Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,201)
- Segunda Câmara (27,794)
- Primeira Câmara (25,082)
- Segunda Turma Ordinária d (17,233)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (15,968)
- Primeira Turma Ordinária (15,789)
- Primeira Turma Ordinária (15,783)
- Primeira Turma Ordinária (15,648)
- Segunda Turma Ordinária d (15,642)
- Segunda Turma Ordinária d (14,158)
- Primeira Turma Ordinária (12,925)
- Primeira Turma Ordinária (12,220)
- Segunda Turma Ordinária d (12,207)
- Quarta Câmara (11,512)
- Primeira Turma Ordinária (11,261)
- Quarta Câmara (83,619)
- Terceira Câmara (65,613)
- Segunda Câmara (54,228)
- Primeira Câmara (18,731)
- 3ª SEÇÃO (15,968)
- 2ª SEÇÃO (11,233)
- 1ª SEÇÃO (6,766)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (121,300)
- Segunda Seção de Julgamen (112,263)
- Primeira Seção de Julgame (74,680)
- Primeiro Conselho de Cont (49,048)
- Segundo Conselho de Contr (48,895)
- Câmara Superior de Recurs (37,563)
- Terceiro Conselho de Cont (25,949)
- IPI- processos NT - ressa (5,000)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,055)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,960)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,859)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,239)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,099)
- IRPJ - restituição e comp (2,087)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,705)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,167)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,269)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (3,573)
- HELCIO LAFETA REIS (3,497)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- ROSALDO TREVISAN (3,196)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,885)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,625)
- WILDERSON BOTTO (2,573)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,524)
- HONORIO ALBUQUERQUE DE BR (2,472)
- 2020 (41,074)
- 2021 (35,820)
- 2019 (30,956)
- 2018 (26,045)
- 2024 (25,914)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,463)
- 2014 (22,375)
- 2013 (21,086)
- 2011 (20,979)
- 2025 (18,861)
- 2010 (18,058)
- 2008 (17,076)
- 2017 (16,839)
- 2009 (15,838)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,747)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,856)
- 2022 (13,225)
- 2007 (13,020)
Numero do processo: 11516.000553/2009-15
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 08 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Jan 04 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/07/2003 a 30/09/2003
QUEBRA DO SIGILO BANCÁRIO. QUESTÕES CONSTITUCIONAIS.
O CARF não é competente para se pronunciar acerca de inconstitucionalidade de leis, nos termos da Súmula CARF nº 2.
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. PRÁTICA DE ATOS QUE CONFIGURAM CRIME CONTRA A ORDEM TRIBUTÁRIA. PERDA DO INCENTIVO. INCIDÊNCIA DO ART. 59 DA LEI 9.069/1990.
Numero da decisão: 3402-002.736
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Maria Aparecida Martins de Paula (relatora), Valdete Aparecida Marinheiro, Thais De Laurentiis Galkowicz e Diego Diniz Ribeiro, que votaram por dar provimento parcial para anular o despacho decisório e determinar que a autoridade administrativa apurasse o crédito presumido de IPI. Designado o Conselheiro Jorge Freire para redigir o voto vencedor.
(assinado digitalmente)
ANTONIO CARLOS ATULIM - Presidente
(assinado digitalmente)
MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA - Relatora
(assinado digitalmente)
JORGE OLMIRO LOCK FREIRE - Redator designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Valdete Aparecida Marinheiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201512
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/07/2003 a 30/09/2003 QUEBRA DO SIGILO BANCÁRIO. QUESTÕES CONSTITUCIONAIS. O CARF não é competente para se pronunciar acerca de inconstitucionalidade de leis, nos termos da Súmula CARF nº 2. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. PRÁTICA DE ATOS QUE CONFIGURAM CRIME CONTRA A ORDEM TRIBUTÁRIA. PERDA DO INCENTIVO. INCIDÊNCIA DO ART. 59 DA LEI 9.069/1990.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Jan 04 00:00:00 UTC 2016
numero_processo_s : 11516.000553/2009-15
anomes_publicacao_s : 201601
conteudo_id_s : 5556104
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Jan 04 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 3402-002.736
nome_arquivo_s : Decisao_11516000553200915.PDF
ano_publicacao_s : 2016
nome_relator_s : MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA
nome_arquivo_pdf_s : 11516000553200915_5556104.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Maria Aparecida Martins de Paula (relatora), Valdete Aparecida Marinheiro, Thais De Laurentiis Galkowicz e Diego Diniz Ribeiro, que votaram por dar provimento parcial para anular o despacho decisório e determinar que a autoridade administrativa apurasse o crédito presumido de IPI. Designado o Conselheiro Jorge Freire para redigir o voto vencedor. (assinado digitalmente) ANTONIO CARLOS ATULIM - Presidente (assinado digitalmente) MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA - Relatora (assinado digitalmente) JORGE OLMIRO LOCK FREIRE - Redator designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Valdete Aparecida Marinheiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto.
dt_sessao_tdt : Tue Dec 08 00:00:00 UTC 2015
id : 6243144
ano_sessao_s : 2015
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:43:48 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048121996476416
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 20; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2157; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 1.001 1 1.000 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11516.000553/200915 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3402002.736 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 8 de dezembro de 2015 Matéria Ressarcimento de IPI Recorrente INDÚSTRIA DE MOLDURAS MOLDURARTE LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2003 a 30/09/2003 QUEBRA DO SIGILO BANCÁRIO. QUESTÕES CONSTITUCIONAIS. O CARF não é competente para se pronunciar acerca de inconstitucionalidade de leis, nos termos da Súmula CARF nº 2. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. PRÁTICA DE ATOS QUE CONFIGURAM CRIME CONTRA A ORDEM TRIBUTÁRIA. PERDA DO INCENTIVO. INCIDÊNCIA DO ART. 59 DA LEI 9.069/1990. O contribuinte que pratica fraude inconteste que configura crime contra a ordem tributária, perde direito ao benefício fiscal no anocalendário correspondente à prática, independentemente de sentença judicial condenatória transitada em julgado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Maria Aparecida Martins de Paula (relatora), Valdete Aparecida Marinheiro, Thais De Laurentiis Galkowicz e Diego Diniz Ribeiro, que votaram por dar provimento parcial para anular o despacho decisório e determinar que a autoridade administrativa apurasse o crédito presumido de IPI. Designado o Conselheiro Jorge Freire para redigir o voto vencedor. (assinado digitalmente) ANTONIO CARLOS ATULIM Presidente (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 00 05 53 /2 00 9- 15 Fl. 1001DF CARF MF Impresso em 04/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2015 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 22/12/ 2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 21/12/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE P AULA, Assinado digitalmente em 21/12/2015 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE 2 MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA Relatora (assinado digitalmente) JORGE OLMIRO LOCK FREIRE Redator designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Valdete Aparecida Marinheiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Tratase de recurso voluntário contra decisão da Delegacia de Julgamento em Ribeirão Preto/SP, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade da contribuinte. Adoto o relatório da decisão recorrida para descrever os fatos que sucederam no processo até a apresentação da manifestação de inconformidade: (...) Tratase de manifestação de inconformidade (efls. 286 a 318) apresentada em 17 de agosto de 2010 contra não homologação de declaração de compensação de créditos de ressarcimento de IPI (efls. 260 a 265) relativos ao 3º trimestre de 2003. A DCOMP foi transmitida em 28 de novembro de 2003. Nas efls. 111 a 256, foi juntada cópia do termo de verificação fiscal do processo 11516.002223/201006, que se referiu às infrações apuradas. Segundo o relatório, foram apurados três tipos de fraudes contábeis, descritas detalhadamente. Primeiramente, a Fiscalização esclareceu que, entre 2002 e 2006, em média, quase metade dos pagamentos efetuados pelas quatro empresas fiscalizadas (Incomarte, Modurarte, H. Effting e Catarinense) na aquisição de madeira foi efetuada por meio “pagamentos antecipados”. A conta contábil seria utilizada para registrar adiantamentos e devoluções de adiantamentos, “nem sempre com respaldo em registros bancários”. Os cheques relativos aos pagamentos teriam sido emitidos em nome das próprias moldureiras, em vez de em nome dos fornecedores. Segundo o contador da empresa, “esses cheques eram transformados em moeda corrente, para que fossem assim repassados aos fornecedores, ‘em mãos’”. Citaramse casos em que os adiantamentos eram glosados como “devolução de adiantamentos realizados a maior”, muitas vezes nas mesma data do próprio adiantamento. As devoluções, ao contrário dos adiantamentos, seriam efetuadas por transações bancárias e não em moeda corrente. Vários fornecedoras nunca entregaram as madeiras compradas e nem devolveram os adiantamentos, equivalentes a milhões de Reais, mesmo até a data de encerramento da ação fiscal em 2010. Fl. 1002DF CARF MF Impresso em 04/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2015 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 22/12/ 2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 21/12/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE P AULA, Assinado digitalmente em 21/12/2015 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE Processo nº 11516.000553/200915 Acórdão n.º 3402002.736 S3C4T2 Fl. 1.002 3 Por isso, a Fiscalização efetuou diligência em vários fornecedores, não tendo sido um deles localizado. Dois demais, somente dos responderam às intimações. A Madeireira Menagaliu Ltda. tinha os registros contábeis dos adiantamentos, mas não das devoluções. A Madedino Madeiras Ltda. não tinha registros contábeis. Além disso, a Fiscalização requereu aos bancos cópias de alguns cheques e de “fitas detalhe de caixa”, relativamente aos valores superiores a R$ 5.000,00, concluindo o seguinte: O cotejamento POR AMOSTRAGEM destas fitas de caixa com os registros contábeis das Moldureiras permitiu a esta auditoria compreender o "modus operandi" destas empresas e confirmar que os registros contábeis eram fraudados, reduzindo a base tributária, e incorrendo nos crimes tributários anteriormente citados. Foram identificadas três tipos de fraudes realizadas de forma reiterada pelas contribuintes, que passaremos a descrever: O primeiro tipo de fraude, foi identificado no Bradesco e, em geral, envolvia duas ou mais Moldureiras ao mesmo tempo. Uma das empresas registrava na contabilidade um adiantamento a determinado fornecedor (contrapartida conta Bancos) e a segunda empresa registrava na contabilidade uma devolução de adiantamento de outro fornecedor (também com contrapartida conta Bancos). Porém, a análise das fitas de caixa do Bradesco permitiu, verificar que os valores eram sacados das contas de uma Moldureira e na seqüência depositado na conta da outra Moldureira. Desta forma uma empresa omitia recebimentos e a outra empresa deixava de registrar um pagamento. A maioria das vezes este procedimento envolvia mais de duas Moldureiras. Porém, identificouse também que em alguns casos, assombrosamente, o depósito era realizado na conta bancária da mesma Moldureira que realizou o saque !!!. [...] Um segundo tipo de fraude foi realizado tanto no Bradesco quanto no Banco do Brasil e consistia em registrar o adiantamento para um fornecedor e efetuar o pagamento para pessoa física ou jurídica totalmente distinta daquela para qual era feito o registro contábil (e/ou, quando não fosse o caso da pessoa ser distinta ao lançamento contábil, os depósitos eram realizados em valores diferentes daqueles em que haviam sido contabilizados). Em diversos casos, inclusive, constaram como beneficiários dos cheques contabilizados como adiantamento a fornecedores de madeira nada mais nada menos que familiares dos sócios da empresa (Nilza Effting e Patricia Effting Goes). Um terceiro tipo de fraude foi identificado tanto no Banco do Brasil quanto no Bradesco e consistia em emitir o cheque no valor da nota fiscal de venda de madeira, porém o depósito na conta do fornecedor era feito num valor inferior ao valor contabilizado. Houve até mesmo caso em que nada foi repassado ao fornecedor de madeira. A diferença era simplesmente depositada na própria conta bancária da Moldureira (ou de uma coligada). Nestes casos a fraude ampliava diretamente, e de forma fictícia, o valor dos custos com aquisição de insumos. É importante ressaltar que este último procedimento foi identificado apenas nos pagamentos das notas fiscais de um único fornecedor de madeira, a Madecamp (ou Madecap). Justamente uma das empresas denunciada por envolvimento em fraudes na emissão de autorização de Fl. 1003DF CARF MF Impresso em 04/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2015 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 22/12/ 2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 21/12/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE P AULA, Assinado digitalmente em 21/12/2015 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE 4 transporte de madeira, conforme descrito posteriormente neste Termo de Verificação Fiscal (Operação Isaias). Relacionou várias operações bancárias que demonstrariam os procedimentos e tratou de cada tipo de fraude, discriminando várias operações nos dois bancos e as descrevendo. Além disso, a suposta beneficiária dos pagamentos inexistentes, a empresa Madecamp Indústria e Comércio, fora objeto de um processo por falsidade ideológica, o que seria uma confirmação da suposta falsidade ideológica de documentos emitidos. Mencionou a Fiscalização ainda a “Operação Isaías”, reproduzindo partes do Inquérito Policial n. 44, de 2006, o que demonstraria a grande proximidade entre as empresas de moldura e as madeireiras. Acrescentou também o seguinte: Não se pretende aqui afirmar que o grupo era totalmente responsável pelas más condutas de seus fornecedores de madeira, mas, mesmo não sendo este um dos motivos para as glosas dos créditos ora em discussão, não se pode deixar de apresentar os cálculos feitos referentes aos recolhimentos de Pis/Cofins destas empresas. Conforme planilha abaixo, estimouse que, no mínimo, em torno de 64 % dos recolhimentos de Pis/Cofins dos 50 maiores fornecedores de madeira das contribuintes não foram efetivados: [...] Ainda esclareceu que a Interessada foi intimada a justificar a falta de contabilização de pagamentos e a divergência de beneficiários nos depósitos bancários e, ao final, concluiu o seguinte: Ficou devidamente comprovado, pelas diversas irregularidades demonstradas no presente Termo de Verificação Fiscal, que o grupo Moldurarte cometeu ilícitos contábeis, fiscais e tributários, ao longo do período analisado, que se constituíram, inclusive, em crimes contra a ordem tributária, motivos mais do que suficientes para indeferir os pedidos de ressarcimento de créditos do IPI, no que tange Aqueles decorrentes de crédito presumido para ressarcimento do PIS/PASEP e da COFINS, conforme preconiza o art. 59 da Lei n° 9.069/95. Na efl. 257, foi esclarecido que os documentos utilizados pela Fiscalização foram anexados ao processo 11516.002223/2010 06. Segundo o despacho decisório (efls. 260 a 265), cientificado em 16 de julho de 2010, foram apuradas as seguintes irregularidades: Ao analisar os documentos e arquivos fornecidos pelo contribuinte constatouse que a solicitante, juntamente com outras empresas do Grupo Moldurarte (INCOMARTE INDUSTRIA E COMÉRCIO DE MOLDURAS LTDA, INDÚSTRIA DE MOLDURAS MOLDURARTE LTDA, INDÚSTRIA DE MOLDURAS H. EFFTING L'TDA e INDÚSTRIA DE MOLDURAS CATARINENSE LTDA), praticou, durante anos a fio, fraudes contábeis no pagamento de matérias primas, que interferem substancialmente nos valores que compõem o montante do crédito presumido requerido. As várias irregularidades encontramse descritas, minuciosamente, no Termo de Verificação Fiscal — TVF, constantes As fls. 101 a 174. Fl. 1004DF CARF MF Impresso em 04/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2015 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 22/12/ 2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 21/12/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE P AULA, Assinado digitalmente em 21/12/2015 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE Processo nº 11516.000553/200915 Acórdão n.º 3402002.736 S3C4T2 Fl. 1.003 5 Vale destacar que a fraudes decorrem da aquisição irregular de madeira, que é a principal matériaprima para produção de varetas para molduras, além da supervaloração de custos, pagamentos sem causa sugerindo a possibilidade de manutenção de "caixa dois" dentre outras. As irregularidades apontadas no TVF estão consubstanciadas em documentos apresentados pelo próprio contribuinte: Relatório do Departamento de Policia Federal (Inquérito Policial 44/2006 SR/DPF/AP OPERAÇÃO ISAÍAS) e movimentações financeiras, fornecidas, por meio de Requisição de Movimentação Financeira, pelos bancos Bradesco, Banco do Brasil, e Banco do Estado de Santa Catarina (fl 175). As fraudes contábeis identificadas constituem indubitavelmente em crimes contra a ordem tributária e, portanto, acarretam aos seus infratores a perda de qualquer incentivo fiscal, conforme previsto no art. 59 da Lei 9.069/95 e nos arts. 10 , incisos I e II, e 2°, inciso I, da Lei 8.137/90. Em sua manifestação, a Interessada inicialmente narrou os fatos ocorridos e a legislação, reproduzindo trechos relevantes do termo de verificação fiscal TVF e do despacho decisório. Alegou que do procedimento inicial também teria decorrido lavratura de auto de infração por omissão de receitas (doc. 5). A seguir, abordou o direito à fruição do crédito presumido em relação aos anos de 2004 e 2005 e a inaplicabilidade do art. 59 da Lei n. 9.069, de 1995, como causa impeditiva ao crédito. Segundo a Interessada, no caso dos autos, não haveria ação penal (denúncia) a respeito de crime algum; não haveria decisão judicial reconhecendo as práticas relatadas como crimes; não se teria configurado crime pela atipicidade das condutadas (irregularidades contábeis), à vista da ausência de constituição de crédito tributário; seria impossível imputar a prática de crime sem comprovação da conduta; não teria ocorrido nenhuma das hipóteses dos arts. 1º e 2º da Lei n. 8.137, de 1990; não seria possível estender a responsabilidade fiscal dos fornecedores à Interessada; não havendo omissão de receitas, não se configurou crime. Cada um dos itens acima foi, a seguir, analisado pela Interessada, citando a legislação que entendeu aplicável aos casos e opinião da doutrina. Nesse contexto, afirmou que somente decisão de juiz federal teria o efeito de caracterizar a prática de crime, não sendo possível de um despacho decisório se extrair efeito equivalente. O 2º Conselho de Contribuintes teria decidido em sentido similar no julgamento do Recurso Voluntário n. 112.565, cujo teor reproduziu. Citou também acórdão do Tribunal Regional Federal da 4ª Região e outras decisões do Judiciário. Em relação à Lei n. 8.137, de 1990, alegou que a consumação do crime dependeria da demonstração da supressão do pagamento Fl. 1005DF CARF MF Impresso em 04/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2015 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 22/12/ 2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 21/12/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE P AULA, Assinado digitalmente em 21/12/2015 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE 6 do tributo pelo autor e da constituição definitiva do crédito tributário. Citou ementas e trechos de acórdãos do Superior Tribunal de Justiça e do Supremo Tribunal Federal. De acordo com a Interessada, no direito penal prevaleceria o princípio da presunção da inocência. Em matéria fiscal, à vista da constatação de inexatidões contábeis, a autoridade administrativa teria presumido a ocorrência de omissão de receita, com base no art. 42 da Lei n. 9.430, de 1996, relativamente ao anocalendário de 2005. Ainda em relação à mencionada lei, afirmou que as irregularidades mencionadas não teriam influência sobre a base de cálculo do IRPJ e da CSLL, nem reflexo sobre a base de cálculo de Cofins e PIS, de modo que não poderiam caracterizar crime. Ademais, o fato de a Interessada ter optado pelo lucro presumido e estar desobrigada à escrituração comercial implicaria que a “contabilidade da empresa que extrapola a exigência legal serve apenas para controle interno e gerencial da sua atividade.” Contestou a “corresponsabilidade das moldureiras” em relação aos atos dos fornecedores, alegando que não se enquadrariam nos arts. 121, 124, 134 ou 135 do Código Tributário Nacional. Segundo a Interessada: A Recorrente não é responsável solidária pelos tributos devidos pelas suas fornecedoras, porque não tinha qualquer interesse na venda da madeira, mas sim na sua aquisição. A solidariedade não se presume. Decorre de lei. [...] A contabilidade da Recorrente não possui qualquer relação com a administração dos seus fornecedores. A relação entre eles é meramente de compra e venda de matériaprima, documentada em notas fiscais que deram ingresso em seu estabelecimento. A Recorrente não poderia supor que eventuais ATPF's não correspondessem à realidade. Ainda acrescentou: Contudo, as origens dos recursos são perfeitamente identificáveis, porém há um equívoco nos registros contábeis que dificultam essa correlação. Não se verifica na hipótese qualquer intenção de fraudar o Fisco. A Recorrente não deixou de oferecer à tributação qualquer receita de fato auferida. A presumida omissão apontada pela Fiscalização é infundada. Os equívocos na escrituração da Recorrente não geraram qualquer falta de recolhimento de tributos, eis que não tiveram reflexos em contas de resultado, conforme passa a demonstrar. Tratou, a seguir, das aquisições de madeira, esclarecendo haver passado a “adquirir madeira no Estado do Pará (desde 1980), em Rondônia (desde 1990) e no Mato Grosso (desde 1994).” Em relação à matériaprima, alegou haver peculiaridades com ela, sendo a “madeira mole, comum (parápará, virola, marupá, Fl. 1006DF CARF MF Impresso em 04/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2015 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 22/12/ 2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 21/12/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE P AULA, Assinado digitalmente em 21/12/2015 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE Processo nº 11516.000553/200915 Acórdão n.º 3402002.736 S3C4T2 Fl. 1.004 7 caroba, caxeta e outras)”, de baixa procura, o que dificultou sua aquisição a partir das décadas de 1980 e 1990. Ademais, haveria dificuldades burocráticas na compra de madeira, como multiplicidade de compradores, deficiência na comunicação, falta de estoque dos fornecedores e pagamento antecipado. Dessa forma, o envio de adiantamento para as serralherias maiores (“parceiros”) e representantes de compra seria necessário, com a venda efetiva intermediada pelos parceiros com outras serrarias. Tratou da forma de contabilização, alegando o seguinte: Face ao descompasso entre os destinatários dos "Adiantamentos para Fornecedores" (que repassava parte do numerário para outras serrarias) e os efetivos fornecedores de madeira, a Moldurarte passou a contabilizar os adiantamentos de maneira incorreta: a) MANEIRA CORRETA (NÃO UTILIZADA): Deveria registrar as remessas bancárias para os destinatários específicos (serrarias "parceiras" e representantes de compra). Quando recebesse madeira fornecida por outras serrarias, deveria deduzir o valor de tais compras das contas de "Adiantamento a Fornecedores" das "parceiras"/representantes. b) MANEIRA INCORRETA (UTILIZADA ATÉ 2006): Ao invés de proceder como o acima exposto (dedução do valor das compras de outras serrarias, da conta de Adiantamento da serraria "parceira"/representante que intermediu o negócio), a Moldurarte, à medida que recebia as cargas de madeira das outras serrarias, passou a fazer a dedução do valor da compra diretamente dos adiantamentos bancários que efetuados por ocasião do ingresso da matériaprima. Ainda explicou a abrangência das incorreções contábeis, afirmando não haver erro no conjunto de contas dos fornecedores e haver “incorreções no texto dos lançamentos das contas de Bancos (Bradesco e Banco do Brasil) e nas contas de adiantamento de diversos fornecedores de madeira.” Ademais, as contas de resultados e de patrimônio estariam corretas, bem assim os registros de entradas de madeiras e de apuração do ICMS e IPI. Afirmou que os registros incorretos estariam sendo sanados. Em relação à Operação Isaías, alegou que não haveria registros incorretos em sua escrituração quanto às compras de madeira do Amapá. No próximo item, alegou preencher os requisitos e condições para se beneficiar do crédito presumido de IPI, nos termos do art. 1º da Lei n. 9.363, de 1996, e esclarecendo haver optado pela apuração alternativa. Quanto às aquisições registradas, alegou o seguinte: Fl. 1007DF CARF MF Impresso em 04/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2015 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 22/12/ 2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 21/12/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE P AULA, Assinado digitalmente em 21/12/2015 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE 8 Nesse sentido, as notas fiscais juntadas por amostragem com os carimbos dos postos de fiscalização, comprovante de pagamento e outros documentos relativos à aquisição demonstram que, de fato, a Recorrente adquiriu diversos tipos de madeiras (Doc. 09), bem como outros insumos necessários a realização da sua atividade social (Doc. 10), inclusive, algumas consideradas pela Autoridade Administrativa na apuração do "Crédito do IPI" (Doc. 10), cujo aproveitamento foi deferido e homologado pelas autoridades fazendárias. Na verdade, em relação ao Crédito Presumido do IPI a Fazenda nem chegou a analisar os documentos apresentados pela Recorrente porque sendo teria homologado o credito comprovado pelas mesmas notas fiscais que a autoridade administrativa considerou para homologar o "Credito de IPI" Recorrente. Tornase evidente que as aquisições realizadas pela Recorrente são legitimas, aliás, sequer contestadas pelo Fisco, pois foram efetuadas a prego de mercado, conforme se visualiza do quadro abaixo: [...]Eventuais aquisições em montantes um pouco superiores à pauta fiscal, como ocorreu em algumas operações acima listadas não levam conclusão de que tenha havido superfaturamento. Isso é mera conjuntura do mercado. Aliás, a fiscalização apenas aventa uma suposta supervaloração das compras, mas em nenhum momento apontou um só parâmetro ou fato concreto que pudesse levar à conclusão e comprovação de superfaturamento. Nesse trimestre a empresa vendeu 1.516.816,43 metros lineares de varetas de madeira para moldura (corresponde a R$ 6.517.022,96 — Doc. 06) o que comprova a necessidade de aquisição de uma grande quantidade de matéria prima (madeira), não havendo como serem reputadas de ilegítimas as aquisições por ela realizadas: [...]Consoante se pode extrair do quadro acima, a Recorrente não só adquiriu a madeira, como esta ingressou no seu estoque, foi industrializada e revendida como varetas de madeira para moldura tanto no mercado interno como no mercado externo. Em relação ao inquérito policial, alegou que somente foi instaurado em 2006 que a obrigação de verificar a idoneidade dos documentos fiscais dos fornecedores seria do Fisco e não do contribuinte. Além disso, haveria irregularidades contábeis apenas em relação aos pagamentos, estando corretas as notas fiscais e os livros contábeis e fiscais em relação às aquisições. Segundo a Interessada, “a Recorrente preencheu todos os requisitos para fazer jus ao beneficio (art. 10 da Lei n° 9.363/1996): a) E empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais (Doc. 05 e 06); b) Adquiriu, no mercado interno, matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo (Doc. 08 e 09) e pagou por essas mercadorias o valor de mercado (Doc. 15); c) Os registros dos Livros Fiscais (Livros de Entrada) permitem a apuração do Crédito Presumido do IPI, corretamente, sem prejudicar o Fisco e nem beneficiar a Recorrente (Doc. 13).” Alegou haver agido de boafé a aplicarse ao caso a conclusão a que chegou o 2º Conselho de Contribuintes no RV n. 229.411 e o STJ no REsp n. 1.148.444/MG. Argumentou que “neste trimestre somente 18,92% madeiras foram adquiridas da empresa Madecamp e 7,55% da B.A. ABREU”, respectivamente. Apresentou tabela com as aquisições dos diversos fornecedores. Fl. 1008DF CARF MF Impresso em 04/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2015 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 22/12/ 2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 21/12/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE P AULA, Assinado digitalmente em 21/12/2015 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE Processo nº 11516.000553/200915 Acórdão n.º 3402002.736 S3C4T2 Fl. 1.005 9 Em relação à interpretação do art. 59 da Lei n. 9.069, de 1995, alegou que a perda do benefício ocorreria “porque a prática de outros atos acarretamlhe essa pena.” Ainda tratou da ilegalidade do indeferimento dos pedidos de ressarcimento fundamentado na ausência e controle de estoques, pelo fato de ser possível apurar por outros meios e inexistir prejuízo ao erário, mencionando princípios constitucionais da moralidade, vedação ao enriquecimento sem causa, razoabilidade e proporcionalidade e citando acórdão do TRF da 4ª Região sobre a matéria. (...) Mediante o Acórdão nº 1448.293, de 28 de janeiro de 2014, a 8ª Turma da DRJ/RPO julgou improcedente a manifestação de inconformidade, conforme ementa abaixo: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 01/07/2003 a 30/09/2003 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. PRÁTICA DE ATOS QUE CONFIGURAM CRIME CONTRA A ORDEM TRIBUTÁRIA. PERDA DO INCENTIVO. A prática de atos que configurem, em tese, crime contra a ordem tributária implica a perda do incentivo do crédito presumido de IPI no respectivo anocalendário, independentemente de sentença judicial condenatória transitada em julgado. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/07/2003 a 30/09/2003 CRÉDITO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. FRAUDE. CRIME CONTRA A ORDEM TRIBUTÁRIA. CONFIGURAÇÃO. Em tese, constitui crime contra a ordem tributária o superfaturamento de aquisições de madeira com o fim de majorar irregularmente a base de cálculo do crédito presumido de IPI a ser compensado com débitos de outros tributos ou contribuições. Tendo sido, em 21/02/2014, regularmente notificada da decisão de primeira instância, a contribuinte apresentou, em 21/03/2014, Recurso Voluntário ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf), repisando as alegações da manifestação de inconformidade e acrescentando, em síntese, a ilegalidade das provas obtidas da quebra do sigilo bancário sem autorização judicial. É o relatório. Voto Vencido Conselheira MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA Fl. 1009DF CARF MF Impresso em 04/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2015 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 22/12/ 2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 21/12/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE P AULA, Assinado digitalmente em 21/12/2015 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE 10 O recurso atende aos requisitos de admissibilidade e dele se toma conhecimento. Quanto à preliminar suscitada pela recorrente relativa à quebra do sigilo bancário sem autorização judicial, efetuada pela fiscalização com base no art. 6º da Lei Complementar 105/20011, como os argumentos utilizados pela recorrente estão no âmbito da verificação da constitucionalidade desse dispositivo de lei, entendo que se encontra fora da alçada desse Conselho examinar a matéria, nos termos da Súmula CARF nº 2, que assim dispõe: "O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária". A atividade administrativa é vinculada, cabendo ao agente administrativo prestigiar a lei, não podendo dela se distanciar, ainda que sob argumento de inconstitucionalidade, conforme dispõe o artigo 26A do Decreto 70.235/1972: Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). Assim, tendo sido, nos presentes autos, as provas coletadas pela fiscalização em conformidade com o art. 6º da Lei Complementar 105/2001, não conheço da preliminar da recorrente relativa à ilegalidade das provas obtidas por quebra do sigilo bancário da recorrente. Passase à análise do mérito. Depreendese da leitura dos autos que, diante das irregularidades contábeis da contribuinte que possibilitaram a supressão e redução dos tributos envolvidos nessas transações, como também um acréscimo indevido no cálculo dos créditos presumidos, a fiscalização entendeu que se caracterizava o crime contra a ordem tributária previsto no art. 1º, II da Lei n° 8.137/90: Art. 1° Constitui crime contra a ordem tributária suprimir ou reduzir tributo, ou contribuição social e qualquer acessório, mediante as seguintes condutas: (Vide Lei nº 9.964, de 10.4.2000) (...) II fraudar a fiscalização tributária, inserindo elementos inexatos, ou omitindo operação de qualquer natureza, em documento ou livro exigido pela lei fiscal; (...) 1 Art. 6o As autoridades e os agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios somente poderão examinar documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive os referentes a contas de depósitos e aplicações financeiras, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. (Regulamento) Parágrafo único. O resultado dos exames, as informações e os documentos a que se refere este artigo serão conservados em sigilo, observada a legislação tributária. Fl. 1010DF CARF MF Impresso em 04/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2015 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 22/12/ 2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 21/12/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE P AULA, Assinado digitalmente em 21/12/2015 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE Processo nº 11516.000553/200915 Acórdão n.º 3402002.736 S3C4T2 Fl. 1.006 11 Em decorrência desse fato, entendeu a autoridade fiscal que a contribuinte não fazia jus aos Créditos Presumidos do IPI no período, em conformidade com o artigo 59 da Lei n° 9.069/95, o qual dispõe: Art. 59. A prática de atos que configurem crimes contra a ordem tributária (Lei nº 8.137, de 27 de dezembro de 1990), bem assim a falta de emissão de notas fiscais, nos termos da Lei nº 8.846, de 21 de janeiro de 1994, acarretarão à pessoa jurídica infratora a perda, no anocalendário correspondente, dos incentivos e benefícios de redução ou isenção previstos na legislação tributária. Cabe primeiro indagar se a autoridade fiscal teria competência para verificar a "prática de atos que configurem crimes contra a ordem tributária". Obviamente que não, segundo entendo. Como é consabido, a configuração de um crime somente se dá após o devido processo legal na esfera judicial. Assim, apenas após a manifestação do Poder Judiciário, mediante sentença penal condenatória, poderseá dizer que a prática de determinado ato pela contribuinte configurou um crime contra a ordem tributária. Em referência ao princípio da presunção de inocência, não é lícito que a autoridade administrativa antecipese à manifestação judicial para declarar que a prática de determinado ato configura um crime contra a ordem tributária. Com efeito, quando o AuditorFiscal identificar fatos que, em tese, configurem crime contra a ordem tributária, incumbelhe a formalização da Representação Fiscal para Fins Penais, para a devida comunicação ao Ministério Público, que é o órgão competente para verificar a existência de prova de materialidade e indícios de autoria de crime suficientes para a deflagração da persecução penal. Nesse sentido, dispõe o art. 1º do Decreto nº 2.730/98: Art 1º O AuditorFiscal do Tesouro Nacional formalizará representação fiscal, para os fins do art. 83 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, em autos separados e protocolizada na mesma data da lavratura do auto de infração, sempre que, no curso de ação fiscal de que resulte lavratura de auto de infração de exigência de crédito de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Ministério da Fazenda ou decorrente de apreensão de bens sujeitos à pena de perdimento, constatar fato que configure, em tese; I crime contra a ordem tributária tipificado nos arts. 1º e 2º da Lei nº 8.137, de 27 de dezembro de 1990; II crime de contrabando ou descaminho. [grifos da Relatora] De forma que, ao AuditorFiscal, incumbe tão somente a comunicação ao Ministério Público do fato que configura, em tese, um crime contra ordem tributária, para que, Fl. 1011DF CARF MF Impresso em 04/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2015 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 22/12/ 2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 21/12/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE P AULA, Assinado digitalmente em 21/12/2015 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE 12 sendo o caso, se instaure o correspondente processo penal para a verificação, pela autoridade judicial, se efetivamente ocorreu o referido crime. No sentido de que não cabe a aplicação do art. 59 da Lei n° 9.069/95 quando ausente a sentença penal condenatória à contribuinte pelo crime contra a ordem tributária, muito bem se manifestou o Conselheiro Fernando Luiz da Gama Lobo D'Eça, em seu Voto, no Acórdão no 340200.887 4° Câmara / 2ª Turma Ordinária, em sessão de julgamento de 28 de outubro de 2010: (...) Inicialmente anoto que o fato invocado na motivação, tanto da r. decisão ora recorrida, como do r, despacho decisório da DRJ (suposta "pratica, pelo interessado, nos anos de 2000, 2001, 2002 e 2003, de atos que, em tese, configuram crime contra a ordem tributária, como consta no Relatório Fiscal das fls. 61/63 do procedimento fiscal"), por não apurado em processo criminal regular não autoriza as respectivas conclusões (perda do direito ao crédito), posto que somente autorizaria a perda do crédito, após de sentença condenatória transitada em julgado, cuja noticia não consta dos autos. De fato, inserido no "âmbito ou núcleo de proteção" dos direitos de defesa, a Constituição tutela o principio constitucional da "nãoculpabilidade" (art. 5°, inc. LVII da CF/88) que, no entendimento da Suprema Corte "consagra uma regra de tratamento que impede o Poder Público de agir e de se comportar, em relação ao suspeito, ao indiciado, ao denunciado ou ao réu, como se estes já houvessem sido condenados definitivamente por sentença do Poder Judiciário" sendo certo que essa "prerrogativa jurídica da liberdade" por possuir "extração constitucional (CF, art. 5º, LXI e LXV) não pode ser ofendida em detrimento de direitos e garantias fundamentais proclamadas pela Constituição"( cf. Ac. da 2' Turma do STF no HC n° 80.719, em sessão de 26/06/01, REI. Mm. Celso de Mello, publ. in DJU de 28/09/01, pág. 37, EMENT VOL0204501 pág. 143 e in RTJ vol. 180/262), não se expõe, nem deve submeterse, a qualquer juízo de oportunidade ou de conveniência, muito menos a avaliações discricionárias fundadas em razões de pragmatismo governamental" vez que "a relação do Poder e de seus agentes, com a Constituição, há de ser, necessariamente, uma relação de respeito" (cf. Ac. do STF Pleno, na ADInQO 2010DF, em sessão de 30/09/99, Rel. Min. Celso Mello, publ. in DJU de 12/04/02, pág. 51, e in RTJ vol. 181/73) (...) O Ilustre Conselheiro Relator sustenta também o seu Voto em decisão anterior do Conselho de Contribuintes, proferida no Acórdão n° 20310.061, da 3° Câm. do antigo 2° CC, Rel. Cons. Walter Ludvig, cujo voto se transcreve parcialmente abaixo: (...) Portanto, quanto aos fatos em tela e à pretensa aplicação das penas do art. 59 da Lei n° 9.069/95, entendo que apenas as condutas que configurem crime, tal como o ordenamento jurídico Fl. 1012DF CARF MF Impresso em 04/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2015 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 22/12/ 2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 21/12/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE P AULA, Assinado digitalmente em 21/12/2015 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE Processo nº 11516.000553/200915 Acórdão n.