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Numero do processo: 10073.000415/97-99
Turma: Sétima Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Apr 14 00:00:00 UTC 1999
Data da publicação: Wed Apr 14 00:00:00 UTC 1999
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL - NORMAS PROCESSUAIS - AÇAO JUDICIAL E ADMINISTRATIVA CONCOMITANTES - IMPOSSIBILIDADE - A busca da tutela jurisdicional do Poder Judiciário, antes ou depois do lançamento "ex officio", enseja renúncia ao litígio administrativo e impede a apreciação das razões de mérito, por parte da autoridade administrativa, tornando-se definitiva a exigência tributária nesta esfera.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL - AÇÃO JUDICIAL E ADMINISTRATIVA CONCOMITANTES - LANÇAMENTO DA MULTA DE OFÍCIO - DESCABIMENTO - Conforme disposto no artigo 63 da Lei n° 9.430/96 e normatizado através do ADN COSIT n° 01/97, é indevido o lançamento da multa de ofício nos casos de lançamento de ofício destinado a prevenir a decadência, cuja exigibilidade houver sido suspensa na forma do inciso IV do artigo 151 da Lei n° 5.172.
Numero da decisão: 107-05603
Decisão: Por unanimidade de votos, NÃO CONHECER do recurso no que versa sobre a matéria submetida ao judiciário e DAR provimento ao recurso para excluir a multa do lançamento de ofício.
Nome do relator: Paulo Roberto Cortez
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PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL — AÇÃO JUDICIAL E ADMINISTRATIVA CONCOMITANTES — LANÇAMENTO DA MULTA DE OFÍCIO — DESCABIMENTO - Conforme disposto no artigo 63 da Lei n° 9.430/96 e normatizado através do ADN COSIT n° 01/97, é indevido o lançamento da multa de oficio nos casos de lançamento de oficio destinado a prevenir a decadência, cuja exigibilidade houver sido suspensa na forma do inciso IV do artigo 151 da Lei n° 5.172. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por COMPANHIA METALÚRGICA BARBARÁ ACORDAM os Membros da Sétima Câmara do Primeiro Conselho Contribuintes, por unanimidade de votos, NÃO CONHECER do recurso no que versa sobre a matéria submetida ao Judiciário e DAR provimento ao recurso para excluir a multa do lançamento de oficio, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Processo n°. :100073.000415/97-99 Acórdão n°. :107-05.603 % s I) 0. .'• ill FRANCISC4: S • i S RI:EIRO DE QUEIROZ doPRESIDE / ,' •fid PAUL* e :ER l o CORTEZ RELAT* - FORMALIZADO EM: ki MA 1999 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: MARIA ILCA CASTRO LEMOS DINIZ. NATANAEL MARTINS, EDWAL GONÇALVES DOS SANTOS, FRANCISCO DE ASSIS VAZ GUIMARÃES, MARIA DO CARMO SOARES RODRIGUES DE CARVALHO e CARLOS ALBERTO GONÇALVES NUNES. 2 Processo n°. :100073.000415/97-99 Acórdão n°. :107-05.603 Recurso n°. :118.101 Recorrente : COMPANHIA METALÚRGICA BARBARÁ RELATÓRIO COMPANHIA METALÚRGICA BARBARÁ já qualificada nestes autos, recorre a este Colegiado, através da petição de fls. 199/231, da decisão prolatada às fls. 169/170, da lavra da Sra. Delegada da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro - RJ, que deixou de tomar conhecimento da impugnação de fls. 94/119 e manteve integralmente o lançamento consubstanciado no autos de infração de fls. 02, a título de Contribuição Social sobre o Lucro. Consta da descrição dos fatos no auto de infração a seguinte irregularidade: "CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO GLOSAS COMPENSAÇÃO INDEVIDA DE CONTRIBUIÇÃO A empresa excluiu da base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro, no primeiro e segundos semestres do ano-calendário de 1992, valores relativos a bases de cálculo negativas apuradas nos períodos-base de 1989 a 1991. A compensação foi feita com base em Liminar, em Mandado de Segurança, concedida pela 2° Vara Federal, processo 92.00.58687-2. Mas, quando do julgamento do mérito da questão, em 04/07/96, a liminar foi revogada e a decisão, desfavorável ao contribuinte, o que ensejou a lavratura do presente auto de infração." 3 Processo n°. :100073.000415/97-99 Acórdão n°. :107-05.603 Inaugurando a fase litigiosa do procedimento, o que ocorreu com protocolização da peça impugnativa de fls. 94/118, em 25/07/97, seguiu-se a decisão proferida pela autoridade julgadora monocrática, que deixou de tomar conhecimento da defesa apresentada. Tempestivamente, a empresa interpôs recurso voluntário a este Conselho de Contribuintes (fls. 199/231), perseverando nas razões apresentadas em primeira instância. É o relatório. 4 Processo n°. :100073.000415/97-99 Acórdão n°. :107-05.603 VOTO CONSELHEIRO PAULO ROBERTO CORTEZ , RELATOR O recurso é tempestivo. Dele tomo conhecimento. Tratam os presentes autos de lançamento de ofício a titulo de Contribuição Social sobre o Lucro, em decorrência da constatação, por parte da fiscalização, da exclusão da base de cálculo da referida contribuição, no primeiro e segundo semestres de 1992, dos valores correspondentes a bases de cálculo negativas apuradas nos períodos-base de 1989 a 1991. As exclusões procedidas pela contribuinte foram feitas com base em liminar em Mandado de Segurança, concedida pela 21° Vara Federal Judiciária do Rio de Janeiro - RS, processo judicial n°92.0058687-2. Em 04/07/96, houve a denegação da segurança, tendo a empresa interposto recurso de Apelação para o Egrégio Tribunal Regional Federal da 2° Região. Com respeito a apreciação da matéria objeto do recurso, tendo a contribuinte ingressado com ação perante o Poder Judiciário para discutir especificamente o mérito do auto de infração, nesse particular, houve concomitância na defesa, com a busca da tutela do Poder Judiciário, bem como o recurso à instância administrativa. 5 j • Processo n°. :100073.000415/97-99 Acórdão n°. :107-05.603 na defesa, com a busca da tutela do Poder Judiciário, bem como o recurso à instância administrativa. A opção da discussão da matéria perante o Poder Judiciário foi da recorrente, e o auto de infração lavrado, fundamentalmente, objetivou a constituição dos créditos tributários como medida preventiva dos efeitos da decadência. Cabe citar aqui, parte do parecer de autoria do Procurador da Fazenda Nacional, Dr. Pedrylvio Francisco Guimarães Ferreira: `Todavia, nenhum dispositivo legal ou princípio processual permite a discussão paralela da mesma matéria em instâncias diversas, sejam elas administrativas ou judiciais ou uma de cada natureza. Outrossim, pela sistemática constitucional, o ato administrativo está sujeito ao controle do Poder Judiciário, sendo este último, em relação ao primeiro, instância superior e autónoma. SUPERIOR, porque pode rever, para cassar ou anular, o ato administrativo; AUTÔNOMA, porque a parte não está obrigada a percorrer, antes, as instâncias administrativas, para ingressar em Juízo. Pode fazê-lo diretamente? No mesmo sentido o Sub-procurador Geral da Fazenda Nacional, Dr. Cid Heráclito de Queiróz, assim pronunciou: m//. Nessas condições, havendo fase litigiosa instaurada — inerente a jurisdição administrativa -, pela impugnação da exigência (recurso latu sensu), seguida, ou mesmo antecedida, de propositura de ação judicial, pelo contribuinte, contra a Fazenda, objetivando, por qualquer modalidade processual — ordenatória, declaratória ou de outro rito — a anulação do crédito tributário, o processo administrativo fiscal deve ter prosseguimento — exceto na hipótese de mandado de segurança ou medida liminar, 6 Processo n°. :100073.000415/97-99 Acórdão n°. :107-05.603 No caso em tela, o contribuinte ingressou com ação judicial antes da feitura do lançamento de ofício. Por seu turno, a Autoridade Fiscal, com o intuito de salvaguardar os interesses da Fazenda Nacional, constituiu o crédito tributário. Trata-se especificamente de ações concomitantes para julgamento do mesmo mérito, verificando-se, do exposto, que a contribuinte fez sua opção, escolhendo a esfera judiciária para discutir o mérito existente no presente processo. Inútil seria este Colegiado julgá-lo, uma vez que a decisão final, a que será prolatada pelo Poder Judiciário, é autônoma e superior. O julgado do Poder Judiciário será sempre superveniente à decisão proferida nesta Corte. Se houverem ações concomitantes e os entendimentos forem divergentes a Decisão prolatada pelo Poder Judiciário será definitiva. Por seu turno, na Lei n° 6.830, de 22/09/80, que dispõe sobre a cobrança judicial da Divida Ativa da Fazenda Pública, o parágrafo único do artigo 38 igualmente prescreveu: "Art. 8 - A discussão judicial da divida ativa da Fazenda Pública só é admissivel em execução, na forma desta lei, salvo as hipóteses de mandado de segurança, ação de repetição de indébito ou ação anulatória de ato declarativo, esta procedida de depósito preparatório do valor do débito monetariamente corrigido e acrescido dos juros e multa de mora e demais encargos. Parágrafo único - A propositura, pelo contribuinte, da ação prevista neste artigo importa em renúncia ao poder de recorrer na esfera administrativa e desistência do recurso acaso interposto.' f& 7 Processo n°. :100073.000415/97-99 Acórdão n°. :107-05.603 Não teria sentido que o Colegiado se manifestasse sobre matéria já decidida pelo Poder Judiciário, posto que qualquer que seja a sua decisão prevalecerá sempre o que for decidido por aquele Poder. Dessa forma, a solução da pendência foi transferida da esfera administrativa para a judicial, instância superior e autônoma, que decidirá o litígio com grau de definitividade. Assim, a Administração deixa de ser o órgão ativo do Estado e passa a ser parte na contenda judicial; não será mais ela quem aplicará o Direito, mas o Judiciário ao compor a lide. Não obstante, conclui-se que, se o contribuinte recorre ao Conselho após o ingresso no Judiciário, esse recurso sequer poderá ser conhecido por falta de fundamento legal para sua interposição, já que a própria lei estabelece a renúncia do contribuinte ao recurso administrativo. Se interposto antes de ingressar na Justiça, a lei decreta a desistência do mesmo, nada restando ao Conselho apreciar. Relativamente a aplicação da multa de ofício, por época da lavratura do auto de infração, a contribuinte se encontrava sob a tutela do Poder Judiciário, pois ainda pendente o recurso de Agravo de Instrumento. Mas, mesmo que se admita que a liminar concedida pelo Poder Judiciário, por si só, não fosse o bastante para afastar as multas lavradas, deve-se levar em conta que, após o advento da Lei n° 9.430/96, a questão não merece mais divergências. Com efeito, dispõe a Lei n° 9.430/96: tjv 8 Processo n°. :100073.000415/97-99 Acórdão n°. :107-05.603 °Art. 63 - Não caberá lançamento de multa de ofício na constituição do crédito tributário destinada a prevenir a decadência relativos aos tributos e contribuições de competência da União, cuja exigibilidade houver sido suspensa na forma do inciso IV do art. 151 da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1.966. § 1° - O disposto neste artigo aplica-se, exclusivamente, aos casos em que a suspensão da exigibilidade do débito tenha ocorrido antes do início de qualquer procedimento de ofício a ele relativo. § 2° - A interposição da ação judicial favorecida com a medida liminar interrompe a incidência da multa de mora, desde a concessão da medida judicial, até 30 dias após a data da publicação da decisão judicial que considerar devido o tributo ou contribuição." Por se tratar de regra de penalidade de caráter benéfico, por força do art. 106, II, "c", do CTN, seus efeitos são retroativos, como assim, aliás, expressamente orientou a Receita Federal no AD(N) CST n° 01/97, "verbis": II - o disposto no art. 63 do Lei n° 9.430/96, aplica-se inclusive aos processos em andamento constituídos até 31.12.96." Incabível, portanto, a exigência da multa de oficio constante no auto de infração. Quanto aos juros moratórios exigidos no auto de infração, entendo serem devidos, pois a contribuinte ao apelar para o Poder Judiciário para questionar a legalidade das antecipações do imposto de renda, deveria ter efetuado o depósito judicial do montante questionado. Em não o fazendo, sujeitou-se à cobrança dos juros de mora no período compreendido entre o vencimento das parcelas de antecipação e o efetivo recolhimento das quotas do imposto. 9 4 Processo n°. :100073.000415/97-99 Acórdão n°. :107-05.603 Diante do exposto, voto no sentido de não conhecer do recurso no que versa sobre a matéria submetida ao Judiciário e dar provimento para afastar a multa de ofício Sala das Sessõe - DF, em 14 de Abril de 1999 v PAULO RO TO ORTEZ to . li Page 1 _0001100.PDF Page 1 _0001200.PDF Page 1 _0001300.PDF Page 1 _0001400.PDF Page 1 _0001500.PDF Page 1 _0001600.PDF Page 1 _0001700.PDF Page 1 _0001800.PDF Page 1 _0001900.PDF Page 1
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Numero do processo: 10070.001445/99-22
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 18 00:00:00 UTC 2002
Data da publicação: Thu Apr 18 00:00:00 UTC 2002
Ementa: RPF - RESTITUIÇÃO - TERMO INICIAL - PROGRAMA DE DESLIGAMENTO VOLUNTÁRIO - PROGRAMA DE INCENTIVO À APOSENTADORIA - Conta-se a partir da publicação da Instrução Normativa da Secretaria da Receita Federal nº 165, de 31 de dezembro de 1998, o prazo para a apresentação de requerimento de restituição dos valores indevidamente retidos a título de adesão aos planos de desligamento voluntário, admitida a restituição de valores recolhidos em qualquer exercício pretérito.
PROGRAMA DE INCENTIVO À APOSENTADORIA - NÃO-INCIDÊNCIA - Os rendimentos recebidos em razão da adesão aos planos de incentivo à aposentadoria são meras indenizações, reparando o beneficiário pela perda involuntária do emprego. A causa do pagamento é a rescisão do contrato de trabalho, sendo irrelevante o fato do contribuinte receber rendimentos da previdência oficial.
Recurso provido.
Numero da decisão: 104-18723
Decisão: Por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso.
Nome do relator: João Luís de Souza Pereira
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ementa_s : RPF - RESTITUIÇÃO - TERMO INICIAL - PROGRAMA DE DESLIGAMENTO VOLUNTÁRIO - PROGRAMA DE INCENTIVO À APOSENTADORIA - Conta-se a partir da publicação da Instrução Normativa da Secretaria da Receita Federal nº 165, de 31 de dezembro de 1998, o prazo para a apresentação de requerimento de restituição dos valores indevidamente retidos a título de adesão aos planos de desligamento voluntário, admitida a restituição de valores recolhidos em qualquer exercício pretérito. PROGRAMA DE INCENTIVO À APOSENTADORIA - NÃO-INCIDÊNCIA - Os rendimentos recebidos em razão da adesão aos planos de incentivo à aposentadoria são meras indenizações, reparando o beneficiário pela perda involuntária do emprego. A causa do pagamento é a rescisão do contrato de trabalho, sendo irrelevante o fato do contribuinte receber rendimentos da previdência oficial. Recurso provido.
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PROGRAMA DE INCENTIVO À APOSENTADORIA - NÃO-INCIDÊNCIA - Os rendimentos recebidos em razão da adesão aos planos de incentivo à aposentadoria são meras indenizações, reparando o beneficiário pela perda involuntária do emprego. A causa do pagamento é a rescisão do contrato de trabalho, sendo irrelevante o fato do contribuinte receber rendimentos da previdência oficial. Recurso provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por MARIA AMÁLIA MONTEIRO VIEIRA. ACORDAM os Membros da Quarta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. LEILA MARIA SCHERRER LEITÃO PRESIDENTE / J* • O LUIS U PEREI RA E • TOR MINISTÉRIO DA FAZENDA ..t- PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10070.001445/99-22 Acórdão n°. : 104-18.723 FORMALIZADO EM: 23 MAI 2002 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros NELSON MALLMANN, MARIA CLÉLIA PEREIRA DE ANDRADE, ROBERTO VVILLIAM GONÇALVES, JOSÉ PEREIRA DO NASCIMENTO, VERA CECíLIA MATTOS VIEIRA DE MORAES e REMIS ALMEIDA ESTOL. P 2 — MINISTÉRIO DA FAZENDA N't';';; PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTESrt QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10070.001445/99-22 Acórdão n°. : 104-18.723 Recurso n°. : 127.321 Recorrente : MARIA AMÁLIA MONTEIRO VIEIRA RELATÓRIO Trata-se de recurso voluntário contra decisão monocrática que manteve o indeferimento de restituição do IRPF relativo ao exercício de 1994 formulado pelo sujeito passivo em razão de ter aderido programa de incentivo à aposentadoria promovido pelo ex- empregador. Às fls. 01/02, o sujeito passivo apresenta seu requerimento de restituição motivado pela adesão a programa de aposentadoria incentivada e anexa os documentos de fls. 03 a 15. A Delegacia da Receita Federal no Rio de Janeiro/RJ, através do despacho de fls. 17, indeferiu o pedido de restituição, entendendo já haver transcorrido o prazo de cinco anos para apresentação do respectivo requerimento. Inconformado, o sujeito passivo apresenta sua manifestação de inconformismo (fls. 21/28) sustentando, em síntese, que tratando-se de tributo sujeito ao lançamento por homologação, a extinção do crédito tributário somente ocorre após decorridos cinco anos do fato gerador e partir daí contam-se outros cinco anos para a apresentação do requerimento de restituição, conforme os precedentes do Superior Tribunal de Justiça que citou. 3 , e . b. e„ ..-4 -. ..., MINISTÉRIO DA FAZENDAà -• »1 PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES 4;f-7_,t,"•$,Ér QUARTA CÁMARA Processo n°. : 10070.001445/99-22 Acórdão n°. : 104-18.723 Às fls. 34142, a Delegacia da Receita da Receita Federal de Julgamento em Fortaleza/CE indeferiu o pleito do sujeito passivo, através de decisão assim ementada: PROGRAMA DE DESLIGAMENTO VOLUNTÁRIO - PDV — DECADÊNCIA - O direito de pleitear restituição do imposto de renda na fonte incidente sobre verbas recebidas como incentivo à adesão a Plano de Demissão Voluntária — PDV extingue-se após o transcurso do prazo de 5 anos contados da data da extinção do crédito tributário. Regularmente intimado desta decisão em 02 de junho de 2001, a contribuinte interpôs seu recurso voluntário em 11 de julho de 2001, através do qual basicamente ratifica suas manifestações anteriores. Processado regularmente em primeira instância, o recurso é remetido a este Conselho para apreciação do recurso voluntário interposto. 1 É o Relatóri2..o. .)---- 4 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10070.001445/99-22 Acórdão n°. : 104-18.723 VOTO Conselheiro JOÃO LUÍS DE SOUZA PEREIRA, Relator O recurso é tempestivo e está de acordo com os demais pressupostos de admissibilidade. Dele tomo conhecimento. A matéria em discussão nestes autos refere-se a questão de saber se a não-incidência do imposto de renda relativa aos chamados Planos de Desligamento Voluntário também se estende aos Planos ou Programas de Incentivo à Aposentadoria. Também está em discussão o termo inicial para a apresentação do requerimento de restituição, sendo afirmativa a resposta à primeira questão. Há de ficar ressaltado que em momento algum as autoridades que se manifestaram pelo indeferimento do pedido negaram o fato dos rendimentos decorrerem da adesão ao chamado programa de incentivo á aposentadoria e/ou desligamento promovido pelo ex-empregador do recorrente. Este Colegiado, após alguma hesitação inicial, entendeu que os valores recebidos a título de adesão a programas de desligamento voluntário estavam fora da esfera de incidência do imposto. Cabe enfatizar que jamais reconhecemos qualquer isenção neste particular. As decisões deste Colegiado concluíram pela não-incidência do imposto, coisa bem diversa ..das isençõesry..... C______. s - MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10070.001445/99-22 Acórdão n°. : 104-18.723 Como bem esclarece o eminente jurista JOSÉ LUIZ BULHÕES PEDREIRA adverte que "Conceito legal do fato gerador é a idéia abstrata usada pela lei para representar, genericamente, a situação de fato cuja ocorrência faz nascer a obrigação tributária; mas cada obrigação particular não nasce do conceito legal de fato gerador, e sim de acontecimento concreto compreendido nesse conceito" (cfr. Imposto sobre a Renda - Pessoas Jurídicas, Justec-Editora, 1979, vol. 1, pág. 166/7). Mas, quais foram os motivos que levaram ao entendimento de que os valores recebidos a título de incentivo ao desligamento compreendem hipótese de não- incidência do imposto? Inegavelmente, as decisões proferidas caracterizaram a natureza meramente indenizatória de tais rendimentos. Por sua vez, a conclusão pela indenização decorre da constatação de que os planos de incentivo ao desligamento não têm nada de voluntários. A suposta adesão ao "planos" não se manifesta em ato voluntário do beneficiário dos rendimentos, daí porque as verbas recebidas caracterizam, na verdade, uma indenização. Vale dizer, na retribuição devida a alguém pela reparação de uma perda ocorrida por fato que este - o beneficiário - não deu causa. As indenizações, portanto, restringem-se a restabelecer o status curo ante do patrimônio do beneficiário motivada pela compensação de algo que, pela vontade do próprio, não se perderia. Nesta ordem de idéias, as reparações estão fora da esfera de incidência do imposto, já que não acrescem o patrimônio. Portanto, chega-se à conclusão que os rendimentos oriundos do planos de desligamento voluntário, recebidos no bojo das denominadas verbas rescisórias, estão a reparar a perda involuntária do emprego, indenizando, portanto, o beneficiário pela perda de algo que este, voluntariamente, repito, não perderia. 6 -4•;-: -,,,,, MINISTÉRIO DA FAZENDA " st 21 :::,vi PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10070.001445/99-22 Acórdão n°. : 104-18.723 E nem se diga que a adesão aos referidos planos ou programas se dá de forma voluntária. A uma, porque não seria crível que aquele que se desligasse da empresa durante a vigência do "plano" pudesse receber, tão somente, as verbas previstas em lei. A duas, porque como bem asseverou o Min. DEMÓCRITO REINALDO, "no programa de incentivo à dissolução do pacto labora!, objetiva a empresa (ou órgão da administração pública) diminuir a despesa com a folha de pagamento de seu pessoal, providência que executada com ou sem o assentimento dos trabalhadores, em geral, e a aceitação, por estes, visa a evitar a rescisão sem justa causa, prejudicial aos seus interesses" (Recurso Especial n° 126.767/SP, STJ, Primeira Turma, DJ 15/12/97). Nesta mesma ordem de idéias, decido em relação aos rendimentos recebidos a titulo de incentivo à aposentadoria. Parecem-me equivocadas as manifestações que pretendem fazer incidir o imposto pelo fato do contribuinte continuar a receber rendimentos - de aposentadoria - após a adesão ao Plano. Com todo o respeito aos que pensam de forma diversa, vejo que a causa para o recebimento da indenização é a mesma, isto é, o rompimento do contrato de trabalho por motivo alheio à vontade do empregado. Esta é a verdadeira causa para o recebimento da gratificação. Se o contribuinte permanecerá recebendo outros rendimentos, se tais rendimentos decorrem da aposentadoria, pouco importa, porque nenhuma destas circunstâncias deu causa ao recebimento da indenização. Indiscutivelmente, o termo inicial para o beneficiário do rendimento pleitear a restituição do imposto indevidamente retido e recolhido não será o momento da retenção do imposto. O Código Tributário Nacional, em seu artigo 168, simplesmente não contempla esta hipótese. A retenção do imposto pela fonte pagadora não extingue o crédito tributário pelas simples razão de tal imposto não ser definitivo, consubstanciando-se em mera antecipação do imposto apurado através da declaração de ajuste anual. Mas também não vejo que p__ seja a x 7 r. et L a- • MINISTÉRIO DA FAZENDA -,'n.n,k,kr PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10070.001445/99-22 Acórdão n°. : 104-18.723 entrega da declaração o momento próprio para a contagem do dies a duo para o requerimento de restituição. A fixação do termo inicial para a apresentação do pedido de restituição está estritamente vinculada ao momento em que o imposto passou a ser indevido. Antes deste momento as retenções efetuadas pela fonte pagadora eram pertinentes, já que em cumprimento de ordem legal, o mesmo ocorrendo com o imposto devido apurado pelo : recorrente em sua declaração de ajuste anual. Isto quer dizer que, antes do reconhecimento • da improcedência do imposto, tanto a fonte pagadora quanto o beneficiário agiram dentro da presunção de legalidade e constitucionalidade da lei. Diante deste ponto de vista, não hesito em afirmar que somente a partir da publicação da Instrução Normativa da Secretaria da Receita Federal n° 165, de 31 de dezembro de 1998 (DOU de 6 de janeiro de 1999) surgiu o direito do recorrente em pleitear a restituição do imposto retido, porque esta Instrução Normativa estampa o reconhecimento da Autoridade Tributária pela não-incidência do imposto de renda sobre os rendimentos decorrentes de planos ou programas de desligamento voluntário. O dia 6 de janeiro de 1999 é o termo inicial para a apresentação dos requerimentos de restituição de que se trata nos autos. E, atendido este prazo, a restituição poderá alcançar o imposto recolhido em qualquer momento pretérito...\„(rD. 8 = ------nanen--...n C MINISTÉRIO DA FAZENDA_ 1 PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10070.001445/99-22 Acórdão n°. : 104-18.723 Por todo o exposto, DOU PROVIMENTO ao recurso, para o fim de reformar a decisão recorrida e reconhecer o direito à restituição do imposto de renda requerida pelo recorrente. Sala das Sessões - DF, em 18 de abril de 2002 , Á-- ljayJ o UIS D SO • ir EIRA 9 Page 1 _0048100.PDF Page 1 _0048300.PDF Page 1 _0048500.PDF Page 1 _0048700.PDF Page 1 _0048900.PDF Page 1 _0049100.PDF Page 1 _0049300.PDF Page 1 _0049500.PDF Page 1
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Numero do processo: 10120.001793/00-17
Turma: Quarta Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Fri Mar 23 00:00:00 UTC 2001
Data da publicação: Fri Mar 23 00:00:00 UTC 2001
Ementa: MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO - É devida a multa no caso de entrega da declaração fora do prazo estabelecido ainda que o contribuinte o faça espontaneamente. Não se caracteriza a denúncia espontânea de que trata o art. 138 do CTN em relação ao descumprimento de obrigações acessórias com prazo fixado em lei.
