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Numero do processo: 16641.000189/2010-13
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Dec 12 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Feb 08 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/10/2008
APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Recurso Especial do Procurador Provido.
Numero da decisão: 9202-004.994
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em dar-lhe provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Patrícia da Silva.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Recurso Especial do Procurador Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em darlhe provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Patrícia da Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 64 1. 00 01 89 /2 01 0- 13 Fl. 542DF CARF MF Processo nº 16641.000189/201013 Acórdão n.º 9202004.994 CSRFT2 Fl. 0 2 (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do processo paradigma deste julgamento, n° 10380.005876/200753. A divergência em exame reportase à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. A Fazenda Nacional interpôs recurso especial requerendo que a retroatividade benigna fosse aplicada, essencialmente, pelos critérios constantes na Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. Cientificado, o sujeito passivo não apresentou contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9202004.792, de 12/12/2016, proferido no julgamento do processo 10380.005876/200753, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 9202004.792): O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. Fl. 543DF CARF MF Processo nº 16641.000189/201013 Acórdão n.º 9202004.994 CSRFT2 Fl. 0 3 Cingese a controvérsia às penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo. A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “a” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) De inicio, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de forma unânime pacificou o entendimento de que na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdão nº 9202004.262 (Sessão de 23 de junho de 2016), cuja ementa transcrevese: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Fl. 544DF CARF MF Processo nº 16641.000189/201013 Acórdão n.º 9202004.994 CSRFT2 Fl. 0 4 Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente, foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, resta necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991. A comparação de que trata o item anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no AIOA somado com a multa aplicada na NFLD/AIOP não exceda o percentual de 75%. Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A da Lei n° 8.212/91, correspondente aos 75% previstos no art. 44 da Lei n° 9.430/96. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela MP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingida pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto unânime proferido no Acórdão nº 9202004.499 (Sessão de 29 de setembro de 2016): Fl. 545DF CARF MF Processo nº 16641.000189/201013 Acórdão n.º 9202004.994 CSRFT2 Fl. 0 5 Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. Fl. 546DF CARF MF Processo nº 16641.000189/201013 Acórdão n.º 9202004.994 CSRFT2 Fl. 0 6 § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há Fl. 547DF CARF MF Processo nº 16641.000189/201013 Acórdão n.º 9202004.994 CSRFT2 Fl. 0 7 que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: · Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou · Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Fl. 548DF CARF MF Processo nº 16641.000189/201013 Acórdão n.º 9202004.994 CSRFT2 Fl. 0 8 Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. Neste passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. De fato, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou Fl. 549DF CARF MF Processo nº 16641.000189/201013 Acórdão n.º 9202004.994 CSRFT2 Fl. 0 9 II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de ofício previsto no art. 35A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Fl. 550DF CARF MF Processo nº 16641.000189/201013 Acórdão n.º 9202004.994 CSRFT2 Fl. 0 10 Em face ao exposto, dou provimento ao recurso para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. Em face do acima exposto, voto por conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, darlhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 551DF CARF MF
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Numero do processo: 10972.000193/2008-21
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 23 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Mar 30 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 2202-000.433
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por Haig Hovsepian.
RESOLVEM os Membros da 2ª. Turma Ordinária da 2ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF, por unanimidade de votos, decidir pelo sobrestamento do processo, nos termos do voto do Conselheiro Relator. Após a formalização da Resolução o processo será movimentado para a Secretaria da Câmara que o manterá na atividade de sobrestado, conforme orientação contida no § 3º do art. 2º, da Portaria CARF nº 001, de 03 de janeiro de 2012. O processo será incluído novamente em pauta após solucionada a questão da repercussão geral, em julgamento no Supremo Tribunal Federal.
(Assinado digitalmente)
Nelson Mallmann Presidente
(Assinado digitalmente)
Pedro Anan Junior Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Rafael Pandolfo, Antonio Lopo Martinez, Guilherme Barranco de Souza, Pedro Anan Junior e Nelson Mallmann. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Odmir Fernandes
Nome do relator: Não se aplica
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RESOLVEM os Membros da 2ª. Turma Ordinária da 2ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF, por unanimidade de votos, decidir pelo sobrestamento do processo, nos termos do voto do Conselheiro Relator. Após a formalização da Resolução o processo será movimentado para a Secretaria da Câmara que o manterá na atividade de sobrestado, conforme orientação contida no § 3º do art. 2º, da Portaria CARF nº 001, de 03 de janeiro de 2012. O processo será incluído novamente em pauta após solucionada a questão da repercussão geral, em julgamento no Supremo Tribunal Federal. (Assinado digitalmente) Nelson Mallmann – Presidente (Assinado digitalmente) Pedro Anan Junior – Relator Participaram do julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Rafael Pandolfo, Antonio Lopo Martinez, Guilherme Barranco de Souza, Pedro Anan Junior e Nelson Mallmann. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Odmir Fernandes RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 72 .0 00 19 3/ 20 08 -2 1 Fl. 627DF CARF MF Processo nº 10972.000193/200821 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2202000.433 S2C2T2 Fl. 97 2 RELATÓRIO Em nome do contribuinte acima identificado foi lavrado o Auto de Infração de fls. 02/05, com ciência do sujeito passivo em 08/12/2008 (AR às fls. 487), relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física IRPF, exercícios 2004 e 2005, anoscalendário 2003 e 2004. Motivou o lançamento de ofício (relatório às fls. 06/47) a verificação de omissão na Declaração de Ajuste Anual — DAA do contribuinte de rendimentos recebidos a título de resgate de contribuições de previdência privada em abril de 2003, no valor de R$ 14.662,99, apurada na análise da Declaração do Imposto de Renda Retido na Fonte — DIRF apresentada por BRADESCO VIDA E PREVIDÊNCIA S/A. Também motivou o lançamento a constatação de omissão de rendimentos, caracterizada por depósitos bancários em 2003 e 2004 com origem não comprovada por documentação hábil e idônea, após ter sido o contribuinte regularmente intimado a apresentá la, no valor de R$ 16.871.210,73. Relatou a autoridade lançadora que a fiscalização no autuado teve origem em ação fiscal realizada na contribuinte BRUNA GONÇALVES DE SOUSA, CPF n° 064.996.36606, que apresentou em 2003 incompatibilidade entre a elevada movimentação financeira e a ausência de rendimentos informados. A fiscalizada BRUNA identificou como responsável pelo montante movimentado HAIG HOVSEPIAN, com quem mantinha conta conjunta, que ratificou a informação, o que ocasionou a execução do procedimento fiscal que originou o presente lançamento. O início do procedimento fiscal deuse em 30/03/2007, com a ciência de termo próprio, fls. 149/151, onde o contribuinte foi intimado a comprovar a origem dos recursos movimentados e a informar sua atividade profissional, assim como sua correlação com as operações bancárias, além dos extratos bancários de todas as instituições financeiras nas quais efetuou movimentação nos anos de 2003 e 2004. O contribuinte não atendeu ao solicitado no Termo de Início e nas reintimações datadas de 15/02/2008 e 14/03/2008, deixando de evidenciar a origem dos recursos que constaram em seus extratos bancários, limitandose a informar que toda a movimentação efetuada nas contas em que figura como um dos titulares é de sua responsabilidade. De posse dos extratos bancários e dos documentos recebidos dos bancos Caixa Econômica Federal, Bradesco e BCN, solicitados por meio de Requisições de Informações sobre Movimentação Financeira — RMF, a Fiscalização consolidou os valores creditados mensalmente nas contas bancárias sem comprovação de sua origem e, considerando o apurado nas planilhas de fls. 14/44 e o declarado pelo contribuinte em sua DAA, apurou omissão de receita de R$ 6.969.799,05 em 2003 e de R$ 9.901.411,68 em 2004 que, somados à omissão do resgate de contribuições de previdência privada em abril de 2003, no valor de R$ 14.662,99, com imposto na fonte de R$ 3.521,78, gerou imposto apurado de R$ 1.914.559,43 e de R$ 2.719.787,09, respectivamente referentes aos anoscalendário 2003 e 2004, a ser acrescido de Fl. 628DF CARF MF Processo nº 10972.000193/200821 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2202000.433 S2C2T2 Fl. 98 3 multa de ofício de 75% e juros de mora. O sujeito passivo apresentou a impugnação de fls. 489/521 A Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Juiz de Fora – DRJ/JFA, negou provimento a impugnação, nos termos do acórdão 0922.726, de 26 de fevereiro de 2009. Devidamente cientificado dessa decisão, o Recorrente apresenta tempestivamente recurso voluntário. É o relatório. Fl. 629DF CARF MF Processo nº 10972.000193/200821 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2202000.433 S2C2T2 Fl. 99 4 VOTO Conselheiro Pedro Anan Junior, Relator Conselheiro Pedro Anan Junior, Relator Ante de apreciar o recurso cabe discutir se o referido processo estaria sujeito a sobrestamento. Após análise pormenorizada dos autos entendo que cabe aqui sobrestamento de julgado feito de ofício pelo relator, nos termos do art. 62A e parágrafos do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n° 256, de 22 de junho de 2009, verbis: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543 C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543 B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. Ocorre que está em Repercussão Geral pela utilização de dados obtidos com base em RMF. Recurso extraordinário em que se discute, à luz dos artigos 5º, X, XII, XXXVI, LIV, LV; 145, § 1º; e 150, III, a, da Constituição Federal, a constitucionalidade, ou não, do art. 6º da Lei Complementar nº 105/2001, que permitiu o fornecimento de informações sobre movimentações financeiras diretamente ao Fisco, sem autorização judicial, bem como a possibilidade, ou não, da aplicação da Lei nº 10.174/2001 para apuração de créditos tributários referentes a exercícios anteriores ao de sua vigência. A constitucionalidade das prerrogativas estendidas à autoridade fiscal através de instrumentos infraconstitucionais utilização de dados da CPMF e obtenção de informações junto às instituições através da RMF está sendo analisada pelo STF no âmbito do Recurso Extraordinário nº 601.314, que tramita em regime de repercussão geral, reconhecida em 22/10/09, conforme ementa abaixo transcrita: CONSTITUCIONAL. SIGILO BANCÁRIO. FORNECIMENTO DE INFORMAÇÕES SOBRE MOVIMENTAÇÃO BANCÁRIA DE CONTRIBUINTES, PELAS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS, DIRETAMENTE AO FISCO, SEM PRÉVIA AUTORIZAÇÃO JUDICIAL (LEI COMPLEMENTAR 105/2001). POSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO DA LEI 10.174/2001 PARA APURAÇÃO DE CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS REFERENTES A EXERCÍCIOS ANTERIORES AO DE Fl. 630DF CARF MF Processo nº 10972.000193/200821 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2202000.433 S2C2T2 Fl. 100 5 SUA VIGÊNCIA. RELEVÂNCIA JURÍDICA DA QUESTÃO CONSTITUCIONAL. EXISTÊNCIA DE REPERCUSSÃO GERAL Conforme disposto no § 1º do art. 62A da Portaria MF nº 256/09, devem ficar sobrestados os julgamentos dos recursos que versarem sobre matéria cuja repercussão geral tenha sido admitida pelo STF. O dispositivo há pouco referido vai ao encontro da segurança jurídica, da estabilidade e da eficiência, pois ao tempo em que assegura a coerência do ordenamento, confere utilidade à atividade judicante exercida no âmbito do CARF. Assim, reconhecida, pelo STF, a relevância constitucional de tema prejudicial à validade do procedimento utilizado na constituição do crédito tributário, deve ser sobrestado o julgamento do recurso no CARF. Não se desconhece a decisão Plenária do STF no âmbito do RE nº 389.808, que acolheu o recurso extraordinário interposto pelos contribuintes. O Recurso foi pautado pelo Ministro Marco Aurélio (i) poucos dias antes da publicação da Emenda Regimental nº 42, do RISTF, que determina que todos os recursos relacionados ao tema do caso admitido como paradigma, em repercussão geral, devam ser distribuídos ao respectivo Relator, e (ii) quase um ano após o reconhecimento da repercussão geral no RE 601.314, o que gerou confusão quanto à mecânica processual de julgamento dos recursos extraordinários anteriores à Emenda Constitucional nº 45/04. Uma leitura atenta do acórdão revela que o julgamento, inicialmente adstrito à reanálise da medida cautelar requerida pela parte recorrente, desbordou para enfrentamento do mérito a partir da contrariedade manifestada pela Min. Ellen Gracie centrada, sobretudo, na ausência do Min. Joaquim Barbosa e sua consequência à apuração do quorum de votação. A atipicidade do caso, entretanto, não indica posicionamento da Corte afastando as consequências imediatas da repercussão geral, como o sobrestamento dos processos que veiculam o tema da violação de sigilo pela Fazenda. O fato é que, com exceção do inusitado julgamento ocorrido no âmbito do RE 389.808, o posicionamento do STF tem sido uníssono no sentido de sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários que veiculam a mesma matéria objeto do Recurso Extraordinário nº 601.314. As decisões abaixo transcritas são elucidativas: DESPACHO: Vistos. O presente apelo discute a violação da garantia do sigilo fiscal em face do inciso II do artigo 17 da Lei n° 9.393/96, que possibilitou a celebração de convênios entre a Secretaria da Receita Federal e a Confederação Nacional da Agricultura CNA e a Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura ? Contag, a fim de viabilizar o fornecimento de dados cadastrais de imóveis rurais para possibilitar cobranças tributárias. Verificase que no exame do RE n° 601.314/SP, Relator o Ministro Ricardo Lewandowski, foi reconhecida a repercussão geral de matéria análoga à da presente lide, e terá seu mérito julgado no Plenário deste Supremo Tribunal Federal Destarte, determino o sobrestamento do feito até a conclusão do julgamento do mencionado RE nº 601.314/SP. Devem os autos permanecer na Secretaria Judiciária até a conclusão do referido julgamento. Publiquese. Brasília, 9 de fevereiro de 2011. Ministro D IAS T OFFOLI Relator Documento assinado digitalmente (RE 488993, Relator(a): Min. DIAS TOFFOLI, julgado em 09/02/2011, publicado em DJe035 DIVULG 21/02/2011 PUBLIC 22/02/2011) DECISÃO REPERCUSSÃO GERAL ADMITIDA ? PROCESSOS VERSANDO A MATÉRIA ? SIGILO DADOS BANCÁRIOS ? FISCO ? Fl. 631DF CARF MF Processo nº 10972.000193/200821 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2202000.433 S2C2T2 Fl. 101 6 AFASTAMENTO ? ARTIGO 6º DA LEI COMPLEMENTAR Nº 105/2001 ? SOBRESTAMENTO. 1. O Tribunal, no Recurso Extraordinário nº 601.314/SP, relator Ministro Ricardo Lewandowski, concluiu pela repercussão geral do tema relativo à constitucionalidade de o Fisco exigir informações bancárias de contribuintes mediante o procedimento administrativo previsto no artigo 6º da Lei Complementar nº 105/2001. 2. Ante o quadro, considerado o fato de o recurso veicular a mesma matéria, tendo a intimação do acórdão da Corte de origem ocorrido anteriormente à vigência do sistema da repercussão geral, determino o sobrestamento destes autos. 3. À Assessoria, para o acompanhamento devido. 4. Publiquem. Brasília, 04 de outubro de 2011. Ministro MARCO AURÉLIO Relator (AI 691349 AgR, Relator(a): Min. MARCO AURÉLIO, julgado em 04/10/2011, publicado em DJe213 DIVULG 08/11/2011 PUBLIC 09/11/2011) REPERCUSSÃO GERAL. LC 105/01. CONSTITUCIONALIDADE. LEI 10.174/01. APLICAÇÃO PARA APURAÇÃO DE CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS REFERENTES À EXERCÍCOS ANTERIORES AO DE SUA VIGÊNCIA. RECURSO EXTRAORDINÁRIO DA UNIÃO PREJUDICADO. POSSIBILIDADE. DEVOLUÇÃO DO PROCESSO AO TRIBUNAL DE ORIGEM (ART. 328, PARÁGRAFO ÚNICO, DO RISTF ). Decisão: Discutese nestes recursos extraordinários a constitucionalidade, ou não, do artigo 6º da LC 105/01, que permitiu o fornecimento de informações sobre movimentações financeiras diretamente ao Fisco, sem autorização judicial; bem como a possibilidade, ou não, da aplicação da Lei 10.174/01 para apuração de créditos tributários referentes a exercícios anteriores ao de sua vigência. O Tribunal Regional Federal da 4ª Região negou seguimento à remessa oficial e à apelação da União, reconhecendo a impossibilidade da aplicação retroativa da LC 105/01 e da Lei 10.174/01. Contra essa decisão, a União interpôs, simultaneamente, recursos especial e extraordinário, ambos admitidos na Corte de origem. Verificase que o Superior Tribunal de Justiça deu provimento ao recurso especial em decisão assim ementada (fl. 281): "ADMINISTRATIVO E TRIBUTÁRIO ? UTILIZAÇÃO DE DADOS DA CPMF PARA LANÇAMENTO DE OUTROS TRIBUTOS ? IMPOSTO DE RENDA ? QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO ? PERÍODO ANTERIOR À LC 105/2001 ? APLICAÇÃO IMEDIATA ? RETROATIVIDADE PERMITIDA PELO ART. 144, § 1º, DO CTN ? PRECEDENTE DA PRIMEIRA SEÇÃO ? RECURSO ESPECIAL PROVIDO." Irresignado, Gildo Edgar Wendt interpôs novo recurso extraordinário, alegando, em suma, a inconstitucionalidade da LC 105/01 e a impossibilidade da aplicação retroativa da Lei 10.174/01 . O Supremo Tribunal Federal reconheceu a repercussão geral da controvérsia objeto destes autos, que será submetida à apreciação do Pleno desta Corte, nos autos do RE 601.314, Relator o Ministro Ricardo Lewandowski. Pelo exposto, declaro a prejudicialidade do recurso extraordinário interposto pela União, com fundamento no disposto no artigo 21, inciso IX, do RISTF. Com relação ao apelo extremo interposto por Gildo Edgar Wendt, revejo o sobrestamento anteriormente determinado pelo Min. Eros Grau, e, aplicando a decisão Plenária no RE n. 579.431, secundada, a posteriori pelo AI n. 503.064AgRAgR, Rel. Min. CELSO DE MELLO; AI n. 811.626AgR Fl. 632DF CARF MF Processo nº 10972.000193/200821 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2202000.433 S2C2T2 Fl. 102 7 AgR, Rel. Min. RICARDO LEWANDOWSKI, e RE n. 513.473ED, Rel. Min CÉZAR PELUSO, determino a devolução dos autos ao Tribunal de origem (art. 328, parágrafo único, do RISTF c.c. artigo 543B e seus parágrafos do Código de Processo Civil). Publiquese. Brasília, 1º de agosto de 2011. Ministro Luiz Fux Relator Documento assinado digitalmente (RE 602945, Relator(a): Min. LUIZ FUX, julgado em 01/08/2011, publicado em DJe158 DIVULG 17/08/2011 PUBLIC 18/08/2011) DECISÃO: A matéria veiculada na presente sede recursal ?discussão em torno da suposta transgressão à garantia constitucional de inviolabilidade do sigilo de dados e da intimidade das pessoas em geral, naqueles casos em que a administração tributária, sem prévia autorização judicial, recebe, diretamente, das instituições financeiras, informações sobre as operações bancárias ativas e passivas dos contribuintes será apreciada no recurso extraordinário representativo da controvérsia jurídica suscitada no RE 601.314/SP, Rel. Min. RICARDO LEWANDOWSKI, em cujo âmbito o Plenário desta Corte reconheceu existente a repercussão geral da questão constitucional. Sendo assim, impõese o sobrestamento dos presentes autos, que permanecerão na Secretaria desta Corte até final julgamento do mencionado recurso extraordinário. Publiquese. Brasília, 21 de maio de 2010. Ministro CELSO DE MELLO Relator (RE 479841, Relator(a): Min. CELSO DE MELLO, julgado em 21/05/2010, publicado em DJe100 DIVULG 02/06/2010 PUBLIC 04/06/2010) Sendo assim, tenho como inquestionável o enquadramento do presente caso ao art. 26A, §1º, da Portaria 256/09, ratificado pelas decisões acima transcritas, que retratam o quadro descrito pela Portaria nº1, de 03 de janeiro de 2012 (art. 1º, Parágrafo Único). Nesses termos, voto para que seja sobrestado o presente recurso, até o julgamento definitivo do Recurso Extraordinário nº 601.314, pelo STF. Diante de todo o exposto, proponho o SOBRESTAMENTO do julgamento do presente Recurso, conforme previsto no art. 62, §1o e 2o, do RICARF. Observandose que após a formalização da Resolução o processo será movimentado para a Secretaria da Câmara que o manterá na atividade de sobrestado, conforme orientação contida no § 3º do art. 2º, da Portaria CARF nº 001, de 03 de janeiro de 2012. O processo será incluído novamente em pauta após solucionada a questão da repercussão geral, em julgamento no Supremo Tribunal Federal. (Assinado digitalmente) Pedro Anan Junior Fl. 633DF CARF MF
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Numero do processo: 19515.003301/2004-55
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 02 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO - CSLL Ano-calendário: 2002, 2003 LANÇAMENTO DE OFÍCIO. DCTF. ESPONTANEIDADE. Embora tenha o contribuinte readquirido a espontaneidade no curso da ação fiscal, o lançamento de ofício não é nulo por si só, devendo apenas ser evitada a cobrança dúplice do crédito tributário também informado na DCTF e com a exigência apenas da multa e juros de mora. A inexistência da cobrança do crédito tributário declarado na DCTF é evidência de que já se encontra prescrito razão maior para manutenção do lançamento objeto do litígio. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2002, 2003 RESPONSABILIDADE PESSOAL DE MANDATÁRIO. A pessoa jurídica autuada não detém capacidade processual e legitimidade para apresentar alegações em sede de recurso voluntário, em nome de terceiro (atual mandatário e ex-sócio) responsabilizado pessoalmente pelo crédito tributário.
