Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,279)
- Segunda Câmara (27,805)
- Primeira Câmara (25,086)
- Segunda Turma Ordinária d (17,712)
- Primeira Turma Ordinária (16,211)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,175)
- Primeira Turma Ordinária (16,078)
- Primeira Turma Ordinária (16,039)
- Segunda Turma Ordinária d (15,784)
- Segunda Turma Ordinária d (14,416)
- Primeira Turma Ordinária (13,020)
- Primeira Turma Ordinária (12,379)
- Segunda Turma Ordinária d (12,361)
- Quarta Câmara (11,514)
- Primeira Turma Ordinária (11,416)
- Quarta Câmara (84,742)
- Terceira Câmara (67,310)
- Segunda Câmara (55,745)
- Primeira Câmara (20,136)
- 3ª SEÇÃO (16,175)
- 2ª SEÇÃO (11,275)
- 1ª SEÇÃO (6,836)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (124,843)
- Segunda Seção de Julgamen (114,408)
- Primeira Seção de Julgame (76,513)
- Primeiro Conselho de Cont (49,052)
- Segundo Conselho de Contr (48,961)
- Câmara Superior de Recurs (37,882)
- Terceiro Conselho de Cont (25,978)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,061)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,961)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,615)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,418)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,269)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (3,754)
- HELCIO LAFETA REIS (3,725)
- ROSALDO TREVISAN (3,220)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,924)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,728)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,630)
- WILDERSON BOTTO (2,615)
- HONORIO ALBUQUERQUE DE BR (2,472)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,833)
- 2019 (30,960)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,918)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,471)
- 2014 (22,375)
- 2013 (21,087)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,503)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,134)
- 2017 (16,839)
- 2009 (15,846)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2026 (13,419)
- 2022 (13,225)
Numero do processo: 13209.720145/2013-69
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 13 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Mar 27 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2011
PENSÃO ALIMENTÍCIA. DEDUÇÃO.
Na determinação da base de cálculo do imposto de renda, poderão ser deduzidas as importâncias pagas a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial, inclusive a prestação de alimentos provisionais, de acordo homologado judicialmente, ou de escritura pública a que se referia o art. 1.124-A da Lei n° 5.869, de 1973, e que, atualmente, se refere o art. 733 da Lei n° 13.105, de 2015. Por ser o décimo terceiro tributado exclusivamente na fonte, o desconto de pensão alimentícia sobre ele incidente não é dedutível na Declaração de Ajuste Anual.
Numero da decisão: 2401-006.110
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Matheus Soares Leite, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Rayd Santana Ferreira, Andrea Viana Arrais Egypto e Miriam Denise Xavier. Ausentes as conselheiras Marialva de Castro Calabrich Schlucking e Luciana Matos Pereira Barbosa.
Nome do relator: JOSE LUIS HENTSCH BENJAMIN PINHEIRO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201903
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2011 PENSÃO ALIMENTÍCIA. DEDUÇÃO. Na determinação da base de cálculo do imposto de renda, poderão ser deduzidas as importâncias pagas a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial, inclusive a prestação de alimentos provisionais, de acordo homologado judicialmente, ou de escritura pública a que se referia o art. 1.124-A da Lei n° 5.869, de 1973, e que, atualmente, se refere o art. 733 da Lei n° 13.105, de 2015. Por ser o décimo terceiro tributado exclusivamente na fonte, o desconto de pensão alimentícia sobre ele incidente não é dedutível na Declaração de Ajuste Anual.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Mar 27 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 13209.720145/2013-69
anomes_publicacao_s : 201903
conteudo_id_s : 5977050
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Mar 27 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 2401-006.110
nome_arquivo_s : Decisao_13209720145201369.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : JOSE LUIS HENTSCH BENJAMIN PINHEIRO
nome_arquivo_pdf_s : 13209720145201369_5977050.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier - Presidente. (assinado digitalmente) José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Matheus Soares Leite, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Rayd Santana Ferreira, Andrea Viana Arrais Egypto e Miriam Denise Xavier. Ausentes as conselheiras Marialva de Castro Calabrich Schlucking e Luciana Matos Pereira Barbosa.
dt_sessao_tdt : Wed Mar 13 00:00:00 UTC 2019
id : 7668145
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:40:32 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051663555624960
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1761; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T1 Fl. 60 1 59 S2C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13209.720145/201369 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2401006.110 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 13 de março de 2019 Matéria IRPF. PENSÃO ALIMENTÍCIA. Recorrente JORGE MIGUEL CECIM COELHO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2011 PENSÃO ALIMENTÍCIA. DEDUÇÃO. Na determinação da base de cálculo do imposto de renda, poderão ser deduzidas as importâncias pagas a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial, inclusive a prestação de alimentos provisionais, de acordo homologado judicialmente, ou de escritura pública a que se referia o art. 1.124A da Lei n° 5.869, de 1973, e que, atualmente, se refere o art. 733 da Lei n° 13.105, de 2015. Por ser o décimo terceiro tributado exclusivamente na fonte, o desconto de pensão alimentícia sobre ele incidente não é dedutível na Declaração de Ajuste Anual. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente. (assinado digitalmente) José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Matheus Soares Leite, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Rayd Santana Ferreira, Andrea Viana Arrais Egypto e Miriam Denise Xavier. Ausentes as conselheiras Marialva de Castro Calabrich Schlucking e Luciana Matos Pereira Barbosa. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 20 9. 72 01 45 /2 01 3- 69 Fl. 60DF CARF MF Processo nº 13209.720145/201369 Acórdão n.º 2401006.110 S2C4T1 Fl. 61 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face de decisão da 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a Impugnação apresentada contra Notificação de Lançamento de Imposto de Renda da Pessoa Física (fls. 24/27), anocalendário 2011, tendo sido apurada Dedução Indevida de Pensão Alimentícia, no valor de R$ 1.109,90, por falta de comprovação. O contribuinte apresentou impugnação (fls. 02/03) e documentos (fls. 04/21), considerada tempestiva, alegando que pagar Pensão Judicial descontada "nos contracheques de janeiro a dezembro mais o décimo terceiro salário de 2011". Do Acórdão atacado (fls. 31/33), em síntese, extraise que em face dos documentos apresentados com a impugnação (fls. 04/05), a despesa glosada é relativa à pensão sobre o 13º salário, que, nos termos do artigo 8º, I, da Lei nº 9.250/1995 e artigo 7º e §§ da IN SRF nº 15/2001, não pode ser deduzida da base de cálculo do imposto na declaração de ajuste, tendo em vista que referido rendimento (13º salário) está sujeito ao regime de tributação exclusiva na fonte. Intimado em 14/08/2015 (fls. 34), o contribuinte interpôs em 03/09/2015 (fls. 35) recurso voluntário (fls. 35/36), acompanhado de documentos (fls. 37/54), em síntese, alega: (a) anexa documentos referentes ao 13 salário, a comprovar o desconto de R$ 1.109,90; e (b) houve erro da fonte pagadora ao não informar o valor de R$ 1.109,90 no comprovante de rendimentos. O valor foi deduzido por ter havido o desconto nos vencimentos e não ser justo não o declarar. Sou honesto cumpridor de meus deveres e não concordo com injustiças. É o relatório. Voto Conselheiro José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro. Preenchidos os requisitos de admissibilidade, tomo conhecimento do recurso voluntário. Os documentos apresentados com o recurso (fls.37/54) comprovam o desconto de R$ 1.109,90 do décimo terceiro a título de pensão alimentícia. Logo, não há erro no Comprovante de Rendimentos de fls. 47/48. Por ser o décimo terceiro tributado exclusivamente na fonte, o desconto de pensão alimentícia sobre ele incidente não é dedutível na Declaração de Ajuste Anual. Não há injustiça, mas observância do artigo 8º, I, da Lei nº 9.250, de 1995. Ser o recorrente honesto e cumpridor de seus deveres não tem o condão de afastar o regramento legal aplicável ao caso concreto.. Fl. 61DF CARF MF Processo nº 13209.720145/201369 Acórdão n.º 2401006.110 S2C4T1 Fl. 62 3 Isso posto, voto por conhecer e negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro Relator Fl. 62DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10283.903496/2012-41
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 27 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Apr 17 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Data do fato gerador: 30/06/2003
ICMS. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO (PIS/COFINS).
O montante a ser excluído da base de calculo mensal da contribuição é o valor mensal do ICMS a recolher, conforme Solução de Consulta Interna nº 13 - Cosit, de 18 de outubro de 2018, interpretando entendimento firmado no julgamento do Recurso Extraordinário nº 574.706/PR, pelo Supremo Tribunal Federal.
Numero da decisão: 3302-006.702
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir o valor do ICMS a recolher da base de cálculo da contribuição, vencido o Conselheiro José Renato Pereira de Deus que dava provimento em maior extensão para excluir o ICMS destacado.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado) e Paulo Guilherme Deroulede (Presidente).
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201903
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Data do fato gerador: 30/06/2003 ICMS. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO (PIS/COFINS). O montante a ser excluído da base de calculo mensal da contribuição é o valor mensal do ICMS a recolher, conforme Solução de Consulta Interna nº 13 - Cosit, de 18 de outubro de 2018, interpretando entendimento firmado no julgamento do Recurso Extraordinário nº 574.706/PR, pelo Supremo Tribunal Federal.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Apr 17 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 10283.903496/2012-41
anomes_publicacao_s : 201904
conteudo_id_s : 5989632
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Apr 17 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 3302-006.702
nome_arquivo_s : Decisao_10283903496201241.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : PAULO GUILHERME DEROULEDE
nome_arquivo_pdf_s : 10283903496201241_5989632.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir o valor do ICMS a recolher da base de cálculo da contribuição, vencido o Conselheiro José Renato Pereira de Deus que dava provimento em maior extensão para excluir o ICMS destacado. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado) e Paulo Guilherme Deroulede (Presidente).
dt_sessao_tdt : Wed Mar 27 00:00:00 UTC 2019
id : 7698057
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:42:18 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051663558770688
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1548; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 2 1 1 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10283.903496/201241 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3302006.702 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 27 de março de 2019 Matéria PIS/COFINS RESTITUIÇÃO Recorrente BIC AMAZONIA S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 30/06/2003 ICMS. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO (PIS/COFINS). O montante a ser excluído da base de calculo mensal da contribuição é o valor mensal do ICMS a recolher, conforme Solução de Consulta Interna nº 13 Cosit, de 18 de outubro de 2018, interpretando entendimento firmado no julgamento do Recurso Extraordinário nº 574.706/PR, pelo Supremo Tribunal Federal. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir o valor do ICMS a recolher da base de cálculo da contribuição, vencido o Conselheiro José Renato Pereira de Deus que dava provimento em maior extensão para excluir o ICMS destacado. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado) e Paulo Guilherme Deroulede (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 90 34 96 /2 01 2- 41 Fl. 85DF CARF MF Processo nº 10283.903496/201241 Acórdão n.º 3302006.702 S3C3T2 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente processo de Pedido de Restituição (PER) eletrônico, por meio da qual a contribuinte solicita restituição de valor que teria sido indevidamente recolhido a título de COFINS, no regime não cumulativo. Na apreciação do pleito, manifestouse a Delegacia da Receita Federal do Brasil de jurisdição pelo indeferimento do pedido de restituição, mediante Despacho Decisório (DD) acostado aos autos, fazendoo com base na constatação da inexistência do crédito informado, uma vez que o valor recolhido já havia sido integralmente utilizado para extinção do débito relativo ao período de apuração a que se referia, não restando crédito disponível para restituição. Inconformada com o indeferimento do PER, a contribuinte apresenta manifestação de inconformidade, na qual, após a apresentação dos fatos, explica que o pedido de restituição referese a créditos decorrentes de pagamentos a maior em razão da exclusão do ICMS da base de cálculo da contribuição. A interessada esclarece que, para apuração do valor indevidamente pago, elaborou planilha demonstrando a diferença entre o valor efetivamente recolhido e o valor que legalmente seria devido, excluindose da base de cálculo da contribuição o ICMS efetivamente apurado e recolhido. Informa, ainda, que a comprovação do direito creditório será feita em momento oportuno, no Livro Registro de Apuração do ICMS. A fim de justificar seu direito ao crédito, a contribuinte alega, em síntese, a inconstitucionalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da Cofins. Em sua defesa, cita julgamento da matéria no Supremo Tribunal Federal (STF). A Delegacia da Receita Federal de Julgamento, julgou improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos do Acórdão nº 07040.562. Regulamente cientificada desta decisão, a Recorrente interpôs, tempestivamente, o recurso voluntário ora em apreço, no qual essencialmente reitera os argumentos iniciais apresentados na impugnação e aduz que a decisão recorrida não pode prosperar, uma vez que é desnecessária a previsão legal que permita a exclusão do ICMS da base de cálculo da Cofins e do PIS. Diz, ainda, que é impossível considerar o ICMS como parte do faturamento e aponta jurisprudência do STF. Por fim, requer reforma da decisão e reconhecimento da restituição pleiteada. É o relatório. Fl. 86DF CARF MF Processo nº 10283.903496/201241 Acórdão n.º 3302006.702 S3C3T2 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Paulo Guilherme Deroulede, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Acórdão nº 3302006.687, de 27 de março de 2019, proferido no julgamento do processo 10283.900996/201493, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão nº 3302006.687): "O recurso voluntário é tempestivo, e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado. Em não havendo preliminares, passase, de plano, ao mérito do litígio. DA BASE DE CÁLCULO DA COFINS A matéria é por demais conhecida deste Colegiado, razão por que trato de invocar excertos de recente acórdão, nº 3302 006.452, de 30/01/2019, para ilustrar meu entendimento sobre a questão. Naquela oportunidade, o eminente relator, conselheiro Walker Araujo, assim se pronunciou sobre o tema: (...) sobre a inclusão ou não do ICMS na base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS, é de conhecimento notório que o Plenário do Supremo Tribunal Federal no RE 574.706, com repercussão geral reconhecida, decidiu que o ICMS não integra a base de cálculo das famigeradas contribuições. Contra a decisão proferida no RE 574.706, a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional opôs embargos declaratórios da decisão, pleiteando a modulação temporal dos seus efeitos e realizou outros questionamentos, em especial, se o valor a ser excluído é somente aquele relacionado ao arrecadado a título de ICMS e/ou se o valor a ser excluído da base de cálculo abrange, além do arrecadado, aquele destacado em Notas Fiscais de Saída, sendo que referidos questionamentos aguardam sua análise e julgamento pelo Supremo Tribunal Federal. Entretanto, em que se pese inexistir trânsito em julgado da decisão proferida pela Suprema Corte, entendo que se tornou definitiva a matéria quanto ao direito do Fl. 87DF CARF MF Processo nº 10283.903496/201241 Acórdão n.º 3302006.702 S3C3T2 Fl. 5 4 contribuinte ao menos de excluir da base de cálculo do PIS/COFINS a parcela do ICMS pago ou a recolher, restando àquela Corte apenas decidir se o direito de exclusão será concedido em maior extensão, abrangendo, além do arrecadado, aquele destacado em Notas Fiscais de Saída. A respeito do direito do contribuinte excluir da base de cálculo do PIS/COFINS a parcela do ICMS pago ou a recolher(...) (...) temos a Solução de Consulta Interna nº 13 Cosit, de 18 de outubro de 2018, emitida nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CALCULO DA CONTRIBUIÇÃO. Para fins de cumprimento das decisões judiciais transitadas em julgado que versem sobre a exclusão do ICMS da base de calculo da Contribuição para o PIS/Pasep, no regime cumulativo ou não cumulativo de apuração, devem ser observados os seguintes procedimentos: a) o montante a ser excluído da base de calculo mensal da contribuição e o valor mensal do ICMS a recolher, conforme o entendimento majoritário firmado no julgamento do Recurso Extraordinário no 574.706/PR, pelo Supremo Tribunal Federal; b) considerando que na determinação da Contribuição para o PIS/Pasep do período a pessoa jurídica apura e escritura de forma segregada cada base de cálculo mensal, conforme o Código de Situação tributária (CST) previsto na legislação da contribuição, fazse necessário que seja segregado o montante mensal do ICMS a recolher, para fins de se identificar a parcela do ICMS a se excluir em cada uma das bases de calculo mensal da contribuição; c) a referida segregação do ICMS mensal a recolher, para fins de exclusão do valor proporcional do ICMS, em cada uma das bases de calculo da contribuição, será determinada com base na relacao percentual existente entre a receita bruta referente a cada um dos tratamentos tributários (CST) da contribuição e a receita bruta total, auferidas em cada mês; d) para fins de proceder ao levantamento dos valores de ICMS a recolher, apurados e escriturados pela pessoa jurídica, devemse preferencialmente considerar os valores escriturados por esta, na escrituração fiscal digital do ICMS e do IPI (EFDICMS/IPI), transmitida mensalmente por cada um dos seus estabelecimentos, sujeitos a apuração do referido imposto; e e) no caso de a pessoa juridica estar dispensada da escrituracao do ICMS, na Fl. 88DF CARF MF Processo nº 10283.903496/201241 Acórdão n.º 3302006.702 S3C3T2 Fl. 6 5 EFDICMS/IPI, em algum(uns) do(s) período(s) abrangidos pela decisão judicial com transito em julgado, poderá ela alternativamente comprovar os valores do ICMS a recolher, mês a mês, com base nas guias de recolhimento do referido imposto, atestando o seu recolhimento, ou em outros meios de demonstração dos valores de ICMS a recolher, definidos pelas Unidades da Federação com jurisdição em cada um dos seus estabelecimentos. Dispositivos Legais: Lei no 9.715, de 1998, art. 2o; Lei no 9.718, de 1998, arts. 2o e 3o; Lei no 10.637, de 2002, arts. 1o, 2o e 8o; Decreto no 6.022, de 2007; Instrução Normativa Secretaria da Receita Federal do Brasil no 1.009, de 2009; Instrução Normativa Secretaria da Receita Federal do Brasil no 1.252, de 2012; Convenio ICMS no 143, de 2006; Ato COTEPE/ICMS no 9, de 2008; Protocolo ICMS no 77, de 2008. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CALCULO DA CONTRIBUIÇÃO. Para fins de cumprimento das decisões judiciais transitadas em julgado que versem sobre a exclusão do ICMS da base de calculo da Cofins, no regime cumulativo ou não cumulativo de apuração, devem ser observados os seguintes procedimentos: a) o montante a ser excluído da base de calculo mensal da contribuição e o valor mensal do ICMS a recolher, conforme o entendimento majoritário firmado no julgamento do Recurso Extraordinário no 574.706/PR, pelo Supremo Tribunal Federal; b) considerando que na determinação da Cofins do período a pessoa jurídica apura e escritura de forma segregada cada base de calculo mensal, conforme o Código de Situação tributaria (CST) previsto na legislação da contribuição, fazse necessário que seja segregado o montante mensal do ICMS a recolher, para fins de se identificar a parcela do ICMS a se excluir em cada uma das bases de calculo mensal da contribuição; c) a referida segregação do ICMS mensal a recolher, para fins de exclusão do valor proporcional do ICMS, em cada uma das bases de calculo da contribuição, será determinada com base na relação percentual existente entre a receita bruta referente a cada um dos tratamentos tributários (CST) da contribuição e a receita bruta total, auferidas em cada mês; d) para fins de proceder ao levantamento dos valores de ICMS a recolher, apurados e escriturados pela pessoa jurídica, devemse preferencialmente considerar os valores Fl. 89DF CARF MF Processo nº 10283.903496/201241 Acórdão n.º 3302006.702 S3C3T2 Fl. 7 6 escriturados por esta, na escrituração fiscal digital do ICMS e do IPI (EFDICMS/IPI), transmitida mensalmente por cada um dos seus estabelecimentos, sujeitos a apuração do referido imposto; e e) no caso de a pessoa jurídica estar dispensada da escrituração do ICMS, na EFDICMS/IPI, em algum(uns) do(s) período(s) abrangidos pela decisão judicial com transito em julgado, poderá ela alternativamente comprovar os valores do ICMS a recolher, mês a mês, com base nas guias de recolhimento do referido imposto, atestando o seu recolhimento, ou em outros meios de demonstração dos valores de ICMS a recolher, definidos pelas Unidades da Federação com jurisdição em cada um dos seus estabelecimentos. Dispositivos Legais: Lei no 9.718, de 1998, arts. 2o e 3o; Lei no 10.833, de 2003, arts. 1o, 2o e 10; Decreto no 6.022, de 2007; Instrução Normativa Secretaria da Receita Federal do Brasil no 1.009, de 2009; Instrução Normativa Secretaria da Receita Federal do Brasil no 1.252, de 2012; Convenio ICMS no 143, de 2006; Ato COTEPE/ICMS no 9, de 2008; Protocolo ICMS no 77, de 2008. Neste cenário, entendo que o montante a ser excluído da(s) base(s) de calculo da Contribuicao para o PIS/Pasep e da Cofins é o valor mensal do ICMS a recolher. Posto isso, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário, para excluir o valor tão somente do ICMS a recolher da base de cálculo da contribuição." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por dar provimento parcial ao recurso voluntário, para excluir o valor do ICMS a recolher da base de cálculo da contribuição. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Deroulede Fl. 90DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10840.001484/2001-65
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Aug 23 00:00:00 UTC 2006
Ementa: PIS. DECADÊNCIA. O prazo para a Fazenda proceder ao
lançamento do PIS é de dez anos a contar da ocotTência do fato
gerador. consoante o art. 45 da Lei n° 8.212/91. combinado com O
art. 150, S 4°, do Código Tributário Nacional.
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁIUO. SUCESSÃO.
INCORPORAÇÃO. LANÇAMENTO POSTERIOR.
RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. JUROS DE MORA.
INCLUSÃO. MULTA DE OFÍCIO. EXCLUSÃO. No caso de
lançamento posterior à incorporação. a pessoa jurídica
incorporadora, na qualidade de sucessora e responsável tributária,
responde pelos tributos e juros de mora, mas não pela Illulta de
ofício.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PEDIDO DE
COMPENSAÇÃO. RITO PRÓPRIO. Não compete ao Conselho de
Contribuintes pronunciar-se sobre pedido de compensação. exceto
em sede de Recurso Voluntário interposto contra decisão da
primeira instância que apreciou manifestação de inconformidade
relativa ao pedido, sendo que eventuais excessos de recolhimentos,
ainda que detectados no curso da fiscalização. devem ser
aproveitados pelo contribuinte por meio do procedimento próprio,
em vez de empregados para redução dos valores lançados.
Recurso provido em parte.
Numero da decisão: 203-11.241
Decisão: ACORDAM oS Membros da Terceira Câmara do Segundo Conselho de
Contribuintes. em dar provimento parcial ao recurso, nos seguintes termos: I) pelo voto de qualidade, para afastar a decadência. Vencidos os Conselheiros Cesar Piantavigna. Sílvia de Brito Oliveira, Valdemar Ludvig e Eric Moraes de Castro e Silva que acolhiam a decadência; e II) quanto ao mérito, por maioria de votos, em dar provi ento parcial para excluir a multa de ofício. Vencido o Conselheiro Antonio Bezerra Neto que negava provimento ao recurso por entender que a exoneração da multa de ofício seria ultra petita.
Nome do relator: Emanuel Carlos Dantas de Assis
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 200608
camara_s : 3ª SEÇÃO
ementa_s : PIS. DECADÊNCIA. O prazo para a Fazenda proceder ao lançamento do PIS é de dez anos a contar da ocotTência do fato gerador. consoante o art. 45 da Lei n° 8.212/91. combinado com O art. 150, S 4°, do Código Tributário Nacional. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁIUO. SUCESSÃO. INCORPORAÇÃO. LANÇAMENTO POSTERIOR. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. JUROS DE MORA. INCLUSÃO. MULTA DE OFÍCIO. EXCLUSÃO. No caso de lançamento posterior à incorporação. a pessoa jurídica incorporadora, na qualidade de sucessora e responsável tributária, responde pelos tributos e juros de mora, mas não pela Illulta de ofício. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. RITO PRÓPRIO. Não compete ao Conselho de Contribuintes pronunciar-se sobre pedido de compensação. exceto em sede de Recurso Voluntário interposto contra decisão da primeira instância que apreciou manifestação de inconformidade relativa ao pedido, sendo que eventuais excessos de recolhimentos, ainda que detectados no curso da fiscalização. devem ser aproveitados pelo contribuinte por meio do procedimento próprio, em vez de empregados para redução dos valores lançados. Recurso provido em parte.
turma_s : 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
numero_processo_s : 10840.001484/2001-65
conteudo_id_s : 5988020
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Apr 15 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 203-11.241
nome_arquivo_s : Decisao_10840001484200165.pdf
nome_relator_s : Emanuel Carlos Dantas de Assis
nome_arquivo_pdf_s : 10840001484200165_5988020.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : ACORDAM oS Membros da Terceira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes. em dar provimento parcial ao recurso, nos seguintes termos: I) pelo voto de qualidade, para afastar a decadência. Vencidos os Conselheiros Cesar Piantavigna. Sílvia de Brito Oliveira, Valdemar Ludvig e Eric Moraes de Castro e Silva que acolhiam a decadência; e II) quanto ao mérito, por maioria de votos, em dar provi ento parcial para excluir a multa de ofício. Vencido o Conselheiro Antonio Bezerra Neto que negava provimento ao recurso por entender que a exoneração da multa de ofício seria ultra petita.
