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Numero do processo: 10950.000581/2008-60
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 01 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/03/2001 a 30/10/2002
DECADÊNCIA TOTAL
De acordo com a Súmula Vinculante nº 08 do Supremo Tribunal Federal, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer as disposições da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional, no que diz respeito a prescrição e decadência.
No caso dos autos, aplicando-se o prazo qüinqüenal previsto nos artigos 150, § 4º, ou 173, inciso I, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional o lançamento resta decadente.
Numero da decisão: 2301-002.469
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do voto do Relator.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: ADRIANO GONZALES SILVERIO
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Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado CTETECNICA DE ELETRICIDADE E TELECOMUNICAÇÕES LTDA. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/03/2001 a 30/10/2002 DECADÊNCIA TOTAL De acordo com a Súmula Vinculante nº 08 do Supremo Tribunal Federal, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer as disposições da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional, no que diz respeito a prescrição e decadência. No caso dos autos, aplicandose o prazo qüinqüenal previsto nos artigos 150, § 4º, ou 173, inciso I, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional o lançamento resta decadente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do voto do Relator. Marcelo Oliveira Presidente. Adriano Gonzales Silvério Relator. Fl. 421DF CARF MF Impresso em 22/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/04/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 24/04 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/04/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Damião Cordeiro de Moraes, Bernadete de Oliveira Barros, Leonardo Henrique Pires Lopes, Mauro José Silva e Adriano Gonzales Silvério. Relatório Tratase de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito nº 37.095.8861, a qual exige contribuição previdenciária incidente sobre a remuneração paga aos segurados empregados por intermédio de empresas prestadoras de serviço, fornecedoras de cartões de premiação. Segundo consta do Relatório Fiscal “conforme 37a. Alteração Contratual, a empresa foi cindida dando origem à Cotel Construção Civil Ltda, CNPJ 05.375.028/000127. Embora o contrato de cisão parcial tenha sido assinado pelas partes com data de 31/08/2002, o registro na JUCEPAR (Junta Comercial do Paraná) ocorreu após 30 dias do evento, em 07/11/2002, passando a ser considerada esta data como a da ocorrência da cisão, conforme prevê o art. 36 da Lei 8.934, de 18 de novembro de 1994.” Como houve cisão parcial e absorção de patrimônio pela nova empresa que surgiu em decorrência da cisão, entendeu a fiscalização que “as empresas CotelComercial e Técnica de Eletricidade Ltda e Cotel Construção Civil Ltda devam responder solidariamente pelos tributos devidos pela sociedade até 07/11/2002.” O sujeito passivo apresentou impugnação sustentando, preliminarmente, a decadência do direito do Fisco de lançar; a inexistência de prova material para o lançamento. No mérito defendeu não existir a solidariedade da Cotel Construção Civil Ltda e a não incidência de contribuição previdenciária sobre os prêmios pagos. A DRJ de Curitiba determinou a conversão dos autos em diligência para que o devedor solidário fosse intimado do lançamento. Devidamente intimada a Cotel Construção Civil Ltda., apresentou impugnação com os mesmos argumentos suscitados pela Cotel Comercial. A DRJ de Curitiba acolheu a alegação de decadência e cancelou o lançamento em acórdão assim ementado: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIARIAS Período de apuração: 01/03/2001 a 31/03/2001, 01/05/2001 a 31/10/2002 NFLD 37.095.8861 Ementa: DECADÊNCIA. PRAZO , SÚMULA VINCULANTE DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. APLICAÇÃO DO CTN. 0 Supremo Tribunal Federal decidiu pela inconstitucionalidade do prazo decadencial de 10 (dez) anos estabelecido na legislação previdenciaria.Aplicarseá, assim, o prazo geral de 5 (cinco) anos determinado pelo CTN.” Fl. 422DF CARF MF Impresso em 22/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/04/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 24/04 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/04/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO Processo nº 10950.000581/200860 Acórdão n.º 2301002.469 S2C3T1 Fl. 399 3 Em razão do valor ultrapassar o limite de alçada houve recurso de ofício. É o relatório. Voto Conselheiro Adriano Gonzales Silvério O recurso atende aos requisitos processuais de admissibilidade e, portanto, dele conheço. Decadência Preliminarmente a decadência do direito do Fisco utilizar o prazo decenal, previsto no artigo 45 da Lei 8.212, de 24 de julho de 1991, cabendo, no caso, ser aplicado o prazo previsto no artigo 150 parágrafo quarto da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional. De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional. Nos termos do art. 103A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal. Verificase que a fiscalização lavrou a NFLD discutida com amparo na Lei 8.212, de 24 de julho de 1991 que, em seu art. 45, dispõe que o direito da Seguridade Social apurar e constituir seus créditos extinguese após 10 (dez) anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído. No entanto, o Supremo Tribunal Federal, entendendo que apenas lei complementar pode dispor sobre prescrição e decadência em matéria tributária, nos termos do artigo 146, III, ‘b’ da Constituição Federal, negou provimento por unanimidade aos Recursos Extraordinários nº 5596664, 559882, 559943 e 560626, em decisão plenária que declarou a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46, da Lei nº 8212/91. Na oportunidade, foi editada a Súmula Vinculante nº 08 na respeito do tema, publicada em 20/06/2008, transcrita abaixo: Súmula vinculante 8 “São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário” Cumpre ressaltar que o art. 62, da Portaria 256/2009, que aprovou o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, veda o afastamento de aplicação ou inobservância de legislação sob fundamento de inconstitucionalidade. Porém, Fl. 423DF CARF MF Impresso em 22/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/04/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 24/04 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/04/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO 4 determina, no inciso I do § único, que o disposto no caput não se aplica a dispositivo que tenha sido declarado inconst6itucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal: “Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou” Portanto, em razão da declaração de inconstitucionalidade dos arts 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 pelo STF, restaram extintos os créditos cujo lançamento tenha ocorrido após o prazo decadencial e prescricional previsto nos artigos 173 e 150 do Código Tributário Nacional. É necessário observar ainda que as súmulas aprovadas pelo STF possuem efeitos vinculantes, conforme se depreende do art. 103A e parágrafo da Constituição Federal, que foram inseridos pela Emenda Constitucional nº 45/2004, in verbis: “Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de oficio ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. §1º A Súmula terá por objetivo a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais haja controvérsia atual entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre questão idêntica. § 2º Sem prejuízo do que vier a ser estabelecido em lei, a aprovação, revisão ou cancelamento de súmula poderá ser provocada por aqueles que podem propor a ação direta de inconstitucionalidade. § 3º Do ato administrativo ou decisão judicial que contrariar a súmula aplicável ou que indevidamente a aplicar, caberá reclamação ao Supremo Tribunal Federal que, julgandoa procedente, anulará o ato administrativo ou cassará a decisão judicial reclamada, e determinará que outra proferida com ou sem a aplicação da súmula, conforme o caso (g.n.).” Da leitura do dispositivo constitucional acima, concluise que a vinculação à súmula alcança a administração pública e, por conseqüência, os julgadores no âmbito do contencioso administrativo fiscal. Ademais, nos termos do artigo 64B da Lei 9.784/99, com a redação dada pela Lei 11.417/06, as autoridades administrativas devem se adequar ao entendimento do STF, sob pena de responsabilidade pessoal nas esferas cível, administrativa e penal. Fl. 424DF CARF MF Impresso em 22/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/04/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 24/04 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/04/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO Processo nº 10950.000581/200860 Acórdão n.º 2301002.469 S2C3T1 Fl. 400 5 “Art. 64B. Acolhida pelo Supremo Tribunal Federal a reclamação fundada em violação de enunciado da súmula vinculante, darseá ciência à autoridade prolatora e ao órgão competente para o julgamento do recurso, que deverão adequar as futuras decisões administrativas em casos semelhantes, sob pena de responsabilização pessoal nas esferas cível, administrativa e penal” Afastado, pois, o prazo previsto originalmente no citado artigo 45, cabe agora verificar o prazo aplicável, se aquele do 150, § 4º ou 173, inciso I, ambos da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional. Temos adotado a posição doutrinária e jurisprudencial no sentido de que havendo pagamento antecipado por parte do contribuinte, em relação ao fato gerador posto em discussão, deve incidir o prazo decadencial qüinqüenal previsto no mencionado artigo 150, § 4º. Nesse sentido a decisão proferida pelo Egrégio Superior Tribunal de Justiça, na sistemática de recurso repetitivo, nos autos do Recurso Especial 973.733/SC, a qual deve ser atendida, por força do disposto no artigo 62A Portaria 256/2009, que aprovou o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais: “PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050∕PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758∕SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142∕SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, Fl. 425DF CARF MF Impresso em 22/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/04/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 24/04 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/04/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO 6 "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163∕210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa∕concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91∕104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396∕400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183∕199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08∕2008.” No caso dos autos bem consignou a r. decisão recorrida: No caso dos autos, seja pela aplicação do disposto no artigo 173, I, seja pela aplicação do artigo 150,§4°, ambos do Código Tributário NacionalCTN, o resultado é o mesmo: o crédito já foi alcançado pela decadência, posto que em 31/01/2008 so poderiam ter sido lançadas contribuições relativas a fatos geradores ocorridos a partir de janeiro/2003. Indubitável, portanto a ocorrência da decadência total, seja pela aplicação da regra prevista no artigo 150, § 4º do CTN, seja com base no artigo 173, I. Diante dessas considerações, voto no sentido de CONHECER o recurso de ofício e NEGARLHE PROVIMENTO mantendo a decisão recorrida na sua integralidade. Adriano Gonzales Silvério Relator Fl. 426DF CARF MF Impresso em 22/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/04/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 24/04 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/04/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO Processo nº 10950.000581/200860 Acórdão n.º 2301002.469 S2C3T1 Fl. 401 7 Fl. 427DF CARF MF Impresso em 22/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/04/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 24/04 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/04/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO
score : 1.0
Numero do processo: 10875.003434/2004-68
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 05 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO Período de apuração: 01/01/1996 a 31/05/1996 Compensação. Cinco mais cinco. Lei Complementar nº 118/05. O Supremo Tribunal Federal no julgamento do Recurso Extraordinário nº 566.621/RS, em repercussão geral reconhecida no RE nº 561.908-7/RS reconheceu a inconstitucionalidade do art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerando-se válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tão-somente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543-B, § 3º, do CPC aos recursos sobrestados. Em observância ao decidido pelo E. Supremo Tribunal Federal o recurso deve ser provido em parte para determinar-se o retorno dos autos à instância de origem para apreciação da certeza e liquidez do crédito objeto do pedido, assim como de sua suficiência e legalidade da compensação pleiteada. Recurso Provido em parte.
Numero da decisão: 1803-001.402
Decisão: Acordam os membros da 3ª Turma Especial da 4ª Câmara da 1ª Seção do CARF, por unanimidade de votos dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e voto que acompanham o presente julgado.
Nome do relator: SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO Período de apuração: 01/01/1996 a 31/05/1996 Compensação. Cinco mais cinco. Lei Complementar nº 118/05. O Supremo Tribunal Federal no julgamento do Recurso Extraordinário nº 566.621/RS, em repercussão geral reconhecida no RE nº 561.9087/RS reconheceu a inconstitucionalidade do art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, § 3º, do CPC aos recursos sobrestados. Em observância ao decidido pelo E. Supremo Tribunal Federal o recurso deve ser provido em parte para determinarse o retorno dos autos à instância de origem para apreciação da certeza e liquidez do crédito objeto do pedido, assim como de sua suficiência e legalidade da compensação pleiteada. Recurso Provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros da 3ª Turma Especial da 4ª Câmara da 1ª Seção do CARF, por unanimidade de votos dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e voto que acompanham o presente julgado. Selene Ferreira de Moraes Presidente (Assinado Digitalmente) Sérgio Luiz Bezerra Presta Relator (Assinado Digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walter Adolfo Maresch, Sérgio Luiz Bezerra Presta, Sérgio Rodrigues Mendes, Victor Humberto da Silva Maizman, Meigan Sack Rodrigues, Selene Ferreira de Moraes. Fl. 109DF CARF MF Impresso em 16/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 09/0 8/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 07/08/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PR ESTA Processo nº 10875.003434/200468 Acórdão n.º 1803001.402 S1TE03 Fl. 110 2 Relatório Por bem descrever os fatos relativos ao presente contencioso administrativo, adoto parte do relato do contido no Acórdão nº 0525.582 proferido pela 1ª Turma de Julgamento da DRJ em Campinas SP, constante das fls. 34 e seguintes dos autos, a seguir transcrito: “Tratase de Declaração de Compensação apresentada em 29/09/2004, no montante total de R$ 60.560,68, correspondente a recolhimentos feitos a título de CSLL, referentes aos períodos de apuração de janeiro a maio/1996. A DRF em Guarulhos, por meio do Despacho Decisório de fls. 17/18, não homologou as compensações efetuadas, sob a fundamentação de que, tendo ocorrido a decadência do direito de pedir a restituição, o alegado crédito não seria passível de restituição/compensação, a teor do disposto no art. 21 da Instrução Normativa SRF n° 210, de 2002. Cientificada desse despacho em 10/02/2009 (fl. 20), a interessada apresentou manifestação de inconformidade em 05/03/2009 (fls. 22/27), na qual alega que: • A Instrução Normativa SRF n° 210, de 2002, não poderia fundamentar a não homologação da compensação, pois se trata de direito adquirido antes da edição desse normativo; • Conforme entendimento do Superior Tribunal de Justiça, a extinção do crédito tributário operase com a homologação do lançamento, o que na prática resulta num prazo de dez anos: cinco para a homologação tácita e mais cinco para o exercício do direito à restituição de recolhimento indevido; • O Superior Tribunal de Justiça já decidiu que o prazo do art. 3° da Lei Complementar n° 118, de 2005 somente se aplica às ações ajuizadas a partir de 09/06/2005, o que não é o caso dos autos”. A 1ª Turma de Julgamento da DRJ em Campinas SP, na sessão de 05/05/2009, ao analisar a manifestação de inconformidade apresentada, proferiu o Acórdão nº 0525.582 entendendo “por unanimidade de votos, indeferir a solicitação da contribuinte, nos termos do voto do relator”, em decisão assim ementada: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Período de apuração: 01/01/1996 a 31/05/1996 RESTITUIÇÃO DE INDÉBITO. DMNÇÃO DO DIREITO. O direito de o contribuinte pleitear a restituição de tributo pago indevidamente extinguese após o transcurso do prazo de cinco anos contados da data do pagamento. Solicitação Indeferida”. Cientificada da decisão de primeira instância em 09/06/2009 (AR fls. 37v), a FRAGON PRODUTOS PARA INDÚSTRIA DE BORRACHA LTDA., qualificada nos autos em epígrafe, inconformada com a decisão contida no Acórdão nº 0525.582, recorre em Fl. 110DF CARF MF Impresso em 16/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 09/0 8/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 07/08/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PR ESTA Processo nº 10875.003434/200468 Acórdão n.º 1803001.402 S1TE03 Fl. 111 3 07/07/2009 (39 e segs) a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais objetivando a reforma do julgado reiterando, basicamente, os argumentos da manifestação de inconformidade (fls. 22 e segs). Em síntese, é o relatório. Voto Conselheiro Sergio Luiz Bezerra Presta Observando o que determina os arts. 5º e 33 ambos do artigo 33 do Decreto nº. 70.235/1972 conheço a tempestividade do recurso voluntário apresentado, preenchendo os demais requisitos legais para sua admissibilidade, dele, portanto tomo conhecimento. Adentrando na questão principal dos autos, vejo que trata de declaração de compensação (fls. 01), protocolada em 29/07/2004, que teve os seguintes débitos compensados no código 2484 (CSLL Pessoas Jurídicas não Financeiras Resultado Ajustado Estimativa Mensal), conforme visto abaixo: O referido pedido teve em 22/01/2009 (fls 17 e segs) o despacho decisório com a seguinte fundamentação: “Segundo o art. 165 do CTN, "o sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 40 do artigo 162, nos seguintes casos: 1. Cobranca ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; (grifamos) II. Erro na identificação do sujeito passivo, na determinação da aliquota aplicável, no cálculo do montante do débito ou na elaboração ou conferência de qualquer documento relativo ao pagamento; III. Reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória. Já, o CTN, em seu art. 168, estabelece que "o direito do sujeito passivo pleitear a restituição extinguese com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados: I. Na hipótese dos incisos I e lido artigo 165, da data da extinção do crédito tributário; (grifamos) Fl. 111DF CARF MF Impresso em 16/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 09/0 8/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 07/08/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PR ESTA Processo nº 10875.003434/200468 Acórdão n.º 1803001.402 S1TE03 Fl. 112 4 II. Na hipótese do inciso III do artigo 165, da data em que se tornar definitiva a decisão administrativa ou passar em julgado a decisão judicial que tenha reformado, anulado, revogado ou rescindido a decisão condenatória". Portanto, de acordo com o artigo 168, inciso I, conjugado com o artigo 165, inciso I, ambos do Código Tributário Nacional, o direito de pleitear a restituição extingue se com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos contado da data do pagamento de tributo indevido ou maior que o devido, em face da legislação tributária aplicável ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido. Nesse sentido, o Ato Declaratório n° 96, de 26 de novembro de 1999, do Sr. Secretário da Receita Federal, dispõe que, in verbis: ‘I o prazo para que o contribuinte possa pleitear a restituição de tributo ou contribuição pago indevidamente ou em valor maior que o devido, inclusive na hipótese de o pagamento ter sido efetuado com base em lei posteriormente declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal em ação declaratória ou em recurso extraordinário, extinguese após o transcurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados da data da extinção do crédito tributário arts. 165, 1 e 168, 1, da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional)’. Destarte, o prazo para requerer a restituição de indébito, mesmo na hipótese de o pagamento ter sido efetuado com fundamento em lei posteriormente declarada inconstitucional pelo STF é de 5 (cinco) anos contados da data do pagamento considerado indevido. Em análise ao processo, verificase que os pagamentos foram efetuados no período de 27/02/1996 a 28/06/1996 (fls. 04 a 08). Assim, tomando como parâmetro a data da protocolização da Declaração de Compensação (29/09/2004), todos os pagamentos efetuados em data anterior a 29/09/1999 não são passíveis de restituição por terem sido atingidos pela decadência. Portanto, inexistindo créditos passíveis de restituição, restanos indeferir o pedido, não homologando as compensações efetuadas pela contribuinte”. Diante do despacho decisório acima e da decisão proferida pela 1ª Turma de Julgamento da DRJ em Campinas SP, na sessão de 05/05/2009 e consubstanciada através do Acórdão nº 0525.582 vão de encontro ao que, por reiteradas, decidiu o Superior Tribunal de Justiça, quando fixou entendimento de que o prazo de restituição dos tributos pagos no âmbito do regime de lançamento por homologação deveria ser contado da data da homologação do pagamento, e não da data do pagamento. Esse entendimento, denominado de “tese dos cinco mais cinco”, deferia aos contribuintes que não tiveram o seu pagamento expressamente homologado pela autoridade fiscal, que postulassem a restituição de tributos em até cinco anos após a homologação tácita do pagamento, ou seja, passados cinco anos da ocorrência do fato gerador. Contrariamente a este entendimento, foi editada a Lei Complementar nº 118/05 que, a título interpretativo, previu que, nos casos de pedido de restituição, o prazo prescricional para postular a restituição deveria ser contado da data do pagamento; e não da Fl. 112DF CARF MF Impresso em 16/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 09/0 8/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 07/08/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PR ESTA Processo nº 10875.003434/200468 Acórdão n.º 1803001.402 S1TE03 Fl. 113 5 data da homologação do pagamento. Surgiu, então, questionamento acerca da aplicação retroativa de referida lei, que foi julgada definitivamente pelo Tribunal Pleno do Supremo Tribunal Federal no processo nº 566.621/RS, em repercussão geral reconhecida no RE nº 561.9087/RS, tendo ficado assentado o seguinte: “(...)1) Para as ações e pedidos de repetição realizados antes da vigência da lei complementar nº 118/05 (considerado, aqui, a vacatio legis de 120 dias da sua publicação), o prazo prescricional para restituição de tributos deve ser contado da data da homologação do pagamento, nos termos da “tese dos cinco mais cinco”; 2) Para as ações e pedidos de restituição realizados após a vigência da lei complementar nº 118/05, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005, aplicase o prazo prescricional de cinco anos, contados do pagamento. Transcrevo a ementa do julgado do Excelso Pretório, in litteris: DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – DESCABIMENTO – VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se auto proclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/08, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a Fl. 113DF CARF MF Impresso em 16/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 09/0 8/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 07/08/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PR ESTA Processo nº 10875.003434/200468 Acórdão n.º 1803001.402 S1TE03 Fl. 114 6 inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da ‘vacatio legis’ de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, § 3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido’ (Referida decisão transitou em julgado no dia 27 de fevereiro de 2012).” No caso dos autos, a compensação foi efetivada pela Recorrente em 31/12/2002, ou seja, antes da vigência da lei complementar nº 118/05, razão pela qual deve ser dado provimento ao recurso. Diante de tudo que consta nos autos, voto no sentido de DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, para reconhecer a possibilidade de a Recorrente pleitear compensação e a sua tempestividade, mas sem homologála, por ausência de análise do mérito pela autoridade preparadora. Assim, determino o consequente retorno dos autos ao órgão de origem, para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do crédito utilizado na compensação declarada em 29/09/2004. Sergio Luiz Bezerra Presta – Relator (Assinado digitalmente) Fl. 114DF CARF MF Impresso em 16/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 09/0 8/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 07/08/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PR ESTA
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Numero do processo: 10813.000551/2007-47
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 24 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Auto de Infração Aduaneiro Data do Fato Gerador: 26/11/2001 DRAWBACK. DECADÊNCIA. PRAZO. ART. 173, INCISO I DO CTN. A fiscalização do cumprimento do regime aduaneiro de Drawback, somente pode ser iniciado após 30 dias do prazo final para cumprimento do compromisso de exportação, portanto o prazo para a Fazenda Pública constituir o crédito tributário referente ao descumprimento do regime de drawback, extingue em 5 (cinco) anos, contados a partir do primeiro dia do exercício seguinte, àquele em que foi extinto o prazo para a conclusão do regime, nos termos do inciso I, do art. 173 do CTN. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NECESSIDADE DE
COMPROVAÇÃO.
