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Numero do processo: 11543.720524/2013-22
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 27 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Mar 10 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2011
NORMAS GERAIS. RECURSO. AUSÊNCIA DE ARGUMENTOS. NÃO CONHECIMENTO.
O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), órgão colegiado, paritário, integrante da estrutura do Ministério da Fazenda, tem por finalidade julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de 1ª (primeira) instância, bem como os recursos de natureza especial, que versem sobre a aplicação da legislação referente a tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB).
A juntada de documentos, somente, sem a apresentação de argumentos para questionamento sobre o decidido pela decisão a quo acarreta o não conhecimento do recurso.
Recurso Voluntário Não Conhecido.
Numero da decisão: 2402-004.912
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso voluntário.
Ronaldo de Lima Macedo - Presidente
Marcelo Oliveira - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, João Victor Ribeiro Aldinucci, Natanael Vieira dos Santos, Marcelo Oliveira, Ronnie Soares Anderson, Kleber Ferreira de Araújo e Lourenço Ferreira do Prado.
Nome do relator: MARCELO OLIVEIRA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2011 NORMAS GERAIS. RECURSO. AUSÊNCIA DE ARGUMENTOS. NÃO CONHECIMENTO. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), órgão colegiado, paritário, integrante da estrutura do Ministério da Fazenda, tem por finalidade julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de 1ª (primeira) instância, bem como os recursos de natureza especial, que versem sobre a aplicação da legislação referente a tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB). A juntada de documentos, somente, sem a apresentação de argumentos para questionamento sobre o decidido pela decisão a quo acarreta o não conhecimento do recurso. Recurso Voluntário Não Conhecido.
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RECURSO. AUSÊNCIA DE ARGUMENTOS. NÃO CONHECIMENTO. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), órgão colegiado, paritário, integrante da estrutura do Ministério da Fazenda, tem por finalidade julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de 1ª (primeira) instância, bem como os recursos de natureza especial, que versem sobre a aplicação da legislação referente a tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB). A juntada de documentos, somente, sem a apresentação de argumentos para questionamento sobre o decidido pela decisão a quo acarreta o não conhecimento do recurso. Recurso Voluntário Não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 54 3. 72 05 24 /2 01 3- 22 Fl. 103DF CARF MF Impresso em 10/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/02/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO 2 ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso voluntário. Ronaldo de Lima Macedo Presidente Marcelo Oliveira Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, João Victor Ribeiro Aldinucci, Natanael Vieira dos Santos, Marcelo Oliveira, Ronnie Soares Anderson, Kleber Ferreira de Araújo e Lourenço Ferreira do Prado. Fl. 104DF CARF MF Impresso em 10/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/02/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 11543.720524/201322 Acórdão n.º 2402004.912 S2C4T2 Fl. 104 3 Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra Decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ), que julgou impugnação improcedente, nos seguintes termos: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2011 PORTADOR DE MOLÉSTIA GRAVE. ISENÇÃO. Para o contribuinte portador de moléstia grave ter direito à isenção são necessárias duas condições concomitantes, uma é que os rendimentos sejam oriundos de aposentadoria, reforma ou pensão, inclusive sua complementação, e a outra é que seja portador de uma das doenças previstas no texto legal. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Exonerado Acórdão Acordam os membros da 18ª Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, julgar improcedente a impugnação. Segundo a fiscalização, de acordo com a Notificação de Lançamento (NL), Em revisão da declaração de rendimentos do contribuinte, referente ao anocalendário de 2011, foi lavrado o presente lançamento, resultado da Declaração de Ajuste 2012, retificadora, que “zerou” quase todos os campos da Declaração de Ajuste original, que servem de base para o cálculo do imposto devido. O contribuinte havia restituído R$ 3.106,32 quando do processamento da DIRPF/2012 original, como resultado da retificadora mencionada exigese a devolução da restituição. Contra o lançamento, a recorrente apresentou impugnação, acompanhada de anexos, argumentando, como muito bem demonstra a decisão a quo, em síntese, que: “(...) Por se tratar de aposentadoria por moléstia grave não é devido a cobrança de imposto retido na fonte, o qual foi descontado no decorrer do ano calendário de 2011 chegando ao valor total de R$ 10.230,77 (dez mil duzentos e trinta reais e setenta e sete centavos). A concessão da aposentadoria foi a partir de 08042011, assim não sendo devido o pagamento cobrado pela Receita Federal do Brasil, pedindo ainda que seja impugnado o referido lançamento e restituído a diferença conforme a legislação vigente. (...) Fl. 105DF CARF MF Impresso em 10/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/02/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO 4 A Delegacia analisou o lançamento e a impugnação, julgando improcedente a impugnação e exonerando o crédito tributário, pois restabeleceu a DIRPF original, que resultava em restituição ao contribuinte. Em 10/02/2015, o recorrente foi cientificado do lançamento, conforme (AR). Foram juntados aos autos, em 16/03/2015, documentos. Para tanto, a autoridade preparadora anexou o seguinte despacho: "Embora sem apresentar nova argumentação, o interessado, após tomar ciência do Acórdão da DRJ, apresenta novos documentos relacionados à alegada moléstia grave. Deste modo, encaminhese este processo ao CARF/MF/DF para análise." Os autos foram enviados ao Conselho, para análise e decisão. É o relatório. Fl. 106DF CARF MF Impresso em 10/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/02/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 11543.720524/201322 Acórdão n.º 2402004.912 S2C4T2 Fl. 105 5 Voto Conselheiro Marcelo Oliveira, Relator Quanto ao conhecimento, há questão analisada. A competência do CARF está determinada na legislação, por seu Regimento Interno. RICARF: Art. 1º O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), órgão colegiado, paritário, integrante da estrutura do Ministério da Fazenda, tem por finalidade julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de 1ª (primeira) instância, bem como os recursos de natureza especial, que versem sobre a aplicação da legislação referente a tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB)" Portanto, os recurso têm que versar, enfrentar, inquirir a correta aplicação da legislação, referente a tributos administrados pela RFB. No presente caso, não há recurso. Há a anexação de vários documentos, sem a demonstração de nenhuma razão para que os mesmos sejam, primeiramente, admitidos, depois que levem a discussão sobre a correta aplicação da legislação, pela decisão a quo. Assim sendo, como não há argumentos nos autos para recorrer da decisão a quo, não conheço do pleito. CONCLUSÃO Em razão do exposto, Voto por não conhecer do recurso, nos termos do voto. Marcelo Oliveira. Fl. 107DF CARF MF Impresso em 10/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/02/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO
score : 1.0
Numero do processo: 11060.723092/2012-53
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jan 25 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Feb 18 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 11/11/2008
BENEFÍCIO FISCAL. VINCULAÇÃO À QUALIDADE DO IMPORTADOR. REQUISITOS. DESCUMPRIMENTO. EFEITOS.
O descumprimento dos requisitos e condições para fruição de benefícios fiscais, nas operações de comércio exterior, quando vinculados à qualidade do importador, obriga ao imediato pagamento dos tributos exonerados, enquadrando-se nesta hipótese a cessão de uso de equipamentos importados com isenção, por instituições de assistência social, a entidade que não goza do mesmo tratamento tributário e antes de decorrido o prazo legalmente estipulado.
PIS/PASEP E COFINS. IMPORTAÇÃO. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO DO ICMS E DAS PRÓPRIAS CONTRIBUIÇÕES. RE 559.937/RS. REPERCUSSÃO GERAL. OBEDIÊNCIA.
Por imposição do art. 62 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - RICARF, aprovado pela Portaria MF 343/15, as decisões definitivas de mérito, na sistemática do art. 543-B do Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas nos julgamentos realizados no âmbito do CARF, sendo o caso do RE 559.937/RS que reputou inconstitucional a inclusão, no valor aduaneiro, do ICMS e das próprias contribuições na apuração do PIS/Pasep e Cofins sobre as operações de importação (Lei nº 10.865/04).
Recurso voluntário provido em parte.
Numero da decisão: 3401-003.034
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar parcial provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
Robson José Bayerl Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Robson José Bayerl, Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge DOliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, Waltamir Barreiros, Fenelon Moscoso de Almeida, Elias Fernandes Eufrásio e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
Nome do relator: ROBSON JOSE BAYERL
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ASTROGILDO DE AZEVEDO E OUTRO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 11/11/2008 BENEFÍCIO FISCAL. VINCULAÇÃO À QUALIDADE DO IMPORTADOR. REQUISITOS. DESCUMPRIMENTO. EFEITOS. O descumprimento dos requisitos e condições para fruição de benefícios fiscais, nas operações de comércio exterior, quando vinculados à qualidade do importador, obriga ao imediato pagamento dos tributos exonerados, enquadrandose nesta hipótese a cessão de uso de equipamentos importados com isenção, por instituições de assistência social, a entidade que não goza do mesmo tratamento tributário e antes de decorrido o prazo legalmente estipulado. PIS/PASEP E COFINS. IMPORTAÇÃO. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO DO ICMS E DAS PRÓPRIAS CONTRIBUIÇÕES. RE 559.937/RS. REPERCUSSÃO GERAL. OBEDIÊNCIA. 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AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 0. 72 30 92 /2 01 2- 53Fl. 577DF CARF MF Impresso em 18/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 18/02/2016 p or ROBSON JOSE BAYERL 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar parcial provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. Robson José Bayerl – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Robson José Bayerl, Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge D’Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, Waltamir Barreiros, Fenelon Moscoso de Almeida, Elias Fernandes Eufrásio e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Relatório Cuidase de auto de infração de IPI, PIS e Cofins, incidentes sobre a importação, relativos à Declaração de Importação (DI) nºs 08/17896869 (adição 001), de 11/11/2008. Narrou a fiscalização que os equipamentos importados com benefício fiscal pelo Hospital de Caridade Dr. Astrogildo de Azevedo (HCAA), entidade de assistencial social, foram cedidos ao Instituto de Radiologia Vascular de Santa Maria (IRV), entidade privada com fins lucrativos, sem observância dos requisitos legais para manutenção da exoneração fiscal; que a cessão ocorreu por força da terceirização dos serviços de radioterapia, mediante contrato de locação dos equipamentos; e, que houve claro desvio de finalidade e prática de concorrência desleal. Foi imputada responsabilidade tributária pelo crédito exigido ao Instituto de Radiologia Vascular de Santa Maria. Em impugnação o contribuinte aduziu ser instituição de assistência social e de promoção de saúde, preenchendo os requisitos para gozo de imunidade tributária; que não houve conluio, não se caracterizando como tal a mera opinião técnica fornecida pelo Instituto de Radiologia Vascular de Santa Maria; que a terceirização dos serviços de radioterapia era medida necessária; que os bens importados foram empregados no atendimento dos seus pacientes, ainda que por intermédio da clínica, atendendo assim às suas finalidades institucionais; que, mesmo sendo entidade imune, não está impedida de cobrar de seus pacientes; que o contrato de locação, a bem da verdade, corresponderia a um contrato de prestação de serviços, visando otimizar a prestação dos serviços; que o Regulamento Aduaneiro seria inconstitucional, por criar exigências não previstas em lei, em afronta às limitações constitucionais ao poder de tributar; que a impossibilidade de cessão do equipamento importando com benefício fiscal é inconstitucional; que a terceirização do serviços não desnatura o seu caráter filantrópico; e, que, na eventualidade de ser mantida a autuação, não foi observado o dispostos no art. 126 do Decreto nº 6.759/2009. O responsável tributário, Instituto de Radiologia Vascular de Santa Maria, sustentou a improcedência do lançamento ante à imunidade do contribuinte; que a imunidade alcançaria não só os impostos como as contribuições sociais; que o Decreto nº 6.759/2009 (RA) não poderia restringir o gozo da imunidade; que a Lei nº 10.865/2004 afastou a incidência dos tributos que menciona nas hipóteses de importação realizada por entidade de assistência social; que a simples cessão dos equipamentos, em cumprimento ao contrato de Fl. 578DF CARF MF Impresso em 18/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 18/02/2016 p or ROBSON JOSE BAYERL Processo nº 11060.723092/201253 Acórdão n.º 3401003.034 S3C4T1 Fl. 11 3 locação, não descaracterizaria a imunidade, estando apenas em sua posse, mas permanecendo a propriedade ao contribuinte (Hospital de Caridade Dr. Astrogildo de Azevedo); que a jurisprudência pátria reconheceria a imunidade tributária nos casos de locação de bens afetados à sua finalidade institucional; que não haveria interesse jurídico a respaldar a imputação de responsabilidade; que nem mesmo a lei poderia atribuir solidariedade sem que comprovado o interesse jurídico comum na causa; e, que a Lei nº 10.865/04 extrapolara o conceito constitucional de valor aduaneiro. A DRJ São Paulo/SP manteve o lançamento em decisão assim ementada: “ISENÇÃO. ENTIDADES DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. TRANSFERÊNCIA DE BENS. A transferência da propriedade ou uso, a qualquer título, de bens importados com isenção se subordina à prévia decisão da autoridade aduaneira. Ausente referida decisão, a transferência acarreta a perda ao direito à isenção e enseja o lançamento dos tributos incidentes, acrescidos de multa de ofício e juros de mora.” Devidamente intimados ambos os sujeitos passivos, apenas o contribuinte, Hospital de Caridade Dr. Astrogildo de Azevedo, ofereceu recurso voluntário, onde realçou a sua condição de entidade assistencial sem finalidade lucrativa; alegou que houve equívoco no entendimento que concluiu pela transferência ou cessão dos equipamentos importados com benefício fiscal à clínica, porquanto se tratou de terceirização de serviços para otimização do atendimento; que nada foi feito às escuras ou na pretensão de burlar o fisco, mas pura e simplesmente racionalizar os serviços; que teria havido apenas a terceirização, dentro de suas instalações, da operação dos equipamentos e não a sua locação, como inferido pela fiscalização; que seria inconstitucional qualquer lei que proibisse a realização de atos negociais tendentes a dar eficiência aos serviços assistenciais que presta; que a receita advinda dos contratos de terceirização foram destinados integralmente aos seus objetivos institucionais; que é inadmissível a interferência do Fisco na sua administração interna; e, que houve equívoco na quantificação da base de cálculo do PIS/Cofins – Importação, eis que incluído o ICMS e as próprias contribuições na base de cálculo, o que violaria a decisão exarada no RE 559.937, julgado na forma do art. 543B do CPC, devendo ser observado nesta instância administrativa, por força do art. 62A do RICARF/09. É o relatório. Voto Conselheiro Robson José Bayerl, Relator O recurso interposto é tempestivo e preenche os demais requisitos para sua admissibilidade. Preambularmente, visando balizar o julgamento, registro que não serão objeto de debate nesta assentada a validade jurídica do contrato e dos atos jurídicos decorrentes firmados entre o Hospital de Caridade Dr. Astrogildo de Azevedo e o Instituto de Radiologia Vascular de Santa Maria, tampouco a opção administrativa dos entes envolvidos pelo processo denominado “terceirização” e seus objetivos e conseqüências econômicas ou financeiras, mas Fl. 579DF CARF MF Impresso em 18/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 18/02/2016 p or ROBSON JOSE BAYERL 4 exclusivamente os efeitos tributários deflagrados quanto à isenção vinculada à qualidade do contribuinte e sua manutenção, em caso de inobservância dos requisitos estatuídos para sua fruição. Da mesma forma, não será discutido qualquer aspecto de constitucionalidade ou legalidade de normas tributárias válidas e vigentes, com a ressalva das disposições do art. 62 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF (aprovado pela Portaria MF 343/15), ex vi do art. 26A do Decreto nº 70.235/72, introduzido pela Lei nº 11.941/2009: “Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 1o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 2o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 3o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 4o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 5o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 6o O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) II – que fundamente crédito tributário objeto de: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei no 10.522, de 19 de julho de 2002; (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993; ou (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) c) pareceres do AdvogadoGeral da União aprovados pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009)” (destacado) Esta norma foi reproduzida, então, pelo art. 62 do RICARF/09: “Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: Fl. 580DF CARF MF Impresso em 18/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 18/02/2016 p or ROBSON JOSE BAYERL Processo nº 11060.723092/201253 Acórdão n.º 3401003.034 S3C4T1 Fl. 12 5 I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n° 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar n° 73, de 1993. Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.” Na mesma linha intelectiva o enunciado da Súmula CARF nº 2 assim dispõe: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária”. Portanto, ressalvada a regra inserta no art. 62 do RICARF, nenhuma alegação de inconstitucionalidade ou legalidade será conhecida e , nesta medida, enfrentada no presente voto. Fixados os parâmetros iniciais, passo ao mérito. A legislação apontada como regente dos fatos jurídicos ensejadores do lançamento, tal como destacado pela autuação e decisão recorrida, quanto aos benefícios fiscais, é a seguinte: “Lei nº 8.032/90: Art. 2º As isenções e reduções do Imposto de Importação ficam limitadas, exclusivamente: I às importações realizadas: (...) b) pelos partidos políticos e pelas instituições de educação ou de assistência social; (...) Parágrafo único. As isenções e reduções referidas neste artigo serão concedidas com observância do disposto na legislação respectiva. Art. 3º Fica assegurada a isenção ou redução do Imposto sobre Produtos Industrializados, conforme o caso: Fl. 581DF CARF MF Impresso em 18/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 18/02/2016 p or ROBSON JOSE BAYERL 6 I nas hipóteses previstas no art. 2º desta lei, desde que satisfeitos os requisitos e condições exigidos para a concessão do benefício análogo relativo ao Imposto de Importação;” “DecretoLei nº 37/66 Art.11 Quando a isenção ou redução for vinculada à qualidade do importador, a transferência de propriedade ou uso, a qualquer título, dos bens obriga, na forma do regulamento, ao prévio recolhimento dos tributos e gravames cambiais, inclusive quando tenham sido dispensados apenas estes gravames. (Vide DecretoLei nº 1.581, de 1978) Parágrafo único. O disposto neste artigo não se aplica aos bens transferidos a qualquer título: I a pessoa ou entidades que gozem de igual tratamento fiscal, mediante prévia decisão da autoridade aduaneira; II após o decurso do prazo de 5 (cinco) anos da data da outorga da isenção ou redução.” “Lei nº 10.865/2004 Art. 2º. As contribuições instituídas no art. 1º desta Lei não incidem sobre: (...) VII bens ou serviços importados pelas entidades beneficentes de assistência social, nos termos do § 7o do art. 195 da Constituição Federal, observado o disposto no art. 10 desta Lei; (...) Art. 10. Quando a isenção for vinculada à qualidade do importador, a transferência de propriedade ou a cessão de uso dos bens, a qualquer título, obriga ao prévio pagamento das contribuições de que trata esta Lei. Parágrafo único. O disposto no caput deste artigo não se aplica aos bens transferidos ou cedidos: I a pessoa ou a entidade que goze de igual tratamento tributário, mediante prévia decisão da autoridade administrativa da Secretaria da Receita Federal; II após o decurso do prazo de 3 (três) anos, contado da data do registro da declaração de importação; e III a entidades beneficentes, reconhecidas como de utilidade pública, para serem vendidos em feiras, bazares e eventos semelhantes, desde que recebidos em doação de representações diplomáticas estrangeiras sediadas no País.” (destacado) Como se observa, profligase de imediato a tese consoante a qual a exoneração fiscal em debate é incondicionada, não se sujeitando a qualquer regra ou limite, porquanto a legislação de regência é categórica em designála com esse atributo, isto é, tratase de norma condicionada à observância de certos requisitos. No caso vertente, é incontroverso que, à vista dos textos legais transcritos, estáse diante de benefício fiscal vinculado à qualidade do importador. Fl. 582DF CARF MF Impresso em 18/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 18/02/2016 p or ROBSON JOSE BAYERL Processo nº 11060.723092/201253 Acórdão n.º 3401003.034 S3C4T1 Fl. 13 7 Nesta senda, acusa a fiscalização que o beneficiário da isenção, o Hospital de Caridade Dr. Astrogildo de Azevedo, cedeu o uso dos equipamentos importados ao Instituto de Radiologia Vascular de Santa Maria, entidade privada com finalidade lucrativa, argumentando o recorrente, em contrarrazão, que apenas “terceirizou” a prestação dos serviços de radioterapia, estando os equipamentos em seu patrimônio e instalados em suas dependências internas. Examinando o denominado “Contrato de terceirização da prestação de serviços administrativos e médicos de neuroradiologia para o Hospital de Caridade Dr. Astrogildo de Azevedo” (fls. 97 e ss.), constatase que, de fato, os serviços seriam prestados nas dependências do hospital, ora recorrente, permanecendo os equipamentos em seu patrimônio, contudo, diferentemente de um contrato de prestação de serviços típico, a remuneração do prestador não era realizada pelo tomador dos serviços, em tese, o recorrente, mas sim pelos pacientes atendidos pelo “prestador de serviços”. Segundo aludido instrumento, a cargo da clínica ficaria o faturamento e a cobrança pelos procedimentos realizados, diretamente dos convênios, além de perceber os demais valores pagos por particulares, assistindolhe, ainda, o direito de manter representante de sua administração nas negociações com entidades conveniadas do hospital. Este contrato ainda definiu que a clínica remunerasse o recorrente de acordo com um percentual fixo de 7,5 % (sete inteiros e cinco décimos percentuais) sobre o valor do faturamento mensal bruto, “pela utilização dos equipamentos e pela área física”, nos termos da cláusula quarta, que trata do percentual de retribuição. Ora, o contrato firmado entre o recorrente e a clínica, como bem apontado pela fiscalização, não é de prestação de serviços, mas sim de locação. O verdadeiro contrato de prestação de serviços é concertado entre a clínica e os seus usuários, e não entre aquela e o hospital, ora recorrente, que, aliás, sequer recebe “serviço” algum em contrapartida. A “terceirização” de serviços invocada pelo recorrente, a bem da verdade, revela a simples locação de coisas. De outra banda, mesmo que abstraído o debate acerca da real natureza da avença, se prestação de serviço ou locação de coisas, é indubitável que uma das obrigações assumidas pelo recorrente seria fornecer à clínica, para execução dos serviços, a área física, as máquinas, os equipamentos e os utensílios de propriedade do recorrente (cláusula segunda, alínea “a”), razão pela qual, sob qualquer ângulo que se vislumbre, houve, sim, cessão de uso dos bens importados mediante fruição de vantagem fiscal. Outrossim, não descaracteriza a cessão dos bens em apreço o fato de a remuneração pela locação ser integralmente destinada às finalidades institucionais da entidade de assistência social, tendo em conta a inexistência de exceção legal ao regramento. Resta, então, verificar se foram observadas as exigências para a garantia de manutenção do direito altercado. Consoante art. 123 do Regulamento Aduaneiro, aprovado pelo Decreto nº 4.543/02 (RA/2002), então vigente, a cessão de uso dos bens, a qualquer título, impunha o Fl. 583DF CARF MF Impresso em 18/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 18/02/2016 p or ROBSON JOSE BAYERL 8 imediato pagamento do tributo, exceto nos casos de transferência a entidade congênere, mediante prévia decisão da autoridade aduaneira, ou após transcurso de determinado lapso temporal. Nestes cadernos processuais nenhuma das condições foi cumprida, ao passo que o prazo mínimo não foi observado e a cessionária não gozava de igual tratamento tributário, de maneira que o tributo é devido. Por conveniente, registro que a exigência fiscal atrelada à utilização dos equipamentos importados com benefício fiscal não representa qualquer ingerência do poder público nos negócios da entidade, que pode adotar a forma que melhor lhe apraz para administrar seus negócios, todavia, deve sempre obediência à legislação tributária, assumindo os ônus decorrentes das condutas que a afrontem. Respeitante à alegação de equívoco na quantificação da base de cálculo das contribuições ao PIS/Pasep e Cofins, incidentes na importação, em face da superveniência do RE 559.937/RS, assiste razão ao recorrente. Com efeito, em 20/03/2013, foi prolatado o acórdão em tela, julgado sob a sistemática da repercussão geral (art. 543B do Código de Processo Civil), com a seguinte redação: “Tributário. Recurso extraordinário. Repercussão geral. PIS/COFINS – importação. Lei nº 10.865/04. Vedação de bis in idem. Não ocorrência. Suporte direto da contribuição do importador (arts. 149, II, e 195, IV, da CF e art. 149, § 2º, III, da CF, acrescido pela EC 33/01). Alíquota específica ou ad valorem. Valor aduaneiro acrescido do valor do ICMS e das próprias contribuições. Inconstitucionalidade. Isonomia. Ausência de afronta. 1. Afastada a alegação de violação da vedação ao bis in idem, com invocação do art. 195, § 4º, da CF. Não há que se falar sobre invalidade da instituição originária e simultânea de contribuições idênticas com fundamento no inciso IV do art. 195, com alíquotas apartadas para fins exclusivos de destinação. 2. Contribuições cuja instituição foi previamente prevista e autorizada, de modo expresso, em um dos incisos do art. 195 da Constituição validamente instituídas por lei ordinária. Precedentes. 3. Inaplicável ao caso o art. 195, § 4º, da Constituição. Não há que se dizer que devessem as contribuições em questão ser necessariamente nãocumulativas. O fato de não se admitir o crédito senão para as empresas sujeitas à apuração do PIS e da COFINS pelo regime nãocumulativo não chega a implicar ofensa à isonomia, de modo a fulminar todo o tributo. A sujeição ao regime do lucro presumido, que implica submissão ao regime cumulativo, é opcional, de modo que não se vislumbra, igualmente, violação do art. 150, II, da CF. 4 Ao dizer que a contribuição ao PIS/PASEP Importação e a COFINS Importação poderão ter alíquotas ad valorem e base de cálculo o valor aduaneiro, o constituinte derivado circunscreveu a tal base a respectiva competência. 5. A referência ao valor aduaneiro no art. 149, § 2º, III, a , da CF implicou utilização de expressão com sentido técnico inequívoco, porquanto já era Fl. 584DF CARF MF Impresso em 18/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 18/02/2016 p or ROBSON JOSE BAYERL Processo nº 11060.723092/201253 Acórdão n.º 3401003.034 S3C4T1 Fl. 14 9 utilizada pela legislação tributária para indicar a base de cálculo do Imposto sobre a Importação. 6. A Lei 10.865/04, ao instituir o PIS/PASEP Importação e a COFINS Importação, não alargou propriamente o conceito de valor aduaneiro, de modo que passasse a abranger, para fins de apuração de tais contribuições, outras grandezas nele não contidas. O que fez foi desconsiderar a imposição constitucional de que as contribuições sociais sobre a importação que tenham alíquota ad valorem sejam calculadas com base no valor aduaneiro, extrapolando a norma do art. 149, § 2º, III, a, da Constituição Federal. 7. Não há como equiparar, de modo absoluto, a tributação da importação com a tributação das operações internas. O PIS/PASEP Importação e a COFINS Importação incidem sobre operação na qual o contribuinte efetuou despesas com a aquisição do produto importado, enquanto a PIS e a COFINS internas incidem sobre o faturamento ou a receita, conforme o regime. São tributos distintos. 8. O gravame das operações de importação se dá não como concretização do princípio da isonomia, mas como medida de política tributária tendente a evitar que a entrada de produtos desonerados tenha efeitos predatórios relativamente às empresas sediadas no País, visando, assim, ao equilíbrio da balança comercial. 9. Inconstitucionalidade da seguinte parte do art. 7º, inciso I, da Lei 10.865/04: ‘acrescido do valor do Imposto sobre Operações Relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestação de Serviços de TransporteInterestadual e Intermunicipal e de Comunicação – ICMS incidente no desembaraço aduaneiro e do valor das próprias contribuições , por violação do art. 149, § 2º, III, a, da CF, acrescido pela EC 33/01. 10. Recurso extraordinário a que se nega provimento.” (destaques no original) O dispositivo sentencial, por seu turno, encontrase vazado nos seguintes termos: “Vistos, relatados e discutidos estes autos, acordam os Ministros do Supremo Tribunal Federal, em sessão plenária, sob a presidência do Senhor Ministro Joaquim Barbosa, na conformidade da ata do julgamento e das notas taquigráficas, em negar provimento ao recurso extraordinário, que visava a reconhecer a inconstitucionalidade da expressão ‘acrescido do valor do imposto sobre Operações Relativas à Circulação de Mercadorias e sobre prestação de Serviços de Transporte interestadual e intermunicipal e de Comunicação – ICMS incidente no desembaraço aduaneiro e do valor das próprias contribuições’, contida no inciso I do art. 7º da Lei nº 10.865/04. Tendo em conta o reconhecimento da repercussão geral da questão constitucional no RE 559.607, acordam, ademais, os Ministros, em determinar a aplicação do regime previsto no § 3º do art. 543B do CPC, Fl. 585DF CARF MF Impresso em 18/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 18/02/2016 p or ROBSON JOSE BAYERL 10 tudo nos termos do voto da Ministra Ellen Gracie (Relatora). Por fim, acordam os Ministros, em rejeitar questão de ordem da Procuradoria da Fazenda Nacional, que suscitava fossem modulados os efeitos da decisão. Foi designado para redigir o acórdão o Ministro Dias Toffoli.” Aplicável, portanto, à espécie as disposições do art. 62, § 2º, caput, do RICARF/2015, devendo ser dado provimento, nesta parte, para afastar a inclusão do ICMS e das próprias contribuições na apuração do PIS/Cofins sobre as operações de importação lançadas. Com estas considerações, voto por dar parcial provimento ao recurso para que seja ajustada a base de cálculo das contribuições ao PIS/Cofins – Importação, nos moldes do RE 559.937/RS. Robson José Bayerl Fl. 586DF CARF MF Impresso em 18/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 18/02/2016 p or ROBSON JOSE BAYERL
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Numero do processo: 10930.002261/2005-30
Turma: Terceira Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Fri Jun 20 00:00:00 UTC 2008
Ementa: Obrigações Acessórias.
Período de Apuração: 1º, 2º , 3 º e 4º trimestres de
2000.
DCTF. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA. PREVISÃO LEGAL.
É cabível a imposição de penalidade quando da
entrega da DCTF a destempo, vez que a obrigatoriedade de apresentação da DCTF, bem como a aplicação de penalidade em razão do descumprimento de tal obrigação, instituída pela
IN/SRF nº. 126, de 30/10/1998, tem amparo legal no Decreto-lei nº. 2.124, de 13/06/1984, e na Portaria/MF nº. 118, de 28/06/1984.
DCTF. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA
Não há que se falar em denúncia espontânea quando se trata de descumprimento de obrigação acessória autônoma, sem vínculo direto com a existência do fato gerador do tributo.
Recurso Voluntário negado
Numero da decisão: 303-35.445
Decisão: ACORDAM os Membros da TERCEIRA CÂMARA do TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso
voluntário. Vencido o Conselheiro Nilton Luiz Bártoli, que dava provimento integral. Designada para redigir o voto vencedor, a Conselheira Vanessa Albuquerque Valente.