Recurso negado.
Numero da decisão: 104-17956
Decisão: Pelo voto de qualidade, NEGAR provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros José Pereira do Nascimento, Vera Cecília Mattos Vieira de Moraes João Luís de Souza Pereira e Remis Almeida Estol.
Nome do relator: Maria Clélia Pereira de Andrade
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MINISTÉRIO DA FAZENDA • PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES sà,4. QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10120.001793/00-17 Recurso n°. : 122.999 Matéria : IRPF - Ex(s): 1998 Recorrente : MARIA DOS ANJOS PINHEIRO DA SILVA Recorrida : DRJ em BRASÍLIA - DF Sessão de : 23 de março de 2001 Acórdão n°. : 104-17.956 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO - É devida a multa no caso de entrega da declaração fora do prazo estabelecido ainda que o contribuinte o faça espontaneamente. Não se caracteriza a denúncia espontânea de que trata o art. 138 do CTN em relação ao descumprimento de obrigações acessórias com prazo fixado em lei. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por MARIA DOS ANJOS PINHEIRO DA SILVA. ACORDAM os Membros da Quarta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, pelo voto de qualidade, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros José Pereira do Nascimento, Vera Cecilia Mattos Vieira de Moraes, João Luís de Souza Pereira e Remis Almeida Estol. ir os— LEI a A • CHE r RER LEITÃO PRESIDENTE late ..4%./ 1 /A RIA CLÉL A PEREIRA DE A DRA. RELATORA FORMALIZADO EM: 23 ABR 2001 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros NELSON MALLMANN e SÉRGIO MURILO MARELLO (Suplente convocado). Ausente, justificadamente, o Conselheiro ROBERTO WILLIAM GONÇALVES. MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10120.001793/00-17 Acórdão n°. : 104-17.956 Recurso n°. : 122.999 Recorrente : MARIA DOS ANJOS PINHEIRO DA SILVA RELATÓRIO MARIA DOS ANJOS PINHEIRO DA SILVA, jurisdicionada pela Delegacia da Receita Federal em Brasília - DF, foi notificada para efetuar o recolhimento relativo à multa por atraso na entrega da declaração referente ao exercício de 1998, através do Auto de Infração de fls. 03. Inconformada, a interessada apresentou impugnação tempestiva, fls., alegando, em síntese: - que recebeu a notificação da multa por atraso na entrega da declaração do imposto de renda pessoa física do exercício de 1998; - que não estava obrigada à entrega da referida declaração. Requer seja cancelado e arquivado o presente Auto de Infração. 2 -- MINISTÉRIO DA FAZENDA ta.p.r.t,t.kc PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10120.001793/00-17 Acórdão n°. : 104-17.956 Às fls. 21/23, consta a decisão da autoridade de primeiro grau, que após sucinto relatório, analisa cada item da defesa apresentada pela impugnante, dela discordando; e para fortificar seu entendimento cita toda a legislação de regência que entende pertinente, e justifica suas razões de decidir conceituando a atividade administrativa do lançamento, a obrigação acessória, a denúncia espontânea, a causa da multa e finalmente, decide julgar procedente a exigência fiscal. Ao tomar ciência da decisão monocrática, a contribuinte interpôs recurso voluntário a este Colegiado, conforme petição de fls. 30, reiterando os argumentos constantes da peça impugnatória e invocando novos argumentos que sustentem de forma mais eficaz suas alegadas razões de defesa. Recurso lido na íntegra em sessão. É o Relatório. 3 ti- MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10120.001793/00-17 Acórdão n°. : 104-17.956 VOTO Conselheiro MARIA CLÉLIA PEREIRA DE ANDRADE, Relatora Estando o recurso revestido de todas as formalidades legais, dele tomo conhecimento. A matéria versada nos autos já foi sobejamente decidida neste Conselho de Contribuintes. A entrega da Declaração de Rendimentos pelas pessoas físicas e jurídicas é obrigação legal, e a falta ou atraso em seu cumprimento enseja na cobrança de multa. A penalidade aplicável, encontra-se disciplinada, a partir de 1° de janeiro de 1995, pela Lei n° 8.981, que "Altera a legislação tributária federal e dá outras providências.", e, em especial no disposto no seu artigo 88, verbis: "Art. 88. A falta de apresentação da declaração de rendimentos ou a sua apresentação fora do prazo fixado, sujeitará a pessoa física ou jurídica: I - à multa de mora de um por cento ao mês ou fração sobre o imposto de renda devido, ainda integralmente pago; II - à multa de duzentas UFIR a oito mil UFIR, no caso de declaração de que não resulte imposto devido; § 1 0 0 valor mínimo a ser aplicado será: a) de duzentas UFIR, para as pessoas físicas; 4 t4 - MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10120.001793/00-17 Acórdão n°. : 104-17.956 b) de quinhentas UFIR, para pessoas jurídicas; § 2° - A não regularização no prazo previsto na intimação ou em caso de reincidência, acarretará o agravamento de multa em cem por cento sobre o valor anteriormente aplicado. § 3° - As reduções previstas no art. 6° da Lei n° 8.218, de 29 de agosto de 1991 e o art. 60 da Lei 8.383, de 1991, não se aplicam às multas previstas neste artigo. § 4° - (Revogado pela Lei n°9.065, de 20/06/1995.)" As normas sobre o valor das penalidades em vigor foram bastante divulgadas, tendo constado das instruções para preenchimento de declarações de ajuste, sendo o prazo de entrega destas, em 1995, prorrogado, para superar quaisquer dificuldades que pudessem ter ocorrido na obtenção de formulários e disquetes. Não pode prosperar, também a assertiva de que, correspondendo a entrega de Declaração uma obrigação acessória, a penalidade decorrente de seu não cumprimento somente subsistiria no caso de haver infração referente á obrigação principal. Ou seja, não incidiria nos casos em que não houvesse apuração de imposto devido. A exigência de multa não se confunde com a apuração de imposto de renda. O fato gerador da penalidade é o atraso no cumprimento da obrigação de prestar informações ao fisco. A obrigação acessória converte-se em obrigação principal, conforme disposto no § 3° do artigo 113 do Código Tributário Nacional, a seguir transcrito: Art. 113 - A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1° - A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extingue-se juntamente com o crédito dela decorrente. 5 MINISTÉRIO DA FAZENDA t. i.P—z:1/4'k PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10120.001793/00-17 Acórdão n°. : 104-17.956 § 2° - A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. § 30 - A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, converte-se em obrigação principal relativamente a penalidade pecuniária" Por outro lado, não pode prosperar o entendimento de alguns, que pretendem caracterizar a cobrança da multa como um confisco. A multa por atraso na entrega da Declaração de Ajuste constitui penalidade aplicada como sanção de ato ilícito, não se revestindo das características de tributo, sendo inaplicável o conceito de confisco previsto no inciso IV do artigo 150 da Constituição Federal. A Constituição de 1988, veda expressamente a utilização de tributos com efeito de confisco, pelo que nem mesmo cabe a discussão sobre este tópico, haja visto tratar-se, nos presentes autos, de multa, penalidade pecuária prevista em lei, conforme transcrito acima. É jurisprudência desta Quarta Câmara, ainda que por maioria, que mesmo a entrega espontânea da DIRPF não é motivo para desconstituir a exigência, não se aplicando o instituto da denúncia espontânea de que trata o art. 138 do CTN. Em face do exposto, voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso interposto. Sala das Sessões (DF , , em 23 de março de 2001 ti n MARIA CLÉLIA PEREIRA DE ANDRADE 6 Page 1 _0019800.PDF Page 1 _0019900.PDF Page 1 _0020000.PDF Page 1 _0020100.PDF Page 1 _0020200.PDF Page 1
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Numero do processo: 10700.000013/2008-19
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 22 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Mon Feb 22 00:00:00 UTC 2010
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Período de apuração: 01/01/1997 a 31/12/2000
DECADÊNCIA - ARTS 45 E 46 LEI N° 8.212/1991 -
INCONSTITUCIONALIDADE - STF - SÚMULA VINCULANTE - OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS - ART 173, I, CTN
De acordo com a Súmula Vinculante n° 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional. O prazo de decadência para constituir as obrigações tributárias acessórias relativas às contribuições previdenciárias é de cindo anos e deve ser contado nos termos do art. 173, I, do CTN.
RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO.
Numero da decisão: 2402-000.500
Decisão: ACORDAM os membros da 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Segunda
Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, para acatar preliminar de decadência, nos termos do voto da relatora.
Nome do relator: ANA MARIA BANDEIRA
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O prazo de decadência para constituir as obrigações tributárias acessórias relativas às contribuições previdenciárias é de cindo anos e deve ser contado nos termos do art. 173, I, do CTN. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da C Câmara / 2 a Turma Ordinária da Seguhd\ Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, para acat preliminar de decadência, nos termos do vi o - . /../' C O OLIVEIRA - Presidente • •/, IRA — Relatora Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros: Marcelo Oliveira, Ana Maria Bandeira, Rogério de Lellis Pinto, Lourenço Ferreira do Prado, Ryeardo Henrique Magalhães de Oliveira (Convocado) e Núbia Moreira Barros Mazza (Suplente). 2 Processo n 10700.000013/2008-19 32-C472 Acórdão n.° 2402-00300 Fl. 80 Relatório Trata-se de Auto de Infração lavrado em razão de a empresa ter deixado de prestar ao órgão todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis de interesse do mesmo, na forma por ele estabelecida, bem como os esclarecimentos necessários à fiscalização, conforme previsto no inciso III do art. 32 da Lei n° 8.212/91, combinado com o art. 225 inciso III e § 22 (acrescentado pelo Decreto n° 4.729/2003) do Regulamento da Previdência Social. Segundo o Relatório Fiscal da Infração (fl. 12) a empresa deixou de apresentar à fiscalização diversos documentos correspondentes às competências de 01/1997 a 12/2000, os quais foram elencados no citado relatório. A autuada apresentou defesa (fls. 19/24) onde alega que teria ocorrido a decadência do direito de lançar, bem como que jamais agiu com má-fé ou pretendeu burlar os pedidos da fiscalização. Pela Decisão-Notificação n° 17.401.4/242/2007 (fls. 34/38), a autuação foi considerada procedente. Contra tal decisão, a notificada apresentou recurso tempestivo (fls. 41/43) onde reitera os argumentos apresentados em defesa. O recurso teve seguimento por força de liminar proferida em Mandado e Segurança. A SRP apresentou contrarrazões (fls. 76/77). É o relatório. 3 Voto Conselheira Ana Maria Bandeira,Relatora O recurso é tempestivo e deve ser conhecido. A recorrente apresenta preliminar de decadência que deve ser verificada considerando-se a recente Súmula Vinculante n° 8, editada pelo Supremo Tribunal Federal, que dispôs o seguinte: Súmula Vinculante 8 "São inconstitucionais os parágrafo 'Mico do artigo 5° do Decreto-lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário" Vale lembrar que os efeitos da súmula vinculante atingem a administração pública direta e indireta nas três esferas, conforme se depreende do art. 103-A, capta, da Constituição Federal que foram inseridos pela Emenda Constitucional n° 45/2004. in verbis: "Art. 103-A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de oficio ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como procederá sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei.(g.n.,) Da análise do caso concreto, verifica-se que embora se trate de aplicação de multa pelo descumprimento de obrigação acessória, há que se verificar a ocorrência de eventual decadência à luz das disposições do Código Tributário Nacional que disciplinam a questão ante a manifestação do STF quanto à inconstitucionalidade do art 45 da Lei n° 8.212/1991. O Código Tributário Nacional trata da decadência no artigo 173, abaixo transcrito: "Art.173 - O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se após 5 (cinco) anos, contados: I - do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II - da data em que se tornar definitiva à decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo Único - O direito a que se refere este artigo extingue- se definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, cont do da data em que tenha sido iniciada a constituição do cré' tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qual medida preparatória indispensável ao lançamento." 4 Processo n° 10700.000013/2008-19 S2-C4T2 Acórdão n.° 2402-00300 Fl. 81 Q1 1 42140 ao lançamento por homologação, o Códex Tributário definiu no art. 150, § 4° o seguinte: "ArtI50 - O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, opera-se pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 4°- Se a lei não furar prazo a homologação, será ele de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considera-se homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência dê dolo, fraude ou simulação." Tem sido entendimento constante em julgados do Superior Tribunal de Justiça, que nos casos de lançamento em que o sujeito passivo antecipa parte do pagamento da contribuição, aplica-se o prazo previsto no § 4° do art. 130 do CTN, ou seja, o prazo de cinco anos passa a contar da ocorrência do fato gerador, uma vez que resta caracterizado o lançamento por homologação. No caso como se trata de aplicação de multa pelo descumprimento de obrigação acessória não há que se falar em antecipação de pagamento por parte do sujeito passivo, assim, para a apuração de decadência, aplica-se a regra geral contida no art. 173, inciso I do CTN. Assevere-se que a questão foi objeto de manifestação por parte da Procuradoria da Fazenda Nacional por meio da Nota PGFN/CAT 1\1 2 856/ 2008 aprovada pelo Procurador-Geral da Fazenda Nacional em 01/09/2008, nos seguintes termos: "Aprovo. Frise-se a conclusão da presente Nota de que o prazo de decadência para constituir as obrigações tributárias acessórias relativas às contribuições previdenciárias é de cindo anos e deve ser contado nos termos. do art. I 73,1, do C774." Como o período da autuação compreende as competências de 01/ '97 a . 12/2000 e a autuação se deu em 05/03/2007, verifica-se que ocorreu a decadência do di to de aplicar a multa por descumprimento da obrigação acessória. Diante do exposto e de tudo o mais que dos autos consta. Voto no sentido de CONHECER do recurso e DAR-LHE PROVI N1 O l'em razão da decadência total verificada. É com voto. Sala das Sessões, em 22 de fevereiro de 2010 69' \ • x - ç • • IA BA EIRA - Relatora 5 a MINISTÉRIO DA FAZENDAt CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS QUARTA CÂMARA - SEGUNDA SEÇÃO -Processo n°: 10700.000013/2008-19 Recurso n°: 152.715 TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no parágrafo 3° do artigo 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria Ministerial n° 256, de 22 de junho de 2009, intime-se o(a) Senhor(a) Procurador(a) ' Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto à Quarta Câmara da Segunda Seção, a tomar ciência do Acórdão n° 2402-00.500 Brasí • de abril de 2010 ELIAS S.illilIPAIO FREIRE Presidente da Quarta Câmara Ciente, com a observação abaixo: [ ] Apenas com Ciência [ ] Com Recurso Especial [ ] Com Embargos de Declaração Data da ciência: / / Procurador (a) da Fazenda Nacional
score : 1.0
Numero do processo: 36266.006668/2006-91
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Jan 25 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Mon Jan 25 00:00:00 UTC 2010
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/05/2002 a 31/12/2005
PARCELAS SALARIAIS INTEGRANTES DE BASE DE CÁLCULO. RECONHECIMENTO PELO CONTRIBUINTE ATRAVÉS DE FOLHAS DE PAGAMENTO E OUTROS DOCUMENTOS POR ELE PREPARADOS. O reconhecimento através de documentos da própria empresa da natureza salarial das parcelas integrantes das remunerações aos segurados elide a discussão sobre a incidência ou não da base de cálculo.
GFIP. CONFISSÃO. Informações prestadas em GFIP constituem-se em
termo de confissão de dívida, na hipótese do seu não recolhimento.
INCONSTITUCIONALIDADE. AFASTAMENTO DE NORMAS LEGAIS.
VEDAÇÃO. O Segundo Conselho de Contribuintes não é competente para afastar a aplicação de normas legais e regulamentares sob fundamento de inconstitucionalidade.
SEGURO DE ACIDENTE DO TRABALHO - SAT.
REGULAMENTAÇÃO. Não ofende ao Princípio da Legalidade a
regulamentação através de decreto do conceito de atividade preponderante e da fixação do grau de risco.
JUROS DE MORA. TAXA SELIC. APLICAÇÃO À COBRANÇA DE TRIBUTOS. É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para
com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO.
Numero da decisão: 2402-000.418
Decisão: ACORDAM os membros da 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Segunda
Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: MARCELO OLIVEIRA
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/05/2002 a 31/12/2005 PARCELAS SALARIAIS INTEGRANTES DE BASE DE CÁLCULO. RECONHECIMENTO PELO CONTRIBUINTE ATRAVÉS DE FOLHAS DE PAGAMENTO E OUTROS DOCUMENTOS POR ELE PREPARADOS. O reconhecimento através de documentos da própria empresa da natureza salarial das parcelas integrantes das remunerações aos segurados elide a discussão sobre a incidência ou não da base de cálculo. GFIP. CONFISSÃO. Informações prestadas em GFIP constituem-se em termo de confissão de dívida, na hipótese do seu não recolhimento. INCONSTITUCIONALIDADE. AFASTAMENTO DE NORMAS LEGAIS. VEDAÇÃO. O Segundo Conselho de Contribuintes não é competente para afastar a aplicação de normas legais e regulamentares sob fundamento de inconstitucionalidade. SEGURO DE ACIDENTE DO TRABALHO - SAT. REGULAMENTAÇÃO. Não ofende ao Princípio da Legalidade a regulamentação através de decreto do conceito de atividade preponderante e da fixação do grau de risco. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. APLICAÇÃO À COBRANÇA DE TRIBUTOS. É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO.
