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Numero do processo: 10830.014682/2010-07
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 17 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Jul 29 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2008
IRPF. ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE. COMPLEMENTAÇÃO DE APOSENTADORIA. NATUREZA COMPROVADA. BENEFÍCIO EM PAGAMENTO ÚNICO. CABIMENTO. INCIDÊNCIA DO IMPOSTO SOBRE SALÁRIOS.
São isentos do imposto de renda os rendimentos de pensão, aposentadoria e complementação de aposentadoria percebidos pelos portadores de moléstia grave descrita no inciso XIV do art. 6º da lei 7.713/1988, quando a patologia for comprovada, mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estado, do Distrito Federal ou dos Municípios. Não perde a natureza de complementação de aposentadoria o benefício do Plano de Aposentadoria Complementar entregue em pagamento único. Por outro lado, não se reconhece isenção sobre rendimentos recebidos sem que seja comprovada com documentação hábil e idônea a natureza de pensão, aposentadoria ou sua complementação.
Recurso provido em parte
Numero da decisão: 2802-002.427
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para excluir dos rendimentos tributáveis o valor de R$954.942,45 (novecentos e cinqüenta e quatro mil, novecentos e quarenta e dois reais e quarenta e cinco centavos) pagos por HSBC Fundo de Pensão, nos termos do voto do relator.
(Assinado digitalmente)
Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente e Relator.
EDITADO EM: 18/07/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), German Alejandro San Martín Fernández, Jaci de Assis Junior, Carlos Andre Ribas De Mello, Dayse Fernandes Leite e Julianna Bandeira Toscano.
Nome do relator: JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2008 IRPF. ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE. COMPLEMENTAÇÃO DE APOSENTADORIA. NATUREZA COMPROVADA. BENEFÍCIO EM PAGAMENTO ÚNICO. CABIMENTO. INCIDÊNCIA DO IMPOSTO SOBRE SALÁRIOS. São isentos do imposto de renda os rendimentos de pensão, aposentadoria e complementação de aposentadoria percebidos pelos portadores de moléstia grave descrita no inciso XIV do art. 6º da lei 7.713/1988, quando a patologia for comprovada, mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estado, do Distrito Federal ou dos Municípios. Não perde a natureza de complementação de aposentadoria o benefício do Plano de Aposentadoria Complementar entregue em pagamento único. Por outro lado, não se reconhece isenção sobre rendimentos recebidos sem que seja comprovada com documentação hábil e idônea a natureza de pensão, aposentadoria ou sua complementação. Recurso provido em parte
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ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE. COMPLEMENTAÇÃO DE APOSENTADORIA. NATUREZA COMPROVADA. BENEFÍCIO EM PAGAMENTO ÚNICO. CABIMENTO. INCIDÊNCIA DO IMPOSTO SOBRE SALÁRIOS. São isentos do imposto de renda os rendimentos de pensão, aposentadoria e complementação de aposentadoria percebidos pelos portadores de moléstia grave descrita no inciso XIV do art. 6º da lei 7.713/1988, quando a patologia for comprovada, mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estado, do Distrito Federal ou dos Municípios. Não perde a natureza de complementação de aposentadoria o benefício do Plano de Aposentadoria Complementar entregue em pagamento único. Por outro lado, não se reconhece isenção sobre rendimentos recebidos sem que seja comprovada com documentação hábil e idônea a natureza de pensão, aposentadoria ou sua complementação. Recurso provido em parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para excluir dos rendimentos tributáveis o valor de R$954.942,45 (novecentos e cinqüenta e quatro mil, novecentos e quarenta e dois reais e quarenta e cinco centavos) pagos por HSBC Fundo de Pensão, nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso – Presidente e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 01 46 82 /2 01 0- 07 Fl. 269DF CARF MF Impresso em 29/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 18 /07/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 2 EDITADO EM: 18/07/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), German Alejandro San Martín Fernández, Jaci de Assis Junior, Carlos Andre Ribas De Mello, Dayse Fernandes Leite e Julianna Bandeira Toscano. Relatório Tratase de lançamento de Imposto de Renda de Pessoa Física do exercício 2008, anocalendário 2007, por ter sido constatada omissão de rendimentos no valor total de R$954.942,45, montante referente a soma de três fontes pagadoras, a saber: a) HSBC Fundo de Pensão: R$904.029,15; b) INSS: 14.582,60; c) Johnson & Johnson Sociedade Previdenciária: R$36.350,70 A autoridade fiscal registro na notificação de lançamento que o contribuinte pleiteou isenção prevista no inciso XIV do art. 6º da Lei 7.713/1988, porém não apresentou o Laudo Pericial exigido pelo art. 30 da Lei 9.250/1995, que fora exigido por meio de Termo de Verificação Fiscal nº 412/2010. O lançamento implicou redução do valor a restituir que fora declarado, de R$250.543,57 para R$7.905,43. Em síntese, na impugnação alegou que os rendimentos são aposentadoria e complementação de aposentadoria, que comprovou, por meio de laudo emitido em 28/12/2009 por médico de Unidade Básica de Saúde da Prefeitura Municipal de Valinhos, sofrer de Mal de Parkinson desde dezembro de 2006 e que a notificação era omissa quanto a exigir qualquer documento cuja não apresentação tenha gerado o indeferimento da isenção, indicou precedente e apresentou laudo emitido em 12/08/2010 em formulário próprio da Receita Federal, que a retificação da declaração decorreu de orientação da Receita Federal (art. 9º da IN SRF 600/2005). Em primeira instância foi reconhecida a isenção sobre os proventos de aposentadoria pagos pelo INSS, por outro lado, foi indeferida a isenção quanto aos demais rendimentos, posto que (a) os valores pagos por HSBC Fundo de Pensão (fls. 25 e 62) e Pagamento de Benefício (fls. 26) não são complemento de aposentadoria e sim resgate total ou parcial de contribuições efetuadas às entidades de previdência privada; e (b) os rendimentos auferidos de Johnson & Johnson tem natureza salarial (fls. 33 e 61), pois não foi inequivocamente demonstrado ser complemento de aposentadoria. Em resumo, a citada decisão fundamentouse no inciso I do art. 111 do CTN e no entendimento de que um dos requisitos da isenção em foco é que os rendimentos sejam proventos de aposentadoria ou complementação ou pensão. Ciente da decisão de primeira instância em 30/08/2011, o recorrente apresentou recurso voluntário em 13/09/2011, no qual sustenta que os rendimentos pagos por Fl. 270DF CARF MF Impresso em 29/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 18 /07/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10830.014682/201007 Acórdão n.º 2802002.427 S2TE02 Fl. 264 3 HSBC Fundo de Pensão e Johnson & Johnson são complementação de aposentadoria, isentos porque o recorrente já era aposentado e portador de Mal de Parkinson. O recorrente discorre sobre sua condição de aposentado e sobre a natureza da complementação de aposentadoria que não é desnaturada por ser paga em parcela única, argumenta que suas alegações são comprovadas pelos comprovantes de rendimentos e regulamentos dos Planos de Previdência Complementar que apresenta, indica precedentes e Soluções de Consulta da Receita Federal que operam em favor de seu entendimento. Requer que as futuras intimações sejam feitas também em nome dos procuradores e prioridade de tramitação do processo com amparo no Estatuto do Idoso. Processo distribuído a este relator durante sessão de julgamento de maio de 2013 e incluído em sessão de julgamento em julho de 2013. É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Claudio Duarte Cardoso, Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, dele devese tomar conhecimento. As intimações devem ser realizadas nos termos do art. 23 do Decreto n°70.235/1972. Não há previsão legal para intimação aos procuradores. Pleito indeferido. Discutese se rendimentos do recorrente são complementação de aposentadoria que seriam isentos em razão da existência de Doença de Parkinson, já tendo sido reconhecida em primeira instancia a prova da referida moléstia e a condição de aposentado pelo Regime Geral de Previdência Social. Não se discute a isenção sobre a complementação de aposentadoria, em tese, e sim a natureza dos rendimentos auferidos. Anotese que a isenção sobre a complementação de aposentadoria é expressamente reconhecida pela Receita Federal por meio do Ato Declaratório Normativo Cosit n° 10, de 16 de maio de 1996. Ato Declaratório Normativo COORDENADORGERAL DO SISTEMA DE TRIBUTAÇÃO COSIT nº 10 de 16.05.1996 D.O.U.: 20.05.1996 O COORDENADORGERAL DO SISTEMA DE TRIBUTAÇÃO, no uso de suas atribuições, e tendo em vista dúvidas suscitadas sobre a interpretação e aplicação do disposto no art. 5º , incisos XII e XXXV, e §§ 2º e 3º, da Instrução Normativa SRF nº 025/96, e no Ato Declaratório (Normativo) COSIT nº 33/93, Declara, em Fl. 271DF CARF MF Impresso em 29/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 18 /07/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 4 caráter normativo, às Superintendências Regionais da Receita Federal e aos demais interessados, que: (...) II é também isenta a complementação de pensão, paga por entidade de previdência privada, a beneficiário portador das doenças relacionadas no mencionado inciso XII, exceto as decorrentes de moléstia profissional. É a mesma disciplina dada pelo §4º do inciso XII do art. 5º da Instrução Normativa SRF n° 15, de 6 de fevereiro de 2001. O recorrente junta o Plano de Benefícios e a Cartilha correspondente do HSBC Fundo de Pensão, cuja patrocinadora é Lucent Tchnologies, para esclarecer que o pagamento que recebeu é complementação de aposentadoria, tal como definido no Plano, não perdendo essa natureza em razão de ser um pagamento único. De fato, são benefícios do Plano de Previdência complementar em questão, não somente os Benefícios de Aposentadoria Normal, como também a Aposentadoria Antecipada, entre outros. O recorrente era aposentado pelo INSS e recebeu do Fundo de Pensão o benefício denominado Aposentadoria Antecipada, que prevê a possibilidade do pagamento único, além de ter entre seus requisitos de elegibilidade: elegibilidade à aposentadoria pela Previdência Social, idade mínima e tempo mínimo de contribuição. Não há razão para supor que foi um resgate das contribuições ao plano de aposentadoria complementar. Essas conclusões podem ser colhidas da análise sobretudo dos documentos de fls. 105/107, fls. 182/183 e dos comprovantes de rendimentos citados no acórdão recorrido, de forma que fica comprovada a natureza de complementação de aposentadoria e, conseqüentemente, deve ser reconhecida a isenção. Quanto ao pagamento recebido de Johnson & Johnson, o comprovante de rendimentos indica “natureza dos rendimentos – salário” (fls. 61). A juntada do Regulamento do Plano de Previdência não permite concluir que o valor recebido seja benefício do plano de aposentadoria, de forma que, relativamente a esses rendimentos, a IN Conjunta SRF/SPC/SUSEP nº 589/2005, os precedentes e as soluções de consulta indicados não são se aplicam. Igualmente, carta referente a anocalendário posterior (doc. 3; fls. 234) não é apta a comprovar que os rendimentos objeto destes autos foram complementação de aposentadoria, notadamente quando aquele comprovante inclui rendimentos tributáveis, além dos isentos, e também se refere a rendimentos do trabalho assalariado. Com acerto o acórdão recorrido apontou que não basta comprovar que a Johnson & Johnson Sociedade Previdenciária Ltda é entidade de Previdência Complementar. Não se trata de prova inconcebível como sugere a indagação do recorrente. Ressaltase que no caso do pagamento feito pelo HSBC Fundo de Pensão o comprovante de rendimentos indicou “Aposentadoria Antecipada”, uma das modalidades de benefício do Plano, Fl. 272DF CARF MF Impresso em 29/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 18 /07/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10830.014682/201007 Acórdão n.º 2802002.427 S2TE02 Fl. 265 5 ao passo que o comprovante emitido por Johnson & Johnson Sociedade Previdenciária Ltda indica algo completamente diverso: Salário. O que o recorrente denominou de doc. 04 – decisão da DRF Campinas referente ao exercício 2010, anocalendário 2009 (fls. 236/239) é composto de Termo de Ciência Fiscal que exige prova de que os pagamentos de Johnson & Johnson Sociedade Previdenciária Ltda são complementação de aposentadoria, 1ª folha da respectiva resposta do contribuinte e notificação de compensação de ofício. Não há a alegada decisão da DRF que o recorrente alega lhe favorecer. Ademais, neste ponto, a prova em relação a rendimentos de outros exercícios não seria suficiente, sobretudo quando posteriores ao dos autos. Não merece reparo o acórdão recorrido quanto aos rendimentos recebidos de Johnson & Johnson Sociedade Previdenciária Ltda. Desta forma, cabe DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para excluir dos rendimentos tributáveis o valor de R$954.942,45 (novecentos e cinqüenta e quatro mil, novecentos e quarenta e dois reais e quarenta e cinco centavos) pagos por HSBC Fundo de Pensão. (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso Fl. 273DF CARF MF Impresso em 29/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 18 /07/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
score : 1.0
Numero do processo: 13971.720016/2008-62
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 23 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Jul 10 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006
PROVA DOCUMENTAL. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. PRECLUSÃO TEMPORAL.
A prova documental deverá ser apresentada com a manifestação de inconformidade, sob pena de ocorrer a preclusão temporal. Não restou caracterizada nenhuma das exceções do § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235/72 (PAF).
DILIGÊNCIAS. COMPROVAÇÃO DAS DESPESAS DE FRETE. INDEFERIMENTO.
Indefere-se a diligência requerida com o intuito de verificar a comprovação das despesas de frete, visto que o ônus da prova do direito creditório é do sujeito passivo e não da Fazenda Nacional.
CRÉDITOS DA NÃO-CUMULATIVIDADE. CONCEITO DE INSUMOS.
Não geram direito a créditos a serem descontados da Cofins os gastos de produção que não aplicados ou consumidos diretamente no processo fabril, vez que não se enquadram no conceito de insumos.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3801-001.884
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado: I - por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso quanto às glosas decorrentes de créditos decorrentes de despesa com transporte rodoviário de cargas. II - Pelo voto de qualidade em negar provimento ao recurso em relação ao direito de descontar créditos em relação aos serviços não especificados (CFOP 1.949 e 2.949). Vencidos os Conselheiros Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, José Luiz Feistauer de Oliveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: FLAVIO DE CASTRO PONTES
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006 PROVA DOCUMENTAL. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. PRECLUSÃO TEMPORAL. A prova documental deverá ser apresentada com a manifestação de inconformidade, sob pena de ocorrer a preclusão temporal. Não restou caracterizada nenhuma das exceções do § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235/72 (PAF). DILIGÊNCIAS. COMPROVAÇÃO DAS DESPESAS DE FRETE. INDEFERIMENTO. Indefere-se a diligência requerida com o intuito de verificar a comprovação das despesas de frete, visto que o ônus da prova do direito creditório é do sujeito passivo e não da Fazenda Nacional. CRÉDITOS DA NÃO-CUMULATIVIDADE. CONCEITO DE INSUMOS. Não geram direito a créditos a serem descontados da Cofins os gastos de produção que não aplicados ou consumidos diretamente no processo fabril, vez que não se enquadram no conceito de insumos. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado: I - por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso quanto às glosas decorrentes de créditos decorrentes de despesa com transporte rodoviário de cargas. II - Pelo voto de qualidade em negar provimento ao recurso em relação ao direito de descontar créditos em relação aos serviços não especificados (CFOP 1.949 e 2.949). Vencidos os Conselheiros Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, José Luiz Feistauer de Oliveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
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MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. PRECLUSÃO TEMPORAL. A prova documental deverá ser apresentada com a manifestação de inconformidade, sob pena de ocorrer a preclusão temporal. Não restou caracterizada nenhuma das exceções do § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235/72 (PAF). DILIGÊNCIAS. COMPROVAÇÃO DAS DESPESAS DE FRETE. INDEFERIMENTO. Indeferese a diligência requerida com o intuito de verificar a comprovação das despesas de frete, visto que o ônus da prova do direito creditório é do sujeito passivo e não da Fazenda Nacional. CRÉDITOS DA NÃOCUMULATIVIDADE. CONCEITO DE INSUMOS. Não geram direito a créditos a serem descontados da Cofins os gastos de produção que não aplicados ou consumidos diretamente no processo fabril, vez que não se enquadram no conceito de insumos. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado: I por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso quanto às glosas decorrentes de créditos decorrentes de despesa com transporte rodoviário de cargas. II Pelo voto de qualidade em negar provimento ao recurso em relação ao direito de descontar créditos em relação aos serviços não especificados (CFOP 1.949 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 72 00 16 /2 00 8- 62 Fl. 815DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 09/07/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13971.720016/200862 Acórdão n.º 3801001.884 S3TE01 Fl. 11 2 e 2.949). Vencidos os Conselheiros Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, José Luiz Feistauer de Oliveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. Fl. 816DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 09/07/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13971.720016/200862 Acórdão n.º 3801001.884 S3TE01 Fl. 12 3 Relatório Adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que narra bem os fatos: Trata o presente processo de Pedido de Ressarcimento de créditos da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins, nãocumulativa, que remanesceram ao final do segundo trimestre de 2006. Na apreciação do pleito, manifestouse a Delegacia da Receita Federal em Blumenau/SC pelo seu deferimento parcial, fazendo o com base no não acatamento da apuração de créditos em relação às seguintes operações: a) devolução de produtos que seriam utilizados como insumo: Relata, a autoridade fiscal, que constatou por meio da análise do arquivo digital das notas fiscais de saída e da memória de cálculo (fl. 63), na qual a contribuinte declara os CFOP utilizados para a quantificação dos créditos da linha dois do DACON, que a mesmo não excluiu, da base de cálculo do crédito apurado, a totalidade das devoluções de bens que seriam utilizados no processo produtivo. Conclui que a diferença de R$ 17.033,23, apurada em relação aos valores dos registros com CFOP 5.201 e 6.201, foi reduzida da base de cálculo. b) referentes a serviços utilizados como insumo: b.1) serviços de transporte rodoviário de cargas na aquisição de insumos: relata a autoridade fiscal que o preenchimento de parcela relevante dos Conhecimentos de Transporte Rodoviário de Cargas (CTRC) não foi efetuado em conformidade com o exigido pela legislação do ICMS. Aponta como principais irregularidades: a emissão do CTRC posteriormente à prestação do serviço; o valor da nota fiscal informada no CTRC inferior ao nele informado; notas fiscais informadas nos CTRC não registradas no Livro de Registro de Entrada. Acrescenta que os “serviços de transporte muitas vezes superam o valor da própria mercadoria transportada e que as distâncias percorridas entre a origem e o destino não são compatíveis com os valores médios de frete praticados no mercado”. Conclui que “em função das deficiências encontradas a aferição da idoneidade dos documentos fica completamente prejudicada” b.2) serviços não especificados: foram glosados os serviços em relação aos quais a interessa, instada a apresentar a memória de cálculo para os créditos referente a linha três (Serviços Utilizados com Insumo), informou utilizar os CFOP 1.949 (Outra entrada de mercadoria ou prestação de serviço não especificada). Observa que enquanto o montante informado das operações com esse CFOP, para fins de creditamento, é de R$ 402.283,66, no RAIP e no RLE é de apenas R$ 18.125,72, sendo que “nenhuma das Fl. 817DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 09/07/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13971.720016/200862 Acórdão n.º 3801001.884 S3TE01 Fl. 13 4 entradas do LRE solicita crédito de PIS e/ou COFINS". Acrescenta que efetuouse a glosa da totalidade do valor solicitado considerando que 95% deste não encontra respaldo na escrita fiscal e que entradas com o CFOP 1.949, “por referirse a outras entradas não previstas nos demais códigos, a princípio, não correspondem a bens e serviços utilizados como insumo”; c) energia elétrica: foram glosados os valores incluídos nas faturas, e no cômputo do crédito, que não são passíveis do desconto legalmente previsto, quais sejam os valores referentes às doações ao Hospital Annegret Neitzke e ao pagamento de juros e multa de mora e correção monetária decorrentes de pagamentos extemporâneos; d) alugueis de prédios: foi glosado o valor indicado no contrato de locação como despesa de energia elétrica, por não integrar tal despesa o valor do aluguel contratado; e) locação de máquinas e equipamentos: a autoridade fiscal glosou os valores referentes às despesas com locação de caminhões e carrocerias reboques, de propriedade da empresa controladora, Rohden Artefatos de Madeiras Ltda., pois, de acordo com a NCM, “caminhão é espécie do gênero veículo e não do gênero máquina”; Cientificada do Despacho Decisório, a contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade com as alegações que seguem. Inicialmente, a contribuinte contesta a glosa dos valores referentes às devoluções de bens que seriam utilizados como insumo, alegando que “está habilitada a comprar insumos com suspensão – e estes não geram direito de crédito – a eventual devolução não pode ser deduzida da base de cálculo, como ocorreu no caso”. Explica que considerou na devolução apenas o que não era suspensão, conforme fazem prova as notas fiscais de aquisição de números 210, 298042 e as respectivas notas de devolução números 19722 e 20403. Quanto aos serviços de transporte rodoviário de cargas na aquisição de insumos, a contribuinte alega que não existem os supostos “vícios formais” a ensejar a glosa referente aos fretes das aquisições de insumos mas, quando muito, meras irregularidades. Explica: que diariamente contratava fretes de terceiras pessoas as quais transportavam madeira bruta das florestas até seu estabelecimento; que tais serviços eram realizados por pessoas humildes que, muitas vezes, ao invés de emitirem uma nota fiscal (conhecimento de frete) para cada operação de transporte, emitiam uma nota fiscal conjunta com a totalidade dos serviços prestados em determinado período. Argumenta que a referida falha não prejudicou o fisco pois não houve omissão dos valores referentes aos fretes e não impediu que a empresa transportadora recolhesse PIS e COFINS sobre esses valores. Ao final pugna que “caso se entenda que não tem como auferir os valores a serem ressarcidos, que se determine o retorno dos autos à DRF em Blumenau para análise do crédito”. Fl. 818DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 09/07/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13971.720016/200862 Acórdão n.º 3801001.884 S3TE01 Fl. 14 5 Por fim, a contribuinte manifestase contra as glosas das aquisições de serviços não especificados, argumentando que os valores das entradas com CFOP 1.949 foram incluídos corretamente na apuração do crédito, vez que se tratam de importâncias relativas a serviços de pessoa jurídica utilizados na extração de madeira e manutenção de máquinas, cujo direito ao crédito está previsto no art. 3o, II, da Lei 10.833/2003. Alega que, com o mesmo CFOP existem entradas com direito ao crédito e outras sem, e que a Autoridade Administrativa, antes de glosar todos os valores pleiteados, deveria ter intimado a recorrente para prestar as informações necessárias; desta feita, anexa aos autos as notas fiscais que diz comprovarem o direito pleiteado. A DRJ em Florianópolis (SC) julgou procedente em parte a manifestação de inconformidade, nos termos da ementa abaixo transcrita: PEDIDOS DE RESTITUIÇÃO, COMPENSAÇÃO OU RESSARCIMENTO. COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA A CARGO DO CONTRIBUINTE No âmbito específico dos pedidos de restituição, compensação ou ressarcimento, é ônus do contribuinte/pleiteante a comprovação minudente da existência do direito creditório. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2006 REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. DESPESAS COM SERVIÇOS. CONDIÇÕES DE CREDITAMENTO. Dão direito a crédito, no âmbito do regime da não cumulatividade, custos e despesas com bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. Discordando da decisão de primeira instância, a recorrente interpôs recurso voluntário, instruído com diversos documentos, cujo teor é sintetizado a seguir. Em breve arrazoado, inicialmente, descreve os fatos argumentando que merece reforma a decisão recorrida. Com relação ao ônus da prova, entende a recorrente que a regra de quem alega deve provar não é absoluta, pois vige para o Fisco o princípio da busca pela verdade material buscando a satisfação do interesse público, que é corolário do princípio da legalidade. Sustenta que se falhou na comprovação dos fatos que a autoridade reputa pertinente, deverá remeter os autos a quem tem competência para novamente instruílo, elencando objetivamente o que precisa ser demonstrado. Conclui este tópico com a afirmação de que a autoridade administrativa não pode indeferir requerimento efetuado pelo contribuinte sob o argumento de que o mesmo não logrou êxito na comprovação de seu direito. Fl. 819DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 09/07/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13971.720016/200862 Acórdão n.º 3801001.884 S3TE01 Fl. 15 6 No que tange a glosa da despesa com frete na aquisição de insumos (CFOP 1352), argumenta que nos termos do art. 3º, inciso II, da Lei nº 10.833/03, o serviço que for utilizado como insumo possibilita à pessoa jurídica a realização de um desconto tributável. Neste sentido, o frete, como elemento necessário a chegada do insumo no estabelecimento fabril, também pode ser enquadrado como insumo. Alega que o frete encaixase facilmente no conceito de insumo, haja vista que o mesmo é necessário a chegada da matériaprima ao estabelecimento fabril, ou seja, este item configura um serviço aplicado na fabricação do bem destinado a venda. Cita Solução de Consulta. Defende a tese de que se os conhecimentos se prestaram para o reconhecimento da dívida de PIS e Cofins, cujo valor foi recolhido, é evidente que os mesmos se prestarão para o reconhecimento dos créditos. Afirma que não é cabível o entendimento de que os elementos intrínsecos aos conhecimentos de transporte não estavam postos a evidência no presente caso. Se a autoridade julgadora sente falta de elementos probatórios nos autos, deve instruir o feito, de modo a sanar suas dúvidas. Destaca que o fato de os transportes se referirem, em parte, a produtos adquiridos de pessoas físicas, não tem o condão de limitar ou excluir a possibilidade da percepção de créditos. Esclarece que não são as pessoas físicas que fazem o transporte e sim as pessoas jurídicas, situação que é apta a ensejar o crédito. Menciona que a situação de parte da mercadoria ter sido remetida com referência “a pagar” em nada altera a relação jurídica existente, pois quem sofreu o ônus da exação tributária merece ter o crédito repetido. No que se refere as glosas dos serviços não especificados (CFOP 1949 e 2949) por não se enquadrem no conceito de insumos, argumenta, com base em doutrina, que o conceito legal de insumos é muito mais amplo que o de matériasprimas, de produtos intermediários ou de materiais de embalagem. Defende a tese de que caracteriza insumo toda e qualquer despesa e investimento que contribui para um resultado ou para a obtenção de uma mercadoria ou produto até o consumo final, ou seja, insumo é o conjunto de fatores necessários para que a empresa desenvolva sua atividade. Discorda da tese do acórdão recorrido de que o serviço de extração de madeira é etapa anterior ao processo produtivo, pois o corte da madeira é efetuado com base nas exigências feitas pela recorrente. Alega que a matériaprima não é encontrada em qualquer lugar, uma vez que precisa ser tratada como exige a fabricação dos artefatos de madeira. Assim, a partir do momento em que a árvore está sendo cortada já se iniciou o processo produtivo da empresa. Afirma que a empresa não adquire seu produto de madeireiras ou similares, visto que compra diretamente na terra, de forma que não há intermediação entre o momento em que a árvore é extraída da terra e a hora em que é cortada na serraria da recorrente. Seu processo industrial começa já no momento em que seus prestadores de serviços se dirigem até a localidade onde estão as árvores e realizam o corte da forma exigida pela recorrente. Fl. 820DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 09/07/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13971.720016/200862 Acórdão n.º 3801001.884 S3TE01 Fl. 16 7 A recorrente discorda das glosas relativas às despesas com serviços de reparos de máquinas, pois essas despesas se enquadram no conceito de insumo. Alega que os bens adquiridos pela recorrente não fazem parte de seu ativo imobilizado, mas apenas são utilizados para reposição e manutenção de seus veículos e maquinário utilizados na produção. Cita Soluções de Consulta sobre o tema. Por fim, requer o recebimento e apreciação de seu recurso voluntário para o efeito de reconhecer o direito da recorrente de ressarcirse dos créditos da contribuição Cofins, relativos ao 3º trimestre do ano de 2006, no que toca as despesas realizadas com (i) frete na aquisição (ii) serviços de exploração de florestas e manutenção de máquinas. É o relatório. Fl. 821DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 09/07/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13971.720016/200862 Acórdão n.