Não há que se cogitar em nulidade do lançamento de ofício quando, no
decorrer da fase litigiosa do procedimento administrativo é dada ao
contribuinte a possibilidade de exercício do direito ao contraditório e à ampla
defesa. A obstrução à defesa, motivadora de nulidade do ato administrativo
de referência, deve apresentarse
comprovada no processo.
PERÍCIA. INDEFERIMENTO.
Não se justifica a prova pericial quando o fato litigado pode ser provado
mediante apresentação de prova documental.
INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMAS TRIBUTÁRIAS.
INCOMPETÊNCIA. APLICAÇÃO DA SÚMULA Nº 2 DO CARF.
Este Colegiado é incompetente para apreciar questões que versem sobre
constitucionalidade das leis tributárias. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. EXIGÊNCIA DE PROVA.
Não pode ser aceito para julgamento a simples alegação sem a demonstração
da existência ou da veracidade daquilo alegado.
AUTO DE INFRAÇÃO. MULTA DE OFÍCIO. LEGALIDADE.
A multa de ofício de 75 % (setenta e cinco por cento) aplicada nos
lançamentos de ofício esta prevista no inciso I, do art. 44 da Lei nº 9.430/96.
JUROS DE MORA. SELIC. APLICAÇÃO DA SÚMULA Nº 4 DO CARF.
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos
tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são
devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial
de Liquidação e Custódia SELIC
para títulos federais.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3102-001.516
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Ausente, momentaneamente, a Conselheira Nanci Gama.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
1.0 = *:*
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ementa_s : Auto de Infração Aduaneiro Data do Fato Gerador: 26/11/2001 DRAWBACK. DECADÊNCIA. PRAZO. ART. 173, INCISO I DO CTN. A fiscalização do cumprimento do regime aduaneiro de Drawback, somente pode ser iniciado após 30 dias do prazo final para cumprimento do compromisso de exportação, portanto o prazo para a Fazenda Pública constituir o crédito tributário referente ao descumprimento do regime de drawback, extingue em 5 (cinco) anos, contados a partir do primeiro dia do exercício seguinte, àquele em que foi extinto o prazo para a conclusão do regime, nos termos do inciso I, do art. 173 do CTN. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO. Não há que se cogitar em nulidade do lançamento de ofício quando, no decorrer da fase litigiosa do procedimento administrativo é dada ao contribuinte a possibilidade de exercício do direito ao contraditório e à ampla defesa. A obstrução à defesa, motivadora de nulidade do ato administrativo de referência, deve apresentarse comprovada no processo. PERÍCIA. INDEFERIMENTO. Não se justifica a prova pericial quando o fato litigado pode ser provado mediante apresentação de prova documental. INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMAS TRIBUTÁRIAS. INCOMPETÊNCIA. APLICAÇÃO DA SÚMULA Nº 2 DO CARF. Este Colegiado é incompetente para apreciar questões que versem sobre constitucionalidade das leis tributárias. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. EXIGÊNCIA DE PROVA. Não pode ser aceito para julgamento a simples alegação sem a demonstração da existência ou da veracidade daquilo alegado. AUTO DE INFRAÇÃO. MULTA DE OFÍCIO. LEGALIDADE. A multa de ofício de 75 % (setenta e cinco por cento) aplicada nos lançamentos de ofício esta prevista no inciso I, do art. 44 da Lei nº 9.430/96. JUROS DE MORA. SELIC. APLICAÇÃO DA SÚMULA Nº 4 DO CARF. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Recurso Voluntário Negado
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2127; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C1T2 Fl. 1 1 S3C1T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10813.000551/200747 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 310201.516 – 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 24 de maio de 2012 Matéria AUTO DE INFRAÇÃO ADUANEIRO Recorrente ADDN ASSISTÊNCIA TÉCNICA COM E INDUSTRIA LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Auto de Infração Aduaneiro Data do Fato Gerador: 26/11/2001 DRAWBACK. DECADÊNCIA. PRAZO. ART. 173, INCISO I DO CTN. A fiscalização do cumprimento do regime aduaneiro de Drawback, somente pode ser iniciado após 30 dias do prazo final para cumprimento do compromisso de exportação, portanto o prazo para a Fazenda Pública constituir o crédito tributário referente ao descumprimento do regime de drawback, extingue em 5 (cinco) anos, contados a partir do primeiro dia do exercício seguinte, àquele em que foi extinto o prazo para a conclusão do regime, nos termos do inciso I, do art. 173 do CTN. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO. Não há que se cogitar em nulidade do lançamento de ofício quando, no decorrer da fase litigiosa do procedimento administrativo é dada ao contribuinte a possibilidade de exercício do direito ao contraditório e à ampla defesa. A obstrução à defesa, motivadora de nulidade do ato administrativo de referência, deve apresentarse comprovada no processo. PERÍCIA. INDEFERIMENTO. Não se justifica a prova pericial quando o fato litigado pode ser provado mediante apresentação de prova documental. INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMAS TRIBUTÁRIAS. INCOMPETÊNCIA. APLICAÇÃO DA SÚMULA Nº 2 DO CARF. Este Colegiado é incompetente para apreciar questões que versem sobre constitucionalidade das leis tributárias. Fl. 199DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2012 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 05/07/ 2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 14/06/2012 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA 2 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. EXIGÊNCIA DE PROVA. Não pode ser aceito para julgamento a simples alegação sem a demonstração da existência ou da veracidade daquilo alegado. AUTO DE INFRAÇÃO. MULTA DE OFÍCIO. LEGALIDADE. A multa de ofício de 75 % (setenta e cinco por cento) aplicada nos lançamentos de ofício esta prevista no inciso I, do art. 44 da Lei nº 9.430/96. JUROS DE MORA. SELIC. APLICAÇÃO DA SÚMULA Nº 4 DO CARF. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Ausente, momentaneamente, a Conselheira Nanci Gama. Luis Marcelo Guerra de Castro Presidente. Winderley Morais Pereira Relator. Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Luis Marcelo Guerra de Castro, Ricardo Paulo Rosa, Adriana Oliveira e Ribeiro, Winderley Morais Pereira, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho e Nanci Gama. Ausente, momentaneamente, a Conselheira Nanci Gama. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto, com as devidas adições, o relatório da primeira instância que passo a transcrever. Fl. 200DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2012 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 05/07/ 2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 14/06/2012 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 10813.000551/200747 Acórdão n.º 310201.516 S3C1T2 Fl. 2 3 “Trata o presente de autos de infração, lavrados contra a contribuinte em epígrafe para exigência do Imposto de Importação, Imposto sobre Produtos IndustrializadosVinculado, Multa proporcional e Juros de Mora (calculados até 30/11/2007), no valor de R$ 24.489,84, pelas razões de fato e de direito a seguir expostas. A contribuinte promoveu a importação de um anel de aço forjado, fabricado em aço 34CRNIM076, com suspensão do II e do IPIVinculado, amparado no Ato Concessório Secex nº 20010017593; O despacho foi processado pela Declaração de Importação nº 01/11507930, registrada em 26/11/2001, devendo a mercadoria integrar o produto a ser exportado, conjunto rotativo pra redutores de velocidade, até 03/06/2002. Com início do procedimento de fiscalização, a contribuinte apresentou, em 13/12/2007, os seguintes documentos: Registro do AC nº 20010017593, na exortação, fls. 25/27, Declaração de Importação nº 01/11507930, de 26/11/2001, fls. 28/30, Registro de Operações de Exportação, RE nº 02/0214195001, fl. 31/34, Conhecimento de Carga nº SAO011001087, fl. 35 e Nota Fiscal 7449, fls. 15. Embora, alegado às fl. 15, segundo a fiscalização, a contribuinte não apresentou cópia da Fatura Comercial da mercadoria importada. Conforme o RE nº 02/0214195001, registrado em 05/03/2002, fls. 38/40, foram exportados pela empresa, um conjunto rotativo para redutor de velocidade Farrel TI DR33 e um conjunto rotativo completo para reduro Farrel tipo DR39. A fiscalização observou que no enquadramento da operação (campo 02a), do RE, há a informação do código 80.000, indicando se trata de exportação normal, e também não foi encontrada, em nenhum campo do RE (em particular os campos 24 ou 25(, a informação referente ao ato concessório a que deveria estar vinculada essa operação. Acresce, segundo a fiscalização, que esse ato concessório encontravase na situação "inadimplente total", fl. 37. Desse modo, sem qualquer vinculação entre a mercadoria importada, o RE e o Ato Concessório, e sem comprovação de adimplemento do AC nº 20010017593, foi lavrado o presente auto de infração para exigência do crédito tributário devido. A contribuinte foi intimada e cientificada em 18/12/2007, fl. 43 apresentado sua Impugnação em 17/01/2008, fls. 47/92, alegando que: Preliminar 1. a exigência fiscal descabe pela ocorrência da prescrição, pois a DI nº 01/11507930, é de 26/11/2001, e a impugnante tomou conhecimento do início do procedimento fiscal em 13/12/2007; Fl. 201DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2012 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 05/07/ 2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 14/06/2012 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA 4 2. não foram observados os princípios constitucionais (art. 5º, inciso LV, da CF/88), do contraditório e da ampla defesa, visto que a contribuinte não teve acesso a todos os recursos e meios legais para defender seus interesses; 3. a fiscalização não comprovou que a exportação realizada pela impugnante não é aquela que se comprometeu pelo ato concessório referido, e não justificou a não aceitação dos documentos juntados pela impugnante; 4. foram ofendidos os princípios da capacidade contributiva, da proporcionalidade e do não confisco; 5. a aplicação da taxa Selic fere o princípio da legalidade, visto que existe dispositivo legal próprio, ou seja, o art. 161 do CTN, tornando, inconstitucional e ilegal a taxa Selic, para fins tributários, estandose diante da prática do anatocismo, proibido pelo art. 4º do Decreto nº 22.626, de 1933 (Lei da Usura) e pela Súmula nº 121 do STF; 7. a cobrança de multa, verba indevida, afronta o princípio da proporcionalidade, da razoabilidade e do não confisco; 8. se, ao final, mantida a exigência tributária haverá necessidade de perícia contábil para a exclusão de anatocismo, bem como encargos indevidos, além da fixação de penalidade respeitando se os princípios constitucionais referidos, e somente após a análise de eventuais novos cálculos, a impugnante poderá apresentar seus quesito pelos quais protesta e pela juntada de novos documentos. A impugnante juntou farta doutrina a respeito dos temas, bem como exaustiva jurisprudência judicial." A Delegacia da Receita Federal de Julgamento manteve integralmente o lançamento. A decisão da DRJ foi assim ementada. “ASSUNTO: REGIMES ADUANEIROS Data do fato gerador: 26/11/2001 DRAWBACK SUSPENSÃO. Preliminares As preliminares deixam de ser acatadas por falta de suporte legal. DrawbackSuspensão: Descumprimento. O descumprimento do compromisso de exportação no regime de Drawback, modalidade Suspensão, em decorrência das condições estabelecidas relativamente ao Ato Concessório nº 20010017593, enseja a cobrança do Imposto de Importação e do Fl. 202DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2012 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 05/07/ 2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 14/06/2012 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 10813.000551/200747 Acórdão n.º 310201.516 S3C1T2 Fl. 3 5 Imposto sobre Produtos IndustrializadosVinculado, relativamente a mercadoria importada nesse regime. Multa de Ofício A falta de recolhimento dos impostos, na data estabelecida na legislação de regência, tipifica a penalidade prevista para o Imposto de Importação (art. 4º, inciso I, da Lei nº 8.218/91, c/c art. 44, I, da Lei nº 9.430/96; e, para o Imposto sobre Produtos IndustrializadosVinculado (art. 80, inciso I, da Lei nº 4.502/64, com a redação do art. 45, da Lei nº 9.430/96); c/c art. 106, inciso II, alínea 'c' da Lei nº 5.172/66, tornando cabível a aplicação da multa de ofício. Juros de Mora e Taxa Selic São devidos os juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quanto existir depósito no montante integral. (Súmula CARF nº 5). A partir de 1º/04/95, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela DSRFB são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais.(Súmula CARF nº 4). Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido.” Cientificado da decisão, o autuado apresentou recurso repisando as alegações já apresentadas na impugnação. É o Relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator. O recurso é voluntário e tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, merecendo, por isto, ser conhecido. O lançamento teve origem no descumprimento do compromisso de exportação assumido no Ato Concessório nº 20010017593 conforme consta detalhadamente do Fl. 203DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2012 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 05/07/ 2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 14/06/2012 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA 6 relatório. A Recorrente se insurge contra o lançamento sob o arrimo de diversos argumentos, que passo a discorrer. Prazo decadencial para exigência de tributos suspensos no Drawback Inicialmente, aprecio a alegação de decadência do lançamento. O regime de Drawback suspensivo, como já dito, suspende os impostos incidentes sobre importação de mercadoria que será utilizada em outro produto a ser importado. É característica do regime determinar um prazo para cumprimento da obrigação de exportação do produto. Durante este interstício, entre a data da importação e o prazo final para a exportação do produto final, o regime não pode sofrer fiscalização, pois estando no prazo o beneficiário poderá realizar a importação até o último dia previsto no ato concessório. Findo o prazo, caso não tenham sido cumpridas as obrigações de exportação previstas, o beneficiário possui o prazo de 30 (trinta) dias para recolher os tributos suspensos sem penalidade. Somente findo este prazo, pode ser iniciado o procedimento de fiscalização do regime e a consequente exigência de tributos devidos, portanto, o prazo quinquenal para o lançamento dos impostos suspensos no regime, contase a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos termos do inciso I, do art. 173 do CTN. Firme neste entendimento, considerando que o prazo final para cumprimento das exportações do Ato Concessório extinguiuse em 03/02/2002. O prazo para o lançamento dos tributos suspensos se esgotaria no dia 31/12/2007. A ciência do lançamento ocorreu em 18/12/2007, dentro do prazo legal par o lançamento. Cerceamento do direito de defesa e ofensa a princípios constitucionais Quanto a alegação de cerceamento do direito de defesa, sob o arrimo de que a Recorrente não teve acesso a todos os recursos e meios legais para defender seus interesses. Nesta matéria não assiste razão ao Recurso. O Auto de Infração foi realizado dentro das normas legais, atendendo todos os requisitos previstos na legislação quanto a formalização do lançamento tributário. A multa foi corretamente descrita e detalhada, sendo o lançamento objeto de impugnação e julgamento pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento e ainda, não tendo as suas pretensões atendidas, a Recorrente protocolou o competente Recurso Voluntário. Com todo este histórico de discussão administrativa, não se pode falar em cerceamento de direito de defesa. O procedimento previsto no Decreto 70.235/72 foi observado, tanto quanto ao lançamento tributário, bem como, ao devido processo administrativo fiscal. Quanto à alegação que o lançamento estaria ferindo princípios constitucionais de razoabilidade e proporcionalidade e teria caráter confiscatório. Também aqui não pode prosperar as alegações do recurso. Os princípios constitucionais atingiriam o legislador e estando a multa prevista em Lei e em plena vigência, não há que se considerar qualquer ofensa a preceitos constitucionais. Ainda que pudesse restar alguma dúvida sobre a legalidade sob o Fl. 204DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2012 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 05/07/ 2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 14/06/2012 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 10813.000551/200747 Acórdão n.