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RECONHECIMENTO PELO CONTRIBUINTE ATRAVÉS DE FOLHAS DE PAGAMENTO E OUTROS DOCUMENTOS POR ELE PREPARADOS. O reconhecimento através de documentos da própria empresa da natureza salarial das parcelas integrantes das remunerações aos segurados elide a discussão sobre a incidência ou não da base de cálculo. GFIP. CONFISSÃO. Informações prestadas em GFIP constituem-se em termo de confissão de dívida, na hipótese do seu não recolhimento. INCONSTITUCIONALIDADE. AFASTAMENTO DE NORMAS LEGAIS. VEDAÇÃO. O Segundo Conselho de Contribuintes não é competente para afastar a aplicação de normas legais e regulamentares sob fundamento de inconstitucionalidade. SEGURO DE ACIDENTE DO TRABALHO - SAT. REGULAMENTAÇÃO. Não ofende ao Princípio da Legalidade a regulamentação através de decreto do conceito de atividade preponderante e da fixação do grau de risco. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. APLICAÇÃO À COBRANÇA DE TRIBUTOS. É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 4 a Câmara / 2a Tuuna Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. 40009 /n ) ARCE O OLIVEIRA .- , Presidente e Relator , , • Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Ana Maria Bandeira, Rogério de Lellis Pinto, Lourenço Ferreira do Prado, Marcelo Oliveira, Cleusa Vieira de Souza (Convocada) e Niibia Moreira Barros Mazza (Suplente). 2 Processo n° 36266.006668/2006-91 S2-C4T2 Acórdão n.° 2402-00.418 Fl. 349 Relatório Trata-se de recurso voluntário apresentado contra Decisão da Delegacia da Secretaria da Receita Previdenciária (DRP), São Paulo — Norte / SP, fls. 0234 a 0245, que julgou procedente o lançamento, oriundo de descumprimento de obrigação tributária legal principal, fl. 001. Segundo a fiscalização, de acordo com o Relatório Fiscal (RF), fls. 042 a 044, o lançamento refere-se a contribuições destinadas à Seguridade Social, incidentes sobre a remuneração paga a segurados, correspondentes a contribuição da empresa, a contribuição para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho (SAT) e as contribuições devidas aos Terceiros. Ainda segundo o RF, os valores da base de cálculo foram obtidos em Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP) e nas folhas de pagamentos de empregados, elaboradas e apresentadas pela empresa à fiscalização. Os motivos que ensejaram o lançamento estão descritos no RF e nos demais anexos. Em 30/03/2006 foi dada ciência à recorrente do lançamento, fls. 001. Contra o lançamento, a recorrente apresentou impugnação, fls. 048 a 088, acompanhada de anexos. A Delegacia analisou o lançamento e a impugnação, julgando procedente o lançamento. Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso voluntário, fls. 0248 a 0291, acompanhado de anexos, onde alega, em síntese, que: 1. O recurso é tempestivo; 2. Há nulidade na ciência do lançamento, pois somente um sócio assinou; 3. O INSS é incompetente para cobrar e arrecadar contribuições previdenciárias na vigência da Medida Provisória 258/2005; 4. Deve haver lançamentos para cada tributo exigido, pois como está o lançamento é nulo; 74) 5. O Fisco teve meses para chegar à conclusão e a recorrente teve tempo escasso, por isso há a necessidade de mais prazo para a juntada de documentos, pois caso contrário haverá cerceamento do direito de defesa, motivo de nulidade; 6. A multa deve ser relevada, como detennina o Art. 291, do Decreto 3.048/1999; 3 7. As exigências de SAT e Salário-Educação e o uso da Taxa SELIC são inconstitucionais; 8. Diante do exposto, em síntese, requer provimento ao recurso. Posteriatinente, os autos forma enviados ao Conselho, para análise e decisão, fls. 0347. É o relatório. 4 Processo n°36266.006668/2006-91 S2-C4T2 Acórdão n.° 2402-00.418 Fl. 350 Voto Conselheiro Marcelo Oliveira, Relator Sendo tempestivo, CONHEÇO DO RECURSO e passo ao exame de seus argumentos. DA PRELIMINAR Nas preliminares, a recorrente alega que há nulidade na ciência do lançamento, pois somente um sócio assinou, motivo de nulidade. Esclarecemos à recorrente que a ciência visa dar publicidade ao ato administrativo, possibilitando, assim, a ampla defesa e o contraditório. No caso, o sócio-gerente da recorrente, preposto, tomou ciência do lançamento. Decreto 70.235/1972: Art. 23. Far-se-á a intimação: 1- pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; Primeiramente, fica claro que a legislação não determina que todos os sócios sejam citados. Se a legislação determina, pelo Princípio da Legalidade, o Contrato Social não pode conter determinação contrária à legislação. Em segundo lugar, o sócio-gerente da empresa é preposto, pois é pessoa que por nomeação, delegação ou incumbência de outra (pessoa jurídica), o proponente, dirige negócio seu ou lhe presta, em caráter permanente, serviço de determinada natureza. Qualquer dirigente, empregado, prestador de serviço, ainda que sem vínculo, que exerça suas atividades no estabelecimento ou residência do sujeito passivo é preposto. Portanto, o preposto teve ciência do lançamento, não havendo motivo de J nulidade por essa razão. A recorrente alega, também que o INSS é incompetente para cobrar e • arrecadar contribuições previdenciárias na vigência da Medida Provisória 258/2005. 5 Esclarecemos à recorrente que o INSS deixou de ser competente para arrecadar, fiscalizar e cobrar as contribuições previdenciárias há mais tempo, desde a criação da Secretaria da Receita Previdenciária (SRP). Com a criação da SRP, muito antes da MP 258/2005, o INSS não era mai competente para atuar nas contribuições previdenciárias. Portanto, não há razão em seu argumento. Em outra preliminar a recorrente alega que deve haver lançamentos para cada tributo exigido, pois como está o lançamento é nulo. Não há razão no argumento. A Lei determina a lavratura de um lançamento. Lei 8.212/1991: Art. 37. Constatado o atraso total ou parcial no recolhimento de contribuições tratadas nesta Lei, ou em caso de falta de pagamento de beneficio reembolsado, a fiscalização lavrará notificação de débito, com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, conforme dispuser o regulamento. Como se pode facilmente verificar, a Lei cita "contribuições", no plural, possibilitando, assim, a lavratura do lançamento com as contribuições para a Seguridade e para Terceiros. A recorrente alega, também que há cerceamento de seu direito à defesa, pois o Fisco teve meses para chegar à conclusão e a recorrente teve tempo escasso, por isso há a necessidade de mais prazo para ajuntada de documentos. Esclarecemos à recorrente que o presente lançamento teve por base informações prestadas pela recorrente, constantes em documentos que a recorrente elaborou. Caso houvesse algum erro nessas informações a recorrente poderia apresentar sua justificativa e suas provas, mas até agora nada apresenta. Portanto, não há razão no argumento. Por fim, esclarecemos à recorrente que a apreciação de matéria constitucional em tribunal administrativo exacerba sua competência originária, que é a de órgão revisor dos atos praticados pela Administração, bem como invade competência atribuída especificamente ao Poder Judiciário pela Constituição Federal. /I)) No Capítulo III, do Título IV, da Constituição Federal, especificamente no que trata do controle da constitucionalidade das nomias, observa-se que o constituinte teve especial cuidado ao defmir quem poderia exercer o controle constitucional das normas jurídicas. Decidiu que caberia exclusivamente ao Poder Judiciário exercê-la, especialmente ao Supremo Tribunal Federal. Permitir que órgãos colegiados administrativos o reconhecimento da constitucionalidade de normas jurídicas seria infringir o disposto na própria Constituição Federal, padecendo, portanto, a decisão que assim o fizer, ela própria, de vício de constitucionalidade, já que invadiu competência exclusiva de outro Poder. 6 Processo n°36266.006668/2006-91 S2-C4T2 Acórdão n.° 2402-00.418 Fl. 351 O professor Hugo de Brito Machado in "Mandado de Segurança em Matéria Tributária", Ed. Revista dos Tribunais, páginas 302/303, assim concluiu: "A conclusão mais consentânea com o sistema jurídico brasileiro vigente, portanto, há de ser no sentido de que a autoridade administrativa não pode deixar de aplicar uma lei por considerá-la inconstitucional, ou mais exatamente, a de que a autoridade administrativa não tem competência para decidir se uma lei é, ou não é inconstitucional." Ademais, como da decisão administrativa não cabe recurso obrigatório ao Poder Judiciário, em se permitindo a declaração de inconstitucionalidade de lei pelos órgãos administrativos judicantes, as decisões que assim a proferissem não estariam sujeitas ao crivo do Supremo Tribunal Federal que é a quem compete, em grau de definitividade, a guarda da Constituição. Poder-se-ia, nestes casos, ter a absurda hipótese de o tribunal administrativo declarar determinada norma inconstitucional e o Judiciário, em manifestação do seu órgão máximo, pronunciar-se em sentido inverso. Por essa razão é que através de Súmula os Conselhos de Contribuintes se auto-impuseram regra proibitiva nesse sentido: Súmula 02 do Segundo Conselho de Contribuintes, publicada no DOU de 26/09/2007: "O Segundo Conselho de Contribuintes não é competente para • se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de legislação tributária" Portanto, não há razão no argumento. Por todo o exposto, rejeito as preliminares e passo ao exame do mérito. DO MÉRITO Quanto ao mérito, esclarecemos que há equívoco no pleito de relevação da multa. Decreto 3.048/1999: Art.291. Constitui circunstância atenuante da penalidade aplicada ter o infrator corrigido a falta até a decisão da autoridade julgadora competente. sÇ 1° A multa será relevada, mediante pedido dentro do prazo de defesa, ainda que não contestada a infração, se o infrator for primário, tiver corrigido a falta e não tiver ocorrido nenhuma circunstância agravante. No caso, trata-se de correção de falta em obrigação acessória. Em decorrência da relação jurídica existente entre o responsável (sujeito passivo) e o Fisco (sujeito ativo), tem aquele duas obrigações para com este. Uma obrigação denominada principal, que é a de verter contribuições para a Seguridade Social; outra, 7 denominada acessória, que tem por objeto a prática ou a abstenção de ato que não configure obrigação principal. Estas determinações legais, que tem por objeto a prática ou a abstenção de ato, visam facilitar a conferência da regularidade, por parte do Fisco, do cumprimento das obrigações principais, bem como, e fundamentalmente, no caso da Previdência Social, comprovar direitos e deveres dos contribuintes e, especialmente, dos segurados e beneficiários. O descumprimento da obrigação acessória, motivo que originou a presente autuação, converte-se em obrigação principal pela multa aplicável, surgindo, então, a obrigatoriedade e a oportunidade de a fiscalização emitir a autuação. A autuação tem a finalidade de registrar a ocorrência de infração à legislação previdenciária por descumprimento de uma obrigação acessória, possibilitando a instauração do respectivo processo de infração e a constituição do crédito decorrente da multa. A atividade administrativa de lavratura da autuação é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. A autoridade fiscal, no desempenho de suas atribuições, ao constatar a ocorrência de uma infração deve, obrigatoriamente, porque a lei não lhe dá discricionariedade, emitir o lançamento, que ensejará a aplicação da multa. Assim sendo, como não há previsão legal, não há que se falar em relevação de multa por inadimplemento de obrigação principal. Quanto à improcedência da exigência da contribuição patronal prevista no art. 22, II, da Lei 8.212/91, destinada ao Seguro de Acidente de Trabalho (SAT/RAT) temos que - seguindo os princípios constitucionais tributários e nos moldes do art. 97 do Código Tributário Nacional (CTN) - a Lei 8.212/91 tratou da instituição da referida contribuição para o financiamento dos benefícios em razão da incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (SAT/RAT), definindo o seu fato gerador, fixando a base de cálculo e as alíquotas aplicáveis, restando ao decreto apenas a regulamentação da aludida contribuição, o qual, por sua vez, estabelece os graus de risco conforme a atividade precípua da empresa. Fazemos referência a doutrina para reforçar que não houve ofensa aos princípios constitucionais ao ser delimitado por decreto os respectivos graus de risco das empresas, conforme ensinam MARCUS ORIONE GONÇALVES CORREIA e ÉRICA PAULA BARCHA CORREIA: "Incidindo a contribuição para a cobertura acidentá ria sobre o salário, perfeitamente legal a sua imposição mediante simples lei ordinária - art. 22, II, da Lei n. 8.212, de 1991, já que não estamos diante de fonte de custeio inédita. Por outro lado, ao tratar desigualmente situações desiguais, a gradação dos percentuais de contribuição, de acordo com o grau de risco da empresa, em verdade coaduna-se com o princípio da igualdade - em vez de contra ele conspirar. Estamos diante da velha noção de justiça propagada por Aristóteles e incorporada aos ordenamentos modernos (inclusive o nosso): somente há justiça onde os desiguais são tratados de forma desigual. Por fim, há autorizativo da própria lei - art. 22, § 3 0, da Lei n. 8.212, de 1991 - para que os decretos indiquem as atividades submetidas aos diversos níveis de risco. Destarte, nada há que conspire, ainda aqui, contra o principio da legalidade. 8 Processo n° 36266.006668/2006-91 S2-C4T2 Acórdão n.° 2402-00.418 Fl. 352 Logo, nada mais normal (sob o viés jurídico) que empresas, cujo risco de acidente do trabalho é menor, contribuam de forma menos significativa para a manutenção do sistema de atendimento aos que se acidentam no exercício de seu labor. E, por outro lado, que empresas, cujo risco de acidente em seu ambiente é maior, contribuam com mais. Inexiste, sob as óticas anteriores, qualquer pecha de inconstitucionalidade no dispositivo em comento". (Curso de Direito da Seguridade Social, 2001, Editora Saraiva, págs. 142/143) O decreto apenas expressa os graus de risco e o que seja atividade preponderante, enquanto a fixação de todos os elementos da obrigação tributária se encontra na lei. Inclusive, o Supremo Tribunal Federal (STF) já se manifestou a respeito do SAT, aduzindo pela desnecessidade de Lei Complementar para instituição da sobredita contribuição, bem como que não há ofensa aos art. 195, § 4 0, c/c art. 154, I, da Constituição Federal, consoante a ementa a seguir transcrita: "CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO: SEGURO DE ACIDENTE DO TRABALHO- SAT. Lei 7.787/89, arts. 3° e 4'; Lei 8.212/91, art. 22, II, redação da Lei 9.732/98. Decretos 612/92, 2.173/97 e 3.048/99. C.F., artigo 195, sç' 4°; art. 154, I; art: 5°, II, art. 150, I. 1. - Contribuição para o custeio do Seguro de Acidente do Trabalho - SAT: Lei 7.787/89, art. 3°, II; Lei 8.212/91, art. 22, II: alegação no sentido de que são ofensivos ao art. 195, sç' 4°, c/c art. 154, I, da Constituição Federal: improcedência. Desnecessidade de observância da técnica da competência residual da União, C.F., art. 154, I. Desnecessidade de lei complementar para a instituição da contribuição para o SAT. H - O art. 3°, II, da Lei 7.787/89, não é ofensivo ao princípio da igualdade, por isso que o art. 4° da mencionada Lei 7.787/89 cuidou de tratar desigualmente aos desiguais. - As Leis 7.787/89, art. 3°, II, e 8.212/91, art. 22, II, definem, satisfatoriamente, todos os elementos capazes de fazer nascer a obrigação tributária válida. O fato de a lei deixar para o regulamento a complementaçã o dos conceitos de "atividade preponderante" e "grau de risco leve, médio e grave", não implica ofensa ao princípio da legalidade genérica, C.F., art. 5", II, e da legalidade tributária, C.F., art. 150, I. IV. - Se o regulamento vai além do conteúdo da lei, a questão não é de inconstitucionalidade, mas de ilegalidade, matéria que não integra o contencioso constitucional. V.- Recurso extraordinário não conhecido". (RE 343.446-2/SC, Rel. Min. Carlos Velloso, RI de 04/04/2003) 9 Assim, a contribuição ao SAT/RAT está de acordo com a legislação vigente, sendo perfeitamente exigível. Com relação à contribuição social ao salário-educação, sua constitucionalidade é reconhecida através da Súmula de n ° 732 do Supremo Tribunal Federal, o que reforça a presunção de legalidade da lei que instituiu sua cobrança, conforme plenamente indicado no relatório de fundamentos legais, impedindo este órgão colegiado de afastar sua aplicação, confaune Súmula 02 do Segundo Conselho de Contribuintes, publicada no DOU de 26/09/2007: Súmula n° 732 É constitucional a cobrança da contribuição do salário- educação, seja sob a carta de 1969, seja sob a constituição federal de 1988, e no regime da lei 9.424/96. Súmula n° 02 "O Segundo Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de legislação tributária" Portanto, não há razão no argumento. Insurge-se a recorrente contra a aplicação da taxa SELIC ao argumento de que seria ilegal. Registre-se, porque importante, que a legislação de regência, sobretudo a Lei n° 8.212/91, afasta literalmente os argumentos erguidos pelo recorrente. De fato, as contribuições sociais arrecadadas estão sujeitas à incidência da taxa referencial SELIC - Sistema Especial de Liquidação e de Custódia, nos termos do artigo 34 da Lei n°8.212/91: Art. 34. As contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas pelo INSS, incluídas ou não em notificação fiscal de lançamento, pagas com atraso, objeto ou não de parcelamento, ficam sujeitas aos juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia - SELIC, a que se refere o art. 13 da Lei n° 9.065, de 20 de junho de 1995, incidentes sobre o valor atualizado, e multa de mora, todos de caráter irrelevável. (Restabelecido com redação alterada pela MP n°1.571/97, reeditada até a conversão na Lei n°9.528/97. A atualização monetária foi extinta, para os fatos geradores ocorridos a partir de 01/95, conforme a Lei n°8.981/95. A multa de mora esta disciplinada no art. 35 desta Lei) A propósito, convém mencionar que o Segundo Conselho de Contribuintes aprovou a Súmula n° 03, nos seguintes termos: SÚMULA N° 3 É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia — Seli c para títulos federais. Nesse contexto, correta a aplicação da taxa SELIC como juros de mora, com fulcro no artigo 34 da Lei n° 8.212/91. o Processo n°36266.006668/2006-91 S2-C4T2 Acórdão n.° 2402-00.418 Fl. 353 CONCLUSÃO Em razão do exposto, Voto por negar provimento ao recurso. Sala das S - sõ sijem 25 de janeiro de 2010 t(... ."/7 .1% • 1 CELO OLIVEIRA — Relator 7 - .. 11
score : 1.0
Numero do processo: 36266.012194/2006-16
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 23 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Tue Mar 23 00:00:00 UTC 2010
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 01/01/2000 a 31/12/2005
RECURSO INTEMPESTIVO
É definitiva a decisão de primeira instância quando não interposto recurso voluntário no prazo legal. Não se toma conhecimento de recurso intempestivo.
RECURSO VOLUNTÁRIO NÃO CONHECIDO.
Numero da decisão: 2402-000.700
Decisão: ACORDAM os membros da 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Segunda
Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do voto da relatora.
Nome do relator: ANA MARIA BANDEIRA
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Não se toma conhecimento de recurso intempestivo. RECURSO VOLUNTÁRIO NÃO CONHECIDO. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 4' Câmara / 2' Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do voto da relatora. fr ARC LO OLIVEIRA - Presidente f • •.m. EIRA — Relatora Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros: Marcelo Oliveira, Ana Maria Bandeira, Rogério de Lellis Pinto, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo 'e Maria da Glória Faria (Suplente). Relatório Trata-se de lançamento de contribuições devidas à Seguridade Social, correspondentes à contribuição da empresa, à destinada ao financiamento dos beneficios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho, as destinadas a terceiros (Salário-Educação, SESI, SENAI, SEBRAE e INCRA), bem como diferenças de acréscimos legais. O Relatório Fiscal (fls. 55/58) informa que as contribuições lançadas têm como fato gerador as remunerações pagas a segurados empregados e contribuintes individuais apuradas em folhas de pagamento. — - -- A notificada apresentou defesa (fls. 60/89) onde alega a inconstitucionalidade e ilegalidade da contribuição incidente sobre a -remuneração dos autônomos, avulsos e prolabore estabelecidas pela Lei Complementar n° 84196. De igual forma considera inconstitucionais e ilegais as contribuições referentes ao Seguro Acidentes do Trabalho uma vez que os conceitos de atividade preponderante não foram definidos por lei. Entende não ser obrigada ao recolhimento da contribuição destinada ao SEBRAE, bem como para o SESC/SENAC e ao INCRA. Considera ilegal a aplicação da taxa de juros SELIC e inconstitucional a multa aplicada que teria caráter confiscatório. Pela Decisão-Notificação n°21.402.4/0252/2006 (fls. 117/128), o lançamento foi considerado procedente. Contra tal decisão, a notificada apresentou recurso intempestivo (fls. 131/148), onde efetua as mesmas alegações de defesa. A SRP emitiu o Termo de Trânsito em julgado face à intempestividade e intimou o contribuinte que manifestou-se (fls. 191/199) no sentido de que haveria vício de nulidade por falta de intimação, uma vez que a formalização do ato jurídico só ocorreria pela assinatura de um dos corresponsáveis da impugnante. Entende que ainda que a decisão recorrida tenha sido encaminhados por Correio com AR — Aviso de Recebimento, se este não foi recebido por um dos sócios e corresponsáveis não houve intimação da impugnante. 1 Argumenta que o termo inicial do prazo recursal iniciou-se em 7/11/2006 (terça-feira), uma vez que a data de recebimento ocorrida em 03/11, sexta-feira, impossibilitaria o início da contagem do sábado. Ademais, a notificação teria sido entregue após o horário normal do expediente e empresa, assim, deve ser considerado válido o recebimento no dia 06/11/2006, iniciando-se a contagem em 07/11/2006. Pelo raciocínio acima, a notificada considera que seu recurso foi tempestivo. Apela para os Princípios da Informalidade e da Verdade material para discorrer sobre a possibilidade do órgão administrativo conhecer e analisar recursos e defesas intempestivos. 2 Processo n° 36266.012194/200646 52-C4112 Acórdão n.° 2402-00.700 Fl. 208 • A SRP apresentou contrarrazões (fls. 202/206), onde mantém o entendimento a respeito da internpestividade do recurso. É o relatório. 3 • Voto Conselheira Ana Maria Bandeira, Relatora A SRP considerou o recurso intempestivo e a recorrente vem discutir a tempestividade do mesmo, bem como a ausência-de intimação da decisão recorrida. -- Segundo a recorrente a intimação só se daria se o recebimento da correspondência encaminhada por AR — Aviso de Recebimento tivesse sido efetuado por um dos corresponsáveis indicados no contrato social. Não há qualquer dispositivo legal que trate do alegado requisito, ao contrario, o Decreto n° 70.235/1972, trata da intimação em seu art. 23, inciso II e só faz menção, no caso de intimação via postal que haja prova do recebimento no domicílio eleito pelo sujeito passivo, conforme se verifica abaixo: Art23 - Far-se-á a intimação: (...) II - por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; Ademais, o Inciso I do mesmo artigo que trata da intimação pessoal, considera a intimação feita pela a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, demonstrando que mesmo na intimação pessoal, a lei não exige que a intimação somente se dê com o recebimento pelos dos corresponsáveis, exclusivamente. Portanto, não há que se falar em ausência de intimação. • Quanto à tempestividade alegada, melhor sorte não merece a recorrente. De acordo com a cópia do AR juntado à folha 130, o recebimento no domicílio do sujeito passivo ocorreu em 03/11/2006. Aplicando-se a regra de contagem de prazo estabelecida pela Lei 10.406/2002, em seu art. 132, segundo o qual, salvo disposição legal ou convencional em 1(,) contrário, computam-se os prazos, excluído o dia do começo, e incluído o do vencimento. Quanto à alegação de que o recebimento teria ocorrido após o horário comercial, não há qualquer prova nesse sentido. Portanto, se o recebimento ocorreu em 03/11/2006, sexta feira, o prazo para apresentação do recurso começou a fluir na segunda feira, dia 06/11/2006 e terminou em 05/12/2006. Como a empresa apresentou o recurso em 06/12/2006, o mesm - intempestivo e não deve ser conhecido. Diante do exposto e de tudo o mais que dos autos consta. 4 Processo na 36266.012194/2006-16 S2-C4T2 Acórdão n." 2402-00.700 Fl. 209 Voto no sentido de NÃO CONHECER do recurso face à intempestividade do mesmo. É como voto. Sala das Sessões, em 23 de março de 2010 • IA BA ' EIRA - Relatora
score : 1.0
Numero do processo: 13848.000074/99-58
Turma: PLENO DA CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: Pleno
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Aug 29 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Mar 21 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/09/1991 a 30/06/1992
PIS. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECADÊNCIA. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ARTIGO 62A DO REGIMENTO INTERNO DO CARF.
Esta Corte Administrativa está vinculada às decisões definitivas de mérito proferidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF), bem como àquelas proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) em Recurso Especial repetitivo. Assim, conforme entendimento firmado pelo STF no julgamento do RE nº 566.621, bem como aquele esposado pelo STJ no julgamento do REsp nº 1.002.932, para os pedidos de restituição/compensação de tributos sujeitos a lançamento por homologação - formalizados antes da vigência da Lei Complementar 118, de 2005, ou seja, antes do dia 09/06/2005 - o prazo para o sujeito passivo pleitear restituição/compensação, será de 5 (cinco) anos, previsto no artigo 150, § 4º, do Código Tributário Nacional (CTN), somado a 5 (cinco) anos, previsto no artigo 168, I, desse mesmo Código.
Numero da decisão: 9900-000.554
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Pleno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcelo Oliveira - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo, Susy Gomes Hoffmann, Valmar Fonseca de Menezes, Alberto Pinto Souza Júnior, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Júnior, Jorge Celso Freire da Silva, José Ricardo da Silva, Karem Jureidini Dias, Valmir Sandri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Elias Sampaio Freire, Gonçalo Bonet Allage, Gustavo Lian Haddad, Manoel Coelho Arruda Junior, Marcelo Oliveira, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Henrique Pinheiro Torres, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Júlio César Alves Ramos, Maria Teresa Martinez Lopez, Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Possas, Mercia Helena Trajano Damorim que substituiu Marcos Aurélio Pereira Valadão.