dt_sessao_tdt : Wed Aug 23 00:00:00 UTC 2006
id : 7696516
ano_sessao_s : 2006
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:42:04 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051663580790784
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; pdf:docinfo:title: 20311241_10840001484200165_200608; xmp:CreatorTool: Smart Touch 1.7; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dcterms:created: 2019-04-15T19:34:00Z; dc:format: application/pdf; version=1.4; title: 20311241_10840001484200165_200608; pdf:docinfo:creator_tool: Smart Touch 1.7; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:encrypted: false; dc:title: 20311241_10840001484200165_200608; Build: FyTek's PDF Meld Commercial Version 7.2.1 as of August 6, 2006 20:23:50; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: ; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:subject: ; meta:creation-date: 2019-04-15T19:34:00Z; created: 2019-04-15T19:34:00Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 22; Creation-Date: 2019-04-15T19:34:00Z; pdf:charsPerPage: 1855; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; pdf:docinfo:custom:Build: FyTek's PDF Meld Commercial Version 7.2.1 as of August 6, 2006 20:23:50; meta:keyword: ; producer: Eastman Kodak Company; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Eastman Kodak Company; pdf:docinfo:created: 2019-04-15T19:34:00Z | Conteúdo => A\)rl.' CARF l\rlF Processo nl! Recurso nl! Acórdão nl! Ministério da Fazenda Segundo Conselho de Contribuintes 10840.001484/2001-65 128.765 203-11.241 r:1. 184 2" CC-I\IF foI. íg» Recorrente Recorrida • TELESP - TELECOMUNICAÇÕES DE SÃO PAULO S/A (SUCESSORA DE CETERP - CENTRAIS TELEFÔNICAS RIBEIRÃO PRETO S/A) DRJ em Ribeirão Preto - SP PIS. DECADÊNCIA. O prazo para a Fazenda proceder ao lançamento do PIS é de dez anos a contar da ocotTência do fato gerador. consoante o art. 45 da Lei n° 8.212/91. combinado com O art. 150, S 4°, do Código Tributário Nacional. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁIUO. SUCESSÃO. INCORPORAÇÃO. LANÇAMENTO POSTERIOR. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. JUROS DE MORA. INCLUSÃO. MULTA DE OFÍCIO. EXCLUSÃO. No caso de lançamento posterior à incorporação. a pessoa jurídica incorporadora, na qualidade de sucessora e responsável tributária, responde pelos tributos e juros de mora, mas não pela Illulta de ofício. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. RITO PRÓPRIO. Não compete ao Conselho de Contribuintes pronunciar-se sobre pedido de compensação. exceto em sede de Recurso Voluntário interposto contra decisão da primeira instância que apreciou manifestação de inconformidade relativa ao pedido, sendo que eventuais excessos de recolhimentos, ainda que detectados no curso da fiscalização. devem ser aproveitados pelo contribuinte por meio do procedimento próprio, em vez de empregados para redução dos valores lançados. Recurso provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por TELESP- TELECOMUNICAÇÕES DE SÃO PAULO S/A (SUCESSORA DE CETERP - CENTRAIS TELEFÔNICAS RIBEIRÃO PRETO S/A). ACORDAM oS Membros da Terceira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes. em dar provimento parcial ao recurso, nos seguintes termos: I) pelo voto de qualidade, para afastar a decadência. Vencidos os Conselheiros Cesar Piantavigna. Sílvia de Brito Oliveira, Valdemar Ludvig e Eric Moraes de Castro e Silva que acolhiam a decadência; e 11) quanto ao mérito, por maioria de votos, em dar provi ento parcial para excluir a multa de ,receita. fazend H,gov, br!eC/\C/pub!lÇodofjl n,8spx d."5~tedoctanento. .~)F' CAI,F MJ; .:".•. Processo Dl! Recurso Dl! Acórdão Dl! Ministério da Fazenda Segundo Conselho de Contribuintes 10840.001484/2001-65 128.765 203-11.241 FI. 185 2"CC-MF • • ofício. Vencido o Conselheiro Antonio Bezerra Neto que negava provimento ao recurso por entender que a exoneração da multa de ofício seria I/ltrapetita. Sala das Sessões, em 23 de agosto de 2006 . . E2a~b7"a . Relator Participaram, ainda, do presente julgamento os Conselheiros Odassi Guerzoni Filho e Dalton Cesar Cordeiro de Miranda. I Eaal/inp p[jde ser consult8(o na ol'1dere((ohttos:flcav.receil8.f8zonda.govJ;rfeCACioubl'cof:ogin.8spx Consulte" púgin8 de no final doste documento. ~UF'CARF MF Processo nQ Recurso nQ Acórdão nQ Ministério da Fazenda Segundo Conselho de Contribuintes 10840.00148412001-65 128.765 203-11.241 Fi. 186 :;"CC-MF FI. ~ Recorrente TELESP - TELECOMUNICAÇÕES DE SÃO PAULO S/A (SUCESSORA DE CETERP - CENTRAIS TELEFÔNICAS RIBEIRÃO PRETO S/A) RELATÓRIO • • Trata-se do Auto de Infração de fls. 08/! l, com ciência em 15/05/2001, relativo à contribuição para o PIS Faturamento, período de apuração 02/! 996, no valor de R$ J 98.669.23, incluindo multa de ofício no percentual de 75%. Por bem resumir o que consta dos autos até a impugnação, reproduzo o relatório da primeira instância (fI. 150): Conforme assentado 110 termo de intimação de fls. 12113, em vista da illcurporaçllo lereula (/ efeito. a empresa Telecomunicações de São Paulo fora instada a apresentar cOJ1lprovallle de recolhimento do tributo ora questionado ou juslljicar-se sobre o motivo da falta de ({U;taÇ'lIo. InC01~fom1Qda. a empresa Telecomunicações de Sâo Paulo S. A., suces.W1"{/ de Cel£'rfl - Centrois Telefônicas de Ribeirão Prelo S.A.. representada por Dr. Tae S(/lIg L('('. OABISP 173.079 e Dr. YUI1 Ki Lee, OABISP 13/.693, nomeados 110S termos do slI!Jsta!Jelecill7(,lIto de jl. 35. ingressou com impugnaçe/o (jls. 18130) alegando: a decadência do direito de ajazenda púhlica cOlIStitltir o crédito tribUTário; CI l1ulidade do lançamento pela inexCltidâo na identificação do sujeito 1)(ls.I'ivo; a imposiçüo da multa de mora apresenta carlÍter COllfi.l'catário; procedera a cOlllpensaçào do tri!JlIto ora qllestiOlwdo CO/li valores del'idos CIOPIS, relativos ao período de janeiro de 1996, recolhido incorretamente. Ao final. propugnou fossem acolhidas suas alegações com a conseqiiente extinçiio do crédito tributário correspondente . A 4" Turma da DRJ, nos termos do Acórdão de fls. 148/153, julgou o lançamcnto procedente. Não reconheceu a decadência, por considerar o prazo de dez anos, nos termos do art. 45 da Lei n° 8.212/91. Rejeitou a alegação de nulidade do lançamento, levando em conta que o CTN atribui ao adquirente a responsabilidade pelos tributos devidos, se o alienante cessar a exploração da atividade; que a autuada registra em sua impugnação a condição de sucessora da empresa Cetcrp- Centrais Telefônicas de Ribeirão Preto; que a intimação (fI. 12) e o relatório (fl. 09) cio AulO de Infração também registram o processo de incorporação que transcorria à época em que foi constituído o crédito tributário; e que conforme consta de consulta ao sistema de cadastramcnto da Secretaria da Receita Federal (fi. 146), o início do procedimento de baixa ocorrera em 21 de junho de 2001 (após a ciência ao lançamento). Consignou a DRJ que, à época da intimação pw'u prestar FJoeleser ccnsuitadn no enderece Consuiir; iJ m\r;irn de iJutent!oiJçiiÓ no 3 ._.-DF CARF J\tlF -.~ Processo ni! Recurso nQ Acórdão nQ Ministério da Fazenda Segundo Conselho de Contribuintes 10840.001484/2001-65 128.765 203-11.241 FI. ] 87 2" CC-MF FI If.f • • esclarecimentos e da imposição tributária, a autoridade fiscal não conhecia oficialmente do processo de incorporação por que passara a empresa Ceterp. Também rejeitou o argumento de afronta à ampla defesa, ressaltando a ciência do lançamento mediante entrega do Auto de Infração pela via postal (a impugnante alega que houve prejuízo à defesa porquc é sediada na cidade São Paulo, distante de Ribeirão Preto, cste o local da autuação). Quanto ao suposto caráter confiscatório da multa de ofício, destacou que, além de não competir à autoridade administrativa apreciar argüição de inconstitucionalidade. o percentual da penalidade está previsto no art. 44 da Lei n° 9.430/96 . Ao final a DRJ tratou da compensação alegada e escorada em pagamento tido como a maior em janeiro de 1996, não a acatando e ressaltando que a contribuição do mês de janeiro/1996 foi de R$ 58.386,32, enquanto a de fevereiro, objeto do lançamento ora discutido, foi de R$69.904,73. o Recurso Voluntário de fls. 162/167, tempestivo (l1s. 157, 162, 176 e 178), repete as alegações da impugnação. À fI. 168 dá conta do depósito necessário à garantia de instância. É o relatório . 4 DOCU018nto de pelo código de conflrmado 1J)61B.1 Processo nU Recurso n2 Acórdão 09. Ministério da Fazenda Segundo Conselho de Contribuintes 10840.001484/2001-65 128.765 203-11.241 VOTO DO CONSELHEIRO-RELATOR EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS 1'1. 188 • • O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos previstos no Decreto n° 70.235/72, pelo que dele conheço. A par dos autos, e seguindo a ordem de exposição do Recurso Voluntário, os temas a tratar podem ser divididos assim: 1) decadência para o lançamento do PIS; 2) nulidade do lançamento, por suposto eITo na identificação do sujeito passivo, e insurgência contra a lIlulta lançada, tida peja reCOITentecomo confiscatória; e 3) compensação do valor lançado, relat ivo ao fato gerador fevereiro de 1996, com indébito proveniente de pagamento indevido no mês anterior. 1) DECADÊNCIA Decadência é matéria de ordem pública, a ser reconhecida de ofício qll~ll1clo estabelecida por lei, como aliás já determina o art. 210 do Código Civil de 2002. Somente a decadência convencional é que não é suprida de ofício, embora possa ser requerida a qualquer época, não se submetendo à preclusão (ar1. 211 do mesmo Código). No caso dos autos não ocorreu a caducidade do PIS, cujo prazo é dez anos, a contar do fato gerador. Como a ciência do lançamento ocorreu em J 5/05/200 I, e o período de apuração é 02/1996. não foi atingido pela decadência. . Sendo um tributo sujeito ao lançamento por homologação, em que o sujeito passivo obriga-se a antecipar o pagamento, a contagem do prazo decadencial tem início 11a data de ocorrência do fato gerador. à luz do art. 150, ~ 4°, do Código Tributário Nacional (CTN). Segundo este parágrafo o prazo é de cinco anos, "Se a lei não fixar prazo à homologação ...". Mas 110caso das contribuições para a Seguridade Social, a exemplo da COFINS e do PIS/Pasep, tal prazo é de dez anos, a teor do ar1. 45, 1, da Lei n° 8.212, de 24/07/ J 99l. Dispõe o referido texto legal: "Art. 45. O direito da Seguridade Social apurar e constituir scus créditos extingue-se ((IH)S lO (de::.)0/1OS contados: . I - do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ler sido constituído; 11 - da dota em que se tomar definitiva a decisão que houver anulado, por I'ício jimna/, {/ constituiçcio de crédito Qnlerionnente (jetuada. " Observe-se que a norma inserta no inciso I do art. 45 da Lei n° 8.212/91 corrcsponde à do art. 173, I, do CTN, com a diferença de que a Lei Complementar estabelece regra geral, a atingir todos os tributos para os quais lei específica não determine prazo especial, enquanto que a Lei n° 8.212/91 é própria das contribuições para a Seguridade Social. Assim, tanto o nrt. 173, I, do CTN, quanto o art. 45, I, da Lei nO 8.212/9 I, devem ser lidos em conjunto com o art. 150, * 4° do 5 "',, N, reeBita Jazemj a.gov ,brfeC/\C!publicoí!oqi rL'lSpX e~ste dOO,rrnerito, I Processo n!! Recurso nQ Acórdão n!! Ministério da Fazenda Segundo Conselho de Contribuintes 10840.00148412001-65 128.765 203-11.241 FI. U~9 2" CC-MF k • • CTN, de forma a se extrair da interpretação sistemática a norma aplicável aos lançamentos por homologação, segundo a qual o termo inicial do prazo decadencial é o dia de ocorrência do fato gerador, em vez do primeiro dia do ano seguinte àquele em que o lançamento poderia tcr sido efetuado. o termo inicial ou <fies a quo é cOntado sempre da oconência do fato gerador, independentemente de ter havido a antecipação de pagamento determinada pelo S 1° cio ar\. 150 do CTN. Neste ponto importa investigar a respeito do que se homologa - se o pagamento antecipado, ou toda a atividade do sujeito passivo. Ressaltando-se que há inúmeras opiniões em contrário, segundo as quais não há lançamento por homologação se não houver pagamento antecipado, I filio- me à conente minoritária a qual pertence José Souto Maior Borges,2 gue entende haver homologação da atividade do contribuinte, consistente na identificação do fato gerador e apuração do imposto, que deve ser antecipado somente se devido. Por oportuno, cabe lembrar o lançamento do Imposto de Renda da Pessoa Física, em que o contribuinte, após computar os valores retidos pela fonte pagadora, calcula o imposto anual podendo chegar a três resultados diferentes: valor devido, zero ou imposto a restituir. Após o cálculo, o sujeito passivo preenche e entrega a declaração, devendo antecipar o pagamento se apurou valor a pagar, ou então aguardar a restituição, caso os valores retidos tenham sido maiores que o imposto devido anualmente. A Secretaria da Receita Federal, após processar a declaração, emite uma notificação. através da qual o auditor fiscal homologa expressamente todo o procedimento do cont.-ibuinte, já que confirma o imposto a restituir ou o valor zero, ou ainda, caso tenha apurado valor diferente. procede ao lançamento desta diferença. Quando -a autoridade administrativa confirma o valor declarado pelo sujeito passivo, é expedida uma notificação ao sujeito passivo e tem-se o lançamento por homologação; quando o valor apurado pela autoridade é maior, ao invés ele lima notificação lavra-se um auto de infração, procedendo-se ao lançamento de ofício. Nos outros tributos lançados por homologação - hoje quase todos o são -, o procedimento não é substancialmente diferente, sendo que em vez de notificação expressa na grande maioria dos casos OCOITea homologação ficta, na forma do previsto no * 4° do art. 150 do CTN. Ora, se a autoridade administrativa homologa um valor zero, ou uma restituição, evidente que não está homologando pagamento. A redação do CC/pUl do art. ] 50 do CTN emprega o termo pagamento para informar o dever de sua antecipação (" ... tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar Q pagamento ...), não para dizer de sua homologaçfio. Esta I No sentido de que não lançamento por homologação se não houver pagumel1\o, veja-se Carlos Mário tia Silva VCI!(lSO, o'A decadêllcia e (/ prescriçüo do crédito triblllário - os cOlltriblliç(Jes prel'idellcidri(/s - (/ lei 6.830. de 22. C).I c)80: disposições inovadof'{{s'"(itú/icoi. in RCI'ista de Direito Tributário na WIO, São Paulo. Eu. Rev. UOS Tribunais, jul.<!CI de 1979, p. 183; Mary Elbe Gomes Queiroz Maia. Tri!JIIlCIção dos Pessoas Jurídicas. Brasília, Ed. UnB. 1997, p. 4ól; Luciano Amaro, Direito Tributário Brasileiro, São PauJo, Ed. Saraiva. 1999. p. 384 2 José SOUlo Maior Borges, ill UlllçC/lltellto Tributário. Rio de Janeiro, Ed. Forense, 1981, p. 445, leciona que hOlllllloga- se a "atividade do sujeito passivo. não necessariamenle o pagamento do IribulO. O objeto da hOl11ologação n:lo será CIHão necessariamente o pagamento." Documentc de 230 pá9'-n8(s) confinn8t'() dig'.í.(oilmente. Poce 58' con5ul'.ado no pelo código de localização EP'I í ,Of3"lS.11495.Ri37H. Consulte :3 oe.qina de ~.Df'.CARF MF ... Processo Dl! Recurso Dl! Acórdão Dl! Ministério da Fazenda Segundo Conselho de Contribuintes 10840.001484/2001-65 128.765 203-11.241 FI. 190 • • refere-se à atividade (ou procedimento) do sUjeito passivo C' ... a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente ª homologa." A despeito de posições divergentes, entendo que o art. 146, m, "b", da Constituição Federal, ao estatuir que cabe à lei complementar estabelecer normas gerais sobre decadência, não veda que prazos decadenciais específicos sejam determinados em lei ordinária. Apenas no caso de normas gerais é que a Constituição exige lei complementar. Destarte, enquanto °CTN, na qualidade de lei complementar, estabelece a norma geral de decadência em cinco anos, outra~ lei:-;podem estipular prazo distinto, desde que tratando especificamente de um tributo Oll de uma dada espécie tri butária. É o que faz a Lei n° 8.212/91, ao dispor sobre as contribuições para a seguridade social. Ressalte-se a dicção do art. 146, m, "b", da Constituição, segundo o qual "Cabe à lei complementar estabelecer nOrmas gerais de legislação tributária, especialmente sobre obrigação, lançamento, crédito, prescrição e decadência tributários". Este dispositivo constitucional não se refere, especificamente, aos prazos decadencial e prescricional. Destarte, o prazo de decadência e prescrição geral de cinco anos até poderia não constar do CTN. Neste sentido as palavras de Roque Antonio Canaza, in Curso de Direito Constitucional Tributário, São Paulo. Malheiros, 9" edição, 1997, p. 438/484: ... a lei complementar, ao regular a preseriçâo e a decadência tributária, deverá lilllitar-se a apontar diretrizes e regras gerais. (... ) Nao é dado. porém, a esta lIIeSlI1alei cOlllplelllenwr entrar na chamada 'economia interna', vale dizer. 110.1' assuntos de peculiar interesse das pessoas polfticas. (...) {/fixação dos prazos prescricionais e decadenciais depende de lei da própria da própria elltidade tributante. Niio de lei complementar. (... ) Falando de modo JIIui.l' exato, entendemos que os prazos de' decadência e de prescriç.-iio das 'conlri/Jl/iriJe!i prel'idenciárias', siio, agora. de /0 (dez) aI1OS,a teor, re!>jJectivallleme. dos arts 45 e 46 da Lei n° 8.2/2/9/, que, segundo procuramos demollst rar, passam pelo teste da cO/zstituci unalidade. Nesta linha também o pronunciamento de Wagner Balera, ill As Contribuições Sociais 110 Sistema Tributário Brasileiro, obra coletiva coordenada por Hugo de Brito Machado, São Paulo, Dialética/ICET, 2003, p. 602/604, quando, comentando acerca da função da lei complementar, afirma. verbis: É certo. que. com a promulgação da Constituiçâo de 1988. o assunto gQlzhou valor normativo. notadamente pelo que respeita ao disposto na alfnea c do inciso lII, do lranscrito arl. /46, quando cogif£l da disciplina concernente aos temas da prescriçc70 e da decw/ência. Alias. importa considerar que o lell/a. embora explicitado pela afIlal Clln.l'titItiç17l1,nüo é novo quollto a esse ponto especifico. Quando cuidou das normas gerais, a Constituiçao de 1946, dispondo acerca do,\' (('1//(/.1' do direito financeiro e de previdência social admitia (art. 5". XV. b, combinado com () art. 6") que a /egis/açiío estadual supletiva e a complementar também poderiam cuidar (/esses mesmos assun tos. Coalescem. também agora, no ordenamento normativo brasileiro, as cOlllpetências do legislada, complementa, - qae ediwá as n0 1 ,gerai, - com a., do legisladO'.m.,{"uido ~ DDcurner'";tode 230 página(s) cDnflrn~ado d~gitaknenü:.~_Fod{;;: ser consultado no (," ('I '~,ç-Ç' J pelo código de bcdcz.ação EF'1 U)618.114,i5J'ZG7H, Consulte a página ,k; autenticaç!'.) na Processo nQ Recurso nQ Acórdão nQ Ministério da Fazenda Segundo Conselho de Contribuintes 10840.001484/2001-65 128.765 203-11.241 FI. 19J • • que elaborará as normas específicas - para disporem. dentro dus diplomas legais l/ue 11Ies cabe elaburar. sobre os temas da prescriçüu e da decadência em matéria tributária. A norma geral. disse o grande Pontes de Miranda: "é lima lei sobre leis de tributa(clo ". Deve, segundo o meu entendimento, a lei complementar prevista no art. 1-/6, /lI, da Superlei, limitar-se a regular o método pelo qual será contado o prazo de prescrição; dispor sobre a interrupção da prescrição e fixar, por igual, regras a re:,peito do reinício do curso da prescrição. Todavia, será a lei de tributação o lugar de definição do prazo de prescriçiio aplicável a cada tributo. (. ..) A norma de regência do tema, nos dias atuais, é a Lei de Organização e Custeio da Seguridade Social, promulgada aos 24 dejullzo de 1991. (Negritos ausentes do original). Quanto ao enquadramento do PIS como contribuição para a Seguridade Social, não deveria existir qualquer dúvida face ao art. 239 da Constituição, que o destina para o seguro- desemprego e abono-desemprego. Ambos integram a assistência social que, como é cediço. é um dos três segmentos da Seguridade Social (os outros dois são saúde e previdência, na forma dos 194 a 294 da Constituição). Para as contribuições importa a destinação legal do tributo, que não se confunde, vale ressaltar, com a aplicação efetiva do produto arrecadado. Por imposição constitucional, a finalidade das contribuições obriga o legislador ordinário a que determine. na lei que as cria, sejam os recursos anecadados destinados a um fim específico. Diferentemente do ar!. 145 da Constituição, que divide o gênero tributo segundo um critério estrutural, vinculado ao aspecto material da hipótese de incidência - imposto se o núcleo di.! hipótese de incidência for desvinculado de qualquer atividade estatal; taxa se vinculado a uma prestação de serviço ou ao exercício do poder de polícia do Estado; e contribuição de melhoria se vinculado a uma valorização de imóvel decorrente de obra públ ica -, o art. 149 da Constituição adota um critério exterior à estrutura da norma (critério funcional ou finalístico). As contribuições do art. 149 são de três subespécies: 1) "contribuições sociais", vale dizer, contribuições com finalidade social, que se dividem em contribuições para a Seguridade Sociais e contribuições sociais gerais. estas destinadas a outros setores que não a saúde, a previdência social e a assistência social (educação, por exemplo); 2) '"de intervenção no domínio econômico" ou com finalidade interventiva; e 3) "de interesse das categorias profissionais ou econômicas", isto é, que sejam do interesse de determinada categoria, porque a beneficia (finalidade). Nos termos da Constituição, para que um determinado tributo seja classificado como contribuição importa tão-somente a destinação (ou finalidade) especificada na norma, a Ihc determinar a sua espécie e subespécie tributária. Independentemente do núcleo da hipótese de incidência ser próprio de imposto, taxa ou mesmo contribuição de melhoria, se o tributo for destinado à Seguridade Social, passa a assumir o regime próprio dessa subespécie tributária, que inclui a anterioridade nonagesimal, a imunidadc 8 Docurnentc de 230 pele código de •)JF' CARF'Mr: ..:. Processo nQ Recurso nQ Acórdão nQ Ministério da Fazenda SegumJo Conselho de Contribuinles 10840.001484/2001-65 128.765 203-11.241 FI. 192 2"CC-MF r. • • específica das entidades de assistência social, estatuídas respectivamente nos ~~ 6° e 7° do art. 195 da Constituição, e ainda a decadência e a prescrição determinadas na Lei n° 8.212/91. O antigo Imposto Provisório sobre Movimentação Financeira (lPMF), atual Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF), é um trihuto concreto que serve de forma perfeita para ilustração do exposto acima. É que, tanto na antiga versão de imposto quanto na atual de contribuição, esse tributo possui exatamente os mesmos aspectos materiais (fato gerador, de forma simplificada) e quantitativo (base de cálculo e alíquota). Em ambas as versões o núcleo da hipótese de incidência é a "movimentação ou transmissão de valores e de créditos e de direitos de natureza fmanceira",:\ e a base de cálculo o valor da transação financeira . Levando-se em conta o critério estrutural, não há qualquer dúvida: tanto o IPMF quanto a CPMF é imposto, dado que o núcleo da hipótese de incidência está desatrelado de qualquer atividade estatal relacionada com o contribuinte. Todavia, o regime jurídico de um é distinto do regime jurídico do outro: no IPMF a aplicação dos recursos era desvinculada, podendo a União gastá-los onde necessário, desde que em conformidade com a lei orçamentária, enquanto na CPMF há vinculação legal dos gastos, parte para a saúde, parte para a previdência social;4 o IPMF obcdecia à anterioridade de que trata o art. 150, m, "b", da Constituição, aplicável a todas a<; espécies e subespécies tributárias afora as contribuições para Seguridade Social (as contribuições sociais "gerais" também seguem a anterioridade do art. 150, m, "b", em vez da nonagesimal), enquanto a CPMF obedece à anterioridade mitigada ou 110nagesimal do art. 195, S 6°, da Constituição; ao IPMF aplica-se a imunidade própria dos i.mpostos, na forma ar!. 150, VI, da Constituição, enquanto à CPMF a imunidade do art. 195, S r Por que são tão distintos os regimes jurídicos? Tão-somente porque na CPMF há vinculação legal do produto arrecadado, enquanto no IPMF não. Assim, cabe classificar a CPMF como contribuição social para a Seguridade Social. Assentado que a classificação de determinado tributo como contribuição para a Seguridade Social é determinada tão-somente pela sua destinação legal, e constatada a finalidade do PIS para tal setor, nos termos do art. 239 da Constituição, forçoso é concluir que a Contribuição deve obediência ao regime próprio da subespécie tributária, incluindo a decadência estabelecida no art. 145 da Lei n° 8.212/91. Ainda que o texto desta Lei não traga referência expressão ao PIS, pouco importa. A sua condição de Contribuição para a Seguridade Social decolTe da própria Constituição, e não de qualquer mandamento infraconstitucional. A corroborar a interpretação exposta, o STF já deixou por demais claro, no Rccurso Extraordinário n° 232.896, que o PIS é contribuição para a Seguridade Social. Tratando da MP n° 3 Cf. a LC n° 77, de 13.03.1993, que com base na EC n° 3, de 17.03.93, instituiu o IPMF, e o ar!. 74 do Ato uns Disposições Constilucionais Transitórias, acrescentado pela EC n° 12, de 15.08.1996, que estabeleceu a cobrança da CPMF pelo período máximo de dois anos, depois prorrogado por mais 36 meses, cf. a EC n° 21, uc 18.03.1999, equivalente ao art. 75 do ADCT. Em seguida a CPMF foi novamenle prorrogada pelas EC nas 37/2002 C 4212003, esta última dando-lhe um prazo até 31/12/2007. 