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Numero do processo: 15249.000185/2005-30
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 25 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed May 25 00:00:00 UTC 2011
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Ano-calendário: 2002
ALEGAÇÃO DE PRESCRIÇÃO.
INOCORRÊNCIA. Não se aplica a prescrição intercorrente no processo
administrativo fiscal (Súmula CARF nº 11).
Numero da decisão: 1101-000.459
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR
PROVIMENTO ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Matéria: IRPJ - multa por atraso na entrega da DIPJ
Nome do relator: Edeli Pereira Bessa
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INOCORRÊNCIA. Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal (Súmula CARF nº 11). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR PROVIMENTO ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ Presidente. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz (presidente da turma), Benedicto Celso Benício Júnior, Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro, Edeli Pereira Bessa e José Ricardo da Silva. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 26/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/06/2011 por EDELI PEREIRA BESSA Assinado digitalmente em 04/07/2011 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QU, 07/06/2011 por EDELI PEREI RA BESSA Processo nº 15249.000185/200530 Acórdão n.º 110100.459 S1C1T1 Fl. 19 2 Relatório ERANI BUENO DOS SANTOS, já qualificado nos autos, recorre de decisão proferida pela 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Porto Alegre/RS que, por unanimidade de votos, julgou IMPROCEDENTE a impugnação interposta contra lançamento formalizado em razão da entrega tardia da DIPJ relativa ao exercício 2003 (apresentada apenas em 24/11/2004), exigindo crédito tributário no valor total de R$ 500,00. Alegou a contribuinte, em impugnação, que foi notificada do desenquadramento do Simples em 2003. Em razão disto, providenciou a mudança de sua forma de tributação a partir do ano seguinte janeiro de 2004. Afirmou que a declaração em questão foi entregue indevidamente e não poder retroagir para fazer novo enquadramento depois que de já ter optado por forma de tributação. A Turma julgadora rejeitou estes argumentos, esclarecendo que a exclusão promovida por meio do Ato Declaratório Executivo DRF/POA nº 460800/2003 operou efeitos a partir de 01/01/2002, em razão de a contribuinte exercer atividade econômica vedada. Logo, estava ela obrigada à entrega da DIPJ do exercício 2003, estando correta a exigência da penalidade na forma prevista no art. 7o da Lei nº 10.426/2002. Cientificada da decisão de primeira instância em 16/11/2009 (fl. 15), a contribuinte interpôs recurso voluntário, tempestivamente, em 24/11/2009 (fl. 16), no qual solicita a prescrição do débito por ter sido originado em 31/12/2003. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 26/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/06/2011 por EDELI PEREIRA BESSA Assinado digitalmente em 04/07/2011 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QU, 07/06/2011 por EDELI PEREI RA BESSA Processo nº 15249.000185/200530 Acórdão n.º 110100.459 S1C1T1 Fl. 20 3 Voto Conselheira EDELI PEREIRA BESSA A recorrente reportase à intimação nº 068/2009 para alegar a prescrição do débito que teria se originado em 31/12/2003. Contudo, a entrega em atraso da DIPJ se verificou em 24/11/2004, o lançamento da multa por descumprimento de obrigação acessória foi lavrado em 10/06/2005, concedendose à contribuinte prazo até 02/08/2005 para seu pagamento, e em 27/07/2005 foi interposta impugnação que, nos termos do art. 151, inciso III, do Código Tributário Nacional, suspende a exigibilidade do crédito tributário. Assim, estando o Fisco impedido de cobrar o crédito tributário, contra ele não corre o prazo prescricional. Somente se cogitaria do perecimento do crédito tributário lançado se admitida a prescrição intercorrente no âmbito do processo administrativo fiscal. Todavia, esta questão já está pacificada no âmbito do CARF: Súmula CARF nº 11: Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal. Por tais razões, o presente voto é no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. EDELI PEREIRA BESSA – Relatora Fl. 3DF CARF MF Emitido em 26/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/06/2011 por EDELI PEREIRA BESSA Assinado digitalmente em 04/07/2011 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QU, 07/06/2011 por EDELI PEREI RA BESSA Processo nº 15249.000185/200530 Acórdão n.º 110100.459 S1C1T1 Fl. 21 4 Fl. 4DF CARF MF Emitido em 26/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/06/2011 por EDELI PEREIRA BESSA Assinado digitalmente em 04/07/2011 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QU, 07/06/2011 por EDELI PEREI RA BESSA
score : 1.0
Numero do processo: 19515.002724/2004-58
Turma: Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 25 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed May 25 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ
Ano-calendário: 1999
Ementa: COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZO FISCAL SEM OBSERVÂNCIA DO LIMITE LEGAL DE 30%. POSTERGAÇÃO DE PAGAMENTO DO IRPJ. A compensação de prejuízos fiscais pelo contribuinte sem observância do limite legal de 30% (trinta por cento) caracteriza postergação de pagamento do IRPJ quando comprovado que o tributo não pago em razão da
compensação excedente foi quitado indiretamente em períodos posteriores antes do lançamento tributário.
Numero da decisão: 1103-000.464
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR
provimento ao recurso.
Matéria: IRPJ - glosa de compensação de prejuízos fiscais
Nome do relator: ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA
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ementa_s : Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Ano-calendário: 1999 Ementa: COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZO FISCAL SEM OBSERVÂNCIA DO LIMITE LEGAL DE 30%. POSTERGAÇÃO DE PAGAMENTO DO IRPJ. A compensação de prejuízos fiscais pelo contribuinte sem observância do limite legal de 30% (trinta por cento) caracteriza postergação de pagamento do IRPJ quando comprovado que o tributo não pago em razão da compensação excedente foi quitado indiretamente em períodos posteriores antes do lançamento tributário.
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POSTERGAÇÃO DE PAGAMENTO DO IRPJ. A compensação de prejuízos fiscais pelo contribuinte sem observância do limite legal de 30% (trinta por cento) caracteriza postergação de pagamento do IRPJ quando comprovado que o tributo não pago em razão da compensação excedente foi quitado indiretamente em períodos posteriores antes do lançamento tributário. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso. Aloysio José Percínio da Silva – Presidente e Relator Participaram do julgamento os Conselheiros Marcos Shigueo Takata, José Sérgio Gomes, Eric Moraes de Castro e Silva, Hugo Correia Sotero (Vicepresidente) e Aloysio José Percínio da Silva (Presidente). Ausente justificadamente o Conselheiro Mário Sérgio Fernandes Barroso. Relatório Fl. 1DF CARF MF Emitido em 02/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/07/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Assinado digitalmente em 11/07/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 19515.002724/200458 Acórdão n.º 110300.464 S1C1T3 Fl. 2 2 Tratase de auto de infração de IRPJ (fls. 140), relativo ao anocalendário 1999, com multa de 75% prevista no art. 44, I, da Lei 9.430/96, lavrado em razão de compensação de prejuízos fiscais acima do limite legal de 30%. Mediante tempestiva impugnação (fls. 145), o sujeito passivo requereu, preliminarmente, a reunião deste processo (19515.002724/200458) e o de nº 19515.002729/200481, que trata de auto de infração de CSLL, por economia processual, tendo em vista que ambas as exigências seriam originárias do mesmo termo de intimação. No mérito, alegou violação de princípios e dispositivos constitucionais, além de defender, na hipótese de se julgar indevida a compensação, a ocorrência de postergação de pagamento do imposto. A 2ª Turma da DRJ/São Paulo ISP julgou o lançamento procedente, nos termos do Acórdão nº 1614.550/2007 (fls. 239), assim resumido: “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 1999 ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADES E/OU ILEGALIDADES. A apreciação de alegações de inconstitucionalidades e/ou ilegalidades é de exclusiva competência do Poder Judiciário. Matérias que as questionam não são apreciadas na esfera administrativa. COMPENSAÇÃO. LIMITE DE 30%. POSTERGAÇÃO. A glosa de compensação de prejuízos fiscais e bases negativas superiores ao limite de 30% na apuração do IRPJ e CSLL não configura hipótese de postergação de tributo.” Cientificada da decisão em 12/02/2008 (fls. 251), a autuada interpôs recurso voluntário no dia 13 do mês seguinte (fls. 252), renovando os argumentos de contestação contidos na impugnação. Em face da Resolução nº 110300.017/2010 (fls. 283), os autos foram devolvidos à unidade de origem para realização de diligência com o fim de intimar a contribuinte a comprovar pagamentos de IRPJ realizados até 24/11/2004 (antecipações mensais, IRF e quotas). A informação da autoridade encarregada da verificação e a manifestação da contribuinte estão nas fls. 679 e 684, respectivamente. É o relatório. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 02/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/07/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Assinado digitalmente em 11/07/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 19515.002724/200458 Acórdão n.º 110300.464 S1C1T3 Fl. 3 3 Voto Conselheiro ALOYSIO JOSÉ PERCÍNIO DA SILVA, Relator O recurso é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, deve, portanto, ser conhecido e julgado. Este Conselho, na condição de órgão integrante da estrutura administrativa da União, não detém competência para enfrentar argüições de inconstitucionalidade de atos legais, segundo a Súmula CARF nº 2, com o seguinte enunciado: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” A aplicação do limite à compensação de prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas de CSLL é matéria pacificada neste Conselho, tendo em vista a Súmula CARF nº 3: “Para a determinação da base de cálculo do Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas e da Contribuição Social sobre o Lucro, a partir do anocalendário de 1995, o lucro líquido ajustado poderá ser reduzido em, no máximo, trinta por cento, tanto em razão da compensação de prejuízo, como em razão da compensação da base de cálculo negativa.” A contribuinte autuada defendeu a ocorrência de mera postergação de pagamento do tributo no caso de compensação integral, por absorver todo saldo de prejuízos fiscais, não permitindo o seu aproveitamento em períodos posteriores. Afirmou ter apurado lucros expressivos nos anos seguintes, restando comprovado com os documentos acostados, a seu ver, que as bases de cálculo dos anos subseqüentes foram majoradas em razão da utilização integral dos prejuízos fiscais no ano de 1999. Com efeito, o excesso de compensação no anocalendário 1999, de R$ 2.747.949,69, seria absorvido ainda antes do auto de infração, lavrado em 23/11/2004 (fls. 140), pelos lucros declarados nos anoscalendário 2000 (fls. 271), 2001 (fls. 196) e 2002 (fls. 212), mesmo observandose o limite legal de 30% em cada ano. O tema também já foi objeto de súmula deste órgão, com o seguinte teor: “Súmula CARF nº 36. A inobservância do limite legal de trinta por cento para compensação de prejuízos fiscais ou bases negativas da CSLL, quando comprovado pelo sujeito passivo que o tributo que deixou de ser pago em razão dessas compensações o foi em período posterior, caracteriza postergação do pagamento do IRPJ ou da CSLL, o que implica em excluir da exigência a parcela paga posteriormente.” Fl. 3DF CARF MF Emitido em 02/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/07/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Assinado digitalmente em 11/07/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 19515.002724/200458 Acórdão n.º 110300.464 S1C1T3 Fl. 4 4 Dessa forma, a postergação estaria demonstrada, ao menos em tese, tendo em vista que a efetiva ocorrência de postergação pressupõe a confirmação de pagamento do tributo em período posterior. Com a realização da diligência, a autoridade fiscal atestou a quitação do IRPJ mediante pagamento ou compensação (fls. 679/681) nos anoscalendário posteriores, o que veio confirmar efetivamente a alegação de postergação sustentada pela contribuinte. Conclusão Pelo exposto, dou provimento ao recurso. ALOYSIO JOSÉ PERCÍNIO DA SILVA Fl. 4DF CARF MF Emitido em 02/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/07/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Assinado digitalmente em 11/07/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA
score : 1.0
Numero do processo: 14041.000400/2007-28
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 14 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Apr 14 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Data do fato gerador: 28/06/2007
CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO ARTIGO 32, I DA LEI N.º 8.212/91
C/C ARTIGO 225, I DO REGULAMENTO DA PREVIDÊNCIA SOCIAL,
APROVADO PELO DECRETO N.º 3.048/99 NÃO ELABORAÇÃO DE
FOLHA DE PAGAMENTOS DE ACORDO COM OS PADRÕES.
A inobservância da obrigação tributária acessória é fato gerador do auto de infração, o qual se constitui, principalmente, em forma de exigir que a obrigação seja cumprida; obrigação que tem por finalidade auxiliar a SRP na administração previdenciária.
Inobservância do artigo 32, I da Lei n.º 8.212/91 c/c artigo 225, I do RPS, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/99.
A empresa é obrigada a preparar folha de pagamento da remuneração paga, devida ou creditada a todos os segurados a seu serviço, devendo destacar as parcelas integrantes e não integrantes da remuneração e os descontos legais.
NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO REMUNERAÇÃO. CARTÕES DE PREMIAÇÃO PARCELA DE INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA.
A verba paga pela empresa aos segurados por intermédio de programa de incentivo, administrativo por empresas de premiação. é fato gerador de contribuição previdenciária.
Uma vez estando no campo de incidência das contribuições previdenciárias, para não haver incidência é mister previsão legal nesse sentido, sob pena de afronta aos princípios da legalidade e da isonomia.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2401-001.798
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar
provimento ao recurso.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Data do fato gerador: 28/06/2007 CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO ARTIGO 32, I DA LEI N.º 8.212/91 C/C ARTIGO 225, I DO REGULAMENTO DA PREVIDÊNCIA SOCIAL, APROVADO PELO DECRETO N.º 3.048/99 NÃO ELABORAÇÃO DE FOLHA DE PAGAMENTOS DE ACORDO COM OS PADRÕES. A inobservância da obrigação tributária acessória é fato gerador do auto de infração, o qual se constitui, principalmente, em forma de exigir que a obrigação seja cumprida; obrigação que tem por finalidade auxiliar a SRP na administração previdenciária. Inobservância do artigo 32, I da Lei n.º 8.212/91 c/c artigo 225, I do RPS, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/99. A empresa é obrigada a preparar folha de pagamento da remuneração paga, devida ou creditada a todos os segurados a seu serviço, devendo destacar as parcelas integrantes e não integrantes da remuneração e os descontos legais. NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO REMUNERAÇÃO. CARTÕES DE PREMIAÇÃO PARCELA DE INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. A verba paga pela empresa aos segurados por intermédio de programa de incentivo, administrativo por empresas de premiação. é fato gerador de contribuição previdenciária. Uma vez estando no campo de incidência das contribuições previdenciárias, para não haver incidência é mister previsão legal nesse sentido, sob pena de afronta aos princípios da legalidade e da isonomia. Recurso Voluntário Negado.
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A inobservância da obrigação tributária acessória é fato gerador do autode infração, o qual se constitui, principalmente, em forma de exigir que a obrigação seja cumprida; obrigação que tem por finalidade auxiliar a SRP na administração previdenciária. Inobservância do artigo 32, I da Lei n.º 8.212/91 c/c artigo 225, I do RPS, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/99. A empresa é obrigada a preparar folha de pagamento da remuneração paga, devida ou creditada a todos os segurados a seu serviço, devendo destacar as parcelas integrantes e não integrantes da remuneração e os descontos legais. NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO REMUNERAÇÃO. CARTÕES DE PREMIAÇÃO PARCELA DE INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. A verba paga pela empresa aos segurados por intermédio de programa de incentivo, administrativo por empresas de premiação. é fato gerador de contribuição previdenciária. Uma vez estando no campo de incidência das contribuições previdenciárias, para não haver incidência é mister previsão legal nesse sentido, sob pena de afronta aos princípios da legalidade e da isonomia. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 415DF CARF MF Emitido em 30/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/05/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL Assinado digitalmente em 09/05/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, 19/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Elias Sampaio Freire Presidente Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Cleusa Vieira de Souza, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 416DF CARF MF Emitido em 30/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/05/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL Assinado digitalmente em 09/05/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, 19/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 14041.000400/200728 Acórdão n.º 2401001.798 S2C4T1 Fl. 414 3 Relatório Trata o presente auto de infração, lavrado sob o n. 37.064.0764 em desfavor da recorrente, originado em virtude do descumprimento do art. 32, I da Lei n ° 8.212/1991 c/c art. 225, I e § 9º e art. 283, I, “a” do RPS, aprovado pelo Decreto n ° 3.048/1999. Segundo a fiscalização previdenciária, a recorrente deixou de elaborar folha de pagamento com todas as remunerações dos segurados empregados e contribuintes individuais que lhe prestaram serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidas pelo INSS. Segundo a fiscalização previdenciária, a recorrente deixou de preparar folhas de pagamento incluindo os prêmios e bonificações pagos a título de remuneração aos empregados e contribuintes individuais, por meio do cartão de eletrônico administrado pelas empresas INCENTIVE HOUSE S.A CNPJ: 00.416.126/000141, SPIRIT MARKETING PROMOCIONAL LTDA CNPJ: 04.182.848/000130, FREECARD MARKETING DE INCENTIVO LTDA CNPJ: 02.995.491/000183, no período de 02/2002 a 08/2006. Importante, destacar que a lavratura do AI deuse em 28/06/2007, tendo a cientificação ao sujeito passivo ocorrido no mesmo dia. Não conformada com a autuação a recorrente apresentou impugnação, fls. 72 a 83, alegando sinteticamente a inexistência de reincidência genérica, bem como seja julgada improcedente a autuação considerando que os valores de premiação não integram a remuneração salarial dos empregados premiados. Tendo em vista as alegações da empresa autuada, o processo foi baixado em diligência tendo o auditor se manifestado no sentido de que não houve trânsito em julgado das autuações, fl. 369. Foi exarada a DecisãoNotificação DN que confirmou a procedência do lançamento, contudo com retificação da multa, por não haver trânsito em julgado dos AI que ensejaram a reincidência genérica, conforme fls.370 a 375. Não concordando com a decisão do órgão previdenciário, foi interposto recurso pela notificada, conforme fls. 382 a 392. Em síntese, a recorrente traz as mesmas alegações da impugnação, de que os valores correspondentes às premiações não integram a remuneração salarial dos empregados premiados, e portanto, não há que se falar em descumprimento de apresentação de informações cadastrais, financeiras e contábeis, •porque obedecida a legislação de regência. Requer seja cancelada a exigência fiscal, pelas razões de mérito e desconstituída a multa sem sua totalidade, pela comprovação da improcedência total da mesma. É o relatório. Fl. 417DF CARF MF Emitido em 30/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/05/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL Assinado digitalmente em 09/05/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, 19/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 Voto Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Relatora PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE: O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação à fl. 412. Superados os pressupostos, passo as preliminares ao exame do mérito. DO MÉRITO Pelos documentos presentes nos autos a autoridade previdenciária requereu os documentos pertinentes ao cumprimento da legislação previdenciária, mais as folhas de pagamento contendo informações acerca dos prêmios pagos aos segurados empregados e contribuintes individuais. O art. 293 do Decreto 3.048/99, assim dispõe neste sentido: Art.293. Constatada a ocorrência de infração a dispositivo deste Regulamento, a fiscalização do Instituto Nacional do Seguro Social lavrará, de imediato, autodeinfração com discriminação clara e precisa da infração e das circunstâncias em que foi praticada, dispositivo legal infringido e a penalidade aplicada e os critérios de sua gradação, indicando local, dia, hora de sua lavratura, observadas as normas fixadas pelos órgãos competentes. O procedimento adotado pelo AFPS na aplicação do presente autode infração seguiu a legislação previdenciária, conforme fundamentação legal descrita. No presente caso, a obrigação acessória está prevista na Lei n ° 8.212/1991 em seu artigo 32, I, nestas palavras: Art. 32. A empresa é também obrigada a: I preparar folhasdepagamento das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pelo órgão competente da Seguridade Social; Como se percebe, a própria lei conferiu poderes ao INSS para definir o padrão e as normas de elaboração dos documentos. A elaboração das folhas de pagamentos está disciplinada no art. 225 do RPS, aprovado pelo Decreto n ° 3.048/1999, nestas palavras: Art.225. A empresa é também obrigada a: I preparar folha de pagamento da remuneração paga, devida ou creditada a todos os segurados a seu serviço, devendo manter, em cada estabelecimento, uma via da respectiva folha e recibos de pagamentos; (...) Fl. 418DF CARF MF Emitido em 30/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/05/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL Assinado digitalmente em 09/05/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, 19/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 14041.000400/200728 Acórdão n.º 2401001.798 S2C4T1 Fl. 415 5 § 9º A folha de pagamento de que trata o inciso I do caput, elaborada mensalmente, de forma coletiva por estabelecimento da empresa, por obra de construção civil e por tomador de serviços, com a correspondente totalização, deverá: I discriminar o nome dos segurados, indicando cargo, função ou serviço prestado; IIagrupar os segurados por categoria, assim entendido: segurado empregado, trabalhador avulso, contribuinte individual; (Redação dada pelo Decreto nº 3.265, de 29/11/99) III destacar o nome das seguradas em gozo de salário maternidade; IV destacar as parcelas integrantes e não integrantes da remuneração e os descontos legais; e (grifo nosso) V indicar o número de quotas de saláriofamília atribuídas a cada segurado empregado ou trabalhador avulso. Assim, era obrigação da recorrente o preparo das folhas de pagamentos. Conforme comprovado nos autos, tal elaboração não foi realizada na forma estabelecida. O ponto chave a ser apreciado no AI em questão em consonância com a NFLD lavrada durante o mesmo procedimento e julgada nessa mesma sessão, é a identificação do campo de incidência das contribuições previdenciárias. Para isso façamos uso da legislação previdenciária, atrelada a conceitos trazidos da legislação trabalhista. De acordo com o previsto no art. 28 da Lei n ° 8.212/1991, para o segurado empregado entendese por saláriodecontribuição a totalidade dos rendimentos destinados a retribuir o trabalho, incluindo nesse conceito os ganhos habituais sob a forma de utilidades, nestas palavras: Art.28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) O conceito de remuneração, descrito no art. 457 da CLT, deve ser analisado em sua acepção mais ampla, ou seja, correspondendo ao gênero, do qual são espécies principais os termos salários, ordenados, vencimentos etc. Art. 457. Compreendemse na remuneração do empregado, para todos os efeitos legais, além do salário devido e pago Fl. 419DF CARF MF Emitido em 30/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/05/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL Assinado digitalmente em 09/05/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, 19/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 diretamente pelo empregador, como contraprestação do serviço, as gorjetas que receber. § 1º Integram o salário não só a importância fixa estipulada, como também as comissões, percentagens, gratificações ajustadas, diárias para viagens e abonos pagos pelo empregador. § 2º Não se incluem nos salários as ajudas de custo, assim como as diárias para viagem que não excedam de cinqüenta por cento do salário percebido pelo empregado. § 3º Considerase gorjeta não só a importância espontaneamente dada pelo cliente ao empregado, como também aquela que for cobrada pela empresa ao cliente, como adicional nas contas, a qualquer título, e destinada a distribuição aos empregados. Art. 458. Além do pagamento em dinheiro, compreendese no salário, para todos os efeitos legais, a alimentação, habitação, vestuário ou outras prestações in natura que a empresa, por força do contrato ou do costume, fornecer habitualmente ao empregado. Em caso algum será permitido o pagamento com bebidas alcoólicas ou drogas nocivas. Não procede o argumento do recorrente de que a verba prêmio não possue natureza salarial, uma vez que já está pacificado na doutrina e jurisprudência que os prêmios pagos possuem natureza salarial, independente de sua habitualidade, ou mesmo se forem pagos por terceira pessoa, no caso, empresas de premiação. A definição de “prêmios” dada pela recorrente não se coaduna com a de verba indenizatória, mas, com a de parcelas suplementares pagas em razão do exercício de atividades, tendo o empregado alcançado resultados no exercício da atividade laboral. O ilustre professor Maurício Godinho Delgado, em seu livro “Curso de Direito do Trabalho”, 3º edição, editora LTr, pág. 747, assim referese ao assunto: (...) Os prêmios consistem em parcelas contraprestativas pagas pelo empregador ao empregado em decorrência de um evento ou circunstância tida como relevante pelo empregador e vinculada à conduta individual do obreiro ou coletiva dos trabalhadores da empresa.