Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,278)
- Segunda Câmara (27,804)
- Primeira Câmara (25,086)
- Segunda Turma Ordinária d (17,704)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,175)
- Primeira Turma Ordinária (16,167)
- Primeira Turma Ordinária (16,049)
- Primeira Turma Ordinária (16,036)
- Segunda Turma Ordinária d (15,777)
- Segunda Turma Ordinária d (14,403)
- Primeira Turma Ordinária (13,018)
- Primeira Turma Ordinária (12,371)
- Segunda Turma Ordinária d (12,356)
- Quarta Câmara (11,514)
- Primeira Turma Ordinária (11,409)
- Quarta Câmara (84,660)
- Terceira Câmara (67,242)
- Segunda Câmara (55,630)
- Primeira Câmara (20,043)
- 3ª SEÇÃO (16,175)
- 2ª SEÇÃO (11,266)
- 1ª SEÇÃO (6,836)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (124,588)
- Segunda Seção de Julgamen (114,322)
- Primeira Seção de Julgame (76,395)
- Primeiro Conselho de Cont (49,052)
- Segundo Conselho de Contr (48,959)
- Câmara Superior de Recurs (37,873)
- Terceiro Conselho de Cont (25,978)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,061)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,961)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,618)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,418)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,269)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (3,750)
- HELCIO LAFETA REIS (3,697)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- ROSALDO TREVISAN (3,217)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,924)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,728)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,628)
- WILDERSON BOTTO (2,615)
- HONORIO ALBUQUERQUE DE BR (2,472)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,833)
- 2019 (30,960)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,917)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,471)
- 2014 (22,375)
- 2013 (21,087)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,488)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,134)
- 2017 (16,839)
- 2009 (15,846)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2022 (13,225)
- 2007 (13,020)
Numero do processo: 10850.907397/2009-51
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 24 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Mar 30 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 1802-000.639
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
José de Oliveira Ferraz Correa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Gustavo Junqueira Carneiro Leão - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira, Henrique Heiji Erbano, José de Oliveira Ferraz Correa e Nelso Kichel.
Relatório
Nome do relator: GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201503
turma_s : Segunda Turma Especial da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Mar 30 00:00:00 UTC 2015
numero_processo_s : 10850.907397/2009-51
anomes_publicacao_s : 201503
conteudo_id_s : 5448414
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Mar 30 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 1802-000.639
nome_arquivo_s : Decisao_10850907397200951.PDF
ano_publicacao_s : 2015
nome_relator_s : GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO
nome_arquivo_pdf_s : 10850907397200951_5448414.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Correa - Presidente. (assinado digitalmente) Gustavo Junqueira Carneiro Leão - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira, Henrique Heiji Erbano, José de Oliveira Ferraz Correa e Nelso Kichel. Relatório
dt_sessao_tdt : Tue Mar 24 00:00:00 UTC 2015
id : 5882952
ano_sessao_s : 2015
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:39:02 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047702460170240
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1311; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1TE02 Fl. 2 1 1 S1TE02 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10850.907397/200951 Recurso nº Voluntário Resolução nº 1802000.639 – 2ª Turma Especial Data 24 de março de 2015 Assunto DCOMP Recorrente AÇÚCAR GUARANI S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Correa Presidente. (assinado digitalmente) Gustavo Junqueira Carneiro Leão Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira, Henrique Heiji Erbano, José de Oliveira Ferraz Correa e Nelso Kichel. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 50 .9 07 39 7/ 20 09 -5 1 Fl. 274DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2015 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 29/03/2015 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por JOSE DE OLI VEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10850.907397/200951 Resolução nº 1802000.639 S1TE02 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto (SP), que por unanimidade de votos não conheceu da manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte. Para descrever os fatos, por economia processual, transcrevo relatório constante do acórdão 1432.654, in verbis: “Trata o presente de PER/DCOMP (Pedido de Ressarcimento ou Restituição e Declaração de Compensação), de nf 2902.97972.191108.1.3.040253, cujo crédito provém de pagamento indevido ou a maior da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) referente a dezembro de 2005. A DRF/São José do Rio Preto, por meio do despacho decisório de fl. 21, não homologou a compensação, porquanto tratase de pagamento a título de estimativa, assim o valor somente poderia ser utilizado na dedução da contribuição devida no final do ano. Inconformada com a nãohomologação da compensação, a interessada apresentou a manifestação de inconformidade, de fls. 1 a 16, onde alega, em resumo, que pagou um valor superior ao apurado na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) para o mês de dezembro de 2005, assim não se configuraria antecipação da CSLL, mas sim um pagamento a maior da contribuição nos termos da legislação de regência. Informa que, de acordo com a DIPJ e também conforme declarado em Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), cópias anexadas, que deveria ter recolhido, em dezembro de 2005 R$ 805.379,03, mas pagou R$ 1.030.013,07, gerando um saldo a seu favor. Aduz que a restrição da Instrução Normativa (IN) SRF nº 600, de 2005, no sentido de que os pagamentos a título de estimativa somente podem ser utilizados como dedução da contribuição devida no final do ano seria ilegal, pois a legislação de regência da matéria jamais apresentou essa restrição. Alega também que o procedimento por ela utilizado não implicou prejuízo ao Fisco, tampouco em duplicidade do crédito, pois o valor a maior foi apurado após as deduções dos pagamentos dos meses anteriores referentes a estimativas e retenção na fonte, conforme fichas 16 e 17 da DIPJ”. Fl. 275DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2015 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 29/03/2015 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por JOSE DE OLI VEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10850.907397/200951 Resolução nº 1802000.639 S1TE02 Fl. 4 3 Em sua decisão, a DRJ em Ribeirão Preto (SP) por unanimidade de votos, houve por bem não reconhecer o direito creditório pleiteado pelo contribuinte, conforme ementa transcrita abaixo: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Datado fato gerador: 31/01/2006 RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. SALDO NEGATIVO. O reconhecimento de direito creditório a título de saldo negativo reclama efetividade no pagamento das antecipações calculadas por estimativa, comprovação contábil do valor devido na apuração anual e que referido saldo negativo não tenha sido utilizado para compensar a contribuição devida nos períodos posteriores. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 31/01/2006 DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido” Inconformada com a improcedência da manifestação de inconformidade da qual tomou ciência em 25/04/2011, a Recorrente apresentou seu Recurso Voluntário em 24/05/2011, onde pleiteia pela reforma do julgado e acosta farta documentação buscando comprovar o seu direito creditório. É o relatório. Fl. 276DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2015 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 29/03/2015 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por JOSE DE OLI VEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10850.907397/200951 Resolução nº 1802000.639 S1TE02 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Relator. O presente recurso é tempestivo, portanto dele tomo conhecimento. Tratase de Pedido de Compensação (PER/DCOMP) nº 29024.97972.191108.1.3.040253, transmitido em 19/11/2008, por meio do qual a ora Recorrente busca a compensação de débito a título de COFINS, apurado na competência de outubro de 2008, com crédito a título de CSLL, apurado em dezembro de 2005, oriundo de pagamento a maior, compensação esta que restou não homologada nos termos do despacho decisório emitido pela DRF, sob a argumentação de que o aludido crédito tratarseia de pagamento a título de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, hipótese em que o recolhimento somente poderia ser utilizado na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período, nos termos do artigo 10 da Instrução Normativa n° 600/2005. Assim, a Recorrente foi intimada a recolher R$ 391.761,10 (trezentos e noventa e um mil, setecentos e sessenta e um reais e dez centavos) correspondente ao valor do débito, acrescido de multa e juros, por conta da não homologação da compensação retro citada. Em sua Manifestação de Inconformidade Recorrente explicitou seu inconformismo alegando, em síntese, que o crédito utilizado no PER/DCOMP é oriundo, efetivamente, de pagamento a maior, tendo em vista que de acordo com a sistemática de recolhimento por estimativa apurou em dezembro de 2005 o montante de R$ 805.379,03 (oitocentos e cinco mil, trezentos e setenta e nove reais e três centavos) a título de CSLL estimativa, conforme informado em sua DIPJ, tendo, entretanto, recolhido o montante de R$ 1.030.013,07 (um milhão, trinta mil, treze reais e sete centavos). Nesse contexto, não haveria que se confundir o pagamento a maior com o recolhimento da estimativa em si. Elucidou que, no caso concreto, efetuou o recolhimento de valor superior ao apurado na sua DIPJ 2005/2006 a título de estimativa de CSLL para o mês de dezembro de 2005, de modo que o montante correspondente à diferença entre o valor pago e o valor devido caracteriza "pagamento indevido ou a maior", o qual não está vinculado a sistema previsto no inciso IV, do parágrafo 3º, do artigo 2º da Lei 9.430/96, por não configurar uma antecipação da CSLL devida, mas efetivamente um pagamento a maior que o devido. A DRJ de Ribeirão Preto por sua vez, manteve integralmente o lançamento, deixando de homologar a compensação em voga, porém, sob fundamento diverso daquele que motivou a expedição do despacho decisório. Entendeu que o PER/DCOMP não conteria os atributos necessários de liquidez e certeza, imprescindíveis para reconhecimento pela autoridade administrativa de crédito junto à Fazenda Pública. As decisões não podem prosperar, seja pela fundamentação da DRF, já superada por este Conselho em diversos julgamentos, seja pela ausência da comprovação da liquidez e certeza entendida pela DRJ. Fl. 277DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2015 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 29/03/2015 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por JOSE DE OLI VEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10850.907397/200951 Resolução nº 1802000.639 S1TE02 Fl. 6 5 A decisão da DRF está arrimada no artigo 10 da Instrução Normativa SRF n° 460, de 2004, reproduzida também na IN SRF nº 600, de 2005, e abaixo transcrita: Art. 10. A pessoa jurídica tributada pelo lucro real, presumido ou arbitrado que sofrer retenção indevida ou a maior de imposto de renda ou de CSLL sobre rendimentos que integram a base de cálculo do imposto ou da contribuição, bem assim a pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual que efetuar pagamento indevido ou a maior de imposto de renda ou de CSLL a titulo de estimativa mensal, somente poderá utilizar o valor pago ou retido na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve a retenção ou pagamento indevido ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período. Desse modo concluiu que, somente o saldo negativo do IRPJ ou da CSLL, apurado no encerramento do anocalendário, constitui valor passível de restituição/compensação, não sendo cabível, portanto, a solicitação decorrente de eventuais valores relativos a recolhimentos efetuados por estimativa no decorrer do anocalendário. Sobre os mencionados atos normativos, nos termos do artigo 106 do Código Tributário Nacional, deve ser admitida a retroatividade benéfica da revogação da Instrução Normativa SRF n° 600/05, pelo artigo 100 da Instrução Normativa RFB n° 900/08 que, inclusive, não mais veda a compensação de créditos relativos a pagamentos de IRPJ e CSLL por estimativa, conforme previsto em seu artigo 11. Isso porque a restrição contida no artigo 10 da IN SRF n° 460, de 2004 e da IN SRF n° 600, de 2005 não mais se repete na IN SRF nº 900/2008 e alterações posteriores. Com efeito, ressalvadas as situações do parágrafo 3º (créditos não compensáveis) do artigo 74 da Lei nº 9.430/96 que disciplina a matéria relativa à compensação no âmbito federal, o sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo e/ou contribuição administrados pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos vencidos ou vincendos próprios do contribuinte, relativos a quaisquer tributos ou contribuições sob administração do mencionado órgão administrativo, vejamos: “Artigo 74 0 sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele órgão. (...) § 3o Além das hipóteses previstas nas leis específicas de cada tributo ou contribuição, não poderão ser objeto de compensação mediante entrega, pelo sujeito passivo, da declaração referida no § 1o: (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) I o saldo a restituir apurado na Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda da Pessoa Física; (Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) Fl. 278DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2015 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 29/03/2015 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por JOSE DE OLI VEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10850.907397/200951 Resolução nº 1802000.639 S1TE02 Fl. 7 6 II os débitos relativos a tributos e contribuições devidos no registro da Declaração de Importação. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) III os débitos relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal que já tenham sido encaminhados à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional para inscrição em Dívida Ativa da União; (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) IV os créditos relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal com o débito consolidado no âmbito do Programa de Recuperação Fiscal Refis, ou do parcelamento a ele alternativo; e (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) IV o débito consolidado em qualquer modalidade de parcelamento concedido pela Secretaria da Receita Federal SRF; (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) V os débitos que já tenham sido objeto de compensação não homologada pela Secretaria da Receita Federal. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) V o débito que já tenha sido objeto de compensação não homologada, ainda que a compensação se encontre pendente de decisão definitiva na esfera administrativa; e (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) VI o valor objeto de pedido de restituição ou de ressarcimento já indeferido pela autoridade competente da Secretaria da Receita Federal SRF, ainda que o pedido se encontre pendente de decisão definitiva na esfera administrativa. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) VIIos débitos relativos a tributos e contribuições de valores originais inferiores a R$ 500,00 (quinhentos reais); (Incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008) VIIIos débitos relativos ao recolhimento mensal obrigatório da pessoa física apurados na forma do art. 8o da Lei no 7.713, de 1988; e (Incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008) IXos débitos relativos ao pagamento mensal por estimativa do Imposto sobre a Renda da Pessoa JurídicaIRPJ e da Contribuição Social sobre o Lucro LíquidoCSLL apurados na forma do art. 2o. (Incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008) Sobre essa matéria, o próprio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais editou a Súmula nº 84, em 10.12.2012, com o seguinte teor: “Súmula 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação.” Como visto os fundamentos da DRF para o indeferimento do PER/DCOMP, por si só, não encontram amparo na norma legal que rege a matéria. Fl. 279DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2015 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 29/03/2015 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por JOSE DE OLI VEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10850.907397/200951 Resolução nº 1802000.639 S1TE02 Fl. 8 7 A questão é saber se de fato resta caracterizado o indébito do pagamento de estimativa, comprovado mediante escrituração contábil e fiscal, para que se possa aferir a certeza e liquidez do crédito tributário como dispõe o artigo 170 da Lei nº 5.172/1966 (Código Tributário Nacional CTN). Já a DRJ entendeu que o crédito em questão não tinha liquidez e certeza, eis que não estavam devidamente comprovados. As declarações não podem / devem ser tomadas em caráter absoluto, até porque existe sempre a possibilidade de erro no seu preenchimento. É necessário que ela seja cotejada com outras informações e documentos, como os Livros Contábeis e Fiscais, Demonstrativos e outras declarações, para que se busque a verdade material. Isto porque o que interessa é saber se no presente caso houve ou não recolhimento indevido ou a maior. O dito princípio da verdade material é muito bem abordado pelo ilustre doutrinador James Marins em sua obra Direito Processual Tributário Brasileiro (Administrativo e Judicial), Dialética, 2001, p. 176. “A exigência da verdade material corresponde à busca pela aproximação entre a realidade factual e sua representação formal; aproximação entre os eventos ocorridos na dinâmica econômica e o registro formal de sua existência; entre a materialidade do evento econômico (fato imponível) e sua formalização através do lançamento tributário. A busca pela verdade material é princípio de observância indeclinável da Administração tributária no âmbito de suas atividades procedimentais e processuais. Deve fiscalizar em busca da verdade material: deve apurar e lançar com base na verdade material. (grifos nossos)” E também através dos seguintes julgados: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL CERCEAMENTO DE DEFESA NULIDADE PRINCÍPIO DA VERDADE REAL O processo administrativo fiscal regese pelo princípio da verdade material, devendo a autoridade julgadora utilizarse de todas as provas e circunstâncias de que tenha conhecimento. O interesse substancial do Estado é a justiça. Processo anulado, a partir da decisão de primeira instância, inclusive. (2º CC Proc. 10945.000309/200182 Rec. 121225 (Ac. 20178154) 1 a C. Rel. Antônio Mário de Abreu Pinto DOU 29.08.2005 p. 74)” “PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL PRESSUPOSTOS BASILARES VERDADE MATERIAL. Sob o manto da verdade material, todo o erro ou equívoco deve ser reparado tanto quanto possível, de forma menos injusta tanto para o fisco quanto para o contribuinte. Erros e equívocos não tem o condão de se transformarem em fatos geradores de obrigação tributária. (Primeiro Conselho de Contribuintes, Quarta Câmara, Processo nº 10768.014567/9614, Acórdão n° 10417249, Relator Conselheiro Nelson Mallmann, julgamento em 10/11/99)” Para a solução desta questão caberia ao contribuinte juntar ao seu pedido a documentação contábil que deu suporte ao preenchimento das declarações, como de fato posteriormente apresentou em seu Recurso Vountário. Fl. 280DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2015 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 29/03/2015 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por JOSE DE OLI VEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10850.907397/200951 Resolução nº 1802000.639 S1TE02 Fl. 9 8 Especialmente nos processos iniciados pelo Contribuinte, como o aqui analisado, há toda uma dinâmica na apresentação de elementos de prova, uma vez que a Administração Tributária se manifesta sobre esses elementos quando profere os despachos e decisões com caráter terminativo, e não em decisões interlocutórias, de modo que não é incomum a carência de prova ser suprida nas instâncias seguintes. É por isso também que antes de proferir o despacho decisório, ainda na fase de auditoria fiscal, pode e deve a Delegacia de origem inquirir o Contribuinte, solicitar os meios de prova que entende necessários, diligenciar diretamente em seu estabelecimento (se for o caso), enfim, buscar todos os elementos fáticos considerados relevantes para que na seqüência, na fase litigiosa do procedimento administrativo (fase processual), as questões envolvam mais a aplicação das normas tributárias e não propriamente a prova de fatos. Tudo isso porque não há uma regra a respeito dos elementos de prova que devem instruir um pedido de restituição ou uma declaração de compensação. Pelas normas atuais, aplicáveis ao caso, nem mesmo há como anexar cópias de livros, de DARF, de Declarações, etc., porque os procedimentos são realizados por meio de declaração eletrônica PER/DCOMP. Na sistemática anterior, dos pedidos em papel, de acordo com o § 2º do art. 6º da IN SRF nº 21/1997, a instrução dos pedidos de restituição de imposto de renda de pessoa jurídica se dava apenas com a juntada da cópia da respectiva declaração de rendimentos, e a apresentação de livros e outros documentos poderia ocorrer no atendimento de intimações fiscais, se fosse o caso. Este contexto permite notar que a instrução prévia, ainda na fase de Auditoria Fiscal, evita uma seqüência de negativas por falta de apresentação de documentos em relação aos quais a Contribuinte, em alguns casos, nem mesmo foi intimada a apresentar, o que poderia implicar em cerceamento de defesa. Diante do exposto, voto no sentido de que os presentes autos sejam encaminhados à DRF de origem para: (i) examinar o conjunto probatório apresentado pela Recorrente (PER/Dcomp, DARF no valor de R$ 1.030.013,07 (um milhão, trinta mil, treze reais e sete centavos), Livro Razão sa CSLL de 2005, DCTF’s de dezembro de 2005 (original e retificadora), DIPJ de 2006 e LALUR), podendo solicitar novas provas, caso julgue necessário, para que possa informar o real saldo negativo e a existência de recolhimento a maior da estimativa de CSLL no anocalendário em questão; (ii) informar se o susposto valor a ser compensado, caso confirmado, ainda está disponível ou se já foi utilizado em outras compensações; (iii) cientificar a Recorrente do resultado da diligência para que, querendo, se manifeste no prazo de 30 (trinta) dias. Concluída a diligência fiscal, a DRF deverá lavrar relatório circunstanciado, pormenorizado e conclusivo dos resultados apurados. Fl. 281DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2015 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 29/03/2015 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por JOSE DE OLI VEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10850.907397/200951 Resolução nº 1802000.639 S1TE02 Fl. 10 9 (documento assinado digitalmente) Gustavo Junqueira Carneiro Leão Fl. 282DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2015 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 29/03/2015 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por JOSE DE OLI VEIRA FERRAZ CORREA
score : 1.0
Numero do processo: 14479.000228/2007-72
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 21 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Feb 23 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/03/2001 a 31/10/2006
LANÇAMENTO. EXISTÊNCIA DO FATO GERADOR. COMPROVAÇÃO. AUSÊNCIA. IMPROCEDÊNCIA.
Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível.
Caberia ao Fisco demonstrar a existência do fato gerador e demonstrá-lo com a devida certeza. Algo que não o fez, motivo da procedência do recurso.
O lançamento da obrigação instrumental (acessória) segue o mesmo encaminhamento da obrigação principal, já que aquela é oriunda exclusivamente de valores que não foram declarados em GFIP. Alinhamento do conteúdo do acórdão 2301-003.754 (julgado na sessão de 15/10/2013, processo 14479.000234/2007-20).
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2402-004.521
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário.
Julio Cesar Vieira Gomes - Presidente
Ronaldo de Lima Macedo - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Luciana de Souza Espíndola Reis, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo e Nereu Miguel Ribeiro Domingues. Ausente, o Conselheiro Thiago Taborda Simões.
Nome do relator: RONALDO DE LIMA MACEDO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201501
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/03/2001 a 31/10/2006 LANÇAMENTO. EXISTÊNCIA DO FATO GERADOR. COMPROVAÇÃO. AUSÊNCIA. IMPROCEDÊNCIA. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Caberia ao Fisco demonstrar a existência do fato gerador e demonstrá-lo com a devida certeza. Algo que não o fez, motivo da procedência do recurso. O lançamento da obrigação instrumental (acessória) segue o mesmo encaminhamento da obrigação principal, já que aquela é oriunda exclusivamente de valores que não foram declarados em GFIP. Alinhamento do conteúdo do acórdão 2301-003.754 (julgado na sessão de 15/10/2013, processo 14479.000234/2007-20). Recurso Voluntário Provido.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Feb 23 00:00:00 UTC 2015
numero_processo_s : 14479.000228/2007-72
anomes_publicacao_s : 201502
conteudo_id_s : 5430552
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Feb 23 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 2402-004.521
nome_arquivo_s : Decisao_14479000228200772.PDF
ano_publicacao_s : 2015
nome_relator_s : RONALDO DE LIMA MACEDO
nome_arquivo_pdf_s : 14479000228200772_5430552.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Julio Cesar Vieira Gomes - Presidente Ronaldo de Lima Macedo - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Luciana de Souza Espíndola Reis, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo e Nereu Miguel Ribeiro Domingues. Ausente, o Conselheiro Thiago Taborda Simões.
dt_sessao_tdt : Wed Jan 21 00:00:00 UTC 2015
id : 5826431
ano_sessao_s : 2015
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:36:44 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047702463315968
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1910; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T2 Fl. 2 1 1 S2C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 14479.000228/200772 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2402004.521 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 21 de janeiro de 2015 Matéria AUTO DE INFRAÇÃO: GFIP RELACIONADA AOS FATOS GERADORES Recorrente EMPRESA BRASILEIRA DE SEGURANÇA E VIGILÂNCIA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/03/2001 a 31/10/2006 LANÇAMENTO. EXISTÊNCIA DO FATO GERADOR. COMPROVAÇÃO. AUSÊNCIA. IMPROCEDÊNCIA. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Caberia ao Fisco demonstrar a existência do fato gerador e demonstrálo com a devida certeza. Algo que não o fez, motivo da procedência do recurso. O lançamento da obrigação instrumental (acessória) segue o mesmo encaminhamento da obrigação principal, já que aquela é oriunda exclusivamente de valores que não foram declarados em GFIP. Alinhamento do conteúdo do acórdão 2301003.754 (julgado na sessão de 15/10/2013, processo 14479.000234/200720). Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 47 9. 00 02 28 /2 00 7- 72 Fl. 453DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 11/02/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Julio Cesar Vieira Gomes Presidente Ronaldo de Lima Macedo Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Luciana de Souza Espíndola Reis, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo e Nereu Miguel Ribeiro Domingues. Ausente, o Conselheiro Thiago Taborda Simões. Fl. 454DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 11/02/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 14479.000228/200772 Acórdão n.º 2402004.521 S2C4T2 Fl. 3 3 Relatório Tratase de Auto de Infração lavrado com fundamento na inobservância da obrigação tributária acessória prevista no art. 32, inciso IV e § 5º, da Lei 8.212/1991, acrescentados pela Lei 9.528/1997, c/c o art. 225, inciso IV e § 4º, do Decreto 3.048/1999, que consiste em a empresa apresentar a Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP) com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, nas competências 03/2001 a 10/2006. Segundo o Relatório Fiscal da Infração (fls. 15/58), a empresa deixou de informar as retiradas pró labore dos sócios em todo o período e, em relação aos empregados, informou parte das remunerações. A auditoria fiscal informa que a empresa não entregou toda a documentação solicitada, assim, foram utilizados outros elementos julgados relevantes para conclusão quanto a mão de obra empregada. Para tanto, foram extraídos dados referentes à massa salarial da RAIS Relação Anual de Informações Sociais (período 03/2001 a 12/2004) e da GFIP (período 03/2001 a 12/2005), do Cadastro Nacional de Informações Sociais CNIS. A autuada teve ciência do lançamento em 20/08/2007 e apresentou defesa (fls. 333/346) onde alega que parte do período lançado estaria alcançado pela decadência. Argumenta que para efetuar o lançamento aferição indireta, a auditoria fiscal deveria ter agido com motivação legal, como determina a Constituição Federal, e com amparo em provas suficientes para a descaracterização da sua contabilidade. Por fim, requer que o julgamento deste AI Auto de Infração, seja realizado em conjunto com os Autos de infração nos 37.013.5369, 37.013.5377, 37.013.5385, 37.013.5393, e Notificação Fiscal de Lançamento de Débito no 37.013.5350, face a conexão existente entre eles. Pelo Acórdão nº 1722.121(fls. 358/366), a 10ª Turma da DRJ/São Paulo II considerou o lançamento procedente. Inconformada, a autuada apresentou recurso tempestivo (fls. 370/385), onde efetua a repetição das alegações de defesa. Os autos foram encaminhados a este Conselho para apreciação do recurso interposto. Pela Resolução nº 2402000.207, o julgamento foi convertido em diligência para que fosse informada a situação dos lançamentos correlatos. A Secretaria da Receita Federal do Brasil DERAT/SPO/DICAT/EQCOB encaminhou a Resolução ao contribuinte abrindo prazo para manifestação. Em resposta, o contribuinte informou que o processo relativo ao crédito da obrigação principal estaria representado pela NFLD 37.013.5350, processo 14479.000234/200720, cujo recurso ainda não teria sido julgado e estaria tramitando junto à 3ªCâmara da Segunda Seção do CARF. É o relatório. Fl. 455DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 11/02/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 Voto Conselheiro Ronaldo de Lima Macedo, Relator Recurso tempestivo. Presentes os pressupostos de admissibilidade, conheço do recurso interposto. O presente lançamento fiscal decorre do fato de que a Recorrente apresentou a Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP) com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. Essas contribuições correspondentes a tais fatos geradores foram objetos da Notificação de número: AIOP 37.013.5350 (processo 14479.000234/200720). Esta notificação já foi devidamente julgada no âmbito desta Corte Administrativa, por meio do Acórdão 2301003.754 (julgado na sessão de 15/10/2013), oportunidade em que foi dado provimento ao recurso, pois caberia ao Fisco demonstrar a existência do fato gerador e demonstrálo com a devida certeza, algo que não o fez, motivo da procedência do recurso. Nesse caminhar, o lançamento da obrigação instrumental segue o mesmo encaminhamento da obrigação principal, já que aquela é oriunda exclusivamente de valores que não foram declarados em GFIP. Isso decorre do fato de que um único momento contábil originou o lançamento da obrigação acessória e principal. Neste caso, o lançamento referente à obrigação acessória tornarse, por via reflexa, também insubsistente, tendo em vista que houve provimento do recurso voluntário da obrigação principal. Assim, tratandose de tributação reflexa, o julgamento do lançamento da obrigação principal faz coisa julgada no presente lançamento fiscal, ante a íntima relação de causa e efeito existente entre ambos. Cumpre esclarecer que as alegações expostas na peça recursal reproduzem os mesmos fundamentos esposados na defesa relativa ao lançamento da obrigação previdenciária principal, constituída nos autos do processo 14479.000234/200720. Após essas considerações, informo que as conclusões acerca dos argumentos da peça recursal foram devidamente enfrentadas, quando da análise do processo da obrigação principal. Assim, passarei a utilizar o conteúdo assentado na decisão do processo da obrigação principal para explicitar que os seus elementos fáticos e jurídicos serão parte integrante deste Voto. Isso está em conformidade ao art. 50, § 1o, da Lei 9.784/1999 – diploma que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal –, transcrito abaixo: Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: (...) § 1o. A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão integrante do ato. (g.n.) Fl. 456DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 11/02/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 14479.000228/200772 Acórdão n.º 2402004.521 S2C4T2 Fl. 4 5 O processo 14479.000234/200720 assentou em sua ementa os seguintes termos: “[...] AFERIÇÃO INDIRETA. PROVAS. AUSÊNCIA DE REQUISITOS. IMPROCEDÊNCIA. Se, no exame da escrituração contábil e de qualquer outro documento da empresa, a fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, serão apuradas, por aferição indireta, as contribuições efetivamente devidas. Entretanto o mecanismo de aferição indireta da base de cálculo do tributo configurase em exceção, que só deve ser utilizado nas estritas determinações da legislação. Segundo a lei regencial há de realizar a aferição indireta quando ocorrer recusa ou sonegação de documentos e informações, bem como sendo eles insuficientes, bem como se ocorrer no exame da escrituração contábil e de qualquer outro documento da empresa, a fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro. No presente caso, na análise do Relatório Fiscal e das provas constantes dos autos não se encontram qualquer fato narrado e tão pouco prova cabal de que haja uma definição de que a documentação apresentada i) não preencheu as formalidades legais ou ii) continha informação diversa da realidade ou iii) omitiu informação verdadeira. Há de destacar que o próprio agente autuador apresenta dúvida se os documentos eram suficientes ou não, bem como não demonstrou cabalmente que havia informação diversa da realidade e ou que houve omissão de informação da Recorrente. LANÇAMENTO, EXISTÊNCIA DO FATO GERADOR. COMPROVAÇÃO. AUSÊNCIA. IMPROCEDÊNCIA. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Caberia ao fisco demonstrar a existência do fato gerador e demonstrálo com a devida certeza. Algo que não fez, motivo da procedência do recurso. [...]” (processo 14479.000234/200720; Acórdão 2301003.754, de 15/10/2013). Fl. 457DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 11/02/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 CONCLUSÃO: Voto no sentido de CONHECER do recurso e DARLHE PROVIMENTO, alinhando o presente julgamento ao conteúdo do acórdão 2301003.754 (julgado na sessão de 15/10/2013, processo 14479.000234/200720), nos termos do voto. Ronaldo de Lima Macedo. Fl. 458DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 11/02/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
score : 1.0
Numero do processo: 14751.000272/2008-97
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 21 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Apr 01 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2005
RRA - APLICAÇÃO DE ALÍQUOTAS VIGENTES A ÉPOCA EM QUE OS VALORES DEVERIAM TER SIDO ADIMPLIDOS - NECESSIDADE - STF - RE 614.406/RS - ART. 62-A DO REGIMENTO INTERNO DO CARF - APLICAÇÃO.
