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Numero do processo: 13888.002416/2007-51
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 13 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Apr 13 00:00:00 UTC 2011
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Data do Fato Gerador: 29/05/2007
OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. AUTO DE INFRAÇÃO. PRAZO
DECADENCIAL DE CINCO ANOS. ART. 173, I DO CTN.
O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento exarado na Súmula Vinculante nº 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei nº 8.212 de 1991.
Incidência do preceito inscrito no art. 173, I do CTN.
Encontram-se atingidas pela fluência do prazo decadencial todas as obrigações tributárias acessórias apuradas pela fiscalização que motivaram a lavratura do presente Auto de Infração.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2302-000.970
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: Arlindo da Costa e Silva
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do Fato Gerador: 29/05/2007 OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. AUTO DE INFRAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL DE CINCO ANOS. ART. 173, I DO CTN. O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento exarado na Súmula Vinculante nº 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei nº 8.212 de 1991. Incidência do preceito inscrito no art. 173, I do CTN. Encontramse atingidas pela fluência do prazo decadencial todas as obrigações tributárias acessórias apuradas pela fiscalização que motivaram a lavratura do presente Auto de Infração. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Marco André Ramos Vieira Presidente. Arlindo da Costa e Silva Relator. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 17/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/04/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Assinado digitalmente em 25/04/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, 09/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS V IEIRA 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco André Ramos Vieira (Presidente de Turma), Manoel Coelho Arruda Junior (Vicepresidente de turma), Liége Lacroix Thomasi, Adriana Sato e Arlindo da Costa e Silva. Ausência momentânea: Thiago d’Avila Melo Fernandes. Relatório Período de apuração: Janeiro/1999 a julho/2001. Data da lavratura do Auto de Infração : 29/05/2007. Data de ciência do Auto de Infração : 01/06//2007 Tratase de auto de infração decorrente do descumprimento de obrigações acessórias previstas no inciso IV do art. 32 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, lavrado em desfavor do Recorrente, em razão de entrega de GFIP com omissão de dados em campos relacionados com fatos geradores de contribuições previdenciárias, no período de Janeiro/1999 a julho/2001, conforme descrito no Relatório Fiscal a fl. 10 e anexos. CFL 68 Apresentar a empresa GFIP/GRFP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, seja em ralação às bases de cálculo, seja em relação às informações que alterem o valor das contribuições, ou do valor que seria devido se não houvesse isenção (Entidade Beneficente) ou substituição (SIMPLES, Clube de Futebol, produção rural) – Art. 284, II na redação do Dec.4.729, de 09/06/2003. Irresignado com o supracitado lançamento tributário, o sujeito passivo apresentou impugnação a fl. 17. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília/DF lavrou Decisão Administrativa a fls. 61/66, julgando procedente a autuação e mantendo o crédito tributário em sua integralidade. O Sujeito Passivo foi cientificado da decisão de 1ª Instância no dia 12 de fevereiro de 2008, conforme documento a fl. 67. Inconformada com a decisão exarada pelo órgão administrativo julgador a quo, o ora recorrente interpôs recurso voluntário, a fls. 69/73. Relatados sumariamente os fatos relevantes. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 17/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/04/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Assinado digitalmente em 25/04/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, 09/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS V IEIRA Processo nº 13888.002416/200751 Acórdão n.º 230200.970 S2C3T2 Fl. 407 3 Voto Conselheiro Arlindo da Costa e Silva, Relator. 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE O sujeito passivo foi válida e eficazmente cientificado da decisão recorrida no dia 12 de fevereiro de 2008. Havendo sido o recurso voluntário protocolado no dia 06 de março do mesmo ano, há que se reconhecer a tempestividade do recurso interposto. Estando presentes os demais requisitos de admissibilidade do Recurso Voluntário, dele conheço. 2. DAS PRELIMINARES 2.1. DA DECADÊNCIA. O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento exarado na Súmula Vinculante nº 8, em julgamento realizado em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46 da Lei n º 8.212/91, nos termos que se vos seguem: Súmula Vinculante nº 8 “São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Conforme estatuído no art. 103A da Constituição Federal, a Súmula Vinculante nº 8 é de observância obrigatória tanto pelos órgãos do Poder Judiciário quanto pela Administração Pública, devendo este Colegiado aplicála de imediato. Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. Afastada por inconstitucionalidade a eficácia das normas inscritas nos artigos 45 e 46 da Lei n º 8.212, urgem serem seguidas as disposições relativas à matéria em relevo inscritas no Código Tributário Nacional – CTN e nas demais leis de regência. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 17/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/04/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Assinado digitalmente em 25/04/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, 09/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS V IEIRA 4 O instituto da decadência no Direito Tributário, malgrado respeitadas posições em sentido diverso, encontrase regulamentado no art. 173 do Código Tributário Nacional CTN, que reza ipsis litteris: Código Tributário Nacional CTN Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extingue se definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. A análise da subsunção do fato in concreto à norma de regência revela que, ao caso sub examine, operase a incidência das disposições inscritas no inciso I do transcrito art. 173 do CTN. Nessa condição, tendo sido o lançamento realizado em 19 de maio de 2007, este apenas alcançaria os fatos geradores ocorridos a partir da competência dezembro/2001, inclusive, excluídos os fatos geradores relativos ao 13º salário desse mesmo ano. Pelo exposto, considerando que o vertente Auto de Infração houve por lavrado em razão do descumprimento de obrigações tributárias acessórias supostamente ocorridas nas competências de Janeiro/1999 a julho/2001, fácil é concluir que se encontram atingidas pela fluência do prazo decadencial todas as obrigações tributárias objeto da presente autuação, caducando, por conseguinte, o direito da Fazenda Pública de constituir o crédito tributário a elas correspondente. 3. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, CONHEÇO do Recurso Voluntário para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO. É como voto. Arlindo da Costa e Silva Fl. 4DF CARF MF Emitido em 17/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/04/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Assinado digitalmente em 25/04/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, 09/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS V IEIRA Processo nº 13888.002416/200751 Acórdão n.º 230200.970 S2C3T2 Fl. 408 5 Fl. 5DF CARF MF Emitido em 17/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/04/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Assinado digitalmente em 25/04/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, 09/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS V IEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 15983.000838/2008-10
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 16 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Mar 15 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004
PAGAMENTO DE PRÓLABORE. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES
PREVIDENCIÁRIAS.
Incidem contribuições previdenciárias sobre os valores pagos aos
administradores da empresa a título de prólabore.
ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004
RETIFICAÇÃO DE DECLARAÇÕES PRESTADA PELO SUJEITO PASSIVO. REDUÇÃO OU EXCLUSÃO DE TRIBUTO DEVIDO. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DO FATO QUE DEU ORIGEM À RETIFICAÇÃO.
Somente podem ser acatadas as retificações, promovidas pelo sujeito passivo, em declarações por ele prestadas ao Fisco, as quais venham a reduzir ou excluir o tributo devido, quando haja justificativa plausível para a alteração dos dados.
PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL.NÃO RECONHECIMENTO.
A ocorrência da prescrição intercorrente não é reconhecida no processo administrativo fiscal.
Recurso Voluntário Negado
ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004
DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA QUE ENFRENTA TODOS OS PONTOS DA IMPUGNAÇÃO E FUNDAMENTA AS SUAS CONCLUSÕES. NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
Numero da decisão: 2401-001.722
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos: I) rejeitar as preliminares suscitadas; e II) no mérito, negar provimento ao recurso.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 PAGAMENTO DE PRÓLABORE. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. Incidem contribuições previdenciárias sobre os valores pagos aos administradores da empresa a título de prólabore. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 RETIFICAÇÃO DE DECLARAÇÕES PRESTADA PELO SUJEITO PASSIVO. REDUÇÃO OU EXCLUSÃO DE TRIBUTO DEVIDO. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DO FATO QUE DEU ORIGEM À RETIFICAÇÃO. Somente podem ser acatadas as retificações, promovidas pelo sujeito passivo, em declarações por ele prestadas ao Fisco, as quais venham a reduzir ou excluir o tributo devido, quando haja justificativa plausível para a alteração dos dados. PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL.NÃO RECONHECIMENTO. A ocorrência da prescrição intercorrente não é reconhecida no processo administrativo fiscal. Recurso Voluntário Negado ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA QUE ENFRENTA TODOS OS PONTOS DA IMPUGNAÇÃO E FUNDAMENTA AS SUAS CONCLUSÕES. NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
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INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. Incidem contribuições previdenciárias sobre os valores pagos aos administradores da empresa a título de prólabore. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 RETIFICAÇÃO DE DECLARAÇÕES PRESTADA PELO SUJEITO PASSIVO. REDUÇÃO OU EXCLUSÃO DE TRIBUTO DEVIDO. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DO FATO QUE DEU ORIGEM À RETIFICAÇÃO. Somente podem ser acatadas as retificações, promovidas pelo sujeito passivo, em declarações por ele prestadas ao Fisco, as quais venham a reduzir ou excluir o tributo devido, quando haja justificativa plausível para a alteração dos dados. PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL.NÃO RECONHECIMENTO. A ocorrência da prescrição intercorrente não é reconhecida no processo administrativo fiscal. Recurso Voluntário Negado ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA QUE ENFRENTA TODOS OS PONTOS DA IMPUGNAÇÃO E FUNDAMENTA AS SUAS CONCLUSÕES. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Fl. 193DF CARF MF Emitido em 01/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/03/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 24/03/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 29/03/2011 por ELIAS SAMPAIO FREI RE 2 Não se vislumbra nulidade, por cerceamento ao direito de defesa, na decisão que enfrenta os pontos suscitados pelo contribuinte e fundamenta satisfatoriamente as suas conclusões. MULTA CARÁTER CONFISCATÓRIO. IMPOSSIBILIDADE DE DECLARAÇÃO PELA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. Não pode a autoridade fiscal ou mesmo os órgãos de julgamento administrativo afastar a aplicação da multa legalmente prevista, sob a justificativa de que tem caráter confiscatório. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos: I) rejeitar as preliminares suscitadas; e II) no mérito, negar provimento ao recurso. Elias Sampaio Freire Presidente Kleber Ferreira de Araújo Relator Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Cleuza Vieira de Souza, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 194DF CARF MF Emitido em 01/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/03/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 24/03/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 29/03/2011 por ELIAS SAMPAIO FREI RE Processo nº 15983.000838/200810 Acórdão n.º 240101.722 S2C4T1 Fl. 182 3 Relatório Trata o presente processo fiscal do Auto de Infração n. 37.152.5845, posteriormente cadastrado na RFB sob o número de processo constante no cabeçalho. No mesmo são exigidas as contribuições do segurado incidente sobre a remuneração para a título de prólabore a segurado contribuinte individual. O crédito, consolidado em 25/08/2008, assumiu o montante de R$ 4.867,87 (quatro mil, oitocentos e sessenta e sete reais e oitenta e sete centavos). De acordo com o Relatório Fiscal, fls. 17/20, o saláriodecontribuição corresponde a diferença entre os valores de prólabore declarados na Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte DIRF e aqueles registrados na Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social – GFIP. Informase que foram examinados, durante a ação fiscal, os seguintes documentos: Declaração de Firma Individual, Livro de Registro de Empregados, Folhas de Pagamento, Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social — GFIP, DIRF — Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte e Livro Caixa. Juntouse aos autos cópias das DIRF anocalendário 2004 e demonstrativo de apuração da base de cálculo lançada. A empresa apresentou impugnação, fls. 25/40, na qual, em apertada síntese, alegou que: a) faltam ao AI os elementos que lhe possam conferir validade, por esse motivo o mesmo é nulo; b) procedeu a retificação das declarações, de modo que passassem a refletir a realidade financeira da empresa; c) o Agente Fiscal não lhe concedeu um prazo razoável para efetuar as mencionadas retificações; d) comprovado que a empresa retificou equívocos cometidos quando da preparação de suas declarações, o AI deve ser nulificado; e) o Fisco no presente lançamento está a tributar lucros e dividendos e não prólabore, sendo injustificada a exigência; f) o crédito tributário deve ser excluído uma vez que a exação está recaindo sobre rendimento distribuído ao proprietário da firma individual, sobre a qual se verifica a isenção, tanto das contribuições previdenciárias, quanto do imposto de renda; g) a multa de mora deve ser reduzida, uma vez que foi aplicada em percentual além do permissivo legal e sem qualquer embasamento jurídico; Fl. 195DF CARF MF Emitido em 01/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/03/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 24/03/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 29/03/2011 por ELIAS SAMPAIO FREI RE 4 h) os documentos colacionados comprovam que a empresa cumpriu rigorosamente com suas obrigações previdenciárias. Ao final pede que lançamento seja nulificado ou que seja determinada a exclusão do crédito correspondente. A DRJ em Campinas julgou integralmente procedente o lançamento, fls. 113/116, tendo o acórdão carregado a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 01/12/2004 NULIDADE. PROCEDIMENTO ADMINISTRATIVO FISCAL Rejeitase a preliminar de nulidade suscitada contra o procedimento administrativo fiscal, quando não é provada nenhuma violação aos arts. 10 e 59 do Decreto n° 70.235, de 1972 e o processo obedece às determinações legais, garantindo ao Contribuinte o contraditório e a ampla defesa. LANÇAMENTO COM BASE NA DIRF Declaração de Imposto Retido na Fonte A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. Art. 147, § 10 do CTN. 3. DIREITO PREVIDENCIÁRIO. RECOLHIMENTO DAS CONTRIBUIÇÕES DOS SEGURADOS CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. É fato gerador de contribuição previdenciária a totalidade das remunerações pagas ou creditadas a qualquer título a segurado contribuinte individual. É obrigação da empresa arrecadar as contribuições destinadas à Seguridade Social, correspondente à parte dos segurados contribuintes individuais a seu serviço, descontandoas da respectiva remuneração e recolhendo o produto arrecadado. CONEXÃO O instituto da conexão se aplica subsidiariamente ao contencioso administrativo, sendo facultado ao julgador a reunião dos mesmos para apreciação e julgamento. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformada, a empresa apresentou recurso voluntário, fls. 121/142, no qual alega que a decisão recorrida não pode subsistir, posto que plenamente alicerçada nas informações constantes no relato do Fisco, o qual está longe de condizer com a realidade, uma vez que a empresa cumpriu integralmente com as suas obrigações tributárias. Fl. 196DF CARF MF Emitido em 01/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/03/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 24/03/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 29/03/2011 por ELIAS SAMPAIO FREI RE Processo nº 15983.000838/200810 Acórdão n.º 240101.722 S2C4T1 Fl. 183 5 Ocorreu a prescrição do direito da Fazenda de exigir as contribuições, posto que transcorreu o lapso de cinco anos entre a ocorrência dos fatos geradores e o início do ano de 2010. A partir de então passa a repetir as mesmas alegações já apresentadas na defesa. Ao final requer o pleno provimento do seu recurso, conforme as alegações acima expostas. É o relatório. Fl. 197DF CARF MF Emitido em 01/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/03/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 24/03/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 29/03/2011 por ELIAS SAMPAIO FREI RE 6 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Relator O recurso merece conhecimento, posto que preenche os requisitos de tempestividade e legitimidade. Nulidade Protesta a recorrente pela nulidade da decisão recorrida, por lhe faltar fundamento. Esse argumento me parece que não deve ser acolhido. É que o órgão a quo enfrentou todos os pontos aventados no recurso, sopesando as provas acostadas e apresentando toda a fundamentação jurídica que embasou as suas conclusões. Ademais, a empresa apenas alega que a DRJ efetuou o julgamento apenas se baseando no conteúdo do AI, o qual contém afirmações que destoam da realidade. De fato, o órgão de primeira instância, ao enfrentar o mérito da causa, inexoravelmente vai aderir a uma das teses seja da defesa ou do ataque, posto que ao julgador, estando o processo em condições julgamento, não é dado se abster de emitir sua decisão. Na situação sob testilha, se a tese vencedora foi a da procedência do lançamento, fatalmente a DRJ teria que se basear nos fatos trazidos ao mundo pela Auditoria Fiscal. Uma vez expostas as peças de ataque de defesa, tem o julgador que se posicionar, pondo fim na lide naquela instância, desde que o faça com esteio nas provas e na legislação aplicável ao caso. Ponderar se a decisão foi ou não acertada é o que deve fazer o órgão ad quem quando do enfretamento das questões de mérito, mas a princípio não enxergo nenhum vício que pudesse tornar nulo o decisório da DRJ. O Decreto n. 70.235/1972, quando trata das nulidades, prevê: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. (...) Por não enxergar na decisão recorrida qualquer das hipóteses acima listadas, afasto a preliminar de nulidade suscitada. Prescrição A ocorrência da prescrição intercorrente é outra questão trazida à baila no recurso. Afirma a recorrente que tendo os fatos geradores ocorrido no exercício de 2004 e estando em janeiro de 2010 (momento da protocolização do recurso) o processo ainda pendente de julgamento, teria ocorrido o transcurso do prazo prescricional previsto no art. 174 do Código Tributário Nacional. Fl. 198DF CARF MF Emitido em 01/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/03/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 24/03/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 29/03/2011 por ELIAS SAMPAIO FREI RE Processo nº 15983.000838/200810 Acórdão n.