(...) O prêmio, na qualidade de contraprestação paga pelo empregador ao empregado, têm nítida feição salarial. (...) Os prêmios são considerados parcelas salariais suplementares, pagas em função do exercício de atividades atingindo determinadas condições. Neste sentido, adquirem caráter estritamente contraprestativo, ou seja, de um valor pago a mais, um “plus” em função do alcance de metas e resultados Não tem por escopo indenizar despesas, ressarcir danos, mas, atribuir um incentivo ao empregado. Segundo o professor Amauri Mascaro Nascimento, em seu livro Manual do salário, Ed. Ltr, p. 334, nestas palavras “Prêmio é modalidade de salário vinculado a fatores de ordem pessoal do trabalhador, como produtividade e eficiência. Os Fl. 420DF CARF MF Emitido em 30/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/05/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL Assinado digitalmente em 09/05/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, 19/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 14041.000400/200728 Acórdão n.º 2401001.798 S2C4T1 Fl. 416 7 prêmios caracterizamse por seu aspecto condicional, sendo que uma vez instituídos e pagos com habitualidade não podem ser suprimidos .” Vale destacar ainda, que por se caracterizarem como remuneração, os prêmios devem, em regra, refletir no pagamento de todas as demais verbas trabalhistas, sejam elas: férias, 13º salário, repouso semanal remunerado, devendose observar a habitualidade dependendo da verba que se faça incidir. Pelo exposto o campo de incidência é delimitado pelo conceito remuneração. Remunerar significa retribuir o trabalho realizado. Desse modo, qualquer valor em pecúnia ou em utilidade que seja pago a uma pessoa natural em decorrência de um trabalho executado ou de um serviço prestado, ou até mesmo por ter ficado à disposição do empregador, está sujeito à incidência de contribuição previdenciária. A legislação previdenciária é clara quando destaca, em seu art. 28, §9º, quais as verbas que não integram o salário de contribuição. Tais parcelas não sofrem incidência de contribuições previdenciárias, seja por sua natureza indenizatória ou assistencial, e podese identificar que o referido dispositivo não faz qualquer referência a verba premiação. Dessa maneira, não tem porque o presente autodeinfração ser anulado em virtude da ausência de vício formal na elaboração. Foi identificada a infração, havendo subsunção desta ao dispositivo legal infringido. Os fundamentos legais da multa aplicada foram discriminados e aplicados de maneira adequada. Destacase que as obrigações acessórias são impostas aos sujeitos passivos como forma de auxiliar e facilitar a ação fiscal. Por meio das obrigações acessórias a fiscalização conseguirá verificar se a obrigação principal foi cumprida. Como é sabido, a obrigação acessória é decorrente da legislação tributária e não apenas da lei em sentido estrito, conforme dispõe o art. 113, § 2º do CTN, nestas palavras: Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. § 2º A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. § 3º A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. A legislação engloba as leis, os tratados e as convenções internacionais, os decretos e as normas complementares que versem, no todo ou em parte, sobre tributos e relações jurídicas a eles pertinentes, conforme dispõe o art. 96 do CTN. Fl. 421DF CARF MF Emitido em 30/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/05/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL Assinado digitalmente em 09/05/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, 19/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 8 Assim, foi correta a aplicação do auto de infração ao presente caso pelo órgão previdenciário. O relatório fiscal indicou de maneira clara e precisa todos os fatos ocorridos, havendo subsunção destes à norma prevista no art. 32, I, da Lei n° 8.212/1991. O Auto de Infração sendo aplicado da maneira como foi imposto não se transforma em meio obtuso de arrecadação, nem possui efeito confiscatório. Na legislação previdenciária, a aplicação de auto de infração não possui a finalidade precípua de arrecadação, o que pode ser demonstrado pela previsão de atenuação ou até mesmo da relevação da multa, neste último caso, o infrator não pagará nenhum valor (art. 291 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n ° 3.048/1999). Vale destacar, ainda, que a responsabilidade pela infração tributária é em regra objetiva, isto é independe de culpa ou dolo. Assim, foi correta a aplicação do auto de infração ao presente caso pelo órgão previdenciário. Desse modo, a autuação deve persistir. CONCLUSÃO: Voto pelo CONHECIMENTO do recurso para mérito NEGARLHE PROVIMENTO, julgando procedente o lançamento efetuado. É como voto. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Fl. 422DF CARF MF Emitido em 30/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/05/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL Assinado digitalmente em 09/05/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, 19/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
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Numero do processo: 10640.002398/2007-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 11 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed May 11 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/12/2001 a 31/12/2001
SEGURADO CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS A CARGO DA EMPRESA. ART. 22, III DA LEI Nº 8.212/91.
A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de vinte por cento sobre o total das remunerações pagas ou creditadas a qualquer título, no decorrer do mês, aos segurados contribuintes individuais que lhe prestem serviços.
JUROS SOBRE O CAPITAL PRÓPRIO PAGOS A SÓCIO GERENTE. PARCELA EXCEDENTE AO LIMITE LEGAL. PRO LABORE. FATO GERADOR DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA.
O pagamento aos sócios gerentes de juros sobre capital próprio, na parcela excedente ao limite superior previsto em lei, qualificam-se como remuneração de segurados contribuintes individuais a título de pro labore, transferindo para a empresa o ônus da prova em contrário.
NFLD. ÔNUS DA PROVA. IMPUGNAÇÃO SEM ESTEIO EM PROVAS MATERIAIS.
A apresentação de documentação deficiente autoriza o Fisco a lançar a contribuição previdenciária que reputar devida, recaindo sobre o sujeito passivo o ônus da prova em contrário. O Recurso pautado unicamente em alegações verbais, sem o amparo de indício de prova material, não desincumbe o Recorrente do ônus probatório imposto pelo art. 33, §3º, in fine da Lei nº 8.212/91, eis que alegar sem provar é o mesmo que nada alegar.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2302-001.035
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o julgado.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: Arlindo da Costa e Silva
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camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/12/2001 a 31/12/2001 SEGURADO CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS A CARGO DA EMPRESA. ART. 22, III DA LEI Nº 8.212/91. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de vinte por cento sobre o total das remunerações pagas ou creditadas a qualquer título, no decorrer do mês, aos segurados contribuintes individuais que lhe prestem serviços. JUROS SOBRE O CAPITAL PRÓPRIO PAGOS A SÓCIO GERENTE. PARCELA EXCEDENTE AO LIMITE LEGAL. PRO LABORE. FATO GERADOR DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. O pagamento aos sócios gerentes de juros sobre capital próprio, na parcela excedente ao limite superior previsto em lei, qualificam-se como remuneração de segurados contribuintes individuais a título de pro labore, transferindo para a empresa o ônus da prova em contrário. NFLD. ÔNUS DA PROVA. IMPUGNAÇÃO SEM ESTEIO EM PROVAS MATERIAIS. A apresentação de documentação deficiente autoriza o Fisco a lançar a contribuição previdenciária que reputar devida, recaindo sobre o sujeito passivo o ônus da prova em contrário. O Recurso pautado unicamente em alegações verbais, sem o amparo de indício de prova material, não desincumbe o Recorrente do ônus probatório imposto pelo art. 33, §3º, in fine da Lei nº 8.212/91, eis que alegar sem provar é o mesmo que nada alegar. Recurso Voluntário Negado
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CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS A CARGO DA EMPRESA. ART. 22, III DA LEI Nº 8.212/91. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de vinte por cento sobre o total das remunerações pagas ou creditadas a qualquer título, no decorrer do mês, aos segurados contribuintes individuais que lhe prestem serviços. JUROS SOBRE O CAPITAL PRÓPRIO PAGOS A SÓCIOGERENTE. PARCELA EXCEDENTE AO LIMITE LEGAL. PRO LABORE. FATO GERADOR DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. O pagamento aos sóciosgerentes de juros sobre capital próprio, na parcela excedente ao limite superior previsto em lei, qualificamse como remuneração de segurados contribuintes individuais a título de pro labore, transferindo para a empresa o ônus da prova em contrário. NFLD. ÔNUS DA PROVA. IMPUGNAÇÃO SEM ESTEIO EM PROVAS MATERIAIS. A apresentação de documentação deficiente autoriza o Fisco a lançar a contribuição previdenciária que reputar devida, recaindo sobre o sujeito passivo o ônus da prova em contrário. O Recurso pautado unicamente em alegações verbais, sem o amparo de indício de prova material, não desincumbe o Recorrente do ônus probatório imposto pelo art. 33, §3º, in fine da Lei nº 8.212/91, eis que alegar sem provar é o mesmo que nada alegar. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 108DF CARF MF Emitido em 19/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/05/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Assinado digitalmente em 17/05/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, 19/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS V IEIRA 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o julgado. MARCO ANDRÉ RAMOS VIEIRA Presidente. ARLINDO DA COSTA E SILVA Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Marco André Ramos Vieira (Presidente de Turma), Liége Lacroix Thomasi, Arlindo da Costa e Silva e Wilson Antonio de Souza Correa. Ausência momentânea : Conselheiros Manoel Coelho Arruda Junior e Adriana Sato. Relatório Período de apuração: 01/12/2001 a 31/12/2001. Data da lavratura da NFLD: 02/07/2007. Data da Ciência do NFLD : 02/07/2007. Tratase de crédito tributário lançado em desfavor da empresa em epígrafe, consistente em contribuições previdenciárias destinadas ao custeio da Seguridade Social incidentes sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas a segurados contribuintes individuais que lhe prestaram serviços em cada mês, conforme descrito no Relatório Fiscal a fls.20/25. Informa a Autoridade Lançadora que as Contribuições Previdenciárias objeto do presente lançamento tiveram como fato gerador o pagamento de Juros sobre o Capital Próprio pago em desacordo com a legislação vigente, art. 9°, §1º da Lei nº 9.249/95. Irresignado com o supracitado lançamento tributário, o sujeito passivo apresentou impugnação a fls. 56/58. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora/MG lavrou Decisão Administrativa a fls. 78/81 julgando procedente a Notificação Fiscal e mantendo o crédito tributário em sua integralidade. O Sujeito Passivo foi cientificado da decisão de 1ª Instância no dia 12/11/2007, conforme Aviso de Recebimento a fl. 84. Fl. 109DF CARF MF Emitido em 19/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/05/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Assinado digitalmente em 17/05/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, 19/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS V IEIRA Processo nº 10640.002398/200711 Acórdão n.º 230201.035 S2C3T2 Fl. 99 3 Inconformado com a decisão exarada pelo órgão administrativo julgador a quo, o ora Recorrente interpôs recurso voluntário, a fls. 85/88, respaldando sua inconformidade em argumentação desenvolvida nos seguintes elementos: • Que o pagamento de juros sobre o capital próprio não está inserido no conceito de remuneração, eis que um advém de rendimento de capital e o outro, do trabalho prestado. • Que não pode o INSS a talante de seus auditores criar consequências fiscais para possíveis discrepâncias na constituição da provisão, que é eminentemente de relação tributária do Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas nas relações societárias. Aduz que transmudar tal entendimento para remuneração paga a qualquer título a sócios não encontra amparo na lei. Não pode o intérprete ultrapassar a barreira da lei e criar a seu talante imposição tributária. Ao fim, requer que a improcedência do lançamento. Relatados sumariamente os fatos relevantes. Voto Conselheiro Arlindo da Costa e Silva, Relator. 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1.1. DA TEMPESTIVIDADE O sujeito passivo foi válida e eficazmente cientificado da decisão recorrida no dia 12/11/2007. Havendo sido o recurso voluntário protocolado no dia 11 de dezembro do mesmo ano, há que se reconhecer a tempestividade do recurso interposto. Presentes os demais requisitos de admissibilidade do recurso. Dele conheço parcialmente. Ante a inexistência de questões preliminares, passamos diretamente à análise do mérito. 2. DO MÉRITO Fl. 110DF CARF MF Emitido em 19/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/05/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Assinado digitalmente em 17/05/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, 19/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS V IEIRA 4 Cumpre assentar inicialmente que não serão objeto de apreciação por este Colegiado as matérias não expressamente contestadas pelo Recorrente, as quais se presumirão verdadeiras. 2.1. DO PAGAMENTO DE JUROS SOBRE O CAPITAL PRÓPRIO. O Recorrente concentra seu inconformismo na concepção intelectual de que, o pagamento de juros sobre o capital próprio não está inserido no conceito de remuneração, eis que um advém de rendimento de capital e o outro, do trabalho prestado. Razão não lhe assiste. O art. 29 da Instrução Normativa SRF nº 93/2007 prevê que o montante dos juros remuneratórios do capital passível de dedução como despesa operacional limitase ao maior dos seguintes valores: a) 50% (cinquenta por cento) do lucro líquido do exercício antes da dedução desses juros; b) 50% (cinquenta por cento) do somatório dos lucros acumulados e reserva de lucros. Instrução Normativa SRF Nº 093, de 24 de Dezembro de 1997 Art. 29. O montante dos juros remuneratórios do capital passível de dedução para efeitos de determinação do lucro real e da base de cálculo da contribuição social limitase ao maior dos seguintes valores: I 50% (cinquenta por cento) do lucro líquido do exercício antes da dedução desses juros; ou II 50% (cinquenta por cento) do somatório dos lucros acumulados e reserva de lucros. Parágrafo único. Para os efeitos do inciso I, o lucro líquido do exercício será aquele após a dedução da contribuição social sobre o lucro líquido e antes da dedução da provisão para o imposto de renda. Conforme anotado pela Autoridade Fiscal a fl. 21, a empresa recorrente apresentou Prejuízos Acumulados no período de 1999 a 2005, situação que definitivamente afasta a hipótese elencada no item ‘b’ supra indicado, a qual corresponde ao inciso II do art. 29 da IN SRF nº 93/97. Por tal motivo, nosso exame restringirseá à hipótese talhada no item ‘a’ acima ponteado. Conforme descrito pelo auditor fiscal notificante, a fl. 21, o lucro líquido antes da provisão para o imposto de renda no período em tela foi de R$158.645,09. Fl. 111DF CARF MF Emitido em 19/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/05/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Assinado digitalmente em 17/05/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, 19/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS V IEIRA Processo nº 10640.002398/200711 Acórdão n.º 230201.035 S2C3T2 Fl. 100 5 Adicionandose os juros sobre o capital próprio pagos, no valor de R$200.000,00, alcançase o montante de R$358.645,09. Nesse cenário, temos que o Lucro Líquido antes da dedução desses juros foi de exatamente R$ 358.645,09. Como consequência, em respeito às disposições inscritas no inciso I da IN SRF nº 93/97, o limite superior para o pagamento de juros é fixado pela lei no teto de R$ 179.322,54. Ocorre que o Recorrente procedeu ao pagamento de juros sobre o capital no valor de R$ 200.000,00 , ou seja, R$ 20.677,45 acima do limite legal permitido pela legislação tributária. Tal excesso não permite a lei que seja qualificado pelo rótulo pretendido pelo Recorrente. O art. 22, III da Lei nº 8.212/91 dispõe que a contribuição previdenciária a cargo da empresa, destinada ao custeio da Seguridade Social, é vinte por cento sobre o total das remunerações pagas ou creditadas a qualquer título, no decorrer do mês, aos segurados contribuintes individuais que lhe prestem serviços. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: (...) III vinte por cento sobre o total das remunerações pagas ou creditadas a qualquer título, no decorrer do mês, aos segurados contribuintes individuais que lhe prestem serviços; (Incluído pela Lei nº 9.876, de 1999). Ora, houve pagamento aos sóciosgerentes, segurados contribuintes individuais por definição legal. Tal pagamento não pode ser, legalmente, qualificado como juros sobre o capital próprio. A documentação apresentada tanto quanto as informações e alegações prestadas pela empresa mostraramse deficientes quanto à qualificação da natureza jurídica de tal verba. Tal deficiência autoriza os agentes do fisco federal a inscrever de ofício importância que reputarem devida a título de contribuição previdenciária, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. Na apuração da base de cálculo das contribuições previdenciárias devidas, com espeque no permissivo encartado no §3º do art. 33 da Lei nº 8.212/91, tomaram os agentes fiscais como a matéria tributável o montante auferido pelos sóciosgerentes que ultrapassou o limite superior dos rendimentos de capital fixados pela lei, ou seja, R$ 20.677,45 , eis que tal volume pecuniário se ajusta com perfeição ao conceito legal da base de incidência assentado no inciso III do art. 22 da Lei nº 8.212/91, transferindo dessarte para os ombros do Recorrente o ônus da prova em contrário. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 33. Ao Instituto Nacional do Seguro Social – INSS compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11, bem como as contribuições incidentes a título de Fl. 112DF CARF MF Emitido em 19/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/05/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Assinado digitalmente em 17/05/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, 19/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS V IEIRA 6 substituição; e à Secretaria da Receita Federal – SRF compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas ‘d’ e ‘e’ do parágrafo único do art. 11, cabendo a ambos os órgãos, na esfera de sua competência, promover a respectiva cobrança e aplicar as sanções previstas legalmente. (Redação dada pela Lei nº 10.256, de 2001). §1º É prerrogativa do Instituto Nacional do Seguro SocialINSS e do Departamento da Receita FederalDRF o exame da contabilidade da empresa, não prevalecendo para esse efeito o disposto nos arts. 17 e 18 do Código Comercial, ficando obrigados a empresa e o segurado a prestar todos os esclarecimentos e informações solicitados. (grifos nossos) §2º A empresa, o servidor de órgãos públicos da administração direta e indireta, o segurado da Previdência Social, o serventuário da Justiça, o síndico ou seu representante, o comissário e o liquidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial são obrigados a exibir todos os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas nesta Lei. §3º Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Instituto Nacional do Seguro SocialINSS e o Departamento da Receita FederalDRF podem, sem prejuízo da penalidade cabível, inscrever de ofício importância que reputarem devida, cabendo à empresa ou ao segurado o ônus da prova em contrário. Também não procedem as alegações de que os auditores fiscais não poderiam criar consequências fiscais para possíveis discrepâncias na constituição da provisão, a qual seria de relação tributária do Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas nas relações societárias, ou de que a transmutação de juros sobre capital para remuneração paga a qualquer título a sócios não encontraria amparo na lei. O caso sobre o qual ora nos debruçamos se nos afigura como mero pagamento de remuneração a sóciosgerentes dissimulado no ornato de pagamento de juros sobre capital. Nesse sentido, afastando qualquer ponta de argumento cabível de ser defendida pelo Recorrente, o Parágrafo Único do art. 116 do CTN, assentado topograficamente no capítulo reservado aos Fatos Geradores, confere expressamente à autoridade administrativa a competência para desconsiderar atos ou negócios jurídicos praticados com a finalidade de dissimular a ocorrência do fato gerador do tributo ou a natureza dos elementos constitutivos da obrigação tributária. Código Tributário Nacional CTN Art. 116. Salvo disposição de lei em contrário, considerase ocorrido o fato gerador e existentes os seus efeitos: I tratandose de situação de fato, desde o momento em que o se verifiquem as circunstâncias materiais necessárias a que produza os efeitos que normalmente lhe são próprios; II tratandose de situação jurídica, desde o momento em que esteja definitivamente constituída, nos termos de direito aplicável. Parágrafo único. A autoridade administrativa poderá desconsiderar atos ou negócios jurídicos praticados com a finalidade de dissimular a ocorrência do fato gerador do tributo Fl. 113DF CARF MF Emitido em 19/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/05/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Assinado digitalmente em 17/05/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, 19/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS V IEIRA Processo nº 10640.002398/200711 Acórdão n.º 230201.035 S2C3T2 Fl. 101 7 ou a natureza dos elementos constitutivos da obrigação tributária, observados os procedimentos a serem estabelecidos em lei ordinária. (Incluído pela Lcp nº 104, de 10.1.2001) Nesse contexto, nas oportunidades em que teve de se pronunciar, formalmente, nos autos, a empresa limitouse a verter alegações repousadas no vazio, apoiandose única e exclusivamente na fugacidade e efemeridade das palavras, visto não se encontrarem cortejadas por qualquer indício de prova matéria, em eloquente exercício de retórica, tão somente, não logrando se desincumbir, dessarte, do ônus que lhe era avesso, nem, tampouco ilidir o lançamento que lhe fora infligida pela fiscalização previdenciária. Da análise de tudo o quanto se considerou no presente julgado, podese asselar categoricamente que o presente lançamento não demanda, alfim, qualquer reparo. 3. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, CONHEÇO do recurso voluntário para, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. Arlindo da Costa e Silva Fl. 114DF CARF MF Emitido em 19/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/05/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Assinado digitalmente em 17/05/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, 19/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS V IEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 17460.000077/2007-40
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 14 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Apr 14 00:00:00 UTC 2011
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Data do fato gerador: 14/12/2006
OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. CFL 34. LEGALIDADE.
