLOSADAS.  DEDUÇÃO  MEDIANTE  APRESETAÇÃO  DE  CHEQES  NOMINATIVOS.  AUSÊNCIA  DE  INDÍCIOS  QUE  JUSTIFIQUEM  A  INIDONEIDADE  DOS  COMPROVANTES.  Cheques  nominativos  utilizados  para  pagamento  das  despesas médicas  têm  força probante para efeito de dedução do Imposto de Renda Pessoa Física. A  glosa  por  recusa  de  comprovação  através  de  cheques  nominativos,  pela  autoridade fiscal, deve estar sustentada em indícios consistentes e elementos  que indiquem a falta de idoneidade dos documentos. A ausência de elementos  que  indique  a  falsidade  ou  incorreção  dos  cheques  os  torna  válidos  para  comprovar  as  despesas  médicas  incorridas,  por  força  do  que  dispõe  a  legislação tributária.   MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. RECONHECIMENTO DO DÉBITO.  Considera­se  não  impugnada  a  matéria  que  não  tenha  sido  expressamente  contestada pelo contribuinte ou reconhecido o crédito tributário lançado.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao  Recurso Voluntário, vencido o conselheiro José Ricardo Moreira que negou provimento.   (assinado digitalmente)  Jorge Henrique Backes ­ Presidente      AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 73 01 11 /2 01 7- 05 Fl. 53DF CARF MF     2 (assinado digitalmente)  Jose Alfredo Duarte Filho ­ Relator  Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Jorge  Henrique  Backes, Jose Alfredo Duarte Filho, Fernanda Melo Leal e Jose Ricardo Moreira.  Relatório  Trata­se  de  Recurso  Voluntário  interposto  contra  decisão  de  primeira  instância que julgou a impugnação com resultado desfavorável para a contribuinte, em razão da  lavratura de Auto de Infração de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF, por glosa de  Despesas Médicas.   O  Lançamento  da  Fazenda  Nacional  em  revisão  da  DAA  modifica  o  resultado  final  da  apuração  do  imposto  que  passa  de  uma  restituição  declarada  pelo  Contribuinte de R$ 9.790,53 para  restituição de R$ 8.424,88,  referente  ao  ano­calendário de  2015.   A  fundamentação  do  Lançamento,  conforme  consta  da  decisão  de  primeira  instância,  aponta  como  elemento  da  decisão  da  lavratura  o  fato  de  não  ter  sido  apresentada  comprovação complementar referente à prestação dos serviços médicas.  A constituição do Acórdão recorrido segue na linha do procedimento adotado  na feitura do  lançamento, notadamente na comprovação da despesa, especialmente no que se  refere a documentos suplementares com identificação de serviços médicos, como segue:  Trata­se de impugnação à Notificação de Lançamento de folhas 16 e  seguintes, por meio da qual se alterou o valor de imposto de renda a  restituir  à  interessada,  de  R$  9.790,53  para  R$  8.424,88,  em  procedimento de  revisão de  sua Declaração de Ajuste Anual  (DAA),  em que se  lhe  imputou a dedução  indevida de despesas médicas,  no  valor de R$ 4.966,00, sob a seguinte fundamentação (fl. 18):    (...)    Da análise dos dispositivos  transcritos depreende­se que, para  fazer  jus à dedução de despesas médicas, o contribuinte deve comprovar a  realização  do  procedimento  e  o  efetivo  pagamento,  desde  que  haja  previsão  legal  para  a  dedução  e  que  este  seja  realizado  no  próprio  contribuinte ou em seus dependentes.    Desta  forma,  apenas  podem  ser  admitidas  as  deduções  que  o  contribuinte  logre  comprovar  por  meio  de  documentos  hábeis,  cabendo ao Fisco, por imposição legal, tomar as cautelas necessárias  a  preservar  o  interesse  público  implícito  na  defesa  da  correta  apuração do tributo, que se infere da interpretação do art. 11, § 4º, do  Decreto­Lei nº 5.844, de 1943.    A  lei,  portanto,  imputa  ao  contribuinte  o  ônus  de  comprovar  e  justificar as despesas, com elementos que não deixem qualquer dúvida  quanto ao  fato questionado, e, se ele não se desincumbe desse ônus,  essas despesas não podem ser deduzidas na apuração de seu imposto  de renda.    Fl. 54DF CARF MF Processo nº 15504.730111/2017­05  Acórdão n.º 2001­001.090  S2­C0T1  Fl. 54          3 No caso presente, com o propósito de demonstrar a regularidade da  dedução  de  despesas  médicas  que  lhe  haviam  sido  glosadas,  a  interessada  apresenta  os  documentos  de  folhas  11  a  13,  que  configuram cópias de três cheques por ela emitidos.    Os  três  documentos,  todavia,  apenas  comprovam  que  a  interessada  transferiu valores aos respectivos destinatários, mas não demonstram  qual  a  causa  de  referidas  transferências,  ou  seja,  se  elas  corresponderam a pagamentos de prestação de serviços médicos.    Conforme vimos, para a respectiva dedução de despesas médicas na  apuração  de  seu  imposto  de  renda,  a  legislação  demanda  do  contribuinte a comprovação da realização do procedimento médico e  o seu efetivo pagamento.    Portanto, como a interessada não logrou comprovar a efetividade da  prestação  de  procedimento  médico  cuja  despesa  havia  declarado,  deve subsistir a glosa promovida pela autoridade lançadora.    Ante  o  exposto,  VOTO  pela  improcedência  da  impugnação,  mantendo­se o valor de imposto a restituir apurado na notificação de  lançamento.    Assim, conclui o acórdão vergastado pela improcedência da impugnação para  manter o recálculo do imposto a restituir no valor de R$ 8.424,88, referente ao ano­calendário  de 2015.    Por  sua  vez,  com  a  decisão  do  Acórdão  da  DRJ,  o  Recorrente  apresenta  recurso  voluntário  com  as  considerações  e  argumentações  que  entende  justificável  ao  seu  procedimento, nos termos que segue:  (...)  A própria decisão da DRJ Curitiba indica o art. 80 do RIR/99 como  fundamento para negar o pedido da reclamante. Entretanto, o inciso  III do mesmo artigo dispõe que na  falta de documentação, pode  ser  feita  a  indicação  de  cheque  nominativo  pelo  qual  foi  efetuado  o  pagamento.  Ocorreu  que  não  foram  achados  os  recibos  faltantes.  Nesse  caso  a  reclamante  solicitou  ao  banco  a  microfilmagem  dos  cheques  que  foram emitidos para pagamento das despesas médicas. Como se vê, a  legislação define  exatamente esse meio de comprovação em caso de  falta dos recibos médicos.  Ressalte­se ainda, que a contribuinte frequenta essa clínica dentária a  mais de 20 anos, tendo várias despesas declaradas par esses mesmos  profissionais  em  anos  anteriores  e  posteriores.  A  clínica  chama­se  Clínica Odontológica José Arbex Filho.   À  vista  de  todo  o  exposto,  demonstrada  a  insubsistência  e  improcedência  da  ação  fiscal,  espera  e  requer  a  recorrente  seja  acolhido  o  presente  recurso  para  o  fim  de  assim  ser  decidido,  Fl. 55DF CARF MF     4 restituindo­se  a  importância  faltante,  devidamente  declarada  na  declaração de ajuste anual.   É o relatório.    Voto             Conselheiro Jose Alfredo Duarte Filho ­ Relator   O  Recurso  Voluntário  é  tempestivo  e  atende  aos  demais  pressupostos  de  admissibilidade, portanto, deve ser conhecido.  A  Autoridade  Fiscal  sustenta  suas  afirmações  com  base  nos  seguintes  ocorrências apontadas no Lançamento:  Glosa do valor total de R$4.966,00,  indevidamente deduzido a  titulo  de  Despesas  Médicas,  por  falta  de  comprovação,  ou  por  falta  de  previsão  legal  para  sua  dedução­  R$  523,00  beneficiário  Hermes  Pardini, pagamento de vacinas, não existe previsão legal. R$ 960,00,  beneficiário  José  Arbex  Filho  e  R$  3.483,00,  beneficiário  Andrea  Murta, por falta de comprovação.  A  divergência  no  que  ser  refere  à  despesa  médica  é  de  natureza  interpretativa da legislação quanto à observância maior ou menor da exigência de formalidade  da legislação tributária que rege o fulcro do objeto da lide. O que se evidencia na contenda é  que de um lado há o rigor no procedimento fiscalizador da autoridade tributante, e de outro, a  busca do direito, pelo contribuinte, de ver  reconhecido o atendimento da exigência  fiscal no  estrito  dizer  da  lei,  rejeitando  a  alegada  prerrogativa  do  fisco  de  convencimento  subjetivo  quanto  à  validade  cabal  do  documento  comprobatório,  quando  se  trata  tão  somente  da  apresentação do recibo da prestação de serviço.  O texto base que define o direito da dedução do imposto e a correspondente  comprovação para efeito da obtenção do benefício está contido no inciso II, alínea “a” e no §  2º,  do  art.  8º,  da  Lei  nº  9.250/95,  regulamentados  nos  parágrafos  e  incisos  do  art.  80  do  Decreto nº 3.000/99 – RIR/99, em especial no que segue:   Lei nº 9.250/95.  Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no ano­calendário será a  diferença entre as somas:    I  ­  de  todos  os  rendimentos  percebidos  durante  o  ano­calendário,  exceto os isentos, os não­tributáveis, os tributáveis exclusivamente na  fonte e os sujeitos à tributação definitiva;    II ­ das deduções relativas:    a)  aos  pagamentos  efetuados,  no  ano­calendário,  a  médicos,  dentistas,  psicólogos,  fisioterapeutas,  fonoaudiólogos,  terapeutas  ocupacionais  e  hospitais,  bem  como  as  despesas  com  exames  laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses  ortopédicas e dentárias;    Fl. 56DF CARF MF Processo nº 15504.730111/2017­05  Acórdão n.º 2001­001.090  S2­C0T1  Fl. 55          5 (...)    § 2º O disposto na alínea a do inciso II:    I  ­  aplica­se,  também,  aos  pagamentos  efetuados  a  empresas  domiciliadas  no  País,  destinados  à  cobertura  de  despesas  com  hospitalização, médicas  e odontológicas,  bem  como a  entidades  que  assegurem  direito  de  atendimento  ou  ressarcimento  de  despesas  da  mesma natureza;    II ­ restringe­se aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos  ao próprio tratamento e ao de seus dependentes;    III  ­  limita­se  a  pagamentos  especificados  e  comprovados,  com  indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de  Pessoas Físicas – CPF ou no Cadastro Geral de Contribuintes ­ CGC  de  quem  os  recebeu,  podendo,  na  falta  de  documentação,  ser  feita  indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento;    IV ­ não se aplica às despesas ressarcidas por entidade de qualquer  espécie ou cobertas por contrato de seguro;    V  ­  no  caso  de  despesas  com  aparelhos  ortopédicos  e  próteses  ortopédicas  e  dentárias,  exige­se  a  comprovação  com  receituário  médico e nota fiscal em nome do beneficiário.    Decreto nº 3.000/99  Art. 80.  Na  declaração  de  rendimentos  poderão  ser  deduzidos  os  pagamentos  efetuados,  no  ano­calendário,  a  médicos,  dentistas,  psicólogos,  fisioterapeutas,  fonoaudiólogos,  terapeutas  ocupacionais  e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços  radiológicos,  aparelhos  ortopédicos  e  próteses  ortopédicas  e  dentárias.  § 1º O disposto neste artigo (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, § 2º):  (...)  