4 Cf. arts. 74, ~ 30 e 75, ~ 2°, do ADCT. 9 .;, .IJF CARF MF ..' Processo nº Recurso nº Acórdão nº Ministério da Fazenda Segundo Conselho de Contribuintes 10840.00148412001-65 128.765 203-11.241 FI. 193 ~" CC-MF • 1.212, de 28/11/95, que após reedições foi convertida na Lei n° 9.715/98, assentou o seguinte, verbis: CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PIS-PASEP. PRINCÍPIO DA ANTERIORIDADE NONAGESIMAL: MEDIDA PROVISÓRIA: REEDiÇÃO. I. - Princípio da anterioridade nonagesimal: c.F., art. 195, ~ 6": cOJltagem do prazo de 1I00'el/1£! dias, medida provisória convertida em lei: conta-se o prazo de novenra dias {/ partir da veiculação da primeira medida provisória. 11. - Inconstitucionalidade da disposiçào inscrita no art. 15 da Med. Prol'. 1.212, de 28.11.95 "aplicando-se aos fatos geradores ocorridos li partir de l" de outubro de 1995" e de igual disposiçüo inscrita nas medidas prc)l'isâria.\' reediradas e na Lei 9.715, de 25.11.98, artigo 18. III. - Nc7.operde eficácia a medida provisória, com força de lei, não apreciada pelo Congresso Nacional, mas reeditada, por meio de nova medida provisória, dentro de seu pra-:.o de validade de trinta dias. IV. - Precedentes do S.TF.: ADln 1.617-MS, Ministro Octavio Gallofti, "Dl" de 15.8.97: ADII/ 1.610-DF, Ministro Sydney Sanches; RE n° 221.856-PE, Minislro Carlos Vello.w, 2" T., 25.5.98. V. - R.E. conhecidu e providu, em pane. (STF, Pleno, RE 232896/PA,Relator Min. CARLOS VELLOSO, Julgamento em 02108/1999, Dl OATA-Ol-1O-1999 PP-00052 EMENT VOL-01965- 06 PP-OI091, consulta ao site wl/-Jw.stf.gov.br em 13/06/2004). Pelo julgado acima o Colendo Tribunal aplicou ao PIS a anterioridade nonagesimal exclusiva das contribuições para seguridade social, inserta no ar1. 195, ~ 6°, da Constituição Federal. Mas antes o mesmo Ministro Carlos VelIoso já se pronunciara neste sentido, conforme abaixo: IV. As contribuições sociais, falamos, desdobram-se em ai. Contribuiç6es ele segl/l'iclacle social: eSlÜO disciplinadas no art. 195, I, lJ e IIl, da Constituiçlío. Süo as co1!tribuiç6es previdenciárias, as contribuiçries do FlNSOClAL, as da Lei n° 7.689. o PIS e o PASEP (CF, art. 239). Nào estüo sujeitas à anterioridade (art. 149, art. 195. parág. 6°); a2. Olflras da seguridade social (art. 195, parág. 4°): não estão sujeilas à alllerioridade (art. 149, art. 11)5, parâg. 6°). A SI/a instilUiçc7.o. todavia, está condicionada à observância da técnica da competência residual da Unicio, pela exigência de lei complementar (arl. 195, parág. 4": art. 154, 1): a3. Contribuições sociais gerais (art. /49): o FGT), o salário-edu('açiio (arl. 212. parág. 5°), as contribuições do SENAI, do SESI, do SENAC (art. 240). Sujeitam-se (111 princípio da amerioridade. (...) O PIS e o PASEP passam, por força do disposto 110 art. 239 da Constituiçiio, a ter destinação previdenciária. Por tal razão, as incluímos entre as contribuições de seguridade social. Sua exata classificação seria, entretanto, ao que penso, não fosse a disposiçiio inscrita no art. 239 da Constituição, entre as contribuições sociais gerais. (STF, Pleno, RE n° 138.284-8 - CE RTJ 143, pg. 313/326, relator Min. Carlos Yelloso, negrito ausente do original). Destarte, rejeito a alegação de decadência. DOCLJl~~!1tO ~e 230 págí1Y~(~)('ÁJnf1~'112do pelo C001\)O cc ioca!lzaçao t.:P11.0v1 ~L1 •.:pP' CARFMF ....' Processo Dl! Recurso Dl! Acórdão Di! Ministério da Fazenda Segundo Conselho de Contribuintes 10840.001484/2001-65 128.765 203-11.241 F1. 194 2" CC-MF • 2) RESPONSABILIDADE DA INCORPORADORA: CANCELAMENTO DA MULTA DE OFÍCIO, PORQUE O LANÇAMENTO É POSTERIOR À SUCESSÃO Quanto ao suposto erro na identificação do sujeito passivo, inexiste. A responsabilidade da reCOlTente, a Telesp - Telecomunicações de São Paulo S/A, pelos tributos devidos pela empresa incorporada Ceterp - Centrais Telefônicas Ribeirão Preto, é indubitável, à vista do disposto no art. 132 do CTN. A circunstância de o Auto de Infração ter sido formalizado em nome da incorporada deve-se ao fato de que, até a data de sua lavratura (10/05/200 I), a incorporação ainda não havia sido oficializada à Secretaria da Receita Federal (SRF). Conforme consulta ao sistema CNPJ, o processo de baixa do cadastro da empresa incorporada, na SRF, só se iniciou em 21/06/200 I, tendo retroagido à data de 27/12/2000 (fI. 146). Aquela data (27/12/2000) corresponde à da realização das assembléias extraordinárias referentes à incorporação, como informado na procuração com cópia à fi. 32 e na impugnação (fi. 24), inclusive, sendo que o registro na Junta Comercial ocorreu em 12/01/2001 (ver cópia da Ata, às fls. 112/128). Dessarte, o procedimento adotado pela fiscalização foi o mais adequado. Como na data da lavratura do Auto de Infração o CNPJ da incorporada ainda estava ativo, o lançamento foi formalizado em seu nome, mas cientificado à sucessora, ora reCOlTente. No próprio Auto de Infração consta que a ciência foi dada à recorrente na condição de sucessora (fl. 09), sendo que antes ela já havia sido intimada na mesma condição (fls. 12/13). Neste ponto destaco que a sucessão deve ser considerada na data da deliberação da incorporação, e não na do seu registro. Neste sentido a IN SRF n° 77/86, reportando-se ao art. 33 da Lei n° 7.450/85 - segundo o qual "A pessoa jurídica incorporada, fusionada ou cindida deve levantar balanço e demonstração de resultados e determinar o lucro real na data da ocolTência de qualquer um desses eventos" -, já dispunha no seu item 5.4, que se considera ocon-ido o evento na data da deliberação que aprovar a incorporação, fusão ou cisão. Posteriormente o art. 235, S 1°, do Regulamento do Imposto de Renda aprovado pelo Decreto n° 3.000/99 (RIRl99), dispôs do mesmo modo. As duas normas acima, apesar de tratarem do Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica, apenas refletem o disposto no art. 227, S 3°5, da Lei n° 6.404/76 (Lei das Sociedades Anônimas ou Sociedade por Ações), que inclusive se aplica à antiga Sociedade por Quotas de 5 Art. 227. A incorporação é a operação pela qual uma ou mais sociedades são absorvidas por outra, 4ue lhes sucede em todos os direitos e obrigações. (...) ~ 30 Aprovados pela assembléia-geral da incorporadora o laudo de avaliação e a incorporação, extingue-se a incorporada, competindo à primeira promover o arquivamento e a publicação dos atos da incorporação. DOGLH1ient.o de 2.30 págirw(s) cOnfirn'1ado cJJg!l8hnente. F\)df.; ser consuita0D pelo código de iocaii?açüo EP1i.OG18.i14"'.1.R67R Consulte {J oáqlna daste dúCUlnento, 11 ..• DF CARFfVlI' .' .. > .• Processo nU Recurso nQ Acórdão nQ Ministério da Fazenda Segundo Conselho de Contribuintes 10840.001484/2001-65 128.765 203-11.241 FI. 195 2~CC-MF FI. • Responsabilidade Limitada - regulada pelo Decreto n° 3.708/19196 - atual Sociedade Limitada - regulada pelo Código Civil de 2002. O Código Civil de 2002 (Lei n° 10.406, de 10/0 1/2002). por sua vez. 110seu ar1. 1.118, informa o seguinte, ao tratar da transformação, incorporação, fusão e cisão das sociedades: "Art. 1.118 - Aprovados os atos da incorporação, a incorporadora declarará extinta a incorporada, e promoverá a respectiva averbação no registro próprio." A referendar a interpretação de que a sucessão ocorre na data da deliberação acerca da incorporação (em vez da data do registro no registro competente), cabe mencionar a posição de José Edwaldo Tavares Borba, que reportando-se à Lei n° 6.404/76, leciona:7 O processo de incorporação. fusão ou cisão começa com a elaboração de um prolocolo ((m. 224) firmado pelos órgãos de administração ou sócios-gerenres das sociedades illleres.mdas, completando-se com as aprovações das respectivas assembléias-gerais Oll reulliões de sócios. (negrito ausente do original). Rubens Requião não destoa da mesma interpretação, ao afirl11ar:8 Aprovados. pela assembléia geral da incorporadora. o laudo de m'aliaçelo do IWlri/I/(Jllio líquido da incorporada e o alo de incorporaçâo. extingue-se a incorporada, cOlr/pelindo c/ primeira promover o arquivamento e publicaçâo dos aiOS da incorporaçüo. Subsisle pois £/ incorporadora, acrescida do ('apitai e par rimônio da incorporada, assUl/lindo aquela (J passivo da sociedade extinta. A autuada, na qualidade de sucessora em virtude da incorporação, é responsável tributária pelos tributos devidos pela incorporada, na forma do art. 132 do CTN, cujo capul informa o seguinte: Art. 132. A pessoa jurídica de direito privado que resultar de fuselo. IraIlSforlll({('clo ou incorporaçüo de outra ou em outra é responsável pelos tributos devidos até à daw do aIO pelas pessoas jurídicas de direito privado fusionadas, transformadas ou incorponulas. Este dispositivo, ao estabelecer a responsabilidade tributária da pessoa jurídica sucessora por dívidas tributárias da empresa sucedida, nos casos de fusão, transformação. incorporação ou cisão (esta foi tratada somente na Lei n° 6.404/76, posterior ao CTN), refere-se somente a tributos, a incluir além do valor principal somente os juros de mora. Não inclui penalidades, a não ser que o lançamento seja anterior à sucessão (1), a ação fiscal que nele culminou 6 O art. 18 do Decreto n° 3.708/1919 dispõe sobre a aplicação da Lei das S/A às LTDA. Observe-se: "Ar!. 18. Serão observadas quanto ás sociedades por quotas, de responsabilidade limitada. no que não for regulado no estatuto social, e na parte aplicável, as disposições da lei das sociedades anonymas." 7 BORBA, José Edwa1do Tavares. Direito societário. 5. ed. rev. Rio de Janeiro: Renovar, 1999, p. 438. 8 REQUIÃO, Rubens. Curso de direito comercial. São Paulo: Saraiva, 1989, v. 2, p. 216 . Document.o de 230 pelQ códigu de 12 . . ..•. ,.... - .... ...• ',PI'> L/\R1MJ Processo nU Recurso nl! Acórdão nl! Ministério da Fazenda Segundo Conselho de Contribuintes 10840.001484/2001-65 128.765 203-11.241 .Fl. 196 2"CC-MF .\. • • tenha se iniciado antes (2) ou esteja presente a fraude e o conluio, com o intuito de eximir LI emprcsa sucedida das penalidades via transferência de suas responsabilidades para a succssora (3), Se o lançamento for anterior à sucessão, a penalidade é imputada diretamcnte à sucedida, na condição de contribuinte, e a sucessora dela toma conhecimento no momcnto da sucessão, quando já constavam do passivo da empresa sucedida os valores relativos à penalidade aplicada. Assim, tais valores são incorporados pela sucessora como débito tributário da succdida, e não como penalidade. Uma segunda hipótese a responsabilizar a sucessora por penalidades é a situação em que a ação fiscal que culminou com o lançamento tenha se iniciado antes da sucessão. Neste caso a sucessora já tinha conhecimento da possibilidade de autuação, sendo capaz de mensurar os riscos advindos da ação fiscal. Afinal, ao promover fusões ou incorporações as emprcsas buscam informações umas sobre as outras (ou ao menos deviam buscar). Como terceira hipótese que a meu ver enseja a responsabilidade por pcnalidades decOlTentes de infrações tributárias têm-se as situações envolvendo fraude, promovida exatamente com o objetivo de livrar a empresa sucedida das penalidades, quiçá também dos tributos. O conluio entre os administradores e/ou sócios das empresas envolvidas no processo sucessório, quando devidamente comprovado pela fiscalização, leva à responsabilidade da sucessora, a abarcar além dos tributos e juros de mora, também a multa de ofício. No caso em tela, em que o lançamento é posterior à sucessão e nem ao menos havia à época da incorporação qualquer ação fiscal que permitisse prever a penalidade a ser aplicada à empresa incorporada, deve ser excluída a multa de ofício. Este o entendimento da maior pane da doutrina e da jurisprudência, incluindo diversos julgados dos Conselhos de Contribuintcs, embora haja outros em contrário. A reconente se insurge contra a multa lançada alegando tão-somente que scria confiscatória. Tal argumento não pode ser apreciado, por envolver inconstitucionalidade. Todavia, não por esse argumento, mas em virtude de a penalidade não dever ser imputada à sucessora, quando o lançamento é posterior à sucessão, na situação dos autos cabe cancelar a multa aplicada. Por tratar o tema com profundidade e aplicar-se ao caso em tela. transcrevo. cm parte, o voto do ilustre Conselheiro Carlos Alberto Gonçalves Nunes, no Acórdão CSRF/O 1-04.406, julgamento por maioria em 23/04/2003: Ora, o termo tributo é incompatível com multa, até por dejlniçcio legol, consoante se Ob.H'/WI do art. 3° do CTN: (00') Não posso acolher o entendimento de que o art. i 29, do CTN, que entru/liZ£l £l Seçüo JJ - Responsabilidade dos Sucessores - daria respaldo ao lançamento de multa fis('£ll à sucessora, após a incorporação. CO/ljira--se o texto dessa /lorma: Art. 129 - O disposto nesta Seçüo aplica-se por igual aos créditos triburârios deji'lIitiv(//Ilclilc constituídos aLi em curso de cOllstitltiçc1o à data dos atos nela referidos, e (lOScOlIstituídos posteriormente aos mesmos atos, desde que relativos II obrigações tributúrias surgida,\' lIté {j referida data. 13 i ...••1).F CARF MF .. . ~ Processo n!l Recurso nº Acórdão nº Ministério tla Fazenda Segundo Conselho de Contribuintes 10840.001484/2001-65 128.765 203-11.241 Fl,197 2~CC-MF FI. • • o exame conjunto desses dois dispositivos I1CIO autoriza a concluselo de que o responsabilidade do sucessor compreenda necessariamente imposto e multa. A lIIulta somente se tramfere ao sucessor quando já tiver sido lançada porque. aí, illtegral'a () passivo da empresa, na data da incorporaçüo, e. assim, já configurava a existência de l/III crédito triblllârio, O art. 129 trata a matéria deforma geral e o art, 132 é especffico poro os casos de fltsclo, trtlnsfonnafão ali incorporaçclo, e ao fa:ê-Io limilO e.\pres,Hll7lellle {{ responsabilidade aos tributos até a data desses atos, Afastando qualquer dÚl'ida a respeito, a lei ordinária expressamente determina que 11 transferência de responsabilidade restringe-se a tributos, Com efeito, diz o art. 5° do Decreto-lei /lO /.598/77 . "Art. 5° - Respondem pelos tribllfos das pessoas jurídicas tTllnsfonnadas, extinta,l' {)lI cindidas: I - "olnissis" , ; I// - a pessoa juddica que incorporar outra OLl parcela do patrimônio de sociedade cindida" (Negritei) Mais nela fora, a lei ordináfla foi muito clara quantos a esses limites. como ensin{{ Bulhiil's Pedreira "in" Imposto Sobre a Renda - Pessoas Jurídicas, Justec Editora Ltda, /979. Voll, pág. 73. Entende esse autor que a responsabilidade /UI sucessc/o dú-se apenas el/l re/are/o aos triblllos. Embora o art. 129 do CTN autorizaria a conclusc1o de qlle tanto os tributos quantos as penalidades pecuniárias seriam sucedidas, os arts. 130 a 133 do CTN e o (/rt. 5° do Decreto-lei n° /.598/77, ao regularem as diversas hipóteses de sucessao, referem-se exclusivamente a tribll1Os, compreensiva apenas dos juros de //lora e da correçcio I/IOIlNfÍria. Essa orientaçào do legislador de limitar a responsabilidade apenas aos tributos, contidos /IO referido art. 132, lUla ocorreu por descuido ali erro. Já estava contida IlOAn/eprojeto que resultou /lO Código Tributário Naciollal, explicitada dentro do próprio tex/o do di.lpositil'o e lUla apenas por estar inserta /lO capítulo da sucessclo tributária. No art. 244 do referido Anteprojeto, (/ matéria era assim tratada: "An. 244. Considera-se sucessora para efeito de responsabilidade pessoa!. por todos tributos devidos até a data do ato pela pessoa jurídica de direito privado que resultar de fusüo. IncorporaçcIo ou trail.lfonnaçüo de outra em outra, quaisquer que sejam a espécie, forma jurídica, firma. razão social, denominaçüo e objeto social das pessoas jurídicas respectivamente sucedida e sucessora. /I (negritei). E no Projeto de Lei n" 4.934, de 1954, publicado no Diário do Congresso de ()7!U9I5-1, e transcrito na obra de Armando Souza Diniz intitulada "Código Tributários Alem(/o, Mexicano e Brasileiro", a matéria era trataela da seguinte forma: "Ar/. /68 - A pessoa jurídica de direito privado que reSl/ltar riu fu,\'ão, tmmfonllClçüu ou incorporafclo de outra ou em olltra considera-se sucessora, para efeito de respon.mbilidacle pessoal por todos os tributos devidos até a data do ato pela pessoa jurídica ele direito privado sucedida. quaisquer que sejam a espécie, forma jurídica, razão social, de/lo/llÍnoç{/o e objeto das pessoas juridicas respectivamente sucedida e sI/cessara." (/legritei). 14 ~DF' CARFMF.' •. :. Processo Di! Recurso o!! Acórdão o!! • • FI. 198 Ministério da Fazenda Segundo Conselho de Contribuintes 10840.001484/2001-65 128.765 203-11.241 Este tratamento já vinha do Decreto-lei na 5.844, de 23/09/43 que. 110 Cap(tulu da Liquidação, Extinçào e Sucesselo das Pessoas Juddicas, eSl£lbelecia: "Art. 54 - Ressalvado o disposto no S lOdo art. 33, o imposto COlJ1illllllrúa ser pago CO/l/Ose /lelOhouvesse alteraçüo nas firmas ou sociedades /)0.1'CasOSde: a) sucessão, naforma da legislaçc7.o em vigor; b} incorporação de u11lafirma ou sociedade em outra de qualquer espécie; c) continuação da atividade explorada pela sociedade ou flrll1a extinta, por qualquer sócio remanescente ou pelo espólio, sob a mesma ou /Iova raZelo social, ou finl1Cl Individual." (negritei) Dar se infere que o legislador pátrio sempre adotou o entendimento de que o .l"IIces.wr somel1fe responde pelos tribll1()s da sucedida. Sacha Call1lon Navarro Coelho também faz parte da corrente de que sumente os tributo,\' selo trctn"jerídus na sucessâo. Em Teoria e Prática das Multas Tributúrias-Infrações Tributárias - SWlf/JeS TrilJlltârias. Forense, ]O Ediçiío, pâg. 97, após lI'Qnscrever o art. 229 do CTN (refere-se o Conselheiro (lO art. 129). diz o renomado jurista: "Há quem sustellle que esse disposilívo legal rege toda (/ m{/téria pertincotC' ú responsabilidade dos sucessores. Por isso, quando se refere a créditos trihutúrío,\', {l lI1ul/(l imposta lalllbém está neles compreendida. Respeito es.w posiçc7.o. Tenho para mim, como venho demonstrando, que a expressão "créditos tributlÍrios", im'crla /la texto do art. 129. só pode corresponder à obrigaçelo tributária, de acordo COlIlo prâprio artigo, isto é. à obrigação de pagar tribll1o. Atento a que as obrigações selo distintas, assim <-,omoseus objetos. Os créditos tributúrios a que se refere o art. 129, necessariamell/e, não abrangem imposto e multa. Sobretudo os e/l/ curso de cOllstituiçiío e os constituídos posteriormente ao evento sucessório. Pelos seguíll/es motivos, além do que já foi exposto: 1- Os demais artigos que completam (/ Seçc70 li, expressamente estabelecem que o sucessor re"pOlzâe pelos tributos. 2 - O ato ilícito, simples OIlcomplexo, é sempre deformaçüo instantânea. 3 - O ato ilícito, isto é, a infração cometida, ntlo il'nulia um direito subjetil'o ti Fa-:.el1lla,de terl modo que o (lto administrativo seja apenas declaratório desse direito. Masjúz. OtlsCl'1'o direito de impor a multa. Desde que imposta pela prática do ato administrativo que COIwiltli o direito de crédito da Fazenda, surge a obrigaçüo do infrator, transmissível ao sucessor. Docurnentc de 230 p<~g!n2{S) contürnadc dífjitairnentc, Pude ser- peio c6di;)c de localiza<:üo [J::J11.C61&.11495.R67R Consulte a nu enderaco de <H)tentjcação no 15 F!. 199 • • • Processo n!! Recurso nº Acórdão nU Ministério da Fazenda Segundo Conselho de Contribuintes : 10840.001484/2001-65 : 128.765 : 203-11.241 Isto posto, posso afirmar, com o Ministro Moreira Alvas (RE 85.511 citado), til/C a expressão tributo contida no art. 132 do CTN ruio deve ser compreendida e/ll selltido capaz de abarcar as multas fiscais. Tampouco não conduz nada o expedieme de trocar as palavras "tributos devidos" por "créditos tributários", para aplicaçüo dos ter//lOSdos artigos 129 e 132 do CTN. Por essa razão, entendo que a multa imposta ao sucessor, de illfraçüo cOlI/etida pelo alltecessor, vale dizer: o crédito constituído após o evento sucessório, m{o é devido. Sua exclusão é admissível". Em sua obra Curso de Direito Tributário Brasileiro, Formse 1996, pâg. 6/0/6/1, o citado ju rista esclarece: "Rubens Gomes de SO/lza, em parecer publicado na Revista de Direito Público n° /7, Cl/wtuu.a respeito do assunto, que: "Aqui o Código Tributário Nacional aceitou a observação de BERLlRI. de que se/ll essa ressalva a d{'fil1içãoconviria igualmente ao tributo e à multa: o que se diz 110texto é q//l', embora os atos ilícitos possam ser tributados (Código Tributário Naciollal, ar!. 11X), entretanto niío é tributo, mas multa a obrigação de pagar cujo fato gerador 11({0seja 1111/ aIOem si mas a ilicitude (p.3/0)" Ora, a responsabilidade não se presume, deve ser expressa. O silêncio da lei é c1oqiieJltc. Se não há previsão. responsabilidade não há. O nascimento da obrigação de pagar um tributo é conseqüência da realizaçâo concreta. no mundo fenomênico, de fato, estado de fato Oll "espécie de fato" que ti lei antes descreveu hipoteticamente. A obrigação de pagar tributo é ex lege. nasce para ser cumprida. Todavia, existe sempre a alternativa de seu adimplememo ou de sua violação. Desde o momento em que o obrigado não cumpre a obrigação, está confil:;lIrado()futo ilícito que consta da estrutura de outra norma legal como hipótese ou fUfO-tipo. A conseqüência é a sanção; a multa no Direito Tributário . A tese acima eApelldida. que adotamos, encontra respaldo no Acôrdâo 11" 90.834 do Supremo Tribunal Federal. "Emellta: Multa. Tributo e multa não se corifundem. eis que esta tem caráter de sallçiio, Inexistellte naquele. Na responsabilidade tributária do sucessor não se b/cllli a II/ulta punitiva aplicada à empresa objeto de incorporarão. Inteligência dos arts. 3° e /32 do CTN. Recurso Extraordinário conhecido e provido, para restabelecer a decisâo de primeiro grau. " fves Galldra da Silva Martins, "in" Caderno de Pesquisas Tributárias, n° 5, Ed. Resenha Tributária, São Paulo. págs. 28129, afirma: •.... sempre que quis o legislador transferir ao responsável o dever de pagar tributo e penalidade, fez expresso uso da expressão "obrigação triblltária" (art. J35) ou ao falar de obrigação tributária (art. 134) houve por bem esclarecer, emface de ser a penalidade pecuniária também obrigaçiio principal, que apenas aquelas de caráter moratória seriam transferíveis, não obstante já ter esclarecido que tal responsabilidade se referia apenas aos tributo, no que limitado e lava o campo de illferpretação do "cC/put"do artigo. •DF' CARF MF FI. 200 Processo nQ Recurso nQ Acórdão nº Ministério da Fazenda Segundo Conselho de Contribuintes : 10840.001484/2001-65 : 128.765 : 203-11.241 • • Quando o legislador pretendeu falar de penalidades falou. Quando prC'tcndeu falar de tributos, de obrigação tributária falou. " Também Luciano Amaro, em sua obra Direito Tributário Brasileiro, Ed. Saraiva. Selo Paulo 6° edição, entende que somente os tributos se transferem ao suressor. No mérito, a matéria não é nova, já tendo a Câmara Superior de Recursos Fiscais enfrentado litígio semelhante, e concluído pela intransferibilidade da multa tributária. Refiro-me aos AclCSRF/01-01.198, de 29/10/91, unânime, Rel Conselheiro S('bastiiío Rodrigues Cabral, no semido de que o sucessor 11(/0 responde pela mulw de nl/tare::.a fiscal que deva ser aplicada em razão de infração cometida pela pessoa juridica sucedida. Na mesma direção o Ac CSRF/OI -01.991. de 08/07196, zmâ17illlc, sml10 relator o Dr. Antônio de Freitas Dutra. A Egrégia Terceira Câmara, no Acórdão n° 103-19.985. de 14/10198, semlo relator o ilustre Conselheiro Márcia Machado Caldeira, já enfrentou sitllação 1/lulto semelha/ltc li dos presentes autos. Naquela assentada o referido Colegiado decidiu, por unanimidade de votos, que o sucessor .não responde pela JIlulta de natureza jlscal que deve ser aplicada em raz.ão de infração cometida pela pessoa jurídica sucedida. el/l exigência fiscalformaLizada após a incorporação. Em seu voto assevera o ilustre relatar: "Em que pese os argumentos da jiscaliza(iio e da autoridade recorrida, no sentido de que a sucessora tem quase (I totalidade de seus componentes, pertencentes li empresa sucedida, a lei fiscal niío admite I/lt('rprcta çiie.\' extensivas. para atingir fatos semelhantes" E com toda ra~âo, UI1l(1 ve: que nada impede que uma empresa possa incorporar oLltra da qual detenha a maioria do capital. lllllU I'l'? que a incorporação pode ser feita até de subsidiária Integral. O acórdao 102-17.285, de que foi relatar o ilustre Conselheiro Frallcisco de Assis Praxedes, traz a seguinte ementa: "Responsabilidade do Sucessor. Milita Fiscal. Créditos Triblitârios a que se refere () (lr{ 129 do CTN não compreendem, necessariamente, imposto e multa. Assim é porque a infraçüo é uma obrigação cujo objeto é pagar a multaflscal. A obrigaç:âo nasce de um fato lícito ocorrido, antes descrito em lei, tem por objeto o pagamento de tributo. As obrigações e os respectivos objetos são, pois, distintos. Os créditos r!ecorr(,lItes .\"(/0 também distintos. Na sucessão tributária, o sucessor só responde pela //lulta fiscal quando esta cstiv('f constituída pelo ato adm.inistrativo, na data em que ocorrer a sucessiio, lima vez que nesse caso, o crédito da Fazenda integra o passivo da sociedade extinta. Recurso a que se dá provimento parcial para excluir a multa fiscal e para mall/a os juros moratórias que são devidos sobre imposto nafonte ne/o recolhido 110 pra:o legal ... Outras manifestações da jurisprudência administrativa estão illdicac1as IIV recurso e /lO aresto recorrido, como os Ac. 101-92.418, de 12/11/98, Unânime, Rel Cons. Celso Alves Feitosa e o Ac. 103-20.172, de 08/12199, unânime, Rei. Cons. Neicyr de Almeida. O Supremo Tribunal Federal já se manifestou em diversas oportunidades sobre a matéria, 110 sentido da intransferibilidade da sanção ao sucessor, Além do RE 11° 90.834-0-M.G., ReI. Ministro Djaci Falcão, citado na obra de lves Gandra da Silva Martins, com t scrição da ementa do julgado, outros acôrdúos da ~~~u~~:~~~~~~(;)~~l~~ag~~~(;~)p~~ng~l~'~~f)c~:;~~fl~;~l~~~!i~'~jlt;;;~.J;) ;tl;l,:~~~~(;/~t\!