º 3801001.884 S3TE01 Fl. 17 8 Voto Conselheiro Flávio de Castro Pontes O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto dele tomase conhecimento. As matérias serão enfrentadas em tópicos específicos, em consonância com as alegações da requerente no recurso voluntário. 1 – Glosa de créditos decorrentes de despesa com transporte rodoviário de cargas (CFOP 1.352) A recorrente insurgiuse parcialmente contra a glosa dos créditos decorrentes de despesas de fretes nas aquisições de produtos (CFOP 1.352). Ao contrário do alegado, a decisão de primeira instância reconheceu que a recorrente pode descontar créditos em relação as despesas de fretes nas aquisições de produtos, todavia tem que comprovar a natureza das operações e a sua efetiva realização. Assim, a discussão limitase a aferição da força probante dos Conhecimentos de Transporte Rodoviário de Cargas (CTRC), como bem colocado pela decisão de primeira instância. Sobre essa matéria, a autoridade fiscal após exame dos CTRC relatou: Evidenciouse, por meio da análise dos arquivos digitais e da conferência física das notas fiscais, que a grande maioria dos CTRC (Conhecimentos de Transporte Rodoviário de Cargas) padece dos requisitos formais exigidos pelo regulamento do ICMS a que se sujeita a requerente (RICMS/SC 2001, Anexo V, artigos 63 a 71). Dentre as principais irregularidades destacamse: a) A emissão do CTRC posteriormente à prestação do serviço de transporte o que é expressamente vedado pelo art. 65 do RICMS/SC e que a nota fiscal informada no CTRC é de valor inferior ao nele informado. São alguns exemplos desses fatos as cópias dos CTRC anexas aos autos às fls. 385 a 390; b) Muitas das notas fiscais informadas nos CRTC não estão registradas no Livro Registro de Entrada, ou seja, a nota fiscal informada no CTRC não figura nos registros fiscais e/ou contábeis da requerente. São exemplos os CTRC juntados ao processo às fls. 408 a 410 e 412 a 415; Constatouse que os problemas no preenchimento dos CRTC ocorreram exclusivamente com os transportadores locais ou de cidades limítrofes à sede da requerente. Importante nesse momento o registro de que tais serviços de transporte muitas vezes superam o valor da própria mercadoria transportada e que as distâncias percorridas entre a origem e o destino não são compatíveis com os valores médios de frete praticados no Fl. 822DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 09/07/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13971.720016/200862 Acórdão n.º 3801001.884 S3TE01 Fl. 18 9 mercado. Tomemos como exemplo o CTRC juntado aos autos à fl. 385 que percorreu uma distância inferior a 50km entre a origem no município de Otacílio Costa e o destino no município de Pouso Redondo, segundo o sítio http://wvvrw.mapainterativo.ciasc.gov.br/tabeladistancias.php, e custou à requerente R$ 6.209,49 (seis mil duzentos e nove reais e quarenta e nove centavos). A tese da recorrente, de que se falhou na comprovação dos fatos, a autoridade julgadora deverá converter o processo em diligência para novamente instruílo, não merece prosperar. O § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235, de 1972, estabelece que a prova documental tem que ser apresentada na impugnação, salvo os casos expressos abaixo mencionados: § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Assim sendo, a lei estabelece o momento de apresentação da prova documental, qual seja, a interposição da manifestação de inconformidade. In casu, a recorrente não alegou uma das exceções do aludido dispositivo, portanto precluiu o seu direito de produção de prova documental. A propósito, Maria Teresa Martinez López e Marcela Cheffer Bianchini no artigo Aspectos Polêmicos sobre o Momento de Apresentação da Prova no Processo Administrativo Fiscal Federal em A Prova no Processo Tributário – São Paulo: Dialética, 2010, p. 51, esclarecem: (...) O devido processo legal manifesta princípios outros além do da verdade material. O processo requer andamento, desenvolvimento, marcha e conclusão. A segurança e a observância das regras previamente estabelecidas para a solução das lides constituem valores igualmente relevantes no processo. E, neste contexto, o instituto da preclusão passa a ser figura indispensável ao devido processo legal, e de modo algum se revela incompatível com o Estado de Direito ou com o direito de ampla defesa ou com a busca pela verdade material. O artigo 16 do PAF, em seu parágrafo 4º, estabelece limitações à atividade probatória do administrado ao determinar que a prova documental deve ser apresentada com a impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento Fl. 823DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 09/07/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13971.720016/200862 Acórdão n.º 3801001.884 S3TE01 Fl. 19 10 processual, a menos que restar demonstrada a impossibilidade de sua apresentação por motivo de força maior ou referirse a fato ou direito superveniente.(grifouse) Por seu turno, o art. 333 do Código de Processo Civil preceitua que o ônus da prova incumbe ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito. Ora, tendo alegado que efetivamente as despesas de frete foram realizadas e pagas, a recorrente tinha por obrigação legal de juntar aos autos administrativos os respectivos documentos comprobatórios que sustentariam seu direito. Assim sendo, os CTRC questionados não são hábeis e idôneos para o reconhecimento da legitimidade dos créditos da Cofins. De modo que é inaceitável a forma suscitada pela recorrente de conversão em diligência para a comprovação dos pretensos créditos. Nessa esteira, é sobremodo assinalar que deve ser indeferida a diligência requerida com o intuito de verificar a comprovação das demais despesas de frete, uma vez, como visto, o ônus da prova do direito creditório é da requerente e não da Fazenda Nacional. Além disso, a recorrente não apresentou quaisquer elementos probatórios que invalidasse as glosas feitas pela fiscalização. De fato, as irregularidades apontadas pela fiscalização impedem o direito de descontar créditos com despesas de fretes, a exemplo de notas fiscais que não foram registradas no Livro Registro de Entrada, em outras não há a descrição satisfatória dos produtos adquiridos. Além do mais, existem CTRC com data de emissão posterior a data registrada como de entrada da mercadoria transportada. Diferentemente do alegado, não é viável o reconhecimento dos créditos sem a efetiva comprovação dos serviços prestados, pois o direito ao crédito requer exame minucioso dos serviços prestados e do processo produtivo. Como visto não se trata de simples falhas no sistema de emissão dos conhecimentos de frete, mas a falta de comprovação da efetiva realização e pagamentos dos serviços. Ademais, não há provas de que os transportadores recolheram as contribuições PIS e Cofins sobre esses fretes. Em suma, a autoridade fiscal acertadamente glosou os créditos, pois os aludidos CRTC não contêm os elementos comprobatórios necessários para caracterizar uma operação de transporte de insumos adquiridos. 2 – glosas dos serviços não especificados (CFOP 1949) Esta controvérsia tem por objeto o direito de descontar créditos sobre serviços prestados por pessoa jurídica na extração de madeira e manutenção de máquinas. Como visto, a recorrente defende uma interpretação extensiva do conceito de insumo. Sustenta que insumo é o conjunto de fatores necessários para que a empresa desenvolva sua atividade. Com efeito, a solução deste tópico envolve o conceito de insumo. Segundo o art. 3º, inciso II, da Lei nº 10.833/2003, a pessoa jurídica poderá descontar créditos em relação a bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. Fl. 824DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 09/07/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13971.720016/200862 Acórdão n.º 3801001.884 S3TE01 Fl. 20 11 Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) a) nos incisos III e IV do § 3o do art. 1o desta Lei; e (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) b) no § 1o do art. 2o desta Lei; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) (...) (grifouse) Destarte, o ponto central da questão é compreender o conceito de insumo estabelecido nos termos do inciso II do art. 3º da Lei nº 10.833/03. Há diversas exegeses a respeito desse dispositivo, tais como: definição de insumo segundo a legislação do IPI, aplicação de custos e despesas de acordo com a legislação do IRPJ, custos de produção, etc. Para o deslinde da questão, é despiciendo examinar o método indireto subtrativo que, em regra, foi adotado para o exercício da nãocumulatividade da contribuição PIS. A respeito da interpretação das leis, Carlos Maximiliano em Hermenêutica e Aplicação do Direito, 19ª ed. – Rio de Janeiro: Forense, 2010, p. 162, ensina: Por mais opulenta que seja a língua e mais hábil quem a maneja, não é possível cristalizar numa fórmula perfeita tudo o que se deva enquadrar em determinada norma jurídica: ora o verdadeiro significado é mais estrito do que se deveria concluir do exame exclusivo das palavras ou frases interpretáveis; ora sucede o inverso, vai mais longe do que parece indicar o invólucro visível da regra em apreço. A relação lógica entre a expressão e o pensamento faz discernir se a lei contém algo de mais ou de menos do que a letra parece exprimir: as circunstâncias extrínsecas revelam uma idéia fundamental mais ampla ou mais estreita e põem em realce o dever de estender ou restringir o alcance do preceito. Mais do que regras fixas influem no modo de aplicar uma norma, se ampla, se estritamente, o fim colimado, os valores jurídico sociais que lhe presidiram à elaboração e lhe condicionaram a aplicabilidade. (grifouse) A Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), por meio da Instrução Normativa (IN) nº 404/2004, regulamentou o assunto a partir da concepção tradicional da Fl. 825DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 09/07/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13971.720016/200862 Acórdão n.º 3801001.884 S3TE01 Fl. 21 12 legislação do Imposto Sobre Produtos Industrializados (IPI) e adotou uma interpretação restritiva para o conceito de insumo, conforme excerto a seguir transcrito: Art. 8º Do valor apurado na forma do art. 7º, a pessoa jurídica pode descontar créditos, determinados mediante a aplicação da mesma alíquota, sobre os valores: I das aquisições efetuadas no mês: a) de bens para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos nos incisos III e IV do § 1º do art. 4º; b) de bens e serviços, inclusive combustíveis e lubrificantes, utilizados como insumos: b.1) na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda; ou b.2) na prestação de serviços; (..). § 4º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entende se como insumos: I utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: a) a matériaprima, o produto intermediário, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto; II utilizados na prestação de serviços: a) os bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado; e b) b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na prestação do serviço. Em que pese não vincular a autoridade julgadora, a interpretação dada pela RFB apresentase compatível e coerente com a legislação da nãocumulatividade da Cofins. Essas normas complementares não atentaram contra a legalidade, além de não terem extrapolados os limites traçados na respectiva lei. Em outras palavras, as normas acima delimitaram o direito de crédito com a especificação dos serviços que geram crédito. Posto isso, ao sujeito passivo somente é permitido descontar unicamente os créditos autorizados e discriminados pela lei. Em suma, não é qualquer serviço, custo de produção ou despesa que confere crédito da contribuição. Fl. 826DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 09/07/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13971.720016/200862 Acórdão n.º 3801001.884 S3TE01 Fl. 22 13 Caso o legislador tivesse outra intenção, de tal forma que os direitos de descontar os créditos abrangeriam o maior número de gastos possíveis, teria feito constar na lei uma referência explícita ao direito de descontar créditos em conformidade com custos e as despesas necessárias segundo a legislação do IRPJ. Da mesma maneira, caso quisesse adotar o conceito de custos de produção, não teria utilizado a expressão insumos. Além disso, a lei que instituiu a nãocumulatividade da Cofins especificou outros custos de produção e despesas operacionais que geram direto ao crédito, tais como: aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; valor das contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoa jurídica; máquinas e equipamentos adquiridos para utilização na fabricação de produtos destinados à venda, bem como a outros bens incorporados ao ativo imobilizado; edificações e benfeitorias em imóveis de terceiros, quando o custo, inclusive de mãodeobra, tenha sido suportado pela locatária; energia elétrica consumida nos estabelecimentos da pessoa jurídica. Nessa esteira, se o conceito de insumo estivesse relacionado com os custos de produção, não faria sentido o legislador ordinário enumerar uma série de outros custos passíveis de gerarem créditos. Deste modo, adotase como solução deste litígio o conceito de insumo segundo o disposto na IN 404/2004. Com efeito, o conceito de insumo no âmbito do direto tributário foi estabelecido no inciso I, § 1º, do artigo 1º da Lei nº 10.276, de 10 de setembro de 2001, in verbis: Art. 1º (...) §1º A base de cálculo do crédito presumido será o somatório dos seguintes custos, sobre os quais incidiram as contribuições referidas no caput: I de aquisição de insumos, correspondentes a matérias primas, a produtos intermediários e a materiais de embalagem, bem assim de energia elétrica e combustíveis, adquiridos no mercado interno e utilizados no processo produtivo; Destarte, em tributos não cumulativos o conceito de insumos corresponde a matériasprimas, produtos intermediários e a materiais de embalagem. Ampliar este conceito implica em fragilizar a segurança jurídica tão almejada pelos sujeitos ativo e passivo. Consignese, por oportuno, que a autoridade fiscal no Despacho Decisório manifestou expressamente no sentido de que créditos mencionados no CFOP 1.949 não corresponde a serviço utilizado como insumo suscetível de creditamento no regime não cumulativo do PIS/Pasep e Cofins. Deste modo, nos termos da posição adotada anteriormente, para se ter direito ao desconto dos créditos é necessário que os serviços prestados pela pessoa jurídica sejam aplicados diretamente na fabricação do produto, o que não ocorreu nas situações descritas. Dos elementos que constam neste processo administrativo fiscal, constatase que os serviços prestados por pessoas jurídicas de extração de madeira (empreiteiras de mão de Fl. 827DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 09/07/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13971.720016/200862 Acórdão n.º 3801001.884 S3TE01 Fl. 23 14 obra) não podem ser considerados insumos porque não foram aplicados diretamente na atividade fabril. Neste caso, a produção iniciase com a transformação da matériaprima (madeira), de sorte que a extração é uma etapa prévia do processo produtivo. É bem verdade que esses serviços são importantes para o processo produtivo, todavia tais serviços não são empregados diretamente na fabricação do produto destinado à venda. Do exame dos elementos probatórios, é forçoso concluir que são serviços preliminares ao processo produtivo. Como visto, em regra, são custos de produção que não se enquadram no conceito de insumos. Em relação ao direito de descontar créditos com a manutenção de máquinas é importante consignar que antes de discutir o direito, é preciso examinar os elementos probatórios que susteriam esse direito. A recorrente não apresentou os documentos fiscais que sustentariam seu direito. As notas fiscais colacionadas em seus recursos não se referem a serviços de manutenção de máquinas, como bem assentado pela decisão “a quo”, de tal modo que não são documentos hábeis e idôneos para gerar eventuais créditos. Destarte, a autoridade fiscal acertadamente glosou os créditos, pois os documentos fiscais apresentados não contêm os elementos necessários para configurar uma operação de aquisição de insumos. Em face do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Relator Fl. 828DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 09/07/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 12897.000111/2008-13
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 18 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Jun 27 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/10/2003 a 31/12/2003
DECADÊNCIA. NÃO OCORRÊNCIA
Não há que se falar em decadência da competência 12/2003, uma vez que a ciência do lançamento, ocorreu em 30/12/2008, dentro, portanto, do prazo decadencial quinquenal do artigo 150, § 4º do CTN.
NULIDADE - AUTUAÇÃO
Não há que se falar em nulidade quando o Auto de Infração cumpre os requisitos exigidos pela legislação de regência.
SERVIDORES. ENQUADRAMENTO NO REGIME GERAL DE PREVIDÊNCIA.
Por força do artigo 40, § 13 da Constituição Federal o servidor ocupante, exclusivamente, de cargo em comissão declarado em lei de livre nomeação e exoneração bem como de outro cargo temporário ou de emprego público, aplica-se o regime geral de previdência social.
MULTA. RETROATIVIDADE.
Incide na espécie a retroatividade benigna prevista na alínea c, do inciso II, do artigo 106, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional, devendo ser a multa lançada na presente autuação calculada nos termos do artigo 35 caput da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, se mais benéfica ao contribuinte
Numero da decisão: 2301-003.482
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em manter a multa aplicada; II) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a).
Marcelo Oliveira - Presidente.
Adriano Gonzales Silvério - Relator.
Participaram da sessão de julgamento a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, bem como os Conselheiros Leonardo Henrique Pires Lopes, Damião Cordeiro de Moraes, Adriano Gonzales Silvério, Mauro José Silva e Marcelo Oliveira (presidente)
Nome do relator: ADRIANO GONZALES SILVERIO
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NÃO OCORRÊNCIA Não há que se falar em decadência da competência 12/2003, uma vez que a ciência do lançamento, ocorreu em 30/12/2008, dentro, portanto, do prazo decadencial quinquenal do artigo 150, § 4º do CTN. NULIDADE AUTUAÇÃO Não há que se falar em nulidade quando o Auto de Infração cumpre os requisitos exigidos pela legislação de regência. SERVIDORES. ENQUADRAMENTO NO REGIME GERAL DE PREVIDÊNCIA. Por força do artigo 40, § 13 da Constituição Federal o servidor ocupante, exclusivamente, de cargo em comissão declarado em lei de livre nomeação e exoneração bem como de outro cargo temporário ou de emprego público, aplicase o regime geral de previdência social. MULTA. RETROATIVIDADE. Incide na espécie a retroatividade benigna prevista na alínea “c”, do inciso II, do artigo 106, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional, devendo ser a multa lançada na presente autuação calculada nos termos do artigo 35 caput da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, se mais benéfica ao contribuinte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 89 7. 00 01 11 /2 00 8- 13 Fl. 175DF CARF MF Impresso em 27/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2013 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 27/06 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 10/05/2013 por ADRIANO GONZALES SILVERIO 2 da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em manter a multa aplicada; II) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Marcelo Oliveira Presidente. Adriano Gonzales Silvério Relator. Participaram da sessão de julgamento a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, bem como os Conselheiros Leonardo Henrique Pires Lopes, Damião Cordeiro de Moraes, Adriano Gonzales Silvério, Mauro José Silva e Marcelo Oliveira (presidente) Relatório Tratase de Auto de Infração nº 37.215.2082, a qual exige contribuições previdenciárias sobre pagamentos efetuados a servidores filiados ao Regime Geral da Previdência Social – RGPS. A autuada apresentou impugnação alegando os seguintes pontos: i) Decadência do direito do Fisco de lançar; ii) Nulidade do Auto de Infração por falta de fundamento legal; iii) Inclusão indevida de servidores no regime geral de previdência. A DRJ I do Rio de Janeiro deu parcial provimento à impugnação para acolher a preliminar de decadência das competências 10/2003 e 11/2003, negando provimento nas demais questões. A ora recorrente, devidamente intimada, interpôs recurso voluntário renovando os argumentos suscitados na peça impugnatória. É o relatório. Voto Conselheiro Adriano Gonzales Silvério O presente recurso preenche os requisitos de admissibilidade e, portanto, dele conheço. Fl. 176DF CARF MF Impresso em 27/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2013 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 27/06 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 10/05/2013 por ADRIANO GONZALES SILVERIO Processo nº 12897.000111/200813 Acórdão n.º 2301003.482 S2C3T1 Fl. 176 3 Decadência A r. decisão recorrida, como visto acima, acolheu parcialmente a preliminar de decadância, excluindo do lançamento, as competência de 10/2003 a 11/2003, em razão da aplicação conjunta da Súmula Vinculante nº 08 do Augusto Supremo Tribunal Federal e do artigo 150, § 4º do CTN, em razão da comprovação de pagamento antecipado das contribuições (RADA de fls. 09/10 dos autos). O recorrente, por seu turno, alega que a competência 12/2003 também deveria ter sido excluída. Contudo, razão não lhe assiste pois a ciência do lançamento, conforme fl. 97 dos autos ocorreu em 30/12/2008, dentro, portanto, do prazo decadencial quinquenal do artigo 150, § 4º do CTN, de modo a preservar a competência 12/2003. Rejeito, portanto, a preliminar de decadência. Nulidades no AI que violam a ampla defesa Sustenta a recorrete, de forma genérica, que a autuação deveria ser considerada nula pela falta de fundamentação adequada da infração. Sustenta que a fiscalização deveria ter analisado, individualmente, todas as rubricas listadas na legislação de regência, as quais não fazem parte da base de cálculo das contribuições. Em relação a essa quaestio devemos destacar que quanto ao procedimento da fiscalização e formalização do lançamento não se observou qualquer vício. Foram cumpridos todos os requisitos dos artigos 10 e 11 do Decreto nº 70.235, de 06/03/72, verbis: “Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I – a qualificação do autuado; II – o local, a data e a hora da lavratura; III – a descrição do fato; IV – a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V – a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI – a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula.” “Art. 11. A notificação de lançamento será expedida pelo órgão que administra o tributo e conterá obrigatoriamente: I – a qualificação do notificado; II – o valor do crédito tributário e o prazo para recolhimento ou impugnação; III – a disposição legal infringida, se for o caso; Fl. 177DF CARF MF Impresso em 27/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2013 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 27/06 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 10/05/2013 por ADRIANO GONZALES SILVERIO 4 IV – a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula.” A recorrente foi devidamente intimada de todos os atos processuais, assegurandolhe a oportunidade de exercício da ampla defesa e do contraditório, nos termos do artigo 23 do mesmo Decreto. “Art. 23. Farseá a intimação: I – pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; (Redação dada pela Lei nº 9.535, de 10.12.1997) II – por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicilio tributário eleito pelo sujeito passivo: (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10.12.1997) III – por edital, quando resultarem improficuos os meios referidos nos incisos I e II. (Vide Medida Provisória nº 232, de 2004)” Verifico, outrossim, que a NFLD foi lavrada por autoridade competente, contém todos os documentos indispensáveis, em especial o Relatório que embasa a autuação, bem como o FLD com os fundamentos legais do débito. Portanto, em razão do exposto e nos termos das regras disciplinadoras do processo administrativo fiscal, não se identificam vícios capazes de tornar nulo quaisquer dos atos praticados: Assim, rejeito a preliminar de nulidade da autuação. Mérito No mérito a recorrente sustenta que o lançamento incluiu no seu bojo servidores enquadrados nos prefixos de matrícula nºs 51, 52, 53, 54, 57 e 59, os quais seriam vicnulados ao regime próprio de previdência. O Relatório Fiscal contempla, às fl. 18 e 19 dos autos anále detida da legislação municipal, de modo a verificar quais servidores estariam abrangidos pelo regime geral de previdência, isto é, no âmbito da fiscalização empreendida perante a recorrente. Veja se: 4. Os servidores municipais, conforme estabelece o Decreto Municipal n° 15.834 de 20/06/97, em seu Anexo II, são divididos em grupos de acordo com os respectivos regimes jurídicos. Em cada grupo encontramos os prefixos numéricos que integram as matrículas dos servidores. Segue no item 5 próximo, todos os servidores considerados como segurados beneficiários do Regime Geral de Previdência Social, de acordo com a lei 8212/91 e alterações posteriores. Nesse sentido os prefixos arrolados na peça recursal dizem respeito às seguintes qualidades de servidores: Fl. 178DF CARF MF Impresso em 27/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2013 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 27/06 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 10/05/2013 por ADRIANO GONZALES SILVERIO Processo nº 12897.000111/200813 Acórdão n.º 2301003.482 S2C3T1 Fl. 177 5 i) 51: servidores estatutários da adm. direta do estado do RJ à disposição do órgão; ii) 52: servidores estatutários da adm. indireta do estado do RJ à disposição do órgão; iii) 53: servidores estatutários da adm. direta federal à disposição do órgão; iv) 54: servidores estatutários da adm. indireta federal à disposição do órgão; v) 57: servidores estatutários da adm. direta federal, sistema único de saúde, à disposição do órgão; e vi) 59: servidores estatutários de outras entidades à disposição do órgão. E, complementa o relatório fiscal: “A notificada considera estes servidores como filiados ao RGPS e inclui as respectivas remunerações na base de cálculo de suas contribuições sociais, porém, conforme demonstrado no anexo I deste relatório, foi encontrada, em cada mês, diferença entre o total das remunerações e a respectiva base de cálculo das contribuições recolhidas pela notificada.” Revelase, assim, dessa análise que os servidores enquadrados nas posições supra transcritas são submetidos obrigatoriamente ao regime geral de previdência, segundo disposto no artigo 40, § 13, da Constituição Federal, que dispõe: “Art. 40. Aos servidores titulares de cargos efetivos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, incluídas suas autarquias e fundações, é assegurado regime de previdência de caráter contributivo e solidário, mediante contribuição do respectivo ente público, dos servidores ativos e inativos e dos pensionistas, observados critérios que preservem o equilíbrio financeiro e atuarial e o disposto neste artigo. § 13 Ao servidor ocupante, exclusivamente, de cargo em comissão declarado em lei de livre nomeação e exoneração bem como de outro cargo temporário ou de emprego público, aplica se o regime geral de previdência social.” Logo, também não procedem esses argumentos. Multa Segundo as novas disposições legais, a multa de mora que antes respeitava a gradação prevista na redação original do artigo 35, da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, passou a ser prevista no caput desse mesmo artigo, mas agora limitada a 20% (vinte por cento), uma vez que submetida às disposições do artigo 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Incabível a comparação da multa prevista no artigo 35A da Lei nº 8.212/91, já que este dispositivo veicula multa de ofício, a qual não existia na legislação previdenciária à Fl. 179DF CARF MF Impresso em 27/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2013 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 27/06 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 10/05/2013 por ADRIANO GONZALES SILVERIO 6 época do lançamento e, de acordo com o 106 do Código Tributário Nacional deve ser verificado o fato punido. Ora se o fato “atraso” aqui apurado era punido com multa moratória, consequentemente, com a alteração da ordem jurídica, só pode lhe ser aplicada, se for o caso, a novel multa moratória, prevista no caput do artigo 35 caput acima citado. Em princípio houve beneficiamento da situação do contribuinte, motivo pelo qual incide na espécie a retroatividade benigna prevista na alínea “c”, do inciso II, do artigo 106, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional, devendo ser a multa lançada na presente autuação calculada nos termos do artigo 35 caput da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, se mais benéfica ao contribuinte. Ante o exposto, VOTO no sentido de CONHECER o recurso voluntário e, no mérito, DARLHE PARCIAL PROVIMENTO para determinar, se mais benéfica ao contribuinte, que a multa seja calculada nos termos do artigo 35 caput da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009. Adriano Gonzales Silvério Relator Fl. 180DF CARF MF Impresso em 27/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2013 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 27/06 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 10/05/2013 por ADRIANO GONZALES SILVERIO
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Numero do processo: 19515.004573/2009-87
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 13 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Jul 02 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Exercício: 2006
OMISSÃO DE RECEITAS. PRESUNÇÃO LEGAL RELATIVA. ÔNUS DA PROVA INVERTIDO.