º 240101.722 S2C4T1 Fl. 184 7 A conclusão acerca da improcedência dessa alegação não exige maiores esforços, é que existe súmula do CARF afastando tal pretensão, vejamos: Súmula CARF nº 11: Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal. Da concessão de prazo pelo Fisco para apresentação de documentos Afirma a empresa que o Fisco não lhe oportunizou prazo razoável para que pudesse comprovar que não estava em débito para com a Seguridade Social, não lhe permitindo apresentar os elementos que justificariam a sua posição. Esse argumento é descabido. A Auditoria solicitou a documentação da empresa e deulhe prazo para apresentação da mesma. De posse dos elementos fornecidos formou sua convicção quanto a necessidade de lançar as contribuições devidas. O Relatório Fiscal indica inclusive os documentos em que se baseou para efetuar sua apuração, documentos esses fornecidos pela empresa, não havendo razão para que agora se alegue que não houve prazo para apresentação documental. Da retificação das declarações Assevera a recorrente que, tendo requerido a retificação de suas declarações, perante a RFB, nenhuma medida que importasse em exigência de contribuições incidentes sobre os fatos geradores objeto da retificação poderia ser implementada. Para comprovar essa alegação foram acostadas guias retificadora da DIRF e da DIPJ relativas ao ano calendário de 2004, onde se verifica que os valores pagos ao segurado Irineu Florêncio foram ajustados e os pagamentos de prólabore passaram a coincidir com aqueles declarados na GFIP. Justificou a empresa que a correção dos dados tornouse necessária quando ficou constatada a ocorrência de erro de digitação. Uma primeira observação que me parece pertinente é que na espécie não se verificou a retificação da GFIP, apenas foram retificados os dados da DIRF, de modo que os valores de prólabore pagos ao Sr. Irineu Florêncio passaram a coincidir com aqueles declarados na guia informativa da Previdência. A solução da lide, levame a perquirir acerca da possibilidade de se retificar, após o início da ação fiscal, guias declaratórias apresentadas pelo sujeito passivo, de modo a reduzir ou excluir o valor do tributo lançado com base nas informações prestadas. Um primeiro ponto a ser levado em conta é que a empresa foi cientificada do início da ação fiscal em 24/06/2008, fl. 15, e que promoveu a retificação da DIRF em 25/09/2008, portanto, após ter sido cientificada de que estava sob procedimento fiscal. A princípio, nos termos do art. 7. , § 1. do Decreto n. 70.235/1972, o sujeito passivo estaria impedido de efetuar a retificação da DIRF, uma vez que já teria perdido a espontaneidade. Porém, há de se ter em conta que o tributo objeto da ação fiscal não estava relacionado diretamente à referida declaração. Quanto à retificação da GFIP, inquestionavelmente teria o contribuinte sido atingido pela perda da denuncia espontânea, Fl. 199DF CARF MF Emitido em 01/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/03/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 24/03/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 29/03/2011 por ELIAS SAMPAIO FREI RE 8 porém, quanto à declaração relativa ao Imposto de Renda Retido na Fonte, não há de se considerar esse efeito. Nesse sentido, entendo cabível a retificação da DIRF mesmo após o início de procedimento fiscal, posto que esse tinha como desiderato verificar a regularidade fiscal do contribuinte quanto ao recolhimento das contribuições para a Seguridade Social. Pois bem, aceitandose como lícita a retificação levada a cabo pelo sujeito passivo, há de se investigar se os novos dados declarados merecem ser acolhidos pelo Fisco. Ao tratar dessa problemática, o Código Tributário Nacional – CTN prescreve que as correções de informações prestadas pelo contribuinte, que visem reduzir o valor do tributo devido, somente devem ser aceitas quando satisfatoriamente justificadas. Eis o texto legal: Art. 147. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando uni ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. § 1. A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. § 2. Os erros contidos na declaração e apuráveis pelo seu exame serão retificados de ofício pela autoridade administrativa a que competir a revisão daquela. Tal dispositivo visa a impedir que o sujeito passivo promova, sem justificativa plausível, retificações nas declarações prestadas ao fisco, no intuito de suprimir o recolhimento de tributos. No caso concreto, tenho que o procedimento adotado pela empresa, não deve ser acatado, uma vez que o seu álibi para alterar os dados informados foi o mero erro de digitação, esqueceuse porém que as conclusões do fisco foram alicerçadas não somente nas guias declaratórias, mas também no Livro Caixa apresentado. Quanto a esse a empresa não trouxe qualquer prova no sentido de que o tivesse alterado, providência imprescindível para que se acatasse a tese recursal. Devo então dar razão ao órgão recorrido, uma vez que os argumentos utilizados no recurso para justificar a retificação da DIRF são frágeis, carecendo de maiores comprovações. Para reforçar o meu ponto de vista, vou transcrever aqui ementa de julgado trazido aos autos pela recorrente, em que fica assentado que a comprovação do pagamento de distribuição de lucros e de rendimento do trabalho (prólabore) não pode prescindir da correta escrituração em Livro Caixa para as empresas optantes pelo SIMPLES: APELAÇÃO CÍVEL N" 2002.71.07.0054278/RS RELATOR : Des. Federal DIRCEU DE ALMEIDA SOARES APELANTE : LUPEME IND. METALÚRGICA LTDA ADVOGADO : Zenaide Ferrari dos Santos e outro Fl. 200DF CARF MF Emitido em 01/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/03/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 24/03/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 29/03/2011 por ELIAS SAMPAIO FREI RE Processo nº 15983.000838/200810 Acórdão n.º 240101.722 S2C4T1 Fl. 185 9 APELADO : INSTITUTO NACIONAL D0 SEGURO SOCIAL INSS ADVOGADO : Sibele Regina Luz G recco EMENTA SIMPLES. LUCRO PRESUMIDO. ESCRITA CONTÁBIL. LIVRO CAIXA. DISTRIBUIÇÃO DE LUCROS. PRÓ LABORE.CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. 1. O contribuinte optante pelo SIMPLES, sofrendo tributação pelo lucro presumido, não está obrigado à manutenção de escrita contábil, mas tãosomente de Livro Caixa. 2. Aos sujeitos privados é dado fazer tudo que a lei não proíbe, pelo que não é possível que se exija do contribuinte que faça algo de que a lei expressamente o dispensa escrituração contábil , sujeitandoo, à autuação e tributação. 3. Valores recebidos a título de distribuição de lucros não configuram pagamento de natureza salarial, sendo ilegítima a incidência da contribuição social sobre esses valores. 4. Para a verificação da natureza dos valores lançados, basta que o contribuinte mantenha Livro Caixa discriminando contabilmente os lançamentos decorrentes do trabalho (prólabore), sobre os quais incide a contribuição previdenciária, e os lançamentos referentes à distribuição dos lucros. 5. À lei é indiferente que a distribuição de lucros tenha se procedido, em algumas competências, em meses subseqüentes. Tal circunstância não se configura ilegal, nem enseja conclusão inequívoca de evasão fiscal.(grifei) Diante da ausência de provas quanto à necessidade de retificação da DIRF, entendo que deva ser mantido o lançamento, considerandose como prólabore os valores apontados pelo Fisco, os quais foram lançados na declaração original com o código “0561”, que corresponde a rendimentos do trabalho assalariado. A partir dessa conclusão, é inconteste que tais quantias devem se sujeitar à tributação, conforme prevê a Lei n. 8.212/1991, verbis: Art. 21. A alíquota de contribuição dos segurados contribuinte individual e facultativo será de vinte por cento sobre o respectivo saláriodecontribuição. (...) Por outro lado, é obrigatório o desconto pela empresa da contribuição de responsabilidade do contribuinte individual que lhe preste serviço, nos termos da Lei n. 10.666/1993: Art. 4o Fica a empresa obrigada a arrecadar a contribuição do segurado contribuinte individual a seu serviço, descontandoa da respectiva remuneração, e a recolher o valor arrecadado juntamente com a contribuição a seu cargo até o dia 20 (vinte) do mês seguinte ao da competência, ou até o dia útil Fl. 201DF CARF MF Emitido em 01/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/03/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 24/03/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 29/03/2011 por ELIAS SAMPAIO FREI RE 10 imediatamente anterior se não houver expediente bancário naquele dia (..). Descabida, portanto, a alegação de que o crédito tributário deveria ser excluído em razão dos fatos narrados pelo fisco não se amoldarem a hipótese de incidência prevista na norma legal. Da multa aplicada Arguiu a recorrente que a multa foi aplicada em patamar desproporcional, assumindo caráter confiscatório. Na análise dessa razão, não se pode perder de vista que a aplicação da multa moratória é operação vinculada, que não comporta emissão de juízo de valor quanto à agressão da medida ao patrimônio do sujeito passivo, haja vista que uma vez definido o patamar da quantificação da multa pelo legislador, fica vedado ao aplicador da lei ponderar quanto a sua justeza, restandolhe apenas aplicar a multa no quantum previsto pela legislação. Vejo que a autoridade fiscal, diante do inadimplemento pelo contribuinte da obrigação de recolher o tributo, aplicou a multa de mora conforme os ditames da legislação de regência, in casu da Lei n. 8.212/1991, que assim previa: Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS,incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada... Além do mais, salvo casos excepcionais, é vedado a órgão administrativo declarar inconstitucionalidade de norma vigente e eficaz. A esse respeito, trago a colação súmula do CARF que carrega a seguinte redação: SÚMULA NO 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de legislação tributária. Diante de todo o exposto, voto por conhecer do recurso, afastar as preliminares suscitadas e, no mérito, pelo seu desprovimento. Kleber Ferreira de Araújo Fl. 202DF CARF MF Emitido em 01/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/03/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 24/03/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 29/03/2011 por ELIAS SAMPAIO FREI RE
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Numero do processo: 13771.001046/2007-41
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 10 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Feb 10 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF
Exercício: 2004
IRRF. COMPENSAÇÃO. ALUGUÉIS. SOCIEDADE CONJUGAL. DECLARAÇÃO EM SEPARADO.
O contribuinte deverá tributar em sua declaração a metade dos rendimentos produzidos pelos bens comuns (aluguéis) e o imposto pago ou retido na fonte deverá ser compensado na declaração, na proporção de cinqüenta por cento para cada um dos cônjuges
Numero da decisão: 2201-000.975
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade negar provimento ao recurso. Ausente, justificadamente, a Conselheira Janaína Mesquita Lourenço de Souza
Matéria: IRPF- auto de infração eletronico (exceto multa DIRPF)
Nome do relator: EDUARDO TADEU FARAH
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COMPENSAÇÃO. ALUGUÉIS. SOCIEDADE CONJUGAL. DECLARAÇÃO EM SEPARADO. O contribuinte deverá tributar em sua declaração a metade dos rendimentos produzidos pelos bens comuns (aluguéis) e o imposto pago ou retido na fonte deverá ser compensado na declaração, na proporção de cinqüenta por cento para cada um dos cônjuges. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade negar provimento ao recurso. Ausente, justificadamente, a Conselheira Janaína Mesquita Lourenço de Souza. (Assinado Digitalmente) Francisco Assis de Oliveira Júnior Presidente. (Assinado Digitalmente) Eduardo Tadeu Farah Relator. Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Pedro Paulo Pereira Barbosa, Eduardo Tadeu Farah, Guilherme Barranco de Souza, Gustavo Lian Haddad e Fl. 93DF CARF MF Emitido em 19/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/03/2011 por EDUARDO TADEU FARAH Assinado digitalmente em 18/04/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU, 03/03/2011 por EDUARDO TADEU FARAH 2 Francisco Assis de Oliveira Júnior (Presidente). Ausente, justificadamente, a Conselheira Janaína Mesquita Lourenço de Souza. Relatório Contra o contribuinte acima identificado foi lavrado Auto de Infração (fls. 05/07), relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física Exercício 2004, na qual se apurou crédito tributário total no valor de R$ 8.800,31, calculados 31 de agosto de 2007. A fiscalização, por meio de revisão da Declaração de Ajuste Anual, apurou dedução indevida de Imposto de Renda Retido na Fonte. De acordo com a “Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal” o contribuinte declarou 50% dos rendimentos recebidos a título de aluguéis da empresa Calçados Itapuã S/A e deduziu, indevidamente, 100% do Imposto de Renda Retido na Fonte. Cientificado do lançamento, o autuado apresentou tempestivamente Impugnação, alegando, em síntese, que optou por tributar na declaração de sua esposa, Isabel Minassa Carone, 50% dos rendimentos de aluguéis recebidos de Calçados Itapuã S/A e compensar integralmente o Imposto de Renda Retido na Fonte na sua própria declaração, por entender que essa seria a forma correta. A 3ª Turma da DRJ – Rio de Janeiro/RJ II julgou integralmente procedente o lançamento, consubstanciado na ementa abaixo transcrita: IRRF. COMPENSAÇÃO. ALUGUÉIS. SOCIEDADE CONJUGAL. Não há previsão legal para que o contribuinte possa compensar integralmente o imposto de renda retido na fonte quando declara metade dos rendimentos de aluguéis produzidos por bem comum. Lançamento Procedente Intimado da decisão de primeira instância em 18/08/2009 (fl. 50), Jose Carone Neto apresenta Recurso Voluntário em 16/09/2009 (fls. 51/59), sustentando, essencialmente, os mesmos argumentos postos em sua Impugnação, sobretudo “... que adotou o método em função de prática reiterada da administração (costume) ... o que veda, no caso, a incidência de penalidades.” É o relatório. Voto Conselheiro EDUARDO TADEU FARAH, Relator O recurso é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Fl. 94DF CARF MF Emitido em 19/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/03/2011 por EDUARDO TADEU FARAH Assinado digitalmente em 18/04/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU, 03/03/2011 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 13771.001046/200741 Acórdão n.º 220100.975 S2C2T1 Fl. 2 3 Segundo se colhe dos autos o contribuinte tributou 50 % dos rendimentos de aluguéis em sua Declaração de Ajuste e o restante na de sua esposa, contudo, utilizou integralmente o IRRF na sua própria Declaração. De pronto, sem querer ser repetitivo, peço vênia para reproduzir os fundamentos do voto condutor do julgamento de primeira instância: No caso concreto, o contribuinte informou como parte dos seus rendimentos tributáveis a metade dos rendimentos de aluguéis recebidos de Calçados Itapuã S/A e compensou o valor total do respectivo imposto de renda retido na fonte, conforme se verifica em sua Declaração de Ajuste Anual 2003 (fls. 25 a 30). Na declaração de sua esposa, verificase que ela informou corretamente a sua parte relativa aos rendimentos produzidos pelo bem comum, mas não declarou nenhum valor relativo ao imposto de renda retido na fonte, segundo informação obtida nos bancos de dados da Receita Federal. De fato, da análise dos documentos acostados ao processo e dos valores declarados em Dirf (fl. 38), constatase que as alegações do contribuinte são improcedentes, uma vez que ele informou em sua declaração a metade dos rendimentos do bem comum, mas deduziu, indevidamente, o valor total do imposto de renda retido na fonte. Assim, por restar comprovado o montante de R$ 3.558,61 como imposto de renda retido na fonte indevidamente deduzido, há que se concordar com a glosa efetuada pela Fiscalização. Em verdade, a referida conclusão que chega o ilustre relator, está positivada no art. 7º do Regulamento do Imposto de Renda – Decreto nº 3000, de 26 de março de 1999, conforme se observa do excerto legal transcrito: Declaração em Separado Art. 7º Cada cônjuge deverá incluir, em sua declaração, a totalidade dos rendimentos próprios e a metade dos rendimentos produzidos pelos bens comuns. § 1º O imposto pago ou retido na fonte sobre os rendimentos produzidos pelos bens comuns deverá ser compensado na declaração, na proporção de cinqüenta por cento para cada um dos cônjuges, independentemente de qual deles tenha sofrido a retenção ou efetuado o recolhimento. (grifei) (...) Finalmente, não há como o recorrente invocar um “Costume Administrativo” (art. 100, III do CTN) para justificar sua opção, posto que a utilização deste instituto só é admissível secundum legem, ou seja, em conformidade com a lei. Ante ao exposto, NEGO provimento ao recurso. Fl. 95DF CARF MF Emitido em 19/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/03/2011 por EDUARDO TADEU FARAH Assinado digitalmente em 18/04/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU, 03/03/2011 por EDUARDO TADEU FARAH 4 (Assinado Digitalmente) Eduardo Tadeu Farah Fl. 96DF CARF MF Emitido em 19/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/03/2011 por EDUARDO TADEU FARAH Assinado digitalmente em 18/04/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU, 03/03/2011 por EDUARDO TADEU FARAH
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Numero do processo: 15758.000179/2010-08
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 28 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Jul 28 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 19/05/2010
Ementa: RETROATIVIDADE BENIGNA. GFIP. MEDIDA PROVISÓRIA
N º 449. REDUÇÃO DA MULTA.