II ­ restringe­se aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos  ao próprio tratamento e ao de seus dependentes;  III ­ limita­se  a  pagamentos  especificados  e  comprovados,  com  indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de  Pessoas Físicas ­ CPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica ­  CNPJ de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser  feita  indicação  do  cheque  nominativo  pelo  qual  foi  efetuado  o  pagamento; (grifei)   A  exigência  da  legislação  especificada  aponta  para  o  comprovante  de  pagamento originário da operação, corriqueiro e usual,  assim entendido como o  recibo ou a  nota  fiscal  de  prestação  de  serviço,  que  deverá  contar  com  as  informações  exigidas  para  identificação, de quem paga e de quem recebe o valor, sendo que, por óbvio, visa controlar se  o recebedor oferecerá à tributação o referido valor como remuneração. A lógica da exigência  Fl. 57DF CARF MF     6 coloca  em  evidência  a  figura  de  quem  fornece  o  comprovante  identificado  e  assinado,  colocando­o  na  condição  de  tributado  na  outra  ponta  da  relação  fiscal  correspondente  (dedução­tributação). Ou  seja:  para  cada dedução haverá um oferecimento  à  tributação pelo  fornecedor do comprovante. Quem recebe o valor tem a obrigação de oferecê­lo à tributação e  pagar o imposto correspondente e, quem paga os honorários tem o direito ao benefício fiscal  do  abatimento  na  apuração  do  imposto.  Simples  assim,  por  se  tratar  de  uma  ação  de  pagamento e recebimento de valor numa relação de prestação de serviço.  Ocorre,  assim,  uma  correspondência  de  resultados  de  obrigação  e  direito,  gerados  nessa  relação,  de  modo  que  o  contribuinte  que  tem  o  direito  da  dedução  fica  legalmente habilitado ao benefício  fiscal porque de posse do documento  comprobatório que  lhe  dá  a  oportunidade  do  desconto  na  apuração  do  tributo,  confiante  que  a  outra  parte  se  quedará  obrigada  ao  oferecimento  à  tributação  do  valor  correspondente.  Some­se  a  isso  a  realidade de que o órgão fiscalizador tem plenas condições e pleno poder de fiscalização, na  questão tributária, com absoluta facilidade de identificação, tão somente com a informação do  CPF  ou CNPJ,  sobre  a  outra  banda  da  relação  pagador­recebedor  do  valor  da  prestação  de  serviço.  O dispositivo legal (inciso III, do § 1º, art. 80, Dec. 3.000/99) vai além no  sentido de dar conforto ao pagador dos serviços prestados ao prever que no caso da falta da  documentação, assim entendido como sendo o recibo ou nota fiscal de prestação de serviço,  poderá  a  comprovação  ser  feita  pela  indicação  de  cheque  nominativo  pelo  qual  poderia  ter  sido  efetuado  o  pagamento,  seja  por  recusa  da  disponibilização  do  documento,  seja  por  extravio, ou qualquer outro motivo, visto que pelas  informações contidas no cheque pode o  órgão fiscalizador confrontar o pagamento com o recebimento do valor correspondente. Além  disso,  é  de  conhecimento  geral  que o  órgão  tributante  dispõe  de meios  e  instrumentos  para  realizar o cruzamento de informações, controlar e fiscalizar o relacionamento financeiro entre  contribuintes. O  termo  “podendo”  do  texto  legal  consiste numa  facilitação  de  comprovação  dada ao pagador e não uma obrigação de fazê­lo daquela forma.  Descabe,  assim,  o  rigor  na  exigência  para  a  apresentação  de  comprovação  suplementar  sobre  o  contribuinte  possuidor  da  documentação  originária  do  pagamento  nas  condições em que a lei estabelece, especialmente porque a autoridade fiscalizadora pode obter  informação de confirmação da outra parte. Razão não há para a dissociação de ambos os polos  na  relação  e  estabelecer  exigência  rigorosa  de  um  e  nada  de  outro,  porque  a  operação  é  conjunta e correspondente, com reflexos constatáveis nas informações dos dois contribuintes.  Por  juízo  subjetivo  ou  simples  desconfiança,  sem  sequer  a  indicação  de  indícios de inidoneidade da documentação, não pode a autoridade lançadora fazer exigências  fora dos limites da lei. O procedimento fiscal busca amparo no que dispõe o art. 73 e seu § 1º, do  Decreto nº 3.000/99, para posicionar o ônus da prova unicamente no contribuinte, nos termos em que  a seguir se descreve:  Art.  73.  Todas  as  deduções  estão  sujeitas  a  comprovação  ou  justificação, a  juízo da autoridade  lançadora  (Decreto­Lei nº 5.844,  de 1943, art. 11, § 3º). (grifei)  §  1º  Se  forem  pleiteadas  deduções  exageradas  em  relação  aos  rendimentos  declarados,  ou  se  tais  deduções  não  forem  cabíveis,  poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (Decreto­Lei nº  5.844, de 1943, art. 11, § 4º). (grifei)  A rigidez dos termos do art. 73 e § 1º está mais para o período em que foi  concebido  do  que  para  os  dias  atuais.  A  origem  do  conteúdo  do  texto  vem  do  período  do  Decreto­Lei  acima  citado, mais  precisamente  do  ano  de  1943,  anterior,  portanto,  às  quatro  Fl. 58DF CARF MF Processo nº 15504.730111/2017­05  Acórdão n.º 2001­001.090  S2­C0T1  Fl. 56          7 últimas Constituições do Brasil (1946, 1967, 1969 e 1988) e, muito distante do conceito atual  de Direito do Contribuinte e do Estado de Direito. Além disso, mesmo na vigência do referido  Decreto­Lei a austeridade do instrumento não era plena, visto que o art. 79, § 1º, do mesmo  diploma legal lhe impunha limitações, no seguinte dizer: “Art. 79. Far­se­á o lançamento ex­ officio: § 1º Os esclarecimentos prestados só poderão ser impugnados pelos lançadores, com  elemento seguro de provo, ou indício veemente de sua falsidade ou inexatidão.”.  O Novo Código de Processo Civil, embora posterior aos fatos da ocorrência  do  lançamento,  pode  ser  utilizado  em  apoio  à  interpretação  aqui  esposada,  porque  mais  benéfico  à Recorrente,  contém  dispositivos  pertinentes  que  devem  ser  trazidos  à  colação,  de  vez  que  transitam  na mesma  linha  de  entendimento  que  aborda  a  observância  do  direito  do  contribuinte de forma moderna e em consideração ao Estado de Direito. O Código avança no  sentido de estabelecer o equilíbrio de forças das partes no processo de julgamento, como se vê  na orientação do art. 7º, como segue:  “Art.  7º É assegurada às partes paridade de  tratamento em  relação  ao  exercício  de  direitos  e  faculdades  processuais,  aos  meios  de  defesa, aos ônus, aos deveres e à aplicação de sanções processuais,  competindo ao juiz zelar pelo efetivo contraditório”. (grifei)  Traz  reforço  ainda  o  CPC  para  esse  entendimento  quando  suaviza  o  posicionamento anterior que atribuía ao contribuinte, de forma quase que exclusiva, o ônus da  prova, e inaugura a possibilidade das partes atuarem em prol de uma instrução colaborativa, a  fim de oferecer ao julgador melhores subsídios para proferir a decisão, sem que se faça uso da  regra do ônus da prova de forma unilateral. Este novo procedimento está explicitado no § 1º,  do art. 373, da seguinte forma:  § 1o Nos casos previstos em lei ou diante de peculiaridades da causa  relacionadas à impossibilidade ou à excessiva dificuldade de cumprir  o encargo nos termos do caput ou à maior facilidade de obtenção da  prova  do  fato  contrário,  poderá  o  juiz  atribuir  o  ônus  da  prova  de  modo diverso, desde que o  faça por decisão  fundamentada, caso em  que deverá dar à parte a oportunidade de se desincumbir do ônus que  lhe foi atribuído.  De forma semelhante o art. 6º do CPC reforça este entendimento colaborativo  ao dizer que “Todos os sujeitos do processo devem cooperar entre si para que se obtenha, em  tempo razoável, decisão de mérito justa e efetiva”.  A decisão de primeiro grau administrativo que manteve a glosada da dedução  das  despesas  médicas  confirma  a  apresentação  da  cópia  dos  cheques  de  pagamento  para  o  prestador dos serviços identificado desde a fase da verificação fiscal, no seguinte dizer:  No caso presente, com o propósito de demonstrar a regularidade da  dedução  de  despesas  médicas  que  lhe  haviam  sido  glosadas,  a  interessada  apresenta  os  documentos  de  folhas  11  a  13,  que  configuram cópias de três cheques por ela emitidos.  Assim  que,  legítima  a  dedução  a  título  de  despesas médicas  do  valor  pago  pela  Recorrente  porque  comprovado  mediante  apresentação  de  documentos  previstos  na  legislação tributária, mais especificamente no inciso III, do art. 80, do Decreto 3.000/99:  Fl. 59DF CARF MF     8 III ­ limita­se  a  pagamentos  especificados  e  comprovados,  com  indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de  Pessoas Físicas ­ CPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica ­  CNPJ de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser  feita  indicação  do  cheque  nominativo  pelo  qual  foi  efetuado  o  pagamento; (grifei)   A  comprovação  apresentada  é  o  que  basta  para  o  devido  cumprimento  da  legislação  tributária  por  tudo  quanto  antes  se  expos,  e  pelo  que  consta  expressamente  no  dispositivo  citado,  de  forma  absolutamente  clara.  Desnecessária  a  apresentação  de  qualquer  outro documento do prestador do serviço porque aqueles comprovantes  já cumprem a função  legalmente exigida.   No caso, constata­se que os serviços prestados correspondem à especialidade  técnica de profissional habilitado na área médica, de acordo com as necessidades especificas do  beneficiário  e,  com  o  fornecimento  de  comprovantes  de  pagamento  dos  serviços  prestados.  Assim que, verifica­se que a Recorrente apresentou a documentação comprobatória da despesa  médica realizada, correspondendo à comprovação do pagamento das despesas na forma exigida  pela legislação e, por isso, a utilizou como dedutível na declaração de ajuste do imposto, razão  porque se faz necessária a providência da exclusão da glosa das despesas médicas no valor de  R$ 4.443,00.  No que se refere ao valor de R$ 523,00, por se tratar de serviço de vacinação  não previsto como despesa dedutível do imposto de renda, mantém­se a glosa, também porque  não foi objeto de contestação.  Por  todo  o  exposto,  voto  por  conhecer  do Recurso Voluntário,  e  no mérito  DAR PROVIMENTO, restabelecendo­se as deduções das despesas médicas glosadas no valor  de R$ 4.443,00, cancelando­se o crédito tributário nesta parte, e mantida a parte do Lançamento  não contestada no valor de R$ 523,00.  (assinado digitalmente)   Jose Alfredo Duarte Filho                              Fl. 60DF CARF MF

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Numero do processo: 10166.721734/2016-62
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 12 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Mar 29 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2012 a 31/12/2012 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO CONSTATADA. ACOLHIMENTO PARA INTEGRAÇÃO NO JULGADO Constatada a omissão no acórdão, necessário o acolhimento para fins de integração para sanar a omissão apontada. Decisão com efeito integrativo do julgado, ou seja, sem efeitos infringentes.
Numero da decisão: 2201-005.023
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos formalizados pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Brasília/DF para, sem efeitos infringentes, sanar o vício apontado nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente. (assinado digitalmente) Marcelo Milton da Silva Risso - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Debora Fófano dos Santos, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Sheila Aires Cartaxo Gomes (Suplente Convocada), Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente). Ausente o Conselheiro Daniel Melo Mendes Bezerra.
