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Numero do processo: 10880.914107/2009-79
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Aug 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2000
IRPJ. Lucro Presumido. Coeficiente de Presunção. Serviço de Empreitada com Fornecimento de Materiais.
É de 8% o coeficiente de presunção aplicável às receitas oriundas da execução de contratos de empreitada com fornecimento de materiais.
Numero da decisão: 1301-003.140
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso, para reconhecer o direito à aplicação do coeficiente de presunção de lucro de 8% para as receitas oriundas de empreitada com fornecimento de materiais, e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para que analise o mérito do pedido quanto à liquidez do crédito pleiteado, retomando-se, a partir daí, o rito processual habitual.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto e Amélia Wakako Morishita Yamamoto. Ausência justificada da Conselheira Bianca Felícia Rotschild.
Nome do relator: FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2000 IRPJ. Lucro Presumido. Coeficiente de Presunção. Serviço de Empreitada com Fornecimento de Materiais. É de 8% o coeficiente de presunção aplicável às receitas oriundas da execução de contratos de empreitada com fornecimento de materiais.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2000 IRPJ. LUCRO PRESUMIDO. COEFICIENTE DE PRESUNÇÃO. SERVIÇO DE EMPREITADA COM FORNECIMENTO DE MATERIAIS. É de 8% o coeficiente de presunção aplicável às receitas oriundas da execução de contratos de empreitada com fornecimento de materiais. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso, para reconhecer o direito à aplicação do coeficiente de presunção de lucro de 8% para as receitas oriundas de empreitada com fornecimento de materiais, e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para que analise o mérito do pedido quanto à liquidez do crédito pleiteado, retomandose, a partir daí, o rito processual habitual. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto e Amélia Wakako Morishita Yamamoto. Ausência justificada da Conselheira Bianca Felícia Rotschild. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 91 41 07 /2 00 9- 79 Fl. 278DF CARF MF Processo nº 10880.914107/200979 Acórdão n.º 1301003.140 S1C3T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso interposto por MENG ENGENHARIA COMÉRCIO E INDÚSTRIA LTDA., já qualificada nos autos, contra a decisão da DRJ que, negando provimento à manifestação de inconformidade apresentada pela recorrente, manteve o despacho decisório da DeratSP, em que a autoridade administrativa não reconhecia o direito creditório pleiteado e, assim, deixou de homologar a compensação formalizada em declaração compensação dcomp. A recorrente alega ser empresa do ramo de construção civil. Grande parte de suas receitas advém de contratos com a Administração Pública. Por força de tais contratos, se obrigou, juntamente com a prestação de serviços, a fornecer materiais. O mesmo se deu em relação aos serviços prestados a particulares. No período em questão, a recorrente apurou o IRPJ com base no lucro presumido, adotando 32% como coeficiente de presunção. Mais tarde, tomou conhecimento de que, respondendo a diversas consultas, a Receita Federal do Brasil RFB havia manifestado entendimento no sentido da aplicação do coeficiente de 8%, quando o serviço de empreitada fosse prestado com fornecimento de materiais. Diante disso, a recorrente recalculou o IRPJ devido, retificou a DIPJ e apresentou declaração de compensação dcomp. A Derat, embora acusando a existência do pagamento indicado como indevido, assinalou que parte dele já havia sido utilizada para quitação de débitos da contribuinte, e assim homologou parcialmente a compensação. MENG ENGENHARIA COMÉRCIO E INDÚSTRIA LTDA. se insurgiu contra o despacho decisório em manifestação de inconformidade, à qual a DRJ negou provimento, por falta de prova dos fatos alegados, já que não teriam sido apresentadas a escrita comercial e a fiscal do período, nem os livros Diário e Razão, além da movimentação comercial, contratos de prestação de serviços e todas as notas fiscais emitidas, a fim de que se pudesse verificar se foram auferidas receitas sujeitas ao coeficiente de 8%. Foi interposto recurso. A recorrente, em preliminar, arguiu homologação tácita do crédito, porquanto o Fisco, dentro do prazo legal, não examinou os recolhimentos e as informações prestadas nas declarações. No mérito, afirmou ter consultado formalmente a RFB sobre a matéria, obtendo resposta por meio da Solução de Consulta SRRF/8ª RF/DISIT nº 186, cuja ementa tinha a seguinte dicção: Para efeito de determinação da base de cálculo do imposto de renda apurado com base no lucro presumido, aplicase o percentual de oito por cento sobre a receita bruta decorrente tão somente da prestação de serviços de construção civil por empreitada com fornecimento de materiais. Fl. 279DF CARF MF Processo nº 10880.914107/200979 Acórdão n.º 1301003.140 S1C3T1 Fl. 4 3 Disse que a DRJ, em respeito ao princípio da verdade material, deveria ter determinado o retorno dos autos à unidade de origem, a fim de que fosse realizada diligência, dando oportunidade à recorrente de comprovar, mediante a apresentação de documentos, o direito pleiteado. Aduziu que, ao prestar os serviços de construção civil, fornecera materiais, especialmente na execução dos contratos com a Administração Pública. Por isso, faria jus ao coeficiente de 8% na apuração do lucro presumido. Afirmou ter juntado laudo, produzido por peritos por ela contratados, com a finalidade de comprovar o fornecimento de materiais. Ao final, pediu a realização de perícia, formulando desde logo os quesitos e indicando o perito. Com essas alegações, pugnou pelo reconhecimento do direito e a subsequente homologação das compensações. É o relatório. Fl. 280DF CARF MF Processo nº 10880.914107/200979 Acórdão n.º 1301003.140 S1C3T1 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1301003.124, de 12/06/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10880.904015/2008 08, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1301003.124): "O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. De início, cumpre rejeitar a preliminar de homologação tácita e de decadência. No caso, não ocorreu decadência, porque esta extingue o direito de constituir crédito tributário, mas não impede a verificação de fatos de que decorra direito creditório pleiteado pelo contribuinte. Da mesma forma, não ocorreu homologação tácita, uma vez que a homologação tácita se dá com o decurso do prazo de cinco da transmissão da dcomp, tornando definitiva a compensação declarada. No caso em exame, porém, o despacho decisório foi proferido dentro do prazo legal. No mérito, a questão gira em torno de saber qual o coeficiente aplicável às receitas auferidas pela recorrente, na apuração do lucro presumido, se 8% ou 32%. Para tanto, é necessário verificar se os serviços de empreitada prestados pela recorrente envolviam fornecimento de materiais, bem como verificar qual a participação dessas receitas na receita bruta total auferida no período. No Ato Declaratório Normativo Cosit nº 6, de 13 de janeiro de 1997, a Receita Federal já havia se posicionado acerca do coeficiente de presunção aplicável aos casos de empreitada com fornecimento de materiais. Confirase: O COORDENADORGERAL DO SISTEMA DE TRIBUTAÇÃO, no uso das atribuições que lhe confere o art. 147, inciso III, do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal, aprovado pela Portaria do Ministro da Fazenda nº 606, de 03 de setembro de 1992, e tendo em vista o disposto no art. 15 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, e no art. 3º da IN SRF nº 11, de 21 de fevereiro de 1996, declara, em caráter normativo, às Superintendências Regionais da Receita Federal, às Fl. 281DF CARF MF Processo nº 10880.914107/200979 Acórdão n.º 1301003.140 S1C3T1 Fl. 6 5 Delegacias da Receita Federal de Julgamento e aos demais interessados, que: I Na atividade de construção por empreitada, o percentual a ser aplicado sobre a receita bruta para determinação da base de cálculo do imposto de renda mensal será: a) 8% (oito por cento) quando houver emprego de materiais, em qualquer quantidade; (g.n.) b) 32% (trinta e dois por cento) quando houver emprego unicamente de mão de obra, ou seja, sem o emprego de materiais.(g.n.) II As pessoas jurídicas enquadradas no inciso I, letra "a", deste Ato Normativo, não poderão optar pela tributação com base no lucro presumido. O entendimento, quanto à aplicação do coeficiente de 8%, foi ratificado pela recente Instrução Normativa RFB nº 1.700/2017: Art. 33. A base de cálculo do IRPJ, em cada mês, será determinada mediante a aplicação do percentual de 8% (oito por cento) sobre a receita bruta definida pelo art. 26, auferida na atividade, deduzida das devoluções, das vendas canceladas e dos descontos incondicionais concedidos. § 1º Nas seguintes atividades o percentual de determinação da base de cálculo do IRPJ de que trata o caput será de: I 1,6% (um inteiro e seis décimos por cento) sobre a receita bruta auferida na revenda, para consumo, de combustível derivado de petróleo, álcool etílico carburante e gás natural; II 8% (oito por cento) sobre a receita bruta auferida: a) na prestação de serviços hospitalares e de auxílio diagnóstico e terapia, fisioterapia e terapia ocupacional, fonoaudiologia, patologia clínica, imagenologia, radiologia, anatomia patológica e citopatologia, medicina nuclear e análises e patologias clínicas, exames por métodos gráficos, procedimentos endoscópicos, radioterapia, quimioterapia, diálise e oxigenoterapia hiperbárica, desde que a prestadora desses serviços seja organizada sob a forma de sociedade empresária e atenda às normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa); b) na prestação de serviços de transporte de carga; c) nas atividades imobiliárias relativas a desmembramento ou loteamento de terrenos, Fl. 282DF CARF MF Processo nº 10880.914107/200979 Acórdão n.º 1301003.140 S1C3T1 Fl. 7 6 incorporação imobiliária, construção de prédios destinados à venda e a venda de imóveis construídos ou adquiridos para revenda; e d) na atividade de construção por empreitada com emprego de todos os materiais indispensáveis à sua execução, sendo tais materiais incorporados à obra; (g.n.) (...) Art. 215. O lucro presumido será determinado mediante aplicação dos percentuais de que tratam o caput e os §§ 1º e 2º do art. 33 sobre a receita bruta definida pelo art. 26, relativa a cada atividade, auferida em cada período de apuração trimestral, deduzida das devoluções e vendas canceladas e dos descontos incondicionais concedidos.http://normas.receita.fazenda.gov.br/sijut2consulta/ anexoOutros.action?idArquivoBinario=0 Portanto, diante da interpretação adotada pela RFB, deve ser reconhecido à recorrente o direito de aplicação do percentual de 8% na apuração do lucro presumido, limitandose às receitas oriundas da execução de contratos de empreitada pelos quais a recorrente se obrigou a fornecer materiais em qualquer quantidade, já que esse era o entendimento da Receita Federal ao tempo dos fatos. As receitas oriundas dos demais serviços ficam sujeitas ao coeficiente de 32%. Por último, cumpre ressaltar que a Solução de Consulta Cosit nº 8/2014 deixa claro que, até 2004, o entendimento oficial era no sentido de que o coeficiente de 8% aplicavase às receitas de construção por empreitada, com emprego de materiais em qualquer quantidade. Embora a Receita Federal tenha modificado o entendimento, a nova interpretação não tem aplicação retroativa, como deixa claro o inciso XIII, do parágrafo único do art. 2º da Lei nº 9.784/1999: Art. 2o A Administração Pública obedecerá, dentre outros, aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência. Parágrafo único. Nos processos administrativos serão observados, entre outros, os critérios de: (...) XIII interpretação da norma administrativa da forma que melhor garanta o atendimento do fim público a que se dirige, vedada aplicação retroativa de nova interpretação. (g.n.) Conclusão Fl. 283DF CARF MF Processo nº 10880.914107/200979 Acórdão n.º 1301003.140 S1C3T1 Fl. 8 7 Pelo exposto, voto por rejeitar as preliminares e, no mérito, dar parcial provimento ao recurso, para reconhecer o direito ao coeficiente de presunção de 8% para as receitas oriundas de empreitada com fornecimento de materiais. Os autos devem retornar à unidade de origem para retomar a análise do direito creditório, observando o disposto no art. 15, § 2º, da Lei nº 9.249/1995. À unidade de origem cabe realizar a verificação das receitas que se enquadrem nessa condição, observando, como limite máximo para o direito creditório, o valor informado na dcomp. Definido o valor do crédito, devem ser homologadas as compensações até esse limite. Na verificação, a autoridade fiscal poderá adotar os métodos usualmente empregados na fiscalização, inclusive a verificação por amostragem, se entender cabível." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por rejeitar as preliminares e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso, para reconhecer o direito à aplicação do coeficiente de presunção de lucro de 8% para as receitas oriundas de empreitada com fornecimento de materiais, e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para que analise o mérito do pedido quanto à liquidez do crédito pleiteado, retomandose, a partir daí, o rito processual habitual. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Fl. 284DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13827.000028/2003-26
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed May 16 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Aug 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/10/2002 a 31/12/2002
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS E COOPERATIVAS. ADMISSÃO, POR FORÇA DE DECISÃO JUDICIAL VINCULANTE, NA FORMA REGIMENTAL.
Havendo decisão definitiva do STJ (REsp nº 993.164/MG), proferida na sistemática do art 543-C do antigo CPC (Recursos Repetitivos), no sentido da inclusão na base de cálculo do Crédito Presumido de IPI na exportação (Lei nº 9.363/96) das aquisições de não contribuintes PIS/Cofins, como as pessoas físicas e cooperativas, ela deverá ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, por força regimental (art. 62, § 2º, do Anexo II do RICARF).
Numero da decisão: 9303-006.783
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Jorge Olmiro Lock Freire, Demes Brito, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/10/2002 a 31/12/2002 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS E COOPERATIVAS. ADMISSÃO, POR FORÇA DE DECISÃO JUDICIAL VINCULANTE, NA FORMA REGIMENTAL. Havendo decisão definitiva do STJ (REsp nº 993.164/MG), proferida na sistemática do art 543-C do antigo CPC (Recursos Repetitivos), no sentido da inclusão na base de cálculo do Crédito Presumido de IPI na exportação (Lei nº 9.363/96) das aquisições de não contribuintes PIS/Cofins, como as pessoas físicas e cooperativas, ela deverá ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, por força regimental (art. 62, § 2º, do Anexo II do RICARF).