º 3402002.736 S3C4T2 Fl. 1.007 13 pátrio entende o que seja crime, podem dar ensejo perda dos benefícios fiscais.. Não considero razoável pretender que o legislador tenha querido, com a norma em exame, conceituar uma nova modalidade de crime: aquela a ser utilizada apenas para efeitos .fiscais ou administrativos. A interpretação sistemática do ordenamento jurídico determina a necessidade de que se conjugue, à hipótese de incidência do mencionado art. 59 atos que configurem crime o conceito do mesmo tal como entendido pelo legislador penal, pena de se ver criada modalidade administrativa de crime, o que não pode ser aceito. Assim, para que seja dada aplicação ao art. 59 da Lei n° 9.060/95, é necessário que os atos cometidos pelo contribuinte sejam típicos (objetiva e subjetivamente) e antijuridicos. Sem tais pressupostos, inexistem atos que configurem crime. Desse modo, à vista de que a Lei n° 8137/90 não prevê a modalidade culposa dos tipos que descreve, apenas aqueles atos que, além de serem objetivamente descritos na norma penal, sejam informados pelo dolo do autor e, ainda, que não sejam acobertados por nenhuma das hipóteses de exclusão da antijuridicidade previstas no art. 23 do CP, podem dar ensejo aplicação das penalidades descritas na norma em exame. E, para comprovação do elemento subjetivo do tipo, a norma processual penal prevê um longo caminho a ser trilhado, de modo que fique aquele cabalmente demonstrado na instrução, caso contrário será o denunciado absolvido por ausência de prova. Em arremate, não incumbe ao Poder Executivo, através da Administração Tributária, considerar determinado fato como se crime fosse. Apenas a manifestação do poder Judiciário através de sentença penal condenatória dará ensejo aplicação da penalidades do artigo 59 da Lei n° 9069/95 A partir daí sim, poderá dar ensejo a aplicação da aludida norma no que se refere a perda de benefícios fiscais. Assim, a mencionada perda dos benefícios e incentivos constitui se inequívoca conseqüência de sentença penal, não cabendo à SRF, desprezando os dispositivos constitucionais do devido processo legal, da universalidade da jurisdição exclusivamente através do Poder Judiciário e da presunção de inocência criminal (CF, art. 50, incisos XXXV, LIII, LIV, LV, LVII), impor ao contribuinte a pena típica de condenação penal sem que a mesma se tenha verificado no caso. (...) Assim, diante da ausência de sentença penal condenatória à contribuinte por crime contra a ordem tributária, entendo que é incabível a aplicação do art. 59 da Lei n° 9.069/95 ao presente caso concreto. Fl. 1013DF CARF MF Impresso em 04/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2015 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 22/12/ 2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 21/12/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE P AULA, Assinado digitalmente em 21/12/2015 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE 14 Desta forma, não se configurou o justo motivo que prejudicava a análise do mérito do crédito presumido pleiteado, tendo sido, então, o Despacho Decisório, nesta parte, proferido com preterição do direito de defesa da contribuinte, devendo ser declarada a sua nulidade e dos atos posteriores dele decorrentes, nos termos do art. 59 do Decreto nº 70.235/72. Assim, por todo o exposto, voto no sentido de DAR PARCIAL PROVIMENTO ao Recurso Voluntário para anular o Despacho Decisório e os atos dele decorrentes, a fim de que a autoridade fiscal, com o afastamento da norma veiculada pelo art. 59 da Lei n° 9.069/95, pronunciese sobre a verificação da legitimidade do crédito presumido pleiteado, retomandose, a partir desse ponto, o curso do devido processo legalmente previsto para o contencioso administrativo do ressarcimento e compensação tributários. (Assinatura Digital) MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA Relatora Fl. 1014DF CARF MF Impresso em 04/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2015 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 22/12/ 2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 21/12/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE P AULA, Assinado digitalmente em 21/12/2015 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE Processo nº 11516.000553/200915 Acórdão n.º 3402002.736 S3C4T2 Fl. 1.008 15 Voto Vencedor Com a devida vênia, divirjo da relatora quanto à conclusão de seu voto no sentido de anular o despacho decisório, medida extrema, para que outro seja prolatado afastando a incidência do art. 59, que a seguir transcrevo novamente, da Lei 9.069/95. Entende a ilustre relatora que a dicção legal "A prática de atos que configurem crimes contra a ordem tributária..." só incide após sentença penal de crimes dessa natureza com trânsito em julgado. Art. 59. A prática de atos que configurem crimes contra a ordem tributária (Lei nº 8.137, de 27 de dezembro de 1990), bem assim a falta de emissão de notas fiscais, nos termos da Lei nº 8.846, de 21 de janeiro de 1994, acarretarão à pessoa jurídica infratora a perda, no anocalendário correspondente, dos incentivos e benefícios de redução ou isenção previstos na legislação tributária. Já tive oportunidade de me debruçar sobre o tema há muito anos. A situação fática era outra, havendo ínfimos documentos fiscais com algum vício e, por isso, a fiscalização, glosou a todos. Naquela hipótese, entendi que não se aplicava a referida norma porque não restara provado o animus dolandi do contribuinte em relação aos crimes contra a ordem tributária. Naquele caso concreto, entendi que a prova do dolo seria formada nos autos de um processo penal, uma vez ausente tal prova nos autos. Aqui estamos diante de outra circunstância: há prova inexorável das fraudes perpetradas pelas empresas (que, em verdade, atuavam como se fosse um só "ser"), fazendo com que o Fisco, embasado em vastíssimo material probatório, desqualificasse, "tanto a escrita contábil quanto o documentário Fiscal apresentado". Na forma em que feita, levada a cabo para inflar artificialmente um crédito em prejuízo do Erário e ainda usar este crédito falseado propositalmente para quitar débitos seus líquidos e certo contra o Tesouro nacional, o animus dolandi da fraude é inexpugnável no caso vertente. A questão reside, a meu juízo, ao que se refere à expressão "a prática de atos que configurem crimes contra a ordem tributária". Assim, a questão a ser deslindada é se os autos fraudulentos se subsumem aos fatos típicos da Lei 8.137/1990. Faço, antes, porém, um breve relato dos fatos. Versam os autos pedido de compensação com supostos créditos de IPI no período de apuração em epígrafe. O presente processo, conforme atesta a fiscalização, abrangeu quatro empresas de molduras (Incomarte Ind. e Comércio de Molduras Ltda. e Ind. de Molduras Catarinense Ltda., pela Ind. de Molduras Moldurarte Ltda., conforme de fls. 218 e segs, e Ind. de Molduras H. Effiting Ltda.), sendo a recorrida sucessora por incorporação. O extenso Termo de Verificação Fiscal (148 páginas) concluiu que a empresa não tem direito ao ressarcimento do crédito presumido "haja vista terem praticado, reiterada e continuamente, durante anos a fio, fraudes contábeis no pagamento de matérias primas", ou seja, na aquisição de madeiras. Fl. 1015DF CARF MF Impresso em 04/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2015 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 22/12/ 2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 21/12/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE P AULA, Assinado digitalmente em 21/12/2015 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE 16 Verificou o Fisco que os adiantamentos a fornecedores de madeira (identificados no Termo Fiscal) foram realizados em sua maior parte por intermédio de cheques nominais às próprias moldureiras (Catarinense, Moldurarte, Effting, Incomarte), em vez de serem emitidos nominalmente às fornecedoras de madeira. Por que os cheques de adiantamento a fornecedores deixariam de ser emitidos diretamente aos fornecedores, mas sim, transformados em dinheiro (descontados pelas "moldureiras" na boca do caixa), para depois, então, supostamente, serem pagos em numerário (ou depositados nas contas dos fornecedores), questionouse a fiscalização? Surpreendeuse o Fisco ao perceber que nos registros contábeis das contribuintes um notável quantitativo desses "adiantamentos a fornecedores" que eram reduzidos, provavelmente pelos mesmos fornecedores adiantados, a titulo de "devolução de adiantamentos realizados a maior", devoluções essas que muitas vezes ocorriam concomitantemente com os supostos "adiantamentos" ("no mesmo dia, vindo do mesmo fornecedor supostamente adiantado"). Além disso, a auditoria fiscal concluiu, em face à contabilidade das contribuintes (moldureiras), que alguns desses fornecedores, ao final de vários anos recebendo tais "adiantados", terminavam por não quitar completamente o suposto compromisso de fornecer a madeira paga antecipadamente. Pontua o Fisco: "Isso acarretou um crédito às moldureiras de proporções milionárias, uma vez que seus fornecedores deviam vultosas quantias e continuavam recebendo tais adiantamentos (alguns supostamente até hoje em dia em 2010)." Estranhando esses adiantamentos/devoluções, o Fisco solicitou informações bancárias das empresas. Assim, foram analisadas as transações bancárias das recorrentes com os bancos do Banco do Brasil e Bradesco, obtidas conforme LC 105/2001, já tendo sido a questão acerca da legalidade da quebra do sigilo bancário enfrentada pela relatora, acompanhada à unanimidade pelos demais membros desta Câmara. A fiscalização solicitou além da cópia dos cheques, as FITAS DETALHE DE CAIXA dos adiantamentos (e devoluções), "superiores a R$ 5.000,00 (cinco mil reais), para tentar descobrir o que mais poderia estar envolvido em tais singulares procedimentos." O cotejo por amostragem dessas fitas de caixa com os registros contábeis das moldureiras permitiu a auditoria compreender o modus operandi dessas empresas e confirmar que os registros contábeis eram fraudados, reduzindo a base tributária, e, em consequência, incorrendo, com a fraude, em tese, do tipo penal da Lei 8.137/90. Foram constatadas pela fiscalização três tipos de fraudes realizadas de forma reiterada pelas contribuintes: Foi identificado no Bradesco que uma das empresas registrava na contabilidade um adiantamento a determinado fornecedor (contrapartida conta Bancos) e a segunda empresa registrava na contabilidade uma devolução de adiantamento de outro fornecedor (também com contrapartida conta Bancos). Porém, a análise das fitas de caixa do Bradesco permitiu verificar que os valores eram sacados das contas de uma moldureira e, na seqüência, depositado na conta da outra moldureira. Desta forma uma empresa omitia recebimentos e a outra empresa deixava de registrar um pagamento. A maioria das vezes este procedimento envolvia mais de duas moldureiras. Identificouse também que em alguns casos, curiosamente, o depósito era realizado na conta bancária da mesma moldureira que realizou o saque. Fl. 1016DF CARF MF Impresso em 04/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2015 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 22/12/ 2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 21/12/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE P AULA, Assinado digitalmente em 21/12/2015 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE Processo nº 11516.000553/200915 Acórdão n.º 3402002.736 S3C4T2 Fl. 1.009 17 Restou provado que o primeiro intento para aqueles procedimentos (desconto na boca do caixa dos cheques de adiantamento a fornecedores e surpreendentes devoluções, algumas até no mesmo dia) foi revelado pelas fitas de caixa fornecidas pelas instituições financeiras. Dessa análise, foi constatado, em exauriente trabalho fiscal, ao longo de no mínio mais de três anos (Termo de Constatação item II) que boa parte desses "adiantamentos a fornecedores" tiveram como destino final, em vez dos fornecedores que a contribuinte contabilizava como beneficiárias dos pagamentos/adiantamentos, as contas bancárias das próprias contribuintes (as moldureiras), que emitiram os cheques como se fossem para adiantamentos aos fornecedores (contabilizavam como se assim o fosse), descontaramnos em conjunto, e ao mesmo tempo, num mesmo caixa bancário (com se viu anteriormente, em seu próprio nome), para logo em seguida, minutos ou segundos depois, por intermédio do mesmo caixa bancário, depositálos de volta nas contas bancárias das mesmas empresas do grupo (II sob registros contábeis de "devolução de adiantamento" a fornecedor. O segundo tipo de fraude foi realizado tanto no Bradesco quanto no Banco do Brasil e consistia em registrar o adiantamento para um fornecedor e efetuar o pagamento para pessoa física ou jurídica totalmente distinta daquela para qual era feito o registro contábil (e/ou, quando não fosse o caso da pessoa ser distinta ao lançamento contábil, os depósitos eram realizados em valores diferentes daqueles em que haviam sido contabilizados). Em diversos casos constaram como beneficiários dos cheques contabilizados como adiantamento a fornecedores de madeira, familiares dos sócios da empresa (Nilza Effting e Patricia Effting Goes). O terceiro tipo de fraude foi identificado tanto no Banco do Brasil quanto no Bradesco e consistia em emitir o cheque no valor da nota fiscal de venda de madeira, porém o depósito na conta do fornecedor era feito num valor inferior ao valor contabilizado. Houve até mesmo caso em que nada foi repassado ao fornecedor de madeira. A diferença era simplesmente depositada na própria conta bancária da Moldureira (ou de uma coligada). Nestes casos a fraude ampliava diretamente, e de forma fictícia, o valor dos custos com aquisição de insumos, superestimando os valores do créditos supostamente ressarcíveis. Impende ressaltar que este último procedimento foi identificado apenas nos pagamentos das notas fiscais de um único fornecedor de madeira, a Madecamp (ou Madecap), justamente uma das empresas denunciada por envolvimento em fraudes na emissão de autorização de transporte de madeira, conforme descrito no Termo de Verificação Fiscal (Operação Isaias). Notese também que a Madecamp era um dos raros fornecedores de madeira para os quais as Moldureiras não registravam adiantamentos, efetivando os pagamentos diretamente contra entrega desse insumo, só que muitas vezes em valor inferior ao registrado na nota fiscal e na contabilidade. Portanto, as fraudes contábeis existiram tanto nos "adiantamentos a fornecedores" quanto nos "pagamentos diretos" a fornecedores. Gisese, conforme item IV do termo fiscal ( a partir página 138 deste), que o inquérito policial 44/2006 demonstrou uma enorme proximidade entre o grupo Moldurarte e algumas empresas ali denunciadas, tais como a "Madecamp" (ou "Madecap"), referida, a "CSS" (que segundo aquele relatório nada mais era do que uma ramificação da Madecamp, possuindo os mesmos sócios: Jairo Serra e Sueli Pires Campanhola, que também foram denunciados pela Justiça Federal), e "B. A de Abre ME", de propriedade dos senhores Benedito Almeida Abreu e José Antonio Almeida. Este último, José Antonio Almeida, inclusive, nos autos de inquérito policial, chegou a afirmar que "trabalhava para o grupo Moldurarte". Fl. 1017DF CARF MF Impresso em 04/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2015 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 22/12/ 2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 21/12/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE P AULA, Assinado digitalmente em 21/12/2015 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE 18 Não se está aqui a afirmar que o grupo era totalmente responsável pelas más condutas das madeireiras citadas, mas também não se pode olvidar que ao simular pagamentos (ou antecipações) para as empresas em questão, maculadas por falsidades ideológicas, o grupo Moldurarte, no mínimo, colaborou para que os documentos emitidos pelas acusadas estejam à margem de qualquer tipo de controle fiscal, ou florestal, e também por isso se vejam alcançados por uma constante suspeita de inidoneidade (além daquelas suspeitas levantadas no inquérito policial 44/2006, que tinham como objetivo principal, apurar apenas falsidades ideológicas em documentos do IBAMA, as ATPF). Como dito alhures, minha divergência com a i. relatora é quanto à leitura que a mesma faz do art. 59 da Lei nº 9.06/1990. Enquanto ela entende que a norma se reporta à decisão condenatória penal com trânsito em julgado, eu entendo, atualizando meu alcance sobre a quaestio, que a norma, em verdade, incide quando estiver provado, mesmo que em nível administrativo, como in casu, o animus dolandi do contribuinte de modo que esse dolo possa ser enquadrado, em tese (A prática de atos que configurem crimes contra a ordem tributária), como crime contra a ordem tributária a que alude a Lei 8.137. Em tese, por que a competência para editar a decisão penal é do Judiciário, por certo. Os arts. 1º e 2º da Lei nº 8.137, de 1990, assim dispõem: Art. 1º. Constitui crime contra a ordem tributária suprimir ou reduzir tributo, ou contribuição social e qualquer acessório, mediante as seguintes condutas: I omitir informação, ou prestar declaração falsa às autoridades fazendárias; II fraudar a fiscalização tributária, inserindo elementos inexatos, ou omitindo operação de qualquer natureza, em documento ou livro exigido pela lei fiscal; (...) Art. 2º Constitui crime da mesma natureza: (Vide Lei nº 9.964, de 10.4.2000) I fazer declaração falsa ou omitir declaração sobre rendas, bens ou fatos, ou empregar outra fraude, para eximirse, total ou parcialmente, de pagamento de tributo; (...) Ora, dúvidas não há que as fraudes levadas a efeitos pela recorrente (ou seja a prática de atos) se subsumem às hipóteses tanto dos incisos I e II do art. 1º da norma penal quanto do inciso I do art. 2º. Ao inflar fraudulentamente seus créditos e os compensando com débitos líquidos e certo perante à Fazenda Nacional, estreme de dúvida que teve como desiderato "suprimir ou reduzir tributo", bem como "fazer declaração falsa ..." "para eximirse, total ou parcialmente, de pagamento de tributo". Ademais, inconteste que os valores declarados na PER/DCOMP divergiam daqueles escriturado no RAIPI. Não nos esqueçamos que alem da verificação da certeza do crédito, estamos frente à análise de um pedido de compensação. Nestes autos o que restou hialino é que de um lado temos um crédito absolutamente incerto e, portanto, ilíquido, com débitos do contribuinte que ele mesmo confessou sua dívida, em consequência, certos e liquidados. Nesse sentido, concluiu a CSRF no Acórdão CSRF/0202.995/2008, cujo excerto transcrevo: Fl. 1018DF CARF MF Impresso em 04/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2015 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 22/12/ 2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 21/12/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE P AULA, Assinado digitalmente em 21/12/2015 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE Processo nº 11516.000553/200915 Acórdão n.º 3402002.736 S3C4T2 Fl. 1.010 19 A questão diz respeito a saber, unicamente, se o referido dispositivo referese à hipótese de haver ou não sentença penal condenatória transitada em julgado. ... Dispõe o art. 59 da Lei n 9.069, de 1995: "Art. 59. A prática de atos que configurem crimes contra a ordem tributária (Lei n° 8.137, de 27 de dezembro de 1990), bem assim a falta de emissão de notas fiscais, nos termos da Lei n° 8.846, de 21 de janeiro de 1994, acarretarão à pessoa jurídica infratora a perda, no anocalendário correspondente, dos incentivos e benefícios de redução ou isenção previstos na legislação tributária." Portanto, a hipótese legal referese a "atos que configurem crimes contra a ordem tributária", não exigindo a sentença transitada em julgado. Primeiramente, se houvesse a intenção de subordinar a perda dos incentivos ou benefícios aos casos em que houvesse condenação judicial, certamente a Lei terseia referido a esse requisito especificamente, estabelecendo que "a condenação por prática de crimes contra a ordem tributária" importaria a perda dos incentivos ou benefícios. Segundo o paradigma, a caracterização da hipótese do artigo dependeria da configuração específica de crime, que dependeria da tipicidade e da antijuridicidade dos atos praticados. Dai a necessidade de trânsito em julgado da sentença condenatória. Entretanto, o dispositivo referese à "prática de atos que configurem crimes" e não à prática de crimes ou, mais especificamente, à condenação por crime contra a ordem tributária, que seria a real condição da perda dos incentivos e benefícios, segundo o acórdão paradigma. Assim, a prática de atos passíveis de configurar crimes contra a ordem tributária é razão suficiente para a perda dos incentivos e benefícios fiscais, não havendo que se cogitar de sentença penal condenatória transitada em julgado. A redação do artigo, ademais, subentende, na expressão "a perda, no anocalendário correspondente", a possibilidade de perda imediata do incentivo ou beneficio, o que seria impossível se fosse necessária a sentença transitada em julgado.(grifei) No mesmo rumo, Parecer COSIT nº 75/99: "... b) a autoridade administrativa tributária constatando, no exercício de suas atribuições, a prática de atos que, em tese, configurem crimes contra a ordem tributária é competente para a aplicação, contra a pessoa jurídica, da sanção administrativa Fl. 1019DF CARF MF Impresso em 04/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2015 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 22/12/ 2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 21/12/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE P AULA, Assinado digitalmente em 21/12/2015 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE 20 de decretação da perda de incentivos e benefícios fiscais, no anocalendário da infração, cominada no art. 59 da Lei nº 9.069, de 1995, independentemente de intervenção prévia do Poder Judiciário.(grifei) Por fim, apenas para argumentar, ainda divirjo da relatora quanto ao alcance processual versado em sua decisão. Se a conclusão é que a indigitada norma (art. 59 da Lei 9.069/90) não se aplica para fins de "perda do incentivo", a consequência processual, a meu sentir, é que o processo seria nulo ab initio, pois a informação fiscal fundou sua decisão de glosa na referida norma. Assim, forte em todo o exposto, NEGO PROVIMENTO AO RECURSO. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Fl. 1020DF CARF MF Impresso em 04/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2015 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 22/12/ 2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 21/12/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE P AULA, Assinado digitalmente em 21/12/2015 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE
score : 1.0
Numero do processo: 13502.720832/2011-06
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 24 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Mar 28 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Ano-calendário: 2007, 2009
INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO/DECLARAÇÃO - MULTA DE OFÍCIO DE 75%
É aplicável o lançamento de ofício do IPI, acrescido de multa de ofício de 75%, em casos em que restou provado recolhimento a menor do imposto regularmente lançado na nota fiscal.
UTILIZAÇÃO INDEVIDA DE SUSPENSÃO - MULTA DE OFÍCIO DE 75%
Uma vez que não foram satisfeitos os requisitos legais para fruição do incentivo fiscal da suspensão, é cabível o lançamento de ofício do IPI, acrescido de multa de ofício de 75%.
INOBSERVÂNCIA DE CLASSIFICAÇÃO FISCAL - MULTA DE OFÍCIO DE 75%
A não apresentação de amostras e ficha técnica impediu a realização de laudo técnico. Ratifica-se, então, a conclusão da autuante, fundada em argumentos técnicos. Aplicável o lançamento de ofício do IPI, acrescido de multa de ofício de 75%.
Recurso Voluntário Negado.
Crédito Tributário Mantido.
Numero da decisão: 3301-002.846
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, a negar provimento ao Recurso Voluntário.
ANDRADA MÁRCIO CANUTO NATAL - Presidente.
MARCELO COSTA MARQUES D'OLIVEIRA - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Luiz Augusto do Couto Chagas, Semíramis de Oliveira Duro, José Henrique Mauri, Paulo Roberto Duarte Moreira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira e Maria Eduarda Alencar Câmara Simões
Nome do relator: MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201602
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Ano-calendário: 2007, 2009 INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO/DECLARAÇÃO - MULTA DE OFÍCIO DE 75% É aplicável o lançamento de ofício do IPI, acrescido de multa de ofício de 75%, em casos em que restou provado recolhimento a menor do imposto regularmente lançado na nota fiscal. UTILIZAÇÃO INDEVIDA DE SUSPENSÃO - MULTA DE OFÍCIO DE 75% Uma vez que não foram satisfeitos os requisitos legais para fruição do incentivo fiscal da suspensão, é cabível o lançamento de ofício do IPI, acrescido de multa de ofício de 75%. INOBSERVÂNCIA DE CLASSIFICAÇÃO FISCAL - MULTA DE OFÍCIO DE 75% A não apresentação de amostras e ficha técnica impediu a realização de laudo técnico. Ratifica-se, então, a conclusão da autuante, fundada em argumentos técnicos. Aplicável o lançamento de ofício do IPI, acrescido de multa de ofício de 75%. Recurso Voluntário Negado. Crédito Tributário Mantido.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Mar 28 00:00:00 UTC 2016
numero_processo_s : 13502.720832/2011-06
anomes_publicacao_s : 201603
conteudo_id_s : 5577566
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Mar 28 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 3301-002.846
nome_arquivo_s : Decisao_13502720832201106.PDF
ano_publicacao_s : 2016
nome_relator_s : MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA
nome_arquivo_pdf_s : 13502720832201106_5577566.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, a negar provimento ao Recurso Voluntário. ANDRADA MÁRCIO CANUTO NATAL - Presidente. MARCELO COSTA MARQUES D'OLIVEIRA - Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Luiz Augusto do Couto Chagas, Semíramis de Oliveira Duro, José Henrique Mauri, Paulo Roberto Duarte Moreira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira e Maria Eduarda Alencar Câmara Simões
dt_sessao_tdt : Wed Feb 24 00:00:00 UTC 2016
id : 6323619
ano_sessao_s : 2016
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:46:32 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048122010107904
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 27; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2053; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T1 Fl. 10 1 9 S3C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13502.720832/201106 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3301002.846 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 24 de fevereiro de 2016 Matéria Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Recorrente SOL Embalagens Plásticas Ltda. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2007, 2009 NULIDADE ERRO NA INDICAÇÃO DO NÚMERO DO MPF NO AUTO DE INFRAÇÃO Não é nulo o lançamento de ofício, por erro na indicação do número do MPF no Auto de Infração, pois este é mero instrumento de controle administrativo. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Anocalendário: 2007, 2009 INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO/DECLARAÇÃO MULTA DE OFÍCIO DE 75% É aplicável o lançamento de ofício do IPI, acrescido de multa de ofício de 75%, em casos em que restou provado recolhimento a menor do imposto regularmente lançado na nota fiscal. UTILIZAÇÃO INDEVIDA DE SUSPENSÃO MULTA DE OFÍCIO DE 75% Uma vez que não foram satisfeitos os requisitos legais para fruição do incentivo fiscal da suspensão, é cabível o lançamento de ofício do IPI, acrescido de multa de ofício de 75%. INOBSERVÂNCIA DE CLASSIFICAÇÃO FISCAL MULTA DE OFÍCIO DE 75% A não apresentação de amostras e ficha técnica impediu a realização de laudo técnico. Ratificase, então, a conclusão da autuante, fundada em argumentos técnicos. Aplicável o lançamento de ofício do IPI, acrescido de multa de ofício de 75%. Recurso Voluntário Negado. Crédito Tributário Mantido. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 50 2. 72 08 32 /2 01 1- 06 Fl. 702DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente e m 23/03/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRADA M ARCIO CANUTO NATAL Processo nº 13502.720832/201106 Acórdão n.º 3301002.846 S3C3T1 Fl. 11 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, a negar provimento ao Recurso Voluntário. ANDRADA MÁRCIO CANUTO NATAL Presidente. MARCELO COSTA MARQUES D'OLIVEIRA Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Luiz Augusto do Couto Chagas, Semíramis de Oliveira Duro, José Henrique Mauri, Paulo Roberto Duarte Moreira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira e Maria Eduarda Alencar Câmara Simões Fl. 703DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente e m 23/03/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRADA M ARCIO CANUTO NATAL Processo nº 13502.720832/201106 Acórdão n.º 3301002.846 S3C3T1 Fl. 12 3 Relatório Marcelo Costa Marques d'Oliveira Relator Adoto o relatório produzido pela primeira instância julgadora: "Tratase de Auto de Infração (fls. 2 a 11), lavrado contra o contribuinte acima identificado, com a exigência do crédito tributário do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, no valor total de R$ 22.288.516,15, incluídos multa de ofício de 75% e juros de mora. Foram detectados os seguintes fatos: (1) o contribuinte declarou em DCTF valores de IPI inferiores aos efetivamentes devidos; (2) falta de lançamento do IPI, por utilização indevida de suspensão; (3) falta de lançamento de IPI, em razão de erro de classificação fiscal. Adoto o sumário da Termo de Verificação Fiscal constante da decisão de primeira instância: No Termo de Verificação Fiscal, fls. 12 a 22, o autuante relata, em síntese, que: 1. INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO/DECLARAÇÃO: Da análise do livro registro de apuração de IPI e esclarecimentos da empresa, comprovouse que a contribuinte efetivamente recolheu/declarou a menor os débitos de IPI dos meses de novembro e dezembro de 2008, fevereiro a julho de 2009, além de dezembro de 2009; 2. UTILIZAÇÃO INDEVIDA DE SUSPENSÃO: O contribuinte efetuou vendas de produtos utilizando a classificação fiscal n° 3923.2110, 3923.2190 e 4819.1000. Em diversos produtos, a saída se deu sem destaque do IPI. Intimada a informar a base legal utilizada nessas saídas, o contribuinte informou a redução a zero da alíquota de IPI prevista no Decreto 4.544/2002 (RIPI), além da suspensão prevista no artigo 29 da Lei n° 10.637/2002; Fl. 704DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente e m 23/03/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRADA M ARCIO CANUTO NATAL Processo nº 13502.720832/201106 Acórdão n.º 3301002.846 S3C3T1 Fl. 13 4 A análise dos produtos que foram vendidos sem destaque do Imposto mostrou que, em todos eles, a descrição das mercadorias traz a expressão "embalagens alimentícias"; A suspensão do IPI prevista no artigo 29 da Lei n° 10.637/2002 exige uma série de requisitos para a sua plena aplicabilidade. O primeiro deles é que as matériasprimas, os produtos intermediários e os materiais de embalagem sejam destinados a estabelecimentos que se dediquem à elaboração de produtos definidos em determinados capítulos e posições da TIPI. Ou seja, só devem sair com suspensão do IPI os materiais destinados a estabelecimento industrial e que serão utilizados como MP, PI e ME dos produtos definidos naqueles capítulos e posições. É uma lista fechada, que exclui do benefício os produtos finais que não estejam na relação; Outra exigência é a de que as empresas adquirentes devem declarar ao vendedor, de forma expressa e sob as penas da lei, que atendem a todos os requisitos estabelecidos na legislação; Também existe a vedação à fruição do beneficio pelas empresas optantes pelo SIMPLES, e também pelas empresas equiparadas a industrial, com exceção das empresas equiparadas de acordo com o artigo 4º da IN n° 296/2003; Intimado a apresentar as declarações emitidas pelos adquirentes dos produtos saídos com a suspensão do IPI, o contribuinte apresentou somente algumas declarações. Reintimado, apresentou mais 3 declarações, afirmando que as demais não haviam sido localizadas, e que estaria entrando em contato com os clientes para que estes enviassem as respectivas declarações; Das declarações apresentadas pelo contribuinte, destacamos alguns pontos, que mostram que as saídas de mercadorias com suspensão de IPI não atenderam aos requisitos previstos na legislação: a) As declarações entregues inicialmente tem praticamente a mesma redação, e contém a expressão: "declaramos ainda que não somos contribuintes do IPI". As 3 últimas declarações entregues pelo contribuinte mantêm a mesma redação, com exceção da expressão "declaramos ainda que não somos contribuintes do IPI", que foi retirada; b) Todas as empresas adquirentes são optantes pelo SIMPLES, o que, como visto no item 15, impede a fruição do benefício; Fl. 705DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente e m 23/03/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRADA M ARCIO CANUTO NATAL Processo nº 13502.720832/201106 Acórdão n.º 3301002.846 S3C3T1 Fl. 14 5 c) Grande parte das declarações não permite que se identifique a pessoa que assinou o documento. Somente em algumas consta a identificação do assinante; d) Somente uma declaração está com firma reconhecida; e) As últimas 3 declarações entregues pelo contribuinte foram assinadas em 01/01/2007. A análise do cadastro mostra que as empresas signatárias iniciaram suas atividades após essa data (06/09/2007, 11/04/2008 e 06/04/2009); f) Das 12 empresas, somente 1 exerce atividade industrial. Todos os outros estabelecimentos exercem atividade de comércio de embalagens, com localização em centrais de abastecimento (CEASA); g) Nenhuma das empresas apresentou informações de apuração do IPI nas DIPJ's. Das empresas que o contribuinte não apresentou as declarações, o que, por si só, impede a fruição do benefício, foi feita, ainda assim, a análise de alguns pontos. Verificouse a falta de atendimento de alguns requisitos que possibilitassem a saída com a suspensão do Imposto: h) Grande parte das empresas adquirentes são optantes pelo SIMPLES, o que, como visto no item 15, impede a fruição do benefício; i) Grande parte dos estabelecimentos exerce atividade de comércio de embalagens, com localização em centrais de abastecimento (CEASA). Das empresas que informam exercer atividade industrial, a produção é de material de embalagem plástica, produto este que não está abarcado nos capítulos e posições previstos no artigo 29 da lei 10.637, conforme explanado no item 13. j) Somente 2 empresas apresentaram informações do IPI nas DIPJ's. Estas empresas têm atividade de fabricação de embalagem de material plástico, e pertencem aos sócios da contribuinte fiscalizada. k) O contribuinte Sólon Embalagens plásticas (cnpj n°03.483.769/000104) apresentou declaração do SIMPLES no anocalendário 2007, e declaração de inativo em 2008 e 2009. Ainda assim, ocorreram vendas com suspensão nos anos de 2007 e 2008. Fl. 706DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente e m 23/03/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRADA M ARCIO CANUTO NATAL Processo nº 13502.720832/201106 Acórdão n.º 3301002.846 S3C3T1 Fl. 15 6 Percebese, também, que o contribuinte, até 22/06/2007, só promoveu saídas com a suspensão do Imposto para a empresa Sol Embalagens, CNPJ n°05.378.041/000130, que pertence aos mesmos sócios do contribuinte ora fiscalizado. Somente a partir dessa data é que ocorreram saídas para outros contribuintes com isenção do IPI, a despeito de haver algumas declarações com data anterior a esta. Cabe registrar que o contribuinte efetuou vendas de produtos com as mesmas características para outros adquirentes, porém, efetuou o devido destaque do IPI; Pelo exposto, as saídas com suspensão do imposto, promovidas pelo contribuinte, não atenderam aos requisitos previstos na Lei n° 10.637/2002, e seus atos normativos. Assim, fazse necessária a constituição de ofício do IPI que não foi devidamente destacado nas notas fiscais de saída de produtos com a expressão "embalagens alimentícias", cuja base legal utilizada pelo contribuinte foi o artigo 29 da Lei n° 10.637/2002. A alíquota aplicada foi de 15%, conforme NCM 3206.2110, 3206.2190 e 4819.1000 da TIPI. 3. INOBSERVÂNCIA DE CLASSIFICAÇÃO FISCAL: O contribuinte promoveu saídas de produtos com descrição "composto master", código NCM n° 3206.11.30: "Outras matérias corantes; preparações indicadas na Nota 3 do presente Capítulo, exceto das posições 32.03, 32.04 ou 32.05; produtos inorgânicos dos tipos utilizados como luminóforos, mesmo de constituição química definida. Pigmentos e preparações a base de dióxido de titânio, contendo, em peso, 80% ou mais de dióxido de titânio, calculado sobre matéria seca". A Alíquota do produto é 0%. A classificação fiscal adotada pelo contribuinte exige que o produto final contenha, em peso, 80% ou mais de dióxido de titânio, calculado sobre matéria seca. A informação do contribuinte mostra que 93% do produto leva polietileno/polipropileno na composição. O dióxido de titânio (pigmento BL 10074) representou 0%, 1,5% e 0,15% em 2007, 2008 e 2009. Vêse, por essa composição, que a classificação fiscal adotada pelo contribuinte (3206.11.30) para o produto denominado "composto" não está condizente com a descrição NCM; Intimado em 19/09/2011 para esclarecer a correta classificação fiscal do produto “composto máster”, a contribuinte em, 04/10/2011, solicitou dilação por mais 30 dias do prazo inicial de 5 dias úteis concedido para responder os questionamentos. Em 20/10/2011, o contribuinte informou que havia sido pego de surpresa, pois nunca foi questionado sobre tais assuntos, e diante da natureza técnica dos questionamentos, ainda não dispunha de elementos suficientes para responder aos questionamentos; Fl. 707DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente e m 23/03/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRADA M ARCIO CANUTO NATAL Processo nº 13502.720832/201106 Acórdão n.º 3301002.846 S3C3T1 Fl. 16 7 Reintimada em 18/11/2011, novamente o contribuinte apresentou a mesma resposta, que ainda não dispunha de elementos suficientes para responder à fiscalização; O produto previsto na NCM 3206.11.30 é um concentrado, também denominado de masterbatch, resultante da incorporação, em alta concentração, de colorante e/ou aditivos em veículo compatível com o polímero de aplicação, destinados a colorir e/ou aditivar as resinas termoplásticas em geral. É fornecido geralmente em grânulos, sendo utilizado em larga medida como matériaprima na industria de plástico; Os colorantes são substâncias que conferem cor a um substrato, podendo ser classificados em 2 categorias: corantes e pigmentos. Estes últimos, por sua vez, possuem 2 classes: orgânicos e inorgânicos. O dióxido de titânio é um pigmento inorgânico. Os aditivos são produtos que conferem características específicas aos plásticos (deslizante, antibloqueio, retardante de chama, etc). As resinas veículo podem ser o Polietileno, Polipropileno, Poliestireno, etc. O grau de carregamento de colorantes e/ou aditivos no concentrado é chamado de concentração. Normalmente buscase o maior teor possível de colorantes/aditivos na resina veículo, de forma a fabricar o concentrado com um nível de dispersão adequado para ser aplicado na faixa de 2 a 5 PCR (partes por cem partes de resina). Essa aplicação é o uso futuro que será dado ao concentrado, ou seja, a dosagem do produto que será aplicada a uma resina para buscar o efeito desejado. Percebese que o produto fabricado pelo contribuinte, descrito como "composto máster", não pode ser classificado como concentrado, ou masterbatch. Como visto, estes produtos exigem uma alta concentração de colorantes e/ou aditivos. No caso em tela, conforme demonstrado no item 23, os colorantes e aditivos representaram, do total de insumos utilizados na fabricação do produto, 0% em 2007, 2,8% em 2008, e 1,05% em 2009. Se levarmos em consideração o carbonato de cálcio, os percentuais seriam de 6,3% em 2007, 6,7% em 2008, e 6,35% em 2009, ainda assim, muito pouco para ser considerado um concentrado, ou masterbatch. Lembramos, também, que a NCM 3206.11.30 traz a seguinte descrição para este código: "Outras matérias corantes. Produtos inorgânicos dos tipos utilizados como luminóforos, mesmo de constituição química definida. Pigmentos e preparações a base de dióxido de titânio, contendo, em peso, 80% ou mais de dióxido de titânio, calculado sobre matéria seca". Conforme dito anteriormente, o percentual de dióxido de titânio utilizado foi de 0% em 2007, 1,5% em 2009, e 0,15% em 2009; No que concerne ao carbonato de cálcio, tratase uma substância inorgânica utilizada quer como pigmento, quer como matéria de carga mineral, não só nas industrias de plásticos, mas também nas industrias de borracha, papel, etc. O Sistema Harmonizado, evitando a teia de possibilidades oferecidas para emprego Fl. 708DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente e m 23/03/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRADA M ARCIO CANUTO NATAL Processo nº 13502.720832/201106 Acórdão n.