Nome do relator: MARCELO MILTON DA SILVA RISSO

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2201­005.023  –  2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  12 de março de 2019  Matéria  CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA  Embargante  FAZENDA NACIONAL  Interessado  HOSPITAL SANTA MARTA LTDA    ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS  Período de apuração: 01/01/2012 a 31/12/2012  EMBARGOS  DE  DECLARAÇÃO.  OMISSÃO  CONSTATADA.  ACOLHIMENTO PARA INTEGRAÇÃO NO JULGADO  Constatada  a  omissão  no  acórdão,  necessário  o  acolhimento  para  fins  de  integração para sanar a omissão apontada. Decisão com efeito integrativo do  julgado, ou seja, sem efeitos infringentes.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os  embargos formalizados pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Brasília/DF para, sem  efeitos infringentes, sanar o vício apontado nos termos do voto do Relator.    (assinado digitalmente)  Carlos Alberto do Amaral Azeredo ­ Presidente.   (assinado digitalmente)  Marcelo Milton da Silva Risso ­ Relator.    Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Debora  Fófano  dos  Santos,  Rodrigo  Monteiro  Loureiro  Amorim,  Douglas  Kakazu  Kushiyama,  Sheila  Aires     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 72 17 34 /2 01 6- 62 Fl. 2422DF CARF MF     2 Cartaxo  Gomes  (Suplente  Convocada),  Marcelo  Milton  da  Silva  Risso,  Carlos  Alberto  do  Amaral Azeredo (Presidente). Ausente o Conselheiro Daniel Melo Mendes Bezerra.    Relatório  1­ Adoto  como  relatório  o  da  decisão  de  admissibilidade  dos  embargos  de  declaração da DRF de origem às fls. 2.337/2.347, por bem relatar os fatos ora questionados.    "Em sessão plenária de 03/07/2018,  foi proferido o Acórdão nº  2201­004.587 (efls. 2269 a 2305), pela 1ª Turma Ordinária da 2ª  Câmara da 2ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo  de Recursos Fiscais – CARF, assim ementado:   ASSUNTO:  CONTRIBUIÇÕES  SOCIAIS  PREVIDENCIÁRIAS   Período de apuração: 01/01/2012 a 31/12/2012   NULIDADE DO LANÇAMENTO   Aplicação do princípio da primazia da resolução de mérito de  acordo com §2º do art. 282 do CPC de 2015 e art. 59 § 3º do  Decreto­lei 70.235/72   SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. RESPONSABILIDADE   Diante do provimento do recurso voluntário do sujeito passivo  principal,  afastando  o  lançamento,  dá­se  provimento  aos  recursos dos solidários para excluí­los do lançamento.   CONTRATAÇÃO  DE  PESSOA  JURÍDICA  PARA  PRESTAÇÃO  DE  SERVIÇO  MÉDICOS.  RELAÇÃO  DE  EMPREGO.  SÓCIO  MÉDICO.  PRESENÇA  DOS  REQUISITOS.  SUBORDINAÇÃO.  NECESSIDADE  DE  PROVA  NOS  AUTOS.  IMPOSSIBILIDADE  DE  PRESUNÇÃO.   Dada  a  formalização  de  contratos  de  prestação  de  serviços  médicos diretamente com pessoas jurídicas, compete ao Fisco  o ônus probatório da  existência do  vínculo de  emprego entre  instituição hospitalar e sócios das contratadas, na medida em  que a prova cabe a quem tem interesse em fazer prevalecer o  fato afirmado, sob pena de insubsistência do crédito tributário.  A  circunstância  de  o  médico  prestar  serviços  diretamente  ligados  à  atividade­fim  do  hospital,  por  si  só,  não  leva  ao  reconhecimento do vínculo de emprego, dependendo da prova  da  subordinação.  Via  de  regra,  não  se  presume  a  subordinação do médico, tendo em vista as peculiaridades da  atividade médica.   A decisão foi registrada nos seguintes termos:   Fl. 2423DF CARF MF Processo nº 10166.721734/2016­62  Acórdão n.º 2201­005.023  S2­C2T1  Fl. 2.423          3 Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em  dar  provimento  aos  recursos  voluntários,  vencido  o  Conselheiro  Carlos  Alberto  do  Amaral  Azeredo,  que  negou  provimento.  Cientificada  do  acórdão  a  Fazenda  Nacional  apresentou  Recurso  Especial  de  efls.  2306  a  2314,  cuja  admissibilidade  resta pendente de análise.   Em  27/09/2018  (Termo  de  solicitação  de  juntada  efl.  2315),  antes  do  encaminhamento  dos  autos  para  ciência  ao  sujeito  passivo,  a DRF/Brasília,  na  condição  de  titular  da  unidade  da  administração  tributária encarregada da liquidação e execução  do  acórdão,  opôs  os  Embargos  de Declaração  de  efls.  2317  a  2330.   Tendo em vista que o processo sequer chegou a ser movimentado  para  a  unidade  de  origem,  conforme  demonstrado  abaixo,  não  há como se falar em intempestividade dos aclaratórios.      A embargante apresenta os Embargos de efls. 2317 a 2330, com  fundamento  no  art.  65  do  Anexo  II  do  RICARF  alegando  a  existência  de  "obscuridades,  omissões  e  contradições"  nos  seguintes termos:   a) Omissão  na  análise  da  totalidade  dos  débitos  constantes  do  processo   Alega  que  o  acórdão  só  analisou  o  lançamento:  II­I­I  –  CONTRATAÇÃO  DE  MÉDICOS  como  Pessoas  Jurídicas  – Pejotização, que trata da contratação dos serviços médicos por  meio de pessoa jurídica, se os médicos possuíam ou não vínculo  empregatício.  Não  tendo  analisado  os  demais  lançamentos:  II­I­II  –  CONTRATAÇÃO DOS DIRETORES  como  Pessoas  Jurídicas  – Pejotização­  CONTA  CONTÁBIL:  3313010010­SERVIÇOS  DE  CONSULTORIA  /PLANEJAMENTO,  referentes  aos  Diretores  que não eram médicos e não exerciam atividades médicas.   Fl. 2424DF CARF MF     4 Também não houve análise das autuações por descumprimento  de obrigações acessórias:   I I I – DESCUMPRIMENTO DAS OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS,  ­  A)  AUTO  DE  INFRAÇÃO  –  CONTABILIDADE  –  NÃO  ESCRITURAÇÃO EM TÍTULOS PRÓPRIOS.   ­ B) AUTO DE INFRAÇÃO – Intimação não Atendida. Deixar de  prestar  à  RFB  todas  as  informações  cadastrais,  financeiras  e  contábeis de interesse da mesma, na forma por ela estabelecida.   b) Equívoco na utilização do princípio da primazia da resolução  de mérito   Alega que houve equívoco na afirmação:   “Aplicação  do  princípio  da  primazia  da  resolução  de mérito  de  acordo com § 2º do art. 282 do CPC de 2015 e art. 59 § 3º do  Decreto lei 70.235/72.’   Aduz que este princípio não obsta a análise  individual de cada  lançamento, pretensão, efetuados nos autos, e sim, que pequenos  ajustes não ensejadores de nulidades possam ser feitos de forma  célere, com a efetividade da apreciação da lide, de forma justa.   Sustenta que "mesmo que a anulação do lançamento referente a  uma  das  obrigações  principais  fosse  correta,  não  ensejaria  a  anulação  dos  demais  lançamentos  das  obrigações  principais  e  acessórias,  pois  são  fatos  e  matérias  independentes,  necessitando da análise e fundamentos próprios".   c) Omissão quanto à análise da relação de emprego com amparo  na legislação previdenciária   Neste  tópico,  a  embargante  alega  que  "O  Relator,  foi  muito  sucinto  em  toda  análise/fundamentação.  Só  se  ateve  a  fundamentar  o  vínculo  de  emprego  pelo  art.  3º  da  CLT",  carecendo de "análise/fundamentação com amparo na legislação  previdenciária".   d)  Equívoco  quanto  à  uma  única  constatação  de  relação  de  emprego   Afirma  que  o  Relator  se  equivocou  quando  afirmou  que  houve  uma  única  constatação  de  suposto  vínculo  de  emprego,  destacando  o  item  19  do  voto  condutor  com  grifos  pela  embargante:   19  A  partir  dessa  única  constatação  acima  reproduzida  a  fiscalização  utilizou  para  identificar  a  relação  de  emprego  para todos os casos. Contudo, se utilizarmos também através de  amostragem  alguns  pontos  identificados  no  próprio  relatório  fiscal  vamos  constatar  que  a  fiscalização  adota  premissa  equivocada  e  que  por  si  só  na  visão  desse  relator  afasta  o  lançamento tributário (grifo nosso)  Sustenta  que  faltou  a  análise  por  parte  do  relator  das  demais  constatações  elencadas  e  discriminadas  no  corpo  do  Relatório  Fiscal, de mais de 300 páginas, fls. 44 a 345 do processo.   Fl. 2425DF CARF MF Processo nº 10166.721734/2016­62  Acórdão n.º 2201­005.023  S2­C2T1  Fl. 2.424          5 e)  Obscuridade  quanto  à  inexistência  de  relação  de  emprego  simulada   Neste quesito, a embargante entende que o relator reconheceu a  inexistência  de  ato  simulado  entre  prestadores  de  serviços  médicos (PJ) e o sujeito passivo, entretanto não explicou qual a  relação que existiria entre o médico contratado para a prestação  de  serviços  por  empresa  terceirizada,  sendo  remunerado  por  esta mesma empresa, que não a de sócio ou de empregado desta.   f) Obscuridade quanto ao não reconhecimento do pagamento de  verbas salariais através de notas fiscais de prestação de serviços   Sustenta  que  o  Relator  não  esclareceu  como  o  pagamento  de  salário,  férias,  13º  Salário,  configurados  nas  Notas  Fiscais  abaixo,  consideradas  no  contexto  das  demais  informações  do  processo, não são rubricas de segurado empregado.  É o relatório.   Admissibilidade dos Embargos de Declaração   Os Embargos de Declaração estão previstos no art. 65, do Anexo  II do RICARF:   Art.  65.  Cabem  embargos  de  declaração  quando  o  acórdão  contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão  e  os  seus  fundamentos,  ou  for  omitido  ponto  sobre  o  qual  deveria pronunciar­se a turma. (grifei)   Dos vícios apontados:   a) Omissão  na  análise  da  totalidade  dos  débitos  constantes  do  processo   A  embargante  alega  que  o  relator  deixou  de  se  manifestar  expressamente  sobre  os  lançamentos  decorrentes  de  CONTRATAÇÃO DOS DIRETORES  como  Pessoas  Jurídicas  –  Pejotização  e  os  Autos  de  Infração  por  Descumprimento  de  Obrigação Acessória, padecendo o acórdão do vício de omissão.   Com relação à essas matérias o voto condutor do acórdão assim  se manifesta:   35 Pelo exposto nesse tópico dou provimento ao recurso e por  consequência  afasto,  deixo  de  analisar  as  razões  recursais  no  tocante  a  qualificadora  da  multa  e  ao  descumprimento  de  obrigações  acessórias,  sendo  que  tais  fundamentos  são  aplicados  também  quanto  ao  lançamento  indicado  no  item  quanto  a  IIIIII  – CONTRATAÇÃO DOS DIRETORES como  Pessoas  Jurídicas  –  Pejotização­  CONTA  CONTÁBIL:  3313010010SERVIÇOS  DE  CONSULTORIA  /PLANEJAMENTO.   Da  leitura do voto,  constata­se que  toda a análise  foi centrada  nos  contratos  referente  aos  prestadores  de  serviço  pessoa  Fl. 2426DF CARF MF     6 jurídica, na categoria de Médicos, concluindo pela inexistência  de subordinação, conforme excerto abaixo:    30  A  pessoalidade,  não  eventualidade  e  onerosidade  são  requisitos  que  podem  estar  presentes  em  outras  relações  de  trabalho, como na atividade autônoma. É, contudo, o requisito  da  subordinação que  tem papel  relevante  e  fundamental  para  delimitar se o trabalhador detém a condição de empregado ou  não.   31 Via de regra, não se presume a subordinação do médico. É  nesse ponto, em especial, que reside as dificuldades da área de  fiscalização  previdenciária,  porque  o  reconhecimento  do  vínculo empregatício entre hospital  e o profissional de  saúde  exige prova cabal dessa subordinação, ou pelo menos indícios  sérios, convergentes e contundentes da submissão da atividade  que desempenha ao poder de direção do tomador, implicando  clara limitação da autonomia do médico.   