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decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Jorge Olmiro Lock Freire, Demes Brito, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1718; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 2 1 1 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 13827.000028/200326 Recurso nº 1 Especial do Contribuinte Acórdão nº 9303006.783 – 3ª Turma Sessão de 16 de maio de 2018 Matéria CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. AQUISIÇÕES DE INSUMOS PERANTE NÃO CONTRIBUINTE DO PIS/COFINS. Recorrente SANTA CÂNDIDA AÇÚCAR E ÁLCOOL LTDA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/10/2002 a 31/12/2002 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS E COOPERATIVAS. ADMISSÃO, POR FORÇA DE DECISÃO JUDICIAL VINCULANTE, NA FORMA REGIMENTAL. Havendo decisão definitiva do STJ (REsp nº 993.164/MG), proferida na sistemática do art 543C do antigo CPC (Recursos Repetitivos), no sentido da inclusão na base de cálculo do Crédito Presumido de IPI na exportação (Lei nº 9.363/96) das aquisições de não contribuintes PIS/Cofins, como as pessoas físicas e cooperativas, ela deverá ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, por força regimental (art. 62, § 2º, do Anexo II do RICARF). Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Jorge Olmiro Lock Freire, Demes Brito, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 82 7. 00 00 28 /2 00 3- 26 Fl. 417DF CARF MF Processo nº 13827.000028/200326 Acórdão n.º 9303006.783 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto pelo contribuinte contra o Acórdão 20313.729, que, na parte de interesse, não reconheceu o direito de usufruir o crédito presumido do IPI em relação às aquisições de insumos efetuadas perante não contribuintes do PIS/Cofins. Mediante despacho de exame de admisssibilidade do Presidente da Câmara competente foi dado seguimento ao recurso especial no que tange ao mencionado direito (sobre aquisições de não contribuintes). A PGFN apresentou Contrarrazões. É o Relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303006.776, de 16/05/2018, proferido no julgamento do processo 13962.000237/200153, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303006.776): "Observados os requisitos e preenchidas as formalidades regimentais, conheço do Recurso Especial, na parte admitida, qual seja, a inclusão ou não na base de cálculo do Crédito Presumido de IPI das aquisições de não contribuintes PIS/Cofins, como as pessoas físicas e as cooperativas. O tema não é mais passível do discussão no CARF, pois há decisão do STJ admitindo estes créditos, em Acórdão submetido ao regime do art 543C do Antigo CPC (Recursos Repetitivos), no REsp nº 993.164/MG, de Relatoria do Ministro Luiz Fux, publicado em 17/12/2010. Transcrevo excerto da Ementa do referido Acórdão, no que interessa à discussão: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO PARA RESSARCIMENTO DO VALOR DO PIS/PASEP E DA COFINS. EMPRESAS PRODUTORAS E EXPORTADORAS DE MERCADORIAS NACIONAIS. LEI 9.363/96. INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF 23/97. CONDICIONAMENTO DO INCENTIVO FISCAL AOS INSUMOS ADQUIRIDOS DE FORNECEDORES SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO PELO PIS E PELA COFINS. EXORBITÂNCIA DOS LIMITES IMPOSTOS PELA LEI ORDINÁRIA. Fl. 418DF CARF MF Processo nº 13827.000028/200326 Acórdão n.º 9303006.783 CSRFT3 Fl. 4 3 Por força regimental Portaria MF nº 343/2015, art. 62, § 2º, a decisão deve ser reproduzida por este relator: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (...) § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 – Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) Registrese ainda que: 1) Existe Súmula do STJ a respeito, publicada em 13/08/2012: Súmula 494: O benefício fiscal do ressarcimento do crédito presumido do IPI relativo às exportações incide mesmo quando as matériasprimas ou os insumos sejam adquiridos de pessoa física ou jurídica não contribuinte do PIS/PASEP. 2) Antes disso já havia sido editado o Ato Declaratório nº 14/2011 da PGFN, nos seguintes termos: A PROCURADORIAGERAL DA FAZENDA NACIONAL, no uso da competência legal que lhe foi conferida ..., DECLARA que fica autorizada a dispensa de apresentação de contestação, de interposição de recursos e a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante: “nas ações e decisões judiciais que fixem o entendimento no sentido da ilegalidade da IN/SRF 23/1997, que, ao excluir da base de cálculo do benefício do crédito presumido do IPI as aquisições relativamente aos produtos da atividade rural, de matériaprima e de insumos de pessoas físicas, extrapolou os limites do art. 1º da Lei n. 9.363/1996”. JURISPRUDÊNCIA: AGREsp 913433/ES, REsp 627.941/CE, REsp 840.056/CE REsp 995285/PE, REsp 1008021/CE, REsp 921397/CE, REsp 840056/CE, REsp 767617/CE, todas do STJ. 3) Na forma da Lei nº 10.522/2002, art. 19, § 5º, com a redação dada pelo art. 21 da Lei nº 12.844/2013, também estão vinculadas a este entendimento as Delegacias de Julgamento e as Unidades de Origem da RFB, mas em razão da manifestação da PGFN na Nota transcrita parcialmente a seguir: NOTA /PGFN/CRJ/Nº 1.155/2012 (...) Em complementação à Nota PGFN/CRJ nº 1114/2012, que delimitou a matéria decidida nos julgamentos submetidos à sistemática dos artigos 543 B e 543C, do Código de Processo Civil, ... encaminhase a presente nota na qual se acrescenta o item 84 da lista do art. 1º, V, da Portaria PGFN nº 294/2010, correspondente ao Recurso Especial nº 993.164/MG, acrescentado a esta lista na sua última atualização realizada no dia 10 de agosto de 2012. Fl. 419DF CARF MF Processo nº 13827.000028/200326 Acórdão n.º 9303006.783 CSRFT3 Fl. 5 4 2. Em razão de o referido julgado ter repercussão na esfera administrativa e requerer atuação efetiva da RFB, e em observância do que foi definido na Nota PGFN/CRJ nº 1114/2012, que cumpre o disposto no Parecer PGFN/CDA nº 2025/2011, encaminhase o item relativo à delimitação do tema para fins de complementação do anexo da Nota PGFN/CRJ nº 1114/2012, com a seguinte redação: 84 – REsp 993.164/MG Relator: Min. Luiz Fux (...) Resumo: o tribunal julgou ilegal a IN RFB Nº 23/97, por ter ela extrapolado os limites da Lei 9.363/96, ao excluir da base de cálculo do benefício do crédito presumido do IPI as aquisições (relativamente aos produtos oriundos de atividade rural) de matériaprima e de insumos de fornecedores não sujeitos à tributação pelo PIS/PASEP e pela COFINS. À vista do exposto, voto por dar provimento ao Recurso Especial interposto pelo contribuinte, para reconhecer o crédito relativo às aquisições de não contribuintes PIS/Cofins, como pessoas físicas e cooperativas." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o recurso especial do contribuinte foi conhecido e, no mérito, o colegiado deulhe provimento para reconhecer o direito a incluir, na base de cálculo do crédito presumido do IPI, as aquisições de insumos efetuadas perante não contribuintes PIS/Cofins, como pessoas físicas e cooperativas. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 420DF CARF MF
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Numero do processo: 10880.954265/2008-81
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 15 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Aug 31 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 15/12/2003
DILIGÊNCIA. PEDIDO. INDEFERIMENTO.
Indefere-se pedido de diligência quando sua realização revele-se prescindível para a formação de convicção pela autoridade julgadora.
JURISPRUDÊNCIA ADMINISTRATIVA.
Somente devem ser observados os entendimentos jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa.
RECURSO VOLUNTÁRIO. ADOÇÃO DA DECISÃO RECORRIDA REPRODUÇÃO. FUNDAMENTAÇÃO.
Registrando o relator que as partes não apresentaram novas razões de mérito perante o Carf e propuser a confirmação e adoção da decisão recorrida, é facultado a transcrição dos termos da decisão de primeira instância, como fundamento para decidir a controvérsia.
DCTF. CONFISSÃO DE DÍVIDA.
A DCTF é instrumento suficiente para constituição do crédito tributário.
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/COFINS. EXTINÇÃO.
O direito de pleitear a restituição extingue-se com o decurso do prazo de cinco anos, contados da data da extinção do crédito tributário.
PER/DCOMP. PAGAMENTO A MAIOR. DCTF RETIFICADORA. HIPÓTESE. TRANSMITIDA APÓS CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO E DO PRAZO DE 5 ANOS DO FATO GERADOR.
DCTF retificadora transmitida após a ciência do despacho decisório e do transcurso do prazo de cinco anos para o pleito da restituição, com objetivo de reduzir o valor do débito ao qual o pagamento estava integralmente alocado não gera efeitos jurídicos para a compensação pleiteada por meio da apresentação de Per/Dcomp, em face da sua caducidade.
Numero da decisão: 3001-000.487
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário, para rejeitar a diligência suscitada e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Orlando Rutigliani Berri - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Cleber Magalhães, Renato Vieira de Avila e Francisco Martins Leite Cavalcante.
Nome do relator: ORLANDO RUTIGLIANI BERRI
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 15/12/2003 DILIGÊNCIA. PEDIDO. INDEFERIMENTO. Indefere-se pedido de diligência quando sua realização revele-se prescindível para a formação de convicção pela autoridade julgadora. JURISPRUDÊNCIA ADMINISTRATIVA. Somente devem ser observados os entendimentos jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa. RECURSO VOLUNTÁRIO. ADOÇÃO DA DECISÃO RECORRIDA REPRODUÇÃO. FUNDAMENTAÇÃO. Registrando o relator que as partes não apresentaram novas razões de mérito perante o Carf e propuser a confirmação e adoção da decisão recorrida, é facultado a transcrição dos termos da decisão de primeira instância, como fundamento para decidir a controvérsia. DCTF. CONFISSÃO DE DÍVIDA. A DCTF é instrumento suficiente para constituição do crédito tributário. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/COFINS. EXTINÇÃO. O direito de pleitear a restituição extingue-se com o decurso do prazo de cinco anos, contados da data da extinção do crédito tributário. PER/DCOMP. PAGAMENTO A MAIOR. DCTF RETIFICADORA. HIPÓTESE. TRANSMITIDA APÓS CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO E DO PRAZO DE 5 ANOS DO FATO GERADOR. DCTF retificadora transmitida após a ciência do despacho decisório e do transcurso do prazo de cinco anos para o pleito da restituição, com objetivo de reduzir o valor do débito ao qual o pagamento estava integralmente alocado não gera efeitos jurídicos para a compensação pleiteada por meio da apresentação de Per/Dcomp, em face da sua caducidade.
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PEDIDO. INDEFERIMENTO. Indeferese pedido de diligência quando sua realização revelese prescindível para a formação de convicção pela autoridade julgadora. JURISPRUDÊNCIA ADMINISTRATIVA. Somente devem ser observados os entendimentos jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa. RECURSO VOLUNTÁRIO. ADOÇÃO DA DECISÃO RECORRIDA REPRODUÇÃO. FUNDAMENTAÇÃO. Registrando o relator que as partes não apresentaram novas razões de mérito perante o Carf e propuser a confirmação e adoção da decisão recorrida, é facultado a transcrição dos termos da decisão de primeira instância, como fundamento para decidir a controvérsia. DCTF. CONFISSÃO DE DÍVIDA. A DCTF é instrumento suficiente para constituição do crédito tributário. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/COFINS. EXTINÇÃO. O direito de pleitear a restituição extinguese com o decurso do prazo de cinco anos, contados da data da extinção do crédito tributário. PER/DCOMP. PAGAMENTO A MAIOR. DCTF RETIFICADORA. HIPÓTESE. TRANSMITIDA APÓS CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO E DO PRAZO DE 5 ANOS DO FATO GERADOR. DCTF retificadora transmitida após a ciência do despacho decisório e do transcurso do prazo de cinco anos para o pleito da restituição, com objetivo de reduzir o valor do débito ao qual o pagamento estava integralmente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 95 42 65 /2 00 8- 81 Fl. 107DF CARF MF Processo nº 10880.954265/200881 Acórdão n.º 3001000.487 S3C0T1 Fl. 108 2 alocado não gera efeitos jurídicos para a compensação pleiteada por meio da apresentação de Per/Dcomp, em face da sua caducidade. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário, para rejeitar a diligência suscitada e, no mérito, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Cleber Magalhães, Renato Vieira de Avila e Francisco Martins Leite Cavalcante. Relatório Cuidase de recurso voluntário interposto contra o Acórdão 1635.296, da 13ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo 1 DRJ/SP1 que, em sessão de julgamento realizada no dia 12.12.2011, julgou improcedente a manifestação de inconformidade e não reconheceu o direito creditório pleiteado no Per/Dcomp 05456.32648.020904.1.3.046939. Da síntese dos fatos Por bem sintetizar os fatos, transcrevo o relatório do acórdão recorrido (efls. 37 a 44), verbis: Relatório 1. Trata o presente processo de Declaração de Compensação apresentada em meio eletrônico (PER/DCOMP nº 05456.32648.020904.1.3.046939) em 02/09/2004, cujos relatórios foram anexados ao presente processo administrativo (fls. 7 e seguintes). Nesta declaração, pretende o Contribuinte quitar os débitos declarados às fls. 10, no valor total de R$ 4.099,25, com supostos créditos (R$ 4.099,25) decorrentes de recolhimento indevido realizado por meio do DARF no valor de R$ 8.876,75 (código de receita: 8109), recolhido em 15/12/2003. 2. Apreciando o pedido formulado, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Administração Tributária em São Paulo (DERAT/SPO) emitiu Despacho Decisório (fls. 2) no qual pronunciouse pela não homologação da compensação diante da inexistência do crédito declarado pelo Contribuinte às fls. 8. 3. Cientificado em 02/12/2008 (fls. 5) da solução dada à declaração de compensação apresentada, o Contribuinte, por seu representante legal, interpôs a Manifestação de Fl. 108DF CARF MF Processo nº 10880.954265/200881 Acórdão n.º 3001000.487 S3C0T1 Fl. 109 3 Inconformidade de 18/12/2008 (fls. 12), tempestivamente, com a juntada de documentos de fls. 13/35 (Despacho Decisório; DCTF Retificadora; Procuração e cópia de documentos do procurador; Ata da Assembléia Geral Extraordinária e Estatutos Sociais), afirmando, resumidamente, que foi elaborada DCTF retificadora do 4º trimestre de 2003 onde consta o crédito utilizado na PER/DCOMP. Citada DCTF retificadora está anexada à Manifestação de Inconformidade. É o relatório. Da ementa da decisão recorrida A 13ª Turma da DRJ/SP1, ao julgar improcedente a manifestação de inconformidade, exarou o citado acórdão de manifestação de inconformidade, cuja ementa foi vazada nos seguintes termos, verbis: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 15/12/2003 DESPACHO DECISÓRIO. AUSÊNCIA DE SALDO DISPONÍVEL. MOTIVAÇÃO. Motivada é a decisão que, por conta da vinculação total de pagamento a débito do próprio interessado, expressa a inexistência de direito creditório disponível para fins de compensação. ALTERAÇÃO DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO. PAGAMENTO HOMOLOGADO TACITAMENTE. IMPOSSIBILIDADE. Crédito tributário definitivamente constituído e extinto pelo pagamento em virtude do transcurso do lustro previsto no § 4º, art. 150 do CTN, não é passível de alteração pelo Contribuinte e nem pela Administração Tributária. DCOMP. DÉBITO CONFESSADO EM DCTF. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO INDEVIDO. Considerando que o DARF indicado no Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação PER/DCOMP como origem do crédito foi utilizado para quitar débito confessado em Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, e que o Contribuinte não logra comprovar que a verdade material é outra, não há que se falar em pagamento indevido. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Da ciência O contribuinte, conforme depreendese da "INTIMAÇÃO Nº 115/2012" (efl. 45) e do Aviso de Recebimento AR (efl. 46), conheceu do teor do acórdão vergastado em Fl. 109DF CARF MF Processo nº 10880.954265/200881 Acórdão n.