O RE 614.406/RS, julgado sob o rito do art. 543-B do CPC, consolidou o entendimento de que a aplicação irrestrita do regime previsto na norma do art. 12 da Lei nº 7.713/88 implica em tratamento desigual aos contribuintes. Assim, ainda que seja aplicado o regime de caixa aos rendimentos recebidos acumuladamente pelas pessoas físicas, o dimensionamento da obrigação tributária deve observar o critério quantitativo (base de cálculo e alíquota) dos anos-calendários em que os valores deveriam ter sido recebidos, sob pena de violação aos princípios constitucionais da isonomia, da capacidade contributiva e da proporcionalidade. O art. 62-A do Regimento Interno do CARF torna compulsória a aplicação deste entendimento.
LANÇAMENTO AMPARADO NO ART. 12 DA LEI Nº 7.713/88 - NULIDADE ALTERAÇÃO DOS CRITÉRIOS JURÍDICOS - IMPOSSIBILIDADE.
O lançamento amparado na interpretação jurídica do art. 12 da Lei nº 7.713/88, fulminado pelo STF deve ser considerado nulo. Não compete ao CARF refazer o lançamento, substituindo a administração na eleição do fundamento jurídico, alíquota e base de cálculo aplicáveis. A necessidade de substituição desses elementos implica cabalmente na invalidade do lançamento.
Recurso voluntário provido.
Numero da decisão: 2202-002.956
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa e Antonio Lopo Martinez, que proviam parcialmente recurso para aplicar aos rendimentos recebidos acumuladamente as tabelas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido pagos.
(Assinado digitalmente)
Antonio Lopo Martinez - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Rafael Pandolfo - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Lopo Martinez (Presidente), Maria Anselma Coscrato Dos Santos (Suplente convocada), Jimir Doniak Junior (Suplente convocado), Marco Aurelio de Oliveira Barbosa, Dayse Fernandes Leite (Suplente convocada) e Rafael Pandolfo. Ausentes, justificadamente, os Conselheiro Pedro Anan Junior e Fabio Brun Goldsmidtch.
Nome do relator: Rafael Pandolfo
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201501
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2005 RRA - APLICAÇÃO DE ALÍQUOTAS VIGENTES A ÉPOCA EM QUE OS VALORES DEVERIAM TER SIDO ADIMPLIDOS - NECESSIDADE - STF - RE 614.406/RS - ART. 62-A DO REGIMENTO INTERNO DO CARF - APLICAÇÃO. O RE 614.406/RS, julgado sob o rito do art. 543-B do CPC, consolidou o entendimento de que a aplicação irrestrita do regime previsto na norma do art. 12 da Lei nº 7.713/88 implica em tratamento desigual aos contribuintes. Assim, ainda que seja aplicado o regime de caixa aos rendimentos recebidos acumuladamente pelas pessoas físicas, o dimensionamento da obrigação tributária deve observar o critério quantitativo (base de cálculo e alíquota) dos anos-calendários em que os valores deveriam ter sido recebidos, sob pena de violação aos princípios constitucionais da isonomia, da capacidade contributiva e da proporcionalidade. O art. 62-A do Regimento Interno do CARF torna compulsória a aplicação deste entendimento. LANÇAMENTO AMPARADO NO ART. 12 DA LEI Nº 7.713/88 - NULIDADE ALTERAÇÃO DOS CRITÉRIOS JURÍDICOS - IMPOSSIBILIDADE. O lançamento amparado na interpretação jurídica do art. 12 da Lei nº 7.713/88, fulminado pelo STF deve ser considerado nulo. Não compete ao CARF refazer o lançamento, substituindo a administração na eleição do fundamento jurídico, alíquota e base de cálculo aplicáveis. A necessidade de substituição desses elementos implica cabalmente na invalidade do lançamento. Recurso voluntário provido.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Apr 01 00:00:00 UTC 2015
numero_processo_s : 14751.000272/2008-97
anomes_publicacao_s : 201504
conteudo_id_s : 5450097
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Apr 01 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 2202-002.956
nome_arquivo_s : Decisao_14751000272200897.PDF
ano_publicacao_s : 2015
nome_relator_s : Rafael Pandolfo
nome_arquivo_pdf_s : 14751000272200897_5450097.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa e Antonio Lopo Martinez, que proviam parcialmente recurso para aplicar aos rendimentos recebidos acumuladamente as tabelas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido pagos. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez - Presidente. (Assinado digitalmente) Rafael Pandolfo - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Lopo Martinez (Presidente), Maria Anselma Coscrato Dos Santos (Suplente convocada), Jimir Doniak Junior (Suplente convocado), Marco Aurelio de Oliveira Barbosa, Dayse Fernandes Leite (Suplente convocada) e Rafael Pandolfo. Ausentes, justificadamente, os Conselheiro Pedro Anan Junior e Fabio Brun Goldsmidtch.
dt_sessao_tdt : Wed Jan 21 00:00:00 UTC 2015
id : 5884110
ano_sessao_s : 2015
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:39:14 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047702467510272
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2319; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T2 Fl. 91 1 90 S2C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 14751.000272/200897 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2202002.956 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 21 de janeiro de 2015 Matéria Rendimentos Recebidos Acumuladamente Recorrente JORGE LUIZ SIQUEIRA GOES Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2005 RRA APLICAÇÃO DE ALÍQUOTAS VIGENTES A ÉPOCA EM QUE OS VALORES DEVERIAM TER SIDO ADIMPLIDOS NECESSIDADE STF RE 614.406/RS ART. 62A DO REGIMENTO INTERNO DO CARF APLICAÇÃO. O RE 614.406/RS, julgado sob o rito do art. 543B do CPC, consolidou o entendimento de que a aplicação irrestrita do regime previsto na norma do art. 12 da Lei nº 7.713/88 implica em tratamento desigual aos contribuintes. Assim, ainda que seja aplicado o regime de caixa aos rendimentos recebidos acumuladamente pelas pessoas físicas, o dimensionamento da obrigação tributária deve observar o critério quantitativo (base de cálculo e alíquota) dos anoscalendários em que os valores deveriam ter sido recebidos, sob pena de violação aos princípios constitucionais da isonomia, da capacidade contributiva e da proporcionalidade. O art. 62A do Regimento Interno do CARF torna compulsória a aplicação deste entendimento. LANÇAMENTO AMPARADO NO ART. 12 DA LEI Nº 7.713/88 NULIDADE ALTERAÇÃO DOS CRITÉRIOS JURÍDICOS IMPOSSIBILIDADE. O lançamento amparado na interpretação jurídica do art. 12 da Lei nº 7.713/88, fulminado pelo STF deve ser considerado nulo. Não compete ao CARF refazer o lançamento, substituindo a administração na eleição do fundamento jurídico, alíquota e base de cálculo aplicáveis. A necessidade de substituição desses elementos implica cabalmente na invalidade do lançamento. Recurso voluntário provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 75 1. 00 02 72 /2 00 8- 97 Fl. 91DF CARF MF Impresso em 01/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por RAFAEL PANDOLFO 2 Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa e Antonio Lopo Martinez, que proviam parcialmente recurso para aplicar aos rendimentos recebidos acumuladamente as tabelas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido pagos. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez Presidente. (Assinado digitalmente) Rafael Pandolfo Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Lopo Martinez (Presidente), Maria Anselma Coscrato Dos Santos (Suplente convocada), Jimir Doniak Junior (Suplente convocado), Marco Aurelio de Oliveira Barbosa, Dayse Fernandes Leite (Suplente convocada) e Rafael Pandolfo. Ausentes, justificadamente, os Conselheiro Pedro Anan Junior e Fabio Brun Goldsmidtch. Fl. 92DF CARF MF Impresso em 01/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 14751.000272/200897 Acórdão n.º 2202002.956 S2C2T2 Fl. 92 3 Relatório 1 Procedimento Fiscal A autoridade administrativa iniciou procedimento de fiscalização do Imposto de Renda referente ao anocalendário 2005, por indícios de omissão de rendimentos provenientes de reclamatória trabalhista. Em intimação, datada de 05/03/08, foram solicitados os seguintes documentos: a) comprovantes de rendimentos tributáveis; b) comprovantes de contribuições à previdência pública/privada; c) comprovantes de despesas com instrução; d) sentença de separação judicial e comprovantes de pagamento de pensão alimentícia; e) comprovantes dos rendimentos decorrentes de processo na Justiça do Trabalho nº 0860320029060600LBA, declarados como de tributação exclusiva na fonte, descriminando as parcelas recebidas de acordo com a respectiva natureza dos rendimentos; f) recibo de pagamentos de advogados, referentes ao processo da Justiça do Trabalho, se houvesse. O recorrente atendeu à intimação em 11/03/08, apresentando os esclarecimentos e documentos requisitados. 2 Auto de Infração Com base nos documentos e informações obtidas, a autoridade administrativa lavrou Auto de Infração, imputando ao contribuinte as seguintes infrações: a) omissão de rendimentos de pessoa jurídica; b) dedução indevida com alimentos judiciais; c) dedução indevida com educação. O total do crédito tributário apurado foi de R$ 57.484,00, incluídos IRPF, multa de 75% e juros de mora. 3 Impugnação Indignado com a autuação, o recorrente apresentou impugnação (fls. 5355) tempestiva, aduzindo os seguintes argumentos: a) os valores foram recebidos pelo recorrente em decorrência de ação judicial em face da LBA – ADVOCACIA GERAL DA UNIÃO. Ao final do processo, recebeu valores referentes à correção de valores, FGTS, 13º salário e indenizações; Fl. 93DF CARF MF Impresso em 01/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por RAFAEL PANDOLFO 4 b) quando do recebimento das verbas, foi orientado a lançalos como “rendimentos sujeitos à tributação exclusiva na fonte”; c) a responsabilidade pela retenção seria da fonte pagadora; d) agora que possui a orientação correta, deve ser concedida a possibilidade de retificação de sua declaração. Junto à impugnação, o recorrente anexou: folha de cálculo do processo trabalhista, com discriminação de valores e DARF comprovando o recolhimento pela fonte pagadora de R$ 3.514,76. 4 Acórdão de Impugnação A 6ª Turma da DRJ/REC julgou improcedente a impugnação em 16/02/11. Foram alinhados os seguintes argumentos: a) o contribuinte não contestou a parte do lançamento relativa às glosas referentes às despesas com pagamento de pensão alimentícia e com cursos de idiomas, razão pela qual tais temas devem ser considerados como matéria não impugnados, nos termos do art. 17 do Decreto nº 70.235/72; b) impossibilidade de denúncia espontânea após o início do procedimento fiscal; c) a fonte pagadora deixa de ser responsável pelo pagamento do imposto, caso deixe de retêlo, recaindo sobre o contribuinte o dever de recolhelo. 5 Recurso Voluntário O recorrente interpôs tempestivamente recurso voluntário, repisando os argumentos de sua impugnação, e acrescentando que os valores que serviam de base de cálculo para o lançamento do imposto não constituem acréscimo patrimonial, uma vez que são verbas indenizatórias, que meramente recompõem o patrimônio prejudicado. 6 Resolução Em 18/04/12, esta Turma, na Resolução nº 220200.203 (fls. 8690 do e processo) determinou o sobrestamento do feito, com base no § 1º do art. 62A da Portaria MF nº 256, tendo em vista que o recurso tratavase da tributação de rendimento recebidos acumuladamente, matéria que se encontrava sob julgamento no STF, em sede de Recurso Extraordinário que tramita em regime de repercussão geral. Fl. 94DF CARF MF Impresso em 01/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 14751.000272/200897 Acórdão n.º 2202002.956 S2C2T2 Fl. 93 5 Voto Conselheiro Rafael Pandolfo Conselheiro Rafael Pandolfo 1. Aplicação do art. 62A do Regimento Interno do CARF 1.1 Esclarecimentos iniciais O presente processo teve seu julgamento sobrestado devido ao disposto no § 1º do art. 62A do Regimento Interno deste Conselho: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. Isso porque a constitucionalidade da utilização do art. 12 da Lei nº 7.713/88 para a cobrança do IRPF incidente sobre rendimentos recebidos de forma acumulada – através da aplicação da alíquota vigente no momento do pagamentosobre o total recebido – teve sua repercussão geral admitida pelo STF no âmbito do RE nº 614.406/RS. O Recurso Extraordinário acima referido teve seu julgamento encerrado em 09/12/14, através de decisão que negou provimento ao Recurso da União, chancelando o acórdão proferido pelo TRF da 4ª Região (TRF4, Corte Especial, ARGINC 2002.72.05.0004340, Relator Desembargador Federal Álvaro Eduardo Junqueira), que através da técnica da inconstitucionalidade sem redução de texto, entendeu que o critério correto ao dimensionamento da obrigação tributária em questão deve observar a capacidade contributiva (base de cálculo) de cada exercício, bem como as respectivas alíquotas. O Regimento Interno desse Conselho, em seu artigo 62, acima transcrito (caput), torna compulsória a aplicação do entendimento sufragado pelo STF. Diante do exposto, o recurso voluntário há de ser analisado a partir dos critérios fixados pela Corte Constitucional, de onde exsurge a importância do esclarecimento da sua ratiodecidendi. Fl. 95DF CARF MF Impresso em 01/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por RAFAEL PANDOLFO 6 1.2A decisão proferida pelo STF no RE nº 614.406/RS A decisão proferida pelo Supremo, que manteve a declaração de inconstitucionalidade, sem redução de texto do art. 12 da Lei nº 7.713/88, reconhecida pelo TRF da 4ª Região, foi assentada no fundamento de qua ainda que seja aplicado o regime de caixa aos rendimentos recebidos acumuladamente pelas pessoas físicas (nascimento da obrigação tributária), é necessário, sob pena de violação aos princípios constitucionais da isonomia, da capacidade contributiva e da proporcionalidade, que o dimensionamento da obrigação tributária observe o critério quantitativo (base de cálculo e alíquota) dos anos calendários em que os valores deveriam ter sido recebidos, e não o foram. O julgamento recebeu a seguinte ementa: IMPOSTO DE RENDA – PERCEPÇÃO CUMULATIVA DE VALORES – ALÍQUOTA. A percepção cumulativa de valores há de ser considerada, para efeito de fixação de alíquotas, presentes, individualmente, os exercícios envolvidos. (RE 614406, Relator(a): Min. ROSA WEBER, Relator(a) p/ Acórdão: Min. MARCO AURÉLIO, Tribunal Pleno, julgado em 23/10/2014, ACÓRDÃO ELETRÔNICO REPERCUSSÃO GERAL MÉRITO DJe233 DIVULG 26112014 PUBLIC 27 112014) A supracitada decisão1, nos termos do voto da Ministra Carmen Lúcia, consolidou o entendimento de que a aplicação irrestrita do regime previsto na norma do art. 12 da Lei nº 7.713/88 implica em tratamento desigual aos contribuintes. Segundo a decisão, não é juridicamente crível que os contribuintes que receberam a renda em atraso paguem um montante maior de IR – uma vez que calculado sobre o total acumulado , enquanto os contribuintes que receberam as verbas devidas em dias sejam isentos ou suportem carga inferior de imposto. Ressaltou ainda a Ministra que a aplicação dada pela Fiscalização ao art. 12 da Lei nº 7.713/88 viola os princípios da capacidade contributiva, pois a incidência do imposto de renda deve considerar as alíquotas vigentes na data em que verba decorrente dos rendimentos recebidos acumuladamente deveria ter sido paga. Abaixo, transcrevo trechos do voto da Ministra Carmen Lúcia: 19. No presente caso, a retenção do imposto de renda pelo regime de caixa afronta o princípio constitucional da isonomia, pois outros segurados/contribuintes com o mesmo direito receberia tratamento díspares. Como destacado pelos Ministros Marco Aurélio e Dias Toffoli, não se pode imputar ao Recorrido a responsabilidade pelo atraso no pagamento de proventos, sob pena de premiar e incentivar o Fisco no retardamento injustificado no cumprimento de suas obrigações legais. Ademais, a efetivação do direito do contribuinte/segurado, pela via judiciária, conform ocorrido, passa também pelo 1 O posicionamento exarado pelo Supremo chancela a jurisprudência do STJ, consubstanciada no julgamento do Recurso Especial nº 1.118.429/SP (Rel. Ministro Herman Benjamin, Primeira Seção, julgado em 24/03/10), o qual reconheceu, em sede de recurso repetitivo, que o IRPF incidente sobre os benefícios pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos. Fl. 96DF CARF MF Impresso em 01/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 14751.000272/200897 Acórdão n.º 2202002.956 S2C2T2 Fl. 94 7 restabelecimento das situação jurídica quo ante, o que pressupõe a aplicação das corretas alíquotas. À luz dos princípios da isonomia e da capacidade contributiva, significa dizer que a incidência do imposto de renda deve considerar as datas e as alíquotas vigentes na data em que essa verba deveria ter sido paga (disponibilidade jurídica, como advertido pelo Ministro Marco Aurélio), observada a renda auferida no mês pelo segurado. Disso resulta não ser razoável, tampouco proporcional, a incidência da alíquota máxima sobre o valor global pago fora do prazo, como se dá na espécie examida. (Voto Vista Ministra Carmen Lúcia, p. 22. RE 614406, Relator(a): Min. ROSA WEBER, Relator(a) p/ Acórdão: Min. MARCO AURÉLIO, Tribunal Pleno, julgado em 23/10/2014, ACÓRDÃO ELETRÔNICO REPERCUSSÃO GERAL MÉRITO DJe233 DIVULG 26112014 PUBLIC 27 112014) A decisão proferida pelo STF confirmou a decisão que utilizou como técnica a inconstitucionalidade sem redução de texto. Atuando no campo semântico da norma, a ferramenta exclui do seu raio deôntico determinado significado. Sendo assim, é inválido (inconstitucional) todo e qualquer ato administrativo que tiver por fundamento a interpretação do art. 12 da Lei n° 7.713/88 infirmada pelo STF. Segundo a Corte, a validade do crédito tributário prescinde da aplicação da base de cálculo e alíquotas vigentes à época em que foram sonegados ao contribuinte os rendimentos posteriormente por si recebidos – de forma acumulada. 2. Efeitos da decisão do STF sobre o crédito tributário O crédito tributário debatido no presente recurso foi apurado através da aplicação das alíquotas vigentes no anocalendário do pagamento acumulado dos rendimentos sonegados ao contribuinte, em virtude de decisão judicial trabalhista. Esse pagamento se deu em 2005 e dizia respeito a diferenças salariais que deixaram de ser pagas ao contribuinte ao longo de 1989 a 1994, discutidas em processo trabalhista julgado pelo Tribunal Regional do Trabalho da 6ª Região. A alíquota aplicada ao presente caso (27,5%), teve como fundamento legal o art. 1ºda Lei nº 11.119/05 e incidiu sobre uma base de cálculo acumulada de R$ 111.243,63 (fls. 02 a 14 do eprocesso). Ocorre que o lançamento foi amparado na intepretação jurídica do art. 12 da Lei nº 7.713/88 que foi fulminada pelo STF. Como consequência utilizou bases de cálculo, alíquotas e fundamentos legais distintos daqueles que deveria ter utilizado, de acordo com o Supremo. O lançamento, portanto, é nulo,como entendeu essa turma em recente julgamento relatado pela Ilustre conselheira Dayse Fernandes Leite: RENDIMENTO RECEBIDOS ACUMULADAMENTE EM DECORRÊNCIA DE DECISÃO JUDICIAL. EQUÍVOCO NA APLICAÇÃO DA LEI QUE AFETOU SUBSTANCIALMENTE O LANÇAMENTO. INCOMPETÊNCIA DO JULGADOR PARA REFAZER O LANÇAMENTO. CANCELAMENTO DA EXIGÊNCIA. Fl. 97DF CARF MF Impresso em 01/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por RAFAEL PANDOLFO 8 Ao adotar outra interpretação do dispositivo legal, o lançamento empregou critério jurídico equivocado, o que o afetou substancialmente, pois prejudicou a quantificação da base de cálculo, a identificação das alíquotas aplicáveis e o valor do tributo devido, caracterizandose um vício material a invalidálo. Não compete ao órgão de julgamento refazer o lançamento com outros critérios jurídicos, as tão somente afastar a exigência indevida. (CARF. 2ª Seção de Julgamento, 2ª Câmara, 2 ª Turma Ordinária. Ac: 2202002.725. Rel. Conselheira Dayse Fernandes Leite. Julg.: 12/08/14). Grifo nosso. A nulidade é insanável e não caberia ao CARF refazer o lançamento, substituindo a administração na eleição do fundamento jurídico, alíquota e base de cálculo aplicáveis. A necessidade de substituição desses elementosimplica cabalmente na invalidade do lançamento, uma vez que, a teor do art. 2º, parágrafo único, VII e art. 50, ambos da Lei nº 9.784/99, e do art. 10, IV, do Decreto nº 70.235/73, é imprescindível a indicação dos fundamentos de fato e de direito que dão fundamento ao lançamento. Em suma, a modificação do lançamento não pode ser efetuada em sede de julgamento de recurso voluntário, pois o recalculo da obrigação tributária com base em novas alíquotas, implica alteração do critério jurídico que serviu de fundamento ao lançamento, conforme entendimento já adotado por essa Turma: Assunto: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA – IRPF Anocalendário: 2004 MUDANÇA DE MOTIVOS DETERMINANTES. NULIDADE DO ACÓRDÃO DE IMPUGNAÇÃO. A motivação constitui o fundamento do lançamento tributário, ato administrativo vinculado. A adoção, pela decisão recorrida, de fundamento distinto do utilizado pelo auto de infração (infirmado pelo contribuinte), visando à manutenção da relação tributária, revelase inconciliável com o estado democrático de direito. Recurso voluntário provido (CARF. 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da Segunda Sessão. Acórdão nº 220201.548. Rel. Rafael Pandolfo. Julg. em 18/01/12.) No âmbito infralegal, a competência para realização do lançamento é estipulada pelos arts. 241 e 243 do Regimento Interno da Receita Federal do Brasil Portaria MF nº 203, de 14 de maio de 2012. Art. 241. Às Divisões de Orientação e Análise Tributária Diort, aos Serviços de Orientação e Análise Tributária Seort e às Seções de Orientação e Análise Tributária Saort competem as atividades de orientação e análise tributária, e em especial: V realizar diligências e proceder ao lançamento do crédito tributário, no âmbito de suas competências; Fl. 98DF CARF MF Impresso em 01/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 14751.000272/200897 Acórdão n.º 2202002.956 S2C2T2 Fl. 95 9 Art. 243. Às Divisões de Controle e Acompanhamento Tributário Dicat, aos Serviços de Controle e Acompanhamento Tributário Secat e às Seções de Controle e Acompanhamento Tributário Sacat competem as atividades de controle e acompanhamento tributário e, em especial: IX realizar diligências e proceder o lançamento do crédito tributário, no âmbito de suas competências.(grifo nosso) Em outras palavras, cabe às autoridades eleitas pelos supracitados dispositivos a verificação do fato gerador e a quantificação da obrigação tributária que será atribuída ao contribuinte, com base nos critérios jurídicos indicados no lançamento (CTN, art. 142). A contrario sensu, o CARF não é competente para refazer o lançamento quando alterados os critérios jurídicos utilizados pela autoridade lançadora, porquanto não há lei que assim estipule. A função deste Conselho é definida pelo art. 1º do seu Regimento Interno Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009: Art. 1º O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), órgão colegiado, paritário, integrante da estrutura do Ministério da Fazenda, tem por finalidade julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de primeira instância, bem como os recursos de natureza especial, que versem sobrea aplicação da legislação referente a tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. Esse entendimento está cristalizado na jurisprudência desta Turma: Assunto: Imposto de Renda Pessoa Física –IRPF Ano calendário: 2002. ERRO ESCUSÁVEL. EXCLUSÃO DA MULTA DE OFÍCIO. Depreendese dos autos que omissão de valores na Declaração de Ajuste Anual da recorrente é fruto de falta de informações prestadas pela Fonte Pagadora, em evidente descumprimento ao disposto no art. 941 do Decreto 3.000/99. INCOMPETÊNCIA DA DRJ PARA LANÇAR MULTA. A DRJ não possui competência para modificar o fundamento do lançamento, pois seu papel é corrigir o lançamento, não refazê lo a partir de esteio inaugural. (CARF. 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da Segunda Sessão. Acórdão nº 2202002.289. Rel. Rafael Pandolfo. Julg. em 17/04/13) Ante o exposto, voto por DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário no tocante à autuação por omissão de rendimentos de pessoa jurídica. Fl. 99DF CARF MF Impresso em 01/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por RAFAEL PANDOLFO 10 (Assinado digitalmente) Rafael Pandolfo Relator Fl. 100DF CARF MF Impresso em 01/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por RAFAEL PANDOLFO
score : 1.0
Numero do processo: 10970.720292/2012-29
Turma: Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 22 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Apr 02 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2008
DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. FUNDAMENTAÇÃO. NULIDADE AFASTADA.
Estando devidamente fundamentada a decisão recorrida com base nos argumentos que a Turma julgadora entendeu suficientes, não há se falar em nulidade, mormente quando não demonstrado o prejuízo ao regular exercício da defesa.
PEDIDO DE PERÍCIA. DILIGÊNCIA. LIVRE CONVENCIMENTO MOTIVADO.
Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar a realização de diligências e perícias apenas quando entenda necessárias ao deslinde da controvérsia.
Numero da decisão: 1103-001.128
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos,
Acordam os membros do Colegiado rejeitar as preliminares, por unanimidade, não conhecer das razões de recurso relativas aos lançamentos de IRPJ e CSLL, por unanimidade, e, no mérito, dar provimento parcial para determinar a exclusão das multas isoladas, por maioria, vencidos os Conselheiros Eduardo Martins Neiva Monteiro (Relator) e André Mendes de Moura. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Fábio Nieves Barreira.
(assinado digitalmente)
Aloysio José Percínio da Silva Presidente
(assinado digitalmente)
Eduardo Martins Neiva Monteiro Relator
(assinado digitalmente)
Fábio Nieves Barreira Redator Designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Eduardo Martins Neiva Monteiro, Fábio Nieves Barreira, André Mendes de Moura, Breno Ferreira Martins Vasconcelos, Cristiane Silva Costa e Aloysio José Percínio da Silva.