Nome do relator: José Luiz Feistauer de Oliveira – Relator ad hoc
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dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 200806
ementa_s : Obrigações Acessórias. Período de Apuração: 1º, 2º , 3 º e 4º trimestres de 2000. DCTF. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA. PREVISÃO LEGAL. É cabível a imposição de penalidade quando da entrega da DCTF a destempo, vez que a obrigatoriedade de apresentação da DCTF, bem como a aplicação de penalidade em razão do descumprimento de tal obrigação, instituída pela IN/SRF nº. 126, de 30/10/1998, tem amparo legal no Decreto-lei nº. 2.124, de 13/06/1984, e na Portaria/MF nº. 118, de 28/06/1984. DCTF. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA Não há que se falar em denúncia espontânea quando se trata de descumprimento de obrigação acessória autônoma, sem vínculo direto com a existência do fato gerador do tributo. Recurso Voluntário negado
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Período de Apuração: 1º, 2º , 3 º e 4º trimestres de 2000. DCTF. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA. PREVISÃO LEGAL. É cabível a imposição de penalidade quando da entrega da DCTF a destempo, vez que a obrigatoriedade de apresentação da DCTF, bem como a aplicação de penalidade em razão do descumprimento de tal obrigação, instituída pela IN/SRF nº. 126, de 30/10/1998, tem amparo legal no Decreto-lei nº. 2.124, de 13/06/1984, e na Portaria/MF nº. 118, de 28/06/1984. DCTF. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA Não há que se falar em denúncia espontânea quando se trata de descumprimento de obrigação acessória autônoma, sem vínculo direto com a existência do fato gerador do tributo. Recurso Voluntário negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da TERCEIRA CÂMARA do TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso Fl. 27DF CARF MF Impresso em 30/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA, Assinado digital mente em 29/09/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 29/09/2015 por JOSE LUIZ FEISTAUER D E OLIVEIRA Processo n.º 13830.001466/2004-33 Acórdão n.º 303-35.445 CC03/C03 Fls. 152 ___________ voluntário. Vencido o Conselheiro Nilton Luiz Bártoli, que dava provimento integral. Designada para redigir o voto vencedor, a Conselheira Vanessa Albuquerque Valente. JOEL MIYAZAKI – Presidente atual JOSÉ LUIZ FEISTAUER DE OLIVEIRA – Redator ad hoc Participaram do presente julgamento os Conselheiros Anelise Daudt Prieto (Presidente à época), Tarásio Campelo Borges, Celso Lopes Pereira Neto, Vanessa Albuquerque Valente, Nanci Gama, Luís Marcelo Guerra de Castro, Heroldes Bahr Neto e Nilton Luiz Bartoli (Relator) Fl. 28DF CARF MF Impresso em 30/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA, Assinado digital mente em 29/09/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 29/09/2015 por JOSE LUIZ FEISTAUER D E OLIVEIRA Processo n.º 13830.001466/2004-33 Acórdão n.º 303-35.445 CC03/C03 Fls. 153 ___________ Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da decisão recorrida, o qual passo a transcrever: Trata o presente processo de auto de infração de fl. 2, consubstanciando exigência de multa por atraso na entrega de Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais — DCTF de 2001, no valor de R$ 1.032,12, com infração aos dispositivos da legislação mencionados no quadro 5 (Descrição dos Fatos/Fundamentação) do referido auto. Conforme descrito no precitado auto de infração, o lançamento em causa originou-se da entrega, em 16/07/2002, das DCTF do 10 ao 3° trimestre de 2001, fora dos prazos limite estabelecidos pela legislação tributária; foi-lhe dada ciência desse lançamento, em 28/06/2005, conforme consta à fl. 08. Inconformada com a autuação, a contribuinte, por meio de representante legal, protocolizou, em 12/07/2005, a impugnação de fl. 01, na qual admite ter efetuado a entrega das DCTF em causa fora dos prazos previstos na legislação, mas argumenta, como preliminar, que as informações constantes dessas DCTF não acarretaram qualquer ônus à Secretaria da Receita Federal, tendo efetuado os pagamentos dos tributos declarados; no mérito, citando o art. 138 do CTN, alega que sua responsabilidade perante o fisco ficou excluída após a entrega das DCTF, por denúncia espontânea, antes de qualquer ação do agente fiscalizador; pede, por fim, o cancelando do auto de infração. A fl. 11, despacho da DRF/LON dizendo da tempestividade da impugnação. A DRJ-Curitiba/PR julgou o lançamento procedente, nos termos da ementa adiante transcrita: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 15/05/2001, 15/08/2001,14/11/2001 DCTF. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA.CABIMENTO. A contribuinte que, obrigada à entrega da DCTF, a apresenta fora do prazo legal sujeita-se à multa estabelecida na legislação de regência. Lançamento Procedente Irresignado, o contribuinte apresentou recurso voluntário, onde suscita o não cabimento da multa aplicada, em razão de denúncia espontânea. Ao final, requer o cancelamento da exigência. É o Relatório. Fl. 29DF CARF MF Impresso em 30/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA, Assinado digital mente em 29/09/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 29/09/2015 por JOSE LUIZ FEISTAUER D E OLIVEIRA Processo n.º 13830.001466/2004-33 Acórdão n.º 303-35.445 CC03/C03 Fls. 154 ___________ Voto Vencido Conselheiro José Luiz Feistauer de Olveira, Redator ad hoc Por intermédio de despacho do Presidente da 2ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento deste CARF, nos termos da disposição dos art. 17, III e 18, XVII, do RICARF, e do art. 1º, I, da Portaria CARF nº 24, de 25 de maio de 2015, incumbiu-me o Senhor Presidente de formalizar Resolução nº.303-35.445, em razão de o relator original deste processo, o conselheiro Nilton Luiz Bartoli, bem como a redatora designada para redigir o voto vencedor, a ex-Conselheira Vanessa Albuquerque Valente, não mais integrarem nenhum dos Colegiados deste Conselho. Desta forma, tem-se que a elaboração deste voto deve refletir a posição adotada pelo relator original, bem como pela redatora designada. O recurso é tempestivo e foram preenchidas as demais condições de admissibilidade, razões pelas quais dele tomou-se conhecimento. Ao teor do relatado, versam os autos sobre Auto de Infração lavrado para imposição de multa por atraso na entrega de Declaração de Contribuições e Tributos Federais – DCTF contra a contribuinte acima identificada, no valor de R$2.000,00. As DCTF em questão são referentes aos 1º, 2º e 3 º trimestres de 2001, e têm como prazo final de entrega as datas de 15/05/2001, 15/08/2001 e 14/11/2001, tendo sido apresentadas, entretanto, somente em 16/07/2002. Saliente-se que não há controvérsia quanto ao fato de terem sido as DCTF entregues fora do prazo. Para fins de formalização do voto vencido, reproduzo abaixo o voto proferido nos autos do processo administrativo nº 13637.00007012005-46, oportunidade em que o mesmo relator analisou a mesma matéria. Eis o voto prolatado: “Cabe-nos agora correlacionar a norma e o veículo introdutório com todo o sistema jurídico para verificar se dele faz parte e se foi introduzido segundo os princípios e regras estabelecidos pelo próprio sistema de direito positivo. Inicialmente é de se verificar a validade do veículo introdutório em relação à fonte formal, para depois atermo-nos ao conteúdo da norma em relação à fonte material. Todo ato realizado segundo um determinado sistema de direito positivo, com o fim de nele se integrar, deve, obrigatoriamente, encontrar fundamento de validade em norma hierarquicamente superior a esta, que, por sua vez, também deve encontrar fundamento de validade em norma hierarquicamente superior, e assim por diante até q e se encontre o fundamento de validade na Constituição Federal. Como bem nos ensina o cientista idealizador da "Teoria Pura do Direito", que promoveu o Direito de ramo das Ciências Sociais para uma Ciência própria, individualizada, de objeto caracterizado por um corte epistemológico inconfundível, a norma é o objeto do Direito que está organizado em um sistema piramidal cujo ápice é ocupado pela Constituição que emana sua validade e eficácia por todo o sistema. Fl. 30DF CARF MF Impresso em 30/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA, Assinado digital mente em 29/09/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 29/09/2015 por JOSE LUIZ FEISTAUER D E OLIVEIRA Processo n.º 13830.001466/2004-33 Acórdão n.º 303-35.445 CC03/C03 Fls. 155 ___________ Dai porque entendo que, qualquer que seja a norma, deve-se confrontá-la com a Constituição Federal, pois não estando com ela compatível não estará compatível com o sistema. No caso em pauta, no entanto, entendo que a análise da Instrução Normativa n°. 129, de 19.11.1986, que instituiu para o contribuinte o dever instrumental de informar à Receita Federal, por meio da Declaração de Contribuições e Tributos Federais — DCTF as bases de cálculo e os valores devidos de cada tributo, mensalmente, a partir de 1° de janeiro de 1987, prescinde de uma análise mais profunda chegando às vias da Constituição Federal, o que será feito tão somente para alocar ao princípio constitucional norteador das condutas do Estado e do Contribuinte. O Código Tributário Nacional está organizado de forma que os assuntos estão divididos e subdivididos em Livro, título, capítulo e seções, as quais contém os enunciados normativos alocados em artigos. É evidente que a distribuição dos enunciados normativos de forma a estruturar o texto legislativo, pouco pode colaborar para a hermenêutica. Contudo, podem demonstrar indicativamente, quais as disposições inaplicáveis ao caso, seja por sua especificidade, seja por sua referência. Com efeito, o Título II, trata da Obrigação Tributária, e o art. 113, artigo que inaugura o Título estabelece que: "Art. 113 - A obrigação tributária é principal ou acessória." Este conceito legal, apesar de equiparar relações jurídicas distintas – uma obrigação de dar e outra obrigação de fazer - é um indicativo de que, para o tratamento legal dispensado à obrigação tributária, não é relevante a distinção se relação jurídica tributária, propriamente dita, ou se dever instrumental. Para evitar descompassos na aplicação das normas jurídicas, a doutrina empreende boa parte de seu trabalho para definir e distinguir as relações jurídicas possíveis no âmbito do Direito Tributário. Todavia, para o caso em prática, não será necessário embrenhar no campo da ciência a fim de dirimi-lo. Ao equiparar o tratamento das obrigações tributárias, o Código Tributário Nacional, equipara, conseqüentemente, as responsabilidades tributárias relativas ao plexo de relações jurídicas no campo tributário, tomando-as equânimes. Se equânimes as responsabilidades, não se poderia classificar de forma diversa as infrações, restando à norma estabelecer a dosimetria da penalidade atinente à teoria das penas. Há uma íntima relação entre os elementos: obrigação, responsabilidade e infração, pois uma decorre da outra, e se considerada a obrigação tributária como principal e acessória, ambas estarão sujeitas ao mesmo regramento se o comando normativo for genérico. A sanção tributária decorre da constatação da prática de um ilícito tributário, ou seja, é a pratica de conduta diversa da deonticamente modalizada na hipótese de incidência normativa, fixada em lei. É o descumprimento de uma ordem de conduta imposta pela norma tributária. Fl. 31DF CARF MF Impresso em 30/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA, Assinado digital mente em 29/09/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 29/09/2015 por JOSE LUIZ FEISTAUER D E OLIVEIRA Processo n.º 13830.001466/2004-33 Acórdão n.º 303-35.445 CC03/C03 Fls. 156 ___________ Se assim, tendo o modal deóntico obrigatório determinado a entrega de coisa certa ou a realização de uma tarefa (obrigação de dar ou obrigação de fazer), o fato do descumprimento, de pronto, permite a aplicação da norma sancionatória. Tratando-se de norma jurídica validamente integrada ao sistema de direito positivo (requisito formal), e tendo ela perfeita definição prévia em lei de forma a garantir a segurança do contribuinte de poder conhecer a conseqüência a que estará sujeito se pela prática de conduta diversa à determinada, a sanção deve ter sua consecução. Tal dever é garantia do Estado de Direito. Isto porque, não só a preservação das garantias e direitos individuais promove a sobrevivência do Estado de Direito, mas também a certeza de que, descumprida uma norma do sistema, este será implacável na aplicação da sanção. A sanção, portanto, constitui restrição de direito, sim, mas visa manter viva a estrutura do sistema de direito positivo. Segundo se verifica, a fonte formal da Instrução Normativa n°. 129, de 19.11.1986, posteriormente alterada pela Instrução Normativa n° 73, de 19.12.1996, é a Portaria do Ministério da Fazenda n° 118, de 28.06.1984 que delegou ao Secretário da Receita Federal a competência para eliminar ou instituir obrigações acessórias. O Ministro da Fazenda foi autorizado a eliminar ou instituir obrigações acessórias relativas a tributos federais, por força do Decreto-Lei n°. 2.124, de 13.06.1984. O Decreto-Lei n°. 2.124 de 13.06.1984, encontra fundamento de validade na Constituição Federal de 1967, alterada pela Emenda Constitucional n°. 01/69, que em seu art. 55, cria a competência para o Presidente da República editar Decretos-Leis, em casos de urgência ou de interesse público relevante, em relação às matérias que disciplina, inclusive a tributária, mas não se refere à delegação de competência ao Ministério da Fazenda para criar obrigações, sejam tributárias ou, não. A antiga Constituição, no entanto, também privilegiava o princípio da legalidade e da vinculação dos atos administrativos à lei, o que de plano criaria um conflito entre a norma editada no Decreto-Lei n°. 2.124 de 13.06.1984 e a Constituição Federal de 1967 (art. 153, § 2°). Em relação à fonte material, verifica-se que há na norma veiculada pelo Decreto-Lei n°. 2.124 de 13.06.1984, uma nítida delegação de competência de legislar, para a criação de relações jurídicas de cunho obrigacional para o contribuinte em face do Fisco. O Código Tributário Nacional, recepcionado integralmente pela nova ordem constitucional, estabelece em seu art. 97 o seguinte: "Art. 97 - Somente a lei pode estabelecer: I a instituição de tributos, ou a sua extinção; II- a majoração de tributos, ou sua redução, ressalvado disposto nos artigos 21, 16, 39, 57 e 65: III - a definição do fato gerador da obrigação tributária principal, ressalvado o disposto no inciso I do § 3 do artigo 52, e do seu sujeito passivo: Fl. 32DF CARF MF Impresso em 30/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA, Assinado digital mente em 29/09/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 29/09/2015 por JOSE LUIZ FEISTAUER D E OLIVEIRA Processo n.º 13830.001466/2004-33 Acórdão n.º 303-35.445 CC03/C03 Fls. 157 ___________ IV - a fixação da alíquota do tributo e da sua base de cálculo, ressalvado o disposto nos artigos 21, 26, 39, 57 e 65; V - a cominação de penalidades para as ações ou omissões contrárias a seus dispositivos, ou para outras infrações nela definidas; VI - as hipóteses de exclusão, suspensão e extinção de créditos tributários, ou de dispensa ou redução de penalidades." (grifos acrescidos ao original) Ora, torna-se cristalina na norma complementar que somente a lei pode estabelecer a cominação de penalidades para as ações ou omissões contrárias aos seus dispositivos (dispositivos instituídos em lei) ou para outras infrações na lei definidas. Não resta dúvida que somente à lei é dada autorização para criar deveres, direitos, sendo que as obrigações acessórias não fogem à regia. Se o Código Tributário Nacional diz que a cominação de penalidade para as ações e omissões contrárias a seus dispositivos, a locução "a seus dispositivos" refere-se aos dispositivos legais, às ações e omissões estabelecidas em lei e não, como foi dito, às normas complementares. Aliás, a interpretação do art. 100 do Código Tributário Nacional vem sendo distorcida com o fim de dar legitimidade a atos da administração direta que não foram objeto da ação legiferante pelo Poder competente, ou seja, a hipótese de incidência contida no antecessor da norma veiculada por ato da administração não encontra fundamento de validade em normas hierarquicamente superior, e, por vezes, é proferida por autoridade que não tem competência para fazê-lo. Prescreve o art. 100 do Código Tributário Nacional: Art. 100 - São normas complementares das leis, dos tratados e das convenções internacionais e dos decretos: I - os atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas • II - as decisões dos órgãos singulares ou coletivos de jurisdição administrativa, a que a lei atribua eficácia normativa: III-- as práticas reiteradamente observadas pelas autoridades administrativas; IV - os convênios que entre si celebrem a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios. Parágrafo único. A observância das normas referidas neste artigo exclui a imposição de penalidades, a cobrança de juros de mora e a atualização do valor monetário da base de cálculo do tributo." (grifos acrescidos ao original) Como bem assevera o artigo retro mencionado, os atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas são complementares às leis, devendo a elas obediência e submissão. Incabível dar ao art. 100 do Código Tributário Nacional a conotação de que está aberta a possibilidade de um ato normativo vir a substituir a função da lei, ou por falha da lei cobrir sua lacuna ou vício. Fl. 33DF CARF MF Impresso em 30/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA, Assinado digital mente em 29/09/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 29/09/2015 por JOSE LUIZ FEISTAUER D E OLIVEIRA Processo n.º 13830.001466/2004-33 Acórdão n.º 303-35.445 CC03/C03 Fls. 158 ___________ Atos administrativos de caráter normativo são assim caracterizados por introduzirem normas atinentes ao "modus operandi" do exercício da função administrativa tributária, tendo força para normatizar a conduta da própria administração em face do contribuinte, e em relação às condutas do contribuinte, servem, tão somente, para explicitar o que já fora estabelecido em lei. É nesse contexto que os atos normativos cumprem sua função de complementaridade das leis. Yoshiaki Ichihara (in Princípio da Legalidade Tributária, pág. 16) doutrina em relação às normas infralegais (que incluem as Instruções Normativas) o seguinte: "São na maioria das vezes, normas impessoais e genéricas, mas que se situam abaixo da lei e do decreto. Não podem criar, alterar ou extinguir direitos, pois a função dos atos normativos dentro do sistema jurídico visa a boa execução das leis e dos regulamentos. (...) É possível concluir até pela redação do art. 100 do Código Tributário Nacional; os atos normativos não criam e nem inovam a ordem jurídica no sentido de criar obrigações ou deveres. Assim, qualquer comportamento obrigatório contido no ato normativo decorre porque a lei atribuiu força e eficácia normativa, apenas detalhando situações previstas em lei. A função dos atos normativos, seja qual for o rótulo utilizado, só possui eficácia normativa se retirar o conteúdo de validade da norma superior e exercer a função específica de completar o sistema jurídico, a fim de tornar a norma superior exeqüível e aplicável, preenchendo o mundo jurídico e a visão de completude do sistema." Nesse diapasão, é oportuno salientar que todo ato administrativo tem por requisito de validade cinco elementos: objeto lícito, motivação, finalidade, agente competente e forma prevista em lei. Sob análise, percebo que a Instrução Normativa n°. 129, de 19.11.1986 cumpriu os desígnios orientadores da validade do ato relativamente aos três primeiros elementos, vez que a exigência de entrega de Declaração de Contribuições e Tributos Federais — DCTF com o fim de informar à Secretaria da Fazenda Nacional os montantes de tributos devidos e suas respectivas bases de cálculo, é de materialidade lícita, motivada pela necessidade de a Fazenda ter o controle dos fatos geradores que fazem surgir cada relação jurídica tributária entre o contribuinte e o Fisco, tendo por finalidade o controle do recolhimento dos respectivos tributos. No que tange ao agente competente, no entanto, tal conformidade não se verifica, uma vez que o Secretário da Receita Federal, como visto, não tem a competência legiferante, privativa do Poder Legislativo, para criar normas constituidoras de obrigações de caráter pessoal ao contribuinte, cuja cogência é imposta pela cominação de penalidade É de se ressaltar que, ainda que se admitisse que o Decreto-Lei n o. 2.124, de 13.06.1984, fosse o veiculo introdutório para outorgar competência ao Ministério da Fazenda para que criasse deveres instrumentais, o Decreto-lei não poderia autorizar ao Ministério da Fazenda a delegar tal competência, como na realidade não o fez, tendo em vista o principio da Fl. 34DF CARF MF Impresso em 30/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA, Assinado digital mente em 29/09/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 29/09/2015 por JOSE LUIZ FEISTAUER D E OLIVEIRA Processo n.º 13830.001466/2004-33 Acórdão n.º 303-35.445 CC03/C03 Fls. 159 ___________ indelegabilidade da competência tributária (art. 7° do Código Tributário Nacional) e até mesmo o principio da indelegabilidade dos poderes (art. 2° da CF/88). Ora, se o Ministério da Fazenda não tinha a competência para delegar a competência que recebera com exclusividade do Decreto-Lei n°. 2.124 de 13.06.1984, a Portaria MF n°118, de 28.06.1984, extravasou os limites do poder outorgados pelo Decreto- Lei. Registre-se, nesta senda, o entendimento do Supremo Tribunal Federal sobre a impossibilidade de delegação de poderes ("ubi eadem legis ratio, ibi dispositio"): "EMENTA: AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE LEI ESTADUAL QUE OUTORGA AO PODER EXECUTIVO A PRERROGATIVA DE DISPOR, NORMATIVAMENTE, SOBRE MATÉRIA TRIBUTÁRIA - DELEGAÇÃO LEGISLATIVA EXTERNA - MATÉRIA DE DIREITO ESTRITO - POSTULADO DA SEPARAÇÃO DE PODERES - PRINCÍPIO DA RESERVA ABSOLUTA DE LEI EM SENTIDO FORMAL - PLAUSIBILIDADE JURÍDICA - CONVENIÉNCIA DA SUSPENSÃO DE EFICÁCIA DAS NORMAS LEGAIS IMPUGNADAS - MEDIDA CAUTELAR DEFERIDA. - A essência do direito tributário - respeitados os postulados fixados pela própria Constituição - reside na integral submissão do poder estatal a "rule of law". A lei, enquanto manifestação estatal estritamente ajustada aos postulados subordinantes do texto consubstanciado na Carta da Republica, qualifica-se como decisivo instrumento de garantia constitucional dos contribuintes contra eventuais excessos do Poder Executivo em matéria tributaria.Considerações em torno das dimensões em que se projeta o principio da reserva constitucional de lei. - A nova Constituição da Republica revelou-se extremamente fiel ao postulado da separação de poderes, disciplinando, mediante regime de direito estrito, a possibilidade, sempre excepcional, de o Parlamento proceder a delegação legislativa externa em favor do Poder Executivo. A delegação legislativa externa, nos casos em que se apresente possível, só pode ser veiculada mediante resolução, que constitui o meio formalmente idôneo para consubstanciar, em nosso sistema constitucional, o ato de outorga parlamentar de funções normativas ao Poder Executivo. A resolução não pode ser validamente substituída, em tema de delegação legislativa, por lei comum, cujo processo de formação não se ajusta a disciplina ritual fixada pelo art. 68 da Constituição. A vontade do legislador, que substitui arbitrariamente a lei delegada pela figura da lei ordinária, objetivando, com esse procedimento, transferir ao Poder Executivo o exercício de competência normativa primaria, revela-se irrita e desvestida de qualquer eficácia jurídica no plano constitucional. O Executivo não pode, fundando-se em mera permissão legislativa constante de lei comum, valer-se do regulamento delegado ou autorizado como sucedâneo da lei delegada para o efeito de disciplinar, normativamente, temas sujeitos a reserva constitucional de lei - Não basta, para que se legitime a atividade estatal, que o Poder Público tenha promulgado um ato legislativo. Impõe-se, antes de mais Fl. 35DF CARF MF Impresso em 30/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA, Assinado digital mente em 29/09/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 29/09/2015 por JOSE LUIZ FEISTAUER D E OLIVEIRA Processo n.º 13830.001466/2004-33 Acórdão n.º 303-35.445 CC03/C03 Fls. 160 ___________ nada, que o legislador, abstendo-se de agir ultra vires, não haja excedido os limites que condicionam, no plano constitucional, o exercício de sua indisponível prerrogativa de fazer instaurar, em caráter inaugural, a ordem jurídico-normativa. Isso significa dizer que o legislador não pode abdicar de sua competência institucional para permitir que outros órgãos do Estado - como o Poder Executivo - produzam a norma que, por efeito de expressa reserva constitucional, só pode derivar de fonte parlamentar." (ADIMC n°. 1296/PE in 10.08.1995, pp. 23554 EMENTA VOL - 01795-01 pp. -00027) Hans Kelsen, idealizador do Direito como Ciência, estatui em seu trabalho lapidar (Teoria Pura do Direito, tradução João Baptista Machado, 58 edição, São Paulo, Malheiros) que: "Dizer que uma norma que se refere à conduta de um indivíduo "vale" (é vigente"), significa que ela é vinculativa, que o indivíduo se deve conduzir do modo prescrito pela norma."... "O fundamento de validade de uma norma apenas pode ser a validade de uma outra norma. Uma norma que representa o fundamento de validade de outra norma é figurativamente designada como norma superior, por confronto com uma norma que é, em relação a ela, a norma inferior." "... Mas a indagação do fundamento de validade de uma norma não pode, tal como a investigação da causa de um determinado efeito, perder-se no interminável. Tem de terminar numa norma que se pressupõe como a última e mais elevada. Como norma mais elevada, ela tem de ser pressuposto, visto que não pode ser posta por uma autoridade, cuja competência teria de se fundar numa norma ainda mais elevada. A sua validade já não pode ser derivada de uma norma mais elevada, o fundamento da sua validade já não pode ser posto em questão. Uma tal norma, pressuposta como a mais elevada, será aqui designada como norma fundamental (Grundnorm). " Ensina Kelsen que toda ordem jurídica é constituída por um conjunto escalonado de normas, todas carregadas de conteúdo que regram as condutas humanas e as relações sociais, que se associam mediante vínculos (i) horizontais, pela coordenação entre as normas, e, (ii) verticais pela supremacia e subordinação. Segundo Kelsen, em relação aos vínculos verticais, a relação de validade de uma norma não pode ser aferida a partir de elementos do fato. Norma (ideal) e fato (real) pertencem a mundos diferentes e, portanto a norma deve buscar fundamento de validade no próprio sistema, segundo os critérios de hierarquia, próprios do sistema. Os elementos se relacionam verticalmente segundo a regra básica, interna ao próprio sistema, de que as normas de menor hierarquia buscam fundamento de validade em normas de hierarquia superior, assim, até alcançar-se o nível hierárquico Constitucional que inaugura o sistema. Ora, se toda norma deve encontrar fundamento de validade nas normas hierarquicamente superiores, onde estaria o fundamento de validade da Portaria MF 118, de 28.06.1984, se o Decreto-Lei n° 2.124, de 1.06.1984, não lhe outorgou competência para delegação? Fl. 36DF CARF MF Impresso em 30/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA, Assinado digital mente em 29/09/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 29/09/2015 por JOSE LUIZ FEISTAUER D E OLIVEIRA Processo n.º 13830.001466/2004-33 Acórdão n.º 303-35.445 CC03/C03 Fls. 161 ___________ Em relação à forma prevista em lei, entendida lei como normas no sentido lato, a instituição da obrigação de entrega de Declaração de Contribuições e Tributos Federais - DCTF, por ser obrigação e, conseqüentemente, dever acometido ao sujeito passivo da relação jurídica tributária, por instrução normativa, não cumpre o requisito de validade do ato administrativo, uma vez que tal instituição é reservada à LEI. A exigibilidade de veiculação por norma legal de ações ou omissões por parte de contribuinte e respectivas penalidades inerentes ao seu descumprimento é estabelecida pelo Código Tributário Nacional de forma insofismável. Somente a Lei pode criar um vínculo relacional entre o Fisco e o contribuinte e a penalidade pelo descumprimento da obrigação fulcral desse vínculo. E tal poder da lei é indelegável, com o fim de que sejam garantidos o Estado de Direito Democrático e a Segurança Jurídica. Ademais a delegação de competência legiferante introduzida pelo Decreto-Lei n°. 2.124 de 13.06.1984, não encontra supedâneo jurídico na nova ordem constitucional instaurada pela Constituição Federal de 1988, uma vez que o art. 25 estabelece o seguinte: "Art. 25 - Ficam revogados, a partir de cento e oitenta dias da promulgação da Constituição, sujeito este prazo a prorrogação por lei, todos os dispositivos legais que atribuam ou deleguem a órgão do Poder Executivo competência assinalada pela Constituição ao Congresso Nacional, especialmente no que tange a: 1- ação normativa; II - alocução ou transferência de recursos de qualquer espécie. (grifos acrescidos ao original) Ora, a competência de legislar sobre matéria pertinente ao sistema tributário é do Congresso Nacional, como determina o art. 48 da Constituição Federal, sendo que a delegação outorgada pelo Decreto-Lei n°. 2.124 de 13.06.1984, ato do Poder Executivo auto disciplinado, que ainda que pudesse ter validade na vigência da constituição anterior, perdeu sua vigência 180 dias após a promulgação da Constituição Federal de 1988. Tendo a norma que dispõe sobre a delegação de competência perdido sua vigência, a Instrução Normativa n°. 129 de 19.11.1986, ficou sem fonte material que a sustente e, conseqüentemente, também perdeu sua vigência em abril de 1989. Analisada a norma instituidora da obrigação acessória tributária, entendo cabível apreciar a cominação da penalidade estabelecida no próprio texto da Instrução Normativa n° 129 de 19.11.1986, Anexo II - 1.1, (e posteriormente, na Instrução Normativa n°73, de 19.12.1996, que alterou a IN n° 129 de 19.11.1986), cujos argumentos acima despendidos são plenamente aplicáveis. No Direito Tributário a sanção administrativa tributária tem a mesma conformação estrutural lógica da sanção do Direito Penal e se assim o ato ilícito antijurídico deve ter a cominação de penalidade específica. Fl. 37DF CARF MF Impresso em 30/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA, Assinado digital mente em 29/09/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 29/09/2015 por JOSE LUIZ FEISTAUER D E OLIVEIRA Processo n.º 13830.001466/2004-33 Acórdão n.º 303-35.445 CC03/C03 Fls. 162 ___________ Em artigo publicado na RT-718/95, pg. 536/549, denominado "A Extinção da Punibilidade nos Crimes contra a Ordem Tributária, GERD W. ROTHMANN, eminente professor da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo, destacou um capitulo sob a rubrica "Características das infrações em matéria tributária"., que merece transcrição aqui para servir de supedâneo ao argumento de que, a ausência de perfeita tipicidade na lei de conduta do contribuinte, implica a carência da ação fiscal: "Tanto o crime fiscal como a mera infração administrativa se caracterizam pela antijuridicidade da conduta, pela tipicidade das respectivas figuras penais ou administrativas e pela culpabilidade (dolo ou culpa). A antijuridicidade envolve a indagação pelo interesse ou bem jurídico protegido pelas normas penais e tributárias relativas ao ilícito fiscal. (...) A tipicidade é outro requisito do ilícito tributário penal e administrativo. O comportamento antijurídico deve ser definido por lei, penal ou tributária. Segundo RICARDO LOBO TORRES (Curso de Direito Financeiro e Tributário, 1993, pg. 268), a tipicidade é a possibilidade de subsunçõo de uma conduta no tipo de ilícito definido na lei penal ou tributária. (...) Nisto reside a grande problemática do direito penal tributário: leis penais, freqüentemente mal redigidas, estabelecem tipos penais que precisam ser complementados por leis tributárias igualmente defeituosas, de difícil compreensão e sujeitas a constantes alterações." Na mesma esteira doutrinária o BASILEU GAROA (in "Instituições de Direito Penal", vol. I, Tomo I, Ed. Max Limonad, 4ª edição, pg. 195) ensina: "No estado atual da elaboração jurídica e doutrinária, há pronunciada tendência a identificar, embora com algumas variantes, o delito como sendo a ação humana, anti-jurídica, típica, culpável e punível. O comportamento delituoso do homem pode revelar-se por atividade positiva ou omissão. Para constituir delito, deverá ser ilícito, contrário ao direito, revestir-se de antijuricidade. Decorre a tipicidade da perfeita conformidade da conduta com a figura que a lei penal traça, sob a injunção do princípio nullum crimen, nulla poena sitie lege. Só os fatos típicos, isto é, meticulosamente ajustados ao modelo legal, se incriminam. O Direito Penal (e por conseguinte o Direito Tributário Penal) contém normas adstritas às normas constitucionais. Dessa sorte, está erigido sob a primazia do princípio da legalidade dos delitos e das penas, de sorte que a justiça penal contempor: - • não concebe crime sem lei anterior que o determine, nem pena sem lei anterior que a es • bel • • ; dai a parêmia "nullum crimen, nulla poena sine praevia lege", erigida como máxima fundamental nascida da Revolução Francesa e vigorante cada vez mais fortemente até hoje (Cf. Basileu Garcia, op. Cit., pg. 19) . Fl. 38DF CARF MF Impresso em 30/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA, Assinado digital mente em 29/09/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 29/09/2015 por JOSE LUIZ FEISTAUER D E OLIVEIRA Processo n.º 13830.001466/2004-33 Acórdão n.º 303-35.445 CC03/C03 Fls. 163 ___________ Na Constituição Federal há expressa disposição, que repete a máxima retro mencionada, em seu art. 5°, inciso XXXIX: "Art. 5"... XXXIX - Não há crime sem lei anterior que o defina, nem pena sem prévia cominação legal. ". Não há, aqui, como não se invocar teorias singelas sobre o trinômio que habilita considerar uma conduta como infratora às normas de natureza penal: o fato típico, a antijuridicidade e a culpabilidade, segundo conceitos extraídos da preleção de DAMÁSIO E. DE JESUS ( in Direito Penal, Vol. 1, Parte Geral, Ed. Saraiva, 17 edição, pg. 136/137). "O fato típico é o comportamento humano que provoca um resultado e que seja prevista na lei como infração; e ele é composto dos seguintes elementos: conduta humana dolosa ou culposa; resultado lesivo intencional; nexo de causalidade entre a conduta e o resultado; e enquadramento do fato material a uma norma penal incriminatória. A antijuridicidade é a relação de contrariedade entre o fato típico e o ordenamento jurídico. A conduta descrita em norma penal incriminadora será ilícita ou antijurídica em face de estar ligado o homem a um fato típico e antijurídico. Dessa caracterização de tipicidade, de conduta e de efeitos é que nasce a punibilidade." Tais elementos estavam ausentes no processo que cito, como também estão ausentes no caso presente. Daí não ser punível a conduta do agente. Não será demais reproduzir mais uma vez a lição do já citado mestre de Direito Penal Damásio de Jesus, que ao estudar o FATO TÍPICO ( obra citada - 1° volume – Parte Geral (Ed. Saraiva - 15' Ed. - pág. 197) ensina: "Por último, para que um fato seja típico, é necessário que os elementos acima expostos (comportamento humano, resultado e nexo causal) sejam descritos como crime. "Faltando um dos elementos do fato típico a conduta passa a constituir em indiferente penal. É um fato atípico." ... "Foi Binding quem pela primeira vez usou a expressão lei em branco' para batizar aquelas leis penais que contêm a sanctio júri determinada, porém, o preceito a que se liga essa conseqüência jurídica do crime não é formulado senão como proibição genérica, devendo ser complementado por lei (em sentido amplo). Nesta linha de raciocínio nos ensina CLEIDE PREVITALLI CAIS, in O Processo Tributário, assim preleciona o princípio constitucional da tipicidade: "Segundo Alberto Xavier, "tributo, imposto, é pois o conceito que se encontra na base do processo de tipificação no Direito Tributário, de tal modo que o tipo, como é de regra, representa necessariamente algo Fl. 39DF CARF MF Impresso em 30/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA, Assinado digital mente em 29/09/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 29/09/2015 por JOSE LUIZ FEISTAUER D E OLIVEIRA Processo n.º 13830.001466/2004-33 Acórdão n.º 303-35.445 CC03/C03 Fls. 164 ___________ de mais concreto que o conceito, embora necessariamente mais abstrato do que o fato da vida." Vale dizer que cada tipo de exigência tributária deve apresentar todos os elementos que caracterizam sua abrangência. "No Direito Tributário a técnica da tipicidade atua não só sobre a hipótese da norma tributária material, como também sobre o seu mandamento. Objeto da tipificação são, portanto, os fatos e os efeitos, as situações jurídicas iniciais e as situações jurídicas finais." O princípio da tipicidade consagrado pelo art. 97 do CTN e decorrente da Constituição Federal, já que tributos somente podem ser instituídos, majorados e cobrados por meio da lei, aponta com clareza meridiano os limites da Administração neste campo, já que lhe é vedada toda e qualquer margens de discricionariedade." (Grifo nosso) Como nos ensinou Cleide Previtalli Cais "... cada tipo de abrangência tributária deve apresentar todos os elementos que caracterizam sua abrangência... " , já que "... lhe é vedada (á Administração) toda e qualquer espécie de discricionariedade." Revela-se, assim, que tanto o poder para restringir a liberdade como para restringir o patrimônio devem obediência ao princípio da tipicidade, pois é a confirmação do princípio do devido processo legal a confrontação específica do fato à norma. Diante do exposto, entendo que a Instrução Normativa n°. 129 de 19.11.1986, não é veiculo próprio a criar, alterar ou extinguir direitos, seja porque não encontra em lei seu fundamento de validade material, seja porque a delegação pela qual se origina é malversação da competência que pertine ao Decreto-Lei, ou seja, porque inova o ordenamento extrapolando sua própria competência. Por oportuno, cumpre transcrever o entendimento de Tribunais Regionais Federais, acerca da imposição de multa, através de Instrução Normativa: Tribunal Regional Federal da 1" Região Apelação eive! n° 1999.01.00.032761 — 2/MG "TRIBUTÁRIO. DECLARAÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES E TRIBUTOS FEDERAIS — DCTF. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. INSTRUÇÃO NORMATIVA 129/86. 1 — Somente a lei pode criar obrigação tributária. 2 — A obrigação tributária acessória, consubstanciada em aplicação de multa àquele que não apresentar a DCTF, por intermédio de instrução normativa, é ilegal. Precedentes da Corte. 3 — Apelação a que se dá provimento." Tribunal Regional Federal da 5ª Região Apelação em Mandado de Segurança n° 96.05.21319-2/AL "CONSTITUCIONAL E TRIBUTÁRIO. OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA ACESSÓRIA. DECLARAÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES E TRIBUTOS FEDERAIS (DCTF). INSTRUÇÃO NORMATIVA 129/86. ILEGALIDADE. PRINCIPIO DA RESERVA LEGAL. Fl. 40DF CARF MF Impresso em 30/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA, Assinado digital mente em 29/09/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 29/09/2015 por JOSE LUIZ FEISTAUER D E OLIVEIRA Processo n.º 13830.001466/2004-33 Acórdão n.º 303-35.445 CC03/C03 Fls. 165 ___________ - A criação de obrigação tributária deve ser antecedida por lei ordinária, constituindo ilegalidade sua instituição via instrução normativa. - Apelação e remessa oficial tida como interpostas improvidas" Tais precedentes apenas ratificaram vetusta jurisprudência, inaugurada pela atual Ministra Eliana Calmon, do Superior Tribunal de Justiça, quando ainda juíza do Tribunal Regional Federal da lª.Região: "TRIBUTÁRIO — OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA — DECLARAÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES E TRIBUTOS FEDERAIS: DCTF — INSTRUÇÃO NORMATIVA IV. 129/86 —ILEGALIDADE 1.É ilegal a criação de obrigação tributária acessória, cujo descumprimento importa em pena pecuniária via Instrução Normativa, emanada de autoridade incompetente. 2.Desatendimento do principio de reserva legal, sendo indelegável a matéria de competência do Congresso Nacional. 3.Recurso voluntário e remessa oficial improvidos. '("apelação cível n. 95.01.18755-1/BA No mesmo sentido, ainda: DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA ACESSÓRIA - DECLARAÇÃO DE CONTRIBUIÇÃO E TRIBUTOS FEDERAIS - DCTF - INSTRUÇÃO NORMATIVA N a. 129/86 – SRF - PORTARIA M 118/84 - MF - OFENSA AO PRINCÍPIO DA LEGALIDADE - Ofende o principio da legalidade a instituição de obrigação tributária acessória mediante Instrução Normativa, por delegação do Secretário da Receita Federal, através da Portaria n es 118/84, baixada pelo Ministério da Fazenda. Precedentes: AC 95.01.18755-1/BA, Rel. Juíza Eliana Calmon DJU/11 de 09.10.95, p. 68250; REO 94.01.24826- 5/11A, Rel.Juíza Eliana Calmon, DJU/II de 06.10.94, p. 56075, III. Apelação improvida. Remessa oficial julgada prejudicada.".( Apelação Cível nº 123.128-3 — BA) Finalmente, a edição da Lei 10.426 de 25.04.2002 (conversão da Medida Provisória nº. 16, de 27.12.2001) somente veio a corroborar tudo o quanto até aqui demonstrado. Com efeito, a adoção de Medida Provisória, posteriormente convertida em lei, determinando sanções para a não apresentação, pelo sujeito passivo, da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), atesta cabalmente a inexistência de legislação válida até aquele momento, uma vez que não haveria lógica em se editar norma, de caráter extraordinário, que simplesmente repetisse a legislação já em vigor. Fl. 41DF CARF MF Impresso em 30/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA, Assinado digital mente em 29/09/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 29/09/2015 por JOSE LUIZ FEISTAUER D E OLIVEIRA Processo n.º 13830.001466/2004-33 Acórdão n.º 303-35.445 CC03/C03 Fls. 166 ___________ Ora, ao adotar Medida Provisória, o Poder Executivo Federal reconheceu a necessidade de disciplinar a instituição de deveres instrumentais e penalidades para seu descumprimento, que até então não se encontrava (validamente) regulada pelo direito pátrio. (...) Conclui-se, portanto, que antes da entrada em vigor da MP 16 de 27.12.2001 não havia disciplina válida ou vigente no sistema tributário nacional para o cumprimento do dever acessório de entrega de DCTF, e, conseqüentemente, para cominar sanções para sua não apresentação.” In casu, as DCTF referem-se aos 1º , 2º e 3º trimestres do ano-calendário 2001, sendo que o prazo final de entrega das declarações eram os dias 15/05/2001, 15/08/2001 e 14/11/2001. No entender do relator original, não havia, para o citado período, disciplina válida existente para a exigência de multa por atraso na entrega, consoante já explanado, razão pela qual o relator proferiu seu voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário. Estas são as considerações possíveis para suprir a inexistência do voto. José Luiz Feistauer de Oliveira Voto Vencedor José Luiz Feistauer de Oliveira, Redator ad hoc Manifestou-se o relator original no sentido de a obrigatoriedade de apresentação da DCTF ter sido estabelecida por Instrução Normativa e não por lei específica, aprovada pela Câmara e Senado Federal e sancionada pelo Presidente da República, razão pela qual entendeu não ser cabível a exigência em relação ao período ora em comento. Neste ponto, toma-se como razões de decidir o entendimento esposado pelo então Presidente da Turma julgadora, o ex-Conselheiro Luís Marcelo Guerra de Castro, que, em diversos votos quanto ao tema, assim se manifestou: “Para que se firme a convicção em sentido contrário às alegações da contribuinte, é necessário que se faça uma breve digressão histórico-legislativa referente à criação da DCTF, bem como da penalidade correspondente para a sua entrega a destempo. A contribuinte procura invalidar a criação da obrigatoriedade da entrega da DCTF por, no seu entender, haver sido estabelecida por Instrução Normativa e não por lei específica. Equivoca-se, porém, em tal alegação. A obrigatoriedade de apresentar a DCTF, bem como a correspondente penalidade para sua entrega a destempo, decorre, inicialmente, do disposto no § 3º do artigo 5º do Decreto-lei nº. 2.124, de 13 de junho de 1984, que dispõe: Fl. 42DF CARF MF Impresso em 30/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA, Assinado digital mente em 29/09/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 29/09/2015 por JOSE LUIZ FEISTAUER D E OLIVEIRA Processo n.º 13830.001466/2004-33 Acórdão n.º 303-35.445 CC03/C03 Fls. 167 ___________ “Art. 5º - O Ministro de Fazenda poderá eliminar ou instituir obrigações acessórias relativas a tributos federais administrados pela Secretaria da Receita Federal. § 3º - Sem prejuízo da penalidades aplicáveis pela inobservância da obrigação principal, o não cumprimento da obrigação acessória na forma da legislação sujeitará o infrator à multa de que tratam os § § 2º, 3º e 4º do artigo 11 do Decreto-lei nº. 1.968, de 23 de novembro de 1982, com a redação que lhe foi dada pelo Decreto-lei nº. 2.065, de 26 de outubro de 1983.” Note-se que o artigo 5º do Decreto-lei n.º 2.124, de 1984, atribuiu ao Ministro da Fazenda a competência para instituir ou extinguir obrigações acessórias, o que foi delegado ao Secretário da Receita Federal, pela Portaria MF n.º 118, de 1984. Este, por sua vez, mediante a Instrução Normativa SRF n.º 126, de 30 de outubro de 1998, determinou que se cumprisse a obrigação acessória a que se refere o art. 5º do Decreto-lei n.º 2.124, de 1984, mediante a entrega do formulário denominado Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF). No mesmo sentido, dispõe a Instrução Normativa SRF n.º 255, de 11 de dezembro de 2002. Para a entrega da DCTF, a legislação fixa prazo determinado. O § 2º do art. 2º da Instrução Normativa nº. 126 , de 1998, com a redação dada pelo art. 1º da Instrução Normativa n.º 083, de 12 de julho de 1999, determinou que a DCTF deveria ser entregue até o último dia útil da primeira quinzena do segundo mês subseqüente ao trimestre de ocorrência dos fatos geradores. Idêntica posição se manteve no art. 5º da Instrução Normativa SRF n.º 255, de 11 de dezembro de 2002. Registre-se que, com o advento da Instrução Normativas n.º 482, de 21 de dezembro de 2004, aplicável a partir do ano-calendário de 2005, o prazo passou a ser o quinto dia útil do segundo mês subseqüente ao mês de ocorrência dos fatos geradores. Na espécie, verifica-se que a penalidade pecuniária aplicável ao descumprimento da referida obrigação acessória tem fundamento legal nos seguintes dispositivos: art. 11, § 2º e 3º, do Decreto-lei nº. 1.968/1982, com as modificações do art. 10 do Decreto-lei nº. 2.065/1983, art. 5º , § 3º, do Decreto-lei nº. 2.124/1984, art. 3º , inciso I, da Lei nº. 8.383/1991, e art. 30 da Lei nº. 9.249/1995, além da regulamentação dada, no caso, pela IN’s 73/96 e 126/98. Portanto, resta patente que têm suporte legal a exigência de apresentação da DCTF, bem como, a aplicação de penalidade por atraso na sua entrega, ainda que os tributos e contribuições hajam sido integralmente pagos. “ Desta forma, verifica-se a existência de amparo legal para exigência de apresentação da DCTF, bem como para a aplicação da penalidade em caso de descumprimento dessa obrigação. De outro giro, ainda como argumento de defesa, a recorrente arrima-se no fato de que a entrega da declaração, mesmo extemporânea, deu-se antes de iniciado qualquer procedimento fiscal, configurando, assim, o instituto da denúncia espontânea, inscrito no artigo 138 do Código Tributário Nacional, o que a desobrigaria do pagamento da sanção pecuniária relativa ao atraso na entrega da DCTF. Não há que se falar em denúncia espontânea no presente caso. Tal posicionamento é pacífico no Superior Tribunal de Justiça, que entende não caber o benefício Fl. 43DF CARF MF Impresso em 30/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA, Assinado digital mente em 29/09/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 29/09/2015 por JOSE LUIZ FEISTAUER D E OLIVEIRA Processo n.º 13830.001466/2004-33 Acórdão n.º 303-35.445 CC03/C03 Fls. 168 ___________ da denúncia espontânea quando se trata de inobservância de norma fixadora de prazo para cumprimento de obrigação acessória pelo sujeito passivo, por se tratar de descumprimento de ato puramente formal exigido do contribuinte, não se confundindo com o pagamento do tributo, nem com as multas decorrentes por tal procedimento. Predito entendimento encontra arrimo nos Acórdãos proferidos nos julgamentos dos seguintes recursos: RESP 357.001-RS, julgado em 07/02/2002; AGRESP 258.141-PR, DJ de 16/10/2000, e RESP 246.963-PR, DJ de 05/06/2000. A motivação de tais decisões está muito bem explanada no voto do julgamento do Agravo Regimental no RESP-258.141-PR, em que a Primeira Turma confirmou a decisão monocrática do Eminente Ministro José Delgado, do qual extrai-se o seguinte excerto: Penso que a configuração da “denúncia espontânea” como consagrada no artigo 138 do CTN, não tem a elasticidade que lhe emprestou o v. Acórdão supradestacado, deixando sem punição as infrações administrativas pelo atraso no cumprimento das obrigações fiscais. A extemporaneidade na entrega da declaração do tributo é considerada como sendo o descumprimento no prazo fixado pela norma, de uma atividade fiscal exigida do contribuinte. É regra de conduta formal que não se confunde com o não pagamento do tributo, nem com as multas decorrentes por tal procedimento. A responsabilidade de que trata o art. 138, do CTN, é de pura natureza tributária e tem sua vinculação voltada para as obrigações principais e acessórias àquelas vinculadas. As denominadas obrigações acessórias autônomas não estão alcançadas pelo art. 138 do CTN. Elas se impõem como normas necessárias para que possa ser exercida a atividade administrativa fiscalizadora do tributo, sem qualquer laço com os efeitos de qualquer fato gerador do mesmo. A multa aplicada é em decorrência do poder de polícia exercido pela administração pelo não cumprimento de regra de conduta imposta a uma determinada categoria de contribuinte.” Na mesma esteira, a jurisprudência da Câmara Superior de Recursos Fiscais deste Conselho: DCTF. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. É devida a multa pela omissão na entrega da Declaração de Contribuições e Tributos Federais. As responsabilidades acessórias autônomas, sem qualquer vínculo direto com a existência do fato gerador do tributo, não estão alcançadas pelo artigo 138 do CTN. Precedentes do STJ. Recurso a que se dá provimento (CSRF/03-04.445, Processo 13805.006547/97-38, Sessão de 08/08/2005, Terceira Turma, Conselheiro Relator Carlos Henrique Klaser Filho ) Fl. 44DF CARF MF Impresso em 30/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA, Assinado digital mente em 29/09/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 29/09/2015 por JOSE LUIZ FEISTAUER D E OLIVEIRA Processo n.º 13830.001466/2004-33 Acórdão n.º 303-35.445 CC03/C03 Fls. 169 ___________ OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS - DECLARAÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES E TRIBUTOS FEDERAIS – DCTF - MULTA POR ATRASO NA ENTREGA.- DENÚNCIA ESPONTÂNEA - Por se tratar a DCTF de ato puramente formal e de obrigação acessória autônoma, sem qualquer vínculo direto com a ocorrência do fato gerador do tributo, o atraso na sua entrega não encontra guarida no instituto da denúncia espontânea. Precedentes do STJ e da CSRF. Recurso especial negado. (CSRF/03.04-334, Processo 11030.002064/96-66, Data da Sessão 16/05/2005, 3ª Turma, Conselheiro Relator Henrique Prado Megda). DCTF. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA - DENÚNCIA ESPONTÂNEA. A multa por atraso na entrega de DCTF tem fundamento em ato com força de lei, não violando, portanto, os princípios da tipicidade e da legalidade; por se tratar a DCTF de ato puramente formal e de obrigação acessória sem relação direta com a ocorrência do fato gerador, o atraso na sua entrega não encontra guarida no instituto da exclusão da responsabilidade pela denúncia espontânea. (CSRF/03.05-096, Processo 13634.000254/00-23, Data da Sessão 06/11/2005, 3ª Turma, Conselheiro Luís Antônio Flora). Por fim, não são relevantes, para aplicação da referida multa, as alegações da contribuinte de que os impostos declarados na DCTF foram quitados e que não houve qualquer má fé por parte da empresa. A quitação dos tributos devidos não desobriga a recorrente da entrega da DCTF dentro do prazo estabelecido na legislação tributária, pois se trata de obrigação acessória autônoma distinta da obrigação principal, que é o pagamento do tributo, devendo ambas as obrigações serem cumpridas na forma da lei, sendo que o descumprimento de qualquer uma delas acarreta a sanção correspondente, conforme previsto em lei. Demais disso, trata-se a autuação de atividade administrativa plenamente vinculada, não restando ao alvedrio do agente do fisco a aplicação da multa em questão. Ocorrida a situação prevista em lei como suficiente à aplicação da sanção, deve a multa ser infligida ao sujeito passivo, sob pena de responsabilidade funcional, não sendo relevante ao caso o elemento subjetivo do agente que praticou o ato sancionado pela norma. Por todo o exposto, o Colegiado negou provimento ao recurso voluntário. Essas são as considerações possíveis para suprir a inexistência do voto vencedor. José Luiz Feistauer de Oliveira Fl. 45DF CARF MF Impresso em 30/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA, Assinado digital mente em 29/09/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 29/09/2015 por JOSE LUIZ FEISTAUER D E OLIVEIRA Processo n.º 13830.001466/2004-33 Acórdão n.º 303-35.445 Erro! A origem da referência não foi encontrada. Fls. 170 ___________ Fl. 46DF CARF MF Impresso em 30/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA, Assinado digital mente em 29/09/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 29/09/2015 por JOSE LUIZ FEISTAUER D E OLIVEIRA
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Numero do processo: 10380.009384/2008-18
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 10 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Jan 06 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 1401-000.358
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Antonio Bezerra Neto - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Ricardo Marozzi Gregorio, Marcos de Aguiar Villas Boas, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Livia De Carli Germano e Antonio Bezerra Neto.