Aplica-se ao optante pelo SIMPLES a presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento do imposto correspondente sempre que o titular da conta bancária, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira.
OMISSÃO DE RECEITAS. REGIME DE TRIBUTAÇÃO.
Verificada a omissão de receita, o imposto a ser lançado de ofício deve ser determinado de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no período-base a que corresponder a omissão.
ARBITRAMENTO DO LUCRO. NÃO CABIMENTO.
O arbitramento do lucro é uma forma de apuração da base de cálculo do imposto de renda utilizada pela autoridade fiscal quando a pessoa jurídica deixa de cumprir as obrigações acessórias relativas à determinação do lucro real ou presumido. A apuração dos tributos dentro da sistemática do SIMPLES não exige a apuração de resultados, diferentemente da tributação pelo lucro real ou presumido. A falta de contabilização da movimentação financeira, inclusive bancária, ainda que em volume significativo, não justifica a adoção da técnica de arbitramento do lucro no caso de pessoa jurídica optante pelo SIMPLES.
BASE DE CÁLCULO. ERRO NA APURAÇÃO.
Equívocos na apuração da base de cálculo que afetem apenas o aspecto quantitativo da exigência tributária, sem prejuízo à defesa, podem ser afastados, por não caracterizarem causa de nulidade.
Numero da decisão: 1202-000.995
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade do lançamento. Por maioria de votos, em dar parcial provimento ao recurso para reduzir a alíquota aplicável do SIMPLES ao percentual de 8,4%, no período de fevereiro (parcial) a dezembro de 2005. Vencido o Conselheiro Orlando José Gonçalves Bueno, que cancelava o lançamento fiscal, pois entendia que deveria ser arbitrado o lucro.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto Donassolo Presidente substituto
(assinado digitalmente)
Viviane Vidal Wagner - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Donassolo, Viviane Vidal Wagner, Nereida de Miranda Finamore Horta, Orlando Jose Gonçalves Bueno, Gilberto Baptista e Carlos Mozart Barreto Vianna.
Nome do relator: VIVIANE VIDAL WAGNER
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Exercício: 2006 OMISSÃO DE RECEITAS. PRESUNÇÃO LEGAL RELATIVA. ÔNUS DA PROVA INVERTIDO. Aplicase ao optante pelo SIMPLES a presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento do imposto correspondente sempre que o titular da conta bancária, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira. OMISSÃO DE RECEITAS. REGIME DE TRIBUTAÇÃO. Verificada a omissão de receita, o imposto a ser lançado de ofício deve ser determinado de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no períodobase a que corresponder a omissão. ARBITRAMENTO DO LUCRO. NÃO CABIMENTO. O arbitramento do lucro é uma forma de apuração da base de cálculo do imposto de renda utilizada pela autoridade fiscal quando a pessoa jurídica deixa de cumprir as obrigações acessórias relativas à determinação do lucro real ou presumido. A apuração dos tributos dentro da sistemática do SIMPLES não exige a apuração de resultados, diferentemente da tributação pelo lucro real ou presumido. A falta de contabilização da movimentação financeira, inclusive bancária, ainda que em volume significativo, não justifica a adoção da técnica de arbitramento do lucro no caso de pessoa jurídica optante pelo SIMPLES. BASE DE CÁLCULO. ERRO NA APURAÇÃO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 45 73 /2 00 9- 87 Fl. 642DF CARF MF Impresso em 02/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/06/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 30/06/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 02/07/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 19515.004573/200987 Acórdão n.º 1202000.995 S1C2T2 Fl. 3 2 Equívocos na apuração da base de cálculo que afetem apenas o aspecto quantitativo da exigência tributária, sem prejuízo à defesa, podem ser afastados, por não caracterizarem causa de nulidade. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade do lançamento. Por maioria de votos, em dar parcial provimento ao recurso para reduzir a alíquota aplicável do SIMPLES ao percentual de 8,4%, no período de fevereiro (parcial) a dezembro de 2005. Vencido o Conselheiro Orlando José Gonçalves Bueno, que cancelava o lançamento fiscal, pois entendia que deveria ser arbitrado o lucro. (assinado digitalmente) Carlos Alberto Donassolo – Presidente substituto (assinado digitalmente) Viviane Vidal Wagner Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Donassolo, Viviane Vidal Wagner, Nereida de Miranda Finamore Horta, Orlando Jose Gonçalves Bueno, Gilberto Baptista e Carlos Mozart Barreto Vianna. Fl. 643DF CARF MF Impresso em 02/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/06/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 30/06/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 02/07/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 19515.004573/200987 Acórdão n.º 1202000.995 S1C2T2 Fl. 4 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face de decisão que julgou improcedente a impugnação apresentada contra autos de infração de IRPJ, CSLL, PIS, COFINS e INSS apurados na sistemática do SIMPLES – Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições, relativamente ao anocalendário de 2005 (fls. 184/239). Por bem descrever os fatos de interesse ao julgamento, transcrevese, com a vênia do colegiado, trecho do relatório do acórdão recorrido, em que o relator resume o Termo de Verificação Fiscal e os elementos acostados aos autos, destacando as seguintes intimações, documentos e informações: 2.1. Documentos juntados pela Autoridade Fiscal: 2.1.1. Às fls. 07 e 08/25, comprovante de inscrição e situação cadastral (CNPJ) e Declaração do contribuinte (PJSI – 2006). 2.1.2. Às fls. 26, Termo de Retirada de Livros Fiscais e Comerciais. 2.1.3. Às fls. 27/51, alteração e consolidação contratual; alterações de contrato social; contrato de locação. 2.1.4. Às fls. 52/64, Termos de continuidade e respectivos comprovantes de ciência pela via postal (“AR”). 2.2. Em 31/03/2009, foi emitido Termo de Intimação, fls. 65 e “AR” às fls. 66/67, para que o contribuinte apresentasse justificativa referente às diferenças apuradas entre os extratos bancários apresentados pela empresa e as informações prestadas pelas instituições financeiras. 2.3. Em 23/04/2009, conforme Termo às fls. 68 e “AR” às fls. 69/70, o contribuinte foi reintimado a justificar as diferenças apuradas e indicadas às fls. 65 e 68. 2.4. Às fls. 71/73, juntado Termo de continuidade e respectivo comprovante de ciência pela via postal (“AR” avisos de recebimento dos Correios). 2.5. Através do Termo de Intimação datado de 28/07/2009, fls. 74, o contribuinte foi especificamente intimado a apresentar documentos hábeis e idôneos de comprovação da origem de valores creditados em suas contas bancárias identificadas no referido Termo, relacionados individualmente no Anexo I e totalizados mensalmente no Anexo II (cópia às fls. 75/159), “AR” às fls. 160/161. Fl. 644DF CARF MF Impresso em 02/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/06/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 30/06/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 02/07/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 19515.004573/200987 Acórdão n.º 1202000.995 S1C2T2 Fl. 5 4 2.6. Em 31/08/2008, conforme Termo de Reintimação, fls. 162, o contribuinte foi reintimado a apresentar os documentos de comprovação da origem dos valores creditados em suas contas bancárias, conforme Termo anterior, recebido pelo contribuinte em 29/07/2009, “AR” às fls. 163/164. 2.7. Do Termo de Verificação Fiscal, fls. 168/175, destaca se: 2.7.1. No Termo de fls. 05, recebido pelo contribuinte em 30/05/2008 foram solicitados os livros fiscais e contábeis, os extratos contendo a movimentação bancária e as demonstrações financeiras do ano calendário de 2005. Recebidos os documentos solicitados, o AuditorFiscal analisou a escrituração da empresa, em confronto com a Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica SIMPLES PJSI e constatou que a empresa mantinha escrituração contábil de forma regular, sendo os valores entre eles compatíveis. Entretanto, a totalização dos créditos efetuados na conta corrente mostrouse muito inferior aos valores apresentados pelos bancos Bradesco e Itaú à Receita Federal do Brasil como movimentação financeira total no ano fiscalizado. 2.7.2. Assim, o contribuinte foi intimado e Reintimado, fls. 65/70, a apresentar justificativa, por escrito, referente às diferenças apuradas entre os extratos bancários apresentados pela empresa à fiscalização e as informações prestadas pelas instituições financeiras, em suas DCPMF, conforme demonstrado no quadro apresentado nos Termos Fiscais (de Intimação e de Verificação). 2.7.3. O contribuinte entregou novos extratos, de contas correntes diversas das anteriores, com montantes de movimentação compatíveis com os conhecidos. Após analise dos novos extratos, foram enviadas, pelo correio, com “AR”, Termo de Intimação, recebido em 28/07/2009 e Termo de Reintimação, recebido em 29/09/2009, nos quais foi solicitada a identificação da origem dos valores lançados a crédito em suas contas corrente do Banco Itaú Ag. 0772 Contas 41.3613 e 53.6009 e do Banco Bradesco Ag. 04952 Conta 177.4428 e Ag. 17892 Conta 24.1733, no ano de 2005, apontados nos anexos à intimação, fls. 75/159, totalizando R$ 13.878.046,05 (Treze milhões, oitocentos e setenta e oito mil, quarenta e seis reais e cinco centavos). 2.7.4. O AuditorFiscal concluiu que a empresa fiscalizada não apresentou livros ou documentos que pudessem ensejar a identificação da origem dos créditos efetuados em suas Fl. 645DF CARF MF Impresso em 02/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/06/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 30/06/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 02/07/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 19515.004573/200987 Acórdão n.º 1202000.995 S1C2T2 Fl. 6 5 contas correntes, razão pela qual foi presumida a omissão de receitas, apurada mensalmente de acordo com os extratos fornecidos pelo contribuinte em confronto com sua Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica SIMPLES PJSI, conforme discriminado no quadro apresentado pela Autoridade Fiscal, contendo a identificação dos créditos apurados nos extratos bancários, a receita declarada pelo contribuinte e o saldo tributável, indicados mês a mês. 2.7.5. Em razão da inexistência de documentação hábil, idônea, coincidente em datas e valores que permitissem justificar contabilmente os créditos/depósitos efetuados nas contas bancárias em nome da empresa, o AuditorFiscal identificou a ocorrência de movimentação financeira ocultada da Receita, caracterizandoa como rendimentos do contribuinte sem comprovação de origem, o que ensejou a presunção legal de receitas omitidas, passando tais créditos bancários a serem tratados como rendimentos tributáveis, base de cálculo para apuração do Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ e seus reflexos (Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, Programa de Integração Social PIS e Contribuição para Financiamento da Seguridade Social – COFINS e Contribuição para Seguridade Social – INSS). 2.7.6. Consta, também, do Termo de Verificação Fiscal, a fundamentação legal, a saber, os arts. 5º, II, 18 e 23 da Lei 9.317 de 05/12/1996, que dispõe sobre o SIMPLES; art. 24 da Lei 9.249 de 26/12/1995; art. 42 da Lei 9.430/96 e arts. 185, 186 e 188 do RIR, instituído pelo Decreto 3.000/99. Ainda, foram colacionadas jurisprudências sobre a questão da omissão de receitas e a presunção legal. 2.7.7. A Autoridade Fiscal fez constar no referido Termo de Verificação Fiscal que o contribuinte ultrapassou, no ano calendário de 2005, o limite legal de receita bruta total de R$ 1.200.000,00, estabelecido para a opção e manutenção da empresa de pequeno porte no SIMPLES, acarretando para a autuada sua exclusão de ofício da sistemática de apuração do SIMPLES, a partir do dia 1o de janeiro de 2006, conforme artigo 9o, inciso II, artigo 14, inciso I e artigo 15, inciso IV da Lei n° 9.317/96. 2.7.8. Por fim, constam informações sobre a base de cálculo e a lavratura de Auto de Infração com a constituição de crédito tributário para o Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte SIMPLES no total de R$ 3.133.837,36 (Três milhões, cento e trinta e três mil, oitocentos e trinta e sete reais e trinta e seis centavos), já incluídos o principal, multa e juros, vide, também, o Demonstrativo Consolidado do Crédito Tributário do Processo, fls. 01. Fl. 646DF CARF MF Impresso em 02/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/06/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 30/06/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 02/07/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 19515.004573/200987 Acórdão n.º 1202000.995 S1C2T2 Fl. 7 6 2.8. Integram o presente processo os anexos com o demonstrativo de percentuais aplicáveis sobre a receita bruta (fls. 176/177) e com o demonstrativo de apuração dos valores não recolhidos (fls. 178/183), assim como o demonstrativo de apuração dos imposto/contribuição sobre diferenças apuradas, fls. 184/189. 2.9. Em 29/10/2009 foram lavrados os seguintes Autos de Infração, com os respectivos valores de crédito apurado e anexos de demonstrativo dos valores devidos e de demonstrativo de multa e juros: Imposto de Renda Pessoa Jurídica – SIMPLES. Valor de crédito apurado: R$ 238.566,56; Auto de Infração, fls. 195/199 e demonstrativos às fls. 190/194; Contribuição para o PIS/PASEP – SIMPLES. Valor de crédito apurado: R$ 238.566,56; Auto de Infração, fls. 205/209 e demonstrativos às fls. 200/204; Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – SIMPLES. Valor de crédito apurado: R$ 367.025,62; Auto de Infração, fls. 215/219 e demonstrativos às fls. 210/214; Contribuição para Financiamento da Seguridade Social – SIMPLES. Valor de crédito apurado: R$ 734.051,38; Auto de Infração, fls. 225/229 e demonstrativos às fls. 220/224; Contribuição para Seguridade Social – INSS – SIMPLES. Valor de crédito apurado: R$ 1.555.627,24; Auto de Infração, fls. 235/239 e demonstrativos às fls. 230/234. 2.10. Anotase que ao final de cada Auto de Infração, consta a respectiva fundamentação legal relativa ao tributo e aos acréscimos legais (multa e juros). 2.10.1. Destacase que o enquadramento legal da multa de ofício aplicada é o artigo 44, Inciso I, da Lei nº 9.430/1996 c/c art. 19 da Lei nº 9.317/96 e o enquadramento legal dos juros de mora aplicado é o artigo 61, § 3º, da Lei nº 9.430/1996. 2.11. O Termo de encerramento da Ação Fiscal, datado de 29/10/2009, foi juntado às fls. 240/241. 2.12. O Contribuinte foi cientificado do Termo de Verificação, de todos os Autos de Infrações e do Termo de Encerramento em 30/10/2009, vide “AR” juntado às fls. 242. 3. O sujeito passivo apresentou, tempestivamente (fls. 256), impugnação à autuação (fls. 246/247), acompanhada do documento pessoal do sócio, fls. 249. O instrumento de alteração de contrato social foi juntado às fls. 259 em anexo ao pedido de vistas do processo formulado às fls. 257, instruído, ainda, com procuração, substabelecimento e documento pessoal da requerente, fls. 268/269 e 258. Suas alegações, em síntese, são: Fl. 647DF CARF MF Impresso em 02/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/06/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 30/06/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 02/07/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 19515.004573/200987 Acórdão n.º 1202000.995 S1C2T2 Fl. 8 7 3.1. Afirma que sempre que notificado apresentou a documentação solicitada, na forma e prazo determinados, vide informações e termos lavrados. 3.2. Alega que recebeu com surpresa o Auto de Infração “pois, com a documentação solicitada e apresentada, não se poderia apurar com precisão a real movimentação financeira da empresa”. Acrescenta que “O Sr. Fiscal nem sequer requereu ou analisou o livro de registro fiscal da impugnante e arbitrou como rendimento todos os valores que passaram pela conta corrente sem, ao menos, requerer a documentação comprobatória de sua origem e destino”, concluindo que ocorreu cerceamento de defesa. 3.3. Descreve a atividade da empresa e argumenta que grande parte de sua movimentação financeira corresponde a valores que apenas transitam na conta corrente e são relacionados com repasse financeiro de clientes e fornecedores. 3.4. O representante legal da autuada, signatário da impugnação, afirma que um amigo seu, em dificuldades, “solicitou autorização para a abertura de uma conta em nome da Andaluz Com. e Serv. Ltda., para que ele movimentasse provisoriamente suas finanças pessoais” e que, com o passar do tempo, ficou constrangido em cobrar o amigo, pensando que o uso da conta bancária era apenas com valores pequenos, referentes a contas pessoais do favorecido, Sr. Sérgio Augusto Ferreira Nacif, sócio da empresa Linhas Setta Ltda., CNPJ nº 60.887.189/000108. 3.5. Acrescenta que somente com o procedimento fiscal constatou a máfé do “amigo” e o “esquema de desvio de dinheiro dos caixas da Linhas Setta Ltda. e caixa dois de seus sócios (Sr. Mario Alberto Nacif, Sr. Sergio Augusto Ferreira Nacif e Sr. Adriano Chohfi Nacif)”. 3.6. Alega que procurou os sócios da mencionada empresa e que estes, inicialmente, demonstraram interesse “em recolher os impostos devidos e eximir a Andaluz de qualquer responsabilidade, porém, isso jamais ocorreu”. 3.7. Afirma que em verificação superficial dos extratos apresentados é possível constatar que os valores de transferência recebidos e enviados têm como depositantes e credores de empresas ligadas à atividade têxtil. 3.8. Conclui que é evidente a irregularidade, ilegalidade e arbitrariedade na forma da condução e elaboração do Auto de Infração e, portanto, deve ser cancelado. 3.9. Por tudo o quanto exposto, em seu pedido, requer o acolhimento de sua impugnação e o cancelamento do débito fiscal. 4. Anotase que constam dois anexos ao presente processo contendo cópias dos extratos bancários da Autuada. Fl. 648DF CARF MF Impresso em 02/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/06/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 30/06/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 02/07/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 19515.004573/200987 Acórdão n.º 1202000.995 S1C2T2 Fl. 9 8 É o relatório. A decisão de primeira instância considerou caracterizada a ocorrência de omissão de receitas, mantendo a autuação, nos termos da seguinte ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte Simples Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005 Ementa: OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS E VALORES CREDITADOS EM CONTA BANCÁRIA. ORIGEM NÃO COMPROVADA. ÔNUS DA PROVA. A Lei nº 9.430/1996, em seu art. 42, estabeleceu a presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento do imposto correspondente sempre que o titular da conta bancária, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira. OMISSÃO DE RECEITAS. DETERMINAÇÃO DO IMPOSTO. REGIME DE TRIBUTAÇÃO. Verificada a omissão de receita, o imposto a ser lançado de ofício deve ser determinado de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no período base a que corresponder a omissão. Inconformado, o contribuinte, cientificado em 30/03/2012 (conforme termo, fls.284), apresentou, em 25/04/2012, recurso voluntário ao CARF (fls.592610), em que aponta, preliminarmente, a superficialidade da apuração fiscal, com ofensa ao princípio da verdade material. Quanto ao mérito, aduz que houve erro de direito na alíquota aplicável às receitas supostamente auferidas, com nulidade do auto de infração. Sustenta que pela redação do §3º do art. 23 de Lei nº 9.430/96, o acréscimo de 20% da alíquota somente seria aplicável à alíquota constante da alínea “e” do inciso II do art. 5º da mesma lei (7%). Aponta que apenas com a MP 275 (convertida na Lei nº 11307/2006), a redação foi alterada para valer a partir de 01/01/2006. Alega, ainda, a necessidade de arbitramento do lucro em face da alegada omissão de receitas equivalentes à quase totalidade da movimentação bancária (98,81%). É o relatório. Fl. 649DF CARF MF Impresso em 02/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/06/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 30/06/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 02/07/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 19515.004573/200987 Acórdão n.º 1202000.995 S1C2T2 Fl. 10 9 Voto Conselheira Viviane Vidal Wagner, Relatora O recurso é tempestivo e conforme a legislação, devendo ser conhecido. PRELIMINAR DE NULIDADE Aponta a recorrente, preliminarmente, a superficialidade da apuração fiscal, com ofensa ao princípio da verdade material, visto que a documentação apresentada não foi considerada suficiente para comprovar as diferenças apontadas pela fiscalização, não podendo a autuação se basear unicamente nos dados dos extratos bancários. Contudo, a alegada ofensa ao princípio da verdade material não se verifica no caso concreto, uma vez que a acusação fiscal pautouse na presunção legal do art. 42 da Lei nº 9.430/96 para constituir o crédito tributário a partir da identificação de créditos e depósitos bancários cuja origem não foi esclarecida. A autoridade fiscal efetuou o lançamento com base no art. 42 da Lei nº 9.430/96, com a alteração feita pela Lei nº 9.481, de 13 de agosto de 1997, in verbis: Art.42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. §1o O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. §2o Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. §3o Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 12.000,00 (doze mil reais), desde que o seu somatório, dentro do ano calendário, não ultrapasse o valor de R$ 80.000,00 (oitenta mil reais). Fl. 650DF CARF MF Impresso em 02/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/06/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 30/06/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 02/07/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 19515.004573/200987 Acórdão n.º 1202000.995 S1C2T2 Fl. 11 10 (...) A Lei nº 9.317/96 corrobora a tese da fiscalização, pois, ao tratar da Omissão de Receita, prevê que: Art. 18. Aplicamse à microempresa e à empresa de pequeno porte todas as presunções de omissão de receita existentes nas legislações de regência dos impostos e contribuições de que trata esta Lei, desde que apuráveis com base nos livros e documentos a que estiverem obrigadas aquelas pessoas jurídicas. Cabe lembrar que as pessoas jurídicas optantes pelo SIMPLES estão obrigadas ao registro das operações bancárias em Livro Caixa, a teor do disposto no art. 7º, §1º, da mesma lei: Art. 7° A microempresa e a empresa de pequeno porte, inscritas no SIMPLES apresentarão, anualmente, declaração simplificada que será entregue até o último dia útil do mês de maio do ano calendário subseqüente ao da ocorrência dos fatos geradores dos impostos e contribuições de que tratam os arts. 3° e 4° . § 1° A microempresa e a empresa de pequeno porte ficam dispensadas de escrituração comercial desde que mantenham, em boa ordem e guarda e enquanto não decorrido o prazo decadencial e não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes: a) Livro Caixa, no qual deverá estar escriturada toda a sua movimentação financeira, inclusive bancária; b) Livro de Registro de Inventário, no qual deverão constar registrados os estoques existentes no término de cada ano calendário; c) todos os documentos e demais papéis que serviram de base para a escrituração dos livros referidos nas alíneas anteriores. Ao deixar de comprovar, “mediante documentação hábil e idônea”, a origem dos recursos utilizados nas operações bancárias, a recorrente atesta que os registros contábeis não refletem a realidade dos fatos. Assim, não deve existir dúvida do cabimento da presunção contida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 ao caso concreto. A presunção legal adotada, por ser relativa, permite ao contribuinte que elida a prova do Fisco caso comprove a origem dos depósitos bancários. Nesse caso, invertese o ônus da prova. Mas isso é o mérito da discussão. Diante disso, afastase a preliminar de nulidade. Mérito Como visto, a acusação fiscal pautouse na presunção legal do art. 42 da Lei nº 9.430/96 para constituir o crédito tributário, a partir da identificação de créditos e depósitos bancários cuja origem não foi esclarecida. Fl. 651DF CARF MF Impresso em 02/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/06/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 30/06/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 02/07/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 19515.004573/200987 Acórdão n.