Numero da decisão: 1803-001.515
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer das alegações sobre a responsabilidade pessoal do mandatário e no mérito em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. O
conselheiro Sérgio Rodrigues Mendes votou pelas conclusões em relação a responsabilidade pessoal do mandatário.
Matéria: CSL - ação fiscal (exceto glosa compens. bases negativas)
Nome do relator: Walter Adolfo Maresch
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DCTF. ESPONTANEIDADE. Embora tenha o contribuinte readquirido a espontaneidade no curso da ação fiscal, o lançamento de ofício não é nulo por si só, devendo apenas ser evitada a cobrança dúplice do crédito tributário também informado na DCTF e com a exigência apenas da multa e juros de mora. A inexistência da cobrança do crédito tributário declarado na DCTF é evidência de que já se encontra prescrito razão maior para manutenção do lançamento objeto do litígio. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2002, 2003 RESPONSABILIDADE PESSOAL DE MANDATÁRIO. A pessoa jurídica autuada não detém capacidade processual e legitimidade para apresentar alegações em sede de recurso voluntário, em nome de terceiro (atual mandatário e exsócio) responsabilizado pessoalmente pelo crédito tributário. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer das alegações sobre a responsabilidade pessoal do mandatário e no mérito em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. O conselheiro Sérgio Rodrigues Mendes votou pelas conclusões em relação a responsabilidade pessoal do mandatário. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 33 01 /2 00 4- 55 Fl. 1DF CARF MF Impresso em 19/10/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 19/10/201 2 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 16/10/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 19515.003301/200455 Acórdão n.º 1803001.515 S1TE03 Fl. 273 2 Selene Ferreira de Moraes Presidente. (assinado digitalmente) Walter Adolfo Maresch Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Selene Ferreira de Moraes (presidente), Walter Adolfo Maresch, Sergio Rodrigues Mendes, Meigan Sack Rodrigues, Viviani Aparecida Bacchmi e Sérgio Luiz Bezerra Presta. Relatório PADROEIRA COMÉRCIO DE PAPEL LTDA, pessoa jurídica já qualificada nestes autos, inconformada com a decisão proferida pela DRJ SANTA MARIA (RS), interpõe recurso voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, objetivando a reforma da decisão. Adoto o relatório da DRJ por bem retratar os fatos. Por meio do auto de infração de fls. 141147, exigiuse o recolhimento da contribuição, no valor de R$ 103.749,66, acrescidos da multa de oficio e dos juros de mora, tendo em vista diferenças entres os valores declarados em DCTF e escriturados pelo contribuinte. Também foi lavrado Termo de Constatação Fiscal e Responsabilidade Tributária de fls.134140. Assim está no referido termo [..] Quando do início da ação fiscal [...] o contribuinte se encontrava omisso quanto a apresentação das Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais — DCTF, relativas aos trimestres civil encerrados em março, junho, setembro e dezembro de 2002 e 1° trimestre de 2003. Quando as respectivas DCTF foram apresentadas, fls. 06 a 58, o contribuinte já havia perdido a espontaneidade, nos termos do artigo 70, inciso I, e §§ 1°e 2°, do Decreto n° 70.235,/72. [..] contatase que a única pessoa diretamente vinculada às operações comerciais da empresa ora fiscalizada é o Sr. MARCOS APARECIDO CARRREIRA, CPFn° 083.889.45856, o qual procurou se utilizar de interpostas pessoas com a finalidade de elidir responsabilidade perante o Fisco, pelo não recolhimento dos tributos devidos pela empresa da qual é dono de fato... cumpre às autoridades fazendárias considerar o Sr. MARCOS[..] pessoalmente responsável pelas infrações à lei cometidas na direção da empresa [4 nos termos dos artigos 135, II e HL e 137, I, da Lei n°5.172/66 [..] a conduta acima configura, em tese, CRIME CONTRA A ORDEM TRIBUTÁRIA [..]. Enquadramento legal: a) da CSLL art. 77, III, do Decretolei n° 5.844, de 1943; art. 149 da Lei n° 5.172, de 1966; art. 2° e §§ da Lei n° 7.689, de 1988; arts. 19 e 20 da Lei n° 9.249, de 1995; Fl. 2DF CARF MF Impresso em 19/10/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 19/10/201 2 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 16/10/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 19515.003301/200455 Acórdão n.º 1803001.515 S1TE03 Fl. 274 3 art. 6° da Medida Provisória n° 1.858, de 1999 e suas reedições; b) da multa de oficio e dos juros de mora: art. 44, I, e art. 61, § 3 0, da Lei n°9.430, de 1996. Cientificada e não concordando com a exigência, a autuada apresentou por intermédio de seus advogados (fl. 177), tempestivamente (fl. 198), a impugnação de fls. 150 172 e documentos de fls. 173196, alegando, em síntese, o seguinte: Preliminarmente Nulidade do auto de infração — falta de enquadramento legal A recorrente desconhece o dispositivo legal que autoriza a lavratura de auto de infração com aplicação de multa de oficio por falta de entrega de DCTF, quando os valores são obtidos na escrituração contábil do contribuinte. Acrescenta que os procedimentos levados a efeito para lançar o tributo não encontram respaldo legal nos dispositivos legais mencionados no auto de infração. O procedimento fiscal também não está autorizado pelo Mandado de Procedimento Fiscal, que delimitava o período de verificação de 1999 a 2001. Assim, o auto de infração deve ser declarado nulo, pois sua formalização está eivada de vícios insanáveis que impedem o livre contraditório e cerceiam o direito de defesa. Nulidade do auto de infração — inexistência de mandado de procedimento fiscal A autoridade fiscalizadora agiu de forma arbitrária e ilegal ao fiscalizar e autuar o período/competência 2002, pois o MPF que permitiu o início da ação fiscalizatória foi claro e preciso no que se refere ao período fiscalizado — 1999/2000 e 2001. Assim, o auto de infração viola o princípio da estrita legalidade, previsto no art. 5° da Constituição Federal, e por isso deve ser decretada a nulidade do lançamento efetuado sem a permissão legal e autorização da Secretaria da Receita Federal. Suposta omissão de receitas baseada na escrituração contábil. A suposta omissão de receitas apurada pelo agente fiscalizador a partir de registros contábeis também é uma arbitrariedade. Primeiro, porque se não havia ordem para fiscalizar os períodosbase de 2002 e 2003, não há que se falar em falta de declaração, pois, ainda que fora do prazo, o contribuinte estava providenciando a entrega da DCTF. Em segundo lugar, porque, se as receitas estavam contabilizadas, elas estavam declaradas. Caso houvesse o devido MPF, no máximo, a autoridade fiscalizadora poderia ter lavrado multa por falta de entrega de DCTF, que é um título dotado de certeza e liquidez. Conclui que o crédito tributário foi lançado em desconformidade com as disposições legais e, por isso, deve ser reconhecida a nulidade do auto de infração em tela. Fl. 3DF CARF MF Impresso em 19/10/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 19/10/201 2 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 16/10/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 19515.003301/200455 Acórdão n.º 1803001.515 S1TE03 Fl. 275 4 Do mérito Da inexigibilidade da multa — veículo normativo incorreto Tendo em vista o art. 146, III, "b", da Constituição Federal, o art. 44, I, da Lei n° 9.430, de 1996, não é o veículo normativo adequado e nem previsto constitucionalmente para dispor sobre normas gerais em matéria tributária. A multa de 75% só poderia ser instituída por meio de uma lei complementar. Por esse motivo, a defesa requer que seja afastada a aplicação de multa sobre os valores lançados. Inexigibilidade da multa — valores declarados espontaneamente A autoridade fiscalizadora aplicou multa como penalidade por omisso de receita com base em valores constantes em registros contábeis. No entanto, se declarado o tributo, não existe qualquer razão para o lançamento fiscal. O inciso I do artigo 44 é expresso ao determinar a aplicação de multa para os casos de falta de pagamento em decorrência de falta de declaração ou declaração inexata. No caso dos autos, os valores foram declarados espontaneamente em registros contábeis. A falta de DCTF, isoladamente, não autoriza a aplicação da multa prevista no art. 44, I, da Lei n° 9.430, de 1996. Assim, o auto de infração deve ser cancelado, pois a lei autoriza o lançam to de oficio e conseqüente aplicação de multa somente quando não houver declaração do tributo. Inexigibilidade da multa confisco A multa vinculada aplicada sobre os valores declarados, além de incabível in casu, é confiscatória e ofende o art. 150, IV, da CF/88. Depois de transcrever ementas de julgados, diz a defesa que é inevitável a conclusão no sentido de que a multa de 75% aplicada deve ser excluída do montante apurado e glosado pela autoridade fiscal, sob pena de estar ferindo a legislação e a Constituição vigente. Acrescenta que, se existe um limite para cobrança de multa, que é de 2% no que diz respeito aos consumidores — a cobrança de multa de 75% configura o confisco vedado no ordenamento jurídico ou mesmo enriquecimento ilícito por parte da União. Conclui a defesa que a cobrança de 75% de multa é absurda, indevida e inconstitucional e, por isso, deve ser declarada insubsistente. Dos juros de mora — da impossibilidade de aplicação de juros sobre a correção monetária. Juros de mora e correção monetária têm natureza moratória e, assim sendo, uma não pode ser calculada sobre a outra, pois implicaria uma duplicidade de sanções sobre o mesmo fato. Dessa forma, diz a defesa, é inadmissível a aplicação de juros sobre o valor do débito acrescido da atualização monetária. Fl. 4DF CARF MF Impresso em 19/10/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 19/10/201 2 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 16/10/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 19515.003301/200455 Acórdão n.º 1803001.515 S1TE03 Fl. 276 5 Correto é que se compute juros tão somente o valor originário do débito. Da inaplicabilidade da taxa SELIC A aplicação da taxa SELIC para correção do débito afronta diversos princípios constitucionais tributários, dentre eles o da legalidade, da isonomia e da segurança jurídica e não é aplicável a débitos tributários. Depois de transcrever ementa de julgado do STJ, conclui que a taxa SELIC deve ser afastada, dada a sua inconstitucionalidade. Da inexistência de ilícitos penais Segundo a autoridade fiscalizadora teria ocorrido simulação, na medida em que houve alterações societárias na empresa, e, o sócio anterior continuava a gerenciar a empresa. Diz que as alterações societárias em nada refletem na questão do não recolhimento de impostos, uma vez que a empresa existe, está ativa, tem endereço certo, possui bens e responde por seu passivo. Levandose em conta o art. 135 do CTN (I — os mandatários ... II os diretores, gerentes ...) questiona onde está e qual seria a fraude ou simulação praticada pelo Sr. Marcos Carreira ao sair da sociedade permanecendo como administrador da mesma? Como poderia este "livrarse" dos encargos da lei uma vez que permaneceu responsável por substituição tributária pelos atos da empresa? Dessa forma, não há que se falar na "camuflada" desconsideração da personalidade jurídica pretendida pelo fisco, uma vez que para se desconsiderar a personalidade jurídica há de existir fraude, e impossibilidade de responsabilizar o titular do débito, o que não ocorre no caso. Também, diz a defesa, não há que se falar em qualquer forma fraudulenta de se obter vantagem financeira por conta das alterações societárias se o exsócio permaneceu responsável por substituição tributária pela empresa através do cargo de gerente/procurador da mesma. Também questiona: onde está a vantagem econômica? Acrescenta que o efetivo intuído da fraude deve ser provado. Por fim, a defesa alega que a simples alegação da autoridade fiscalizadora de que por conta da estruturação societária caracterizouse a fraude não merece prosperar, pois não houve dolo, a vantagem econômica ou lesão ao fisco que ensejassem a imputação de tal conduta ao impugnante. Do pedido 1. Requer que sejam acolhidas as preliminares, a fim de ser decretado nulo o lançamento, pelas seguintes razões: a) enquadramento legal incorreto; b) lançamento de tributo com base em período não autorizado por MPF; c) lançamento Fl. 5DF CARF MF Impresso em 19/10/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 19/10/201 2 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 16/10/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 19515.003301/200455 Acórdão n.º 1803001.515 S1TE03 Fl. 277 6 dúplice, tendo em vista os registros contábeis e ainda a incidência de multa de 75%. 2. Caso não seja esse o entendimento, que reste cancelado o auto de infração, no que se refere os seguintes valores: a) multa de oficio aplicada em razão de veiculação por veículo normativo impróprio, da inexigibilidade por tratar de valores declarados espontaneamente, ou ainda, em razão de seu caráter confiscatório; b) juros sobre correção monetária; c) taxa SELIC. Posteriormente, em decorrência da solicitação de informações desta DR.1 (fls. 197198), foram juntados os documentos de fls. 200222, que se referem a termos lavrados no curso da ação fiscal, como também dos protocolos de encaminhamento de documentação pelo fiscalizado neste mesmo período. A DRJ SANTA MARIA (RS), através do acórdão nº 189.068, de 27 de maio de 2008 (fls. 226/242), julgou procedente em parte o lançamento, ementando assim a decisão: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2002, 2003 INCONSTITUCIONALIDADES Às autoridades administrativas compete examinar a adequação dos procedimentos fiscais com as normas legais vigentes, não lhes competindo apreciar a conformidade de lei, validamente editada segundo o processo legislativo constitucionalmente previsto, com os demais preceitos emanados da própria Constituição Federal ou de outras leis, a ponto de declararlhe a nulidade ou inaplicabilidade ao caso expressamente previsto, matéria reservada, também por força de dispositivo constitucional, ao Poder Judiciário. NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. INSUFICIÊNCIA NO ENQUADRAMENTO LEGAL. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA Eventual insuficiência na citação do enquadramento legal não é razão para a nulidade do lançamento, quando a infração está descrita e, ainda, porque o Contribuinte demonstrou entendêla e se defendeu por meio da impugnação. Descabida resta a argüição de cerceamento do direito de defesa e nulidade do auto de infração. NULIDADE. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL MPF. INOCORRÊNCIA O MPF constituise em elemento de controle da Administração Tributária, sendo que eventual inobservância da norma infralegal não pode gerar nulidades no âmbito do processo administrativo fiscal, não afetando, conseqüentemente, o lançamento do crédito tributário. NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO Se o auto de infração possui todos os requisitos necessários a sua formalização, estabelecidos pelo art. 10 do Decreto n° 70.235, de 1972, e se não forem verificados os casos taxativos enumerados no art. 59 do mesmo decreto, não é nulo o lançamento. Fl. 6DF CARF MF Impresso em 19/10/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 19/10/201 2 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 16/10/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 19515.003301/200455 Acórdão n.º 1803001.515 S1TE03 Fl. 278 7 RECUPERAÇÃO DA ESPONTANEIDADE. APLICAÇÃO RETROATIVA A recuperação da espontaneidade do sujeito passivo em razão da inoperância da autoridade fiscal, por prazo superior a sessenta dias, aplicase retroativamente, alcançando os atos por ele praticados no decurso desse prazo. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2002, 2003 RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA PESSOAL DE EXSÓCIO, ATUAL MANDATÁRIO. Correta a responsabilização tributária pessoal, nos moldes dos art. 135, II e III, e 137, I, do CTN, quando se configura infração de lei. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2002, 2003 DÉBITOS DECLARADOS. MULTA APLICÁVEL Na cobrança de débitos declarados espontaneamente em DCTF, deve ser exigida a multa de mora. MULTA DE OFICIO. VALORES NÃO DECLARADOS Nos casos de lançamento de oficio, deve ser aplicada a correspondente multa, calculada sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição, nas ocorrências de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração ou de declaração inexata. MULTA DE OFÍCIO. CONFISCO A vedação contida na Constituição Federal sobre a utilização de tributo, e não da multa, com efeito de confisco é dirigida ao legislador, não se aplicando aos lançamento de oficio efetuado em cumprimento das leis tributárias regularmente aprovadas. Ciente da decisão em 27/05/2009, conforme Aviso de Recebimento – AR (fl. 248), apresentou o recurso voluntário em 10/06/2009 fls. 249/270, onde pugna pela nulidade do lançamento dada a impossibilidade de lançamento de valores declarados e com base na movimentação financeira. Requer ainda o afastamento da responsabilidade pessoal do mandatário e exsócio Marcos Carreira. Registro ainda correspondência endereçada ao CARF em 08/12/2011, pela qual os procuradores e signatários do recurso voluntário, informam a renúncia ao mandato outorgado pela recorrente PADROEIRA COMÉRCIO DE PAPEL LTDA. É o relatório. Voto Conselheiro Walter Adolfo Maresch Fl. 7DF CARF MF Impresso em 19/10/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 19/10/201 2 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 16/10/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 19515.003301/200455 Acórdão n.º 1803001.515 S1TE03 Fl. 279 8 O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos legais para sua admissibilidade, dele conheço. Trata o presente processo de lançamento auto de infração CSLL, relativo aos 4 trimestres de 2002 e 1º Trimestre de 2003, por falta de pagamento e declaração da CSLL nas DCTFs apurada com base na receita constante dos livros contábeis e fiscais. A DRJ Santa Maria (RS) reconheceu que a contribuinte entregou as DCTFs no curso da ação fiscal e posteriormente readquiriu a espontaneidade ao final do procedimento por não ter havido manifestação da autoridade fiscal em período inferior a 60 dias, fato que culminou na exclusão da multa de ofício da maior parte da exigência. Alega a recorrente em síntese: a) A nulidade do lançamento de ofício pela impossibilidade de lançamento de valores já declarados em DCTF; b) A impossibilidade de apurar omissão de receitas com base na movimentação financeira; c) Requer o afastamento da responsabilidade pessoal atribuída ao atual mandatário e exsócio da empresa Marcos Carreira, por não ter havido qualquer simulação, fraude ou dolo. Não assiste razão à interessada. Com efeito, inicialmente é de se afastar a nulidade argüida em relação ao lançamento de ofício, em virtude da impossibilidade de lançamento de valores já declarados. Em primeiro lugar, por haver diferenças também não declaradas nas DCTFs entregues extemporaneamente em relação ao 1º Trimestre de 2003, fato que ensejou a manutenção da multa de ofício de 75% por parte da decisão de primeira instância. Em segundo lugar, o lançamento de ofício está inserido no poder dever da autoridade fiscal, ao ter constatado a falta de pagamento e declaração dos valores devidos nas DCTFs. O fato de ter a contribuinte readquirido a espontaneidade por ligeiro descuido da autoridade fiscal no final do procedimento fiscal, deixando de lavrar novo termo no interstício de 60 (sessenta) dias, não torna o lançamento nulo por si só. Cabem apenas neste caso, a exoneração da multa de ofício e procedimentos acautelatórios para evitar a cobrança em duplicidade do crédito tributário por parte da Administração Tributária. Em terceiro lugar, não há registro e comprovação por parte da recorrente de que tenha havido cobrança em duplicidade do crédito tributário fato que leva a conclusão que os débitos confessados nas DCTFs encontramse com sua cobrança suspensa o que fatalmente leva a conclusão que encontramse prescritos. Destarte, até para evitar prejuízos à Fazenda Nacional e indevido benefício ao contribuinte por conta da possibilidade de prescrição dos valores e também pelo fato de haver Fl. 8DF CARF MF Impresso em 19/10/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 19/10/201 2 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 16/10/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 19515.003301/200455 Acórdão n.º 1803001.515 S1TE03 Fl. 280 9 valores não confessados nas DCTFs retificadoras, não merece acolhida a alegação de nulidade do lançamento, cabendo apenas providências da unidade de origem no sentido de obstar qualquer cobrança dúplice dos créditos tributários. No tocante a alegação de impossibilidade de apuração de omissão de receitas com base na movimentação financeira, a mesma é totalmente impertinente pois não há qualquer lançamento com base na movimentação financeira mas tão somente com base na receita bruta registrada na escrituração contábil e fiscal. No concernente as alegações relativas a responsabilização pessoal do mandatário e exsócio MARCOS CARREIRA entendo não haver nos autos qualquer elemento de que os signatários do recurso voluntário formulado em nome da pessoa jurídica, detenham mandato ou possam em seu nome pessoal deduzir alegações a este respeito. A renúncia do mandato formulado pelos advogados procurados enviada ao CARF somente contém alusão ao mandato em nome da empresa PADROEIRA COM. DE PAPEL LTDA, fato confirmado pela procuração constante à fl. 177. As alegações sobre afastamento da responsabilidade pessoal do atual mandatário e exsócio MARCOS CARREIRA e a inexistência de irregularidades penais praticadas pelo mesmo, devem ser deduzidas em seu nome e não pela pessoa jurídica autuada que não detém capacidade processual para tanto. Ante o exposto, voto no sentido de não conhecer das alegações sobre a responsabilidade pessoal do mandatário MARCOS CARREIRA e no mérito negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Walter Adolfo Maresch Relator Fl. 9DF CARF MF Impresso em 19/10/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 19/10/201 2 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 16/10/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH
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Numero do processo: 10410.720734/2013-63
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 18 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed May 03 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/04/2010 a 31/12/2011
COMPENSAÇÃO.GLOSA.
