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Numero do processo: 16327.721201/2013-24
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 25 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Apr 22 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3401-001.804
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento em diligência, para que a autoridade lançadora promova a intimação do contribuinte para demonstrar detalhadamente qual a natureza da conta 7.1.9.00.00.5 (outras receitas operacionais), elaborando a fiscalização relatório conclusivo sobre eventual afetação da base de cálculo em função da diligência, concedendo-se 30 dias para manifestação da recorrente. Vencidos os Conselheiros Mara Cristina Sifuentes (relatora) e Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, que votaram por dar parcial provimento ao recurso, para excluir da apuração as receitas registradas na rubrica "Rendas de Participação (COSIF 7.1.8.00.00.2). Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan Presidente
(assinado digitalmente)
Mara Cristina Sifuentes Relatora
(assinado digitalmente)
Leonardo Ogassawara de Araújo Branco - Redator designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rosaldo Trevisan (Presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (Vice-Presidente), Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antônio Souza Soares, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Rodolfo Tsuboi (suplente convocado), e Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (suplente convocado).
Relatório
Nome do relator: MARA CRISTINA SIFUENTES
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Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento em diligência, para que a autoridade lançadora promova a intimação do contribuinte para demonstrar detalhadamente qual a natureza da conta 7.1.9.00.00.5 (outras receitas operacionais), elaborando a fiscalização relatório conclusivo sobre eventual afetação da base de cálculo em função da diligência, concedendose 30 dias para manifestação da recorrente. Vencidos os Conselheiros Mara Cristina Sifuentes (relatora) e Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, que votaram por dar parcial provimento ao recurso, para excluir da apuração as receitas registradas na rubrica "Rendas de Participação (COSIF 7.1.8.00.00.2). Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan – Presidente (assinado digitalmente) Mara Cristina Sifuentes – Relatora (assinado digitalmente) Leonardo Ogassawara de Araújo Branco Redator designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rosaldo Trevisan (Presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (VicePresidente), Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antônio Souza Soares, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Rodolfo Tsuboi (suplente convocado), e Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (suplente convocado). RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 63 27 .7 21 20 1/ 20 13 -2 4 Fl. 808DF CARF MF Processo nº 16327.721201/201324 Resolução nº 3401001.804 S3C4T1 Fl. 257 2 Relatório Tratase de lançamento de PIS/Pasep e Cofins, período janeiro/2009 a dezembro/2010, para exigência das receitas típicas da atividade exercida pelo contribuinte. Narra a fiscalização que o contribuinte ingressou com dois mandados de segurança (2005.61.00027.6612 e 2005.61.00.0276624) para discutir a inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718/98 e seus efeitos sobre o PIS/Pasep e Cofins, obtendo, em ambas, decisão favorável, ainda pendente de trânsito em julgado, para não se sujeitar ao dispositivo em comento. No entanto, só foram oferecidas à tributação as rendas de prestação de serviços, quando a base de cálculo correta, à luz da legislação de regência, com o afastamento da Lei nº 9.718/98, englobaria a totalidade da remuneração resultante do exercício de suas atividades (cobrança de tarifas e intermediação financeira). A impugnação, após abordar a situação das ações judiciais, asseverou que a hipótese do lançamento se enquadraria no art. 63 da Lei nº 9.430/96 e, em seguida, que houve violação à coisa julgada; que o faturamento, segundo as decisões judiciais vigentes, alcançariam somente as receitas da venda de mercadorias e prestação de serviços; que, no caso do PIS/Pasep, segundo os arts. 1º e 3º da LC 07/70, a base de cálculo seria o valor do IRPJ devido no exercício, e, que no conceito de faturamento definido pelo STF estão excluídas as receitas financeiras. A DRJ Porto Alegre/RS julgou a impugnação improcedente: “PIS. BASE DE CÁLCULO. INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. A declaração de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei 9.718/98 não alcança as receitas típicas das instituições financeiras. As receitas oriundas da atividade operacional (receitas financeiras) compõem o faturamento das instituições financeiras e há incidência da contribuição sobre este tipo de receita, pois elas são decorrentes do exercício de suas atividades empresariais. COFINS. BASE DE CÁLCULO. INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. A declaração de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei 9.718/98 não alcança as receitas típicas das instituições financeiras. As receitas oriundas da atividade operacional (receitas financeiras) compõem o faturamento das instituições financeiras e há incidência da contribuição sobre este tipo de receita, pois elas são decorrentes do exercício de suas atividades empresariais. MULTA DE OFÍCIO. APLICABILIDADE. Constatado que os presentes lançamentos não se encontram com a sua exigibilidade suspensa, não são aplicáveis ao caso as disposições contidas no artigo 63 da Lei n° 9.430/96, devendo ser mantida a multa de ofício lançada por expressa previsão legal.” O recurso voluntário sustentou contradição entre os entendimentos da fiscalização e da DRJ/POA em relação à argumentação da PFN em juízo; que ouve violação à Fl. 809DF CARF MF Processo nº 16327.721201/201324 Resolução nº 3401001.804 S3C4T1 Fl. 258 3 coisa julgada, que lhe garantiu a incidência das contribuições tãosomente sobre as receitas advindas da prestação de serviços, vendas de mercadorias ou combinação de ambos, citando doutrina e jurisprudência; que as receitas financeiras não se incluem na base de cálculo das contribuições; que o STF equiparou faturamento a receita bruta e não à receita operacional; que houve indevida inclusão de receitas de participação (COSIF 7.1.8.00.00.2), expressamente dedutível da apuração, consoante art. 22, VII do Decreto nº 4.524/02; que a receita bruta foi equiparada às receitas da atividade somente com o advento da MP 627/2013, não podendo ser aplicada retroativamente; e, que descabe a multa de ofício imposta, ante as disposições dos art. 63 da Lei nº 9.430/96. A 1ª Turma Ordinária/4ª Câmara/3ª SEJUL/CARF/MF, através do Acórdão nº 3401002918, julgado em 25/02/2015, por maioria de votos, vencidos os Cons. Eloy Eros da Silva Nogueira (Relator) e Robson José Bayerl, reconheceu a concomitância e afastou a multa de ofício aplicada: “COFINS. CONCOMITÂNCIA. SUMULA CARF N. 001. A identidade entre o objeto do auto de infração e o objeto da ação judicial configura concomitância, aplicandose ao caso o disposto na Súmula CARF n. 001, impondo não se conhecer do recurso voluntário. EQUIPARAÇÃO DA ATIVIDADE DE ‘INTERMEDIAÇÃO FINANCEIRA’ DE BANCOS A SERVIÇOS. IMPOSSIBILIDADE A atividade bancária típica, consistente no empréstimo a juros de recursos captados de depositantes, não consistindo numa obrigação de fazer, não corresponde a um serviço prestado. PIS. CONCOMITÂNCIA. SUMULA CARF N. 001. A identidade entre o objeto do auto de infração e o objeto da ação judicial configura concomitância, aplicandose ao caso o disposto na Súmula CARF n. 001, impondo não se conhecer do recurso voluntário. EQUIPARAÇÃO DA ATIVIDADE DE ‘INTERMEDIAÇÃO FINANCEIRA’ DE BANCOS A SERVIÇOS. IMPOSSIBILIDADE A atividade bancária típica, consistente no empréstimo a juros de recursos captados de depositantes, não consistindo numa obrigação de fazer, não corresponde a um serviço prestado. MULTA DE OFÍCIO. INAPLICABILIDADE. Constatado que os presentes lançamentos se encontram com a sua exigibilidade suspensa, são aplicáveis ao caso as disposições contidas no artigo 63 da Lei n° 9.430/96, devendo, por expressa previsão legal, não ser mantida a multa de ofício lançada.” Em que pese a redação da ementa, o colegiado apenas reconheceu a concomitância e o afastamento da multa, segundo o dispositivo do julgado: “Acordam os membros do colegiado, por maioria, dar parcial provimento ao recurso para reconhecer a concomitância e afastar a multa de ofício lançada. Vencidos os Conselheiros Robson José Bayerl e Eloy Eros da Silva Nogueira. Designado o Conselheiro Júlio César Alves Ramos para redigir o acórdão.” Fl. 810DF CARF MF Processo nº 16327.721201/201324 Resolução nº 3401001.804 S3C4T1 Fl. 259 4 A Fazenda Nacional interpôs recurso especial e a Câmara Superior de Recursos Fiscais – CSRF, por sua 3ª Turma, reverteu a decisão reclamada, reconhecendo a inexistência de concomitância e devolvendo o feito para decisão sobre o meritum causae, como se extrai do Acórdão nº 9303005.470, de 27/07/2017: “PROCESSO JUDICIAL E ADMINISTRATIVO. CONCOMITÂNCIA. A propositura pelo contribuinte de ação judicial contra a Fazenda, antes ou após a autuação, com o mesmo objeto, importa renúncia às instâncias administrativas. Não sendo idênticos os objetos, não há como reconhecer configurada a concomitância entre os processos judiciais e administrativos. PROCESSO JUDICIAL E ADMINISTRATIVO. CONCOMITÂNCIA NÃO RECONHECIDA. Não reconhecida a concomitância entre os processos judicial e administrativo pelo Colegiado ad quem, devem os autos retornar ao Colegiado a quo para que aprecie o mérito do litígio.” É o relatório. Voto Vencido Conselheira Mara Cristina Sifuentes, Relatora. A aferição dos pressupostos de admissibilidade do recurso voluntário já foi, a seu tempo, realizada. Inicialmente cumpre aclarar que as alegações de violação à coisa julgada ou o alcance das decisões proferidas nos MS 2005.61.00027.6612 e 2005.61.00.0276624 na apuração do PIS/Pasep e Cofins, sob discussão, não serão novamente enfrentadas, em virtude do exaurimento do contencioso administrativo a seu respeito, por serem essas matérias decisão administrativa irreformável, uma vez reconhecida a não coincidência dos objetos da ação judicial e do processo administrativo. Assim resta a esse julgamento a incidência do PIS/Pasep e Cofins sobre as receitas oriundas do exercício das atividades típicas do objeto social da pessoa jurídica, e o cabimento da multa de ofício sobre os valores lançados. Por ocasião da prolação do Acórdão 3401002.918, o relator à época, Cons. Eloy Eros, votou pelo parcial provimento do recurso, apenas para excluir as rendas provenientes de participação (COSIF 7.1.8.00.00.2), consignando as razões do seu voto da seguinte maneira: “Sobre as receitas de intermediação financeira serem parte da base de tributação do PIS e da COFINS: A autoridade fiscal estabelece as razões para os lançamentos a partir da constatação de que a contribuinte não inclui na base de cálculo dessas contribuições as receitas referentes às seguintes contas: ∙Rendas de operações de créditos; ∙Rendas de câmbio; ∙Rendas de aplicação interfinanceira de liquidez; ∙Rendas de titulo de renda fixa; Fl. 811DF CARF MF Processo nº 16327.721201/201324 Resolução nº 3401001.804 S3C4T1 Fl. 260 5 ∙Rendas de Participações; ∙Outras receitas operacionais; Consoante o que informa em seu termo, para a autoridade lançadora: (a) as receitas registradas nessas contas são provenientes de atividade central da contribuinte e elas não foram excluídas da base de cálculo do PIS e da COFINS pela declaração de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei n. 9.718, de 1998; (b) que a contribuinte é uma instituição financeira e apenas presta serviços que abarcam os denominados serviços bancários e as denominadas intermediações financeiras de modo que as receitas de prestação de serviços abrangeria as receitas dos serviços bancário, por exemplo, pela cobrança de tarifas, e também as receitas advindas das operações bancárias cita o Parecer PGFN CAT n. 2.773/2007; ( c) e que as ações judiciais ingressadas pelo contribuinte não decidem em contrário a esse entendimento. A contribuinte se posiciona em contrário. Segundo sua impugnação e seu recurso nestes autos, para ela, as receitas de intermediação financeira estariam abarcadas pela tentativa de alargamento da base de cálculo dessas contribuições através do § 1º do artigo 3º da Lei n. 9.718 de 1998, e que foi considerado inconstitucional pelo STF. De fato, à mais Alta Corte continuam sendo encaminhados pedidos para os Ministros profiram decisões para esclarecer o alcance daquela declaração de inconstitucionalidade e esclarecer o que compõe a base de cálculo dessas contribuições, e pedidos para que eles profiram novas decisões sobre esses tópicos para situações ou fatos aparentemente por ela não alcançados. Este é o caso, a meu ver, do RE 609.096/RS, que aguarda apreciação pelos Ministros e se refere à definição de quais são as receitas auferidas por instituições financeiras que devem sofrer a incidência dessas contribuições. Após ler e analisar várias decisões proferidas pelo STF, e as transcrições de alguns dos diálogos entre os Ministros nesses julgamentos, se referindo à inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei n. 9.718, de 1998, e sobre a definição da base de cálculo do PIS e da COFINS, tais como, por exemplo, na ADCon n. 011/DF, RE 390.8405/MG, RE 346.084/PR, RE 150.755, e outros, tenho o entendimento e convicção que o STF considerou inconstitucional aquele § acima citado no que ele pretendia ampliar o conceito de receita bruta para alcançar a totalidade das receitas ganhas pelo contribuinte por exemplo: juntando as receitas operacionais e as não operacionais ; e que para os Ministros haveria uma sinonímia entre receita bruta e faturamento. E que o alargamento da base de cálculo implicaria em nela incluir as demais receitas que não são decorrentes das atividades empresariais, das suas atividades operacionais correntes, e que isso não seria admissível na forma como foi feito, por isso sua invalidação pelo STF. Como exemplo, eles citam as receitas de alugueis, royalties, ingressos financeiros, juros e outras, que não seria derivadas das atividades típicas da pessoa jurídica, mas seriam receitas eventuais, que não corresponderiam ao seu negócio ou objeto social. Senhores Conselheiros, deixo de reproduzir os trechos dos diálogos dos Ministros do STF e das decisões por ele proferidas a que me refiro, Fl. 812DF CARF MF Processo nº 16327.721201/201324 Resolução nº 3401001.804 S3C4T1 Fl. 261 6 por saber serem eles de vosso pleno conhecimento, e também para não estender este voto para além do necessário. Mas, não se pode ter dúvida que, até o momento, para as instituições financeiras, as receitas de intermediação financeira não foram positiva e inequivocamente excluídas do campo de incidência do PIS e da COFINS pelas Mais Elevadas Cortes. E repito, concorre para essa certeza o fato de termos o RE 609.096/RS aguardando oportunidade para proporcionar essa tsunâmica pacificação. Portanto, não pode prosperar a afirmação da recorrente que a decisão do STF que declarou a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei n. 9.718, de 1998, definiu que as receitas de intermediação financeira auferidas pelas instituições financeiras estariam excluídas da base de cálculo do PIS e da COFINS. As instituições financeiras têm como atividades centrais a captação, a intermediação e a aplicação de recursos financeiros próprios ou de terceiros e também a custódia de valores de propriedade de terceiros. Essas atividades são regulamentadas e supervisionadas pelo Estado, e são desenvolvidas por agentes especialistas. Essa especialidade é uma competência que proporciona ao conjunto das instituições financeiras aptidão para compor um sistema financeiro integrado e nacional. Esses serviços especializados devem ser valorizados. Nesse âmbito, as instituições financeiras são remuneradas pelos seus serviços de intermediação. O mais evidente critério de remuneração está na diferença entre o que ele cobra para emprestar recurso financeiro a terceiro e o que ele paga para captar recurso financeiro. As atividades bancárias são, de fato, serviços que são prestados, e eles incluem os serviços de intermediação financeira. Esta visão está compatível com a estabelecida em acordo internacional, ou seja, com o entendimento das nações, das instituições internacionais, dos entes especialistas de inúmeros países: o Anexo V do GATT (Rodada de Uruguai) com o Acordo Geral de Comércio e Serviços reconhecem e estabelecem que as atividades bancárias são, em sua natureza, serviços prestados a seus clientes, à sociedade. De modo que pareceme correto o entendimento da autuação e dos julgadores a quo que as receitas de serviços de intermediação financeira compõem a totalidade das receitas da instituição bancária no cumprimento de seu negócio, de suas atividades típicas, e que elas estão abrangidas nas definições da base de cálculo do PIS e da COFINS. Ademais, também creio congruente a equivalência entre a totalidade das receitas de prestação de serviços (incluindo os de intermediação) com o conceito de receita operacional, na medida que todos os serviços em questão constituem as operações da pessoa jurídica na realização de seu propósito e objeto social. (...) Nessas ponderações abro espaço para expressar minha concordância com a recorrente de que não cabe incluir na base de calculo das contribuições as rendas provenientes de participação (COSIF Fl. 813DF CARF MF Processo nº 16327.721201/201324 Resolução nº 3401001.804 S3C4T1 Fl. 262 7 7.1.8.00.00.2), pois elas estão excluídas conforme dispõe o inciso VII do art. 22 do Decreto n. 4.524, de 2002. Contudo, com relação às outras alegações da recorrente, entendo que elas não procedem, razão porque proponho a este Alto Colegiado seja negado provimento ao recurso voluntário. Tendo em vista essas considerações, proponho não seja aplicada a Súmula CARF n. 1 e seja dado parcial provimento ao recurso voluntário, para apenas excluir da base de calculo das contribuições as rendas provenientes de participação (COSIF 7.1.8.00.00.2), pois elas estão excluídas conforme dispõe o inciso VII do art. 22 do Decreto n. 4.524, de 2002.” (grifos no original) Também no julgamento do Acórdão nº 3401002.873, de 29/01/2015, o relator Conselheiro Robson Bayerl expôs que, afastada a equiparação de faturamento à totalidade das receitas, como impunha o art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718/98, reputado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal, restaria incólume a dicção do caput, consoante o qual o faturamento corresponderia à receita bruta da pessoa jurídica. Com isso restaria afastada a pretensão do recorrente na impugnação, já que foi rechaçada pela decisão de primeira instância administrativa, onde defendeu que a decisão judicial lhe garantiria o cálculo do PIS/Pasep sobre o IRPJ devido no respectivo exercício, com fulcro nos arts. 1º a 3º da Lei Complementar nº 07/70 (PISRepique), isso porque a inconstitucionalidade é parcial e não alcançou a base de cálculo das contribuições, que continua a ser a receita bruta da pessoa jurídica. Quanto a alegação, em recurso voluntário, relativa ao limite objetivo da coisa julgada, formulada pela DRJ, onde defendeu o recorrente que, nos termos do art. 469, I (CPC/73), a coisa julgada somente alcançaria a parte dispositiva da sentença, mas não a sua fundamentação, entendo que não deve ser acolhida. Nas razões de decidir, o magistrado afastou a possibilidade de apuração da contribuição na modalidade PISRepique, de modo que a parte dispositiva deve ser interpretada em consonância com a exposição de raciocínio da decisão, o que aliás restou citado pelo próprio recorrente, em recurso voluntário, no seguinte fragmento do AI 33198/SP, TRF – 3ª Região: “(...) 4. A coisa julgada é a conclusão do raciocínio do juiz, expressa no dispositivo da sentença. Somente o dispositivo faz coisa julgada. A fundamentação, composta pelos motivos de fato e de direito, bem como a verdade dos fatos estabelecida como premissa para o julgamento, não é atingida pelo coisa julgada material, ainda que determinante e imprescindível para demonstrarse o conteúdo da parte dispositiva da sentença. (...)” (destacado) A título de esclarecimento, o trecho do voto condutor da decisão de primeiro grau acerca do tema é o seguinte: “O contribuinte afirma que a sentença proferida nos autos do mandado de segurança do PIS teria assegurado o direito de o impugnante Fl. 814DF CARF MF Processo nº 16327.721201/201324 Resolução nº 3401001.804 S3C4T1 Fl. 263 8 calcular seu valor com fundamento na LC nº 7/70 mediante a aplicação da alíquota de 5% sobre o imposto de renda devido no exercício. Porém, não assiste razão ao contribuinte, uma vez que a decisão judicial de 1ª instância afastou expressamente ‘a antiga sistemática do PIS Repique, prevista na Lei Complementar nº 7/70’. Prosseguindo, ainda, lêse que: ‘as regras previstas na Lei n.° 9.701/98 encontramse vigentes e eficazes, não sendo lícito retomar o regime jurídico previsto na Lei Complementar n.° 07/70’. Muito embora tenha constado do dispositivo a referência à LC 07/70, o texto da decisão ajuda a esclarecer que se está tratando da apuração da base de cálculo, que encontravase sob litígio. Não consta tenha sido apreciada a apelação interposta.” O TRF 3ª Região, inclusive, no exame das apelações interpostas e remessa necessária no MS 2005.61.00027.6612, reverteu a decisão que, em tese, amparava a pretensão do ora recorrente, de apurar o PIS sobre o IRPJ devido, nos moldes da LC 07/70, como se verifica do acórdão juntado à efl. 704: TRIBUTÁRIO PIS INSTITUIÇÃO FINANCEIRA BASE DE CÁLCULO EC 01/94, 10/96 E 17/97 MP 517/94 E REEDIÇÕES ATÉ CONVERSÃO NA LEI 9.701/98 CONSTITUCIONALIDADE (DENEGAÇÃO DA SEGURANÇA IMPETRADA). 