As multas em GFIP foram alteradas pela Medida Provisória n º 449 de 2008, sendo benéfica para o infrator. Foi acrescentado o art. 32A à Lei nº 8.212.
Conforme previsto no art. 106, inciso II do CTN, a lei aplicase
a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de defini-lo como infração; b) quando deixe de tratá-lo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe
comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.
Numero da decisão: 2302-001.223
Decisão: ACORDAM os membros da Segunda Turma da Terceira Câmara da Segunda
Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade em conceder provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. A multa deve ser calculada considerando as disposições da Medida
Provisória n º 449 de 2008, mais precisamente o art. 32A,
inciso II, que na conversão pela Lei n º 11.941 foi renumerado para o art. 32A, inciso I da Lei n º 8.212 de 1991.
Nome do relator: Marco André Ramos Vieira
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ementa_s : Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 19/05/2010 Ementa: RETROATIVIDADE BENIGNA. GFIP. MEDIDA PROVISÓRIA N º 449. REDUÇÃO DA MULTA. As multas em GFIP foram alteradas pela Medida Provisória n º 449 de 2008, sendo benéfica para o infrator. Foi acrescentado o art. 32A à Lei nº 8.212. Conforme previsto no art. 106, inciso II do CTN, a lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de defini-lo como infração; b) quando deixe de tratá-lo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.
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Recorrente CONECTA EMPREENDIMENTOS LTDA Recorrida DRJ CAMPINAS SP Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 19/05/2010 Ementa: RETROATIVIDADE BENIGNA. GFIP. MEDIDA PROVISÓRIA N º 449. REDUÇÃO DA MULTA. As multas em GFIP foram alteradas pela Medida Provisória n º 449 de 2008, sendo benéfica para o infrator. Foi acrescentado o art. 32A à Lei n º 8.212. Conforme previsto no art. 106, inciso II do CTN, a lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da Segunda Turma da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade em conceder provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do relatorio e voto que integram o presente julgado. A multa deve ser calculada considerando as disposições da Medida Provisória n º 449 de 2008, mais precisamente o art. 32A, inciso II, que na conversão pela Lei n º 11.941 foi renumerado para o art. 32A, inciso I da Lei n º 8.212 de 1991. Marco André Ramos Vieira Presidente e Relator Fl. 145DF CARF MF Impresso em 20/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 10/08/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 10/08/ 2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 2 Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Marco André Ramos Vieira (Presidente), Liege Lacroix Thomasi, Arlindo da Costa e Silva, Adriana Sato, Vera Kempers de Moraes Abreu. Ausente momentaneamente os Conselheiros Manoel Coelho Arruda Júnior e Wilson Antônio de Souza Correa. Fl. 146DF CARF MF Impresso em 20/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 10/08/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 10/08/ 2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 15758.000179/201008 Acórdão n.º 230201.223 S2C3T2 Fl. 114 3 Relatório Referese o presente a auto de infração, lavrado em desfavor do recorrente, originado em virtude de não ter entregue a GFIP referente à competência décimo terceiro de 2007 no prazo estabelecido na legislação, fls. 04 a 06. O autuado apresentou defesa administrativa na forma das fls. 33 a 53. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília proferiu a decisão de fls. 82 a 84, confirmou a autuação em sua integralidade. O recorrente não concordando com a decisão emitida pelo órgão fazendário interpôs recurso, fls. 87 a 110. Alega em síntese que: a) A autuação é nula por falta da busca da verdade material; b) Os valores pagos a contribuintes individuais não possuem natureza salarial; c) Não houve habitualidade; d) Há falha na motivação; e) A autoridade que autuou não foi a mesma que solicitou os documentos; f) As informações foram transferidas antes do prazo; Não foram apresentadas contrarazões. É o relato suficiente. Fl. 147DF CARF MF Impresso em 20/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 10/08/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 10/08/ 2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 4 Voto Conselheiro Marco André Ramos Vieira, Relator O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação à fl. 112. Pressuposto superado, passo ao exame das questões preliminares ao mérito. Quanto ao argumento de que a autuação deve ser declarada nula; não lhe confiro razão. O lançamento foi realizado com base em documentação da própria recorrente, conforme relatório fiscal às fls. 04 a 06; o relatório indicou os motivos do lançamento. Os relatórios juntados pela fiscalização favorecem a ampla defesa e o contraditório, possibilitando ao notificado o pleno conhecimento acerca dos motivos que ensejaram o lançamento. Desse modo, não assiste razão à recorrente de que houve omissão na motivação do lançamento. A motivação é simples, e restou cabalmente demonstrada no relatório fiscal: a sociedade empresária entregou a GFIP da competência décimo terceiro de 2007 fora do prazo. Os fundamentos legais do lançamento estão expressamente previstos às fls. 04 a 06; não havendo qualquer falha na motivação legal. Não há qualquer irregularidade no procedimento fiscal pelo fato de a autoridade que autuou não ser a mesma que solicitou os documentos. Os dois servidores são Auditores Fiscal da Receita Federal do Brasil, e portanto possuem competência legal para realizar o procedimento fiscal, bem como para efetuar o lançamento do crédito tributário. Qualquer argumento recursal de irregularidade no procedimento perde o fundamento diante do comportamento praticado pela autuada. A própria empresa reconheceu que a GFIP estava irregular e entregou o documento em agosto de 2009 (após o início do procedimento fiscal), quando deveria ter entregue em janeiro de 2008. Assim, não procede o argumento recursal de que as informações teriam sido entregues antes do prazo. Além do mais, no presente caso há que se observar a retroatividade benigna prevista no art. 106, inciso II do CTN. As multas em GFIP foram alteradas pela Medida Provisória n º 449 de 2008, sendo mais benéficas para o infrator. Foi acrescentado o art. 32A à Lei n º 8.212, nestas palavras: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do art. 32 no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I de dois por cento ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a vinte por cento, observado o disposto no § 3o; e II de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de dez informações incorretas ou omitidas. Fl. 148DF CARF MF Impresso em 20/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 10/08/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 10/08/ 2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 15758.000179/201008 Acórdão n.º 230201.223 S2C3T2 Fl. 115 5 § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso I do caput, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o, as multas serão reduzidas: I à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II a setenta e cinco por cento, se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II R$ 500,00 ( quinhentos reais), nos demais casos.” (NR) Desse modo, resta evidenciado, que a conduta de não apresentação da GFIP, independentemente do recolhimento da contribuição, sujeitava o infrator à pena administrativa correspondente a multa variável equivalente a um multiplicador sobre o valor mínimo previsto no art. 92, em função do número de segurados. Agora, com a Medida Provisória n º 449 de 2009, convertida na Lei n º 11.941, a tipificação passou a ser falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, com multa de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento). Com multa mínima a ser aplicada de R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e R$ 500,00 ( quinhentos reais), nos demais casos. O núcleo do tipo infracional seja na redação anterior à MP n º 449, seja com o novo ordenamento é o mesmo: não apresentação da GFIP. A multa será aplicada ainda que o contribuinte tenha pago as contribuições, conforme previsto no inciso I do art. 32 A. Resta demonstrado, assim, que estamos diante de uma obrigação puramente formal, devendo ser aplicada a multa isolada. Não há razão para serem somadas as multas por descumprimento da obrigação principal e da acessória antes da MP n º 449 e após, para verificar qual a mais vantajosa. A análise tem que ser multa por descumprimento de obrigação principal antes e multa por tal descumprimento após; e multa por descumprimento de obrigação acessória antes e após. A análise tem que ser realizada dessa maneira, pois como já afirmado tratase de obrigação acessória independente da obrigação principal. A conduta de não apresentar declaração, ou apresentar de forma inexata, somente se subsumiria à multa de 75%, prevista no art. 44 da Lei n º 9.430, nas hipóteses em que não há penalidade específica para ausência de declaração ou declaração inexata. Para a GFIP, assim como a DCTF e a DIRPF, há multa com tipificação específica; desse modo inaplicável o art. 44. Para a GFIP aplicase o art. 32A da Lei n º 8.212 de 1991. Fl. 149DF CARF MF Impresso em 20/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 10/08/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 10/08/ 2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 6 Conforme previsto no art. 44 da Lei n º 9.430, a multa de 75% incidirá sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata. Desse modo, há três condutas no art. 44 que não precisam ocorrer simultaneamente para ser aplicada a multa. Há a conduta deixar de pagar ou recolher; outra conduta é ausência de declaração, e a outra é a apresentação de declaração inexata. Logicamente, se o contribuinte tiver recolhido os valores devidos antes da ação fiscal, não se aplica a multa de 75% prevista no art. 44 da Lei n º 9.430; mas a despeito do pagamento não declarou em GFIP, é possível a aplicação da multa isolada do art. 32A da Lei n º 8.212. Essa aplicação de multa isolada somente é possível, pelo fato de serem condutas distintas. Agora, se o contribuinte tiver declarado em GFIP não se aplica a multa do art. 44 da Lei n º 9.430, sendo aplicável somente a multa moratória do art. 61 da Lei n º 9430, pois os débitos já estão confessados e devidamente constituídos, sendo prescindível o lançamento. Afinal, a multa do art. 44 da Lei n º 9.430 somente se aplica nos lançamentos de ofício. Desse modo, se o contribuinte tiver declarado em GFIP, mas não tiver pago, o art. 44 da Lei 9.430 não é aplicado pelo motivo de o contribuinte não ter recolhido, mas ter declarado; não se aplica o art. 44 em função de não haver lançamento de ofício, pois o crédito já está constituído pelo termo de confissão que é a GFIP. E nas hipóteses em que o contribuinte não recolhe e não declara em GFIP, há duas condutas distintas: por não recolher o tributo e ser realizado o lançamento de ofício, aplicase a multa de 75%; e por não ter declarado em GFIP a multa prevista no art. 32A da Lei n º 8.212. Como já afirmado, a multa será aplicada ainda que o contribuinte tenha pago as contribuições, conforme previsto no inciso I do art. 32 A. Pelo exposto, é de fácil constatação que as condutas de não recolher ou pagar o tributo e não declarar em GFIP não estão tipificadas no mesmo artigo de lei, no caso o art. 44 da Lei nº 9.430/96. Assim, não há que se falar em bis in idem, tampouco em consunção. Pelo contrário, a lei ao tipificar essas infrações, inclusive em dispositivos distintos, demonstra estar tratando de obrigações, infrações e penalidades tributárias distintas, que não se confundem e tampouco são excludentes. Logo, não há consistência nos entendimentos que pretendem dispensar a multa isolada, por ter sido aplicada a multa genérica. A Receita Federal do Brasil editou a Instrução Normativa RFB n º 1.027 de 22 de abril de 2010 que assim dispõe em seu artigo 4º: Art. 4º A Instrução Normativa RFB nº 971, de 2009, passa a vigorar acrescida do art. 476A: Art. 476A. No caso de lançamento de oficio relativo a fatos geradores ocorridos: I até 30 de novembro de 2008, deverá ser aplicada a penalidade mais benéfica conforme disposto na alínea “c” do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 1966 (CTN), cuja análise será realizada pela comparação entre os seguintes valores: a) somatório das multas aplicadas por descumprimento de obrigação principal, nos moldes do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à Lei nº 11.941, de 2009, e das aplicadas pelo descumprimento de obrigações acessórias, nos moldes dos §§ 4º, 5º e 6º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à Lei nº 11.941, de 2009; e b) multa aplicada de ofício nos termos do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. Fl. 150DF CARF MF Impresso em 20/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 10/08/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 10/08/ 2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 15758.000179/201008 Acórdão n.º 230201.223 S2C3T2 Fl. 116 7 II a partir de 1º de dezembro de 2008, aplicamse as multas previstas no art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º, 5º e 6º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação de que trata este artigo não será feita no caso de entrega de GFIP com atraso, por se tratar de conduta para a qual não havia antes penalidade prevista.? Entendo inaplicável a referida Portaria por ser ilegal. Como demonstrado, é possível a aplicação da multa isolada em GFIP, independentemente de o contribuinte ter pago, conforme dispõe o art. 32A da Lei n º 8.212. Uma vez que a penalidade está prevista em lei, somente quem pode dispor da mesma é o Poder Legislativo, a interpretação da Receita Federal gera a concessão de uma anistia sem previsão em lei. Nesse sentido, o art. 150, parágrafo 6º da Constituição exige lei específica para concessão de anistia. A Portaria também viola o art. 182 do CTN que exige a concessão de anistia por meio de lei. Além de violar, os artigos 32A da Lei n º 8.212 e 44 da Lei n º 9.430. Conforme previsto no art. 106, inciso II do CTN, a lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Entendo que há cabimento do art. 106, inciso II, alínea “c” do CTN. CONCLUSÃO Pelo exposto, CONHEÇO do recurso voluntário, para no mérito CONCEDERLHE PROVIMENTO PARCIAL. A multa deve ser calculada considerando as disposições da Medida Provisória n º 449 de 2008, mais precisamente o art. 32A, inciso I, que na conversão pela Lei n º 11.941 foi renumerado para o art. 32A, inciso II da Lei n º 8.212 de 1991. É como voto. Marco André Ramos Vieira Fl. 151DF CARF MF Impresso em 20/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 10/08/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 10/08/ 2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 8 Fl. 152DF CARF MF Impresso em 20/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 10/08/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 10/08/ 2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA
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Numero do processo: 10680.009767/2007-21
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 08 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Jun 08 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1999 a 30/10/2005
Ementa: TERCEIROS SEBRAE MATÉRIA SUB JUDICE – CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO FISCAL
A existência de ação judicial proposta pela recorrente com objeto idêntico ao da NFLD não impede a tramitação da exigência fiscal no contencioso administrativo em relação à matéria diversa à submetida à ação judicial.
A ação judicial proposta não impede a autoridade administrativa de fiscalizar, lançar ou julgar o crédito tributário, suspendendo apenas a sua exigibilidade, ou seja, os atos executórios de cobrança.