Nome do relator: ANTONIO BEZERRA NETO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Ricardo Marozzi Gregorio, Marcos de Aguiar Villas Boas, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Livia De Carli Germano e Antonio Bezerra Neto. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 03 80 .0 09 38 4/ 20 08 -1 8 Fl. 881DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/12/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 30/12/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10380.009384/200818 Resolução nº 1401000.358 S1C4T1 Fl. 1.529 2 RELATÓRIO Tratase de recurso voluntário contra o Acórdão da 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal no Rio de Janeiro IRJ. Adoto e transcrevo o relatório constante na decisão de primeira instância, compondo em parte este relatório: Versa a controvérsia sobre a lavratura pelo fisco dos autos de infração de IRPJ, no valor de R$ 560.444,29 e de CSLL, no valor de R$ 214.700,11, acrescidos da multa de ofício de 75% e dos juros de mora. O entendimento do fisco encontrase no Termo de Constatação, cujo teor, em síntese, a seguir reproduzo: Analisando as justificativas e os elementos apresentados no curso da ação fiscal, confrontandoos com os registros existentes nos bancos de dados da Receita Federal, é possível constatar que, a movimentação financeira encontrase contabilizada e que decorre, em sua maior parte, das receitas também contabilizadas; Contudo, nem toda a receita lançada/contabilizada foi oferecida à tributação nas correspondentes DIPJ; Da mesma forma, foi constatado que o valor informado na DIPJ não foi declarado em DCTF ou pago; d)As infrações incorridas foram: Omissão de receitas O interessado informou em receitas tributáveis apenas o 1° trimestre do ano de 2004, nada informando quanto aos demais trimestres. No ano de 2005, apenas no 1° trimestre informou receitas compatíveis com as contabilizadas, informando nos demais trimestres receitas inferiores às contabilizadas, conforme abaixo: DEMONSTRATIVO DE RECEITAS NÃO TRIBUTADAS Período Recitas contabittzadas* Receitas tributadas Diferença tributável 1 T/20O4 1.524.042,43 1 524 042.43 2 T/20O4 2.403.864.08 ‐ 2.103.884,08 3T/2004 2.733.887.72 2 793 867,72 4T/2004 2.456 524,69 2,456.524,69 1 T/2005 1.985.171,22 2 029.693,31 2 T/2005 3.256.150.25 3.022.736,65 233.413,60 3 T/2005 2.667.969.70 1727.969,70 940.000,00 4 T/2005 2.538.891.92 2.283.691,92 250.000,00 # Receitas contabilizadas, código contábil M11 RECEITA BRUTA\ obtidas dos balancetes trimestrais extraídos dos arquivos magnéticos entregues pelo contribuinte em atendimento á intimação e validados pelo sistema 8INCQÂrquivos Contábeis disponível no sítio da Receita Federal, Fl. 882DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/12/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 30/12/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10380.009384/200818 Resolução nº 1401000.358 S1C4T1 Fl. 1.530 3 Lucro operacional não declarado Valor correspondente ao lucro operacional escriturado/informado na DIPJ relativa ao 1° trimestre de 2004, mas cujo imposto ou contribuição (IRPJ ou CSLL) não foi declarado em DCTF, impondose o seu lançamento de ofício. Devidamente cientificada, em 09/07/2008 (fls. 606), a interessada, em 06/08/2008, apresentou impugnação (fls. 612/626), cujo teor, em síntese, a seguir reproduzo: Do benefício de isenção e redução do imposto de renda sobre o Lucro da Exploração a)A empresa goza do direito de isenção do IR incidente sobre o Lucro da Exploração, conforme Lei n° 9.532/1997; b)Nessa época, a sistemática de liberação era de que após a concessão do benefício corria sob a responsabilidade da SUDENE a prestação das devidas informações ao fisco, nos termos do RIR 1999, arts. 546 e 550; c)Assim, concluise que a empresa não omitiu receita, pois goza de isenção nos termos da legislação em vigor, não havendo fundamento para esta autuação; d)Vale ressaltar, ainda, que o benefício aqui tratado não é afastado pelo fato de a empresa ter sofrido autuação, posto que nos termos do RIR/1999, art. 618, os benefícios concedidos as empresas só são afastados quando ela pratica crimes contra a ordem tributária definidos na Lei n° 8.137/1990 ou quando faltar emissão de nota fiscal; Do cálculo correto do imposto devido a)Percebese que o fisco confrontou as receitas omissas com as despesas e custos informados erroneamente, deduzindo que se tratava de lucro, aplicando a tributação sem considerar a dedução do incentivo do IRPJ e, conseqüentemente, o cálculo do lucro da exploração; b)Na verdade, o fisco confrontou as receitas omissas no 2°, 3° e 4° trimestres de 2004 com as informações de despesas e custos que constavam de forma equivocada nas DIPJ; c)Na demonstração do resultado da empresa ainda averiguase que há o valor de R$ 50.101,69 referente ao 3° e 4° trimestres de 2004 de isenção e redução do imposto sobre o lucro real e este valor não foi considerado pelo fiscal; d)Quando da análise do ano de 2005, detectouse que as receitas conciliadas e as receitas informadas para a RFB, conforme consta do auto de infração também encontram divergências, conforme abaixo: PERÍODO BASE RECEITAS CONCILIADAS RECEITAS INFORMADAS A RFB DIFERENÇA latrim/2005 2.001.765,49 1.985.171,22 16.594,27 2atrim/2005 2.604.805,40 3.256.150,25 651.344,85 3fltrim/2005 2.509.523,81 2.667.969,70 158.445,89 Fl. 883DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/12/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 30/12/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10380.009384/200818 Resolução nº 1401000.358 S1C4T1 Fl. 1.531 4 4B him/2005 2.228.005,86 2.538.891,92 310.886,06 TOTAL 9.344.100,56 10.448.183,09 1.104.082,53 A DRJ Manteve os lançamentos, nos seguintes termos: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008 PEDIDO DE PERÍCIA. PRESCINDIBILIDADE. A perícia contábil tornase prescindível quando as razões de decidir deixem de demandar conhecimentos técnicos. INCENTIVO FISCAL. SUDENE. REDUÇÃO. RECONHECIMENTO NECESSÁRIO PELA RECEITA FEDERAL. O gozo do incentivo fiscal de redução por implantação de empreendimento em área de atuação da Sudene depende de prévio reconhecimento do direito por parte da Secretaria da Receita Federal do Brasil, de forma expressa ou tácita, após apresentação de requerimento pela pessoa jurídica instruído com laudo constitutivo expedido por aquela superintendência. ALEGAÇÃO DE ERRO NO CÁLCULO. IMPOSSIBILIDADE. Cai por terra a alegação de erro de cálculo na autuação, quando o motivo reside em fato não provado pelo interessado, em face da ausência de comprovação da sua isenção devidamente concedida pela Irresignada com a decisão de primeira instância, a interessada interpôs recurso voluntário a este CARF, repisando os mesmos argumentos trazidos anteriormente na impugnação e aduzindo em complemento: a DRJ/RJ1 não enfrentou os argumentos centrais da impugnação apresentados pela Recorrente. A DRJ detevese apenas no quesito relativo à possibilidade ou não de a contribuinte utilizar o incentivo de redução do IRPJ, previsto na Portaria DAI/ITE 0141/1998 de lavra da Sudene, nos cálculos do lançamento de IRPJ, realizado pela DRF/FOR. A questão maior, não enfrentada no Acórdão em comento, diz respeito à apuração do resultado nos anos calendário de 2004 e 2005, haja vista erro de fato cometido pela Recorrente quando da elaboração da Declaração de Informações EconômicasFiscais da Pessoa Jurídica DIPJ e que para corroborar trouxe aos autos a sua Demonstração de resultado. Alega ainda que nos cálculos efetuados pelo AFRFB não foi utilizado o direito de a Recorrente utilizar o prejuízo acumulado e a base negativa de CSLL acumulada, existente em 31.12.2003, conforme se comprova com a cópia da DIPJ, Balanço e Demonstração de Resultado que fazem parte do Livro Diário daquele ano, que ora se junta neste PAF É o Relatório Fl. 884DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/12/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 30/12/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10380.009384/200818 Resolução nº 1401000.358 S1C4T1 Fl. 1.532 5 VOTO Conselheiro ANTONIO BEZERRA NETO, Relator. O recurso atende os requisitos de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. Entre outras alegações, a Contribuinte defendeu que foi apontado erro de fato no preenchimento de sua declaração de rendimentos, com transporte errado de receitas, bem assim a não utilização de prejuízos fiscais e bases negativos da CSLL (limitadas a trina por cento). A DRJ negou provimento ao recurso detendose apenas na questão relativa à possibilidade de uso do benefício fiscal da Sudene. Talvez porque o Contribuinte não tenha sido muito claro na sua fase impugnatória, deixou de adentrar nessa questão de fato que por sua vez é independente do aproveitamento ou não do benefício fiscal. Em seu recurso, porém, foi bem mais clara, trazendo inclusive documentos aos autos, mas que precisam ser aferidos pela fiscalização. Ocorre que essa análise deve ser primordialmente empreendida pela Auditoria Fiscal, que detém os recursos adequados para esse mister, notadamente o Sistema Sapli que controla esses prejuízos a partir da alimentação das declarações de rendimentos, bem assim o seu LALUR. Não encontrei nos autos os relatórios emitidos por esse Sistema de Informática. Do exposto, o presente processo deve seguir para diligência, para: investigar os valores dos Prejuízos Fiscais e da Base Negativa da CSLL ainda não compensados, ou seja, passíveis de compensação, a partir de confronto do Sapli e do Lalur, no limite da trava de 30%; Investigar também mais profundamente o referido erro de fato no preenchimento da declaração informado pelo contribuinte em seu recurso; Se for o caso, ajustas as bases de cálculo e recalcular os novos tributos devidos, inclusive já considerando o aproveitamento dos saldos de prejuízos fiscais e bases negativas da CSLL no limite de 30%. Ao fim, elaborar relatório conclusivo das verificações efetuadas. Entregar cópia do relatório à interessada e conceder prazo de 30 (trinta) dias para que ela se pronuncie sobre as suas conclusões, após o que, o processo deverá retornar a este CARF para prosseguimento do julgamento. (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Fl. 885DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/12/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 30/12/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO
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Numero do processo: 10665.723391/2013-05
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 17 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Mar 08 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2011
CONTRIBUIÇÕES INDENIZATÓRIAS AO RGPS PAGAS EM ATRASO. INCIDÊNCIA DE MULTA E JUROS.
A legislação de regência, em particular o § 4º artigo 45 da Lei 8.212/1991, sucedido pelo § 2º do art. 45-A do mesmo diploma, prevê expressamente a cobrança de multa e juros moratórios sobre as contribuições pagas em atraso ao RGPS.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2402-005.009
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
Ronaldo de Lima Macedo, Presidente
Ronnie Soares Anderson, Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Kleber Ferreira de Araújo, Lourenço Ferreira do Prado, Ronnie Soares Anderson, Marcelo Oliveira, Natanael Vieira dos Santos e João Victor Ribeiro Aldinucci.
Nome do relator: RONNIE SOARES ANDERSON
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2011 CONTRIBUIÇÕES INDENIZATÓRIAS AO RGPS PAGAS EM ATRASO. INCIDÊNCIA DE MULTA E JUROS. A legislação de regência, em particular o § 4º artigo 45 da Lei 8.212/1991, sucedido pelo § 2º do art. 45-A do mesmo diploma, prevê expressamente a cobrança de multa e juros moratórios sobre as contribuições pagas em atraso ao RGPS. Recurso Voluntário Negado.
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Recorrente LAURITO RODRIGUES DE ARAUJO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2011 CONTRIBUIÇÕES INDENIZATÓRIAS AO RGPS PAGAS EM ATRASO. INCIDÊNCIA DE MULTA E JUROS. A legislação de regência, em particular o § 4º artigo 45 da Lei 8.212/1991, sucedido pelo § 2º do art. 45A do mesmo diploma, prevê expressamente a cobrança de multa e juros moratórios sobre as contribuições pagas em atraso ao RGPS. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Ronaldo de Lima Macedo, Presidente Ronnie Soares Anderson, Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Kleber Ferreira de Araújo, Lourenço Ferreira do Prado, Ronnie Soares Anderson, Marcelo Oliveira, Natanael Vieira dos Santos e João Victor Ribeiro Aldinucci. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 5. 72 33 91 /2 01 3- 05 Fl. 113DF CARF MF Impresso em 08/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 29/02/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 26/02/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Campo Grande (MS) DRJ/CGE, que julgou improcedente manifestação de inconformidade em face do Despacho Decisório SAORT/DRF/DIV nº 539 (fls. 75/ 76), no qual foi indeferido o pedido de restituição dos juros e as multas originadas das contribuições previdenciárias indenizatórias com o fim de contar como tempo de contribuição, para fins de obtenção de benefício no RGPS, que teriam sido cobradas indevidamente. Na manifestação de inconformidade de fls 79/84, o interessado alegou, em síntese, que os juros e multas cobradas são indevidas, pois só poderiam ter sido cobrados após a edição da MP nº 1.523/1996 convertida na Lei Federal nº 9.528/1997, segundo os argumentos de fls. 79 a 83, portanto são restituíveis. A decisão de primeiro grau não acolheu a postulação, sintetizando seu entendimento na seguinte ementa de acórdão (fls. 93/96): REQUERIMENTO DE RESTITUIÇÃO DE CONTRIBUIÇÃO. As incidências de juros e multa nas contribuições previdenciárias indenizatórias, com o fim de contar como tempo de contribuição, para fins de obtenção de benefício no RGPS, período de atividade remunerada alcançada pela decadência quinquenal, seja filiação obrigatória ou não, são devidas, segundo a legislação previdenciária, logo o contribuinte não tem direito a restituição O contribuinte interpôs recurso voluntário em 28/4/2015, repisando as razões da manifestação de inconformidade, e arguindo que: os juros e multas em comento só são exigíveis a partir da Medida Provisória n 1.523, de 11 de outubro de 1996; teria havido enriquecimento sem causa da União, tendo em vista haver ele pago juros e multas relativos a períodos anteriores, devendo o valor ser restituído conforme legislação que refere; Após citar decisões judiciais que, entende, vão ao encontro de seu pleito, requer restituição dos valores de multa e juros indevidamente cobrados, bem como tramitação prioritária para seu pleito. É o relatório. Fl. 114DF CARF MF Impresso em 08/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 29/02/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 26/02/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON Processo nº 10665.723391/201305 Acórdão n.º 2402005.009 S2C4T2 Fl. 114 3 Voto Conselheiro Ronnie Soares Anderson, Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Por não dissentir do entendimento nelas desposado, acolho parte das alegações de mérito da decisão atacada, que passam a integrar a presente fundamentação: O manifestante alega que os juros e multas cobradas são indevidas, pois estes deveriam ser cobradas após a edição da MP 1.523 convertida na Lei Federal nº 9.528, segundo os argumentos de fls. 79 a 83. Apesar das extensas argumentações do manifestante as fls 79 a 83, não há como acolher estas, pois os juros e as multas estão previstos na legislação previdenciária, conforme os fundamentos insertos no ofício de fls. 62 a 64 e no Despacho Decisório SAORT/DRF/DIV nº 539, fls. 75 a 76. De forma que a Administração Pública não pode afastar as normas previstas na legislação previdenciária, porque a Autoridade Preparadora está vinculado ao Princípio da Legalidade, previsto no artigo 37, da Constituição da República Federativa do Brasil, in verbis: Art. 37. A administração pública direta e indireta de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios obedecerá aos princípios de legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência e, também, ao seguinte: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 19, de 1998) Com efeito, há prescrição contida no § 4º do art. 45 da Lei nº 8.212/1991, e posteriormente reproduzida no § 2º do art. 45A do mesmo diploma (introduzido pela Lei Complementar nº 128, de 2008), no sentido de que a indenização das contribuições à previdência pagas em atraso devem sofrer a incidência de juros moratórios, capitalizados anualmente, e multa de 10%. Devendo observar a administração pública o princípio da legalidade, forte nos arts. 37 da Constituição Federal c/c o art. 2º da Lei nº 9.784/1999, e não havendo vícios de legalidade a serem sanados consoante regra o art. 53 dessa lei, não se vislumbra respaldo normativo para que os referidos dispositivos da Lei nº 8.212/1991, bem como a legislação de regência correlata, não sejam aplicados pela administração tributária no caso em evidência. Nesse sentido, ilicitude alguma há na cobrança da multa e juros guerreados, pois tal feito se baseia estritamente nos temos da lei. Fl. 115DF CARF MF Impresso em 08/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 29/02/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 26/02/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON 4 Registrese que as decisões colacionadas pelo contribuinte, ainda que se referissem à matéria examinada, não têm o condão de vincular este Colegiado, criando direitos e obrigações apenas entre as partes nelas litigantes. Ante o exposto, voto no sentido NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. Ronnie Soares Anderson. Fl. 116DF CARF MF Impresso em 08/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 29/02/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 26/02/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON
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Numero do processo: 18471.002203/2008-15
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 16 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Mar 24 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2004
IRPF TITULARES DOS SERVIÇOS NOTARIAIS E DE REGISTRO. LIVRO CAIXA. DEDUÇÃO.
Os contribuintes que perceberem rendimentos do trabalho não assalariado, inclusive os titulares dos serviços notariais e de registro, a que se refere o art. 236 da Constituição Federal, podem deduzir da receita e/ou rendimentos decorrente da respectiva atividade, as despesas de custeio necessárias à percepção dos rendimentos e manutenção da fonte produtora, desde que lastreado em documentos hábeis e idôneos, devidamente escrituradas no respectivo livro caixa. Somente são admissíveis, como dedutíveis, despesas que preencherem os requisitos de necessidade, normalidade e usualidade.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2201-002.873
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Marcelo Vasconcelos de Almeida, Márcio de Lacerda Martins (Suplente convocado) e Ana Cecília Lustosa da Cruz que davam provimento parcial ao recurso para restabelecer as despesas do livro caixa dos escritórios HB Cavalcanti, Pessoa, Mazzillo Advogados e Carlos Vianna Advogados Associados.
Assinado digitalmente
Eduardo Tadeu Farah - Presidente Substituto.
Assinado digitalmente
Carlos César Quadros Pierre - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Eduardo Tadeu Farah (Presidente Substituto), Marcio de Lacerda Martins (Suplente Convocado), Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente Convocada), Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos César Quadros Pierre e Ana Cecília Lustosa da Cruz. Ausente, Justificadamente, o Conselheiro Heitor de Souza Lima Júnior (Presidente).
Nome do relator: CARLOS CESAR QUADROS PIERRE
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2004 IRPF TITULARES DOS SERVIÇOS NOTARIAIS E DE REGISTRO. LIVRO CAIXA. DEDUÇÃO. Os contribuintes que perceberem rendimentos do trabalho não assalariado, inclusive os titulares dos serviços notariais e de registro, a que se refere o art. 236 da Constituição Federal, podem deduzir da receita e/ou rendimentos decorrente da respectiva atividade, as despesas de custeio necessárias à percepção dos rendimentos e manutenção da fonte produtora, desde que lastreado em documentos hábeis e idôneos, devidamente escrituradas no respectivo livro caixa. Somente são admissíveis, como dedutíveis, despesas que preencherem os requisitos de necessidade, normalidade e usualidade. Recurso Voluntário Negado
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LIVRO CAIXA. DEDUÇÃO. Os contribuintes que perceberem rendimentos do trabalho não assalariado, inclusive os titulares dos serviços notariais e de registro, a que se refere o art. 236 da Constituição Federal, podem deduzir da receita e/ou rendimentos decorrente da respectiva atividade, as despesas de custeio necessárias à percepção dos rendimentos e manutenção da fonte produtora, desde que lastreado em documentos hábeis e idôneos, devidamente escrituradas no respectivo livro caixa. Somente são admissíveis, como dedutíveis, despesas que preencherem os requisitos de necessidade, normalidade e usualidade. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Marcelo Vasconcelos de Almeida, Márcio de Lacerda Martins (Suplente convocado) e Ana Cecília Lustosa da Cruz que davam provimento parcial ao recurso para restabelecer as despesas do livro caixa dos escritórios HB Cavalcanti, Pessoa, Mazzillo Advogados e Carlos Vianna Advogados Associados. Assinado digitalmente Eduardo Tadeu Farah Presidente Substituto. Assinado digitalmente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 1. 00 22 03 /2 00 8- 15 Fl. 289DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 18/ 03/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 14/03/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE Processo nº 18471.002203/200815 Acórdão n.º 2201002.873 S2C2T1 Fl. 290 2 Carlos César Quadros Pierre Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Eduardo Tadeu Farah (Presidente Substituto), Marcio de Lacerda Martins (Suplente Convocado), Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente Convocada), Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos César Quadros Pierre e Ana Cecília Lustosa da Cruz. Ausente, Justificadamente, o Conselheiro Heitor de Souza Lima Júnior (Presidente). Relatório Adoto como relatório aquele utilizado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, 3ª Turma da DRJ/RJ2 (Fls. 247), na decisão recorrida, que transcrevo abaixo: O presente processo versa sobre impugnação de lançamento de Imposto de Renda Pessoa Física relativo ao exercício de 2004, anocalendário 2003. O Contribuinte foi cientificado do início da fiscalização por meio do Termo de fls. 13/14, quando, então, foram solicitados esclarecimentos e alguns documentos. No decorrer da ação fiscal, foram efetuados outros termos de intimação, conforme se depreende dos documentos juntados aos autos. Em vista das irregularidades apuradas a autoridade fiscal elaborou o Termo de Verificação Fiscal de fls. 116/121 e lavrou o auto de infração de fls. 122/132, com a descrição das infrações de dedução indevida de despesas de livro caixa e multa isolada por falta de recolhimento do IRPF devido a título de carnêleão. O contribuinte foi cientificado pessoalmente do lançamento em 25/09/2008, conforme consta do próprio auto de infração à fl. 123, e apresentou, em 14/10/2008, a impugnação de fls. 136 a 140, alegando, em síntese, os fatos a seguir descritos: nem o artigo 75 do Decreto 3000/99, nem parágrafos e artigos posteriores restringiram o entendimento de quais despesas de custeio seriam dedutíveis, apenas vinculando que as mesmas fossem necessárias à percepção de receita e manutenção da fonte produtora. Atos supervenientes ao Decreto também não restringiram tal entendimento; em um mundo atual complexo, onde as relações entre empregador e empregado, contribuinte e terceiros e contribuinte e poder público são determinadas por legislações diferentes e que requerem constante atualização e participação de profissionais conhecedores das matérias (advogados), é mister que qualquer contribuinte use dos serviços profissionais competentes para fazer sua defesa e focar em seu negócio pessoal; Fl. 290DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 18/ 03/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 14/03/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE Processo nº 18471.002203/200815 Acórdão n.º 2201002.873 S2C2T1 Fl. 291 3 se a legislação não veda expressamente quais despesas são necessárias à percepção da receita e manutenção da fonte produtora, entende o impugnante que todas as despesas para a manutenção do seu diaadia, sem serem pessoais, podem ser deduzidas em seu livro caixa; e o auditor fiscal excedeu o disposto nos artigos 107 a 112 da Lei 5172/66, alterada pela Lei Complementar 118/2005, já que não utilizou aqueles meios para fundamentar a autuação.. Passo adiante, a 3ª Turma da DRJ/RJ2 entendeu por bem julgar a Impugnação Improcedente, em decisão que restou assim ementada: LIVRO CAIXA. PAGAMENTOS EFETUADOS A TERCEIROS. O profissional autônomo pode deduzir no livro Caixa os pagamentos efetuados a terceiros com quem mantenha vínculo empregatício e, na hipótese de ausência desse vínculo, deverá restar comprovado que se tratam de despesas de custeio necessárias à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora. Cientificado em 26/03/2010 (Fls. 253), o Recorrente interpôs Recurso Voluntário em 20/04/2010 (fls. 258 a 270), reforçando os argumentos apresentados quando da impugnação. É o Relatório. Voto Conselheiro Carlos César Quadros Pierre, Relator. Conheço do recurso, posto que tempestivo e com condições de admissibilidade. Conforme se verifica nos autos, o litígio se restringe a glosa de deduções no livro caixa de despesas realizadas com os escritórios de advocacia H.B.Cavalcanti, Pessoa, Mazzillo Advogados, Carlos Vianna Advogados Associados, Bosco Advogados Associados S/C e Escritório de Advocacia Hélio Pereira e Associados. As despesas escrituradas no Livro Caixa dedutíveis são previstas no art. 75 do Decreto n° 3.000/99(Regulamento do Imposto de Renda — RIR199), transcrito a seguir: "Art. 75 O contribuinte que perceber rendimentos do trabalho não assalariado, inclusive os titulares dos serviços notariais e de registro, a que se refere o art. 236 da Constituição, e os leiloeiros, poderão deduzir, da receita decorrente do exercício da respectiva atividade: I a remuneração paga a terceiros, desde que com vínculo empregatício, e os encargos trabalhistas e previdenciários; Fl. 291DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 18/ 03/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 14/03/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE Processo nº 18471.002203/200815 Acórdão n.º 2201002.873 S2C2T1 Fl. 292 4 II os emolumentos pagos a terceiros; III as despesas de custeio pagas necessárias à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora." Dentro deste contexto, entendo que os titulares dos serviços notariais e de registro, ante a complexidade e vasta gama das normas que regem os Cartórios de Notas e Registros precisam contratar advogados para a manutenção/percepção das suas receitas. Contudo, também entendo que nem todas as contratações de advogados possuem vinculo direto com a atividade desempenhada pelo cartório. Deste modo, os titulares dos serviços notariais e de registro devem comprovar, caso a caso, com os respectivos Contratos de Prestação de Serviços, ou outros meios, que os serviços dos advogados possuem vinculo direto com a atividade desempenhada pelo cartório, e que, assim, se trata de despesa de custeio necessária à percepção da receita. Na análise do caso em tela, percebo que o recorrente não apresentou os contratos, ou outros documentos, que comprovassem especificamente quais seriam os serviços advocatícios prestados pelos escritórios Bosco Advogados Associados S/C e Escritório de Advocacia Hélio Pereira e Associados. Razão pela qual, ante a ausência de provas de que tais contratações de advogados possuem vinculo direto com a atividade desempenhada pelo cartório, mantenho a glosa de tais despesas. Verifico ainda que Recorrente fez juntar, nas folhas 55 e seguintes, o Contrato de prestação de serviços dos escritórios H.B.Cavalcanti, Pessoa, Mazzillo Advogados e Carlos Vianna Advogados Associados. Tal contrato define os termos da prestação dos serviços; in verbis: "A defesa nas ações em que o 9 Ofício for envolvido na qualidade de Réu ou outra qualquer, em todo e qualquer Juízo da cidade do Rio de Janeiro. Esta defesa compreenderá a apresentação de contestação, de recursos e de todas e quaisquer petições necessárias à boa consecução da defesa dos interesses do Cartório, o acompanhamento do feito e a realização das audiências e sustentação oral, sempre que indispensáveis. Caso, em alguma destas ações, haja interposição de Recursos para o Superior Tribunal de Justiça e/ou o Supremo Tribunal Federal, as despesas com o deslocamento e a contratação de advogado em Brasília correrão por conta do Cartório. A assessoria compreende, também, a defesa do 9 Ofício e seus representantes (Oficial e Substituto) nos processos administrativos ou extrajudiciais, no âmbito da Corregedoria e outras repartições assemelhadas." (doc. pág. 55 dos autos) Penso que a "defesa dos interesses do cartório" não é, necessariamente, vinculada diretamente a atividade desempenhada pelo cartório, nem necessária a percepção da receita. Fl. 292DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 18/ 03/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 14/03/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE Processo nº 18471.002203/200815 Acórdão n.º 2201002.873 S2C2T1 Fl. 293 5 Razão pela qual mantenho a glosa de tais despesas. Ante tudo acima exposto e o que mais constam nos autos, voto por negar provimento ao Recurso. Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre Fl. 293DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 18/ 03/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 14/03/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE
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Numero do processo: 10680.005429/2005-58
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Feb 25 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Mar 09 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2002 a 30/06/2004
DIF-PAPEL IMUNE. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA. LEI 11.945/2009. RETROATIVIDADE BENIGNA.
Aplica-se o art. 1º, § 4º, inciso II, da Lei 11.945/2009 na quantificação da multa pelo atraso na entrega da DIF-Papel Imune, em face da retroatividade benigna estabelecida no art. 106, II, alínea c, do CTN.
Recurso Especial negado
Numero da decisão: 9303-003.488
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso especial. Ausente momentaneamente, a Conselheira Maria Teresa Martínez López.