1. O artigo 14, § 1º, da Lei n. 12.016/2009 prevalece sobre a disciplina genérica do Código de Processo Civil (CPC, art. 475 e art. 2º, § 2º, da LICC). Reexame necessário tido por interposto. 2. O Órgão Especial desta E. Corte, adotando precedentes da Suprema Corte (RE 595.673, RE 495.724, RE 322.806 e AI 440.336), concluiu pela constitucionalidade das Emendas Constitucionais nº 10/96 e 17/97. 3. Com relação à Medida Provisória 517/94 e reedições, até a conversão na Lei 9.701/98, o Supremo Tribunal Federal as considerou constitucionais no julgamento do RE 346.983/RJ. 4. No tocante à aplicação da Lei 9.718/98 às instituições financeiras, a Suprema Corte manteve incólume o caput do artigo 3º, nos termos do RE 357.950. 5. Remessa oficial e apelação da União providas para denegar a segurança impetrada; apelação do impetrante prejudicada. Relativamente à Cofins, a Lei Complementar nº 70/91, art. 2º, caput, definia receita bruta como o resultado das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza. Também a Lei nº 9.715/98, que disciplinava o PIS/Pasep, ainda que não aplicável o seu regime tributário às instituições financeiras, por força de seu art. 12, não divergia quanto ao conceito de faturamento, qualificandoo, em seu art. 3º, como a receita bruta, tal qual definida na legislação do Imposto de Renda, proveniente da venda de bens nas operações de conta própria, do preço dos serviços prestados e do resultado auferido nas operações de conta alheia. Fl. 815DF CARF MF Processo nº 16327.721201/201324 Resolução nº 3401001.804 S3C4T1 Fl. 264 9 Da mesma forma a legislação do IRPJ, nos termos dos arts. 224 e 279 do Decreto nº 3.000/99 (RIR/99) – arts. 44 da Lei nº 4.506/64 e 12 do DecretoLei nº 1.598/77. Já a Lei nº 9.701/98, dispunha no mesmo sentido, pois, em seu artigo primeiro, estabelecia que a apuração do PIS/Pasep para instituições financeiras se daria sobre a receita operacional bruta do mês, com os abatimentos listados: “Art.1o Para efeito de determinação da base de cálculo da Contribuição para o Programa de Integração SocialPIS, de que trata o inciso V do art. 72 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias, as pessoas jurídicas referidas no § 1º do art. 22 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, poderão efetuar as seguintes exclusões ou deduções da receita bruta operacional auferida no mês: (...)” (grifado) Seja como for, não se pode inferir, que a declaração de inconstitucionalidade tenha repelido a acepção de faturamento como equivalente ao resultado da atividade operacional do sujeito passivo, como defende o recorrente. Essa conclusão se assenta nas razões de decidir expostas nos Recursos Extraordinários 346.084, 357.950, 358.273 e 390.840, que, mesmo declarando incidentalmente a inconstitucionalidade do § 1º, do art. 3º da Lei nº 9.718/98, estabeleceram, na linha da jurisprudência do STF, que as expressões “faturamento” e “receita bruta” englobariam o somatório das receitas oriundas do exercício da atividade empresarial, como se extrai do voto condutor do RE 390.840, Ministro Marco Aurélio: “Quanto ao caput do art. 3º, julgoo constitucional, para lhe dar interpretação conforme à Constituição, nos termos do julgamento proferido no RE nº 150.755/PE, que tomou a locução receita bruta como sinônimo de faturamento, ou seja, no significado de “receita bruta de venda de mercadoria e de prestação de serviços”, adotado pela legislação anterior, e que, a meu juízo, se traduz na soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais.” (sublinhado) Reafirmando essa posição jurisprudencial, posteriormente o Supremo Tribunal Federal fixou que a expressão “receita bruta de venda de mercadoria e de prestação de serviços” corresponderia à soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais, como registrado nos Recursos Extraordinários nºs 371.258/SP e 400.479/RJ, este último trata de pessoa jurídica do ramo financeiro, cuja seguinte passagem reproduzo: “Seja qual for a classificação que se dê às receitas oriundas dos contratos de seguro, denominados prêmios, o certo é que tal não implica na sua exclusão da base de incidência das contribuições para o PIS e COFINS, mormente após a declaração de inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98 dada pelo Plenário do STF. É que, conforme expressamente fundamentado na decisão agravada, o conceito de receita bruta sujeita à exação tributária em comento envolve, não só aquela decorrente da venda de mercadorias e da prestação de serviços, mas a soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais.” Fl. 816DF CARF MF Processo nº 16327.721201/201324 Resolução nº 3401001.804 S3C4T1 Fl. 265 10 Merece remissão, também, manifestação da Câmara Superior de Recursos Fiscais – CSRF acerca do tema (Acórdão 9303002.994, de 03/06/2014), que, em caso assemelhado, concluiu corresponder o faturamento à receita bruta advinda das atividades operacionais típicas da pessoa jurídica, cuja ementa encontrase nos seguintes termos: “PIS/PASEP. BASE DE CÁLCULO. LEI 9.718/98. INCONSTITUCIONALIDADE. DECISÃO STF. REPERCUSSÃO GERAL. As decisões proferidas pelo Supremo Tribunal Federal, reconhecidas como de Repercussão Geral, sistemática prevista no artigo 543B do Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas no julgamento do recurso apresentado pelo contribuinte. Artigo 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Declarado inconstitucional o § 1º do caput do artigo 3º da Lei 9.718/98, integra a base de cálculo da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS e da Contribuição para o PIS/Pasep o faturamento mensal, representado pela receita bruta advinda das atividades operacionais típicas da pessoa jurídica.” (destacado) No mesmo sentido, os seguintes arestos: “INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. FATURAMENTO E RECEITAS FINANCEIRAS. INCONSTITUCIONALIDADE DO §1º DO ART.3º DA LEI 9.718/989. COISA JULGADA. POSSIBILIDADE DE GLOSA. O reconhecimento, por intermédio de decisão judicial transitada em julgado, em favor de instituição financeira quanto à inconstitucionalidade do §1º do art. 3º da Lei 9.718/989 não inibe a fiscalização de, diante do caso em concreto, glosar créditos que não se enquadrem no conceito de receitas financeiras e, em verdade, configurem valores decorrentes de serviços prestados por tais instituições. ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO DA COFINS PROMOVIDA PELO §1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98. INCONSTITUCIONALIDADE. REPERCUSSÃO GERAL DO RE585.235 1/MG. RECEITAS ORIUNDAS DO EXERCÍCIO DAS ATIVIDADES EMPRESARIAIS. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62A DO RICARF. É inconstitucional o §1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, conforme jurisprudência consolidada no STF e reafirmada no RE 585.2351/ MG, no qual se reconheceu a repercussão geral do tema, devendo a decisão ser reproduzida nos julgamentos no âmbito do CARF. A base de cálculo do PIS e da COFINS sob a égide da Lei nº 9.718/98 corresponde à receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços de qualquer natureza, ou seja, soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais. INSTITUIÇÃO FINANCEIRA. RECEITAS DA INTERMEDIAÇÃO FINANCEIRA. BASE DE CÁLCULO DA COFINS.As receitas decorrentes do exercício das atividades empresariais, incluindo as receitas da intermediação financeira, compõem a base de cálculo da Cofins para as instituições financeiras e assemelhadas,nos termos do RE 585.2351/MG.” (Acórdão 3402004.434, de 26/09/2017) Fl. 817DF CARF MF Processo nº 16327.721201/201324 Resolução nº 3401001.804 S3C4T1 Fl. 266 11 “PIS/PASEP. BASE DE CÁLCULO. LEI 9.718/98. INCONSTITUCIONALIDADE. DECISÃO STF. REPERCUSSÃO GERAL. As decisões proferidas pelo Supremo Tribunal Federal, reconhecidas como de Repercussão Geral, sistemática prevista no artigo 543B do Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas no julgamento do recurso apresentado pelo contribuinte. Artigo 62 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Declarado inconstitucional o § 1° do caput do artigo 3° da Lei 9.718/98, integra a base de cálculo da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS e da Contribuição para o PIS/Pasep o faturamento mensal, representado pela receita bruta advinda das atividades operacionais típicas da pessoa jurídica. INSTITUIÇÃO FINANCEIRA. BASE DE CÁLCULO.RECEITA BRUTA OPERACIONAL. RECEITA DE INTERMEDIAÇÃO FINANCEIRA. INCLUSÃO. A base de cálculo da contribuição apurada pelas instituições financeiras é a receita bruta operacional, conforme definição da legislação do Imposto de Renda,incluindo todas as receitas oriundas de sua atividadefim.” (Acórdão nº 9303003.393, de 25/01/2016). Diante deste contexto, a possibilidade de exclusão do faturamento das demais receitas advindas das atividades componentes do objeto social da pessoa jurídica, em especial as denominadas “receitas financeiras” (intermediação financeira), para o caso de instituições bancárias, só pode ocorrer se houver decisão expressa neste sentido, em obediência aos arts. 460 e 469 do Código de Processo Civil, como restou consignado no REsp 1.446.420/RS: “PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. VIOLAÇÃO AO ART. 535, DO CPC. ALEGAÇÕES GENÉRICAS. SÚMULA N. 284/STF. LIMITES DA COISA JULGADA EM PROCESSO ONDE FOI DISCUTIDO O CONCEITO DE FATURAMENTO PARA AS CONTRIBUIÇÕES AO PIS E COFINS, NA FORMA DO ART. 3º, §1º DA LEI N. 9.718/98. TRIBUTOS CORRESPONDENTES AO FATURAMENTO PROVENIENTE DA LOCAÇÃO DE BENS IMÓVEIS. 1. Não merece conhecimento o recurso especial que aponta violação ao art. 535, do CPC, sem, na própria peça, individualizar o erro, a obscuridade, a contradição ou a omissão ocorridas no acórdão proferido pela Corte de Origem, bem como sua relevância para a solução da controvérsia apresentada nos autos. Incidência da Súmula n. 284/STF: ‘É inadmissível o recurso extraordinário, quando a deficiência na sua fundamentação não permitir a exata compreensão da controvérsia’. 2. Para a verificação dos limites da coisa julgada nas ações onde se discutiu o alargamento do conceito de faturamento estabelecido pelo art. 3º, §1º, da Lei n. 9.718/98 para as contribuições ao PIS e COFINS é preciso cotejar o pedido efetuado na inicial e o comando final dado na sentença ou no acórdão transitado em julgado. 3. Se a sentença ou acórdão transitados em julgado dão provimento ao pedido do contribuinte e não fazem qualquer ressalva a respeito, é de se interpretar que o pedido feito na inicial tenha sido de todo atendido, desimportando o posterior posicionamento da jurisprudência dos tribunais no que diz respeito às receitas financeiras e às receitas Fl. 818DF CARF MF Processo nº 16327.721201/201324 Resolução nº 3401001.804 S3C4T1 Fl. 267 12 provenientes do aluguel de bens móveis e imóveis próprios, se houve quanto a estas rubricas pedido expresso feito na inicial. 4. Se não houve pedido expresso feito na inicial quanto às receitas financeiras e às receitas provenientes de aluguel, é de se presumir que não haja coisa julgada quanto ao ponto, pois, consoante o art. 293, do CPC, os pedidos são interpretados restritivamente. 5. No presente caso, a Corte de Origem estabeleceu o pressuposto fático de que houve pedido expresso feito na inicial quanto às receitas provenientes de aluguel, tendo sido dado provimento ao pedido, sem qualquer ressalva. 6. Partindose desse fato, a consequência lógica é a de que houve coisa julgada a favor do contribuinte abrangendo as receitas provenientes de aluguel, não podendo o Fisco cobrar as exações de PIS e COFINS sobre tais receitas, ainda que a jurisprudência posterior a permita. 7. Recurso especial parcialmente conhecido e, nessa parte, não provido.” (destaques no original) Para melhor compreensão do raciocínio indutor do acórdão prolatado, transcrevo parte do voto condutor: “Não são poucos os recursos especiais que chegam a esta Casa discutindo os limites das ações já transitadas em julgado onde se discutiu o alargamento do conceito de faturamento estabelecido pelo art. 3º, §1º, da Lei n. 9.718/98 para as contribuições ao PIS e COFINS. Ocorre que em quase todas essas ações as sentenças e os acórdãos transitados em julgado acolhem a alegação de inconstitucionalidade do referido dispositivo legal e sustentam restringirse o conceito de faturamento àquele adotado pelo STF nos Recursos Extraordinários nºs 346.084, 358.273, 357.950 e 390.840, sessão de 9/11/2005, e que culminou no julgamento em repercussão geral do RE n. 585.235/MG, em 10/09/2008, (‘receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços de qualquer natureza) sem discriminar explicitamente, para o caso concreto, quais as receitas da empresa em questão que se compreendem no bojo do julgado. O tema se tornou mais dificultoso à medida em que o próprio STF, posteriormente, no julgamento do RE n. 371.258 AgR (Segunda Turma, Rel. Min. Cezar Peluso, julgado em 03.10.2006) e do RE n. 400.479 8/RJ (Segunda Turma, Rel. Min. Cezar Peluso, julgado em 10.10.2006) afirmou que o conceito compreende ‘a soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais’, abrangendo, indubitavelmente, as receitas financeiras e as receitas provenientes do aluguel de bens móveis e imóveis próprios, o que estimulou o Fisco Federal a cobrar tais diferenças, inclusive com base na jurisprudência do próprio STJ sumulada no enunciado n. 423 (a este respeito ver: AgRg no Ag n. 1.420.729/MG, Primeira Turma, Rel. Min. Benedito Gonçalves, julgado em 27.03.2012; REsp. n. 1.210.655 / SC, Primeira Turma, Rel. Min. Benedito Gonçalves, Rel. p/acórdão Min. Teori Albino Zavascki, julgado em 26.04.2011; AgRg no REsp. n. 1.238.892 / PR, Segunda Turma, Rel. Min. Castro Meira, julgado em 03.05.2012). Fl. 819DF CARF MF Processo nº 16327.721201/201324 Resolução nº 3401001.804 S3C4T1 Fl. 268 13 Nessa toada, a compreensão do que transitado em julgado em cada processo passa pelo cotejo a ser realizado entre o pedido efetuado na inicial e o comando final dado na sentença ou no acórdão transitado em julgado. Se a sentença ou acórdão transitados em julgado dão provimento ao pedido do contribuinte e não fazem qualquer ressalva a respeito, é de se interpretar que o pedido feito na inicial tenha sido de todo atendido, desimportando o posterior posicionamento do STF no que diz respeito às receitas financeiras e às receitas provenientes do aluguel de bens móveis e imóveis próprios, se houve quanto a estas rubricas pedido expresso feito na inicial. Se não houve pedido expresso feito na inicial quanto às receitas financeiras e às receitas provenientes de aluguel, é de se presumir que não haja coisa julgada quanto ao ponto, pois, consoante o art. 293, do CPC, os pedidos são interpretados restritivamente.” (destaques no original) Ainda sob a égide da Lei Complementar nº 70/91, faturamento já equivalia à receita bruta de vendas de mercadorias e de serviços, assim compreendido o somatório das receitas operacionais da pessoa jurídica, na esteira de reiteradas decisões do Superior Tribunal de Justiça: “TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. COFINS. INCIDÊNCIA. RES SPERATA . CONTRATOS DE DEREITO DE RESERVA DE ÁREA COMERCIAL PARA INSTALAÇÃO DE LOJA. RECEITAS QUE INTEGRAM O FATURAMENTO EMPRESARIAL. ANÁLISE DO CONTEXTO FÁTICO DOS AUTOS. INCIDÊNCIA DA SÚMULA 7/STJ. 1. Esta Corte tem entendido que as receitas decorrentes de atividade de comercialização, administração, incorporação, permuta, locação de bens imóveis sujeitamse à incidência da COFINS, por integrarem esses valores o faturamento da empresa, compreendido como o resultado econômico da atividade empresarial exercida. 2. Nos termos do art. 2º da Lei Complementar n. 70/91 ‘a contribuição de que trata o artigo anterior será de dois por cento e incidirá sobre o faturamento mensal, assim considerado a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviço de qualquer natureza’ (grifo nosso) 3. Com efeito, tendo a Corte de origem entendido, com base no contexto fático dos autos que a receita auferida dos contratos de res sperata possui natureza decorrente da atividade empresarial e se subsume à determinação prevista no art. 2º da Lei Complementar n. 70/91, entendimento diverso demandaria a análise do contexto fático dos autos, impossível nesta Corte ante o óbice da Súmula 7/STJ. Agravo regimental improvido.” (AgRgAGREsp 367.055/RJ) (grifado) “TRIBUTÁRIO. PRESCRIÇÃO. REPETIÇÃO DO INDÉBITO. PIS E COFINS. LOCAÇÃO DE BENS IMÓVEIS. As ações ajuizadas, a partir de 09 de junho de 2005, para a repetição do indébito dos tributos sujeitos a lançamento por homologação têm o Fl. 820DF CARF MF Processo nº 16327.721201/201324 Resolução nº 3401001.804 S3C4T1 Fl. 269 14 respectivo prazo prescricional de cinco anos contados do pagamento antecipado (CTN, art. 150, § 1º). A Contribuição para o Programa de Integração Social – PIS e a Contribuição para Financiamento da Seguridade Social COFINS incidem sobre as receitas provenientes de locação de bens imóveis, aplicandose, por analogia, a Súmula nº 423 do Superior Tribunal de Justiça. Agravo regimental interposto pela União provido e agravo regimental interposto por Rowan Consultoria e Planejamento Ltda. desprovido.” (AgRgREsp 1.232.330/PR) “AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. INCIDÊNCIA NA RECEITA PROVENIENTE DA LOCAÇÃO DE IMÓVEIS PRÓPRIOS. ACÓRDÃO RECORRIDO QUE SE ENCONTRA EM CONSONÂNCIA COM A ORIENTAÇÃO DA 1A. SEÇÃO DESTE STJ. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS FIXADOS EM 10% DO VALOR DA CAUSA. ART. 20, § 4o. DO CPC. MODIFICAÇÃO DOS CRITÉRIOS DE ARBITRAMENTO DA VERBA HONORÁRIA. INCIDÊNCIA DA SÚMULA 7/STJ. AGRAVO REGIMENTAL DA ADMINISTRADORA VALENTE HYCZY LTDA. DESPROVIDO. 1. A Primeira Seção desta Corte consolidou o entendimento de que a receita proveniente da locação de imóveis próprios sujeitase à incidência do PIS e da COFINS (Súmula 423/STJ). 2. Outrossim, é pacífica a jurisprudência de que não é possível a modificação dos critérios de fixação dos valores relativos aos honorários advocatícios, visto que estes normalmente derivam da ponderação de aspectos fáticos, insuscetíveis de reapreciação em sede de Recurso Especial, por incidência do enunciado 7 da Súmula desta Corte, salvo quando resultarem em valores flagrantemente irrisórios ou manifestamente exorbitantes, o que não se verifica na hipótese destes autos. 3. Agravo Regimental desprovido.” (AgRgREsp 1.318.183/PR) TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. PIS/COFINS. INCLUSÃO DAS RECEITAS OBTIDAS COM A LOCAÇÃO DE BENS MÓVEIS EM SUAS BASES DE CÁLCULO. RECURSO ESPECIAL REPETITIVO 929.521/SP E SÚMULA 423/STJ. 1. A Primeira Seção, em sede de recurso especial repetitivo (art. 543C do CPC), estabeleceu que as receitas provenientes das operações de locação de bens móveis caracterizamse como faturamento, razão pela qual integram a base de cálculo do PIS e da COFINS. Precedente: Recurso representativo da controvérsia: 1ª. Seção, Edcl no REsp. 929.521/SP, Rel. Min. LUIZ FUX, DJe 12.05.2010. 2. Quanto à COFINS foi editada, por esta Corte, a Súmula 423, que assim dispõe: ‘a Contribuição para Financiamento da Seguridade Social – COFINS incide sobre as receitas provenientes das operações de locação de bens móveis’. Fl. 821DF CARF MF Processo nº 16327.721201/201324 Resolução nº 3401001.804 S3C4T1 Fl. 270 15 3. ‘[S]e no agravo regimental a parte insiste apenas na tese de mérito já consolidada no julgamento submetido à sistemática do art. 543C do CPC, é certo que o recurso não lhe trará nenhum proveito do ponto de vista prático, pois, em tal hipótese, já se sabe previamente a solução que será dada ao caso pelo colegiado" (Questão de Ordem no AgRg no REsp 1.025.220/RS, Rel. Ministra Eliana Calmon, Primeira Seção, julgada em 25/3/2009). 4. Agravo regimental não provido, com aplicação de multa no percentual de 1% (um por cento) do valor da causa, com espeque no artigo 557, § 2º, do CPC.” (AgRgREsp 1.346.884/RS) Imperioso notar que sobre as receitas de locação de bens móveis e imóveis pendia discussão semelhante, pois se defendia que tais verbas não sofreriam a incidência da Cofins, por não se originarem da venda de mercadorias e tampouco caracterizar tal atividade como prestação de serviços, mostrandose conveniente apresentar o posicionamento manifestado no REsp 929.521/SP, julgado sob a sistemática do recurso repetitivo, previsto no art. 543C do Código de Processo Civil: “Subjaz a controvérsia atinente à incidência de COFINS sobre as receitas auferidas com as operações de locação de bens móveis. A jurisprudência consolidada nas Turmas de Direito Público é no sentido de que a Contribuição para Financiamento da Seguridade Social COFINS incide sobre as receitas provenientes das operações de locação de bens móveis, uma vez que integram o faturamento, entendido como o conjunto de receitas decorrentes da execução da atividade empresarial. Nesse diapasão, confiramse as ementas dos seguintes julgados desta Corte: (...) Destarte, ‘a base de incidência da COFINS é o faturamento, assim entendido o conjunto de receitas decorrentes da execução da atividade empresarial e (b) no conceito de mercadoria da LC 70/91 estão compreendidos até mesmo os bens imóveis, com mais razão se há de reconhecer a sujeição das receitas auferidas com as operações de locação de bens móveis à mencionada contribuição’ (REsp 1.010.388/PR, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, julgado em 03.02.2009, DJe 11.02.2009; e EDcl no REsp 534.190/PR, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, julgado em 19.08.2004, DJ 06.09.2004). Outrossim, impende destacar que a conjugação dos entendimentos perfilhados pelo Supremo Tribunal Federal no âmbito dos Recursos Extraordinários nºs 357.950/RS, 358.273/RS, 390.840/MG e 346.084 6/PR (inconstitucionalidade do § 1º, do artigo 3º, da Lei 9.718/98, o que importou na definição de faturamento mensal/receita bruta como o que decorra quer da venda de mercadorias, quer da venda de mercadorias e serviços, quer da venda de serviços, não se considerando receita bruta de natureza diversa, dada pela Lei Complementar 70/91) e do Recurso Extraordinário nº 116.121/SP (inconstitucionalidade da incidência do ISS sobre o contrato de Fl. 822DF CARF MF Processo nº 16327.721201/201324 Resolução nº 3401001.804 S3C4T1 Fl. 271 16 locação de bem móvel, por não configurar prestação de serviços) não conduz à superação da aludida jurisprudência do STJ. É que: ‘o conceito de receita bruta sujeita à exação tributária envolve, não só aquela decorrente da venda de mercadorias e da prestação de serviços, mas a soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais’ (RE 371.258 AgR, Relator(a): Min. Cezar Peluso, Segunda Turma, julgado em 03.10.2006, DJ 27.10.2006). Conseqüentemente, a definição de faturamento/receita bruta engloba as receitas advindas das operações de locação de bens móveis, que constituem resultado mesmo da atividade econômica empreendida pela empresa.” (destacado) Sua ementa está assim redigida: “PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. COFINS. LOCAÇÃO DE BENS MÓVEIS. INCIDÊNCIA. VIOLAÇÃO DO ARTIGO 535, DO CPC. INOCORRÊNCIA. 