º 3301002.846 S3C3T1 Fl. 17 8 do carbonato de cálcio, resolveu excluílo integralmente dentre as matérias corantes compreendidas pela posição 3206, quer seja o carbonato de cálcio natural, conhecido como cré, quer seja o carbonato de cálcio precipitado, artificialmente produzido, conforme asseguram as NESH da aludida posição 3206; Para finalizar, o contribuinte adquiriu o produto dióxido de titânio, NCM 3206.11.30, da empresa CROMEX S/A nas seguintes quantidades: 2007 294.000 kg; 2008 404.500 kg; e 2009 263.800 kg. Conforme planilha entregue pela empresa, o dióxido de titânio foi utilizado na produção de sacolas plásticas e do "composto máster", conforme exposto abaixo: Sacola Plástica: 2007 294.000; 2008 208.350; 2009 246.250 Composto: 2007 0; 2008 125.775; 2009 8.750 Desta forma, resta comprovado que a classificação fiscal adotada pelo contribuinte para o produto descrito como "composto master" está incorreta. Para definição da correta classificação fiscal, levamos em consideração a descrição do processo produtivo, os insumos utilizados na composição do produto, os conceitos estabelecidos na NESH, e as classificações tarifárias contidas na NCM. Em visita ao estabelecimento do contribuinte, confirmamos a informação prestada em atendimento à intimação, a qual descreve o processo produtivo da empresa na fabricação do composto master, e constatamos que o produto final é produzido na forma de grânulos; A composição do produto mostra a predominância do Polietileno, seguido do Polipropileno, em relação aos insumos utilizados na produção; O capítulo 39 da NCM trata dos plásticos e suas obras. A NESH do respectivo capítulo traz o conceito de formas primárias; A conclusão a que se chega é que o produto descrito pela empresa como "composto máster" deve ser definido como um composto plástico granulado, à base de polietileno, onde foram adicionadas, em pequena quantidade, substâncias inorgânicas, com destaque para o carbonato de cálcio. Conforme tabelas de propriedades extraída do endereço eletrônico da Braskem, fornecedora do contribuinte, os políetilenos utilizados em maior proporção pela empresa (HF 0144, HF 0146 e HF 0150), tem densidade superior a 0,94. Assim, a classificação fiscal que deve ser utilizada é a NCM 3901.20.19, assim definida: "Polímeros de etileno, em formas primárias. Polietileno de densidade igual ou superior a 0,94. Com carga. Outros". A alíquota do IPI prevista na TIPI é de 5%; Fl. 709DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente e m 23/03/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRADA M ARCIO CANUTO NATAL Processo nº 13502.720832/201106 Acórdão n.º 3301002.846 S3C3T1 Fl. 18 9 Através dos arquivos de notas fiscais, extraímos as saídas do produto descrito como "composto master", NCM 3206.11.30. Depois, aplicamos a alíquota de 5% para quantificar o Imposto devido nas saídas do produto reclassificado de ofício; A apuração do Imposto está discriminada no demonstrativo de apuração do IPI devido pela classificação fiscal incorreta. As notas fiscais de saída dos produtos estão discriminadas no demonstrativo de vendas do produto "composto master". Cientificado da exigência fiscal em 22/12/2011 (fl. 601), a autuada apresentou impugnação (fls. 563 a a 587). Adoto a síntese da impugnação constante da decisão de primeiro grau: "I. Nulidade por erro de identificação do MPF: Como se verifica no Auto de Infração, bem como no Termo de Verificação Fiscal, a presente autuação seria originária de Mandado de Procedimento Fiscal de ns 0500100.2011.00011. Verificouse, em diligência à DRF de Camaçari/BA, que o referido MPF nada tem em relação a Impugnante, e sim a outro contribuinte; A Impugnante fora intimada do início da fiscalização por meio de Termo de Início de Fiscalização, cuja identificação da ordem se dava através do MPF nº 0510400/2011/00011; Esta divergência trouxe grave insegurança à Impugnante, posto que o erro na identificação do Mandado de Procedimento Fiscal, quando da lavratura do Auto de Infração, é causa de vício em pressuposto procedimental do lançamento. No presente caso, há divergência entre o número do Mandado de Procedimento Fiscal que dera início à fiscalização e aquele constante do Auto de Infração; Tal divergência ocasionou a Impugnante grave transtorno para identificar qual o correto procedimento a que fora submetida. Isto porquanto na DRF de Camaçari/BA não havia MPF com a numeração constante do Auto de Infração em que a Impugnante figurasse como fiscalizada. Fl. 710DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente e m 23/03/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRADA M ARCIO CANUTO NATAL Processo nº 13502.720832/201106 Acórdão n.º 3301002.846 S3C3T1 Fl. 19 10 Assim, houve grande redução no prazo útil para a apresentação desta Impugnação, já que após grande esforço e tempo gasto a Impugnante conseguiu identificar de qual processo se tratava, constatando o erro cometido pela Autoridade Lançadora. Houve assim severo cerceamento em seu direito de ampla defesa, posto que houve concentração de esforços em identificar corretamente o procedimento fiscal e estabelecer sua ligação ao Auto de Infração, o que teria sido desnecessário se a Autoridade Administrativa tivesse identificado corretamente o número do MPF no Auto de Infração e Termo de Verificação Fiscal. De tal sorte, deve o Auto de Infração ser anulado ante a existência de erro formal, qual seja, erro de identificação do número do Mandado de Procedimento Fiscal no Auto de Infração. II. Insuficiência de recolhimento/declaração: As supostas infrações cometidas não foram suficientemente motivadas pela autoridade lançadora, como bem se vê do Termo de Verificação Fiscal, que se limitou a apontar que "fazse necessário à constituição de ofício dos valores devidos pelo contribuinte, apurados demonstrativo de apuração do IPI lançado e não declarado.". Nada destacou em relação à multa aplicada, constando apenas do Demonstrativo de Multa e Juros de Mora a capitulação legal; A lei é clara ao apontar duas situações, quando trata do não lançamento em nota fiscal, pois aponta o valor total ou parcial como hipótese de incidência da multa pelo não lançamento do valor imposto na referida nota fiscal. Porém, ao tratar da segunda hipótese, qual seja o não recolhimento, o dispositivo legal determina que a falta de recolhimento do imposto lançado é que sujeitará o contribuinte à multa. No presente caso não houve falta de recolhimento do imposto lançado, mas sim a insuficiência do recolhimento. A falta de recolhimento disposta no artigo 80 da Lei nº 4.502/64, somente pode ser entendida como a falta de recolhimento total, e não parcial ou insuficiente. O que se verificou foi o equivoco da Impugnante ao preencher as DCTFs referentes a tais períodos. O erro no preenchimento de declaração não é hipótese de incidência da penalidade que dispõe o artigo 80 da Lei nº 4.502/64, posto ser seu enunciado claro. Fl. 711DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente e m 23/03/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRADA M ARCIO CANUTO NATAL Processo nº 13502.720832/201106 Acórdão n.º 3301002.846 S3C3T1 Fl. 20 11 Não há ali a hipótese de erro de preenchimento de declaração, ou de declaração inexata. De tal sorte, não se aplica a referida penalidade ao caso concreto aqui analisado. Neste contexto, deveria ter sido aplicada apenas a multa moratória referente a diferença constante da DCTF e aquela verificada nos livros de apuração e DIPJs, mas não a multa de 75% de que trata o artigo 80 da Lei n° 4.502/64. III. Utilização indevida de suspensão: Da leitura do artigo 29 da Lei nº 10.637, de 2002, bem como dos artigos 17, 21, 22 e 23 da IN SRF nº 296, de 2003, temse ser obrigação do adquirente atender às condições estabelecidas pela Receita Federal, bem como declarar ao vendedor de forma expressa que atende os requisitos estabelecidos; No presente caso, a Impugnante possuía declarações dos adquirentes informando que preenchiam os requisitos estabelecidos pela Receita Federal, e desta forma cumprira sua obrigação. Se algum dos adquirentes efetivamente não preenchia os requisitos estabelecidos, não pode a Impugnante ser penalizada, já que possuía a declaração de que trata o §72, do artigo 29 da Lei nº 10.637, 2002; Igualmente não se aplica a multa de ofício de 75% no tocante a este item, uma vez que a utilização da suspensão não configura hipótese de incidência da multa prevista no artigo 80 da Lei nº 4.502, de 1964; Houve o destaque da suspensão, o que por si só afastaria a aplicação do enunciado prescritivo constante do referido artigo; Não obstante, se a fiscalização entende não se aplicar a suspensão no presente caso, não pode imputar penalidade à Impugnante, que diligentemente possuía declarações de seus compradores. Assim, se há alguma multa aplicável ao caso, é a multa de mora, limitada a 20%, uma vez que a multa de ofício constante do artigo 80 da Lei nº 4.502, de 1964 é inaplicável a espécie; Diante do exposto requer o cancelamento do lançamento quanto ao presente item, e, alternativamente, caso não seja este o entendimento deste colegiado, seja afastada a multa de ofício aplicada posto que não resta caracterizada a hipótese de incidência para aplicação desta no artigo 80 da Lei n9 4.502, de 1964; Fl. 712DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente e m 23/03/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRADA M ARCIO CANUTO NATAL Processo nº 13502.720832/201106 Acórdão n.º 3301002.846 S3C3T1 Fl. 21 12 VI. Inobservância de classificação fiscal: A reclassificação não adotou qualquer critério técnico que se ocupasse da efetiva composição do produto, em especial qualquer laudo técnico elaborado por laboratório de análise ou profissional apto a demonstrar a verdadeira e efetiva composição do "composto máster", com o fim de justificar a reclassificação. A Autoridade Administrativa fundouse em visita ao estabelecimento da Impugnante, utilizandose de seu próprio conhecimento para proceder a reclassificação. E assim o fez conforme seu livre convencimento. No presente caso, para que eventual alteração de classificação seja possível, é preciso que haja o exato conhecimento do produto a ser classificado, o que não se verifica. Tratase de produto oriundo da indústria de plástico, com composição química particular, que não permite a olhos leigos identificar sua exata composição para fins de classificação, ao contrário do que pretendido pela Autoridade Fiscal. Para proceder a reclassificação, a fiscalização deveria ter se socorrido de laudo técnico, posto não dispor de habilidade própria da indústria química Ao se socorrer nas Notas Explicativas do Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias (NESH), a Autoridade Fiscal apontou o Capítulo 39; Não há prova hábil a sustentar a reclassificação que determine conclusivamente que o produto atenda à Nota 3 acima exposta, ou seja, de que o produto "composto master" seja obtido mediante síntese química e que se inclua nas categorias ali explicitadas, razão pela qual a reclassificação é insubsistente Novamente, não há elemento hábil à classificação na subposição "outros", nos termos da NESH, mas apenas uma convicção subjetiva da Autoridade Administrativa, o que não se admite diante de sua vinculação a critérios legais. Como se verifica, a classificação proposta pela fiscalização exige conhecimento técnico específico, em especial uma verificação precisa da composição do produto a ser classificado. Somente a prova técnica seria apta a fornecer uma precisa classificação, não podendo a Autoridade Lançadora suprir tal prova com seu livre convencimento a respeito do produto a ser classificado. No tocante à multa de ofício, esta não merece prosperar. As supostas infrações cometidas não foram suficiente motivadas pela Autoridade Lançadora, não destacando nada em relação à multa aplicada, constando apenas do Fl. 713DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente e m 23/03/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRADA M ARCIO CANUTO NATAL Processo nº 13502.720832/201106 Acórdão n.º 3301002.846 S3C3T1 Fl. 22 13 Demonstrativo de Multa e Juros de Mora. Cumpre ressaltar que o referido dispositivo legal não se aplica ao presente caso. A legislação é clara ao apontar duas situações hipotéticas de incidência da penalidade. No presente caso, a inobservância de classificação fiscal pretendida pela Autoridade Administrativa não se adequa à qualquer das hipóteses da norma, eis o porquê da necessidade desta ser afastada. Por se tratar de imposição de penalidade, deve tal dispositivo ser interpretado de forma restritiva, uma vez que o legislador, quando quis, se fez claro; No caso concreto, não houve falta de lançamento do valor do imposto na respectiva nota fiscal, seja de forma total ou parcial. O que há é divergência entre a classificação fiscal adotada pela Impugnante e pela pretendida pela Autoridade Fiscal. Assim, por falta de adequação ao dispositivo legal, deve a multa de ofício de 75% ser afastada; Diante do exposto, não deve o lançamento prosperar quanto a este item, posto que a reclassificação procedida pela Autoridade Fiscal é inadequada. Caso entenda este colegiado pela manutenção da reclassificação, deve a multa de ofício ser afastado por inadequação do caso concreto à hipótese normativa; Por fim, requer a improcedência do lançamento fiscal e, se mantido algum dos lançamentos, seja afastada a aplicação da multa de ofício, por não se configurar qualquer hipótese de incidência. Alternativamente, requer diligência para que possam ser esclarecidos os pontos controversos, circularizandose os compradores da Impugnante para que forneçam cópias das declarações que levaram à aplicação da suspensão de IPI, bem como para que seja produzida a prova pericial pela Impugnante apta a demonstrar a equivocada reclassificação promovida pela Autoridade Administrativa; Protesta provar todo o alegado por meio de posterior juntada de documentos, em especial de laudos técnicos que possibilitem demonstrar o equívoco na reclassificação fiscal." Por meio do Acórdão n° 1530.646 4 ª Turma da DRJ/SDR, a impugnação foi considerada integralmente improcedente. Reproduzo a ementa: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Fl. 714DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente e m 23/03/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRADA M ARCIO CANUTO NATAL Processo nº 13502.720832/201106 Acórdão n.º 3301002.846 S3C3T1 Fl. 23 14 Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2009 NULIDADE. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. O mandado de procedimento fiscal é mero instrumento interno de planejamento e controle das atividades de auditoria fiscal, eventuais irregularidades em sua emissão e trâmite não acarretam a nulidade do lançamento. AQUISIÇÃO DE MATERIAIS DE EMBALAGEM. SUSPENSÃO DO IPI. FABRICAÇÃO PREPONDERANTE. OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. Podem sair do estabelecimento industrial com suspensão do IPI os materiais de embalagem destinados a estabelecimento que se dedique preponderantemente à elaboração dos produtos arrolados no art. 29 da Lei nº 10.637, de 2002, desde que atendidas as obrigações acessórias previstas na legislação de regência. UTILIZAÇÃO INDEVIDA DA SUSPENSÃO DO IPI. SAÍDA PARA EMPRESAS OPTANTES PELO SIMPLES. É devido o imposto não lançado nas notas fiscais de saída destinadas às empresas optantes pelo Simples, em virtude da utilização incorreta do instituto da suspensão de que trata a Lei nº 10.637, de 2002. MATERIAL DE EMBALAGEM. SUSPENSÃO. O mecanismo de suspensão de que trata o art. 29 da Lei nº 10.637, de 2002, não se dirige ao comerciante, mas aos estabelecimentos industriais dos produtos ali referidos. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. Classificase no código 3901.20.19 o polímero de etileno em forma de grânulo, com densidade superior a 0,94, em conformidade com a RGI 1 e 6, RGC e Nota Explicativa nº 6, do capitulo 39. IPI. FALTA DE RECOLHIMENTO. Fl. 715DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente e m 23/03/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRADA M ARCIO CANUTO NATAL Processo nº 13502.720832/201106 Acórdão n.º 3301002.846 S3C3T1 Fl. 24 15 Apurada a falta de recolhimento e de declaração em DCTF de débito do IPI registrado nos livros fiscais da contribuinte, devese constituir o crédito tributário com os encargos legais correspondentes. MULTA DE OFÍCIO. Tratandose de lançamento de ofício decorrente de infração a dispositivo legal detectado pela administração em exercício regular da ação fiscalizadora, é legítima a cobrança da multa punitiva correspondente, no percentual de 75% do imposto. PEDIDO DE DILIGÊNCIA E PERÍCIA Constando nos autos todos os elementos de convicção necessários à adequada solução da lide, indeferese, por prescindível, o pedido da contribuinte. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformada, a Contribuinte interpôs Recurso Voluntário. Por meio da Resolução nº 301000.388, a 1ª Turma Ordinária da 1° Câmara da 3° Seção determinou a realização de diligência, para que fosse produzido laudo técnico, com o objetivo de concluir quanto à classificação fiscal do produto descrito pela recorrente como "composto máster". Na citada Resolução, as alegações presentes no Recurso Voluntário foram assim sintetizadas: " há nulidade por erro de identificação do MPF, que trouxe grave insegurança à Recorrente; falta de demonstração e motivação das infrações cometidas, em face da constatação da divergência de apuração do IPI e das declarações apresentadas; Fl. 716DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente e m 23/03/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRADA M ARCIO CANUTO NATAL Processo nº 13502.720832/201106 Acórdão n.º 3301002.846 S3C3T1 Fl. 25 16 insuficiência na motivação da multa, apesar da indicação da capitulação legal; as saídas com suspensão foram realizadas com base nas declarações prestadas pelos clientes (de que trata o § 7º do art. 26 da Lei 10.637/2002) e que sobre essas saídas não se aplica a multa de 75%, por conta da redação do art. 80 da Lei 4.502/64, posto que não se trata de falta de lançamento do valor, total ou parcial do imposto sobre produtos industrializados na respectiva nota fiscal, haja vista que houve destaque da suspensão; não há prova hábil a sustentar a reclassificação que determine conclusivamente que o produto atenda a Nota 3 do Capítulo 39; e considera necessária a prova pericial para classificação dos produtos." O autos retornaram à unidade de origem para diligência. A Recorrente foi intimada (fls. 671) e reintimada (fls. 687) a apresentar amostras e a ficha técnica do produto denominado "composto máster", para envio a perito técnico e emissão de laudo. Em ambas as ocasiões, a Recorrente respondeu que não mais produzia o produto e que, portanto, não possuía amostras e fichas técnicas do produto. É o relatório. Fl. 717DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente e m 23/03/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRADA M ARCIO CANUTO NATAL Processo nº 13502.720832/201106 Acórdão n.º 3301002.846 S3C3T1 Fl. 26 17 Voto Conselheiro Marcelo Costa Marques d'Oliveira Relator O Recurso Voluntário já havia sido enviado para este colegiado. Por meio da Resolução n° 101000.388, a 1ª Turma Ordinária da 1° Câmara da 3° Seção decidiu baixar diligência, para análise e emissão de laudo técnico sobre a composição do produto "composto máster". De acordo com o Auto de Infração (fls 2 a 11) e o Termo de Verificação Fiscal (fls. 12 a 36), foram fiscalizados os anos de 2007 a 2009 e efetuado lançamento de ofício de IPI, com multa de ofício de 75% e juros, a saber: R$ Principal de IPI 10.704.092,05 Multa de ofício 3.556.354,96 Juros 8.028.069,14 Total 22.288.516,15 A demanda dividese em três temas: I) "Insuficiência de Recolhimento/Declaração"; II) "Utilização Indevida de Suspensão"; e III) "Inobservância de Classificação Fiscal". O Recurso traz preliminar de nulidade e, em seguida, argumentos para refutar cada um dos citados tópicos. Iniciemos pelo enfrentamento da preliminar de nulidade. PRELIMINAR: "NULIDADE POR ERRO DE IDENTIFICAÇÃO DO MPF" Fl. 718DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente e m 23/03/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRADA M ARCIO CANUTO NATAL Processo nº 13502.720832/201106 Acórdão n.º 3301002.846 S3C3T1 Fl. 27 18 A Recorrente alega que houve "grave transtorno", com "grande redução no prazo útil para apresentação da impugnação", porque o número do Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) indicado no Auto de Infração está incorreto. Teria havido então cerceamento do direito à ampla defesa, previsto na Constituição Federal e no artigo 2° da Lei n° 9.784/99, que regula o processo administrativo, no âmbito da Administração Pública Federal. Conforme consta nos autos, o termo de início de fiscalização foi emitido em 16/03/2011, cuja ciência deuse em 18/03/2011 (fls. 39 a42). Naquela ocasião, já se encontrava no campo próprio o número e o código de acesso para consulta na internet de todas as informações do MPF. Assim, quando da ciência do auto de infração, em 22/12/2011, a contribuinte já tinha todas as informações necessárias para identificar a procedência da Ação Fiscal, inclusive o nome dos autuantes, e, assim, iniciar a preparação de sua defesa. Ademais, é pacífico que o MPF é um instrumento administrativo, que não afeta o ato de lançamento de ofício lavrado ao final do prazo de encerramento da fiscalização. Neste sentido, além do Acórdão n° 919100428,03/11/2009, da Câmara Superior de Recursos Fiscais, citado na decisão de primeiro grau, mencionamos o seguinte: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1994 a .31/12/2002 LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. LANÇAMENTOS DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS CONCLUÍDOS ATÉ 01/05/2007 EVENTUAIS VÍCIOS NO MPF NÃO AFETAM RELAÇÃO JURÍDICA FISCO X CONTRIBUINTE. O Mandado de Procedimento Fiscal não é instrumento que outorga ou retira competência, uma vez que esta necessita de lei que lhe defina os contornos e aquele foi instituído por Decreto. Contraria o bom senso e a razoabilidade dos atos normativos exigir que o servidor dependa de determinação de autoridade superior para desempenhar atribuição que lhe é outorgada por lei. É evidente que a autoridade da lei tem que prevalecer sobre a vontade da autoridade administrativa. A utilização do Mandado de Procedimento Fiscal restringese aos interesses da administração tributária em controlar a atuação dos servidores legalmente competentes para efetuar o lançamento. Assim, o MPF é um instrumento de controle criado pela Administração Tributária para dar segurança e transparência à relação Fisco/contribuinte que permite ao sujeito passivo assegurarsede que a fiscalização foi iniciada segundo critérios objetivos e impessoais, e que o agente fiscal nele indicado recebeu do Fisco Fl. 719DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente e m 23/03/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRADA M ARCIO CANUTO NATAL Processo nº 13502.720832/201106 Acórdão n.º 3301002.846 S3C3T1 Fl. 28 19 a incumbência para executar aquela ação fiscal. Da mesma forma que no caso dos demais tributos, nos lançamentos relativos a contribuições previdenciárias concluídos sob a égide do Decreto .3.979/2001, a existência de quaisquer vícios em relação ao MPF não gera efeitos quanto à relação jurídica fisco/contribuinte estabelecida com o ato administrativo do lançamento, podendo aqueles ensejar, se for o caso, apuração de responsabilidade administrativa dos servidores envolvidos, mas sem afetar relação jurídica tributária fisco/contribuinte." (grifo nosso) CARF. 2ª Seção de Julgamento. 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária. Processo nº 37166.000411/200454. Acórdão nº 230101.378. Sessão de 28 de abril de 2010. Conselheiro Relator Leonardo Henrique Pires Lopes" Concluise, portanto, que o erro na indicação do número do MPF no Auto de Infração não implicou em cerceamento do direito de defesa, pelo que não dou provimento à preliminar de nulidade. MÉRITO Passemos à discussão das três questões de mérito. I) "INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO/DECLARAÇÃO" Foram identificadas diferenças nos recolhimentos de IPI, referentes a novembro e dezembro de 2008, fevereiro a julho e dezembro de 2009, a partir da comparação dos Livros de Apuração do IPI (RAIPI) com as respectivas Declarações de Contribuições e Tributos Federais (DCTF). As diferenças foram objetos de lançamento de ofício, com multa de ofício de 75% e juros. A Recorrente alega que "as supostas infrações não foram suficientemente motivadas pela autoridade lançadora". Reconhece que cometeu erros no preenchimento das correspondentes DCTF, porém alega não ser aplicável a multa de ofício de 75% e sim a moratória de 20%. Fl. 720DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente e m 23/03/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRADA M ARCIO CANUTO NATAL Processo nº 13502.720832/201106 Acórdão n.º 3301002.846 S3C3T1 Fl. 29 20 Sobre a multa de ofício, desenvolve argumentação, a partir da redação do caput do art. 80 da Lei n° 4.502/64, no qual a Autoridade Fiscal capitulou o lançamento da multa de ofício, cuja redação que vigorou no período de janeiro de 2007 a junho de 2007 foi dada pela MP n° 351/2007 e de julho de 2007 em diante pela Lei n° 11.488/07: Redação vigente no período de janeiro a julho de 2007 "Lei n° 4.502/64 Art. 80. A falta de lançamento do valor, total ou parcial, do imposto sobre produtos industrializados na respectiva nota fiscal ou a falta de recolhimento do imposto lançado sujeitará o contribuinte à multa de ofício setenta e cinco por cento do valor do imposto que deixou de ser lançado ou recolhido." Redação vigente no período de julho de 2007 em diante "Art. 80. A falta de lançamento do valor, total ou parcial, do imposto sobre produtos industrializados na respectiva nota fiscal ou a falta de recolhimento do imposto lançado sujeitará o contribuinte à multa de ofício de 75% (setenta e cinco por cento) do valor do imposto que deixou de ser lançado ou recolhido." A Recorrente alega que os valores do IPI foram regularmente escriturados nas notas fiscais. Diante disto, não restaria configurada a primeira parte do dispositivo legal "falta de lançamento do valor, total ou parcial, do imposto sobre produtos industrializados na nota fiscal". Prossegue na análise do caput do art. 80 da Lei n° 4.502/64, agora na segunda parte, que dispõe que a multa de ofício de 75% também será aplicada quando houver "falta de recolhimento do imposto lançado". Entende a Recorrente que tal penalidade deve ser aplicada exclusivamente quando houver "falta de recolhimento total, e não parcial ou insuficiente" (trecho do recurso Voluntário, fl. 639). Não assiste razão à Recorrente. Fl. 721DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente e m 23/03/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRADA M ARCIO CANUTO NATAL Processo nº 13502.720832/201106 Acórdão n.º 3301002.846 S3C3T1 Fl. 30 21 Quanto à motivação, verificase que o lançamento decorreu da constatação de divergências entre os valores do IPI, lançados em notas fiscais e escriturados pela própria contribuinte no RAIPI, e os declarados em DCTF e pagos. Em resposta `a Intimação nº 04, a Recorrente confirmou que os valores efetivamente devidos de IPI eram aqueles registrados no Livro RAIPI e não os declarados nas DCTF (fls. 150). Da leitura do Auto de Infração, constatase que foi devidamente fundamentado, estando a motivação do lançamento, a fundamentação legal e a infração claramente descritas em seu corpo e no Termo de Verificação Fiscal (fls. 12 a 22). Portanto, foi plenamente atendido o art. 50 da Lei n° 9.483/99, que dispõe sobre a motivação dos atos administrativos. Em relação à segunda alegação contida neste tópico a multa de ofício prevista n art. 80 da Lei n° 4.502/64 seria aplicável exclusivamente à "falta de recolhimento total, e não parcial ou insuficiente" verificase que a Recorrente estabelece uma diferença semântica entre os vocábulos "falta" e "insuficiência". Com efeito, consta na página 1.628, da Edição de 2001, do Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa, o significado da palavra "insuficiência": "(. . .) 1. caráter ou estado do que é insatisfatório em quantidade ou em qualidade; falta, escassez, carência" (. . .). Portanto, as palavras "falta" e "insuficiência" tem o mesmo significado. No caso em tela, o IPI foi regularmente lançado nas notas fiscais e no RAIPI. Contudo, não foi integralmente pago. E, neste ponto, discordo da interpretação da Recorrente acerca do art. 80 da Lei n° 4.502/64. Minha leitura é a de que aplicase a multa de ofício de 75% a todos os casos em que não tenha sido plenamente liquidado o IPI adequadamente lançado nas notas fiscais, sendo absolutamente irrelevante o fato de ter havido falta total ou parcial do pagamento. Em suma, o lançamento do crédito tributário foi devidamente motivado, nos termos do art. 50 da Lei n° 9.784/99 e a multa de ofício de 75% aplicase ao caso em comento, qual seja, o de insuficiência de recolhimento de IPI lançado nas notas fiscais. Portanto, não dou provimento aos argumentos de defesa da Recorrente contidos no presente tópico. II) "UTILIZAÇÃO INDEVIDA DE SUSPENSÃO" Fl. 722DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente e m 23/03/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRADA M ARCIO CANUTO NATAL Processo nº 13502.720832/201106 Acórdão n.º 3301002.846 S3C3T1 Fl. 31 22 A Recorrente efetuou vendas de produtos classificados nas posições 3923.2110, 3923.2190 e 4819.1000 da TIPI sem destaque do IPI. Houve casos em que adotou a alíquota zero, nos termos do previsto no Regulamento do IPI, e outros a suspensão, com base no artigo 29 da Lei n° 10.637/2002. A Autoridade Fiscal verificou que nas notas fiscais correspondentes constava a expressão "embalagens alimentícias". Contudo, a recorrente não logrou êxito em comprovar o cumprimento dos requisitos legais para fruição da suspensão, o que motivou lançamento de ofício de IPI não pago e não declarado, acrescido de juros e multa de ofício de 75%. Com efeito, os requisitos legais previstos no artigo 29 da Lei n° 10.637/02, disciplinado pela IN n° 296/03 e alterações posteriores, em vigor no período fiscalizado e posteriormente revogada pela IN n° 948/09, e com esclarecimentos prestados pelo ADI SRF n° 16/04, são os seguintes: "Lei n° 10.637/02 Art. 29. As matériasprimas, os produtos intermediários e os materiais de embalagem, destinados a estabelecimento que se dedique, preponderantemente, à elaboração de produtos classificados nos Capítulos 2, 3, 4, 7, 8, 9, 10, 11, 12, 15, 16, 17, 18, 19, 20, 23 (exceto códigos 2309.10.00 e 2309.90.30 e Ex01 no código 2309.90.90), 28, 29, 30, 31 e 64, no código 2209.00.00 e 2501.00.00, e nas posições 21.01 a 21.05.00, da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados TIPI, inclusive aqueles a que corresponde a notação NT (não tributados), sairão do estabelecimento industrial com suspensão do referido imposto. (. . .) § 6o Nas notas fiscais relativas às saídas referidas no § 5o, deverá constar a expressão "Saída com suspensão do IPI", com a especificação do dispositivo legal correspondente, vedado o registro do imposto nas referidas notas. § 7o Para os fins do disposto neste artigo, as empresas adquirentes deverão: Fl. 723DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente e m 23/03/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRADA M ARCIO CANUTO NATAL Processo nº 13502.720832/201106 Acórdão n.º 3301002.846 S3C3T1 Fl. 32 23 I atender aos termos e às condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal; II declarar ao vendedor, de forma expressa e sob as penas da lei, que atende a todos os requisitos estabelecidos." "IN n° 296/03 Art. 17. Sairão do estabelecimento industrial com suspensão do IPI as MP, PI e ME destinados a estabelecimento que se dedique, preponderantemente, à elaboração de produtos classificados nos Capítulos 2 a 4, 7 a 12, 15 a 20, 23 (exceto códigos 2309.10.00 e 2309.90.30 e Ex01 no código 2309.90.90), 28 a 31 e 64, no código 2209.00.00 e 2501.00, e nas posições 21.01 a 2105.00 da Tipi, inclusive aqueles a que corresponde a notação NT (nãotributados). § 1o Para fins do disposto neste artigo, as empresas adquirentes deverão declarar ao vendedor, de forma expressa e sob as penas da lei, que atendem a todos os requisitos estabelecidos. (. . .) Art. 21. Nas notas fiscais relativas às saídas de que trata esta Instrução Normativa deverá constar a expressão "Saída com suspensão do IPI" com a especificação do dispositivo legal correspondente, vedado o registro do imposto nas referidas notas. Art. 22. Na hipótese de destinação dos produtos adquiridos ou importados com suspensão do IPI distinta da prevista na legislação aplicável, a saída dos mesmos do estabelecimento industrial adquirente ou importador darseá com incidência do imposto. Art. 23. O disposto nesta Instrução Normativa não se aplica: Fl. 724DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente e m 23/03/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRADA M ARCIO CANUTO NATAL Processo nº 13502.720832/201106 Acórdão n.º 3301002.846 S3C3T1 Fl. 33 24 I às pessoas jurídicas optantes do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (Simples); II a estabelecimento equiparado a industrial, salvo quando se tratar da hipótese de equiparação prevista no art. 4º." "ADI SRF n° 16/04 Artigo Único. O regime de suspensão do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), de que trata a Instrução Normativa SRF n° 296 de 6 de fevereiro de 2003, alterada pela Instrução Normativa n° 342 de 15 de julho de 2003, não se aplica às pessoas jurídicas optantes pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (Simples), seja em relação às aquisições de seus fornecedores, seja no tocante às saídas dos produtos que industrializem." Nos autos, verificase que a Recorrente, apesar de intimada e reintimada (fls. 45 e 46 e 51 e 52), não apresentou a totalidade da declarações dos adquirentes dos produtos saídos com suspensão. E, as que apresentou, além de outros pontos levantados pela fiscalização, eram de empresas tributadas pelo SIMPLES, o que é vedado pela IN n° 296/03 e alterações posteriores. Tanto na impugnação, quanto no Recurso, a Recorrente não apresentou novas declarações e apenas alegou que não poderia ser penalizada pelo fato de as empresas adquirentes não terem prestado a declaração prevista em lei ou mesmo a terem efetuado de forma indevida. Ademais, em ambas as circunstâncias, requereu que o julgamento fosse convertido em diligência, para que fosse realizada circularização dos compradores, com o objetivo de obter a declaração requerida pela legislação. Ademais, quanto à multa de ofício, entende ser descabida, pois a mesma aplicarseia a casos em que não há lançamento total ou parcial do imposto nas notas fiscais. Como houve destaque da suspensão nas notas fiscais, estaria afastada a aplicação do art. 80 da Lei n° 4.502/64, anteriormente reproduzido. Passemos à análise das alegações da Recorrente. Fl. 725DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente e m 23/03/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRADA M ARCIO CANUTO NATAL Processo nº 13502.720832/201106 Acórdão n.º 3301002.846 S3C3T1 Fl. 34 25 De pronto, tal qual o órgão julgador de primeira instância e a 1ª Turma Ordinária da 1° Câmara da 3° Seção, descarto a realização da requerida diligência. Primeiro, porque a Recorrente deveria ter reunido a totalidade das declarações, antes de começar a utilizar o benefício fiscal. Segundo, porque foi intimada e reintimada a apresentálas e não o fez. Assim, uma vez que a Recorrente não comprovou o atendimento dos requisitos legais necessários à fruição da suspensão do IPI, é devido o IPI sobre as operações indevidamente cursadas sob o amparo da suspensão e, por conseguinte, correto o lançamento de ofício do IPI não lançado nas notas fiscais e não pago. Outrossim, com fulcro no art. 80 da Lei n° 4.502/64, transcrito e detidamente analisado no tópico anterior, é aplicável a multa de ofício de 75%, em razão das faltas de lançamento nas notas fiscais e de pagamento do IPI. Assim, voto pelo não provimento do Recurso Voluntário, no que tange `as alegações que pretendiam refutar o lançamento de ofício do IPI incidente sobre saídas indevidamente cursadas sob o amparo de suspensão e a aplicação da multa de ofício de 75%. III) "INOBSERVÂNCIA DE CLASSIFICAÇÃO FISCAL" A autuante reclassificou o produto denominado pela Recorrente como "composto máster" da posição NCM 3206.11.30, cuja alíquota do IPI era zero, para a NCM 3901.2019, tributada à alíquota de 5%, pois concluiu tratarse de um "composto plástico granulado, à base de polietileno, no qual foram adicionadas, em pequenas quantidades, substâncias inorgânicas". Em razão disto, efetuou lançamento de ofício de IPI, acrescido de juros e multa de ofício de 75%. Com base nas informações prestadas pelo contribuinte, confirmadas em visita ao seu estabelecimento, notadamente ao seu processo produtivo, a autuante procedeu a reclassificação do produto, à luz das normas técnicas aplicáveis. Sobre o trabalho do agente fiscal, vale reproduzir o seguinte trecho: "O enquadramento de produtos na TIPI, baseada no Sistema Harmonizado (TEC/NCM/SH), obedece a regras específicas de classificação. São seis Regras Gerais de Interpretação (RGI) e uma Regra Geral Complementar (RGC), Notas de Seção, de Capítulo e de Subposição, bem como, utilizamse subsidiariamente as Notas Explicativas do Sistema Harmonizado (NESH), de forma que a cada Fl. 726DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente e m 23/03/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRADA M ARCIO CANUTO NATAL Processo nº 13502.720832/201106 Acórdão n.º 3301002.846 S3C3T1 Fl. 35 26 mercadoria sempre corresponderá um único código correto para enquadramento na tabela de classificação, correspondendo a um indicativo da posição, subposição de 1º nível, subposição de 2º nível, item e subitem (08 dígitos). Nessa matéria, é fundamental atentar que, no âmbito do Sistema Harmonizado, a correta classificação fiscal de qualquer mercadoria no nível da subposição apropriada só pode ser alcançada depois de haver sido prévia e devidamente identificada a respectiva posição de enquadramento." Primeiramente, a Recorrente, mais uma vez, alega que as infrações não teriam sido suficientemente motivadas. Em seguida, aduz que somente perito técnico especializado poderia determinar a correta classificação do produto, concluindo por protestar pela realização de diligência. Por fim, que a multa de ofício de 75% não seria aplicável a casos de erro na classificação fiscal, pois este tipo de infração não consta no art. 80 da Lei n° 4502/64, na qual a penalidade foi capitulada. Em relação à motivação do lançamento de ofício do IPI e da multa de ofício de 75%, constatase que foi devidamente fundamentado, estando a motivação do lançamento erro na classificação fiscal , a fundamentação legal e a infração claramente descritas no corpo do Auto de Infração e no Termo de Verificação Fiscal (fls. 12 a 22). Portanto, foi plenamente atendido o art. 50 da Lei n° 9.483/99, que dispõe sobre a motivação dos atos administrativos. Sobre a reclassificação fiscal, na primeira instância, foi negada a diligência. Contudo, na segunda, por meio da Resolução n° 101000.388, decidiuse por realizála. Contudo, conforme consta do Relatório de Diligência (fls. 694 e 695), a Recorrente foi intimada e reintimada a apresentar amostras do produto e sua ficha técnica e, em ambas as oportunidades respondeu o seguinte: Fl. 727DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente e m 23/03/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRADA M ARCIO CANUTO NATAL Processo nº 13502.720832/201106 Acórdão n.º 3301002.846 S3C3T1 Fl. 36 27 "Tendo em vista não produzir mais o produto, a sociedade não tem como fornecer as amostras para a elaboração de laudo técnico, como também não possui mais as fichas técnicas do produto." Diante da impossibilidade da realização de perícia técnica e do fato de que a autuante adotou rigorosamente as normas técnicas em vigor, concluo que é correto o lançamento de ofício do IPI. Sobre o cabimento da multa de ofício, o erro na classificação fiscal ocasionou faltas de lançamentos nas notas fiscais e de recolhimento do IPI, o que justifica a aplicação da multa de ofício de 75%, prevista no art. 80 da Lei n° 4.502/64, transcrito no tópico I. Assim, voto por não dar provimento às alegações apresentadas pela Recorrente no presente item, que tinham como objetivo afastar a exigência do IPI não lançado nas notas fiscais e não pago e da multa de ofício de 75%, em razão de erro na classificação fiscal. CONCLUSÃO Com base no acima exposto, voto por não dar provimento ao Recurso Voluntário. Conselheiro Marcelo Costa Marques d'Oliveira Relator Fl. 728DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente e m 23/03/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRADA M ARCIO CANUTO NATAL
score : 1.0
Numero do processo: 10768.017518/2002-34
Turma: Segunda Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu May 07 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Wed Mar 16 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/11/1997 a 15/01/2002
COOPERATIVA DE CRÉDITO. LANÇAMENTO EM CONFORMIDADE COM A LEGISLAÇÃO.
As cooperativas de crédito são contribuintes da contribuição para o PIS que incide sobre o faturamento.
Numero da decisão: 2101-000.098
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, para reconhecer a decadência do direito de a Fazenda Nacional constituir o crédito tributário em relação aos fatos geradores ocorridos até outubro de 1997.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente.
(assinado digitalmente)
Hélcio Lafetá Reis - Relator ad hoc.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Caio Marcos Cândido (Presidente), Maria Cristina Roza da Costa, Ivan Allegretti, Antonio Zomer, Antônio Lisboa Cardoso, Maria Teresa Martinez López, Domingos de Sá Filho (Relator) e Antônio Carlos Atulim.