Impõe-se a glosa dos valores indevidamente compensados, acrescida de multa de mora e juros de mora, quando ausente a comprovação pelo sujeito passivo da existência do seu direito creditório.
COMPENSAÇÃO INDEVIDA. MULTA ISOLADA. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DA FALSIDADE. INAPLICABILIDADE.
Inaplicável a imposição de multa isolada de 150% prevista no art.89,§10, da Lei nº 8.212, de 1991 quando a autoridade fiscal não demonstra a falsidade da compensação efetuada pelo sujeito passivo. A compensação baseada em tese jurídica controversa não pode ser entendida como falsidade.
Numero da decisão: 2201-003.368
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares de nulidade e no mérito, dar provimento parcial ao recurso para determinar a exclusão da qualificadora da multa de ofício.
Assinado digitalmente.
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente
Assinado digitalmente.
Daniel Melo Mendes Bezerra - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira (Presidente), Ana Cecilia Lustosa Da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
Nome do relator: DANIEL MELO MENDES BEZERRA
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Impõese a glosa dos valores indevidamente compensados, acrescida de multa de mora e juros de mora, quando ausente a comprovação pelo sujeito passivo da existência do seu direito creditório. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. MULTA ISOLADA. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DA FALSIDADE. INAPLICABILIDADE. Inaplicável a imposição de multa isolada de 150% prevista no art.89,§10, da Lei nº 8.212, de 1991 quando a autoridade fiscal não demonstra a falsidade da compensação efetuada pelo sujeito passivo. A compensação baseada em tese jurídica controversa não pode ser entendida como falsidade. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares de nulidade e no mérito, dar provimento parcial ao recurso para determinar a exclusão da qualificadora da multa de ofício. Assinado digitalmente. Carlos Henrique de Oliveira Presidente Assinado digitalmente. Daniel Melo Mendes Bezerra Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 41 0. 72 07 34 /2 01 3- 63 Fl. 711DF CARF MF Processo nº 10410.720734/201363 Acórdão n.º 2201003.368 S2C2T1 Fl. 702 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira (Presidente), Ana Cecilia Lustosa Da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pelo sujeito passivo contra o Acórdão nº 1144.534, da 7ª Turma da DRJ Recife (fls.581/588), que julgou improcedente a impugnação apresentada para desconstituir os seguintes lançamentos: a) AI nº 51.033.1947 (fls. 413 a 420), no valor de R$ 9.739,854,65, referente à glosa de contribuições previdenciárias indevidamente compensadas nas competências 01/2009 a 13/2010; b) AI nº 51.033.1955 (fls. 421 a 425), no valor de R$ 10.908.985,72, referente a lançamento de multa isolada aplicada sobre o valor de compensação indevidamente declarado nas GFIP referentes às competências de 10/2008 a 12/2010. Tais multas foram lançadas conforme período de entrega de tais declarações: 10/2008 a 01/2011. O contribuinte informou (fl. 104) que as compensações promovidas seriam decorrentes das contribuições substitutivas das agroindústrias que julgou indevidamente recolhidas de 05/2004 a 03/2009. Tal indébito teria, no entender do contribuinte, duas razões: a inclusão incorreta do ICMS na base de cálculo da contribuição e a inconstitucionalidade da exigência sobre a receita bruta da comercialização prevista no artigo 22A da Lei 8.212/91 (RE 611601 com Repercussão Geral). A auditoria fiscal confirma que os recolhimentos promovidos de 05/2004 a 03/2009 correspondem aos declarados nas competentes GFIP, que foram usadas como base para levantamento dos valores julgados indevidos pelo contribuinte. A autoridade fiscal informa acerca do procedimento fiscal que: Não houve retificação das GFIP onde teriam ocorrido os recolhimentos indevidos; Não foi observado o limite compensatório de 30% do valor a ser recolhido em cada mês; Foram considerados indébitos, a serem compensados com contribuições previdenciárias, os recolhimentos ao SENAR. Segundo relato fiscal, a autuada é uma Agroindústria que produz e comercializa açúcar e álcool. A apuração dos valores ora lançados decorre de verificação junto a filial 0002 77, que emprega os trabalhadores dos setores rural e industrial. A matriz, localizada em Marechal DeodoroAL, contempla apenas o escritório da autuada. A decisão de primeira instância restou ementada nos termos abaixo: COMPENSAÇÃO. EXIGÊNCIA DE PRÉVIA RETIFICAÇÃO DE GFIP. É requisito para compensação de valores indevidamente recolhidos que se retifique a(s) GFIP correspondente(s) a tais equívocos, com vistas a Fl. 712DF CARF MF Processo nº 10410.720734/201363 Acórdão n.º 2201003.368 S2C2T1 Fl. 703 3 garantir o correto pagamento dos benefícios previdenciários. MULTA DE MORA POR GLOSA DE COMPENSAÇÃO INDEVIDA E MULTA ISOLADA POR FALSIDADE DA DECLARAÇÃO EM GFIP. BIS IN IDEM. NÃO CONFIGURAÇÃO. Não configura bis in idem a aplicação de multa de mora e de multa isolada, quando decorrente a primeira de simples glosa de compensação indevida de contribuição previdenciária, e a segunda, de falsidade da declaração do sujeito passivo no campo “VALOR COMPENSADO” da GFIP. JUROS DE MORA SOBRE MULTA ISOLADA. EXIGÊNCIA NÃO FORMULADA. IMPOSSIBILIDADE DE PRONUNCIAMENTO. Os juros de mora ora calculados incidem unicamente sobre o tributo lançado. O presente Auto de infração não formulou exigência de juros sobre a multa isolada lançada, inexistindo, a este respeito, qualquer contraditório suscetível de apreciação por esta Delegacia de Julgamento. INCONSTITUCIONALIDADE, APRECIAÇÃO NO PROCESSO ADMINISTRATIVO. VEDAÇÃO. Cabe à autoridade administrativa cumprir a determinação legal, aplicando o ordenamento vigente às situações concretamente constatadas, estando expressamente vedada a apreciação de questões atinentes à constitucionalidade. REPERCUSSÃO GERAL. EFEITOS. O reconhecimento da repercussão geral por si só não exime o administrador de aplicar normativos legais questionados, ausente decisão definitiva sobre o mérito. Cientificado do inteiro teor da decisão em 29/11/2014 (fls. 597/598), o sujeito passivo interpôs Recurso Voluntário, tempestivamente, em 15/12/2014 (fls. 600/634), alegando, em síntese, que: É nula a decisão da DRJ porque não apreciou matéria alegada na peça impugnatória, que seria o caráter indenizatório das verbas lançadas. A decisão recorrida não conheceu da matéria porque se tratava de glosa de compensação, e não de lançamento de contribuição previdenciária. A glosa da compensação implica na cobrança do tributo devido, devendo tal assunto ser apreciado, sob pena de cerceamento ao direito de defesa. A autuação é improcedente porquanto houve pagamento indevido. A repercussão geral desse tema já foi reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal. A contribuição da agroindústria sobre a receita bruta da comercialização criada pela Lei nº 10.256/2001 é inconstitucional, pois a substituição de base de cálculo das contribuições sociais previdenciárias só foi permitida após o advento da Emenda Constitucional nº 42/2003, além de que a criação de nova fonte de custeio depende de Lei Complementar à luz do art. 195, § 4º, da Constituição Federal. Na improvável hipótese de não ser reconhecida a inconstitucionalidade da exação, parte da cobrança é ilegítima, vez que incidiu na base de cálculo o valor do ICMS devido na operação de venda. Fl. 713DF CARF MF Processo nº 10410.720734/201363 Acórdão n.º 2201003.368 S2C2T1 Fl. 704 4 Os argumentos utilizados pela autoridade fiscal para fundamentar a glosa são improcedentes. Não há vedação à compensação de contribuições previdenciárias com as contribuições destinadas a outras entidades e fundos (terceiros), como é o caso da exação do SENAR. O caput do art. 89, da Lei nº 8.212/91 autoriza a compensação, tendo a nova redação revogado o § 2º que não permitia. Do mesmo modo, diante da nova redação do art. 89 da Lei nº 8.212/91, não mais existe a proibição de compensar mais de 30% do débito tributário, eis que a proibição era prevista no antigo § 3º do mencionado art. 89 da Lei nº 8.212/91. A multa isolada de 150% (cento e cinquenta por cento) por declaração falsa é arbitrária. Só existe falsidade quando a declaração é contrária à verdade dos fatos. Toda a narração constante do relatório fiscal comprova que a empresa sempre forneceu informações verdadeiras à Fiscalização. Tanto isso é verdade que, na bastante provável hipótese de o STF, em repercussão geral, julgar inconstitucional as contribuições previstas no art. 22A da Lei nº 8.212/91, cairia por terra o presente lançamento. A autoridade fiscal e a decisão recorrida agem com o pressuposto de que toda compensação indevida é fraudulenta, o que não tem respaldo na legislação tributária. A concomitância entre a multa de mora e a multa isolada sobre a mesma base de cálculo é ilegal. Foram incluídas várias verbas de natureza indenizatórias no lançamento, tais como auxíliodoença, auxílioacidente, auxíliocreche, férias indenizadas, terço de férias, horas extras, gratificação natalina (13º salário). Transcreve vasta jurisprudência do STF e STJ acerca da matéria. Requer a realização de perícia para comprovar o caráter indenizatório das verbas lançadas, ocasião em que indica perito e formula quesitos. Por fim, requer provimento do presente recurso, para que seja reformada a decisão de primeira instância, com julgamento simultâneo dos lançamentos decorrentes do mesmo MPF a fim de evitar julgamentos conflitantes. Voto Daniel Melo Mendes Bezerra, Conselheiro Relator Admissibilidade O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche aos demais requisitos de admissibilidade, devendo, pois, ser conhecido. Considerações iniciais Fl. 714DF CARF MF Processo nº 10410.720734/201363 Acórdão n.º 2201003.368 S2C2T1 Fl. 705 5 De início, impende ressaltar que não merecem ser conhecidas as alegativas de possibilidade de compensação em percentual superior a 30%, compensação com as contribuições destinadas ao SENAR e a inclusão de ICMS na base de cálculo da contribuição previdenciária. O presente lançamento se constituiu pela glosa de compensações indevidas efetuadas pelo sujeito passivo. No entendimento deste, o art. 25 da Lei nº 8.212/91, mesmo com a redação dada pela Lei nº 10.256/2001 é inconstitucional. Nesse contexto, as questões acima mencionadas pela recorrente não são objeto do contencioso tributário, razão pela qual não há interesse processual em mover a Administração para discutir questões que não influem, de nenhum modo, no deslinde da presente lide tributária. Pedido de perícia Em face do pedido de perícia formulado pelo recorrente, temse que a necessidade de perícia para o deslinde da questão deve estar demonstrada nos autos. O art. 18, da Lei do Processo Administrativo Fiscal (Dec. 70.235/72), estabelece que: Art.18 A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observado o disposto no art. 28, in fine. Não tendo sido demonstrada pela recorrente a necessidade da realização de perícia, não se pode acolher o pedido. Ao contrário, a recorrente requer a realização de perícia para que sejam identificadas as verbas de natureza indenizatória lançadas. Todavia, o presente lançamento é decorrente da glosa de compensação indevida efetuada pelo sujeito passivo. Verificase, dos autos, que não existem dúvidas a serem sanadas, já que o Relatório Fiscal está claro e o Auto de Infração muito bem fundamentado. Assim sendo, indefiro o pedido de perícia formulado. Da alegação de nulidade por cerceamento de defesa A recorrente alega nulidade por cerceamento ao de defesa pelo fato de a decisão recorrida não ter se manifestado sobre supostas verbas de natureza indenizatória, que não estariam no campo da incidência da contribuição previdenciária. A decisão de primeira instância não conheceu dessa parte da peça defensiva, tendo em vista não existir no Auto de Infração lançamentos decorrentes de eventuais verbas indenizatórias. É fato incontroverso que o lançamento se deu por glosa de compensações indevidas, não merecendo guarida as alegações recursais. Destarte, agiu com acerto a decisão de piso ao não conhecer da mencionada alagação, eis que não se verifica, no presente caso, lançamento de verbas controversas de natureza supostamente indenizatória. Fl. 715DF CARF MF Processo nº 10410.720734/201363 Acórdão n.º 2201003.368 S2C2T1 Fl. 706 6 Assim, não procede o argumento de que a decisão a quo é nula por cerceamento ao direito de defesa do contribuinte. Impende ressaltar, ainda, que a Fiscalização deixou claro, nos relatórios integrantes das autuações, quais os valores da base de cálculo utilizada na apuração da contribuição lançada e as alíquotas aplicadas. O Auto de Infração foi lavrado de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam a matéria, tendo o agente autuante demonstrado, de forma clara e precisa, a ocorrência do fato gerador da contribuição previdenciária, fazendo constar, nos relatórios que compõem as Autuações, os fundamentos legais que amparam o procedimento adotado e as rubricas lançadas. O Relatório Fiscal traz todos os elementos que motivaram a lavratura do Auto de Infração e o relatório Fundamentos Legais do Débito – FLD, encerra todos os dispositivos legais que dão suporte ao procedimento do lançamento, separados por assunto e período correspondente, garantindo, dessa forma, o exercício do contraditório e ampla defesa à autuada. Da Inconstitucionalidade da Lei nº 10.256/2001 A matriz legal da contribuição previdenciária do empregador rural pessoa física é o art. 25 da Lei 8.212/91, in verbis: Art. 25. A contribuição do empregador rural pessoa física, em substituição à contribuição de que tratam os incisos I e II do art. 22, e a do segurado especial, referidos, respectivamente, na alínea a do inciso V e no inciso VII do art. 12 desta Lei, destinada à Seguridade Social, é de: (Redação dada pela Lei nº 10.256, de 2001). I 2% da receita bruta proveniente da comercialização da sua produção; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). II 0,1% da receita bruta proveniente da comercialização da sua produção para financiamento das prestações por acidente do trabalho. (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). (...) Tendo sido criada antes da edição da Emenda Constitucional (EC) 20/98 por lei ordinária, tal exação teve sua constitucionalidade questionada no Supremo Tribunal Federal (STF), uma vez que, originalmente, o Texto Magno não previa a receita como fato gerador da contribuição previdenciária a ser criada por lei ordinária. Somente poderia ter sido instituída por Lei Complementar para incidir sobre fato gerador não enumerado no art. 195 da CF. No RE 363.852/MG, julgado em 03/02/2010 e transitado em julgado em 08/06/2011, o plenário do STF enfrentou a questão, tendo concluído o julgamento com as seguintes ementa e decisão: Ementa: RECURSO EXTRAORDINÁRIO PRESSUPOSTO ESPECÍFICO VIOLÊNCIA À CONSTITUIÇÃO ANÁLISE CONCLUSÃO. Porque o Supremo, na Fl. 716DF CARF MF Processo nº 10410.720734/201363 Acórdão n.º 2201003.368 S2C2T1 Fl. 707 7 análise da violência à Constituição, adota entendimento quanto à matéria de fundo do extraordinário, a conclusão a que chega deságua, conforme sempre sustentou a melhor doutrina José Carlos Barbosa Moreira , em provimento ou desprovimento do recurso, sendo impróprias as nomenclaturas conhecimento e não conhecimento. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL COMERCIALIZAÇÃO DE BOVINOS PRODUTORES RURAIS PESSOAS NATURAIS SUBROGAÇÃO LEI Nº 8.212/91 ARTIGO 195, INCISO I, DA CARTA FEDERAL PERÍODO ANTERIOR À EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 20/98 UNICIDADE DE INCIDÊNCIA EXCEÇÕES COFINS E CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PRECEDENTE INEXISTÊNCIA DE LEI COMPLEMENTAR. Ante o texto constitucional, não subsiste a obrigação tributária subrogada do adquirente, presente a venda de bovinos por produtores rurais, pessoas naturais, prevista nos artigos 12, incisos V e VII, 25, incisos I e II, e 30, inciso IV, da Lei nº 8.212/91, com as redações decorrentes das Leis nº 8.540/92 e nº 9.528/97. Aplicação de leis no tempo considerações. (RE 363852, Relator(a): Min. MARCO AURÉLIO, Tribunal Pleno, julgado em 03/02/2010, DJe071 DIVULG 22042010 PUBLIC 23042010 EMENT VOL0239804 PP00701 RET v. 13, n. 74, 2010, p. 4169) Decisão: O Tribunal, por unanimidade e nos termos do voto do Relator, conheceu e deu provimento ao recurso extraordinário para desobrigar os recorrentes da retenção e do recolhimento da contribuição social ou do seu recolhimento por subrrogação sobre a “receita bruta proveniente da comercialização da produção rural” de empregadores, pessoas naturais, fornecedores de bovinos para abate, declarando a inconstitucionalidade do artigo 1º da Lei nº 8.540/92, que deu nova redação aos artigos 12, incisos V e VII, 25, incisos I e II, e 30, inciso IV, da Lei nº 8.212/91, com a redação atualizada até a Lei nº 9.528/97, até que legislação nova, arrimada na Emenda Constitucional nº 20/98, venha a instituir a contribuição, tudo na forma do pedido inicial, invertidos os ônus da sucumbência. Em seguida, o Relator apresentou petição da União no sentido de modular os efeitos da decisão, que foi rejeitada por maioria, vencida a Senhora Ministra Ellen Gracie. Votou o Presidente, Ministro Gilmar Mendes. Ausentes, licenciado, o Senhor Ministro Celso de Mello e, neste julgamento, o Senhor Ministro Joaquim Barbosa, com voto proferido na assentada anterior. Plenário, 03.02.2010. A partir do transito em julgado do RE 363.852, portanto, este Colegiado está autorizado, mas não obrigado, a seguir as conclusões do STF e afastar a legislação declarada inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal, em conformidade com o art. 26A, §6º, inciso I do Decreto 70.235/72. Ressalto que somente estamos vinculados à jurisprudência do STF oriunda de decisões definitivas de mérito proferidas na sistemática do art. 543B do Código de Processo Civil (CPC), conforme previsto no caput do art. 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF). No caso do RE 363.852/MG não repercussão geral no RE 596.177 que poderá declarar a inconstitucionalidade do mesmo art. 25 da Lei 8.212/91 na redação dada pela Lei 8.540/92, porém tal ação ainda não alcançou a definitividade. Portanto, entendo que esse Colegiado pode, mas não está obrigado, seguir as conclusões do RE 363.852. Nossa análise permitenos seguir parcialmente a decisão do RE 363.852 como veremos a seguir. De fato, até a edição da EC 20/98, a exação em comento não poderia ter sido criada por lei ordinária para incidir sobre fato gerador não previsto até então no art. 195 da CF. Nesse aspecto, seguimos a decisão do RE 363.852 para concluir que o art. 25 da Lei Fl. 717DF CARF MF Processo nº 10410.720734/201363 Acórdão n.