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Numero do processo: 10930.903629/2012-16
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 13 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Jan 12 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do Fato Gerador: 08/09/2005
COFINS. REPETIÇÃO DO INDÉBITO. AUSÊNCIA DE PROVA.
Não se reconhece o direito à repetição do indébito quando o contribuinte, sobre quem recai o ônus probandi, não traz aos autos nenhuma prova de que teria havido pagamento a maior ou indevido, embora tenha tido mais de uma oportunidade processual para fazê-lo, não se justificando, portanto, o pedido de diligência para produção de provas.
COFINS - IMPORTAÇÃO SERVIÇOS. PER. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RECOLHIMENTO VINCULADO A DÉBITO CONFESSADO.
Correto o Despacho Decisório que indeferiu o pedido de restituição por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o recolhimento alegado como origem do crédito estava integral e validamente alocado para a quitação de débito confessado.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3402-003.599
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso e negar-lhe provimento.
(Assinado com certificado digital)
Antônio Carlos Atulim - Presidente e Relator.
Participaram do julgamento os Conselheiros Antônio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do Fato Gerador: 08/09/2005 COFINS. REPETIÇÃO DO INDÉBITO. AUSÊNCIA DE PROVA. Não se reconhece o direito à repetição do indébito quando o contribuinte, sobre quem recai o ônus probandi, não traz aos autos nenhuma prova de que teria havido pagamento a maior ou indevido, embora tenha tido mais de uma oportunidade processual para fazê-lo, não se justificando, portanto, o pedido de diligência para produção de provas. COFINS - IMPORTAÇÃO SERVIÇOS. PER. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RECOLHIMENTO VINCULADO A DÉBITO CONFESSADO. Correto o Despacho Decisório que indeferiu o pedido de restituição por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o recolhimento alegado como origem do crédito estava integral e validamente alocado para a quitação de débito confessado. Recurso Voluntário Negado.
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REPETIÇÃO DO INDÉBITO. AUSÊNCIA DE PROVA. Não se reconhece o direito à repetição do indébito quando o contribuinte, sobre quem recai o ônus probandi, não traz aos autos nenhuma prova de que teria havido pagamento a maior ou indevido, embora tenha tido mais de uma oportunidade processual para fazêlo, não se justificando, portanto, o pedido de diligência para produção de provas. COFINS IMPORTAÇÃO SERVIÇOS. PER. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RECOLHIMENTO VINCULADO A DÉBITO CONFESSADO. Correto o Despacho Decisório que indeferiu o pedido de restituição por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o recolhimento alegado como origem do crédito estava integral e validamente alocado para a quitação de débito confessado. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso e negarlhe provimento. (Assinado com certificado digital) Antônio Carlos Atulim Presidente e Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros Antônio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 0. 90 36 29 /2 01 2- 16 Fl. 57DF CARF MF Processo nº 10930.903629/201216 Acórdão n.º 3402003.599 S3C4T2 Fl. 3 2 Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra. Relatório Trata os presentes autos de Pedido de Restituição (PER), por meio do qual a Recorrente solicita a restituição do crédito decorrente do pagamento de COFINS IMPORTAÇÃO. No Despacho Decisório, a autoridade competente da DRF em Londrina/PR, indeferiu o pleito da interessada, uma vez que o DARF informado como origem do crédito estava integralmente utilizado para quitação de débitos da própria contribuinte, "não restando crédito disponível para restituição". Inconformada com a decisão proferida, a empresa apresentou manifestação de inconformidade na qual esclarece tratarse de pessoa jurídica de direito privado que tem como atividade principal a indústria, comércio e exportação de couros de boi. Consigna que a Lei nº 10.865/2004 instituiu as contribuições do PIS e da COFINS sobre a importação de bens e serviços, mas não foi clara em relação à incidência sobre as quantias remetidas ao exterior a representantes comerciais a título de comissões sobre vendas, o que fez com que a Recorrente optasse por recolher as contribuições sobre essas operações. Entretanto, a Receita Federal do Brasil, em resposta a diversas consultas (cita duas), passou a vazar o entendimento de que as comissões de vendas pagas e/ou creditadas a representantes comerciais residentes ou domiciliados no exterior, não estão sujeitas à incidência do PIS e da COFINS Importação. Isso porque, anota a Recorrente, essas operações não configuram hipótese de serviços prestado no Brasil ou cujo resultado aqui se verifique. Assim, uma vez ter efetuado o pagamento de tributo indevido, tem o direito à restituição na forma prevista no art. 165 do Código Tributário Nacional CTN, devidamente corrigido pela taxa SELIC, conforme prescreve a Lei nº 9.250, de 1995, "ainda que informado o débito em DCTF". Sobreveio, então, o Acórdão nº 06045.971, da DRJ em Curitiba (PR), negando provimento à Manifestação de Inconformidade. Irresignada com a referida decisão, foi interposto o presente recurso voluntário, cujas razões, em suma, são as seguintes: (i) diferente do que entendeu a autoridade julgadora, a empresa recorrente comprovou ser pessoa jurídica de direito privado que tem como atividade principal a indústria, comércio e exportação de couros de boi; (ii) que demonstrou que a Lei n° 10.865, de 2004, que instituiu as contribuições ao PIS/Pasep e COFINS sobre a importação de bens e serviços, não foi clara ao determinar a incidência sobre as quantias pagas, ou remetidas ao exterior, a representantes comerciais domiciliados no exterior a título de comissões sobre vendas; Fl. 58DF CARF MF Processo nº 10930.903629/201216 Acórdão n.º 3402003.599 S3C4T2 Fl. 4 3 (iii) para não sofrer sanções, optou por recolher as contribuições sobre as quantias remetidas ao exterior (para representantes domiciliados no exterior) incidentes sobre comissões sobre vendas, conforme (DARF's) apresentados; (iv) ocorre que, posteriormente, a própria RFB, através de inúmeras respostas a Soluções de Consultas, passou a definir que as "comissões de vendas pagas e/ou creditadas a representantes comerciais residentes ou domiciliados no exterior não estão sujeitas à incidência da COFINS/PISImportação", por não configurarem hipótese de serviço prestado no Brasil ou cujo resultado aqui se verifique. Reproduz algumas dessas Solução de Consulta. (v) que o processo administrativo sempre deve buscar a verdade real ou material relativa aos fatos tributários, em decorrência da estrita legalidade tributária, que devem nortear todos os atos da administração fiscal. Com isto, não basta simplesmente argumentar que "prova alguma foi trazida aos autos que comprovassem de que teria havido pagamento a maior ou indevido", para negar a existência do direito creditório; (vi) frisa que os erros contidos em declaração podem e devem ser retificados de ofício, por força da estrita legalidade tributária e nos moldes do art. 147, § 2º do CTN. (vii) que seja reconhecido que os valores indevidamente recolhidos a este título são restituíveis em valores devidamente acrescidos de juros equivalentes à taxa SELIC, na forma da Lei n° 9.250/95; (viii) requer que seja determinada a conversão do julgamento em diligência, a fim de que seja oportunizada apresentação de elementos considerados necessários à complementação da prova ou esclarecimento de dúvidas relativas aos fatos trazidos neste processo. À vista do exposto, espera e requer seja julgado integralmente procedente o presente recurso, a fim de que seja reconhecido o direito creditório e assegurada a restituição das quantias recolhidas indevidamente. É o relatório. Voto Conselheiro Antonio Carlos Atulim, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402003.529, de 13 de dezembro de 2016, proferido no julgamento do processo 10930.903656/201281, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3402003.529): Fl. 59DF CARF MF Processo nº 10930.903629/201216 Acórdão n.º 3402003.599 S3C4T2 Fl. 5 4 Emerge do relatado, que o objeto do pedido de ressarcimento tem como fundamento o indébito de PIS/Pasep sobre comissão de venda paga a representantes comerciais residentes/domiciliados no exterior. No referido Despacho Decisório restou consignado que, "(...) A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição". Consta dos autos que o Despacho Decisório questionado está respaldado em informações prestadas pela própria interessada em DCTF, que encontrase ativa até o momento no sistema informatizado da Receita Federal do Brasil. Ou seja, ao que tudo indica, o contribuinte não retificou a DCTF no que pertine ao pleito em questão, por isso a conclusão do despacho decisório vestibular que o valor sob pedido de ressarcimento foi "integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte". Por outro lado, a Recorrente tenta demonstrar em seu recurso, que não há incidência de contribuições para o PIS Importação sobre remessas realizadas para o exterior para pagamento de comissões à agentes no exterior a título de comissões ali realizadas, por não configurarem hipótese de serviço prestado no Brasil ou cujo resultado aqui se verifique, e que os valores indevidamente recolhidos a este título são restituíveis e em montantes devidamente acrescidos de juros equivalentes à taxa referencial SELIC, na forma da Lei n° 9.250/95. Tudo com base na Lei nº 10.865, de 2004 e Soluções de Consultas emitidas pela RFB que cita. Contudo, se de um lado a decisão recorrida tenha asseverado que "(...) como se vê uma das hipóteses de ocorrência do fato gerador das contribuições ao PIS e a COFINS, sobre importação de serviços, é a remessa de valores a residentes ou domiciliados no exterior como contraprestação pelo serviço prestado", como alega a peticionante, por outro giro, deixou patente que o ônus da prova quanto ao indébito seria da ora Recorrente, nos seguintes termos: "(...) Mas, para a verificação se os valores remetidos ao exterior atendem às condições estabelecidas em lei para a incidência das contribuições sobre a importação de serviços ou, não se caracterizando o fato gerador da obrigação tributária, há, de fato, o indébito reclamado pela interessada, é crucial que se tenha em mãos documentos que demonstrem a real situação aventada, como contratos firmados com os agentes externos, comprovantes de remessa de valores ao exterior, cópias de notas fiscais, recibos, dentre outros, além da própria escrituração contábil da empresa que reflita essas operações. Ocorre que, no presente caso, prova alguma foi trazida aos autos que comprovassem de que teria havido pagamento a maior ou indevido. Nesse sentido, é bom lembrar que não se permite, depois de iniciado qualquer procedimento fiscal, que seja retificada declaração quando vise a reduzir ou a excluir tributo, a não ser mediante a comprovação do erro em que se funde. É o que Fl. 60DF CARF MF Processo nº 10930.903629/201216 Acórdão n.º 3402003.599 S3C4T2 Fl. 6 5 determina o art. 147, § 1º, da Lei nº 5.172, de 25/10/1966. E, como visto, o Despacho Decisório questionado está respaldado em informações prestadas pela própria interessada em DCTF, que encontrase ativa até o momento no sistema informatizado da Receita Federal do Brasil. (sublinhei) E conclui a decisão a quo: "(...) Assim, instaurado o contencioso administrativo, as alegações quanto ao suposto crédito decorrente de recolhimento indevido ou a maior, como no caso em análise, devem estar comprovadas pela demonstração inequívoca do quantum recolhido indevidamente, mediante a apresentação de documentação hábil e idônea, consistente na escrituração contábil/fiscal da contribuinte. Dessa forma, uma vez que a conclusão emitida pela autoridade administrativa teve como pressuposto as informações prestadas pela própria interessada em declarações fiscais válidas a produzir efeitos na data da emissão do Despacho Decisório e não havendo prova hábil que contrarie as informações prestadas espontaneamente, demonstrando o pagamento indevido do tributo, é de se manter o indeferimento da restituição pleiteada". Portanto, a lide se resume na questão de atendimento de condições estabelecidas em lei e provas documentais trazidos aos autos, pois para o deslinde do litígio é crucial que se tenha em mãos documentos que demonstrem a real situação aventada, mormente quando o pedido versa sobre suposto pagamento indevido. No caso em análise, por se tratar de pedido de restituição, devem estar comprovadas pela demonstração inequívoca do quantum recolhido indevidamente, mediante a apresentação de documentação hábil e idônea, consistente na escrituração contábil/fiscal da recorrente. Documentação essa, frisese, de posse da recorrente por determinação legal, como contratos firmados com os agentes externos, comprovantes de remessa de valores ao exterior, cópias de notas fiscais, recibos, dentre outros, além da própria escrituração contábil da empresa que reflita essas operações. É de conhecimento que a regra fundamental do sistema processual adotado pelo legislador nacional, quanto ao ônus da prova, encontrase cravada no art. 373 do novo Código de Processo Civil, in verbis: Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Tal dispositivo é a tradução do princípio de que o ônus da prova cabe a quem dela se aproveita. E esta formulação também foi, com as devidas adaptações, trazida para o processo administrativo fiscal, posto que a obrigação de provar está expressamente atribuída para o Fisco quando realiza o lançamento tributário e para o sujeito passivo, quando formula pedido de repetição de indébito. Fl. 61DF CARF MF Processo nº 10930.903629/201216 Acórdão n.º 3402003.599 S3C4T2 Fl. 7 6 E, no presente caso, é fato que prova alguma foi trazida aos autos pela Recorrente que comprovem que teria havido pagamento a maior ou indevido, embora ela tenha tido mais de uma oportunidade processual para fazêlo, quer na impugnação, quer agora na fase recursal. Demais disso, o fundamento da decisão recorrida foi justamente este, qual seja, a falta de prova. Mas, contrariando os ditames do ônus da distribuição da prova para provar fato constitutivo de seu direito, insiste que "seja determinada a conversão do julgamento em diligência, a fim de que seja oportunizada apresentação de elementos considerados necessários à complementação da prova". Ora, se toda a documentação para provar o direito que alega está em seu poder, deveria ter a Recorrente produzido tal prova quando da manifestação de inconformidade, ou mesmo em sede de recurso voluntário, o que não ocorreu. Diante desse quadro, entendo que a decisão da DRJ é merecedora de ser mantida pelos seus próprios fundamentos. Conclusão Assim, concluo que por falta de prova hábil acostadas nos autos, ônus seu de produzir, deve ser negado seu pleito. Ante o exposto, nego provimento ao recurso voluntário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, negase provimento ao recurso voluntário. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim Fl. 62DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15504.722510/2015-22
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 16 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Oct 13 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2013
MOLÉSTIA GRAVE. SÚMULA CARF 63. COMPROVAÇÃO. LAUDO PERICIAL. DATA DE INÍCIO DA MOLÉSTIA GRAVE.
Para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia grave deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios.
Nos termos do § 5º, inciso III, do art. 39 do Decreto nº 3.000/99, a data de início da moléstia grave, para fins da isenção dos proventos de aposentadoria percebidos pelos portadores de moléstias graves, é aquela identificada em laudo pericial emitido por serviço médico oficial.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2202-003.509
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Martin da Silva Gesto - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Martin da Silva Gesto, Cecília Dutra Pillar, Márcio Henrique Sales Parada, Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dílson Jatahy Fonseca Neto e Rosemary Figueiroa Augusto e Wilson Antônio de Souza Corrêa (Suplente Convocado).
Nome do relator: MARTIN DA SILVA GESTO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2013 MOLÉSTIA GRAVE. SÚMULA CARF 63. COMPROVAÇÃO. LAUDO PERICIAL. DATA DE INÍCIO DA MOLÉSTIA GRAVE. Para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia grave deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. Nos termos do § 5º, inciso III, do art. 39 do Decreto nº 3.000/99, a data de início da moléstia grave, para fins da isenção dos proventos de aposentadoria percebidos pelos portadores de moléstias graves, é aquela identificada em laudo pericial emitido por serviço médico oficial. Recurso Voluntário Negado
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente. (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto - Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Martin da Silva Gesto, Cecília Dutra Pillar, Márcio Henrique Sales Parada, Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dílson Jatahy Fonseca Neto e Rosemary Figueiroa Augusto e Wilson Antônio de Souza Corrêa (Suplente Convocado).
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SÚMULA CARF 63. COMPROVAÇÃO. LAUDO PERICIAL. DATA DE INÍCIO DA MOLÉSTIA GRAVE. Para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia grave deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. Nos termos do § 5º, inciso III, do art. 39 do Decreto nº 3.000/99, a data de início da moléstia grave, para fins da isenção dos proventos de aposentadoria percebidos pelos portadores de moléstias graves, é aquela identificada em laudo pericial emitido por serviço médico oficial. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente. (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 72 25 10 /2 01 5- 22 Fl. 120DF CARF MF Impresso em 13/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2016 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 05/10/201 6 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBO SA 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Martin da Silva Gesto, Cecília Dutra Pillar, Márcio Henrique Sales Parada, Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dílson Jatahy Fonseca Neto e Rosemary Figueiroa Augusto e Wilson Antônio de Souza Corrêa (Suplente Convocado). Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto nos autos do processo nº 15504.722510/201522, em face do acórdão nº 0266.307, julgado pela 7ª. Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte (DRJ/BHE) no qual os membros daquele colegiado entenderam por julgar improcedente a impugnação apresentada pela contribuinte. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da DRJ de origem, que assim os relatou: Contra a contribuinte acima identificada foi lavrada a Notificação de Lançamento nº 2013/334916407962234, expedida em 23/02/2015, referente a imposto sobre a renda de pessoa física, exercício 2013, anocalendário 2012, código 2904, formalizando a exigência de imposto suplementar no valor de R$38.387,08 e seus consectários legais, totalizando R$74.090,90, com juros de mora calculados até 27/02/2015, fls. 9 a 13. O lançamento decorreu da apuração das seguintes infrações: a) Omissão de rendimentos excedentes ao limite de isenção para declarantes com 65 anos ou mais, no valor de R$67.913,70, com a seguinte manifestação da autoridade lançadora: Como o limite máximo de ded para decl com 65 anos ou mais foi todo aproveitado na fonte pág Ipsemg, os valores excedentes foram considerados como rend. trib. Assim sendo: Seplag R$4.400,43 + R$19.974,82 = R$24.375,25; INSS trib. R$0,00 + R$21.128,68 = R$21.128,68 e PBH R$1.127,34 + R$21.282,43 = R$22.409,77. b) Rendimentos indevidamente considerados como isentos por moléstia grave – Não comprovação da moléstia ou sua condição de aposentado, pensionista ou reformado, no valor de R$71.675,68, com a seguinte manifestação da autoridade lançadora: Contribuinte intimada e reintimada a apresentar laudo médico pericial para fins de isenção de imposto de renda emitido por serviço médico oficial, apresentou apenas receituário médico emitido pelo Ipsemg, relatório médico pela Associação Mineira do Ministério Público e exames médicos realizados no Hospital Mater Dei. Cientificada da notificação em 04/03/2015, fls. 41, a contribuinte, por meio de seu procurador, fls. 17 a 20, apresentou impugnação em 31/03/2015, fls. 2 a 6, acompanhada dos documentos de fls. 7 a 39, contestando o lançamento Fl. 121DF CARF MF Impresso em 13/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2016 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 05/10/201 6 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBO SA Processo nº 15504.722510/201522 Acórdão n.º 2202003.509 S2C2T2 Fl. 121 3 Alega que é portadora de cardiopatia grave, desde 2007, conforme laudo médico pericial emitido pelo Departamento de Perícia Médica e Saúde Ocupacional do Ministério Público do Estado de Minas Gerais. Apresenta, em complemento, relatório médico proveniente da Associação Mineira do Ministério Público do Estado de Minas Gerais, laudo médico emitido pelo Instituto de Previdência dos Servidores do Estado de Minas Gerais – IPSEMG e outros documentos e exames que atestam sua condição para o efeito de obtenção da isenção pleiteada. Sustenta que a exigência legal para o reconhecimento do direito à isenção do imposto de renda relativamente aos proventos de aposentadoria recebidos por portador de moléstia grave é de que haja conclusão da medicina especializada e laudo pericial emitido por serviço médico oficial aptos a comprovar a condição do paciente. Argumenta que, uma vez reconhecida a isenção do imposto de renda, há de ser reexaminada a conclusão da autoridade fiscal em relação à infração de que ocorreu omissão de rendimentos excedentes ao limite de isenção para declarantes com 65 anos ou mais de idade. Por fim, requer a possibilidade de juntada posterior de documentos e a prioridade de tramitação do processo administrativo. O despacho de fl. 72 foi endereçado à contribuinte para que o seu procurador regularizasse a assinatura contida na impugnação, procedimento este adotado às fls. 80. A DRJ de origem entendeu pela improcedência da impugnação apresentada pela contribuinte. Inconformada, a contribuinte interpôs Recurso Voluntário à fls. 107/118, onde são reiterados os argumentos já lançados na impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Martin da Silva Gesto Relator O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. Sustenta a contribuinte que faria jus a concessão de isenção por serem seus proventos provenientes de aposentadoria e ser portador de cardiopatia grave, espécie de moléstia grave tipificada pela Lei nº 7.713/1988, em seu artigo 6º, inciso XIV, com a redação dada pela Lei nº 11.052/2004, que segue abaixo transcrita: Art. 6º Ficam isentos do imposto de renda os seguinte rendimentos percebidos por pessoas físicas: [...] XIV – os Fl. 122DF CARF MF Impresso em 13/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2016 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 05/10/201 6 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBO SA 4 proventos de aposentadoria ou reforma motivada por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, hepatopatia grave, estados avançados da doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome da imunodeficiência adquirida, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma. (grifouse) Acerca do tema, o Decreto nº 3.000/99 (RIR), em seu artigo 39, inciso XXXIII, bem como os §§ 4º e 5o do mesmo artigo, assim dispõem: Art. 39. Não entrarão no cômputo do rendimento bruto: [...] XXXIII os proventos de aposentadoria ou reforma, desde que motivadas por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, estados avançados de doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome de imunodeficiência adquirida, e fibrose cística (mucoviscidose), com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma (Lei nº 7.713, de 1988, art. 6º, inciso XIV, Lei nº 8.541, de 1992, art. 47, e Lei nº 9.250, de 1995, art. 30, § 2º); [...] § 4º Para o reconhecimento de novas isenções de que tratam os incisos XXXI e XXXIII, a partir de 1º de janeiro de 1996, a moléstia deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, devendo ser fixado o prazo de validade do laudo pericial, no caso de moléstias passíveis de controle (Lei nº 9.250, de 1995, art. 30 e § 1º). (grifouse) De acordo com o texto legal, depreendese que há dois requisitos cumulativos indispensáveis à concessão da isenção. Um reportase à natureza dos valores recebidos, que devem ser proventos de aposentadoria, ou reforma, ou pensão, e o outro relacionase com a existência da moléstia tipificada no texto legal, atestada por laudo de serviço médico oficial. Neste sentido, a súmula CARF nº 63: Súmula CARF nº 63: Para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. Fl. 123DF CARF MF Impresso em 13/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2016 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 05/10/201 6 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBO SA Processo nº 15504.722510/201522 Acórdão n.º 2202003.509 S2C2T2 Fl. 122 5 Importa destacar que o § 5º, inciso III, do art. 39 do Decreto nº 3.000/99 estabelece a data de início que a referida isenção aplicase aos rendimentos sujeitos a isenção: § 5º As isenções a que se referem os incisos XXXI e XXXIII aplicamse aos rendimentos recebidos a partir: I – do mês da concessão da aposentadoria, reforma ou pensão; II – do mês da emissão do laudo ou parecer que reconhecer a moléstia, se esta for contraída após a aposentadoria, reforma ou pensão; III – da data em que a doença foi contraída, quando identificada no laudo pericial. (grifouse) No presente caso, o laudo pericial indicou que a contribuinte, nascida em 02/05/1932, é portadora de cardiopatia grave, com início em 18/12/2012 e término em 18/12/2022, quando deverá ser reavaliada. Assim, observandose a norma contida no art. 39, §5º, III, do Decreto nº 3.000, de 1999, a isenção aplicase, tãosomente, aos rendimentos recebidos a partir da data em que a doença foi contraída, quando identificada no laudo pericial, ou seja, 18/12/2012. Em relação aos demais documentos apresentados em sede de impugnação, a fim de demonstrar a préexistência da moléstia grave antes de 18/12/2012, compreendo que não merece reparo a decisão da DRJ de origem que assim se manifestou sobre estes: "Ante tais considerações, não se admitem os documentos adiante listados para efeito do reconhecimento das isenções de que tratam os incisos XIV e XXI do art. 6º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988: I relatórios médicos oriundos do Departamento de Saúde da Associação Mineira do Ministério Público, assinados pelo médico Carlos Eduardo de S. Miranda, CRM MG 29326, fls. 30 a 31, pois a associação, nos termos da norma contida no art. 44, I, da Lei nº 10.406, de 10 de janeiro de 2002, que instituiu o Código Civil, é uma pessoa jurídica de direito privado. Por corolário, percebese que o signatário dos relatórios médicos não possui nº de registro em órgão público. Ademais, ambos os documentos não foram taxativos em afirmar que a contribuinte é portadora de cardiopatia grave. A pessoa jurídica denominada de associação pública ocorre apenas na situação em que entidades consorciadas optarem por conferir a natureza jurídica de direito público para a sociedade de propósito específico criada após a celebração do contrato previsto no art. 6º da Lei nº 11.107, de 2005, que disciplinou o instituto do consórcio público. [...] Da narrativa encampada nos dois últimos parágrafos, não há dúvida de que a Associação Mineira do Ministério Público não se enquadra como associação pública. Fl. 124DF CARF MF Impresso em 13/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2016 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 05/10/201 6 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBO SA 6 II o documento de fls. 33, assinado pelo médico Ricardo Patrus A. de Souza, CRM 9500, é um receituário médico que, apesar de oriundo do Ipsemg, não pode ser considerado como laudo pericial, pois não assinalou nenhuma das doenças previstas na legislação tributária para fins de isenção do imposto de renda. Além disso, não indicou o CID 10, os elementos que fundamentaram o diagnóstico da doença, a data em que a autuada é considerada portadora da moléstia grave e nem o nº de registro no órgão público do profissional do serviço médico que assinou o receituário. III os exames provenientes do Hospital Mater Dei, fls. 35 a 36 e 38 a 39, assinados pelo médico Ronaldo de Araújo Abreu, CRM 38276, pois são documentos expedidos por entidade privada. Por corolário, verificase que o signatário dos exames médicos não possui nº de registro em órgão público. Em complemento, os exames não assinalam que a interessada é portadora de cardiopatia grave." Portanto, não há, presente nos autos, laudo pericial expedido por instituição pública que indique que a contribuinte é portadora de moléstia grave em período anterior a 18/12/2012. Desde modo, em razão da na notificação de lançamento possuir objeto os rendimentos do anocalendário 2012 e não havendo nos autos prova de que houve recebimento de rendimentos especificamente entre 19/12/2012 e 31/12/2012, deve ser mantida o lançamento por omissão de rendimentos. Ante o exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Relator Fl. 125DF CARF MF Impresso em 13/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2016 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 05/10/201 6 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBO SA
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Numero do processo: 13896.002440/2010-96
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 16 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Aug 11 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Ano-calendário: 2005, 2006, 2007
IRREGULARIDADE NA REPRESENTAÇÃO PROCESSUAL. FALTA DE INTIMAÇÃO PARA SANEAMENTO DO DEFEITO. NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. INEXISTÊNCIA DE PREJUÍZO CONCRETO À PARTE.
Por ser vício sanável, a irregularidade na representação processual é incompatível com o imediato não conhecimento da impugnação apresentada pelo sujeito passivo sem concede-lhe prazo razoável para saneamento do defeito.
Ao avaliar que não houve prejuízo concreto à parte e encontrando-se a questão madura para julgamento, o mérito pode ser examinado em segunda instância, com dispensa do retorno do processo a uma etapa anterior mediante a declaração de nulidade da decisão de primeira instância.
DECADÊNCIA. PAGAMENTO A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO.
Nos casos de lançamento por homologação, o prazo decadencial para a constituição do crédito tributário expira após cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação.
Na inexistência de pagamento antecipado que tenha conexão com o fato gerador do tributo exigido, a contagem do prazo decadencial dá-se a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado.
PAGAMENTOS REALIZADOS A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO.
Fica sujeito à incidência do imposto sobre a renda exclusivamente na fonte, à alíquota de trinta e cinco por cento, os pagamentos efetuados pela pessoa jurídica a beneficiário não identificado.
MULTA QUALIFICADA. FALTA DE COMPROVAÇÃO
Não demonstrada pela autoridade lançadora a ocorrência das condições que permitam a majoração da multa de ofício proporcional até o importe de 150%, cabe afastar a qualificação da penalidade, reduzindo-a ao patamar trivial em casos de lançamento de oficio, no percentual de 75%.
MULTA AGRAVADA. COMPROVAÇÃO.
Deve ser mantido o agravamento da multa de ofício quando comprovado que o sujeito passivo, intimado e reintimado, não atendeu a requisição para prestar esclarecimentos.
SUJEIÇÃO PASSIVA. RESPONSÁVEL TRIBUTÁRIO. ADMINISTRADOR DE PESSOA JURÍDICA. SÓCIOS NÃO ADMINISTRADORES. SOLIDARIEDADE DE FATO.
Exclui-se o vínculo de responsabilidade tributária atribuído a sócios da pessoa jurídica quando ausentes os elementos de conexão para a caracterização da solidariedade de fato ou para a responsabilização pessoal do sócio administrador decorrente da prática de atos com excesso de poder ou infração de lei, contrato social ou estatuto.
LEI TRIBUTÁRIA. PENALIDADE. EXCESSO DE EXAÇÃO. CONFISCO. SÚMULA CARF Nº 2.
Este Conselho Administrativo é incompetente para se pronunciar sobre inconstitucionalidade de lei tributária, sob o argumento de confiscatória.
(Súmula Carf nº 2)
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2401-004.414
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário para afastar as preliminares e, no mérito: i) Por maioria de votos, DAR PROVIMENTO PARCIAL para exonerar do lançamento a qualificação da multa de ofício e a responsabilização pessoal do sócio majoritário. Vencidos os Conselheiros Maria Cleci Coti Martins, Arlindo da Costa e Silva e Miriam Denise Xavier Lazarini; ii) Por unanimidade de votos, DAR PROVIMENTO PARCIAL para excluir a responsabilização pessoal dos sócios minoritários. Os Conselheiros Maria Cleci Coti Martins, Arlindo da Costa e Silva e Miriam Denise Xavier Lazarini acompanharam o voto do Relator pelas conclusões; e (iii) Por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO no que diz respeito às demais matérias. Fez sustentação oral o Dr. Remis Estol - OAB/RJ 45196.
Maria Cleci Coti Martins - Presidente Substituta
Cleberson Alex Friess - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Cleci Coti Martins, Arlindo da Costa e Silva, Wilson Antônio de Souza Correa, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, Theodoro Vicente Agostinho e Miriam Denise Xavier Lazarini.
Nome do relator: CLEBERSON ALEX FRIESS
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF Ano-calendário: 2005, 2006, 2007 IRREGULARIDADE NA REPRESENTAÇÃO PROCESSUAL. FALTA DE INTIMAÇÃO PARA SANEAMENTO DO DEFEITO. NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. INEXISTÊNCIA DE PREJUÍZO CONCRETO À PARTE. Por ser vício sanável, a irregularidade na representação processual é incompatível com o imediato não conhecimento da impugnação apresentada pelo sujeito passivo sem concede-lhe prazo razoável para saneamento do defeito. Ao avaliar que não houve prejuízo concreto à parte e encontrando-se a questão madura para julgamento, o mérito pode ser examinado em segunda instância, com dispensa do retorno do processo a uma etapa anterior mediante a declaração de nulidade da decisão de primeira instância. DECADÊNCIA. PAGAMENTO A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. Nos casos de lançamento por homologação, o prazo decadencial para a constituição do crédito tributário expira após cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Na inexistência de pagamento antecipado que tenha conexão com o fato gerador do tributo exigido, a contagem do prazo decadencial dá-se a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. PAGAMENTOS REALIZADOS A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO. Fica sujeito à incidência do imposto sobre a renda exclusivamente na fonte, à alíquota de trinta e cinco por cento, os pagamentos efetuados pela pessoa jurídica a beneficiário não identificado. MULTA QUALIFICADA. FALTA DE COMPROVAÇÃO Não demonstrada pela autoridade lançadora a ocorrência das condições que permitam a majoração da multa de ofício proporcional até o importe de 150%, cabe afastar a qualificação da penalidade, reduzindo-a ao patamar trivial em casos de lançamento de oficio, no percentual de 75%. MULTA AGRAVADA. COMPROVAÇÃO. Deve ser mantido o agravamento da multa de ofício quando comprovado que o sujeito passivo, intimado e reintimado, não atendeu a requisição para prestar esclarecimentos. SUJEIÇÃO PASSIVA. RESPONSÁVEL TRIBUTÁRIO. ADMINISTRADOR DE PESSOA JURÍDICA. SÓCIOS NÃO ADMINISTRADORES. SOLIDARIEDADE DE FATO. Exclui-se o vínculo de responsabilidade tributária atribuído a sócios da pessoa jurídica quando ausentes os elementos de conexão para a caracterização da solidariedade de fato ou para a responsabilização pessoal do sócio administrador decorrente da prática de atos com excesso de poder ou infração de lei, contrato social ou estatuto. LEI TRIBUTÁRIA. PENALIDADE. EXCESSO DE EXAÇÃO. CONFISCO. SÚMULA CARF Nº 2. Este Conselho Administrativo é incompetente para se pronunciar sobre inconstitucionalidade de lei tributária, sob o argumento de confiscatória. (Súmula Carf nº 2) Recurso Voluntário Provido em Parte
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 39; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2218; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T1 Fl. 5.151 1 5.150 S2C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13896.002440/201096 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2401004.414 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 16 de junho de 2016 Matéria IRRF: PAGAMENTO A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO Recorrente PAULO ROBERTO MURRAY SOCIEDADE DE ADVOGADOS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 2005, 2006, 2007 IRREGULARIDADE NA REPRESENTAÇÃO PROCESSUAL. FALTA DE INTIMAÇÃO PARA SANEAMENTO DO DEFEITO. NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. INEXISTÊNCIA DE PREJUÍZO CONCRETO À PARTE. Por ser vício sanável, a irregularidade na representação processual é incompatível com o imediato não conhecimento da impugnação apresentada pelo sujeito passivo sem concedelhe prazo razoável para saneamento do defeito. Ao avaliar que não houve prejuízo concreto à parte e encontrandose a questão madura para julgamento, o mérito pode ser examinado em segunda instância, com dispensa do retorno do processo a uma etapa anterior mediante a declaração de nulidade da decisão de primeira instância. DECADÊNCIA. PAGAMENTO A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. Nos casos de lançamento por homologação, o prazo decadencial para a constituição do crédito tributário expira após cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Na inexistência de pagamento antecipado que tenha conexão com o fato gerador do tributo exigido, a contagem do prazo decadencial dáse a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 6. 00 24 40 /2 01 0- 96 Fl. 5151DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 14/07/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 19/07/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assin ado digitalmente em 14/07/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 13896.002440/201096 Acórdão n.º 2401004.414 S2C4T1 Fl. 5.152 2 PAGAMENTOS REALIZADOS A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO. Fica sujeito à incidência do imposto sobre a renda exclusivamente na fonte, à alíquota de trinta e cinco por cento, os pagamentos efetuados pela pessoa jurídica a beneficiário não identificado. MULTA QUALIFICADA. FALTA DE COMPROVAÇÃO Não demonstrada pela autoridade lançadora a ocorrência das condições que permitam a majoração da multa de ofício proporcional até o importe de 150%, cabe afastar a qualificação da penalidade, reduzindoa ao patamar trivial em casos de lançamento de oficio, no percentual de 75%. MULTA AGRAVADA. COMPROVAÇÃO. Deve ser mantido o agravamento da multa de ofício quando comprovado que o sujeito passivo, intimado e reintimado, não atendeu a requisição para prestar esclarecimentos. SUJEIÇÃO PASSIVA. RESPONSÁVEL TRIBUTÁRIO. ADMINISTRADOR DE PESSOA JURÍDICA. SÓCIOS NÃO ADMINISTRADORES. SOLIDARIEDADE DE FATO. Excluise o vínculo de responsabilidade tributária atribuído a sócios da pessoa jurídica quando ausentes os elementos de conexão para a caracterização da solidariedade de fato ou para a responsabilização pessoal do sócio administrador decorrente da prática de atos com excesso de poder ou infração de lei, contrato social ou estatuto. LEI TRIBUTÁRIA. PENALIDADE. EXCESSO DE EXAÇÃO. CONFISCO. SÚMULA CARF Nº 2. Este Conselho Administrativo é incompetente para se pronunciar sobre inconstitucionalidade de lei tributária, sob o argumento de confiscatória. (Súmula Carf nº 2) Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário para afastar as preliminares e, no mérito: i) Por maioria de votos, DAR PROVIMENTO PARCIAL para exonerar do lançamento a qualificação da multa de ofício e a responsabilização pessoal do sócio majoritário. Vencidos os Conselheiros Maria Cleci Coti Martins, Arlindo da Costa e Silva e Miriam Denise Xavier Lazarini; ii) Por unanimidade de votos, DAR PROVIMENTO PARCIAL para excluir a responsabilização pessoal dos sócios minoritários. Os Conselheiros Maria Cleci Coti Martins, Arlindo da Costa e Silva e Miriam Denise Xavier Lazarini acompanharam o voto do Relator pelas conclusões; e (iii) Por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO no que diz respeito às demais matérias. Fez sustentação oral o Dr. Remis Estol OAB/RJ 45196. Fl. 5152DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 14/07/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 19/07/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assin ado digitalmente em 14/07/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 13896.002440/201096 Acórdão n.º 2401004.414 S2C4T1 Fl. 5.153 3 Maria Cleci Coti Martins Presidente Substituta Cleberson Alex Friess Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Cleci Coti Martins, Arlindo da Costa e Silva, Wilson Antônio de Souza Correa, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, Theodoro Vicente Agostinho e Miriam Denise Xavier Lazarini. Fl. 5153DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 14/07/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 19/07/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assin ado digitalmente em 14/07/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 13896.002440/201096 Acórdão n.º 2401004.414 S2C4T1 Fl. 5.154 4 Relatório Cuidase de recurso voluntário interposto em face da decisão da 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campinas (DRJ/CPS), cujo dispositivo tratou de considerar improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido. Transcrevo a ementa do Acórdão nº 0535.400 (fls. 3.007/3.086): ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2005, 2006, 2007 NULIDADE. INOCORRÊNCIA. São considerados nulos somente atos e termos lavrados por pessoa incompetente e despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa, nos termos do art. 59, incisos I e II, do Decreto nº 70.235, de 1972, incorporado pelo Decreto 7.574, de 29/09/2011, não havendo que se falar em nulidade quando observados nos lançamentos formalizados os requisitos contidos no art. 142 do CTN bem como no disciplinamento do Processo Administrativo Fiscal (PAF). FASE PROCEDIMENTAL. CARÁTER INQUISITÓRIO. O procedimento fiscal tem caráter inquisitório e, aos particulares, cabe colaborar e respeitar os poderes legais dos quais a autoridade administrativa está investida, não se justificando questionamentos acerca de sua duração, da quantidade de intimações formuladas e do local de sua realização, sobretudo se regularmente amparado em Mandado de Procedimento Fiscal. Ademais, no processo administrativo fiscal, é a impugnação que instaura a fase propriamente litigiosa ou processual, não encontrando amparo jurídico questionamentos relacionados a cerceamento de defesa durante o procedimento administrativo de fiscalização, por dificuldades para acompanhálo. COMPETÊNCIA. UNIDADE DE LAVRATURA. DOMICÍLIO TRIBUTÁRIO. É válido o lançamento formalizado por AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil de jurisdição diversa da do domicílio tributário do sujeito passivo, sendo incabíveis questionamentos quanto a este aspecto, mormente se a realização do procedimento fiscal, e a conseqüente formalização do Auto de Infração, em jurisdição diversa daquela a que pertence o atual domicílio tributário da pessoa jurídica decorreu do incorreto endereço por ela própria informado para fins cadastrais à Receita Federal, informação esta que somente veio a ser Fl. 5154DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 14/07/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 19/07/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assin ado digitalmente em 14/07/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 13896.002440/201096 Acórdão n.º 2401004.414 S2C4T1 Fl. 5.155 5 corrigida após o início do procedimento administrativo de fiscalização. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. A alegação de dificuldades na obtenção de cópia integral do processo não configura cerceamento de defesa se (1) a pessoa jurídica e seus sócios foram regularmente cientificados dos autos de infração e seus anexos, deles recebendo cópia e, em relação às demais peças do processo, seu conteúdo já era de conhecimento dos interessados, por terem sido a eles dirigidas por via postal, ou por eles apresentadas, ou, quando apresentadas por terceiros, os correspondentes dados foram consolidados em planilhas e encaminhados em anexo a intimações, além de terem sido disponibilizadas para vistas, no curso do procedimento fiscal; (2) as cópias requeridas foram disponibilizadas, mas não há notícias de defesa complementar alguma, posterior ao prazo de impugnação, que suscitasse análise das condições previstas no art. 16 do Decreto 70.235/72, e, (3) nas impugnações, os interessados demonstram pleno conhecimento de todos os detalhes da autuação e das infrações que lhes foram imputadas, a elas se opondo e fazendo referência de forma minuciosa. RETIFICAÇÃO DE DECLARAÇÕES. PROCEDIMENTO FISCAL INICIADO. PERDA DA ESPONTANEIDADE. O início do procedimento fiscal exclui a espontaneidade do sujeito passivo em relação aos atos anteriores e, independentemente de intimação, a dos demais envolvidos nas infrações verificadas, não surtindo qualquer efeito sobre o lançamento de ofício a DCTF retificadora entregue durante a ação fiscal. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 2005, 2006, 2007 PAGAMENTO A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO E/OU SEM CAUSA. AUSÊNCIA DE PROVA DA CAUSA INFORMADA NA CONTABILIDADE. Ausente prova documental da alegação de que pagamentos registrados na contabilidade a título de distribuição de lucros ou antecipação de distribuição de lucros (sem indicação do beneficiário ou com indicações que remetem a pessoas distintas dos sócios) teriam sido, de fato, recebidos pelas pessoas físicas dos sócios, a título de lucros distribuídos, mantémse o lançamento do imposto, devido exclusivamente na fonte, à alíquota de 35%. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2005, 2006, 2007 ARGÜIÇÕES RELATIVAS A INCONSTITUCIONALIDADE. Fl. 5155DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 14/07/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 19/07/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assin ado digitalmente em 14/07/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 13896.002440/201096 Acórdão n.º 2401004.414 S2C4T1 Fl. 5.156 6 A apreciação de questionamentos relacionados a ilegalidade e inconstitucionalidade da legislação tributária não é de competência da autoridade administrativa, sendo exclusiva do Poder Judiciário. DECADÊNCIA. Do texto do caput do art. 150 do CTN e seu parágrafo 4º, observase que o legislador elegeu, como condição essencial ao lançamento por homologação, além da antecipação do pagamento pelo sujeito passivo, decorrente de apuração regular, a existência de boafé. Ausentes tais circunstâncias, nos casos em que apurado dolo, fraude ou simulação, o início da contagem do prazo decadencial permanece na regra geral do art. 173, I, do CTN. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. Evidenciadas pela fiscalização circunstâncias que denotam intuito de fraude, regular a qualificação da multa. FALTA DE ATENDIMENTO A INTIMAÇÃO NO PRAZO MARCADO. Mantémse o percentual de 225% nos casos em que o sujeito passivo não atende, no prazo marcado, intimação para prestar esclarecimentos. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. SÓCIO ADMINISTRADOR. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com infração de lei, os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. RESPONSABILIDADE. INTERESSE COMUM. Descritas pela Fiscalização circunstâncias que evidenciam a participação comum ou conjunta dos sócios na situação que constitui o fato gerador dos tributos lançados, permitindo, através de suas ações ou omissões, a prática de ilícitos, tributários ou não, resta configurado o interesse comum, caracterizador da responsabilidade solidária de fato dos sócios. Impugnação Improcedente 1.1 A decisão de primeira instância não conheceu da impugnação apresentada pelo responsável solidário Patrícia Goldberg, por irregularidade na representação processual. Quanto às demais pessoas físicas solidárias, conheceu das impugnações, porém manteve o vínculo de responsabilidade. 2. Extraise do Termo de Verificação Fiscal, às fls. 766/793, que a autuação fiscal é composta do crédito tributário relativo a Imposto sobre a Renda Retido na Fonte (IRRF), no período de 2005 a 2007, à alíquota de 35% (trinta e cinco por cento) sobre base de cálculo reajustada, com fundamento no art. 61 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, acrescido de Fl. 5156DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 14/07/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 19/07/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assin ado digitalmente em 14/07/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 13896.002440/201096 Acórdão n.º 2401004.414 S2C4T1 Fl. 5.157 7 juros de mora e da multa de ofício, neste caso qualificada e agravada (Auto de Infração de fls. 828/874). 3. Segundo a fiscalização, ao examinar os registros contábeis do sujeito passivo, conta 163, identificou pagamentos a título de adiantamento de lucros cujo histórico de lançamentos não permitiu identificar os beneficiários. 3.1 Mesmo intimados e reintimados o sujeito passivo e os seus respectivos sócios, não houve apresentação de elementos hábeis e idôneos a comprovar a quem foram destinados os pagamentos escriturados pela fiscalizada. 3.2 Os lançamentos contábeis e as bases de cálculo dos pagamentos estão relacionados, de forma individualizada, nos Anexos II e III ao Termo de Verificação Fiscal, às fls. 818/823. 3.3 Para melhor compreensão da acusação fiscal e das circunstâncias em que foi verificada a infração, reproduzo abaixo excertos do Termo de Verificação Fiscal, "in verbis" (fls. 784/787): 8.2. Pagamento a Beneficiário não Identificado e/ou Sem Causa Da análise dos registros contábeis do sujeito passivo foi constatado que esse efetuou pagamentos a título de Adiantamento de Lucros (conta contábil 163) cujo histórico dos lançamentos não permitiu identificar os beneficiários. Cada um desses registros foi demonstrado em planilha anexa aos Termos de Intimação (e são idênticas à planilha "RELAÇÃO DE PAGAMENTOS CUJO BENEFICIÁRIO NÃO SE PODE IDENTIFICAR", ANEXO II do presente) enviados ao sujeito passivo e para os quais deveria apontar seus beneficiários. Mesmo assim, por 4 (quatro) vezes consecutivas (fl n° 673 a 688 e 692 a 694), deixou de informar quais seriam as pessoas que teriam recebido tais valores, manifestandose apenas em uma das ocasiões onde respondeu justificando sua demora e solicitando prorrogação de prazo. Tal resposta, datada de 31/05/2010 (fl n° 689 a 691), é digna de citação, pois o sujeito passivo além de não informar quem seriam os beneficiários dos pagamentos por ele efetuados, aprofundase em explicações tentando convencernos que sua demora seria decorrente da sobrecarga que lhe foi imposta pela fiscalização que, concomitantemente, estaria diligenciando seus sócios e intimandoos para a obtenção de informações. Tal afirmação é tão descabida que merece menção, primeiro porque todas as indagações feitas aos sócios são referentes a informações prestadas por eles em suas DIRPF apresentadas nos anos de 2006, 2007 e 2008. Tais declarações não são feitas a esmo, elas expressam, o conteúdo de documentos (Informes de Rendimentos, recibos de despesas, etc) que, à época, estavam em poder de cada um deles. Fl. 5157DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 14/07/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 19/07/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assin ado digitalmente em 14/07/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 13896.002440/201096 Acórdão n.º 2401004.414 S2C4T1 Fl. 5.158 8 Assim para o atendimento da requisição fiscal bastaria a sua apresentação e prescindiriam os sócios, de qualquer coleta de informações junto à fonte pagadora. Além disso, mesmo na eventualidade de todos eles, concomitantemente, terem extraviados seus Informes de Rendimento de três anos calendário consecutivos (2005, 2006 e 2007), suas solicitações junto ao sujeito passivo seriam rapidamente atendidas através da simples consulta à DIPJ da empresa dos períodos correspondentes, pois essas espelham os valores de Lucros e Dividendos distribuídos aos sócios contidos nos Informe de Rendimentos enviados na época para cada um deles, sem a necessidade de quaisquer consultas mais demoradas aos registros da empresa. Verificase que tais lamentos são infundados e que a empresa nunca, apesar do prazo razoável e de prorrogação que lhe foi concedida, apresentou a essa fiscalização quaisquer explicações em relação aos beneficiários dos pagamentos, caracterizando a intenção de protelar e até ocultar do conhecimento dessa fiscalização o ilícito praticado. A razão mais plausível para que a empresa e os sócios requeridos se assoberbassem com verificações ou cálculos, nesse momento, seria a tentativa de justificar com documentos agora emitidos informações que lhes pareçam mais interessante confirmar, documentando esse ou aquele fato de acordo com a percepção que tenham dos rumos dessa fiscalização e dos ilícitos dos quais já se tomou conhecimento, na tentativa de mascará los. Vale relembrar a absoluta falta de qualquer sinal de manuseio de todos os Informes de Rendimento apresentados por quase todos os sócios (exceto o sócio majoritário) já relatados no item DESCRIÇÃO DOS FATOS, acima. Em 09/09/2010 manifestandose com relação à Certidão datada de 30/08/2010, o sujeito passivo afirma que: "Ora, se o valor está declarado em sua contabilidade e foi tempestivamente confirmado perante terceiros (Termo de Diligência aos sócios), a prova estava constituída nos autos, não cabendo a fiscalizada ratificar seus registros contábeis." (grifamos) Ocorre, porém, que os valores apurados como pagamento de Adiantamento de Lucro em seus registros contábeis e demonstrados nos anexos dos Termos de Intimação não possuíam qualquer indicação de beneficiário. Ao contrário, possuíam históricos que indicavam o recebimento dos valores por pessoas que não compunham o Quadro Societário da empresa, como Luiz Eduardo; Gutierrez; Eduardo Francisco; Myo Participações; Edvaldo A Silva; etc ou seqüência de letras que não correspondem às iniciais de nenhum de seus sócios ou, ainda, a simples anotação "Dist Lucro", sendo impossível, através deles identificar qual dos sócios recebeu tais valores. Portanto, ao contrário do que afirma o sujeito passivo, essas informações não estão disponíveis em seus registros. Fl. 5158DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 14/07/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 19/07/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assin ado digitalmente em 14/07/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 13896.002440/201096 Acórdão n.º 2401004.414 S2C4T1 Fl. 5.159 9 Importante perceber que se evidencia na resposta do sujeito passivo o fato de, mesmo sem nunca ter pedido vistas dos documentos coletados junto a terceiros (clientes ou sócios), tinha conhecimento das informações sigilosas prestadas a essa fiscalização pelos integrantes de seu Quadro Societário, o que serve apenas para ratificar nossas suspeitas de que empresa e sócios agem de forma pactuada e sistematizada para em conjunto acobertar fatos e tentar ocultálos do conhecimento da fiscalização. Outro fato interessante é que os sócios, ao responderem aos questionamentos dessa fiscalização, reconhecem a correção dos valores apontados na contabilidade do sujeito passivo dos respectivos períodos, mas estranhamente atribuem para si o recebimento de valores a título de lucros e dividendos que nem eles, nem a empresa haviam apontado em suas Declarações originais. Ainda mais insólita é a observação de que tais valores estão registrados na conta Duplicatas a Receber (conta contábil 19), sem qualquer indicação de qual cliente efetuou tais pagamentos. Observase, também, que foram recebidos, apesar de seus valores vultosos, em dinheiro (a contrapartida do lançamento é a conta contábil 5 Caixa, ver ANEXO IV do presente Termo) e imediatamente transferidos para a conta Adiantamento de Lucros (conta contábil 163), sem a identificação de qual sócio os recebeu, constando sempre como histórico, a breve informação "Distr. Lucros" (ver ANEXOS V do presente Termo). Apesar de requeridos, nem o sujeito passivo, nem os sócios, apresentaram quaisquer documentações hábeis ou idôneas que comprovem a natureza isenta de tais valores, nem seu efetivo pagamento/recebimento pelos integrantes do Quadro Societário da fiscalizada, tornando difícil acreditar que para receber tais quantias em dinheiro os sócios teriam saído de seus escritórios com grandes malas de dinheiro. Se tal tivesse ocorrido, certamente as DIRPF dos sócios espelhariam o acréscimo patrimonial decorrente de tais recebimentos, porém isso não só não acontece, como vários deles informam a necessidade de dívidas para a compra de bens ou decréscimo patrimonial em alguns anos. Tal constatação tornase mais evidente quando se compara os valores auto atribuídos pelo sócio Paulo Roberto Murray, que afirma ter recebido valores que somam, R$ 12.941.285,82, R$ 13.225.462,64 e R$ 15.233.676,73 respectivamente nos anos de 2005, 2006 e 2007, totalizando R$ 41.400.425,19 nos três anos, mas declara em suas DIRPF desses anos acréscimos patrimoniais bastante modestos quando comparados a tão vultosos recebimentos e decréscimo patrimonial em 2007. Dessa forma, e por absoluta falta de apresentação de documentos por qualquer dos requeridos, falta da informação do recebimento desses valores nas Declarações originais dos sócios e do sujeito passivo e falta de apontamento dos verdadeiros Fl. 5159DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 14/07/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 19/07/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assin ado digitalmente em 14/07/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 13896.002440/201096 Acórdão n.º 2401004.414 S2C4T1 Fl. 5.160 10 beneficiários nos registros contábeis da fiscalizada, o sujeito passivo não logrou êxito em demonstrar a quem pagou tais valores. Muito menos a causa de cada um deles, já que apenas os integrantes do quadro societário da empresa poderiam receber da fiscalizada os Lucros de sua atividade e isso não se comprovou. (...) A falta de comprovação pela fonte pagadora dos beneficiários dos pagamentos efetuados ou da causa de tais pagamentos, implica a assunção não apenas do ônus financeiro do tributo, mas da responsabilidade exclusiva pelo pagamento do imposto, tornandose o sujeito passivo de quem deve ser exigido o tributo subtraído dos cofres da União. Desse modo e conforme determinação do § 3o acima, o pagamento é considerado líquido cabendo o reajustamento do respectivo rendimento bruto sobre o qual recairá a tributação exclusiva na fonte de responsabilidade do sujeito passivo. Na planilha "APURAÇÃO DA TRIBUTAÇÃO EXCLUSIVA NA FONTE" (ANEXO III do presente), o rendimento tributável foi reajustado pela aplicação da seguinte formula: BC = VP / 1 0,35 onde: BC é a Base de Cálculo reajustada / VP é o valor do pagamento efetuado O cálculo do imposto devido foi efetuado pela aplicação da alíquota de*35% sobre a Base de Cálculo reajustada, conforme coluna "IMPOSTO DEVIDO" da planilha e totaliza os impostos devidos em cada anocalendário. Esses valores serão cobrados de ofício através de Auto de Infração com os devidos acréscimos legais. 4. No mesmo procedimento fiscal, a fiscalização constatou a omissão de receitas da atividade operacional, formalizando o Processo nº 13896.002439/201061, para exigência de crédito tributário relativo ao Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) e Contribuição para o Programa de Integral Social (PIS). 5. No tocante às penalidades aplicadas, a autoridade lançadora justificou a exarcebação da multa de ofício, consistente inicialmente na sua qualificação (duplicação do percentual trivial, até o importe de 150%) e, na sequência, agravamento do percentual qualificado (aumento de metade, totalizando 225%), conforme fls. 787/790. 6. Ainda formalizou a autoridade lançadora 7 (sete) termos de sujeição passiva solidária, em nome de sócios da pessoa jurídica fiscalizada, enviandolhes cópia do Auto de Infração e do Termo de Verificação Fiscal (fls. 877/896): Fl. 5160DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 14/07/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 19/07/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assin ado digitalmente em 14/07/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 13896.002440/201096 Acórdão n.º 2401004.414 S2C4T1 Fl. 5.161 11 i) Paulo Roberto Murray, CPF 010.953.82853 (fls. 877/878); ii) Alberto Murray Neto, CPF 127.000.48830 (fls. 880/881); iii) José Luiz Cabello Campos, CPF 037.606.50872 (fls. 883/884); iv) Tatiana Guimarães Erhardt, CPF 290.154.33836 (fls. 886/887); v) Edson Mazieiro, CPF 120.977.61895 (fls. 889/890); vi) Patrícia Goldberg, CPF 298.142.13870 (fls. 892/893); e vii) Edson Sesma, CPF 157.479.04809 (fls. 895/896). 7. A pessoa jurídica autuada foi cientificada da autuação em 25/10/2010, conforme fls. 898 e 3.160, e impugnou a exigência fiscal (fls. 2.624/2.664). 8. Quanto às pessoas físicas arroladas pela fiscalização como solidárias, foram cientificadas via postal em 23/10/2010, com a exceção do Sr. Edson Sesma, que tomou ciência pessoal da acusação em 28/10/2010 (fls. 879, 882, 885, 888, 891, 894 e 896). 8.1 As impugnações dos responsáveis solidários estão anexadas às fls. 2.694/2.733, 2.738/2.774, 2.781/2.817, 2.824/2.860, 2.867/2.903, 2.910/2.946 e 2.953/2.989. 9. Intimada por via postal da decisão do colegiado de primeira instância em 22/2/2012, às fls. 3.170, a pessoa jurídica apresentou recurso voluntário no dia 19/3/2012 (fls. 3.180/3.250). 9.1 Em breve resumo, enumero os argumentos de fato e direito aduzidos pela recorrente aplicáveis à controvérsia deste Processo nº 13896.002440/201096, referente à exigência de imposto sobre a renda exclusivamente da fonte pagadora, à alíquota de 35%: i) a sociedade sempre foi administrada exclusivamente pelo Sr. Paulo Roberto Murray, inexistindo qualquer participação na administração pelos sócios minoritários com quotas de R$ 1,00 (um real); ii) diversas situações durante a auditoria fiscal criaram um ânimo de retaliações pelo Fisco, prolongandose demasiadamente o seu término, por quase 2 (dois) anos, e resultando, ao final, na imposição de uma multa confiscatória de 225% (duzentos e vinte e cinco por cento); iii) há nulidade da autuação, por ter o Fisco dado tratamento diferenciado a alguns sócios minoritários integrantes da sociedade no período fiscalizado (sócios não administradores), os quais, mesmo que intimados pela autoridade fiscal na fase investigatória, acabaram não sendo arrolados como responsáveis solidários; Fl. 5161DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 14/07/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 19/07/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assin ado digitalmente em 14/07/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 13896.002440/201096 Acórdão n.º 2401004.414 S2C4T1 Fl. 5.162 12 iv) a fiscalizada readquiriu a espontaneidade, tendo retificado no dia 14/12/2009 a Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF); v) está caracterizada a decadência parcial do crédito tributário, até a competência 09/2005, nos termos do § 4º do art. 150 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, que veicula o Código Tributário Nacional (CTN); vi) os valores do lançamento fiscal, acrescidos de multa no importe de 225%, caracterizam confisco, vedado pelo ordenamento jurídico; vii) a exigência do imposto de renda na alíquota de 35%, exclusivamente na fonte, com base no art. 61 da Lei nº 8.981, de 1995, é admitida somente quando não houver cobrança concomitante de IRPJ e CSLL sobre a mesma operação (cf. artigo do Professor José Minatel); viii) a exigência de imposto sobre a renda com base reajustada, prevista no art. 61 da Lei nº 8.981, de 1995, é inaplicável quando ocorra também tributação por redução do lucro líquido, caracterizada por omissão de receita ou glosa de custos/despesas, situações próprias da tributação do IRPJ pelo lucro real (cf. Recurso nº 144451, julgado pela 4ª Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes); ix) os pagamentos a título de adiantamento de lucros a beneficiários não identificados representam excesso de lucros distribuídos aos sócios, a serem tributados na forma da legislação (cf. artigo de autoria de Neicyr de Almeida); x) o Fisco procurou transformar uma questão corriqueira de omissão de receita não declarada em DCTF em algo gigantesco e criminoso, de maneira a justificar a aplicação da multa qualificada e agravada; xi) não houve dolo, fraude ou simulação que pudesse ocultar a ocorrência do fato gerador, tendo o Fisco Federal sempre os dados necessários à constituição do crédito tributário; e xii) inexistem atos que impediram os procedimentos de fiscalização, na medida em que a busca da sede da empresa não é empecilho para a fiscalização apurar eventuais receitas e rendas não oferecidas à tributação, considerando os controles eletrônicos e as autorizações para obter informações de terceiros. Fl. 5162DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 14/07/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 19/07/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assin ado digitalmente em 14/07/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 13896.002440/201096 Acórdão n.º 2401004.414 S2C4T1 Fl. 5.163 13 9.2 Esclareço que a petição da recorrente contém diversas alegações alheias à exigência do imposto sobre a renda exclusivamente na fonte, à alíquota de 35%, incidente sobre pagamentos efetuados pela pessoa jurídica, segundo a fiscalização, a beneficiário não identificado. 9.3 Em verdade, as demais alegações dizem respeito ao crédito tributário discutido no Processo nº 13896.002439/201061, antes mencionado. Sustenta a recorrente o cometimento de graves equívocos pelo Fisco Federal na apuração do montante das receitas tributáveis omitidas, em descompasso com a sua contabilidade, notas de honorários e recibos de clientes, que levou, ao final do procedimento fiscal, à multiplicação indevida do faturamento e à cobrança de valores desproporcionais para o IRPJ, a CSLL, o PIS e a Cofins. 10. Por seu turno, as sete pessoas físicas solidárias foram igualmente intimadas do acórdão de primeira instância, via postal (fls. 3.171/3.176). Os recursos voluntários interpostos, conforme fls. dos autos, estão na sequência sintetizados: Paulo Roberto Murray (fls. 3.252/3.303): i) ciência em 18/2/2012, interposição do recurso voluntário em 19/3/2012; ii) há nulidade da autuação, por ter o Fisco dado tratamento diferenciado a alguns sócios minoritários integrantes da sociedade no período fiscalizado (sócios não administradores), os quais, mesmo que intimados pela autoridade fiscal na fase investigatória, acabaram não sendo arrolados como responsáveis solidários; iii) há erro quanto à eleição do sujeito passivo, já que há distinção entre a pessoa jurídica de direito privado e as pessoas de seus sócios; iv) não praticou em seu nome qualquer ato que possa ensejar a descaracterização da personalidade jurídica da sociedade, de modo a transformálo em sujeito passivo por responsabilidade solidária; v) como único sócio administrador não agiu em contrariedade à lei e ao contrato social, inaplicável, portanto, o art. 135 do CTN, tampouco pode lhe ser atribuído o interesse comum de que trata o inciso I do art. 124 do CTN; vi) somente em situações excepcionais, com respaldo em elementos de prova, podese atribuir a responsabilidade ao administrador da sociedade; e vii) repete, em grande parte, as razões de defesa contra a pretensão fiscal já enumeradas no resumo que alhures fiz acerca do conteúdo do recurso voluntário interposto pela pessoa jurídica. Fl. 5163DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 14/07/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 19/07/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assin ado digitalmente em 14/07/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 13896.002440/201096 Acórdão n.