A empresa é obrigada a lançar mensalmente, em títulos próprios de sua contabilidade, em contas individualizadas, de forma discriminada, os fatos geradores de toda as contribuições previdenciárias, de forma a identificar, clara e precisamente, as rubricas integrantes e não integrantes do salário de contribuição, bem como o montante das contribuições descontadas dos segurados, o das empresa e os totais recolhidos, por estabelecimento da empresa, por obra de construção civil e por tomador de serviços.
Constitui infração ao Art. 32, II da Lei 8.212/91 deixar a empresa de informar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, todos os fatos geradores das contribuições previdenciárias, as quantias descontadas, as contribuições patronais e os totais recolhidos.
MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. EXTINÇÃO.
INOCORRÊNCIA.
O MPF pode ser prorrogado tantas vezes quantas forem necessárias, a critério exclusivo da administração tributária. Mesmo ocorrendo a extinção do MPF pelo decurso do prazo nele consignado, a autoridade responsável pela emissão do MPF extinto pode ainda determinar a emissão de novo MPF para a conclusão do procedimento fiscal, sem que tal fato importe em nulidade.
PRAZO DE IMPUGNAÇÃO. EXIGUIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA.
O prazo assinalado ao sujeito passivo para o oferecimento de impugnação a Auto de Infração tem natureza ex leg, não conferindo a lei que rege a matéria à administração tributária qualquer discricionariedade para a concessão de prazo diverso.
OBRIGAÇÕES ASSESSORIAS E PRINCIPAIS. INDEPENDÊNCIA.
AUTONOMIA.
O simples fato da inobservância da obrigação acessória é condição bastante, suficiente e determinante para a conversão de sua natureza de obrigação acessória em principal, relativamente à penalidade pecuniária.
Dessarte, nos termos da lei, ainda que não tenha ocorrido a obrigação principal ou esta, mesmo tendo ocorrido, já tenha sido adimplida, tais fatos não são suficientes para afastar a observância e/ou os efeitos das obrigações acessórias correlatas impostas pela legislação tributária.
LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. ATO ADMINISTRATIVO.
PRESUNÇÃO DE VERACIDADE E LEGALIDADE. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA.
Tendo em vista o consagrado atributo da presunção de veracidade que caracteriza os atos administrativos, gênero do qual o lançamento tributário é espécie, opera-se a inversão do encargo probatório, repousando sobre o autuado o ônus de desconstituir o lançamento ora em consumação.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2302-000.993
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade foi negado provimento ao recurso, nos termos do voto do Conselheiro Relator.
Matéria: Outras penalidades (ex.MULTAS DOI, etc)
Nome do relator: Arlindo da Costa e Silva
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 14/12/2006 OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. CFL 34. LEGALIDADE. A empresa é obrigada a lançar mensalmente, em títulos próprios de sua contabilidade, em contas individualizadas, de forma discriminada, os fatos geradores de toda as contribuições previdenciárias, de forma a identificar, clara e precisamente, as rubricas integrantes e não integrantes do saláriode contribuição, bem como o montante das contribuições descontadas dos segurados, o das empresa e os totais recolhidos, por estabelecimento da empresa, por obra de construção civil e por tomador de serviços. Constitui infração ao Art. 32, II da Lei 8.212/91 deixar a empresa de informar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, todos os fatos geradores das contribuições previdenciárias, as quantias descontadas, as contribuições patronais e os totais recolhidos. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. EXTINÇÃO. INOCORRENCIA. O MPF pode ser prorrogado tantas vezes quantas forem necessárias, a critério exclusivo da administração tributária. Mesmo ocorrendo a extinção do MPF pelo decurso do prazo nele consignado, a autoridade responsável pela emissão do MPF extinto pode ainda determinar a emissão de novo MPF para a conclusão do procedimento fiscal, sem que tal fato importe em nulidade. PRAZO DE IMPUGNAÇÃO. EXIGUIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. O prazo assinalado ao sujeito passivo para o oferecimento de impugnação a Auto de Infração tem natureza ex leg, não conferindo a lei que rege a matéria à administração tributária qualquer discricionariedade para a concessão de prazo diverso. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 31/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/04/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Assinado digitalmente em 25/04/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, 09/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS V IEIRA 2 OBRIGAÇÕES ACESSORIAS E PRINCIPAIS. INDEPENDÊNCIA. AUTONOMIA. O simples fato da inobservância da obrigação acessória é condição bastante, suficiente e determinante para a conversão de sua natureza de obrigação acessória em principal, relativamente à penalidade pecuniária. Dessarte, nos termos da lei, ainda que não tenha ocorrido a obrigação principal ou esta, mesmo tendo ocorrido, já tenha sido adimplida, tais fatos não são suficientes para afastar a observância e/ou os efeitos das obrigações acessórias correlatas impostas pela legislação tributária. LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. ATO ADMINISTRATIVO. PRESUNÇÃO DE VERACIDADE E LEGALIDADE. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. Tendo em vista o consagrado atributo da presunção de veracidade que caracteriza os atos administrativos, gênero do qual o lançamento tributário é espécie, operase a inversão do encargo probatório, repousando sobre o autuado o ônus de desconstituir o lançamento ora em consumação. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade foi negado provimento ao recurso, nos termos do voto do Conselheiro Relator. Marco André Ramos Vieira Presidente. Arlindo da Costa e Silva Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco André Ramos Vieira (Presidente de Turma), Manoel Coelho Arruda Junior (Vicepresidente de turma), Liége Lacroix Thomasi, Adriana Sato e Arlindo da Costa e Silva. Ausência momentânea: Thiago d’Avila Melo Fernandes. Relatório Período de apuração: 11/2001 a 13/2001. Data da lavratura do Auto de Infração : 14/12/2006. Data da Ciência do Auto de Infração : 18/12/2006. Tratase de auto de infração decorrente do descumprimento de obrigações acessórias previstas nos parágrafos 2º e 3º do art. 33 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, Fl. 2DF CARF MF Emitido em 31/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/04/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Assinado digitalmente em 25/04/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, 09/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS V IEIRA Processo nº 17460.000077/200740 Acórdão n.º 230200.993 S2C3T2 Fl. 166 3 lavrado em desfavor do Recorrente, em virtude de a empresa ter deixado de lançar, mensalmente, em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os valores referentes à folha de pagamento das competências 11/2001, 12/2001 e 13/2001, violando assim obrigação tributária acessória prevista no inciso II do art. 32 da Lei 8.212/91 c.c. art. 225, II e §§ 13 a 17 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Dec. nº 3.048/99, conforme descrito no Relatório Fiscal, a fls. 18/19. CFL 34 Deixar a empresa de lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos. A multa foi aplicada no valor básico de R$ 11.569,42, de acordo com os artigos 92 e 102 ambos da Lei nº 8.212/91 c.c. artigos 283, II, "a" e art. 373 do Regulamento da Previdência Social aprovado pelo Decreto nº 3.048/99, reajustado nos termos da Portaria nº 342, de 16.08.06, art. 7º, inciso VI , multiplicada em duas vezes, conforme previsto no art. 292, III do RPS, por ter incorrido a empresa em circunstância agravante prevista no item IV do art. 290 do mesmo regulamento, por ter impedido a continuidade da ação fiscal, quando recusouse a disponibilizar os documentos que estavam sendo analisados. Irresignado com o supracitado lançamento tributário, o Autuado apresentou impugnação a fls. 86/97. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto/SP lavrou Decisão Administrativa a fls. 137/149, julgando procedente a autuação em estudo e mantendo o crédito tributário em sua integralidade. O Sujeito Passivo foi cientificado da decisão de 1ª Instância no dia 04 de janeiro de 2008, conforme Comunicado a fl. 153. Inconformado com a decisão exarada pelo órgão administrativo julgador a quo, o ora Recorrente interpôs recurso voluntário, a fls. 156/163, respaldando sua contrariedade em argumentação desenvolvida nos seguintes termos: • Que houve extinção intercorrente do MPF; • Que a SRP utilizouse de fontes secundárias do Direito editando a IN/SRP nº 03/05 e estabelecendo novas bases de cálculo das contribuições previdenciárias. Aduz que faltam ao órgão previdenciário os parâmetros legais para promover a aferição indireta, através daquela instrução normativa; • Que houve cerceamento do direito de defesa eis que o prazo concedido para a impugnação ao Auto de Infração foi de 15 dias; • Que a lavratura do presente Auto de Infração decorreu do fato de o Recorrente ter se recusado a receber o MPF com data retroativa. Aduz que disponibilizou à fiscalização todos os documentos e livros solicitados; Fl. 3DF CARF MF Emitido em 31/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/04/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Assinado digitalmente em 25/04/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, 09/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS V IEIRA 4 • Duplicidade de lançamento. Ao fim, requer o Recorrente o afastamento do Auto de Infração. Relatados sumariamente os fatos relevantes. Voto Conselheiro Arlindo da Costa e Silva, Relator. 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE O sujeito passivo foi valida e eficazmente cientificado da decisão recorrida em 04/01/2008. Havendo sido o recurso voluntário protocolado no dia 06 de fevereiro do mesmo ano, há que se reconhecer a tempestividade do recurso interposto. Presentes os demais requisitos de admissibilidade do recurso. Dele conheço. 2. DAS QUESTÕES PRELIMINARES. 2.1. DA EXTINÇÃO DO MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. Alega o Recorrente ter havido extinção do MPF. Tal clamor, no entanto, não espelha a verdade. O Decreto nº 3.969, de 15 de outubro de 2001, ao estabelecer normas gerais sobre o planejamento das atividades da administração previdenciária em matéria fiscal e para a execução de procedimentos fiscais com vistas à apuração e cobrança de créditos previdenciários, assim dispôs em seu art. 4º, ipsis litteris: DECRETO Nº 3.969, de 15 de outubro de 2001. Art. 4º O MPF será emitido na forma de modelos adotados e divulgados pela Diretoria de Arrecadação do Instituto Nacional do Seguro Social, do qual será dada ciência ao sujeito passivo, nos termos do art. 23 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, com a redação dada pelo art. 67 da Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997, por ocasião do início do procedimento fiscal.(Redação dada pelo Decreto nº 4.058, de 18.12.2001). (grifos nossos) Fl. 4DF CARF MF Emitido em 31/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/04/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Assinado digitalmente em 25/04/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, 09/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS V IEIRA Processo nº 17460.000077/200740 Acórdão n.º 230200.993 S2C3T2 Fl. 167 5 Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (grifos nossos) II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (grifos nossos) III por meio eletrônico, com prova de recebimento, mediante: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) a) envio ao domicílio tributário do sujeito passivo; ou (Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005) b) registro em meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo. (Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005) §1º Quando resultar improfícuo um dos meios previstos no caput deste artigo ou quando o sujeito passivo tiver sua inscrição declarada inapta perante o cadastro fiscal, a intimação poderá ser feita por edital publicado: (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) I no endereço da administração tributária na internet; (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) II em dependência, franqueada ao público, do órgão encarregado da intimação; ou (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) III uma única vez, em órgão da imprensa oficial local. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) §2° Considerase feita a intimação: I na data da ciência do intimado ou da declaração de quem fizer a intimação, se pessoal; (grifos nossos) II no caso do inciso II do caput deste artigo, na data do recebimento ou, se omitida, quinze dias após a data da expedição da intimação; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (grifos nossos) III se por meio eletrônico, 15 (quinze) dias contados da data registrada: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) a) no comprovante de entrega no domicílio tributário do sujeito passivo; ou (Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005) b) no meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo; (Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005) IV 15 (quinze) dias após a publicação do edital, se este for o meio utilizado. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) Fl. 5DF CARF MF Emitido em 31/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/04/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Assinado digitalmente em 25/04/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, 09/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS V IEIRA 6 §3º Os meios de intimação previstos nos incisos do caput deste artigo não estão sujeitos a ordem de preferência. (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) (grifos nossos) §4º Para fins de intimação, considerase domicílio tributário do sujeito passivo: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) I o endereço postal por ele fornecido, para fins cadastrais, à administração tributária; e (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) II o endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, desde que autorizado pelo sujeito passivo. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) §5º O endereço eletrônico de que trata este artigo somente será implementado com expresso consentimento do sujeito passivo, e a administração tributária informarlheá as normas e condições de sua utilização e manutenção. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) §6º As alterações efetuadas por este artigo serão disciplinadas em ato da administração tributária. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) §7º Os Procuradores da Fazenda Nacional serão intimados pessoalmente das decisões do Conselho de Contribuintes e da Câmara Superior de Recursos Fiscais, do Ministério da Fazenda na sessão das respectivas câmaras subsequente à formalização do acórdão.(Incluído pela Lei nº 11.457, de 2007) §8º Se os Procuradores da Fazenda Nacional não tiverem sido intimados pessoalmente em até 40 (quarenta) dias contados da formalização do acórdão do Conselho de Contribuintes ou da Câmara Superior de Recursos Fiscais, do Ministério da Fazenda, os respectivos autos serão remetidos e entregues, mediante protocolo, à Procuradoria da Fazenda Nacional, para fins de intimação.(Incluído pela Lei nº 11.457, de 2007) §9º Os Procuradores da Fazenda Nacional serão considerados intimados pessoalmente das decisões do Conselho de Contribuintes e da Câmara Superior de Recursos Fiscais, do Ministério da Fazenda, com o término do prazo de 30 (trinta) dias contados da data em que os respectivos autos forem entregues à Procuradoria na forma do § 8o deste artigo. (Incluído pela Lei nº 11.457, de 2007) No Capítulo reservado à regulamentação dos prazos do MPF, o art. 13 do citado dec. 3.969/2001 estatui que o MPF pode ser prorrogado tantas vezes quantas forem necessárias, mediante a emissão do MPF Complementar. DECRETO nº 3.969, de 15 de outubro de 2001. Art. 13. A prorrogação do prazo de que trata o art. 12 poderá ser efetuada pela autoridade outorgante, tantas vezes quantas necessárias, observados, a cada ato, os limites estabelecidos naquele artigo. Parágrafo único. A prorrogação do prazo de validade do MPF será formalizada mediante a emissão do MPFC. Art. 15. O MPF se extingue: Fl. 6DF CARF MF Emitido em 31/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/04/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Assinado digitalmente em 25/04/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, 09/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS V IEIRA Processo nº 17460.000077/200740 Acórdão n.º 230200.993 S2C3T2 Fl. 168 7 I pela conclusão do procedimento fiscal, registrado em termo próprio; II pelo decurso dos prazos a que se referem os arts. 12 e 13. Art. 16. A hipótese de que trata o inciso II do art. 15 não implica nulidade dos atos praticados, podendo a autoridade responsável pela emissão do Mandado extinto determinar a emissão de novo MPF para a conclusão do procedimento fiscal. (grifos nossos) Da análise da legislação mencionada, deflui que o MPF Mandado de Procedimento Fiscal – deve ser emitido por ocasião do início do procedimento fiscal, e dele ser dada a devida ciência ao representante legal, ao mandatário, ou ao preposto do sujeito passivo, de forma pessoal ou por via postal, conforme o regramento fixado no art. 23 do Decreto nº 70.235/72, podendo ser prorrogado tantas vezes quantas necessárias ao cumprimento da ação fiscal. Compulsando os autos verificamos terem sido emitidos quatro MPF complementares, os quais foram lavrados ainda no prazo de validade do MPF anterior. Citese, por relevante, que, mesmo que o MPFC houvesse sido emitido após o decurso do prazo do MPF anterior, o que não é o caso presente, tal fato não implicaria nulidade do procedimento, eis que o art. 16 do já mencionado Dec. 3.969/2001 estabelece, de maneira expressa, que a autoridade responsável pela emissão do MPF extinto pode ainda determinar a emissão de novo MPF para a conclusão do procedimento fiscal, sem que tal fato importe em nulidade. No caso presente, o vertente Auto de Infração foi lavrado em 14 de dezembro de 2006, ainda no prazo de observância fixado no MPFC a fl. 10, o qual se extinguiria, por decurso de prazo, somente em 16 de janeiro de 2007. Conforme demonstrado, não procedem as alegações do Recorrente relativas à extinção do MPF. 2.2. DO CERCEAMENTO DE DEFESA Sustenta o Recorrente ter havido cerceamento do seu direito de defesa eis que o prazo concedido para a impugnação ao Auto de Infração foi de apenas 15 dias. Os argumentos acima postados não reúnem condições para prosperar. O prazo concedido ao autuado para a apresentação de impugnação ao Auto de Infração tem natureza estritamente legal, nos termos do Parágrafo Único do art. 37 da Lei nº 8.212/91 c.c. §1º do art. 293 do RPS. Salientese, ademais, que o legislador ordinário não facultou alternativas à Administração Tributária, extirpandolhe toda e qualquer discricionariedade associada a essa questão, não lhe atribuindo igualmente competência para afastar norma legal de cunho imperativo, como esta sobre a qual ora cerramos o foco. Fl. 7DF CARF MF Emitido em 31/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/04/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Assinado digitalmente em 25/04/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, 09/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS V IEIRA 8 Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 37. Constatado o atraso total ou parcial no recolhimento de contribuições tratadas nesta Lei, ou em caso de falta de pagamento de benefício reembolsado, a fiscalização lavrará notificação de débito, com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, conforme dispuser o regulamento. Parágrafo único. Recebida a notificação do débito, a empresa ou segurado terá o prazo de 15 (quinze) dias para apresentar defesa, observado o disposto em regulamento. Regulamento da Previdência Social Art. 293. Constatada a ocorrência de infração a dispositivo deste Regulamento, será lavrado auto de infração com discriminação clara e precisa da infração e das circunstâncias em que foi praticada, contendo o dispositivo legal infringido, a penalidade aplicada e os critérios de gradação, e indicando local, dia e hora de sua lavratura, observadas as normas fixadas pelos órgãos competentes. (Redação dada pelo Decreto no 6.103, de 30 de abril de 2007) §1º Recebido o auto de infração, o autuado terá o prazo de quinze dias, a contar da ciência, para efetuar o pagamento da multa com redução de cinquenta por cento ou impugnar a autuação. (Redação dada pelo Decreto no 4.032, de 2001) Por outro vértice, caminhando pari passu com as normas legais supra aludidas, a Portaria MPS n° 520, de 19 de maio de 2004, que disciplina os processos administrativos decorrentes de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito e de Auto de Infração, no âmbito do Ministério da Previdência Social, sem transbordar as margens erigidas pela lei, determina de forma expressa, mediante o preceito encartado em seu art. 35, que os prazos para impugnação ou recurso não serão prorrogados. Consigna, ainda, ser o prazo de impugnação o próprio e específico para o oferecimento de alegações e produção de provas documentais, sob pena de preclusão, ressalvadas as hipóteses excepcionais elencadas taxativamente no §1º do seu art. 9º, adiante transcrito. Portaria MPS n° 520, de 19 de maio de 2004. Art. 9 A impugnação mencionará: (..) §1° A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos Fl. 8DF CARF MF Emitido em 31/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/04/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Assinado digitalmente em 25/04/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, 09/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS V IEIRA Processo nº 17460.000077/200740 Acórdão n.º 230200.993 S2C3T2 Fl. 169 9 Art. 35. Os prazos para impugnação ou recurso não serão prorrogados. §1º Os prazos serão contínuos e começam a correr a partir da data da cientificação válida, excluindose da contagem o dia do começo e incluindose o do vencimento. §2º Os prazos só se iniciam ou vencem em dia de expediente normal no órgão em que tramita o processo ou deva ser praticado o ato. §3º Considerase prorrogado o prazo até o primeiro dia útil seguinte se o vencimento cair em dia em que não houver expediente ou este for encerrado antes do horário normal. No que pertine à aplicação subsidiária das disposições contidas no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, cumpre trazer à baila, de molde a nocautear eventuais incertezas, que tais disposições apenas seriam aplicáveis, tão somente, nas hipóteses de omissão da legislação de regência. É o que determina o art. 108 do Código Tributário Nacional, em atenção ao princípio da especialidade das leis. Código Tributário Nacional CTN Art. 108. Na ausência de disposição expressa, a autoridade competente para aplicar a legislação tributária utilizará sucessivamente, na ordem indicada: (grifos nossos) I a analogia; II os princípios gerais de direito tributário; III os princípios gerais de direito público; IV a equidade. §1º O emprego da analogia não poderá resultar na exigência de tributo não previsto em lei. §2º O emprego da equidade não poderá resultar na dispensa do pagamento de tributo devido. Nesse panorama, ante a existência de diploma normativo disciplinando o Processo Administrativo Fiscal nas ordens do Ministério da Previdência Social, e ostentando esse norma expressa dispondo sobre a impossibilidade de dilação do prazo de impugnação, mudas se tornam as vozes dimanadas do Decreto nº 70.235/72, não ecoando nos plenários do órgão julgador de 1ª instância daquela partição ministerial. E não se menospreze a normatividade da Portaria MPS nº 520/2004 antes citada. Isto porque o art. 96 c.c. art. 100, I , ambos do CTN, qualificam os atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas como “normas complementares das leis”, e, como tal, abraçadas pelo conceito legal de “Legislação Tributária”. Código Tributário Nacional CTN Art. 96. A expressão "legislação tributária" compreende as leis, os tratados e as convenções internacionais, os decretos e as normas complementares que versem, no todo ou em parte, sobre tributos e relações jurídicas a eles pertinentes. Art. 100. São normas complementares das leis, dos tratados e das convenções internacionais e dos decretos: Fl. 9DF CARF MF Emitido em 31/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/04/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Assinado digitalmente em 25/04/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, 09/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS V IEIRA 10 I os atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas; (grifos nossos) II as decisões dos órgãos singulares ou coletivos de jurisdição administrativa, a que a lei atribua eficácia normativa; III as práticas reiteradamente observadas pelas autoridades administrativas; IV os convênios que entre si celebrem a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios. Parágrafo único. A observância das normas referidas neste artigo exclui a imposição de penalidades, a cobrança de juros de mora e a atualização do valor monetário da base de cálculo do tributo. Nessa toada, se ofensa houve aos Princípios Constitucionais do devido processo legal, do contraditório e da ampla defesa, consoante alegações do Recorrente, essa foi promovida pelo Legislador Ordinário Federal ao editar a norma cogente em apreço, e não pelo Administração Tributária Previdenciária, que apenas cumpriu os mandamentos insculpidos na lei, a qual, conforme cediço, ostenta presunção iuris tantum de constitucionalidade. Salientese, ao propósito de espancar as dúvidas que ainda possam eventualmente pairar na compreensão do Recorrente, que o prazo fixado no art. 305, §1º do RPS referese ao intervalo de tempo de que dispõe a parte sucumbente para o oferecimento de recurso ao órgão julgado ad quem, em face de decisão proferida em 1ª instância administrativa. No caso em tela, a autoridade fiscal constatou a ocorrência de infração à legislação previdenciária e, ato contínuo, lavrou o competente Auto de Infração. Não sendo tal autoridade detentora absoluta da verdade, abre espaço ao autuado para o oferecimento de impugnação à autuação realizada. Tal hipótese atrai a incidência do preceito inscrito no art. 293, e não o do art. 305, do Regulamento da Previdência Social. Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Dec. nº 3.048/99 Art. 293. Constatada a ocorrência de infração a dispositivo deste Regulamento, a fiscalização do Instituto Nacional do Seguro Social lavrará, de imediato, auto de infração com discriminação clara e precisa da infração e das circunstâncias em que foi praticada, dispositivo legal infringido e a penalidade aplicada e os critérios de sua gradação, indicando local, dia, hora de sua lavratura, observadas as normas fixadas pelos órgãos competentes. §1º Recebido o auto de infração, o autuado terá o prazo de quinze dias, a contar da ciência, para efetuar o pagamento da multa com redução de cinquenta por cento ou impugnar a autuação. (Redação dada pelo Decreto nº 4.032/2001) §2º Impugnando a autuação, o autuado poderá efetuar o recolhimento com redução de vinte e cinco por cento até a data limite para interposição de recurso. (Redação dada pelo Decreto nº 4.032/2001) §3º O recolhimento do valor da multa, com redução, implica renúncia ao direito de impugnar ou de recorrer. (Redação dada pelo Decreto nº 4.032/2001) Fl. 10DF CARF MF Emitido em 31/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/04/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Assinado digitalmente em 25/04/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, 09/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS V IEIRA Processo nº 17460.000077/200740 Acórdão n.º 230200.993 S2C3T2 Fl. 170 11 §4º O auto de infração, impugnado ou não, será submetido à autoridade competente para julgar ou homologar. (Redação dada pelo Decreto nº 4.032/2001) §5º O auto de infração será submetido à julgamento da autoridade competente, que decidirá sobre a autuação ou homologará a extinção do crédito lançado, por pagamento, nas condições estabelecidas neste artigo. §6º Da decisão caberá recurso na forma da Subseção II da Seção II do Capítulo Único do Título I do Livro V. Art. 305. Das decisões do Instituto Nacional do Seguro Social nos processos de interesse dos beneficiários e dos contribuintes da seguridade social caberá recurso para o Conselho de Recursos da Previdência Social, conforme o disposto neste Regulamento e no Regimento daquele Conselho. §1º É de trinta dias o prazo para interposição de recursos e para o oferecimento de contrarrazões, contados da ciência da decisão e da interposição do recurso, respectivamente. (Redação dada pelo Decreto nº 4.729/2003) (...) Verificase portanto que o presente lançamento encontrase revestido de todas as formalidades exigidas por lei, dele constando, além dos relatórios já citados, os MPF, TIAF e TEAF, dentre outros, havendo sido o Sujeito Passivo cientificado de todas as decisões de relevo exaradas no curso do presente feito, restando garantido dessarte o pleno exercício do contraditório e da ampla defesa ao Notificado. Inexiste pois qualquer vício na formalização do débito a amparar a alegação de cerceamento de defesa erguida pelo Recorrente. Vencidas as preliminares, passamos à análise do mérito. 3. DO MÉRITO Cumpre, de plano, assentar que não serão objeto de apreciação por este Colegiado as matérias não expressamente contestadas pelo Recorrente, as quais se presumirão verdadeiras. 3.1. DA MOTIVAÇÃO O Recorrente sustenta que a lavratura do presente Auto de Infração decorreu do fato de ele haver se recusado a receber o MPF com data retroativa. Aduz que disponibilizou à fiscalização todos os documentos e livros solicitados. Fl. 11DF CARF MF Emitido em 31/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/04/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Assinado digitalmente em 25/04/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, 09/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS V IEIRA 12 As alegações do Recorrente não encontram nos autos ambiente propício para germinarem. A uma, eis que as alegações postadas pelo Recorrente vêm apoiadas única e exclusivamente na fugacidade e efemeridade das palavras, tão somente, visto não se apresentarem cortejadas por qualquer indício de prova material apto a darlhes sustentáculo. A duas, em virtude de os fatos alegados não guardar relevância para o desenvolvimento regular da ação fiscal. Explico: Em primeiro lugar, a legislação previdenciária não estipula prazo, a contar da emissão, para a ciência do MPF. Ela determina sim que, do MPF, seja dada ciência ao sujeito passivo, por ocasião do início do procedimento fiscal. Tal formalidade foi, de fato, observada pela fiscalização, conforme dessai do MPF a fl. 6. Além disso, todos os MPF complementares foram emitidos ainda no prazo de validade dos anteriores, isto é, daqueles a que se destinavam a dar continuidade. Registrese ainda que a legislação previdenciária não prevê a ciência formal dos MPF complementares. A ciência do sujeito passivo é realizada em respeito ao princípio da transparência dos atos da administração pública. Dessarte, não há prazo fixado na legislação para a ciência do fiscalizado. Assim, não faz qualquer sentido a alegação de ter havido o agente fiscal exigido que o Recorrente firmasse ciência no MPF com data retroativa. Tal conduta não produziria qualquer efeito sobre o procedimento fiscal. Em reforço a tal assertiva, assinalese que, mesmo na hipótese de ter ocorrido a extinção do MPF pelo decurso do prazo de validade, o que não é o caso, o art. 16 do Dec. 3.969/2001 autoriza, de maneira expressa, à autoridade responsável pela emissão do MPF extinto, a emissão de novo MPF para a conclusão do procedimento fiscal, sem que tal fato importe em nulidade. Como visto, a data de ciência aposta no MPF complementar é irrelevante para o desenvolvimento da ação fiscal, eis que os referidos MPFC foram emitidos em estrita observância das normas que regem a matéria. A três, o Auto de Infração, ato administrativo por excelência, é dotado de presunção iuris tantum de veracidade e legitimidade, a qual, segundo o magistério de Maria Sylvia Zanella Di Pietro, consiste na "conformidade do ato à lei. Em decorrência desse atributo, presumemse, até prova em contrário, que os atos administrativos foram emitidos com observância da lei" (Direito Administrativo, pág. 191, 18ª Edição, 2005, Atlas, São Paulo). Ainda de acordo com a citada autora, "A presunção de veracidade diz respeito aos fatos. Em decorrência desse atributo, presumemse verdadeiros os fatos alegados pela Administração." (op. cit. pág. 191, grifos do original). Dessarte, a aplicação da presunção de veracidade tem o condão de inverter o ônus da prova, cabendo ao particular comprovar de forma cabal a inocorrência dos fatos descritos pelo agente público, ou circunstância que exima sua responsabilidade administrativa, nos termos dos art. 333, inciso I do Código de Processo Civil, ônus do qual não se desincumbiu o Recorrente. Consoante o magistério do Mestre Hely Lopes Meirelles, “os atos administrativos, qualquer que seja sua categoria ou espécie, nascem com a presunção de Fl. 12DF CARF MF Emitido em 31/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/04/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Assinado digitalmente em 25/04/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, 09/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS V IEIRA Processo nº 17460.000077/200740 Acórdão n.º 230200.993 S2C3T2 Fl. 171 13 legitimidade, independentemente de norma legal que a estabeleça. Essa presunção decorre do princípio da legalidade da Administração, que, nos Estados de Direito, informa toda a atuação governamental. Além disso, a presunção de legitimidade dos atos administrativos responde as exigências de celeridade e segurança das atividades do Poder Público, que não podem ficar na dependência da solução de impugnação dos administrados, quanto à legitimidade de seus atos, para só após darlhes execução”. (Direito Administrativo Brasileiro. São Paulo: Malheiros, 1995). Assim, a presunção de legitimidade diz respeito aos aspectos jurídicos do ato administrativo, e, em decorrência desse atributo, presumemse, até que se prove o contrário, que os atos administrativos foram emitidos com observância da lei. No entanto, essa presunção abrange também a veracidade dos fatos contidos no ato, no que se convencionou denominar de “presunção de veracidade” dos atos administrativos, e, em decorrência desse atributo, serão presumidos como verdadeiros os fatos alegados pela Administração. No caso presente, indicou a Autoridade Lançadora em seu Relatório Fiscal a fl. 19 que “Em 2001, na conta contábil 1.1.2.21.0005 – Estoques Cond. Res. Piet Mondrian , conta do Ativo onde a empresa informou ter lançado todos os valores referentes a gastos com a construção do Condomínio, não estão contabilizados os valores referente a folha de pagamento dos meses 11/2001, 12/2001 e 13/2001. A partir de 25/9/2006 a empresa recusou se a disponibilizar os documentos ao auditor e, intimada a identificar as contas contábeis onde estavam as referidas folhas, recusouse”. A conduta assim perpetrada sujeita o infrator à penalidade prevista nos artigos 92 e 102 da Lei nº 8.212/91 c.c. artigos 283, II, "a" e 373 ambos do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.048/99, textualmente: Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 92. A infração de qualquer dispositivo desta Lei para a qual não haja penalidade expressamente cominada sujeita o responsável, conforme a gravidade da infração, a multa variável de Cr$ 100.000,00 (cem mil cruzeiros) a Cr$ 10.000.000,00 (dez milhões de cruzeiros), conforme dispuser o regulamento. Art. 102. Os valores expressos em moeda corrente nesta Lei serão reajustados nas mesmas épocas e com os mesmos índices utilizados para o reajustamento dos benefícios de prestação continuada da Previdência Social. (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.18713, de 2001). Regulamento da Previdência Social Art. 283. Por infração a qualquer dispositivo das Leis nos 8.212 e 8.213, ambas de 1991, e 10.666, de 8 de maio de 2003, para a qual não haja penalidade expressamente cominada neste Regulamento, fica o responsável sujeito a multa variável de R$ 636,17 (seiscentos e trinta e seis reais e dezessete centavos) a R$ 63.617,35 (sessenta e três mil, seiscentos e dezessete reais e trinta e cinco centavos), conforme a gravidade da infração, aplicandoselhe o disposto nos arts. 290 a 292, e de acordo com os seguintes valores: (Redação dada pelo Decreto nº 4.862, de 2003) Fl. 13DF CARF MF Emitido em 31/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/04/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Assinado digitalmente em 25/04/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, 09/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS V IEIRA 14 (...) II a partir de R$ 6.361,73 (seis mil trezentos e sessenta e um reais e setenta e três centavos) nas seguintes infrações: a) deixar a empresa de lançar mensalmente, em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos; Art. 373. Os valores expressos em moeda corrente referidos neste Regulamento, exceto aqueles referidos no art. 288, são reajustados nas mesmas épocas e com os mesmos índices utilizados para o reajustamento dos benefícios de prestação continuada da previdência social. De outro eito, as informações pertinentes ao cálculo da multa aplicada encontram dispostas no Relatório Fiscal de Aplicação da Multa, a fl. 20. Aqui, o agente fiscal promove um relato detalhado do comportamento adotado pelo Recorrente tendente a obstar o regular desenvolvimento da ação fiscal, não somente pelo não recebimento dos MPFC, mas, principalmente, por excluir da auditoria previdenciária o perfeito exame da escrituração contábil da empresa, conforme relato a fl. 2º, o qual pedimos vênia para transcrever: Relatório Fiscal de Aplicação da multa Por ter impedido a continuidade da ação fiscal, quando recusou se a disponibilizar os documentos que estavam sendo analisados, a multa foi elevada em duas vezes, conforme previsto no artigo 292, item III, por ter ocorrido a circunstância agravante prevista no item IV do art.290 do RPS, o que corresponde ao valor de R$ 23.138,84, conforme abaixo: Valor atualizado pela Portaria 342, de 16/08/2006 : R$.11.569,42 X 2= 23.138,84 Não houve emissão de Autos de Infração em fiscalizações anteriores Relato das circunstâncias agravantes 1. Os documentos citados abaixo já haviam sido apresentados e estavam sendo analisados: 1.1 Livros Diário: número Ano Registro número Data 5 2001 1845 07/4/2003 6 2002 5458 16/9/2005 7 2003 3469 16/9/2005 8 2004 3462 16/9/2005 1.2 Livros Razão dos anos 2001 a 2004; 1.3 Folhas de pagamento da obra matrícula 37/690.0132379; 1.3.1 Extraídas cópias :11/2001 a 10/2002 e 01/2003 a 05/2003; 1.3.2 Rubricadas: 01/2004 a 08/2005; Fl. 14DF CARF MF Emitido em 31/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/04/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Assinado digitalmente em 25/04/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, 09/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS V IEIRA Processo nº 17460.000077/200740 Acórdão n.º 230200.993 S2C3T2 Fl. 172 15 1.4 RAIS 2004 2. Estes documentos foram subtraídos da sala onde estavam sendo analisados, pelo Sr. Valter Mattos Jr e pessoa apresentada como contador da empresa, de nome Edgar. Usaram como pretexto a necessidade de análise mais detalhada dos livros, folhas de pagamentos e demais documentos para localizar os lançamentos contábeis da obra, objeto da fiscalização. Ao retornarmos à empresa em 25/09/06, o sócio Sr. Valter , acompanhado do Sr. José Roberto Rodazza, (anteriormente apresentado como sócio da empresa, apesar de seu nome não constar no contrato social e, nesta data, como procurador da empresa) recusouse a disponibilizar, para a fiscalização, qualquer documento. 3. Mesmo diante da recusa, foi entregue ao sócio outro Termo de Intimação para Apresentação de Documentos TIAD, solicitando a apresentação dos documentos no endereço da Unidade de Atendimento da Receita Previdenciária – UARP em São Carlos, no dia 27/09/06, às 15:30h. 4. Também foi deixado com o Sr. Valter, Mandado de Procedimento Fiscal MPF Complementar que estendia o período fiscalizado até 08/06, para que pudéssemos, através da contabilidade, verificar a data do término da obra, visto que esta continuou após a emissão do habitese. O sócio assinou o documento e, seguindo orientação do Sr. José R. Rodazza, riscou a sua assinatura. 5. Em 20/11/06 novo TIAD foi emitido, com data para apresentação dos documentos em 23/11/06. Houve nova recusa de assinatura e nenhum documento foi apresentado. 6. Informamos a seguir, alguns dos procedimentos que deixaram de ser realizados: 6.1. As folhas de pagamento citadas no item 1.3.1,não foram rubricadas; 6.2. Os valores do salário de contribuição das folhas de pagamento citadas no item 1.3.2. haviam sido anotados e os resumos rubricados, porém valores divergentes com os informados em GFIP não puderam ser conferidos; 6.3. Na verificação dos livros contábeis, vários lançamentos referente à obra, não foram localizados.Foi solicitado a empresa que localizasse estes lançamentos,conforme consta em TIAD anexo.Como a empresa não atendeu a solicitação e impediu que o auditor voltasse a ter acesso aos livros contábeis,não foi possível concluir se os valores estavam lançados nos livros. 7. Esclarecemos que a verificação fiscal já estava sendo realizada com muita dificuldade, pois os sócios da empresa e o Sr. José R. Rodazza, inconformados com a presença fiscal, a todo momento teciam queixas e críticas ao INSS, insistindo que a presença fiscal era perseguição à empresa, obrigandonos a interromper o serviço para prestar esclarecimentos que nunca eram aceitos. Fl. 15DF CARF MF Emitido em 31/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/04/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Assinado digitalmente em 25/04/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, 09/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS V IEIRA 16 8. O embaraço causado pelos representantes da empresa constitui circunstância agravante prevista no item IV do art.290 do RPS, por ter o infrator obstado a ação fiscal. Conforme muito bem pormenorizado no supratranscrito excerto do Relatório Fiscal de Aplicação da multa, o comportamento empreendido pelo Recorrente culminou por se configurar verdadeiro óbice ao regular desenvolvimento da ação fiscal em realce, fato que se caracteriza como circunstância agravante ao Auto de Infração, por se ajustar perfeitamente à hipótese elencada no inciso IV do art. 290 do Regulamento da Previdência Social, o que importa na majoração da multa, em duas vezes, em atenção ao preceito insculpido no art. 292, III do citado regulamento previdenciário. Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Dec. nº 3.048/99 Art. 290. Constituem circunstâncias agravantes da infração, das quais dependerá a gradação da multa, ter o infrator: I tentado subornar servidor dos órgãos competentes; II agido com dolo, fraude ou máfé; III desacatado, no ato da ação fiscal, o agente da fiscalização; IV obstado a ação da fiscalização; (grifos nossos) V incorrido em reincidência. Parágrafo único. Caracteriza reincidência a prática de nova infração a dispositivo da legislação por uma mesma pessoa ou por seu sucessor, dentro de cinco anos da data em que houver passado em julgamento administrativo a decisão condenatória ou homolocatória da extinção do crédito referente à infração anterior. Art. 292. As multas serão aplicadas da seguinte forma: I na ausência de agravantes, serão aplicadas nos valores mínimos estabelecidos nos incisos I e II e no § 3º do art. 283 e nos arts. 286 e 288, conforme o caso; II as agravantes dos incisos I e II do art. 290 elevam a multa em três vezes; III as agravantes dos incisos III e IV do art. 290 elevam a multa em duas vezes; (grifos nossos) IV a agravante do inciso V do art. 290 eleva a multa em três vezes a cada reincidência no mesmo tipo de infração, e em duas vezes em caso de reincidência em infrações diferentes, observados os valores máximos estabelecidos no caput dos arts. 283 e 286, conforme o caso; e Parágrafo único. Na aplicação da multa a que se refere o art. 288, aplicarseá apenas as agravantes referidas nos incisos III a V do art. 290, as quais elevam a multa em duas vezes. 3.2. DA AFERIÇÃO INDIRETA Argumenta o Recorrente que a SRP utilizouse de fontes secundárias do Direito editando a IN/SRP nº 03/05 e estabelecendo novas bases de cálculo das contribuições Fl. 16DF CARF MF Emitido em 31/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/04/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Assinado digitalmente em 25/04/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, 09/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS V IEIRA Processo nº 17460.000077/200740 Acórdão n.º 230200.993 S2C3T2 Fl. 173 17 previdenciárias. Aduz que faltam ao órgão previdenciário os parâmetros legais para promover a aferição indireta, através daquela instrução normativa. As alegações esposadas pelo sujeito passivo não guardam qualquer relação com a presente autuação. Elas se referem única e exclusivamente ao direito de que dispõe o fisco de efetuar a apuração de contribuições previdenciárias mediante aferição indireta das bases de incidência. O presente processo, no entanto, trata de Auto de Infração decorrente do descumprimento de obrigação acessória prevista no art. 32, II da Lei nº 8.212/91, consistente no dever instrumental infligido à empresa de lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos, nada tendo a ver, como visto, com a faculdade de que dispõe o fisco fazendário de se utilizar do critério da aferição indireta. 3.3. DA DUPLICIDADE DE LANÇAMENTO Exorta o Recorrente ter ocorrido duplicidade de lançamento. Aduz ter recebido junto com a CND, GPS no valor de R$ 105.798,01 , elaborada pelo setor de Arrecadação da SRP, e uma NFLD no valor de R$ 86.537,22, emitida pelo setor de Fiscalização. Argumenta não saber qual desses dois documentos de cobrança tem validade. Cita que se opôs ao primeiro oficialmente e agora à NFLD. Pondera que os dois lançamentos foram feitos ao arrepio da lei, e que, mais uma vez o contribuinte está prejudicado porque a existência de dois lançamentos diferentes sobre a mesma exigência fiscal constitui objeto de nulidade dos autos de infração relacionados e da própria NFLD. Razão não lhe assiste. Em primeiro lugar, o presente Processo Administrativo Fiscal não se configura como o foro adequado para o debate a respeito das exigências objeto da GPS e da NFLD referidas no primeiro parágrafo deste tópico, eis que são totalmente estranhas à vertente exigência. Em segundo lugar, é mister salientar que as obrigações tributárias acessórias são completamente independentes de qualquer obrigação principal a elas porventura associada. Explico: Avulta como verdadeiro axioma a máxima jurídica que reza ter o acessório o mesmo destino que o principal. Em direito tributário, todavia, esse princípio rudimentar de Direito tem que ser interpretado cum grano salis. Fl. 17DF CARF MF Emitido em 31/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/04/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Assinado digitalmente em 25/04/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, 09/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS V IEIRA 18 Como é cediço, o nomem juris de qualquer instituto de direito não é suficiente para lhe determinar o conteúdo e abrangência, atributos esses que só podem emergir da lei. O que se deseja encarecer é que o Documento Legal que rege determinado instituto jurídico detém, nas conformações traçadas pela Carta Maior, a competência legal para dispor acerca do seu alcance e teor. No caso das obrigações tributárias acessórias, estas estão longe de serem, meramente, dispositivos secundários, subordinados às ou dependentes das obrigações ditas principais, como acredita o Recorrente. Impende observar, nesse sentido, que o CTN, no exercício da competência que lhe foi outorgada pelo Constituinte Originário, honrou prescrever, com propriedade, a distinção entre as duas modalidades de obrigações tributárias, ad litteris et verbis: Constituição Federal, de 03 de outubro de 1988 Art. 146. Cabe à lei complementar: (...) III estabelecer normas gerais em matéria de legislação tributária, especialmente sobre: (...) b) obrigação, lançamento, crédito, prescrição e decadência tributários; Código Tributário Nacional CTN Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. §1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. §2º A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. (grifos nossos) §3º A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. (grifos nossos) Nessa perspectiva, não carece de elevada mestria a interpretação do texto inscrito no §2º do supratranscrito dispositivo legal a qual aponta para a total independência entre as obrigações ditas principais e aquelas denominadas como acessórias. Estas, no dizer cristalino da Lei, decorrem diretamente da legislação tributária, não das obrigações principais, e tem por objeto prestações positivas ou negativas fixadas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. Nesse contexto, cabenos registrar, que são cabíveis de serem estatuídas obrigações acessórias as quais não se encontram vinculadas a nenhuma obrigação principal, fato que põe por terra a tese defendida pelo Recorrente. Exemplo emblemático do que findou de ser dito é o caso das obrigações acessórias previstas no art. 68 da Lei nº 8.212/91, que impõe ao Titular do Cartório de Registro Civil de Pessoas Naturais a obrigação acessória de Fl. 18DF CARF MF Emitido em 31/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/04/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Assinado digitalmente em 25/04/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, 09/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS V IEIRA Processo nº 17460.000077/200740 Acórdão n.º 230200.993 S2C3T2 Fl. 174 19 comunicar ao INSS, até o dia 10 de cada mês, o registro dos óbitos ocorridos no mês imediatamente anterior, devendo da relação constar a filiação, a data e o local de nascimento da pessoa falecida, sob pena de sujeição à penalidade prevista no art. 92 do mesmo Diploma Legal. Corrobora o entendimento acima esposado as disposições insculpidas no §3º do art. 113 do citado codex, o qual reza que, o simples fato da inobservância da obrigação acessória é condição bastante, suficiente e determinante para a conversão de sua natureza de obrigação acessória em principal, relativamente à penalidade pecuniária, de onde se conclui que a aplicação de Auto de Infração tem natureza objetiva. Tal compreensão caminha em harmonia com as disposições expressas no art. 136 do reverenciado código tributário, o qual declara que a responsabilidade por infrações à legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato, revelando assim, através de uma outra lente, o caráter objetivo e independente da imputação em realce. Código Tributário Nacional CTN Art. 136. Salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. Dessarte, nos termos da lei, ainda que não tenha ocorrido a obrigação principal ou esta, mesmo tendo ocorrido, já tenha sido adimplida, tais fatos não são suficientes para afastar a observância e/ou os efeitos das obrigações acessórias correlatas impostas pela legislação tributária. No caso vertente, a empresa recorrente foi autuada em razão do descumprimento de obrigação acessória prevista no art. 32, II da Lei nº 8.212/91, consistente no dever instrumental que lhe fora infligido pela lei de lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos. Envolto no ordenamento realçado nas linhas precedentes, o art. 32 da citada lei de custeio da Seguridade Social estatuiu como obrigação acessória da empresa o lançamento mensal, em títulos próprios da contabilidade, de forma descriminada, de todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias, o montante das quantias descontadas dos segurados, as contribuições a cargo da empresa, bem como os totais por esta recolhidos. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 32. A empresa é também obrigada a: (...) II lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos; Fl. 19DF CARF MF Emitido em 31/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/04/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Assinado digitalmente em 25/04/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, 09/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS V IEIRA 20 Nesse painel, a mera inobservância objetiva da obrigação tributária acessória acima aventada implica a imposição da penalidade prevista nos artigos 92 e 102 da Lei nº 8.212/91 c.c. artigos 283, II, "a" e 373 ambos do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.048/99, independentemente de o sujeito passivo ter recolhido regular e tempestivamente todas as contribuições previdenciárias a seu encargo, ou de ter sido instado a quitalas mediante GPS ou NFLD, ou ambas. 4. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, CONHEÇO do recurso voluntário para, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. Arlindo da Costa e Silva Fl. 20DF CARF MF Emitido em 31/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/04/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Assinado digitalmente em 25/04/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, 09/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS V IEIRA
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Numero do processo: 10120.001017/2007-56
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 25 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed May 25 00:00:00 UTC 2011
Ementa: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES
Ano-calendário: 2004
Ementa:
É vedada a opção ao sistema de tributação simplificado às pessoas jurídicas que realizam operações correspondentes a prestação de serviços de vigilância, limpeza, conservação e locação de mão de obra, sendo necessária a comprovação efetiva da realização destas operações.