Nome do relator: Hélcio Lafetá Reis
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 200905
ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/11/1997 a 15/01/2002 COOPERATIVA DE CRÉDITO. LANÇAMENTO EM CONFORMIDADE COM A LEGISLAÇÃO. As cooperativas de crédito são contribuintes da contribuição para o PIS que incide sobre o faturamento.
turma_s : Segunda Câmara
dt_publicacao_tdt : Wed Mar 16 00:00:00 UTC 2016
numero_processo_s : 10768.017518/2002-34
anomes_publicacao_s : 201603
conteudo_id_s : 5574849
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Mar 16 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 2101-000.098
nome_arquivo_s : Decisao_10768017518200234.PDF
ano_publicacao_s : 2016
nome_relator_s : Hélcio Lafetá Reis
nome_arquivo_pdf_s : 10768017518200234_5574849.pdf
secao_s : Segundo Conselho de Contribuintes
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, para reconhecer a decadência do direito de a Fazenda Nacional constituir o crédito tributário em relação aos fatos geradores ocorridos até outubro de 1997. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis - Relator ad hoc. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Caio Marcos Cândido (Presidente), Maria Cristina Roza da Costa, Ivan Allegretti, Antonio Zomer, Antônio Lisboa Cardoso, Maria Teresa Martinez López, Domingos de Sá Filho (Relator) e Antônio Carlos Atulim.
dt_sessao_tdt : Thu May 07 00:00:00 UTC 2009
id : 6310099
ano_sessao_s : 2009
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:46:04 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048122040516608
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1877; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C1T1 Fl. 350 1 349 S2C1T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10768.017518/200234 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2101000.098 – 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 7 de maio de 2009 Matéria PIS AUTO DE INFRAÇÃO Recorrente COOPERATIVA DE ECONOMIA E CRÉDITO MÚTUO DOS EMPREGADOS DE FURNAS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/06/1994 a 31/10/1997 EXTINÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. Nos lançamentos por homologação, sem que a Fazenda Pública tenha se pronunciado quanto ao pagamento antecipado efetuado pelo contribuinte, extinguese o crédito tributário após cinco anos contados da ocorrência do fato gerador. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/11/1997 a 15/01/2002 COOPERATIVA DE CRÉDITO. LANÇAMENTO EM CONFORMIDADE COM A LEGISLAÇÃO. As cooperativas de crédito são contribuintes da contribuição para o PIS que incide sobre o faturamento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, para reconhecer a decadência do direito de a Fazenda Nacional constituir o crédito tributário em relação aos fatos geradores ocorridos até outubro de 1997. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator ad hoc. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 76 8. 01 75 18 /2 00 2- 34 Fl. 350DF CARF MF Impresso em 16/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2015 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 29/10/2015 p or HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 15/03/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10768.017518/200234 Acórdão n.º 2101000.098 S2C1T1 Fl. 351 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Caio Marcos Cândido (Presidente), Maria Cristina Roza da Costa, Ivan Allegretti, Antonio Zomer, Antônio Lisboa Cardoso, Maria Teresa Martinez López, Domingos de Sá Filho (Relator) e Antônio Carlos Atulim. Relatório Na condição de relator ad hoc neste processo, reproduzo o relatório elaborado pela DRJ Belo Horizonte/MG, que muito bem descreve os fatos controvertidos nos autos: Contra a interessada foi lavrado o auto de infração de fls. 216/238 com exigência de crédito tributário no valor de R$315.619,08 a título de contribuição para o Programa de Integração Social (PIS), juro de mora e multa proporcional de 75% por insuficiência de recolhimento para os períodos relacionados nas fls. 217 e 218. A Fiscalização informa que a contribuinte recolhia PIS sobre a Folha de Pagamento (8301), quando o correto seria o recolhimento do PIS — Faturamento. Com o advento da Emenda Constitucional de Revisão n° 1, de 1994, que instituiu o Fundo Social de Emergência, aplicável a fatos geradores ocorridos a partir de junho de 1994, as instituições financeiras e equiparadas passaram a ser tributadas de maneira diferenciada no que diz respeito ao PIS. Incluindo o art. 72 no Ato das Disposições Constitucionais Transitórias (ADCT), referida emenda estabeleceu que para os anos de 1994 e 1995 incidiria a alíquota de 0,75% sobre a receita bruta operacional das empresas relacionadas no § 1° do art. 22 da Lei n° 8.212, de 1991, entre as quais se inserem as cooperativas de crédito, que é o caso da contribuinte sob análise. A Emenda Constitucional (EC) n° 10, de 1996, prorrogou o prazo do Fundo Social de Emergência, alterando dispositivos do ADCT, sem contudo alterar a alíquota e a base de cálculo do PIS. Finalmente, a EC n° 17, de 1997, prorrogou a vigência do referido fundo até 31/12/1999. Disciplinando toda essa legislação no âmbito infra constitucional, foi editada a Medida Provisória n° 517, de 31/05/1994, que foi sendo convalidada e alterada até a conversão na Lei no 9.701, de 17/11/1998. 'A partir de fevereiro de 1999, a base de cálculo do PIS e da Cofins das pessoas jurídicas de direito privado será calculada com fundamento na Lei 9.718/98. A alíquota do PIS fica reduzida para 0,65%, conforme disposto na MP n° 1.99116, de abril de 2000, e a alíquota da Cofins é majorada para 3%. Além disso, esse diploma legal estabelece que os contribuintes relacionados no § 1° do art. 22 da Lei 8.212/91, entre os quais se Fl. 351DF CARF MF Impresso em 16/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2015 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 29/10/2015 p or HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 15/03/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10768.017518/200234 Acórdão n.º 2101000.098 S2C1T1 Fl. 352 3 inserem as cooperativas de crédito, também são contribuintes da Cofins. (..) No inicio da fiscalização, ao contribuinte foi requerido o preenchimento de planilhas de base de cálculo do PIS — Faturamento e Cofins (fls. 30 a 175), posto que ele havia recolhido equivocadamente o PIS com base na Folha de Pagamento e não havia recolhido a Cofins. O contribuinte tentou respaldar o não recolhimento da Cofins através de um mandado de segurança com pedido de liminar — processo judicial n° 200051010175347, na Justiça Federal do Rio de Janeiro —. Porém, a liminar foi indeferida. O contribuinte entregounos as planilhas com as bases de cálculo do PIS de junho/94 a janeiro/99, bem como as planilhas contendo as bases de cálculo do PIS e Cofins de fevereiro/99 a dezembro/01. As planilhas foram auditadas e os acertos necessários foram feitos no decorrer desse procedimento de auditoria. Às bases de cálculo mensais do PIS foi aplicada a alíquota de 0,75% no período de junho/94 a janeiro/99 e de 0,65% de fevereiro/99 a dezembro de 2001. (..) O lançamento ora efetuado tomou por base exclusivamente dados fornecidos pela contribuinte em atendimento às nossas intimações. Cabe ressaltar que os pagamentos efetuados pelo contribuinte a título de PIS — Folha de Pagamento, código Darf 8301, constantes no extrato Sinal07 às folhas 171 a 181, foram abatidos mensalmente dos valores apurados de PIS — Faturamento." (grifos são do original) Os dispositivos legais infringidos constam na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal do referido auto de infração, conforme se observa à fl. 219. Irresignada, tendo sido cientificada em 28/11/2002, a empresa apresentou, em 26/12/2002, o arrazoado de fls. 253/260, acompanhado dos documentos de fls. 261/272, com as suas razões de defesa a seguir reunidas sucintamente. Período de autuação: até 30/09/1997 A decadência na espécie se opera pelo disposto no art. 150, § 40, do CTN, pelo que descabidos os valores lançados até 30/09/1997, entendimento corroborado por ementa de acórdão do Conselho de Contribuintes transcrita na impugnação. Período de autuação: a partir do período anterior até 31/12/1999 Transcreve o inc. III do art. 146 da Constituição, bem com o § 2° do art. 174, concluindo que às cooperativas deve ser dispensado tratamento diferenciado frente a outros empreendimentos privados. Fl. 352DF CARF MF Impresso em 16/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2015 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 29/10/2015 p or HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 15/03/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10768.017518/200234 Acórdão n.º 2101000.098 S2C1T1 Fl. 353 4 Em seguida, a contribuinte reproduz o art. 72, inc. V, do ADCT; o art. 79 da Lei nº 5.764, de 1971, e os arts. 182 e 183 do RIR, e, concordando com a Fiscalização em seu enquadramento no art. 22, § 1°, da Lei n° 8.212, de 1991, "assevera que o numerário advindo da prática de atos cooperativos não pode ser objeto da exação". "Destarte, a conclusão necessária é a de que se a própria regulamentação do IR não aceita tributar atos cooperativos; e, se o dispositivo do ADCT toma por base o entendimento do IR, não há como exigirse o PIS." O que não se pode perder de vista, afirma a defendente, é que apenas os atos não cooperativos submetemse ao tratamento tributário geral. "Como as bases de cálculo eleitas pela Fazenda ao longo da autuação representam apenas atos cooperativos, encontrase esvaziada, por ausência de matéria imponível, a pretensão fazendária." Período de autuação: a partir do período anterior até 31/12/2001 "Sucede aqui a mesma coisa dita no tópico anterior: a Fazenda, ao tratar indiscriminadamente as receitas da impugnante (sem se preocupar se são decorrentes de atos cooperativos ou não), atenta contra o arcabouço legal que rege a matéria." Assegura também a autuada que o PIS (além daquele incidente sobre a folha de salários — art. 2°, § 1 0, da Lei no 9.715, de 1998) "só pode ser exigido das cooperativas se tiver por base ingressos advindos de operações com não associados. Como todas as operações do impugnante são atos cooperativos, impossível se apresenta a imposição". Requer a produção de prova pericial contábil para demonstrar que a Fiscalização tomou como bases de cálculo apenas receitas decorrentes de atos cooperativos. Portanto, ao cabo, requer, pelos motivos expostos, a improcedência do feito fiscal. A decisão da DRJ Belo Horizonte/MG que julgou procedente o lançamento restou ementada da seguinte forma: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/06/1994 a 31/12/2001 Ementa: Não merece reparos o lançamento, quando efetuado consoante a legislação de regência da matéria. O prazo decadencial das contribuições que compõem a Seguridade Social — entre elas o PIS — encontrase fixado em lei. Fl. 353DF CARF MF Impresso em 16/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2015 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 29/10/2015 p or HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 15/03/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10768.017518/200234 Acórdão n.º 2101000.098 S2C1T1 Fl. 354 5 Indeferese o pedido de perícia quando não demonstrada sua real necessidade ao deslinde do litígio. A atividade administrativa, sendo plenamente vinculada, não comporta apreciação discricionária no tocante aos atos que integram a legislação tributária. Lançamento Procedente Cientificado da decisão de primeira instância, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário e reiterou seu pedido, repisando os mesmos argumentos de defesa. É o relatório. Voto Conselheiro Hélcio Lafetá Reis Relator ad hoc Considerando o teor da decisão da turma julgadora, encaminho o presente voto, na condição de relator ad hoc, nos seguintes termos: Em relação à regra decadencial aplicável ao caso, valhome do acórdão nº 380301.027, de 9 de dezembro de 2010, processo nº 10865.000741/200325, relator Hélcio Lafetá Reis, que muito bem reflete a posição deste Colegiado sobre a matéria. O Supremo Tribunal Federal, por meio da Súmula Vinculante n° 8, a seguir transcrita, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n° 8.212/1991, que previa o prazo decadencial de dez anos para a constituição de créditos tributários relativos a contribuições sociais. São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decreto Lei nº 1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário. (Súmula vinculante n° 8 de 12/06/2008). A Constituição Federal, por sua vez, em seu art. 103A e §§, determina que o conteúdo de súmula vinculante deve ser observado pelo Poder Judiciário e pela Administração Pública, in verbis: Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004) (Vide Lei nº 11.417, de 2006). Grifei § 1º A súmula terá por objetivo a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais haja Fl. 354DF CARF MF Impresso em 16/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2015 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 29/10/2015 p or HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 15/03/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10768.017518/200234 Acórdão n.º 2101000.098 S2C1T1 Fl. 355 6 controvérsia atual entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre questão idêntica. § 2º Sem prejuízo do que vier a ser estabelecido em lei, a aprovação, revisão ou cancelamento de súmula poderá ser provocada por aqueles que podem propor a ação direta de inconstitucionalidade. § 3º Do ato administrativo ou decisão judicial que contrariar a súmula aplicável ou que indevidamente a aplicar, caberá reclamação ao Supremo Tribunal Federal que, julgandoa procedente, anulará o ato administrativo ou cassará a decisão judicial reclamada, e determinará que outra seja proferida com ou sem a aplicação da súmula, conforme o caso." Consoante tais dispositivos, o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF – prevê dispensa, por parte dos julgadores, de observância de lei já declarada inconstitucional pelo STF, a saber: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; (grifei) No mesmo sentido, a Lei Complementar n ° 118/2008 revogou o referido art. 45, conforme demonstrado a seguir: Art. 13. Ficam revogados: I – a partir da data de publicação desta Lei Complementar: a) os arts. 45 e 46 da Lei no 8.212, de 24 de julho de 1991; Dessa forma, diante do fato de se tratar a Cofins [e a contribuição para o PIS] de tributo sujeito ao lançamento por homologação previsto no art. 150 do CTN, para fins de apuração do prazo decadencial, devese aplicar a regra prevista no § 4° do mesmo artigo, in verbis: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. (...) § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Fl. 355DF CARF MF Impresso em 16/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2015 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 29/10/2015 p or HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 15/03/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10768.017518/200234 Acórdão n.º 2101000.098 S2C1T1 Fl. 356 7 Considerando que no presente caso houve pagamentos antecipados, conforme se verifica das telas do sistema de arrecadação da Receita Federal às fls. 171 a 181, e que o contribuinte fora cientificado da autuação em 28/11/2002 (fl. 216), temse por configurada a homologação tácita do lançamento relativamente aos fatos geradores ocorridos até outubro de 1997. Quanto ao mérito do lançamento, adotase aqui o entendimento externado pela DRJ Belo Horizonte/MG, no voto condutor do acórdão recorrido presente às fls. 281 a 288, dispensandose a sua reprodução neste voto. Diante do exposto, o voto é encaminhado no sentido de DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso, para reconhecer a decadência do direito de a Fazenda Nacional constituir o crédito tributário em relação aos fatos geradores ocorridos até outubro de 1997. É o voto. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator ad hoc Fl. 356DF CARF MF Impresso em 16/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2015 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 29/10/2015 p or HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 15/03/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS
score : 1.0
Numero do processo: 10880.914081/2011-83
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 01 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Feb 23 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2004
ESTIMATIVAS MENSAIS COMPROVADAS. SALDO NEGATIVO DE CSLL. COMPENSAÇÃO HOMOLOGADA.
Confirmado que a soma das parcelas de composição do crédito relativas às estimativas mensais informadas no PER/DCOMP, no total de R$ 227.194,56, foi suficiente para comprovar a quitação da contribuição social devida e a apuração do saldo negativo no valor de R$ 143.742,52 do ano calendário de 2004, deve ser homologada a compensação declarada nos seguintes PER/DCOMP: 36199.75325.230307.1.7.03-6382, 12154.39698.140906.1.3.03-8362, 39003.15114.280906.1.3.03-7648, 24992.52076.111006.1.3.03-1035, 10248.06207.311006.1.3.03-6970, 18596.75301.141106.1.3.03-7670, 06579.25573.301106.1.3.03-6362, 42171.08080.141206.1.3.03-4289 e 34874.56716.271206.1.3.03-1834, no limite do saldo negativo do ano calendário de 2004.
Numero da decisão: 1201-001.315
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(documento assinado digitalmente)
Marcelo Cuba Netto - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Marcelo Cuba Netto. Roberto Caparroz de Almeida, Gilberto Baptista, João Carlos de Figueiredo Neto. Ausentes, por motivo justificado, os Conselheiros Ronaldo Apelbaum e Luis Fabiano Alves Penteado.
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201602
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2004 ESTIMATIVAS MENSAIS COMPROVADAS. SALDO NEGATIVO DE CSLL. COMPENSAÇÃO HOMOLOGADA. Confirmado que a soma das parcelas de composição do crédito relativas às estimativas mensais informadas no PER/DCOMP, no total de R$ 227.194,56, foi suficiente para comprovar a quitação da contribuição social devida e a apuração do saldo negativo no valor de R$ 143.742,52 do ano calendário de 2004, deve ser homologada a compensação declarada nos seguintes PER/DCOMP: 36199.75325.230307.1.7.03-6382, 12154.39698.140906.1.3.03-8362, 39003.15114.280906.1.3.03-7648, 24992.52076.111006.1.3.03-1035, 10248.06207.311006.1.3.03-6970, 18596.75301.141106.1.3.03-7670, 06579.25573.301106.1.3.03-6362, 42171.08080.141206.1.3.03-4289 e 34874.56716.271206.1.3.03-1834, no limite do saldo negativo do ano calendário de 2004.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Feb 23 00:00:00 UTC 2016
numero_processo_s : 10880.914081/2011-83
anomes_publicacao_s : 201602
conteudo_id_s : 5568558
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Feb 23 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 1201-001.315
nome_arquivo_s : Decisao_10880914081201183.PDF
ano_publicacao_s : 2016
nome_relator_s : ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
nome_arquivo_pdf_s : 10880914081201183_5568558.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) Marcelo Cuba Netto - Presidente (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Marcelo Cuba Netto. Roberto Caparroz de Almeida, Gilberto Baptista, João Carlos de Figueiredo Neto. Ausentes, por motivo justificado, os Conselheiros Ronaldo Apelbaum e Luis Fabiano Alves Penteado.
dt_sessao_tdt : Mon Feb 01 00:00:00 UTC 2016
id : 6286016
ano_sessao_s : 2016
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:45:20 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048122043662336
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2000; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C2T1 Fl. 2 1 1 S1C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10880.914081/201183 Recurso nº 000.001 Voluntário Acórdão nº 1201001.315 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 3 de fevereiro de 2016 Matéria PER/DCOMP Recorrente SANTANDER BRASIL PARTICIPACOES E EMPREENDIMENTOS S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2004 ESTIMATIVAS MENSAIS COMPROVADAS. SALDO NEGATIVO DE CSLL. COMPENSAÇÃO HOMOLOGADA. Confirmado que a soma das parcelas de composição do crédito relativas às estimativas mensais informadas no PER/DCOMP, no total de R$ 227.194,56, foi suficiente para comprovar a quitação da contribuição social devida e a apuração do saldo negativo no valor de R$ 143.742,52 do ano calendário de 2004, deve ser homologada a compensação declarada nos seguintes PER/DCOMP: 36199.75325.230307.1.7.036382, 12154.39698.140906.1.3.038362, 39003.15114.280906.1.3.037648, 24992.52076.111006.1.3.031035, 10248.06207.311006.1.3.036970, 18596.75301.141106.1.3.037670, 06579.25573.301106.1.3.036362, 42171.08080.141206.1.3.034289 e 34874.56716.271206.1.3.031834, no limite do saldo negativo do ano calendário de 2004. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) Marcelo Cuba Netto Presidente (documento assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 91 40 81 /2 01 1- 83 Fl. 426DF CARF MF Impresso em 23/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 22/ 02/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 23/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10880.914081/201183 Acórdão n.º 1201001.315 S1C2T1 Fl. 3 2 Ester Marques Lins de Sousa Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Marcelo Cuba Netto. Roberto Caparroz de Almeida, Gilberto Baptista, João Carlos de Figueiredo Neto. Ausentes, por motivo justificado, os Conselheiros Ronaldo Apelbaum e Luis Fabiano Alves Penteado. Relatório Por economia processual e bem resumir os fatos adoto o Relatório da decisão recorrida que transcrevo a seguir: Tratase de manifestação de inconformidade apresentada em face do despacho decisório de fls. 28 que não reconheceu o direito creditório pleiteado relativo a saldo negativo de CSLL do ano calendário de 2004. Em razão da inexistência de saldo negativo disponível, não foram homologadas as compensações declaradas nos PER/DCOMP 36199.75325.230307.1.7.036382, 12154.39698.140906.1.3.038362, 39003.15114.280906.1.3.03 7648, 24992.52076.111006.1.3.031035, 10248.06207.311006.1.3.036970, 18596.75301.141106.1.3.03 7670, 06579.25573.301106.1.3.036362, 42171.08080.141206.1.3.034289 e 34874.56716.271206.1.3.03 1834, o que resultou na cobrança dos débitos indevidamente compensados (principal: R$ 186.728,13) Notificado do despacho decisório em 08/04/2011 (fls. 29), o contribuinte apresentou em 10/05/2011 a manifestação de inconformidade, às fls. 02/05, alegando que o saldo negativo de CSLL (AC 2004) correspondente ao valor de R$143.742,52 foi apurado em decorrência das extinções de estimativas mensais de janeiro/2004 a novembro/2004 compensadas mediante os PER/DCOMP 04444.15597.260204.1.3.024303, 01290.15631.310304.1.3.029810, 02382.97922.290404.1.3.020947, 39771.09079.310504.1.3.027439, 14516.64613.290604.1.3.025558, 06308.75895.300704.1.3.022056, 00879.84283.300804.1.3.022960, 18731.14104.300904.1.3.025685, 39377.80144.281004.1.3.022503, 04017.88457.291104.1.3.022575 e 28025.96679.291204.1.3.022670 e que “antes de não homologar as Dcomp’s objeto do Despacho decisório 916066432, há necessidade de análise das Dcomp’s que formam o Saldo Negativo de CSLL ano calendário 2004, uma vez que Requerente não tem ciência da situação de análise das Dcomp’s citadas no item 4”. Às fls. 157/158, consta notícia acerca do Dossiê PGFN nº 10080.001291/061366, com recomendação para que se analise a Fl. 427DF CARF MF Impresso em 23/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 22/ 02/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 23/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10880.914081/201183 Acórdão n.º 1201001.315 S1C2T1 Fl. 4 3 ocorrência de concomitância das esferas administrativa e judicial. A 8ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento (DRJ/São Paulo I /SP) julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, conforme decisão proferida no Acórdão nº 1648.663, de 22 de julho de 2013, postado em 25/11/2013. A decisão recorrida possui a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Ano calendário:2004 SALDO NEGATIVO DE CSLL. ESTIMATIVAS MENSAIS. COMPENSAÇÕES NÃO HOMOLOGADAS. Não se reconhece o direito creditório relativo a saldo negativo de CSLL na parte correspondente às estimativas mensais cuja compensação não foi homologada. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A pessoa jurídica interpôs recurso voluntário ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, em 09/12/2013, o qual, essencialmente, reitera as mesmas alegações apresentadas na Manifestação de Inconformidade acima relatadas, portanto, desnecessário repetilas. Finalmente requer provimento do recurso voluntário. A Recorrente, complementarmente, em 11/09/2014 protocoliza informação de que fora proferida decisão final favorável no Processo Administrativo nº 10880.721746/201026, que resultou na homologação expressa das estimativas de CSLL glosadas no presente processo. É o relatório. Voto Conselheira Ester Marques Lins de Sousa O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235/72. Dele conheço. Trata o presente processo das compensações declaradas nos PER/DCOMP 36199.75325.230307.1.7.036382, 12154.39698.140906.1.3.038362, 39003.15114.280906.1.3.037648, 24992.52076.111006.1.3.031035, 10248.06207.311006.1.3.036970, 18596.75301.141106.1.3.037670, 06579.25573.301106.1.3.036362, 42171.08080.141206.1.3.034289 e Fl. 428DF CARF MF Impresso em 23/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 22/ 02/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 23/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10880.914081/201183 Acórdão n.º 1201001.315 S1C2T1 Fl. 5 4 34874.56716.271206.1.3.031834, cujo crédito informado referese ao saldo negativo da CSLL relativa ao ano calendário de 2004, no valor de R$ 143.742,52. Consta do despacho decisório nº 916066432, emitido em 01/04/2011 que analisadas as informações prestadas no PER/DCOMP nº 36199.75325.230307.1.7.036382 e considerando que a soma das parcelas de composição do crédito informadas no PER/DCOMP deve ser suficiente para comprovar a quitação da contribuição social devida e a apuração do saldo negativo, verificou se: PARCELAS DE COMPOSIÇÃO DO CRÉDITO INFORMADAS NO PER/DCOMP PARC.CREDITO IR EXTERIOR RETENÇÕES FONTE PAGAMENTOS ESTIM.COMP.SNPA ESTIM.PARCELADAS DEM.ESTIM.COMP. SOMA PARC.CRED. PER/DCOMP 0,00 0,00 0,00 227.194,56 0,00 0,00 227.194,56 CONFIRMADAS 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 Valor original do saldo negativo informado no PER/DCOMP com demonstrativo de crédito: R$ 143.742,52 Valor na DIPJ: R$ 143.742,52 Somatório das parcelas de composição do crédito na DIPJ: R$ 227.194,56 . CSLL devida: R$ 83.452,04. Valor do saldo negativo disponível= (Parcelas confirmadas limitado ao somatório das parcelas na DIPJ) (CSLL devida) limitado ao menor valor entre saldo negativo DIPJ e PER/DCOMP, observado que quando este cálculo resultar negativo, o valor será zero. Valor do saldo negativo disponível: R$ 0,00 Diante do exposto, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada nos seguintes PER/DCOMP: 36199. 75325.230307.1.7.036382 12154.39698.140906. 1.3.038362 39003. 15114. 280906.1.3.037648 24992.52076.111006.1.3.031035 0248.06207.311006.1.3.036970 18596.75301.141106.1.3.037670 06579.25573.301106.1.3.036362 42171.08080.141206.1.3.034289 34874.56716.271206.1.3.031834. De inicio, é de se registrar que somente são passíveis de compensação os créditos líquidos e certos. Pautado neste principio, tanto a Declaração de Compensação — DCOMP prevista no artigo 49 da Lei n° 10.637/2002 que alterou o artigo 74 da Lei nº 9.430/96 quanto o Pedido de Restituição — PER (eletrônico), utilizam as informações constantes das declarações apresentadas pelo contribuinte (DCTF, DIPJ, DACON, etc). No caso, por se tratar de crédito decorrente de saldo negativo da CSLL, o processamento comparou o saldo negativo indicado no PERDCOMP com as informações constantes na DIPJ/2005, mas não confirmados os pagamentos das estimativas mensais, concluiu pela inexistência do saldo negativo. A Recorrente argúi que: ... o saldo negativo de CSLL (AC 2004) correspondente ao valor de R$143.742,52 foi apurado em decorrência das extinções de estimativas mensais de janeiro/2004 a novembro/2004 compensadas mediante os PER/DCOMP 04444.15597.260204.1.3.024303, 01290.15631.310304.1.3.029810, 02382.97922.290404.1.3.020947, 39771.09079.310504.1.3.027439, Fl. 429DF CARF MF Impresso em 23/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 22/ 02/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 23/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10880.914081/201183 Acórdão n.º 1201001.315 S1C2T1 Fl. 6 5 14516.64613.290604.1.3.025558, 06308.75895.300704.1.3.022056, 00879.84283.300804.1.3.022960, 18731.14104.300904.1.3.025685, 39377.80144.281004.1.3.022503, 04017.88457.291104.1.3.022575 e 28025.96679.291204.1.3.022670 e que “antes de não homologar as Dcomp’s objeto do Despacho decisório 916066432, há necessidade de análise das Dcomp’s que formam o Saldo Negativo de CSLL ano calendário 2004. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento (DRJ/SPI/SP), atendendo a recomendação acerca do Dossiê PGFN nº 10080.001291/061366 antes de passar à análise do mérito, averiguou sobre a ocorrência de concomitância entre o processo administrativo e a ação judicial, e assim concluiu: ... Ocorre que, a despeito disso, inexiste concomitância entre as esferas administrativas e judicial, uma vez que: • Na exordial, a autora em nenhum momento ataca a decisão prolatada no presente processo administrativo. Não há discordância expressa quanto ao decidido relativamente ao SN CSLL 2004, mas tão somente um relato dos fatos. • Na ação judicial o pedido formulado se dirige à cobrança de Cofins e CSLL (PA 16327.903811/201263 e 16327.903861/201241),débitos não diretamente relacionados com o presente processo administrativo. A cobrança dos referidos débitos promovida pela autoridade administrativa decorre do não reconhecimento do SN CSLL 2006 no despacho 029256651, este último objeto do PA 16327.903737/201285 (processo de crédito – v. DD fls. 173). Referido despacho, consoante informação da Diort/Deinf/SP (fls. 176/177), não fora objeto de recurso administrativo (manifestação de inconformidade). • Notese ainda que, segundo argumenta a autora perante o Juízo, a cobrança de tais débitos seria indevida em qualquer que seja o resultado final deste PA 10880.914081/201183. Em resumo, no presente feito administrativo o interessado está a contestar a apuração fiscal relativa ao SN CSLL AC2004, insurgindose contra a cobrança das estimativas de 2006 não compensadas. Por seu turno, na ação judicial a insurgência tem como foco a cobrança dos débitos de Cofins e CSLL, por entender a autora que tais débitos não podem jamais ser exigidos, havendo ou não SN CSLL AC2006 disponível. Destarte, inocorre a necessária identidade de causa de pedir para caracterizar a concomitância das esferas administrativa e judicial. Fl. 430DF CARF MF Impresso em 23/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 22/ 02/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 23/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10880.914081/201183 Acórdão n.º 1201001.315 S1C2T1 Fl. 7 6 Portanto, afastada a concomitância, deve ser conhecida a manifestação de inconformidade de fls. 02/05. A seguir passando à análise do mérito, a DRJ julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade e manteve a não homologação das compensações, pelos seguintes fundamentos: No mérito, alega singelamente o interessado que, antes de a autoridade fiscal não reconhecer o Saldo Negativo de CSLL AC2004, haveria a necessidade de se analisar as Dcomp das estimativas que formaram referido crédito. Alega ainda que não teve ciência da situação da análise dessas Dcomp. Consultando o sistema SiefPerdcomp, verificamos que os PERDCOMP 04444.15597.260204.1.3.024303, 01290.15631.310304.1.3.029810, 02382.97922.290404.1.3.0 20947, 39771.09079.310504.1.3.027439, 14516.64613.290604.1.3.025558, 06308.75895.300704.1.3.02 2056, 00879.84283.300804.1.3.022960, 18731.14104.300904.1.3.025685, 39377.80144.281004.1.3.02 2503, 04017.88457.291104.1.3.022575 e 28025.96679.291204.1.3.022670, referidos pelo contribuinte, são objeto do processo administrativo nº 13811.000873/200371 (fls. 178/183). Atualmente, o processo 13811.000873/200371 encontrase no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais aguardando apreciação do Recurso Voluntário apresentado pelo interessado, tendo sido apensado ao processo 10880.721746/201026 (consultas Sief e Comprot em fls. 184/186). O processo está disponível para consulta no sistema eProcesso, de onde foram extraídas as peças de fls. 187/221. Conforme se verifica às fls. 188/189, todos os PERDCOMP acima constam expressamente relacionados no Despacho Decisório prolatado naquele processo 13811.000873/200371, a evidenciar que, ao contrário do que alega, o contribuinte teve ciência da análise dessas Dcomp. Além disso, tais Dcomp estão sendo objeto de discussão em razão do Recurso Voluntário apresentado pelo interessado perante o CARF (cópia de fls. 214/221). Conforme relatado, a Recorrente, complementarmente, em 11/09/2014 protocoliza informação de que fora proferida decisão final favorável ao contribuinte no Processo Administrativo nº 10880.721746/201026, que resultou na homologação expressa das estimativas de CSLL glosadas no presente processo. Nesse contexto, esta Relatora em 07/01/2015 encaminhou despacho à DEINF/SP para que essa Delegacia de origem informasse se as estimativas que compõem o saldo negativo da CSLL do ano calendário de 2004 foram extintas por compensação após decisão definitiva do CARF. A DEINF/SP, objetivamente, se pronunciou mediante Informação Fiscal: A presente manifestação tem por objeto o exame do despacho de encaminhamento de 07/01/2015 anexo na folha 386 do arquivo Fl. 431DF CARF MF Impresso em 23/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 22/ 02/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 23/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10880.914081/201183 Acórdão n.º 1201001.315 S1C2T1 Fl. 8 7 eletrônico do presente EProcesso. Na referida manifestação, a 2ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF indaga se os débitos de estimativa mensal da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL apurados ao longo do anobase de 2004 encontravamse extintos por compensação (artigo 156, inciso II da Lei 5.172/66 – Código Tributário Nacional – CTN). Em consulta ao sistema SIEF, verificouse os seguintes débitos declarados sob o código de receita 2484 (CSLL – Pessoas Jurídicas não Financeiras – Resultado Ajustado –Estimativa Mensal) em nome do Santander Brasil Participações e Empreendimentos S/A referentes aos meses de 2004. Quadro 01 ... No caso em tela, os referidos débitos foram originalmente cadastrados no processo administrativo nº 13811.000873/2003 71. Posteriormente, foram transferidos ao processo administrativo nº 13811.001213/200315 e, finalmente, ao processo de nº 10880.721746/201026 sendo lá extintos por compensação tal como pleiteado pelo sujeito passivo na relação de Pedidos Eletrônicos de Restituição, Ressarcimento ou Reembolso e Declaração de Compensação –PER/DCOMP mostrados no quadro 01. As telas anexas nas páginas anteriores à presente manifestação, extraídas dos sistemas da Receita Federal do Brasil – RFB, atestam a extinção desses débitos, especificamente o extrato de encerramento do processo administrativo nº 10880.721746/201026. Assim sendo, diante do exposto e com as informações aqui prestadas, propõese o retorno do presente processo à 2ª TE/2ª CÂMARA/1ª SEJUL/CARF/MF/DF. No Quadro 01 a que alude a informação fiscal, foram confirmadas as PARCELAS DE COMPOSIÇÃO DO CRÉDITO INFORMADAS NO PER/DCOMP, no total de R$ 227.194,56, glosadas no Despacho Decisório em comento, razão pela qual devem ser homologadas as compensações declaradas nos seguintes PER/DCOMP: 36199. 75325.230307. 1.7.036382 12154.39698.140906. 1.3.038362 39003. 15114. 280906.1.3.037648 24992.52076.111006.1.3.031035 0248.06207.311006.1.3.036970 18596.75301.141106.1.3.037670 06579.25573.301106.1.3.036362 42171.08080.141206.1.3.034289 34874.56716.271206.1.3.031834, no limite do saldo negativo do ano calendário de 2004 no valor de R$ 143.742,52. Diante do exposto, voto no sentido de DAR provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa. Fl. 432DF CARF MF Impresso em 23/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 22/ 02/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 23/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10880.914081/201183 Acórdão n.º 1201001.315 S1C2T1 Fl. 9 8 Fl. 433DF CARF MF Impresso em 23/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 22/ 02/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 23/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO
score : 1.0
Numero do processo: 10983.720187/2010-89
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 16 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Mar 14 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2006
IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. AUTUAÇÃO POR DEDUÇÃO INDEVIDA DE DESPESAS COM PENSÃO ALIMENTÍCIA E DEPENDENTES. COMPROVAÇÃO IDÔNEA EM FASE RECURSAL. ADMITIDA EM HOMENAGEM AO PRINCÍPIO DO FORMALISMO MODERADO.
Comprovada idoneamente, por documentos que atendem as exigências legais, ainda que em fase recursal, deve ser admitida os comprovantes apresentados a destempo, com fundamento no princípio do formalismo moderado, não subsistindo o lançamento quanto a este aspecto.
DEDUÇÃO COM DESPESAS DE ADOTANTE.
Conforme artigo 1626 do Código Civil de 2002, vigente à época dos fato gerador (2005), não há qualquer distinção entre pais adotivos ou biológicos devendo ser admitida a dedução prevista no artigo 35, inciso VI da Lei nº 9.250/95.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2202-003.160
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso.
(Assinado digitalmente)
MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA- Presidente.