Nome do relator: EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201410
camara_s : Primeira Câmara
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2008 DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. FUNDAMENTAÇÃO. NULIDADE AFASTADA. Estando devidamente fundamentada a decisão recorrida com base nos argumentos que a Turma julgadora entendeu suficientes, não há se falar em nulidade, mormente quando não demonstrado o prejuízo ao regular exercício da defesa. PEDIDO DE PERÍCIA. DILIGÊNCIA. LIVRE CONVENCIMENTO MOTIVADO. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar a realização de diligências e perícias apenas quando entenda necessárias ao deslinde da controvérsia.
turma_s : Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Apr 02 00:00:00 UTC 2015
numero_processo_s : 10970.720292/2012-29
anomes_publicacao_s : 201504
conteudo_id_s : 5450475
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Apr 02 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 1103-001.128
nome_arquivo_s : Decisao_10970720292201229.PDF
ano_publicacao_s : 2015
nome_relator_s : EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO
nome_arquivo_pdf_s : 10970720292201229_5450475.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, Acordam os membros do Colegiado rejeitar as preliminares, por unanimidade, não conhecer das razões de recurso relativas aos lançamentos de IRPJ e CSLL, por unanimidade, e, no mérito, dar provimento parcial para determinar a exclusão das multas isoladas, por maioria, vencidos os Conselheiros Eduardo Martins Neiva Monteiro (Relator) e André Mendes de Moura. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Fábio Nieves Barreira. (assinado digitalmente) Aloysio José Percínio da Silva Presidente (assinado digitalmente) Eduardo Martins Neiva Monteiro Relator (assinado digitalmente) Fábio Nieves Barreira Redator Designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros Eduardo Martins Neiva Monteiro, Fábio Nieves Barreira, André Mendes de Moura, Breno Ferreira Martins Vasconcelos, Cristiane Silva Costa e Aloysio José Percínio da Silva.
dt_sessao_tdt : Wed Oct 22 00:00:00 UTC 2014
id : 5886821
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:39:19 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047702472753152
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 17; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2170; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C1T3 Fl. 4.535 1 4.534 S1C1T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10970.720292/201229 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1103001.128 – 1ª Câmara / 3ª Turma Ordinária Sessão de 22 de outubro de 2014 Matéria Autos de infração IRPJ e CSLL glosa de custos/despesas Recorrente UNILOG UNIVERSO LOGÍSTICA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008 RECURSO VOLUNTÁRIO. DESISTÊNCIA PARCIAL. PARCELAMENTO. Quanto ao créditos tributário de IRPJ e CSLL, e consectários legais, a expressa desistência, motivada por adesão a parcelamento, implica o não conhecimento das alegações de defesa veiculadas no recurso voluntário. FALTA OU INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTOS DE ESTIMATIVAS MENSAIS. MULTA ISOLADA. É ilegal a cumulação de multa isolada (art. 44, II, “b”, Lei nº 9.430/96), com a multa de ofício (art. 44, I, Lei nº 9.430/96), sobre a mesma base tributável. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2008 DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. FUNDAMENTAÇÃO. NULIDADE AFASTADA. Estando devidamente fundamentada a decisão recorrida com base nos argumentos que a Turma julgadora entendeu suficientes, não há se falar em nulidade, mormente quando não demonstrado o prejuízo ao regular exercício da defesa. PEDIDO DE PERÍCIA. DILIGÊNCIA. LIVRE CONVENCIMENTO MOTIVADO. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar a realização de diligências e perícias apenas quando entenda necessárias ao deslinde da controvérsia. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 97 0. 72 02 92 /2 01 2- 29 Fl. 4535DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por FABIO NIEVES BARREIRA, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10970.720292/201229 Acórdão n.º 1103001.128 S1C1T3 Fl. 4.536 2 Acordam os membros do Colegiado rejeitar as preliminares, por unanimidade, não conhecer das razões de recurso relativas aos lançamentos de IRPJ e CSLL, por unanimidade, e, no mérito, dar provimento parcial para determinar a exclusão das multas isoladas, por maioria, vencidos os Conselheiros Eduardo Martins Neiva Monteiro (Relator) e André Mendes de Moura. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Fábio Nieves Barreira. (assinado digitalmente) Aloysio José Percínio da Silva – Presidente (assinado digitalmente) Eduardo Martins Neiva Monteiro – Relator (assinado digitalmente) Fábio Nieves Barreira – Redator Designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros Eduardo Martins Neiva Monteiro, Fábio Nieves Barreira, André Mendes de Moura, Breno Ferreira Martins Vasconcelos, Cristiane Silva Costa e Aloysio José Percínio da Silva. Fl. 4536DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por FABIO NIEVES BARREIRA, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10970.720292/201229 Acórdão n.º 1103001.128 S1C1T3 Fl. 4.537 3 Relatório Tratase de autos de infração de IRPJ, CSLL e Multa Isolada por falta/insuficiência de recolhimentos de estimativas, relativos ao anocalendário 2008, com incidência de multa de ofício (75% e 150%) e juros de mora (fls.986/1.007) 1. A ciência do sujeito passivo ocorreu em 4/12/12 (fl.1.012). As infrações foram assim descritas: 0001 RECEITAS ESCRITURADAS E NÃO DECLARADAS. RECEITAS OPERACIONAIS ESCRITURADAS E NÃO DECLARADAS. Receitas operacionais escrituradas e não declaradas, apuradas conforme detalhado em Termo de Verificação Fiscal em anexo, peça integrante do presente Auto de Infração. 0002 CUSTOS, DESPESAS OPERACIONAIS E ENCARGOS. COMPROVAÇÃO INIDÔNEA DE DESPESAS. Contabilização de despesas com base em documentos inidôneos, conforme detalhado em Termo de Verificação Fiscal em anexo, peça integrante do presente Auto de Infração. 0003 CUSTO DOS BENS VENDIDOS E/OU SERVIÇOS PRESTADOS. CUSTOS NÃO COMPROVADOS. Custos com carga/descarga e subcontratação de serviço de cargas não comprovados, conforme detalhado em Termo de Verificação Fiscal em anexo, peça integrante do presente Auto de Infração. 0004 MULTA OU JUROS ISOLADOS. FALTA DE RECOLHIMENTO DO IRPJ SOBRE BASE DE CÁLCULO ESTIMADA. Falta de pagamento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica incidente sobre a base de cálculo estimada em função da receita bruta e acréscimos, conforme detalhado em Termo de Verificação Fiscal em anexo, peça integrante do presente Auto de Infração. No Termo de Verificação Fiscal (fls.978/985), consignouse, em síntese: o contribuinte dedicase à atividade de “transporte rodoviário de cargas secas e líquidas em geral, armazenamento e distribuição refrigerada, conforme depreendese do Contrato Social e alterações”; os registros contábeis atestam que 98,3% do custos referemse à prestação de serviços de transporte rodoviário de cargas a pessoas jurídicas (87,8%) e físicas (10,5%); durante a auditoria, pessoas contratadas pela autuada (Transportadora Cabral & Cabral Ltda, Lógica – Logística e Transportes Ltda e Transportes Queiroz e Rocha Ltda) prestaram informações; 1 A indicação das páginas neste acórdão referese à numeração estabelecida automaticamente pelo sistema e processo. Fl. 4537DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por FABIO NIEVES BARREIRA, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10970.720292/201229 Acórdão n.º 1103001.128 S1C1T3 Fl. 4.538 4 “Os lançamentos contábeis a título de custos, para os quais não foram localizados os documentos comprobatórios, encontramse escriturados nas contas contábeis 4301120000 – Serv. Terceiros – PF, 4301490000 – Despesas Carga/Descarga (cópia do livro Razão Analítico juntada aos autos). Já o lançamento contábil a título de despesas, para o qual não foram localizados os documentos comprobatórios, encontrase escriturado na conta contábil 5107010400 – Juros s/ Empréstimo (cópia do livro Razão Analítico juntada aos autos)”; “Adicionalmente, foi detectada divergência entre as receitas escrituradas e declaradas, e omissão de recolhimento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica – IRPJ e Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido – CSLL por estimativa.”; A qualificação da multa de ofício, foi assim fundamentada, verbis: “Em face dos lançamentos de ofício do IRPJ e da CSLL decorrentes das glosas de custos e despesas acima caracterizadas, cumpre o exame da multa de ofício aplicável ao caso em questão. A redação do art.44, inciso II, da Lei nº 9.430/96, com alterações da Lei nº 11.488/2007 assim dispõe: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) ..... § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) A redação vigente do dispositivo legal aplicável impõe a cominação da multa do percentual de 150% nos casos previstos nos artigos 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/64. Diante da presente situação concreta, devese dedicar especial atenção ao que prevê o art.72 do diploma legal: Art . 72. Fraude é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do impôsto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. A situação já caracterizada indiscutivelmente se subsume à hipótese prevista na norma acima, tendo em vista que apropriação indevida de custos e despesas não comprovados, conforme constatado na auditoria e detalhado no presente Fl. 4538DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por FABIO NIEVES BARREIRA, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10970.720292/201229 Acórdão n.º 1103001.128 S1C1T3 Fl. 4.539 5 Termo de Verificação Fiscal, tem o evidente intuito de reduzir a base tributável do IRPJ e da CSLL. Pelo exposto, haja vista os elementos narrados, fica patente a caracterização do intuito fraudulento, justificando plenamente a aplicação da multa qualificada.” A Segunda Turma da DRJ – Juiz de Fora (MG) considerou procedentes em parte os lançamentos, tendo na oportunidade reduzido a multa de ofício ao percentual de 75% (setenta e cinco por cento), conforme acórdão de fls.4.393/4.407, que recebeu a seguinte ementa: LANÇAMENTO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Cumpridos os requisitos previstos no Decreto nº 70.235/1972 para a lavratura do auto de infração e observados os procedimentos previstos no artigo 142 do Código Tributário Nacional, não há que se falar em nulidade. CUSTOS E DESPESAS. NÃO COMPROVAÇÃO. Não comprovada documentalmente a respectiva escrituração, há que se manter a glosa operada. MULTA QUALIFICADA. Não materializado, ainda que em tese, o evidente intuito de fraude, não há que se manter a aplicação da multa de 150% sobre a totalidade ou diferença de imposto ou de contribuição. MULTA ISOLADA. FALTA DE RECOLHIMENTO DE IRPJ E DE CSLL SOBRE A BASE DE CÁLCULO ESTIMADA. É legítima a exigência de multa isolada, no caso de pessoa jurídica sujeita ao pagamento do imposto de renda determinado sob base de cálculo estimada, que deixar de fazêlo, ainda que apurado prejuízo no anocalendário correspondente, se frustrados seus pagamentos mensais. LANÇAMENTO REFLEXO. CSLL Dado que esse lançamento decorreu dos mesmos elementos prova do de IRPJ, impõese o mesmo veredicto firmado no lançamento principal. Devidamente cientificado em 8/3/13 (fl.4.408), o contribuinte apresentou tempestivamente recurso voluntário em 9/4/13 (fls.4.413/4.467), em que sustenta: Preliminar de nulidade do acórdão recorrido o acórdão recorrido seria nulo por estar desprovido de motivação/fundamentação, pois a DRJ deixara de analisar a prova relacionada à comprovação dos custos, tendo se limitado a fazer meras transcrições do Termo de Verificação Fiscal; o direito à ampla defesa teria sido cerceado em razão do não acatamento do pedido expresso de prova pericial e diligência fiscal; Mérito Despesas com juros quanto às despesas com juros oriundos de empréstimos, “...a ausência da assinatura do agente financiador, ou mesmo a falta de reconhecimento de firma (como sugeriu a DRJ/JFA) não são requisitos para legitimação do negócio jurídico”, vez que o contrato apresentaria todas Fl. 4539DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por FABIO NIEVES BARREIRA, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10970.720292/201229 Acórdão n.º 1103001.128 S1C1T3 Fl. 4.540 6 as características próprias de um contrato de financiamento, não podendo a legislação tributária alterar o conteúdo dos institutos jurídicos; o art.107 do Código Civil estipularia, como regra geral contratual, a liberdade das formas; “...conforme cediço, com a era digital, a maioria dos contratos bancários são celebrados digitalmente, prescindindo de firma por escrito”; o art.221 do Código Civil estaria em perfeita sintonia com a tese da defesa, “...ao prever que o instrumento particular quando assinado por quem estiver na livre disposição de seus bens (e é este o caso, já que o contrato de empréstimo foi assinado pelo representante legal da Recorrente), faz prova das obrigações convencionais de qualquer valor”; a DRJ não poderia ter inovado na fundamentação, quando a fiscalização entendera que o contrato, por si só, bastaria para a comprovação das despesas com juros; “...a comprovação dos juros sobre o empréstimo contratado foi realizada não só pelo contrato de empréstimo, como também pelos comprovantes de pagamentos das parcelas de empréstimo (por amostragem), bem como por nota fiscal de aquisição dos veículos objeto do financiamento também por amostragem”; seria irrelevante a questão aventada pela fiscalização, relativa à observância ou não do regime de competência para o reconhecimento das despesas; Despesas com subcontratação de serviços de carga/descarga a prova produzida em sede de impugnação, ao contrário do que se afirmou no acórdão recorrido, não teria sido apreciada pela fiscalização; os custos seriam relativos a serviços subcontratados, imprescindíveis à prestação de serviço do contribuinte; “...predomina neste setor de transportes, notadamente no que tange às contratações dos serviços de carga e descarga, certa informalidade, uma vez que a maioria dos prestadores de tais serviços são pessoas físicas, os conhecidos ‘chapas’, os quais em razão da própria categoria, do valor do serviço prestado, não emitem nota fiscal”; teria conseguido comprovar através de recibos (Doc.8 da impugnação) todas as despesas lançadas na conta contábil; a sistemática de contratações/subcontratações e de contabilidade seria a seguinte: (a) celebraria contrato de subcontratação de serviço de transporte com valor determinado e antecipação de certa quantia; (b) a subcontratada contrataria o serviço de carga/descarga, fazendo a comprovação dos gastos relativos a tais despesas por meio de recibos; e (c) em razão do volume de recibos, a escrituração darseia no último dia do mês, pela soma de todos os valores pagos; Despesas com subcontratação de serviços de terceiros – pessoa física quanto à despesa de R$1.544.973,67, ocorrera “...mero equívoco por parte da Recorrente quando do lançamento contábil dessa despesa na conta contábil nº 430112000 relativa a serviços de terceiros prestados por pessoa física, posto tratarse de serviço inegavelmente (o que inclusive salta aos olhos!) prestado por pessoa jurídica, e que, portanto, deveria ser contabilizado na conta nº 4301100000 relativa a serviços prestados por pessoa jurídica”. A despesa não fora contabilizada em duplicidade na conta de serviços tomados de pessoa jurídica; Fl. 4540DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por FABIO NIEVES BARREIRA, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10970.720292/201229 Acórdão n.º 1103001.128 S1C1T3 Fl. 4.541 7 acerca dos serviços prestados por Queiroz e Rocha Ltda, “...Não há prova mais robusta e apta a comprovar tais despesas com este tipo de contratação do que os conhecimentos de transporte emitidos pelo fornecedor em face da Recorrente anexados à peça impugnatória. Logo, se os registros contábeis evidenciam pagamentos que, durante todo o ano, somam R$18.108.274,09. Então, caso se entenda, absurdamente, que os registros contábeis dos valores dos pagamentos para o fornecedor em questão não se prestam a comprovar a despesa incorrida, mas sim, o documento fiscal respectivo, que neste caso, indiscutivelmente, são os conhecimentos de transportes, ainda assim, estarseá diante de uma diferença de R$ 450.282,70 e não de R$1.544.973,67, como consta da peça fiscal”; deverseia prestigiar a verdade real, para se confirmar os montantes repassados, relativos a subcontratações de serviços de transporte; a autoridade autuante e a DRJ não conseguiram justificar a glosa de R$383.924,05, sendo que “...Consoante se pode observar dos documentos acostados aos autos (vide Doc. 12 da Impugnação Administrativa) comprovouse cabalmente as despesas no montante total de R$616.549,04, referentes ao mês de dezembro/2008 lançadas no último dia desse mês”; “...Quanto a afirmação do r.Fiscal de que o valor de R$232.624,99 não foi previamente contabilizado, sugerindo assim uma duplicação de despesa que foi glosada, a mesma não deve prosperar, levando em consideração que: (i) primeiro, não se consegue depreender do relatório fiscal o porquê ele entende que tal valor não foi previamente contabilizado, o que aniquila o direito a ampla defesa e contraditório, tornando nulo o lançamento, não devendo, portanto, ser mantida tal glosa no valor de R$ 383.924,05; (ii) segundo, porque, houve, mediante apresentação de documentos, a comprovação, de forma irrefutável, das despesas com frete no montante total de R$ 616.549,04, relativas ao mês de dezembro de 2012, tendo sido todas em conjunto contabilizadas no último dia do mês do exercício fiscalizado”; apesar de o relato sugerir que o montante de R$179.578,60 já teria sido apropriado em períodos anteriores, deixara de detalhar em quais datas os custos teriam sido contabilizados; conforme art.112 do Código Tributário Nacional (CTN), “...havendo dúvida na caracterização da infração, deve o aplicador do direito interpretála favoravelmente ao contribuinte”; a documentação comprobatória teria sido desconsiderada, em clara violação aos artigos 142 e 149 do CTN; Multa por falta/insuficiência de recolhimentos de estimativas a exigência da multa isolada revelaria excesso de exação e falta de razoabilidade; mesmo considerando a falta de apresentação dos balancetes de suspensão/redução e do cálculo baseado em estimativa, o cúmulo de duas sanções seria excessivo, sendo indevida a exigência concomitante; Ao final, o Recorrente requereu, caso se entendesse pela não comprovação dos custos e despesas à vista da documentação carreada, a realização de perícia e/ou diligência “...para corroborar o alegado nas presentes razões recursais”. Em 12/2/14, esta Terceira Turma Ordinária acolheu o pedido de diligência e devolveu os autos à unidade da Secretaria da Receita Federal do Brasil para que intimasse “...o contribuinte a apresentar a comprovação dos respectivos desembolsos relacionados aos recibos anexados ao acervo documental denominado “Doc.8” de sua impugnação, com o detalhamento mês a mês de tal conciliação (recibo x comprovante de pagamento)”. Fl. 4541DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por FABIO NIEVES BARREIRA, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10970.720292/201229 Acórdão n.º 1103001.128 S1C1T3 Fl. 4.542 8 Conforme Relatório Fiscal/Diligência (fls.4.511/4.513), o contribuinte informou: “1 – Não tem condições de atender a solicitação, tendo em vista que diante do lapso temporal já decorrido, não consegue localizar em seus arquivos de movimentação financeira, documentos com prazo superior a cinco anos, razão pela qual não é possível a conciliação entre os recibos apresentados em sede de impugnação e os comprovantes de pagamentos de despesas de carga e descarga, posto que se existentes, já o foram descartados. 2 – Os recibos carreados a peça impugnatória são suficientes para legitimar a dedutibilidade das despesas com serviços de carga e descarga, uma vez que é notória a necessidade de contratar esses serviços para a consecução de suas atividades, sendo os mesmos imprescindíveis para a realização do seu objetivo social; 3 – Não é crível enviar junto com os seus motoristas, um profissional para efetuar a carga e descarga das mercadorias transportadas, ficando ao encargo deles (motoristas) a contratação de pessoas físicas conhecidas como ‘chapas’, na própria localidade onde serão feitas as operações de carga e descarga, e o pagamento em dinheiro pelos serviços prestados com recursos (em dinheiro) adiantados pela empresa, devendo os motoristas comprovar os pagamentos, mediante a apresentação dos respectivos recibos; 4 – A autoridade fiscal não demonstrou nenhum só fato capaz de afastar, elidir ou desconstituir a veracidade e legitimidade de tais documentos comprobatórios, que devem ser considerados em prestígio ao princípio da verdade material dos fatos que impera nos processos administrativos federais.” Em 16/9/14, o autuado, devidamente representado, protocolizou petição na qual informa que “...providenciou, tempestivamente, o PARCELAMENTO do principal, juros e multa de ofício, em 180 (cento e oitenta) meses, com os benefícios instituídos pelo Programa conhecido como ‘Refis da Copa’, conforme recibo de adesão ao parcelamento, DARF e comprovante de pagamento da primeira parcela”. Esclarece, ainda, que a desistência foi parcial: “...referese especificamente ao valor do principal, dos juros de mora e da multa de ofício do imposto de renda pessoa jurídica e da contribuição social sobre o lucro líquido, relativos ao período de janeiro a dezembro de 2008, não contemplando a multa isolada referente às estimativas de IRPJ e CSLL do mesmo período de apuração.” É o relatório. Fl. 4542DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por FABIO NIEVES BARREIRA, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10970.720292/201229 Acórdão n.º 1103001.128 S1C1T3 Fl. 4.543 9 Voto Vencido Conselheiro Eduardo Martins Neiva Monteiro, Relator. Preenchidos os requisitos de admissibilidade, tomase conhecimento dos recursos. DAS PRELIMINARES DE NULIDADE Da ausência de fundamentação do acórdão recorrido O Recorrente entende, com base na quantidade de documentos apresentados e no breve espaço de tempo que a Segunda Turma da DRJ – Juiz de Fora (MG) teve para apreciálos, que a prova produzida não teria sido analisada em primeira instância. Sustenta que no acórdão a quo foram feitas meras transcrições do Termo de Verificação Fiscal, sem qualquer decisão a respeito das provas. Alegando preterição a direito de defesa, pleiteia a nulidade do processo a partir da decisão daquele colegiado. Da leitura do acórdão recorrido, não há se falar em ausência de fundamentação ou de análise de provas. No respectivo voto condutor, proferido em 11 (onze) páginas, verificase, com facilidade, que foi fundamentado, inclusive com a análise das provas que a Turma julgadora entendeu serem preponderantes ao deslinde da controvérsia. Os seguintes excertos são suficientes para afastar a tese da defesa: “[...] o contrato apresentado ao servidor autante, ou seu espelho, que instruiu a peça impugnatória “Doc. 05”, padece de unilateralidade, vez que não há ali aposição da assinatura de um dos contraentes, o “agente financeiro”. Assim, forçosamente há de se recepcionálo como de natureza particular, não podendo ser oponível ao fisco, na condição de terceiro, consoante a clara dicção da cabeça do art. 221 da Lei nº 10.406/2006: Art. 221. O instrumento particular, feito e assinado, ou somente assinado por quem esteja na livre disposição e administração de seus bens, prova as obrigações convencionais de qualquer valor; mas os seus efeitos, bem como os da cessão, não se operam, a respeito de terceiros, antes de registrado no registro público. Parágrafo único. A prova do instrumento particular pode suprirse pelas outras de caráter legal. Ainda no sentido de se considerálo como de natureza particular, assim determinado pela legislação de regência, a ausência de seu registro público, bem como de qualquer outra assinatura, que não seja em nome do então sócio administrador, JOÃO LÚCIO SOARES, nem mesmo reconhecimento de sua firma, sem perder de vista a vultosa quantia ali pactuada! Fl. 4543DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por FABIO NIEVES BARREIRA, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10970.720292/201229 Acórdão n.º 1103001.128 S1C1T3 Fl. 4.544 10 Referido reconhecimento de firma pelo tabelião revelaria medida acautelatória da segurança jurídica da obrigação contratada por todas as partes que subscreveram o contrato. Desconsiderar tais essencialidades é fazer tábula rasa de sua imperiosa formalidade própria, pactuada em sua expressão abaixo: “E, por estarem justos e contratados, assinam, o presente em 04 (quatro) vias de igual teor, para um só efeito, na presença das 02 (duas) testemunhas abaixo assinadas” ..... Esses elementos de prova, de que tratou aquele ‘Doc. 6. Comprovantes de pagamento das parcelas do empréstimo’, referenciado ao final da peça impugnatória, se tanto, comprovariam o pagamento que revelam (do empréstimo). No entanto, sua natureza de empréstimo, aliada à ausência do suporte em sua escrituração, não tem o condão de desautorizar a presunção legal da despesa não comprovada, contabilizada a título de juros de empréstimo em 15/01/2008, no valor de R$217.605,58, de uma só tacada. Notadamente, em face do art. 251 do Decreto nº 3.000/1999. ..... Tudo isso sem considerar que, em razão dos objetos do item 4 do Termo de Intimação Fiscal (fls. 488489), a contribuinte somente apresentou o referido contrato. Muito embora tenha sido instada a comprovar o lançamento a débito, a título de juros sobre os empréstimos, em face do crédito na conta contábil representativa de financiamento junto à Daimler Chrysler SA., bem como a apresentar a memória de cálculo dos juros contabilizados. ..... Não obstante sua linha argumentativa, temse a desfavor da contribuinte o acervo de prova material composto pelos documentos disponibilizados quando da lavratura do Termo de Intimação Fiscal (fls. 488489), quando ela foi instada, também, a apresentar documentos hábeis a comprovar o lançamento a débito na conta contábil 4301120000 Serv.TerceirosPF. ..... No mais, não merece reparos a constatação fiscal, que foi baseada nos documentos apresentados na fase procedimental, idênticos àqueles do ‘Doc 12’. Do seu cotejo com os assentamentos no livro Razão da conta de custo 4301120000 Serv TerceirosPF, constatase que, do montante de R$ 616.549,04, escriturado no dia 31/12/2008, a contribuinte trouxe como prova material (recibos de frete intitulados contrato, comprovantes de transferência bancária, cópia de cheque) somente a importância de R$ 412.203,59. Fl. 4544DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por FABIO NIEVES BARREIRA, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10970.720292/201229 Acórdão n.º 1103001.128 S1C1T3 Fl. 4.545 11 Daquela importância, restou claro que R$ 179.578,60 foram objeto de contabilização na referida conta, todavia, não em 31/12/2008, mas em datas pretéritas, conforme bem esclarecido pelo fisco no TVF, senão vejamos: ..... Tudo conforme esclarecido, tanto no ‘Demonstrativo de Comprovantes de Custos Contratação de Serviços de Transporte Rodoviário de Carga Apresentados em Atendimento ao Item 03 do Termo de Intimação Fiscal Lavrado em 12/09/2012’ (fls. 968972), ou, ainda, no ‘Demonstrativo Consolidado de Custos Glosados [...]’ (fl. 974). Assim é que, por contraste, somente os valores que perfizeram a diferença de R$ 232.624,99, de que trataram aqueles recibos de frete não previamente contabilizados na referida conta – puderam ser considerados como passíveis de inclusão no lançamento contábil da conta de custo 4301120000 Serv TerceirosPF na data de 31/12/2008 [...]” Quanto às transcrições de passagens do Termo de Verificação Fiscal no acórdão a quo, não implica qualquer ilegalidade. A Lei nº 9.784, de 29/1/99, que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal, dispõe que a motivação dos atos administrativos pode “...consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão parte integrante do ato” (art.50, §1º). Do indeferimento do pedido de perícia pela DRJ Quanto ao indeferimento do pleito de perícia, formulado perante a primeira instância, o Recorrente afirma que a análise das provas acostadas à impugnação apenas poderia ser realizada mediante diligência fiscal ou perícia contábil. De acordo com o Decreto nº 70.235/72, a realização de diligências/perícias justificase somente quando necessária, a juízo da autoridade julgadora, que norteia sua atuação no livre convencimento motivado: Art.18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências, ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art.28, in fine. ..... Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias. Da leitura do acórdão recorrido, verificase que a Segunda Turma da DRJ – Juiz de Fora (MG) muito bem fundamentou a resolução da questão, verbis: “[...] No que tange à “necessária e vital perícia contábil”, sua realização se justificaria na hipótese de controvérsia que Fl. 4545DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por FABIO NIEVES BARREIRA, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10970.720292/201229 Acórdão n.º 1103001.128 S1C1T3 Fl. 4.546 12 demandasse exame técnico especializado, não quando o fato probante puder ser demonstrado pelos documentos que instruíram os autos, tal como o pôde na espécie. De fato, não houve ingresso nos autos de matéria de prova distinta daquela apresentada na fase procedimental que desse sustentação ao discurso passivo e, via de consequência, pudesse ilidir, ou elidir os lançamentos, mesmo considerado o rol de documentos anexos à peça impugnatória. Ademais, nos termos do artigo 16, inciso IV, c/c o § 1º, do Decreto nº 70.235/1972, não há que se considerar formulado o pedido de perícia, por não estarem presentes os pressupostos processuais de sua admissibilidade: ..... Assim, indefiro seu pedido de realização de perícia, nos termos do art. 18 do Decreto 70.235/1972.” Portanto, à luz da legislação de regência, o pedido para a realização de diligência ou perícia não acarreta o seu automático deferimento. Na apreciação das provas, pode a Turma julgadora firmar, com a devida motivação, que tais procedimentos são desnecessários. Logo, não há se falar em nulidade decorrente do indeferimento do pedido de realização de perícia. Não se acolhem, por conseguinte, as preliminares de nulidade. DO MÉRITO Conforme relatado, o Recorrente desistiu parcialmente do recurso voluntário, tendo providenciado, “...tempestivamente, o PARCELAMENTO do principal, juros e multa de ofício, em 180 (cento e oitenta) meses, com os benefícios instituídos pelo Programa conhecido como ‘Refis da Copa’, conforme recibo de adesão ao parcelamento, DARF e comprovante de pagamento da primeira parcela”. Remanesceram em litígio somente os créditos tributários relativos à multa isolada por falta/insuficiência de recolhimentos de estimativas. De início, vale dizer que não há se falar em jurisprudência consolidada quanto aos fatos geradores ocorridos após a vigência da Medida Provisória nº 351, de 22/1/07, convertida na Lei nº 11.488, de 15/6/07, que procedeu a alterações no art.44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, deixando ainda mais evidente duas hipóteses de incidência distintas, conforme se vê abaixo: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) Fl. 4546DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por FABIO NIEVES BARREIRA, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10970.720292/201229 Acórdão n.º 1103001.128 S1C1T3 Fl. 4.547 13 II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) ..... b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. (Incluída pela Lei nº 11.488, de 2007) Assim, presentes os substratos fáticos (falta do pagamento de imposto ou contribuição; e falta de pagamento das estimativas), é de rigor a incidência das duas multas, sob pena de se negar vigência à lei federal, o que é vedado ainda que sob fundamento de inconstitucionalidade, conforme apregoa o Enunciado nº 2 da súmula do CARF (“O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária”), em conformidade com o art.26A do Decreto nº 70.235/72 e art.59 do Decreto nº 7.574, de 29/9/11. Não obstante o contribuinte sustentar que o crédito tributário não poderia ser exigido concomitantemente com as multas proporcionais anuais, há, como visto, dispositivo legal que assegure a exigência de ambas penalidades. A Lei nº 9.430/96 estabelece hipóteses de incidência distintas para a multa proporcional ao imposto ou contribuição apurados ao final do anocalendário e para a multa por insuficiência/falta de recolhimento de estimativas. São previsões não excludentes, de tal modo que podem ser exigidas mesmo que concomitantemente, “ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativas para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente”. Há vários julgados administrativos neste sentido, como por exemplo: “(...) MULTA ISOLADA. FALTA/INSUFICIÊNCIA DE. RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVA. MULTA PROPORCIONAL, CONCOMITÂNCIA. INEXISTÊNCIA Não há que se falar em aplicação concomitante sobre a mesma base de incidência quando resta evidente que as penalidades, não obstante derivarem do mesmo preceptivo legal, decorrem de obrigações de naturezas distintas (...)” (1ª SJ, 3ª Câmara, 2ª Turma Ordinária, Acórdão nº 130200.083, de 29/09/09). “(...) MULTA ISOLADA POR FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS CONCOMITÂNCIA COM A MULTA DE OFICIO SOBRE O TRIBUTO DEVIDO NO FINAL DO ANO. Não há entre as estimativas e o tributo devido no final do ano uma relação de meio e fim, ou de parte e todo (porque a estimativa é devida mesmo que não haja tributo devido). Por isso, a multa pela falta de estimativas não se confunde com a multa pela falta de recolhimento do tributo apurado em 31 de dezembro, além disso, não há no direito tributário algo semelhante ao principio da consunção (absorção) do direito penal, o que também afasta os argumentos sobre a Fl. 4547DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por FABIO NIEVES BARREIRA, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10970.720292/201229 Acórdão n.º 1103001.128 S1C1T3 Fl. 4.548 14 concomitância de multas (...)” (1ª SJ, 2ª Turma Especial, Acórdão nº 180200.610, de 30/08/10) “(...) INSUFICIÊNCIA NO RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS. MULTA ISOLADA. Em função de expressa previsão legal, deve ser aplicada a multa isolada sobre os pagamentos que deixaram de ser realizados concernentes ao imposto de renda a título de estimativa, seja qual for o resultado apurado no ajuste final do período de apuração” (1º CC, 3ª Câmara, Acórdão nº 10323510, Rel. Leonardo de Andrade Couto, Sessão de 26/06/08). “(...) CONCOMITÂNCIA ENTRE A MULTA ISOLADA E A MULTA VINCULADA AO TRIBUTO Em virtude de se tratarem de infrações distintas, a multa de ofício aplicada isoladamente, pela falta de recolhimento da CSLL apurada por estimativa, pode ser aplicada concomitantemente com a multa de ofício, aplicada sobre a contribuição devida sobre a base cálculo anual da CSLL”. (1º CC, 3ª Turma Especial, Acórdão nº 19300017, Rel. Ester Marques Lins de Souza, Sessão de 13/10/08). Sobre a matéria, vale reproduzir alguns dos fundamentos constantes do acórdão nº 1302001.130, de 11/6/13, proferido pela Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção de Julgamento, Rel. Cons. Alberto Pinto Souza Júnior, aplicáveis perfeitamente ao caso sob exame: “[...] O princípio da consunção é princípio específico do Direito Penal, aplicável para solução de conflitos aparentes de normas penais, ou seja, situações em que duas ou mais normas penais podem aparentemente incidir sobre um mesmo fato. Primeiramente, há que se ressaltar que a norma sancionatória tributária não é norma penal stricto sensu. Vale aqui a lembrança que o parágrafo único do art. 273 do anteprojeto do CTN (hoje, art. 112 do CTN), elaborado por Rubens Gomes de Sousa, previa que os princípios gerais do Direito Penal se aplicassem como métodos ou processos supletivos de interpretação da lei tributária, especialmente da lei tributária que definia infrações. Esse dispositivo foi rechaçado pela Comissão Especial de 1954 que elaborou o texto final do anteprojeto, sendo que tal dispositivo não retornou ao texto do CTN que veio a ser aprovado pelo Congresso Nacional. À época, a Comissão Especial do CTN acolheu os fundamentos de que o direito penal tributário não tem semelhança absoluta com o direito penal (sugestão 789, p. 513 dos Trabalhos da Comissão Especial do CTN) e que o direito penal tributário não é autônomo ao direito tributário, pois a pena fiscal mais se assemelha a pena cível do que a criminal (sugestão 787, p.512, idem). Não é difícil, assim, verificar que, na sua gênese, o CTN afastou a possibilidade de aplicação supletiva dos princípios do direito penal na interpretação da norma tributária, logicamente, salvo aqueles expressamente previstos no seu texto, como por exemplo, a retroatividade benigna do art. 106 ou o in dubio pro reo do art. 112. ..... Fl. 4548DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por FABIO NIEVES BARREIRA, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10970.720292/201229 Acórdão n.º 1103001.128 S1C1T3 Fl. 4.549 15 Noutro ponto, refuto os argumentos expendidos no acórdão recorrido, os quais concluem que a falta de recolhimento da estimativa mensal seria uma conduta menos grave, por atingir um bem jurídico secundário – que seria a antecipação do fluxo de caixa do governo. Conforme já demonstrado, a multa isolada é aplicável pela não observância do regime de recolhimento pela estimativa e a conduta que ofende tal regime jamais poderia ser tida como menos grave, já que põe em risco todo o sistema de recolhimento do IRPJ sobre o lucro real anual – pelo menos no formato desenhado pelo legislador. ..... Ademais, é um equívoco dizer que o não recolhimento do IRPJ estimada é uma ação preparatória para a realização da “conduta mais grave” – não recolhimento do tributo efetivamente devido no ajuste. O não pagamento de todo o tributo devido ao final do exercício pode ocorrer independente do fato de terem sido recolhidas as estimativas, pois o resultado final apurado não guarda necessariamente proporção com os valores devidos por estimativa. Ainda que o contribuinte recolha as antecipações, ao final pode ser apurado um saldo de tributo a pagar, com base no resultado do exercício. As infrações tributárias que ensejam a multa isolada e a multa de ofício nos casos em tela são autônomas. A ocorrência de uma delas não pressupõe necessariamente a existência da outra, logo inaplicável o princípio da consunção, já que não existe conflito aparente de normas. ..... A multa isolada corresponde a um percentual do IRPJ calculado sobre a base estimada, na qual o valor das despesas e custos decorrem de uma estimativa legal, ou seja, o legislador quando determina a aplicação de um percentual sobre a receita bruta, para o cálculo da base estimada, está, em verdade, estimando custos e despesas. A multa de ofício, in casu, corresponde a um percentual sobre o IRPJ calculado sobre o lucro real, na qual se leva em conta as despesas e custos efetivamente incorridos. Em suma, se a base estimada difere do lucro real, se são valores distintos, inclusive com previsões legais distintas, os impostos delas resultantes são também valores distintos e, consequentemente, as multas ad valorem que incidem sobre elas, também, são valores que não se confundem. Todavia, ainda que as multas isolada e de ofício fossem calculadas sobre o IRPJ incidente sobre a mesma base de cálculo, isso não significaria um bis in idem, pois, como já asseverado acima, a ocorrência de uma infração não importa necessariamente na ocorrência da outra, o que torna irrefutável que as infrações decorrem de condutas diversas. O contribuinte pode ter recolhido todo o IRPJ devido sobre a base estimada em cada mês do anocalendário e não recolher a diferença calculada ao final do período, ficando sujeito assim a multa de ofício, mas não a multa isolada. Ao contrário, pode deixar de recolher o IRPJ sobre a base estimada, mas pagar, ao final do Fl. 4549DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por FABIO NIEVES BARREIRA, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10970.720292/201229 Acórdão n.º 1103001.128 S1C1T3 Fl. 4.550 16 ano, todo o IRPJ sobre o lucro real, hipótese na qual só ficará sujeito à multa isolada. A definição da infração, da base de cálculo e do percentual da multa aplicável é matéria exclusiva de lei, nos termos do art. 97, V do CTN, não cabendo ao intérprete questionar se a dosimetria aplicada em tal e qual caso é adequada ou excessiva, a não ser que adentre a seara da sua constitucionalidade, o que está expressamente vedado pela Súmula CARF nº 2.” Acrescento, com base em lições de Guilherme de Souza Nucci (in Manual de Direito Penal, 4ª ed, São Paulo: Editora Revista dos Tribunais, 2008, pp.151152), que o princípio/critério da absorção (ou consunção) é aplicável: “[...] Quando o fato previsto por uma lei está, igualmente, contido em outra de maior amplitude, aplicase somente esta última. Em outras palavras, quando a infração prevista na primeira norma constituir simples fase de realização da segunda infração, prevista em dispositivo diverso, devese aplicar apenas a última. Conforme esclarece Nicás, ocorre a consunção quando determinado tipo penal absorve o desvalor de outro, excluindo se este da sua função punitiva. A consunção provoca o esvaziamento de uma das normas, que desaparece subsumida pela outra (El concurso de nomas penales, p.157). Tratase da hipótese de crimemeio e crimefim. É o que se dá, por exemplo, no tocante à violação de domicílio com a finalidade de praticar furto a uma residência. A violação é mera fase de execução do delito patrimonial. O crime de homicídio, por sua vez, absorve o porte ilegal de arma, pois esta infração penal constituise simples meio para a eliminação da vítima. O estelionato absorve o falso, fase de execução do primeiro”. Ora, tal construção doutrinária e jurisprudencial não se aplica ao caso concreto. A falta de recolhimento de estimativas mensais não constitui fase do não recolhimento do imposto ou contribuição apurados ao final do anocalendário, de modo que o tipo tributário que impõe a exigência da multa proporcional ao tributo devido não absorve o desvalor apontado na norma que tipifica a penalidade isolada pela falta de recolhimento das exações à época própria, após o encerramento dos respectivos períodos mensais. Quando se constata que o contribuinte, considerando a infração revelada pela fiscalização, deixou de apurar e recolher as estimativas mensais em conformidade com a legislação de regência, dizse ocorrido o fato gerador a legitimar a exigência nos moldes em que constituída. Dispensála significa, com a devida vênia a vozes dissonantes, construção que, como visto, não encontra acolhimento na adequada interpretação da lei de regência. Por todo o exposto, voto no sentido de rejeitar as preliminares de nulidade e, no mérito, NÃO CONHECER das razões de defesa relacionadas aos lançamentos de IRPJ e CSLL, e, quanto às multas isoladas por falta/insuficiência do recolhimento de estimativas, NEGAR PROVIMENTO ao recurso. (assinado digitalmente) Eduardo Martins Neiva Monteiro Fl. 4550DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por FABIO NIEVES BARREIRA, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10970.720292/201229 Acórdão n.º 1103001.128 S1C1T3 Fl. 4.551 17 Voto Vencedor Cons. Fábio Nieves Barreira, Redator Designado. À exceção dos lançamentos das multas isoladas, votei por manter a exigência dos demais créditos tributários conforme fundamentação constante do voto do Relator, aqui por mim adotada. Aduz a recorrente a ilegalidade da incidência cumulativa de multa isolada e de multa de ofício. Acompanhando a jurisprudência deste Conselho, entendo ser ilegal a exigência de ambas penalidades incidentes sobre a mesma base de cálculo: “Ementa: MULTA ISOLADA E MULTA DE OFÍCIO CONCOMITÂNCIA MESMA BASE DE CÁLCULO – A aplicação concomitante da multa isolada (inciso III, do § 1°, do art. 44, da Lei n° 9A30, de 1996) e da multa de oficio (incisos I e II, do art, 44, da Lei n 9,430, de 1996) não é legitima quando incide sobre uma mesma base de cálculo.” Diante do exposto, voto no sentido de rejeitar as preliminares de nulidade e, no mérito, DAR PARCIAL PROVIMENTO ao recurso, apenas para excluir às multas isoladas por falta/insuficiência do recolhimento de estimativas. (assinado digitalmente) Cons. Fábio Nieves Barreira, Redator Designado. Fl. 4551DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por FABIO NIEVES BARREIRA, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA
score : 1.0
Numero do processo: 10730.008724/2009-57
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 21 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Mar 03 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2006
DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO DOS PAGAMENTOS REALIZADOS E DA PRESTAÇÃO DOS SERVIÇOS.