Numero da decisão: 1202-000.537
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário.
Nome do relator: ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1566; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C2T2 Fl. 1 1 0 S1C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10120.001017/200756 Recurso nº 000000.000 Voluntário Acórdão nº 120200.537 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 25 de maio de 2011 Matéria SIMPLES Recorrente BRASILSERV SERVIÇOS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2004 Ementa: É vedada a opção ao sistema de tributação simplificado às pessoas jurídicas que realizam operações correspondentes a prestação de serviços de vigilância, limpeza, conservação e locação de mão de obra, sendo necessária a comprovação efetiva da realização destas operações. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto Donassolo – Presidente (documento assinado digitalmente) Orlando José Gonçalves Bueno Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Carlos Alberto Donassolo, Eduardo Martins Neiva Monteiro, Nereida de Miranda Finamore Horta, Geraldo Valentim Neto, Jorge Celso Freire da Silva e Orlando José Gonçalves Bueno. Fl. 95DF CARF MF Impresso em 27/06/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 18/06/2011 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO Assinado digitalmente em 20/06/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, 18/06/2011 por ORLANDO JOSE GONCAL VES BUENO Processo nº 10120.001017/200756 Acórdão n.º 120200.537 S1C2T2 Fl. 2 2 Relatório Tratase de denúncia que noticiou a situação irregular da Recorrente, eis que figurava no Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições – SIMPLES, sendo que desenvolve atividades de prestação de serviços de limpeza e conservação. O Ato Declaratório Executivo publicado no diário oficial da união dia 16/03/2007, a excluiu do SIMPLES nos seguintes termos: “1. A exclusão da empresa BRASILSERV SERVIÇOS LTDA, CNPJ nº 05.626.891/000100, do ‘Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte – SIMPLES’, uma vez que desenvolve atividades de prestação de serviços de limpeza, vigilância, conservação, reformas, instalação, impermeabilizações, pinturas, revestimentos, reformas e ampliações em gesso para estuque em construções, desenhos técnicos. Dentre outros, atividades essas abrangidas pelo artigo 9º, incisos XII, alínea ‘f’, e XIII da Lei 9.317/ de 1996. 2. Os efeitos da exclusão obedecem ao disposto no art. 24, inciso II da Instrução Normativa SRF n° 608 de 09/01/2006, e vigorarão a partir de 01/01/2004”. A manifestação de inconformidade foi interposta a fim de anular o Ato Declaratório supra, sob a alegação de que a inclusão da Recorrente no SIMPLES foi realizada com o respaldo da legislação tributária, tendo em vista a Solução de Consulta nº 6 de 11 de Janeiro de 2001, “na qual fica patente a distinção de sua atividade e consequentemente o seu direito ao enquadramento no regime, sem ferir qualquer diploma legal ou procedimento interno da Receita Federal. Ainda mais, se houver o desenquadramento, que este seja doravante e não retroativo”. A DRJ de Brasília julgou improcedente o pedido, sustentando que a exclusão ocorreu em virtude do objeto social da Recorrente, que contempla hipóteses de vedação ao ingresso/ permanência no SIMPLES Federal. No que toca ao alegado respaldo na Solução de Consulta nº 6, aduz que os efeitos da consulta se limitam à consulente específica, e não se estende a terceiros, no caso a Recorrente, consoante disposição do Decreto 70.235/1972. Outrossim, o pedido de exclusão irretroativo foi negado, porquanto existe autorização legal para que a exclusão se dê com efeitos retroativos à data da situação excludente. A contribuinte interpôs seu Recurso Voluntário no qual pugna pela declaração nulidade do acórdão supramencionado, sob a alegação de que a atividade prestada por ela até o momento da exclusão era tão somente a execução de contratos de realização de tarefa, acrescentando que nesses contratos assumiu os riscos das obras realizadas, recebendo orientação dos contratantes, sendo remunerada pela tarefa cumprida. Invoca o princípio da isonomia, haja vista a autorização constante na aludida solução de consulta. Junta ao recurso documentos que comprovariam as mencionadas atividades. Fl. 96DF CARF MF Impresso em 27/06/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 18/06/2011 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO Assinado digitalmente em 20/06/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, 18/06/2011 por ORLANDO JOSE GONCAL VES BUENO Processo nº 10120.001017/200756 Acórdão n.º 120200.537 S1C2T2 Fl. 3 3 Ademais, em não prosperando o entendimento supra, requer que a exclusão do regime se efetive apenas, e tão somente, após a data de publicação do ato declaratório acima transcrito. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Orlando José Gonçalves Bueno Por presentes os pressupostos de admissibilidade do Recurso Voluntário, dele tomo conhecimento. Insurgese a Recorrente em face do acórdão a quo, o qual indeferiu a Manifestação de Inconformidade interposta contra Ato Declaratório que a excluiu do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições – SIMPLES, posto que seu objeto social contempla atividades que impedem a sua inclusão/ permanência neste regime de tributação. Alega que a atividade prestada até o momento da exclusão era a execução de contratos de realização de tarefa, sendo remunerada em função da tarefa cumprida, conforme autorizado a outro contribuinte por meio da Solução de Consulta nº 6, já mencionada. Junta ao recurso em apreço, cópias de 8 notas fiscais comprovando a prestação de serviços de pintura, mãodeobra relativa construção civil, colagem de adesivos automotivos e limpeza de escritório. Destarte, é oportuno trazer à baila a inteligência do artigo 20, XI, da Instrução Normativa da Secretaria da Receita Federal do Brasil nº 608, de 12/01/2006, a qual dispõe sobre as vedações à opção pelo SIMPLES por empresas que realizam determinadas operações, regulando o disposto no artigo 9º, XII, da Lei 9.317/96: Art. 20. Não poderá optar pelo Simples, a pessoa jurídica: (...) XI que realize operações relativas a: a) locação ou administração de imóveis; b) armazenamento e depósito de produtos de terceiros; c) propaganda e publicidade, excluídos os veículos de comunicação; d) factoring; e) prestação de serviço de vigilância, limpeza, conservação e locação de mãodeobra; (...) Fl. 97DF CARF MF Impresso em 27/06/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 18/06/2011 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO Assinado digitalmente em 20/06/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, 18/06/2011 por ORLANDO JOSE GONCAL VES BUENO Processo nº 10120.001017/200756 Acórdão n.º 120200.537 S1C2T2 Fl. 4 4 O contrato social da Recorrente na época da publicação do Ato Declaratório impugnado determinava como objetivo social a exploração das atividades de “prestação de serviços de limpeza e conservação em geral, vigilância e segurança desarmada, administração de estacionamentos, serviços auxiliares por conta de telefonia, telemarketing e de copa, reformas, instalação, manutenção em edificações, instalações elétricas, hidráulicas e sanitárias, impermeabilizações, pinturas, revestimentos, jardinagens, reformas e ampliações em gesso para a estuque em construções, por conta de terceiros, desenhos técnicos, serviços correlatos e afins”. Com efeito, resta evidente que, à época da exclusão, o contrato social discriminava como objetivo social da Recorrente a prestação de serviços de natureza expressamente vedada à inclusão/permanência no Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições – SIMPLES. Além, disso nota fiscal de fls. 75, juntada aos autos pela própria Recorrente, discrimina a prestação de serviços de limpeza de escritório, comprovando assim o efetivo exercício de atividade vedada às empresas optantes pelo SIMPLES Nacional. Assim, não assiste razão as alegações da Recorrente. A prestação de serviços de limpeza, conservação e vigilância são atividades vedadas à inclusão no SIMPLES. Este é o entendimento majoritário deste Conselho, conforme verificase pelos julgados transcritos abaixo: 3º Conselho de Contribuintes / 2ª. Câmara / ACÓRDÃO 302 35692 em 13.08.2003 SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE – SIMPLES EXCLUSÃO POR ATIVIDADE ECONÔMICA Não pode optar pelo SIMPLES a pessoa jurídica que realize operações relativas a prestação de serviços de vigilância, limpeza, conservação e locação de mão deobra (art. 9°, inciso XII, da Lei nº 9.317/1996) (grifo acrescido) NEGADO PROVIMENTO POR UNANIMIDADE. Publicado no DOU em: 27.10.2003 Relator: ELIZABETH EMÍLIO DE MORAES CHIEREGATTO Recorrente: AUTO MECÂNICA REQUE LTDA. Recorrida: DRJCURITIBA/PR Publicacao: 27.10.2003 2º Conselho de Contribuintes / 1ª. Câmara / ACÓRDÃO 201 75331 em 18.09.2001 SIMPLES – SERVIÇOS DE VIGILÂNCIA, CONSERVAÇÃO E LIMPEZA – EXCLUSÃO – A Recorrente realiza operações relativas à prestação de serviços de vigilância e limpeza, conservação de obras de qualquer natureza e construção de obras civis por administração de empreitada, calçamentos de Fl. 98DF CARF MF Impresso em 27/06/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 18/06/2011 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO Assinado digitalmente em 20/06/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, 18/06/2011 por ORLANDO JOSE GONCAL VES BUENO Processo nº 10120.001017/200756 Acórdão n.º 120200.537 S1C2T2 Fl. 5 5 vias públicas, dentre outras que impedem a opção pelo SIMPLES. Recurso negado. Por unanimidade de votos, negouse provimento ao recurso. Publicado no DOU em: 10.07.2002 Relator: ANTÔNIO MÁRIO DE ABREU PINTO Recorrente: ERK SERVIÇOS GERAIS LTDA. Recorrida: DRJJUIZ DE FORA/MG No tocante ao pedido formulado, no sentido de que a exclusão se opere após a publicação do ato declaratório, cumpre reprisar os argumentos da decisão recorrida, por estarem em perfeita consonância com a legislação em vigor, posto que atende ao disposto no artigo 24, IX, da mencionada Instrução Normativa, a qual regulou o disposto no artigo 15 da Lei 9.317/96. Art. 24. A exclusão do Simples nas condições de que tratam os arts. 22 e 23 surtirá efeito: I a partir do anocalendário subseqüente, na hipótese de que trata o inciso I do art. 22; II a partir do mês subseqüente àquele em que incorrida a situação excludente, nas hipóteses de que tratam os incisos III a XIII e XVI a XVIII do art. 20; III – a partir do anocalendário subseqüente ao da ciência do ato declaratório a que se refere o parágrafo único do art. 23 nos casos dos incisos XIV e XV do art. 20; IV – a partir do mês subseqüente ao da ciência do ato declaratório a que se refere o parágrafo único do art. 23 na hipótese do § 5º do art. 22; V a partir do início de atividade da pessoa jurídica, na hipótese prevista no § 2º do art. 3º; VI a partir do anocalendário subseqüente àquele em que foi ultrapassado o limite estabelecido, nas hipóteses dos incisos I e II do art. 20; VII a partir, inclusive, do mês de ocorrência de qualquer dos fatos mencionados nos incisos II a VII do art. 23; VIII a partir de 1º de janeiro de 2001, para as pessoas jurídicas inscritas no Simples até 12 de março de 2000, na hipótese de que trata o inciso XVIII do art. 20. IX – a partir da data dos efeitos da opção quando nesta data incorrer nas hipóteses de que tratam os incisos III a XIII e XVI a XVIII do art. 20. (...) Fl. 99DF CARF MF Impresso em 27/06/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 18/06/2011 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO Assinado digitalmente em 20/06/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, 18/06/2011 por ORLANDO JOSE GONCAL VES BUENO Processo nº 10120.001017/200756 Acórdão n.º 120200.537 S1C2T2 Fl. 6 6 Deste modo, depreendese que a exclusão ocorreu em função do enquadramento da Recorrente no artigo 20, XI, ‘e’, vez que comprovada a efetiva prestação de serviços de limpeza. Em razão disso, os efeitos da exclusão ocorrerão a partir da data dos efeitos da opção, conforme dispositivo legal supra. Diante do exposto, sou por negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Orlando José Gonçalves Bueno Fl. 100DF CARF MF Impresso em 27/06/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 18/06/2011 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO Assinado digitalmente em 20/06/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, 18/06/2011 por ORLANDO JOSE GONCAL VES BUENO
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Numero do processo: 10380.012699/2008-42
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 08 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Jun 07 00:00:00 UTC 2011
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 01/08/2003 a 31/12/2005
REPRESENTAÇÃO DA MASSA FALIDA EM CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO TRIBUTÁRIO. ADMINISTRADOR.