º 2201003.368 S2C2T1 Fl. 708 8 8.212/91 não pode ser aplicado até que lei nova, fundada na EC 20/98, tenha instituído validamente a contribuição. De nossa parte, entendemos que isso ocorreu com a edição da Lei 10.256/2001 que deu nova redação ao caput do art. 25 da Lei 8.212/91 em seu art. 1º. Ainda que a nova lei não tenha repetido ou reeditado os incisos e parágrafos do art. 25 da Lei 8.212/91 de modo a afastar qualquer dúvida sobre a constitucionalidade do dispositivo alterado, se assumíssemos que os incisos e parágrafos restaram excluídos do ordenamento jurídico estaríamos adotando interpretação por demais formalista e que resultaria em prejuízo para o financiamento solidário da seguridade social previsto no caput do art. 195 da CF. Logo, após a entrada em vigor da Lei 10.256/91, respeitada anterioridade nonagesimal, o art. 25 da Lei 8.212/91 passa a estar em harmonia com a EC 20/98. Assim, a partir de 11/2001 a contribuição previdenciária do empregador rural pessoa física pode ser exigida. Eventuais lançamentos anteriores a tal data não podem prevalecer por falta de previsão legal. Impende ressaltar, ainda, que o fato de haver repercussão geral reconhecida em Recurso Extraordiário até a presente data não julgado, em nada altera o entendimento acerca dessa matéria. Não podem ser apreciados os argumentos baseados em inconstitucionalidade de tratado, acordo internacional, lei ou decreto pelas razões que a seguir serão expostas. A competência para decidir sobre a constitucionalidade de normas foi atribuída especificamente ao Judiciário pela Constituição Federal no Capítulo III do Título IV. Em tais dispositivos, o constituinte teve especial cuidado ao definir quem poderia exercer o controle constitucional das normas jurídicas. Decidiu que caberia exclusivamente ao Poder Judiciário exercêla, especialmente ao Supremo Tribunal Federal. Por seu turno, a Lei 11.941/2009 incluiu o art. 26A no Decreto 70.235/72 prescrevendo explicitamente a proibição dos órgãos de julgamento no âmbito do processo administrativo fiscal acatarem argumentos de inconstitucionalidade, in verbis: “Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade.” Da Multa Isolada Foi imposta pela fiscalização à recorrente, em face da compensação indevida, multa isolada no percentual de 150% (cinto e cinquenta por cento) incidente sobre o valor total do débito compensado, nos termos do § 10 do art. 89 da Lei nº 8.212, de 1991. Transcrevo o dispositivo: (...) § 10. Na hipótese de compensação indevida, quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo, o contribuinte estará sujeito à multa isolada aplicada no percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, Fl. 718DF CARF MF Processo nº 10410.720734/201363 Acórdão n.º 2201003.368 S2C2T1 Fl. 709 9 aplicado em dobro, e terá como base de cálculo o valor total do débito indevidamente compensado. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). A compensação levada a cabo pelo sujeito passivo é relativa à matéria controversa no Poder Judiciário. A tese jurídica vertente é bastante contestada judicialmente, não se revestindo o crédito como é líquido e certo. Só haverá liquidez e certeza depois do transito em julgado da respectiva ação judicial ou depois que a Fazenda Pública reconhecer o crédito administrativamente O fato de indevida a compensação não significa que houve falsidade por parte do sujeito passivo. Como exigência imposta pela lei, a penalidade reclama a prova de que o sujeito passivo, mesmo diante da realidade contrária à repetição do indébito pela via da compensação, optou em praticar uma conduta consciente oferecendo crédito sabidamente inapropriado para tal fim. Diante do elementos constantes dos autos, não restou demonstrado o dolo do recorrente em declarar informações sabidamente falsas, sendo que afastar a aplicação da multa isolada é medida que se impõe. Da concomitância entre multa de mora e multa isolada Argumenta o recorrente que a concomitância entre a multa isolada e a multa de mora seria ilegal. Todavia, não lhe assiste razão, eis que as multas têm fundamentação legal distinta e estão alicerçadas pela ocorrência de diferentes fatos geradores. A multa de mora tem supedâneo no 9º do art. 89 e art. 35 da Lei nº 8.212/91, c/c o art. 61, caput e § 2º, da Lei nº 9.430/96, enquanto que a multa isolada tem amparo no § 10 do art. 89 da Lei nº 8.212/91, c/c o art. 44, caput e inciso I, da Lei nº 9.430/96. A multa de mora visa punir pela falta de pagamento no prazo estipulado, enquanto que a multa isolada é uma penalidade pela falsidade nas declarações de compensação. Destarte, a concomitância de multas não pode ser considerada ilegal. Do pedido de julgamentos simultâneos A recorrente solicita o julgamento de recursos simultâneos que decorram do mesmo Mandado de Procedimento Fiscal, todavia, referido pedido não deve ser acolhido, à míngua de amparo legal. Conclusão Diante de todo o exposto, voto por rejeitar as preliminares de nulidade e no mérito, dar provimento parcial ao recurso para determinar a exclusão da qualificadora da multa de ofício. Daniel Melo Mendes Bezerra Relator Fl. 719DF CARF MF Processo nº 10410.720734/201363 Acórdão n.º 2201003.368 S2C2T1 Fl. 710 10 Fl. 720DF CARF MF
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Numero do processo: 16366.000244/2009-20
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Apr 17 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/03/2008
Embargos. Omissão/contradição/obscuridade.
Identificada a existência de omissão/contradição/obscuridade no julgado embargado, tais vícios deverão ser sanados.
Embargos declaratórios acolhidos, com efeitos infringentes, nos termos do voto da Relatora, para fins de alterar o resultado do julgado para recurso voluntário provido em parte.
Numero da decisão: 3301-003.263
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os Embargos Declaratórios opostos, com efeitos infringentes, para: (a) integrar o voto proferido fazendo consignar a negativa da atualização pela taxa SELIC dos valores a serem ressarcidos; (b) corrigir o acórdão no sentido de que reste consignado que foi dado parcial provimento ao Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte, admitindo-se a integralidade do crédito pleiteado, contudo, sem atualização pela taxa SELIC; (c) integrar o voto proferido fazendo constar a impossibilidade de o Poder Executivo restringir o direito creditório do contribuinte.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente.
(assinado digitalmente)
Maria Eduarda Alencar Câmara Simões - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d´Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Relatora), Antônio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Luiz Augusto do Couto Chagas (Presidente).
Nome do relator: Maria Eduarda Alencar Câmara Simões
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ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2008 a 31/03/2008 EMBARGOS. OMISSÃO/CONTRADIÇÃO/OBSCURIDADE. Identificada a existência de omissão/contradição/obscuridade no julgado embargado, tais vícios deverão ser sanados. Embargos declaratórios acolhidos, com efeitos infringentes, nos termos do voto da Relatora, para fins de alterar o resultado do julgado para recurso voluntário provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os Embargos Declaratórios opostos, com efeitos infringentes, para: (a) integrar o voto proferido fazendo consignar a negativa da atualização pela taxa SELIC dos valores a serem ressarcidos; (b) corrigir o acórdão no sentido de que reste consignado que foi dado parcial provimento ao Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte, admitindose a integralidade do crédito pleiteado, contudo, sem atualização pela taxa SELIC; (c) integrar o voto proferido fazendo constar a impossibilidade de o Poder Executivo restringir o direito creditório do contribuinte. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas Presidente. (assinado digitalmente) Maria Eduarda Alencar Câmara Simões Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d´Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Relatora), Antônio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Luiz Augusto do Couto Chagas (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 36 6. 00 02 44 /2 00 9- 20 Fl. 328DF CARF MF 2 Fl. 329DF CARF MF Processo nº 16366.000244/200920 Acórdão n.º 3301003.263 S3C3T1 Fl. 329 3 Relatório A presente demanda versa sobre pedido de ressarcimento de créditos de Cofins nãocumulativa do 1º trimestre de 2008. A Delegacia da Receita Federal do Brasil em Londrina/PR reconheceu apenas parcialmente o montante pleiteado, estando a parte controvertida relacionada à taxa de seguro de mercadorias. Inconformado com o indeferimento parcial do seu pleito, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade, a qual foi julgada improcedente, com base nos seguintes fundamentos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS. Período de Apuração: 01/01/2008 a 31/03/2008 CRÉDITO. INSUMOS. DESPESAS COM ARMAZENAGEM DE PRODUTOS. TAXA DE SEGURO DE MERCADORIAS. Por falta de previsão legal, não dá direito ao crédito o gasto com seguro de mercadorias, ainda que cobrado juntamente com despesas de armazenagem. RESSARCIMENTO. JUROS EQUIVALENTES A TAXA SELIC É incabível a incidência de juros compensatórios com base na Taxa SELIC sobre valores recebidos a título de ressarcimento de créditos das contribuições ao PIS e à Confins. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Direito Creditório não Reconhecido Insatisfeito com o conteúdo desta decisão, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário a este Conselho, através do qual pleiteou que fosse deferido integralmente o Pedido de Ressarcimento apresentado, referente à COFINSExportação do 1o trimestre de 2008, bem como reconhecido o direito à incidência de juros compensatórios de 1% e de correção monetária, por meio da Taxa SELIC, sobre o crédito concedido em favor da Recorrente, nos termos do artigo 39, §4°, da Lei 9.250 de 27.dez. 1995 c/c o art. 66, §3° da Lei n° 8.383 de 31.12.1991 e art. 108 do Código Tributário Nacional. Em sessão de julgamento realizada em 31 de janeiro de 2013, a 3a Turma Especial deu provimento ao Recurso Voluntário interposto pela EXPORTADORA E IMPORTADORA MARUBENI COLORADO LTDA., nos termos da ementa a seguir transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2008 a 31/03/2008 COFINS. NÃO CUMULATIVIDADE. CRITÉRIO MATERIAL DIVERSO DAQUELE DO IPI.INSUMOS.TAXA DE SEGURO. Fl. 330DF CARF MF 4 Inexiste coincidência entre o regime não cumulativo do IPI e o da COFINS, pois os fatos tributários são diferentes já que esta última incide sobre a totalidade das receitas e aquele sobre a operação de industrialização de bens. Ademais, a legislação federal confere direito ao contribuinte em utilizar serviços como insumo na produção de bens destinados à venda e por isso não cabe ao Poder Executivo restringir este benefício. Tendo em vista a importância para a solução da presente lide, transcrevo a íntegra do voto proferido pelo Relator naquela oportunidade: Conselheiro Juliano Lirani O recurso voluntário é tempestivo e merece ser conhecido. A empresa tem como objeto social e finalidade principal o comércio, importação, exportação, beneficio de café, adquiridos de terceiros, conforme 31ª Alteração do Contrato Social e Contrato Social Consolidado, sendo que consta nos autos a informação de que a empresa tem registrado no sistema de comércio exterior da receita federal os valores de suas exportações. Na realidade a contribuinte tem direito ao crédito presumido destinado a empresas que tenham por atividade a agropecuária, conforme previsto no art. 29 da Lei 11.051/2004, sendo que o cerne da questão está justamente na interpretação do conceito de insumo. Analisando o caso concreto, compreendo que a DRJ realizou uma interpretação por demais restritiva para o art. 3º da Lei n.º 10.833/2003, que possui a seguinte redação. Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 22 a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: IX armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. O CARF no PAF n.º 13053.000112/200518 Câmara Superior de Recursos Fiscais, por meio do Acórdão n.º 930301.740, julgado em 09.11.2011 – 3ª Turma, tem sinalizado para uma interpretação menos restritiva para o conceito de insumo: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 COFINS. INDUMENTÁRIA. INSUMOS. DIREITO DE CRÉDITO.ART. 3º LEI 10.833/03. Os dispêndios, denominados insumos, dedutíveis da Cofins não cumulativa, são todos aqueles relacionados diretamente com a produção do contribuinte e que participem, afetem, o universo das receitas tributáveis pela referida contribuição social. A indumentária imposta pelo próprio Poder Público na indústria de processamento de alimentos exigência sanitária que deve ser obrigatoriamente cumprida é insumo inerente à produção da indústria avícola, e, portanto, pode ser abatida no cômputo de referido tributo. (grifo) Fl. 331DF CARF MF Processo nº 16366.000244/200920 Acórdão n.º 3301003.263 S3C3T1 Fl. 330 5 Conforme extraise do julgado acima, o insumo não deve em hipótese alguma estar restrito às matériasprimas, aos produtos intermediários e aos materiais de embalagem e outros bens que sofram alterações em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, em razão do caráter restritivo não imposto pela lei e pelo Texto Constitucional. Além do que, é sabido que a não cumulatividade é uma técnica, com o objetivo de dimensionar o montante da exigência e de evitar a incidência em cascata e ela deve estar atrelada à materialidade do tributo. Logo, o critério material da tributação deve estar condicionada a outros aspectos do tributo, inclusive a técnica de não cumulatividade. Com efeito, reconheço o direito ao creditamento em relação a despesa com seguro, uma vez que o conceito de insumo não pode ser o mesmo utilizado para fins do IPI, quando as materialidades da tributação são distintas – produto e receita –, assim os conceitos de insumos também deveriam ser distintos e por esse motivo que é insumo para geração de receita não é exatamente a mesma coisa do que é insumo para a industrialização de um produto, sendo que neste sentido cito a o Acórdão nº 320200.226, sessão de 08/12/2010, 2ª Câmara, 2ª Turma Ord., 3ª Seção. Ante o exposto, voto por dar provimento ao recurso. O conteúdo desta decisão foi incluído no eprocesso em 15/03/2013, após assinatura do Relator, Juliano Lirani, e do Presidente da Turma, Alexandre Kern. Ato contínuo, em 16/03/2013, o Conselheiro Alexandre Kern, com fulcro no art. 65 do Regimento Interno do CARF, apôs embargos declaratórios com base nos seguintes fundamentos: (i) Omissão quanto à correção do valor ressarcido pela aplicação da taxa SELIC. Aponta o Embargante que consta do último parágrafo do relatório que o recorrente teria requerido expressamente "... a aplicação da atualização monetária e juros sobre os valores a serem ressarcidos", mas que o Relator teria, "olimpicamente", passado ao largo dessa questão. (ii) Obscuridade quanto à possibilidade de o Poder Executivo restringir o benefício. Neste ponto, aponta o Embargante que na ementa do julgado a turma teria consignado que "a legislação federal confere direito ao contribuinte em utilizar serviços como insumos na produção de bens destinados à venda e por isso não cabe ao Poder Executivo restringir este benefício". Todavia, no voto do relator, essa possibilidade não teria sido enfrentada, tendo o voto se apoiado em tese distinta para dar provimento ao recurso. Os autos, então, vieramme conclusos para fins de julgamento dos referidos Embargos Declaratórios opostos. É o relatório. Fl. 332DF CARF MF 6 Voto Conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões Os embargos são tempestivos e reúnem os demais requisitos de admissibilidade, portanto, deles conheço. Consoante acima narrado, o então Presidente de Turma opôs embargos declaratórios em face do Acórdão em questão, com base em omissão e obscuridade, as quais serão devidamente analisadas a seguir. Inicialmente, apontou que teria havido omissão do acórdão embargado quanto à correção do valor ressarcido pela aplicação da taxa SELIC. Aponta o Embargante que consta do último parágrafo do relatório que o recorrente teria requerido expressamente "... a aplicação da atualização monetária e juros sobre os valores a serem ressarcidos", mas que o Relator teria, "olimpicamente", passado ao largo dessa questão. Constato, então, que, de fato, houve pedido expresso do contribuinte no sentido de que fosse reconhecido o direito à incidência de juros compensatórios de 1% e de correção monetária, por meio da Taxa SELIC, sobre o crédito concedido em favor da Recorrente, nos termos do artigo 39, §4°, da Lei 9.250 de 27.dez. 1995 c/c o art. 66, §3° da Lei n° 8.383 de 31.12.1991 e art. 108 do Código Tributário Nacional. Verifico, ainda, que o voto constante da decisão recorrida não traz uma linha sobre este tema, o que confirma a omissão apontada nos embargos ora analisados. Constato ainda, que, neste caso específico, a ementa tampouco tratou deste tema. Apesar do acima exposto, verifico que nos autos do Proc. n. 16366.000242/200931, que trata sobre a mesma matéria aqui analisada, sendo diverso apenas o período de apuração, constou da ementa do julgado o seguinte: RESSARCIMENTO. JUROS. TAXA SELIC A legislação federal não prevê a incidência de juros compensatórios com base na taxa SELIC sobre valores recebidos a título de ressarcimento de créditos das contribuições ao PIS e à Cofins. Ou seja, com base no que constou da ementa supra transcrita, ainda que inserta em processo diverso do presente, entendo que a conclusão a que chegou a Turma Julgadora naquela oportunidade foi de que "a legislação federal não prevê a incidência de juros compensatórios com base na taxa SELIC sobre valores recebidos a título de ressarcimento de créditos das contribuições ao PIS e à COFINS". Ocorre, contudo, que o Relator deixou de trazer em seu voto, ou mesmo na ementa do presente processo, os fundamentos que levam a tal conclusão. Passo, então, a sanar tal omissão, cujas razões de decidir deverão integrar a decisão recorrida. Entendo que a Turma Julgadora concluiu pela inaplicabilidade da taxa SELIC no caso vertente tendo em vista o entendimento deste Conselho no sentido de que inexiste amparo legal tal concessão em casos de ressarcimento de valores de PIS e COFINS. Nesse Fl. 333DF CARF MF Processo nº 16366.000244/200920 Acórdão n.º 3301003.263 S3C3T1 Fl. 331 7 sentido, transcrevo a seguir fundamentos constantes do voto proferido no Proc. n. 10510.000367/200540 (Acórdão n. 3201002.433 de 25 de janeiro de 2017): Quanto à esta matéria devese consignar que de fato não existe amparo legal para a correção monetária conforme pleiteada pela Recorrente, restando correta a conclusão do resultado da diligência fiscal neste ponto. A atualização monetária autorizada por lei, relativamente à restituição ou compensação de indébitos, não abrange o ressarcimento de valores de PIS e Cofins retidos pelas fontes pagadoras, órgãos públicos. A hipótese tratada nos autos, referese a ressarcimento, uma vez que houve uma permissão concedida por instrução normativa vigente à época, conforme ressaltado pela própria Recorrente, para se compensar valores retidos com impostos e contribuições da mesma espécie, devidos relativamente a fatos geradores ocorridos a partir do mês da retenção. Ou seja, não se trata aqui de valores pagos indevidamente ou a maior, hipótese de que trata o Art. 39, § 4º, da Lei nº 9.250 de 1995, que diz respeito a casos que envolvem compensação ou restituição, mas não abordou a hipótese de ressarcimento. Dispõe o § 3º do art. 66 da Lei nº 8.383 de 30 de dezembro de 1991, que: “Art. 66. Nos casos de pagamento indevido ou a maior de tributos e contribuições federais, inclusive previdenciárias, mesmo quando resultante de reforma, anulação revogação ou rescisão de decisão condenatória, o contribuinte poderá efetuar a compensação desse valor no recolhimento de importância correspondente a períodos subsequentes. § 1º (...) § 2º (...) § 3º A compensação ou restituição será efetuada pelo valor do imposto ou contribuição corrigido monetariamente com base na variação da UFIR.” (Grifouse). Dentro dos princípios da hermenêutica jurídica, a interpretação do conteúdo de um parágrafo deve ser efetuada em conjunto com o caput do artigo e não isoladamente. Assim, o parágrafo completa o sentido do artigo ou acrescenta exceções ao seu enunciado. Verificase, portanto, que, ao estabelecer que a compensação ou restituição será efetuada pelo valor corrigido, o § 3º está completando o sentido do caput do art. 66, que trata exclusivamente de pagamento indevido ou maior que o devido de tributos e contribuições federais. O art. 39, § 4º, da Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, estabeleceu: “Art. 39. A compensação de que trata o art. 66 da Lei nº 8.383, de 30 de dezembro de 1991, com a redação dada pelo art. 58 da Lei nº 9.069, de 29 de junho de 1995, somente poderá ser efetuada com o recolhimento de importância correspondente a imposto, taxa, contribuição federal ou receitas patrimoniais de mesma espécie e destinação constitucional, apurado em períodos subseqüentes. 