º 310201.516 S3C1T2 Fl. 4 7 viés constitucional do lançamento tributário, mesmo assim, este colegiado não poderia apreciar a matéria, diante da emissão da súmula nº 2 do CARF, publicada no DOU de 22/12/2009, que veda o pronunciamento sobre constitucionalidade de lei tributária. “Súmula CARF nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a constitucionalidade de lei tributária” Do Pedido de diligência. Quanto ao pedido de diligência apresentado, esta não se faz necessária. A diligência tem como pressuposto a busca de esclarecimentos para subsidiar o julgador na sua decisão. A diligência não se presta a produção de provas, que devem ser apresentadas em sede de impugnação. No caso em tela, os documentos acostados ao processo e os esclarecimentos prestados são suficientes para a convicção do julgador, não sendo necessária nenhuma informação adicional para solução da lide. Afastada as questões preliminares, passo a análise do mérito da lide que se prende a discussão sobre a comprovação do cumprimento do regime de drawback pactuado no Ato Concessório nº 20010017593. Do Regime de Drawback e a exigência da comprovação das obrigações pactuadas no Ato Concessório. O benefício do Drawback pressupõe o acordo entre o Estado e o contribuinte, onde é concedido um benefício tributário tendo como contrapartida o cumprimento de certos requisitos. A materialização deste acordo é feito mediante o pedido e a emissão do ato concessório, fixando os benefícios e as obrigações do beneficiário do regime. A Receita Federal responsável pela fiscalização e a Secretária de Comércio Exterior SECEX, que responde pela concessão do regime, definiram, que determinam a forma a ser utilizada o Drawback, as informações a serem prestadas e prazos que deverão ser cumpridos pelos contribuintes. O conjunto destas obrigações, tais como, informar um determinado código nos documentos de exportação e informar os dados de cumprimento dos atos nos sistemas informatizados responsáveis pelos controles do regime, dentre outros, passaram a ser complementares ao regime e são utilizados para comprovar a realização dos compromissos assumidos. O cumprimento das obrigações administrativas de nenhum forma torna impossível a revisão ou de forma definitiva o adimplemento das obrigações registradas no ato concessório. Podendo ser objeto de revisão e fiscalização por parte dos órgãos responsáveis, neste caso específico a Secretária de Comércios Exterior SECEX e a Receita Federal do Brasil. Fl. 205DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2012 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 05/07/ 2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 14/06/2012 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA 8 De outro giro, o descumprimento das obrigações, apesar de poder ensejar a aplicação de penalidades administrativas não se torna verdade absoluta quanto ao descumprimento da obrigações pactuadas no regime. As informações prestadas pelo contribuinte, comprovam o cumprimento do ato concessório e permitem aos órgãos controlador e fiscalizador a auditoria da efetiva ocorrência da operação. A falta de informação nos termos determinados em atos administrativos, implica em considerar que não existiu o adimplemento das obrigações do regime, determinando que a Fiscalização Aduaneira realize o lançamento para a exigência dos tributos suspensos O beneficiário do regime, cientificado do lançamento, possui todo o direito de questionar a exigência. Entretanto, dai ocorre uma inversão do ônus da prova, já que pelos meios legais e acordados ente as partes não foi comprovada a operação, determinando. Caberá ao beneficiário a comprovação do cumprimento das obrigações pactuadas por meio de documentos ou outros meios de prova legalmente admitidos. Do lançamento exigido e da falta de comprovação do cumprimento das obrigações previstas no ato concessório. No caso em tela a fiscalização de forma diligente intimou o beneficiário a comprovar o adimplemento dos compromissos de exportação previsto no ato concessório nº 20010017593. Na sua resposta, a Recorrente apresentou cópia do Ato Concessório e documentos de exportação. Ao verificar os documentos apresentados, a Fiscalização Aduaneira constatou que não existia exportação vinculada ao regime de Drawback, pois nos RE apresentados constava a informação de exportação código 8000 (exportação normal) e consultando os sistemas informatizados que controlam o regime, constava a informação de "inadimplemento total". Constatado por estes meios o descumprimento do regime, a Fiscalização lavrou o presente auto de infração para exigências dos tributos que encontravam se suspensos por ocasião da operação de importação autorizada no Ato Concessório. Intimado do lançamento, veio o beneficiário aos autos e por meio da manifestação de inconformidade alegando o cumprimento do ato concessório e afirmando a nulidade do lançamento em razão de descumprimento de requisitos legais. A autoridade de primeira instância entendeu não estarem confirmadas as obrigações de exportadas constantes do ato concessório, não dando razão a inconformidade da Recorrente mantendo integralmente o lançamento. Não satisfeita com a decisão, veio a Recorrente novamente aos autos por meio de Recurso Voluntário e reafirmou a posição de ter cumprido os compromissos de exportação. Na resposta apresentada e nos documentos juntados aos autos quando da impugnação e do recurso voluntário. A Recorrente não apresentou nenhuma prova ou esclarecimento que pudesse comprovar a realização da exportação prevista no ato concessório. As manifestações da Recorrente se resumiram a afirmar o cumprimento do regime e a ilegalidade no lançamento tributário. O lançamento constituído pelo Fisco teve origem nas informações colhidas nos Sistemas Informatizados, obtidos a partir das informações prestadas pela Recorrente no Fl. 206DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2012 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 05/07/ 2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 14/06/2012 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 10813.000551/200747 Acórdão n.º 310201.516 S3C1T2 Fl. 5 9 Registro de Exportação e na ausência de informações no sistema de controle de Drawback. O pedido para que a Recorrente, apresentasse a comprovação do cumprimento do ato concessório já consta do termo inicial da auditoria promovida pela Fiscalização Aduaneira, e também no acórdão da autoridade de piso, que não admitiu os argumento constantes da impugnação por falta de provas. O Recurso Voluntário trouxe novamente a mesma alegação de cumprimento do regime e novamente não foram tragos aos autos os esclarecimentos e a documentação necessária a comprovação do cumprimento do regime. Analisando a situação da necessidade da prova, lembro a lição de Humberto Teodoro Júnior. “Não há um dever de provar, nem à parte contraria assiste o direito de exigir a prova do adversário. Há um simples ônus, de modo que o litigante assume o risco de perder a causa se não provar os fatos alegados dos quais depende a existência de um direito subjetivo que pretende resguardar através da tutela jurisdicional. Isto porque, segundo máxima antiga, fato alegado e não provado é o mesmo que fato inexistente.” 1 A autoridade fiscal tem o ônus da comprovação dos fatos quando da realização do lançamento tributário. Entretanto, estamos tratando de caso diverso. O lançamento foi motivado por informações constantes das informações de responsabilidade da Recorrente, registradas nos Sistemas Informatizados. A decisão da primeira instância manteve integralmente o lançamento não aceitando os argumentos da impugnação, por falta de comprovação documental. A modificação da decisão recorrida, somente poderia ocorrer com a comprovação do cumprimento das obrigações previstas no Ato Concessório. A simples afirmação, sem a apresentação de documentação comprobatória, não pode ser analisada, muito menos, obrigar a outra parte que promova a busca das provas necessárias à comprovação dos fatos constantes do recurso. Multa de ofício e juros moratórios utilizando a taxa SELIC. Quanto ao questionamento da multa de ofício no valor de 75% (setenta e cinco por cento), não assiste razão a recorrente, a multa, objeto do lançamento no Auto de Infração está prevista no inciso I, do art. 44, da Lei 9.430/96, sendo aplicada nos lançamentos de ofício para exigência de tributos. “Art.44 Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I – de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata;” No caso em tela foi realizado o lançamento de ofício, formalizado por meio do Auto de Infração e, portanto, tornase obrigatória a exigência da multa de ofício no valor de 75% (setenta e cinco por cento) aplicada sobre o valor do tributo exigido. 1 Huberto Teodoro Júnior, Curso de Direito Processual Civil, 41ª ed., v. I, p. 387. Fl. 207DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2012 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 05/07/ 2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 14/06/2012 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA 10 Por fim, o contribuinte se insurge sobre a cobrança de juros de mora e utilização da taxa SELIC. Também nesta matéria não assiste razão a recorrente, os juros moratórios incidem sobre o crédito tributário não integralmente pago, no intuito de corrigir os valores devidos, sem se configurar em penalidade. A previsão para a cobrança dos juros de mora consta do art. 161 do Código Tributário Nacional. “Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1º Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. § 2º O disposto neste artigo não se aplica na pendência de consulta formulada pelo devedor dentro do prazo legal para pagamento do crédito.” Depreendese da leitura do § 1º que a cobrança de um por cento fica afastada no caso de lei dispuser de modo diverso. No caso em análise, a legislação trouxe novos valores de cobrança, em substituição àquele original, que vem a ser o art. 2º do DecretoLei 1.736/79, alterado pelo artigo 16 do DecretoLei 2.32387 com redação dada pelo artigo 6º do DecretoLei 2.33187 e art. 54 parágrafo 2º da Lei 8.383/91. Quanto ao cabimento da cobrança de juros de mora, utilizando a taxa SELIC. O CARF editou a súmula nº 4, publicada no DOU de 22/12/2009. “Súmula CARF nº 4 A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais”. Portanto, a cobrança dos juros moratórios utilizando a taxa SELIC é matéria já sumulada e de aplicação obrigatória nos julgamentos deste colegiado. Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. Winderley Morais Pereira Fl. 208DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2012 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 05/07/ 2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 14/06/2012 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 10813.000551/200747 Acórdão n.º 310201.516 S3C1T2 Fl. 6 11 Fl. 209DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2012 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 05/07/ 2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 14/06/2012 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA
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Numero do processo: 15504.018492/2008-51
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 13 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Apr 22 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/12/2002 a 31/12/2006
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OBSCURIDADE NO ACÓRDÃO. COMPROVAÇÃO. ACOLHIMENTO.
Restando constatada a existência de erro material que resulte em obscuridade no acórdão prolatado, os embargos de declaração devem ser acolhidos, de modo que se rerratifique o decisório.
Embargos Acolhidos.
Numero da decisão: 2401-002.939
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos de declaração para re-ratificar o acórdão embargado, passando o resultado do julgamento, no que se refere à decadência, a ser: Por maioria de votos, declarar a decadência até a competência 11/2003. Vencida a conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, que rejeitava a argüição da decadência.
Elias Sampaio Freire - Presidente
Kleber Ferreira de Araújo Relator
Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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OBSCURIDADE NO ACÓRDÃO. COMPROVAÇÃO. ACOLHIMENTO. Restando constatada a existência de erro material que resulte em obscuridade no acórdão prolatado, os embargos de declaração devem ser acolhidos, de modo que se rerratifique o decisório. Embargos Acolhidos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos de declaração para reratificar o acórdão embargado, passando o resultado do julgamento, no que se refere à decadência, a ser: Por maioria de votos, declarar a decadência até a competência 11/2003. Vencida a conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, que rejeitava a argüição da decadência. Elias Sampaio Freire Presidente Kleber Ferreira de Araújo – Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 01 84 92 /2 00 8- 51 Fl. 1600DF CARF MF Impresso em 22/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 11/04 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/04/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 1601DF CARF MF Impresso em 22/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 11/04 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/04/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 15504.018492/200851 Acórdão n.º 2401002.939 S2C4T1 Fl. 1.601 3 Relatório Cuidase de Embargos de Declaração, apresentados pela Fazenda Nacional, desafiando o Acórdão n.º 2401002.719 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, de 17/10/2012. No referido acórdão, deuse, por maioria, procedência parcial ao recurso voluntário ao reconhecer a decadência das contribuições lançadas até a competência 01/2004. Aplicouse para aferição do prazo decadencial a norma do § 4.º do art. 150 do CTN, posto que no relato do fisco ficou consignado que haviam sido analisadas guias de recolhimento de contribuições previdenciárias. Quando tratou da questão o voto condutor do acórdão assim dispôs: “Esse posicionamento conduzme à conclusão de que devam ser excluídas pela caducidade as competências até 01/2004, haja vista que a cientificação do lançamento ocorreu 03/02/2009 (última das devedoras solidárias a tomar ciência).” A PFN apontou omissão/obscuridade no acórdão, alegando que não há nos autos como se detectar a data da intimação da última das coobrigadas, posto que na folha 662, apontada pela Turma do CARF para comprovar o fato processual, não consta informação sobre essa questão. Por outro lado, a embargante afirma que o último dos devedores compareceu espontaneamente ao processo para apresentar impugnação em 04/12/2008, portanto, em data anterior àquela fixada no acórdão embargado para contagem da decadência (03/02/2009). É o relatório. Fl. 1602DF CARF MF Impresso em 22/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 11/04 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/04/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Relator Admissibilidade Os embargos merecem conhecimento, posto que preenchem os requisitos de tempestividade e legitimidade, além de apresentarem situação que, em tese, configura obscuridade do acórdão guerreado. Necessidade de retificação do acórdão embargado Voltando a compulsar os autos, identificamos, à fl. 662, despacho da Equipe de Processos Fiscais do Serviço de Controle e Acompanhamento Tributário – SECAT da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Belo Horizonte com a seguinte informação: “0 sujeito passivo em referência apresentou impugnação TOTAL TEMPESTIVA, protocolizada em 04/12/2008, porém comandamos o sistema com a data de 03/02/2009, por tratarse de grupo econômico em que o SICOB é alimentado com a data da última empresa do grupo a tomar ciência.” Diante das palavras acima, o relator entendeu erroneamente que a data da ciência teria sido 03/02/2009, todavia, era, na verdade, o termo final do prazo de impugnação. Podese ver do extrato de fl. 661 que a data da ciência ocorreu em 31/12/2008. Para superar a erronia apontada nos embargos, façamos nova contagem do prazo de decadência. É inquestionável a aplicação do § 4.º do art. 150 do CTN, uma vez que consta do relato do fisco a existência de guias de recolhimento. Pois bem, considerandose que o crédito contempla o período de 12/2002 a 12/2006, devese afastar em razão da caducidade as competências de 12/2002 a 11/2003, uma vez que a ciência do lançamento ocorreu em 31/12/2008, conforme visto acima. Conclusão Voto por acolher os embargos para rerratificar o acórdão embargado, reconhecendo a decadência do crédito para o período de 12/2002 a 11/2003. Kleber Ferreira de Araújo Fl. 1603DF CARF MF Impresso em 22/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 11/04 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/04/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
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Numero do processo: 10530.720269/2007-56
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 11 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL - ITR
Exercício: 2003
ITR - DECADÊNCIA. O imposto sobre a propriedade territorial rural é, a partir do ano-calendário 1997, tributo sujeito ao regime do denominado lançamento por homologação, sendo que o prazo decadencial para a constituição de créditos tributários é de cinco anos contados do fato gerador, que ocorre em 01 de janeiro de cada ano-calendário.
Ultrapassado esse lapso temporal, sem a expedição de lançamento de ofício, opera-se a decadência, a atividade exercida pelo contribuinte está tacitamente homologada e o crédito tributário extinto, nos termos do artigo 150, § 40 e do artigo 156, inciso V, ambos do CTN. Argüição de Decadência Acolhida.
Recurso de oficio negado.