DECADÊNCIA PARCIAL
De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional.
Nos termos do art. 103A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal.
Aplica-se, ao caso, o prazo previsto no § 4º do art. 150 do CTN, já que restou comprovada o depósito judicial relativo à contribuição ora lançada.
DEPÓSITO JUDICIAL – JUROS E MULTA DE MORA
O depósito judicial efetuado à época própria descaracteriza a mora, devendo a autoridade administrativa excluir, dos valores lançados, os encargos moratórios, juros e a multa por atraso.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2301-002.129
Decisão: Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao Recurso, nas preliminares, para excluir do lançamento as contribuições apuradas até a competência 02/2002, anteriores a 03/2002, devido à aplicação da regra
decadencial expressa no § 4°, Art. 150 do CTN, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencido o Conselheiro Mauro José Silva, que votou pela aplicação do I, Art. 173 do CTN para os fatos
geradores não homologados tacitamente até a data do pronunciamento do Fisco com o início da fiscalização; II) Por unanimidade de votos: a) em dar provimento parcial ao recurso, para que sejam excluídos do lançamento os juros e a multa, nos termos do voto do(a) Relator(a); b) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a).
Nome do relator: BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS
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ementa_s : Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/1999 a 30/10/2005 Ementa: TERCEIROS SEBRAE MATÉRIA SUB JUDICE – CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO FISCAL A existência de ação judicial proposta pela recorrente com objeto idêntico ao da NFLD não impede a tramitação da exigência fiscal no contencioso administrativo em relação à matéria diversa à submetida à ação judicial. A ação judicial proposta não impede a autoridade administrativa de fiscalizar, lançar ou julgar o crédito tributário, suspendendo apenas a sua exigibilidade, ou seja, os atos executórios de cobrança. DECADÊNCIA PARCIAL De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional. Nos termos do art. 103A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal. Aplica-se, ao caso, o prazo previsto no § 4º do art. 150 do CTN, já que restou comprovada o depósito judicial relativo à contribuição ora lançada. DEPÓSITO JUDICIAL – JUROS E MULTA DE MORA O depósito judicial efetuado à época própria descaracteriza a mora, devendo a autoridade administrativa excluir, dos valores lançados, os encargos moratórios, juros e a multa por atraso. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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A ação judicial proposta não impede a autoridade administrativa de fiscalizar, lançar ou julgar o crédito tributário, suspendendo apenas a sua exigibilidade, ou seja, os atos executórios de cobrança. DECADÊNCIA PARCIAL De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional. Nos termos do art. 103A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal. Aplicase, ao caso, o prazo previsto no § 4º do art. 150 do CTN, já que restou comprovada o depósito judicial relativo à contribuição ora lançada. DEPÓSITO JUDICIAL – JUROS E MULTA DE MORA O depósito judicial efetuado à época própria descaracteriza a mora, devendo a autoridade administrativa excluir, dos valores lançados, os encargos moratórios, juros e a multa por atraso. Recurso Voluntário Provido em Parte. Fl. 128DF CARF MF Impresso em 09/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 05/07/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 05 /07/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 02/08/2011 por MARCELO OLIVEIRA 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao Recurso, nas preliminares, para excluir do lançamento as contribuições apuradas até a competência 02/2002, anteriores a 03/2002, devido à aplicação da regra decadencial expressa no § 4°, Art. 150 do CTN, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencido o Conselheiro Mauro José Silva, que votou pela aplicação do I, Art. 173 do CTN para os fatos geradores não homologados tacitamente até a data do pronunciamento do Fisco com o início da fiscalização; II) Por unanimidade de votos: a) em dar provimento parcial ao recurso, para que sejam excluídos do lançamento os juros e a multa, nos termos do voto do(a) Relator(a); b) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Marcelo Oliveira Presidente. Bernadete de Oliveira Barros Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Adriano Gonzales Silverio, Bernadete De Oliveira Barros, Damião Cordeiro De Moraes, Mauro Jose Silva, Leonardo Henrique Pires Lopes. Ausência momentânea: Wilson Antonio De Souza Correa Fl. 129DF CARF MF Impresso em 09/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 05/07/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 05 /07/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 02/08/2011 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10680.009767/200721 Acórdão n.º 230102.129 S2C3T1 Fl. 122 3 Relatório Tratase de crédito lançado contra a empresa acima identificada, referente às contribuições arrecadadas pelo INSS e destinadas ao Terceiro, SEBRAE. Conforme Relatório Fiscal (fls. 46), o objeto da NFLD é a contribuição destinada ao SEBRAE. A autoridade lançadora esclarece que a empresa ingressou com ação judicial questionando a legalidade da contribuição ao SEBRAE, e que os valores levantados foram depositados em juízo. A recorrente impugnou o débito e a Secretaria da Receita Federal do Brasil, por meio do Acórdão 0215.269, da 8a Turma da DRJ/BHE, (fls. 107), julgou o lançamento procedente. Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso tempestivo (fls. 113 ), alegando, em síntese, que, em que pese o acórdão recorrido ter reconhecido expressamente que os valores cobrados na NFLD estão depositados judicialmente, no montante integral, e, portanto, com sua exigibilidade suspensa, conforme inciso II do artigo 151 do CTN, a NFLD foi julgada procedente, para efeito de prevenção da decadência. Defende que, nesses casos, não há que se falar em mora do contribuinte, não podendo ser aplicado sobre o crédito qualquer multa ou juros, conforme já se decidiu na Câmara Superior de Recursos Fiscais. Transcreve decisões do CARF e da Receita Federal e requer que seja julgado procedente o recurso para, mantendose a NFLD apenas para efeito de prevenção de decadência, dela excluir os juros e a multa,que sejam reconhecidos em seu favor os efeitos determinados pelo inciso II do artigo 151 do CTN, relativamente à suspensão da exigibilidade do crédito tributário, determinandose, ainda, o sobrestamento da cobrança até a solução final da demanda noticiada acima. É o relatório. Fl. 130DF CARF MF Impresso em 09/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 05/07/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 05 /07/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 02/08/2011 por MARCELO OLIVEIRA 4 Voto Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, Relatora. O recurso é tempestivo e não há óbice para seu conhecimento. Inicialmente, impõe suscitar questão relativa ao prazo decadencial, não trazida pela contribuinte no recurso tempestivo, mas que, por ser matéria de ordem pública, deve ser reconhecida de ofício. A fiscalização lavrou a presente NFLD com amparo na Lei 8.212/91 que, em seu art. 45, dispõe que o direito da Seguridade Social apurar e constituir seus créditos extingue se após 10 (dez) anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído. No entanto, o Supremo Tribunal Federal, entendendo que apenas lei complementar pode dispor sobre prescrição e decadência em matéria tributária, nos termos do artigo 146, III, ‘b’ da Constituição Federal, negou provimento por unanimidade aos Recursos Extraordinários nº 556664, 559882, 559943 e 560626, em decisão plenária que declarou a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46, da Lei n. 8212/91,. Na oportunidade, foi editada a Súmula Vinculante nº 08 a respeito do tema, publicada em 20/06/2008, transcrita abaixo: Súmula Vinculante 8 “São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário” Cumpre ressaltar que o art. 62, da Portaria 256/2009, que aprovou o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais da Fazenda, veda o afastamento de aplicação ou inobservância de legislação sob fundamento de inconstitucionalidade. Porém, determina, no inciso I do § único, que o disposto no caput não se aplica a dispositivo que tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou Portanto, em razão da declaração de inconstitucionalidade dos arts 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 pelo STF, restaram extintos os créditos cujo lançamento tenha ocorrido após o prazo decadencial e prescricional previsto nos artigos 173 e 150 do Código Tributário Nacional. Fl. 131DF CARF MF Impresso em 09/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 05/07/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 05 /07/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 02/08/2011 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10680.009767/200721 Acórdão n.º 230102.129 S2C3T1 Fl. 123 5 É necessário observar ainda que as súmulas aprovadas pelo STF possuem efeitos vinculantes, conforme se depreende do art. 103A e parágrafos da Constituição Federal, que foram inseridos pela Emenda Constitucional nº 45/2004. in verbis: “Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. § 1º A súmula terá por objetivo a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais haja controvérsia atual entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre questão idêntica. § 2º Sem prejuízo do que vier a ser estabelecido em lei, a aprovação, revisão ou cancelamento de súmula poderá ser provocada por aqueles que podem propor a ação direta de inconstitucionalidade. § 3º Do ato administrativo ou decisão judicial que contrariar a súmula aplicável ou que indevidamente a aplicar, caberá reclamação ao Supremo Tribunal Federal que, julgandoa procedente, anulará o ato administrativo ou cassará a decisão judicial reclamada, e determinará que outra seja proferida com ou sem a aplicação da súmula, conforme o caso (g.n.)." Da leitura do dispositivo constitucional acima, concluise que a vinculação à súmula alcança a administração pública e, por conseqüência, os julgadores no âmbito do contencioso administrativo fiscal. Ademais, no termos do artigo 64B da Lei 9.784/99, com a redação dada pela Lei 11.417/06, as autoridades administrativas devem se adequar ao entendimento do STF, sob pena de responsabilização pessoal nas esferas cível, administrativa e penal. “Art. 64B. Acolhida pelo Supremo Tribunal Federal a reclamação fundada em violação de enunciado da súmula vinculante, darseá ciência à autoridade prolatora e ao órgão competente para o julgamento do recurso, que deverão adequar as futuras decisões administrativas em casos semelhantes, sob pena de responsabilização pessoal nas esferas cível, administrativa e penal” O STJ pacificou o entendimento de que, nos casos de lançamento em que o sujeito passivo antecipa parte do pagamento da contribuição, aplicase o prazo previsto no § 4º do art. 150 do CTN, ou seja, o prazo de cinco anos passa a contar da ocorrência do fato gerador, uma vez que resta caracterizado o lançamento por homologação. Verificase, dos autos, que houve o depósito integral judicial do valor lançado, caso em que se aplica o dispositivo legal citado acima. Fl. 132DF CARF MF Impresso em 09/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 05/07/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 05 /07/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 02/08/2011 por MARCELO OLIVEIRA 6 Dessa forma, considerando que a ciência da NFLD pelo sujeito passivo se deu em 20/03/2007, conforme AR de fl. 47, constatase que se operara a decadência do direito de constituição do crédito para as competências compreendidas entre 01/99 a 02/02, inclusive. Da análise dos autos, verificase que a recorrente ingressou com Ação Judicial contra o INSS questionando a legalidade da contribuição ao SEBRAE, tendo sido realizado depósitos judiciais no montante integral devido. Contudo, a matéria trazida no recurso administrativo, incidência da multa, difere da levada à apreciação do Poder Judiciário, razão pela qual conheço do recurso em relação a tais matérias. A renúncia ao contencioso administrativo somente ocorrerá quando a ação judicial tiver por objeto "idêntico pedido" sobre o qual verse o processo administrativo (art. 126, § 3º, da Lei 8.213/91), o que não é o caso presente. Porém, assiste razão à recorrente ao afirmar que o depósito judicial no montante integral da contribuição devida, nos termos do artigo 151, II do CTN, é uma das formas de suspensão da exigibilidade do crédito tributário. Em conseqüência, resta descaracterizada a mora e afastada a incidência dos acréscimos legais sobre o crédito tributário depositado. A realização do depósito do montante integral descaracteriza a ocorrência de mora, portanto, indevida a cobrança dos encargos moratórios, multa e juros, sobretudo se considerarmos que, a partir da edição da Lei nº 9.703/1998, as quantias depositadas judicialmente são repassadas para a conta única do tesouro nacional, o que se consubstancia em verdadeiro pagamento. Nesse sentido nos ensina Sacha Calmon Navarro Coelho1 : “Feito o depósito judicial e integral da quantia litiganda, ficam excluídas as multas e os juros, se inexistente ato de lançamento, e incluídas, se já houver.......a mora, por outro lado, não prospera porque o depósito integral do crédito elide a aplicação dos juros pela demora de pagar, bem como das penalidades dirigidas a sancionar o inadimplemento da obrigação tributária na data fixada em lei”. Entretanto, o lançamento dos juros e multa não é razão suficiente para que se declare a nulidade da notificação. Não se verifica, no presente caso, a ocorrência de qualquer vício que possa ensejar a nulidade da NFLD discutida. E, não sendo o lançamento imutável, podendo ser alterado ao se constatar a presença de valores indevidos, entendo que deva ser mantida a NFLD extraindose, do valor lançado, a quantia correspondente aos juros e multa moratória. Nesse sentido e Considerando tudo mais que dos autos conta, 1 Manual de Direito Tributário, 2a ed., Editora Forense, pág. 446 Fl. 133DF CARF MF Impresso em 09/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 05/07/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 05 /07/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 02/08/2011 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10680.009767/200721 Acórdão n.º 230102.129 S2C3T1 Fl. 124 7 Voto do sentido de CONHECER do recurso e, no mérito, DARLHE PROVIMENTO PARCIAL, para que sejam excluídos do lançamento os juros e a multa e os valores lançados no período de 01/99 a 02/02, inclusive, por decadência. É como voto. Bernadete de Oliveira Barros Relatora Fl. 134DF CARF MF Impresso em 09/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 05/07/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 05 /07/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 02/08/2011 por MARCELO OLIVEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 13808.005819/2001-17
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Apr 01 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Fri Apr 01 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ
Ano calendário: 1997
DECADÊNCIA. IRPJ E REFLEXOS. ANO CALENDÁRIO DE 1997. Qualquer
que seja a forma de contagem, o prazo decadencial para fatos geradores ocorridos no mês de janeiro de 1997 (PIS e COFINS) e março de 1997 (IRPJ e CSLL) não se encerra antes de janeiro/2002 e março/2002, respectivamente.
Ementa: DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. A Lei nº
9.430/1996, no seu art. 42, estabeleceu uma presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento do imposto correspondente, sempre que o titular da conta bancária, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de
depósito ou de investimento.
Recurso Voluntário Negado Provimento.
Numero da decisão: 1402-000.528
Decisão: Acordam os membros do colegiado, rejeitar a preliminar de decadência e no mérito em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Matéria: IRPJ - AF- omissão receitas- presunção legal Dep. Bancarios
Nome do relator: Antonio José Praga de Souza
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ementa_s : Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Ano calendário: 1997 DECADÊNCIA. IRPJ E REFLEXOS. ANO CALENDÁRIO DE 1997. Qualquer que seja a forma de contagem, o prazo decadencial para fatos geradores ocorridos no mês de janeiro de 1997 (PIS e COFINS) e março de 1997 (IRPJ e CSLL) não se encerra antes de janeiro/2002 e março/2002, respectivamente. Ementa: DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. A Lei nº 9.430/1996, no seu art. 42, estabeleceu uma presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento do imposto correspondente, sempre que o titular da conta bancária, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento. Recurso Voluntário Negado Provimento.