1º (VETADO) Fl. 334DF CARF MF 8 2° (VETADO) 3° (VETADO) 4º A partir de 1º de janeiro de 1996, a compensação ou restituição será acrescida de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente, calculados a partir da data do pagamento indevido ou a maior até o mês anterior ao da compensação ou restituição e de 1% relativamente ao mês em que estiver sendo efetuada.” (Grifouse). Assim, ao se reportar ao art. 66 da Lei nº 8.383, de 1991, e dentro dos princípios da hermenêutica jurídica, verificase que o art. 39, § 4º, da Lei nº 9.250, de 1995, é aplicável apenas nos casos de pagamento indevido ou a maior que o devido de tributos e contribuições federais, o que não é a hipótese tratada nos presentes autos. Devese ainda esclarecer que, ao contrário do que afirma a Recorrente, não existe, no aludido Decreto nº 2.138, de 29 de janeiro de 1997, qualquer dispositivo que declare, expressamente, que os institutos da restituição e do ressarcimento estariam equiparados. Tal decreto dispõe sobre a compensação de créditos tributários com créditos do sujeito passivo decorrentes de restituição ou ressarcimento de tributos ou contribuições, regulamentando o disposto nos artigos 73 e 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Da mesma forma, o citado Parecer AGU nº CQ96 também tratou especificamente de repetição (restituição) de indébito, o que, como já visto, não se aplica à hipótese tratada nos autos. Finalmente, cabe informar que atualmente existe norma expressa na Lei nº 10.833, de 29/12/2003 (conversão da MP 135, de 31/10/2003, que tratou da cofins nãocumulativa), vedando, para o ressarcimento da Cofins e do PIS a correção monetária e a aplicação dos juros de mora. Confirase (grifo nosso): “Art. 13. O aproveitamento de crédito na forma do § 4o do art. 3o, do art. 4o e dos §§ 1o e 2o do art. 6o, bem como do § 2o e inciso II do § 4o e § 5o do art. 12, não ensejará atualização monetária ou incidência de juros sobre os respectivos valores. ... Art. 15. Aplicase à contribuição para o PIS/PASEP nãocumulativa de que trata a Lei no 10.637, de 30 de dezembro de 2002, o disposto nos incisos I e II do § 3o do art. 1o, nos incisos VI, VII e IX do caput e nos §§ 1o, incisos II e III, 10 e 11 do art. 3o, nos §§ 3o e 4o do art. 6o, e nos arts. 7o, 8o, 10, incisos XI a XIV, e 13.” Nesse contexto, vêse que os artigos 39, §4°, da Lei 9.250/1995, 66, §3° da Lei n° 8.383/1991 e 108 do Código Tributário Nacional, indicados pelo contribuinte em seu Recurso Voluntário, não o socorrem em seu pleito de aplicação da atualização monetária com base na taxa SELIC. Ademais, consoante também constou do voto supra transcrito, é cediço que, desde 2003, há previsão expressa vedando a aplicação da taxa SELIC no caso de ressarcimento do PIS e da COFINS. Destaquese, ainda, que as decisões colacionadas pelo contribuinte em seu Recurso tampouco o socorrem em seu pleito, visto que estão relacionadas à matéria estranha à presente demanda, por versarem sobre ressarcimento relativo a crédito presumido de IPI. No Fl. 335DF CARF MF Processo nº 16366.000244/200920 Acórdão n.º 3301003.263 S3C3T1 Fl. 332 9 sentido da inaplicabilidade da extensão do entendimento relativo ao IPI para o PIS e à COFINS, trazse à colação decisão deste Colegiado: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/07/2003 a 30/09/2003 RESSARCIMENTO. CONTRIBUIÇÕES NÃO CUMULATIVAS. ACRÉSCIMO DA TAXA SELIC. VEDAÇÃO. ORIENTAÇÃO DO STJ PARA O IPI. INAPLICÁVEL. Especificamente no caso da contribuição ao PIS e da Cofins apuradas pelo regime não cumulativo, o ressarcimento de saldos credores não se sujeita à remuneração pela Taxa Selic em virtude de expressa vedação nesse sentido, contida nos artigos 13 e 15 da Lei nº 10.833/2003. O entendimento veiculado pelo Recurso Especial nº 1.035.847, sob o rito do artigo 543C do anterior CPC, que diz respeito ao ressarcimento de créditos de IPI, não pode ser estendido para o ressarcimento de créditos das contribuições sociais não cumulativas, eis que, para essas, há a vedação de atualização monetária expressa em lei ordinária, o que não ocorre para o IPI. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. PER/DCOMP. CONFIGURAÇÃO DE PAGAMENTO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. EXONERAÇÃO DA MULTA MORATÓRIA. CABIMENTO. A compensação tributária, efetivada pelo contribuinte por meio de PER/DCOMP, constitui sistemática que acarreta num encontro de contas, tendo como resultado a extinção de duas obrigações contrapostas: relação jurídica tributária, em que o contribuinte tem débito perante o Fisco; e relação jurídica de restituição de indébito ou ressarcimento, na qual o contribuinte tem direito a crédito a ser pago pelo Fisco (artigo 170, CTN e artigo 74 da Lei n. 9.430/96). Há, portanto, concomitante pagamento de tributo e restituição do indébito ou ressarcimento do tributo. Ou seja, na compensação tributária há sim pagamento, de modo que é figura passível de ser abrangida pelo benefício da denúncia espontânea, com a consequente exclusão da multa moratória, nos termos do artigo 138 do CTN. Recurso Voluntário provido em parte. Diante de todo o exposto, concluiuse que o pedido constante do Recurso Voluntário de atualização do montante a ser ressarcido com base na taxa SELIC deve ser indeferido. É importante que se reconheça, outrossim, que a decisão recorrida incorreu ainda em contradição neste mesmo ponto, a qual precisa ser sanada nesta oportunidade. Isso porque, embora conste do acórdão a informação de que os membros do colegiado teriam acordado, por unanimidade, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto do relator, o indeferimento relativo à atualização pela taxa SELIC, no meu entender, leva ao provimento apenas parcial do recurso. Sendo assim, entendo que deverá ser sanada a omissão/contradição acima apontada, para fins de: (a) integrar o voto proferido, no sentido de trazer os fundamentos que Fl. 336DF CARF MF 10 levaram à negativa da atualização pela taxa SELIC dos valores a serem ressarcidos, conforme razões acima expostas; (b) corrigir o acórdão no sentido de que reste consignado que foi dado parcial provimento ao Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte, admitindose a integralidade do crédito pleiteado, contudo, sem atualização pela taxa SELIC. Apontou, ainda, o Embargante que teria havido obscuridade na decisão recorrida quanto à possibilidade de o Poder Executivo restringir o benefício. Neste ponto, aponta o Embargante que na ementa do julgado a turma teria consignado que "a legislação federal confere direito ao contribuinte em utilizar serviços como insumos na produção de bens destinados à venda e por isso não cabe ao Poder Executivo restringir este benefício". Todavia, no voto do relator, essa possibilidade não teria sido enfrentada, tendo o voto se apoiado em tese distinta para dar provimento ao recurso. Na ementa do julgado o Relator assim consignou: COFINS.NÃO CUMULATIVIDADE.CRITÉRIO MATERIAL DIVERSO DAQUELE DO IPI.INSUMOS.TAXA DE SEGURO. Inexiste coincidência entre o regime não cumulativo do IPI e o da COFINS, pois os fatos tributários são diferentes já que esta última incide sobre a totalidade das receitas e aquele sobre a operação de industrialização de bens. Ademais, a legislação federal confere direito ao contribuinte em utilizar serviços como insumo na produção de bens destinados à venda e por isso não cabe ao Poder Executivo restringir este benefício. Já em seu voto, o Relator manifestouse da seguinte forma: Conforme extraise do julgado acima, o insumo não deve em hipótese alguma estar restrito às matériasprimas, aos produtos intermediários e aos materiais de embalagem e outros bens que sofram alterações em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, em razão do caráter restritivo não imposto pela lei e pelo Texto Constitucional. Além do que, é sabido que a não cumulatividade é uma técnica, com o objetivo de dimensionar o montante da exigência e de evitar a incidência em cascata e ela deve estar atrelada à materialidade do tributo. Logo, o critério material da tributação deve estar condicionada a outros aspectos do tributo, inclusive a técnica de não cumulatividade. Com efeito, reconheço o direito ao creditamento em relação a despesa com seguro, uma vez que o conceito de insumo não pode ser o mesmo utilizado para fins do IPI, quando as materialidades da tributação são distintas – produto e receita –, assim os conceitos de insumos também deveriam ser distintos e por esse motivo que é insumo para geração de receita não é exatamente a mesma coisa do que é insumo para a industrialização de um produto, sendo que neste sentido cito a o Acórdão nº 320200.226, sessão de 08/12/2010, 2ª Câmara, 2ª Turma Ord., 3ª Seção. (Grifos apostos). Ou seja, o Relator discorre em seu voto, na linha de inúmeras decisões proferidas por este Conselho, que o conceito de insumos para fins creditamento de IPI é diverso do conceito de insumos para fins de creditamento de PIS/COFINS. Em seguida, conclui em seu voto pelo reconhecimento do direito ao creditamento relativo à despesa com seguro, "uma vez que o conceito de insumo não pode ser o mesmo utilizado para fins do IPI". Fl. 337DF CARF MF Processo nº 16366.000244/200920 Acórdão n.º 3301003.263 S3C3T1 Fl. 333 11 De outro norte, na ementa, concluiu que não caberia ao Poder Executivo restringir o direito do contribuinte em utilizar serviços como insumos. Neste ponto, entendo que a obscuridade mencionada pelo Embargante diz respeito à ausência de indicação no voto do Relator do fundamento relativo à tal impossibilidade, o que passo a sanar nesta oportunidade. Embora não tenha o Relator discorrido expressamente em seu voto sobre a impossibilidade do Poder Executivo de restringir o direito creditório do contribuinte, entendo que esta impossibilidade decorre da própria interpretação do conceito de insumos feita pelo Relator. Ora, tendo em vista o conceito mais alargado do conceito de insumos para fins de crédito de PIS/COFINS, comparado com o conceito para fins de crédito de IPI, entendeu o Relator que possuía o contribuinte direito ao ressarcimento no montante integral pleiteado. E, com base na sua interpretação do conceito de insumos, o contribuinte possuía previsão legal para usufruir do crédito relativo à despesa com seguro. Logo, não cabia ao Poder Executivo restringir o direito creditório em questão, o qual encontra previsão na legislação do PIS/COFINS, conforme interpretação dada pelo Relator. Sendo assim, no intuito de sanar a obscuridade apontada pelo Embargante, entendo que as razões acima expostas também deverão integrar os fundamentos do voto proferido pelo Relator ao julgar o Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte no presente caso. Diante do acima exposto, acolho os Embargos Declaratórios opostos, com efeitos infringentes, para fins de sanar a omissão/contradição/obscuridade acima indicadas, no sentido de: (a) integrar o voto proferido com os fundamentos acima dispostos no que tange à negativa de atualização pela taxa SELIC dos valores a serem ressarcidos; (b) corrigir o acórdão no sentido de que reste consignado que foi dado parcial provimento ao Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte, admitindose a integralidade do crédito pleiteado, contudo, sem atualização pela taxa SELIC; (c) integrar o voto proferido com as razões acima dispostas, relativas à impossibilidade de o Poder Executivo restringir o direito creditório do contribuinte. É como voto. Maria Eduarda Alencar Câmara Simões Relatora Fl. 338DF CARF MF 12 Fl. 339DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10480.913798/2011-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Mar 06 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 3401-001.048
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência.
(assinado digitalmente)
Robson José Bayerl - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Robson José Bayerl, Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge d'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Rodolfo Tsuboi e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
Nome do relator: ROBSON JOSE BAYERL
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COMPENSAÇÃO. ALARGAMENTO. Recorrente RODOBENS CAMINHÕES PERNAMBUCO LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Robson José Bayerl Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Robson José Bayerl, Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge d'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Rodolfo Tsuboi e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Relatório Trata o presente processo administrativo de PER que pretende obter reconhecimento de direito creditório das contribuições por suposto pagamento a maior. O sistema informatizado da Receita Federal emitiu o Despacho Decisório em processamento automatizado indeferindo o pedido, afirmando que o valor do DARF de onde viria o crédito já estava totalmente comprometido em quitação de débito constante de declaração prestada pelo contribuinte ao Fisco. A contribuinte manifestou inconformidade, explicando que: 1. A autoridade de administração e a autoridade fiscal não tomaram conhecimento das razões da contribuinte para seu direito, nem se aprofundaram em sua análise, nem buscaram investigar os fatos; a contribuinte não foi intimada a explicar os fundamento do seu pedido antes do despacho decisório; RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 04 80 .9 13 79 8/ 20 11 -1 1 Fl. 212DF CARF MF Processo nº 10480.913798/201111 Resolução nº 3401001.048 S3C4T1 Fl. 3 2 2. seu direito repousa no fato de que ela indevidamente tinha incluído na base de cálculo do tributo receitas (tais como receitas financeiras, e outras), face a declaração de inconstitucionalidade pelo STF para o § 1º do artigo 3º da Lei 9.718/1998; pois a base de tributação deve se cingir às receitas de faturamento pela venda de mercadorias e da prestação de serviços. 3. Pede a reunião dos vários processos administrativos que tratam da mesma matéria/tributo, mudando apenas os períodos de apuração, para serem julgados na mesma ocasião. Os Julgadores de 1º piso não acolheram o pedido de reunião dos vários processos. Eles também consideraram improcedente o recurso da contribuinte, entendendo pela insuficiência de provas pelo alegado. Seria da contribuinte o ônus de provar o direito objeto do seu pedido, no momento da interposição da Manifestação de Inconformidade, sob pena de preclusão, ressalvadas as exceções legalmente previstas, nos termos do art. 16, caput, III e §4°, do Decreto 70.235/72, conforme consta do voto da decisão recorrida. Concluíram, os Julgadores a quo, pelo não reconhecimento do direito creditório, nos termos do Acórdão 11041.050. Inconformada, a contribuinte ingressou com recurso voluntário por meio do qual repisou as alegações apresentadas na manifestação de inconformidade, e acrescentou as seguintes: ● não é verdade que houve insuficiência de provas, pois apresentou planilha, balancete e livro obrigatório da contabilidade da contribuinte; ● a autoridade fiscal não questionou a efetividade dos pagamentos em discussão; ● não pode prevalecer o entendimento esposados pelos julgadores de 1º piso de que houve preclusão para a juntada de provas; isso fere o disposto na letra "c" do § 4º do artigo 16 do Decreto n. 70.235, de 1972 (apresentar provas que se destine a contrapor fatos e razões posteriormente trazidas aos autos). Cita doutrina, acórdãos e jurisprudências; ● a falta de retificação da DCTF não deve servir de justificativa para não se analisar e se deferir o direito da contribuinte; ● Não procede o entendimento dos Julgadores a quo de que a declaração de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei n. 9.718/1998 proferida pelo STF não seja de observação obrigatória no processo administrativo fiscal; ● a Verdade Material deve prevalecer, e a autoridade deve realizar um exame completo dos fatos. É o relatório Fl. 213DF CARF MF Processo nº 10480.913798/201111 Resolução nº 3401001.048 S3C4T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Robson José Bayerl, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução 3401000.984, de 25 de janeiro de 2017, proferida no julgamento do processo 10480.900040/201201, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela Resolução (3401000.984): "Tempestivo o Recurso e atendidos os demais requisitos de admissibilidade. Temos diante de nós mais um caso de despacho decisório processado automaticamente, sem que haja qualquer intervenção humana para rever o seu teor e a eventual existência de razões para questionar sua conclusão. É freqüente, nessas situações, que a contribuinte somente compreenda totalmente a situação quando recebe a decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento mantendo o indeferimento eletrônico inicial, geralmente por falta de provas ou de contra argumentações por parte da contribuinte. Nessa toada, há os que se escudam no instituto da preclusão probatória para justificar a impossibilidade de reverter as negativas até então impostas à contribuinte. Coerente com minhas propostas de votação anteriores em situações semelhantes, baseado no argumento de que o princípio da verdade material deve prevalecer, relativizando as formalidades e os institutos preclusivos e assemelhados, e no argumento de que não é do interesse público maior praticar a injustiça fiscal qual seja, a manutenção no Tesouro do pagamento indevido , é que proponho que se tome providências para garantir substantivamente o contraditório (e não apenas formalmente) e para se verificar a verdade do alegado pelas partes. As teses que esposo divergem das postas no acórdão de 1º piso: (a) para uma visão absoluta do ônus probatório e do instituto da preclusão probatória, argumento em favor de que prevaleça a Verdade Material, e que os julgadores do processo administrativo possam agir e determinar providências nessa direção, aliás como expus em outros votos quando fiz alusão aos modelos trazidos pelo novo CPC; (b) que a negativa em pedidos de restituição e/ou compensações motivada pela inexistência de créditos líquidos e certos passe a considerar que a liquidez e certeza possam ser demonstradas ao longo do processo administrativo, não se limitando ao que o instruiu antes de sua chegada à instância de julgamento. Ressalto que a contribuinte, segundo que foi relatado, em sua primeira contestação havia juntado balancetes e planilhas, o que poderia ser no mínimo considerado princípio de prova. Fl. 214DF CARF MF Processo nº 10480.913798/201111 Resolução nº 3401001.048 S3C4T1 Fl. 5 4 Por isso, tendo em vista que a administração tributária de jurisdição não apreciou as razões do suposto direito creditório, proponho a este Colegiado a conversão do julgamento em diligência para que a unidade de jurisdição local analise e informe a respeito do alegado pela contribuinte, e também a respeito da existência de retificação realizada ou tentada pela contribuinte com relação ao (débitos e créditos) discutido neste processo administrativo. Que se dê ciência à contribuinte desta decisão e também do relatório conclusivo e da informação fiscal resultantes da diligência, e prazo de 30 dias para ela se manifestar em cada uma dessas intimações." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, converto o julgamento deste processo em diligência para que a unidade de jurisdição local analise e informe a respeito do alegado pela contribuinte, e também a respeito da existência de retificação realizada ou tentada pela contribuinte com relação ao (débitos e créditos) discutido neste processo administrativo. (assinado digitalmente) Robson José Bayerl Fl. 215DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.004209/2009-17
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Feb 21 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Apr 18 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/04/2004 a 31/12/2004
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE.