º 1202000.995 S1C2T2 Fl. 12 11 Considerando que no momento dos fatos geradores (anocalendário 2005) a recorrente era optante pelo regime do SIMPLES (Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte), conforme Declaração Simplificada (fls. 06/23), igualmente sujeito à referida presunção legal de omissão de receita, o autuante efetuou o lançamento segundo as regras daquela sistemática, obedecendo ao disposto no caput do art. 24 da Lei nº 9.249/95, in verbis: Art. 24. Verificada a omissão de receita, a autoridade tributária determinará o valor do imposto e do adicional a serem lançados de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no períodobase a que corresponder a omissão. (destacouse) A recorrente aponta a necessidade de arbitramento do lucro em face da alegada omissão de receitas equivalentes à quase totalidade dos depósitos bancários. Equivocase, contudo, visto que a apuração dos tributos dentro da sistemática do SIMPLES não exige a apuração de resultados, diferentemente da tributação pelo lucro real ou presumido. Ao contrário disso, a pessoa jurídica que optar pelo regime de tributação simplificada SIMPLES, passa a oferecer à tributação apenas uma parcela da receita bruta, sujeita diretamente a alíquotas específicas, as quais compreendem, proporcionalmente, os tributos e contribuições devidas, a teor da legislação de regência. O arbitramento de lucro, por sua vez, é uma forma de apuração da base de cálculo do imposto de renda utilizada pela autoridade fiscal quando a pessoa jurídica deixa de cumprir as obrigações acessórias relativas à determinação do lucro real ou presumido. Impõese o arbitramento do lucro pela autoridade fiscal apenas nas hipóteses previstas no art. 530 do RIR/99, as quais consideram a apuração de resultados, como se vê: Art.530.O imposto, devido trimestralmente, no decorrer do ano calendário, será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado, quando (Lei nº 8.981, de 1995, art. 47, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 1º): Io contribuinte, obrigado à tributação com base no lucro real, não mantiver escrituração na forma das leis comerciais e fiscais, ou deixar de elaborar as demonstrações financeiras exigidas pela legislação fiscal; IIa escrituração a que estiver obrigado o contribuinte revelar evidentes indícios de fraudes ou contiver vícios, erros ou deficiências que a tornem imprestável para: a)identificar a efetiva movimentação financeira, inclusive bancária; ou b)determinar o lucro real; IIIo contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o Livro Caixa, na hipótese do parágrafo único do art. 527; IVo contribuinte optar indevidamente pela tributação com base no lucro presumido; Fl. 652DF CARF MF Impresso em 02/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/06/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 30/06/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 02/07/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 19515.004573/200987 Acórdão n.º 1202000.995 S1C2T2 Fl. 13 12 Vo comissário ou representante da pessoa jurídica estrangeira deixar de escriturar e apurar o lucro da sua atividade separadamente do lucro do comitente residente ou domiciliado no exterior (art. 398); VIo contribuinte não mantiver, em boa ordem e segundo as normas contábeis recomendadas, Livro Razão ou fichas utilizados para resumir e totalizar, por conta ou subconta, os lançamentos efetuados no Diário. .......................................................................... Art.527.A pessoa jurídica habilitada à opção pelo regime de tributação com base no lucro presumido deverá manter (Lei nº 8.981, de 1995, art. 45): Iescrituração contábil nos termos da legislação comercial; IILivro Registro de Inventário, no qual deverão constar registrados os estoques existentes no término do anocalendário; IIIem boa guarda e ordem, enquanto não decorrido o prazo decadencial e não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes, todos os livros de escrituração obrigatórios por legislação fiscal específica, bem como os documentos e demais papéis que serviram de base para escrituração comercial e fiscal. Parágrafo único.O disposto no inciso I deste artigo não se aplica à pessoa jurídica que, no decorrer do anocalendário, mantiver Livro Caixa, no qual deverá estar escriturado toda a movimentação financeira, inclusive bancária (Lei nº 8.981, de 1995, art. 45, parágrafo único).(destacouse) Vejase que, muito embora a pessoa jurídica optante do SIMPLES também esteja obrigada a manter o Livro Caixa, a hipótese de arbitramento prevista pela legislação no caso de não manutenção de Livro Caixa completo destinase apenas ao optante pelo lucro presumido. Isso é lógico, visto que, evidentemente, o objeto de arbitramento é o lucro, e não a receita. Assim, a falta de contabilização, pela recorrente, de sua movimentação financeira, inclusive bancária, ainda que em volume significativo, não justifica a adoção da técnica de arbitramento do lucro. A recorrente ainda aponta erro na alíquota aplicável às receitas supostamente auferidas, pedindo a nulidade do auto de infração, considerando que o acréscimo de 20% da alíquota previsto no §3º do art. 23 de Lei nº 9.430/96, somente seria aplicável à alíquota constante da alínea “e” do inciso II do art. 5º da mesma lei (7%), e não sobre a alíquota de 8,6%, como realizado no caso. Vejase a redação da Lei nº 9.317/96 vigente à época dos fatos: Art.23...................................................... Fl. 653DF CARF MF Impresso em 02/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/06/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 30/06/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 02/07/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 19515.004573/200987 Acórdão n.º 1202000.995 S1C2T2 Fl. 14 13 § 3º A pessoa jurídica cuja receita bruta, no decurso do ano calendário, exceder ao limite a que se refere o inciso II do art. 2º, adotará, em relação aos valores excedentes, dentro daquele ano, os percentuais previstos na alínea "e" do inciso II e nos §§ 2º, 3º, inciso III ou IV, e § 4º, inciso III ou IV, todos do art. 5º, acrescidos de 20% (vinte por cento), observado o disposto em seu § 1º. Por sua vez, o referido art. 5º assim dispunha: Art. 5° O valor devido mensalmente pela microempresa e empresa de pequeno porte, inscritas no SIMPLES, será determinado mediante a aplicação, sobre a receita bruta mensal auferida, dos seguintes percentuais: (Vide Lei 10.034, de 24.10.2000) e) de R$ 600.000,01 (seiscentos mil reais e um centavo) a R$ 720.000,00 (setecentos e vinte mil reais): 7% (sete por cento). Posteriormente, passou a trazer a seguinte redação: Art.23...................................................... § 3o A pessoa jurídica cuja receita bruta, no decurso do ano calendário, exceder ao limite a que se refere o inciso II do caput do art. 2o desta Lei adotará, em relação aos valores excedentes, dentro daquele ano, os percentuais previstos na alínea t do inciso II do caput, no § 2o, nos incisos III ou IV do § 3o e nos incisos III ou IV do § 4o, todos do art. 5o desta Lei, acrescidos de 20% (vinte por cento), observado o disposto em seu § 1o. (Vide Medida Provisória nº 275, de 2005) (Redação dada pela Lei nº 11.307, de 2006) Neste ponto, tem razão a recorrente. O demonstrativo constante do auto de infração (fls.176) informa que foram utilizados os percentuais de 10,32% (8,6% x 1,20) no período de fevereiro (parcial) a dezembro de 2005. Todavia, a nova redação utilizada pela autoridade fiscal passou a viger somente a partir de 01/01/2006, consoante o disposto no art. 3º da Medida Provisória nº 275, de 2005, o que denota a inexatidão dos cálculos das bases imponíveis, quando o correto seria a alíquota de 8,4% (7% x 1,20). Considerase, porém, que equívocos na apuração da base de cálculo que afetem apenas o aspecto quantitativo da exigência tributária não trazem mácula ao lançamento capaz de ensejar sua nulidade, “pois estáse diante de procedimento, equivocado ou não, que traz implicações apenas no aspecto quantitativo da exigência tributária que, no âmbito do processo de determinação e exigência do crédito tributário, pode ser corrigido, com cancelamento total ou parcial da exigência indevida, em decorrência das impugnações e recursos regularmente interpostos pelo sujeito passivo, conforme art. 145, inc. I, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional (CTN)” (Acórdão nº 3402 001705). Fl. 654DF CARF MF Impresso em 02/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/06/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 30/06/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 02/07/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 19515.004573/200987 Acórdão n.º 1202000.995 S1C2T2 Fl. 15 14 Tendo em vista que se trata de mero equívoco no cálculo da base imponível, o que não afeta a compreensão da forma de apuração do tributo devido, considerase que restou plenamente observado o art. 142 do CTN, inexistindo causa de nulidade do lançamento, nos termos do art.59 do Decreto nº 70.235/72, por não ter havido qualquer prejuízo à defesa ou motivo de cancelamento integral do lançamento. Assim, no caso concreto, devem ser reduzidas as bases de cálculo do período de fevereiro (parcial) a dezembro de 2005, do percentual de 10,32% para 8,4%, com o cancelamento proporcional das respectivas exigências tributárias. DISPOSITIVO Em razão do exposto, dáse provimento parcial ao recurso voluntário para reduzir a alíquota aplicável ao percentual de 8,4 % no período de fevereiro (parcial) a dezembro de 2005, cancelandose proporcionalmente as exigências tributárias. (assinado digitalmente) Viviane Vidal Wagner Fl. 655DF CARF MF Impresso em 02/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/06/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 30/06/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 02/07/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO
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Numero do processo: 10120.003235/2008-14
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 27 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Jul 18 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Ano-calendário: 2008
DEFICIENTE FÍSICA O. ISENÇÃO. AUTOMÓVEL.
É de se indeferir pedido de isenção de IPI na aquisição de automóvel de passageiros ou veículo de uso misto de fabricação nacional, quando o laudo de avaliação de médica não atesta, de forma inequívoca, o comprometimento da função física dos membros e não enquadra a situação do requerente numa das hipóteses de deficiência previstas na legislação de regência.
Recurso Voluntário negado.
Numero da decisão: 3202-000.820
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
Irene Souza da Trindade Torres - Presidente
Charles Mayer de Castro Souza Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Irene Souza da Trindade Torres, Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Gilberto de Castro Moreira Junior, Charles Mayer de Castro Souza, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Tatiana Midori Migiyama.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Ano-calendário: 2008 DEFICIENTE FÍSICA O. ISENÇÃO. AUTOMÓVEL. É de se indeferir pedido de isenção de IPI na aquisição de automóvel de passageiros ou veículo de uso misto de fabricação nacional, quando o laudo de avaliação de médica não atesta, de forma inequívoca, o comprometimento da função física dos membros e não enquadra a situação do requerente numa das hipóteses de deficiência previstas na legislação de regência. Recurso Voluntário negado.
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ISENÇÃO. AUTOMÓVEL. É de se indeferir pedido de isenção de IPI na aquisição de automóvel de passageiros ou veículo de uso misto de fabricação nacional, quando o laudo de avaliação de médica não atesta, de forma inequívoca, o comprometimento da função física dos membros e não enquadra a situação do requerente numa das hipóteses de deficiência previstas na legislação de regência. Recurso Voluntário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Irene Souza da Trindade Torres Presidente Charles Mayer de Castro Souza – Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Irene Souza da Trindade Torres, Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Gilberto de Castro Moreira Junior, Charles Mayer de Castro Souza, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Tatiana Midori Migiyama. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 00 32 35 /2 00 8- 14 Fl. 75DF CARF MF Impresso em 18/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 0/07/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 17/07/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 2 O interessado apresentou pedido de isenção de IPI, previsto na Lei n.º 8.989, de 1995, para a aquisição de automóvel de passageiros ou veiculo de uso misto, de fabricação nacional, por pessoa portadora de deficiência física, visual, mental severa ou profunda, ou de autismo. Por meio do Despacho Decisório de fls. 38/39, a unidade de origem indeferiu o pleito, ao fundamento de que o interessado não preenchia condição essencial ao reconhecimento do direito ao beneficio fiscal pretendido, uma vez que a doença de que é portador não se encontra contemplada na norma instituidora do benefício. Cientificado da decisão, o interessado acostou, no prazo legal, novos documentos aos autos (vide fl. 58). A 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Juiz de Fora julgou improcedente a manifestação de inconformidade, proferindo o Acórdão DRJ/BSB n.º 0931.3217 (fls. 59/62), assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Data do fato gerador: 17/03/2008 ISENÇÃO.IPI.DEFICIENTE FÍSICO. A isenção de que trata a Lei n° 8.989/95 e alterações posteriores restringese as hipóteses citadas em seu art. 1º, bem como àquelas previstas no Decreto n° 3298/99, conforme interpretação expressa no art.2°, § 1º, inciso I, da Instrução Normativa SRF n° 988/2009. É de se indeferir o pedido quando o laudo médico não atesta a presença de deficiência prevista nas normas pertinentes. Manifestação de Inconformidade Improcedente Sem Crédito em Litígio Proferida a decisão pela DRJ/JFA, o interessado apresentou, também no prazo legal, recurso voluntário de fls. 64/65, através do qual sustenta: – O pleito foi indeferido sob fundamento de: i) erro de perfil formal na elaboração do Laudo; ii) que a enfermidade do recorrente não está contemplada pela norma isentiva; – A decisão baseouse no art. 1º da lei 8.989, de 1995. Todavia, interpretou erroneamente o texto normativo que diz: Para a concessão do benefício previsto no art. 1° “é considerada também pessoa portadora de deficiência física aquela que apresenta alteração completa ou parcial de um ou mais segmentos do corpo humano, acarretando o comprometimento da função física, apresentandose sob a forma de...”. As formas apresentadas no texto normativo não são números fechados, haja vista que se deve levar em consideração cada caso, e o recorrente fez cabal prova de que suas funções físicas restam comprometidas (Laudo de Avaliação Física); – É indubitável que o recorrente experimenta alterações físicas, bem como acarreta o comprometimento de sua função física. Ademais, no documento que ora se junta, é atestado que: "Paciente...não tendo condições de exercer atividade de esforço físico, necessário repouso ou ter rotina de baixo impacto, devido diminuição de sua capacidade funcional, redução de força muscular de membros superiores e inferiores, levando a limitações importantes no desempenho de suas funções, como não pegar peso...seu carro deve ser automático e de direção hidráulica...". A paraparesia afirmada pelos médicos se enquadra ao Fl. 76DF CARF MF Impresso em 18/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 0/07/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 17/07/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10120.003235/200814 Acórdão n.º 3202000.820 S3C2T2 Fl. 76 3 texto normativo na condição de: alteração parcial dos seguimentos do corpo humano e comprometimento da função física; – O art. 40 do Decreto 3.298/99 é de clareza solar ao estabelecer que: “É considerado pessoa portadora de deficiência a que se enquadra nas seguintes categorias: I alteração completa ou parcial de um ou mais segmentos do corpo humano, acarretando comprometimento da função física, apresentandose sob forma de ...paraparesia...", sendo a paraparesia a paralisia incompleta de nervo ou músculo dos membros inferiores que não perderam inteiramente a sensibilidade e o movimento, que difere de paraplegia que é a paralisia completa dos membros inferiores ou superiores; – Em sede estadual, já se reconheceu a deficiência do recorrente. Em sua CNH consta como deficiente físico; – O recorrente experimenta "insuficiência cardíaca grave" com CID 10 I20, I50.1, é de se verificar que a cardiopatia grave comprometeu toda a saúde física do recorrente, comprovado na via médica, porquanto não se pode achar que se está requerendo isenção pela simples cardiopatia; O processo digitalizado foi distribuído a este Conselheiro Relator, na forma regimental. É o relatório Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. O recurso voluntário manejado pelo Recorrente não poderia, a meu juízo, ser conhecido por este colegiado. É que, intimado da decisão pelo titular da unidade administrativa que indeferiu a isenção, apenas acostou aos autos documentos novos (através de processo autônomo, posteriormente anexado), mas chegou a formalizar as razões de sua irresignação. Vale dizer, não existe peça de defesa, tanto que o relatório elaborado pela DRJ apenas faz lacônica referência aos documentos apresentados pelo Recorrente, sem qualquer alusão aos motivos de fato e de direito da manifestação de inconformidade. Ora, os arts. 15 e 16 do Decreto 70.235, de 1972, que regula, no âmbito federal, o Processo Administrativo Fiscal, exige que a peça de defesa seja formalizada por escrito pelo Recorrente e dirigida à autoridade competente para julgála, com todos os motivos de seu convencimento. Vejamos: Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Art. 16. A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; Fl. 77DF CARF MF Impresso em 18/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 0/07/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 17/07/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 4 III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) V se a matéria impugnada foi submetida à apreciação judicial, devendo ser juntada cópia da petição. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) Ante a sua falta, não poderia a DRJ, porque não instaurado o litígio, considerar os novos documentos apresentados pelo Recorrente como se de manifestação de inconformidade tratasse, ainda que o tenham sido protocolados no prazo legal, daí que, também aqui, não se poderia conhecer do recurso voluntário. Afinal, o princípio do informalismo moderado ou mitigado não pode ir tão longe a ponto de dispensar a formalização da própria peça de defesa do contribuinte. Nada obstante, não sendo este o entendimento dos demais membros deste colegiado, conheço do recurso voluntário e adentro na apreciação das razões de mérito. Como visto, a unidade de origem indeferiu o pleito ao fundamento de que a doença de que é portador o interessado não se encontra contemplada na norma instituidora do benefício, decisão mantida pela DRJ, que, a despeito da “insuficiência coronariana grave” de que aquele seria portador, não foram apontadas, no parecer médico, as sequelas legitimadoras do pedido, tal como se encontram elencadas no art.4°, inciso I, do Decreto n.º 3.298/99, com redação conferida pelo Decreto n.º 5.296/2004, e no art.1°, §1°, da Lei no 8.989/95. De fato, não é só a insuficiência cardíaca que legitima o pedido isencional, visto que, para ter direito ao benefício, a situação do interessado deve enquadrarse numa das hipóteses taxativamente elencadas no inciso I do art. 4º do Decreto n.º 3.298, de 1999: Art. 4. É considerada pessoa portadora de deficiência a que se enquadra nas seguintes categorias: I – deficiência física alteração completa ou parcial de um ou mais segmentos do corpo humano, acarretando o comprometimento da função física, apresentandose sob a forma de paraplegia, paraparesia, monoplegia, monoparesia, tetraplegia, tetraparesia, triplegia, triparesia, hemiplegia, hem/paiesta, ostomia, amputação ou ausência de membro, paralisia cerebral, nanismo, membros com deformidade congênita ou adquirida, exceto as deformidades estéticas e as que não produzam dificuldades para o desempenho de funções; (Redação dada pelo Decreto n°5.296, de 2004); (...) É como já entendeu a 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara desta Terceira Seção: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Fl. 78DF CARF MF Impresso em 18/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 0/07/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 17/07/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10120.003235/200814 Acórdão n.º 3202000.820 S3C2T2 Fl. 77 5 Data do fato gerador: 09/08/2004 IPI. ISENÇÃO DE DEFICIÊNCIA FÍSICA. As doenças cardíacas não estão no rol das deficiências que geram a isenção do IPI, ainda que consideradas deficiências físicas para o INSS. Recurso negado. (Acórdão n.º 340100.931, de 26/08/2010, Rel. Jean Cleuter Simões Mendonça). No caso em exame, o derradeiro laudo médico detalhou da seguinte forma a deficiência de que é portador o interessado (fl. 47): “Sequela de sua capacidade funcional devido a múltiplos infartos do miocárdio, evoluindo com deformidade cardíaca adquirida que o dificulta de exercer o desempenho de suas funções. Necessita de veículo automático e hidramático”. Como se vê, o mencionado laudo – que, ressaltese, não vincula a Administração Tributária –, além de não enquadrar a situação do interessado em nenhuma das deficiências elencadas no inciso I do art. 4º do Decreto n.º 3.298, de 1999, não permite que aqui também o faça, pois a mera dificuldade de desempenhar funções não pode ir tão longe – porque afastadas até pelo senso comum – a ponto de enquadrar a situação do interessado numa das deficiências físicas prevista na norma, tal como se pretende no recurso quando o interessado referese à paraparesia, espécie de paralisia incompleta de nervo ou músculo dos membros inferiores que não perderam inteiramente a sensibilidade e o movimento, deficiência que diverge da paraplegia apenas porque esta se apresenta de forma completa. Esse também é o entendimento do Poder Judiciário, conforme demonstra, embora se referindo a uma enfermidade diversa, a seguinte ementa de decisão prolatada pelo Tribunal Regional Federal da 5ª Região: TRIBUTÁRIO. MANDADO DE SEGURANÇA. ISENÇÃO. IPI. PORTADOR DE INSUFICIÊNCIA CARDÍACA. LEI Nº 8.989/95. VEICULO AUTOMOTOR. 1. Por força do art. 111, inc. II, do CTN, interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre outorga de isenção. 2. A Lei n.º 8.989/95, ao dispor sobre a isenção de IPI sobre a aquisição de veículo automotor por deficiente físico, não elencou como destinatário do referido benefício os portadores de neoplasias, ainda que severas, de sorte que sua extensão, até por força do art. 150, § 6.º, da CF/88, e do art. 97, inc. VI, do CTN, é incabível. 3. A prova pericial realizada sobre fato atual refere que a operação a que se submeteu o autor resultou em extirpação do tumor, não havendo mais resquícios de neoplasia, nem seqüelas importantes e/ou incapacitantes para as suas atividades normais. (TRF4, APELAÇÃO CÍVEL Nº 2004.70.00.0405743/PR, Des. Federal OTÁVIO ROBERTO PAMPLONA, publicado em 22/1/2009). Fl. 79DF CARF MF Impresso em 18/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 0/07/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 17/07/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 6 Considerando que, como cediço, a concessão de benefício fiscal reclama interpretação estrita por força do art. 111, II, do CTN, não há como dar guarida à pretensão do interessado. Pelo exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. É como voto. Charles Mayer de Castro Souza Fl. 80DF CARF MF Impresso em 18/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 0/07/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 17/07/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES
score : 1.0
Numero do processo: 10218.720663/2007-37
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 16 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Jul 10 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2003
SUJEIÇÃO PASSIVA. ÔNUS DA PROVA.