Tampouco na ementa consta qualquer menção à improcedência  do lançamento referente à pejotização na área administrativa   CONTRATAÇÃO  DE  PESSOA  JURÍDICA  PARA  PRESTAÇÃO  DE  SERVIÇO  MÉDICOS.  RELAÇÃO  DE  EMPREGO.  SÓCIO  MÉDICO.  PRESENÇA  DOS  REQUISITOS.  SUBORDINAÇÃO.  NECESSIDADE  DE  PROVA  NOS  AUTOS.  IMPOSSIBILIDADE  DE  PRESUNÇÃO.   Sendo  os  fundamentos  para  o  lançamento  da  contratação  de  diretores  através  de  pessoas  jurídicas  diverso  do  referente  aos  médicos,  mediante  comprovação  documental  próprias,  cabe  a  análise pormenorizada de tal situação.   Cabe pontuar que no presente processo são cobradas apenas as  contribuições sociais destinadas a outras entidades ­ Terceiros,  conforme relatório fiscal (efls. 23)    Com  relação  aos  autos  de  infração  por  descumprimento  de  obrigações  acessórias,  não  há  que  se  falar  em  omissão  no  Fl. 2427DF CARF MF Processo nº 10166.721734/2016­62  Acórdão n.º 2201­005.023  S2­C2T1  Fl. 2.425          7 Acórdão nº 2201­004.587, uma vez que não constam do presente  processo, conforme relatório fiscal (efls. 24):    Conclui­se,  portanto,  que  assiste  parcial  razão  à  embargante  neste tópico.   b) Equívoco na utilização do princípio da primazia da resolução  de mérito   A embargante aduz que:   2) Também houve equívoco na afirmação:   “Aplicação  do  princípio  da  primazia  da  resolução  de mérito  de  acordo com § 2º do art. 282 do CPC de 2015 e art. 59 § 3º do  Decreto lei 70.235/72.’   Este princípio não obsta a análise individual de cada lançamento,  pretensão, efetuados nos autos, e sim, que pequenos ajustes não  ensejadores de nulidades possam ser feitos de forma célere, com  a efetividade da apreciação da lide, de forma justa.   Segundo  a melhor  doutrina,  o  princípio  da  primazia  da  decisão  de mérito procura garantir as partes que seja alcançada a solução  do mérito com a maior efetividade e celeridade possíveis.   Aqui, entendo que não assiste razão à embargante, isto porque o  princípio  não  foi  utilizado  como  justificativa  para  deixar  de  analisar  os  demais  lançamentos,  mas  sim  para  deixar  de  decretar a nulidade do lançamento, solucionando­o no mérito.   34 Deixo de me manifestar em relação às preliminares indicadas  no  recurso  em  vista  do  seu  provimento  quanto  ao  mérito  aplicando  o  princípio  da  primazia  da  resolução  de  mérito  de  acordo com § 2º do art. 282 do CPC de 2015 e art. 59 § 3º do  Decreto­lei  70.235/72  que  se  pode  afirmar  que,  "quando  puder  decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a  declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará  nem mandará repetir o ato ou suprir­lhe a falta".   Ademais, os embargos de declaração são o remédio processual  para a correção de julgados que apresentem vícios decorrentes  de omissão, obscuridade ou contradição entre a decisão e seus  fundamentos. Por sua vez, existência de erros materiais devidos  a  lapso manifesto são atacáveis via embargos inominados. Não  Fl. 2428DF CARF MF     8 se  verificando  quaisquer  das  situações,  não  merecem  ser  acolhidos  os  embargos  com  vistas  a  rediscussão  de  tese  decorrente de mera insatisfação com o julgado.   Sem razão à embargante.   c) Omissão quanto à análise da relação de emprego com amparo  na legislação previdenciária   Neste  tópico,  a  embargante  alega  que  "O  Relator,  foi  muito  sucinto  em  toda  análise/fundamentação.  Só  se  ateve  a  fundamentar  o  vínculo  de  emprego  pelo  art.  3º  da  CLT",  carecendo de "análise/fundamentação com amparo na legislação  previdenciária".   Salienta  que  "deve­se  dar  primazia  não  à  caracterização  de  vínculo  empregatício  (instituto  de  Direito  do  Trabalho),  mas,  sim,  à  caracterização  da  condição  de  segurado  empregado  (instituto  de  Direito  Previdenciário)".  Cita  decisões  nesse  sentido proferidas por outra turma do CARF.   Como dito no tópico anterior, os embargos não são a via própria  para  a  rediscussão  de  tese decorrente de mera  inconformidade  com  a  decisão  do  julgado.  Por  seu  turno,  a  existência  de  decisões em sentido contrário são requisito para a interposição  de recurso especial à CSRF e não de embargos.   Ademais  o  acórdão  registra  que  não  foram  reconhecidos  os  requisitos da relação de emprego, nos seguintes termos:   17  Esse  desafio  da  fiscalização  na  minha  ótica  acabou  na  demonstração "precária" da comprovação do vínculo de emprego  apor  amostragem,  utilizando­se  de  forma  genérica  de  situações  que  sequer  chegam  próximo  dos  elementos  caracterizadores  indicados nos arts. 2º e 3º da CLT aplicando os mesmos efeitos  jurídicos a  todas as pessoas jurídicas e pessoas físicas indicadas  na autuação, sem estabelecer qualquer motivação para efetuar o  levantamento  fiscal  e  o  cálculo  através  de  aferição  indireta  na  forma do art. 148 do CTN.   18 No detalhamento desses pressupostos da prestação de serviço  com  vinculação  empregatícia,  o  Fisco  Federal  não  os  individualizou  por  contrato  ou  profissional  de  saúde,  como  muitas vezes procede os diversos Termo de Verificação Fiscal já  analisados  em  casos  como  este,  mas  sim  optou  em  considerar  provado o vínculo de emprego reproduzindo esse fato a todos os  profissionais médicos, a título de elementos de prova do vínculo  de emprego da seguinte forma:   ...   30  A  pessoalidade,  não  eventualidade  e  onerosidade  são  requisitos  que  podem  estar  presentes  em  outras  relações  de  trabalho, como na atividade autônoma. É, contudo, o requisito da  subordinação  que  tem  papel  relevante  e  fundamental  para  delimitar  se  o  trabalhador  detém  a  condição  de  empregado  ou  não.   Fl. 2429DF CARF MF Processo nº 10166.721734/2016­62  Acórdão n.º 2201­005.023  S2­C2T1  Fl. 2.426          9 31 Via  de  regra,  não  se  presume  a  subordinação  do médico.  É  nesse  ponto,  em  especial,  que  reside  as  dificuldades da  área  de  fiscalização previdenciária, porque o reconhecimento do vínculo  empregatício entre hospital e o profissional de saúde exige prova  cabal dessa  subordinação,  ou  pelo  menos  indícios  sérios,  convergentes  e  contundentes  da  submissão  da  atividade  que  desempenha  ao  poder  de  direção  do  tomador,  implicando  clara  limitação  da  autonomia do médico.   Sem razão à embargante.   d) Omissão quanto à comprovação da relação de emprego   A embargante aponta a existência de equívoco no entendimento  proferido  no  acórdão  e  omissão  em  análise  de  outras  constatações descritas no relatório fiscal, nos seguintes termos:   4 ) O Relator se equivocou quando afirmou no item 19 que houve  uma única constatação:   19  A  partir  dessa  única  constatação  acima  reproduzida  a  fiscalização  utilizou  para  identificar  a  relação  de  emprego  para todos os casos. Contudo, se utilizarmos também através de  amostragem  alguns  pontos  identificados  no  próprio  relatório  fiscal  vamos  constatar  que  a  fiscalização  adota  premissa  equivocada  e  que  por  si  só  na  visão  desse  relator  afasta  o  lançamento tributário (grifo nosso)   Falta  a  análise  por  parte  do  relator  das  demais  constatações  elencadas e discriminadas no corpo do Relatório Fiscal, de mais  de  300  páginas,  fls.  44  a  345  deste  processo,  as  quais  estão  elencadas abaixo:   ...   Entendo  que  não  assiste  razão  à  embargante,  isto  porque  o  relator, apesar de não mencionar cada um dos  itens constantes  da  autuação,  aponta  que,  pelo  conjunto  fático­probatório  dos  autos,  não  ficou  demonstrada,  de  forma  cabal,  a  relação  de  emprego, conforme os seguintes excertos:   18 No detalhamento desses pressupostos da prestação de serviço  com  vinculação  empregatícia,  o  Fisco  Federal  não  os  individualizou  por  contrato  ou  profissional  de  saúde,  como  muitas vezes procede os diversos Termo de Verificação Fiscal já  analisados  em  casos  como  este,  mas  sim  optou  em  considerar  provado o vínculo de emprego reproduzindo esse fato a todos os  profissionais médicos, a título de elementos de prova do vínculo  de emprego da seguinte forma:   "Em  trabalho  de  campo no Hospital  Santa Marta,  realizado  em  02/02/2015, feito por amostragem, foi constatada a prestação de  serviço  in  loco da médica Weridyana Batista de Oliveira, CPF:  694.774.50120, CRM:17616, com a coleta de sua assinatura.   Fl. 2430DF CARF MF     10 Esclareça  que  o  Hospital  Santa  Marta  informou  que  ela  teria  prestado serviços médicos em 2012  intermediada por empresas;  contudo,  em  análise  aos  cadastros  da  RFB,  ela  não  possuía  nenhuma  vinculação  com  tais  empresas  (não  era  sócia  nem  empregada). Bem como,  o  fato  de  continuar  prestando  serviços  em 2015 é caracterizador do vinculo empregatício.   ...  Denota­se, por amostragem, o vínculo empregatício." Sem grifos  no original   19  A  partir  dessa  única  constatação  acima  reproduzida  a  fiscalização  utilizou  para  identificar  a  relação  de  emprego  para  todos  os  casos.  Contudo,  se  utilizarmos  também  através  de  amostragem  alguns  pontos  identificados  no  próprio  relatório  fiscal  vamos  constatar  que  a  fiscalização  adota  premissa  equivocada  e  que  por  si  só  na  visão  desse  relator  afasta  o  lançamento tributário.   ...   28 Outrossim, outros fatos narrados a seguir em nada faz crer por  si só que existe a configuração do vínculo de emprego:   Assim  como  o  serviço  prestado  é  parte  integrante  da  cadeia  produtiva  do  hospital;  ou  seja,  insere­se  no  objeto  do  empreendimento hospitalar.   Omissis   Havia  subordinação  às  diretrizes  traçadas  pelo  hospital:  os  pacientes  eram  todos  do  hospital  (Receita  Operacional  de  R$  116.598.607,32),  que  assumia  os  riscos  do  trabalho  executado  pelo médico, a chamada alteridade, como ocorrido no Processo:  2003.01.1.0308045 do TJDFT).   Outrossim,  só o fato de haver obrigatoriedade de o profissional  médico  comparecer  ao  hospital  para  prestar  o  seu  serviço,  não  podendo  realizá­lo  em  outro  local,  por  si  só,  já  caracteriza  a  subordinação jurídica. Grifei   ...   32 Portanto não há elementos de prova robustos,  sendo que  até  mesmo a alegação de nota fiscal indicando salário e férias e 13º  salário,  após  a  análise  por  esse  relator  por  amostragem  nas  milhares de notas fiscais, juntadas no eprocesso em arquivos não  pagináveis, consideradas como um dos elementos de prova pela  fiscalização,  não  verifiquei  outras  notas  com  o mesmo  teor,  (a  grande maioria consta serviços médicos prestados) sendo que ao  que parece a  fiscalização utilizou apenas de uma nota com esse  teor para comprovar a existência de vínculo de emprego.   e)  Obscuridade  quanto  à  inexistência  de  relação  de  emprego  simulada   A  embargante  sustenta a existência de obscuridade no  julgado,  nos seguintes termos:   Fl. 2431DF CARF MF Processo nº 10166.721734/2016­62  Acórdão n.