Não se conhece de Recurso Especial de Divergência, quando não resta demonstrado o alegado dissídio jurisprudencial, tendo em vista não se poder estabelecer divergência entre os critérios jurídicos adotados nos acórdãos recorrido e paradigma.
Numero da decisão: 9202-005.248
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Heitor de Souza Lima Junior Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Fábio Piovesan Bozza (suplente convocado), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício).
Nome do relator: HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR
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Interessado FÁZIO GRÀFICA E EDITORA LTDA. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/04/2004 a 31/12/2004 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE. Não se conhece de Recurso Especial de Divergência, quando não resta demonstrado o alegado dissídio jurisprudencial, tendo em vista não se poder estabelecer divergência entre os critérios jurídicos adotados nos acórdãos recorrido e paradigma. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício (assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Junior – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Fábio Piovesan Bozza (suplente convocado), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 42 09 /2 00 9- 17 Fl. 509DF CARF MF Processo nº 19515.004209/200917 Acórdão n.º 9202005.248 CSRFT2 Fl. 510 2 Em litígio, o teor do Acórdão nº 2403001.677, prolatado pela 3a Turma Ordinária da 4a. Câmara da 2a Seção de Julgamento deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, na sessão plenária de 16 de outubro de 2012 (efls. 432 a 451). Ali, por maioria de votos, deuse parcial provimento ao Recurso Voluntário, na forma de ementa e decisão a seguir: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/04/2004 a 31/12/2004 PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. IRREGULARIDADE NA LAVRATURA DO AIOP. INOCORRÊNCIA. Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEGISLAÇÃO ORDINÁRIA NÃO APRECIAÇÃO NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. A legislação ordinária de custeio previdenciário não pode ser afastada em âmbito administrativo por alegações de inconstitucionalidade, já que tais questões são reservadas à competência, constitucional e legal, do Poder Judiciário. Neste sentido, o art. 26A, caput do Decreto 70.235/1972 e a Súmula nº 2 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente veda ao CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO SÚMULA VINCULANTE STF Nº. 8 PERÍODO ATINGIDO PELA DECADÊNCIA QÜINQÜENAL APLICAÇÃO DO ART. 150, § 4º, CTN. O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212/1991. Após, editou a Súmula Vinculante n º 8, publicada em 20.06.2008, nos seguintes termos:“São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Nos termos do art. 103A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal Na hipótese dos autos, aplicase o entendimento do STJ no REsp 973.733/SC nos termos do art. Fl. 510DF CARF MF Processo nº 19515.004209/200917 Acórdão n.º 9202005.248 CSRFT2 Fl. 511 3 62A, Anexo II, Regimento Interno do CARF RICARF, com a regra de decadência insculpida no art. 150, § 4º, CTN posto que houve recolhimentos antecipados a homologar feitos pelo contribuinte. No presente caso, o fato gerador ocorreu entre as competências 04/2004 a 12/2004, a ciência do AIOP ocorreu em 21.10.2009, dessa forma, já se operara a decadência do direito de constituição dos créditos ora lançados até a competência 09/2004, inclusive, nos termos do art. 150, § 4º, CTN. PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. RELATÓRIO DE CORESPONSÁVEIS. SUBSÍDIO PARA FUTURA AÇÃO EXECUTÓRIA. O Relatório de CoResponsáveis é parte integrante do processo de lançamento e autuação e se destina a esclarecer a composição societária da empresa no período do débito, a fim de subsidiarem futuras ações executórias de cobrança. Esse relatório não é suficiente para se atribuir responsabilidade pessoal. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO ACRÉSCIMOS LEGAIS JUROS E MULTA DE MORA ALTERAÇÕES DADAS PELA LEI 11.941/2009 RECÁLCULO DA MULTA MAIS BENÉFICA ART. 106, II, C, CTN Até a edição da Lei 11.941/2009, os acréscimos legais previdenciários eram distintos dos demais tributos federais, conforme constavam dos arts. 34 e 35 da Lei 8.212/1991. A Lei 11.941/2009 revogou o art. 34 da Lei 8.212/1991 (que tratava de juros moratórios), alterou a redação do art. 35 (que versava sobre a multa de mora) e inseriu o art. 35A, para disciplinar a multa de ofício. Visto que o artigo 106, II, c do CTN determina a aplicação retroativa da lei quando, tratandose de ato não definitivamente julgado, lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade benigna, impõese o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei 9.430/96 para comparála com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91 (presente no crédito lançado neste processo) para determinação e prevalência da multa de mora mais benéfica. Ressalvase a posição do Relator, vencida nesta Colenda Turma, na qual se deve determinar o recálculo dos acréscimos legais na forma de juros de mora (com base no art. 35, Lei 8.212/1991 c/c art. 61, § 3º Lei 9.430/1996 c/c art. 5º, § 3º Lei 9.430/1996) e da multa de ofício (com base no art. 35A, Lei 8.212/1991 c/c art. 44 Lei 9.430/1996), com a prevalência dos acréscimos legais mais benéficos ao contribuinte. Recurso Voluntário Provido em Parte Decisão: por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso, para se reconhecer a decadência até a competência 09/2004, com base no art. 150, § 4º, CTN, No mérito por maioria de votos determinar o recálculo da multa de mora, de acordo com o disposto no art. 35, caput, da Lei 8.212/91, na redação Fl. 511DF CARF MF Processo nº 19515.004209/200917 Acórdão n.º 9202005.248 CSRFT2 Fl. 512 4 dada pela Lei 11.941/2009 (art. 61, da Lei no 9.430/96), prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. Vencidos os conselheiros Carolina Wanderley Landim e Marcelo Magalhães Peixoto na questão da exclusão do Relatório de Vínculos. Enviados os autos à Fazenda Nacional em 09/01/2013 (efl. 452) para fins de ciência da decisão, insurgindose contra esta, sua Procuradoria apresenta, em 14/01/2013 (efl. 463), Recurso Especial, com fulcro no art. 67 do anexo II ao Regimento Interno deste Conselho Administrativo Fiscal aprovado pela Portaria MF no. 256, de 22 de julho de 2009, então em vigor quando da propositura do pleito recursal (efls. 453 a 462). Alegase, no pleito, divergência em relação ao decidido em 28 de outubro de 2009, pelo Acórdão 240200.233, de lavra da 2a. Turma Ordinária da 4a. Câmara da 2a. Seção deste CARF, de ementa e decisão a seguir transcritas : PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/2005 a 28/02/2007 MATÉRIA SUB JUDICE CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO FISCAL RENÚNCIA Em razão da decisão judicial se sobrepor à decisão administrativa, a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial, antes ou depois do lançamento, implica renúncia ao contencioso administrativo fiscal relativamente à matéria submetida ao Poder Judiciário CORESPONSÁVEIS PÓLO PASSIVO NÃO INTEGRANTES Os coresponsáveis elencados pela auditoria fiscal não integram o pólo passivo da lide. A relação de coresponsáveis tem como finalidade cumprir o estabelecido no inciso I do § 5° art. 2° da lei n°6.830/1980 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/04/2005 a 28/02/2007 ISENÇÃO CEAS CERTIFICADO DE ENTIDADE BENEFICENTE DE ASSISTÊNCIA SOCIAL DEFERIMENTO POSTERIOR A existência de CEAS concedido posteriormente não supre a ausência do referido certificado para fins de usufruto de isenção relativamente a período pretérito MULTA DE MORA LANÇAMENTO DE OFÍCIO RETROATIVIDADE BENIGNA INOCORRÊNCIA Havendo lançamento de oficio, não há que se aplicar as disposições contidas no § 2° do art. 61 da Lei n° 9430/1996. O princípio da retroatividade benigna só é aplicado se restar demonstrado que a legislação posterior é mais favorável ao sujeito passivo. Fl. 512DF CARF MF Processo nº 19515.004209/200917 Acórdão n.º 9202005.248 CSRFT2 Fl. 513 5 RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO. Decisão: por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto da relatora. Em linhas gerais, argumenta a Fazenda Nacional em sua demanda que: a) A redação do art. 35A da Lei no. 8.212, de 1991, é clara. Efetuado o lançamento de ofício das contribuições previdenciárias indicadas no artigo 35, da Lei nº 8.212, de 24 de junho de 1991, deverá ser aplicada a multa de ofício prevista no artigo 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Assim, à semelhança do que ocorre com os demais tributos federais, a incidência da multa de mora ocorrerá naqueles casos expressos no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996. Ou seja, nas hipóteses em que o contribuinte incorreu na mora e efetuou o recolhimento em atraso, de forma espontânea, independente do lançamento de ofício, efetuado com esteio no art. 149 do CTN; b) Destarte, no lançamento de ofício, diante da falta de pagamento ou recolhimento do tributo e/ou falta de declaração ou declaração inexata é exigido, além do principal e dos juros moratórios, os valores relativos às penalidades pecuniárias que no caso consistirá na multa de ofício. A multa de ofício será aplicada quando realizado o lançamento para a constituição do crédito tributário. A incidência da multa de mora, por sua vez, ficará reservada para aqueles casos nos quais o sujeito passivo, extemporaneamente, realiza o pagamento ou o recolhimento antes do procedimento de oficio (ou seja, espontaneamente – o que não foi o caso). Essa mesma sistemática deverá ser aplicada às contribuições previdenciárias, em razão do advento da MP nº 449 de 2008, posteriormente convertida da Lei nº 11.941, de 27 de dezembro de 2009; c) A multa de mora e a multa de ofício são excludentes entre si. E deve prevalecer, na hipótese de lançamento de ofício, configurada a falta ou recolhimento do tributo e/ou a falta de declaração ou declaração inexata, a multa de ofício prevista no art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, diante da literalidade do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991. Nessa esteira, não há como se adotar outro entendimento senão o de que a multa de mora prevista no art. 35, da Lei nº 8.212, de 1991 em sua redação antiga (revogada) está inserida em sistemática totalmente distinta da multa de mora prescrita no art. 61 da Lei nº 9.430, de 96. Logo, por esse motivo não se poderia aplicar à espécie o disposto no art. 106 do CTN, pois, para a interpretação e aplicação da retroatividade benigna, a comparação é feita em relação à mesma conduta infratora praticada, em relação à mesma penalidade. Cita, ainda, a necessidade de observância ao disposto na Instrução Normativa no. 971, de 13 de novembro de 2009; d) Como argumentação subsidiária, ressalta que Caso se entenda pela diversidade de natureza das multas, também não se poderia falar na espécie em retroatividade benigna entre a multa prevista no art. 35 da norma revogada e na novel redação emprestada ao referido dispositivo pela Lei nº 11.941; d) Assim, entende que autuação em testilha deve ser mantida, com a ressalva de que, no momento da execução do julgado, a autoridade fiscal deverá apreciar a norma mais benéfica: se a multa anterior (art. 35, II, da norma revogada) ou o art. 35A da MP nº 449, de 2008, atualmente convertida na Lei nº 11.941, de 2009. Requer, assim, que seja conhecido e dado provimento ao presente recurso, para reformar o acórdão recorrido no ponto em que determinou a aplicação do art. 35, caput, da Fl. 513DF CARF MF Processo nº 19515.004209/200917 Acórdão n.º 9202005.248 CSRFT2 Fl. 514 6 Lei nº 8.212, de 1991 (na atual redação conferida pela Lei nº 11.941, de 2009), em detrimento do art. 35A, também da Lei nº 8.212, de 1991, devendose verificar, na execução do julgado, qual norma mais benéfica: se a multa anterior (art. 35, II, da norma revogada) ou a do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991. O recurso foi admitido pelo despacho de efls. 464/465. Encaminhados os autos à autuada para fins de ciência, ocorrida em 02/09/2013 (efl. 470), a contribuinte ofereceu contrarrazões de efl. 471 a 478 onde alega: a) existência de preclusão consumativa; b) que não se trata de lançamento de ofício; c) defende a aplicação retroativa realizada pelo recorrido, citando jurisprudência acerca do tema. Ainda, interpôs Recurso Especial de efls. 479 a 486, que teve sua admissibilidade negada, consoante despachos de efls. 504 a 507. É o relatório. Voto Conselheiro Heitor de Souza Lima Junior, Relator Quanto à caracterização de divergência interpretativa, ouso discordar do exame de admissibilidade de efls. 464/465. Faço notar que, aqui, nos presentes autos, se está a tratar de multa por compensação indevida com fulcro no art. 89, parágrafo 9º. da Lei no. 8.212, de 1991, que remete à aplicação do art. 35 da Lei no. 8.212, de 1991. Abrangeu a ação fiscal, ainda, lançamento decorrente de outras incorreções na informação de valores em GFIP, realizada através do DEBCAD 37.232.8008, consoante TEPF de efl. 30. Já o paradigma se refere ao lançamento de ofício de contribuições devidas à Seguridade Social, correspondentes às contribuições destinadas a terceiros (SalárioEducação, SESC, SEBRAE e INCRA), decorrentes de cancelamento de isenção. Tratamse de situações fáticas notadamente diversas, não se podendo afirmar como se posicionaria o Colegiado paradigmático acerca da situação dos autos, que trata especificamente não de multa decorrente de lançamento de ofício de débitos a partir de descaracterização de isenção, mas de multa por compensação indevida, resultando assim como não caracterizada a divergência interpretativa Entendo que, de forma a caracterizar a divergência interpretativa, necessário seria apresentar um caso onde, para NFLD lavrada com fulcro no art. 89, § 9o. da Lei no. 8.212, de 1991, houvesse o colegiado recorrido aplicado critério jurídico para a aplicação da multa divergente daquele aplicado pelo recorrido. Na verdade, de se notar que o referido § 9o. da Lei no. 8.212, de 1991, foi incluído pela própria MP no. 449 de 2008, tendo aqui o lançamento efetuado se limitado a lançar a multa de 20%, consoante o percentual previsto no art. 61 da Lei no. 9.430, de 1996, (vide Fundamentos Legais do Débito à efl. 17 e Discriminativo do débito de efl. 09), comprovando, assim, a inaplicabilidade do paradigma à situação fática dos autos. Fl. 514DF CARF MF Processo nº 19515.004209/200917 Acórdão n.º 9202005.248 CSRFT2 Fl. 515 7 Diante do exposto, voto por não conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional. É como voto. (assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Junior Fl. 515DF CARF MF
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Numero do processo: 16327.903916/2009-17
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 23 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Apr 05 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Exercício: 2006
COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR DE ESTIMATIVA MENSAL DE CSLL. PROVA.
Restou comprovado nos autos o equívoco na determinação do valor devido de estimativa mensal de CSLL, que as retificações de DIPJ e DCTF ocorreram antes do despacho decisório que analisou a compensação declarada, e que o contribuinte não buscou duplo benefício por ocasião do ajuste anual do tributo. Em tais condições, deve ser reconhecido o direito creditório por pagamento a maior, correspondente à diferença entre o recolhimento em DARF e o valor de estimativa efetivamente devido.
Numero da decisão: 1301-002.257
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Waldir Veiga Rocha Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Júnior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Waldir Veiga Rocha.
Nome do relator: WALDIR VEIGA ROCHA
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Exercício: 2006 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR DE ESTIMATIVA MENSAL DE CSLL. PROVA. Restou comprovado nos autos o equívoco na determinação do valor devido de estimativa mensal de CSLL, que as retificações de DIPJ e DCTF ocorreram antes do despacho decisório que analisou a compensação declarada, e que o contribuinte não buscou duplo benefício por ocasião do ajuste anual do tributo. Em tais condições, deve ser reconhecido o direito creditório por pagamento a maior, correspondente à diferença entre o recolhimento em DARF e o valor de estimativa efetivamente devido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Júnior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Waldir Veiga Rocha.