Carreado nos autos conjunto de provas satisfatório acerca dos pagamentos realizados e da prestação dos serviços, em harmonia com as informações declaradas em DIRPF, deve ser restabelecida a correspondente dedução de despesas médicas.
DESPESAS COM AQUISIÇÃO DE LENTE INTRA OCULAR. DEDUTIBILIDADE CONDICIONADA AO LANÇAMENTO EM CONTA HOSPITALAR.
A dedutibilidade de valor referente à aquisição de lente intra ocular está condicionada ao seu registro em conta hospitalar, a teor do disposto no inciso I do § 2º do art. 8º da Lei nº 9.250/95, c/c o art. 111 do CTN.
MULTA DE OFÍCIO. CONFISCO. SÚMULA CARF Nº 2.
Aplica-se a Súmula CARF nº 2 quando o questionamento da multa de ofício se atém à matéria de índole constitucional.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2802-003.302
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para restabelecer dedução de despesas médicas no montante de R$ 55.000,00 (cinquenta e cinco mil reais), nos termos do voto do relator.
(Assinado digitalmente)
Jorge Cláudio Duarte Cardoso, Presidente.
(Assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson, Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Márcio de Lacerda Martins (Suplente convocado), Ronnie Soares Anderson, Carlos André Ribas de Mello e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente). Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Jaci de Assis Júnior e Julianna Bandeira Toscano.
Nome do relator: RONNIE SOARES ANDERSON
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201501
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2006 DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO DOS PAGAMENTOS REALIZADOS E DA PRESTAÇÃO DOS SERVIÇOS. Carreado nos autos conjunto de provas satisfatório acerca dos pagamentos realizados e da prestação dos serviços, em harmonia com as informações declaradas em DIRPF, deve ser restabelecida a correspondente dedução de despesas médicas. DESPESAS COM AQUISIÇÃO DE LENTE INTRA OCULAR. DEDUTIBILIDADE CONDICIONADA AO LANÇAMENTO EM CONTA HOSPITALAR. A dedutibilidade de valor referente à aquisição de lente intra ocular está condicionada ao seu registro em conta hospitalar, a teor do disposto no inciso I do § 2º do art. 8º da Lei nº 9.250/95, c/c o art. 111 do CTN. MULTA DE OFÍCIO. CONFISCO. SÚMULA CARF Nº 2. Aplica-se a Súmula CARF nº 2 quando o questionamento da multa de ofício se atém à matéria de índole constitucional. Recurso Voluntário Provido em Parte.
turma_s : Segunda Turma Especial da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Mar 03 00:00:00 UTC 2015
numero_processo_s : 10730.008724/2009-57
anomes_publicacao_s : 201503
conteudo_id_s : 5435079
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Mar 03 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 2802-003.302
nome_arquivo_s : Decisao_10730008724200957.PDF
ano_publicacao_s : 2015
nome_relator_s : RONNIE SOARES ANDERSON
nome_arquivo_pdf_s : 10730008724200957_5435079.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para restabelecer dedução de despesas médicas no montante de R$ 55.000,00 (cinquenta e cinco mil reais), nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) Jorge Cláudio Duarte Cardoso, Presidente. (Assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson, Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Márcio de Lacerda Martins (Suplente convocado), Ronnie Soares Anderson, Carlos André Ribas de Mello e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente). Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Jaci de Assis Júnior e Julianna Bandeira Toscano.
dt_sessao_tdt : Wed Jan 21 00:00:00 UTC 2015
id : 5838301
ano_sessao_s : 2015
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:37:09 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047702487433216
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1998; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2TE02 Fl. 97 1 96 S2TE02 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10730.008724/200957 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2802003.302 – 2ª Turma Especial Sessão de 21 de janeiro de 2015 Matéria IRPF Recorrente MARTA MARIA BARROS LEITE Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2006 DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO DOS PAGAMENTOS REALIZADOS E DA PRESTAÇÃO DOS SERVIÇOS. Carreado nos autos conjunto de provas satisfatório acerca dos pagamentos realizados e da prestação dos serviços, em harmonia com as informações declaradas em DIRPF, deve ser restabelecida a correspondente dedução de despesas médicas. DESPESAS COM AQUISIÇÃO DE LENTE INTRA OCULAR. DEDUTIBILIDADE CONDICIONADA AO LANÇAMENTO EM CONTA HOSPITALAR. A dedutibilidade de valor referente à aquisição de lente intra ocular está condicionada ao seu registro em conta hospitalar, a teor do disposto no inciso I do § 2º do art. 8º da Lei nº 9.250/95, c/c o art. 111 do CTN. MULTA DE OFÍCIO. CONFISCO. SÚMULA CARF Nº 2. Aplicase a Súmula CARF nº 2 quando o questionamento da multa de ofício se atém à matéria de índole constitucional. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para restabelecer dedução de despesas médicas no montante de R$ 55.000,00 (cinquenta e cinco mil reais), nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 73 0. 00 87 24 /2 00 9- 57 Fl. 97DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 22/01/20 15 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 2 Jorge Cláudio Duarte Cardoso, Presidente. (Assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson, Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Márcio de Lacerda Martins (Suplente convocado), Ronnie Soares Anderson, Carlos André Ribas de Mello e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente). Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Jaci de Assis Júnior e Julianna Bandeira Toscano. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro II (RJ) DRJ/RJ2, que julgou procedente Notificação de Lançamento de Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF), exigindo crédito tributário no valor total de R$ 34.715,83 relativo ao anocalendário 2006. A autuação decorreu da glosa de despesas médicas no valor de R$ 55.000,00 informados como pagos a Ayres Silva Barboza. Consoante descrição dos fatos e enquadramento legal, a contribuinte foi regularmente intimada a comprovar o efetivo pagamento das despesas declaradas. Em resposta, não apresentou documentação que atendesse à intimação, tais como: cheques nominativos, ordens bancárias, transferências interbancárias e outros que comprovassem o efetivo pagamento das despesas declaradas. Foram glosadas também as despesas referentes à aquisição de lentes oculares de Pawel Ótica e Utilidades Ltda. (R$ 4.000,00) e Soares Equipamentos Material de Escritório Ltda. (R$ 4.000,00). Em sede de impugnação, a notificada pediu o cancelamento da exigência, nos termos descritos no relatório da decisão recorrida: Reclama que o valor declarado com o profissional Ayres Barbosa foi de R$ 55.000,00, e não R$58.000,00, como apontado no lançamento. Anexa declaração e recibo emitidos pelo profissional citado, que, segundo defende, atestam o pagamento da quantia declarada por ela, ao longo do ano de 2006. Em relação às demais glosas, informa que as notas fiscais emitidas por Soares Equipamentos M.E. Ltda e Pawel Ótica e Utilidades acompanham a sua impugnação e referemse à aquisição de prótese (lente intra ocular focal) para substituição dos cristalinos oculares de suas vistas. Ressalta que como teve reembolso de R$ 300,00 da Unimed para cada uma das notas, o valor a ser restabelecido para cada nota é de R$3.700,00. Acrescenta a sua defesa declaração do doutor Antônio Cezar Regio do Nascimento, profissional responsável pelas duas intervenções cirúrgicas. Alega que já apresentou todos os documentos que lhe cabia. Argumenta que exigir mais é transferirlhe o ônus da fiscalização. Fl. 98DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 22/01/20 15 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10730.008724/200957 Acórdão n.º 2802003.302 S2TE02 Fl. 98 3 Requer a revisão do lançamento para que sejam restabelecidas despesas médicas no valor total de R$ 62.400,00. O lançamento foi mantido pela instância de primeiro grau, que consubstanciou seu entendimento no acórdão assim ementado (fls. 34/37): DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS. Na falta de comprovação, por documentos hábeis, do efetivo pagamento, é de se manter a glosa das despesas médicas declaradas. DESPESAS MÉDICAS. LENTE INTRAOCULAR. O valor relativo à lente intraocular só é passível de dedução se integrar a conta emitida pelo profissional ou estabelecimento hospitalar, não podendo ser acatados valores referentes ao material adquirido diretamente pela Contribuinte. Irresignada, a contribuinte interpôs recurso voluntário em 9/9/2011, reiterando, em linhas gerais, as razões e o pedido da impugnação, e aduzindo, ainda: que as deduções vinculadas ao profissional Ayres Barboza já haviam sido objeto de exame por parte da mesma Turma da DRJ/RJ2, que havia as acatado no que tange ao anocalendário 2003; que a decisão estaria a fazer interpretação literal do art. 8º da Lei nº 9.250/95, ao glosar as deduções com gastos com lentes intra oculares; ser confiscatória a multa de ofício de 75%. É o relatório. Voto Conselheiro Ronnie Soares Anderson, Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. A dedução de despesas médicas e de saúde na declaração de ajuste anual tem como supedâneo legal os seguintes dispositivos do art. 8º da Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, abaixo transcritos: Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I de todos os rendimentos percebidos durante o ano calendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II das deduções relativas: Fl. 99DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 22/01/20 15 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 4 a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; (...) § 2º O disposto na alínea a do inciso II: I aplicase, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Geral de Contribuintes CGC de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; IV não se aplica às despesas ressarcidas por entidade de qualquer espécie ou cobertas por contrato de seguro; V no caso de despesas com aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias, exigese a comprovação com receituário médico e nota fiscal em nome do beneficiário.(grifei) A contribuinte declarou gastos com o dentista Ayres Barboza no valor de R$ 55.000,00, o que corresponde a cerca de 33% de seus rendimentos anuais (fls. 28/31). Conforme mencionado pela decisão atacada, o mesmo ocorreu para os anoscalendário 2003, 2004 e 2006, sempre com o referido profissional e em valores similares (R$ 50.540,00, R$ 58.000,00 e R$ 58.0000,00, respectivamente). São, incontestavelmente, valores elevados, tanto do ponto de vista absoluto quanto como proporção da renda auferida. A recorrente juntou declaração e recibo emitido pelo profissional (fls. 6/7). No entanto, diversamente do que ocorreu com relação à inconformidade vertida contra a Notificação de Lançamento referente ao anocalendário 2006 (processo administrativo nº 10730.008723/200911), na espécie a defesa da recorrente não foi complementada por extratos bancários e/ou planilhas de pagamentos, prontuário detalhando o tratamento odontológico realizado ou exames e documentos do gênero. Diante disso, considero justificável a demanda da fiscalização por comprovação da efetividade dos pagamentos realizados, mediante a documentação requisitada cheques nominativos, ordens bancárias, transferências interbancárias, etc., forte nos §§ 3º e 4º do art. 11 do DecretoLei nº 5.844, de 23 de setembro de 1943, ainda que não mencionada explicitamente a motivação de tal solicitação. Não obstante, impende reconhecer tratarse de pessoa física de idade avançada (nascida em 11/2/1925), sendo compreensível que os gastos com a restauração da arcada dentária e tratamentos correlatos alcancem cifras elevadas e tenham longa duração. Fl. 100DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 22/01/20 15 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10730.008724/200957 Acórdão n.º 2802003.302 S2TE02 Fl. 99 5 Além disso, cabe sopesar o entendimento da DRJ/RJ2 no processo nº 13731.000258/200869, no qual foram examinadas despesas deduzidas com o mesmo profissional no anocalendário 2003, as quais naquela oportunidade foram consideradas idôneas e restabelecidas como dedutíveis. Examinandose os termos dessa decisão, e a documentação colacionada nos presentes autos, vêse que se trata, na essência, de uma continuidade na prestação de serviços por dado profissional da área médica, ao longo dos períodos examinados. Assim, a análise conjunta dos elementos de prova firma o convencimento deste julgador acerca da idoneidade e efetividade das deduções postuladas, razão pela qual deve ser restabelecida na DIRPF/2007 a dedução de R$ 55 mil, vinculada ao profissional Ayres Barbosa. Por outro lado, não deve prosperar o pleito relativo às notas fiscais de compra de lente intra ocular emitidas por Soares Equipamentos Material de Escritório Ltda. e por Pawel Ótica e Utilidades Ltda., ambas no valor de R$ 4.000,00, fls. 8/9. Os pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização são passíveis de dedução na Declaração de Ajuste, com esteio no inciso I do § 2º do art. 8º da Lei nº 9.250/95. Destarte, os pagamentos vinculados à realização de cirurgia hospitalar, assim comprovados pela fatura/nota fiscal de prestação de serviços emitidos pelo estabelecimento podem ser, efetivamente, deduzidos com amparo na lei. Nesse passo, gastos com eventuais materiais utilizados no procedimento cirúrgico, dentre os quais se enquadrariam lentes intra oculares, também seriam dedutíveis caso estivessem devidamente discriminados na respectiva conta hospitalar. Com efeito, a orientação contida na pergunta nº 346 do Manual de Perguntas e Respostas do IRPF, relativo ao exercício 2007, publicado pela Receita Federal do Brasil, não destoa da prescrição legal: 346 O gasto com colocação de lente intraocular em cirurgia de catarata pode ser considerado como despesa médica? Sim, é considerada despesa médica a cirurgia para a colocação de lente intraocular. O valor referente à lente é dedutível se integrar a conta emitida pelo profissional ou estabelecimento hospitalar. (PN CST n? 36, de 1977) (grifei) A legislação privilegia, à evidência, o fato de que os gastos serem destinados à cobertura de procedimentos, tratamento e internação em ambiente hospitalar, mais do que a natureza intrínseca dos dispêndios. Há, assim, a presunção de que se as despesas referemse à hospitalização, cabe a sua dedução. A declaração de lavra do oftalmologista Antônio Cezar Regio de Nascimento, na qual está afirmado que a contribuinte foi submetida à cirurgia de catarata em ambos os olhos com implantes de lentes intra oculares multifocais Acrysof Restor, no curso do ano de 2006, Fl. 101DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 22/01/20 15 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 6 não supre, por conseguinte, a necessidade de que as despesas com as aquisições dessas lentes intra oculares constassem da conta hospitalar. Destaquese que o art. 111 do Código Tributário Nacional (CTN) consagra o princípio hermenêutico segundo o qual a regra se presume, mas a exceção deve estar prevista em lei. A regra é a tributação da renda, sendo que a exceção, no caso, a isenção, deverá sempre aparecer expressa em lei, a qual deve se interpretada literalmente: Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: I suspensão ou exclusão do crédito tributário; II outorga de isenção; III dispensa do cumprimento de obrigações tributárias acessórias. Desse modo, não há amparo para a pretensão do contribuinte de deduzir as despesas médicas vinculadas às notas fiscais emitidas por Soares Equipamentos Material de Escritório Ltda. e por Pawel Ótica e Utilidades Ltda. Registrese, ao final, que a alegação do caráter confiscatório e da desproporcionalidade da multa de ofício não prospera, por ingressar tal argumento na trilha da suposta inconstitucionalidade de seu suporte legal, o art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, o que atrai a incidência no caso do art. 26A do Decreto nº 70.235/72, e da Súmula CARF nº 2, esta por força do art. 72 do RICARF: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Ante o exposto, voto no sentido de DAR PARCIAL PROVIMENTO ao recurso voluntário, para fins de restabelecer a dedução de despesas médicas vinculadas ao profissional Ayres Barboza, no montante de R$ 55.000,00 (cinquenta e cinco mil reais). (Assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Fl. 102DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 22/01/20 15 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
score : 1.0
Numero do processo: 10830.009525/2007-76
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 20 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Mar 23 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/02/1997 a 30/06/2007
VÍCIO DE FUNDAMENTAÇÃO LEGAL INEXISTENTE. VALIDADE DO LANÇAMENTO.
Nos termos do art. 144 do CTN, aplica-se ao lançamento a legislação vigente na data da ocorrência do fato gerador, ainda que posteriormente revogada, inexistindo vício no lançamento que elenca os fundamentos legais vigentes no período da autuação.
PAGAMENTO A ADVOGADOS CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. NATUREZA JURÍDICA. REPASSE DE HONORÁRIOS DE SUCUMBÊNCIA NÃO CONFIGURADO.
A contabilidade da sociedade registra pagamentos a advogados com recursos próprios e não registra a obrigação de repassar, aos advogados que atuaram nos processos judiciais, honorários de sucumbência por ela recebidos.
A contabilidade faz prova contra a empresa, cabendo a ela o ônus de demonstrar a inveracidade dos registros contábeis.
CONTRIBUIÇÃO A CARGO DOS CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. RESPONSABILIDADE DA EMPRESA.
A empresa é responsável pela arrecadação e recolhimento das contribuições a cargo dos segurados contribuintes individuais na condição de responsável por substituição, por força do art. 4o da Lei 10.666/2003.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2402-004.491
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
Julio César Vieira Gomes- Presidente
Luciana de Souza Espíndola Reis- Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Luciana de Souza Espíndola Reis, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo e Nereu Miguel Ribeiro Domingues. Ausente o Conselheiro Thiago Taborda Simões.
Nome do relator: LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201501
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/02/1997 a 30/06/2007 VÍCIO DE FUNDAMENTAÇÃO LEGAL INEXISTENTE. VALIDADE DO LANÇAMENTO. Nos termos do art. 144 do CTN, aplica-se ao lançamento a legislação vigente na data da ocorrência do fato gerador, ainda que posteriormente revogada, inexistindo vício no lançamento que elenca os fundamentos legais vigentes no período da autuação. PAGAMENTO A ADVOGADOS CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. NATUREZA JURÍDICA. REPASSE DE HONORÁRIOS DE SUCUMBÊNCIA NÃO CONFIGURADO. A contabilidade da sociedade registra pagamentos a advogados com recursos próprios e não registra a obrigação de repassar, aos advogados que atuaram nos processos judiciais, honorários de sucumbência por ela recebidos. A contabilidade faz prova contra a empresa, cabendo a ela o ônus de demonstrar a inveracidade dos registros contábeis. CONTRIBUIÇÃO A CARGO DOS CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. RESPONSABILIDADE DA EMPRESA. A empresa é responsável pela arrecadação e recolhimento das contribuições a cargo dos segurados contribuintes individuais na condição de responsável por substituição, por força do art. 4o da Lei 10.666/2003. Recurso Voluntário Negado.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Mar 23 00:00:00 UTC 2015
numero_processo_s : 10830.009525/2007-76
anomes_publicacao_s : 201503
conteudo_id_s : 5444765
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Mar 23 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 2402-004.491
nome_arquivo_s : Decisao_10830009525200776.PDF
ano_publicacao_s : 2015
nome_relator_s : LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS
nome_arquivo_pdf_s : 10830009525200776_5444765.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Julio César Vieira Gomes- Presidente Luciana de Souza Espíndola Reis- Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Luciana de Souza Espíndola Reis, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo e Nereu Miguel Ribeiro Domingues. Ausente o Conselheiro Thiago Taborda Simões.