º 2201­005.023  S2­C2T1  Fl. 2.427          11 No item 23, abaixo reproduzido, o relator afirma que:   “Não  verifico  nos  autos  nenhuma  prova  que  sugere  que  as  pessoas  jurídicas,  tais  como  a  acima  indicada,  fosse  utilizada  para orquestrar um ato simulatório no qual alega a fiscalização” .  Porém,  não  argumenta  como  o  médico  contratado  para  prestar  serviço  a  partir  de  uma  empresa  terceirizada,  e  tendo  as  notas  fiscais sido emitidas por essa empresa terceirizada para atestar a  prestação  do  seu  serviço,  não  possui  com  ela  nenhum  vínculo,  nem  como  sócio  e  nem  como  empregado.  Seria  o  quê  dessa  empresa então ??.   Da  leitura  do  acórdão,  entendo  que  não  assiste  razão  à  embargante.   Vejamos.   20  A  fiscalização  alega  que  "fica  muito  claro  que  o  Hospital  Santa  Marta  usou  as  empresas  com  o  único  objetivo  de  contabilizar os salários dos médicos por meio delas; e em muitos  casos,  sem  a  preocupação  sequer  de  haver  uma  relação  formal  destes com a empresa emitente da nota fiscal. Tendo com isso o  objetivo  de  pagar  menos  tributo.";  com  essa  afirmação  a  fiscalização  parte  do  pressuposto  de  que  as  pessoas  jurídicas  foram  constituídas  de  forma  fraudulenta  a  título  de  não  pagar  diretamente os "salários" pelos serviços médicos dos prestadores  que não tinham nenhum contrato formal com as pessoas jurídicas  prestadoras  e  o  hospital  e  até  mesmo  dos  sócios  das  pessoas  jurídicas.   21 Às fls. 77 do relatório fiscal a fiscalização faz referência como  prova  da  empresa  DIGESTIVE  CLINICA  DO  APARELHO  DIGESTIVO  CNPJ:  14.353.297/000183,  que  foi  uma  das  desconsideradas pela fiscalização, alegando que havia nas Notas  Fiscais a indicação de médicos que não eram sócios e não tinham  nenhum  contrato  ou  vínculo  formal  a  título  de  prestação  de  serviços,  contudo  a  fiscalização  junta  aos  autos  a  GFIP  dessa  empresa em que identificamos diversos empregados registrados:   ...   23  Não  verifico  nos  autos  nenhuma  prova  que  sugere  que  as  pessoas  jurídicas,  tais  como  a  acima  indicada,  fosse  utilizada  para orquestrar um ato simulatório no qual alega a  fiscalização.  Pelo contrário, verifico que a fiscalização parte de uma premissa  sem qualquer fundamento e provas concretas para alegar tal fato.  Chega­se  ao  absurdo  de  se  alegar  a  simulação  de  uma  pessoa  jurídica que contem empregados no setor administrativo, sem ao  menos promover o levantamento da estrutura de fato e de direito  de tal empresa. Às fls. 2.623 por exemplo o recorrente traz prova  de uma estrutura da referida empresa e de outras indicadas como  emissoras das notas fiscais.   ...   Fl. 2432DF CARF MF     12 26  No  caso,  não  sabemos  sequer  a  relação  desses  prestadores  para com as prestadoras de serviço, no máximo, o que podemos  considerar  sem  qualquer  sombra  de  dúvida  é  uma  relação  de  prestação de  serviço  autônoma,  e mesmo assim para  com essas  prestadoras  que  remuneravam  esses  médicos,  não  podendo  se  afirmar qualquer  tipo de vínculo  tal  como foi alegado de  forma  categórica  pela  fiscalização  sem  qualquer  fundamento  jurídico,  verbis:   ... (Grifei.)  O  relator  conclui  não  se  possível  afirmar,  com  precisão,  qual  seria  a  relação  existente  entre  as  empresas  prestadoras  e  seus  contratados, portanto não há que se falar em obscuridade nesta  análise.   f) Obscuridade quanto ao não reconhecimento do pagamento de  verbas salariais através de notas fiscais de prestação de serviços   Sustenta  que  o  Relator  não  esclareceu  como  o  pagamento  de  salário,  férias,  13º  Salário,  configurados  nas  Notas  Fiscais  abaixo,  consideradas  no  contexto  das  demais  informações  do  processo, não são rubricas de segurado empregado.   Aqui também não assiste razão à embargante.   O relator afirma em seu voto que a menção à expressão "férias"  e "13º salário" em uma única nota fiscal, não seriam suficientes  para caracterizar a relação de vínculo empregatício, verbis:   32 Portanto não há elementos de prova robustos,  sendo que  até  mesmo a alegação de nota fiscal indicando salário e férias e 13º  salário,  após  a  análise  por  esse  relator  por  amostragem  nas  milhares de notas fiscais, juntadas no eprocesso em arquivos não  pagináveis, consideradas como um dos elementos de prova pela  fiscalização,  não  verifiquei  outras  notas  com  o mesmo  teor,  (a  grande maioria consta serviços médicos prestados) sendo que ao  que parece a  fiscalização utilizou apenas de uma nota com esse  teor para comprovar a existência de vínculo de emprego.   Portanto, não se considera obscura a decisão.   Conclusão   Diante do exposto, com fundamento no art. 65, do Anexo II, do  RICARF,  aprovado  pela  Portaria  MF  nº  343,  de  2015,  ACOLHO  PARCIALMENTE  os  Embargos  de  Declaração  opostos  pela  Delegacia  da  Receita  Federal  do  Brasil  em  Brasília/DF, nos termos acima.    2  ­  Houve  apresentação  de  manifestação  do  contribuinte  em  face  dos  embargos de declaração da DRF e apresentação de memoriais, pela manutenção do V. Acórdão  recorrido.    Fl. 2433DF CARF MF Processo nº 10166.721734/2016­62  Acórdão n.º 2201­005.023  S2­C2T1  Fl. 2.428          13 3  ­  Portanto,  serão  objeto  de  decisão  das  razões  de  embargos  apresentados  opostos para sanar omissão no V. Acórdão de minha relatoria, apenas o tema relativo quanto ao  item "a", a) Omissão na análise da  totalidade dos débitos constantes do processo" relativo os  lançamentos  decorrentes  de  "CONTRATAÇÃO  DOS  DIRETORES  como  Pessoas  Jurídicas  –  Pejotização", de acordo com os termos da decisão alhures da I. Presidência dessa C. Turma. É o  relatório do necessário.      Voto             Conselheiro Marcelo Milton da Silva Risso ­ Relator    4  ­  O  recurso  é  tempestivo  e  preenche  os  demais  requisitos  de  admissibilidade, e portanto o conheço na forma da decisão de admissibilidade da I. Presidência  dessa C. Turma.    5  ­  Conheço  do  recurso  de  embargos  para  apenas  complementar  o  tema  relativo aos lançamentos decorrentes de "CONTRATAÇÃO DOS DIRETORES como Pessoas  Jurídicas  –  Pejotização"  e  quanto  ao  alegado  "Autos  de  Infração  por  Descumprimento  de  Obrigação  Acessória",  não  serão  julgados  pois  são  objeto  de  outro  processo  administrativo  fiscal de nº 10166.721.543.2016­09 que estão sendo julgados nessa mesma sessão.    6 ­ Contudo, em relação ao lançamento da "Contratação dos Diretores como  Pessoas Jurídicas ­ Pejotização" entendo que o tema foi objeto de discussão sendo que no V.  Acórdão  ficou  consignado  a  fim  de  se  evitar  repetição  dos  mesmos  fundamentos  de  forma  repetitiva quanto aos elementos caracterizadores do vínculo de emprego e em relação à prova,  ficando dessa forma indicado:    35 Pelo  exposto  nesse  tópico  dou provimento  ao  recurso  e  por  consequência  afasto,  deixo  de  analisar  as  razões  recursais  no  tocante  a  qualificadora  da  multa  e  ao  descumprimento  de  obrigações acessórias, sendo que tais fundamentos são aplicados  também quanto ao  lançamento  indicado no  item quanto a  II­I­ III  –  CONTRATAÇÃO  DOS  DIRETORES  como  Pessoas  Jurídicas  –  Pejotização  CONTA  CONTÁBIL:  3313010010SERVIÇOS  DE  CONSULTORIA  /PLANEJAMENTO. (Grifei)  Fl. 2434DF CARF MF     14 7 ­ Apenas recebo o recurso nessa parte a fim de complementar as razões do  voto que, por um lapso, em virtude do confuso relatório fiscal que ora faz referência à situação  dos médicos  e pessoas  jurídicas de  serviços médicos  e ora  faz  relação com a pejotização de  contratação  de  diretores,  relatando  ambos  os  lançamentos  em  um  tópico  único,  houve mero  lapso por parte desse relator, para manutenção da decisão, mas apenas de forma particularizada  conforme passo a expor nos itens subsequentes.    8  ­ No  item  II  ­  I  indicado no V. Acórdão embargado do  relatório  fiscal,  a  autoridade fiscal estabelece como fatos para o reconhecimento da "pejotização" e indica como  tema  central  dessa  parte "a  contratação  de médicos  e  diretores,  como  pessoas  jurídicas­ pejotização" fls. 24.    9­  Revela­se  nessa  parte  do  relatório  que  a  autoridade  fiscal  trata  do  tema  quanto aos médicos, contudo não faz nenhuma menção de forma contundente ao fundamento e  provas da qual chegou à conclusão sobre a pejotização dos diretores como pessoas jurídicas.    10  ­  No  exemplo  acima,  com  a  devida  venia,  a  miscelânea  nesse  tópico  quando a autoridade  fiscal  indica ora diretores  e  ora médicos,  (que na  realidade  esses  foram  objeto do outro lançamento já  julgado por esta Turma), e portanto,  justificou­se, diante desse  fato, a necessidade de se indicar no V. Acórdão embargado no item 35 a aplicação dos mesmos  fundamentos  quanto  ao  lançamento  da  pejotização  e  vínculo  de  emprego  dos  médicos  e  inclusive relembrando os termos do quanto fundamentado no item 6 do V. Acórdão recorrido,  indicando  parte  do  trecho  do  Ac.  2201004.378  j.  03/04/2018  dessa  Turma,  quanto  ao  tema  abordado nessa parte do lançamento como razões de decidir.    11  ­  Somente  às  fls.  241  sob  o  tópico  "II­I­III  –  CONTRATAÇÃO  DOS  DIRETORES  como  Pessoas  Jurídicas  –  Pejotização­  CONTA  CONTÁBIL:  3313010010­ SERVIÇOS  DE  CONSULTORIA  /PLANEJAMENTO."  que  a  fiscalização  faz  menção  a  esse  lançamento, sobre os diretores em relação a questão da "pejotização".    12  ­ Nesse  tópico,  complementando  os  fundamentos  do  voto  em  relação  a  esse lançamento, com o já constatado na decisão vergastada, a autoridade fiscal faz apenas um  cotejo  entre  informações  fiscais,  parte  da  contabilidade  e  de  alguns  documentos  entregues  à  fiscalização,  mormente  notas  fiscais  indicadas  no  bojo  do  relatório,  e  ao  final  com  suas  considerações  meramente  analíticas  a  respeito  de  tais  informações,  contudo,  com  ilações  meramente sugestivas, de indícios de possível pejotização. Em nenhum dos tópicos citados há  a menção no relatório fiscal da forma como foi revelada a suposta pejotização em cada um dos  diretores e médicos, citados nos itens 16 a 71.    Fl. 2435DF CARF MF Processo nº 10166.721734/2016­62  Acórdão n.º 2201­005.023  S2­C2T1  Fl. 2.429          15 13 ­ Ora a autoridade fiscal utiliza­se da análise de documentos registrados da  conta contábil 3313010002 Serviços Médicos Pessoa Jurídica, em que essa turma já afastou o  vínculo dos médicos para reconhecer suposta pejotização, ora outras contas contábeis.    14  ­  A  título  de  amostragem,  no  item  43  a  51  do  relatório  fiscal  de  fls.  293/301, por exemplo, a autoridade fiscal chega à conclusão da existência da pejotização, em  relação à Superintendente Luci de Fátima Emidio, apenas pela análise de dois contracheques  do período de 09/2012 a 12/2012 e pela análise da GFIP de 2012, com a emissão de 4 (quatro)  Notas Fiscais da empresa Felupa Serviços Administrativos Ltda., CNPJ 15.864.807/0001­40 de  titularidade dessa diretora, registradas na referida conta de serviços médicos de pessoa jurídica.    