º 3001000.487 S3C0T1 Fl. 110 4 23.01.2012, razão pela qual, irresignado com a decisão recorrida, em 21.02.2012, protocola, perante a Derat/SP, o presente recurso voluntário, acompanhados de demais documentos, é o que demonstra o carimbo constante em sua "Folha de Rosto" (efls. 47 a 105). Do recurso voluntário Após tomar ciência da decisão vergastada, o recorrente comparece mais uma vez aos autos para, em sede de recurso voluntário, essencialmente, reiterar as alegações manejadas por ocasião da instauração da fase litigiosa, conforme os argumentos de defesa a seguir sintetizados, ocasião em que (re)apresenta os documentos, ao final, listados. Depois de historicizar os fatos inerentes ao seu pedido de restituição da contribuição em comento, cumulado com o de compensação e sua negativa por parte do colegiado a quo, o recorrente argumenta em sua defesa, que: 1 se assim entender a Autoridade Julgadora, o julgamento pode ser convertido em diligência para análise dos documentos ora juntados, na medida em que o pagamento indevido ou a maior pode ser comprovado por todos os meios de prova admitidos em direito, em atenção ao principio da economia processual; 2 o cerne da questão comprobatória constitui no valor devido a título de contribuição social; 3 a declaração de imposto de renda DIPJ juntada aos presentes autos demonstra e comprova o valor devido a titulo de contribuição social é inferior ao efetivamente recolhido para o período em questão; 4 as informações transmitidas pela DCTF prestamse exclusivamente para alocar o crédito tributário o vinculálo, mas, é a DIPJ que o torna definitivo; 5 os valores constantes em DCTF somente têm natureza informativa, ao passo que a DIPJ que têm natureza jurídica declaratória para constituir o crédito tributário, cuja homologação tácita contase em 5 (anos) do primeiro dia do exercício à sua apresentação, tanto para o fisco exigir o crédito tributário apurado na DIPJ como para o contribuinte impugnálo; 6 o direito à compensação contados a partir de 5 (cinco) anos do seu pagamento não desnatura a natureza jurídica contida na DIPJ; 7 a homologação do crédito tributário dáse na DIPJ, tanto é assim, que a prescrição para o fisco cobrar contase da data da referida declaração; 8 os valores informados em DCTF não têm natureza jurídica de confissão de dívida, mas, meramente informativo para efeitos de vinculação do crédito tributário pago; 9 o Per/Dcomp regularmente transmitido têm natureza de processo administrativo fiscal e suspende a exigibilidade do crédito tributário, assim sendo suspende também o prazo prescricional, conforme dispõe o inciso III do artigo 151 do CTN, assim, não haveria impedimento para que a autoridade administrativa procedesse a alteração de oficio nas informações contidas na DCTF; Fl. 110DF CARF MF Processo nº 10880.954265/200881 Acórdão n.º 3001000.487 S3C0T1 Fl. 111 5 10 a escrituração contábil também deve ser considerada para efeitos de comprovação dos valores recolhido a título de contribuições sociais (PIS/Pasep e Cofins); 11 tanto as informações contidas na DIPJ como na escrituração contábil demonstram e comprovam a existência de valor pago a maior ou indevido a título da referida contribuição, cujo direito compensação não pode ser negado ao contribuinte; 12 devem ser analisados o conjunto dos documentos produzidos pelo contribuinte a fim de poder firmar o convencimento da autoridade julgadora; 13 no exame do recurso 898266 o Carf decidiu que prevalece as informações contidas na DIPJ sobre as informações em DCTF. Diante do alegado, requer o provimento do recurso, declarandose o direito de compensar o valor pleiteado, extinguindose o respectivo crédito tributário. Ou subsidiariamente, seja o julgamento do presente recurso voluntário convertido em diligência, para análise dos documentos ora juntados. Juntamente com a presente peça recursal, (re)apresenta: procuração e cópia de documentos do procurador; ata da assembléia geral extraordinária e estatutos sociais, listagem informando o darf mencionado, despacho decisório, acórdão da decisão recorrida, DIPJ entregue em 22.06.2004 e Livro Razão Geral/Acumulado, referente ao período de janeiro a dezembro de 2003 (em parte). Do encaminhamento Em razão disso, os autos ascenderam ao Carf em 07.10.2014 (efl. 106), que, na forma regimental, foi distribuído e sorteado para manifestação deste colegiado extraordinário da 3ª Seção, cabendo a este conselheiro o processamento do presente feito. É o relatório. Voto Conselheiro Orlando Rutigliani Berri, Relator Da competência para julgamento do feito Observo que, em conformidade com o prescrito no artigo 23B do Anexo II da Portaria MF 343 de 2015, que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Ricarf, com redação da Portaria MF 329 de 2017, este colegiado é competente para apreciar o presente feito. Da tempestividade O recurso voluntário foi juntado aos autos em 21.02.2012, depois da ciência ocorrida em 23.01.2012; portanto, a petição é tempestiva e reúne os demais requisitos de admissibilidade previstos na legislação de regência, de modo que dela conheço. Fl. 111DF CARF MF Processo nº 10880.954265/200881 Acórdão n.º 3001000.487 S3C0T1 Fl. 112 6 Do pedido de diligência Quanto ao pedido de diligência efetuado pelo recorrente, para melhor apuração do alegado crédito tributário e, por consequência, sua habilitação para a compensação pleiteada, entendo que todos os elementos necessários à formação da convicção deste julgador se encontram presentes nos autos, o que, por si só, já responde à condicionante corretamente suscitada pelo interessado, ao assentar que "Se assim entender a Autoridade Julgadora o julgamento pode ser convertido em diligência para análise dos documentos ora juntados". Destarte, aplicase o artigo 18 do Decreto 70.235 de 06.03.1972, que dispõe que a "autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis". Embora o comando legal inserido na norma em referência esteja direcionado ao julgador administrativo de primeira instância, entendo também aplicável a esta instância recursal diante de eventual necessidade de esclarecimento de fatos necessários ao julgamento da lide, o que não ocorre no presente caso. Neste sentido, indefiro pleito. Da jurisprudência administrativa Cabe esclarecer que, no que concerne à interpretação da legislação e aos entendimentos jurisprudenciais indicados pelo recorrente, somente devem ser observados os atos para os quais a lei atribua eficácia normativa, o que não se aplica ao presente caso, nos termos do artigo 100 do Código Tributário Nacional CTN. A alegação relatada na peça recursal, por consequência, não está justificada. Dos fundamentos de mérito Da adoção, como razão de decidir, da decisão recorrida Dispõe o parágrafo 3º do artigo 57 do Anexo II do Ricarf, verbis: § 3º A exigência do § 1º pode ser atendida com a transcrição da decisão de primeira instância, se o relator registrar que as partes não apresentaram novas razões de defesa perante a segunda instância e propuser a confirmação e adoção da decisão recorrida. (Redação dada pela Portaria MF nº 329, de 2017) Em análise do pleito, pouco há que deva ser acrescentado por este juízo administrativo aquilo que já foi minuciosamente explicitado pela 13ª Turma da DRJ/SP1, quando da prolação do acórdão recorrido. Com efeito, andou bem o colegiado a quo ao assentar a vinculação estrita das autoridades administrativas às determinações contidas de forma literal em lei. Assim, só cabe aqui reafirmarse aquilo que de forma expressa consta da legislação tributária: o prazo para repetição do indébito é de cinco anos, contados da extinção do crédito tributário (inciso I do artigo 168 do CTN), sendo que o pagamento antecipado, efetuado no âmbito do lançamento Fl. 112DF CARF MF Processo nº 10880.954265/200881 Acórdão n.º 3001000.487 S3C0T1 Fl. 113 7 por homologação, conformase como uma das hipóteses de extinção, mesmo que pendente a sua homologação (parágrafo 1º do artigo 150 do CTN). De tal sorte, do ponto de vista estritamente legal, o pedido de restituição tem de ser efetuado no período de cinco anos que sucede o eventual recolhimento indevido ou a maior. Desta feita, em sua manifestação de inconformidade, o contribuinte argumenta que (i) o valor do crédito compensado deriva de apuração constante em DIPJ, (ii) o Per/Dcomp regularmente transmitido têm natureza de processo administrativo fiscal e suspende a exigibilidade do crédito tributário, bem assim seu prazo prescricional, não estando a autoridade administrativa, portanto, impedida de alterar de oficio nas informações contidas na DCTF, devendo, por consequência, prevalecer as informações contidas na DIPJ sobre as informações em DCTF. Por sua vez, o colegiado a quo, não acolhe o pleito do contribuinte, tendo em vista que o crédito tributário pleiteado em questão está definitivamente constituído e extinto pelo pagamento em virtude do transcurso do prazo previsto no parágrafo 4º do artigo 150 do CTN, não sendo, portanto, passível de alteração pelo contribuinte ou pela Administração Tributária. Desta forma, com amparo no permissivo regimental reproduzido, por concordar com seus fundamentos, adoto como razão de decidir os termos do voto condutor da decisão recorrida, notadamente no que respeita ao tema "RETIFICAÇÃO DE DCTF APÓS A HOMOLOGAÇÃO DO “AUTOLANÇAMENTO” ", que reproduzo, verbis: Voto (...) 4.1. Destacase, por oportuno, que os atos administrativos, qualquer que seja sua categoria ou espécie, nascem com a presunção de legitimidade, independentemente de norma legal que a estabeleça. Essa presunção decorre do princípio da legalidade da Administração, declinando à Impugnante a iniciativa de apresentar os elementos capazes de demonstrar qualquer irregularidade no ato praticado. 4.2. Nesses termos, as matérias não expressamente questionadas presumemse legítimas e não deverão ser objeto de análise, vez que não se tornaram controvertidas nos termos do art. 17 do Decreto nº 70.235/72, na redação dada pela Lei nº 9.532/97. 4.3. Ressaltase, por fim, que o regramento previsto no Decreto nº 70.235/72 é aplicável à Manifestação de Inconformidade em decorrência da previsão contida no § 11 do art. 74 da Lei 9.430/96, incluído pela Lei nº 10.833/03. CRÉDITO DO CONTRIBUINTE NÃO COMPROVADO 5. Inicialmente, cumpre transcrever o regramento emanado pelo artigo 74 da Lei nº 9.430/96, com redação dada pela Lei nº 10.637/02: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou Fl. 113DF CARF MF Processo nº 10880.954265/200881 Acórdão n.º 3001000.487 S3C0T1 Fl. 114 8 contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão.(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) § 1º A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) § 2º A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) 5.1. A Declaração de Compensação, apresentada por meio de PER/DCOMP (Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação) eletrônico, prestase a formalizar o encontro de contas entre o Contribuinte e a Fazenda Pública, por iniciativa do primeiro, a quem cabe a responsabilidade pelas informações sobre os créditos e os débitos, ao passo que à Administração Tributária compete a sua necessária verificação e validação. Confirmada a existência do crédito pleiteado, sobrevém a homologação e a consequente extinção dos débitos vinculados. 5.2. No caso concreto, o Contribuinte declarou débitos de PIS/PASEP (fls. 10) e apontou o suposto saldo não alocado no DARF supracitado de valor R$ 8.876,75 como origem do crédito, conforme fls. 9. 5.3. Em se tratando de declaração eletrônica, a verificação dos dados informados pela contribuinte foi realizada também de forma eletrônica, tendo resultado no Despacho Decisório em discussão (fls. 2). 5.4. O ato combatido aponta como causa da não homologação o fato de que, embora localizado o pagamento indicado no PER/DCOMP como origem do crédito, o seu valor integral fora utilizado para a extinção do débito referente ao período de apuração 30/11/2003 e Código de Receita 8109, conforme apontado no campo 3 do próprio Despacho Decisório. 5.5. Assim, o exame das declarações prestadas pela própria interessada à Administração Tributária revela que o crédito utilizado na compensação declarada não existia, visto que já havia sido aproveitado para liquidar, por meio de pagamento, débito distinto anteriormente declarado pelo Contribuinte em DCTF. Por conseguinte, não havia saldo disponível para suportar uma nova extinção, desta vez por meio de compensação, o que justificou a não homologação do valor que já estava destinado a pagamento de tributo anteriormente confessado. Fl. 114DF CARF MF Processo nº 10880.954265/200881 Acórdão n.º 3001000.487 S3C0T1 Fl. 115 9 5.6. Em suma, os motivos da não homologação residem nas próprias declarações e documentos produzidos pelo Contribuinte. Estes são, portanto, a prova e o motivo do ato administrativo. APRESENTAÇÃO DE PROVAS NO PRAZO DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE 6. Estabelece o art. 16 do Decreto nº 70.235/72 que a Impugnação deverá mencionar os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. Em complemento, o § 4º do citado artigo é manifesto ao prescrever que a prova documental deverá ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, ressalvados os casos específicos descritos. Art. 16. A impugnação mencionará: ... III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pelo art. 1º da Lei nº 8.748/1993) ... § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos. (Acrescido pelo art. 67 da Lei nº 9.532/1997) (destaques não constam do original) 6.1. Assim, a simples apresentação de DCTF retificadora neste momento do rito processual não é suficiente para fazer prova em favor do Contribuinte. Mantémse, nesses casos, a necessidade de comprovação documental do quanto alegado, por meio da apresentação da escrituração contábil/fiscal do período, em especial os Livros Diário e Razão. 6.2. Insta observar que, em consonância com o art. 16 acima transcrito do Decreto nº 70.235/72, consta, nas “Orientações para apresentação de manifestação de inconformidade” disponível ao Contribuinte a partir da ciência da não homologação do crédito no sítio da Secretaria da Receita Federal do Brasil, a instrução de que a manifestação de inconformidade deve mencionar os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e Fl. 115DF CARF MF Processo nº 10880.954265/200881 Acórdão n.º 3001000.487 S3C0T1 Fl. 116 10 provas que possuir, como, por exemplo, comprovação de que o recolhimento indicado como crédito foi efetuado de forma indevida. 6.3. Desta sorte, na medida em que a Declaração de Compensação restou não homologada e, apresentada a Manifestação de Inconformidade, converteuse em processo administrativo, cabia à Manifestante instruílo com todos os argumentos e documentos que entendesse suficientes e necessários para demonstrar a existência do crédito que pretende utilizar para compensação. RETIFICAÇÃO DE DCTF APÓS A HOMOLOGAÇÃO DO “AUTOLANÇAMENTO” 7. O Contribuinte questiona o Despacho Decisório que não homologou a compensação afirmando possuir crédito líquido e certo contra a Fazenda Pública. Para sustentar esta afirmação apresenta declaração DCTF retificadora do 4º Trimestre (documento anexo à Manifestação de Inconformidade), entregue em 11/12/2008, na qual alterou os débitos de PIS/PASEP anteriormente declarados por meio da DCTF Original transmitida em 12/02/2004. 7.1. Em que pese o acima exposto sobre a necessidade de comprovação documental do alegado, a análise do documento apresentado pelo Contribuinte (DCTF Retificadora) se mostra relevante para a confirmação da improcedência da Manifestação de Inconformidade. 7.2. Inicialmente, registrese que, nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional, a compensação de débitos tributários somente pode ser efetuada mediante existência de créditos líquidos e certos dos interessados frente à Fazenda Pública. Nesse sentido, a DCTF é instrumento de confissão de dívida e constituição definitiva do crédito tributário, conforme legislação de regência (art. 5º do Decretolei nº 2.124/84, e Instruções Normativas da RFB que dispõem sobre a DCTF). 7.2.1. De fato, a conclusão emitida pela Autoridade Fiscal teve como pressuposto os dados constantes dos Sistemas da Receita Federal do Brasil, que decorrem das informações prestadas pelo Contribuinte através de declaração fiscal própria (DCTF), válida a produzir efeitos na data da emissão do Despacho Decisório. Conforme se verifica no corpo do citado despacho, não havia qualquer incongruência entre os débitos declarados na DCTF transmitida em 12/02/2004 e o valor dos pagamentos desses débitos em DARF: o valor pago por meio de DARF foi integralmente aproveitado para liquidar tributos declarados pelo Contribuinte como devidos. 7.2.2. Somente após a ciência do Despacho Decisório a Manifestante apresentou declaração retificadora (11/12/2008) na qual, por meio da diminuição do valor do débito de PIS/PASEP anteriormente declarado (DCTF de 12/02/2004), pretende comprovar a origem de seu direito creditório. Fl. 116DF CARF MF Processo nº 10880.954265/200881 Acórdão n.º 3001000.487 S3C0T1 Fl. 117 11 7.3. Cumpre observar, neste ponto, que a análise em apreço envolve declaração de tributo lançado na modalidade por homologação, vez que a Impugnante apurou o montante devido e declarou a ocorrência e quantificação dos fatos geradores verificados por intermédio da DCTF, consoante previsto no art. 150, caput, do CTN. 7.3.1. Sobre o assunto, mencionase o que entende a doutrina pátria acerca da modalidade de lançamento em tela, mormente quanto ao seu objeto. Assim, conforme ensina Hugo de Brito Machado1, in verbis: Lançamento por homologação, é aquele aplicável aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, no que concerne a sua determinação. (...) Objeto da homologação não é o pagamento, como alguns tem afirmado. É a apuração do montante devido, de sorte que é possível a homologação mesmo que não tenha havido pagamento.(...) O que caracteriza essa modalidade de lançamento é a exigência legal de pagamento antecipado. Não o efetivo pagamento antecipado. 7.3.2. Por outro lado, cumpre transcrever o que leciona Luciano Amaro2, que traduz a linha de raciocínio também sustentada por Aliomar Baleeiro3 e Eduardo Sabbag4. Na prática, o “dever de antecipar o pagamento” significa que o sujeito passivo tem o encargo de valorizar os fatos à vista da norma aplicável, determinar a matéria tributável, identificarse como sujeito passivo, calcular o montante do tributo e pagálo, sem que a autoridade precise tomar qualquer providência. E o lançamento? Este diz o Código Tributário Nacional operase por meio do ato da autoridade que, tomando conhecimento da atividade exercida pelo devedor, nos termos do dispositivo, homologaa. A atividade aí referida outra não é senão a de pagamento, já que esta é a única providência do sujeito passivo tratada no texto. Melhor seria falarse em “homologação do pagamento”, ... . 