dt_sessao_tdt : Tue Jan 20 00:00:00 UTC 2015
id : 5870562
ano_sessao_s : 2015
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:38:32 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047702491627520
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2067; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T2 Fl. 1.183 1 1.182 S2C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10830.009525/200776 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2402004.491 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 20 de janeiro de 2015 Matéria CONTRIBUINTE INDIVIDUAL Recorrente ADVOCACIA GETÚLIO ARAÚJO ADVOGADOS ASSOCIADOS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/02/1997 a 30/06/2007 VÍCIO DE FUNDAMENTAÇÃO LEGAL INEXISTENTE. VALIDADE DO LANÇAMENTO. Nos termos do art. 144 do CTN, aplicase ao lançamento a legislação vigente na data da ocorrência do fato gerador, ainda que posteriormente revogada, inexistindo vício no lançamento que elenca os fundamentos legais vigentes no período da autuação. PAGAMENTO A ADVOGADOS CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. NATUREZA JURÍDICA. REPASSE DE HONORÁRIOS DE SUCUMBÊNCIA NÃO CONFIGURADO. A contabilidade da sociedade registra pagamentos a advogados com recursos próprios e não registra a obrigação de repassar, aos advogados que atuaram nos processos judiciais, honorários de sucumbência por ela recebidos. A contabilidade faz prova contra a empresa, cabendo a ela o ônus de demonstrar a inveracidade dos registros contábeis. CONTRIBUIÇÃO A CARGO DOS CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. RESPONSABILIDADE DA EMPRESA. A empresa é responsável pela arrecadação e recolhimento das contribuições a cargo dos segurados contribuintes individuais na condição de responsável por substituição, por força do art. 4o da Lei 10.666/2003. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 00 95 25 /2 00 7- 76 Fl. 1183DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Julio César Vieira Gomes Presidente Luciana de Souza Espíndola Reis Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Luciana de Souza Espíndola Reis, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo e Nereu Miguel Ribeiro Domingues. Ausente o Conselheiro Thiago Taborda Simões. Fl. 1184DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10830.009525/200776 Acórdão n.º 2402004.491 S2C4T2 Fl. 1.184 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face do Acórdão n.º 0526.037, da 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) em Campinas (SP), fl. 877895, com ciência ao sujeito passivo em 10/07/2009, fl. 897, que julgou procedente em parte a impugnação apresentada contra Notificação Fiscal de Lançamento de Débito (NFLD) lavrada sob o Debcad no 37.132.4416, da qual o sujeito passivo foi cientificado em 05/11/2007, fl. 104. De acordo com o relatório fiscal, fl. 102103, o lançamento trata de exigência de contribuições patronais e de segurados, destinadas à Seguridade Social, inclusive a destinada ao custeio dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (GILRAT), bem como as contribuições para outras entidades e fundos (terceiros), relativas à contribuição do salário educação, INCRA, SENAC, SESC e SEBRAE, incidentes sobre as remunerações pagas aos segurados empregados e contribuintes individuais no período de 01/01/1997 a 30/06/2007. São exigidas, também, diferenças de acréscimos legais decorrentes de pagamento de Guia de Previdência Social (GPS) em atraso. Os fatos geradores foram agrupados nos seguintes levantamentos: FP Folha de Pagamento, onde foram relacionados valores apurados para período anterior à instituição da GFIP; FP1 Folha de Pagamento, onde foram relacionados valores apurados e declarados em GFIP; FP3 Folha de Pagamento, onde foram relacionados valores apurados e não declarados em GFIP; DAL Diferenças de Acréscimos. A autuada apresentou impugnação, f. 107131, sustentando, em síntese, que teve seu direito de defesa cerceado por recusa do auditor fiscal em receber seus documentos, que é decadente o período até 07/2002, que parte dos valores lançados já haviam sido recolhidos, apontou erros na apuração dos valores das contribuições lançadas em algumas competências, que não há incidência sobre os valores pagos aos contribuintes individuais (levantamento FP3) por se tratar de honorários de sucumbência, além de erro na identificação de coresponsável. Após informação fiscal da autoridade lançadora em razão de conversão do julgamento em diligência, fl. 834, e, após manifestação da autuada sobre o resultado da diligência, fl. 841871, a decisão de primeira instância julgou a impugnação procedente em parte, excluindo o período decadente até a competência 07/2002, as contribuições extintas pelo pagamento nas competências 08 e 09/2004, 05 e 11/2005 e 02 e 05/2006, e os acréscimos legais por pagamento em atraso. O julgado restou assim ementado: PREVIDENCIÁRIO. PAGAMENTO DE REMUNERAÇÃO A SEGURADOS EMPREGADOS E CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. CONTRIBUIÇÕES. ARRECADAÇÃO E RECOLHIMENTO. OBRIGAÇÃO DA EMPRESA. Fl. 1185DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 Incumbe à empresa promover a arrecadação das contribuições devidas pelos segurados empregados e contribuintes individuais a seu serviço, e recolhêlas, juntamente com as suas próprias contribuições, no prazo estabelecido em lei. HONORÁRIOS DE SUCUMBÊNCIA. REPASSE. NÃO COMPROVAÇÃO. NATUREZA REMUNERATÓRIA. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. INCIDÊNCIA. Não comprovado que os valores pagos pela empresa a segurados contribuintes individuais se tratam, efetivamente, de mero repasse de verbas de sucumbência, devem tais importâncias ser consideradas de natureza remuneratória e, portanto, submetidas à incidência de contribuições previdenciárias. CRÉDITO PREVIDENCIÁRIO. CONSTITUIÇÃO. PRAZO. DECADÊNCIA. É de cinco anos o prazo de que a seguridade social dispõe para constituir os seus créditos, contados, no caso de ter havido recolhimento parcial, da data da ocorrência dos respectivos fatos geradores. Em 07/08/2009, a autuada interpôs recurso voluntário, fl. 899931, apresentando seus fundamentos, cujos pontos relevantes para a solução do litígio são: Em preliminar, destaca erro de fundamentação legal, por ter sido revogado o art. 94 da Lei 8.212/91, requerendo saneamento com base no art. 32 do Decreto 70.235/72. No mérito, sustenta que não incide contribuição previdenciária patronal sobre pagamentos de honorários de sucumbência (levantamento FP3), conforme arts. 22 e 23 do Estatuto da Advocacia (Lei nº 8.906/94) e art. 71 § 15 da Instrução Normativa MPS/SRP nº 03/2005. Esclarece que recebe os honorários de sucumbência por meio de levantamento de depósito, pagamento em dinheiro, cheque, boleto ou depósito bancário, e que os valores recebidos são direcionados para contas bancárias, formandose um fundo de honorários sucumbenciais que é mensalmente rateado entre os advogados que trabalharam nos processos. Os valores recebidos a título de honorários sucumbenciais estão comprovados por meio de diversos documentos juntados com a impugnação e com o recurso. Argumenta ainda que os honorários de sucumbência recebidos são lançados na sua contabilidade, na conta de receita de honorários, conforme demonstra o razão analítico em anexo, esclarecendo que o registro contábil é feito de acordo com as normas que tratam do regime de tributação com base no Lucro Presumido, art. 45 da Lei 8.981/95 e IN SRF 104/98, igualmente alicerçados nessas normas são os lançamentos dos valores pagos aos advogados a este título, registrados em contas de despesas. Afirma que a escrituração em conta transitória, como sugerido pela fiscalização, é contrária à legislação e acarretaria sonegação de tributos. Sustenta que também é indevida a exigência da contribuição a cargo do contribuinte individual, pois é dele a responsabilidade do pagamento das contribuições incidentes sobre os honorários sucumbenciais, conforme § 15 da IN SRP 03/2005, não se aplicando ao caso a responsabilidade da empresa por substituição prevista na Lei 10.666/2003. Fl. 1186DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10830.009525/200776 Acórdão n.º 2402004.491 S2C4T2 Fl. 1.185 5 Além disso, argumenta que não é a fonte pagadora dos honorários sucumbenciais, atuando como mera intermediadora entre os sucumbentes pessoas físicas e os advogados que patrocinaram as causas, os quais, afirma, já efetuaram o recolhimento à previdência social das contribuições incidentes sobre as suas remunerações, de modo que a manutenção dessa exigência resultaria em bitributação. Explica que as empresas mencionadas nos documentos juntados aos autos são seus clientes, os quais outorgaram poderes aos advogados beneficiados pelos honorários de sucumbência. Explica, ainda, que o rateio dos honorários sucumbenciais é feito a partir dos valores efetivamente recebidos, o que nem sempre coincide com o valor que a parte vencida foi condenada a pagar, e que isso ocorre por motivos diversos, tais como, parcelamento, incidência de juros sobre valores depositados judicialmente, dentre outros. Assim, em todos os meses há recebimento de valores dessa natureza, por vezes de igual valor, o que justifica a constância dos pagamentos aos advogados. Afirma que as advogadas Telma Cristina de Carlos e Taisa Pedrosa Laiter eram sócias da recorrente até julho de 2005, atuando mais diretamente com os processos, e quando foram desligadas da sociedade, tal qual os demais beneficiados pelos honorários de sucumbência, trabalhavam pelo sucesso. Pede que seja dado provimento ao recurso, com cancelamento do crédito tributário lançado. Sem contrarrazões da Procuradoria da Fazenda Nacional, os autos foram enviados a este Conselho para julgamento. É o relatório. Fl. 1187DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 Voto Conselheira Luciana de Souza Espíndola Reis, Relatora Recurso Voluntário Conheço do recurso por estarem presentes os requisitos de admissibilidade. Invalidade do lançamento. Inocorrência A recorrente alega erro de fundamentação legal por ter ocorrido a revogação do art. 94 da Lei 8.212/91, requerendo saneamento com base no art. 32 do Decreto 70.235/72. O Relatório Fundamentos Legais do Débito (FLD), fls. 8995, traz os fundamentos legais que embasam o crédito tributário no período do lançamento, inclusive faz referência ao art. 94 da Lei 8.212/91, que constitui fundamento legal válido das contribuições devidas a outras entidades e fundos lançadas no período anterior à vigência da Lei 11.501 de 11/07/2007, pois, conforme determina o art. 144, “caput”, do CTN, devem ser tratados os fatos contemplados no lançamento com a legislação vigente quando da sua ocorrência: Art. 144. O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. Em síntese, a alegação de erro de fundamentação legal não encontra verossimilhança nos autos, motivo pelo qual é rejeitada. Pagamentos a Contribuintes Individuais. Natureza Jurídica. Honorários de Sucumbência não configurados O recurso contesta a parte do lançamento tributário relativa às contribuições patronais1 e a cargo dos segurados contribuintes individuais devidas pela empresa na condição de responsável por substituição2, que recaíram sobre pagamentos de honorários aos advogados contribuintes individuais que prestaram serviços à recorrente, registrados como despesas em sua contabilidade, no período de 02/2005 a 11/2006. A recorrente é uma sociedade composta pela reunião de advogados que tem por objeto social prestar serviços intelectuaiscientíficos de advocacia. Para tanto, possui 1 Lei 8.212/91 Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: ... III vinte por cento sobre o total das remunerações pagas ou creditadas a qualquer título, no decorrer do mês, aos segurados contribuintes individuais que lhe prestem serviços; (Incluído pela Lei nº 9.876, de 1999). 2 Lei 10.666/2003 (redação vigente à época dos fatos geradores) Art. 4o Fica a empresa obrigada a arrecadar a contribuição do segurado contribuinte individual a seu serviço, descontandoa da respectiva remuneração, e a recolher o valor arrecadado juntamente com a contribuição a seu cargo até o dia dois do mês seguinte ao da competência. Fl. 1188DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10830.009525/200776 Acórdão n.º 2402004.491 S2C4T2 Fl. 1.186 7 atividade econômica organizada, conta com empregados e colaboradores e possui contabilidade autônoma, na qual são registrados os fatos econômicos da sociedade. Em razão de suas atividades, não há dúvida de que os sócios e outros advogados que prestam serviços à recorrente têm direito ao recebimento dos honorários incluídos na condenação da parte adversária dos processos os quais tenham patrocinado, uma vez que essas verbas pertencem àqueles, conforme disposição expressa do art. 21 e 23 da Lei 8.906/94 (Estatuto da Advocacia), ressalvando que cabe partilha com a empregadora, no caso de advogado empregado, conforme previsão em acordo (parágrafo único do art. 21 da Lei 8.906/94). A recorrente demonstra que ela própria recebeu honorários de sucumbência, conforme documentos juntados aos autos (recibos e boletos de pagamento em favor da recorrente, procurações outorgadas aos advogados, petições relativas aos honorários sucumbenciais em execução pelos advogados). A questão que cabe decidir é se a recorrente repassou esses pagamentos aos advogados, como alega, hipótese em que estaria afastada a incidência de contribuição previdenciária, ou se ela simplesmente remunerou os advogados que lhe prestaram serviços, que é o fundamento fáticojurídico da autuação. A recorrente sustenta que depositou os valores recebidos a título de honorários de sucumbência em contas bancárias de sua titularidade para serem posteriormente rateados entre os advogados interessados. Entretanto, a contabilidade não reflete essa prática e os documentos juntados aos autos não são suficientes para comprovála. A recorrente alega que registrou contabilmente os ingressos de valores recebidos a título de honorários sucumbenciais em conta de receitas de serviços prestados. Entretanto, os registros feitos nessa conta contábil não especificam a entrada de valores de natureza de honorários sucumbenciais. Não há qualquer classificação qualitativa dos fatos econômicos ali registrados, de modo que não ficou demonstrado que os honorários de sucumbência recebidos pela interessada foram contabilizados. Em suma, não ficou demonstrada a suposta vinculação entre os honorários de sucumbência recebidos pela recorrente, conforme recibos juntados aos autos, e os pagamentos feitos aos advogados, registrados na escrituração contábil, objeto do lançamento. Ainda que seja superada essa questão e se adote como verdadeiro o argumento de que esses pagamentos foram contabilizados como receitas, o que se conclui a partir disso é que a titularidade dos valores relativos aos honorários sucumbenciais passaram para a recorrente, o que é incompatível com a alegada condição de mera possuidora de recursos de terceiros. As receitas integram o resultado econômico da entidade, aumentando o seu patrimônio, devendo ser reconhecidas quando os benefícios econômicos associados à transação Fl. 1189DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 8 fluirão para a entidade, conforme Pronunciamento Técnico CPC nº 30 do Comitê de Pronunciamentos Contábeis3. Na mesma seara, as despesas incorridas com o pagamento de honorários aos advogados diminuíram o patrimônio da recorrente. Em suma, a contabilidade não demonstra obrigação da recorrente para com terceiros, concernente ao repasse de valores recebidos a título de honorários de sucumbência. A contabilidade faz prova contra as sociedades empresariais, conforme estatui o Código Civil, art. 226 e do Código de Processo Civil, art. 378. Código Civil Art. 226. Os livros e fichas dos empresários e sociedades provam contra as pessoas a que pertencem, e, em seu favor, quando, escriturados sem vício extrínseco ou intrínseco, forem confirmados por outros subsídios. Código de Processo Civil Art. 378. Os livros comerciais provam contra o seu autor. É lícito ao comerciante, todavia, demonstrar, por todos os meios permitidos em direito, que os lançamentos não correspondem à verdade dos fatos. A eficácia probatória da contabilidade pode ser afastada diante de prova contundente do erro cometido. Para tanto, não basta provar o fato que alega ser verdadeiro. É necessário também demonstrar a ilação entre o fato verdadeiro e o fato inverídico que se registrou contabilmente. Por este motivo, a documentação juntada aos autos, no sentido de que a recorrente recebeu honorários de sucumbência que, a princípio, pertencem aos advogados, e a demonstração da origem dos valores supostamente repassados aos patrocinadores das causas não são capazes de infirmar os lançamentos contábeis relativos aos pagamentos de honorários aos advogados com recursos da própria recorrente. Ademais, as planilhas apresentadas pela recorrente, relativas ao cálculo do rateio de honorários aos advogados, fl. 189789, por si só não são eficazes para comprovar a origem dos valores registrados, na contabilidade, como despesas de pagamento de honorários, pois somente os extratos bancários demonstrariam o valor total recebido pelo escritório, uma vez que não ficou demonstrado o competente registro contábil dessas entradas. E, ao contrário do alegado, nem sempre o valor supostamente repassado, demonstrado nas planilhas, corresponde ao saldo de honorários de sucumbência, conforme ocorreu, por exemplo, no mês de abril/2005, fl. 1084, que consigna saldo de honorários de R$ 7.302,00, com repasse total de R$ 5.100,00, sendo que também nos meses seguintes não ocorreu o repasse da diferença. Portanto, concluo que os pagamentos têm natureza remuneratória, sendo tributados nos termos do lançamento. 3 22 A receita somente deve ser reconhecida quando for provável que os benefícios econômicos associados à transação fluirão para a entidade. Porém, quando surgir incerteza acerca da realização de valor já incluído na receita, o valor incobrável, ou o valor com respeito ao qual a recuperação tenha deixado de ser provável, deve ser reconhecido como despesa, e não como ajuste (dedução) do valor da receita originalmente reconhecida. Fl. 1190DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10830.009525/200776 Acórdão n.º 2402004.491 S2C4T2 Fl. 1.187 9 Bitributação. Inocorrência Após as revisões de valores feitas pelo acórdão recorrido, remanesceram, no lançamento, as contribuições a cargo dos contribuintes individuais das competências 02/2005 a 12/2006. Neste período, a empresa é responsável pela arrecadação e recolhimento das contribuições a cargo dos segurados contribuintes individuais na condição de responsável por substituição, por força do art. 4o da Lei 10.666/2003: Art. 4o Fica a empresa obrigada a arrecadar a contribuição do segurado contribuinte individual a seu serviço, descontandoa da respectiva remuneração, e a recolher o valor arrecadado juntamente com a contribuição a seu cargo até o dia dois do mês seguinte ao da competência. A empresa é responsável direto pelo recolhimento do valor devido, ainda que tenha deixado de efetuar a retenção, por força do art. 13 da Lei 10.666/2003 e art. 33, § 5º da Lei 8.212/91: Lei 10.666/2003: Art. 13. Aplicamse ao disposto nesta Lei, no que couber, as disposições legais pertinentes ao Regime Geral de Previdência Social. Lei 8.212/91 Art. 33 ... § 5º O desconto de contribuição e de consignação legalmente autorizadas sempre se presume feito oportuna e regularmente pela empresa a isso obrigada, não lhe sendo lícito alegar omissão para se eximir do recolhimento, ficando diretamente responsável pela importância que deixou de receber ou arrecadou em desacordo com o disposto nesta Lei. Eventual pagamento da contribuição pelo contribuinte individual não retira a condição do contratante de responsável tributário direto pelo recolhimento do valor devido a título de retenção, mas que não foi retido, nem autoriza o aproveitamento de eventual pagamento feito pelo contribuinte individual. Permitir que o contratante que agiu em desacordo com a lei ao deixar de efetuar a retenção ou de pagar o valor retido aproveite eventuais pagamentos feitos pelo contribuinte individual inverteria a responsabilidade, que passaria a ser diretamente deste último, em evidente afronta à lei. Fl. 1191DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 10 Conclusão Com base no exposto, voto por conhecer do recurso e, no mérito, negar lhe provimento. Luciana de Souza Espíndola Reis. Fl. 1192DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
score : 1.0
Numero do processo: 14041.000882/2006-35
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 03 00:00:00 UTC 2012
Ementa: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E
CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO
PORTE - SIMPLES
Exercício: 2002
INTERMEDIAÇÃO DE NEGÓCIOS. CORRETOR. VEDAÇÃO.
Não pode optar pelo Simples Federal a pessoa jurídica que presta serviços de intermediação em contratos de financiamento, por caracterizar prestação de
serviços profissionais de corretor ou a eles assemelhados. De igual forma, a prática reiterada de infração à legislação tributária é causa de exclusão do
sistema simplificado de pagamentos. Correta, assim, a exclusão de oficio,
inclusive com efeitos retroativos, na forma da lei.
OMISSÃO DE RECEITAS. BASE DE CÁLCULO. RETENÇÃO NA
FONTE. ABATIMENTO. POSSIBILIDADE.
O devido na forma do SIMPLES corresponde à aplicação do percentual estabelecido em lei sobre a receita bruta auferida no mês, nela incluídas as receitas auferidas na atividade de intermediação de negócios. Se, como no caso concreto, sobre as receitas auferidas incidiu a retenção de imposto de
renda na fonte, deve-se admitir que, do montante exigido desse tributo em cada mês, seja deduzido o valor retido ria fonte no mês correspondente.
ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ
Exercício: 2003, 2004
ARBITRAMENTO. FALTA DE ESCRITURAÇÃO DA
MOVIMENTAÇÃO BANCARIA. IMPRESTABILIDADE DA ESCRITA.
FALTA DE DEMONSTRAÇÃO.
0 arbitramento é medida extrema, que se deve ser adotada diante da impossibilidade de apuração do lucro por outra via. Diante da constatação da falta de escrituração da movimentação bancária, caberia ao Fisco prosseguir nas investigações e demonstrar de que modo essa deficiência torna a escrita contábil (Diário e Razão) imprestável para fins de determinação do lucro real.
Ademais, em se tratando de contribuinte que foi excluído de oficio do SIMPLES, seria necessário oferecer-lhe a oportunidade de, se possível, sanar eventuais vícios encontrados em sua escrituração, o que não ocorreu no caso
concreto. Diante disso, o arbitramento não pode subsistir.
Numero da decisão: 1302-000.931
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar
provimento parcial ao recurso, vencidos os Conselheiros Marcos Rodrigues de Mello e Eduardo de Andrade, que negavam provimento ao recurso.
Nome do relator: waldir Veiga Rocha
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201207
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE - SIMPLES Exercício: 2002 INTERMEDIAÇÃO DE NEGÓCIOS. CORRETOR. VEDAÇÃO. Não pode optar pelo Simples Federal a pessoa jurídica que presta serviços de intermediação em contratos de financiamento, por caracterizar prestação de serviços profissionais de corretor ou a eles assemelhados. De igual forma, a prática reiterada de infração à legislação tributária é causa de exclusão do sistema simplificado de pagamentos. Correta, assim, a exclusão de oficio, inclusive com efeitos retroativos, na forma da lei. OMISSÃO DE RECEITAS. BASE DE CÁLCULO. RETENÇÃO NA FONTE. ABATIMENTO. POSSIBILIDADE. O devido na forma do SIMPLES corresponde à aplicação do percentual estabelecido em lei sobre a receita bruta auferida no mês, nela incluídas as receitas auferidas na atividade de intermediação de negócios. Se, como no caso concreto, sobre as receitas auferidas incidiu a retenção de imposto de renda na fonte, deve-se admitir que, do montante exigido desse tributo em cada mês, seja deduzido o valor retido ria fonte no mês correspondente. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Exercício: 2003, 2004 ARBITRAMENTO. FALTA DE ESCRITURAÇÃO DA MOVIMENTAÇÃO BANCARIA. IMPRESTABILIDADE DA ESCRITA. FALTA DE DEMONSTRAÇÃO. 0 arbitramento é medida extrema, que se deve ser adotada diante da impossibilidade de apuração do lucro por outra via. Diante da constatação da falta de escrituração da movimentação bancária, caberia ao Fisco prosseguir nas investigações e demonstrar de que modo essa deficiência torna a escrita contábil (Diário e Razão) imprestável para fins de determinação do lucro real. Ademais, em se tratando de contribuinte que foi excluído de oficio do SIMPLES, seria necessário oferecer-lhe a oportunidade de, se possível, sanar eventuais vícios encontrados em sua escrituração, o que não ocorreu no caso concreto. Diante disso, o arbitramento não pode subsistir.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
numero_processo_s : 14041.000882/2006-35
conteudo_id_s : 5430372
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Sep 17 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 1302-000.931
nome_arquivo_s : Decisao_14041000882200635.pdf
nome_relator_s : waldir Veiga Rocha
nome_arquivo_pdf_s : 14041000882200635_5430372.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso, vencidos os Conselheiros Marcos Rodrigues de Mello e Eduardo de Andrade, que negavam provimento ao recurso.
dt_sessao_tdt : Tue Jul 03 00:00:00 UTC 2012
id : 5825400
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:36:39 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047702518890496
conteudo_txt : Metadados => date: 2013-06-13T21:38:38Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 14; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2013-06-13T21:38:38Z; Last-Modified: 2013-06-13T21:38:38Z; dcterms:modified: 2013-06-13T21:38:38Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; xmpMM:DocumentID: uuid:0d9888ce-27eb-4946-a3c6-48f101ee0f54; Last-Save-Date: 2013-06-13T21:38:38Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2013-06-13T21:38:38Z; meta:save-date: 2013-06-13T21:38:38Z; pdf:encrypted: false; modified: 2013-06-13T21:38:38Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2013-06-13T21:38:38Z; created: 2013-06-13T21:38:38Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 22; Creation-Date: 2013-06-13T21:38:38Z; pdf:charsPerPage: 2055; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2013-06-13T21:38:38Z | Conteúdo => 1-> , 1)1 (ARI - MI 1'1. I SI-C3T2 FL 409 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n" 14041.000882/2006-35 RCCUTS0 n° Voluntário Acórdão le 1302-00.931 — 3' Camara / 2a Turma Ordinária Sessão de 03 de julho de 2012 Matéria SIMPLES Recorrente VISÃO VEÍCULOS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROENIPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE - SIMPLES Exercício: 2002 INTERMEDIAÇÃO DE NEGÓCIOS. CORRETOR. VEDAÇÃO. Não pode optar pelo Simples Federal a pessoa jurídica que presta serviços de intermediação em contratos de financiamento, por caracterizar prestação de serviços profissionais de corretor ou a eles assemelhados. De igual forma, a prática reiterada de infração à legislação tributária é causa de exclusão do sistema simplificado de pagamentos. Correta, assim, a exclusão de oficio, inclusive com efeitos retroativos, na forma da lei. OMISSÃO DE RECEITAS. BASE DE CÁLCULO. RETENÇÃO NA FONTE. ABATIMENTO. POSSIBILIDADE. O devido na forma do SIMPLES corresponde à aplicação do percentual estabelecido em lei sobre a receita bruta auferida no mês, nela incluídas as receitas auferidas na atividade de intermediação de negócios. Se, como no caso concreto, sobre as receitas auferidas incidiu a retenção de imposto de renda na fonte, deve-se admitir que, do montante exigido desse tributo em cada mês, seja deduzido o valor retido ria fonte no mês correspondente. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Exercício: 2003, 2004 ARBITRAMENTO. FALTA DE ESCRITURAÇÃO DA MOVIMENTAÇÃO BANCARIA. IMPRESTABILIDADE DA ESCRITA. FALTA DE DEMONSTRAÇÃO. 0 arbitramento é medida extrema, que s6 deve ser adotada diante da impossibilidade de apuração do lucro por outra via. Diante da constatação da falta de escrituração da movimentação bancária, caberia ao Fisco prosseguir nas investigações e demonstrar de que modo essa deficiência torna a escrita u 24, 00(201 Vv't.1 tHf.<1 - CM BR/-. D1- CAR!: NW Processo n° 14041.000882/2006-35 Acárdao n.° 1302-00.931 FL 2 SI -C3T2 H. 410 contábil (Diário e Razão) imprestável para fins de determinação do lucro real. Ademais, em se tratando de contribuinte que foi excluído de oficio do SIMPLES, seria necessário oferecer-lhe a oportunidade de, se possível, sanar eventuais vícios encontrados em sua escrituração, o que não ocorreu no caso concreto. Diante disso, o arbitramento não pode subsistir. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso, vencidos os Conselheiros Marcos Rodrigues de Mello e Eduardo de Andrade, que negavam provimento ao recurso. Marcos Rodrigues de Mello — Presidente Waldir fe-i-g-air) Relator E .ÇRDo Participaram do presente julgamento os Conselheiros Waldir Veiga Rocha, Paulo Roberto Cortez, Márcio Rodrigo Frizzo, Eduardo de Andrade, Cristiane Silva Costa e Marcos Rodrigues de Mello. Relatório VISÃO VEÍCULOS LTDA., já qualificada nestes autos, inconformada com o Acórdão n° 03-34.312, de 19/11/2009, da 4' Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Brasilia/DF, recorre voluntariamente a este Colegiado, objetivando a reforma do referido julgado. Por bem descrever o ocorrido, valho-me do relatório elaborado por ocasião do julgamento em primeira instancia, a seguir transcrito: Trata-se de dois procedimentos. 0 primeiro, processado nos autos de n° 14041.000882/2006-35, refere-se a autos de infração relativos ao IRPJ-Simples e seus reflexos (PIS, CSLL, Cofins e INSS) do ano-calendário 2001, bem como ao IRPJ e reflexos (PIS, CSLL e Cofins) dos anos-calendário 2002 e 2003, todos lavrados em 05/12/2006, formalizando crédito tributário no valor total de R$ 96.863,62, com os acréscimos legais cabíveis até aquela data (fls.05/06). O segundo, processado nos autos de n° 14041.000723/2006-31, em apenso, refere-se à exclusão da sistemática do Simples Federal com efeitos a partir de 01/01/2002, por meio do Ato Declaratório Executivo DRF/BSA no 126, de 28 de novembro de 2006 (fl. 66), em decorrência de ter sido constatado no procedimento de fiscal que a contribuinte presta serviços de intermediação de financiamento, que caracteriza corretagem de negócios, atividade econômica vedada à opção pela sistemática, consoante artigo 9°, r9p « 2 2O02 d 2icOGJ2OO1 : n rI 14;1)a; 2 12 poi ,IVAI_DIR ROCHA 2 1"—.Tr..S• 012 S i TORRES SI,VF0 ME - VE:r:!;C: CMANCO DI (:ARF l' 1 . :; Processo n° 14041.000882/2006-35 SI -C3T2 Acórdão n.° 1302-00.931 Fl. 411 inciso XIII, da Lei n° 9.317, de 1996. Fundamentou-se ainda a exclusão no art. 14, inciso V, da mesma lei, em razão de ter restado caracterizada pratica reiterada de infração A legislação tributária. Do Relatório de Verificação Fiscal (fls. 253/259), constam, em síntese, as seguintes informações: • Diversas instituições financeiras informaram em suas Declarações do Imposto de Renda Retido na Fonte (DIRF) ter efetuado pagamentos A empresa fiscalizada no código de receita 8045 (IRRF- Outros Rendimentos). Intimadas, esclareceram que esses pagamentos referiram-se à "prestação de serviços de encaminhamento ao Banco de pedidos de financiamentos para aquisição de bens e serviços", ou de "mediação na realização de negócios envolvendo veículos", bem como apresentaram copias dos contratos celebrados com a contribuinte; • A fiscalizada informou não ter emitido notas fiscais referentes aos recebimentos daqueles valores declarados pelas instituições financeiras, e colocou-se A disposição do Fisco para regularização; • Restou comprovado que a contribuinte auferiu. no período analisado, receitas decorrentes de comissões pela intermediação de negócios (financiamentos automotivos), atividades essas que são próprias de corretores, mesmo quando não realizada sob essa denominação. A prestação desses serviços é vedada no âmbito do Simples, consoante art. 9°, inciso XIII, da Lei n° 9.317, de 1996. Procedeu-se, então, A sua exclusão da sistemática, com efeitos a partir de 01/01/2002, nos termos do art. 24, §1 0, inciso II, da Instrução Normativa SRF n° 608, de 2006; • Apesar de a contribuinte ter escriturado o Livro Diário e Razão, os mesmos não registram a efetiva movimentação financeira da empresa, inclusive a bancária, conforme art. 47, II, alínea "a" da Lei n° 8.981, de 1995. Portanto, para os anos-calendário 2002 e 2003, procedeu-se ao arbitramento do lucro com base na receita bruta conhecida, ou seja, aquela declarada pela fiscalizada em sua Declaração Simplificada, e as comissões recebidas pelas instituições financeiras pela intermediação de financiamento de veículos, aplicando-se o percentual de 32%, acrescido de 20%, conforme artigos 15 e 16 da Lei n° 9.249, de 1995. Tal medida foi adotada após regular autorização do chefe de fiscalização concedida As fis. 157/159; • Para o ano-calendário de 2001, os valores referentes As comissões recebidas pelas instituições financeiras pela intermediação de financiamento foram apurados como omissão de receita peia sistemática do Simples, tendo ern vista que a exclusão teve seus efeitos fixados para 01/01/2002; • Apurou-se, dessa forma, as seguintes infrações: nos anos-calendário 2002 e 2003, omissão de receita operacional — atividade não imobiliária — outras receitas, conforme valores declarados pelas instituições financeiras nas DIRFs e pela contribuinte não oferecidos tributação; também para esses anos, tributou-se equivocadamente as receitas pela sis mática do Simples; no ano-calendário 2001, omissão 2 6..1 24(08' 20,) kAiA t ;F, R0(21A \ii.