º 2401004.414 S2C4T1 Fl. 5.164 14 Alberto Murray Neto (fls. 3.458/3.499): i) ciência em 18/2/2012, interposição do recurso voluntário em 19/3/2012; ii) interesse comum, previsto no inciso I do art. 124 do CTN, é tema vasto, dependente de lei ordinária para delimitálo, não ficando caracterizado pelo simples fato de a pessoa física participar de uma empresa; iii) os sócios minoritários jamais podem ser responsabilizados pelo crédito tributário lançado, na medida em que o débito é da pessoa jurídica, que tem personalidade própria, não confundível com a de seus sócios. Além disso, não detinham poder de gerência, recebendo, em verdade, salário mensal, ainda que sob a denominação de lucros; iv) os clientes era atendidos por Paulo Roberto Murray, que determinava os trabalhos e fixava os honorários. O recorrente não pagava contas, não recebia valores, apenas executava as tarefas que lhe era atribuída na qualidade de advogado; e v) repete, em grande parte, as razões de defesa contra a pretensão fiscal já enumeradas no resumo que alhures fiz acerca do conteúdo do recurso voluntário interposto pela pessoa jurídica. Edson Mazieiro (fls. 3.986/4.027): i) ciência em 18/2/2012, interposição do recurso voluntário em 19/3/2012; e ii) as razões recursais são semelhantes àquelas do recurso apresentado por Alberto Murray Neto. Edson Sesma (fls. 4.214/4.255): i) ciência em 6/3/2012, interposição do recurso voluntário em 19/3/2012; e ii) as razões recursais são semelhantes àquelas do recurso apresentado por Alberto Murray Neto. José Luiz Cabello Campos (fls. 4.460/4.498): i) ciência em 17/2/2012, interposição do recurso voluntário em 19/3/2012; e ii) as razões recursais são semelhantes àquelas do recurso apresentado por Alberto Murray Neto. Fl. 5164DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 14/07/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 19/07/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assin ado digitalmente em 14/07/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 13896.002440/201096 Acórdão n.º 2401004.414 S2C4T1 Fl. 5.165 15 Patrícia Goldberg (fls. 4.653/4.702): i) ciência em 18/2/2012, interposição do recurso voluntário em 19/3/2012; ii) em preliminar, quanto ao não conhecimento de sua impugnação pela decisão de piso, afirma que contratou o mesmo advogado eleito para a defesa de todos os demais envolvidos nos lançamentos fiscais, só podendo ter ocorrido o extravio da procuração na repartição fazendária; iii) de qualquer modo, a irregularidade na representação processual é questão sanável, conforme pacífico entendimento da jurisprudência, cabendo a unidade preparadora ou a autoridade julgadora providenciar a intimação da parte para sanar o defeito, o que não foi feito; iv) requer, desse modo, a nulidade do acórdão recorrido, com retorno dos autos à primeira instância para que seja proferida decisão em boa e devida forma; e v) nada obstante, também apresentou razões de mérito contrárias a sua inclusão como responsável tributário solidário, no caso são argumentos semelhantes àqueles do recurso interposto por Alberto Murray Neto. Tatiana Guimarães Erhardt (fls. 4.908/4.943): i) ciência em 18/2/2012, interposição do recurso voluntário em 19/3/2012; e ii) as razões recursais são semelhantes àquelas do recurso apresentado por Alberto Murray Neto. 11. Em petição de fls. 5.115/5.117, tendo em vista a formalização do Processo nº 13896.002439/201061, o responsável solidário Edson Mazieiro requereu o reconhecimento também da competência da 1ª Seção deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf) para julgamento deste processo administrativo, como forma de evitar a emissão de decisões divergentes e de manter a segurança jurídica para as partes relativamente às matérias decorrentes. O pedido foi indeferido, em 8/10/2012, pelo Presidente da 2ª Seção (fls. 5.117). 12. As fls. 5.148, consta despacho da Procuradoria Regional da Fazenda Nacional em São Paulo, em que noticia a concessão de liminar no autos da Medida Cautelar Fiscal nº 000473518.2012.403.6182, além do falecimento do sujeito passivo solidário José Luiz Cabello Campos. 13. Por derradeiro, anoto que vieram os autos sem contrarrazões da Procuradoria da Fazenda Nacional. É o relatório. Fl. 5165DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 14/07/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 19/07/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assin ado digitalmente em 14/07/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 13896.002440/201096 Acórdão n.º 2401004.414 S2C4T1 Fl. 5.166 16 Voto Conselheiro Cleberson Alex Friess, Relator Delimitação da controvérsia e competência para julgamento 14. Previamente, é necessário deixar claro a natureza e os limites da controvérsia tributária existente neste Processo nº 13896.002440/201096, mormente quanto à definição da competência para julgamento dos recursos voluntários interpostos, tendo em conta o que prescreve as normas regimentais do Carf. 15. Segundo relatado, na mesma ação fiscal foram constituídos créditos tributários relativos a distintos tributos, formalizados em processos separados. Quanto ao IRPJ, CSLL, PIS e Cofins, a exigência fiscal faz parte do Processo nº 13896.002439/201061, ao passo que o imposto sobre a renda incidente exclusivamente na fonte, à alíquota de 35%, consta deste Processo nº 13896.002440/201096, ora sob apreciação. 16. Tanto o Termo de Verificação Fiscal quanto o Acórdão nº 0535.400 de primeira instância abordam de forma integrada questões relacionadas aos dois processos administrativos, discorrendo a respeito da omissão de receitas da atividade operacional da sociedade, assim como no que toca à infração apoiada na existência de pagamentos a beneficiários não identificados e/ou sem causa. 16.1 Os recursos voluntários apresentados pelos recorrentes não se afastam dessa lógica argumentativa, trazendo elementos de fato e de direito associados a ambos os processos administrativos. 17. Voltando os olhos para o Regimento do Carf, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015, com a redação dada pela Portaria MF nº 169, de 10 de maio de 2016, percebese que há uma especialização das Seções por matéria no tocante à competência para julgamento dos recursos, conforme seu Anexo II: (...) Art. 2º À 1ª (primeira) Seção cabe processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de 1ª (primeira) instância que versem sobre aplicação da legislação relativa a: I Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ); II Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL); III Imposto sobre a Renda Retido na Fonte (IRRF), quando se tratar de antecipação do IRPJ; IV CSLL, IRRF, Contribuição para o PIS/Pasep ou Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), Fl. 5166DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 14/07/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 19/07/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assin ado digitalmente em 14/07/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 13896.002440/201096 Acórdão n.º 2401004.414 S2C4T1 Fl. 5.167 17 Contribuição Previdenciária sobre a Receita Bruta (CPRB), quando reflexos do IRPJ, formalizados com base nos mesmos elementos de prova; (...) Art. 3º À 2ª (segunda) Seção cabe processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de 1ª (primeira) instância que versem sobre aplicação da legislação relativa a: (...) II IRRF; (grifei) (...) 18. Foi reservada à 2º Seção, via de regra, a competência para processar e julgar recursos relativos ao Imposto sobre a Renda na Fonte, salvo quando se tratar de antecipação do IRPJ ou quando for hipótese de exigência tributária reflexa ao IRPJ, desde que formalizada com base nos mesmos elementos de provas. 19. Compulsando os autos, especialmente o Termo de Verificação Fiscal, constato que o Processo nº 13896.002439/201061 é composto por crédito tributário relativo ao IRPJ e seus reflexos, escorado na omissão de receitas da atividade operacional do fiscalizado, contabilizadas e não contabilizadas, não informadas ao Fisco mediante entrega das declarações correspondente. 19.1 A acusação fiscal está lastreada na própria escrituração contábil da pessoa jurídica, bem como notas e recibos de honorários pela prestação de serviços advocatícios, os quais foram obtidos, ao menos em parte, mediante diligências a terceiros para os quais tinha havido prestação de serviços (fls. 781/784). 20. De outra banda, o Processo nº 13896.002440/201096 referese ao imposto de renda à alíquota de 35% incidente sobre pagamentos a beneficiários não identificados, cujos fatos geradores foram apurados a partir do exame da contabilidade da pessoa jurídica, especificamente nos lançamentos realizados na Conta "Lucros Dividendos Antecipados", código contábil 163, em contrapartida das contas caixa ou bancos (fls. 784/787). 21. Conquanto formalizados em um mesmo procedimento fiscal, a formalização não aconteceu com base nos mesmos elementos de prova, e as acusações fiscais estão fundamentadas em fatos tributários distintos, ainda que possa haver hipoteticamente uma correlação mediata quanto à origem da disponibilidade financeira. 22. A acusação fiscal, no que se refere à exigência do imposto de renda exclusivamente na fonte, não se sustenta na omissão de receitas, não fazendo alusão a que os valores pagos aos beneficiários não identificados tiveram origem, necessariamente, em receitas omitidas pelo contribuinte. 22.1 Inclusive, como forma de evidenciar que apenas parte dos fatos referentes às atividades operacionais da empresa estavam registrados contabilmente, menciona o agente fiscal a ausência de registro de receitas recebidas pela pessoa jurídica por meio da conta bancária nº 016.2317, agência 021 do Banco Safra, conforme recibos de honorários apresentados pelos tomadores de serviço (fls. 780). Fl. 5167DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 14/07/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 19/07/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assin ado digitalmente em 14/07/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 13896.002440/201096 Acórdão n.º 2401004.414 S2C4T1 Fl. 5.168 18 23. De modo que neste Processo, cadastrado sob o nº 13896.002440/201096, não se tributa ou penaliza a omissão de receitas, e todos os fatos jurídicos e as bases de cálculo foram retirados da escrituração contábil (Anexo II, fls. 818/820) 24. O art. 61 da Lei nº 8.981, de 1995, fundamento da presente autuação, prevê que o pagamento no qual não seja identificado o beneficiário ou identificada a causa deva ser tributado a alíquota de 35%, a título de imposto sobre a renda na fonte, dado que compete à fonte pagadora a obrigação de antecipar o recolhimento do imposto, conforme a natureza do pagamento realizado. 24.1 De mais a mais, a incidência do IRRF determinada pelo art. 61 da Lei nº 8.981, de 1995, é exclusiva na fonte, cuja pessoa jurídica foi autuada na condição de responsável tributário, por substituição, e não como contribuinte do imposto. Assim, descabe cogitar a incidência de imposto sobre a renda na fonte sobre operações em que há autorização legal para compensação do imposto quando da apuração do IRPJ devido pela sociedade. 25. Dessa feita, na mesma linha do entendimento do Presidente da 2ª Seção, consignado às fls. 5.117, não há que se falar em competência da 1º Seção para julgamento conjunto dos processos oriundos da ação fiscal, cabendo à 2ª Seção, com amparo no Regimento do Carf, a analise e decisão do recurso voluntário relativo ao Processo nº 13896.002440/2010 96, ora em apreciação, referente ao Auto de Infração de fls. 828/874. Juízo de admissibilidade 26. Uma vez realizado o juízo de validade do procedimento, verifico que estão satisfeitos os requisitos de admissibilidade dos recursos voluntários e, por conseguinte, deles tomo conhecimento. Preliminar a) Nulidade da decisão de primeira instância. Não conhecimento da impugnação do responsável solidário Patrícia Goldberg 27. Sustenta a recorrente, Patrícia Goldberg, que é nula a decisão de primeira instância, porque mesmo que fosse existente a irregularidade na representação processual relacionada à interposição da sua impugnação tratarseia de um vício sanável, cabendo à unidade local ou à autoridade julgadora providenciar a sua intimação para sanar o defeito, concedendolhe prazo razoável, o que não foi realizado. 28. Na fase de impugnação, os sujeitos passivos solidários foram todos representados pelo Dr. Luiz Roberto Guimarães Erhardt, advogado que assinou as petições. Contudo, na procuração pública que outorgou poderes ao patrono não está inserido o nome da Srª Patrícia Goldberg (fls. 2.990/2.992). 29. Não apresenta, nessa fase recursal, prova da regularidade processual naquele momento, alegando que provavelmente a procuração foi extraviada na repartição pública. Fl. 5168DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 14/07/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 19/07/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assin ado digitalmente em 14/07/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 13896.002440/201096 Acórdão n.º 2401004.414 S2C4T1 Fl. 5.169 19 30. Independentemente da plausibilidade das alegações da recorrente, diante dos elementos anexados aos autos, assistelhe razão quando afirma o desacerto do imediato não conhecimento da sua impugnação, sem dar a pessoa física a oportunidade para regularização da falta. 31. Todavia, a regra de nulidade deve ser tratada com temperamento, compatibilizandoa com os princípios da eficiência e do interesse público na solução da lide. Não só isso, mas também que a decretação da nulidade de ato administrativo pressupõe a avaliação de ter havido um prejuízo concreto à parte. 32. Reparase que a impugnação apresentada pela recorrente, às fls. 2.953/2.989, não difere em conteúdo das demais petições apresentadas pelo sócios minoritários, característica que também se repete com os recursos voluntários. 33. Isso tanto é verdade que a decisão de piso analisou as razões de defesa em conjunto, sem qualquer ressalva quanto a uma questão ou a um fato específico suscitado em particular por um dos sócios considerados não administradores da sociedade de advogados (fls. 3.033 e 3.083/3.086). 34. Não tenho dúvidas, portanto, que a decisão de primeira instância não reconheceria o direito alegado pelo sujeito passivo solidário, e manteria "in totum" a atribuição de responsabilidade solidária da Sra. Patrícia Goldberg, por razões idênticas àquelas das demais pessoas físicas, sem acréscimo na análise ou nos fundamentos. 35. Na falta de evidências de prejuízo concreto à parte, e encontrandose a questão madura para julgamento, o mérito pode ser avaliado em segunda instância, dispensandose o retorno do processo a uma etapa anterior. 36. Concluo, desse modo, que não deve ser declarada a nulidade da decisão de primeira instância, com avaliação do mérito das razões de defesa do responsável solidário mais adiante neste voto. b) Nulidade da autuação. Tratamento diferenciado pela fiscalização na atribuição da sujeição passiva solidária 37. Reclamam os recorrentes que alguns sócios minoritários, a exemplo de Gustavo Dean Gomes, Gelcy Bueno Alves Martins e Petrusca Nogueira Barbosa Leite, receberam um tratamento diferenciado por parte da fiscalização, na medida em que, sem justificativa aparente, deixaram de ser incluídos como sujeitos solidários, escolhendo a autoridade lançadora quem deveria e não deveria responder pelas exigências. 38. Assim não me parece. Do Termo de Verificação Fiscal, constato que o agente fiscal detalha no tópico "Da Reorganização Societária Praticada" uma série de irregularidades que teriam sido cometidas pelos sócios minoritários, as quais, avaliadas em conjunto com as respostas às intimações sobre o recebimento de lucros da empresa, deramlhe a certeza para delimitar o envolvimento de cada um deles nos atos e nas supostas manobras efetuados pela fiscalizada (fls. 776/778 e 791/792). Fl. 5169DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 14/07/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 19/07/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assin ado digitalmente em 14/07/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 13896.002440/201096 Acórdão n.º 2401004.414 S2C4T1 Fl. 5.170 20 39. Desse modo, a atribuição do vínculo de responsabilidade solidário aos sócios minoritários arrolados no auto de infração foi devidamente justificada pela fiscalização, decidindo a autoridade lançadora que haviam provas do interesse comum dessas pessoas nos fatos que constituem o fato gerador da obrigação principal, nos termos do inciso I do art. 124 do CTN, e não havia para os outros sócios incluídos no contrato social. 40. Avaliar se as provas são ou não suficientes para manter o vínculo de sujeição passiva é questão reservada ao mérito da autuação. 41. Além disso, a responsabilidade solidária tem por finalidade acrescentar garantia ao crédito tributário constituído pelo lançamento, de maneira que eventual hipótese de irregularidade na atribuição do vinculo de sujeição passiva solidária, ou mesmo a improcedência desse vínculo, não têm o condão de acarretar, de per si, a nulidade da autuação em face do contribuinte ou sujeito passivo principal. 42. Logo, descabe a declaração de nulidade do lançamento fiscal. c) Reaquisição da espontaneidade. 43. Em relação à reaquisição da espontaneidade, os dados que instruem o processo indicam que a retificação de DCTF, entregue em 14/12/2009, diz respeito ao IRPJ e seus reflexos, não se referindo à confissão de débitos quanto ao imposto sobre a renda incidente sobre os pagamentos a beneficiários não identificados. 43.1 Adicionalmente, verifico que o Termo de Reintimação Fiscal lavrado em 6/11/2009 foi remetido, via postal, para o endereço da sede da pessoa jurídica, sito à Av. Paulista nº 1.499 13º andar cidade de São Paulo, sendo recebido em 12/11/2009, descabendo alegar, pois, de reaquisição de espontaneidade quando da apresentação de DCTF retificadora na data de 14/12/2009, por inércia da fiscalização a mais de sessenta dias (fls. 424/426). Decadência 44. O imposto sobre a renda retido na fonte, apurado de acordo com o art. 61 da Lei n° 8.981, de 1995, é tributo sujeito ao lançamento por homologação, porquanto cabe à fonte pagadora a apuração da base de cálculo do imposto e o recolhimento da quantia devida, submetendo, posteriormente, esse procedimento à autoridade administrativa, que deverá homologar ou não, expressa ou tacitamente, a atividade exercida pelo contribuinte. 45. A regra geral do prazo decadencial está contida no inciso I do art. 173 do CTN, em que o direito de a Fazenda constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que poderia ter efetuado o lançamento de ofício: Art. 173 — O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: 1 — do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; (...) Fl. 5170DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 14/07/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 19/07/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assin ado digitalmente em 14/07/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 13896.002440/201096 Acórdão n.º 2401004.414 S2C4T1 Fl. 5.171 21 46. Porém, no caso do lançamento por homologação, o pagamento antecipado parcial atrai a regra decadencial prevista no 4º do art. 150 do CTN, isto é, cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador: Art. 150. (...) § 4º Se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. 47. Comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, ou não havendo pagamento antecipado, contase a regra decadencial na forma do inciso I do art. 173 do CTN, conforme já decidido no Recurso Especial nº 973.733/SC, de relatoria do Ministro Luiz Fux, julgado na sistemática dos recursos repetitivos pelo Superior Tribunal de Justiça, em assentada do dia 12/8/2009: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). (...) (grifouse) 48. No âmbito do lançamento dos tributos por homologação, a tarefa prescrita em lei de antecipar o pagamento demanda do sujeito passivo, em meu ponto de vista, a realização de um conjunto de procedimentos separadamente para cada um dos tributos devidos, a partir do cotejo individualizado do fato jurídico com a correspondente regramatriz de incidência tributária. Fl. 5171DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 14/07/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 19/07/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assin ado digitalmente em 14/07/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 13896.002440/201096 Acórdão n.º 2401004.414 S2C4T1 Fl. 5.172 22 49. De verse que, independentemente da análise do dolo, fraude ou simulação, não há provas de pagamento antecipado no caso dos autos, que tenha conexão com o fato gerador do tributo (art. 61 da Lei nº 8.981, de 1995), devendose aplicar a regra contida no inciso I do art. 173 do CTN. 49.1 Logo, contase o prazo decadencial a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. 50. Aperfeiçoado o lançamento de ofício em 25/10/2010, com a ciência do Auto de Infração, o fato gerador mais distante, cujo pagamento se deu em 31/1/2005, não havia sido ainda atingido pela decadência (fls. 831). 51. Portanto, sem razão os recorrentes, quanto à decadência. Mérito a) Pagamentos a beneficiários não identificados 52. O lançamento de IRRF, às fls. 828/874, foi realizado com base em pagamentos a beneficiários não identificados, no qual a autoridade fiscalizadora, a partir da análise dos livros diário da recorrente, identificou lançamentos na conta "Lucros Dividendos Antecipados" a crédito da conta Caixa e/ou Bancos da empresa, para os quais não foi possível identificar o destinatário do pagamento. 53. A tributação de valores imputados como pagamentos a beneficiários não identificados ou pagamentos sem causa está estipulada no art. 61 da Lei nº 8.981, de 1995, abaixo transcrito, que foi reproduzido no art. 674 do Regulamento do Imposto sobre a Renda, veiculado pelo Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 (RIR/99): Art. 61. Fica sujeito à incidência do Imposto de Renda exclusivamente na fonte, à alíquota de trinta e cinco por cento, todo pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas a beneficiário não identificado, ressalvado o disposto em normas especiais. § 1º A incidência prevista no caput aplicasse, também, aos pagamentos efetuados ou aos recursos entregues a terceiros ou sócios, acionistas ou titular, contabilizados ou não, quando não for comprovada a operação ou a sua causa, bem como à hipótese de que trata o § 2º, do art. 74 da Lei nº 8.383, de 1991. § 2º Considerase vencido o Imposto de Renda na fonte no dia do pagamento da referida importância. § 3º O rendimento de que trata este artigo será considerado líquido, cabendo o reajustamento do respectivo rendimento bruto sobre o qual recairá o imposto. 54. Os lançamentos contábeis, que representam a base de cálculo do auto de infração, estão relacionados às fls. 818/820. Fl. 5172DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 14/07/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 19/07/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assin ado digitalmente em 14/07/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 13896.002440/201096 Acórdão n.º 2401004.414 S2C4T1 Fl. 5.173 23 54.1 Observase que os históricos desses lançamentos na contabilidade não permitem identificar os beneficiários, pois há indicação tão somente de: i) "Distr. Lucros"; ou ii) "Antec. Distrib. Lucros" seguida de nome de pessoa não integrante do quadro societário da empresa (p. exemplo, Antec. Distrib. Lucros Luiz Eduardo ou Antec. Distrib. Lucros Gutierrez); ou iii) "Antec. Distrib. Lucros" seguida de uma sigla que também não permite identificar vinculação a algum dos sócios (p. exemplo, Antec. Distrib. Lucros LMM ou Antec. Distrib. Lucros CSM); ou iv) outras codificações não associadas diretamente aos sócios. 55. Intimada e reintimada, por diversas vezes, a pessoa jurídica deixou de esclarecer à fiscalização quais seriam as pessoas físicas, ou mesmo jurídicas, que teriam recebido tais valores, inviabilizando a identificação da natureza jurídica dos pagamentos registrados (fls. 674/695). 56. Por sua vez, intimados e reintimados os sócios da fiscalizada, por meio de diligência fiscal, as pessoas físicas confirmaram não só o recebimento de valores que estavam registrados em seu nome na contabilidade, como também a titularidade de pagamentos mais vultuosos que foram posteriormente objeto de autuação fiscal por não identificar os beneficiários, que nem eles, nem a pessoa jurídica haviam incluído em suas declarações fiscais originais, ou havia apuração contábil do lucro em balanço. 56.1 As respostas estão acostadas às fls. 969/977, 995/996, 1.000/1.001, 1.020/1.021, 1.039/1.041, 1.061/1.062,1.081/1.084, 1.104/1.105, 1.137/1.138 e 1.183/1.184. 57. Não obstante, com uma percepção idêntica a que vislumbrou a autoridade lançadora, as respostas dos sócios não parecem nada convincentes. 57.1 A uma, pois na contabilidade os pagamentos efetivamente destinados aos sócios da pessoa jurídica estão rigorosamente identificados nominalmente no histórico de lançamentos, conforme se observa dos registros dos livros diários (fls. 1.186/2.623). Como exemplo, ver fls. 1.191/1.193. 57.2 A duas, porque a simples afirmação de que é o beneficiário, sem lastro em qualquer documentação hábil e idônea comprobatória do efetivo recebimento do numerário, como destinatário do pagamento, é elemento demasiadamente frágil e insuficiente para dotálo de força probante apto a afastar a não identificação do beneficiário questionada pela fiscalização, consistindo em mera declaração desprovida de provas. 57.2.1 Como destacou a fiscalização, diversos lançamentos foram registrados a contrapartida da conta caixa, em valores altíssimos ao longo dos três anos, não sendo crível acreditar que os sócios saiam do escritório com "malas de dinheiro". Fl. 5173DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 14/07/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 19/07/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assin ado digitalmente em 14/07/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 13896.002440/201096 Acórdão n.º 2401004.414 S2C4T1 Fl. 5.174 24 57.2.2 O conjunto probatório carreado aos autos pelos recorrentes revela total ausência de indícios sérios e convergentes que os pagamentos listados pela fiscalização, conforme fls. 818/820, foram destinados e recebidos pelas pessoas físicas dos sócios, tendo a convicção como julgador de que as declarações dos sócios, em respostas a intimações, tiveram como propósito a tentativa desesperada de livrar a empresa da autuação e buscar uma tributação isenta ou até mesmo uma incidência mais favorável sob a justificativa de distribuição em excesso de lucros para a pessoa física. 58. Diante da falta de qualquer documentação idônea, o só fato de os lançamentos estarem em conta de antecipação de lucros não autoriza a presunção de que as saídas de numerário deramse à ordem dos sócios da sociedade, beneficiandoos, direta ou indiretamente, de maneira a tipificar uma distribuição de recursos aos sócios, ainda que com infrigência dos limites estabelecidos pela legislação. 58.1 Não é demais lembrar que as pessoas jurídicas, como exigência legal, devem proceder aos devidos registros contábeis de suas atividades e resultados, sempre alicerçados em documentos hábeis e idôneos, os quais assumem a feição de prova para fins do controle da Administração Tributária. 59. Quando da interposição da impugnação e do recurso voluntário, os interessados não apresentaram qualquer fato ou documento novo à fase investigatória, que possa apontar de alguma forma que os pagamentos em litígio tiveram como destinatários efetivamente os sócios da empresa. 60. Caracterizado o pagamento a beneficiário não identificado, o reajustamento da base de cálculo é uma disposição legal, conforme dispõe o § 3º do art. 61 da Lei 8.981, de 1995, antes reproduzido, procedimento que foi efetuado e detalhado pela fiscalização (fls. 821/823). 61. No que toca aos excertos doutrinários colacionados pela defesa às fls. 3.203/3.206, de lavra do Professor José Antônio Minatel, são claramente inaplicáveis à hipótese em debate, pois não se está diante da situação de glosa de custos ou despesas cuja dedutibilidade não foi aceita pelo Fisco na apuração do lucro real, inexistindo exigência fiscal simultânea de IRPJ e seus reflexos sobre a mesma operação a qual negada a dedução. 62. Pelas mesmas razões, o afastamento da exigência fiscal não encontra amparo na linha de raciocínio exposta na decisão administrativa da 4ª Câmara do antigo Primeiro Conselho de Contribuintes, copiada às fls. 3.206/3.207, em que se afirma que a aplicação do art. 61 da Lei nº 8.981, de 1995, é incompatível com a redução do lucro líquido, caracterizada por omissão de receita ou glosa de custos/despesas, quando da tributação pelo lucro real. 62.1 Observo que a fiscalizada, durante os anoscalendário de 2005 a 2007, era optante pela tributação do imposto sobre a renda com base no lucro presumido, segundo mesmo declara. 63. Em vista do exposto, mantémse a tributação do IRRF, à alíquota de 35%, sobre os pagamentos efetuados a beneficiários desconhecidos. Fl. 5174DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 14/07/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 19/07/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assin ado digitalmente em 14/07/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 13896.002440/201096 Acórdão n.º 2401004.414 S2C4T1 Fl. 5.175 25 b) Multa qualificada 64. Consta do auto de infração a imposição de multa qualificada, no percentual de 150%, incidente sobre o tributo lançado. 65. A aplicação dessa multa no lançamento de ofício é regulada pelo art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Reproduzo abaixo os dispositivos, com as redações à època dos fatos geradores: Lei nº 9.430, de 1996 (redação anterior à Medida Provisória nº 351, de 22 de janeiro de 2007, convertida na Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: (...) II cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (...) Lei nº 9.430, de 1996 (redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (...) § 1º O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (...) 66. Por sua vez, os arts. 71 a 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, acima mencionados, estão assim redigidos: Art . 71. Sonegação é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: Fl. 5175DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 14/07/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 19/07/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assin ado digitalmente em 14/07/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 13896.002440/201096 Acórdão n.º 2401004.414 S2C4T1 Fl. 5.176 26 I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art . 72. Fraude é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do impôsto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Art . 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72. 67. Junto ao critério básico de aplicação da multa de ofício, equivalente a 75% (setenta e cinco por cento) sobre o valor principal, a legislação prevê a denominada multa qualificada, em que há uma duplicação do percentual padrão, quando evidenciada pela fiscalização sonegação, fraude ou conluio, cuja gravidade do comportamento lesivo do infrator enseja um reprimenda punitiva mais severa, como forma de castigar o transgressor e desestimular condutas afins por parte de outros sujeitos passivos. 68. Para essa elevação do percentual básico é condição indispensável a acusação identificar elementos subjetivos na conduta do infrator, porquanto tanto a simulação quanto a fraude pressupõem o dolo, sendo insuficiente para cogitar da hipótese tão somente a materialidade da conduta. 69. Vale dizer que a sonegação, fraude ou mesmo o conluio devem possuir base probatória autônoma, pela qual se demonstra a vontade livre e consciente do infrator em praticar as condutas ilícitas, em prol de, ao final e ao cabo, viabilizar a supressão ou redução do tributo. 70. Pois bem. Reproduzo trechos do Termo de Verificação Fiscal, correspondente às justificativas para a qualificação da multa de ofício (fls. 787/789): 9. MULTA QUALIFICADA E AGRAVADA FRAUDE E SIMULAÇÃO São tão numerosos os atos praticados pelo sujeito passivo e/ou por seus sócios que, em conjunto, constituemse em prova cabal de sua intenção dolosa de retardar ou impedir o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador. Em suas respostas o sujeito passivo muitas vezes se detém demoradamente tentando explicar que seus atos acabaram por não surtir efeito que fosse danoso ao Fisco. Tais afirmações não têm qualquer relevância, pois o efeito de seus atos praticados no curso dessa Ação Fiscal foi inibido não pela lisura de conduta do sujeito passivo e/ou de seus sócios, mas pela ação diligente dessa fiscalização que demonstrou serem inverídicas várias de suas afirmações e desconstruiu cada argumento ardiloso Fl. 5176DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 14/07/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 19/07/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assin ado digitalmente em 14/07/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 13896.002440/201096 Acórdão n.º 2401004.414 S2C4T1 Fl. 5.177 27 produzido pelo sujeito passivo na tentativa de se omitir em relação ao cumprimento de suas obrigações legais. Além disso, conforme demonstrado nos itens anteriores, o sujeito passivo infligiu à União danos financeiros significativos. A reiteração de sua conduta comprova que se não tivesse sido selecionado para verificação o sujeito passivo teria continuado a agir de forma a ocultar os valores realmente recebidos de seus clientes nos anoscalendário fiscalizados até a homologação tácita de suas declarações, pois mesmo na retificação das DCTF efetuada no curso da fiscalização de forma não espontânea, o sujeito passivo não confessa o total devido nem recolhe qualquer valor, não tendo passado esse ato de mais uma de suas muitas manobras. Embora a intenção de esconder, enganar e ocultar estejam presentes em muitas das ações acima relatadas podemos elencar algumas que de fato causaram dano ao Erário ou à apuração dessa fiscalização e retardaram o conhecimento pela autoridade tributária dos fatos geradores ocorridos dentro da empresa fiscalizada: 1. A prática reiterada de oferecer à tributação nas DIPJ apenas parcela reduzida da receita auferida em três anoscalendário consecutivos (2005, 2006 e 2007) evidencia a intenção dolosa da pessoa jurídica fiscalizada de evitar a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, de modo a, deliberadamente, reduzir o montante do tributo devido. Ressalte se que tal comportamento já fora verificado em fiscalização anterior e gerou a autuação do sujeito passivo o anocalendário 2003 através do processo n° 10882.000579/200841 (Auto de Infração de IRPJ e reflexos). Importante salientar que, ao contrário do que afirma o sujeito passivo tal autuação não foi aniquilada já na Delegacia de Julgamento, mas teve parte do seu valor julgado improcedente, pois a DRJ acatou a preliminar de decadência alegada pelo contribuinte, o que impede a União de cobrar tais valores, mas de forma alguma é um atestado de que esses não eram devidos. 2. Inseriu elementos inexatos ou omitiu operações vultosas em sua DIPJ dos exercícios 2006, 2007 e 2008, procedendo de maneira a impedir o conhecimento, por parte da autoridade fazendária, dos fatos geradores das obrigações tributárias resultantes de sua atividade durante os anos de 2005, 2006 e 2007. Como já ressaltado não se trata do mero esquecimento de centavos. Os valores omitidos alcançam a casa dos milhões de reais conforme se demonstrou nas tabelas acima; 3. Prestou informação falsa à OAB e à JUCESP ao registrar nesses órgãos alterações de seu Contrato Social indicando endereço onde jamais esteve sediado; 4. Utilizouse de Contrato Social e/ou Contrato de Sublocação com informação inverídica para alterar seu domicílio de eleição junto ao Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas CNPJ de Fl. 5177DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 14/07/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 19/07/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assin ado digitalmente em 14/07/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 13896.002440/201096 Acórdão n.º 2401004.414 S2C4T1 Fl. 5.178 28 controle da RFB e mesmo requerido a informar o local de sua sede, que essa fiscalização já sabia não ser no município de Santana de Parnaíba, preferiu apresentar Contrato de Sublocação vencido e assinado com seu contador para continuar tentando fazer acreditar que estaria sediada em casinha localizada em bairro humilde da cidade de Santana de Parnaíba, onde nunca esteve. 5. Demonstrou, ao responder ao Termo de Início datado de 19/02/2009, que possuía alguma espécie de acordo para o re direcionamento, à sua sede, da correspondência enviada à Rua Japão, 575 no município de Santana de Parnaíba/SP, onde jamais exerceu qualquer atividade; 6. Demorou meses para apresentar seus Livros e documentos contábeis. Só o fez após tomar ciência, através de seus clientes, de procedimento efetuado pela fiscalização junto a eles para a obtenção de informações que o sujeito passivo se negava a apresentar, fato que tornaria impossível ao mesmo continuar omitindo suas atividades com esses clientes nos anos fiscalizados; 7. Apresentou Livros contábeis que apresentavam várias irregularidades, entre elas: • Falta de Registro nos Órgãos competentes (no seu caso para 2005 e 2006 a OAB e em 2007 a JUCESP); • Omissão de registro de Receita da Venda de Serviços Advocatícios nos anos calendário fiscalizados; • Conta bancária à margem da contabilidade caracterizada pelo não registro da conta bancária n° 016.2317 da agência 021 do Banco Safra que recebeu grande parte dos valores a ele creditados por seus clientes e como apontam os Recibos de Honorários, é de titularidade do sujeito passivo; • Balancete do mês de janeiro do anocalendário 2006, encadernado juntamente com as folhas do Livro Diário de 2005. 8. Efetuou, com a ajuda e conivência de seus sócios, reorganização societária transformando a Sociedade de Advogados numa Sociedade Empresarial de Responsabilidade Limitada na qual os sócios, mesmo dissidentes, continuaram a prestar serviços advocatícios e a contrair obrigações junto a terceiros com resguardo de seu patrimônio pessoal, mesmo sabendo tal procedimento estar vedado a advogados que prestem seus serviços dentro de sociedades mercantis. Além disso, ao tomarem conhecimento de que essa fiscalização teve ciência de tal manobra, reestruturaram a sociedade retornandoa à condição de Sociedade de Advogados e reintegrando os sócios dissidentes. 9. A pessoa natural que na saída dos sócios ocupou o lugar de sócio minoritário da sociedade fiscalizada, Sr. Eduardo Silva de Fl. 5178DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 14/07/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 19/07/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assin ado digitalmente em 14/07/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 13896.002440/201096 Acórdão n.º 2401004.414 S2C4T1 Fl. 5.179 29 Oliveira, é funcionário da empresa, nunca recebeu lucros dessa, Ao contrário, os lucros do ano calendário 2008, época em que apenas ele e o Sr. Paulo Murray faziam parte do quadro societário da empresa, continuaram a ser retirados por antigos sócios que haviam constituído NOVA SOCIEDADE de advogados e não possuíam qualquer relação com a fiscalizada para ter o direito de serem remunerados com seus Lucros. Adicionalmente, o Sr. Eduardo Silva de Oliveira, embora intimado, nunca respondeu aos questionamentos dessa fiscalização. Mas de acordo com os registros nos Sistemas Informatizados de controle da RFB aparenta ser pessoa desprovida de posses, não tendo sequer rendimentos suficientes para se enquadrar nas condições de obrigatoriedade de apresentação de Declaração Anual de Ajuste do IRPF (apenas apresenta declarações de isento e tem retenção de rendimento do trabalho assalariado 0561 pela empresa fiscalizada) 10. O sujeito passivo utilizase de artifício no repasse de valores a seus sócios, usando conta "Distribuição Antecipada de Lucros" para encaminhar valores aos sócios em vários dias do ano, antes mesmo da apuração do Lucro do sujeito passivo, que no caso das empresas tributadas pelo lucro presumido, ocorre trimestralmente. Também não tem escrituração contábil que atenda a todos os requisitos legais e que lhe permitiria a distribuição ao final de cada mês. A conta funciona como uma espécie de empréstimo não remunerado aos sócios que nunca é devolvido, pois ao fim do período é abatido dos Lucros a serem distribuídos. 11. Sujeito passivo e seus sócios confrontados com o questionamento sobre a distribuição de Lucros a pessoas que através de sua contabilidade não se podia identificar retificaram suas DIRPF e/ou atribuíram para si valores que, conforme demonstrado, jamais comprovaram receber. 12. Por último e para nosso espanto, confessou em resposta datada de 09/09/2010 (fl n° 717) a intenção de colocar em prática planejamento tributário irregular contra o Fisco Municipal, alterando artificialmente seus registros e evitando, dessa forma, a majoração do ISS que se encontrava em projeto de Lei que acabou por não ser aprovado. Tal se deu no afã de justificar a informação inverídica quanto à mudança de sua sede para o Município de Santana de Parnaíba que constou de várias de suas Alterações Contratuais e no Cadastro CNPJ da RFB. Como se pode verificar, o sujeito passivo e seus sócios praticaram atos premeditados e concatenados com o único fim de ocultar do conhecimento do Fisco e de seus agentes os fatos ocorridos, o que enseja a aplicação da multa qualificada prevista no § 1º do artigo 44 da Lei 9430/96, que transcrevo na seqüência: (...) Fl. 5179DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 14/07/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 19/07/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assin ado digitalmente em 14/07/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 13896.002440/201096 Acórdão n.º 2401004.414 S2C4T1 Fl. 5.180 30 71. Ao ler e reler atentamente as razões da autoridade fiscal, pareceume bastante adequadas as conclusões da autoridade julgadora de primeira instância, no sentido da omissão dolosa de receitas (fls. 3.074): "(...) a Fiscalização reuniu um conjunto probatório hábil a demonstrar que a pessoa jurídica, de forma reiterada e sistemática, ofereceu à tributação uma parcela ínfima da receita bruta efetivamente auferida. (...)" 71.1 Nesse ponto, inclusive, com relação ao Processo nº 10882.000579/200841, decorrente da constatação, no anocalendário 2002, de omissão de receitas da atividade operacional da pessoa jurídica, imposição tributária mencionada pela autoridade fiscal e pelos recorrentes, a 1ª Turma da 2ª Câmara da 1ª Seção do Carf, em sessão de 11/6/2013, deu parcial provimento ao recurso voluntário, porém mantendo o crédito tributário não decadente, com multa de ofício qualificada. 72. Ocorre que o auto de infração lavrado pela fiscalização, sob apreciação neste processo administrativo, não cuida de omissão de receita operacional, e sim de tributação do IRRF sobre pagamentos a beneficiários desconhecidos. 73. A respeito desse fatos, os motivos descritos pela acusação fiscal para qualificar a multa de ofício revelamse escassos e tangenciais, com omissão no dever de estabelecer um liame indubitável entre os elementos de sua convicção da conduta ilícita e o cometimento de fraude ou sonegação, mediante ação dolosa, nos moldes previstos na Lei nº 4.502, de 1964. 73.1 Em outras palavras, ausente prova da correlação direta entre as condutas dolosas supostamente praticadas pela pessoa jurídica com a sonegação e a fraude vinculadas ao tributo exigido neste Processo nº 13896.002440/201096, ao contrário da sua vasta lista de argumentos quanto ao IRPJ e seus reflexos para o fim da exarcebação da penalidade prevista em lei, com destaque para a provável conduta reiterada da pessoa jurídica (Processo nº 13896.002439/201061). 74. As irregularidades quanto à localização da sede da pessoa jurídica e à falta de disponibilização imediata da documentação solicitada pela fiscalização, em que pese ter o efeito de retardar e dificultar de alguma forma o desenvolvimento do procedimento fiscal, não impediriam a identificação dos fatos geradores do imposto sobre a renda, de tal maneira que a exigência fiscal só foi constituída em razão da análise da escrituração contábil da autuada colocada à disposição do Fisco Federal. 74.1 Como destacou o Termo de Verificação Fiscal, embora os livros apresentados pelo sujeito passivo não se revestissem de todos os requisitos legais para fazer prova contra terceiros, continham as formalidades intrínsecas. Assim, mesmo irregulares, a fiscalização decidiu não considerálos imprestáveis, utilizando os dados neles contidos para a apuração do montante devido dos tributos (fls. 780). 75. A reorganização societária mencionada pela acusação fiscal, detalhada às fls. 776/777 do Termo de Verificação Fiscal, engendrada com a participação dos sócios minoritários, foi formalizada por intermédio da 23ª alteração cadastral, em 8/10/2007, na Junta Comercial do Estado de São Paulo, e depois revertida em 11/5/2009, com reintegração a seu quadro societário de parte dos sócios dissidentes. Fl. 5180DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 14/07/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 19/07/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assin ado digitalmente em 14/07/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 13896.002440/201096 Acórdão n.º 2401004.414 S2C4T1 Fl. 5.181 31 75.1 A partir da linguagem de prova utilizada pela fiscalização, não consegui alcançar quais seriam, no âmbito dessa reorganização societária, as condutas dolosas concretas que estão associadas à ocultação do conhecimento do Fisco e de seus agentes de fatos geradores relativos ao IRRF ocorridos nos anoscalendário de 2005 a 2007, coletados pela autoridade lançadora no procedimento investigatório em exame da escrituração contábil da fiscalizada. 76. Por fim, no tocante às condutas dos sócios, os quais na tentativa de justificar os destinatários dos pagamentos questionados pela fiscalização optaram em retificar suas declarações de ajuste anual e/ou atribuíram para si valores a título de distribuição de lucros que, conforme exposto, jamais comprovaram receber da pessoa jurídica, não entendo ser um indicativo suficiente para caracterizar o evidente intuito de fraude, a ponto de ensejar a aplicação da multa qualificada no importe de 150% em nome da autuada. 76.1 A meu sentir, simplesmente não houve êxito no que diz respeito à comprovação através de documentação hábil e idônea quanto aos destinatários dos recursos da conta de antecipação de lucros, implicando, na forma da legislação tributária, a não identificação dos beneficiários dos pagamentos e a consequente imposição da tributação excepcional e mais gravosa autorizada pelo art. 61 da Lei nº 8.981, de 1995. 76.2 Não custa reafirmar que a imputação de multa qualificada se dá em face da identificação de conduta dolosa da empresa fiscalizada, praticada pelos seus agentes, e não com base no comportamento de pessoas na condição de terceiros, sócios ou não. 77. Dessa feita, não demonstrada a ocorrência das condições que permitam a majoração da multa de ofício, até o importe de 150%, devese afastar a qualificação da penalidade oficiosa, reduzindo a multa para o patamar trivial em casos de lançamento de oficio, no percentual de 75%. c) Multa agravada 78. Relativamente à hipótese de incidência do agravamento da penalidade de ofício, dispõe o § 2º do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996: Lei nº 9.430, de 1996 (redação dada pela Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997) Art. 44 (...) § 2º As multas a que se referem os incisos I e II do caput passarão a ser de cento e doze inteiros e cinco décimos por cento e duzentos e vinte e cinco por cento, respectivamente, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: a) prestar esclarecimentos; b) apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11 a 13 da Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991, com as alterações introduzidas pelo art. 62 da Lei nº 8.383, de 30 de dezembro de 1991; Fl. 5181DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 14/07/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 19/07/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assin ado digitalmente em 14/07/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 13896.002440/201096 Acórdão n.º 2401004.414 S2C4T1 Fl. 5.182 32 c) apresentar a documentação técnica de que trata o art. 38. (...) Lei nº 9.430, de 1996 (redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) Art. 44 (...) § 2º Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o § 1º deste artigo serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: I prestar esclarecimentos; (grifouse) II apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11 a 13 da Lei no 8.218, de 29 de agosto de 1991; III apresentar a documentação técnica de que trata o art. 38 desta Lei. 79. Justifica a fiscalização o aumento de metade para o percentual da penalidade imposta na autuação, nesses termos (fls. 789/790): (...) Insistindo no comportamento desidioso com suas obrigações legais, o sujeito passivo deixou por várias ocasiões de fornecer ou forneceu fora do prazo estabelecido os esclarecimentos exigidos por essa fiscalização, conforme se observa na DESCRIÇÃO DOS FATOS, item 2 desse Termo. Para evidenciar esse comportamento observese que as intimações datadas de 16/02/2009 (AR fl n° 010), 06/08/2009 (AR fl n° 419), 01/10/2009 (AR fl n° 421), 06/11/2009 (AR fl n° 425), 22/12/2009 (AR fl n° 455), 28/01/2010(AR fl n° 490), 05/03/2010, (AR fl n° 527), 07/04/2010 (AR fl n° 679), 20/05/2010 (AR fl n° 686), 01/06/2010 (AR fl n° 688), e 29/06/2010 (AR fl n° 294) nunca foram atendidas, ficando clara a recalcitrância de seu comportamento. Importante salientar que tal multa tem como finalidade reparar os prejuízos causados pelo sujeito passivo que, ao não atender às requisições fiscais ou atendêlas fora do prazo impõe à Administração Pública empenho adicional para obter as informações necessárias à autuação e ampliação do tempo gasto no procedimento fiscal. No presente caso, tal se materializou nas diligências efetuadas para localizar a fiscalizada, nas intimações aos integrantes de seu quadro societário e nas 95 diligências efetuadas junto a seus tomadores de serviços, que prorrogou os trabalhos de fiscalização por mais de um ano. Portanto, não há como negar o prejuízo ao Erário e o enquadramento na hipótese de agravamento da multa de ofício prevista no inc I do § 2º do Fl. 5182DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 14/07/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 19/07/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assin ado digitalmente em 14/07/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 13896.002440/201096 Acórdão n.º 2401004.414 S2C4T1 Fl. 5.183 33 artigo 44 da Lei 9430/96 (Redação dada pela Lei n° 11.488, de 2007), abaixo transcrito: (...) 80. A autoridade lançadora enumera as seguintes intimações não atendidas, ligadas diretamente à prestação de esclarecimentos quanto ao crédito tributário constituído neste processo administrativo, com solicitação à pessoa jurídica para informar o nome completo e a inscrição cadastral das pessoas físicas beneficiárias dos pagamentos registrados na conta "Lucros Dividendos Antecipados", acompanhada a listagem a documentação hábil e idônea comprobatória: i) Termo de Intimação Fiscal de fls. 674/679, datado de 7/4/2010, com ciência em 12/4/2010 (fls. 680); ii) Termo de Reintimação Fiscal de fls. 682/686, datado de 20/5/2016, com ciência em 25/5/2010 (fls. 687); iii) Termo de Reintimação Fiscal de fls. 688, datado de 1º/6/2010, com ciência em 7/6/2010 (fls. 689); e iv) Termo de Reintimação Fiscal de fls. 693/694, datado de 29/6/2010, com ciência em 6/7/2010 (fls. 695) 80.1 De fato, não consta quaisquer esclarecimentos pela pessoa jurídica relativos aos beneficiários dos pagamentos registrados em sua contabilidade e requeridos insistentemente pelo Fisco. 80.2 Houve tão somente uma manifestação pedindo a dilatação de prazo, sob a justificativa de sobrecarga de trabalho, devido à intimação contemporânea pela autoridade fiscal das pessoas que figuravam como sócias da fiscalizada no período de 2005 a 2007 (fls. 690/692). 80.3 Entretanto, observo que o prazo total concedido pela autoridade fiscal, entre intimação e reintimações, superou o lapso de 90 (noventa) dias, não me parecendo exíguo a ponto de levar à impossibilidade de prestar os esclarecimentos que foram solicitados à pessoa jurídica. 81. O inciso I do § 2º do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, tanto na redação original quanto na atualmente em vigor, prescreve que o agravamento da penalidade de ofício dáse, vez que ato vinculado, nas hipóteses em que não foi atendida a intimação para prestar os esclarecimentos necessários ao lançamento. 81.1 Não quer dizer que o dispositivo de lei condicione o agravamento da multa de ofício ao prejuízo à fiscalização, de modo que o Fisco não poderia dispor de outros meios para obter as informações solicitadas, obstando o lançamento do crédito tributário pela conduta ilícita. Fl. 5183DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 14/07/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 19/07/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assin ado digitalmente em 14/07/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 13896.002440/201096 Acórdão n.º 2401004.414 S2C4T1 Fl. 5.184 34 82. Como já realçado, a tributação prevista no art. 61 da Lei nº 8.981, de 1995, configurase mais gravosa, de maneira que o histórico de lançamentos na contabilidade, embora elemento indiciário, carecia de aprofundamento da investigação quanto aos pagamentos cujos beneficiários eram desconhecidos, a fim de evitar uma incidência de ofício do imposto sobre a renda na fonte diversa daquela realmente devida pela fonte pagadora. 83. Diante da omissão da pessoa jurídica, e como forma de obter elementos adicionais a fim de avaliar o lançamento de ofício, foi necessário a autoridade fiscal estender o procedimento de auditoria e recorrer a terceiros, no caso às diligências efetuadas junto aos sócios, até porque os lançamentos contábeis obscuros estavam registrados em conta de adiantamento de lucros. 84. Somente após a manifestação dos sócios, e o término das diligência fiscais, a autoridade fiscal teve certeza, esgotadas as verificações elementares, que não havia documentação hábil e idônea a comprovar a transferência dos pagamentos aos sócios, nem outra prova qualquer a validar a isenção ou a tributação ordinária. Concluiu, então, pela formalização da exigência fiscal na forma preceituada pelo art. 61 da Lei nº 8.981, de 1995. 85. Assim exposto, entendo correto o agravamento da multa relativamente à omissão de esclarecimentos quanto à identificação dos beneficiários pelos pagamentos discriminados pela fiscalização. 86. Logo, o agravamento da penalidade deverá incidir sobre o percentual trivial da multa de ofício, totalizando, por conseguinte, o equivalente a 112,5 % (cento e doze inteiros e cinco décimos por cento). d) Sujeição passiva solidária 87. De acordo com o Termo de Verificação Fiscal, copio as razões expostas pela autoridade para atribuir o vínculo de responsabilidade solidária às pessoas físicas antes nominadas (fls. 790/793): 10. DA SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA O sujeito passivo é uma Sociedade de Advogados e, portanto, composta por eruditos do Direito que em muitos momentos, conforme descrito acima, agiram de forma conjunta e coordenada com o sujeito passivo para afastar do conhecimento dessa fiscalização os fatos ocorridos. É sabido que a pessoa jurídica não pratica atos por si só. Para atender à legislação depende de ação de terceiros (sócios e/ou administradores), que praticadas nos estritos limites da Lei e do Contrato reputamse praticados pela pessoa jurídica. No presente caso o sócio majoritário Sr. Paulo Roberto Murray, por três anos consecutivos deixou de escriturar o total da Receita auferida pela empresa e entregou DIPJ com informações falsas, oferecendo à tributação apenas parcela diminuta da Receita auferida em flagrante desacordo com a legislação. Fl. 5184DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 14/07/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 19/07/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assin ado digitalmente em 14/07/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 13896.002440/201096 Acórdão n.º 2401004.414 S2C4T1 Fl. 5.185 35 Tanto a fiscalizada quanto seus sócios têm interesse no lucro da empresa, pois dele provêm os recursos a serem reinvestidos ou retirados como Lucros/Dividendos. Excluir valores da tributação omitindoos dolosamente beneficia economicamente o sujeito passivo e seus sócios, e lesa o Erário. O sócio majoritário praticou atos relacionados à ocorrência do fato gerador que escapam totalmente de uma administração regular e se locupletou ao desviar, intencionalmente, valores da tributação e aplicálos em atividades outras, seja ou não em proveito pessoal, dos demais sócios ou da empresa. Tais ações e omissões infringiram a legislação comercial e tributária vigente e foram praticadas repetidamente, caracterizando o dolo do sócio majoritário, e restando demonstrada sua subsunção ao inciso III, art. 135 da Lei n° 5.172/66 (CTN). Isso, contudo, não exime a responsabilidade dos demais sócios que demonstraram através de seus atos estarem associados ao sujeito passivo para a pratica de atos que permitissem a esse impedir ou retardar do conhecimento da autoridade tributária a ocorrência de fatos geradores. Destaquese que tal associação em alguns casos caracterizouse pela AÇÃO desses indivíduos (como assinar documentos com informações inverídicas) em outros casos por OMISSÃO dos mesmos, pois como sócios não vigiaram ou moderaram as ações do sócio administrador que agia em flagrante desrespeito às Leis e ao Contrato Social. Não há como alegar que não tinham conhecimento desse fato, pois a empresa já havia sido anteriormente autuada pela RFB por Omissão de Receitas e mesmo que não tivessem conhecimento de tal fato, quando da aposição de suas assinaturas em alterações Contratuais tomaram conhecimento da inclusão de informação falsa nos documentos, apenas para tentar ocultar do conhecimento do Fisco o verdadeiro local de suas atividades, talvez pensando se esconder em jurisdição que julgasse menos vigilante ou burlar o Fisco Municipal. Além disso, todos os sócios, na condição de pessoas naturais, participaram ativamente da reorganização societária que transformou a empresa em sociedade empresarial limitada onde o objeto social deixou de ser a prestação de serviços advocatícios, momento em que, continuando a trabalhar para ela, teriam como perceber a administração contrária ao Contrato Social, mas preferiram continuar a exercer suas atividades em flagrante desrespeito a Ordem dos Advogados do Brasil que regulamenta o exercício da profissão de advogados, classe da qual fazem parte, e continuaram se omitindo e recebendo honorários e Lucros da fiscalizada. Fl. 5185DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 14/07/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 19/07/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assin ado digitalmente em 14/07/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 13896.002440/201096 Acórdão n.º 2401004.414 S2C4T1 Fl. 5.186 36 Os atos da fiscalizada e de seus sócios consubstanciaram atos ordenados visando ocultar o local das atividades da empresa, evitar o recolhimento do IRRF e encobrir as receitas auferidas que deveriam ter sido oferecidas à tributação. O interesse comum das pessoas não é revelado apenas pelo interesse econômico no resultado ou no proveito da situação que constitui o fato gerador da obrigação principal, mas pelo interesse jurídico, que diz respeito à realização comum ou conjunta da situação que constitui o fato, permitindo através de ações ou omissões a pratica de ilícitos, tributários ou não. No conluio, o interesse comum se evidencia pelo próprio ajuste entre as partes, que almejavam a ocultação de fatos que conduziriam à localização da empresa, à tributação de valores pagos a beneficiários não identificados e a autuação da própria omissão. Segundo prevê o art. 124, I, do CTN, são solidariamente obrigadas pelo crédito tributário as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal, e no presente caso não resta dúvida que a responsabilidade solidária passiva se aplica, pois os envolvidos, como demonstrado, agiram fraudulentamente. Durante o período fiscalizado (2005 a 2007), a empresa teve como sócio majoritário com poderes de administração que praticou atos contrários às leis ou ao contrato social (art 135, inc III do CTN): Paulo Roberto Murray (CPF n° 010.953.82853) (...) E como Sócios minoritários estavam incluídas em seu quadro societário as pessoas físicas abaixo relacionadas que demonstraram o interesse comum nos ilícitos praticados (art. 124, inc I do CTN): [as demais pessoas físicas arroladas pela fiscalização] (...) E pelos atos praticados, sobre eles recairá a responsabilidade pelos ilícitos praticados pelo sujeito passivo que terão como base, no caso do sócio administrador o art. 135, inc. III do CTN e no caso dos demais sócios o Art. 124, inc. I do mesmo código. Os sócios serão incluídos no pólo passivo da Obrigação Tributária e cientificados da sujeição passiva solidária através de Termos enviados aos seus domicílios tributários por via postal, mediante aviso de recebimento e anexados ao processo de Auto de Infração do IRPJ e seus reflexos, não comportando entre eles qualquer benefício de ordem, conforme estabelece o Parágrafo Único do art. 124 da Lei n° 5.172/66 (CTN) Fl. 5186DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 14/07/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 19/07/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assin ado digitalmente em 14/07/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 13896.002440/201096 Acórdão n.º 2401004.414 S2C4T1 Fl. 5.187 37 d.1) Sócio administrador: Paulo Roberto Murray (art. 135, III, CTN) 88. No caso do sócio administrador, Paulo Roberto Murray, a fiscalização ampara a sujeição passiva solidária no inciso III do art. 135 do CTN, abaixo reproduzido: Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: (...) III os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. 89. O dispositivo autoriza a responsabilização do sócio administrador que atua fora dos limites do contrato social, em relação às obrigações tributárias resultantes dos atos praticados de forma irregular. 90. Como se nota do Termo de Verificação Fiscal, a fiscalização concentra seus argumentos na omissão da declaração de receitas auferidas com a prestação de serviços de advocacia, bem como a não contabilização na escrituração contábil. 91. Ao declarar de maneira contumaz valores de receitas inferiores às efetivamente auferidas, nos anos de 2005 a 2007, e, cumulativamente, não contabilizar adequadamente as receitas, há elementos fortes e convergentes para caracterizar a conduta dolosa descrita como sonegação fiscal e imputar a responsabilidade solidária pelo crédito tributário ao sócio administrador. 92. Porém, com relação à tributação de valores pagos a beneficiários não identificados, a acusação fiscal é insuficiente para atribuir o vínculo de responsabilidade solidário. 93. É porque, de acordo com o art. 135 do CTN, a responsabilidade decorre de uma relação de causalidade entre ato ilícito praticado pelo administrador, com excesso de poder ou infração ao contrato social, e o fato jurídico que dá nascimento à obrigação tributária e, consequentemente, ao crédito tributário devido pela sociedade. 94. Vale dizer que os atos que geram a responsabilidade tributária são causa do nascimento de obrigação tributária em nome da pessoa jurídica que o sócio exerce as atribuições de administração. 95. Por isso, na linha do que antes já destacado nesse voto, as irregularidades quanto à localização da sede da pessoa jurídica e falta de disponibilização imediata da documentação solicitada pela fiscalização, os atos de reorganização societária, no final de 2007, ou a conduta de retificar as declarações fiscais de ajuste anual da pessoa física e/ou atribuir para si valores a título de distribuição de lucros, no ano de 2011, não são elementos suficientes para demonstrar o liame com a respectiva obrigação tributária da sociedade exigida especificamente neste processo administrativo. 96. Nessa concepção, e restrito ao crédito tributário discutido neste processo, entendo ausente dos autos a efetiva demonstração dos pressupostos fáticos necessários à Fl. 5187DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 14/07/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 19/07/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assin ado digitalmente em 14/07/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 13896.002440/201096 Acórdão n.º 2401004.414 S2C4T1 Fl. 5.188 38 imputação da responsabilidade solidária ao sócio administrador, devendo, em consequência, ser afastado o vínculo de responsabilidade atribuído a Paulo Roberto Murray. d.2) Sócios minoritários, não administradores (art. 124, I, CTN) Alberto Murray Neto, Edson Mazieiro, Edson Sesma, José Luiz Cabello Campos, Patrícia Goldberg e Tatiana Guimarães Erhardt 97. Quanto aos demais sócios, não administradores, a fiscalização justificou a sujeição passiva solidária no inciso I do art. 124 do CTN, abaixo copiado: Art. 124. São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; (...) 98. Na linha do raciocínio anterior, a solidariedade de fato exige a presença de conduta da pessoa física que tenha nexo de causalidade com a redução ilícita dos tributos apurados pelo respectivo lançamento de ofício, com prova da influência nos fatos que redundaram na falta de recolhimento. 99. Contudo, não há demonstração do interesse comum no fato jurídico tributário, isto é, que as pessoas físicas, para as quais não há provas que praticaram atos de gerência, participaram da realização, por ação ou omissão, dos fatos geradores que dão suporte a exigência fiscal relativamente ao imposto sobre a renda nos anoscalendário 2005 a 2007. 100. Inexistentes, portanto, os elementos de conexão eleitos pelo legislador para a caracterização da solidariedade de fato. 101. Adiciono, ainda, como argumento jurídico, o ponto de vista de Marcos Vinícius Neder, no sentido de que:1 "Por óbvio, os sócios e administradores têm interesse no lucro da empresa, mas como procuramos demonstrar ao longo deste estudo, não é esse interesse meramente fático que torna possível aplicar a norma de responsabilidade prevista no art. 124, inc. I, do CTN. Conforme as premissas anteriormente firmadas, é indispensável ao órgão aplicador comprovar o interesse na relação jurídica privada subjacente ao fato jurídico tributário." 1 NEDER, Marcos Vinícius. Solidariedade de direito e de fato reflexões acerca de seu conceito. In Responsabilidade Tributária (coordenadores FERRAGUT, Maria Rita e NEDER, Marcos Vinícius). Dialética : São Paulo, 2007, p. 44. Fl. 5188DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 14/07/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 19/07/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assin ado digitalmente em 14/07/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 13896.002440/201096 Acórdão n.º 2401004.414 S2C4T1 Fl. 5.189 39 102. Logo, afasto igualmente o vínculo de responsabilidade atribuído aos sócios não administradores. e) Confisco 103. Por fim, quanto à eventual carga confiscatória decorrente da autuação fiscal, cujo juízo da valor exige a análise da compatibilidade dos dispositivos de lei com os princípios constitucionais, cabe lembrar que argumentos desse jaez são inoponíveis na esfera administrativa. 104. Nesse sentido, não só o art. 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, como também o enunciado da Súmula nº 2, deste Conselho Administrativo, assim redigida: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Conclusão Ante o exposto, voto por CONHECER do recurso voluntário, REJEITAR as preliminares e a decadência e, no mérito, DARLHE PARCIAL PROVIMENTO para afastar: a) a qualificação da multa, reduzindo a penalidade ao patamar trivial em casos de lançamento de oficio (75%), porém mantido o agravamento da multa de ofício (112,5%); e b) o vínculo de responsabilidade das pessoas físicas arroladas pela fiscalização: Paulo Roberto Murray, Alberto Murray Neto, Edson Mazieiro, Edson Sesma, José Luiz Cabello Campos, Patrícia Goldberg e Tatiana Guimarães Erhardt. É como voto. Cleberson Alex Friess Fl. 5189DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 14/07/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 19/07/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assin ado digitalmente em 14/07/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS
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Numero do processo: 13161.001931/2007-17
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 23 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Nov 01 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2004, 2005, 2006, 2007
CRÉDITO BÁSICO. GLOSA POR FALTA DE COMPROVAÇÃO. PROVA APRESENTADA NA FASE IMPUGNATÓRIA. RESTABELECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. POSSIBILIDADE.