7.3.3. Notese que a homologação, que segundo Celso Antonio Bandeira de Melo5, “é o ato vinculado pelo qual a administração concorda com ato jurídico já praticado, uma vez verificada a consonância dele com os requisitos legais condicionadores de sua válida emissão”, tem por efeito dar ao ato homologado a eficácia que até então não se lhe atribuía. Fl. 117DF CARF MF Processo nº 10880.954265/200881 Acórdão n.º 3001000.487 S3C0T1 Fl. 118 12 Homologar, portanto, pressupõe não apenas concordar com o ato praticado, mas também, conferirlhe validade ou eficácia que antes não sustentava. É somente diante desta ótica que se pode aceitar a idéia de “autolançamento” sem entender ferido o art. 142 do CTN. 7.3.4. Assim, tendo havido apuração do montante devido e a correspondente informação ao Fisco (declaração em DCTF), corroborada pelo pagamento dos tributos declarados como devidos, há de ser considerado efetuado o “autolançamento”. 7.3.5. Por seu turno, de acordo com o disposto no § 1º do referido art. 150 do CTN, o pagamento do tributo apurado conforme tal modalidade de lançamento extingue o crédito tributário sob condição resolutória de sua ulterior homologação. 1 Curso de direito Tributário, 25ª ed., 2004, São Paulo: Malheiros, pp 180/181. 2 Direito Tributário Brasileiro, 14ª ed., São Paulo: Saraiva, 2008, pp. 364. 3 Direito Tributário Brasileiro, 11ª ed., atualizada por Misabel Abreu Machado Derzi, Rio de Janeiro: Forense, p. 829. 4 Manual de Direito Tributário, São Paulo: Saraiva, 2009, p. 713. 5 Curso de Direito Administrativo, 9ª Ed., São Paulo: Malheiros, 1997. 7.3.6. Em complemento, o § 4º do mesmo artigo do Código Tributário determina que, caso a lei não fixe prazo à homologação, será ele de 05 (cinco) anos a contar da ocorrência do fato gerador. Em não havendo pronunciamento da Fazenda Pública dentro de tal interstício, considerase homologado, tacitamente, o lançamento e definitivamente extinto o crédito tributário dele decorrente. 7.4. Neste ponto, relembrase que o Direito não socorre àquele que, por largo espaço de tempo, permanece inerte quanto ao exercício de determinado direito/faculdade que lhe possa assistir (“dormientibus non succurrit jus”). 7.4.1. No caso em análise, apreciase suposto direito creditório referente a pagamento indevido originado de erro na declaração de tributo do período de apuração findado em 30/11/2003, sendo considerada esta data, ainda que por ficção legal, a da ocorrência do respectivo fato gerador. 7.4.2. Assim, não tendo a Administração Fazendária se pronunciado durante o lustro legalmente previsto, cujo termo final se deu em 30/11/2008, o crédito tributário em análise foi, de forma inafastável, definitivamente constituído e extinto pelo pagamento nessa data. Tratase de prazo decadencial a pesar contra a Fazenda e contado a partir do fato imponível. 7.4.3. Tendose operado a homologação tácita (constituição definitiva do crédito tributário), a partir de tal advento resta Fl. 118DF CARF MF Processo nº 10880.954265/200881 Acórdão n.º 3001000.487 S3C0T1 Fl. 119 13 defeso à Fazenda questionar ou rever o ato comissivo do Contribuinte alcançado por tal instituto jurídico, consubstanciado na apuração e respectiva quitação dos tributos reputados devidos. 7.5. Por seu turno, é lícito ao Contribuinte retificar as informações prestadas ao Fisco, ao menos enquanto não iniciado qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, sempre se resguardando à Administração Tributária o direito de analisar e revisar as informações declaradas, consoante o disposto no art. 149 do CTN, enquanto não verificada a decadência tributária. 7.5.1. Contudo, no caso vertente, o Contribuinte quedouse inerte, não apresentando DCTF Retificadora dentro do prazo legal em que esta surtiria efeito (antes da ocorrência da homologação tácita), deixando de declarar o direito creditício que sustenta deter em face da Fazenda Pública. 7.5.2. Uma vez constatado o suposto erro cometido na declaração DCTF transmitida em 12/02/2004, cumpria à Manifestante a obrigação de dar conhecimento da nova apuração por meio do documento próprio para tanto DCTF Retificadora. Em não o fazendo, frente à relação jurídico tributária, deixou de “retificar” o “autolançamento” e, por via transversa, não formalizou a existência do crédito que pretendeu utilizar por intermédio da DCOMP em apreço. 7.6. Assim, foi corretamente emitido o Despacho Decisório que não homologou a compensação declarada no presente PER/DCOMP, vez que baseado em documentos hábeis e aptos a produzirem seus naturais efeitos ao tempo da decisão. (...) Do complemento aos termos da decisão recorrida Especificando a cronologia da apresentação dos documentos que importam para a solução do litígio, temos que: (i) Darf do período de apuração de 30.11.2003, código de receita 8109, referente ao PIS NOV/2003, informa o recolhimento, em 15.12.2003, do valor de R$ 8.876,75 (informações colhidas da própria Per/Dcomp e corroboradas pelo despacho decisório); (ii) a Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica DIPJ 2004, do período de 01.01.2003 a 31.12.2003, foi entregue/transmitida em 22.06.2004; (iii) o Per/Dcomp 05456.32648,020904.1.3.046939, foi criado e transmitido em 02.09.2004; (iv) o Despacho Decisório rastreamento 808284588, foi emitido em 24.11.2008 e cientificado em 02.12.2008; Fl. 119DF CARF MF Processo nº 10880.954265/200881 Acórdão n.º 3001000.487 S3C0T1 Fl. 120 14 (v) a Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF retificadora, do 4º trimestre de apuração de 2003, que retificou a DCTF de 12.02.2004, foi entregue/transmitida em 11.12.2008. Feitos estes esclarecimentos, convém, em reforço ao quanto decidido no acórdão vergastado, anotar que os argumentos tecidos pelo recorrente em seu recurso voluntário, notadamente os sintetizados nos itens 4 a 9 do tópico "Do recurso voluntário" falecem de juridicidade e, por consequência, de plausibilidade, pois desde o anocalendário 1998, quando foi instituída a DIPJ, temse que esta declaração possui ter caráter meramente informativo, ocasião em que a DCTF passou a ser instrumento específico de confissão irretratável de dívida e de constituição do crédito tributário. Nesse sentido, transcrevo o disposto no Parecer PGFN 1.372/2012, verbis: (...) 9. Quanto à Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), ela está presentemente disciplinada pela Instrução Normativa Nº 1.264, de 30 de março de 2012, a qual obriga todas as pessoas jurídicas, inclusive as equiparadas, a apresentarem a DIPJ, centralizada pela matriz. Desde a Instrução Normativa Nº 127, de 30 de outubro de 1998, a obrigação da apresentação da DIPJ é anual. 10. Sobre as diferenças normativas entre a Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF e a DIPJ, o Parecer PGFN/CAT/Nº 632, de 2011, teceu, entre outras, as seguintes considerações: "27. Não é demais repetir que a previsão de inscrição em dívida ativa dos débitos declarados em DCTF existe desde a publicação da IN SRF nº 126, de 1998, que a criou, mantendose vigente, até os dias atuais, ex vi do art. 8º, § 1º, da IN RFB nº 1.110, de 24 de dezembro de 2010: Art. 8º. (...) § 1º. Os saldos a pagar relativos a cada imposto ou contribuição, informados na DCTF, bem como os valores das diferenças apuradas em procedimentos de auditoria interna, relativos às informações indevidas ou não comprovadas prestadas na DCTF, sobre pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, serão objeto de cobrança administrativa com os acréscimos moratórios devidos e, caso não liquidados, enviados para inscrição em dívida ativa. 28. Os débitos informados por meio de DIPJ não seguem a mesma sorte, dada a inexistência de previsão nesse sentido, tanto na IN SRF nº 127, de 1998, que a instituiu, quanto no normativo vigente, qual seja, a IN RFB nº 1.028, de 30 de abril de 2010. 29. Outro ponto que evidencia a natureza diversa das duas declarações reside no fato de constar, do recibo de entrega da DCTF, a informação expressa de que a declaração correspondente constitui confissão de dívida e Fl. 120DF CARF MF Processo nº 10880.954265/200881 Acórdão n.º 3001000.487 S3C0T1 Fl. 121 15 que os valores ali declarados e não pagos serão encaminhados para inscrição em DAU, nos exatos termos a seguir transcritos: O presente Recibo de Entrega da DCTF contém a transcrição da Ficha Resumo da referida declaração, que constitui confissão de dívida, de forma irretratável, dos impostos e contribuições declarados. Fica o declarante ciente de que os impostos e contribuições declarados na DCTF e não pagos serão enviados para inscrição em Dívida Ativa da União, conforme o disposto no parágrafo 2º do artigo 5º do DecretoLei nº 2.124, de 13 de junho de 1984. 30. O recibo de entrega da DIPJ, por sua vez, veicula a mensagem de que as informações ali prestadas "correspondem à expressão da verdade", o que não lhe atribui o status de confissão de dívida. 31. O conteúdo das declarações também leva a identificar outra diferença que confere a apenas uma delas o condão de constituir o crédito tributário. A DIPJ traz informações de natureza contábil (balanço patrimonial, despesas operacionais e demonstrativo de lucros ou prejuízos acumulados), informações societárias (dados cadastrais, identificação dos sócios) e informações de natureza fiscal (cálculo do IR mensal por estimativa e sobre lucro real, cálculo da Contribuição Social sobre Lucro Líquido Mensal por estimativa, cálculo da Contribuição Social sobre Lucro Líquido). 32. Observase que, relativamente às informações fiscais, há dados sobre a base de cálculo, o percentual de alíquota, as eventuais deduções e até mesmo um campo específico para o montante do tributo a pagar. Todavia, não são computados, como na DCTF, eventuais pagamentos com DARF, compensação de pagamento indevido ou a maior, outras compensações, parcelamentos e suspensão da exigibilidade do crédito." 11. Em arremate, o opinativo concluiu: "33. Portanto, verificase que, mesmo trazendo informações detalhadas sobre os tributos que abrange, a DIPJ não é instrumento bastante para a cobrança do débito e não pode ser considerada confissão de dívida, uma vez que o cômputo do valor do tributo nela veiculado não leva em conta dados que possam influir no valor do tributo (pagamentos, compensações) ou na própria exigência do crédito (parcelamentos, suspensão da exigibilidade).(...) 37. Não restam dúvidas de que a DIPJ, de fato, tem caráter meramente informativo, não representa confissão de dívida e não constitui o crédito tributário. (...) 39. Dessa forma, a DIPJ é, ou deveria ser, precedida das DCTFs mensais relativas aos tributos que informa. Se as Fl. 121DF CARF MF Processo nº 10880.954265/200881 Acórdão n.º 3001000.487 S3C0T1 Fl. 122 16 DCTFs correspondentes aos créditos executados existem e foram entregues, o crédito foi devidamente constituído, não se operando, necessariamente, a decadência, pois a constituição pode ter se dado dentro do prazo legal de cinco anos contados a partir do fato gerador (art. 150, § 4º, do CTN) ou a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado (art. 173, I), conforme o caso. Noutros falares, se o débito exequendo foi regularmente constituído por meio de DCTF, não ocorre a decadência. 40. Outra hipótese a se considerar é a inexistência de DCTFs precedentes à DIPJ sob a qual se fundamenta a execução, ocasião em que, não transcorrido o prazo decadencial, devese informar a RFB sobre o ocorrido, para que proceda ao lançamento do crédito correspondente. Caso contrário, operase, por óbvio, a decadência.(...)" 12. Como visto, o Parecer PGFN/CAT/Nº 632, de 2011, concluiu que a DIPJ não tem o efeito de se constituir em declaração capaz de configurar lançamento por homologação, porque a DIPJ tem efeito meramente informativo, não constituindo o crédito tributário nem se configurando como confissão de dívida. (...) De se ver, portanto, que a DCTF é consagradamente instrumento de confissão de dívida e suficiente para a inscrição em dívida ativa da União. Com efeito, o Superior Tribunal de Justiça STJ, no rito dos recursos repetitivos, decidiu que a DCTF é modo de constituição do crédito tributário (Resp 1.120.295/SP). Reproduzo trecho da ementa, verbis: “4. A entrega de Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, de Guia de Informação e apuração do ICMS GIA, ou de outra declaração dessa natureza prevista em lei (dever instrumental adstrito aos tributos sujeitos a lançamento por homologação), é modo e constituição do crédito tributário, dispensando a Fazenda Pública de qualquer outra providência conducente à formalização do valor declarado (Precedente da Primeira Seção submetido ao rito do artigo 543C, do CPC: Resp 962.379/RS)” Por seu turno, o CTN, em seu artigo 141, prevê que o crédito tributário, regularmente constituído, somente pode ser alterado nas modalidades do artigo 145, verbis: Art. 141. O crédito tributário regularmente constituído somente se modifica ou extingue, ou tem sua exigibilidade suspensa ou excluída, nos casos previstos nesta Lei, fora dos quais não podem ser dispensadas, sob pena de responsabilidade funcional na forma da lei, a sua efetivação ou as respectivas garantias. (…) Fl. 122DF CARF MF Processo nº 10880.954265/200881 Acórdão n.º 3001000.487 S3C0T1 Fl. 123 17 Art. 145. O lançamento regularmente notificado ao sujeito passivo só pode ser alterado em virtude de: I impugnação do sujeito passivo; II recurso de ofício; III iniciativa de ofício da autoridade administrativa, nos casos previstos no artigo 149. O artigo 156 estabelece os modos de extinção do crédito tributário, verbis: Art. 156. Extinguem o crédito tributário: I o pagamento; II a compensação; III a transação; IV remissão; V a prescrição e a decadência; VI a conversão de depósito em renda; VII o pagamento antecipado e a homologação do lançamento nos termos do disposto no artigo 150 e seus §§ 1º e 4º; VIII a consignação em pagamento, nos termos do disposto no § 2º do artigo 164; IX a decisão administrativa irreformável, assim entendida a definitiva na órbita administrativa, que não mais possa ser objeto de ação anulatória; X a decisão judicial passada em julgado. XI a dação em pagamento em bens imóveis, na forma e condições estabelecidas em lei. Parágrafo único. A lei disporá quanto aos efeitos da extinção total ou parcial do crédito sobre a ulterior verificação da irregularidade da sua constituição, observado o disposto nos artigos 144 e 149. Observese, por fim, que todas essas modalidades, incluindo a compensação, ensejam a extinção, mas não a desconstituição, do crédito tributário. Evidentemente, a compensação extingue na exata medida do que for compensado. Destarte, por óbvio, pelo que depreendese destes autos, na data da apresentação do Per/Dcomp em apreço, não homologada pela autoridade fiscal, a DCTF de 12.02.2004 ainda não tinha sido objeto de retificação, uma vez que transmitida somente em 11.12.2008, significando que o crédito utilizado pelo recorrente em sua compensação, juridicamente, era e é ainda inexistente. Fl. 123DF CARF MF Processo nº 10880.954265/200881 Acórdão n.º 3001000.487 S3C0T1 Fl. 124 18 Neste caso, não haveria que se falar, juridicamente, no alegado pagamento a maior, o que retiraria do crédito pretendido a liquidez e certeza que a lei impõe para que este possa ser objeto de repetição, nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional, verbis: Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. Portanto, ao efetuar a retificação da DCTF somente em 11.12.2008, restou evidenciado o transcurso do prazo de cinco anos contado da data de ocorrência do fato gerador do débito nela declarado, nos termos do caput do artigo 168 do CTN, de forma que a referida retificação não produziria quaisquer efeitos tributários, o que tornase dispensável a análise fática do direito material do suposto crédito tributário perseguido pelo recorrente, em face da sua peremptoriedade jurídica. Não havendo qualquer reparo à decisão recorrida. Da conclusão Diante do exposto, voto por conhecer do recurso voluntário, para rejeitar o pedido de diligência e, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Fl. 124DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10530.720819/2015-47
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 09 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Jul 20 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 2401-000.669
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário. Por voto de qualidade, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do redator designado. Vencidos os conselheiros Andrea Viana Arrais Egypto (relatora), Rayd Santana Ferreira, Luciana Matos Pereira Barbosa e Matheus Soares Leite, que rejeitaram a proposta de diligência. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Cleberson Alex Friess.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente
(assinado digitalmente)
Andréa Viana Arrais Egypto - Relatora
(assinado digitalmente)
Cleberson Alex Friess - Redator Designado
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Andréa Viana Arrais Egypto, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro e Matheus Soares Leite.