Havendo o contribuinte apresentado a DITR, na qualidade de proprietário do imóvel rural, a hipótese de ilegitimidade passiva somente pode ser considerada caso o contribuinte demonstrasse de forma inequívoca que deixou de ter a propriedade, o domínio útil ou a posse de imóvel. A alegação de alienação do imóvel desacompanhada de qualquer documento comprobatório não pode prosperar.
NULIDADE. INOCORRÊNCIA. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. ARBITRAMENTO DO VTN. PUBLICIDADE DAS INFORMAÇÕES DO SIPT.
Comprovada a regularidade do procedimento fiscal, que atendeu aos preceitos estabelecidos no art. 142 do CTN e presentes os requisitos do art. 11 do Decreto nº 70.235, de 1972, não há que se cogitar em nulidade do lançamento.
A falta de publicidade dos dados contidos no SIPT, utilizados no arbitramento do VTN, em nada obstaculiza a defesa do contribuinte, posto que para contrapor o arbitramento basta a apresentação de laudo de avaliação do imóvel, que demonstre de forma inequívoca o VTN declarado.
VALOR DA TERRA NUA (VTN). ARBITRAMENTO.
O arbitramento do VTN, apurado com base nos valores do Sistema de Preços de Terra (SIPT), deve prevalecer sempre que o contribuinte deixar de comprovar o VTN informado na Declaração do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (DITR). por meio de laudo de avaliação, elaborado nos termos da NBR-ABNT 14653-3.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2102-002.576
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em afastar as preliminares suscitadas e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso.
Assinado digitalmente
JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS Presidente.
Assinado digitalmente
NÚBIA MATOS MOURA Relatora.
EDITADO EM: 20/05/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Acácia Sayuri Wakasugi, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, José Raimundo Tosta Santos, Núbia Matos Moura, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Rubens Maurício Carvalho.
Nome do relator: NUBIA MATOS MOURA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2003 SUJEIÇÃO PASSIVA. ÔNUS DA PROVA. Havendo o contribuinte apresentado a DITR, na qualidade de proprietário do imóvel rural, a hipótese de ilegitimidade passiva somente pode ser considerada caso o contribuinte demonstrasse de forma inequívoca que deixou de ter a propriedade, o domínio útil ou a posse de imóvel. A alegação de alienação do imóvel desacompanhada de qualquer documento comprobatório não pode prosperar. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. ARBITRAMENTO DO VTN. PUBLICIDADE DAS INFORMAÇÕES DO SIPT. Comprovada a regularidade do procedimento fiscal, que atendeu aos preceitos estabelecidos no art. 142 do CTN e presentes os requisitos do art. 11 do Decreto nº 70.235, de 1972, não há que se cogitar em nulidade do lançamento. A falta de publicidade dos dados contidos no SIPT, utilizados no arbitramento do VTN, em nada obstaculiza a defesa do contribuinte, posto que para contrapor o arbitramento basta a apresentação de laudo de avaliação do imóvel, que demonstre de forma inequívoca o VTN declarado. VALOR DA TERRA NUA (VTN). ARBITRAMENTO. O arbitramento do VTN, apurado com base nos valores do Sistema de Preços de Terra (SIPT), deve prevalecer sempre que o contribuinte deixar de comprovar o VTN informado na Declaração do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (DITR). por meio de laudo de avaliação, elaborado nos termos da NBR-ABNT 14653-3. Recurso Voluntário Negado
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em afastar as preliminares suscitadas e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso. Assinado digitalmente JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS Presidente. Assinado digitalmente NÚBIA MATOS MOURA Relatora. EDITADO EM: 20/05/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Acácia Sayuri Wakasugi, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, José Raimundo Tosta Santos, Núbia Matos Moura, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Rubens Maurício Carvalho.
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ÔNUS DA PROVA. Havendo o contribuinte apresentado a DITR, na qualidade de proprietário do imóvel rural, a hipótese de ilegitimidade passiva somente pode ser considerada caso o contribuinte demonstrasse de forma inequívoca que deixou de ter a propriedade, o domínio útil ou a posse de imóvel. A alegação de alienação do imóvel desacompanhada de qualquer documento comprobatório não pode prosperar. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. ARBITRAMENTO DO VTN. PUBLICIDADE DAS INFORMAÇÕES DO SIPT. Comprovada a regularidade do procedimento fiscal, que atendeu aos preceitos estabelecidos no art. 142 do CTN e presentes os requisitos do art. 11 do Decreto nº 70.235, de 1972, não há que se cogitar em nulidade do lançamento. A falta de publicidade dos dados contidos no SIPT, utilizados no arbitramento do VTN, em nada obstaculiza a defesa do contribuinte, posto que para contrapor o arbitramento basta a apresentação de laudo de avaliação do imóvel, que demonstre de forma inequívoca o VTN declarado. VALOR DA TERRA NUA (VTN). ARBITRAMENTO. O arbitramento do VTN, apurado com base nos valores do Sistema de Preços de Terra (SIPT), deve prevalecer sempre que o contribuinte deixar de comprovar o VTN informado na Declaração do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (DITR). por meio de laudo de avaliação, elaborado nos termos da NBRABNT 146533. Recurso Voluntário Negado AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 21 8. 72 06 63 /2 00 7- 37 Fl. 136DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 28/05/2013 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10218.720663/200737 Acórdão n.º 2102002.576 S2C1T2 Fl. 137 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em afastar as preliminares suscitadas e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso. Assinado digitalmente JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS – Presidente. Assinado digitalmente NÚBIA MATOS MOURA – Relatora. EDITADO EM: 20/05/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Acácia Sayuri Wakasugi, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, José Raimundo Tosta Santos, Núbia Matos Moura, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Rubens Maurício Carvalho. Relatório Contra BANCO ARBI S/A foi lavrada Notificação de Lançamento, fls. 01/03, para formalização de exigência de Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (ITR), relativa ao exercício 2003, no valor de R$ 246.568,02, incluindo multa de ofício e juros de mora, estes calculados até 30/11/2007. A infração apurada pela autoridade fiscal foi arbitramento do valor da terra nua (VTN), que foi alterado de R$ 10.000,00 para R$ 530.735,04, mediante utilização do valor extraído do Sistema de Preços de Terra (SIPT). Inconformado com a exigência, o contribuinte apresentou impugnação, fls.22/29, que foi considerada improcedente, por unanimidade de votos, pela autoridade julgadora de primeira instância, conforme acórdão DRJ/BSB nº 0344.891, de 14/09/2011, fls.74/90. Cientificado da decisão de primeira instância em 26/10/2011, fls. 93, o contribuinte apresentou, em 24/11/2011, recurso voluntário, fls. 94/110, trazendo as alegações a seguir resumidas: Da ilegitimidade passiva da recorrente – A recorrente alienou onerosamente a Fazenda Campo Alegre, pelo que não responde mais pelas eventuais dívidas decorrentes do imóvel. Fl. 137DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 28/05/2013 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10218.720663/200737 Acórdão n.º 2102002.576 S2C1T2 Fl. 138 3 Da nulidade do Auto de Infração em razão da inexistência da descrição circunstanciada da forma com efetuado o arbitramento – falta de acesso ao SIPT – Na Notificação de Lançamento não há qualquer menção ao valor da terra nua arbitrado, a partir do qual a autoridade fiscal teria chegado ao valor total do imóvel. Ou seja, sabese qual o valor total do imóvel arbitrado, mas não se sabe como o auditor fiscal chegou a tal valor, pois não foi especificado o VTN utilizado no arbitramento. Quando da apresentação da impugnação, o recorrente, além de não ter conhecimento sobre a origem e as fontes dos dados, não sabia quais valores tinham sido utilizados pela fiscalização para se chegar ao valor total do imóvel, o que impossibilitou – e ainda impossibilita – de aferir a legitimidade de tais informações, fato que cerceou o direito de defesa do recorrente. Necessidade de revisão do lançamento – O valor da terra nua do imóvel, declarado, foi alcançado depois de diligências in loco, verificando os estados das benfeitorias e pastagens e da área do terreno como um todo, constatandose que, em razão do terreno irregular, dos inúmeros aclives e declives que circundam a propriedade rural e das áreas que, muito embora pudessem ser destinadas à agricultura, não permitem a instalação de infraestrutura, já que localizadas em topo de morros. Verificase que o engenheiro, signatário do laudo apresentado pelo recorrente, após análise detida de todas as áreas que compõe o imóvel e de seu estado de conservação, concluiu que as partes do imóvel possuem os seguintes valores: valor das benfeitorias – R$ 0,00, valor das pastagens – R$ 0,00, valor da terra nua – R$ 10.000,00, valor total do imóvel – R$ 10.000,00. Outrossim, percebese que tal fato é atestado pela pesquisa elaborada com corretores da região, mormente quando aplicados os índices de homogeneização para encontrar o valor relativo do imóvel inspecionado. O valor do imóvel é aquele declarado, não o arbitrado pela Receita Federal do Brasil, que atribuiu valor absurdo ao bem e que em nada condiz com o seu valor de mercado, tampouco com o valor pelo qual, à época, foi adquirido, devendo ser dado integral provimento ao presente recurso. Consigna o recorrente que juntará aos autos, em breve, outro laudo de avaliação do imóvel, mais detalhado e definitivo. É o Relatório. Fl. 138DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 28/05/2013 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10218.720663/200737 Acórdão n.º 2102002.576 S2C1T2 Fl. 139 4 Voto Conselheira Núbia Matos Moura, relatora O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. Em sede preliminar o contribuinte suscita, primeiramente, a ilegitimidade passiva, argüindo que alienou onerosamente a Fazenda Campo Alegre, razão porque não responderia mais pelas eventuais dívidas decorrentes do imóvel. Ocorre que, conforme bem alertado na decisão recorrida, não consta dos autos qualquer documento que comprove que o contribuinte tenha de fato alienado o imóvel em questão, seja antes ou depois de ocorrido o fato gerador do imposto exigido no lançamento. Outrossim, apesar de ter sido alertado na decisão recorrida da falta de documentação que comprovasse a aventada alienação, o contribuinte, no recurso, insiste na tese de ilegitimidade passiva, entretanto, não traz aos autos qualquer documento que demonstre a veracidade de sua alegação. E mais, o contribuinte apresentou a DITR do exercício correspondente ao lançamento na qualidade de proprietário do imóvel. Nestes termos, afastase a preliminar de ilegitimidade passiva, em razão da total falta de comprovação da alegação de alienação da Fazenda Campo Alegre. Ainda preliminarmente o recorrente suscita nulidade do lançamento por cerceamento do direito de defesa, por entender que na Notificação de Lançamento não há qualquer menção ao valor da terra nua arbitrado, a partir do qual a autoridade fiscal teria chegado ao valor total do imóvel. Argúi também que não se sabe como o auditor fiscal chegou a tal valor, pois não foi especificado o VTN utilizado no arbitramento. De imediato, cumpre dizer que o lançamento foi levado a efeito por autoridade competente e dado ao contribuinte o direito de defesa, no momento da apresentação da impugnação e do recurso voluntário, que ora se analisa. Temse, ainda, que na lavratura da Notificação de Lançamento foram cumpridas todas as formalidades estabelecidas no artigo 142 da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional (CTN) e o lançamento está em perfeito acordo com as exigências previstas no art. 11 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, que regula o processo administrativo fiscal. No que se refere à descrição dos fatos, a autoridade fiscal foi clara ao afirmar que o lançamento foi motivado pela falta de comprovação do valor da terra nua (VTN), por meio de laudo de avaliação do imóvel, conforme estabelecido na NBR 14.653 da ABNT e disse ainda que o arbitramento teve por base as informações do Sistema de Preços de Terra (SIPT), sendo certo que no Demonstrativo de Apuração do Imposto Devido, fls. 02, parte integrante da Notificação de Lançamento, consta que o VTN foi alterado de R$ 10.000,00 para R$ 530.735,04. Logo, se o VTN do imóvel considerado para fins de lançamento foi de Fl. 139DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 28/05/2013 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10218.720663/200737 Acórdão n.º 2102002.576 S2C1T2 Fl. 140 5 R$$ 530.735,04 e o imóvel tem área total de 8.712,0 ha, chegase, por regra de três simples, ao valor de R$ 60,92/ha. Portanto, nada há a obstar a defesa do contribuinte, sendo certo que, no caso de o recorrente não concordar com o valor adotado no arbitramento do VTN, para elidir o lançamento, bastaria trazer aos autos o laudo de avaliação do imóvel, que atendesse ao estabelecido na NBRABNT 14.653. Aliás, a possibilidade do arbitramento do VTN, a partir de sistema instituído pela Secretaria da Receita Federal, consta especificamente no art. 14 da Lei nº 9.393, de 19 de dezembro de 1996. Utilizando tal autorização legislativa, a Secretaria da Receita Federal do Brasil, pela Portaria SRF nº 447/2002, instituiu o Sistema de Preços de Terras (SIPT), o qual é alimentado com informações das Secretarias de Agricultura ou entidades correlatas, bem como com os valores da terra nua que constam da base de declarações do ITR. Vêse, portanto, que a instituição do SIPT está prevista em lei, sendo certo que a autoridade fiscal quando da lavratura da Notificação de Lançamento não incorreu em qualquer violação ao direito de defesa do contribuinte. Digase, ainda, que a falta de publicidade dos dados contidos no SIPT em nada obstaculiza a defesa do contribuinte, posto que, conforme já dito, para contrapor o arbitramento do VTN bastaria ao contribuinte trazer aos autos laudo de avaliação do imóvel que demonstrasse de forma inequívoca o VTN declarado. Nessa conformidade, afastase a preliminar de nulidade do lançamento, por cerceamento do direito de defesa, suscitado pelo contribuinte. No mérito, o contribuinte insiste em afirmar que o VTN declarado está correto, posto que confirmado mediante laudo, emitido por engenheiro. De pronto, cumpre dizer que o documento intitulado pelo recorrente como laudo de avaliação, fls. 13, foi emitido em 14/09/1998, pela Companhia Brasileira de Leilões e está assinado por corretor de imóveis, sendo redigido nos seguintes termos: REF. AVALIAÇÃO DAS GLEBAS REMANESCENTES DA FAZENDA CAMPO ALEGRE DE PROPRIEDADE DO BANCO ARBI LAUDO PRELIMINAR Após visita de nosso avaliador a estas glebas chegamos conclusão que devido a posse do imóvel estar nas mãos de diversos posseiros e, levandose em consideração que a região de Santana do Araguaia é uma região de grande conflito de terra, constatamos que o mercado imediato para as referidas glebas é praticamente inexistente, por tanto, sugerimos um valor de RS 10.000,00 (Dez mil reais) por todas as glebas. Como se vê, tal documento não pode ser tomado como Laudo de Avaliação, posto que sequer identifica, mediante descrição completa, o imóvel avaliado, não foi assinado por engenheiro, não atende aos requisitos estabelecidos na NBRABNT 14.653, tampouco Fl. 140DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 28/05/2013 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10218.720663/200737 Acórdão n.º 2102002.576 S2C1T2 Fl. 141 6 possui a anotação de responsabilidade técnica (ART). E mais, foi emitido em 1998, data bastante anterior ao exercício examinado no lançamento. A decisão recorrida ao fundamentar a manutenção do arbitramento traz uma verdadeira infinidade de motivos para se contrapor a pretensão do recorrente de ver mantido o VTN declarado, de modo que reproduzo a fundamentação ali esposada, ao passo que as adoto integramente: No caso, o citado “Laudo Preliminar”, às fls. 13, não é documento hábil para revisão do VTN arbitrado para o exercício de 2003, primeiramente por tratarse de um documento não elaborado por um engenheiro habilitado, como alegado pela impugnante, e sim pela “Cia. Brasileira de Leilões”, com a aposição de um número de Conselho Regional de Corretores de Imóveis (CRECI), e, portanto, por um corretor de imóveis. Em segundo lugar, o valor nele informado referese ao valor venal do imóvel, idêntico ao declarado, não fazendo referência nenhuma quanto ao VTN, valor de benfeitorias ou de pastagens, como, também, alegado pela impugnante. Em terceiro lugar, o valor venal nele constante, além de não se referir à data do fato gerador do exercício, posto que sua emissão é de 14.09.1998, referese a uma sugestão sobre a “avaliação das glebas remanescentes da fazenda Campo Alegre de propriedade do Banco Arbi”, não especificando qual é a dimensão dessas glebas remanescentes. Não obstante, esses fatos serem, por si sós, isoladamente, inclusive, suficientes para a rejeição desse “Laudo”, como documento hábil para revisão do VTN arbitrado, ele, também, não segue as normas da ABNT, até porque emitido por profissional não competente, com a devida Anotação de Responsabilidade Técnica (ART), nos termos da Lei nº 6.496, de 07.12.1977, para um Laudo com fundamentação e grau de precisão II, não demonstrando, de forma clara e inequívoca, o valor fundiário do imóvel à época do fato gerador do ITR/2003 (1º.01.2003), como já dito, nem a existência de características particulares desfavoráveis, que justificassem um VTN/ha abaixo do arbitrado pela fiscalização com base no SIPT. Outrossim, não obstante alegação em contrário da impugnante, o autor do trabalho não fez, de maneira objetiva, a comparação qualitativa das características particulares do imóvel em comparação com as demais terras dos imóveis rurais circunvizinhos, não evidenciando, de forma inequívoca, que o mesmo possui características particulares desfavoráveis diferentes das características gerais da microrregião de sua localização, para fins de justificar a revisão pretendida. (...) Ademais, reiterase que tal documento foi emitido mais de 5 (cinco) anos antes do fato gerador do exercício em questão, constando apenas o valor venal do imóvel e não o valor da terra Fl. 141DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 28/05/2013 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10218.720663/200737 Acórdão n.º 2102002.576 S2C1T2 Fl. 142 7 nua. E mesmo que tal documento fosse relativo ao exercício em questão, ele seria apenas fonte que deve ser analisada dentro do contexto e juntamente com um Laudo Técnico de Avaliação, conforme descrito anteriormente, e outros documentos. Cabe registrar que o “Laudo” apresentado pela impugnante, para o exercício de 2003, além de não se referir ao exercício em questão, é o mesmo apresentado para o exercício de 2004, referente ao mesmo imóvel rural, juntado aos autos do Processo nº 10218.720675/200761, também, julgado nesta Sessão, apresentando idêntico valor venal para o imóvel R$ 10.000,00, levandose a hipótese de que não haveria oscilações no mercado imobiliário rural no transcorrer dos anos, fato que em nosso entendimento seria muito difícil ocorrer. Além disso, esse mesmo “Laudo” foi apresentado nos autos dos Processos nº 10218.720664/200781 e nº 10218.720676/2007 14, referentes, respectivamente, aos exercícios de 2003 e de 2004, relativos aos lançamentos suplementares das DITR do imóvel de NIRF 6.866.2238, com área total de 3.456,0ha, também, de propriedade da impugnante. Em síntese, não tendo sido apresentado “Laudo de Avaliação”, com as exigências apontadas anteriormente, e sendo tal documento imprescindível para demonstrar que o valor fundiário do imóvel, a preços de 1º.01.2003, está compatível com a distribuição das suas áreas, de acordo com as suas características particulares e classes de exploração, não cabe alterar o VTN arbitrado pela fiscalização. Assim sendo, entendo que deva ser mantida a tributação do imóvel com base no VTN de R$ 530.735,04 (R$ 60,92/ha), arbitrado pela fiscalização com base no SIPT. Diante da farta fundamentação acima transcrita, devese manter o arbitramento do VTN do imóvel, nos termos em que consubstanciado na Notificação de Lançamento. Ante o exposto, voto por afastar as preliminares suscitadas e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso. Assinado digitalmente Núbia Matos Moura Relatora Fl. 142DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 28/05/2013 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10218.720663/200737 Acórdão n.º 2102002.576 S2C1T2 Fl. 143 8 Fl. 143DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 28/05/2013 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS
score : 1.0
Numero do processo: 13851.000800/2006-55
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 29 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Wed Jul 29 00:00:00 UTC 2009
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF
Exercício: 2001, 2002, 2003, 2004, 2005
NULIDADE - CARÊNCIA DE FUNDAMENTO LEGAL - INEXISTÊNCIA - As hipóteses de nulidade do procedimento são as elencadas no artigo 59, do Decreto 70.235, de 1972, não havendo que se falar
em nulidade por outras razões.
IRPF - DEDUÇÃO - DESPESAS MÉDICAS - GLOSA - Cabe ao sujeito
passivo a comprovação, com documentação idônea, da efetividade da despesa médica utilizada como dedução na declaração de ajuste anual. A falta da comprovação permite o lançamento de oficio do imposto que deixou de ser pago.
DESPESAS ESCRITURADAS NO LIVRO CAIXA - CONDIÇÃO DE DEDUTIBILIDADE - NECESSIDADE E COMPROVAÇÃO - Somente são admissíveis como dedutíveis despesas que, além de preencherem os requisitos de necessidade, normalidade e usualidade, apresentarem-se com a
devida comprovação, com documentos hábeis e idôneos e que sejam
necessárias à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora.
MULTA DE OFÍCIO - CONFISCO - Em se tratando de lançamento de
oficio, é legítima a cobrança da multa correspondente, por falta de pagamento do imposto, sendo inaplicável o conceito de confisco que é dirigido a tributos.
Preliminares rejeitadas.
Numero da decisão: 2202-000.171
Decisão: Por unanimidade de votos, REJEITAR as preliminares argüidas pelo Recorrente e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso.