(Assinado digitalmente)
JÚNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA (Presidente), JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, PAULO MAURÍCIO PINHEIRO MONTEIRO, EDUARDO DE OLIVEIRA, JOSÉ ALFREDO DUARTE FILHO (Suplente convocado), MARTIN DA SILVA GESTO, WILSON ANTÔNIO DE SOUZA CORRÊA (Suplente convocado) e MÁRCIO HENRIQUE SALES PARADA.";
Nome do relator: JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201602
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2006 IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. AUTUAÇÃO POR DEDUÇÃO INDEVIDA DE DESPESAS COM PENSÃO ALIMENTÍCIA E DEPENDENTES. COMPROVAÇÃO IDÔNEA EM FASE RECURSAL. ADMITIDA EM HOMENAGEM AO PRINCÍPIO DO FORMALISMO MODERADO. Comprovada idoneamente, por documentos que atendem as exigências legais, ainda que em fase recursal, deve ser admitida os comprovantes apresentados a destempo, com fundamento no princípio do formalismo moderado, não subsistindo o lançamento quanto a este aspecto. DEDUÇÃO COM DESPESAS DE ADOTANTE. Conforme artigo 1626 do Código Civil de 2002, vigente à época dos fato gerador (2005), não há qualquer distinção entre pais adotivos ou biológicos devendo ser admitida a dedução prevista no artigo 35, inciso VI da Lei nº 9.250/95. Recurso Voluntário Provido
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Mar 14 00:00:00 UTC 2016
numero_processo_s : 10983.720187/2010-89
anomes_publicacao_s : 201603
conteudo_id_s : 5573971
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Mar 14 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 2202-003.160
nome_arquivo_s : Decisao_10983720187201089.PDF
ano_publicacao_s : 2016
nome_relator_s : JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO
nome_arquivo_pdf_s : 10983720187201089_5573971.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA- Presidente. (Assinado digitalmente) JÚNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO - Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA (Presidente), JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, PAULO MAURÍCIO PINHEIRO MONTEIRO, EDUARDO DE OLIVEIRA, JOSÉ ALFREDO DUARTE FILHO (Suplente convocado), MARTIN DA SILVA GESTO, WILSON ANTÔNIO DE SOUZA CORRÊA (Suplente convocado) e MÁRCIO HENRIQUE SALES PARADA.";
dt_sessao_tdt : Tue Feb 16 00:00:00 UTC 2016
id : 6308209
ano_sessao_s : 2016
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:45:57 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048122060439552
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1849; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T2 Fl. 9 1 8 S2C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10983.720187/201089 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2202003.160 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 16 de fevereiro de 2016 Matéria IRPF DEDUÇÕES. Recorrente ITAMAR PACHECO CANHADA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2006 IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. AUTUAÇÃO POR DEDUÇÃO INDEVIDA DE DESPESAS COM PENSÃO ALIMENTÍCIA E DEPENDENTES. COMPROVAÇÃO IDÔNEA EM FASE RECURSAL. ADMITIDA EM HOMENAGEM AO PRINCÍPIO DO FORMALISMO MODERADO. Comprovada idoneamente, por documentos que atendem as exigências legais, ainda que em fase recursal, deve ser admitida os comprovantes apresentados a destempo, com fundamento no princípio do formalismo moderado, não subsistindo o lançamento quanto a este aspecto. DEDUÇÃO COM DESPESAS DE ADOTANTE. Conforme artigo 1626 do Código Civil de 2002, vigente à época dos fato gerador (2005), não há qualquer distinção entre pais adotivos ou biológicos devendo ser admitida a dedução prevista no artigo 35, inciso VI da Lei nº 9.250/95. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 3. 72 01 87 /2 01 0- 89 Fl. 155DF CARF MF Impresso em 14/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 1 1/03/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 11/03/2016 por MARCO AURELIO D E OLIVEIRA BARBOSA 2 (Assinado digitalmente) JÚNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA (Presidente), JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, PAULO MAURÍCIO PINHEIRO MONTEIRO, EDUARDO DE OLIVEIRA, JOSÉ ALFREDO DUARTE FILHO (Suplente convocado), MARTIN DA SILVA GESTO, WILSON ANTÔNIO DE SOUZA CORRÊA (Suplente convocado) e MÁRCIO HENRIQUE SALES PARADA."; Relatório Transcrevo, a seguir, o relatório elaborado pela Delegacia Reginal de Julgamento DRJMG: "Contra o contribuinte acima identificado foi lavrada a Notificação de Lançamento nº 006/609451491774127, expedida em 29/04/2010, referente a imposto sobre a renda de pessoa física, exercício 2006, anocalendário 2005, código 2904, formalizando a exigência de imposto suplementar no valor de R$8.557,45 e seus consectários legais, com juros de mora calculados até 30/04/2010, fls. 62 a 69. No demonstrativo de apuração do imposto devido, fls. 68, o imposto suplementar de R$8.557,45 se refere à soma das parcelas R$8.529,44 (saldo do imposto a pagar apurado após alterações) e R$28,01 (imposto já restituído). O lançamento decorreu da apuração das seguintes infrações, em razão da falta de comprovação, por falta de atendimento ao Termo de Intimação Fiscal. a) Dedução indevida de previdência privada e fapi, no valor de R$10.310,52. b) Dedução indevida com dependentes, no valor de R$7.020,00, em relação às seguintes pessoas físicas: Ana Carolina Pedromonico Canhada (23/07/2003), Juliana Cristhina Pedromonico Werner (22/06/1986), Rodrigo Pedromonico Werner (22/09/1996),Amelia Davila Iturriet (14/03/1924) e Maura Regina Pedromonico (22/07/1965). c) Dedução indevida com despesa de instrução, no valor de R$2.198,00. d) Dedução indevida de despesas médicas, no valor de R$1.395,85. Fl. 156DF CARF MF Impresso em 14/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 1 1/03/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 11/03/2016 por MARCO AURELIO D E OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10983.720187/201089 Acórdão n.º 2202003.160 S2C2T2 Fl. 10 3 e) Dedução indevida de pensão alimentícia judicial, no valor de R$13.600,00. Cientificado da notificação em 07/05/2010, fls. 70, o contribuinte apresentou impugnação em 19/05/2010, fls. 2 a 4, acompanhada de documentos, contestando o lançamento. Alega que atendeu ao Termo de Intimação Fiscal nº 116/2009, com resposta a esclarecer os fatos de forma minuciosa, fls. 15 a 16. Pontua que elaborou declaração retificadora, em 04/08/2009, e apurou imposto a restituir no valor de R$964,76, sendo que em 30/04/2010 recebeu a notificação de lançamento em discussão. Sustenta que no processo judicial nº 023.07.1221258 foi reconhecido e anulado o vínculo de união estável entre o autuado e Maura Regina Pedromonico, além de ter sido estabelecida a pensão alimentícia à Ana Carolina Pedromonico Canhada, filha do casal. Argumenta que Rodrigo Pedromonico Werner e Juliana Pedromonico Werner são filhos de Maura Regina Pedromonico e estavam sob a guarda dela, razão pela qual entende que faz jus à dedução com dependentes. Assinala que é filho adotivo de Amélia D’Avila Iturriet, conforme escritura de fls. 38 a 43. Pondera que a dedução de previdência privada se refere à contribuição efetuada à Fundação Elos e se prova por meio do informe de rendimentos, fls. 14. Defende que a despesa com instrução foi realizada com sua filha, Ana Carolina Pedromonico Canhada, bem como salienta que as despesas médicas e pensão alimentícia judicial estão discriminados no informe de rendimentos, fls. 14. A Delegacia Regional de Julgamento julgou parcialmente procedente a Impugnação, conforme ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2006 CONTRIBUIÇÃO À PREVIDÊNCIA PRIVADA. DEDUÇÃO. Na declaração de ajuste anual pode ser deduzida do total dos rendimentos recebidos a soma dos valores mensais relativos a contribuições a entidades de previdência privada, desde que o ônus tenha sido do próprio contribuinte, em benefício deste ou de seu dependente. DEPENDENTES. FILHA. COMPANHEIRA. ENTEADOS. ADOTANTE. Podem ser considerados dependentes a filha, até 21 anos de idade, e a companheira, desde que haja vida em comum por mais de cinco anos, ou por período menor se da união resultou filho. Para fins tributários, a dedução com dependentes em relação a enteados demanda a apresentação do termo de guarda dos filhos em Fl. 157DF CARF MF Impresso em 14/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 1 1/03/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 11/03/2016 por MARCO AURELIO D E OLIVEIRA BARBOSA 4 nome da mãe, em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente. A legislação tributária não previu que poderiam ser considerados como dependentes os adotantes. RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS RECEBIDOS PELO DEPENDENTE. Os rendimentos tributáveis recebidos pelos dependentes devem ser somados aos rendimentos do contribuinte para efeito de tributação na declaração. DESPESAS COM INSTRUÇÃO. COLÔNIA DE FÉRIAS. MATERIAL PEDAGÓGICO. REEMBOLSO. A despesa com instrução não contempla o pagamento de colônia de férias e nem material pedagógico e, além disso, não se admite a dedução de valores que foram reembolsados pela fonte pagadora do autuado. DESPESAS MÉDICAS. BENEFICIÁRIOS. Deve ser mantida a glosa de despesas médicas quando o comprovante dos gastos não discrimina os beneficiários dos serviços prestados. PENSÃO ALIMENTÍCIA. SENTENÇA OU ACORDO JUDICIAL. Na ausência da apresentação de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente em relação às importâncias pagas a título de pensão alimentícia, deve ser mantida a glosa apurada pelo fisco Cientificado, o contribuinte apresentou o Recurso Voluntário, no qual alega, preliminarmente, que reconhece o equívoco cometido por ele no que diz respeito ao tópico Rendimentos Tributáveis Recebidos por Dependente ao deixar de computar o valor de R$ 7.074,47, bem como a procedênciada glosa de R$ 4.896,00 referente aos gastos com instrução, uma vez que perdeu parte dos documentos que serviriam de suporte a dedução pretendida. Quanto ao mérito, alega, resumidamente, que: a) Em relação a dedução da pensão alimentícia judicial, contesta a decisão da DRJ que entendeu que o documento de fls. 14 não seria suficiente para permitir a referida dedução utilizando como suporte a Súmula CARF nº 98. Como complemento à documentação constante dos autos, faz a juntada, em fase recursal, dos seguintes documentos: a.1) do acordo judicial devidamente homologado pelo juízo da 2ª Vara de família da Comarca de Curitiba/PR (fls. 124/125); a.2) termo de audiência de Separação Judicial Consensual (fls. 127); a.3) Ofício nº1226/1992 onde consta a intimação para pagamento da pensão judicial, inclusive com a indicação de valor e conta bancária para depósito; (fls. 128) a.4) Ofício 868/1993 onde consta a intimação para que a fonte pagadora realize os descontos em folha do valor referente a pensão alimentícia;(fls. 129) a.5) Ofício nº 0596/2007 intimando a fonte pagadora a descontar em folha o valor da pensão alimentícia no montante de 02 (dois) salários mínimos;(fls. 130) b) Em relação a dedução da dependente Amélia Osmídia D'áviala Itturriet (mãe adotiva do Recorrente), afirma que não há qualquer distinção entre pais biológicos e adotivos. Sendo assim, há que se admitir a dedução conforme previsto no artigo 35, inciso VI da Lei nº 9.250/95. Como complemento à documentação constante dos autos, faz a juntada, em fase recursal, dos seguintes documentos: Fl. 158DF CARF MF Impresso em 14/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 1 1/03/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 11/03/2016 por MARCO AURELIO D E OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10983.720187/201089 Acórdão n.º 2202003.160 S2C2T2 Fl. 11 5 b.1) Declaração registrada em cartório do pai biológico do Recorrente, datada de 10/03/1960, na qual confia ao Sr. Alfredo Iturriet Filho e sua esposa Sra. Amélia Osmídia Iturriet o seu filho menor de idade ITAMAR PACHECO CANHADA (fls. 133/134); b.2) Certidão de óbito do Sr. Alfredo Irrurriet Filho, datada de 13/01/2006, na qual foi feita expressa menção ao filho ITAMAR PACHECO CANHADA (fls.138); b.3) Certidão de óbito da Sra. Amélia Osmídia de Avila Itturriet, datada de 09/09/2011, na qual foi feita expressa menção ao filho ITAMAR PACHECO CANHADA (fls. 139); c) Em relação a dedução dos dependentes Juliana Cristhina Pedromônico Werner e Rodrigo Pedromônico Werner (enteados do recorrente), alegou que ela se encontra expressamente prevista no art. 35, III, da Lei nº 9.250/95 que garante a dedução das despesas do enteado ou enteada, até 21 anos. Para comprovar a idade dos enteados a época do fato gerador, bem como que eles estavam sob a guarda da genitora e companheira do recorrente, faz a juntada, em fase recursal, dos seguintes documentos: c.1) Carteira de identidade de ambos (enteado e enteada) (fls 144) c.2) Cópia autenticada do acordo de "divórcio consensual" (sic) emitida pela 2ª vara de família da Comarca de Curitiba, na qual está consignado que a guarda dos enteados ficaria sob a responsabilidade da genitora. (142/143) É o relatório Voto Conselheira Junia Roberta Gouveia Sampaio, Relatora Fl. 159DF CARF MF Impresso em 14/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 1 1/03/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 11/03/2016 por MARCO AURELIO D E OLIVEIRA BARBOSA 6 O recurso está dotado dos pressupostos legais de admissibilidade devendo, portanto, ser conhecido. Conforme se verifica pelo voto da decisão proferida pela DRJ, a manutenção da maioria das glosas se deu em razão de deficiência documental. Em relação a dedução da pensão alimentícia paga Tania Regina Porcelis Dias, a DRJ considerou indevida em virtude de o Impugnante, ora Recorrente, não ter juntado ao processo cópia da sentença judicial ou acordo homologado judicialmente relativa as pensões alimentícias declaradas e deduzidas. Em fase recursal o Recorrente procura suprir a deficidência apontada mediante a juntada dos seguintes documentos: a) do acordo judicial devidamente homologado pelo juízo da 2ª Vara de família da Comarca de Curitiba/PR (fls. 124/125); b) termo de audiência de Separação Judicial Consensual (fls. 127); c) Ofício nº1226/1992 onde consta a intimação para pagamento da pensão judicial, inclusive com a indicação de valor e conta bancária para depósito; (fls. 128) d) Ofício 868/1993 onde consta a intimação para que a fonte pagadora realize os descontos em folha do valor referente a pensão alimentícia;(fls. 129) e) Ofício nº 0596/2007 intimando a fonte pagadora a descontar em folha o valor da pensão alimentícia no montante de 02 (dois) salários mínimos;(fls. 130) O artigo 16 § 4º do Decreto 70.235/72 determina que "a prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Todavia, esse Conselho, em razão do princípio do formalismo moderado que se aplica aos processos administrativos, têm admitido a juntada de provas em fase recursal como se verifica pelas ementas abaixo transcritas: "IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. AUTUAÇÃO POR DEDUÇÃO INDEVIDA DE IMPOSTO RETIDO NA FONTE. COMPROVAÇÃO IDÔNEA EM FASE RECURSAL. ADMITIDA EM HOMENAGEM AO PRINCÍPIO DO FORMALISMO MODERADO. Comprovada idoneamente, por demonstrativos de pagamentos de rendimentos, a retenção de imposto na fonte, ainda que em fase recursal, são de se admitir os comprovantes apresentados a destempo, com fundamento no princípio do formalismo moderado, não subsistindo o lançamento quanto aeste aspecto. Recurso provido" (Ac 2802001.637, 2ª Turma Especial, 2ª Seção, Sessão 18/04/2012) "PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRECLUSÃO. O art. 16 do Decreto n. 70.235/72 deve ser interpretado com temperamento em decorrência dos demais princípios que informam o processo administrativo fiscal, especialmente instrumentalidade das formas e formalismo moderado. O controle da legalidade do ato de lançamento e busca da “verdade material” alçada como princípio pela jurisprudência dessa Corte impõem flexibilidade na interpretação de regras relativas à instrução da causa, tanto no tocante à iniciativa Fl. 160DF CARF MF Impresso em 14/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 1 1/03/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 11/03/2016 por MARCO AURELIO D E OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10983.720187/201089 Acórdão n.º 2202003.160 S2C2T2 Fl. 12 7 quanto ao momento da produção da prova. Recurso voluntário provido para anular decisão de primeira instância." (Ac 1102000.859, 1ª Câmara/2ª Turma Ordinária, 1ª Seção, Sessão 09/04/2013) "PEDIDO DE RESTITUIÇÃO / DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PRECLUSÃO. APRESENTAÇÃO DE NOVAS PROVAS NO RECURSO VOLUNTÁRIO. POSSIBILIDADE. O art. 16 do Decreto n. 70.235/72, que determina que a prova documental deva ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de se fazêlo em outro momento processual, deve ser interpretado com temperamento em decorrência dos demais princípios que informam o processo administrativo fiscal, tais como o formalismo moderado e a busca da “verdade material”. A apresentação de provas após a decisão de primeira instância, no caso, é resultado da marcha natural do processo, pois, não tendo a decisão de piso considerado suficientes os documentos apresentados pelo contribuinte para a comprovação do seu direito creditório, trouxe ele novas provas, em sede de recurso, para reforçar o seu direito". (Ac 1102001.148, 1ª Câmara/2ª Turma Ordinária, 1ª Seção, Sessão 29/04/2014) Sendo assim, considero devidamente comprovada a despesa de pensão alimentícia paga em benefício de Tânia Regina Porcellis Dias, motivo pelo qual deverá ser cancelada a glosa de R$ 13.600,00 a ela relativa. Da mesma forma, em relação as despesas com os enteados Juliana Cristhina Pedromonico Werner e Rodrigo Pedromônico Werner, entendeu a DRJ que não seria suficiente a petição inicial da Ação de Dissolução de Sociedade de fato e partilha de bens, pois seria fundamental a apresentação do termo de guarda dos filhos em nome da mãe. Em razão de deficiência documental apontada pela DRJ o Recorrente requer a juntada, em fase recursal, dos seguintes documentos: a) Carteira de identidade de ambos (enteado e enteada) (fls 144) b) Cópia autenticada do acordo de "divórcio consensual" (sic) emitida pela 2ª vara de família da Comarca de Curitiba, na qual está consignado que a guarda dos enteados ficaria sob a responsabilidade da genitora. (142/143) Conforme já exposto, esse Conselho tem admitido as juntada de provas em fase recursal. Sendo assim, entendo restar devidamente comprovada a guarda dos enteados, devendo, assim, ser cancelada a glosa no valor de R$ 2.808,00 relativa a despesa com esses dependentes. Em relação a dedução das depesas médicas a DRJ entendeu que, em que pese o informe de rendimentos fornecido pela ELETROSUL mencionar o montante de R$ 1.395,85 como consultas hospitalares esse não poderia ser acatado como despesa dedutível"em virtude de não se demonstrar quais são os benefíciários de tais gastos. Entendo que assiste razão ao Recorrente. Isso porque, conforme disposto na Solução de Consulta Interna nº 23 da Coordenação Geral de Tributação COSIT, de 30/08/2013, na hipótese de o comprovante de pagamento do serviço médico prestado ter sido Fl. 161DF CARF MF Impresso em 14/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 1 1/03/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 11/03/2016 por MARCO AURELIO D E OLIVEIRA BARBOSA 8 emitido em nome do contribuinte sem especificação do benefíciário do serviço, podese presumir que esse foi o próprio contribuinte. Confirase: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF DESPESAS MÉDICAS. IDENTIFICAÇÃO DO BENEFICIÁRIO. São dedutíveis, da base de cálculo do IRPF, as despesas médicas realizadas pelo contribuinte, referentes ao próprio tratamento e de seus dependentes,desde que especificadas e comprovadas mediante documentação hábil e idônea. Na hipótese de o comprovante de pagamento do serviço médico prestado ter sido emitido em nome do contribuinte sem a especificação do beneficiário do serviço, podese presumir que esse foi o próprio contribuinte, exceto quando, a juízo da autoridade fiscal, forem constatados razoáveis indícios de irregularidades. No caso de o serviço médico ter sido prestado a dependente do contribuinte, sem a especificação do beneficiário do serviço no comprovante, essa informação poderá ser prestada por outros meios de prova, inclusive por declaração do profissional ou da empresa emissora do referido documento comprobatório. Dispositivos Legais: Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 Código de Processo Civil (CPC), art. 332; Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, art. 8º, inciso II, alínea “a” e § 2º, e Decreto nº 3.000, de 26 de dezembro de 1999 (RIR/1999), art. 80, § 1º, incisos II e III. Ademais, como ressaltou o Recorrente, a DMED Declaração de Serviços Médicos e de Saúde e as exigências de especificação do benefíciário, só foi instituída em 22/12/2009. Posterior, portanto, ao exercício fiscal glosado (2006). Em face do exposto, considero indevida a manutenção da glosa de R$ 1.395,85 relativa a despesas médicas. Finalmente, em relação a dedução das despesas com a mãe adotiva, a DRJ entendeu que não seria possível, pois a cédula de identidade do autuado (fls. 5) indica os nomes dos pais biológicos. Além disso, entendeu que a Lei nº 9.250/95 somente autorizou a dedução das despesas com os pais, não fazendo qualquer menção aos adotantes. Por fim, alegou que o Código Civil de 1916, em seu artigo 378, previa que os direitos e deveres do parentesco natural não se extinguiam pela adoção e que não havia prova nos autos de que a escritura juntada às fls. 41 a 43 tenha sido averbada no registro civil das pessoas naturais. Todavia, tais alegações não merecem prosperar. Em primeiro lugar, não há qualquer razão para que a Lei nº 9.250/95 fizesse menção aos adotantes, uma vez que estes são, para todos os efeitos jurídicos, pais. A Constituição Federal de 1988 afirma, categoricamente, em seu art. 227, §6º que "os filhos, havidos ou não da relação do casamento, ou por adoção, terão os mesmos direitos e qualificações, proibidas quaisquer designações discriminatórias relativas à filiação". (grifamos) Em relação ao artigo 378 do Código Civil é importante ressaltar que, à época do fato gerador (2005), já estava em vigor o Código Civil de 2002 o qual previa, em seu artigo 1626, que "a adoção atribui a situação de filho ao adotado, desligandoo de qualquer vínculo com os pais ou parentes consaguíneos, salvo quanto aos impedimentos para casamento". (grifamos). Além disso, a documentação comprobatória trazidas aos autos não deixa dúvida Fl. 162DF CARF MF Impresso em 14/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 1 1/03/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 11/03/2016 por MARCO AURELIO D E OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10983.720187/201089 Acórdão n.º 2202003.160 S2C2T2 Fl. 13 9 quanto a adoção, motivo pelo qual deve ser admitida a dedução prevista no artigo 35, VI da Lei nº 9.250/95. Em face do exposto, dou provimento ao Recurso Voluntário. É meu voto (Assinado digitalmente) Junia Roberta Gouveia Sampaio Fl. 163DF CARF MF Impresso em 14/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 1 1/03/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 11/03/2016 por MARCO AURELIO D E OLIVEIRA BARBOSA
score : 1.0
Numero do processo: 19515.000443/2006-22
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 08 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri Jan 08 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 2202-000.613
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
RESOLVEM os Membros da 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. Fez sustentação oral pelo Contribuinte o advogado Cleber Renato de Oliveira, OAB/SP 250.115.
Assinado digitalmente
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente e Relator
Composição do Colegiado: participaram da sessão de julgamento os Conselheiros MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA (Presidente), JÚNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, PAULO MAURÍCIO PINHEIRO MONTEIRO, EDUARDO DE OLIVEIRA, JOSÉ ALFREDO DUARTE FILHO (Suplente convocado), WILSON ANTONIO DE SOUZA CORRÊA (Suplente convocado), MARTIN DA SILVA GESTO e MÁRCIO HENRIQUE SALES PARADA.
Relatório
Nome do relator: MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201512
camara_s : Segunda Câmara
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Jan 08 00:00:00 UTC 2016
numero_processo_s : 19515.000443/2006-22
anomes_publicacao_s : 201601
conteudo_id_s : 5557196
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Jan 08 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 2202-000.613
nome_arquivo_s : Decisao_19515000443200622.PDF
ano_publicacao_s : 2016
nome_relator_s : MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA
nome_arquivo_pdf_s : 19515000443200622_5557196.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os Membros da 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. Fez sustentação oral pelo Contribuinte o advogado Cleber Renato de Oliveira, OAB/SP 250.115. Assinado digitalmente Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente e Relator Composição do Colegiado: participaram da sessão de julgamento os Conselheiros MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA (Presidente), JÚNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, PAULO MAURÍCIO PINHEIRO MONTEIRO, EDUARDO DE OLIVEIRA, JOSÉ ALFREDO DUARTE FILHO (Suplente convocado), WILSON ANTONIO DE SOUZA CORRÊA (Suplente convocado), MARTIN DA SILVA GESTO e MÁRCIO HENRIQUE SALES PARADA. Relatório
dt_sessao_tdt : Tue Dec 08 00:00:00 UTC 2015
id : 6243540
ano_sessao_s : 2015
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:44:04 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048122082459648
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 19; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1708; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T2 Fl. 1.940 1 1.939 S2C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19515.000443/200622 Recurso nº Voluntário Resolução nº 2202000.613 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Data 8 de dezembro de 2015 Assunto IRPF depósitos bancários Recorrente GIL PUGLISI Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os Membros da 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. Fez sustentação oral pelo Contribuinte o advogado Cleber Renato de Oliveira, OAB/SP 250.115. Assinado digitalmente Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente e Relator Composição do Colegiado: participaram da sessão de julgamento os Conselheiros MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA (Presidente), JÚNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, PAULO MAURÍCIO PINHEIRO MONTEIRO, EDUARDO DE OLIVEIRA, JOSÉ ALFREDO DUARTE FILHO (Suplente convocado), WILSON ANTONIO DE SOUZA CORRÊA (Suplente convocado), MARTIN DA SILVA GESTO e MÁRCIO HENRIQUE SALES PARADA. Relatório Reproduzo o relatório do acórdão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Fortaleza (CE) DRJ/FOR, que sintetiza os fatos ocorridos até a decisão de primeira instância. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 95 15 .0 00 44 3/ 20 06 -2 2 Fl. 1940DF CARF MF Impresso em 08/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 18/12/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 19515.000443/200622 Resolução nº 2202000.613 S2C2T2 Fl. 1.941 2 Contra o contribuinte, identificado nos autos, foi lavrado Auto de Infração, fls. 1458/1475, para formalização e cobrança do crédito tributário, referente aos anoscalendário 2000, 2001 e 2002, no valor de R$ 1.158.722,21, incluídos multa de oficio e juros de mora. As infrações apuradas pela Fiscalização e relatadas na Descrição dos Fatos e Enquadramento(s) Legal(is), fls. 1470/1475, foram omissão de rendimentos de trabalho sem vinculo empregatício recebidos de pessoas físicas, omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada e falta de recolhimento do imposto de renda pessoa física a titulo de carnêleão, tudo conforme Termo de Verificação Fiscal, fls. 1440/1457. Os dispositivos legais infringidos e a penalidade aplicável encontram se discriminados as fls. 1468 e 1472/1473 e 1475. Inconformado com a exigência, da qual tomou ciência em 24/03/2006, fls. 1480, o contribuinte apresentou impugnação, em 25/04/2006, fls. 1486/1516, com as alegações a seguir resumidas: Preliminares. 1) cerceamento do direito de defesa: obstrução às vistas do processo. O contribuinte argúi que teve seu direito de defesa cerceado, uma vez que recebeu o Auto de Infração no dia 24/03/2006 e ao se dirigir à repartição para ter vista do processo somente a conseguiu no dia 20/04/2006 após inúmeras idas e vindas à repartição a partir do dia 28/03/2006. Informa que até solicitou a lavratura de um Boletim de Ocorrência (BO n° 2.296/2006) para resguardar seus direitos. Aduz que tendo em vista a demora do órgão público em fornecer a cópia do processo, ficou com apenas cinco dias antes da data limite para elaborar sua impugnação. Assim, solicita devolução do prazo para que possa utilizar efetivamente o seu direito de vista ao processo e direito de preparar sua defesa durante o tempo que lhe é garantido pelas normas do processo administrativo. 2) inobservância das determinações do MPF. A defesa alega que o lançamento é nulo, pois o auditorfiscal, após iniciado o procedimento fiscal, sugeriu "trocar o foco da operação de "rendimentos recebidos de pessoa física" para "a movimentação financeira", sendo a sugestão acatada pela chefia. Argumenta, ainda, que: (i) o feito contraria as características especificas do MPF que não podem ser alteradas no curso da ação fiscal pela autoridade autuante sob pena de nulidade, pois referidas autoridades não possuem competência para empreender ação de programação; (ii) a Portaria SRF 3007, de 2001, é norma procedimental e em seu texto não existe previsão legal para mudança de objeto de fiscalização; e (iii) só tomou conhecimento da modificação do objeto do MPF ao ler o Relatório de Ação Fiscal, que conseguiu a partir da cópia do processo, cuja ciência desse documento não lhe foi dada, consistindo uma informação nova e relevante por ter alterado a perspectiva dos procedimentos fiscais. Assim, devido à modificação do objeto do MPF sem o preparo do órgão competente, sem o Fl. 1941DF CARF MF Impresso em 08/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 18/12/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 19515.000443/200622 Resolução nº 2202000.613 S2C2T2 Fl. 1.942 3 encerramento do MPF original e sem a abertura, com ciência, do MPF Complementar ou de novo MPF, o lançamento é nulo. 3) decadência do anocalendário 2000. O contribuinte defende que o imposto de renda pessoa física é um imposto que tem seu fato gerador apurado mensalmente, devendo o prazo decadencial desse imposto ser contado mensalmente. Assim, após janeiro de 2006, a autoridade lançadora não mais poderia lançar o imposto de renda pessoa física referente aos períodos de janeiro a dezembro do anocalendário de 2000. Como a ciência do lançamento se deu em 24/03/2006, o mesmo encontrase já alcançado pelo instituto da decadência. Mérito. 1) depósito bancário não se identifica com o conceito de renda. O contribuinte trouxe as seguintes alegações: a) a autoridade fiscal adotou como premissa o conceito de que os depósitos bancários são, por si sós, receitas tributáveis do contribuinte; b) a legislação não obriga aos contribuintes pessoas físicas manterem escrituração de seus rendimentos e despesas. Dessa forma não se encontra obrigado a identificar os lançamentos ocorridos nas contas mantidas junto a instituições financeiras; c) os valores creditados em contas bancárias não se identificam necessariamente com o conceito de renda, pois podem não ser causa de acréscimo patrimonial ou não caracterizar consumo relacionados ao contribuinte titular da contacorrente, sendo preciso que fique demonstrado que os créditos representem rendimentos que ainda não tenham sido tributados; d) constatado o indicio de que os valores creditados poderiam ser juridicamente presumidos como omissão de receita, caberia à fiscalização aprofundarse no exame da prova, a fim de obter elementos identificadores e confirmadores da omissão no âmbito do patrimônio do contribuinte (sinais exteriores de riqueza) ou no âmbito dos gastos (renda consumida). A autoridade fiscal pautou somente na presunção relativa, deixando de proceder qualquer outra atividade fiscal tendente a obter a verdade material dos indícios presumidos; e) a autoridade fiscal não observou o que determina o § 3° do artigo 42 da Lei n° 9.430, de 1996, uma vez que não intimou o contribuinte a esclarecer, individualizadamente, os depósitos bancários. O auditor faz mera referencia, vaga e não individualizada, aos lançamentos que intimou o contribuinte para justificar. As intimações foram genéricas e em nenhum dos termos a autoridade fiscal não apontou individualizadamente os depósitos e ingressos bancários de cuja origem se pretendia comprovar. 2) desconsideração do valor recebido pela venda de imóvel. Fl. 1942DF CARF MF Impresso em 08/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 18/12/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 19515.000443/200622 Resolução nº 2202000.613 S2C2T2 Fl. 1.943 4 A prova da alienação de um imóvel é o registro da transação no Registro de Imóveis. A defesa alega que o contribuinte apresentou ao Fisco certidão que demonstra a alienação do bem em questão, pelo valor de R$ 400.000,00, em 28/05/2001. Assim, tal valor deve ser computado como ingresso hábil para justificar e integrar os saldes da movimentação financeira do ano de 2001. Argumenta que comprovada a origem do valor recebido, pode efetuar depósitos em valores parciais a partir de 28/05/2001, data em que a transação com o imóvel foi realizada. Portanto, o valor de R$ 400.000,00 deve ser computado como recurso na movimentação financeira a partir do dia 28/05/2001. 3) erro na apuração mensal dos valores considerados na infração Depósito Bancário de Origem Não Comprovada. No Termo de Verificação Fiscal consta os critérios de apuração e os argumentos utilizados pela autoridade fiscal para determinação do valor do imposto devido pelo contribuinte. Ocorre que a informação do Fisco quanto aos depósitos no Banco ABN Amro Real S/A está equivocada, porquanto a página indicada no Termo de Verificação Fiscal — fls. 1271 — não é a correta, uma vez que os depósitos encontramse relacionados na página 1272, o que gerou uma diferença no valor de R$ 1.533,66. Assim, impugnase os valores constantes do documento 085/2006, tomado como base para, após as deduções consideradas, redundar na tabela "doc. 097/2006", efetivamente utilizada no lançamento de oficio para quantificar a infração Depósito Bancário de Origem Não Comprovada. 