Nome do relator: ANDREA VIANA ARRAIS EGYPTO
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário. Por voto de qualidade, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do redator designado. Vencidos os conselheiros Andrea Viana Arrais Egypto (relatora), Rayd Santana Ferreira, Luciana Matos Pereira Barbosa e Matheus Soares Leite, que rejeitaram a proposta de diligência. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Cleberson Alex Friess. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente (assinado digitalmente) Andréa Viana Arrais Egypto Relatora (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Redator Designado Participaram do presente julgamento os conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Andréa Viana Arrais Egypto, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro e Matheus Soares Leite. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 05 30 .7 20 81 9/ 20 15 -4 7 Fl. 89DF CARF MF Processo nº 10530.720819/201547 Resolução nº 2401000.669 S2C4T1 Fl. 90 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face da decisão da 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campo Grande MS (DRJ/CGE), que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação, nos termos do voto do Relator, conforme ementa do Acórdão nº 0439.523 (fls. 34/35): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2013 ISENÇÃO DE IMPOSTO DE RENDA DE APOSENTADOS OU PENSIONISTAS PORTADORES DE MOLÉSTIA GRAVE. Para que haja o reconhecimento de isenção do imposto de renda de aposentados ou pensionistas portadores de moléstia grave, é indispensável a comprovação da moléstia grave através de laudo médico pericial emitido por órgão oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou municípios, além da comprovação da condição de aposentado ou pensionista, por expressa determinação legal. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido O presente processo trata da Notificação de Lançamento – Imposto de Renda Pessoa Física (fls. 11/14), lavrado contra o Contribuinte em 02/02/2015, onde foi apurado Imposto de Renda Pessoa Física Suplementar, relativo aos anocalendário 2012, no valor de R$ 8.077,79, acrescido de Juros de Mora, calculados até 30/01/2015, no valor de R$ 1.378,87 e Multa de Ofício, passível de redução, no valor de R$ 6.058,34, perfazendo um total de Crédito Tributário Apurado de R$ 15.515,00. De acordo com a Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal (fl. 12), verifica se que a autuação decorre de omissão de rendimentos tributáveis recebidos de Pessoa Jurídica, no valor de R$ 56.075,08, indevidamente declarados como isento e/ou não tributável por ser portador de moléstia grave não comprovada através de laudo pericial emitido por órgão oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios, além de não ter comprovado a condição de aposentado ou pensionista, nos termos da legislação vigente. O Contribuinte cientificado da Notificação em 23/02/2015 apresentou, tempestivamente, sua impugnação de fls. 02 a 03 onde, em síntese, alegou ser portador de moléstia grave e disse ter se submetido a uma cirurgia em 16/07/2012 (Documentos comprobatórios anexados nas fls. 04/08). O processo foi encaminhado à DRJ/CGE para julgamento, que, através do Acórdão nº 0439.523, julgou Improcedente a Impugnação, mantendo o Crédito Tributário. Em 09/06/2015 o Contribuinte foi intimado do Acordão da DRJ/CGE (AR – fl. 40) e tempestivamente, em 19/06/2015 interpôs seu RECURSO VOLUNTÁRIO de fls. 42 a 53, instruído com os documentos anexados nas fls. 54 a 63. Em seu Recurso Voluntário faz um breve relato dos fatos para em seguida: Fl. 90DF CARF MF Processo nº 10530.720819/201547 Resolução nº 2401000.669 S2C4T1 Fl. 91 3 Preliminarmente falar da possibilidade de apresentação dos documentos que instruem o Recurso em atendimento ao Princípio da Verdade Material (fls. 44/50); Alegar ser portador de moléstia grave e estar aposentado, razão pela qual entende fazer jus à isenção de IRPF (fls. 51/52). Finaliza seu Recurso pedindo o acolhimento da preliminar suscitada e do respectivo mérito, acatando os documentos apresentados. Pede também a suspensão da exigibilidade do suposto Crédito Tributário enquanto pendente o julgamento do Recurso. O Processo foi encaminhado ao CARF onde a 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento, em 18/01/2017, através da Resolução nº 2401000.541 (fls. 69/72), reconheceu, através dos documentos acostados ao Processo, que o Contribuinte está aposentado e é portador de Neoplasia Maligna, sem, contudo, ser possível precisar a data em que contraiu a doença. Diante desses fatos, em busca da verdade material, resolveu, por unanimidade, converter o julgamento em diligência para que seja comprovada, mediante a apresentação de documentos e/ou laudo oficial, a data de início da moléstia grave do Recorrente. O Contribuinte foi cientificado da Resolução do CARF e instado a apresentar os documentos e laudos solicitados através da Comunicação nº 121/2017 (fl. 74) com entrga em 10/04/2017 (fl. 75). Em atendimento à Resolução do CARF, em 07/06/2017 deu entrada na Petição de folhas 79 a 81, instruída com os documentos anexados nas folhas 82 a 84. Nesta Petição, visando atender ao pedido da Resolução, juntou a cópia da Nota Fiscal de prestação de Serviço emitida pelo Hospital e Maternidade Dr. Paulo Hilário (fl. 82), onde comprova a data da realização da colonoscopia (09/11/2011). Juntou também cópia do laudo do IMAGEPAT (fl. 83), laboratório de Anatomia Patológica, datado de 16/11/2011, que concluiu pela existência de Neoplasia Intraepitelial de Baixo Grau. Finaliza sua Petição requerendo o total provimento do Recurso Voluntário uma vez que restou comprovado nos autos que o Contribuinte é aposentado, possui moléstia grave e que teve ciência da Neoplasia Maligna em 16/11/2011. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Andréa Viana Arrais Egypto Relatora O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal e atende aos requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Fl. 91DF CARF MF Processo nº 10530.720819/201547 Resolução nº 2401000.669 S2C4T1 Fl. 92 4 PRELIMINAR DE DILIGÊNCIA Apesar de restar vencida, não vislumbro mais dúvida a ensejar uma baixa em diligência, pois o contribuinte juntou aos autos documentação hábil para demonstrar que cumpre os requisitos legais necessários para o gozo da isenção dos proventos de aposentadoria, relativamente ao anocalendário de 2012, em razão de ser portador de moléstia grave. Nada obstante, assim não entendeu o colegiado, pelo voto de qualidade, de modo que resta esperar o retorno dos autos após o cumprimento da diligência, nos termos do voto do conselheiro Cleberson Alex Friess. (assinado digitalmente) Andréa Viana Arrais Egypto Voto Vencedor Conselheiro Cleberson Alex Friess Redator Designado Peço vênia à I. Relatora para divergir do seu voto, que dava provimento ao recurso voluntário. Entendo que, levando em consideração as exigências da legislação tributária, o conjunto probatório carreado aos autos ainda não possibilita a decisão favorável ao recorrente. Com efeito, de acordo com a Resolução nº 2401000.541, de 18/01/2017, concluiuse que o contribuinte é portador de neoplasia maligna, sem contudo, ser possível afirmar precisamente a data em que contraída a doença. Por essa razão, o julgamento foi convertido em diligência para que o contribuinte comprovasse, especificamente, a data de início da moléstia grave, haja vista que o lançamento referese a fatos geradores do ano calendário de 2012. O art. 30 da Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, é expresso no sentido de que a moléstia é comprovada mediante laudo pericial oficial: Art. 30. A partir de 1º de janeiro de 1996, para efeito do reconhecimento de novas isenções de que tratam os incisos XIV e XXI do art. 6º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, com a redação dada pelo art. 47 da Lei nº 8.541, de 23 de dezembro de 1992, a moléstia deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial, da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. Por sua vez, o art. 39 do Regulamento do Imposto de Renda, veiculado pelo Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999, afirma que a isenção do imposto de renda de que Fl. 92DF CARF MF Processo nº 10530.720819/201547 Resolução nº 2401000.669 S2C4T1 Fl. 93 5 trata a lei aplicase aos rendimentos recebidos a partir da data em que a doença foi contraída, quando identificada no laudo pericial: Art. 39. Não entrarão no cômputo do rendimento bruto: (...) XXXIII os proventos de aposentadoria ou reforma, desde que motivadas por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, estados avançados de doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome de imunodeficiência adquirida, e fibrose cística (mucoviscidose), com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma (Lei nº 7.713, de 1988, art. 6º, inciso XIV, Lei nº 8.541, de 1992, art. 47, e Lei nº 9.250, de 1995, art. 30, § 2º); (...) § 5º As isenções a que se referem os incisos XXXI e XXXIII aplicamse aos rendimentos recebidos a partir: I do mês da concessão da aposentadoria, reforma ou pensão; II do mês da emissão do laudo ou parecer que reconhecer a moléstia, se esta for contraída após a aposentadoria, reforma ou pensão; III da data em que a doença foi contraída, quando identificada no laudo pericial. (...) Em que pese os esforços do recorrente na juntada de documentação complementar, fazse necessário o atendimento das formalidades previstas na lei para o reconhecimento da isenção. Quero dizer, com isso, que a data de início da moléstia grave deve ser comprovada através de laudo médico expedido por instituição pública, revestido das formalidades para produzir os efeitos que lhe são próprios. Nesse passo, VOTO POR CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA para determinar nova intimação do recorrente para juntar aos autos laudo pericial emitido por instituição pública, revestido das formalidades, o qual identifique a data em que a moléstia grave foi contraída. Caso o recorrente tenha alguma dúvida sobre os requisitos e as informações que deve conter o laudo pericial, a unidade da RFB prestará ao interessado as orientações pertinentes. Após, devidamente instruído, retorne os autos para julgamento neste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Fl. 93DF CARF MF Processo nº 10530.720819/201547 Resolução nº 2401000.669 S2C4T1 Fl. 94 6 Conclusão Voto, portanto, por converter o julgamento em diligência, nos termos acima propostos. (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Fl. 94DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11516.720544/2015-92
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 23 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jul 18 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2012 a 31/12/2012
COMISSÕES SOBRE INTERMEDIAÇÃO FINANCEIRA. RECEITA DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. VALOR TRIBUTÁVEL.
O recebimento de comissões pagas por instituições financeiras (previsto em contrato) como remuneração pela intermediação realizada pelas concessionárias no financiamento dos valores decorrentes da venda de veículos constitui-se em auferimento de receita de prestação de serviços, que deve compor, portanto, a base de cálculo da contribuição devida pelo revendedor, não suprida pela tributação concentrada nas montadoras.
APRECIAÇÃO DE ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMAS PELAS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS. EXCEPCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2.
Salvo em raríssimas exceções, expressamente previstas na legislação processual, no âmbito do Processo Administrativo Fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade.
Numero da decisão: 3201-003.706
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente.