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente
Tatiana Midori Migiyama - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama (Relatora), Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Valcir Gassen, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
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Nome do relator: TATIANA MIDORI MIGIYAMA
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MULTA POR ATRASO NA ENTREGA. LEI 11.945/2009. RETROATIVIDADE BENIGNA. Aplicase o art. 1º, § 4º, inciso II, da Lei 11.945/2009 na quantificação da multa pelo atraso na entrega da DIFPapel Imune, em face da retroatividade benigna estabelecida no art. 106, II, alínea “c”, do CTN. Recurso Especial negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso especial. Ausente momentaneamente, a Conselheira Maria Teresa Martínez López. Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente Tatiana Midori Migiyama Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama (Relatora), Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Valcir Gassen, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 00 54 29 /2 00 5- 58 Fl. 183DF CARF MF Impresso em 09/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 08/03/2 016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 08/03/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO 2 . Relatório Tratase de Recursos Especial apresentado pela Gráfica Andorinha e Editora Ltda contra Acórdão nº 340300.011, da 3ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais que, por unanimidade de votos, deu provimento parcial ao recurso para reduzir a multa por falta de entrega da DIF Papel Imune pela aplicação retroativa da Lei 11.945/2009, conforme decisão proferida com a seguinte ementa: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS I PI Data do fato gerador: 01/01/2002 a 30/06/2004. DIFPAPEL IMUNE. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA. LEI N" 11.945/2009. RETROATIVIDADE BENIGNA. Aplicase o inciso II do § 4º do art. 1º da Lei nº 11.945/2009 na quantificação da multa pelo atraso na entrega da DIFPapel Imune em face da retroatividade benigna estabelecida no art. 106, II, c, do CTN. Recurso Provido em Parte” O Colegiado, em síntese, depreendendose da leitura do voto constante do acórdão recorrido, acordou em aplicar a multa de R$ 2.500,00 por declaração não apresentada no prazo estabelecido na legislação, reduzindo a multa regulamentar aplicada, nos termos do art. 1º, § 4º, inciso II, da Lei 11.945/09 – invocando, de per si, a retroatividade benigna. Insatisfeita, a Gráfica Andorinha e Editora Ltda interpôs Recurso Especial, requerendo a reforma do acórdão recorrido, no sentido de reduzir a multa para R$ 1.500,00 por DIFPapel Imune entregue em atraso, argumentando que que o Princípio da retroatividade benigna, estampada no art. 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, seja observado sem afrontas, devese aplicar a multa aqui discutida da forma mais benéfica possível, qual seja, aplicandose a multa de R$ 1.500,00 prevista pela Medida Provisória no 2.158, aliada com a forma de cálculo prevista pela Lei n° 11.945/09, ou seja, sem somatório dos meses atrasados. Fl. 184DF CARF MF Impresso em 09/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 08/03/2 016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 08/03/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO Processo nº 10680.005429/200558 Acórdão n.º 9303003.488 CSRFT3 Fl. 184 3 O apelo do sujeito passivo foi admitido em sua integralidade nos termos do Despacho de fls. 164/165 apreciado pelo Presidente da Quarta Câmara em exercício à época. A Fazenda Nacional tomou conhecimento do Recurso Especial apresentado pelo sujeito passivo, apresentando Contrarrazões às fls. 168 a 178, requerendo que seja inadmitido o recurso especial manejado pela parte adversa, insurgindo que os acórdãos apontados como paradigmas de n.º s 280200.001 e 280200.010 não foram juntados ao recurso especial, tampouco suas ementas e, alternativamente, caso não seja este o entendimento sufragado, seja negado provimento ao citado recurso. É o relatório. Voto Conselheira Tatiana Midori Migiyama. Depreendendose da análise dos autos, o Recurso é tempestivo e deve ser admitido. O que concordo integralmente com a análise feita em Despacho de fls. 164/165, eis que os arestos consignados examinaram casos sob a égide de legislações distintas, ao passo que acórdão recorrido, quando de sua prolação, se submetia à Lei 11.945/09, enquanto que os de divergência se jungiam à MP 451/08, cujas disposições eram mutuamente díspares. Quanto às alegações da Fazenda Nacional para a não admissibilidade do Recurso apresentadas em suas Contrarrazões: “0 recurso foi conhecido, com base nos acórdãos: 2802 00.001 e 280200.010, apontados pelo recorrente em sua irresignação. Ocorre que nenhum dos dois acórdãos apontados nem suas ementas foram juntados ao recurso especial, em desconformidade com o disposto no § 7° do art. 67 do CARF [...]” Fl. 185DF CARF MF Impresso em 09/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 08/03/2 016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 08/03/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO 4 Importante trazer parte do que consta do Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo: “[...] O Recurso Especial administrativo é cabido, na hipótese de julgamento divergente proveniente de outracâmara ou da Câmara Superior de Recursos Fiscais, conforme Art. 67, § 7°e 9° do Regimento Inferno do CARF. "§ 7° O recurso deverá ser instruído com a cópia do inteiro teor dos acórdãos indicados como paradigmas ou com cópia da publicação em que tenha sido divulgado ou, ainda, com a• apresentação de cópia de publicação de até 2 (duas) ementas. § 9° As ementas referidas no § 7° poderão, alternativamente, ser reproduzidas no corpo do recurso, desde que na sua integralidade." O acórdão recorrido houve por bem aplicar a multa de R$ 2.500,00 por cada DIFpapel imune não entregue. Acontece que o acórdão 2802 00001, referente ao processo 11516.000616/200518, proferido pela segunda turma especial da segunda seção do antigo segundo Conselho de Contribuintes, houve, por bem aplicar uma única multa por DIFpapel imune não entregue, aplicando a multa inerente ao Art. 57 da Medida Provisória.2.158, qual seja R$ 1.500,00 e não aquele inerente â Lei n° 11.945/09: R$'2.500,000, in verbis: Número do Recurso: 138013 Câmara: SEGUNDA TURMA ESPECIAL DA SEGUNDA SEÇÃO Número do Processo: 11516,000616/200518 Tipo do Recurso: Voluntário Matéria: IPI Recorrente: OTOMAR GRÁFICA E EDITORA LTDA. E Recorrida/Interessado: DRJPORTO ALEGRE/RS Data da Sessão: 10/03/2009 09:00:00 Relator: Evandro Francisco Silva Araújo Decisão: ACÓRDÃO 280200001 Resultado: PPU Fl. 186DF CARF MF Impresso em 09/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 08/03/2 016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 08/03/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO Processo nº 10680.005429/200558 Acórdão n.º 9303003.488 CSRFT3 Fl. 185 5 Texto da Decisão: Por unanimidade de votos, deuse provimento parcial ao 'recurso para reconhecer que a multa pela falta da entrega da DIFPapel imune incide uma única vez. Ausente o Conselheiro Ivan Allegretti. No mesmo sentido, o acórdão 2802 — 00010, lavrado diante do processo n° 19515.001038/200541, assim entendeu: Número do Recurso: 152352 Câmara: SEGUNDA TURMA ESPECIAL DA SEGUNDA SEÇÃO Número do Processo: 19515.0010381200541 Tipo do Recurso: Voluntário Matéria: IPI Recorrente: LDA VIVA EDITORA GRÁFICA LTDA Recorrida/Interessado: DRJRIBEIRÃO PRETO/SP Data da Sessão: 10/03/2009 09:00:00 Relator: Evandro Francisco Silva Araújo Decisão:. ACÓRDÃO 280200010 Resultado: PPU Texto da Decisão: Por unanimidade de votos, deuse provimento parcial ao recurso para reconhecer que a multa pela falta da entrega da DIFPapel imune incide uma única vez. Ausente o Conselheiro Ivan Allegretti” Considerando, dessa forma, o exposto no Recurso Especial do sujeito passivo, entendo que não há como se prosperar a alegação da Fazenda Nacional em relação à inadmissibilidade do Recurso, pois, a meu sentir, foram observados os requisitos constantes do art. 67, § 7°e 9° do Regimento Interno do CARF. Assim sendo, DOU SEGUIMENTO AO RECURSO ESPECIAL e, considerando o disposto no art. 70 do Regimento Interno do CARF, determino o encaminhamento à Procuradoria da Fl. 187DF CARF MF Impresso em 09/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 08/03/2 016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 08/03/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO 6 Fazenda Nacional para ciência deste despacho e, querendo, apresentação das contrarrazões. [...]” Ventiladas tais considerações, passo a discorrer sobre o cerne da lide posta em Recurso Especial, qual seja, se se deve aplicar a multa aqui discutida da forma mais benéfica possível, qual seja, aplicandose a multa de R$ 1.500,00 prevista pela Medida Provisória 2.15835/01, aliada com a forma de cálculo prevista pela Lei 11.945/09, ou seja, sem somatório dos meses atrasados. Para tanto, importante colacionar os dispositivos acerca dessa discussão que, por sua vez, foram modificados ao longo do tempo. A priori, temse que havia sido publicada em 27.8.01 a MP 2.158 35/01, que estabelecia em seu art. 57 (Grifos Meus): “Art. 57. O descumprimento das obrigações acessórias exigidas nos termos do art. 16 da Lei nº 9.779, de 1999, acarretará a aplicação das seguintes penalidades: I R$ 5.000,00 (cinco mil reais) por mêscalendário, relativamente às pessoas jurídicas que deixarem de fornecer, nos prazos estabelecidos, as informações ou esclarecimentos solicitados; II cinco por cento, não inferior a R$ 100,00 (cem reais), do valor das transações comerciais ou das operações financeiras, próprias da pessoa jurídica ou de terceiros em relação aos quais seja responsável tributário, no caso de informação omitida, inexata ou incompleta. Parágrafo único. Na hipótese de pessoa jurídica optante pelo SIMPLES, os valores e o percentual referidos neste artigo serão reduzidos em setenta por cento.” Com tal disposição, ficou estabelecido às pessoas jurídicas que deixavam de fornecer no prazo estabelecido declarações à Receita Federal do Brasil a multa de R$ 5.000,00 por mês calendário, a menos que seja optante pelo Simples – que observaria a multa de R$ 1.500,00. Em 13.9.01, foi publicada a IN SRF 71/01, que dispunha sobre o registro especial para estabelecimentos que realizem operações com papel destinado à Fl. 188DF CARF MF Impresso em 09/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 08/03/2 016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 08/03/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO Processo nº 10680.005429/200558 Acórdão n.º 9303003.488 CSRFT3 Fl. 186 7 impressão de livros, jornais e periódicos, e institui a Declaração Especial de Informações Relativas ao Controle de Papel Imune (DIFPapel Imune). Essa IN trazia em seu art. 12: “Art. 12. A não apresentação da DIF Papel Imune, nos prazos estabelecidos no artigo anterior, enseja a aplicação da penalidade prevista no art. 57 da Medida Provisória Nº 2.15834, de 27 de julho de 2001.” Com a IN SRF 71/01, a Receita Federal do Brasil trouxe dispositivo estabelecendo que a não apresentação da DIF nos prazos estabelecidos deveriam observar a multa prevista no art. 57 da MP 2.158/01. No entanto, em 16.12.08, foi publicada a MP 451/04, a qual estabeleceu em seu art. 1º (Grifos Meus): “Art. 1º Deve manter o Registro Especial na Secretaria da Receita Federal do Brasil, a pessoa jurídica que: I exercer as atividades de comercialização e importação de papel destinado à impressão de livros, jornais e periódicos, a que se refere a alínea “d” do inciso VI do art. 150 da Constituição; e II adquirir o papel a que se refere a alínea “d” do inciso VI do art. 150 da Constituição para a utilização na impressão de livros, jornais e periódicos. § 1º A comercialização do papel a detentores do Registro Especial de que trata o caput faz prova da regularidade da sua destinação, sem prejuízo da responsabilidade, pelos tributos devidos, da pessoa jurídica que, tendo adquirido o papel beneficiado com imunidade, desviar sua finalidade constitucional. § 2º O disposto no § 1º, aplicase também para efeito do disposto no § 2º do art. 2º da Lei no 10.637, de 30 de dezembro de 2002, no § 2º do art. 2º e § 15 do art. 3º da Lei no 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e no § 10 do art. 8º da Lei no 10.865, de 30 de abril de 2004. § 3º Fica atribuída à Secretaria da Receita Federal do Brasil competência para: I expedir normas complementares relativas ao Registro Especial e ao cumprimento das exigências a que estão sujeitas as pessoas jurídicas para sua concessão; Fl. 189DF CARF MF Impresso em 09/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 08/03/2 016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 08/03/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO 8 II estabelecer a periodicidade e a forma de comprovação da correta destinação do papel beneficiado com imunidade, inclusive mediante a instituição de obrigação acessória destinada ao controle da sua comercialização e importação. § 4º O nãocumprimento da obrigação prevista no inciso II do § 3º sujeitará a pessoa jurídica às seguintes penalidades: I cinco por cento, não inferior a R$ 100,00 (cem reais), do valor das operações com papel imune omitidas ou apresentadas de forma inexata ou incompleta; e II de R$ 5.000,00 (cinco mil reais), independentemente da sanção prevista no inciso I, se as informações não forem apresentadas no prazo estabelecido. § 5º Apresentada a informação fora do prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício, a multa de que trata o inciso II do § 4º será reduzida à metade.” Em vista do exposto, vêse que a MP 451/08 passou a restringir a multa a uma única incidência por declaração, mantendo seu valor em R$ 5.000,00 e extinguindo a redução de 70% para as empresas optantes do Simples. Ademais, instituiu nova redução de percentual de 50%, na hipótese de o sujeito passivo apresentar a declaração espontaneamente – ou seja, antes de qualquer procedimento de ofício. Sendo assim, ainda que tenha fixado o valor de R$ 5.000,00 por declaração não entregue, e não mais por mês calendário – suprimiu a possibilidade de se reduzir o valor em percentual de 70% quando se tratar de pessoa jurídica optante pelo Simples. Não obstante, em 24.6.09, foi publicada a Lei 11.945/09 – conversão da MP 451/08 – que trouxe a seguinte redação ao art. 1º (Grifos Meus): “Art. 1º Deve manter o Registro Especial na Secretaria da Receita Federal do Brasil a pessoa jurídica que: (Produção de efeitos). I exercer as atividades de comercialização e importação de papel destinado à impressão de livros, jornais e periódicos, a que se refere a alínea d do inciso VI do art. 150 da Constituição Federal; e Fl. 190DF CARF MF Impresso em 09/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 08/03/2 016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 08/03/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO Processo nº 10680.005429/200558 Acórdão n.º 9303003.488 CSRFT3 Fl. 187 9 II adquirir o papel a que se refere a alínea d do inciso VI do art. 150 da Constituição Federal para a utilização na impressão de livros, jornais e periódicos. § 1º A comercialização do papel a detentores do Registro Especial de que trata o caput deste artigo faz prova da regularidade da sua destinação, sem prejuízo da responsabilidade, pelos tributos devidos, da pessoa jurídica que, tendo adquirido o papel beneficiado com imunidade, desviar sua finalidade constitucional. § 2º O disposto no § 1o deste artigo aplicase também para efeito do disposto no § 2º do art. 2º da Lei no 10.637, de 30 de dezembro de 2002, no § 2º do art. 2º e no § 15 do art. 3o da Lei no 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e no § 10 do art. 8o da Lei no 10.865, de 30 de abril de 2004. § 3º Fica atribuída à Secretaria da Receita Federal do Brasil competência para: I expedir normas complementares relativas ao Registro Especial e ao cumprimento das exigências a que estão sujeitas as pessoas jurídicas para sua concessão; II estabelecer a periodicidade e a forma de comprovação da correta destinação do papel beneficiado com imunidade, inclusive mediante a instituição de obrigação acessória destinada ao controle da sua comercialização e importação. § 4º O não cumprimento da obrigação prevista no inciso II do § 3º deste artigo sujeitará a pessoa jurídica às seguintes penalidades: I 5% (cinco por cento), não inferior a R$ 100,00 (cem reais) e não superior a R$ 5.000,00 (cinco mil reais), do valor das operações com papel imune omitidas ou apresentadas de forma inexata ou incompleta; e II de R$ 2.500,00 (dois mil e quinhentos reais) para micro e pequenas empresas e de R$ 5.000,00 (cinco mil reais) para as demais, independentemente da sanção prevista no inciso I deste artigo, se as informações não forem apresentadas no prazo estabelecido. § 5º Apresentada a informação fora do prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício, a multa de que trata o inciso II do § 4º deste artigo será reduzida à metade.” Nesse ínterim, quanto à produção dos efeitos do art. 1º da Lei 11.945/09 estabeleceu em seu art. 33, inciso IV, alínea “a”, da Lei (Grifos Meus): Fl. 191DF CARF MF Impresso em 09/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 08/03/2 016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 08/03/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO 10 “Art. 33. Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação, produzindo efeitos: [...] IV a partir de 16 de dezembro de 2008, em relação: a) aos arts. 1º, 2º, 21, 22, 29, 30, 31 e 32; [...]” Dessa forma, notase que Lei 11.945/09, trouxe nova alteração, prevendo multa de R$ 2.500,00 para micro e pequenas empresas, com produção de efeitos retroativos – ou seja, a partir de 16.12.08 – ainda que a Lei tenha sido publicada em 24.6.09 – vez que considerou a data da publicação da MP 451/08. Ou seja, desde a data da publicação da MP 451/08 – as micro empresas e pequenas empresas poderiam usufruir da multa de R$ 2.500,00 por declaração entregue extemporaneamente. Em 8.12.09, foi publicada a IN RFB 976/09, a qual revogou a IN SRF 71/01 e posteriores. Tal IN, que dispõe sobre o Registro Especial para estabelecimentos que realizem operações com papel destinado à impressão de livros, jornais e periódicos, e a apresentação da Declaração Especial de Informações Relativas ao Controle de Papel Imune (DIFPapel Imune), trouxe em seu art. 12 (Grifos Meus): “Art. 12. A nãoapresentação da DIFPapel Imune, nos prazos estabelecidos no art. 11, sujeitará a pessoa jurídica às seguintes penalidades: I 5% (cinco por cento), não inferior a R$ 100,00 (cem reais) e não superior a R$ 5.000,00 (cinco mil reais), do valor das operações com papel imune omitidas ou apresentadas de forma inexata ou incompleta; e II de R$ 2.500,00 (dois mil e quinhentos reais) para micro e pequenas empresas e de R$ 5.000,00 (cinco mil reais) para as demais, independentemente da sanção prevista no inciso I, se as informações não forem apresentadas no prazo estabelecido. Fl. 192DF CARF MF Impresso em 09/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 08/03/2 016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 08/03/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO Processo nº 10680.005429/200558 Acórdão n.º 9303003.488 CSRFT3 Fl. 188 11 Parágrafo único. Apresentada a informação fora do prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício, a multa de que trata o inciso II do caput será reduzida à metade.” Resta claro, então, que a IN RFB 976/09 quis expor a aplicação da multa trazida pela Lei 11.945/09. Quanto às alterações promovidas no art. 57 da MP 2.158/01 – que estabelecia às pessoas jurídicas que deixavam de fornecer no prazo estabelecido declarações à Receita Federal do Brasil multa de R$ 5.000,00 por mês calendário, a menos que seja optante pelo Simples – que observaria a multa de R$ 1.500,00, temos que, em 28.12.2012, foi publicada a Lei 12.766/2012 – alterando o questionável art. 57 (Grifos Meus): “Art. 8º O art. 57 da Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001, passa a vigorar com a seguinte redação: Art. 57. O sujeito passivo que deixar de apresentar nos prazos fixados declaração, demonstrativo ou escrituração digital exigidos nos termos do art. 16 da Lei no 9.779, de 19 de janeiro de 1999, ou que os apresentar com incorreções ou omissões será intimado para apresentálos ou para prestar esclarecimentos nos prazos estipulados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil e sujeitarseá às seguintes multas: I por apresentação extemporânea: a) R$ 500,00 (quinhentos reais) por mêscalendário ou fração, relativamente às pessoas jurídicas que, na última declaração apresentada, tenham apurado lucro presumido; b) R$ 1.500,00 (mil e quinhentos reais) por mêscalendário ou fração, relativamente às pessoas jurídicas que, na última declaração apresentada, tenham apurado lucro real ou tenham optado pelo autoarbitramento; II por não atendimento à intimação da Secretaria da Receita Federal do Brasil, para apresentar declaração, demonstrativo ou escrituração digital ou para prestar esclarecimentos, nos prazos estipulados pela autoridade fiscal, que nunca serão inferiores a 45 (quarenta e cinco) dias: R$ l.000,00 (mil reais) por mêscalendário; III por apresentar declaração, demonstrativo ou escrituração digital com informações inexatas, incompletas ou omitidas: 0,2% (dois décimos por cento), não inferior a R$ 100,00 Fl. 193DF CARF MF Impresso em 09/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 08/03/2 016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 08/03/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO 12 (cem reais), sobre o faturamento do mês anterior ao da entrega da declaração, demonstrativo ou escrituração equivocada, assim entendido como a receita decorrente das vendas de mercadorias e serviços. § 1o Na hipótese de pessoa jurídica optante pelo Simples Nacional, os valores e o percentual referidos nos incisos II e III deste artigo serão reduzidos em 70% (setenta por cento). § 2o Para fins do disposto no inciso I, em relação às pessoas jurídicas que, na última declaração, tenham utilizado mais de uma forma de apuração do lucro, ou tenham realizado algum evento de reorganização societária, deverá ser aplicada a multa de que trata a alínea b do inciso I do caput. § 3º A multa prevista no inciso I será reduzida à metade, quando a declaração, demonstrativo ou escrituração digital for apresentado após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício.” (NR)” Vêse que, com o advento da Lei 12.766/12, a multa de que trata o art. 57 da MP 2.158/01 por entrega extemporânea passou a ser de R$ 1500,00 por mês calendário, se optante pelo regime de tributação do Lucro Real ou Arbitrado ou de R$ 500,00 por mês calendário, se optante pelo Lucro Presumido. Continuando, temse que, em 25.10.13, foi publicada a Lei 12.873/13 que, por sua vez, trouxe novamente mudança ao art. 57 da MP 2.158 35/01 (Grifos Meus): “Art. 57. O art. 57 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001, passa a vigorar com as seguintes alterações: “Art. 57. O sujeito passivo que deixar de cumprir as obrigações acessórias exigidas nos termos do art. 16 da Lei no 9.779, de 19 de janeiro de 1999, ou que as cumprir com incorreções ou omissões será intimado para cumprilas ou para prestar esclarecimentos relativos a elas nos prazos estipulados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil e sujeitarseá às seguintes multas: I ................................................................................... a) R$ 500,00 (quinhentos reais) por mêscalendário ou fração, relativamente às pessoas jurídicas que estiverem em início de atividade ou que sejam imunes ou isentas ou que, na última declaração apresentada, tenham apurado lucro presumido ou pelo Simples Nacional; b) R$ 1.500,00 (mil e quinhentos reais) por mêscalendário ou fração, relativamente às demais pessoas jurídicas; Fl. 194DF CARF MF Impresso em 09/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 08/03/2 016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 08/03/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO Processo nº 10680.005429/200558 Acórdão n.º 9303003.488 CSRFT3 Fl. 189 13 c) R$ 100,00 (cem reais) por mêscalendário ou fração, relativamente às pessoas físicas; II por não cumprimento à intimação da Secretaria da Receita Federal do Brasil para cumprir obrigação acessória ou para prestar esclarecimentos nos prazos estipulados pela autoridade fiscal: R$ 500,00 (quinhentos reais) por mês calendário; III por cumprimento de obrigação acessória com informações inexatas, incompletas ou omitidas: a) 3% (três por cento), não inferior a R$ 100,00 (cem reais), do valor das transações comerciais ou das operações financeiras, próprias da pessoa jurídica ou de terceiros em relação aos quais seja responsável tributário, no caso de informação omitida, inexata ou incompleta; b) 1,5% (um inteiro e cinco décimos por cento), não inferior a R$ 50,00 (cinquenta reais), do valor das transações comerciais ou das operações financeiras, próprias da pessoa física ou de terceiros em relação aos quais seja responsável tributário, no caso de informação omitida, inexata ou incompleta. ............................................................................................. § 3º A multa prevista no inciso I do caput será reduzida à metade, quando a obrigação acessória for cumprida antes de qualquer procedimento de ofício. § 4o Na hipótese de pessoa jurídica de direito público, serão aplicadas as multas previstas na alínea a do inciso I, no inciso II e na alínea b do inciso III.”(NR) Nos termos da Lei 12.873/13, a multa de que trata o art. 57 da MP 2.158/01 passou a ser de R$ 500 por mês calendário para as pessoas jurídicas optantes pelo Lucro Presumido ou pelo Simples Nacional e de R$ 1.500,00 em relação às demais pessoas jurídicas. Destarte, após as elucidações históricas das normas envolvendo a discussão em comento, passo a refletir sobre a aventura legislativa – para melhor visualizar: 1. Em 27.8.01, com a MP 2.15835/01, tínhamos às pessoas jurídicas que deixavam de fornecer no prazo estabelecido declarações à Receita Federal do Brasil multa de R$ Fl. 195DF CARF MF Impresso em 09/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 08/03/2 016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 08/03/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO 14 5.000,00 por mês calendário, a menos que seja optante pelo Simples – que observaria a multa de R$ 1.500,00; 2. Em 13.9.01, com a IN SRF 71/01, a RFB estabeleceu que a não apresentação da DIF nos prazos estabelecidos deveriam observar a multa prevista no art. 57 da MP 2.158/01; 3. Em 16.12.08, foi publicada a MP 451/04, que passou a restringir a multa a uma única incidência por DIFPapel, mantendo seu valor em R$ 5.000,00 e extinguindo a redução de 70% para as empresas optantes do Simples; 4. Em 24.6.09, foi publicada a Lei 11.945/09, prevendo multa de R$ 2.500,00 para micro e pequenas empresas, com produção de efeitos retroativos – ou seja, a partir de 16.12.08 – por DIFPapel; 5. Em 8.12.09, foi publicada a IN RFB 976/09, a qual revogou a IN SRF 71/01 e posteriores – trazendo a multa da Lei 11.945/09; 6. Em 28.12.2012, foi publicada a Lei 12.766/2012, alterando a multa de que trata o art. 57 da MP 2.158/01 por entrega extemporânea, que passou a ser de R$ 1500,00 por mês calendário, se optante pelo regime de tributação do Lucro Real ou Arbitrado ou de R$ 500,00 por mês calendário, se optante pelo Lucro Presumido. 7. Em 25.10.13, foi publicada a Lei 12.873/13 que, por sua vez, trouxe novamente mudança em seu art. 57 da MP 2.158/01 – passando a referida multa por entrega extemporâneaa ser de R$ 500 por mês calendário para as pessoas jurídicas optantes pelo Lucro Presumido ou pelo Simples Nacional e de R$ 1.500,00 em relação às demais pessoas jurídicas. Pelo histórico legislativo, para essa conselheira, resta claro que: 1. Anteriormente à 16.12.08, ou seja, à publicação da MP 451/08, aplicavase para as pessoas jurídicas, que deveriam entregar especificamente a DIFPapel, as multas previstas no art. 57 da MP 2.158/01 – pois essa norma trazia a “Regra Geral”; E não Fl. 196DF CARF MF Impresso em 09/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 08/03/2 016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 08/03/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO Processo nº 10680.005429/200558 Acórdão n.º 9303003.488 CSRFT3 Fl. 190 15 havia dispositivo prevendo multa específica para a entrega de DIFPapel em atraso. 2. A partir de 16.12.08, com a publicação da MP 451/08, para as pessoas jurídicas que não observavam o prazo legal para a entrega da DIFPapel passouse a aplicar a multa estabelecida por essa MP – que, posteriormente, se converteu, com modificações retroativas, na Lei 11.945/09; Essa MP trouxe dispositivo específico prevendo penalidade aos contribuintes que não entregavam no prazo disciplinado pela RFB a DIF Papel; 3. Sendo assim, todas as mudanças que ocorreram posteriormente a 16.12.08 no art. 57 da MP 2.158/01 não produziram efeitos quando se tratava de multa aplicável às pessoas jurídicas que não entregavam a DIFPapel no momento estabelecido pela autoridade fazendária, eis que já havia no ordenamento jurídico norma especial para o caso concreto. Com efeito, em respeito ao princípio da especialidade – lex specialis derogat legi generali é de se aplicar o disposto na Lei 11.945/09 para os casos de multa por não apresentação da DIFPapel a partir de 16.12.08. Ventiladas tais considerações, ressurgindome ao presente caso, temos que o processo se refere ao período de 1.1.02 a 30.06.04 – o que, em análise “engessada”, aplicarseia a multa de que trata o art. 57 da MP 2.158/01 considerando o momento dos fatos geradores ocorridos à época – anteriores a 16.12.08. Ou seja, aplicarseia de forma “engessada” a multa de R$ 5.000,00 por mês calendário, a menos que seja optante pelo Simples – que observaria a multa de R$ 1.500,00 por mês calendário. Não obstante, temos que a Lei 11.945/09 – hoje vigente dispõe sobre a multa por DIFPapel no valor de R$ 2.500,00 para micro e pequenas empresas, com produção de efeitos retroativos – ou seja, a partir de 16.12.08 – por DIFPapel. O que, por conseguinte, seria mais favorável à essa empresa; eis que Fl. 197DF CARF MF Impresso em 09/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 08/03/2 016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 08/03/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO 16 fixou um determinado valor por declaração não entregue, e não por mês que deixou de entregar a declaração. Dessa forma, entendo ser plenamente aplicável o instituto da retroatividade benigna – tal como estabelece o art. 106 do Código Tributário Nacional: "Art. 106 . A lei aplica se a ato o u fato pretérito: 1 em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratando se de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo de sua prática ". O que, verificase a subsunção do caso concreto à norma referendada. Com a aplicação do instituto da retroatividade benigna, no caso vertente, há de ser afastada a aplicação da multa a que se refere o art. 57 da MP 2.158/01. É de se trazer também que a empresa Gráfica Andorinha e Editora Ltda de CNPJ 41.955.550/000141, consta como sendo microempresa, conforme link http://www.receita.fazenda.gov.br/pessoajuridica/cnpj/cnpjreva/cnpjreva_solicitacao. asp: Comprovante de Inscrição e de Situação Cadastral Contribuinte, Fl. 198DF CARF MF Impresso em 09/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 08/03/2 016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 08/03/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO Processo nº 10680.005429/200558 Acórdão n.º 9303003.488 CSRFT3 Fl. 191 17 Confira os dados de Identificação da Pessoa Jurídica e, se houver qualquer divergência, providencie junto à RFB a sua atualização cadastral. REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL CADASTRO NACIONAL DA PESSOA JURÍDICA NÚMERO DE INSCRIÇÃO 41.955.550/000141 MATRIZ COMPROVANTE DE INSCRIÇÃO E DE SITUAÇÃO CADASTRAL DATA DE ABERTURA 03/06/1992 NOME EMPRESARIAL GRAFICA ANDORINHA & EDITORA LTDA ME TÍTULO DO ESTABELECIMENTO (NOME DE FANTASIA) ******** CÓDIGO E DESCRIÇÃO DA ATIVIDADE ECONÔMICA PRINCIPAL 47.61003 Comércio varejista de artigos de papelaria CÓDIGO E DESCRIÇÃO DAS ATIVIDADES ECONÔMICAS SECUNDÁRIAS 58.29800 Edição integrada à impressão de cadastros, listas e de outros produtos gráficos 18.21100 Serviços de préimpressão 18.12100 Impressão de material de segurança 18.11302 Impressão de livros, revistas e outras publicações periódicas 18.13001 Impressão de material para uso publicitário 18.13099 Impressão de material para outros usos 18.11301 Impressão de jornais 18.22901 Serviços de encadernação e plastificação CÓDIGO E DESCRIÇÃO DA NATUREZA JURÍDICA 2062 SOCIEDADE EMPRESARIA LIMITADA LOGRADOURO R CURITIBANOS NÚMERO 760 COMPLEMENTO CEP 30.460000 BAIRRO/DISTRITO JARDIM AMERICA MUNICÍPIO BELO HORIZONTE UF MG ENDEREÇO ELETRÔNICO TELEFONE (031) 33721035 ENTE FEDERATIVO RESPONSÁVEL (EFR) ***** SITUAÇÃO CADASTRAL ATIVA DATA DA SITUAÇÃO CADASTRAL 03/11/2005 MOTIVO DE SITUAÇÃO CADASTRAL SITUAÇÃO ESPECIAL ******** DATA DA SITUAÇÃO ESPECIAL ******** Fl. 199DF CARF MF Impresso em 09/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 08/03/2 016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 08/03/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO 18 O que resta claro, independentemente da alegação da Fazenda Nacional que à época dos fatos o sujeito passivo não era optante pelo Simples, que aplicarseia a multa de R$ 2.500,00, e não a de R$ 5.000,00, conforme reza o art. 1º, §4º, inciso II, da Lei 11.945/09: “Art. 1º............... [...] § 4º O não cumprimento da obrigação prevista no inciso II do § 3o deste artigo sujeitará a pessoa jurídica às seguintes penalidades: I 5% (cinco por cento), não inferior a R$ 100,00 (cem reais) e não superior a R$ 5.000,00 (cinco mil reais), do valor das operações com papel imune omitidas ou apresentadas de forma inexata ou incompleta; e II de R$ 2.500,00 (dois mil e quinhentos reais) para micro e pequenas empresas e de R$ 5.000,00 (cinco mil reais) para as demais, independentemente da sanção prevista no inciso I deste artigo, se as informações não forem apresentadas no prazo estabelecido. [...]” Eis que o referido dispositivo não restringe a aplicação da multa de R$ 2.500,00 para as empresas optantes pelo Simples Nacional – somente referenda que a multa em questão seria aplicável às micro e pequenas empresas. O que, por conseguinte, sendo o sujeito passivo enquadrável como microempresa, impossível por óbvio a aplicação da multa de R$ 5.000,00. Quanto ao pedido do sujeito passivo de se considerar o valor de R$ 1.500,00 constante do art. 57 da MP 2.158/01 aplicável às empresas que observam o regime do Simples com a aplicação da sistemática da multa da MP 451/08 (atualmente, Lei 11.945/09), entendo que não assiste razão ao contribuinte, eis que se deve respeitar o Princípio da Especialidade nesse caso. Ou seja, afastar a aplicação do art. 57 da MP 2.158/01 a partir de 16.12.08, inclusive para se invocar a retroatividade benigna ao ressurgir com os dizeres da Lei 11.945/09. Ademais, não há como se conjugar a aplicação de lei nova com a anterior para obter a situação mais benéfica possível. O que foge ao escopo do instituto, pois a aplicação de forma híbrida caracterizaria instituição de novo direito. Fl. 200DF CARF MF Impresso em 09/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 08/03/2 016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 08/03/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO Processo nº 10680.005429/200558 Acórdão n.º 9303003.488 CSRFT3 Fl. 192 19 Além disso, restaria, se observássemos critérios híbridos para a aplicação da retroatividade benigna, confusa nosso papel de julgador, visto que tornaríamos verdadeiros legisladores. Frisese tal entendimento a jurisprudência emanada pelo STJ ao apreciar o REsp 1.049.310SC (Grifos Meus): "RECURSO ESPECIAL. PENAL. CRIME PREVISTO NO ART. 12, CAPUT, DA LEI NY 6.368/76. APLICAÇÃO DO ART. 33, §4Y, DO ART. 11.343/06. COMBINAÇÃO DE LEGISLAÇÕES. IMPOSSIBILIDADE. APLICAÇÃO DE UMA OU OUTRA LEGISLAÇÃO, EM SUA INTEGRALIDADE. ANALISE DO CASO CONCRETO. INCIDÊNCIA DA LEI MAIS BENÉFICA. 1. Diante de conflito aparente de normas, não é dado ao magistrado aplicar os aspectos benéficos de uma e outra lei, sob pena de transmudarse em legislador ordinário, criando lei nova. 2. Na verdade, cabe ao juiz, ao analisar as peculiaridades do caso concreto, verificar qual das legislações é mais benéfica ao Réu, tendo em vista o princípio constitucional da retroatividade da lei mais benigna. 3. Recurso especial parcialmente provido para excluir a combinação das Leis nºs 6.368/76 e Lei nY 11.343/06. Concedo, porém, habeas corpus, de oficio, para atenuar a pena da Recorrida pela incidência da causa de diminuição da nova lei (considerado o quantum mínimo mais elevado e a minorante) pelo o que fica a sua pena quantificada em 01 ano e 10 meses de reclusão." (REsp 1049310/SC, Rel. Ministra LAURITA VAZ, QUINTA TURMA, julgado em 24/03/2009, DJe 20/04/2009)” Ante o exposto, entendo que, no caso vertente, devese invocar o instituto da retroatividade benigna, com aplicação da multa de R$ 2.500,00, nos moldes do art. 1º, § 4º, inciso II, da Lei 11.945/09. Portanto, concluo pela admissão do Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo, negandolhe provimento. Tatiana Midori Migiyama Relatora Fl. 201DF CARF MF Impresso em 09/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 08/03/2 016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 08/03/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO 20 Fl. 202DF CARF MF Impresso em 09/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 08/03/2 016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 08/03/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO
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Numero do processo: 15586.000027/2011-05
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 10 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Jan 06 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/07/2008 a 30/09/2008
OMISSÃO OU CONTRADIÇÃO NO ACÓRDÃO. INEXISTÊNCIA. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO REJEITADOS.
Rejeitam-se os embargos de declaração quando não caracterizadas as aduzidas omissão ou contradição na decisão recorrida, fundamento único do recurso.
Embargos rejeitados.
Numero da decisão: 3301-002.728
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos formulados pelo sujeito passivo, na forma do relatório e do voto que integram o presente julgado.
Fez sustentação oral pelo embargante o advogado Paulo César Caetano, OAB/ES 4892.
(assinado digitalmente)
Andrada Márcio Canuto Natal - Presidente.
(assinado digitalmente)
Francisco José Barroso Rios - Relator.
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Francisco José Barroso Rios, José Henrique Mauri, Luiz Augusto do Couto Chagas, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Semíramis de Oliveira Duro e Cássio Schappo.