--RSOEM ANCC 3 1)1 CAW- \IF Fl. 4 • Processo n° 14041.000882/2006-35 SI -('3T2 Acórdao n.° 1302-00.931 Fl. 412 de receita — receitas não escrituradas — Simples, tendo em vista os valores declarados pelas instituições financeiras nas DIRFs e pela contribuinte não oferecidos A. tributação, e considerando que a exclusão do Simples somente teve efeitos a partir de 01/01/2002. Ao final, consignou ainda aquela autoridade (fl. 259): Fica ressalvado o direito de a contribuinte compensar os valores dos tributos já declarados e/ou pagos de acordo com a forma de apuração do SIMPLES durante os anos-base de 2002 e 2003. Regularmente cientificada dos autos de infração em 07/12/2006 (fls.183; 187; 191; 197; 205; 214; 225; 236; 246), a interessada apresentou em 0510112007 duas impugnações: uma para os autos de infração referentes aos anos-calendário 2002 e 2003 (fls. 263/275); outra para os autos de infração referentes ao ano-calendário 2001 (fls. 288/301). Na impugnação à autuação dos anos-calendário 2002 e 2003, alega a contribuinte, em síntese e fundamentalmente, que (fls. 263/275): • A exigência formalizada nesses autos de infração deve ficar suspensa até o julgamento definitivo do Ato de Exclusão do Simples processado nos autos de n° 14041.000723/2006-31, o qual foi por ela contestado. Jurisprudência administrativa corroboraria seu entendimento; • Não há demonstração no procedimento fiscal de que tenha havido I renovação tempestiva do mandado de procedimento fiscal. Não foi notificado das renovações durante a fiscalização, que durou de 08/07/2005 a 07/12/2006. A ausência dessa formalidade legal é motivo de nulidade integral do procedimento fiscal; • A escolha da tributação pela forma de arbitramento decorreu de rigor exagerado da autoridade fiscal, e não atende aos preceitos da legislação fiscal, razão pela qual revela-se nulo o procedimento. A simples inexistência de contabilização da conta corrente bancária não é suficiente para a caracterização da imprestabilidade da escrita do contribuinte. Ainda, caberia à auditoria demonstrar que a falta de escrituração tornou a escrita imprestável. Jurisprudência administrativa corroboraria seu entendimento; • Durante a fiscalização, não criou qualquer embaraço a atuação do Fisco, fornecendo todos os documentos e livros, e não foi intimada para efetuar qualquer espécie de regularização. Por outro lado, os elementos por ela fornecidos revelaram-se suficientes para atender a auditoria, que concluiu seu trabalho com base nesses elementos, sem qualquer divergência dos números apresentados em sua contabilidade, em relação A. receita que constou de sua Declaração Simplificada; • Equivocou-se a fiscalização ao classificar os "repasses" bancários como receita de intermediação de financiamento e como atividade operacional principal. Sua atividade principal é a de comércio de veículos, e não a de prestação de serviços. Os financiamentos por ela efetuados consistem em conseqüência do comércio. Objetiva apenas a viabilização das vendas, e não obter "retorno" por esses financiamentos, os quais, aliás, são pagos de praxe pelas instituições • !,adE (1'1(. 0,31 , 11er at- ::o!Oorrtie MP n" 2.203 2 de 244.d.)2001 sdn-opte- , , m 110002M2 pot WALDiP ‘P:TiriA ROCHA I "TORRES SILVES( RE - VLE:SO EX E30ANCC 4 DI • CARI - FL 5 Processo n° 14041.000882/2006-35 SI-C3T2 Acórdão n.° 1302-00.931 Fl. 413 financeiras, e não importa para ele, contribuinte, qual a instituição que concederá o financiamento. Portanto, tais valores jamais poderiam ser tomados como atividade principal, tanto para fins de arbitrame to, como para de exclusão do Simples; • 0 "retorno" que as instituições bancárias repassam As agências de veículos é da natureza jurídica de receitas financeiras, e não de receitas de intermediação. Não, são, pois, receitas operacionais, mas mero resultado de ganhos financeiros; • A aplicação da aliquota referente à prestação de serviços (32%) para suas atividades resultantes do comércio, as quais se aplicariam a aliquota de 8%, contraria o artigo 110 do Código Tributário Nacional, pois implica em modificação dos conceitos das leis civil e comercial. Tal fato também consiste em motivo de nulidade integral do lançamento fiscal; • Não se procedeu no procedimento fiscal à compensação dos valores recolhidos pelo Simples com os apurados na autuação, embora tenha se ressalvado seu direito em compensar. Esse "erro" resulta em nulidade do lançamento; • Revela-se nula sua exclusão do Simples, porquanto efetuada de forma equivocada e sem base legal. Conforme demonstrou, o "retorno" recebidos das instituições bancárias não consiste em intermediação, e é mero acessório, recebido por ocasião das vendas, atividade esta principal; • Aos valores exigidos a titulo de CSLL, PIS e Cofins aplicam-se todos os argumentos já explicitados. Aduz, em relação ao PIS e à Cofins, que os valores recebidos das instituições financeiras caracterizam-se como receitas financeiras, e não podem ser incluidos na base de cálculo dessa contribuição, tendo em vista a declaração de inconstitucionalidade pelo Supremo Tribunal Federal no RE n° 346.084-6/PR do §1° do art. 3° da Lei n° 9.718, de 1998. Evidencia-se nula a tributação no procedimento fiscal dos valores dessas receitas financeiras. Na impugnação à autuação do ano-calendário 2001 alega a interessada, em síntese e fundamentalmente, que (fls. 288/301): • A exigência formalizada nesses autos de infração deve ficar suspensa até o julgamento definitivo do Ato de Exclusão do Simples processado nos autos de no 14041.000723/2006-31,0 qual foi por ela contestado. Jurisprudência administrativa corroboraria seu entendimento; • Na data de ciência do auto de infração (07/12/2006), já tinha ocorrido a decadência dos valores de 1RPJ referentes aos períodos janeiro a novembro de 2001, tendo em vista o transcurso do prazo qüinqüenal contado da data dos respectivos fatos geradores, conforme disposto no artigo 150, §4° do Código Tributário Nacional; • A exclusão do Simples consiste em medida drástica e equivocada, porque sua atividade operacional principal consiste em comércio de veículos. A cóp . a anexa do Balanço de 2001 demonstra que os valores iz ,",¡:;k;i2001 5 ' ir , iv BRAE;() (•;;; DV CAR!' 11. Processo n° 14041.000882/2006-35 Sl-C3T2 Ac6rddo n.° 1302-00.931 VI. 414 contabilizados de "repasse bancários" representam uma pequena parcela do total de suas receitas operacionais. Não, poderia, dessa forma, ser transformado em "prestador de serviços de intermediação" pela autoridade fiscal. Dessa forma, ilegal o Ato de exclusão; • Equivocou-se a fiscalização ao classificar os "repasses" bancários como receita de intermediação de financiamento e como atividade operacional principal. Sua atividade principal é a de comércio de veículos, e não a de prestação de serviços. Os financiamentos por ela efetuados consistem em conseqüência do comércio. Objetiva apenas a viabilização das vendas, e não obter "retorno" por esses financiamentos, os quais, alias, são pagos de praxe pelas instituições financeiras, e não importa para ele, contribuinte, qual a instituição que concederá o financiamento; • O "retorno" que as instituições bancárias repassam As agências de veículos é da natureza jurídica de receitas financeiras, e não de receitas de intermediação. Não, são, pois, receitas operacionais, mas mero resultado de ganhos financeiros; • Não houve a compensação no auto de infração dos valores que foram retidos na fonte pelas instituições bancárias; • Na data de ciência do auto de infração (07/12/2006),já tinha ocorrido a decadência dos valores relativos As contribuições sociais (PIS, Cofins, CSLL e INSS), tendo em vista o transcurso do prazo qüinqüenal contado da data dos respectivos fatos geradores, conforme disposto no artigo 150, §4° do Código Tributário Nacional, bem como julgados do Supremo Tribunal Federal e do Superior Tribunal de Justiça; • Aos valores exigidos a titulo de CSLL, PIS, e Cofins e INSS, aplicam-se todos os argumentos já explicitados. Aduz, em relação ao PIS e A Cofins, que os valores recebidos das instituições financeiras caracterizam-se como receitas financeiras, e não podem ser incluídos na base de cálculo dessa contribuição, tendo em vista a declaração de inconstitucionalidade pelo Supremo Tribunal Federal no RE n° 346.084-6/PR do §1° do art. 3° da Lei n° 9.718, de 1998. Evidencia-se nula a tributação no procedimento fiscal dos valores dessas receitas financeiras. No que tange ao procedimento em apenso, consiste em representação para excluir a contribuinte do Simples Federal (fls. 01/03), A qual se anexaram cópias de documentos constantes do presente processo, dentre eles, cópia de declaração da contribuinte a respeito de suas atividades (fl. 16) e cópias das informações prestadas pelas instituições financeiras a respeito dos valores a ela pagos (fls. 18/62). Após análise, assim decidiu aquela DRF (fls. 63/64): I. Trata-se de procedimento fiscal desencadeado por esta Divisão de Fiscalização, em cujo curso foi detectada a opção indevida pelo Sistema Integrado de Pagamentos de Impostos e Contribuições das Micro empresas e Empresas de Pequeno Porte — Simples Ns. 01 a 04), em razão das seguintes constatações: prestação de serviço de intennecliação de financiamento, que caracteriza corretagem de negócios e constitui atividade vedada to sinado c go:lit -net Ite conrofrrie 2.20C -2 de 2iti ( , 8r20:)1 eni 144)8/2012 pot WAID!R VEIGA o oxrt pn: SUFI I TORRES SINESTF,:E. • VER:iC EM DI CARL 'MI FL 7 Processo n° 14041.000882/2006-35 SI-C3T2 Acórdão n.° 1302-00.931 Fl. 415 para a opção pela mencionada forma de tributação; e prática reiterada de infração à legislação tributária, fundada na "Falta de apresentação do Livro Caixa, contemplando a movimentação bancária ou financeira, exigíveis para as empresas optantes pelo SIMPLES, de acordo com o disposto no ,sç 1°, alienas "a", "b", e "c", do art. 7' da Lei n° 9.317/96 e no 'Não oferecimento ei tributação das receitas decorrentes de comissões recebidas pela intermediactio de financiamentos junto ás instituições financeiras, de acordo coin os resultados das diligências fiscais realizadas pela DIFIS desta unidade da SRF. 2. A empresa foi constituída/aberta em 10/07/85 e fez a opção pelo Simples em 01/01/1997. 3 As vedações incorridas pela contribuinte enquadram-se no seguintes dispositivos da Lei n° 9.317/96: Art. 9° Não poderá optar pelo SIMPLES, a pessoa jurídica: XIII - que preste serviços profissionais de corretor (..), ou assemelhados... Art. 14. A exclusão dar-se-6 de ofício quando pessoa jurídica incorrer em quaisquer das seguintes hipóteses: V - prática reiterada de infração à legislação tributária; 4. Ressalta-se que a Lei n°9.317/96 determina que a exclusão da fornia de tributação do Simples é realizada mediante comunicação pela pessoa jurídica (caput do art. 12), obrigatoriamente (inciso II do art. 13), quando incorrer em qualquer das situações excludentes constantes do art. 9° (alínea "a" do inciso II do art 13). No caso de desczmiprimento dessa determinação, essa mesma Lei, conforme os incisos I e V do art. 14, obriga a Secretaria da Receita Federal a efetuar a exclusão de oficio, a partir, inclusive, do mês de ocorrência de qualquer dos fatos mencionados nos incisos II a VII do art; 14 (inciso V do art. 15). 5. No caso em tela, a exclusão deverá Sill'ill* efeito a partir de 01/01/2002, de acordo com o último parágrafo da representação fiscal que deu azo ao presente despacho, e o art. 15, V, da Lei n° 9.317/96. Cientificada do Ato Declaratório de exclusão do Simples Federal em 07/12/2006 (fls. 66/68 do processo em apenso), a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade em 05/01/2007 (anexada As fls. 314/321 do presente processo), alegando, em síntese e fundamentalmente, que: • A exclusão do Simples consiste em medida drástica e equivocada, porque sua atividade operacional principal consiste em comércio de ,1 veículos. A cópia.-atxa do Balanço de 2001 demonstra que os valores t:- , JO- 2 do 2 28í2201 7 ' .12 Pi 'JR VT_ i ( ..j\ VE-SMI'" '/ O LiVi BRANCO DI- CARA' MF H. 8 Processo n° 14041.000882/2006-35 SI -C3T2 Acórdão n." 1302 -00.931 Fl. 416 contabilizados de "repasse bancários" representam uma pequena parcela do total de suas receitas operacionais. Não, poderia, dessa forma, ser transformado em "prestador de serviços de intermediação" pela autoridade fiscal. Dessa forma, ilegal o Ato de exclusão; • Equivocou-se a fiscalização ao classificar os "repasses" bancários como receita de intermediação de financiamento e como atividade operacional principal. Sua atividade principal é a de comércio de veículos, e não a de prestação de serviços. Os financiamentos por ela efetuados consistem em conseqüência do comércio. Objetiva apenas a viabilização das vendas, e não obter "retorno" por esses financiamentos, os quais, alias, são pagos de praxe pelas instituições financeiras, e não importa para ele, contribuinte, qual a instituição que concederá o financiamento. Portanto, tais valores jamais poderiam ser tomados como atividade principal para fins de exclusão do Simples; • 0 "retorno" que as instituições bancárias repassam as agências de veículos é da natureza jurídica de receitas financeiras, e não de receitas de intermediação. Não, são, pois, receitas operacionais, mas mero resultado de ganhos financeiros; • No que tange á. motivação "práticas reiteradas de infração fiscal", tal imputação legal, configura um exagero e um equivoco. Não configura os fatos dos autos tal situação, e tampouco restaram comprovadas tais infrações e suas reiterações; • A falta de escrituração da conta bancária não é suficiente para a exclusão do Simples , tratando-se isso de fato sanável. Caberia auditoria demonstrar que a falta de escrituração tornou a escrita imprestável. Jurisprudência administrativa corroboraria seu entendimento; • Sobre a falta de tributação dos valores recebidos das instituições financeiras: Não se trata de receita operacional, mas de decorrência da venda de veículos, e não houve escrituração em razão de seu sistema de contabilidade simplificada e da ocorrência da tributação na fonte, tendo a contribuinte entendido que os valores _Id haviam sido tributados pela fonte pagadora; • Reitera a falta de motivação legal para sua exclusão do Simples, tendo em vista que tal decorreu de entendimento equivocado da fiscalização sobre a classificação dos valores recebidos das instituições bancárias; • Descabe a exclusão do Simples com efeitos retroativos, porquanto implicaria em ofensa ao principio constitucional da irretroatividade tributária. Demais disso, a Receita Federal fez a distinção da atividade econômica e tornou apta a inscrição da empresa, não podendo agora, com base no mesmo fato, e por simples Ato Declaratorio, exclui-la retroativamente. O desenquadramento somente poderia ter efeitos a partir do ano em que fosse expedida lei que tratasse dessa matéria, pois que sua previsão em Instrução Normativa fere o principio da hierarquia da leis. Requer a contribuinte tanto nas impugnações aos autos de infração, quanto na manifestação de inconformidade (fls. 263, 288 e 314), o encaminhamento das • sifla(ki :fignairrwrqe. ;... or forme MP o" 2200 0 24 0/20U i0er o;¡114J03/2012 pçg 0;00í2012 toí SUFI! yoRREs. SfLVTE- VERFO EM ERANCO 8 DI: CAR!. Mi Fl. 9 Processo no 14041.000882/2006-35 SI-C3T2 Acórdão n.° 1302-00.931 Fl. 417 intimações e decisões ao endereço do sócio ou ao de seus advogados (ali explicitados), em razão de estar desativado o endereço da sede da empresa. A 4a Turma da DRJ em Brasília/DF analisou as impugnações e a manifestação de inconformidade apresentadas pela contribuinte e, por via do Acórdão no 03- 34.312, de 19/11/2009 (fls. 348/381), considerou procedentes em parte os lançamentos e improcedente e manifestação de inconformidade em face da exclusão do SIMPLES, em decisão assim ementada: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calenddrio:2001, 2002, 2003 ENDEREÇAMENTO DAS INTIMAÇÕES. É prevista a intimação do sujeito passivo apenas no domicilio tributário, assim considerado o do endereço postal, eletrônico ou de fax, pelo contribuinte fornecido, para fins cadastrais, Receita Federal do Brasil. NULIDADE. INOCORRÉNCIA. Ensejam a nulidade atos e termos lavrados por pessoa incompetente ou corn preterição do direito de defesa da interessada. Descabe sua alegação quando as imprecisões porventura existentes são passíveis de saneamento nos autos. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. PRORROGAÇÃO. A prorrogação do MPF poderá ser feita por intermédio de registro eletrônico efetuado pela autoridade outorgante, cuja informação está disponível na Internet. Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte — Simples Ano-calendário: 2001, 2002 OPÇÃO. INTERMEDIAÇÃO DE NEGÓCIOS. CORRETOR. VEDAÇÃO. Não pode optar pelo Simples Federal a pessoa jurídica que presta serviços de intermediação ern contratos de financiamento, por caracterizar prestação de serviços profissionais de corretor ou a eles assemelhados. EXCLUSÃO. PRÁTICA REITERADA DE INFRAÇÃO LEGISLAÇÃO TRIBUTARIA. Sujeita-se a exclusão de oficio do Simples Federal a pessoa jurídica que incorreu em prática reiterada de infração legislação tributária, caracterizada no caso pelo não oferecimento a tributação de todas as receitas e não observância das exigências atinentes a escrituração durante trés anos- calendário. EXCLUSÃO. RETROATIVIDADE. 1 2 200-2 =, - 2410 8/2 00 4 ,,:»•:,)'''. 7 pi.: 'A, ''.. DiR VEIGAi-."-,,Ci ii-; '. ,1- P SO '' .:1,:i BRAN 9 111 C.Ala Ml Processo n° 14041.000882/2006-35 Acórdão n.° 1302-00.931 A legislação admite a exclusão do Simples Federal com efeitos retroativos à data da situação impeditiva. LANÇAMENTO. DECADÊNCIA. IMPOST() SOBRE A RENDA DA PESSOA JURÍDICA-SIMPLES. O lançamento por homologação ocorre quando o sujeito passivo da obrigação tributária apura o montante tributável e efetua o pagamento do imposto devido, ainda que parcialmente, sem prévio exame da autoridade administrativa, hipótese em que a contagem do prazo decadencial se rege pelo disposto no art.150, § 4°, do CTN. LANÇAMENTO. DECADÊNCIA. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS- SIMPLES. Afastado, por inconstitucional, o prazo de dez anos para o lançamento das contribuições destinadas a Seguridade Social, a contagem do lapso decadencial rege-se pelo disposto no Código Tributário Nacional, art. 150, § 4°, nos mesmos moldes do Imposto de Renda Pessoa Jurídica-Simples. LANÇAMENTO. OMISSÃO DE RECEITAS. BASE DE GiLcno. Incluem-se na base de calculo estabelecida para os recolhimentos no âmbito do Simples Federal as receitas decorrentes de prestação de serviços de intermediação de negócios. Constatada a omissão dessas receitas em período não abrangido pela exclusão do Simples, cabível o lançamento para formalização das exigências devidas. APURAÇÃO. DEDUÇÕES. Não existe previsão legal que permita à contribuinte, ou ao Fisco, quando do lançamento, a dedução/compensação de eventuais valores de Imposto de Renda Retidos na Fonte com os valores apurados no âmbito do Simples Federal. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica — IRPJ Ano-calendário: 2002, 2003 EXCLUSÃO DO SIMPLES. LANÇAMENTO. ESCRITURAÇÃO IMPRESTÁVEL. AUSÊNCIA DE REGISTRO DA MOVIMENTAÇÃO BANCÁRIA. ARBITRAMENTO. Em face da legislação em vigor, a empresa excluída da sistemática do Simples, se sujeita as normas de tributação aplicáveis as demais pessoas jurídicas, a partir do período ern que ocorrerem os efeitos da exclusão. A ausência de contabilização da movimentação financeira, inclusive a bancária, nos Livros Diário e Razão, em período alcançado pela exclusão do Simples torna a escrituração imprestável e justifica a adoção do regime de tributação com base nas regras do lucro arbitrado. coljowne MP it 2.200-2 dtt 24er.);i?DC.1 :rvo ,1 , 4 ■ Tair1,7,nto 001 1412012 por VVAII..);R VLIGA ROCi-V\ -7, ;-',L1F Li TORRES SII.VES -VRE - VERSO FM nRAmco 10 Di CAM' MI H. I I Processo n° 14041.000882/2006-35 SI-C31 2 Acórdão n.° 1302-00.931 Fl. 419 ARBITRAMENTO. RECEITAS DE SERVIÇOS. PERCENTUAL APLICÃVEL. As receitas decorrentes de corretagem pela intermechação de . financiamentos e de venda de veículos usados por consignação tar natureza de prestação de serviços, a elas se aplicando o respectivo percentual para fins de apuração da base de cálculo estimada, presumida ou arbitrada do Imposto de Renda Pessoa Jurídica. EXCLUSÃO DO SIMPLES. RECOLHIMENTOS. APROVEITAMENTO NA APURAÇÃO DO VALOR A SER LANÇADO. A autoridade fiscal deve considerar os valores de imposto e contribuição referentes ao período de apuração fiscalizado, apurados pelo sujeito passivo mediante adoção de forma de tributação diversa daquela por ela aplicada no curso da fiscalização, lançando-se apenas a diferença do imposto ou contribuição apurado. EXIGÊNCIAS CONEXAS. CSLL, COFINS E PIS. Aplica-se às exigências conexas o mesmo entendimento adotado na solução do litígio de IRPJ, mantidas a base de cálculo e as aliquotas previstas na legislação vigente, e aproveitando-se as parcelas das contribuições sociais já recolhidas na sistemática do Simples. Por oportuno, esclareço que a parcela dos lançamentos afastada pela decisão em comento se refere ao reconhecimento da decadência para os fatos geradores ocorridos até novembro/2001, inclusive, e da consideração das importâncias pagas na sistemática do SIMPLES nos anos-calendário 2002 e 2003, observada a partilha legalmente estabelecida, a reduzir os valores de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS lançados por fatos geradores ocorridos naqueles anos. Ciente da decisão de primeira instância em 17/12/2009, conforme documento a fl. 383, a contribuinte apresentou recurso voluntário em 12/01/2010 conforme carimbo de recepção à folha 385. No recurso interposto (fls. 386/407), a interessada reitera, mais ou menos com as mesmas palavras, os argumentos anteriormente trazidos na fase impugnatória, quer acerca do Ato Declaratório Executivo que a excluiu do sistema simplificado de pagamentos, quer acerca dos autos de infração. o Relatório. Voto Conselheiro Waldir Veiga Rocha, Relator r•liP :1' 2 /1<— 14 /:?f: 1 2 (=o: 10 ) ( 0 ' :• VF VLf, :-->t 3 FM BRANCO Processo n° 14041.000882/2006-35 S1-C3T2 Acórdão n.° 1302-00.931 Fl. 420 0 recurso é tempestivo e dele conheço. 0 escopo do recurso voluntário abrange, grosso modo, três assuntos, a saber: (i) o lançamento por fatos geradores ocorridos no ano-calendário 2001, na sistemática simplificada de pagamentos; (ii) o Ato Declaratório Executivo que excluiu o contribuinte do SIMPLES. com eleitos a partir de 01/01/2002; e (iii) o lançamento tributário por fatos geradores ocorridos nos anos-calendário 2002 e 2003, tendo sido os lucros arbitrados nesses períodos. Passo a apreciar os argumentos, nessa sequência. (i) Lançamento por fatos geradores ocorridos no ano-calendário 2001. A decisão de primeira instância afastou, por decadência, as exigências por latos geradores ocorridos até o mês de novembro de 2001, restando tão somente o mês de dezembro daquele ano. Inicialmente, cumpre observar que é descabido o pedido de que a exigência aqui tratada fique suspensa até o julgamento definitivo do Ato Declaratório de Exclusão do SIMPLES. Desde que o lançamento correspondente ao ano-calendário 2001 foi feito ainda no sistema simplificado de pagamentos, e que a exclusão somente surtiu efeitos a partir de 01/01/2002, não há qualquer impedimento para o julgamento administrativo desta matéria. De se ressaltar que o contribuinte não nega que tenha auferido receitas, pagas por instituições financeiras, relacionadas a sua atividade operacional principal, qual seja, a compra e venda de veículos. Seus argumentos são, por um lado, de que os valores recebidos (por ele chamados "repasses" ou "retornos") seriam secundários, acessórios, mera consequência da atividade principal de comercialização de veículos. Por outro lado, sustenta que esses "retornos" teriam natureza de ganhos financeiros, e não de receitas operacionais. Tal como ocorreu em primeira instância, seus argumentos são insuficientes para afastar a exação. Apesar de recebidos de instituições bancárias, os valores em questão não se caracterizam como rendimentos de aplicações financeiras, não são produto nem remuneração de capital investido. Antes, decorrem da prestação de serviço de intermediação, em que a contribuinte encaminha A. instituição financeira clientes interessados em operações de financiamento para a aquisição de veículos. Ao concluir com sucesso a operação de financiamento, o banco destina parte da comissão ao agente que promoveu a aproximação das partes. Trata-se inequivocamente de remuneração por intermediação de negócios, prestação de serviços, portanto. 0 contrato de prestação de serviços firmado com o Banco Finasa (fls. 125/126) não deixa qualquer margem a dúvidas, o mesmo acontecendo com a declaração do Banco Santander (fl. 132) sobre a natureza dos negócios ("Inibrmamos também que tais pagamentos referem-se a serviços prestados por pessoas jurídicas a titulo de mediaçao na realizaçCio de negócios envolvendo veículos"). Para a tributação na forma do SIMPLES, é irrelevante se as receitas auferidas são principais ou acessórias, como quer classificá-las a interessada. A incidência se dá sobre a receita bruta auferida, a teor do caput do art. 5° da Lei n° 9.317/1996, verbis: Art. 5° 0 valor devido mensalmente pela microempresa e empresa de pequeno porte, inscritas no SIMPLES, será eto ast:q-lado dtq1nfl coilfernie MP n" 2.2C0 2 (lc, 24/081203 ,. :;'Jo ri:3italmo1lt, ern 14/02 :2012 pot- \A/ALDIR VEIC,A ;ZCCHA Ir;j(0v7(317 por SLID I TORRES SILVESTRE- VEESC EM RRi\NC) 12 1;1 (MU \11 1:3 Processo n° 14041.000882/2006-35 SI-C3T2 Acórdão n.° 1302-00.931 Fl. 421 determinado mediante a aplicação, sobre a receita bruta mensal auferida, dos seguintes percentuais: 0 conceito de receita bruta, para os fins do SIMPLES, foi esclarecido pelo art. 40 da Instrução Normativa SRF n° 34/2001, conceito que, de resto, em nada discrepa daquele já bem fixado e estabelecido no âmbito da legislação tributária federal: Art. 4-'2 Considera-se receita bruta o produto da venda de hens e serviços nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado nas operações em conta alheia, excluídas as vendas canceladas e os descontos incondicionais concedidos. Demonstrado que não se trata de receita financeira, mas de receita da prestação de serviços de intermediação, incabível a pretensão da recorrente de excluir os valores das bases de cálculo do PIS e da COFINS, em face da declaração de inconstitucionalidade, pelo Supremo Tribunal Federal, do §1 ° do art. 3 0 da Lei n° 9318, de 1998. Finalmente, quanto ao pleito de que os valores exigidos de oficio sejam reduzidos mediante o aproveitamento do imposto de renda retido na fonte pelas instituições financeiras, tomadoras dos serviços, é de se reconhecer a procedência do pedido. Não há qualquer dúvida acerca das retenções sofridas, como se verifica à 11. 91 (Finasa), fl. 133 (Santander) e, especialmente, no demonstrativo denominado Anexo II (fl. 139), elaborado pelo Fisco, onde se constata que foram retidos R$ 123,40 no mês de dezembro/2001, por receitas auferidas nesse mesmo mês e incluídas no lançamento de oficio. As fls. 180 e 182, encontro demonstrativo do lançamento, onde constato que o valor exigido a titulo de IRPJ, correspondente ao mês de dezembro/2001, é de R$ 12,99. Desta forma, esse valor é integralmente absorvido pelas retenções sofridas no mês, e deve ser afastado. Observo, finalmente, que as retenções se referem exclusivamente ao IRPJ, e é esse o único tributo a ser afetado pelas considerações aqui desenvolvidas. As exigências de CSLL, PIS, COFINS e INSS, todas na forma do SIMPLES, permanecem intocadas. Pelo exposto, no que tange aos fatos geradores ocorridos em dez/2001, voto pelo parcial provimento ao recurso, para afastar a exigência de IRPJ, no valor principal de R$ 12,99. (ii) Ato Declaratório Executivo de exclusão do SIMPLES. A exclusão do sistema simplificado de pagamentos se deu, segundo a autoridade tributária (fl. 156), por dois fundamentos, a saber: (a) o exercício da atividade de prestação de serviços de intermediação de financiamento, caracterizada como corretagem de negócios, vedada a teor do inciso XIII do art. 9° da Lei n°9.317/1996: e (b) prática reiterada de infração à legislação tributária (falta de apresentação de livros contábeis e fiscais contemplando a movimentação bancária ou financeira; e o não oferecimento à tributação das receitas decorrentes de comissões recebidas pela intermediação de financiamentos), igualmente causa de exclusão, conforme inciso V do art. 14 do mesmo diploma legal. Em suas razões recursais, basicamente as mesmas anteriormente aduzidas na manifestação de inconformidade, a interessada insiste em que os "repasses bancários" seriam pequena parcela do total de suas receitas operacionais, atividade secundária e acessória em relação A. atividade principal de comércio de veículos e, ainda, sobre a natureza de ganhos 2 203 2 1 2U 2221 ; 2f; r.;:x,! 13 ; H. 14 SI -C3T2 Fl. 422 (AR[ NIF financeiros desses valores. Combate também o entendimento de tratar-se de pratica reiterada de infração h legislação tributária, o que considera "um exagero e um equivoco". Finalmente, reclama contra os efeitos retroativos do Ato Declaratório. Todos esses argumentos foram minuciosamente abordados na decisão de primeira instancia, no excerto que peço vênia para transcrever a seguir: A exclusão da sistemática ocorreu em razão de constatação de que a contribuinte presta serviços de intermediação de financiamento, que caracterizam serviços profissionais de corretor ou a ele assemelhados, bem como em razão de ter ela praticado reiteradamente infração à legislação tributária. Assim dispõe o inciso XIII do art. 9° da Lei n° 9.317/96: Art. 9' Não poderá optar pelo SIMPLES, a pessoa jurídica: L.] XIII - que preste serviços profissionais de corretor, representante comercial, despachante, ator, empresário, diretor ou produtor de espetáculos, cantor, músico, dançarino, médico, dentista, enfermeiro, veterinário, engenheiro, arquiteto, físico, quintico, economista, contador, auditor, consultor, estatístico, administrador, programador, analista de sistema, advogado, psicólogo, professor, jornalista, publicitário, fisicultor, ou assemelhados, e de qualquer outra profissão cujo exercício dependa de habilitação profissional legalmente exigida; (destacou-se) Sobre a vedação atinente aos serviços profissionais de "corretor", "representante comercial" e a eles assemelhados, a Coordenação Geral de Tributação da Receita Federal do Brasil orienta: ... para identificar serviços semelhantes aos de corretor ou representante comercial, serão tidos como assemelhados quaisquer servicos que traduzam a media e& ou interrnediaelio de negócios e que resultem no pagamento de `comisslies corretagens ou qualquer outra remuneracão pela representação comercial ou pela mediação na realização de negócios civis e comerciais' (RIR/1999, art. 651, inciso I)" (Perguntas e Respostas Pessoa Jurídica 2007, capitulo V. questão 040 — destacou-se). A doutrina assim dispõe sobre o contrato de corretagem, disciplinado no Código Civil de 2002 (GONÇALVES, Carlos Roberto. Direito Civil Brasileiro, v. III . Sao Paulo: Saraiva, 2008, pp. 444-450): Contrato de corretagem, é aquele pelo qual uma pessoa, não vinculada a outra em virtude de mandato, de prestação de serviços ou por qualquer relação de dependência, obriga-se, mediante remuneração, a intermediar negócios para a segunda, conforme as instruções recebidas, fornecendo a esta todas as informações necessárias para que possam ser celebrados exitosamente. E o que se depreende do art. 722 do Código Civil. 