(assinado digitalmente)
Tatiana Josefovicz Belisário - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/2012 a 31/12/2012 COMISSÕES SOBRE INTERMEDIAÇÃO FINANCEIRA. RECEITA DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. VALOR TRIBUTÁVEL. O recebimento de comissões pagas por instituições financeiras (previsto em contrato) como remuneração pela intermediação realizada pelas concessionárias no financiamento dos valores decorrentes da venda de veículos constitui-se em auferimento de receita de prestação de serviços, que deve compor, portanto, a base de cálculo da contribuição devida pelo revendedor, não suprida pela tributação concentrada nas montadoras. APRECIAÇÃO DE ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMAS PELAS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS. EXCEPCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2. Salvo em raríssimas exceções, expressamente previstas na legislação processual, no âmbito do Processo Administrativo Fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza - Presidente. (assinado digitalmente) Tatiana Josefovicz Belisário - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2012 a 31/12/2012 COMISSÕES SOBRE INTERMEDIAÇÃO FINANCEIRA. RECEITA DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. VALOR TRIBUTÁVEL. O recebimento de comissões pagas por instituições financeiras (previsto em contrato) como remuneração pela intermediação realizada pelas concessionárias no financiamento dos valores decorrentes da venda de veículos constituise em auferimento de receita de prestação de serviços, que deve compor, portanto, a base de cálculo da contribuição devida pelo revendedor, não suprida pela tributação concentrada nas montadoras. APRECIAÇÃO DE ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMAS PELAS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS. EXCEPCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2. Salvo em raríssimas exceções, expressamente previstas na legislação processual, no âmbito do Processo Administrativo Fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 72 05 44 /2 01 5- 92 Fl. 407DF CARF MF Processo nº 11516.720544/201592 Acórdão n.º 3201003.706 S3C2T1 Fl. 408 2 (assinado digitalmente) Tatiana Josefovicz Belisário Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior. Relatório Tratase de Recurso Voluntário apresentado pelo Contribuinte em face do acórdão nº 1153.594, proferido pela 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Recife (PE), que assim relatou o feito: 1. O presente Processo reúne Autos de Infração da Cofins e da Contribuição para o PIS nãocumulativas (fls. 287 a 301), abrangendo os períodos de janeiro a dezembro de 2012, lavrados pela DRF/Florianópolis, em razão da exclusão da base de cálculo, considerada indevida pela Fiscalização, de valores (contabilizados) de comissões recebidas de instituições financeiras. Os valores globais, em Reais, são os seguintes: 2. A descrição dos fatos está detalhada no Termo de Verificação Fiscal (fls. 263 a 286), no qual se vê que foram também lavrados Autos de Infração do IRPJ e da CSLL, bem como outros de PIS/Cofins, aqueles reflexos, em razão de serem decorrentes de omissão de receita. 2.1. Foram formalizados então dois Processos: este, somente de PIS/Cofins, sobre receitas contabilizadas, e o de nº 11516.720543/201548, com Autos de Infração de IRPJ/CSLL e PIS/Cofins reflexos, sobre receitas não contabilizadas, sendo que este último foi distribuído para julgamento pela 3ª Turma desta mesma DRJ. 2.2. No referido TVF vêse que, inicialmente, os períodos do AnoCalendário 2012 foram objeto de procedimento fiscal de Diligência, em cujo Termo de Início (fls. 059 e 060) foi solicitado ao contribuinte, em resumo, que fornecesse um demonstrativo das contas contábeis que justificasse os valores declarados nas linhas do DACON, assim como memórias de cálculo da apuração das bases imponíveis PIS/Cofins. Fl. 408DF CARF MF Processo nº 11516.720544/201592 Acórdão n.º 3201003.706 S3C2T1 Fl. 409 3 2.2.1. O contribuinte atendeu à Intimação e, com base nos demonstrativos apresentados, a Fiscalização constatou que não tinham sido incluídas na base de cálculo das contribuições as “Comissões sobre Financiamento” (Conta Contábil nº 351001000009). 2.2.2. Instada a justificar a não inclusão desta rubrica, bem como a apresentar as respectivas Notas Fiscais supostamente emitidas a este título, a empresa não teria “respondido a contento”, o que motivou a conversão do procedimento fiscal em Fiscalização propriamente dita, no início da qual (fls. 070 e 071) foi reiterado o pedido de justificativa, bem como foram solicitados elementos adicionais, como cópias de contratos de prestação de serviços (no caso de não terem sido emitidas Notas Fiscais) e de documentos comprobatórios dos lançamentos contábeis, inclusive extratos bancários. 2.3. No corpo do TVF, em razão da importância que tem para justificar a autuação, o Auditor reproduz, fielmente, a justificativa dada pelo contribuinte para a não inclusão das comissões na base de cálculo: 2.3.1. Observa este Relator que, apesar de se embasar em suposta jurisprudência do CARF, não se encontra, nesta resposta à Intimação (fls. 073 e 074), nem mesmo a citação de qualquer Acórdão. 2.4. A Fiscalização ainda adentrou nas diferenças, a maior, encontradas entre o informado nas DIRF por determinadas instituições financeiras e os lançados na contabilidade, inferindo, a partir das respostas dadas a outras Intimações, que houve omissões de receitas – o que não nos interessa aqui relatar nem analisar, pois, conforme já dito, os lançamentos respectivos de IRPJ/CSLL e PIS/Cofins reflexos são objeto de outro Processo (nº 11516.720543/201548). 2.5. Na parte que trata das receitas contabilizadas, que são as que nos cabe apreciar, a Fiscalização constatou, nas suas palavras, que “A fiscalizada exclui REITERADAMENTE e em sua totalidade, da base de cálculo do PIS e da COFINS, as receitas de COMISSÕES SOBRE INTERMEDIAÇÃO DE NEGÓCIOS (Serviços de Corretagem) que são aquelas auferidas na intermediação entre seus clientes (adquirentes de automóveis novos ou usados) e as instituições financeiras (financiadoras da compra dos veículos e/ou seguros automotivos)”. 2.6. Contrapondo a justificativa dada pelo contribuinte e, trazendo ainda novos elementos para embasar a autuação, o AuditorFiscal apresenta os seguintes argumentos, que transcrevo, literalmente: Fl. 409DF CARF MF Processo nº 11516.720544/201592 Acórdão n.º 3201003.706 S3C2T1 Fl. 410 4 “Ocorre que, como é público e notório: "intermediações de negócios", "corretagens", ou "comissões", sempre foram e sempre serão consideradas RECEITAS DE SERVIÇOS, que no caso foram prestados pela fiscalizada para as Instituições Financeiras que financiaram a compra dos veículos que a contribuinte revende, e não para as Montadoras, e portanto não poderiam JAMAIS fazer parte da substituição tributária prevista no artigo 43 da MP 2.158/2011, como postulou a contribuinte. E, sendo uma RECEITA DE SERVIÇO de Intermediação entre as Instituições Financeiras e seus clientes ..., obviamente também são parte integrante da RECEITA OPERACIONAL BRUTA de qualquer entidade que se preste a esse fim (intermediação), mesmo que esta não seja especificamente sua atividade principal, como é o caso das concessionárias de veículos. Aliás, embora não seja esta a sua atividade principal, importa ressaltar que tais RECEITAS DE SERVIÇOS DE INTERMEDIAÇÃO (comissões ou corretagens) são receitas deveras relevantes no faturamento da fiscalizada, tanto que atingiram um total (contabilizado) de ... R$ 841.052,62 no calendário de 2012, conforme demonstrativo dos lançamentos contábeis na conta "Comissão sobre Financiamento", anexado às fls. 246 a 247. Sem falar que, além das receitas contabilizadas ... também foram encontradas Receitas não contabilizadas desse mesmo tipo de serviço ... Obviamente tais rendimentos também não são receitas financeiras uma vez que foram efetivamente retidas na fonte, no código 8045 (Prestação de Serviços), pelas instituições financeiras pagantes, assim como tais retenções foram registradas nas Declarações do Imposto de Renda na Fonte (DIRF) daquelas instituições. Ressaltese que os "serviços de intermediação e congêneres" são parte integrante da lista de serviços anexa à LEI COMPLEMENTAR 116/2003. De se citar (grifouse): 10 Serviços de intermediação e congêneres. 10.1 Agenciamento, corretagem ou intermediação de câmbio, de seguros, de cartões de crédito, de planos de saúde e de planos de previdência privada. 10.2 Agenciamento, corretagem ou intermediação de títulos em geral, valores mobiliários e contratos quaisquer. ................... 10.4 Agenciamento, corretagem ou intermediação de contratos de arrendamento mercantil (leasing), de franquia (franchising) e de faturização (factoring). 10.5 Agenciamento, corretagem ou intermediação de bens móveis ou imóveis, não abrangidos em outros itens ou subitens, Fl. 410DF CARF MF Processo nº 11516.720544/201592 Acórdão n.º 3201003.706 S3C2T1 Fl. 411 5 inclusive aqueles realizados no âmbito de Bolsas de Mercadorias e Futuros, por quaisquer meios. ................... Além disso, os "CONTRATOS DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE CORRESPONDENTE BANCÁRIO", fornecidos pela própria fiscalizada em resposta à intimação, anexados às fls. 75 a 127, comprovam de maneira inequívoca que tais comissões tratavam se de prestação de serviços.” 2.7. Em meio às suas argumentações, remete a uma amostra dos Comprovantes de Rendimentos Pagos ou Creditados e Retenção de Imposto de Renda na Fonte (fls. 229 a 234) e traz telas do Sistema Dossiê Integrado e relatório do Sistema DWSIGAPJ, onde aparecem resumidas as retenções na fonte efetuadas pelas instituições financeiras. 2.8. Ao final do tópico que nos interessa, lista todos os lançamentos da Conta “Comissão sobre Financiamento” que foram tomados por base para esta autuação (valores “contabilizados”), totalizando, no mesmo AnoCalendário, R$ 841.052,62. 3. A autuada foi cientificada da exigência por via postal, em 26/03/2015 (fls. 304), e, irresignada, apresentou Impugnação (fls. 308 a 332, mais anexos), em tudo idêntica à apresentada para as outras autuações objeto do Processo nº 11516.720543/201548 – e considerada tempestiva pela ARF/Tubarão, conforme Despacho às fls. 363. 3.1. Em síntese, no que interessa a este Processo, desfia os seguintes argumentos: 1) Não Caracterização das Comissões Recebidas como Receita de Prestação de Serviços Alega que os depósitos efetuados em sua conta corrente tratam se apenas de um valor financeiro, sendo que o que se verificaria, na realidade, é um contrato entre a instituição financeira e o adquirente do veículo, não havendo emissão de Nota Fiscal por parte da Impugnante (diz, inclusive, que as contratantes nem as exigiriam), pois não haveria contraprestação, já que não se trata de sua atividadefim, venda de veículos, nem de prestação de serviços, não havendo, portanto, que se falar em Receita ou Faturamento. Depois remete ao art. 8º da Lei nº 12.546/2011, para falar sobre base de cálculo da contribuição previdenciária sobre a receita. Em seguida, envereda pela argumentação da mais que conhecida declaração de inconstitucionalidade pelo STF do “alargamento” da base de cálculo trazido pelo § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, em função da sua vigência ser anterior à da Emenda Constitucional nº 20/1998, que alterou a redação do art. Fl. 411DF CARF MF Processo nº 11516.720544/201592 Acórdão n.º 3201003.706 S3C2T1 Fl. 412 6 195, I, da Constituição Federal para “receita ou faturamento”, ao invés de somente “faturamento”, este conceituado somente como vendas de bens e de serviços, nas quais, repisa, as comissões em comento não se enquadrariam (cita, como se também fosse inválido, o conceito de receita da Lei nº 10.637/2002, que introduziu a cobrança nãocumulativa da Contribuição para o PIS). 2) “Bis in Idem” (recolhimento dos tributos pelas instituições financeiras) Destaca que, quando do financiamento dos veículos, a instituição financeira já recolheria “os tributos ora em discussão” de modo que exigilos da Impugnante configuraria evidente bis in idem, “sendo inclusive este o motivo que a teria levado a contabilizar parte dos depósitos efetuados em suas contas e não incluílos na base de cálculo dos tributos”. 3) Demanda Judicial da UNICONS para Restituição das Comissões Como se argumento complementar do afastamento do conceito de receita fosse e de que não seria responsável pelo declarado pelas instituições financeiras, informa que estava sendo demandada pela União Nacional de Consumidores Consorciados e Usuários do Sistema Financeiro – UNICONS, na Ação Coletiva de Cobrança nº 023.12.5010748, perante a 1ª Vara da Fazenda Pública da Capital (cuja Petição Inicial anexa, às fls. 333 a 353), na qual a autora pleiteia em nome dos seus associados a restituição dos valores incluídos nos contratos de financiamento a título de comissão. Estaria, assim, sendo cobrado “de ambos os lados” (correndo o risco de ter que ressarcir os contratantes e ainda recolher os tributos federais) por algo que sequer teria acordado com as instituições financeiras, quando estas é que firmariam os contratos como os clientes e prestavam declarações à Receita Federal. 4) Caráter Confiscatório da Multa de Ofício, na Ausência de Dolo ou MáFé Este tópico na realidade é bem mais voltado às autuações com base em omissão de receita, pois lá foi imputada a multa qualificada, de 150 % (inclusive com formalização de Representação Fiscal para Fins Penais), penalidade que alega ser confiscatória, irrazoável e desproporcional, pugnando pela sua redução, se não para 20 %, ao menos para 75 %. No entanto, como a reclamante traz uma decisão do TRF da 5ª Região, tratando sobre o patamar de 75 %, a qual seria exemplificativa de que “os Tribunais Pátrios, em casos semelhantes, têm decidido pela redução da multa de ofício para o patamar de 20 %, sob pena de caracterização de confisco”, não posso deixar de aqui trazer este questionamento. Requerimentos Finais Fl. 412DF CARF MF Processo nº 11516.720544/201592 Acórdão n.º 3201003.706 S3C2T1 Fl. 413 7 a) a anulação dos autos de infração ... com a conseqüente desconstituição do ... principal, juros e multa; b) alternativamente, seja reduzida a multa para o patamar de 20 %, conforme entendimento jurisprudencial ...; c) sejam as instituições financeiras relacionadas nos processos intimadas para prestarem informações acerca do recolhimento do PIS e da COFINS sobre os valores por ela declarados; d) seja retirada a Representação Fiscal para Fins Penais; e) que todas as notificações e/ou intimações, acerca de todos e quaisquer atos relativos ao presente processo administrativo, sejam feitas, sob pena de nulidade ... em nome dos seus advogados, para o endereço do seu escritório profissional. É o que importa relatar. Após exame da Impugnação apresentada pelo Contribuinte, a DRJ proferiu acórdão assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2012 a 31/12/2012 COMISSÕES SOBRE INTERMEDIAÇÃO FINANCEIRA. RECEITA DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. VALOR TRIBUTÁVEL. O recebimento de comissões pagas por instituições financeiras (previsto em contrato) como remuneração pela intermediação realizada pelas concessionárias no financiamento dos valores decorrentes da venda de veículos constituise em auferimento de receita de prestação de serviços, que deve compor, portanto, a base de cálculo da contribuição devida pelo revendedor, não suprida pela tributação concentrada nas montadoras. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2012 a 31/12/2012 COMISSÕES SOBRE INTERMEDIAÇÃO FINANCEIRA. RECEITA DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. VALOR TRIBUTÁVEL. O recebimento de comissões pagas por instituições financeiras (previsto em contrato) como remuneração pela intermediação realizada pelas concessionárias no financiamento dos valores decorrentes da venda de veículos constituise em auferimento de receita de prestação de serviços, que deve compor, portanto, a base de cálculo da contribuição devida pelo revendedor, não suprida pela tributação concentrada nas montadoras. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Fl. 413DF CARF MF Processo nº 11516.720544/201592 Acórdão n.