15  ­  Segue  a  conclusão  da  autoridade  fiscal  para  esse  item,  sem  grifos  no  original:    51. Dessa forma, prova­se que a SUPERINTENDENTE LUCI  DE FATIMA EMIDIO, CPF 358.782.401­06, recebeu além dos  salários  registrados  na  folha  de  pagamento,  o  valor  de  R$  467.507,13,  por meio  da  empresa  CNPJ:  15.864.807/0001­40­  FELUPA SERVICOS ADMINISTRATIVOS LTDA – EPP.    16 ­ Contudo, entendo que o conjunto probatório  revelado nesse item e nos  demais  citados,  são  insuficientes  para  revelar  o  fenômeno  da  pejotização,  uma  vez  que  da  mesma  forma  que  na  parte  do  lançamento  dos médicos,  sequer  houve  a  análise  de  eventual  contrato  de  prestação  de  serviços  dessas  pessoas  jurídicas  para  se  confirmar  com  absoluta  certeza  se  tratar  de  meio  utilizado  pelo  contribuinte  para  pagamento  de  "salário  por  fora"  através  de  pessoas  jurídicas,  montadas  com  essa  finalidade.  Não  há  nada  de  ilegal  do  empregado ou contribuinte individual prestar serviços de natureza eventual ao seu empregador  através de uma pessoa jurídica, durante o vínculo de emprego. No caso, a autoridade fiscal não  comprovou  acerca  de  que  forma  esses  serviços  (cuja  NF  foi  indicada)  foram  produzidos,  o  contexto  de  sua  contratação  e  prestação,  enfim,  se  era  idêntico  o  objeto  ao  prestado  pelo  empregado para fins de se denotar fraude à relação de emprego.    17 ­ Todavia, é razoável que, na prestação de serviços atinentes à atividade­ fim e à atividade de gestão da empresa autuada, o prestador utilize a estrutura fornecida pela  contratante para o desempenho das atividades, sem que isto implique, de per si, a subordinação  da  contratada à  contratante,  visto que  tais  serviços podem ser prestados  de  forma autônoma,  ainda  que,  para  tanto,  o  prestador  do  serviço  necessite  utilizar  a  estrutura  e  mesmo  equipamentos fornecidos pela contratante para o exercício de suas atividades.    Fl. 2436DF CARF MF     16 18  ­  Da  mesma  forma  se  identificarmos  o  item  52/60  de  fls.  301/308  do  relatório  fiscal  quanto  ao  médico  Paulo  Roberto  Guimarães  Silva  parte  da  análise  da  conta  contábil  3313010010  Serviços  de  Consultoria/Planejamento  consta  pagamentos  à  pessoa  jurídica de Gynelaser Núcleo de Ginecologia Avançada Ltda. CNPJ 07.896.231/0001­74, no  valor  de R$  100.276,19,  e  na  conta  contábil  3313020002  Serviços Médicos  Pessoa  Jurídica  constam pagamentos a essa mesma pessoa jurídica no valor de R$ 7.621,12.    19 ­ No item 56 consta o médico como sócio dessa empresa desde a data de  17/03/2006  como  sócio  administrador  e  no  item  59  dados  de  prontuários  entregues  à  fiscalização constando o médico Paulo Roberto Guimarães Silva:        20 ­ No item 60 conclui a autoridade fiscal, sem grifos no original:    "60.  Dessa  forma,  prova­se  que  o  médico  Paulo  Roberto  Guimaraes  Silva,  CPF:  399.895.266­72,  recebeu  a  remuneração  salarial  por meio  da  empresa Gynelaser Núcleo  de Ginecologia Avançada Ltda. CNPJ: 07.896.231/0001­74, no  valor de R$107.897,31."    21  ­  Os  dois  tópicos  acima  identificados  (diretores  e  médicos)  apenas  comprovam  a  dificuldade  em  se  saber  no  relatório  fiscal,  quando  a  autoridade  fiscal  está  tratando  de  diretores  (se  sócios  ou  estatutários  ou  empregados  não  médicos  com  cargo  de  direção dentro do nosocômio) em que a embargante alega a omissão do V. Acórdão, sendo que  a  embargante  alega  a  omissão  deste  Colegiado  NESTE  TÓPICO  EM  QUE  SE  DEVERIA  APENAS  SE  DISCUTIR  O  LANÇAMENTO  DE  "CONTRATAÇÃO  DOS  DIRETORES  como Pessoas Jurídicas – Pejotização", contudo, vemos que há uma confusão no  lançamento  com a indicação de outros elementos.    22 ­ Pelo exposto o lançamento nesse tópico prescinde dos requisitos do art.  142 do CTN pela falta de comprovação do fato gerador e demais elementos acima indicados e,  portanto, complementando o V. Acórdão vergastado, com os fundamentos acima, conheço dos  embargos para corrigindo a omissão indicada, sem efeitos infringentes, mas apenas com efeito  Fl. 2437DF CARF MF Processo nº 10166.721734/2016­62  Acórdão n.º 2201­005.023  S2­C2T1  Fl. 2.430          17 integrativo  da  decisão  embargada  no  V.  Acórdão  2201­004.587  de  e­fls.  2269  a  2305  dou  provimento  ao  recurso  nesse  tópico  para  afastar  o  lançamento  quanto  a  Terceiro  ­  Conta  Contábil: 3313010002­ Serviços Médicos Pessoa Jurídica e Terceiros ­ Diretores na forma da  fundamentação acima.    23 ­ Portanto, a ementa do V. Acórdão nº 2201­004.587 de e­fls. 2269 a 2305  passa a ter a seguinte redação:    ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS   Período de apuração: 01/01/2012 a 31/12/2012   NULIDADE DO LANÇAMENTO   Aplicação  do  princípio  da  primazia  da  resolução  de mérito  de  acordo com §2º do art.  282 do CPC de 2015 e art. 59 § 3º do  Decreto­lei 70.235/72   SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. RESPONSABILIDADE   Diante  do  provimento  do  recurso  voluntário  do  sujeito  passivo  principal,  afastando  o  lançamento,  dá­se  provimento  aos  recursos dos solidários para excluí­los do lançamento.   CONTRATAÇÃO DE PESSOA  JURÍDICA PARA  PRESTAÇÃO  DE  SERVIÇO MÉDICOS.  RELAÇÃO  DE  EMPREGO.  SÓCIO  MÉDICO.  PRESENÇA DOS  REQUISITOS.  SUBORDINAÇÃO.  NECESSIDADE DE PROVA NOS AUTOS. IMPOSSIBILIDADE  DE PRESUNÇÃO.   Dada  a  formalização  de  contratos  de  prestação  de  serviços  médicos diretamente com pessoas jurídicas, compete ao Fisco o  ônus  probatório  da  existência  do  vínculo  de  emprego  entre  instituição  hospitalar  e  sócios  das  contratadas,  na  medida  em  que  a  prova  cabe  a  quem  tem  interesse  em  fazer  prevalecer  o  fato afirmado, sob pena de insubsistência do crédito tributário.  A circunstância de o médico prestar serviços diretamente ligados  à  atividade­fim  do  hospital,  por  si  só,  não  leva  ao  reconhecimento do vínculo de emprego, dependendo da prova da  subordinação. Via de regra, não se presume a subordinação do  médico, tendo em vista as peculiaridades da atividade médica.   LANÇAMENTO  CONTRATAÇÃO  DIRETORES  COMO  PESSOA JURÍDICA. PEJOTIZAÇÃO  Não comprovação pela fiscalização de ato simulado na criação  de  pessoas  jurídicas  e  que  os  pagamentos  pelos  serviços  prestados  estavam atrelados  ao mesmo  tipo  de  trabalho  como  empregados. Falta dos requisitos do art. 142 do CTN, cujo ônus  da prova é da fiscalização.  Fl. 2438DF CARF MF     18 Conclusão  24  ­  Diante  do  exposto,  conheço  dos  embargos  na  forma  da  decisão  de  admissibilidade  Presidencial,  para  no  mérito  complementar  o  V.  Acórdão  vergastado,  corrigindo  a  omissão  indicada,  sem  efeitos  infringentes,  com  a  integração  dos  fundamentos  acima  na  decisão  embargada  no  V.  Acórdão  2201­004.587  de  e­fls.  2269  a  2305  dando  provimento  ao  recurso  nesse  tópico  para  afastar  o  lançamento  quanto  a  Terceiro  ­  Conta  Contábil: 3313010002­ Serviços Médicos Pessoa Jurídica e Terceiros ­ Diretores na forma da  fundamentação acima.    assinado digitalmente  Marcelo Milton da Silva Risso                              Fl. 2439DF CARF MF

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7689037 #
Numero do processo: 10711.724612/2011-90
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 20 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Apr 10 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 20/08/2008 NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. OCORRÊNCIA. Encontra-se eivado de vício insanável o Acórdão que se fundamenta em situação diversa da realidade fática dos autos. Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 3002-000.652
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher a preliminar suscitada de ofício e dar provimento parcial ao Recurso Voluntário para reconhecer a nulidade do Acórdão recorrido, determinando a devolução do processo à instância a quo para que profira novo julgamento. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard - Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Alberto da Silva Esteves - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e Carlos Alberto da Silva Esteves. Ausente o conselheiro Alan Tavora Nem.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO DA SILVA ESTEVES

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3002­000.652  –  Turma Extraordinária / 2ª Turma   Sessão de  20 de março de 2019  Matéria  AI ­ ADUANA  Recorrente  FAX CARGO SERVIÇOS ADUANEIROS LIMITADA  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS  Data do fato gerador: 20/08/2008  NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. OCORRÊNCIA.  Encontra­se  eivado  de  vício  insanável  o  Acórdão  que  se  fundamenta  em  situação diversa da realidade fática dos autos.  Recurso Voluntário Provido em Parte      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.    Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher a  preliminar suscitada de ofício e dar provimento parcial ao Recurso Voluntário para reconhecer  a nulidade do Acórdão recorrido, determinando a devolução do processo à instância a quo para  que profira novo julgamento.   (assinado digitalmente)  Larissa Nunes Girard ­ Presidente.   (assinado digitalmente)  Carlos Alberto da Silva Esteves ­ Relator.    Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard  (Presidente),  Maria  Eduarda  Alencar  Câmara  Simões  e  Carlos  Alberto  da  Silva  Esteves.  Ausente o conselheiro Alan Tavora Nem.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 71 1. 72 46 12 /2 01 1- 90 Fl. 151DF CARF MF Processo nº 10711.724612/2011­90  Acórdão n.º 3002­000.652  S3­C0T2  Fl. 152          2 Relatório  Trata­se de Recurso Voluntário contra o Acórdão 12­096.933 da DRJ/RJO,  que manteve integralmente o Crédito Tributário lançado pelo Auto de Infração, que exige da  contribuinte  a  multa  pelo  atraso  na  prestação  de  informações  sobre  veículo  ou  carga  nele  transportada, penalidade prevista no art. 107,  inciso  IV, alínea "e", do Decreto­Lei nº 37, de  1966, cuja redação foi alterada pela Lei 10.833, de 2003.  No caso concreto, foi impingida a multa citada, referente a apuração da falta  de  informação, no prazo  legal,  dos dados de desconsolidação da  carga  chegada  ao Porto do  Rio  de  Janeiro  em  20/10/2008  às  09:41h  (momento  da  atracação),  pois  o  registro  das  informações  do Conhecimento Eletrônico Agregado  (HBL) CE130.085.197.534.207 ocorreu  somente em 20/10/2008 às 12:33h (fl. 11).  Inconformada com a autuação, a contribuinte apresentou impugnação, a qual  foi julgada improcedente pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro ­  DRJ/RJO, por Acórdão dispensado de ementa , de acordo com a Portaria RFB nº 2.724/2017.  Em seqüência,  após  ser  cientificada dessa decisão, a contribuinte apresenta  Recurso Voluntário (110/123), no qual requereu a reforma do Acórdão recorrido, basicamente,  repisando o argumento já apresentado em seu recurso inicial, de que o prazo estipulado no art.  22  da  Instrução  Normativa  nº  800/2007  somente  poderia  ser  exigido  a  partir  do  dia  01/04/2009, conforme o disposto no art. 50 da referida IN.  