1. A Contribuição para Financiamento da Seguridade Social COFINS incide sobre as receitas provenientes das operações de locação de bens móveis, uma vez que ‘o conceito de receita bruta sujeita à exação tributária envolve, não só aquela decorrente da venda de mercadorias e da prestação de serviços, mas a soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais’ (Precedente do STF que versou sobre receitas decorrentes da locação de bens imóveis: RE 371.258 AgR, Relator(a): Min. Cezar Peluso, Segunda Turma, julgado em 03.10.2006, DJ 27.10.2006). Precedentes das Turmas de Direito Público do STJ acerca de receitas decorrentes da locação de bens móveis: AgRg no Ag 1.136.371/PR, Rel. Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, julgado em 04.08.2009, DJe 27.08.2009; AgRg no Ag 1.067.748/RS, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, julgado em 19.05.2009, DJe 01.06.2009; REsp 1.010.388/PR, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, julgado em 03.02.2009, Dje 11.02.2009; e AgRg no Ag 846.958/MG, Rel. Ministra Denise Arruda, Primeira Turma, julgado em 05.06.2007, DJ 29.06.2007. 2. Deveras, "a base de incidência da COFINS é o faturamento, assim entendido o conjunto de receitas decorrentes da execução da atividade empresarial e (b) no conceito de mercadoria da LC 70/91 estão compreendidos até mesmo os bens imóveis, com mais razão se há de reconhecer a sujeição das receitas auferidas com a operações de locação de bens móveis à mencionada contribuição" (REsp 1.010.388/PR, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, julgado em 03.02.2009, Dje 11.02.2009; e EDcl no REsp 534.190/PR, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, julgado em 19.08.2004, DJ 06.09.2004). 3. Conseqüentemente, a definição de faturamento/receita bruta engloba as receitas advindas das operações de locação de bens móveis, que constituem resultado mesmo da atividade econômica empreendida pela empresa. Fl. 823DF CARF MF Processo nº 16327.721201/201324 Resolução nº 3401001.804 S3C4T1 Fl. 272 17 4. O artigo 535, do CPC, resta incólume quando o Tribunal de origem, embora sucintamente, pronunciase de forma clara e suficiente sobre a questão posta nos autos. Ademais, o magistrado não está obrigado a rebater, um a um, os argumentos trazidos pela parte, desde que os fundamentos utilizados tenham sido suficientes para embasar a decisão. 5. A ofensa a princípios e preceitos da Carta Magna não é passível de apreciação em sede de recurso especial. 6. A ausência de similitude fática entre os arestos confrontados obsta o conhecimento do recurso especial pela alínea "c", do permissivo constitucional. 7. Recurso especial parcialmente conhecido e, nesta parte, desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Proposição de verbete sumular.” (destaques no original) Como se extrai do julgado em destaque, mesmo a declaração de inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo pelo art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718/98 não afetou a jurisprudência dominante do STJ, consoante a qual faturamento e receita bruta são expressões equivalentes, “uma vez que o conceito de receita bruta sujeita à exação tributária envolve, não só aquela decorrente da venda de mercadorias e da prestação de serviços, mas a soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais”. Consequentemente, o somatório das receitas oriundas das atividades típicas da recorrente, instituição financeira, incluem, não só as tarifas cobradas dos clientes, como prestação de serviços, mas também as ditas “receitas financeiras”, especificamente as receitas de intermediação financeira, que integram o seu objeto social, como descrito no estatuto consolidado, art. 4º (efl. 13) “Artigo 4º tem por objeto social a prática de operações ativa,s passivas, acessórias, inerentes às respectivas carteiras autorizadas (comercial, de investimentos, de crédito imobiliário e de crédito, financiamento e investimento), inclusive de câmbio e de comércio exterior, de acordo com as disposições legais e regulamentares aplicáveis.” Nesta senda, oportuna a remissão ao Plano Contábil das Instituições do Sistema Financeiro Nacional – COSIF, aprovado pela Circular BACEN nº 1.273, de 29/12/1987, que, em seu “Capítulo: Normas Básicas – 1” “Seção: Receitas e Despesas – 17”, traz noções básicas do conjunto de receitas e despesas das pessoas jurídicas do ramo financeiro, valendo descrever as seguintes: “1. Para fins de registros contábeis e elaboração das demonstrações financeiras, as receitas e despesas se classificam em Operacionais e Não Operacionais. 2. As receitas, em sentido amplo, englobam as rendas, os ganhos e os lucros, enquanto às despesas correspondem as despesas propriamente ditas, as perdas e os prejuízos. Fl. 824DF CARF MF Processo nº 16327.721201/201324 Resolução nº 3401001.804 S3C4T1 Fl. 273 18 3. As rendas operacionais representam remunerações obtidas pela instituição em suas operações ativas e de prestação de serviços, ou seja, aquelas que se referem a atividades típicas, regulares e habituais. 4. As despesas operacionais decorrem de gastos relacionados às atividades típicas e habituais da instituição. 5. As receitas não operacionais provêm de remunerações eventuais, não relacionadas com as operações típicas da instituição. 6. Os gastos não relacionados às atividades típicas e habituais da instituição constituem despesas não operacionais.” (grifado) Portanto, segundo o citado plano de contas, as receitas operacionais compreendem as remunerações obtidas pela instituição em suas operações ativas e de prestação de serviços, isto é, referemse às atividades típicas, regulares e habituais das instituições financeiras. Igualmente, o suposto “novo” conceito de faturamento veiculado pela Medida Provisória nº 627/2013 em nada prejudica o que já foi explanado, pois não representou inovação alguma da noção de faturamento ou receita bruta até então existente, mas apenas fez se incluir na legislação algo já consagrado na jurisprudência dos tribunais superiores. Concluo por compartilhar do entendimento manifestado pelo Cons. Eloy Eros, relator original deste feito, e também da noção de faturamento e receita bruta colhida da leitura dos textos legais e da jurisprudência juntada, e reputo improcedentes os argumentos em contrário deduzidos pelo recorrente. Na sequência, tal qual o voto anterior, entendo que os valores registrados na rubrica “Rendas de Participação (COSIF 7.1.8.00.00.2)” não devem compor a apuração das contribuições, ao passo que não constituem receitas próprias do exercício da atividade (bancária) do recorrente, aliás, por expressa disposição regulamentar, a teor do art. 22, VII do Decreto nº 4.524/2002: “Art. 22. Para efeito de apuração da base de cálculo de que trata este capítulo, observado o disposto no art. 23, podem ser excluídos ou deduzidos da receita bruta, quando a tenham integrado, os valores (Lei nº9.718, de 1998, art. 3º): (...) VII dos resultados positivos da avaliação de investimentos pelo valor do patrimônio líquido e dos lucros e dividendos derivados de investimentos avaliados pelo custo de aquisição, que tenham sido computados como receita, inclusive os derivados de empreendimento objeto de Sociedade em Conta de Participação (SCP); e (...)”Segundo o Plano Contábil das Instituições do Sistema Financeiro Nacional (COSIF), aprovado pela Circular BACEN nº 1.273/87, referida rubrica comporta duas subcontas, a saber, “7.1.8.10.009 – Rendas de ajustes em investimentos no exterior”, destinadas ao registro do aumento do valor dos investimentos em dependências no exterior decorrente de lucros ou ganhos efetivos, e “7.1.8.20.006 – Rendas ajustes em investimentos em coligadas controladas”, empregadas para registrar o aumento do valor do investimento decorrente de lucros ou ganhos Fl. 825DF CARF MF Processo nº 16327.721201/201324 Resolução nº 3401001.804 S3C4T1 Fl. 274 19 efetivos, inclusive decorrente de incentivos fiscais, apurado e, sociedades coligada ou controlada. Por fim resta o exame sobre o afastamento da multa de ofício, art. 63 da Lei nº 9.430/96: “Art.63. Na constituição de crédito tributário destinada a prevenir a decadência, relativo a tributo de competência da União, cuja exigibilidade houver sido suspensa na forma dos incisos IV e V do art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966,não caberá lançamento de multa de ofício.(Redação dada pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) § 1º O disposto neste artigo aplicase, exclusivamente, aos casos em que a suspensão da exigibilidade do débito tenha ocorrido antes do início de qualquer procedimento de ofício a ele relativo. § 2º A interposição da ação judicial favorecida com a medida liminar interrompe a incidência da multa de mora, desde a concessão da medida judicial, até 30 dias após a data da publicação da decisão judicial que considerar devido o tributo ou contribuição.(Vide Medida Provisória nº 75, de 2002)” Como se vê, as condições para sua aplicação são a existência de lançamento para prevenir a decadência, quando suspensa a exigibilidade do crédito tributário na forma do art. 151, IV e V do Código Tributário Nacional, e que essa suspensão tenha ocorrido antes do início do procedimento fiscal. No caso concreto, o recorrente não atende o primeiro requisito, porquanto não se trata de lançamento para prevenção de decadência, mas constituição do crédito por inobservância da legislação tributária, nos moldes da norma individual e concreta exarada pelo Poder Judiciário. Essa situação foi reconhecida quando a 3ª Turma/CSRF não vislumbrou a existência de concomitância, pela falta de identidade de objetos, e reverteu a decisão da câmara baixa. Isso significa que o contribuinte, ora recorrente, no entendimento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, extrapolou os limites objetivos da decisão judicial de que era detentor, empreendendo interpretação que não se atinha com o que lá fixado. Ora, a ausência de concomitância é incompatível com a suspensão da exigibilidade do crédito tributário por força de decisão acautelatória, porque a falta de identidade entre os objetos da ação judicial e do processo administrativo implica na identificação de matéria não submetida ao crivo judicial, logo, se a questão não foi deduzida ou não está ao abrigo da tutela jurisdicional não há que se falar em suspensão da exigibilidade do crédito tributário e, por decorrência, não há espaço para aplicação das disposições do art. 63 da Lei nº 9.430/96, como postulado. Com essas considerações, voto por dar parcial provimento ao recurso voluntário para excluir da apuração as receitas registradas na rubrica “Rendas de Participação (COSIF 7.1.8.00.00.2)”. (assinado digitalmente) Fl. 826DF CARF MF Processo nº 16327.721201/201324 Resolução nº 3401001.804 S3C4T1 Fl. 275 20 Mara Cristina Sifuentes, Relatora. Voto Vencedor Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. A contribuinte impetrou mandados de segurança (2005.61.00027.6612 e 2005.61.00.0276624) para discutir a inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718/98 e seus efeitos sobre o PIS/Pasep e a Cofins, obtendo, em ambas, decisão favorável, ainda pendentes de trânsito em julgado, para não se sujeitar ao dispositivo em comento. No esteio de tal entendimento, a empresa autuada ofereceu à tributação unicamente as rendas de prestação de serviços, o que levou a autoridade fiscal a proceder ao lançamento de PIS/Pasep e Cofins, compreendido no período janeiro/2009 a dezembro/2010, para exigência das "receitas típicas" (cobrança de tarifas e intermediação financeira). Uma vez afastada a concomitância nos termos do Acórdão CSRF nº 9303 005.470, proferido em 27/07/2017, por inexistência de concomitância integral com a ação judicial intentada pela contribuinte, retornaram os autos a este colegiado para apreciação do mérito da causa. Ao se descer à espécie, na apreciação da coleção probatória, o lançamento açambarcou a conta 7.1.9.00.00.5, rubrica "outras receitas operacionais", o que não revela necessariamente a materialidade das contribuições em comento, devendo ser detalhada pela unidade preparadora para tornar possível a formação da convicção do aplicador. Assim, voto por converter o presente julgamento em diligência, para que a autoridade lançadora promova a intimação da contribuinte para demonstrar detalhadamente qual a natureza da conta 7.1.9.00.00.5 (outras receitas operacionais), elaborando a fiscalização relatório conclusivo sobre eventual afetação da base de cálculo em função da diligência, concedendose prazo não inferior a 30 dias para eventual manifestação da recorrente. (assinado digitalmente) Leonardo Ogassawara de Araújo Branco Fl. 827DF CARF MF
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Numero do processo: 10930.900933/2006-55
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 13 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ
Ano-calendário: 1999
COMPENSAÇÃO. DCTF RETIFICADORA. DIPJ E LIVRO DIÁRIO. ONUS DA PROVA.
Logrando o contribuinte comprovar que o pagamento por ele efetuado, via DARF, a titulo de estimativa mensal de IRPJ, não foi imputado a débito dessa espécie, antes da compensação ora debatida, impende ser admitido o encontro de contas formulado por meio de DCOMP. 0 expurgo do passivo equivocadamente confessado em DCTF, atrelado A. quitação a maior, mediante transmissão de ulterior DCTF Retificadora, deve ser reconhecido, sempre que respaldado em lançamentos feitos na DIPJ e na escrituração
contábil-fiscal do período.
Numero da decisão: 1101-000.802
Decisão: Acordam os membros da Primeira Turma Ordinária da Primeira Camara da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade, dar provimento ao Recurso Voluntário interposto.
Matéria: IRPJ - restituição e compensação
Nome do relator: BENEDICTO CELSO BENÍCIO JÚNIOR
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DCTF RETIFICADORA. DIPJ E LIVRO DIÁRIO. ONUS DA PROVA. Logrando o contribuinte comprovar que o pagamento por ele efetuado, via DARF, a titulo de estimativa mensal de IRPJ, não foi imputado a débito dessa espécie, antes da compensação ora debatida, impende ser admitido o encontro de contas formulado por meio de DCOMP. 0 expurgo do passivo equivocadamente confessado em DCTF, atrelado A. quitação a maior, mediante transmissão de ulterior DCTF Retificadora, deve ser reconhecido, sempre que respaldado em lançamentos feitos na DIPJ e na escrituração contábil-fiscal do período. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros da Primeira Turma Ordinária da Primeira Camara da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade, dar provimento ao Recurso Voluntário interposto. Benedicto Celso B -nic4 Juniar - Relator Participaram da scssa" de julgamento os conselheiros Benedicto Celso Benicio Júnior, Edeli Pereira Bessa, Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro, José Ricardo da Processo no 10930.900933/2006-55 SI-CIT1 AcOrclao n.° 1101-000.802 Fl. 3 Silva, Nara Cristina Takeda Taga e Plinio Rodrigues Lima. Ausente justificadamente o Conselheiro Valmar Fonseca de Menezes. Relatório Versa a corrente lide sobre a Declaração de Compensação — DCOMP de fls. 01/05, encampadora de encontro de contas não homologado pelo Delegado da Receita Federal do Brasil em Londrina/PR, nos termos do despacho decisório de fl. 06. A decisão acima noticiada foi motivada pelo suposto fato de o pagamento apontado como indevido (estimativa de IRPJ, código 5993, P.A. jan/2000, de R$ 93,83) ter sido alocado na quitação do débito correspondente. Logo, a compensação do passivo apontado na DCOMP, correspondente a R$ 323,69 (parcela da estimativa de IRPJ de abr/2003) não pôde ser confirmada, remanescendo em aberto o competente adimplemento. Em 31.07.2008, o interessado foi cientificado daquela decisão (fl. 07) e, em 20.08.2008, apresentou a manifestação de inconformidade de fl. 08, pela qual afirmou que, conforme DCTF Retificadora do 10 trim/2000, transmitida em 20.08.2008, não mais existia o débito de estimativa de IRPJ de jan/2000. Assim, o pagamento correspondente encontrar-se-ia passível de aproveitamento. A la Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba/PR, ao analisar a manifestação de inconformidade protocolizada, houve por bem indeferi-la, não homologando a compensação, forte em considerações assim ementadas: "ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 1999 COMPENSAÇÃO. EXISTÊNCIA DE DIREITO CREDITORIO. ONUS DA PROVA. Considera-se sem efeito as alegações contestando os argumentos do Fisco, se desacompanhadas de prova, eis que o ônus da prova compete ou cabe a quem alega o fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito. Rest/Ress. Indeferido - Comp. não homologada." Não conformado, o contribuinte interpôs o Recurso Voluntário de fl. 49, voltaNdo a aduzir que a aludida retificação da DCTF poderia ser confrontada com a DIPJ do período, na qual não constou o débito de estimativa mensal pretensamente alocado à DART, relativo ao mês de jan/2000, e com o correlato Livro Diário, que denotava a existência de montante de imposto a recuperar. o relatório. 2 Processo n° 10930.900933/2006-55 SI-CI TI Acórdão n.° 1101-000.802 Fl. 4 Voto Conselheiro Benedicto Celso Benicio Junior - Relator: 0 recurso é tempestivo e atende aos pressupostos legais de admissibilidade. Dele conheço. Consoante a DCOMP de fls. 01/05, tratam esses autos de compensação entre crédito correspondente a pagamento a maior, operado via DARF, atrelado à estimativa mensal de IRPJ de jan/2000, de um lado, e débito de estimativa mensal de IRPJ atinente ao mês de abr/2003, de outro lado. O pleito foi indeferido, inicialmente, em virtude de o pagamento realizado guardar integral correspondência com débito estimado de IRPJ apurado para o próprio mês de jan/2000, conforme consignado na DCTF original. Muito embora o contribuinte tenha procedido à ulterior retificação da DCTF, em 20.08.2008 (fl. 24), a autoridade ora recorrida não entendeu como agasalhável o ajuste de contas intuído, eis não ter sido apresentada justificativa para a exclusão, pura e simples, depois de exarado despacho denegatório, do passivo vinculado ao pagamento reputado como indevido. Em sede se Recurso Voluntário, o contribuinte buscou, então, mostrar que a retificação da DCTF era escorreita. Para tanto, juntou a DIPJ/2001 original (Ficha 11, fl. 78) e o Livro Diário do período, com aventado destaque da rubrica contábil "Impostos a Recuperar" (fl. 69). Pois bem. O aresto recorrido andou bem, a meu ver, ao questionar a legitimidade da retificação de DCTF engendrada pelo recorrente. Inexistia, nos autos, afinal, motivo a ensejar o expurgo do débito confessado inicialmente, atrelado ao DARF citado como fonte do crédito compensavel. Nessa instância, contudo, a interessada logrou demonstrar a realidade do pagamento indevido. A juntada do Livro Diário, de um lado, e da Ficha 11 da DIPJ/2001, de outro, denotam, de fato, que o recolhimento feito via DARF não deveria ter sido imputado a passivo de estimativa de IRPJ ligado ao mês de janeiro de 2000. A despeito da inicial menção desse débito na DCTF Original, o valor não constou da DIPJ respectiva, da mesma forma que não foi considerada na escrituração contábil-fiscal da empresa. Na apuração do credito disponível, deve, pois, ser considerada a DCTF Retificadora, transmitida em meados do ano-calendário de 2008. 0 pagamento a maior, operacionalizado em DARF, não pode deixar de ser reconhecido com esteio na consideração exclusiva da confissão concretizada na DCTF Original. 3 Processo n° 10930.900933/2006-55 SI-CITI Acórdão n.° 1101-000.802 Fl. 5 Isto posto, DOU PROVIMENTO ao recurso voluntário interposto, para homologar a compensação pleiteada, até o li ite disponível do crédito alegado. Benedicto Cels cio Junior ( 4
score : 1.0
Numero do processo: 13896.903213/2016-75
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 26 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Apr 03 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/10/2010 a 31/10/2010
MULTA DE MORA. APROVEITAMENTO DE PAGAMENTO DE REGIMES TRIBUTÁRIOS DIFERENTES.