~~,)i!:~~;~;~:'~~i(;~I;~~~!','t~ji!.gev.brieCACfpubliecilogin.asp17 .a I)F CARFMF '11 Processo nº . Recurso nº Acórdão n!! • FI. 201 Ministério da Fazenda Segundo Conselho de Contribuintes : 10840.001484/2001-65 : 128.765 : 203-11.241 Suprema Corte pe/filaram o entendimento desse aresto, como, por exemplo: /I". RE /lo 82.754-SP, Min. Antônio Néder, "in" RTl ,,0 98. pág. 733, figurando da sua eme/llCl: "1. Código Tributário Nacional, art. 133. O Supremo Tribunal Federal SUSTenta o entendimento de que o sucessor é responsável pelos tributos pertinenTes ao fl/I/do ou estabelecimento adquirido, nüo, porém pela multa que, mesmo de natureza Tributária. tem o caráter punitivo"; RE n° 85.435-SP, "in" Dl de 03/09176; AgReg-l\grm'o Regimental em Agravo de Instrumento n° 64.622-SP, "in" Dl de 13/02/76, ReI. Min. Rodrigues Alckmin; e RE 83.514-SP.Rel. MiniSTro Eloy da Rocha, "in" RTJ 82-02. Nesses arestos prevalece o entendimento de que a multa fiscal punitiva /1(10 se trctll.ljl'l-l' ao sucessor. Não questiono que as multas punitivas tributárias transferem-se para o sucessor, quando lá Integrarem o passivo da empresa sucedida, antes da sucessüo. Vale dizer, que foram lançadas antes do ato sucessório, porque aí, sim, já configurava 1II/lpassivo da pessoa jurídica e que, nessa qualidade se transfere ao sucessor. A pena tem que ser aplicada a quem praticou a infração que lhe deu causa, ou seja. à pessoa jurídica sucedida e nelo à pessoa jurídica sucessora. Daí, a jurisprudência administrativa entender que sua aplicação deve preceder ao ato sucessório para que Cf pessoa jurídica sucessora seja alcançada. (...) O saudoso jurista Aliomar Baleeiro, em seu livro Direito Tributário Brasileiro, adotou essa posição para concluir pela transferência da penalidade para a sucedida. E com base nesse argumento algumas decisões foram proferida ••. No entanto, apôs melhor exame, na qualidade de julgador, como Ministro do Supremo Tribunal Federal, /10 voU) proferido no RE 77.476, "in" RTl 74/142-143. mudou o seu conceito, reconhecendo que a mellzor Interpretação estava com a corrente contrária à sua: Na oportunidade disse: "É admissível também uma interpretação larga, apesar de o art. 133 mencionar apel/as "tributos", sem mencionar multas. Eu próprio já me inclinei a aceitá-la, embora hoje não me pareça a melhor ... A lição de ZellllO Danari, em seu livro Solidariedade e Sucessão Tributária, Saraiva. Silo Paulo, 1977, mencionada /10 recurso, refere-se a outros dispositivos do CapílUlo V do CTN, pertinente a responsabilidade tributária, e não ao art. 132, inserto na SC('üo11,(Ilte trata da responsabilidade dos sócios. É certo também que os excertos dessa obra, referem-se aos arts. 136, 137 e 138, mas nunca ao art. 132, específico para a hipótese dos autos. O Resp 32.967 - Rio Grande do Sul (1993/0006690-0) trata de //lulta moratória e tUIO punitiva, tendo a relatora Ministra Eliana Calmon, aplicado o entendimento do STl de que "O sucessor tributário é responsável pela multa moratória, aplicada al/tes da sucessão". (Resp 11. 3097/RS; Re1. Min. Garcia Vieira, Dl 1/11190). Em seu voto, (/ relatora, esclarece que, mesmo doutrinariamente, na atualidade. sinaliza-se para prevalência da tese de que a responsabilidade dos sucessores estende-se às multas, sejam elas moratórias 0/1 punitivas. pelo fato de integrarem elas o passivo da empresa sucedida. Demonstrando sua assertiva, transcreve excerto da obra de Luiz Alberto Gurgel de FarIa, em "Código Tributário Nacional Comentado. Editora Revistll dos Tribunais, nesse sentido, que diz: FI. 202 •• Processo nº Recurso nº Acórdão nº Ministério da Fazenda Segundo Conselho de Contribuintes : 10840.001484/2001-65 : 128.765 : 203-11.241 • •• "A não ser assim, muitas fraudes poderiam existir simplesmente para alterar a estruturo jurídica das empresas, fundindo-as, transformando-as ou realizando iIlCOI"jJoTO(rJespam afastar aplicação de penalidades (... ) a posiçâo mais moderna se ine/ina pela continuidade das multas (já aplicadas) por ocasião da sucessão de e/llpresas ... O citado autor é pela continuidade das multas já aplicadas, como se o/Jser\"a da transcrição. E isso porque já integravam o passivo da empresa, antes da sucessüo. A multafora lançada anteriormente ejá constituía crédito tributário. Tal entendimento não tem aplicação quando a multa é aplicada posteriormcnte porque não integrava o passivo da sucedida. Não havia crédito tributário contra ela, /laqueIa oportunidade. Esse entendimento do autor e da Ministra Eliana Calmol! é exatamente o adotado peja jurisprudência administrativa, como se verifica dos Ar. na 102-102-17.285, 101-92.418, 103-20.172, já citados, dentre Olltros . A corroborar a exclusão da multa de ofício, informo que esta Terceira Câmara também já decidiu conforme o entendimento ora adotado. Observem-se os três julgados abaixo (negritos acrescentados nas decisões e ementas): Número do Recurso:121736 Câmara:TERCEIRA CÂMARA Número do Processo:10980.004480/2001-34 Tipo do Recurso:VOLUNTÁRIO Matéria:PIS Recorrente:ELECTROLUX DO BRASIL SIA Recorrida/Interessado:DRJ-CURITIBAlPR Data da Sessão:15/10/2003 09:00:00 Relator:Francisco Maurício R. de Albuquerque Silva Decisão:ACÓRDÂO 203-09237 Resultado:PPM - DADO PROVIMENTO PARCIAL POR MAIORIA Texto da Decisão:l) Pelo voto de qualidade, rejeitou-se a preliminar de mérito da decadência. Vencidos os Conselheiros Francisco Maurício R. de Albuquerque Silva (relator), Maria Teresa Martinez López, Mauro Wasilewski, César Piantavigna, que davam provimento em parte. Designado o Conselheiro Valmar Fonseca de Menezes; e, 11) no mérito, por maioria de votos, deu-se provimento em parte ao recurso, para excluir a multa. Vencidos os Conselheiros Valmar Fonseca de Menezes e Luciana Pato Peçanha Martins. Ementa:NORMAS PROCESUAIS. DECADENCIA. A Lei nQ 8.212/91 estabeleceu o prazo de dez anos para a decadência da Contribuição para o PIS. Além disso, o STJ pacificou o entendimento de que o prazo decadencial previsto no artigo 173 do CTN somente se inicia após transcorrido o prazo previsto no artigo 150 do mesmo diploma legal. Preliminar rejeitada. PIS. RESPONSABILIDADE POR SUCESSAO. EXCLUSÂO DAS MULTAS PUNITIVAS. A responsabilidade por sucessão abrange não somente os débitos tributários que a antecederam como também os que forem apurados após a sucessão, desde que resultantes de fatos geradores ocorridos anteriormente a ela. As multas punitivas, no entanto, são de responsabilidade pessoal dos agentes, que incidem nas condutas punidas, não se inserindo no contexto da responsabilidade da sucessora. Recurso parcialmente provido. Dncurn(;'~ntode 230 págína(s) GOnfin113ijo pelo código de locdiz&ç~iQ EF'11.()[:18.1 • f'. l)F CA RF TvfF Processo nº Recurso nº Acórdão nº Ministério da Fazenda Segundo Conselho de Contribuintes : 10840.001484/2001-65 : 128.765 : 203-11.241 F!. 203 2UCC-MF FI. -U3 • Número do Recurso:11805í Câmara:TERCEIRA CÂMARA Número do Processo:10665.000714/99-99 Tipo do Recurso:VOLUNTÁRIO Matéria:IPI Recorrente:GERDAU S/A Recorridallnteressado:DRJ-JUIZ DE FORAlMG Data da Sessão:19/09/2002 09:00:00 Relator:Renato Scalco Isquierdo Decisão:ACÓRDÃO 203-08459 Resultado:PPU - DADO PROVIMENTO PARCIAL POR UNANIMIDADE Texto da Decisão:Por unanimidade de votos: I) rejeitadas as preliminares de nulidade e arguição de inconstitucionalidade; e, 11) no mérito, deu-se provimento em parte ao recurso, nos termos do voto do relator. Ementa:NORMAS PROCESSUAIS. PERíCIA PARA EXAME DE REGISTROS CONTÁBEIS. DESNECESSIDADE. Em se tratando de processo administrativo fiscal, desnecessário o auxílio técnico para exame de registros contábeis, que pode ser realizado diretamente pelas partes. INCONSTITUCIONALIDADE. A autoridade administrativa não pode examinar a constitucionalidade de lei. Preliminares rejeitadas. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. As matérias-primas transferidas devem ser consideradas no cálculo do crédito presumido do estabelecimento que as recebeu, quando o incentivo foi calculado separadamente por estabelecimento. MULTA. INCORPORAÇÃO. Não cabe a exigência de multa por lançamento de ofício da empresa responsável pelo crédito de empresa incorporada, quando a operação societária realizou-se em data anterior à do lançamento. Recurso parcialmente provido. Número do Recurso: 108122 Câmara:TERCEIRA CÂMARA Número do Processo:10855.001851/96-33 Tipo do Recurso:VOLUNTÁRIO Matéria:PIS Recorrente:EUCATEX S.A INDÚSTRIA E COMÉRCIO Recorrida/Interessado: DRJ-CAM PINAS/SP Data da Sessão:08/1211998 15:30:00 Relator:Renato Scalco Isquierdo Decisão:RESOLUÇÃO 203-00029 Resultado:- Texto da Decisão:Por unanimidade de votos, resolvem os membros da 3ª Câmara, retificar o acórdão n° 203.04.974. Ementa:PIS - PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL - NULIDADES - DESCRiÇÃO DOS FATOS PRINCipIO DA ECONOMIA PROCESSUAL - Deve ser rejeitado o pedido de nulidade do auto de infração fundado na deficiência da descrição dos fatos, quando os elementos contidos no lançamento, em especial os anexos que contêm os cálculos do crédito tributário devido, deixam evidenciada a origem das diferenças apuradas pelo Fisco. A descrição dos fatos, ainda que incompleta, não enseja a decretação da sua nulidade, mesmo que se trate de elementos essenciais, tal como estabelece o art. 10, 11, do Decreto 70.235/72, se não há prejuízo para a defesa e o ato cumpriu sua finalidade. O cerceamento do direito de defesa deve se verificar concreta te, e não apenas em tese. O exame da CO:;Jmer:o dA 23:: prç,lrJ,l(s) cor' r'"'rao ci'glt,irnB 1'í': FQd3 'i0r cr)n~>Lltqa~no ';..• ".i r"tPs:jícav.receit8íi1zerd,i.gO\l.blfeCAC/PUl)l,coil()girl.~x p~:l0 código Cf; lou;llzaç.il~; "'P11 G5- f5 114f~5 '-I'i/R -,()l'" ,1ü~a "2S I'E! BU.mtícar () ,,o final deste documento. FL 204 i. Ministério da Fazenda Segundo Conselho de Contribuintes 2~CC-MF FI. !lRtJ Processo nº Recurso nQ Acórdão nQ : 10840.001484/2001-65 : 128.765 : 203-11.241 • impugnação e do recurso voluntário evidencia a correta percepção do conteúdo e da motivação do lançamento. Aplicação do princípio da economia processual. PRAZO DE RECOLHIMENTO - Com a declaração de inconstitucionalidade dos Decretos-Leis nr. 2.445/88 e 2.449/88, o prazo de recolhimento da Contribuição para o PIS deve ser aquele previsto na Lei Complementar nr. 07/70 e na legislação que a alterou (Lei nr. 8.019/90 - originada da conversão das MPs nr. 134 e 147/90 - e Lei nr. 8.218/91 - originada da conversão das MPs nrs. 297 e 298/91), normas essas que não foram objeto de questionamento, e, portanto, permanecem em vigor. Incabível a interpretação de que tal contribuição deva ser calculada com base no faturamento do sexto mês anterior. MULTA - SUCESSÃO POR INCORPORAÇÃO - Inexigível da empresa sucessora a multa por infrações tributárias cometidas pela empresa incorporada, se o lançamento foi formalizado após a incorporação. Recurso provido em parte. Pelos fundamentos acima, e a despeito das interpretações contrárias, entendo deva ser excluída a multa de ofício lançada. 3) COMPENSAÇÃO: RITO PRÓPRIO PARA REPETIÇÃO DO INDÉBITO E IMPOSSIBILIDADE DE SERVIR COMO MEIO DE IMPUGNAÇÃO Por último trato da compensação alegada. A recorrente não contesta diretamente o valor lançamento, relativo ao período de apuração 02/96. Alega que não o pagou porque no período anterior (01/96) efetuara recolhimento a maior, e por isto teria direito à compensação. Todavia, somente se manifestou acerca de tal compensação por ocasião da impugnação, não tendo informado antes, à Secretaria da Receita Federal, acerca do suposto indébito. Tanto assim que a DCTF relativa ao período de apuração do lançamento não contém qualquer informação sobre a compensação referente ao PIS (fi. 16). Sem tal informação não há como admitir, nesse Recurso Voluntário, a compensação pleiteada. Ainda que o pagamento indevido ou a maior restasse provado, a repetição de indébito demanda rito próprio. Assim, os pedidos de restituição e compensação devem inicialmente ser apresentados à Delegacia ou Inspetoria da Receita Federal do domicílio do contribuinte. Mesmo no período em que para a compensação de tributos da mesma espécie era despiciendo processo administrativo, a compensação havia de ser informada em DCTF. Do contrário - e é o que acontece na situação em tela - não serve como meio de contestação ao lançamento. .IHps:JiU'\i.rcceita .fa2enda.gov .br/cCACh)ub!ícoJleqin .as~ 1 ,lO firk?l dc~)t(;ldocurnent.u, Somente após análise por parte do órgão de origem, seguida de manifestação de inconformidade e de posterior Recurso Voluntário, quando for o caso, é que compete a este Conselho de Contribuintes apreciá-lo, nos termos do ~~ 9°, 10 e 11 do ar!. 74 da Lei n° 9.430/96, alterado pelas Leis nOs 10.63712002 e 10.833/2003./ Documente fie 23U piÍ£jhB(S: confirmado dir;íf2ltn(;f,tc. F'oric rar consuFado no pcio Gód'[.jode IOCé1IiZBÇi10 EP11 J)E313.'1. 149::;J~Gln. CO('f,uFe é] pÚ[.jinn de .•. 1')F C/\RF .MF FI. 205 Processo nU Recurso nº Acórdão nU Ministério da Fazenda Segundo Conselho de Contribuintes : 10840.001484/2001-65 : 128.765 : 203-11.241 • CONCLUSÃO Pelo exposto, dou provimento parcial ao Recurso para cancelar a multa lançada, mantendo o lançamento no valor do principal e dos juros de mora. Sala das Sessões, em 23 de ao e 2006 . Documento de 23D paginais) conf!nnedo digitalmente. Pode ser consu!tacio no e7~;;;'~:~~ ht1PSJíOav.reCGít8.í8zenda.gov.bríGC;\Cícublicoílogin.i~frx pdo córiígc de localizaçáo EP11.0G18.114D5.RG7R. Consulte a página de nt no íinal deste documento. 00000001 00000002 00000003 00000004 00000005 00000006 00000007 00000008 00000009 00000010 00000011 00000012 00000013 00000014 00000015 00000016 00000017 00000018 00000019 00000020 00000021 00000022
score : 1.0
Numero do processo: 11330.000871/2007-92
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 13 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Apr 03 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/02/1998 a 30/11/1998
CRÉDITO TRIBUTÁRIO PREVIDENCIÁRIO. DECADÊNCIA. SÚMULA VINCULANTE Nº 8. PAGAMENTO ANTECIPADO. INDEFERIMENTO.
Declarada pelo STF, sendo inclusive objeto de súmula vinculante, a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212/91, que estabeleciam o prazo decenal para constituição e cobrança dos créditos relativos às contribuições sociais previdenciárias, a matéria passa a ser regida pelo Código Tributário Nacional, que determina o prazo de 5 (cinco) anos para a constituição e cobrança do crédito tributário.
CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. ART. 31 DA LEI 8.212/1991. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA DO TOMADOR DE MÃO-DE-OBRA. PERÍODO ANTERIOR À VIGÊNCIA DA LEI 9.711/1998. NECESSIDADE DE PRÉVIA FISCALIZAÇÃO DO PRESTADOR DE SERVIÇO, A FIM DE CERTIFICAR A AUSÊNCIA DE RECOLHIMENTO DO TRIBUTO. AGRAVO INTERNO DA FAZENDA NACIONAL A QUE SE NEGA PROVIMENTO.
A responsabilidade do tomador do serviço pelas Contribuições Previdenciárias é solidária, conforme consignado na redação original do art. 31 da Lei 8.212/1991, não comportando benefício de ordem. Todavia, no período pretérito à edição da Lei 9.711/1998, há necessidade de prévia aferição na contabilidade do prestador dos serviços, cedente de mão-de-obra, para certificar a ausência do reconhecimento da Contribuição Previdenciária, sendo incabível a aferição indireta nas contas do tomador dos serviços antes de tal providência.
JUROS. TAXA SELIC. LEGITIMIDADE. Súmula CARF n° 04:
A partir de 1° de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.JUROS. TAXA SELIC.
MULTA.RETROATIVIDADE BENIGNA.
Em face do disposto no art. 57 da Lei n° 11.941, de 2009, a eventual aplicação de penalidade mais benéfica deve observar o regramento traçado em portaria conjunta da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional e da Secretaria da Receita Federal do Brasil, no caso a Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 14, de 2009
Numero da decisão: 2401-006.014
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade votos, negar provimento ao recurso voluntário. Declarou-se impedido de participar do julgamento o conselheiro Matheus Soares Leite, substituído pela conselheira Fernanda Melo Leal (Suplente Convocada).
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Presidente
(assinado digitalmente)
Luciana Matos Pereira Barbosa - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier (Presidente), Cleberson Alex Friess, Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Rayd Santana Ferreira, Sheila Aires Cartaxo Gomes e Fernanda Melo Leal. Ausente a Conselheira Marialva de Castro Calabrich Schlucking.
Nome do relator: LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201902
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/02/1998 a 30/11/1998 CRÉDITO TRIBUTÁRIO PREVIDENCIÁRIO. DECADÊNCIA. SÚMULA VINCULANTE Nº 8. PAGAMENTO ANTECIPADO. INDEFERIMENTO. Declarada pelo STF, sendo inclusive objeto de súmula vinculante, a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212/91, que estabeleciam o prazo decenal para constituição e cobrança dos créditos relativos às contribuições sociais previdenciárias, a matéria passa a ser regida pelo Código Tributário Nacional, que determina o prazo de 5 (cinco) anos para a constituição e cobrança do crédito tributário. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. ART. 31 DA LEI 8.212/1991. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA DO TOMADOR DE MÃO-DE-OBRA. PERÍODO ANTERIOR À VIGÊNCIA DA LEI 9.711/1998. NECESSIDADE DE PRÉVIA FISCALIZAÇÃO DO PRESTADOR DE SERVIÇO, A FIM DE CERTIFICAR A AUSÊNCIA DE RECOLHIMENTO DO TRIBUTO. AGRAVO INTERNO DA FAZENDA NACIONAL A QUE SE NEGA PROVIMENTO. A responsabilidade do tomador do serviço pelas Contribuições Previdenciárias é solidária, conforme consignado na redação original do art. 31 da Lei 8.212/1991, não comportando benefício de ordem. Todavia, no período pretérito à edição da Lei 9.711/1998, há necessidade de prévia aferição na contabilidade do prestador dos serviços, cedente de mão-de-obra, para certificar a ausência do reconhecimento da Contribuição Previdenciária, sendo incabível a aferição indireta nas contas do tomador dos serviços antes de tal providência. JUROS. TAXA SELIC. LEGITIMIDADE. Súmula CARF n° 04: A partir de 1° de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.JUROS. TAXA SELIC. MULTA.RETROATIVIDADE BENIGNA. Em face do disposto no art. 57 da Lei n° 11.941, de 2009, a eventual aplicação de penalidade mais benéfica deve observar o regramento traçado em portaria conjunta da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional e da Secretaria da Receita Federal do Brasil, no caso a Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 14, de 2009
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Apr 03 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 11330.000871/2007-92
anomes_publicacao_s : 201904
conteudo_id_s : 5981480
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Apr 03 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 2401-006.014
nome_arquivo_s : Decisao_11330000871200792.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA
nome_arquivo_pdf_s : 11330000871200792_5981480.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade votos, negar provimento ao recurso voluntário. Declarou-se impedido de participar do julgamento o conselheiro Matheus Soares Leite, substituído pela conselheira Fernanda Melo Leal (Suplente Convocada). (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente (assinado digitalmente) Luciana Matos Pereira Barbosa - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier (Presidente), Cleberson Alex Friess, Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Rayd Santana Ferreira, Sheila Aires Cartaxo Gomes e Fernanda Melo Leal. Ausente a Conselheira Marialva de Castro Calabrich Schlucking.
dt_sessao_tdt : Wed Feb 13 00:00:00 UTC 2019
id : 7676694
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:41:06 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051663589179392
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1987; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T1 Fl. 2 1 1 S2C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11330.000871/200792 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2401006.014 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 13 de fevereiro de 2019 Matéria CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Recorrente SENDAS S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/02/1998 a 30/11/1998 CRÉDITO TRIBUTÁRIO PREVIDENCIÁRIO. DECADÊNCIA. SÚMULA VINCULANTE Nº 8. PAGAMENTO ANTECIPADO. INDEFERIMENTO. Declarada pelo STF, sendo inclusive objeto de súmula vinculante, a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212/91, que estabeleciam o prazo decenal para constituição e cobrança dos créditos relativos às contribuições sociais previdenciárias, a matéria passa a ser regida pelo Código Tributário Nacional, que determina o prazo de 5 (cinco) anos para a constituição e cobrança do crédito tributário. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. ART. 31 DA LEI 8.212/1991. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA DO TOMADOR DE MÃODE OBRA. PERÍODO ANTERIOR À VIGÊNCIA DA LEI 9.711/1998. NECESSIDADE DE PRÉVIA FISCALIZAÇÃO DO PRESTADOR DE SERVIÇO, A FIM DE CERTIFICAR A AUSÊNCIA DE RECOLHIMENTO DO TRIBUTO. AGRAVO INTERNO DA FAZENDA NACIONAL A QUE SE NEGA PROVIMENTO. A responsabilidade do tomador do serviço pelas Contribuições Previdenciárias é solidária, conforme consignado na redação original do art. 31 da Lei 8.212/1991, não comportando benefício de ordem. Todavia, no período pretérito à edição da Lei 9.711/1998, há necessidade de prévia aferição na contabilidade do prestador dos serviços, cedente de mãodeobra, para certificar a ausência do reconhecimento da Contribuição Previdenciária, sendo incabível a aferição indireta nas contas do tomador dos serviços antes de tal providência. JUROS. TAXA SELIC. LEGITIMIDADE. Súmula CARF n° 04: AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 33 0. 00 08 71 /2 00 7- 92 Fl. 225DF CARF MF 2 A partir de 1° de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais.JUROS. TAXA SELIC. MULTA.RETROATIVIDADE BENIGNA. Em face do disposto no art. 57 da Lei n° 11.941, de 2009, a eventual aplicação de penalidade mais benéfica deve observar o regramento traçado em portaria conjunta da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional e da Secretaria da Receita Federal do Brasil, no caso a Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 14, de 2009 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade votos, negar provimento ao recurso voluntário. Declarouse impedido de participar do julgamento o conselheiro Matheus Soares Leite, substituído pela conselheira Fernanda Melo Leal (Suplente Convocada). (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier – Presidente (assinado digitalmente) Luciana Matos Pereira Barbosa Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier (Presidente), Cleberson Alex Friess, Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Rayd Santana Ferreira, Sheila Aires Cartaxo Gomes e Fernanda Melo Leal. Ausente a Conselheira Marialva de Castro Calabrich Schlucking. Relatório Tratam os presentes autos de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito – NFLD (DEBCAD 35.566.2400 – fls. 01/18), lavrado contra as empresas SENDAS S/A e SEGMAR GUARDA DE SEGURANÇA E VIGILÂNCIA LTDA., no valor total de R$ 12.911,69 (doze mil novecentos e onze reais e sessenta e nove centavos). De acordo com o Relatório Fiscal (fls. 37/41) o crédito constituído é referente às contribuições sociais arrecadadas pelo INSS e destinadas à Seguridade Social, correspondente à contribuição dos segurados empregados e a contribuição da empresa, Fl. 226DF CARF MF Processo nº 11330.000871/200792 Acórdão n.