Nome do relator: FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS
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Interessado CUSTÓDIO FORZZA COMÉRCIO E EXPORTAÇÃO LTDA. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/2008 a 30/09/2008 OMISSÃO OU CONTRADIÇÃO NO ACÓRDÃO. INEXISTÊNCIA. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO REJEITADOS. Rejeitamse os embargos de declaração quando não caracterizadas as aduzidas omissão ou contradição na decisão recorrida, fundamento único do recurso. Embargos rejeitados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos formulados pelo sujeito passivo, na forma do relatório e do voto que integram o presente julgado. Fez sustentação oral pelo embargante o advogado Paulo César Caetano, OAB/ES 4892. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Presidente. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Relator. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Francisco José Barroso Rios, José Henrique Mauri, Luiz Augusto do Couto Chagas, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Semíramis de Oliveira Duro e Cássio Schappo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 58 6. 00 00 27 /2 01 1- 05 Fl. 2969DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 21/ 12/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS 2 Relatório Em sessão transcorrida em 22 de outubro de 2013, a Segunda Turma Especial desta Terceira Seção do CARF deu parcial provimento ao recurso voluntário interposto pelo sujeito passivo, nos termos do acórdão nº 3802002.121, assim ementado: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/2008 a 30/09/2008 MATÉRIA NÃO CONHECIDA Não se conhece de argumento que não guarda relação com o objeto da contenda. ARGUIÇÃO DE NULIDADE. SUPOSTA OFENSA AO DIREITO AO CONTRADITÓRIO. INOCORRÊNCIA. O direito processual tem como regra o princípio da instrumentalidade das formas, segundo o qual, com respeito à nulidade do processo, somente àquela que sacrifica os fins de justiça deve ser declarada pela autoridade julgadora. Assim, a nulidade por cerceamento ao direito de defesa exige seja comprovado o efetivo prejuízo ao exercício desse direito por parte do sujeito passivo. Não há nulidade quando a recorrente tem pleno conhecimento dos atos processuais objeto do processo e o seu direito de resposta ou de reação se encontraram plenamente assegurados, retratado nas robustas alegações aduzidas em sua peça recursal. TRANCAMENTO DA AÇÃO PENAL. EXAME ADSTRITO ÀS CONDIÇÕES DA AÇÃO E ÀS CONDIÇÕES DE PROCEDIBILIDADE. AUSÊNCIA DE MANIFESTAÇÃO SOBRE A INEXISTÊNCIA MATERIAL DO FATO. COISA JULGADA QUANTO AOS FATOS NARRADOS PELO MINISTÉRIO PÚBLICO. INOCORRÊNCIA. A sentença penal não faz coisa julgada quanto à materialidade dos fatos se estes não são objeto de apreciação e, portanto, não fundamentam o trancamento da ação penal, restrito à análise das condições da ação e de sua procedibilidade. Realidade em que a extinção da ação penal inaugurada pelo Ministério Público Federal não foi motivada por eventual pronunciamento jurígeno excludente do envolvimento da recorrente com os fatos narrados na denúncia, mas em vista da impossibilidade de tipificação das condutas em crime contra a ordem tributária (Lei nº 8.137/90) antes do lançamento definitivo do tributo (Súmula Vinculante do STF nº 24). PROVA. DEPOIMENTOS E MENSAGENS COM TRATATIVAS DE NEGOCIAÇÕES COMERCIAIS DA EMPRESA. INEXISTÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE EVENTUAL ELEMENTO QUE PUDESSE VIR A CARACTERIZAR A ILEGALIDADE DA PROVA. VIOLAÇÃO AO SIGILO DE DADOS DA EMPRESA PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE NULIDADE. Os depoimentos constituem importante elemento probatório e não podem ser invalidados por simples alegações, sem prova, de eventual suspeição ou vício de consentimento. A legislação tributária federal garante à Administração Tributária pleno acesso a documentos, inclusive magnéticos, fiscais e não fiscais, do contribuinte, bem como a depoimentos de terceiros, ressalvadas as vedações Fl. 2970DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 21/ 12/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 15586.000027/201105 Acórdão n.º 3301002.728 S3C3T1 Fl. 2.969 3 legais, como forma de averiguar o fiel cumprimento das obrigações tributárias, não podendo a garantia constitucional à privacidade revestirse de instrumento à salvaguarda de práticas ilícitas. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/2008 a 30/09/2008 REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE DO PIS/PASEP E DA COFINS. DESCONTO DE CRÉDITOS CALCULADOS A PARTIR DE BENS E SERVIÇOS UTILIZADOS COMO INSUMOS E COM BASE EM CUSTOS E DESPESAS LEGALMENTE AUTORIZADOS. DIREITO CREDITÓRIO RECONHECIDO EM PARTE. No regime de incidência nãocumulativa do PIS/Pasep e da COFINS, as Leis no 10.637 de 2002 e 10.833/2003 autorizam o desconto de créditos calculados com base em bens e serviços utilizados como insumos diretamente relacionados à atividade da empresa, bem como apurados a partir de custos e despesas passíveis de creditamento/desconto da contribuição, desde que satisfeitas as condições legais impostas pela norma em evidência. No referido regime não há previsão legal que legitime creditamento do PIS ou da COFINS pelo pagamento, a pessoas jurídicas, de serviços de assessoria. Todavia, por serem considerados insumos, os gastos com serviços de corretagem de compra de matériaprima utilizada na fabricação de produtos destinados à venda integram a base de cálculo do crédito da referida Contribuição. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/07/2008 a 30/09/2008 COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO NÃO INTEGRALMENTE DEMONSTRADAS. IMPOSSIBILIDADE DE EXTINÇÃO DOS DÉBITOS PARA COM A FAZENDA PÚBLICA. A compensação, hipótese expressa de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN. A não comprovação da certeza e da liquidez dos créditos alegados impossibilita a extinção do débito para com a Fazenda Pública mediante compensação. Recurso ao qual se dá provimento em parte. Em sede de embargos de declaração, aduz a interessada que a decisão vergastada fora omissa na medida em que não teria enfrentado a questão da competência (atribuição) da Turma Especial para julgar questão envolvendo centenas de milhões de reais e, de outro lado, há também contradição, uma vez que o Relator informa que se trata de questão que ultrapassa R$ 890 milhões de reais e, ainda assim, analisou a matéria. (destaque do original) Insurgese ainda a embargante contra a utilização de prova que não consta dos autos, eis que estavam nos autos do processo nº 15586.000089/201117. Nesse sentido, Fl. 2971DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 21/ 12/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS 4 aduz que "[...] a Turma não teve acesso aos documentos relacionados pelo relator do processo, já que todos estão no processo nº 15586.000089/201117". Assim teria havido "[...] prejuízo à defesa do contribuinte, na medida em que os demais Conselheiros não puderam analisar as provas contidas [...]" no aludido processo. Nesse sentido, ressalta, ainda, o seguinte: A nulidade poderia ter sido contornada se o pedido de unificação dos processos tivesse sido deferido, o que não ocorreu, apesar da insistência da contribuinte. Diante desta realidade, o acórdão é nulo por ausência de suporte probatório e não unificação deste processo ao de número 15586.000089/201117. Uma violação da ampla defesa e do contraditório. É crucial que tal questão seja analisada pela Turma, já que estes pontos (não unificação dos processos e não disponibilização do processo n. 15586.000089/201117 aos demais Conselheiros) não foram analisados. (grifo nosso) Na sequência, a interessada reafirma a necessidade de unificação dos processos, e aduz que a Solução de Consulta nº 65, de 31/03/2014, da COSIT, "[...] reconhece o direito ao aproveitamento do crédito integral de PIS e COFINS sobre as aquisições de café das cooperativas agropecuárias, até dezembro de 2011". Referese ainda à Lei nº 12.995/2014, direito superveniente que deveria ser aplicado, já que, "[...] através de seu art. 23, alterou a Lei nº 12.599/2012, permitindo a compensação com outros tributos administrados pela RFB e o ressarcimento em espécie dos créditos presumidos da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS". Para tanto alicerçase no artigo 16, § 4º, do Decreto nº 70.235/72. No item 2.4 de sua petição de embargos a interessada aduz que muitos dos depoimentos favoráveis à recorrente não teriam sido analisados, "[...] apenas foram mencionados os supostamente não favoráveis". E no item 2.5 diz ter ocorrido omissão grave do relator por este não haver informado em que provas se baseou para afastar a boafé da suplicante. Ressalta que "no caso dos autos, há glosas de créditos relativas a empresas que sequer há o número do CNPJ nos autos, muito menos há depoimentos ou outros documentos que afastem a boafé da embargante". Tais omissões, defende, "levam à nulidade do acórdão". A embargante continua sua argumentação ressaltando que não teriam sido analisados seus argumentos inerentes ao pedido de diligência e de perícia. Igualmente, não teria sido apreciada a questão relacionada ao reflexo da glosa de créditos sobre o imposto de renda e sobre a contribuição social sobre o lucro líquido. Por todo o exposto, requer que o colegiado se manifeste acerca dos seguintes pontos: a) da incompetência da Turma julgadora para processar e julgar o pleito; b) a "nova" necessidade de unificação dos 36 processos diante do advento da Solução de Consulta COSIT nº 65/2014 e da Lei nº 12.995/2014; c) a nulidade do acórdão pelo uso de documentos apenas presentes nos autos do processo nº 15586.000089/201117; d) a existência de provas favoráveis à recorrente que nem sequer foram citadas no acórdão; Fl. 2972DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 21/ 12/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 15586.000027/201105 Acórdão n.º 3301002.728 S3C3T1 Fl. 2.970 5 e) a não existência de provas sobre muitas empresas e a presunção de boafé; f) "A LIMITAÇÃO ESPACIAL, TEMPORAL E QUANTITATIVA DOS DEPOIMENTOS E DOCUMENTOS APRESENTADOS PELO FISCO, já que as provas, apesar de usadas de forma generalizada pela Fiscalização, vinculamse apenas a poucos lugares, a períodos determinados e a valores reduzidos"; g) a necessidade de diligências / produção de provas; h) "a inexistência de provas que vinculem gestores da 'Custodio Forzza' a condutas de máfé a impossibilidade de imputar uma conduta de máfé a pessoa jurídica"; i) "sobre a necessidade de recalcular o IR/CSLL a pagar em razão das glosas dos créditos fiscais de PIS/COFINS ou, pelo menos, sobre a suspensão da prescrição do direito de pedir a restituição do IRPJ e CSLL recolhidos sobre os créditos glosados, visto que tal fato se consumará somente se for mantida a decisão de não homologar os créditos glosados. Registrase que os tributos compensado e cobrados nestes autos são, exatamente o IRPJ e CSLL compensados, cujos créditos compõem a base de cálculo de ambos". Formalizados os embargos, os autos foram movimentados para este conselheiro, relator originário do processo, em obediência ao disposto nos parágrafos 5º e 6º do artigo 49 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09/06/2015. É o relatório. Voto A ciência da decisão recorrida se deu em 10/08/2015, conforme Termo de Ciência por Abertura de Mensagem de fls. 2935. Por sua vez, a petição de embargos de declaração foi protocolizada em 17/08/2015, uma segundafeira. Assim, considerando o disposto no artigo 5º, caput e parágrafo único, do Decreto nº 70.235/721, resta claro que a petição em tela foi apresentada dentro do prazo cinco dias contados da ciência do acórdão para a interposição dos embargos de declaração (artigo 65, § 1o, do Anexo II do RICARF – aprovado pela Portaria MF no 343, de 09/06/2015). Há, pois, que se conhecer da petição em tela. A primeira argumentação suscitada pela embargante diz respeito a suposta omissão concernente à competência (atribuição) da Turma Especial para julgar o pleito, o qual, segundo alega, ultrapassaria os 890 milhões de reais. 1 Art. 5º Os prazos serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento. Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato. Fl. 2973DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 21/ 12/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS 6 Tal argumento, com efeito, não merece prosperar, eis que, conforme ressaltado no relatório objeto da decisão vergastada, "a lide diz respeito a pedido de ressarcimento onde os créditos reclamados correspondem ao PIS/Pasep não cumulativo exportação do terceiro trimestre de 2008 (valor pleiteado: R$ 809.556,09)" (grifei). Diferentemente do que afirma a embargante, o mencionado valor de R$ 890 milhões de reais não se relaciona a crédito tributário lançado ou a direito creditório glosado, mas sim ao total das notas fiscais levantadas pela fiscalização em nome de empresas de fachada, conforme seguinte trecho extraído da decisão guerreada: Conforme relatado, a lide decorre de ação fiscal cujo procedimento e documentação estão acostados aos autos do processo n° 15586.000089/201117 (ao qual nos reportaremos com freqüência), onde a fiscalização relata a apropriação indevida de créditos pelo regime da não cumulatividade do PIS e da COFINS por parte da recorrente, calculados sobre os valores das notas fiscais de aquisição de café em grãos, quando o correto seria a apropriação de créditos presumidos nos termos do artigo 8° da lei n° 10.925/2004, com a redação dada pelo artigo 29 da Lei n° 11.051, de 29/12/2004. Entendeu a fiscalização que as aquisições de café pela recorrente foram contabilizadas em nome de diversas empresas de fachada, utilizadas para dissimular a real aquisição da mercadoria proveniente de pessoas físicas (produtores rurais/maquinistas), e assim se apropriar de crédito em montante superior ao autorizado pela lei. Segundo a informação fiscal que subsidiou o despacho decisório, a análise e recomposição dos saldos desde janeiro de 2005 demonstrou que a recorrente apropriouse de créditos integrais fictos. Em face da reclamante foram levantadas notas fiscais em nome de empresas de fachada (“laranjas”) em montantes que ultrapassaram o valor de R$ 890 milhões nos anos de 2005 a 2009. (grifouse) Assim, o colegiado julgador – Turma Especial – em nada ofendeu ao disposto no artigo 2o, § 2o, da então vigente Portaria MF no 256, de 22/06/2009, segundo o qual "a competência das turmas especiais fica restrita ao julgamento de recursos em processos de valor inferior ao limite fixado para interposição de recurso de oficio pela autoridade julgadora de primeira instância". Tal limite, a teor do disposto na Portaria MF no 3, de 03/01/2008, é de R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais). Logo, concluise que a Turma julgadora decidiu em processo cujo valor em litígio encontrase dentro de limite estabelecido para Turma Especial. Efetivamente, a questão da incompetência de Turma Especial para o julgamento do feito não foi aduzida pela interessada em seu recurso voluntário. Esta, em homenagem aos princípios do devido processo legal, da ampla defesa e da economia processual, dentre outros, defendeu apenas a necessidade de juntada dos 36 processos da empresa, o que fez com fundamento no § 3º do artigo 18 da Lei nº 10.833/03, na Portaria RFB nº 666/08, e em princípios que norteiam o processo administrativo dispostos na Lei nº 9.784/99. Tal questão foi sim enfrentada pelo colegiado julgador, conforme seguinte trecho do voto que alicerçou sua decisão: Dos argumentos em defesa da nulidade da decisão de primeira instância Dentre os argumentos em prol da nulidade da decisão de primeira instância, o sujeito passivo defende a necessidade de juntada dos 36 processos da empresa que dizem respeito à mesma matéria, a fim de evitar Fl. 2974DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 21/ 12/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 15586.000027/201105 Acórdão n.º 3301002.728 S3C3T1 Fl. 2.971 7 decisões contraditórias e homenagear os princípios do devido processo legal, da ampla defesa, da economia processual, dentre outros. Fundamentase no § 3º do artigo 18 da Lei nº 10.833/03, na Portaria RFB nº 666/08, bem como nos princípios que norteiam o processo administrativo elencados pela Lei nº 9.784/99. Da fundamentação legal adotada pelo sujeito passivo, a Portaria RFB nº 666/08, de fato, prevê a formalização de um único processo administrativo ou a juntada por anexação (artigo 3º), dentre outras hipóteses, relativamente a “Pedidos de Restituição ou de Ressarcimento e as Declarações de Compensação (Dcomp) que tenham por base o mesmo crédito, ainda que apresentados em datas distintas” (artigo 1º, inciso IV). Contudo, não compete a este Conselho questionar procedimento diverso adotado pela Receita Federal que não implique em prejuízo ao direito de defesa do sujeito passivo. Com efeito, muito embora seja nítida a conexão processual entre os pedidos de ressarcimento reportados pela recorrente, não há nada nos autos que alicerce o reclamado cerceamento ao seu direito, uma vez que os elementos comprobatórios do indeferimento do pedido são todos de pronto acesso ao sujeito passivo, notadamente na presente conjuntura de uso do processo digital, em que as peças podem ser acessadas eletronicamente com grande facilidade. Digo isso, inclusive, em relação ao processo nº 15586.000089/201117, ao qual foram acostadas as provas e documentos produzidos durante a fiscalização realizada em face da empresa recorrente, como, aliás, está consignado na informação fiscal que subsidiou a decisão objeto dos presentes autos. Tendo a interessada irrestrito acesso aos autos, não há que se cogitar em prejuízo para sua defesa. A suplicante se socorre também no § 3º do artigo 18 da Lei nº 10.833/03, bem como em princípios que norteiam o processo administrativo dispostos na Lei nº 9.784/99. Relativamente ao § 3º do artigo 18 da Lei nº 10.833/03, este determina apenas a juntada das peças que tratam da manifestação de inconformidade contra a nãohomologação da compensação e da correspondente impugnação da multa de ofício decorrente de diferenças apuradas, dentre outras, em declaração de compensação (art. 90 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24/08/2001). Logo, não obriga à juntada de todos os processos conexos do mesmo sujeito passivo. Já em relação aos princípios do processo administrativo reportados pela Lei nº 9.784/99, não vislumbro nos autos nada que represente ofensa ao direito de defesa da solicitante que pudesse redundar na nulidade de qualquer ato decisório contidos em suas peças, como já ressaltado. O Regimento Interno do CARF (aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22/06/2009) também trata da distribuição conjunta de processos conexos. Tal preceito, contudo, não é de natureza cogente, posto que apenas faculta referenciado procedimento, como revela o verbo que integra o núcleo normativo do artigo 6o do Anexo II do Regimento em tela, abaixo transcrito e destacado: Art. 6° Verificada a existência de processos pendentes de julgamento, nos quais os lançamentos tenham sido efetuados com base nos mesmos fatos, inclusive no caso de sujeitos passivos distintos, os processos poderão ser Fl. 2975DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 21/ 12/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS 8 distribuídos para julgamento na Câmara para a qual houver sido distribuído o primeiro processo. Parágrafo único. Os processos referidos no caput serão julgados com observância do rito previsto neste Regimento. (grifo nosso) No mais, reiterese que a não adoção dos procedimentos perquiridos pela recorrente, por não trazerem prejuízo para a defesa, não tem o condão de dar ensejo à nulidade da decisão de primeira instância, até porque o direito processual tem como regra o princípio da instrumentalidade das formas, que traz como consequência, com respeito à nulidade do processo, que somente àquela que sacrifica os fins de justiça do processo deve ser declarada pela autoridade. Tal princípio está assente nos artigos 563 e 566 do Código de Processo Penal2. No âmbito do Código de Processo Civil, dispõe o artigo 244 que, Quando a lei prescrever determinada forma, sem cominação de nulidade, o juiz considerará válido o ato se, realizado de outro modo, lhe alcançar a finalidade. A inocorrência de prejuízo para a defesa também afasta a hipótese de nulidade fundada na ausência de análise de prorrogação do prazo para a juntada de documentos, posto que não demonstrado eventual prejuízo decorrente da citada conduta omissiva. [...] Vêse, pois, que o colegiado julgador, de forma fundamentada, afastou a arguída nulidade da decisão de primeira instância pela negativa de juntada dos 36 processos em nome da interessada. Na oportunidade, foi abordada a inexistência de prejuízo para sua defesa, já que "os elementos comprobatórios do indeferimento do pedido são todos de pronto acesso ao sujeito passivo, notadamente na presente conjuntura de uso do processo digital, em que as peças podem ser acessadas eletronicamente com grande facilidade". Isso vale para o alegado "[...] prejuízo à defesa do contribuinte, na medida em que os demais Conselheiros não puderam analisar as provas contidas [...]" no processo nº 15586.000089/201117, processo este onde foram acostadas as provas e documentos produzidos durante a fiscalização realizada em face da empresa recorrente. Fato é que foram efetivamente analisados todos os argumentos aduzidos pela suplicante concernente a suposto prejuízo ao seu direito defesa, razão pela qual não há que se falar em suposta omissão na decisão vergastada no que concerne a essa questão. A embargante assevera que a Solução de Consulta nº 65, de 31/03/2014, da COSIT, "[...] reconhece o direito ao aproveitamento do crédito integral de PIS e COFINS sobre as aquisições de café das cooperativas agropecuárias, até dezembro de 2011". Referese ainda à Lei nº 12.995/2014, direito superveniente que deveria ser aplicado, já que, "[...] através de seu art. 23, alterou a Lei nº 12.599/2012, permitindo a compensação com outros tributos administrados pela RFB e o ressarcimento em espécie dos créditos presumidos da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS". Ora, a própria data de expedição dos atos normativos retrocitados, ambos do ano de 2014, revela que a argumentação não merece ser acatada em sede de 2 Art. 563. Nenhum ato será declarado nulo, se da nulidade não resultar prejuízo para a acusação ou para a defesa. Art. 566. Não será declarada a nulidade de ato processual que não houver influído na apuração da verdade substancial ou na decisão da causa. Fl. 2976DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 21/ 12/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 15586.000027/201105 Acórdão n.º 3301002.728 S3C3T1 Fl. 2.972 9 embargos de declaração, eis que a decisão guerreada foi proferida anteriormente, em 22/10/2013. Logo, não se pode admitir tal argumentação em sede de embargos de declaração, eis que os mesmos são modalidade recursal destinada a sanear acórdão eivado de "[...] obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual deveria pronunciarse a turma" (conf. caput do artigo 65 do anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09/06/2015). Com efeito, não se pode alegar omissão ou contradição em relação a argumento fundado em atos normativos que nem sequer existiam à época em que fora proclamada a decisão contestada. Embargos de declaração não são via de rediscussão de direito. A embargante também aduz que muitos dos depoimentos favoráveis à recorrente não teriam sido analisados, "[...] apenas foram mencionados os supostamente não favoráveis". No item 2.5 relata haver omissão grave do relator por este não haver informado em que provas se baseou para afastar a boafé da suplicante. Ressalta que "no caso dos autos, há glosas de créditos relativas a empresas que sequer há o número do CNPJ nos autos, muito menos há depoimentos ou outros documentos que afastem a boafé da embargante". Tais omissões, defende, "levam à nulidade do acórdão". Não obstante, a leitura do extenso voto condutor da decisão embargada revela que o conjunto probatório foi detalhadamente examinado, tendo o colegiado julgador entendido haver razões suficientes para fundamentar sua decisão no sentido da caracterização do ilícito tributário. Vale ressaltar que na decisão em tela foi examinada e rechaçada suposta nulidade da decisão de primeira instância pelo fato de a DRJ não ter apreciado alguns argumentos do sujeito passivo, conforme trecho do voto que alicerçou a decisão embargada, que ora transcrevo: A nulidade também é reclamada pelo fato de a DRJ, segundo alega a reclamante, não ter apreciado argumentos e documentos objeto da manifestação de inconformidade, notadamente quanto à “regularidade das pessoas jurídicas apelidadas de ‘fictícias’ pela fiscalização”. A decisão de primeira instância também teria sido omissa concernente a depoimentos segundo os quais os gestores da recorrente “[...] não sabiam que as atacadistas não recolhiam seus tributos ou que não laboravam na atividade para a qual foram criadas [...]”, bem como no tocante aos lançamentos formalizados dentro da mesma operação de fiscalização, ao princípio da boafé, ao fato de a Receita Federal haver permitido o funcionamento das empresas que hoje afirma não existentes, dentre outros. Igualmente, entendo que isso também não leva à nulidade da decisão vergastada, posto que esta se apresenta devidamente motivada em argumentos que alicerçam suficientemente a convicção a que chegou o Colegiado a quo. Com efeito, não é indispensável que a decisão se reporte pontualmente a todas as alegações apresentadas pelo reclamante, e isso não obstante o disposto no artigo 31 do Decreto nº 70.235/72, o qual determina que a decisão deve “[...] referirse, expressamente, a todos os autos de infração e notificações de lançamento objeto do processo, bem como às razões de defesa suscitadas pelo impugnante contra todas as exigências” (grifo nosso). Fl. 2977DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 21/ 12/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS 10 De fato, o Superior Tribunal de Justiça, bem como este Conselho, tem adotado a postura de não exigir a apreciação exaustiva de todos os argumentos aduzidos na impugnação, mas isso desde que a autoridade julgadora de primeira instância tenha encontrado razões suficientes para fundamentar sua decisão sobre as matérias em litígio, como ocorreu no caso presente. Nesse sentido, o seguinte julgado: PAF – NULIDADE DA DECISÃO / CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. O julgador não está obrigado a contestar item por item os argumentos expendidos pela parte quando analisa a matéria de mérito, conforme decisão do STJ – Resp 652.422 – (2004/0099087 0) RET n 43 – maio/junho/2005, p.136:5691 – “VIOLAÇÃO DO ARTIGO 535 DO CPC – INOCORRÊNCIA – TRIBUTÁRIO – ICMS – MANDADO DE SEGURANÇA – AUTORIZAÇÃO PARA IMPRESSÃO DE DOCUMENTOS FISCAIS – DÉBITOS COM A FAZENDA PÚBLICA – PRINCÍPIO DO LIVRE EXERCÍCIO DA ATIVIDADE ECONÔMICA – ART. 170, PARÁGRAFO ÚNICO DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL – SÚMULA Nº 547 DO STF – MATÉRIA CONSTITUCIONAL – NORMA LOCAL – RESSALVA DO ENTENDIMENTO DO RELATOR. 1. Inexiste ofensa ao artigo 535 do CPC, quando o Tribunal de origem, embora sucintamente, pronunciase de forma clara e suficiente sobre a questão posta nos autos. Ademais, o magistrado não está obrigado a rebater um a um os argumentos trazidos pela parte, desde que os fundamentos utilizados tenham sido suficientes para embasar a decisão (...) 6. Recurso não conhecido.” (1º CC, Acórdão 10808866, sessão de 25/06/2006, relator: Ivete Malaquias Pessoa Monteiro). Afastamse, pois, todos os argumentos em prol da nulidade da decisão de primeira instância. Como se vê, permanece a inexistência de obscuridade, omissão ou contradição no acórdão, pressupostos sem os quais não há como acolher os embargos de declaração da reclamante. A embargante ressalta também que não teriam sido analisados seus argumentos inerentes ao pedido de diligência e de perícia. De fato, consta do relatório objeto da decisão recorrida que a suplicante requereu diligência ou perícia para juntada aos autos dos processos em que houve lançamentos vultosos de PIS e COFINS, uma vez que não é lícito à Receita Federal impor referidas contribuições duas vezes sobre a mesma cadeia produtiva; necessário também a juntada aos autos vários depoimentos mencionados no relatório fiscal, em homenagem ao direito de defesa da recorrente. Não obstante, essas questões foram devidamente apreciadas na decisão embargada, como comprova o seguinte trecho de seu correspondente voto condutor: A suplicante alega a ocorrência de bis in idem em vista das autuações formalizadas pela Receita Federal contra empresas atacadistas e seus responsáveis solidários pela sonegação de tributos nas operações de compra e venda de café de produtores rurais. Segundo entende, as Fl. 2978DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 21/ 12/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 15586.000027/201105 Acórdão n.º 3301002.728 S3C3T1 Fl. 2.973 11 autuações contra “centenas de pessoas físicas e jurídicas” representaria “dupla imposição de PIS e COFINS sobre uma mesma base de cálculo, violação clara da não cumulatividade”. Tal argumento, todavia, também não merece prosperar, pois os procedimentos de fiscalização contra cada sujeito passivo são autônomos e individualizados – ressalvada a possibilidade de responsabilização solidária –, apesar de, no caso, decorrer de uma operação para investigação de um setor econômico específico. No mais, não existe fundamento legal que legitime aduzido mecanismo compensatório proposto pelo sujeito passivo, o que também descarta a necessidade de diligência ou perícia para a juntada aos autos dos processos em que houve lançamentos do PIS e da COFINS em face das outras empresas envolvidas. (grifouse) Também assevera a embargante que não teria sido apreciada a questão relacionada ao reflexo da glosa de créditos sobre o imposto de renda e a contribuição social sobre o lucro líquido. De fato, o colegiado recorrido não conheceu do argumento em tela, eis que o mesmo não integra o litígio, restrito à apropriação indevida de créditos pelo regime da nãocumulatividade do PIS e da COFINS por parte da recorrente, calculados sobre os valores das notas fiscais de aquisição de café em grãos, quando o correto seria a apropriação de créditos presumidos nos termos do artigo 8° da lei n° 10.925/2004, com a redação dada pelo artigo 29 da Lei n° 11.051, de 29/12/2004. Assim, a Turma recorrida acolheu o voto que, nessa parte, não conheceu do recurso, conforme trecho abaixo transcrito: Da admissibilidade parcial do recurso Conforme relatado, a ciência da decisão recorrida se deu em 30/04/2013 (fls. 199). Por sua vez, o recurso voluntário de fls. 202/277 foi apresentado em 28/05/2013, tempestivamente, portanto. Contudo, muito embora os demais requisitos de admissibilidade se encontrem presentes, há argumentos apresentados no recurso que não podem ser conhecidos, uma vez que não tem relação com a lide objeto dos autos. Digo isso em relação ao aduzido direito para recalcular e a pedir restituição do IRPJ e da CSLL calculados sobre os créditos de PIS e COFINS lançados como receitas, mas não homologados, sob o argumento de que tais importâncias integram a base de cálculo de ambos os tributos. Tal pedido, decerto, não compreende a matéria objeto do litígio, razão pela qual não pode ser conhecida. Portanto, e considerando, ainda, a competência material para o julgamento do feito, conheço do recurso, ressalvada a observação supra, posto que atendidos os requisitos formais e materiais exigidos para sua aceitação. Diante de tudo o que foi acima exposto vêse que nenhum dos argumentos apresentados pelo sujeito passivo se subsume ao disposto no caput do artigo 65 do anexo II do Fl. 2979DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 21/ 12/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS 12 Regimento Interno do CARF3, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09/06/2015, uma vez demonstrado que o acórdão embargado não padece de "obscuridade, omissão ou contradição", e que a embargante, com sua argumentação, vislumbra, na verdade, rediscutir o direito, o que é inadmissível em sede de embargos de declaração. Da conclusão Diante do exposto, e considerando que o acórdão recorrido não está eivado de vício que justifique a oposição de embargos de declaração, voto para que seja rejeitado o recurso formalizado pelo sujeito passivo, visto que este carece de pressuposto essencial à sua legitimação. Sala de sessões, em 10 de dezembro de 2015. Francisco José Barroso Rios – Relator 3 Art. 65. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual deveria pronunciarse a turma. Fl. 2980DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 21/ 12/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS
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Numero do processo: 13805.013263/96-90
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 28 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Feb 25 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 1991
DIRPF. RETIFICAÇÃO DA DIRPF/1992. ATRIBUIÇÃO DE VALORES DE MERCADO AOS BENS EM 1991 NOS TERMOS DO ART. 96 DA LEI 9.383/91. LAUDO DE AVALIAÇÃO DO IMÓVEL.
É possível retificar a DIRPF/1992 para fins de atribuir valores de mercado a bens imóveis nos termos do art. 96 da Lei nº 8.383/91, desde que comprovado erro no valor originalmente declarado, com base em documentos tais como laudo de avaliação pericial referente ao bem em questão.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2402-004.932
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
Ronaldo de Lima Macedo - Presidente
Ronnie Soares Anderson - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Kleber Ferreira de Araújo, Lourenço Ferreira do Prado, Ronnie Soares Anderson, Marcelo Oliveira, Natanael Vieira dos Santos e João Victor Ribeiro Aldinucci.
Nome do relator: RONNIE SOARES ANDERSON
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 1991 DIRPF. RETIFICAÇÃO DA DIRPF/1992. ATRIBUIÇÃO DE VALORES DE MERCADO AOS BENS EM 1991 NOS TERMOS DO ART. 96 DA LEI 9.383/91. LAUDO DE AVALIAÇÃO DO IMÓVEL. É possível retificar a DIRPF/1992 para fins de atribuir valores de mercado a bens imóveis nos termos do art. 96 da Lei nº 8.383/91, desde que comprovado erro no valor originalmente declarado, com base em documentos tais como laudo de avaliação pericial referente ao bem em questão. Recurso Voluntário Negado.
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RETIFICAÇÃO DA DIRPF/1992. ATRIBUIÇÃO DE VALORES DE MERCADO AOS BENS EM 1991 NOS TERMOS DO ART. 96 DA LEI 9.383/91. LAUDO DE AVALIAÇÃO DO IMÓVEL. É possível retificar a DIRPF/1992 para fins de atribuir valores de mercado a bens imóveis nos termos do art. 96 da Lei nº 8.383/91, desde que comprovado erro no valor originalmente declarado, com base em documentos tais como laudo de avaliação pericial referente ao bem em questão. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 80 5. 01 32 63 /9 6- 90 Fl. 133DF CARF MF Impresso em 25/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 18/02/20 16 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Ronaldo de Lima Macedo Presidente Ronnie Soares Anderson Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Kleber Ferreira de Araújo, Lourenço Ferreira do Prado, Ronnie Soares Anderson, Marcelo Oliveira, Natanael Vieira dos Santos e João Victor Ribeiro Aldinucci. Fl. 134DF CARF MF Impresso em 25/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 18/02/20 16 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 13805.013263/9690 Acórdão n.º 2402004.932 S2C4T2 Fl. 127 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo (SP) DRJ/SP, que não acatou manifestação de inconformidade do contribuinte quanto à Decisão/EQPFF nº 269/97 da então DRF/São Paulo/Sul (fl. 19), que indeferiu solicitação de retificação de valores de imóveis constantes da declaração de bens integrante da Declaração de Ajuste Anual do exercício 1992, ano calendário 1991. Por bem descrever a controvérsia sob apreciação, peço a devida vênia para transcrever o seguinte excerto do relatório do aresto recorrido: A solicitação formalizouse pela apresentação da declaração retificadora de fls. 07 a 11, que alterava o valor de mercado consignado na declaração de bens relativamente a terrenos situados em Guarulhos — SP, da seguinte forma: a) 1/3 do terreno com área de 146.603,00 m2, adquirido em 15/05/1975 Conforme escritura do 1° Tabelionato, Livro 1.346, fl. 2 de 281.469,91 UFIRs (fl. 15) para 3.499.129,88 UFIRs (fl. 10) e b) 1/3 do terreno com área de 300.000,00 m2, adquirido em 12/04/1973 conforme escritura do 2° Tabelionato, Livro 153, fls.ç 86v. a 91v. de 361.570,00 UFIRs (fl. 15) para 7.160.419,39 UFIRs fl. 10). Embasouse o pleito em anúncios relativo a imóveis para venda, publicados em jornal Local. O indeferimento deuse com base nos seguintes argumentos: 1. Os anúncios de jornal apresentados pelo contribuinte guardam pouca similaridade com os bens objeto de retificação, pois se referem a "áreas na Dutra", dando a entender que se trata de terrenos com frente para a via Dutra, podendo ser ou não no município de Guarulhos; 2. Os referidos anúncios sugerem áreas totalmente livres para negociação, enquanto que os bens do contribuinte são "frações ideais" de terrenos (portanto, com limitações de comercialização) e não são de rente para a estrada, mas próximas ela, conforme documento de fl. 3, item 3. Na manifestação de inconformidade de fls. 21 a 31, o interessado, por meio representante legal (fl. 32), alega, em síntese, que: 1. Na declaração do anobase de 1991, por lapso, informou o valor de bens imóveis de sua propriedade segundo o seu custo de aquisição, o que fere as disposições contidas no artigo 96 da Lei n° 8.383/1991 (valor de mercado em 31/12/1991); 2. No intuito de regularizar a declaração, ingressou com pedido de retificação a fim de adequar o valor dos bens imóveis ao citado dispositivo legal; 3. Mesmo não sendo necessário, para demonstrar o valor de mercado de tais bens, juntou ao pedido de retificação ofertas de imóveis similares aos seus que constavam de periódico de grande circulação; 4. Discorda da decisão proferida pela DRF/SP/SUL, pois os anúncios juntados aos autos dizem respeito a imóveis realmente similares aos que são objeto do pedido Fl. 135DF CARF MF Impresso em 25/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 18/02/20 16 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO 4 de retificação, e imóveis similares, em condições normais de mercado, possuem preços idênticos; 5. A exigência da comprovação do valor de mercado dos mencionados bens imóveis fere o principio da legalidade, previsto no art. 5°, inciso II, da Constituição Federal de 1988, posto que não encontra respalde no artigo 96 da Lei n° 8.383/1991; 6. A Administração Pública pretende impedilo de realizar procedimento que tem por fito a sua estrita adequação aos ditames da lei, impondo deveres que a lei não impõe e assim afrontando o principio da segurança jurídica; 7. Não existem dois imóveis perfeitamente idênticos, isto é, com a mesma metragem, localizados na mesma regido, possuidores da mesma topografia, etc; 8. Nem mesmo a orientação expedida pela Receita Federal (item 301 do Manual de Perguntas e Respostas do Imposto de Renda das Pessoas Físicas, relativo ao exercício de 1995) exige que os originais ou cópias de anúncios em jornais se refiram a bens idênticos àqueles objeto de pedido de retificação. Sem prejuízo dos argumentos expendidos na manifestação de inconformidade, o interessado juntou ao processo, posteriormente, laudo elaborado por perito especializado na avaliação de imóveis [fl. 35/37 e 71/121]. A DRJ/SPO indeferiu a solicitação (fls. 42/47), consubstanciando seu entendimento no acórdão assim ementado: RETIFICAÇÃO DA DECLARAÇÃO DE BENS ALTERAÇÃO DO VALOR DE MERCADO EM UFIR ATRIBUÍDO EM 31/12/199l. É facultado a pessoa física retificar o valor de Mercado dos bens declarados em quantidade de UFIR, em dezembro de 1991, desde que a declaração retificadora seja entregue acompanhada de elementos que comprovem o erro cometido antes do inicio do processo de lançamento de oficio ou da retificação do lançamento. O contribuinte interpôs o recurso voluntário em 11/6/2002 (fls. 56/59), aduzindo, em resumo, que: o laudo apresentado é demonstração inequívoca de erro de fato na declaração de bens; os valores nele mencionados são representativos dos existentes em 1991; caberia ao Fisco trazer laudo alternativo ou arbitrar o valor para os bens em questão, e não simplesmente desconsiderar o documento trazido. Colaciona decisões administrativas que vão ao encontro de seus argumentos, demandando, ao final, seja aceita a retificação postulado, ou, ao menos, seja anulada a decisão vergastada, por ter ela rechaçado o laudo apresentado sem embasarse em laudo alternativo. É o relatório. Fl. 136DF CARF MF Impresso em 25/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 18/02/20 16 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 13805.013263/9690 Acórdão n.º 2402004.932 S2C4T2 Fl. 128 5 Voto Conselheiro Ronnie Soares Anderson, Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. O art. 96 da Lei nº 8.383, de 30 de dezembro de 1991, permitiu que os contribuintes realizassem a atualização de seus bens a valor de mercado por meio da inserção dos correspondentes valores na DIRPF/1992, a qual dispunha, inclusive, de uma terceira coluna na declaração de bens para viabilizar tal feito. Vale transcrever os quatro primeiros parágrafos desse dispositivo: Art. 96. No exercício financeiro de 1992, anocalendário de 1991, o contribuinte apresentará declaração de bens na qual os bens e direitos serão individualmente avaliados a valor de mercado no dia 31 de dezembro de 1991, e convertidos em quantidade de Ufir pelo valor desta no mês de janeiro de 1992. § 1° A diferença entre o valor de mercado referido neste artigo e o constante de declarações de exercícios anteriores será considerada rendimento isento. § 2° A apresentação da declaração de bens com estes avaliados em valores de mercado não exime os declarantes de manter e apresentar elementos que permitam a identificação de seus custos de aquisição. § 3° A autoridade lançadora, mediante processo regular, arbitrará o valor informado, sempre que este não mereça fé, por notoriamente diferente do de mercado, ressalvada, em caso de contestação, avaliação contraditória administrativa ou judicial. § 4° Todos e quaisquer bens e direitos adquiridos, a partir de 1° de janeiro de 1992, serão informados, nas declarações de bens de exercícios posteriores, pelos respectivos valores em Ufir, convertidos com base no valor desta no mês de aquisição. (...) Assim, foi conferida isenção às eventuais diferenças entre os valores informados em declarações anteriores e os atualizados a mercado, salvo para os bens que não constassem na Declaração de Ajuste do ano anterior. A Portaria MEFP nº 327, de 22 de abril de 1992, concedeu aos contribuintes a faculdade de retificar o valor de mercado dos bens declarados em UFIR até a data de 15/8/1992, termo final alterado para 17/8/1992 pelo BC nº 117/1992. Após essa data, a retificação dos valores de mercado consignados pelo interessado na DIRPF/1992 era possibilitada apenas se não iniciado procedimento de ofício, e Fl. 137DF CARF MF Impresso em 25/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 18/02/20 16 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO 6 se comprovado erro nas informações originalmente prestadas, em observância ao regrado no § 1º do art. 147 do Código Tributário Nacional (CTN). Na espécie, o interessado pleiteou a retificação de sua DIRPF/1992 em 11/11/1996 (fls. 1/11), do que se conclui que a aceitação dessa demanda estava condicionada à comprovação do cometimento de erro quando do preenchimento da declaração original. À ocasião, a única comprovação documental carreada, para fins de corroborar o intento de modificação naquela declaração, tratavase de anúncio constante no periódico "Folha Metropolitana" publicado em 6/7/1991 (fl. 12), o qual se referia a vendas de "Área Dutra", com valores entre USD 45,00 m2 e USD 50,00 m2, por imobiliária situada em Guarulhos/SP. Tendo sido tal documento considerado insuficiente pela DRF/São Paulo/Sul (fl.19), o contribuinte providenciou a juntada aos autos de laudo de "Avaliação de Imóvel" datado de 25/6/1998, de lavra do Engenheiro Civil Mauro N. F. Scacchetti, CREA nº 39781. A instância a quo não aceitou o laudo como amparo à postulação, conforme se depreende da leitura do seguinte trecho do acórdão: Quanto ao laudo anexado posteriormente à manifestação de inconformidade, é de se ressaltar que, além de não se referir especificamente a nenhum dos dois imóveis em questão, e sim a outro imóvel supostamente similar, o mencionado trabalho explicitamente teve por finalidade determinar o valor de mercado para o mês de março de 1998 (fl. 2 do laudo) adotandose para 1991 o mesmo valor encontrado (aproximadamente R$ 45,00/m2). Sem demérito para o documento apresentado, ele não está acompanhado de elementos suficientes para se concluir com convicção que o valor de mercado apurado em março de 1998 é equivalente ao que vigorava em 31/12/1991, data prevista pela legislação para avaliação dos bens a valor de mercado. Ora, para o deslinde da questão, necessário é firmar inicialmente que não há máculas de cunho formal no laudo focado. Além de haver sido elaborado por profissional competente, pode ser aferido que nele constam a descrição da região e da gleba, estando expressos os critérios de avaliação adotados, com referência aos métodos estatísticos utilizados e fotos de vistoria realizada no local, e demais elementos de conformidade com as normas técnicas aplicáveis. Tendo em vista o valor do imóvel apurado para a data de avaliação, março de 1998, o perito calculou por aproximação do seu valor em 1991, levando em conta informação alegadamente levantada no IX Congresso Brasileiro de Avaliações e Perícias, segundo a qual houve tendência de desvalorização real média no preço dos terrenos no período de 1994 a 1997, de cerca de 25%. Partindo dessa premissa, e fazendo as conversões de unidades detalhadas no documento (fl. 83), chegou ao valor de aproximadamente USD 45,00/m2. Não vejo problemas insuperáveis com relação ao critério de retroatividade adotado para aferição dos valores, ainda que pudesse, em tese, ter sido realizada pesquisa mais aprofundada, em acervo de jornais, etc., para fins de se chegar ao valor do imóvel sujeito à avaliação. Mister é destacar, todavia, que o laudo em comento se refere a imóvel diverso dos que estão sendo objeto de pedido de retificação por parte do contribuinte. Conforme certificação do 1º Registro de Imóveis de Guarulhos às fls. 116/121, a gleba avaliada no laudo foi adquirida em 9/4/75 por outras pessoas físicas que não o Fl. 138DF CARF MF Impresso em 25/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 18/02/20 16 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 13805.013263/9690 Acórdão n.º 2402004.932 S2C4T2 Fl. 129 7 interessado, estando situada à Avenida Gaiolli, s/ nº, naquela municipalidade, sendo parte de área maior de 290.400 m2 descrita na transcrição nº 49.910. Já os imóveis sujeitos à retificação, estão assim descritos na declaração de bens da DIRPF/1992 (fl. 10): "Terreno em GuarulhosSP, c/área de 146.603,00 m2, adquirido conforme escritura do 1º Tabelionato Livro 1346 fls. 2 em 15/05/1975, sendo minha parte 1/3"; "Terreno em GuarulhosSP, c/área de 300.000,00 m2, adquirido conforme escritura do 2º Tabelionato Livro 153, fls. 86v. a 91v., adquirido em 12/4/73, sendo minha parte 1/3". Destarte, resta estreme de dúvidas que o laudo se refere a outro imóvel, que não os informados pelo contribuinte em sua DIRPF/1992. Quanto a estes, cumpre frisar que, compulsando os autos, não se constata a existência de qualquer documento que permita estabelecer suas localizações ou mesmo eventual relação de proximidade física com o imóvel avaliado. A mera afirmação do contribuinte de que são terrenos situados em Guarulhos SP, "próximos à Rodovia Dutra" (fl. 4) tratase de mera declaração, que nenhuma prova faz sobre a veracidade do alegado. Assim sendo, não se aplica no particular a jurisprudência administrativa colhida pelo contribuinte para amparar seu pedido1, pois nos casos em referência, pelo que se verifica da leitura dos respectivos acórdãos, os laudos apresentados se reportavam ao próprio imóvel cujo valor se pretendia retificar, e não a outro completamente diverso. Insuficientes, portanto, as documentos constantes nos autos para dar guarida às suas pretensões. Ante o exposto, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. Ronnie Soares Anderson. 1 Acórdãos exarados nos processos de nºs: 10783.002893/9529, 10805.001495/9625, e 11543.001449/9941. Fl. 139DF CARF MF Impresso em 25/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 18/02/20 16 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO
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Numero do processo: 12448.735836/2011-10
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 15 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Mar 04 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2006, 2009
OMISSÃO DE GANHO DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE AÇÕES. LUCROS SOCIETÁRIOS ORIGINÁRIOS DA APLICAÇÃO DO MÉTODO DE EQUIVALÊNCIA PATRIMONIAL EM HOLDINGS. INCORPORAÇÃO REVERSA. AUMENTO DO CUSTO DE AQUISIÇÃO EM DESCOMPASSO COM O PARÁGRAFO ÚNICO DO ART. 10 DA LEI 9.249, de 1995 (ART. 135 DO RIR 99).
A capitalização de lucros societários, não tributados, sem substrato econômico e meros reflexos da aplicação do método de equivalência patrimonial em holdings puras, seguidas de correspondentes incorporações reversas, não ampara a aplicação do parágrafo único do art. 10 da Lei 9.249, de 1995 (art. 135 do RIR 99), para fins de majoração do custo da aquisição de ações a serem alienadas e consequente apuração de ganho de capital. O lucro que é tributado, e, por decorrência, pode ser objeto de benefícios fiscais, como isenção ou majoração do custo de aquisição de ações é o lucro fiscal, e não o lucro societário.
MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO. SUJEITO PASSIVO SEM CONTROLE DOS ATOS QUE DERAM ORIGEM À ATUAÇÃO.
Não tendo o sujeito passivo poder para determinar ou impedir os atos que deram origem ao auto de infração, descabe a aplicação da multa qualificada.
JUROS MORATÓRIOS INCIDENTES SOBRE A MULTA DE OFÍCIO.TAXA SELIC.
A obrigação tributária principal surge com a ocorrência dofato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidadepecuniária decorrente do seu não pagamento, incluindo a multa de oficioproporcional. O crédito tributário corresponde a toda a obrigação tributáriaprincipal, incluindo a multa de oficio proporcional, sobre a qual, assim,devem incidir os juros de mora à taxa Selic.
Numero da decisão: 2301-004.476
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar parcial provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Acompanhou pelas conclusões a Dra. Alice Grecchi. FEz sustentação do Sr. Luis Claudio Pinto, OAB/RJ 88.704.
JOÃO BELLINI JÚNIOR Presidente e Relator.
EDITADO EM: 03/03/2016
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Júnior (Presidente), Luciana de Souza Espíndola Reis, Alice Grecchi, Ivacir Júlio de Souza, Marcelo Malagoli da Silva (suplente), Andréa Brose Adolfo (suplente) e Amilcar Barca Teixeira Junior (suplente).
Nome do relator: JOAO BELLINI JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2006, 2009 OMISSÃO DE GANHO DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE AÇÕES. LUCROS SOCIETÁRIOS ORIGINÁRIOS DA APLICAÇÃO DO MÉTODO DE EQUIVALÊNCIA PATRIMONIAL EM HOLDINGS. INCORPORAÇÃO REVERSA. AUMENTO DO CUSTO DE AQUISIÇÃO EM DESCOMPASSO COM O PARÁGRAFO ÚNICO DO ART. 10 DA LEI 9.249, de 1995 (ART. 135 DO RIR 99). A capitalização de lucros societários, não tributados, sem substrato econômico e meros reflexos da aplicação do método de equivalência patrimonial em holdings puras, seguidas de correspondentes incorporações reversas, não ampara a aplicação do parágrafo único do art. 10 da Lei 9.249, de 1995 (art. 135 do RIR 99), para fins de majoração do custo da aquisição de ações a serem alienadas e consequente apuração de ganho de capital. O lucro que é tributado, e, por decorrência, pode ser objeto de benefícios fiscais, como isenção ou majoração do custo de aquisição de ações é o lucro fiscal, e não o lucro societário. MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO. SUJEITO PASSIVO SEM CONTROLE DOS ATOS QUE DERAM ORIGEM À ATUAÇÃO. Não tendo o sujeito passivo poder para determinar ou impedir os atos que deram origem ao auto de infração, descabe a aplicação da multa qualificada. JUROS MORATÓRIOS INCIDENTES SOBRE A MULTA DE OFÍCIO.TAXA SELIC. A obrigação tributária principal surge com a ocorrência dofato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidadepecuniária decorrente do seu não pagamento, incluindo a multa de oficioproporcional. O crédito tributário corresponde a toda a obrigação tributáriaprincipal, incluindo a multa de oficio proporcional, sobre a qual, assim,devem incidir os juros de mora à taxa Selic.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar parcial provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Acompanhou pelas conclusões a Dra. Alice Grecchi. FEz sustentação do Sr. Luis Claudio Pinto, OAB/RJ 88.704. JOÃO BELLINI JÚNIOR Presidente e Relator. EDITADO EM: 03/03/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Júnior (Presidente), Luciana de Souza Espíndola Reis, Alice Grecchi, Ivacir Júlio de Souza, Marcelo Malagoli da Silva (suplente), Andréa Brose Adolfo (suplente) e Amilcar Barca Teixeira Junior (suplente).