Se na fase impugnatória foram apresentados os documentos hábeis e idôneos, que comprovam o custo de aquisição de insumos aplicados no processo produtivo e o gasto com energia elétrica consumida nos estabelecimentos da pessoa jurídica, restabelece-se o direito de apropriação dos créditos glosados, devidamente comprovados.
REGIME NÃO CUMULATIVO. GASTOS COM FRETE. TRANSPORTE DE BENS SEM DIREITO A CRÉDITO OU DE TRANSPORTE MERCADORIAS ENTRE ESTABELECIMENTOS. DIREITO DE APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE
Por falta de previsão legal, não gera direito a crédito da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins os gastos com o frete relativo ao transporte de mercadorias entre estabelecimentos da contribuinte, bem como os gastos com frete relativo às operações de compras de bens que não geram direito a crédito das referidas contribuições.
ATIVIDADE AGROINDUSTRIAL. BENEFICIAMENTO DE GRÃOS. INOCORRÊNCIA.
A atividade de beneficiamento de grãos, consistente na sua classificação, limpeza, secagem e armazenagem, não se enquadra na definição de atividade de produção agroindustrial, mas de produção agropecuária.
COOPERATIVA DE PRODUÇÃO AGROPECUÁRIA. APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO PRESUMIDO AGROINDUSTRIAL. IMPOSSIBILIDADE.
Por expressa determinação legal, é vedado às cooperativas de produção agropecuária a apropriação de crédito presumido agroindustrial.
CRÉDITO PRESUMIDO AGROINDUSTRIAL. UTILIZAÇÃO MEDIANTE RESSARCIMENTO OU COMPENSAÇÃO. CRÉDITO APURADO A PARTIR DO ANO-CALENDÁRIO 2006. SALDO EXISTENTE NO DIA 26/6/2011. POSSIBILIDADE.
1. O saldo dos créditos presumidos agroindustriais existente no dia 26/6/2011 e apurados a partir ano-calendário de 2006, além da dedução das próprias contribuições, pode ser utilizado também na compensação ou ressarcimento em dinheiro.
2. O saldo apurado antes do ano-calendário de 2006, por falta de previsão legal, não pode ser utilizado na compensação ou ressarcimento em dinheiro, mas somente na dedução do débito da respectiva contribuição.
COOPERATIVA DE PRODUÇÃO AGROPECUÁRIA. RECEITA DE VENDA COM SUSPENSÃO. MANUTENÇÃO DE CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE.
Por expressa determinação legal (art. 8º, § 4º, II, da Lei 10.925/2004), é vedado a manutenção de créditos vinculados às receitas de venda efetuadas com suspensão da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins à pessoa jurídica que exerça atividade de cooperativa de produção agropecuária.
COOPERATIVA DE PRODUÇÃO AGROPECUÁRIA. RECEITA DE VENDA EXCLUÍDA DA BASE DE CÁLCULO. MANUTENÇÃO DE CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE.
Por falta de previsão legal, não é permitido à pessoa jurídica que exerça atividade de cooperativa de produção agropecuária a manutenção de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins vinculados às receitas de venda excluídas da base de cálculo das referidas contribuições.
VENDA DE BENS E MERCADORIAS A COOPERADO. EXCLUSÃO DO ARTIGO 15, INCISO II DA MP Nº 2.158-35/2001. CARACTERIZAÇÃO DE ATO COOPERATIVO. LEI Nº 5.764/1971, ARTIGO 79. NÃO CONFIGURAÇÃO DE OPERAÇÃO DE COMPRA E VENDA NEM OPERAÇÃO DE MERCADO. INAPLICABILIDADE DO ARTIGO 17 DA LEI Nº 11.033/2004. APLICAÇÃO DO RESP 1.164.716/MG. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62, §2º DO RICARF.
As vendas de bens a cooperados pela cooperativa caracteriza ato cooperativo nos termos do artigo 79 da Lei nº 5.764/1971, não implicando tais operações em compra e venda, de acordo com o REsp nº 1.164.716/MG, julgado sob a sistemática de recursos repetitivos e de observância obrigatória nos julgamentos deste Conselho, conforme artigo 62, §2º do RICARF. Destarte não podem ser consideradas como vendas sujeitas à alíquota zero ou não incidentes, mas operações não sujeitas à incidência das contribuições, afastando a aplicação do artigo 17 da Lei 11.033/2004 que dispôs especificamente sobre vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência, mas não genericamente sobre parcelas ou operações não incidentes.
CRÉDITO ESCRITURAL DA CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP E COFINS. DEDUÇÃO, RESSARCIMENTO OU COMPENSAÇÃO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. IMPOSSIBILIDADE.
Independentemente da forma de utilização, se mediante de dedução, compensação ou ressarcimento, por expressa vedação legal, não está sujeita atualização monetária ou incidência de juros moratórios, o aproveitamento de crédito apurado no âmbito do regime não cumulativo da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3302-003.303
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário para reconhecer o direito ao crédito básico correspondente às notas fiscais nº 112421, 13951, 40721 e 7331 referente a insumos básicos e o crédito correspondente aos gastos com energia elétrica, quanto aos últimos, excepcionadas as notas fiscais 27643, 987063 e 541925.
Por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário para manter a glosa integral dos créditos relativos aos fretes de transferência entre estabelecimentos e nas compras sem direito a crédito, vencidos os Conselheiros Domingos de Sá, Relator, Walker Araújo e a Conselheira Lenisa Prado e, que davam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro José Fernandes do Nascimento.
Pelo voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário em relação aos gastos com frete na aquisição de produtos tributados a alíquota zero, vencidos os Conselheiros Domingos de Sá, Relator, Walker Araújo e as Conselheiras Lenisa Prado e Maria do Socorro Ferreira Aguiar, que davam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro José Fernandes do Nascimento.
Por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário em relação à apropriação de créditos presumidos agroindustriais, vencido o Conselheiro Domingos de Sá, Relator e a Conselheira Lenisa Prado, que davam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro José Fernandes do Nascimento.
Por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário em relação às glosas referentes ao direito de manutenção dos créditos vinculados às receitas de vendas com suspensão e de vendas excluídas da base de cálculo, vencido o Conselheiro Domingos de Sá, Relator, que dava provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro José Fernandes do Nascimento.
Por maioria de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário em relação às glosas referente ao direito de manutenção do crédito de custos, despesas e encargos comuns vinculados às transações com associados de bens e serviços à alíquota zero, devendo ser refeito o rateio excluindo os valores destas operações da definição de receita. Vencidos os Conselheiros Domingos de Sá, Relator, e o Conselheiro José Fernandes do Nascimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède.
Por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário em relação à incidência de juros de mora sobre o valor objeto do pedido de ressarcimento, vencido o Conselheiro Domingos de Sá, Relator que dava provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro José Fernandes do Nascimento.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Domingos de Sá Filho - Relator
(assinado digitalmente)
José Fernandes do Nascimento - Redator Designado.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Redator Designado.
Participaram do julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho, Paulo Guilherme Déroulède, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e Walker Araújo.
Nome do relator: DOMINGOS DE SA FILHO
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2004, 2005, 2006, 2007 CRÉDITO BÁSICO. GLOSA POR FALTA DE COMPROVAÇÃO. PROVA APRESENTADA NA FASE IMPUGNATÓRIA. RESTABELECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. POSSIBILIDADE. Se na fase impugnatória foram apresentados os documentos hábeis e idôneos, que comprovam o custo de aquisição de insumos aplicados no processo produtivo e o gasto com energia elétrica consumida nos estabelecimentos da pessoa jurídica, restabelece-se o direito de apropriação dos créditos glosados, devidamente comprovados. REGIME NÃO CUMULATIVO. GASTOS COM FRETE. TRANSPORTE DE BENS SEM DIREITO A CRÉDITO OU DE TRANSPORTE MERCADORIAS ENTRE ESTABELECIMENTOS. DIREITO DE APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE Por falta de previsão legal, não gera direito a crédito da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins os gastos com o frete relativo ao transporte de mercadorias entre estabelecimentos da contribuinte, bem como os gastos com frete relativo às operações de compras de bens que não geram direito a crédito das referidas contribuições. ATIVIDADE AGROINDUSTRIAL. BENEFICIAMENTO DE GRÃOS. INOCORRÊNCIA. A atividade de beneficiamento de grãos, consistente na sua classificação, limpeza, secagem e armazenagem, não se enquadra na definição de atividade de produção agroindustrial, mas de produção agropecuária. COOPERATIVA DE PRODUÇÃO AGROPECUÁRIA. APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO PRESUMIDO AGROINDUSTRIAL. IMPOSSIBILIDADE. Por expressa determinação legal, é vedado às cooperativas de produção agropecuária a apropriação de crédito presumido agroindustrial. CRÉDITO PRESUMIDO AGROINDUSTRIAL. UTILIZAÇÃO MEDIANTE RESSARCIMENTO OU COMPENSAÇÃO. CRÉDITO APURADO A PARTIR DO ANO-CALENDÁRIO 2006. SALDO EXISTENTE NO DIA 26/6/2011. POSSIBILIDADE. 1. O saldo dos créditos presumidos agroindustriais existente no dia 26/6/2011 e apurados a partir ano-calendário de 2006, além da dedução das próprias contribuições, pode ser utilizado também na compensação ou ressarcimento em dinheiro. 2. O saldo apurado antes do ano-calendário de 2006, por falta de previsão legal, não pode ser utilizado na compensação ou ressarcimento em dinheiro, mas somente na dedução do débito da respectiva contribuição. COOPERATIVA DE PRODUÇÃO AGROPECUÁRIA. RECEITA DE VENDA COM SUSPENSÃO. MANUTENÇÃO DE CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE. Por expressa determinação legal (art. 8º, § 4º, II, da Lei 10.925/2004), é vedado a manutenção de créditos vinculados às receitas de venda efetuadas com suspensão da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins à pessoa jurídica que exerça atividade de cooperativa de produção agropecuária. COOPERATIVA DE PRODUÇÃO AGROPECUÁRIA. RECEITA DE VENDA EXCLUÍDA DA BASE DE CÁLCULO. MANUTENÇÃO DE CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE. Por falta de previsão legal, não é permitido à pessoa jurídica que exerça atividade de cooperativa de produção agropecuária a manutenção de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins vinculados às receitas de venda excluídas da base de cálculo das referidas contribuições. VENDA DE BENS E MERCADORIAS A COOPERADO. EXCLUSÃO DO ARTIGO 15, INCISO II DA MP Nº 2.158-35/2001. CARACTERIZAÇÃO DE ATO COOPERATIVO. LEI Nº 5.764/1971, ARTIGO 79. NÃO CONFIGURAÇÃO DE OPERAÇÃO DE COMPRA E VENDA NEM OPERAÇÃO DE MERCADO. INAPLICABILIDADE DO ARTIGO 17 DA LEI Nº 11.033/2004. APLICAÇÃO DO RESP 1.164.716/MG. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62, §2º DO RICARF. As vendas de bens a cooperados pela cooperativa caracteriza ato cooperativo nos termos do artigo 79 da Lei nº 5.764/1971, não implicando tais operações em compra e venda, de acordo com o REsp nº 1.164.716/MG, julgado sob a sistemática de recursos repetitivos e de observância obrigatória nos julgamentos deste Conselho, conforme artigo 62, §2º do RICARF. Destarte não podem ser consideradas como vendas sujeitas à alíquota zero ou não incidentes, mas operações não sujeitas à incidência das contribuições, afastando a aplicação do artigo 17 da Lei 11.033/2004 que dispôs especificamente sobre vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência, mas não genericamente sobre parcelas ou operações não incidentes. CRÉDITO ESCRITURAL DA CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP E COFINS. DEDUÇÃO, RESSARCIMENTO OU COMPENSAÇÃO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. IMPOSSIBILIDADE. Independentemente da forma de utilização, se mediante de dedução, compensação ou ressarcimento, por expressa vedação legal, não está sujeita atualização monetária ou incidência de juros moratórios, o aproveitamento de crédito apurado no âmbito do regime não cumulativo da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2004, 2005, 2006, 2007 CRÉDITO BÁSICO. GLOSA POR FALTA DE COMPROVAÇÃO. PROVA APRESENTADA NA FASE IMPUGNATÓRIA. RESTABELECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. POSSIBILIDADE. Se na fase impugnatória foram apresentados os documentos hábeis e idôneos, que comprovam o custo de aquisição de insumos aplicados no processo produtivo e o gasto com energia elétrica consumida nos estabelecimentos da pessoa jurídica, restabelecese o direito de apropriação dos créditos glosados, devidamente comprovados. REGIME NÃO CUMULATIVO. GASTOS COM FRETE. TRANSPORTE DE BENS SEM DIREITO A CRÉDITO OU DE TRANSPORTE MERCADORIAS ENTRE ESTABELECIMENTOS. DIREITO DE APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE Por falta de previsão legal, não gera direito a crédito da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins os gastos com o frete relativo ao transporte de mercadorias entre estabelecimentos da contribuinte, bem como os gastos com frete relativo às operações de compras de bens que não geram direito a crédito das referidas contribuições. ATIVIDADE AGROINDUSTRIAL. BENEFICIAMENTO DE GRÃOS. INOCORRÊNCIA. A atividade de beneficiamento de grãos, consistente na sua classificação, limpeza, secagem e armazenagem, não se enquadra na definição de atividade de produção agroindustrial, mas de produção agropecuária. COOPERATIVA DE PRODUÇÃO AGROPECUÁRIA. APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO PRESUMIDO AGROINDUSTRIAL. IMPOSSIBILIDADE. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 16 1. 00 19 31 /2 00 7- 17 Fl. 453DF CARF MF 2 Por expressa determinação legal, é vedado às cooperativas de produção agropecuária a apropriação de crédito presumido agroindustrial. CRÉDITO PRESUMIDO AGROINDUSTRIAL. UTILIZAÇÃO MEDIANTE RESSARCIMENTO OU COMPENSAÇÃO. CRÉDITO APURADO A PARTIR DO ANOCALENDÁRIO 2006. SALDO EXISTENTE NO DIA 26/6/2011. POSSIBILIDADE. 1. O saldo dos créditos presumidos agroindustriais existente no dia 26/6/2011 e apurados a partir anocalendário de 2006, além da dedução das próprias contribuições, pode ser utilizado também na compensação ou ressarcimento em dinheiro. 2. O saldo apurado antes do anocalendário de 2006, por falta de previsão legal, não pode ser utilizado na compensação ou ressarcimento em dinheiro, mas somente na dedução do débito da respectiva contribuição. COOPERATIVA DE PRODUÇÃO AGROPECUÁRIA. RECEITA DE VENDA COM SUSPENSÃO. MANUTENÇÃO DE CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE. Por expressa determinação legal (art. 8º, § 4º, II, da Lei 10.925/2004), é vedado a manutenção de créditos vinculados às receitas de venda efetuadas com suspensão da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins à pessoa jurídica que exerça atividade de cooperativa de produção agropecuária. COOPERATIVA DE PRODUÇÃO AGROPECUÁRIA. RECEITA DE VENDA EXCLUÍDA DA BASE DE CÁLCULO. MANUTENÇÃO DE CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE. Por falta de previsão legal, não é permitido à pessoa jurídica que exerça atividade de cooperativa de produção agropecuária a manutenção de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins vinculados às receitas de venda excluídas da base de cálculo das referidas contribuições. VENDA DE BENS E MERCADORIAS A COOPERADO. EXCLUSÃO DO ARTIGO 15, INCISO II DA MP Nº 2.15835/2001. CARACTERIZAÇÃO DE ATO COOPERATIVO. LEI Nº 5.764/1971, ARTIGO 79. NÃO CONFIGURAÇÃO DE OPERAÇÃO DE COMPRA E VENDA NEM OPERAÇÃO DE MERCADO. INAPLICABILIDADE DO ARTIGO 17 DA LEI Nº 11.033/2004. APLICAÇÃO DO RESP 1.164.716/MG. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62, §2º DO RICARF. As vendas de bens a cooperados pela cooperativa caracteriza ato cooperativo nos termos do artigo 79 da Lei nº 5.764/1971, não implicando tais operações em compra e venda, de acordo com o REsp nº 1.164.716/MG, julgado sob a sistemática de recursos repetitivos e de observância obrigatória nos julgamentos deste Conselho, conforme artigo 62, §2º do RICARF. Destarte não podem ser consideradas como vendas sujeitas à alíquota zero ou não incidentes, mas operações não sujeitas à incidência das contribuições, afastando a aplicação do artigo 17 da Lei 11.033/2004 que dispôs especificamente sobre vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência, mas não genericamente sobre parcelas ou operações não incidentes. CRÉDITO ESCRITURAL DA CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP E COFINS. DEDUÇÃO, RESSARCIMENTO OU COMPENSAÇÃO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. IMPOSSIBILIDADE. Fl. 454DF CARF MF Processo nº 13161.001931/200717 Acórdão n.º 3302003.303 S3C3T2 Fl. 49 3 Independentemente da forma de utilização, se mediante de dedução, compensação ou ressarcimento, por expressa vedação legal, não está sujeita atualização monetária ou incidência de juros moratórios, o aproveitamento de crédito apurado no âmbito do regime não cumulativo da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário para reconhecer o direito ao crédito básico correspondente às notas fiscais nº 112421, 13951, 40721 e 7331 referente a insumos básicos e o crédito correspondente aos gastos com energia elétrica, quanto aos últimos, excepcionadas as notas fiscais 27643, 987063 e 541925. Por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário para manter a glosa integral dos créditos relativos aos fretes de transferência entre estabelecimentos e nas compras sem direito a crédito, vencidos os Conselheiros Domingos de Sá, Relator, Walker Araújo e a Conselheira Lenisa Prado e, que davam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro José Fernandes do Nascimento. Pelo voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário em relação aos gastos com frete na aquisição de produtos tributados a alíquota zero, vencidos os Conselheiros Domingos de Sá, Relator, Walker Araújo e as Conselheiras Lenisa Prado e Maria do Socorro Ferreira Aguiar, que davam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro José Fernandes do Nascimento. Por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário em relação à apropriação de créditos presumidos agroindustriais, vencido o Conselheiro Domingos de Sá, Relator e a Conselheira Lenisa Prado, que davam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro José Fernandes do Nascimento. Por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário em relação às glosas referentes ao direito de manutenção dos créditos vinculados às receitas de vendas com suspensão e de vendas excluídas da base de cálculo, vencido o Conselheiro Domingos de Sá, Relator, que dava provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro José Fernandes do Nascimento. Por maioria de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário em relação às glosas referente ao direito de manutenção do crédito de custos, despesas e encargos comuns vinculados às transações com associados de bens e serviços à alíquota zero, devendo ser refeito o rateio excluindo os valores destas operações da definição de receita. Vencidos os Conselheiros Domingos de Sá, Relator, e o Conselheiro José Fernandes do Nascimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède. Por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário em relação à incidência de juros de mora sobre o valor objeto do pedido de ressarcimento, vencido o Conselheiro Domingos de Sá, Relator que dava provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro José Fernandes do Nascimento. Fl. 455DF CARF MF 4 (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Presidente. (assinado digitalmente) Domingos de Sá Filho Relator (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Redator Designado. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Redator Designado. Participaram do julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho, Paulo Guilherme Déroulède, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e Walker Araújo. Relatório Cuidase de Recurso Voluntário em razão do Acórdão que negou o direito ao crédito pleiteado referente aos anos calendários de 2004, 2005, 2006 e 2007, e, manteve o indeferimento parcial da pretensão do reconhecimento do direito creditório relativo ao PIS/PASEP e a COFINS, conforme se vê do voto. Em sede de Embargos Declaratórios foram acolhidos os argumentos da Embargante, aqui Recorrente, para o exame da Manifestação de Inconformidade em toda a sua plenitude, diante de omissão quando da análise procedida que resultou num Acórdão da 2ª Turma da DRJ/CGE. Em sendo assim, está em exame o Acórdão de nº 3302003.303. O pleito foi deferido parcialmente pelos motivos elencados no relatório fiscal, o que restou acolhido pelo julgador de piso. Em sua conclusão resume os ajustes nos cálculos realizados pela contribuinte: “I. Glosa parcial dos créditos básicos decorrentes de aquisição de insumos, energia elétrica, aluguéis de pessoa jurídica, fretes e aquisições do imobilizado, (Tabela 04); II. Glosa integral do valor referente ao crédito presumido da atividade agroindustrial por NÃO restar comprovado que a contribuinte exerceu atividade agroindustrial, bem como, pela ausência de comprovação da destinação à alimentação humana ou animal, nos termos do art. 8º da Lei nº 10.925/2004 (Tabela 04); III. Estorno dos créditos decorrentes das saídas com suspensão da incidência da contribuição para Pis e da Cofins (inciso II, § 4o, art. 8º – da Lei nº 10.925/2004 Tabela 03 e 04); Fl. 456DF CARF MF Processo nº 13161.001931/200717 Acórdão n.º 3302003.303 S3C3T2 Fl. 50 5 IV. Glosa integral dos créditos decorrente da proporção de saídas sujeita a alíquota zero, considerando que as operações realizadas estavam efetivamente sujeitas à exclusão da base de cálculo e, por decorrência, inexiste suporte legal para a manutenção de crédito (art. 17 da Lei nº 11.033/2004 – Tabela 03 e 04); V. Glosa integral dos créditos decorrentes da proporção de saídas não tributadas decorrentes de operações sujeitas à exclusão de base de cálculo, considerando a matéria circunscrevese a questão se Recorrente é considerada agroindustrial ausência de suporte legal para a manutenção de crédito (art. 17 da Lei nº 11.033/2004 – Tabela 03 e 04); VI. Deferimento dos créditos básicos vinculados às operações de exportações realizados no período.” Do relatório fiscal constatas as razões das glosas: 1. CRÉDITO BÁSICO 1.1 AQUISIÇÃO DE INSUMOS No período em análise a contribuinte registrou créditos integrais da não comutatividade das contribuições para o Pis e da Cofins sobre as compras de pessoa jurídica. Através do Termo de Intimação Fiscal 003, por amostragem, foram solicitadas cópias das notas fiscais de aquisição registradas na memória de cálculo do Dacon. O contribuinte não logrou êxito em apresentar parte das notas fiscais registradas (Tabela 04 e 05). 1.2 FRETES / DESPESAS DE ARMAZENAGEM O contribuinte apurou créditos da contribuição para Pis e da Cofins sobre os fretes de operações de venda/armazenagem, transferência e compras de mercadorias. Conforme será demonstrado, apenas os fretes vinculados a operações de venda geram direito a apuração de crédito da contribuição para Pis e da Cofins. 1.2.1 FRETE SOBRE OPERAÇÕES DE VENDAS / ARMAZENAGEM Nas operações com fretes sobre vendas somente existe direito ao crédito da nãocumulatividade das contribuições para o Pis e da Cofins se for comprovado que o ônus foi suportado pelo vendedor (Lei nº 10.833/2003, art. 3º, inciso IX c/c art. 15, inciso II e art. 93) Através do Termo de Intimação Fiscal 003 a contribuinte foi intimada a apresentar cópia digitalizada dos comprovantes de pagamento a título de fretes sobre venda/despesa de armazenagem as pessoas jurídicas. Fl. 457DF CARF MF 6 Pela análise da documentação solicitada, a contribuinte comprovou que, no período entre agosto de 2004 e dezembro de 2007, foi a responsável pelo pagamento dos serviços de fretes contratados. Portanto, atende ao requisito legal para apuração do crédito, ou seja, o ônus foi suportado pela vendedora. 1.2.2 FRETES SOBRE OPERAÇÕES DE TRANSFERÊNCIA As transferências de mercadorias entre estabelecimentos da contribuinte implicam em mero deslocamento das mercadorias com o intuito de facilitar a entrega dos bens aos futuros compradores. Portanto, não integram a “operação de venda” referida no art. 3º, inciso IX da Lei nº 10.833/2003. Somente o valor do frete contratado para o transporte de mercadorias para o consumidor final, desde que o ônus seja suportado pelo vendedor, gera direito ao crédito do PIS/PASEP e da Cofins. Cumpre registrar que somente os valores das despesas realizadas com fretes contratados para a entrega de mercadorias diretamente aos clientes adquirentes é que geram direito a créditos a serem descontados da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, consoante entendimento da CoordenaçãoGeral de Tributação (Cosit) da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), exarado na Solução de Divergência nº 11, de 27 de setembro de 2007, cuja ementa está disponível no sítio da RFB na internet. A exclusão das transferências de mercadorias foi realizada a partir das informações prestadas através do Termo de Intimação Fiscal 005 (ver Tabela 04 e 06). 1.2.3 FRETE NAS OPERAÇÕES DE COMPRA Os fretes sobre compras, quando por conta do comprador, integram o custo dos bens. Se tais bens geram direito a crédito de PIS e Cofins, logo, indiretamente, o frete incidente na compra dos mesmos também gerará. Porém, se a aquisição destes bens não gerarem crédito, o frete sobre a compra também não gerará direito ao crédito. As mercadorias transportadas nos fretes das operações de compra foram fertilizantes e sementes, sujeitos à alíquota zero (conforme, inciso I e III do art. 1º da Lei 10.925/2004). Portanto, nos fretes de operações de compra não existe a apuração do crédito. A exclusão dos valores relativos a estas operações foi realizada a partir das informações prestadas através do Termo de Intimação Fiscal 005 (ver Tabela 04 e 06). 1.3 ENERGIA ELÉTRICA Fl. 458DF CARF MF Processo nº 13161.001931/200717 Acórdão n.º 3302003.303 S3C3T2 Fl. 51 7 As despesas com energia elétrica geram créditos da cumulatividade da contribuição para Pis e da Cofins contratadas com pessoa jurídica domiciliada no País, incorridas a partir do período de apuração de fevereiro de 2004 (Lei nº 10.833/2003, art. 3º, inciso III e Lei nº 10.637/2002, art. 3º, inciso IX do caput). Através do Termo de Intimação Fiscal 003, foram solicitadas cópias das notas fiscais de aquisição conforme os registros da memória de cálculo do Dacon apresentado pelo contribuinte. O contribuinte não logrou êxito em apresentar parte das notas fiscais registradas (Tabela 04 e 05). 1.4 ALUGUÉIS PESSOA JURÍDICA É permitida a apropriação de créditos da nãocumulatividade da contribuição para o Pis e da Cofins sobre os valores relativos as despesas utilizadas na atividade da empresa, em relação a aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica domiciliada no Pais, utilizados na atividade da empresa (Lei nº 10.833/2003, art. 3º, inciso IV e Lei nº 10.637/2002, art. 3º, inciso IV). Através do Termo de Intimação Fiscal 003, foram solicitados todos os comprovantes relativos aos créditos decorrentes de despesa com aluguéis. A análise da documentação apresentada comprovou apenas parte dos valores registrados no Dacon (ver Tabela 04) 1.5 CRÉDITO IMOBILIZADO (VALOR DA AQUISIÇÃO) A partir do mês de agosto 2004 é possível calcular créditos da não cumulatividade da contribuição para Pis e da Cofins somente em relação: a máquinas e equipamentos e outros bens incorporados ao Ativo Imobilizado, adquiridos de pessoas jurídicas domiciliadas no País ou importados, utilizados na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços (Lei nº 10.833/2003, art. 3º, incisos VI do caput e inciso II do § 3º). Através do Termo de Intimação Fiscal 003, foram solicitados todos os comprovantes relativos aos créditos de aquisição de imobilizado. A análise da documentação apresentada comprovou apenas parte dos valores registrados no Dacon (ver Tabela 04). 2. CRÉDITO PRESUMIDO DA AGROINDÚSTRIA A luz do dispositivo transcrito, o enquadramento legal para utilização do crédito presumido decorre das seguintes condições: que as mercadorias produzidas estejam classificadas na(s) NCM(s) estabelecidas pela lei; que a contribuinte exerça a atividade de produção de mercadoria (agroindústria); e, que os produtos fabricados sejam destinados à alimentação humana ou animal. Fl. 459DF CARF MF 8 2.1 PRODUTOS DE ORIGEM ANIMAL OU VEGETAL O art. 8º da Lei nº 10.925/2004 estabeleceu os capítulos de classificação na NCM dos produtos de origem animal ou vegetal que dão direito ao crédito presumido da atividade agroindustrial. No caso em tela, conforme a memória de cálculo do DACON, no período em análise, os produtos exportados pela contribuinte foram soja NCM 1201.90.00 e milho NMC 1005.90.10. Assim, referidos produtos estão classificados entre os capítulos 8 a 12 da NCM, conforme a determinação do art. 8º da Lei 10.925/2004, com a regulamentação reproduzida na alínea d, inciso I, do art. 5º da Instrução Normativa RFB nº 660. 2.2 AGROINDÚSTRIA A Lei nº 10.925, de 2004, não faz nenhuma menção explícita a atividade de agroindústria. O art. 8º do referido diploma legal aponta a necessidade de produção de mercadorias para apuração do crédito presumido, nos seguintes termos: “Art. 8º As pessoas jurídicas […] que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal […]”. Grifouse O termo agroindústria foi definido no art. 6º da IN RFB 660/2006, abaixo transcrito: Art. 6º Para os efeitos desta Instrução Normativa, entendese por atividade agroindustrial: I a atividade econômica de produção das mercadorias relacionadas no caput do art. 5º, excetuadas as atividades relacionadas no art. 2º da Lei nº 8.023, de 1990; e (...) Grifouse Conforme os aludidos dispositivos legais, somente possui direito de apurar o crédito presumido em análise a pessoa jurídica que produza mercadoria. O inciso III, § 1º, art. 8º, da Lei nº 10.925/2004, estabelece que o direito de apurar o crédito presumido nele previsto aplicase também nas aquisições efetuadas de pessoa de cooperativa de produção agropecuária. 3.3 DESTINAÇÃO À ALIMENTAÇÃO HUMANA OU ANIMAL Através do Termo de Intimação Fiscal 003, a contribuinte foi intimada a comprovar que os produtos fabricados foram destinados à alimentação humana ou animal. Em resposta a intimação fiscal a contribuinte limitouse a reproduzir o disposto no Regulamento Técnico Anexo a Instrução Normativa nº 11 do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, bem como, a afirmar que “ Como visto, conforme padrões exigidos pelo Ministério da Agricultura, as mercadorias relacionadas no Caput do Art. 8º da lei 10.925/2004, produzidas pela contribuinte estão dentro nos padrões a serem destinadas a alimentação humana ou animal, atendendo todos os requisitos para apuração do Crédito Presumido de Pis e Cofins. A comprovação dos requisitos destinação a alimentação humana ou animal é ônus da agroindústria interessada. A exportação, na maior parte dos casos pode inviabilizar a comprovação de tal Fl. 460DF CARF MF Processo nº 13161.001931/200717 Acórdão n.º 3302003.303 S3C3T2 Fl. 52 9 requisito, se a venda se der, por exemplo, para comerciantes no exterior (Solução de Consulta nº 24 – SRRF09/Disit). 2.3 UTILIZAÇÃO DO CRÉDITO PRESUMIDO O valor do crédito presumido previsto na Lei nº 10.925, de 2004, arts. 8º e 15, somente pode ser utilizado para dedução da Contribuição para o PIS e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) apuradas no regime de incidência não cumulativa. Art. 15. As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem vegetal, classificadas no código 22.04, da NCM, poderão deduzir da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. (Vigência) Grifouse 3. CRÉDITOS MERCADO INTERNO NÃO TRIBUTADO Os créditos relativos ao mercado interno não tributado estão vinculados as seguintes operações: vendas suspensas; vendas com alíquota zero e exclusões de base de cálculo permitidas as sociedades cooperativas. Como se demonstrará, nestas situações não existe o direito a manutenção do crédito previsto no art. 17 da Lei nº 11.033/2004. Desta maneira, os créditos vinculados a operações não tributadas no mercado interno foram integralmente indeferidos. 4.1 – VENDAS SUSPENSAS Conforme analisado no subitem 3.2, a Lei 10.925/2004 excluiu do conceito de agroindústria as atividades de limpar, padronizar, armazenar e comercializar produtos in natura de origem vegetal. Referidas atividades foram consideradas típicas de cerealista. Assim, nas operações realizadas no período a contribuinte faz jus a suspensão da incidência da contribuição para Pis e da Cofins (art. 9º), mas deve providenciar o respectivo estorno dos créditos da não cumulatividade (inciso II, § 4o, art. 8º Tabela 04). 4.2 VENDAS COM ALÍQUOTA ZERO A partir do mês de agosto/2004 os insumos vendidos pela contribuinte aos associados (adubos, fertilizantes e sementes) tiveram as alíquotas da contribuição para o PIS e da COFINS reduzidas a zero (art. 1º da Lei 10.925/2004). Entretanto, a venda de insumos a associados deve ser registrada como exclusão de base de cálculo nos termos da MP nº 2.158, de 24 de Fl. 461DF CARF MF 10 agosto de 2001 e não como uma venda não tributada sujeita à alíquota zero. O art. 17 da Lei nº 11.033 garantiu o direito à manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a operações com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência da Contribuição para o Pis e da Cofins. Portanto, ao registrar indevidamente as exclusões de base de cálculo como vendas sujeitas à alíquota zero, houve a manutenção indevida dos créditos vinculados a estas operações. O valor do crédito vinculado as operações de venda com alíquota zero foi integralmente glosado (tabelas 03 e 04) 4.3 EXCLUSÕES DE BASE DE CÁLCULO O legislador estabeleceu tratamento diferenciado para operações praticadas pela sociedade cooperativas. Em referidas operações, o procedimento previsto é o de excluir os valores respectivos das bases de cálculo do PIS e da Cofins. Nesta sistemática, NÃO existe previsão legal para a manutenção do direito ao crédito vinculado as operações sujeitas à exclusão de base de cálculo. O direito a manutenção do crédito nas operações não tributadas foi estipulado pelo art. 17 da Lei nº 11.033/2004. No presente caso, conforme a memória de cálculo de Dacon, a contribuinte manteve indevidamente o direito a crédito nas operações de entradas vinculadas as exclusões de base de cálculo permitidas as cooperativas (art 15 MP 215835/01 e art 17 leis 10.684/03). O valor do crédito vinculado as operações sujeitas à exclusão de base de cálculo admitidas as cooperativas foi integralmente glosado (tabelas 03 e 04) O julgado encontrase resumido a ementa: ACÓRDÃO. OMISSÃO. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CABIMENTO. Deve ser apreciada como embargos de declaração a manifestação do contribuinte na qual se alegue omissão quanto a questões suscitadas na defesa ou impugnação, acerca das quais o órgão julgador deveria ter se pronunciado. COMPENSAÇÃO. FALTA DE COMPROVAÇÃO DO DIREITO CREDITÓRIO. HOMOLOGAÇÃO INDEFERIDA. Não se homologa compensação quando o direito creditório não ficar comprovado. RESSARCIMENTO. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. O reconhecimento do direito creditório objeto de pedido de ressarcimento de PIS e Cofins depende da comprovação documental do respectivo direito. Fl. 462DF CARF MF Processo nº 13161.001931/200717 Acórdão n.º 3302003.303 S3C3T2 Fl. 53 11 CRÉDITO PRESUMIDO. COOPERATIVAS. ATIVIDADE AGROINDUSTRIAL. REQUISITO. O crédito presumido destinado às cooperativas agroindustriais beneficiam apenas aquelas entidades que realizam algum processo que possa ser consideração como industrialização, observadas nas exclusões contidas na lei. CRÉDITO PRESUMIDO. LEI Nº 10.925/2004, ARTS 8º E 15. COMPENSAÇÃO E RESSARCIMENTO. VEDAÇÃO. O crédito presumido previsto nos artigos 8º e 15 da Lei nº 10.925/2004 só pode ser utilizado para deduzir o PIS e a Cofins apurados no regime de incidência nãocumulativa, vedada a compensação ou o ressarcimento do valor do crédito presumido. JUROS. COMPENSAÇÃO E RESSARCIMENTO. NÃO INCIDÊNCIA. Não incidirão juros compensatórios no ressarcimento de créditos de IPI, de PIS e de Cofins, bem como na compensação dos referidos créditos. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte.” Em sede recursal debate a contribuinte em relação aos tópicos: 1. Créditos de aquisições de insumos, comprovantes das aquisições desconsiderados pela fiscalização; 2. Créditos de aquisições de energia elétrica – comprovantes das aquisições desconsiderados pela fiscalização; 3. Fretes sobre a transferência de insumos entre estabelecimentos; 4. Fretes sobre compras de fertilizantes e sementes; 5. Créditos Presumido sobre aquisições de pessoas físicas, processo produtivo; 6. Forma de utilização do crédito presumido, restrições da colocadas pela Receita Federal ao ressarcimento; 7. Manutenção dos créditos vinculados as receitas com suspensão de incidência de PIS e Cofins; 8. Receitas sujeitas a alíquotas zero, reclassificação indevidas das vendas efetuadas pela fiscalização considerando como venda de bens a associados; Fl. 463DF CARF MF 12 9. Ressarcimento de créditos vinculados as receitas sem incidência de PIS e Cofins, exclusões permitidas as sociedades Cooperativas; 10. Previsão legal para incidência da SELIC. Inicialmente, faz introdução quanto aquisições de matéria prima e do processo produtivo: “O critério da nãocumulatividade permite a realização de créditos apurados com base em custos, despesas e encargos da pessoa jurídica, tudo descrito no Art. 3o das respectivas Leis (10.637 e 10.833). Para o exercício regular de suas atividades, dentre os custos, despesas e encargos suportados, a contribuinte adquire de fornecedores pessoas físicas residentes no país e jurídicas situadas no mercado interno, bens e serviços utilizados como insumos (Inciso II do Art. 3o das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003) para a produção de mercadorias classificadas na NCM nos Capítulos 8 a 12, constantes do Caput do artigo 8 o da lei 10.925/2004. Estes bens e serviços utilizados como insumos (Inc. II do art. 3 das Leis) decorrem de uma extensa e complexa cadeia produtiva, onde vários itens ao longo da mesma estão sujeitos à incidência das denominadas Contribuições ao Fundo de Participação no Programa de Integração Social PIS (Lei Complementar n° 7, de 7.9.70) , e Contribuição Social sobre o Faturamento COFINS (Lei Complementar n° 70, de 30.12.91), exemplo: óleo diesel, caminhões, colhedeiras, máquinas, peças, ferramentas, etc. Daí, o direito ao crédito sobre as aquisições de pessoas físicas e de pessoas jurídicas com suspensão, ser presumido, conforme constante nas Leis 10.637/2002, 10.833/2003 e no art. 8 o da Lei 10.925/2004. Os créditos sobre os bens e serviços utilizados como insumos conforme descritos no inciso II do art. 3 o das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003 devem ser apurados no mês da aquisição, conforme Inciso I do parágrafo 1 o do art. 3o das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, combinado com o parágrafo 2o do art. 8o da lei 10.925/2004, independente da finalidade que se dará a mercadoria produzida, ou seja, do momento da venda.” Considerando que estes 56 (cinqüenta e seis) processos estão vinculados ao MPF 0140200.2011.00053 e: a) que possuem igual teor, pois o mérito discutido é o mesmo em todos os processos; b) considerando os princípios da economia e celeridade processual; c) o propósito de evitar o desperdício de recursos (papel, cópias, impressões, tempo utilizados pelos agentes fiscais para digitalização e vinculação das informações apresentadas para cada processo); d) o tempo utilizado pelo julgador para análise individual de cada processo; e) a possibilidade de julgamento simultâneo. Optou a Contribuinte ao invés de anexar em cada processo (56 vezes), os mesmos documentos que intencionam evidenciar seu direito, discorrer longamente em cada processo em 56 Fl. 464DF CARF MF Processo nº 13161.001931/200717 Acórdão n.º 3302003.303 S3C3T2 Fl. 54 13 manifestações de inconformidade idênticas, contendo 73 páginas cada uma, sobre os fundamentos que entende lhe assegurar o direito a crédito complementar; em ANEXAR todos os documentos, bem assim, EM APRESENTAR na versão estendida da manifestação de inconformidade todos os fundamentos legais que entende assegurar o melhor direito para todos os processos mencionados na página inicial, no processo n. 13161.001928/200795, conforme consta anexado nas folhas 84 à 267 do referido processo” Em síntese argumenta em suas razões que: III DAS RAZÕES DE REFORMA Fundamentos legais, discorre sobre o tema: “DO SISTEMA NÃO CUMULATIVO DE PIS E COFINS DIREITO AO RESSARCIMENTO DOS CRÉDITOS 3.1.1 DAS PREMISSAS DO SISTEMA NÃO CUMULATIVO DE PIS E COFINS E SUA INTERPRETAÇÃO Para o adequado enfrentamento dos importantes temas aqui versados, cumprenos trazer a baila, as premissas que nortearam a instituição do sistema não cumulativo para o PIS e a Cofins, marcos históricos de enunciação do direito positivo, constantes respectivamente das Justificativas dos Senhores Ministros da Fazenda, por ocasião dos Projetos de Medidas Provisórias que resultaram nas Leis 10.637/2002 (PIS) e 10.833/2003 (Cofins) 3.1.2 – DOS CRÉDITOS VINCULADOS AS RECEITAS DE EXPORTAÇÕES Tanto a lei 10.637/2002 quanto a lei 10.833/2003, determinam que as empresas poderão descontar, dos seus débitos apurados, créditos calculados sobre os itens relacionados no Art. 3o de ambas as Leis. Sendo inicialmente autorizado o ressarcimento dos créditos vinculados as exportações conforme disposto para o PIS no Art. 5 o da Lei 10.637/02 e para a COFINS no Art. 6 o da Lei 10.833/03. Portanto, partindo desta premissa, estamos diante de mecânica própria do PIS e COFINS, sistemática prevista pelo Legislador, que de modo coerente, assegura a manutenção dos créditos, de forma a respeitar o Princípio Constitucional da não comutatividade e também, evitar a incidência das Contribuições quando da realização de Exportações, ainda que indiretamente. Ao contrário, importaria em afirmar que incidem as referidas contribuições quando da realização de exportações, pois, não teria o Contribuinte o direito de ressarcir o montante pleno que incidiu nas etapas anteriores ao ato de exportar, o que representaria custo, ônus tributário, o que é vedado pelo Legislador Constitucional e, que contraria a prática internacional de não exportar tributos. 3.1.3 DOS CRÉDITOS VINCULADOS AS RECEITAS NO MERCADO INTERNO. Fl. 465DF CARF MF 14 Inicialmente, na introdução do sistema não cumulativo, o Saldo de crédito de PIS e Cofins remanescente após o aproveitamento com os débitos das próprias contribuições, somente poderia ser utilizado para ressarcimento ou compensação, a parcela de créditos proporcional às receitas de exportação, imunidade, ao que as Leis (10.637 e 10.833) denominaram de isenção conforme disposto art. 5o da lei 10.637/2002 para o PIS e art. 6 o da lei 10.833/2003 para a Cofins. Na seqüência, mediante evolução legislativa, visando esclarecer dúvidas relativas a interpretação da legislação do PIS e Cofins, conforme consta no item 19 da exposição de motivos 111 MF, foi editada a medida provisória 206/2004, posteriormente convertida na lei 11.033/2004 que assim dispõem em seu art.17. Portanto, resta muito claro que o art. 17 da lei 11.033/2004 confirmou o direito a manutenção dos créditos apurados na forma do art. 3 o das 10.637/2002 e 10.833/2003 e vinculados às receitas nele mencionadas. Assim, também partindo desta premissa, estamos diante de mecânica própria do PIS e COFINS, sistemática prevista pelo Legislador, que de modo coerente, assegura a manutenção dos créditos, de forma a respeitar o Princípio Constitucional da não cumulatividade, evitando o efeito cascata, ou seja, a cumulatividade. Portanto, as leis não deixam dúvidas quanto a possibilidade de manutenção dos créditos, bem como da recuperação dos mesmos (saldo credor), mediante dedução, compensação ou ressarcimento do saldo de créditos decorrentes de saídas com suspensão, isenção, alíquota zero e não incidência das contribuições para o PIS e Cofins, acumulados a partir de 09 de agosto de 2004. 3.1.4 DA MATERIALIDADE DO PIS E COFINS Ainda cabe destacar que a não cumulatividade do PIS e Cofins, possuiu sistemática de apuração própria, diferente da sistemática adotada em outros tributos como o IPI. No caso, não estamos tratando de apuração de créditos IPI, estamos diante de créditos de PIS e Cofins, cuja materialidade é diversa, sendo que o conceito de insumos e produção para PIS e Cofins é mais amplo que o conceito adotado para o IPI, não guardando nenhuma relação a apuração de créditos de PIS e Cofins com a incidência ou não de IPI no produto produzido. IV Análise do Relatório/Despacho Decisório da RFB No período analisado, em conformidade com o art. 3o das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, a contribuinte apurou créditos sobre insumos utilizados na produção adquiridos de pessoas jurídicas e, sobre a energia elétrica consumida em seus estabelecimentos. Porém, ao julgar o tema entendeu a 2 a Turma da DRJ/CGE que o direito ao crédito sobre estes itens não poderia ser deferido, pois Fl. 466DF CARF MF Processo nº 13161.001931/200717 Acórdão n.º 3302003.303 S3C3T2 Fl. 55 15 segundo seu entendimento, o direito não teria sido comprovado devendo ser considerada encerrada a fase probatória. Todavia, não concorda a contribuinte, pois estas aquisições como se demostrará a seguir, estão efetivamente comprovadas. Ressaltase, que a fiscalização durante sua análise teve várias maneiras e oportunidades de efetivamente comprovar a existência destas aquisições, uma vez que todos os livros e registos contábeis estavam em seu poder, conforme apresentado em atendimento as diversas intimações, sejam por meio dos documentos físico ou digital. Assim, considerando que para o caso em questão há documentos que comprovam a efetiva aquisição, entende a contribuinte que o crédito deve ser deferido, em observância ao principio da verdade material. 4.1.1 AQUISISÕES DE INSUMOS Mencionase que a fiscalização indeferiu parte dos créditos apurados sobre as aquisições de insumos utilizados na produção, sob o argumento que parte destas aquisições não foram comprovadas, uma vez que, segundo seu entendimento, não teriam sido apresentadas pela contribuinte, as notas fiscais (documento físico) relacionadas pela fiscalização nas Tabelas 04 e 05 cuia ciência tomou a contribuinte juntamente com o Relatório Fiscal, e que ora, para melhor análise do colegiado, novamente seguem anexo ao recurso. Ocorre, que o direito ao crédito apurado sobre estas aquisições não pode ser desconsiderado, pelo simples fato de a Contribuinte não ter conseguido encontrar parte destas notas em seu arquivo (extenso e histórico), para apresentar a fiscalização. Registrese que estas aquisições, constam registradas na escrituração contábil e fiscal da contribuinte, com a plena identificação, a qual a fiscalização teve acesso irrestrito durante o processo de análise do crédito. Assim, considerando que estas Notas Fiscais de aquisições de insumos foram devidamente registradas e escrituradas, a fiscalização poderia considerar estes meios para confirmar estas aquisições, uma vez que, estas informações estão relacionadas em documentos, tais como: livros digitais de entradas e saídas, razões contábeis, arquivos contábeis, arquivos digitais de entradas e saídas formato SINTEGRA, todos apresentados a fiscalização pela contribuinte em atendimento as intimações recebidas. Para além disso, todos os comprovantes que evidenciam a ocorrência da efetiva aquisição dos insumos referente as notas Fl. 467DF CARF MF 16 fiscais relacionadas Tabela 05 elaborada pela fiscalização anexa ao Relatório Fiscal, seguiram no ANEXO I da manifestação de inconformidade então protocolada para melhor análise da DRJ, onde foram anexados, cópia das notas fiscais n° 1395, 2948, 11242 e 7331, bem como os comprovantes de pagamentos de demais registros, conforme podese observar nos documentos constantes nas folhas 166 a 225 do processo 13161.001928/200795, e que ora, para melhor analise deste colegiado, novamente são apresentados anexo a este recurso, confirmando o direito ao crédito. Portanto, considerando que estão comprovadas as aquisições de insumos anteriormente desconsideradas pela fiscalização, conforme relação constante na Tabela 05, que seguiu anexa ao Relatório Fiscal para ciência, requer a contribuinte a manutenção do crédito sobre estas as aquisições. 4.1.2 DA ENERGIA ELÉTRICA Relativo às despesas de energia elétrica, da mesma forma que manifestou entendimento sobre as aquisições de insumos, entendeu a fiscalização que algumas aquisições não estariam comprovadas, argumentando que não teriam sido apresentadas pela contribuinte as faturas relacionadas pela fiscalização nas Tabelas 04 e 05 cuja ciência tomou a contribuinte juntamente com o Relatório Fiscal, indeferindo desta forma, o crédito apurado sobre estas faturas. Todavia s.m.j., o argumento da fiscalização está equivocado, pois tais notas fiscais, foram devidamente apresentadas à fiscalização, em atendimento ao termo de intimação fiscal 003, onde a contribuinte apresentou cópia digitalizada destes documentos, e também em atendimento ao termo de intimação fiscal 004 onde a contribuinte apresentou os originais destes documentos, sendo que estas faturas originais ficaram em poder da fiscalização até a finalização dos seus trabalhos, sendo devolvidas a contribuinte somente após ocorrer a ciência do Relatório Fiscal. Ademais, evidenciado o equivoco da fiscalização, comprovado a existência destes documentos, juntamente com manifestação de inconformidade então protocolada para melhor analise da DRJ, contribuinte apresentou novamente as faturas de energia elétrica, que foram desconsideradas pela fiscalização (Tabela 05 elaborada pela fiscalização), conforme pode ser verificado nos documentos (ANEXO II) constantes nas folhas 226 a 267 do processo 13161.001928/200795, e que ora, em virtude de não terem sido considerados no julgamento da DRJ, no intuito de facilitar a análise deste colegiado a contribuinte novamente os apresenta, anexo, a este recurso. Assim, considerando o principio da verdade material, uma vez que existem os comprovantes das despesas de energia elétrica e, que foram desconsideradas pela fiscalização sob o argumento de Fl. 468DF CARF MF Processo nº 13161.001931/200717 Acórdão n.º 3302003.303 S3C3T2 Fl. 56 17 não apresentação da documentação, requer a contribuinte a manutenção do crédito de PIS e Cofins apurados sobre a totalidade das despesas com Energia Elétrica. 4.2 DOS FRETES SOBRE OPERAÇÃO DE TRANFERÊNCIAS DE MERCADORIAS Dentre os custos, despesas e demais encargos elencados no Art. 3o das Leis 10.637/02 e 10.833/03, no inciso IX do art. 3o estão relacionados ás despesas de armazenagem e frete na operação de venda. Todavia, ao efetuar a verificação dos créditos apurados pelo contribuinte, a fiscalização entendeu que não seria possível apurar créditos sobre os fretes, relativo às transferências de insumos, mercadorias entre estabelecimentos, entendendo que estas operações não integrariam as operações de venda, argumentando se tratar de mero deslocamento das mercadorias. Ocorre que este "deslocamento" como denominado pela fiscalização, não se dá pela simples vontade da contribuinte em transferir a mercadoria de um estabelecimento para outro, mas decorre da necessidade de se realizar esta operação, em virtude de diversos fatores interligados a operação de produção e venda destas mercadorias. O fato é que estas transferências representam custos necessários a atividade da contribuinte, sendo certo que se houvesse alguma forma de evitar o ônus destes custos, certamente seriam evitados, pois nenhuma empresa almeja ter seus custos e despesas majorados sem que realmente seja estritamente necessário. Portanto, os fretes relativos a transferências entre estabelecimentos também fazem parte dos custos de produção necessários à atividade, pois sem eles não haveria como concluir todas as etapas de produção, não podendo a mercadoria ser comercializada, enviada para o destino. 4.3 DOS FRETES SOBRE COMPRAS DE FERTILIZANTES E SEMENTES A contribuinte no período analisado, adquiriu mercadorias para revenda, dentre as quais fertilizantes e sementes sujeitas a alíquota 0% de PIS e Cofins. Sobre a aquisição de sementes e fertilizantes não houve aproveitamento de crédito, pois a contribuinte observou o disposto no § 2o do art. 3° das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003 que veda o aproveitamento de crédito sobre as aquisições não sujeitas ao pagamento das contribuições. Todavia, ao adquirir os fertilizantes e as sementes para revenda, é necessário que estas mercadorias sejam transportadas do Fl. 469DF CARF MF 18 estabelecimento do fornecedor até o estabelecimento do comprador, para isso, é preciso contratar os serviços de transportes de uma terceira empresa que realizará o frete destas mercadorias até o seu destino. Logo, quando o ônus desta despesa é suportado pelo adquirente, (caso da recorrente) esta despesa será agregada ao custo da mercadoria adquirida. Estes fretes (serviços), são onerados pelas contribuições para o PIS e Cofins, uma vez que estes fretes foram tributados na etapa anterior, pois para a pessoa jurídica que prestou o serviço de frete, estas operações representam sua receita/faturamento, portanto base de calculo das contribuições nesta fase da operação. Ademais, o frete não é aquisição com alíquota zero ou suspensão e, sim, operação regularmente tributada de PIS e Cofins, daí a não cumulatividade prever o direito ao crédito pelo adquirente. Ou seja, uma coisa é a mercadoria outra coisa é o frete. Que apesar de ser custo de aquisição, todavia, são operações distintas, de fornecedores igualmente distintos, mediante Notas Fiscais específicas. O fundamento utilizado pelo Agente Fiscal para vedar o crédito nas aquisições de fretes aplicados no transporte de mercadorias tributadas a alíquota zero não tem Isto porque, fundou seu entendimento no Inciso II do Parágrafo 2 o do art. 3 o da Lei 10.833/2003. Neste fundamento, claro está à vedação do direito ao crédito na aquisição de mercadorias ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição. Definitivamente, este não é o caso. Posto que, os fretes são alcançados pelas Contribuições. O fato de a mercadoria adquirida ser tributada a alíquota zero, não autoriza a extensão da interpretação no sentido de afastar o direito ao crédito nos serviços contratados (fretes) e aplicados no transporte daquelas mercadorias. 4.4 DO CRÉDITO PRESUMIDO ATIVIDADE AGROINDUSTRIAL – PRODUÇÃO DAS MERCADORIAS DE ORIGEM VEGETAL CLASSIFICADAS NOS CAPÍTULOS 8 a 12 da NCM. A Contribuinte diante da mecânica do PIS e da COFINS não cumulativa, para o período, apurou crédito presumido sobre insumos adquiridos de pessoas físicas e pessoas jurídicas com suspensão, utilizados na produção de mercadorias classificadas nos capítulos 8 a 12, com fundamento, no inciso II do artigo 3o das leis 10.637/2002 e 10.833/2003 combinado com o § 10 do Art.3° da Lei 10.637/2002, § 5, do Art. 3o da Lei 10.833/2003 e a partir de agosto de 2004 no artigo 8o da lei 10.925/2004. Todavia entendeu a fiscalização que a contribuinte não se enquadraria como empresa produtora, por conseguinte e não faria jus a apuração do referido crédito. Mas vejamos mais informações. 4.4.1 ATIVIDADE AGROINDUSTRIAL CONCEITO PROCESSO PRODUTIVO. Fl. 470DF CARF MF Processo nº 13161.001931/200717 Acórdão n.º 3302003.303 S3C3T2 Fl. 57 19 A Recorrente de acordo com o inciso I do artigo 6 o da IN SRF 660 exerce atividade econômica de produção de mercadorias relacionadas no artigo 5º da referida IN. 4.4.3 AQUISIÇÃO DE INSUMOS UTILIZADOS NA PRODUÇÃO A Contribuinte adquire de pessoas físicas e jurídicas que desempenham atividade rural insumos, utilizados no processo produtivo em conformidade com o inciso II do art.3 o das leis 10.637/2002 e 10.833/2003 e art. 7 o da IN SRF 660. Ressaltamos que os produtos agropecuários resultantes da atividade rural, são adquiridos pela contribuinte, são os insumos (daí o Inciso II do Art. 3 o das Leis) que após processo produtivo atividade agroindustrial (definição da IN 660, art. 6), resultam nas mercadorias classificadas nos capítulos 10, e 12 da NCM Nomenclatura Comum do MERCOSUL (§ 10 do Art. 3 o da Lei 10.637/2002, § 5, do Art. 3 o da Lei 10.833/2003 e Caput do art. 8 o da Lei 10.925 e Inciso II do art. 3o das Leis 10.637 e 10.833). Portanto, faz jus a Contribuinte ao crédito de PIS e COFINS, calculados sobre estes insumos, considerando as disposições da Lei e IN, nas alíquotas previstas na legislação. 4.4.4 DA ATIVIDADE ECONÔMICA DE PRODUÇÃO DAS MERCADORIAS CLASSIFICADAS NOS CAPÍTULOS 8 a 12 da NCM NOMENCLATURA COMUM DO MERCOSUL. O contribuinte é equiparado a estabelecimento produtor de acordo com o artigo 4 o da lei 4.502/65: Art. 4o Equiparamse a estabelecimento produtor, para todos os efeitos desta Lei: IV os que efetuem vendas por atacado de matériasprimas, produtos intermediários, embalagens, equipamentos e outros bens de produção. (Incluído pelo DecretoLei n° 34, de 1966) (grifo acrescido) Por conseguinte, realiza o beneficiamento das mercadorias (grãos) através de procedimentos próprios e necessários para obtenção do Padrão Oficial, previsto em Legislação Federal e, requisito necessário para o comércio.” Submetido a julgamento, a Turma decidiu, em razão do apelo da contribuinte, confirmado pelo patrono em sustentação oral, a necessidade de se baixar o feito em diligência para que fosse anexada cópia integral dos autos do processo administrativo 13161.001928/200795, ao argumento de que as provas capazes de nortear a decisão teriam sido carreadas, por essa razão os autos retornaram a origem. Fl. 471DF CARF MF 20 Retorna os autos para apreciação das matérias, registrase, em que pese a diligência determinada, restou esclarecido, posteriormente, que os documentos objeto da determinação tinham sido anexados pela própria Recorrente. Era o que tinha a relatar, sendo essa a matéria a ser apreciada. Voto Vencido Conselheiro Domingos de Sá Filho, relator. Cuidase de recurso tempestivo, atendido os pressupostos de admissibilidade, deve ser conhecido. O debate encontra focado em glosas. No tocante aos créditos básicos oriundos de aquisição de insumos, o indeferimento decorre de falta de comprovação. O deferimento parcial dos créditos se refere aos insumos: ENERGIA ELÉTRICA, ALUGUÉIS PAGOS A PESSOAS JURÍDICAS, FRETE e AQUISIÇÃO DE IMOBILIZADO. GLOSA DE CRÉDITO DE INSUMOS TRIBUTADOS ALÍQUOTA ZERO, EXTORNO DE CRÉDITO VENDA MERCADO INTERNO, ETC. A fiscalização reconhece o direito a apropriação de créditos para as contribuições do PIS e da COFINS. Afirma que a solicitação dos comprovantes das aquisições de insumos aconteceu por meio do “Termo de Intimação – 003”, atendido, o contribuinte apresentou diversos documentos, entretanto, insuficientes a comprovar totalidade do crédito almejado, cabendo glosar parte. É cristalino o direito de tomar crédito relativo as contribuições a descontar referentes ao PIS e a COFINS é o que se extraí do relatório fiscal. Em resposta a Interessada sustenta que os livros de registros de entrada estavam à disposição e foram examinados pelo Fisco, além do que, anexou com o recurso os documentos a justificar a totalidade do crédito pretendido. Registrase, na fase inicial o julgador de piso determinou diligência no sentido de apurar a existência dos créditos desejados em razão da negativa total pelo fato da contribuinte deixar de apresentar documentação ao fundamento da incapacidade de pessoal, vez que a mesma encontrava e encontra em processo de liquidação. Concluído os trabalhos fiscais, o resultado mostrou existência de crédito o que foi reconhecido, tanto para o PIS quanto para a COFINS. Insatisfeita por diversas razões advém o voluntário, o que passase a examinar item a item: 1. DAS GLOSAS DOS CRÉDITOS BÁSICOS. As glosas em sua totalidade, como se vê do relatório fiscal aconteceu por insuficiência documental a título de comprovação. Há enorme dificuldade de aferir com precisão se os documentos colecionados junto com o voluntário fazem parte do rol da documentação examinado pela fiscalização em trabalhos diligenciais, visto que, o relatório fiscal menciona o número das planilhas (tabela), entretanto, essas planilhas não encontram nos autos. Fl. 472DF CARF MF Processo nº 13161.001931/200717 Acórdão n.º 3302003.303 S3C3T2 Fl. 58 21 Considerando que a Recorrente cuidou de trazer com o voluntário cópia das faturas de energia, bem como, aquisição de insumos básicos adquiridos, soja, trigo e sementes, cujo crédito foi glosado, devese reconhecer o direito de descontar crédito das contribuições com ressalvas, visto que, no caso da energia o relatório fiscal menciona ter reconhecido parcialmente com base da documentação apresentada, em sendo assim, o reconhecimento ao direito de apurar credito se restringe se as faturas anexadas aos autos, não sendo as mesmas aferidas pela fiscalização. Assim, sou inclinado reconhecer o direito a tomada do crédito das notas de aquisições de insumos colecionada aos autos referente às aquisições ali mencionadas por serem pertinentes a atividade da cooperativa, bem como, relacionadas com as faturas de energia, desde que não sejam as mesmas incluídas no rol daquelas que serviram para deferimento parcial pela fiscalização. 1.1 DA GLOSA DOS INSUMOS. O motivo da glosa dos créditos calculados sobre parte do custo de aquisição dos insumos de produção foi a falta de comprovação com documentação adequada. Segundo a autoridade fiscal, a contribuinte não logrou êxito em apresentar parte das notas fiscais discriminadas na Tabela 05, que integra o processo nº 10010.031.138/041361 (dossiê memorial), a este processo apensado, a seguir parcialmente reproduzida: DATA Nº NF FORNECEDOR VALOR 23/03/05 10161 EURO GRAOS LTDA 281.400,00 14/04/05 467141 AGROPECUARIA ESCALADA DO NORTE 493.884,30 26/04/05 7771 KAZU CEREAIS LTDA 290.000,00 26/04/05 13951 GRAO D'GIRO COMERCIO DE GRAOS 286.000,00 08/08/05 40721 GRAO D'GIRO COMERCIO DE GRAOS 269.898,44 13/10/05 288801 AGROPASTORIL JOTABASSO LTDA 650.000,00 19/12/05 29481 D'OESTE CEREAIS LTDA 409.500,00 15/03/06 112421 PROCOMP AGROPECUARIA LTDA 271.238,49 20/03/06 3097301 AGROPASTORIL JOTABASSO LTDA 416.800,00 14/03/07 18731 KAZU CEREAIS LTDA 273.400,00 11/04/07 73311 KASPER E CIA LTDA 1.490.000,00 20/04/07 658241 LR AGROPECUARIA LTDA 363.635,39 No recurso em apreço, a recorrente alegou que o direito ao crédito apurado sobre tais aquisições não podia ser desconsiderado, pelo simples fato de a contribuinte não ter conseguido encontrar parte das notas em seu arquivo (extenso e histórico), para apresentar a fiscalização, haja vista que as respectivas operações de aquisição constavam registradas na sua escrituração contábil e fiscal, com a plena identificação, a qual a fiscalização teve acesso irrestrito durante o processo de análise do crédito. A recorrente asseverou ainda que anexada à manifestação de inconformidade, constante dos autos do processo nº 13161.001928/200795 (fls. 166/225), as cópias das notas fiscais de nºs 1395, 2948, 11242 e 7331, bem como os comprovantes de pagamentos, referente às demais aquisições. E para melhor análise, anexara tais documentos aos presentes autos. Com efeito, compulsando os documentos anexados aos presentes autos e os autos do processo nº 13161.001928/200795, verificase que foram apresentados os referidos documentos. Porém, com exceção das cópias das notas fiscais de nºs 112421, 13951, 40721 e 7331, as demais cópias de documentos apresentados não se prestam para comprovar a respectiva operação de aquisição de insumos, por não serem os documentos hábeis e idôneos a Fl. 473DF CARF MF 22 comprovar as supostas operações de aquisição. A cópia da nota fiscal de nº 2948 não fora localizada nos autos. Assim, os créditos relativos as notas fiscais de nºs 112421, 13951, 40721 e 7331 devem ser restabelecidos. 1. 2 GLOSA DE ENERGIA. O motivo da glosa dos créditos calculados sobre parte do custo de aquisição de energia elétrica foi a falta de comprovação com documentação adequada. Segundo a autoridade fiscal, a contribuinte não logrou êxito em apresentar parte das notas fiscais discriminadas na Tabela 05, que integra o processo nº 10010.031138/041361 (dossiê memorial), a este processo apensado, a seguir parcialmente reproduzida: DATA Nº NF CNPJ FORNECEDOR VALOR 09/08/04 27643 15.413.826/000150 12.632,67 13/08/04 273527 15.413.826/000150 14.016,00 19/08/04 28157 15.413.826/000150 35.147,35 19/08/04 28159 15.413.826/000150 31.133,05 20/08/04 28160 15.413.826/000150 10.689,13 01/09/04 28444 15.413.826/000150 40.973,62 09/09/04 616170 15.413.826/000150 14.040,33 14/09/04 28948 15.413.826/000150 42.539,70 14/09/04 28950 15.413.826/000150 29.725,81 14/09/04 910115 15.413.826/000150 17.213,00 06/12/04 758100 15.413.826/000150 12.143,06 10/12/04 841834 15.413.826/000150 11.270,00 14/12/04 987063 15.413.826/000150 32.906,66 21/12/04 92633 15.413.826/000150 30.573,39 07/01/05 406656 15.413.826/000150 11.001,64 15/03/05 58958 15.413.826/000150 21.085,00 16/03/05 149601 15.413.826/000150 20.394,47 16/03/05 149599 15.413.826/000150 19.717,11 06/06/05 604193 15.413.826/000150 18.076,86 06/07/05 541925 15.413.826/000150 14.470,31 26/09/05 317457 15.413.826/000150 20.696,10 03/10/05 579804 15.413.826/000150 19.708,12 04/10/05 579814 15.413.826/000150 34.273,16 08/09/06 576517 03.747.565/000125 19.361,01 19/02/07 233576 15.413.826/000150 10.158,24 08/03/07 1924 15.413.826/000150 10.123,00 19/03/07 151839 15.413.826/000150 30.148,74 10/04/07 605375 03.747.565/000125 10.026,33 08/05/07 316013 15.413.826/000150 11.167,38 20/07/07 24102 15.413.826/000150 10.043,49 21/08/07 19789 15.413.826/000150 10.132,90 21/08/07 19928 15.413.826/000150 10.076,62 01/10/07 41729 15.413.826/000150 30.678,69 3389 15.413.826/000150 13.561,00 No recurso em apreço, a recorrente alegou que o direito ao crédito apurado sobre valor de aquisição da energia elétrica acobertado pelas notas fiscais discriminadas na referida Tabela não podia ser desconsiderado, porque tais documentos foram devidamente apresentadas à fiscalização, em atendimento ao termo de intimação fiscal 003, onde a contribuinte apresentara cópia digitalizada dos citados documentos, e também em atendimento ao termo de intimação fiscal 004, em que apresentara os originais dos citados documentos, inclusive as faturas originais ficaram em poder da fiscalização até a finalização dos seus trabalhos, sendo devolvidas a contribuinte somente após ocorrer a ciência do Relatório Fiscal. Fl. 474DF CARF MF Processo nº 13161.001931/200717 Acórdão n.º 3302003.303 S3C3T2 Fl. 59 23 A recorrente asseverou ainda que anexara à manifestação de inconformidade, constante dos autos do processo nº 13161.001928/200795 (fls. 226/267), as cópias das notas fiscais discriminadas na citada Tabela. E para melhor análise, anexara tais notas fiscais aos presentes autos. De fato, compulsando os documentos anexados aos presentes autos e os autos do processo nº 13161.001928/200795, verificase que, com exceção das cópias das notas fiscais de nºs 27643, 987063 e 541925, as demais foram apresentadas. Assim, deve ser mantida a glosa apenas dos créditos calculados sobre o valor das notas fiscais de nºs 27643, 987063 e 541925. 