Numero da decisão: 2202-001.907
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: ANTONIO LOPO MARTINEZ
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O imposto sobre a propriedade territorial rural é, a partir do anocalendário 1997, tributo sujeito ao regime do denominado lançamento por homologação, sendo que o prazo decadencial para a constituição de créditos tributários é de cinco anos contados do fato gerador, que ocorre em 01 de janeiro de cada anocalendário. Ultrapassado esse lapso temporal, sem a expedição de lançamento de ofício, operase a decadência, a atividade exercida pelo contribuinte está tacitamente homologada e o crédito tributário extinto, nos termos do artigo 150, § 40 e do artigo 156, inciso V, ambos do CTN. Argüição de Decadência Acolhida. Recurso de oficio negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do voto do Relator. (Assinado digitalmente) Nelson Mallmann – Presidente (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez – Relator Fl. 194DF CARF MF Impresso em 15/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 13/08/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 13/08/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 2 Composição do colegiado: Participaram do julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Guilherme Barranco de Souza, Antonio Lopo Martinez, Julianna Bandeira Toscano, Rafael Pandolfo e Nelson Mallmann. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Pedro Anan Junior, Odmir Fernandes e Helenilson Cunha Pontes. Fl. 195DF CARF MF Impresso em 15/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 13/08/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 13/08/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10530.720269/200756 Acórdão n.º 220201.907 S2C2T2 Fl. 2 3 Relatório Em desfavor do contribuinte, UNIBANCO UNIÃO DE BANCOS BRASILEIROS S/A., foi lavrado o Auto de Infração de fls. 14/19, no qual é cobrado o Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR, referente ao Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR, exercício de 2003, tendo como objeto o imóvel denominado “Fazenda Taboleirinho”, cadastrado na RFB sob o nº 4.838.7053,com área declarada de 21.453,0 ha, localizado no Município de São Desidério – BA.. O crédito tributário apurado pela fiscalização compõe se de diferença no valor do ITR de R$ 1.005.709,70 que, acrescida dos juros de mora, calculados até 31/12/2007 (R$ 629.473,70) e da multa proporcional (R$ 754.282,27), perfaz o montante de R$ 2.389.465,67. Por não ter sido apresentado qualquer documento de prova, a autoridade fiscal, depois de proceder à análise dos dados informados na correspondente DITR/2004, lavrou a presente Notificação, em que foram integralmente glosadas as áreas declaradas de preservação permanente e de utilização limitada, respectivamente, de 7.000,0 ha e 4.290,6 ha, além rejeitado o VTN declarado, de R$ 20.000,00 ou R$ 0,93/ha, que entendeu subavaliado, sendo arbitrado o valor de R$ 5.038.022,52 ou R$ 234,84/ha, com base no SIPT da Receita Federal, com conseqüente aumento das áreas aproveitáveis/tributadas e VTN tributável, disto resultando imposto suplementar de R$ 1.005.709,70, conforme demonstrado às fls. 03. Cientificado do lançamento em 03/01/2008 (AR de fls. 15), o contribuinte apresentou tempestivamente a impugnação de fls. 26/37, além dos documentos de fls. 38/54, alegando, em resumo: faz um breve relato dos fatos relacionados com a presente Notificação; depois de invocar a legislação que trata do Contribuinte e do fato gerador do ITR (arts. 29 e 31 do CTN), além de transcrever, sobre o assunto, lição de Hugo de Brito Machado, diz que há dúvidas razoáveis sobre a efetiva existência do imóvel, matriculado sob os nºs 1879 e 1927 do CRI e Hipotecas de São Desidério – BA, e objeto das dações em pagamento ao Impugnante, realizadas em 02/10/1996 e 16/01/1997, nos termos dos títulos anexos, onde figura como intervenientes doadores Miguel Francisco Alves e Nascimenta Maria Alves; consoante laudo técnico elaborado pela empresa Topoeste Projetos e Construções Ltda, assinada por engenheiro agrônomo devidamente inscrito no CREA, concluiu se, em síntese, que existe sobreposição de áreas, com as fazendas Condado e Várzea do Guará, que também possuem registro no Cartório de São Desidério, e que a documentação relativa à Fazenda Taboleirinho apresenta vícios e irregularidades; Fl. 196DF CARF MF Impresso em 15/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 13/08/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 13/08/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 4 consequentemente, não se pode exigir o ITR do Impugnante, já que inexiste a posse, a área enfim, a propriedade, elementos fundamentais para a existência do fato imponível do referido imposto; a propósito, também é nesse sentido que conclui um segundo laudo contratado pelo Impugnante; se a área é de duvidosa existência, não há como identificar por presunção um elemento material da hipótese de incidência tributária, qual seja ser proprietário de propriedade rural; a favor da sua tese, cita jurisprudência do antigo Conselho de Contribuintes (Acórdão 20207647,Relator: Tarásio Campelo Borges, Sessão de 31/03/1995); nos termos do art. 116, inciso II, do CTN, uma hipótese de incidência só pode ser considerada ocorrida quando, tratando se de situação jurídica, desde o momento em que esteja definitivamente constituída. No caso presente não se sabe, de forma definitiva e nos termos do direito posto, quem seria o verdadeiro proprietário do imóvel; o deslinde da intricada questão compete, exclusivamente, à Justiça Civil (ex vi do artigo 109 do CTN). É proprietário aquele que, para o direito civil, é reconhecido como tal; a favor dessa sua tese, cita ensinamento do Professor Alberto Xavier (Do lançamento no direito tributário, 3ª edição, Forense, 2005, p. 192); mesmo que admitisse a DITR, impossível não concluir que se trata de propriedade limitada, precária, pois apenas consubstanciada em título aquisitivo, não reunindo o impugnante todos os direitos elementares de propriedade, estando impedido de dela fazer uso, gozo ou disposição, segundo reza o art. 1.228 do Código Civil; a propriedade limitada detida pela Impugnante não se encaixa na hipótese normativa dos artigos 29 e 31 do CTN, não restando configurado, assim, o fato gerador capaz de ensejar o recolhimento do ITR incidente sobre o imóvel; citando esclarecimento extraído da obra de Washington de Barros Monteiro (“Curso de Direito Civil”, 3º Volume, Ed. Saraiva, 20ª edição); conclui se que o sujeito passivo do ITR é o proprietário (pleno), o titular do domínio útil e o posseiro, a qualquer título, de imóveis rurais; mesmo prevalecendo o entendimento de que o ora Impugnante é o sujeito passivo da relação jurídico tributária ora questionada, insta ressaltar que a exigência vergastada é nula, na medida em que arbitrou um VTN sem respeitar os requisitos legais para utilização desse expediente extraordinário; o auto de infração padece da insanável eiva da nulidade, justamente por ter apontado uma base de cálculo que não Fl. 197DF CARF MF Impresso em 15/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 13/08/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 13/08/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10530.720269/200756 Acórdão n.º 220201.907 S2C2T2 Fl. 3 5 corresponde à realidade da suposta propriedade rural da ora impugnante; a fiscalização em momento algum adotou qualquer medida tendente à busca da realidade fática que cerca a presente questão, ignorando, para efeito de aferição da área tributável do imóvel, a existência ou não de áreas de preservação permanente e de utilização limitada; fato este que pelo cânone da verdade material que norteia a administração tributária, haveria esta de realizar a conjugação entre a realidade fática envolvida com a formal vertida na DITR em apreço; citando lições extraídas da obra de James Marins (Direito Tributário Brasileiro, Dialética, São Paulo, 2001, p. 175/177); diante das circunstâncias autorizadoras e em perseguição da verdade material, o lançamento pode ser revisto de ofício pela autoridade fiscal (atividade plenamente vinculada); nunca é demais lembrar que o arbitramento deve ser realizado, nos estritos lindes normativos, mediante processo regular, permitindo ao Contribuinte avaliar e saber os critérios adotados, bem como contradizê lós quando necessário; percebe se, no entanto, que os valores arbitrados surgem sem qualquer suporte probatório que o autorize, extraído de uma metodologia plenamente equivocada; conclui se que o auto de infração combatido está eivado de nulidade insanável, na medida em que o mesmo procedeu o lançamento por arbitramento em total desrespeito aos critérios autorizadores previstos no art. 148 do CTN, razão pela qual o seu cancelamento é medida que se requer, e por fim, requer o acolhimento da presente impugnação para o fim de julgar improcedente o auto de infração ou, caso não sejam acolhidos os argumentos de ilegalidade, que se converta o presente julgamento em diligência com o fito de aferir tecnicamente, quantificação da área tributável e o valor da terra nua. A DRJ Brasília ao apreciar as razões do contribuinte, julgou a impugnação procedente, nos termos da ementa a seguir: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2003 ITR. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO DECADÊNCIA. Na modalidade do lançamento por homologação, o prazo quinquenal legalmente previsto para revisão do valor do ITR apurado e recolhido, integralmente ou de forma parcelada, pelo contribuinte, dentro do próprio exercício de referência do imposto, inicia se na data da ocorrência do respectivo fato Fl. 198DF CARF MF Impresso em 15/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 13/08/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 13/08/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 6 gerador. Cabe ser declarada, de Ofício, a Decadência, quando constatado que o crédito tributário foi constituído após o prazo qüinqüenal legalmente previsto. Impugnação Procedente Crédito Tributário Exonerado A autoridade de primeira instância reconheceu a decadência do lançamento e recorreu de ofício ao CARF. É o relatório. Fl. 199DF CARF MF Impresso em 15/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 13/08/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 13/08/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10530.720269/200756 Acórdão n.º 220201.907 S2C2T2 Fl. 4 7 Voto Conselheiro Antonio Lopo Martinez, Relator O recurso de ofício está dotado dos pressupostos legais de admissibilidade devendo, portanto, ser conhecido. A autoridade de primeira instância afastou o lançamento pela decadência. Nessa senda, a Lei n° 9.393/96 trouxe significativas alterações para o ITR, sendo que em seus artigos 1º e 10 está previsto o seguinte: Art. 1°. O Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural — ITR, de apuração anual, tem como fato gerador a propriedade, o domínio útil ou a posse de imóvel por natureza, localizado fora da zona urbana do município, em 1o de janeiro de cada ano. Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitandose a homologação posterior. Portanto, o fato gerador do imposto sobre a propriedade territorial rural tem seu marco temporal no dia 01 de janeiro de cada anocalendário, sendo que, a partir do ano calendário 1997, com a vigência da Lei n° 9.393/96, ele passou a ser tributo sujeito ao regime do chamado lançamento por homologação, já que cabe aos contribuintes a apuração da base de cálculo do imposto e o recolhimento do montante devido, submetendo, posteriormente, esse procedimento à autoridade administrativa, que deverá, homologar ou não, expressa ou tacitamente, a atividade exercida pelo obrigado. A homologação expressa, para os tributos sujeitos ao regime do lançamento por homologação, deve se dar no prazo de 5 (cinco) anos, a contar da ocorrência do fato gerador Ultrapassado esse prazo, sem ter sido lavrado lançamento de oficio pela autoridade administrativa, considerase homologada tacitamente a atividade exercida pelo contribuinte e extinto o crédito tributário, nos termos do artigo 150, § 40, do CTN, que prevê: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. (.) § 4°. Se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de 5 (cinco) anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado Fl. 200DF CARF MF Impresso em 15/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 13/08/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 13/08/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 8 esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. O decurso do prazo de 5 (cinco) anos, a contar da ocorrência do fato gerador, implica na homologação tácita da atividade exercida pelo contribuinte e, em razão do instituto da decadência, previsto no artigo 156, inciso V, do CTN, extingue o crédito tributário. Considerando que, no caso em apreço, o fato gerador do 1TR ocorreu em 01/01/2003 e diante do fato de que o sujeito passivo da obrigação tributária tomou ciência do auto de infração em 03/01/2008 (fls. 15), concluo que a decadência impede a manutenção do lançamento. Importante frisar que o recorrente apresentou declaração e pagou o imposto no valor de R$ 1.894,80 (fls 140). Devese registrar que em 21/12/2010, houve a edição da Portaria MF nº 586, que alterou o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) aprovado pela Portaria MF n° 256, de 22 de junho de 2009. Diante disso, a redação do art.62 do RICARF dispôs: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n° 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar n° 73, de 1993. Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. Fl. 201DF CARF MF Impresso em 15/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 13/08/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 13/08/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10530.720269/200756 Acórdão n.º 220201.907 S2C2T2 Fl. 5 9 § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. Diante disso, resta claro que os julgados proferidos pelas turmas integrantes do CARF devem se adaptar, nos casos de decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, a estes julgados. Assim sendo, a contagem do prazo decadencial é um destes temas. No que toca a decadência, a Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça decidiu, por ocasião do julgamento do Recurso Especial nº 973.733 – SC (2007/01769940), que a contagem do prazo decadencial dos tributos ou contribuições, cujo lançamento é por homologação, deveria seguir o rito do julgamento do recurso especial representativo de controvérsia, cuja ementa é a seguinte: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: Resp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, Fl. 202DF CARF MF Impresso em 15/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 13/08/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 13/08/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 10 sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose Documento: 6162167 EMENTA / ACORDÃO Site certificado DJe: 18/09/2009 Página 1 de 2 Superior Tribunal de Justiça inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Nos julgados posteriores, sobre o mesmo assunto (contagem do prazo decadencial), o Superior Tribunal de Justiça aplicou a mesma decisão acima transcrita, conforme se constata no julgado do AgRg no RECURSO ESPECIAL Nº 1.203.986 MG (2010/01395597), verbis: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. MATÉRIA DECIDIDA NO RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA N° 973.733/SC. ARTIGO 543C, DO CPC. PRESCRIÇÃO DO DIREITO DE COBRANÇA JUDICIAL PELO FISCO. PRAZO QÜINQÜENAL. TRIBUTO SUJEITO À LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. OCORRÊNCIA. 1. O Código Tributário Nacional, ao dispor sobre a decadência, causa extintiva do crédito tributário, assim estabelece em seu artigo 173: "Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados:I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado,por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado.Parágrafo único. O direito Fl. 203DF CARF MF Impresso em 15/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 13/08/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 13/08/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10530.720269/200756 Acórdão n.º 220201.907 S2C2T2 Fl. 6 11 a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento." 2. A decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, quais sejam: (i) regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado; (ii) regra da decadência do direito de lançar nos casos em que notificado o contribuinte de medida preparatória do lançamento, em se tratando de tributos sujeitos a lançamento de ofício ou de tributos sujeitos a lançamento por homologação em que inocorre o pagamento antecipado; (iii) regra da decadência do direito de lançar nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação em que há parcial pagamento da exação devida; (iv) regra da decadência do direito de lançar em que o pagamento antecipado se dá com fraude, dolo ou simulação, ocorrendo notificação do contribuinte acerca de medida preparatória; e (v) regra da decadência do direito de lançar perante anulação do lançamento anterior (In: Decadência e Prescrição no Direito Tributário, Eurico Marcos Diniz de Santi, 3ª Ed., Max Limonad, págs. 163/210). Documento: 12878841 EMENTA / ACORDÃO Site certificado DJe: 24/11/2010 Página 1 de 2 Superior Tribunal de Justiça 3. A Primeira Seção, quando do julgamento do REsp 973.733/SC, sujeito ao regime dos recursos repetitivos, reafirmou o entendimento de que " o dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). (Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em FALTA O JULGAMENTO AGUARDAR) 4. À luz da novel metodologia legal, publicado o acórdão do julgamento do recurso especial, submetido ao regime previsto no artigo 534C, do CPC, os demais recursos já distribuídos, fundados em idêntica controvérsia, deverão ser julgados pelo Fl. 204DF CARF MF Impresso em 15/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 13/08/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 13/08/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 12 relator, nos termos do artigo 557, CPC (artigo 5º, I, da Res. STJ 8/2008). 5. In casu: (a) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (b) a obrigação ex lege de pagamento antecipado de contribuição social foi omitida pelo contribuinte concernente ao fato gerador compreendido a partir de 1995, consoante consignado pelo Tribunal a quo; (c) o prazo do fisco para lançar iniciou a partir de 01.01.1996 com término em 01.01.2001; (d) a constituição do crédito tributário pertinente ocorreu em 15.07.2004, data da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito que formalizou os créditos tributários em questão, sendo a execução ajuizada tão somente em 21.03.2005. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Agravo regimental desprovido. É de se ressaltar, que os julgados do Superior Tribunal de Justiça firmaram posição no sentido de que “o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal”. Sob o meu ponto de vista o maior obstáculo neste tipo de interpretação dada pelo Superior Tribunal de justiça está em definir o que seria considerado “pagamento antecipado” nos futuros julgados por este tribunal Administrativo. Ora, nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, o escoamento do prazo do art. 150, § 4º, sem manifestação do Fisco, significa a aquiescência implícita aos valores declarados pelo contribuinte, porque o silêncio, neste caso, é qualificado pela lei, trazendo efeitos. A única diferença de regime está consubstanciada na hipótese em que não há pagamento antecipado, que de acordo com Superior Tribunal de Justiça, se aplicaria, para efeitos de março inicial do prazo decadencial, o art. 173, I, do Código Tributário Nacional (regra geral, que deverá ser seguido conforme a interpretação dada pelo STJ), por força do que dispõe o parágrafo único deste mesmo preceptivo. Exaurido o prazo, o Fisco não poderá manifestar qualquer intenção de cobrar os valores. Há, pois, falarse em decadência nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação. Uma vez que ao presente caso houve o pagamento de imposto antecipado, tal como se depreende da fls. 140, entendo ser irrelevante continuar a discussão. Em suma, no meu entendimento cabe considerar o lançamento do ano de 2003 como decadente. Caso o auto de infração tivesse sido cientificado ao recorrente ainda no ano de 2007, estaria afastada essa hipótese. Ante o exposto, nego provimento ao recurso de ofício. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez Fl. 205DF CARF MF Impresso em 15/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 13/08/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 13/08/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10530.720269/200756 Acórdão n.º 220201.907 S2C2T2 Fl. 7 13 Fl. 206DF CARF MF Impresso em 15/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 13/08/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 13/08/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ
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Numero do processo: 13054.000905/2009-42
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 05 00:00:00 UTC 2012
Ementa: SIMPLES NACIONAL Ano-calendário: 2007 SIMPLES FEDERAL. SIMPLES NACIONAL. INDEPENDÊNCIA DOS REGIMES SIMPLIFICADOS DE TRIBUTAÇÃO. O Simples, instituído pela Lei n° 9.317/96, e o Simples Nacional, instituído pela Lei Complementar nº 123/06, são dois regimes jurídicos distintos, sujeitos a normas próprias, e o fato de determinada atividade ser ou não permitida em um deles não autoriza nem desautoriza qualquer conclusão a respeito da mesma atividade no outro. EXCLUSÃO DO SIMPLES NACIONAL. ATIVIDADE VEDADA. Nos termos da Lei Complementar nº 123/06, é vedada a opção ou permanência no Simples Nacional à pessoa jurídica que tenha por finalidade a prestação de serviços decorrentes do exercício de atividade intelectual, de natureza técnica, científica, desportiva, artística ou cultural, que constitua profissão regulamentada ou não. Demonstrado nos autos que a pessoa jurídica exerce atividade vedada, legítima a sua exclusão do referido regime.