º 2401006.014 S2C4T1 Fl. 3 3 inclusive para o custeio das prestações decorrentes de acidente de trabalho ou do Grau de Incidência de Incapacidade Laborativa Decorrente dos Riscos do Ambiente de Trabalho – GILRAT, em razão da responsabilidade solidária entre a empresa tomadora (Sendas S/A) e a empresa prestadora (Segmar Guarda de Segurança e Vigilância Ltda.), decorrente de serviços de mãodeobra no período de 02/1998 a 12/1998. Às fls. 42/43 consta tabela indicando os percentuais usados para o cálculo para o salário de contribuição, correspondendo tais valores a 40% sobre o valor bruto da nota fiscal, uma vez que não estavam discriminados nas respectivas notas os valores correspondentes ao material fornecido pela prestadora para a execução da obra. Devidamente cientificada, a Interessada SENDAS S/A apresentou Defesa Prévia (fls. 46/57), com as seguintes considerações: (i) Da decadência. Se a Fazenda Pública não se pronunciar sobre o recolhimento no prazo de 5 (cinco) anos, contados da data do fato gerador, operase automaticamente a homologação tácita do recolhimento. É o que impõe expressa e inequivocamente o artigo 150, § 4º do CTN, e assim dáse a preclusão do prazo da Fazenda Pública para a constituição do crédito tributário. É ilegal o lançamento efetuado pelo INSS, materializado na NFLD em tela, diante da extinção dos alegados créditos, já homologados, operandose a decadência do direito da Fazenda. Apesar do caput do artigo 45 da Lei 8.212/91 estabelecer um prazo de 10 anos para a Seguridade Social apurar e constituir débitos, este dispositivo é manifestamente inconstitucional, além de violar também o CTN, e por isso a sua aplicação vem sendo sistematicamente rejeitada pelos Tribunais. Isto porque não há dúvidas de que o prazo decadencial, estabelecido pelo Código Tributário Nacional, não pode ser revogado ou alterado por mera lei ordinária, que porventura pretenda estabelecer prazo diverso. Concluise, portanto, que foram ilegalmente constituídos na NFLD em tela todos os valores lançados pelo INSS relativos às competências de novembro de 1995 a agosto de 1997, inclusive, posto que já homologada tacitamente, na forma do artigo 150, § 4º, do CTN, ocorrendo assim a preclusão do prazo da Fazenda Pública para constituir eventual crédito mediante lançamento. (ii) Da ilegalidade in totum do lançamento. As competências a que se refere o lançamento em apreço nesta lide são anteriores ao advento da Lei nº 9.711, de 20.11.98. Logo, a presente discussão não trata da obrigação do tomador de serviços de reter o percentual de 11% (onze por cento) sobre os valores de notas fiscais de seus prestadores de serviço, instituída posteriormente aos fatos geradores em tela nesta demanda. Argumenta que somente pode existir o instituto da solidariedade se houver dívida, a fim de que o credor possa imputála a qualquer um dos devedores solidários, e para existir dívida é necessário que haja inadimplência do devedor originário. Cita os artigos 124 e 142 do Código Tributário Nacional para defender a sua ausência de responsabilidade. Fl. 227DF CARF MF 4 Conclui que o instituto da solidariedade somente pode ser efetivado nos casos em que a Fiscalização, preliminarmente, determine junto ao contribuinte praticante do fato gerador a devida a devida e efetiva contribuição não recolhida, para, só então, cobrarse do co responsável pela obrigação. (iii) As formas de calcular o montante do tributo devido. No caso presente, realizou o Fisco uma indubitável aferição indireta, ao apurar o pseudo débito através de percentuais sobre os valores das notas fiscais de prestação de serviços, ignorando, não se sabe porquê, a contabilidade do devedor originário, o que não é aceitável. Argumenta que é dever, e não mera faculdade, da Autarquia fiscalizar junto à empresa contribuinte (devedora originária) a sua folha de pagamento, cuja obrigação de manter em consonância com as normas legais é unicamente da empresa que paga ou credita tais remunerações (prestadora de serviços). Alega que o Fisco contrariou o artigo 33, § 6º da Lei nº 8.212/91, uma vez que este dispositivo estabelece as situações que dão margem à aferição indireta por parte da Fiscalização. (iv) Da ausência de qualquer infração por parte da impugnante. Assevera que constituir o crédito tributário contra a responsável solidária mediante a aplicação de percentual sobre as notas fiscais detidas pela impugnante, sem prévia comprovação da idoneidade dos registros contábeis do prestador de serviços, é ilegal, contrariando claramente o § 6º do artigo 33 da Lei nº 8.212/91. (v) Ilegal incidência de juros e multa. Sobre o tema, a impugnante defende que os valores são excessivos, configurando confisco tributário, o que é vedado pela Constituição Federal, que não pode ser ofendida por legislação ordinária. Por sua vez, apesar de devidamente notificada por edital (fl. 69), a empresa SEGMAR GUARDA DE SEGURANÇA E VIGILÂNCIA LTDA. deixou de se manifestar. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro I (RJ), por intermédio do Despacho de fls. 72/75, converteu o julgamento em diligência nos seguintes termos: “[...] 10. Dessa forma, buscando definir com clareza o fato gerador, encaminhese o presente processo aos AuditoresFiscais notificantes, para que esclareçam o lançamento recorrente, nos seguintes pontos: 10.1. se os serviços prestados foram de construção civil, enquadrando se no art. 30, inciso VI da Lei nº 8.212/91; 10.2. se os serviços prestados se enquadram no artigo 31 da Lei nº 8.212/91 – solidariedade na cessão de mãodeobra; 10.3. em quais documentos os notificantes se basearam para determinar a fundamentação legal competente, relativamente ao fato gerador; 10.4. informar o dispositivo legal que embasa a aferição indireta. Fl. 228DF CARF MF Processo nº 11330.000871/200792 Acórdão n.º 2401006.014 S2C4T1 Fl. 4 5 11. Assim, o presente processo seja baixado em Diligência para que os AuditoresFiscais notificantes tomem as medidas cabíveis (mormente o contido no item 10, supra) – inclusive, concedendo aos interessados, expressamente, o prazo de 30 (trinta) dias para, assim desejando, aditar razões de defesa sobre a matéria objeto do presente despacho, como também observar o prescrito no § 5º, do art. 11, da Portaria SRB nº 10.875/2007.” Sobreveio Informação Fiscal (fls. 88/90) com as seguintes considerações: “[...] 9. Analisando os fatos referenciados no despacho de fls. 73/76, verifiquei que efetivamente constam fundamentações legais divergentes, uma no Relatório Fiscal e outra no Relatório de Fundamentos Legais – FLD. 10. Assim, a resposta aos itens 10.1 e 10.2, é que não se trata de construção civil e sim sessão de mãodeobra de Segurança e Vigilância, pois, ao verificar as planilhas de apuração de fls. 41/42, observase a descrição dos serviços das Notas Fiscais nº 987, 1019, 1025, 1042, 1064, 1081, 1022, 1026, 1043, 1080, 1086 e 1079, como sendo de Segurança e Vigilância, com a aplicação do percentual de 25% sobre o valor total da Nota Fiscal, para aferição da Base de Cálculo das contribuições, com base no previsto na Ordem de Serviço INSS/DAF nº 176, de 05 de dezembro de 1997. 11. Portanto, parecenos que o fundamento legal correto é o constante no Relatório Fiscal, ou seja, artigo 31 da Lei 8.212/91. 12. Quanto ao item 10.3, tendo em vista não ser o Auditor Notificante, apenas posso afirmar que usualmente, em situações como a presente, são examinadas as Notas Fiscais e os correspondentes contratos de prestação de serviços, firmado entre a empresa contratante (tomadora dos serviços) e a contratada (prestadora dos serviços). 13. A aferição indireta na cessão de mãodeobra se fundamenta no art. 33, § 3º da Lei nº 8.212/91. [...]” Cientificada, dentro do prazo legal, a empresa Sendas S/A apresentou Defesa Adicional (fls. 93/110), em suma, com o mesmo conteúdo da defesa anteriormente apresentada. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro I (RJ) lavrou Decisão Administrativa contextualizada no Acórdão nº 1234.928 da 14ª Turma da DRJ/RJOI, às fls. 119/128, julgando procedente o lançamento, mantendo o crédito tributário exigido em sua integralidade. Confirase: Fl. 229DF CARF MF 6 “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS. Período de apuração: 01/02/1998 a 31/11/1998 RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. CESSÃO DE MÃODEOBRA A teor do art. 31 da Lei n 8212/91, na redação vigente à época dos fatos geradores, a empresa contratante de serviços executados mediante cessão de mãodeobra responde solidariamente com o executor pelas obrigações para com a Seguridade Social. ARBITRAMENTO. É lícita a apuração por aferição indireta do salário de contribuição na ocorrência de recusa, sonegação ou apresentação deficiente de documentos JUROS E MULTA. PREVISÃO LEGAL. VINCULAÇÃO DO AGENTE ADMINISTRATIVO À LEI. 1. O valor do juros e da multa é estabelecido pela legislação. 2. De acordo com o art. 26A do Decreto nº 70.235/72, na redação da Lei nº 11.941/2009, no âmbito do processo administrativo fiscal, os órgãos de julgamento são obrigados a aplicar as Leis e os atos infralegais enquanto estes estiverem em vigor. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido” Do resultado do julgamento, a contribuinte Recorrente foi intimada em 11/01/2011 (fl. 135). Inconformada com a decisão exarada pelo órgão julgador a quo, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário (fls. 137/151), argumentando, em síntese, o que segue: (i) Afirma a tempestividade do seu recurso. (ii) Da decadência. Apesar do caput do artigo 45 da Lei nº 8.212/91 estabelecer um prazo de 10 anos para a Seguridade Social apurar e constituir débitos, este dispositivo é manifestamente inconstitucional, além de violar também o CTN, e por isso a sua aplicação vem sendo sistematicamente rejeitada pelos Tribunais. Isto porque não há dúvidas de que o prazo decadencial, estabelecido pelo Código Tributário Nacional, não pode ser revogado ou alterado por mera lei ordinária, que porventura pretenda estabelecer prazo diverso. Se a Fazenda Pública não se pronunciar sobre o recolhimento no prazo de 5 (cinco) anos, contados da data do fato gerador, operase automaticamente a homologação tácita do recolhimento. É o que impõe expressa e inequivocamente o artigo 150, § 4º do CTN, e assim dáse a preclusão do prazo da Fazenda Pública para a constituição do crédito tributário. É ilegal o lançamento efetuado pelo INSS, materializado na NFLD em tela, diante da extinção dos alegados créditos, já homologados, operandose a decadência do direito da Fazenda. Fl. 230DF CARF MF Processo nº 11330.000871/200792 Acórdão n.º 2401006.014 S2C4T1 Fl. 5 7 Concluise, portanto, que foram ilegalmente constituídos na NFLD em tela todos os valores lançados pelo INSS relativos às competências anteriores a abril de 1998, inclusive, posto que já homologada tacitamente, na forma do artigo 150, § 4º, do CTN, ocorrendo assim a preclusão do prazo da Fazenda Pública para constituir eventual crédito mediante lançamento. (iii) Da previsão da responsabilidade solidária. Contestando a aplicação do artigo 30, VI, da Lei 8.212/91, afirma que um credor não pode tentar receber do devedor solidário algo inexistente, ou mesmo algo claramente não configurado. Nesse sentido, para o recebimento do devedor solidário, por óbvio, há que existir uma dívida configurada, documentada e fundamentada, advinda de inadimplência do devedor originário. Apenas com um crédito regularmente constituído em seu devedor originário, terá o credor a possibilidade de imputála a quaisquer um dos devedores solidários. Deste modo, defende que sendo o prestador o real contribuinte, neste deve ser constituído eventual crédito tributário, e, caso existente, poderá este ser exigido dos responsáveis solidários nos termos da legislação vigente. Inexistindo o crédito tributário não há o objeto ao qual é atribuída a responsabilidade do terceiro, e, consequentemente, falta o seu pressuposto para o chamamento à relação jurídica. (iv) Formas de calcular o montante do tributo devido. No caso presente, realizou o Fisco uma indubitável aferição indireta, ao apurar o pseudo débito através de percentuais sobre os valores das notas fiscais de prestação de serviços, ignorando, não se sabe porquê, a contabilidade do devedor originário, o que não é aceitável. Argumenta que é dever, e não mera faculdade, da Autarquia fiscalizar junto à empresa contribuinte (devedora originária) a sua folha de pagamento, cuja obrigação de manter em consonância com as normas legais é unicamente da empresa que paga ou credita tais remunerações (prestadora de serviços). Alega que o Fisco contrariou o artigo 33, § 6º da Lei nº 8.212/91, uma vez que este dispositivo estabelece as situações que dão margem à aferição indireta por parte da Fiscalização. (v) Da ausência de qualquer infração por parte da Recorrente. Assevera que constituir o crédito tributário contra a responsável solidária mediante a aplicação de percentual sobre as notas fiscais detidas pela impugnante, sem prévia comprovação da idoneidade dos registros contábeis do prestador de serviços, é ilegal, contrariando claramente o § 6º do artigo 33 da Lei nº 8.212/91. (vi) Ilegal incidência de juros e multa. Sobre o tema, a impugnante defende que os valores são excessivos, configurando confisco tributário, o que é vedado pela Constituição Federal, que não pode ser ofendida por legislação ordinária. Fl. 231DF CARF MF 8 Ao analisar o referido recurso, a 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento deste Conselho converteu o julgamento (Resolução 2301000.320 – fls. 163/166) com as seguintes considerações: Da análise do autos, verificase que a recorrente foi contratante de serviços de segurança e vigilância junto à empresa SEGMAR GUARDA DE SEGURANÇA E VIGILÂNCIA LTDA, sendo, portanto, responsável solidária com a prestadora pelas contribuições previdenciárias incidentes sobre a remuneração dos empregados a ela cedidos. Constatase, também, que não houve manifestação da contratada em nenhum momento do processo e nem consta informações sobre a existência ou não de fiscalização na prestadora. A autoridade notificante não informou se há lançamentos de débitos na contratada para o período compreendido na presente notificação, ou se houve adesão, pela prestadora, a parcelamentos especiais, e mesmo se existe CND de baixa já emitida. Entendo que, nos casos de lançamento por responsabilidade solidária, tais informações se fazem necessárias para se evitar a duplicidade de lançamento. Como a empresa prestadora não se manifestou nos autos e como a autoridade lançadora não informou se o prestador do serviço já foi submetido a alguma espécie de fiscalização total (com contabilidade), entendo que o processo deva ser baixado em diligência para que o agente notificante se manifeste sobre as questões acima expostas. Tal procedimento é imprescindível para revestir a decisão de plena convicção, pois permite ao julgador aferir efetivamente se existe obrigação inadimplida. E, ainda, para que não fique configurado o cerceamento do direito de defesa, que seja dada ciência ao sujeito passivo do teor dos esclarecimentos a serem prestados pela fiscalização e aberto novo prazo para sua manifestação. Nesse sentido, VOTO por CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA. Em razão disso, a Fiscalização a seguinte informação: 8. Em resposta as solicitações, informamos que conforme consulta realizada aos sistemas da receita, a empresa SEGMAR GUARDA DE SEGURANÇA E VIGILÂNCIA LTDA, foi fiscalizada no período de 11/1996 a 06/1998, porém, sem análise da contabilidade. Os débitos apurados por esta fiscalização, referemse ao período de 11/1996 a 06/1998 e encontramse na ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional inscritos em dívida ativa. A empresa encontrase em situação cadastral de baixa do CNPJ por inaptidão. 9. Os débitos do presente processo referemse ao período 02/1998: 07/1998 a 12/1998, ou seja, apenas a competência 02/1998 é concomitante. Vale ressaltar que o lançamento foi efetuado com base no instituto da responsabilidade solidária em razão da empresa notificada não ter comprovado o recolhimento das contribuições previdenciárias incidentes sobre a remuneração dos segurados incluída em notas fiscais. O artigo 33 e § 3º da Lei nº 8.212/91 autoriza o Fisco a apurar o crédito por aferição indireta. 10. Tendo em vista o acima exposto, proponho o encaminhamento ao CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS. Fl. 232DF CARF MF Processo nº 11330.000871/200792 Acórdão n.º 2401006.014 S2C4T1 Fl. 6 9 Cientificada, dentro do prazo legal, a Recorrente Sendas S/A se manifestou a respeito da informação fiscal, em síntese, reiterando o conteúdo do recurso voluntário (fls. 187/199). É o relatório. Voto Conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa Relatora 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE O presente Recurso Voluntário foi apresentado, TEMPESTIVAMENTE, conforme se observa do Despacho de fl. 161, razão pela qual CONHEÇO DO RECURSO já que presentes os requisitos de admissibilidade. 2. DA PRELIMINAR a. Da decadência. A Recorrente argúi a decadência das contribuições lançadas nestes autos. Argumenta que apesar do caput do artigo 45 da Lei nº 8.212/91 estabelecer um prazo de 10 anos para a Seguridade Social apurar e constituir débitos, este dispositivo é manifestamente inconstitucional, além de violar também o CTN, e por isso a sua aplicação vem sendo sistematicamente rejeitada pelos Tribunais. Defende que não há dúvidas de que o prazo decadencial, estabelecido pelo Código Tributário Nacional, não pode ser revogado ou alterado por mera lei ordinária, que porventura pretenda estabelecer prazo diverso. Nesse passo, argumenta que se a Fazenda Pública não se pronunciar sobre o recolhimento no prazo de 5 (cinco) anos, contados da data do fato gerador, operase automaticamente a homologação tácita do recolhimento. É o que impõe expressa e inequivocamente o artigo 150, § 4º do CTN, e assim dáse a preclusão do prazo da Fazenda Pública para a constituição do crédito tributário. Sobre o tema, no que se refere à prescrição decenal, cumpre chamar a atenção para o fato de que na sessão plenária de 12/06/2008, o Supremo Tribunal Federal editou a Súmula Vinculante n.º 8 (D.O.U. de 20/06/2008), e consagrou o entendimento há muito estabelecido pelo STJ de que prescrição e decadência tributária são matérias reservadas à lei complementar, na forma do artigo 146, III, "b", da Constituição Federal, declarando, em consequência, a inconstitucionalidade de normas infraconstitucionais que versavam sobre o tema. Eis o seu teor: Fl. 233DF CARF MF 10 SÚMULA VINCULANTE Nº 08: São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do DecretoLei nº 1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário. Portanto, o prazo decenal para constituição e cobrança dos créditos relativos às contribuições sociais previdenciárias, a matéria passa a ser regida pelo Código Tributário Nacional, que determina o prazo de 5 (cinco) anos para a constituição e cobrança do crédito tributário. Ao verificar os requisitos de incidência do artigo 150, § 4º do CTN, em consulta aos recolhimentos efetuados no conta corrente da prestadora (fls. 119), não constam recolhimentos para o período 01/1998 a 06/1998. Assim, o critério para a contagem do prazo decadencial é o previsto pelo artigo 173, inciso I, do CTN, dessa forma com relação à competência 02/1998 o termo a quo da decadência é 01/01/1999 e extinção em 01/01/2004. No caso dos autos, o contribuinte foi notificado do Auto de Infração no dia 19/05/2003 (fl. 01), sendo que a competência dos créditos ora em discussão se referem a 02/1998 a 12/1998 (fl. 172), de modo que nenhum deles restam fulminados pela decadência 3. DO MÉRITO. Tratam os presentes autos de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito – NFLD (DEBCAD 35.566.2400 – fls. 01/18), lavrado contra as empresas SENDAS S/A e SEGMAR GUARDA DE SEGURANÇA E VIGILÂNCIA LTDA. o crédito constituído é referente às contribuições sociais arrecadadas pelo INSS e destinadas à Seguridade Social, correspondente à contribuição dos segurados empregados e a contribuição da empresa, inclusive para o custeio das prestações decorrentes de acidente de trabalho ou do Grau de Incidência de Incapacidade Laborativa Decorrente dos Riscos do Ambiente de Trabalho – GILRAT, em razão da responsabilidade solidária entre a empresa tomadora (Sendas S/A) e a empresa prestadora (Segmar Guarda de Segurança e Vigilância Ltda.), decorrente de serviços de mãodeobra no período de 02/1998 a 12/1998. O artigo 31, § 3º e § incisos I e II do § 4º da Lei nº 8.212/91, prevê a responsabilidade solidária em relação às contribuições previdenciárias incidentes sobre os serviços prestados mediante cessão de mão de obra decorrentes de serviços de segurança e vigilância prestados. Não assiste razão à Recorrente quanto à alegação de impossibilidade de atribuirlhe responsabilidade solidária, pelo fato do crédito não ter sido constituído em nome do contribuinte originário, nos moldes do artigo 142 do CTN. O contribuinte responsável tributário foi cientificado de todo o procedimento fiscal e diligências ocorridas, mas apenas a Recorrente (SENDAS) apresentou Impugnação e Recurso Voluntário. A obrigação solidária pode ser definida como aquela em que, havendo pluralidade de credores, ou de devedores, ou ainda, de uns e de outros, cada um tem o direito, ou é obrigado, pela dívida toda. Solidariedade significa a coresponsabilidade entre as partes. A alegação da Recorrente que somente pode exigir o crédito do tomador de serviço após a sua constituição no devedor originário(prestador do serviço), não procede. Fl. 234DF CARF MF Processo nº 11330.000871/200792 Acórdão n.º 2401006.014 S2C4T1 Fl. 7 11 Já a Instrução Normativa INSS/DC nº 18, de 10/05/2000 e OS/INSS/DAF nº 176, de 05/12/97 definem os percentuais a serem aplicados na apuração dos salários de contribuição contidos nas notas fiscais de serviços que foram aplicados pela fiscalização. Por seu turno a Instrução Normativa nº 69, de 10/05/2002 estabelece os percentuais a serem aplicados à nota fiscal para cálculo dos valores dos salários de contribuição. O artigo 144, em seu parágrafo 1º estabelece que se aplica a legislação em vigor à época do lançamento fiscal para a apuração dos valores de salário de contribuição. Assim, observase que não resta dúvida quanto aos percentuais utilizados visto que a Ordem de Serviço vigente à época dos fatos geradores das referidas contribuições também estabeleciam os mesmos percentuais, desta forma, em nenhum momento foi estabelecido percentual diverso daquele utilizado pela fiscalização. Impende salientar que a Recorrente não comprovou o recolhimento das contribuições devidas sobre a remuneração dos segurados incluída em nota fiscal ou fatura correspondente aos serviços executados, nem apresentou elementos que possibilitassem a identificação do montante da remuneração paga ou creditada aos referidos segurados, temse que os critérios adotados pela auditoria fiscal na apuração da base de cálculo do crédito em discussão estão em perfeita consonância com a legislação de regência. A alegação da Recorrente de que o artigo 33, § 6º da lei nº 8.212/91 somente autoriza constituir o crédito por aferição indireta caso fique constatada fraude nos registros contábeis, não pode prosperar. Referida hipótese só poderia ocorrer no curso de uma ação fiscal junto à empresa prestadora e, se no curso da análise de sua documentação (registros contábeis), se constatasse que não registram o movimento real da remuneração paga aos segurados a seu serviço. Esclareçase, por oportuno, que cabe ao fisco previdenciário o ônus probatório do fato gerador, e à Recorrente a prova dos elementos extintivos de sua obrigação, assim como dispunha o art. 333 do CPC à época. Como a Recorrente não acostou documentação hábil capaz de afastar o lançamento ora em debate, o mesmo deve ser mantido. Por fim, na parte final dos seus pedidos a recorrente alega ser indevida imposição de juros e multa. Temse, pois, que não é da competência funcional do órgão julgador administrativo a apreciação de alegações de ilegalidade ou inconstitucionalidade da legislação vigente. A declaração de inconstitucionalidade/ilegalidade de leis ou a ilegalidade de atos administrativos é prerrogativa exclusiva do Poder Judiciário, outorgada pela própria Constituição Federal, falecendo competência a esta autoridade julgadora, salvo nas hipóteses expressamente excepcionadas no parágrafo primeiro do art.62 do Anexo II, do RICARF, bem como no art.26A, do Decreto n° 70.235/72, não sendo essa a situação em questão. Portanto, não assiste razão ao contribuinte. Fl. 235DF CARF MF 12 Cumpre lembrar, ainda, que a utilização da Taxa SELIC para atualizações e correções dos débitos apurados está prevista no art. 34, da Lei n° 8.212/91, sendo que sua incidência sobre débitos tributários já foi pacificada, conforme Súmula n° 04, do CARF, in verbis: Súmula CARF nº 4. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). Por essas razões, afasto a pretensão recursal a respeito da impossibilidade de aplicação da Taxa SELIC para o cálculo das contribuições previdenciárias recolhidas fora do prazo. No que tange à multa, como já esclarecido pela instância a quo, cabe à autoridade administrativa, no momento da extinção do crédito tributário de obrigação prncipal, observar o cumprimento do preceito insculpido no artigo 106, II, alínea "c", do CTN, mediante comparação entre o valor da multa efetivamente aplicada no momento da autuação e aquele que seria devido caso fosse considerada a nova metodologia introduzida pela Lei n 11.941/09, de forma a assegurar a aplicação da penalidade pecuniária que se mostrar mais benéfica ao sujeito passivo. Dessa forma, nego provimento ao recurso. 2. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, CONHEÇO do Recurso Voluntário, para, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO, nos termos do relatório e voto. É como voto. (assinado digitalmente) Luciana Matos Pereira Barbosa. Fl. 236DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16327.913530/2009-13
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Apr 10 00:00:00 UTC 2013
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/08/2008
PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. ESTIMATIVA. ERRO NA APURAÇÃO. UTILIZAÇÃO DO CRÉDITO PARA LIQUIDAÇÃO DE DÉBITO DE IRPJ APURADO NO AJUSTE ANUAL DO MESMO PERÍODO. COMPENSAÇÃO DO DÉBITO EM ATRASO COM ACRÉSCIMOS MORATÓRIOS.
Se o não reconhecimento do indébito na apuração de estimativa resulta na redução do tributo devido no ajuste anual que o sujeito passivo pretendeu liquidar em atraso mediante compensação, apresentando-se o acréscimo moratório do débito superior á atualização do crédito, resta inócuo o ato de
não-homologação.
Numero da decisão: 1101-000.876
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR PROVIMENTO ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado
Nome do relator: EDELI PEREIRA BESSA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201304
camara_s : 1ª SEÇÃO
ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Período de apuração: 01/01/2008 a 31/08/2008 PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. ESTIMATIVA. ERRO NA APURAÇÃO. UTILIZAÇÃO DO CRÉDITO PARA LIQUIDAÇÃO DE DÉBITO DE IRPJ APURADO NO AJUSTE ANUAL DO MESMO PERÍODO. COMPENSAÇÃO DO DÉBITO EM ATRASO COM ACRÉSCIMOS MORATÓRIOS. Se o não reconhecimento do indébito na apuração de estimativa resulta na redução do tributo devido no ajuste anual que o sujeito passivo pretendeu liquidar em atraso mediante compensação, apresentando-se o acréscimo moratório do débito superior á atualização do crédito, resta inócuo o ato de não-homologação.