O aproveitamento de pagamento de mesmo tributo ou contribuição e mesmo período de apuração não enseja a cobrança de multa de mora, e não se revela como procedimento de compensação.
Numero da decisão: 3201-004.971
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira, que lhe negou provimento.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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MULTA DE MORA. PAGAMENTOS DE MESMO TRIBUTO E PERÍODO DE APURAÇÃO. Recorrente MANAGER ONLINE SERVIÇOS DE INTERNET LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/10/2010 a 31/10/2010 MULTA DE MORA. APROVEITAMENTO DE PAGAMENTO DE REGIMES TRIBUTÁRIOS DIFERENTES. O aproveitamento de pagamento de mesmo tributo ou contribuição e mesmo período de apuração não enseja a cobrança de multa de mora, e não se revela como procedimento de compensação. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira, que lhe negou provimento. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Relatório O interessado acima identificado recorre a este Conselho de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Porto Alegre/RS. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 6. 90 32 13 /2 01 6- 75 Fl. 113DF CARF MF Processo nº 13896.903213/201675 Acórdão n.º 3201004.971 S3C2T1 Fl. 3 2 Trata o presente processo de manifestação de inconformidade apresentada contra despacho decisório eletrônico emitido pela DRF Barueri, que deferiu parcialmente o pedido de restituição – PER apresentado pelo contribuinte. Cientificado do referido despacho, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade informando que apura o PIS e a Cofins pelo regime misto, ou seja, possui parcela de suas receitas sujeitas ao regime cumulativo (maior parte) e parcela sujeita ao regime nãocumulativo. Diz ter, equivocadamente, pago parte do que seria enquadrável no regime cumulativo como se fosse do nãocumulativo. Ao constatar tal equívoco, formulou seu pedido de restituição do saldo existente desse crédito, tendo em vista que já havia transmitido compensação utilizando parte desse mesmo crédito. Apesar de ter transmitido a DCOMP após a data de vencimento da contribuição que estava sendo quitada, esclarece que deixou de incluir na discriminação dos débitos compensados qualquer valor a título de multa de mora (Processo de Consulta nº 166/2007). Acredita que a razão do indeferimento de parte do crédito pleiteado por meio do presente PER reside no fato de que o Despacho Decisório, que homologou parcialmente o PER/DCOMP, impôs a obrigação do recolhimento da multa moratória de 20 % quando da análise da compensação, o que resultou num valor menor a lhe ser restituído, ao passo que o seu entendimento foi de que "não poderia se incluir qualquer valor a título de multa moratória na composição do seu débito". A DRJ/Porto Alegre/RS, por intermédio do Acórdão 10060.943, julgou improcedente a manifestação de inconformidade, não reconhecendo o direito creditório em tela. O litígio restringiuse à aplicação dos acréscimos legais pelo fato de a compensação ter sido efetuada em data posterior à do vencimento do débito. Os julgadores a quo entenderam acertada a incidência da multa moratória, a despeito de se tratar de erro no tocante à apuração da contribuição pelo regime da nãocumulatividade, quando o correto seria pela cumulatividade. Inconformado, o contribuinte apresentou recurso voluntário visando a reforma da decisão recorrida, para que lhe seja reconhecido o direito creditório. Em síntese, aduz: A necessidade de se observar e atender ao disposto na Solução de Consulta nº 166/07; A ilegalidade na alteração do PER/DCOMP de ofício pela fiscalização e a necessidade da lavratura de auto de infração específico; A aplicação do art. 138 do CTN (denúncia espontânea), que impossibilita a imposição de multa. Roga ao final: (i) Seja declarada a inexigibilidade da multa moratória cobrada sobre o montante dos débitos compensado, com o consequente deferimento integral da restituição pleiteada; Fl. 114DF CARF MF Processo nº 13896.903213/201675 Acórdão n.º 3201004.971 S3C2T1 Fl. 4 3 (ii) Subsidiariamente, seja reconhecida a ilegalidade da imputação da multa de ofício pela fiscalização e a necessidade da lavratura de auto de infração específico para sua exigência e/ou o reconhecimento do benefício da denúncia espontânea. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3201004.953, de 26/02/2019, proferido no julgamento do processo 13896.900136/201782, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201004.953): (...)1 "O aproveitamento de pagamentos de mesmo tributo e mesmo período, em casos de mudança de regime de tributação, prescinde de Declaração de Compensação. Somente seria necessária Declaração de Compensação em casos de compensação do mesmo tributo em períodos diferentes, ou tributos diferentes. Embora a recorrente tenha utilizado a formalidade equivocada, Declaração de Compensação, materialmente tratase de aproveitamento de mesmo tributo, e mesmo período, do que se aplica a ratio decidendi da Súmula Carf 76: Súmula CARF nº 76 Na determinação dos valores a serem lançados de ofício para cada tributo, após a exclusão do Simples, devem ser deduzidos eventuais recolhimentos da mesma natureza efetuados nessa sistemática, observandose os percentuais previstos em lei sobre o montante pago de forma unificada. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). Portanto, os recolhimentos em regimes tributários diferentes devem ser aproveitados, sem necessidade de Declaração de Compensação. Bastaria, no caso, uma retificação de Darf (Redarf), corrigindo o código de arrecadação. A retificação do código de arrecadação seria permitida, sem ofensa ao art. 11, V, da IN 672/20062, posto que a mudança de regime não ofendeu a legislação, isto é, não houve acusação fiscal de que o regime de tributação pretendido fosse indevido. 1 Não se transcreveu o voto vencido, do relator do processo paradigma, por manifestar entendimento que restou vencido na votação, não se aplicando, portanto, na solução do litígio deste processo. Entretanto, sua íntegra consta do acórdão do paradigma (3201004.953). 2 Art. 11. Serão indeferidos os pedidos de retificação que versem sobre: (...) V alteração de código de receita que corresponda à mudança no regime de tributação do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica, quando contrariar o disposto na legislação específica; Fl. 115DF CARF MF Processo nº 13896.903213/201675 Acórdão n.º 3201004.971 S3C2T1 Fl. 5 4 Desse modo, não é aplicável, para cálculo de mora, a data de transmissão da Declaração de Compensação, pois não é o caso de compensação. Tendo sido o pagamento tempestivo, ainda que com regime de tributação equivocado, não cabe a multa de mora. Pelo exposto, voto por dar provimento ao recurso." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado deu provimento recurso voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 116DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10073.721378/2016-16
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 31 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Mar 15 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2013
IMPOSTO RETIDO NA FONTE. COMPROVAÇÃO DA RETENÇÃO PELA FONTE PAGADORA. COMPROVAÇÃO DO VALOR DOS RENDIMENTOS RECEBIDOS. COMPROVAÇÃO DO RECOLHIMENTO DO IMPOSTO.
Os rendimentos pagos por decisão judicial bem como a retenção do imposto na fonte foram comprovados com documentação hábil fornecida pela justiça e agente financeiro encarregado pelo pagamento. A documentação probatória do valor disponibilizado ao contribuinte e a retenção do imposto apresentada é suficiente para respaldar as alegações de defesa.
Numero da decisão: 2001-001.124
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente
(assinado digitalmente)
Jose Alfredo Duarte Filho - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho, Fernanda Melo Leal e Jose Ricardo Moreira.
Nome do relator: JOSE ALFREDO DUARTE FILHO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2013 IMPOSTO RETIDO NA FONTE. COMPROVAÇÃO DA RETENÇÃO PELA FONTE PAGADORA. COMPROVAÇÃO DO VALOR DOS RENDIMENTOS RECEBIDOS. COMPROVAÇÃO DO RECOLHIMENTO DO IMPOSTO. Os rendimentos pagos por decisão judicial bem como a retenção do imposto na fonte foram comprovados com documentação hábil fornecida pela justiça e agente financeiro encarregado pelo pagamento. A documentação probatória do valor disponibilizado ao contribuinte e a retenção do imposto apresentada é suficiente para respaldar as alegações de defesa.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes - Presidente (assinado digitalmente) Jose Alfredo Duarte Filho - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho, Fernanda Melo Leal e Jose Ricardo Moreira.
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COMPROVAÇÃO DA RETENÇÃO PELA FONTE PAGADORA. COMPROVAÇÃO DO VALOR DOS RENDIMENTOS RECEBIDOS. COMPROVAÇÃO DO RECOLHIMENTO DO IMPOSTO. Os rendimentos pagos por decisão judicial bem como a retenção do imposto na fonte foram comprovados com documentação hábil fornecida pela justiça e agente financeiro encarregado pelo pagamento. A documentação probatória do valor disponibilizado ao contribuinte e a retenção do imposto apresentada é suficiente para respaldar as alegações de defesa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Presidente (assinado digitalmente) Jose Alfredo Duarte Filho Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho, Fernanda Melo Leal e Jose Ricardo Moreira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 07 3. 72 13 78 /2 01 6- 16 Fl. 46DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou a impugnação com resultado desfavorável ao contribuinte, em razão da lavratura de Auto de Infração de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF, referente à compensação de IRRF. O Lançamento da Fazenda Nacional exige do contribuinte a importância de R$ 3.904,26, a título de imposto de renda pessoa física, acrescida da multa e juros moratórios, referente ao anocalendário de 2013. A fundamentação da autuação, conforme consta da decisão de primeira instância, aponta como elemento definidor da lavratura do lançamento o fato de que o Contribuinte efetuou compensação indevida de imposto de renda retido na fonte. A constituição do acórdão recorrido segue a linha do procedimento adotado na feitura do lançamento, notadamente na utilização de valores indevidos na compensação do IRRF por falta de comprovação, como segue: Contra o contribuinte em epígrafe foi emitida Notificação de Lançamento do IRPF 2014, ano calendário 2013, por Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil da DRF/ Volta Redonda. Foi apurado imposto de renda pessoa física no valor de R$ 3.904,26, sujeito à multa e juros de mora. O referido lançamento teve origem na constatação da(s) seguinte(s) infração(s): Compensação Indevida de IRRF, relativa à(s) fonte(s) pagadora(s): Caixa Econômica Federal, no valor de R$ 3.904,26. Da análise das informações e documentos apresentados pelo contribuinte e das informações constantes dos sistemas RFB, constatouse a(s) infração(s) descrita(s). O contribuinte não apresentou o Alvará Judicial mencionado de nº 3.195/2013 e nem o DARF do recolhimento do IRRF. O ponto nebuloso referente à retenção ou não do valor mencionado nos comprovantes de fls. 10 diz respeito ao valor efetivamente levantado pelo contribuinte. Não é possível infirmar, apenas com base nos documentos apresentados, que ele sofreu o desconto e que o valor por ele declarado (R$ 23.834,03) é o valor bruto recebido, uma vez que nenhuma guia de levantamento comprova que ele recebeu o montante líquido do IRRF. O Alvará mencionado de nº 3.195/2013 mais uma vez deixou de ser apresentado e, portanto, a dúvida persiste. Assim, sem que o requerente tenha trazido provas contundentes de que sofreu o desconto do IRRF sobre os rendimentos recebidos acumuladamente, não há que se falar em cancelamento da infração. Ante o exposto, voto pela IMPROCEDÊNCIA da impugnação, mantendo a infração apurada pela autoridade lançadora. Fl. 47DF CARF MF Processo nº 10073.721378/201616 Acórdão n.º 2001001.124 S2C0T1 Fl. 47 3 Assim, conclui o acórdão vergastado pela improcedência da impugnação para manter a infração apurada no valor de R$ 3.904,26, e acréscimos legais. Por sua vez, com a decisão do Acórdão da DRJ, o Recorrente apresenta recurso voluntário com as considerações e argumentações que entende justificável ao seu procedimento, nos termos que segue: (...) A motivação da glosa foi a não apresentação do Alvará de nº 3.195/2013 nem tampouco o DARF do recolhimento do IRPF. Estou anexando neste processo cópia do Alvará de nº 3.195/2013, além dele mais uma vez o Comprovante de Retenção de Imposto de Renda de Depósitos Judiciais, que segundo a Caixa Econômica Federal é o DARF relativo a este Alvará, mas assim mesmo a Gerente da CEF, Srª. Claire Lauxem, me forneceu outro Comprovante de Rendimentos Pagos – AnoCalendário de 2013, relativo ao valor a mim cobrados, que envio cópia anexa. À vista de todo exposto, demonstrada a insubsistência da ação fiscal, espera e requer a recorrente seja acolhido o presente recurso para o fim de assim ser decidido, cancelandose o débito fiscal reclamado. É o relatório. Voto Conselheiro Jose Alfredo Duarte Filho Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. A lide se limita a comprovação documental do valor de R$ 3.904,26, referente à retenção e recolhimento do imposto de renda na fonte de rendimentos recebidos por decisão judicial. Na Declaração de Ajuste Anual Original, entregue pelo Recorrente foi informado no espaço destinado a Rendimentos Tributáveis Recebidos de Pessoa Jurídica pelo Titular, os valores recebidos do Instituto Nacional de Previdência Social INSS e Caixa Beneficente dos Empregados da CSN, de forma regular, com os respectivos descontos e retenções, fl. 23. Também foi informado, no espaço destinado a Rendimentos Tributáveis de Pessoa Jurídica Recebidos Acumuladamente pelo Titular, o valor de R$ 23.834,03 recebido da Companhia Siderúrgica Nacional – CSN, por decisão judicial, com a correspondente retenção na fonte do imposto de renda no valor de R$ 3.904,26, fl.24. A exigência da Autoridade Tributante é de comprovação documental especialmente quanto à retenção e recolhimento dos valores informados, como se vê na seguinte expressão conclusiva da decisão da DRJ, fl. 33: Fl. 48DF CARF MF 4 Assim, sem que o requerente tenha trazido provas contundentes de que sofreu o desconto do IRRF sobre os rendimentos recebidos acumuladamente, não há que se falar em cancelamento da infração. Em atendimento ao requerido pela Autoridade Tributante foi juntado ao processo, por ocasião do Recurso Voluntário, o Alvará Judicial nº 3195/2013 que determina a Caixa Econômica Federal a providência do recolhimento à Fazenda Nacional o valor correspondente ao imposto retido, mencionando como contribuinte o Recorrente Roberto Dutra Lima, CPF 210.706.01691, conforme fl. 41 dos autos. Também foi anexado aos autos, fl. 42, cópia do comprovante do recolhimento eletrônico do imposto de renda retido na fonte por ocasião da disponibilização dos rendimentos ao Recorrente no valor de R$ 3.904,26. Referido documento identifica o Alvará Judicial nº 3195 e o nome do contribuinte Roberto Luiz Dutra Lima CPF 210.706.016 91, e data de recolhimento em 13/11/2013 na Caixa Econômica Federal de Volta Redonda RJ. Na fl. 43 consta cópia do documento de registro do Sistema Demonstrativo de Movimentação Financeira da Caixa Econômica Federal, identificado como “comprovante de rendimentos pagos e de IRRF anocalendário de 2013”, em que informa tratarse de recursos da Justiça do Trabalho, no valor de R$ 3.904,26, referente ao contribuinte Roberto Luiz Dutra Lima CPF 210.706.01691. Assim, pelo que consta dos autos a comprovação documental apresentada pelo Recorrente supre suficientemente o requerido de sua parte como contribuinte, especialmente quanto ao valor recebido pela juntada dos Alvarás Judiciais do Tribunal Regional do Trabalho da 1ª Região para liberação do valor dos rendimentos e do imposto de renda retido na fonte e recolhido ao Tesouro Nacional. Por isso, considerase suficientemente comprovada a exigência da Autoridade Tributante. Por todo o exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário e no mérito DAR PROVIMENTO, para excluir o crédito tributário no valor de R$ 3.904,26, pela improcedência do Lançamento. (assinado digitalmente) Jose Alfredo Duarte Filho Fl. 49DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11065.918569/2009-31
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 27 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Apr 15 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3201-001.849
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência.
(assinatura digital)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente.
(assinatura digital)
Marcelo Giovani Vieira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinícius Toledo de Andrade, Laércio Cruz Uliana Júnior.
Nome do relator: MARCELO GIOVANI VIEIRA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. (assinatura digital) Charles Mayer de Castro Souza - Presidente. (assinatura digital) Marcelo Giovani Vieira - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinícius Toledo de Andrade, Laércio Cruz Uliana Júnior.