Numero da decisão: 1102-000.773
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME
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Recorrente ML FACHINI E CIA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Anocalendário: 2007 SIMPLES FEDERAL. SIMPLES NACIONAL. INDEPENDÊNCIA DOS REGIMES SIMPLIFICADOS DE TRIBUTAÇÃO. O Simples, instituído pela Lei n° 9.317/96, e o Simples Nacional, instituído pela Lei Complementar nº 123/06, são dois regimes jurídicos distintos, sujeitos a normas próprias, e o fato de determinada atividade ser ou não permitida em um deles não autoriza nem desautoriza qualquer conclusão a respeito da mesma atividade no outro. EXCLUSÃO DO SIMPLES NACIONAL. ATIVIDADE VEDADA. Nos termos da Lei Complementar nº 123/06, é vedada a opção ou permanência no Simples Nacional à pessoa jurídica que tenha por finalidade a prestação de serviços decorrentes do exercício de atividade intelectual, de natureza técnica, científica, desportiva, artística ou cultural, que constitua profissão regulamentada ou não. Demonstrado nos autos que a pessoa jurídica exerce atividade vedada, legítima a sua exclusão do referido regime. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Documento assinado digitalmente. Albertina Silva Santos de Lima Presidente. Documento assinado digitalmente. João Otávio Oppermann Thomé Relator. Fl. 249DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 31/ 07/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 31/07/2012 por ALBERTINA SILVA SAN TOS DE LIMA Processo nº 13054.000905/200942 Acórdão n.º 110200.773 S1C1T2 Fl. 2 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Albertina Silva Santos de Lima, Antonio Carlos Guidoni Filho, João Otávio Oppermann Thomé, Silvana Rescigno Guerra Barretto, José Sérgio Gomes, e João Carlos de Figueiredo Neto. Relatório Trata o presente processo de exclusão, da empresa acima identificada, do Simples Nacional, instituído pela Lei Complementar no 123/2006, com efeitos a partir de 01.07.2007. Por bem resumir os fatos, adoto o relatório da decisão recorrida. “A empresa foi excluída do Simples Federal através do Ato Declaratório Executivo DRF/NHO Nº 454528, de 07 de agosto de 2003 (fls. 26). Em 31/05/2005 requereu sua inclusão retroativa neste sistema simplificado de tributação (fls. 01). O contribuinte foi intimado em 29/10/2007, através de Termo de Intimação Fiscal em face da necessidade de apresentação de novos documentos visando dar andamento à instrução do processo (fls. 29 e 30). O intimado atendeu à requisição (fls. 72) e acostou documentos de fls. 31 a 71. À luz de divergências contidas em cópias de notas fiscais apresentadas pelo contribuinte, a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Novo Hamburgo – DRF/NHO determinou que fosse novamente intimado a apresentar novos documentos (fls. 78 e 79) o que, com efeito, ocorreu (fls.85). Vencida esta fase instrutória, manifestouse o Serviço de Controle e Acompanhamento Tributário –SECAT através do Parecer DRF NHO/SECAT/SIMPLES nº 323/2008 concluindo, após detida análise do feito, que à luz dos argumentos apresentados, das provas juntadas e da legislação aplicável, cabível propor à autoridade competente que: 1 seja alterado de ofício o cadastro do CNPJ da empresa, com arrimo no art. 27 da IN 748, de 28/06/2007, incluindo novamente como CNAE preferencial o código 71201/00 – Testes e Análises Técnicas (código da tabela CNAE 2.0 correspondente ao código 74306/00 – Ensaios de Materiais e de Produtos; Análise de Qualidade, fls. 75), com efeitos a partir de 14/02/2005; 2 seja indeferido o pedido de reinclusão levado a efeito pelo contribuinte, vez que comprovado que a empresa continua exercendo, efetivamente, desde a época da exclusão, atividades vedadas ao Simples; 3 – seja o contribuinte excluído de ofício do Simples Nacional, com efeitos retroativos a 01/07/2007, com fundamento na Resolução CGSN nº 015, de 23/07/2007, art. 2º; art. 4º, § 1º; art. 5º, inciso XI; e art. 6º, inciso VII; Fl. 250DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 31/ 07/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 31/07/2012 por ALBERTINA SILVA SAN TOS DE LIMA Processo nº 13054.000905/200942 Acórdão n.º 110200.773 S1C1T2 Fl. 3 3 4 – finalmente, seja formalizado processo de representação fiscal para fins penais, haja vista que restou caracterizado crime contra a ordem tributária, conforme dispõe a Lei nº 8.137, de 27 de dezembro de 1990, art. 1º, inciso III. A chefia do SECAT da Delegacia jurisdicionante, aquiescendo com o Parecer retro aludido, editou Ato Declaratório Executivo DRF/NHO nº 033, de 29/10/2008 (fls. 108), declarando: (...) Art. 1º Fica excluída do Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Simples Nacional) a pessoa jurídica a seguir identificada , em virtude de ATIVIDADE VEDADA (prestação de serviços decorrentes do exercício de atividade de natureza técnica), conforme disposto no art. 17, inciso XXII, da Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006; no art.12, inciso XXII, da Resolução CGSN nº 04, de 30 de maio de 2007; e no art. 5º, inciso XI, da Resolução CGSN nº 15, de 23 de julho de 2007: (...) Art. 2º Os efeitos da exclusão darseão a partir do dia 01/07/2007, conforme disposto no art. 6º, inciso VII, da Resolução CGSN nº 15, de 23 de julho de 2007. (...) O contribuinte tomou ciência desta decisão em 14/11/2008 (fls. 116) e, em 10/12/2008, apresentou Manifestação de Inconformidade (fls. 117 a 125) na qual, em síntese, alega que: para a Receita Federal seria inadmissível o ingresso da empresa no Simples porque exerceria atividade cuja opção ao sistema é vedada: Prestação de Serviço Técnico Assemelhado ao de Engenheiro e que, assim, com base no art. 9º, XIII, da Lei nº 9.317/96; art. 17, XI, da LC nº 123/2006, a inserção da empresa no Simples de 2003 a 2007 restou negada; a Lei nº 9.317/96 veda a opção pelo Simples para as prestadoras de serviços que desenvolvam as atividades ali especificadas ou decorrentes de profissão legalmente regulamentada, cujo exercício requeira profissional habilitado, nos termos da lei; a LC nº 123/2006 amplia ainda mais as restrições de ingresso no Simples das prestadoras de serviço mas, ao que parece, quaisquer serviços técnicos estariam vedados ao sistema simplificado independentemente de pertencerem à profissão regulamentada ou não ou, ao menos, com habilitação legal; o contribuinte não presta serviço técnico assemelhado ao de engenheiro e tampouco dependente de habilitação técnico/profissional legalmente exigida; que a interpretação da legislação tributária deve seguir os preceitos dos artigos 99 e 112, II do Código Tributário Nacional –CTN, isso significa que nenhuma norma complementar vinda da Receita Federal alterará o conteúdo e o alcance da lei e que a interpretação literal da mesma serve como um freio a Fl. 251DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 31/ 07/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 31/07/2012 por ALBERTINA SILVA SAN TOS DE LIMA Processo nº 13054.000905/200942 Acórdão n.º 110200.773 S1C1T2 Fl. 4 4 expansões indevidas; a legalidade tributária é definida na expressão da Carta Magna, como garantia de que ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei –art. 5º, inciso II; a atuação da ML Fachini prescinde de profissão legalmente regulamentada, é inadequável como de natureza técnica ou de qualquer tipo de intermediação de negócios, por isto rejeita a decisão administrativa por ferir a legalidade e a tipicidade tributária e que; a observância de normas técnicas gerais e obrigatórias do INMETRO não torna a atividade de investigação do cumprimento ou adequação destas como técnica propriamente dita, tanto é que o senhor Marino Luiz Fachini aprendera seu ofício, mediante ensinamentos de colegas de setor, no início de sua vida laboral e que, a Sra. Silvana Fachini é de afazeres domésticos sendo descabido, portanto, se considerar a atividade como assemelhada a engenharia ou de natureza técnica bastando, isso sim, mãodeobra meramente capacitada; colaciona Acórdão da 4ª Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Porto AlegreRS e decisões do Tribunal Regional Federal da 4ª Região; ao final requer a procedência da manifestação de inconformidade para que seja aceita a opção da empresa pelo Simples para os anos de 2003 a 2007 e protesta pela ampla produção de provas (depoimento pessoal, testemunhas, inspeção local, perícia, documentos) a serem oportunamente determinados, abrindose prazo para o preenchimento dos requisitos necessários, tais como: quesitos, indicação das testemunhas, de local, etc, haja vista a complexidade da situação fática; anexa cópias de documentos. É o relatório.” Ao relato acima, acrescentese que a sua inconformidade aos dois Atos Declaratórios Executivos (tanto o que a excluiu do Simples, com efeitos a partir do início de suas atividades, quanto a que a excluiu do Simples Nacional), integram a mesma peça de defesa, cujos argumentos foram acima resumidos. A exclusão do Simples Federal (Lei no 9.317/96) foi discutida no bojo do processo administrativo fiscal no 13054.000444/200584, com o julgamento favorável à recorrente pela 4a Turma da DRJ/POA (Acórdão no 1020.273), com a seguinte ementa: “Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte Simples Anocalendário: 2003 SIMPLES FEDERAL Não exercendo atividade vedada à opção do sistema simplificado, pode a empresa ser optante pelo Simples.” Além de determinar a reinclusão da empresa no Simples, naquele acórdão registrou a autoridade julgadora que a discussão quanto à alteração de oficio do cadastro CNPJ da empresa, com a com a Inclusão do CNAE de código 71201/00 — Testes e Análises Técnicas, com efeitos a partir de 14.02.2005, deveria ser feita mediante processo administrativo regido pela Lei n° 9.784/1999, devendo seguir o rito determinado por esta Lei, e, com relação à exclusão da empresa do Simples Nacional, que a sua análise deveria ser Fl. 252DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 31/ 07/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 31/07/2012 por ALBERTINA SILVA SAN TOS DE LIMA Processo nº 13054.000905/200942 Acórdão n.º 110200.773 S1C1T2 Fl. 5 5 tratada em outro processo, apartado daquele, o que foi feito, culminando justamente com o presente processo, onde ora vem esta matéria a julgamento por este colegiado. Ainda, no voto condutor do referido acórdão, registrou aquela autoridade julgadora que, com relação à exclusão do Simples Nacional, “existe a questão prejudicial, a troca de oficio do cadastro CNPJ/CNAE, que provavelmente sobrestará o processo de exclusão do Simples Nacional.” O presente processo foi julgado pela 6a Turma da DRJ/POA, que, por meio do Acórdão no 1025.384, julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada, confirmando a exclusão da empresa do Simples Nacional com efeitos a partir de 01/07/2007. O acórdão possui a seguinte ementa: “Assunto: Simples Nacional Data do fato gerador: 01/07/2007 SIMPLES. REINCLUSÃO. ATIVIDADE VEDADA. PRÁTICA REITERADA DE INFRAÇÃO À LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. MEIOS DE PROVA. INDEFERIMENTO. É vedada a opção ou permanência no Simples às pessoas jurídicas que tenham por finalidade a prestação de serviços decorrentes do exercício de atividade de natureza técnica, conforme dispõe a Lei Complementar nº 123/2006, art. 17, inciso XI. A exclusão do Simples darseá de ofício quando a pessoa jurídica incorrer em prática reiterada de infração à legislação tributária. As provas devem ser apresentadas na manifestação de inconformidade, precluindo o direito de fazêlo em outro momento processual.” Cientificada desta decisão em 18.06.2010, conforme AR de fls. 236, e com ela inconformada, a contribuinte interpôs recurso voluntário em 02.07.2010, fls. 237 a 239, no qual alega, em síntese, o seguinte: A recorrente já obteve, em julgamento de instancia única pela 4a Turma da DRJ/POA, o reconhecimento de que a sua atividade lhe permite a inclusão no sistema simplificado de arrecadação tributária, sendo que tratase justamente da mesma atividade, também reconhecida no acórdão ora recorrido, conforme trechos que reproduz dos dois julgados (Acórdão no 1020.273, da 4a Turma, e Acórdão no 1025.384, da 6a Turma, ora em julgamento). Além disso, o Acórdão nº 1020.273, em virtude do correto reconhecimento da atividade desenvolvida pela Recorrente, salientou a questão de prejudicialidade ao julgamento da exclusão do Simples Nacional. De mais a mais, está visível que a atividade da Recorrente não se enquadra no Artigo 17, XI, da LC no 123/06 porque a natureza técnica prescinde de uma profissão legalmente regulamentada ou com exigência de habilitação legal, sob pena de nenhuma prestadora de serviço ter aptidão ao ingresso em tal regime de tributação, o que já vem sendo decidido pelos tribunais a exemplo das citações já apresentadas com a manifestação de inconformidade (Art. 2°, § único, I, Lei no 9.784/99). Fl. 253DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 31/ 07/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 31/07/2012 por ALBERTINA SILVA SAN TOS DE LIMA Processo nº 13054.000905/200942 Acórdão n.º 110200.773 S1C1T2 Fl. 6 6 Sobre o aceite da exclusão do SIMPLES NACIONAL com suporte em prática reiterada de infração à legislação tributária (adulteração de documentos fiscais), o julgamento extrapola o Ato Declaratório Executivo DRFNHO no 033/08 inovando o motivo do ato administrativo, já que embasado somente em ATIVIDADE VEDADA! E, desse modo, fere a legalidade tributária (Art. 146, CTN) e a legalidade administrativa (Art. 2°, § único, XIII; 50, I, Lei no 9.784/99) entre outros preceitos legais. Por fim, quanto à produção de provas incorreta a assertiva lançada na folha 235 do julgado, eis que foram apresentados quesitos e indicadas testemunhas com a manifestação de inconformidade em obediência ao Decreto no 70.235/72, o que difere de sua exaustão em tal momento dado que, em decorrência do próprio andamento do feito, outras necessidades poderiam surgir (Art. 3°, III, Lei no 9.784/99). Finaliza requerendo a reforma do acórdão recorrido, tendo em conta o exercício de atividade não vedada ao Simples Nacional, a sua não exclusão por prática reiterada de infração à legislação tributária, o requerimento de provas em momento oportuno, e o reconhecimento de questão prejudicial, ou o acolhimento da avocação pela prevenção de competência protocolada em 24.09.2009, culminando com a reinclusão da Recorrente no Simples Nacional retroativamente a 01.07.2007. É o relatório. Voto Conselheiro João Otávio Oppermann Thomé O recurso é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. Quanto ao fato de que uma mesma atividade possa ter sido objeto de decisões aparentemente conflitantes, uma reconhecendo sua possibilidade de permanência no Simples Federal, e outra afirmando a impossibilidade de sua permanência no Simples Nacional, cumpre desde já registrar que se tratam de dois regimes jurídicos distintos: de um lado, o Simples, ou Simples Federal, estabelecido pela Lei n° 9.317/96, e de outro, o Simples Nacional, estabelecido pela Lei Complementar nº 123/06, de sorte que o que se aplica a um pode não se aplicar ao outro, e viceversa. A este respeito, assim já decidiu esta Turma, à unanimidade de votos, em duas distintas ocasiões, em julgamentos de processos sob minha relatoria (Acórdãos n° 1102 00186, de 08.04.2010, e n° 110200.678, de 15.03.2012), ambos com idêntica ementa, abaixo transcrita: “EXCLUSÃO DO SIMPLES. ATIVIDADE VEDADA Exercendo atividade vedada, não pode a pessoa jurídica ser optante pelo Simples. O fato de uma atividade estar expressamente incluída pela Lei Complementar nº 123/06 entre aquelas às quais é permitida opção ao Simples Nacional não autoriza nem desautoriza qualquer conclusão a respeito da mesma Fl. 254DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 31/ 07/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 31/07/2012 por ALBERTINA SILVA SAN TOS DE LIMA Processo nº 13054.000905/200942 Acórdão n.º 110200.773 S1C1T2 Fl. 7 7 atividade quanto à possibilidade de opção ao Simples nos termos da Lei n° 9.317/96.” No mesmo sentido, também a Câmara Superior de Recursos Fiscais, à unanimidade de votos, deu provimento a recurso da Fazenda Nacional, contra decisão da Terceira Turma Especial do extinto Terceiro Conselho de Contribuintes, que dera provimento ao recurso da interessada, sob o fundamento de que seria cabível a interpretação retroativa benéfica, prevista no artigo 106 do CTN, ao caso (reinclusão no Simples Federal), vez que a Lei Complementar nº 123/06 passara a permitir a atividade da recorrente no Simples Nacional. A decisão, proferida em 29 de junho de 2011, está consubstanciada no Acórdão nº 9101001.103, que possui a seguinte ementa: “SIMPLES – INCLUSÃO RETROATIVA ATIVIDADE VEDADA À OPÇÃO PELO SIMPLES FEDERAL E ADMITIDA PELA LEI DO SIMPLES NACIONAL. IMPOSSIBILIDADE DE DEFERIMENTO A Lei Complementar 123/2006 entrou em vigor a partir de 1º de julho de 2007. A alínea a do inciso II do art. 106 do CTN não autoriza a aplicação retroativa de seu art. 17, § 1º (incisos I e XVI), que não trata de infração, mas de condições de opção por regime especial de tributação.” Em que pese os casos acima referidos se refiram a situação exatamente inversa à dos autos, posto que no caso presente houve o reconhecimento do direito da empresa à sujeição ao Simples Federal, mas não ao Simples Nacional, permitem os precedentes ilustrar a independência dos dois regimes, e, consequentemente, dos julgados a eles relativos, ainda que se trate de fato de uma mesma atividade. Quanto à questão da prejudicialidade ao julgamento da exclusão do Simples Nacional, apontada pelo autoridade julgadora de primeira instância no Acórdão nº 1020.273, o qual, salientese, não é o acórdão recorrido, tratase tão somente de opinião expressada por aquela autoridade no bojo do PAF no 13054.000444/200584, sendo de se salientar, ainda, que ela própria observara que a alteração, de oficio, da atividade da recorrente, no cadastro CNPJ/CNAE da RFB, “... provavelmente sobrestará o processo de exclusão do Simples Nacional.” (grifo nosso) De qualquer sorte, penso diferentemente. O fator determinante para a exclusão ou não de determinada empresa do Simples Nacional, nos termos da Lei Complementar nº 123/06, é a efetiva prática ou não de determinada atividade considerada impeditiva à opção pelo regime. Neste aspecto, se demonstrado que a empresa pratica certa atividade impeditiva, o fato mesmo de tal atividade estar prevista ou não no respectivo Contrato Social é irrelevante para decidir sobre a sua exclusão do regime, e menos relevante ainda é o fato de dita atividade constar ou não nos cadastros informatizados da RFB. Portanto, independentemente do que venha a ser decidido com relação à alteração ou não, de ofício, do referido cadastro, o que importa é aqui analisar se a recorrente praticou ou não atividade vedada no regime jurídico do Simples Nacional. Fl. 255DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 31/ 07/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 31/07/2012 por ALBERTINA SILVA SAN TOS DE LIMA Processo nº 13054.000905/200942 Acórdão n.