É do administrador judicial a responsabilidade por defender os interesses da massa falida em processo fiscal administrativo, sendo facultativa participação do falido.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2401-001.892
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar
provimento ao recurso.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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ADMINISTRADOR. É do administrador judicial a responsabilidade por defender os interesses da massa falida em processo fiscal administrativo, sendo facultativa participação do falido. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Elias Sampaio Freire Presidente Kleber Ferreira de Araújo Relator Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Cleusa Vieira de Souza, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa. Fl. 214DF CARF MF Emitido em 07/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/06/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 15/06/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 06/07/2011 por ELIAS SAMPAIO FREI RE 2 Relatório A autuação Trata o presente processo do Auto de Infração n. 37.043.1731, no qual foram contempladas a contribuição patronal para outra entidades e fundos (terceiros). O crédito, consolidado em 27/08/2008, assumiu o montante de R$ 55.909,55 (cinquenta e cinco mil, novecentos e nove reais e cinquenta e cinco centavos). A ciência do sujeito passivo, na pessoa do seu administrador judicial, deuse em 28/08/2008. De acordo com o Relatório Fiscal, fls. 110/113, a apuração recaiu sobre divergências entre os valores declarados na Relação Anual de Informações Sociais – RAIS e aqueles informados na Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social – GFIP. Menciona o Fisco em seu relato a fundamentação legal que dá guarida a aferição indireta da base de cálculo e aponta ainda que a empresa foi autuada pelo descumprimento das seguintes obrigações acessórias: a) deixar de registrar em títulos próprios da contabilidade todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias; b) deixar de apresentar folhas de pagamento e contratos de prestação de serviço; c) apresentar GFIP com omissão de fatos geradores; A impugnação Em 24/09/2008, o administrador judicial da massa falida se manifestou às fls.116/120, alegando em síntese que a empresa UNITEC requereu autofalência em 15 de dezembro de 2005 e que em 19 de dezembro de 2005 a sua falência foi decretada pelo Juízo da 2 Vara de Falências de Fortaleza/CE, sendo nomeado administrador judicial da massa falida, o Dr. Francisco Edmar Macedo. Aduziu que logo após o recebimento do termo de encerramento da fiscalização, o administrador judicial da massa falida pediu, nos termos do art.22, I, "d", da Lei n° 11.101/05 (Lei de Recuperação de Empresas e Falência) ao representante legal da empresa falida, que prestasse, por escrito, os esclarecimentos necessários sobre os motivos que geraram os Autos de Infração. Na ocasião, o falido informou que todos os débitos junto ao INSS estavam reconhecidos e já constavam os valores no pedido de autofalência apresentado pela empresa. Assim, afirmou o administrador judicial não ter condições de se manifestar sobre o procedimento fiscal que gerou a autuação e 06 (seis) Autos de Infração. Afirma que o Juízo da Falência foi comunicado sobre a existência dos Autos de Infração. Alega que, de acordo com o art. 103, parágrafo único da Lei n° 11.101/2005, o falido poderá intervir nos processos em que a massa falida seja parte ou interessada, Fl. 215DF CARF MF Emitido em 07/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/06/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 15/06/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 06/07/2011 por ELIAS SAMPAIO FREI RE Processo nº 10380.012699/200842 Acórdão n.º 240101.892 S2C4T1 Fl. 205 3 requerendo o que for de direito e interpondo os recursos cabíveis, nesse sentido, como a ação fiscal abrangeu o período de 08/2003 a 11/2005, a responsabilidade pelos créditos é dos sócios da falida, não podendo recair sobre o administrador judicial. Requer, por fim, a exclusão do nome do administrador judicial da massa falida como sendo coresponsável pelo débito apresentado e a remessa de cópia do referido Auto de Infração ao sócio gerente da empresa falida. A decisão de primeira instância A Delegacia de Julgamento DRJ em Fortaleza decidiu, fls. 176/177, por não conhecer da impugnação em acórdão assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/08/2003 a 31/12/2005. AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO EM SENTIDO MATERIAL. A impugnação deve mencionar os motivos de fato e de direito em que se fundamenta a resistência à pretensão da autoridade lançadora. Havendo impugnação apenas sob o ponto de vista formal, considerarseá não impugnada a respectiva exigência. Impugnação Não Conhecida Crédito Tributário Mantido No voto condutor da decisão recorrida o Relator afirma que, ao contrário do afirmado pelo administrador judicial, seu nome não figura como corresponsável pelo crédito, mas apenas na condição de síndico da massa falida. O Recurso A massa falida, representada por seu administrador judicial, apresentou recurso voluntário, fls. 186/189, no qual reitera os termos já apresentados da peça de defesa, em especial a sua retirada da condição de corresponsável pelo crédito e o envio de cópia do Auto de Infração ao sócio gerente da empresa. É o relatório. Fl. 216DF CARF MF Emitido em 07/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/06/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 15/06/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 06/07/2011 por ELIAS SAMPAIO FREI RE 4 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Relator O recurso merece conhecimento, posto que preenche os requisitos de tempestividade e legitimidade. A única questão posta a julgamento é a possibilidade do síndico atuar em defesa da massa falida em processo administrativo fiscal, relativo a período em que o mesmo ainda não havia sido nomeado para tal encargo. Não devo concordar com a tese esposada no recurso, uma vez que, embora o invocado parágrafo único do art. 103 da lei n. 11.101/2005 preveja a possibilidade do falido atuar em defesa dos interesses da massa falida, essa previsão é facultativa,como se pode ver do dispositivo: Art. 103. Desde a decretação da falência ou do seqüestro, o devedor perde o direito de administrar os seus bens ou deles dispor. Parágrafo único. O falido poderá, contudo, fiscalizar a administração da falência, requerer as providências necessárias para a conservação de seus direitos ou dos bens arrecadados e intervir nos processos em que a massa falida seja parte ou interessada, requerendo o que for de direito e interpondo os recursos cabíveis.(grifo nosso) Todavia, pelo que dispõe o art. 1.044 do Código Civil, a dissolução da sociedade empresária pela falência, dáse nos seguintes termos: Art. 1.044. A sociedade se dissolve de pleno direito por qualquer das causas enumeradas no art. 1.033 e, se empresária, também pela declaração da falência. Assim, uma vez dissolvida a sociedade, a defesa de seus interesses passa a ser assumida pelo seu administrador judicial que deverá intervir obrigatoriamente, ao contrário do falido cuja atuação é facultativa. Vejase o que diz o art. 81, § 2. , da Lei n. 11.101/2005: Art. 81. A decisão que decreta a falência da sociedade com sócios ilimitadamente responsáveis também acarreta a falência destes, que ficam sujeitos aos mesmos efeitos jurídicos produzidos em relação à sociedade falida e, por isso, deverão ser citados para apresentar contestação, se assim o desejarem. § 1o O disposto no caput deste artigo aplicase ao sócio que tenha se retirado voluntariamente ou que tenha sido excluído da sociedade, há menos de 2 (dois) anos, quanto às dívidas existentes na data do arquivamento da alteração do contrato, no caso de não terem sido solvidas até a data da decretação da falência. Fl. 217DF CARF MF Emitido em 07/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/06/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 15/06/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 06/07/2011 por ELIAS SAMPAIO FREI RE Processo nº 10380.012699/200842 Acórdão n.º 240101.892 S2C4T1 Fl. 206 5 § 2o As sociedades falidas serão representadas na falência por seus administradores ou liquidantes, os quais terão os mesmos direitos e, sob as mesmas penas, ficarão sujeitos às obrigações que cabem ao falido.(grifos nossos) Esse entendimento é adotado pela jurisprudência, como se pode ver da seguinte decisão: PROCESSO CIVIL E TRIBUTÁRIO – MASSA FALIDA – ISENÇÃO DA MULTA FISCAL– REPRESENTAÇÃO JUDICIAL. 1. A jurisprudência do STJ, a par do entendimento pacificado do STF (Súmula 565), exclui das obrigações da massa o pagamento da multa fiscal. 2. A massa é representada judicialmente pelo síndico, pois a pessoa jurídica com a falência perde a personalidade jurídica, surgindo em seu lugar a figura da massa falida (art. 12, III, CPC). 3. Independentemente da representação legal da massa está o falido autorizado por lei a intervir como assistente nas causas de interesse da massa (art. 36 do DL 7.661/45), podendo ainda, em nome próprio, ir a juízo defender o seu patrimônio. 4. Recurso especial conhecido e improvido. (REsp n 660263/RS, Rel Ministra Eliana Calmon, DJ 10/05/2006, p. 174) Pois bem, embora a lei faculte ao falido a intervenção nos processos como assistente, fica claro do decisum acima que é o administrador quem detém a legitimidade para representar a massa falida. Assim, não há disposição legal que obrigue a Administração Tributária a dar ciência do lançamento ao falido. Por fim, assinalese que, como bem afirmou o Relator em seu voto, ao se verificar os Relatórios “Representantes Legais” e “Relação de Vínculos”, fls. 102 e 103, o administrador judicial não está arrolado como corresponsável, mas apenas citado na condição de “LIQUIDANTE”. Não havendo sentido o pedido para retirada do mesmo do polo passivo da relação tributária, uma vez que este não ocupa essa posição. Diante do exposto, voto por conhecer do recurso, negandolhe provimento. Kleber Ferreira de Araújo Fl. 218DF CARF MF Emitido em 07/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/06/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 15/06/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 06/07/2011 por ELIAS SAMPAIO FREI RE 6 Fl. 219DF CARF MF Emitido em 07/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/06/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 15/06/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 06/07/2011 por ELIAS SAMPAIO FREI RE
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Numero do processo: 12267.000185/2007-95
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 27 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Jul 27 00:00:00 UTC 2011
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/03/2007
Ementa:
AUTO DE INFRAÇÃO. GFIP. DADOS NÃO CORRESPONDENTES A TODOS OS FATOS GERADORES.
Constitui infração a apresentação de GFIP com dados não correspondentes a todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias, conforme artigo 32, Inciso IV e §5º, da Lei nº 8.212/91.
RETROATIVIDADE BENIGNA. GFIP. MEDIDA PROVISÓRIA N º 449.
REDUÇÃO DA MULTA.
As multas em GFIP foram alteradas pela Medida Provisória nº 449 de 2008, que beneficiam o infrator. Foi acrescentado o art. 32A
à Lei n º 8.212.
Conforme previsto no art. 106, inciso II do CTN, a lei aplicase
a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de defini-lo como infração; b) quando deixe de tratá-lo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe
comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.
VALE TRANSPORTE parcela integrante do salário de contribuição
quando paga em desacordo com a legislação específica.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2302-001.169
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria, em conceder provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. A multa deve ser calculada considerando as disposições da Medida Provisória nº 449 de 2008, mais precisamente o art. 32A, inciso II, que na conversão pela Lei nº 11.941 foi renumerado para o art. 32A, inciso I da Lei n º 8.212 de 1991.Vencidos os Conselheiros Wilson Antônio de Souza Correa e Vera Kempers de Moraes Abreu que entenderam que a parcela não integra o salário de contribuição.
Nome do relator: Liege Lacroix Thomasi
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ementa_s : OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/03/2007 Ementa: AUTO DE INFRAÇÃO. GFIP. DADOS NÃO CORRESPONDENTES A TODOS OS FATOS GERADORES. Constitui infração a apresentação de GFIP com dados não correspondentes a todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias, conforme artigo 32, Inciso IV e §5º, da Lei nº 8.212/91. RETROATIVIDADE BENIGNA. GFIP. MEDIDA PROVISÓRIA N º 449. REDUÇÃO DA MULTA. As multas em GFIP foram alteradas pela Medida Provisória nº 449 de 2008, que beneficiam o infrator. Foi acrescentado o art. 32A à Lei n º 8.212. Conforme previsto no art. 106, inciso II do CTN, a lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de defini-lo como infração; b) quando deixe de tratá-lo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. VALE TRANSPORTE parcela integrante do salário de contribuição quando paga em desacordo com a legislação específica. Recurso Voluntário Provido em Parte
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/03/2007 Ementa: AUTODEINFRAÇÃO. GFIP. DADOS NÃO CORRESPONDENTES A TODOS OS FATOS GERADORES. Constitui infração a apresentação de GFIP com dados não correspondentes a todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias, conforme artigo 32, Inciso IV e §5º, da Lei nº 8.212/91. RETROATIVIDADE BENIGNA. GFIP. MEDIDA PROVISÓRIA N º 449. REDUÇÃO DA MULTA. As multas em GFIP foram alteradas pela Medida Provisória n º 449 de 2008, que beneficiam o infrator. Foi acrescentado o art. 32A à Lei n º 8.212. Conforme previsto no art. 106, inciso II do CTN, a lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. VALETRANSPORTE parcela integrante do saláriodecontribuição quando paga em desacordo com a legislação específica. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria, em conceder provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. A Fl. 307DF CARF MF Impresso em 13/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 08/08/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 08/08/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 08/08/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 2 multa deve ser calculada considerando as disposições da Medida Provisória n º 449 de 2008, mais precisamente o art. 32A, inciso II, que na conversão pela Lei n º 11.941 foi renumerado para o art. 32A, inciso I da Lei n º 8.212 de 1991.Vencidos os Conselheiros Wilson Antônio de Souza Correa e Vera Kempers de Moraes Abreu que entenderam que a parcela não integra o saláriodecontribuição. Marco Andre Ramos Vieira Presidente. Liege Lacroix Thomasi Relatora. EDITADO EM: 08/08/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Marco Andre Ramos Vieira (presidente), Wilson Antonio de Souza Correa, Arlindo da Costa e Silva, Liege Lacroix Thomasi, Adriana Sato, Vera Kempers de Moraes Abreu. Fl. 308DF CARF MF Impresso em 13/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 08/08/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 08/08/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 08/08/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 12267.000185/200795 Acórdão n.º 230201.169 S2C3T2 Fl. 2 3 Relatório Trata o presente de autodeinfração, lavrado em 27/08/2007, com ciência na mesma data, em desfavor do sujeito passivo acima passivo acima identificado, em virtude do descumprimento do artigo 32, inciso IV, §5º, da Lei n.º 8.212/91 e artigo 225, inciso IV do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/99, com multa punitiva aplicada conforme dispõe o artigo 32, § 5º da Lei n.º 8.212/91 e artigo 284, inciso II, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/99, por não ter informado nas Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social – GFIP’s do período de 01/2004 a 03/2007, os valores referentes ao pagamento de valetransporte em pecúnia aos segurados empregados, conforme discriminativo de fls. 15/16. Após a apresentação de defesa, Acórdão de fls. 153/158, julgou a autuação procedente. Inconformado, o contribuinte apresentou recurso, alegando em síntese: a) a tempestividade da peça recursal; b) a dispensa da garantia recursal; c) que o fornecimento de valetransporte, mesmo em pecúnia, não tem natureza salarial; d) que o pagamento foi efetivado com amparo na Convenção Coletiva de Trabalho, que tem força de lei; e) que a multa é desproporcional e desarrazoada. Requer a reforma do acórdão para anular o auto de infração, ou que seja recalculada a multa para aplicação de uma única relativa ao conjunto das infrações apuradas. É o relatório. Fl. 309DF CARF MF Impresso em 13/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 08/08/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 08/08/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 08/08/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 4 Voto Conselheira Liege Lacroix Thomasi Cumprido o requisito de admissibilidade, frente a tempestividade, conheço do recurso e passo ao seu exame. Quanto ao depósito recursal, tal pressuposto não é mais exigido por este Colegiado em obediência ao Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. De acordo com o previsto no parágrafo único do art. 62 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria n ° 256/2009 do Ministério da Fazenda, no julgamento de recurso voluntário ou de ofício, fica vedado aos Conselhos de Contribuintes afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Não se aplicando aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo, que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; O STF já se posicionou no julgamento do Recurso Extraordinário n ° 389383, transitado em julgado, pela inconstitucionalidade dos parágrafos 1º e 2º do art. 126 da Lei n ° 8.212. Referese o auto de infração ao descumprimento de obrigação acessória, qual seja a falta de informação em GFIP dos valores pagos em pecúnia aos segurados, a título de valetransporte, nas competências de 01/2004 a 03/2007. De acordo com o previsto no art. 28 da Lei n ° 8.212/1991, para o segurado empregado entendese por saláriodecontribuição a totalidade dos rendimentos destinados a retribuir o trabalho, incluindo nesse conceito os ganhos habituais sob a forma de utilidades, nestas palavras: Art.28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) As parcelas que não sofrem incidência contributiva previdenciária, por serem de natureza indenizatória ou assistencial, estão arroladas no art. 28, § 9º da Lei n ° 8.212/1991, nestas palavras: Art. 28 (...) Fl. 310DF CARF MF Impresso em 13/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 08/08/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 08/08/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 08/08/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 12267.000185/200795 Acórdão n.º 230201.169 S2C3T2 Fl. 3 5 § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) a) os benefícios da previdência social, nos termos e limites legais, salvo o saláriomaternidade; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) b) as ajudas de custo e o adicional mensal recebidos pelo aeronauta nos termos da Lei nº 5.929, de 30 de outubro de 1973; c) a parcela "in natura" recebida de acordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, nos termos da Lei nº 6.321, de 14 de abril de 1976; d) as importâncias recebidas a título de férias indenizadas e respectivo adicional constitucional, inclusive o valor correspondente à dobra da remuneração de férias de que trata o art. 137 da Consolidação das Leis do TrabalhoCLT; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) e) as importâncias: (Alínea alterada e itens de 1 a 5 acrescentados pela Lei nº 9.528, de 10/12/97, e de 6 a 9 acrescentados pela Lei nº 9.711, de 20/11/98) 1. previstas no inciso I do art. 10 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias; 2. relativas à indenização por tempo de serviço, anterior a 5 de outubro de 1988, do empregado não optante pelo Fundo de Garantia do Tempo de ServiçoFGTS; 3. recebidas a título da indenização de que trata o art. 479 da CLT; 4. recebidas a título da indenização de que trata o art. 14 da Lei nº 5.889, de 8 de junho de 1973; 5. recebidas a título de incentivo à demissão; 6. recebidas a título de abono de férias na forma dos arts. 143 e 144 da CLT; 7. recebidas a título de ganhos eventuais e os abonos expressamente desvinculados do salário; 8. recebidas a título de licençaprêmio indenizada; 9. recebidas a título da indenização de que trata o art. 9º da Lei nº 7.238, de 29 de outubro de 1984; f) a parcela recebida a título de valetransporte, na forma da legislação própria; g) a ajuda de custo, em parcela única, recebida exclusivamente em decorrência de mudança de local de trabalho do empregado, Fl. 311DF CARF MF Impresso em 13/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 08/08/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 08/08/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 08/08/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 6 na forma do art. 470 da CLT; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) h) as diárias para viagens, desde que não excedam a 50% (cinqüenta por cento) da remuneração mensal; i) a importância recebida a título de bolsa de complementação educacional de estagiário, quando paga nos termos da Lei nº 6.494, de 7 de dezembro de 1977; j) a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica; l) o abono do Programa de Integração SocialPIS e do Programa de Assistência ao Servidor PúblicoPASEP; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) m) os valores correspondentes a transporte, alimentação e habitação fornecidos pela empresa ao empregado contratado para trabalhar em localidade distante da de sua residência, em canteiro de obras ou local que, por força da atividade, exija deslocamento e estada, observadas as normas de proteção estabelecidas pelo Ministério do Trabalho; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) n) a importância paga ao empregado a título de complementação ao valor do auxíliodoença, desde que este direito seja extensivo à totalidade dos empregados da empresa; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) o) as parcelas destinadas à assistência ao trabalhador da agroindústria canavieira, de que trata o art. 36 da Lei nº 4.870, de 1º de dezembro de 1965; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) p) o valor das contribuições efetivamente pago pela pessoa jurídica relativo a programa de previdência complementar, aberto ou fechado, desde que disponível à totalidade de seus empregados e dirigentes, observados, no que couber, os arts. 9º e 468 da CLT; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) q) o valor relativo à assistência prestada por serviço médico ou odontológico, próprio da empresa ou por ela conveniado, inclusive o reembolso de despesas com medicamentos, óculos, aparelhos ortopédicos, despesas médicohospitalares e outras similares, desde que a cobertura abranja a totalidade dos empregados e dirigentes da empresa; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) r) o valor correspondente a vestuários, equipamentos e outros acessórios fornecidos ao empregado e utilizados no local do trabalho para prestação dos respectivos serviços; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) s) o ressarcimento de despesas pelo uso de veículo do empregado e o reembolso creche pago em conformidade com a legislação trabalhista, observado o limite máximo de seis anos Fl. 312DF CARF MF Impresso em 13/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 08/08/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 08/08/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 08/08/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 12267.000185/200795 Acórdão n.º 230201.169 S2C3T2 Fl. 4 7 de idade, quando devidamente comprovadas as despesas realizadas; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) t) o valor relativo a plano educacional que vise à educação básica, nos termos do art. 21 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que não seja utilizado em substituição de parcela salarial e que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 20/11/98) u) a importância recebida a título de bolsa de aprendizagem garantida ao adolescente até quatorze anos de idade, de acordo com o disposto no art. 64 da Lei nº 8.069, de 13 de julho de 1990; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) v) os valores recebidos em decorrência da cessão de direitos autorais; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) x) o valor da multa prevista no § 8º do art. 477 da CLT. (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) Portanto, a única previsão expressa em lei para exclusão da verba vale transporte da base de cálculo para fins de incidência de contribuição previdenciária, é a alínea “f” do § 9º do art. 28 da Lei n ° 8.212/1991, ou seja a exclusão da base de cálculo pressupõe que a parcela recebida pelos empregados esteja de acordo com a legislação específica. No presente caso, a recorrente pagou tal verba em pecúnia, o que viola o previsto no art. 5º do Decreto n ° 95.247/1987. A verba auxíliotransporte paga em desacordo com a legislação possui natureza remuneratória. Ao deixar de gastar com tal utilidade, o trabalhador obteve um ganho indireto, que ingressou na sua expectativa em decorrência do contrato de trabalho e da prestação de serviços à recorrente, sendo portanto uma verba paga pelo trabalho e não para o trabalho. Também não assiste razão à recorrente quando argumenta que o pagamento está respaldado em convenção coletiva de trabalho o que garante a não incidência de contribuição previdenciária, pois não é pelo fato de ser previsto em convenção ou acordo em dissídio coletivo, que se pode desnaturar a natureza da verba, para fins de incidência de contribuições previdenciárias, tais instrumentos não podem alterar a legislação previdenciária, fazendo o papel de leis isentivas, o que é vedado de acordo com o previsto no art. 150, § 6º da Constituição Federal. Conforme previsto no § 6º do art. 150 da Constituição Federal, somente a Lei pode instituir isenções. Assim, o § 2º do art. 22 da Lei nº 8.212/91 dispõe que não integram a remuneração as parcelas de que trata o § 9º do art. 28 da mesma Lei. O § 9º do art. 28 da Lei n° 8.212/91 enumera, exaustivamente, as parcelas que não integram o saláriode contribuição.Verificase que a legislação aplicável à espécie determina, em um primeiro momento, a regra geral de incidência das contribuições previdenciárias sobre a remuneração total do empregado, inclusive sobre os ganhos habituais sob a forma de utilidades. Somente em um segundo momento é que são definidas, de forma expressa e exaustiva, porquanto excepcionais, as hipóteses de nãoincidência das contribuições destinadas à Seguridade Social. Fl. 313DF CARF MF Impresso em 13/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 08/08/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 08/08/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 08/08/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 8 Nesse contexto, os pagamentos efetuados pela recorrente aos seus empregados são verbas passíveis de incidência previdenciária e devem integrar a remuneração informada em GFIP, sob pena de descumprir obrigação acessória. A obrigação acessória surge do descumprimento de dever instrumental a cargo do sujeito passivo, consistindo numa prestação positiva (fazer), que não seja o recolhimento do tributo, ou negativa (não fazer). Descumprida obrigação acessória (obrigação de fazer/não fazer) possui o Fisco o poder/dever de lavrar o AutodeInfração. A penalidade pecuniária exigida dessa forma convertese em obrigação principal, na forma do § 3º do art. 113 do CTN. No presente caso, a obrigação acessória corresponde ao dever de informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro Social – INSS, por intermédio de documento definido em regulamento (GFIP), TODOS os dados relacionados aos fatos geradores de contribuições previdenciárias e outras informações de interesse do INSS. Ao não informar os valores relativos de valetransporte pagos em pecúnia aos aos segurados empregados, a recorrente não informou toda a remuneração dos mesmos e infringiu o artigo 32, inciso IV, § 5º, da Lei n.º 8.212/91 e artigo 225, inciso IV do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/99, pois é obrigada a informar, mensalmente, ao INSS, por intermédio da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social – GFIP, na forma por ele estabelecida, dados cadastrais, todos os fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações do interesse do Instituto, sendo que a apresentação do documento com dados não correspondentes aos fatos geradores sujeitará o infrator à pena administrativa correspondente à multa de cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada. A multa referente ao descumprimento da obrigação acessória, que originou este auto de infração, está contida no artigo 32, § 5º da Lei n.º 8.212/91 e artigo 284, inciso II, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/99: Art.284. A infração ao disposto no inciso IV do caput do art. 225 sujeitará o responsável às seguintes penalidades administrativas: I valor equivalente a um multiplicador sobre o valor mínimo previsto no caput do art. 283, em função do número de segurados, pela não apresentação da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social, independentemente do recolhimento da contribuição, conforme quadro abaixo: 0 a 5 segurados ½ valor mínimo 6 a 15 segurados 1 x o valor mínimo 16 a 50 segurados 2 x o valor mínimo 51 a 100 segurados 5 x o valor mínimo 101 a 500 segurados 10 x o valor mínimo 501 a 1000 segurados 20 x o valor mínimo 1001 a 5000 segurados 35 x o valor mínimo Fl. 314DF CARF MF Impresso em 13/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 08/08/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 08/08/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 08/08/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 12267.000185/200795 Acórdão n.º 230201.169 S2C3T2 Fl. 5 9 Acima de 5000 segurados 50 x o valor mínimo II cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no inciso I, pela apresentação da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social com dados não correspondentes aos fatos geradores, seja em relação às bases de cálculo, seja em relação às informações que alterem o valor das contribuições, ou do valor que seria devido se não houvesse isenção ou substituição, quando se tratar de infração cometida por pessoa jurídica de direito privado beneficente de assistência social em gozo de isenção das contribuições previdenciárias ou por empresa cujas contribuições incidentes sobre os respectivos fatos geradores tenham sido substituídas por outras; e (Redação dada pelo Decreto nº 4.729, de 9/06/2003) III cinco por cento do valor mínimo previsto no caput do art. 283, por campo com informações inexatas, incompletas ou omissas, limitada aos valores previstos no inciso I, pela apresentação da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social com erro de preenchimento nos dados não relacionados aos fatos geradores. § 1º A multa de que trata o inciso I, a partir do mês seguinte àquele em que o documento deveria ter sido entregue, sofrerá acréscimo de cinco por cento por mês calendário ou fração. § 2º O valor mínimo a que se refere o inciso I será o vigente na data da lavratura do autodeinfração. Deverá ser considerado, por competência, o número total de segurados da empresa, para fins do limite máximo da multa, que será apurada por competência, somandose os valores da contribuição não declarada, e seu valor total será o somatório dos valores apurados em cada uma das competências. A aplicação de penalidade por descumprimento de obrigação acessória constante da Lei n.º 8.212/91, não foi enquinada de inconstitucionalidade pelo Supremo Tribunal Federal, estando totalmente válida e devendo ser obedecida pela via administrativa, vez que está dentro dos pressupostos legais e constitucionais. Todavia, há que se observar a retroatividade benigna prevista no art. 106, inciso II do CTN. As multas em GFIP foram alteradas pela Medida Provisória n º 449 de 2008, que beneficiam o infrator. Foi acrescentado o art. 32A à Lei n º 8.212, nestas palavras: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do art. 32 no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: Fl. 315DF CARF MF Impresso em 13/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 08/08/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 08/08/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 08/08/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 10 I de dois por cento ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a vinte por cento, observado o disposto no § 3o; e II de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de dez informações incorretas ou omitidas. §1oPara efeito de aplicação da multa prevista no inciso I do caput, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. §2 Observado o disposto no § 3o, as multas serão reduzidas: I à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II a setenta e cinco por cento, se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. §3 A multa mínima a ser aplicada será de: IR$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e IIR$ 500,00 ( quinhentos reais), nos demais casos.” (NR) Conforme previsto no art. 106, inciso II do CTN, a lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Assim, no caso presente, há cabimento do art. 106, inciso II, alínea “c” do Código Tributário Nacional. Pelo exposto, voto pelo provimento parcial do recurso, devendo a multa aplicada ser calculada considerando as disposições do artigo 32A, inciso I, da Lei n.º 11.941/2009. Liege Lacroix Thomasi Relatora Fl. 316DF CARF MF Impresso em 13/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 08/08/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 08/08/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 08/08/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 12267.000185/200795 Acórdão n.º 230201.169 S2C3T2 Fl. 6 11 Fl. 317DF CARF MF Impresso em 13/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 08/08/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 08/08/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 08/08/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA
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Numero do processo: 13502.000600/2006-62
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 31 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Mar 30 00:00:00 UTC 2011
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Ano-calendário: 2000
DECADÊNCIA. LANÇAMENTO. INDÉBITO TRIBUTÁRIO.