1.3 FRETES SOBRE OPERAÇÕES DE TRANSFERÊNCIA. O motivo da glosa deuse ao fundamento de que tratase de meras transferências de mercadorias entre estabelecimentos da contribuinte, implicaria em mero deslocamento com o intuito de facilitar a entrega dos bens aos futuros compradores, motivo pelo qual, entendeu não integrar operação de venda. Ao contrário da posição do fisco, sustenta o contribuinte tratarse de transferência necessárias a atividade, afirma, se houvesse meios de evitar o ônus destes custos, não há dúvida de que seriam evitados. Não há como ignorar que algumas atividades a armazenagem dos insumos são necessários, bem como, o seu remanejamento posterior. É de conhecimento notório, constantemente divulgado pelos veículos de comunicação o déficit de locais de armazenamento das safras de grão. A imprensa, repetidamente, divulga que no auge da colheita de grãos os produtores são obrigados a estocar os grãos em carrocerias de caminhões e em outros locais muitas vezes inusitados. Acontece, ainda, venda para exportação antecipada por falta de local adequado a estocagem, ninguém dúvida disso, pois essas notícias são facilmente comprovadas por intermédio das publicações dos periódicos. Essa Turma é sensível ao entendimento da necessidade de estocagem de insumos e sua transferência posteriormente para outro estabelecimento, desde que, não se revele transferência pura e simples estratégica de comercialização. Em outras oportunidades já reconheceu essa necessidade de se estocar em determinado local e o remanejamento para sede e ou outro estabelecimento industrial da mesma pessoa jurídica, nesses casos os custos de transferência configura insumo necessário a atividade da empresa. Bem afirmou a Recorrente, o frete nesses casos de transferência possui o único objetivo é de concluir todas as etapas de produção, pois a soja colhida no campo e adquirida pela Interessada ainda não está pronta a comercialização, precisa passar por processo industrial, seja aquela destinada ao mercado interno, quanto as destinadas a exportação. Não pode esquecer, que tratase de agroindústria, cuja atividade industrial se refere ao processo de beneficiamento de grãos, seja de soja, trigo e milho, a secagem, limpeza, padronização e classificação dos grãos, deixa os produtos prontos a exportação, bem como, ao consumo humano ou animal. Fl. 475DF CARF MF 24 Considerando que a razão da glosa foi simplesmente pelo fato de tratarse de transferência entre estabelecimentos da mesma pessoa jurídica, sem análise apurada quanto ao destino dos insumos, inclino no sentido de afastar a glosa e reconhecer o direito quanto aos valores pagos a título de frete tomados de pessoas jurídicas constantes nas “Tabelas 04 e 06” que se refere a exclusão de transferência conforme demonstrado pela fiscalização. 1.4 – GLOSA DE VALOR PAGO DE FRETE NAS OPERAÇÕES DE COMPRA DE INSUMO QUE NÃO GERA DIREITO A CRÉDITO. Tratase de glosa de crédito oriundo do frete de transporte de mercadoria pago a pessoa jurídica nacional. No entendimento da fiscalização o fato dos insumos objeto do transporte não gerarem o direito a tomada, consequentemente, o frete também não pode gerar o direito. O motivo preponderante para glosar é simplesmente por tratarse de frete de operações de aquisições de fertilizantes e sementes submetidos à alíquota zero, inciso I e III do art. 1º da Lei nº 10.925/2004. Penso diferente, o evento da aquisição de produtos sujeitos à alíquotas zero não veda o direito de tomar crédito dos custos relativamente ao transporte desses produtos. Se a legislação prevê incidência à alíquota zero, mas não tem a amplitude de vedar outros créditos decorrentes de operações e prestações adquiridas por parte da Recorrente, que, por sua vez, está sujeita ao regime não cumulativo. Não se pode perder de vista que o inciso I e III do art. 1º da Lei nº 10.925/2004 realmente fixa alíquota igual a zero, sendo assim, para aqueles insumos veda o crédito de produto adquirido justamente porque essa operação não é tributada pelo PIS/COFINS, o que não ocorre com outras operações autônomas, e.g., frete e armazenagem, que são regularmente tributadas, não havendo razão jurídica nenhuma para não outorgarem o direito ao crédito. A esse respeito, calha trazer à colação ementa de decisão havida na Segunda Turma Ordinária, da Quarta Câmara, da Terceira Seção, veiculada no Acórdão no 3402 002.513, de relatoria do Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho, que mediante raciocínio semelhante ao do presente processo, admitiu o crédito de frete e armazenagem de contribuinte que adquiriu tais prestações em cuja operação de venda estava sujeita ao regime monofásico: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/04/2008 a 30/06/2008 COFINS. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. REVENDA DE PRODUTOS COM INCIDÊNCIA MONOFÁSICA. DESCONTO DE CRÉDITOS SOBRE DESPESAS COM FRETES NA OPERAÇÃO DE VENDA. POSSIBILIDADE. O distribuidor atacadista de mercadorias sujeitas ao regime monofásico de incidência das contribuições ao PIS/Pasep e à COFINS (produtos farmacêuticos, de perfumaria, de toucador e de higiene pessoal) não pode descontar créditos sobre os custos de aquisição vinculados aos referidos produtos, mas como está sujeito ao regime não cumulativo de apuração das citadas contribuições, tem o direito de descontar créditos relativos às despesas com frete nas operações de venda, quando por ele Fl. 476DF CARF MF Processo nº 13161.001931/200717 Acórdão n.º 3302003.303 S3C3T2 Fl. 60 25 suportadas na condição de vendedor, nos termos do art. 3°, IX, das Leis n°s. 10.637/2002 e 10.833/2003. Direito de Crédito Reconhecido. Recurso Voluntário Provido. A transferência direcionada a estabelecimentos da mesma pessoa jurídica com o objetivo de processamento gera direito a tomada de crédito sobre o dispêndio a título de frete, bem como, o frete decorrente da entrega de mercadorias vendidas, no caso resta patente que o ônus foi da cooperativa recorrente. Recentemente, em voto impa proferido pela Conselheira Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, 2ª T. 3ª Câmara, 2ª Seção, processo administrativo nº 10925.720202/201415, afastou glosa em caso semelhante. Considerando à ausência das “tabelas 04 e 06 nestes autos, confiante na consignação da fiscalização, afasto também glosa, para reconhecer o direito da tomada do crédito com base nos valores constante da tabela que serviu de base para exclusão dos valores relativos a operações de frete. 1.5 ALUGUEIS PESSOA JURÍDICA. A glosa procedida decorreu de análise da documentação apresentada e julgada insuficiente a comprovar todo custo de aluguéis registrados no DACON. A fiscalização elaborou a “TABELA 04””, concluiu tratarse de valores inferiores ao montante declarado pela Interessada. Nestes autos não se enxerga resistência a glosa, sendo assim, mantémse intacta a decisão de piso nesta parte. 1.6 CRÉDITO IMOBILIZADO (VALOR DA AQUISIÇÃO) A glosa ocorreu em decorrência da ausência de comprovação total do crédito pleiteado. Segundo consta do relatório fiscal, que o contribuinte fez prova apenas de parte dos créditos registrados no DACON provenientes de aquisição de imobilizado. Também não se vê resistência e tampouco irresignação com referência a essa glosa. 2. CRÉDITO PRESUMIDO DA AGROINDÚSTRIA. O crédito presumido apontado pelo contribuinte restou glosado ao fundamento da inexistência de comprovação da atividade agroindustrial, e, pela ausência de comprobação da destinação, isso é, se era para alimentação humana e/ou animal, conforme dispõe o art. 8º da Lei nº 10.925/2004. Consta que o contribuinte teria sido intimado para comprovar se os produtos fabricados foram destinados à alimentação humana ou animal. Em síntese teria a recorrente sido considerada tãosó cooperativa de produção agropecuária, para a qual existe a suspensão das contribuições, obrigandoa proceder o estorno dos créditos da não cumulatividade, e, não podendo apurar crédito presumido nos moldes ocorrido. Fl. 477DF CARF MF 26 Em resposta a posição do fisco, afirmou tratarse de produtos classificados no CAPÍTULOS 8 a 12 da NCM NOMENCLATURA COMUM DO MERCOSUL, por essa razão é considerada agroindústria. Endossa seu entendimento de que todas as Pessoas Jurídicas que produzam as mercadorias classificadas nas posições da NCM descritas no caput do art. 8º da Lei nº 10.825/2004, gozam do direito de descontar o crédito oriundo das aquisições de insumos, para tanto, basta produzir as mercadorias de origem animal ou vegetal, desde que classificadas conforme determina o art. 8º do mencionado diploma legal. A Interessada justifica sua condição agroindústria, sustentando tratarse de exportação de produtos submetidos a processo industrial, impõe, assim, buscarse a saber se o beneficiamento dispensado a soja, milho e o trigo enquadram no rol das mercadorias classificadas nos capítulos 8 a 12, da NCM. Não há dúvida de que os produtos agrícolas, soja, trigo e milho, passam por procedimento tecnológico de beneficiamento, embora em sua maior parte sejam exportados in natura. O beneficiamento de grãos e sementes é realizado por máquinas projetadas com base em uma ou mais características físicas do produto e dos contaminantes a serem retirados. O processo de secagem dos grãos visa melhor qualidade dos produtos, mantendo as propriedades físicoquímicas, permitindo acondicionamento e armazenagem resguardar qualidade. A pesquisa universitária divulgada notícias que o beneficiamento se revela etapa importante na qualidade dos grãos e sementes: “´´E na unidade de beneficiamento que o produto adquire, após a retirada de contaminantes como: sementes ou grãos imaturos, rachados ou partidos; sementes de ervas daninhas, material inerte, pedaços de plantas etc., as qualidades físicas, fisiológicas e sanitárias que possibilitam sua boa classificação em padrões e qualidade.” No processo de beneficiamento surge a padronização e classificação, essa última configura prática obrigatória em todos os segmentos de marcado, seja interno ou externo. A comercialização do produto depende do tratamento após colheita, tornando indispensável. Essa melhora busca a certificação, que constitui documento hábil para todas as transações. Em trabalho elaborado pela professora Maria A. B. Regitano d’Arce, Depto. Agroindústria e Nutrição ESALQ/USP, intitulado “PÓS COLHEITA E ARMAZENAMENTO DE GRÃOS” , colhe informação de suma importância: “Nos países desenvolvidos, os problemas de colheita, armazenamento e manuseio (secagem, limpeza, movimentação, etc.)de grãos, constituem objeto de estudo permanente, visando prolongar a vida comercial dos produtos. Uma prioridade das nações mais pobres deve ser a redução do trágico desperdício que se verifica a partir das colheitas, porfalta de silos adquados, secagem mal processada, transporte inadequado, controle de qualidade, etc. ...” Recentemente foi noticiado pela imprensa a união das duas maiores indústrias de beneficiamento da América Latina, Camil Alimentos, beneficiadora de arroz e Fl. 478DF CARF MF Processo nº 13161.001931/200717 Acórdão n.º 3302003.303 S3C3T2 Fl. 61 27 feijão e Cosan Alimentos, dona das marcas de varejo de açúcar união e da Barra, e, capitaneadas pela Gávea Investimentos. O destaque dáse em razão da união de duas maiores indústrias de beneficiamento, como se vê o beneficiamento é parte do processo industrial, necessariamente os produtos não precisam passar por transformações e resultar em produto novo. Sendo assim, não dúvida alguma de as atividades desenvolvidas pela Recorrente enquadraa na qualidade agroindústria e o benefício do art. 8º da Lei 10.925/2004. As informações trazidas colaboram para formação de juízo, não estão sujeitos a provas, os fatos que possuem presunção de legalidade, portanto, o beneficiamento configura uma etapa da industrialização, motivo pelo qual deve a interessada ser considerada agroindústria. De modo que resta assegurado pelo legislador ordinário o direito ao crédito presumido da Contribuição ao PIS e a COFINS em favor agroindústria, que realizar exportações, podendo compensar os referidos créditos com os débitos das contribuições ou com outros tributo dos desde que seja administrados pela Receita Federal. Nesse sentido os Acórdãos nºs 3102.002.231; 3402.002.113, que reconhece o direito, desnecessário tecer outros fundamentos, pois essa matéria encontra pacificado perante o CARF. Assim, reverter as glosas dos créditos procedido pela fiscalização. MANUTENÇÃO DE CRÉDITOS DE AQUISIÇÕES VINCULADO VENDA COM SUSPENSÃO, ISENÇÃO, ALÍQUOTA ZERO OU NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PIS/COFINS. Outro ponto de discórdia se refere ao direito a manutenção do crédito previsto pelo art. 17 da Lei nº 11.033/2004. A glosa encontra consubstanciada ao fato de que a Lei 10.925/2004 exclui do conceito de agroindústria as atividades de limpar, padronizar, armazenar e comercializar produtos in natura de origem vegetal, por essa razão foram consideradas típicas de cerealista. Sustenta a Interessada, passado apenas cinco dias do inicio da vigência do parágrafo 4º do art. 8º da lei 10.925/2004, dispositivo que vedava às pessoas jurídicas o aproveitamento do crédito, foi derrogado pela Medida Provisória nº 206, de 06 de agosto de 2004, publicada em 09.08.2004. É verdade, a vedação foi afastada pela novel norma introduzida pela MP 206, convertida em Lei nº 11.033/2004, art. 17: “Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/P ASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações” Em sendo, assim, inexiste óbice a manutenção de crédito proveniente de aquisições com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência de contribuição para o PIS/Pasep e COFINS. Fl. 479DF CARF MF 28 Assim, impõe restabelecer esse direito de manutenção de crédito a Recorrente. DIREITO DE MANUTENÇÃO DE CRÉDITO VENDA A ASSOCIADOS INCLUSÃO À BASE DE CÁLCULO No que tange a manutenção do crédito vinculado as operações sujeitas à exclusões da base de cálculo da contribuição para o PIS e da Cofins referentes a Repasses aos associados, a fiscalização sustenta inexistência de previsão legal para a manutenção do direito ao crédito vinculado as operações, razão pela qual ocorreu a glosa. É de conhecimento geral com o advento da Medida Provisória 2.15835 de 2001, a sociedades cooperativas passaram a ser tributadas sobre a totalidade de suas receitas conforme encontra disciplinado pela Lei nº 9.718 de 1998. Restou assegurado, tanto pela Lei nº 9718, bem como, as seguintes, o direito de excluir da base de cálculo uma série de itens. Exclusão de receitas da base de cálculo só deve acontecer quando encontrar respaldada por permissivo legal, por essa razão a lei descreve minunciosamente os caso em que se autoriza as exclusões. Nesse mesmo sentido o conjunto de leis norteadoras da incidência da Contribuição Social para o PIS/PASEP e a COFINS, são explícitas em relação aos créditos, não deixam dúvida que só podem ser utilizados para desconto dos valores da contribuição apurados sobre as receitas sujeitas à incidência não cumulativa. Todas as vezes que a intenção do legislador foi no sentido de se manter o crédito, menciona com clareza, pois os créditos em si não ensejam compensação ou restituição, salvo expressa disposição legal. O exemplo mais comum é o crédito apurado em relação a custos, despesas e encargos vinculados à receita de exportação, manifestamente a legislação pertinente autoriza. No caso específico tratase negócio com o associado da cooperativa, também possui caráter de alienação, assim sendo, encontra respaldo legal na norma prevista pelo art. 17º da Lei 11.033/2004, que se refere a operação de venda: “Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações” Sendo assim, é cabível se cogitar da possibilidade de manutenção de créditos nessas operações tendo por base o disposto no art. 17 da Lei nº 11.033/2004, a manutenção de créditos da contribuição, nas hipóteses autorizadas por lei, tem por pressupostos necessários a possibilidade legal do respectivo crédito, é vedado quando não se verificando esses pressupostos. Assim, dou provimento para modificar a decisão recorrida e assegurar o direito de manutenção do crédito. APLICAÇÃO DA TAXA SELIC DECORRENTE DE ÓBICE DA ADMINISTRAÇÃO. No tocante à aplicação da taxa SELIC sobre os créditos após o ingresso do pedido de compensação, não há, na legislação, dispositivo que reconheça aludido direito, mas o Superior Tribunal de Justiça, por meio do Recurso Especial no 1.037.847RS, julgado na Fl. 480DF CARF MF Processo nº 13161.001931/200717 Acórdão n.º 3302003.303 S3C3T2 Fl. 62 29 sistemática dos Recurso Repetitivos (artigo 543C do CPC), reconheceu a correção monetária dos créditos quando há oposição do Fisco, in verbis: PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IP. PRINCÍPIO DA NÃO CUMULATIVIDADE. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. 1. A correção monetária não incide sobre os créditos de IPI decorrentes do princípio constitucional da nãocumulatividade (créditos escriturais), por ausência de previsão legal. 2. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização direto de crédito oriundo da aplicação do princípio da nãocumulatividade, descaracteriza referido crédito como escritural, assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil. 3. Destarte, a vedação legal ao aproveitamento do crédito impele o contribuinte a socorrerse do Judiciário, circunstância que acarreta demora no reconhecimento do direto pleiteado, dada a tramitação normal dos feitos judiciais. 4. Consectariamente, ocorrendo a vedação ao aproveitamento desses créditos, com consequente ingresso no Judiciário, postergase o reconhecimento do direito pleiteado, exsurgindo lídima necessidade de atualizálos monetariamente, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Precedentes da Primeira Seção: REsp 490.547/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.09205, DJ 10.205; REsp 613.97/RS, Rel. Ministro José Delgado, julgado em 09.1205, DJ 05.1205; REsp 495.3/PR, Rel. Ministra Denise Arruda, julgado em 27.09206, DJ 23.10206; REsp 52.796/PR, Rel. Ministro Herman Benjamin, julgado em 08.1206, DJ 24.09207; REsp 430.498/RS, Rel. Ministro Humberto Martins, julgado em 26.03208, DJe 07.4208; e REsp 605.921/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavscki, julgado em 12.1208, DJe 24.1208). 5. Recurso especial da Fazenda Nacional desprovido. Acórdão submetido a regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/208. Desse modo, tendo havido oposição do Fisco à compensação, sendo que houve o reconhecimento de um item controverso em favor da Recorrente, devese aplicar a correção monetária sobre os créditos da Recorrente, em conformidade com o julgado cuja ementa foi acima transcrita, resultante de julgamento de Recurso Repetitivo, que o CARF está obrigado a observar, por conta de seu Regimento Interno. Diante do exposto, conheço do recurso e dou provimento parcial para: 1 em relação a glosa dos créditos básicos, restabelecer somente o direito aos valores dos créditos calculados sobre o custo de aquisição (i) dos insumos, relativos às notas Fl. 481DF CARF MF 30 fiscais de nºs 112421, 13951, 40721 e 7331, e (ii) da energia de elétrica, exceto das notas fiscais de nºs 27643, 987063 e 541925; 2 afastar, também, glosa dos valores pagos a título de frete tomados de pessoas jurídicas constantes nas “Tabelas 04 e 06”, que se refere à exclusão de transferência entre estabelecimento, conforme demonstrado pela fiscalização; 3 reconhecer o direito da tomada do crédito com base nos valores constante da tabela que serviu de base para exclusão dos valores relativos a operações de frete, cujos insumos adquiridos não geram créditos; 4 – reconhecer o direito do credito presumido, por tratarse de agroindústria; 5 afastar glosa e manter o crédito proveniente de aquisições vinculado a venda com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência de contribuição para o PIS/Pasep e COFINS; 6 – tornar sem efeito glosa dos créditos das aquisições de mercadorias vendidas aos associados da cooperativa; 7 – reconhecer o direito aplicação da Taxa Selic tendo em razão ter havido oposição do Fisco à compensação/restituição. Domingos de Sá Filho Voto Vencedor Conselheiro José Fernandes do Nascimento, Redator Designado. Inicialmente, cabe consignar que a controvérsia cingese (i) a glosa de créditos básicos e agroindustriais da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, (ii) restrições quanto a forma de utilização do crédito presumido agroindustrial e (iii) não incidência de taxa Selic sobre a parcela do crédito pleiteado. A) DA ANÁLISE DOS CRÉDITO GLOSADOS As glosas dos créditos básicos foram motivadas por falta de comprovação, falta de cumprimento de requisitos legais e por falta de amparo legal, conforme a seguir demonstrado. De acordo com a conclusão apresentada no Relatório Fiscal colacionado aos autos, a seguir parcialmente reproduzida, os créditos não admitidos foram motivados por: I. Glosa parcial dos créditos básicos decorrentes de aquisição de insumos, energia elétrica, aluguéis de pessoa jurídica, fretes e aquisições do imobilizado, (Tabela 04); II. Glosa integral do valor referente ao crédito presumido da atividade agroindustrial por NÃO restar comprovado que a contribuinte exerceu atividade agroindustrial, bem como, pela ausência de comprovação da destinação à alimentação humana ou animal, nos termos do art. 8º da Lei nº 10.925/2004 (Tabela 04); Fl. 482DF CARF MF Processo nº 13161.001931/200717 Acórdão n.º 3302003.303 S3C3T2 Fl. 63 31 III. Estorno dos créditos decorrentes das saídas com suspensão da incidência da contribuição para Pis e da Cofins (inciso II, § 4o, art. 8º – da Lei nº 10.925/2004 Tabela 03 e 04); IV. Glosa integral dos créditos decorrente da proporção de saídas sujeita a alíquota zero, considerando que as operações realizadas estavam efetivamente sujeitas à exclusão da base de cálculo e, por decorrência, inexiste suporte legal para a manutenção de crédito (art. 17 da Lei nº 11.033/2004 – Tabela 03 e 04); V. Glosa integral dos créditos decorrentes da proporção de saídas não tributadas decorrentes de operações sujeitas à exclusão de base de cálculo, considerando a ausência de suporte legal para a manutenção de crédito (art. 17 da Lei nº 11.033/2004 Tabela 03 e 04); [...]. O órgão colegiado de primeiro grau manteve, integralmente, as referidas glosas, com base nos mesmos fundamentos aduzidos na citado relatório fiscal. Inconformada com o resultado do citado julgamento, no recurso voluntário em apreço, a recorrente contesta a manutenção das referidas glosas. Assim, uma vez apresentadas as razões gerais da controvérsia, a seguir serão apreciadas apenas as questões específicas, para as quais este Conselheiro foi designado redator, a saber: a) em relação aos créditos básicos, a totalidade da glosa das despesas com fretes relativos às operações de transferência entre estabelecimentos e de compras sujeitas à alíquota zero; b ) crédito presumido agroindustrial. I) DA GLOSA DOS CRÉDITOS BÁSICOS. A glosa parcial dos créditos básicos realizada pela fiscalização está relacionada a: a) parte das aquisições de bens utilizados como insumos de fabricação de bens destinados à venda não comprovadas; b) parte do custo de aquisição de energia elétrica não comprovada; c) parte das despesas com aluguéis da pessoa jurídica não comprovada; d) a totalidade das despesas com fretes relativos às operações de transferência e de compras, por falta de amparo legal; e e) parte dos encargos de depreciação de bens do ativo imobilizado não comprovada. Aqui será analisada apenas a questão referente à totalidade da glosa das despesas com fretes nas operações de (i) transferências de mercadorias entre estabelecimentos da contribuinte e (ii) de compras de mercadorias que não geraram direito a crédito das referidas contribuições (compra de fertilizantes e sementes, sujeitos à alíquota zero). De acordo com citado relatório fiscal, por falta de amparo legal, a fiscalização procedeu a glosa da totalidade das despesas com fretes relativos às operações de transferência e de compras, discriminadas nas Tabelas de nº 04 e 06, integrante do processo nº 10010.031138/041361 (dossiê memorial), a este processo apensado. No entendimento da fiscalização, gera direito ao crédito da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins somente o valor do frete contratado para o transporte de mercadorias diretamente para entrega ao consumidor final e desde que o ônus seja suportado pelo vendedor, Fl. 483DF CARF MF 32 bem como os gastos com frete sobre as operações de compras de bens que geram direito a crédito, quando o comprador assume ônus com o frete, cujo valor integra o custo de aquisição dos bens. De outra parte, não gera direito a crédito os gastos com frete relativos aos serviços de transportes prestados: a) nas transferências de mercadorias entre estabelecimentos da contribuinte, que implicam mero deslocamento das mercadorias com o intuito de facilitar a entrega dos bens aos futuros compradores; e b) nas compras de mercadorias que não geram direito a crédito das referidas contribuições, no caso, nas operações de compra de fertilizantes e sementes, sujeitos à alíquota zero, conforme art. 1º, I e III, da Lei 10.925/2004. O entendimento da fiscalização está em consonância com o entendimento deste Relator explicitado no voto condutor do acórdão nº 3302003.207, de onde se extrai os excertos pertinentes, que seguem transcritos: No âmbito da atividade comercial (revenda de bens), embora não exista expressa previsão legal, a partir da interpretação combinada do art. 3°, I e § 1°, I, das Leis 10.637/2002 e 10.833/20031, com o art. 289 do Decreto 3.000/1999 (Regulamento do Imposto de Renda de 1999 RIR/1999), é possível extrair o fundamento jurídico para a apropriação dos créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins calculados sobre o valor dos gastos com os serviços de transporte de bens para revenda, conforme se infere dos trechos relevantes dos referidos preceitos normativos, a seguir transcritos: Lei 10.833/2003: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I bens adquiridos para revenda, [...]; [...]§ 1o Observado o disposto no § 15 deste artigo, o crédito será determinado mediante a aplicação da alíquota prevista no caput do art. 2º desta Lei sobre o valor: I dos itens mencionados nos incisos I e II do caput, adquiridos no mês; [...] (grifos não originais) RIR/1999: Art. 289. O custo das mercadorias revendidas e das matériasprimas utilizadas será determinado com base em registro permanente de estoques ou no valor dos estoques existentes, de acordo com o Livro de Inventário, no fim do período de apuração (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 14). 1 Por haver simetria entre os textos dos referidos diplomas lgais, aqui será reproduzido apenas os preceitos da Lei 10.833/2003, por ser mais completa e, em relação aos dispositivos específicos, haver remissão expressa no seu art. 15 de que eles também se aplicam à Contribuição para o PIS/Pasep disciplinada na Lei 10.637/2002. Fl. 484DF CARF MF Processo nº 13161.001931/200717 Acórdão n.º 3302003.303 S3C3T2 Fl. 64 33 §1º O custo de aquisição de mercadorias destinadas à revenda compreenderá os de transporte e seguro até o estabelecimento do contribuinte e os tributos devidos na aquisição ou importação (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 13). [...] (grifos não originais) Com base no teor dos referidos preceitos legais, podese afirmar que o valor do frete, relativo ao transporte de bens para revenda, integra o custo de aquisição dos referidos bens e somente nesta condição compõe a base cálculo dos créditos das mencionadas contribuições. Assim, somente se o custo de aquisição dos bens para revenda propiciar a apropriação dos referidos créditos, o valor do frete no transporte dos correspondentes bens, sob a forma de custo de aquisição, também integrará a base de cálculo dos créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins não cumulativas. Em contraposição, se sobre o valor do custo de aquisição dos bens para revenda não for permitida a dedução dos créditos das citadas contribuições (bens adquiridos de pessoas físicas ou com fim específico de exportação, por exemplo), por ausência de base cálculo, também sobre o valor do frete integrante do custo de aquisição desses bens não é permitida a apropriação dos citados créditos. Neste caso, apropriação de créditos sobre o valor do frete somente seria permitida se houvesse expressa previsão legal que autorizasse a dedução de créditos sobre o valor do frete na operação de compra de bens para revenda, o que, sabidamente, não existe. [...] Em suma, chegase a conclusão que o direito de dedução dos créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, calculados sobre valor dos gastos com frete, são assegurados somente para os serviços de transporte: a) de bens para revenda, cujo valor de aquisição propicia direito a créditos, caso em que o valor do frete integra base de cálculo dos créditos sob forma de custo de aquisição dos bens transportados (art. 3º, I, da Lei 10;637/2002, c/c art. 289 do RIR/1999); b) de bens utilizados como insumos na prestação de serviços e produção ou fabricação de bens destinados à venda, cujo valor de aquisição propicia direito a créditos, caso em que o valor do frete integra base de cálculo dos créditos como custo de aquisição dos insumos transportados (art. 3º, II, da Lei 10;637/2002, c/c art. 290 do RIR/1999); c) de produtos em produção ou fabricação entre unidades fabris do próprio contribuinte ou não, caso em que o valor do frete integra a base de cálculo do crédito da contribuição como serviço de transporte utilizado como insumo na produção ou Fl. 485DF CARF MF 34 fabricação de bens destinados à venda (art. 3º, II, da Lei 10;637/2002); e d) de bens ou produtos acabados, com ônus suportado do vendedor, caso em que o valor do frete integra a base de cálculo do crédito da contribuição como despesa de venda (art. 3º, IX, da Lei 10.637/2002). Enfim, cabe esclarecer que, por falta de previsão legal, o valor do frete no transporte dos produtos acabados entre estabelecimentos da mesma pessoa jurídica (entre matriz e filiais, ou entre filiais, por exemplo), não geram direito a apropriação de crédito das referidas contribuições, porque tais operações de transferências (i) não se enquadra como serviço de transporte utilizado como insumo de produção ou fabricação de bens destinados à venda, uma vez que foram realizadas após o término do ciclo de produção ou fabricação do bem transportado, e (ii) nem como operação de venda, mas mera operação de movimentação dos produtos acabados entre estabelecimentos, com intuito de facilitar a futura comercialização e a logística de entrega dos bens aos futuros compradores. O mesmo entendimento, também se aplica às transferência dos produtos acabados para depósitos fechados ou armazéns gerais. 2 Com base nesse entendimento, rejeitase as alegações da recorrente de que gerava direito ao crédito das referidas contribuições o custo com o frete no transporte relativo a: a) transferências das mercadorias entre estabelecimentos, porque representava uma etapa intermediária da operação de venda e para exportação, logo, tais despesas, quando suportadas pela recorrente, eram complementares as despesas com fretes sobre vendas no ato da entrega da mercadoria ao adquirente; e b) das compras das mercadorias sujeitas a alíquota zero, porque os fretes sobres essas compras estavam oneradas pelas citadas contribuições, estando desta forma onerado o custo final da aquisição da mercadoria, pelos gravames na proporção do custo com fretes sobre tais aquisições. Por essas considerações, por falta de amparo legal, deve ser mantida integralmente as glosas dos referidos créditos, conforme determinado pela fiscalização. II) DA GLOSA DO CRÉDITO PRESUMIDO AGROINDUSTRIAL. A falta de amparo legal foi o motivo da glosa do valor integral do crédito presumido agroindustrial apropriado pela recorrente no período fiscalizado. Segundo a fiscalização, a recorrente não exercia a atividade de cooperativa de produção agroindustrial e não comprovara que os produtos por ela exportados foram destinados à alimentação humana ou animal, conforme exigência determinada no art. 8º da Lei 10.925/2004, que segue transcrito: Art. 8º As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 2, 3, exceto os produtos vivos desse capítulo, e 4, 8 a 12, 15, 16 e 23, e nos códigos 03.02, 03.03, 03.04, 03.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, exceto os códigos 0713.33.19, 0713.33.29 e 0713.33.99, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.01, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2 BRASIL. CARF. 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 3ª Seção. Ac. 3302003.207, Rel. Cons. José Fernandes do Nascimento, Sessão de 19 mai 2016. Fl. 486DF CARF MF Processo nº 13161.001931/200717 Acórdão n.º 3302003.303 S3C3T2 Fl. 65 35 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da NCM, destinadas à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) § 1º O disposto no caput deste artigo aplicase também às aquisições efetuadas de: I cerealista que exerça cumulativamente as atividades de limpar, padronizar, armazenar e comercializar os produtos in natura de origem vegetal, classificados nos códigos 09.01, 10.01 a 10.08, exceto os dos códigos 1006.20 e 1006.30, 12.01 e 18.01, todos da NCM;3 (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) II pessoa jurídica que exerça cumulativamente as atividades de transporte, resfriamento e venda a granel de leite in natura; e III pessoa jurídica que exerça atividade agropecuária e cooperativa de produção agropecuária. (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) § 2º O direito ao crédito presumido de que tratam o caput e o § 1º deste artigo só se aplica aos bens adquiridos ou recebidos, no mesmo período de apuração, de pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no País, observado o disposto no § 4o do art. 3o das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003. [...] Da leitura do referido preceito legal, extraise que não são todos os produtos de origem animal ou vegetal nele relacionados que proporcionam o direito de apropriação de crédito presumido agroindustrial, mas apenas aqueles destinados à alimentação humana ou animal. Segundo a fiscalização, a recorrente não exercia atividade de cooperativa de produção agroindustrial, mas de cooperativa de produção agropecuária, uma vez que a sua atividade econômica limitavase a “limpar, padronizar, armazenar e comercializar produtos in natura”, atividade típica de cerealista, que a própria Lei 10.925/2004 havia excluído do conceito de agroindústria. Para melhor análise, transcrevese os excertos pertinentes extraídos do relatório fiscal: Através do Termo de Intimação Fiscal 003, a contribuinte foi intimada a comprovar que exerceu a atividade de produção de mercadorias (agroindústria). Em resposta a intimação fiscal, a contribuinte descreveu o processo produtivo realizado que pode 3 A atual redação do inciso é a seguinte: "I cerealista que exerça cumulativamente as atividades de limpar, padronizar, armazenar e comercializar os produtos in natura de origem vegetal classificados nos códigos 09.01, 10.01 a 10.08, exceto os dos códigos 1006.20 e 1006.30, e 18.01, todos da Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM);" (Redação dada pela Lei nº 12.865, de 2013) Fl. 487DF CARF MF 36 ser sintetizado nas seguintes etapas: 1º ETAPA: Recebimento e Classificação; 2º ETAPA – Descarga das Mercadorias; 3º ETAPA – Prélimpeza dos Grãos; 4º ETAPA – Secagem; 5º ETAPA – Póslimpeza; 6º Armazenagem e Controle de Qualidade; 7º ETAPA Expedição. As etapas produtivas descritas subsumemse as atividades de limpar, padronizar, armazenar e comercializar produtos in natura. A própria Lei 10.925/2004 excluiu do conceito de agroindústria as atividades de limpar, padronizar, armazenar e comercializar produtos in natura de origem vegetal. Referidas atividades foram consideradas típicas de cerealista, sendolhe vedado apurar o mencionado crédito presumido (§ 4º, art. 8º da Lei 10.925/2004). Para a fiscalização, para que fosse considerada cooperativa de produção agroindustrial, a recorrente deveria receber a produção de seu cooperado, industrializála e vender o produto industrializado, o que não fora feito. De outra parte, a contribuinte alegou que desenvolve o processo produtivo/atividade econômica de beneficiamento, por meio do qual eram alteradas as características originais e obtidos os grãos aperfeiçoados/beneficiados a serem comercializados/exportados. Nos excertos a seguir transcritos, a recorrente expõe as razões pelas quais entende que fazia jus ao crédito presumido em questão: As aquisições de matériasprimas (produtos resultantes da atividade rural) realizadas junto a pessoas físicas ou jurídicas com suspensão, são os insumos necessários para a obtenção das mercadorias soja beneficiada, trigo beneficiado, e milho beneficiado, classificados na NCM respectivamente nos capítulos 12 e 10. Não há que se falar em mercadorias classificadas nos capítulos 12, 10, da NCM, sem que tenhamos as matériasprimas provenientes da atividade rural, que são o principal "insumo" destas mercadorias. Como se vê, as mercadorias comercializadas/exportadas pela recorrente são por ela produzidas. E, diante de mecânica do PIS e da COFINS nãocumulativa, tem fundamento para apuração o crédito presumido, no inciso II do artigo 3º das leis 10.637/2002 e art. 3º da lei 10.833/2003 combinado com o Caput do artigo 8º da lei 10.925/2004. Do cotejo entre o entendimento da fiscalização e o da recorrente, fica evidenciado que o cerne da controvérsia reside no tipo da atividade exercida pela recorrente, ou seja, se a atividade por ela exercida era de produção agroindustrial ou, simplesmente, de produção agropecuária. A Lei 10.925/2004 não contém a definição da atividade de produção agroindustrial nem da atividade de cooperativa de produção agropecuária, no entanto, nos termos do art. 9º, § 2º, atribuiu à RFB a competência para regulamentar a matéria. E com base nessa competência, por meio da Instrução Normativa SRF 660/2006, o Secretário da RFB definiu a atividade de produção agroindustrial no art. 6º, I, da referida Instrução Normativa, a seguir transcrito: Art. 6º Para os efeitos desta Instrução Normativa, entendese por atividade agroindustrial: Fl. 488DF CARF MF Processo nº 13161.001931/200717 Acórdão n.º 3302003.303 S3C3T2 Fl. 66 37 I a atividade econômica de produção das mercadorias relacionadas no caput do art. 5º, excetuadas as atividades relacionadas no art. 2º da Lei nº 8.023, de 1990; e [...] As atividades de produção de que trata o art. 2º4 da Lei 8.023/1990, são as atividades rurais típicas, não exercidas pela recorrente, conforme se infere dos elementos coligidos aos autos. E as mercadorias comercializadas/exportadas pela recorrente encontramse mencionadas no art. 5º, I, “d”, da citada Instrução Normativa, que, no período de apuração dos créditos, tinha a seguinte redação: Art. 5º A pessoa jurídica que exerça atividade agroindustrial, na determinação do valor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins a pagar no regime de nãocumulatividade, pode descontar créditos presumidos calculados sobre o valor dos produtos agropecuários utilizados como insumos na fabricação de produtos: I destinados à alimentação humana ou animal, classificados na NCM: [...] d) nos capítulos 8 a 12, 15 e 16; 5 [...](grifos não originais) No período de apuração dos créditos presumidos em apreço, os produtos exportados pela recorrente foram grãos de milho, classificados no código NCM 1005.90.10, e grãos de soja, classificados no código NCM 1201.90.00. Portanto, inequivocamente, produtos pertencentes aos capítulos 8 a 12 da NCM. Além disso, inexiste controvérsia quanto ao fato de que tais produtos foram submetidos a processo de classificação, limpeza, secagem e armazenagem, conforme se extrai da descrição do processo produtivo apresentada pela própria recorrente. Porém, embora esse processo seja denominado de beneficiamento de grãos, ele não se enquadra na modalidade de industrialização, denominada de beneficiamento, que se encontra definida no art. 4º, II, do Decreto 7.212/2010 (RIPI/2010), porque, apesar de serem submetidos ao citado processo de “beneficiamento”, os grãos de milho e soja exportados pela recorrente permanecerem na 4 "Art. 2º Considerase atividade rural: I a agricultura; II a pecuária; III a extração e a exploração vegetal e animal; IV a exploração da apicultura, avicultura, cunicultura, suinocultura, sericicultura, piscicultura e outras culturas animais; V a transformação de produtos decorrentes da atividade rural, sem que sejam alteradas a composição e as características do produto in natura, feita pelo próprio agricultor ou criador, com equipamentos e utensílios usualmente empregados nas atividades rurais, utilizando exclusivamente matériaprima produzida na área rural explorada, tais como a pasteurização e o acondicionamento do leite, assim como o mel e o suco de laranja, acondicionados em embalagem de apresentação. (Redação dada pela Lei nº 9.250, de 1995) Parágrafo único. O disposto neste artigo não se aplica à mera intermediação de animais e de produtos agrícolas." (Incluído pela Lei nº 9.250, de 1995) 5 A redação autualmente vigente tem o seguinte teor: "d) nos capítulos 8 a 12, e 15, exceto os códigos 0901.1 e 1502.00.1;" (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1223, de 23 de dezembro de 2011) Fl. 489DF CARF MF 38 condição de produtos in natura e, portanto, com a anotação NT (Não Tributado) na Tabela de Incidência do IPI (TIPI), o que os exclui da condição de produtos industrializados e, portanto, fora do campo de incidência do imposto, nos termos do parágrafo único do art. 2º do RIPI/2010. Aliás, em relação ao IPI, a vedação de apropriação de créditos sobre insumos utilizados na produção de produtos com a anotação NT na TIPI foi objeto da Súmula CARF nº 20, que tem o seguinte teor, in verbis: “Não há direito aos créditos de IPI em relação às aquisições de insumos aplicados na fabricação de produtos classificados na TIPI como NT.” Assim, por se tratar de comercialização/exportação de produto in natura, a atividade de produção realizada pela recorrente representa típica atividade de beneficiamento de produtos agropecuários, que não se caracteriza como operação de industrialização, conforme definido na legislação do IPI, mas atividade de beneficiamento de produtos in natura de origem vegetal (grãos), conforme definição estabelecida no art. 3º, § 1º, III, da Instrução Normativa SRF 660/2006, a seguir transcrito: Art. 3º A suspensão de exigibilidade das contribuições, na forma do art. 2º, alcança somente as vendas efetuadas por pessoa jurídica: I cerealista, no caso dos produtos referidos no inciso I do art. 2º; II que exerça cumulativamente as atividades de transporte, resfriamento e venda a granel, no caso do produto referido no inciso II do art. 2º; e III que exerça atividade agropecuária ou por cooperativa de produção agropecuária, no caso dos produtos de que tratam os incisos III e IV do art. 2º. § 1º Para os efeitos deste artigo, entendese por: I cerealista, a pessoa jurídica que exerça cumulativamente as atividades de limpar, padronizar, armazenar e comercializar produtos in natura de origem vegetal relacionados no inciso I do art. 2º; II atividade agropecuária, a atividade econômica de cultivo da terra e/ou de criação de peixes, aves e outros animais, nos termos do art. 2º da Lei nº 8.023, de 12 de abril de 1990; e III cooperativa de produção agropecuária, a sociedade cooperativa que exerça a atividade de comercialização da produção de seus associados, podendo também realizar o beneficiamento dessa produção. [...] (grifos não originais) Assim, com base nas referidas definições e tendo em conta que a atividade da recorrente limitase a mero beneficiamento dos grãos de milho e soja exportados, chegase a conclusão de que a recorrente não exerce a atividade de cooperativa de produção agroindustrial, mas de cooperativa de produção agropecuária. E no âmbito da cooperativa de produção agropecuária, a diferenciação entre a atividade de beneficiamento e atividade de industrialização encontrase nitidamente Fl. 490DF CARF MF Processo nº 13161.001931/200717 Acórdão n.º 3302003.303 S3C3T2 Fl. 67 39 evidenciada, por exemplo, no art. 15, IV, da Medida Provisória 2.15835/2001, a seguir reproduzido: Art. 15. As sociedades cooperativas poderão, observado o disposto nos arts. 2o e 3o da Lei no 9.718, de 1998, excluir da base de cálculo da COFINS e do PIS/PASEP: [...] IV as receitas decorrentes do beneficiamento, armazenamento e industrialização de produção do associado; [...] (grifos não originais) Outro dado relevante que ratifica a conclusão de que a recorrente exercia a atividade de produção agropecuária, em vez da atividade de produção agroindustrial, está no fato de ela ter declarado, nos respectivos Dacon do período de apuração (fls. 131/154 do citado processo nº 10010.031138/041361), as receitas de venda no mercado interno dos referidos produtos de origem vegetal sob regime de suspensão6, regime de tributação não aplicável às cooperativas de produção agroindustrial, mas às cooperativas de produção agropecuária, nos termos do art. 9º, III, da Lei 10.925/2004, a seguir transcrito: Art. 9º A incidência da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins fica suspensa no caso de venda: (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) I de produtos de que trata o inciso I do § 1odo art. 8odesta Lei, quando efetuada por pessoas jurídicas referidas no mencionado inciso;(Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) II de leite in natura, quando efetuada por pessoa jurídica mencionada no inciso II do § 1odo art. 8odesta Lei; e(Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) III de insumos destinados à produção das mercadorias referidas no caput do art. 8º desta Lei, quando efetuada por pessoa jurídica ou cooperativa referidas no inciso III do § 1º do mencionado artigo. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) [...] (grifos não originais) Assim, se acatada a pretensão da recorrente, o que se admite apenas por hipótese, ela seria duplamente beneficiada, pois, além de não submeter a tributação das referidas contribuições a receita da venda dos produtos de origem vegetal comercializados no mercado interno, ainda se apropriaria, indevidamente, do valor do crédito normal vinculado às referidas receitas, o que é expressamente vedado pelo art. 8º, § 4º, II, da Lei 10.925/2004, a seguir analisado. Não se pode olvidar que a dedução de tais créditos somente é assegurada às cooperativas de produção agroindustrial, cujas receitas de venda dos produtos fabricados com 6 Os valores e o percentual de participação da receita submetida ao regime de suspensão encontramse discriminados na Tabelas de nº 03 (fls. 644/645), integrante do processo nº 10010.031138/041361 (dossiê memorial), apenso a este processo. Fl. 491DF CARF MF 40 insumos de origem vegetal, realizadas no mercado interno, sujeitamse ao regime de tributação normal das citadas contribuições. Também não procede a alegação da recorrente de que processo produtivo de grãos encontravase disciplinado na Lei 9.972/2000 e regulamentado pelo Decreto 6.268/2007 e pelas Instruções Normativas do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, pois, diferentemente do alegado, os referidos diplomas normativos não tratam de processo produtivo de grãos, mas da classificação dos produtos vegetais, incluindo a classificação dos grãos. Dada essa finalidade específica, certamente, tais preceitos normativos não têm qualquer relevância para a definição do tipo de processo produtivo realizado pela recorrente, para fins de atribuição da forma de incidência das referidas contribuições. Portanto, fica demonstrado que se trata de alegação estranha ao objeto da controvérsia em apreço. Dessa forma, por se caracterizar como cooperativa de produção agropecuária, independentemente da destinação dos produtos produzidos e comercializados (se destinada ou não à alimentação humana ou animal), a recorrente não faz jus ao aproveitamento do crédito presumido em apreço, conforme determina o art. 8º, § 4º, I, da Lei 10.925/2004, a seguir transcrito: Art. 8º [...] § 1º O disposto no caput deste artigo aplicase também às aquisições efetuadas de: [...] III pessoa jurídica que exerça atividade agropecuária e cooperativa de produção agropecuária. (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) [...] § 4º É vedado às pessoas jurídicas de que tratam os incisos I a III do § 1º deste artigo o aproveitamento: I do crédito presumido de que trata o caput deste artigo; II de crédito em relação às receitas de vendas efetuadas com suspensão às pessoas jurídicas de que trata o caput deste artigo. (grifos não originais) Com base nessas considerações, deve ser mantida a glosa integral dos créditos presumidos agroindustriais, indevidamente apropriados pela recorrente. III) DO INDEFERIMENTO DOS CRÉDITOS VINCULADAS ÀS OPERAÇÕES NÃO TRIBUTADAS REALIZADAS NO MERCADO INTERNO. De acordo com relatório fiscal e os dados apresentados nas Tabelas de nºs 03 e 04 (fls. 643/653), integrantes do processo nº 10010.031.138/041361 (dossiê memorial), a fiscalização propôs o deferimento apenas dos valores dos créditos básicos vinculados às receitas de exportação. No que tange aos créditos básicos vinculados às receitas de venda realizadas no mercado interno, a fiscalização manifestouse pelo indeferimento integral, sob o argumento de que tais operações de aquisição estavam vinculadas às receitas de venda no mercado interno não sujeitas à tributação, especificamente, as receitas de venda com suspensão e sujeitas à Fl. 492DF CARF MF Processo nº 13161.001931/200717 Acórdão n.º 3302003.303 S3C3T2 Fl. 68 41 alíquota zero, bem como as exclusões da base de cálculo permitidas, exclusivamente, às sociedades cooperativas, efetivamente utilizadas. Aqui serão analisadas apenas as questões atinentes às receitas (i) das vendas com suspensão e (ii) das vendas excluídas da base de cálculo. III.1) Do Indeferimento dos Créditos Vinculados às Receitas das Vendas Com Suspensão. Segundo a fiscalização, na condição de cooperativa agropecuária de produção, as operações de venda realizadas pela recorrente no mercado interno estavam amparadas pela regime de suspensão da incidência da Contribuição para PIS/Pasep e da Cofins, nos termos do art. 9º da Lei 10.925/2004, em decorrência, ela deveria ter providenciado o estorno dos correspondentes créditos, conforme determinação expressa no inciso II do § 4º do art. 8º do citado diploma legal. Art. 8º [...] § 4º É vedado às pessoas jurídicas de que tratam os incisos I a III do § 1º deste artigo o aproveitamento: I do crédito presumido de que trata o caput deste artigo; II de crédito em relação às receitas de vendas efetuadas com suspensão às pessoas jurídicas de que trata o caput deste artigo. [...] (grifos não originais) Por sua vez, a recorrente alegou que a restrição contida no citado preceito legal fora revogada pelo art. 17 da Lei 11.033/2004, nos termos do § 1º do art. 2º da Lei 4.657/1942 (Lei de Introdução às normas do Direito Brasileiro), a seguir transcrito: Art. 2º Não se destinando à vigência temporária, a lei terá vigor até que outra a modifique ou revogue. § 1º A lei posterior revoga a anterior quando expressamente o declare, quando seja com ela incompatível ou quando regule inteiramente a matéria de que tratava a lei anterior. § 2º A lei nova, que estabeleça disposições gerais ou especiais a par das já existentes, não revoga nem modifica a lei anterior. § 3º Salvo disposição em contrário, a lei revogada não se restaura por ter a lei revogadora perdido a vigência. Sem razão a recorrente, porque, embora tenha entrado em vigor posteriormente, o novo preceito legal não é incompatível e tampouco regula inteiramente a matéria disciplinada no art. 8º da Lei 10.925/2004, que instituiu o crédito presumido agroindustrial e as vedações às manutenções tanto do referido crédito presumido quanto dos créditos vinculados as receitas de venda efetuadas com suspensão por pessoa jurídica que exerça atividade agropecuária e por cooperativa de produção agropecuária. Diferentemente do alegado, como o citado art. 17 da Lei 11.033/2004 instituiu norma de nítido caráter geral sobre manutenção, pelo vendedor, dos créditos Fl. 493DF CARF MF 42 vinculados às operações de vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, ao caso em apreço, aplicase o disposto no § 2º do art. 2º da Lei 4.657/1942, que determina que a lei nova não revoga nem modifica a lei anterior. Dessa forma, uma vez demonstrado que o inciso II do § 4º do art. 8º da Lei 10.925/2004 estava em plena vigência no período de apuração dos créditos em questão e ainda se encontra em vigor, por força do disposto no art. 26A do Decreto 70.235/1972 e em cumprimento ao que determina o art. 62 do Anexo II do Regimento Interno deste Conselho (RICARF/2015), aprovado pela Portaria MF 343/2015, aos membros das turmas de julgamento deste Conselho não podem afastar a aplicação do mencionado preceito legal. Com base nessas considerações e tendo em conta que ficou anteriormente demonstrado que a recorrente, no período de apuração dos créditos, exercia atividade de cooperativa de produção agropecuária, com respaldo no inciso II do § 4º do art. 8º da Lei 10.925/2004, deve ser mantida a glosa integral dos créditos vinculados as receitas de venda com suspensão. III.2) Do Indeferimento dos Créditos Vinculados às Receitas de Venda Excluídas da Base de Cálculo. De acordo com relatório fiscal, no período analisado, a contribuinte registrou exclusões de base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, previstas no art 15 da Medida Provisória 2.15835/2001 e no art 17 da Lei 10.684/2003, em relação as quais não lhe eram assegurado a manutenção dos créditos vinculados, sob o argumento de que como o ato cooperativo, definido no art. 79 da Lei 5.764/1971, não representava operação de mercado, nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria, logo, não existia “vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS e da COFINS”, conforme estabelece o art. 17 da Lei 11.033/2004. Por decorrência, não havia suporte legal para manutenção do direito ao crédito em operações não tributadas pela exclusão de base de cálculo decorrente de ato cooperativo. Já a recorrente alegou que o conceito de ato cooperativo, contido no art. 79 da Lei 5.764/1971, não influenciava na apuração da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, porque, atualmente, o cálculo das ditas contribuições independiam de tal conceito, uma vez que tanto a base de cálculo e o fato gerador destas contribuições correspondiam ao faturamento total, independente da denominação e classificação contábil, conforme determinado pelo art. 1º das Leis 10.637/2003 e 10.833/2004. Para a recorrente, posteriormente ao advento da Medida Provisória 1.858 6/1999, cuja redação definitiva foi mantida na vigente Medida Provisória 2.15835/2001, os dispositivos que asseguravam isenção das citadas contribuições foram revogados, passando desde então as sociedades cooperativas a serem tributadas sobre a totalidade de suas receitas da mesma forma que as demais pessoas jurídicas, nos termos dos arts. 2º e 3º da Lei 9.718/1998. Em decorrência, todos os fatos que não tinham a aptidão de gerar tributos integravam o campo da não incidência, logo o resultado obtido das exclusões da base de cálculo permitidas às sociedades cooperativas, efetuadas pela contribuinte, correspondiam as receitas sem incidência das referidas contribuições, em virtude de não gerar receita tributável. Não assiste razão à recorrente. No caso em tela, a não tributação das referidas contribuições não decorreu do fato de as receitas auferidas não serem submetidas à incidência das referidas contribuições, ou em razão das respectivas operações de venda estarem fora do campo incidência das referidas contribuições, conforme alegado pela recorrente, mas pelo fato Fl. 494DF CARF MF Processo nº 13161.001931/200717 Acórdão n.º 3302003.303 S3C3T2 Fl. 69 43 de não existir base cálculo ou a base de cálculo ter sido zerada, após efetivadas as exclusões, especificamente, asseguradas à recorrente na condição de sociedade cooperativa de produção agropecuária. E a falta de tributação motivada pela inexistência de base cálculo, certamente, não se enquadra em nenhuma das hipóteses de manutenção do crédito das referidas contribuições, previstas no art. 17 da Lei 11.033/2004. Com base nessas considerações, deve ser mantida a glosa integral dos créditos vinculados à base cálculo zerada, em razão das exclusões da base de cálculo das referidas contribuições, autorizadas no art. 15 da Medida Provisória 2.15835/2001 e no art 17 da Lei 10.684/2003, e efetuadas pela recorrente no curso do período da apuração dos créditos glosados. IV) DA ATUALIZAÇÃO PELA TAXA SELIC Em relação aos créditos escriturais da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins, decorrentes da aplicação do regime da nãocumulatividade, cabe consignar que, independentemente da forma de aproveitamento (dedução, compensação ou ressarcimento), existe vedação expressa a qualquer forma de atualização ou incidência de juros, conforme expressamente consignada no artigo 13, combinado com o disposto no inciso VI do art. 15, ambos da Lei n° 10.833, de 2003, que seguem transcritos: Art. 13. O aproveitamento de crédito na forma do § 4o do art. 3o, do art. 4o e dos §§ 1o e 2o do art. 6o, bem como do § 2o e inciso II do § 4o e § 5o do art. 12, não ensejará atualização monetária ou incidência de juros sobre os respectivos valores. [...] Art. 15. Aplicase à contribuição para o PIS/PASEP nãocumulativa de que trata a Lei no 10.637, de 30 de dezembro de 2002, o disposto: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) [...] VI no art. 13 desta Lei. (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) Dessa forma, como se trata de preceito legal vigente, por força do disposto no art. 26A do Decreto 70.235/1996 e em cumprimento ao que determina o art. 62 do Anexo II RICARF/2015, os membros das turmas de julgamento deste Conselho não podem afastar a aplicação do mencionado preceito legal. Cabe consignar ainda que, no caso em tela, não se aplica o entendimento exarado no acórdão proferido no julgamento do Recurso Especial (REsp) nº 1.035.847/RS, submetido ao regime do recurso repetitivo, previsto no artigo 543C do CPC, transitado em julgado em 3/3/2010, por duas razões: a) o referido julgado trata da atualização de crédito escritural oriundo da aplicação do princípio da não cumulatividade do IPI e não de crédito escritural decorrente da aplicação do regime não cumulativo da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins; b) a referida decisão não trata da vedação da atualização monetária determinada no art. 13 da Lei 10.833/2003 e tampouco afasta a aplicação do referido preceito legal, bem como se enquadra em nenhuma das hipóteses excepcionais elencadas no art. 62, § 1º, do Anexo II do RICARF/2015. Para melhor compreensão, transcrevese a seguir o enunciado da ementa do mencionado acórdão: Fl. 495DF CARF MF 44 PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IPI. PRINCÍPIO DA NÃO CUMULATIVIDADE. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. 1. A correção monetária não incide sobre os créditos de IPI decorrentes do princípio constitucional da nãocumulatividade (créditos escriturais), por ausência de previsão legal. 2. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito oriundo da aplicação do princípio da nãocumulatividade, descaracteriza referido crédito como escritural, assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil. 3. Destarte, a vedação legal ao aproveitamento do crédito impele o contribuinte a socorrerse do Judiciário, circunstância que acarreta demora no reconhecimento do direito pleiteado, dada a tramitação normal dos feitos judiciais. 4. Consectariamente, ocorrendo a vedação ao aproveitamento desses créditos, com o conseqüente ingresso no Judiciário, postergase o reconhecimento do direito pleiteado, exsurgindo legítima a necessidade de atualizálos monetariamente, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Precedentes da Primeira Seção: EREsp 490.547∕PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.09.2005, DJ 10.10.2005; EREsp 613.977∕RS, Rel. Ministro José Delgado, julgado em 09.11.2005, DJ 05.12.2005; EREsp 495.953∕PR, Rel. Ministra Denise Arruda, julgado em 27.09.2006, DJ 23.10.2006; EREsp 522.796∕PR, Rel. Ministro Herman Benjamin, julgado em 08.11.2006, DJ 24.09.2007; EREsp 430.498∕RS, Rel. Ministro Humberto Martins, julgado em 26.03.2008, DJe 07.04.2008; e EREsp 605.921∕RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 12.11.2008, DJe 24.11.2008). 5. Recurso especial da Fazenda Nacional desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08∕2008.7 (grifos não originais) Com base nessas considerações, fica demonstrada a impossibilidade de acolher a sua pretensão da recorrente, com vistas à atualização dos valores dos créditos em apreço com base na variação da taxa Selic. VI) DA CONCLUSÃO Por todo o exposto, em relação às questões aqui analisadas, votase por NEGAR PROVIMENTO ao recurso. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento 7 BRASIL. STJ. REsp 1035847/RS, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 24/06/2009, DJe 03/08/2009. Fl. 496DF CARF MF Processo nº 13161.001931/200717 Acórdão n.º 3302003.303 S3C3T2 Fl. 70 45 Voto Vencedor 2 Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, redator designado. Com o devido respeito aos argumentos do ilustre relator, divirjo de seu entendimento quanto à reversão total da glosa relativa aos créditos vinculados às vendas de adubos, fertilizantes e sementes pela recorrente aos seus associados, as quais tiveram as alíquotas da contribuição para o PIS e da COFINS reduzidas a zero pelo art. 1º da Lei 10.925/2004. Salientase que tais créditos foram glosados originalmente por falta de apresentação de documentos, como todos os demais créditos solicitados. Porém em diligência requerida pela DRJ, restou consignado em relatório fiscal a manutenção da referida glosa em razão de tais valores consistirem em exclusões da base de cálculo das cooperativas, nos termos do artigo 15 da MP nº 2.15835/2001: Art. 15. As sociedades cooperativas poderão, observado o disposto nos arts. 2o e 3o da Lei no 9.718, de 1998, excluir da base de cálculo da COFINS e do PIS/PASEP: [...] II as receitas de venda de bens e mercadorias a associados; [...] No tópico seguinte "EXCLUSÕES DA BASE DE CÁLCULO", a autoridade fiscal justificou a glosa dos créditos vinculados a exclusões do artigo 15 da MP nº 2.158 35/2001, em razão da não previsão da manutenção de créditos vinculados à exclusões de base de cálculo na redação do artigo 17 da Leinº 11.033/2004, a seguir transcrito: Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. Acrescentou ainda que tais operações são atos cooperativos conforme definição contida no artigo 79 da Lei nº 5.764/1971, e, portanto, não configurariam operações de compra e venda, conforme extraise do excerto abaixo do relatório fiscal: "O conceito de ato cooperativo está disposto na Lei nº 5.764/71 (que “define a Política Nacional de Cooperativismo e institui o regime jurídico das sociedades cooperativas”): Art. 79. Denominamse atos cooperativos os praticados entre as cooperativas e seus associados, entre estes e aquelas e pelas cooperativas entre si quando associados, para a consecução dos objetivos sociais. Parágrafo único. O ato cooperativo não implica operação de mercado, nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria. Grifouse. Fl. 497DF CARF MF 46 A luz do dispositivo legal, o ato cooperativo não implica operação de mercado, nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria. Portanto, não existe “vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS e da COFINS (art. 17 da Lei nº 11.033/2004). Por decorrência, não há suporte legal para manutenção do direito ao crédito em operações não tributadas pela exclusão de base de cálculo decorrente de ato cooperativo." Verificase, de fato, que as operações consideradas como vendas de adubos, fertilizantes e sementes aos associados se subsumem à definição de ato cooperativo nos termos do artigo 79 da Lei nº 5.764/1971, e neste sentido, impende8 reproduzir a recente decisão do STJ no REsp nº 1.164.716/MG, transitado em julgado em 22/06/2016 e submetido à sistemática de recursos repetitivos, na qual restou decidido que os atos cooperativos não implicam operações de compra e venda, conforme ementa abaixo transcrita: EMENTA TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. NÃO INCIDÊNCIA DO PIS E DA COFINS NOS ATOS COOPERATIVOS TÍPICOS. APLICAÇÃO DO RITO DO ART. 543C DO CPC E DA RESOLUÇÃO 8/2008 DO STJ. RECURSO ESPECIAL DESPROVIDO. 1. Os RREE 599.362 e 598.085 trataram da hipótese de incidência do PIS/COFINS sobre os atos (negócios jurídicos) praticados com terceiros tomadores de serviço; portanto, não guardam relação estrita com a matéria discutida nestes autos, que trata dos atos típicos realizados pelas cooperativas. Da mesma forma, os RREE 672.215 e 597.315, com repercussão geral, mas sem mérito julgado, tratam de hipótese diversa da destes autos. 2. O art. 79 da Lei 5.764/71 preceitua que os atos cooperativos são os praticados entre as cooperativas e seus associados, entre estes e aquelas e pelas cooperativas entre si quando associados, para a consecução dos objetivos sociais. E, ainda, em seu parág. único, alerta que o ato cooperativo não implica operação de mercado, nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria. 3. No caso dos autos, colhese da decisão em análise que se trata de ato cooperativo típico, promovido por cooperativa que realiza operações entre seus próprios associados (fls. 126), de forma a autorizar a não incidência das contribuições destinadas ao PIS e a COFINS. 4. O parecer do douto Ministério Público Federal é pelo desprovimento do Recurso Especial. 5. Recurso Especial desprovido. 8 Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. [...] § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC), deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Fl. 498DF CARF MF Processo nº 13161.001931/200717 Acórdão n.º 3302003.303 S3C3T2 Fl. 71 47 6. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 8/2008 do STJ, fixandose a tese: não incide a contribuição destinada ao PIS/COFINS sobre os atos cooperativos típicos realizados pelas cooperativas. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos estes autos, acordam os Ministros da PRIMEIRA Seção do Superior Tribunal de Justiça, na conformidade dos votos e das notas taquigráficas a seguir, por unanimidade, negar provimento ao recurso especial, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Benedito Gonçalves, Assusete Magalhães, Sérgio Kukina, Regina Helena Costa, Gurgel de Faria, Diva Malerbi (Desembargadora convocada do TRF da 3a. Região) e Humberto Martins votaram com o Sr. Ministro Relator. Ausente, justificadamente, o Sr. Ministro Herman Benjamin. Sustentaram, oralmente, a Dra. HERTA RANI TELES, pela recorrente, e o Dr. JOÃO CAETANO MUZZI FILHO, pela interessada: ORGANIZAÇÃO DAS COOPERATIVAS BRASILEIRAS OCB Brasília/DF, 27 de abril de 2016 (Data do Julgamento). NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO MINISTRO RELATOR Assim, tais operações não podem ser consideradas como mercantis, e, portanto, não se tratam de vendas, configurando operações não incidentes e não receitas de vendas não incidentes. Salientase que o artigo 17 da Lei 11.033/2004 dispôs especificamente sobre vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência, mas não genericamente sobre parcelas ou operações não incidentes. Destarte, entendo ser inaplicável o referido artigo para efeito de vinculação de créditos a estas parcelas. Porém, a glosa pura e simples dos créditos vinculados a estas operações, conforme realizada pela autoridade fiscal, pareceme equivocada. É que tais créditos referemse a custos, despesas e encargos comuns que foram vinculados a estas parcelas mediante rateio entre receitas. Assim, não sendo tais operações receitas de vendas, também não podem compor o rateio para vinculação de créditos tomados sobre custos, despesas e encargos comuns (por exemplo, energia elétrica), devendo tal rateio ser refeito, excluindo estas operações de seu denominador, e redistribuindo os créditos comuns às demais parcelas de receitas consideradas, devendo ser reanalisada a possibilidade de desconto, compensação ou ressarcimento, de acordo com a nova natureza e conforme o decidido neste julgamento. Frisese que a decisão não se refere às aquisições específicas de adubos, sementes e fertilizantes, as quais não geraram créditos, pois que sujeitaramse à alíquota zero, como, inclusive, confirmado pelo patrono da recorrente em sustentação oral. É como voto. Fl. 499DF CARF MF 48 (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 500DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 14041.000164/2005-88
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Dec 07 00:00:00 UTC 2009
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - 'RH
Exercício: 2001, 2002, 2003
Ementa: SOCIEDADE EM CONTA DE PARTICIPAÇÃO. SCP. SÓCIO
OSTENSIVO. RESPONSABILIDADE. Na Sociedade em Conta de
Participação compete ao sócio ostensivo a responsabilidade pela apuração dos resultados e pelo recolhimento dos tributos e contribuições devidos. A entrega pela fiscalizada à autoridade fiscal, no curso da ação fiscal, dos livros contábeis e fiscais relativos às operações realizadas pela referida sociedade
(SCP), afasta a argumentação de que o procedimento se deu sem que se fizesse referência ao fato de que as verificações se relacionavam com tais operações.