Matéria: IRPF- ação fiscal - outros assuntos (ex.: glosas diversas)
Nome do relator: Pedro Anan Júnior
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conteudo_txt : Metadados => date: 2009-10-02T20:18:09Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2009-10-02T20:18:08Z; Last-Modified: 2009-10-02T20:18:09Z; dcterms:modified: 2009-10-02T20:18:09Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; Last-Save-Date: 2009-10-02T20:18:09Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2009-10-02T20:18:09Z; meta:save-date: 2009-10-02T20:18:09Z; pdf:encrypted: false; modified: 2009-10-02T20:18:09Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2009-10-02T20:18:08Z; created: 2009-10-02T20:18:08Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 17; Creation-Date: 2009-10-02T20:18:08Z; pdf:charsPerPage: 1771; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2009-10-02T20:18:08Z | Conteúdo => S3-C4T2 Fl. 1 44.52 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS 4,,,.,:,117 TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 13851.000800/2006-55 Recurso n° 166.239 Voluntário Acórdão n° 3402-00171 — 4 a Câmara / 2 Turma Ordinária Sessão de 29 de julho de 2009 Matéria IRPF Recorrente PEDRO ROBERTO SANCHES Recorrida 3 TURMA/DRJ-SÂO PAULO/SPII ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Exercício: 2001, 2002, 2003, 2004, 2005 NULIDADE - CARÊNCIA DE FUNDAMENTO LEGAL - INEXISTÊNCIA - As hipóteses de nulidade do procedimento são as elencadas no artigo 59, do Decreto 70.235, de 1972, não havendo que se falar em nulidade por outras razões. IRPF - DEDUÇÃO - DESPESAS MÉDICAS - GLOSA - Cabe ao sujeito passivo a comprovação, com documentação idônea, da efetividade da despesa médica utilizada como dedução na declaração de ajuste anual. A falta da comprovação permite o lançamento de oficio do imposto que deixou de ser pago. DESPESAS ESCRITURADAS NO LIVRO CAIXA - CONDIÇÃO DE DEDUTIBILIDADE - NECESSIDADE E COMPROVAÇÃO - Somente são admissíveis como dedutíveis despesas que, além de preencherem os requisitos de necessidade, normalidade e usualidade, apresentarem-se com a devida comprovação, com documentos hábeis e idôneos e que sejam necessárias à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora. MULTA DE OFÍCIO - CONFISCO - Em se tratando de lançamento de oficio, é legítima a cobrança da multa correspondente, por falta de pagamento do imposto, sendo inaplicável o conceito de confisco que é dirigido a tributos. Preliminares rejeitadas. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, /---------- 1 Processo n° 13851.000800/2006-55 S3-C4T2 Acórdão n.° 3402-00171 Fl. 2 REJEITAR as preliminares argüidas pelo Recorrente e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. • / N :real( AO-sresidente onoÁlii , PE i 1' O ANA JÚNIOR — Relator FORMALIZADO EM: 78 SET 2009 Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Antonio Lopo Martinez, Heloisa Guarita Souza, Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Pedro Anan Júnior, Gustavo Lian Haddad e Nelson Mallmann (Presidente). 2 Processo n° 13851.000800/2006-55 S3-C4T2 Acórdão n.° 3402-00171 Fl. 3 Relatório Em ação fiscal levada a efeito no contribuinte Pedro Roberto Sanches, inscrito no CPF sob n o 010.877.778-28, foi lavrado o Auto de Infração de fls. 12/17, acompanhado dos demonstrativos de fls. 02 e 18/25, do Relatório Fiscal de fls. 26/49 e do Termo de Encerramento de fls. 103, relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, anos- calendário 2000, 2001, 2002, 2003 e 2004, por meio do qual foi apurado crédito tributário no montante de R$ 198.570,16 (cento e noventa e oito mil, quinhentos e setenta reais e dezesseis centavos), sendo R$ 71.983,57 referentes ao imposto, R$ 87.393,52, à multa de oficio proporcional, e R$ 39.193,07, aos juros de mora (calculados até 31/07/2007). Conforme Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal (fls. 91/97), o procedimento teve origem na apuração das seguintes infrações: 1.0missão de Rendimentos do Trabalho com Vínculo Empregatício Recebidos de Pessoa Jurídica 2.Dedução da Base de Cálculo Pleiteada Indevidamente (Ajuste Anual) — Dedução Indevida de Despesas Médicas 3.Dedução da Base de Cálculo Pleiteada Indevidamente (Ajuste Anual) — Dedução Indevida de Despesas de Livro Caixa 4.Dedução da Base de Cálculo Pleiteada Indevidamente (Ajuste Anual) — Dedução Indevida de Despesa com Instrução O procedimento fiscal encontra-se relatado no Relatório Fiscal de fls. 26/49. Cientificado da autuação em 27/07/2006 (fls. 339), o contribuinte protocolizou, em 28/08/2006, a impugnação de fls. 352/383, alegando, em resumo, o que segue, que foi devidamente sintetizado pela DRJ: O auto de infração não foi numerado, o que descura o dever de lealdade que deve nortear a atuação do fisco porquanto não tem como ser aferido se todo o material enviado é efetivamente completo; Assim, verifica-se que: i) não existe comprovação veraz acerca das glosas havidas; h) o Auto de Infração não atende ao princípio da persuasão racional e da fundamentação; ih) o Auto de Infração não está formalmente correto por não estar numerado; Não se observou de forma adequada, jurídica e elicaz a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente nem se determinou a matéria tributável ou o cálculo do montante do tributo devido; 3 Processo n° 13851.000800/2006-55 S3-C4T2 Acórdão n.° 3402-00171 Fl. 4 Em sede de procedimento fiscal, o contribuinte foi notificado a apresentar documentos comprobatórios e idôneos, que foram encaminhados em parte, tendo solicitado verbalmente, por meio de seu preposto, prazo adicional para a apresentação dos demais. Como o volume era considerável, era indicado que se aguardasse, vez que o contribuinte não estava a provocar qualquer ato de embaraço; Entretanto, como o auditor, encerrou seu trabalho de forma intempestiva, tal documentação está sendo apresentada agora junto com a impugnação; Esta atitude de encerrar o procedimento fiscal gerou claro cerceamento de defesa, sendo nulo de pleno direito o auto de infração e imposição de multa; Sendo o lançamento um ato jurídico administrativo, cabe ao Administrador Público, ao constituir o crédito tributário, fazê-lo de modo que fiquem demonstrados os fatos que ensejaram o ato administrativo. No caso do lançamento tributário, é a ocorrência do fato jurídico tributário chamado impropriamente de fato gerador, isto é, a ocorrência no mundo fisico daquele fato hipoteticamente descrito no antecedente da norma jurídica tributária. Se o Agente Público não respeitar esta regra não terá acabado a sua obra, invalidando o seu ato; Traz à colação, ensinamentos de Paulo de Barros Carvalho sobre os elementos do ato administrativo e de Hely Lopes Meireles a respeito da motivação dos atos administrativos; O lançamento tributário possui natureza declaratória, ou seja, reporta-se a um fato já ocorrido, que, nas relações tributárias, é o fato jurídico tributário (fato gerador); No caso concreto, a Agente Fiscal se restringiu a elaborar rol de planilhas com valores, juros e multa, sem, contudo, demonstrar quais foram os fatos jurídicos que deram fundamento a tal somatória; Em nenhum momento o Sr. Fiscal procurou demonstrar a subsunçã o do conceito do fato ao conceito da norma, deixando de apresentar todos estes elementos que integram o suposto fato jurídico tributário. Não foram apresentados no ato jurídico administrativo do lançamento tributário os elementos caracterizadores da ocorrência dos fatos jurídicos tributários; Não se pode esquecer do teor do artigo 142 do CIN, que dispõe expressamente que é através do lançamento que se verificará a existência do fato gerador e se determinará a matéria tributável, a qual obriga a que o Administrador Público apresente a ocorrência do fato jurídico tributário e determine a matéria tributável referente a este fato; Da maneira como constou o lançamento do débito, não ficou demonstrada a ocorrência do fato jurídico tributário, além de ter impossibilitado ao contribuinte total compreensão dos motivos 4 Processo n° 13851.000800/2006-55 S3-C4T2 Acórdão n.° 3402-00171 Fl. 5 que levaram ao lançamento do débito, cerceando o seu direito de defesa; Da simples análise dos fatos que deram azo à lavratura do Auto de Infração, conclui-se que o AFRF não procedeu a qualquer análise dos recibos; não circularizou tal ocorrência, de modo a checar as fontes recebedoras e pagadoras; promoveu glosas sem qualquer fundamentação e, por fim, não propiciou ao contribuinte que na fase procedimental pudesse produzir todas as provas necessárias. Tal ocorrência fica óbvia em sede de impugnação com a juntada de considerável volume de documentos comprobatórios, que seriam perfeitamente apresentados na fase do procedimento se o auditor não tivesse encerrado o MPF e lavrado o AIIM, gerando cerceamento de defesa e fulminando seu trabalho de nulidade; As despesas médicas, odontológicas, fisioterápicas e de psicologia efetivamente ocorreram e os valores foram pagos pelo impugnante, tendo sido lançados em livro caixa ou contábil próprio e informados à Receita Federal por meio das declarações oficiais; Os profissionais RENATA SQUARIZ BROTTO, VIRGÍNIA MESQUITA BARROS DE MOURA, LAURA BEATRIZ A. DELFINI SILVA, MÁRCIA APARECIDA GASPARINI MÁSIERO e MARINA MOURA firmaram declaração atestando a realização de trabalhos ao impugnante e seus dependentes, assim como o PLANO DE SAÚDE UNIMED ARARAQUARA; Foram apresentadas cópias autenticadas dos recibos relativos aos serviços prestados pelos profissionais ANA CAROLINA C. SILVA, REGINALDO WANDERLEY, PATRICIA B. AMARAL, LAURA BEATRIZ A. DELFINI SILVA, LUCI SOARES, ANTONIO J. PRADO, ANA CRISTINA S. MACHADO, MÁRCIA APARECIDA GASPARINI MASIERO, SIRLEI F. DE FREITAS PITELLI e MARINA MOURA; As pessoas jurídicas SERVIÇO DE DOCUMENTAÇÃO ODONTOLÓGICA DE ARARA QUARA LTDA e CENTRO DE ATENDIMENTO À SAÚDE BUCAL S/C LTDA emitiram notas fiscais comprovando o serviço prestado e a UNIODONTO ARARA QUARA, o recibo original no valor de R$ 20,04, emitido em 10/10/2001; Reproduz jurisprudência do Conselho de Contribuinte no sentido da admissão da dedução de despesas com fulcro no artigo 80 do RIR/99, quando o impugnante apresenta os originais emitidos pelos profissionais e declarações reafirmando os serviços prestados; Foram acostadas aos autos as declarações de pagamento emitidas pelo CENTRO UNIVERSITÁRIO ARARAQUARA — UNIARA (R$ 672,00— ano de 2000; R$ 2.098,42 — ano de 2004) , COLÉGIO PROGRESSO DE ARARAQUARA (dependente Patrícia Nogueira Sanches: R$ 2.855,50 —ano 2000; R$ 3.425,00 — ano 2001; R$ 3.862,50 — ano 2002; dependente Juliana Q5 Processo n° 13851.000800/2006-55 S3-C4T2 Acórdão n.° 3402-00171 Fl. 6 Nogueira Sanches R$ 2.572,00 — ano 2000; R$ 3.280,90 — ano 2001; R$ 3.815,10 — ano-calendário 2003; R$ 4.200,00 — ano 2004); DIÁLOGO SOCIEDADE CIVIL DE ENSINO (R$ 2.658,90— ano 2003; R$ 2.371,90— ano 2004); INSTITUTO ED. CULT. LICEU MONTEIRO LOBATO (R$ 1.971,40 — ano 2004). Assim, resta demonstrado que as glosas havidas em relação a tais chancelas são indevidas; Embora o contribuinte mantenha regular e válida escrituração do livro-caixa, tais registros não foram adequadamente analisados e tampouco cotejados pelo Sr. Agente Fiscal, que promoveu a glosa integral dos livros-caixa nos anos de 2000, 2001, 2003 e 2004 e parcial no ano de 2002; Contudo, em nenhum momento do auto de infração demonstra quais os motivos que levaram a tão drástica postura. Assim, todas as glosas levadas a efeito são inadequadas, mesmo aquela feita em relação ao ano de 2002, pois não ficou demonstrado o que foi glosado; Exatamente em relação a 2002, o contribuinte teve despesas com viagens ao exterior, a fim de participar de congressos médicos. Os certificados anexos atestam tal fato e evidenciam a regularidade dos lançamentos. Ademais, o valor glosado no ano de 2002, na ordem de R$ 9.793,40 não ficou demonstrado, ou seja, na prática lançou-se uma glosa nesse patamar sem que exista demonstração de como isso está composto; Dentro de seu direito a mais ampla defesa e ao contraditório, acosta junto com a presente impugnação todos os livros caixa e os documentos comprobatórios, a fim de atestar a regularidade de sua conduta e a incorreiçã o do AIIM; Desta forma, resta cabal, irrefutável e documentalmente comprovado que o impugnante conduziu seus registros dentro de critérios legais estritos e que as glosas representam, como já asseverado, nulidade insanável bem como acentuado gravame, injustificadamente imposto ao contribuinte; As declarações dos profissionais José Fernando Rodrigues dos Santos, Agnaldo Bento Aguiar Belizário e José Marcos de Oliveira de que não prestaram serviços profissionais ao impugnante ou seus dependentes são nulas de pleno direito porquanto firmadas de forma unilateral por pessoas que estão na relação jurídica obrigacional e pretendem com isso sanara a irregularidade praticada exclusivamente por eles em não escriturar livro caixa e tampouco lançar em suas declarações de ajuste tais recebimentos; Os recibos emitidos e assinados pelos profissionais revelam a contraprestação havida; O AIIM foi levado a efeito sem qualquer análise dos documentos e feito com base em presunção. Contudo, a existir a comprovação da realidade (substância), não pode o Fisco 6 Processo n° 13851.000800/2006-55 S3-C4T2 Acórdão n.° 3402-00171 Fl. 7 apartar-se dela e aplicar a forma que ora se contesta, porquanto o real sentido é a busca da essência sobre a forma; A forma eleita pelo fisco e que restou consignada no auto de infração não pode ser admitida sob a ótica da teoria aqui plasmada pelo simples fato que os documentos acostados (recibos, declarações, atestados, notas fiscais, guias, etc) evidenciam em sentido contrário, ou seja, da regularidade da atuação do impugnante; Transcreve lições de José Artur Lima Gonçalves e Geraldo Ataliba a respeito da prevalência da verdade material sobre a verdade formal; O lançamento tributário fundado em auto de infração inegavelmente nulo afronta preceitos e garantias fundamentais da segurança jurídica, da legalidade estrita, tipicidade tributária e moralidade administrativa. Reproduz doutrina de Roque Carazza e Hely Lopes Meirelles sobre o assunto; Compete exclusivamente ao Fisco o ônus de desconstituir a veracidade do procedimento adotado pelo contribuinte, conforme preconiza o art. 11 da Lei n° 8.383/91. O AFRF não diligenciou, como seria seu encargo, a fim de analisar a veracidade do procedimento adotado, não cotejou adequadamente a situação patrimonial e a origem dos valores percebidos e dos pagamentos ocorridos que estariam fora do campo de incidência do IR; 33."A sopesar tais situações e a descurar seu exclusivo encargo de provar, logrou o Fisco promover o lançamento tributário com base apenas na ilação de que a guia de recolhimênto êra incorreta. Não é préeiso maiores esforços exegMeos para se concluir pela total inaplicabilidade do AIIM, ante a total ausência de prova do alegado e a contraprova apresentada pelo contribuinte. "; 34.A fixação das multas de 225%, 112,5% e 75% sem qualquer elemento plausível enseja abuso do poder fiscal de lançamento tributário; Promoveu entrega de parte da documentação requisitada e solicitou dilação para entrega dos demais documentos. Se as informações prestadas, não foram suficientes aos olhos do Fisco, isso, por si só, não autoriza a fixação da multa em patamar abusivo, o que é medida de exceção e somente comporta espaço em pouquíssimos casos e desde que não resulte em confisco; 36.Ainda que no sentido jurídico a multa seja justamente para punir o infrator, tem-se a razoabilidade e a proporcionalidade devem permear sua fixação, sob pena de incorrer em afronta a tais princípios e aos da vedação ao confisco, capacidade contributiva e propriedade. Traz à colação lições de Sacha Calmon Navarro Coelho e Mizabel Derzi, José Carlos Graça Wagner, José Souto Maior Borges, Rodolfo Spisso e jurisprudência do STF sobre a matéria; 7 Processo n° 13851.000800/2006-55 S3-C4T2 Acórdão n.° 3402-00171 Fl. 8 37.A simples análise do quantum exigido a título de multa é suficiente para constatar que o montante ultrapassa em muito o poder de fazer frente do contribuinte, vulnerando o princípio da capacidade contributiva, além de outros princípios já mencionados anteriormente; 38.A própria Constituição Federal, no artigo 150, inciso IV, diz que é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios utilizar tributo com efeito de confisco. Tanto é assim, que recentemente, a Lei n° 9.298, de 01/08/96, em seu artigo 52, § 1", dispõe que as multas de mora decorrentes do inadimplemento de obrigações no seu termo não poderão ser superiores a dois por cento do valor da prestação; 39. Vê-se, desse modo, que a própria legislação civil cuidou de regulamentar a incidência de acréscimos, limitando os percentuais a serem utilizados, a fim de preservar o devedor. Assim, por analogia, caso o AIIM seja confirmado, e em respeito ao princípio da isonomia, o percentual máximo para a aplicação da multa seria de 20%, uma vez que a inflação mensal nos dias de hoje não chega a atingir a escala de 1% Portanto, o percentual da multa aplicada macula este lançamento de débito; 40.A Taxa Referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia — SELIC foi criada apenas e tão somente com a finalidade de remunerar os financiamentos diários apurados para os títulos federais (parágrafo 1°, art. 2°, Circular Bacen 2.686/99 e 2.900/99), constituindo-se como modalidade de juros remuneratórios para o mercado de capitais; 41.D essa forma, a utilização da Taxa Selic para fins tributários afronta claramente o princípio da reserva legal, na medida em que não existe qualquer previsão legislativa que autorize o poder público a empregá-la com efeitos moratórios para atualização de indébitos fiscais; 42.É totalmente vedado valer-se de circulares ou resoluções, instrumentos secundários que não podem inovar no sistema jurídico, a fim de regrar a aplicação de juros e correção monetária; 43.0s Tribunais Superiores sempre que, instados a se manifestar em situações análogas, mantiveram-se em posição clara e objetiva acerca dos limites legais a serem observados. Assim, nulo é o tributo ou a obrigação acessória sem que exista lei prévia que assim o determine. Reproduz escólio do Ministro do STJ, Domingos Franciulli Neto, nesse sentido; 44.Por não ser criada por lei, a Selic não pode servir como parâmetro de atualização dos débitos fiscais. A Lei n° 9.250/95, que, nos artigos 16, 39, § 4° e 14, III, faz menção à Selic, não estabelece os padrões de cálculo para o Poder Executivo, deixando assim de ofertar o critério quantitativo da norma jurídica, razão porque resta patente a quebra do primado da tipicidade tributária; 8 Processo n° 13851.000800/2006-55 S3-C4T2 Acórdão n°3402-00171 Fl. 9 45.Por possuir caráter remuneratório, a taxa Selic assemelha-se à TR — Taxa Referencial, cuja inconstitucionalidade já foi declarada pela ADIn 394-DF; 46.0 STJ em recente maniftstação datada de 17/02/00 argüiu a inconstitucionalidade do sç 4° do artigo 39 da Lei n° 9.250/95. Transcreve jurisprudência que entende ser indevida a utilização da taxa Selic no pagamento de tributos e contribuições federais em atraso; 47.A utilização da taxa Selic de modo a indexar débitos tributários afronta princípios constitucionais fundamentais da segurança jurídica, da legalidade estrita e tipicidade tributária; 48.A segurança jurídica resta afrontada na medida em que o contribuinte não sabe de antemão a conseqüência jurídica das suas próprias ações, já que a determinação e quantificação da taxa Selic fica ao exclusivo encargo do Banco Central do Brasil. É primado basilar de direito a impossibilidade de o credor de forma unilateral seu crédito; 49.0 emprego de atos administrativos (Resoluções do Bacen) para fixação dos critérios de cálculo da taxa Selic viola diretamente a estrita legalidade, pois, na seara do Direito Tributário, os critérios da Regra-Matriz de Incidência Tributária, bem como a descrição das infrações e as sanções aplicáveis deverão estar previstos em Lei; 50. Outorgar ao Bacen a competência de fixar unilateralmente tais índices de juros morató rios é o mesmo que conferir o poder de estabelecer elementos necessários para se quantificar o tributo, violando, assim, o disposto no art. 150, I, da CF/88. É juridicamente impossível transferir a competência tributária do poder legiferante para a administração pública, sendo o seu haja vista que tal competência situa-se no plano constitucional, sendo o seu exercício determinado em momento anterior à própria existência do tributo; 51.0 § 3' do artigo 13 da Lei n° 9.065/95 contempla ainda o direito de a administração, em hipótese alguma, perceber juros de mora inferiores a 1%, ou seja, caso a taxa Selic venha a ser fixada abaixo desse percentual, aplicar-se-ão os juros estabelecidos no artigo 161, § 1°, da Lei n° 5.172/66. Trata-se de verdadeiro abuso, que afronta o primado da moralidade administrativa, inserto no art. 37, caput, da CF/88; 52.A inda que se admitisse a existência de lei ordinária instituindo regularmente a taxa Selic para fins tributários, com fulcro no artigo 161, § 1" do C1N, chegar-se-ia à conclusão de que é permitido à lei ordinária somente fixar o percentual de juros em patamar igual ou inferior ao estabelecido no CTN, que é de 1% ao mês; 53. Caso desejasse superar esse limite, deveria o legislador se valer do mesmo instrumento legislativo usado primeiramente, qual seja, a lei complementar. A lei ordinária pode estabelecer 9 Processo n° 13851.000800/2006-55 S3-C4T2 Acórdão n°3402-00171 Fl. 10 juros iguais ou inferiores a 1%; nunca, superiores ao limite estabelecido no C7'N, que foi recepcionado como lei complementar; 54.Nã o se pode desprezar o art. 193, § 3° da Constituição Federal, a ditar que a taxa de juros não pode ser superior a 12% ao ano. Embora se trate de norma de eficácia limitada ou contida, o art. 193, § 3° estabelece um dever para o legislador ordinário e condiciona a legislação futura: a inconstitucionalidade das leis, decretos ou demais atos que com ela conflitem; 55.Destarte, além das ilegalidades e inconstitucionalidades aduzidas, a imposição da multa e da Selic resulta no bis in idem moratória cuja ocorrência não pode ser tolerada pelo simples fato de que, caso tenha o AIIM confirmado no todo ou em parte, o contribuinte terá essa dupla incidência moratória indevida; 56.Diante do exposto, com fundamento na mensagem das Súmulas 346 e 473 do STF, requer: Osejam acolhidos os argumentos jurídicos lançados em preliminar e tornado nulo de pleno direito o AIIM, quer pelo cerceamento de defesa ocorrido, pela quebra da pessoalidade, da legalidade e pela existência de ampla documentação comprobatória neste sentido; ii)em sede de mérito, caso as preliminares não sejam acolhidas, a regularidade dos lançamentos havidos em relação às despesas médicas e de instrução, ante à apresentação dos comprovantes e declarações respectivas, que autorizam o afastamento das glosas e seus reflexos (multa e juros selic); iii)sejam reconhecidas indevidas as glosas nos livros fiscais feitas de forma integral nos anos de 2000, 2001, 2003 e 2004 e de forma parcial no ano de 2002, afim de afastá-las, assim como os seus reflexos (multa e juros selic); iv)relativamente à multa, na hipótese de não acolhimento das razões referentes a inidoneidade do lançamento tributário, sejam acolhidas as razões dispostas, mormente em relação à afronta aos princípios da vedação ao confisco, proporcionalidade, razoabilidade e capacidade contributiva, fixando-a, em caso de não decretação de nulidade de todo o AIIM, em patamar relativo a 20%; v)a supressão da taxa Selic pelos motivos expostos; vOprotesta provar o alegado por todos os meios de prova em direito admitidas, sem qualquer exclusão, e que sejam os documentos reavaliados por meio de perícia, a ser implementada em sede de processo administrativo, vez que a fase de procedimento fiscal já se exauriu no momento da lavratura do AIIM; to Processo n° 13851.000800/2006-55 S3-C4T2 Acórdão 3402-00171 F1.11 viz)o encaminhamento de toda notificação ou intimação ao endereço dos procuradores do defendente na pessoa de Gesiel de Souza Rodrigues. Para instruir o processo, o impugnante juntou, às fls. 482/1.569, os documentos comprobatórios das deduções do livro-caixa, que não haviam sido apresentados na fase procedimental, razão pela qual o processo foi encaminhado à delegacia de origem (DRF/Araraquara/SP) para manifestação e exame das provas, consoante o despacho de fls. 1.572/1.573. Em atendimento ao pedido de diligência, foi elaborada a Informação Fiscal de fls. 1.636/1.658, com respeito à qual o interessado foi instado a se pronunciar a respeito no prazo de dez dias (fls. 280/281), tendo sido apresentada a petição de fls. 1663/1.671, nos seguintes termos: Requer a revisão das glosas mantidas concernentes a despesas médicas, reiterando o que já havia argumentado na impugnação de fls. 352/383; Quanto ao Livro Caixa, afirma que não se pode acolher como válidos os motivos apresentados pela fiscalização para manutenção de algumas glosas, a saber: o fato de ter sido emitido recibo pela pessoa jurídica (item 2), documento não hábil por se tratar de boleto bancário (item 3) e documentação não hábil em, relação ao a FGTS e INSS (item 7), dentre outros; Os recibos e boletos comprovam a existência do vínculo obrigacional havido entre o contribuinte e seus fornecedores. Se ocorreu a emissão de nota fiscal ou não, tal fato deve ser imputado ao fornecedor; No que concerne ao pagamento do FGTS ou INSS bastaria ao Sr. Auditor oficiar a CEF e ao INSS. Em relação ao INSS, tal fato sequer seria necessário, uma vez que com a criação da Receita Federal do Brasil todo o sistema de arrecadação passou a ser centralizado e o simples cruzamento de dados forneceria ao Auditor a comprovação do pagamento; As planilhas de glosas apresentadas em momento algum demonstram quais as despesas lançadas em duplicidade. O auditor promoveu a glosa e não demonstrou quais seriam as despesas indevidas, o que inviabiliza de per si qualquer análise por parte do contribuinte, uma vez que não existe o apontamento concreto. A autoridade recorrida, ao examinar o pleito, decidiu, por unanimidade pela procedência parcial do lançamento, onde foram reconhecida algumas deduções da despesa médica, da despesa com instrução, e do livro caixa, e foi reduzida a multa de 112,5% para 75%, de 225% para 150%, através do acórdão DRJ/SPOII n° 21.904, de 06/12/2007, às fls. 1713/1749, cuja ementa está abaixo transcrita: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2000, 2001, 2002, 2003, 2004 PRELIMINAR. NULIDADE DO LANÇAMENTO. 