Matéria: PIS - proc. que não versem s/exigências de cred. Tributario
Nome do relator: MARCELO OLIVEIRA
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TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECADÊNCIA. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ARTIGO 62A DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. Esta Corte Administrativa está vinculada às decisões definitivas de mérito proferidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF), bem como àquelas proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) em Recurso Especial repetitivo. Assim, conforme entendimento firmado pelo STF no julgamento do RE nº 566.621, bem como aquele esposado pelo STJ no julgamento do REsp nº 1.002.932, para os pedidos de restituição/compensação de tributos sujeitos a lançamento por homologação formalizados antes da vigência da Lei Complementar 118, de 2005, ou seja, antes do dia 09/06/2005 o prazo para o sujeito passivo pleitear restituição/compensação, será de 5 (cinco) anos, previsto no artigo 150, § 4º, do Código Tributário Nacional (CTN), somado a 5 (cinco) anos, previsto no artigo 168, I, desse mesmo Código. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Pleno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 84 8. 00 00 74 /9 9- 58 Fl. 377DF CARF MF Impresso em 21/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/03/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 10/03/2013 por MARCELO OLIVEIRA 2 (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo, Susy Gomes Hoffmann, Valmar Fonseca de Menezes, Alberto Pinto Souza Júnior, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Júnior, Jorge Celso Freire da Silva, José Ricardo da Silva, Karem Jureidini Dias, Valmir Sandri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Elias Sampaio Freire, Gonçalo Bonet Allage, Gustavo Lian Haddad, Manoel Coelho Arruda Junior, Marcelo Oliveira, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Henrique Pinheiro Torres, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Júlio César Alves Ramos, Maria Teresa Martinez Lopez, Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Possas, Mercia Helena Trajano Damorim que substituiu Marcos Aurélio Pereira Valadão. Fl. 378DF CARF MF Impresso em 21/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/03/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 10/03/2013 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 13848.000074/9958 Acórdão n.º 9900000.554 CSRFPL Fl. 3 3 Relatório Tratase de Recurso Extraordinário, fls. 0310 interposto dentro do prazo regimental pela nobre Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN) contra acórdão, fls. 0301, que decidiu negar provimento ao recurso especial. O acórdão em questão possui as seguintes ementa e decisão: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/09/1991 a 30/05/1992 Somente após a Resolução do Senado Federal suspensiva dos efeitos da norma declarada inconstitucional em controle difuso é que se forma o indébito c, portanto, iniciase o prazo prescricional para sua repetição, "dies a quo". Recurso especial negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da Segunda Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por maioria de votos, NEGAR provimento ao recurso especial. Vencido o Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho que deu provimento ao recurso. Ausentes momentaneamente os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres e Elias Sampaio Freire, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Em seu recurso extraordinário a PGFN alega, em síntese, que: 1. O acórdão recorrido diverge da jurisprudência mantida pela Quarta Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF/0400.810); 2. No acórdão recorrido foi decidido que o prazo prescricional para que o sujeito passivo possa pleitear a restituição e/ou compensação de valor pago indevidamente somente começa a fluir após a publicação da Resolução do Senado que reconhece e dá efeito erga omnes à declaração de inconstitucionalidade de lei ou a partir do ato da autoridade administrativa que concede ao contribuinte o efetivo direito de pleitear a restituição por considerar que somente a partir desta data é que surge o direito a repetição do valor pago indevidamente; 3. Porém, a Quarta Turma da CSRF, no acórdão paradigma, perfilhou entendimento diverso; Fl. 379DF CARF MF Impresso em 21/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/03/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 10/03/2013 por MARCELO OLIVEIRA 4 4. A Quarta Câmara decidiu que o direito de pleitear a restituição de tributo indevido, pago espontaneamente, perece com o decurso do prazo de cinco anos, contados da data de extinção do crédito tributário, considerado este como a data do pagamento, sendo irrelevante que o indébito tenha por fundamento inconstitucionalidade ou simples erro; 5. O acórdão recorrido diverge das determinações do CTN (Art. 156 e 168) e da Lei Complementar 118/2005 (Arts. 3º e 4º); 6. Em razão do exposto, roga pelo conhecimento e pelo provimento do seu recurso. Por despacho, fls. 0333, deuse seguimento ao recurso extraordinário. O sujeito passivo, devidamente intimado, não apresentou suas contra razões. Os autos retornaram ao Conselho, para análise e decisão. É o Relatório. Fl. 380DF CARF MF Impresso em 21/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/03/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 10/03/2013 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 13848.000074/9958 Acórdão n.º 9900000.554 CSRFPL Fl. 4 5 Voto Conselheiro Marcelo Oliveira, Relator. Acerca da admissibilidade do recurso extraordinário constatase que ao apreciar regra de norma geral acerca do prazo para repetição de indébito (art. 165, incisos I e II , e 168, inciso I, do CTN), ao contrário do decidido no acórdão recorrido, o acórdão paradigma considerou ser irrelevante que o indébito tenha por fundamento inconstitucionalidade ou simples erro. Portanto, demonstrado o dissídio jurisprudencial e preenchidas as demais formalidades, conheço do recurso extraordinário interposto pela Fazenda Nacional. Inicialmente, cabe salientar que, embora não esteja previsto no atual Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22/06/2009, o Recurso Extraordinário, referente a acórdão prolatado em sessão de julgamento ocorrida até 30/06/2009, será, nos termos do artigo 4º do RICARF, processado de acordo com o rito previsto no Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 147, de 25/06/2007. A divergência entre os acórdãos recorrido e paradigma cingese, basicamente, à fixação da data inicial para a contagem do prazo decadencial para o contribuinte pleitear restituição/compensação de valores. Para esclarecimento da questão, o(s) fato(s) geradores ocorreram em 01/09/1991 a 30/06/1992, fls. 009, e o pedido de restituição foi protocolado em 25/06/1999, fls. 001. A Fazenda Nacional pede que seja aplicado o prazo de cinco anos contados a partir da data de cada pagamento indevido eventualmente comprovado. No que tange ao objeto do presente recurso, houve pronunciamento do STF no julgamento do RE nº 566.621, bem como do STJ no julgamento do REsp nº 1.002.932, com efeito repetitivo, ao qual o CARF deve se curvar, conforme expressa disposição regimental. Conforme o artigo 62A do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 2009, esta Corte Administrativa deve reproduzir as decisões definitivas de mérito proferidas pelo STF, bem como aquelas proferidas pelo STJ em sede de Recurso Especial repetitivo. O entendimento exarado pelas Cortes Superiores é no sentido de que o prazo para o contribuinte pleitear restituição/compensação de tributos sujeitos a lançamento por homologação será, para os pedidos de compensação protocolados antes da vigência da Lei Complementar 118, de 2005, ou seja, antes do dia 09/06/2005, o de 5 (cinco) anos, previsto no artigo 150, § 4º, do CTN, somado ao de 5 (cinco) anos, previsto no artigo 168, I, desse mesmo código. Fl. 381DF CARF MF Impresso em 21/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/03/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 10/03/2013 por MARCELO OLIVEIRA 6 O acórdão do Supremo Tribunal Federal restou assim ementado: “DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – DESCABIMENTO –VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastando se as aplicações inconstitucionais e resguardando se, no mais, a eficácia da norma, permite se a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/05, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade do art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerando se válida a aplicação do novo prazo Fl. 382DF CARF MF Impresso em 21/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/03/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 10/03/2013 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 13848.000074/9958 Acórdão n.º 9900000.554 CSRFPL Fl. 5 7 de 5 anos tão somente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, §3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido.” Assim, no caso em apreço, como o contribuinte protocolou seu pedido de restituição/compensação no dia 25/06/1999, fls. 001, concluise que os pagamentos relativos aos fatos geradores que ocorreram após 25/06/1989 são passíveis de restituição e/ou compensação. CONCLUSÃO: Diante do exposto, NEGO PROVIMENTO ao Recurso Extraordinário interposto pela Fazenda Nacional, para afastar a decadência relativamente aos pagamentos referentes aos fatos geradores que ocorreram após 25/06/1989 e determinar o retorno dos autos à Autoridade Administrativa, para julgamento das demais questões objeto do pedido. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Fl. 383DF CARF MF Impresso em 21/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/03/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 10/03/2013 por MARCELO OLIVEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 19515.000887/2006-68
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 10 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2002, 2003, 2004
DECADÊNCIA. IRPF. Lançamento por homologação. Art. 150, § 4º, do
CTN. Falta de pagamento de parcela do tributo. Aplicabilidade do art. 173, I, do CTN. Decadência afastada.
REMUNERAÇÃO PELO EXERCÍCIO DE PROFISSÃO, ATIVIDADE OU
PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE NATUREZA NÃO COMERCIAL CONTRIBUINTE
É tributada como rendimento de pessoa física a remuneração por serviços prestados de natureza não comercial e personalíssima, com ou sem vínculo empregatício, independentemente da
denominação que se lhe dê. O simples fato de a relação contratual ter sido formalmente estabelecida em nome da pessoa jurídica não a torna contribuinte.
APLICAÇÃO DE LEI SUPERVENIENTE AO FATO GERADOR AUSÊNCIA
DE CARÁTER INTERPRETATIVO Inaplicável
o art. 129 da Lei n°. 11.196, de 2005, a fatos geradores pretéritos, uma vez que dito dispositivo legal não possui natureza interpretativa, mas sim instituiu um novo regime de tributação.
TRIBUTOS PAGOS PELA PESSOA JURÍDICA. COMPENSAÇÃO
Reconhecido o pagamento na pessoa jurídica, cabe deduzir a exigência na pessoa física. Incabível relegar essa matéria para apreciação no pedido de restituição ou de compensação de pagamento a maior.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2101-000.979
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de decadência. Pelo voto de qualidade, rejeitar a aplicação retroativa do art. 129 da Lei nº 11.196, de 2005, e a desconsideração da pessoa jurídica. Vencidos os conselheiros Odmir Fernandes, Alexandre Naoki Nishioki e Gonçalo
Bonet Allade que a aplicavam. Por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para compensar os tributos relativos à receita reclassificada, recolhidos na pessoa jurídica, com o crédito tributário objeto destes autos. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Jose Raimundo Tosta Santos.
Nome do relator: ODMIR FERNANDES
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2002, 2003, 2004 DECADÊNCIA. IRPF. Lançamento por homologação. Art. 150, § 4º, do CTN. Falta de pagamento de parcela do tributo. Aplicabilidade do art. 173, I, do CTN. Decadência afastada. REMUNERAÇÃO PELO EXERCÍCIO DE PROFISSÃO, ATIVIDADE OU PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE NATUREZA NÃO COMERCIAL CONTRIBUINTE É tributada como rendimento de pessoa física a remuneração por serviços prestados de natureza não comercial e personalíssima, com ou sem vínculo empregatício, independentemente da denominação que se lhe dê. O simples fato de a relação contratual ter sido formalmente estabelecida em nome da pessoa jurídica não a torna contribuinte. APLICAÇÃO DE LEI SUPERVENIENTE AO FATO GERADOR AUSÊNCIA DE CARÁTER INTERPRETATIVO Inaplicável o art. 129 da Lei n°. 11.196, de 2005, a fatos geradores pretéritos, uma vez que dito dispositivo legal não possui natureza interpretativa, mas sim instituiu um novo regime de tributação. TRIBUTOS PAGOS PELA PESSOA JURÍDICA. COMPENSAÇÃO Reconhecido o pagamento na pessoa jurídica, cabe deduzir a exigência na pessoa física. Incabível relegar essa matéria para apreciação no pedido de restituição ou de compensação de pagamento a maior. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de decadência. Pelo voto de qualidade, rejeitar a aplicação retroativa do art. 129 da Lei nº 11.196, de 2005, e a desconsideração da pessoa jurídica. Vencidos os conselheiros Odmir Fernandes, Alexandre Naoki Nishioki e Gonçalo Bonet Allade que a aplicavam. Por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para compensar os tributos relativos à receita reclassificada, recolhidos na pessoa jurídica, com o crédito tributário objeto destes autos. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Jose Raimundo Tosta Santos.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 28; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2255; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C1T1 Fl. 1 1 S2C1T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19515.000887/200668 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 210100.979 – 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 10 de fevereiro de 2011 Matéria IRPF Recorrente ANGÉLICA KSYVICKIS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2002, 2003, 2004 DECADÊNCIA. IRPF. Lançamento por homologação. Art. 150, § 4º, do CTN. Falta de pagamento de parcela do tributo. Aplicabilidade do art. 173, I, do CTN. Decadência afastada. REMUNERAÇÃO PELO EXERCÍCIO DE PROFISSÃO, ATIVIDADE OU PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE NATUREZA NÃO COMERCIAL CONTRIBUINTE É tributada como rendimento de pessoa física a remuneração por serviços prestados de natureza não comercial e personalíssima, com ou sem vínculo empregatício, independentemente da denominação que se lhe dê. O simples fato de a relação contratual ter sido formalmente estabelecida em nome da pessoa jurídica não a torna contribuinte. APLICAÇÃO DE LEI SUPERVENIENTE AO FATO GERADOR AUSÊNCIA DE CARÁTER INTERPRETATIVO Inaplicável o art. 129 da Lei n°. 11.196, de 2005, a fatos geradores pretéritos, uma vez que dito dispositivo legal não possui natureza interpretativa, mas sim instituiu um novo regime de tributação. TRIBUTOS PAGOS PELA PESSOA JURÍDICA. COMPENSAÇÃO Reconhecido o pagamento na pessoa jurídica, cabe deduzir a exigência na pessoa física. Incabível relegar essa matéria para apreciação no pedido de restituição ou de compensação de pagamento a maior. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de decadência. Pelo voto de qualidade, rejeitar a Fl. 679DF CARF MF Impresso em 05/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2012 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 24/08/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por ODMIR FERNANDES 2 aplicação retroativa do art. 129 da Lei nº 11.196, de 2005, e a desconsideração da pessoa jurídica. Vencidos os conselheiros Odmir Fernandes, Alexandre Naoki Nishioki e Gonçalo Bonet Allade que a aplicavam. Por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para compensar os tributos relativos à receita reclassificada, recolhidos na pessoa jurídica, com o crédito tributário objeto destes autos. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Jose Raimundo Tosta Santos. (assinado digitalmente) LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente na data da formalização do acórdão (assinado digitalmente) ODMIR FERNANDES Relator (assinado digitalmente) JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS Redator Designado Acórdão formalizado em 16/08/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Naoki Nishioka, Ana Neyle Olimpio Holanda, Caio Marcos Cândido, Gonçalo Bonet Allage, José Raimundo Tosta Santos e Odmir Fernandes. Relatório Tratase de Recurso Voluntário da decisão da 3ª Turma de Julgamento da DRF de Campo Grande/MS que manteve a exigência do IRPF dos exercícios de 2002, 2003 e 2004, anocalendário de 2001, 2002 e 2003, no valor de R$ 4.332.969,63, relativo à omissão de rendimentos decorrente da desconsideração das receitas tributada pela sociedade Angélica Participações e Produções Artísticas Ltda., da qual a autuada é sócia majoritária, por se tratar de serviços prestados em caráter personalíssimo. A decisão recorrida manteve a exigência da omissão de rendimentos pela desconsideração das receitas apuradas e declaradas pela sociedade Angélica Participações e Produções Artísticas Ltda., em razão de os serviços possuírem caráter personalíssimo e serem prestados pela sócia Angélica Ksyvickis, na qualidade de atriz, apresentadora de programas de televisão e de campanhas publicitárias, alheios ao objeto social, à possibilidade e a capacidade da prestação e tributação pela pessoa jurídica. Assim, as receitas tributadas na pessoa jurídica Angélica Participações e Produções Artísticas Ltda. foram desconsideradas na pessoa jurídica para considerar a tributação, pela autuação levada a efeito, na pessoa física da Recorrente. Entendeu ainda a decisão recorrida a inaplicabilidade do art. 129, da Lei 11.196, 2005, por se tratar de fato anterior a sua vigência e não se cuidar de norma interpretativa. Fl. 680DF CARF MF Impresso em 05/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2012 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 24/08/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por ODMIR FERNANDES Processo nº 19515.000887/200668 Acórdão n.º 210100.979 S2C1T1 Fl. 2 3 Não admitiu a decisão recorrida a compensação dos tributos pagos pela pessoa jurídica, sob o fundamento de haver necessidade de formular pedido de restituição ou compensação e se comprovar o efetivo pagamento do tributo. Não reconheceu a decadência, por entender constituído o crédito tributário dentro do prazo legal. Tocante ao prólabore pago à autuada, na qualidade de sócia da sociedade Angélica Participações e Produção, a decisão recorrida entendeu não ser hipótese de dedução do rendimento omitido, em razão de existir outras receitas que não foram desconsideradas. Nas razões de recurso sustenta a Recorrente, em resumo: a) A decisão recorrida “realocou” as receitas auferidas pela sociedade Angélica Participações para a pessoa física da Recorrente. Essa realocação dos rendimentos fere os princípios da estrita legalidade, liberdade de autoorganização e da capacidade contributiva; b) A decisão recorrida ignorou o fato de a empresa Angélica Participações ser uma sociedade civil, regular, de prestação de serviços de natureza artística, e o artista possui profissão regulamentada. As receitas foram tributadas na pessoa jurídica não havendo vedação para a prestação desses serviços; c) O art. 129, da Lei n° 11.196/05 traz norma interpretativa aos serviços de natureza intelectual ou artística, prestados em caráter personalíssimo, com obrigações especificas aos sócios ou empregados da sociedade; d) Sustenta inexistir a simulação, ventilada pela r. decisão recorrida, jamais aduzida pela autuação, pois não existe vicio de vontade ou negócio simulado. É lícita a estruturação dos negócios da Recorrente e da empresa Angélica Participações, por isso, a decisão recorrida não poderia ter alterado o fundamento da autuação com modificação do lançamento após a impugnação; e) Pede ainda reforma da decisão recorrida para: (a) compensar os tributos pagos na sociedade Angélica Participações; (b) excluir o prólabore tributado pela Recorrente; e (c) alterar o lançamento para apuração do Livro Caixa, na forma do art. 75, do RIR/99; e h) Por fim, pede o reconhecimento da decadência das notas fiscais emitidas pela sociedade Angélica Participações até 25.05.2001, posto que a notificação do lançamento ocorreu em 25.05.2006. É o breve relatório. Voto Conselheiro Odmir Fernandes, Relator. O recurso preenche os requisitos de admissibilidade. Decadência Fl. 681DF CARF MF Impresso em 05/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2012 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 24/08/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por ODMIR FERNANDES 4 Aprecio a preliminar de mérito, relativa à decadência do direito de a Fazenda constituir crédito tributário pelo lançamento aos fatos geradores do exercício de 2001, com a notificação do lançamento (autuação) realizada em 25.05.2006. A decisão recorrida entendeu cuidar de lançamento por homologação, mas não admitiu a decadência por se trata de tributo de lançamento anual, cujo gerador que se perfaz no dia 31 de dezembro de cada ano. Agiu com acerto a decisão recorrida. Tratase de lançamento por homologação, mas o fato gerador se perfaz ao final de cada anocalendário. Diferente seria se a incidência se desse de forma instantânea, com tributação exclusiva, sem ajuste anual. Entre 01.01.2002 e 25.05.2006, não transcorreu lapso decadencial, assim, rejeito a preliminar de mérito, relativa a decadência e passo ao exame da matéria de fundo do direito. Serviços personalíssimos Na matéria de fundo, a questão sob exame diz respeito a exigência do Imposto de Renda, na pessoa física, pela prestação de serviços personalíssimos, pela autuada, sócia majoritária da pessoa jurídica, onde as receitas/rendimentos recebidos foram submetidos à tributação. Não se nega o caráter personalíssimo da prestação dos serviços realizados pela Recorrente. O fundamento legal da exigência, pelo que consta da autuação, é o seguinte: arts. 1° a 3° e §§, Lei n° 7.713, de 1988; do art. 1° ao 3° da Lei 8.137, de 1990; art. 45, do RIR/99; art. 1° da Lei n° 9.887/99; e art.1°, da MP n° 22/2002, convertida na Lei n° 10.451/2002. A Lei n° 8.137, de 1990, cuida do crime contra a ordem tributária; o art. 45, do RIR/99 tratar da tributação, na pessoa física, dos rendimentos do trabalho não assalariado; a Lei n° 9.887, de 1999, cuida da alíquota do IRPF; a MP n° 22/2002, convertida na Lei n° 10.451, alteraram a legislação do imposto de renda. Dessa forma, o fundamento nuclear da exigência decorre dos arts. 1° a 3° e §§, Lei n° 7.713, de 1988, que transcrevo para melhor exame da matéria: Lei n° 7.713, de 1988: "Art. 1° Os rendimentos e ganhos de capital percebidos a partir de I° de janeiro de 1989, por pessoas físicas residentes ou domiciliadas no Brasil, serão tributadas pelo imposto de renda na forma da legislação vigente, com as modificações introduzidas por esta Lei. Art. 2° O imposto de renda das pessoas físicas será devido, mensalmente, à medida que os rendimentos e ganhos de capital forem percebidos. Fl. 682DF CARF MF Impresso em 05/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2012 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 24/08/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por ODMIR FERNANDES Processo nº 19515.000887/200668 Acórdão n.