PARCELAMENTO ESPECIAL. DÉBITOS RELATIVOS A PERÍODO SOB AÇÃO FISCAL CONFISSÃO. ESPONTANEIDADE. INOCORRÊNCIA. A Lei n° 10.684, de 2003, ao possibilitar a confissão de débitos ainda não constituídos, não trouxe qualquer disposição capaz de
tornar inaplicável, no caso, o disposto no parágrafo único do artigo 138 do Código Tributário Nacional. Assim, não há que se falar em espontaneidade no caso em que a denúncia, representada pela confissão da divida, foi feita após o inicio do procedimento de fiscalização.
CSLL ALÍQUOTA. ADICIONAL. O adicional de quatro pontos percentuais introduzido pelo art. 6° da Medida Provisória n° 1.807, de 28 de janeiro de 1999, representou elevação de alíquota, não sendo correta a interpretação de que o acréscimo deveria ser determinado sobre o valor da contribuição
calculada à alíquota de 8%.
INCONSTITUCIONALIDADES. Em conformidade com o disposto na
súmula n° 2 do Primeiro Conselho de Contribuintes, de adoção obrigatória por força do disposto no art. 72 do Regimento Interno aprovado pela Portaria ME n°256, de 22 de junho de 2009, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
JUROS SELIC. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios
incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia — SELIC para títulos federais.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 1302-000.124
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, Por
unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Fez sustentação oral pela Recorrente Dra. Maria Stela Santinelli Miglorancia - OAB/SP n°223 818.
Matéria: IRPJ - AF- omissão receitas - demais presunções legais
Nome do relator: Wilson Fernandes Guimarães
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SCP. SÓCIO OSTENSIVO. RESPONSABILIDADE. Na Sociedade em Conta de Participação compete ao sócio ostensivo a responsabilidade pela apuração dos resultados e pelo recolhimento dos tributos e contribuições devidos. A entrega pela fiscalizada à autoridade fiscal, no curso da ação fiscal, dos livros contábeis e fiscais relativos às operações realizadas pela referida sociedade (SCP), afasta a argumentação de que o procedimento se deu sem que se fizesse referência ao fato de que as verificações se relacionavam com tais operações. PARCELAMENTO ESPECIAL. DÉBITOS RELATIVOS A PERÍODO SOB AÇÃO FISCAL CONFISSÃO. ESPONTANEIDADE. INOCORRÉSCIA. A Lei n° 10.684, de 2003, ao possibilitar a confissão de débitos ainda não constituídos, não trouxe qualquer disposição capaz de tornar inaplicável, no caso, o disposto no parágrafo único do artigo 138 do Código Tributário Nacional. Assim, não há que se falar em espontaneidade no caso em que a denúncia, representada pela confissão da divida, foi feita após o inicio do procedimento de fiscalização, CSLL ALIQUOTA. ADICIONAL. O adicional de quatro pontos percentuais introduzido pelo art. 6° da Medida Provisória n° 1.807, de 28 de janeiro de 1999, representou elevação de alíquota, não sendo correta a interpretação de que o acréscimo deveria ser determinado sobre o valor da contribuição calculada à alíquota de 8%. INCONSTITUCIONALIDADES. Em confonnidade com o disposto na súmula n° 2 do Primeiro Conselho de Contribuintes, de adoção obrigatória por força do disposto no art. 72 do Regimento Interno aprovado pela Portaria ME n°256, de 22 de junho de 2009, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributá JUROS SELIC. A partir de 1" de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia — SELIC para títulos federais. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, Por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Fez sustentação oral pela Recorrente Dra. Maria Stela Santinelli Miglorancia - OAB/SP n°223 818. MARCOS RODRIGUES DE MELLO - Presidente W1L •N FE • ,3.4r,UIMA 5- Relator et4e>r EDITADO EM: 1E MA.._-4fl :aram do e --- te julgamento os Conselheiros: Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jacinto do Nascimento, Natanael Vieira dos Santos, Antônio Dezena Neto, Irineu Bianchi e Marcos Rodrigues de Mello. 2 Processo n° 14041.000164/2005-88 51-C3T2 Acórdão nf 1302-00.124 VIr2- Relatório PIRAN SOCIEDADE DE FOMENTO MERCANTIL LTDA., já devidamente qualificada nestes autos, inconformada com a decisão da 2' Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Brasília, Distrito Federal, que manteve, na íntegra, os lançamentos tributários efetivados, interpõe recurso a este colegiado administrativo objetivando a reforma da decisão em referencia. Trata o processo de exigências de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) c Contribuição Social sobre o Lucro Liquido (CSLL), relativas aos anos-calendário de 2000, 2001 e 2002, formalizadas a partir da constatação de diferença entre o valor escriturado das exações e o declarado. Inconformada, a contribuinte apresentou impugnações aos feitos fiscais (fls. 279/312 e 650/688), por meio das quais ofereceu, em síntese, os seguintes argumentos: - que em 1997 foi constituída SOCIEDADE EM CONTA DE PARTICIPAÇÃO - SCP, ficando a cargo da P1RAN SOCIEDADE DE FOMENTO MERCANTIL LTDA atuação como SÓCIA OSTENSIVA da sociedade, incumbindo representá-la em todos os atos da vida empresarial, inclusive no tocante às obrigações tributárias; - que elaborou, em livros separados dos de suas atividades, o registro escriturai e os resultados da SCP, porém, quando do inicio da fiscalização, os tributos federais encontravam-se em aberto, visto que não foram adicionados ao resultado operacional da sócia ostensiva (PIRAN SOCIEDADE DE FOMENTO MERCANTIL LTDA); - que o Mandado de Procedimento Fiscal se restringia à PIRAN SOCIEDADE DE FOMENTO MERCANTIL LTDA, não tendo havido especificação se nele estaria incluído a SCP; - que a SCP não se confunde com a pessoa jurídica da PIRAN SOCIEDADE DE FOMENTO MERCANTIL LTDA; - que o Fisco, em seus Termos, nunca teria se dirigido à fiscalizada para indagar qualquer fato concernente às apurações da SCP, embora todos os livros tivessem sido disponibilizados; - que, diante da faculdade concedida pela Lei n° 10.684, de 2003, a PIRAN SOCIEDADE DE FOMENTO MERCANTIL LTDA, no papel de sócia ostensiva, exerceu a opção pelo parcelamento; - que a possibilidade de parcelamento alcançaria os débitos constituidos ou não, bastando, para tanto, confissão irretratável; - que a Portaria Conjunta PGEN/SRF n° 03, de 2003, contemplou com o beneficio, inclusive, as pessoas que se encontrassem, naquele momento, em ação fiscal em 3 andamento, sendo que o ingresso no sistema especial dar-se-ia, além da opção, mediante entrega da declaração PAES; - que, diante da expressa anuência dos órgãos fazendários, representando a SCP pela qual era responsável, ofereceu os débitos em aberto à tributação, no âmbito do PAES; - que os autuantes deveriam, no máximo, conferir a existência de discrepâncias entre os débitos tributários confessados e os valores levantados, lançando de oficio apenas as diferenças confessadas a menor; - que a Portaria PGEN/SRF if 3, de 2003, autorizou expressamente que fossem formulados pedidos de exclusão, inclusão ou retificação de valores declarados ao PAES, o que levada a conclusão de que, se é facultado ao próprio contribuinte pedir inclusão de débitos no PAES, o órgão fazendário também poderia apreciar proposta nesse sentido de seus auditores-fiscais; - que não poderia subsistir dupbcidade de exigências (lançamento de oficio e créditos tributários confessados, de mesmo valor, no PAES); - que, conforme manifestação do Conselho de Contribuintes, a confissão dispensa o Fisco de proceder ao levantamento dos dados já confessados; - que, especificamente em relação à CSLL, o cálculo seria ilegal, visto que não estaria em conformidade com os textos das leis que instituíram o adicional; - que inexistiria fundamento legal para aplicação da multa de oficio em relação aos débitos confessados no PAES; - que no momento em que a Receita Federal por intermédio da Portaria Conjunta PCFN/SRF n° 3, de 2003, concede aos contribuintes sob fiscalização a possibilidade de se anteciparem à conclusão do procedimento de oficio, confessando seus débitos no PAES, reabrir-se-ia a espontaneidade; - que a multa de oficio de 75% seria confiscatoria; - que, prevalecendo a confissão dos débitos no PAES, os juros cobrados no auto de infração estariam calculados a maior; - que a incidência dos juros de mora com base na taxa selic afrontaria a legislação. A 2' Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento cru Brasília, analisando os feitos fiscais e as peças de defesa, decidiu, por meio do Acórdão n 0 03-22.365, de 14 de setembro de 2007, pela procedência dos lançamentos, conforme ementa que ora transcrevemos. RESULTADO POSITIVO EM UMA SOCIEDADE EM COMA DE PARTICIPAÇÃO — SCP NÃO ADICIONADO AO RESULTADO OPERACIONAL DO SÓCIO OSTENSIVO — DEBITO TRIBUTÁRIO, EM PARTE, CONFESSADO NO PAES PELO SÓCIO OSTENSIVO, APÓS INÍCIO DE AÇÃO FISCAL EM CURSO -- LEI N` 10.684/03. EXCLUSÃO DA ESPONTANEIDADE. TRIO — LANÇAMENTO DE OFÍCIO DE DÉBITO CONFESSADO E NÃO CONFESSADO. MULTA DE Processo n° 14041.000164/2005-88 S 1-C3T2 Acorg6ii°fl02700.124 • • 1.1:3 OFICIO E JUROS DE MORA (TAXA SELIC) — ARGUIÇÃO DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE DELE! I — O procedimento de fiscalização iniciado contra sócio ostensivo abrange, implicitamente, a Sociedade em Conta de Participação — SCP, da qual ele é o responsável exclusivo pelos tributos e contribuições, em face do natural embricamento entre essas sociedades. Inclusive, o resultado positivo ou negativo em SCP deve ser informado, pelo sócio ostensivo, na sua Declaração de Informações Económico Fiscais da Pessoa Jurídica —DIPJ. II — A confissão no Parcelamento Especial — PAES, de débitos em fase de constituição — ação fiscal em curso — não tem o condito de afastar o lançamento da exação fiscal com multa de oficio e juros de mora — taxa SELIC, se ela, a confissão, foi efetuada após o início de ação fiscal, o que implica a exclusão da espontaneidade do contribuinte, nos termos do art. 138 do CIN. III — Os débitos confessados no PAES a título de IRPJ e CSII, • dos anos-calendário em tela, para que não ocorra duplicidade de exigência ou cobrança, deve ser imputado ao montante exigido no Auto de Infração (principal, multa de oficio e juros de - mora calculados com base na taxa SEUL') IV -. A autoridade administrativa não tem atribuição para conhecer, no mérito, a arguição de ilegalidade ou inconstitucionalidade de lei ou ato normativo federal, uma vez que tal competência é exclusiva do Poder Judiciário, em face dós princípios constitucionais da separação dos poderes e da unidade de jurisdição. V — Para que seja deJérido o pedido de diligência/perícia e produção de outras provas (mormente documentais), deve o mesmo ser formulado de acordo com o art. 16 do Decreto n` 70,235/72. REFLEXO Aplica-se à Contribuição Social sobre o Lucro Liquido o disposto em relação ao lançamento de IRPJ, por decorrer dos mesmos elementos de prova e se referir à mesma matéria tributável. ADICIONAL DE CSLL É legitima a exigência do adicional de CSLL previsto na Medida Provisória 1.858/99 e edições posteriores, de 4% a partir de • maio de 1999 a janeiro de 2000, e I% de fevereiro de 2000 a dezembro de 2002, independente do regime de apuração escolhido pela empresa. Inconformada, a contribuinte apresentou o recurso de folhas 776/819, por • meio do qual, renovando argumentos expendidos na peça impugnatória, adita: 8-- • ct.5-, - - 5 - que o MPHE deveria, obrigatoriamente, fazer menção às operações da SCP, como incluídas no procedimento fiscal, o que em momento algum aconteceu, reStando dai que, quando a PIRAN efetuou a adesão no PAES, na qualidade de representante da SCP (sócio ostensivo), estava protegida pelo instituto da denúncia espontânea; - que a própria autoridade julgadora de primeira instância reconheceu que constam, nos sistemas da Receita Federal, débitos em duplicidade contra ela; - que, não admitir o valor da denúncia antecipada do contribuinte sob fiscalização ao PAES, é tomar inócuo o ato que autorizou a providência; - que é inexigível o arrolamento de bens e direitos como condição para seguimento do recurso voluntário. É o Relato o. • 6 Processo n°14041.000164/2005-85 51-C3T2 Acórdão n.° 1302-00.124 Fl. 4 • Voto Conselheiro WILSON FERNANDES GUIMARÃES Atendidos os requisitos de admissibilidade, conheço do apelo. Trata a lide de exigências de Imposto de-Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), relativas aos anos-calendário de 2000, 2001 e 2002, formalizadas a partir da constatação de diferença entre o valor escriturado das exações e o declarado. Irresignada com a decisão prolatada em primeira instância, a contribuinte traz razões, em sede de recurso voluntário, as quais passo a apreciar. SOCIEDADE EM CONTA DE PARTICIPAÇÃO Alega a Recorrente que em 1997 foi constituída SOCIEDADE EM CONTA DE PARTICIPAÇÃO - SCP, ficando a cargo da PIRAN SOCIEDADE DE FOMENTO MERCANTIL LTDA atuação como SÓCIA OSTENSIVA da sociedade, incumbindo representá-la em todos os atos da vida empresarial, inclusive no tocante às obrigações tributárias. Afirma que elaborou, em livros separados dos de suas atividades, o registro escriturai e os resultados da SCP, porém, quando do inicio da fiscalização, os tributos federais encontravam-se em aberto, visto que não foram adicionados ao resultado operacional da sócia ostensiva (PIRAN SOCIEDADE DE FOMENTO MERCANTIL LTDA). Diz que o Mandado de Procedimento Fiscal se restringia à P1RAN SOCIEDADE DE FOMENTO MERCANTIL LTDA, não tendo havido especificação se nele estaria incluido a SCP. Argumenta que a SCP não se confunde com a pessoa jurídica da PIRAN SOCIEDADE DE FOMENTO MERCANTIL LTDA e que o Fisco, em seus Termos, nunca teria se dirigido à fiscalizada para indagar qualquer fato concernente às apurações da SCP, embora todos os livros tivessem sido disponibilizados. Às fls. 23 identifica-se correspondência da contribuinte, por meio da qual foram enviados, em 28 de fevereiro de 2005, atendendo pedido feito pelo auditor-fiscal José Nilson Oliveira Santos, autoridade fiscal que, de acordo com o Mandado de Procedimento Fiscal de fls. 01, supervisionava a ação fiscal, os livros (Razão e Diário) da empresa PIRAN SOCIEDADE DE FOMENTO MERCANTIL LTDA — SCP. Não merece guarida, pois, a arg,umentação da Recorrente de que o procedimento fiscal se deu quem se fizesse referência à Sociedade em Conta de Participação, sendo irrelevante, a meu ver, a existência de Termo indicando tal providência. Ainda que se possa alegar que, no caso, diante da abrangência do procedimento, o mais adequado seria a emissão de Mandado de Procedimento Fiscal próprio para a referida sociedade, o certo é que essa não expedição não tem o condão de macular os lançamentos tributários em debate. Ademais, como é cediço, a empresa PIRAN SOCIEDADE DE FOMENTO MERCANTIL LTDA, na qualidade de sócia ostensiva da SOCIEDADE EM CONTA DE PARTICIPAÇÃO, responde integralmente frente ao Fisco Federal pelas obrigações advindas das atividades exploradas por esta sociedade (a SCP), não sendo correto afirmar que intimações te 7 a ela dirigidas não alcançam as operações realizadas no âmbito da Sociedade em Conta de Participação. Observe-se que a contribuinte, ao requerer o PARCELAMENTO ESPECIAL, o fez na qualidade de sócia ostensiva da SCP, não fazendo, contudo, qualquer referência à referida sociedade (documentos de fls. 24(103). As peças acusatórias (fls. 256/273 e 632/646), por sua vez, deixam claro a natureza da infração apurada, qual seja, AUSÊNCIA DE DECLARAÇÃO DO IRPJ E DA CSLL EM RELAÇÃO AOS RESULTADOS DE UMA SOCIEDADE EM CONTA DE PARTICIPAÇÃO DA QUAL A CONTRIBUINTE ERA SÓCIA OSTENSIVA. Vê-se assim, que a pretensão da contribuinte não pode ser recepcionada, eis que resta evidente que já no curso do procedimento de fiscalização entregou à Fiscalização a escrituração da sociedade em que atuava com sócia ostensiva, ficando patente a inexistência de cerceamento do direito de defesa, único argumento que, na situação presente, poderia dar causa à nulidade dos feitos fiscais. Destaque-se, ainda, que a autoridade fiscal cuidou de anexar aos autos os cópia dos livros contábeis da SCP manuseados no curso da ação fiscal (fls. 104/254 e 481/631), bem como da comprovação da devolução deles à contribuinte (fls. 274/275). PARCELAMENTO Esclarece a Recorrente que, diante da faculdade concedida pela Lei n° 10.684, de 2003, a PLRAN SOCIEDADE DE FOMENTO MERCANTIL LTDA, no papel de sócia ostensiva, exerceu a opção pelo parcelamento. Afirma que a possibilidade de parcelamento alcançaria os débitos constituídos ou não, bastando, para tanto, confissão irretratável. Alega que a Portaria Conjunta PGFN/SRF n° 03, de 2003, contemplou com o beneficio, inclusive, as pessoas que se encontrassem, naquele momento, em ação fiscal em andamento, sendo que o ingresso no sistema especial dar-se-ia, além da opção, mediante entrega da declaração PAES. Diz que, diante da expressa anuência dos órgãos fazendários, representando a SCP pela qual era responsável, ofereceu os débitos em aberto à tributação, no âmbito do PAES. Sustenta que os autuantes deveriam, no máximo, conferir a existência de discrepâncias entre os débitos tributários confessados e os valores levantados, lançando de oficio apenas as diferenças confessadas a menor. Argumenta que a Portaria PGEN/SRE tf 3, de 2003, autorizou expressamente que fossem formulados pedidos de exclusão, inclusão ou retificação de valores declarados ao PAES, o que levaria a conclusão de que, se é facultado ao próprio contribuinte pedir inclusão de débitos no PAES, o órgão fazendário também poderia apreciar proposta nesse sentido de seus auditores-fiscais. Adita que não poderia subsistir duplicidade de exigências (lançamento de oficio e créditos tributários confessados, de mesmo valor, no PAES); que, conforme manifestação do Conselho de Contribuintes, a confissão dispensa o Fisco de proceder ao levantamento dos dados já confessados; que inexistiria fundamento legal para aplicação da multa de oficio em relação aos débitos confessados no PAES; e que no momento em que a Receita Federal por intermédio da Portaria Conjunta PGEN/SRF n° 3, de 2003, concede aos contribuintes sob fiscalização a possibilidade de se anteciparem à conclusão do procedimento de oficio, confessando seus débitos rio PAES, reabrir-se-ia a espontaneidade. Diz, ainda, que, prevalecendo a confissão dos débitos no PAES, os juros cobrados no auto de infração estariam calculados a maior; que o MPF/F deveria, obrigatoriamente, fazer menção às operações da SCP, como incluídas no procedimento fiscal, o que em momento algum aconteceu, restando dai que, quando a PIRAN efetuou a adesão no PAES, na qualidade de representante da SCP (sócio ostensivo), estava protegida pelo instituto da denúncia espontânea; que a própria autoridade julgadora de primeira instância reconheceu 2i9s Processo n° 14041.000164/2005-88 SI-C3T2 Acórdão n.° 1302-00.124 Fl. 5 que constam, nos sistemas da Receita Federal, débitos em duplicidade contra ela; e que não admitir o valor da denúncia antecipada do contribuinte sob fiscalização ao PAES, é tomar inócuo o ato que autorizou a providência. Duas certezas se tomam relevantes no enfrentamento da presente lide: a primeira, a de que os valores objeto de lançamento, derivados de atividades exercidas pela Recorrente em Sociedade em Conta de Participação da qual é sócia ostensiva, não foram efetivamente recolhidos; a segunda, a de que a inclusão dos valores devidos no parcelamento especial instituído pela Lei n° 10.684, de 2003, foi feita após o inicio do procedimento fiscal. Ultrapassada a questão relacionada a uma suposta inadequação na identificação da pessoa jurídica obrigada ao pagamento, descabe discutir no presente processo a certeza dos tributos lançados, eis que a própria contribuinte admite que não os recolheu. Nessa linha, importa definir se a norma trazida pela Portaria PGFN/SRF n° 3, de 2003, no sentido possibilitar a confissão, via declaração, de débitos relativos a tributos e contribuições correspondentes a períodos de apuração objeto de ação fiscal ainda não concluída, teve o condão, como requer a Recorrente, de restabelecer a espontaneidade dos contribuintes enquadrados em tal situação. À evidência que não, eis que a lei da qual ela emergiu não lhe conferiu tal possibilidade. Com efeito, a Lei n° 10.684, de 2003, ao possibilitar a confissão de débitos ainda não constituídos, não trouxe qualquer disposição capaz de tomar inaplicável, no caso, o disposto no parágrafo único do artigo 138 do Código Tributário Nacional. Assim, não há que se falar em espontaneidade no caso em que a denúncia, aqui representada pela confissão da dívida, foi feita após o início do procedimento de fiscalização. O que a norma em comento trouxe foi, emprestando uma interpretação extensiva à expressão DÉBITOS AINDA NÃO CONSTITU1DOS contida na lei, a possibilidade de os contribuintes, ainda que se encontrassem submetidos a procedimento fiscal, usufríssem dos beneficios do parcelamento especial. Resta claro que beneficio maior não poderia ser concedido, por absoluta falta de lastro legal. Nesse diapasão, os valores a serem submetidos ao parcelamento especial são os indicados nos autos de infração lavrados, aplicando-lhes, no que couber, os beneficios previstos na Lei n°10.684, de 2003. ADICIONAL DE CS LL Alega a Recorrente que, especificamente em relação à CSLL, o cálculo seria ilegal, visto que não estaria em conformidade com os textos das leis que instituíram o adicional. Aqui, a Recorrente comete equivoco na interpretação da norma legal que majorou, transitoriamente, a alíquota da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido. Para ela, o adicional de quatro pontos percentuais introduzido pelo art. 6" da Medida Provisória n° 1.807, de 28 de janeiro de 1999 deveria_ser aplicado sobre o valor da contribuição determinado pela aí-aliquota de 8%. 9 Resta pacifico que não é essa a interpretação que se deve emprestar ao artigo 6 0 do diploma em questão, pois, como é cediço, tratou a norma de elevar, no período de 1" de maio a 31 de dezembro de 1999, a aliquota da exação para 12%. Se dúvidas remanescessem, a Instrução Normativa SRF n° 81, de 30 de junho de 1999, as dirimiu, visto que o artigo primeiro da referida norma complementar estabeleceu: A aliquota da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido — CSLL, instituída pela Lei n` 7.689, de 15 de dezembro de 1988, será acrescida do adicional de quatro pontos percentuais, relativamente aos fatos geradores ocorridos de I" cle maio até 31 de dezembro de 1999. MULTA - CONFISCO Afirma a Recorrente que a multa de oficio de 75% seria confiscatória; Como é cediço, a apreciação acerca de eventual violação a preceitos constitucionais escapa à competência das autoridades julgadoras administrativas, conforme súmula do então Primeiro Conselho de Contribuintes, abaixo transcrita, que, em conformidade com o parágrafo 4° do art. 72 da Portada MF n°256, de 2009, é de adoção obrigatória por parte dos membros do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF). •Súmula 1"CC n° 2: O Primeiro Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucianalidade de lei tributária. TAXA SEL1C Sustenta a Recorrente que a incidência dos juros de mora com base na taxa selic afronta a legislação. No que tange ao juros de mora, a matéria foi também sumulado pelo então Primeiro Conselho de Contribuintes, restando assinalado: Súmula 1° CC n` 4: A partir de 1" de abril de 1995, os juros moratórias incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inaclimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de • Liquidação e Custódia - SEL1C para títulos federais. ARROLAMENTO DE BENS E DIREITOS Argumenta a Recorrente que o arrolamento de bens e direitos : como condição para seguimento do recurso voluntário é inexigível. Descabe apreciar tal questionamento, vez que nenhuma exigência relacionada ao anojamento de bens e direitos referenciado foi formalizada no presente processo Assim, conduzo meu voto no sentido de negar provimento ao recurso. LCT • WIL3ON FERNA30. s,,••M • w S - Relator ‘e : \ io
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Numero do processo: 18471.001088/2007-81
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 11 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Sep 08 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 1302-000.439
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade, em converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Junior, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Marcelo Calheiros Soriano, Ana de Barros Fernandes Wipprich, Talita Pimenta Félix e Luiz Tadeu Matosinho Machado.
Relatório
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade, em converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Junior, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Marcelo Calheiros Soriano, Ana de Barros Fernandes Wipprich, Talita Pimenta Félix e Luiz Tadeu Matosinho Machado. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 84 71 .0 01 08 8/ 20 07 -8 1 Fl. 32334DF CARF MF Impresso em 08/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 08 /09/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 18471.001088/200781 Resolução nº 1302000.439 S1C3T2 Fl. 32.335 2 Relatório VEM VARIG ENG E MANUTENÇÃO SA, já qualificada nestes autos, inconformada com o Acórdão n° 1221.666, de 31 de Outubro de 2008, da 7ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Rio de Janeiro/RJOI, recorre voluntariamente a este Colegiado, objetivando a reforma do referido julgado. A recorrente foi cientificada do auto de infração relativo Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica IRPJ, no valor de R$ 36.752.313,62 (fls. 284/291), a Contribuição para o Programa de Integração Social PIS, no valor de R$ 1.349.907,53 (fls. 292/295), a Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social — COF1NS, no valor de R$ 2.454.377,33 (fls. 296/299) e a Contribuição Social sobre o Lucro Liquido CSLL no valor de R$ 13,230,832,89 (fls. 300/305), todos acrescidos de multa de 75% e juros de mora calculados até 31/08/2007. Além destes valores foram lançadas multas isoladas pela constatação de divergências entre os valores declarados e os valores escriturados, gerando falta de pagamento da IRPJ e CSLL, incidente sobre a base de cálculo estimada em função da receita bruta e acréscimos e/ou balanços de suspensão ou redução. A multa isolada relativa ao IRPJ perfaz o valor de R$ 1.438.813,64 (fls. 284, 288 e 291; quanta a CSLL o valor da multa isolada perfaz o valor de R$ 533.779,35 (fls. 306/308). O total do valor do credito tributário constituído é de R$ 135.294.215,30, conforme demonstrativo de fl. 02. As principais infrações apuradas estão descritas de forma sintética no acórdão recorrido, in verbis: 01) PASSIVO FICTÍCIO NO VALOR TOTAL DE R$ 81.812377,95. conforme Termo de Inicio de Fiscalização, de 13/07/2006 (fls. 59/60) e Termo de Reintimação Fiscal, de 31/08/2006, (fl 63) o contribuinte foi intimado (item 13) a apresentar documentação hábil e idônea referentes aos valores declarados na DIPJ, ano calendário 2002, ficha 39A Passivo Balanço Patrimonial, linha 16/Créditos de Pessoas Ligadas, no valor de R$ 110,658,605,98 (f1.54); e a comprovar a efetividade da entrega do numerário e a origem dos recursos supridos, antes mencionados, com documentação hábil e idônea, coincidente em datas e valores, sob pena de presunção legal de omissão de receita; o contribuinte não apresentou a documentação hábil e idônea referente aos valores declarados na DIPJ, anocalendário 2002, ficha .39A Passivo Balanço Patrimonial, linha 16/Créditos de Pessoas Ligadas, no valor de R$ 110.658.605,98. com base no balanço patrimonial o Fisco verificou que o valor em exame era composto pelas seguintes contas: 2185200000 Fornecedores Empresa do Grupo R$ 22.221.550,32; 2185400001 Pagamento Efetuado pela VARIG R$ 2.675,593,85; 2185400002 Valores em Transição VARIG R$ 81.812.577,95; 2185400004 Repasse de Valores VARIG/VEM R$ 3.948,883,86. Fl. 32335DF CARF MF Impresso em 08/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 08 /09/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 18471.001088/200781 Resolução nº 1302000.439 S1C3T2 Fl. 32.336 3 após a entrega do razão contábil, com as identificações das contrapartidas, mas sem a entrega de nenhum documento comprobatório, apesar de regularmente intimado, a Fiscalização elaborou demonstrativo contendo registros contábeis credores da conta N. 2185400002 VALORES EM TRANSIÇÃO VARIG S/A, por amostragem, e através do Termo de verificação e Intimação Fiscal, de 15/05/2007 (fls. 140/142), intimou o contribuinte, entre outros itens a apresentar documentação hábil e idônea dos registros contábeis, com valor total de R$ 54.684.827,86; em carta resposta de 30/05/2007 (fls. 153/157) o contribuinte forneceu copia de relatórios, no montante do valor solicitado; após análise dos relatórios, o Fisco verificou que se tratava de planilhas de lançamentos Sistema SAP R/3, sem nenhum documento comprobatório, folhas (244/268), mas sem nenhum documento comprobatório; em virtude da manutenção no passivo de obrigações cuja exigibilidade não foi comprovada, o Fisco entendeu caracterizada a presunção de omissão de receita, efetuando o lançamento com base no valor de R$ 81.812577,95 (saldo total da conta n° 2185400002 VALORES EM TRANSIÇÃO VARIG S/A), conforme determina o art.281, do RIR/99; 02 GLOSA DE CUSTOS NO VALOR TOTAL DE RS 33.103.123,86. através do Termo de Verificação e Intimação Fiscal, de 15/05/2007, letra d (fls.140/142), o Fisco constatou a existência de diversos registros contábeis efetuados a débito das contas do grupo n.s .3100000000 CUSTOS A APROPRIAR, e a Credito da conta n° 21852000001 Pagamento Efetuado pela Varig, no valor total de R$ 31103123,86, conforme demonstrativos de fls. 144/150, sendo o contribuinte intimado a comprovar e apresentar documentação hábil e idônea relativa a tais valores; no item 7 da mesma intimação o contribuinte foi intimado a esclarecer e justificar a forma de apropriação ao resultado do exercício das contas registradas no grupo n,3100000000 Custos a Apropriar; no item 09 também foi intimado a esclarecer e justificar se o valor verificado em tela foi deduzido do lucro liquido, na apuração do resultado do exercício, sendo a resposta afirmativa; em correspondência de 30/05/2007 (fls. 153/157) o contribuinte forneceu em meio magnético toda a movimentação ocorrida no ano fiscal de 2002 das contas pertencentes ao grupo 3100000000; o Fisco verificou que no arquivo magnético fornecido não existiam as identificações das contrapartidas dos registros contábeis, imprimiu parte do relatório constante no arquivo magnético (fls. 158/168) e fez uma ressalva na própria carta resposta (fl. 157) quanto à falta de identificação das contrapartidas; o contribuinte não apresentou documentação hábil que desse suporte ao lançamento. diante do exposto o Fisco glosou os custos e/ou despesas apropriadas pela total falta de comprovação; 03 GLOSA DE CUSTOS NO VALOR TOTAL DE R$ 23.520.738,42. em procedimento análogo o Fisco glosou o valor lançado a débito das contas do grupo 3100000000 Custos a Apropriar e a crédito da conta n.° 21852000004 Repasse Fl. 32336DF CARF MF Impresso em 08/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 08 /09/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 18471.001088/200781 Resolução nº 1302000.439 S1C3T2 Fl. 32.337 4 de Valores Varig, no valor total de R$ 23.520,738,42, par absoluta falta de comprovação (vide Termo de Verificação e Intimação Fiscal, fls.140/142, letra e, itens 5 e 10 e ainda resposta do contribuinte, fls.153/157); 4 GLOSA DE CUSTOS NO VALOR TOTAL DE R$ 8.572.814,26. em procedimento análogo o Fisco glosou os custos e/ou despesas apropriadas referentes a depreciação, pela total falta de comprovação, no valor de R$ 8.571814,26 (vide intimação fls. 108, item 7, intimação fls. 140/142 — itens c, 08 e 11 e resposta do contribuinte, fls. 153/157) 5 MULTAS ISOLADAS foram lançadas multas isoladas em virtude da constatação de divergências entre os valores declarados e os valores escriturados gerando falta de pagamento da IRPJ e CSLL, incidente sobre a base de cálculo estimada em função da receita bruta e acréscimos e/ou balanços de suspensão ou redução, 6 LANÇAMENTOS REFLEXOS em decorrência da apuração de omissão de receitas no valor de R$ 81.812.577,95, foram lançados por decorrência, as contribuições sociais correspondentes (CSLL, PIS e COFINS); sobre os custos/despesas glosados no IRPJ incidiu ainda a CSLL. Irresignada, impugnou tempestivamente o lançamento, instaurando a fase litigiosa do presente processo administrativo fiscal. Suas alegações foram sintetizadas no acórdão recorrido, nos seguintes termos: “ESCLARECIMENTOS PRELIMINARES até outubro de 2001 a VEM era desprovida de personalidade jurídica, consistindo em uma simples unidade de negócios da VARIG destinada à realização dos serviços de engenharia e manutenção aeronáutica para as empresas do Grupo (VARIG, VARIGLOG, NORDESTE,RIOSUL e PLUMA); em 22 de outubro de 2001 a VEM foi formalmente constituída como empresa autônoma com 99% de suas ações detidas pela VARIG; em 28 de dezembro de 2001 a VARIG integralizou o capital social da VEM mediante a transferência de seus ativos relacionados à atividade de prestação de serviços de manutenção de aeronaves (estoques, bens e equipamentos); a VEM iniciou suas atividades em janeiro de 2002; no ano calendário de 2002 a VEM encontravase em fase inicial de operação, pelo que compartilhava esforços e diversas atividades com a sua controladora, conforme estabelecia o Protocolo de Entendimentos celebrado em 31 de dezembro de 2001 no que respeita ao rateio de custos e despesas compartilhadas (doc. 4, fls. 453/465); nesta fase inicial diversas obrigações e contratos relativos às atividades de manutenção aeronáutica permaneciam, em nome da VARIG, razão pela qual essa empresa teve que realizar diversos pagamentos junto a fornecedores e, posteriormente, emitir contra a VEM uma "fatura" de reembolso de tais valores, também nessa fase inicial de operação, e por uma questão de prática operacional, a contabilidade da VEM era realizada de forma compartilhada nos próprios sistemas de contabilização da VARIG, sendo que essa empresa era responsável por manter, em seu poder, grande parte dos documentos fiscais que amparavam os lançamentos contábeis; como é notório, a VARIG vinha desde 2000 enfrentando uma gravíssima crise financeira que resultou na apresentação, em 17 de junho de 2005, de pedido de Fl. 32337DF CARF MF Impresso em 08/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 08 /09/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 18471.001088/200781 Resolução nº 1302000.439 S1C3T2 Fl. 32.338 5 recuperação judicial perante o Poder Judiciário do Estado do Rio de Janeiro, no qual, inclusive, alienou, em novembro de 2005, para a empresa TAP, a sua participação societária na VEM; em virtude desses diversos fatores (i) existência de relação de controle entre a IMPUGNANTE e a VARIG; (ii) compartilhamento da atividade contábil entre as empresas; (iii) existência de contratos relativos às atividades da IMPUGNANTE que ainda estavam em nome da VARIG; e (iv) existência de um acordo de rateio de despesas , os contratos, as notas fiscais e os recibos relativos aos custos e despesas pagos pela VARIG em nome da VEM e relativos aos custos e despesas compartilhados entre estas empresas, encontravamse com a VARIG no âmbito do seu processo de recuperação judicial, o que impediu a VEM de apresentálos quando solicitados, conforme inúmeras vezes foi informado à fiscalização; existiu portanto um motivo legítimo para que a VEM não conseguisse apresentar, no curso da ação fiscal, alguns dos documentos solicitados, notadamente os contratos, notas fiscais e recibos que amparavam os lançamentos contábeis; a não apresentação desses documentos, no entender da VEM, não é motivo suficiente para a presunção de omissão de receitas e para a glosa de custos e despesas, já que os esclarecimentos e documentos contábeis e fiscais da VEM constituem elementos comprobatórios da regular observância à legislação tributária no que respeita à tributação de rendimentos e à dedutibilidade de custos e despesas. DA NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO não obstante os diversos esclarecimentos prestados no curso da fiscalização quanto à dificuldade de apresentação de alguns dos documentos solicitados e a apresentação do Livro Razão que demonstrava o registro de todos os solicitações para a apresentação de documentos que, sabidamente, não se encontravam em poder da VEM, fundamentou sua autuação justamente na falta de apresentação destes documentos; a partir do momento em a VEM cumpriu com seu dever de colaboração, fornecendo todos os documentos e informações que detinha; que demonstrou a regularidade dos registros contábeis dos valores autuados, os quais fazem prova em seu favor; e que informou a localização dos contratos e notas fiscais, deveria a fiscalização, em obediência ao princípio inquisitório e da verdade material, aprofundar a sua investigação, solicitando ao juízo da recuperação judicial, ou mesmo ao administrador judicial nomeado, a apresentação dos documentos que entendia necessários à formulação de seu convencimento; as reiteradas intimações à VEM para a apresentação de documentos que motivadamente não se encontravam em seu poder, nada mais representam do que um constrangimento ilegítimo e uma postura acomodada e passiva na busca da verdade material; se o Fisco entendia que os contratos e as notas fiscais relativos aos lançamentos autuados eram indispensáveis à comprovação da inocorrência de omissão de receitas e da dedutibilidade dos custos e despesas, deveria ter solicitado ao juízo da recuperação judicial que fossem apresentados tais documentos, e não continuar formalizando sucessivas intimações à VEM para tal fim; a fiscalização cometeu erro intolerável na apuração das supostas infrações, eis que se afastou do dever de investigação que lhe é imposto pelos princípios inquisitório e da verdade material, corolários do princípio da legalidade da tributação, tendente à proteção da esfera privada dos arbítrios do poder; Fl. 32338DF CARF MF Impresso em 08/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 08 /09/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 18471.001088/200781 Resolução nº 1302000.439 S1C3T2 Fl. 32.339 6 cita doutrina e jurisprudência; no presente caso não se está diante da inexistência de documentação probatória, mas sim do fato de tais documentos cuja existência é indiscutível estarem de posse de uma autoridade judicial, deste modo, não poderia a fiscalização ter presumido a omissão de receita e a indedutibilidade de custos e despesas regularmente registrados na escrita contábil da VEM, sem ao menos ter diligenciado no sentido de obter os documentos que entendia indispensáveis à formação de seu convencimento, por tais razões requer a nulidade da autuação. DA IMPROCEDÊNCIA DO AUTO DE INFRAÇÃO destaca que nos termos dos artigos 923 e 924 do RIR/99 a escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte, cabendo à autoridade administrativa a prova da inveracidade dos fatos registrados; no caso da presente autuação em momento algum a fiscalização desclassificou a escrita contábil da VEM, tendo havido reiteradas intimações para que a VEM apresentasse documentos que amparavam os lançamentos contábeis realizados, os quais, como atrás mencionado, estavam em poder de autoridade judicial, no caso, o juízo da recuperação judicial da VARIG; a Fiscalização não suscitou no curso da ação fiscal a imprestabilidade da escrita contábil da IMPUGNANTE, donde resulta que não poderia simplesmente ter recusado o valor probante dos documentos apresentados e, assim, presumido a ocorrência de omissão de receitas e a indedutibilidade dos custos e despesas; além da manifesta nulidade o auto de infração é manifestamente improcedente, já que os esclarecimentos e documentos detidos pela VEM constituem elementos hábeis a demonstrar a inexistência de passivo fictício e, assim, afastar a presunção de omissão de receita , e a demonstrar a dedutibilidade dos custos e despesas glosados; DA INOCORRÊNCIA DE OMISSÃO DE RECEITAS o Fisco alega que a VEM teria mantido em seu passivo exigível uma obrigação não comprovada de R$ 81.812.577,95, o que geraria a presunção de omissão de receitas neste mesmo valor, nos termos do art. 281 do Regulamento do Imposto de Renda RIR/99; ao contrário do que afirma o auto de infração o referido valor não poderia ter sido considerado um passivo fictício da VEM, posto se referir a efetivos créditos detidos pela VARIG contra a VEM, os quais estavam devidamente registrados em uma conta do passivo denominada "Créditos da VARIG a Capitalizar" e foram efetivamente capitalizados em 24 de novembro de 2003; os referidos créditos eram de 03 (três) naturezas distintas: (i) diferença apurada entre o valor constante dos laudos de avaliação dos bens a integralizar ao capital da VEM (datados de 17 de dezembro de 2001), e o valor efetivo desses bens em 31.12.2001 (data da efetiva integralização) (doc. 5, fls. 466/531); (ii) ordens de serviços de manutenção aeronáutica que estavam abertas em nome da VARIG em 31.12.2001 e que foram repassadas à VEM, mas que não foram consideradas na primeira integralização de seu capital social (doc. 6, fls. 533/565); e (iii) insumos aeronáuticos que foram importados pela VARIG, no período de janeiro a maio de 2002, e que foram posteriormente repassados à VEM (doc. 7, fls. 567/2920); os referidos créditos, no valor total de R$ 81.812.577,95, estavam devidamente registrados como "Créditos a Capitalizar" no balanço patrimonial da VEM levantado em 31 de dezembro de 2002 (doc. 8, fl. 2922), o qual foi devidamente auditado por Fl. 32339DF CARF MF Impresso em 08/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 08 /09/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 18471.001088/200781 Resolução nº 1302000.439 S1C3T2 Fl. 32.340 7 empresa independente de auditoria (Deloitte Touche Tohmatsu Auditores Independentes doc. 9, fls. 2924/2941); a informação de que esse valor seria relativo a Créditos a Capitalizar foi, inclusive, transmitida à fiscalização por intermédio da manifestação apresentada pela VEM em 29 de setembro de 2006; em Reunião do Conselho de Administração da VEM ocorrida em 24 de novembro de 2003, foi deliberado o aumento de seu capital social mediante o aporte, pela VARIG, justamente do valor daqueles créditos de R$ 81.812.577,95 (doc. 10, fl. 2942); a capitalização desses créditos constou também do balanço patrimonial encerrado em 31.12.2003, no qual se encontra zerado o saldo da referida conta "Créditos a Capitalizar" (doc. 11, fl. 2944); não há que se falar em passivo fictício, eis que existe prova da origem dos créditos detidos pela VARIG contra a VEM, bem como prova de que esses créditos, registrados em conta de capital a integralizar, foram efetivamente vertidos ao capital social da IMPUGNANTE em 24 de nvembro de 2003; por ter sido demonstrada a inexistência de passivo fictício no valor de R$ 81.812.577,95 não há como prevalecer as exigências fiscais lançadas com base na presunção de omissão de receita; resulta a improcedência não só do lançamento do imposto de renda sobre o referido valor,como também dos lançamentos reflexos de CSLL, de PIS e de COFINS. DA IMPROCEDÊNCIA DA GLOSA DE CUSTOS E DESPESAS NO VALOR DE R$ 33.103.123,86 o auto de infração alega que a VEM teria deduzido indevidamente custos/despesas no valor total de R$ 33.103.123,86, por ausência de comprovação, os quais constavam da conta 21852000001 "Pagamento efetuado pela VARIG" e foram repassados para a conta 31000000 "Custos a Apropriar", a fiscalização não poderia ter glosado tais custos e despesas, tendo em vista que estes foram incorridos para o desenvolvimento das atividades da VEM, pelo que poderiam ser abatidos da base tributável do IRPJ e da CSLL; referidos valores se referiam a custos e despesas da VEM que, nos termos do acordo de rateio de despesas constante do Protocolo de Entendimentos datado de 31 de dezembro de 2001, foram pagos inicialmente pela VARIG e, posteriormente, foram objeto de fatura de reembolso emitida pela VARIG contra a VEM; a grande maioria dessas despesas referiase a pagamentos efetuados pela VARIG para oficinas externas que realizaram manutenção nos sobressalentes técnico transferidos à VEM por ocasião da integralização inicial de seu capital social (31.12.2001); conforme se verifica do razão contábil dessa conta (21852000001) que contém discriminadamente todos os lançamentos de janeiro a dezembro de 2002 e que foi devidamente apresentado à fiscalização, além das despesas com oficinas externas, esses valores se referiam a pagamento relacionados a serviços de informática, a serviços de apoio terrestre ("handling"), a materiais utilizados na prestação de serviços, a aluguéis e manutenção de "softwares", a aluguéis de imóveis e a despesas judiciais, ou seja, todos esses valores constituíam custos e despesas necessários e usuais à atividade da VEM; tais valores eram inicialmente registrados na conta 21852000001 "Pagamento efetuado pela VARIG" já que se referiam a pagamentos de despesas da VEM feitos pela Fl. 32340DF CARF MF Impresso em 08/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 08 /09/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 18471.001088/200781 Resolução nº 1302000.439 S1C3T2 Fl. 32.341 8 VARIG sendo posteriormente registrados na conta de custos a apropriar (3100000000); apesar da VEM não possuir individualizadamente cópia das notas fiscais emitidas pelos fornecedores contra a VARIG, já que tais documentos, como mencionado, encontramse em poder dessa empresa, fato é que a VEM possui documento fiscal que ampara o "reembolso" à VARIG pelo pagamento inicial de seus custos e despesas, qual seja, a "Fatura de Vendas" n° 7700649801202, no valor de R$ 105.739.415,26, emitida em 24 de janeiro de 2003. (doe. 12, fls. 2946/2947); a prova de que o valor de R$ 33.103.123,86, apontado pelo agente fiscal como o valor total dos custos/despesas não comprovados, está contido na referida diferença apresentada entre o valor desta movimentação total e o valor da mencionada fatura de venda (R$ 2.675.593,85), foi transportada ao final do exercício para a conta do passivo "Pagamento efetuado pela VARIG"; conquanto não conste da referida fatura uma descrição pormenorizada de cada custo/despesa incorrido, tal documento (que prevê um repasse das despesas de janeiro a dezembro de 2002), aliado ao acordo de rateio de despesas celebrado entre a VARIG e a VEM e à descrição dos lançamentos constantes do razão contábil apresentado no curso da fiscalização, revela que o valor de R$ 33.103.123,86 referese a custos e despesas da VEM, incorridos no ano de 2002 para o desenvolvimento de suas atividades, caso o agente fiscal entendesse que os documentos e esclarecimentos apresentados pela VEM não eram suficientes para amparar a dedutibilidade das referidas despesas, deveria, conforme já mencionado, têlos solicitado ao juízo da recuperação judicial da VARIG, uma vez que a VEM esclareceu que estava sem acesso a tais documentos; por tais razões requer o cancelamento da glosa. DA IMPROCEDÊNCIA DA GLOSA DE CUSTOS E DESPESAS NO VALOR DE R$ 23.520.738,42 alega o auto de infração que a VEM teria deduzido indevidamente custos/despesas no valor total de R$ 23.520.738,42, já que não teria comprovado a dedutibilidade desses custos e despesas, que constavam da conta 21854000004 "Repasse valores VARIG" e foram transferidos para a conta 31000000 "Custos a Apropriar"; tal glosa também não procede, na medida em que se referem a custos e despesas necessários e usuais à atividade da VEM; referidos valores consistiam na parcela imputável à VEM quanto aos custos e despesas incorridos pela VARIG no que concerne às atividades compartilhadas, nos termos do acordo de rateio de despesas celebrado entre as partes por meio do Protocolo de Entendimentos de 31 de dezembro de 2001; assim, os custos/despesas inicialmente assumidos em sua integralidade pela VARIG eram, num segundo momento, repassados à VEM pela VARIG, com base em critérios de rateio já estabelecidos, mediante a emissão de documento de reembolso; muito embora não estivesse de posse de parcela dos documentos que amparavam cada um dos lançamentos apontados pelo agente fiscal, fato é que a VEM apresentou à fiscalização o razão contábil da conta 21854000004, o qual continha a individualização de todos os lançamentos realizados nesta conta de janeiro a dezembro de 2002 e, assim, demonstrava a natureza de cada um desses custos/despesas; Fl. 32341DF CARF MF Impresso em 08/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 08 /09/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 18471.001088/200781 Resolução nº 1302000.439 S1C3T2 Fl. 32.342 9 do rol de lançamentos apontados pelo fiscal como não comprovados três registros se referem a valores estornados que jamais poderiam integrar a glosa de custos/despesas; os lançamentos relativos aos documentos de n°s 2900000039 e 100140763, ambos no valor de R$ 880.515,20, consistem, na verdade, em um lançamento registrado por equívoco na referida conta, e no respectivo lançamento de estorno; devidamente estornado, conforme se verifica da anexa planilha (doe. 13, fl. 2949); a VEM possui os documentos que amparam os lançamentos relativos aos documentos de n°s 2900000026, 2900000034 e 2900000040, nos respectivos v a l o r e s de R$ 1.232.034,99, R$ 999.973,56 e R$ 880.515,20 e, assim, amparam a dedutibilidade dos referidos custos e despesas; conforme se verifica das respectivas "faturas de venda"pelas quais a VEM "reembolsa" a VARIG da parcela que lhe cabe nas atividades compartilhadas (doe. 14, fls.2951/2978), todos os valores em questão referemse a custos e despesas da VEM necessárias ao desempenho de suas atividades; caso o agente fiscal entendesse que os documentos e esclarecimentos apresentados pela VEM não eram suficientes para amparar a dedutibilidade das referidas despesas, deveria, conforme já mencionado, têlos solicitado ao juízo da recuperação judicial da VARIG, uma vez que a VEM esclareceu que estava sem acesso a tais documentos; por tais razões requer o cancelamento da glosa. DA IMPROCEDÊNCIA DA GLOSA DE DESPESAS DE DEPRECIAÇÃO NO VALOR DE R$ 8.572.814,26 o auto de infração glosou ainda despesas de depreciação no valor de R$ 8.572.814,26, as quais foram declaradas pela VEM na DIPJ relativa ao anocalendário de 2002 com o título "Repasse VARIG", sob a alegação de falta de apresentação dos documentos que suportariam o direito de depreciação e a forma de seu cálculo; a fiscalização não poderia ter glosado os referidos valores, eis que estes se referiam a encargos de depreciação de instalações aeroportuárias utilizadas pela VEM, bem como de bens que lhe haviam sido fisicamente transferidos pela VARIG, mas que aguardavam deliberação para sua integralização no capital social da VEM; no que concerne às instalações aeroportuárias, o próprio Protocolo de Entendimentos previu que tais instalações seriam transferidas para a VEM mediante a cessão dos contratos de concessão de uso celebrados entre a Infraero e a VARIG (doe. 4, fls. 454/465); no que respeita aos equipamentos, após a constituição formal da VEM, esses bens já se encontravam na sua efetiva posse, estando, inclusive, alceados em suas operações; em virtude do fato de que, no ano calendário de 2002, os contratos celebrados com a Infraero ainda estavam em nome da VARIG, bem como do fato de que os equipamentos ainda não tinham sido formalmente transferidos para a VEM, as despesas de depreciação relativas às instalações aeroportuárias e aos mencionados equipamentos foram inicialmente registradas nos sistemas contábeis da VARIG e, na seqüência, repassadas para a VEM; Documento assinado Fl. 32342DF CARF MF Impresso em 08/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 08 /09/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 18471.001088/200781 Resolução nº 1302000.439 S1C3T2 Fl. 32.343 10 tal procedimento que justifica que a VEM tenha lançado tal valor na subconta "Repasse VARIG" dentro da sua conta de encargos de depreciação; por se tratar de um repasse da VARIG, a depreciação utilizada pela VEM seguiu exatamente os mesmos critérios que vinham sendo utilizados pela VARIG ao contrário do que afirma o auto de infração, são plenamente dedutíveis as despesas de depreciação contabilizadas pela VEM sobre áreas aeroportuárias que utilizava para o desenvolvimento de suas atividades (doe. 15, fl. 2980), bem como sobre os equipamentos alceados em sua operação, já que era a VEM que suportava o encargo econômico do desgaste destes bens, conforme autoriza o art. 305, §1° do RIR/99 (doe. 16, fls. 2982/3050); por tais razões requer o cancelamento integral da glosa e canceladas as exigências de IRPJ e CSLL formuladas sobre a glosa de despesas de depreciação. DA IMPROCEDÊNCIA DAS MULTAS ISOLADAS o auto de infração impôs multas exigidas isoladamente no percentual de 75%, sobre os valores supostamente devidos de IRPJ e CSLL nos meses de julho a setembro de 2003, com base no regime de estimativa; o fundamento legal exclusivo de tal exigência consistiu no art. 44, § 1º, inciso IV. da Lei n° 9.430/96; a referida multa isolada deve ser prontamente cancelada pela razão de que, à época da autuação, o dispositivo de lei que fundamentou a sua aplicação já havia sido expressamente revogado pelo art. 14 da Lei n° 11.488, de 15 dejunhode2007; tendo a Lei n° 11.488/2007 passado a viger na data de sua publicação, isto é , em 15 de junho de 2007, na data da lavratura do auto de infração 04 de setembro de 2007 o dispositivo legal em causa já não se encontrava mais em vigor, citando jurisprudência do Conselho de Contribuintes. DO PEDIDO FINAL requer que seja julgado totalmente improcedente o auto de infração em matéria de IRPJ e seus reflexos (CSLL, PIS e COFINS) e quanto às multas isoladas; protesta pela apresentação posterior de novos documentos, provas e alegações para a perfeita elucidação dos fatos, bem como diligência probatória junto à VARIG e quaisquer outras provas necessárias ao mais amplo esclarecimento do presente processo administrativo." A 7ª Turma da DRJ em Rio de Janeiro/RJOI analisou a impugnação apresentada pela contribuinte e, por via do Acórdão nº 1221.666, de 31 de outubro de 2008 (fls. ), considerou procedente o lançamento com a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002 NULIDADE INOCORRÊNCIA O atendimento aos preceitos estabelecidos no CTN e na legislação de processo administrativo tributário, especialmente a observância do amplo direito de defesa do contribuinte e do contraditório, afastam a hipótese de Ocorrência de nulidade do lançamento. PERÍCIA. O pedido de perícia desacompanhado da indicação dos quesitos e da qualificação do perito é considerado não formulado. Ademais, a perícia revelase prescindível se as alegações do contribuinte são passíveis de demonstração nos autos e o simples Fl. 32343DF CARF MF Impresso em 08/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 08 /09/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 18471.001088/200781 Resolução nº 1302000.439 S1C3T2 Fl. 32.344 11 exame do processo pelo julgador é suficiente para formar convicção acerca da matéria, que não exige o pronunciamento de técnico especializado, PASSIVO FICTÍCIO. ÔNUS DA PROVA, INTERESSADA. FALTA DE COMPROVAÇÃO DOCUMENTAL, Presumese a ocorrência de omissão de receitas, quando a interessada não comprova, com documentação hábil e idônea, as obrigações existentes nas contas do passivo do Balanço Patrimonial. ESCRITURAÇÃO, DOCUMENTOS HÁBEIS. GLOSA DE CUSTOS E DESPESAS A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis. A ausência nos autos de provas hábeis para comprovar a existência de despesas e custos impõe a manutenção das glosas efetuadas. RATEIO DE CUSTOS. DEDUTIBILIDADE, A dedução de dispêndios a título de rateio de custos comuns entre empresas interligadas sujeitase demonstração do critério de rateio utilizado e comprovação de que os valores corresponderam efetivamente à contrapartida de algo recebido, além de serem necessários As operações da pessoa jurídica ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Ano calendário: 2002 PIS, COFINS, CSLL, Na ausência de argumentos diferenciados, aplicase ao lançamento decorrente aquilo que restou decidido em relação ao IRPJ. Mantido o lançamento principal igual sorte assiste aos lançamentos reflexos. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano calendário: 2002 MULTA ISOLADA REDUÇÃO DE 75% PARA 50% Cabe a aplicação da regra do art, 106, inc. II, do Código Tributário Nacional, que dispõe que a lei nova se aplica a ato ou fato não definitivamente julgado quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo de sua prática. Lançamento Procedente em Parte Ciente da decisão de primeira instância em 30/07/2009, conforme Aviso de Recebimento à fl. 3095/v, a contribuinte apresentou recurso voluntário em 31/08/2009 conforme carimbo de recepção à folha 3098. Os principais argumentos da recorrente foram sintetizados na Resolução nº 1302000.160, de 10/04/2012, desta turma julgadora, in verbis: Em sua defesa, a empresa informa que, no ano de 2002, a VARIG transferiu para a VEM VARIG, em uma reestruturação societária, certos ativos e passivos inerentes à atividade da VEM VARIG. Por uma questão operacional, a VARIG continuou temporariamente agindo em nome próprio, mas por conta e ordem da VEM VARIG, para efetuar diversos pagamentos e receber valores, até que fosse possível em 2003 regularizar as autorizações e providências operacionais necessárias para transferência efetiva de contratos e ativos da VARIG para a VEM VARIG, bem como informar todas as contrapartes acerca da reestruturação. Além disso, a VEM VARIG cooperava com a VARIG em um convênio de compartilhamento de custos administrativos, que consta do processo, e por isso arcava mensalmente com custos rateados por esse convênio pagando um percentual da participação nas despesas. Fl. 32344DF CARF MF Impresso em 08/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 08 /09/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 18471.001088/200781 Resolução nº 1302000.439 S1C3T2 Fl. 32.345 12 A VEM VARIG rememora que a auditoria fiscal teve início no final de 2006 sendo que em novembro de 2005 a VEM VARIG foi alienada para a TAP. Por outro lado, a VARIG estava em reestruturação judicial, o que tornava extremamente difícil a VEM VARIG obter ou localizar os documentos de posse da VARIG. Quanto ao passivo fictício, a contribuinte demonstrou que teve origem em recursos contribuídos pela VARIG, relativamente a insumos aeronáuticos, R$ 55.905.662,26, comprovados por meio de notas fiscais de insumos aeronáuticos. Além disso, houve uma diferença de R$ 1.453.250,46 relacionada ao valor e quantidade de ativos transferidos à VEM pela VARIG em aumento de capital e o valor do efetivo aumento de capital, o que é comprovado pelo laudo de avaliação dos bens recebidos em aumento de capital. Além disso, havia o valor de R$ 24.453.665,23 relativo a ordens de serviço de manutenção ligadas aos bens transferidos em aumento de capital que foram pagas pela VARIG e posteriormente repassadas à VEM. A soma dessas parcelas corresponde ao passivo fictício de R$ 81.812.577,95, futuramente "pago" por meio de capitalização com emissão de ações para a VARIG. Quanto às despesas, pontuou a recorrente que encaminhou uma série de documentos à autoridade fiscal: contratos, registros contábeis principais e auxiliares, dentre outros; suficientes para demonstrar que suas despesas foram pagas à VARIG pela gestão operacional que ela fez das questões administrativas da VEM VARIG e dos contratos e contas a pagar da VEM no ano de 2002. Os registros contábeis têm o detalhamento da natureza das contas e serviços pagos à VARIG e faz prova a favor da contribuinte. Houve a necessidade da VEM apoiarse na VARIG para a prestação de tais atividades em 2002 pela dificuldade operacional de transferir tudo imediatamente para a VEM. Era uma fase de reestruturação societária e operacional. No mais, a VEM solicitou que a autoridade fiscal diligenciasse a VARIG para obter os documentos adicionais capazes de conferir a abertura dos valores pagos pela VEM à VARIG, estando a VEM VARIG impossibilitada de fazer o mesmo pela reestruturação judicial. Cabe à autoridade fiscal comprovar que as despesas não são necessárias e ela não se desincumbiu do ônus, razão pela qual o lançamento é nulo. Caso a autoridade fiscal não acreditasse na seriedade da escrita contábil da contribuinte, poderia arbitrar o lucro. O fato de não ter desconsiderado a escrita contábil da empresa demonstra que ela é prestável e hábil e os registros nela contidos valem como prova a seu favor quanto à existência e natureza necessária das despesas. VEM VARIG encaminhou, em anexo à impugnação, Fatura de Vendas n° 7700649801 02, no valor de R$ 105.739.415,26, emitida pela VARIG, pela qual a VEM reembolsou as despesas custeadas por aquela empresa em seu benefício. O total das despesas incorridas relacionadas às atividades prestadas pela VARIG foi, para a VEM, R$ 108.415.009,11 no ano de 2002. R$ 105.739.415,26 foram representados por essa Fatura de Vendas cujo valor foi efetivamente pago pela VEM à VARIG. A diferença foi lançada em passivo da VEM para futuro reembolso e pagamento à VARIG. O valor dessas despesas representa mais de 25% dos custos da VEM VARIG no ano, no total de R$ 384 milhões. Ele engloba ainda os R$ 33.103.123,86 glosados pela autoridade fiscal que fez sua seleção de despesas em base amostral relacionada ao item Pagamento Efetuado pela VARIG. No mais, os valores pagos à VARIG têm relação com serviços de manutenção, segundo razão contábil, demonstrando direta relação com as atividades da empresa. Para conferir se a VARIG efetivamente pagou a terceiros tudo o que cobrou da VEM, e assim obter uma abertura dos valores pagos à VARIG, o auditor fiscal deveria diligenciar e obter esclarecimentos daquela empresa. Fl. 32345DF CARF MF Impresso em 08/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 08 /09/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 18471.001088/200781 Resolução nº 1302000.439 S1C3T2 Fl. 32.346 13 Já o valor de R$ 23.520.738,42, glosado pela autoridade fiscal, consiste em efetivo custo relativo ao compartilhamento de estruturas administrativas com a VARIG pagas à VARIG nos termos da documentação contábil da empresa, contrato apresentado à autoridade fiscal e anexo demonstrando a abertura dos custos compartilhados. Esse compartilhamento foi ainda demonstrado em parte com notas fiscais apresentadas ao processo. Considerando que a VEM não tinha estrutura em 2002 para executar tais atividades, resta clara a necessidade da despesa. A autoridade fiscal lançou ainda o valor de R$ 880.515,20, incluído nos R$ 23 milhões, que claramente foi estornado por prova contábil apresentada nos autos. Já o valor de R$ 5.877.071,49, também incluído nos R$ 23 milhões, é um lançamento a crédito no resultado, redutor de despesas, cuja glosa não pode ser capaz de aumentar o lucro líquido, senão reduzir. A despesa de depreciação de R$ 8.572.814,26 confere exatamente à aplicação do percentual de depreciação sobre os bens do ativo permanente transferidos pela VARIG à VEM em aumento de capital e a única razão pela qual a VEM não registrou diretamente tal despesa foi porque a efetiva transferência do ativo dependia de aprovação. Então, até tal aprovação a VEM reembolsou a VARIG pelo custo correspondente. Por sua vez, a aplicação de multa isolada concomitantemente com lançamento de ofício caracterizase uma dupla penalidade sobre a mesma infração que é deixar de pagar o tributo objeto do lançamento, logo, não cabe manter o lançamento de duas multas sobre a mesma falta. Além disso, à época do lançamento, a multa isolada, ainda que aplicável, conforme entendeu o auditor estar prevista no artigo 44 da Lei 9.430/96, fora expressamente revogada pelo artigo 14 da Lei 11.488/07. O auditor fiscal, única autoridade capaz de lançar nos termos do art. 146 do Código Tributário Nacional, fundamento o lançamento no art. 44 da primeira Lei, não sendo possível à autoridade julgadora emendar tal fundamento sob pena de nulidade do lançamento. Requereu portanto o recurso seu acolhimento e provimento integral. A Relatora da referida resolução observou ainda que “A contribuinte protocolizou ainda neste processo um memorial informando que ingressou com a ação de exibição de documentos GRERJ 5013730175977 movida contra a VARIG para a obtenção dos documentos necessários à comprovação de valores de que trata este processo e alega que teve acesso aos documentos conseguindo localizar praticamente todas as notas fiscais e documentos que comprovam a improcedência do lançamento. Tal ação judicial é fato novo”. Entendeu a d. Relatora propor a realização de diligências, acatada por unanimidade pela turma julgadora, nos seguintes termos: Avaliando os elementos do processo, verifico a necessidade de diligências adicionais com o objetivo de formar convencimento acerca da efetiva demonstração da origem do passivo fictício e da existência e necessidade das despesas. Nesse tanto, solicito converter o julgamento em diligência para que a autoridade preparadora intime a Recorrente para apresentar os seguintes esclarecimentos. 1 Passivo fictício de R$ 81.812.577,95 Liste os valores que demonstram o pagamento pela VARIG dos insumos aeronáuticos no montante de R$ 55.905.662,26, bem como corrobore tais valores e lançamentos com documentação hábil e idônea tais como os registros de entradas e saídas de insumos, notas fiscais, duplicatas ou faturas comprobatórias, dentre outros documentos que demonstrem que a VARIG incorreu nesses custos em prol da VEM. Fl. 32346DF CARF MF Impresso em 08/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 08 /09/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 18471.001088/200781 Resolução nº 1302000.439 S1C3T2 Fl. 32.347 14 Apresente documentação comprobatória das ordens de serviço dos ativos transferidos pela VARIG à VEM e demonstre o custo incorrido pela VARIG com essas ordens relativamente ao pagamento a fornecedores, no montante de R$ 24.453.665,23. Comprovar tais pagamentos por documentação hábil, tais como contratos e notas fiscais com fornecedores ou comprovantes de pagamento. 2 Despesas no montante de R$ 33.103.123,86 Apresente documentação comprobatória do pagamento pela VEM ou pela VARIG recebimento dos valores relativos à Fatura de Vendas n° 7700649801202, no valor de R$ 105.739.415,26, emitida pela VARIG, bem com para apresentar prestação de contas da VARIG relacionada ao valor de R$ 33.103.123,86, contido naquele pagamento, com a abertura analítica desses valores que permitam o reconhecimento de sua natureza fática, tais como informando datas de pagamento, valores, tipos de custos aos quais se relacionam. A abertura analítica deve ser corroborada por notas fiscais, prestação de contas ou outros documentos comprobatórios das despesas que formaram base dos R$ 33 milhões. 3 Despesas no montante de R$ 23.520.738,48 Comprove a adequação do anexo relativo à abertura analítica do convênio de rateio entre VEM e VARIG, demonstrando as Faturas de Venda correspondentes, a abertura dos custos reembolsados e os critérios adotados para o rateio dos custos, bem como a razoabilidade desses critérios visàvis as despesas rateadas. Demonstrar a quitação dessas despesas junto à VARIG. 4 Despesas de depreciação no montante de R$ 8.572.814,26 Listar os bens do ativo permanente, recebidos pela VEM em aumento de capital promovido pela VARIG, seu valor contábil antes e após depreciação, e demonstrar a memória de cálculo da depreciação incorrida no ano de 2002 conforme reembolsada à VARIG. 5 Outros esclarecimentos. A recorrente deve ainda ser intimada para apresentar quaisquer outros esclarecimentos que entenda oportunos relacionados às despesas glosadas ou aos passivos fictícios, desde que corroborados por documentos comprobatórios. A recorrente deve ser requerida a apresentar os documentos à autoridade preparadora uma única vez, em prazo razoável não inferior a 30 (trinta) dias, prorrogável por mais 30 (trinta) dias, na forma de Anexos que devem ser numerados conforme o item ou subitem acima, 1 a 5, ao qual se relacionam referidos documentos. Os Anexos devem ser acompanhados de um relatório explicativo sintético informando em qual medida de valor e de fato cada um dos documentos anexados demonstra a origem imediata ou mediata do passivo, que foi considerado fictício, ou a existência das despesas lançadas na contabilidade da empresa e sua necessidade. (grifei) Uma vez recebida a manifestação da contribuinte, solicito à autoridade preparadora que, por favor, a anexe ao processo e o devolva a esta Turma para que o julgamento possa ser prosseguido. Encaminhados os autos à unidade origem, a recorrente foi cientificada do teor da resolução, mediante intimação (fls. 3591) na qual foi solicitada a apresentação de documentação exigida nos itens 01 a 05 da Resolução, no prazo de 30 dias. Em 29 de abril de 2013 a recorrente, respondeu a intimação (fls. 3660/3671) informando que, considerando o grande número de documentos e livros contábeis relacionados Fl. 32347DF CARF MF Impresso em 08/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 08 /09/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 18471.001088/200781 Resolução nº 1302000.439 S1C3T2 Fl. 32.348 15 às infrações imputadas no auto de infração houve por bem contratar os serviços da empresa Ernst & Young Terço (E&Y) para a análise de todos os documentos e livros contábeis do ano de 2002, inclusive os obtidos junto à excontroladora da recorrente (VARIG) de forma a verificar se prevaleciam ou não as infrações imputadas no auto de infração. A recorrente anexou em sua manifestação do Laudo nº TR/1560/2013 e os documentos que embasaram suas conclusões. Em síntese a recorrente, com base na análise da E&Y, apresentou os seguintes esclarecimentos: I – Quanto ao Passivo Fictício de R$ 81.812.577,95. Que este item era subdividido em três créditos distintos: a) R$ 55.905.662,26, relativo a insumos aeronáuticos importados pela VARIG no período posterior à primeira integralização de capital da recorrente (janeiro a maio de 3003) e que foram repassados à recorrente para a realização de serviços de manutenção: Esclareceu que a E&Y levantou e analisou as 2.040 notas fiscais de transferência dos insumos pela VARIG e confrontouas com o Livro de Entradas da recorrente, tendo constatado que todos os insumos deram entrada no estabelecimento da recorrente. Efetuou também o confronto dos insumos indicados nas notas fiscais com o controle de estoque da recorrente e concluiu que todos os itens descritos foram efetivamente transferidos, conforme anexo 1 e 2 do Laudo. Conclui o laudo que o valor de R$ 55.905.662,26 representava um efetivo crédito da Varig junto a recorrente, razão pela qual não poderia ser qualificado como passivo fictício. b) R$ 1.453.250,46, relativo aos valores constantes dos laudos de avaliação dos bens a integralizar ao capital da recorrente, que já estariam esclarecidos nos autos. c) R$ 24.453.665,23, relativo a Ordens de Trabalho OT em andamento transferidas pela Varig à recorrente: Esclareceu que as referidas OT eram documentos utilizados para controlar os custos incorridos na realização de serviços de manutenção pela Varig, em aberto em 31/12/2001, que foram transferidas para a recorrente juntos com os ativos e passivos, tendo em vistas estarem vinculados à atividade que passou a ser exercida por ela (recorrente) a partir de 2002. Afirma que a E&Y realizou levantamentos não só do controle contábil das referidas OT, como também das notas fiscais que foram emitidas pela recorrente quando da conclusão dos serviços constantes das OT transferidas e concluiu que restou demonstrado a transferência dos créditos pela Varig, objetivando a integralização de capital da VEM, não podendo ser tratado como passivo fictício. II – Quanto a as glosas de despesas nos montantes de R$ 33.103.123,86 e R$ 23.520.738,48 (perfazendo um total de R$ 56.623.862,26). Esclarece que a E&Y analisou os livros e documentos fiscais relacionados aos custos e despesas de 2002, inclusive os documentos obtidos junto à própria Varig, e teria Fl. 32348DF CARF MF Impresso em 08/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 08 /09/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 18471.001088/200781 Resolução nº 1302000.439 S1C3T2 Fl. 32.349 16 constatado “a não prevalência da quase totalidade da glosa de indedutibilidade feita pelo auto de infração”, como segue: a) Equívoco na glosa de R$ 16.761.509,22 Que a E&Y verificou que o montante de R$ 16.761.509,22 foi glosado equivocadamente, pois se referia a lançamento de natureza distinta (estorno, crédito de tributo recuperável, etc) não se tratando de despesas, conforme os anexos 7 e 8 do laudo técnico. Assim, restaria a ser comprovada a dedutibilidade de apenas R$ 39.862.353,04. b) Despesas com folha de pagamento de R$ 2.301.304,42 Que o laudo técnico da E&Y aponta que a contrapartida de parte dos lançamentos glosados se referia a despesas com folha de pagamento da recorrente, cuja dedutibilidade é incontroversa e que, como a recorrente, no início de suas operações não tinha caixa, a Varig realizou diversos pagamentos em seu nome. Por isto a recorrente escritura esses custos como passivo na conta “Pagamento efetuados pela Varig”, motivo pelo qual o valor de R$ 2.301.304,42, foi escriturado nessa conta, conforme anexos 10 e 11 do laudo. Assim, conclui que o valor de R$ 2.301.304,42 corresponde a despesas com salários e não pode servir de base para tributação. c) Glosa de despesas de depreciação no valor de R$ 1.234.652,39 Afirma que a E&Y, em sua análise, verificou que uma parcela dos lançamentos glosados, no valor de R$ 1.234.652,39, referiase a depreciação e que tal valor não poderia sr objeto de glosa nessa conta, pois o auto de infração já tinha outra infração com glosa específica de despesas com depreciação, gerando uma dupla tributação sobre a mesma despesa, conforme o anexo 12 do laudo. Desse modo, a quantia de R$ 1.234.652,39, relativa a despesas com depreciação deve ser excluída do montante de custos de despesas tidos como indedutíveis. d) Glosa de despesas no valor de R$ 5.793.877,20 Esclarece a recorrente que na sua análise dos documentos a E&Y conseguiu comprovar, por meio do “método de comprovação direta” a dedutibilidade de R$ 5.928.109,28, conforme o anexo 9 do laudo. Afirma que a E&Y identificou a contrapartida, na conta de resultado, dos lançamentos autuados e conseguiu localizar a nota fiscal que amparava o referido lançamento, comprovando assim a dedutibilidade da referida despesas e que as notas fiscais possuem o critério de rateio de despesas adotado no próprio documento conforme anexo 14 do laudo. Assim, restaria comprovada a ocorrência e dedutibilidade dessas despesas, bem como o critério de rateio. e) Glosa de despesas no valor de R$ 14.221.280,71 Esclarece a recorrente que a E&Y analisou os documentos constantes dos arquivo da Varig, sob a guarda do administrador da massa falida, a fim de comprovar a efetiva realização de despesas em prol da recorrente. Afirma que a E&Y identificou os documentos Fl. 32349DF CARF MF Impresso em 08/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 08 /09/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 18471.001088/200781 Resolução nº 1302000.439 S1C3T2 Fl. 32.350 17 referentes às despesas de maior valor autuadas pela fiscalização, destacando três fornecedores: GE (contrato MPCH), Equant (aluguel de equipamentos) e IBM (serviços de informática), como se verifica no anexo 15 do laudo. A E&Y também validou as despesas incorridas no ano de 2002, a título de energia elétrica do estabelecimento de Porto AlegreRS, bem como despesas pagas a INFRAERO (luz, água e arrendamento), confrontadoas com os valores contabilizados pela recorrente. Da referida análise concluiu que o saldo dos documentos analisados e identificados pela E&Y foi superior aos saldo dos lançamentos autuados pela fiscalização, de modo que restaria comprovada a realização de despesas no valor de R$ 14.721.280,71 (anexo 13 do laudo). f) Da glosa de despesas de R$ 16.081.238,32 Esclarece a recorrente que o valor remanescente de R$ 16.081.238,32, que não puderam ser identificadas pela E&Y no prazo concedido pelo CARF, consistem em custos necessários à sua atividade, já que se referiam, principalmente, a pagamentos pelo fornecimento de serviços de manutenção nos sobressalentes técnicos da recorrente, indispensáveis ao desenvolvimento de suas atividades. Que, da análise do razão contábil da recorrente, verificase que tais valores também se referiam a pagamento de serviços de apoio terrrestre (“handling”), aluguéis de imóveis e a despesas judiciais, constituindose em custos ou despesas necessárias e usuais na sua atividade. Que a escrituração da recorrente não foi questionada pela fiscalização, portanto, faz prova em seu favor. Conclui que os custos e despesas são indispensáveis à sua atividade e estando devidamente escriturados, devem ser canceladas as glosas efetuadas nesse montante. g) Da glosas de despesas de depreciação de R$ 8.572.814,26 A recorrente alega que já havia esclarecido que esses valores se referiam a encargos de depreciação de instalações aeroportuárias utilizadas, bem como de bens que haviam sido efetivamente transferidos pela Varig, mas que não haviam sido escriturados nas respectivas contas do ativo da recorrente. Subdivide o valor em duas partes: g.1) Da depreciação no valor de R$ 1.910.782,94 Afirma a recorrente que por ocasião da sua constituição, o Laudo de Avaliação do ativo imobilizado transferido pela Varig apontou o valor de utilidade das instalações em R$ 20.025.834,00 (doc 08), e que, embora utilizadas pela recorrente, as instalações em áreas de concessão pela Infraero ainda permaneceram no ano de 2002 em nome da Varig,com exceção do valor de R$ 115.051,06, escriturado em seu balanço de 2002. resultando em uma diferença de R$ 19.910.782,94 não escriturada contabilmente pela recorrente. Assim, segundo apurado no laudo da E&Y, a recorrente faz jus à depreciação no montante de R$ 1.910.782,94, que foi calculada à taxa de 10% ao ano, pois, apesar de tais valores estarem escriturados na contabilidade da Varig, esta não se beneficiou da depreciação dos referidos bens, o que poderia ser demonstrado pela análise da DIPJ 2003 da Varig, da qual não possui cópia e, pelo que, requer que a autoridade preparadora junte cópia desse documentos nos autos. Fl. 32350DF CARF MF Impresso em 08/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 08 /09/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 18471.001088/200781 Resolução nº 1302000.439 S1C3T2 Fl. 32.351 18 g.2) Da depreciação no valor de RS 6.621.207,79 Esclarece que no ano de 2002 diversos componentes e reparáveis adquiridos pela Varig e transferidos à recorrente permaneceram em contas passivas, aguardando posterior transferência e, enquanto a transferência não ocorria o lançamento correspondente à depreciação era efetuado contra a conta passiva, decorrendo daí o valor de R$ 6.621.207,79 referente a depreciação desses bens. Afirma ainda que o laudo de avaliação emitido pela empresa Apparisal apontou em dezembro de 2001 que tais bens perfaziam o montante de R$ 285.694.343,00 e que, em março de 2003, em laudo de avaliação complementar a mesma empresa atestou que o valor dos componentes e reparáveis transferidos para a recorrente totalizava R$ 402.105.681,31. A diferença apurada corresponderia ao montante dos componentes e reparáveis que foram adquiridos pela Varig em 2002 e transferidos para a recorrente. Assim, a recorrente fazia jus, no ano de 2002, a despesa de depreciação no valor de R$ 6.621.207,79, decorrente da utilização da taxa média de depreciação sobre os componentes e reparáveis que lhe foram transferidos pela Varig, conforme atestado pelo laudo técnico da E&Y. Em conclusão, a recorrente assevera que, com base no Laudo Técnico nº TR 1560/2013 emitido pela E&Y e nos documentos anexados ao referido laudo, estaria demonstrada a inexistência de omissão de receitas apurada com base em passivo fictício, bem como a existência e dedutibilidade das despesas glosadas pelo auto de infração e das despesas de depreciação sobre instalações, componentes e reparáveis. A resposta da recorrente foi anexada aos autos e estes encaminhados ao CARF sem qualquer análise dos elementos por parte da autoridade preparadora. Em 05 de dezembro de 2013, esta turma ordinária aprovou nova Resolução sob nº 1302000.271, determinando a conversão do julgamento em diligência, nos seguintes termos: Ante ao exposto, voto no sentido de converter o presente julgamento em diligência, devendo os presentes autos retornar à unidade preparadora para que: seja designada autoridade fiscal competente para que intime a recorrente a: a.1) Reapresentar a mesma documentação constante de sua manifestação em resposta à diligência anteriormente solicitada, na ordem mencionada no laudo técnico e com a devida indicação do número e títulos de cada um dos anexos que o compõem; a.2) apresentar cópia (legível) do Balanço (ou balancete) Analítico e das Demonstrações de Resultado dos exercícios 2001 e 2002, com discriminação dos saldos contábeis em 31/12/2001 e 31/12/2002; a.3) apresentar cópia (legível) do Planos de Contas completos utilizados na escrituração contábil dos anoscalendário 2001 e 2002; a.4) apresentar cópia integral (legível) do Livro Razão analítico das contas 2185400001 e 2185400004, contendo saldo inicial e final, do anocalendário 2002. b) a autoridade fiscal competente verifique os elementos comprobatórios juntados aos autos como anexos do Laudo Técnico nº Técnico nº TR1560/2013, Fl. 32351DF CARF MF Impresso em 08/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 08 /09/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 18471.001088/200781 Resolução nº 1302000.439 S1C3T2 Fl. 32.352 19 emitido pela empresa Ernst & Young Terço E&Y e elabore relatório conclusivo quanto a autenticidade dos documentos apresentados e se os mesmos são hábeis e idôneos para : b.1) comprovar a existência de lançamentos de estornos que teriam sido equivocadamente considerados incluídos como despesas (que foram glosadas) pela fiscalização, no montante de R$ 16.761.509,22; b.2) a efetiva comprovação de despesas com folha de pagamento, no montante de R$ 2.301.304,42; b.3) comprovar a existência de glosa em duplicidade de despesas de depreciação, no valor de R$ 1.234.652,39; b.4) a “comprovação direta” de despesas no montante de R$ 5.793.877,20; b.5) a efetiva comprovação de despesas junto a grandes fornecedores, energia elétrica e Infraero, no valor de R$ 14.721.280,71; e b.6) a efetiva identificação e comprovação de despesas de depreciação no montante de R$ 8.572.814,26. Observação: Em caso de dúvidas quanto autenticidade dos documentos, aos critérios adotados e/ou às informações constantes no Laudo Técnico TR1560/2013 – E&Y, a autoridade fiscal poderá requerer documentos e explicações adicionais à recorrente. c) a autoridade preparadora determine a juntada aos autos de cópias das DIPJ 2002 e 2003 (anoscalendário: 2001 e 2002) da empresa Varig S/A – Viação Aérea Rio Grandense – (CNPJ. 92.772.821/0001). Cumpridas as providências, os autos devem retornar a este colegiado para a apreciação do Recurso Voluntário. Encaminhados os autos à unidade de origem, a autoridade fiscal encarregada das diligências, após solicitar os documentos à interessada, elaborou o Relatório Fiscal de Encerramento de Diligência Fiscal (efls. 32230/32235), informando que a recorrente apresentou os documentos conforme solicitado nos subitens a.1 a a.4 da solicitação de diligência. Com relação às verificações a seu cargo, determinadas nos subitens b.1 a b.6, a autoridade fiscal teceu as seguintes considerações, verbis: Quanto ao item "b" da Resolução do CARF, em que é solicitado que "b) a autoridade fiscal competente verifique os elementos comprobatórios juntados aos autos como anexos do Laudo Técnico n° TR1560/2013, emitido pela empresa Ernst & Young Terço E&Y e elabore relatório conclusivo quanto a autenticidade dos documentos apresentados e se os mesmos são hábeis e idôneos para:", cabe preliminarmente informar que a fiscalizada utilizava no ano calendário de 2002 o rateio de despesas comuns com as outras empresas do grupo, conforme resposta do contribuinte ao TIF0001, e portanto, tornase necessário a aplicação contida na Solução de Consulta COSIT n° 8, de 1 de novembro de 2012: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA TRPJ. RATEIO DE CUSTOS E DESPESAS ENTRE EMPRESAS DO MESMO GRUPO ECONÔMICO DEDUTIBIL1DADE. São dedutíveis as despesas administrativas rateadas se: Fl. 32352DF CARF MF Impresso em 08/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 08 /09/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 18471.001088/200781 Resolução nº 1302000.439 S1C3T2 Fl. 32.353 20 a) comprovadamente corresponderem a bens e serviços efetivamente pagos e recebidos; b) forem necessárias, usuais e normais nas atividades das empresas; c) o rateio se der mediante critérios razoáveis e objetivos, previamente ajustados, devidamente formalizados por instrumento firmado entre os intervenientes; d) o critério de rateio for consistente com o efetivo gasto de cada empresa e com o preço global pago pelos bens e serviços, em observância aos princípios gerais de Contabilidade; e) a empresa centralizadora da operação de aquisição de bens e serviços apropriar como despesa tão somente a parcela que lhe couber segundo o critério de rateio." Tendo em vista a Solução de Consulta descrita acima, verificase que fica prejudicada a comprovação dessas despesas, conforme demonstrado a seguir: 1) O contribuinte apresentou notas fiscais todas emitidas tendo como destinatário a VARIG S/A, CNPJ 92.772.821/000164 sendo que em algumas constava o rateio por centros de custo das despesas entre as empresas do grupo por meio de um carimbo. E, além disso, os percentuais do rateio variavam entre as notas Fiscais, sendo que em outras notas nem sequer havia esse carimbo com o rateio (o rateio se dava somente na contabilidade); 2) O contribuinte apresentou anteriormente neste PAF o "Protocolo de Entendimentos entre VARIG S/A e VEM S/A" e o "Repasse entre VARIG X VEM Versão 2.0", que inclui novamente no decorrer da diligência para facilitar a sua localização dentro do processo. Estes documentos informam de modo geral como é feito o funcionamento entre as empresas e o repasse das obrigações entre elas, mas não detalha os percentuais que serão rateados para cada empresa do grupo, o que deve ter sido acordado através de contratos com os fornecedores (até pela mudança dos percentuais de rateio entre as notas fiscais) e que a fiscalizada não entregou, 3) Nos basearmos apenas em testes contábeis realizados pela E&Y, nos lançamentos da contabilidade e nos "carimbos" em notas fiscais que são insuficientes para comprovar os valores rateados. Não houve a comprovação de forma efetiva do pagamento à VARIG desses valores dos rateios, exceto com relação aos valores informados no item "b.4w, descritos posteriormente neste Relatório; Dito isso, verificamos que na documentação apresentada para atender ao item "b.l", o contribuinte alegou que a autoridade fiscal não considerou a natureza da conta (credora/devedora), com relação à seleção de determinados lançamentos das contas 2185400001 e 2185400004, que são contas do passivo (portanto, de natureza credora). O contribuinte alega que a autoridade fiscal teria escolhido lançamentos devedores dessas contas. Analisando os ANEXOS VII, VIII ANALÍTICO e VIII SINTÉTICO do Laudo Técnico n° TR1560/2013 e os Razões das contas 2185400001 e 2185400004 (resposta ao TIF0001), o ANEXO 1 do CD1 e os ANEXOS 02, 29, 30 e 31 do CD2 da resposta ao TIF0002, verificouse que realmente houve a inclusão de lançamentos devedores, o que foi um equívoco. Sendo assim, as tabelas a seguir informam os lançamentos que foram incluídos de forma errônea e os lançamentos que além de terem sido incluídos Fl. 32353DF CARF MF Impresso em 08/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 08 /09/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 18471.001088/200781 Resolução nº 1302000.439 S1C3T2 Fl. 32.354 21 foram lançamentos de estorno, devendo sua contrapartida também ser retirada da base de cálculo da infração: Com relação ao item "b.2" o contribuinte apresentou os ANEXOS X e XJ do Laudo Técnico n° TR1560/2013, e os ANEXOS 2 a 29 do CD1 da resposta ao TIF0001, que continham planilhas com testes realizados pela E&Y e o resumo da folha de pagamentos, mas esses documentos não comprovaram o efetivo pagamento dessas despesas com a folha de pagamentos no valor de R$ 2.031304,42. Com relação ao item "b.3" o contribuinte apresentou o ANEXO XII do Laudo Técnico n° TR1560/2013, o ANEXO 30 do CD1 da resposta ao TIF0002, e o Razão da conta 2185400004. Verificouse que relativamente ao lançamento a crédito na conta 2185400004 em 01/01/2002, no valor de R$ 1.219.168,70, houve realmente a duplicidade do lançamento, já que esse valor foi incluído na infração "Custos ou Despesas Não Comprovadas Glosa de Custos" com o valor de R$ 23.520.738,42, referente aos lançamentos realizados a crédito da conta 218540000. Como os demais valores são inferiores a R$ 100.000,00 (valor de corte da fiscalização), não se justifica falar em duplicidade, pois esses valores foram atingidos pelo "corte" e não foram incluídos na referida infração. Sendo assim, devese excluir o valor de R$ 1.219.168,70 da infração. Com relação aos itens "b.4" e "b.5" o contribuinte apresentou os rateios das despesas, e conforme já disposto anteriormente na Solução de Consulta COSIT n° 8/2012, que especifica como devem ser comprovados estes rateios, verificouse que a documentação apresentada pelo contribuinte não supriu as formalidades necessárias para serem aceitas como dedução das despesas para fins do IRPJ e CSLL (não apresentou contratos, comprovantes de pagamento à VARIG S/A ou outra documentação equivalente), exceto quanto às faturas relacionadas a seguir: Item "b.4" Comprovação Direta Data Emissão Fatura Valor 01/04/2002 G00002077180302 1.240.163,84 13/05/2002 G00002087470502 880.515,20 TOTAL 2.120.679,04 Essas Faturas no valor de RS 2.120.679,04 comprovam que houve o pagamento à VARIG S/A desses valores, conforme as faturas relacionadas nas fls. 15 e 20 do ANEXO XIV do Laudo Técnico n° TR1560/2013 e Razão da conta 2185200004, e por isso devem ser excluídas da infração "Custos ou Despesas Não Comprovadas Glosa de Custos" com o valor de R$ 23.520.738,42. Com relação ao item "b.6" o contribuinte apresentou os ANEXOS XVII a XXIV do Laudo Técnico n° TR1560/2013 com planilhas, testes e Laudos de Avaliação, mas não apresentou documentação que comprovasse quais foram os bens que sofreram depreciação, as datas de aquisição, o tempo que os bens deveriam ser depreciados, a forma como foram depreciados e outras informações atinentes à utilização da despesa de depreciação para dedução do IRPJ. Sendo assim, não há como comprovar as despesas relativas à depreciação no valor de R$ 8.572.814,26. LANÇAMENTOS QUE FORAM ESTORNADOS Data Documento Conta Valor 30/11/2002 100239844 2185400001 181.113,41 30/11/2002 100239845 2185400001 181.113,41 30/12/2002 100248966 2185400001 265.705,10 Fl. 32354DF CARF MF Impresso em 08/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 08 /09/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 18471.001088/200781 Resolução nº 1302000.439 S1C3T2 Fl. 32.355 22 30/12/2002 100249000 2185400001 265.705,10 31/12/2002 100248967 2185400001 265.705,10 31/12/2002 100249003 2185400001 265.705,10 TOTAL: 1.425.047,22 LANÇAMENTOS SEM ESTORNO Data Documento Conta Valor 10/07/2002 100195419 2185400001 264.964,20 16/07/2002 100197367 2185400001 645.383,54 01/03/2002 100118786 2185400004 5.877.071,49 30/04/2002 100140763 2185400004 880.515,20 TOTAL: 7.667.934,43 Os valores de R$ 1.425.047,22 e R$ 7.667.934,43 (totalizando R$ 9.092.981.65) devem ser excluídos da infração, de acordo com a tabela "Glosa de Despesas X Lançamento Ajustado " acima, pois o contribuinte comprovou que são indevidos. Relativamente ao item "c" foram juntadas as cópias das DIPJ's 2002 e 2003 (anos calendários 2001 e 2002, respectivamente) da empresa Varig S/A Viação Aérea Rio Grandense, CNPJ 92.772.821/000164. Considerando assim concluída a Diligência Fiscal e para surtir os efeitos legais, lavramos o presente Relatório em duas vias de igual teor e forma, assinado pelo AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, cuja ciência e cópia do contribuinte se dará via postal, por Aviso de Recebimento (AR). Intimada do Relatório de Encerramento da Diligência Fiscal, a interessada apresentou manifestação, no prazo fixado, na qual alega preliminarmente a nulidade do auto de infração, argumentando em síntese que: O trabalho que a fiscalização está tendo durante as diligências é inequivocamente o trabalho de investigação que deveria ter sido realizado previamente ao lançamento, a fim de determinar a matéria tributável e realizar o cálculo do montante do tributo devido. Ao invés de a fiscalização ter apurado os referidos fatos antes da lavratura do auto de infração, a mesma está, apenas agora, em sede de recurso voluntário, identificando, a seu juízo, se os lançamentos feitos pela Requerente foram corretos, com base em uma presunção (frisese: invertida) de que eles foram feitos de forma equivocada. Com a devida venia, existe uma inversão muito clara de princípios nos presentes autos: o ordenamento jurídico brasileiro consubstancia o princípio da presunção de boa fé, extensível aos contribuintes. Tanto é assim que o ônus da prova, precipuamente em um auto de infração, que visa imputar ao contribuinte o cometimento de uma infração, recai sobre aquele que acusa. No entanto, nos presentes autos, a presunção resta claramente invertida em desfavor da Requerente, que se vê obrigada, desde o início, a comprovar a legitimidade dos seus procedimentos para afastar uma presunção de ilegitimidade que recaiu sobre si, já que a fiscalização não cumpriu com o seu dever de comprovar qualquer ilegitimidade específica cometida pela Requerente. [...] Fl. 32355DF CARF MF Impresso em 08/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 08 /09/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 18471.001088/200781 Resolução nº 1302000.439 S1C3T2 Fl. 32.356 23 Sendo certo que a fiscalização tem o dever de fiscalizar, bem como de verificar, com base em suporte probatório, eventuais irregularidades cometidas pelo contribuinte, que viabilizem a exigência de tributos, bem como que resta mais do que claro que tal dever não foi devidamente cumprido, em clara desatenção ao disposto no artigo 142 do CTN, é inquestionável a necessidade de que seja devidamente reconhecida a nulidade material do auto de infração, por sua vez lavrado com base em presunções de irregularidades que nunca foram comprovadas pela fiscalização. Sobre o mérito das conclusões da diligência a recorrente sustenta, verbis: IV DAS INCONSISTÊNCIAS NO RELATÓRIO FISCAL DE ENCERRAMENTO DE DILIGÊNCIA FISCAL Inicialmente cumpre destacar que o relatório que encerra a diligência extrapola em sua finalidade no que se refere ao item "b", uma vez que, ao invés de descrever documentos e fatos, traz uma interpretação jurídica sobre o tema "rateio de despesas". A interpretação jurídica, no caso, cabe aos julgadores com fundamento nos fatos descritos. Infelizmente, ao partir para uma interpretação jurídica, a Autoridade Diligenciadora decidiu (o que quer nos parecer não poderia) que não seria o caso de analisar os documentos apresentados pela Requerente. Em resumo, destacou que não analisaria os documentos porque entendia que o rateio de despesas não poderia ser aceito em determinadas situações e condições. De fato, deveria ter analisado a documentação, descrito o que encontrou e deixado aos julgadores a tarefa de analisar a validade do rateio. Se a i. Autoridade Diligenciadora tivesse analisado os documentos encontraria por meio de carimbos, anotações, destaques, que o rateio de despesas ocorreu e obedeceu critérios específicos. Para desconsiderar o rateio de despesas seria necessário demonstrar que o mesmo foi simulado, que não existiu, mas isto não aconteceu. No máximo, poderia se dizer que a Requerente poderia ter formalizado de tal ou qual forma o que fez em uma ou outra despesa rateada, mas não há elementos para que se desqualifique por inexistente o rateio de despesas. Portanto, a Requerente entende que neste aspecto a diligência não foi concluída adequadamente porque, como consta no relatório, a documentação APRESENTADA não foi analisada. As inconsistências também podem ser percebidas especificamente nos subitens abaixo. IV DAS INCONSISTÊNCIAS NO RELATÓRIO FISCAL DE ENCERRAMENTO DE DILIGÊNCIA FISCAL Inicialmente cumpre destacar que o relatório que encerra a diligência extrapola em sua finalidade no que se refere ao item "b", uma vez que, ao invés de descrever documentos e fatos, traz uma interpretação jurídica sobre o tema "rateio de despesas". A interpretação jurídica, no caso, cabe aos julgadores com fundamento nos fatos descritos. Infelizmente, ao partir para uma interpretação jurídica, a Autoridade Diligenciadora decidiu (o que quer nos parecer não poderia) que não seria o caso de analisar os documentos apresentados pela Requerente. Em resumo, destacou que não analisaria os documentos porque entendia que o rateio de despesas não poderia ser aceito em determinadas situações e condições. De fato, deveria ter analisado a documentação, descrito o que encontrou e deixado aos julgadores a tarefa de analisar a validade do rateio. Fl. 32356DF CARF MF Impresso em 08/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 08 /09/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 18471.001088/200781 Resolução nº 1302000.439 S1C3T2 Fl. 32.357 24 Se a i. Autoridade Diligenciadora tivesse analisado os documentos encontraria por meio de carimbos, anotações, destaques, que o rateio de despesas ocorreu e obedeceu critérios específicos. Para desconsiderar o rateio de despesas seria necessário demonstrar que o mesmo foi simulado, que não existiu, mas isto não aconteceu. No máximo, poderia se dizer que a Requerente poderia ter formalizado de tal ou qual forma o que fez em uma ou outra despesa rateada, mas não há elementos para que se desqualifique por inexistente o rateio de despesas. Portanto, a Requerente entende que neste aspecto a diligência não foi concluída adequadamente porque, como consta no relatório, a documentação APRESENTADA não foi analisada. As inconsistências também podem ser percebidas especificamente nos subitens abaixo. IV.1. Das inconsistências quanto ao item "b.1": estornos equivocadamente considerados como despesas que foram glosadas pela fiscalização, no montante de R$ 16.761.509,22 Com relação ao item "b.1", esta Colenda Turma determinou que a Autoridade Fiscal que conduziu a diligência ("Autoridade Diligenciadora") comprovasse "a existência de lançamentos de estornos que teriam sido equivocadamente considerados e incluídos como despesas (que foram glosadas) pela fiscalização, no montante de R$ 16.761.509,22". Por meio do Termo de Intimação Fiscal ("TIF") n° 1, a Autoridade Diligenciadora requisitou à Requerente que procedesse a tal comprovação, nos mesmos termos consignados na Resolução n° 1302000.271. Em resposta, a Requerente informou que, conforme já relatado no Laudo Técnico TR 1560/2013, foi constatado que a Autoridade Fiscal que lavrou o Auto de Infração selecionou determinados lançamentos das contas 218500001 "Pagamentos efetuados pela VARIG S.A." e 2185200004 "Repasse de Valores VARIG S.A.", os quais compuseram a glosa procedida. Esta seleção ocorreu com base em contas passivas, as quais representavam obrigações contraídas pela Requerente (quando ainda denominada de VEM S.A.) e assumidas pela VARIG S.A. (excontroladora da ora Requerente), que era a detentora do caixa à época. Sendo assim, os lançamentos selecionados pelo i. fiscal Autuante nas contas passivas deveriam ter natureza credora e, consequentemente, sua contrapartida em conta de resultado teria natureza devedora. Ocorre que, ao proceder à seleção dos lançamentos, a i. Autoridade Autuante não atentou para esse fato, o que ocasionou a escolha de lançamentos devedores nas contas passivas que geravam lançamentos credores em conta de resultado. Este cômputo dos valores devedores como se credores fossem distorceu (elevando indevidamente) o valor da glosa procedida. De maneira a demonstrar a diferença, a Requerente procedeu à juntada dos arquivos elaborados pela EY, na qual foi inserido o sinal negativo () nos lançamentos devedores, possibilitando extrair os lançamentos devedores no cálculo do montante glosado e demonstrar o equívoco ocorrido na autuação fiscal. Posteriormente, a Autoridade Diligenciadora requisitou, por meio do TIF n° 2, a apresentação do "Razão com as respectivas contrapartidas, informando as datas de lançamento, histórico e valor, que comprovem que os lançamentos realizados foram Fl. 32357DF CARF MF Impresso em 08/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 08 /09/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 18471.001088/200781 Resolução nº 1302000.439 S1C3T2 Fl. 32.358 25 realmente de estorno, e os documentos hábeis e idôneos que deram lastro a estes lançamentos de acordo com o item 5.1 do Termo de Intimação Fiscal n° 0001, no montante de R$ 16.761.509,22", documentos devidamente providenciados pela Requerente. Na sua conclusão, a Autoridade Diligenciadora afirmou que "analisando os Anexos VII, VIII ANALÍTICO E VIII SINTÉTICO do Laudo Técnico n°TR1560/2013 e os Razões das contas 2185400001 e 2185400004 (resposta ao TIF0001), o ANEXO1 do CD1 e os ANEXOS 02, 29, 30 e 31 do CD2 da resposta ao TIF0002, verificouse realmente houve a inclusão de lançamentos devedores, o que foi um equívoco. Sendo assim, as tabelas a seguir informam os lançamentos que foram incluídos de forma errônea e os lançamentos que além de terem sido incluídos foram lançamentos de estorno, devendo sua contrapartida também ser retirada da base de cálculo da infração. " Ocorre que, nada obstante o claro reconhecimento, por parte da Autoridade Diligenciadora, de que houve equívoco na inclusão de lançamentos devedores, a mesma adotou um procedimento equivocado para reverter o valor que foi indevidamente autuado. Isto porque a Autoridade Diligenciadora, ao constatar a existência dos lançamentos a débito no passivo (também denominados "lançamentos de estorno") simplesmente deixou de somálos ao valor da glosa. Tal procedimento não corrigiu, na totalidade, a falha constante do auto de infração. Isso porque o efeito da inversão de sinal de um elemento em uma operação matemática é a soma do valor em questão em dobro. Vejamos um exemplo isso ocorre, com dois lançamentos iguais de 1.000.000 (um a crédito e um a débito, anulandose, portanto). Quadro 1 1 2 4 Valor Considerando Débito Valor Desconsiderando Débito Diferença (1) (2) 1.000.000,00 1.000.000,00 1.000.000,00 1.000.000,00 2.000.000,00 Total 2.000.000,00 2.000.000,00 É possível constatar que a diferença é equivalente ao dobro do lançamento computado com sinal invertido. Assim, a Autoridade Diligenciadora, ao invés de desconsiderar os lançamentos a débito, deveria têlos revertido totalmente. A Requerente demonstra, por meio dos Quadros 2, 3 e 4 abaixo, as diferenças verificadas entre o procedimento equivocado do auto de infração, a correção insuficiente por parte da Autoridade Diligenciadora e o procedimento correto, que deveria ter sido adotado: Quadro 2 Conta 2185400001 1 2 3 4 Número do lançamento SAP Valor do Lançamento conforme AI Valor do Lançamento conforme Diligência Valor que deveria ser Recomposto Diferença (1 3) 100012603 130.263,73 130.263,73 130.263,73 Fl. 32358DF CARF MF Impresso em 08/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 08 /09/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 18471.001088/200781 Resolução nº 1302000.439 S1C3T2 Fl. 32.359 26 100012604 130.263,73 130.263,73 130.263,73 100012616 137.115,59 137.115,59 137.115,59 100012765 213.493,43 213.493,46 213.493,43 100012766 594.406,79 594.403,79 594.406,79 100012772 1.018.402,05 1.018.402,05 1.018.402,05 100012773 1.020.992,56 1.020.992,56 1.020.992,56 100012774 1.615.444,39 1.615.444,39 1.615.444,39 100012613 149.979,02 149.979,02 149.979,02 100012814 132.539,51 132.539,51 132.539,51 100012819 320.066,27 320.066,27 320.066,27 100012823 844.421,16 844.421,16 844.421,16 100012824 1.568.210,74 1.568.210,74 1.568.210,74 100012825 543370,34 543370,34 543.370,34 100012826 549.765,23 549 765,23 549.765,23 100012827 369.354,94 369.654,94 369.354,94 100012323 114.956,03 114.953,03 114.956,03 100012354 111.036,74 111.036,74 111.036,74 100012909 1.026.767,31 1.026.767,31 1.026.767,31 100012911 123.532,49 123.532,49 123.532,49 100012912 637.319,14 637.619,14 637.319,14 100012913 110.570,15 110.570,15 110.570,15 100012916 415.305,96 415.305,96 415.305,96 1000'12921 204.191,70 204 191,70 204.191,70 100012924 136.347,21 136.347,21 136.347,21 100013016 100.794,97 100.794,97 100.794,97 100060615 116.367,60 116.367,30 116.367,60 100065351 594.923,59 594.923,59 594.923,59 100066664 100.794,97 100.794,97 100.794,97 100066673 137.115,59 137.115,59 137.115,59 100066694 130.263,73 130563,73 130.263,73 100066695 130.263,73 130563,73 130.263,73 100066323 637.319,14 637.319,14 637.319,14 100066829 110.570,15 110.570,15 110.570,15 100066833 123.532,49 123.532,49 123.532,49 100066336 111.036,74 111.036,74 111.036,74 100066637 1.026.767,31 1.026.767,31 1.026.767,31 100066888 136.347,21 136.347,21 136.347,21 100066890 415.305,96 415.305,96 415.305,96 100066897 204.191,70 204.191,70 204.191,70 100072617 122.109,97 122.109.O7 122.109,97 100072634 108.990,00 108.990,00 108.990,00 100072637 156.728,30 156.728,30 156.728,30 100072643 253902,27 253.902,27 253.902,27 100072644 523.332,94 526.332,94 523.332,94 100072753 131.766,93 131.766,93 131.766,93 100072872 463.935,53 465.935,53 463.935,53 100072392 153.500,25 155.500,25 153.500,25 100072904 633.593,69 633593,69 633.593,69 100072909 939.619,74 939.619,74 939.619,74 100105161 477.590,00 477.590,00 477.590,00 Fl. 32359DF CARF MF Impresso em 08/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 08 /09/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 18471.001088/200781 Resolução nº 1302000.439 S1C3T2 Fl. 32.360 27 100106750 116.367,50 116.367,50 116.367,50 100121818 222.619,25 222.619,25 222.619,25 100130342 291.614,67 291.614,67 291.614,67 100134655 175.072,50 175.072,50 175.072,50 Quadro 2 Conta 2185400001 1 2 3 4 Número do lançamento SAP Valor do Lançamento conforme AI Valor do Lançamento conforme Diligência Valor que deveria ser Recomposto Diferença (1 3) 100135179 131.909,15 131.909,15 131.909,15 100141230 299.337,48 299.337,48 299.337,48 100141496 240.763,32 240.763,32 240.763,32 100141505 248.677,61 248.677,61 248.677,61 100145779 124.830,47 124.830,47 124.830,47 100145801 234.792,68 234.792,68 234.792,68 100178913 144.953,49 144.953,49 144.953,49 100178914 144.953,49 144.953,49 144.953,49 100179454 169.740,08 169.740,08 169.740,08 100179456 169.740,08 169.740,08 169.151,46 588,62 100179506 137.233,59 137.233,59 137.233,59 100179508 137.233,59 137.233,59 137.233,59 100179539 137.159,07 137.159,07 137.159,07 100179608 105.291,20 105.291,20 105.291,20 100179610 105.291,20 105.291,20 105.291,20 100179642 264.964,20 264.964,20 264.964,20 100180009 645.383,54 645.383,54 645.383,54 100183399 116.367,80 116.367,80 116.367,80 100183408 137.811,60 137.811,60 137.811,60 100195027 264.964,20 264.964,20 264.964,20 100195298 264.964,20 264.964,20 264.964,20 100195419 264.964,20 264.964,20 529.928,40 100197367 645.383,54 645.383,54 1.290.767,08 100198782 262.544,63 262.544,63 262.544,63 100199279 126.174,13 126.174,13 126.174,13 100207530 161.553,96 161.553,96 161.553,96 100207711 368.150,73 368.150,73 368.150,73 100208847 125.000,00 125.000,00 125.000,00 100219031 221.967,00 221.967,00 221.967,00 100219032 124.755,82 124.755,82 124.755,82 100219997 157.695,03 157.695,03 157.695,03 100222081 111.320,94 111.320,94 111.320,94 100229833 429.397,73 429.397,73 429.397,73 100230958 106.076,26 106.076,26 106.076,26 100232209 158.494,36 158.494,36 158.494,36 100232288 155.859,34 155.859,34 155.859,34 100238480 263.730,11 263.730,11 263.730,11 Fl. 32360DF CARF MF Impresso em 08/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 08 /09/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 18471.001088/200781 Resolução nº 1302000.439 S1C3T2 Fl. 32.361 28 100239838 109.806,70 109.806,70 109.806,70 100239844 181.113,41 181.113,41 362.226,82 100239845 181.113,41 181.113,41 100240883 108.212,22 108.212,22 108.212,22 100240885 143.148,66 143.148,66 143.148,66 100240898 109.649,00 109.649,00 109.649,00 100246775 215.338,19 215.338,19 215.338,19 100247109 274.925,74 274.925,74 274.925,74 100247159 130.841,55 130.841,55 130.841,55 100248049 123.164,75 123.164,75 123.164,75 100248946 237.744,47 237.744,47 237.744,47 100248949 162.449,70 162.449,70 162.449,70 100248966 265.705,10 265.705,10 531.410,20 100248967 265.705,10 265.705,10 531.410,20 100249000 265.705,10 265.705,10 100249003 265.705,10 265.705,10 100249053 265.705,10 265.705,10 265.705,10 Total da Glosa 33.103.123,86 30.767.728,90 29.856.792,54 3.246.331,32 NOTAS: 1) Os lançamentos em verde são os que devem ser excluídos do montante glosado, conforme demonstrado. Os lançamentos destacados em amarelo correspondem aos lançamentos originais que foram excluídos equivocadamente da autuação pela Autoridade Autuante Quadro 3 Conta 2185400004 1 2 3 4 Número do Lançamento conforme AI Valor do Lançamento SAP Valor do Lançamento conforme Diligência Valor que deveria ser recomposto Diferença (13) 10006620 1.219.168,70 1.219.168,70 1.219.168,70 2900000002 1.286.720,93 1.286.720,93 1.286.720,93 2900000014 986.330,30 986.330,30 986.330,30 2900000026 1.232.034,99 1.232.034,99 1.232.034,99 2900000034 999.973,56 999.973,56 999.973,56 10011878 5.877.071,49 5.877.071,49 11.754.142,98 2900000039 880.515,20 880.515,20 880.515,20 2900000040 880.515,20 880.515,20 880.515,20 100140763 880.515,20 880.515,20 1.761.030,40 2900000045 1.513.213,47 1.513.213,47 1.513.213,47 2900000048 1.048.168,89 1.048.168,89 1.048.168,89 290000054 1.108.082,03 1.108.082,03 1.108.082,03 290000060 921.472,59 921.472,59 921.472,59 2900000062 1.197.663,16 1.197.663,16 1.197.663,16 2900000067 1.128.915,14 1.128.910,62 1.128.910,62 4,52 2900000071 958.002,62 958.002,62 958.002,62 2900000075 1.402.374,95 1.402.374,95 1.402.374,95 Total da Glosa 23.520.738,42 16.763.147,21 10.005.560,52 13.515.177,90 NOTAS: 1) Os lançamentos em verde são os que de\«m ser excluídos do montante glosado, conforme demonstrado. Quadro 4 Resumo Fl. 32361DF CARF MF Impresso em 