º 3201003.706 S3C2T1 Fl. 414 8 Período de apuração: 01/01/2012 a 31/12/2012 MULTA DE OFÍCIO DE 75 %. LEGALIDADE. No lançamento de ofício por insuficiência de recolhimento do tributo, há previsão, em normas legais válidas, vigentes e eficazes, de aplicação da multa de ofício (sendo a básica de 75 %, passível de redução). ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2012 a 31/12/2012 APRECIAÇÃO DE ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMAS PELAS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS. EXCEPCIONALIDADE. Salvo em raríssimas exceções, expressamente previstas na legislação processual, no âmbito do Processo Administrativo Fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. DIRECIONAMENTO OBRIGATÓRIO DAS INTIMAÇÕES. DOMICÍLIO TRIBUTÁRIO ELEITO PELO SUJEITO PASSIVO. Em todas as formas admitidas de intimação pela legislação processual, a destinação é sempre para o endereço (seja fictício, seja eletrônico) do domicílio tributário eleito pelo contribuinte, que é o cadastrado nos Sistemas da RFB, sendo descabido, portanto, o pedido, ainda mais sob pena de nulidade, de que todas as notificações e/ou intimações sejam feitas em nome dos advogados do contribuinte, para o endereço do seu escritório profissional. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformado, o Contribuinte apresentou Recurso Voluntário reiterando os argumentos de defesa apresentados quanto ao crédito tributário mantido, questionando a incidência da COFINS sobre o que denomina receita financeira. Após os autos foram remetidos a este CARF e a mim distribuídos por sorteio. É o relatório. Voto Conselheira Tatiana Josefovicz Belisário Relatora O Recurso é próprio e tempestivo e, portanto, dele tomo conhecimento. Fl. 414DF CARF MF Processo nº 11516.720544/201592 Acórdão n.º 3201003.706 S3C2T1 Fl. 415 9 Necessário salientar que, muito embora suscitado em sede de Impugnação, o Recurso Voluntário não questiona a multa aplicada Quanto ao mérito, o Recurso Voluntário apresentado pelo Contribuinte tem absolutamente idêntica redação à impugnação apresentada, apenas com a substituição do termo "Impugnante" por "Recorrente". Não há qualquer novo argumento além daqueles já despendidos na defesa inicial. Tratase de acórdão de relatoria do Auditor Cláudio Losse, cujas manifestações destacamse sempre pela clareza, objetividade e precisão. Desta feita, rogando vênia aos meus pares por eventual exaustão da transcrição, não vejo melhor forma de prestigiar o excelente e bem fundamentado julgado, que não a sua reprodução no presente voto, tornadoo parte integrante desta fundamentação: 1) Não Caracterização das Comissões Recebidas como Receita de Prestação de Serviços Não vejo qualquer razão plausível para a remissão à legislação previdenciária, pois as contribuições lançadas, ainda que também sejam para a seguridade social, são reguladas por normas legais completamente distintas. A menção à inconstitucionalidade do “alargamento” da base de cálculo intentado pelo § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 (regime cumulativo) também não faz o menor sentido, neste caso, já que a autuada apura as contribuições sobre o regime nãocumulativo e é tão cediço que o citado alargamento foi inválido (o dispositivo até foi revogado) como que o mesmo entendimento não se aplica às leis que regulam o regime nãocumulativo, no qual o conceito de receita é absolutamente amplo, observadas somente as excepcionalidades trazidas nos próprios diplomas legais. Descabida portanto, também, é a inclusão da Lei nº 10.637/2002 na mesma linha de argumentação. Nos concentremos então somente na questão de ser ou não enquadrável no conceito de receita (da nãocumulatividade) o recebimento de comissões, pagas pelas instituições financeiras, pela intermediação no financiamentos de veículos. Qual é atividadefim das concessionárias de veículos ?? Vender veículos, por óbvio, além de acessórios e autopeças. Daí a alegação de que a tributação da venda de veículos estaria concentrada na venda pelos fabricantes, não tendo a concessionária mais nada a recolher –mesmo tendo um recebido um valor extra, a título de comissão, sobre o preço do veículo, quando financiado. Mas esta justificativa trazida para a não inclusão das receitas em questão na base de cálculo, como bem caracterizado pela Fiscalização, é totalmente dezarrazoada. Não se exige, no regime da nãocumulatividade, que a receita seja característica da atividade fim da empresa, não sendo fato determinante para a tributação somente o fato do financiamento Fl. 415DF CARF MF Processo nº 11516.720544/201592 Acórdão n.º 3201003.706 S3C2T1 Fl. 416 10 estar umbilicalmente ligado à venda do veículo para o cliente (ele não faz sentido sem ela). Se a concessionária recebe comissão por ter feito a intermediação para a instituição financeira, isto vai além (ainda que não esteja apartado, de forma visível) do preço de venda propriamente dito (decorrente da operação comercial), este sim com tributação concentrada na montadora, e não resta dúvida de que este “plus” é receita (ainda que sobre a ótica estrita do faturamento), pois constituise, de forma clara e legalmente expressa, em prestação de serviços. Diz o contribuinte que seguiu a orientação jurisprudencial do CARF, que seria a da concentração da tributação na montadora, sem, repito, citar nenhum Acórdão a respeito. Efetivamente me causou estranheza este posicionamento do CARF, não no que se refere aos veículos em si, pois está na própria lei – e exigir qualquer coisa da concessionária seria subverter a lógica da concentração da arrecadação (que busca focar, em poucos e grandes contribuintes, a fiscalização e a arrecadação) –, mas em relação a prestações de serviços de intermediação financeira, que, como já dito, não compõem, ainda que nela “embutidos”, a receita de vendas alcançada pela tributação concentrada. Fiz então uma pesquisa no site do CARF na Internet, utilizando me de parâmetros que considero suficientemente razoáveis, e encontrei poucas decisões, todas em sentido diametralmente oposto, ou seja, considerando a comissão como prestação de serviços, tributável. O Acórdão nº 3403002.909, da 4ª Câmara da 3ª Turma Ordinária da 3ª Seção de Julgamento, é um deles, sendo que transcrevo a Ementa, na parte que nos interessa (o Período de Apuração foi de 01/04/2006 a 31/12/2009): PIS/COFINS. SUBSTITUIÇÃO TRIBUTÁRIA NA CADEIA DE VENDA DE PRODUTOS. RECEITA DE CORRETAGEM OU COMISSÃO POR PRESTAÇÃO DE SERVIÇO. DISTINÇÃO. As receitas de comissão ou corretagem remuneram uma prestação de serviço, não se confundindo com a atividade de revenda mercantil do produto. Por isso, o fato de o produto ser submetido à tributação sob o regime de substituição tributária de PIS/Cofins – no caso, em relação às motocicletas, previsto no art. 43 da MP 2.158 35/2001 – não traz qualquer implicação no que se refere às comissões recebidas, que não se confundem com a receita de revenda. Outro Acórdão, o de nº 3403002.521, também da 4ª Câmara da 3ª Turma Ordinária da 3ª Seção de Julgamento, mas de outra relatoria, trata a mesma questão, de forma clara, mesmo que Fl. 416DF CARF MF Processo nº 11516.720544/201592 Acórdão n.º 3201003.706 S3C2T1 Fl. 417 11 bem resumida, na Ementa (o mesmo vale para a Contribuição para o PIS): CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL –COFINS Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2010 RECEITAS. RETORNOS SOBRE FINANCIAMENTOS. RENDIMENTOS HOLD BACK. BASE DE CÁLCULO. Os valores recebidos a título de comissionamento por vendas de veículos a varejo e de produtos bancários relacionados vendas de veículos integram a base de cálculo da contribuição. O mais interessante em relação ao Processo ao qual este último Acórdão transcrito é relativo (nº 11516.722342/201151) é o que se diz no corpo do Voto do Acórdão de 1º instância (nº 06 41.438, de 19/06/2013, da 3ª Turma da DRJ/Curitiba). Senão vejamos: “Em primeiro lugar, não é crível que instituições financeiras remunerem “graciosamente” revendedoras de veículos apenas porque os compradores de seus veículos “optaram” em financiálos com elas. Evidente que há um direcionamento por parte da revendedora e que a remuneração recebida decorre de um contrato de comissionamento. Ainda que se possa admitir que o valor repassado corresponde a uma parte dos juros cobrados no financiamento pela instituição financeira, quando tais juros são repassados, na forma de comissão, para terceiros, é evidente que a natureza primária desses recursos deixa de existir. Deixa de ter a natureza de “receita financeira” e passa a ter a natureza de mero “recurso” da instituição financeira, recurso esse que decorre de seu faturamento e que está sendo (ou será) utilizado para a quitação de compromissos assumidos com terceiros. Pensemos de uma outra forma. Se uma instituição financeira cobra juros em seus financiamentos e esses juros constituem sua receita principal, os recursos correspondentes passam a compor o seu caixa disponível. Assim, exemplificando, ao efetuar a compra de um veículo de uma revendedora de veículos para seu próprio uso, essa instituição financeira vai efetuar o pagamento justamente com esses recursos. Seguindo a lógica das impugnantes, como os recursos da instituição têm origem na cobrança de juros, então a sua receita (da revendedora), vinculada a essa venda, também deve ser considerada financeira, estando sujeita portanto à alíquota zero do PIS e da Cofins. É claro que o raciocínio é falho. Quando os recursos originados dos financiamento ingressam no caixa da instituição financeira eles se transformam em simples recursos financeiros e esses Fl. 417DF CARF MF Processo nº 11516.720544/201592 Acórdão n.º 3201003.706 S3C2T1 Fl. 418 12 recursos são usados para a quitação de todos os compromissos da instituição, inclusive para a compra de veículos ou para o pagamento de comissões. Quem recebe, não está recebendo recursos com a natureza de “receitas financeiras” mas simples recursos financeiros destinados ao pagamento dos compromissos firmados. Apenas isso.” É bem verdade que a Impugnante não traz como argumento, de forma clara, que estas receitas seriam financeiras – tributadas, à época, à alíquota zero –, mas chega, em certo trecho da Impugnação, a dizer que “os depósitos efetuados em sua conta corrente tratamse apenas de um valor financeiro”, sendo que coloco os últimos argumentos da DRJ/Curitiba aqui tãosomente com a finalidade de procurar afastar qualquer interpretação neste sentido. Caracterizada, então, está que a jurisprudência do CARF de forma alguma orientou o contribuinte a adotar o procedimento de não incluir estas receitas na base de cálculo. E o primeiro argumento transcrito no Voto da DRJ/Curitiba pode ser perfeitamente validado somente com a experiência prática de qualquer um que vá adquirir um veículo novo em uma concessionária, observando, até como regra e de forma suficientemente clara, que o vendedor induz o comprador a financiar a compra – em detrimento do recebimento à vista (que seria o esperado, dentro da lógica de qualquer comerciante que não aufira vantagens maiores com o pagamento, ao menos parcial, a prazo). Se a concessionária recebe o pagamento do veículo em si e, ainda, uma comissão “por fora” (parte da qual certamente é repassada, de alguma forma, ao vendedor), explicada está esta prática, mais que visível. Quanto às cópias dos contratos com as instituições financeiras apresentados pela própria Impugnante (fls. 075 a 127) em resposta a uma das Intimações Fiscais, já vimos que a Fiscalização afirma que “comprovam de maneira inequívoca que tais comissões tratavamse de prestação de serviços”. Foram, basicamente, apresentados dois contratos – dos quais o contribuinte “passa ao largo” totalmente em sua Impugnação, pelos motivos óbvios que serão vistos a seguir (retirei os grifos originais e coloquei meus): 1º) Com o BANCO PANAMERICANO S.A., PANAMERICANO ARRENDAMENTO MERCANTIL S.A., e outro, intitulado como “CONTRATO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE CORRESPONDENTE NO PAÍS”. Na cláusula 1.1, inciso I (fls. 075), está consignado que um dos objetos do contrato é a “Recepção e encaminhamento de propostas de operações de créditos e arrendamento mercantil, concedidas pelas CONTRATANTES, bem como outros serviços prestados para o acompanhamento das Fl. 418DF CARF MF Processo nº 11516.720544/201592 Acórdão n.º 3201003.706 S3C2T1 Fl. 419 13 mesmas, de acordo com a autorização prevista na tabela de Produtos e Serviços, constante do Anexo I”. No referido Anexo (fls. 085), vêse que estão assinaladas as opções “CDC Veículo”, “Empréstimo (Crédito Pessoal)” e “Leasing”. A primeira das OBRIGAÇÕES DOS CONTRATANTES (fls. 078, Subitem 3.1), estabelece que deverão “Pagar à CONTRATADA, e aos substabelecidos, conforme o caso, os valores correspondentes às respectivas produções, conforme as respectivas “Normas de Remuneração” dos CONTRATANTES, nos prazos e condições convencionados”. Antes das “Normas de Remuneração” propriamente ditas, está a CLÁUSULA QUINTA – DA REMUNERAÇÃO E FORMA DE PAGAMENTO, sendo que, no Subitem 5.3, está dito que “O pagamento da remuneração se dará por meio de depósito à vista ..., com crédito na(s) conta(s) corrente(s) de titularidade da CONTRATADA, ou à sua ordem ...” Nas “NORMAS DE REMUNERAÇÃO – VEÍCULOS” (fls. 087), aparecem as seguintes categorias de comissões: COMISSÃO POR OPERAÇÃO, que é um “Percentual aplicado sobre o valor líquido da operação contratada ... definido em função das condições da tabela de juros utilizada pela BENEFICIÁRIA na operação” (ou seja, quanto maior a taxa de juros que a concessionária “consegue” aplicar, maior a sua remuneração); COMISSÃO POR PERFORMANCE, paga em função do cumprimento de metas estabelecidas para determinado período. 2º) Com a AYMORÉ CRÉDITO, FINANCIAMENTO E INVESTIMENTO S.A. e SANTANDER LEASING S.A. ARRENDAMENTO MERCANTIL, também intitulado “CONTRATO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE CORRESPONDENTE NO PAÍS” (fls. 098). Na Cláusula 2, que trata da REMUNERAÇÃO, é dito que “O CORRESPONDENTE receberá remuneração ajustada como os CONTRATANTES e calculada de acordo com o volume de contratos efetivamente celebrados, e paga por meio de crédito em conta corrente”, falando no Parágrafo Primeiro, I, em um máximo de 6 %, na contratação da operação. Mais claro, impossível. Acintosamente, o recebimento de comissões tratase de receita obtida com a prestação de serviços de intermediação para instituições financeiras, creditado diretamente na conta corrente da concessionária (daí não ser exigida a emissão de Notas Fiscais, pois o próprio contrato embasa cada pagamento – aliás, não se tributa a receita por Fl. 419DF CARF MF Processo nº 11516.720544/201592 Acórdão n.º 3201003.706 S3C2T1 Fl. 420 14 conta da existência da Nota Fiscal, mas sim pelo efetivo auferimento da mesma, seja por qual meio for). O dito neste Item já basta para estar convicto de que a receita de comissões é tributável, mas analisemos ainda as demais alegações, para ver com clareza que a primeira é totalmente descabida e a segunda, na realidade, milita contra a Impugnante: 2) “Bis in Idem” (recolhimento dos tributos pelas instituições financeiras) Utilizandose da linguagem popular: “uma coisa é uma coisa e outra coisa é outra coisa”. Tecnicamente falando, a obrigação tributária nasce com o fato gerador. Qual é o fato gerador PIS/Cofins ?? Auferimento de receitas, sendo mais amplo ou mais restrito o seu conceito de acordo com o regime de apuração. Não se discute mais que as receitas decorrentes das atividades típicas das instituições financeiras são tributáveis. Assim, ao fazer um financiamento, elas devem as contribuições sobre as receitas em razão dele auferidas. A concessionária, por sua vez, presta um serviço à instituição financeira. Os recursos que são utilizados pela contratante para pagar a contratada são fruto do financiamento (isto já foi, sim, tributado), mas o auferimento de receita de prestação de serviços pela concessionária já é outro fato gerador, então, sobre estas comissões, incidem também as contribuições, independentemente “de onde veio este dinheiro”. Para que não reste dúvida, darei um exemplo bem corriqueiro: uma empresa comercial “A” vende uma mercadoria qualquer, tributada a alíquota positiva, para um cliente. Deve pagar PIS/Cofins sobre a receita auferida. Depois, ela usa este dinheiro para adquirir um equipamento qualquer para a sua loja, também tributado à alíquota positiva, de outra empresa comercial “B”. O comerciante “B”, evidentemente, também deve pagar o seu PIS/Cofins (devido por ele), sendo irrelevante de onde vieram os recursos despendidos por “A”. Não há, portanto, que se falar em “bis in idem”. 