º 210100.979 S2C1T1 Fl. 3 5 Art. 3° O imposto incidirá sobre o rendimento bruto, sem qualquer dedução, ressalvado o disposto nos arts. 9° a 14 desta Lei. § 1° Constituem rendimento bruto todo o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos, os alimentos e pensões percebidos em dinheiro, e ainda os proventos de qualquer natureza, assim também entendidos os acréscimos patrimoniais correspondentes aos rendimentos declarados. ...... § 4° A tributação independe da denominação dos rendimentos, títulos ou direitos, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem dos bens produtores da renda, e da forma de percepção das rendas ou proventos, bastando, para incidência do imposto, o benefício do contribuinte, por qualquer forma e a qualquer título. Com isso, concluiu a fiscalização: “Dessa forma, os apresentadores de programas televisivos, cujos serviços são prestados de forma pessoal, terão seus rendimentos tributados na pessoa física, sendo irrelevante a existência de pessoa jurídica para tratar dos seus interesses.” Esses foram os fundamentos da autuação omissão de rendimentos, na pessoa física, em razão de os serviços prestados pela autuada, na qualidade de atriz e apresentadora de programas de televisão, serem recebidos pela sociedade civil, atual simples, Angélica Participações e Produções Artísticas Ltda. Com isso houve a desconsideração da tributação do imposto de renda na pessoa jurídica dos rendimentos recebidos, principalmente da TV Globo Ltda., para considerar a tributação na pessoa física da autuada. A Recorrente é sócia majoritária da sociedade Angélica Participações e Produções Artísticas Ltda., constituída em 01.05.1993. O contrato social qualifica a autuada como atriz e apresentadora de programas de televisão. Vejamos a desconsideração da receita/rendimentos da pessoa jurídica. Diferente do poder público que só pode fazer o que e a lei autoriza, o particular pode fazer tudo que a lei não proíbe. Não vemos nas disposições normativas, objeto da autuação, qualquer proibição ao particular para constituir sociedade, ou proibição para firmar contratos ou receber rendimentos ou receita por intermédio da pessoa jurídica, mesmo ao sócio majoritário e a prestação decorrer do trabalho pessoal realizado em caráter personalíssimo. Em nosso sentir, os dispositivos legais ditos por violados pela autuação não admitem extrair a dedução de a lei não permitir o recebimento do trabalho pessoal de caráter personalíssimo por intermédio da sociedade. Fl. 683DF CARF MF Impresso em 05/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2012 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 24/08/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por ODMIR FERNANDES 6 O direito tributário nacional repousa no principio da legalidade, para qualquer exigência tributaria é necessária a previsão em lei. Para desconsiderar o ato ou negócio realizado pela pessoa jurídica, que estruturou de forma licita e não vedada em lei seus negócios e pagou o tributo pelo regime da sociedade, é necessário a fiscalização demonstrar e comprovar a existência de fraude, dolo ou simulação, violação ou abuso de lei ou do direito, situação que não corre na hipótese dos autos. A exigência feita na autuação decorre única e exclusivamente da presunção de os serviços por terem caráter personalíssimo somente podem ser tributados pela pessoa física. Fosse isto verdadeiro deveria haver ilicitude ou vedação em lei do objeto social da sociedade ou nos contratos de prestação de serviços firmados pela Angélica Participações com os contratantes. Não o que ocorre. A resposta é sempre negativa. A sociedade é licita, o objeto é licito; os contratos de prestação de serviços, o sujeito, o objeto, o negócio são todos lícitos. Não se cuida aqui também da velha discussão acadêmica da tributação da atividade ilícita. Nestas não se vê a atividade desenvolvida, mas a receita da atividade que deve ser submetida à tributação. À evidencia, qualquer sociedade que tivesse por atividade jogos de azar seria desconsiderada, pela ilicitude do objeto, e tributada na pessoa natural. A personificação das sociedades e a separação patrimonial de bens entre os sócios ou acionistas da sociedade, sabemos, é abstrata, é mera criação do direito. No momento em que a sociedade se estrutura conforme as regras do direito posto e não ofende essas regras, o direito tributário não pode desconsiderar a estruturação dos negócios e atos, sem vedação em lei, sob pena de afronta aos arts. 109 e 110, do CTN e a garantia constitucional da livre iniciativa, trabalho e profissão art. 5º, XIII e XVII, da CF, 1988. Não vemos na atividade desenvolvida pela sociedade Angélica Participações ou na receita recebida qualquer ilicitude, evasão ou fraude, seja da lei ou do direito, mas conduta lícita, própria da elisão fiscal, do planejamento tributário organizado para a menor incidência tributária, previdenciária e trabalhista, da atividade econômica desenvolvida pela autuada. Para desconsiderar o recebimento dos rendimentos na pessoa jurídica, pensamos, só caberia cogitar na aplicação do Parágrafo único, art. 116, do CTN, na redação da LC 104/2001. Art. 116. Salvo disposição de lei em contrário, considerase ocorrido o fato gerador e existentes os seus efeitos: ............. Parágrafo único. A autoridade administrativa poderá desconsiderar atos ou negócios jurídicos praticados com a finalidade de dissimular a ocorrência do fato gerador do tributo ou a natureza dos elementos constitutivos da obrigação Fl. 684DF CARF MF Impresso em 05/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2012 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 24/08/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por ODMIR FERNANDES Processo nº 19515.000887/200668 Acórdão n.º 210100.979 S2C1T1 Fl. 4 7 tributária, observados os procedimentos a serem estabelecidos em lei ordinária. Não foi essa a acusação e nem temos a lei regulamentando essa disposição normativa, daí impossível qualquer cogitação nesse sentido. O Judiciário, ao contrário da referencia feita pela decisão recorrida aos julgados nos REsp 663.370CE e Ag 837.934DF, do C. STJ, nunca vedou ou censurou a constituição de sociedade para prestação de serviço de caráter pessoal, conforme pode ser examinado em toda construção jurisprudencial, não só do STJ, mas do C. STF em relação as alíquotas do ISS às sociedades de profissionais, previstas no art. 9°, do Decreto – Lei n° 406, de 1968. Nestas sociedades predomina os serviços personalíssimos com a responsabilidade pessoal do profissional. ISS. Sociedades profissionais. Tratamento tributário favorecido (art. 9.º, § 3.º, do Dec.lei 406/68). Sociedades uniprofissionais e pluriprofissionais. Habilitação profissional dos sócios. Para que a sociedade prestadora de serviços, quer uniprofissional, quer pluriprofissional ou interdisciplinar, faça jus ao tratamento tributário favorecido, nos termos do art. 9.º, § 3.º, do Dec.lei 406/68, é necessário que todos os sócios sejam profissionais habilitados à prestação de serviços que constituem o objeto social. Precedentes. Descaracterizada está a sociedade para efeito de tratamento tributário favorecido, se a habilitação profissional dos sócios não é pertinente à especialização dos serviços prestados, ou, sendo pertinente, dela não participam sob a forma pessoal do trabalho profissional, mas tãosó como empresários, com aporte de capital e intuito lucrativo. Precedentes. Não faz jus ao pagamento do ISS, calculado com base em alíquotas fixas em relação a cada profissional, nos termos do art. 9.º, § 3.º, a sociedade prestadora de serviços de laboratório de análises clínicas e de eletricidade médica, em que dos quatro sócios dois são médicos, e, os outros, um administrador de empresa, e um economista e advogado. Recurso extraordinário conhecido e provido” (STF, 1.ª T., RE 105.854/SP, rel. Min. Rafael Mayer, j. 18.06.1985, v.u.). ISS. Tratamento favorecido do § 3.º do art. 9.º do Dec.lei 406/68. Sociedades de prestação de serviços sob forma empresaria. Tem sido entendimento do Supremo Tribunal Federal que o Imposto sobre Serviços (ISS) que incide sobre as sociedades prestadoras de serviços, organizadas sob a forma empresarial, é na base da alíquota genérica, destinada às empresas. Para o tratamento fiscal mais favorecido (art. 9.º, § 3.º, c/c o § 1.º do mesmo artigo do Dec.lei 406/68), é necessário que se configure a forma pessoal do trabalho profissional devendo assim, as sociedades caracterizaremse como unipessoais ou pluripessoais de prestação de serviços. Incabível, assim, o extraordinário pelo fundamento da letra a do permissivo constitucional. Precedentes” (STF, 2.ª T., AgIn 94.654/SP, rel. Min. Aldir Passarinho, j. 30.03.1984). Fl. 685DF CARF MF Impresso em 05/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2012 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 24/08/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por ODMIR FERNANDES 8 ISS. Sociedade civil. Benefício tributário. Prestação de serviço em caráter empresarial.. Sociedade que não reúne condições para caracterizarse como sociedade uniprofissional ou pluriprofissional de prestação de serviços, pois, organizada em forma empresarial, não merece ser tributada à base dos incisos legais aplicáveis ao profissional liberal, se não que lhe cabe o tratamento genérico dado à empresa. Agravo regimental improvido” (STF, 1.ª T., AgRg 90.410/SP, rel. Min. Rafael Mayer, j. 20.05.1983, v.u.). ISS. Alíquotas. Sociedade de prestação de serviços contábeis. Forma empresarial. Dec.lei 406/68, art. 9.º, §§ 1.º e 2.º. Desde que a prestação do serviço assuma forma pela atividade conjunta e indiscriminada dos seus elementos na realização do serviço típico, descaracterizada está a forma pessoal do trabalho do profissional, sem que caiba, portanto, o tratamento favorecido do § 3.º c/c § 1.º do art. 9.º do Dec.lei 406. RE não conhecido” (STF, 1.ª T., RE 99.2669/RS, rel. Min. Rafael Mayer, j. 19.04.1983, v.u.) No mesmo sentido: STF, RE 244.149/RJ, rel. Min. Sepúlveda Pertence, j. 06.03.2001; STF, 1.ª T., RE 88.531/ES, rel. Min. Xavier Albuquerque, j. 11.04.1978; STF, 2.ª T., RE 102.129/SP, rel. Min. Francisco Rezek, j. 12.03.1985; STF, 2.ª T., RE 99.399/SP, rel. Min. Francisco Rezek, j. 22.11.1983; STF, 1.ª T., RE 102.204/SP, rel. Min. Sydney Sanches, j. 10.12.1984; STF, Pleno, RE 82.091/SP, rel. Min. Leitão de Abreu, j. 11.10.1978; STF, Pleno, RE 82.724/CE, rel. Min. Leitão de Abreu, j. 11.10.1978; STF, 1.ª T., RE 92.8693/SP, rel. Min. Xavier Albuquerque, j. 26.08.1980 ; STF, 1.ª T., AgIn 72.295/CE, rel. Min. Xavier Albuquerque, j. 24.10.1978 ; STF, Pleno, RE 200.3247/RJ, rel. Min. Marco Aurélio, j. 04.11.1999; STF, 1.ª T., RE 105.185/RS, rel. Min. Rafael Mayer, j. 03.05.1985; STF, 2.ª T., RE 261.5218/MG, rel. Min. Marco Aurélio, j. 12.09.2000; STF, 2.ª T., RE 272.1611/MG, rel. Min. Marco Aurélio; STF, 2.ª T., RE 229.6631/MG, rel. Min. Marco Aurélio; STF, RE 228.0529/MG, rel. Min. Moreira Alves). Nesse sentido a doutrina possui o mesmo posicionamento (cf. Eduardo Jacobson Neto, Planejamento tributário – Aspectos teóricos e práticos: Prestação de serviços personalíssimos e a interpretação dispensada pelo 1° Conselho de Contribuinte do Ministério da Fazenda, Coord., Pedro Anan Jr., Vol. II, Ed. Quartier Latin, SP, 2009, p.222). Estrutura empresarial Sustenta ainda a Recorrente que em decorrência dos custos e despesas da atividade, a sociedade Angélica Participações e Produções Artísticas Ltda. possui empregados e estrutura empresarial, com custos e despesas para o desempenho de suas atividades e o lucro médio obtido nos exercícios da autuação de 2001 a 2003 foi de 7,86%. (fls. 672). De fato, as DREs dos exercícios de ano de 2001 a 2000 constantes dos autos nos dão conta de uma receita de R$ 2.291.926,49; R$1.646.882,50; e R$2.087.262,19, nos respectivos exercícios e de um lucro de R$ 209.168,11, R$47,21, R$1.376,16, no mesmo período. Fl. 686DF CARF MF Impresso em 05/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2012 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 24/08/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por ODMIR FERNANDES Processo nº 19515.000887/200668 Acórdão n.º 210100.979 S2C1T1 Fl. 5 9 Soa estranha a existência dessas significativas despesas e custos da atividade desenvolvida, com mínimo lucro em 2002 e 2003, constante dos demonstrativos de resultados da sociedade pertencente a autuada, da qual ela detém o total controle. Tais demonstrativos de resultados não estão assinados ou autenticados e a contabilidade da sociedade não foi confrontada e nem receberam o exame de seus lançamentos, registros e apontamento, pela fiscalização. No processo administrativo fiscal, principalmente o federal, o julgador precisa de redobrada prudência e cautela, como de resto a todo processo, mas aqui em especial, isto em razão da ausência de contraditório nesta fase processual. No sistema do processo administrativo fiscal federal não há resposta na fase da impugnação ou do recurso. Essa falta de resposta representa certa anomalia processual, mas não chega a afronta ao princípio do devido processo legal, pensamos, em razão de o procedimento decorrer do próprio sistema adotado pelo sujeito ativo da obrigação. No processo administrativo fiscal federal o julgador precisa ter muita cautela e prudência, como em qualquer processo, mas aqui em especial, em razão da ausência de contraditório. Não temos resposta ao recurso no juízo ad quem ou no juízo a quo, com a impugnação. Há certa anomalia no sistema, mas não chega a afronta aos princípios constitucionais, pensamos, em razão de essa adoção ser feita em decorrência da própria adoção do sujeito ativo da obrigação tributária, que se corrige com outros mecanismos processuais colocados à disposição da Fazenda, seja dos embargos com efeito modificativo, seja da possibilidade de último recurso. Os resultados operacionais da sociedade, por não se constituírem em prova pericial contábil e não possuírem a aferição da sua consistência e veracidade das informações pela fiscalização, não podem ser ter maior valoração do julgador. Toda prova licita é permitida pelo nosso direito. Contudo, os demonstrativos de resultados da sociedade não receberam contrariedade, não foram submetidos a fiscalização no momento oportuno, com isso deve haver maior prudência e cautela na valoração desses elementos no exame concreto da situação submetida ao juízo de cognição do julgador. Com isso, deixou de considerar o exame da estrutura empresarial da sociedade com os Demonstrativos de Resultados – DRE. Profissão artista Sustenta a recorrente, sem contrariedade, que é artista. No contrato social a Recorrente qualificase como atriz e apresentadora de programas de televisão com profissão regulamentada. Este fato não foi contrariado, de forma que devemos admitilo como verdadeiro. Fl. 687DF CARF MF Impresso em 05/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2012 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 24/08/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por ODMIR FERNANDES 10 Pois bem, a Lei° 6.533, de 1978, regulamenta a profissão de artista e o art. 2° a define: Art. 2º Para os efeitos desta lei, é considerado: I Artista, o profissional que cria, interpreta ou executa obra de caráter cultural de qualquer natureza, para efeito de exibição ou divulgação pública, através de meios de comunicação de massa ou em locais onde se realizam espetáculos de diversão pública; Na sociedade civil ou simples de profissão regulamentada a legislação do imposto de renda é expressa ao admitir o regime tributário das pessoas jurídicas em geral. Com isso, também não há qualquer irregularidade Regulamentar do Imposto de Renda da Pessoa Física, de a acusada se valer da sociedade Angélica Participações e Produções Artísticas Ltda., constituída em 01.05.1993, para receber os rendimentos ou as receitas da prestação de serviços ainda que personalíssimos contratados pela sociedade de que é titular. Norma interpretativa O art. 129, da Lei n° 11.196/05, objeto da conversão da MP 252, de 2005, conhecida como MP do Bem, vem gerando acaloradas e apaixonadas discussão acadêmicas sobre seu caráter interpretativo ao direito tributário, ante o disposto no art. 106, do CTN. Pois bem, o dispositivo em comento permite, de forma expressa, a constituição de sociedade para a prestação de serviços profissionais personalíssimos. Vejamos: Art. 129. Para fins fiscais e previdenciários, a prestação de serviços intelectuais, inclusive os de natureza científica, artística ou cultural, em caráter personalíssimo ou não, com ou sem a designação de quaisquer obrigações a sócios ou empregados da sociedade prestadora de serviços, quando por esta realizada, se sujeita tãosomente à legislação aplicável às pessoas jurídicas, sem prejuízo da observância do disposto no art. 50 da Lei 10.406, de 10 de janeiro de 2002 Código Civil. Qual seria então o sentido e alcance dessa disposição normativa? Queremos crer seja norma interpretativa, com alcance ao art. 106, do CTN, tendo por objetivo disciplinar e pacificar os conflitos, trazer segurança jurídica no sentido de a pessoa física poder se organizar e estruturar seus negócios por meio de sociedade para a prestação de serviços profissionais de caráter personalíssimos. A norma interpretativa no direito tributário possui regra própria e se aplica a fato pretérito, dai a importância no exame da matéria, como podemos ver no art. 106, do CTN. Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I – em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II – tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; Fl. 688DF CARF MF Impresso em 05/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2012 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 24/08/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por ODMIR FERNANDES Processo nº 19515.000887/200668 Acórdão n.º 210100.979 S2C1T1 Fl. 6 11 b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. A justificativa da exposição de motivo do projeto da inclusão do art. 129, na Medida Provisória n° 252 de 2005 (PVL 23/05), que se converteu na Lei 11.196, de 2005, deixa claro o caráter interpretativo, conforme vemos da seguinte mensagem legislativa: "Os princípios da valorização do trabalho humano e da livre iniciativa previstos no art. 170 da Constituição Federal asseguram a todos os cidadãos o poder de empreender e organizar seus próprios negócios. O crescimento da demanda por serviços de natureza intelectual em nossa economia requer a edição de norma interpretativa que norteie a atuação dos agentes da Administração e as atividades dos prestadores de serviços intelectuais, esclarecendo eventuais controvérsias sobre a matéria." (cf., PVL 23/05). Essa mensagem foi reiterada na justificativa da emenda a MP 436, de 2008: Inclua se onde couber na Medida Provisória 436 de 26 de junho de 2008 o seguinte artigo: Art.. “O art.129 da Lei nº 11.196, de 21 de novembro de 2005, tem natureza interpretativa, com efeitos exnunc e extunc.” Justificativa O art.129 da Lei nº 11.196 de 21 de novembro de 2005, em nada inovou em relação ao tratamento tributário e previdenciário dispensado à prestação de serviços intelectuais por uma pessoa jurídica a outra. Teve tãosomente o propósito de esclarecer a matéria, ante as controvérsias geradas por procedimentos fiscais fundados em premissas insubsistentes. Na justificação de emenda parlamentar da qual resultou o mencionado art. 129 se faz alusão expressa ao caráter interpretativo da norma. Malgrado isso, algumas instâncias de julgamento administrativo teimam em não reconhecer esse caráter interpretativo, na errônea presunção de que os efeitos da norma seriam exclusivamente exnunc, como se decorresse de um regime tributário especial. Esta emenda tem propósito de por fim aos equívocos na aplicação do art. 129 da Lei nº 11.196, de 2005, e desse modo remover circunstâncias que, lamentavelmente, promovem insegurança jurídice custos para a administração fiscal e para o contribuinte. PEDRO ANAN JR., JULIANA GRANDINO LATORRE e THAIS ABREU DE AZEVEDO SILVA, em estudo específico sobre o tema entendem que o artigo 129 é norma interpretativa. (cf., O Fl. 689DF CARF MF Impresso em 05/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2012 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 24/08/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por ODMIR FERNANDES 12 artigo 129 da Lei 11.196/05 e a tributação das pessoas jurídicas, in Fiscosoft). No mesmo sentido, dos mesmos autores, PEDRO ANAN JR., JULIANA GRANDINO LATORRE e THAIS ABREU DE AZEVEDO SILVA (cf., Principais aspetos da Lei 11.196/05, a “MP do Bem”: Considerações a respeito do art. 129, da Lei n° 11.196/05, Cood. Ives Gandra da Silva Martin, Marcelo Magalhães Peixoto e André Elai, Ed.. ApetMP, SP, 2006. p.155/165). PEDRO ANAN JR., em outro trabalho aprofundo sobre o tema, conclui pela natureza interpretativa do art. 129, da Lei 11.196/05 ao examinar o veto à emenda 3, feita ao art. 6° da Lei 10.593/02 (cf., Prestação de serviços intelectuais por pessoa jurídica Aspectos legais, econômicos e tributário: Comentários sobre o veto a emenda 3, que alterava o art. 6° da Lei 10.593/02, e as autuações fiscais das sociedade prestadoras de serviços. Cood. Pedro Anan Jr. e Marcelo Magalhães Peixoto, coEd. Apet – MP, SP. 2008, p.517/530). EDMAR OLIVEIRA ANDRADE FILHO ao comentar o artigo 129, da Lei 11196, de 2005, vai mais longe e sustenta, após entender sua natureza processual e de aplicação imediata, que o referido dispositivo ao fazer remissão ao art. 50 do Código Civil veda a autoridade administrativa, sem autuação do Judiciário, interferir na desconsideração, ainda que indireta, da atividade da pessoa jurídica. O art. 129 da Lei nº. 11.196/2005 mudou completamente o quadro normativo a respeito da sujeição passiva do imposto de renda para certas empresas prestadoras de serviço. O referido preceito determina que, para fins fiscais e previdenciário, a prestação de serviços intelectuais, inclusive os de natureza cientifica, artística ou cultural, em caráter personalíssimo ou não, com ou sem a designação de quaisquer obrigação a sócios ou empregados da sociedade prestadora de serviços, quando por esta realizada, ficará sujeita tãosomente a legislação aplicável as pessoas jurídicas, sem prejuízo da observância do dispositivo no art. 50 do CC. Ao fazer menção ao “caráter personalíssimo” ou não dos serviços intelectuais a norma do art. 129 da Lei nº 11.196/2005 indica que para sua aplicação basta a existência da sociedade legalmente constituída. Portanto, o preceito sob analise acaba por permitir, para fins fiscais, a existência de uma sociedade (a lei menciona “sociedade prestadora”) sem empresa, e, neste ponto, adota o mesmo tratamento que o ordenamento jurídico dispensava as “sociedades civis de profissão legalmente regulamentada” (§ 3º do art. 146 do RIR/99), para as quais não é exigida a existência de uma empresa para tomar valida a sua constituição e a forma de tributação com base no lucro presumido. Assim sendo, a exploração econômica de atividade de natureza científica, artística ou cultural, pode ser feita por intermédio de uma pessoa jurídica sem que as autoridade possam contestar a natureza pessoal dos trabalhos que geram as receitas, em cada caso. Fl. 690DF CARF MF Impresso em 05/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2012 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 24/08/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por ODMIR FERNANDES Processo nº 19515.000887/200668 Acórdão n.