08/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 08 /09/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 18471.001088/200781 Resolução nº 1302000.439 S1C3T2 Fl. 32.362 29 1 2 3 4 Conta Valor da Glosa Valor da Exclusão conforme Diligência Valor da Glosa sem os lançamentos a débito Diferença (13) 2185400001 33.103.123,86 2.335.394,96 29.856.792,54 3.246.331,32 2185400004 23.520.738,42 6.757.591,21 10.005.560,52 13.515.177,90 Total da Glosa 56.623.862,28 9.092.986,17 39.862.353,06 16.761.509,22 Verificase, portanto, que o valor correto dos lançamentos de estorno que devem ser excluídos do montante glosado é de R$ 16.761.509,22. IV.2. Das inconsistências quanto ao item "b.2": o efetivo pagamento de despesas com folha de pagamentos, no valor de R$ 2.031.304,42 Quanto ao item "b.2", a d. autoridade fiscal diligenciadora alegou que "o contribuinte apresentou os ANEXOS X e XI do Laudo Técnico n°TR1560/2013, e os ANEXOS 2 a 29 do CD1 da resposta ao TIF0001, que continham planilhas com testes realizados pela E&Y e o resumo da folha de pagamentos, mas esses documentos não comprovaram o efetivo pagamento dessas despesas com a folha de pagamentos no valor de R$ 2.031.304.42". Nada obstante a alegação da i. autoridade diligenciadora de que os documentos apresentados não seriam suficientes à comprovação do efetivo pagamento das despesas com a folha de pagamentos, a ora Requerente vem respeitosamente demonstrar que tal conclusão foi, com a devida venia, equivocada. Do próprio despacho da autoridade diligenciadora é possível se perceber que a mesma se restringiu apenas à análise dos anexos X e XI, apresentados em resposta ao TIF0001, que foram os documentos afetos às planilhas com testes realizados pela EY e o resumo da folha de pagamentos, para aduzir que esses documentos não teriam sido suficientes para comprovar o efetivo pagamento das despesas. Ocorre que a fiscalização não poderia ter restringido a sua análise à apenas os documentos apresentados quanto do TIF0001, posto que caberia, também, a análise dos Anexos II a XXIX, que foram enviados em resposta ao TIF0002, ou seja, caberia a análise dos Razões de Despesas, com os destaques dos lançamentos que são contrapartidas dos lançamentos referentes ao pagamento de despesas de folha de pagamento registrados no Passivo, o que, em momento algum, foi mencionado como tendo sido objeto de análise quanto ao item em referência. A apresentação das contrapartidas, informando as datas de lançamento, histórico e valor, que identificam os lançamentos contábeis das despesas com folha de pagamento, além das próprias folhas de pagamento e das planilhas com testes realizados pela EY, deixam claro que as despesas com folha de pagamento registradas no passivo foram sim despesas necessárias que não poderiam deixar de ser consideradas como dedutíveis. Ainda que a fiscalização entendesse pela necessidade de apresentação de documentação complementar, a Requerente sempre se colocou à disposição para apresentalas, tanto é assim que atendeu a TODAS as solicitações que lhe foram feitas por meio dos Termos de Intimação Fiscal. Dessa forma, quanto a esse item, a Requerente entende pela necessidade de que sejam apreciados, em conjunto à documentação apresentada junto ao TIF0001, os Razões de Despesas, apresentados nos Anexos II a XXIX junto ao TIF0002, bem como Fl. 32362DF CARF MF Impresso em 08/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 08 /09/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 18471.001088/200781 Resolução nº 1302000.439 S1C3T2 Fl. 32.363 30 requer, caso haja necessidade, que lhe seja informado quais outras provas seriam necessárias de serem apresentadas para comprovar essa despesa. IV.3. Das inconsistências quanto ao item "b.3": da existência de glosa em duplicidade de despesas de depreciação no montante integral de R$ 1.234.652,39 Com relação ao item "b.3", esta Colenda Turma determinou que a Autoridade Diligenciadora comprovasse "a existência de glosa em duplicidade de despesas de depreciação, no valor de R$ 1.234.652,39;" Por meio do Termo de Intimação Fiscal ("TIF") n° 1, a Autoridade Diligenciadora requisitou à Requerente que procedesse a tal comprovação, nos mesmos termos consignados na Resolução n° 1302000.271. Em resposta, a Requerente apresentou o anexo do Relatório emitido pela EY, TR 1560/2013 que comprovam que os lançamentos glosados possuíam contrapartida em contas de resultado que registravam despesas de depreciação. Posteriormente, a Autoridade Diligenciadora requisitou, por meio do TIF n° 2, que a Recorrente demonstrasse, "através de registros contábeis a ocorrência da glosa em duplicidade realizada (...) referente às despesas de depreciação, no valor de R$ 1.234.652,39". Em resposta, a Requerente apresentou a cópia do Razão da Conta de Resultado 3123100000, com os lançamentos relativos à depreciação que foram demonstrados no teste da EY evidenciados. Na sua conclusão, a Autoridade Diligenciadora afirmou que "relativamente ao lançamento a crédito na conta 2185400004 em 01/01/2002, no valor de R$ 1.219.168,70, houve realmente a duplicidade do lançamento, já que este valor foi incluído na infração "Custos ou Despesas Não Comprovadas Glosa de Custos" com o valor de R$ 23.520.738,42, referentes aos lançamentos realizados a crédito na conta 218540000." No entanto, a i. Autoridade Diligenciadora concluiu que "como os demais valores são inferiores a R$ 100.000,00 (valor de corte da fiscalização), não se justifica falar em duplicidade, pois esses valores foram atingidos pelo 'corte' e não foram incluídos na referida infração." No entanto, ao assim proceder, a i. Autoridade Diligenciadora acabou por incorrer em equívoco no que respeita aos demais valores. Isto porque os lançamentos em valores superiores ao "corte" de R$ 100.000,00, glosados pela Autoridade Autuante, foram selecionados na conta de passivo n° 218540000. Por outro lado, os lançamentos apresentados pela Requerente (que complementariam o montante de R$ 1.234.652,39) em valores (individuais) inferiores ao "corte", são registros efetuados na conta de resultado 3123100000 (que registrava as despesas de depreciação) e que têm como contrapartida um dos lançamentos. Esta situação ocorreu porque os lançamentos no passivo que foram glosados possuem diversas contrapartidas com valores menores em contas diversas de resultado. Inclusive, ao se verificar as fls. 154 do eprocesso, é possível constatar que a própria relação apresentada no auto de infração discrimina que a grande maioria dos lançamentos selecionados pelo i. fiscal autuante possuem contrapartida em "diversas contas grupo 31". Para que não pairem dúvidas acerca dos valores apresentados, a Requerente apresenta a conciliação dos lançamentos que compõem o montante de R$ 1.234.652,39 com os lançamentos a crédito na conta de passivo 218540000, glosados pela Autoridade Autuante. Vejamos no Quadro 5 abaixo. Fl. 32363DF CARF MF Impresso em 08/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 08 /09/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 18471.001088/200781 Resolução nº 1302000.439 S1C3T2 Fl. 32.364 31 Quadro 5 Nº do documento Número de Atribuição Data de Lançamento Descrição Conta Contrapartida no Resultado Valor no Resultado Valor do Lançamento no Passivo (fls. 154 eprocesso) 2900000039 1107777 30/04/2002 Repasse Distribuição 3123100000 Depreciação em Geral 1.108,98 880.515,20 2900000026 1117777 28/02/2002 Repasse 3123100000 Depreciação em Geral 948,5 1.232.034,99 100066620 20020101 01/01/2002 3123100000 Depreciação em Geral 1.219.168,70 1.219.168,70 2900000002 1105090 30/01/2002 DIRETORIA EXECUTIVA 3123100000 Depreciação em Geral 156,16 1.286.720,93 2900000002 1105657 30/01/2002 ALMOXARIFADO E RECEX S 3123100000 Depreciação em Geral 488 1.286.720,93 2900000002 1111891 30/01/2002 PISTA SDU 3123100000 Depreciação em Geral 860,52 1.286.720,93 2900000014 1105740 30/01/2002 DIV. SISTEMAS E METODOS 3123100000 Depreciação em Geral 119,2 986.330,30 2900000014 1105660 30/01/2002 LIBERAÇÃO ALFANDEGARIA 3123100000 Depreciação em Geral 224,15 986.330,30 2900000014 1105833 30/01/2002 ENGENHARIA DE MOTORES # 3123100000 Depreciação em Geral 239,08 986.330,30 2900000014 1105658 30/01/2002 CONFERENCIA 3123100000 Depreciação em Geral 309,47 986.330,30 2900000014 1105670 30/01/2002 DIV.PLANEJ.COMPRAS MATER 3123100000 Depreciação em Geral 497,48 986.330,30 2900000014 1105941 30/01/2002 DIVISÃO INSPECAO # RIO 3123100000 Depreciação em Geral 757,77 986.330,30 2900000014 1105657 30/01/2002 ALMOXARIFADO E RECEX S 3123100000 Depreciação em Geral 976 986.330,30 2900000034 1999999 30/03/2002 Repasse Distribuição 3123100000 Depreciação em Geral 1.109,00 999.973,56 2900000040 1999999 30/04/2002 Repasse Distribuição 3123100000 Depreciação em Geral 1.108,98 880.515,20 100140763 1107777 30/04/2002 Repasse Distribuição 3123100000 Depreciação em Geral 1.108,98 880.515,20 2900000045 1999999 30/05/2002 Repasse distribuição SÃO/ 3123100000 Depreciação em Geral 644,16 1.513.213,47 2900000045 1999999 30/05/2002 Repasse distribuição SÃO/ 3123100000 Depreciação em Geral 464,84 1.513.213,47 2900000045 1999999 30/05/2002 Repasse distribuição SÃO/ 3123100000 Depreciação em Geral 1,29 1.513.213,47 2900000048 1999999 30/06/2002 Repasse Distribuição 3123100000 Depreciação em Geral 1.110,33 1.048.168,89 2900000054 1999999 30/07/2002 Repasse Distribuição 3123100000 Depreciação em Geral 1.110,29 1.108.082,03 2900000060 1999999 30/08/2002 Repasse Distribuição 3123100000 Depreciação em Geral 1.881,27 921.472,59 2900000062 1999999 30/09/2002 Repasse Distribuição 3123100000 Depreciação em Geral 1.207,34 1.197.663,16 2900000067 1999999 30/10/2002 Repasse Distribuição 3123100000 Depreciação em Geral 1.207,32 1.128.915,14 2900000067 1999999 30/10/2002 Repasse Distribuição 3123100000 Depreciação em Geral 855,13 1.128.915,14 2900000067 1999999 30/10/2002 Repasse Distribuição 3123100000 Depreciação em Geral 69,44 1.128.915,14 2900000071 1999999 30/11/2002 Repasse Distribuição 3123100000 Depreciação em Geral 1.207,34 958.002,62 2900000075 Repasse Dez/02 30/12/2002 Repasse Distribuição 3123100000 Depreciação em Geral 2.363,81 1.402.374,95 100118786 01/03/2002 3110800001 Consumo de Material 5.877.071,49 Total dos Lançamentos 1.234.652,39 23.520.738,42 NOTA: O lançamento destacado em laranja não possui contrapartida em depreciação e somente está aqui listado por compor o montante de R$ 23.520.738,42 glosado no AI. Fl. 32364DF CARF MF Impresso em 08/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 08 /09/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 18471.001088/200781 Resolução nº 1302000.439 S1C3T2 Fl. 32.365 32 Portanto, o montante de R$ 1.234.652,39 referente à Despesa de Depreciação deve ser excluído integralmente da autuação, visto que a contrapartida de todos os lançamentos no Passivo são superiores ao corte de R$ 100.000,00. IV.4. Das inconsistências quanto aos itens "b.4" e "b.5": da efetiva existência de despesas inerentes à atividade de manutenção (exclusiva da "VEM", incorporada pela TAP, ora Requerente) nos montantes respectivos de R$ 5.793.877,20 e R$ 14.721.280,71 Com relação ao item "b.4", esta Colenda Turma determinou que a Autoridade Diligenciadora realizasse "a "comprovação direta" de despesas no montante de R$ 5.793.877.20". Quanto ao item "b.5", foi determinada a realização da "efetiva comprovação de despesas junto a grandes fornecedores, energia elétrica e Infraero, no valor de R$ 14.721.280,71". Ao ser intimada, por meio do TIF0001 a apresentar documentos, a Requerente apresentou Notas Fiscais de fornecedores que geraram os dispêndios relacionados à "comprovação direta", objeto de questionamento por meio do item "b.4". O Anexo IX do Documento 1 apresenta os testes realizados pela EY, enquanto o Anexo XIV apresentava tais notas de comprovação. Do mesmo modo, a Requerente também apresentou Notas Fiscais e testes relacionados à "comprovação indireta", relacionados às despesas junto a grandes fornecedores, energia elétrica e Infraero. Ambas as despesas em referência se relacionavam aos rateios que a Requerente realizava com sua excontroladora VARIG. A inerência dos objetos das Notas Fiscais à atividade da Requerente, que consiste na manutenção de aeronaves, resta inequívoca. Vejase, á título demonstrativo, a Nota Fiscal de n° 000046, relacionada ao item "b.4", afeto à comprovação indireta, que já foi devidamente colacionada aos autos juntamente ao grupo de Notas Fiscais apresentadas quando do atendimento ao TIF0001 e ora se reapresenta para fins demonstrativos (doc. 03). A referida Nota Fiscal, se analisada conjuntamente ao Contrato de Rateio de despesas firmado entre a VEM e a VARIG, bem como ao próprio objeto social de ambas, permitem a percepção de que a referida despesa com 01 Motor, acrescido de "Material aplicado", Óleo e combustível, apenas fazem sentido quando a atividade de manutenção e reparação de aeronaves é exercida. E a divisão entre a parte afeta à atividade de manutenção e as outras atividades é bem explícita entre a VEM e a VARIG. Além disso, as despesas relacionadas às Notas Fiscais estão registrados no centro de custo da VEM, tendo sido plenamente possível identificar, pelo confronto do valor rateado, anotado na nota fiscal, com o montante escriturado na contabilidade. Do mesmo modo, vejase a Nota Fiscal de n° 000062 (doc. 04), que também consubstancia valores relacionados à partes e peças que tiveram materiais aplicados, além de óleo e combustível, já devidamente juntada aos autos, mas ora corroborada, e que se relaciona ao item "b.5", afeta a grandes fornecedores e demonstra explicitamente a vinculação à atividade da Requerente. É dizer, nada obstante as Notas Fiscais tenham sido emitidas em nome da VARIG, a despesa é inerente à atividade da VEM, posteriormente incorporada pela TAP, ora Requerente, tendo sido exaustivamente demonstrado e comprovado nos autos que no ano calendário de 2002 (período objeto do lançamento), houve uma peculiaridade por ter sido o primeiro ano de funcionamento da VEM, em que todas as Fl. 32365DF CARF MF Impresso em 08/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 08 /09/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 18471.001088/200781 Resolução nº 1302000.439 S1C3T2 Fl. 32.366 33 atividades e faturas eram rateadas entre a VEM e a VARIG, o que, inclusive foi consubstanciado por meio de contrato de rateio. Nada obstante as claras demonstrações da Requerente nesse sentido, a i. Autoridade Diligenciadora entendeu que apenas seriam plausíveis de ser comprovadas as despesas relacionadas ao valor de R$ 2.120.679,04, correspondentes ao item "b.4", no que respeita às Faturas de números G00002077180302 e G00002087470502, tendo, entretanto, deixado de considerar diversas peculiaridades atreladas à natureza do objeto das Notas Fiscais colacionadas aos autos. Dessa forma, a ora Requerente vem respeitosamente requerer seja reconsiderada a análise da fiscalização quanto a esse tópico, tendo em vista a natureza das Notas Fiscais, que eram exclusivamente relacionadas à prestação de serviços de manutenção (atividade prestada apenas pela Requerente). IV.5. Das inconsistências quanto ao item "b.6": das despesas de depreciação no montante de R$8.572.814,26 Com relação ao item "b.6", esta Colenda Turma determinou que a Autoridade Diligenciadora comprovasse "a efetiva identificação e comprovação de despesas de depreciação no montante de R$ 8.572.814,26;" Por meio do Termo de Intimação Fiscal ("TIF") n° 1, a Autoridade Diligenciadora requisitou à Requerente que procedesse a tal comprovação, nos mesmos termos consignados na Resolução n° 1302000.271. Em resposta, a Requerente apresentou o anexo do Relatório emitido pela EY, TR 1560/2013 que contém os testes relativos à depreciação efetuados, bem como os laudos de avaliação dos ativos, produzidos pela empresa Appraisal Avaliação em Engenharia ("Appraisal"). Posteriormente, a Autoridade Diligenciadora requisitou, por meio do TIF n° 2, que a Requerente apresentasse, "registros que permitam identificar os bens depreciados, datas e valores de aquisição, métodos de depreciação adotados, de entrada dos bens em operação, baixas, acréscimos ao custo, reavaliações, etc. Apresentar em arquivo magnético o sistema de registros de bens do Ativo Permanente, inclusive com os relatórios de despesas/custos com depreciação". Em resposta, a Requerente afirmou que não possuía os arquivos magnéticos relativos aos registros dos bens no Ativo Permanente, motivo pelo qual não poderia atender esta requisição. Na sua conclusão, a Autoridade Diligenciadora afirmou que a Requerente não teria apresentado a documentação que "comprovasse quais foram os bens que sofreram depreciação, as datas de aquisição, o tempo que os bens deveriam ser depreciados, a forma como foram depreciados e outras informações atinentes à utilização da despesa de depreciação para dedução do IRPJ". No entanto, com a devida licença, a i. Autoridade Diligenciadora acabou por incorrer em equívoco. De fato, a Recorrente não possui os arquivos magnéticos que registram os bens no ativo, bem como o seu registro individualizado. Tal fato já era sabido, eis que a própria Autoridade Autuante constatou que os bens em questão haviam sido escriturados em contas de passivo. Fl. 32366DF CARF MF Impresso em 08/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 08 /09/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 18471.001088/200781 Resolução nº 1302000.439 S1C3T2 Fl. 32.367 34 Acontece que a incorreção no procedimento contábil da Requerente não invalida o seu direito a deduzir fiscalmente a depreciação destes bens de seu patrimônio. Ora, com os documentos juntados aos autos e reapresentados à Autoridade Diligenciadora, é perfeitamente possível identificar e calcular as despesas de depreciação. Com efeito, a discriminação e valores dos bens deobjetopreciados são objeto dos laudos de avaliação da empresa Appraisal, sendo certo que tais bens entraram em operação imediatamente após a constituição da VEM S/A. A constituição desta companhia deuse no contexto de segregação de atividades já realizadas, ou seja, não houve um período préoperacional. Não há que se falar em bens adquiridos e que estavam à espera de serem colocados em operação. Desta forma, não podem pairar dúvidas acerca do termo inicial da despesa de depreciação. O cálculo global apresentado, por sua vez, considera a menor taxa de depreciação aceita pela Secretaria da Receita Federal do Brasil ("RFB"), de maneira que, ainda que alguns bens pudessem ser depreciados em tempo mais curto, o procedimento adotado pela Requerente não causou qualquer prejuízo ao Fisco. A Autoridade Diligenciadora deveria efetuar suas verificações e comprovações com base nos elementos existentes, os quais são suficientes para a comprovação da regularidade das despesas de depreciação. Neste sentido, o antigo Conselho de Contribuintes já se manifestou pela prescindibilidade das fichas de registros individualizados dos bens do ativo permanente. Vejamos o excerto abaixo: [...] Não há, portanto, razão para a glosa das despesas de depreciação, eis que o procedimento adotado, conforme acima mencionado, não causou qualquer prejuízo ao Erário. Ao final de sua manifestação sobre as conclusões da diligência a interessada requer: Face ao exposto, a Requerente vem respeitosamente reiterar as razões suscitadas em seu recurso voluntário e em suas manifestações nas diligências anteriores, bem como requerer sejam revistas e reconsideradas algumas das conclusões adotadas pela i. Autoridade Diligenciadora no Relatório Fiscal de Encerramento de Diligência Fiscal e, ainda, ao final, reiterar o seu pedido para que seja dado integral provimento ao seu recurso voluntário, de modo a cancelar totalmente o lançamento, seja em razão da sua total nulidade material, seja em razão da sua notória improcedência. Após a manifestação da recorrente os autos retornam a este colegiado para a continuidade do julgamento. É o Relatório. Fl. 32367DF CARF MF Impresso em 08/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 08 /09/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 18471.001088/200781 Resolução nº 1302000.439 S1C3T2 Fl. 32.368 35 Voto Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado, Relator Analisando os presentes autos, que retornaram a este CARF para julgamento, após a realização das diligências determinada, verifico que os mesmos ainda não se encontram em condições de julgamento, uma vez que as diligências não foram concluídas a contento pela unidade preparadora. Com efeito, esta turma julgadora, por meio da Resolução nº 1302000.271, de 05/11/2013, determinou a realização de diligências com intimação ao sujeito passivo para a apresentação dos documentos especificados e que, a autoridade fiscal, de posse dos elementos elaborasse relatório conclusivo quanto a autenticidade dos documentos e se seriam hábeis e idôneos para: b.1) comprovar a existência de lançamentos de estornos que teriam sido equivocadamente considerados incluídos como despesas (que foram glosadas) pela fiscalização, no montante de R$ 16.761.509,22; b.2) a efetiva comprovação de despesas com folha de pagamento, no montante de R$ 2.301.304,42; b.3) comprovar a existência de glosa em duplicidade de despesas de depreciação, no valor de R$ 1.234.652,39; b.4) a “comprovação direta” de despesas no montante de R$ 5.793.877,20; b.5) a efetiva comprovação de despesas junto a grandes fornecedores, energia elétrica e Infraero, no valor de R$ 14.721.280,71; e b.6) a efetiva identificação e comprovação de despesas de depreciação no montante de R$ 8.572.814,26. A autoridade fiscal relata que a interessada apresentou os elementos por ela solicitados, e reconheceu a existência de lançamentos de estorno indevidamente considerado no lançamento de glosa de despesas, que houve duplicidade do lançamento de glosa de despesas com depreciação (subitens b1, b2 e b3). No entanto, com relação às comprovações indicadas nos subitens b.4 e b.5 (comprovação de despesas), a autoridade fiscal encarregada das diligências considerou prejudicado o exame dos elementos apresentados pelo contribuinte por entender que não atendiam aos parâmetros para rateio de custos e despesas definidos pela Solução de Consulta Cosit nº 8/2012, asseverando que, verbis: Tendo em vista a Solução de Consulta descrita acima, verificase que fica prejudicada a comprovação dessas despesas, conforme demonstrado a seguir: 1) O contribuinte apresentou notas fiscais todas emitidas tendo como destinatário a VARIG S/A, CNPJ 92.772.821/000164 sendo que em algumas constava o rateio por centros de custo das despesas entre as empresas do grupo por meio de um carimbo. E, além disso, os percentuais do rateio variavam entre as notas Fiscais, sendo Fl. 32368DF CARF MF Impresso em 08/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 08 /09/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 18471.001088/200781 Resolução nº 1302000.439 S1C3T2 Fl. 32.369 36 que em outras notas nem sequer havia esse carimbo com o rateio (o rateio se dava somente na contabilidade); 2) O contribuinte apresentou anteriormente neste PAF o "Protocolo de Entendimentos entre VARIG S/A e VEM S/A" e o "Repasse entre VARIG X VEM Versão 2.0", que inclui novamente no decorrer da diligência para facilitar a sua localização dentro do processo. Estes documentos informam de modo geral como é feito o funcionamento entre as empresas e o repasse das obrigações entre elas, mas não detalha os percentuais que serão rateados para cada empresa do grupo, o que deve ter sido acordado através de contratos com os fornecedores (até pela mudança dos percentuais de rateio entre as notas fiscais) e que a fiscalizada não entregou, 3) Nos basearmos apenas em testes contábeis realizados pela E&Y, nos lançamentos da contabilidade e nos "carimbos" em notas fiscais que são insuficientes para comprovar os valores rateados. Não houve a comprovação de forma efetiva do pagamento à VARIG desses valores dos rateios, exceto com relação aos valores informados no item "b.4w, descritos posteriormente neste Relatório; Com a devida vênia, penso que, sem prejuízo da orientação contida na solução de consulta referida, é necessário que a autoridade diligenciante avalie a autenticidade dos documentos apresentados e se são hábeis e idôneos para amparar o lançamento das despesas contabilizadas, mesmo que para tanto tenha que intimar a interessada a apresentar novos detalhamentos das despesas e informar individualizadamente os critérios de rateios utilizados para cada tipo de despesa ou custo; e, ainda, tendo em vista que a contabilização deveria obedecer ao regime de competência, a identificar a contrapartida dos lançamentos (Caixa, Bancos, contas do Passivo, etc). Reitero a necessidade de que as análises de cada custo/despesa se dê de forma individualizada com vistas a permitir o juízo deste colegiado sobre a dedutibilidade de cada um deles. Observo que, à época em que o procedimento fiscal foi realizado, a empresa Vem Varig, que fazia originalmente parte do grupo Varig, havia sido transferida para o controle da empresa TAP e que, conforme comprovado nos autos, a antiga controladora (Varig) encontravase em processo de recuperação judicial, o que teria dificultado sobremaneira a obtenção dos elementos comprobatórios pelos atuais controladores. Não obstante, ao longo da discussão administrativa do lançamento, a interessada buscou, inclusive com ordem judicial para exibição de documentos pelos antigos controladores, apresentar os elementos visando a demonstrar a dedutibilidade dos custos e despesas lançadas relativas ao ano de 2002, quando em função de sua recente criação, mediante desmembramento da empresa Varig, muitos desses custos e despesas permaneceram compartilhados, sendo pagos pela controladora (Varig) e, posteriormente, rateado com a interessada, mediante ressarcimento. Entendo que o trabalho da empresa de auditoria/consultoria apresentado, conquanto não tenha caráter probatório, demonstra o esforço da recorrente em se desincumbir do ônus de comprovar as despesas e custos glosados pela fiscalização. Nesse sentido é que tal documento foi recebido por este colegiado, como mais um elemento para esclarecer e elucidar as questões suscitadas, e por isto foi determinada a Fl. 32369DF CARF MF Impresso em 08/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 08 /09/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 18471.001088/200781 Resolução nº 1302000.439 S1C3T2 Fl. 32.370 37 realização de verificações pela fiscalização visando a atestar ou refutar as suas conclusões com base nos elementos disponibilizados pela interessada. É certo que o ônus da prova da dedutibilidade de suas despesas e custos é do contribuinte, mas uma vez este tendo apresentado elementos e esclarecimentos acerca dos fatos questionados pelo Fisco, é dever deste analisálos individualizadamente e, se for o caso, refutá los, não podendo se eximir desse mister. Assim, entendo que os autos devem retornar à unidade preparadora para que a autoridade fiscal se manifeste expressamente sobre os elementos e esclarecimentos apresentados pela recorrente (inclusive sobre os testes realizados conforme Laudo Técnico nº Técnico nº TR1560/2013, emitido pela empresa Ernst & Young Terço E&Y), com relação aos custos e despesas glosados especificados nos itens b.4 e b.5 da resolução anterior, inclusive com a solicitação de novos detalhamentos e dos critérios de rateio por parte da interessada. Além disso, é imprescindível que a autoridade fiscal se pronuncie sobre alguns pontos da manifestação da recorrente em face do relatório das diligências: a) No subitem IV.I, a recorrente alega que os valores estornados que foram indevidamente considerados nas glosas devem ser excluídos em dobro do lançamento, pois teriam sido computados a partir da conta do passivo, que possui sinal invertido, perfazendo assim o total de R$ 16.761.509,22 ; e b) No subitem IV.2, sobre a comprovação do efetivo pagamento de despesas com folha de pagamentos, no valor de R$ 2.031.304,42, a recorrente alega que apresentou outros elementos não considerados pela autoridade diligenciante que comprovariam a efetividade da despesa, inclusive o seu registro em contrapartida a contas do passivo. Observo, ainda, que a interessada não apresentou cópia (legível) do Balanço (ou balancete) Analítico e das Demonstrações de Resultado dos exercícios 2001 e 2002, com discriminação dos saldos contábeis em 31/12/2001 e 31/12/2002, mas tão somente um Parecer de Auditoria Independente (efls. 26112/26129), nos quais constam apenas os Balanços e Demonstrações de Resultado, dos períodos referidos, em formato sintético. No mesmo sentido, verifico que o razão analítico da conta 2185400004 apresentado pela interessada às efls. 26142/28607 não atende ao que foi solicitado na Resolução nº 1302000.271, pois não contém o saldo inicial, nem a evolução dos saldos mês a mês e o saldo final da conta. Por fim, aproveitando o ensejo da necessidade de diligências complementares, julgo oportuno solicitar que a recorrente apresente cópia dos lançamentos contábeis (nos livros Diário e Razão) relativo à operação de aumento de capital, no valor de R$ 81.812.547,95, realizado mediante o aproveitamento de créditos da empresa controladora (Varig) junto à interessada, conforme Ata da Reunião do Conselho de Administração realizada em 24 de novembro de 2003 (efls. 3290). Como complemento deve ser solicitada, também, cópia do Balanço Patrimonial (analítico) do ano de 2003. Tais documentos visam complementar a documentação com vistas à análise do lançamento de omissão de receitas apuradas com base em passivo fictício. Fl. 32370DF CARF MF Impresso em 08/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 08 /09/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 18471.001088/200781 Resolução nº 1302000.439 S1C3T2 Fl. 32.371 38 Ante ao exposto, voto no sentido de converter o presente julgamento em diligência, devendo os presentes autos retornar à unidade preparadora para que: a) seja designada autoridade fiscal competente para que intime a recorrente a: a.1) apresentar cópia (legível) do Balanço (ou balancete) Analítico e das Demonstrações de Resultado dos exercícios 2001, 2002 e 2003, com discriminação dos saldos contábeis em 31/12/2001, 31/12/2002 e 31/12/2003; a.2) apresentar cópia integral (legível) do Livro Razão analítico da conta 2185400004, contendo saldo inicial e final de cada mês do anocalendário 2002. a.3) apresentar cópia dos lançamentos contábeis (nos livros Diário e Razão) relativo à operação de aumento de capital, no valor de R$ 81.812.547,95, realizado mediante o aproveitamento de créditos da empresa controladora (Varig) junto à interessada, conforme Ata da Reunião do Conselho de Administração realizada em 24 de novembro de 2003 (efls. 3290). a.4) apresentar planilha detalhando os custos e despesas, critérios de rateios adotados e contrapartidas de lançamentos relativos aos custos e despesas especificados nos itens b.4 e b.5 da resolução anterior (Resolução nº 1302000.271), bem como comprovar que a empresa centralizadora da operação de aquisição de bens e serviços (Varig) apropriou como despesa tão somente a parcela que lhe cabia, segundo o critério de rateio adotado. b) A autoridade fiscal competente, designada para a realização da diligência, analise os elementos comprobatórios juntados aos autos como anexos do Laudo Técnico nº Técnico nº TR1560/2013, emitido pela empresa Ernst & Young Terço E&Y em conjunto com os demais elementos apresentados (planilhas, notas fiscais, etc) e elabore relatório conclusivo: b.1) quanto a alegação, contida no subitem IV.I da manifestação da interessada (efls. 32240/32269), de que os valores estornados que foram indevidamente considerados nas glosas devem ser excluídos em dobro do lançamento, pois teriam sido computados a partir da conta do passivo, perfazendo o montante de R$ 16.761.509,22 e não de R$ 9.092.981.65 indicado no Termo de Encerramento de Diligência Fiscal (efls. 32230/32235). b.2) sob a alegação contida no subitem IV.2 da manifestação da interessada (e fls. 32240/32269) quanto a efetividade das despesas com folha de pagamento, no montante de R$ 2.301.304,42, informando inclusive como esta foi contabilizada; b.3) quanto aos documentos e esclarecimentos apresentados pela interessada com vistas à “comprovação direta” de despesas no montante de R$ 5.793.877,20, levando em consideração as alegações contidas no subitem IV.4 da manifestação da interessada (efls. 32240/32269) e os novos elementos solicitados conforme subitem a.4 acima; e b.4) quanto aos documentos e esclarecimentos apresentados pela interessada com vistas à efetiva comprovação de despesas junto a grandes fornecedores, energia elétrica e Infraero, no valor de R$ 14.721.280,71, levando em consideração as alegações contidas no subitem IV.4 da manifestação da interessada (efls. 32240/32269), e os novos elementos solicitados conforme subitem a.4 acima. Fl. 32371DF CARF MF Impresso em 08/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 08 /09/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 18471.001088/200781 Resolução nº 1302000.439 S1C3T2 Fl. 32.372 39 Observação: Em caso de dúvidas quanto autenticidade dos documentos, aos critérios adotados e/ou às informações constantes no Laudo Técnico TR 1560/2013 – E&Y e planilhas apresentadas, a autoridade fiscal deverá requerer documentos e explicações adicionais à recorrente. c) Seja a interessada cientificada do relatório conclusivo das diligências, com abertura de prazo de trinta dias para sua manifestação, nos termos do § único do art. 35 do Decreto nº 7.574/2011. Cumpridas as providências, os autos devem retornar a este colegiado para a apreciação do Recurso Voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Relator Fl. 32372DF CARF MF Impresso em 08/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 08 /09/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
score : 1.0
Numero do processo: 10865.905457/2012-38
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 24 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Oct 06 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 30/09/2004
COMPENSAÇÃO. REQUISITOS.
É vedada a compensação de débitos com créditos desvestidos dos atributos de liquidez e certeza.
ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO.
Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado.
PROVA DOCUMENTAL. PRECLUSÃO
A prova documental deve ser produzida até o momento processual da reclamação, precluindo o direito da parte de fazê-lo posteriormente, salvo prova da ocorrência de qualquer das hipóteses que justifiquem sua apresentação tardia.
PROVA DOCUMENTAL. PRINCÍPIO PROCESSUAL DA VERDADE MATERIAL.
A busca da verdade real não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar, no momento processual apropriado, as provas necessárias à comprovação dos créditos alegados.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3201-002.372
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Tatiana Josefovicz Belisário e Cassio Shappo.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, José Luiz Feistauer de Oliveira, Paulo Roberto Duarte Moreira, Mércia Helena Trajano D'Amorim, Cássio Schappo, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Tatiana Josefovicz Belisário.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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DCOMP. Recorrente ELO COMERCIO DE COMPONENTES AUTOMOTIVOS LTDA EPP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 30/09/2004 COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. É vedada a compensação de débitos com créditos desvestidos dos atributos de liquidez e certeza. ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. PROVA DOCUMENTAL. PRECLUSÃO A prova documental deve ser produzida até o momento processual da reclamação, precluindo o direito da parte de fazêlo posteriormente, salvo prova da ocorrência de qualquer das hipóteses que justifiquem sua apresentação tardia. PROVA DOCUMENTAL. PRINCÍPIO PROCESSUAL DA VERDADE MATERIAL. A busca da verdade real não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar, no momento processual apropriado, as provas necessárias à comprovação dos créditos alegados. Recurso Voluntário Negado. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Tatiana Josefovicz Belisário e Cassio Shappo. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 90 54 57 /2 01 2- 38 Fl. 68DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2016 por EUNICE AUGUSTO MARIANO, Assinado digitalmente em 04/10/20 16 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 10865.905457/201238 Acórdão n.º 3201002.372 S3C2T1 Fl. 0 2 Winderley Morais Pereira Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, José Luiz Feistauer de Oliveira, Paulo Roberto Duarte Moreira, Mércia Helena Trajano D'Amorim, Cássio Schappo, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Tatiana Josefovicz Belisário. Relatório ELO COMERCIO DE COMPONENTES AUTOMOTIVOS LTDA transmitiu PER/DCOMP alegando indébito de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins. A DRF LIMEIRA emitiu Despacho Decisório Eletrônico não homologando a compensação, em virtude de o pagamento informado ter sido integralmente utilizado para quitação de débitos declarados pelo contribuinte, não restando crédito disponível para a compensação declarada. Em Manifestação de Inconformidade a contribuinte alegou, em síntese, que comercializa alguns produtos sujeitos à tributação monofásica (alíquota zero sobre as suas vendas), que foram indevidamente tributados, o que deu origem aos créditos informados no PER/Dcomp. Procurando demonstrar a existência do direito creditório junta ao processo cópia da DCTF retificadora. A Manifestação de Inconformidade foi julgada improcedente, nos termos do Acórdão 02055.302. A DRJ fundamentou que a simples retificação da DCTF não é suficiente para comprovar o pagamento indevido ou a maior que o devido, e que a contribuinte não trouxe aos autos elementos comprobatórios do direito creditório utilizado na compensação declarada. Em seu recurso voluntário a Recorrente traz, em resumo, os seguintes argumentos: a) reitera que a origem de seu direito creditório decorre da inclusão indevida, na base de cálculo da contribuição, de receitas oriundas da venda de produtos sujeitos à alíquota 0%, conforme anexo I da Lei nº 10.485/2002 (SILENCIOSO componente do sistema de escapamento NCM 87.08.92.00), que já teriam sofrido tributação obedecendo ao critério monofásico; b) afirma que procurou comprovar o direito creditório com a manifestação de inconformidade acompanhada da DCTF retificadora, mas que, agora, junta aos autos demonstrativo mais detalhado e minucioso (listagem de notas fiscais com indicação dos produtos vendidos com respectivas alíquotas aplicáveis, cópia do Registro de Saídas e da GIA correspondentes), servindo para o reconhecimento de seu direito de crédito ou, pelo menos, para justificar a realização de diligência (cita a Resolução nº 3803000.330 como precedente); c) caso o Colegiado decida pela realização de diligência, informa que todas as notas fiscais relacionadas nos demonstrativos estão sob sua guarda, à disposição do Fisco; Fl. 69DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2016 por EUNICE AUGUSTO MARIANO, Assinado digitalmente em 04/10/20 16 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 10865.905457/201238 Acórdão n.º 3201002.372 S3C2T1 Fl. 0 3 d) sustenta que a decisão recorrida negou seu direito atendose a aspecto meramente formal, sem observar o princípio da verdade material, que norteia o processo administrativo fiscal. É o relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3201002.316, de 24/08/2016, proferido no julgamento do processo 10865.904904/201231, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201002.316): "Observados os pressupostos recursais, a petição de fls. 70 a 78 merece ser conhecida como recurso voluntário contra o Acórdão DRJ/Fortaleza/3ª Turma, nº 0826.232, de 20 de agosto de 2013. No presente caso, a decisão recorrida não acolheu a alegação de erro na apuração da contribuição social, nem a simples retificação da DCTF para efeito de alterar valores originalmente declarados, porque o declarante, em sede de manifestação de inconformidade, não se desincumbiu do ônus probatório que lhe cabia e não juntou nos autos seus registros contábeis e fiscais, acompanhados de documentação hábil, para infirmar o motivo que levou a autoridade fiscal competente a não homologar a compensação ou mesmo para eventualmente comprovar a alegada inclusão indevida de valores na base de cálculo das contribuições, que poderiam levar à reduções de valores dos débitos confessados em DCTF. Agora, já no recurso voluntário, o interessado aporta aos autos novos documentos, que não haviam sido oferecidos à autoridade julgadora de primeira instância. A possibilidade de conhecimento desses novos documentos, não oferecidos à instância a quo, deve ser avaliada à luz dos princípios que regem o Processo Administrativo Fiscal. O PAF, assim dispõe, verbis: Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. [...]Art. 16. A impugnação mencionará: [...]III – os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) Fl. 70DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2016 por EUNICE AUGUSTO MARIANO, Assinado digitalmente em 04/10/20 16 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 10865.905457/201238 Acórdão n.º 3201002.372 S3C2T1 Fl. 0 4 [...]§ 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997): b) refirase a fato ou a direito superveniente; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997); c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) [...]Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997). O processo administrativo fiscal pode ser considerado como um método de composição dos litígios, empregado pelo Estado ao cumprir sua função jurisdicional, com o objetivo imediato de aplicar a lei ao caso concreto para a resolução da lide. Em razão de vários fatores, a forma como o processo se desenvolve assume feições diferentes. Humberto Theodoro Júnior em "Curso de Direito Processual Civil, vol. I" (ed. Forense, Rio de Janeiro, 2004, p.303) assim diz: “enquanto processo é uma unidade, como relação processual em busca da prestação jurisdicional, o procedimento é a exteriorização dessa relação e, por isso, pode assumir diversas feições ou modos de ser.”. Ensina o renomado autor que “procedimento é, destarte, sinônimo de ‘rito’ do processo, ou seja, o modo e a forma por que se movem os atos do processo”. Neste sentido, o procedimento está estruturado segundo fases lógicas, que tornam efetivos os seus princípios fundamentais, como o da iniciativa da parte, o do contraditório e o do livre convencimento do julgador. Conforme os antes transcritos artigos 14 e 15 do Decreto 70.235/1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal (PAF), é a impugnação da exigência, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, que instaura a fase litigiosa do procedimento. (grifei) Por sua vez, o art. 16, § 4º do Decreto nº 70.235/1972, estabelece que as provas devem ser apresentadas juntamente com a impugnação, precluindo o direito de fazêlo em outro momento processual. O sistema da oficialidade, adotado no processo administrativo, e a necessidade da marcha para frente, a fim de que o mesmo possa atingir seus objetivos de solução de conflitos e pacificação social, impõem que existam prazos e o estabelecimento da preclusão. Contudo, uma fria análise da norma pode vir a chocarse com os princípios da verdade material e da ampla defesa. Vejamos que a Lei nº 9.784/1999, que regula o processo administrativo em geral, no art. 3º, possibilita a apresentação de alegações e documentos antes da decisão e, no art. 38, permite que documentos probatórios possam ser juntados até a tomada da decisão administrativa. Entretanto, conforme a melhor doutrina, deve ser aplicada ao caso a lei específica existente, Decreto nº 70.235/1972, que determina o rito do processo administrativo fiscal, em detrimento da lei geral. Fl. 71DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2016 por EUNICE AUGUSTO MARIANO, Assinado digitalmente em 04/10/20 16 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 10865.905457/201238 Acórdão n.º 3201002.372 S3C2T1 Fl. 0 5 Neste ponto, sobre o momento da apresentação da prova no processo administrativo fiscal, cabe mencionar que de fato existe na jurisprudência uma tendência de atenuar os rigores da norma, afastando a preclusão em alguns casos excepcionais, que indicam trataremse daqueles que se referem a fatos notórios ou incontroversos, no tocante a documentos que permitem o fácil e rápido convencimento do julgador. Logo, o direito da parte à produção de provas posteriores, até o momento da decisão administrativa comporta graduação e será determinado a critério da autoridade julgadora, com fulcro em seu juízo de valor acerca da utilidade e da necessidade, bem como à percepção de que efetivamente houve um esforço na busca de comprovar o direito alegado, que é ônus daquele que objetiva a restituição, ressarcimento e/ou compensação de tributos. Como se vê, as alegações de defesa são faculdades do demandado, mas constituemse em verdadeiro ônus processual, porquanto, embora o ato seja instituído em seu favor, não sendo praticado no tempo certo, surgem para a parte conseqüências gravosas, dentre elas a perda do direito de fazêlo posteriormente, pois operase, nesta hipótese, o fenômeno da preclusão, isto porque, conforme já dito, o processo é um caminhar para a frente, não se admitindo, em regra, ressuscitar questões já ultrapassadas em fases anteriores. O § 4º do art. 16 do PAF estabelece que só é lícito deduzir novas alegações em supressão de instância quando: relativas a direito superveniente, demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior ou destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Compete ainda ao julgador administrativo conhecer de ofício de matérias de ordem pública, a exemplo da decadência; ou por expressa autorização legal. Finalmente, o § 5º do mesmo dispositivo legal exige que a juntada dos documentos deve ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. Especificamente no caso desses autos, o recorrente não se preocupou em produzir oportunamente os documentos que comprovariam suas alegações, ônus que lhe competia, segundo o sistema de distribuição da carga probatória adotado pelo Processo Administrativo Federal: o ônus de provar a veracidade do que afirma é do interessado, segundo o disposto na Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999, art. 36: Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no artigo 37 desta Lei. No mesmo sentido o art. 330 da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973 (CPC): Art. 333. O ônus da prova incumbe: I – ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II – ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Fl. 72DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2016 por EUNICE AUGUSTO MARIANO, Assinado digitalmente em 04/10/20 16 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 10865.905457/201238 Acórdão n.º 3201002.372 S3C2T1 Fl. 0 6 O recorrente tampouco comprovou a ocorrência de qualquer das hipóteses das alíneas “a” a “c” do § 4º do art. 16 do PAF, que justificasse a apresentação tão tardia dos referidos documentos. No caso, o acórdão da DRJ foi bastante claro ao fundamentar suas conclusões pela insuficiência da comprovação do direito creditório alegado quando afirmou: "a simples retificação da DCTF sem que o contribuinte tenha juntado aos autos documentos hábeis e idôneos que comprovem as alterações efetuadas não pode servir como justificativa de eventual erro no preenchimento da DCTF" (grifei). Ao final, a decisão recorrida novamente destaca: "a manifestação de inconformidade procura justificar o erro na declaração DCTF Original mediante retificação da DCTF, após a ciência do Despacho Decisório, sem apresentação de elementos comprobatórios do direito creditório pleiteado no citado PER/DCOMP. (grifei) A propósito dos documentos que instruem a peça recursal (demonstrativos do faturamento mensal, do cálculo dos créditos de PIS e Cofins e das compensações, bem como cópia do registro de saídas e da apuração do ICMS), verificase que o contribuinte anexou uma relação de Notas Fiscais de 7 (sete) páginas de extensão, fls. 79 a 85, afirmando que tal providência o dispensaria da anexação de todas estas notas emitidas no período, em face de seu "grande volume". Quanto à esta alegação, deve ser contraposto que o presente processo já foi instaurado na forma digital, o que em muito facilitaria a juntada da totalidade das referidas notas fiscais. Embora ressalte que todas estas Notas estariam sob sua guarda e poderiam ser imediatamente disponibilizadas na hipótese de realização de diligência, o interessado sequer procurou juntar algumas Notas como amostragem, o que ao menos denotaria um mínimo esforço no sentido de comprovar o efetivo teor das mesmas. Ainda, também não se preocupou em demonstrar a origem das mercadorias que teria revendido, mediante a apresentação das Notas Ficais de aquisição das mesmas, no sentido de comprovar que de fato o fabricante/fornecedor operava sob o regime da tributação monofásica. No caso, optou por reiterar suas alegações quanto à supremacia da verdade material sobre a verdade formal, quando deveria procurar demonstrar de maneira efetiva suas alegações juntando cópias de pelo menos parte de todas estas notas, para que o julgamento ocorresse com base em elementos concretos, capazes de comprovar a veracidade do alegado direito creditório. O recorrente invoca o princípio processual da verdade material. O que deve ficar assente é que o referido princípio destinase à busca da verdade que está para além dos fatos alegados pelas partes, mas isto num cenário dentro do qual as partes trabalharam proativamente no sentido do cumprimento do seu ônus probandi. Em outras palavras, o principio da verdade material autoriza o julgador a ir além dos elementos de prova trazidos pelas partes, quando tais elementos de prova induzem à suspeita de que os fatos ocorreram não da forma como esta ou aquela parte afirma, mas de uma outra forma qualquer (o julgador não está vinculado às versões das partes). Mas isto, à evidência, nada tem a ver com propiciar à parte que tem o ônus de provar o que alega/pleiteia, a oportunidade de produzir algo que, do ponto de vista estritamente legal, já deveria compor, como requisito de admissibilidade, o pleito desde sua formalização inicial. Fl. 73DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2016 por EUNICE AUGUSTO MARIANO, Assinado digitalmente em 04/10/20 16 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 10865.905457/201238 Acórdão n.º 3201002.372 S3C2T1 Fl. 0 7 Dito de outro modo: da mesma forma que não é aceitável que um lançamento seja efetuado sem quaisquer provas e que se permita posteriormente, em sede de julgamento ou por meio de diligências, tal instrução probatória, também não é aceitável que um pleito, onde se objetiva a restituição de um alegado crédito, seja proposto sem a devida e minuciosa demonstração e comprovação da efetiva existência do indébito e que posteriormente, também em sede de julgamento, se oportunize tais demonstração e comprovação. Pelo exposto, entendo que deve ser afastada a insinuação recursal, implícita no brado pelo princípio da verdade material, de que esta instância de julgamento estaria obrigada a acolher todos e quaisquer documentos que por ventura acompanhem o recurso, primeiro porque existe um evidente limite temporal para a apresentação de provas no rito instituído pelo Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 – PAF que no presente caso é o momento processual da apresentação da manifestação de inconformidade, segundo porque o ônus probatório aqui é do contribuinte, quando este pleiteia um ressarcimento ou uma restituição de indébito, tem a obrigação de comprovar inequivocamente o seu alegado direito creditório no momento que contesta o despacho decisório e instaura o contencioso. Como se vê, a documentação juntada ao recurso voluntário não se revela suficiente para atestar liminarmente a liquidez e a certeza do crédito oposto na compensação declarada e demandaria a reabertura da dilação probatória, o que, de regra, como já visto, não se admite na fase recursal do processo, exceto em casos excepcionais. A comprovação do valor do tributo efetivamente devido (e, por conseqüência, do direito à restituição de eventual parcela recolhida a maior) no caso concreto deveria ter sido efetuada mediante apresentação de documentos contábeis e fiscais que patenteassem que o valor da contribuição do período de apuração de interesse não atingiu o valor informado na DCTF vigente quando da emissão do Despacho Decisório aqui analisado, mas apenas o valor informado na DCTF retificadora (que no presente caso sequer efeitos surte quanto à redução deste débito). Como tal documentação não foi juntada no momento processual oportuno e nem mesmo agora em sede de recurso voluntário foi integralmente apresentada, quedou sem comprovação a certeza e liquidez dos créditos do contribuinte contra a Fazenda Pública, atributos indispensáveis para a homologação da compensação pretendida, nos termos do art. 170 do CTN. Sobre a jurisprudência trazida à colação pelo recorrente, inclusive a citada Resolução nº 3803000.330, devese contrapor que se tratam de decisões isoladas, que não se enquadram ao caso em exame e nem vinculam o presente julgamento, podendo cada instância decidir livremente, de acordo com suas convicções. Além disso, tratamse de precedentes que não constituem normas complementares, não têm força normativa, nem efeito vinculante para a administração tributária, pela inexistência de lei nesse sentido, conforme exige o art. 100, II, do CTN. Alertandose para a estrita vinculação das autoridades administrativas ao texto da lei, no desempenho de suas atribuições, sob pena de responsabilidade, motivo pelo qual tais decisões não podem ser aplicadas fora do âmbito dos processos em que foram proferidas. Fl. 74DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2016 por EUNICE AUGUSTO MARIANO, Assinado digitalmente em 04/10/20 16 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 10865.905457/201238 Acórdão n.º 3201002.372 S3C2T1 Fl. 0 8 Com essas considerações, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário do Contribuinte, para não reconhecer o direito creditório em litígio e manter a não homologação das compensações." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, negase provimento ao recurso voluntário, para não reconhecer o direito creditório em litígio e manter a não homologação das compensações. Winderley Morais Pereira Fl. 75DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2016 por EUNICE AUGUSTO MARIANO, Assinado digitalmente em 04/10/20 16 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA
score : 1.0
Numero do processo: 10925.002272/2007-51
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Aug 25 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Oct 10 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Ano-calendário: 2003
ITR. ÁREA DE RESERVA LEGAL. NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO ESPECIAL. AUSÊNCIA DE SIMILITUDE FÁTICA.
O Recurso Especial de Divergência somente poderá ser conhecido quando caracterizado que perante situações fáticas similares os colegiados adotaram decisões diversas em relação a uma mesma legislação.