º 110200.773 S1C1T2 Fl. 8 8 Inicialmente, cumpre esclarecer qual é a atividade praticada pela recorrente, já que, em razão de tudo o que consta do presente processo, verificase que esta questão não seria de todo incontroversa, conforme a seguir exposto. No Contrato de Constituição da M L FACHINI & CIA LTDA, registrado na Junta Comercial do Rio Grande do Sul – JUCERGS em 27.02.2003, consta na cláusula 4a, como objeto social da recorrente, o seguinte: “4a O objeto social será a prestação de serviços de ensaios de ultrasom, em peças e equipamentos na área industrial, para detectar defeitos em materiais e soldas em geral.” Em consonância com esta cláusula, no seu cadastro CNPJ original (fls. 08 e 10), a recorrente informara que sua atividade econômica se identificava pelo CNAE 74306/00 – “Ensaios de Materiais e de Produtos; Análise de Qualidade”. Em 14.02.2005, a recorrente levou a registro na JUCERGS Alteração Contratual, cuja cláusula primeira possui o seguinte teor: “A atividade da empresa passará a ser o comércio varejista de equipamentos eletrônicos e a prestação de serviços de manutenção e execução de juntas soldadas em geral.” Em consonância com esta cláusula, encaminhou à RFB pedido de alteração do código de atividades cadastrados no seu CNPJ, passando para o CNAE Fiscal 52442/05 – “Comércio varejista de materiais elétricos para construção”. No seu pedido de reinclusão no Simples Federal, datado de 30.05.2005, a empresa afirmou que presta apenas “serviços de solda em tubulações na área industrial, dando uma assistência quando esta solda vence seu período de vida útil e feita uma troca e manutenção, e nem um momento a empresa precisa de técnico legalmente habilitado, a empresa apenas executa o serviço de solda”, e ainda, que “não executa os ensaios de ultra som, ela presta serviço para outra empresa que faz esta análise...”. Junto a este pedido, anexou a empresa cópias das segundas vias das notas fiscais no 13 a 17, para provar o alegado. À vista das verificações procedidas pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Novo Hamburgo/RS para aferir a real atividade exercida pela empresa, e dos documentos constantes do presente processo, constatase o seguinte: a) apesar de informar que uma de suas atividades passaria a ser o comércio varejista de equipamentos eletrônicos, a empresa não possui inscrição na Secretaria da Fazenda do Rio Grande do Sul – SEFAZRS, a qual seria necessária para o desempenho de tal atividade; b) apesar de intimada a apresentar os talonários completos de todas as notas fiscais de venda e de prestação de serviços emitidas desde a abertura da empresa (fls. 29), a empresa apresentou tão somente talonário de notas fiscais de prestação de serviços, não demonstrando, portanto, em nenhum momento, que exerceria atividades no ramo de comércio; c) as notas fiscais apresentadas demonstram que, no tocante à prestação de serviços, a alteração contratual levada a efeito pela empresa em Fl. 256DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 31/ 07/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 31/07/2012 por ALBERTINA SILVA SAN TOS DE LIMA Processo nº 13054.000905/200942 Acórdão n.º 110200.773 S1C1T2 Fl. 9 9 14/02/2005 não teve qualquer efeito prático, pois a descrição dos serviços constantes nas notas fiscais emitidas anteriormente e posteriormente à referida alteração permanece substancialmente a mesma, e remete precisamente à descrição que constava no seu contrato original, qual seja, serviços de inspeção de ultrasom em soldas e outros materiais. d) no Contrato Social da empresa, o sócio Marino Luiz Fachini identifica a sua qualificação profissional como “Inspetor de Ultrasom”, mesma qualificação que consta na CTPS (Carteira de Trabalho) anexa aos autos; e) os Contratos anexos aos autos, celebrados entre a recorrente e a Alstom Elec S/A especificam a execução pela recorrente, como contratada, de “serviços de Controle de qualidade e Ultra Som peças Petrobraz” e de “serviços de Controle de qualidade e Ultra Som abrangendo atividades específicas da Contratada”; f) a DRF/NHO verificou que as segundas vias das notas fiscais no 13 e 15, apresentadas junto com o pedido de reinclusão no Simples Federal, haviam sido adulteradas no campo referente à descrição dos serviços, onde a expressão “serviços de ultrasom...” teria sido descaracterizada, num caso para “serviços de soldas...”, e noutro, para algo como “serviços de mantensõan...” (sic), circunstância que se confirma ante a presença nos autos das terceiras vias das referidas notas. Pois bem. À vista do acima exposto, tenho por evidenciado o fato de que a recorrente efetivamente desenvolve a atividade de prestação de serviços de inspeção de ultra som em peças e equipamentos na área industrial, e de controle de qualidade para detectar defeitos em materiais e soldas em geral. Isto posto, de se observar que o código 74306/00 – Ensaios de Materiais e de Produtos; Análise de Qualidade, do CNAE Fiscal 1.1, correspondente à atividade da recorrente, migrou, na transposição para o CNAE 2.0, para o código 71201/00 – Testes e Análises Técnicas, sem que tenha sido alterada sua essência, conforme se verifica às fls. 7475. A defesa da recorrente ora não mais foca na não execução destes serviços, senão na alegação de que a prestação de tais serviços prescinde de uma profissão legalmente regulamentada ou com exigência de habilitação legal. Aliás, este exatamente o fundamento da 4a Turma da DRJ/POA para lhe reconhecer o direito à permanência no Simples Federal. Contudo, conforme antes referido, cumpre verificar qual o tratamento conferido pela legislação do Simples Nacional com relação a tal atividade. Assim dispunha o artigo 17 da Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006, em sua redação original e vigente à época dos fatos, no tocante à matéria em litígio: “Art. 17. Não poderão recolher os impostos e contribuições na forma do Simples Nacional a microempresa ou a empresa de pequeno porte: [...] Fl. 257DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 31/ 07/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 31/07/2012 por ALBERTINA SILVA SAN TOS DE LIMA Processo nº 13054.000905/200942 Acórdão n.º 110200.773 S1C1T2 Fl. 10 10 XI – que tenha por finalidade a prestação de serviços decorrentes do exercício de atividade intelectual, de natureza técnica, científica, desportiva, artística ou cultural, que constitua profissão regulamentada ou não, bem como a que preste serviços de instrutor, de corretor, de despachante ou de qualquer tipo de intermediação de negócios; § 1 º As vedações relativas a exercício de atividades previstas no caput deste artigo não se aplicam às pessoas jurídicas que se dediquem exclusivamente às atividades seguintes ou as exerçam em conjunto com outras atividades que não tenham sido objeto de vedação no caput deste artigo: I – creche, préescola e estabelecimento de ensino fundamental; II – agência terceirizada de correios; III – agência de viagem e turismo; IV – centro de formação de condutores de veículos automotores de transporte terrestre de passageiros e de carga; V – agência lotérica; VI – serviços de manutenção e reparação de automóveis, caminhões, ônibus, outros veículos pesados, tratores, máquinas e equipamentos agrícolas; VII – serviços de instalação, manutenção e reparação de acessórios para veículos automotores; VIII – serviços de manutenção e reparação de motocicletas, motonetas e bicicletas; IX – serviços de instalação, manutenção e reparação de máquinas de escritório e de informática; X – serviços de reparos hidráulicos, elétricos, pintura e carpintaria em residências ou estabelecimentos civis ou empresariais, bem como manutenção e reparação de aparelhos eletrodomésticos; XI – serviços de instalação e manutenção de aparelhos e sistemas de ar condicionado, refrigeração, ventilação, aquecimento e tratamento de ar em ambientes controlados; XII – veículos de comunicação, de radiodifusão sonora e de sons e imagens, e mídia externa; XIII – construção de imóveis e obras de engenharia em geral, inclusive sob a forma de subempreitada; XIV – transporte municipal de passageiros; XV – empresas montadoras de estandes para feiras; XVI – escolas livres, de línguas estrangeiras, artes, cursos técnicos e gerenciais; Fl. 258DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 31/ 07/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 31/07/2012 por ALBERTINA SILVA SAN TOS DE LIMA Processo nº 13054.000905/200942 Acórdão n.º 110200.773 S1C1T2 Fl. 11 11 XVII – produção cultural e artística; XVIII – produção cinematográfica e de artes cênicas; XIX – cumulativamente administração e locação de imóveis de terceiros; XX – academias de dança, de capoeira, de ioga e de artes marciais; XXI – academias de atividades físicas, desportivas, de natação e escolas de esportes; XXII – (VETADO); XXIII – elaboração de programas de computadores, inclusive jogos eletrônicos, desde que desenvolvidos em estabelecimento do optante; XXIV – licenciamento ou cessão de direito de uso de programas de computação; XXV – planejamento, confecção, manutenção e atualização de páginas eletrônicas, desde que realizados em estabelecimento do optante; XXVI – escritórios de serviços contábeis; XXVII – serviço de vigilância, limpeza ou conservação; XXVIII – (VETADO). §2o Também poderá optar pelo Simples Nacional a microempresa ou empresa de pequeno porte que se dedique à prestação de outros serviços que não tenham sido objeto de vedação expressa neste artigo, desde que não incorra em nenhuma das hipóteses de vedação previstas nesta Lei Complementar.” Assim, verificase que, no regime do Simples Nacional, ao contrário do Simples Federal, em primeiro lugar, não há mais qualquer distinção quanto ao fato de a profissão ser legalmente regulamentada ou não. Além disto, os serviços de engenheiros, bem como o de diversos outros profissionais, deixaram de ser expressamente mencionados entre as vedações, sendo retirada ainda a expressão que fazia alusão aos serviços que pudessem ser considerados como “assemelhados” aos prestados por aqueles profissionais. A nova restrição imposta pela Lei Complementar nº 123/2006, no que toca analisar, passou a fazer referência tão somente à prestação de serviços decorrentes do exercício de atividade intelectual, de natureza técnica, científica, desportiva, artística ou cultural, logo, é sob esta ótica que deve ser analisada a questão. A mesma Lei Complementar, no seu artigo 2o determinou que ao Comitê Gestor do Simples Nacional (CGSN) compete regulamentar a opção, exclusão, tributação, fiscalização, arrecadação, cobrança, dívida ativa, recolhimento e demais itens relativos ao regime do Simples Nacional, observadas as disposições da LC nº 123/2006. Fl. 259DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 31/ 07/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 31/07/2012 por ALBERTINA SILVA SAN TOS DE LIMA Processo nº 13054.000905/200942 Acórdão n.º 110200.773 S1C1T2 Fl. 12 12 O CGSN foi instituído pelo Decreto nº 6.038/2007, e, no âmbito das suas atribuições, editou a Resolução CGSN nº 6 de 18.06.2007, na qual relaciona os códigos de atividades consideradas impeditivas e ambíguas à opção pelo Simples Nacional. As tabelas anexas à referida Resolução foram sucessivamente alteradas, conforme processaramse alterações na respectiva legislação, pela Resolução CGSN nº 20, de 15.08.2007, pela Resolução CGSN nº 50, de 22.12.2008, e pela Resolução nº 77, de 13.09.2010. Em todas elas, contudo, o código 71201/00 – Testes e Análises Técnicas sempre constou como atividade impeditiva à opção pelo Simples Nacional, justamente em razão do caráter essencialmente técnico da referida atividade. Notese a diferença desta atividade com relação à de mera soldagem (código 25390/00 – Serviços de usinagem, solda, tratamento e revestimento em metais), que constara como impeditiva somente na Resolução CGSN nº 6 de 18.06.2007, porém já em 15.08.2007 remanejada para “atividade ambígua” pela Resolução CGSN nº 20, situação a qual não se caracteriza como impeditiva, bastando que a pessoa jurídica declarasse exercer, sob este código, tão somente atividades permitidas no Simples Nacional. Posteriormente, a Lei Complementar nº 128, de 19 de dezembro de 2008, alterou o parágrafo 1º do artigo 17, o qual ficou então assim vazado: “Art. 17. (...) § 1º As vedações relativas a exercício de atividades previstas no caput deste artigo não se aplicam às pessoas jurídicas que se dediquem exclusivamente às atividades referidas nos §§ 5ºB a 5ºE do art. 18 desta Lei Complementar, ou as exerçam em conjunto com outras atividades que não tenham sido objeto de vedação no caput deste artigo.” O §5ºB do artigo 18, por sua vez, contém a seguinte dicção, no que interessa: “§5ºB. Sem prejuízo do disposto no § 1º do art. 17 desta Lei Complementar, serão tributadas na forma do Anexo III desta Lei Complementar as seguintes atividades de prestação de serviços: IX – serviços de instalação, de reparos e de manutenção em geral, bem como de usinagem, solda, tratamento e revestimento em metais;” Em face da alteração legislativa acima, o serviço de soldagem passou a ser expressamente permitido. De fato, na Resolução CGSN nº 50, de 22.12.2008, já não mais consta a restrição a tais serviços. Justamente em razão deste contexto legislativo, o esforço da recorrente em tentar demonstrar, ao longo do procedimento fiscal que resultou na sua exclusão tanto do Simples Federal, quanto do Simples Nacional, que a sua atividade seria apenas de execução de soldas, ou de manutenção dessas soldas, e não aquela que restou ao final cabalmente demonstrada. Fl. 260DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 31/ 07/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 31/07/2012 por ALBERTINA SILVA SAN TOS DE LIMA Processo nº 13054.000905/200942 Acórdão n.º 110200.773 S1C1T2 Fl. 13 13 Concluindo, tenho que a atividade da recorrente se enquadra no artigo 17, inciso XI, da LC nº 123/06, acima transcrito, pelo que não pode a mesma permanecer no Simples Nacional, conforme determinara o ADE DRFNHO no 033/08. Protesta a recorrente que a sua exclusão do Simples Nacional não poderia ter sido decidida pela DRJ com suporte em prática reiterada de infração à legislação tributária, pela adulteração de documentos fiscais, vez que o referido ADE embasarase tão somente na prática de atividade vedada. De fato, o ADE referese expressamente apenas à prática de atividade vedada, em que pese o Parecer DRFNHO/SECAT/SIMPLES nº 323/2008, que embasou a posterior edição do referido ADE, tenha discorrido sobre a adulteração de documentos fiscais, tanto que propôs, em razão deste fato, que fosse formalizado processo de representação para fins penais, o que não é aqui o objeto. Se fosse a prática reiterada de infração à legislação tributária o único fundamento apontado pela DRJ para o indeferimento do pleito da recorrente, poderseia de fato considerar ocorrida inovação, conducente à nulidade daquela decisão. Entretanto, tendo sido julgada improcedente a manifestação de inconformidade, pela DRJ, expressamente em razão da prestação de serviços decorrentes do exercício de atividade de natureza técnica, podese considerar que a referência, por aquela autoridade julgadora feita, à adulteração de documentos fiscais, constitui tão somente esforço de argumentação, ou obter dictum, em modo semelhante ao que feito no presente voto. Alega ainda a recorrente que estaria incorreta a assertiva lançada na folha 235 do julgado, eis que foram apresentados quesitos e indicadas testemunhas com a manifestação de inconformidade em obediência ao Decreto nº 70.235/72, o que difere de sua exaustão em tal momento dado que, em decorrência do próprio andamento do feito, outras necessidades poderiam surgir. Ora, conforme visto, nem a autoridade julgadora a quo, nem o relator deste, sentiram qualquer necessidade da realização de perícias ou diligências, posto que todos os elementos necessários à solução da lide encontramse nos autos, sendo certo que, nos termos do Decreto nº 70.235/72 – PAF, incumbe à autoridade julgadora determinar a realização de perícias ou diligências, quando entendêlas necessárias, o que não foi o caso. Além disto, a autoridade julgadora a quo observou que o direito da recorrente à produção de novas provas precluíra porque não fora demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna por motivo de força maior, tampouco que estas se refeririam a fato ou a direito superveniente ou que se destinariam a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos, circunstâncias estas que haveriam de ter sido demonstradas, com espeque no artigo 16, § 4o, do referido Decreto. De qualquer sorte, de se observar que não se fez acompanhar de nenhum novo documento o recurso apresentado. Por fim, pleiteia a recorrente o acolhimento da avocação pela prevenção de competência protocolada em 24.09.2009, para que a 4a Turma da DRJ/POA julgasse também o presente processo. Fl. 261DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 31/ 07/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 31/07/2012 por ALBERTINA SILVA SAN TOS DE LIMA Processo nº 13054.000905/200942 Acórdão n.º 110200.773 S1C1T2 Fl. 14 14 Ora, em que pese não se tenha nos autos notícia de qualquer desdobramento relativo àquela petição, dirigida diretamente ao relator do Acórdão nº 1020.273, da 4a Turma da DRJ/POA, e protocolada no PAF nº 13054.000444/200584, o fato é que não há qualquer previsão para acolhimento de tal pretensão no âmbito do Decreto nº 70.235/72. Além disto, tal pretensão sequer faz sentido no presente estágio do processo, posto que o PAF nº 13054.000444/200584 teve julgamento favorável à recorrente, e, não sendo aquela decisão passível de recurso de ofício, simplesmente não há outro processo em julgamento no CARF ao qual este possa ser avocado. Portanto, não há como acolher o pedido da recorrente. Pelo exposto, nego provimento ao recurso voluntário. É como voto. Documento assinado digitalmente. João Otávio Oppermann Thomé Relator Fl. 262DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 31/ 07/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 31/07/2012 por ALBERTINA SILVA SAN TOS DE LIMA
score : 1.0
Numero do processo: 13726.000835/2007-19
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 18 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF
Ano-calendário: 2004 PENSÃO ALIMENTÍCIA. DEDUTIBILIDADE. O valor fixado em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente, efetivamente pago, pode ser deduzido da base de cálculo do imposto de renda, a título de pensão alimentícia. Recurso provido.