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. (assinatura digital) Charles Mayer de Castro Souza Presidente. (assinatura digital) Marcelo Giovani Vieira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinícius Toledo de Andrade, Laércio Cruz Uliana Júnior. Relatório Reproduzo o relatório da primeira instância administrativa: O interessado transmitiu a Dcomp nº 39877.78129.170108.1.3.04 2360, visando compensar os débitos nela declarados, com crédito oriundo de pagamento indevido ou a maior, código 5856, efetuado em 20/11/2007; RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 10 65 .9 18 56 9/ 20 09 -3 1 Fl. 60DF CARF MF Processo nº 11065.918569/200931 Resolução nº 3201001.849 S3C2T1 Fl. 3 2 A DRF de origem emitiu Despacho Decisório eletrônico, no qual não reconhece o direito creditório e não homologa as compensações pleiteadas; A empresa apresenta manifestação de inconformidade, na qual alega, em síntese, que informou com erro o valor do débito na DCTF; A DRJ/Juiz de Fora/MG, pormeio do Acórdão 0955.370, de 06/11/2014, decidiu pela improcedência da Manifestação de Inconformidade. Transcrevo a ementa: COMPENSAÇÃO. NECESSIDADE DE DCTF ANTERIOR À TRANSMISSÃO DA DCOMP. A compensação pressupõe a existência de direito creditório líquido e certo, direito esse evidenciado na DCTF anterior ou, no máximo, contemporânea à Dcomp. DÉBITO INFORMADO EM DCTF. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DO ERRO. A simples retificação de DCTF para alterar valores originalmente declarados, desacompanhada de documentação hábil e idônea, não pode ser admitida para modificar Despacho Decisório. COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Constatada a inexistência do direito creditório por meio de informações prestadas pelo interessado à época da transmissão da Declaração de Compensação, cabe a este o ônus de comprovar que o crédito pretendido já existia naquela ocasião. No Recurso Voluntário, a empresa alega já ter apresentado, na Impugnação, prova do indébito, por meio de página do Livro Razão, assinada por técnico contábil. É o relatório. Voto Conselheiro Marcelo Giovani Vieira, Relator O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade. Observo inicialmente que a DCTF retificadora, em 16/10/2009, (fl. 26) foi apresentada antes a ciência do Despacho Decisório, em 20/10/2009 (fl. 40/41). Mas o Despacho Decisório foi emitido antes da retificação, em 07/10/2009 (fl. 2). A DCTF é o instrumento formal para confissão de débito, no lançamento por homologação (Decretolei 2.124/84), de modo que o crédito tributário representado pelo valor integral do Darf foi formalmente constituído. A DCTF retificadora apresentada antes de qualquer procedimento de ofício tem o mesmo valor da original, e a substitui integralmente, porque a motivação da alteração é espontânea. Todavia, após qualquer procedimento de ofício, a retificação da DCTF incide em Fl. 61DF CARF MF Processo nº 11065.918569/200931 Resolução nº 3201001.849 S3C2T1 Fl. 4 3 ausência de espontaneidade, caracterizando vício de motivação, e por isso, exige comprovação material. Vejase a Instrução Normativa RFB 974/2009: Art. 9º A alteração das informações prestadas em DCTF, nas hipóteses em que admitida, será efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. § 1º A DCTF retificadora terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente, e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados. No presente caso, a retificação DCTF aparentemente foi espontânea, porque feita antes do recebimento do Despacho Decisório, de acordo com os documentos acostados aos autos. O Despacho Decisório, por sua vez, emitido antes da retificação da DCTF. A recorrente apresentou, na Manifestação de Inconformidade, elemento probatório que não foi objeto de apreciação fiscal, parte do Livro Razão, fl. 12. Tratase de elemento probante que somente pode ser afastado com contraprova, a cargo do Fisco, cf. art. 226 do Código Civil: Art. 226. Os livros e fichas dos empresários e sociedades provam contra as pessoas a que pertencem, e, em seu favor, quando, escriturados sem vício extrínseco ou intrínseco, forem confirmados por outros subsídios. Parágrafo único. A prova resultante dos livros e fichas não é bastante nos casos em que a lei exige escritura pública, ou escrito particular revestido de requisitos especiais, e pode ser ilidida pela comprovação da falsidade ou inexatidão dos lançamentos. Além disso, o Parecer Cosit 2/2015 orienta: 19. Dependendo do momento ou situação em que o PER é indeferido ou a DCOMP é apresentada ou a intimação para autorregularização é feita ou que a não homologação é decidida, é possível que o sujeito passivo não possa mais retificar sua DCTF por alguma restrição contida na IN RFB nº 1.110, de 2010. A autoridade administrativa ou julgadora, contudo, ao analisar o caso concreto, pode reconhecer ou não o crédito do sujeito passivo de acordo com as circunstâncias fáticas e/ou materiais contidas no processo. Assim, e com base no artigo 291, combinado com artigo 16, §§4º e 6º2, do PAF, e no princípio da verdade material, proponho a conversão do julgamento em diligência, para 1 Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias. 2 Art. 16. A impugnação mencionará: (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; Fl. 62DF CARF MF Processo nº 11065.918569/200931 Resolução nº 3201001.849 S3C2T1 Fl. 5 4 que o Fisco tenha a oportunidade de aferir a idoneidade dos documentos apresentados no Recurso Voluntário, em confronto com os respetcivos livros e lastros, conforme o Fisco entender necessário e/ou cabível, e produção de relatório conclusivo sobre a pretendia compensação. Após, a recorrente deve ser cientificada, com oportunidade para manifestação, e o processo deve retornar ao Carf para prosseguimento do julgamento. (assinatura digital) Marcelo Giovani Vieira Relator b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (...) § 6º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pela autoridade julgadora de segunda instância. Fl. 63DF CARF MF
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Numero do processo: 10825.901236/2017-71
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 29 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Apr 03 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3201-001.607
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do Recurso em diligência.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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IMUNIDADE. ENTIDADES BENEFICENTES DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. Recorrente IRMANDADE DA SANTA CASA DE MACATUBA Recorrida FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do Recurso em diligência. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior. Relatório Tratase de pedido de Restituição de PIS. A DRF em Bauru/SP, mediante Despacho Decisório, indeferiu o pleito sob o fundamento de que o pagamento indicado no PER encontravase totalmente alocado/vinculado a débito declarado da contribuinte. Na manifestação apresentada a contribuinte afirma que a contribuição ao PIS é indevida porque no julgamento do RE nº 636.941/RS houve decisão do STF, com repercussão geral, no sentido de que as “entidades beneficentes de assistência social possuem imunidade tributária em relação à contribuição destinada ao Programa de Integração Social (PIS).” Informa que solicitou a extinção da dívida constante do processo de parcelamento nº 10825.722624/201615 com base na nota explicativa PGFN/CASTF 637/2014. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 25 .9 01 23 6/ 20 17 -7 1 Fl. 135DF CARF MF Processo nº 10825.901236/201771 Resolução nº 3201001.607 S3C2T1 Fl. 3 2 Esclarece ainda, que em razão dessa decisão retificou a DCTF e solicitou a restituição dos valores pagos. Informa que está anexando Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social, Ata e Estatuto Social, solicitando o deferimento do pedido. Após exame da defesa apresentada a DRJ proferiu acórdão, cuja ementa se transcreve, na parte de interesse: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP SOBRE A FOLHA DE SALÁRIOS. ENTIDADES BENEFICENTES DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. IMUNIDADE. RECURSO EXTRAORDINÁRIO Nº 636.941/RS. REQUISITOS. O Supremo Tribunal Federal, ao julgar o recurso extraordinário nº 636.941/RS, no rito do art. 543B da revogada Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 antigo Código de Processo Civil, decidiu que são imunes à Contribuição ao PIS/Pasep, inclusive quando incidente sobre a folha de salários, as entidades beneficentes de assistência social, desde que comprovem o atendimento aos requisitos legais, quais sejam, aqueles previstos nos artigos 9º e 14 do CTN, bem como no art. 55 da Lei nº 8.212, de 1991 (atualmente, art. 29 da Lei nº 12.101, de 2009). Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cientificada da decisão acima a contribuinte apresentou diversos documentos, que informa preencherem os requisitos dos artigos 9º e 14 do CTN. Apresentou Recurso Voluntário alegando, em síntese, que cumpriu todos os requisitos estabelecidos em lei para usufruir da imunidade em comento. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução 3201001.598, de 29/01/2019, proferido no julgamento do processo 10825.901227/201781, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela Resolução (3201001.598): "O Recurso Voluntário preenche todos os requisitos e merece ser conhecido. Fl. 136DF CARF MF Processo nº 10825.901236/201771 Resolução nº 3201001.607 S3C2T1 Fl. 4 3 Inicialmente verifico que o contribuinte apresentou parte dos documentos exigidos inicialmente pela DRF para demonstrar a imunidade. No entanto, foi indeferido o pleito por “porque o pagamento indicado para dar suporte ao pleito encontravase totalmente alocado/vinculado a débito da contribuinte.” Ainda o Contribuinte demonstrou que houve parcelamento do débito, sendo que a DRJ proferiu voto reconhecendo o parcelamento, porém, indeferindo o pedido por entender que o Contribuinte não tinha apresentado todos os documentos nos termos do art. 9º e 14 do CTN, combinado com o art. 29 da Lei nº 12.101. Contudo, após proferido Acórdão pela DRJ o Contribuinte apresentou os demais documentos necessários para concessão dos benefícios da imunidade, juntamente com o Recurso Voluntário. Nesse sentido, já se manifestou a 1ª Turma da CSRF: Ementa(s) Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Ano calendário:1999, 2000, 2001, 2002 RATEIO DE DESPESAS. DEDUTIBILIDADE. É válida a adoção de método de aferição indireta de rateio de despesas quando o contribuinte não fornece à fiscalização os documentos necessários para ser aferido o cumprimento do critério de rateio convencionado. INGRESSOS DE VALORES RECEBIDOS POR CONSTITUIÇÃO DE USUFRUTO ONEROSO. Os ingressos oriundos da constituição de usufruto oneroso devem ser tributáveis ao longo do período de usufruto .Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário:1999, 2000, 2001, 2002 PROVAS. RECURSO VOLUNTÁRIO. APRESENTAÇÃO. POSSIBILIDADE. SEM INOVAÇÃO E DENTRO DO PRAZO LEGAL. Da interpretação sistêmica da legislação relativa ao contencioso administrativo tributário, art. 5º, inciso LV da Lei Maior, art. 2º da Lei nº 9.784, de 1999, que regula o processo administrativo federal, e arts. 15 e 16 do PAF, evidenciase que não há óbice para apresentação de provas em sede de recurso voluntário, desde que sejam documentos probatórios que estejam no contexto da discussão de matéria em litígio, sem trazer inovação, e dentro do prazo temporal de trinta dias a contar da data da ciência da decisão recorrida. ALTERAÇÃO DE CRITÉRIO JURÍDICO. Descabe falar em alteração de critério jurídico quando a decisão recorrida mantém o enquadramento legal e a interpretação dos fatos adotados pela Fiscalização, mas exonera parcela do crédito tributário por entender que alguns valores deveriam ser reconhecidos em outros períodos de apuração.Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário:1999, 2000, 2001, 2002 DECADÊNCIA. A decadência prevista no artigo 150, §4º, do Código Tributário Nacional somente ocorre quando há pagamento antecipado do tributo, conforme jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça ao julgar o Recurso Especial nº 973.733SC, representativo de controvérsia. 16327.001227/200542. Data da Sessão 08/08/2017. Adriana Gomes Rêgo Relatora. André Mendes de Moura Redator Designado. Acórdão 9101 003.003 Verificando que o Contribuinte sempre atendeu o pleito da fiscalização, converto o feito em julgamento para que a DRF , verifique os documentos juntados são hábeis e se em seu entender são preenchidos os requisitos do art. 9º e 14, combinado com o art. 29 da Lei nº 12.101. Verificando que o Contribuinte sempre atendeu o pleito da fiscalização, converto o feito em diligência para que a DRF, verifique os documentos juntados são hábeis e se em seu entender são preenchidos os requisitos do art. 9º e 14, combinado com o art. 29 da Lei nº 12.101. Ainda, podendo intimar o contribuinte que apresente outros documentos que ache necessário." Fl. 137DF CARF MF Processo nº 10825.901236/201771 Resolução nº 3201001.607 S3C2T1 Fl. 5 4 Importante salientar que, da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo o contribuinte também juntou declarações e documentos fiscais que embasam a alegação da imunidade que entende possuir direito. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência do paradigma, também a justificam nos presentes autos. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado converteu o julgamento em diligência para que a DRF verifique se os documentos juntados são hábeis e se, em seu entender, são preenchidos os requisitos do art. 9º e 14, combinado com o art. 29 da Lei nº 12.101, podendo, ainda, intimar o contribuinte a apresentar outros documentos que ache necessários. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 138DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 35348.005534/2006-80
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 12 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Mar 07 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/02/1999 a 31/12/2005
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO.
Verificada omissão no acórdão de recurso voluntário, cabe o correspondente saneamento via embargos, sem modificação, in casu, quanto ao resultado do julgamento.
Numero da decisão: 2402-006.918
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em acolher os embargos de declaração, sem efeitos infringentes, para sanar a omissão apontada. Vencidos os Conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci e Renata Toratti Cassini que acolheram os embargos, com efeitos infringentes, dando provimento ao recurso voluntário quanto ao plano de previdência.
Julgamento iniciado na sessão de 18/1/19, com início às 9h, e concluído na sessão de 12/2/19, com início às 9h.
(assinado digitalmente)
Denny Medeiros da Silveira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Gregório Rechmann Junior- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Denny Medeiros da Silveira, Luis Henrique Dias Lima, João Victor Ribeiro Aldinucci, Paulo Sérgio da Silva, Wilderson Botto (Suplente Convocado), Maurício Nogueira Righetti, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Junior.
Nome do relator: GREGORIO RECHMANN JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/02/1999 a 31/12/2005 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. Verificada omissão no acórdão de recurso voluntário, cabe o correspondente saneamento via embargos, sem modificação, in casu, quanto ao resultado do julgamento.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em acolher os embargos de declaração, sem efeitos infringentes, para sanar a omissão apontada. Vencidos os Conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci e Renata Toratti Cassini que acolheram os embargos, com efeitos infringentes, dando provimento ao recurso voluntário quanto ao plano de previdência. Julgamento iniciado na sessão de 18/1/19, com início às 9h, e concluído na sessão de 12/2/19, com início às 9h. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira - Presidente. (assinado digitalmente) Gregório Rechmann Junior- Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Denny Medeiros da Silveira, Luis Henrique Dias Lima, João Victor Ribeiro Aldinucci, Paulo Sérgio da Silva, Wilderson Botto (Suplente Convocado), Maurício Nogueira Righetti, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Junior.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1671; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T2 Fl. 1.393 1 1.392 S2C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 35348.005534/200680 Recurso nº Embargos Acórdão nº 2402006.918 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 12 de fevereiro de 2019 Matéria CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS Embargante SEARA ALIMENTOS S/A Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/02/1999 a 31/12/2005 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. Verificada omissão no acórdão de recurso voluntário, cabe o correspondente saneamento via embargos, sem modificação, in casu, quanto ao resultado do julgamento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em acolher os embargos de declaração, sem efeitos infringentes, para sanar a omissão apontada. Vencidos os Conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci e Renata Toratti Cassini que acolheram os embargos, com efeitos infringentes, dando provimento ao recurso voluntário quanto ao plano de previdência. Julgamento iniciado na sessão de 18/1/19, com início às 9h, e concluído na sessão de 12/2/19, com início às 9h. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Presidente. (assinado digitalmente) Gregório Rechmann Junior Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Denny Medeiros da Silveira, Luis Henrique Dias Lima, João Victor Ribeiro Aldinucci, Paulo Sérgio da Silva, Wilderson Botto (Suplente Convocado), Maurício Nogueira Righetti, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Junior. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 35 34 8. 00 55 34 /2 00 6- 80 Fl. 1393DF CARF MF Processo nº 35348.005534/200680 Acórdão n.º 2402006.918 S2C4T2 Fl. 1.394 2 Relatório Tratamse de Embargos de Declaração interpostos por SEARA ALAIMENTOS S/A (fls. 1.147), por meio do qual se alega a existência de omissão no Acórdão de Recurso Voluntário nº 20601.013 (fls. 862), cuja ementa transcrevese: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/02/1999 a 31/12/2005 SALÁRIO INDIRETO. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. INCIDÊNCIA. INOBSERVÂNCIA LEGISLAÇÃO DE REGÊNCIA. Somente não integram a base de cálculo das contribuições previdenciárias as verbas concedidas aos segurados empregados e/ou contribuintes individuais da empresa que observarem os requisitos inscritos nos dispositivos legais que regulam a matéria, notadamente artigo 28, § 9º, da Lei n° 8.212/91, o qual. deverá ser interpretado de maneira literal e restritiva, conforme preceitos do artigo 111, inciso II, e 176, do Códex Tributário. CORESPONSABILIZAÇÃO DOS SÓCIOS DA EMPRESA. A indicação dos sócios da empresa no anexo da notificação fiscal denominado CORESP não representa nenhuma irregularidade e/ou ilegalidade, eis que referida co responsabilização em relação ao crédito previdenciário constituído, encontra respaldo nos dispositivos legais que regulam a matéria, especialmente no artigo 13, parágrafo único, da Lei n° 8.620/1993, c/c artigo 660, inciso X, da Instrução Normativa n° 03/2005. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. PRAZO QUINQUENAL. O prazo decadencial para a constituição dos créditos previdenciários é de 05 (cinco) anos, contados da data da ocorrência do fato gerador do tributo, nos termos do artigo 150, § 4º, do Código Tributário Nacional, tendo em vista a declaração da inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei n° 8.212/91, pelo Supremo Tribunal Federal, nos autos dos RE's n°s 556664, 559882 e 560626, oportunidade em que fora aprovada Súmula Vinculante n° 08, disciplinando a matéria. Recurso Voluntário Provido em Parte. Os embargos de declaração foram interpostos com esteio no art. 65, § 1º, inciso III, do Anexo II do RICARF, sendo nele alegada omissão no julgado em relação a três matérias, a saber: * Omissão em relação à Previdência Complementar – BUNGEPREV; Fl. 1394DF CARF MF Processo nº 35348.005534/200680 Acórdão n.º 2402006.918 S2C4T2 Fl. 1.395 3 * Omissão em relação à Bolsa de Estudos; e * Omissão em relação à Desistência da discussão em relação a parte dos valores autuados. Mediante despacho de fls. 1.240/1.246, os embargos foram parcialmente admitidos para apreciação da omissão referente à previdência complementar. É o relatório. Voto Conselheiro Gregório Rechmann Junior Relator Da tempestividade Nos termos do Despacho de Admissibilidade, tendo em vista que ciência do contribuinte ocorreu em 20/3/12, terçafeira, temse pela tempestividade dos embargos, nos termos do RICARF, Anexo II, art. 65, § 1º, haja vista terem sido apresentados em 26/3/12, segundafeira. Da alegada omissão quanto à Previdência Complementar Neste ponto, aduz a Embargante que: Conforme se depreende dos autos, em relação aos pagamentos a título de Previdência Complementar, o Agente Fiscal e a DRJ entenderam que o respectivo plano não seria extensivo a todos os empregados, por não guardarem identidade entre os valores depositados mensalmente, razão pela qual entenderam estar sujeito à incidência das contribuições previdenciárias. Contudo, restou demonstrado no Recurso Voluntário que o plano de Previdência Complementar firmado pela Embargante é, de fato, extensível a todos os seus funcionários, havendo apenas distinção quanto à possibilidade de alguns trabalhadores (com maior remuneração) efetuarem depósitos nas contas de previdência complementar. [...] A única ressalva, que não se confunde com restrição, se refere à forma de custeio do plano de previdência complementar. Para os empregados cuja remuneração fosse inferior a 10 Unidades de Referência, o plano era custeado apenas com contribuições da empresa e, para os empregados cuja remuneração fosse superior a 10 "URs", o custeio do plano ocorria por intermédio da contribuição da empresa e de eventuais contribuições do próprio empregado. Fl. 1395DF CARF MF Processo nº 35348.005534/200680 Acórdão n.º 2402006.918 S2C4T2 Fl. 1.396 4 Segundo se infere dos embargos, ao concluir que a previdência complementar não teria sido estendida à totalidade dos empregados, entendendo que foi paga somente àqueles com salário superior a 10 Unidades de Referência (URs), a decisão embagada teria se omitido quanto ao fato de que para empregados cuja remuneração fosse inferior a 10 URs, o plano era custeado apenas com contribuições da empresa, e para os empregados cuja remuneração fosse superior a 10 URs, o custeio do plano ocorria por intermédio de contribuição da empresa e de eventuais contribuições dos próprios empregados. Para melhor análise da questão, vejamos, primeiramente, o que restou consignado na decisão embargada: Voltando à análise do caso sub examine, passamos a contemplar individualmente as verbas concedidas pela recorrente aos seus funcionários: a) Previdência Complementar BUNGEPREV verificase dos autos que a contribuinte pagou importâncias a título de plano de previdência complementar, impondo condições restritivas fazendo com que não fosse estendida à totalidade dos funcionários, malferindo o disposto no artigo 28, § 9º, alínea "p", da Lei n° 8.212/91. Melhor elucidando, somente os funcionários que recebem salário superior a 10 UR, após o cumprimento de período de experiência, fará jus a tal benefício; Como se vê na transcrição acima, para a decisão embargada, a previdência complementar teria sido paga apenas aos empregados com salário superior a 10 URs, descumprindo o disposto no art. 28, § 9º, alínea “p” da Lei 8.212/91. Cabe destacar que nada mais foi dito, na decisão, quanto à previdência complementar. Diante desse quadro, impõese verificar quais foram as alegações constantes do Recurso Voluntário, fls. 816 a 841: PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR Conforme apontado pela Auditoria Fiscal no relatório que fundamenta a presente autuação, a Recorrente {patrocinadora) criou um plano de previdência complementar disponível a todos os seus empregados. Com efeito, a Recorrente adota a seguinte política: todos os empregados podem aderir ao plano de previdência. Porém, para os empregados cuja remuneração é inferior a 10 URs, o plano de previdência é composto apenas pelas contribuições da empresa, enquanto o plano de previdência para os empregados cuja remuneração é superior a 10 URs, também é composto por contribuições dos empregados. No entanto, esta diferenciação realizada pela Recorrente que visa tão somente proteger o equilíbrio das relações não autoriza concluir que deixou de disponibilizar o plano de previdência para todos os seus empregados, já que não desatende a norma contida no artigo 16, da Lei Complementar n° 109/2001: Fl. 1396DF CARF MF Processo nº 35348.005534/200680 Acórdão n.º 2402006.918 S2C4T2 Fl. 1.397 5 "Os planos de benefícios devem ser, obrigatoriamente, oferecidos a todos os empregados dos patrocinadores ou associados dos instituidores", o que foi amplamente atendido pela Recorrente, como a própria Auditoria Fiscal constatou. Notese, que a obrigatoriedade de abrangência dos planos de previdência se refere exclusivamente ao seu oferecimento para todos os empregados, o que em absolutamente nada se confunde com quem financia tal benefício ou o valor do benefício concedido. Realmente, não há neste artigo ou em qualquer outro da legislação que versa sobre o tema, vedação ou limitação de quem contribui para o plano, desde que todos os empregados recebam o benefício. [...] Portanto, o fato da Recorrente autorizar contribuições adicionais apenas pelos empregados que recebam mais de 10 URs não modifica o objetivo do plano de previdência, não exclui qualquer empregado deste benefício, bem como não altera a natureza desta verba, que é iminentemente não salarial. [...] [...] os pagamentos realizados a título de previdência complementar também se enquadram à hipótese de isenção prevista na alínea " p ", do parágrafo 9º, do artigo 28 da Lei n° 8.212/91 [... ]. (Grifos no original) Conforme se observa nas alegações recursais, o Recorrente disse, expressamente, que a previdência complementar foi estendida a todos os empregados, sendo que para os empregados com remuneração inferior a 10 URs, apenas a empresa realizava as contribuições, e para empregados com remuneração superior a 10 URs, as contribuições eram pagas também pelos empregados. Ademais, segundo o Recurso Voluntário, tal política de previdência complementar não encontraria óbice na “legislação que versa sobre o tema”, uma vez que “todos os empregados receberam o benefício”. Ocorre que, apesar da coerência e razoabilidade das razões recursais neste particular, o Recorrente nada apresentou para comprovar suas alegações. Registrese, pela sua importância, que a Nota Administrativa de fls. 486/491, documento que tem por objetivo estabelecer os procedimentos para orientação das funções e controles da Previdência Privada – BUNGEPREV/SEARAPREV, nada dispõe acerca da participação dos empregados com remuneração inferior a 10 URs no referido plano de previdência complementar. Sobre a matéria, a fiscalização destacou no Relatório Fiscal que: Fl. 1397DF CARF MF Processo nº 35348.005534/200680 Acórdão n.º 2402006.918 S2C4T2 Fl. 1.398 6 3.11. Para se ter uma ideia de quantos trabalhadores estão excluídos do plano de previdência complementar da empresa (que não podem ser contribuintes), colocamos a seguinte relação: na folha de pagamento de 01/2004, de um total de 12.847 trabalhadores, apenas 514 tiveram valores lançados na rubrica "164 – Bungeprev Normal" em torno de 4% — e em 12/2005 apenas 595 de um total de 16.342 — em torno de 3.6,%. Ou seja, poderíamos dizer que mais de 96% dos trabalhadores não satisfazem as condições exigidas pela empresa, citadas no item anterior. Diante de tais considerações, em que pese o esforço argumentativo da Contribuinte, seu inconformismo, contudo, não tem o condão de macular a exigência fiscal em comento. Do exame dos elementos que instruem o processo, constatase que a autoridade lançadora e, bem assim, o julgador de primeira instância, agiram da melhor forma, com estrita observância da legislação de regência, não se cogitando na improcedência do lançamento na forma requerida pela Recorrente. Conclusão Diante de todo o exposto, voto por acolher os embargos, sem efeitos modificativos, para que, sanando a omissão apontada no Acórdão nº 20601.013, a fundamentação do presente voto passe a integrar a fundamentação da decisão embargada. (assinado digitalmente) Gregório Rechmann Junior Fl. 1398DF CARF MF
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Numero do processo: 10920.001443/2005-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 19 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Apr 22 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 1999
SERVIÇOS HOSPITALARES CARACTERIZAÇÃO. ALÍQUOTA REDUZIDA. POSSIBILIDADE.