É o relatório, em síntese.    Voto             Conselheiro Carlos Alberto da Silva Esteves ­ Relator  O Crédito Tributário contestado no presente processo encontra­se dentro do  limite de alçada das Turmas Extraordinárias, conforme disposto no art. 23­B do RICARF.  O  Recurso  Voluntário  é  tempestivo  e  preenche  os  requisitos  formais  de  admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento.  Embora,  não  tenha  sido  argüida  pela  recorrente  a  nulidade  do  Acórdão  recorrido,  por  ser  matéria  de  ordem  público,  entendo  que  este  Colegiado  pode  e  deve  se  debruçar sobre a matéria.  Com efeito, da confrontação do teor da Impugnação com o voto condutor do  Acórdão  recorrido,  constata­se  que  ocorreu  discrepância  entre  a  realidade  fática  do  presente  processo  e  a  situação  tratada  no  voto.  Enquanto,  em  realidade,  como  já  relatado,  a  única  alegação  da  contribuinte  se  refere  a  vigência  dos  prazos  previstos  no  art.  22  da  Instrução  Normativa RFB nº 800/2007 somente a partir de 01/04/2009 , a análise realizada pela relatora  Fl. 152DF CARF MF Processo nº 10711.724612/2011­90  Acórdão n.º 3002­000.652  S3­C0T2  Fl. 153          3 daquele  Acórdão  considerou  diversa  situação  e  não  adentrou  no  argumento  trazido  pela  ora  recorrente. Transcreve­se, como exemplo, o seguinte excerto do voto condutor:    "Deixo de acolher as preliminares trazidas pela interessada, eis  que  as  argüições  de  inconstitucionalidade  ou  ilegalidade  não  estão  afetas  ao  julgador  administrativo.  Além  disso,  sequer  se  pode  imaginar  a  ocorrência  de  denúncia  espontânea,  que  justamente é regulada no artigo 138 do CTN e tem seu escopo na  infração  que  enseja  o  pagamento  de  tributo,  não  se  aplicando  esse instituto ao caso concreto"                 (grifo nosso)    Dessa  maneira,  o  Acórdão  recorrido,  ao  rechaçar  argüições  de  inconstitucionalidade ou ilegalidade, se afasta da matéria a ser analisado na peça recursal. De  fato, em realidade, não a enfrentou.  Portanto, não há como negar que, por ter se baseado em situação diversa da  realidade fática dos autos, a motivação esposada no Acórdão  recorrido encontra­se eivada de  vício insanável.  Assim, pelo exposto, voto no sentido de dar parcial provimento ao Recurso  Voluntário,  para  reconhecer,  de  ofício,  a  nulidade  do  Acórdão  recorrido,  determinando  a  devolução do processo à instância a quo para que profira novo julgamento.     (assinado digitalmente)  Carlos Alberto da Silva Esteves                           Fl. 153DF CARF MF

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Numero do processo: 13984.000465/2007-61
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 14 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Mar 08 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 31/12/2001 RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO. PRAZO. O direito de pleitear a restituição ou compensação extingue-se com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados da data da extinção do crédito tributário. EXTINÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. Extinguem o crédito tributário o pagamento antecipado e a homologação do lançamento nos termos do disposto no artigo 150 e seus §§ 1º e 4º
Numero da decisão: 1003-000.489
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Presidente (assinado digitalmente) Sérgio Abelson - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente).
Nome do relator: SERGIO ABELSON

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1317; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1­C0T3  Fl. 129          1 128  S1­C0T3  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  13984.000465/2007­61  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  1003­000.489  –  Turma Extraordinária / 3ª Turma   Sessão de  14 de fevereiro de 2019  Matéria  DCOMP  Recorrente  NEVATUR TRANSPORTES E TURISMO LTDA  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO  Data do fato gerador: 31/12/2001  RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO. PRAZO.  O direito de pleitear a restituição ou compensação extingue­se com o decurso  do prazo de 5 (cinco) anos, contados da data da extinção do crédito tributário.  EXTINÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO.  Extinguem o crédito tributário o pagamento antecipado e a homologação do  lançamento nos termos do disposto no artigo 150 e seus §§ 1º e 4º      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  negar  provimento ao recurso.  (assinado digitalmente)  Carmen Ferreira Saraiva – Presidente  (assinado digitalmente)  Sérgio Abelson ­ Relator   Participaram  do  presente  julgamento  os  Conselheiros:  Sérgio  Abelson,  Bárbara  Santos  Guedes,  Mauritânia  Elvira  de  Sousa  Mendonça  e  Carmen  Ferreira  Saraiva  (Presidente).         AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 98 4. 00 04 65 /2 00 7- 61 Fl. 129DF CARF MF Processo nº 13984.000465/2007­61  Acórdão n.º 1003­000.489  S1­C0T3  Fl. 130          2 Relatório  Trata­se de recurso voluntário contra o acórdão de primeira instância (folhas  57/60)  que  julgou  improcedente  a  manifestação  de  inconformidade  apresentada  contra  o  despacho  decisório  às  folhas  19/22,  que  indeferiu  o  Pedido  de Restituição  à  folha  02  e  não  homologou  a  Declaração  de  Compensação  à  folha  04,  de  crédito  correspondente  a  saldo  negativo  de  CSLL  referente  ao  ano­calendário  2001,  por  apresentação  intempestiva  (23/04/2007, folhas 02 e 04).  A recorrente, às folhas 66/73, alega, em síntese:  I ­ Que em 14/02/2003 a empresa transmitiu a DCTF do 4º trimestre de 2002,  informando a compensação em questão;  II ­ Que "até a instituição da Dcomp, este era o meio legal de compensação",  "portanto, a declaração de compensação é datada de 14/02/2003  (...) não havendo o que se  falar em decadência";  III  ­  Que  a  declaração  de  compensação  datada  de  23/04/2007  era  mero  documento anexo a pedido de revisão de débitos protocolado em virtude de erro na retificação  de DCTF;  IV  ­  Que  "mesmo  que  se  entenda  pela  impossibilidade  de  retificação  da  compensação declarada em DCTF, passando a computar a contagem do prazo decadencial a  partir  da  declaração  de  compensação  de  23/04/2007  não  terá  decaído  o  direito  a  compensação",  pois  "tendo  a  DIPJ  do  ano­calendário  2001,  sido  entregue  em  28/06/02,  o  direito  de  pleitear  a  restituição/compensação  iniciou  em  29/06/02,  encerrando  em  30/06/2007", não havendo que se  falar em decadência,  em conformidade com os ditames do  art.  6º,  §  1º,  inciso  II,  da  Lei  nº  9.430/96,  na  redação  original,  anterior  à  dada  pela  Lei  nº  12.844, de 2013, a seguir transcrita:  Art.  6º O  imposto  devido, apurado na  forma do  art.  2º,  deverá  ser pago até o último dia útil do mês subseqüente àquele a que se  referir.  § 1º O saldo do imposto apurado em 31 de dezembro será:  I ­ pago em quota única, até o último dia útil do mês de março do  ano subseqüente, se positivo, observado o disposto no § 2º;  II  ­  compensado com o  imposto  a  ser  pago a partir do mês  de  abril do ano subseqüente, se negativo, assegurada a alternativa  de  requerer,  após  a  entrega  da  declaração  de  rendimentos,  a  restituição do montante pago a maior.  V ­ Que o Ato Declaratório SRF nº 3, de 7 de janeiro de 2000, utilizado pela  DRJ/Florianópolis para afastar o mencionado mandamento legal, por autorizar a restituição ou  compensação já a partir do mês de janeiro do ano subseqüente a que se referir o saldo negativo,  não tem força de alterar o disposto em uma lei.  Cita doutrina e jurisprudência administrativa que corroboram suas alegações.  Fl. 130DF CARF MF Processo nº 13984.000465/2007­61  Acórdão n.º 1003­000.489  S1­C0T3  Fl. 131          3 É o relatório.    Voto             Conselheiro Sérgio Abelson, Relator  O recurso voluntário é tempestivo, portanto dele conheço.  A discussão sobre o prazo para se pleitear a restituição dos tributos lançados  por  homologação  foi  questão  tormentosa,  que  dividiu  a  doutrina  e  as  jurisprudências  administrativa e judicial por tempos.  As divergências se iniciam na própria natureza desse prazo, sendo comum as  decisões administrativas relacionarem sua perda ao instituto da decadência, e as judiciais, ao da  prescrição, questão deixada em aberto nesse voto, por não possuir qualquer relevância com a  solução adotada.  Inicialmente, a recorrente alega que em 14/02/2003 transmitiu a DCTF do 4º  trimestre  de  2002,  informando  a  compensação  em  questão,  e  que  até  a  instituição  da  Declaração de Compensação, este era o meio legal de compensação.   Ocorre  que,  em  14/02/2003,  já  havia  sido  instituída  a  Declaração  de  Compensação.  A Medida  Provisória  nº  66,  de  29  de  agosto  de  2002,  convertida  na  Lei  nº  10.637, de 30 de dezembro de 2002, em seu art. 49, modificou o art. 74 da Lei nº 9.430/96,  estabelecendo a seguinte redação para o caput e § 1º:  Art. 74 ­ O sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo  ou  contribuição  administrado  pela  Secretaria  da  Receita  Federal,  passível  de  restituição  ou  de  ressarcimento,  poderá  utilizá­lo  na  compensação  de  débitos  próprios  relativos  a  quaisquer  tributos  e  contribuições  administrados  por  aquele  Órgão.  §  1º  A  compensação  de  que  trata  o  caput  será  efetuada  mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual  constarão  informações  relativas  aos  créditos  utilizados  e  aos  respectivos débitos compensados. (grifei)  Regulamentando tal dispositivo legal, foi editada a Instrução Normativa SRF  nº 210, de 30 de setembro de 2002, a qual, em seu art. 21 e § 1º, reproduzia os ditames acima  transcritos, como se vê a seguir:  Art.  21. O  sujeito passivo que apurar  crédito  relativo a  tributo  ou  contribuição  administrado  pela  SRF,  passível  de  restituição  ou  de  ressarcimento,  poderá  utilizá­lo  na  compensação  de  débitos  próprios,  vencidos  ou  vincendos,  relativos  a  quaisquer  tributos ou contribuições sob administração da SRF.   Fl. 131DF CARF MF Processo nº 13984.000465/2007­61  Acórdão n.º 1003­000.489  S1­C0T3  Fl. 132          4 §  1º A  compensação  de  que  trata  o  caput  será  efetuada  pelo  sujeito  passivo  mediante  o  encaminhamento  à  SRF  da  "Declaração de Compensação" (grifei)  O art. 44 da mesma Instrução Normativa determinava aprovados formulários,  dentre os quais  a  "Declaração de Compensação",  constante do  anexo V da  referida  IN, que  corresponde à versão, à época, do documento utilizado pela contribuinte em 23/04/2007 (folha  04) para efetuar a compensação que aqui se analisa.  Desta  forma,  em  14/02/2003,  a  contribuinte,  se  pretendia  efetuar  a  compensação em tela, deveria ter apresentado Declaração de Compensação à SRF, pois a mera  informação da compensação em DCTF já não constituía meio legalmente hábil para tal.  A  argumentação  acerca  da  retificação  da  DCTF  e  seus  desdobramentos,  portanto, é irrelevante para o deslinde da questão.  