Numero da decisão: 2202-001.540
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Conselheiro Relator.
Nome do relator: ANTONIO LOPO MARTINEZ
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Numero do processo: 10855.724265/2011-61
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 17 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu May 02 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/12/2006 a 31/08/2007
RECURSO VOLUNTÁRIO. DESISTÊNCIA. NÃO CONHECIMENTO.
A protocolização de Termo de Desistência de Impugnação ou Recurso Administrativo pelo Recorrente implica o não conhecimento do Recurso Voluntário interposto, em virtude da perda do seu objeto.
Recurso Voluntário Não Conhecido
Numero da decisão: 2302-002.424
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário, pela perda de seu objeto, frente à desistência, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
Liége Lacroix Thomasi Presidente Substituta.
Arlindo da Costa e Silva - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente Substituta de Turma), Manoel Coelho Arruda Junior (Vice-presidente de turma), André Luis Mársico Lombardi, Bianca Delgado Pinheiro, Juliana Campos de Carvalho Cruz e Arlindo da Costa e Silva.
Nome do relator: ARLINDO DA COSTA E SILVA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/12/2006 a 31/08/2007 RECURSO VOLUNTÁRIO. DESISTÊNCIA. NÃO CONHECIMENTO. A protocolização de Termo de Desistência de Impugnação ou Recurso Administrativo pelo Recorrente implica o não conhecimento do Recurso Voluntário interposto, em virtude da perda do seu objeto. Recurso Voluntário Não Conhecido
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário, pela perda de seu objeto, frente à desistência, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Liége Lacroix Thomasi Presidente Substituta. Arlindo da Costa e Silva - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente Substituta de Turma), Manoel Coelho Arruda Junior (Vice-presidente de turma), André Luis Mársico Lombardi, Bianca Delgado Pinheiro, Juliana Campos de Carvalho Cruz e Arlindo da Costa e Silva.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1863; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C3T2 Fl. 82 1 81 S2C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10855.724265/201161 Recurso nº 002.424 Voluntário Acórdão nº 2302002.424 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 17 de abril de 2013 Matéria CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS AIOP Recorrente MUNICÍPIO DE ARACARIGUAMA PREFEITURA MUNICIPAL Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/12/2006 a 31/08/2007 RECURSO VOLUNTÁRIO. DESISTÊNCIA. NÃO CONHECIMENTO. A protocolização de Termo de Desistência de Impugnação ou Recurso Administrativo pelo Recorrente implica o não conhecimento do Recurso Voluntário interposto, em virtude da perda do seu objeto. Recurso Voluntário Não Conhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário, pela perda de seu objeto, frente à desistência, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Liége Lacroix Thomasi – Presidente Substituta. Arlindo da Costa e Silva Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente Substituta de Turma), Manoel Coelho Arruda Junior (Vicepresidente de turma), André Luis Mársico Lombardi, Bianca Delgado Pinheiro, Juliana Campos de Carvalho Cruz e Arlindo da Costa e Silva. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 5. 72 42 65 /2 01 1- 61 Fl. 83DF CARF MF Impresso em 02/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/04/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/04/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 2 Período de apuração: 01/12/2006 a 31/08/2007 Data da lavratura do AIOP: 29/11/2011. Data da ciência do AIOP: 29/11/2011. Tratase de Recurso Voluntário interposto em face de Decisão Administrativa de 1ª Instância proferida pela DRJ em Ribeirão Preto/SP que julgou improcedentes as impugnações oferecidas pelo sujeito passivo do crédito tributário lançado por intermédio do Auto de Infração nº 37.363.3220, decorrentes de glosa de compensação de contribuições previdenciárias realizada indevidamente pelo Órgão Público Municipal no período de dezembro/2006 a agosto/2007, conforme descrito no Relatório Fiscal a fls. 35/37. Os valores que serviram de base de cálculo para os presentes Lançamentos Fiscais foram extraídos do campo “Compensações” das GFIP, os quais foram objeto de glosa na Ação Fiscal em relevo. Informa a fiscalização que o Ente Federativo Municipal não comprovou os recolhimentos previdenciários para o período de Outubro de 1997 a Novembro de 1998. Aduz não constar nas GFIP do Município Contribuinte, no período de 01/1999 a 09/2004, o nome do Prefeito Municipal, assim como os nomes dos vereadores no período de 01/1999 a 01/2002, não se comprovando os respectivos recolhimentos previdenciários para essas competências. Os valores correspondentes às Contribuições Previdenciárias, das competências citadas fizeram parte dos supostos créditos apresentados pelo Município Contribuinte. Acrescenta que o Município contribuinte não observou a prescrição quinquenal, originada pela súmula vinculante nº 08 do STF, que alcançou o período de cálculo nas competências Outubro de 1997 a Maio de 2001, conforme a Planilha apresentada pelo contribuinte, que deu origem aos valores utilizados como crédito, restando descumprido, ainda, o Item V do Art. 6º da Instrução Normativa MPS/SRP nº 15, de 12 de setembro de 2006, vigente à época dos fatos. Relata o Fisco que não apresentou as GFIP retificadoras com a exclusão de todos os exercentes de mandato eletivo daquelas originalmente informadas. Irresignado com o supracitado lançamento tributário, o sujeito passivo apresentou impugnação a fls. 48/53. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto/SP lavrou Decisão Administrativa textualizada no Acórdão a fls. 56/61, julgando procedente o lançamento e mantendo o crédito tributário em sua integralidade. O Sujeito Passivo foi cientificado da decisão de 1ª Instância no dia 25 de julho de 2011, conforme Aviso de Recebimento a fl. 64. Inconformado com a decisão exarada pelo órgão administrativo julgador a quo, o ora Recorrente interpôs recurso voluntário, a fls. 65/75, respaldando sua inconformidade em argumentação desenvolvida nos seguintes termos: · Que não houve a prescrição dos créditos de titularidade do Município recorrente; Fl. 84DF CARF MF Impresso em 02/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/04/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/04/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10855.724265/201161 Acórdão n.º 2302002.424 S2C3T2 Fl. 83 3 · Que as compensações foram realizadas pelo município conforme previsto em lei e baseados na declaração de inconstitucionalidade das contribuições sociais sobre cargos eletivos; Ao fim, requer o cancelamento do débito fiscal reclamado. Em 1º de março de 2013, o município Recorrente protocolizou, na ARF/SÃO ROQUE, sob o nº 08110045, Termo de Desistência de Impugnação ou Recurso Administrativo associado ao Recurso Voluntário interposto no vertente processo. Relatados sumariamente os fatos relevantes. Voto Conselheiro Arlindo da Costa e Silva, Relator. 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1.1. DA TEMPESTIVIDADE O sujeito passivo foi válida e eficazmente cientificado da decisão recorrida em 25/07/2011. Havendo sido o recurso voluntário protocolizado em 24 de agosto do mesmo ano, há que se reconhecer a tempestividade do recurso interposto. Presentes os demais requisitos de admissibilidade do recurso, dele conheço. 2. DO RECURSO VOLUNTÁRIO Devidamente intimado da decisão de 1ª Instância Administrativa, o Ente Federativo em tela ofereceu tempestivamente Recurso Voluntário requerendo o cancelamento do débito fiscal reclamado. Ocorre, todavia, que em 1º de março de 2013, o município Recorrente protocolizou, na ARF/SÃO ROQUE, sob o nº 08110045, Termo de Desistência de Impugnação ou Recurso Administrativo, a fls. 78/81, requerendo, para efeito de pedido de parcelamento previsto na Medida Provisória nº 589/2012, a desistência total do Recurso Voluntário interposto no presente Processo Administrativo Fiscal, referente a débito fiscal de sua responsabilidade, renunciando expressamente a quaisquer alegações de Direito sobre as quais se funda o referido Recurso Voluntário. Nesse cenário, pugnamos pelo não conhecimento do Recurso Voluntário oferecido pelo Município de Araçariguama – Prefeitura Municipal, em razão de desistência Fl. 85DF CARF MF Impresso em 02/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/04/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/04/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 4 expressa aviada no Termo de Desistência de Impugnação ou Recurso Administrativo acima citado. 3. DECISÃO Nesse contexto, pugnamos pelo não conhecimento do recurso voluntário formulado a fls. 65/75, em razão da perda de seu objeto. É como voto. Arlindo da Costa e Silva Fl. 86DF CARF MF Impresso em 02/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/04/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/04/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI
score : 1.0
Numero do processo: 10980.017733/2008-14
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 07 00:00:00 UTC 2012
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2006 MULTA POR ATRASO. DCTF. EXCLUSÃO SIMPLES. CONTINÊNCIA. Os processos formalizados para as exigências de multas por atraso na entrega de DCTF em decorrência da exclusão do regime de tributação Simples (Federal) devem aguardar a sorte do principal que julga a própria exclusão, por continência. MULTA POR ATRASO. DCTF. CONEXÃO. Os processos formalizados para as exigências de multas por atraso na entrega de DCTF, só diversificados em relação ao período, devem ser julgados concomitantemente, quando não possível a sua reunião em um só, por conexos.
Numero da decisão: 1801-001.100
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento em parte ao recurso, nos termos do voto da Relatora. A conselheira Carmen Ferreira Saraiva acompanha pelas conclusões.
Nome do relator: ANA DE BARROS FERNANDES
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DCTF. EXCLUSÃO SIMPLES. CONTINÊNCIA. Os processos formalizados para as exigências de multas por atraso na entrega de DCTF em decorrência da exclusão do regime de tributação Simples (Federal) devem aguardar a sorte do principal que julga a própria exclusão, por continência. MULTA POR ATRASO. DCTF. CONEXÃO. Os processos formalizados para as exigências de multas por atraso na entrega de DCTF, só diversificados em relação ao período, devem ser julgados concomitantemente, quando não possível a sua reunião em um só, por conexos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento em parte ao recurso, nos termos do voto da Relatora. A conselheira Carmen Ferreira Saraiva acompanha pelas conclusões. (documento assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes – Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva, Marcos Vinícius Barros Ottoni, Maria de Lourdes Ramirez, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira, Guilherme Pollastri Gomes da Silva e Ana de Barros Fernandes. Fl. 66DF CARF MF Impresso em 27/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 14/08/2 012 por ANA DE BARROS FERNANDES 2 Relatório A empresa foi excluída do Simples Federal por Ato Declaratório Executivo (ADE) nº 439.172, emitido em 07/08/2003, cujos efeitos retroagiram a 01/01/2002, com fulcro nos artigos 9º, XIII, c/c 14, I e 15, II, todos da Lei nº 9.317/96, sob o motivo de prestar serviços de decoração de anteriores – fls. 32. O referido ADE é objeto de litígio formalizado no processo administrativo fiscal nº 10980.003919/200454 (consulta viabilizada pelo sistema e processo). A exclusão da empresa do regime de tributação diferenciado, favorecido e simplificado – SIMPLES, com os efeitos retroativos, ensejou a emissão do Auto de Infração de fls. 18, objeto dos presentes autos, para exigir multa pela falta de entrega de DCTF – Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais, no valor de R$ 500,00, relativa ao 2º semestre de 2005, bem como a emissão de outros 09 (nove) Autos de Infração, para exigência da mesma penalidade, porém relacionadas a períodos diferentes, formalizados nos processos administrativos de nºs 10980.017716/200879, 17717/200813, 17718/200868, 17720/2008 37, 17722/200826, 17725/200860, 17727/200859, 17729/200848 e 17731/200817, todos emitidos em mesma data – 30/10/2008. A impugnação apresentada às fls. 01 a 09 foi julgada em desfavor à empresa pela Terceira Turma de Julgamento da DRJ em Curitiba/PR, Acórdão nº 0630.395/11, fls. 35 a 38, cuja ementa se transcreve a seguir: NULIDADE. ATOS E TERMOS PROCESSUAIS. Somente são nulos os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com cerceamento do direito de defesa. SIMPLES. EXCLUSÃO. DCTF. APRESENTAÇÃO.OBRIGATORIEDADE. Os efeitos da exclusão do Simples são produzidos a partir da data fixada na lei para cada uma das hipóteses cuja ocorrência obriga a exclusão, sujeitando a contribuinte ao cumprimento das obrigações daí provenientes. DECLARAÇÃO DE DÉBITOS E CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS FEDERAIS DCTF. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA. A pessoa jurídica que, obrigada à entrega da DCTF. a apresenta fora do prazo legal, está sujeita à multa estabelecida na legislação de regência. ATRASO NA ENTREGA DE DCTF. INFRAÇÃO REITERADA. ANALOGIA INDEVIDA COM CRIME CONTINUADO DO DIREITO PENAL A prática de infrações reiteradas (entrega intempestiva de DCTF) pela contribuinte não se aplica a analogia com o crime continuado, instituto do Direito Penal. Irresignada, tempestivamente, a empresa interpôs o Recurso Voluntário de fls. 42 e ss, argumentando, em síntese, que: Fl. 67DF CARF MF Impresso em 27/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 14/08/2 012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10980.017733/200814 Acórdão n.º 180101.100 S1TE01 Fl. 69 3 a) preliminarmente, não entregou as DCTF porque foi excluída de ofício do Simples, matéria que está sendo discutida no processo administrativo nº 10980.003919/2004 54; b) mesmo com o desenquadramento, entende que os seus efeitos só podem surtir após a decisão definitiva, razão pela qual continua a preencher DIPJ no regime do Simples; c) procedeu a entrega das DCTF porque não conseguia obter Certidão Negativa de Débitos (CND), mas entende que as multas não seriam geradas em vista da exclusão estar sendo ainda debatida; d) pleiteia a não obrigatoriedade da entrega das referidas DCTF e, em caso de indeferimento, a reunião dos procedimentos e adequação do valor da multa aplicada, pelos princípios da razoabilidade e da proporcionalidade; e) defende a conexão dos processos, ou o sobrestamento do julgamento da presente lide; f) e cita ementas de julgados administrativos e judiciais (STJ) que corroboram o seu entendimento de que não presta serviços – decoração de interiores – vinculados à atividade vedada para permanecer no Simples – arquiteto. Passa a discorrer: em preliminar, sobre a dependência entre os processos que impõe a sua conexão; no mérito, entre outras argumentações, que a infração cometida foi única, devendo gerar uma só penalidade; neste exato sentido, ainda em que se tratando de multa por atraso na entrega de DCTF, o Superior Tribunal de Justiça deliberou no REsp nº 601.351, DJ de 20/09/2004. É o suficiente para o relatório. Passo ao voto. Voto Conselheira Ana de Barros Fernandes, Relatora Conheço do recurso interposto, por tempestivo. Ao analisar os autos impõemse decidir sobre matéria prejudicial instada pela recorrente, de natureza processual. A despeito da turma julgadora a quo defender que a Portaria RFB nº 666/08 nas hipóteses que descreve não engloba a situação em questão, divirjo do entendimento esposado. O Decreto nº 70.235/72, que disciplina o processo administrativo fiscal (PAF), não tratou da conexão ou da continência processual, pelo que o Código de Processo Civil deve ser invocado de forma subsidiária. Fl. 68DF CARF MF Impresso em 27/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 14/08/2 012 por ANA DE BARROS FERNANDES 4 Assim dispõem os artigos que disciplinam a matéria: Código de Processo Civil CPC Art. 102. A competência, em razão do valor e do território, poderá modificarse pela conexão ou continência, observado o disposto nos artigos seguintes. Art. 103. Reputamse conexas duas ou mais ações, quando Ihes for comum o objeto ou a causa de pedir. Art. 104. Dáse a continência entre duas ou mais ações sempre que há identidade quanto às partes e à causa de pedir, mas o objeto de uma, por ser mais amplo, abrange o das outras. Art. 105. Havendo conexão ou continência, o juiz, de ofício ou a requerimento de qualquer das partes, pode ordenar a reunião de ações propostas em separado, a fim de que sejam decididas simultaneamente [...] .Art. 108. A ação acessória será proposta perante o juiz competente para a ação principal. Os presentes autos versam sobre a exigência de penalidade pelo atraso/falta de entrega de DCTF. Assim como a recorrente, concluo que, apesar de se tratar de períodos diversos, as partes são as mesmas e a causa de pedir – desobrigatoriedade na entrega das referidas enquanto não se decidir a questão de exclusão do Simples – lato sensu, da mesma forma é a mesma. Não podemos falar em fato gerador, pois este é pertinente à obrigação principal de pagar os tributos e não concerne às obrigações acessórias. No caso, o fato jurídico que ensejou a exigência da penalidade e as contestações da recorrente contra as autuações são exatamente as mesmas. Destarte, há que reconhecerse, ex officio, a conexão instaurada no que respeita aos processos de exigência de penalidade, nos termos do artigo 103 do CPC. Em relação à arguição de conexão deste processo ao processo administrativo nº 10980.003919/200454, é flagrante a decorrência existente. As multas ora exigidas nos demais processos, conexos, somente existem em razão da exclusão da recorrente do regime do Simples, matéria ainda sob discussão no âmbito administrativo. Todavia, tratase de continência e não conexão (art. 104 do CPC). A continência se estabelece quando é necessária a reunião de processos para não haver decisões isoladas e conflitantes. Portanto, ainda assim, estes processos devem ser julgados em concomitância àquele, ou pelo menos pela mesma turma julgadora administrativa. As discussões secundárias devem seguir à principal (mutatis mutante – art. 108 do CPC). Oportuno deixar claro à recorrente que as autuações para exigência das referidas penalidades não são dependentes do resultado final do processo de exclusão do Simples, por conta dos atributos, peculiares, do ato administrativo, no caso ADE de exclusão, que permitem a sua imediata vigência e efeitos: presunção de legitimidade, auto executoriedade e imperatividade. Se assim não fosse, em muitos casos, a ação do Estado fiscalização seria alcançada pela decadência. Fl. 69DF CARF MF Impresso em 27/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 14/08/2 012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10980.017733/200814 Acórdão n.