Incabível a alegação de decadência de o direito da Fazenda Nacional constituir o crédito tributário, quando, no despacho decisório, a autoridade administrativa examina tão somente a certeza e liquidez do alegado indébito tributário utilizado para fins de compensação de crédito tributário ali confessado, eis que ausente a figura do lançamento.
Numero da decisão: 1302-000.556
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos não reconhecer a homologação tácita do direito creditório, vencidos os Conselheiros Sandra Maria Dias Nunes e Irineu Bianchi e, por unanimidade de votos, no mérito, negar provimento ao recurso.
Nome do relator: MARCOS RODRIGUES DE MELLO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2000 DECADÊNCIA. LANÇAMENTO. INDÉBITO TRIBUTÁRIO. Incabível a alegação de decadência de o direito da Fazenda Nacional constituir o crédito tributário, quando, no despacho decisório, a autoridade administrativa examina tãosomente a certeza e liquidez do alegado indébito tributário utilizado para fins de compensação de crédito tributário ali confessado, eis que ausente a figura do lançamento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos não reconhecer a homologação tácita do direito creditório, vencidos os Conselheiros Sandra Maria Dias Nunes e Irineu Bianchi e, por unanimidade de votos, no mérito, negar provimento ao recurso (documento assinado digitalmente) MARCOS RODRIGUES DE MELLO Presidente. e relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Wilson Fernandes Guimarães, Sandra Maria Dias Nunes, Eduardo de Andrade, Irineu Bianchi (vicepresidente) e Marcos Rodrigues de Mello Fl. 364DF CARF MF Emitido em 05/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/04/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS Assinado digitalmente em 05/04/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 13502.000600/200662 Acórdão n.º 130200.556 S1C3T2 Fl. 336 2 Relatório Tratase de Recurso voluntário em relação ao acórdão que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade interposta pela Interessada contra o Despacho Decisório DRF/CCI n° 0252/2007, de fls. n°s. 188 a 194, expedido pela Seção de Arrecadação e Cobrança – SARAC, da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Camaçari – Bahia, em 27/07/2007, o qual não reconheceu o direito creditório no valor original de R$ 251.044,02 (duzentos e cinqüenta e um mil, quarenta e quatro reais e dois centavos). 2. Conforme o referido Despacho, o processo foi formalizado para analisar o Pedido Eletrônico de Restituição de n° 06525.03638.190105.1.2.025348, relativo ao Saldo Negativo do Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), informado pela Contribuinte em sua DIPJ do anocalendário de 2000, no valor original de R$ 4.823.128,30 (quatro milhões, oitocentos e vinte e três mil, cento e vinte e oito reais e trinta centavos), do qual foi reconhecido o direito creditório de R$ 4.572.084,28 (quatro milhões, quinhentos e setenta e dois mil, oitenta e quatro reais e vinte e oito centavos), e negado o direito à restituição do valor original de R$ 251.044,02. 3. As razões que motivaram o indeferimento parcial do pleito da Contribuinte podem ser assim resumidas, como segue: a) “o saldo negativo pleiteado, equivalente a R$ 4.823.128,30, fora integralmente constituído pelo imposto de renda retido na fonte sobre rendimentos auferidos pela peticionaria a título de juros sobre o capital próprio durante o ano calendário de 1998 (código 5706)”; b) de acordo com o artigo 9º, da Lei n° 9.249, de 26 de dezembro de 1995, alterado pela Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, “os rendimentos recebidos a título de juros sobre o capital próprio devem ser considerados para efeito de apuração do Lucro Real da pessoa jurídica beneficiária, podendo o IRRF correspondente ser deduzido no ajuste anual, reduzindo o IRPJ devido ou compondo o saldo negativo do IRPJ no ano calendário em questão”; c) “no caso em tela, dos valores recebidos pela requerente sob esta modalidade, apenas o montante pago pela empresa COPESUL está respaldado em DIRF (fl. 16), não havendo registro, portanto, das informações referentes às empresas Unipar S/A e OPP Petroquímica S/A”; d) “em função da omissão de DIRF, por parte das fontes pagadoras citadas, o interessado foi intimado a apresentar os informes de rendimentos comprobatórios das retenções efetuadas na fonte durante o ano calendário de 2000 (fl. 38). Em atendimento à solicitação, foram apresentados os comprovantes de rendimentos emitidos pelas fontes pagadoras OPP Petroquímica e Copesul, fls. 64 e 65, ficando sem comprovação os valores pagos e retidos pela Unipar S/A”; Fl. 365DF CARF MF Emitido em 05/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/04/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS Assinado digitalmente em 05/04/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 13502.000600/200662 Acórdão n.º 130200.556 S1C3T2 Fl. 337 3 e) “convém esclarecer que embora a OPP PETROQUÍMICA S/A tenha deixado de declarar na DIRF os valores retidos na fonte, verificados que na DCTF correspondente aos meses de abril, julho, agosto e setembro de 2000 (fl. 66), constam declarados débitos de IRRF sobre pagamento de juros sobre o capital próprio, cujos valores lastreiam o montante declarado pelo interessado”; f) “por outro lado, com relação aos valores retidos pela empresa Unipar S/A, a glosa se impõe. Primeiro, porque o prazo para entrega dos documentos comprobatórios expirou desde 11/10/2006. Além disso, analisando a DIRF apresentada pela Unipar S/A relativa ao anocalendário 2000, fls. 31/34, não consta o registro de que a empresa tenha feito retenção na fonte relativa a pagamento de juros sobre o capital próprio”; g) “que as receitas de juros sobre capital próprio foram oferecidas à tributação na linha 23 da ficha 06A da DIPJ/2001 (fl. 08), integrando o Lucro Real do período, razão pela qual é assegurado à postulante o direito ao crédito integral do imposto de renda retido na fonte uma vez que não foi apurado imposto devido em 31/12/2000”; h) “por conta da glosa acima mencionada, tornouse imperiosa a recomposição da ficha 12A da DIPJ/2001, que implicou a redução do saldo negativo de R$ 4.823.128,30 para R$ 4.572.084,28”. 4. Ciente em 09/08/2007, a Interessada, devidamente representada, no dia 10/09/2007 (segundafeira), protocoliza petição junto à Repartição competente, onde contesta o referido Despacho alegando, em síntese, que (docs. de fls. n°s. 198 e 215 a 243): a) o direito creditório objeto do presente processo administrativo corresponde ao Saldo negado de IRPJ, apurado no anocalendário de 2000, o qual fora devidamente declarado na DIPJ entregue em 29/06/2001, e, tendo decorrido mais de 5 (cinco) anos desde a sua entrega, foram eles homologados tacitamente pelo Fisco Federal, conforme restará demonstrado; b) nos termos dos artigos 142 e 147, § 2º, do CTN e do artigo 835, do RIR/1999, inferese que a autoridade fiscal tem o poderdever de revisar as declarações prestadas pelos contribuintes, tendo o direito de lançar de ofício qualquer diferença de tributo não recolhida; c) sendo o IRPJ tributo sujeito ao lançamento por homologação, o prazo para homologálo e, via de conseqüência, para efetuar o lançamento de ofício é de 5 (cinco) anos contados a partir da ocorrência do fato gerador, conforme determina o artigo 150, § 4º, do CTN; d) “como a DIPJ/2001, onde restou declarado saldo negativo de IRPJ apurado no anocalendário 2000, foi entregue em 29.06.2001, o Fisco tinha o poder dever de, dentro do prazo legal, ou seja, até 30.06.2006 (prazo legal), averiguar se havia possíveis erros em tal declaração e, verificando Fl. 366DF CARF MF Emitido em 05/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/04/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS Assinado digitalmente em 05/04/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 13502.000600/200662 Acórdão n.º 130200.556 S1C3T2 Fl. 338 4 apuração indevida de saldo negativo, incumbialhe fazer as retificações, lançado, eventualmente os tributos supostamente devidos”; e) entretanto, a autoridade administrativa, após quedarse inerte por mais de 5 (cinco) anos, só veio se pronunciar em 27/07/2007, após esgotado o prazo decadencial previsto no referido artigo 150, § 4º, do CTN; f) é inócua a pretensão do Fisco querer glosar parte do crédito que restou tacitamente homologado, em razão de sua própria inércia; g) tendo apurado saldo negativo de IRPJ relativamente ao anocalendário de 2000, caberia à autoridade administrativa, dentro do prazo decadencial previsto no CTN, proceder a revisão de sua DIPJ apresentada e efetuar as devidas retificações e/ou lançamento de ofício do montante que entendesse devido. Como não efetuou tal procedimento, temse como definitivamente homologada a declaração apresentada pelo contribuinte, tornandose imutável o crédito ali apurado; h) o artigo 841, do RIR/1999 corrobora o seu entendimento “ao determinar que a administração tributária efetue o lançamento de ofício quando o contribuinte, por exemplo, ‘fizer declaração inexata ou omitir elemento que implique redução do imposto a pagar’”; i) como a autoridade administrativa “assim não procedeu, não poderá mais fazêlo, uma vez que, após o decurso do prazo decadencial, restam intocáveis as apurações e recolhimentos efetuados pelo contribuinte”; j) o Conselho de Contribuintes não destoa do seu entendimento no sentido de que, decorrido o prazo decadencial para lançar tributos, restam homologadas todas as informações prestadas pelos contribuintes, inclusive no que diz respeito aos créditos fiscais declarados, conforme demonstram os transcritos acórdãos (fls. nºs. 229 a 231); k) “o direito da autoridade administrativa revisar a DIPJ relativa ao ano calendário de 2000 foi fulminado pelo instituto da decadência, pelo que não poderia ela, no presente momento, deferir apenas parcialmente a restituição reclamada, em razão da glosa das deduções que resultaram na apuração do saldo negativo de IRPJ, tendo em vista que tal saldo restou homologado pelo órgão fazendário em 2006”; l) “o procedimento adotado pela fiscalização, quando da análise do Pedido de Restituição, mostrouse inadequado, posto que não atendeu aos princípios basilares do processo administrativo fiscal, bem como aos dispositivos legais que regem a matéria”; m) “como é cediço, é ponto pacífico, tanto na doutrina, quanto na jurisprudência, que a busca da verdade material deve conduzir a atividade das autoridades fazendários que, por sua vez, possuem o dever de dirigir sempre a investigação dos atos tributários praticados pelo contribuinte com base em tais premissas”; Fl. 367DF CARF MF Emitido em 05/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/04/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS Assinado digitalmente em 05/04/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 13502.000600/200662 Acórdão n.º 130200.556 S1C3T2 Fl. 339 5 n) “é no intuito de não causar prejuízo ao contribuinte, ou enriquecimento ilícito ao Estado, que o referido juízo de valor, a ser emitido pela autoridade fiscal, não poderia jamais ser pautado em presunções formais, de maneira que o deferimento ou não de qualquer pleito deve levar em consideração o direito de que o Contribuinte efetivamente é detentor”; o) “o indeferimento parcial da restituição do saldo negativo de imposto de renda, relativo ao anocalendário de 2000, decorreu da não apresentação, por parte da Requerente, do informe de rendimentos emitido por uma das suas fontes pagadoras em tal período, qual seja, a UNIPAR S.A.”; p) “no entanto, em que pese a Requerente não ter juntado o informe de rendimento emitido pela UNIPAR, solicitado pelo Fisco Federal, a autoridade julgadora, em busca da verdade material, poderia determinar diligência in loco com vistas a sanar as supostas divergências suscitadas”; q) a DIPJ/2001, já juntada aos autos, evidencia a existência de retenções no montante de R$ 4.824.947,01, sendo que este é o mesmo valor registrado em sua contabilidade, no anocalendário de 2000, na conta de imposto de renda a recuperar (doc. 02); r) “por outro lado, a intimação que determinou a juntada dos informes de rendimentos foi expedida apenas em 26.09.2006, mais de 05 anos, portanto, do ano calendário de referência, época em que a Requerente não tinha mais o dever legal de manter a guarda dos referidos documentos”; s) isto porque, nos termos dos artigos 195, Parágrafo Único do CTN e o artigo 37, da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, ela está obrigada a manter e conservar os livros, documentos e papéis relativos a sua atividade pelo prazo de 05 (cinco) anos; t) por isso, relativamente a anocalendário de 2000, ela estava obrigada, por expressa determinação legal, a conservar os documentos em sua contabilidade enquanto não estivesse decaído o direito da Fazenda de constituir o crédito tributário relativo ao período em questão, ou seja, até junho de 2006; u) não foi intimada, no decorrer do procedimento administrativo em tela, a apresentar os registros contábeis que evidenciam a movimentação das receitas auferidas a título de juros sobre o capital próprio, bem como do respectivo IRRF incidente sobre tais rendimentos; v) conforme se infere da leitura de parte do despacho decisório, “no presente caso, a autoridade administrativa fiscal limitouse a aferir a legitimidade do direito creditório perquirido baseada apenas nas informações prestadas nas DIRF’s apresentadas pelas fontes pagadoras relativamente ao ano calendário de 2000, desconsiderando, em prejuízo da Recorrente, as disposições legais atinentes à matéria”; w) “a deliberação quanto ao pagamento de juros sobre o capital próprio aos acionistas da UNIPAR ocorreu em Reunião do Conselho de Administração Fl. 368DF CARF MF Emitido em 05/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/04/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS Assinado digitalmente em 05/04/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 13502.000600/200662 Acórdão n.º 130200.556 S1C3T2 Fl. 340 6 realizada ainda no ano de 1999, tal como se pode verificar na cópia da correspondente Ata (doc. 05). Neste particular comprometese a juntar aos autos, tão logo seja possível, a via original da referida ata”; x) tais rendimentos e o correspondente imposto, só foram contabilizados no anocalendário de 2000, conforme demonstram a cópia dos razões contábeis, nas contas de n°s. 3601080011038 e 110403001004, denominadas, respectivamente, Juros Ativos s/ Capital Próprio (doc. 04) e IRF s/ Aplicações Financeiras (doc. 02), tendoos oferecido à tributação e deduzido o correspondente imposto na DIPJ entregue em 2001; y) “como o pagamento dos aludidos rendimentos foi aprovada em assembléia ocorrida em dezembro de 1999, é possível que a UNIPAR S/A, fonte pagadora em questão, tenha declarado a retenção do Imposto de Renda correspondente na DIRF apresentada quanto ao anocalendário de 1999”; z) “é também possível que a fonte pagadora tenha confessado tais débitos do IRRF em DCTF relativa ao ano de 1999. Razão pela qual mostrase imperiosa a realização de diligência fiscal para fins de análise de tais documentos”; aa) “tendo sido constatadas divergências entre o montante de imposto de renda retido constante nas declarações apresentadas pelas fontes pagadoras e aquele constante na DIPJ apresentada pela Requerente, aliado ao fato de não poder ser mais exigido desta a apresentação dos informes de rendimentos, em vista do decurso do prazo legal para guarda, caberia a autoridade julgadora, com fulcro no princípio da verdade material, empreender diligência ‘in loco’ com vistas à verificação do real saldo negativo apurado no ano calendário”; bb) pois, “é comum ocorrerem erros quando da prestação de informações pelos contribuintes, fato que pode ter se verificado inclusive em relação às declarações prestadas pela UNIPAR”; cc) o artigo 4º, da Instrução Normativa da SRF n° 600, de 2005, dá guarida a sua tese, quando permite à autoridade administrativa realizar diligência fiscal no sentido de verificar a comprovação do referido direito creditório; dd) “deste modo, não se pode imputar ao contribuinte o mister de apresentar os informes de rendimentos – nem sempre fornecidos pelas fontes pagadoras – como condição para o reconhecimento do direito creditório decorrente da apuração de saldo negativo de IRPJ, se o cumprimento deste requisito pode ser facilmente verificado pelo Fisco por meio de diligência fiscal, inclusive quanto às declarações da fonte pagadora relativas ao ano de 1999”. 5. Finalizando requer o reconhecimento do seu direito creditório no valor histórico de 4.823.128,30, declarado na DIPJ de 2001, relativa ao anocalendário de 2000, ou caso, a Turma julgadora entenda que as provas carreadas ao autos sejam insuficientes para demonstrar o direito creditório pleiteado, pugna pela realização de diligência fiscal no sentido de que seja verificada a plausibilidade das razões defendidas na referida Manifestação de Inconformidade. Fl. 369DF CARF MF Emitido em 05/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/04/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS Assinado digitalmente em 05/04/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 13502.000600/200662 Acórdão n.º 130200.556 S1C3T2 Fl. 341 7 A DRJ decidiu: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 2000 DECADÊNCIA. LANÇAMENTO. INDÉBITO TRIBUTÁRIO. Incabível a alegação de decadência de o direito da Fazenda Nacional constituir o crédito tributário, quando, no despacho decisório, a autoridade administrativa examina tãosomente a certeza e liquidez do alegado indébito tributário utilizado para fins de compensação de crédito tributário ali confessado, eis que ausente a figura do lançamento. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 2000 DILIGÊNCIA. PRODUÇÃO DE PROVAS. Deve ser indeferido o pedido de diligência que visa a produção de prova documental, a qual deveria ter sido apresentada no momento da impugnação, ademais quando não foi demonstrada a impossibilidade de produzila por motivo de força maior, não se refira a fato ou direito superveniente e não se destina a contrapor fatos ou razões posteriormente trazida aos atos. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2000 ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL. PROVA. A escrituração, para fazer prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados, deve vir acompanhada de documentos hábeis e idôneos, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais. Portanto, não se pode aceitar, a título de prova, a cópia de livro razão se desacompanhada dos documentos que teriam dado causa aos lançamentos ali efetivados. DIREITO CREDITÓRIO. SALDO NEGATIVO DO IMPOSTO SOBRE A RENDA. JUROS SOBRE O CAPITAL PRÓPRIO. IRRF. Descabe a restituição do saldo negativo do Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica, em razão de compensação de IRRF incidente sobre o valor dos juros pagos ou creditados a título de remuneração do capital próprio, quando não demonstrada a existência e a liquidez do alegado direito creditório. Ciente do acórdão em 29/12/2009, a recorrente apresentou recurso em 28/01/2010. No recurso reitera os argumentos da impugnação, em especial que: houve decadência do direito do fisco analisar o saldo negativo de IRPJ gerado no anocalendário de 2000 e declarado na DIPJ/2001, tendo em vista que já se passaram mais de cinco anos desde a sua entrega, tendo sido o saldo negativo homologado tacitamente; que houve inobservância do Princípio da verdade material, tendo em vista que teria sido indeferida a restituição/compensação de parcela do saldo negativo sob o Fl. 370DF CARF MF Emitido em 05/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/04/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS Assinado digitalmente em 05/04/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 13502.000600/200662 Acórdão n.º 130200.556 S1C3T2 Fl. 342 8 argumento de que a recorrente não teria juntado aos autos documentos capazes de demonstrar a retenção do IR efetuado pela UNIPAR S. A . em razão do pagamento de juros sobre capital próprio, a qual dera origem ao crédito compensado e que também teria influenciado a decisão do fisco o fato de não ter sido localizado na base de dados da Receita informações sobre tal retenção na fonte; que na DCTF retificadora 000.100.2004.81820887. apresentada pela UNIPAR, consta que foi declarado débito de IRRF incidente sobre juros sobre capital próprio, relativo ao período de apuração da 1ª semana de janeiro de 2000 e mesmo assim a decisão recorrida entendeu como não comprovada a retenção; que no documento 3 apresentado com o recurso há referência ao pagamento ocorrido no ano de 1999 dos juros de capital próprio Voto Conselheiro MARCOS RODRIGUES DE MELLO O recurso é tempestivo e deve ser conhecido. Analiso inicialmente a alegação de decadência do direito de analisar a origem do saldo negativo do IRPJ que deu fundamento ao pedido de restituição discutido neste processo. A DRJ se pronunciou sobre o tema: No presente caso, não se está a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária para se constituir o crédito tributário como assim quer fazer crer a Interessada, porquanto o Despacho Decisório não examinou a possibilidade do lançamento, mas, tãosomente, a existência do alegado direito creditório (indébito tributário) indicado no “PER/DCOMP”, com vistas a verificar a liquidez e certeza do valor do indébito tributário ali pleiteado para, após confrontar com o crédito tributário ali confessado, homologar ou não a compensação ali declarada pela Contribuinte, conforme previsto no artigo 170, do CTN c/com o artigo 74, da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, como segue: – do CTN: Art. 170 – A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos e vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. – da Lei n° 9.430, de 1996 e alterações posteriores: Fl. 371DF CARF MF Emitido em 05/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/04/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS Assinado digitalmente em 05/04/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 13502.000600/200662 Acórdão n.