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IRPJ E REFLEXOS. ANO CALENDÁRIO DE 1997. Qualquer que seja a forma de contagem, o prazo decadencial para fatos geradores ocorridos no mês de janeiro de 1997 (PIS e COFINS) e março de 1997 (IRPJ e CSLL) não se encerra antes de janeiro/2002 e março/2002, respectivamente. Ementa: DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. A Lei nº 9.430/1996, no seu art. 42, estabeleceu uma presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento do imposto correspondente, sempre que o titular da conta bancária, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento. Recurso Voluntário Negado Provimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, rejeitar a preliminar de decadência e no mérito negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Albertina Silva Santos de Lima Presidente (assinado digitalmente) Antônio José Praga de Souza – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Albertina Silva Santos de Lima. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 23/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/04/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 20/04/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, 23/04/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 13808.005819/200117 Acórdão n.º 140200.528 S1C4T2 Fl. 2 2 Relatório PARE BEM LTDA recorre a este Conselho contra a decisão proferida pela 7ª Turma de Julgamento da DRJ de São PauloSP I, em primeira instância, que julgou procedente a exigência, pleiteando sua reforma, com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235/1972 (PAF). Em razão de sua pertinência, transcrevo o relatório da decisão recorrida: Trata o presente processo administrativo fiscal (PAF) de autos de infração lavrados contra a contribuinte em epígrafe em 25/09/2001 (fls. 206 a 227), tendo sido constituído créditos tributários de Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ, fls. 206 a 208), de Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS, fls. 213 a 215), de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS, fls. 220 a 222) e de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL, fls. 225 a 227), em decorrência da auditoria fiscal levada a efeito na escrita contábil e fiscal da empresa em epígrafe referente a fatos geradores ocorridos no anocalendário de 1997, Consta, no “Demonstrativo Consolidado do Crédito Tributário do Processo” (fl. 08), que os autos de infração, depois de formalizados, totalizaram o montante devido de R$ 284.002,78, constituído pelos valores devidos a título de tributo, multa de ofício e juros de mora, estes últimos atualizados para 31/08/2001. A autoridade fiscal, além de relacionar a infração apurada no corpo dos autos de infração, pormenorizoua no Termo de Verificação Fiscal em anexo (fls. 200 a 202), que relata o resultado da auditoria fiscal. Vejamos como a infração foi descrita e fundamentada: “Neste sentido, conforme intimações de 27/06/2.001 e 14/08/2.001, foi solicitado ao contribuinte a apresentação dos documentos que subsidiaram os ingressos de recursos na conta do Banco do Brasil S/A, conforme os lançamentos contábeis escriturados no livro Diário discriminados no Anexo I, levados a débito da conta nº 11120012799 Banco do Brasil S/A do ativo circulante e a crédito da conta nº 211020014562 Financiamentos a Curto Prazo do passivo circulante. Entretanto, em qualquer das ocasiões foram os documentos apresentados ou disponibilizados para exame. Com efeito, o art. 42 da Lei nº 9.430/96 esclarece que caracterizase omissão de receitas os valores creditados em conta de depósito mantido em instituições financeiras, em relação aos quais o contribuinte, regularmente intimado, não comprove mediante documento hábil e idôneo, a origem dos recursos utilizados nas operações” . O enquadramento legal dos autos de infração, constante na “Descrição dos Fatos e Enquadramento(s) Legal(is)”, e o montante cobrado por tributo, podem ser reproduzidos da seguinte forma: IRPJ: arts. 195, inciso II, 197 e § único, 226 e 227 do RIR/1994; art. 7º e 9º e seu § 1º do DecretoLei nº 1.598/1977; art. 24 da Lei nº 9.249/95; art 42 e seu § 1º da Lei nº 9.430/96. No Termo de Verificação Fiscal, parte integrante do auto de infração, ainda é citado o art. 42 da Lei nº 9.430/96. (...) Fl. 2DF CARF MF Emitido em 23/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/04/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 20/04/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, 23/04/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 13808.005819/200117 Acórdão n.º 140200.528 S1C4T2 Fl. 3 3 Em 16/11/2001, a interessada apresentou impugnação ao lançamento, do qual tomou ciência em 16/10/2001, nos termos da petição acostada aos autos (fls. 241 a 246), que, em síntese, aduz o que segue: Em primeiro lugar, alega que exerce somente a atividade de administração de estacionamentos, a significar que cabe a ela apenas uma taxa de administração, restando ao proprietário do imóvel todo a receita recebida a título de faturamento. Conclui que o valor tributável não pode ser considerando renda, eis que tem a obrigação de repassála ao proprietário do imóvel. Em segundo lugar, informa que a autoridade fiscal levou quase um ano para concluir a auditoria fiscal, tendo emitido 7 mandados de procedimentos fiscais. Induz, então, a possibilidade da autuação ter sido levada a efeito na ânsia de se evitar a decadência do direito ao lançamento fiscal, eis que foi o auto de infração foi lavrado no fim do ano de 2001 sem que fossem aceitas as explicações e os documentos necessários para impedir a configuração de omissão de receitas. Por fim, aduz que o cálculo que apurou o valor tributável está equivocado, pois a autoridade fiscal “somou tudo que havia na coluna do crédito, duplicou os valores das pgs. 65 do Razão Analítico (fls. 151 e 152 dos autos), não analisou a coluna de débitos da mesma conta, ignorando quaisquer outros tipos de dados constantes dos documentos apresentados”. Assim sendo, estaria ainda em confronto com as decisões do Conselho de Contribuinte, que não entendem possível o lançamento com base em depósitos bancários. Por todo o exposto pede que seja declarado improcedente o auto de infração. A decisão recorrida está assim ementada: DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. A Lei nº 9.430/1996, no seu art. 42, estabeleceu uma presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento do imposto correspondente, sempre que o titular da conta bancária, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento. PIS. COFINS. CSLL. Os lançamentos decorrentes da presunção de omissão de receitas devem acompanhar o que ficou decidido quanto ao IRPJ. Lançamento Procedente Cientificada da aludida decisão, a contribuinte apresentou recurso voluntário, no qual alega decadência dos períodos de apuração até setembro de 2002, contesta as conclusões do acórdão recorrido, repisa as alegações da peça impugnatória e, ao final, requer o provimento. É o relatório. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 23/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/04/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 20/04/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, 23/04/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 13808.005819/200117 Acórdão n.º 140200.528 S1C4T2 Fl. 4 4 Voto Conselheiro Antonio Jose Praga de Souza, Relator. O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos legais e regimentais para sua admissibilidade, dele conheço. Conforme relatado, tratase de exigência calcada na presunção legal de omissão de receitas em face de depósitos bancários de origem não comprovada. A contribuinte alega em preliminar decadência dos fatos geradores até setembro de 1997. Verificase nos autos que o autos de infração referemse ao PIS, COFINS e CSLL de todo o ano de 1997 e foram cientificado em outubro de 2001, ou seja, menos de 5 anos antes dos fatos geradores de janeiro de 1997. Assim, qualquer que seja a forma de contagem seja, do art. 150, seja do art. 173 do CTN, não ocorreu a decadência. A toda evidencia tratase de um erro de contagem do ilustre representante da contribuinte. Rejeito a preliminar. No mérito, não cabe reparos aos fundamentos da decisão de 1a. instancia que enfrentou integralmente as alegações da peça impugnatória e que foram repetidas no recurso voluntário. Peço vencia para transcrever e adotar as razões de decidir do ilustre Relator Eduardo José Paiva Borba: O presente procedimento fiscal foi levado a efeito, principalmente, sob a égide do art. 42 da Lei 9.430/1996, a qual instituiu a presunção relativa que determina que seja caracterizado como omissão de receita eventual depósito em conta corrente que não tenha a origem do recurso comprovada, através de documentação hábil e idônea, in verbis: “Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. § 2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. [...]” Desta forma, a lei determina que existindo créditos em conta de depósito sem a devida comprovação de origem, presumese, até prova em contrário, esta a cargo do contribuinte, pois efetivamente a lei inverteu o ônus da prova, a ocorrência de Fl. 4DF CARF MF Emitido em 23/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/04/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 20/04/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, 23/04/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 13808.005819/200117 Acórdão n.º 140200.528 S1C4T2 Fl. 5 5 omissão de receita. Esta conclusão pode ser ratificada pelas palavras de Luís Eduardo Schoueri (Distribuição Disfarçada de Lucro. São Paulo: Dialética. 1996. p. 113), as quais nos ensinam a função das presunções relativas no Direito Tributário, senão vejamos: “A presunção relativa nada mais faz, em princípio, que dispor sobre o ônus da prova: reza que, em determinados casos, uma circunstância que, em si, dependeria de prova, dispensa comprovação; tal circunstância é tida por verdade, até que se consiga demonstrar o contrário”. Então, como cabia, por determinação legal, à interessada comprovar a origem dos recursos depositados, o AuditorFiscal com este desiderato, intimou a empresa a fazêlo em 11/01/2001, através do Termo de Intimação de fl. 09, em 27/06/2001, Termo de Intimação de fl. 57, e em 14/08/2001, Termo de Intimação de fls. 180 e 181. Constatase que a empresa não utilizou as possibilidades concedidas pela autuante, tendo se esquivado de fornecer provas inequívocas da origem dos recursos destacados, trazendo apenas aos autos cópia de contratos de locação e de prestação de serviços, mais especificamente de serviços de estacionamento, ineficazes para elidir, desacompanhados de notas fiscais, recibos, etc, a presunção de omissão de receitas (fls. 247 a 313). Da leitura desses contratos depreendese ser falaciosa a alegação sobre a parte que lhe cabia na receita oriunda da administração de estacionamento, denominada pelo contribuinte de taxa de administração. Como exemplo, vejamos os contratos firmados com o Banco Itaú S/A (CNPJ 60.701.190/000104, fls. 258, 265 e 273), onde está pactuado que por locar determinados imóveis deverá a autuada pagar a título de aluguel algo entre 5% a 30% do faturamento bruto mensal, a depender da localização de cada imóvel. Destarte, concluise que a maior parte do resultado da exploração de tais contratos deveria efetivamente ter sido considerado como receita tributável. Outrossim, as parcas guias de depósitos bancários acostadas aos autos não permitem a descaracterização pretendida pela autuada, eis que apenas demonstram diversos repasses de recursos financeiros às empresas contratantes de seus serviços (fls. 314 a 348), não sendo viável crer na possibilidade de vinculação de qualquer tipo aos depósitos bancários listados pela autoridade fiscal. Ou seja, toda a documentação apresentada para análise não é capaz de justificar a origem dos depósitos bancários, nem ao menos comprovar que os ingressos financeiros são frutos do desenvolvimento do objeto social da empresa. Destarte, cai por terra seu segundo argumento, visto que se realmente a autoridade fiscal tivesse obstruído seu direito à ampla defesa, no momento da impugnação, quando efetivamente se inicia o contraditório, poderia ter trazido toda a documentação necessária para suporte de sua contabilidade, o que de fato não ocorreu. Ademais, as várias prorrogações do trabalho fiscal, bem como o tempo total de duração, não são causa de nulidade do auto de infração, conforme art. 59 do Decreto nº 70.235/1972: “Art. 59. São nulos: I – os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II – os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa; § 1º. A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 23/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/04/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 20/04/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, 23/04/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 13808.005819/200117 Acórdão n.º 140200.528 S1C4T2 Fl. 6 6 § 2º. Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º. Quando puder decidir o mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta.” Ademais, deveria a contribuinte ter efetuado sua escrita fiscal de forma que ficasse clara a existência de tais contratos, ou seja, seus lançamentos contábeis deveriam ter sido concretizados de tal forma que demonstrassem (i) que os recursos financeiros consubstanciados nos depósitos bancários listados pela autoridade fiscal correspondem às receitas oriundas dos serviços de prestação de serviços indicados nos contratos acima citados, (ii) qual a parte desta receita que lhe coube, isto é, que deveria estar contabilizada como receita tributável, (iii) e o valor que restaria aos proprietários dos imóveis locados da receita total angariada através do serviço, ou seja, que foi devidamente repassada dentro dos critérios contratuais. 15. Afinal, na seara tributária, é imperioso que os registros contábeis, para terem sua veracidade comprovada, tenham lastro em documentação hábil e inidônea. Para fundamentar essa posição vejamos o caput do art. 210 do RIR/1994, que determina que os lançamentos contábeis devem ser comprovados através de documentação que os dê suporte: “Art. 210. A pessoa jurídica é obrigada a conservar em ordem, enquanto não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes, os livros, documentos e papéis relativos a sua atividade, ou que se refiram a atos ou operações que modifiquem ou possam vir a modificar sua situação patrimonial (Decretolei nº 486/69, art.4º). [...]” Também não é correto a assertiva do contribuinte sobre a posição do Egrégio Conselho de Contribuinte sobre a matéria, até porque se sabe que com a edição da legislação sobre presunção de receitas quando da existência de depósitos bancários não justificados ela teria se alterado. Corroborando a posição firmada nesse voto, vejamos as decisões abaixo transcritas: OMISSÃO DE RECEITAS – FALTA DE COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DE DEPÓSITOS BANCÁRIOS A presunção legal de omissão de rendimentos, prevista no art. 42 da Lei n° 9.430 de 1996, autoriza o lançamento com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo. Acórdão 10807390. Data de Publicação no D.O.U: 31/05/2004. IRPF EX.: 1999 OMISSÃO DE RENDIMENTOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS Comprovado que o procedimento observou as determinações do artigo 42 da lei n.º 9430/96 e não se constatando provas documentais contrárias à referida presunção legal, correta a tributação desses valores como renda percebida pelo contribuinte. Acórdão 10245930. Disponível, através de consulta realizada em 06/12/2004, em: <<http://www.conselhos.fazenda.gov.br>>. Por fim, quanto aos cálculos operados pela autoridade fiscal, não há reparos a fazer, eis que não ocorreu a alegada duplicidade de valores, muito menos eventual desconsideração de débitos autorizados por lei. Embora seja verdade que as folhas 151 e 152 dos autos são cópia da mesma folha do livro Razão, por outro lado, também é verdade que a planilha demonstrativa de cálculo da base tributável não sofreu influência deste equívoco, eis que os valores listados pela autoridade fiscal, Fl. 6DF CARF MF Emitido em 23/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/04/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 20/04/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, 23/04/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 13808.005819/200117 Acórdão n.º 140200.528 S1C4T2 Fl. 7 7 mais precisamente em referência ao mês de abril do anocalendário de 1997, estão em perfeita consonância com o que foi escriturado pela autuada. Destarte, correto o lançamento fiscal. Os lançamentos decorrentes da presunção de omissão de receitas, relativos ao PIS, COFINS e CSLL, devem acompanhar o que ficou decidido quanto ao IRPJ. Verificase que, tal qual no transcurso da ação fiscal, bem como na peça impugnatória, a contribuinte em seu recurso voluntário não logrou êxito em comprovar, objetivamente, a origem dos valores depositados na conta bancária 11120012799 (Banco do Brasil S/A) Diante do exposto, voto no sentido rejeitar a preliminar de decadência e no mérito negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Antônio José Praga de Souza Fl. 7DF CARF MF Emitido em 23/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/04/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 20/04/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, 23/04/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA
score : 1.0
Numero do processo: 10882.003546/2007-72
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 12 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed May 11 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1997 a 31/12/1998
Ementa: NÃO RECOLHIMENTO DE CONTRIBUIÇÕES
PREVIDENCIÁRIAS. ART. 45 DA LEI Nº 8.212/1991. DECADÊNCIA.
SÚMULA VINCULANTE Nº 8 DO STF.
O Supremo Tribunal Federal, em Sessão Plenária do dia 11/06/2008,
declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei nº 8.212/1991, publicando,
posteriormente, a Súmula Vinculante nº 8, a qual vincula a aplicação da
referida decisão a todos os órgãos da administração pública direta e indireta,
nas esferas federal, estadual e municipal, nos termos do art. 103A
da CF/88,
motivo pelo qual não pode ser aplicado o prazo decadencial decenal.
Recurso voluntário a que se dá total provimento.