turma_s : 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
numero_processo_s : 16327.913530/2009-13
conteudo_id_s : 5978865
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Mar 29 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 1101-000.876
nome_arquivo_s : Decisao_16327913530200913.pdf
nome_relator_s : EDELI PEREIRA BESSA
nome_arquivo_pdf_s : 16327913530200913_5978865.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR PROVIMENTO ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado
dt_sessao_tdt : Wed Apr 10 00:00:00 UTC 2013
id : 7673021
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:40:45 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051663594422272
conteudo_txt : Metadados => date: 2013-05-08T12:47:26Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 7; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2013-05-08T12:47:26Z; Last-Modified: 2013-05-08T12:47:26Z; dcterms:modified: 2013-05-08T12:47:26Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; xmpMM:DocumentID: uuid:3f8ffce6-5ff6-4eff-9635-1784f8bdcb23; Last-Save-Date: 2013-05-08T12:47:26Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2013-05-08T12:47:26Z; meta:save-date: 2013-05-08T12:47:26Z; pdf:encrypted: false; modified: 2013-05-08T12:47:26Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2013-05-08T12:47:26Z; created: 2013-05-08T12:47:26Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; Creation-Date: 2013-05-08T12:47:26Z; pdf:charsPerPage: 1571; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2013-05-08T12:47:26Z | Conteúdo => SI-CITI Fl. 2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 16327.913530/2009-13 Recurso n° Voluntário Acórdão n° 1101-000.876 — la Camara / l a Turma Ordinária Sessão de 10 de abril de 2013 Matéria DCOMP - Pagamento indevido ou a maior - IRPJ Recorrente BV FINANCEIRA S/A - CRÉDITO, FINANCIAMENTO E INVESTIMENTO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Período de apuração: 01/01/2008 a 31/08/2008 PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. ESTIMATIVA. ERRO NA APURAÇÃO. UTILIZAÇÃO DO CRÉDITO PARA LIQUIDAÇÃO DE DÉBITO DE IRPJ APURADO NO AJUSTE ANUAL DO MESMO PERÍODO. COMPENSAÇÃO DO DÉBITO EM ATRASO COM ACRÉSCIMOS MORATORIOS. Se o não reconhecimento do indébito na apuração de estimativa resulta na redução do tributo devido no ajuste anual que o sujeito passivo pretendeu liquidar em atraso mediante compensação, apresentando-se o acréscimo moratório do débito superior á. atualização do crédito, resta inócuo o ato de não-homologação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR PROVIMENTO ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. .ttata. E ELI PEREIRA BES A — Presidente Substituta e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edeli Pereira Bessa (presidente substituta da turma), José Ricardo da Silva (vice-presidente), José Sérgio Gomes, Benedicto Celso Benicio Júnior, Mônica Sionara Schpallir Calijuri e Marcelo de Assis Guerra. Processo n° 16327.913530/2009-13 Acórdão n.° 1101-000.876 SI-CITI Fl. 3 Relatório BV FINANCEIRA S/A - CRÉDITO, FINANCIAMENTO E INVESTIMENTO, já qualificada nos autos, recorre de decisão proferida pela 10a Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de São Paulo-I que, por unanimidade de votos, julgou IMPROCEDENTE a manifestação de inconformidade interposta contra despacho decisório que não homologou a Declaração de Compensação — DCOMP n° 30270.63950.240409.1.3.04-3960. Em 24/04/2009 a contribuinte transmitiu DCOMP para utilização de crédito no valor de R$ 7.098.348,53, proveniente de pagamento indevido ou a maior de IRPJ verificado no recolhimento promovido em 30/09/2008, no valor de R$ 8.168.332,05. Extinguiu, assim, débito de IRPJ devido no ajuste anual de 2008, no valor original de R$ 6.870.816,82, mas acrescido de multa e juros de mora, de modo a totalizar o valor atualizado do crédito, de R$ 7.609.429,63 (fls. 39/44). Em 01/10/2009 foi emitido o despacho decisório de não homologação, apontando que inexistia crédito disponível para compensação, na medida em que o recolhimento promovido em 30/09/2008 estava alocado a débito de mesmo valor declarado para o período de apuração de 31/08/2008 (fl. 16). Manifestando sua inconformidade, a contribuinte afirmou a existência de recolhimento a maior e alegou que houve, apenas, erro de preenchimento da DCTF, cuja retificação já havia providenciado. Disse, ainda, que a autoridade fiscal deveria tê-la intimado a apresentar os documentos comprobatórios da existência do crédito, ao invés de apenas não- homologar a compensação. A Turma julgadora rejeitou estes argumentos, na medida em que a retificação da DCTF se deu após a ciência do despacho decisório, devendo ser desconsiderada em face do que dispõe o art. 11, §2°, inciso III da Instrução Normativa RFB n° 903/2008. Necessário seria que as alegações da requerente viessem acompanhadas de documentos hábeis e idôneos capazes de comprovar a ocorrência do alegado erro no pagamento do tributo, e não apenas de DIPJ e DARF. Cientificada da decisão de primeira instância em 09/02/2012 (fl. 106), a contribuinte interpôs recurso voluntário, tempestivamente, em 12/03/2012 (fls. 107/121). Relata que em agosto/2008 apurou antecipação mensal de IRPJ com base em balanço de suspensão e redução, verificando-se lucro real de R$ 347.899.443,76 e imposto devido de R$ 86.958.910,94, impropriamente reduzido, apenas, por IRPJ pago de janeiro a julho/2008 em valor inferior ao efetivamente recolhido (R$ 84.936.993,51 e não R$ 78.790.528,89), além de não ter sido descontado o incentivo fiscal referente ao Programa de Alimentação ao Trabalhador — PAT (R$ 951.883,92). Dai o recolhimento a maior de R$ 7.098.348,53 naquele período de apuração. Reconhece que a retificação da DCTF somente foi promovida depois da emissão do despacho decisório, mas anota que tal declaração atualmente registra o correto Processo n° 16327.913530/2009-13 SI-CIT1 Fl. 4 Acórdão n.° 1101-000.876 valor devido, e observa que a Turma Julgadora desconsiderou esta informação, bem como o regular registro do débito em DIPJ. Questiona, assim, desde quando os recolhimentos de IRPJ a maior, efetivados ao próprio fisco federal, precisam ser comprovados por "documentos hábeis"? Em seu entendimento, a prova desses recolhimentos não se faz pela contabilidade, mas pelos registros que estão disponíveis no sistema informatizado da própria Receita Federal do Brasil, podendo ser consultados a qualquer momento. Destaca que não houve alteração do lucro tributável ou no saldo do IRPJ sobre ele calculado, mas tão somente alteração das deduções. Deste modo, de nada adiantaria a documentação contábil para demonstrar-se as receitas e despesas do período. Enfatiza que a guia de recolhimento e a demonstração do tributo devido estampada na DIPJ são suficientes para evidenciação do pagamento a maior. Transcreve sua apuração em agosto/2008, indica o débito de IRPJ contabilizado naquele período, frisa que não houve alteração da base de cálculo, observa que não houve troca de sistemática de recolhimento das estimativas nos meses anteriores de 2008, e relaciona os pagamentos promovidos até julho/2008 e a correspondente forma de quitação. Junta registros do Livro Razão acerca da contabilização destas antecipações e especifica quais antecipações foram esquecidas na apuração de agosto/2008. Ainda, ressalta seu direito à. dedução do PAT e junta registros do Livro Razão para demonstrar a apuração desta dedução. Invoca o principio da verdade material, transcreve doutrina e ementas de julgados administrativos, e observa que não houve juntada de novas provas, mas sim o reforço de provas originalmente apresentadas. Pede, assim, a reforma da decisão recorrida e a definitiva homologação da compensação. 3 Processo n° 16327.913530/2009-13 SI-CIT I Acórdão n.° 1101-000.876 Fl. 5 Voto Conselheira EDELI PEREIRA BESSA Inicialmente cabe observar que, por meio da DCOMP transmitida em 24/04/2009, a contribuinte valeu-se de parcela de estimativa de IRPJ pertinente ao mês de agosto/2008 para liquidar débito de IRPJ apurado no ajuste anual do mesmo ano-calendário 2008. Do recolhimento total de R$ 8.168.332,05, o direito creditório atualizado de R$ 7.609.429,62 (original de R$ 7.098.348,53 acrescido de juros incorridos de 30/09/2008 a 24/04/2009) prestou-se à extinção do débito principal de R$ 6.870.816,82, que elevou-se a R$ 7.609.429,63 em razão de multa de mora e juros devidos desde seu vencimento até a data da transmissão da DCOMP (7,92% por 24 dias de multa de mora e 2,83% de juros a partir de fevereiro/2009). Assim, poderia a contribuinte simplesmente ter classificado a parcela do recolhimento de agosto/2008, no valor de R$ 7.098.348,53, também como estimativa de IRPJ no ano-calendário 2008, e deduzido este valor no ajuste anual de 2008, e nenhum débito restaria a pagar. Ao contrário, em principio haveria excedente de R$ 227.531,71. A DIPJ juntada ao recurso voluntário (fls. 191/232), agora reproduzida integralmente, consiste em retificadora apresentada em 29/04/2011, mas não merece reservas, na medida em que, em consulta aos sistemas informatizados da Receita Federal, verifica-se que a apuração das estimativas e do ajuste anual de 2008 pouco difere da DIPJ original apresentada em 16/10/2009 (n° 646969). Em verdade, a segunda DIPJ apenas aumenta a dedução a titulo de Programa de Alimentação ao Trabalhador — PAT, de R$ 1.519.078,38 para R$ 4.103.006,51, reduzindo o saldo de IRPJ a pagar para R$ 21.278.296,99. Em ambas as DIPJ, porém, como se vê as fls. 198/202, por considerar a estimativa de agosto/2008 pelo valor de R$ 1.069.983,51, o IRPJ a pagar apurado no ajuste anual representou R$ 23.862.225,12, e depois, R$ 21.278.296,99, ao passo que se computada integralmente a estimativa recolhida de R$ 8.168.332,05, o saldo a pagar seria diminuído em R$ 7.098.348,53. Dai ser dispensável a compensação aqui em debate, como evidenciado no seguinte quadro comparativo, que reconstituindo as operações da contribuinte sem os efeitos desta compensação, resulta na necessidade de pagamentos de IRPJ, no ajuste anual, inferiores aos promovidos pela contribuinte: DIPJ Original (16/10/2009) DIPJ Retificadora (29/04/2011) Opção do contribuinte Reconstituição Opção do contribuinte Reconstituição Estimativa de Agosto/2008 (1.069.983,51) (8.168.332,05) (1.069.983,51) (8.168.332,05) Demais Estimativas (140.172.039,13) (140.172.039,13) (140.172.039,13) (140.172.039,13) IRPJ Anual devido 165.104.247,76 165.104.247,76 162.520.319,63 162.520.319,63 IRPJ Anual a pagar 23.862.225,12 16.763.876,58 21.278.296,99 14.179.948,45 Compensação 6.870.816,82 - 6.870.816,82 - Pagamentos 16.991.408,30 16.763.876,58 14.407.480,17 14.179.948,45 ,.. Processo n° 16327.913530/2009-13 sl-C1T1 Acórdão n.° 1101-000.876 Fl. 6 De toda sorte, a contribuinte optou por constituir seu indébito no momento da apuração da estimativa, e a jurisprudência administrativa já está consolidada em favor desta possibilidade, consoante recente Súmula aprovada pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, na sessão de 10 de dezembro de 2012: Súmula CARE n° 84. Pagamento indevido ou a maior a titulo de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. Assim, cabe aqui confirmar se, de fato, houve erro na apuração daquele débito de agosto/2008 e, por conseqüência, o recolhimento a maior argüido pela contribuinte na DCOMP. Antes, porém, cumpre observar que, ao contrário do que entende a recorrente, as declarações e recolhimentos podem ser insuficientes para confirmação de um indébito tributário, especialmente corno no caso presente, em que a DCTF não foi alterada pela contribuinte quando constatado o erro na apuração do débito, e a DIPJ somente foi apresentada em 16/10/2009 (fl. 32), depois da emissão do despacho decisório, em 01/10/2009. Constatando que o recolhimento tido por parcialmente indevido permanecia vinculado ao débito declarado em DCTF, a autoridade administrativa detinha evidências suficientes para negar a existência do crédito e não homologar a compensação. A partir dai, a conduta da contribuinte, no sentido de apresentar nova DCTF e entregar DIPJ compatível com a apuração que legitimaria o crédito, assume contornos que não são suficientes para convencimento do julgador administrativo, ante a possibilidade de estar ela orientada por uma objeção já manifestada pela Receita Federal. Indispensável, assim, a demonstração de fatos anteriores a ciência do despacho de não-homologação que motivaram a declaração de compensação. Não se olvide, ainda, que o reconhecimento do indébito decorrente de estimativa está condicionado, necessariamente, a não utilização do mesmo valor como antecipação na apuração do ajuste anual correspondente, in casu em 31/12/2008. Logo, a mera juntada da ficha de apuração das estimativas de julho a setembro/2008, transcritas na DIPJ/2009, como feito pela interessada na manifestação de inconformidade (fls. 32/33), é insuficiente para afirmar a existência e disponibilidade do indébito para sua utilização em 24/04/2009, data da transmissão da DCOMP. Diante deste contexto, sera na escrituração contábil e fiscal da contribuinte que tais fatos estarão refletidos. Ainda que o indébito não decorra de equívocos na apuração da base de cálculo, as deduções do imposto devido também resultam de fatos escriturados e podem ser, por aquele meio, demonstrados. Por fim, sera na escrituração contábil e fiscal que se confirmarão as demais apurações mensais e o ajuste anual, de modo a dar suporte Mc° as informações da DIPJ entregue posteriormente à DCOMP. Nos documentos juntados pela contribuinte por ocasião da manifestação de inconformidade e do recurso voluntário, vê-se que não foi juntada demonstração da apuração da base de cálculo da estimativa de IRPJ em agosto/2008. A contribuinte apenas se reporta ao Anexo 11 de seu recurso voluntário como prova de que até então havia sido contabilizado IRPJ devido de R$ 86.958.860,95, o que, de fato, está apontado no saldo final da conta n° 4.94.10.06.00.00.00-7 - IMP DE RENDA S/ L.REAL EX CORRE, integrante do Balancete de verificação analítico/sintético referente a agosto de 2008, a fl. 316. 5 Processo IV 16327.913530/2009-13 SI-C1T1 Acórdão n.° 1101-000.876 Fl. 7 Por sua vez, para justificar o indébito, a contribuinte enfatiza que não houve alteração na apuração do IRPJ devido até agosto/2008, mas apenas no valor das deduções que foram computadas a menor no momento da determinação do recolhimento promovido em 30/09/2008. E, frente a este contexto, a recorrente junta os documentos de fls. 240/302 para demonstrar as estimativas pagas até agosto/2008, bem como as deduções de PAT a que teria direito naquele período. Relativamente às estimativas pagas até agosto/2008, a contribuinte apresenta recolhimentos efetuados até agosto/2008 que totalizam R$ 77.645.439,48, bem como duas compensações formalizadas em 30/06/2008 que totalizam R$ 1.024.199,62. Comprova, ainda, ter sofrido retenção de imposto na fonte, em abril/2008, no valor de R$ 120.889,79. Para além disso, junta outros recolhimentos de estimativas devidas até agosto/2008, mas que somente foram promovidos em 28/11/2008, com acréscimo de multa de mora e juros. Tais recolhimentos totalizam R$ 6.146.464,62 e, somados à dedução de PAT no valor de R$ 951.883,92, resultam no indébito aqui em debate de R$ 7.098.348,53. Os mencionados recolhimentos promovidos em 28/11/2008, segundo a contribuinte, teriam sido esquecidos no momento da apuração da estimativa a ser recolhida em 30/09/2008 (relativa ao mês de agosto/2008). Em verdade, porém, estes recolhimentos ainda não existiam ao ser levantado o balancete de suspensão em 31/08/2008, mas posteriormente foram promovidos e, por conseqüência, alteraram o resultado a pagar naquele momento passado. Admissivel, portanto, a reconstituição da apuração de agosto/2008 para contempla- los, até porque o atraso no recolhimento foi compensado com o acréscimo de multa de mora e juros. Por fim, para justificar a dedução de PAT, a contribuinte apresenta razão contábil da conta if 8.1.7.27.20.00.00.00-2 - Despesa com Vale Refeição (PAT), que acumulava em 31/08/2008 o saldo de R$ 1.670.317,72 (fls. 299/300), valor também estampado no Balancete de verificaodo analítico/sintético referente à agosto de 2008 A. fl. 321. Assevera a recorrente que as despesas demonstradas nestes documentos corresponderiam a R$ 6.345.892,82, mas não esclarece qual a origem desta apuração. Há lançamentos a débito e a crédito para determinação do saldo de R$ 1.670.317,72 ao final de agosto/2008, mas nenhum esclarecimento foi feito acerca da natureza destes valores e de quais deveriam ser selecionados para resultar no montante de despesas alegado. Considerando que o art. 2°, §4°, inciso I da Lei n° 9.430/96 autoriza esta dedução na apuração das estimativas de IRPJ, mas o art. 581, parágrafo único do RIR/99, limita esta dedução a 15% das despesas período, o montante pretendido pela recorrente seria admissivel até o limite de R$ 250.547,70, e seu direito credit6rio, em conseqüência, reduzido em R$ 701.336,26. Contudo, como dito no inicio, somente a estimativa considerada devida em agosto/2008, no valor de R$ 1.069.983,51, foi computada na apuração do ajuste anual de 2008. Na medida em que se afirma que o débito de estimativa daquele período deveria ser acrescido de R$ 701.336,26, necessariamente o ajuste anual restaria reduzido deste montante, pois a estimativa a ser computada no ajuste anual passaria a ser de R$ 1.771.319,77. Em 6.(,) conseqüência, também o débito que a contribuinte pretendeu extinguir por meio d compensação aqui em debate seria reduzido. 6 Processo n° 16327.913530/2009-13 S I-C ITI AcOrddo n.° 1101-000.876 Fl. 8 Significa dizer que, mesmo reconhecendo-se parcialmente o indébito (R$ 6.397.012,27, do total de R$ 7.098.348,53), e homologando-se apenas parcialmente o débito declarado na DCOMP (R$ 6.191.961,32 do principal de R$ 6.870.816,82, considerando acréscimos de multa e juros e mora nos percentuais informados pela contribuinte), na medida em que o reconhecimento parcial do indébito resulta na redução do IRPJ devido no ajuste anual, ainda assim os pagamentos feitos pela contribuinte seriam suficientes para liquidá-lo, como a seguir demonstrado por meio da inclusão de uma coluna intermediária no quadro apresentado no inicio deste voto: DIPJ Original (16/10/2009) Opção do contribuinte Reconhecimento parcial do crédito e. R constituição Estimativa de Agosto/2008 (1.069.983,51) (1.771.319,77) (8.168.332,05) Demais Estimativas (140.172.039,13) (140.172.039,13) (140.172.039,13) IRPJ Anual devido 165.104.247,76 165.104.247,76 165.104.247,76 IRPJ Anual a pagar 23.862.225,12 23.160.888,86 16.763.876,58 Compensação 6.870.816,82 6.191.961,32 - Pagamentos 16.991.408,30 16.968.927,54 16.763.876,58 DIPJ Retificadora (29/04/2011) Reconhecimento parcial do crédito e. R constituição Opção do contribuinte Estimativa de Agosto/2008 (1.069.983,51) (1.771.319,77) (8.168.332,05) Demais Estimativas (140.172.039,13) (140.172.039,13) (140.172.039,13) IRPJ Anual devido 162.520.319,63 162.520.319,63 162.520.319,63 IRPJ Anual a pagar 21.278.296,99 20.576.960,73 14.179.948,45 Compensação 6.870.816,82 6.191.961,32 - Pagamentos 14.407.480,17 14.384.999,41 14.179.948,45 Por estas razões, apesar de não confirmado integralmente o direito creditório alegado pela recorrente, inexiste débito a ser cobrado. A conexão entre a apuração do indébito e do débito veiculados na DCOMP em litígio impede qualquer resultado desfavorável contribuinte. Por oportuno registre-se que não cabem, aqui, manifestações acerca da regularidade da retificação de DIPJ promovida em 29/04/2011, e da conseqüente redução do IRPJ anual devido. Os quadros apresentados evidenciam que em ambas as apurações não se justificaria a não-homologação parcial da compensação veiculada nestes autos, de modo que as retificações promovidas só poderiam interessar em outro procedimento fiscal tendente a confirmar o IRPJ devido no ajuste anual de 2008, ou questionar a eventual utilização de indébito decorrente daquela retificação. Diante do exposto, o presente voto é no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, para afastar o ato de não-homologação questionado. raLa_ EDELI PEREIRA BESSA — Relatora 7
score : 1.0
Numero do processo: 13896.904051/2015-10
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 26 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Apr 03 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/12/2009 a 31/12/2009
MULTA DE MORA. APROVEITAMENTO DE PAGAMENTO DE REGIMES TRIBUTÁRIOS DIFERENTES.
O aproveitamento de pagamento de mesmo tributo ou contribuição e mesmo período de apuração não enseja a cobrança de multa de mora, e não se revela como procedimento de compensação.
Numero da decisão: 3201-004.974
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira, que lhe negou provimento.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201902
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/12/2009 a 31/12/2009 MULTA DE MORA. APROVEITAMENTO DE PAGAMENTO DE REGIMES TRIBUTÁRIOS DIFERENTES. O aproveitamento de pagamento de mesmo tributo ou contribuição e mesmo período de apuração não enseja a cobrança de multa de mora, e não se revela como procedimento de compensação.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Apr 03 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 13896.904051/2015-10
anomes_publicacao_s : 201904
conteudo_id_s : 5981540
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Apr 03 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 3201-004.974
nome_arquivo_s : Decisao_13896904051201510.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
nome_arquivo_pdf_s : 13896904051201510_5981540.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira, que lhe negou provimento. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
dt_sessao_tdt : Tue Feb 26 00:00:00 UTC 2019
id : 7677208
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:41:09 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051663597568000
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1670; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T1 Fl. 2 1 1 S3C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13896.904051/201510 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3201004.974 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 26 de fevereiro de 2019 Matéria COMPENSAÇÃO. MULTA DE MORA. PAGAMENTOS DE MESMO TRIBUTO E PERÍODO DE APURAÇÃO. Recorrente MANAGER ONLINE SERVIÇOS DE INTERNET LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/12/2009 a 31/12/2009 MULTA DE MORA. APROVEITAMENTO DE PAGAMENTO DE REGIMES TRIBUTÁRIOS DIFERENTES. O aproveitamento de pagamento de mesmo tributo ou contribuição e mesmo período de apuração não enseja a cobrança de multa de mora, e não se revela como procedimento de compensação. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira, que lhe negou provimento. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Relatório O interessado acima identificado recorre a este Conselho de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Porto Alegre/RS. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 6. 90 40 51 /2 01 5- 10 Fl. 110DF CARF MF Processo nº 13896.904051/201510 Acórdão n.º 3201004.974 S3C2T1 Fl. 3 2 Trata o presente processo de manifestação de inconformidade apresentada contra despacho decisório eletrônico emitido pela DRF Barueri, que deferiu parcialmente o pedido de restituição – PER apresentado pelo contribuinte. Cientificado do referido despacho, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade informando que apura o PIS e a Cofins pelo regime misto, ou seja, possui parcela de suas receitas sujeitas ao regime cumulativo (maior parte) e parcela sujeita ao regime nãocumulativo. Diz ter, equivocadamente, pago parte do que seria enquadrável no regime cumulativo como se fosse do nãocumulativo. Ao constatar tal equívoco, formulou seu pedido de restituição do saldo existente desse crédito, tendo em vista que já havia transmitido compensação utilizando parte desse mesmo crédito. Apesar de ter transmitido a DCOMP após a data de vencimento da contribuição que estava sendo quitada, esclarece que deixou de incluir na discriminação dos débitos compensados qualquer valor a título de multa de mora (Processo de Consulta nº 166/2007). Acredita que a razão do indeferimento de parte do crédito pleiteado por meio do presente PER reside no fato de que o Despacho Decisório, que homologou parcialmente o PER/DCOMP, impôs a obrigação do recolhimento da multa moratória de 20 % quando da análise da compensação, o que resultou num valor menor a lhe ser restituído, ao passo que o seu entendimento foi de que "não poderia se incluir qualquer valor a título de multa moratória na composição do seu débito". A DRJ/Porto Alegre/RS, por intermédio do Acórdão 10060.565, julgou improcedente a manifestação de inconformidade, não reconhecendo o direito creditório em tela. O litígio restringiuse à aplicação dos acréscimos legais pelo fato de a compensação ter sido efetuada em data posterior à do vencimento do débito. Os julgadores a quo entenderam acertada a incidência da multa moratória, a despeito de se tratar de erro no tocante à apuração da contribuição pelo regime da nãocumulatividade, quando o correto seria pela cumulatividade. Inconformado, o contribuinte apresentou recurso voluntário visando a reforma da decisão recorrida, para que lhe seja reconhecido o direito creditório. Em síntese, aduz: A necessidade de se observar e atender ao disposto na Solução de Consulta nº 166/07; A ilegalidade na alteração do PER/DCOMP de ofício pela fiscalização e a necessidade da lavratura de auto de infração específico; A aplicação do art. 138 do CTN (denúncia espontânea), que impossibilita a imposição de multa. Roga ao final: (i) Seja declarada a inexigibilidade da multa moratória cobrada sobre o montante dos débitos compensado, com o consequente deferimento integral da restituição pleiteada; Fl. 111DF CARF MF Processo nº 13896.904051/201510 Acórdão n.º 3201004.974 S3C2T1 Fl. 4 3 (ii) Subsidiariamente, seja reconhecida a ilegalidade da imputação da multa de ofício pela fiscalização e a necessidade da lavratura de auto de infração específico para sua exigência e/ou o reconhecimento do benefício da denúncia espontânea. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3201004.953, de 26/02/2019, proferido no julgamento do processo 13896.900136/201782, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201004.953): (...)1 "O aproveitamento de pagamentos de mesmo tributo e mesmo período, em casos de mudança de regime de tributação, prescinde de Declaração de Compensação. Somente seria necessária Declaração de Compensação em casos de compensação do mesmo tributo em períodos diferentes, ou tributos diferentes. Embora a recorrente tenha utilizado a formalidade equivocada, Declaração de Compensação, materialmente tratase de aproveitamento de mesmo tributo, e mesmo período, do que se aplica a ratio decidendi da Súmula Carf 76: Súmula CARF nº 76 Na determinação dos valores a serem lançados de ofício para cada tributo, após a exclusão do Simples, devem ser deduzidos eventuais recolhimentos da mesma natureza efetuados nessa sistemática, observandose os percentuais previstos em lei sobre o montante pago de forma unificada. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). Portanto, os recolhimentos em regimes tributários diferentes devem ser aproveitados, sem necessidade de Declaração de Compensação. Bastaria, no caso, uma retificação de Darf (Redarf), corrigindo o código de arrecadação. A retificação do código de arrecadação seria permitida, sem ofensa ao art. 11, V, da IN 672/20062, posto que a mudança de regime não ofendeu a legislação, isto é, não houve acusação fiscal de que o regime de tributação pretendido fosse indevido. 1 Não se transcreveu o voto vencido, do relator do processo paradigma, por manifestar entendimento que restou vencido na votação, não se aplicando, portanto, na solução do litígio deste processo. Entretanto, sua íntegra consta do acórdão do paradigma (3201004.953). 2 Art. 11. Serão indeferidos os pedidos de retificação que versem sobre: (...) V alteração de código de receita que corresponda à mudança no regime de tributação do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica, quando contrariar o disposto na legislação específica; Fl. 112DF CARF MF Processo nº 13896.904051/201510 Acórdão n.º 3201004.974 S3C2T1 Fl. 5 4 Desse modo, não é aplicável, para cálculo de mora, a data de transmissão da Declaração de Compensação, pois não é o caso de compensação. Tendo sido o pagamento tempestivo, ainda que com regime de tributação equivocado, não cabe a multa de mora. Pelo exposto, voto por dar provimento ao recurso." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado deu provimento recurso voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 113DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16349.000315/2010-36
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 28 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Apr 17 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 2002
BASE DE CÁLCULO. LEI Nº 9.718 DE 1998. INCONSTITUCIONALIDADE DO ALARGAMENTO. DECISÃO PLENÁRIA DEFINITIVA DO STF.
Através do julgamento do Recurso Extraordinário nº 585.235/MG o Supremo Tribunal Federal considerou inconstitucional o alargamento da base de cálculo do PIS e da COFINS, promovido pelo § 1º do art. 3° da Lei n° 9.718/1998. Incidência do artigo 4º, parágrafo único do Decreto nº 2.346/1997. Decisões definitivas de mérito, proferidas em repercussão geral pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional devem ser reproduzidas pelos Conselheiros no julgamento dos recursos administrativos. Artigo 62, § 2º do Regimento Interno do CARF.
Recurso Voluntário Provido.
Direito Creditório Reconhecido.
Numero da decisão: 3402-006.349
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário para que, afastado o fundamento do despacho decisório no art. 3º, §1º da Lei nº 9.718/1998, seja apurado pela unidade de origem o valor do eventual direito creditório da Recorrente.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra (Presidente), Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Marcos Antonio Borges (Suplente convocado), Cynthia Elena de Campos e Thais de Laurentiis Galkowicz. Ausente o Conselheiro Rodrigo Mineiro Fernandes, substituído pelo Suplente convocado.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201903
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Ano-calendário: 2002 BASE DE CÁLCULO. LEI Nº 9.718 DE 1998. INCONSTITUCIONALIDADE DO ALARGAMENTO. DECISÃO PLENÁRIA DEFINITIVA DO STF. Através do julgamento do Recurso Extraordinário nº 585.235/MG o Supremo Tribunal Federal considerou inconstitucional o alargamento da base de cálculo do PIS e da COFINS, promovido pelo § 1º do art. 3° da Lei n° 9.718/1998. Incidência do artigo 4º, parágrafo único do Decreto nº 2.346/1997. Decisões definitivas de mérito, proferidas em repercussão geral pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional devem ser reproduzidas pelos Conselheiros no julgamento dos recursos administrativos. Artigo 62, § 2º do Regimento Interno do CARF. Recurso Voluntário Provido. Direito Creditório Reconhecido.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Apr 17 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 16349.000315/2010-36
anomes_publicacao_s : 201904
conteudo_id_s : 5989563
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Apr 17 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 3402-006.349
nome_arquivo_s : Decisao_16349000315201036.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : WALDIR NAVARRO BEZERRA
nome_arquivo_pdf_s : 16349000315201036_5989563.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário para que, afastado o fundamento do despacho decisório no art. 3º, §1º da Lei nº 9.718/1998, seja apurado pela unidade de origem o valor do eventual direito creditório da Recorrente. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra (Presidente), Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Marcos Antonio Borges (Suplente convocado), Cynthia Elena de Campos e Thais de Laurentiis Galkowicz. Ausente o Conselheiro Rodrigo Mineiro Fernandes, substituído pelo Suplente convocado.