º 210100.979 S2C1T1 Fl. 7 13 O referido art. 129, ao fazer menção expressa ao art. 50 do CC., interfere nos poderes da administração para resolver a questão acerca da validade dos atos firmados entre particulares e os respectivos efeitos tributários decorrentes. A rigor, o referido preceito retira temporariamente da administração, em relação a esta matéria, o poder de autotutela que a Administração Publica possui e que lhe da direito de executar os seus próprios atos até onde esse direito não conflite com a prerrogativa que a Constituição Federal outorga ao Poder Judiciário para dizer qual o direito a ser aplicado aos casos submetidos ao seu conhecimento, na forma das Leis processuais. A interferência nos poderes da Administração decorre da natureza de norma de competência do referido preceito que prescreve – por via de menção ao art. 50 do CC – que todas as questões relacionadas com os efeitos tributários do “trabalho personalíssimo” por intermédio de uma pessoa jurídica legalmente constituída sejam submetidas a um magistrado. A esse magistrado caberia dizer se houve ou não o “abuso do direto” que é fundamental axiológico do mencionado art. 50. A determinação de que a matéria esta sob reserva de jurisdição traduz norma de direito processual que tem efeito imediato, e, portanto, atinge todos os casos já em andamento e que não foram definitivamente julgados. Em outras palavras, a norma tem nítido efeito retroativo para atingir todas as situações que ainda não estejam definitivamente julgadas na esfera judicial. Disto decorre que às autoridades fiscais cabe adotar as medidas necessárias a submeter a matéria ao crivo do Poder Judiciário antes de adotar qualquer medida de cobrança extrajudicial ou execução judicial do suposto débito, ou do seguimento do processo administrativo, se for o caso. (Planejamento tributário, Ed. Saraiva, 2009, SP, p. 307/308). EVERARDO MACIEL, exSecretario da Receita Federal por dois mandatos do Presidente da República, em prefácio a trabalho de renomados autores sobre estudo especifico da tributação dos serviços personalíssimos, destaca com propriedade: “Quando considerado, no curso do processo administrativo fiscal, o artigo 129 da Lei 11.196, de 21.11.2005, foi tido como norma que instituiu novo regime fiscal, ainda que não se saiba o que venha a ser tal regime. Os autores deste livro que abordaram especificamente a questão são unânimes em estender o efeito retroativo da norma. Quase todos a vêem como de caráter interpretativo, tese que também perfilho. Ninguém a compreende como marco de um novo regime fiscal, com efeitos a partir de sua vigência. A insistência da administração fiscal em perceber de forma restritiva o comando do referido artigo 129 e o disfarçado recurso ao disposto no artigo 116, parágrafo único, do CTN, já Fl. 691DF CARF MF Impresso em 05/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2012 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 24/08/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por ODMIR FERNANDES 14 dito como carente de norma que lhe de concretude, é que certamente inspirou o legislador a introduzir o que veio a ser chamado de Emenda 3 no projeto de Lei, do qual resultou a Lei 11.457, de 16.03.2007, que instituiu a Receita Federal do Brasil. Tal Emenda nada mais é que uma nova ordem de serviço. Pois tãosomente lembra a autoridade administrativa que, ressalvadas as hipóteses de simulação, a desconsideração de ato ou negocio jurídico, sem autorização judicial, só poderia ocorrer com a aprovação, por lei ordinária, dos procedimentos especiais reclamados pela parte final do parágrafo único do artigo 116 do CTN. A Emenda 3 foi vedada pelo Poder Executivo, por pressões políticas de natureza corporativa. Surpreendentemente, logo após vetar, o Poder Executivo encaminhou ao Congresso Nacional projeto de lei com o propósito de permitir a desconsideração de atos ou de negócios jurídicos pela autoridade administrativa, nos termos do artigo 116, parágrafo único do CTN. Se necessário o projeto de lei, porque vetar a Emenda Três que justamente dizia, por via oblíqua, que a desconsideração demandaria com a mais trivial lógica. A prestação de serviços intelectuais, na forma aqui tratada, ainda suscita outras indagações. Se a autoridade fiscal entende ilícita essa pratica, por que, desde sempre, não esclareceu seu entendimento, mediante a edição de atos interpretativos? O contribuinte se inscreve no cadastro fiscal, pratica os atos contratuais pactuados com o contratante, recolhe com regularidade os tributos devidos pela pessoa jurídica, por que, então, se vê inopinadamente surpreendido com uma interpretação diversa do que sempre julgou licito? Seria o caso de se falar em deslealdade institucional?” (Prestação de serviços intelectuais por pessoa jurídica Aspectos legais, econômicos e tributário: Comentários sobre o veto a emenda 3, que alterava o art. 6° da Lei 10.593/02, e as autuações fiscais das sociedade prestadoras de serviços. (op.cit., Cood. Pedro Anan Jr. e Marcelo Magalhães Peixoto, coEd. Apet – MP, SP. 2008, p.517/530, ressaltamos e grifamos, para destacar). Com essas autorizadas explicações sobre a origem do art. 129, da Lei 11.196, de 2005, não nos parece haver dúvida de se tratar de norma meramente interpretativa, com aplicação conforme ao artigo 106, do CTN. Cremos que ao art. 129, veio apenas a deixar claro que as pessoas naturais ou físicas podem se utilizar da pessoa jurídica para a prestação de serviços personalíssimos e contrair direitos e obrigações em nome da pessoa jurídica. Pró Labore Sustenta a Recorrente que deve ser descontado da base de calculo do tributo exigido na autuação os valores do prólabore. A decisão recorrida entendeu que a Recorrente enquanto sócia, possui outras receitas, não incidindo o prólabore, necessariamente, sobre os rendimentos desconsiderados, até porque, mesmo se houvesse prejuízo a sociedade poderia atribuílos aos sócios. Fl. 692DF CARF MF Impresso em 05/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2012 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 24/08/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por ODMIR FERNANDES Processo nº 19515.000887/200668 Acórdão n.º 210100.979 S2C1T1 Fl. 8 15 Assim, aos rendimentos desconsiderados na pessoa jurídica, de fato, não possuem, necessariamente, qualquer vinculação com o pagamento de prólabore, daí porque não vemos reparo da decisão recorrida nesse aspecto. Compensação dos tributos pagos na pessoa jurídica Aqui, vemos que na decisão recorrida não agiu com acerto. Mesmo que se mantenha a exigência, há necessidade da dedução dos tributos pagos na pessoa jurídica dos valores aqui exigidos. Não é possível relegar essa matéria ao contribuinte para ele pedir a restituição ou compensação do tributo pago na pessoa jurídica, como fez a decisão recorrida. Se o tributo foi pago na pessoa jurídica, logicamente cabe deduzir essas parcelas, na mesma época em que se tornaram devidas na pessoa física, caso mantida a autuação. Se houve desconsideração dos atos praticados pela sociedade é porque esses atos não existem na ótica da fiscalização; ora, se não existem, o tributo pago não pode ser relegado a segundo o plano, como fez a decisão recorrida. Deve compor o conjunto da desconsideração do tributo pago na jurídica com a compensação ou a não autuado em relação a parcela do pagamento realizado. Pensamos sim em razão de a exigência decorrer da desconsideração da tributação da receita/rendimentos na pessoa jurídica e com a tributação, dos mesmos rendimentos, na pessoa física da autuada. Não vemos assim outra solução, deve haver a compensação, caso mantida a autuação, sob pena de locupletamento indevido do Estado, em detrimento do particular. “Direito é sistema, teoria, realidade e vivência e não liturgia acadêmica. Não podemos compreender a lei divorciada da orientação dos tribunais” (H.L. Meirelles, Direito administrativo brasileiro), por isso, não há nenhuma razão plausível em não admitir a compensação e determinar ao contribuinte formular o pedido de restituição. Assim, caso mantida a exigência, pelo meu voto, determino a compensação dos tributos pagos pela pessoa jurídica, com recalculo da exigência e da penalidade aplicada. Dedução das despesas comprovadas. Livro caixa Pede ainda a Recorrente, na hipótese de ser mantida a autuação, a escrituração do livro caixa. Poderíamos admitir esta hipótese se o contribuinte tivesse escriturado ou trazido aos autos o livro com os comprovantes das despesas deduzidas/abatidas dos rendimentos. Sem isso não há como acolher o pedido para escrituração do livro caixa. Ante o exposto, pelo meu voto, conheço e dou provimento ao recurso para rejeitar a preliminar de decadência e, no mérito, reformar a decisão recorrida e cancelar a autuação. Caso mantida a exigência, em menor extensão, pelo meu voto, determino a compensação dos tributos pagos na pessoa jurídica, proporcionalmente à receita reclassificada, com o recalculo da multa após tal dedução. (assinado digitalmente) Odmir Fernandes – Relator Fl. 693DF CARF MF Impresso em 05/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2012 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 24/08/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por ODMIR FERNANDES 16 Voto Vencedor Em que pese o brilhante voto proferido pelo i. Conselheiro Odmir Fernandes, peço vênia para divergir, pois entendo que a norma do artigo 129 da Lei nº 11.196, de 2005, não tem aplicação retroativa e que também não houve a desconsideração da pessoa jurídica Angélica Participações e Produções Artísticas Ltda., CNPJ nº 65.693.681/000166, mas apenas foram requalificados parte da receita pela empresa . A matéria submetida a julgamento não é nova neste Conselho, que vez por outra é instada a decidir em litígios decorrentes de lançamentos em que o fisco, diante de situações em que contribuintes constituem empresas através das quais realizam contratos de prestação de serviços, procedimento rejeitado pelo fisco nos casos em que os serviços são considerados de natureza pessoal, realizados por um único profissional e, portanto, sujeitos à tributação das pessoas físicas. No cerne dessa questão está a dualidade de regimes tributários, muito própria do imposto de renda, que, assim como outros impostos, podem ter contribuintes pessoas físicas e pessoas jurídicas, mas que, no caso específico do imposto de renda, a tributação de uns e de outros são marcadas por diferenças profundas, estruturais, nos critérios de apuração dos elementos essenciais da relação obrigacional tributária, em especial da base tributável. Diferenças essas tão acentuadas no caso do imposto de renda, tão cristalizada que é essa fronteira entre o IRPF e o IRPJ que muitas vezes se trata um e outro quase como se fossem impostos distintos, que sabemos não ser o caso. Um primeiro ponto a se destacar é que no ordenamento jurídico tributário brasileiro não existe um imposto de renda das pessoas físicas e um imposto de renda das pessoas jurídicas, mas um único Imposto sobre a Renda e Proventos de Qualquer Natureza, cujo fato gerador está definido no art. 43 do CTN. Essa diferenciação entre os regimes tributários das pessoas físicas e o das pessoas jurídicas se dá, no nosso ordenamento jurídico tributário, inteiramente, no nível da legislação ordinária. Esse breve intróito, foi muito bem argumentado pelo ilustre Conselheiro Pedro Paulo da Silva Pereira Barbosa, a quem peço vênia para transcrever os abalizados fundamentos explanados no Acórdão de nº 10622.725, com os quais concordo, acerca da legislação pertinente a essa matéria: Um exame da legislação do Imposto de Renda, já desde o DecretoLei nº 5.844, de 1943, demonstra, com clareza, que esta tem, sistemática e coerentemente, feito essa distinção levando em conta, precisamente, propriedade ou posse do bem produtor da renda e a natureza da renda auferida. O DecretoLei nº 5.844, de 1943 já fazia claramente essa distinção, senão vejamos: Art. 1º As pessoas físicas domiciliadas ou residentes no Brasil que tiverem renda liquida anual superior a vinte e quatro mil cruzeiros (Cr$ 24.000,00), apurada de acordo com este Decreto lei, são contribuintes do imposto de renda, sem distinção de nacionalidade, sexo, idade, estado ou profissão. (Redação dada pelo DecretoLei nº 8.430, de 24.12.1945) Parágrafo único. São também contribuintes as que perceberem rendimentos de bens de que tenham a posse, como se lhes pertencessem, de acordo com a legislação em vigor. Fl. 694DF CARF MF Impresso em 05/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2012 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 24/08/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por ODMIR FERNANDES Processo nº 19515.000887/200668 Acórdão n.º 210100.979 S2C1T1 Fl. 9 17 Art. 18 Constitui rendimento líquido, em cada cédula, a diferença entre o rendimento bruto e as deduções cedulares. Parágrafo único. Quando não for solicitada dedução ou quando esta não tiver cabimento, tomarseá como líquido o rendimento bruto declarado. Na cédula "D" eram classificados os rendimentos não compreendidos nas demais cédulas, aí incluindose os rendimentos de prestação de serviços, que por sua pertinência com a matéria ora em exame transcrevo a seguir o artigo correspondente do referido DecretoLei: Art. 6° Na cédula "D" serão classificados os rendimentos não compreendidos nas outras cédulas, tais como: a) honorários do livre exercício da profissão de médico, engenheiro, advogado, dentista, veterinário, contador e de outras que se lhes possam assemelhar. (Redação dada pela Lei nº 154, de 1947). b) proventos de profissões, ocupações e prestação de serviços não comerciais; c) remunerações dos agentes, representantes e outras pessoas que, tomando parte em atos de comércio, não os pratiquem, todavia, por conta própria; d) emolumentos e custas dos serventuários de justiça, como tabeliães, notários, oficiais públicos e outros, quando não forem remunerados exclusivamente pelos cofres públicos; e) corretagens e comissões dos corretores, leiloeiros e despachantes, seus prepostos e adjuntos; f) lucros da exploração individual de contratos de empreitada unicamente de lavor, qualquer que seja a natureza, quer se trate de trabalhos arquitetônicos, topográficos, terraplenagem, construções de alvenaria e outras congêneres, quer de serviços de utilidade pública, tanto de estudos como de construções; g) ganhos da exploração de patentes e invenção, processos ou fórmulas de fabricação, quando o possuído auferir lucros sem as explorar diretamente (redação dada pela Lei nº 154, de 1947); h) (Suprimido pela Lei nº 154, de 1947). Já a tributação das pessoas jurídicas foi tratada do seguinte modo no Decreto Lei nº 5.844, de 1943: Art. 27 As pessoas jurídicas de direito privado domiciliadas no Brasil, que tiverem lucros apurados de acordo com este decreto lei, são contribuintes do imposto de renda, sejam quais forem os seus fins e nacionalidade. § 1° Ficam equiparadas às pessoas jurídicas, para efeito deste decretolei, as firmas individuais e os que praticarem, habitual e Fl. 695DF CARF MF Impresso em 05/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2012 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 24/08/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por ODMIR FERNANDES 18 profissionalmente, em seu próprio nome, operações de natureza civil ou comercial com o fim especulativo de lucro. § 2° As disposições deste artigo aplicamse a todas as firmas e sociedades, registradas ou não. Notese que as atividades de natureza civil ou comercial praticadas com o fim especulativo de lucro, mesmo que por pessoas físicas e por firmas individuais, isto é, firmas ou sociedades, "registradas ou não", devem ser tributadas por contribuintes pessoas jurídicas; já os salários, honorários do livre exercício de profissões, proventos de ocupações ou prestação de serviços não comerciais, etc. devem ser tributados como rendimentos de pessoas físicas. Com isso, a legislação claramente adota, na distinção entre contribuintes pessoas físicas e contribuinte pessoas jurídicas, a natureza da renda. Isto é, os lucros, entendidos este como produto da atividade comercial e/ou especulativa, são tributados como imposto de renda de pessoas jurídicas; os rendimentos decorrentes do trabalho pessoal são tributados como rendimentos de pessoas físicas. Essa definição permanece até os dias de hoje. Está assim definida no Regulamento do Imposto de Renda – RIR/99: Art. 2º As pessoas físicas domiciliadas ou residentes no Brasil, titulares de disponibilidade econômica ou jurídica de renda ou proventos de qualquer natureza, inclusive rendimentos e ganhos de capital, são contribuintes do imposto de renda, sem distinção na nacionalidade, sexo, idade, estado civil ou profissão (Lei nº 4.506, de 30 de novembro de 1964, art. 1º, Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, art. 43, e Lei nº 8.383, de 30 de dezembro de 1991, art. 4º). § 1º São também contribuintes as pessoas físicas que perceberem rendimentos de bens de que tenham a posse como se lhes pertencessem, de acordo com a legislação em vigor (Decreto nº 5.844, de 23 de setembro de 1943, art. 1º, parágrafo único, e Lei nº 5.172, de 1966, art. 45). § 2º O imposto será devido à medida em que os rendimentos e ganhos de capital forem percebidos, sem prejuízo do ajuste estabelecido no art.85 (Lei nº 8.134, de 27 de dezembro de 1990, art. 2º)". Art. 146. São Contribuinte do imposto e terão seus lucros apurados de acordo com este Decreto (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 27): I – as pessoas jurídicas (Capítulo I); II – as empresas individuais (Capítulo II); § 1º As disposições deste artigo aplicamse a todas as firmas e sociedades, registradas ou não (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 27, § 2º). § 2º As entidades submetidas aos regimes de liquidação extrajudicial e de falência sujeitamse às normas de incidência do imposto aplicável às pessoas jurídicas, em relação às operações praticadas durante o período em que perdurarem os procedimentos para a realização de seu ativo e o pagamento do passivo (Lei nº 9.430, de 1996, art. 60). Fl. 696DF CARF MF Impresso em 05/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2012 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 24/08/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por ODMIR FERNANDES Processo nº 19515.000887/200668 Acórdão n.º 210100.979 S2C1T1 Fl. 10 19 § 3º As sociedades civis de prestação de serviços profissionais relativos aos exercícios de profissões legalmente regulamentada são tributadas pelo imposto de conformidade com as normas aplicáveis às demais pessoas jurídicas (Lei nº 9.430, de 1996, art. 55). § 4º As empresas públicas e as sociedades de economia mista, bem como suas subsidiárias, são contribuintes ns mesmas condições das demais pessoas jurídicas (CF art. 173, § 1º, e Lei nº 6.264, de 18 de novembro de 1975, arts. 1º a 3º). § 5º As sociedades cooperativas de consumo, que tenham por objeto a compra e fornecimento de bens aos consumidores, sujeitamse às mesmas normas de incidência dos impostos e contribuições de competência da União, aplicáveis às demais pessoas jurídicas (Lei nº 9.432, de 1997, art. 69). § 6º Sujeitamse à tributação aplicável as pessoas jurídicas o Fundo de Investimento Imobiliário nas condições previstas no§ 2º do art. 752 (Lei nº 9.779, de 1999, art. 2º). § 7º Salvo disposição em contrário, a expressão pessoa jurídica, quando empregada neste Decreto, compreende todos os contribuintes a que se refere este artigo. Art. 150. As empresas individuais, para efeitos do imposto de renda, são equiparadas às pessoas jurídicas (DecretoLei nº 1.706, de 23 de outubro de 1979, art. 2º). § 1º São empresas individuais: I – as firmas individuais (Lei nº 4.506, de 1964, art. 41, § 1º, alínea "a"); II – as pessoas físicas que, em nome individual, explorem, habitual e profissionalmente, qualquer atividade econômica de natureza civil ou comercial, com o fim especulativo de lucro, mediante venda a terceiros de bens ou serviços (Lei nº 4.506, de 1964, art. 41, § 1º, alínea "b"). III – as pessoas físicas que promoverem a incorporação de prédios em condomínio ou loteamento de térreos da Seção II deste Capítulo (Decretolei nº 1.831, de 23 de dezembro de 1974, arts. 1º e 3º, inciso III, e DecretoLei nº 1.510, de 27 de dezembro de 1976, art. 10, inciso I). § 2º O disposto no inciso II do parágrafo anterior não se aplica às pessoas físicas que, individualmente, exerçam as profissões ou explorem as atividades de: I – médico, engenheiro, dentista, veterinário, professor, economista, contador, jornalista, pintor, escultor e de outras que lhes possam ser assemelhadas (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 6º, alínea "a", e Lei nº 4.480, de 14 de novembro de 1964, art. 3º); Fl. 697DF CARF MF Impresso em 05/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2012 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 24/08/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por ODMIR FERNANDES 20 II – profissões, ocupações e prestação de serviços não comerciais (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 6º, alínea "b"), III – agentes, representantes e outras pessoas sem vínculo empregatício que, tomando parte em atos de comércio, não os pratiquem, todavia, por conta própria (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 6º, alínea "c"); IV – serventuários da justiça, como tabeliães, notários, oficiais públicos e outros (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 6º, alínea "d"); V – corretores, leiloeiros e despachantes, seus prepostos e adjuntos (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 6º, alínea "e"); VI – exploração individual de contratos de empreitada unicamente de lavor, qualquer que seja a natureza, quer se trate de trabalhos arquitetônicos, topográficos, terraplanagem, construções de alvenaria e outros congêneres, quer de serviços de utilidade pública, tanto de estudos como de construções (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 6º, alínea "f"; VII – exploração de obras artísticas, didáticas, científicas, urbanísticas, projetos técnicos de construção, instalações ou equipamentos, salvo quando não explorados diretamente pelo autor ou criador do bem ou da obra (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 6º, alínea "g"). Art. 219. A base de cálculo do imposto, determinada segundo a lei vigente na data de ocorrência do fato gerador, é o lucro real (Subtítulo III), presumido (Subtítulo IV) ou arbitrado (Subtítulo V), correspondente ao período de apuração (Lei nº 5.172, de 1966, arts. 44, 104 e 144, Lei nº 9.891, de 1995, art. 26, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 1º). Parágrafo único. Integram a base de cálculo todos os ganhos e rendimentos de capital, qualquer que seja a denominação que lhes seja dada, independentemente da natureza, da espécie ou da existência de título ou contrato escrito, bastando que decorra de ato ou negócio que, pela sua finalidade, tenha os mesmos efeitos do previsto na norma específica de incidência do imposto (Lei nº 7.450, de 1985, art. 51, Lei nº 8.981, de 1995, art. 76, § 2º, e Lei nº 9.430, de 1996, arts. 25, inciso II, e 27, inciso II)." O Decretolei nº 2.397, de 1987 introduziu um regime especial de tributação para as sociedades civis de profissões legalmente regulamentadas, admitindo a apuração do resultado na pessoa jurídica, sem a incidência do imposto na pessoa jurídica, porém determinando a distribuição automática dos resultados, de acordo com a participação de cada sócio na sociedade, ao fim de cada período de apuração, com a incidência do imposto na pessoa física. A seguir transcrevo o próprio DecretoLei: DecretoLei nº 2.397, de 1987 Art. 1° A partir do exercício financeiro de 1989, não incidirá o Imposto de Renda das pessoas jurídicas sobre o lucro apurado, no encerramento de cada períodobase, pelas sociedades civis de prestação de serviços profissionais relativos ao exercício de profissão legalmente regulamentada, registradas no Registro Fl. 698DF CARF MF Impresso em 05/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2012 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 24/08/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por ODMIR FERNANDES Processo nº 19515.000887/200668 Acórdão n.º 210100.979 S2C1T1 Fl. 11 21 Civil das Pessoas Jurídicas e constituídas exclusivamente por pessoas físicas domiciliadas no País. § 1° A apuração do lucro de cada períodobase será feita com observância das leis comerciais e fiscais, inclusive correção monetária das demonstrações financeiras, computandose: I as receitas e rendimentos pelos valores efetivamente recebidos no períodobase; II os custos e despesas operacionais pelos valores efetivamente pagos no períodobase; III as receitas, recebidas ou não, decorrentes da venda de bens do ativo permanente; IV o valor contábil dos bens do ativo permanente baixados no curso do períodobase; V os encargos de depreciação e amortização correspondentes ao períodobase; VI as variações monetárias ativas e passivas correspondentes ao períodobase; VII o saldo da conta transitória de correção monetária, de que trata o art. 3°, II, do Decretolei n° 2.341, de 29 de junho de 1987. § 2° Às sociedades de que trata este artigo não se aplica o disposto no art. 6° do Decretolei n° 2.341, de 29 de junho de 1987. Art. 2° O lucro apurado (art. 1°) será considerado automaticamente distribuído aos sócios, na data de encerramento do períodobase, de acordo com a participação de cada um dos resultados da sociedade. 1° O lucro de que trata este artigo ficará sujeito à incidência do Imposto de Renda na fonte, como antecipação do devido na declaração da pessoa física, aplicandose a tabela de desconto do Imposto de Renda na fonte sobre rendimentos do trabalho assalariado, exceto quando já tiver sofrido a incidência durante o períodobase, na forma dos §§ 2° e 3° . 