4) consideração indevida de créditos relativos a "operação de Desconto" (empréstimo). No documento identificado como doc. 082/2006 (fls. 1353/1357) consta em diversos lançamentos a rubrica "operação de desconto", que, no jargão bancário, significa a operação pela qual o banco empresta valores ao correntista. Em razão do exíguo prazo para uma defesa eficaz, impugnamse valores computados como "operação de desconto", pelo fato de que os mesmos referemse a empréstimos bancários do qual o contribuinte lançou mão durante os anos fiscalizados. Pedido. O contribuinte, ao final, requer que: 1) seja reconhecido o cerceamento do direito de defesa e, por conseguinte, seja anulado o Auto de Infração, ou, ao menos, que seja devolvido integralmente o prazo subtraído ao contribuinte, tendo em vista que a cópia do auto só alcançou o contribuinte no dia 20/04/2006, exatamente cinco dias antes do término do prazo de manifestação do contribuinte; 2) seja declarada a ilegitimidade do ato que alterou o objeto da fiscalização sem a ciência do contribuinte, o que suscitará o reconhecimento da nulidade do lançamento; Fl. 1943DF CARF MF Impresso em 08/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 18/12/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 19515.000443/200622 Resolução nº 2202000.613 S2C2T2 Fl. 1.944 5 3) seja reconhecida e declarada a decadência integral dos períodos de apuração mensais do ano de 2000, declarandose a nulidade da constituição do crédito tributário; Caso não sejam acolhidas as preliminares acima, requer ainda o contribuinte: 1) seja declarado como improcedente o lançamento de oficio decorrentes da infração Depósito Bancário de Origem não Comprovada, uma vez que créditos bancários, não podem sem outros suportes probatórios, serem conceituados como receita tributável; 2) seja computado como recurso legitimo, a ser computado na movimentação financeira do contribuinte, a partir de 28/05/2001, o valor de R$ 400.000,00, auferido com a venda de imóvel; 3) seja desconsiderada a tabela doc. 097/2006, a qual tem por fonte a tabela 085/2006, pleiteandose que seja considerada como matriz a tabela doc. 083/2006, a qual ajustada pelas deduções da tabela 085/2006, chegase aos valores que, em tese, seriam indicativos de eventuais depósitos com origem a comprovar; 4) seja desconsiderado nos valores computados na tabela doc. 082/2006 todos os lançamentos que contenham a rubrica "operação de desconto". Cumpre, ainda, observar que, em reforço às suas alegações, o contribuinte citou em sua impugnação decisões administrativas. Em razão de o contribuinte, em sua impugnação, solicitar devolução do prazo para se utilizar do seu direito de vistas ao processo, uma vez que somente conseguiu ter em mãos o processo para vistas cinco dias antes da data limite para entregar tempestivamente seu arrazoado, o presente processo retornou em diligência A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Administração Tributária em São Paulo para que fosse reaberto o prazo de trinta dias, a contar da ciência de intimação ao contribuinte, para o mesmo apresentar, se achasse conveniente, suas contrarazões ao lançamento (fls. 1.551/1.554). O contribuinte tomou ciência da intimação em 13/08/2010, AR às fls. 1.557 e, em 13/09/2010, apresentou aditamento à sua impugnação, fls. 1.567/1653, a seguir parcialmente transcrito: I DOS FATOS (o contribuinte descreveu minuciosamente os fatos) II— PRELIMINARES DE NULIDADE II.1 — MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL O auto de infração em tela foi lavrado em Mandado de Procedimento Fiscal ineficaz, porque já extinto pelo decurso de seu prazo de validade. Os atos administrativos hão que ser praticados por pessoa investida da competência para praticálos, sob pena de nulidade e, em conseqüência, de não produzirem efeitos entre as partes. (...) (...), para que o auto de infração seja válido, é condição inafastável que tenha sido lavrado por agente fiscal que esteja, naquele momento, investido de poder para tanto. Fl. 1944DF CARF MF Impresso em 08/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 18/12/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 19515.000443/200622 Resolução nº 2202000.613 S2C2T2 Fl. 1.945 6 A Portaria SRF n° 3007, de 26112001, (...), e estabeleceu normas para a execução dos procedimentos de fiscalização, dispondo, em seu artigo 2°, que (...)O MPF é, pois, prérequisito para a instauração de qualquer procedimento fiscal (com as exceções especificadas no artigo 11 da Portaria SRF no 3007/2001), constituindo o instrumento pelo qual o Auditor Fiscal é investido da competência administrativa para realizar uma ação fiscal concreta, relativa a um determinado sujeito passivo. A referida Portaria SRF n°3007/2001 estabelece ainda: (...) Ora, no caso em epígrafe, o Mandado de Procedimento Fiscal (MPF F) de no 08.1.90.002004004751 tinha o prazo de validade até 1407 2004; foram realizadas 11 prorrogações cujas datas de vencimento foram, respectivamente, (...). As mencionadas prorrogações: a) não foram comunicadas ao impugnante que, portanto, não tomou ciência, tampouco recebeu o Demonstrativo de Emissão e Prorrogação dos respectivos Mandados de Procedimentos Fiscais — MPF; b) foram efetuadas após a data de vencimento dos MPF anteriores. Posteriormente, em 24 de março de 2006 (data da ciência do auto de infração), o impugnante foi surpreendido com a lavratura do presente auto de infração fiscal. O auto de infração, lavrado foi assinado pelo mesmo AFRF indicado para a execução dos trabalhos iniciais de fiscalização, ou seja, Aristides Borges Carvalho. Como a autoridade fiscal deixou de atender ao disposto no artigo 13, § 2° da Portaria SRF n° 3007, de 2001 e, estando o MPF extinto pelo decurso de prazo, o Mandado originalmente emitido não mais surtia efeitos, e a competência administrativa especifica por ele atribuida ao Auditor Fiscal também não mais prevalecia. Não se diga que a competência do Auditor Fiscal é exclusivamente aquela que lhe é dada pela lei. A lei atribui, é verdade, a competência genérica para constituição do crédito tributário e, portanto lavratura de auto de infração, ao servidor ocupante do cargo de AFRF. E competência estabelecida no artigo 142 do Código Tributário Nacional. Todavia, existe a competência especifica, esta consubstanciada no MPF regularmente emitido pela autoridade responsável, pela qual a determinado Auditor Fiscal é atribuída a competência para efetuar determinados procedimentos em relação a um determinado sujeito passivo. O auto de infração lavrado, na ausência de MPF válido, é ato praticado por Auditor Fiscal que não detinha a competência administrativa especifica para fazêlo. Sendo este o caso concreto, uma vez que o MPF se extinguira pelo decurso de seu prazo de validade, o auto de infração lavrado contra o Recorrente é nulo de pleno direito, h. vista do disposto no artigo n° 59 do Decreto n° 70.235/72. Fl. 1945DF CARF MF Impresso em 08/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 18/12/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 19515.000443/200622 Resolução nº 2202000.613 S2C2T2 Fl. 1.946 7 II. 2 — REEXAME DE PERÍODO JÁ FISCALIZADO Estando extinto o MPF pelo transcurso do prazo estabelecido no inciso II do artigo 15 da Portaria n° 3.007, de 2001 (...) e, conseqüentemente, o procedimento de fiscalização aplicado ao contribuinte, somente sera possível novo exame mediante ordem escrita, conforme previsão contida no artigo n° 906, do RIR/99 (...), adiante transcrito: Portanto, extinto o MPFF, sem a ciência do contribuinte, e pela não substituição do AFRF responsável, extinta está a verificação fiscal iniciada sem novo MPF e, conseqüentemente a fiscalização reputase definitivamente encerrada. Seria admissível a continuidade se a administração emitisse novo MPFF e com novos AFRFB, fato não ocorrido assim, não cabe uma refiscalização, pois esta deve respeitar o que determina o artigo n° 906 do RIR/99, aprovado pelo Decreto n° 3000/99. Dessa forma, protesta o impugnante pela nulidade da ação fiscal, por desrespeito as determinações estabelecidas pelos Decretos n° 70.235 de 1972 (PAF) e 3.000/99 (RIR/99), e da Portaria SRF n° 3.007, de 2001 (atualmente Portaria SRFB n°11.371, de 2007). É farta a jurisprudência administrativa a respeito do tema em tela, a saber: (...) II.3 — VÍCIO FORMAL (...) Em seu Termo de Verificação Fiscal a autoridade fiscal autuante relata: (...) comuniquese a DIPAC deste DEFIC sobre despesas que não foram analisadas nesta fiscalização (...) Assim procedendo a autoridade fiscal autuante incorreu em erro de fato, ou erro material na quantificação da base de calculo dos tributos por desconsiderar deduções que influenciariam na redução da base de cálculo e, conseqüentemente, do montante devido, bem como, pela imputação de penalidade indevida, ou seja, aplicação de multa isolada em conjunto com multa de oficio (multa proporcional), incidentes sobre a mesma base de calculo. Estes erros não podem se transformar em fato gerador de obrigações tributárias, como deseja a mencionada autoridade. (...) (...) Os fatos mencionados neste subitem caracterizam erro de fato na elaboração do auto de infração no que e refere à determinação do quantum debateur (base de cálculo) e, conseqüentemente, do montante dos tributos lançados. Às fls. 1446 de seu Termo de Verificação Fiscal a autoridade fiscal autuante relata: "(...) Já que as informações trazidas pela DIRPF's retificadoras são aceitas, também são consideradas as despesas lançadas, fls. 1369, 1378 e 1386, porém destaquese que esses valores não foram objeto de análise, uma vez que não são o foco principal da operação movimentação financeira incompatível (...)"No item n° 4.7.10.4 e seus Fl. 1946DF CARF MF Impresso em 08/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 18/12/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 19515.000443/200622 Resolução nº 2202000.613 S2C2T2 Fl. 1.947 8 subitens a autoridade fiscal autuante analisa o depósito no valor de R$ 400.000,00, relativo à alienação de um apartamento do contribuinte. Após afirmar que na escritura podese confirmar a operação e o valor da transação, declara: "Contudo não é possível encontrar nenhum depósito no montante de R$ 400.000,00 ou valor aproximado, (...). Destarte, (...) o produto da venda não foi percebido pelas contas do contribuinte, assim não é possível reduzir esse montante de sua movimentação financeira". Por sua vez, o artigo 845, § 1° do RIR199 (...) dispõe: (...) Computado o valor da transação imobiliária como depósito sem origem, houve dupla tributação sobre a mencionada importância a primeira como ganho de capital na transação e a segunda como suposto depósito de origem não comprovada. Como o contribuinte prestou os esclarecimentos e apresentou a prova da alienação, a autoridade fiscal deveria investigar em detalhes a operação e não simplesmente desconsiderála. E farta a jurisprudência administrativa relativa à matéria, a saber: (. ..) A autoridade fiscal autuante relatou, ainda, em seu termo de Verificação Fiscal que o contribuinte poderia deduzir no livro caixa, a remuneração paga a terceiros, bem como, os encargos trabalhistas e previdenciários e as despesas de custeio pagas, necessárias à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora. A dedução em tela está prevista no artigo 75 do RIR199, porém, a autoridade fiscal resolveu inovar ao relatar no mencionado Termo: "(...); então encerrase essa auditoria sem análise das despesas alegadas. (...)". Eis, mais uma série de erros que, sem dúvida alguma, comprovam vicio de forma na apuração da base de cálculo do tributo. Cabe destacar, por pertinente, que erros na apuração da base de calculo do tributo não tem o condão de se transformar em fato gerador de tributos como deseja a autoridade fiscal autuante. (...) II.4 — DECADÊNCIA DO DIREITO DE LANÇAR Outro fato não levado em consideração pela autoridade fiscal autuante referese ao prazo decadencial para o lançamento por homologação previsto no artigo 150 da Lei n°5.172, de 25101996 (Código Tributário Nacional), pois as supostas movimentações financeiras que originaram o auto de infração fiscal foram realizadas no decorrer dos anos calendário 2000 a 2002, assim, em obediência ao § 4° do artigo 150 do CTN o lançamento tributário somente poderia alcançar fatos geradores ocorridos a partir de 24032001. II.4.1 — IRPF — LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO (. ..) Fl. 1947DF CARF MF Impresso em 08/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 18/12/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 19515.000443/200622 Resolução nº 2202000.613 S2C2T2 Fl. 1.948 9 II.4.2 — PRAZO DECADENCIAL DO LANÇAMENTO II.4.3 — JURISPRUDÊNCIA DO CONSELHO DE CONTRIBUINTES E DA CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS (...) é entendimento pacifico no âmbito do Conselho de Contribuintes que o IRPF é um tributo cujo lançamento se faz por homologação, e que seu prazo decadencial corresponde a 5 (cinco) anos, a contar da data da ocorrência do fato gerador. (...) II.4.4 — CONCLUSÕES SOBRE A DECADÊNCIA Com relação ao anteriormente exposto, podese concluir, sem sombra de dúvidas, que: 1°) Em relação ao imposto de renda das pessoas físicas, o pagamento é feito pelo sujeito passivo sem prévio exame da autoridade administrativa, inclusive o valor do saldo de imposto a pagar apurado na declaração de ajuste a que se refere o artigo n° 85 do RIR/99; 2°) por essa razão, o IRPF não se enquadra na modalidade de lançamento por declaração, como era antigamente, mas sim de lançamento por homologação. Essa posição é defendida, também por grandes juristas brasileiros, especialistas em Direito Tributário, tais como LUCIANO DA SILVA AMARO e outros, citados na presente impugnação; 3°) por ser imposto cujo lançamento é por homologação, não se aplica ao IRPF o prazo decadencial previsto no artigo n° 173, inciso I, do Código Tributário Nacional; 4° o prazo decadencial para impostos cujo lançamento se faz por homologação é de 5 (cinco) anos, contados da data da ocorrência do fato gerador, conforme preceitua o artigo n° 150, § 40, do Código Tributário Nacional; 5°) como o auto de infração foi lavrado em 17032006 (ciência ao contribuinte em 24032006), o direito de lançar crédito tributário já estaria caduco para o anocalendário de 2000, bem como, para os três primeiros meses do anocalendário de 2001. Argúi, portanto, o recorrente, preliminarmente, a decadência do direito de constituição do crédito tributário em relação ao período supra mencionado. II.5 — IRRETROATIVIDADE DAS LEIS O procedimento adotado pela autoridade fiscal, impondo ao contribuinte um auto de infração com base na sua movimentação bancária informada à Secretaria da Receita Federal por instituições financeiras, com fundamento no art. 11, § 2°, da Lei n° 9.311, de 24101996, que teve sua redação modificada pela Lei n° 10.174, de 09.01.2001 — está eivado de ilegalidades e deve, por essa razão, ser anulado. (...) (...). O que causa espécie, entretanto, é a Receita Federal querer utilizar essa permissão para constituir créditos tributários em períodos anteriores A entrada em vigor desses dispositivos legais, quando vigia Fl. 1948DF CARF MF Impresso em 08/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 18/12/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 19515.000443/200622 Resolução nº 2202000.613 S2C2T2 Fl. 1.949 10 a anterior redação do mesmo, que vedava taxativamente esse procedimento. Tratase aí de um caso de retroatividade da lei tributária, que é expressamente vedado pelo art. 5°, inciso XXXVI, e também pelo artigo 150, inciso III, alínea a, da Constituição Federal de 1988. (...) Destarte, o procedimento adotado pela Receita Federal não encontra suporte no arcabouço jurídico de nosso pais, já que aqui há vedação constitucional à irretroatividade das leis. (...) Incorreu em erro, portanto, a autoridade fiscal ao se estribar em procedimentos que seriam válidos para aplicação, somente, a fatos geradores ocorridos a partir de 01 de janeiro de 2002, com a finalidade de constituir pretenso crédito tributário relativo a fatos geradores ocorridos nos anoscalendário de 2000 e 2001. Para dar segurança jurídica ao contribuinte é que existe o principio da irretroatividade da lei tributária, conforme sobejamente demonstrado. Afigurase, portanto, A impugnante que o presente auto de infração está viciado em suas origens, já que fruto de um dispositivo legal aplicado irregularmente de forma retroativa, devendo, por essa razão, ser anulado, por incompatível com o ordenamento jurídico nacional. (...) II.6 — PROVA OBTIDA POR MEIO ILÍCITO O procedimento do Fisco Federal, ao se valer do cruzamento da CPMF para imaginar disponibilidade econômica incompatível com a renda declarada ou por intermédio dos extratos bancários do contribuinte obtidos junto As instituições financeiras, e dai concluir pela omissão de receita, caracteriza a produção da prova ilícita, que o Direito abomina. Deveras. A jurisprudência considera contaminadas todas as demais provas que tenham como ponto de partida prova ilícita ou prova obtida por meios inidôneos. (...) (...) Na hipótese vertente, guardada as devidas proporções, a questão é similar: a autoridade impetrada adota procedimento de intimar a instituição financeira a fornecer a movimentação bancária do impugnante violando a Constituição Federal e ignorando rígidos princípios que norteiam o sistema jurídico nacional. Logo sendo a prova ilícita, tudo o mais que dela se origina, ou decorra sera de todo imprestável (...) (...) A quebra do sigilo bancário somente poderia ocorrer por ordem judicial (a chamada reserva de jurisdição) devidamente fundamentada, e para fins de investigação criminal ou instrução em processo penal, Fl. 1949DF CARF MF Impresso em 08/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 18/12/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 19515.000443/200622 Resolução nº 2202000.613 S2C2T2 Fl. 1.950 11 mas desde que existam indícios suficientes, adrede comprovados, para autorizar o sacrifício de tão relevante garantia constitucional. (...). A Secretaria da Receita Federal do Brasil havia disponibilizado ao seu servidor toda a movimentação bancária do contribuinte. O impugnante foi intimado a justificar os depósitos constantes em relação fornecida pela SRFB à autoridade fiscal; assim, a intimação da autoridade fiscal para que o contribuinte fornecesse seus extratos teria o condão de procurar evitar a nulidade da autuação fiscal e possibilitar a elaboração do Termo de Embaraço, objetivando manter autuação fiscal decaída pelo prazo estabelecido no artigo 150, § 4° do CTN. Assim, entendemos ser inaceitável, injustificada e nula de pleno direito a quebra do sigilo bancário do impetrante por simples procedimento de requisição junto aos estabelecimentos bancários, quando não comprovada a existência de qualquer tipo de crime, ainda que o contribuinte tenha fornecido A. autoridade fiscal os extratos de suas contas bancárias. Cabe destacar, ainda, por ser pertinente à matéria que o artigo 6° da LC n°105, de 2001, foi regulamentado pelo Decreto n°3.724, de 2001 e, posteriormente, o Decreto n° 4.489, de 28112002. Esses Decretos regulam o fornecimento das informações periódicas a que se refere o artigo 5° da mencionada Lei Complementar; não obstante essa legislação e sua correspondente regulamentação, a matéria em exame não se sustenta, pois ofende aos incisos X e XII, do artigo 5° da Constituição Federal de 1988 que trata da garantia da intimidade e do sigilo de dados. (...) II.7 — CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA O auto de infração fiscal referese a procedimento de fiscalização do IRPF, relativo aos anoscalendário de 2000 a 2002, exercícios de 2001 a 2003, destinado inicialmente a verificar o cumprimento das obrigações tributárias por parte do contribuinte. (...) A 1ª Turma da DRJ/FORTALEZA/CE após a análise do questionamento sobre o cerceamento do direito de defesa, bem como, sobre trecho de impugnação que trata do assunto, através da Intimação n°1672/2010, declara: "É facultado apresentar "contra razões ao lançamento", nos termos da Diligência em anexo, (...). Na diligência anexa à Intimação n° 1672/2010, a autoridade fiscal relata, ainda: "(...). Assim, não pode ocorrer previamente à lavratura de atos ou termos, entre os quais se inclui o auto de Infração. (...)". Estes fatos, por si só, configuram cerceamento de direito de defesa e, ao contrário do que afirma a autoridade fiscal da 1ª Turma da DRJ/FOR, os fatos ocorreram após a lavratura do auto de infração fiscal e durante uma préimpugnação já que o contribuinte não Fl. 1950DF CARF MF Impresso em 08/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 18/12/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 19515.000443/200622 Resolução nº 2202000.613 S2C2T2 Fl. 1.951 12 dispunha de meios para realizála de maneira adequada. Tanto é verdade que através da ciência da Diligência n° 1.940 da 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Fortaleza/CE, foi devolvido o prazo para tomar vistas no processo e apresentar as "contra razões ao lançamento" no prazo de 30 dias, contados do recebimento da Intimação n° 1672/2010 da DERAT/SP (DICAT/EQCOB). Já na parte final da análise da préimpugnação do contribuinte (Fls. 1554) a autoridade fiscal da DRJ relata: " ... solicito que a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Administração Tributária em São Paulo — Derat — realize diligência, no sentido de reabrir o prazo de trinta dias, a contar da ciência de intimação ao contribuinte, para o mesmo apresentar, se achar conveniente, suas contrarazões ao lançamento". Por que reabrir o prazo para apresentar contrarrazões se não houve cerceamento do direito de defesa? 11.8 — INTERPRETAÇÃO BENIGNA Lembramos, por derradeiro, que a dúvida não pode beneficiar o fisco. Se não há resposta segura para inevitáveis indagações que surgem da análise das operações praticadas pelo contribuinte, é de se aplicar à norma inserida no artigo 112 do Código Tributário Nacional, assim redigido: (...) III — DO MÉRITO Embora seja certo que a eminente autoridade julgadora declarará nulo o presente auto de infração pelas razões de fato e de direito anteriormente expostas, ad argumentandum tantum, serão examinadas as que mostram a inexistência de qualquer fato gerador do tributo, cabível de imposição tributária pela autoridade fiscal. III. I — DEPÓSITOS BANCÁRIOS Cabe à fiscalização a efetiva prova de omissão de receitas, não sendo elemento bastante e suficiente para a configuração do ilícito o simples cotejo de declaração e/ou informações prestadas pelo contribuinte. Como é sabido a exigência fiscal do tributo não pode estar assentada unicamente em extratos ou comprovantes de depósitos bancários, porque estes por si só não constituem, na realidade, fato gerador do imposto de renda, porquanto não caracterizam disponibilidade econômica e jurídica de renda ao abrigo do que dispõe o artigo 43 da Lei n°5.172, de 1966 (...). Assim, é ilegítimo e nulo de pleno direito o lançamento com base em extratos e depósitos bancários, quando não demonstrada qualquer relação entre os valores depositados e supostas receitas auferidas e não declaradas. É farta a jurisprudência administrativa e judicial a respeito da matéria em tela (...) Assim, de acordo com a jurisprudência citada, é ilegítimo e nulo de pleno direito o lançamento com base em extratos e depósitos Fl. 1951DF CARF MF Impresso em 08/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 18/12/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 19515.000443/200622 Resolução nº 2202000.613 S2C2T2 Fl. 1.952 13 bancários, quando não demonstrada qualquer relação entre os valores depositados e supostas receitas auferidas e não declaradas. Em conseqüência, a própria administração tributária federal se viu obrigada a editar ato legal anulando processos e autuações tributárias baseadas exclusivamente em depósitos bancários, determinando inclusive o arquivamento de autos e execuções fiscais assim constituídas (Art. 9°, inciso VII do Decretolei n°2.471, de 1988). É verdade que, posteriormente, o Poder Executivo prolatou outro dispositivo legal sobre depósitos, o artigo 42 da lei n° 9.430, de 1996. Entretanto, o impugnante não vê motivos para que processos com base no artigo 42 da Lei n° 9.430, de 1996 venham a ter melhor sorte no Egrégio Conselho de Contribuintes que os processos instaurados com base no art. 6° da Lei n° 8.021 de 1990. Deveras, o Fisco continua não demonstrando, nos processos atuais, o nexo causal entre os depósitos e a renda omitida pelo contribuinte autuado, que foi o motivo determinante da anulação, pela própria administração federal, dos processos baseados no artigo 6° da Lei n° 8.021, de 1990, em virtude da forte oposição demonstrada pelo Conselho de Contribuintes. Tem certeza, portanto, a recorrente que o Egrégio Conselho, dada a solidez do seu entendimento formado em torno do art. 6° da Lei n° 8.021/90, adotará idêntica postura em relação ao atual art. 42 da Lei n° 9.430/96, uma vez que as razões que motivaram a rejeição ao primeiro diploma legal subsistem para que o segundo tenha igual tratamento. São dispositivos que encorajam a preguiça da autoridade fiscal, que se julga dispensada de qualquer trabalho visando provar a correlação entre o depósito e a renda omitida pelo contribuinte. No presente processo, a autoridade fiscal em nenhum momento conseguiu provar indubitavelmente a relação entre a movimentação financeira do contribuinte e renda por este percebida, que, conforme sobejamente demonstrado, é condição necessária para que prevaleça o crédito tributário por ela constituído. III.2 — JUSTIFICATIVAS DOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS O contribuinte apresentou diversas razões para a sua movimentação bancária, porém, todas foram ignoradas pela autoridade fiscal, pois, não interessavam ao foco principal da operação. Estranho essa afirmação, contudo ela vem corroborada em diversas partes do texto do Termo de Verificação Fiscal a saber: "4.6.13. Já que as informações trazidas pela DIRPF's retificadoras são aceitas, também são consideradas as despesas lançadas, fls. 1369, 1378 e 1386, porém destaquese esses valores não foram objeto de análise, uma vez que não são o foco principal da operação movimentação financeira incompatível, no entanto, sugerese comunicar a DIPAC desta DEF1C sobre as despesas que não foram analisadas nesta fiscalização para que avalie o interesse e oportunidade de se determinar nova fiscalização especificamente sobre as despesas não comprovadas". Fl. 1952DF CARF MF Impresso em 08/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 18/12/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 19515.000443/200622 Resolução nº 2202000.613 S2C2T2 Fl. 1.953 14 No item n°4.7.10.4 e seus subitens a autoridade fiscal autuante analisa o depósito no valor de R$ 400.000,00 ou valor aproximado, nem em data próxima, nem em qualquer outra sob o período fiscalizado. Destarte, sem depósito equivalente à venda, fica irrefragável que o produto da venda não foi percebido pelas contas do contribuinte, assim não é possível reduzir esse montante de sua movimentação financeira". Ora, se o contribuinte recebe de seus clientes valores relativos às despesas com próteses dentárias, dentaduras, implantes e tantos outros gastos cujos valores representam receitas de terceiros é evidente que tais valores transitam por suas contas bancárias, porém, como a análise de tais fatos não interessava a autoridade fiscal ela simplesmente abandonou as justificativas por entender não serem o foco de seu trabalho. Estranho, muito estranho! III.3 — MULTA EXIGIDA ISOLADAMENTE (...) A aplicação de multa isolada em conjunto com a multa de oficio ou multa proporcional, não pode prosperar, pois, nessa hipótese, cumulada com a multa de oficio incidente sobre a falta ou insuficiência no recolhimento do tributo mensal (carnêleão), pois as bases de cálculo das penalidades são as mesmas, ou seja, as duas possuem a mesma base de cálculo, o que provoca erro na quantificação do valor devido e, conseqüentemente, vicio de forma na aplicação concomitante das referidas multas assim, a imputabilidade da multa genérica exclui as multas isoladas, sob pena de se impor dupla penalização sobre um mesmo fato gerador, não admitida pelo ordenamento jurídico nacional. (...) III.4 DENÚNCIA ESPONTÂNEA (...) A denúncia espontânea ficou configurada na própria autuação fiscal, pois, a autoridade tributária relatou em diversos itens de seu Termo de Verificação Fiscal que aceitou os valores apurados e declarados pelo impetrante nas DIRPF dos exercícios de 2001 a 2003. (...) IV DOS JUROS CALCULADOS PELA TAXA SELIC Não bastasse a impropriedade das exações impostas, sobre o tributo lançado foi acrescida à cobrança de exorbitantes juros, calculados pela taxa denominada SELIC. O artigo 161 do Código Tributário Nacional estipula que o crédito tributário não pago no vencimento será acrescido de juros de mora, calculados A taxa de 1% "se a lei não dispuser de modo diverso". Para esse fim, não se prestam os juros denominados SELIC. Primeiro, por inexistência de legislação que defina essa taxa. (...) Segundo, porque a taxa dita SEL1C é taxa remuneratória de capital e não pode ser exigida como juros de mora. (...) Por conseqüência, ainda que julgada pertinente a absurda exigência fiscal, o que se admite apenas para argumentar, os juros cobrados não poderiam superar o percentual de 1% ao mês. Fl. 1953DF CARF MF Impresso em 08/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 18/12/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 19515.000443/200622 Resolução nº 2202000.613 S2C2T2 Fl. 1.954 15 V ANEXOS (...) VI— REQUERIMENTO O recorrente, à vista de todo o exposto, com a devida vênia, solicita à eminente autoridade julgadora que declare a nulidade do presente auto de infração, em razão de todas as argumentações declinadas no presente recurso administrativo. Caso, entretanto, por absurdo, a decisão de V.Sas., seja pela validade do mesmo, o impugnante requer sejam feitas todas as correções apontadas no item III DO MÉRITO E IV TAXA SELIC da presente impugnação administrativa. O contribuinte, novamente, em reforço as alegações apresentadas no aditamento à impugnação, citou em sua impugnação doutrina de renomados juristas e decisões administrativas. É o relatório. A Primeira Turma da DRJ/FOR, por unanimidade de votos, julgou procedente em parte a impugnação, reduzindo a multa exigida isoladamente de 75% para 50%, cujo acórdão (fls. 1.797 a 1.836) foi assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2000, 2001 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Para os fatos geradores ocorridos a partir de 1° de janeiro de 1997, o art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996, autoriza a presunção legal de omissão de rendimentos com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo. ÔNUS DA PROVA. Se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a prova da origem dos recursos utilizados para acobertar seus depósitos bancários. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano calendário: 2000, 2001, 2002 MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL A partir da edição da Portaria SRF n° 3.007, de 2001, o MPF passou a ser prorrogado mediante registro eletrônico sem a necessidade de se dar ciência ao sujeito passivo sobre o fato. O conhecimento da prorrogação do MPF pelo contribuinte ocorre por iniciativa deste, mediante acesso página da SRF na "Internet", com a utilização do código de acesso do procedimento fiscal, ou quando da pratica de algum ato de oficio pela autoridade fiscal, oportunidade na qual é fornecido o Demonstrativo de Emissão e Prorrogação do MPF. APLICAÇÃO DA LEI NO TEMPO. LEI COMPLEMENTAR N° 105, DE 2001, E LEI N° 10.174, DE 2001. Aplicase ao lançamento a legislação que, posteriormente a ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processo de fiscalização, ampliando os poderes de investigação das autoridades administrativas. Fl. 1954DF CARF MF Impresso em 08/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 18/12/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 19515.000443/200622 Resolução nº 2202000.613 S2C2T2 Fl. 1.955 16 QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO. LEI COMPLEMENTAR N° 105/2001. REGULARIDADE. É legal o procedimento fiscal embasado em documentação obtida mediante quebra do sigilo bancário, quando efetuada com base e estrita obediência ao disposto na Lei Complementar n° 105 e Decreto n° 3.724, ambos de 2001. DECADÊNCIA. O lançamento de tributo é procedimento exclusivo da autoridade administrativa. Tratandose de lançamento de oficio o prazo de cinco anos para constituir o crédito tributário é contado do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Tratandose de tributação de fatos geradores que se completam em trinta e um de dezembro do anocalendário, coin apuração do imposto devido na declaração de ajuste anual, incabível cogitar em prazo decadencial contado do fato gerador mensal. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o inicio de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. MULTA DE OFÍCIO. A multa aplicável no lançamento de oficio prevista na legislação tributária é de 75%, por descumprimento à obrigação principal instituída em norma legal, e somente por disposição expressa de lei a autoridade administrativa poderia deixar de aplicála. CONCOMITÂNCIA ENTRE MULTA DE OFÍCIO E MULTA ISOLADA. Nada obsta que se aplique a multa de oficio e a multa isolada por se referirem a diferentes infrações cometidas. MULTA EXIGIDA ISOLADAMENTE. REDUÇÃO. Impõese reduzir a multa exigida isoladamente aplicada no percentual de 75%, para o percentual de 50%, em decorrência do principio da retroatividade benigna da lei tributária. JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC. A cobrança de débitos para com a Fazenda Nacional, após o vencimento, acrescidos de juros moratórios calculados com base na taxa referencial do Selic, decorre de expressa disposição legal. DECISÕES ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. As decisões administrativas não se constituem em normas gerais, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência, senão àquela objeto da decisão. Fl. 1955DF CARF MF Impresso em 08/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 18/12/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 19515.000443/200622 Resolução nº 2202000.613 S2C2T2 Fl. 1.956 17 ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2000, 2001, 2002 NULIDADE. Somente ensejam a nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidas por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Se o autuado revela conhecer as acusações que lhe foram imputadas, rebatendoas de forma meticulosa, com impugnação que abrange questões preliminares como também razões de mérito, descabe a proposição de cerceamento do direito de defesa. Estando os atos administrativos, consubstanciadores do lançamento, revestidos de suas formalidades essenciais, não se há que falar em nulidade do procedimento fiscal e cerceamento do direito de defesa. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido em Parte Cientificado pessoalmente da decisão de primeira instância em 21 de junho de 2011 (fl. 1.853), o contribuinte interpôs recurso voluntário em 15 de julho de 2011 (fls. 1.859 a 1.913), no qual reitera os argumentos da impugnação e acrescenta os seguintes: ao tomar ciência do acórdão da DRJ, constatou nos DARFs anexos a cobrança de juros sobre as multas (isolada e de ofício). Porém, tal exigência é ilícita e ilegal, pois não existe lei que a estabeleça; devem ser aplicadas as disposições contidas no art. 62A da Portaria MF nº 256/2009 (Regimento Interno do CARF) e o julgamento deve ser sobrestado, em razão da decisão proferida pelo STF no Recurso Extraordinário nº 389.808PR, sobre o afastamento do sigilo de dados; solicita a apresentação posterior de provas que se fizerem necessárias, pois depende do fornecimento de terceiros (instituições bancárias, justiça, contador e outros) e não foi possível coletar os documentos no exíguo prazo de 30 dias; requer a comunicação da data do julgamento para providenciar a sustentação oral junto à Câmara de julgamento. É o relatório. Voto Conselheiro Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Relator O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade. Portanto, merece ser conhecido. Tratase de Auto de Infração que imputou ao contribuinte a infração de omissão de rendimentos caracterizado por depósitos bancários com origem não comprovada, cujo lançamento foi realizado com base no art. 42 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, que estabeleceu uma presunção legal de omissão de rendimentos, determinando que estão sujeitos ao lançamento de ofício os valores creditados em conta de depósito ou de investimento, Fl. 1956DF CARF MF Impresso em 08/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 18/12/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 19515.000443/200622 Resolução nº 2202000.613 S2C2T2 Fl. 1.957 18 mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais a pessoa física, regularmente intimada, não comprove a origem dos recursos utilizados nessas operações. Inicialmente cabe analisar o pedido do recorrente para intimação dos patronos para sustentação oral na sessão de julgamento. Não há previsão legal para tal, porém o § 1º do art. 55 do Anexo II, do Regimento Interno do CARF (RICARF) dispõe que a pauta de julgamento deve ser publicada no Diário Oficial da União com dez dias de antecedência, bem como no sítio da internet do CARF, sendo perfeitamente possível ao patrono do autuado acompanhar tais publicações para, caso lhe aprouver, formular sustentação oral na sessão de julgamento. Em casos anteriores que envolviam a situação em apreço, este julgador havia votado no sentido de não analisar a questão da falta de intimação dos cotitulares das contas correntes conjuntas, quando não tivesse sido expressamente contestada pelo impugnante. No entanto, analisando a jurisprudência do CARF e melhor refletindo sobre a matéria, passei a entender que a ausência de intimação do cotitular durante a ação fiscal dá ensejo ao cancelamento do lançamento, quanto às contas conjuntas, ainda que não tenha sido suscitada pelo recorrente. É que a prévia intimação aos cotitulares de contas conjuntas constitui inafastável exigência de lei, por influenciar diretamente a base material da presunção legal. A intimação apenas de um titular fragiliza o lançamento, por ancorálo em presunção de não justificativa, por todos, da origem dos créditos bancários, sendo que a própria renda já é presumida. A omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada é decorrente de uma presunção legal. Todavia, para que se valide essa presunção, o lançamento devese conformar aos moldes da lei. O caput do art. 42, da Lei n° 9.430/96, dispõe que a omissão de rendimentos se caracteriza quando o titular da conta, regularmente intimado, não comprova a origem dos recursos creditados. Logo, no caso de contacorrente conjunta, tornase imprescindível que todos os titulares sejam intimados a comprovar a origem dos depósitos. Nas contascorrentes mantidas em conjunto, presumese, obviamente, que os titulares possam dela se utilizar para crédito/depósito dos seus próprios rendimentos e a movimentação dos recursos financeiros pode ser feita por todos os titulares. Portanto, a responsabilidade pela comprovação da origem dos recursos, para efeito do disposto no artigo 42, da Lei nº 9.430/96, deve ser imputada a todos os titulares da contacorrente. No caso concreto, inferese, conforme documentos constantes nos autos, que haveria contas conjuntas. Porém, não há provas nos autos de que os cotitulares dessas contas foram intimados a prestar os esclarecimentos sobre a referida movimentação bancária. Diante dos fatos, tendo em vista a documentação acostada, bem como para que não reste qualquer dúvida no julgamento, entendo que o processo ainda não se encontra em condições de ter um julgamento justo, razão pela qual voto no sentido de ser convertido em diligência para que a repartição de origem adote as seguintes providências: 1) Informe as contascorrentes que são conjuntas; Fl. 1957DF CARF MF Impresso em 08/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 18/12/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 19515.000443/200622 Resolução nº 2202000.613 S2C2T2 Fl. 1.958 19 2) anexe ao processo a prova de que os cotitulares das contas conjuntas foram regularmente intimados a comprovar a origem dos recursos objeto da autuação; 3) elabore uma planilha com os totais mensais dos depósitos/créditos, os quais foram objeto deste lançamento, referentes às contas conjuntas em que porventura não tenha ocorrido a regular intimação dos cotitulares; 4) dê vista ao Recorrente, com prazo de 30 (trinta) dias para, querendo, se pronunciar. Após vencido o prazo, os autos deverão retornar a esta Turma para inclusão em pauta de julgamento. É como voto. Assinado digitalmente Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Relator Fl. 1958DF CARF MF Impresso em 08/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 18/12/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA
score : 1.0
Numero do processo: 10882.722962/2011-50
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Jan 25 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Mar 15 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006
NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
A declaração de nulidade de atos processuais depende da demonstração do efetivo prejuízo, o que não restou comprovado neste processo.
CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA.
Não ocorre cerceamento de defesa quando o lançamento está revestido de todos requisitos legais e o contribuinte tem a garantia do contraditório e a plenitude do direito de defesa.
JUROS DE MORA. TAXA SELIC. APLICAÇÃO À COBRANÇA DE TRIBUTOS.
É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
MULTA DE MORA. PREVISÃO LEGAL.
Sobre as contribuições sociais em atraso incide multa de mora, conforme legislação vigente à época dos fatos geradores.
Recurso Voluntário Negado
Crédito Tributário Mantido
Numero da decisão: 2201-002.750
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto Mees Stringari
Relator
(assinado digitalmente)
Heitor de Souza Lima Júnior
Presidente
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR (Presidente), EDUARDO TADEU FARAH, IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, MARIA ANSELMA COSCRATO DOS SANTOS (Suplente convocada), CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, CARLOS CESAR QUADROS PIERRE e ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201601
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006 NULIDADE. INOCORRÊNCIA. A declaração de nulidade de atos processuais depende da demonstração do efetivo prejuízo, o que não restou comprovado neste processo. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não ocorre cerceamento de defesa quando o lançamento está revestido de todos requisitos legais e o contribuinte tem a garantia do contraditório e a plenitude do direito de defesa. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. APLICAÇÃO À COBRANÇA DE TRIBUTOS. É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. MULTA DE MORA. PREVISÃO LEGAL. Sobre as contribuições sociais em atraso incide multa de mora, conforme legislação vigente à época dos fatos geradores. Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Mar 15 00:00:00 UTC 2016
numero_processo_s : 10882.722962/2011-50
anomes_publicacao_s : 201603
conteudo_id_s : 5574553
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Mar 15 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 2201-002.750
nome_arquivo_s : Decisao_10882722962201150.PDF
ano_publicacao_s : 2016
nome_relator_s : CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
nome_arquivo_pdf_s : 10882722962201150_5574553.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Carlos Alberto Mees Stringari Relator (assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Júnior Presidente Participaram do presente julgamento, os Conselheiros HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR (Presidente), EDUARDO TADEU FARAH, IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, MARIA ANSELMA COSCRATO DOS SANTOS (Suplente convocada), CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, CARLOS CESAR QUADROS PIERRE e ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ.