11 Processo n° 13851.000800/2006-55 S3-C4T2• Acórdão n.° 3402-00171 Fl. 12 Não restando comprovada a incompetência do autuante nem a ocorrência de preterição do direito de defesa, não há que se falar em nulidade do lançamento. ASPECTOS CONSTITUCIONAIS DO LANÇAMENTO. A autoridade julgadora de primeira instância no processo administrativo fiscal,por força de sua subordinação ao poder vinculado ou regrado, deve se limitar à aplicação da lei, sem emitir qualquer juizo de valor acerca da legalidade ou constitucionalidade da norma legal. OMISSÃO DE RENDIMENTOS PESSOA JURÍDICA. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Considera-se não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante, consolidando-se administrativamente o respectivo crédito tributário apurado. GLOSA DE DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. Na falta de comprovação, por documentos hábeis, da efetiva prestação dos serviços médicos e do correspondente pagamento, é de se manter a glosa de despesas médicas relativas a profissionais da área médica, especialmente quando alguns deles declaram não ter prestado serviços ao contribuinte e seus familiares. DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS. Uma vez comprovada parte das despesas médicas pleiteadas, mediante a apresentação de documentação hábil e idônea, cabe exonerar a respectiva glosa. DEDUÇÃO. DESPESAS COM INSTRUÇÃO. Restabelece-se a totalidade da dedução glosada, em conformidade com a documentação comprobatória apresentada pelo contribuinte, limitando-a ao valor individual fixado na legislação. LIVRO CAIXA. DESPESAS DEDUTÍVEIS. Apenas as despesas de consumo, indispensáveis à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora, que sejam hábil e idoneamente comprovadas, são dedutíveis na declaração do contribuinte, a título de livro caixa. MULTA QUALIFICADA. É cabível a aplicação da multa qualificada quando restar comprovado o intento doloso do contribuinte de reduzir indevidamente sua base de cálculo afim de se eximir do imposto devido. A não comprovação das despesas médicas, por si só, não permite a aplicação da multa qualificada, ainda que tenha sido caracterizado o intuito doloso do contribuinte em outras deduções pleiteadas. 12 Processo n° 13851.000800/2006-55 S3-C4T2 Acórdão n.°3402-00171 Fl. 13 MULTA DE OFÍCIO DE 75%. A aplicação da multa de oficio decorre de expressa previsão legal, tendo natureza de penalidade por descumprimento da obrigação tributária. MULTA AGRAVADA. Descabe a imposição da multa agravada por falta de atendimento à intimação, quando, nas circunstâncias peculiares do caso, os elementos necessários para o lançamento se encontram à disposição do fisco. TAXA SELIC. INCIDÊNCIA. Os débitos, decorrentes de tributos, não pagos nos prazos previstos pela legislação especifica, são acrescidos de juros equivalentes à taxa referencial SELIC, acumulada mensalmente, até o último dia do mês anterior ao do pagamento, e de um por cento no mês do pagamento. Devidamente cientificado dessa decisão em 22/02/2008, ingressou o contribuinte com recurso voluntário tempestivamente em 24/03/2008, onde alega em síntese que: Há nulidade do auto de infração, por falta de fundamentação, numeração e cerceamento de defesa; parte das despesas médicas foram devidamente comprovadas através de recibos e declarações firmadas pelos médicos; os valores glosados do livro-caixa pela autoridade fiscal são insubsistentes; as declarações de inidoneidades são unilaterais, e não tiram a natureza do serviço prestado; deve prevalecer a verdade material, a moralidade administrativa no presente caso; e, que a multa é confiscatória. É o relatório. 13 Processo n° 13851.000800/2006-55 S3-C4T2 Acórdão n.° 3402-00171 Fl. 14 Voto Conselheiro PEDRO ANAN JUNIOR, Relator O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade, devendo, portanto ser conhecido. Antes de analisarmos o mérito devemos apreciar a preliminar arguida pelo Recorrente. Nulidade do Auto de Infração Alega o Recorrente que houve nulidade do auto de infração, por falta de fundamentação, numeração e cerceamento de defesa. Ocorre todavia que ao analisar o referido auto de infração, verifica-se que o mesmo observou os requisitos legais do Decreto n° 70.232, de 6 de março de 1972, bem como foi dada a oportunidade do contribuinte de manifestar e juntar documentos após a sua lavratura. Tanto isso é verdade que em fase de análise do processo na DRJ os documentos juntados foram apreciados e culminaram em comprovar parte das alegações do Recorrente. Não há que se falar na violação ao artigo 59 do Decreto n° 70.235, de 1972 no presente caso. Desta forma, não acolho a preliminar de nulidade arguida pelo Recorrente. DEDUÇÃO DESPESA MÉDICA O objeto de nossa análise é a parte do auto de infração lavrado contra a recorrente, que teve como objeto glosa de valores referentes a serviços médicos que teriam sido considerados com dedução da base de cálculo da IRPF dos anos calendários de 2000, 2001, 2002, 2003 e 2004. Observa-se que, regularmente intimado para comprovar a efetividade das despesas alegadas, o sujeito passivo não trouxe aos autos elementos suficientes para firmar a convicção de que os alegado pagamentos foram efetivamente realizados. Somente trouxe aos autos cópias dos recibos e declarações firmadas pelos médicos. As deduções permitidas quando da apuração da base de cálculo do imposto sobre a renda somente podem ocorrer quando ficar comprovada a sua efetiva realização. É evidente que o legislador não poderia estabelecer que o documento apresentado pelo contribuinte, por si só, fosse suficiente para permitir a dedução do gasto na apuração da base de cálculo do imposto de renda. Tão importante quanto o preenchimento dos requisitos formais do documento comprobatório da despesa, é a constatação da efetividade do pagamento direcionado ao fim indicado. 14 Processo n° 13851.000800/2006-55 S3-C4T2 Acórdão n.° 3402-00171 Fl. 15 Isto quer dizer que os documentos relacionados às despesas permitidas como dedução da base de cálculo do imposto sobre a renda não representam uma presunção absoluta a inquestionável, pois, sempre que necessário, a autoridade tributária poderá exigir do sujeito passivo a comprovação da sua efetividade. Comprovar a efetividade da ' despesa não é simplesmente apresentar os documentos que lastreiam a dedução. É mais do que isso: na comprovação da efetividade do gasto, devem ser apresentadas as provas da saída dos recursos e a destinação coincidente com o fim utilizado. Resta claro que não foram apresentados os documentos para comprovar as despesas médicas objeto do auto de infração referente aos anos-calendários de 2000, 2001, 2002, 2003 e 2004. Ademais, que o recorrente nada mais carreou aos autos para confirmar a prestação dos serviços que não os próprios comprovantes de pagamento. Caberia a ele, que pleiteou as deduções a titulo de despesas médicas, provar que efetivamente houve o pagamento pelos supostos serviços prestados e/ou a efetividade da sua prestação, vez que teve oportunidades para fazê-lo. Tais circunstâncias, somadas às constatações por parte da autoridade fiscal, no tocante a fatos que infirmam a efetividade dos serviços prestados, levam-nos a confirmar a glosa perpetrada referente aos recibos que teriam sido emitidos por aquelas profissionais. Tanto isso é verdade que a autoridade lançadora teve o cuidado de intimar os profissionais que emitiram os recibos e a resposta obtida não foi satisfatória, que demonstrasse que o serviço foi efetivamente prestado. Neste sentido, entendo que não assiste razão ao recorrente. DEDUÇÕES DO LIVRO-CAIXA A dedução de despesas escrituradas em Livro Caixa encontra amparo no artigo. 6°, da Lei n° 8.134, de 27/12/1990, abaixo transcrita: "Art. 6° O contribuinte que perceber rendimentos do trabalho não assalariado, inclusive os titulares dos serviços notariais e de registro, a que se refere o artigo 236 da Constituição, e os leiloeiros, poderão deduzir, da receita decorrente do exercício da respectiva atividade: I- a remuneração paga a terceiros, desde que com vínculo empregatício, e os encargos trabalhistas e previdenciários; II- os emolumentos pagos a terceiros; III- as despesas de custeio pagas, necessárias à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora. § 1 0 0 disposto neste artigo não se aplica: a) a quotas de depreciação de instalações, máquinas e equipamentos, bem como a despesas de arrendamento (redação dada pelo art. 34 da Lei n°9.250, de 1995); 15 Processo n° 13851.000800/2006-55 S3-C4T2 Acórdão n.° 3402-00171 Fl. 16 b) a despesas com locomoção e transporte, salvo no caso de representante comercial autônomo (redação dada pelo art. 34 da Lei n° 9.250, de 1995); c)em relação aos rendimentos a que se referem os arts. 9° e 10 da Lei n°7.713, de 1988. § 2' O contribuinte deverá comprovar a veracidade das receitas e das despesas, mediante documentação idônea, escrituradas em livro-caixa, que serão mantidos em seu poder, à disposição da fiscalização, enquanto não ocorrer a prescrição ou decadência." A Lei n° 9.250, de 26/12/1995, por sua vez, dispõe que, in verbis: "Art. 8° A base de cálculo do imposto devido no ano-calendário será a diferença entre as somas: 1- de todos os rendimentos percebidos durante o ano-calendário, exceto os isentos, os não-tributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II — das deduções relativas: g) às despesas escrituradas no Livro Caixa, previstas nos incisos Ia III do art. 6° da Lei n° 8.134, de 27 de dezembro de 1990, no caso de trabalho não-assalariado, inclusive dos leiloeiros e dos titulares de serviços notariais e de registro." Nos termos da referida norma legal para que uma despesa possa ser considerada como de custeio e, portanto, ser deduzida devem ser respeitados os quatro requisitos cumulativos indispensáveis para isto: a) deve estar relacionada com a atividade exercida; b) deve ser efetivamente realizada no decurso do ano-calendário correspondente ao exercício da declaração; c) deve ser necessária à percepção do rendimento e à manutenção da fonte produtora; d) deve estar escriturada em livro caixa e comprovada com documentação idônea. A norma legal, ao especificar que as despesas dedutíveis devem ter estrita conexão com a manutenção da respectiva fonte produtora dos rendimentos sujeitos à incidência de imposto e, ao condicionar essas deduções à escrituração no Livro Caixa e à comprovação mediante documentação idônea, objetiva vedar a utilização de critérios subjetivos para o cálculo do tributo devido e, em conseqüência, afastar qualquer possibilidade de liberalidade na sua dedução. Para se verificar se as despesas são realmente necessárias, ou seja, se elas efetivamente têm alguma relação com a atividade desenvolvida pelo contribuinte, devem ser observados os critérios de normalidade, usualidade e necessidade. Em suma, são consideradas despesas passíveis de escrituração no Livro Caixa, para efeitos de dedução, apenas aquelas indispensáveis à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora, desde que suportadas pela pessoa fisica e comprovados os desembolsos. 16 Processo n° 13851.000800/2006-55 S3-C4T2 Acórdão n.° 3402-00171 Fl. 17 Como exemplos corriqueiros de despesa de custeio dedutíveis temos os valores pagos a título de aluguel, água, luz, telefone, condomínio (vinculados ao local onde se exerce a atividade profissional), despesas com material de expediente ou de consumo e despesas com empregados, quando vinculadas ao contrato de trabalho. Ressalte-se ainda que a dedutibilidade das despesas escrituradas em Livro Caixa está condicionada à sua comprovação, mediante a apresentação de documentação hábil e idônea, que permita identificar o adquirente ou o beneficiário, o valor, a data da operação e contenha a discriminação das mercadorias ou dos serviços prestados para que possam ser enquadrados como necessários e indispensáveis à manutenção da fonte produtora dos rendimentos. No caso em concreto podemos verificar que os documentos que foram apresentado pelo Recorrente e comprovam as despesas da sua atividade, foram aceitas pela autoridade julgadora, já as despesas que estão suportadas com mero orçamentos, propostas, e sem comprovação não foram aceitas. O que a meu ver está correto, pois se o contribuinte não consegue demonstrar a efetividade do serviço e o correspondente pagamento, não há que se falar na aceitação de tais valores. Desta forma, não assiste razão ao Recorrente. MULTA DE OFICIO — CONFISCO Em se tratando de lançamento de oficio, é legítima a cobrança da multa correspondente, por falta de pagamento do imposto, sendo inaplicável o conceito de confisco que é dirigido somente a tributos Incabível se falar em confisco no âmbito das multas pecuniárias. O principio constitucional do não-confisco se aplica, apenas, aos tributos, pois o tributo é o recurso financeiro que o Estado necessita, já a multa tem a finalidade de desestimular o não pagamento do tributo. As • e , por e o que dos autos consta, conheço do recurso apresentado, não acolho a preliminar lidad; o mérito NEGO provimento. S. essi,- em 29 de julho de 2009 40\ PE RO ANA ÚNIOR 17
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Numero do processo: 13227.900955/2009-01
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 07 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri May 31 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Exercício: 2004
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO OU COMPENSAÇÃO. ESTIMATIVA MENSAL. SALDO NEGATIVO. REEXAME.
O pagamento de estimativa mensal, indicado como direito creditório no correspondente Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp), compõe o saldo negativo apurável, devendo, a esse título, ser apreciado pelo órgão jurisdicionante.
Numero da decisão: 1803-001.686
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para que o direito creditório pleiteado seja apreciado, pela DRF de origem, como saldo negativo, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Ausente momentaneamente a Conselheira Maria Elisa Bruzzi Boechat.
(assinado digitalmente)
Walter Adolfo Maresch Presidente-substituto
(assinado digitalmente)
Sérgio Rodrigues Mendes - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Meigan Sack Rodrigues, Walter Adolfo Maresch, Victor Humberto da Silva Maizman, Sérgio Rodrigues Mendes, Roberto Armond Ferreira da Silva e Maria Elisa Bruzzi Boechat.
Nome do relator: SERGIO RODRIGUES MENDES
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2004 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO OU COMPENSAÇÃO. ESTIMATIVA MENSAL. SALDO NEGATIVO. REEXAME. O pagamento de estimativa mensal, indicado como direito creditório no correspondente Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp), compõe o saldo negativo apurável, devendo, a esse título, ser apreciado pelo órgão jurisdicionante. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 22 7. 90 09 55 /2 00 9- 01 Fl. 77DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2013 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 24/05/2 013 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 13227.900955/200901 Acórdão n.º 1803001.686 S1TE03 Fl. 78 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para que o direito creditório pleiteado seja apreciado, pela DRF de origem, como saldo negativo, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Ausente momentaneamente a Conselheira Maria Elisa Bruzzi Boechat. (assinado digitalmente) Walter Adolfo Maresch – Presidentesubstituto (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Meigan Sack Rodrigues, Walter Adolfo Maresch, Victor Humberto da Silva Maizman, Sérgio Rodrigues Mendes, Roberto Armond Ferreira da Silva e Maria Elisa Bruzzi Boechat. Fl. 78DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2013 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 24/05/2 013 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 13227.900955/200901 Acórdão n.º 1803001.686 S1TE03 Fl. 79 3 Relatório Por bem retratar os acontecimentos do presente processo, adoto o Relatório do acórdão recorrido (fls. 36verso): Trata o presente processo de PER/DCOMP transmitido em 21.12.2005, mediante o qual foi pedida restituição no valor original de R$ 62,56 e efetivada a compensação de débitos da interessada acima identificada. A Delegacia de origem, mediante despacho decisório eletrônico (fl. 06), asseverou que “a partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP (...) foram localizados um ou mais pagamentos (...), mas integralmente utilizados para a quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP”. Assim, não homologou a compensação declarada. Cientificada em 05/06/2009 (fl. 07) a interessada apresentou, tempestivamente, em 23/06/2009, manifestação de inconformidade (fls. 08/09) na qual, em síntese que: a) “Após revisão em nossos arquivos, constamos(sic) que nos exercício (sic) de 2003 e 2004, a empresa teve apuração de IRPJ e da CSLL Anual, tendo pago por estimativa mensal, desta forma o recolhimento mensal foi superior ao apurado anual, daí a existência do crédito suficiente para pagar os demais débitos os quais foram compensados nos anos calendários subseqüentes, através de PER/DCOMP. Entretanto, antes mesmo da emissão deste despacho decisório, revisando nossos arquivos e, em análise mais apurada, constatamos que nas Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF, foram informados os valores pagos mensalmente por estimativa, sendo assim no dia 01 de Abril de 2009 procedemos a retificação das referidas DCTF’s (...)” ; b) “Diante de todas as análises, entendemos que a retificação das Declarações de Débitos e Créditos Tributários – DCTF, irá sanar todas as divergências entre créditos e débitos, ou seja, mediante o procedimento de declaração retificadora, os débitos serão extintos.” Ao final, requer o reconhecimento do direito creditório pleiteado e a conseqüente homologação da compensação declarada. 2. A decisão da instância a quo foi assim ementada (fls. 36): ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2003 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. ÔNUS DA PROVA. Considerase não homologada a declaração de compensação apresentada pelo sujeito passivo quando não reste comprovada a existência do crédito apontado como compensável. Nas declarações de compensação referentes a pagamentos indevidos ou a maior o contribuinte possui o ônus de prova do seu direito. Fl. 79DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2013 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 24/05/2 013 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 13227.900955/200901 Acórdão n.º 1803001.686 S1TE03 Fl. 80 4 3. Cientificada da referida decisão em 23/03/2011 (fls. 40), a tempo, em 18/04/2011, apresenta a interessada Recurso de fls. 46 a 50 (numeração digital – ND), instruído com os documentos de fls. 51 a 74 (ND), nele reiterando os argumentos anteriormente expendidos e informando estar encaminhando cópias de registros contábeis da conta de ativo do tributo a recuperar, de balanço transcrito no livro Diário e de Darf utilizado como referência de crédito na compensação, documentos, estes, necessários à demonstração do crédito pleiteado. 4. É o que importa relatar. Em mesa para julgamento. Fl. 80DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2013 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 24/05/2 013 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 13227.900955/200901 Acórdão n.º 1803001.686 S1TE03 Fl. 81 5 Voto Conselheiro Sérgio Rodrigues Mendes, Relator Atendidos os pressupostos formais e materiais, tomo conhecimento do Recurso. Pedido de compensação 5. De início, convém observar que a decisão recorrida corretamente concluiu no seguinte sentido (fls. 37 e verso – destaques e notas do original): Por outro lado, tomandose em conta que o crédito apontado pelo sujeito passivo em sua declaração de compensação refere se a recolhimento de estimativas mensais, impõese assinalar que, nos termos da legislação relativa à apuração do Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas (IRPJ), aplicável à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) por força do art. 30 da Lei nº 9.430/19961, os recolhimentos efetuados pelas pessoas jurídicas optantes pelo lucro real, no decorrer dos meses do ano civil, caracterizam, em princípio, antecipações do tributo devido no final do período anual de apuração. Ou seja, o sujeito passivo, ao exercer a opção prevista no artigo 2º da Lei nº 9.430/1996, fica obrigado aos recolhimentos mensais por estimativa, com base na receita bruta, devendo, ao final do ano calendário, proceder à apuração do tributo devido, oportunidade em que poderá, então, deduzir os valores anteriormente recolhidos por estimativa. Notese que, ao final do anocalendário, acaso o contribuinte apure saldo negativo do tributo, poderá pleitear a restituição ou a compensação deste mesmo saldo, nos termos e condições constantes do art. 6º, § 1º, da Lei nº 9.430/19962. 1 "Art. 2º A pessoa jurídica sujeita a tributação com base no lucro real poderá optar pelo pagamento do imposto, em cada mês, determinado sobre base de cálculo estimada, mediante a aplicação, sobre a receita bruta auferida mensalmente, dos percentuais de que trata o art. 15 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, observado o disposto nos §§ 1º e 2º do art. 29 e nos arts. 30 a 32, 34 e 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, com as alterações da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995. (...) Art. 30. A pessoa jurídica que houver optado pelo pagamento do imposto de renda na forma do art. 2º fica, também, sujeita ao pagamento mensal da contribuição social sobre o lucro líquido, determinada mediante a aplicação da alíquota a que estiver sujeita sobre a base de cálculo apurada na forma dos incisos I e II do artigo anterior." 2 “Art. 6º O imposto devido, apurado na forma do art. 2º, deverá ser pago até o último dia útil do mês subseqüente àquele a que se referir. § 1º O saldo do imposto apurado em 31 de dezembro será: I pago em quota única, até o último dia útil do mês de março do ano subseqüente, se positivo, observado o disposto no § 2º; II compensado com o imposto a ser pago a partir do mês de abril do ano subseqüente, se negativo, assegurada a alternativa de requerer, após a entrega da declaração de rendimentos, a restituição do montante pago a maior.” Fl. 81DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2013 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 24/05/2 013 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 13227.900955/200901 Acórdão n.º 1803001.686 S1TE03 Fl. 82 6 Constatase, pois, que a regra geral é no sentido de que o contribuinte leve os valores recolhidos a título de estimativa à composição do saldo do IRPJ/CSLL apurado em 31 de dezembro. Em assim sendo, o recolhimento de estimativas mensais, exatamente nos valores calculados segundo os critérios determinados pela Lei nº 9.430/1996, não pode ser considerado, a priori, como pagamento indevido ou a maior, mesmo quando haja apuração de prejuízo fiscal ao final do exercício (este sim passível de repetição). 6. Por outro lado, conforme se observa da Planilha 1, constante do Recurso Voluntário (fls. 48 e 49 – ND), em que se comparam os valores de estimativas pagos no decorrer do anocalendário de 2003 e o valor total apurado (devido) no mesmo anocalendário, está a Recorrente, na realidade, pleiteando “crédito resultante da apuração final do exercício”. 7. Por conseguinte, aquele pagamento de estimativa mensal, indicado como direito creditório na correspondente Per/DComp, compõe o saldo negativo apurável, devendo, a esse título, ser apreciado pelo órgão jurisdicionante, em conjunto com outras Per/DComp que porventura tenham a mesma origem de crédito. Conclusão Em face do exposto, e considerando tudo o mais que dos autos consta, voto no sentido de DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, para que o direito creditório pleiteado seja apreciado, pela DRF de origem, como saldo negativo. É como voto. (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes Fl. 82DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2013 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 24/05/2 013 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por WALTER ADOLFO MARESCH
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Numero do processo: 10830.012698/2010-77
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 12 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Jun 07 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007
ALIMENTO FORNECIDO IN NATURA. NÃO INSCRITO NO PAT.
Não deve incidir a contribuição previdenciária quando a empresa fornece a alimentação in natura, mesmo que por meio de terceiros e que não esteja inscrita no PAT.
PROVA. ÔNUS DO CONTRIBUINTE.
Compete ao contribuinte a apresentação do conjunto probatório apto à comprovação do alegado sob pena de acatamento do ato administrativo realizado.
MULTA. RECÁLCULO.
Recálculo da multa de mora para que seja aplicada a mais benéfica ao contribuinte por força do art. 106, II, c do CTN.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2403-001.937
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para excluir da autuação os valores cobrados a título de alimentação in natura por não estar a empresa inscrita no PAT, assim como para determinar, o recálculo da multa de mora, de acordo com o disposto no art. 35, caput da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009 (art. 61, da Lei nº 9.430/96), prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. Vencido o Conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro na questão da multa mora.
Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente
Marcelo Magalhães Peixoto - Relator
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Magalhães Peixoto, Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro, Ivacir Júlio de Souza, Maria Anselma Coscrato dos Santos e Carolina Wanderley Landim.