2° Os lucros, rendimentos ou quaisquer valores pagos, creditados ou entregues aos sócios, mesmo a título de empréstimo, antes do encerramento do períodobase, equiparam se a rendimentos distribuídos e ficam sujeitos à incidência do Imposto de Renda na fonte, na data do pagamento ou crédito, como antecipação do devido na declaração da pessoa física, calculado de conformidade com o disposto no parágrafo anterior. 3° O Imposto de Renda retido na fonte sobre receitas da sociedade de que trata o art. 1° poderá ser compensado com o Fl. 699DF CARF MF Impresso em 05/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2012 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 24/08/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por ODMIR FERNANDES 22 que a sociedade tiver retido, de seus sócios, no pagamento de rendimentos ou lucros. Convém ressaltar, ainda, que a partir de janeiro de 1996, os lucros pagos ou creditados pelas pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real, presumido ou arbitrado passaram a não sofrer tributação, na fonte e na declaração e que, a partir da Lei nº 9.430, de 1996, as sociedades civis passaram a ter o mesmo regime de tributação das demais sociedades. Essa mudança legislativa foi introduzida pela Lei nº 9.249, de 1995, no seu artigo 10, caput, verbis: Art. 10 – Os lucros ou dividendos calculados com base nos resultados apurados a partir do mês de janeiro de 1996, pagos ou creditados pelas pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real, presumido ou arbitrado, não ficarão sujeitos à incidência do Imposto sobre a Renda na fonte, nem integrarão a base de cálculo de Imposto sobre a Renda do Beneficiário, pessoa física ou jurídica, domiciliado no País ou no exterior. Já a Lei nº 9.430, de 1996 assim dispôs sobre a sociedades civis: Art. 55. As sociedades civis de prestação de serviços profissionais relativos ao exercício de profissão legalmente regulamentada de que trata o art. 1º do Decretolei nº 2.397, de 21 de dezembro de 1987, passam, em relação aos resultados auferidos a partir de 1º de janeiro de 1997, a ser tributadas pelo imposto de renda de conformidade com as normas aplicáveis às demais pessoas jurídicas. Notese que, com a combinação das regras do art. 10 da Lei nº 9.249, de 1995 com o art. 55 da Lei nº 9.430, de 1995, a partir de 1º de janeiro de 1997, os resultados das sociedades civis de profissões legalmente regulamentadas passaram a ser tributados apenas nas pessoas jurídicas, assim como os resultados das demais pessoas jurídicas. Dessa análise, concluiu o eminente Conselheiro, que são contribuintes do imposto de renda como pessoas jurídicas as firmas individuais e as sociedades, inclusive as sociedades civis de profissões legalmente regulamentadas, registradas ou não, que obtiverem renda produzida pelo exercício de atividade civil ou comercial com o objetivo especulativo de lucro ou, no caso das sociedades civis, em decorrência do exercício regular da profissão regulamentada, sendo este, o lucro (real, presumido ou arbitrado) e não outro tipo de renda qualquer, a base de cálculo do imposto; são contribuintes pessoas físicas as pessoas naturais que aufiram rendimentos e proventos diversos, que não sejam produto do exercício regular de atividade comercial ou especulativa de lucro, como rendimentos do trabalho assalariado, exercício individual de profissão, prestação de serviços não comerciais, etc. Assim, tendo o Fisco identificado que a contraprestação por essa atividade laboral foi paga a uma pessoa jurídica, poderia e deveria requalificar os fatos para formalizar a exigência do imposto com base no regime de tributação próprio das pessoas físicas. Notese que não se trata aqui de desconsiderar a personalidade jurídica da empresa Angélica Participações e Produções Artísticas Ltda., CNPJ nº 65.693.681/000166, que auferiu receita própria de suas atividades, fora do contexto tratado no lançamento, e que continua ativa. O objeto social é bastante amplo, conforme se constata no contrato social à fl. 52: Fl. 700DF CARF MF Impresso em 05/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2012 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 24/08/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por ODMIR FERNANDES Processo nº 19515.000887/200668 Acórdão n.º 210100.979 S2C1T1 Fl. 12 23 A sociedade terá por objeto social a prestação de serviço de produção, promoção, organização e divulgação de “Shows”, espetáculos artísticos e de entretenimento, peças teatrais, filmes para cinema, vídeo e televisão, participações em negócios e empreendimentos gerais, licenciamentos e franqueamento de marcas, serviços e produtos; serviços de comunicação, publicidade e propaganda; serviços de assessoria, produção e edição de livros, revistas, álbuns, fitas de áudio e vídeo e discos fonográficos; serviços de assessoria, desenho, criação e divulgação em artigos de vestuário fim geral e seus acessórios, jóias, bijouterias, óculos, relógios, artigos de viagem, calçados, bolsas, cintos, artigos para esportes, brinquedos e jogos, artigos de perfumada, cosméticos e toucador, artigos de papelaria e de decoração, Móveis e estofados, artigos de armarinhos, tecidos, cortinas e tapetes, artigos de lazer, bebidas e produtos alimentícios em geral, instrumentos musicais."... (fls. 51 a 55). O auto de infração apenas identificou que receitas tributadas na pessoa jurídica eram, em verdade, rendimentos próprios da pessoa física: identificar o sujeito passivo e apurar o tributo devido é poder/dever atribuído à fiscalização, nos termos do artigo 142 do CTN. Conforme relata e conclui o Termo de Verificação Fiscal às fls. 404/417, o auto de infração em exame tributou na pessoa física da apresentadora Angélica, valores por ela auferidos na prestação de serviço (pessoal e individual), como apresentadora de programas audiovisuais (transmitidos por televisão), participação em campanhas publicitárias (merchandising) e como atriz. Também não se trata de aplicação de norma antielisiva. Primeiramente, porque o procedimento do contribuinte de constituição de empresa para, em nome dela, realizar contrato de prestação de serviços, de natureza pessoal, não se caracteriza como elisão fiscal, pela simples razão de que não é lícito tal procedimento o que afasta o requisito fundamental da elisão, a licitude da conduta. No mesmo diapasão foi o entendimento manifestado pelo i. Conselheiro José Ribamar Barros Penha, relator do Acórdão nº 10414.244. Confirase: O recorrente entende que no presente procedimento houve desconsideração da personalidade jurídica da empresa L. F. Promoções, Serviços e Representações Ltda., feita ao arrepio da autorização judicial prevista no art. 50 do Código Civil, Lei n° 10.406, de 2002. Não vejo razão ao recorrente. Como visto, no presente lançamento não se cogitou desconsiderar a existência da pessoa jurídica que permanece com sua personalidade intacta. Uma prova disto está no fato de o julgador refutar o pedido de compensação dos impostos recolhidos sob a justificativa que só à empresa, por seus representantes legais, compete promover ações neste sentido. (...) A fundamentação do lançamento nos dispositivos das Leis n°7.713, de 1988, n° 8.134, de 1990, como acima transcrito, corresponde à tributação dos rendimentos percebidos por pessoa física como produto do trabalho prestado individual e pessoalmente. Fl. 701DF CARF MF Impresso em 05/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2012 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 24/08/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por ODMIR FERNANDES 24 Desta forma, ao exigir o tributo da pessoa física, o Fisco está apenas formalizando a exigência do efetivo sujeito passivo, como faria, por exemplo, no caso de rendimentos de pessoa jurídica pago indevidamente a uma pessoa física, ou por convenção particular, os rendimentos devidos a uma pessoa fossem pagas a um terceiro. Ao exigir o imposto do verdadeiro sujeito passivo o Fisco não está de modo algum desconsiderando a personalidade jurídica da terceira pessoa, seja ela física ou jurídica. Não procedem, portanto, as alegações da Contribuinte de que era direito seu ou da empresa da qual é sócia reestruturar seus negócios. Não é certo que a legislação não veda esse procedimento. Por tudo o que foi dito até aqui, não restam duvidas de que, independentemente da liberdade que têm os particulares de poderem organizar seus negócios da forma como melhor lhes aprouver, essa liberdade diz respeito à atividade negocial, o que exclui o direito à constituição de atos meramente formais, sem intuito negocial algum, apenas com o propósito de modificar, artificialmente, o sujeito passivo da obrigação tributária. A esse respeito, o Código Tributário Nacional é explícito quando no seu artigo 123 assim dispõe: Art. 123. Salvo disposição de lei em contrário, as convenções particulares, relativas à responsabilidade pelo pagamento dos tributos, não podem ser opostas à Fazenda Pública, para modificar a definição legal do sujeito passivo da obrigação tributária correspondente. Correto o procedimento fiscal, portanto, ao exigir da pessoa física, que efetivamente realizou o trabalho, de natureza personalíssima, o imposto devido sobre a remuneração paga pelo contratante como contraprestação pelos serviços contratados. Entretanto, se é lícito à autoridade administrativa requalificar os fatos para considerar como rendimentos da pessoa física os valores indevidamente declarados como receita da pessoa jurídica, deve, ao fazêlo, também considerar o tributo indevidamente pago pela pessoa jurídica. Nesse sentido são os Acórdãos 10418641 e 10614.244, dentre outros. Embora reconhecendo que a empresa da qual a autuado é sócia e sua pessoa física são entidades distintas, como ressalta a decisão recorrida, não se pode desconsiderar o fato de que, no exato instante em que a Fazenda Nacional afirma que os valores lançados como receitas da pessoa jurídica são rendimentos da pessoa física, está reconhecendo que os tributos recolhidos pela pessoa jurídica sobre essas mesmas receitas eram indevidos. Ou, de outra forma, reconhecendo que parte do tributo que a Fazenda deveria receber foi efetivamente pago, ainda que por outra entidade ou com outra denominação. Dirseá que a pessoa jurídica poderá pleitear a restituição do indébito. Tal solução, entretanto, não é razoável. Primeiramente, por que afronta o princípio da celeridade e economia processuais; depois, porque entre uma e a outra opção opera uma grande diferença na base de cálculo da multa de ofício, em desfavor da contribuinte, caso não se proceda a compensação. Finalmente, porque imporia à empresa o ônus de, ao pleitear a restituição dos tributos e contribuições pagos, reconhecer que as receitas foram tributadas indevidamente na pessoa jurídica, contra suas próprias convicções, salvo se o pedido for formulado apenas após o trânsito em julgado na esfera administrativa e judicial, quando poderá sobrevir o término do prazo decadencial para pleitear a restituição, em prejuízo do contribuinte. Notese, por fim, que a multa de ofício deve ser aplicada sobre a "totalidade ou diferença de tributo ou contribuição", conforme dicção do caput do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996. Ora, no caso, de uma forma ou de outra, parte do imposto já foi pago e, portanto, a multa deve incidir apenas sobre a diferença. Fl. 702DF CARF MF Impresso em 05/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2012 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 24/08/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por ODMIR FERNANDES Processo nº 19515.000887/200668 Acórdão n.º 210100.979 S2C1T1 Fl. 13 25 Sobre o caráter interpretativo do art. 129 da Lei n°. 11.196, de 2005, comungo do entendimento esposado pelo i. Conselheiro Nelson Mallmann, no Acórdão de nº 10421.583, a seguir transcrito, no sentido de que referida norma criou direito novo inaplicável retroativamente aos serviços prestados por “empresas unipessoais” (caráter personalíssimo), já que a legislação tributária anterior vedava que os rendimentos oriundos da prestação de serviço em caráter pessoal fossem tributados como receita de pessoa jurídica. No mesmo sentido também são os Acórdãos 1o CC no 10421954, de 18/10/2006; no 10421583, de 24/05/2006; e no 10422408, de 23/05/2007: Antes de adentrar no mérito propriamente dito e em razão da matéria ter sido levantada na fase da sustentação oral se faz necessário algumas considerações a respeito do art. 129 da Lei nº 11.196, de 2005, abaixo transcrito: Para fins fiscais e previdenciários, a prestação de serviços intelectuais, inclusive os de natureza científica, artística ou cultural, em caráter personalíssimo ou não, com ou sem a designação de quaisquer obrigações a sócios ou empregados da sociedade prestadora de serviços, quando por esta realizada, se sujeita tãosomente à legislação aplicável às pessoas jurídicas, sem prejuízo da observância do disposto no art. 50 da Lei nº 10.406, de 10 de janeiro de 2002 Código Civil. Dispõe o artigo 50 da Lei nº 10.406, de 10 de janeiro de 2002 o Código Civil: Em caso de abuso da personalidade jurídica, caracterizado pelo desvio de finalidade, ou pela confusão patrimonial, pode o juiz decidir, a requerimento da parte, ou do Ministério Público quando lhe couber intervir no processo, que os efeitos de certas e determinadas relações de obrigações sejam estendidos aos bens particulares dos administradores ou sócios da pessoa jurídica. Não há dúvidas que o artigo 129 foi editado para resolver problemas relacionados à tributação dos rendimentos produzidos em decorrência da prestação de serviço de natureza pessoal, oferecido ao mercado por intermédio de uma sociedade com personalidade jurídica (“empresas unipessoais”). Entretanto, no caso em discussão, o crédito tributário constituído se reporta a fato gerador ocorrido antes da vigência da mencionada lei, razão pela qual se faz necessária a verificação se o referido dispositivo legal faz inovação ou criação de regime jurídico novo, ou apenas expressa entendimento sobre legislação já existente, ou seja, é esta norma meramente interpretativa? Indiscutivelmente a lei interpretativa não pode inovar, limitase a esclarecer dúvida a respeito de dispositivo de lei anterior. No meu entendimento o art. 129 da Lei nº 11.196, de 2005 traz inovação e cria as “empresas unipessoais” para fins de tributação como pessoas jurídicas, antes consideradas pessoas físicas perante a legislação tributária. Entretanto, a norma acima não possui caráter interpretativo, sendo incorreto alegar aplicação retroativa com base no art. 106, inciso I, do CTN. O art. 106, inciso I, do CTN assim dispõe: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: Fl. 703DF CARF MF Impresso em 05/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2012 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 24/08/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por ODMIR FERNANDES 26 I em qualquer caso, quando expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; Segundo Eduardo Espinola e Eduardo Espinola Filho, “denominamse leis interpretativas as que têm por objeto determinar, em caso de dúvida, o sentido das leis existentes, sem introduzir disposições novas” (A Lei de Introdução ao Código Civil Brasileiro, atualizado por Silva Pacheco, 3ª ed., Ed. Renovar, 1999, vol. 1, p.294). Portanto, para que uma lei seja considerada interpretativa, são necessários os seguintes requisitos: 1) o caráter interpretativo tem que ser expresso; 2) indicação da lei anterior que está sendo interpretada; 3) existência de lei anterior disciplinando a matéria tratada na lei interpretativa; e 4) existência de dúvida quanto ao sentido de uma lei anterior. Analisando os artigos 146 a 150 do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto nº 3.000, de 1999, já transcrito neste voto, conclui o eminente Conselheiro que as atividades exercidas por pessoas físicas abaixo relacionadas não se caracterizam como empresa individual, ainda que, por exigência legal ou contratual, encontremse cadastradas no CNPJ ou que tenham seus atos constitutivos registrados em Cartório ou Junta Comercial: (1) a pessoa física que, individualmente, exerça profissões ou explore atividades sem vínculo empregatício, prestando serviços profissionais, mesmo quando possua estabelecimento em que desenvolva suas atividades e empregue auxiliares, a exemplo de: médico, engenheiro, advogado, dentista, veterinário, professor, economista, contador, jornalista, pintor, escritor, escultor e de outras que lhes possam ser assemelhadas; (2) a pessoa física que explore, individualmente, contratos de empreitada unicamente de mãodeobra, sem o concurso de profissionais qualificados ou especializados; (3) a pessoa física receptora de apostas da Loteria Esportiva e da Loteria de Números (Lotomania, Supersena, MegaSena etc) credenciada pela Caixa Econômica Federal, ainda que, para atender exigência do órgão credenciador, esteja registrada como pessoa jurídica, e desde que não explore, no mesmo local, outra atividade comercial; (4) representante comercial que exerça exclusivamente a mediação para a realização de negócios mercantis, como definido pelo art. 1º da Lei nº 4.886, de 1965, uma vez que não os tenha praticado por conta própria; (5) pessoa física que faz o serviço de transporte de carga ou de passageiros em veículo próprio ou locado, mesmo que ocorra a contratação de empregados, como ajudantes ou auxiliares. Como se observa, a legislação tributária nunca permitiu que as pessoas físicas que, individualmente, exerçam profissões ou explorem atividade de médico, engenheiro, advogado, dentista, Fl. 704DF CARF MF Impresso em 05/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2012 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 24/08/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por ODMIR FERNANDES Processo nº 19515.000887/200668 Acórdão n.º 210100.979 S2C1T1 Fl. 14 27 veterinário, professor, economista, contador, jornalista, pintor, escritor, escultor e de outras que lhes possam ser assemelhadas, tributassem seus rendimentos como se fossem pessoas jurídicas. Ora, não há dúvidas que os valores recebidos pelo suplicante são decorrentes de natureza eminentemente pessoal, ou seja, decorrem do fruto de seu desempenho pessoal. Indiscutivelmente, os rendimentos provenientes da cessão do direito ao uso da imagem, do direito de arena, do uso de nome profissional e execução de contrato de trabalho com natureza personalíssima, com cláusula que impossibilite de serem procedidas por outra pessoa, jurídica ou física que não o titular contratado são rendimentos que devem ser tributadas na pessoa física do efetivo prestador de serviços. Da mesma forma, é sabido que as sociedades civis de prestação de serviços profissionais relativos ao exercício de profissão legalmente regulamentada são tributadas pelo imposto de conformidade com as normas aplicáveis às demais pessoas jurídicas. Entretanto, estas sociedades civis devem preencher determinadas condições, tais como: (a) a natureza de suas atividades e dos serviços prestados deve ser exclusivamente civil; (b) todos os sócios devem estar em condições legais de exercer a profissão regulamentada para a qual estiverem habilitados, ainda que diferentes entre si, desde que cada um desempenhe as atividades ou prestem os serviços privativos de suas profissões e esses objetivos estejam expressos no contrato social; (3) as receitas da sociedade devem provir da retribuição ao trabalho profissional dos sócios ou empregados igualmente qualificados; (4) as sociedades civis são aquelas em que todos os sócios estejam legalmente capacitados a atender às exigências dos serviços por elas prestados, etc. Com certeza não é o caso do suplicante, já que a sociedade é formada pelo suplicante e sua esposa, que não exerce atividade igual ao do suplicante. Como se vê, nunca houve dúvidas que salários e rendimentos provenientes de serviços personalíssimos seriam tributados na pessoa física, tendo como única exceção a sociedade civil de profissão legalmente regulamentada, o que não é o presente caso. O legislador sempre foi inequívoco no sentido de que, em relação a salários e rendimentos produzidos pelo exercício de profissões e pela prestação de serviços de natureza não comercial, o contribuinte será a pessoa física que realiza pessoalmente o fato gerador. A jurisprudência deste Primeiro Conselho de Contribuintes, em casos semelhantes, sempre se firmou no sentido de que rendimentos provenientes de serviços personalíssimos devem ser tributados na pessoa física. É nítido que o referido artigo inovou no ordenamento jurídico, pois até então, a legislação tributária acerca do imposto de renda nunca deixou dúvidas que rendimentos provenientes da exploração do serviço individualmente prestado por um artista, ou seja, serviço personalíssimo, seria tributado na pessoa física Fl. 705DF CARF MF Impresso em 05/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2012 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 24/08/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por ODMIR FERNANDES 28 prestadora do serviço, mesmo que os serviços fossem contratados e ajustados por meio de uma pessoa jurídica, pois se verifica que, na realidade, o que foi contratado foi um serviço individual. Tenho para mim, que a referida norma tem por objetivo maior esclarecer e orientar os agentes da administração pública para que, no exercício de suas funções, não desconsiderem a personalidade jurídica de sociedades legalmente constituídas para prestação de serviços intelectuais, com a finalidade de tributar os sócios. Assim, as empresas legalmente constituídas para a prestação de serviços intelectuais (sociedades de engenheiros, arquitetos, advogados, médicos etc) não podem ser descaracterizadas pelos agentes fiscais ao argumento de que o serviço prestado pelos profissionais aos seus contratantes seria regido pelas normas da CLT, com todos os reflexos trabalhistas e tributários daí decorrentes. Em conclusão, o art. 129 da Lei nº 11.196, de 2005, é lei inovadora, portanto, inaplicável a regra contida no art. 106, inciso I, do CTN, aos serviços prestados por “empresas unipessoais” (caráter personalíssimo) antes da publicação da referida lei, já que a legislação tributária anterior vedava que os rendimentos oriundos da prestação de serviço em caráter pessoal fossem tributados como de pessoa jurídica. [Grifei] É como voto. (assinado digitalmente) José Raimundo Tosta Santos Fl. 706DF CARF MF Impresso em 05/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2012 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 24/08/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por ODMIR FERNANDES
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Numero do processo: 15940.000491/2010-26
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 22 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Mar 19 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2008
Ementa:
COOPERATIVAS DE TRABALHO. CONTRATANTE. CONTRIBUINTE.
Incidem contribuições previdenciárias na prestação de serviços por intermédio de cooperativas de trabalho.
RETENÇÃO.
O contratante de serviços executados mediante cessão de mão-de-obra deverá reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal ou fatura de serviços e recolher a importância retida, nos termos do art. 31 da Lei 8.212/91, na redação da Lei n.º 9.711/98.
MULTA MORATÓRIA
A aplicação do artigo 35 da Lei n.º 8.212/91, na redação vigente à época da ocorrência dos fatos geradores até a competência 11/2008, traz percentuais variáveis, de acordo com a fase processual em que se encontre o processo de constituição do crédito tributário e se mostra mais benéfico ao contribuinte, uma vez em que se aplicando a redação dada pela Lei n.º 11.941/2009, mais precisamente o artigo 35 A da Lei n.º 8.212/91, o valor da multa seria mais oneroso ao contribuinte, pois deveria ser aplicado o artigo 44, I da Lei n.º 9430/96.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2302-002.271
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da Segunda Turma da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. A multa deve ser calculada considerando as disposições do art. 35 da Lei nº. 8.212 de 1991 para o período anterior à entrada em vigor da Medida Provisória n. 449 de 2008.
Liege Lacroix Thomasi Relatora e Presidente Substituta
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liege Lacroix Thomasi (Presidente), Andre Luis Marsico Lombardi, Arlindo da Costa e Silva, Manoel Coelho Arruda Junior, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Adriana Sato.