À luz do entendimento fixado pelo Superior Tribunal de Justiça em sede de recurso repetitivo, a expressão serviços hospitalares para fins de quantificação do lucro presumido por meio do percentual mitigado de 8%, inferior àquele de 32% dispensado aos serviços em geral, deve ser objetivamente interpretado e alcança todas as atividades tipicamente promovidas em hospitais, mesmo eventualmente prestadas por outras pessoas, como clínicas.
Numero da decisão: 1401-003.257
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar parcial provimento ao recurso, para reconhecer o direito da recorrente de tributar suas receitas em relação ao IRPJ e à CSLL, pelas alíquotas reduzidas de 8% e 12% respectivamente, na forma Lei nº 9.249/95, art. 15, III, "a" e art. 20, mas sem homologar a compensação, por ausência de análise da sua liquidez pela unidade de origem, com o conseqüente retorno dos autos à jurisdição da contribuinte, para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pretendido em compensação, oportunizando ao contribuinte a possibilidade de apresentação de documentos e esclarecimentos que se fizerem necessários.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves- Presidente.
(assinado digitalmente)
Abel Nunes de Oliveira Neto- Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Abel Nunes de Oliveira Neto, Daniel Ribeiro Silva, Cláudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Carlos André Soares Nogueira, Letícia Domingues Costa Braga, Eduardo Morgado Rodrigues, Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente).
Nome do relator: ABEL NUNES DE OLIVEIRA NETO
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ALÍQUOTA REDUZIDA. POSSIBILIDADE. À luz do entendimento fixado pelo Superior Tribunal de Justiça em sede de recurso repetitivo, a expressão “serviços hospitalares” para fins de quantificação do lucro presumido por meio do percentual mitigado de 8%, inferior àquele de 32% dispensado aos serviços em geral, deve ser objetivamente interpretado e alcança todas as atividades tipicamente promovidas em hospitais, mesmo eventualmente prestadas por outras pessoas, como clínicas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar parcial provimento ao recurso, para reconhecer o direito da recorrente de tributar suas receitas em relação ao IRPJ e à CSLL, pelas alíquotas reduzidas de 8% e 12% respectivamente, na forma Lei nº 9.249/95, art. 15, III, "a" e art. 20, mas sem homologar a compensação, por ausência de análise da sua liquidez pela unidade de origem, com o conseqüente retorno dos autos à jurisdição da contribuinte, para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pretendido em compensação, oportunizando ao contribuinte a possibilidade de apresentação de documentos e esclarecimentos que se fizerem necessários. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente. (assinado digitalmente) Abel Nunes de Oliveira Neto Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Abel Nunes de Oliveira Neto, Daniel Ribeiro Silva, Cláudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 00 14 43 /2 00 5- 11 Fl. 203DF CARF MF Processo nº 10920.001443/200511 Acórdão n.º 1401003.257 S1C4T1 Fl. 204 2 Carlos André Soares Nogueira, Letícia Domingues Costa Braga, Eduardo Morgado Rodrigues, Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente). Relatório Trata o presente processo de pedido de restituição de créditos relativos a pagamento a maior de IRPJ que, segundo informações da empresa, foram realizados em razão da aplicação da alíquota de 32% enquanto que, no seu entender, seria aplicável a alíquota de 8% para as empresas de serviços hospitalares como de radiologia. Os créditos referiamse a pagamentos a maior realizados entre janeiro de 1999 e janeiro de 2000. O pedido foi indeferido pela delegacia de origem em razão de referirse a pagamentos a maior realizados a mais de cinco anos em função da aplicação da norma restritiva do art. 168, I do CTN. Cientificado da decisão o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade que foi julgada improcedente pela Delegacia não só em razão do decurso do prazo de cinco anos, como, também pela inexistência do direito de cálculo do IRPJ com as alíquotas do lucro presumido de 8%. Cientificado do acórdão da DRJ, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário no qual repisa as argumentações da manifestação no tocante à possibilidade de restituição dos valores pagos a maior nos últimos cinco anos e, também, em razão de entender ter direito à aplicação da alíquota de lucro presumido reduzida no percentual de 8%. O processo chegou então a este CARF para análise do recurso. É o relatório. Voto Fl. 204DF CARF MF Processo nº 10920.001443/200511 Acórdão n.º 1401003.257 S1C4T1 Fl. 205 3 Conselheiro Abel Nunes de Oliveira Neto O recurso é tempestivo e preenche os requisitos legais, assim dele tomo conhecimento. Conforme relatado acima o recurso prendese à análise de dois pontos específicos: 1) O direito à solicitação de restituição após o decurso de cinco anos do pagamento que extinguiu o crédito tributário; 2) O direito de a empresa, prestadora de serviços de endoscopia, ter seu lucro presumido calculado pela alíquota de 8%. Passemos à análise. 1) Decadência do direito de requerer a restituição Em relação à análise da decadência do direito de pedir a restituição temos que os valores pagos a maior referemse a pagamentos realizados entre janiero de 1999 e janeiro de 2000. O pedido de restituição do contribunte foi realizado apenas em 12/05/2005. Assim é que entendeu a delegacia de origem que estava decaído o direito do pedido de restituição por se referir a pagamentos realizados a mais de cinco anos. Ocorre, no entanto, que com a instituição da Lei Complementar nº 118/2005, foi estabelecida uma interpretação ao art. 168, I, do CTN, que colidiu com as decisões judiciais até então existentes que, em relação aos lançamentos por homologação, considerava a decadência como contada a partir da homologação tácita do lançamento, ou seja o prazo seria de 10 anos do pagamento. Vejase a norma da Lei Complementar: Art. 3o Para efeito de interpretação do inciso I do art. 168 da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional, a extinção do crédito tributário ocorre, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, no momento do pagamento antecipado de que trata o § 1o do art. 150 da referida Lei. Art. 4o Esta Lei entra em vigor 120 (cento e vinte) dias após sua publicação, observado, quanto ao art. 3o, o disposto no art. 106, inciso I, da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional. Ora, com a nova disposição legal interpretativa que, em teoria, seria aplicada aos processos ainda pendentes, a contagem da decadência deveria se iniciar a partir do recolhimento indevido e não da homologação do lançamento. Fl. 205DF CARF MF Processo nº 10920.001443/200511 Acórdão n.º 1401003.257 S1C4T1 Fl. 206 4 Assim, instado a se pronunciar, o STJ decidiu no sentido de que os efeitos da Lei Complementar somente se produziriam a partir da entrada em vigor da lei, ou seja, 09/06/2005, permanecendo o entendimento anterior em relação aos pedido protocolados anteriormente a esta data. Vejase o decidido pelo STJ. Desta forma, consoante orientação com efeitos erga omnes do STJ a contagem do prazo de decadência relativo aos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, como é o presente caso, mantémse na contagem de 10 anos para os pedidos protocolados até 09/06/2005. Neste sentido, levandose em consideração que o pedido do contribuinte foi protocolado em 12/05/2005, há de se considerar o direito de pedir restituição do mesmo posto que dentro do decência admitido pelo STJ para os casos de lançamento por homologação. Assim, voto no sentido de acatar o pedido e considerar firme o direito a pedir restituição na data apresentada pelo contribuinte em obediência ao entendimento formado em sede de recurso repetitivo firmado pelo STJ. 2) O direito de a empresa, prestadora de serviços de endoscopia, ter seu lucro presumido calculado pela alíquota de 8%. A análise do presente processo prendese, em síntese, à verificação da possibilidade de a empresa tributar seus lucros pelas alíquotas equivalentes a 8% em razão do exercício de atividades que possam ser consideradas como hospitalares. Vejamos o que determina a norma relativa à aplicação das alíquotas de serviços hospitalares: Art. 15. A base de cálculo do imposto, em cada mês, será determinada mediante a aplicação do percentual de 8% (oito por cento) sobre a receita bruta auferida mensalmente, observado o disposto no art. 12 do DecretoLei Fl. 206DF CARF MF Processo nº 10920.001443/200511 Acórdão n.º 1401003.257 S1C4T1 Fl. 207 5 no 1.598, de 26 de dezembro de 1977, deduzida das devoluções, vendas canceladas e dos descontos incondicionais concedidos, sem prejuízo do disposto nos arts. 30, 32, 34 e 35 da Lei no 8.981, de 20 de janeiro de 1995. (Redação dada pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) § 1º Nas seguintes atividades, o percentual de que trata este artigo será de: ................... III trinta e dois por cento, para as atividades de: (Vide Medida Provisória nº 232, de 2004) a) prestação de serviços em geral, exceto a de serviços hospitalares; a) prestação de serviços em geral, exceto a de serviços hospitalares e de auxílio diagnóstico e terapia, patologia clínica, imagenologia, anatomia patológica e citopatologia, medicina nuclear e análises e patologias clínicas, desde que a prestadora destes serviços seja organizada sob a forma de sociedade empresária e atenda às normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária – Anvisa; (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008) ......... Art. 20. A base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido, devida pelas pessoas jurídicas que efetuarem o pagamento mensal a que se referem os arts. 27 e 29 a 34 da Lei no 8.981, de 20 de janeiro de 1995, e pelas pessoas jurídicas desobrigadas de escrituração contábil, corresponderá a doze por cento da receita bruta, na forma definida na legislação vigente, auferida em cada mês do anocalendário, exceto para as pessoas jurídicas que exerçam as atividades a que se refere o inciso III do § 1o do art. 15, cujo percentual corresponderá a trinta e dois por cento. (Redação dada Lei nº 10.684, de 2003) (Vide Medida Provisória nº 232, de 2004) (Vide Lei nº 11.119, de 205) Base de cálculo da CSLL Estimativa e Presumido Art. 20. A base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido devida pelas pessoas jurídicas que efetuarem o pagamento mensal ou trimestral a que se referem os arts. 2º, 25 e 27 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, corresponderá a 12% (doze por cento) sobre a receita bruta definida pelo art. 12 do DecretoLei no 1.598, de 26 de dezembro de 1977, auferida no período, deduzida das devoluções, vendas canceladas e dos descontos incondicionais concedidos, exceto para as pessoas jurídicas que exerçam as atividades a que se refere o inciso III do § 1o do art. 15, cujo percentual corresponderá a 32% (trinta e dois por cento). (Redação dada pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) Pelo que se depreende da norma acima, a redação da norma ao tempo dos fatos geradores dos pagamentos a maior realizados apenas estabelecia a aplicação da alíquota reduzida àqueles que realizassem o exercício de serviços hospitalares. Fl. 207DF CARF MF Processo nº 10920.001443/200511 Acórdão n.º 1401003.257 S1C4T1 Fl. 208 6 Em contraparida, verificase a existência de Recurso Repetitivo nº 217, do STJ que, tratando do assunto, assim dispôs sobre os serviços hospitalares sujeitos à alíquota reduzida do lucro presumido. Vejase que o critério apresentado pelo STJ, seguindo o critério da Lei nº 9.249/95, é simples e objetivo. São enquadrados como serviços hospitalares os serviços de atendimento à saúde independentemente do local de prestação, excluindose, apenas, os serviços de simples consulta que não se identificam com as atividades prestadas em âmbito hospitalar. A decisão proferida pelo STJ, aplicável ao caso dos autos, trata a norma redutora da alíquota de forma objetiva. Assim, o serviço que tenha natureza hospitalar, qual seja, diagnóstico, tratamento, internação, quer seja desenvolvido nos hospitais ou fora deles, com exceção apenas das simples consultas, devem ser considerados serviços hospitalares e, assim, estão sujeitos à alíquota reduzida estabelecida pela Lei nº 9.249/95, art. 15, III, "a" e art. 20. Comungam deste entendimento os seguintes julgados, inclusive desta mesma câmara em época anterior à entrada deste relator no colegiado. Acórdão nº 1401001.434 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 09 de dezembro de 2015 Matéria Imposto de Renda Pessoa Jurídica Recorrente Instituto Guaçuano de Orrino laringologia S/S Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2006 SERVIÇOS HOSPITALARES CARACTERIZAÇÃO Fl. 208DF CARF MF Processo nº 10920.001443/200511 Acórdão n.º 1401003.257 S1C4T1 Fl. 209 7 À luz do entendimento fixado pelo Superior Tribunal de Justiça em sede de recurso repetitivo, a expressão “serviços hospitalares” para fins de quantificação do lucro presumido por meio do percentual mitigado de 8%, inferior àquele de 32% dispensado aos serviços em geral, deve ser objetivamente interpretado e alcança todas as atividades tipicamente promovidas em hospitais, mesmo eventualmente prestadas por outras pessoas, como clínicas. Acórdão nº 1401001.433 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 09 de dezembro de 2015 Matéria Imposto de Renda Pessoa Jurídica Recorrentes Hemoclínica Serviços de Hemoterapia Ltda Fazenda Nacional ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário:2006, 2007, 2008, 2009 SERVIÇOS HOSPITALARES CARACTERIZAÇÃO À luz do entendimento fixado pelo Superior Tribunal de Justiça em sede de recurso repetitivo, a expressão “serviços hospitalares” para fins de quantificação do lucro presumido por meio do percentual mitigado de 8%, inferior àquele de 32% dispensado aos serviços em geral, deve ser objetivamente interpretado e alcança todas as atividades tipicamente promovidas em hospitais, mesmo eventualmente prestadas em ambientes externos ou por outras pessoas, como hemoclínicas. Acórdão nº 9101001.559 – 1ª Turma Sessão de 23 de janeiro de 2013 Matéria IRPJ Exercícios 1999 a 2001 Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado CAMP IMAGEM NUCLEAR S/C LTDA ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1998, 1999, 2000 SERVIÇOS HOSPITALARES. SERVIÇOS DE DIAGNÓSTICOS POR IMAGEM MEDICINA NUCLEAR. LUCRO PRESUMIDO. DETERMINAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. COEFICIENTE DE 8%. No julgamento do Recurso Especial nº 1.116.399/BA (2009/00064810), na sistemática dos recursos especiais repetitivos, o STJ decidiu que a expressão "serviços hospitalares", constante do artigo 15, § 1º, inciso III, da Lei nº 9.249/95, deve ser interpretada de forma objetiva (ou seja, sob a perspectiva da atividade realizada pelo contribuinte), porquanto a lei, ao conceder o benefício fiscal, não considerou a característica ou a estrutura do contribuinte em si (critério subjetivo), mas a natureza do próprio serviço prestado (assistência à saúde). Fl. 209DF CARF MF Processo nº 10920.001443/200511 Acórdão n.º 1401003.257 S1C4T1 Fl. 210 8 Do exposto, comungando do entendimento exposado pelo STJ no sentido de que a redução de alíquota tem caráter objetivo em razão do tipo de serviços prestados pela empresa. No caso dos autos, inobstante a argumentação da Decisão atacada de que não restou comprovado a prestação de serviços relacionados a hospitalares pelo contribuinte, havemos de esclarecer que a Decisão da DRJ não pode inovar nos fundamentos utilizados pela Delegacia de Origem para o não reconhecimento dos créditos. Vejase que na decisão original o não reconhecimento dos créditos deveuse ao fato de a autoridade administrativa entender que a recorrente não possuía direito aos créditos em razão da decadência do direito de pedir a restituição em nada tratando acerca da impossibilidade de utilização da alíquota por não se enquadrar como atividade hospitalar. Ora, no caso em exame os serviços realizados pela empresa não podem se enquadrar como de simples consultas, vez que tem, obrigatoriamente ser realizados em hospitais ou clínicas por necessitar de materiais, equipamentos e, em alguns casos até mesmo anestesia para sua realização. Assim, verificandose que o contribuinte, exercer atividades exclusivamente de radiologia e diagnóstico por imagem, atividades essas que estão incluídas no conceito de serviços de atendimento à saúde, voto no sentido de dar parcial provimento ao recurso para reconhecer o direito da recorrente de tributar suas receitas em relação ao IRPJ e à CSLL, pelas alíquotas reduzidas de 8% e 12% respectivamente, na forma Lei nº 9.249/95, art. 15, III, "a" e art. 20, devendo lhe ser reconhecido o crédito relativo aos valores recolhidos que superarem o imposto devido calculado com estas alíquotas, mas sem homologar a compensação, por ausência de análise da sua liquidez pela unidade de origem, com o consequente retorno dos autos à jurisdição da contribuinte, para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pretendido em compensação, oportunizando ao contribuinte a possibilidade de apresentação de documentos e esclarecimentos que se fizerem necessários. (assinado digitalmente) Abel Nunes de Oliveira Neto Relator Fl. 210DF CARF MF
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Numero do processo: 12448.730837/2012-59
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 13 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Apr 12 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Ano-calendário: 2006, 2007
NULIDADE. DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. OMISSÕES. NÃO APRECIAÇÃO DE ALEGAÇÕES DE DEFESA.
Deve ser reconhecida a nulidade da decisão de primeira instância administrativa que deixa de analisar argumentos da contribuinte expostos em impugnação.
Numero da decisão: 2202-004.956
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em declarar a nulidade da decisão de primeira instância, devendo os autos retornarem à DRJ para novo julgamento, devendo nesse, também, serem apreciadas as alegações da contribuinte no que diz respeito: I) aos efeitos da consulta formulada pelo recorrente em 1992, a qual deu origem ao processo administrativo nº 10768.025.054/92-70; II) à exclusão das penalidades, com base nos artigos 100 e 146 do CTN. Votou pelas conclusões o conselheiro Marcelo de Sousa Sáteles.
(assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Presidente
(assinado digitalmente)
Martin da Silva Gesto - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marcelo de Sousa Sateles, Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Rorildo Barbosa Correia, Virgilio Cansino Gil (Suplente convocado), Leonam Rocha de Medeiros e Ronnie Soares Anderson. Ausente a conselheira Andréa de Moraes Chieregatto.