Numero da decisão: 2402-001.713
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento ao recurso em razão da decadência.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: Nereu Miguel Ribeiro Domingues
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/1997 a 31/12/1998 Ementa: NÃO RECOLHIMENTO DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. ART. 45 DA LEI Nº 8.212/1991. DECADÊNCIA. SÚMULA VINCULANTE Nº 8 DO STF. O Supremo Tribunal Federal, em Sessão Plenária do dia 11/06/2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei nº 8.212/1991, publicando, posteriormente, a Súmula Vinculante nº 8, a qual vincula a aplicação da referida decisão a todos os órgãos da administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, nos termos do art. 103A da CF/88, motivo pelo qual não pode ser aplicado o prazo decadencial decenal. Recurso voluntário a que se dá total provimento.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/1997 a 31/12/1998 Ementa: NÃO RECOLHIMENTO DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. ART. 45 DA LEI Nº 8.212/1991. DECADÊNCIA. SÚMULA VINCULANTE Nº 8 DO STF. O Supremo Tribunal Federal, em Sessão Plenária do dia 11/06/2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei nº 8.212/1991, publicando, posteriormente, a Súmula Vinculante nº 8, a qual vincula a aplicação da referida decisão a todos os órgãos da administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, nos termos do art. 103A da CF/88, motivo pelo qual não pode ser aplicado o prazo decadencial decenal. Recurso voluntário a que se dá total provimento. Fl. 406DF CARF MF Emitido em 27/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/05/2011 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES Assinado digitalmente em 26/05/2011 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, 26/05/2011 por ANA MARIA BAN DEIRA 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso em razão da decadência. Ana Maria Bandeira – Presidente em exercício. Nereu Miguel Ribeiro Domingues Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ana Maria Bandeira, Ronaldo de Lima Macedo, Lourenço Ferreira do Prado, Leôncio Nobre de Medeiros, Igor Araújo Soares e Nereu Miguel Ribeiro Domingues. Ausente o Conselheiro Júlio César Vieira Gomes. Fl. 407DF CARF MF Emitido em 27/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/05/2011 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES Assinado digitalmente em 26/05/2011 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, 26/05/2011 por ANA MARIA BAN DEIRA Processo nº 10882.003546/200772 Acórdão n.º 2402001.713 S2C4T2 Fl. 558 3 Relatório Tratase de NFLD constituída em 19/12/2007 para exigir o valor de R$ 132.232,60, em virtude da falta de recolhimento da contribuição previdenciária cota patronal, contribuição para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (SAT), e de contribuições destinadas a outras entidades e fundos (INCRA, SALÁRIO EDUCAÇÃO e SEBRAE), incidentes sobre os valores pagos pela empresa a título de seguro de vida em grupo, no período de 01/1997 a 12/1998. A Recorrente apresentou impugnação (fls. 355/494) requerendo a total insubsistência da autuação. A d. Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Campinas – SP, ao analisar o processo (fls. 499/506), julgou o lançamento totalmente procedente, sob o argumento de que: a) As importâncias pagas ou creditadas pela empresa aos seus empregados, a título de prêmio de seguro de vida em grupo, possuem natureza jurídica salarial, devendo compor a base de cálculo das contribuições previdenciárias; b) O prazo para lançar as contribuições previdenciárias é de 10 anos, nos termos do art. 45 da Lei nº 8.212/1991; c) Não é possível afastar a aplicação de lei com base em suposta inconstitucionalidade não declarada pelos órgãos jurisdicionais e políticos competentes. A Recorrente apresentou recurso voluntário (fls. 511/552) alegando que: (i) os créditos tributários exigidos estão decaídos; e (ii) os valores pagos a título de prêmio de seguro de vida não podem ser caracterizados como salário de contribuição. Após, a Recorrente protocolou petição requerendo a aplicação da Súmula Vinculante nº 08 do STF ao presente caso. É o relatório. Fl. 408DF CARF MF Emitido em 27/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/05/2011 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES Assinado digitalmente em 26/05/2011 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, 26/05/2011 por ANA MARIA BAN DEIRA 4 Voto Conselheiro Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Relator Primeiramente, cabe mencionar que o presente recurso é tempestivo e preenche a todos os requisitos de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. Alega a Recorrente que o crédito tributário objeto do presente processo deve ser julgado totalmente improcedente, por estar decaído. A presente NFLD foi constituída em 19/12/2007 para exigir contribuições previdenciárias relativas ao período de 01/1997 a 12/1998. Notase que transcorreram aproximadamente 10 anos entre a data da ocorrência dos fatos geradores e a data da constituição do crédito tributário. Havia, na época da lavratura da notificação, previsão legal para que a Seguridade Social constituísse créditos tributários no prazo de até 10 anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído (vide art. 45, inc. I, da Lei nº 8.212/1991). Todavia, o Supremo Tribunal Federal1, em Sessão Plenária, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei nº 8.212/91. Em decorrência dessa decisão, em 20/06/08 foi publicada a Súmula Vinculante nº 82, a qual vincula a aplicação da referida decisão a todos os órgãos da administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, nos termos do art. 103A da CF/88. Diante disso, bem como em respeito ao art. 62, inc. I, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria nº 256/09, fazse mister afastar a incidência do prazo decadencial decenal de que trata o art. 45 da Lei nº 8.212/1991. Assim, considerando que o lapso temporal existente entre a data do fato gerador e a data da constituição do crédito tributário é de aproximadamente 10 anos, devese reconhecer a total decadência dos valores ora lançados. Em razão da existência de entendimentos divergentes acerca da aplicação dos prazos decadenciais (se pela regra contida no art. 150, § 4º, ou no art. 173, inc. I, do CTN), esclareço que, independentemente da regra adotada, a totalidade dos créditos tributários restariam decaídos. 1 A Sessão de julgamento ocorreu no dia 11/06/2008, no RE nº 559.8829. 2 “Súmula 8 São inconstitucionais os parágrafos único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Fl. 409DF CARF MF Emitido em 27/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/05/2011 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES Assinado digitalmente em 26/05/2011 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, 26/05/2011 por ANA MARIA BAN DEIRA Processo nº 10882.003546/200772 Acórdão n.º 2402001.713 S2C4T2 Fl. 559 5 Diante do exposto, voto pelo CONHECIMENTO do recurso para DAR LHE TOTAL PROVIMENTO, reconhecendo a extinção do crédito tributário pela decadência. É o voto. Nereu Miguel Ribeiro Domingues Fl. 410DF CARF MF Emitido em 27/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/05/2011 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES Assinado digitalmente em 26/05/2011 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, 26/05/2011 por ANA MARIA BAN DEIRA
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Numero do processo: 10283.006147/2005-51
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 05 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Fri May 06 00:00:00 UTC 2011
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Período de apuração: 01/01/2000 a 31/12/2001
PIS/COFINS. LEI 9718/98 (ALARGAMENTO DE BASE).
INCONSTITUCIONALIDADE DECLARADA PELO PLENO DO
SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL.
O recente julgamento de inconstitucionalidade da Lei nº 9.718/98 pelo
Supremo Tribunal Federal não pode ser ignorado pelo tribunal
administrativo, devendo, inclusive, ser reconhecido e aplicado de ofício por
qualquer autoridade administrativa a nulidade da norma, sob pena de
enriquecimento ilícito.
ASPECTOS CONSTITUCIONAIS INCOMPETÊNCIA
SÚMULA
Nº 2
O Pleno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF
decidiu
que a instância administrativa não possui competência legal para se
manifestar sobre questões em que se presume a colisão da legislação de
regência com a Constituição Federal, atribuição reservada, no direito pátrio,
ao Poder Judiciário. Súmula nº 2.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3302-000.986
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em
dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
Matéria: PIS - ação fiscal (todas)
Nome do relator: FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS
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Recorrida DRJ BELÉM/PA ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2000 a 31/12/2001 PIS/COFINS. LEI 9718/98 (ALARGAMENTO DE BASE). INCONSTITUCIONALIDADE DECLARADA PELO PLENO DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. O recente julgamento de inconstitucionalidade da Lei nº 9.718/98 pelo Supremo Tribunal Federal não pode ser ignorado pelo tribunal administrativo, devendo, inclusive, ser reconhecido e aplicado de ofício por qualquer autoridade administrativa a nulidade da norma, sob pena de enriquecimento ilícito. ASPECTOS CONSTITUCIONAIS INCOMPETÊNCIA SÚMULA Nº 2 O Pleno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF decidiu que a instância administrativa não possui competência legal para se manifestar sobre questões em que se presume a colisão da legislação de regência com a Constituição Federal, atribuição reservada, no direito pátrio, ao Poder Judiciário. Súmula nº 2. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente. Fl. 148DF CARF MF Emitido em 08/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/12/2011 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 07/1 2/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/12/2011 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS 2 (assinado digitalmente) FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Relatora. EDITADO EM: 05/12/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva (Presidente), José Antonio Francisco, Alan Fialho Gandra, Fabiola Cassiano Keramidas (Relatora), Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. Relatório Tratase de Auto de Infração (fls. 04/05) constituindo crédito tributário de PIS, derivado da falta de recolhimento da contribuição sobre créditos de ICMS recebidos a título de subvenção para investimento, no período de janeiro de 2000 a dezembro de 2001. A Recorrente apresentou sua Impugnação (fls. 57/76), alegando, em síntese: (a) Que os incentivos fiscais previstos na Lei n° 1.939/89, concedidos para auxiliar a implantação, a expansão, ou a modernização do projeto técnico e de viabilidade econômica, deveriam ser considerados como subvenção para investimento, não sendo enquadrados no conceito de receita, razão pela qual não deveria haver a incidência da contribuição para o PIS; (b) Que padeceria de injuridicidade crônica o entendimento que aceitasse válido o Estado do Amazonas, com a outorga da Carta Política de 88, renunciar a uma parte substancial de sua arrecadação tributária, a título de incentivo concedido aos empreendimentos industriais, com a finalidade de viabilizar a competitividade de seus produtos no mercado nacional, em face da grande distância a que se encontram os centros consumidores desses produtos e, em seguida, o valor assim subvencionado viesse a ser submetido à tributação pelo PIS e pela COFINS; (c) Que admitir a incidência da contribuição sobre os valores do benefício fiscal auferido seria permitir que a União "confiscasse" quase metade do benefício que lhe foi concedido pelo Estado do Amazonas; (d) Que a inclusão da parcela do valor do ICMS restituível na base de cálculo do PIS e da COFINS, por ter integrado o valor da operação no período correspondente, representaria a tributação de Fl. 149DF CARF MF Emitido em 08/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/12/2011 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 07/1 2/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/12/2011 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 10283.006147/200551 Acórdão n.º 330200.986 S3C3T2 Fl. 149 3 valores que não se confundem com a receita da empresa, pois são meros ingressos sequer derivados da atividade social da empresa; (e) A alteração do conteúdo semântico do termo “faturamento”, pelas disposições contidas no artigo 3º, parágrafo 1º da Lei nº9.718/98, equiparandoo à “receita bruta”, também não poderia justificar a pretensão fiscal, segundo decisões exaradas pelo Supremo Tribunal Federal. A DRJ analisou a Impugnação apresentada e afastou os argumentos do contribuinte, para o fim de determinar a manutenção do lançamento (fls. 100/106), em decisão assim ementada, verbis: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 31/03/2000, 30/04/2000, 31/07/2000, 31/08/2000, 30/11/2000, 31/12/2000, 31/03/2001, 30/04/2001, 31/07/2001, 31/08/2001, 30/11/2001, 31/12/2001 RECEITA. CONCEITO. O conceito de receita, tanto no direito privado, como no direito público, é o de totalidade dos recebimentos, não importando a que título foram contabilizados. INCENTIVO FISCAL. SUBVENÇÃO FISCAL. RENÚNCIA FISCAL. IRRELEVÂNCIA. Resta irrelevante se os valores ora discutidos, de fato, classificamse como subvenções para investimento, subvenções para custeio; incentivo fiscal ou renúncia fiscal ("redução de despesa"), dado coadunaremse, de um ou de outro modo, com a receita bruta conceituada como acréscimo de patrimônio. A universalidade deste conceito foi confirmada pelo art. 3º, §1°, da Lei n° 9.718/98 para determinação da base de cálculo do PIS. Ademais, independentemente do vocábulo utilizado, tal receita não se encontra dentre as possíveis de exclusão da base de cálculo do PIS na forma do art. 3º, §2°, da Lei n° 9.718/1998. Lançamento Procedente.” Cientificada da decisão a Recorrente apresentou seu Recurso Voluntário, (fls. 111/144), reiterando as alegações trazidas em sua Impugnação, e informando sobre decisão proferida em ação judicial proposta por entidade de classe, na qual se reconheceu o “bis in idem” na inclusão dos créditos de ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS. Vieramme, então, os autos para decidir. É o relatório. Voto Conselheira FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Fl. 150DF CARF MF Emitido em 08/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/12/2011 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 07/1 2/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/12/2011 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS 4 O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele conheço. De início é de se esclarecer que a ação judicial a que a Recorrente fez referência em seu Recurso Voluntário limitouse a discutir se os incentivos fiscais de ICMS conferidos pelo Estado do Amazonas se classificariam ou não como receita, pois, no entender das autoras, as subvenções não se confundiriam com uma receita. Ademais, a tributação abordada foi aquela aplicada pela legislação superveniente, qual seja, as Leis nº 10.637/02 e 10.833/03. Feitas estas considerações iniciais, ressalto que as competências que são objeto do lançamento abarcam o período de janeiro de 2000 a dezembro de 2001. Neste sentido, o fundamento do auto de infração é a disposição contida no artigo 3º, parágrafo 1º da Lei nº 9.718/98 – ou seja, a base de cálculo “alargada”, que considerou que o faturamento (base de cálculo do PIS e da COFINS) deveria ser considerado a totalidade de receitas (fls. 05/08). O agente fiscal entendeu que os créditos de ICMS relativos às subvenções recebidas pela Recorrente do Governo do Amazonas teriam de integrar a base de cálculo da contribuição, pois se inseriam no conceito de “totalidade de receitas”, trazidos pela Lei nº 9.718/98, para definir a base de cálculo do tributo. Independentemente da questão de fundo, se as subvenções são ou não receitas, a controvérsia resumese à questão dos limites da base de cálculo do PIS e da COFINS, mormente considerando a inconstitucionalidade declarada do alargamento desta base de cálculo, promovido pela Lei nº 9.718/98 (fundamento legal do lançamento ora analisado). E, no que se refere à Lei nº 9.718/98, claro está que a principal matéria de mérito referese à constitucionalidade do alargamento da base de cálculo do PIS e COFINS. De acordo com o Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, as matérias já definitivamente julgadas pelo Pleno do Supremo Tribunal Federal, podem ser conhecidas pelos tribunais administrativos, mesmo que sejam matéria de ordem constitucional. Neste sentido, é de domínio público que ao julgar os RREE 346.084, de relatoria do Min. Ilmar Galvão e 357.950, 358.273, 390.840, de relatoria do Min. Marco Aurélio, Pleno, 9.11.2005 (Inf./STF 408), o Supremo Tribunal declarou a inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei 9.718/98, por entender que a ampliação da base de cálculo da COFINS por lei ordinária violou a redação original do art. 195, I, da Constituição Federal, ainda vigente ao ser editada a mencionada norma legal, redação esta anterior a EC nº 20/98 (cf. Ac. da 1ª Turma do STF no Ag.Reg. no RE nº 330.226PR, em sessão de 23/05/06, Rel. Min. SEPÚLVEDA PERTENCE, publ. in DJU de 16/06/06, pág. 17 EMENT VOL0223703 PP00481; Ac. da 1ª Turma do STF nos Emb. Dec. no RE nº 368.468PR, em sessão de 23/05/2006, Rel. Min. SEPÚLVEDA PERTENCE, publ. in DJU de 23062006, pág. 52 EMENT VOL0223803 PP00428; Ac.da 1ª Turma nos Emb. Dec. no RE nº 410.691MG, em sessão de 23/05/2006, Rel. Min. SEPÚLVEDA PERTENCE, publ. in DJU de 23/06/2006, pág. 52, EMENT VOL0223803 PP00538). Parafraseando o Conselheiro Fernando Lobo D’Eça, que inicialmente trouxe, a esta Câmara, o entendimento da possibilidade de aplicação pelos tribunais administrativos de decisão do pleno do STF, cito: “Por seu turno, analisando os efeitos reflexos da declaração de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei 9.718/98 sobre os lançamentos fiscais, o E. STJ recentemente esclareceu que “a Fl. 151DF CARF MF Emitido em 08/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/12/2011 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 07/1 2/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/12/2011 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 10283.006147/200551 Acórdão n.º 330200.986 S3C3T2 Fl. 150 5 inconstitucionalidade é vício que acarreta a nulidade ex tunc do ato normativo, que, por isso mesmo, já não pode ser considerado para qualquer efeito” e, “embora tomada em controle difuso, a decisão do STF tem natural vocação expansiva, com eficácia imediatamente vinculante para os demais tribunais, inclusive para o STJ (CPC, art. 481, § único), e com a força de inibir a execução de sentenças judiciais contrárias (CPC, art. 741, § único; art. 475L, § 1º, redação da Lei 11.232/05). Afastada a incidência do § 1º do art. 3º da Lei 9.718/98, que ampliou a base de cálculo das contribuições para o PIS/PASEP e COFINS, é ilegítima a exação tributária decorrente de sua aplicação. Conseqüentemente, a base de cálculo das referidas contribuições continua sendo a definida pela legislação anterior, nomeadamente a LC 70/91 (art. 2º), por decorrência da qual o conceito de faturamento tem sentido estrito, equivalente ao de receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza, conforme reiterada jurisprudência do STF. (cf. Ac. da 1ª Turma do STJ no RESP nº 828.106SP, Reg. nº 200600690920, em sessão de 02/05/06, Rel. Min. TEORI ALBINO ZAVASCKI, publ. in DJU de 15/05/06, pág. 186) Consubstanciando atividade essencialmente realizadora do Direito, inteiramente vinculada e subordinada ao princípio da legalidade do tributo (art. 150, inc. I da CF/88; arts. 97 e 142 do CTN), a atividade administrativa do lançamento tributário necessariamente há de conformarse com a Constituição e com a interpretação que lhe empresta a Suprema Corte, só podendo se efetivar nas condições e sob os pressupostos estipulados em lei válida, donde decorre que ante a formal declaração de inconstitucionalidade ou invalidade da lei pela Suprema Corte, deslegitimamse todos os lançamentos fundados nas referidas disposição e base de cálculo inconstitucionais (§ 1º do art. 3º da Lei 9.718/98); em suma, são ilegítimos todos os lançamentos que refujam às base de cálculos do COFINS e PIS/PASEP adotadas pela legislação anterior e ao conceito de faturamento em sentido estrito por ela adotado e equivalente à receita bruta decorrente de vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços, ou de serviços de qualquer natureza.” (destaquei) Logo, forçoso concluir que o lançamento sob análise não pode prosperar. Isto porque o presente auto de infração tem como fundamento o artigo 3º, parágrafo 1º da Lei nº 9.718/98, pois entendeu a autoridade fiscal que os valores recebidos a título de subvenção são considerados receitas e, assim, tributáveis pela contribuição ao PIS. Todavia, a ampliação da referida base de cálculo, pretendida por citada norma, ao alargar o conceito de faturamento, já foi considerada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal, o que vicia por completo a autuação. Estando este Conselho obrigado a observar as decisões definitivamente proferidas pelo Supremo Tribunal Federal, alternativa não há, senão declarar a insubsistência do lançamento ora analisado. Fl. 152DF CARF MF Emitido em 08/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/12/2011 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 07/1 2/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/12/2011 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS 6 Pelo exposto, DOU PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, nos termos expostos. É como voto. (assinado digitalmente) FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Relatora Fl. 153DF CARF MF Emitido em 08/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/12/2011 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 07/1 2/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/12/2011 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS
score : 1.0
Numero do processo: 10730.004191/2004-20
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 30 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Jun 30 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ
Ano-calendário: 2001
NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
Somente ensejam a nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa.