dt_sessao_tdt : Thu Mar 28 00:00:00 UTC 2019
id : 7697988
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:42:16 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051663607005184
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2006; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 2 1 1 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16349.000315/201036 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3402006.349 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 28 de março de 2019 Matéria Contribuição para o PIS/Pasep Recorrente ARLIQUIDO COMERCIAL LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2002 BASE DE CÁLCULO. LEI Nº 9.718 DE 1998. INCONSTITUCIONALIDADE DO ALARGAMENTO. DECISÃO PLENÁRIA DEFINITIVA DO STF. Através do julgamento do Recurso Extraordinário nº 585.235/MG o Supremo Tribunal Federal considerou inconstitucional o alargamento da base de cálculo do PIS e da COFINS, promovido pelo § 1º do art. 3° da Lei n° 9.718/1998. Incidência do artigo 4º, parágrafo único do Decreto nº 2.346/1997. Decisões definitivas de mérito, proferidas em repercussão geral pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional devem ser reproduzidas pelos Conselheiros no julgamento dos recursos administrativos. Artigo 62, § 2º do Regimento Interno do CARF. Recurso Voluntário Provido. Direito Creditório Reconhecido. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário para que, afastado o fundamento do despacho decisório no art. 3º, §1º da Lei nº 9.718/1998, seja apurado pela unidade de origem o valor do eventual direito creditório da Recorrente. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra (Presidente), Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Marcos Antonio Borges (Suplente convocado), Cynthia Elena de Campos e Thais de Laurentiis Galkowicz. Ausente o Conselheiro Rodrigo Mineiro Fernandes, substituído pelo Suplente convocado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 34 9. 00 03 15 /2 01 0- 36 Fl. 282DF CARF MF Processo nº 16349.000315/201036 Acórdão n.º 3402006.349 S3C4T2 Fl. 0 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra o Acórdão nº 03062.629, proferido pela Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília/DF, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade, para manter a Decisão que indeferiu o Pedido de Restituição (PER) por inexistência do crédito solicitado. Regularmente cientificada, a contribuinte interpôs, tempestivamente, o Recurso Voluntário ora em apreço, onde pede a reforma da decisão de primeira instância, com o reconhecimento do direito à plena restituição de PIS/COFINS calculada sobre receitas estranhas ao conceito de faturamento, diante da inconstitucionalidade do artigo 3º, parágrafo 1º da Lei nº 9.718, declarada pelo STF e já reconhecida pela jurisprudência administrativa. Em síntese, o Recurso Voluntário está fundamentado nos seguintes argumentos: i) Os montantes que compõem o crédito pleiteado se referem à inclusão indevida, na base de cálculo daquela contribuição, de receitas estranhas ao conceito de faturamento, o que implicou pagamento indevido ou a maior, efetuado com base no art. 3º, parágrafo 1º, da Lei nº 9.718/1998; ii) A despeito das sólidas alegações de direito que embasaram a manifestação de inconformidade apresentada pela recorrente, e não obstante tais alegações terem sido suportadas por documentos hábeis à comprovação do crédito pleiteado, o v. acórdão manteve o entendimento do despacho decisório eletrônico; iii) Na base de cálculo da contribuição somente deveriam ter sido incluídos os valores correspondentes ao seu faturamento, ou sejam os ingressos que correspondem às suas receitas das vendas de mercadorias e da prestação de serviços, dada a inconstitucionalidade do art. 3º, parágrafo 1º, da Lei n. 9718, já declarada pelo STF em decisão plenária definitiva, bem como em recurso em que foi reconhecida a repercussão geral da matéria. É o relatório. Fl. 283DF CARF MF Processo nº 16349.000315/201036 Acórdão n.º 3402006.349 S3C4T2 Fl. 0 3 Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 3402006.345, de 28 de março de 2019, proferido no julgamento do processo 16349.000329/201050, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão nº 3402006.345): "Pressupostos legais de admissibilidade Nos termos do relatório, verificase a tempestividade do recurso, bem como o preenchimento dos demais requisitos de admissibilidade, resultando em seu conhecimento. Mérito O Pedido de Restituição nº 30231.53932.100506.1.2.04 5076 tem por origem crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de tributo no valor de R$ 9.207,56, referente ao Darf do período de apuração de abril de 2001, arrecadado em 15/05/2001, no valor de R$ 610.330,36, mantendo a glosa de créditos referentes à Contribuição do Financiamento da Seguridade Social (COFINS). A decisão recorrida não considerou a inconstitucionalidade do artigo 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/1998, proferida pelo Supremo Tribunal Federal, por concluir que o artigo 26A Decreto 70.235/1972 veda ao órgão de julgamento afastar a aplicação de lei sob fundamento de inconstitucionalidade, sendo que até aquele momento não havia autorização do Secretário da Receita por meio de ato específico determinando os procedimentos, nos termos do artigo 77 da Lei 9.430/1996 e o Decreto 2.346/1977. A matéria suscitada é questão decidida em repercussão geral (Tema 110) pelo Supremo Tribunal Federal através do RE nº 585235, transitado em julgado em 12/12/2008, conforme Ementa abaixo: EMENTA: RECURSO. Extraordinário. Tributo. Contribuição social. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ de 1º.9.2006; REs nos 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJ de Fl. 284DF CARF MF Processo nº 16349.000315/201036 Acórdão n.º 3402006.349 S3C4T2 Fl. 0 4 15.8.2006) Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. (RERGQO 585235, Relator(a): Min. CEZAR PELUSO, julgado em 10/09/2008, publicado em 28/11/2008, ) Neste caso, considerando que a decisão recorrida foi proferida em 31/07/2014, deveria a autoridade julgadora a quo aplicar o artigo 4º, parágrafo único do Decreto nº 2.346/1997, afastando o § 1º, do artigo 3º da Lei nº 9.718/98 e, por sua vez, reconhecendo o direito ao crédito informado em PERD/COMP. De outro turno, igualmente por se tratar de decisão definitiva e vinculante do Supremo Tribunal Federal, não incide a Súmula CARF nº 2 e artigo 26A do Decreto nº 70.235/72. Deve ser aplicado neste caso o artigo 62, § 2 do Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343/20151. Neste sentido, colaciono precedente da 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais em julgamento ao Recurso Especial nº 137.866 (PAF: 13808.005507/200103): Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/03/1996 a 31/08/1998, 01/11/1998 a 30/11/1998, 01/01/1999 a 31/01/1999, 01/06/1999 a 30/06/1999, 01/08/1999 a 31/08/1999, 01/05/2000 a 31/08/2000, 01/01/2001 a 28/02/2001 Ementa: PIS. BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98. DECISÃO DEFINITIVA DO PLENÁRIO DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. O Supremo Tribunal Federal, através do seu órgão plenário, já se posicionou de forma definitiva quanto à inconstitucionalidade do disposto no § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, com a reafirmação da sua jurisprudência, no julgamento do RE nº 582.235/MG, reconhecido como de repercussão geral, tendo se deliberado, ainda, neste caso, pela edição de súmula vinculante. APLICAÇÃO DO DISPOSTO NO PARÁGRAFO ÚNICO DO ARTIGO 4º DO DECRETO Nº 2.346/1997 E DO ARTIGO 62 DO RICARF. 1 Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou do s arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) Fl. 285DF CARF MF Processo nº 16349.000315/201036 Acórdão n.º 3402006.349 S3C4T2 Fl. 0 5 Nos termos do parágrafo único do artigo 4º do Decreto nº 2.346/1997, na hipótese de crédito tributário, quando houver impugnação ou recurso ainda não definitivamente julgado contra a sua constituição, devem os órgãos julgadores, singulares ou coletivos, da Administração Fazendária, afastar a aplicação da lei, tratado ou ato normativo federal, declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal. Recurso Especial do Procurador Negado (Acórdão nº 9303002.859 – 3ª Turma) Com relação ao ônus da prova da Contribuinte, restou reconhecido em despacho decisório que o pedido foi instruído com a relação de PERDCOMP de fls. 42/45, DARF de fl. 60, planilha demonstrativa do crédito de fls. 62/66 e lançamentos destacados no Livro Razão, às fls. 67/199. Portanto, deve a Unidade de Origem apurar o valor do crédito invocado e demonstrado pela Recorrente, afastando a inconstitucionalidade já declarada pelo Supremo Tribunal Federal. Dispositivo Ante o exposto, conheço e dou provimento ao Recurso Voluntário para que, afastado o fundamento do despacho decisório no artigo 3º, §1º da Lei nº 9.718/1998, seja apurado pela unidade de origem o valor do eventual direito creditório da Recorrente." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por dar provimento ao Recurso Voluntário para que, afastado o fundamento do despacho decisório no art. 3º, §1º da Lei nº 9.718/1998, seja apurado pela unidade de origem o valor do eventual direito creditório da Recorrente. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 286DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13805.013901/96-54
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 26 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Apr 23 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/05/1991 a 31/01/1993
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OBSCURIDADE. INEXISTÊNCIA.
Nos termos do artigo 65 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, os Embargos de Declaração somente são oponíveis quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma.
Comprovados nos autos fundamentos para a razão de decidir, afastado o vício de obscuridade suscitado.
Embargos Rejeitados
Numero da decisão: 3201-005.151
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os Embargos de Declaração
(assinado digitalmente)
CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA - Presidente.
(assinado digitalmente)
LAÉRCIO CRUZ ULIANA JUNIOR - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laercio Cruz Uliana Junior e Charles Mayer de Castro Souza (Presidente)
Nome do relator: LAERCIO CRUZ ULIANA JUNIOR
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201903
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/05/1991 a 31/01/1993 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OBSCURIDADE. INEXISTÊNCIA. Nos termos do artigo 65 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, os Embargos de Declaração somente são oponíveis quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma. Comprovados nos autos fundamentos para a razão de decidir, afastado o vício de obscuridade suscitado. Embargos Rejeitados
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Apr 23 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 13805.013901/96-54
anomes_publicacao_s : 201904
conteudo_id_s : 5993195
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Apr 23 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 3201-005.151
nome_arquivo_s : Decisao_138050139019654.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : LAERCIO CRUZ ULIANA JUNIOR
nome_arquivo_pdf_s : 138050139019654_5993195.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os Embargos de Declaração (assinado digitalmente) CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA - Presidente. (assinado digitalmente) LAÉRCIO CRUZ ULIANA JUNIOR - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laercio Cruz Uliana Junior e Charles Mayer de Castro Souza (Presidente)
dt_sessao_tdt : Tue Mar 26 00:00:00 UTC 2019
id : 7706086
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:42:37 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051663610150912
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1435; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T1 Fl. 924 1 923 S3C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13805.013901/9654 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3201005.151 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 26 de março de 2019 Matéria EMBARGOS DE DECLARACAO Recorrente DURATEX SA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/05/1991 a 31/01/1993 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OBSCURIDADE. INEXISTÊNCIA. Nos termos do artigo 65 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, os Embargos de Declaração somente são oponíveis quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma. Comprovados nos autos fundamentos para a razão de decidir, afastado o vício de obscuridade suscitado. Embargos Rejeitados Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os Embargos de Declaração (assinado digitalmente) CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Presidente. (assinado digitalmente) LAÉRCIO CRUZ ULIANA JUNIOR Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 80 5. 01 39 01 /9 6- 54 Fl. 944DF CARF MF 2 Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laercio Cruz Uliana Junior e Charles Mayer de Castro Souza (Presidente) Relatório Tratase de Embargos de Declaração interposto em face do Acórdão do Recurso Voluntário que foi assim julgado: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/05/1991 a 31/01/1993 DECADÊNCIA. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. SÚMULA VINCULANTE N. 8 DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. O Supremo Tribunal Federal declarou a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212/91, veiculando a Súmula Vinculante n° 8. O prazo decadencial das contribuições sociais submetese à regra geral de decadência, do Código Tributário Nacional. PIS. SEMESTRALIDADE. No regime da LC 7/70 a base de cálculo do PIS era o faturamento do sexto mês anterior ao do recolhimento. Aplicação da Súmula CARF n.15. Juros moratórios determinado por ação judicial transitada e julgado. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora". Inconformada a Contribuinte manejou os aclaratórios diante da (i) da omissão em não observar a planilha de fl. 44, com inclusão do ICMS na base do PIS; (ii) obscuridade ao passo que o voto condutor determina que a autoridade administrativa apure "o débito" na execução do julgado aplicando a Súmula CARF n° 15 (semestralidade), mas não esclarece que a Embargante procedeu à reapuração da base de cálculo do PIS, não restando qualquer débito a recolhe. Seguindo a marcha processual normal, o aclaratório foi parcialmente admitido pelo Presidente Conselheiro Charles Mayer, que assim consignou: Da omissão: De volta ao Acórdão embargado, vejo que a i. Conselheira Relatora justificou a inexistência de prova dos créditos para fundamentar sua decisão, sendo, no entanto, silente quanto aos elementos trazidos em sede de Recurso, os quais alega a embargante fazerem prova de seu direito. (...)De volta ao Acórdão embargado, vejo que a i. Conselheira Relatora justificou a inexistência de prova dos créditos para fundamentar sua decisão, sendo, no entanto, silente quanto aos elementos trazidos em sede de Recurso, os quais alega a embargante fazerem prova de seu direito Da obscurididade: Analisando o acórdão vergastado, não se constata a obscuridade apontada. O excerto do voto condutor do acórdão embargado transcrito linhas Fl. 945DF CARF MF Processo nº 13805.013901/9654 Acórdão n.º 3201005.151 S3C2T1 Fl. 925 3 acima externa de forma clara e direta a manifestação da turma julgadora acerca dos fundamentos da decisão na apreciação do ponto questionado. É o relatório. Voto Conselheiro Laércio Cruz Uliana Junior O Recurso é tempestivo e merece ser conhecido. O Contribuinte aduz que houve omissão no voto uma vez que deixou de analisar a planilha carreada em fl. 44, sendo que teria denominado equivocadamente tal planilha como compensação e sendo em verdade recomposição, vejamos: Ou seja, denominouse por equívoco de "compensação", o procedimento que em verdade decorreu da própria recomposição das bases de cálculo do PIS e do abatimento do montante recolhido. Por certo, sem embargo de que não se trata de compensação propriamente dita, ainda que se considerasse dessa forma, a legislação vigente não exigia qualquer formalidadel, motivo pelo qual a única prova possível foi aquela apresentada pela Embargante por ocasião da impugnação, qual seja, a planilha de fls. 44, além dos DARFs de fls. 45/165. A omissão estaria contida diante do trecho extraído do voto: Juntou cópias da ação judicial e do pedido de execução do julgado, não havendo quaisquer evidências nos autos de que houve compensação do crédito reconhecido judicialmente, que englobaria o cálculo do ICMS na base de cálculo do PIS, como alega a Recorrente. Em que pese a Relatora não mencionado em seu voto sobre o mencionado documento, não tratase de hipótese de omissão, uma vez que o voto não tem a necessidade de rebater item a item dos documentos colacionados aos autos. Apesar do voto condutor não mencionar nada sobre a planilha e os DARF’s, que foi objeto de manifestação no recurso, a Relatora concluiu que os documentos não seriam evidentes. Decidido o direito cabe a fiscalização apurar os valores da liquidação, inclusive conferindo a planilha de fl. 44. Assim, voto para REJEITAR o vício de omissão suscitado. Laércio Cruz Uliana Junior Relator Fl. 946DF CARF MF 4 Fl. 947DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 18471.002082/2005-69
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jun 29 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA — IRPJ
Exercício: 2003
MULTA ISOLADA POR FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVA.
A multa isolada por falta de recolhimento de estimativa não tem lugar quando aplicada depois do encerramento do exercício, sendo apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa.
GLOSA DE DESPESAS. COMPROVAÇÃO. DOCUMENTOS INÁBEIS E INIDÔNEOS.
A comprovação de ocorrência e pagamento das despesas em cada período é obrigatória, admitindo-se a sua dedutibilidade somente quando devidamente comprovados com documentação hábil e idônea.
Numero da decisão: 1101-000.491
Decisão: Acordam os membros da Primeira Turma Ordinária da Primeira Camara da Primeira Seção de Julgamento, por maioria, dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e do voto que acompanham o presente acórdão, vencidos os Conselheiros Carlos Eduardo Almeida Guerreiro e Edeli Pereira Bessa, que mantinham a penalidade isolada
Nome do relator: Benedicto Celso Benício Junior
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201106
camara_s : 1ª SEÇÃO
ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA — IRPJ Exercício: 2003 MULTA ISOLADA POR FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVA. A multa isolada por falta de recolhimento de estimativa não tem lugar quando aplicada depois do encerramento do exercício, sendo apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa. GLOSA DE DESPESAS. COMPROVAÇÃO. DOCUMENTOS INÁBEIS E INIDÔNEOS. A comprovação de ocorrência e pagamento das despesas em cada período é obrigatória, admitindo-se a sua dedutibilidade somente quando devidamente comprovados com documentação hábil e idônea.
turma_s : 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
numero_processo_s : 18471.002082/2005-69
conteudo_id_s : 5974916
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Mar 22 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 1101-000.491
nome_arquivo_s : Decisao_18471002082200569.pdf
nome_relator_s : Benedicto Celso Benício Junior
nome_arquivo_pdf_s : 18471002082200569_5974916.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros da Primeira Turma Ordinária da Primeira Camara da Primeira Seção de Julgamento, por maioria, dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e do voto que acompanham o presente acórdão, vencidos os Conselheiros Carlos Eduardo Almeida Guerreiro e Edeli Pereira Bessa, que mantinham a penalidade isolada
dt_sessao_tdt : Wed Jun 29 00:00:00 UTC 2011
id : 7663550
ano_sessao_s : 2011
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:40:15 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051663626928128
conteudo_txt : Metadados => date: 2013-06-14T19:51:37Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 8; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2013-06-14T19:51:37Z; Last-Modified: 2013-06-14T19:51:37Z; dcterms:modified: 2013-06-14T19:51:37Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; xmpMM:DocumentID: uuid:2734a096-6a16-4bf4-b2b7-9a2105c1a45f; Last-Save-Date: 2013-06-14T19:51:37Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2013-06-14T19:51:37Z; meta:save-date: 2013-06-14T19:51:37Z; pdf:encrypted: false; modified: 2013-06-14T19:51:37Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2013-06-14T19:51:37Z; created: 2013-06-14T19:51:37Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; Creation-Date: 2013-06-14T19:51:37Z; pdf:charsPerPage: 1406; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2013-06-14T19:51:37Z | Conteúdo => Francisc e Sales eiro de Queiroz - Presidente SI—C1T1 Fl. 2 MINISTÉRIO DA FAZENDA ç)- \ CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO zÇ). s'\\ Processo n° 18471.002082/2005-69 Recurso n° Voluntário Acórdão n° 1101-000.491 — la Cfitnar la Turma Ordinária Sessão de 29 de junho de 2011 Matéria IRPJ E OUTRO Recorrente RIO SUL LINHAS AÉREAS S.A. Recorrida FAZENDÀ ACIONAL 0 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA — IRPJ Exercício: 2003 MULTA ISOLADA POR FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVA. A multa isolada por falta de recolhimento de estimativa não tem lugar quando aplicada depois do encerramento do exercício, sendo apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa. GLOSA DE DESPESAS. COMPROVAÇÃO. DOCUMENTOS INÁBEIS E INIDÔNEOS. A comprovação de ocorrência e pagamento das despesas em cada período é obrigatória, admitindo-se a sua dedutibilidade somente quando devidamente comprovados com documentação hábil e idônea. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros da Primeira Turma Ordinária da Primeira Camara da Primeira Seção de Julgamento, por maioria, dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e do voto que acompanham o presente acórdão, vencidos os Conselheiros Carlos Eduardo Almeida Guerreiro e Edeli Pereira Bessa, que mantinham a penalidade isolada. Benedicto Celso em Júnior - Relator Processo n° 18471.002082/2005-69 SI-CI TI AcOrdâo n.° 1101-000.491 Fl. 3 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, Benedicto Celso Benicio Júnior, Edeli Pereira Bessa, Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro, José Ricardo da Silva e Nara Cristina Takeda Taga. Relatório Versa este processo sobre os Autos de Infração de fls. 210/223 (que têm como parte integrante o Termo de Verificação anexo), lavrados pela DEFIC/RJO, por meio dos quais se exigiram ajustes dos prejuízos fiscais e das bases negativas da CSLL, de um lado, e multa isolada, no valor de R$380.026,96 (fl. 02), respeitante à falta de recolhimento da estimativa mensal de IRPJ de setembro de 2002, de outro. 0 lançamento de IRPJ foi efetuado em virtude da recomposição da base estimada citada, fruto da apuração das seguintes circunstâncias: I. CUSTOS OU DESPESAS NÃO COMPROVADAS. Valor apurado conforme item I do Termo de Verificação. No item 1 do Termo de Verificação, a fiscalização aponta que o interessado, intimado e reintimado a comprovar valores iguais ou superiores a R$ 50.000,00, registrados na rubrica "despesas bancárias", não comprovou a parcela de R$ 56.302,93, registrada em 17/12/2002. 2. GLOSAS DE DESPESAS FINANCEIRAS. Valor apurado conforme item 3 do Termo de Verificação. No item 3 do Termo de Verificação, a fiscalização aponta que o interessado, intimado e reintirnado a comprovar valores iguais ou superiores a R$100.000,00, registrados na rubrica "juros li, deixou de comprovar registros que totalizam o montante de R$3.493.244,96. 3. GLOSAS DE VARIAÇÕES MONETÁRIAS. Valor apurado conforme item 2 do Termo de Verificação. No item 2 do Termo de Verificação, a fiscalização aponta que o interessado, intimado e reintimado a apresentar a composição e a comprovação da rubrica "variação monetária do passivo - outras", apresentou demonstrativo referente à atualização do contrato de mútuo firmado com a Varig, mas não juntou o aludido contrato. Foram, então, glosadas as variações monetárias passivas constantes do demonstrativo, no montante de R365 7.742,58. 4. GLOSA DE VARIAÇÕES CAMBIAIS. Valor apurado conforme item 4 do Termo de Verificação. No item 4 do Termo de Verificação, a fiscalização aponta que o interessado, intimado e reintiniado a comprovar desembolsos iguais ou superiores a R$500.000,00, registrados na rubrica "outras contas", comprovou o montante de R$7.856.870,00 e deixou de comprovar o 2 Processo n° 18471.002082/2005-69 SI-CITI Acórdão n.° 1101-000.491 Fl. 4 montante de R$31.350.150,61 (junta Razão mas não apresenta documentação). 5. MULTA ISOLADA. FALTA DE RECOLHIMENTO DO IRPJ SOBRE BASE DE CÁLCULO ESTIMADA. Valor apurado conforme item 5 do Termo de Verificação. No item 5 do Termo de Verificação, a fiscalização aponta, do confronto dos balancetes de suspensão e redução com as matérias tributáveis apuradas nos itens anteriores, verificou que o interessado deixou de recolher estimativa referente ao in& de setembro. Sobre o lucro ajustado, foi calculada a multa isolada de 75%. Em decorrência dos itens 1 a 4, foi efetuado o lançamento da CSLL. 0 enquadramento legal se encontra nos Autos de Infração. 0 interessado apresentou a impugnação de fls. 235/247. Alegou, em síntese, que: - das despesas bancárias: atravessa momento delicado; a não comprovação de uma única despesa não pode dar ensejo para a imposição de lançamento tributário; os demais lançamentos e saldos bancários estão adequadamente refletidos em sua contabilidade; - da variação monetária passiva: a não apresentação de contrato não autoriza a glosa de variações monetárias devidamente contabilizadas; - dos juros: a fiscalização presumiu como não comprovadas as despesas com juros; não pode prevalecer lançamento baseado em presunção; - da variação cambial passiva: tendo em vista os compromissos assumidos nos termos dos contratos que anexa aos Autos, vinculados à variação do dólar, reconheceu resultados de variação cambial, conforme legislação fiscal; - conclusão: as falhas com as quais a fiscalização se deparou não são relevantes a ponto de tomar inválidos o cálculo e o eventual recolhimento dos tributos devidos; - da multa abusiva: a multa não pode prosperar, quer pela inexistência de imposto devido, quer pelo seu caráter confiscatório. Em sede de julgamento (fls. 331 e ss.), a 3' TURMA — DRJ — RIO DE JANEIRO — RJO I houve por bem manter em parte os lançamentos, reduzindo o percentual da multa isolada cominada, nos termos assim ementados: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2002 3 Processo n° 18471.002082/2005-69 SI-CIT1 Acórdão n.° 1101-000.491 Fl. 5 GLOSA DE CUSTOS COMPROVAÇÃ O. OU DESPESAS. NÃO A não comprovação de custos/despesas autoriza lançamento. MULTA ISOLADA. Não compete a Autoridade Administrativa se pronunciar sobre a inconstitucionalidade ou a ilegalidade de lei. MULTA ISOLADA. RETROATIVIDADE BENIGNA. Por força da retroatividade benigna, o índice da multa isolada deve ser reduzido de 75% para 50%. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE 0 LUCRO LIQUIDO - CSLL Ano-calendário: 2002 TRIBUTAÇÃO REFLEXA. Aplica-se ao lançamento reflexo o mesmo tratamento dispensado ao lançamento matriz, em razão da relação de causa e de efeito que os vincula. Lançamento Procedente em Parte." Cientificada do aresto em 26/05/2009 (fl. 340 v), a autuada interpôs, em 24/06/2009, o recurso de fls. 342 e ss., por meio do qual firmou ilações similares As apontadas anteriormente — exceção feita aos argumentos contrários à constitucionalidade da multa isolada cominada, não reproduzidos na esfera presente. o relatório. Voto Conselheiro Benedicto Celso Benicio Júnior, Relator: 0 recurso é tempestivo e atende aos pressupostos legais para seu seguimento. Dele conheço. Cuidam os presentes autos de infração de ajuste dos prejuízos fiscais e da base de cálculo negativa da CSLL atinentes ao ano-base de 2002, de um lado, e do lançamento de multa isolada derivada do não recolhimento da estimativa mensal de IRPJ do mês de setembro do mesmo período, de outro lado. A fim de analisar melhor o mérito debatido, segregaremos, adiante, cada um dos dois tópicos, cuidando com minúcia de cada qual, a começar. (I) Da multa isolada 4 Processo n° 18471.002082/2005-69 SI-CIT1 Acórdão n.° 1101-000.491 Fl. 6 Em procedimento de verificação da composição das bases imponiveis do IRPJ e da CSLL, informadas na DIPJ/2003 (fls. 13/61), apurou o Fisco a existência de variadas despesas pretensamente indedutiveis. Depois da apresentação de intimações, parcialmente respondidas pelo contribuinte, apuraram-se custos que, por alegada ausência de supedâneo documental, não foram admitidos pelo i. fiscal — razão pela qual se consignou, via auto de infração, o reajuste das bases imponiveis dos supramencionados tributos. 0 contribuinte, consoante se depreende da leitura da Declaração de Rendimentos estresida, estava sujeito, à época, ao regime de tributação pelo lucro real, instrumentalizado por meio de recolhimentos estimados mensais. 0 i. agente autuante, levando em conta os balancetes de redução e de suspensão elaborados pelo contribuinte, de um lado, e imbuido pelo entendimento da indedutibilidade de algumas das despesas indicadas, de outro, procedeu A. recomposição das bases de cálculo das estimativas, apurando, para o mês de setembro de 2002, valor positivo, equivalente a R$ 2.034.810,50 (dois milhões, trinta e quatro mil, oitocentos e dez reais e cinquenta centavos). Calculado o IRPJ — Estimativa correlato (R$ 506.702,62), impingiu-se, ao sujeito passivo, multa isolada de 75% (setenta e cinco por cento) — posteriormente reduzida, pelos julgadores inferiores, até o importe de 50% (cinquenta por cento), forte no principio da retroatividade benigna. Pois bem. A recorrente, em suas razões, bateu-se apenas pela pretensa ilegitimidade das glosas de despesas efetuadas. 0 julgamento proferido na instancia precedente, por seu turno, limitou-se também a asseverar que a dedutibilidade das despesas demandava, para aceitação, a demonstração documental de sua existência — o que não teria ocorrido. Acontece, entretanto, que há ponto mais importante a ser debatido. Antes de estudarmos a correção ou a incorreção dos estornos de custos engendrados, fundamental analisarmos, de pronto, a possibilidade de o Fisco cominar penalidades isoladas a contribuintes que se deparem com prejuízo fiscal e base de cálculo negativa de CSLL, tão logo esgotado o período de apuração. Como é de conhecimento de todos os que operam na esfera fiscal, os recolhimentos mensais estimados configuram mero adiantamento de numerário aos cofres públicos, com vistas à consecução do desiderato governamental de manutenção da homogeneidade da arrecadação, dentro do mesmo ano-calendário. Os fatos geradores do IRPJ e da CSLL, anualmente apurados, são, nesse cenário, reputados complexivos, eis se aperfeiçoarem fictamente em um único átimo, identificado ao último dia do exercício fiscal. No momento em que se esgota o período de apuração anual, tem-se, pois, o efetivo deslinde das bases de cálculo pertinentes, com o desvelo do montante de exação a ser recolhido. Em tal ocasião, deixam os recolhimentos antecipados de ter qualquer função, salvo no que se refere ao cotejamento de eventuais cifras a serem pagas (saldo positivo) ou a serem restituídas ou compensadas (saldo negativo). Noutras palavras, tão logo findo o exercício, há apenas de se aventar a cobrança do tributo complexivamente computado, deixando de ser importante eventual inadimplemento dos pagamentos mensais estimados — 5 Processo n° 18471.002082/2005-69 SI-CI TI Acórdão n.° 1101-000.491 Fl. 7 mormente se o contribuinte, ao cabo do ano, afrontar-se com bases imponiveis negativas de IRPJ e de CSLL. No caso em estudo, não é difícil averiguar que a peticionária apurou, no ano de 2002, vultoso prejuízo fiscal (ficha 09A da DIPJ/2003, fl. 18), bem como considerável base de cálculo negativa de CSLL (ficha 17 da DIPJ/2003, fl. 28). Ainda que se considerem escorreitas as glosas de custos perpetradas, não tem elas, por si sós, em face de sua monta, o condão de reverter o prejuízo em lucro, de uma banda, ou o montante imponivel negativo em positivo, de outra. Assim, terminado o período de apuração, denotou-se nada existir a ser recolhido pela interessada, a titulo de IRPJ e de CSLL. Não haveria, portanto, como se exigir, noutro ano-calendário, o pagamento de estimativas pertinentes a período pretérito, já perfeito e finalizado. Ora, se não pode ser cobrado qualquer valor estimado, é evidente que não se faz possível, da mesma maneira, imputar sanções pecuniárias derivadas do não pagamento tempestivo. Seria ilógico punir o sujeito passivo, por força da falta de antecipação de tributo, depois de já se ter certeza da inexistência de exação complexiva a ser quitada. A multa isolada ora lançada, pois, é incabível, porquanto imputada, a posteriori, a contribuinte que apurou complexivas bases negativas de cálculo. 0 entendimento ora exposto vigora, a pleno vapor, no seio deste colegiado, consoante se pode depreender das elucidativas ementas adiante transcritas: "MULTA ISOLADA POR FALTA DE RECOLHIMENTO DAS ESTIMATIVAS — A multa isolada por falta de recolhimento da estimativa de que trata o art. 2' da Lei n° 9.430/96 não tem lugar quando aplicada após o encerramento do exercício, sendo apurado prejuízo ou base are cálculo negativa. Outrossim, descabe a concomitância da referida multa com a proporcional ao imposto devido, tendo ambas as multas se baseado nos mesmos fatos, sob pena de aplicar-se dupla penalidade sobre uma mesma infração." (Ac. 1° CC— 107-09.191/07) "IRPJ — MULTA ISOLADA - FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS - PREJUÍZO FISCAL - Após o encerramento do ano calendário, a base de cálculo para efeitos de aplicação da multa isolada tem como limite o saldo do tributo a pagar na declaração de ajuste, não sendo cabível, portanto, a sua imposição na inexistência de base tributável." (Ac. 1° CC — 104- 23.583/08) imperioso, pois, o cancelamento da pena lançada. Tratamento divergente deve ser dado, no entanto, aos autos de infração voltados apenas a reajustar o prejuízo fiscal e a base negativa de CSLL constatados no período. (2) Dos ajustes das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL Não obstante o cancelamento da multa isolada, é mister averiguar a correção dos estornos de custos efetuados pelo Fisco, ensejadores da recomposição dos montantes imponiveis do IRPJ e da CSLL tocantes ao ano-base de 2002. 6 Processo n° 18471.002082/2005-69 SI-CITI Acórdão n.° 1101-000.491 Fl. 8 Em primeiro lugar, aventou a Fazenda a indedutibilidade de "despesas bancárias" equivalentes a R$ 56.302,93 (cinquenta e seis mil, trezentos e dois reais e noventa e três centavos), registradas contabilmente sob rubrica homônima (código contábil 3511011). Intimado e reintimado, por diversas vezes, a demonstrar documentalmente os desembolsos realizados com encargos desta ordem, logrou o contribuinte comprovar a maioria dos lançamentos. Restou a descoberto, no entanto, a cifra ora constatada, em relação A qual o contribuinte não apresentou qualquer supedâneo documental a embasar sua dedução junto ao lucro real. Note-se que o próprio sujeito passivo reconheceu a ausência de documentos que comprovassem estresido desembolso, conforme resposta (fl. 144) apresentada ao Termo de Intimação Fiscal n° 09, de 23/11/2005. Irrelevante é a alegação recursal de que as despesas poderiam ser vislumbradas a partir de uma análise global dos extratos bancários da empresa, eis que não incumbe ao Fisco — e nem a este colegiado — produzir provas que só pertinem ao contribuinte. A busca pela verdade material, norte do processo administrativo, não pode ser elastecida a ponto de retirar do contribuinte o ônus probatório que s6 a ele cabe. Ora, se inexiste prova da despesa, é ela, a toda força, indedutivel. Devem, portanto, ser dizimados seus reflexos na formação do prejuízo fiscal e da base negativa de cálculo de CSLL formatados. Entendimento similar deve ser aplicado, em segundo lugar, naquilo que se reporta As variações monetárias passivas inc:omprovadas. Ditos encargos, como reconhecido pela autuada, decorreriam de contrato de mútuo firmado, por ela, com a Varig S.A. Intimada, em diversas oportunidades, a apresentar o instrumento contratual subjacente ao empréstimo, quedou-se a interessada, no entanto, silente — o que levou à. exclusão das despesas, junto ao resultado do ano-base. Tenho para mim que a comprovação das variações monetárias passivas, para fins de dedutibilidade, encerra considerável amplitude. Noutros termos, podem elas ser reconhecidas mesmo na ausência de contrato escrito, mormente quando ajustado o mútuo entre sociedades integrantes do mesmo grupo. In casu, no entanto, consoante aduzido pela própria empresa, a causa única da apropriação destes gastos é o instrumento contratual acima relatado. Se não foi ele disponibilizado à Fiscalização, nada há, nos autos, a confirmar a legitimidade dos respectivos lançamentos contábeis. Logo, correta a glosa fazenclaria. Em terceiro lugar, também procedente é a desconsideração dos custos referentes h. rubrica "juros" (código contábil 3513017). Repise-se, aqui, que o contribuinte também reconheceu, no caso, a falta da documentação pertinente, nos termos da já citada resposta de fl. 144. Ao contrário do que fora alegado em recurso, não se está em presença de situação na qual o Fisco empregou qualquer espécie de presunção. 0 mecanismo presuntivo, na seara fiscal, decorrente sempre de lei, identifica-se quando determinado ônus, originalmente fazenddrio, é supervenientemente revertido ao contribuinte, dada a presença de particular situação tipificada. Aqui, contudo, por se tratar de dedutibilidade de encargos financeiros, o dever de prova sempre coube ao sujeito passivo, desde o inicio — obrigação esta da qual a peticionária não se desincumbiu satisfatoriamente. 7 Processo n° 18471.002082/2005-69 SI-CI TI Acórdão n.° 1101-000.491 Fl. 9 Por fim, cumpre analisar, então, os lançamentos inscritos sob a chancela "outras contas" (código contábil 3811056), pertinentes a variações cambiais passivas pretensamente vinculadas a contratos de leasing internacional de aeronaves e equipamentos, celebrados em moeda estrangeira (dólar estadunidense). Embora o contribuinte tenha juntado aos autos cópias dos citados instrumentos de arrendamento, não logrou ele pormenorizar a relação existente entre os valores pactuados, de um lado, e os montantes de variação cambial passiva informados em sua escrituração. Ora, não basta ao sujeito passivo trazer A. baila documentos, sem indicar a forma pela qual tais elementos podem sustentar suas deduções; se há relação entre os contratos anexados, de um lado, e os encargos registrados sob a rubrica "outras contas", alegadamente relativas a variações cambiais negativas, de outro, deve o contribuinte demonstrá-la, sob pena de manutenção das glosas realizadas. Resta evidente, assim, a correção dos ajustes de prejuízo fiscal e de base negativa de cálculo formalizados pelo Fisco, atinentes ao ano-calendário de 2002. Isto posto, DOU P VIMENTO PARCIAL ao recurso, para cancelar o lançamento da multa isolada deba , mantendo, em seus demais termos, os autos de infração constituídos. Benedict° Celso eni io Júnior -
score : 1.0
Numero do processo: 16327.911230/2009-08
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 13 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Apr 15 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Data do fato gerador: 27/09/2006
COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. ÔNUS PROBATÓRIO. AUSÊNCIA DE PROVA.