0 corretor aproxima pessoas interessadas na realização de umn de.termninado negócio, fazendo jus a uma retribuição, se este se conforme f\IIP P," 2,2C0-2 de 2if,)6/201 ipt:SiMen10 ,2111 I 410B%2012 por VIALD1R V1- :71(2,1:Rf.)Ci - IA em 16/08(2012 por SUELI TORRES S;LVESFRE - V-iFfSO EM 14 Processo n° 14041.000882/2006-35 Acórcido n.° 1302-00.931 Di - CAR!' MI H. 15 Processo n° 14041.000882/2006-35 SI -C3T2 Acórdão n.° 1302-00.931 Fl. 423 concretizar. A retribuição será devida quando a conclusão do negócio tenha decorrido exclusivamente dessa aproximação. 0 contrato de corretagem é tratado no Código Civil de 2002 como típico e nominado, em capitulo próprio, pois não se confunde, dadas as suas características, com o mandato, a prestação de serviços, a comissão ou qualquer outro contrato que estabeleça vinculo de subordinação. É também chamado de mediação, embora esta seja mais ampla, podendo verificar-se em outras modalidades de contrato. [...1 A corretagem é contrato bilateral ou sinalagmático porque gera obrigações para ambos os contratantes. [...] É também consensual, visto que se aperfeiçoa com o acordo de vontades, não exigindo nenhum outro procedimento. Tem natureza acessória, porque prepara a conclusão cie um outro negócio, que é realizado pelas partes, considerado principal. É contrato oneroso, uma vez que ambos os contratantes obtém proveito, ao qual corresponde um sacrificio: para o comitente, pagamento de comissão e realização do negócio sem o desgaste de procurar interessados; para o corretor, eventual remuneração como contraprestação de seu trabalho e empenho.[...] Observe-se, ainda, que para fins de verificação da possibilidade de ingresso/permanência no Simples Federal, têm relevo as atividades efetivamente exercidas pelos contribuintes, independentemente da descrição de seu objeto social. Esse entendimento já foi explicitado pela Coordenação Geral de Tributação: Se constar do contrato social que a RI pode exercer alguma atividade que impeça a opção pelo Simples, ainda que não venha a obter receita dessa atividade, tal fato é motivo que impeça sua opção por esse regime de tributação? Se no contrato social constarem unicamente atividades que vedam a opção, a pessoa jurídica deverá alterar o contrato para obter a inscrição no Simples, valendo a alteração para o ano- calendário subsequente. Admite-se, no entanto, a existência no contrato social de atividades impeditivas juntamente com não impeditivas, condicionando-se neste caso, porém, a possibilidade de op cão e permanência no Simples ao exercício tão-somente das atividades não vedadas. De outra parte, também estará impedida de optar pelo Simples a pessoa jurídica que obtiver receita de atividade impeditiva, em qualquer montante, ainda que não prevista no contrato social. (Perguntas e Respostas Pessoa Jurídica 2004, questão n° 148) No caso em tela, embora a descrição do objeto social da contribuinte não indicar exercício de atividade impeditiva no âmbito do Simples (Compra, venda e consignação de veículos novos e usados — cópia de alteração contratual As fls. 325/328), apurou-se em procedimento de fiscalização o recebimento de receitas decorrentes de corretagem de negócios, conforme relatado pela autoridade As fls. , )• '.1IL • • •', 1.1P 2 2 20 2 2‘498r202't I 1„■ :‘, )12 ' P•SC) LM BRAND.-, 15 DI- ('ARI • MI: H. 16 Processo n° 14041.000882/2006-35 S I -C3T2 Acórdão n.° 1302-00.931 H. 424 01/03 e 63/64 do processo em apenso, com base nos documentos de fls. 08/62 de se mesmo processo, e também constante no relatório de Verificação Fiscal de fls. 253/259 do presente processo. Nesse contexto, em que pese as alegações da contribuinte, resta comprovado que ela presta serviços cuja natureza jurídica é de intermediação de negócios (financiamento de veículos), caracterizando serviços profissionais de corretor ou a eles assemelhados, os quais são impeditivos A. opção/permanência no Simples Federal consoante art. 9°, XIII, da Lei n°9.317, de 1996, retro-transcrito. Deve-se ainda assentar o fato de que basta o exercício da prestação dos serviços de corretor, seja por profissional regulamentado ou não, para que a opção pelo Simples Federal seja vedada, em razão de ser a vedação contida no mencionado dispositivo legal de ordem objetiva (impedimento da atividade), não subjetiva (pessoa que desempenha). Diante disso, mesmo que os serviços sejam prestados por outro tipo de profissional ou pessoa não habilitada legalmente, a pessoa jurídica não poderá permanecer na referida sistemática. Diga-se ainda que a distinção que a contribuinte intenta fazer entre atividade principal/relevante e acessória/marginal é espécie de discrírnen não previsto em Lei. Não é pela proporção mais significativa de uma (atividade não vedada no Simples) em relação a outra (atividade vedada), que a primeira passaria a ser o único critério de decisão No que tange à outra motivação da exclusão — prática reiterada de infração legislação tributária, assim dispõe o inciso V do art. 14° da Lei n° 9.317/96, que fundamentou referida exclusão: Art. 14. A exclusão dar-se-á de oficio quando a pessoa jurídica incorrer em quaisquer das seguintes hipóteses: V - prática reiterada de infração à legislação tributária; Para fins de exclusão de empresa do Simples, considera-se prática reiterada de infração a legislação tributária como sendo aquela prática habitual e repetida, de tal forma que fique caracterizado o seu uso freqüente, consubstanciando-se em um costume. Essa é exatamente a hipótese demonstrada nos autos. Diante de valores recebidos em decorrência da corretagem durante os anos-calendário 2001 a 2003, afirma a contribuinte não ter procedido à sua escrituração nem os oferecido tributação (fls. 155 e 320 do processo principal). Além disso, consente a ausência de escrituração da conta bancária, na medida em que não comprova o contrário, mas somente argúi pela não aplicação desse requisito legal (fls. 318/319). Nesse contexto, em que pese as alegações da contribuinte, resta comprovada a prática reiterada de infração à legislação tributária, hipótese de exclusão de oficio do Simples Federal, conforme art. 14, inciso V, da Lei n°9.317/96, retro transcrito. Saliente-se ainda que, consoante art. 136 do Código Tributário Nacional, a responsabilidade do sujeito passivo por infração à legislação tributária, tem natureza tipicamente objetiva, sendo irrelevantes os motivos que levaram ao cometimento da falta. ■ 1 ■ i ■ ' en; •,4 : 06(20121-)or vixf k(11'.111A , z-Kie dig,t1::41 ,ente m 1 folrnot4P n" '4200.2 du 240)042031 16 )3 1 2 pç.S[ ,E1 TORMES SILVEE::RF - VEP,SC) E RAN4)() (AR! Mr IT 17 Processo n° 14041.000882/2006-35 SI-C3T2 Acórdão n.° 1302-00.931 VI. 425 No tocante à alegação do contribuinte de que sua exclusão não poderia ser retroativa, é de se registrar, de inicio, que o fato de a contribuinte ter efetuado opção, sem que houvesse manifestação do Fisco já naquele momento, não impede a apreciação posterior da legalidade daquele ato, haja vista que essa opção é faculdade do próprio contribuinte, que a exerce se e quando o quiser, sujeitando-se, apenas, A fiscalização posterior da Receita Federal, tendente a verificar a regularidade da opção, uma vez que somente os contribuintes que atendam As condições previstas na lei podem exercer esse direito. Portanto, quando o Fisco apura que a empresa optou indevidamente pelo regime simplificado pode, e deve, exclui-lo de tal sistemática. Assim, apenas nesse momento, e não antes, a Receita Federal praticará ato comunicando o contribuinte da irregularidade que cometeu, que é exatamente o ato de exclusão de que trata este processo. Quanto aos efeitos da exclusão da sistemática do Simples, sobreleva lembrar que o art. 73, da Medida Provisória n°2158-34, de 27/07/2001, convalidada pela MP 2.158/35, de 24/08/2001, alterou a redação do art. 15 da Lei n° 9.317, de 1996, passando a haver autorização legislativa para que a exclusão se dê corn efeitos retroativos A data da situação excludente, conforme se constata de seus termos: Art. 73- 0 inciso II do art. 15 da Lei n°9.317, de 1996, passa a vigorar com a seguinte redação: li — a partir do rnés subseqüente ao que incorrida a situação excludente, nas hipóteses de que tratam os incisos III a XIX do art. 9°; A Medida Provisória n° 255, de 01/07/2005, posteriormente convertida na Lei n° 11.196, de 21/11/2005, revogou referido dispositivo, e conferiu nova redação ao art. 15 da Lei n° 9.317, de 1996, mantendo, entretanto, a autorização legislativa para que a exclusão se dê com efeitos retroativos A data da situação excludente: Art. 15 A exclusão do Simples nas condições de que tratam os artigos 13 e 14 surtirá efeito: 11.1 II — a partir do mês subseqüente ao que incorrida a situação excludente, nas hipóteses de que tratam os incisos III a XIV, e XVIII a XLV do art. 9° desta Lei; Estribado nesse dispositivo legal, o art. 24 da Instrução Normativa SRF n° 355, de 2003, reiterado no art. 24 da Instrução Normativa SRF n°608, de 2006, dispôs que: A exclusão do Simples nus condições de que tratam os arts. 22 e 23 surtirá efeito: I — a partir do ano-calendário subseqüente, na hipótese de que trata o inciso Ido art. 22; — a partir do mês subseqüente àquele em que incorrida a situação excludente, nas hipóteses de que tratam os incisos III a XIII e XVI a XVIII do art. 20; Parágrafo único. Para as pessoas jurídicas enquadradas nas hipóteses dos incisos III a XIII e XVI a XVII do art. 20, que 2 (1;-2 ; ' if 1,.=, r3IR I 7 • Dl . CARL H. 18 Processo n ° 14041.000882/2006-35 SI -C3T2 Acórdão n. ° 1302-00.931 Fl. 426 tenham optado pelo Simples até 27 de julho de 2001, o efeito da exclusão dar-se-á a partir: I - do mês seguinte aquele em que se proceder a exclusão, quando efetuada em 2001; - de 12 de janeiro de 2002, quando a situação excludente tiver ocorrido até 31 de dezembro de 2001 e a exclusão for efetuada a partir de 2002. (destacou-se). Constata-se, portanto, que a aludida Instrução Normativa, ao fixar a data de inicio dos efeitos da exclusão, bem conjugou as disposições legais que autorizaram a exclusão com efeitos retroativos, com a previsão do art. 2° da Lei n° 9.784, de 1.999, que determina à Administração a observância do principio da segurança jurídica. Nem se diga que estaria ocorrendo aplicação retroativa de nova interpretação, o que também é vedado à Administração, pelo inciso XIII do citado art. 2° da Lei no 9.784, de 1999, haja vista que as atividades da contribuinte impediam o seu ingresso na sistemática do Simples, tendo ela, contribuinte, efetuado a opção por sua conta e risco e, portanto, sujeita à fiscalização posterior. Dessa forma, constatada a incidência em hipótese de vedação à opção/permanência no Simples Federal em razão de exercício de atividade impeditiva nos anos-calendário 2001, 2002 e 2003, correta a exclusão da sistemática a partir de 01/01/2002. Cite-se ainda o § 3° do art. 15 da referida Lei: Art. 15 A exclusão do Simples nas condições de que tratam os artigos 13 e 14 surtirá efeito: [...] ,sS' 3°A exclusão de oficio dar-se-á mediante ato declaratório da autoridade fiscal da Secretaria da Receita Federal que jurisdicione o contribuinte, assegurado o contraditório e a ampla defesa, observada a legislação relativa ao processo tributário administrativo. (destacou-se) Nesse contexto, também não se verifica qualquer irregularidade formal ao procedimento de exclusão dos autos. Não faço reparos ao quanto decidido, e adoto os fundamentos do acórdão recorrido como razões de decidir. 0 exercício de atividade vedada não poderia estar mais bem caracterizado e comprovado. Quanto à prática de infração reiterada, poderia haver alguma discussão sobre o momento em que se caracterizaria a reiteração, mas o primeiro motivo já seria suficiente para a exclusão do SIMPLES. Finalmente, a data a partir da qual se processam os efeitos decorre de disposição legal e não de mera instrução normativa, como pretende a recorrente. Tao somente o normativo da Receita, corretamente, disciplinou a aplicação de dispositivo legal, de tal sorte que a retroatividade nele prevista não viesse a alcançar período anterior a sua vigência. Quanto a este ponto, portanto, voto voluntário interposto. por negar provimento ao recurso (iii) Lançamento por fatos geradores ocorridos nos re 000' I pOem coto contorrne ME n" 2.200-2 de 211 020) 1 1 em 14103/2012 por wAIDIR %if' ICA Rt: 1C1 LA c-u 1610£1,:4)13 por SUP.] TORRES S1INESTRE - W-J0-30 EM f3RANCO anos-calendário 2002 e 2003. . DF CARI M1 H. 19 Processo n° 14041.000882 12006-35 SI-C3T2 Acórdao n.° 1302-00.931 H. 427 Nos anos-calendário 2002 e 2003, já excluído do sistema simplificado de pagamentos, sustentou o Fisco que o contribuinte dever-se-ia sujeitar As mesmas normas de tributação aplicáveis As pessoas jurídicas em geral (art. 16 da Lei n°9.317/1996). Diante disso, o lucro foi arbitrado tendo por base a receita bruta anteriormente declarada na forma do SIMPLES, acrescida das receitas recebidas das instituições financeiras por intermediação no financiamento de veículos. No que toca a essas receitas, os argumentos da interessada são os mesmos ja abordados anteriormente, e se referem A sua natureza jurídica e a sua característica de acessória em relação A atividade operacional principal. Todas as considerações ali tecidas se aplicam igualmente aqui. Também as preliminares de nulidade do lançamento por alegadas irregularidades nas renovações do Mandado de Procedimento Fiscal foram fundamentadamente afastadas em primeira instância, em decisão à qual não cabe reparo. Ali restou demonstrado que as renovações daquele instrumento são feitas eletronicamente e que as informações correspondentes se encontram disponíveis à fiscalizada na Internet, inexistindo qualquer irregularidade, muito menos nulidade. Também quanto ao pedido de suspensão do julgamento enquanto não julgado em definitivo o Ato Declaratório Executivo de exclusão do SIMPLES, nenhum prejuízo é trazido A interessada, desde que, como no presente caso, os julgamentos se deem ao mesmo tempo e pela mesma autoridade julgadora. Entretanto, há também aqui argumentos que devem ser enfrentados e que dizem respeito especificamente A forma de apuração adotada, o arbitramento dos lucros. Sustenta a recorrente que a simples falta de contabilização da conta corrente bancária não seria suficiente para caracterizar a imprestabilidade de sua escrita e que essa prova deveria ter sido feita pelo Fisco. Ademais, não teria sido intimada para efetuar qualquer espécie de regularização. Não há dúvidas de que, excluído da forma simplificada de pagamentos, o contribuinte deveria se sujeitar As normas de tributação aplicáveis As pessoas jurídicas em geral, A luz do art. 16 da Lei n°9.317/1996: Art. 16. A pessoa jurídica excluída do SIMPLES sujeitar-se-6, partir do período em que se processarem os efeitos da exclusão, Us normas de tributação aplicáveis as demais pessoas jurídicas. Tais normas determinam a apuração dos lucros pelo critério do lucro real, como regra geral, ou pelo lucro presumido, como opção do contribuinte. No entanto, tal opção teria que ter sido feita tempestivamente pelo próprio contribuinte, o que não ocorreu. Tendo sido excluído de oficio do SIMPLES, e encontrando-se sob procedimento fiscal com relação aos anos-calendário 2002 e 2003, não tem o contribuinte a espontaneidade de optar pela forma de tributação, e não cabe ao Fisco exercer em seu nome a opção. Diante disso, entendo que ou o contribuinte preenche os requisitos legais para a apuração do lucro real ou, caso contrário, deve se sujeitar ao arbitramento de seus lucros. Confira-se, nesse sentido, jurisprudência deste Conselho: IRPJ — LANÇAMENTO DE OFICIO — FORMA DE TRIBUTAÇÃO - LUCRO PRESUMIDO x LUCRO ARBITRADO - A opção pela tributação com base no lucro presumido é sempre de iniciativa do contribuinte. Em ação fiscal, jamais pode o fisco apurar o imposto por esta sistemática se o contribuinte por ela ifor!'le r;" 2 ,OC :f; de 2 ¡Vila/A ;4:rj3i2f) 1 2 p , ) f V,LAL11)!R VFIGA OCFA EM I) D1- CAM' NIF . 20 Processo n° 14041.000882/2006-35 SI -( Acórdão n.° 1302-00.931 Fl. 428 não optou tempestivamente Sendo impossível apurar o lucro real, não resta outra alternativa que não o arbitramento do lucro. (Ac. 1101-00.174, de 26/08/2009, Rel. Cons. José Ricardo da Silva) Compulsando os autos, encontro à fl. 215 as razões do arbitramento, conforme o Fisco: Razão do arbitramento no(s) período(s). 03/2002 06/2002 09/2002 12/2002 03/2003 06/2003 09/2003 12/2003 Arbitramento do lucro que se faz tendo em vista que a escrituração mantida pelo contribuinte é imprestável para determinação do Lucro Real, em virtude da não escrituração da movimentação bancária. Enquadramento Legal: A partir de 01/04/1999 Art. 530, inciso II, do RIR/99. Eis o dispositivo do Regulamento, invocado pela fiscalização: Art. 530. 0 imposto, devido trimestralmente, no decorrer do ano- calendário, será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado, quando (Lei n2 8.981, de 1995, art. 47, e Lei n 2 9.430, de 1996, art. 12): H - a escrituração a que estiver obrigado o contribuinte revelar evidentes indícios de fraudes ou contiver vícios, erros ou deficiências que a tornem imprestável para: a) identificar a efetiva movimentação financeira, inclusive bancária; ou b) determinar o lucro real; De se observar que, pelo rigor da lei, a falta de escrituração da movimentação financeira, por si só, já seria causa suficiente para o arbitramento dos lucros (inciso II, alit -lea "a", acima). No entanto, o próprio Auditor-Fiscal autuante estabelece relação entre as alíneas "a" e "b", ao afirmar que a não escrituração da movimentação bancária causou a imprestabilidade da escrita para fins de determinação do lucro real. Considero oportuna essa relação de causa e efeito, pois o arbitramento é forma de apuração do lucro a ser aplicada diante da impossibilidade de se alcançar o lucro real, ou, em outras palavras, quando o resultado apurado pelo contribuinte se mostre não confidvel e não passível de correção. Com isso, tenho que, ainda que não escriturada a movimentação bancária, seria necessário mostrar que essa movimentação não escriturada é de tal monta que sua falta contamina todo o resultado escriturado pelo contribuinte. E essa prova não encontro nos autos. Nessa linha, os acordãos cujas ementas transcrevo abaixo são ilustrativos. IRPJ — ARBITRAMENTO DE LUCRO — FALTA DE ESCRITURAÇÃO DE DEPÓSITOS E/OU CONTAS ic assinado dqttalmente conforme ME n° 2200. 2 de 2410Si20fY1 figitp,!niente em 14108/2012 por WALDIR VF. ICA RocHA k'n 1 008/20 '2 lEU TORRES SiLVESTRE - kiEr-Slf) EM 3R!"-',.1\1CC, \Ai\ 20 • 1)• 1- CAR(' MI H. 21 Processo n° 14041.000882/2006-35 Acórdão n.° 1302-00.931 SI-C31 .2 VI. 429 CORRENTES BANCÁRIAS - INAPLICABILIDADE — Reiterada e incontroversa é a jurisprudência administrativa no sentido de que o arbitramento do lucro, ern razão das conseqüências tributáveis a que conduz, é medida excepcional, somente aplicável quando no exame de escrita a Fiscalização comprova que as falhas apontadas se constituem em fatos que, camuflando expressivos fatos tributáveis, indiscutivelmente, impedem a quantificação do resultado do exercício. A falta de escrituração de depósitos bancários ou mesmo de contas correntes bancárias não são suficientes para sustentar a desclassificação da escrituração contábil e o conseqüente arbitramento dos lucros. (Ac. 101-96.161, de 24/05/2007, Rel. Cons. Paulo Roberto Cortez) FORMA DE TRIBUTA C,10 Verificada a omissão de receita, autoridade determinará o valor do imposto e do adicional a serem lançados de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no período de apuração a que corresponder a omissão. A falta de escrituração de contas correntes bancárias, por si só, não autoriza ao fisco proceder ao arbitramento do lucro, competindo-lhe demonstrar cabalmente, que essa falha na escrituração constitui vicio insanável, que a torna imprestável para determinar o lucro real. (Ac. 1103- 00.363, de 14/12/2010, ReL Cons, Mário Sérgio Fernandes Barroso) Ademais, especialmente em se tratando de contribuinte que, antes da ação fiscal, se encontrava no regime simplificado de pagamentos, considero que seria indispensável dar-lhe a oportunidade de refazimento da escrita, saneando eventuais deficiências encontradas pela fiscalização e permitindo sua tributação com base na regra geral do lucro real. Também aqui assiste razão à interessada, em sua reclamação de que jamais foi intimada a promover qualquer regularização em sua escrita. Diante do exposto, considero que o arbitramento dos lucros foi feito de forma precipitada, sem demonstrar adequadamente a imprestabilidade da escrita para fins de determinação do lucro real e sem dar ao contribuinte a oportunidade de sanear eventuais falhas, pelo que as exigências não devem subsistir. (iv) Conclusão Em conclusão, voto pelo provimento parcial do recurso voluntário, para afastar a exigência do IRPJ no mês de dezembro de 2001 e para afastar integralmente as exigências dos anos-calendário 2002 e 2003. Waldir Veiga R6íha „2L 2,200-2 dF 241002001 . 4; Dr: 0471._: Jiik VO GA 0000A 21 •, , 01 VFE- TRF-' - VERSO EM BRANCO Dl CARI: MI: H. 22 Processo n° 14041.000882/2006-35 Ac6rd6o n.° 1302-00.931 SI-C3T2 Fl. 430 d+:411avtlen, C.3mOrriW; MP it' 2.200-2 (5e 24/0Ei2C01 14/03t2 012 or WALDIR ROCHA 22 12 r,ut SCFLI lORRES SILVESTRE - VERSO 5.:TTM FiRAr.7.()
score : 1.0
Numero do processo: 10280.721458/2011-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 26 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Mar 05 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 3401-000.894
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, converter o presente julgamento em diligência, nos termos do voto da relatora.
JULIO CÉSAR ALVES RAMOS- Presidente.
ANGELA SARTORI - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: JULIO CESAR ALVES RAMOS (Presidente), ROBSON JOSE BAYERL, JEAN CLEUTER SIMÕES MENDONÇA, ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, ANGELA SARTORI e BERNARDO LEITE DE QUEIROZ LIMA
Nome do relator: ANGELA SARTORI
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201502
camara_s : Quarta Câmara
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Mar 05 00:00:00 UTC 2015
numero_processo_s : 10280.721458/2011-11
anomes_publicacao_s : 201503
conteudo_id_s : 5436579
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Mar 05 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 3401-000.894
nome_arquivo_s : Decisao_10280721458201111.PDF
ano_publicacao_s : 2015
nome_relator_s : ANGELA SARTORI
nome_arquivo_pdf_s : 10280721458201111_5436579.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, converter o presente julgamento em diligência, nos termos do voto da relatora. JULIO CÉSAR ALVES RAMOS- Presidente. ANGELA SARTORI - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: JULIO CESAR ALVES RAMOS (Presidente), ROBSON JOSE BAYERL, JEAN CLEUTER SIMÕES MENDONÇA, ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, ANGELA SARTORI e BERNARDO LEITE DE QUEIROZ LIMA
dt_sessao_tdt : Thu Feb 26 00:00:00 UTC 2015
id : 5844429
ano_sessao_s : 2015
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:37:29 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047702638428160
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1226; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T1 Fl. 5 1 4 S3C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10280.721458/201111 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3401000.894 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 26 de fevereiro de 2015 Assunto COFINS Recorrente ALBRAS ALUMINIO BRASILEIRO S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, converter o presente julgamento em diligência, nos termos do voto da relatora. JULIO CÉSAR ALVES RAMOS Presidente. ANGELA SARTORI Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: JULIO CESAR ALVES RAMOS (Presidente), ROBSON JOSE BAYERL, JEAN CLEUTER SIMÕES MENDONÇA, ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, ANGELA SARTORI e BERNARDO LEITE DE QUEIROZ LIMA RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 02 80 .7 21 45 8/ 20 11 -1 1 Fl. 384DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10280.721458/201111 Resolução nº 3401000.894 S3C4T1 Fl. 6 2 RELATÓRIO Tratase de pedido de ressarcimento de créditos de PIS não Cumulativo relativos ao 4º trimestre de 2007 no montante de R$ 5.460.537,12. A Delegacia da Receita Federal de origem, após a realização de diligência destinada a apurar a liquidez e certeza do direito creditório, expediu o auto de infração e o relatório fiscal (fls. 238/243), seguido do despacho decisório de fl. 245, por intermédio dos quais reconhece parcialmente o crédito invocado, no valor de R$ 5.098.116,76. Em suma, houve a glosa nos seguintes termos: a) CRÉDITO DECORRENTE DE COMPRA INSUMOS (Outros Refratários) OBJETO DE GLOSA: Foram glosadas as notas fiscais referentes a refratários, posto que os mesmos não se caracterizam como gastos de manutenção de consumo rápido, visto que é substituído a intervalos superiores a 1900 dias, conforme laudo fornecido pela empresa acostado ao presente feito, a relação das notas fiscais objeto da glosa estão em anexo. Foram glosados também os gastos de transportes referentes a refratários, uma vez que esses não são considerados como insumos, conforme já exposto acima. b) CRÉDITO DECORRENTE DE COMPRA (OUTROS INSUMOS): Foram glosadas as notas fiscais referentes a outros insumos, por se tratarem de produtos que estão em desacordo com o disposto no art. 3º, inciso II da Lei n° 10.833/2003. c) CRÉDITOS DECORRENTES SERVIÇOS UTILIZADOS COMO INSUMOS OBJETO DE GLOSA: Art. 8º § 4°, inciso II da IN SRF n° 404/ 2004 as notas fiscais referente a esse serviços, objeto da relação em anexo, foram glosados, tendo em vista não ter sido aceitas por esta fiscalização como bens e ou serviços aplicados ou consumidos na prestação de serviços. d) CRÉDITOS DECORRENTES DE DESPESAS/ENCARGOS OBJETO DE GLOSA: Estas glosas estão demonstradas nas planilhas em anexo, denominadas: Relação Notas Fiscais de Bens glosados do Ativo Imobilizado para Utilização na Fabricação de Produtos Destinados a Venda ou na Prestação de Serviços 2004, 2005, 2007; Demonstrativo Ativo Imobilizado maio/2004 a dez/2005 (1/48 avos); Demonstrativo Ativo Imobilizado de jan/2007 a dez/2007 (1/12 avos); m Memória de cálculo da Depreciação (Base do Ativo Imobilizado), outubro/2007, novembro/2007 e dezembro/2007, elaborados por esta fiscalização, para se obter os créditos decorrentes de depreciação acelerada incentivada e os que foram objeto de glosa, por se tratarem de produtos não alcançados pelo disposto no art. 1º , § 2°, I, da IN 457/04, Lei nº 11.196/2005, Dec. Nº 5.789/2006 e Dec. Nº 5.988/2006, como também as edificações e instalações, que se referem a produtos só abrangidos para a apuração do crédito, a partir de janeiro de 2007, conforme disposto no art. 6 da Lei 11.488/2007, acelerada incentivada (2 anos) 1/24 avos por mês. Cientificada do Despacho Decisório nº 686/2011 a interessada apresentou a manifestação de inconformidade de fls. 246/284. Fl. 385DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10280.721458/201111 Resolução nº 3401000.894 S3C4T1 Fl. 7 3 A Delegacia de Julgamento de Belém PA, por meio do Acórdão 0125.8713ªTurmadaDRJ/BEL de 29 de janeiro de 2013, julgou improcedente a manifestação de inconformidade, conforme o seguinte entendimento: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/2007 a 31/12/2007. PAF. ATO NORMATIVO. INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. PRESUNÇÃO DE LEGITIMIDADE. A autoridade administrativa não possui atribuição para apreciar a arguição de inconstitucionalidade ou de ilegalidade de dispositivos que integram a legislação tributária. PAF. DECISÕES JUDICIAIS E ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. As decisões judiciais e administrativas relativas a terceiros não possuem eficácia normativa, uma vez que não integram a legislação tributária de que tratam os arts. 96 e 100 do Código Tributário Nacional. PAF. PERÍCIA. REQUISITOS. Considerase não formulado o pedido de perícia que deixa de atender aos requisitos previstos no art. 16, IV, do Decreto nº 70.235/1972. PIS/PASEP NÃO CUMULATIVO. INSUMOS. CRÉDITOS. No cálculo do PIS Não Cumulativo somente podem ser descontados créditos calculados sobre valores correspondentes a insumos, assim entendidos os bens aplicados ou consumidos diretamente na produção ou fabricação de bens destinados à venda, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado ou, ainda, sobre os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto. PIS/PASEP NÃO CUMULATIVO. ATIVO IMOBILIZADO. ENCARGOS DE DEPRECIAÇÃO. CRÉDITOS. Na não cumulatividade do PIS, a pessoa jurídica pode descontar créditos sobre os valores dos encargos de depreciação e amortização, incorridos no mês, relativos a máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos no País para utilização na produção de bens destinados à venda. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Direito Creditório Não Reconhecido. Intimada a Recorrente apresentou Recurso Voluntário reiterando os argumentos acima, o qual foi distribuído para minha relatoria. Fl. 386DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10280.721458/201111 Resolução nº 3401000.894 S3C4T1 Fl. 8 4 VOTO Conselheiro Angela Sartori O recurso em análise atendeu aos pressupostos de admissibilidade dispostos em lei, pelo que dele tomo conhecimento e passo ao julgamento de suas razões. No caso em comento, a Recorrente apresentou pedido de ressarcimento de crédito sendo que a Delegacia da Receita Federal de origem, após a realização de diligência destinada a apurar a liquidez e certeza do direito creditório, expediu o auto de infração e o relatório fiscal seguido do despacho decisório, por intermédio dos quais reconheceu apenas parcialmente o crédito invocado. Foi intimada de Despacho Decisório que reconheceu parte do crédito, tendo sido glosada a diferença do crédito. Convém assim ressaltar apenas o entendimento sobre o conceito do termo “insumos” no que tange a cumulatividade do PIS e da COFINS que adota o posicionamento do Acórdão n. 3302002.260 da 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, julgado em 20/08/2013, cujos termos transcrevo: “... A problemática inferese no fato de a legislação referirse a insumos de forma genérica, o que permite aos operadores do direito realizar a própria interpretação do conceito e alcance do termo “insumo”. E é exatamente o que se discute nos presentes autos, o conceito de insumo para a Recorrente. Determina a lei: “Lei 10.833/03 – COFINS Não Cumulativo: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: ............... A discussão acerca da conceituação do termo “insumos” têm tomado tempo e espaço da doutrina e da jurisprudência administrativa. Naturalmente, os intérpretes buscam definições já conhecidas. A Receita Federal defende, para o PIS e COFINS, o emprego do conceito de insumos utilizado pela legislação de IPI e ICMS. Já alguns julgadores deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF emprestam o conceito de custo e despesa aplicado no imposto de renda (RIR artigos 290/299). Particularmente, entendo que o sistema não cumulativo de PIS e COFINS não se identificam com o IPI, ICMS ou IRPJ. O tributo é diverso, a sistemática é diversa, e não há necessidade de se aplicar um conceito preexistente simplesmente porque ele já existe. A meu sentir, é preciso que o intérprete do direito utilize as normas de hermenêutica, juntamente com as demais regras do ordenamento jurídico, e forme um conceito próprio de insumo que seja aplicável a esta nova sistemática. Em vista desta disparidade de entendimentos, pareceme prudente realizar uma prévia análise acerca das diferenças entre as formas de apuração. Fl. 387DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10280.721458/201111 Resolução nº 3401000.894 S3C4T1 Fl. 9 5 No que se refere à equiparação dos sistemas não cumulativos do IPI/ICMS e PIS/COFINS, tenho defendido a total diferença entre os regimes, as quais causam reflexos indiscutíveis e indissociáveis à apuração dos créditos tributários. É cediço que até a criação do sistema não cumulativo para o PIS e COFINS, a não cumulatividade alcançava, apenas, o imposto estadual sobre circulação de mercadorias – ICMS – e o imposto federal incidente sobre o produto industrializado – IPI. Em vista deste fato, conforme já esclarecido, é natural que os intérpretes do direito (neste caso entendidos como as autoridades administrativas fiscalizadoras por aplicarem as normas e as autoridades administrativas de julgamento por julgar a forma como as normas foram aplicadas) busquem as definições préestabelecidas e já conhecidas dos regimes cumulativos do ICMS e IPI para conceituar o novo sistema. Foi exatamente o que ocorreu no caso em apreço, por entender que os insumos não foram utilizados diretamente na produção, os agentes administrativos glosaram os créditos ora objeto do presente recurso voluntário. Todavia, este procedimento quase que automático, ao invés de solucionar a questão, acabou por confundir e inviabilizar a correta aplicação da norma tributária. A não cumulatividade para fins de PIS e COFINS instituiuse, inicialmente no âmbito legislativo, tendo sido expedidas as medidas provisórias MP 66/02 e 135/03, posteriormente convertidas nas Leis Ordinárias nº 10.637/02 – PIS – e nº10. 