Nome do relator: MARTIN DA SILVA GESTO
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DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. OMISSÕES. NÃO APRECIAÇÃO DE ALEGAÇÕES DE DEFESA. Deve ser reconhecida a nulidade da decisão de primeira instância administrativa que deixa de analisar argumentos da contribuinte expostos em impugnação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em declarar a nulidade da decisão de primeira instância, devendo os autos retornarem à DRJ para novo julgamento, devendo nesse, também, serem apreciadas as alegações da contribuinte no que diz respeito: I) aos efeitos da consulta formulada pelo recorrente em 1992, a qual deu origem ao processo administrativo nº 10768.025.054/9270; II) à exclusão das penalidades, com base nos artigos 100 e 146 do CTN. Votou pelas conclusões o conselheiro Marcelo de Sousa Sáteles. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Presidente (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marcelo de Sousa Sateles, Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Rorildo Barbosa Correia, Virgilio Cansino Gil (Suplente convocado), Leonam Rocha de Medeiros e Ronnie Soares Anderson. Ausente a conselheira Andréa de Moraes Chieregatto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 44 8. 73 08 37 /2 01 2- 59 Fl. 1275DF CARF MF Processo nº 12448.730837/201259 Acórdão n.º 2202004.956 S2C2T2 Fl. 1.276 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto nos autos do processo nº 12448.730837/201259, em face do acórdão nº 1462.554, julgado pela 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto (DRJ/RPO), em sessão realizada em 29 de agosto de 2016, no qual os membros daquele colegiado entenderam por julgar procedente em parte a impugnação apresentada. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da DRJ de origem que assim os relatou: “Trata o presente processo de auto de infração lavrado, em 21/08/2012, contra o contribuinte acima identificado relativo ao Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF), relativo aos anos calendário 2006 e 2007, no valor de R$ 204.490,31 (fl. 491), acrescido de juros de mora à taxa SELIC e multa de ofício de 150%, formalizando o crédito tributário de R$ 625.328,81. Na descrição dos fatos, a autoridade fiscal fundamenta que o contribuinte não efetuou nenhum recolhimento de Imposto de Renda na Fonte nos últimos anos, deixando de descontar e recolher o imposto de renda sobre os rendimentos pagos a título de prêmios turfísticos, justificando tal procedimento com o Parecer Coordenação do Sistema de Tributação (CST) nº 102/1982. O procedimento fiscal iniciouse, em 29/03/2012, com a ciência do Termo de Início de Ação Fiscal, no qual a autuada foi intimada a apresentar alguns documentos, dentre eles os livros contábeis, os comprovantes de recolhimentos do IRRF dos rendimentos pagos, a Declaração do Imposto de Renda Retido na Fonte (DIRF) e cópia dos comprovantes de retenções de imposto de renda na fonte do Sr. Dalmir Pereira Barbosa, CPF 693.476.70715. Em resposta informou que pagou rendimentos de prêmios turfísticos nos anos de 2005, 2006 e 2007 ao Sr. Dalmir Pereira Barbosa, entretanto, tais rendimentos não compuseram a DIRF dos respectivos anos, e não há comprovantes de recolhimentos de imposto de renda na fonte, sob alegação que os prêmios turfísticos não são tributáveis. Em 31/05/20012, a fiscalizada foi intimada a apresentar cópias do estatuto social, do regimento interno, e de algumas atas específicas. Quando da apresentação de tais documentos, justificou a não retenção e o não recolhimento do imposto de renda sobre prêmios de apostas vencedoras, com base no Parecer CST nº 102/1982. A autoridade autuante esclarece no Termo de Verificação Fiscal, que “o referido Parecer, assinado pelo Secretário da Receita Federal do Brasil (RFB) e datado de 19/01/1982, fundamentase legitimamente, em legislação vigente à época de sua emissão”. Fl. 1276DF CARF MF Processo nº 12448.730837/201259 Acórdão n.º 2202004.956 S2C2T2 Fl. 1.277 3 Entretanto, alterações legislativas posteriores e vigentes quando da ocorrência do fato gerador, deixaram de dar suporte legal à conclusão do Parecer. Embora não tenha ocorrido revogação expressa, fato é que o Parecer deixou de ter eficácia normativa. O item 6 do citado Parecer menciona que o regulamento da Lei nº 4.096, de 18/07/1962, aprovado sucessivamente pelos Decretos n.° 51.816, de 11/03/1963, e 84.395, de 16/01/1980, traz distinção expressa entre as modalidades de apostas feitas mediante aquisição direta (bilhetes simples ou “poules”) ou indireta (bilhetes acumulados) e aquelas denominadas de concursos turfísticos propriamente dito. Entretanto todos os dispositivos legais mencionados foram expressamente revogados. A Lei n° 4.096/62 foi revogada pela Lei n° 5.971, de 11/12/1973, que por sua vez foi revogada pela Lei n° 7.291, de 19 de dezembro de 1984. Esta é a lei que dispõe atualmente sobre atividades da equideocultura, incluindo as atividades relativas ao turfe, e está regulamentada pelo Decreto nº 96.993, de 17/10/1988, que dispõe no art. 17 o conceito de apostas, que engloba todas as modalidades de jogos a dinheiro efetuadas sobre corridas de cavalos patrocinadas por entidades legalmente autorizadas, nela também compreendendose os concursos, jogos lotéricos, remates ou leilões de apostas. No Termo de Verificação Fiscal, a autoridade autuante prossegue afirmando que os itens 11 e 12 do Parecer CST n° 102/82 mencionam as Leis n° 4.154, de 28/11/1962 e a 4.269, de 22/10/1963. A primeira trata da legislação de rendas e proventos de qualquer natureza, e a segunda promove alteração na primeira, dando nova redação ao art. 19. De fato, ambas produzem alterações no art. 96 do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto nº 47.373/1959, excluindo da tributação os lucros decorrentes de prêmios em dinheiro obtidos em turfe em modalidades que não sejam “bettings”. Amparado por esse dispositivo o contribuinte deixou de descontar e recolher o imposto de renda sobre o valor dos prêmios em diversas modalidades de aposta. A autoridade autuante esclarece que o Decreto nº 47.373/1959, que ao final fundamentava o Parecer CST nº 102/82, foi expressamente revogado pelo Decreto de 25/04/1991 (decreto sem número) e que na legislação pertinente posterior não há ressalvas, como a que constava no art. 96 do Decreto nº 47.373/59. Portanto, o Parecer CST nº 102/82 deixou de produzir efeitos, uma vez que a legislação superveniente não dá mais suporte à conclusão nele contida. Ainda de acordo com o Termo de Verificação Fiscal, nos arts. 99, 101 e 102 do DecretoLei nº 5.844, de 23/09/1943, há disposição expressa atribuindo à fonte pagadora o dever de reter e recolher o imposto de renda na fonte, no ato do crédito ou pagamento do rendimento. Nesse contexto, no regime de retenção exclusiva, quando a responsabilidade do contribuinte é excluída, a fonte pagadora Fl. 1277DF CARF MF Processo nº 12448.730837/201259 Acórdão n.º 2202004.956 S2C2T2 Fl. 1.278 4 substitui o contribuinte desde logo, no momento em que surge a obrigação tributária. Embora o encargo econômico seja suportado pelo contribuinte, a sujeição passiva é exclusiva da fonte pagadora. Subsistindo a responsabilidade exclusiva da fonte pagadora, ainda que ela não tenha retido o imposto. Diante do exposto, a autoridade autuante, mediante informações prestadas pela fiscalizada, procedeu, neste processo, ao levantamento dos valores dos prêmios pagos, dos valores apostados e do prêmio líquido, exclusivamente ao Sr. Dalmir Pereira Barbosa, no período de 01 de janeiro de 2006 a 31 de dezembro de 2007. Considerando que a autuada reiteradamente não reteve, não recolheu, assim como não informou à Fazenda Nacional o IRRF devido, fundamentando tal decisão em Parecer, que na ocasião não possuía mais validade jurídica, ficou demonstrada a ocorrência, em tese, de sonegação fiscal, ensejando a aplicação de multa de 150% e a formalização de Representação Fiscal para Fins Penais (Processo nº 12.448731564/2012600). O auto de infração atribui, ainda, a responsabilidade solidária, fundamentada no art. 124, inciso I do Código Tributário Nacional (CTN), ao Sr. Dalmir Pereira Barbosa, CPF 693.476.70715, por ter interesse comum no fato que causou prejuízo à União. A ciência do Auto de Infração ocorreu em 27/08/2012 (fl. 523). Irresignada, a autuada apresentou, representada por seus advogados, a impugnação de fls. 598 a 736, protocolizada em 26/09/2012, alegando improcedência do lançamento em virtude de decadência parcial do crédito tributário em discussão, tendo em vista que o imposto de renda retido na fonte é tributo submetido ao sistema de lançamento por homologação, e que por essa razão tem seu prazo de decadência sujeito à disciplina estabelecida no art. 150, § 4º do Código Tributário Nacional (CTN), aplicável aos tributos para os quais a lei impõe ao contribuinte o dever de antecipar a atividade de apuração do montante devido, sem o prévio exame da autoridade administrativa, ressalvando que a contagem do prazo decadencial não é afastada na hipótese de os cálculos demonstrarem que não há imposto a pagar. Justifica esse argumento, citando a lição de Hugo de Brito Machado, que afirma que “o objeto da homologação é a atividade de apuração, e não o pagamento do tributo”. Nesse mesmo sentido, menciona a posição defendida por Zuudi Sakakihara, para o qual o pagamento antecipado é insuscetível de homologação. Seguindo essa linha de raciocínio, a impugnante alega que o Superior Tribunal de Justiça (STJ) consolidou entendimento de que o prazo decadencial dos tributos sujeitos à homologação é de cinco anos e contase a partir da ocorrência do fato gerador, salvo nas hipóteses de fraude, dolo ou simulação, caso em que se Fl. 1278DF CARF MF Processo nº 12448.730837/201259 Acórdão n.º 2202004.956 S2C2T2 Fl. 1.279 5 aplica regra estabelecida no art. 173, I do CTN, deixando claro também que “o objeto da homologação não é, e nem pode ser, o pagamento, mas sim a atividade de apuração desenvolvida pelo contribuinte.”. Transcreve acórdãos exarados pelos antigos Conselhos de Contribuintes, para sustentar a irrelevância do pagamento antecipado do tributo, para a aplicação do art. 150, § 4º do CTN. Por fim, nesse tópico de decadência, a autuada alega que o Fisco Federal teve cinco anos para lançar os valores referentes a janeiro de 2006 a agosto de 2007, todavia, não o fez. Considerandose que a ciência do auto de infração ocorreu em 27/08/2012, o crédito tributário estaria parcialmente atingido pela decadência, em virtude do art. 150, § 4º do CTN. A fiscalizada prossegue alegando que o Parecer CST nº 102/82, que determina de forma expressa a ausência de tributação das apostas realizadas sob a modalidade de pules, continua vigente. Conforme consta no Termo de Verificação Fiscal, a autoridade autuante evidencia que a Lei nº 4.096/62, mencionada no item 6 do Parecer e aprovada sucessivamente pelos Decretos n.° 51.816/63 e 84.395/8, trazia distinção expressa entre as diferentes modalidades de apostas, porém tal lei estaria revogada e a lei atualmente em vigor, Lei nº 7.291/84, regulamentada pelo Decreto nº 96.993/88, não disporia acerca das diferentes modalidades de apostas. O art. 17 do referido decreto, no qual a autoridade fiscal fundamentou a infração, dispõe de forma expressa que as apostas seriam conceituadas como “todas as modalidades de jogos a dinheiro efetuadas sobre corridas de cavalos”, de forma que não haveria que se falar em distinção entre diferentes modalidades de jogos sobre corridas de cavalos. Ocorre, que segundo alega a autuada, a redação completa do artigo em questão, transcrito abaixo, deixa claro que existem diversas modalidades de apostas, sendo os concursos apenas uma delas, tal como estabelecido no atual Plano Geral de Apostas, aprovado pela Instrução Normativa 48/2008 do Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento. Art. 17. Apostas são todas as modalidades de jogos a dinheiro efetuadas sobre corridas de cavalos, patrocinadas por entidades legalmente autorizadas, nelas também compreendendose os concursos, jogos lotéricos, remates ou leilões de apostas. § 1º As apostas poderão ser feitas de acordo com as modalidades previstas no Plano Geral de Apostas, devidamente homologado pela CCCCN. A impugnante argumenta que o Parecer CST nº 102/82 somente mencionou a Lei nº 4.096/62 e os Decretos n.° 51.816/63 e 84.395/8 de forma a demonstrar que a distinção entre as diversas modalidades de apostas sempre se encontrou prevista Fl. 1279DF CARF MF Processo nº 12448.730837/201259 Acórdão n.º 2202004.956 S2C2T2 Fl. 1.280 6 na legislação turfística, e que as menções buscavam meramente traçar um panorama histórico da legislação existente sobre a matéria. Prossegue informando que os itens 11 e 12 do Parecer CST, citados no Termo de Verificação Fiscal, fazem referência às Leis nº 4.154/62 e 4.269/63, que excluíram da tributação os lucros decorrentes de prêmios em dinheiro obtidos em turfe em modalidades que não sejam “bettings”, e, que segundo a autoridade fiscal, tais leis não poderiam ser consideradas para fins de interpretação do art. 14 da Lei nº 4.506/64, uma vez que o referido Parecer estaria baseado no Decreto nº 47.373/59, que foi expressamente revogado pelo Decreto de 25/04/1991. Contesta a afirmação da autoridade autuante, esclarecendo que o Decreto 47.373/59 regulamentava a cobrança e fiscalização do imposto de renda no ano de 1959 e compilava a legislação tributária vigente à época. Dessa forma, o fato de o regulamento ter sido revogado e atualmente encontrarse em vigor o RIR/99 não significa que as Leis n.° 4.154/62 e 4.269/63 não possam ser consideradas vigentes para fins de interpretação do art. 14 da Lei nº 4.506/64, que serve de fundamento para o art. 676, inciso I, do atual Regulamento do Imposto de Renda. Segue argumentando que o Parecer CST “realizou uma análise histórica da legislação referente à tributação de apostas turfísticas, de forma a estabelecer uma interpretação a ser conferida ao art. 14 da Lei nº 4.506/64, dispositivo legal que atualmente rege a tributação de concursos turfísticos. Nesse contexto, o parecer chegou à conclusão de que os concursos, segundo linguagem própria do turfe, se distinguiriam das demais modalidades de apostas, de forma que somente poderiam ser tributados os concursos propriamente ditos, sendo isentas de tributação as demais modalidades.” Segundo a autuada o Parecer esclareceu que a Lei nº 4.154/62 determinava que os concursos de turfe compreendidos na regra de tributação eram os concursos e as acumuladas (exclusive as “poules” de ponta, de “placé” e de duplas). Entretanto, posteriormente este dispositivo foi alterado pela Lei nº 4.269/63, que passou a estabelecer que seriam tributados apenas os concursos, excluindo da tributação as “poules”, simples e acumuladas, de ponta, de “placé”, e de duplas. A impugnante ressalta que a Lei nº 4.269/63 não sofreu revogação expressa até o presente momento, o que, segundo infere, fortalece ainda mais as conclusões do Parecer CST 102/82. Acrescenta, ainda, que se a Lei nº 4.506/64 tivesse revogado o dispositivo legal constante na Lei nº 4.269/63 tal revogação teria ocorrido de forma expressa. Alega que não se pode, em face do Princípio da Não Presunção da Derrogação, pretender que a intenção do legislador tenha sido a de revogar o dispositivo legal constante na Lei nº 4.269/63, uma vez que se assim desejasse, poderia têlo feito Fl. 1280DF CARF MF Processo nº 12448.730837/201259 Acórdão n.º 2202004.956 S2C2T2 Fl. 1.281 7 facilmente, da mesma forma em que o fez em relação a dezenas de outros dispositivos legais regulamentares. Cita a lição de Luiz Maria DiezPicaso, que afirma que “...na dúvida a derrogação não se presume e sobre o Legislador pesa o ônus da derrogação expressa.”. Transcreve posicionamento de Arnold Wald, no sentido de que sempre que houver a possibilidade de manter em vigor, paralelamente, as duas normas, não há que se falar em revogação. Invoca o que na doutrina constitucionalista se denomina o silêncio eloqüente da lei, isto é, a intencional nãoinclusão de determinado dispositivo – no caso a conceituação de concurso turfístico constante da Lei nº 4.269/63 , justamente com o objetivo de alcançar o fim pretendido, qual seja, manterlhe a vigência. Justifica dessa forma que não há qualquer incompatibilidade entre o comando contido no art. 14 da Lei nº 4.506/64 e aquele previsto na Lei nº 4.269/63, capaz de autorizar o alegado entendimento equivocado de que ouve revogação tácita do dispositivo regulamentar. Ressalta que o parecer “foi elaborado pela Coordenação do Sistema de Tributação (CST), órgão responsável pela interpretação da legislação tributária no âmbito da RFB, de forma que a interpretação conferida ao art. 14 da Lei nº 4.506/1964 que a autoridade fiscal pretende afastar foi realizada pelo próprio órgão administrativo competente para dirimir controvérsias referentes à interpretação de normas tributárias”. E, portanto, não poderia a autoridade fiscal, desconsiderar o entendimento constante no Parecer CST n º 102/82. Cita a lição de Vittorio Cassone, que afirma que os assim chamados pareceres normativos compreendem os atos normativos. Nesse contexto, segundo a autuada, os pareces possuem natureza de norma complementar, e a eles se aplica o art. 100, I do CTN, e, portanto, integram a legislação tributária e vinculam a administração. Recorre ao princípio da vedação do comportamento contraditório (nemo potest venire contra factum proprium), que se relaciona diretamente à boafé objetiva, e fundamentase na proteção da confiança nas relações processuais, impedindo a ruptura das legítimas expectativas suscitadas no administrado pela Administração Pública, vinculandoa às suas condutas precedentes, sendo, portanto, instrumento de tutela da segurança jurídica. Nesse contexto, alega que não pode ser prejudicada por ter observado a interpretação conferida ao art. 14 da Lei nº 4.506/64 pelo Parecer CST nº 102/82, que continua em vigor, segundo seu entendimento. Destaca que os artigos 100 e 146 do CTN respaldam a observância ao princípio da confiança legítima do contribuinte. Fl. 1281DF CARF MF Processo nº 12448.730837/201259 Acórdão n.º 2202004.956 S2C2T2 Fl. 1.282 8 Enquanto o art. 146 dispõe que as alterações nos critérios jurídicos adotados pela autoridade fiscal somente podem ser aplicáveis a fatos geradores ocorridos posteriormente à introdução do novo critério adotado pelo Fisco, o art. 100 determina que a observância das normas complementares – como são os pareceres normativos – contrárias à legislação, exclui a imposição de penalidades, a cobrança de juros de mora e a atualização do valor monetário da base de cálculo do tributo. Prossegue alegando que formulou consulta ao Fisco tendo por objeto o esclarecimento quanto à tributação de duas modalidades de apostas denominadas “bolo milionário do vencedor” e “bolo milionário das duplas”. No primeiro tipo de aposta, sob a modalidade de concursos, a arrecadação era destinada à premiação de quem acertasse todos os páreos. Caso não houvesse ganhador, o prêmio era acumulado até que tal fato ocorresse. O segundo tipo consistia em aposta sob a modalidade de rateio, no qual a arrecadação era destinada ao pagamento do ganhador ou ganhadores do dia. Nessa modalidade não ocorreria acumulação do prêmio, pois sempre haveria um ganhador, efetuandose o rateio entre aqueles que acertassem o maior número de páreos. Segundo alega, o Fisco afirmou que não obstante as referidas apostas serem realizadas em um mesmo bilhete por motivo de economia, tratavase, na verdade, de dois jogos distintos, sendo possível apurar isoladamente os prêmios decorrentes de cada uma das modalidades de apostas, aplicandose o tratamento mencionado a cada uma delas, conforme descrito no Parecer CST nº 102/82. O entendimento esposado pelo Fisco foi de tributar as apostas do “bolo milionário do vencedor”, por conferir prêmios bancados pela contribuinte aos vencedores, e não tributar as apostas do “bolo milionário das duplas”, posto que é realizado um rateio dos valores apostados entre os ganhadores. Argumenta que as decisões proferidas em processos de consulta, tal como o Parecer discutido nesse processo, são consideradas normas complementares e, portanto, vinculam a administração e devem obedecer ao princípio da confiança legítima do contribuinte, de forma que quaisquer mudanças de entendimento da administração tributária somente poderão produzir efeitos em fatos geradores futuros. Respalda esse raciocínio citando o art. 48, § 12 da Lei nº 9.430/96. Nesse mesmo sentido, cita a lição de Hugo de Brito Machado e a jurisprudência. Ambas adotam o posicionamento de que a resposta oferecida pela Administração Pública constitui norma, que vincula as partes na relação tributária. E caso ocorra modificação no entendimento adotado na resposta oferecida, o contribuinte deve ser informado e somente a partir de então estará obrigado a qualquer agravamento de ônus tributário daí decorrente. Fl. 1282DF CARF MF Processo nº 12448.730837/201259 Acórdão n.º 2202004.956 S2C2T2 Fl. 1.283 9 Portanto, segundo alega “o parecer e a decisão proferida no processo de consulta não podem ser desconsiderados pela autoridade fiscal o que descaracteriza qualquer responsabilidade do impugnante pela retenção e recolhimento de imposto no caso em comento.”