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 43; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2458; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C3T1 Fl. 1.299 1 1.298 S2C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 12448.735836/201110 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2301004.476 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 15 de fevereiro de 2015 Matéria Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Recorrente JOSE ZITELMANN FALCAO VIEIRA Recorrida União (Fazenda Nacional) ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2006, 2009 OMISSÃO DE GANHO DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE AÇÕES. LUCROS SOCIETÁRIOS ORIGINÁRIOS DA APLICAÇÃO DO MÉTODO DE EQUIVALÊNCIA PATRIMONIAL EM HOLDINGS. INCORPORAÇÃO REVERSA. AUMENTO DO CUSTO DE AQUISIÇÃO EM DESCOMPASSO COM O PARÁGRAFO ÚNICO DO ART. 10 DA LEI 9.249, de 1995 (ART. 135 DO RIR 99). A capitalização de lucros societários, não tributados, sem substrato econômico e meros reflexos da aplicação do método de equivalência patrimonial em holdings puras, seguidas de correspondentes incorporações reversas, não ampara a aplicação do parágrafo único do art. 10 da Lei 9.249, de 1995 (art. 135 do RIR 99), para fins de majoração do custo da aquisição de ações a serem alienadas e consequente apuração de ganho de capital. O lucro que é tributado, e, por decorrência, pode ser objeto de benefícios fiscais, como isenção ou majoração do custo de aquisição de ações é o lucro fiscal, e não o lucro societário. MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO. SUJEITO PASSIVO SEM CONTROLE DOS ATOS QUE DERAM ORIGEM À ATUAÇÃO. Não tendo o sujeito passivo poder para determinar ou impedir os atos que deram origem ao auto de infração, descabe a aplicação da multa qualificada. JUROS MORATÓRIOS INCIDENTES SOBRE A MULTA DE OFÍCIO.TAXA SELIC. A obrigação tributária principal surge com a ocorrência dofato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidadepecuniária decorrente do seu não pagamento, incluindo a multa de oficioproporcional. O crédito tributário corresponde a toda a obrigação tributáriaprincipal, incluindo a multa de oficio proporcional, sobre a qual, assim,devem incidir os juros de mora à taxa Selic. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 44 8. 73 58 36 /2 01 1- 10 Fl. 1299DF CARF MF Impresso em 04/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar parcial provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Acompanhou pelas conclusões a Dra. Alice Grecchi. FEz sustentação do Sr. Luis Claudio Pinto, OAB/RJ 88.704. JOÃO BELLINI JÚNIOR – Presidente e Relator. EDITADO EM: 03/03/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Júnior (Presidente), Luciana de Souza Espíndola Reis, Alice Grecchi, Ivacir Júlio de Souza, Marcelo Malagoli da Silva (suplente), Andréa Brose Adolfo (suplente) e Amilcar Barca Teixeira Junior (suplente). Relatório Tratase de recurso voluntário em face do Acórdão 1247.948, exarado pela 21ª Turma da DRJ no Rio de Janeiro I (fls. 1213 a 1240 – numeração dos autos eletrônicos). O auto de infração (fls. 1023 a 1068 e 1094 a 1099) é referente ao imposto sobre a renda da pessoa física (IRPF), e diz respeito à omissão de ganho de capital na alienação de ações/quotas não negociadas em Bolsa, atinente aos anos de 2006 e 2009, pelo qual é exigido crédito tributário de R$5.004.688,17, sendo R$1.775.678,72, de imposto, R$565.491,37 de juros de mora e R$2.663.518,08 de multa proporcional. O PROCEDIMENTO DE FISCALIZAÇÃO Passo a descrever a ação fiscal, tal como relatada às fls. 1023 a 1068, que teve como objeto a análise da operação de alienação das ações do Banco Pactual S.A. (doravante nominado de Banco Pactual), CNPJ 30.306.294/000145, de propriedade do contribuinte, precedida por reorganização societária ocorrida entre sociedades holdings, as quais detinham todas as ações do Banco Pactual. No período compreendido entre os meses de dezembro de 2005 a dezembro de 2006 (alienação do Banco Pactual), verificouse discrepância entre a evolução da riqueza da instituição financeira alienada, que aumentou 89%, e o acréscimo patrimonial do custo das respectivas ações pertencentes ao recorrente, que cresceu 520,78%. Tal desproporção foi decorrente de complexo planejamento tributário desenvolvido por meio de processos de reorganizações societárias, envolvendo incorporações reversas sucessivas das holdings que formavam o grupo empresarial, precedidas por capitalizações de lucros e reservas destas investidoras. GRUPO PACTUAL O Grupo Pactual, antes da reorganização societária, era formado pelas seguintes pessoas jurídicas: NOME EMPRESARIAL CNPJ BANCO PACTUAL S/A 30.306.294/000145 PACTUAL S/A 02.220.758/000160 PACTUAL HOLDINGS S/A 02,220.757/000116 NOVA PACTUAL PARTICIPAÇÕES LTDA (PACTUAL PARTICIPAÇÕES S/A) 02.220.756/000171 Fl. 1300DF CARF MF Impresso em 04/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 12448.735836/201110 Acórdão n.º 2301004.476 S2C3T1 Fl. 1.300 3 PACTUAL PARTICIPAÇÕES LTDA 02.244.808/000140 As pessoas jurídicas integrantes do Grupo Pactual apresentaram a seguinte evolução patrimonial, no período de 2005/2006: NOME EMPRESARIAL Patrimônio Líquido 31/12/2005 Patrimônio Líquido 2006 BANCO PACTUAL S/A 625.223.115,04 1.200.480.531,05 PACTUAL S/A 535.103.542,23 1.149.597.660,18 PACTUAL HOLDING S/A 147.009.935,61 248.464.012,98 PACTUAL PARTICIPAÇÃO S/A / NOVA PACTUAL PART. LTDA. 471.521.906,90 817.026.864,44 A REORGANIZAÇÃO SOCIETÁRIA A estrutura societária antes da reorganização societária era a seguinte: De acordo com a fiscalização, a referida reorganização consistiu na extinção das holdings que detinham participação societária no Banco Pactual, por meio de sucessivas incorporações às avessas, culminando com a alienação das ações do Banco Pactual diretamente pelos acionistas pessoas físicas da instituição; nessa reorganização societária se verificou a majoração ilícita do custo das ações alienadas, gerando, como consequência, a redução indevida do ganho de capital tributável obtido pelo acionista pessoa física. Ao final da reorganização, a estrutura societária pode ser assim representada: Fl. 1301DF CARF MF Impresso em 04/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 4 Mediante contrato celebrado em 09/05/2006 entre a pessoa jurídica UBS AG, a pessoa jurídica Pactual S.A (controladora direta do Banco Pactual, doravante nominada de PSA) e as pessoas físicas que possuíam participação indireta sobre o patrimônio do Banco Pactual, ficou definido, entre outras cláusulas, que as holdings detentoras de todas as ações do Banco Pactual seriam extintas por meio de reorganização societária, para que os sócios pessoas físicas assumissem a condição de proprietários diretos das ações negociadas. O pagamento pela compra das ações do Banco Pactual foi dividido em parcelas, sendo a primeira paga na data de “Fechamento” da compra e venda das ações, ocorrido em dezembro de 2006 e a segunda em data posterior denominada de “Pagamento Diferido”. Além desses pagamentos, os alienantes das ações receberiam ainda outros valores denominados “Pagamentos Especiais; Usufruto”. DOS PROCESSOS DE INCORPORAÇÃO DAS HOLDINGS Os atos de reorganização societária compreenderam: • em 28/12/2004 – aumento do capital social da Pactual Participações Ltda. (de agora em diante denominada Pactual Participações) de R$210.000.000,66, mediante capitalização de parte dos lucros retidos na conta lucros acumulados da sociedade; • em 31/12/2005 – aumento do capital social da Pactual Participações de R$130.000.000,00, mediante capitalização dos lucros detidos na reserva de lucros da sociedade; • em 31/12/2005 – incorporação da Pactual Participações pela investida Pactual Participações S.A. (que, logo depois, passou a denominarse Nova Pactual Participações Ltda., doravante nominada de Nova Pactual), com o aumento do capital social desta em R$43.149.272,40; • em 13/10/2006 – aumento do capital social da Pactual Holdings S.A. (Pactual Holdings) de R$202.500.000, mediante capitalização dos créditos detidos contra a sociedade (R$200.500.000,00) e da reserva legal da companhia (R$2.000.000,00); • em 13/10/2006 – a Pactual Holdings é incorporada pela investida PSA, com aumento do capital social desta, de RS 29.749.957,22; • em 13/10/2006 – aumento do capital social da Nova Pactual de R$686.000.000,00, mediante capitalização dos créditos detidos contra a sociedade; • em 13/10/2006 – a Nova Pactual é incorporada pela investida PSA, com aumento do capital social desta, de R$ 33.593.148,46; • em 01/11/2006 – aumento do capital social da PSA de R$3.862.542,92, mediante capitalização dos créditos detidos contra a sociedade; • em 03/11/2006 – aumento do capital social da PSA de R$996.087.876,00, mediante capitalização dos créditos detidos contra a sociedade; • em 01/12/2006 – PSA é incorporada pelo Banco Pactual; o patrimônio a ser vertido representa o PL da PSA, de R$1.149.597.660,18. Nos processos de incorporação reversa houve majoração irregular no custo das ações alienadas, tendo em vista que o processo de extinção das holdings Pactual Fl. 1302DF CARF MF Impresso em 04/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 12448.735836/201110 Acórdão n.º 2301004.476 S2C3T1 Fl. 1.301 5 Participações, Nova Pactual e Pactual Holdings, com a anterior capitalização de dividendos nos valores de R$210.000.000,66, R$130.000.000,00, R$43.149.272,40, R$202.500.000,00, R$686.000.000,00, não poderiam gerar o aumento no custo das ações alienadas do Banco Pactual pertencentes aos acionistas, considerando que, posteriormente, houve acréscimo cumulativo do custo das aludidas ações alienadas com a incorporação do acervo líquido da Pactual Holdings e da Nova Pactual e, mais tarde, pela capitalização dos dividendos da PSA, anteriormente à sua incorporação pelo Banco Pactual, no montante de R$1.063.293.524,60, que representa a soma das parcelas R$29.749.957,22, R$33.593.148,46, R$3.862.542,92 e R$996.087.876,00. Com a incorporação, todo o acervo líquido (PL) da PSA, no montante de R$1.149.610.206,41, foi incorporado pelo Banco Pactual. Esse valor representa o custo total das ações alienadas. Ao mesmo resultado se chega partindo do início das operações, com foco nas sociedades que foram incorporadas. a) A Pactual Participações, com capital social, em 31/12/2003, de R$125.000.321,05, aumenta seu capital social em R$210.000.000,66 e R$130.000.000,00, respectivamente, nos anos de 2004 e 2005. Antes de ser incorporada, em 31/12/2005, pela Pactual Participações S.A., possuía patrimônio líquido de R$471.518.034,89, sendo composto de capital social, no valor de R$465.000.321,71, e de lucros acumulados, no valor de R$6.517.713,18; assim, o que ainda poderia ser capitalizado seria o valor dos lucros acumulados. Na data da incorporação, o patrimônio líquido da incorporadora Pactual Participações S.A. era de R$416.693.514,93. Esse valor referiase ao investimento feito pela Pactual Participações Ltda., que naquela data era equivalente ao montante de R$417.689.642,62. Com o patrimônio da incorporada vertido para a incorporadora, no valor de R$53.828.392,27, o patrimônio líquido da incorporadora, Pactual Participações S.A., passa a ser de R$471.521.034,89, praticamente o mesmo valor do patrimônio da incorporada naquela data, de R$471.518.034,89. Pela análise, somente a parcela de R$6.517.713,18 poderia ser capitalizada ou distribuída a título de dividendos. No anocalendário de 2006, já com a nova denominação, a Nova Pactual teve lucro de R$420.217.358,87, que somado à parcela de R$6.517.713,18, chegase ao valor de R$426.735.072,05, que poderia ser distribuído ou capitalizado. Os dividendos distribuídos no período totalizaram R$760.712.401,33; parte, R$686.000.000,00, foi utilizada para o aumento de capital na empresa, e a outra parte, R$74.712.401,33, foi efetivamente distribuída aos quotistas. Assim, Nova Pactual poderia ter capitalizado apenas R$352.022.670,72, que representa a diferença entre os valores de R$426.735.072,05 e R$74.712.401,33. Dessa forma, o patrimônio líquido da Nova Pactual, antes de ser incorporado, corresponderia a R$817.026.864,44 (R$471.521.034,89 + R$352.022.670,72 – R$6.517.713,18), justamente o valor que consta na DIPJ apresentada. Fl. 1303DF CARF MF Impresso em 04/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 6 b) A Pactual Holdings, com capital social, em 31/12/2005, de R$31.299.033,50, aumenta seu capital social, no ano de 2006, em R$202.500.000. Antes de ser incorporada, em 13/10/2006, pela PSA, possuía patrimônio líquido de R$248.464.012,98, sendo composto de capital social, de R$233.799.033,50, reserva de capital, de R$9.034.410,30, reserva de lucros, de R$576.166,80, e lucros acumulados, de R$5.054.402,38. Assim, o que ainda poderia ser capitalizado seria o valor total dos lucros acumulados e das reservas, no montante de R$14.664.979,48. c) Em 13/10/2006, a PSA incorpora as suas investidoras Nova Pactual e Pactuai Holdings. Nesta data, o patrimônio dessas duas sociedades representa o patrimônio da incorporadora/investida. No evento, as investidoras são extintas. Até ser incorporada pelo Banco Pactual, em 1º/12/2006, PSA continua a auferir receitas por conta de sua participação no Banco Pactual (resultado de equivalência patrimonial). No ano de 2006, seu resultado de participação societária foi de R$618.152.606,54. Caso as investidoras tivessem operado até a data de 1º/12/2006, o seu resultado de participação societária seria o mesmo da investida. Todavia, a Nova Pactual e a Pactual Holdings operaram até 13/10/2006 e tiveram como resultado de participação societária, respectivamente, R$420.241.324,40 e R$117.326.018,02, totalizando R$537.567.342,42. Assim, a diferença de R$80.585.264,12 (R$618.152.606,54 R$537.567.342,42) corresponde à parcela que poderia ser capitalizada pela PSA. Dessa forma, o custo das ações alienadas, em 1º/12/2006, equivaleria a R$1.146.076.141,54, que representa a soma da seguintes parcelas: •patrimônio líquido da Nova Pactual em 13/10/2006, de R$817.026.864,44, conforme item “a”; •patrimônio líquido da Pactual Holdings em 13/10/2006, de R$248. 464.012,98, conforme item “b”; •R$80.585.264,12, parcela que poderia ser incorporada pela PSA, conforme item "c". Essas três parcelas, que totalizam R$1.146.076.141,54, mais ajustes no resultado, representam o patrimônio líquido da PSA, que correspondeu, em 1º/12/2006, ao montante de R$1.149.610.206,41. Essa segunda análise confirma o constatado na primeira. Nos processos de incorporação houve majoração irregular no custo das ações alienadas, e o custo total dessas ações equivalem ao montante de R$1.149.610.206,41, que representa o patrimônio líquido da PSA em 1º/12/2006, que detinha 100% das ações do Banco Pactual. As ações ou quotas recebidas pelo sócio ou acionista, em decorrência do aumento de capital subscrito por sociedade fundida, incorporada ou cindida, continuam sendo basicamente as mesmas de antes, ainda que qualitativamente tenha sofrido alteração. Pelo o exposto, concluise que o custo da ação alienada por cada acionista terá como base a participação de cada um deles no capital social da PSA, em 1º/12/2006. Fl. 1304DF CARF MF Impresso em 04/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 12448.735836/201110 Acórdão n.º 2301004.476 S2C3T1 Fl. 1.302 7 Todavia, o contrato firmado na compra e venda do Banco Pactual, na cláusula 6.13, determinava que entre a data da celebração do negócio e a data da efetivação do mesmo, os lucros auferidos seriam objeto de distribuição aos antigos proprietários, de forma que, em 22/02/2007, os acionistas alienantes, àquela época exacionistas, receberam de dividendos o montante de R$290.754.000,06, correspondente aos a lucros auferidos no período compreendido entre a celebração do contrato de compra e venda e a efetiva alienação das ações, 1º/12/2006; assim, para que pudessem ser distribuídos estes R$290.754.000,06 deveriam estar incluídos no patrimônio líquido da PSA e não poderiam estar capitalizados. Portanto, os R$290.754.000,06 que foram objeto de distribuição não poderiam integrar o custo de aquisição. Tais dividendos, no montante de R$290.754.000,06, foram recebidos pelos alienantes em 22/02/2007, distribuídos proporcionalmente de acordo com as suas participações individuais na PSA. A parcela recebida, portanto, deve ser deduzida do custo de aquisição apurado, por integrar sua apuração com base no patrimônio líquido da PSA. A principal base na qual se fundamentam as conclusões relativas à fiscalização, o custo das ações do grupo pertencentes ao contribuinte, no momento da alienação havia aumentado 520,78% enquanto que o aumento do patrimônio líquido do Banco Pactual foi de apenas 89% . O aumento do custo de 89% está plenamente fundamentado no artigo 135 do RIR 99. O que se contesta é o acréscimo excedente. A explicação para o aumento excedente é que o custo das ações alienadas do Banco Pactual na Declaração de Ajuste do contribuinte foi aumentado tanto na capitalização dos lucros obtidos por ganho de equivalência patrimonial da holding Nova Pactual, no valor de R$8.117.624,00, quanto na capitalização dos dividendos da sucessora e incorporadora PSA, no montante de R$6.474.658,00. O que evidencia a irregularidade é que o sujeito passivo recebeu novas ações em troca das extintas, por ocasião da extinção da Nova Pactual, mantendo assim, em sua propriedade a mesma parcela que detinha indiretamente do Banco Pactual, entidade que concentrava a efetiva riqueza econômica e financeira do grupo empresarial, como também aumentou o custo de aquisição de tais ações por meio de dividendos não distribuídos. Ocorre que os dividendos capitalizados são os mesmos, na medida em que as reservas e lucros capitalizados por Nova Pactual e PSA nada mais são do que o resultado da equivalência patrimonial do Banco Pactual. Optando por capitalizar os dividendos nas sociedades em que possuía participação, caberia ao acionista pessoa física o recebimento das novas ações emitidas por PSA em substituição das quotas extintas de sua propriedade emitidas por Nova Pactual, não sendo admissível a comutatividade entre recebimento de novas ações e incremento nos respectivos custos de aquisição. Podem ser adotados dois tratamentos relativos aos lucros e reservas: (i) caso os lucros e reservas sejam efetivamente distribuídos como dividendos, ocorrerá, necessariamente, uma redução no patrimônio líquido da sociedade, o que irá gerar um maior ganho de capital na alienação, por parte do contribuinte, de sua participação societária; Fl. 1305DF CARF MF Impresso em 04/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 8 (ii) caso os lucros e reservas sejam capitalizados, haverá um acréscimo no custo das ações alienadas, reduzindose o ganho de capital, o que é conseqüência lógica do não exercício do direito de receber dividendos isentos de imposto de renda. Ocorre que os lucros e reservas a serem capitalizados só terão impacto no custo das ações e, portanto, na tributação da operação de alienação, quando corresponderem à efetiva riqueza gerada e acumulada pelo grupo societário. No caso em tela, tal riqueza encontravase concentrada no Banco Pactual. Não é possível, portanto, que a cada extinção das holdings, no caso Pactual Participações Ltda., Nova Pactual e, posteriormente, PSA, ocorram majorações cumulativas no custo das ações alienadas da sociedade na qual efetivamente existe a riqueza do grupo, Banco Pactual. O patrimônio líquido das holdings constituise apenas em reflexo do patrimônio líquido da sociedade principal do grupo, em decorrência da sistemática de equivalência patrimonial. O fundamento do método da equivalência patrimonial, instrumento utilizado para promover a majoração do custo da participação acionária e a conseqüente redução do lucro tributável na alienação, consiste na necessidade de o conteúdo econômico decorrente da elevação da riqueza (patrimônio líquido) na investida repercutir, de imediato, na sociedade investidora. Nesses termos, os ajustes do valor do investimento na sociedade investidora, carecem de lastro correspondente à majoração de riqueza gerada na sociedade investida, demandando a necessária e indissociável correlação entre o patrimônio líquido da sociedade investida e o ativo permanente da investidora. No caso vertente, fato é que as sociedades empresárias objeto de incorporação, Pactual Participações, Nova Pactual e PSA eram desprovidas, por si só, de capacidade operacional de geração e majoração de conteúdo econômico, dado que seus objetos sociais consistiam, basicamente, na exploração de participação acionária na sociedade incorporadora (controlada), sendo que esta obteve acréscimos patrimoniais decorrentes do resultado registrado no Banco Pactual. Somente os lucros auferidos pelo Banco Pactual eram dotados de aptidão para promover repercussões no ativo permanente das sociedades investidoras incorporadas por aquele. As operações engendradas pelas citadas sociedades empresariais (cadeia de repercussões de equivalência patrimonial), no que concerne à questão da incorporação de lucros e dividendos, somente encontra lastro jurídicocontábilfinanceiro no que se refere aos lucros e dividendos gerados pelo Banco Pactual, com repercussão na controladora PSA. Eventuais ajustes promovidos pelo Banco Pactual em função de acréscimos patrimoniais ocorridos nas sociedades Pactual Participações e Nova Pactual nada mais eram do que a própria riqueza gerada pelo Banco Pactual, as quais já haviam sido consignadas no patrimônio de PSA. Tendo ocorrido incorporação reversa, admitirse que a capitalização dos lucros e reservas decorrentes da equivalência patrimonial nas sociedades controladoras incorporadas gerasse impactos no custo de aquisição das ações possuídas pelos acionistas pessoas físicas implicaria redução indevida do ganho de capital auferido, mediante artifício contábil tendente a inflar o custo de aquisição das participações societárias. Fl. 1306DF CARF MF Impresso em 04/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 12448.735836/201110 Acórdão n.º 2301004.476 S2C3T1 Fl. 1.303 9 Se fosse materialmente válido o artifício idealizado pelo contribuinte nas operações de incorporação reversa, teria sido descoberto meio de criar patrimônio novo pela simples sucessão de incorporações. A ilegalidade no aumento do custo de aquisição das ações pode também ser comprovada analisandose a relação dos percentuais de participação dos acionistas pessoas físicas, indiretas, antes dos eventos de extinção das holdings, e diretas, após estes, com a situação líquida do Banco Pactual; o contribuinte possuía participação de 0,38% na Nova Pactual, que detinha 78,18% da PSA antes de sua incorporação pelo Banco Pactual; ou seja, detinha aproximadamente 0,29% do capital do Banco Pactual; ao atribuirse o custo de aquisição das ações do Banco Pactual alienadas de sua propriedade no montante de R$17.394.185,50 e considerando o valor do patrimônio líquido do Banco Pactual (efetiva riqueza econômica e financeira do grupo empresarial) de R$1.200.481.000,00, o percentual referente a sua participação no Patrimônio Líquido salta para 1,45% (cinco vezes a sua participação). Admitirse tal relação seria permitir que a participação total da sociedade superasse os 100% do patrimônio da entidade. A DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL SIMPLIFICADA DA PESSOA FÍSICA Na declaração de ajuste anual simplificada (DAA) de 2007, anocalendário 2006 (fls. 0510), o recorrente declarou a tributação exclusiva na fonte do ganho de capital apurado em razão da venda de suas ações do Banco Pactual em 2006, bem como os dividendos recebidos das pessoas jurídicas extintas na reorganização societária, utilizados na composição do custo das referidas ações vendidas: 31.12.2006 ﴾em R$﴿ Rendimentos isentos e não tributáveis 19.100.556,04 Rendimentos sujeitos à tributação exclusiva definitiva 5.848.703,34 Lucros e dividendos recebidos Fonte pagadora NOVA PACTUAL PARTICIPAÇÕES LTDA PACTUAL S.A 12.625.998,04 6.474.568,00 Consta do demonstrativo da apuração dos ganhos de capital dessa DAA a venda de 7.371.501 ações do Banco Pactual, ao custo médio ponderado/unitário de R$2,3596 por ação, cujo imposto de renda devido sobre o ganho de capital realizado foi apurado do seguinte modo: Valores em R$ Valor da Alienação 34.083.513,27 ﴾﴿ Custo da Aquisição 17.393.793,75 = Ganho de Capital Total 16.689.719,52 Parcela recebida em 01/12/2006 13.246.603,51 Ganho de Capital Realizado em 2006 6.485.537,07 Imposto de Renda Recolhido em DARF ﴾15% do Ganho de Capital Realizado﴿ 972.949,47 DESPROPORCIONALIDADE DO CUSTO DE AQUISIÇÃO DECLARADO A evolução do custo das ações do Banco Pactual, obtida a partir das informações prestadas na DAA e nas respostas às intimações fiscais é a seguinte: Fl. 1307DF CARF MF Impresso em 04/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 10 SOCIEDADES Custo das quotas/ações em 31.12.2005 (R$) Lucros/dividendos capitalizados em 2006 (R$) Custo das quotas/ações acumulado em 1º.12.2006 (R$) Pactual Participações 2.800.026,00 2.800.026,00 Nova Pactual 8.117.624,00 8.117.624,00 Pactual S/A 6.474.568,00 6.474.568,00 TOTAL 2.800.026,00 14.592.192,00 17.394.218,00 Assim, em 2006 o contribuinte aumentou o custo das ações do Banco Pactual, mediante prévia capitalização de lucros nas holdings a serem incorporadas, no montante de R$14.592.159,00, sendo R$8.117.624,00 na Nova Pactual e R$6.474.568,00 na PSA. Refere o relatório fiscal que: (1) nas incorporações às avessas de sociedade investidora que só aufere lucros pela equivalência patrimonial com a sociedade investida, os resultados positivos da equivalência patrimonial da investidora/incorporada não têm capacidade, por si só, de aumentar o capital social da investida incorporadora, porque são meros reflexos dos lucros desta; (2) não há como manter inserido no patrimônio líquido da investida/incorporadora (a) o seu lucro, conjuntamente com (b) a projeção contábil de seu lucro na investidora (resultado de equivalência patrimonial da investida), pois há duplicidade na representação contábil de idênticos recursos; (3) houve, no anocalendário 2006, substancial aumento de capital social nas holdings do Banco Pactual, seguido de incorporações às avessas, até que restasse somente a pessoa jurídica do Banco Pactual; no entanto, não houve qualquer aumento de capital social do Banco Pactual nesse ano; (4) não é possível que os sócios tenham capitalizado de verdade, em 2006, mais de 1 bilhão de reais dos seus patrimônios pessoais em participações indiretas do Banco Pactual – mediante aumentos de capital de R$686.000.000,00, em 13/10/2006, e de R$996.087.876,00, em 03/11/2006 –, se, logo após a incorporação da última holding, em 1º/12/2006, pelo Banco Pactual, realizada a valor contábil, o capital social deste continuou sendo o de 31/12/2005, em torno de 296 milhões de reais, sem que houvesse sido constituída qualquer reserva no patrimônio do Banco; (5) o aumento de capital social na investidora/incorporada com os resultados positivos de equivalência patrimonial auferidos no exercício social em que ocorreu a incorporação, fez com que o benefício fiscal dos lucros isentos aparentasse ser maior do que de fato é; (6) o valor das ações da sociedade incorporadora recebidas em substituição pelos sócios da sociedade incorporada comportará, no máximo, a capitalização de todo o patrimônio líquido da sociedade sucedida, neste incluídos os lucros apurados no exercício com a finalidade específica de atender a incorporação, se não forem destacados da universalidade jurídica a ser transmitida; (7) não há suporte fático para o reconhecimento da ocorrência de uma dupla capitalização, antes e depois da incorporação, com os mesmos lucros de equivalência patrimonial auferidos no exercício social em que ocorre a reorganização societária, o que fica patente no efeito prático alcançado no caso concreto, que é a desproporcionalidade do aumento do custo de aquisição das quotas/ações em comparação aos lucros possíveis de serem efetivamente retirados da sociedade pelo sócio pessoa física; e Fl. 1308DF CARF MF Impresso em 04/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 12448.735836/201110 Acórdão n.º 2301004.476 S2C3T1 Fl. 1.304 11 (8) não existe deficiência ou lacuna na legislação do ganho de capital sobre aumento do custo de aquisição de ações pertencentes a sócio pessoa física, pois, na sociedade a ser incorporada, o tratamento dado aos lucros do exercício em que ocorre a incorporação deve ser o preconizado no art. 21 da Lei 9.249, de 1995, ou seja, levantamento de balanço específico na incorporada, para formação do acervo líquido a ser transmitido para o patrimônio da incorporadora; tal norma prevê que o destino dos lucros capitalizados é a formação de acervo líquido a ser capitalizado na (transferido à) incorporadora; na incorporação, o acervo líquido a ser vertido tem como destino a capitalização da sucessora, no mínimo em montante igual ao valor a capitalizar (art. 226 da Lei 6.404, de 1976). A GLOSA DE CUSTOS DAS AÇÕES DO BANCO PACTUAL Como referido, foi apurado custo total das ações de R$858.876.206.35, ao qual se chegou diminuindo os R$290.734 000,06, distribuídos a título de dividendos, do valor do patrimônio líquido da PSA, R$1.149.610.206.41. Destes, o contribuinte possuía 0,65%, ou seja, R$5.557.586,08, custo de aquisição de suas ações no Banco Pactual. Foi considerado indevido o acréscimo no custo das ações do Banco Pactual alienadas, no valor de R$11.836.599,42, sendo o valor do custo das ações reduzido de R$17.394.185,50 para R$5.557.586,08. Dessa forma, visto que o valor de venda das ações foi de R$34.083.513,27, o ganho de capital total correspondeu a R$28.525.927,19 (R$34.083.513,27 R$5.557.586,08). Como R$13.246.610,05 foi recebido em 2006 e em 2009 R$20.836.920,00, e a primeira parcela correspondeu a 38,87% do total do valor da venda, o montante equivalente do custo das ações alienadas apurado pelo sujeito passivo foi de R$2.160.233,71 em 2006 e R$3.397.352,37 em 2009 e o ganho de capital, correspondente à cada parcela recebida correspondeu a R$11.086.376,34 em 2006 e a R$17.439.567,63 em 2009. DA FRAUDE Foi aplicada multa qualificada de 150%, uma vez que a intenção do contribuinte era reduzir o imposto devido apurado na operação de ganho capital, por intermédio da majoração do custo de suas ações. Para tal, realizou operações simultâneas de incorporação às avessas, acreditando que haveria norma prevendo a majoração desses custos (art. 135 do RIR/99); além desse fato, deixou de excluir da apuração do custo de suas ações os dividendos recebidos no anocalendário de 2007, previstos quando da celebração do contrato de compra e venda das ações do Banco Pactual, em 09/05/2006. O contribuinte informou no Demonstrativo de Ganho de Capital de suas Declarações de Ajuste Anual o custo majorado de suas ações, inserindo, dessa forma, elementos inexatos com o fim de pagar menos imposto de renda, conduta que se insere no contexto de fraude à fiscalização tributária (art. 72 da Lei 4.502/64). O ato praticado vai contra as palavras e o espírito do art. 135 do RIR/99. O contribuinte alega que o aumento do custo possui base legal, citando o art. 135 do RIR/99; mesmo que isso fosse verdade, o ato preservaria a letra da lei, mas ofenderia o espírito dela; assim o ato seria de fraude à lei, envolvendo o abuso de direito. IMPUGNAÇÃO Fl. 1309DF CARF MF Impresso em 04/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 12 O contribuinte foi cientificado do auto de infração em 03/11/2011. Em sua impugnação, foi alegado, em síntese (fls. 1106 a 1140): 1. antes da reestruturação, era titular de investimentos representativos de 0,000019% da Nova Pactual Participações Ltda (NPP), sociedade holding titular de investimentos representativos de 78,18% do capital de Pactual S.A. (PSA), também uma sociedade holding e titular de investimentos representativos de 100% do capital do Banco Pactual. Os demais 21,82% do capital social da NPP eram de propriedade de Pactual Holdings S.A., sociedade holding na qual não tinha qualquer participação; 2. após a implementação da reestruturação, o custo de seus investimentos no Banco Pactual passou a ser R$5.127.119,00, o valor utilizado como base para a quantificação de seu ganho de capital; 3. o auto de infração indica, como enquadramento legal, uma série de dispositivos que apenas contém regras gerais relativas à apuração e à tributação dos ganhos de capital auferidos por pessoas físicas; não há a indicação do dispositivo legal que teria sido infringido, o que nem poderia ser feito, pois os efeitos da reestruturação decorreram justamente da aplicação dos dispositivos legais em vigor; 4. O Grupo Pactual era composto por diversas holdings, existentes há mais de 10 anos, e constituídas em época em que os acionistas não cogitavam alienar seus investimentos no Banco Pactual; os objetivos das holdings eram exclusivamente os de organizar o exercício do controle do Banco Pactual e propiciar uma distribuição adequada de seus resultados; dessa forma, a alienação do Banco Pactual a terceiros faria com que as holdings se tornassem totalmente desnecessárias; 5. o caminho trilhado pelos acionistas para se tornarem vendedores do Banco Pactual foi o mais lógico, rápido e econômico dentre todos disponíveis, sendo o acréscimo do custo de seus investimentos mera consequência de aplicação das normas em vigor; 6. havia algumas opções para a realização do negócio diretamente pelos acionistas, tendo sido a opção pela incorporação reversa das holdings pelo Banco Pactual a mais conveniente do ponto de vista prático, operacional, negocial e fiscal; desde que o art. 8° da Lei 9.532, de 1997, definiu os efeitos fiscais das incorporações inversas, as incorporações de holdings têm sido a primeira opção para a eliminação de empresas cuja existência se torna desnecessária; a rapidez com que as holdings foram eliminadas demonstra a eficiência da opção adotada pelos acionistas; 7. assim, não procede a assertiva de que a reestruturação foi realizada com o objetivo de ser utilizada pelos acionistas para aumentar indevidamente o custo de aquisição de seus investimentos no Banco Pactual; 8. a Lei 6.404, de 1976 (LSA) define, em seu art. 227, a incorporação como a operação pela qual uma ou mais sociedades são absorvidas por outra, que lhes sucede em todos os direitos e obrigações; como regra, cabe à incorporadora aumentar seu capital social, sendo o aumento realizado pelo patrimônio líquido da incorporada e tocando aos acionistas desta última as ações representativas desse aumento de capital (art. 224, inciso I); 9. a incorporadora recebe um conjunto patrimonial e paga aos acionistas da incorporada por esse, em ações representativas do aumento de seu capital; não se apuram resultados na substituição de ações da incorporada por ações da incorporadora e, por essa razão, as ações da incorporadora recebidas pelos acionistas da incorporada tem o mesmo custo de seus investimentos na incorporada, declarados extintos na incorporação; Fl. 1310DF CARF MF Impresso em 04/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 12448.735836/201110 Acórdão n.º 2301004.476 S2C3T1 Fl. 1.305 13 10. o conjunto patrimonial destinado à realização do aumento de capital corresponde à diferença entre o valor dos ativos e das obrigações da incorporada, isto é, ao seu patrimônio líquido; 11. a parcela do patrimônio líquido da incorporada representada por lucros ou reservas de lucro, por exemplo, transformase em capital da incorporadora no processo de incorporação; por essa razão, é indiferente que, antes da incorporação, os lucros da incorporada sejam ou não capitalizados; 12. nas incorporações inversas, a capitalização de lucros das incorporadas nos processos de incorporação por vezes não é perceptível de imediato, pois pode ocorrer de o capital da incorporadora permanecer o mesmo antes e depois da operação; com efeito, tomese, por exemplo, situação em que: (i) a incorporadora/controlada tenha sido constituída no ano I, com o capital de RS100.000,00; (ii) sua única acionista seja a incorporada/controladora, uma empresa sem nenhum passivo cujo único ativo sejam os investimentos na incorporadora/controlada (R$100.000,00); (iii) a incorporadora/controlada tenha auferido lucros de R$50.000,00 e promovido a capitalização dos mesmos; 13. na incorporação, caberia à incorporadora/controlada aumentar seu capital em R$150.000,00 (valor de patrimônio líquido da incorporada/controladora), atribuindo as ações representativas desse aumento aos acionistas da incorporada/controladora; em contrapartida desse aumento, os ativos da incorporada/controladora seriam transferidos à incorporadora/controlada; mas, como a legislação brasileira não confere às ações representativas do capital da própria emitente a natureza de ativo, as referidas ações seriam declaradas extintas e o capital social da incorporadora/controlada permaneceria inalterado; assim, a situação patrimonial da incorporadora/controlada seria exatamente a mesma, antes e depois da incorporação; 14. mesmo quando o capital da incorporadora/controlada permanece inalterado após a incorporação, ocorre aumento de seu capital e desaparecem as contas que refletem os lucros e reservas da controladora/incorporada, cuja capitalização seria apta a gerar acréscimo de custo para seus acionistas; 15. antes da incorporação, os acionistas da investidora/incorporada seriam titulares de ações de empresa apta a distribuir dividendos no valor de R$50.000,00, quando tivesse disponibilidades de caixa, e em condições de capitalizar seus lucros, elevando para R$150.000,00 o custo dos investimentos; 16. com a incorporação da investidora/incorporada, seus acionistas passariam a participar da sociedade investida/incorporadora sem lucros disponíveis e com capital social de R$150.000,00; assim, se o custo dos investimentos dos acionistas da investidora/incorporada não fosse elevado para R$150.000,00, eles perderiam, com a incorporação, a oportunidade de receber dividendos ou mesmo bonificações que possibilitassem o aumento do custo de seus investimento até o montante do patrimônio líquido da invertida/incorporadora; ou seja, se o custo não fosse ajustado, o acionista passaria a registrar um deságio nos seus investimentos; esse fato evidencia, por si só, a ocorrência da capitalização dos lucros das incorporadas nos processos de incorporação e justifica o ajuste do custo dos investimentos dos acionistas da incorporada, com base no § único do art. 130 ou no art. 135 do RIR; Fl. 1311DF CARF MF Impresso em 04/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 14 17. não fosse a distribuição e capitalização prévia de lucros, a incorporação faria com que as quotas da incorporadora (Pactual S.A.), destinadas aos quotistas da Nova Pactual Participações Ltda em substituição de suas participações na mesma, fossemlhes atribuídas na proporção do capital social, fazendo com que os lucros acumulados até então fossem distribuídos também nesta proporção; 18. os lucros de Nova Pactual foram distribuídos em bases desproporcionais e reaplicados na empresa, acertando as participações dos acionistas no patrimônio líquido antes da incorporação. Com esse procedimento, a participação indireta do Impugnante no Banco subiu de 0,30% (0.38% de 78,18%) para 0,65% (0,83% de 78,18%), o que é comprovado pela 4ª alteração contratual da Nova Pactual datada de 13/10/2006; naquela oportunidade, o capital da Nova Pactual foi aumentado em R$ 686.000.000,00, mediante a conversão de créditos detidos por seus quotistas, decorrentes do direito ao recebimento de lucros e a capitalização dos referidos lucros gerou significativa alteração nos percentuais de participações dos acionistas no capital da referida empresa; 19. as capitalizações de lucros verificadas antes das incorporações não representaram mero artifício para elevação do custo dos investimentos dos acionistas, pois (i) essa elevação ocorreria independentemente da capitalização prévia dos lucros e, no caso concreto, (ii) era essencial à adequada distribuição dos lucros da Nova Pactual; 20. nas incorporações inversas, os acionistas da incorporada recebem ações da incorporadora por custo idêntico ao das ações da incorporada por eles detidas; por outro lado, ocorre capitalização de lucros ou reservas eventualmente existentes na incorporada, passando o novo custo de aquisição das ações dos acionistas da incorporada a corresponder ao valor original de seu investimento, acrescido do montante dos lucros e reservas de lucros da incorporada, capitalizados no processo de incorporação; 21. o aumento do custo de aquisição se seus investimentos no Banco Pactual se verificaria, quer houvesse deliberação expressa e específica no sentido da capitalização dos lucros das holdings – como houve – quer não; 22. em se tratando da alienação de quotas ou ações e sendo o alienante pessoa física, o custo de aquisição corresponde ao custo original do investimento acrescido do montante dos lucros e reservas de lucros capitalizados, nos termos do § 1° do art. 130 e do art. 135 do RIR; 23. a legislação em vigor prevê que a capitalização de lucros gera acréscimo e custo para os acionistas pessoas físicas, sem cogitar da natureza do lucro; o ajuste do custo de seus investimentos decorre da aplicação da lei, e não há como rejeitálo; 24. a fiscalização limitase a alegar que houve uma interpretação incorreta do art. 135 do RIR por sua parte; isso evidencia que, na verdade, o auto de infração baseiase no inconformismo da fiscalização quanto às consequências da aplicação da lei no caso concreto; 25. as distorções apresentadas através dos quadros demonstrativos do TVF decorrem do texto da lei; de certa forma, a própria fiscalização reconhece esse fato, quando, para demonstrar a distorção, apresenta exemplos elaborados rigorosamente a partir da aplicação da lei; 26. os ganhos de equivalência patrimonial integram o resultado do exercício da investidora e, conforme estabelece o §6° do art. 202 da LSA, os lucros do exercício devem ser integralmente distribuídos, ressalvada a possibilidade de serem retidos, nos termos dos arts. 93 a 197 da mesma lei; Fl. 1312DF CARF MF Impresso em 04/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 12448.735836/201110 Acórdão n.