ARBITRAMENTO DO LUCRO.
Sujeita-se ao arbitramento do lucro o contribuinte cuja escrituração contiver deficiências que a tornem imprestável para identificar a efetiva movimentação financeira ou para determinar o lucro real.
DEPÓSITO BANCÁRIO. OMISSÃO DE RECEITAS.
Configuram omissão de receita os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nestas operações.
DEDUÇÕES DA BASE DE CÁLCULO. CSLL.
Não há previsão legal para deduzir a CSLL da base de cálculo do IRPJ lançado no regime de tributação do lucro arbitrado.
APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI Nº 10.174/2001. SÚMULA CARF Nº 35. O art. 11, § 3º, da Lei nº 9.311/96, com a redação dada pela Lei nº 10.174/2001, que autoriza o uso de informações da CPMF para a constituição do crédito tributário de outros tributos, aplica-se retroativamente.
JUROS DE MORA. APLICABILIDADE DA TAXA SELIC. SÚMULA CARF Nº 4. Sobre os débitos tributários para com a União, não pagos nos prazos previstos em lei, aplicam-se juros de mora calculados, a partir de abril de 1995, com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais.
TRIBUTAÇÃO REFLEXA OU DECORRENTE.
Aplica-se às exigências decorrentes, o mesmo tratamento dispensado ao lançamento da exigência principal, em razão da íntima relação de causa e efeito que os vincula.
Numero da decisão: 1102-000.475
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, AFASTAR a preliminar e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
Matéria: IRPJ - AF - lucro arbitrado
Nome do relator: João Otávio Oppermann Thomé
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Recorrente FUNELLI COMÉRCIO DE PESCADO LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2001 NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Somente ensejam a nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. ARBITRAMENTO DO LUCRO. Sujeitase ao arbitramento do lucro o contribuinte cuja escrituração contiver deficiências que a tornem imprestável para identificar a efetiva movimentação financeira ou para determinar o lucro real. DEPÓSITO BANCÁRIO. OMISSÃO DE RECEITAS. Configuram omissão de receita os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nestas operações. DEDUÇÕES DA BASE DE CÁLCULO. CSLL. Não há previsão legal para deduzir a CSLL da base de cálculo do IRPJ lançado no regime de tributação do lucro arbitrado. APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI Nº 10.174/2001. SÚMULA CARF Nº 35. O art. 11, § 3º, da Lei nº 9.311/96, com a redação dada pela Lei nº 10.174/2001, que autoriza o uso de informações da CPMF para a constituição do crédito tributário de outros tributos, aplicase retroativamente. JUROS DE MORA. APLICABILIDADE DA TAXA SELIC. SÚMULA CARF Nº 4. Fl. 361DF CARF MF Emitido em 08/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/07/2011 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Assinado digitalmente em 18/07/2011 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, 03/08/2011 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO Processo nº 10730.004191/200420 Acórdão n.º 110200.475 S1C1T2 Fl. 280 2 Sobre os débitos tributários para com a União, não pagos nos prazos previstos em lei, aplicamse juros de mora calculados, a partir de abril de 1995, com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. TRIBUTAÇÃO REFLEXA OU DECORRENTE. Aplicase às exigências decorrentes, o mesmo tratamento dispensado ao lançamento da exigência principal, em razão da íntima relação de causa e efeito que os vincula. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, AFASTAR a preliminar e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. Documento assinado digitalmente. Ivete Malaquias Pessoa Monteiro Presidente. Documento assinado digitalmente. João Otávio Oppermann Thomé Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, João Carlos de Lima Júnior, João Otávio Oppermann Thomé, Silvana Rescigno Guerra Barretto, Leonardo de Andrade Couto, e Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo. Relatório Contra a empresa acima qualificada foram lavrados, às fls. 6 a 39, os Autos de Infração do Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ, da Contribuição para o Programa de Integração Social – PIS, da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins, e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, perfazendo um crédito tributário no montante de R$ 2.310.785,48, aí já incluídos os juros de mora e a multa de ofício de 112,50%. De acordo com a Descrição dos Fatos, feita pela autoridade fiscal, a empresa foi autuada por omissão de receitas em razão da não comprovação da origem dos recursos depositados em suas contas bancárias. O lucro foi arbitrado tendo em vista que a escrituração mantida pelo contribuinte foi considerada imprestável para a determinação do Lucro Real, e que o contribuinte expressamente reconheceu que não teria condições de reconstituir a sua escrituração. Fl. 362DF CARF MF Emitido em 08/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/07/2011 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Assinado digitalmente em 18/07/2011 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, 03/08/2011 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO Processo nº 10730.004191/200420 Acórdão n.º 110200.475 S1C1T2 Fl. 281 3 O arbitramento foi efetuado com base na receita omitida, apurada com base nos depósitos bancários de origem não comprovada, ocorridos em conta bancária não contabilizada, e na receita declarada. O contribuinte apresentou impugnação, fls. 197 a 229, na qual alegou, em síntese, o seguinte: a) tem como atividade principal a intermediação de compra e venda de pescados (pregão) e recebe remuneração, a título de comissão, que varia de 5 a 8% do total comercializado; b) o valor da receita auferida cingese, tão somente, às ditas comissões, valor contabilizado; c) é de praxe os intermediários receberem dos compradores o pagamento pelas aquisições feitas para repasse às empresas pesqueiras, sendo esta a origem da maior parte dos depósitos bancários; d) por inexistirem outros documentos fiscais, toda a contabilidade é efetivada com base nos registros das comissões recebidas; e) tendo em vista a ausência de documentação fiscal neste ramo de negócio e considerando o fato de os depósitos não lhe pertencerem, ficou impossibilitada de reconstituir sua escrituração contábil com a inclusão dos referidos valores tal qual solicitado pelo fisco; f) pelos extratos pode ser observado que a receita declarada corresponde ao valor dos depósitos deduzidos dos cheques emitidos para as empresas fornecedoras, cujo resultado é exatamente aquele constante de suas declarações de ajuste do IRPJ e da sua escrita fiscal e comercial; g) a confirmação dos recebimentos pelas empresas de pesca pode ser facilmente levantada pela Receita Federal, uma vez que tais pagamentos são efetuados mediante cheques nominais a seus titulares; h) a fiscalização desconsiderou os esclarecimentos prestados; i) a autuação foi formalizada em contrariedade à lei e à evidência das provas; j) a base de cálculo adotada é de todo irreal e ilegal; k) a legislação não permite o lançamento com base na simples soma dos depósitos bancários, pois estes não configuram fato gerador de imposto; l) a situação descrita não se enquadra nas hipóteses de arbitramento previstas, posto que o ilustre Auditor não apostou qualquer vício, erro ou deficiência na escrituração da lmpugnante, de modo a tornála imprestável para a apuração do lucro real; m) a fiscalização não vinculou os depósitos não escriturados com alguma receita não escriturada; n) a fiscalização tributou todos os valores creditados nas contas bancárias questionadas, sem se preocupar de expurgar os valores que não correspondem a depósitos da titularidade da Impugnante, quais sejam, aqueles repassados aos armadores de pesca; Fl. 363DF CARF MF Emitido em 08/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/07/2011 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Assinado digitalmente em 18/07/2011 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, 03/08/2011 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO Processo nº 10730.004191/200420 Acórdão n.º 110200.475 S1C1T2 Fl. 282 4 o) o procedimento fiscal se encontra em desacordo com a jurisprudência que cita; p) a Fiscalização não se deu ao trabalho de aprofundar as investigações, pelo menos junto aos maiores vendedores, com vistas a verificar se os mesmos contabilizavam como receita os valores que lhe eram repassados e como custo as comissões pagas à lmpugnante, optando pelo caminho mais prático, embora errôneo, da presunção, não prevista em Lei; q) não pode haver aplicação retroativa da Lei 10.174/2001; r) é incabível a aplicação da multa de 112,50%, posto que não ocorreu qualquer negativa por parte da Impugnante em apresentar esclarecimentos e elementos solicitados; s) a base de cálculo do IRPJ é determinada após a exclusão da CSLL; t) pelos mesmos motivos apresentados em relação ao lançamento de IRPJ, os lançamentos reflexos são improcedentes; u) deve ser afastada a aplicação da taxa Selic. v) finaliza solicitando a aplicação da interpretação benigna, a anulação do lançamento por ausência de fundamentação fática e por terem sido formalizadas após o decurso do prazo decadencial, e, se superadas as preliminares, a improcedência do lançamento, a exclusão da multa de 112,50% e da taxa Selic, e protesta pela juntada de novas provas. A 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro – DRJ/RJOI considerou procedentes os lançamentos efetuados, porém, reduziu a multa de ofício aplicada para o percentual de 75%. O Acórdão 1215.078, fls. 235 a 241, está assim ementado: “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2001 ARBITRAMENTO. Procedente o arbitramento dos lucros, quando o contribuinte deixa de contabilizar a movimentação bancária. OMISSÃO DE RECEITAS. A existência de depósitos bancários não escriturados autoriza a presunção de omissão de receitas. MULTA AGRAVADA. NÃO ATENDIMENTO À INTIMAÇÃO. No arbitramento dos lucros, configurase incabível o agravamento da multa, porque não se pode agravar a penalidade com base, justamente, no fundamento do arbitramento. JUROS. TAXA SELIC. Fl. 364DF CARF MF Emitido em 08/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/07/2011 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Assinado digitalmente em 18/07/2011 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, 03/08/2011 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO Processo nº 10730.004191/200420 Acórdão n.º 110200.475 S1C1T2 Fl. 283 5 Não compete à Autoridade Administrativa se pronunciar sobre a inconstitucionalidade ou a ilegalidade de lei, pois essa competência foi atribuída pela Constituição Federal, em caráter privativo, ao Poder Judiciário. Assunto: Outros Tributos ou Contribuições Anocalendário: 2001 TRIBUTAÇÃO REFLEXA. PIS. CSLL. COFINS. Aplicase ao lançamento reflexo o mesmo tratamento dispensado ao lançamento matriz, em razão da relação de causa e de efeito que os vincula.” Cientificada desta decisão em 17.08.2007, conforme AR de fls. 249, e com ela inconformada, a contribuinte interpôs recurso voluntário em 12.09.2007, fls. 250 a 277, no qual reprisa os argumentos expostos por ocasião da inicial, exceto com relação à multa de ofício, já reduzida pela decisão de piso, e renova os pedidos ali feitos de aplicação da interpretação benigna, de anulação do lançamento por ausência de fundamentação fática, de improcedência do lançamento, e de exclusão da taxa Selic. É o relatório. Voto Conselheiro João Otávio Oppermann Thomé, Relator. O recurso é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. Quanto ao pedido de anulação do lançamento por ausência de fundamentação fática, cumpre observar que, nos termos do artigo 59 do Decreto nº 70.235/72 – PAF, que rege o processo administrativo fiscal, somente ensejam a nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Nenhuma destas circunstâncias ocorreu no caso concreto. Assim, eventuais erros ou equívocos na apuração dos tributos, ou na descrição e enquadramento dos fatos à hipótese tributária prevista na norma, devem ser enfrentados como matéria de mérito, o que pode levar à insubsistência parcial, ou até, em certos casos, total, do crédito lançado, mas nunca à sua nulidade. Sustenta a recorrente que a fiscalização não poderia ter arbitrado o seu lucro, pois não foi apontado nenhum vício, erro ou deficiência na sua escrituração que a tornasse imprestável para a apuração do lucro real. Dispõe o art. 45 da Lei nº 8.981, de 1995, que a pessoa jurídica optante pelo regime de tributação com base no lucro presumido deve manter escrituração contábil nos termos da legislação comercial, ou então o livro Caixa, no qual deverá estar escriturado toda a movimentação financeira, inclusive bancária, além de manter, em boa guarda e ordem, todos os documentos que serviram de base para a sua escrituração. Fl. 365DF CARF MF Emitido em 08/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/07/2011 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Assinado digitalmente em 18/07/2011 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, 03/08/2011 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO Processo nº 10730.004191/200420 Acórdão n.º 110200.475 S1C1T2 Fl. 284 6 Descumpridos tais requisitos, deve o lucro da pessoa jurídica ser arbitrado, consoante o disposto no art. 47 da mesma lei, que está assim redigido: “Art. 47. O lucro da pessoa jurídica será arbitrado quando: (...) II a escrituração a que estiver obrigado o contribuinte revelar evidentes indícios de fraude ou contiver vícios, erros ou deficiências que a tornem imprestável para: a) identificar a efetiva movimentação financeira, inclusive bancária; ou b) determinar o lucro real.” A recorrente afirma que a sua receita equivale tão somente a algo entre 5 e 8% do total comercializado, e que a origem da maior parte dos depósitos bancários estaria nos valores recebidos dos compradores pelas aquisições de pescado às empresas pesqueiras, entretanto, ela mesma reconhece não possuir nenhum documento comprobatório de ditas operações, alegando ser normal a ausência de documentação fiscal neste ramo de negócio. Além disto, a contabilidade por ela mantida não respalda suas alegações, pois sua movimentação bancária simplesmente não foi escriturada. De se observar que a movimentação financeira da recorrente era superior à receita declarada na DIPJ “para mais de, aproximadamente, 1.500%”, conforme consta dos autos. Para arrematar, a própria recorrente reconheceu estar impossibilitada de reconstituir sua escrituração contábil de sorte a incluir a movimentação financeira bancária. Portanto, correta a opção da fiscalização pelo arbitramento como forma de apuração da base de cálculo do IRPJ e CSLL. Nesta modalidade de apuração, a receita bruta conhecida é o parâmetro por excelência a ser adotado, sobre ele aplicandose um percentual de arbitramento, conforme a atividade da empresa. No caso, foi adotada como receita conhecida a receita omitida (depósitos bancários de origem não comprovada) e a receita declarada. Sustenta a recorrente que a legislação não permite o lançamento com base na simples soma dos depósitos bancários, pois estes não configuram fato gerador de imposto, e que a fiscalização teria de aprofundar as investigações e vincular os depósitos não escriturados com alguma receita não escriturada. Não lhe assiste razão. A norma que fundamentou o lançamento fiscal por omissão de receitas é o artigo 42 da Lei nº 9.430/96, que estabeleceu uma presunção legal específica, e cujo caput está assim redigido: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Tratase, como é cediço, de presunção legal relativa, que admite prova em contrário. Mas essa prova cabe à recorrente. Ao Fisco cabe apenas provar o fato indiciário, definido na lei como necessário e suficiente ao estabelecimento da presunção, qual seja, a Fl. 366DF CARF MF Emitido em 08/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/07/2011 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Assinado digitalmente em 18/07/2011 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, 03/08/2011 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO Processo nº 10730.004191/200420 Acórdão n.