º 180101.100 S1TE01 Fl. 70 5 Embora as autuações para serem realizadas não estejam vinculadas à decisão transitada em julgado, ainda que administrativamente, os deslindes destes litígios dependem necessariamente da decisão final sobre a recorrente ser ou não excluída do Simples. A própria Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) editou a Portaria nº 666/08 orientando no sentido da reunião dos processos: Art. 1º Serão objeto de um único processo administrativo: I as exigências de crédito tributário do mesmo sujeito passivo, formalizadas com base nos mesmos elementos de prova, referentes: [...] f) ao Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (Simples); (Incluída pela Portaria RFB nº 2.324, de 3 de dezembro de 2010) (Vide art. 2º da P RFB nº 2.324/2010) [...] III as exigências de crédito tributário relativo a infrações apuradas no Simples que tiverem dado origem à exclusão do sujeito passivo dessa forma de pagamento simplificada, a exclusão do Simples e o lançamento de ofício de crédito tributário dela decorrente; [...] (grifos não pertencem ao original) Indiscutível o cabimento da Portaria e a juntada dos processos no caso de exclusão do Simples e demais processos que vinculem créditos tributários – ainda que oriundos de exigência de penalidade. Em consulta ao sistema eprocesso, nesta data, verifico que o processo administrativo fiscal nº 10980.003919/200454 encontrase distribuído para relato, para o Conselheiro Benedicto Celso Benício Júnior, atuando na 1ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da 1ª Seção deste órgão colegiado. Dispõe o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – Ricarf (Portaria MF nº 256/09): Art. 49. Os processos recebidos pelas Câmaras serão sorteados aos conselheiros. [...] § 7° Os processos que retornarem de diligência, os com embargos de declaração opostos e os conexos, decorrentes ou reflexos serão distribuídos ao mesmo relator, independentemente de sorteio, ressalvados os embargos de declaração opostos, em que o relator não mais pertença ao Fl. 70DF CARF MF Impresso em 27/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 14/08/2 012 por ANA DE BARROS FERNANDES 6 colegiado, que serão apreciados pela turma de origem, com designação de relator ad hoc. (grifos não pertencem ao original) Destarte, pelo exposto, acolho a prejudicial suscitada pela recorrente e decido pela remessa do presente processo para a 1ª Turma Ordinária da 1ª Câmara desta 1ª Seção/CARF, para o fim de ser julgado concomitantemente aos processos a seguir relacionados: 10980.017716/200879 AI – Multa DCTF – 2º trim/03 fls. 18 10980.017717/200813 AI – Multa DCTF – 1º trim/03 fls. 18 10980.017718/200868 AI – Multa DCTF – 3º trim/03 fls. 18 10980.017720/200837 AI – Multa DCTF – 4º trim/03 fls. 18 10980.017722/200826 AI – Multa DCTF – 1º trim/04 fls. 18 10980.017725/200860 AI – Multa DCTF – 2º trim/04 fls. 18 10980.017727/200859 AI – Multa DCTF – 3º trim/04 fls. 18 10980.017729/200848 AI – Multa DCTF – 4º trim/04 fls. 18 10980.017731/200817 AI – Multa DCTF – 1º sem/05 fls. 18 Voto pelo provimento parcial do recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes – Relatora Fl. 71DF CARF MF Impresso em 27/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 14/08/2 012 por ANA DE BARROS FERNANDES
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Numero do processo: 10166.721495/2010-55
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 17 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Data do fato gerador: 07/07/2010
MPF. PRORROGAÇÃO. NECESSIDADE DE SUBSTITUIÇÃO DA AUTORIDADE FISCAL. INEXISTÊNCIA.
Havendo prorrogação de MPF dentro do prazo de sua validade, não há o que se falar em substituição da autoridade fiscal.
APURAÇÃO COM ESTEIO EM RECIBOS DE PAGAMENTO. PRESUNÇÃO DA OCORRÊNCIA DOS FATOS GERADORES. INOCORRÊNCIA.
Não há o que se falar em presunção dos fatos geradores das contribuições lançadas quando a apuração fiscal se deu com base na documentação exibida pelo sujeito, principalmente em recibos de pagamento.
MULTA. CARÁTER CONFISCATÓRIO. IMPOSSIBILIDADE DE DECLARAÇÃO PELA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA.
Não pode a autoridade fiscal ou mesmo os órgãos de julgamento
administrativo afastar a aplicação de penalidades previstas em lei vigente, sob a justificativa de que têm caráter confiscatório.
MULTA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. JUROS SELIC.
Na multa constante no presente Auto de Infração não está incluída qualquer parcela a título de juros ou correção monetária.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2401-002.455
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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PRORROGAÇÃO. NECESSIDADE DE SUBSTITUIÇÃO DA AUTORIDADE FISCAL. INEXISTÊNCIA. Havendo prorrogação de MPF dentro do prazo de sua validade, não há o que se falar em substituição da autoridade fiscal. APURAÇÃO COM ESTEIO EM RECIBOS DE PAGAMENTO. PRESUNÇÃO DA OCORRÊNCIA DOS FATOS GERADORES. INOCORRÊNCIA. Não há o que se falar em presunção dos fatos geradores das contribuições lançadas quando a apuração fiscal se deu com base na documentação exibida pelo sujeito, principalmente em recibos de pagamento. MULTA. CARÁTER CONFISCATÓRIO. IMPOSSIBILIDADE DE DECLARAÇÃO PELA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. Não pode a autoridade fiscal ou mesmo os órgãos de julgamento administrativo afastar a aplicação de penalidades previstas em lei vigente, sob a justificativa de que têm caráter confiscatório. MULTA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. JUROS SELIC. Na multa constante no presente Auto de Infração não está incluída qualquer parcela a título de juros ou correção monetária. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 1698DF CARF MF Impresso em 01/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 23/05 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/05/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Elias Sampaio Freire Presidente Kleber Ferreira de Araújo Relator Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira e Marcelo Freitas de Souza Costa. Fl. 1699DF CARF MF Impresso em 01/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 23/05 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/05/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10166.721495/201055 Acórdão n.º 2401002.455 S2C4T1 Fl. 1.699 3 Relatório Tratase de recurso interposto pelo contribuinte acima identificado, contra decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento – DRJ em Brasília (DF), que julgou procedente o lançamento consubstanciado no Auto de Infração n.º 37.256.6560. O lançamento diz respeito a lavratura para aplicação de multa em razão da empresa haver apresentado livro contábil que não atendia às formalidades exigidas pela legislação. No Relatório Fiscal da Infração às fls. 06/10, a autoridade lançadora esclarece que a empresa autuada remunerou os segurados contribuintes individuais (sócias) a título de pró labore, porém os valores pagos não foram identificados na contabilidade da empresa. Portanto, a fiscalização concluiu que não houve contabilização dos referidos valores, caracterizando deficiência nos livros contábeis, visto que houve omissão de informação verdadeira. O acórdão de primeira instância foi assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Data do fato gerador: 07/07/2010 MULTA POR INFRAÇÃO. NÃO APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS OU APRESENTAÇÃO DEFICIENTE. CFL 38. Constitui infração à legislação previdenciária, deixar a empresa de exibir documentos e/ou livros relacionados com fatos geradores de contribuições previdenciárias, quando devidamente solicitados pela fiscalização, ou apresentar livro ou documento que não atenda as formalidades legais exigidas, que contenha informação diversa da realidade ou que omita informação verdadeira. ÔNUS DA PROVA. ALEGAÇÃO DESACOMPANHADA DE PROVA. Cabe ao impugnante trazer juntamente com suas alegações impugnatórias todos os documentos que dêem a elas força probante. CARÁTER CONFISCATÓRIO DA MULTA Não é confiscatória a multa exigida nos estritos limites do previsto em lei para o caso concreto, não sendo competência funcional do órgão julgador administrativo apreciar alegações de ilegalidade ou inconstitucionalidade da legislação vigente. DECISÕES JUDICIAIS. EFEITOS. Fl. 1700DF CARF MF Impresso em 01/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 23/05 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/05/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 Os efeitos das decisões judiciais, no âmbito da Secretaria da Receita Federal do Brasil, possui como pressuposto a existência de decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal acerca da inconstitucionalidade da lei que esteja em litígio e, ainda assim, de ato específico do Secretário da Receita Federal do Brasil. Não estando enquadradas nesta hipótese, as decisões judiciais só produzem efeitos entre as partes envolvidas, não beneficiando nem prejudicando terceiros. PEDIDO DE DILIGÊNCIA INDEFERIMENTO. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar sem motivação ou prescindíveis. PEDIDO DE JUNTADA POSTERIOR DE DOCUMENTOS. PRECLUSÃO TEMPORAL. A prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual. DOMICÍLIO TRIBUTÁRIO. ENDEREÇO CADASTRAL. INTIMAÇÃO ENDEREÇADA AO ADVOGADO. INDEFERIMENTO. O domicílio tributário do sujeito passivo é o endereço, postal, eletrônico ou de fax fornecido pelo próprio contribuinte à Receita Federal do Brasil (RFB) para fins cadastrais. Dada a inexistência de previsão legal, indeferese o pedido de endereçamento das intimações ao escritório do procurador. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Na sua peça recursal, o sujeito passivo alegou, em síntese, que: a) todo o procedimento fiscal deve ser nulificado, posto que, há Mandados de Procedimento Fiscal MPF que não foram prorrogados dentro do prazo regulamentar e, assim, os MPF subsequentes deveriam ter autorizado outro auditor fiscal para dar continuidade ao procedimento, conforme determina a legislação; b) não se admite no direito pátrio que se estabeleça obrigação tributária com esteio em presunção do fato gerador, como é o caso dos autos em que o fisco baseouse para lavrar o AI em meras declarações prestadas mediante a Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social – GFIP; c) a multa aplicada é inconstitucional, em face do seu caráter confiscatório, por atingir o patamar de 75% do tributo devido; c) não se admite a cumulação dos juros SELIC com índices de correção monetária e juros moratórios. Ao final, requer: a) declaração de nulidade do AI; Fl. 1701DF CARF MF Impresso em 01/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 23/05 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/05/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10166.721495/201055 Acórdão n.º 2401002.455 S2C4T1 Fl. 1.700 5 b) reconhecimento da improcedência da multa aplicada; c) exclusão dos juros SELIC É o relatório. Fl. 1702DF CARF MF Impresso em 01/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 23/05 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/05/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Relator Admissibilidade O recurso merece conhecimento, posto que preenche os requisitos de tempestividade e legitimidade. A nulidade motivada por falha nos MPF Alega a recorrente que, tendo havido expiração de dois dos MPF, na substituição dos mesmos deveria o obrigatoriamente constar outra autoridade fiscal para dar continuidade ao procedimento. Não se tendo procedido dessa forma é nulo o procedimento fiscal. Consultando a sítio da RFB pude constatar que o MPF original, com duração de 120 dias foi emitido em 09/10/2009, com prazo de expiração em 06/02/2010 (120 dias, conforme art. 11, I, da Portaria RFB n.º 11.371/2007), as prorrogações deramse em 06/02/2010; 07/04/2010 e 06/06/2010 (60 dias, conforme art. 11, II, da mesma Portaria). Considerandose que a ciência do lançamento pelo sujeito passivo ocorreu em 12/07/2010, percebese que na data da ciência do lançamento havia MPF vigente e que não houve expiração de qualquer dos MPF lavrados, mas apenas prorrogação dos mandados. Assim, a afirmação da recorrente encontrase totalmente dissociada dos fatos ocorridos no processo. Afasto, então, essa preliminar. A suposta presunção quanto à ocorrência dos fatos geradores Os autos estão a revelar que a apuração das contribuições deuse mediante análise da documentação apresentada pela empresa. Foi com esteio nos recibos de pagamento exibidos que o fisco verificou que os valores pagos a título de prólabore não haviam sido contabilizados. Foi acostado demonstrativo onde consta a remuneração paga aos sócios pela empresa. Esta por sua vez, embora manifeste inconformismo, não juntou qualquer elemento que pudesse alterar o resultado da apuração fiscal realizada. Nos termos do art. 333 do Código de Processo Civil (Lei n.º 5.869/1973), utilizado subsidiariamente no processo administrativo fiscal, é do réu o encargo de provar a existência de fato que possa extinguir o direito do autor. Eis o dispositivo: Art.333.O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; Fl. 1703DF CARF MF Impresso em 01/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 23/05 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/05/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10166.721495/201055 Acórdão n.º 2401002.455 S2C4T1 Fl. 1.701 7 II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. (...) No caso em tela, o direito de Fisco de aplicar a multa restaria extinto se o sujeito passivo conseguisse demonstrar que a Administração houvera incorrido em erro na avaliação da remuneração paga a título de prólabore. Considerandose que esse fato não restou demonstrado, deixo de acolher, por absoluta falta de provas, o argumento de que houve na espécie presunção de fatos geradores ou mesmo equívoco na autuação. Não custa repetir que a empresa não acostou qualquer retificação dos documentos que serviram de base para a autuação. Multa – caráter confiscatório Arguiu a recorrente a inconstitucionalidade da multa aplicada, em face do seu caráter confiscatório. Na análise dessa razão, não se pode perder de vista que o lançamento da penalidade por descumprimento de obrigação acessória é operação vinculada, que não comporta emissão de juízo de valor quanto à agressão da medida ao patrimônio do sujeito passivo, haja vista que uma vez definido o patamar da quantificação da penalidade pelo legislador, fica vedado ao aplicador da lei ponderar quanto a sua justeza, restandolhe apenas aplicar a multa no quantum previsto pela legislação. Cumprindo essa determinação a autoridade fiscal, diante da ocorrência da infração fato incontestável aplicou a multa no patamar fixado na legislação, conforme muito bem demonstrado no Relatório Fiscal da Aplicação da Multa, em que são expressos o fundamento legal e os critérios utilizados para a gradação da penalidade aplicada. Além do mais, salvo casos excepcionais, é vedado a órgão administrativo declarar inconstitucionalidade de norma vigente e eficaz. No âmbito do julgamento administrativo, a matéria acabou por ser sumulada, como se vê do seguinte enunciado de súmula: Súmula CARF Nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Essa súmula é de observância obrigatória, nos termos do “caput” do art. 72 do Regimento Interno do CARF1. Como se vê, este Colegiado falece de competência para se pronunciar sobre as alegações de inconstitucionalidade de lei e decreto trazidas pela recorrente. Acrescentese ainda que a multa não foi imposta no patamar de 75% do tributo devido, como afirma a recorrente, mas em valor fixo conforme a legislação mencionada no Relatório Fiscal da Aplicação da Multa. Juros SELIC 1 Art. 72. As decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF. (...) Fl. 1704DF CARF MF Impresso em 01/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 23/05 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/05/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 8 A insurgência da recorrente quanto à aplicação de juros SELIC cumulado com atualização monetária e juros moratórios não deve ser considerada. É que na multa presente no AI guerreado não há qualquer referência à incidência de juros ou atualização monetária, sendo impertinente esse argumento. Conclusão Ante todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso. Kleber Ferreira de Araújo Fl. 1705DF CARF MF Impresso em 01/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 23/05 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/05/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
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