Nome do relator: LIEGE LACROIX THOMASI
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Empresas em Geral Recorrente MUNICIPIO DE IRAPURU PREFEITURA MUNICIPAL Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2008 Ementa: COOPERATIVAS DE TRABALHO. CONTRATANTE. CONTRIBUINTE. Incidem contribuições previdenciárias na prestação de serviços por intermédio de cooperativas de trabalho. RETENÇÃO. O contratante de serviços executados mediante cessão de mãodeobra deverá reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal ou fatura de serviços e recolher a importância retida, nos termos do art. 31 da Lei 8.212/91, na redação da Lei n.º 9.711/98. MULTA MORATÓRIA A aplicação do artigo 35 da Lei n.º 8.212/91, na redação vigente à época da ocorrência dos fatos geradores até a competência 11/2008, traz percentuais variáveis, de acordo com a fase processual em que se encontre o processo de constituição do crédito tributário e se mostra mais benéfico ao contribuinte, uma vez em que se aplicando a redação dada pela Lei n.º 11.941/2009, mais precisamente o artigo 35 A da Lei n.º 8.212/91, o valor da multa seria mais oneroso ao contribuinte, pois deveria ser aplicado o artigo 44, I da Lei n.º 9430/96. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da Segunda Turma da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em dar AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 94 0. 00 04 91 /2 01 0- 26 Fl. 242DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 01/03/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI 2 provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. A multa deve ser calculada considerando as disposições do art. 35 da Lei nº. 8.212 de 1991 para o período anterior à entrada em vigor da Medida Provisória n. 449 de 2008. Liege Lacroix Thomasi – Relatora e Presidente Substituta Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liege Lacroix Thomasi (Presidente), Andre Luis Marsico Lombardi, Arlindo da Costa e Silva, Manoel Coelho Arruda Junior, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Adriana Sato. Fl. 243DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 01/03/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 15940.000491/201026 Acórdão n.º 2302002.271 S2C3T2 Fl. 243 3 Relatório Trata o Auto de Infração de Obrigação Principal de contribuições previdenciárias patronais devidas à Seguridade Social incidentes sobre o valor das notas fiscais ou faturas de prestação de serviço, relativamente aos serviços prestados por cooperados através de cooperativas de trabalho da área da saúde, e da retenção de 11%, incidente sobre as notas fiscais de prestação de serviço com cessão de mão de obra, nas competências de 01/ 2005 a 12/2008 O Auto de Infração foi lavrado em 25/05/2010 e cientificado ao sujeito passivo em 28/05/2010. O relatório fiscal de fls.52/57, diz que os valores não foram informados em GFIP e a prestação de serviço se deu em razão de convênio entre a Prefeitura Municipal de Irapuru e a Associação São Vicente de Paulo para atividades em Postos de Atendimento à Saúde Familiar, com equipes de médicos enfermeiros, atendentes, dentistas, agentes comunitários de saúde, motoristas e fisioterapeutas. Os segurados estão à disposição da contratante e sob suas ordens, sendo os serviços executados de forma contínua. Também foi contratado serviço de limpeza com a empresa F.M. de J. Da SilvaME. Não foram efetuadas as retenções. Após a impugnação, Acórdão de fls. 205/212, julgou o lançamento procedente. Inconformado, o contribuinte apresentou recurso voluntário, onde alega em síntese: a) que não poderia fazer a retenção porque os valores foram repassados de forma integral cabendo à cooperativa recolher as contribuições; b) que a recorrente não pode ser substituta tributária; c) que o lançamento tem côo índice o valor bruto da nota fiscal, sendo indevido; d) que a multa foi imposta sem ficar demonstrada a falta de recolhimento pela empresa responsável. Requer a reforma do Acórdão e a nulidade do Auto de Infração e que seja reconhecido que a obrigação de recolher o débito e da prestadora. É o relatório. Fl. 244DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 01/03/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI 4 Voto Conselheira Liege Lacroix Thomasi, Relatora O recurso cumpriu com o requisito de admissibilidade, frente à tempestividade, devendo ser conhecido. Quanto às contribuições relativas aos valores pagos à cooperativa de trabalho, tenho a dizer que as mesmas estão determinadas em Lei. Lei 8.212/1991: Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: ... IV quinze por cento sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, relativamente a serviços que lhe são prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho. Como o artigo 15, inciso I, da Lei n.º 8.212/91, é taxativo ao afirmar que os órgãos da administração pública são equiparados à empresa, não há qualquer restrição quanto a aplicação do texto legal: Art.15. Considerase: I empresa – a firma individual ou sociedade que assume o risco da atividade econômica urbana ou rural, com fins lucrativos ou não, bem como os órgãos ou entidades da administração pública direta, indireta e funcional( grifei); Da mesma forma, por ser equipara à empresa, a recorrente está obrigada a efetuar a retenção de 11% do valor bruto da nota fiscal ou fatura de serviços prestados com cessão de mão de obra. A empresa contratante de serviços prestados mediante cessão de mãodeobra ou empreitada deverá reter, a partir de 02/1999, na forma do art. 31 da Lei nº 8.212/1991, na redação que lhe foi dada pela Lei nº 9.711, de 20 de novembro de 1998, onze por cento do valor bruto da nota fiscal, da fatura ou do recibo de prestação de serviços e recolher ao INSS a importância retida, em nome da empresa contratada: “Art.31.A empresa contratante de serviços executados mediante cessão de mãodeobra, inclusive em regime de trabalho temporário, deverá reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços e recolher a importância retida até o dia dez do mês subseqüente ao da emissão da respectiva nota fiscal ou fatura, em nome da empresa cedente da mãodeobra, observado o disposto no § 5o do art. 33”. Fl. 245DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 01/03/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 15940.000491/201026 Acórdão n.º 2302002.271 S2C3T2 Fl. 244 5 (Alterado pela MEDIDA PROVISÓRIA Nº 351 DE 22 DE JANEIRO DE 2007 DOU DE 22/1/2007 Edição extra) (sem grifos no original). Redação da Lei 9.711/98 “Art. 31. A empresa contratante de serviços executados mediante cessão de mãodeobra, inclusive em regime de trabalho temporário, deverá reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços e recolher a importância retida até o dia dois do mês subseqüente ao da emissão da respectiva nota fiscal ou fatura, em nome da empresa cedente da mãodeobra, observado o disposto no § 5o do art. 33”. (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 20.11.98) (sem grifos no original). No mesmo sentido, o Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99, determina que: “Art. 219. A empresa contratante de serviços executados mediante cessão ou empreitada de mãodeobra, inclusive em regime de trabalho temporário, deverá reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal, fatura ou recibo de prestação de serviços e recolher a importância retida em nome da empresa contratada, observado o disposto no § 5º do art. 216”. (Redação dada pelo Decreto nº 4.729, de 2003) (sem grifos no original) Redação Anterior: “Art.219. A empresa contratante de serviços executados mediante cessão ou empreitada de mãodeobra deverá reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal, fatura ou recibo de prestação de serviços e recolher a importância retida em nome da empresa contratada, observado o disposto no §5º do art. 216”. A recorrente alega que somente poderia ser responsabilizada pelo débito, caso verificada a omissão da responsável pela obrigação tributária, ou seja, a empresa contratada, pois a responsabilidade é subsidiária. Segundo ela, o que existe é a faculdade de efetuar a retenção para afastar a responsabilidade, não sendo a impugnante substituta tributária da cedente de mãodeobra. O artigo 31 da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 9.711/98, obriga diretamente o contratante dos serviços a efetuar a retenção, determinando a observação do disposto no artigo 33, § 5º, in verbis: “Art. 33. “Omissis” ... § 5º O desconto de contribuição e de consignação legalmente autorizadas sempre se presume feito oportuna e regularmente pela empresa a isso obrigada, não lhe sendo lícito alegar omissão para se eximir do recolhimento, ficando diretamente Fl. 246DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 01/03/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI 6 responsável pela importância que deixou de receber ou arrecadou em desacordo com o disposto nesta Lei”. Ademais, com a nova redação do artigo 31 da Lei nº 8.212/91, dada pela Lei nº 9.711/98, não há mais que se falar em responsabilidade solidária ou subsidiária, como apontado pela recorrente, pois se estabeleceu nova sistemática de tributação quando da contratação de serviços executados mediante cessão de mãodeobra, restando reconhecida a legalidade e constitucionalidade desta norma pelo Supremo Tribunal Federal, conforme ementa transcrita abaixo: EMENTA: CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. PREVIDENCIÁRIO. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL: SEGURIDADE. RETENÇÃO DE 11% SOBRE O VALOR BRUTO DA NOTA FISCAL OU DA FATURA DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇO. Lei 8.212/91, art. 31, com a redação da Lei 9.711/98. I. Empresa contratante de serviços executados mediante cessão de mãodeobra: obrigação de reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços e recolher a importância retida até o dia 2 do mês subseqüente ao da emissão da respectiva nota fiscal ou fatura, em nome da empresa cedente da mãodeobra: inocorrência de ofensa ao disposto no art. 150, § 7º, art. 150, IV, art. 195, § 4º, art. 154, I, e art. 148. II. R.E. conhecido e improvido (RE 393946/MG Rel: Min. CARLOS VELLOSO, DJ 01/04/2005) O Superior Tribunal de Justiça pronunciouse, em relação à matéria, no mesmo sentido: "116020647 – PREVIDENCIÁRIO – CONTRIBUIÇÃO – EMPRESAS PRESTADORAS DE SERVIÇO – LEI Nº 9.711/98 – 1. Nova redação do art. 31 da Lei nº 8.212/91 pela Lei nº 9.711/98, não alterou a fonte de custeio, nem elegeu novo contribuinte. 2. A alteração foi apenas da sistemática de recolhimento, continuando a contribuição previdenciária a ser calculada pela folha de salário, tendo como contribuinte de direito a empresa prestadora do serviço de mãodeobra. 3. A nova sistemática impôs ao contribuinte de fato a responsabilidade pela retenção de parte da contribuição, para futura compensação, quando do cálculo do devido. 4. Sistemática que se harmoniza com o disposto no art. 128 do CTN. 5. Recurso Especial provido. (STJ – RESP 433814 – SP – 2ª T. – Relª Min. Eliana Calmon – DJU 19.12.2002) 16014676 – TRIBUTÁRIO – RECURSO ESPECIAL – CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA – EMPRESAS PRESTADORAS DE SERVIÇO – RETENÇÃO DE 11% SOBRE FATURAS – ART. 31, DA LEI Nº 8.212/91, COM A REDAÇÃO DA LEI Nº 9.711/98 – NOVA SISTEMÁTICA DE ARRECADAÇÃO MAIS COMPLEXA, SEM AFETAÇÃO DAS BASES LEGAIS DA ENTIDADE TRIBUTÁRIA MATERIAL DA EXAÇÃO – 1. A Lei nº 9.711, de 20/11/1999, que alterou o art. 31, da Lei nº 8.212/1991, não criou qualquer nova contribuição sobre o faturamento, nem alterou a alíquota, nem a base de cálculo da contribuição previdenciária sobre a folha de pagamento. 2. A determinação do mencionado artigo 31 Fl. 247DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 01/03/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 15940.000491/201026 Acórdão n.º 2302002.271 S2C3T2 Fl. 245 7 configura, apenas, uma técnica de arrecadação da contribuição previdenciária, colocando as empresas tomadoras de serviço como responsáveis tributários pela forma de substituição tributária. 3. O procedimento a ser adotado não viola qualquer disposição legal, haja vista que, apenas, obriga a empresa contratante de serviços a reter da empresa contratada, em benefício da previdência social, o percentual de 11% sobre o valor dos serviços constantes da nota fiscal ou fatura, a título de contribuição previdenciária, em face dos encargos de Lei decorrentes da contratação de pessoal. 4. A prestadora dos serviços, isto é, a empresa contratada, que sofreu a retenção, procede, no mês de competência, a uma simples operação aritmética: De posse do valor devido a título de contribuição previdenciária incidente sobre a folha de pagamento, diminuirá deste valor o que foi retido pela tomadora de serviços; se o valor devido a título de contribuição previdenciária for menor, recolhe, ao GRPS, o montante devedor respectivo, se o valor retido for maior do que o devido, no mês de competência, requererá a restituição do seu saldo credor. 5. O que a Lei criou foi, apenas, uma nova sistemática de arrecadação, embora mais complexa para o contribuinte, porém, sem afetar as bases legais da entidade tributária material da contribuição previdenciária. 6. Recurso não provido. (STJ – RESP 439155 – MG – 1ª T. – Rel. Min. José Delgado – DJU 23.09.2002) Assim, a retenção de 11% sobre o total da fatura ou nota fiscal de prestação de serviços mediante empreitada ou cessão de mãodeobra consiste em antecipação de recolhimento, feita pelo tomador do serviço em nome do prestador. Caso a empresa contratante não efetue a retenção, assumirá este ônus. Deixo de me manifestar sobre a prestação de serviço com cessão de mão de obra, já que a recorrente não discorreu sobre o assunto, devendo ser observado o disposto no art. 17 do Decreto n º 70.235 de 1972, onde somente será conhecida a matéria expressamente impugnada, com exceção das matérias que podem ser conhecidas independentemente de impugnação, como a decadência. Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) Quanto à multa, no caso em tela, à época do fatos geradores, pelo não recolhimento em época própria do tributo devido, a legislação previdenciária previa a aplicação de multa moratória,conforme disposto pelo 35 da Lei n° 8.212/91, com a redação da Lei nº 9.876/99. A MP n° 449/08, posteriormente convertida na Lei nº 11.941/2008, excluiu do ordenamento jurídico a gradação da multa de mora prevista no art. 35 da Lei nº 8.212/91, conferindolhe outras condições, eis que se tratando de recolhimento espontâneo pelo contribuinte de contribuições previdenciárias pagas em atraso, a multa de mora a ser aplicada será de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso, contados a partir do primeiro dia subsequente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento, limitado a vinte por cento: Fl. 248DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 01/03/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI 8 Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Redação dada pela Lei nº 11.941/2009). Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. §1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subsequente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. §2 O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. §3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subsequente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. (Vide Lei nº 9.716, de 1998) Quando se tratar de lançamento de ofício, como no caso deste AIOP, a legislação superveniente determinou a incidência de multa de ofício, correspondente a 75% da totalidade ou diferença de imposto ou contribuição devidos e não recolhidos, podendo, inclusive ser duplicado o valor em caso de fraude, simulação ou conluio: Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Incluído pela Lei nº 11.941/2009). Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) Fl. 249DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 01/03/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 15940.000491/201026 Acórdão n.º 2302002.271 S2C3T2 Fl. 246 9 I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) II de 50% (cinquenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) a) na forma do art. 8º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; (Incluída pela Lei nº 11.488, de 2007) b) na forma do art. 2º desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. (Incluída pela Lei nº 11.488, de 2007) §1º O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) §2º Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o §1º deste artigo serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I prestar esclarecimentos; (Renumerado da alínea "a", pela Lei nº 11.488, de 2007) II apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11 a 13 da Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991; (Renumerado da alínea "b", com nova redação pela Lei nº 11.488, de 2007) III apresentar a documentação técnica de que trata o art. 38 desta Lei. (Renumerado da alínea "c", com nova redação pela Lei nº 11.488, de 2007) §3º Aplicamse às multas de que trata este artigo as reduções previstas no art. 6º da Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991, e no art. 60 da Lei nº 8.383, de 30 de dezembro de 1991. §4º As disposições deste artigo aplicamse, inclusive, aos contribuintes que derem causa a ressarcimento indevido de tributo ou contribuição decorrente de qualquer incentivo ou benefício fiscal. Fl. 250DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 01/03/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI 10 Contudo, quanto à multa, tenho o entendimento que à luz da legislação vigente, devem ser aplicadas de forma isolada, conforme o caso, por descumprimento de obrigação principal ou de obrigação acessória, da forma mais benéfica ao contribuinte, de acordo com o disposto no artigo 106, do Código Tributário Nacional. Embora, em algumas vezes, a obrigação acessória descumprida esteja diretamente ligada à obrigação principal, isto não significa que sejam únicas para aplicação de multa conjunta. Pelo contrário, uma subsiste sem a outra e mesmo não havendo crédito a ser lançado, é obrigatória a lavratura de auto de infração se houve o descumprimento de obrigação acessória. As condutas são tipificadas em lei, com penalidades específicas e aplicação isolada. O art. 44 da Lei n º 9.430/96, traz que a multa de ofício de 75% incidirá sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento , de falta de declaração e nos de declaração inexata. Portanto, está claro que as três condutas não precisam ocorrer simultaneamente para ser aplicada a multa: Quando o contribuinte tiver recolhido os valores devidos antes da ação fiscal, não será aplicada a multa de 75% prevista no art. 44 da Lei n º 9.430; porém, se apesar do pagamento não tiver declarado em GFIP, é possível a aplicação da multa isolada do art. 32A da Lei n º 8.212, justamente por se tratar de condutas distintas. Se o contribuinte tiver declarado em GFIP não se aplica a multa do art. 44 da Lei n º 9.430, sendo aplicável somente a multa moratória do art. 61 da Lei n º 9430, pois os débitos já estão confessados e devidamente constituídos, sendo prescindível o lançamento. A multa do art. 44 da Lei n º 9.430 somente se aplica nos lançamentos de ofício. Desse modo, se o contribuinte tiver declarado em GFIP, mas não tiver pago, o art. 44 da Lei 9.430 não é aplicado pelo motivo de o contribuinte não ter recolhido, mas ter declarado.Neste caso, não se aplica o art. 44 em função de não haver lançamento de ofício, pois o crédito já está constituído pelo termo de confissão que é a GFIP. E nas hipóteses em que o contribuinte não tiver recolhido e não tiver declarado em GFIP, há duas condutas distintas: por não recolher o tributo e ser realizado o lançamento de ofício, aplicase a multa de 75%; e por não ter declarado em GFIP a multa prevista no art. 32A da Lei n º 8.212. Conforme já foi dito, a multa será aplicada ainda que o contribuinte tenha pago as contribuições, conforme previsto no inciso I do art. 32 A. Pelo exposto, é de fácil constatação que as condutas de não recolher ou pagar o tributo e não declarar em GFIP não estão tipificadas no mesmo artigo de lei, no caso o art. 44 da Lei nº 9.430/96. A lei ao tipificar essas infrações, inclusive em dispositivos distintos, demonstra estar tratando de obrigações, infrações e penalidades tributárias distintas, que não se confundem e tampouco são excludentes. Assim, no caso presente, para a aplicação da multa há cabimento do art. 106, inciso II, alínea “c” do Código Tributário Nacional, o qual dispõe que a lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Fl. 251DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 01/03/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 15940.000491/201026 Acórdão n.º 2302002.271 S2C3T2 Fl. 247 11 Por todo o exposto, Voto pelo provimento parcial do recurso, devendo a multa ser aplicada na forma do artigo 35 da Lei n.º 8.212/91, na redação vigente à época dos fatos geradores, para as competências até 11/2008 e no artigo 35 A da Lei n.º 8.212/91, com a redação dada pela Medida Provisória n.º 449/2008, convertida na Lei n.º 11.941/2008, para a competência 12/2008. Liege Lacroix Thomasi Relatora Fl. 252DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 01/03/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI
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Numero do processo: 13748.000161/2003-62
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 27 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ
Ano-calendário: 2002
Homologação tácita.
Reconhece-se a homologação tácita da compensação declarada se a ciência do despacho decisório se dá após o prazo de cinco anos contados da data do protocolo da declaração de compensação.
Numero da decisão: 1302-000.468
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, reconhecendo a homologação tácita.
Nome do relator: Marcos Rodrigues de Mello relator designado ad hoc
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A Recorrida Fazenda Nacional Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2002 Homologação tácita. Reconhecese a homologação tácita da compensação declarada se a ciência do despacho decisório se dá após o prazo de cinco anos contados da data do protocolo da declaração de compensação. . Vistos, relatados e discutidos os presentes autos Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, reconhecendo a homologação tácita. (documento assinado digitalmente) Marcos Rodrigues de Mello relator designado ad hoc e Presdidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Rodrigues de Mello, Wilson Fernandes Guimarães, Daniel Salgueiro da Silva, Eduardo de Andrade, Andre Ricardo Lemes da Silva e Irineu Bianchi Relatório Versa o presente processo sobre declaração de compensação (DCOMP) formalizada pelo interessado (fl. 01). O interessado alega possuir um direito creditório no valor de R$ 1.182.149,70, relativo ao saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2002 (fl. 02). Do total deste crédito, o interessado utiliza R$ 11.263,31 para compensar débitos de Pis e Cofins (fl. 01). Fl. 278DF CARF MF Impresso em 24/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 21/03 /2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 13748.000161/200362 Acórdão n.º 130200.468 S1C3T2 Fl. 2 2 O Despacho Decisório proferido pela autoridade a quo (fl. 48), em 11/04/2008, não homologou a compensação efetuada, com fundamento no Parecer Seort da DRF/Nova Iguaçu/RJ nº 080/2008 (fls. 45/47). A seguir, transcrevese trechos do referido Parecer nº 080/2008 (fls. 45/47): “8. Resta que se comprove a liquidez e, principalmente, a certeza do crédito. ..... 10. Ocorre que a seu favor o interessado nada juntou nos autos que possa comprovar o seu direito creditório. Sequer apresentou cópia da DIPJ2003 na qual apurou o saldo negativo de IRPJ. Tampouco apresentou DARFs que comprovem ter havido recolhimento indevido, nem ao menos relacionou datas e valores dos supostos recolhimentos. Inexiste, também, comprovante de retenção de imposto na fonte emitido por outra pessoa jurídica ou qualquer outro documento que ofereça suporte ao crédito. .... 12. No presente caso, consultas à DIPJ2003 (fls. 19/44) de plano evidenciam a inexistência do pretensa crédito. Notase, às fls. 19/20, que no anocalendário 2002 o interessado apurou “Imposto de Renda a Pagar” e “ CSLL a pagar” iguais a zero 13. Sendo assim, o próprio contribuinte admite na DIPJ2003 que não apurou saldo negativo de IRPJ, ou mesmo de CSLL, caso contrário, haveria valores negativos nos respectivos campos 18 da Ficha 12A e campo 42 da Ficha 17 da declaração. ..... 16. As informações prestadas pelo próprio contribuinte na DIPJ2003 permite que se conclua pela inexistência de certeza e liquidez do pretenso crédito. 17. À luz do que foi exposto, proponho a não homologação da compensação declarada nestes autos, com fulcro no art. 170 do CTN, cumprindose, no que couber, os dispositivos do art. 74 da Lei nº 9.430/1996 e da IN SRF nº 600/05.” Inconformado com o referido Despacho Decisório, o interessado apresentou manifestação de inconformidade (fls. 58/60), requerendo o reconhecimento do pedido de compensação, alegando, em síntese, o seguinte: a) que o anocalendário preenchido na declaração de compensação referese ao ano de 2001, e não ao ano de 2002 como constou na referida declaração. b) que este erro material de preenchimento é confirmado, quando se faz uma análise da data de protocolo da declaração de compensação (28/04/2003) e da data da entrega da DIPJ (30/06/2003); que a declaração de compensação não poderia se referir a saldo negativo do anocalendário de 2002, já que a DIPJ referente a tal exercício somente foi entregue em data posterior à data de protocolo da declaração de compensação. c) que os documentos juntados comprovam que o saldo negativo de IRPJ informado na declaração de compensação se refere ao anocalendário de 2001; Fl. 279DF CARF MF Impresso em 24/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 21/03 /2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 13748.000161/200362 Acórdão n.º 130200.468 S1C3T2 Fl. 3 3 d) que retificou a declaração de 2002 (anocalendário de 2001), uma vez que o saldo negativo de IRPJ estava apontado na declaração, mas não estava lançado corretamente nas deduções; que este ajuste para fazer constar as devidas deduções foram incluídas na retificadora da DIPJ/2002. A DRJ decidiu: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002 DIREITO CREDITÓRIO. Incumbe ao interessado a demonstração, com documentação comprobatória, da existência do crédito, líquido e certo, que alega possuir junto à Fazenda Nacional (art. 170 do Código Tributário Nacional). DIREITO CREDITÓRIO. SALDO NEGATIVO DE IRPJ. NÃO COMPROVADO. Não restando comprovado, pelo interessado, o saldo negativo de IRPJ informado da DIPJ, não está comprovada a liquidez e certeza do crédito pleiteado, e, portanto, não deve ser reconhecido o direito creditório e não devem ser homologadas as compensações efetuadas. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. ALTERAÇÃO DOS FUNDAMENTOS DE PEDIR. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. INOVAÇÃO. A alteração da fundamentação que embasou o direito creditório pleiteado, apresentada na fase litigiosa, encerra verdadeira inovação, caracterizando nova solicitação do interessado, não passível de apreciação originária pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento, sob pena de supressão de instância. A recorrente tomou ciência do acórdão DRJ em 18/06/2009 e apresentou recurso 21/07/2009. Em seu recurso reitera os argumentos da impugnação. . Voto O recurso é intempestivo e não deveria ser conhecido, exceto no que se refere à matérias de ordem pública, o que entendo ser o caso dos autos. Reproduzo o voto vencido proferido no acórdão recorrido: Cumpre ressaltar que o decurso do prazo de 5 (cinco) anos não implica o reconhecimento do direito creditório. Ele apenas Fl. 280DF CARF MF Impresso em 24/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 21/03 /2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 13748.000161/200362 Acórdão n.º 130200.468 S1C3T2 Fl. 4 4 aperfeiçoa a extinção do débito compensado, não cabendo mais à Administração promover sua cobrança. Cabe ainda esclarecer que o prazo para homologação é contado deste a data da apresentação da DCOMP até a data da ciência da Decisão da Administração. No presente caso, a interessada apresentou a Declaração de Compensação em 28/abril/2003. A ciência da Decisão que não homologou as compensações se deu em 15/05/2008, conforme declaração da interessada que consta no verso da folha 55 deste processo. Cumpre registrar que a manifestação de inconformidade ocorreu em 16/06/2008, tempestivamente, no prazo de 30 dias após a ciência da decisão. Concluise, portanto, que, a despeito do não reconhecimento do direito creditório, os débitos discriminados no formulário de fls. 01 não podem mais ser cobrados, por ter ocorrido a homologação tácita, tendo como efeito a extinção definitiva dos mesmos, por força da norma contida no § 5º do artigo 74 da Lei nº 9.430/96, incluída pela Medida Provisória nº 135, de 31/10/2003. Mais uma vez ressalto que, ocorrendo a homologação tácita, não há reconhecimento do direito creditório, mas tão somente o aperfeiçoamento quanto à extinção dos débitos, não podendo mais a Administração promover sua cobrança. Entendo que a homologação tácita, na esteira do entendimento que se dá ao prazo decadencial, é matéria de ordem pública, devendo ser acolhida de ofício pela autoridade julgadora. Tendo sido protocolada a declaração de compensação em 28/04/2003 e a ciência do despacho decisório tendo ocorrido em 15/05/2008, ocorreu a homologação tácita, que extingue o débito declarado/confessado, sem que isso signifique o reconhecimento do direito creditório requerido. Diante do exposto, voto no sentido reconhecer de ofício a homologação tácita. (documento assinado digitalmente) Marcos Rodrigues de Mello – relator designado ad hoc Fl. 281DF CARF MF Impresso em 24/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 21/03 /2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 13748.000161/200362 Acórdão n.º 130200.468 S1C3T2 Fl. 5 5 Cumpre ressaltar que o decurso do prazo de 5 (cinco) anos não implica o reconhecimento do direito creditório. Ele apenas aperfeiçoa a extinção do débito compensado, não cabendo mais à Administração promover sua cobrança. Cabe ainda esclarecer que o prazo para homologação é contado deste a data da apresentação da DCOMP até a data da ciência da Decisão da Administração. No presente caso, a interessada apresentou a Declaração de Compensação em 28/abril/2003. A ciência da Decisão que não homologou as compensações se deu em 15/05/2008, conforme declaração da interessada que consta no verso da folha 55 deste processo. Cumpre registrar que a manifestação de inconformidade ocorreu em 16/06/2008, tempestivamente, no prazo de 30 dias após a ciência da decisão. Concluise, portanto, que, a despeito do não reconhecimento do direito creditório, os débitos discriminados no formulário de fls. 01 não podem mais ser cobrados, por ter ocorrido a homologação tácita, tendo como efeito a extinção definitiva dos mesmos, por força da norma contida no § 5º do artigo 74 da Lei nº 9.430/96, incluída pela Medida Provisória nº 135, de 31/10/2003. Mais uma vez ressalto que, ocorrendo a homologação tácita, não há reconhecimento do direito creditório, mas tão somente o aperfeiçoamento quanto à extinção dos débitos, não podendo mais a Administração promover sua cobrança. Fl. 282DF CARF MF Impresso em 24/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 21/03 /2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO
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