No que se refere aos argumentos acerca da utilização dos ditames do art. 6º, §  1º,  inciso  II,  da Lei  nº  9.430/96,  na  redação  original,  anterior  à dada pela Lei  nº  12.844,  de  2013,  para  postergar  o  termo  inicial  da  contagem  do  prazo  da  extinção  direito  de  pleitear  a  restituição  ou  compensação,  cabe  observar  que  tal  dispositivo  não  trata  expressamente  deste  assunto,  o  qual  é  regulado  por  mandamento  hierarquicamente  superior,  contido  Código  Tributário  Nacional  (CTN)  ­  Lei  nº  5.172/1966,  recepcionada  pela  Constituição  Federal  de  1988, como sabido, com eficácia de Lei Complementar.  Assim estabelece o art. 168, inciso I, do CTN:  Art.  168. O  direito  de  pleitear  a  restituição  extingue­se  com  o  decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados:  I  ­  nas  hipótese  dos  incisos  I  e  II  do  artigo  165,  da  data  da  extinção do crédito tributário;(grifei)  O  crédito  correspondente  a  saldo  negativo  de  CSLL  corresponde  a  caso  específico de pagamento de tributo indevido ou maior que o devido, correspondente à hipótese  do mencionado inciso I do art. 165:  Art.  165.  O  sujeito  passivo  tem  direito,  independentemente  de  prévio  protesto,  à  restituição  total  ou  parcial  do  tributo,  seja  qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto  no § 4º do artigo 162, nos seguintes casos:  I  ­  cobrança  ou  pagamento  espontâneo  de  tributo  indevido  ou  maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou  da  natureza  ou  circunstâncias  materiais  do  fato  gerador  efetivamente ocorrido;  Por sua vez, a extinção do crédito tributário é tratada no art. 156 do mesmo  diploma legal, merecendo atenção o disposto em seu inciso VII:  CAPÍTULO IV  Extinção do Crédito Tributário  SEÇÃO I  Fl. 132DF CARF MF Processo nº 13984.000465/2007­61  Acórdão n.º 1003­000.489  S1­C0T3  Fl. 133          5 Modalidades de Extinção  Art. 156. Extinguem o crédito tributário:  (...)  VII  ­ o pagamento antecipado e a homologação do lançamento  nos termos do disposto no artigo 150 e seus §§ 1º e 4º;  (...)  Transcreve­se a seguir o mencionado art. 150:  Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos  tributos  cuja  legislação  atribua  ao  sujeito  passivo  o  dever  de  antecipar  o  pagamento  sem  prévio  exame  da  autoridade  administrativa, opera­se pelo ato em que a referida autoridade,  tomando  conhecimento  da  atividade  assim  exercida  pelo  obrigado, expressamente a homologa.  §  1º  O  pagamento  antecipado  pelo  obrigado  nos  termos  deste  artigo  extingue  o  crédito,  sob  condição  resolutória  da  ulterior  homologação ao lançamento.  §  2º  Não  influem  sobre  a  obrigação  tributária  quaisquer  atos  anteriores  à  homologação,  praticados  pelo  sujeito  passivo  ou  por terceiro, visando à extinção total ou parcial do crédito.  § 3º Os atos a que se refere o parágrafo anterior serão, porém,  considerados na apuração do saldo porventura devido e, sendo o  caso, na imposição de penalidade, ou sua graduação.  § 4º Se a  lei  não fixar prazo a homologação,  será ele de cinco  anos,  a  contar  da  ocorrência  do  fato  gerador;  expirado  esse  prazo  sem  que  a  Fazenda  Pública  se  tenha  pronunciado,  considera­se homologado o lançamento e definitivamente extinto  o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou  simulação.  Observa­se  que,  ao  saldo  negativo  de  IRPJ  ou  CSLL,  por  definição,  não  corresponde qualquer pagamento  a homologar,  o que  remete  ao  caso previsto no § 4º  acima  transcrito, o qual estabelece que a extinção definitiva de  tal  crédito  tributário acontece cinco  anos após a ocorrência do fato gerador. Desta forma, a ocorrência do fato gerador corresponde  ao evento análogo ao pagamento antecipado mencionado no § 1º,  isto é,  extinção do crédito  sob condição resolutória da ulterior homologação ao lançamento.  Assim,  da  mesma  forma  que  o  momento  do  pagamento  antecipado  corresponde à extinção do crédito tributário, sob condição resolutória da ulterior homologação  ao lançamento, também a ocorrência do fato gerador, no caso do saldo negativo, corresponde a  tal  extinção,  e,  portanto,  ao  termo de  início da  contagem do prazo de  extinção do direito de  pleitear a restituição, definido pelo art. 168, inciso I, do CTN, de acordo com o que estabelece  o art. 3º da Lei Complementar nº 118/2005.  No caso em tela, a contagem do prazo do direito de pleitear a restituição do  saldo negativo de CSLL de 2001, portanto, inicia­se em 31 de dezembro do ano­calendário em  Fl. 133DF CARF MF Processo nº 13984.000465/2007­61  Acórdão n.º 1003­000.489  S1­C0T3  Fl. 134          6 questão, data da ocorrência do fato gerador (saldo negativo). O primeiro dia da contagem é 1º  de  janeiro do ano seguinte, 2002, e o último, cinco anos após, 1º de  janeiro de 2007. Tendo  sido  a  Declaração  de  Compensação  e  o  Pedido  de  Restituição  em  questão  apresentados  em  23/04/2007,  encontrava­se  extinto  o  direito  da  interessada  em  pleitear  a  restituição  e  a  compensação em questão.  Pelo exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso.  É como voto.  (assinado digitalmente)  Sérgio Abelson                              Fl. 134DF CARF MF

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Numero do processo: 13727.000131/2006-47
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 28 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Apr 16 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2002 DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. A apresentação de recibos com todos os requisitos cumulativos do RIR, juntamente com a declaração dos profissionais de saúde, dão conta do efetivo pagamento de despesas médicas.
Numero da decisão: 2002-000.927
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, vencida a conselheira Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez que lhe negou provimento. (assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente. (assinado digitalmente) Virgílio Cansino Gil - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil e Thiago Duca Amoni. Ausente a conselheira Mônica Renata Mello Ferreira Stoll.
Nome do relator: VIRGILIO CANSINO GIL

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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento  ao Recurso Voluntário, vencida a conselheira Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly  Montez que lhe negou provimento.    (assinado digitalmente)  Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez ­ Presidente.     (assinado digitalmente)  Virgílio Cansino Gil ­ Relator.    Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cláudia Cristina Noira  Passos  da  Costa  Develly Montez  (Presidente),  Virgílio  Cansino Gil  e  Thiago Duca Amoni.  Ausente a conselheira Mônica Renata Mello Ferreira Stoll.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 72 7. 00 01 31 /2 00 6- 47 Fl. 184DF CARF MF Processo nº 13727.000131/2006­47  Acórdão n.º 2002­000.927  S2­C0T2  Fl. 3          2   Relatório  Trata­se  de  Recurso  Voluntário  (fls.  175/182)  contra  decisão  de  primeira  instância (fls. 163/169), que julgou improcedente a impugnação do sujeito passivo.  Em razão da riqueza de detalhes, adoto o relatório da r. DRJ, que assim diz:    O presente processo trata de exigência constante de Auto­ de­infração  relativa  ao  Imposto  de  Renda  Pessoa  Física  Exercício  2003,  ano­calendário  2002,  na  qual  se  apurou  crédito  tributário  no  valor  de R$  6.381,92.  Segundo  Relatório  de  Descrição  de  Fatos  e  Enquadramento Legal de fl 143, foram glosadas as deduções indevidamente  realizadas a título de despesas médicas, tendo em vista a não comprovação  do efetivo pagamento das mesmas.  Cientificado  da  autuação  em  22/05/2006,  conforme  documento de fl 10, o contribuinte apresentou impugnação administrativa ao  lançamento fiscal em 14/06/2006 (fls 01/05), discordando da glosa efetuada,  alegando, em síntese que:  ­  os  recibos  apresentados  são  idôneos  e  suficientes  para  comprovar  as  despesas  declaradas,  tendo  os  prestadores  de  serviço  declarado  que  receberam  os  pagamentos  informados  pelo  contribuinte  em  dinheiro;  ­  Além  disso,  informa  que  não  há  nada  que  o  obrigue  a  comprovar  a  saída  dos  valores  pagos  em  extratos  ou  cópias  de  cheques,  tendo em vista que o dinheiro já se encontrava em seu poder nas datas dos  pagamentos,  não  havendo  razão  para  depositar  os  valores  para,  posteriormente,  sacar  ou  emitir  cheques  e  fazer  pagamentos,  procedimento  este  que  geraria  o  desnecessário  encargo  da  CPMF.  Apresenta  jurisprudência administrativa sobre a matéria;  ­  Por  fim,  requer  o  cancelamento  do  débito  referente  ao  imposto  apurado  e  o  conseqüente  arquivamento  do  presente  Auto­de­ infração.    O  resumo  da  decisão  revisanda  está  condensado  na  seguinte  ementa  do  julgamento:    DEDUÇÕES.  DESPESAS  MÉDICAS.  EFETIVO  PAGAMENTO.  FALTA DE COMPROVAÇÃO.  Havendo  questionamento  da  autoridade  fiscal,  as  despesas  médicas  somente  serão  dedutíveis  dos  rendimentos  do  contribuinte  quando  Fl. 185DF CARF MF Processo nº 13727.000131/2006­47  Acórdão n.º 2002­000.927  S2­C0T2  Fl. 4          3 comprovada a efetiva prestação dos serviços declarados e a vinculação  de seus respectivos pagamentos.  DECISÕES ADMINISTRATIVAS. EFEITOS.  As  decisões  administrativas  proferidas  pelo  Conselho  Administrativo  de  Recursos  Fiscais  não  se  constituem  normas  gerais  de  Direito  Tributário,  razão  pela  qual  seus  julgados  não  se  aproveitam  em  relação  a  qualquer  outra  ocorrência,  senão  aquelas  objeto  das  respectivas decisões.    Inconformado,  o  contribuinte  apresentou  Recurso Voluntário,  reiterando  as  alegações da impugnação.  É o relatório. Passo ao voto.  Voto             Conselheiro Virgílio Cansino Gil ­ Relator  Recurso Voluntário aviado a modo e tempo, portanto dele conheço.  O contribuinte  foi cientificado em 04/08/2009 (fl. 174); Recurso Voluntário  protocolado em 25/08/2009 (fl. 175), assinado pelo próprio contribuinte.  Responde o contribuinte nestes autos, pela seguinte infração:  a) Dedução Indevida de Despesas Médicas.  Relata o Sr. AFR, “Dedução indevida a título de despesas médicas por não  comprovação do efetivo pagamento das mesmas”. (fl. 157)  Quanto ao profissional Dr. Fernando Coelho Machado, a declaração de fl. 10,  juntamente com os recibos de fls. 49/54, e quanto a profissional Dra. Denise Ferreira Pessoa, a  declaração de fl. 11,  juntamente com os recibos de fls. 60/62 e resposta à  intimação da RFB  para prestar esclarecimentos (fls. 78/82), são suficientes para comprovar o efetivo pagamento  da despesas médicas glosadas. Registre­se, por relevante, que os recibos estão de acordo com o  inciso III, do § 1º, do artigo 73 do Decreto nº 9.580/2018.   Isto posto, e pelo que mais consta dos autos, conheço do Recurso Voluntário,  e no mérito dá­se provimento para excluir a glosa com despesas médicas.  É como voto.  (assinado digitalmente)  Virgílio Cansino Gil              Fl. 186DF CARF MF

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