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ARRENDAMENTO MERCANTIL) Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Exercício: 2006 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR DE ESTIMATIVA MENSAL DE CSLL. PROVA. Restou comprovado nos autos o equívoco na determinação do valor devido de estimativa mensal de CSLL, que as retificações de DIPJ e DCTF ocorreram antes do despacho decisório que analisou a compensação declarada, e que o contribuinte não buscou duplo benefício por ocasião do ajuste anual do tributo. Em tais condições, deve ser reconhecido o direito creditório por pagamento a maior, correspondente à diferença entre o recolhimento em DARF e o valor de estimativa efetivamente devido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Júnior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Waldir Veiga Rocha. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 90 39 16 /2 00 9- 17 Fl. 235DF CARF MF Processo nº 16327.903916/200917 Acórdão n.º 1301002.257 S1C3T1 Fl. 236 2 Relatório SANTANDER LEASING S/A ARRENDAMENTO MERCANTIL (nova denominação de REAL LEASING S.A. ARRENDAMENTO MERCANTIL), já devidamente qualificada nestes autos, recorre a este Conselho contra a decisão prolatada pela 8ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo I / SP, que indeferiu os pedidos veiculados através de manifestação de inconformidade apresentada contra a decisão da DEINF/SP. Por bem descrever o ocorrido, valhome do relatório elaborado por ocasião do julgamento do processo em primeira instância, a seguir transcrito, em parte. Trata o presente processo da declaração de compensação nº 03578.48478.270106.1.3.04.3844, de pagamento de CSLL, código de receita 2469, relativo a março de 2005, no valor de R$ 522.307,60, com débitos de CSLL. Em 20/04/2009 (fls. 16) foi emitido despacho decisório que não homologou a compensação declarada com base nos seguintes fundamentos: “Limite do crédito analisado, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão informado no PER/DCOMP: 40.010,93 Analisadas as informações prestadas no documento acima identificado, foi constatada a improcedência do crédito informado no PER/DCOMP por tratarse de pagamento a titulo de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, caso em que o recolhimento somente pode ser utilizado na dedução do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (1RPJ) ou da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido (CSLL) devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período.” Reproduzo quadro do despacho decisório em que são demonstradas as características do pagamento utilizado como direito creditório e sua utilização: A contribuinte protocolou manifestação de inconformidade tempestiva, alegando, em síntese, o seguinte: [...] Antes do julgamento em primeira instância, a Autoridade Julgadora determinou a realização de diligência (Resolução nº 16.000.325, fls. 37/40). Em atendimento, a interessada apresentou documentos e prestou as seguintes informações (conforme relatório do acórdão recorrido): Fl. 236DF CARF MF Processo nº 16327.903916/200917 Acórdão n.º 1301002.257 S1C3T1 Fl. 237 3 a) Na sistemática de apuração da base de cálculo da CSLL via balanço/balancete suspensão ou redução, as pessoas jurídicas referidas no art. 1º da MP nº 2.15835/2001, poderiam optar por escriturar em seu ativo, como crédito compensável com débitos de CSLL, o valor de 18% sobre a soma da base de cálculo negativa e de valores adicionados temporariamente ao Lucro Líquido. b) A matéria crédito de CSLL 18% art. 8º da MP 2.15835/2001, foi auditada pela Receita Federal, por intermédio do RPF nº 08.1.66.00.2008.0005080, conduzido pelo AFRFB Dorival Bertaglia (SIPE nº 27.942), que foi concluído sem qualquer apontamento quanto à constituição do crédito e sua amortização/consumo. c) A justificativa para o erro de fato cometido, que ensejou o recolhimento a maior de DARF, competência março/2005, foi ausência do cômputo da dedução mensal do crédito de CSLL a 18% MP 2.15835/2001, na apuração da base de cálculo da CSLL, conforme ficha 16 da DIPJ 2006/2005. d) Analisando a DIPJ e o relatório gerencial “Demonstração da Contribuição Social –2005, verificase que não há inconsistência na apuração da base de cálculo da CSLL, mas tão somente a ausência de dedução mensal de R$ 181.445,56, que totalizou R$ 593.442,66, no período de janeiro a março/2005. e) Com o objetivo de demonstrar a liquidez e certeza do crédito tributário anexamos o balancete CADOC Bacen 4010 de mar/2005. Salientamos que assim que recebermos o razão contábil juntaremos no presente processo. A 8ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo I / SP analisou a manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte e, mediante o Acórdão nº 1654.024, de 09/01/2014 (fls. 75/81), indeferiu a solicitação, conforme ementa a seguir transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Data do fato gerador: 29/04/2005 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. Não se reconhece o direito creditório quando o contribuinte não logra comprovar com documentos hábeis e idôneos que houve pagamento indevido ou a maior. Ciente da decisão de primeira instância em 28/02/2014, conforme documento de fl. 89, e com ela inconformada, a empresa apresentou recurso voluntário em 18/03/2014 (registro de recepção à fl. 91, razões de recurso às fls. 93/108). Após historiar os fatos, sob sua ótica, a interessada aduz argumentos que podem ser sintetizados como segue, conforme os tópicos da peça recursal: · Da possibilidade de compensação do recolhimento a maior ou indevido no próprio ano calendário. A recorrente aduz razões sobre essa matéria (embora já superada pela decisão de primeira instância). · Do crédito tributário apurado conforme o artigo 8º da MP nº 1.807/1999 (reeditada pela MP nº 2.15835/2001) e de sua contabilização pela recorrente. Fl. 237DF CARF MF Processo nº 16327.903916/200917 Acórdão n.º 1301002.257 S1C3T1 Fl. 238 4 A recorrente reafirma seu direito ao crédito em referência; sustenta ser exatamente essa a origem da diferença entre a base de cálculo que deu origem ao recolhimento original (sem o cômputo do crédito) e a base de cálculo do valor efetivamente devido (com o cômputo do crédito); afirma que contabilizou o crédito em seu ativo na conta 1.8.8.25.208 (conforme razão contábil, que anexa); lembra que a Receita Federal possui o controle dos créditos recuperáveis no SAPLI e que essa matéria teria sido auditada pela Receita Federal (RPF nº 08.1.66.00.2008.0005080) e homologada sem qualquer apontamento de sua utilização. Conclui este tópico como segue (grifo no original): Com efeito, agiu corretamente a Recorrente ao deduzir o crédito recuperável de que trata o artigo 8º da MP nº 2.15835/2001, no percentual máximo de 30%, do valor a título de CSLL apurado para o mês de março de 2005, com base em balancetes de suspensão e redução. A este propósito, insta esclarecer que a Recorrente apurou em março de 2005 um saldo devedor de CSLL correspondente a R$ 1.978.142,20 conforme evidencia a DIPJ do anocalendário de 2005 (Doc. 05) e demais documentos contábeis acostados aos autos (balancete e descritivo contábil). E, para promover a recuperação do crédito de CSLL a que alude a MP nº 2.15835/2001 ela aplicou sobre este saldo devedor o percentual de 30%, do que resultou o valor a ser deduzido de R$ 593.442,65, o qual foi devidamente imputado pela Recorrente em sua DIPJ retificadora do anocalendário de 2005. · Da correta apuração da estimativa mensal de CSLL de março de 2005 e da dedução da parcela do crédito de CSLL a 18% MP 2.15835/2001. A recorrente busca comprovar a correção do valor de estimativa de CSLL de março/2005, R$ 423.372,98, e não o valor inicialmente declarado de R$ 522.307,60. Para tanto, faz referência aos documentos dos autos e à decisão recorrida. Demonstra os cálculos no quadro à fl. 106. Ao final, afirma que colacionou aos autos a “íntegra do Razão do Ativo onde se pode apurar o crédito e a baixa do valor utilizado para compensar a CSLL de março de 2005 no montante de R$ 593.442,65”. Tem, assim, por comprovada a regularidade de seus procedimentos e a existência de recolhimento a maior, conforme consta da DCOMP. É o Relatório. Voto Conselheiro Waldir Veiga Rocha, Relator O recurso é tempestivo e dele conheço. O recurso é tempestivo e dele conheço. Fl. 238DF CARF MF Processo nº 16327.903916/200917 Acórdão n.º 1301002.257 S1C3T1 Fl. 239 5 Gira a lide em torno do alegado direito creditório, a ser utilizado em compensação tributária, no montante de R$ 98.934,62, correspondente à diferença entre o valor recolhido em DARF (R$ 522.307,60, fl. 23) e o valor da estimativa mensal de CSLL do mês de março de 2005. Sustenta a recorrente que o valor correto da estimativa seria R$ 423.372,98. Por outro lado, o total originalmente declarado em DCTF foi de exatos R$ 522.307,60, posteriormente retificado para R$ 423.372,98. A questão em discussão, como se vê, é qual seria o correto valor da estimativa de CSLL de março de 2005. Inicialmente, foi negada homologação à compensação declarada, ao fundamento de que estimativas somente poderiam ser objeto de aproveitamento ao final do anocalendário, por ocasião do ajuste anual. Não se procedeu, naquele momento, a qualquer análise mais aprofundada do direito creditório, sendo a preliminar suficiente para a decisão então tomada. Essa preliminar foi superada já em primeira instância. A questão é atualmente pacífica, tanto no âmbito da Receita Federal quanto neste CARF, cabendo lembrar a Súmula CARF nº 84: Súmula CARF nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. Nesta fase processual, não há mais qualquer litígio a esse respeito. No entanto, superada a questão preliminar ainda em primeira instância, a autoridade julgadora a quo avançou na análise do direito creditório, o que entendo correto. O reconhecimento do direito creditório para fins de homologação impõe o exame minucioso por parte da autoridade administrativa, não residindo aí qualquer nulidade, como pretende a ora recorrente. A realização de diligência (por determinação do julgador em primeira instância) evidenciou a origem da diferença entre o valor da CSLL originalmente apurado pela contribuinte (R$ 522.307,60) e aquele a seguir tido por ela própria como correto (R$ 423.372,98). Tratase, supostamente, do abatimento de crédito com base no art. 8º da Medida Provisória nº 2.15835/2001, a seguir transcrito. Art.1o A alíquota da contribuição para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor PúblicoPIS/PASEP, devida pelas pessoas jurídicas a que se refere o § 1o do art. 22 da Lei no 8.212, de 24 de julho de 1991, fica reduzida para sessenta e cinco centésimos por cento em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1o de fevereiro de 1999. [...] Art.8o As pessoas jurídicas referidas no art. 1o, que tiverem base de cálculo negativa e valores adicionados, temporariamente, ao lucro líquido, para efeito de apuração da base de cálculo da CSLL, correspondentes a períodos de apuração encerrados até 31 de dezembro de 1998, poderão optar por escriturar, em seu ativo, como crédito compensável com débitos da mesma contribuição, o valor equivalente a dezoito por cento da soma daquelas parcelas. Fl. 239DF CARF MF Processo nº 16327.903916/200917 Acórdão n.º 1301002.257 S1C3T1 Fl. 240 6 §1o A pessoa jurídica que optar pela forma prevista neste artigo não poderá computar os valores que serviram de base de cálculo do referido crédito na determinação da base de cálculo da CSLL correspondente a qualquer período de apuração posterior a 31 de dezembro de 1998. §2o A compensação do crédito a que se refere este artigo somente poderá ser efetuada com até trinta por cento do saldo da CSLL remanescente, em cada período de apuração, após a compensação de que trata o art. 8o da Lei no 9.718, de 1998, não sendo admitida, em qualquer hipótese, a restituição de seu valor ou sua compensação com outros tributos ou contribuições, observadas as normas expedidas pela Secretaria da Receita Federal do Ministério da Fazenda. §3o O direito à compensação de que trata o § 2o limitase, exclusivamente, ao valor original do crédito, não sendo admitido o acréscimo de qualquer valor a título de atualização monetária ou de juros. O art. 1º, acima, faz menção ao § 1º do art. 22 da Lei nº 8.212/1991: eis o referido § 1º (grifo não consta do original): § 1o No caso de bancos comerciais, bancos de investimentos, bancos de desenvolvimento, caixas econômicas, sociedades de crédito, financiamento e investimento, sociedades de crédito imobiliário, sociedades corretoras, distribuidoras de títulos e valores mobiliários, empresas de arrendamento mercantil, cooperativas de crédito, empresas de seguros privados e de capitalização, agentes autônomos de seguros privados e de crédito e entidades de previdência privada abertas e fechadas, além das contribuições referidas neste artigo e no art. 23, é devida a contribuição adicional de dois vírgula cinco por cento sobre a base de cálculo definida nos incisos I e III deste artigo.(Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999).(Vide Medida Provisória nº 2.15835, de 2001). A interessada, de fato, exerce atividade de arrendamento mercantil, encaixandose, hipoteticamente, na situação acima. E digo hipoteticamente porque há que se comprovar que possuía bases negativas de CSLL e valores adicionados, temporariamente, à base de cálculo dessa contribuição em períodos de apuração até 31/12/1998, e que, além disso, optou pelo crédito do art. 8º da MP 2.15835/2001, escriturandoo em seu ativo. A Turma Julgadora em primeira instância considerou insuficientes os esclarecimentos e os documentos acostados aos autos, afirmando ainda faltarem “elementos da escrituração contábil e fiscal da contribuinte para demonstrar claramente a existência do direito creditório pleiteado”. Em sede recursal, a interessada reafirma seus argumentos e pleiteia o reconhecimento do alegado indébito. Cabe aqui um parêntese. O presente processo discute direito creditório por alegado pagamento a maior de estimativa de CSLL de março de 2005, no valor de R$ 98.934,62. No processo administrativo nº 16327.903765/200905, julgado por este Colegiado Fl. 240DF CARF MF Processo nº 16327.903916/200917 Acórdão n.º 1301002.257 S1C3T1 Fl. 241 7 nesta mesma sessão de julgamento, discutese a estimativa de CSLL de fevereiro/2005. Por determinação do julgador de primeira instância, foi realizada diligência em ambos os processos. Houve uma diferença na instrução processual, fazendo com que no processo nº 16327.903765/200905 tenham sido juntados pela unidade preparadora documentos às fls. 75/118 relevantes para a decisão, como se há de verificar, documentos esses que deixaram de ser juntados a este processo, ainda que se refiram a todo o anocalendário de 2005. Em tais condições, penso que não se pode ignorar documentos que constam do outro processo recém julgado e são, portanto, do conhecimento deste Colegiado. Nos parágrafos seguintes farei referência a documentos de ambos os processos, especificando, quando for o caso, tratarse do processo nº 16327.903765/200905. Em primeiro lugar, devese ressaltar que se cuida, aqui, de estimativa mensal da CSLL. As estimativas são valores cujo recolhimento é obrigatório, nos termos e limites estabelecidos em lei, mas que não são, ainda, a expressão do tributo efetivamente devido ao final do período de apuração anual. Os valores de estimativas efetivamente pagos serão levados ao ajuste anual, a reduzir o valor devido apurado nesse ajuste. Tendo isso em mente, é de se verificar qual foi o valor de estimativa da CSLL de março/2005 levado ao ajuste pela interessada. O exame da DIPJ (fls. 751 e segs., ND 1397384, entregue em 25/08/2007) revela que o valor de CSLL mensal paga por estimativa foi de R$ 4.158.337,97 (Ficha 17, Linha 52, fl. 802). Esse valor corresponde (a menos de centavos) ao somatório dos débitos declarados em DCTF a cada mês, conforme DCTFs retificadoras às fls. 81/993. Ademais, para o mês de março/2005, o débito de R$ 423.372,98 também corresponde ao valor da Linha 11, Ficha 16, à fl. 764. Com isso, é possível concluir que a interessada não buscou se beneficiar, no ajuste anual, da diferença aqui pleiteada como indébito de estimativa mensal. Em outras palavras, não ocorreu a tentativa de duplo benefício. Essa constatação também foi esposada pelo AuditorFiscal que empreendeu a diligência determinada pelo julgador a quo, no despacho de fl. 1185, verbis: [...] Ademais, conforme informações extraídas dos sistemas da RFB, constatase que o direito creditório em questão, decorrente da estimativa paga a maior, não foi utilizado para formação do Saldo Negativo da CSLL do ano calendário de 2005, [...] Indo adiante, constatase que a declaração de compensação sob exame foi transmitida em 27/01/2006 (fl. 18), que a DIPJ retificadora do anocalendário 2005 foi transmitida em 25/08/2007 (fl. 756) e que a DCTF retificadora de março/2005 foi transmitida em 09/04/2007 (fl. 26). Em todos esses documentos o valor da estimativa mensal de CSLL de março é de R$ 423.372,98. Todos esses documentos são anteriores ao Despacho Decisório, prolatado em 20/04/2009 (fl. 16), que negou homologação à compensação. Avançando quanto ao mérito da questão, propriamente, não há qualquer litígio acerca da base de cálculo da estimativa de CSLL em março/2005, nem sobre o valor da CSLL apurada, conforme Linhas 01 e 02 da Ficha 16 da DIPJ (fl. 767). A diferença aqui 1 Processo nº 16327.903765/200905. 2 Processo nº 16327.903765/200905. 3 Processo nº 16327.903765/200905. 4 Processo nº 16327.903765/200905. 5 Processo nº 16327.903765/200905. 6 Processo nº 16327.903765/200905. 7 Processo nº 16327.903765/200905. Fl. 241DF CARF MF Processo nº 16327.903916/200917 Acórdão n.º 1301002.257 S1C3T1 Fl. 242 8 pleiteada como pagamento a maior (R$ 98.934,62) está discriminada na linha 03 como Recuperação de Crédito de CSLL (MP nº 1.807/1999, art. 8º). E também aqui as evidências são favoráveis à recorrente. Ressaltese que no despacho de fl. 1188, o AuditorFiscal é expresso ao declarar que: Ademais, [...] , assim como a parcela referente à recuperação de crédito da CSLL a que alude o art. 8º da MP nº 1.807/99 encontrase controlada no SAPLI Demonstrativo da Base de Cálculo Negativa da CSLL. O mencionado demonstrativo do SAPLI está às fls. 114/1169, restando claro o registro do crédito em questão desde o anocalendário 1999, com a recuperação ano a ano de partes do total, inclusive no ano de 2005. Observo, por relevante, que não se trata neste processo de validar a existência do crédito, o que demandaria procedimento específico de auditoria fiscal. Aqui, o relevante é a constatação de que a interessada não alterou a base de cálculo nem a CSLL apurada em março/2005. No entanto, em um primeiro momento, deixou de considerar o crédito do art. 8º. Em um segundo momento revisou seus cálculos, abatendo da CSLL apurada a parcela do crédito que considerava cabível, caracterizando, desta forma, um pagamento a maior de estimativa, objeto da declaração de compensação. Ressalto, finalmente, que as DIPJ e DCTF retificadoras foram apresentadas muito antes do Despacho Decisório sobre a DCOMP. Diante do exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário para reconhecer o direito creditório declarado na DCOMP, devendo ser homologados os débitos declarados até o limite do direito creditório reconhecido. Registro que se trata do mesmo direito creditório objeto do processo administrativo nº 16327.903766/200941. (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha 8 Processo nº 16327.903765/200905. 9 Processo nº 16327.903765/200905. Fl. 242DF CARF MF Processo nº 16327.903916/200917 Acórdão n.º 1301002.257 S1C3T1 Fl. 243 9 Fl. 243DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 12898.000452/2010-01
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Mar 23 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Apr 07 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/06/2006 a 30/06/2006, 01/10/2006 a 31/12/2006
RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. SIMILITUDE FÁTICA.
O recurso especial de divergência, interposto nos termos do art. 67 da Portaria MF nº 256, de 22/06/2009, só se justifica quando, em situações idênticas, são adotadas soluções diversas. Não sendo o caso, o recurso não deve ser conhecido.
Recurso Especial do Contribuinte não conhecido.
Numero da decisão: 9303-004.915
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial do Contribuinte.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza, Andrada Márcio Canuto Natal, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Erika Costa Camargos Autran.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
1.0 = *:*
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial do Contribuinte. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza, Andrada Márcio Canuto Natal, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Erika Costa Camargos Autran.
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NULIDADE Recorrente MEGADATA COMPUTAÇÕES LTDA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/06/2006 a 30/06/2006, 01/10/2006 a 31/12/2006 RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. SIMILITUDE FÁTICA. O recurso especial de divergência, interposto nos termos do art. 67 da Portaria MF nº 256, de 22/06/2009, só se justifica quando, em situações idênticas, são adotadas soluções diversas. Não sendo o caso, o recurso não deve ser conhecido. Recurso Especial do Contribuinte não conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial do Contribuinte. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza, Andrada Márcio Canuto Natal, Júlio César Alves AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 89 8. 00 04 52 /2 01 0- 01 Fl. 419DF CARF MF 2 Ramos, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Erika Costa Camargos Autran. Relatório Tratase de Recurso Especial interposto tempestivamente pela contribuinte contra o Acórdão nº 3201001.772, de 14/10/2014, proferido pela 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento, que fora assim ementado: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/06/2006 a 30/06/2006, 01/10/2006 a 31/12/2006 MULTA ISOLADA. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO NÃO DECLARADA. APLICAÇÃO DA MULTA DE 25%. IMPOSSIBILIDADE DE AUTO DE INFRAÇÃO COMPLEMENTAR APÓS APRESENTAÇÃO DA IMPUGNAÇÃO. A revisão do lançamento necessita ocorrer em momento anterior ao início do litígio administrativo ou após apresentada a manifestação de inconformidade ou impugnação, a partir de diligências determinadas pela turma julgadora, conforme previsto no art. 18, § 3º do Decreto nº 70.235/72. Recurso Voluntário Provido A Recorrente interpôs embargos de declaração, que, no entanto, foram rejeitados por intermédio do Despacho s/n de fls. 328/329. No Recurso Especial que apresentou, a Recorrente pleiteia a reforma parcial do decisum, suscitando divergência quanto à a anulação do lançamento por vício formal. Entende que a anulação deveria se dar por erro material. Em apoio à tese, reproduz ementas dos Acórdãos nº 9101002.146 e 3801004.942. O exame de admissibilidade do recurso apresentado pela PFN encontrase às fls. 409/411. As contrarrazões, às fls. 413/417. É o Relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. Presentes os demais requisitos de admissibilidade, entendemos que o recurso especial aviado pela PFN não deve ser conhecido. Fl. 420DF CARF MF Processo nº 12898.000452/201001 Acórdão n.º 9303004.915 CSRFT3 Fl. 420 3 A contribuinte teve contra si lavrado auto de infração, para a exigência de multa isolada concernente a débitos de Cofins. Nos autos, cobrase multa de 25%, em caráter complementar à multa aplicada no Processo Administrativo nº 12898.000383/200994, no qual exigidos apenas 50%, quando o correto seria a aplicação da multa no percentual de 75%. Nesse contexto, entendeu a Câmara baixa que o lançamento padecia de vício formal. Nos fundamentos, assim se pronunciou o il. Relator do acórdão recorrido: No caso em julgamento no presente processo, em que o lançamento complementar não ocorreu no processo originário que exigiu a multa de 50%. Entendo, que o procedimento não atendeu aos ritos do PAF. O lançamento da multa complementar deveria ter ocorrido no processo administrativo nº 12898.000383/200994, quando seria aberto novo prazo para impugnação do percentual correto da multa, que alcançaria o patamar de 75%. É mister ressaltar que a base legal utilizada para o procedimento de revisão, com o consequente lançamento do auto de infração complementar, foi o art. 18 do Decreto nº 70.235/72, o que, conforme dito alhures, somente poderia ter ocorrido a partir de diligências determinadas pela autoridade da primeira instância e deveria ocorrer dentro do mesmo processo. Irresignada com o entendimento sobre a natureza do vício, a Recorrente apelou a este Colegiado, sustentando dissídio jurisprudencial com relação ao que decidido nos Acórdãos nº 9101002.146 e 3801004.942, cujas ementas, para ilustrar o defeito que foram neles constatados, passamos a transcrever: NULIDADE DE LANÇAMENTO. VÍCIO MATERIAL. VÍCIO FORMAL. ASPECTOS QUE ULTRAPASSAM O ÂMBITO DO VÍCIO FORMAL. Vício formal é aquele verificado de plano no próprio instrumento de formalização do crédito, e que não está relacionado à realidade representada (declarada) por meio do ato administrativo de lançamento. Espécie de vício que não diz respeito aos elementos constitutivos da obrigação tributária, ou seja, ao fato gerador, à base de cálculo, ao sujeito passivo, etc. A indicação defeituosa ou insuficiente da infração cometida, da data em que ela ocorreu, do montante correspondente à infração (base imponível); e dos documentos caracterizadores da infração cometida (materialidade), não configura vício formal. (grifamos) (Acórdão nº 9101002.146, de 07/12/2015). NULIDADE DO AUTO DE LANÇAMENTO. ART. 10 E ART. 59 DO DECRETO n°70.235/72 C/C ART.142 DO CTN. ERRO MATERIAL. DECADÊNCIA. O auto de lançamento é nulo por haver falha na descrição dos fatos, ausência de motivação Fl. 421DF CARF MF 4 explícita, clara e congruente e por essa razão aplicação de penalidade à conduta atípica. Uma vez ocorrendo vicio material do lançamento, sobre este não se aplica a regra do art.173 do CTN, recaindo os efeitos da decadência sobre este. Recurso Voluntário Provido. (grifamos) (Acórdão nº 3801004.942, de 02/04/2015). Sem maior esforço, percebese que, enquanto o acórdão recorrido tratou de exigência complementar de multa isolada (cobrouse o percentual de 50%, em vez de 75%), os acórdãos paradigmas versaram sobre vício de motivação, vale dizer, sobre defeito na explicitação dos motivos da autuação, sendo que, no primeiro paradigma, ainda se levantou a falta da indicação precisa da infração e da base de cálculo, bem como da própria comprovação documental do fato jurídicotributário. Os acórdãos recorrido e paradigmas, portanto, não se assemelham, o que impossibilita a admissibilidade do recurso. Ante o exposto, não conheço do recurso especial. É como voto. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 422DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10235.000488/2006-79
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 18 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 2401-000.543
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer dos recursos voluntário e de ofício para, no mérito, por maioria, converter o julgamento em diligência, vencidos o relator e o conselheiro Rayd Santana Ferreira. Designado para redigir a
resolução o conselheiro Marcio de Lacerda Martins.