Não se reconhece o direito creditório quando o contribuinte não logra comprovar com documentos hábeis e idôneos que houve pagamento indevido ou a maior
Oportunizada, em face do exercício do contraditório, com a trazida da manifestação de inconformidade e do recurso voluntário, a apresentação de documentos pela empresa interessada e não apresentado qualquer documento capaz de afastar a conclusão contida no despacho decisório contestado, mantém-se o indeferimento da compensação, por inexistência do crédito indicado em Per/Dcomp.
DILIGÊNCIA E/OU PERÍCIA. JUNTADA DE PROVAS. DESNECESSIDADE.
Deve ser indeferido o pedido de diligência e/ou perícia, quando tal providência se revela prescindível para instrução e julgamento do processo. Ao indicar como crédito um pagamento indevido, destacando, inclusive, as informações constantes do Darf pleiteado, sem proceder a qualquer retificação, ou comprovar o erro material em sua retificação, não há como transmudar a vontade expressa na Dcomp transmitida, sendo desnecessária a diligência e/ou perícia, bem assim a eventual juntada de novas provas.
VERDADE MATERIAL. PROVA. LIMITES.
Ainda que o Processo Administrativo Fiscal Federal esteja jungido ao principio da verdade material, o mesmo não é absoluto, sob pena de malferi-lo, bem como aos princípios da legalidade e da isonomia e as regra do devido processo legal.
Numero da decisão: 2201-004.981
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em afastar a preliminar de nulidade da decisão de primeiro grau oferecida na tribuna e no mérito em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Daniel Melo Mendes Bezerra ( Presidente em Exercício)
(assinado digitalmente)
Marcelo Milton da Silva Risso - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Débora Fofano, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll (Suplente Convocada), Marcelo Milton da Silva Risso e Daniel Melo Mendes Bezerra (Presidente em Exercício). Ausente o conselheiro Carlos Alberto do Amaral Azeredo.
Nome do relator: MARCELO MILTON DA SILVA RISSO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201902
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF Data do fato gerador: 27/09/2006 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. ÔNUS PROBATÓRIO. AUSÊNCIA DE PROVA. Não se reconhece o direito creditório quando o contribuinte não logra comprovar com documentos hábeis e idôneos que houve pagamento indevido ou a maior Oportunizada, em face do exercício do contraditório, com a trazida da manifestação de inconformidade e do recurso voluntário, a apresentação de documentos pela empresa interessada e não apresentado qualquer documento capaz de afastar a conclusão contida no despacho decisório contestado, mantém-se o indeferimento da compensação, por inexistência do crédito indicado em Per/Dcomp. DILIGÊNCIA E/OU PERÍCIA. JUNTADA DE PROVAS. DESNECESSIDADE. Deve ser indeferido o pedido de diligência e/ou perícia, quando tal providência se revela prescindível para instrução e julgamento do processo. Ao indicar como crédito um pagamento indevido, destacando, inclusive, as informações constantes do Darf pleiteado, sem proceder a qualquer retificação, ou comprovar o erro material em sua retificação, não há como transmudar a vontade expressa na Dcomp transmitida, sendo desnecessária a diligência e/ou perícia, bem assim a eventual juntada de novas provas. VERDADE MATERIAL. PROVA. LIMITES. Ainda que o Processo Administrativo Fiscal Federal esteja jungido ao principio da verdade material, o mesmo não é absoluto, sob pena de malferi-lo, bem como aos princípios da legalidade e da isonomia e as regra do devido processo legal.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Apr 15 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 16327.911230/2009-08
anomes_publicacao_s : 201904
conteudo_id_s : 5988162
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Apr 15 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 2201-004.981
nome_arquivo_s : Decisao_16327911230200908.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : MARCELO MILTON DA SILVA RISSO
nome_arquivo_pdf_s : 16327911230200908_5988162.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em afastar a preliminar de nulidade da decisão de primeiro grau oferecida na tribuna e no mérito em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Daniel Melo Mendes Bezerra ( Presidente em Exercício) (assinado digitalmente) Marcelo Milton da Silva Risso - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Débora Fofano, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll (Suplente Convocada), Marcelo Milton da Silva Risso e Daniel Melo Mendes Bezerra (Presidente em Exercício). Ausente o conselheiro Carlos Alberto do Amaral Azeredo.
dt_sessao_tdt : Wed Feb 13 00:00:00 UTC 2019
id : 7697530
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:42:08 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051663636365312
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2040; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T1 Fl. 149 1 148 S2C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16327.911230/200908 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2201004.981 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 13 de fevereiro de 2019 Matéria IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Recorrente CITIBANK DISTRIBUIDORA DE TÍTULOS E VALORES MOB SA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Data do fato gerador: 27/09/2006 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. ÔNUS PROBATÓRIO. AUSÊNCIA DE PROVA. Não se reconhece o direito creditório quando o contribuinte não logra comprovar com documentos hábeis e idôneos que houve pagamento indevido ou a maior Oportunizada, em face do exercício do contraditório, com a trazida da manifestação de inconformidade e do recurso voluntário, a apresentação de documentos pela empresa interessada e não apresentado qualquer documento capaz de afastar a conclusão contida no despacho decisório contestado, mantémse o indeferimento da compensação, por inexistência do crédito indicado em Per/Dcomp. DILIGÊNCIA E/OU PERÍCIA. JUNTADA DE PROVAS. DESNECESSIDADE. Deve ser indeferido o pedido de diligência e/ou perícia, quando tal providência se revela prescindível para instrução e julgamento do processo. Ao indicar como crédito um pagamento indevido, destacando, inclusive, as informações constantes do Darf pleiteado, sem proceder a qualquer retificação, ou comprovar o erro material em sua retificação, não há como transmudar a vontade expressa na Dcomp transmitida, sendo desnecessária a diligência e/ou perícia, bem assim a eventual juntada de novas provas. VERDADE MATERIAL. PROVA. LIMITES. Ainda que o Processo Administrativo Fiscal Federal esteja jungido ao principio da verdade material, o mesmo não é absoluto, sob pena de malferi lo, bem como aos princípios da legalidade e da isonomia e as regra do devido processo legal. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 91 12 30 /2 00 9- 08 Fl. 163DF CARF MF Processo nº 16327.911230/200908 Acórdão n.º 2201004.981 S2C2T1 Fl. 150 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em afastar a preliminar de nulidade da decisão de primeiro grau oferecida na tribuna e no mérito em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Daniel Melo Mendes Bezerra ( Presidente em Exercício) (assinado digitalmente) Marcelo Milton da Silva Risso Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Débora Fofano, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll (Suplente Convocada), Marcelo Milton da Silva Risso e Daniel Melo Mendes Bezerra (Presidente em Exercício). Ausente o conselheiro Carlos Alberto do Amaral Azeredo. Relatório 1 Adoto inicialmente como relatório a narrativa constante do V. Acórdão da DRJ (fls. 54/58) por sua precisão: 1. O interessado, supra qualificado, entregou por via eletrônica a Declaração de Compensação de fls. 23 a 28 (PER/DCOMP nº 24822.27415.091006.1.3.049026), na qual declara a compensação de pretenso crédito de pagamento indevido ou a maior de IRRF (cód. receita 5286) relativo ao pagamento efetuado em 27/09/2006. 2. Pelo Despacho Decisório de fls. 19 o contribuinte foi cientificado, em 31/08/2009 (fls. 51), de que “A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP”. Tendo sido o pagamento vinculado ao débito de IRRF, declarado em DCTF (período de apuração 27/09/2006). 3. Em razão do acima descrito, não foi homologada a compensação declarada, tendo sido o interessado intimado a recolher o débito indevidamente compensado (principal: R$ 81.045,98). Fl. 164DF CARF MF Processo nº 16327.911230/200908 Acórdão n.º 2201004.981 S2C2T1 Fl. 151 3 4. Irresignado, o contribuinte apresentou em 29/09/2009 a Manifestação de Inconformidade de fls. 02 e 09, informando e alegando, em suma, o seguinte: 4.1 O crédito foi gerado por recolhimento de IRRF, código 5286, do montante de R$ 80.243,54 sobre operações de venda de ações da empresa " Compania International Financeira BRL". A referida empresa solicitou a venda de ações da MEDI3, mas cancelou logo em seguida pois não possuía este título em carteira. 4.2 Conforme extrato de conta corrente do cliente (doc.06) o imposto não foi retido. O pagamento indevido foi recolhido em conjunto com outras retenções no total de R$ 571.748,63. 4.3 O principio da legalidade (150, I da CF) veda a cobrança de tributos sem previsão legal e pelo principio da verdade material a consequencia tributária somente ocorrerá se o evento efetivamente se verificar no plano fenomênico. No presente caso não ocorreram as circunstâncias que a própria lei estabelece como necessárias a gerar incidência tributária. O que ocorreu foi equívoco no preenchimento da DCTF, onde o manifestante informou no campo "débito apurado" valor maior do que o devido, equívoco que o requerente retificou conforme doc. 08. O Conselho de Contribuintes decidiu reiteradamente em favor dos contribuintes no tocante ao "erro de fato", conforme se depreende das ementas colacionadas. 4.5 Por todo o exposto requer seja julgada procedente a manifestação de inconformidade para que: (i) sejam homologada a compensação (ii) sejam efetuadas diligências para comprovação das alegações antes mencionadas. 2 A manifestação de inconformidade do contribuinte foi julgada improcedente de acordo com decisão da DRJ: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Data do fato gerador: 27/09/2006 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. Não se reconhece o direito creditório quando o contribuinte não logra comprovar com documentos hábeis e idôneos que houve pagamento indevido ou a maior PEDIDO DE DILIGÊNCIA. Considerase não formulado o pedido de diligências quando não forem cumpridos os requisitos estabelecidos na legislação tributária. Manifestação de Inconformidade Improcedente Fl. 165DF CARF MF Processo nº 16327.911230/200908 Acórdão n.º 2201004.981 S2C2T1 Fl. 152 4 Direito Creditório Não Reconhecido 03 – Seguiuse recurso voluntário do contribuinte às fls. 67/79. É o relatório do necessário. Voto Conselheiro Marcelo Milton da Silva Risso Relator 4 Tratase de recurso voluntário apresentado em face da decisão de primeiro grau que negou provimento à manifestação de inconformidade formalizada pelo sujeito passivo mantendo integralmente os termos do despacho decisório que não homologou o crédito de IRRF para compensação com outros tributos administrados pela Receita Federal do Brasil. 5 Invoca o patrono da recorrente em tribuna de forma preliminar pela nulidade de decisão de primeiro grau por não ter analisado os argumentos quanto ao erro de fato trazido no bojo da defesa e no recurso. 6 Decidindo a respeito, entendo que a decisão recorrida manifestouse acerca do assunto em seu item 6.1 de fls. 56, não havendo que falar em nulidade, posto que todos os elementos trazidos na manifestação de inconformidade foram tratados pela decisão de piso e portanto afasto tal preliminar. 7 Não verifico razões para a reforma do julgado, que se baseou nos elementos de prova juntados pelo contribuinte que teve assegurado o devido processo legal e contraditório, inclusive podendo ter juntado novos documentos na época para comprovar a existência do direito creditório. 8 No presente caso, o Despacho Decisório não homologou a compensação em razão de o crédito a ser compensado estar alocado como pagamento de débito confessado na DCTF original. Após a emissão do Despacho Decisório, a DCTF foi retificada para se excluir tal débito e se caracterizar o recolhimento em questão como indevido/a maior. Fl. 166DF CARF MF Processo nº 16327.911230/200908 Acórdão n.º 2201004.981 S2C2T1 Fl. 153 5 9 A apresentação de DCTF constituise em obrigação acessória. Entretanto, uma vez apresentada, o contribuinte comunica a existência de crédito tributário, confessando a dívida (DecretoLei n° 2.124, de 1984, art. 5°, § 1°)1. Destarte, o Despacho Decisório foi validamente emitido, eis que havia débito confessado correspondente ao valor recolhido em DARF. Resta perquirir se sua eficácia permanece, em face da posterior retificação da DCTF. 10 Ao apresentar a DCTF retificadora após a emissão do Despacho Decisório, o contribuinte pretende corrigir pretenso erro de preenchimento da DCTF original, conforme expressamente consignado na manifestação de inconformidade e nas razões do recurso. 11 A simples apresentação das DCTFs original e retificadora, ainda que acompanhadas de DARF, não se constitui em prova do alegado erro de fato. A retificação da DCTF é ineficaz, pois cabe ao contribuinte o ônus de comprovar o erro não apurável pelo mero exame das DCTFs (CTN, art. 147; Lei n° 5.869, de 1973, art. 333, II; Lei n° 13.105, 2015, arts. 15 e 373, II2; e IN RFB n° 903, de 2008, art. 11, §2°, III). 12 A alegação de erro de fato nessa instância recursal, no caso, deve vir acompanhada de documentos incontestes quanto a esse fato, posto que tais oportunidades de esclarecimentos e juntada de novos documentos que comprovam a veracidade das razões recursais, o foram analisadas quando do julgamento de primeiro grau constatando a não comprovação do alegado direito pelo contribuinte. 13 Nesse ponto adoto como razões de decidir o fundamento da decisão de piso que assim decidiu, verbis: 77. Na peça recursal ora em análise, o manifestante alega que o valor de R$ 80.243,54 foi indevidamente recolhido, junto com outras retenções no DARF de R$ 571.748,63, por conta de IR sobre ganho de Capital na venda de ações MEDI3 que foi cancelada dois minutos após a sua efetivação, visto que o cliente "Compania International Financeira BRL" não possuía tais títulos em carteira. 7.1 Os documentos de fls. 30 a 34 parecem comprovar que houve mesmo uma operação que gerou um IR de R$ 80.243,54 e que a mesma foi cancelada. Já o extrato de fls. 36 a 39 não comprova que não houve retenção do cliente supra citado, isto porque a conta está em nome de "Citigroup Global Markets Limited", denominação diversa da empresa que deveria sofrer a suposta retenção. 7.2 Porém a despeito das considerações acima, o fato mais importante é que o manifestante não traz qualquer documento que comprove ter havido o pagamento indevido ou a maior. Fl. 167DF CARF MF Processo nº 16327.911230/200908 Acórdão n.º 2201004.981 S2C2T1 Fl. 154 6 Notase que no doc. 07 (fls. 41 e 42) não existe nenhum informação sobre a retenção de R$ 80.243,54, ou seja não ficou comprovado que este valor estava inserido no montante de R$ 571.748,63, recolhido em 27/09/2006. Ou seja, pouco importa se houve cancelamento de uma operação ou ainda se não houve retenção do cliente, o mais relevante seria demonstrar que tal recolhimento indevido fazia parte do débito apurado e pago em 27/09/2006 e isto o manifestante não o fez. 14 Outrossim, quanto ao erro e necessidade de comprovação, adoto como razões de decidir excerto dessa Turma da lavra do I. Conselheiro Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim AC. 2201004.437 j. 04/04/18, verbis: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte IRRF Anocalendário: 2004 DÉBITO INFORMADO EM DCTF. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DO ERRO A simples retificação de DCTF para alterar valores originalmente declarados, desacompanhada de documentação hábil e idônea, não pode ser admitida para modificar Despacho Decisório. COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Constatada a inexistência do direito creditório por meio de informações prestadas pelo interessado à época da transmissão da Declaração de Compensação, cabe a este o ônus de comprovar que o crédito pretendido já existia naquela ocasião. (...) omissis Ora, não pode a autoridade administrativa proceder com a homologação quando existe, de fato, vinculação do crédito a valores confessados pelo contribuinte como devidos, por meio de instrumento hábil e suficiente a sua exigência. Sobre o tema, adoto como razões de decidir as palavras do Ilustríssimo Conselheiro Carlos Alberto do Amaral Azeredo, proferida no acórdão nº 2201004.311: A criação do Sistema de Controle de CréditosSCC objetivou dar maior celeridade e segurança à necessária conferência dos pedidos de restituição, ressarcimentos e Fl. 168DF CARF MF Processo nº 16327.911230/200908 Acórdão n.º 2201004.981 S2C2T1 Fl. 155 7 declarações de compensação formalizados pelos contribuintes. Naturalmente, tratase de ferramenta de extrema utilidade e eficiência quando batimentos de sistemas podem indicar a existência dos direitos pleiteados. Por outro lado, quando a complexidade da demanda exige, remanesce a necessidade de análise manual dos créditos pleiteados. Das situações possíveis de serem tratadas eletronicamente, sem sombra de dúvida, os indébitos tributários decorrentes de pagamentos indevidos ou a maior são, como regra, os que apresentam menor complexidade de análise, já que basta o SCC localizar o pagamento, identificar suas características e verificar, no sistema próprio, se há débitos compatíveis que demonstrem, no todo ou em parte, a ocorrência de um pagamento indevido ou a maior. (...) Portando, em uma análise primária, notase que a não homologação em discussão é procedente, o que não impede que se reconheça, em respeito à verdade material, que tenha havido algum erro de fato que justifique sua revisão. Contudo, para tanto, necessário que sejam apresentados os elementos que comprovem a ocorrência de tal erro. Portanto, não basta alegar a ocorrência de erro material, é necessário provalo. Quanto ao ônus da prova, o Código de Processo Civil dispõe o seguinte: Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Apesar do procedimento de constituição do crédito tributário não ser regido pelo CPC, a adoção dos critérios principiológicos criados por tal norma em aplicação analógica ao presente caso oferece diretrizes de suma importância para resolução da demanda. Assim, uma vez em curso o procedimento de análise de compensação de crédito, é do contribuinte o ônus de provar a existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito da Fazenda. (...) Fl. 169DF CARF MF Processo nº 16327.911230/200908 Acórdão n.º 2201004.981 S2C2T1 Fl. 156 8 15 Quanto a questão da diligência e perquirição de provas e aplicação do princípio da busca da verdade material, tomo como razões de decidir parte do Voto do I. Conselheiro Orlando Rutigliani Berri no Ac. 3001000.545 j. 17/10/2018, verbis: Mais, que analisados os pretensos elementos de prova carreados aos presentes autos, verificouse que se mostraram insuficientes para comprovar o direito creditório alegado. Diante destas constatações e o que dos autos consta, aí também aliado aos corretos fundamentos da decisão recorrida, advogo o entendimento segundo o qual não é papel deste colegiado recursal conceder infindáveis oportunidades para que o contribuinte transponha aos autos documentos e/ou informações que venham confirmar seu direito, digo isto pois entendo que tal concessão importaria em desrespeito aos prazos estabelecidos na legislação processual de regência, como vimos anteriormente. Prosseguindo um pouco mais, podese dize ainda que é comezinho a obrigação do sujeito passivo, desde a feitura de seu pleito reivindicatório, passando pela sua manifestação de inconformidade, municiar sua pretensão em documentos hábeis suficientes para evidenciar a liquidez e certeza do crédito tributário cuja restituição postula. Por isso, e não por outra razão, é que a legislação impõe ao contribuinte o dever de demonstrar sua liquidez e certeza. De outra forma dizendo, é ônus do sujeito passivo e não da Administração Tributária tal mister. Desta feita, não se pode, sob o pálio da "verdade material" suplantar toda e qualquer regra processual aplicável ao processo administrativo fiscal federal a fim de, ao arrepio, dentre outros, do princípio da isonomia, permitir seja desbancada a competência originária da autoridade fiscal ou mesmo do colegiado recorrido, para fins de substituir tarefa que competia ao sujeito passivo, seja espontaneamente ou mesmo depois de provocado, em face das sucessivas rejeições da sua pretensão. Portanto, não é correto afirmar que a aventada a menor rigidez dos prazos para a produção de prova tenha o condão de sobrepujar determinadas regras, vez que o primado da "verdade material", na medida em que autoriza o julgador apreciar provas e/ou indícios não contemplados pela instância a quo, impõe que estas tenham sido produzidas no momento oportuno, o que não se observa nestes autos, uma vez que não foram produzidas. omissis Ultrapassada a contextualização fático, esclareço, por oportuno que este colegiado, atento à hodierna tendência de se mitigar os rigores das regras preclusivas contidas no processo Fl. 170DF CARF MF Processo nº 16327.911230/200908 Acórdão n.º 2201004.981 S2C2T1 Fl. 157 9 administrativo fiscal, para o fim de acolher provas apresentadas nesta instância recursal, entende que para aplicarse tais regras, o comportamento do sujeito passivo é determinante. Melhor dizendo, estando o contribuinte, como é o caso em apreço, ciente dos motivos pelos quais os elementos de prova coligidos aos autos não foram considerados hábeis e suficientes para seu desiderato, era seu o dever demonstrar que envidou o esforço no sentido de sanar as lacunas probatórias aventadas na decisão recorrida. No entanto, o recorrente, ao manter se fiel à linha argumentativa, mesmo sabedor que o fundamento da decisão recorrida assentouse na ausência de documentos que corroborassem sua pretensão, preferiu agir de forma não proativa, ao deixar de se empenhar em provar o direito que alega possuir, impedindo, in totum, que este julgador aventasse, quiçá, a hipótese de conversão deste julgamento em diligência, com supedâneo no novel princípio da cooperação, que atualmente tem redação implementada pelo artigo 6º da Lei nº 13.105, de 16.03.2015 Novo Código de Processo Civil, que afirma que "todos os sujeitos do processo devem cooperar entre si para que se obtenha, em tempo razoável, decisão de mérito justa e efetiva". Em suma, constatase que no caso destes autos, o alegado indébito não foi correta e suficientemente demonstrado e provado. Conclusão 16 Diante do exposto, conheço do recurso afasto a preliminar alegada e no mérito, NEGOLHE PROVIMENTO. (assinado digitalmente) Marcelo Milton da Silva Risso Fl. 171DF CARF MF
score : 1.0