Nome do relator: MARCELO MAGALHAES PEIXOTO
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NÃO INSCRITO NO PAT. Não deve incidir a contribuição previdenciária quando a empresa fornece a alimentação in natura, mesmo que por meio de terceiros e que não esteja inscrita no PAT. PROVA. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. Compete ao contribuinte a apresentação do conjunto probatório apto à comprovação do alegado sob pena de acatamento do ato administrativo realizado. MULTA. RECÁLCULO. Recálculo da multa de mora para que seja aplicada a mais benéfica ao contribuinte por força do art. 106, II, “c” do CTN. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 01 26 98 /2 01 0- 77 Fl. 58DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 02/05 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 06/06/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 2 ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para excluir da autuação os valores cobrados a título de alimentação in natura por não estar a empresa inscrita no PAT, assim como para determinar, o recálculo da multa de mora, de acordo com o disposto no art. 35, caput da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009 (art. 61, da Lei nº 9.430/96), prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. Vencido o Conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro na questão da multa mora. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente Marcelo Magalhães Peixoto Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Magalhães Peixoto, Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro, Ivacir Júlio de Souza, Maria Anselma Coscrato dos Santos e Carolina Wanderley Landim. Fl. 59DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 02/05 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 06/06/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 10830.012698/201077 Acórdão n.º 2403001.937 S2C4T3 Fl. 3 3 Relatório Cuidase de Recurso Voluntário interposto em face do Acórdão n° 05 33.491, Fls. 277/288, que julgou totalmente improcedente a Impugnação apresentada para manter a integralidade das imputações dispostas na autuação fiscal, consolidada em 16/09/2010, oriunda da auditoria realizada na M CAMP VEÍCULOS LTDA., incorporada pela M CAMP CONCESSIONÁRIA DE VEÍCULOS LTDA., referente ao período de 01/2006 a 12/2007, resultando no montante correspondente à R$ 39.404,70 (trinta e nove mil, quatrocentos e quatro reais e setenta centavos). Segundo o Relatório Fiscal de fls. 20/27, in verbis: “4 Este relatório é parte integrante do AI, em ep[igrafe, referente às contribuições sociais dos segurados empregados, incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas pela empresa na qualidade de empregador, apuradas com base em nos valores constantes dos lançamentos contábeis, não incluídas em folhas de pagamento e também na Guia de Recolhimento do FGTS e informações a Previdência Social – GFIP, no período abrangido pelas competências: 01/2006 a 08/2006 e 10/2006 a 12/2007, devidas à Secretaria da Receita Federal do Brasil, nos termos dos artigos 2º e 3º da Lei 11.457 de 16/03/2007 e não recolhidas até a presente data, cujos valores da base de cálculo, encontramse discriminados no ‘RL – Relatório de Lançamentos’ em anexo. (...) 11 O levantamento PA – “BASE DE CALC AFERIDA SALLES ADAN” referese a contribuições incidentes sobre remuneração paga a segurados empregados por meio da empresa de incentivo SALLES ADAN & ASSOCIADOS MARKETING DE INCENTIVOS LTDA., CNPJ nº. 66.844.754/000136, não declarada em Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia de Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social – GFIP. 12 O levantamento foi apurado com base nos lançamentos contábeis da empresa na conta 3.1.6.01.013 – Propaganda e Publicidade na competência 01/2006, sendo intimada a apresentar o contrato de prestação de serviços firmado com a empresa de incentivo, as notas fiscais de serviços e informar os destinatários/beneficiários dos recursos repassados, nada foi apresentado, motivo pelo qual foi lavrado os autos de infração nº. 37.273.1139, Código de Fundamentação Legal – CFL 38 e nº. 37.286.5534 – Código de Fundamentação Legal – CFL 35. (...) 14 A alimentação fornecida pela empresa a seus empregados é um benefício normalmente previsto em acordo ou convenção Fl. 60DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 02/05 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 06/06/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 4 coletiva de trabalho. Entretanto, para que essa parcela “in natura” não integre o saláriodecontribuição, esta deve ser fornecida de acordo com o Programa de Alimentação do Trabalhador – PAT, sendo irrelevante se o benefício é concedido a título gratuito ou a preço subsidiado. (...) 17 Nesse contexto, as parcelas contabilizadas às contas de código 3.1.6.01.028, intitulada Lanches e Refeições no período 01/2006 a 06/2006, código 61611400, também intitulada LANCHES E REFEIÇÕES e conta código 61611460, intitulada VALE REFEIÇÃO (PARTE DA EMPRESA), no período 07/2006 a 08/2006 e 10/2006 a 12/2007, foram consideradas base de incidência de contribuições previdenciárias. (...) Importa asseverar que inobstante os termos de apensação e desapensação verificados no processo nº. 10830.012699/201011, a autuação fiscal em epígrafe e a nº. 10830.012700/201016 permaneceram apensados, porém tramitando distintamente, eis que foram apresentadas Impugnações para cada Auto de Infração, o que ensejou a prolação de 3 (três) acórdãos de numeração diversa e a interposição dos correlatos Recursos Voluntários, portanto serão elaborados três acórdãos de Recurso Voluntário. DA IMPUGNAÇÃO Inconformada com o lançamento, a empresa apresentou Impugnação ao Auto de Infração em epígrafe, por meio do instrumento de fls. 169/195.. DA DECISÃO DA DRJ Após analisar os argumentos da Recorrente, a 6ª Turma da Delegacia da Receita do Brasil de Julgamento em Campinas/SP, DRJ/CPS, prolatou o Acórdão n° 0533.491, fls. 277/288, mantendo procedente o lançamento, conforme ementa que abaixo se transcreve, verbis: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007 PREVIDENCIÁRIO. PRÊMIOS. SALÁRIODECONTRIBUIÇÃO. INTEGRAÇÃO. Os valores despendidos pela empresa, ainda que por meio de pessoa jurídica interposta, a título de pagamento de prêmios aos trabalhadores a seu serviço integram a base de cálculo das contribuições previdenciárias dos próprios segurados e do empregador. ALIMENTAÇÃO DO TRABALHADOR. VALORES DESPENDIDOS POR EMPRESA NÃO INSCRITA NO “PAT”. Os valores despendidos por empresa não inscrita no “PAT”, a título de despesas com a alimentação dos trabalhadores a seu serviço, integram a base de cálculo das contribuições previdenciárias a cargo da pessoa jurídica e dos próprios segurados. Fl. 61DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 02/05 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 06/06/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 10830.012698/201077 Acórdão n.º 2403001.937 S2C4T3 Fl. 4 5 CONTRIBUIÇÕES EM ATRASO. MULTA DE MORA E MULTA DE OFÍCIO. O recolhimento de contribuições previdenciárias feito em atraso sujeitase à incidência de multa de mora ou de ofício – prevalecendo a mais benéfica para o sujeito passivo , ambas de caráter irrelevável. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. FASE INQUISITÓRIA DO PROCEDIMENTO FISCAL. RECONHECIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. Não caracteriza cerceamento de defesa eventual deficiência ocorrida na fase inquisitória do procedimento fiscal, quando não se tinha ainda processo, mas mero procedimento de verificação da situação do contribuinte no tocante às suas obrigações para com a previdência social, culminado com o lançamento do crédito tributário. CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. RECONHECIMENTO DE INSTITUCIONALIDADE DE LEI FEDERAL. IMPOSSIBILIDADE. Descabe às autoridades que atuam no contencioso administrativo proclamar a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo federal regularmente posto e em vigor, vez que tal mister incumbe tão somente aos órgãos do Poder Judiciário. Impugnação Improcedente.” DO RECURSO Irresignada, a empresa interpôs, tempestivamente, Recurso Voluntário, indicado nas fls. 307/325, requerendo a reforma do acórdão, utilizandose, para tanto, dos seguintes argumentos: Ausência de descrição com clareza e precisão das infrações, inobservando, deste modo, o disposto no art. 10, III e IV, do Decreto nº. 70.235/72, o que acarreta a violação do princípio da ampla defesa; Impossibilidade da tributação do reembolso de despesas, uma vez que os valores apurados pela fiscalização sob a denominação de “premiação” não possuem qualquer natureza salarial e sim decorrentes do reembolso de quilometragem em razão das despesas de locomoção dos funcionários no transporte de clientes para o trabalho e/ou casa; Caráter confiscatório da multa aplicada. Requer, diante dos argumentos elencados, seja (i) determinada a nulidade do Auto de Infração em epígrafe, tendo em vista a ausência de elementos fundamentais da autuação, tais como descrição clara e precisa da infração, bem como (ii) reformado o acórdão, cancelando o respectivo lançamento diante dos valores que representam reembolso de quilometragem, cuja natureza é indenizatória e o caráter confiscatório da multa. É o relatório. Fl. 62DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 02/05 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 06/06/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 6 Voto Conselheiro Marcelo Magalhães Peixoto, Relator DA TEMPESTIVIDADE Conforme documento de fls. 358, temse que o recurso é tempestivo e reúne os pressupostos de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. DO MÉRITO DA FALTA DE CLAREZA DO AUTO DE INFRAÇÃO E DA NÃO APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS PELO SUJEITO PASSIVO Alega o recorrente que o auto não é claro o suficiente para individualizar e determinar o fato gerador, o que ensejaria o cerceamento do direito de defesa, inquinando de nulidade o auto de infração. No entanto, não merece prosperar a alegação, uma vez que as alegações não condizem com a realidade. Ora, conforme se percebe do relatório fiscal, é clara a individualização dos fatos, assim como dos instrumentos e documentos utilizados como meio para aferição da base de cálculo. Os documentos utilizados foram os arquivos magnéticos de folhas de pagamento/contábil no formato MANAD, e livro razão, ou seja, com base nos lançamentos contábeis da empresa nas contas 3.1.6.01.013, 3.1.6.01.028, 61611460, 13401013, 132110036, 61611590, 61611300. Cumpre destacar que a recorrente, quando do início do procedimento fiscal, foi intimada, por reiteradas vezes, para apresentar notas fiscais dos serviços prestados, contratos assinados, não o tento feito por suposta dificuldade na busca da documentação. Conforme narrado no relatório fiscal, a empresa deixou de apresentar: a) Notas fiscais de prestação de serviços da empresa/documentos que serviram de base para o lançamento contábil das empresas INFINITI MARK, IN, e K3 EMPREENDIMENTOS E CONSTRUÇÕES LTDA, constante na “RELAÇÃO ANEXA AO TIF DE 22/06/2010” – Termo de Intimação Fiscal 01 e notas fiscais de prestação de serviços da empresa SALLES ADAN & ASSOCIADOS MARKETING DE INCENTIVOS LTDA solicitados no TIF 02, de 24/08/2010; b) Contratos de prestação de serviços com as empresas INFINITI MARK, IN e SALLES ADAN & ASSOCIADOS MARKETING DE INCENTIVOS LTDA, bem relação de beneficiários das duas empresas ora citadas. Tais solicitações foram feitas através do TIF 01, de 22/06/2010 e no TIF 02, de 24/08/2010. Fl. 63DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 02/05 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 06/06/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 10830.012698/201077 Acórdão n.º 2403001.937 S2C4T3 Fl. 5 7 Apesar das informações acima reproduzidas, o recorrente, em momento processual algum, os apresentou para tentar infirmar as imputações fiscais, não podendo beneficiarse de sua própria torpeza ao não fornecer a referida documentação, o que, indubitavelmente causou a sucinta, porém suficiente, narração dos fatos. Logo não há que se falar em nulidade do auto de infração, estando o auto em adequação ao disposto no art. 10 do Decreto n. 70.235/72. DA IMPOSSIBILIDADE DE TRIBUTAÇÃO DE REEMBOLSO DE DESPESAS – DA AUSÊNCIA DE PROVAS Nesse ponto, alega o recorrente que os valores pagos pela empresa Salles Adan & Associados Marketing de Incentivos Ltda., referese à despesas de reembolso de quilometragem, o que seria mera recomposição econômica do patrimônio do funcionário. Alega também que os únicos documentos que comprovariam o reembolso seriam as notas ficais fornecidas pela empresa SALLES ADAN e as planilhas preparadas pelos próprios funcionários da recorrente. Por isso, não poderia a empresa fornecer os documentos comprobatórios das despesas. Apesar do esforço do recorrente, percebese que a alegação é frágil, por não encontrar respaldo em qualquer prova. Ora, afirmar que se trata de reembolso de quilometragem, sem haver qualquer prova destes fatos é impossível. Repitase que, conforme exposto acima, a empresa foi intimada a apresentar o contrato firmado entre ambas as empresas, o que não ocorreu. Ademais, cumpre esclarecer que poderia até ter o fiscal lançado por aferição indireta as importâncias que entendesse devidas, em razão do art. 33, parágrafo 6º. No entanto, foi diligente e não o fez, apurando os fatos conforme a contabilidade do contribuinte. Apesar de ser do conhecimento de todos esta é a jurisprudência desta Seção, conforme se percebe do aresto abaixo: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/11/2001 a 31/01/2003 CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA E DO CONTRADITÓRIO. INOCORRÊNCIA. Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em cerceamento do direito de defesa. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS ATRASO NO RECOLHIMENTO Constatado o atraso total ou parcial no recolhimento de contribuições destinadas à Seguridade Social, a Fl. 64DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 02/05 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 06/06/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 8 fiscalização lavrará Notificação de débito com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas. BASE DE CÁLCULO De acordo com o art. 33, § 3° da Lei 8.212/91, A recusa, a sonegação ou a apresentação deficiente de documentos solicitados pela fiscalização previdenciária possibilita a inscrição de oficio, por arbitramento, de importância que reputar devida, sem prejuízo da penalidade cabível, cabendo à empresa o ônus da prova em contrario. COMPENSAÇÃO DE VALORES IMPOSSIBILIDADE DEDUÇÃO JÁ EFETUADA NO LANÇAMENTO Os valores relativos a retenções efetivamente recolhidos pelas empresas contratantes ou apenas destacados nas notas fiscais foram considerados no lançamento, não havendo novos créditos sujeitos a compensação. Recurso parcialmente provido. (CARF. 2ª Seção/1ª Turma da 4ª Câmara, ACÓRDÃO 240101.805 em 15/04/2011). Por tal razão, deve a exigência ser mantida. NÃO INCIDÊNCIA SOBRE O FORNECIMENTO DE ALIMENTAÇÃO IN NATURA SEM A COMPROVAÇÃO DE INSCRIÇÃO NO PAT A Recorrente foi autuada por não incluir na base de cálculo da contribuição previdenciária os valores referentes ao alimento in natura constantes nas contas intituladas de Lanches e Refeições e Vale Refeição, sem estar inscrita no PAT, nos termos da Lei n. 6.321/76. A DRJ, no seu r. acórdão, julgou como procedente o lançamento no que se refere a essa autuação, por entender que a inscrição no PAT é condição essencial para que tais verbas possam ser excluídas do conceito de remuneração. Para melhor análise do caso concreto analisese trecho do Relatório Fiscal, fl. 33: 14 – A alimentação fornecida pela empresa a seus empregados é um benefício normalmente previsto em acordo ou convenção coletiva de trabalho. Entretanto, para que essa parcela “in natura” não integre o saláriodecontribuição, esta deve ser fornecida de acordo com o Programa de Alimentação do Trabalhador – PAT, sendo irrelevante se o benefício é concedido a título gratuito ou a preço subsidiado. (...) 18 – A composição das respectivas bases de contribuições lançadas pode ser visualizada nos Anexos III e V e foram lançados com código de levantamento “AL” e “ALI”. Da análise dos referidos anexos (AL e ALI), percebese que os alimentos prestados foram prestados in natura, ora são adquiridos via a Ticket Serviços, ora por meio de outras empresas que demonstram serem os alimentos fornecidos diretamente pela empresa. Podese perceber notas fiscais para ESPETINHOS COM C, LCA PANIFICADORA, COMERCIAL TROYS, AFONSO RIBEITO, CIA BRASILEIRA. Fl. 65DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 02/05 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 06/06/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 10830.012698/201077 Acórdão n.º 2403001.937 S2C4T3 Fl. 6 9 É pacífica a jurisprudência do Colendo STJ, no sentido de que o fornecimento do alimento in natura, mesmo sem a inscrição no PAT, não deve integrar a base de cálculo da Contribuição Previdenciária, verbis: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. ALIMENTAÇÃO FORNECIDA PELO EMPREGADOR. PAGAMENTO IN NATURA. NÃO INCIDÊNCIA DA TRIBUTAÇÃO. INSCRIÇÃO NO PAT. DESNECESSIDADE. PRECEDENTES. SÚMULA 83/STJ. 1. Caso em que se discute a incidência da contribuição previdenciária sobre as verbas recebidas a título de auxílio alimentação in natura, quando a empresa não está inscrita no Programa de Alimentação do Trabalhador PAT. 2. A jurisprudência desta Corte pacificouse no sentido de que o auxílioalimentação in natura não sofre a incidência da contribuição previdenciária, por não possuir natureza salarial, esteja o empregador inscrito ou não no Programa de Alimentação do Trabalhador PAT. Precedentes: EREsp 603.509/CE, Rel. Ministro Castro Meira, Primeira Seção, DJ 8/11/2004; REsp 1.196.748/RJ, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 28/9/2010; AgRg no REsp 1.119.787/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Turma, DJe 29/6/2010. 3. Agravo regimental não provido. (AgRg no AREsp 5.810/SC, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA TURMA, julgado em 07/06/2011, DJe 10/06/2011) (grifo nosso) Também é da jurisprudência daquele Superior Tribunal que a alimentação através de Tickets ou vales, não guardam qualquer diferença para com outra espécie, até mesmo, se pago o benefício em dinheiro. Abaixo segue o precedente: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL. ART. 105, III, A, DA CF/88. TRIBUTÁRIO E ADMINISTRATIVO. VALE ALIMENTAÇÃO. PROGRAMA DE ALIMENTAÇÃO DO TRABALHADOR PAT. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. NÃOINCIDÊNCIA. 1. O valor concedido pelo empregador a título de vale alimentação não se sujeita à contribuição previdenciária, mesmo nas hipóteses em que o referido benefício é pago em dinheiro. 2. A exegese hodierna, consoante a jurisprudência desta Corte e da Excelsa Corte, assenta que o contribuinte é sujeito de direito, e não mais objeto de tributação. Fl. 66DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 02/05 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 06/06/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 10 3. O Supremo Tribunal Federal, em situação análoga, concluiu pela inconstitucionalidade da incidência de contribuição previdenciária sobre o valor pago em espécie sobre o vale transporte do trabalhador, mercê de o benefício ostentar nítido caráter indenizatório. (STF RE 478.410/SP, Rel. Min. Eros Grau, Tribunal Pleno, julgado em 10.03.2010, DJe 14.05.2010) 4. Mutatis mutandis, a empresa oferece o ticket refeição antecipadamente para que o trabalhador se alimente antes e ir ao trabalho, e não como uma base integrativa do salário, porquanto este é decorrente do vínculo laboral do trabalhador com o seu empregador, e é pago como contraprestação pelo trabalho efetivado. 5. É que: (a) "o pagamento in natura do auxílioalimentação, vale dizer, quando a própria alimentação é fornecida pela empresa, não sofre a incidência da contribuição previdenciária, por não possuir natureza salarial, esteja o empregador inscrito, ou não, no Programa de Alimentação do Trabalhador PAT, ou decorra o pagamento de acordo ou convenção coletiva de trabalho" (REsp 1.180.562/RJ, Rel. Ministro Castro Meira, Segunda Turma, julgado em 17/08/2010, DJe 26/08/2010); (b) o entendimento do Supremo Tribunal Federal é no sentido de que pago o benefício de que se cuida em moeda, não afeta o seu caráter não salarial; (c) 'o Supremo Tribunal Federal, na assentada de 10.03.2003, em caso análogo (...), concluiu que é inconstitucional a incidência da contribuição previdenciária sobre o valetransporte pago em pecúnia, já que, qualquer que seja a forma de pagamento, detém o benefício natureza indenizatória'; (d) "a remuneração para o trabalho não se confunde com o conceito de salário, seja direto (em moeda), seja indireto (in natura). Suas causas não são remuneratórias, ou seja, não representam contraprestações, ainda que em bens ou serviços, do trabalho, por mútuo consenso das partes. As vantagens atribuídas aos beneficiários, longe de tipificarem compensações pelo trabalho realizado, são concedidas no interesse e de acordo com as conveniências do empregador. (...) Os benefícios do trabalhador, que não correspondem a contraprestações sinalagmáticas da relação existente entre ele e a empresa não representam remuneração do trabalho, circunstância que nos reconduz à proposição, acima formulada, de que não integram a base de cálculo in concreto das contribuições previdenciárias". (CARRAZZA, Roque Antônio. fls. 2583/2585, eSTJ). 6. Recurso especial provido. (REsp 1185685/SP, Rel. Ministro HAMILTON CARVALHIDO, Rel. p/ Acórdão Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA TURMA, julgado em 17/12/2010, DJe 10/05/2011) Nesse diapasão, em 20 de dezembro de 2011, a própria ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional editou o Ato Declaratório n. 03/2011 autorizando “a dispensa de apresentação de contestação de interposição de recursos, bem como a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante: ‘nas ações judiciais que visem obter a declaração de que sobre o pagamento in natura do auxílioalimentação não há incidência de contribuição previdenciária.’” Fl. 67DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 02/05 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 06/06/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 10830.012698/201077 Acórdão n.º 2403001.937 S2C4T3 Fl. 7 11 Razão pela qual, não deve incidir contribuição previdenciária em relação ao fornecimento de alimento in natura. DA MULTA APLICADA Em suas razões finais, o fiscal informa que em razão das inovações trazidas pela Lei n. 11.941, de 27 de maio de 2009, ele aplicou a penalidade de forma menos severa, de acordo com o contido no inciso II do art. 106 do CTN. No entanto, a comparação fora feita de maneira equivocada uma vez que ele utilizou a legislação atual com base na multa prevista no art. 44, da Lei n. 9.430/96, devendo a penalidade ser revista, nos seguintes termos. A MP nº 449, convertida na Lei nº 11.941/09, que deu nova redação aos arts. 32 e 35 e incluiu os arts. 32A e 35A na Lei nº 8.212/91, trouxe mudanças em relação à multa aplicada no caso de contribuição previdenciária. Assim dispunha o art. 35 da Lei nº 8.212/91 antes da MP nº 449, in verbis: Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) quatorze por cento, no mês seguinte; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). (sem destaques no original) Fl. 68DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 02/05 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 06/06/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 12 Verificase, portanto, que antes da MP nº 449 não havia multa de ofício. Havia apenas multa de mora em duas modalidades: a uma decorrente do pagamento em atraso, desde que de forma espontânea a duas decorrente da notificação fiscal de lançamento, conforme previsto nos incisos I e II, respectivamente, do art. 35 da Lei nº 8.212/91, então vigente. Nesse sentido dispõe a hodierna doutrina (Contribuições Previdenciárias à luz da jurisprudência do CARF – Conselho Administrativo de Recursos Fiscais / Elias Sampaio Freire, Marcelo Magalhães Peixoto (coordenadores). – São Paulo: MP Ed., 2012. Pág. 94), in verbis: “De fato, a multa inserida como acréscimo legal nos lançamentos tinha natureza moratória – era punido o atraso no pagamento das contribuições previdenciárias, independentemente de a cobrança ser decorrente do procedimento de ofício. Mesmo que o contribuinte não tivesse realizado qualquer pagamento espontâneo, sendo, portanto, necessária a constituição do crédito tributário por meio do lançamento, ainda assim a multa era de mora. (...) Não se punia a falta de espontaneidade, mas tão somente o atraso no pagamento – a mora.” (com destaque no original) Com o advento da MP nº 449, que passou a vigorar a partir 04/12/2008, data da sua publicação, e posteriormente convertida na Lei nº 11.941/09, foi dada nova redação ao art. 35 e incluído o art. 35A na Lei nº 8.212/91, in verbis: Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). (sem destaques no original) Nesse momento surgiu a multa de ofício em relação à contribuição previdenciária, até então inexistente, conforme destacado alhures. Logo, tendo em vista que o lançamento se reporta à data da ocorrência do fato gerador, nos termos do art. 144 do CTN, temse que, em relação aos fatos geradores ocorridos antes de 12/2008, data da MP nº 449, aplicase apenas a multa de mora. Já em relação aos fatos geradores ocorridos após 12/2008, aplicase apenas a multa de ofício. Contudo, no que diz respeito à multa de mora aplicada até 12/2008, com base no artigo 35 da Lei nº 8.212/91, tendo em vista que o artigo 106 do CTN determina a aplicação retroativa da lei quando, tratandose de ato não definitivamente julgado, cominelhe penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade benigna. Impõese o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei nº 9.430/96, que estabelece multa de 0,33% ao dia, limitada a 20%, em comparativo com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91, para determinação e prevalência da multa mais benéfica, no momento do pagamento. Fl. 69DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 02/05 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 06/06/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 10830.012698/201077 Acórdão n.º 2403001.937 S2C4T3 Fl. 8 13 CONCLUSÃO Do exposto, conheço do recurso para dar parcial provimento a fim de que se exclua da autuação os valores cobrados a título de alimentação in natura por não estar a empresa inscrita no PAT, assim como para determinar o recálculo da multa de mora, de acordo com o disposto no art. 35, caput, da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009 (art. 61, da Lei no 9.430/96), prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. Marcelo Magalhães Peixoto Fl. 70DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 02/05 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 06/06/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI
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Numero do processo: 10108.000483/93-52
Turma: Segunda Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Mar 22 00:00:00 UTC 1995
Ementa: ACORDO DE COOPERAÇÃO ECONÔMICA (ACE-14)BRASIL/ARGENTINA - DEC. Nº
60/91. - A importação, por empresa brasileira, de produto produzido pela Argentina (trigo granel), ainda que adquirida junto a empresa de terceiro país (Estados Unidos), goza do benefício no ACE-14, instituído pelo Decreto nº 60/91.
Recurso provido.
Numero da decisão: 302-32.972
Decisão: ACORDAM os Membros da Segunda Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, vencidos os Conselheiros Otacilio Dantas Cartaxo, Relator Elizabeth Emilio de Moraes Chieregatto e Luis Antonio Flora. Relator designado para redigir o acordão o Cons. Sérgio de Castro Neves. O Conselheiro Ricardo Luz de Barros Barreto declarou-se impedido, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: Otacilio Dantas Cartaxo
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