º 110200.475 S1C1T2 Fl. 285 7 ocorrência de depósitos bancários de origem não comprovada. Não há dúvidas de que os depósitos efetivamente ocorreram. No entanto, regularmente intimada, a recorrente poderia ter afastado a presunção legal em comento, desde que apresentasse, nos termos da lei, documentação hábil e idônea que comprovasse, individualizadamente, a origem dos valores creditados em sua contacorrente, mas nada fez. A recorrente alega ainda que a fiscalização tributou todos os valores creditados nas contas bancárias questionadas, sem expurgar os valores que não corresponderiam a depósitos de titularidade da recorrente, quais sejam, aqueles repassados aos armadores de pesca, e que a confirmação dos recebimentos pelas empresas de pesca poderia ser facilmente levantada pela Receita Federal, uma vez que tais pagamentos são efetuados mediante cheques nominais a seus titulares. Contudo, em razão da inversão do ônus da prova, cabia à recorrente provar que os depósitos bancários ocorridos em suas contas bancárias não representariam receita, entretanto, conforme já referido, ela não juntou um único elemento de prova de que qualquer valor depositado em suas contas não lhe pertencesse, antes pelo contrário, expressamente reconheceu a inexistência de qualquer documentação de suporte, argumentando ser esta uma prática normal neste ramo de negócio. A jurisprudência administrativa colacionada pela recorrente, por sua vez, no sentido de que, para caracterizar a omissão de receitas, teria de haver uma demonstração de nexo causal entre os depósitos bancários e a receita omitida, não mais tem aplicação, uma vez que fundada em autuações fiscais promovidas ainda sob a égide do § 5°, do art 8°, da Lei n° 8.021/90. Portanto, o procedimento e autuação fiscal seguiram estritamente o que prevê a legislação, pelo que improcedem as alegações genéricas de que a exigência teria sido formalizada em contrariedade à lei e à evidência das provas, ou de que a base de cálculo adotada seria de todo irreal e ilegal. Contesta ainda a recorrente a aplicação retroativa da Lei 10.174/2001, que permitiu a utilização dos dados da CPMF para fins de constituição de crédito tributário diverso, entretanto, tal matéria já se encontra pacificada por meio de súmula, com efeito vinculante a todos os órgãos da administração tributária federal, conforme Portaria MF nº 383, de 12.07.2010 (DOU de 14.07.2010), com o seguinte teor: “Súmula CARF nº 35: O art. 11, § 3º, da Lei nº 9.311/96, com a redação dada pela Lei nº 10.174/2001, que autoriza o uso de informações da CPMF para a constituição do crédito tributário de outros tributos, aplicase retroativamente.” De se ressaltar ainda que, no caso concreto, os extratos bancários foram entregues em mãos, pela recorrente, conforme consta dos autos. Protesta ainda a recorrente que a CSLL lançada de ofício deverá ser deduzida da base de cálculo do IRPJ lançado, e colaciona jurisprudência do Conselho de Contribuintes neste sentido. Ocorre que o precedente por ele citado referese a contribuinte tributado pelo lucro real. Além disto, é relativo a período anterior à edição da Lei nº 9.316, de 22 de novembro de 1996, a qual tornou completamente inviável tal pretensão, mesmo no caso de contribuinte tributado pelo lucro real, em face do seu artigo 1º, que assim dispõe: Fl. 367DF CARF MF Emitido em 08/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/07/2011 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Assinado digitalmente em 18/07/2011 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, 03/08/2011 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO Processo nº 10730.004191/200420 Acórdão n.º 110200.475 S1C1T2 Fl. 286 8 “Art. 1º O valor da contribuição social sobre o lucro líquido não poderá ser deduzido para efeito de determinação do lucro real, nem de sua própria base de cálculo. Parágrafo único. Os valores da contribuição social a que se refere este artigo, registrados como custo ou despesa, deverão ser adicionados ao lucro líquido do respectivo período de apuração para efeito de determinação do lucro real e de sua própria base de cálculo.” De qualquer sorte, no caso concreto, o contribuinte está sendo tributado pela modalidade do lucro arbitrado, e nesta não há qualquer previsão legal no sentido de que o valor da contribuição social possa ser deduzido do imposto de renda apurado. Quanto à inconformidade da recorrente com a aplicação da taxa Selic, tal questão dispensa maiores considerações a respeito, em razão de se encontrar devidamente pacificada por meio de súmula, de observação obrigatória no âmbito deste Colegiado, e que a seguir se transcreve: “Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais.” Quanto aos lançamentos decorrentes ou reflexos, tendo em vista que efetuados em razão dos mesmos fatos que deram origem ao lançamento principal, devese aplicar a eles a mesma decisão adotada quanto à exigência do IRPJ, em razão da íntima relação de causa e efeito que os vincula. Pelo exposto, rejeito a preliminar, e nego provimento ao recurso. É como voto. Documento assinado digitalmente. João Otávio Oppermann Thomé Relator Fl. 368DF CARF MF Emitido em 08/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/07/2011 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Assinado digitalmente em 18/07/2011 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, 03/08/2011 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO
score : 1.0
Numero do processo: 10855.900479/2008-44
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 26 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu May 26 00:00:00 UTC 2011
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
PROCURAÇÃO. ASPECTO FORMAL.
É regular a representação processual, no caso de o instrumento de mandato apresentado junto com a manifestação de inconformidade ser comprovado com robusta documentação, ainda que acostada aos autos em sede de recursal de modo a ratificar constituição de procuradores.
Numero da decisão: 1302-000.586
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª câmara / 2ª turma ordinária da primeira SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, acolher a regularidade da representação processual e anular a decisão de primeira instância, nos termos do relatório e do voto que deste formam parte integrante.
Nome do relator: LAVINIA MORAES DE ALMEIDA NOGUEIRA JUNQUEIRA
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ASPECTO FORMAL. É regular a representação processual, no caso de o instrumento de mandato apresentado junto com a manifestação de inconformidade ser comprovado com robusta documentação, ainda que acostada aos autos em sede de recursal de modo a ratificar constituição de procuradores. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª câmara / 2ª turma ordinária da primeira SSEEÇÇÃÃOO DDEE JJUULLGGAAMMEENNTTOO, por unanimidade de votos, acolher a regularidade da representação processual e anular a decisão de primeira instância, nos termos do relatório e do voto que deste formam parte integrante. MARCOS RODRIGUES DE MELLO Presidente. LAVINIA MORAES DE ALMEIDA NOGUEIRA JUNQUEIRA Relatora. EDITADO EM: 18/10/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Rodrigues de Mello, Irineu Bianchi, Wilson Fernandes Guimarães, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Lavinia Moraes de Almeida Nogueira Junqueira, André Ricardo Lemes da Silva. Relatório Fl. 894DF CARF MF Emitido em 29/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/10/2011 por LAVINIA MORAES DE ALMEIDA NOGU, Assinado digitalmente em 29/11/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 18/10/2011 por LAVINIA MORAES DE ALMEIDA NOGU 2 A Recorrente formalizou a Declaração de Compensação (DComp) para compensar contribuição social recolhida a maior do anocalendário de 2003 com estimativa devida do mês de janeiro de 2004. A compensação foi indeferida por Despacho Decisório Eletrônico, que entendeu inexistir crédito a compensar. Ciente da decisão, a empresa apresentou a manifestação de inconformidade, argumentando em síntese que discorda da conclusão da análise do pedido. Alega que pagou contribuição social por estimativa em 2003 tendo apurado contribuição paga a maior no final do período de apuração anual, conforme demonstra sua DIPJ. Esse foi o crédito que compensou. Por isso, a contribuinte pediu deferimento para que a decisão fosse revista e a cobrança indevida fosse cancelada. A 5ª TURMA/DRJ/POR/SP não conheceu a manifestação de inconformidade pois entendeu que a representação processual da parte estava irregular e que não restaram comprovados os poderes do representante para agir em defesa da interessada no processo administrativo fiscal. Notificada da decisão, a empresa recorreu a este Conselho, juntando ao processo as procurações dos diretores e do advogado que representou de forma legal e inconteste a Recorrente. Esclareceu a interessada que a própria manifestação de inconformidade fora assinada pelos diretores da empresa. Nos termos do parágrafo 3º. do Contrato Social eles têm plenos poderes para administrar e representar a empresa, inclusive poderes para nomear procuradores. No mérito a contribuinte defende que possui os créditos de contribuição social paga a maior e alega que tal fato só não ficou evidente para a autoridade fiscal pois a empresa, por equívoco, deixou de informar em sua DCTF os valores de estimativa de 2003 que efetivamente quitou por meio de compensações processadas tempestivamente. Apresentou documentos adicionais que seriam capazes de demonstrar os equívocos no preenchimento da DCTF: MEMÓRIAS DE CALCULO e LALUR, DIPJ e DCTF, bem como, DARF's e PER/DCOMP's. Nestes termos, pediu a recorrente o recebimento, análise e deferimento de seu recurso. É o Relatório. Voto Conselheira Lavinia Moraes de Almeida Nogueira Junqueira Recebo o recurso voluntário tempestivo. Acompanho decisão da ilustre Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, no processo 10855.900500/200810. Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, prevê: Art. 22. Os atos do processo administrativo não dependem de forma determinada senão quando a lei expressamente a exigir. § 1o Os atos do processo devem ser produzidos por escrito, em vernáculo, com a data e o local de sua realização e a assinatura da autoridade responsável. § 2o Salvo imposição legal, o reconhecimento de firma somente será exigido quando houver dúvida de autenticidade. § 3o A autenticação de documentos exigidos em cópia poderá ser feita pelo órgão administrativo. O Decreto nº 6.932, de 11 de agosto de 2009, determina: Fl. 895DF CARF MF Emitido em 29/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/10/2011 por LAVINIA MORAES DE ALMEIDA NOGU, Assinado digitalmente em 29/11/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 18/10/2011 por LAVINIA MORAES DE ALMEIDA NOGU Processo nº 10855.900479/200844 Acórdão n.º 1302000.586 S1C3T2 Fl. 854 3 Art. 9o Salvo na existência de dúvida fundada quanto à autenticidade e no caso de imposição legal, fica dispensado o reconhecimento de firma em qualquer documento produzido no Brasil destinado a fazer prova junto a órgãos e entidades da administração pública federal, quando assinado perante o servidor público a quem deva ser apresentado. Art. 10. A juntada de documento, quando decorrente de disposição legal, poderá ser feita por cópia autenticada, dispensada nova conferência com o documento original. § 1o A autenticação poderá ser feita, mediante cotejo da cópia com o original, pelo próprio servidor a quem o documento deva ser apresentado. Em relação à apresentação da peça de defesa, a Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) orienta no seguinte sentido: a) Requerimento de impugnação, opcionalmente, poderá seguir o MODELO DE IMPUGNAÇÃO PESSOA JURÍDICA, em duas vias e assinado ,conforme for o caso, por uma das pessoas mencionadas no item QUEM PODE REQUERER ou procurador habilitado. Nota: Mencionar no requerimento de impugnação o número do processo administrativo que, porventura, esteja em andamento. ( Exemplo: auto de infração lavrado por Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil, já existe processo, portanto, não formalizar outro processo ). Se o requerimento for assinado por procurador, apresentar: Cópia, autenticada ou acompanhada do original, de procuração particular com firma reconhecida ou de procuração pública. Deverá ser apresentado documento original e cópia simples deste, que comprove a assinatura do outorgado. b) Original e cópia simples de documento de identidade do requerente/outorgante que permita sua identificação e conferência de assinatura; c) Apresentar documento que permita comprovar que o requerente/outorgante tem legitimidade para solicitar a impugnação, como por exemplo original e cópia simples do Ato Constitutivo (contrato social , estatuto e ata) e última alteração; http://www.receita.fazenda.gov.br/GuiaContribuinte/Impugnacao/ImpugDocPJ.htm, acesso em 12/04/2011 A representação da parte está adequadamente comprovada conforme Contrato Social apresentado junto com a manifestação de inconformidade, Cláusula 7, Procuração assinada pelo Controller João Carlos Rodrigues, que acompanha a manifestação de inconformidade, cópia autenticada da Carteira de Identidade de Economista do Controller João Carlos Rodrigues, cópia da 6ª Alteração do Contrato Social e cópia autenticada da Carteira de Identidade do Advogado. No Recurso, assinado pelo Controller João Carlos Rodrigues, por Clemente Paiva e pelo Dr. Almir Rogério Bechelli (advogado), consta cópia da procuração assinada pelo Controller João Carlos Rodrigues e por Clemente Paiva com firmas reconhecidas, ambos nomeados procuradores mediante procuração pública, em que a Recorrente está representada pelos seus diretores Marcos Giavina Bianchi e João Carlos Rodrigues. Fl. 896DF CARF MF Emitido em 29/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/10/2011 por LAVINIA MORAES DE ALMEIDA NOGU, Assinado digitalmente em 29/11/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 18/10/2011 por LAVINIA MORAES DE ALMEIDA NOGU 4 É regular a representação processual e goza de presunção de legitimidade até prova em contrário. Ainda mais porque o instrumento de mandato apresentado junto com a manifestação de inconformidade foi comprovado verdadeiro com robusta documentação, acostada aos autos em sede de recursal. Analisando o conjunto probatório verificase que a sociedade está validamente representada pela assinatura conjunta dos diretores, mediante procuração pública, nos termos do § 4º da cláusula 7ª do Contrato Social. Tal procuração habilita os advogados Maldi Maurutto e Almir Rogério Bechelli a praticarem todos os atos do processo. Em face do exposto voto por acolher a preliminar de nulidade para afastar a irregularidade da representação processual e anular a decisão de primeira instância administrativa, de tal sorte que a autoridade julgadora de primeira instância possa proferir nova decisão examinando as demais matérias constantes na manifestação de inconformidade. Lavinia Moraes de Almeida Nogueira Junqueira Fl. 897DF CARF MF Emitido em 29/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/10/2011 por LAVINIA MORAES DE ALMEIDA NOGU, Assinado digitalmente em 29/11/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 18/10/2011 por LAVINIA MORAES DE ALMEIDA NOGU
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