833/03 – COFINS. O supedâneo constitucional surgiu com a alteração do artigo 195 da carta magna, ao qual foi incluído o parágrafo 12, conforme redação trazida pela Emenda Constitucional nº 42 (EC nº 42 de 19.12.03), in verbis: "Art. 195. 12. A lei definirá os setores de atividade econômica para os quais as contribuições incidentes na forma dos incisos I, b; e IV do caput, serão nãocumulativas (...)” Além da diversidade de fundamentação legal e constitucional, o principal fato diferenciador dos regimes deve ser observado em relação à regra matriz do tributo, especificamente em relação ao seu aspecto material. É exatamente este o critério que entendo que deve ser observado para nortear a interpretação da regra do crédito na sistemática em apreço. As contribuições ao PIS/COFINS, desde o início de sua “existência”, pretenderam a tributação da receita das pessoas jurídicas, sem qualquer vinculação a um bem ou produto, incidindo, portanto, sobre uma grandeza econômica formada por uma série de fatores contábeis, os quais constituem a receita de uma empresa. Já o IPI/ICMS, prevê a tributação do valor de determinado produto. Tal diferença torna evidente a distinção dos regimes não cumulativos. Explico. Adoto a premissa de que o conceito de cumulatividade significa tributar mais de uma vez a mesma grandeza econômica. Nestes termos, para se alcançar o efeito não cumulativo é necessário, exatamente, evitar esta reiterada incidência tributária sobre a mesma riqueza. No caso da não cumulatividade aplicável ao IPI/ICMS este processo é facilmente constatável. Isto porque se está tratando de não cumulatividade vinculada ao preço do produto, logo, toda vez que o produto for tributado (independente da fase em que ele se encontre), estarseá diante da cumulação de carga tributária. O reflexo no aumento do preço do produto é visível, quase palpável, e o simples destaque na nota fiscal permite impedir a cumulatividade da carga tributária. Todavia, este mesmo pressuposto não se aplica a não cumulatividade trazida ao PIS/COFINS. Diferentemente da hipótese Fl. 388DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10280.721458/201111 Resolução nº 3401000.894 S3C4T1 Fl. 10 6 dos impostos, a cumulação que se pretende evitar no caso das contribuições, referese à receita da pessoa jurídica. É em relação a esse aspecto econômico que se deve impedir a reiterada incidência tributária. Neste sentido cito Marco Aurélio Greco8: “Embora a não cumulatividade seja uma idéia comum a IPI e a PIS/COFINS a diferença de pressuposto de fato (produto industrializado versus receita) faz com que assuma dimensão e perfil distintos. Por esta razão, pretender aplicar na interpretação de normas de PIS/COFINS critérios ou formulações construídas em relação ao IPI é: a) desconsiderar os diferentes pressupostos constitucionais; b) agredir a racionalidade da incidência de PIS/COFINS; e c) contrariar a coerência interna da exigência, pois esta se forma a partir do pressuposto ‘receita’e não ‘produto’.” O critério “receita”, ao contrário do critério “produto”, não possui, como bem esclarecido pelo doutrinador supracitado, “um ciclo econômico a ser considerado, posto ser fenômeno ligado a uma única pessoa”. Inexiste imposto de etapa anterior a ser deduzido, uma vez que não há estágio prévio na apuração da receita da pessoa jurídica, e esta particularidade inviabiliza a aplicação da mesma interpretação para ambos os regimes Não há meios, portanto de confusão entre os sistemas não cumulativos de impostos e contribuições. Diferentemente do regime previsto para o IPI e ICMS que pretende a compensação de “imposto sobre imposto”, importando se com o valor despendido a título de tributo, a não cumulatividade das contribuições sociais se preocupa com o quantum consumido pelo contribuinte a título de insumos em todo processo de produção. Importa sim, para viabilizar o crédito, que o insumo tenha sido tributado, mas é irrelevante a forma desta tributação e o quanto representou esta incidência tributária. O contribuinte terá direito ao crédito se o insumo tiver sido tributado pelo regime cumulativo, pelo regime não cumulativo ou mesmo pelo Simples, até porque o montante recolhido a título de PIS e COFINS não consiste em fator decisivo à obtenção do crédito tributário. Tanto é assim que, independentemente do critério de tributação ao qual foi submetido o insumo, o contribuinte terá direito à grandeza de 9,25% (PIS + COFINS) de todo o valor que foi despendido para a sua aquisição. Assim, claro está que não é o valor gasto a título de tributo que interessa, contrariamente aos regimes aplicados ao IPI/ICMS. Tenho para mim que o legislador infraconstitucional, ao definir os ditames para evitar a cumulação das contribuições, criou critério híbrido e único, mesclando conceitos já existentes com outros inevitavelmente formados de significação específica para as contribuições ao PIS/COFINS. Tal procedimento pretendeu alcançar os aspectos particulares das contribuições sociais, bem como neutralizar efetivamente a cumulação destes tributos, que possuem regra matriz de incidência totalmente diversa dos demais tributos não cumulativos. .............. Realmente, dos termos legais não se depreende a limitação invocada pelo acórdão recorrido, não sendo lícito ao agente administrativo, sem fundamentação legal, deliberar em sentido de reduzir o crédito do contribuinte. Não se aplica, portanto, o critério de IPI/ICMS, uma vez que não importa, no caso das contribuições em análise, se o insumo consumido obteve ou não algum contato com o produto final comercializado. Da mesma forma não interessa em que momento do processo de produção o insumo foi utilizado. Melhor sorte não alcança a equiparação do conceito da não cumulatividade com as noções de custo e despesa necessária para o Fl. 389DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10280.721458/201111 Resolução nº 3401000.894 S3C4T1 Fl. 11 7 Imposto de Renda, conforme os artigos 29011 e 29912 do RIR/99. Realmente, correta a doutrina ao perceber que o conceito de receita está mais próximo do conceito de lucro, do que da definição de valor agregado ao produto, aplicável ao ICMS e IPI. Todavia, não se trata de identidade de materialidade, receita não é lucro e este fato não pode ser ignorado. Ao analisar o disposto na legislação verificase que as despesas contabilizadas como “operacionais” são mais amplas do que o conceito de insumos em análise. O critério de classificação da despesa operacional é que ela seja necessária, usual ou normal para as atividades da empresa. Todavia, este não é o critério utilizado para o conceito de insumos. Vários itens, que são classificados como despesas necessárias (despesas realizadas com vendas, pessoal, administração, propaganda, publicidade, etc.) ao meu sentir, não serão, obrigatoriamente, insumos para o PIS e COFINS não cumulativos. Da mesma forma, o custo de produção também é diferente de insumos, basta constatar que as Leis nº 10.833/03 e 10.637/02 negam, expressamente, a folha de salários como insumo para o PIS COFINS. Por outro giro, a legislação específica define que a base do crédito, para o PIS e COFINS, será formada pelas despesas e custos de “bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes...” A redação do dispositivo legal é clara, e define como critério os bens e serviços UTILIZADOS na PRESTAÇÃO de serviços; na PRODUÇÃO e na FABRICAÇÃO de bens e produtos. Neste sentido, “somente os bens e serviços que forem utilizados direta ou indiretamente na fabricação de bens ou na prestação de serviços darão direito ao crédito. Essa ressalva é muito importante, na medida em que a lei exige que os bens e serviços sejam efetivamente utilizados pela empresa para tais finalidades, e não simplesmente adquiridos e consumidos em suas operações.” A questão é que e aqui, entendo se formar um critério específico para o conceito de insumos no PIS e COFINS não cumulativo para a produção/fabricação de determinada mercadoria final (ou serviço), o insumo tem que ser UTILIZADO e, mais ainda, tem que ser INDISPENSÁVEL para o resultado final pretendido. De acordo com este raciocínio o insumo, para gerar crédito, deve estar diretamente vinculado ao objeto social da empresa e, em meu entender, é este o componente diferenciador que deve ser considerado pelos intérpretes do direito. Com base na legislação pertinente ao assunto, concluo que para gerar crédito de PIS e COFINS não cumulativo o insumo deve: ser UTILIZADO direta ou indiretamente pelo contribuinte; ser INDISPENSÁVEL para a formação daquele produto/serviço final; e estar RELACIONADO ao objeto social do contribuinte. Mencionada conclusão foi realizada à luz da materialidade das contribuições sociais em análise, sendo que o critério material da regra matriz de incidência tributária do PIS/COFINS é aferir receita, e a receita de uma empresa está diretamente ligada à atividade que esta empresa exerce. Logo, para conceituar insumo, primordial verificar o que foi utilizado para se alcançar aquela determinada receita naquele específico mês. Finalizada esta análise preliminar de conceitos, é preciso avaliar se os insumos pleiteados pela Recorrente são desta forma considerado pela legislação do PIS/COFINS. Fl. 390DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10280.721458/201111 Resolução nº 3401000.894 S3C4T1 Fl. 12 8 Neste item, discutese o frete realizado entre estabelecimentos da mesma pessoa jurídica, para transporte dos produtos acabados para o centro de distribuição/exportação. Conforme tenho defendido, sou da opinião de impossibilidade de crédito no caso de frete entre estabelecimentos da empresa. Isto porque não há hipótese legal expressa permitindo este creditamento, razão pela qual a hipótese de concessão seria a conclusão de que este gasto representaria um “serviço utilizado como insumo na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda.” Assim, conforme premissa adotada, para ser considerado crédito o frete entre estabelecimentos deve ser UTILIZADO direta ou indiretamente pelo contribuinte como insumo na produção; ser INDISPENSÁVEL para a formação daquele produto/serviço final e estar RELACIONADO ao seu objeto social. In casu, a meu sentir, o frete entre estabelecimentos de produto já acabado não se refere à fase produtiva, que se findou com a formação do produto. Desta forma, entendo que falta a este insumo um dos três requisitos que considero indispensáveis para a concessão do crédito, qual seja, aquele que determina que o insumo deve ser UTILIZADO direta ou indiretamente pelo contribuinte em sua produção. Lembro que afasto a alegação de que o crédito é devido porque equiparase ao conceito de custo do Imposto de Renda em função da premissa que adoto, de que o PIS e COFINS possuem seu próprio conceito de insumo, diverso daquela utilizado pelo ICMS/IPI/IRPJ.....” Tecidas estas considerações se faz indispensável analisar o conteúdo do objeto social da Recorrente para se verificar se os insumos aqui discutidos são considerados indispensáveis para a formação do produto final. Outro ponto a observar no caso em comento é o entendimento já esposado em julgamento anterior da mesma empresa, (Processo n. 10280.722246/200937, 4ª Câmara da 2ª Turma Ordinária) onde se decidiu que a Autoridade Fiscal e a Delegacia de Julgamento partiram da premissa de que, para serem considerados insumos, os itens devem ser aplicados ou consumidos diretamente na produção ou fabricação do bem, tendo sido glosado tudo aquilo que não se submeteram a tal regra. Deste modo, aproveito tal julgado, o qual será reproduzido abaixo, para requerer análise conclusiva por parte da unidade de origem sobre as características de cada um dos “insumos” glosados e o seu entendimento sobre a relação com o processo produtivo da Recorrente, especialmente após a análise do recurso voluntário ora apresentado e dos objetivos da empresa mencionados em seu contrato social. Vejamos a decisão mencionada: “..Ao meu sentir, o conceito utilizado de insumo utilizado pelo Legislador na apuração de créditos a serem descontados da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins denota uma abrangência maior do que MP, PI e ME relacionados ao IPI. Por outro lado, tal abrangência não é tão elástica como no caso do IRPJ, a ponto de abarcar todos os custos de produção e as despesas necessárias à atividade da empresa. Fl. 391DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10280.721458/201111 Resolução nº 3401000.894 S3C4T1 Fl. 13 9 Por isso, entendo que em todo processo administrativo que envolver créditos referentes a não cumulatividade do PIS ou da Cofins, deve ser analisado cada item relacionado como “insumos” e o seu envolvimento no processo produtivo, para então definir a possibilidade de aproveitamento do crédito. Retornando aos autos, para uma decisão justa e precisa, necessito que a Unidade de Origem emita um parecer conclusivo acerca da relação de inerência entre os dispêndios realizados a título de transporte e coprocessamento de rejeito gasto de cubas – RGC, de beneficiamento de banho eletrolítico, de processamento de borra de alumínio e refratários e o transporte de rejeitos industriais, e a realização da produção industrial do recorrente em face da eventual inexistência desses gastos. Necessito, outrossim, que sejam identificas as máquinas, os equipamentos e as edificações do parque industrial do recorrente e seus os respectivos custos. Da conclusão da diligência deve ser dada ciência à contribuinte, abrindolhe O prazo de trinta dias para, querendo, pronunciarse sobre o feito. Após todos os procedimentos, que sejam devolvidos os autos ao CARF para prosseguimento do rito processual. É como voto. Sala das Sessões, em 27/11/2007. GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO.” Ante o exposto, voto por converter o presente julgamento em diligência para que seja descrita a função, forma de utilização dos produtos, análise conclusiva sobre as características e relação dos insumos com o processo produtivo, forma de desgaste do produto no processo produtivo. Após a emissão de relatório circunstanciado pela SRF e manifestação do contribuinte em 30 dias para que se manifeste sobre o relatório. Angela Sartori Relator Fl. 392DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS
score : 1.0
Numero do processo: 17883.000223/2005-02
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 18 00:00:00 UTC 2009
Ementa: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO - CSLL
Ano-calendário: 2000, 2001, 2002, 2003, 2004
CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO - COMPETÊNCIA PARA JULGAMENTO
Competência para julgamento declinada em favor da Primeira Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Artigo 20, inciso I, alínea "c", do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais.
Numero da decisão: 3102-00.384
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em declinar da competência de julgamento à Egrégia Primeira Seção, em razão da matéria.
Nome do relator: Beatriz Veríssimo de Sena
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 200906
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO - CSLL Ano-calendário: 2000, 2001, 2002, 2003, 2004 CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO - COMPETÊNCIA PARA JULGAMENTO Competência para julgamento declinada em favor da Primeira Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Artigo 20, inciso I, alínea "c", do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
numero_processo_s : 17883.000223/2005-02
conteudo_id_s : 5430708
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Feb 24 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 3102-00.384
nome_arquivo_s : Decisao_17883000223200502.pdf
nome_relator_s : Beatriz Veríssimo de Sena
nome_arquivo_pdf_s : 17883000223200502_5430708.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em declinar da competência de julgamento à Egrégia Primeira Seção, em razão da matéria.
dt_sessao_tdt : Thu Jun 18 00:00:00 UTC 2009
id : 5826978
ano_sessao_s : 2009
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:36:48 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047702643671040
conteudo_txt : Metadados => date: 2009-12-14T18:29:24Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2009-12-14T18:29:24Z; Last-Modified: 2009-12-14T18:29:24Z; dcterms:modified: 2009-12-14T18:29:24Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; Last-Save-Date: 2009-12-14T18:29:24Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2009-12-14T18:29:24Z; meta:save-date: 2009-12-14T18:29:24Z; pdf:encrypted: false; modified: 2009-12-14T18:29:24Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2009-12-14T18:29:24Z; created: 2009-12-14T18:29:24Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; Creation-Date: 2009-12-14T18:29:24Z; pdf:charsPerPage: 1429; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2009-12-14T18:29:24Z | Conteúdo => S3-C1T2 F1.993 ta,* MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS 1., TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO ,,,i'àt:d,14:".• Processo n° 17883.000223/2005-02 Recurso n° 139.360 Voluntário Acórdão n° 3102-00.384 — 1' Câmara / 2 Turma Ordinária Sessão de 18 de junho de 2009 i Matéria CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO - CSLL Recorrente ASTOR ADMINISTRAÇÃO DE BENS E PARTICIPAÇÕES LTDA. Recorrida DRJ-RIO DE JANEIRO/RJ ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO - CSLL Ano-calendário: 2000, 2001, 2002, 2003, 2004 CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO - COMPETÊNCIA PARA JULGAMENTO Competência para julgamento declinada em favor da Primeira Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Artigo 20, inciso I, alínea "c", do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em declinar da competência de julgamento à Egrégia Primeira Seção, em razão da matéria. 'IÍ • '.1)) MEeCIA HELENA TO: ANO D'AMORIM - Presidente i __ ..... ,. BEATRIZ VERÍSSIMO DE SENA — Relatora EDITADO EM: 09/09/2009 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Mércia Helena Trajano Damorim, Ricardo Paulo Rosa, Corintho Oliveira Machado, Luciano Lopes de Almeida Moraes, Marcelo Ribeiro Nogueira, Beatriz Veríssimo de Sena, Rosa Maria de Jesus da Silva Costa de Castro e Judith do Amaral Marcondes Armando. 1 Relatório O presente processo trata de auto de infração, no qual se constata falta de pagamento da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido — CSLL, incidente sobre a base de cálculo estimada em função da receita bruta e acréscimos, relativo aos meses de janeiro de 200 a junho de 2004. Apura-se ofensa ao artigo 843 do RIR/99, combinado com o art. 43 da Lei n° 9.430/96, art. 230, §1°, inciso I do RIR199, art. 35, §1°, alínea "a", da Lei n° 8.981/95, art. 28, 30 e 44, §1°, inciso IV da Lei n° 9.430/96. O Contribuinte interpôs impugnação em que argumenta, em síntese, que o procedimento contábil por ele adotado encontra abrigo no art. 35 da Lei n° 9.430/96, que faculta ao contribuinte o beneficio da redução ou suspensão do pagamento do imposto devido em cada mês, demonstrando, através de balanços ou balancetes mensais, que o valor acumulado já pago excede o valor do imposto, calculado com base no lucro real do período em curso. Ademais, ao escriturar seu Livro Diário, o Contribuinte comprovou o resultado contábil mensal demonstrado no Livro LALUR para apuração do IRPJ e CSLL devidos. Argui o Contribuinte, ainda, que o mero descumprimento de uma obrigação acessória jamais poderia ensejar a desconsideração de toda escrita fiscal da interessada. Na verdade, a manutenção da exigência constituiria confisco aos bens da interessada, que é expressamente vedado pela Constituição Federal. Examinando a lide, a DRJ-Rio de Janeiro/RJ julgou procedente em parte o lançamento, por meio de acórdão assim ementado (fl. 905): Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2000, 2001, 2002, 2003, 2004 PERÍCIA. DESNECESSIDADE. Deve ser indeferido o pedido de perícia posto ser desnecessário, já que a documentação comprobatória constante nos autos, no entender desta autoridade julgadora (art. 29 do Decreto n° 70.235/1972), já prova cabalmente as infrações descritas nas autuações. MULTA. CARÁTER DE CONFISCO. A autoridade administrativa não possui competência para apreciar se a aplicação da multa de oficio tem caráter de confisco, contrariando a Constituição Federal, cabendo tal prerrogativa unicamente ao Poder Judiciário. MULTA ISOLADA PELA FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS DE CAL - Incide multa de oficio isolada sobre os valores da contribuição social devidos e não pagos, calculados sobre a base de cálculo estimada, ainda que apurado prejuizo fiscal no encerramento do período de apuração (ajuste anual), se constatado que o levantamento do balanço ou balancete de suspensão ou redução não atendeu a forma prescrita no art. 35 da Lei n° 8.981, de 1995, e alteraçies posteriores (Lei n° 9.430, de 1996, art. 44, alterada pela MP n° 351, de 22101)2007). MULTA ISOLADA - REDUÇÃO DE 75% PARA 50% - Cabe a aplicação da regra do art. 106, inc II, do Código Tributcirio Nacional, que dispõe que a lei nova se aplica a ato ou fato não 2 Processo n° 17883.000223/2005-02 S3-CIT2 Acórdão n." 3102-00384 Fl. 994 definitivamente julgado quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo de sua prática. Contra o r. acórdão regional o Contribuinte interpôs recurso voluntário, no qual reiterou os argumentos já expostos na impugnação e que não foram acolhidos pela instância a quo. É o relatório. Voto Conselheira BEATRIZ VERÍSSIMO DE SENA Relatora A matéria sobre a qual versa o presente recurso voluntário foge à competência deste Colegiado, pois se trata de multa decorrente do recolhimento a menor de Contribuição Social sobre o Lucro Liquido — CSLL. De acordo com o art. 20, inciso I, alínea "c", do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, essa matéria deve ser analisada pela Primeira Seção. Assim, VOTO por declinar a competência para julgamento deste recurso para uma das Turmas da Primeira Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF. BEAT • Z VERÍSSIMO DE SENA 3
score : 1.0
Numero do processo: 11020.901577/2008-84
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 05 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Mar 17 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2002
DESPACHO ELETRÔNICO. CRÉDITO PARCIAL INDEFERIDO. DIREITO CREDITÓRIO DEMONSTRADO.
Demonstrada a liquidez e certeza do crédito parcial alegado, totalmente indeferido em despacho decisório emitido de forma eletrônica, poderá ser ele utilizado na compensação de débitos próprios.
Numero da decisão: 1302-001.671
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Alberto Pinto Souza Junior - Presidente.
(assinado digitalmente)
Eduardo de Andrade - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Junior (presidente da turma), Márcio Rodrigo Frizzo, Waldir Veiga Rocha, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Eduardo de Andrade e Hélio Eduardo de Paiva Araújo.
Nome do relator: EDUARDO DE ANDRADE
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201503
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2002 DESPACHO ELETRÔNICO. CRÉDITO PARCIAL INDEFERIDO. DIREITO CREDITÓRIO DEMONSTRADO. Demonstrada a liquidez e certeza do crédito parcial alegado, totalmente indeferido em despacho decisório emitido de forma eletrônica, poderá ser ele utilizado na compensação de débitos próprios.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Mar 17 00:00:00 UTC 2015
numero_processo_s : 11020.901577/2008-84
anomes_publicacao_s : 201503
conteudo_id_s : 5441782
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Mar 17 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 1302-001.671
nome_arquivo_s : Decisao_11020901577200884.PDF
ano_publicacao_s : 2015
nome_relator_s : EDUARDO DE ANDRADE
nome_arquivo_pdf_s : 11020901577200884_5441782.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Alberto Pinto Souza Junior - Presidente. (assinado digitalmente) Eduardo de Andrade - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Junior (presidente da turma), Márcio Rodrigo Frizzo, Waldir Veiga Rocha, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Eduardo de Andrade e Hélio Eduardo de Paiva Araújo.
dt_sessao_tdt : Thu Mar 05 00:00:00 UTC 2015
id : 5861822
ano_sessao_s : 2015
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:38:10 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047702644719616
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1670; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T2 Fl. 213 1 212 S1C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11020.901577/200884 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1302001.671 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 5 de março de 2015 Matéria DCOMP Recorrente COMERCIAL AVICOLA BAMPI LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2002 DESPACHO ELETRÔNICO. CRÉDITO PARCIAL INDEFERIDO. DIREITO CREDITÓRIO DEMONSTRADO. Demonstrada a liquidez e certeza do crédito parcial alegado, totalmente indeferido em despacho decisório emitido de forma eletrônica, poderá ser ele utilizado na compensação de débitos próprios. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Alberto Pinto Souza Junior Presidente. (assinado digitalmente) Eduardo de Andrade Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Junior (presidente da turma), Márcio Rodrigo Frizzo, Waldir Veiga Rocha, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Eduardo de Andrade e Hélio Eduardo de Paiva Araújo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 90 15 77 /2 00 8- 84 Fl. 213DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 12/03/2015 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 2 Relatório Tratase de apreciar Recurso Voluntário interposto em face de acórdão proferido nestes autos pela 15ª Turma da DRJ/RJI, no qual o colegiado decidiu, por maioria de votos, negar provimento à Manifestação de Inconformidade apresentada pela Interessada, mantendo se na íntegra o Despacho Decisório atacado. Restou vencido o julgador Marcelo Franco de Matos, que acolhia a preliminar de erro de fato levantada pelo contribuinte e propunha o retorno do feito à DRF de origem para prosseguir na análise do direito creditório. O julgado foi assim ementado: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 2002 COMPENSAÇÃO. Não comprovada a liquidez e certeza do crédito pleiteado, deve ser mantido o Despacho Decisório que não homologou as compensações efetuadas com base no mesmo. Os eventos ocorridos até o julgamento na DRJ, foram assim relatados no acórdão recorrido: Versa este processo sobre compensação. Através do Despacho Decisório de fl. 20, proferido pela Delegacia da Receita Federal em Caxias do Sul RS, com ciência ao contribuinte em 01/09/2008 (fl.99), não foram homologadas as compensações declaradas no PER/DCOMP nº 18472.49144.161003.1.3.021290, (fls. 01/11). No referido documento, a interessa declara compensar diversos débitos com o crédito relativo ao saldo negativo do IRPJ do anocalendário de 2002, no valor original de R$ 17.032,68. As compensações declaradas não foram homologadas em razão de a DRF de Caxias do Sul ter identificado um saldo negativo de IRPJ no valor de apenas R$ 8.527,37, e não o valor declarado pela interessada no Per/dcomp, de R$ 17.032,68. Antes de proferir o Despacho Decisório que não homologou as compensações efetuadas, a referida DRF expôs à interessada a divergência de valores encontrada, através de duas intimações a ela enviadas, em diferentes datas (fls. 12/15), para que fosse retificada a DIPJ correspondente ou apresentado Per/dcomp retificador, não tendo havido resposta para ambas as intimações. Ciente do Despacho Decisório, a interessada apresentou a Manifestação de Inconformidade de fl. 13, onde alega que se equivocou ao preencher o Per/dcomp, sendo incorreto o saldo negativo nele informado, de R$ 17.032,68, em vez de R$ 8.527,37, conforme consignado na DIPJ do anocalendário de 2002. A recorrente, na peça recursal submetida à apreciação deste colegiado, repisou os argumentos expendidos na manifestação de inconformidade, aduzindo que se o direito creditório for reduzido, então também devem ser excluídos multa e juros relativamente aos débitos não compensados. Fl. 214DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 12/03/2015 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 11020.901577/200884 Acórdão n.º 1302001.671 S1C3T2 Fl. 214 3 Com efeito, o fundamento para o indeferimento residiu na impossibilidade de se retificar o Per/Dcomp após o julgamento, para então ajustálo ao conteúdo decisório favorável ao contribuinte. Na assentada de 04/08/2011 esta turma resolveu converter o julgamento em diligência para que para que a unidade local da RFB apreciasse o direito creditório da recorrente, admitindose como correto o valor declarado na DIPJ/2003 (R$8.527,37 – fl.50), e não aquele que consta da Per/Dcomp. Em cumprimento da Resolução, a DRF/Caxias do Sul (fls.211/212) afirmou que De acordo com os documentos anexados ao presente processo, as estimativas declaradas a título de IRPJ no valor de R$ 8.063,77 foram compensadas com saldo negativo de período anterior; a importância de R$ 3.600,00 foi objeto da Declaração de Compensação nº 00298.15830.161003.1.3.021540 homologada por disposição legal e o somatório de R$ 5.368,91 terá confirmado sua compensação por meio do processo 11020.900144/200810. O imposto devido declarado é de R$ 8.505,31, remanescendo o saldo negativo apurado na DIPJ/2003 no valor de R$ 8.527,37. É o relatório. Fl. 215DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 12/03/2015 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 4 Voto Direito Creditório negado em despacho decisório eletrônico parcialmente comprovado No presente caso, negouse compensação da recorrente por meio de Despacho Decisório emitido de forma eletrônica, por não ter sido possível confirmarse o crédito da recorrente, posto constar da PER/Dcomp o valor de R$ 17.032,68 e na DIPJ o valor de R$8.527,37 (fls.127). Ao prestar informações no cumprimento de Resolução determinado por esta turma a DRF/Caxias do Sul confirmou a existência do crédito de R$8.527,37, informado na DIPJ e, por erro confessado, não informado de forma igual no PER/Dcomp. Da análise dos fatos, verificase que o erro do contribuinte foi confundir o somatório dos recolhimentos relativos ao imposto de renda mensal pago por estimativas com o saldo negativo do IRPJ a pagar verificado. Os indeferimentos ocorridos em despacho decisório emitidos de forma eletrônica não permitem reconhecimento parcial de direito creditório alegado, levando à não homologação do total pleiteado, e forçando o contribuinte a protocolizar manifestação de inconformidade para obter o reconhecimento parcial do seu direito de crédito. O contraditório nestes expediente, como é cediço, é bastante reduzido, exigindo maior flexibilidade por parte do julgador no exame das exigências meramente formais. Desta forma, demonstrado ser o crédito parcial líquido e certo (art. 170, CTN), há que ser reconhecido e aceito para efeito de compensação de débitos próprios (art. 74, Lei nº 9.430/96), ainda que posteriormente à protocolização do PER/Dcomp, evitandose, assim, o enriquecimento sem causa da Fazenda lastreado no apego excessivo em mera formalidade. Assim, voto para dar provimento ao Recurso Voluntário, reconhecendo o crédito de R$8.527,37 relativo a saldo negativo de IRPJ no anocalendário de 2002, e homologar as compensações até o limite do crédito reconhecido. (assinado digitalmente) Eduardo de Andrade Relator Fl. 216DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 12/03/2015 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
score : 1.0