º 2301004.476 S2C3T1 Fl. 1.306 15 27. a opção de eliminaremse holdings mediante incorporações reversas era o caminho lógico, natural e admitido por lei para viabilizar a venda das ações do Banco Pactual pelos acionistas e o aumento do custo das ações do contribuinte foi mera conseqüência da adoção dessa opção, legítima e essencial à realização do negócio; 28. o art. 22 da Lei 9.249, de 1995, admite que, nas extinções de pessoas jurídicas, os bens de sua propriedade sejam restituídos a seus sócios ou acionistas pelos correspondentes valores contábeis; 29. não cabe à fiscalização deixar de aplicar a lei por considerar que ela gera distorções injustificáveis. O 1° Conselho de Contribuintes já decidiu que “a existência de falhas na legislação” não pode ser suprimida pelo julgador, ou, ainda, que "não cabe à autoridade fiscal ignorar o preceito representativo da vontade do legislador"; 30. o montante dos lucros capitalizados somase ao custo dos investimentos a que correspondem, ainda que eles tenham sido reconhecidos em razão da aplicação do MEP; assim, após a capitalização dos lucros existentes na Nova Pactual, o custo de seus investimentos atingiu R$10.919.650,00; esse é o valor que deveria ter servido de ponto de partida para quantificação do ganho de capital auferido na venda das ações do Banco Pactual, caso os efeitos da reestruturação fossem negados; 31. mesmo que a reestruturação tivesse sido levada a efeito nas bases que o TVF consideraria adequada, os R$10.919.650,00 corresponderiam ao custo de seus investimentos no Banco Pactual; 32. a sustentação da fiscalização de que o custo das ações do Banco Pactual deveria ser definido com base no valor do capital de Pactual, dele expurgada uma parcela dos lucros do Banco Pactual que seria distribuída aos acionistas, em razão de usufruto então constituído, chega a causar perplexidade, se confrontada com as normas legais que tratam da matéria, segundo as quais o custo do investimento corresponde ao preço pago por sua aquisição, acrescido dos lucros e reservas de lucros atribuídos aos mesmos, em razão da realização de aumentos de capital da investida; 33. o procedimento adotado no auto de infração, no sentido de partir da situação patrimonial da Pactual para definir o custo de seus investimentos no Banco Pactual carece de base legal, como também carece o ajuste feito ao valor então encontrado, em razão da existência de usufruto sobre as ações do Banco Pactual; 34. depreendese do auto de infração que a fraude não estaria presente em ato específico, mas sim no resultado que, com a reestruturação, o impugnante procurou atingir, qual seja, uma injustificada redução do montante do imposto a pagar; 35. a reestruturação não foi realizada com esse propósito específico e seria levada a efeito, independentemente da economia fiscal que dela decorreu; o auto de infração não nega efeitos à reestruturação, apenas rejeita um dos efeitos fiscais, qual seja, o cômputo no custo dos investimentos dos lucros capitalizados pela Nova Pactual; 36. não há falar em fraude à lei, abuso de forma ou ilícito semelhante, mas sim em aplicação inadequada das normas legais que versam sobre a determinação do custo de investimentos, para efeitos de determinação de ganhos de capital; Fl. 1313DF CARF MF Impresso em 04/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 16 37. mesmo que os atos fossem praticados com abuso de direito, não poderiam ser classificados como fraudulentos e qualificados como ilícitos de natureza penal, pois para que haja abuso de direito os atos que sejam assim classificados devem observar a legislação em vigor; se não observaram, o ilícito será de outra natureza; 38. em 2001, a RFB reconheceu publicamente que a legislação em vigor não lhe oferecia armas para combater o planejamento fiscal, o que levou o Congresso a publicar a Lei Complementar 104, de 2001 que introduziu no CTN o parágrafo único do art. 116, que depende ainda de regulamentação; 39. o escopo das referidas normas foi atingir atos que, embora lícitos, fossem praticados com abuso de forma ou de direito; aqueles praticados com observância da lei, mas com abuso de forma não podem ser rejeitados pela fiscalização, na medida em que a norma que lhe atribui esse poder ainda carece de regulamentação ou pelo menos não representam fraude ou simulação; 40. não há no TVF elemento que possa caracterizar a alegada fraude; também não há uma única indicação de que os atos praticados foram ilógicos ou menos convenientes, em termos negociais, do que outros; 41. o único ponto suscetível de comportar discussão está na aplicação das regras do art. 130 e 135 do RIR; se permanecer o entendimento de que o referido dispositivo legal não engloba a capitalização de lucros derivados da aplicação da MEP, o custo dos investimentos do impugnante no Banco Pactual foram superdimensionados, mas apenas por equívoco na interpretação da lei; mas alegar que a reestruturação foi concebida com evidente intuito de fraude é um absurdo. 42. jamais se poderia ver fraude em procedimentos com as características da reestruturação; sua participação era extremamente reduzida, não tendo votos suficientes para fazer com que a reestruturação ocorresse dessa ou daquela forma; 43. não se alegue que a mera intenção do sujeito passivo de obter economia tributária caracterizaria "dolo" capaz de deflagrar a multa qualificada; 44. A aplicação da multa de 150% só se justifica quando há evidente intuito de fraude, ou seja, quando o contribuinte age de máfé e com claro propósito de violar conscientemente a lei; 45. a jurisprudência administrativa reserva a multa majorada apenas para casos em que haja tentativas de enganar, esconder, iludir a fiscalização e é uníssona em rejeitar a qualificação da multa quando não for demonstrada pela autoridade fiscal, com precisão, a existência de falsidade ou omissões que a justifiquem; são citadas a Súmula nº 14 do Carf e diversas decisões proferidas pelo órgão administrativo; 46. assim, tendo em vista que a fiscalização não comprovou e sequer apontou um único ato praticado pelo impugnante que pudesse configurar a fraude, fica evidente que não se verificaram no caso concreto os pressupostos para aplicação da multa qualificada; 47. se o impugnante acreditava e acredita que a lei permitia a elevação do custo de seus investimentos, seu procedimento, ainda que equivocado, não denota consciente intuito de fraude. Fl. 1314DF CARF MF Impresso em 04/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 12448.735836/201110 Acórdão n.º 2301004.476 S2C3T1 Fl. 1.307 17 48. é descabida a incidência de juros sobre a multa porque isso implicaria numa indireta majoração da própria penalidade e não se pode falar em mora na exigência de multa; O pedido consistiu em julgar improcedente o auto de infração, com a extinção do crédito tributário dele decorrente. DECISÃO RECORRIDA A DRJ julgou a impugnação improcedente em acórdão que recebeu as seguintes ementas: ENQUADRAMENTO LEGAL GENÉRICO. O fato de constarem do auto de infração vários dispositivos legais concernentes a aspectos gerais relativos à tributação dos rendimentos de ganho de capital não macula o lançamento, quando restar caracterizado que não houve prejuízo ao contribuinte, seja porque a descrição da infração lhe possibilita ampla defesa, seja porque a impugnação apresentada revela pleno conhecimento da infração imputada. CAPITALIZAÇÃO DE LUCROS E RESERVAS. MÉTODO DE EQUIVALÊNCIA PATRIMONIAL. IMPOSSIBILIDADE DE MÚLTIPLO PROVEITO DO MESMO LUCRO. OMISSÃO DE GANHO DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE AÇÕES. É indevida a capitalização de lucros apurados na empresa investidora através do Método de Equivalência Patrimonial, quando este mesmo lucro permanece inalterado na empresa investida, disponível nesta como lucros e/ou reservas de lucros tanto para que se efetuem capitalizações como para retiradas pelos sócios. Constatada a majoração artificial do custo de aquisição da participação societária alienada, mediante a capitalização indevida de lucros e reservas oriundos de ganhos avaliados por equivalência patrimonial nas sociedades investidoras, devem ser expurgados os acréscimos indevidos com a consequente tributação do novo ganho de capital apurado. MULTA QUALIFICADA. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. É aplicável a multa qualificada quando restar caracterizado o evidente intuito de fraude do Contribuinte no sentido de impedir ou retardar, total ou parcialmente a ocorrência do fato gerador do Imposto de Renda, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais. JUROS MORATÓRIOS INCIDENTES SOBRE MULTA DE OFÍCIO. Considerando que a multa de ofício é classificada como débito para com a União, decorrente de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, é correta a incidência dos juros de mora sobre os valores da multa de ofício não pagos, a partir de seu vencimento. Fl. 1315DF CARF MF Impresso em 04/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 18 A ciência dessa decisão ocorreu em 11/07/2012 (termo de vista de processo, fl. 1242). RECURSO VOLUNTÁRIO Em 26/07/2012, foi apresentado recurso voluntário (fls. 1247 a 1290), sendo reiterados, em síntese, os termos da impugnação, e, ainda, que: (a) a decisão recorrida parte de premissas equivocadas sobre a aplicação e funcionamento do MEP, ao afirmar que os lucros capitalizados pela Nova Pactual e PSA não tinham representatividade física, na medida em que eram meros reflexos contábeis do lucro do Banco Pactual, nelas registrados em razão do MEP; (b) quando um investimento é contabilizado pelo MEP, os lucros da sociedade investida traduzemse em receitas da sociedade investidora – chamados resultados positivos ou ganhos de equivalência – que, antes de serem o próprio lucro da sociedade investidora, são apenas um elemento positivo (receita) na formação deste, que, a rigor, poderá sequer existir a depender das demais receitas e despesas próprias da sociedade; a sociedade investidora pode ter ganhos de equivalência (receitas) e não ter lucros ou mesmo ter prejuízos; (c) essa receita de equivalência é considerada definitiva e efetivamente auferida pela investidora; só não está sujeita à incidência de imposto de renda e outros tributos porque a lei permite que ela seja excluída da base de cálculo dos mesmos; essa exclusão não ocorre na base de cálculo do imposto de renda quando o lucro provém de investimentos em controladas ou coligadas sediadas no exterior (art. 74 da MP 2.15835/2001); o lucro da investidora que a leva em consideração pode ser distribuído aos sócios da investidora ou objeto de capitalização; (d) a aplicação do MEP é uma obrigatoriedade imposta pela lei, que objetiva fazer com que a sociedade investidora já reconheça como seu um ganho, uma receita ainda potencial, correspondente aos lucros retidos na sociedade investida; isso não torna o lucro da investida lucro da investidora e não iguala a capitalização dos lucros da investidora com a capitalização dos lucros da investida; aceitar essa simplificação é negar a própria existência da sociedade investidora, desconsiderar a sua personalidade jurídica, rejeitar a sua aptidão para ser sujeito ativo e passivo de direitos e obrigações e revogar todo o arcabouço jurídico que garante não serem as sociedades holdings estruturas inócuas e ilegítimas; (e) uma holding que também tenha atividades operacionais próprias pode ter receita de equivalência, e, num cenário positivo, outras receitas que aumentem o seu lucro ou, num cenário negativo, perdas que reduzam a sua lucratividade ou mesmo a levem a demonstrar prejuízo; (f) nenhuma interpretação do art. 135 do RIR autoriza que, na capitalização de lucros, o custo de aquisição das ações não seja acrescido no valor da capitalização; (g) uma holding pura, ou seja, que não tem atividade operacional própria, mas tãosomente participa no capital da investida, não pode ser tratada diferentemente de outras holdings, pois a lei não faz essa distinção; portanto, os lucros da investida não são os lucros da investidora, seja esta uma holding pura, ou não; os lucros da investida continuam a ser uma receita da investidora, ainda que a ausência de outras atividades relevantes nas holdings faça com que os seus resultados sejam afetados de forma extremamente preponderante pelos lucros gerados pela sociedade operacional (Banco Pactual); Fl. 1316DF CARF MF Impresso em 04/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 12448.735836/201110 Acórdão n.º 2301004.476 S2C3T1 Fl. 1.308 19 (h) no caso em apreço, as capitalizações deramse com os lucros das próprias holdings e não com o lucro do Banco Pactual; são lucros absolutamente distintos e inconfundíveis; (i) a rejeição da aplicação da lei em benefício de suposta justiça econômica geraria uma total insegurança jurídica e situações ambíguas em que o aplicador da lei não teria como identificar de forma consistente o aumento de capital que seria apto a gerar acréscimo de custo do investimento: o da controladora ou o da controlada; (j) por essas razões, deve ser rechaçada a referida simplificação, e reconhecido que, no caso concreto, aplicase o art. 135 do RIR, tal como está escrito; se assim não for, estarseá desprezando os comandos legais sobre o MEP, desconsiderando as personalidades jurídicas das sociedades holdings e reescrevendose o referido dispositivo a pretexto de uma suposta justiça econômica. (l) a decisão recorrida sustenta que os ganhos decorrentes da aplicação do MEP não podem ser capitalizados antes de efetivamente realizados; esse entendimento não se sustenta, pois contraria texto da LSA e até mesmo entendimento que vem prevalecendo no Supremo Tribunal Federal (STF), que recentemente analisou a constitucionalidade do art. 74 da Medida Provisória n° 2.15835/2001, segundo o qual se tributa no Brasil o ganho das pessoas jurídicas, aqui sediadas, decorrente de suas participações em controladas e coligadas com sede no exterior, independentemente da distribuição do referido ganho, sendo fundamento dos votos dos que já o consideraram constitucional de que o ganho produzido por tais investimentos integra o lucro líquido das investidoras, em razão da aplicação do MEP, podendo mesmo ser distribuído; (m) os investimentos sujeitos ao MEP são registrados no ativo da investidora pelo correspondente valor de patrimônio líquido contábil (PLC); na hipótese de a investida ser uma subsidiária integral da investidora e o valor de seu PLC ser de R$ 100.000,00, a investidora registrará seu investimento por aquele valor; se, ao final do exercício, o PLC da investida evoluir para R$ 150.000,00, o investimento passará a ser registrado por aquele valor e assim permanecerá até que ocorra novo registro do investimento; se os lucros da investida forem distribuídos, seu PLC voltará a ser de R$ 100.000,00 e a investidora passará a registrar seu investimento por aquele novo valor; a redução do valor do investimento da investidora terá como contrapartida o registro de crédito contra a investida (se o dividendo ainda não tiver sido pago) ou de disponibilidades, se o pagamento do dividendo tiver ocorrido; (n) o fato de a investida não ter ainda distribuído dividendos não impede – juridicamente – a distribuição dos ganhos de MEP pela investidora; caso a investidora disponha de caixa suficiente ao pagamento de dividendos não haverá óbice jurídico ou financeiro; na ausência de disponibilidade, os ganhos de MEP também poderão ser distribuídos, mediante o registro de crédito a acionistas, ou mesmo capitalizados; (o) o tratamento que uma investida dá a seus lucros afeta, efetivamente, as investidoras, pois elas são as destinatárias dos mesmos; mas o contrário jamais poderá ocorrer; o patrimônio da investida é alheio ao da investidora e, na medida em que ambas são pessoas jurídicas distintas, o que a última fizer não poderá interferir na situação patrimonial da primeira. (p) os efeitos de que ora se trata não decorrem da realização de incorporações reversas, mas da aplicação do MEP; como demonstrado, das cinco variantes disponíveis para a Fl. 1317DF CARF MF Impresso em 04/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 20 realização da venda do Banco Pactual por seus acionistas, duas delas (a venda de todas as holdings e a incorporação do BANCO) eram inviáveis e as três remanescentes (incorporações reversas, extinção das holdings ou redução de seus capitais) produziriam o mesmo efeito no custo dos investimentos do recorrente; (q) a decisão recorrida admite que a reestruturação foi legítima e que a irregularidade estaria no efeitos econômicos pretendidos através da reorganização societária; ora, o recorrente não buscou nenhum efeito com a reestruturação, pois os efeitos da redução de capital ou da extinção das holdings seriam idênticos; por outro lado, se a reestruturação é regular e comprovadamente realizada com objetivos negociais legítimos, seus efeitos tem que ser aceitos pelo fisco, mesmo que prejudiciais ao erário; (r) o auto de infração relativo a um dos acionistas controladores do Banco Pactual já foi julgado improcedente pelo Acórdão n° 210201938; (s) não tem base legal a apuração do custo de aquisição de seus investimentos no Banco Pactual a partir de sua estrutura patrimonial, e não na evolução do custo dos investimentos nas sociedades que integram o Grupo Pactual; (t) as ações do Banco por si vendidas substituíram por sucessão ações das holdings, de sorte que o custo das ações do Banco Pactual deveria corresponder ao das ações que substituíram; deixar de considerar no custo das ações ao menos o custo original das ações da Nova Pactual e o valor das bonificações a ela atribuídas é de todo absurdo. (u) a capitalização prévia dos lucros fez com que seus principais acionistas, que detinham o seu controle indireto – André Esteves e Gilberto Sayão da Silva – tivessem suas participações no capital da Nova Pactual reduzidas (de 22,21% e 20,2% para 15,5% e 13,1%, respectivamente), comprovado pelo da 3ª com a 4ª alteração contratual, o que fez com que recebessem menos ações do Banco Pactual por ocasião das incorporações das holdings, e, consequentemente, vendessem menos ações do Banco à UBS Brasil; estimase a perda conjunta dos referidos acionistas em mais de R$500.000.000,00, já desconsiderados os efeitos fiscais do aumento do custos de suas ações do Banco, decorrentes da capitalização dos lucros da Nova Pactual, o que evidencia que a capitalização de lucros teve objetivos outros, que não fiscais; (v) no que se refere à fraude ou abuso de forma, a decisão recorrida parte da premissa de que sua interpretação do art. 135 do RIR é tão clara e evidente que, quem ler o referido artigo de forma diferente, estará agindo com o evidente intuito de fraude; assim como o recorrente, outros acionistas foram autuados, com multa qualificada, sob a alegação de terem quantificado a maior o custo de seus investimentos no Banco Pactual; entretanto, não há convergência da fiscalização quanto à natureza da infração cometida pelos acionistas: (i) no Processo 12898.002335/200931, alegouse a presença de simulação subjetiva para a imposição de penalidade, com base no art. 167, parágrafo Iº, inciso I do CC/02; na decisão proferida em primeira instância, contudo, a RFB, ao justificar a existência de simulação, usa argumentos totalmente aplicáveis à simulação decorrente da utilização de negócio jurídico diverso daquele efetivamente desejado, hipótese prevista no inciso II do referido artigo; (ii) no Processo 12448.734760/201113, os autuantes alegam que o procedimento do autuado teria caracterizado um abuso de direito; (iii) no Processo n° 12448.735954/201128, alegam ter ocorrido fraude à lei; ou seja, nem mesmo a RFB conseguiu chegar a uma conclusão quanto a natureza do ilícito cometido pelos acionistas na determinação do ganho de capital verificado na venda das ações do Banco Pactual; Fl. 1318DF CARF MF Impresso em 04/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 12448.735836/201110 Acórdão n.º 2301004.476 S2C3T1 Fl. 1.309 21 (x) no que se refere à alegada existência de fraude à lei, resultante de abuso de direito, além de reportarse às razões já expostas na impugnação, transcreve trecho do voto vencedor do Conselheiro Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro, no Processo 10680.724392/201028, em que contesta a sua existência no direito tributário brasileiro; (z) o acréscimo do custo de seus investimentos resultante da aplicação do art. 135 do RIR já foi admitido pelo CARF, o que prova que não pode ser encarada como absurda a ponto de, por si só, justificar a aplicação de penalidade em que o evidente intuito de fraude tem que estar presente. O pedido consiste em que o auto de infração seja julgado improcedente e seja extinto ao crédito tributário. O processo foi distribuído para este relator em 12/03/2015 (fl. 1298). É o relatório. Voto Conselheiro Relator João Bellini Júnior O recurso voluntário é tempestivo e aborda matéria de competência desta Turma. Portanto, dele tomo conhecimento. DO LANÇAMENTO A matéria não é nova neste CARF. Vários foram os julgados que analisaram as operações que culminaram na alienação de participações societárias do Banco Pactual à UBS. Cito, como exemplo, os acórdãos 210201.938, 2202002.164, 2202002.165, 2202 002.166, 2202002.167, 2202002.258, 2202002.260, 2202002.262, 2202002.263, 2202 002.428 e 2802003.285. Desses, apenas o primeiro dos acórdãos citados (referido pelo recorrente em seu recurso) considerou totalmente indevido o lançamento; os demais deram parcial provimento ao recurso voluntário apenas para cancelar a qualificadora da multa. Recentemente, a Câmara Superior de Recursos Fiscais emitiu o Acórdão nº 9202003.701, que decidiu: OMISSÃO DE GANHO DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE AÇÕES. DUPLICIDADE DE CAPITALIZAÇÃO DE LUCROS E RESERVAS Constatada a majoração artificial do custo de aquisição da participação societária alienada, mediante a capitalização de lucros e reservas oriundos de ganhos avaliados por equivalência patrimonial nas sociedades investidoras, seguida de incorporação reversa e nova capitalização, em inobservância à correta interpretação a ser dada ao art. 135 do Decreto no 3.000, de 1999, devem ser expurgados os acréscimos indevidos, com a conseqüente tributação do novo ganho de capital apurado. O contribuinte possuía 2.078.882 ações da Nova Pactual (fls. 382 a 402 e 403 a 435), holding que detinha 78,17% de participação societária na Pactual S.A., a qual era Fl. 1319DF CARF MF Impresso em 04/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 22 detentora de 99,9991% das ações do Banco Pactual (o restante pertencia à Pactual Holdings S.A.). A sociedade Pactual Holdings S.A. detinha os restantes 21,83% de participação societária na Pactual S.A., e o recorrente não era seu acionista. Pelo contrato de compra e venda celebrado entre o Banco Pactual e a UBS (fls. 111 a 233), ficou acertado que a compra e venda se daria diretamente entre as pessoas físicas, sócios e/ou acionistas das sociedades controladoras do Banco Pactual e a UBS. Para tanto, foi promovida uma série de reestruturações societárias, nas quais a sociedade controlada incorporou a sociedade controladora (operação nominada de “incorporação reversa” ou “incorporação às avessas”); assim, no que interessa ao presente processo, a Pactual S.A. incorporou a Nova Pactual em 13/10/2006 e foi incorporada pelo Banco Pactual em 1º/12/2006. Previamente a cada incorporação reversa ocorreu, na incorporada/ controladora, aumento de capital social, por meio da capitalização de créditos que os sócios detinham perante a sociedade, decorrentes do direito a receber dividendos. Os sócios, em vez de receberem os dividendos a que teriam direito, os utilizaram para aumentar o capital social da sociedade que, em seguida, foi incorporada por sua controlada. Como decorrência do aumento de capital na sociedade em que detinham participação direta (primeiramente a Nova Pactual, e, após sua incorporação pela Pactual S.A., esta última), os quotistas/acionistas promoveram o aumento do custo de aquisição de sua participação societária, baseado no art. 135 do Decreto 3.000, de 1999, que aprova o Regulamento do Imposto sobre a Renda (RIR 99). Por fim, o recorrente alienou, conjuntamente com os demais acionistas, suas ações do Banco Pactual, apurando ganho de capital nos anoscalendário 2006 e 2009 (anos em que recebeu pagamentos atinentes à operação). Em resumo, no que concerne ao recorrente, houve: 1. incorporação da Nova Pactual pela Pactual S.A., em 13/10/2006, com o recebimento de ações na mesma proporção que detinha na holding extinta (fls. 491 a 519); essa operação foi precedida, na mesma data, pela distribuição desproporcional dos lucros apurados pela Nova Pactual – para o recorrente, R$8.117.624,00 (fls. 478 a 490) –, e pela capitalização desses lucros com a integralização de novas quotas da Nova Pactual (fl. 436 a 773) – primeira majoração do custo de aquisição de sua participação societária, baseada no art. 135 do RIR 99 (fl. 24); 2. incorporação da Pactual S.A. pelo Banco Pactual, em 1º/12/2006, com o recebimento, pelas pessoas físicas, de participação na mesma proporção que detinham na holding extinta (fls. 627 a 661); essa operação foi precedida, em 03/11/2006, pela distribuição de lucros da Pactual S.A., dos quais R$6.474.568,00 coube ao recorrente (fls. 811 a 815), e capitalização desses mesmos lucros pela Pactual S.A. (fls. 670 a 810) – segunda majoração do custo de aquisição de sua participação societária, baseada no art. 135 do RIR 99 (fl. 24). Tais valores, somados ao custo de aquisição das ações, no valor de R$2.802.026,00, e diminuídos de R$32,50 (referente à cisão parcial da Pactual S.A.), resultou em custo de aquisição das quotas no total de R$17.394.185,50, segundo os cálculos apresentados ao Fisco pelo recorrente (fl. 24) e declarados na Declaração de Ajuste Anual Simplificada (fl. 09). Fl. 1320DF CARF MF Impresso em 04/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 12448.735836/201110 Acórdão n.º 2301004.476 S2C3T1 Fl. 1.310 23 Não mais existentes as holdings, realizouse a venda do Banco Pactual S.A. ao UBS pelas pessoas físicas, ensejando a apuração de ganhos de capital em 2006 e 2009, ora sob discussão. Cabe apontar, ainda, que os resultados auferidos pelo Banco Pactual se refletiam em suas controladoras pela aplicação do método de equivalência patrimonial (MEP) (e não pelo método do custo), por força do disposto no art. 248 da Lei 6.404, de 1976, que possuía, à época dos fatos (2006), a seguinte redação: Art. 248. No balanço patrimonial da companhia, os investimentos relevantes (artigo 247, parágrafo único) em sociedades coligadas sobre cuja administração tenha influência, ou de que participe com 20% (vinte por cento) ou mais do capital social, e em sociedades controladas, serão avaliados pelo valor de patrimônio líquido, de acordo com as seguintes normas: I o valor do patrimônio líquido da coligada ou da controlada será determinado com base em balanço patrimonial ou balancete de verificação levantado, com observância das normas desta Lei, na mesma data, ou até 60 (sessenta) dias, no máximo, antes da data do balanço da companhia; no valor de patrimônio líquido não serão computados os resultados não realizados decorrentes de negócios com a companhia, ou com outras sociedades coligadas à companhia, ou por ela controladas; II o valor do investimento será determinado mediante a aplicação, sobre o valor de patrimônio líquido referido no número anterior, da porcentagem de participação no capital da coligada ou controlada; III a diferença entre o valor do investimento, de acordo com o número II, e o custo de aquisição corrigido monetariamente, somente será registrada como resultado do exercício: a) se decorrer de lucro ou prejuízo apurado na coligada ou controlada; b) se corresponder, comprovadamente, a ganhos ou perdas efetivos; c) no caso de companhia aberta, com observância das normas expedidas pela Comissão de Valores Mobiliários. (Grifouse.) A principal questão controversa é o valor do custo de aquisição das ações vendidas, ao qual se aplica a isenção prevista no art. 10 da Lei 9.249, de 1995, reproduzida pelo art. 135 do RIR 99. De acordo com o autuado, como visto, o custo de aquisição seria de R$17.394.185,50; pelo lançamento, o valor seria R$5.557.586,08. DA ISENÇÃO AOS LUCROS OU DIVIDENDOS, DISTRIBUÍDOS OU CAPITALIZADOS Os argumentos expostos pela fiscalização e pelo recorrente podem, a meu juízo, ser sintetizados pela seguinte pergunta: os lucros da pessoa jurídica que podem ser Fl. 1321DF CARF MF Impresso em 04/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 24 distribuídos à pessoa física ou capitalizados com o aproveitamento da isenção em questão são os lucros fiscais, oferecido à tributação pela pessoa jurídica, ou os lucros societários? A fiscalização defende que deve ser expurgado o efeito do aumento do valor dos investimentos, calculados pelo MEP, nas holdings controladoras/incorporadas; em outras palavras, isso significa que o lucro objeto da isenção coincide com o lucro fiscal, oferecido à tributação pela pessoa jurídica, o qual, em seu cálculo, expurga o valor do ganho com equivalência patrimonial nas investidas, como preconiza a fiscalização. O recorrente, ao seu turno, afirma que “os lucros da sociedade investida traduzemse em receitas da sociedade investidora”, “os chamados resultados positivos ou ganhos de equivalência”, a qual “é considerada definitiva e efetivamente auferida pela investidora”, e que “só não está sujeita à incidência de imposto de renda e outros tributos porque a lei permite que ela seja excluída da base de cálculo dos mesmos”; assevera que “ainda que a majoração do custo dos investimentos do RECORRENTE no BANCO, em montante superior aos lucros auferidos pelo próprio BANCO (a fonte primária e única do acréscimo patrimonial), seja encarada como uma distorção, ela resultará da aplicação das normas societárias e fiscais em vigor”. Apesar de sua referência a normas fiscais, o fulcro de seus raciocínio são os efeitos do MEP sobre os lucros societários (ou seja, sem a citada exclusão da base de cálculo para fins tributários). A extensa discussão realizada nos autos gira em torno dessa questão. Segundo meu entendimento, a razão está com a fiscalização, que entende, com exatidão, que não poderia ocorrer, para fins fiscais (uma vez que é sobre os efeitos fiscais que versa o lançamento), a capitalização ocorrida nas sociedades holdings controladoras, uma vez que o lucro nessas sociedades capitalizado advém de receitas que são mero reflexo do lucro societário da sociedade operacional (Banco Pactual). Isso porque, para fins fiscais, dever haver a exclusão do resultado positivo do Banco Pactual na apuração do lucro (fiscal) das sociedades controladoras, conforme determina o art. 389 do RIR 99 (a seguir transcrito), o que anula o efeito que essas receitas poderiam ter sobre o lucros de tais sociedades (controladoras). Decorrentemente, não há: (a) lucro (fiscal) derivado de tais resultados positivos a ser distribuído ou capitalizado pelos sócios, nem, decorrentemente, (b) elevação do custo de aquisição das ações derivada desse resultado positivo. Não há falar, portanto, de subsunção à regra isentiva carreada pelo art. 10 da Lei 9.249, de 1995. Caso se optasse a distribuir os lucros da sociedade operacional (Banco Pactual), os lucros ou dividendos distribuídos pela controlada seriam registrados como diminuição do valor de patrimônio líquido do investimento, e não influenciariam as contas de resultado (art. 388, § 1º, do RIR 99). Ajuste do Valor Contábil do Investimento Art. 388. O valor do investimento na data do balanço (art. 387, I), deverá ser ajustado ao valor de patrimônio líquido determinado de acordo com o disposto no artigo anterior, mediante lançamento da diferença a débito ou a crédito da conta de investimento (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 22). § 1º Os lucros ou dividendos distribuídos pela coligada ou controlada deverão ser registrados pelo contribuinte como diminuição do valor de patrimônio líquido do investimento, e Fl. 1322DF CARF MF Impresso em 04/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 12448.735836/201110 Acórdão n.º 2301004.476 S2C3T1 Fl. 1.311 25 não influenciarão as contas de resultado (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 22, parágrafo único). § 2º Quando os rendimentos referidos no parágrafo anterior forem apurados em balanço da coligada ou controlada levantado em data posterior à da última avaliação a que se refere o artigo anterior, deverão ser creditados à conta de resultados da investidora e, ressalvado o disposto no § 2º do art. 379, não serão computados na determinação do lucro real. § 3º No caso do parágrafo anterior, se a avaliação subseqüente for baseada em balanço ou balancete de data anterior à da distribuição, deverá o patrimônio líquido da coligada ou controlada ser ajustado, com a exclusão do valor total distribuído. Contrapartida do Ajuste do Valor do Patrimônio Líquido Art. 389. A contrapartida do ajuste de que trata o art. 388, por aumento ou redução no valor de patrimônio líquido do investimento, não será computada na determinação do lucro real (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 23, e DecretoLei nº 1.648, de 1978, art. 1º, inciso IV). § 1º Não serão computadas na determinação do lucro real as contrapartidas de ajuste do valor do investimento ou da amortização do ágio ou deságio na aquisição de investimentos em sociedades estrangeiras coligadas ou controladas que não funcionem no País (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 23, parágrafo único, e DecretoLei nº 1.648, de 1978, art. 1º, inciso IV). § 2º Os resultados da avaliação dos investimentos no exterior pelo método da equivalência patrimonial continuarão a ter o tratamento previsto nesta Subseção, sem prejuízo do disposto no art. 394 (Lei nº 9.249, de 1995, art. 25, § 6º). (Grifouse.) Assim, em se tratando de regras fiscais (de que trata o lançamento), é procedente a glosa no aumento do custo de aquisição das ações, uma vez que a isenção prevista no art. 10 da Lei 9.249, de 1995, é limitada ao lucro fiscal, no montante tributado pela pessoa jurídica. No caso de pessoas jurídicas, “a determinação do lucro real será precedida da apuração do lucro líquido de cada período de apuração com observância das disposições das leis comerciais que apuram lucro real” (art. 247, § 1º, do RIR). Assim, há intensa comunicação entre o lucro real (fiscal) e o lucro líquido (societário); porém, lucro real e lucro societário são institutos diversos. O lucro real é o lucro líquido do período de apuração ajustado pelas adições, exclusões ou compensações prescritas ou autorizadas (art. 247 do RIR). Quando se trata de tributação, ou sua exclusão, no caso, a isenção (art. 176 do CTN), as regras aplicáveis são as fiscais, de apuração ou exclusão de tributos, e não as regras societárias. Esse entendimento está de acordo com a jurisprudência firmada pelo STF na ADI 2588 (referida indiretamente pelo recorrente), que trata da tributação de lucros no exterior (art. 74 da MP 215835, de 2001, referida diretamente pelo recorrente): caso o lucro auferido Fl. 1323DF CARF MF Impresso em 04/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 26 no exterior por uma controlada seja oferecido à tributação na controladora sediada no Brasil (caso, por exemplo, de lucros auferidos por sociedades sediadas em paraísos fiscais), ele é apto a se subsumir à isenção do art. 10 da Lei 9249, de 1995; caso o lucro auferido no exterior não seja oferecido à tributação no Brasil (caso, por exemplo, de lucros auferidos no exterior por coligadas não sediadas em paraísos fiscais), o montante deste lucro não é apto a se subsumir à isenção do art. 10 da Lei 9249, de 1995. O art. 135 do RIR 99 tem seu fundamento legal no parágrafo único do art. 10 da Lei 9.249, de 1995, o qual deve ser lido em conjunto com o seu caput (art. 654 do RIR 99), para a adequada compreensão do contexto no qual tal disposição veio à baila. Reproduzo os artigos: Lei 9.249, de 1995 RIR 99 Art. 10. Os lucros ou dividendos calculados com base nos resultados apurados a partir do mês de janeiro de 1996, pagos ou creditados pelas pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real, presumido ou arbitrado, não ficarão sujeitos à incidência do imposto de renda na fonte, nem integrarão a base de cálculo do imposto de renda do beneficiário, pessoa física ou jurídica, domiciliado no País ou no exterior. Art. 654. Os lucros ou dividendos calculados com base nos resultados apurados a partir do mês de janeiro de 1996, pagos ou creditados pelas pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real, não estão sujeitos à incidência do imposto na fonte, nem integram a base de cálculo do imposto do beneficiário, pessoa física ou jurídica, domiciliado no País ou no exterior (Lei nº 9.249, de 1995, art. 10). Parágrafo único. No caso de quotas ou ações distribuídas em decorrência de aumento de capital por incorporação de lucros apurados a partir do mês de janeiro de 1996, ou de reservas constituídas com esses lucros, o custo de aquisição será igual à parcela do lucro ou reserva capitalizado, que corresponder ao sócio ou acionista. Art. 135. No caso de quotas ou ações distribuídas em decorrência de aumento de capital ou incorporação de lucros apurados a partir do mês de janeiro de 1996, ou de reservas constituídas com esses lucros, o custo de aquisição será igual à parcela do lucro ou reserva capitalizado, que corresponder ao sócio ou acionista (Lei nº 9.249, de 1995, art.10, parágrafo único). Verificase a simetria entre os textos, sendo que as diferenças entre eles existentes – (a) o RIR 99 não cita as pessoas jurídicas tributadas com base no lucro presumido ou arbitrado e (b) para o RIR 99, a regra do art. 135 se aplica a qualquer aumento de capital, e não somente ao aumento de capital por incorporação de lucros, como previsto no parágrafo único do art. 10 da Lei 9.249, de 1995 – são irrelevantes no caso concreto, pois tratase de caso envolvendo pessoas jurídicas tributadas pelo lucro real e os aumentos de capital ocorreram por incorporação de lucros. Da leitura dos textos normativos fica fácil perceber que os lucros que podem aumentar os custos de aquisição de cotas ou ações “distribuídas em decorrência de aumento de capital por incorporação de lucros” (em razão de terem sido incorporados ao capital social) são os mesmos lucros a ser “pagos ou creditados pelas pessoas jurídicas”. Tais lucros correspondem aos lucros tributados, como resta cristalino no exame da exposição de motivos da Lei 9.249, de 1995, item 12: 12. Com relação à tributação dos lucros e dividendos, estabelecese a completa integração entre a pessoa física e a pessoa jurídica, tributandose esses rendimentos exclusivamente na empresa e isentandoos quando do recebimento pelos beneficiários. Além de simplificar os controles e inibir a evasão, Fl. 1324DF CARF MF Impresso em 04/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 12448.735836/201110 Acórdão n.º 2301004.476 S2C3T1 Fl. 1.312 27 esse procedimento estimula, em razão da equiparação de tratamento e das alíquotas aplicáveis, o investimento nas atividades produtivas. Tal entendimento está plenamente de acordo com os parágrafos 3º e 4º da Instrução Normativa SRF 93, de 1997, que prevêem a tributação dos lucros distribuídos que não houverem sido previamente tributados. Art. 48. Não estão sujeitos ao imposto de renda os lucros e dividendos pagos ou creditados a sócios, acionistas ou titular de empresa individual. (...) § 3º A parcela dos rendimentos pagos ou creditados a sócio ou acionista ou ao titular da pessoa jurídica submetida ao regime de tributação com base no lucro real, presumido ou arbitrado, a título de lucros ou dividendos distribuídos, ainda que por conta de períodobase não encerrado, que exceder ao valor apurado com base na escrituração, será imputada aos lucros acumulados ou reservas de lucros de exercícios anteriores, ficando sujeita a incidência do imposto de renda calculado segundo o disposto na legislação específica, com acréscimos legais. § 4º Inexistindo lucros acumulados ou reservas de lucros em montante suficiente, a parcela excedente será submetida à tributação nos termos do art. 3º, § 4º, da Lei Nº 7.713, de 1988, com base na tabela progressiva a que se refere o art. 3º da Lei Nº 9.250, de 1995. Nesse mesmo sentido, o juízo de Elias Cohen Junior, em artigo publicado na página eletrônica do Fiscosoft (Fiscosoft.com.br – artigo de Elias Cohen Junior. RTT – Novas práticas contábeis – Polêmicas a serem enfrentadas a remuneração dos acionistas.) “(ii) Dividendos O artigo 10 da Lei nº 9.249/95 determina que os lucros ou dividendos calculados com base nos resultados apurados a partir do mês de janeiro de 1996 não integrarão a base de cálculo do imposto de renda do beneficiário, pessoa física ou jurídica, domiciliado no País ou no exterior. Desde já, vale ressaltar que na exposição de motivos da referida norma, fica clara a intenção do legislador, qual seja, isentar tão somente os lucros tributados pela pessoa jurídica. Vale transcrever: "12. Com relação à tributação dos lucros e dividendos, estabelecese a completa integração entre a pessoa física e a pessoa jurídica, tributandose esses rendimentos exclusivamente na empresa e isentandoos quando do recebimento pelos beneficiários. Além de simplificar os controles e inibir a evasão, esse procedimento estimula, em razão da equiparação de tratamento e das alíquotas aplicáveis, o investimento nas atividades produtivas." (grifo meu) Fl. 1325DF CARF MF Impresso em 04/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 28 Ainda nesse ponto vale dizer que o § 4º do Art. 48 da IN 93/1997, determina que o valor distribuído aos sócios que exceder o valor do lucro está sujeito a tributação na pessoa física com base na tabela progressiva. (Grifouse.) Chamo a atenção para que os “lucros tributados”, aos quais se dirigem a isenção em análise, são os lucros fiscais (lucro real, presumido ou arbitrado), uma vez que os lucros societários não são objeto de tributação. Dito de outro modo, o sistema foi montado de modo que, a partir de então, o lucro (a) já tributado pelas pessoas jurídicas e (b) a ser por elas distribuído, passasse a ser isento; caso os sócios decidissem incorporálo ao capital social, em vez de recebêlo, tal lucro seria incorporado ao custo de aquisição das cotas/ações. Ou seja, para a subsunção à isenção, é necessário que o lucro tenha sido tributado e, portanto, tenha substrato econômico – o limite máximo do aumento do custo de aquisição das cotas/ações é justamente o montante que seria recebido caso o lucro, já tributado, não fosse capitalizado, mas distribuído. As consequências econômicas que se pretendeu dar ao lucro societário, não tributado, “escritural” e sem suporte econômico, decorrem da falta de observância dessa regra. Assim, não há “falhas na legislação”, como quer o recorrente, mas do uso indevido da legislação isentiva na apuração de ganho de capital influenciado por lucros capitalizados em dissonância com as regras fiscais. Por sua vez, o Acórdão CARF 10196.570, citado pelo recorrente, trata de uma situação específica e diferente, no qual não foi obedecida a regra do art. 388, § 1º (já transcrita), que determina a baixa da reserva mediante redução do investimento, como se verifica à leitura de sua ementa: RESERVA DE REAVALIAÇÃO DE INVESTIMENTO EM CONTROLADA — ALIENAÇÃO DE INVESTIMENTO — NECESSIDADE DE REALIZAÇÃO DA RESERVA — A reavaliação de bens do ativo gera o aumento de seu valor contábil e, por conseguinte, diminui o ganho de capital apurado na sua alienação. Com o intuito de que haja a compensação contábil e fiscal, o valor da reserva deverá ser computado na determinação do lucro real do períodobase em que o contribuinte alienar ou liquidar o investimento. Se o Contribuinte, na alienação de seu investimento, computou em seu custo de aquisição o valor da reavaliação, o fato da investida ter realizado sua reserva no mesmo anocalendário não afasta a tributação no Contribuinte. A realização da reserva pela investida apenas autorizaria a baixa da reserva, mediante a redução do valor do investimento. Se o investimento foi alienado sem o ajuste e redução em seu valor, a reserva, no Contribuinte, deve de fato ser realizada, considerando os efeitos no resultado fiscal da alienação do investimento, com o aumento da perda ou redução do ganho. Convém resgatar a evolução histórica da norma isentiva de lucros, para que fique clara a interpretação finalística e históricosistemática que fundamenta meu voto. Utilizo me das palavras do conselheiro Ronnie Soares Anderson, relator do acórdão 2802003.285: Fl. 1326DF CARF MF Impresso em 04/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 12448.735836/201110 Acórdão n.