Nome do relator: CARLOS ALEXANDRE TORTATO
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer dos recursos voluntário e de ofício para, no mérito, por maioria, converter o julgamento em diligência, vencidos o relator e o conselheiro Rayd Santana Ferreira. Designado para redigir a resolução o conselheiro Marcio de Lacerda Martins. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini - Presidente (assinado digitalmente) Carlos Alexandre Tortato - Relator (assinado digitalmente) Marcio de Lacerda Martins - Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Denny Medeiros da Silveira, Marcio de Lacerda Martins, Andréa Viana Arrais Egypto, Maria Cleci Coti Martins, Luciana Matos Pereira Barbosa e Rayd Santana Ferreira Fl. 353DF CARF MF Processo nº 10235.000488/2006-79 Resolução nº 2401-000.543 S2-C4T1 Fl. 2 2 Relatório Tratam-se de recurso voluntário e de ofício em face do acórdão nº. 01-17.276 (fls. 311/319), proferido pela DRJ/BEL, que julgou parcialmente procedente a impugnação da ora recorrente, proferindo acórdão que resultou assim ementado: DECADÊNCIA. FALTA DE PAGAMENTO OU RETENÇÃO. REGRA GERAL. Em caso de falta de pagamento ou retenção do imposto de renda, fica afastada a regra especial do artigo 150, § 4º, do CTN e calcula-se a decadência pela regra geral do artigo 173, inciso I, do CTN. AUSÊNCIA DA DESCRIÇÃO DOS FATOS E DO ENQUADRAMENTO NA DESCRIÇÃO DA NORMA TRIBUTÁRIA QUE ESTABELECE A COBRANÇA DE TRIBUTO. Não há que se falar em cerceamento do direito de defesa quando a descrição dos fatos e o enquadramento legal encontram-se presentes no auto de infração, e sua substância é de linguagem fácil e acessível, permitindo a perfeita cognição dos elementos essenciais do auto de infração. Impugnação Procedente em Parte. Crédito Tributário Mantido em Parte. O processo origina-se de Autos de Infração 08/26 lavrados em face da ora recorrente para exigência de Imposto de Renda Retido na Fonte - IRRF. A infração apurada pela autoridade fiscal foi a falta de recolhimento do imposto de renda na fonte sobre pagamentos a beneficiários não identificados e sobre pagamentos sem causa, sendo alegado que os pagamentos consistiam em destinação de valores saídos das contas da autuada para outras pessoas que não aquelas informadas a SUDAM. Na Descrição dos Fatos (fls. 13 e ss.) a Autoridade Fiscal informa, em síntese: a) "O presente auto de infração complementa o anteriormente feito de forma parcial e que abarcava os anos calendário de 1998 e 1999. Aquele auto de infração foi carreado pelo processo administrativo fiscal de número 12686.000149/2004-48"; b) "Os procedimentos fiscais aplicados e referentes aos anos de 2000 e 2001 foram semelhantes aos aplicados e referentes aos anos de 1998 e 1999"; c) "Na descrição dos fatos feita no auto referentes aos anos de 1998 e 1999, colamos descrição de vários fatos, circunstâncias e observações que combinados com a negativa do fiscalizado em oferecer respostas às nossas intimações quanto a causa dos pagamentos feitos e/ou identificação dos beneficiários, nos davam a convicção do acertos dos lançamentos que fizemos. Lembrávamos também que para aquele lançamento do IRRF na fonte bastava a não identificação do beneficiário e/ou não comprovação da operação ou a sua causa por parte do fiscalizado pois que o ônus é dele"; d) "Para 2000 e 2001 é também farta a quantidade de fatos daquela natureza. Pinçaremos e colaremos aqui alguns,os quais em linhas gerais consistem em destinação de valores saídos das contas da empresa fiscalizada para outras pessoas que não aquelas Fl. 354DF CARF MF Processo nº 10235.000488/2006-79 Resolução nº 2401-000.543 S2-C4T1 Fl. 3 3 informadas a SUDAM. Nos exemplos abaixo colados, trata-se de cópias de cheques nominados a Empresa ERIN - Estaleiros Rio Negro LTDA que foram apresentados a SUDAM para se fazer prova do correto dispêndio dos valores obtidos a título de colaboração financeira, mas que de fato tiveram outras destinações conforme documentos obtidos junto ao BASA."; e) A afirmativa nos exemplos de que o real destinatário é não identificado significa que através dos documentos obtidos do BASA (cópias dos cheques "compensados") não nos foi possível identificar, às vezes, por falta de nominação, às vezes, pelo fato do nome não constar nos bancos de dados da SRF. Esta carência de identificação não foi suprida pelo fiscalizado em resposta às nossas intimações. Na sequência, faz o relato da amostra de cheques e, a seguir, passa a reproduzir a descrição dos fatos presentes no auto de infração referentes aos anos de 1998 e 1999. Da documentação carreada aos autos temos: a) as intimações (e reintimações) do contribuinte e as respostas apresentadas (fls. 33/134); b) as referidas planilhas com os alegados pagamentos sem causa e/ou a beneficiários não identificados (fls. 66/90 e 112/126); Inconformado com o lançamento, o contribuinte apresentou sua impugnação (fls. 178/179), a qual resultou no acórdão cuja ementa está reproduzida acima. Intimado do referido acórdão em 05/01/2011 (fl. 323), o contribuinte recorrente apresentou o seu recurso voluntário de fls. 324/336, em 24/01/2011, alegando, em síntese: a) decadência, mediante aplicação da contagem do prazo decadencial do art. 150, § 4º, do CTN, tendo como termo inicial a data da ocorrência do fato gerador; b) inconsistência do lançamento, ante a ausência de comprovação dos pagamentos por parte da autoridade administrativa, pressuposto material para incidência do IRRF, nos termos do art. 61 da Lei nº. 8.981/95; c) insubsistência do lançamento, por carrear-se somente em planilhas de débitos que a autoridade lançadora alega ter obtido da conta bancária da autuada, não existindo documentos hábeis, idôneos e coincidentes que confirmem os dados que a autoridade administrativa utilizou em suas planilhas; d) desaparecimento de livros, documentos e notas fiscais após temporal e alagamento, ocasionando cerceamento do direito de defesa por não ser possível confrontar as planilhas da autoridade fiscal; e) ausência de RMF - Requisição de Informação sobre Movimentação Financeira, ocasionando nulidade da autuação; f) insubsistência do lançamento por realizar-se com base em supostos extratos bancários que, mesmo que existissem, não poderiam servir como base para a realização do lançamento fiscal; Fl. 355DF CARF MF Processo nº 10235.000488/2006-79 Resolução nº 2401-000.543 S2-C4T1 Fl. 4 4 O presente processo entrou em pauta de julgamento, na colenda 1ª Turma da 1ª Câmara desta Seção de Julgamento, em 17 de abril de 2013, sob relatoria do Ilmo. Conselheiro Alexandre Naoki Nishioka, quando a referida turma, por unanimidade de votos, proferiu a Resolução nº. 2101-000.122 e decidiu por converter o julgamento em diligência, nos seguintes termos: "À luz do exposto, e de modo a evitar eventual nulidade do acórdão profrido este CARF por cerceamento do direito de defesa, bem como relacionada à própria materialidade do auto de infração, entendo ser recomendável, neste momento, o retorno dos autos ao órgão preparador a quo para a realização de diligência consistente na anexação aos autos do presente processo de cópia dos documentos produzidos no Processo Administrativo nº. 12686.000149/2004-48, notadamente as cópias dos extratos bancários, cheques e demais documentos utilizados para a aferição dos pagamentos sem causa e/ou a beneficiários não identificados, devolvendo-se, em seguida, os autos a este CARF, para continuação do julgamento". Tal preocupação da referida turma pode ser compreendida pela reprodução das razões expostas naquela resolução: Determinada a referida diligência, o presente processo retornou à origem e em 26/11/2013 foi proferido o Relatório de Diligência de fls. 343, o qual reproduzimos na íntegra: Fl. 356DF CARF MF Processo nº 10235.000488/2006-79 Resolução nº 2401-000.543 S2-C4T1 Fl. 5 5 Após referida informação, o presente processo recebeu nova distribuição e foi atribuído a este relator. É o relatório. Fl. 357DF CARF MF Processo nº 10235.000488/2006-79 Resolução nº 2401-000.543 S2-C4T1 Fl. 6 6 Voto vencido Conselheiro Carlos Alexandre Tortato No julgamento do presente processo, entendi desnecessária a realização da diligência proposta e acatada pela maioria dos membros do colegiado, ao passo que já há diligência anterior nestes autos, conforme relatado acima, e restou claro e bem demonstrado pelas autoridades fiscais que não há os documentos que fundamentam o presente lançamento. Em virtude disso, entendi que o presente recurso voluntário deve ser julgado com base nos documentos existentes no presente processo administrativo fiscal, sendo aqueles acostados pela autoridade lançadora quando da lavratura do auto de infração, bem como aqueles eventualmente juntados posteriormente, ou mesmo as informações acostadas, não sendo necessária nova oportunidade para manifestação da autoridade lançadora. Sendo essas as razões que me convenceram a estar o presente processo em condições de julgamento, restei vencido quanto à determinação de nova diligência, a qual será apresentada pelo redator designado. É como voto. (assinado digitalmente) Carlos Alexandre Tortato Voto vencedor Conselheiro Márcio de Lacerda Martins Com a maxima venia, divirjo do voto do i. relator. Em que pese a existência de diligência anterior que resultou infrutífera quanto aos seus objetivos, estou convencido da necessidade de nova diligência para que seja providenciada a recuperação e posterior juntada aos autos dos documentos que fizeram parte do lançamento ora em exame e que serão identificados no quadro exposto na sequência. Assim, me refiro diretamente aos documentos bancários relacionados na planilha preparada pela Autoridade Fiscal e que fez parte da Intimação Fiscal efls. 97 e 98, como anexo de efls. 99 a 126. A diligência anterior, solicitada por meio da Resolução nº 2101-000.122, efls. 339 a 341, solicitou especificamente o retorno dos autos ao órgão preparador "para a realização de diligência consistente na anexação aos autos do presente processo de cópia dos documentos produzidos no Processo Administrativo nº 12686.000149/2004-48, notadamente as cópias dos extratos bancários, cheques e demais [...]" (grifos acrescentados) A diligência foi realizada e, conforme relatado à efl. 343, "não foi possível localizar, no processo nº 12686.000149/2004-48, os extratos bancários, cheques e demais documentos utilizados para aferição dos pagamentos que foram utilizados como prova para lavratura do Auto de Infração, objeto do processo nº 10235.000488/2006-79. [...]" Fl. 358DF CARF MF Processo nº 10235.000488/2006-79 Resolução nº 2401-000.543 S2-C4T1 Fl. 7 7 Entretanto, faz-se necessário ressaltar que os documentos necessários para a continuidade deste julgamento se referem aos cheques emitidos pelo Contribuinte e que foram entregues pelo Banco da Amazônia à Autoridade Fiscal, conforme correspondência de efls. 93 e 94. Assim, é possível que estejam arquivados na DRF de origem, nos dossiês da fiscalização, ou, caso não estejam arquivados, podem ser obtidos junto ao Banco da Amazônia S/A. PROCESSO Nº 10235.000488/2006-79 NAVEGAÇÃO ATLÂNTICO S/A Banco da Amazônia contas correntes nº 071.992-0 e 0 72.783-1 Pagamentos efetuados no ano-calendário de 2001 CONTA DATA HISTÓRICO Nº DOC. VALOR (R$) BENEFICIÁRIO 072.783-1 02/01/2001 CH.COMPE 662132 2.000,00 ni 071.992-0 03/01/2001 CH.COMPE 531885 4.625,00 Maqbel máquinas e equip.serviços Ltda 072.783-1 03/01/2001 CH.COMPE 662193 1.268,35 Casa Francesa 072.783-1 05/01/2001 CH.COMPE 662194 1.750,00 Dinah Paulina Ramos Sabat 072.783-1 05/01/2001 CH.COMPE 662195 5.902,00 Paulo C. Giroux Filho 072.783-1 08/01/2001 CH.COMPE 662198 10.298,09 Banap 072.783-1 08/01/2001 CH.COMPE 662197 1.000,00 A.Almeida Fonseca-ME 072.783-1 08/01/2001 CH.COMPE 662196 1.000,00 Importadora Alfa Ltda. 072.783-1 09/01/2001 CHEQUE 1 1.646,18 Aut.p/débito em conta 071.992-0 11/01/2001 DEB.AUTO 27 1.000,00 Sebastião José dos Anjos Leitão 071.992-0 25/01/2001 TITULO DE 653950 17.500,00 ni s/doc 072.783-1 31/01/2001 CH OUT.PC 73050 620,00 ni Total 48.609,62 072.783-1 06/02/2001 CH.COMPE 662225 622,08 Governo do Estado do Amapá Total 622,08 071.992-0 09/03/2001 DEB.AUTO 8 1.000,00 ni s/doc 071.992-0 13/03/2001 DEB.AUTO 35 600,00 ni Total 1.600,00 072.783-1 09/04/2001 CHEQUE 662235 2.800,00 Emitente 072.783-1 23/04/2001 CHEQUE 1 710,00 Aut.p/débito em conta 072.783-1 26/04/2001 CHEQUE 662236 3.010,93 Bancop GM S/A Total 6.520,93 072.783-1 02/07/2001 CH.COMPE 662234 11.934,32 ni 072.783-1 02/07/2001 CH.COMPE 662238 600,00 ni 072.783-1 04/07/2001 CHEQUE 662240 534,00 Orlando Silva dos Santos 072.783-1 04/07/2001 CH.COMPE 662239 5.000,00 ni 072.783-1 09/07/2001 CHEQUE 644750 896,00 Emitente 072.783-1 09/07/2001 CH.COMPE 644752 500,00 ni 072.783-1 10/07/2001 CHEQUE 644755 5.000,00 Manoel Ferreira da Conceição Neto 072.783-1 13/07/2001 CHEQUE 644759 500,00 Emitente 072.783-1 16/07/2001 CHEQUE 644745 3.312,00 Maria Assunta Magalhães 072.783-1 18/07/2001 CHEQUE 644747 3.520,00 Maria Assunta Magalhães 072.783-1 19/07/2001 DÉB.AUTO 8 8.000,00 ni 072.783-1 19/07/2001 CHEQUE 662244 18.900,00 Emitente 072.783-1 19/07/2001 CHEQUE 644746 900,00 Sebastião Coutinho de Almeida 072.783-1 20/07/2001 CH.COMPE 662250 1.972,32 Importadora Atlântico Ltda 072.783-1 20/07/2001 CH.COMPE 662248 1.100,00 Importadora Atlântico Ltda 072.783-1 20/07/2001 CH.COMPE 662251 500,00 Importadora Atlântico Ltda 072.783-1 20/07/2001 CHEQUE 662245 500,00 Matias dos Santos 072.783-1 20/07/2001 CHEQUE 662249 3.000,00 Rudson Raullian Bezerra do Carmo Fl. 359DF CARF MF Processo nº 10235.000488/2006-79 Resolução nº 2401-000.543 S2-C4T1 Fl. 8 8 072.783-1 23/07/2001 CHEQUE 644753 3.951,20 Maria Assunta Magalhães 072.783-1 23/07/2001 CH COMPE 662246 1.500,00 CDP 072.783-1 24/07/2001 CHEQUE 644756 3.960,00 Maria Assunta Magalhães 072.783-1 24/07/2001 CH COMPE 662259 1.480,50 Globalstar do Brasil S/A 072.783-1 25/07/2001 CHEQUE 644760 3.520,00 Maria Assunta Magalhães 072.783-1 25/07/2001 DÉB.AUTO 1 3.000,00 ni 072.783-1 26/07/2001 CHEQUE 693151 717,26 Marinda do Socorro Ferreira Duarte 072.783-1 30/07/2001 CH COMPE 662241 3.520,00 Copene Ltda 072.783-1 30/07/2001 CH COMPE 693159 1.000,00 Imp. Exp. 246 Ltda 072.783-1 30/07/2001 CHEQUE 693157 500,00 Matias dos Santos Total 89.817,60 072.783-1 01/08/2001 CH COMPE 693160 600,00 Imp. Exp. 246 Ltda 072.783-1 02/08/2001 CHEQUE 662242 3.520,00 Maria Assunta Magalhães 072.783-1 02/08/2001 CHEQUE 693159 1.500,00 Maria Eliete Melo Rodrigues 072.783-1 02/08/2001 CH COMPE 693165 900,00 José Alberto C. Abraão 072.783-1 03/08/2001 CHEQUE 693169 1.900,00 Adriana Rodrigues Ferreira Lopes 072.783-1 03/08/2001 CHEQUE 693170 1.800,00 Adriana Rodrigues Ferreira Lopes 072.783-1 03/08/2001 CHEQUE 693176 1.160,00 Aline Maria Costa Leitão Teixeira 072.783-1 03/08/2001 CHEQUE 693168 1.114,99 ni 072.783-1 06/08/2001 CHEQUE 693184 500,00 Manoel Ferreira da Conceição Neto 072.783-1 08/08/2001 CHEQUE 662257 3.520,00 Maria Assunta Magalhães 072.783-1 09/08/2001 CH COMPE 693186 550,00 Expedito da Silva 072.783-1 10/08/2001 DÉB.AUTO 1 500,00 ni 072.783-1 14/08/2001 CHEQUE 757115 500,00 Emitente Total 18.064,99 072.783-1 29/10/2001 CH COMPE 757140 1.000,00 Copene Ltda Total 1.000,00 Obs.: Dados extraídos de parte (ref. 2001) da planilha anexa à Intimação Fiscal ( efls. 97 a 126 ) Conclusão Voto por converter o julgamento em diligência, para que sejam providenciados os documentos que embasaram o lançamento mantido após decisão prolatada no acórdão de impugnação nº 01-17.276, efls.311 a 319. (assinado digitalmente) Márcio de Lacerda Martins Fl. 360DF CARF MF
score : 1.0