Numero da decisão: 9202-004.379
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer o Recurso Especial da Fazenda Nacional, vencidos os conselheiros Heitor de Souza Lima Junior e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (presidente em exercício), que o conheceram.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em Exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
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ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Anocalendário: 2003 ITR. ÁREA DE RESERVA LEGAL. NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO ESPECIAL. AUSÊNCIA DE SIMILITUDE FÁTICA. O Recurso Especial de Divergência somente poderá ser conhecido quando caracterizado que perante situações fáticas similares os colegiados adotaram decisões diversas em relação a uma mesma legislação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 5. 00 22 72 /2 00 7- 51 Fl. 452DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 05/10/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 2 Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer o Recurso Especial da Fazenda Nacional, vencidos os conselheiros Heitor de Souza Lima Junior e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (presidente em exercício), que o conheceram. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em Exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Fl. 453DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 05/10/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10925.002272/200751 Acórdão n.º 9202004.379 CSRFT2 Fl. 3 3 Relatório Tratase de auto de infração (fls. 01/03 e 240/251) relativo ao Imposto Territorial Rural – ITR do imóvel denominado Fazenda Irani, com área de 2.107,2 ha (NIRF 2.013.7613), localizado no município de Vargem Bonita/SC, relativo ao exercício 2003, por meio do qual se exige crédito tributário no valor de R$ 128.131,88, incluídos multa de ofício no percentual de 75% (setenta e cinco por cento) e juros de mora. Conforme descrição dos fatos (fls. 242/251), no Quadro "Distribuição da Área Utilizada", foi glosada totalmente a área declarada como de Exploração Extrativa (1.017,3 ha), por não haver sido comprovado o cumprimento dos requisitos legais para sua aceitação. O Valor da Terra Nua foi reduzido, acatandose o valor apresentado em Laudo Técnico apresentado pelo contribuinte. Em conseqüência, houve aumento da alíquota e do valor devido do tributo. A autuada apresentou impugnação, tendo a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Campo Grande/MS julgado o lançamento procedente, mantendo o imposto total. Apresentado Recurso Voluntário pela autuada, os autos foram encaminhados ao CARF para julgamento do mesmo. No Acórdão de Recurso Voluntário, o Colegiado, por unanimidade de votos, afastou a preliminar de nulidade da decisão de primeira instância e, no mérito, deu provimento ao recurso, para reconhecer a área de reserva legal total de 1.416,7 ha. Portanto, em sessão plenária de 28/07/2010, deuse provimento ao recurso, prolatandose o Acórdão nº 2102000.723, assim ementado: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2003 NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. INOCORRÊNCIA. Quando a decisão de primeira instância, proferida pela autoridade competente, está fundamentada e aborda todas as razões de defesa suscitadas pela impugnante, não há que se falar em nulidade. ÁREA DE RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO. Devese reconhecer, para fins de cálculo do ITR devido, a área de reserva legal, devidamente averbada à margem da inscrição de matricula do imóvel, no registro de imóveis competente, que o contribuinte indevidamente declarou como área utilizada. Recurso Voluntário Provido.” Fl. 454DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 05/10/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 4 O processo foi encaminhado para ciência da Fazenda Nacional, em 05/11/2010 para cientificação em até 30 dias, nos termos da Portaria MF nº 527/2010. A Fazenda Nacional opôs, tempestivamente, em 05/11/2010, Embargos de Declaração alegando omissão do acórdão ao não se pronunciar a respeito da exigência contida no art. 17O, §1º, da Lei nº 6.938, de 1981 e na IN SRF nº 43, de 1997, acrescentando, ainda, que a contribuinte não tem direito ao benefício, pois o ADA se mostra intempestivo, vez que não foi apresentado no prazo de seis meses, contados a partir da data final da entrega da DITR/2003. Tais embargos não foram acolhidos de acordo com o despacho s/nº da 1ª Câmara, de 20/04/2012. Novamente intimada, em 04/06/2012, para cientificação em até 30 dias, nos termos da Portaria MF nº 527/2010, a Fazenda Nacional interpôs, tempestivamente, no mesmo dia, o Recurso Especial. Em seu recurso visa a reforma da decisão recorrida e a restauração do inteiro teor da decisão de primeira instância. Ao Recurso Especial foi dado seguimento, conforme o Despacho s/nº da 1ª Câmara, de 08/05/2013. Em seu Recurso Especial, a Recorrente traz as seguintes alegações: · que da análise das alegações e da documentação apresentadas pelo contribuinte, cuja finalidade é ver reconhecida a isenção sobre a área apontada, confirmase o não cumprimento, de forma tempestiva, da exigência da protocolização do Ato Declaratório Ambiental – ADA, perante o IBAMA ou órgão conveniado. · que a Lei nº 9.393/96 prevê a exclusão das áreas de preservação permanente e reserva legal da incidência do ITR, em seu art. 10, inciso II, in verbis: "Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitandose a homologação posterior. § 1° Para os efeitos de apuração do ITR, considerarseá: I VTN, o valor do imóvel, excluídos os valores relativos a: a) construções, instalações e benfeitorias; b) culturas permanentes e temporárias; e) pastagens cultivadas e melhoradas; d) florestas plantadas; II área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei n° 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei IV 7.803, de 18 de julho de 1989; b) de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas, assim declaradas mediante ato do órgão competente, federal ou estadual, e que ampliem as restrições de uso previstas na alínea anterior; c) comprovadamente imprestáveis para qualquer exploração agrícola, pecuária, granjeira, agrícola ou florestal, declaradas de interesse ecológico mediante ato do órgão competente, federal ou estadual; d) sob regime de servidão florestal ou ambiental; e) cobertas por florestas nativas, primárias ou Fl. 455DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 05/10/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10925.002272/200751 Acórdão n.º 9202004.379 CSRFT2 Fl. 4 5 secundárias em estágio médio ou avançado de regeneração; (...).” · que o citado dispositivo legal trata de concessão de benefício fiscal, razão pela qual deve ser interpretado literalmente, de acordo com o art. 111 do Código Tributário Nacional, e que, inclusive, o CARF editou a Súmula nº 41 sobre o tema: “A não apresentação do Ato Declaratório Ambiental (ADA) emitido pelo IBAMA, ou órgão conveniado, não pode motivar o lançamento de oficio relativo a fatos geradores ocorridos até o exercício de 2000”. · que, pelo enunciado transcrito acima podemos deduzir que, se a ausência do ADA não poderia motivar lançamento de ofício relativo a fatos geradores ocorridos até o exercício de 2000, após este período, com a publicação da Lei nº 10.165/00, que alterou o conteúdo do art. 17O, §1º da Lei nº 6.938/81, o lançamento pode e deve ser feito, como ocorreu no caso dos autos. · que a exigência do ADA encontrase consagrada na Lei nº 6.938, de 31 de agosto de 1981, art. 170, §1º, com a redação dada pelo art. 1º da Lei nº 10.165, de 27/12/2000, já em vigor para o ITR do exercício de 2003, e que esse diploma reiterou os termos da Instrução Normativa n° 43/97 e atos posteriores, no que concerne ao meio de prova disponibilizado aos contribuintes para o reconhecimento das áreas de utilização limitada, com vista à redução da incidência do ITR. · que a Lei nº 10.165/00, ao alterar o conteúdo do art. 17O, §1º da Lei nº 6.938/81 não fez qualquer ressalva quanto a casos em que a apresentação do ADA seria dispensável, não cabendo ao intérprete da lei, no caso o I. relator, fazêlo. · Que o RICARF, em seu art. 72, prevê, em relação a temas sumulados, que “as decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF” e no §4º desse mesmo artigo, que “as súmulas aprovadas pelos Primeiro, Segundo e Terceiro Conselhos de Contribuintes são de adoção obrigatória pelos membros do CARF”, e que, uma vez que o tema discutido no presente recurso, qual seja, a necessidade de apresentação tempestiva do ADA para gozo de isenção do ITR, é objeto de Súmula editada pelo CARF, tal entendimento é de observância cogente pelos demais membros do órgão, motivo pelo qual o acórdão deve ser modificado de plano em favor da Fazenda Nacional. · que, portanto, para efeito de exclusão das áreas de reserva legal e de preservação permanente da incidência do ITR, é necessário que o contribuinte comprove o reconhecimento formal específica e individualmente da área como tal, apresentando o ADA respectivo ou protocolizando requerimento de ADA perante o IBAMA ou em Fl. 456DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 05/10/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 6 órgãos ambientais delegados por meio de convênio, no prazo de seis meses, contado a partir do término do prazo fixado para a entrega da declaração, conforme IN SRF nº 43/97, com redação dada pela IN SRF nº 67/97. · que a legislação aplicável ao caso em tela é aquela em vigência à época da ocorrência do fato gerador, nada acrescentando à lide o fato da referida IN SRF nº 67/1997 ter sido revogada pela IN SRF nº 73/2000, uma vez que, além de restar evidente que esta última buscou tãosomente consolidar os textos constantes das INs que tratavam da matéria em um único ato, ela manteve, em seu art. 17, inciso II, a exigência relativa ao prazo de seis meses, contados da data final de entrega de DITR, para que o contribuinte protocolizasse o requerimento do ADA junto ao Ibama. · que, da mesma forma, a IN SRF nº 60, de 06/06/2001, que revogou a IN SRF n° 73/2000, consolidou, em seu art. 17, caput e incisos, a exigência de lei, in verbis: "Art. 17. Para fins de apuração do ITR, as áreas de interesse ambiental, de preservação permanente ou de utilização limitada serão reconhecidas mediante ato do IBAMA ou órgão delegado por convênio, observado o seguinte: I as áreas de reserva legal e de servidão florestal, para fins de obtenção do ato declaratório do IBAMA, deverão estar averbadas à margem da inscrição da matricula do imóvel no registro de imóveis competente, conforme preceitua a Lei If 4.771, de 1965; II o contribuinte terá o prazo de seis meses, contado a partir da data final da entrega da DITR, para protocolizar requerimento do ato declaratório junto ao IBAMA; III se o contribuinte não requerer, ou se o requerimento não for deferido pelo IBAMA, a Secretaria da Receita Federal fará lançamento suplementar, recalculando o ITR devido." · que a exigência do ADA não caracteriza obrigação acessória, visto que a sua exigência não está vinculada ao interesse da arrecadação ou da fiscalização de tributos, nem se converte, caso não apresentado ou não requerido a tempo, em penalidade pecuniária, definida no art. 113, §§ 2° e 3º, da Lei n°5.172/1966 (Código Tributário Nacional — CTN), ou seja, a ausência do ADA não enseja multa regulamentar o que ocorreria caso se tratasse de obrigação acessória , mas sim incidência do imposto. · que é equivocado o entendimento de que não existe mais a exigência de prazo para apresentação de ADA, em virtude do disposto no §7º do art. 10 da Lei n° 9.393/1996, incluído pelo art. 3º da Medida Provisória n° 2.16667, de 24/08/2001, que assim dispõe: " §7º A declaração para fim de isenção do ITR relativa às áreas de que tratam as alíneas "a" e "c" do inciso II, § 1°, deste artigo, não está sujeita à previa comprovação por parte do declarante, Fl. 457DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 05/10/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10925.002272/200751 Acórdão n.º 9202004.379 CSRFT2 Fl. 5 7 ficando o mesmo responsável pelo pagamento do imposto correspondente, com juros e multa previstos nesta Lei, caso fique comprovado que a sua declaração não é verdadeira, sem prejuízo de outras sanções aplicáveis." · que o que não é exigido do declarante é a prévia comprovação das informações prestadas, ficando o contribuinte responsável por preencher os dados relativos às áreas de preservação permanente e de utilização limitada, apurar e recolher o imposto devido, e apresentar a sua DITR, sem que lhe seja exigida qualquer comprovação naquele momento; e somente se solicitado pela Secretaria da Receita Federal, o contribuinte deverá apresentar as provas das situações utilizadas para dispensar o pagamento do tributo. · que o prazo para apresentação do requerimento para emissão do ADA jamais deixou de existir, tanto que o Decreto nº 4.382, de 19/09/2002, que regulamenta a tributação, fiscalização, arrecadação e administração do ITR (Regulamento do ITR), e que consolidou toda a base legal deste tributo, assim dispõe em seu art. 10: "Art. 10. Área tributável é a área total do imóvel, excluídas as áreas: I de preservação permanente (Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965 Código Florestal, arts. 2º e 3º, com a redação dada pela Lei n° 7.803, de 18 de julho de 1989, art. 1°); II de reserva legal (Lei nº 4.771, de 1965, art. 16, com a redação dada pela Medida Provisória n° 2.16667, de 24 de agosto de 2001, art. 1º); III de reserva particular do patrimônio natural (Lei n° 9.985, de 18 de julho de 2000, art. 21; Decreto n° 1.922, de 5 de junho de 1996); IV de servidão florestal (Lei nº 4.771, de 1965, art. 44A, acrescentado pela Medida Provisória n° 2.16667, de 2001); V de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas, assim declaradas mediante ato do órgão competente, federal ou estadual, e que ampliem as restrições de uso previstas nos incisos I e II do caput deste artigo (Lei n° 9.393, de 1996, art. 10, § 1º, inciso II, alínea " b" ); VI comprovadamente imprestáveis para a atividade rural, declaradas de interesse ecológico mediante ato do órgão competente, federal ou estadual (Lei n" 9.393, de 1996, art. 10, § 1º, inciso II, alínea " c" ). (...) § 2º A área total do imóvel deve se referir à situação existente na data da efetiva entrega da Declaração do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural DITR. Fl. 458DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 05/10/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 8 § 3º Para fins de exclusão da área tributável, as áreas do imóvel rural a que se refere o caput deverão: I ser obrigatoriamente informadas em Ato Declaratório Ambiental ADA, protocolado pelo sujeito passivo no Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis IBAMA, nos prazos e condições fixados em ato normativo (Lei n° 6.938, de 31 de agosto de 1981, art. 170, § 5°, com a redação dada pelo art. 1º da Lei n° 10.165, de 27 de dezembro de 2000); e II estar enquadradas nas hipóteses previstas nos incisos I a VI em 1° de janeiro do ano de ocorrência do fato gerador do ITR.” · que a CoordenaçãoGeral de Tributação (Cosit), que tem a competência regimental de interpretar a legislação tributária no âmbito da Secretaria da Receita Federal, editou a Solução de Consulta Interna n° 12, de 21/05/2003, que ratifica o entendimento acima exposto, sendo oportuna a transcrição do trecho final do citado ato: “3.1. Diante do exposto, concluise que, para fins de exclusão das áreas não tributáveis da incidência do ITR, o sujeito passivo deverá, cumulativamente: a) atender a todas as condições exigidas para a caracterização de cada área declarada como não tributável; e b) informar, obrigatoriamente, as áreas mencionadas no item "a" em ADA, protocolado no lbama no prazo de seis meses, contado a partir do término do período de entrega da declaração, obrigatoriedade esta que foi imposta desde o exercício de 1997, com base na Instrução Normativa SRF nº 43/97, com a redação dada pela Instrução Normativa SRF nº 67/97, ambas de 1997; na Instrução Normativa SRF ni° 73/00, de 2000, e a partir do exercício de 2001, com base na Lei n° 6.938, de 1981, com a redação dada pela Lei n° 10.165, de 2000, e Instruções Normativas SRF nº 60, de 2001, e nº 256, de 2002. 3.2. Portanto, respondendo às questões formuladas na Consulta Interna: a) a falta de ADA, protocolado no lbama, implica o não reconhecimento pela SRF das áreas de preservação permanente ou de utilização limitada; b) a SRF deve exigir toda a documentação comprobatória das áreas de preservação permanente ou de utilização limitada, inclusive o ADA protocolado tempestivamente no lbama, sendo que este não substitui os demais documentos exigíveis; c) alem de todos os demais documentos comprobatórios das áreas de preservação permanente ou de utilização limitada, deverá ser apresentada pelo contribuinte cópia do ADA entregue ao lbama, não sendo suficiente a apresentação do protocolo de entrega, sendo que, na hipótese de descumprimento de tais exigências, ou se, após vistoria realizada pelo lbama, seus técnicos verificarem que os dados constantes no Ato não coincidem com os efetivamente levantados e, por conseqüência, lavrarem, de oficio, novo ADA, contendo os dados reais, deverá Fl. 459DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 05/10/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10925.002272/200751 Acórdão n.º 9202004.379 CSRFT2 Fl. 6 9 ser apurado o ITR efetivamente devido e efetuado, de oficio, o lançamento da diferença de imposto com os acréscimos legais cabíveis." · que a obrigatoriedade do ADA, portanto, não desborda da regulamentação dos dispositivos legais, porquanto não viola direitos do contribuinte, alem de lhe ser claramente favorável; e que o contribuinte não pode querer valerse da exclusão das áreas tributáveis da incidência do ITR sem cumprir as exigências previstas na legislação. · que não é juridicamente sustentável a tese segundo a qual, diante da declaração do contribuinte de que sua propriedade está inserida em área de utilização limitada e de preservação permanente, não possa a autoridade pública exigir a comprovação do alegado através da documentação competente, uma vez que o direito ao beneficio legal deve estar documentalmente comprovado, e que o ADA, apresentado tempestivamente, é o documento exigido para tal fim. · que, no presente processo, não se discute a materialidade, ou seja, a existência efetiva das áreas de reserva legal, e sim buscase a comprovação do cumprimento de uma obrigação prevista na legislação, referente à área de que se trata, para fins de exclusão da tributação. · que, no caso concreto, o Recorrente, desejando fazer jus à isenção do ITR relativo ao exercício de 2003, não comprovou o reconhecimento tempestivo da área de reserva legal pelo órgão competente, não atendendo, por essa razão, à exigência da legislação para isenção do ITR, razão pela qual deve ser mantida a glosa efetivada pela fiscalização. Cientificado do Acórdão nº 2102000.723, do Recurso Especial da Fazenda Nacional e do Despacho de Admissibilidade admitindo o Resp da PGFN, em 29/01/2014, o contribuinte não apresentou contrarrazões. É o relatório. Fl. 460DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 05/10/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 10 Voto Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora RECURSO ESPECIAL INTERPOSTO PELA FAZENDA NACIONAL Pressupostos de Admissibilidade O Recurso Especial interposto pelo Procurador é tempestivo, conforme despacho de Exame de Admissibilidade de Recurso Especial S/N, de 03/11/2014, a fls. 437. Quanto ao conhecimento, entendo necessário apreciar de forma mais detida, uma vez os argumentos trazidos pelo sujeito passivo em sede de contrarrazões nos demais processos cujos argumentos recursais e paradigmas apresentados sustentamse sobre os mesmos fundamentos quanto ao não conhecimento: Primeiramente, convém lembrar a descrição do fato gerador, conforme extraímos do auto de infração: Tratase de auto de infração (fls. 01/03 e 240/251) relativo ao Imposto Territorial Rural – ITR do imóvel denominado Fazenda Irani, com área de 2.107,2 ha (NIRF 2.013.7613), localizado no município de Vargem Bonita/SC, relativo ao exercício 2003, por meio do qual se exige crédito tributário no valor de R$ 128.131,88, incluídos multa de ofício no percentual de 75% (setenta e cinco por cento) e juros de mora. Conforme descrição dos fatos (fls. 242/251), no Quadro "Distribuição da Área Utilizada", foi glosada totalmente a área declarada como de Exploração Extrativa (1.017,3 ha), por não haver sido comprovado o cumprimento dos requisitos legais para sua aceitação. O Valor da Terra Nua foi reduzido, acatandose o valor apresentado em Laudo Técnico apresentado pelo contribuinte. Em conseqüência, houve aumento da alíquota e do valor devido do tributo. Vejamos os argumentos apontador no acórdão recorrido como razões de decidir: Passando à análise das questões de mérito, devese antes lembrar que o lan(, o cuida de glosa de área objeto de exploração extrativa (1.017,3 ha), por falta de comproJi ção de que tenha havido execução de exploração extrativa nos termos previst,js em Plano d Manejo Florestal Sustentado (PMFS), autorizado pelo IBAMA, no período de 1/1/2002 a 31/12/2002 No recurso, a recorrente solicita, alternativamente, que a área de 1017,3 ha, objeto do plano de exploração extrativa, seja reconhecida como área de reserva legal. Nesse sentido, devese observar que constam das matrículas do imóvel em questão, fls. 345/343, duas averbações: Fl. 461DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 05/10/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10925.002272/200751 Acórdão n.º 9202004.379 CSRFT2 Fl. 7 11 Pelo Termo de Responsabilidade de Preservação de Floresta a proprietária Irani Agropastoril S/A 9...0 declara perante a autoridade florestal que a forma de vegetação e a floresta existente em uma área de 399,40 ha, de acordo com a lanta topográfica, que faz parte do presente termo fica gravada como de utilização limitada, não podendo nela ser feito qualquer tipo de exploração a não ser mediante autorização do IBGE (03/10/1985). Pelo Termo de Manutenção de Floresta Manejada, datilografado em ... a firma Irani Agroflorestal S/A (...) DECLARA que a floresta ou forma de vegetação existente na área de 1017,3 ha parte desta matrícula e matrículas 884 e 273 livro 2 fica gravada como de utilização limitada, podendo nela ser feita exploração racional sob regime e manejo sustentado, desde que autorizado pelo IBAMA. Com as características e confrontações da planta que faz parte integrante deste Termo, cuja cópia fica arquivada. (18/02/1991). Vêse, portanto, que a recorrente procedeu à averbação de duas áreas à margem das matrículas do imóvel, 399,40 ha e 1017,3 ha, ambas áreas de reserva legal. Assim, há de se concluir que a área de 1017,3 ha foi indevidamente informada na DITR/2002 e no ADA, fl. 277, (o processo 10925.001330/200648 julgado nesta mesma sessão), como área utilizada, quando na realidade tratase de área de reserva legal, conforme averbação realizada em 18/02/1991. POr conseguinte, temse que a contribuinte incorreu em erro de fato quando do preenchimento da DITR/2003 e do ADA. Logo, devese reconhecer a área de reserva legal total de 1416,7 ha (399,4 ha mais 1017,3 ha), conforme pleiteado pela recorrente, o que implica em não ocorrência de saldo de imposto a pagar e na desnecessária apreciação das demais arguições pela contribuinte. Ou seja, entendeu a relatora do acórdão recorrido que pelo fato de a autuada ter informado erroneamente na DITR e no ADA a área como utilizada, quando na verdade existia averbação como reserva legal é razão suficiente para reconhecer á área como de reserva legal dando provimento ao recurso. Por outro lado, temse os argumentos apresentados pela Fazenda Nacional em seu apelo, que ensejaram a apreciação e resultaram em despacho de admissibilidade que deu seguimento ao recurso: Inconformada, a PFN interpôs recurso especial, alegando divergência da decisão com os acórdãos paradigmas nºs 280100.409 e 220201.417, que exigem a apresentação tempestiva do ADA, ou mesmo de requerimento do contribuinte para a emissão deste, no órgão ambiental competente, para o reconhecimento da isenção do ITR sobre as áreas de reserva legal, a partir do exercício de 2001. Os acórdão indicados, na matéria tratada, foram assim redigidos: Fl. 462DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 05/10/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 12 Acórdão n° 280100.409. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL (ITR) Exercício: 2003 ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA. COMUNICAÇÃO AO ÓRGÃO DE FISCALIZAÇÃO AMBIENTAL. OBRIGATORIEDADE. A partir do exercício de 2001, para fins de redução no cálculo do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural, por expressa previsão legal, em se tratando de áreas de preservação permanente e utilização limitada, é indispensável que se comprove que houve a comunicação, tempestivamente, ao órgão de fiscalização ambiental, por meio de documento hábil. ÁREA DE RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO. OBRIGATORIEDADE. As áreas de reserva legal, para fins de redução no cálculo do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural, devem estar averbadas no Registro de Imóveis competente ate a data de ocorrência do fato gerador. Recurso negado Acórdão nº 220201.417– transcrição parcial Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (ITR) Exercício: 2005. [...] ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA/RESERVA LEGAL. EXCLUSÃO DA BASE DE CALCULO. A área de utilização limitada/reserva legal, para fins de exclusão do ITR, se faz necessária ser reconhecida como de interesse ambiental pelo IBAMA/Órgão conveniado, ou pelo menos, que seja comprovada a protocolização, em tempo hábil, do requerimento do competente Ato Declaratório Ambiental (ADA), fazendose, também, necessária a sua averbação ã margem da matricula do imóvel ate a data do fato gerador do imposto. [...]Recurso provido em parte. Os paradigmas citados são taxativos quanto à indispensabilidade da apresentação tempestiva do ADA como condição para o contribuinte usufruir do benefício fiscal no âmbito do ITR, tanto em relação às áreas de preservação permanente, quanto às áreas de utilização limitada. O acórdão recorrido reconheceu a área de reserva legal de 1.416,7ha, pleiteada pela contribuinte, considerando erro no preenchimento da declaração e do ADA, conforme relatado: [...] Fl. 463DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 05/10/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10925.002272/200751 Acórdão n.º 9202004.379 CSRFT2 Fl. 8 13 Portanto, havendo entendimento divergente quanto à exigência do ADA, cabe a apreciação do recurso especial. Analisando os termos do despacho proferido, peço vênia para discordar de sua conclusão, posto que considero que ambos os acórdãos paradigmas tratam da indispensabilidade da apresentação tempestiva do ADA, fato esse, em momento algum utilizado como razão de decidir pelo acórdão recorrido. Aliás, este último passou a margem dessa discussão, sendo que em momento algum abordou a necessidade de ADA para que o sujeito passivo tivesse o direito de reduzir a área da base tributável, quanto mais o momento de sua apresentação. Vêse claramente ausência de enfrentamento da matéria no acórdão recorrido nesse aspecto. Contudo, para evitar qualquer argumentação do recorrente, de que o enfrentamento da matéria poderia ser superado com os embargos opostos, irei debruçarme sobre esse ponto. Conforme descrito no relatório deste voto, a Fazenda Nacional opôs, tempestivamente, em 05/11/2010, Embargos de Declaração alegando omissão do acórdão ao não se pronunciar a respeito da exigência contida no art. 17O, §1º, da Lei nº 6.938, de 1981 e na IN SRF nº 43, de 1997, acrescentando, ainda, que a contribuinte não tem direito ao benefício, pois o ADA se mostra intempestivo, vez que não foi apresentado no prazo de seis meses, contados a partir da data final da entrega da DITR/2002. Tais embargos não foram acolhidos de acordo com o despacho s/nº da 1ª Câmara, de 20/04/2012, senão vejamos os termos: A decisão recorrida deu provimento ao recurso, para reconhecer a área de reserva legal de 1.416,7 ha, por entender que houve erro de preenchimento do Ato Declaratório Ambiental e da Declaração de ITR. Nos embargos, a Procuradoria da Fazenda Nacional afirma que o acórdão acima mencionado incorreu em omissão, ao não se pronunciar a respeito da exigência contida no art.17O, § 1°, da Lei n° 6.938, de 1981 e no art. 10 da Instrução Normativa SRF n° 43, de 1997. Acrescenta, ainda, a Procuradoria da Fazenda Nacional, que a contribuinte não tem direito ao beneficio, pois o ADA se mostra intempestivo, vez que não foi apresentado no prazo de seis meses, contados a partir da data final da entrega da DITR/2003. Frisese que os embargos são cabíveis quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos ou for omisso quanto a ponto sobre o qual deveria se pronunciar, o que não foi o caso do acórdão embargado. No presente caso, a tempestividade da apresentação do ADA não foi argüida pela autoridade fiscal, tampouco, pela Procuradoria da Fazenda Nacional em contrarrazões ao recurso voluntário (art. 48, § 2º, do Anexo II, do RICARF). Logo, como a matéria não foi argüida, desnecessária a sua apreciação.. Fl. 464DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 05/10/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 14 No presente caso, a tempestividade da apresentação do ADA não foi argüida pela autoridade fiscal, tampouco, pela Procuradoria da Fazenda Nacional em contrarrazões ao recurso voluntário (art. 48, § 2º, do Anexo II, do RICARF). Logo, como a matéria não foi argüida, desnecessária a sua apreciação. Por oportuno, destaquese que a Turma que proferiu o acórdão em questão tem jurisprudência firmada no sentido de que a apresentação intempestiva do ADA, por si só, não é condição suficiente para impedir o contribuinte de usufruir do benefício fiscal no âmbito do ITR, dado que a Lei nº 6.938, de 1981, não fixou prazo para a apresentação do ADA. E mais, a contribuinte apresentou o ADA em 18/09/1998. Ou seja, já nos embargos o relator deixou claro que nas suas razões de decidir não se abordou a necessidade do ADA e sua tempestividade. Mesmo para os que entendessem que a exposição trazida no último parágrafo do despacho de embargo, poderia ser considerado para cumprimento do préquestionamento, mesmo assim, ainda não poderíamos conhecer do recurso, posto que a situação apresentada nos paradigmas e no recorrido serem diversas. Como falamos anteriormente, a fundamentação do presente auto de infração encontrase no fato de que a autoridade fiscal ter glosada totalmente a área declarada como de Exploração Extrativa (1.017,3 ha), constante do Quadro "Distribuição da Área Utilizada",por não haver sido comprovado o cumprimento dos requisitos legais para sua aceitação, ou seja, não foi fundamentado em ausência de ADA. Já no acórdão paradigma 280100.409 a própria descrição dos fatos geradores é diversa. A ação fiscal, teve por objetivo a revisão da DITR/2001 intimando o contribuinte a apresentar, dentre outros, Ato Declaratório AmbientalADA ou protocolo do seu requerimento junto ao IBAMA/órgão conveniado, reconhecendo as áreas declaradas como de preservação permanente e utilização limitada e matrícula do imóvel no Cartório competente do Registro de Imóveis, com a averbação da área de reserva legal, contudo não se desincumbiu o sujeito passivo de comprovar a área por meio da apresentação do ADA. Acórdão n° 280100.409. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL (ITR) Exercício: 2003 ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA. COMUNICAÇÃO AO ÓRGÃO DE FISCALIZAÇÃO AMBIENTAL. OBRIGATORIEDADE. A partir do exercício de 2001, para fins de redução no cálculo do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural, por expressa previsão legal, em se tratando de áreas de preservação permanente e utilização limitada, é indispensável que se comprove que houve a comunicação, tempestivamente, ao órgão de fiscalização ambiental, por meio de documento hábil. ÁREA DE RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO. OBRIGATORIEDADE. Fl. 465DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 05/10/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10925.002272/200751 Acórdão n.º 9202004.379 CSRFT2 Fl. 9 15 As áreas de reserva legal, para fins de redução no cálculo do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural, devem estar averbadas no Registro de Imóveis competente ate a data de ocorrência do fato gerador. Seguindo a linha da imputação fiscal, o voto vencedor faz toda a sua abordagem levando em consideração a necessária apresentação de ADA, ou seja, a motivação do lançamento é a ausência de ADA, senão vejamos: Quanto à. pretensão da interessada de ver reconhecida como área de reserva limitada/reserva legal a extensão de 3.858, 09 ha, ou seja, pretendendo seja levado a efeito um acréscimo de 940,59 ha para fins de redução no cálculo do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural, não há como acolhê la, uma vez que não consta dos autos prova da correspondente comunicação, tempestivamente, ao órgão de fiscalização ambiental, por meio de documento hábil, e nem da respectiva averbação no Registro de Imóveis competente previamente A. data de ocorrência do fato gerador. Registrese que a obrigatoriedade de utilização do ADA para fins de redução do valor a pagar do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural, está prevista no art. 170, §1 0, da Lei no 6.938, de 31 de agosto de 1981, com redação dada pela Lei 10.165, de 27 de dezembro de 2000: "Art. 170. Os proprietários rurais que se beneficiarem com redução do valor do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural — ITR, com base em Ato Declaratório Ambiental ADA, deverão recolher ao IBA1VIA a importância prevista no item 3.11 do Anexo VII da Lei n° 9.960, de 29 de janeiro de 2000, a titulo de Taxa de Vistoria (Redação dada pela Lei n°10.165. de 2000) § 1"A. A Taxa de Vistoria a que se refere o caput deste artigo não poderá exceder a dez por cento do valor da redução do imposto proporcionada pelo ADA (incluído nela Lei n° 10.165.de 2000) §1°. A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória. (Redação dada pela Lei n°10.165, de 2000)" (grifos acrescidos) Mesmo entendimento pode ser encontrado no segundo paradigma 2202 01.417 que da leitura da própria ementa é possível identificar que novamente a apresentação de ADA, representou elemento essencial para manutenção do lançamento: [...] ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA/RESERVA LEGAL. EXCLUSÃO DA BASE DE CALCULO. A área de utilização limitada/reserva legal, para fins de exclusão do ITR, se faz necessária ser reconhecida como de interesse ambiental pelo IBAMA/Órgão conveniado, ou pelo menos, que seja comprovada a protocolização, em tempo hábil, do requerimento do competente Ato Declaratório Ambiental (ADA), Fl. 466DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 05/10/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 16 fazendose, também, necessária a sua averbação ã margem da matricula do imóvel ate a data do fato gerador do imposto. [...]Recurso provido em parte. Assim, da leitura dos pontos trazidos acima, resta claro que tratamse de situações fáticas distintas. Enquanto no recorrido, pelo termo de verificação fiscal e pelo próprio acórdão recorrido, a relatora entendeu que mesmo tendo sido declarado pelo recorrente em sua DITR e no ADA, entendeu que os registro feitos pelo recorrente foram suficientes para comprovação da área de reserva legal. Para que se pudesse conhecer do recurso neste ponto, deveria ter sido indicado como paradigma um acórdão onde o relatora também tivesse utilizado o principal da fungibilidade para fins de aproveitamento de área de reserva legal. Importante relembrar que tratase de Recurso Especial de Divergência, e que esta somente se caracteriza quando, perante situações fáticas similares, são adotadas soluções diversas, obviamente que em face de incidências tributárias da mesma espécie. Não estou aqui adentrando ao mérito de estar ou não correto o entendimento descrito no acórdão recorrido, mas que as situações diversas impendem que se avance no conhecimento da questão por parte desta CSRF. CONCLUSÃO Face o exposto, voto por NÃO CONHECER do Recurso Especial do Procurador pela ausência de similitude fática entre o acórdão recorrido e os paradigmas apresentados. É como voto. (assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira. Fl. 467DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 05/10/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
score : 1.0
Numero do processo: 11080.726059/2015-90
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 18 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Sep 09 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2013
ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE. SÚMULA Nº 63 DO CARF.
Cumpridos os requisitos referentes à natureza dos rendimentos (provenientes de aposentadoria, reforma, pensão ou reserva remunerada) e à comprovação do acometimento de moléstia grave, por meio de laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios, o contribuinte faz jus à isenção do imposto de renda.
Numero da decisão: 2201-003.326
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário.
Assinado digitalmente.
CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA - Presidente.
Assinado digitalmente.
ANA CECÍLIA LUSTOSA DA CRUZ - Relatora.
EDITADO EM: 06/09/2016
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA (Presidente), CARLOS ALBERTO DO AMARAL AZEREDO, JOSE ALFREDO DUARTE FILHO (Suplente convocado), MARIA ANSELMA COSCRATO DOS SANTOS (Suplente convocada), DENNY MEDEIROS DA SILVEIRA (Suplente convocado), DANIEL MELO MENDES BEZERRA, CARLOS CESAR QUADROS PIERRE E ANA CECÍLIA LUSTOSA DA CRUZ.
Nome do relator: ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário. Assinado digitalmente. CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA - Presidente. Assinado digitalmente. ANA CECÍLIA LUSTOSA DA CRUZ - Relatora. EDITADO EM: 06/09/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA (Presidente), CARLOS ALBERTO DO AMARAL AZEREDO, JOSE ALFREDO DUARTE FILHO (Suplente convocado), MARIA ANSELMA COSCRATO DOS SANTOS (Suplente convocada), DENNY MEDEIROS DA SILVEIRA (Suplente convocado), DANIEL MELO MENDES BEZERRA, CARLOS CESAR QUADROS PIERRE E ANA CECÍLIA LUSTOSA DA CRUZ.
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MOLÉSTIA GRAVE. SÚMULA Nº 63 DO CARF. Cumpridos os requisitos referentes à natureza dos rendimentos (provenientes de aposentadoria, reforma, pensão ou reserva remunerada) e à comprovação do acometimento de moléstia grave, por meio de laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios, o contribuinte faz jus à isenção do imposto de renda. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário. Assinado digitalmente. CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Presidente. Assinado digitalmente. ANA CECÍLIA LUSTOSA DA CRUZ Relatora. EDITADO EM: 06/09/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA (Presidente), CARLOS ALBERTO DO AMARAL AZEREDO, JOSE ALFREDO DUARTE FILHO (Suplente convocado), MARIA ANSELMA COSCRATO DOS SANTOS (Suplente convocada), DENNY MEDEIROS DA SILVEIRA (Suplente convocado), DANIEL MELO MENDES BEZERRA, CARLOS CESAR QUADROS PIERRE E ANA CECÍLIA LUSTOSA DA CRUZ. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 72 60 59 /2 01 5- 90 Fl. 94DF CARF MF Impresso em 09/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 06/ 09/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 08/09/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra decisão primeira instância que julgou improcedente a impugnação apresentada pelo sujeito passivo. Nesta oportunidade, utilizome do relatório produzido em assentada anterior, eis que aborda de maneira elucidativa os fatos objeto dos presentes autos, nos termos seguintes: Tratase de impugnação à Notificação de Lançamento, fls 10, lavrada contra a contribuinte acima identificada, em decorrência de revisão de sua Declaração de Ajuste Anual (DAA) do Exercício 2013, AnoCalendário 2012, em que foi apurado saldo de imposto a restituir no valor de R$ 0,00, fls 14. De acordo com a descrição dos fatos e enquadramento legal, fls 12, foi apurada omissão de rendimentos tributáveis recebidos do Instituto Nacional de Seguro Social, no valor de R$ 34.502,18. Não foi apresentado laudo pericial emitido por serviço médico oficial conforme requisitado pelo Termo de Intimação Fiscal nº 2013/304442058557683. O laudo médico apresentado não foi emitido por serviço oficial. A fonte pagada da contribuinte (INSS) fornece, se for o caso, laudo médico oficial, deixando de reter o IR dos rendimentos de aposentadoria. Cientificada em 10/06/2015, fls 33, a contribuinte protocolou impugnação em 12/06/2015, fls 03, na qual alega, fls 04/05, que o valor contestado é isento por se tratar de proventos de aposentadoria, reforma ou pensão recebidos por moléstia grave. Alega ainda que no mesmo dia em que foi entregue a documentação comprobatória para a isenção do Imposto de Renda e sua restituição, relativo ao exercício 2013 (ora contestado), também foram entregues os mesmos documentos para os exercícios 2012 e 2011, cujas restituições foram processadas em 04/2015. Anexa documentos de fls 06/31. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro julgou improcedente a impugnação, restando mantida a notificação de lançamento, conforme a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2012 ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE. REQUISITOS. A isenção do Imposto de Renda se aplica exclusivamente aos proventos de aposentadoria, reforma ou pensão concedidos aos portadores de moléstia grave cuja condição esteja devidamente comprovada por laudo médico oficial. Impugnação Improcedente Fl. 95DF CARF MF Impresso em 09/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 06/ 09/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 08/09/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Processo nº 11080.726059/201590 Acórdão n.º 2201003.326 S2C2T1 Fl. 3 3 Crédito Tributário Mantido. Posteriormente, dentro do lapso temporal legal, foi interposto recurso voluntário, no qual a contribuinte sustenta, em síntese, o direito à isenção, considerando que o laudo médico pericial constante dos autos foi assinado por Perito Médico Previdenciário do Instituto Nacional de Seguro Social (matrícula n.º 1500 422 Fausto de Souza Faria CRM 31292). É o relatório. Voto Conselheiro Ana Cecília Lustosa da Cruz Conheço do recurso, posto que tempestivo e com condições de admissibilidade. Conforme consta da Notificação de Lançamento, a Fiscalização apurou a omissão de rendimentos tributáveis recebidos do Instituto Nacional de Seguro Social, no valor de R$ 34.502,18, em razão da não apresentação de laudo pericial emitido por serviço médico oficial, nos termos seguintes: Não foi apresentado laudo pericial emitido por serviço médico oficial conforme requisitado pelo Termo de Intimação fiscal n.º 2013/304442058557683. o laudo médico apresentado não foi emitido por serviço médico oficial. A fonte pagadora da contribuinte (INSS) fornece, se for o caso, laudo médico oficial, deixando de reter o IR dos rendimentos de aposentadoria. O acórdão de primeira instância considerou comprovada a natureza dos rendimentos (aposentadoria), mas não identificou o laudo apresentado como oficial por não ter sido emitido em papel timbrado e não constar a indicação do órgão emissor. Sobre da matéria, os incisos XIV e XXI, art. 6º, da Lei n.º 7.713, de 22 de dezembro de 1988, com redação dada pelas Leis n.º 8.541, de 23 de dezembro de 1992, e n.º 11.052, de 29 de dezembro de 2004, assim determinam: Art. 6o Ficam isentos do imposto de renda os seguintes rendimentos percebidos por pessoas físicas: (...) XIV os proventos de aposentadoria ou reforma motivada por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, hepatopatia grave, estados avançados da doença de Pagel (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome da Fl. 96DF CARF MF Impresso em 09/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 06/ 09/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 08/09/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA 4 imunodeficiência adquirida, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma; (...) XXI os valores recebidos a título de pensão quando o beneficiário desse rendimento for portador das doenças relacionadas no inciso XIV deste artigo, exceto as decorrentes de moléstia profissional, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída após a concessão da pensão. Por sua vez, o art. 30 da Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, passou a veicular a exigência de que a moléstia fosse comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial, nos termos a seguir: Art. 30. A partir de 1º de janeiro de 1996, para efeito do reconhecimento de novas isenções de que tratam os incisos XIV e XXI do art. 6° da Lei n" 7.713, de 22 de dezembro de 1988, com redação dada pelo art. 47 da Lei n°8.541, de 23 de dezembro de 1992, a moléstia deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial, da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. § 1º O serviço médico oficial fixará o prazo de validade do laudo pericial, no caso de moléstias passíveis de controle. § 2º Na relação das moléstias a que se refere o inciso XIV do art. 6º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, com a redação dada pelo art. 47 da Lei nº 8.541, de 23 de dezembro de 1992, fica incluída a fibrose cística (mucoviscidose). Salientase que a isenção por moléstia grave, quando estabelecida em 1988 pela Lei 7.713, não fazia referência quanto à forma de sua comprovação. Contudo, com a superveniência da Lei 9.250, em 1995, foi instituída forma específica para reconhecimento da moléstia pelas autoridades tributárias. A partir da edição da mencionada lei, tornouse indispensável a apresentação do laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. Dessa forma, a isenção sob análise requer a consideração do binômio: moléstia (grave) e natureza específica do rendimento (provenientes de aposentadoria, reforma, pensão ou reserva remunerada), sendo o laudo pericial oficial requisito objetivo para a demonstração da moléstia grave. Nesse contexto, considerando o teor da Súmula CARF n.º 63, que dispõe expressamente sobre a isenção do portador de moléstia grave, observase que os proventos decorrentes de aposentadoria ensejam o direito à isenção, quando cumulativamente considerados com a comprovação de moléstia grave, como segue: Súmula CARF nº 63: Para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia deve ser Fl. 97DF CARF MF Impresso em 09/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 06/ 09/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 08/09/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Processo nº 11080.726059/201590 Acórdão n.º 2201003.326 S2C2T1 Fl. 4 5 devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. Acerca da comprovação do acometimento de moléstia grave pela recorrente, consta, fl. 15, laudo médico pericial assinado por perito médico previdenciário (Fausto de Souza Faria) e, à fl. 92, a recorrente anexou laudo no qual se identifica o timbre da Previdência Social (INSS) assinado pelo mesmo perito médico previdenciário, com indicação da matrícula, do CRM, dos dados da paciente e a especificação da moléstia e sua definitividade. Ademais, a fim de reafirmar a oficialidade do laudo, em simples consulta à internet, observamse Portarias nas quais figuram o servidor Fausto de Souza Faria, matrícula 1.500.422, como Perito Médico Previdenciário, como exemplo, cabe citar a Portaria n.º 24 de 5 de março de 2015, abaixo transcrita: Nº 24 Designar o servidor FAUSTO DE SOUZA FARIA, matrícula 1.500.422, Perito Médico Previdenciário, do Quadro de Pessoal do Instituto Nacional do Seguro Social, CPF 516.357.12815, para exercer o encargo de substituto eventual da Chefe do Serviço de Saúde do Trabalhador, DAS 101.1, código 19.401. Portanto, inferese dos documentos acostados aos autos que a recorrente recebe proventos de aposentadoria, como reconheceu o acórdão de piso, bem como, desde 10/01/2008, está acometida de esclerose múltipla (CID G 35), de modo que faz jus a isenção em questão. Diante do exposto, voto no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. Assinado digitalmente. Ana Cecília Lustosa da Cruz Relatora Fl. 98DF CARF MF Impresso em 09/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 06/ 09/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 08/09/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA
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Numero do processo: 10580.720967/2009-28
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jun 21 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Aug 26 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005, 2006, 2007
DIFERENÇAS DE URV. NATUREZA.
As diferenças de URV incidentes sobre verbas salariais integram a remuneração mensal percebida pelo contribuinte. Compõem a renda auferida, nos termos do artigo 43 do Código Tributário Nacional, por caracterizarem rendimentos do trabalho.
RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. MOMENTO DA TRIBUTAÇÃO.
As diferenças de URV incidentes sobre verbas salariais, ainda que recebidas acumuladamente pelo contribuinte, devem ser tributadas pelo imposto sobre a renda com a aplicação das tabelas progressivas vigentes à época da aquisição dos rendimentos (meses em que foram apurados os rendimentos percebidos a menor), ou seja, de acordo com o regime de competência, consoante decidido pelo STF no âmbito do RE 614.406/RS.
INCIDÊNCIA DO IMPOSTO SOBRE OS JUROS RECEBIDOS.
Não são tributáveis os juros incidentes sobre verbas isentas ou não tributáveis, assim como os recebidos no contexto de perda do emprego. Na situação sob análise, não se estando diante de nenhuma destas duas hipóteses, trata-se de juros tributáveis.
Recurso Especial do Contribuinte Provido em Parte
Numero da decisão: 9202-004.094
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento parcial para determinar o cálculo do tributo sobre a verba recebida , inclusive juros, de acordo com o regime de competência, vencidos os conselheiros Gerson Macedo Guerra, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes e Maria Teresa Martínez López que lhe deram provimento integral.
(Assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente e Relator
EDITADO EM: 17/08/2016
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Gerson Macedo Guerra.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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NATUREZA. As diferenças de URV incidentes sobre verbas salariais integram a remuneração mensal percebida pelo contribuinte. Compõem a renda auferida, nos termos do artigo 43 do Código Tributário Nacional, por caracterizarem rendimentos do trabalho. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. MOMENTO DA TRIBUTAÇÃO. As diferenças de URV incidentes sobre verbas salariais, ainda que recebidas acumuladamente pelo contribuinte, devem ser tributadas pelo imposto sobre a renda com a aplicação das tabelas progressivas vigentes à época da aquisição dos rendimentos (meses em que foram apurados os rendimentos percebidos a menor), ou seja, de acordo com o regime de competência, consoante decidido pelo STF no âmbito do RE 614.406/RS. INCIDÊNCIA DO IMPOSTO SOBRE OS JUROS RECEBIDOS. Não são tributáveis os juros incidentes sobre verbas isentas ou não tributáveis, assim como os recebidos no contexto de perda do emprego. Na situação sob análise, não se estando diante de nenhuma destas duas hipóteses, tratase de juros tributáveis. Recurso Especial do Contribuinte Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 09 67 /2 00 9- 28 Fl. 258DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por voto de qualidade, em darlhe provimento parcial para determinar o cálculo do tributo sobre a verba recebida , inclusive juros, de acordo com o regime de competência, vencidos os conselheiros Gerson Macedo Guerra, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes e Maria Teresa Martínez López que lhe deram provimento integral. (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto – Presidente e Relator EDITADO EM: 17/08/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Gerson Macedo Guerra. Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do processo paradigma deste julgamento, n° 10530.724190/200966. Tratase de Auto de infração lavrado contra o contribuinte em epígrafe para cobrança de IRPF sobre rendimentos auferidos do Tribunal de Justiça da Bahia, a título de valores indenizatórios de URV. Tais rendimentos decorreram de diferenças de remuneração ocorridas quando da conversão de Cruzeiro Real para Unidade Real de Valor (URV) em 1994, reconhecidas e pagas em 36 parcelas iguais no período de janeiro de 2004 a dezembro de 2006, com base na Lei 8.730/2003, do Estado da Bahia. Importante destacar, ainda que referida Lei dispôs serem de natureza indenizatória as verbas em questão. No entendimento da autoridade fiscal, as diferenças recebidas pelo contribuinte têm natureza salarial, pois decorreram de diferenças de remuneração ocorridas quando da conversão de Cruzeiro Real para URV em 1994 e, portanto, são tributáveis pelo IRPF, sendo irrelevante a denominação dada pela Lei do Estado da Bahia. Para a apuração do imposto devido foi considerado os valores das diferenças salariais, incluindo atualização e juros. Inconformado, o contribuinte apresentou impugnação, que fora julgada totalmente improcedente. Fl. 259DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10580.720967/200928 Acórdão n.º 9202004.094 CSRFT2 Fl. 323 3 Ato seguinte, tempestivamente foi apresentado Recurso Voluntário, que, por unanimidade de votos, deu provimento parcial ao recurso para excluir da exigência a multa de ofício. Inconformado com essa decisão o contribuinte, tempestivamente, apresentou Recurso Especial de divergência, alegando, em resumo: a) Sobrestamento do feito dado que o STF reconheceu repercussão geral no que se refere aos rendimentos recebidos acumuladamente; b) Os rendimentos previstos na Lei Estadual 8.730/2003 tem a mesma natureza daqueles mencionados pela Lei Federal nº 10.477/2002, que trata do pagamento de diferenças de URV a membros do Ministério Público Federal; c) É aplicável ao caso a mesma interpretação dada pelo STF através da Resolução 245/2002, que reconheceu a natureza indenizatória das diferenças de URV pagas aos membros da magistratura federal; d) Quebra da isonomia quando se dispensa tratamento tributário diverso em relação às diferenças de URV pagas aos membros da magistratura Federal e aos membros do MPF em relação aos membros do Ministério Público Estadual; e) Vicio material na formação da base de cálculo do IRPF, na medida em que não foi observado o regime de competência em relação aos rendimentos recebidos acumuladamente; f) Não incidência do IRPF sobre juros moratórios Na análise de admissibilidade, foi dado parcial seguimento ao Recurso Especial interposto pelo Contribuinte para que seja reapreciada a questão da não incidência do Imposto de Renda sobre diferenças de URV, que teriam natureza indenizatória e para que seja rediscutida a não incidência de Imposto de Renda sobre rendimentos correspondentes a juros de mora. Regularmente intimada o a Fazenda Nacional apresentou contrarrazões, alegando, em síntese: a) Em consonância ainda com o art. 16 da Lei nº 4.506/64, serão classificados como rendimentos do trabalho assalariado, para fins de incidência do Imposto de Renda, todas as espécies de remuneração por trabalho ou serviços prestados no exercício de empregos, cargos ou funções. Logo, os valores recebidos a título de diferenças no cálculo da URV possuem natureza salarial e estão sujeitas ao imposto de renda. b) Não há Lei que isento do imposto de renda referidos rendimentos; Fl. 260DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 4 c) A Resolução STF nº 245/2002 é restrita ao abono variável aplicável aos membros da Magistratura da União, e, por determinação expressa do Parecer PGFN n° 923/2003, aprovado pelo Ministro da Fazenda, está fora da incidência tributária do imposto de renda também para os membros do MPF. Atribuir aos rendimentos em análise a mesma natureza do abono variável das Leis n°s 10.477/2002 e 9.655/98 seria alargar as fronteiras da nãoincidência tributária sem previsão de Lei Federal para tanto. É o relatório. Voto Conselheiro Carlos Alberto Freitas Barreto, Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9202004.091, de 21/06/2016, proferido no julgamento do processo 10530.724190/200966, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto vencedor proferido naquela decisão (Acórdão 9202004.091): A solução do litígio será delineada através de itens que enfrentam de forma integral, os argumentos apresentados pela recorrente, respeitandose, ainda, a ordem dos quesitos apresentada, limitandose aqui, todavia, às matérias para as quais se deu seguimento ao pleito do contribuinte : a) Quanto à não incidência do IRPF pela natureza supostamente indenizatória das verbas recebidas, à aplicação da Lei Estadual no. 8.730, de 2003, e da Resolução STF no. 245, de 2002. Reitero aqui, inicialmente, considerações que teci quando do julgamento de feito semelhante no âmbito da 1a. Turma Ordinária 1a. Câmara da 2a. Seção deste CARF (Acórdão no. 2.101002.724), mantendo de forma integral meu posicionamento acerca do assunto, que assim se resume: a.1) Da natureza das verbas recebidas e da Lei Estadual 8.730, de 2003 Cumpre, primeiramente, salientar que os rendimentos de que trata o presente processo foram recebidos do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia, a título de "Valores Indenizatórios de URV", em atendimento ao disposto pela Lei do Estado da Bahia n° 8.730, de 2003, a qual, dentre outras disposições, preceitua que a verba em questão é de natureza indenizatória. Para melhor entendimento, transcrevemos, a seguir, os artigos 4° e 5° da Lei do Estado da Bahia n° 8.730, de 2003: Fl. 261DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10580.720967/200928 Acórdão n.º 9202004.094 CSRFT2 Fl. 324 5 Art. 4º As diferenças decorrentes do erro na conversão da remuneração de Cruzeiro Real para Unidade Real de Valor URV, objeto das Ações Ordinárias n os. 613 e 614, julgadas procedentes pelo Supremo Tribunal Federal, serão apuradas, mês a mês, de 1º de abril de 1994 a 31 de julho de 2001, e o montante correspondente a cada Magistrado será dividido em 36 parcelas iguais, para pagamento nos meses de janeiro de 2004 a dezembro de 2006. Art. 5º São de natureza indenizatória as parcelas de que trata o art. 4º desta Lei. Com efeito, da leitura dos dispositivos acima reproduzidos, é possível concluir, tal como concluiu a parte recorrente, que foi atribuída, pelo Estado da Bahia, natureza indenizatória às diferenças decorrentes de erro na conversão da remuneração dos magistrados, de Cruzeiro Real para Unidade Real de Valor URV, objeto da Ação Ordinária em questão. Todavia, do exame desses dispositivos isoladamente, é impertinente inferir que se tratam de rendimentos isentos do Imposto sobre a Renda de Pessoa física. Em primeiro lugar, a competência para legislar sobre o imposto sobre a renda é da União, e a lei acima transcrita é estadual, o que restringe a aplicação da referida Lei Estadual na seara de interesse. Todavia, notese que não se trata, aqui, quando da consequente conclusão de não aplicação da referida Lei, para fins de definição da natureza tributária das verbas sob análise e da incidência ou não do IRPF, de invasão de competência do STF pela União para declarar a inconstitucionalidade a referida Lei Estadual (o que caracterizaria a violação alegada à Súmula CARF no. 02 e ao art. 62 do Regimento Interno deste CARF então em vigor quando da propositura do recurso), mas, sim, de interpretar o diploma de acordo com a competência tributária constitucionalmente estabelecida, de forma que os efeitos da referida Lei, no que tange ao caráter indenizatório das verbas recebidas, se limitem a matérias cuja competência seja do Estado da Bahia, visto que, de outra forma, se estaria a validar a possibilidade de invasão de competência tributária da União por este mesmo Estado. Não se está a afastar, aqui, a constitucionalidade do dispositivo de forma a afastar sua aplicação, mas tão somente verificase sua impossibilidade de produção de efeitos na seara tributária, em se tratando de IRPF. Assim, imprescindível a análise da natureza dessas verbas, no contexto de todo o direito positivo aplicável ao tributo em questão, para se concluir pela sua tributação ou não pelo imposto sobre a renda. A propósito, chama a atenção o fato de que as diferenças de URV pagas ao contribuinte pelo Tribunal de Justiça do Estado da Bahia não se destinam à recomposição de um prejuízo, ou dano material por ela sofrido. Diferentemente, as verbas recebidas pela contribuinte repõem a atualização monetária dos Fl. 262DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 6 salários do período considerado. Nesse sentido, observase que o artigo 4° da Lei do Estado da Bahia n° 8.730, de 2003, deixa claro que se trata de diferenças de remuneração quando da conversão de Cruzeiro Real para Unidade Real de Valor URV. Desta forma, é incontornável a constatação que tais diferenças integram a remuneração mensal percebida pela contribuinte, em decorrência do seu trabalho, constituindo parte integrante de seus vencimentos. As verbas assim auferidas integram, portanto, a definição de renda, nos termos do artigo 43 do Código Tributário Nacional. Por fim, de se reproduzir uma vez mais a jurisprudência do STJ, que sustenta tal posicionamento, no sentido de se rejeitar o caráter indenizatório das verbas em questão. TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. IMPORTÂNCIAS PAGAS EM DECORRÊNCIA DE SENTENÇA TRABALHISTA. NATUREZA REMUNERATÓRIA. RESPONSABILIDADE PELA RETENÇÃO E RECOLHIMENTO DO IMPOSTO. FONTE PAGADORA. ALÍQUOTA APLICÁVEL. EXCLUSÃO DA MULTA. 1. O recebimento de remuneração em virtude de sentença trabalhista que determinou o pagamento da URP no período de fevereiro de 1989 a setembro de 1990 não se insere no conceito de indenização, constituindose complementação de caráter nitidamente remuneratório, ensejando, portanto, a cobrança de imposto de renda. (...) 5. Recurso especial parcialmente provido (REsp 383.309/SC, Rel. Min. João Otávio de Noronha, DJU de 07.04.06); Eram, portanto, as verbas em questão tributáveis, independentemente da denominação a elas conferida pela Lei do Estado da Bahia n° 8.730, de 2003, conclusão em perfeita consonância e respaldada pelos dispositivos legais mencionados no auto de infração. a.2) Da Resolução n.° 245 do STF A recorrente traz à baila a Resolução n.° 245 do STF, que, uma vez estendida aos membros do Ministério Público da União, por força do artigo 2° da Lei n° 10.477, de 2002, de despacho do PGR no âmbito do Processo Administrativo 1.00.000.011735/2002 e Pareceres PGFN nos. 529 e 923, de 2003, aplicarseia também aos membros do Poder Judiciário dos Estados, de forma a que se afastasse a incidência do IRPF sobre as verbas em discussão. A respeito, verifico que a questão da aplicabilidade da Resolução n° 245 do STF aos valores recebidos a título de diferenças de URV foi exaustivamente analisada pelo Conselheiro Alexandre Naoki Nishioka no voto condutor da decisão proferida pela mesma 1a. Turma Ordinária da 1a Câmara da Segunda Seção de Julgamento deste Conselho, no Fl. 263DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10580.720967/200928 Acórdão n.º 9202004.094 CSRFT2 Fl. 325 7 Acórdão n° 2101002.388, de 18 de fevereiro de 2014. Por se aplicar ao caso que aqui se analisa, e por refletir o entendimento deste Relator, adotase o quanto manifestado naquele voto. Veja se: “(...) Buscando reforçar o argumento, requer a contribuinte a aplicação da Resolução n.° 245 do STF, assim como de consulta administrativa realizada pela Presidente do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia, os quais disporiam acerca da remuneração dos magistrados. No entanto, mencionadas normas não se aplicam ao fim pretendido pela Recorrente. Inicialmente, cumpre salientar que a dita resolução dispôs acerca da forma de cálculo do abono salarial variável e provisório de que trata o art. 2° e parágrafos da Lei n.° 10.474/2002, considerandoo como de natureza indenizatória. Neste sentido, o inciso I do art. 1° trouxe a forma de cálculo deste abono: "I apuração, mês a mês, de janeiro/98 a maio/2002, da diferença entre os vencimentos resultantes da Lei n° 10.474, de 2002 (Resolução STF n° 235, de 2002), acrescidos das vantagens pessoais, e a remuneração mensal efetivamente percebida pelo Magistrado, a qualquer título, o que inclui, exemplificativamente, as verbas referentes a diferenças de URV, PAE, 10,87% e recálculo da representação (194%)". A própria redação da Resolução excluiu do valor integrante do abono as verbas referentes à diferença de URV, de onde se interpreta que esta não tem natureza indenizatória, mas de recomposição salarial. Tal tema inclusive já foi enfrentado Egrégio Superior Tribunal de Justiça, tendo este reconhecido as diferenças entre a abono salarial tratado pela norma e a diferença da URV, conforme se verifica de voto da Ministra Eliana Calmon: "Na jurisprudência desta Casa, colho os seguintes precedentes, que sempre distinguiram as hipóteses de percepção das diferenças remuneratórias da URV do abono identificado na Resolução 245/STF: (...)" (STJ, Recurso Especial n.° 1.187.109/MA, Segunda Turma, Ministra Relatora Eliana Calmon, julgado em 17/08/2010)" E tal também foi o entendimento do Ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal, em decisão monocrática proferida nos autos do Recurso Extraordinário n.° 471.115, do qual se colaciona o seguinte excerto: "Os valores assim recebidos pelo recorrido decorrem de compensação pela falta de oportuna correção no valor nominal do salário, quando da implantação da URV e, assim, constituem parte integrante de seus vencimentos. Fl. 264DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 8 As parcelas representativas do montante que deixou de ser pago, no momento oportuno, são dotadas dessa mesma natureza jurídica e, assim, incide imposto de renda quando de seu recebimento. No que concerne à Resolução n° 245/02, deste Supremo Tribunal Federal, utilizada na fundamentação do acórdão recorrido, temse que suas normas a tanto não se aplicam, para o fim pretendido pelo recorrido (...)" (STF, Recurso Extraordinário n.° 471.115, Ministro Relator Dias Toffoli, julgado em 03/02/2010)" Adicionalmente, mesmo caso se tenha leitura diversa da Resolução STF no. 245, de 2002, entendo de se aceder, ainda, à argumentação de se cingirem os efeitos da referida Resolução e dos despachos PGR e Pareceres PGFN em questão aos membros das carreiras mencionadas no âmbito das Leis no. 10.474 e 10.477, ambas de 27 de julho de 2002 (às quais, ressaltese, não pertence, o recorrente), vedados: a) o estabelecimento de isenção por analogia a partir do disposto nos arts. 97, VI e 111, I e II do CTN e 150 §6o. da CRFB; b) o afastamento da hipótese de incidência, delineada pelos dispositivos legais constantes do auto de infração, por violação ao princípio constitucional da isonomia, uma vez que é expressamente vedado a este Conselho afastar a aplicação da lei tributária com base em argumentação de violação a preceitos constitucionais, consoante dispõe o art. 62 do Regimento já mencionado e Súmula CARF no. 02. Concluise, portanto, pelo caráter salarial dos valores recebidos acumuladamente pela Recorrente, razão pela qual deverão compor a base de cálculo do Imposto sobre a Renda de Pessoa Física, nos termos do art. 43 do Código Tributário Nacional e dispositivos legais que fundamentaram o auto de infração, descartado o afastamento da incidência do IRPF seja pelo disposto na Lei do Estado da Bahia no. 8.730, de 2003, seja pelo teor da Resolução STF no. 245, de 2002. a.3) Quanto aos efeitos do decidido no âmbito do RE 614.406/RS ao feito Reitero, também aqui, com a devida vênia ao posicionamento diverso de alguns Conselheiros desta casa, meu entendimento, já manifestado também na instância ordinária, de desnecessidade de observância obrigatória do decidido pelo STJ no âmbito do REsp 1.118.429/SP no caso sob análise, uma vez se estar a tratar ali, da tributação de benefícios previdenciários recebidos acumuladamente, situação fática notadamente diversa da dos presentes autos, onde não está a ser tratar de qualquer rubrica de benefício, mas sim de diferença remuneratória perceptível quando do servidor na ativa. Todavia, reconhecese aqui que a matéria sob litígio foi objeto de análise recente pelo STF, no âmbito do RE 614.406/RS, objeto de trânsito em julgado em 11/12/2014, feito que teve sua repercussão geral previamente reconhecida (em 20 de outubro Fl. 265DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10580.720967/200928 Acórdão n.º 9202004.094 CSRFT2 Fl. 326 9 de 2010), obedecida assim a sistemática prevista no art. 543B do Código de Processo Civil vigente. Obrigatória, assim, a observância, por parte dos Conselheiros deste CARF dos ditames do Acórdão prolatado por aquela Suprema Corte em 23/10/2014, a partir de previsão regimental contida no art. 62, §2o. do Anexo II do Regimento Interno deste Conselho, aprovado pela Portaria MF no. 343, de 09 de junho de 2015. Reportandome a este último julgado vinculante, noto que, ali, se acordou, por maioria de votos, em manter a decisão de piso do STJ acerca da inconstitucionalidade do art. 12 da Lei no. 7.713, de 1988, devendo ocorrer a "incidência mensal para o cálculo do imposto de renda correspondente à tabela progressiva vigente no período mensal em que apurado o rendimento percebido a menor regime de competência (...)", afastandose assim o regime de caixa. Todavia, de se ressaltar aqui também que em nenhum momento se cogita, no Acórdão, de eventual cancelamento integral de lançamentos cuja apuração do imposto devido tenha sido feita obedecendo o art. 12 da referida Lei no. 7.713, de 1988, notese, diploma plenamente vigente na época em que efetuado o lançamento sob análise, o qual, ainda, em meu entendimento, guarda, assim, plena observância ao disposto no art. 142 do Código Tributário Nacional. A propósito, de se notar que os dispositivos legais que embasaram o lançamento, em nenhum momento foram objeto de declaração de inconstitucionalidade ou de decisão em sede de recurso repetitivo de caráter definitivo que pudesse lhes afastar a aplicação ao caso in concretu. Deflui daquela decisão da Suprema Corte, em meu entendimento, inclusive, o pleno reconhecimento do surgimento da obrigação tributária que aqui se discute o qual, repitase, obedeceu os estritos ditames da legalidade à época da ação fiscal realizada. Da leitura do inteiro teor do decisum do STF, é notório que, ainda que se tenha rejeitado o surgimento da obrigação tributária somente no momento do recebimento financeiro pela pessoa física, o que a faria eventualmente mais gravosa, entendese, ali, inequivocamente, que se mantém incólume a obrigação tributária oriunda do recebimento dos valores acumulados pela contribuinte pessoa física, mas agora a ser calculada em momento pretérito, quando a contribuinte fez jus à percepção dos rendimentos, de forma, assim, a restarem respeitados os princípios da capacidade contributiva e isonomia. Assim, com a devida vênia ao posicionamento esposado por alguns membros deste Conselho, entendo que, a esta altura, ao se defender a exoneração integral do lançamento, se estaria, inclusive, a contrariar as razões de decidir que embasam o decisum vinculante, no qual, reitero, em nenhum momento, note se, se cogita da inexistência da obrigação tributária/incidência do Imposto sobre a Renda decorrente da percepção de rendimentos tributáveis de forma acumulada. Fl. 266DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 10 Se, por um lado, manterse a tributação na forma do referido art. 12 da Lei no. 7.713, de 1988, conforme decidido de forma definitiva pelo STF, violaria a isonomia no que tange aos que receberam as verbas devidas "em dia" e ali recolheram os tributos devidos, exonerar o lançamento por completo a esta altura significaria estabelecer tratamento antiisonômico (também em relação aos que também receberam em dia e recolheram devidamente seus impostos), mas em favor daqueles que foram autuados e nada recolheram ou recolheram valores muito inferiores aos devidos, ao serem agora consideradas as tabelas/alíquotas vigentes à época, o que deve, em meu entendimento, também se rechaçar. Feita tal digressão, verifico porém, que, no caso em questão, a autoridade fiscal já optou por tributar os valores com base nas alíquotas vigentes nos períodos que apurados o rendimento percebido a menor regime de competência (os rendimentos percebidos a menor referemse aos períodos de abril de 1994 a agosto de 2001) Acerca das tabelas progressivas/alíquotas aplicáveis aos meses de referência, de se consultar o resumo que se segue, que respalda a tabela utilizada pela autoridade autuante: Todavia, ainda que se tenha utilizado as alíquotas corretas, não há como se garantir que estivesse o autuado na faixa superior de recebimentos mensais para cada um dos meses de competência, uma vez que, notese, não se retroagiu, no lançamento, o momento de incidência aos meses dos anoscalendário de 1994 a 2001, constantes do demonstrativo detalhado fornecido pelo contribuinte em resposta à intimação da autoridade fiscal. Fl. 267DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10580.720967/200928 Acórdão n.º 9202004.094 CSRFT2 Fl. 327 11 Assim, diante de tais motivos, voto no sentido de, nesta matéria, dar parcial provimento ao Recurso da Contribuinte, no sentido de determinar a retificação do montante do crédito tributário com a aplicação tanto das tabelas progressivas como das alíquotas vigentes à época da aquisição dos rendimentos (meses em que foram apurados os rendimentos percebidos a menor), ou seja, tudo de acordo com o regime de competência. b) Quanto à incidência do IRPF sobre os juros de mora Para fins de solução do litígio quanto à esta matéria, de se perquirir a extensão dos efeitos da aplicação, ao presente feito, do decidido pelo Egrégio Superior Tribunal de Justiça, no âmbito do REsp 1.227.133/RS, quanto à incidência de juros de mora sobre rendimentos recebidos acumuladamente. Tratase, notese, também de decisum de aplicação obrigatória neste Conselho, consoante art. 62A do Anexo II do Regimento Interno deste CARF em vigor quando da prolação da decisão recorrida, aprovado pela Portaria MF no 256, de 22 de junho de 2009 e, ainda, conforme o art. 62, §1o. do atual Regimento Interno, aprovado pela Portaria MF no 343, de 09 de junho de 2015. A propósito, creio, em linha com o argumentado pela Fazenda Nacional em sede de contrarrazões, que o melhor esclarecimento da amplitude da decisão vinculante em questão (REsp 1.227.133/RS) pode ser obtido em outro feito daquele Egrégio Tribunal, a saber, no REsp 1.089.720/RS, cujo relator foi o Ministro Mauro Campbell Marques e cuja cristalina ementa decisória, datada de 10/10/12 e publicada em 16/10/12 estabelece: REsp 1.089.720/RS PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. VIOLAÇÃO AO ART. 535, DO CPC. ALEGAÇÕES GENÉRICAS. SÚMULA N. 284/STF. IMPOSTO DE RENDA DA PESSOA FÍSICA IRPF. REGRA GERAL DE INCIDÊNCIA SOBRE JUROS DE MORA. PRESERVAÇÃO DA TESE JULGADA NO RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA RESP. N. 1.227.133/RS NO SENTIDO DA ISENÇÃO DO IR SOBRE OS JUROS DE MORA PAGOS NO CONTEXTO DE PERDA DO EMPREGO. ADOÇÃO DE FORMA CUMULATIVA DA TESE DO ACCESSORIUM SEQUITUR SUUM PRINCIPALE PARA ISENTAR DO IR OS JUROS DE MORA INCIDENTES SOBRE VERBA ISENTA OU FORA DO CAMPO DE INCIDÊNCIA DO IR (grifei), 1. Não merece conhecimento o recurso especial que aponta violação ao art. 535, do CPC, sem, na própria peça, individualizar o erro, a obscuridade, a contradição ou a omissão ocorridas no acórdão proferido pela Corte de Origem, bem como sua relevância para a solução da Fl. 268DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 12 controvérsia apresentada nos autos. Incidência da Súmula n. 284/STF: "É inadmissível o recurso extraordinário, quando a deficiência na sua fundamentação não permitir a exata compreensão da controvérsia". 2. Regra geral: incide o IRPF sobre os juros de mora, a teor do art. 16, caput e parágrafo único, da Lei n. 4.506/64, inclusive quando reconhecidos em reclamatórias trabalhistas, apesar de sua natureza indenizatória reconhecida pelo mesmo dispositivo legal (matéria ainda não pacificada em recurso representativo da controvérsia). 3. Primeira exceção: são isentos de IRPF os juros de mora quando pagos no contexto de despedida ou rescisão do contrato de trabalho, em reclamatórias trabalhistas ou não. Isto é, quando o trabalhador perde o emprego, os juros de mora incidentes sobre as verbas remuneratórias ou indenizatórias que lhe são pagas são isentos de imposto de renda. A isenção é circunstancial para proteger o trabalhador em uma situação sócioeconômica desfavorável (perda do emprego), daí a incidência do art. 6°, V, da Lei n. 7.713/88. Nesse sentido, quando reconhecidos em reclamatória trabalhista, não basta haver a ação trabalhista, é preciso que a reclamatória se refira também às verbas decorrentes da perda do emprego, sejam indenizatórias, sejam remuneratórias (matéria já pacificada no recurso representativo da controvérsia REsp no 1.227.133RS, Primeira Seção, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, Rel .p/acórdão Min. Cesar Asfor Rocha, julgado em 28.9.2011). 4. Segunda exceção: são isentos do imposto de renda os juros de mora incidentes sobre verba principal isenta ou fora do campo de incidência do IR, mesmo quando pagos fora do contexto de despedida ou rescisão do contrato de trabalho (circunstância em que não há perda do emprego), consoante a regra do "accessorium sequitur suum principale". (grifei) (...) 7. Recurso especial parcialmente conhecido e, nessa parte, parcialmente provido." Assim, com base no posicionamento constante do julgado acima, que adoto integralmente, uma vez entender que foi esse o julgado a sedimentar e esclarecer a correta forma de aplicação do julgado vinculante aqui discutido (REsp 1.227.133/RS), é de se perquirir, em cada caso concreto: 1) se os juros de mora foram auferidos no contexto de despedida ou rescisão do contrato de trabalho e 2) se está diante de verba principal isenta ou fora do campo de incidência do IR. Somente no caso de resposta afirmativa a um dos dois questionamentos acima deve não incidir o IR sobre os juros de mora recebidos acumuladamente, de forma a que se obedeça o Fl. 269DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10580.720967/200928 Acórdão n.º 9202004.094 CSRFT2 Fl. 328 13 julgado vinculante, restando incidente a tributação sobre os juros de mora nas demais situações. Aplicandose o acima disposto ao caso em questão: 1) Conforme já anteriormente delineado, entendo que não se está a tratar, aqui, de verba indenizatória, tendose concluído, no âmbito do presente voto, pela natureza remuneratória da verba principal de diferenças quando da conversão de Cruzeiro Real para URV sob análise, caracterizada, assim, a incidência do IRPF sobre tais verbas; 2) Verifico, também, que não se está a tratar de verbas recebidas no contexto de despedida ou rescisão do contrato de trabalho; Concluo, assim, pela incidência do Imposto de Renda sobre os juros de mora em questão quando da aplicação do decisum vinculante constante do REsp 1.227.133/RS, a partir de sua interpretação detalhadamente estabelecida no âmbito do REsp 1.089.720/RS e, desta forma, nego provimento ao Recurso Especial da contribuinte também quanto a esta matéria. Destarte, diante do exposto, voto no sentido de dar parcial provimento ao Recurso do Contribuinte, para determinar a retificação do montante do crédito tributário com a aplicação à verba recebida (inclusive juros) tanto das tabelas progressivas como das alíquotas vigentes à época da aquisição dos rendimentos (meses em que foram apurados os rendimentos percebidos a menor), ou seja, de acordo com o regime de competência. É como voto. Em face do acima exposto, voto no sentido de conhecer o Recurso Especial do Contribuinte para, no mérito, darlhe provimento parcial, para determinar o cálculo do tributo sobre a verba recebida, inclusive juros, de acordo com o regime de competência. (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Fl. 270DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 14 Fl. 271DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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