º 130200.556 S1C3T2 Fl. 343 9 Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. § 1º A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. § 2º A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. (...) § 5º O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. § 6º A declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. § 7º Não homologada a compensação, a autoridade administrativa deverá cientificar o sujeito passivo e intimálo a efetuar, no prazo de 30 (trinta) dias, contado da ciência do ato que não a homologou, o pagamento dos débitos indevidamente compensados. § 8º Não efetuado o pagamento no prazo previsto no § 7º, o débito será encaminhado à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional para inscrição em Dívida Ativa da União, ressalvado o disposto no § 9º. § 9º É facultado ao sujeito passivo, no prazo referido no § 7º, apresentar manifestação de inconformidade contra a não homologação da compensação. § 10. Da decisão que julgar improcedente a manifestação de inconformidade caberá recurso ao Conselho de Contribuintes. § 11. A manifestação de inconformidade e o recurso de que tratam os §§ 9º e 10 obedecerão ao rito processual do Decreto no 70.235, de 6 de março de 1972, e enquadramse no disposto no inciso III do art. 151 da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional, relativamente ao débito objeto da compensação. Obs.: destaquei. Dessa forma, não prospera a alegada decadência, a qual rejeito, eis que o Despacho Decisório não visou a realização de lançamento, mas o exame de liquidez e certeza do alegado indébito tributário. Fl. 372DF CARF MF Emitido em 05/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/04/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS Assinado digitalmente em 05/04/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 13502.000600/200662 Acórdão n.º 130200.556 S1C3T2 Fl. 344 10 Em relação ao tema, também houve manifestação do Conselheiro Aloysio José Percinio da Silva, expresso no acórdão 10323.032: Nesse caso, é importante ter em mente que a investigação fiscal não teve por fim a constituição de crédito tributário mediante lançamento ex officio, o que seria impossível em função da ocorrência de decadência. No caso sob exame, como acima referido, o propósito era o de confirmação dos valores pleiteados pela interessada, portanto, era seu dever manter à disposição do fisco a documentação necessária a comprovar a certeza e a liquidez do seu crédito, em obediência ao disposto no art. 264, caput, do RIR199, cuja matriz legal se encontra no art. 4° do DL 486/69: "Art. 264. A pessoa jurídica é obrigada a conservar em ordem, enquanto não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes, os livros, documentos e papéis relativos a sua atividade, ou que se refiram a atos ou operações que modifiquem ou possam vir a modificar sua situação patrimonial." O instituto da decadência do direito de constituir o crédito tributário mediante lançamento ex officio não se confunde com o dever da autoridade fiscal de verificar os pressupostos de certeza e liquidez do crédito do contribuinte, objeto de pedido de compensação. Pelo exposto, considero equivocada a alegação de decadência suscitada pela recorrente. Em caso contrário, estaria por admitir situação em que um contribuinte apresentaria pedido de compensação relativo a um determinado período no último dia do prazo de cinco anos para realização de lançamento ex officio e já no dia seguinte seria impossível para o fisco verificar a procedência do pedido, quanto aos pressupostos de certeza e a liquidez do crédito pleiteado. Não há reparo a fazer à decisão recorrida e ao disposto no acórdão parcialmente reproduzido. Nada impede que o fisco verifique a liquidez e certeza do alegado crédito que o contribuinte opõe ao fisco, sendo obrigação do contribuinte manter prova documental da origem do crédito até o momento da análise da utilização do mesmo pelo fisco. Nego, portanto, a ocorrência da decadência alegada. No mérito não merece melhor sorte a recorrente. Embora intimada em diversas oportunidades a demonstrar documentalmente a retenção na fonte do imposto incidente sobre os juros sobre o capital próprio Sobre a matéria, dispôs a DRJ: Fl. 373DF CARF MF Emitido em 05/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/04/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS Assinado digitalmente em 05/04/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 13502.000600/200662 Acórdão n.º 130200.556 S1C3T2 Fl. 345 11 Ademais, após decorridos mais de 2 (dois) anos da ciência da Contribuinte do despacho decisório negando o alegado indébito tributário, não se vislumbra nos autos que ela tenha procurado suprir a falta do referido informe de rendimentos, apesar de, em 26/09/2006, ter sido intimada ainda no decorrer do procedimento de fiscalização a apresentálo, e, em sua defesa, ter se comprometido a trazêlo no decorrer do andamento do presente processo (fls. de n°s. 38, 39 e 236, subitem 3.14). Ora, em 28/01/2010, mais de três anos depois de ter sido intimada, a recorrente não apresente documento que deveria manter arquivado e, mesmo que não o tivesse feito, tratando de empresa do mesmo grupo econômico, que dificuldade teria para obter o citado documento. Quanto ao documento 3 de fls. 330, apresentado com o recurso ,não serva nem mesmo como início de prova, que poderia levar à necessidade de diligência, pois tratase de cópia sem assinatura e referese a anocalendário diferente do referente a estes autos. Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) MARCOS RODRIGUES DE MELLO Relator Fl. 374DF CARF MF Emitido em 05/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/04/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS Assinado digitalmente em 05/04/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO
score : 1.0
Numero do processo: 10280.004213/2002-35
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 06 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Apr 06 00:00:00 UTC 2011
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI
Período de apuração: 01/01/1996 a 31/12/1996
IPI PRESCRIÇÃO
DO DIREITO DE CREDITAR 5
ANOS INTELIGÊNCIA
DO DECRETO Nº 20.910/32.
O direito de pleitear o ressarcimento de crédito de IPI extinguese
em 5 anos,
nos termos do Decreto nº 20.910/32, contados da aquisição dos insumos.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3302-000.905
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora.
Nome do relator: FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS
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E EXPORTAÇÃO LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/1996 a 31/12/1996 IPI PRESCRIÇÃO DO DIREITO DE CREDITAR 5 ANOS INTELIGÊNCIA DO DECRETO Nº 20.910/32. O direito de pleitear o ressarcimento de crédito de IPI extinguese em 5 anos, nos termos do Decreto nº 20.910/32, contados da aquisição dos insumos. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente. (assinado digitalmente) FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Relatora EDITADO EM: 20/06/2011 Participaram do julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Alan Fialho Gandra e Gileno Gurjão Barreto. Ausente o conselheiro Alexandre Gomes. Fl. 255DF CARF MF Emitido em 27/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/06/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/06/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/07/2011 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS 2 Relatório Tratase de Pedido de Ressarcimento de IPI, derivado do crédito presumido concedido pela Lei nº 9.363/96, no valor de R$ 308.947,99, apresentado em 02/08/2002, relativo a créditos apurados no anocalendário de 1996 (fls. 01/13). Além do Pedido de Ressarcimento constam dos autos diversas Declarações de Compensação (fls. 14/38 e 96), visando à quitação de débitos de IRPJ, PIS e COFINS relativos a diversas competências dos anos de 2002 e 2003. O SEORT da DRF/Belém entendeu que o referido pedido teria sido feito fora do prazo, tendo em vista o Decreto n° 20.910, de 1932, determinar que prescrevem em cinco anos as dividas passivas da União, seja qual for sua natureza, citando ainda o Parecer Normativo CST n° 515, de 1971, no mesmo sentido. Segundo os cálculos da Unidade, sendo o crédito de 1996, o mesmo materializouse no final do período — 31.12.1996 — encerrandose o direito de pleitear sua restituição em 31.12.2001 (fls. 85/90). Conseqüentemente, o Despacho Decisório (fls. 91), acatando as conclusões do parecer da SEORT/DRF/Belém indeferiu o pedido de ressarcimento do IPI e não homologou as compensações vinculadas ao referido crédito, determinando o lançamento dos débitos não confessados em outras declarações, referentes às Dcomp apresentadas anteriormente à Medida Provisória n° 135, de 2003, e a cobrança imediata dos débitos objeto das Declarações não homologadas, mas cujos débitos foram considerados confessados. A Recorrente apresentou sua Impugnação ao Despacho Decisório (fls. 113/132), alegando, em síntese: (a) Que teria ocorrido a “homologação tácita do crédito pela não apreciação do pedido de ressarcimento dentro do prazo qüinqüenal", uma vez que o pedido deuse em 02.02.2002 e a ciência do indeferimento somente em 16.08.2007; (b) Que a contagem do prazo prescricional, realizada pela SEORT estaria equivocada, pois a Portaria Cofis n° 12, de 30.11.1995, fixava a apresentação do Demonstrativo do Crédito Presumido até o dia 31 de março do ano seguinte ao fato gerador do crédito, como data de início para contagem do prazo prescricional, pelo que entende que a contagem do prazoprescriciona1 iniciouse no "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado (art. 17.3, inciso I, do C7N).” Assim, entende que o prazo de prescrição teria começado a afluir a partir de 01.01.1998, e expiraria apenas em 01.01.2003". (c) Que não teria havido a decadência do direito ao ressarcimento, considerando que não se trata de crédito de IPI e sim de PIS/Pasep e COFINS, sendo a denominação (crédito presumido de IPI) tão somente em decorrência da forma primeira de utilização — compensação com débitos de IPI. Nesse caso, não se aplicaria o prazo do Decreto n° 20.910/32, pois a natureza da exação é tributária, devendo ser utilizado o Código Tributário Nacional (CTN), o qual determinaria que nos casos de Fl. 256DF CARF MF Emitido em 27/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/06/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/06/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/07/2011 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 10280.004213/200235 Acórdão n.º 330200.905 S3C3T2 Fl. 2 3 tributos sujeitos ao lançamento por homologação, o prazo de cinco anos para a restituição, contados a partir da data da homologação do lançamento, que ocorreria tacitamente após cinco anos da realização do fato gerador. Acusa existirem decisões judiciais e administrativas que corroborariam do seu entendimento; (d) Que caso não sejam acatados seus argumentos, que ao menos seja afastada a aplicação de multa sobre os valores que vierem a ser constituídos pelo Fisco, por ser desproporcional, ilegal e atentar contra a ordem econômica, caracterizando confisco e ferindo o princípio da proporcionalidade, além do afastamento da Taxa SELIC incidente sobre os créditos tributários, por também ser inconstitucional; Requer, por fim, que: a) seja reconhecida a homologação tácita do seu pedido de ressarcimento; b) reconhecidos seus créditos de PIS/Pasep e COFINS; c) homologadas as declarações de compensação; d) afastada a SELIC sobre créditos tributários; e e) redução da multa a patamares condizentes com o princípio da razoabilidade. A DRJ analisou a Impugnação apresentada e afastou os argumentos do contribuinte, para determina a manutenção do lançamento (fls. 147/154), em decisão assim ementada, verbis: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/1996 a 31/12/1996 CRÉDITO PRESUMIDO. O direito ao aproveitamento do crédito presumido nos termos da Portaria MF n° 129, de 1995, e Instrução Normativa SRF n° 21/95, materializavase ao final do período de apuração, independendo da apresentação do Demonstrativo do Crédito Presumido (DCP). ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/1996 a 31/12/1996 PRESCRIÇÃO. As dívidas passivas da União prescrevem em cinco nos contados do ato ou fato do qual se originarem. JUROS SELIC. Descabe a incidência de juros compensatórios no ressarcimento de créditos do IPI. INCONSTITUCIONALIDADE. PRESUNÇÃO DE LEGITIMIDADE. A autoridade administrativa não possui atribuição para apreciar a argüição de inconstitucionalidade de dispositivos legais. As leis regularmente editadas segundo o processo constitucional gozam de presunção de constitucionalidade até decisão em contrário do Poder Judiciário. Solicitação Indeferida.” Fl. 257DF CARF MF Emitido em 27/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/06/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/06/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/07/2011 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS 4 Cientificada da decisão a Recorrente apresentou seu Recurso Voluntário, (fls. 179/201), reiterando as alegações trazidas em sua Impugnação. É o relatório. Voto Conselheira FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele conheço. Discutese nos autos o prazo que detém o contribuinte para apresentar seu Pedido de Restituição de créditos de IPI, apurados em razão do disposto na Lei nº 9.363/96. A Recorrente apresentou, em 02/08/2002, Pedido de Restituição de créditos, gerados em razão da aquisição de insumos no ano calendário de 1996. Segundo a DRF e a DRJ o pedido foi apresentado após decorridos 05 anos do último dia do ano em que foram gerados, razão pela qual devem ser negados, por decurso do prazo prescricional que o contribuinte detém para apresentálos. A Recorrente, por sua vez, alega que teria ocorrido a homologação tácita do Pedido de Restituição, na medida em que decorreram mais de 05 anos entre o protocolo do Pedido e seu indeferimento. O raciocínio da Recorrente não merece prosperar, pois não há prazo legal estabelecido para que o Fisco analise Pedido de Restituição. Este prazo existe expressamente apenas para casos de compensação – a partir de 2003, nos termos do que dispõe o parágrafo 5º do artigo 74 da Lei nº 9430/96, com redação dada pela Lei nº 10.833/03 – mas não se aplica a Pedidos de Restituição, como alega a contribuinte. Outro argumento utilizado pela Recorrente seria o de que o prazo prescricional de 05 anos se iniciaria apenas no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o contribuinte deve entregar o Demonstrativo do Crédito Presumido, previsto na Portaria COFIS nº 12/95. Considerando que referido Demonstrativo só deve ser entregue em 31/03 do ano seguinte à apuração dos créditos, alega a Recorrente que o prazo de prescrição teria começado a afluir a partir de 01.01.1998, e expiraria apenas em 01.01.2003. Também não merece prosperar tal argumento, pois o Demonstrativo em questão é mera informação a ser entregue à Receita Federal para controle do crédito apurado. O fato gerador do crédito, contudo, é a própria aquisição dos insumos. O momento em que surge o direito ao crédito é este – o momento da aquisição dos insumos que são utilizados no processo produtivo de exportação (nos termos do que estabelece o artigo 1º da Lei nº 9.363/96) e não se confunde com a entrega da Declaração em tela, que é meramente informativa e não constitutiva do crédito em questão. Ademais, ainda que assim fosse, não haveria razão para aplicação do artigo 173, I do CTN, como pretendeu a Recorrente, pois não se trata de lançamento de ofício para constituição de crédito tributário (matéria objeto do mencionado dispositivo legal). A Recorrente alega, ainda, que se aplicaria a tese dos 05 anos (para homologação do crédito) mais 05 anos (para cobrança do crédito), amplamente adotada pela jurisprudência. Fl. 258DF CARF MF Emitido em 27/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/06/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/06/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/07/2011 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 10280.004213/200235 Acórdão n.º 330200.905 S3C3T2 Fl. 3 5 Ocorre que, a despeito do alegado pela Recorrente, entendo que o citado prazo não se aplica ao ressarcimento de IPI, mas tão somente à restituição dos tributos. Embora o crédito gere efeito de redução do tributo, não pode ser confundido com tributo e, portanto, não está sujeito ao lançamento por homologação, razão pela qual não pode ter a si aplicada a citada tese judicial, mesmo tendo o pedido sido realizado em momento anterior à Lei Complementar 118/05. O prazo para requerer o ressarcimento dos créditos de IPI é de cinco anos, contados da data de entrada dos insumos no estabelecimento industrial. Aplicase, a este ressarcimento, o artigo primeiro do Decreto 20.910/32, a saber: “As dívidas passivas da União, Estados e Municípios, bem assim todo e qualquer direito ou ação contra a Fazenda Federal, Estadual ou Municipal, seja qual for a sua natureza, prescrevem em cinco anos, contados da data do ato ou fato do qual se originaram.” É este o entendimento pacífico deste colegiado, bem como do Superior Tribunal de Justiça, para exemplificar, verbis: “(...) IPI. PRESCRIÇÃO DO DIREITO DE SE CREDITAR. De acordo com o Decreto nº 20.910/32, a prescrição do direito de utilizar os créditos escriturais ocorre em 5 anos, contados da aquisição dos insumos. (...)” (Recurso 128.105, Acórdão 201 – 79236, Primeira Câmara, 27.04.06) “IPI. RESSARCIMENTO DE CRÉDITOS BÁSICOS. PRESCRIÇÃO. Eventual direito a pleitearse ressarcimento de créditos básicos de IPI prescreve em cinco anos contados da data da entrada dos insumos no estabelecimento industrial. (...)” (Recurso 126804, Acórdão 202 – 15794, Segunda Câmara, 15.09.04) “IPI. CRÉDITOPRÊMIO. PRESCRIÇÃO QÜINQÜENAL. O créditoprêmio de IPI está vinculado à prescrição qüinqüenal disposta no Decreto nº 20.910/32, conforme pacífica jurisprudência do STJ. Não tendo o contribuinte formulado o pleito de ressarcimento de créditoprêmio de IPI com observância do prazo qüinqüenal disposto no referido diploma. Recurso negado.” (Recurso 126088, Acórdão 203 – 0984, Terceira Câmara, 20.10.04) Fl. 259DF CARF MF Emitido em 27/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/06/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/06/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/07/2011 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS 6 “TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. PREQUESTIONAMENTO. IPI. INSUMOS E MATÉRIAS PRIMAS ISENTOS OU TRIBUTADOS À ALÍQUOTA ZERO. DIREITO AO CREDITAMENTO. PRESCRIÇÃO. 1. O princípio constitucional da nãocumulatividade, assegura ao contribuinte do IPI o direito ao creditamento do imposto na hipótese de Aquisição de insumos e matériasprimas isentos ou tributados à alíquota zero. (...) 4. In casu, o thema iudicandum não versa pedido de restituição do indébito tributário, mas de pleito de reconhecimento do direito ao creditamento, por isso que não se aplica o prazo de prescrição contado da data da homologação tácita, mas sim, consoante dispõe o art. 1º do DecretoLei 20.910/32, estando prescritos os valores recolhidos anteriormente aos cinco anos, contados retroativamente à propositura da ação.(...)” (STJ, Recurso Especial 640773 / SC, Min. Luiz Fux, Primeira Turma, DJU 30.05.05) “TRIBUTÁRIO. IPI. AQUISIÇÃO DE MATÉRIAPRIMA ISENTA, NÃO TRIBUTADA OU SUJEITA À ALÍQUOTA ZERO. CRÉDITO. COMPENSAÇÃO. ART. 166 DO CTN. INAPLICABILIDADE. CRÉDITOS ESCRITURAIS. PRESCRIÇÃO. CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. (...) 5. A prescrição dos créditos fiscais visando ao creditamento do IPI é qüinqüenal, contada a partir do ajuizamento da ação. (...)” (STJ, Recurso Especial 640773 / SC, Min. Castro Meira, Segunda Turma, DJ 15.08.2005) Diante do exposto, entendo que ocorreu a prescrição, do direito do contribuinte de requerer o ressarcimento em questão – o qual deveria ter sido realizado até o ano de 2001. No que se refere à aplicação da multa de ofício sobre os valores que foram objeto de compensações não homologadas, e cujo débito considerase constituído – quais sejam os débitos indicados na Tabela 03 do Despacho Decisório (fls. 99) – a incidência da multa é aplicável, pois o contribuinte não efetuou o pagamento do valor devido e encontrase em mora. Por fim, em relação à Taxa SELIC, há Súmula Vinculante deste Conselho obrigando à aplicação do índice, verbis: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Fl. 260DF CARF MF Emitido em 27/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/06/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/06/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/07/2011 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 10280.004213/200235 Acórdão n.º 330200.905 S3C3T2 Fl. 4 7 Pelo exposto, NEGO PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, nos termos expostos, para reconhecer a prescrição do direito da Requerente em pleitear o Ressarcimento de crédito de IPI, objeto dos autos, bem como para não homologar as compensações efetuadas e manter a cobrança dos valores que foram considerados declarados, nos termos do despacho decisório proferido (fls. 85/90). É como voto. (assinado digitalmente) FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Relatora Fl. 261DF CARF MF Emitido em 27/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/06/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/06/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/07/2011 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS
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