dt_sessao_tdt : Mon Jan 25 00:00:00 UTC 2016
id : 6309880
ano_sessao_s : 2016
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:46:02 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048122132791296
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1879; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T1 Fl. 2 1 1 S2C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10882.722962/201150 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2201002.750 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 25 de janeiro de 2016 Matéria CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS Recorrente ARCOLIMP SERVIÇOS GERAIS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006 NULIDADE. INOCORRÊNCIA. A declaração de nulidade de atos processuais depende da demonstração do efetivo prejuízo, o que não restou comprovado neste processo. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não ocorre cerceamento de defesa quando o lançamento está revestido de todos requisitos legais e o contribuinte tem a garantia do contraditório e a plenitude do direito de defesa. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. APLICAÇÃO À COBRANÇA DE TRIBUTOS. É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. MULTA DE MORA. PREVISÃO LEGAL. Sobre as contribuições sociais em atraso incide multa de mora, conforme legislação vigente à época dos fatos geradores. Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 72 29 62 /2 01 1- 50 Fl. 191DF CARF MF Impresso em 15/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 4/03/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 14/03/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR 2 ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Carlos Alberto Mees Stringari Relator (assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Júnior Presidente Participaram do presente julgamento, os Conselheiros HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR (Presidente), EDUARDO TADEU FARAH, IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, MARIA ANSELMA COSCRATO DOS SANTOS (Suplente convocada), CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, CARLOS CESAR QUADROS PIERRE e ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ. Fl. 192DF CARF MF Impresso em 15/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 4/03/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 14/03/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR Processo nº 10882.722962/201150 Acórdão n.º 2201002.750 S2C2T1 Fl. 3 3 Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra Decisão da Delegacia da Secretaria da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campinas, Acórdão 0538.284 da 7ª Turma, que julgou a impugnação improcedente. O lançamento e a impugnação foram assim relatadas no julgamento de primeira instância: Fundamentos do lançamento fiscal Constitui objeto do presente processo o lançamento fiscal DEBCAD 37.317.7011, relativo às contribuições previdenciárias de segurados (sobre o décimo terceiro de 2006), cuja responsabilidade de arrecadação é do empregador, mediante desconto na remuneração de seus empregados. Consta do Relatório Fiscal que o lançamento deuse com base nos seguintes fundamentos: 2.5. Para constituição dos créditos, foi tomado como referência os valores encontrados nas Folhas de Pagamento, devidamente contabilizados na Escrituração Contábil, os quais foram confrontados com os valores declarados em GFIP. Quanto às multas aplicadas o Relatório Fiscal esclarece que: 4.8.2. Considerando que o período fiscalizado, 01/2006 a 12/2006, é anterior a nova disciplina normativa inserida pela Medida Provisória n. 449, de 03/12/2008, convertida na Lei n. 11.941, de 27/05/2009, e considerando o disposto no inciso II do art. 106 do CTN, foi apurada a multa do Código de Fundamentação Legal CFL 68 (Art. 32, §5° da Lei 8.212/91) e somada á multa de mora de 24% (Art. 35, II, da Lei 8.212/91) incidente sobre os valores não declarados. A somatória foi comparada à atual multa de ofício de 75% (fundamentação da infração a partir de 03/12/2008, art. 44, I da Lei 9.430/96). 4.8.3. Considerando os valores não declarados a cargo da empresa e dos segurados a comparação mostrou que a penalidade mais benéfica para o sujeito passivo é a multa prevista no CFL 68, que já está sendo cobrada no Auto de Infração Debcad n° 37.317.7020 emitido nesta mesma data e é parte integrante do processo Comprot n° 10882.721940/2011 72. Segue, então, ainda no Relatório Fiscal, um quadro que demonstra como foram comparadas e obtidas as multas aplicadas, por competência. Fl. 193DF CARF MF Impresso em 15/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 4/03/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 14/03/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR 4 Fundamentos da Impugnação O Contribuinte apresentou Impugnação (fls. 92/109), nos seguintes termos, em síntese: 1. Invoca o princípio da “verdade material”, para defender que: Acima de tudo, caberia à d. fiscalização, para caracterizar a ocorrência do fato gerador e identificar seu quantum, examinar detidamente os livros contábeis e as retenções e recolhimentos efetuados pela empresa. Entretanto, a d. fiscalização não demonstra, nem traz aos autos, evidências de que os valores apontados no auto de infração teriam sido efetivamente retidos dos funcionários. De igual maneira inexiste prova de que os valores não teriam sido repassados à Previdência Social. 2. E, concluindo, a respeito: Imprescindível que se faça demonstração e prova das retenções, dos valores dos salários e dos repasses efetuados. Sem esta demonstração e sem sua correspondente prova, não há como se apurar, nos termos da lei e em obediência ao princípio da estrita legalidade, o critério quantitativo das contribuições exigidas. Pretender fazer incidir as contribuições sobre a totalidade destes valores equivale a superdimensionamento do crédito tributário, o que aponta para a sua nulidade e improcedência. 3. Haveria “comprometimento” da “veracidade do Auto de Infração”, pois: No processo, evidenciase que não houve cotejo, caso a caso, de todos os elementos necessários para a identificação de eventuais diferenças entre valores contabilizados e valores declarados em GFIPs. A autuação, pelo que se vê, parte dos totais correspondentes às diferenças entre valores contabilizados e valores declarados em GFIPs, sem esclarecer qual o montante dos salários que compõem a base de cálculo da contribuição exigida, sem comprovar os valores retidos de cada um dos funcionários, sem identificar os valores repassados ao INSS pela empresa a este título, e ainda, sem comprovar que tais valores não teriam sido objeto de recolhimento antecipado, ou ainda, se não foram recolhidos no exercício imediatamente seguinte. A ausência destes elementos compromete a veracidade do auto de infração. 4. O lançamento estaria eivado pelo vício da nulidade, pois teria ocorrido “ausência de vinculação e de suporte fático”: Não se configurou, no presente caso, o fato gerador pretendido pela d. Fiscalização, tratandose, por evidente, de autuação com base em mera inferência. Acresce que não se trata de presunção legal. Em suma, foi autuação por uma suspeita, sem base legal que a autorize, e sempre que esta se dá deve estar reforçada por elementos inequívocos de prova. E a prova deve aterse ao elemento que se pretende ver provado. Fl. 194DF CARF MF Impresso em 15/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 4/03/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 14/03/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR Processo nº 10882.722962/201150 Acórdão n.º 2201002.750 S2C2T1 Fl. 4 5 5. Teria ocorrido a nulidade do lançamento, também por “afronta aos princípios da legalidade e da tipicidade”, pois: Conforme se expôs nas questões preliminares, configurase ofensa aos Princípios da Tipicidade, da Legalidade e da Verdade Material. O Princípio da Legalidade impõe que haja uma previsão legal para a incidência pretendida em um lançamento. E inexiste previsão legal para que se faça incidir tributo sobre diferença de valores apurados em Folha de Pagamento e aqueles declarados em GFIP. Depois, já quanto ao “mérito”: Deixou de atentar a d. fiscalização para o fato de que inexiste previsão legal para que se faça incidir tributo sobre diferença de valores apurados em Folha de Pagamento e aqueles declarados em GFIP. A exigência do crédito tributário, bem como a caracterização de infração, por outro, demandam a presença de elementos materiais e fáticos que auxiliem na sua constituição. Não se pode simplesmente alegar que as diferenças apontadas pela d. fiscalização correspondam a valores retidos e não recolhidos, uma vez que não há, no processo, qualquer prova dos valores retidos. Também não há, no processo, qualquer prova dos valores recolhidos/repassados. Igualmente não há, no processo, qualquer prova de que tais valores não foram recolhidos antecipadamente, ou que seu recolhimento não tenha sido efetuado no exercício imediatamente posterior. 6. A “autuação” teria sido improcedente, Em primeiro lugar, os valores relativos a diferenças de Folhas de Pagamento, devem ser devidamente discriminados, e deles excluídas as quantias correspondentes, dentre outros ... 7. E ainda: Do Termo de Verificação Fiscal, extraise que não há discriminação ou caracterização dos valores integrantes da base de cálculo. Limitase a d. autoridade fiscal a demonstrar a diferença entre os valores mensais declarados em GFIP, cotejandoos com aqueles constantes das Folhas de Pagamentos. Embora haja menção ao fato de que a d. fiscalização examinou os documentos dos quais teria extraído os fundamentos fáticos e materiais que dariam suporte às contribuições lançadas, não há, dentre as peças processuais, cópias dos referidos elementos probatórios, pelo que não se pode verificar sua higidez, o que compromete o princípio da ampla defesa. Tal ausência fulmina de Nulidade os Lançamentos e implica em sua improcedência, pela ausência de um dos elementos essenciais à sua constituição (critério quantitativo). Fl. 195DF CARF MF Impresso em 15/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 4/03/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 14/03/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR 6 8. Sustenta, também, que não caberia a aplicação de multa de mora, pois: Frisese, entretanto, que a multa de mora não tem cabimento em se tratando de lançamento de ofício, em relação ao qual a legislação autoriza apenas a aplicação da multa de ofício, ou, nos casos em que especifica, de multa isolada, ou ainda, diante da verificação de fato que constitua hipótese de incidência de multa qualificada. 9. A partir destas premissas formula os respectivos requerimentos: Por todo o exposto se requer o cancelamento da multa correspondente ao auto de infração DEBCAD n° 37.317.7020, bem como das multas aplicadas nos demais Autos de Infração (DEBCADs n°s 37.317.6988, 37.317.6996 e 37.317.7003), demonstrada a improcedência das mesmas. Caso não canceladas as multas, requer sejam as mesmas relevadas, provada a improcedência das autuações, e a inexistência dos fatos que lhes serviram de fundamento, de acordo com o disposto no art 291 do Decreto n° 3.048/99. 10. Defende a tese de que haveria impedimento constitucional de cobrança de juros anuais que excedem a taxa de 12%, bem como não poderia incidir a taxa SELIC, quanto superior à taxa mensal de 1%. 11. Finalmente, requer o reconhecimento da “nulidade/improcedência do auto de infração”, ou, alternativamente, “ainda que absurdo” (na hipótese de manutenção dos lançamentos): ... requer a exclusão das multas e a não aplicação dos juros à taxa SELIC, sempre que esta ultrapassar o limite constitucional de 1%. Relatado, passo ao voto Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso voluntário onde alega/questiona, em síntese: o Nulidade: o Ofensa ao princípio da verdade material. o Simples cotejo de dados da folha de pagamento e GFIP. o Cerceamento de defesa. o Não discriminada a origem das diferenças lançadas. o Não se configurou o fato gerador. Fl. 196DF CARF MF Impresso em 15/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 4/03/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 14/03/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR Processo nº 10882.722962/201150 Acórdão n.º 2201002.750 S2C2T1 Fl. 5 7 o Não há prova dos valores retidos. o Impossibilidade de aplicação de multa de mora. o Juros. SELIC. É o relatório. Fl. 197DF CARF MF Impresso em 15/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 4/03/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 14/03/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR 8 Voto Conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari, Relator O recurso é tempestivo e por não haver óbice ao seu conhecimento, passo à análise das questões pertinentes. NULIDADE Conforme exposto no relatório acima, a recorrente pleiteia a nulidade por um conjunto de motivos Não concordo com a recorrente. A jurisprudência está consolidada no entendimento de que a declaração de nulidade de atos processuais depende da demonstração do efetivo prejuízo, o que não restou comprovado neste processo. REsp 1440298 / RS RECURSO ESPECIAL2014/00502676 Data do Julgamento 07/10/2014 Ementa PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. OFENSA A DISPOSITIVOS CONSTITUCIONAIS. INVIABILIDADE DE ANÁLISE, NA VIA ESPECIAL, POR ESTA CORTE. INDEFERIMENTO DE PROVA. LIVRE CONVENCIMENTO MOTIVADO DO MAGISTRADO. AUSÊNCIA DE PREJUÍZO. OFENSA AO ART. 535 DO CPC. INOCORRÊNCIA. PIS. COFINS. DESONERAÇÃO. AUSÊNCIA DE INDICAÇÃO DE DISPOSITIVO LEGAL VIOLADO. SÚMULA 284/STF. LEIS 10.637/2002 E 10.833/2003. ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. IMPOSSIBILIDADE DE ANÁLISE, EM SEDE DE RECURSO ESPECIAL. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. INCIDÊNCIA MONOFÁSICA, NO CASO. IMPOSSIBILIDADE DE CREDITAMENTO, POR SUJEITO INTEGRANTE DA CADEIA ECONÔMICA, QUE NÃO ESTÁ SUBMETIDO AO PAGAMENTO NÃO CUMULATIVO DO PIS E DA COFINS, NOS TERMOS DAS Fl. 198DF CARF MF Impresso em 15/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 4/03/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 14/03/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR Processo nº 10882.722962/201150 Acórdão n.º 2201002.750 S2C2T1 Fl. 6 9 LEIS 10.637/2002 E 10.833/2003. PRECEDENTES. ART. 17 DA LEI 11.033/2004. APLICAÇÃO NÃO RESTRITA AO REPORTO. PRECEDENTES. INCOMPATIBILIDADE ENTRE A APURAÇÃO DE CRÉDITO E A TRIBUTAÇÃO MONOFÁSICA. PRECEDENTES DO STJ. ... III. O STJ consolidou o entendimento no sentido de que a declaração de nulidade de atos processuais depende da demonstração do efetivo prejuízo, o que não ocorreu, na hipótese, em observância ao princípio pas de nullité sans grief. Precedentes: STJ, AgRg no REsp 1.294.465/RS, Rel. Ministro OG FERNANDES, SEGUNDA TURMA, DJe de 26/08/2014; AgRg no REsp 1.434.880/PR, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, DJe de 06/08/2014; EREsp 1.121.718/SP, Rel. Ministro ARNALDO ESTEVES LIMA, CORTE ESPECIAL, DJe de 01/08/2012. Também não percebi cerceamento de defesa. A Constituição Federal de 1988 prevê, a garantia do contraditório e a plenitude do direito de defesa. A Administração Pública, ao promover o controle interno da legalidade de seus atos, por meio de um processo administrativo, deve necessariamente observar os princípios inerentes ao devido processo legal. No processo administrativo fiscal, o contraditório se instaura com a interposição da impugnação ou da manifestação de inconformidade. A ampla defesa, que não significa defesa ilimitada, explicitada como garantia constitucional no artigo 5°, inciso LV, da Constituição, materializase na oportunidade concedida ao sujeito passivo de oporse à pretensão do fisco, fazendo serem conhecidas e apreciadas todas as suas alegações de caráter processual e material, bem como as provas com que pretenda provar as suas alegações. Entendo que este processo respeita o direito do contribuinte à ampla defesa. Neste processo não vislumbro qualquer cerceamento de defesa, uma vez que: (i) os procedimentos fiscais, realizados junto à Impugnante, seguiram rigorosamente a legislação em vigor; (ii) a empresa teve ciência da autuação, a qual foi efetuada de modo que o Contribuinte tivesse pleno conhecimento dos fundamentos de fato e de direito que o motivaram, cabendo observar que lhe é facultado, ainda, ter vista dos autos relativos aos AI's lavrados contra ela durante a ação fiscal; (iii) a Autuada manifestouse com a apresentação de impugnação, (iiii) a Autuada manifestouse com apresentação de recurso voluntário. Para as questões da configuração do fato gerador, da verdade material e da discriminação da diferença entendo tudo muito bem fundamentado e comprovado. Fl. 199DF CARF MF Impresso em 15/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 4/03/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 14/03/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR 10 O Termo de Verificação Fiscal, folhas 71 a 75, especifica que o lançamento referese à contribuição dos segurados arrecadada pela empresa e não recolhida, apresenta a fundamentação legal, .a origem dos valores, enfim, todos os elementos necessários. Termo de Verificação Fiscal 1.1.1. Este foi constituído para o lançamento dos créditos tributários referentes às contribuições sociais devidas à Seguridade Social a cargo dos segurados empregados incidentes sobre suas remunerações, arrecadadas pela empresa e não recolhidas conforme artigos n°. 20 e 30,inciso I, alíneas "a" e "b" da Lei 8.212/91 com redação dada pela Lei n° 9.876, de 26.11.99). ... 4.1.Tratase de AUTO DE INFRAÇÃO para lançamento dos créditos tributários referentes às contribuições sociais devidas à Seguridade Social a cargo segurados empregados incidentes sobre suas remunerações, arrecadadas e não recolhidas pela empresa referente à competência 13/2006. 4.2.A situação acima descrita, em tese, configura a prática de crime previsto na Lei n°.8.212/91, Art. 95, alínea "d" e no art. 168A do Código Penal, alterados pela Lei 9.983de 14/07/2000: ... 4.5 A contribuição apurada é resultante do confronto entre o valor do Desconto dos Segurados lançado na Folha de Pagamento e o declarado na GFIP. Lei 8.212/91 Art. 20. A contribuição do empregado, inclusive o doméstico, e a do trabalhador avulso é calculada mediante a aplicação da correspondente alíquota sobre o seu saláriodecontribuição mensal, de forma não cumulativa, observado o disposto no art. 28, de acordo com a seguinte tabela:(Redação dada pela Lei n° 9.032, de 28.4.95) ... Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas:(Redação dada pela Lei n° 8.620, de 5.1.93) I a empresa é obrigada a: Competência FOPAG GFIP Diferença 13/2006 49185,51 2940,57 46244,94 Fl. 200DF CARF MF Impresso em 15/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 4/03/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 14/03/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR Processo nº 10882.722962/201150 Acórdão n.º 2201002.750 S2C2T1 Fl. 7 11 a) arrecadar as contribuições dos segurados empregados e trabalhadores avulsos a seu serviço, descontandoas da respectiva remuneração; b)recolher o produto arrecadado na forma da alínea anterior, a contribuição a que se refere o inciso IV do art. 22, assim como as contribuições a seu cargo incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas, a qualquer título, aos segurados empregados, trabalhadores avulsos e contribuintes individuais a seu serviço, até o dia dois do mês seguinte ao da competência;(Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). Quanto à questão das provas, à folha 69 é apresentada a folha de pagamento da empresa da competência 12/2006 contendo no campo "Descontos" a informação "INSS 13º SAL 49.185,51". À folha 70 é apresentada a GFIP contendo a informação da "contribuição dos segurados devida". Enfim, não percebo razão para a decretação da nulidade. MULTA DE MORA A recorrente alega da impossibilidade de aplicação de multa de mora por falta de previsão legal. Aparentemente, a recorrente não leu a autuação. O relatório Fundamentos Legais do Débito FLD, folhas 81 e 82, apresenta toda a fundamentação legal, inclusive a utilizada para a os "Acréscimos Legais Multa" Não concordo com a recorrente. JUROS SELIC SÚMULA Quanto à aplicação da taxa SELIC nos juros moratórios, verificase que essa é uma questão sobre a qual o CARF possui decisões reiteradas e, por essa razão foi editada Súmula, cuja observância é obrigatória para estes conselheiros. Abaixo apresento a Súmula número 3. “Súmula nº 3 do CARF: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de Fl. 201DF CARF MF Impresso em 15/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 4/03/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 14/03/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR 12 inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – SELIC para títulos federais”. CONCLUSÃO Voto por rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, negar provimento ao recurso. Carlos Alberto Mees Stringari Fl. 202DF CARF MF Impresso em 15/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 4/03/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 14/03/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 16327.000539/2007-09
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Jan 25 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Mar 07 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Exercício: 2004
DENÚNCIA ESPONTÂNEA. EXCLUSÃO DA MULTA DE MORA.
Conforme decidido pelo Superior Tribunal de Justiça em sede de recurso repetitivo, é descabida a exigência da multa de mora quando ocorre o recolhimento extemporâneo de tributo, na hipótese de os débitos não terem sido anteriormente declarados à Receita Federal.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2201-002.745
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao Recurso, nos termos do voto do Relator.
Assinado digitalmente
Heitor de Souza Lima Junior - Presidente.
Assinado digitalmente
Carlos César Quadros Pierre - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Heitor de Souza Lima Junior, Eduardo Tadeu Farah, Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos César Quadros Pierre e Ana Cecília Lustosa da Cruz.
Nome do relator: CARLOS CESAR QUADROS PIERRE
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201601
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF Exercício: 2004 DENÚNCIA ESPONTÂNEA. EXCLUSÃO DA MULTA DE MORA. Conforme decidido pelo Superior Tribunal de Justiça em sede de recurso repetitivo, é descabida a exigência da multa de mora quando ocorre o recolhimento extemporâneo de tributo, na hipótese de os débitos não terem sido anteriormente declarados à Receita Federal. Recurso Voluntário Provido.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Mar 07 00:00:00 UTC 2016
numero_processo_s : 16327.000539/2007-09
anomes_publicacao_s : 201603
conteudo_id_s : 5572456
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Mar 07 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 2201-002.745
nome_arquivo_s : Decisao_16327000539200709.PDF
ano_publicacao_s : 2016
nome_relator_s : CARLOS CESAR QUADROS PIERRE
nome_arquivo_pdf_s : 16327000539200709_5572456.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao Recurso, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Heitor de Souza Lima Junior - Presidente. Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre - Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Heitor de Souza Lima Junior, Eduardo Tadeu Farah, Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos César Quadros Pierre e Ana Cecília Lustosa da Cruz.
dt_sessao_tdt : Mon Jan 25 00:00:00 UTC 2016
id : 6300241
ano_sessao_s : 2016
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:45:45 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048122136985600
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1840; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T1 Fl. 74 1 73 S2C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16327.000539/200709 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2201002.745 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 25 de janeiro de 2016 Matéria IRRF Recorrente ITAÚ UNIBANCO S.A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Exercício: 2004 DENÚNCIA ESPONTÂNEA. EXCLUSÃO DA MULTA DE MORA. Conforme decidido pelo Superior Tribunal de Justiça em sede de recurso repetitivo, é descabida a exigência da multa de mora quando ocorre o recolhimento extemporâneo de tributo, na hipótese de os débitos não terem sido anteriormente declarados à Receita Federal. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao Recurso, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Heitor de Souza Lima Junior Presidente. Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Heitor de Souza Lima Junior, Eduardo Tadeu Farah, Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos César Quadros Pierre e Ana Cecília Lustosa da Cruz. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 05 39 /2 00 7- 09 Fl. 91DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/02/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 29/ 02/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 03/03/2016 por HEITOR DE SOUZA LIM A JUNIOR, Assinado digitalmente em 29/02/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE Processo nº 16327.000539/200709 Acórdão n.º 2201002.745 S2C2T1 Fl. 75 2 Relatório Adoto como relatório aquele utilizado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, 5ª Turma da DRJ/SP1 (Fls. 28), na decisão recorrida, que transcrevo abaixo: Em decorrência de revisão sumária da declaração de contribuições e tributos federais — DCTF, correspondente ao 2º trimestre do ano calendário de 2003, a empresa acima qualificada foi autuada e notificada por via postal a recolher a título de multa de mora não paga o crédito tributário no valor de R$ 23.709,35 (fls. 15 e 16). Segundo os demonstrativos de fls. 17 a 19, a interessada pagou o tributo devido após o vencimento legal da obrigação, sem o acréscimo da multa moratória. Inconformada com a exigência fiscal, a interessada, por meio de seu representante legal, apresenta a impugnação de fls. 01 a 07, protocolizada em 13/04/2007, na qual, alega, em apertada síntese, que o valor exigido é completamente indevido pelo fato de a impugnante ter recolhido corretamente o tributo, por meio da denúncia espontânea nos exatos termos do artigo 138, do Código Tributário Nacional. Passo adiante, 5ª Turma da DRJ/SP1 entendeu por bem julgar a impugnação improcedente, em decisão que restou assim ementada: DCTF. REVISÃO INTERNA. Não há que se falar em denúncia espontânea, para os fins de aplicação dos efeitos previstos no artigo 138 do CTN, nos casos de simples pagamento em atraso de débitos confessados em DCTF. Cientificado em 22/03/2011 (Fls. 36), o Recorrente interpôs Recurso Voluntário em 20/04/2011 (fls. 37 a 46), reforçando os argumentos apresentados quando da impugnação. É o Relatório. Voto Conselheiro Carlos César Quadros Pierre, Relator. Conheço do recurso, posto que tempestivo e com condições de admissibilidade. Fl. 92DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/02/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 29/ 02/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 03/03/2016 por HEITOR DE SOUZA LIM A JUNIOR, Assinado digitalmente em 29/02/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE Processo nº 16327.000539/200709 Acórdão n.º 2201002.745 S2C2T1 Fl. 76 3 Tratase, na origem, de Auto de Infração lavrado sob a justificativa de que, ao valerse de denúncia espontânea para pagamento de tributos no anocalendário de 2003, deixou a contribuinte de quitar montante correspondente à multa de mora. Em sua impugnação, alega a ora Recorrente que, a teor do art. 138 do Código Tributário Nacional, o instituto da denúncia espontânea afasta a aplicação tanto da multa de ofício quanto da multa de mora, motivo pelo qual se configuraria absolutamente inconsistente a cobrança levada a efeito no Auto de Infração. Em análise àqueles argumentos, decidiu a primeira instância administrativa pela manutenção do lançamento, sob a justificativa de que, mesmo havendo a denuncia espontânea, a multa de mora seria devida; in verbis: Sobre a alegação de que o recolhimento foi efetuado de forma espontânea, o que afastaria a incidência das penalidades, cumpre destacar que se trata de valor declarado e pago em atraso e, portanto, de mero adimplemento intempestivo da obrigação. E, nesse caso, não se aplica os efeitos da espontaneidade referida no art. 138, que se dirige apenas à confissão espontânea de infrações à legislação tributária desconhecidas do Fisco. (pág. 29 dos autos) Como se infere da análise do processo, a Recorrente realizou o pagamento do tributo, com vencimento em 09/04/2003, a destempo, em 16/04/2003. Frisese que não há dúvidas de que o contribuinte declarou posteriormente o crédito tributário; sendo o auto de infração lavrado unicamente em razão de entender a fiscalização de que a denuncia espontânea não alcança a multa de mora. Especificamente quanto ao instituto da denúncia espontânea, imperioso transcreverse o art. 138 do Código Tributário Nacional: “Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração.” Ademais, a questão relativa à denúncia espontânea nos casos de tributos recolhidos espontaneamente com atraso, foi submetida pelo Superior Tribunal de Justiça ao rito do recurso repetitivo (art. 543C, do Código de Processo Civil), por meio do REsp 1.149.022, com decisão proferida em 09/06/10 (publicada em 24/06/10) e trânsito em julgado ocorrido em 30/08/10, sendo oportuno transcrever a ementa do respectivo julgado: “RECURSO ESPECIAL Nº 1.149.022 SP (2009/01341424) RELATOR: MINISTRO LUIZ FUX RECORRENTE: BANCO PECÚNIA S/A ADVOGADO: SERGIO FARINA FILHO E OUTRO(S) RECORRIDO: UNIÃO FEDERAL (FAZENDA NACIONAL) PROCURADOR: PROCURADORIAGERAL DA FAZENDA NACIONAL EMENTA Fl. 93DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/02/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 29/ 02/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 03/03/2016 por HEITOR DE SOUZA LIM A JUNIOR, Assinado digitalmente em 29/02/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE Processo nº 16327.000539/200709 Acórdão n.º 2201002.745 S2C2T1 Fl. 77 4 PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IRPJ E CSLL. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECLARAÇÃO PARCIAL DE DÉBITO TRIBUTÁRIO ACOMPANHADO DO PAGAMENTO INTEGRAL. POSTERIOR RETIFICAÇÃO DA DIFERENÇA A MAIOR COM A RESPECTIVA QUITAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. EXCLUSÃO DA MULTA MORATÓRIA. CABIMENTO. 1. A denúncia espontânea resta configurada na hipótese em que o contribuinte, após efetuar a declaração parcial do débito tributário (sujeito a lançamento por homologação) acompanhado do respectivo pagamento integral, retificaa (antes de qualquer procedimento da Administração Tributária), noticiando a existência de diferença a maior, cuja quitação se dá concomitantemente. 2. Deveras, a denúncia espontânea não resta caracterizada, com a conseqüente exclusão da multa moratória, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação declarados pelo contribuinte e recolhidos fora do prazo de vencimento, à vista ou parceladamente, ainda que anteriormente a qualquer procedimento do Fisco (Súmula 360/STJ) (Precedentes da Primeira Seção submetidos ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 886.462/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008; e REsp 962.379/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008). 3. É que "a declaração do contribuinte elide a necessidade da constituição formal do crédito, podendo este ser imediatamente inscrito em dívida ativa, tornandose exigível, independentemente de qualquer procedimento administrativo ou de notificação ao contribuinte" (REsp 850.423/SP, Rel. Ministro Castro Meira, Primeira Seção, julgado em 28.11.2007, DJ 07.02.2008). 4. Destarte, quando o contribuinte procede à retificação do valor declarado a menor (integralmente recolhido), elide a necessidade de o Fisco constituir o crédito tributário atinente à parte não declarada (e quitada à época da retificação), razão pela qual aplicável o benefício previsto no artigo 138, do CTN. 5. In casu, consoante consta da decisão que admitiu o recurso especial na origem (fls. 127/138): "No caso dos autos, a impetrante em 1996 apurou diferenças de recolhimento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica e Contribuição Social sobre o Lucro, anobase 1995 e prontamente recolheu esse montante devido, sendo que agora, pretende ver reconhecida a denúncia espontânea em razão do recolhimento do tributo em atraso, antes da ocorrência de qualquer procedimento fiscalizatório. Assim, não houve a declaração prévia e pagamento em atraso, mas uma verdadeira confissão de dívida e pagamento integral, de forma que resta configurada a denúncia espontânea, nos Fl. 94DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/02/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 29/ 02/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 03/03/2016 por HEITOR DE SOUZA LIM A JUNIOR, Assinado digitalmente em 29/02/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE Processo nº 16327.000539/200709 Acórdão n.º 2201002.745 S2C2T1 Fl. 78 5 termos do disposto no artigo 138, do Código Tributário Nacional." 6. Conseqüentemente, merece reforma o acórdão regional, tendo em vista a configuração da denúncia espontânea na hipótese sub examine . 7. Outrossim, forçoso consignar que a sanção premial contida no instituto da denúncia espontânea exclui as penalidades pecuniárias, ou seja, as multas de caráter eminentemente punitivo, nas quais se incluem as multas moratórias, decorrentes da impontualidade do contribuinte. 8. Recurso especial provido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008.” Pelo exposto, resta caracterizada a denúncia espontânea, que exclui a incidência da multa de mora nos casos em que houve o recolhimento com atraso de tributos que ainda não haviam sido declarados à Receita Federal do Brasil, como ocorre nos casos em que o pagamento extemporâneo de tributos declarados em DCTF, entregue após o citado pagamento. Diante da abordagem definitiva da matéria pelo STJ, foi editada a Nota Técnica da CoordenaçãoGeral de Tributação da Receita Federal do Brasil com o objetivo de orientar as unidades daquele órgão a interpretar as conseqüências decorrentes dos Atos Declaratórios PGFN nº 4/2011 e 8/2011, sendo que este último autorizou a dispensa de apresentação de contestação, de interposição de recursos e a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante, nos casos alcançados pela decisão proferida no Resp 1.149.022. A aludida Nota esclarece que, nos casos em que o contribuinte não apresenta DCTF, mas paga o débito, ou quando o pagamento do débito é feito concomitantemente com a entrega da DCTF, resta configurada a denúncia espontânea. Conseqüentemente, a multa moratória não era devida quando do pagamento do IRRF realizado pelo contribuinte. Ante tudo acima exposto e o que mais constam nos autos, voto por dar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre Fl. 95DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/02/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 29/ 02/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 03/03/2016 por HEITOR DE SOUZA LIM A JUNIOR, Assinado digitalmente em 29/02/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE Processo nº 16327.000539/200709 Acórdão n.º 2201002.745 S2C2T1 Fl. 79 6 Fl. 96DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/02/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 29/ 02/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 03/03/2016 por HEITOR DE SOUZA LIM A JUNIOR, Assinado digitalmente em 29/02/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE
score : 1.0
Numero do processo: 15578.000092/2010-41
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 22 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Feb 16 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2005
DECADÊNCIA. SALDO NEGATIVO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. DIVERGÊNCIA NA APURAÇÃO DO TRIBUTO A RECOLHER/RESTITUIR SEM ALTERAÇÃO DO TRIBUTO DEVIDO. INOCORRÊNCIA.
O procedimento de homologação do pedido de restituição/compensação consiste fundamentalmente em atestar a regularidade do crédito, ainda que tal análise implique verificar fatos ocorridos há mais de cinco anos, respeitado apenas o prazo de homologação tácita da compensação requerida. Inteligência da Solução de Consulta Interna Cosit nº 16, de 2012.
É dever da autoridade, ao analisar os valores informados em Dcomp para fins de decisão de homologação ou não da compensação, investigar a exatidão do crédito apurado pelo sujeito passivo. Tratando-se de verificação dos valores de estimativas, imposto de renda na fonte ou compensações realizadas, não há que se falar em necessidade de lançamento, e, por conseguinte, de decadência.
Numero da decisão: 1402-001.850
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Carlos Pelá e Moises Giacomelli Nunes da Silva que votaram por dar provimento ao recurso. Designado o Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto para redigir o voto vencedor.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto Presidente
(assinado digitalmente)
Moisés Giacomelli Nunes da Silva Relator
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Redator Designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Paulo Roberto Cortez, Carlos Mozart Barreto Vianna, Moises Giacomelli Nunes da Silva, Carlos Pelá e Leonardo de Andrade Couto.
Nome do relator: ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201410
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2005 DECADÊNCIA. SALDO NEGATIVO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. DIVERGÊNCIA NA APURAÇÃO DO TRIBUTO A RECOLHER/RESTITUIR SEM ALTERAÇÃO DO TRIBUTO DEVIDO. INOCORRÊNCIA. O procedimento de homologação do pedido de restituição/compensação consiste fundamentalmente em atestar a regularidade do crédito, ainda que tal análise implique verificar fatos ocorridos há mais de cinco anos, respeitado apenas o prazo de homologação tácita da compensação requerida. Inteligência da Solução de Consulta Interna Cosit nº 16, de 2012. É dever da autoridade, ao analisar os valores informados em Dcomp para fins de decisão de homologação ou não da compensação, investigar a exatidão do crédito apurado pelo sujeito passivo. Tratando-se de verificação dos valores de estimativas, imposto de renda na fonte ou compensações realizadas, não há que se falar em necessidade de lançamento, e, por conseguinte, de decadência.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Feb 16 00:00:00 UTC 2016
numero_processo_s : 15578.000092/2010-41
anomes_publicacao_s : 201602
conteudo_id_s : 5567424
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Feb 16 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 1402-001.850
nome_arquivo_s : Decisao_15578000092201041.PDF
ano_publicacao_s : 2016
nome_relator_s : ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA
nome_arquivo_pdf_s : 15578000092201041_5567424.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Carlos Pelá e Moises Giacomelli Nunes da Silva que votaram por dar provimento ao recurso. Designado o Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto para redigir o voto vencedor. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente (assinado digitalmente) Moisés Giacomelli Nunes da Silva Relator (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Paulo Roberto Cortez, Carlos Mozart Barreto Vianna, Moises Giacomelli Nunes da Silva, Carlos Pelá e Leonardo de Andrade Couto.
dt_sessao_tdt : Wed Oct 22 00:00:00 UTC 2014
id : 6277934
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:45:04 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048122165297152
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 14; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2251; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1‐C4T2 Fl. 239 1 238 S1C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15578.000092/201041 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1402001.850 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 22 de outubro de 2014 Matéria Reconhecimento de Direito Creditório. Saldo Negativo de Recolhimentos do IRPJ Recorrente ANTONIO AUTO PEÇAS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2005 DECADÊNCIA. SALDO NEGATIVO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. DIVERGÊNCIA NA APURAÇÃO DO TRIBUTO A RECOLHER/RESTITUIR SEM ALTERAÇÃO DO TRIBUTO DEVIDO. INOCORRÊNCIA. O procedimento de homologação do pedido de restituição/compensação consiste fundamentalmente em atestar a regularidade do crédito, ainda que tal análise implique verificar fatos ocorridos há mais de cinco anos, respeitado apenas o prazo de homologação tácita da compensação requerida. Inteligência da Solução de Consulta Interna Cosit nº 16, de 2012. É dever da autoridade, ao analisar os valores informados em Dcomp para fins de decisão de homologação ou não da compensação, investigar a exatidão do crédito apurado pelo sujeito passivo. Tratandose de verificação dos valores de estimativas, imposto de renda na fonte ou compensações realizadas, não há que se falar em necessidade de lançamento, e, por conseguinte, de decadência. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Carlos Pelá e Moises Giacomelli Nunes da Silva que votaram por dar provimento ao recurso. Designado o Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto para redigir o voto vencedor. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 57 8. 00 00 92 /2 01 0- 41 Fl. 239DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 05/12/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 07/12/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA Processo nº 15578.000092/201041 Acórdão n.º 1402001.850 S1‐C4T2 Fl. 240 2 (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto – Presidente (assinado digitalmente) Moisés Giacomelli Nunes da Silva – Relator (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Paulo Roberto Cortez, Carlos Mozart Barreto Vianna, Moises Giacomelli Nunes da Silva, Carlos Pelá e Leonardo de Andrade Couto. Fl. 240DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 05/12/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 07/12/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA Processo nº 15578.000092/201041 Acórdão n.º 1402001.850 S1‐C4T2 Fl. 241 3 Relatório Conforme documento de fl. 04, em 27/05/2005 a recorrente transmitiu pedido de compensação para quitar os débitos indicados às fls. 10/11 dos autos. Na ocasião indicou saldo negativo do anocalendário de 2001 no montante de R$ 1.128.848,07, informando estar utilizando, deste saldo, o valor original de R$ 238.934,17, conforme quadro abaixo: Por meio de despacho de fls. 122 e seguintes, datado de 06/04/2010 (fl. 152) e notificado a parte interessada em 05/08/20101, a Delegacia de Origem reconheceu saldo negativo no valor de R$ 856.338,22, homologando a compensação acima indicada. Assim, o litígio versa acerca do saldo negativo que fora glosado, cujas razões da glosa, conforme consta do acórdão recorrido, assim podem ser resumidas: No parecer Seort/DRF/Vit n.º 557/2010, parte integrante do aludido despacho, a autoridade fiscal observou que: “Da análise das Declarações de Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas (DIRPJ), verificouse erro quando da formação dos saldos negativos de IRPJ do período compreendido entre 1996 e 1998 (AC).” A interessada foi intimada a apresentar os dados contábeis que demonstrassem o adimplemento das estimativas de IRPJ desde 1995. Em resposta, disse que os livros contábeis referentes ao período de 1995 a 1998 haviam sido destruídos, mas entregou “memória das compensações” efetuadas no período, e apresentou os registros dos demais anos. Analisando as declarações referentes aos anoscalendário 1996 a 1998, apurou saldo credor de IRPJ em valores respectivamente iguais a R$ 293.700,26, R$ 438.197,08 e R$ 458.672,32, conforme quadros de fls. 66/67. Destacou que “as informações da contribuinte consignadas na Declaração de Rendimentos e na planilha de cálculo de compensações foram consideradas. Apenas o somatório das estimativas adimplidas e a formação dos saldos credores de IRPJ quando incorretos foram revisados”. No anocalendário 1999, nem todas as estimativas foram adimplidas, pois: (i) parte do saldo negativo de 1996, utilizada para as parcelas 01/1999, 02/1999 e parte da 03/1999, só foi suficiente para a extinção parcial da primeira; e (ii) parte do saldo negativo de 1997, utilizada para a compensação das demais estimativas de 1999, quitou integralmente as parcelas de 04/1999 a 11/1999, mas parcialmente as afetas aos meses 03/1999 e 12/1999. O quadro de 1 Intimação ficta feita pelo edital de fl. 155. Fl. 241DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 05/12/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 07/12/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA Processo nº 15578.000092/201041 Acórdão n.º 1402001.850 S1‐C4T2 Fl. 242 4 fls. 68 ilustra o dito. Disso resultou a redução do saldo negativo de 1999 para R$ 383.973,23, conforme tabela 07 do despacho atacado. De igual modo, no anocalendário 2000, restaram estimativas inadimplidas, pois: (i) parte do saldo negativo de 1998, utilizada para as parcelas 01/2000, 02/2000 e parte da 03/2000, só foi suficiente para a extinção parcial da primeira; (ii) parte do saldo negativo de 1999, utilizada para a compensação das estimativas de 04/2000 a 09/2000 e parte das de 03 e 10/2000, quitou integralmente o primeiro grupo, mas parcialmente as duas últimas; e (iii) parte do saldo negativo de 2000, utilizada para as parcelas 11/2000, 12/2000 e parte da 10/2000, extinguiu os débitos a que foi direcionada. O quadro de fls. 69 ilustra o dito. Disso resultou a redução do saldo negativo de 2000 para R$ 861.418,91, conforme tabela 09 do despacho. Adotando a mesma sistemática dos dois períodos anteriores, chegouse ao saldo negativo igual a R$ 856.338,22 para o anocalendário 2001, conforme quadros de fls. 70, sendo este o crédito reconhecido para homologar a compensação informada na DComp n.º 35733.90505.270505.1.3.020209. Desta feita, observou a autoridade signatária do despacho de fls. 139 que “Após o término dos procedimentos de compensação, constatouse que o crédito reconhecido foi suficiente para compensar todos os débitos declarados, não restando saldo credor.”. Devolvida a correspondência que cientificaria a interessada do feito fiscal (fls. 154), a ciência fora feita pelo edital n.º 059/2010 (fls. 155), afixado em 21/07/2010 e com vencimento em 06/09/2010. Intimada, de forma tempestiva a parte interessada apresentou manifestação de inconformidade que foi julgada improcedente pela DRJ, sendo que o acórdão de fls. 196 e seguintes foi desafiado pelo recurso fls. 211 e seguintes, protocolizado em 15/05/2013, alicerçado nos seguintes fundamentos: a) Que em 2010, a Fiscalização não pode revisar o saldo negativo do ano calendário de 1996 a 1999, concluindo por inconsistências cometidas pelo contribuinte que teriam resultado na apuração de saldo credor de imposto em montante mais elevado (diminuição do saldo negativo); b) Se o Fisco, pode restringir a utilização temporal dos créditos apurados pelo contribuinte, deve sujeitarse da mesma forma, às consequências legais do decurso do tempo à revisão de crédito objeto de compensação anunciada pelos contribuintes. c) Sustenta a recorrente, também, que a Turma Julgadora cometeu equívoco por homologar as compensações até o limite de R$ 856.338,22, sem ter se dado conta de que ocorreu homologação tácita, em relação ao valor integral da compensação, nos termos do art. 74, § 5º, da Lei nº 9.430, de 1995. d) A partir do item 44 do recurso, a parte interessada faz considerações por meio das quais busca infirmar os argumentos da decisão recorrida quanto à revisão dos saldos negativos do anos calendário de 1996 a 1998. e) Nos itens 50 a 52 do recurso a recorrente reportase à Linha 16 da Ficha 08 da DIPJ/2007 destacando que mesmo seguindo o critério indicado pela autoridade fiscal o valor seria de R$ 302.459,76 e não R$ 293.700,26, como considerou a fiscalização. Além disso, diz a recorrente, no item 54 do recurso, que o fisco teria desconsiderado por completo o crédito declarado na Linha 17 da mesma ficha, no importe de R$ 677.380,38. Contudo, tal Fl. 242DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 05/12/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 07/12/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA Processo nº 15578.000092/201041 Acórdão n.º 1402001.850 S1‐C4T2 Fl. 243 5 crédito referese a saldo de IR a compensar de períodos anteriores a 1996 e não utilizados. Tratase de resíduo do anobase de 1995, devidamente atualizado pelos índices legais. É o relatório. Fl. 243DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 05/12/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 07/12/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA Processo nº 15578.000092/201041 Acórdão n.