º 2301004.476 S2C3T1 Fl. 1.313 29 Previamente à edição desse diploma (art. 10 da Lei 9.249, de 1995), a regra era tributar os lucros e os dividendos exclusivamente na fonte ou oferecer tais rendimentos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste. Com vistas a evitar que houvesse dupla tributação sobre os mesmos rendimentos, ou seja, para que os lucros fossem tributados tão somente quando de sua apuração pela pessoa jurídica, e não quando de sua distribuição para os beneficiários dos dividendos, adveio no ordenamento o dispositivo legal acima transcrito. O Ministro da Fazenda apresentou no item 12 do Projeto de Lei n° 913/05, que resultou na edição da Lei n° 9.249/95, a seguinte justificativa no que concerne ao art.10: (...) A partir de então os dividendos passaram a ser isentos, o que poderia ensejar a preferência pela sua distribuição frente à sua retenção e reinvestimento, dando azo à descapitalização das empresas. Para evitar tal situação, e estimular a retenção dos lucros de modo a possibilitar a realização de investimentos e formação bruta de capital sem endividamento perante terceiros, com o consequente crescimento da economia e geração de empregos, o regramento do parágrafo único do art. 10 da Lei n° 9.249/95 previu uma "compensação" para que os sócios não decidissem priorizar a distribuição de lucros. Com efeito, para que os lucros não fossem distribuídos como dividendos aos sócios mas sim incorporados mediante aumento de capital da empresa, foi possibilitado o ajuste no custo de aquisição das participações societárias dos acionistas, na proporção em que fossem aqueles capitalizados, balizandose assim o alcance do benefício legal da isenção dos dividendos. Em se tratando de isenção ou redução de base de cálculo, a Constituição Federal, art. 150, § 6º, exige que a matéria seja regulada por lei específica, que não existe no caso concreto: Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: (...) § 6º Qualquer subsídio ou isenção, redução de base de cálculo, concessão de crédito presumido, anistia ou remissão, relativos a impostos, taxas ou contribuições, só poderá ser concedido mediante lei específica, federal, estadual ou municipal, que regule exclusivamente as matérias acima enumeradas ou o correspondente tributo ou contribuição, sem prejuízo do disposto no art. 155, § 2.º, XII, g. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 3, de 1993). A prática do recorrente não encontra amparo em qualquer ato legal ou infralegal por ele citado. Fl. 1327DF CARF MF Impresso em 04/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 30 O art. 8º da Lei 9.532, de 1997, trata da incorporação, fusão ou cisão, na qual haja participação societária adquirida com ágio ou deságio. A Instrução Normativa 77, de 1986, “expede normas para efeitos de adaptação de legislação do imposto de renda em vigor ao regime de tributação das pessoas jurídicas estabelecido na Lei nº 7.450/85”. O seu subitem 5.9, citado pelo recorrente, refere que “ao aumento do capital da sucessora com a incorporação de lucros e reservas da sucedida, aplicamse as normas dos artigos 376 e 377 do RIR/80”; tais arts. 376 e 377 do RIR/80 regulamentam, por sua vez, o art. 63, §§ 3º e 4º, do DecretoLei 1598, de 1977, dispondo, nas palavras do recorrente, que “se a pessoa jurídica restituísse capital aos sócios nos cinco anos subsequentes à capitalização de lucros, o montante do capital restituído seria tratado como dividendo”. O item 5 da IN 77, de 1986 (no qual se insere o já analisado subitem 5.9) trata das normas a serem observadas nos “casos de incorporação, fusão e cisão de que trata o artigo 33 da Lei nº 7.450/85”. O art. 33 da Lei 7.450, de 1985, trata do balanço a ser levantado pela pessoa jurídica a ser incorporada, fusionada ou cindida, para determinar o lucro real na data da incorporação, fusão ou cisão. Percebase que, como já tratado, (re)afirmase a regra de que é o lucro real (e não o societário) que deve ser levado em conta para fins dos efeitos tributários da distribuição ou da capitalização de lucros, inclusive no caso de uma incorporação: Art. 33. A pessoa jurídica incorporada, fusionada ou cindida deve levantar balanço e demonstração de resultados e determinar o lucro real na data da incorporação, fusão ou cisão, observado o seguinte: (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.323, de 1987) I o lucro real apurado será convertido em número de OTN pelo valor desta na data da incorporação, fusão ou cisão; (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.323, de 1987) II a declaração de rendimentos deverá ser apresentada até o último dia útil do mês subseqüente à ocorrência do evento; (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.323, de 1987) Também desbordam do caso concreto o art. 22 da Lei n° 9.249/95 e o art. 29, III, da Instrução Normativa SRF 84, de 2001. O primeiro, ao referir que “os bens e direitos do ativo da pessoa jurídica, que forem entregues ao titular ou a sócio ou acionista a título de devolução de sua participação no capital social, poderão ser avaliados pelo valor contábil ou de mercado”; o segundo, que determina a exclusão, para fins da determinação do ganho de capital da pessoa física dos ganhos de capital decorrentes de “restituição de participação no capital social mediante a entrega à pessoa física, pela pessoa jurídica, de bens e direitos de seu ativo, avaliados pelo valor contábil ou de mercado”. No caso em exame, não houve “restituição de participação no capital social mediante a entrega à pessoa física, pela pessoa jurídica, de bens e direitos de seu ativo”, mas recebimento de participação no capital social da incorporadora (controlada) em substituição à participação que o recorrente detinha na incorporada (controladora). É evidente a diferença entre os institutos jurídicos da “restituição de participação no capital social” e do recebimento de participação no capital em substituição a outro, que deixa de existir em face de incorporação; ademais, no respeitante à isenção (matéria tratada neste processo), o art. 111, “II”, da Lei 5.172, de 1966 (CTN), exige o uso da interpretação literal: Fl. 1328DF CARF MF Impresso em 04/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 12448.735836/201110 Acórdão n.º 2301004.476 S2C3T1 Fl. 1.314 31 Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: (...) II outorga de isenção; O entendimento professado até este momento é suficiente para a manutenção do lançamento condizente ao tributo devido, e está em consonância com o decidido pela CSRF no Acórdão 9202003.701 (já transcrito). O capítulo seguinte trata de razões outras pelas quais o lançamento deve ser mantido, ressaltando que, mesmo que não fossem abordadas as razões a seguir expostas, o resultado de meu voto restaria. DAS REGRAS CONTÁBEIS APLICÁVEIS A GRUPOS DE SOCIEDADES Estabelecido o contexto no qual o art. 10 da Lei 9.249, de 1995, deve ser entendido e aplicado, passo a demonstrar que a interpretação do recorrente não se ampara sequer nas regras contábeis que estabelecem a apuração dos resultados societários de grupo econômico, pois está em desacordo com os pronunciamentos técnicos (contábeis) emitidos pelo Comitê de Pronunciamentos Contábeis, bem como com os Princípios de Contabilidade, aprovados pelo Conselho Federal de Contabilidade. Como já referido, o Banco Pactual era controlado por uma holding, a Pactual S.A (PSA), que, por sua vez, era controlada por ouras duas holdings, a Nova Pactual e a Pactual Holdings. Holding é uma “empresa que detém a posse majoritária de ações de outras empresas, ger. denominadas subsidiárias, centralizando o controle sobre elas. De modo geral a holding não produz bens e serviços, destinandose apenas ao controle de suas subsidiárias.” (Dicionário Houaiss Eletrônico, versão monousuário 2009.3). Essa definição é condizente com a afirmação do recorrente de que “Os objetivos das holdings eram exclusivamente os de organizar o exercício do controle do Banco (Pactual) e propiciar uma distribuição adequada de seus resultados” (item 3.3 do recurso voluntário) e de que “As holdings não tinham outra função que não as acima mencionadas e sua existência esteve sempre vinculada à participação do Grupo Pactual no BANCO” (item 3.4 do recurso voluntário). O esclarecimento de que as holdings não produzem bens e serviços demonstra a impossibilidade dessas, por si só, gerarem lucro econômico, material, distribuível e/ou capitalizável, passível de aumentar o custo de aquisição das cotas/ações de seus sócios/acionistas. Quanto ao método da equivalência patrimonial, esse nada mais é do que modo de avaliação do investimento de determinada sociedade. De acordo com Sérgio de Iudícibus, “o conceito básico do método da equivalência patrimonial é fundamentado no fato de que os resultados e quaisquer outras variações patrimoniais da investida sejam reconhecidos (contabilizados) na investidora no momento de sua geração na investida, independentemente de serem ou não distribuídos por esta” (Manual de contabilidade societária. Sérgio de Iudícibus et. al. São Paulo: Atlas, 2010, p. 170) (Grifouse.) Fl. 1329DF CARF MF Impresso em 04/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 32 Por esse critério, “as empresas reconhecem os seus resultados de seus investimentos nessas entidades no momento em que tais resultados são gerados naquelas empresas, e não somente quando são distribuídos na forma de dividendos, como ocorre no método de custo”. (Idem, p. 170.) Como já referido, o MEP é de uso obrigatório na avaliação de investimentos de controladas (art. 248 da Lei 6.404, de 1976). As normas contábeis, outrora regidos pela Deliberação 29, de 1986, da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), conjuntamente com os Princípios da Contabilidade, aprovados pelas Resoluções nº 750, de 1993, nº 774, de 1994 e nº 785, de 1995, do Conselho Federal de Contabilidade (CFC), atualmente são elaboradas pelo Comitê de Pronunciamentos Contábeis (CPC). O CPC adotou integralmente o documento do International Accouting Standards Board (IASB), denominado Framework for the Preparation and Presentation of Financial Statements e emitiu seu Pronunciamento Conceitual Básico – Estrutura Conceitual para a Elaboração e Apresentação das Demonstrações Contábeis (CPC 00). De acordo com Iudícibus (idem, p. 31) esse pronunciamento possui “maior aderência ao conceito da Primazia da Essência Sobre a Forma”, “bandeira essa levada praticamente ao extremo pelo IASB (...) representado no Brasil pelo Pronunciamento Técnico CPC 26 – Apresentação das Demonstrações Contábeis”. Convém ressaltar que, mesmo antes da entrada em vigor dos pronunciamentos técnicos do CPC, a Resolução nº 750, de 1993 do Conselho Federal de Contabilidade já previa a prevalência da essência sobre a forma (art. 1º, § 2º) Art. 1º Constituem PRINCÍPIOS FUNDAMENTAIS DE CONTABILIDADE (PFC) os enunciados por esta Resolução. §1º A observância dos Princípios Fundamentais de Contabilidade é obrigatória no exercício da profissão e constitui condição de legitimidade das Normas Brasileiras de Contabilidade (NBC). §2º Na aplicação dos Princípios Fundamentais de Contabilidade há situações concretas e a essência das transações deve prevalecer sobre seus aspectos formais. (Grifouse.) É disso que se trata. Primazia da essência sobre a forma. O lucro distribuível e capitalizável é o lucro já tributado, portanto econômico, com poder de compra, e não o lucro escritural, que existe somente em face da existência de holdings controladas e controladoras, mas que não produzem riqueza. Pretender que lucro escritural, sem substrato econômico, não tributado previamente, seja distribuível e/ou capitalizável fere não somente o sentido finalístico e históricosistemático do art. 10 da Lei 9.249, de 1995, mas também as normas técnicas contábeis do CPC. No presente caso, é fato incontroverso, estamos diante de um grupo econômico: o próprio recorrente se refere ao “Grupo Pactual”. Os grupos econômicos são definidos pelo CPC 36 como constituído pela “controladora e todas as suas controladas” e isso, de acordo com Iudícibus (idem, p. 649) “independe de o grupo estar ou não constituído formalmente, nos termos do Capítulo XXI da Lei 6.404, de 1976”. Fl. 1330DF CARF MF Impresso em 04/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 12448.735836/201110 Acórdão n.º 2301004.476 S2C3T1 Fl. 1.315 33 Em grupos econômicos, como no caso em apreço, a particularidade da situação de uma sociedade exercer controle sobre outra(s) faz com que o balanço consolidado seja considerado mais fidedigno que cada balanço individual. Em razão disso, há “países que exigem, e o IASB (International Accouting Standards Board), exige assim também, que quando há investimento em controlada, o balanço individual nem seja apresentado, e sim diretamente o balanço consolidado, e a equivalência vai aparecer no consolidado apenas para os investimentos em não controladas”. (Idem, p. 171.) Mais uma vez a busca pela primazia da realidade. Se uma sociedade produz lucro, como no caso em questão, as holdings controladoras serão lucrativas, mas o lucro é somente um, gerado pela sociedade geradora de riqueza. A questão é elementar: se o lucro escritural pudesse gerar efeitos de aumentar riqueza, bastaria criar mais e mais holdings controladoras, e viver da pujança do lucro infinito. Como lembra Iudícibus, “efetivamente, a análise individual das diversas demonstrações contábeis faz perder a visão do conjunto, do desempenho global do grupo. As inúmeras transações realizadas entre empresas pertencentes a um mesmo grupo econômico necessitam ser eliminadas nas demonstrações consolidadas, obtendose, assim, apenas os valores apurados em função de operações efetuadas com terceiros alheios ao grupo”. (Idem, p. 649.) Os investimentos em controladas devem ser consolidados. (Idem, p. 650). Ainda de acordo com o Professo Emérito da FEA/USP, mesmo nos casos em que a legislação brasileira ainda não obrigue a apresentação da consolidação das demonstrações contábeis em grupos econômicos, tais “demonstrações contábeis consolidadas são as únicas que refletem a real posição financeira, a formação de seu resultado operacional e a origem e aplicações de seus recursos financeiros”. (Idem, p. 651.) No entender de Iudícibus, as demonstrações contábeis individuais da controladora, mais do que limitadas, “são muitas vezes enganosas, e não atendem ao objetivo primordial de bem informar da contabilidade nem atendem aos princípios fundamentais as contabilidade”. (Idem, p. 652.) Por isso, “com a emissão do CPC 36, há um enorme avanço, porque todas as sociedades por ações, mesmo as fechadas, agora estão obrigadas à publicação das demonstrações consolidadas (...) quando tiverem investimentos em controladas. Até as limitadas, se divulgarem informações, terão que fazêlo, já que esse Pronunciamento foi aprovado pelo Conselho Federal de Contabilidade, que tem poderes sobre os profissionais contábeis brasileiros”. (Idem, p. 652.) Nesse sentido, o CPC 36 exige que os seguintes procedimentos sejam adotados: B86. Demonstrações consolidadas devem: (a) combinar itens similares de ativos, passivos, patrimônio líquido, receitas, despesas e fluxos de caixa da controladora com os de suas controladas; (b) compensar (eliminar) o valor contábil do investimento da controladora em cada controlada e a parcela da controladora no patrimônio líquido de cada controlada (o Pronunciamento Fl. 1331DF CARF MF Impresso em 04/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 34 Técnico CPC 15 explica como contabilizar qualquer ágio correspondente); (c) eliminar integralmente ativos e passivos, patrimônio líquido, receitas, despesas e fluxos de caixa intragrupo relacionados a transações entre entidades do grupo (resultados decorrentes de transações intragrupo que sejam reconhecidos em ativos, tais como estoques e ativos fixos, são eliminados integralmente). Os prejuízos intragrupo podem indicar uma redução no valor recuperável de ativos, que exige o seu reconhecimento nas demonstrações consolidadas. O Pronunciamento Técnico CPC 32 – Tributos sobre o Lucro se aplica a diferenças temporárias, que surgem da eliminação de lucros e prejuízos resultantes de transações intragrupo. (Grifouse.) É de se registrar que, também nesse mesmo sentido, de acordo com o art. 388, § 1º, do RIR 99 (já transcrito), os lucros ou dividendos recebidos pela controladora não constituem receita, mas sim redução do da conta do investimento: Como o investimento em controlada é avaliado pelo método da equivalência patrimonial, os dividendos recebidos não estarão contabilizados em receita, mas sim como redução da conta do investimento, e, portanto, não haverá eliminação a fazer na Demonstração do Resultado do Exercício. (Idem, p. 659.) Do mesmo modo, o Pronunciamento Técnico CPC 18 (R2), o qual regulamenta “Investimento em Coligada, em Controlada e em Empreendimento Controlado em Conjunto Correlação às Normas Internacionais de Contabilidade – IAS 28 (IASB – BV 2012)”, determina que, avaliados pelo MEP, o investimento em controlada (neste caso, no balanço individual) deve ser inicialmente reconhecido pelo custo e o seu valor contábil será aumentado ou diminuído pelo reconhecimento da participação do investidor nos lucros ou prejuízos do período, gerados pela investida após a aquisição. A participação do investidor no lucro ou prejuízo do período da investida deve ser reconhecida no resultado do período do investidor. As distribuições recebidas da investida reduzem o valor contábil do investimento (item 10). (Grifouse.) A participação de grupo econômico em empreendimento controlado em conjunto é dada pela soma das participações mantidas pela controladora e suas outras controladas no investimento, sendo que “quando empreendimento controlado em conjunto tiver investimentos em controladas, o lucro, deve ser aqueles reconhecidos nas demonstrações contábeis do empreendimento controlado em conjunto (incluindo a participação detida pelo empreendimento controlado em conjunto no lucro, após a realização dos ajustes necessários para uniformizar as práticas contábeis”, e que “esse mesmo procedimento deve ser aplicado à figura da controlada no caso das demonstrações contábeis individuais” (item 27). É reafirmado o princípio da primazia da realidade, cuja observância leva à eliminação dos resultados entre sociedades controladoras e controladas (item 27) e que a participação do investidor nos resultados resultantes das transações intragrupo deve ser eliminada (item 28). Convém notar que, embora com as resoluções CPC as demonstrações contábeis consolidadas tenham alcançado estado ímpar de importância, essas já eram previstas pela Resolução CFC nº 784, de 1995, a seguir transcrita: 2.1.2 Da soma ou da agregação de patrimônios Fl. 1332DF CARF MF Impresso em 04/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 12448.735836/201110 Acórdão n.º 2301004.476 S2C3T1 Fl. 1.316 35 O Patrimônio da Entidade corolário de notável importância, notadamente pelas suas repercussões de natureza prática: as somas e agregações de patrimônios de diferentes Entidades não resultam em nova Entidade. Tal fato assume especial relevo por abranger as demonstrações contábeis consolidadas de Entidades pertencentes a um mesmo grupo econômico, isto é, de um conjunto de Entidades sob controle único. A razão básica é a de que as Entidades cujas demonstrações contábeis são consolidadas mantém sua autonomia patrimonial, pois seus Patrimônios permanecem de sua propriedade. Como não há transferência de propriedade, não pode haver formação de novo patrimônio, condição primeira da existência jurídica de uma Entidade. O segundo ponto a ser considerado é o de que a consolidação se refere às demonstrações contábeis, mantendose a observância dos Princípios Fundamentais de Contabilidade no âmbito das Entidades consolidadas, resultando em uma unidade de natureza econômicocontábil, em que os qualificativos ressaltam os dois aspectos de maior relevo: o atributo de controle econômico e a fundamentação contábil da sua estruturação. Quanto à afirmação do recorrente de que capitalização dos lucros (societários) em bases desproporcionais, promovida pela Nova Pactual, era necessária para a distribuição dos resultados, volto a lembrar que para distribuir ou capitalizar lucros (societários), proporcionalmente ou não, é necessário que tais lucros tenham substrato econômico, não sejam meramente escriturais (Princípio da Primazia da Realidade). Em se tratando de subsunção a regras fiscais, o lucro, como visto, deve ter sido oferecido à tributação. Isso posto, entendo que houve aumento indevido do custo de aquisição das ações do Banco Pactual, por meio de prática de reconhecimentos de lucros escriturais, sem substrato econômico, advindos de contabilização manifestamente abusiva e contrária aos princípios da contabilidade e aos pronunciamentos técnicos do Comitê de Pronunciamentos Contábeis, e utilizandose de interpretação do art. 10 da Lei 9.249, de 1995 (art. 135 do RIR 99), que desborda de sua interpretação finalística e históricosistemática. Não se acolhe o argumento do recorrente de que o expurgo foi feito incorretamente, dada a distribuição desproporcional de lucros. A manutenção da capitalização da etapa que expressa o lucro tributado do Banco Pactual não pode ser entendida como incorreta. DOS DIFERENTES CRITÉRIOS NOS LANÇAMENTOS O recorrente afirma, por ocasião de sua sustentação oral, que foram utilizados diferentes critérios nos lançamentos dos diversos acionistas do Banco Pactual. Tais critérios seriam os adotados: (1) expurgo dos efeitos da capitalização na Nova Pactual ou Pactual S.A (2) expurgo dos efeitos da capitalização na Nova Pactual e na Pactual S.A; (3) o cálculo do custo médio ponderado das ações. Fl. 1333DF CARF MF Impresso em 04/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 36 Como amplamente exposto no meu voto, considero correto o expurgo dos efeitos da capitalização na Nova Pactual e na Pactual S.A no custo de aquisição das ações do contribuinte, como realizado no presente caso. Nos casos (1) e (2), citados pelo recorrente como exemplos de critérios diversos, houve sim, e, a meu juízo, por equívoco, a utilização de critérios mais benéficos para os respectivos contribuintes, uma vez que apenas foram expurgados os efeitos da capitalização na Nova Pactual ou na Pactual S.A. A utilização de expurgos em montante insuficiente em alguns processos, estranhos à presente lide, em nada favorece o contribuinte, já que, no presente caso, foi utilizado o critério correto. Quanto ao critério (3), cálculo do custo médio ponderado das ações, nada tem a ver com critério de fiscalização no lançamento, mas diz respeito ao cálculo do custo das ações, determinado pela legislação tributária (art. 16 da Lei 7713, de 1988 e do art. 16 da IN SRF 84, de 2001) em toda e qualquer aquisição de ações. De acordo com tais textos, “O custo de aquisição de títulos e valores mobiliários, de quotas de capital e dos bens fungíveis será a média ponderada dos custos unitários, por espécie, desses bens” (§ 2º do art. 16 da Lei 7.713, de 1988). Ademais, a necessidade de os lucros serem tributados (bancos devem obrigatoriamente apurar o lucro real, por disposição do art. 14, II, da Lei 9718, de 1998) emerge do texto do § 3º do art. 16 da Lei 7.713, de 1988, que refere “No caso de participação societária resultantes de aumento de capital por incorporação de lucros e reservas, que tenham sido tributados na forma do art. 36 desta Lei, o custo de aquisição é igual à parcela do lucro ou reserva capitalizado, que corresponder ao sócio ou acionista beneficiário”. (Grifouse.) Vejamos o texto de tais normas. Lei 7.713, de 1988 Art. 16. O custo de aquisição dos bens e direitos será o preço ou valor pago, e, na ausência deste, conforme o caso: I o valor atribuído para efeito de pagamento do imposto de transmissão; II o valor que tenha servido de base para o cálculo do Imposto de Importação acrescido do valor dos tributos e das despesas de desembaraço aduaneiro; III o valor da avaliação do inventário ou arrolamento; IV o valor de transmissão, utilizado na aquisição, para cálculo do ganho de capital do alienante; V seu valor corrente, na data da aquisição. § 1º O valor da contribuição de melhoria integra o custo do imóvel. § 2º O custo de aquisição de títulos e valores mobiliários, de quotas de capital e dos bens fungíveis será a média ponderada dos custos unitários, por espécie, desses bens. § 3º No caso de participação societária resultantes de aumento de capital por incorporação de lucros e reservas, que tenham Fl. 1334DF CARF MF Impresso em 04/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 12448.735836/201110 Acórdão n.º 2301004.476 S2C3T1 Fl. 1.317 37 sido tributados na forma do art. 36 desta Lei, o custo de aquisição é igual à parcela do lucro ou reserva capitalizado, que corresponder ao sócio ou acionista beneficiário. § 4º O custo é considerado igual a zero no caso das participações societárias resultantes de aumento de capital por incorporação de lucros e reservas, no caso de partes beneficiárias adquiridas gratuitamente, assim como de qualquer bem cujo valor não possa ser determinado nos termos previsto neste artigo. (Grifouse.) IN SRF 84, de 2001 Participações societárias Art. 16. Na hipótese de integralização de capital mediante a entrega de bens ou direitos, considerase custo de aquisição da participação adquirida o valor dos bens ou direitos transferidos, constante na Declaração de Ajuste Anual ou o seu valor de mercado. § 1o Se a transferência não se fizer pelo valor constante na Declaração de Ajuste Anual, a diferença a maior é tributável como ganho de capital. § 2o No caso de ações ou quotas recebidas em bonificação, em virtude de incorporação de lucros ou reservas ao capital social da pessoa jurídica, considerase custo de aquisição da participação o valor do lucro ou reserva capitalizado que corresponder ao acionista ou sócio, independentemente da forma de tributação adotada pela empresa. § 3o Para efeito de apuração de ganho de capital na alienação de participações societárias, o custo de aquisição das ações ou quotas é apurado pela média ponderada dos custos unitários, por espécie, desses títulos. § 4o O custo médio ponderado de cada ação ou quota: I é igual ao resultado da divisão do valor total de aquisição das ações ou quotas em estoque pela quantidade total de ações ou quotas em estoque, inclusive bonificadas; II multiplicado pela quantidade de ações ou quotas alienadas, constitui o custo de aquisição para efeito da apuração do ganho de capital; III multiplicado pelo número de ações ou quotas remanescente, constitui o valor do estoque desses títulos. § 5o A cada aquisição ou baixa devem ser ajustadas as quantidades em estoque e os custos total e médio ponderado, por espécie, das ações ou quotas. (Grifouse.) Sublinho que a apuração do custo médio das ações com base em seu valor corrente, na data de apuração, na forma dos dispositivos citados (art. 16 da Lei 7.713, de 1988 Fl. 1335DF CARF MF Impresso em 04/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 38 e art. 16 da IN SRF 84, de 2001) é determinação legal, constante no Decreto 3.000, de 1999 (RIR 99), arts. 129 e 130 (citado no auto de infração), e, decorrentemente, utilizado pelo programa da Declaração de Ajuste Anual para o cálculo do ganho de capital (vide fl. 09). Gizo que, na forma do art. 16, § 4º, da Lei 7713, de 1988, é imprescindível quantificar o valor das ações recebidas pelos contribuintes, sob pena de ser igual a zero o valor do custo de aquisição a ser considerado. No presente caso, o cálculo do custo de aquisição das ações se encontra à fl. 1093. CONCLUSÕES Concluindo, considero correto o procedimento adotado de se expurgar os efeitos da capitalização na Nova Pactual e na Pactual S.A no custo de aquisição das ações do contribuinte. DA MULTA QUALIFICADA No tangente à multa qualificada, sua imposição é dependente da existência, por parte do contribuinte, do dolo de praticar a sonegação ou a fraude, nos termos dos arts. 71 a 73 da Lei 4.502, de 1964, em face da remissão efetuada pelo art. 44 da Lei 9.430, de 1996: Lei 9.430, de 1996 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Vide Lei nº 10.892, de 2004) (...) II cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. Lei 4.502, de 1964 Art. 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art. 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Art . 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72. Fl. 1336DF CARF MF Impresso em 04/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 12448.735836/201110 Acórdão n.º 2301004.476 S2C3T1 Fl. 1.318 39 Ora, independentemente da configuração, ou não, de simulação na cadeia de operações de compra e venda do Banco Pactual à UBS AG, o contribuinte, detendo tão somente 0,65% das ações do Banco Pactual (termo de verificação fiscal, fls. 328 e 329), não poderia influenciar o modo como foi procedido o negócio. Se dolo houve, a justificar a imposição de multa qualificada, foi por parte de quem detinha o controle do Banco Pactual, e não por parte dos acionistas minoritários, que não podem decidir como se fará o negócio. Por esses motivos, entendo que a multa deve ser desqualificada, reduzida ao percentual de 75%. DA INCIDÊNCIA DOS JUROS SOBRE A MULTA O recorrente alega que é descabida a incidência de juros sobre a multa porque isso implicaria numa indireta majoração da própria penalidade e não se pode falar em mora na exigência de multa. Porém, o exame do demonstrativo de multa e juros de ora do auto de infração (fl. 1099) esclarece não haver incidência de juros sobre a multa, mas tão somente sobre o valor do imposto: por exemplo, no que tange ao período de apuração 12/2006, para o valor de imposto de R$690.006,98, foram aplicados juros de mora de 50,25%, os quais totalizaram R$346.728,51. No mesmo período, a multa de ofício totalizou R$1.035.010,47. Assim, se juros de mora forem tomar como base a multa de ofício, tal será evento futuro e incerto. Porém, o Carf, que não é órgão consultivo, não possui competência para se manifestar sobre eventuais incidentes de liquidação de crédito tributário que possam ocorrer futuramente. De acordo com o art. 25, II, do Decreto 70.235, de 1972, compete ao Carf o julgamento de processo de exigência de tributos ou contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal: Art. 25. O julgamento do processo de exigência de tributos ou contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal compete: (...) II – em segunda instância, ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, órgão colegiado, paritário, integrante da estrutura do Ministério da Fazenda, com atribuição de julgar recursos de ofício e voluntários de decisão de primeira instância, bem como recursos de natureza especial. (Redação dada pelo art. 25 da Lei nº 11.941/2009) No mesmo sentido, o art. 1º do Anexo II do Regimento Interno do Carf, aprovado pela Portaria MF 343, de 2015 (Ricarf), que define que a sua competência se limita ao “julgamento de recursos de ofício e voluntários de decisão de 1ª (primeira) instância, bem como os recursos de natureza especial, que versem sobre tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB)” Fl. 1337DF CARF MF Impresso em 04/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 40 Ora, se até o momento do julgamento não estão sendo exigidos juros sobre a multa de ofício, o pedido transborda do limite objetivo que pode ser conhecido por este órgão julgador. Caso os colegas pensem diferentemente, ou seja, que a matéria encontrase dentro da competência deste CARF e, portanto, deva ser conhecida, passo a análise do mérito. Não assiste razão ao recorrente. Para o deslinde da questão, devese discernir os conceitos de tributo e de crédito tributário veiculados no Código Tributário Nacional (CTN). Tributo é definido em seu art. 3°: Art. 3°. Tributo é toda prestação pecuniária compulsória, em moeda ou cujo valor nela se possa exprimir, que não constitua sanção de ato ilícito, instituída em lei e cobrada mediante atividade administrativa plenamente vinculada. Por sua vez, os artigos 113, § 1°, 139 e 142 do CTN dispõem sobre o crédito tributário: Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1° A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. Art. 139. O crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta. Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. (Grifouse.) Assim, a multa, apesar de não ser tributo, integra o crédito tributário e, em vista desse fato, se subsume ao tratamento dispensado ao crédito tributário pelo CTN. O art. 161 do CTN estabelece que, ao crédito tributário não pago no vencimento, devem ser acrescidos os juros moratórios à taxa disposta em lei ou, em sua falta, à taxa de um por cento ao mês:: Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1º Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. (Grifouse.) Assim, ao contrário do que alega o interessado, o CTN determina a incidência de juros de mora sobre a multa lançada de ofício. A expressão “sem prejuízo da Fl. 1338DF CARF MF Impresso em 04/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 12448.735836/201110 Acórdão n.º 2301004.476 S2C3T1 Fl. 1.319 41 imposição das penalidades cabíveis” esclarece que a imposição de juros e de multa não são excludentes entre si. A previsão legal da incidência de juros sobre as multas de ofício constou nas Leis 9.430, de 1996 e 10.522, de 2002, que disciplinaram o assunto de maneira diversa ao que acontecia até então. Vejamos, inicialmente, o que diz o § 3° do art. 61 da Lei 9.430, de 1996: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1° de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (...) §3° Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3° do art. 5°, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Por sua vez, os arts. 29 e 30 da Lei 10.522, de 2002, resultante da conversão da Medida Provisória 162131, de 1998 (reedição da Medida Provisória 154217, de 18 de dezembro de 1996, arts. 25 e 26), dispõem: Art. 29. Os débitos de qualquer natureza para com a Fazenda Nacional e os decorrentes de contribuições arrecadadas pela União, constituídos ou não, cujos fatos geradores tenham ocorrido até 31 de dezembro de 1994, que não hajam sido objeto de parcelamento requerido até 31 de agosto de 1995, expressos em quantidade de Ufir, serão reconvertidos para real, com base no valor daquela fixado para 1° de janeiro de 1997. (...) Art. 30. Em relação aos débitos referidos no art. 29, bem como aos inscritos em Dívida Ativa da União, passam a incidir, a partir de 1° de janeiro de 1997, juros de mora equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia Selic para títulos federais, acumulada mensalmente, até o último dia do mês anterior ao do pagamento, e de 1% (um por cento) no mês de pagamento. A multa de ofício proporcional, lançada em função de infração à legislação tributária de que resulta falta de pagamento de tributo, é débito decorrente de tributos e contribuições, estando a eles vinculada. Logo, as expressões “débitos decorrentes de tributos e contribuições” e “débitos de qualquer natureza”, utilizadas, respectivamente, nas Leis 9.430/1996 e 10.522/2002, incluem a multa de ofício. Também tratam especificadamente do assunto, determinando a cobrança de juros sobre a multa, os pareceres MF/SRF/COSIT/COOPE/SENOG n° 28, de 1998 e PGFN/CAT nº 1834, de 2013: Parecer MF/SRF/COSIT/COOPE/SENOG n° 28 Fl. 1339DF CARF MF Impresso em 04/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 42 3. (...). Assim, desde 01.01.97, as multas de ofício que não forem recolhidas dentro dos prazos legais previstos estão sujeitas à incidência de juros de mora equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente, até o último dia do mês anterior ao do pagamento, e de um por cento no mês de pagamento, desde que estejam associadas a: a) fatos geradores ocorridos a partir de 01.01.97; b) fatos geradores que tenham ocorrido até 31.12.94, se não tiverem sido objeto de pedido de parcelamento até 31.08.95. Parecer PGFN/CAT nº 1834, de 2013 21.Por todo o exposto, respondendo à consulta apresentada pela ProcuradoriaRegional da Fazenda Nacional da 3ª Região, por meio da Consulta Interna identificada pelo nº. 20138000CI00002, que veicula questionamentos a respeito da incidência de juros de mora sobre créditos tributários resultantes de multa de ofício aplicada pela RFB, referentes a fatos geradores ocorridos em 1995 e 1996, entendemos, salvo melhor juízo, que há incidência dos mencionados juros de mora sobre as multas de ofício, seja por aplicação do § 1º do artigo 161 do CTN, seja por determinação de norma legal específica, o que se resume nas seguintes situações: a) para a hipótese de haver créditos ainda não inscritos em dívida ativa (sob administração da RFB), decorrentes de fatos geradores ocorridos em 1995 e 1996, em razão da ausência de lei específica, incidirá a norma geral prevista no § 1º do artigo 161 do CTN, aplicandose o índice de 1% ao mês; b) para os créditos inscritos em dívida ativa da União (sob administração da PGFN), aplicase a taxa SELIC a partir de 31 de agosto de 1995, data de início da vigência do § 8º, inserido no artigo 84 da Lei nº. 8.981, de 1995, por determinação do artigo 16 da MP nº. 1.110, de 1995, objeto de sucessivas reedições e confirmado pelo artigo 17 da Lei nº. 10.522, de 2002; e c) para os créditos inscritos em dívida ativa da União, referentes a fatos geradores ocorridos entre 1 de janeiro e 30 de agosto de 1995, por ausência de norma legal específica, aplicase o índice de 1% ao mês, com base no § 1º do artigo 161 do CTN. Também nesse sentido a jurisprudência da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF) e da 2ª Seção do Carf: JUROS MORATÓRIOS INCIDENTES SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. TAXA SELIC. A obrigação tributária principal surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu não pagamento, incluindo a multa de oficio proporcional. O crédito tributário corresponde a toda a obrigação tributária principal, incluindo a multa de oficio proporcional, sobre a qual, assim, devem incidir os juros de mora à taxa Selic. (Acórdão 9202003.700) Fl. 1340DF CARF MF Impresso em 04/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 12448.735836/201110 Acórdão n.º 2301004.476 S2C3T1 Fl. 1.320 43 JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic. Recurso da Fazenda Nacional Provido. Recurso da Contribuinte Improvido. (Nº Acórdão 9101000.539) JUROS SOBRE MULTA. A multa de oficio, segundo o disposto no art. 44 da Lei n° 9.430/96, deverá incidir sobre o crédito tributário não pago, consistente na diferença entre o tributo devido e aquilo que fora recolhido. (Nº Acórdão 2202002.731) JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO POSSIBILIDADE LEGAL Ao contrário do que entendeu o recorrente , a aplicação de juros sobre muito de ofício é aplicável na medida que esta faz parte do crédito apurado. O art. 161 do Código Tributário Nacional CTN autoriza a exigência de juros de mora sobre a multa de ofício, isto porque a multa de ofício integra o "crédito" a que se refere o caput do artigo. (Nº Acórdão 2401003.810) Voto, portanto, por rejeitar as preliminares e no mérito, por DAR PARCIAL PROVIMENTO ao recurso, reduzindo a multa qualificada ao percentual de 75%. (assinado digitalmente) João Bellini Júnior Relator Fl. 1341DF CARF MF Impresso em 04/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR
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