. Ressalta que as apostas que deram origem ao auto de infração decorrem de rateios que são calculados pelo total de todas as apostas efetuadas, dividido esse somatório pelo total da aposta vencedora, gerando a pule de rateio. Conforme prossegue, o Parecer CST exclui essa modalidade de aposta da tributação de forma expressa. Ademais, a decisão proferida no processo de consulta igualmente já assim estabelecia. Alega que os livrosrazão apresentados, no curso da fiscalização atestam que os pagamentos realizados referemse a rateios de corrida e que a escrituração mantida pelo impugnante faz prova a seu favor, cabendo à autoridade administrativa a prova de inveracidade dos fatos registrados. Quanto a esse último aspecto, transcreve os arts. 923 e 924 do RIR/99 e a lição de Sérgio André Rocha, e ao final argumenta que a jurisprudência administrativa já se encontra pacificada. Prossegue argumentando que constitui ônus da autoridade fiscal demonstrar de forma clara e irrefutável a prática da infração pela impugnante, não sendo suficiente a simples alegação de suposta infração, sem a devida análise da documentação apresentada durante o procedimento de fiscalização. Por fim, contesta a aplicação da multa de 150%, alegando, após extensa reflexão, que a multa é improcedente posto que o § 1º do art. 44 da Lei nº 9.430/96 dispõe que a multa será exigida nesse percentual nos casos de sonegação, fraude ou conluio, práticas que assevera não foram adotadas. Ainda menciona que houve afronta aos princípios da proporcionalidade e da razoabilidade, uma vez que a multa foi fixada em valor vultoso. Inconformado com a imputação de responsabilidade solidária pelos créditos tributários lançados, o Sr. Dalmir Pereira Barbosa apresenta a impugnação de fls. 528 567, na qual alega nulidade do auto de infração, posto que a ação fiscal deveria ser realizada direta e externamente junto ao contribuinte, com o comparecimento do auditorfiscal no domicílio do contribuinte, para orientálo ou esclarecêlo quanto aos aspectos tributários, e não através de meras intimações, via postal. Contesta a sujeição solidária do crédito tributário, fundamentada pelo art. 124, inciso I do CTN. Aduz que o art. 14 da Lei nº 4.506/64, consolidado no art. 676, I do RIR/99, transferiu total e completamente a responsabilidade pelo pagamento do tributo para a fonte pagadora, desonerando, expressamente, o contribuinte pelo pagamento do tributo caso a fonte não o retenha e/ou não o repasse para a União. Cita ementas de decisões proferidas no âmbito da RFB, assim como a jurisprudência administrativa e judicial, todas nesse sentido. Também transcreve trechos de artigos publicados na internet Fl. 1283DF CARF MF Processo nº 12448.730837/201259 Acórdão n.º 2202004.956 S2C2T2 Fl. 1.284 10 que corroboram a tese aqui encampada e reproduz o Parecer Normativo nº 1, de 24 de setembro de 2002, que trata da responsabilidade pela retenção e recolhimento do imposto de renda incidente exclusivamente na fonte. Por fim, com fundamento no art. 100, parágrafo único, do CTN, se o auto subsistir, requer a exclusão da exigência da multa e a cobrança de juros de mora. O impugnante argumenta, com base no art. 150, § 4º , do CTN, a impossibilidade da exigência de parte dos tributos, tendo em vista o instituto da decadência, em relação aos créditos apurados entre janeiro de 2006 a agosto de 2007, posto que a ciência do lançamento ocorreu em 24 de agosto de 2012. Afirma ainda que não há que se falar na decadência prevista no art. 173, do CTN, pois inexistem elementos caracterizadores do evidente intuito de fraude estabelecidos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/64, únicas razões para a ampliação do prazo decadencial. Ademais, segundo alega, não teve qualquer participação na alegada falta de retenção e recolhimento do imposto aqui discutido. Contesta a aplicação da multa de 150%, argumentando que o crédito tributário resultou da falta de cumprimento da obrigação tributária pelo sujeito passivo legal da obrigação, no caso o Jockey Clube Brasileiro. Requer, no caso de mantida a exigência fiscal, o afastamento da exigência de juros de mora sobre a multa de ofício lançada. Cita acórdãos exarados pelo CARF, e a lição de Ricardo Conceição Souza e Maristela Miglioli Sabbag que atestam o afastamento de tal incidência. Por último, protesta pela juntada de novas provas, demonstrativos e outros elementos que venham se demonstrar necessários à comprovação de suas alegações, inclusive a realização de diligências.” A DRJ de origem entendeu pela parcial procedência da impugnação apresentada, reconhecendo a decadência do direito da Fazenda em exigir o tributo correspondente aos fatos geradores ocorridos em 2006, mantendo, no entanto, o crédito apurado para os fatos geradores ocorridos ao longo do anocalendário 2007 e a multa qualificada de 150% sobre estes. Ainda, entendeu a DRJ de origem por afastar a responsabilidade solidária de Dalmir Pereira Barbosa. Inconformada, a contribuinte apresenta recurso voluntário, reiterando suas alegações de impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Martin da Silva Gesto Relator O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. Fl. 1284DF CARF MF Processo nº 12448.730837/201259 Acórdão n.º 2202004.956 S2C2T2 Fl. 1.285 11 A decisão primeira instância administrativa deixou de se manifestar em relação aos seguintes pontos da impugnação, os quais prejudicam a análise deste recurso voluntário, sob pena de ocorrer supressão de instância: 1º ponto: A contribuinte alega no tópico V de sua impugnação que houve a “Desconsideração dos Efeitos da Consulta formulada pelo Impugnante”, às fls. 623/626 do processo, itens 71 a 83. Ainda, em Doc. 05 da impugnação (fls. 692/693) a contribuinte trouxe aos autos cópia da consulta regularmente formulada pelo ora Impugnante em 1992, a qual deu origem ao processo administrativo nº 10768.025.054/9270. No entanto, nada refere o acórdão da DRJ sobre a Solução de Consulta formulada pelo ora Impugnante em 1992, a qual deu origem ao processo administrativo nº 10768.025.054/9270, a qual, se vigente, poderia afastar o lançamento em questão. Há, portanto, clara omissão no julgado. 2º ponto: Conforme relatado. contribuinte alega que os artigos 100 e 146 do CTN respaldam a observância ao princípio da confiança legítima do contribuinte. Enquanto o art. 146 dispõe que as alterações nos critérios jurídicos adotados pela autoridade fiscal somente podem ser aplicáveis a fatos geradores ocorridos posteriormente à introdução do novo critério adotado pelo Fisco, o art. 100 determina que a observância das normas complementares – como são os pareceres normativos – contrárias à legislação, exclui a imposição de penalidades, a cobrança de juros de mora e a atualização do valor monetário da base de cálculo do tributo. Assim, verificase que os itens 53 a 70 da impugnação (fls. 615/622) e item 129 (fl. 641) apresentam um arrazoado para que, caso mantido o lançamento, sejam excluídas as penalidades, referindose a cobrança de juros de mora e atualização monetária. Esta matéria também não foi apreciada pela decisão de primeira instância, razão pela qual o acórdão também é omisso neste ponto. Ponto obscuro: Muito embora conste no relatório da DRJ que a contribuinte tenha requereu, em impugnação, no caso de mantida a exigência fiscal, o afastamento da exigência de juros de mora sobre a multa de ofício lançada, verificase que nada consta no voto da DRJ a respeito da apreciação deste pedido. Ademais, tornase obscura tal referência no relatório da DRJ, haja vista que não localizo na impugnação tal alegação. Pois bem. Diante da existência de duas relevantes matérias não apreciadas pela DRJ, impõese que seja declarada a nulidade da decisão de primeira instância, pois causam prejuízo à defesa do contribuinte, que deixa de ter seus argumentos analisados, prejudicando, ainda, a análise destes pela segunda instância administrativa (CARF), pois estaria ocorrendo indevida supressão de instância. Ante o exposto, voto por declarar a nulidade da decisão de primeira instância, devendo os autos retornarem à DRJ para novo julgamento, devendo nesse, também, serem apreciadas as alegações da contribuinte no que diz respeito: I) aos efeitos da consulta Fl. 1285DF CARF MF Processo nº 12448.730837/201259 Acórdão n.º 2202004.956 S2C2T2 Fl. 1.286 12 formulada pelo recorrente em 1992, a qual deu origem ao processo administrativo nº 10768.025.054/9270; II) à exclusão das penalidades, com base nos artigos 100 e 146 do CTN. (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Relator Fl. 1286DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10746.721276/2016-31
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 19 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Apr 08 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Simples Nacional
Exercício: 2012, 2013
RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVO.
Não tendo cumprido o requisito da intempestividade, não há como analisar o Recurso Voluntário.
EXCLUSÃO DO SIMPLES NACIONAL. RITO. INOBSERVÂNCIA. NULIDADE.
Anula-se o lançamento de ofício decorrente de exclusão do Simples Nacional formalizado antes da ciência do ato declaratório de exclusão.
Numero da decisão: 1302-003.389
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário por ser intempestivo, e em negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do relatório e voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Henrique Silva Figueiredo, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa (Relator), Ailton Neves da Silva (Suplente Convocado) , Rogério Aparecido Gil, Maria Lucia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias, e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
Nome do relator: MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA
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INTEMPESTIVO. Não tendo cumprido o requisito da intempestividade, não há como analisar o Recurso Voluntário. EXCLUSÃO DO SIMPLES NACIONAL. RITO. INOBSERVÂNCIA. NULIDADE. Anulase o lançamento de ofício decorrente de exclusão do Simples Nacional formalizado antes da ciência do ato declaratório de exclusão. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário por ser intempestivo, e em negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 74 6. 72 12 76 /2 01 6- 31 Fl. 1377DF CARF MF Processo nº 10746.721276/201631 Acórdão n.º 1302003.389 S1C3T2 Fl. 1.378 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Henrique Silva Figueiredo, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa (Relator), Ailton Neves da Silva (Suplente Convocado) , Rogério Aparecido Gil, Maria Lucia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias, e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). Relatório Para a devida síntese do processo em tela, transcrevo o relatório do Acórdão n.º 1289.685 DRJ/RJO, complementandoo ao final: Fl. 1378DF CARF MF Processo nº 10746.721276/201631 Acórdão n.º 1302003.389 S1C3T2 Fl. 1.379 3 Fl. 1379DF CARF MF Processo nº 10746.721276/201631 Acórdão n.º 1302003.389 S1C3T2 Fl. 1.380 4 Fl. 1380DF CARF MF Processo nº 10746.721276/201631 Acórdão n.º 1302003.389 S1C3T2 Fl. 1.381 5 Fl. 1381DF CARF MF Processo nº 10746.721276/201631 Acórdão n.º 1302003.389 S1C3T2 Fl. 1.382 6 Fl. 1382DF CARF MF Processo nº 10746.721276/201631 Acórdão n.º 1302003.389 S1C3T2 Fl. 1.383 7 Fl. 1383DF CARF MF Processo nº 10746.721276/201631 Acórdão n.º 1302003.389 S1C3T2 Fl. 1.384 8 Fl. 1384DF CARF MF Processo nº 10746.721276/201631 Acórdão n.º 1302003.389 S1C3T2 Fl. 1.385 9 Fl. 1385DF CARF MF Processo nº 10746.721276/201631 Acórdão n.º 1302003.389 S1C3T2 Fl. 1.386 10 Fl. 1386DF CARF MF Processo nº 10746.721276/201631 Acórdão n.º 1302003.389 S1C3T2 Fl. 1.387 11 Fl. 1387DF CARF MF Processo nº 10746.721276/201631 Acórdão n.º 1302003.389 S1C3T2 Fl. 1.388 12 Fl. 1388DF CARF MF Processo nº 10746.721276/201631 Acórdão n.º 1302003.389 S1C3T2 Fl. 1.389 13 Fl. 1389DF CARF MF Processo nº 10746.721276/201631 Acórdão n.º 1302003.389 S1C3T2 Fl. 1.390 14 Fl. 1390DF CARF MF Processo nº 10746.721276/201631 Acórdão n.º 1302003.389 S1C3T2 Fl. 1.391 15 Fl. 1391DF CARF MF Processo nº 10746.721276/201631 Acórdão n.º 1302003.389 S1C3T2 Fl. 1.392 16 Fl. 1392DF CARF MF Processo nº 10746.721276/201631 Acórdão n.º 1302003.389 S1C3T2 Fl. 1.393 17 Após a análise das razões de impugnação, a DRJ/RJO, por unanimidade, a) reconheceu a nulidade, por vício formal, dos lançamentos de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, relativos ao anocalendário de 2012; e b) julgou a impugnação improcedente em relação a 2013, mantendo os valores exigidos: IRPJ (R$2.294.444,01); CSLL (R$692.237,41); COFINS (R$714.010,32) e PIS (R$154.702,20), acrescidos da multa de ofício (150%) e dos juros de mora. Segue a transcrição da ementa do Acórdão n.º 1289.685 – 3ª Turma da DRJ/RJO: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2012, 2013 PROVA. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. A prova documental deve ser apresentada junto com a peça de impugnação, precluindo o direito de fazêlo em outro momento processual. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2012, 2013 CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. É válido o Auto de Infração lavrado por autoridade competente e sem prejuízo do direito de defesa. ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Anocalendário: 2012 EXCLUSÃO DO SIMPLES NACIONAL. RITO. INOBSERVÂNCIA. NULIDADE. Anulase o lançamento de ofício decorrente de exclusão do Simples Nacional formalizado antes da ciência do ato declaratório de exclusão. Fl. 1393DF CARF MF Processo nº 10746.721276/201631 Acórdão n.º 1302003.389 S1C3T2 Fl. 1.394 18 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2013 ARBITRAMENTO. É cabível o arbitramento quando a escrituração contábil se revela imprestável. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. PIS. COFINS. Aplicase à CSLL, PIS e COFINS, o mesmo tratamento dispensado ao lançamento do IRPJ, em face da íntima relação de causa e efeito entre ambos. MULTA QUALIFICADA. Da parcela exonerada, a DRJ/RJO recorreu de ofício a este Conselho. Mantémse o agravamento da multa se resultar evidente a intenção de impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento do fato gerador por parte da autoridade fazendária. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte” Às fls. 1299/1300 consta Requerimento de substituição de garantia extrajudicial. Às fls. 1326/1367 consta petição de Recurso Voluntário do contribuinte. É o relatório. Voto Conselheiro Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa – Relator. Do Recurso Voluntário Consta às fls. 1326/1367 petição de Recurso Voluntário do contribuinte, insurgindose quanto à parcela que restou vencido, ou seja: a parcela referente aos lançamentos de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS do anocalendários de 2013. Verificase nos autos, a partir do relato constante no Despacho de Encaminhamento de fl. 1375, que o contribuinte, optante pelo DTE Domicílio Tributário Eletrônico foi devidamente cientificado da intimação de Resultado de Julgamento de fl. 1.291, conforme mensagem gravada no Termo de Ciência por Abertura de Mensagem de fl. 1.296, na data de 21/12/2017, data em que se considerou feita a intimação nos termos do art. 23, § 2º, inciso III, alínea 'b' do Dec. nº 70.235/72. Fl. 1394DF CARF MF Processo nº 10746.721276/201631 Acórdão n.º 1302003.389 S1C3T2 Fl. 1.395 19 Assim, tendo em conta que o contribuinte foi cientificado em 21/12/2017, acerca da decisão de 1ª instância administrativa e apresentou recurso voluntário apenas em 02/04/2018 (cf. Extrato do Processo, fls. 1369/1374), fica configurada a intempestividade do apelo, razão pela qual não conheço do recurso voluntário. Do Recurso de Ofício Face à exoneração do crédito tributário pelo acórdão recorrido foi interposto recurso de ofício pelo colegiado a quo, em cumprimento às disposições do art. 34, inc. I, Dec. nº 70.235/72, com a redação dada pelo art. 67 da Lei nº 9.532/97. O recurso de ofício deve ser conhecido, pois o valor exonerado extrapola o limite fixado por meio da Portaria MF. nº 63, de 09/02/2017 (créditos de tributos e encargos de multa superior a R$ 2.500.000,00). A matéria objeto de Recurso de Ofício trata da nulidade do lançamento, por vício formal, em relação ao anocalendário 2012. A decisão recorrida afirma que a Autoridade Fiscal não respeitou o correto procedimento de exclusão do SIMPLES NACIONAL e posterior lançamento de ofício, previsto nos termos dos artigos 196 e 197 do Decret0 3.000/99. Por não vislumbrar a necessidade de reparos, lanço mão do art. 57, § 3º do RICARF, para adotar como razão de decidir o acórdão da DRJ, que abaixo transcrevo: (...) 72. Passando a análise do mérito, consta nos autos que o interessado era optante do regime do Simples Nacional no ano calendário 2012, tendo sido excluído de tal regime pelo ADE da DRF/PAL nº 6, de 05 Abril de 2017, com efeitos a partir do dia 1º de Janeiro de 2012, até o dia 31 de Dezembro de 2012. 73. A ciência do ADE de exclusão do Simples Nacional se deu através da caixa postal eletrônica, em 24.04.2017, não tendo o interessado se manifestado a respeito da sua exclusão ou mesmo impugnado nos autos que tratam desse tema. 74. No entanto, no presente Processo Administrativo Fiscal, o interessado impugna o lançamento, questionando sua exclusão do Simples Nacional. 75. Noto que a lavratura do presente auto de infração se deu em 18.11.2016, conforme efls. 2/77. O Relatório Fiscal é datado de 02.12.2016, conforme e fls. 104. 76. Os artigos 196 e 197 do Decreto 3.000 de 1999 (RIR 99) versam sobre os efeitos da exclusão do Simples Nacional, situação fática do interessado em 2012: Art.196. A exclusão do SIMPLES nas condições de que tratam os arts. 194 e 195 surtirá efeito (Lei nº 9.317, de 1996, art. 15): I a partir do anocalendário subseqüente, na hipótese de que trata o inciso I do art. 194; Fl. 1395DF CARF MF Processo nº 10746.721276/201631 Acórdão n.º 1302003.389 S1C3T2 Fl. 1.396 20 II a partir do mês subseqüente àquele em que se proceder à exclusão, ainda que de ofício, em virtude da constatação excludente prevista nos incisos II a XVIII do art. 192 (Lei nº 9.732, de 1998, art. 3º); III a partir do início de atividade da pessoa jurídica, sujeitandoa ao pagamento da totalidade ou diferença dos respectivos impostos e contribuições, devidos de conformidade com as normas gerais de incidência, acrescidos, apenas, de juros de mora quando efetuado antes do início de procedimento de ofício, na hipótese do inciso II, "b", do art. 194; IV a partir do anocalendário subseqüente àquele em que for ultrapassado o limite estabelecido, nas hipóteses dos incisos I e II do art. 192; V a partir do mês de ocorrência de qualquer dos fatos mencionados nos incisos II a VII do artigo anterior. Parágrafo único. A exclusão de ofício darseá mediante ato declaratório da autoridade fiscal da Secretaria da Receita Federal que jurisdicione o contribuinte, assegurado o contraditório e a ampla defesa, observada a legislação relativa ao processo tributário administrativo (Lei nº 9.317, de 1996, art. 15, §3º e Lei nº 9.732, de 1998, art. 3º). Art 197. A pessoa jurídica excluída do SIMPLES sujeitarseá, a partir do período em que se processarem os efeitos da exclusão, às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas (Lei nº 9.317, de 1996, art. 16). 77. Notase portanto, que a lavratura do auto de infração, em relação ao ano calendário 2012, não observou e não respeitou o rito de exclusão do interessado do Simples Nacional, para posterior lançamento dos tributos devidos, somente após a exclusão de tal regime, ocasionando, assim, um vício formal do lançamento em relação ao ano de 2012. 78. O interessado deveria ter sido intimado da exclusão de tal regime, antes do lançamento de ofício realizado no presente PAF. 79. Somente após o prazo regulamentar de defesa da exclusão extrapolado, a autoridade fiscal tinha o direito de realizar o lançamento de ofício. Ademais, conforme reza o artigo 197 do RIR 99, acima transcrito, o interessado somente iria se sujeitar as normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas (lucro presumido, lucro real, lucro arbitrado) após se processarem os efeitos da exclusão do Simples Nacional. 80. E como o auto foi lavrado e cientificado antes mesmo da exclusão do Simples Nacional, voto por reconhecer a nulidade do lançamento em relação ao ano calendário 2012, por vício formal. 81. O lançamento de ofício realizado para o ano calendário 2012 não respeitou também o que consta na Resolução CGSN nº15/07, que determina ser necessária a intimação do interessado da exclusão do Simples Nacional, fato que só ocorreu após a lavratura do presente auto de infração. Fl. 1396DF CARF MF Processo nº 10746.721276/201631 Acórdão n.º 1302003.389 S1C3T2 Fl. 1.397 21 82. Desse modo, a declaração de nulidade da presente autuação, face ao calendário 2012, é medida que se faz necessária em respeito ao que determina o Decreto 70.235/1972 transcrito abaixo: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. Art. 61. A nulidade será declarada pela autoridade competente para praticar o ato ou julgar a sua legitimidade. 83. Ressalto o fato do poder dever do Fisco, dentro do prazo decadencial, renovar o ato de lançamento de ofício, com nova autuação. 84. Pelo exposto, voto por declarar a nulidade do lançamento em relação ao ano 2012. Conclusão Diante do exposto, NÃO CONHEÇO do Recurso Voluntário por ser intempestivo e em relação ao Recurso de Ofício, NEGO PROVIMENTO, ao tempo que mantenho a decisão recorrida em todos seus termos. É como voto. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa Fl. 1397DF CARF MF Processo nº 10746.721276/201631 Acórdão n.º 1302003.389 S1C3T2 Fl. 1.398 22 Fl. 1398DF CARF MF
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