º 1402001.850 S1‐C4T2 Fl. 244 6 Voto Vencido Conselheiro MOISÉS GIACOMELLI NUNES DA SILVA O recurso é tempestivo, está devidamente fundamentado, foi interposto pela parte interessada que pretende ver reformada a decisão recorrida. Assim, preenche os requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele conheço e passo ao exame do mérito. A questão a ser enfrentada, no processo em questão, é se em 2010 o Fisco podia retroagir aos anoscalendário de 1996 a 1999 para verificar inconsistências cometidas pelo contribuinte e revisar o saldo negativo daqueles períodos concluindo, a partir de tais fatos, que os valores das estimativas do anocalendário de 2005 foram satisfeitas com saldo inconsistente de exercícios anteriores. Tenho que a resposta a esta indagação pode ser extraída dospreceitos contidos no § 4º do artigo 9º do Decreto nº 70.235, de 1972. No momento em que o sujeito passivo, em determinado anocalendário, compensa o valor de estimativa com saldo negativo de ano anterior, caso este saldo inexista, ou seja menor daquele informado pelo contribuinte, temse infração à legislação sem exigência de crédito tributário. Até a vigência da Medida Provisória nº 449, de 2008, o artigo 9º do Decreto nº 70.235, de 1996, tinha a seguinte redação: Art. 9º A exigência de crédito tributário, a retificação de prejuízo fiscal e a aplicação de penalidade isolada serão formalizadas em autos de infração ou notificação de lançamento, distintos para cada imposto, contribuição ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) Pelo que se extrai da redação acima, a retificação de prejuízo fiscal só era cabível mediante auto de infração com observância dos requisitos do artigo 10 do Decreto nº 70.235, de 1972, sem que fosse possível adentrar a período já superado pela decadência. Em 2008, a Medida Provisória nº 449/2008, fixou nova redação ao caput do artigo 9º do Decreto nº 70.235, de 1972, inserindo o § 4º com a determinação de que o disposto no caput também se aplicava nas situações em que fosse verificado infração à legislação tributária, ainda que dela não decorresse a exigência de crédito tributário. Art. 9o A exigência do crédito tributário e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada tributo ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. (Redação dada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). …. Fl. 244DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 05/12/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 07/12/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA Processo nº 15578.000092/201041 Acórdão n.º 1402001.850 S1‐C4T2 Fl. 245 7 § 4o O disposto no caput aplicase também nas hipóteses em que, constatada infração à legislação tributária, dela não resulte exigência de crédito tributário. (Incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008). (g.n) Em 2009, com vigência até os dias de hoje, a Lei nº 11.941 o artigo 9º e o § 4º do Decreto nº 70.235, de 1972, passaram a vigorar com a seguinte redação: Art. 9o A exigência do crédito tributário e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada tributo ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). … § 4o O disposto no caput deste artigo aplicase também nas hipóteses em que, constatada infração à legislação tributária, dela não resulte exigência de crédito tributário. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) (g.n.). Pelo que se verifica, a redução do saldo negativo apurado em determinado anocalendário, à luz do artigo 9º do Decreto 70.235, de 1972, sempre esteve condicionada à lavratura de auto de infração, submetendose tal exigência ao prazo decadencial. Uma vez apurado determinado saldo negativo o contribuinte tem prazo de 5 (cinco) anos para utilizálo. Em caso de erro, a retificação também deve darse no prazo de cinco anos, sob pena de resultar em situação consolidada pelo tempo. Entretanto, o mesmo prazo aplicase em relação ao Fisco caso discorde dos valores apurados pelo sujeito passivo. Neste sentido, a título de exemplo, lembro os processos de nº 10825.900189/200858; 10825.900210/200815; 10825.900266/200870; 10825.900276/200813; 10825.900286/2008 41; 10825.900486/200631; 10825.900489/200675; 10825.900490/200608; 10825.900549/200811; 10825.900562/200871; 10825.900563/200815; 10825.900574/2008 03; 10825.900578/200883; 0825.900691/200869; 10825.900723/200826; 10825.900843/200823; 10825.900882/200821; 10825.900893/200819, apreciados por este Colegiado, tendo os de minha relatoria ementa no seguinte sentido: Ementa: DCTF. INSTRUMENTO HÁBIL À CONSTITUIÇÃO DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO. RETIFICAÇÃO. PRAZO QUINQUENAL. O débito confessado por meio de DCTF só pode ser alterado mediante retificação desta, que deve ocorrer no prazo de cinco anos. A DCTF entregue pelo sujeito passivo se constitui em instrumento por meio do qual o contribuinte informa o valor do crédito tributário apurado em favor do Fisco. Havendo erro na apuração a parte interessada tem prazo de cinco anos para retificá la. O prazo quinquenal de que trata o artigo 149, parágrafo único, do CTN, é aplicável tanto ao Fisco quanto do contribuinte. Decorrido o prazo de cinco anos não é lícito ao sujeito passivo retificar a DCTF para alterar o valor apurado no passado, objetivando diminuir o imposto a pagar e fazer aflorar créditos a serem utilizados por meio de compensação. COMPENSAÇÃO. NECESSIDADE DA EXISTÊNCIA DE CRÉDITO. A compensação pressupõe a existência de crédito do devedor para com o credor. No momento em que o sujeito passivo não retificou a DCTF, antes do prazo Fl. 245DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 05/12/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 07/12/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA Processo nº 15578.000092/201041 Acórdão n.º 1402001.850 S1‐C4T2 Fl. 246 8 decadencial, não fez com que se materializasse o valor pago a maior, cujo montante pretende utilizar, mediante compensação, para extinguir outros débitos. Recurso Voluntário Negado. (Acórdão 14020001.160. Julg. 09/08/2012. Rel. Moisés Giacomelli Nunes da Silva). Na sessão de 26/08/2014, no acórdão nº 1402001.766, tive oportunidade de A propósito do tema, é necessário que se compreenda a natureza jurídica do saldo negativo em favor do contribuinte. Tal saldo nasce a partir de incidência de regra jurídica sobre determinada situação eleita pelo legislador. Aqui, não se pode confundir a regramatriz de incidência tributária com a regramatriz de direito ao crédito por parte do contribuinte. A propósito, já me manifestei nos seguintes termos: "I Da Natureza jurídica, o momento da constituição do saldo negativo do imposto de renda das pessoas jurídicas e a questão relacionada à prescrição Nos termos da Súmula 436 do STJ e do Resp 962.279/RS, submetido ao rito do artigo 543C, do CPC, “a entrega de declaração pelo contribuinte, reconhecendo o débito fiscal, constitui o crédito tributário, dispensada qualquer outra providência por parte do Fisco." Neste cenário, no momento da entrega da DCTF, à semelhança do que ocorre com o lançamento de ofício, temse uma norma individual e concreta constituindo o crédito tributário. Todavia, além da regramatriz de incidência tributária, da qual resulta o débito tributário, há a regramatriz de direito ao crédito. Da primeira surge a obrigação do particular em face da Administração e da segunda advém a obrigação da Administração frente ao particular. É da segunda que nasce a constituição do crédito em favor do contribuinte2. Assim, em se tratando de IRPJ, o saldo negativo do imposto de renda das pessoas jurídicas, decorrente de retenção de imposto de renda na fonte e ou recolhimento de estimativas, resulta constituído no momento em que o contribuinte, mediante procedimento adequado3, (i) informa as receitas e os rendimentos sujeitos à tributação; (ii) apura o montante dos tributos devidos e (iii) dele subtrai o que foi pago de forma antecipada, declarando tal procedimento à Administração. Neste momento temse a constituição do saldo negativo em favor do contribuinte, com prazo de cinco anos para ser utilizado em processo de 2 A questão da existência da regramatriz de incidência tributária, da qual decorre o débito do particular frente à Administração e a regramatriz de direito ao crédito tributário, da qual decorre a obrigação da Administro frente ao particular, foi apontada pelo Ministro Fux quando do julgamento dos Resp 773.675 e 1.065.234/RS. O fato dos referidos julgamentos versarem sobre ICMS em nada altera os pressupostos e a natureza jurídica do direito ao crédito. A propósito, do REsp 77.675, (DJ de 2.4.2007, p. 239), colho a seguinte passagem: "(...) O direito de crédito do contribuinte não decorre da regramatriz de incidência tributária do ICMS, mas da eficácia legal da norma constitucional que prevê o próprio direito ao abatimento (regramatriz de direito ao crédito) (...) porquanto a compensação se dá entre operações de débito (obrigação tributária) e crédito (direito ao crédito)." 3 A expressão "procedimento adequado" deve ser entendida como situação onde inexistam omissões a serem tributadas. Fl. 246DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 05/12/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 07/12/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA Processo nº 15578.000092/201041 Acórdão n.º 1402001.850 S1‐C4T2 Fl. 247 9 compensação ou pedido de restituição. Em igual prazo, identificando irregularidades na constituição do saldo negativo, o Fisco pode efetuar as glosas que entender necessário, reduzindo o valor do saldo negativo, ou exigindo imposto a pagar, sempre por meio de auto de infração, conforme previsto no art. 9º, § 4º, do Decreto 70.235, de 1972, acrescentado pela Lei nº 11.941, de 2009. "Art. 9º A exigência do crédito tributário e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em auto de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada tributos ou penalidades (...). § 4º. O disposto no caput deste artigo aplicase também nas hipóteses em que, constatada a infração à legislação tributária, dela não resulte exigência de crédito tributário. Partindo do entendimento de que o direito ao crédito tributário do contribuinte frente à Fazenda advém de regra de incidência pertencente ao regime jurídico, tem razão o Conselheiro Carlos Pelá quando menciona que decorridos cinco anos da constituição/apuração do saldo negativo em favor do contribuinte e tendo este aproveitado tais valores mediante compensação, sem que a Fazenda Nacional tivesse glosado nos 5 (cinco) anos subsequentes à constituição, não é possível fazêlo após tal prazo. Assim como o sujeito passivo tem 5 (cinco) anos para requerer a restituição ou compensação do saldo negativo, uma vez constituído tal saldo a Fazenda também dispõe de 5 (cinco) anos para conferir as apurações feitas pelo sujeito passivo, informadas em DIPJ. Passados 5 (cinco) anos, e diante do que dispõe o § 4º do art. 9º do Decreto nº 70.235, de 1972, acrescentado pela Lei nº 11.941, de 2009, não há como alterar o valor do saldo negativo. Em outras palavras, o sujeito passivo tanto pode entregar DCTF reconhecendo imposto a pagar, situação em que resta constituído o débito tributário em favor do Fisco, como pode realizar procedimento, previsto em lei, apontando crédito em seu favor. Neste sentido, conforme reiteradamente destacado pelo Conselheiro Carlos Pelá, temse que a relação entre Contribuinte e Fisco é de crédito e débito, que ora pode ser a favor de um e ora a favor de outro. Nesta mesma linha encontramse ensinamentos em artigos de doutrina de Jefferson Medina nas Revistas Dialética de Direito Tributário de nºs 225 e 226, editadas, respectivamente, nos meses de junho e julho de 20144. Pois bem, partindo do entendimento de que direito ao crédito tributário do contribuinte frente à Fazenda advém de regra de incidência pertencente ao regime jurídico, concordo com o Conselheiro Carlos Pelá quando menciona que decorridos cinco anos da constituição/apuração do saldo negativo em favor do contribuinte e tendo este aproveitado tais valores mediante compensação, sem que a Fazenda Nacional tivesse glosado nos 5 (cinco) anos 4 Jefferson Marcos Biagini Medina Natureza Jurídica do Crédito e Débito no ICMS e suas Implicações no Ordenamento Jurídico. In. Revista Dialética de Direito Tributário, 225, p. 113124. Junho 2014. Jefferson Marcos Biagini Medina Inconstitucional ide do Protocolo ICMS 21/2011 do Confaz. Efeitos Jurídicos para os Signatários e Consumidor Final não Contribuintes do ICMS. In . In. Revista Dialética de Direito Tributário, 226, p. 91105, julho 2014. Fl. 247DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 05/12/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 07/12/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA Processo nº 15578.000092/201041 Acórdão n.º 1402001.850 S1‐C4T2 Fl. 248 10 subsequentes, não é possível fazêlo após tal prazo. Assim como o sujeito passivo tem prazo de 5 (cinco) anos para requerer a restituição ou compensação do saldo negativo, uma vez constituído tal saldo, a Fazenda também dispõe de 5 (cinco) anos para conferir as apurações feitas pelo sujeito passivo e informadas em DIPJ. Isto tornase mais evidente nas situações em que o sujeito passivo, por equívoco, apura imposto a pagar ou saldo negativo diferente do efetivamente devido e passados 5 (cinco) anos, pretende retificar a DIPJ para alterar os valores nela informados. Isto não é possível. No entanto, a mesma regra aplicase também em relação ao Fisco. Passados 5 (cinco) anos sem que tenha infirmado o saldo negativo informado pelo contribuinte, não poderá fazê lo, sob pena de por meios transversos, afrontar o disposto nas normas que disciplinam os prazos decadenciais. No mais, no caso dos autos a situação agravase na medida em que se pretende reduzir o valor do saldo negativo de período já atingido pela decadência, sem a lavratura de auto de infração, conforme exige o artigo 9°. § 4º do Decreto nº 70.235, de 1972. Por fim, para que não se diga que este entendimento poderia beneficiar contribuinte que, próximo a completar 5 (cinco) retificaria a DIPJ para fazer aflorar saldo negativo inexistente, destaco que neste caso, naquilo em que for retificada a DIPJ, temse a interrupção do prazo em favor da Fazenda Nacional de forma que, praticado determinado ato, está sempre terá 5 (cinco) anos para revisão. ISSO POSTO, dou provimento ao recurso para reconhecer a integralidade do saldo negativo informado na DIPJ do anocalendário de 2005. É o voto. MOISÉS GIACOMELLI NUNES DA SILVA Relator Fl. 248DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 05/12/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 07/12/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA Processo nº 15578.000092/201041 Acórdão n.º 1402001.850 S1‐C4T2 Fl. 249 11 Voto Vencedor Conselheiro FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO – Redator Designado. Em que pesem os argumentos de escol do ilustre Conselheiro Relator, divirjo de seu entendimento. Conforme relatado, "a questão a ser enfrentada, no processo em questão, é se em 2010 o Fisco podia retroagir aos anoscalendário de 1996 a 1999 para verificar inconsistências cometidas pelo contribuinte e revisar o saldo negativo daqueles períodos concluindo, a partir de tais fatos, que os valores das estimativas do anocalendário de 2005 foram satisfeitas com saldo inconsistente de exercícios anteriores". No entendimento do relator, o artigo 9°, § 4º do Decreto nº 70.235, de 1972, impõe o lançamento ainda que, tendo sido constatada infração à legislação tributária, dela não resulte exigência de crédito tributário, o que implicaria, por consequência, o início da contagem do prazo decadencial a partir da ocorrência do encerramento do período de apuração correspondente. É certo que a decadência opera no sentido do princípio da segurança jurídica e da estabilidade das relações jurídicas. Em consequência, em 2010 (caso dos autos) o Fisco não mais poderia formalizar lançamento para exigência de crédito tributário e impor penalidades quanto a infrações incorridas no ano calendário de 1999, ou seja, constituir exigências tributárias. Isso por disposição expressa dos artigos 150 e 173 do CTN. O “prazo de homologação tácita” alegado pelo contribuinte que seria de cinco anos, corresponderia ao mesmo prazo decadencial para o lançamento (constituição da obrigação tributária), previsto no CTN. Não há dúvidas de que na modalidade de lançamento por homologação, cabe ao Fisco exercer o controle da legalidade do ato praticado (ou mesmo omitido) pelo contribuinte, a fim de determinar se foram obedecidas as diretrizes que determinam a apur ação correta do resultado tributável do exercício. O controle de legalidade envolve a averiguação, entre outras coisas, do cômputo correto e adequado das receitas tributáveis, das despesas incorridas e do resultado final do exercício. Caso o Fisco detecte qualquer divergência na apuração do resultado tributável, a menor ou mesmo a maior que o correto, tem o dever de exigir que o contribuinte faça as correções necessárias. Se for o caso, deve providenciar o lançamento de ofício do tributo que eventualmente não foi apurado ou recolhido corretamente. Isso porque, em matéria de declaração de compensação, assim como o contribuinte está sujeito a datas e procedimentos determinados para realizar a tarefa prevista Fl. 249DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 05/12/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 07/12/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA Processo nº 15578.000092/201041 Acórdão n.º 1402001.850 S1‐C4T2 Fl. 250 12 em lei, o Fisco também está sujeito a prazos e procedimentos para verificar se o contribuinte cumpriu o que a lei determina. Resta claro, que o Código Tributário Nacional se refere ao lançamento por homologação como a “atividade” exercida pelo contribuinte, que é realizada quando o objeto da “atividade” é um tributo que deve ser apurado e recolhido pelo próprio contribuinte, caso do IRPJ. Claro está de que no ordenamento pátrio existe prazo de caducidade aquisitiva. Todavia, tais prazos devem ser expressos. Ademais, não se pode transmutar uma disposição legal relativa a um prazo extintivo para um lapso aquisitivo. É ir muito além da possibilidade da interpretação, especialmente porque não haveria limites para o indébito tributário. No caso de homologação do pagamento ou da compensação, o direito está limitado ao próprio valor do crédito tributário que se pretende extinguir. Já a aquisição pura e simples de um valor monetário por decurso de prazo na verificação de informações redundaria na possibilidade de se consolidarem direitos contra a Fazenda Pública de montantes elevados. Ademais, os prazos extintivos visam à pacificação social, à consolidação pelo tempo de situações já estabelecidas. Em razão disso, há dois tipos de prazos em matéria tributária, ambos relativos à extinção de direitos do Fisco em face do particular: a decadência que fulmina o poder de constituir o crédito tributário, e a prescrição que elimina o direito de cobrar. Ambos os casos consolidam situações concretas que se perpetuaram no tempo, ou seja, como o sujeito passivo até então não pagou, então por inércia do Fisco continuará a não pagar. Assim, no contexto do procedimento de homologação das declarações de compensação, no qual deve ser atestada a existência e a suficiência do direito creditório (liquidez e certeza) invocado para a extinção dos débitos compensados, a única limitação imposta à atuação do Fisco é a que diz respeito ao prazo de cinco anos da data da protocolização ou apresentação das declarações de compensação, depois do qual os débitos compensados devem ser extintos tacitamente, independentemente da existência dos créditos, a teor do art. 74, § 5º da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. No mesmo sentido, assim concluiu a Solução de Consulta Interna Cosit nº 16, de 2012: 31.1. Após transcorrido o prazo decadencial, nos termos do art. 150, § 4°, do CTN, assim como o prazo para homologação de compensação de que trata o art. 74, § 5°, da Lei n° 9.430, de 1996 (homologação tácita), há apenas a impossibilidade de lançamento de diferenças do imposto devido. Tal vedação não se aplica à compensação de débitos próprios vincendos que tenha sido homologada tacitamente, quando ainda não se tenha operado a decadência para o lançamento do crédito tributário. 31.2. Todavia, pode a Administração Tributária, dentro do lapso de que esta dispõe (art. 74, § 5°, da Lei n° 9.430, de 1996), não homologar a compensação declarada em momento posterior, em que se utilizem créditos de saldo negativo de IRPJ ou de CSLL, inclusive os oriundos de estimativas quitadas por meio de Dcomps homologadas tacitamente, se verificada a inexistência de liquidez e certeza desses créditos. Fl. 250DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 05/12/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 07/12/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA Processo nº 15578.000092/201041 Acórdão n.º 1402001.850 S1‐C4T2 Fl. 251 13 A respeito dos argumentos específicos do ilustre Conselheiro Relator, passo a demonstrar de modo mais específico o porquê de minha divergência. De fato, constatada infração à legislação tributária, ainda que dela não implique exigência de crédito tributário, há de ser realizado o lançamento, conforme bem observado pelo Conselheiro Relator, a teor do que dispõe o § 4º do art. 9ª do Decreto nº 70.235/72. Ocorre que a necessidade de lançamento baseiase única e exclusivamente nas hipóteses em que se constatar divergências na apuração das bases de cálculos dos tributos em questão, ou ainda da correta alíquota aplicável. Vejase que na redação original do art. 9º do Decreto nº 70.235/72 falavase em lançamento para retificação de prejuízo fiscal, e a alteração trazida pela redação dada pela Lei nº 11.941/2009 somente veio adaptar tal aplicabilidade a novos tributos que também poderiam ter suas bases de cálculo alteradas, sem, contudo, haver exigência de crédito tributário, tais como o PIS e a Cofins em seus sistemas de apuração não cumulativos. Resta evidente que a necessidade de lançamento somente diz respeito, portanto, à aferição das bases de cálculo, e até mesmo alíquotas, dos tributos, ou seja, na quantificação do tributo devido, o qual terá como valor mínimo, zero, insuscetível, de per si, na caracterização de saldo negativo de IRPJ ou CSLL Com a devida vênia, acho que foi justamente nesse ponto que o Conselheiro Relator equivocouse, fazendo uso de tal dispositivo legal nas hipóteses em que se constata irregularidades após a definição do tributo devido, ou seja, nos valores eventualmente deduzidos em face de recolhimentos de estimativas, de retenções na fonte ou de compensações anteriores. Tais procedimentos referemse à definição de eventual tributo a recolher, ou, como no caso dos autos, justamente na formação do indébito pleiteado, e não a alterações no prejuízo fiscal do período. Sublinhese que sequer há necessidade de apuração de prejuízo fiscal ou saldo negativo de CSLL para se apurar indébito, bastandose que o valor do tributo devido seja menor que as retenções, recolhimentos de estimativas e compensações realizadas, ou seja, o tributo a recolher seja "negativo". No caso em exame, não houve qualquer alteração na base de cálculo ou de alíquota de forma a alterar o saldo de tributo devido. Caso houvesse discordância em relação à base de cálculo, ou no montante de tributo devido, sem dúvida, o prazo para o Fisco alterar os valores apurados pelo contribuinte seria de cinco anos, contados na forma do art. 150 ou 173, I, do CTN, a depender da existência de pagamentos antecipados e na ausência de dolo, fraude ou simulação. Ocorre que, no caso concreto, o Fisco somente discordou do valor de estimativas recolhidas informado pelo contribuinte, o que, evidentemente, não pode se confundir com redução de prejuízo fiscal ou base negativa de CSLL, tema jamais questionado pela autoridade fiscal. Fl. 251DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 05/12/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 07/12/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA Processo nº 15578.000092/201041 Acórdão n.º 1402001.850 S1‐C4T2 Fl. 252 14 Em resumo, entendo que o Fisco possui o prazo de cinco anos para alterar a base de cálculo de um tributo ou para aplicar a correta alíquota, alteração essa que deve ser realizada mediante lançamento, ainda que não haja exigência de crédito tributário. Contudo, tratandose de divergências nos valores de recolhimentos de estimativas, retenções na fonte ou compensações, não há que se falar em lançamento. No máximo, pode vir a ocorrer a homologação tácita de eventual compensação. Portanto, no caso de alteração de base de cálculo, ou de tributo devido, o Fisco deve valerse de lançamento, sujeito ao prazo decadencial. Por outro lado, se a questão disser respeito a divergências entre valores de tributos extintos por recolhimentos anteriores ou retenções na fonte e que vieram a formar o indébito pleiteado, o Fisco pode retroagir tanto quanto for necessário, desde que o faça no prazo de cinco anos contados da transmissão da declaração de compensação. E, em relação a esse último prazo, o Fisco agiu dentro do interregno fixado em lei. Desse modo, rejeito a arguição de decadência. (assinado digitalmente) FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO Redator Designado Fl. 252DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 05/12/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 07/12/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA
score : 1.0
Numero do processo: 10930.907105/2011-13
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 25 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Oct 20 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do Fato Gerador: 15/02/2002
INCONSTITUCIONALIDADE. LEI Nº 9.718/98. ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. DECISÃO DEFINITIVA DO STF. APLICAÇÃO.
O Tribunal Pleno do STF declarou em definitivo a inconstitucionalidade do art. 3º da Lei nº 9.718/98, que promoveu o alargamento da base de cálculo da Cofins em virtude da alteração do conceito de Receita Bruta (REsp nºs 346.084/PR, 358.273/RS, 357.950/RS e 390.840/PR).
Considerando o disposto no art. 62, parágrafo único, inciso I, do Regimento Interno do CARF, fica facultado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação de Lei que já tenha sido declarada inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal.
REPERCUSSÃO GERAL. APLICAÇÃO DO ART. 62-A DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. OBRIGATORIEDADE DE REPRODUÇÃO DO ENTENDIMENTO.
Conforme o disposto no art. 62-A do Regimento Interno do CARF decisões de mérito em sede de repercussão geral e recurso repetitivo proferidas pelo STJ e STF deverão ser reproduzidas pelos conselheiros nos julgamentos
ANÁLISE DA MATERIALIDADE DO CRÉDITO. JUNTADA DOS EXCERTOS DOS LIVROS DIÁRIO E RAZÃO EM SEDE RECURSAL, APÓS PROVOCAÇÃO PELA DECISÃO RECORRIDA. POSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO.
Nos termos do art. 16, § 4o, c, do Decreto 70.235/72, é possível a apreciação de documentação comprobatória do crédito suscitado, caso esta tenha sido juntada para embasar direito já alegado mediante planilha em sede de Manifestação de Inconformidade.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3802-004.171
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário, determinando o retorno dos autos à instância a quo para apreciação do mérito.
(assinado digitalmente)
Joel Miyazaki - Presidente da 2ª Câmara/3ª Seção.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra Redator designado ad hoc (art. 17, inciso III, do Anexo II do RICARF/2015).
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mércia Helena Trajano D'Amorim (Presidente), Waldir Navarro Bezerra, Claudio Augusto Gonçalves Pereira, Bruno Mauricio Macedo Curi (Relator), Francisco Jose Barroso Rios e Solon Sehn.
Nome do relator: BRUNO MAURICIO MACEDO CURI
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201502
ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do Fato Gerador: 15/02/2002 INCONSTITUCIONALIDADE. LEI Nº 9.718/98. ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. DECISÃO DEFINITIVA DO STF. APLICAÇÃO. O Tribunal Pleno do STF declarou em definitivo a inconstitucionalidade do art. 3º da Lei nº 9.718/98, que promoveu o alargamento da base de cálculo da Cofins em virtude da alteração do conceito de Receita Bruta (REsp nºs 346.084/PR, 358.273/RS, 357.950/RS e 390.840/PR). Considerando o disposto no art. 62, parágrafo único, inciso I, do Regimento Interno do CARF, fica facultado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação de Lei que já tenha sido declarada inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal. REPERCUSSÃO GERAL. APLICAÇÃO DO ART. 62-A DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. OBRIGATORIEDADE DE REPRODUÇÃO DO ENTENDIMENTO. Conforme o disposto no art. 62-A do Regimento Interno do CARF decisões de mérito em sede de repercussão geral e recurso repetitivo proferidas pelo STJ e STF deverão ser reproduzidas pelos conselheiros nos julgamentos ANÁLISE DA MATERIALIDADE DO CRÉDITO. JUNTADA DOS EXCERTOS DOS LIVROS DIÁRIO E RAZÃO EM SEDE RECURSAL, APÓS PROVOCAÇÃO PELA DECISÃO RECORRIDA. POSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO. Nos termos do art. 16, § 4o, c, do Decreto 70.235/72, é possível a apreciação de documentação comprobatória do crédito suscitado, caso esta tenha sido juntada para embasar direito já alegado mediante planilha em sede de Manifestação de Inconformidade. Recurso Voluntário Provido em Parte.
turma_s : Segunda Turma Especial da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Oct 20 00:00:00 UTC 2015
numero_processo_s : 10930.907105/2011-13
anomes_publicacao_s : 201510
conteudo_id_s : 5537470
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Oct 20 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 3802-004.171
nome_arquivo_s : Decisao_10930907105201113.PDF
ano_publicacao_s : 2015
nome_relator_s : BRUNO MAURICIO MACEDO CURI
nome_arquivo_pdf_s : 10930907105201113_5537470.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário, determinando o retorno dos autos à instância a quo para apreciação do mérito. (assinado digitalmente) Joel Miyazaki - Presidente da 2ª Câmara/3ª Seção. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Redator designado ad hoc (art. 17, inciso III, do Anexo II do RICARF/2015). Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mércia Helena Trajano D'Amorim (Presidente), Waldir Navarro Bezerra, Claudio Augusto Gonçalves Pereira, Bruno Mauricio Macedo Curi (Relator), Francisco Jose Barroso Rios e Solon Sehn.
dt_sessao_tdt : Wed Feb 25 00:00:00 UTC 2015
id : 6163622
ano_sessao_s : 2015
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:43:26 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048122197803008
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2334; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE02 Fl. 92 1 91 S3TE02 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10930.907105/201113 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3802004.171 – 2ª Turma Especial Sessão de 25 de fevereiro de 2015 Matéria COFINS PER/RESTITUIÇÃO Recorrente MOINHO GLOBO ALIMENTOS S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do Fato Gerador: 15/02/2002 INCONSTITUCIONALIDADE. LEI Nº 9.718/98. ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. DECISÃO DEFINITIVA DO STF. APLICAÇÃO. O Tribunal Pleno do STF declarou em definitivo a inconstitucionalidade do art. 3º da Lei nº 9.718/98, que promoveu o alargamento da base de cálculo da Cofins em virtude da alteração do conceito de Receita Bruta (REsp nºs 346.084/PR, 358.273/RS, 357.950/RS e 390.840/PR). Considerando o disposto no art. 62, parágrafo único, inciso I, do Regimento Interno do CARF, fica facultado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação de Lei que já tenha sido declarada inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal. REPERCUSSÃO GERAL. APLICAÇÃO DO ART. 62A DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. OBRIGATORIEDADE DE REPRODUÇÃO DO ENTENDIMENTO. Conforme o disposto no art. 62A do Regimento Interno do CARF decisões de mérito em sede de repercussão geral e recurso repetitivo proferidas pelo STJ e STF deverão ser reproduzidas pelos conselheiros nos julgamentos ANÁLISE DA MATERIALIDADE DO CRÉDITO. JUNTADA DOS EXCERTOS DOS LIVROS DIÁRIO E RAZÃO EM SEDE RECURSAL, APÓS PROVOCAÇÃO PELA DECISÃO RECORRIDA. POSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO. Nos termos do art. 16, § 4o, c, do Decreto 70.235/72, é possível a apreciação de documentação comprobatória do crédito suscitado, caso esta tenha sido juntada para embasar direito já alegado mediante planilha em sede de Manifestação de Inconformidade. Recurso Voluntário Provido em Parte. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 0. 90 71 05 /2 01 1- 13 Fl. 92DF CARF MF Impresso em 20/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 19/10/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 19/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário, determinando o retorno dos autos à instância a quo para apreciação do mérito. (assinado digitalmente) Joel Miyazaki Presidente da 2ª Câmara/3ª Seção. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra – Redator designado ad hoc (art. 17, inciso III, do Anexo II do RICARF/2015). Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mércia Helena Trajano D'Amorim (Presidente), Waldir Navarro Bezerra, Claudio Augusto Gonçalves Pereira, Bruno Mauricio Macedo Curi (Relator), Francisco Jose Barroso Rios e Solon Sehn. Relatório Preliminarmente, ressaltase que nos termos do artigo 17, inciso III, do anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF/2015, fui designado como redator ad hoc (fl. 91), para formalização do respectivo Acórdão, considerando o resultado do julgado, conforme o constante da ATA da respectiva sessão de julgamento. A Recorrente MOINHO GLOBO ALIMENTOS S/A., interpôs o presente Recurso Voluntário contra o Acórdão nº 0641.494, proferido em primeira instância pela 3ª Turma da DRJ em Curitiba/PR, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade declarada pelo contribuinte por recolhimento vinculado a débito confessado, negando o direito creditório. Por bem explicitar os atos e fases processuais ultrapassados até o momento da análise da impugnação, adotase o relatório elaborado pela autoridade julgadora a quo: Trata o presente processo de manifestação de inconformidade apresentada em face do indeferimento de pedido de restituição (PER), de nº 15749.10406.300605.1.2.047940, nos termos do despacho decisório emitido em 02/12/2011 (rastreamento nº 013472247). No aludido PER, transmitido eletronicamente em 30/06/2005, a contribuinte indicou um crédito de R$ 1.503,04, referente ao pagamento efetuado em 15/02/2002, de Cofins, código de receita 2172, no valor total de R$ 102.472,52. Segundo o despacho decisório recorrido, a restituição foi indeferida porque o Darf indicado como crédito estava totalmente utilizado para extinção de débito de Cofins, 2172, do Fl. 93DF CARF MF Impresso em 20/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 19/10/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 19/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10930.907105/201113 Acórdão n.º 3802004.171 S3TE02 Fl. 93 3 período de apuração de 31/01/2002, de acordo com a informação da DCTF transmitida pela Interessada. Cientificada em 22/12/2011, a Contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade em 19/01/2012. Alega que recolheu valores indevidos de PIS/Pasep e de Cofins que incidiram sobre outras parcelas que não se compreendem no conceito de faturamento, relativamente às competências de 07/2000 a 01/2004, 03/2004 e 07/2004. Diz que nos referidos períodos (anos de 2000 a 2004) informou em DCTF os valores devidos a título de PIS/Pasep e de Cofins levando em conta a legislação vigente à época, que alargava a suas bases de cálculo ao considerar as receitas financeiras como integrantes do conceito de faturamento. Aduz, porém, que o STF considerou inconstitucional tal ampliação da base de cálculo. Anexa jurisprudência do STF e do CARF. Em função disso, entende que as “declarações prestadas à época da vigência plena do §1o do art. 3o da Lei n° 9.718/98, hoje declarada inconstitucional, hão de ser revistas de modo a se adequarem a tal entendimento, em prol da realidade material que passou a existir com a declaração de inconstitucionalidade pelo E. STF”. Anexa planilha demonstrando as diferenças pleiteadas, as quais “correspondem exatamente às receitas não operacionais, não integrantes da base de cálculo do PIS/Cofins após a declaração de inconstitucionalidade do §1o do art. 3o da Lei n° 9.718/98”. Argumenta que para o deferimento do pedido de restituição basta que a autoridade julgadora exclua das DCTF apresentadas as receitas não operacionais (financeiras), tendo por base a planilha anexa, a fim de adaptar à realidade as declarações prestadas. Pede o provimento integral do presente recurso.. É o relatório. Indeferida a Manifestação de Inconformidade apresentada, o órgão julgador de primeira instância sintetizou as razões para a procedência do crédito tributário na forma da Ementa que segue: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do Fato Gerador: 15/02/2002 RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RECOLHIMENTO VINCULADO A DÉBITO CONFESSADO. Correto o Despacho Decisório que indeferiu o pedido de restituição por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o pagamento alegado Fl. 94DF CARF MF Impresso em 20/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 19/10/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 19/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 4 como origem do crédito estava integral e validamente alocado para a quitação de débito confessado. BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE. CARÁTER INTER PARTES. É perfeitamente aplicável a disposição § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, até a sua revogação pela Lei 11.941, de 27 de maio de 2009, uma vez que o julgamento do STF pela inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo contida naquele dispositivo não tem efeito erga omnes, só atingindo as partes envolvidas. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido. Cientificada acerca da decisão exarada pela 3ª Turma da DRJ em Curitiba – DRJ/CTA, a interessada interpôs o presente Recurso Voluntário, no qual reitera os argumentos apresentados em sua manifestação de inconformidade, anexa trechos de seus livros Diário e Razão nos quais constam as rubricas de receitas financeiras, requer a homologação da compensação declarada por evidente a origem do crédito e, por conseguinte, o direito à compensação do mesmo. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra, redator ad hoc designado para formalizar a decisão (fl. 91), uma vez que o Conselheiro Relator Bruno Maurício Macedo Curi, não mais compõe este colegiado e que a respectiva Turma Especial foi extinta, retratando hipótese de que trata o artigo 17, inciso III, do Anexo II, do Regimento Interno deste CARF, aprovado pela Portaria MF no 343, de 09 de junho de 2015. Ressalvado o meu entendimento pessoal, no sentido de dar a este e a outros processos nessa situação tratamento diverso. Preenchidos os pressupostos de admissibilidade e tempestivamente interposto, nos termos do Decreto nº 70.235/72, conheço do Recurso e passo à análise das razões recursais. Conforme exposto nas linhas acima, a Declaração de Compensação da Recorrente teve como causa a tributação indevida de PIS e COFINS sobre receitas financeiras, especialmente diante da inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo da Cofins promovida pela Lei nº 9.718/98, tendo em vista a ausência de mandamento constitucional (ou, doutra maneira, a edição de Lei Complementar que estabelecesse novas fontes de custeio da seguridade social) que validasse a incidência da contribuição em referência sobre receitas financeiras e outras receitas operacionais, não inseridas no conceito de faturamento. Como bem observado pela decisão recorrida, o Tribunal Pleno da Egrégia Corte examinou os Recursos Extraordinários nºs 346.084/PR, 358.273/RS, 357.950/RS e 390.840/PR, declarando, incidentalmente e por maioria, a inconstitucionalidade do §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, na forma da ementa assim redigida: Fl. 95DF CARF MF Impresso em 20/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 19/10/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 19/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10930.907105/201113 Acórdão n.º 3802004.171 S3TE02 Fl. 94 5 "CONSTITUCIONALIDADE SUPERVENIENTE ARTIGO 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718, DE 27 DE NOVEMBRO DE 1998 EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 20, DE 15 DE DEZEMBRO DE 1998. O sistema jurídico brasileiro não contempla a figura da constitucionalidade superveniente. TRIBUTÁRIO INSTITUTOS EXPRESSÕES E VOCÁBULOS SENTIDO. A norma pedagógica do artigo 110 do Código Tributário Nacional ressalta a impossibilidade de a lei tributária alterar a definição, o conteúdo e o alcance de consagrados institutos, conceitos e formas de direito privado utilizados expressa ou implicitamente. Sobrepõese ao aspecto formal o princípio da realidade, considerados os elementos tributários. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PIS RECEITA BRUTA NOÇÃO INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98. A jurisprudência do Supremo, ante a redação do artigo 195 da Carta Federal anterior à Emenda Constitucional nº 20/98, consolidouse no sentido de tomar as expressões receita bruta e faturamento como sinônimas, jungindoas à venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. É inconstitucional o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvida e da classificação contábil adotada. (Supremo Tribunal Federal, Tribunal Pleno, RE 346.084/PR, Relator Ministro Ilmar Galvão, Julgamento 09/11/2005, Publicação 01/09/2006)." Ainda que, como destacado pela DRJ, a decisão não tenha efeito erga omnes à luz da legislação de regência das decisões exaradas pelo STF, o art. 62, parágrafo único, inciso I, do Regimento Interno do CARF, autoriza este Colegiado a afastar a aplicação de tratado, acordo internacional, lei ou decreto “que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Superior Tribunal Federal”. Ora, não é outra a hipótese do caso sob exame. Portanto, sendo a observância do decisum proferido pelo STF facultada a este órgão julgador, devese reconhecer o direito de a Recorrente pleitear a restituição do montante indevidamente recolhido a título de Cofins em virtude da aplicação do art. 3º da Lei nº 9.718/98, declarado inconstitucional pelo STF, em consonância com o repertório jurisprudencial do CARF, do qual se traz, a título exemplificativo, a decisão adiante: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/02/1999 a 30/11/2002 DIREITO CREDITÓRIO. RESTITUIÇÃO. PRAZO. Para os pedidos de restituição apresentados até o dia 08/06/2005, o direito de pleitear a restituição de tributo ou contribuição pago indevidamente, ou em valor maior que o devido, extinguese com o decurso do prazo de cinco Fl. 96DF CARF MF Impresso em 20/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 19/10/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 19/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 6 anos, contados da data da homologação (tácita ou expressa) do pagamento antecipado, nos casos de tributos lançados por homologação. Observância ao princípio da segurança jurídica. INCONSTITUCIONALIDADE. DECISÃO DEFINITIVA DO STF. APLICAÇÃO Tendo o plenário do STF declarado, de forma definitiva, a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, deve o CARF aplicar esta decisão para reconhecer o direito à restituição das importâncias pagas com fulcro no referido dispositivo legal. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. FORMULÁRIO IMPRESSO. AUSÊNCIA DE IMPEDIMENTO NO PER/DCOMP. INADMISSIBILIDADE. Sem que haja impedimento de utilização do sistema eletrônico, considerase não formulado o pedido de restituição apresentado em formulário impresso após 29/09/2003. Recurso Voluntário Provido em Parte. (CARF, 3ª Seção, 3ª Câmara, 2ª Turma Ordinária, RV 501572, Acórdão 3302001.245, Relator Conselheiro Walber José da Silva, Julgamento 06/10/2011)" Assim é que, em tese, assiste direito ao Recorrente. No entanto, ultrapassada a questão de direito, tornase fundamental apreciar a matéria de prova. No caso em tela, a análise da prova restou prejudicada, pois a DRJ não aceitou a planilha apresentada pelo Recorrente. Como forma de fundamentar a planilha apresentada à época da manifestação, o contribuinte apresentou excertos de seus livros Diário e Razão para buscar comprovar o direito de crédito indicado na planilha que anexou em sua primeira peça defensiva. Tais documentos podem excepcionalmente ser juntados aos autos, diante da previsão do art. 16, § 4o, c, do RPAF, que permite a apresentação de documentos posteriormente à peça defensiva inaugural para contrapor razões trazidas em momento processual seguinte, pelo que se vê abaixo: "§ 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos." Todavia, a análise da documentação acostada aos autos pode levar à supressão de instância. Fl. 97DF CARF MF Impresso em 20/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 19/10/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 19/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10930.907105/201113 Acórdão n.º 3802004.171 S3TE02 Fl. 95 7 Assim, e considerando que a supressão de instância somente pode ser realizada se esta for favorável ao sujeito passivo, forte no art. 59, § 3º, do Decreto 70.235/72, entendo que devem os autos retornar para julgamento da DRJ quanto à matéria de prova, de modo a se averiguar a liquidez e certeza do crédito oferecido à compensação. Nesse mesmo sentido já decidiu essa Eg. Turma Especial, no Acórdão 3802 001.857, de relatoria do Conselheiro Solon Sehn: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/04/2002 a 30/04/2002 COFINS. BASE DE CÁLCULO. ART. 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718/1998. INCONSTITUCIONALIDADE DE DECLARADA PELO STF. RECURSO EXTRAORDINÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL. APLICAÇÃO DO ART. 62A DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. OBRIGATORIEDADE DE REPRODUÇÃO DO ENTENDIMENTO. O §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/1998 foi declarado inconstitucional pelo STF no julgamento do RE nº 346.084/PR e no RE nº 585.235/RG, este último decidido em regime de repercussão geral (CPC, art. 543B). Assim, deve ser aplicado o disposto no art. 62A do Regimento Interno do Carf, o que implica a obrigatoriedade do reconhecimento da inconstitucionalidade do referido dispositivo legal. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO DECORRENTE DA DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DO ART. 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718/1998. MATÉRIA NÃO CONHECIDA NA INSTÂNCIA A QUO. PRELIMINAR QUE IMPEDIU O CONHECIMENTO DO MÉRITO. AFASTAMENTO. RETORNO DOS AUTOS À DRJ PARA EXAME DA MATÉRIA. A DRJ, ao acolher a questão prejudicial relacionada à incompetência para a declaração de inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/1998, não chegou a apreciar o mérito da existência do direito creditório, isto é, o valor do crédito e do débito e outras circunstâncias relevantes ao desate da questão, inclusive a efetiva inclusão das receitas financeiras na base de cálculo da contribuição no período alegado pelo interessado. Destarte, os autos devem retornar à DRJ para exame da matéria de mérito, sob pena de supressão de instância. Recurso Voluntário Provido em Parte. Aguardando Nova Decisão." No mesmo sentido, aplicáveis à espécie os somase os nºs Acórdãos 3802 001.959 e 3802001.960, de relatoria do Conselheiro Bruno Mauricio Macedo Curi. Fl. 98DF CARF MF Impresso em 20/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 19/10/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 19/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 8 Conclusão Diante de todo o exposto, conheço do Recurso Voluntário para darlhe provimento parcial, determinandose o retorno dos autos à instância a quo, para fins de apreciação do mérito. Formalizado o voto em razão do disposto no artigo 17, inciso III, do Anexo II do RICARF/2015, subscrevo o presente. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra – Redator ad hoc. Fl. 99DF CARF MF Impresso em 20/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 19/10/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 19/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA
score : 1.0