3) Demanda Judicial da UNICONS para Restituição das Comissões Eu diria que este argumento, voltando a me utilizar da linguagem popular, é um verdadeiro “tiro no pé” dado pela Impugnante, pois, se a UNICONS pleiteia a restituição das comissões recebidas pelas concessionárias decorrentes de intermediação de financiamentos (e outros, como seguros e consórcios), estas seriam “penduricalhos” das vendas, ou seja, Fl. 420DF CARF MF Processo nº 11516.720544/201592 Acórdão n.º 3201003.706 S3C2T1 Fl. 421 15 algo que agrega valor ao veículo em si, em prol da revendedora e em detrimento do consumidor. Mais incoerente ainda é que a Impugnante anexa a Petição Inicial da ação judicial, e lá se vê, por exemplo, em que o UNESCO, no Item IV – “Dos Fatos” (fls. 336 e 337), diz o seguinte (retirei os grifos originais e coloquei meus, pois nosso foco não é no consumidor ou na legalidade da cobrança das comissões, mas sim em sua natureza de receita de prestação de serviços): “Desde há muito, os consumidores adquirentes de veículos automotores vem sendo vítimas de práticas abusivas levadas a efeito pelas concessionárias e pelas instituições financeiras por ocasião da aquisição de veículos através das diversas modalidades de financiamentos e leasing. Lembrese, por exemplo, da tentativa de imputar aos consumidores a responsabilidade pelo pagamento da taxa de cadastro (TC), da taxa de confecção de cadastro (TCC), da taxa de emissão do boleto (TB), etc ..., todas já definitivamente declaradas ilegais pelo judiciário. Impedidas de continuarem a praticar as referidas práticas abusivas por decisões da justiça e demonstrando inesgotável criatividade, as concessionárias passaram a adotar outra espécie de prática abusiva, em escancarada e abusiva lesão aos consumidores. A demandada, assim como as demais concessionárias de veículos, vem prejudicando os consumidores há anos, embutindo nos valores da compra de veículos automotores, adquiridos por meio de financiamento bancário (CDC, Leasing, etc ...), uma “comissão” por ter captado o cliente para o agente financeiro, tudo de forma deliberada, lesando os consumidores de forma abusiva em busca do aumento arbitrário dos seus lucros. Tratase da famigerada taxa de retorno (TR), oculta e irregularmente inserida em financiamento de veículos, custo inexigível e inaceitável, mas que é levado, exclusivamente, à conta do consumidor. Essa comissão ..., acredite V, Exª, possui uma escala de 1 (uma) a 12 (doze) níveis/índices incidentes (em alguns Estados de 1 a 20), tudo decidido pelo vendedor da concessionária que, conforme a “cara” do comprador, lhe impinge uma taxa de juros maior e, via de conseqüência, aufere uma comissão proporcionalmente maior. Por óbvio, quanto maior o índice aplicado no financiamento, maior o lucro do agente financeiro e, por conseqüência, maior a comissão recebida pela concessionária. Esta “prática comercial” das concessionárias acaba por imputar ao consumidor custos que em nada lhe competem, por um serviço alheio à operação de compra e venda Fl. 421DF CARF MF Processo nº 11516.720544/201592 Acórdão n.º 3201003.706 S3C2T1 Fl. 422 16 financiada – encargo que não lhe é informado e não lhe traz qualquer benefício, ocasionando, ao contrário, o aumento nos custos do financiamento. Assim, a “comissão” é cobrada do consumidor de forma ilegal pela concessionária, pois deriva de um serviço que ela presta ao agente financeiro, em ato típico de filial/sucursal do Banco, o que ela não é, não se enquadrando por isso, na categoria de “agente financeiro”, segundo as normas do Banco Central do Brasil. ................... Desta forma, o “incremento” ou inclusão do valor da comissão recebido pelo concessionário no valor financiado pelo cliente, não tem suporte em qualquer serviço prestado pela instituição financeira.” Assim, terminou por trazer a própria Impugnante um elemento probante bastante consistente de que as comissões sobre vendas são remuneração sobre serviços por ela prestados às instituições financeiras, umbilicalmente ligada à venda dos veículos, pois embutida no seu preço final. Não resta dúvida, portanto que são tributáveis (ainda que – por mera ilação – fosse sob o regime cumulativo). E, se são tributáveis, as contribuições são devidas ao Fisco. Se algum cliente que seja – ou todo o universo deles – pleiteia a restituição do valor cobrado, pouco importa. Aí é uma questão que foge à seara tributária. Se a empresa terá que arcar com o ônus de restituir estes valores aos clientes, em decorrência do insucesso em uma demanda judicial, o tributo é devido da mesma forma, pois o fato gerador, repito, é o auferimento da receita. Chegando a extremos, se algum funcionário desviasse o dinheiro da conta bancária da concessionária, o tributo deixaria de ser devido ?? Teria que o Fisco deixar de cobrar o Imposto de Renda de um assalariado que foi assaltado na saída do Banco ao sacar seus proventos ?? À evidência, o argumento, portanto, carece de qualquer sustentação. Assim, com a fundamentação exposta, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. É como voto. Tatiana Josefovicz Belisário Fl. 422DF CARF MF Processo nº 11516.720544/201592 Acórdão n.º 3201003.706 S3C2T1 Fl. 423 17 Fl. 423DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16707.004062/2003-24
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 25 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Exercício: 1999
EQUIPARAÇÃO À PESSOA JURÍDICA. EXERCÍCIO HABITUAL DE
ATIVIDADE ECONÔMICA.
Comprovado nos autos o exercício habitual, e não eventual, de atividade econômica, com o fim especulativo de lucro, mediante venda a terceiros de bens ou serviços, correta a equiparação, para fins tributários, à pessoa jurídica. As atividades praticadas apresentavam periodicidade semanal, ou inferior, em todos os meses do anocalendário.
ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Exercício: 1999
MATÉRIA PRECLUSA.
Questões não provocadas a debate em primeira instância, quando se instaura a fase litigiosa do procedimento administrativo, com a apresentação da petição impugnativa inicial, e somente vêm a ser demandadas na petição de recurso, constituem matérias preclusas das quais não se toma conhecimento, por afrontar o princípio do duplo grau de jurisdição a que está submetido o Processo Administrativo Fiscal.
Numero da decisão: 1301-000.561
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade, rejeitar as preliminares de nulidade do lançamento e, no mérito, negar provimento ao recurso.
Nome do relator: Waldir Veiga Rocha
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EXERCÍCIO HABITUAL DE ATIVIDADE ECONÔMICA. Comprovado nos autos o exercício habitual, e não eventual, de atividade econômica, com o fim especulativo de lucro, mediante venda a terceiros de bens ou serviços, correta a equiparação, para fins tributários, à pessoa jurídica. As atividades praticadas apresentavam periodicidade semanal, ou inferior, em todos os meses do anocalendário. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 1999 MATÉRIA PRECLUSA. Questões não provocadas a debate em primeira instância, quando se instaura a fase litigiosa do procedimento administrativo, com a apresentação da petição impugnativa inicial, e somente vêm a ser demandadas na petição de recurso, constituem matérias preclusas das quais não se toma conhecimento, por afrontar o princípio do duplo grau de jurisdição a que está submetido o Processo Administrativo Fiscal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade, rejeitar as preliminares de nulidade do lançamento e, no mérito, negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Alberto Pinto Souza Junior Presidente Fl. 233DF CARF MF Emitido em 15/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/05/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 30/05/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/06/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 16707.004062/200324 Acórdão n.º 130100.561 S1C3T1 Fl. 736 2 (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Waldir Veiga Rocha, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Paulo Jakson da Silva Lucas, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior, Valmir Sandri e Alberto Pinto Souza Junior. Relatório JOSÉ LUCIANO RIBEIRO EPP, já qualificada nestes autos, inconformada com o Acórdão n° 1217.805, de 11/01/2008, da 9ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Rio de Janeiro I/RJ, recorre voluntariamente a este Colegiado, objetivando a reforma do referido julgado. Por bem descrever os fatos, valhome do minucioso relatório elaborado por ocasião do julgamento do processo em primeira instância, a seguir transcrito: I Do Lançamento O presente processo tem origem no auto de infração de fls. 03/69, lavrado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Natal, em 12/12/2003, do qual a interessada acima foi cientificada em 23/12/2003, consubstanciando exigência do Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica – IRPJ, no valor de R$14.868,81; além das autuações reflexas referentes às contribuições “Social sobre o Lucro Líquido” – CSLL, no valor de R$9.912,53; “Programa de Integração Social” – PIS, no valor de R$6.711,56, “Financiamento da Seguridade Social”– COFINS, no valor de R$20.651,11. Estes tributos, acrescido da correspondente multa de ofício de 75% e dos juros de mora, referemse aos fatos geradores ocorridos no ano calendário 1998. II Da Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal 2. Em procedimento de verificação do cumprimento das obrigações tributárias pela interessada, efetuou o autuante o lançamento de ofício do IRPJ, que, de acordo com a descrição dos fatos contida no corpo do auto de infração, resultaram na apuração das infrações denominadas: 2.1 – “Receitas Operacionais (Atividade Não Imobiliária) – Omissão de Receitas da Revenda de GadoemPé Exercida Informalmente” – Art. 16, da Lei nº 9.249/95; Art. 27, inciso I, e art. 42; 3. Os lançamentos da CSLL; COFINS e PIS são mera decorrência do de IRPJ; 4. As razões que motivaram os lançamentos estão descritas no próprio corpo do auto de infração – fls. 04 a 14 e atentam para o seguinte: Fl. 234DF CARF MF Emitido em 15/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/05/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 30/05/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/06/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 16707.004062/200324 Acórdão n.º 130100.561 S1C3T1 Fl. 737 3 4.1 – o fiscalizado foi selecionado em face de a sua movimentação financeira realizada no Banco Bandeirantes e Banco do Brasil, nos valores, respectivos, de R$533.133,45 e R$892.795,00, ser incompatível com o rendimento tributável declarado de R$19.640,62; 4.2 – o autuado quando intimado, apresentou os extratos bancários e informou que a sua movimentação bancária era decorrente da atividade de aquisição de gado realizada para diversos pecuaristas norteriograndenses, sendo que os citados valores transitavam por sua conta corrente “para fins de fechamento dos negócios, mas que a efetiva receita auferida equivalia a R$200,00 por cada carrada com vinte bois”. Por fim, o interessado informou que a “movimentação bancária não é ganho e que apenas reflete as transações efetuadas, em nome de terceiros” que teriam sido declaradas em DIRPF; 4.3 – intimado a individualizar as operações, identificando os beneficiários, o impugnante informou o que se segue: a) – que “o principal adquirente do gado por ele transportado é o Sr. Sávio H. C. Souza”, como atestam as notas fiscais e guias de movimentação animal, anexados às fls. 165/176; b) – na venda de leite in natura para a empresa Maila Macedônia Ltda, inscrita no CNPJ sob nº 70.044.821/000105, conforme declaração emanada desta última, às fls. 161; c) – empréstimos efetuados junto ao Banco do Brasil, conforme documentação de fls. 163/164; d) – planilhas onde se apresentam conciliações parciais da movimentação bancária realizada no BB – fls. 177/430 – e no Banco Bandeirantes – fls. 431/565 e onde se individualizam as pessoas físicas e jurídicas responsáveis pelos créditos efetuados; 4.4 – intimado a comprovar a remuneração pelos serviços de intermediação prestados ao Sr. Sávio H. C. Souza, compatibilizandoas com as notas fiscais relacionadas, o defendente informou que os “negócios foram verbais e que não há qualquer ato escrito que ateste tais negócios, quer a compra e venda feita em nome do Sr. Sávio, quer quanto à contratação do transporte do gado adquirido pelo mesmo”; 4.5 – em relação às revendas de leite in natura para a empresa Maila Ltda, foi o fiscalizado intimado a apresentar as notas fiscais e compatibilização dos créditos correspondentes, tendo respondido que “a movimentação financeira apresentada contempla todas as operações realizadas com a Maila, sendo desnecessária a compatibilização”; 4.6 – quando intimado a identificar os beneficiários dos cheques emitidos para pagamentos das operações de compra de gado, o autuado informou que nos mapas demonstrativos apresentados constam as referidas identificações, não sendo possível, entretanto, fornecer endereço, CPF ou CNPJ dos mesmos; 4.7 – na seqüência da ação fiscal, foi solicitada à DRF Palmas/TO a realização de diligências junto às pessoas com quem o impugnante informou manter negócios com o intuito de verificar o alegado por este, tendo esta unidade, mediante relatório, assim se pronunciado: Fl. 235DF CARF MF Emitido em 15/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/05/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 30/05/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/06/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 16707.004062/200324 Acórdão n.º 130100.561 S1C3T1 Fl. 738 4 a) – que a Secretaria de Estado da Fazenda do Estado de Tocantins só verificou a existência de notas fiscais em nome da empresa Sávio H. C. de Souza; b) – declaração do Sr. Paulo Henrique Terra Siqueira afirmando, em depoimento, que "...não houve nenhum tipo de negociação com o Sr. José Luciano Ribeiro, existindo apenas depósitos bancários em meu nome para efetuar pagamentos de impostos e taxas de notas fiscais de produtor rural, e também a comissão referente à prestação de serviços de compra e venda de bovinos no valor de R$ 200,00 por carrada”; c) – quanto à outra pessoa mencionada, Sr. Marcio Antonio Valadares Terra, não foi possível proceder a diligência porquanto ela se mudou para outro estado; 4.8 – nesse ínterim, a própria fiscalização diligenciou junto a diversas pessoas físicas da região do RN, conforme documentos de fls. 619/628, apontadas pelo fiscalizado como beneficiárias de cheques seus, intimandoas a informar, a natureza das atividades praticadas entre o impugnante e elas, tendo estas respondido que os cheques recebidos se referiam ao pagamento pela venda de gado a aquele. De ressaltar que apenas um afirmou que o cheque recebido era decorrente de devolução de quantia transferida, em espécie, para aquisição de gado, cujo intento não teve êxito; 4.9 – tendo em vista as alegações do fiscalizado de que a empresa Sávio H. C. de Souza era a principal supridora das contas correntes do fiscalizado, este foi instado a prestar esclarecimentos, ficando consignado em declaração a termo, o seguinte depoimento: “que conhece José Luciano do FRIGONAT, antigo matadouro municipal; que quanto à natureza das operações realizadas com o Sr. José Luciano, tratavase da compra de gadoempé, que processavase da seguinte forma: o Sr. José Luciano comprava a carrada com 20 (vinte) bois e transportava para a sua fazenda e posteriormente levava parte dessa carrada para ser comercializada no FRIGONAT, sendo lá vendida para feirantes; que adquiria por semana, do Sr. José Luciano, cerca de 15 a 20 bois; que desconhece que o Sr. José Luciano trazia as carradas em seu nome; que pagava ao Sr. José Luciano num prazo de 8 a 10 dias, sendo parte em dinheiro e parte em cheques; que reconhece que os depósitos de seus cheques na conta corrente do Sr. José Luciano referemse às compras de boiempé para a sua empresa; que não havia nenhum contrato, acordo ou protocolo entre ele e o Sr. José Luciano” 4.10 – cientificado da declaração supra que o indicava como praticante de atos de comércio em nome próprio, o fiscalizado foi intimado – fls. 644/645 a comprovar a sua alegada condição de representante comercial por conta de terceiros, tendo este refutado as declarações prestadas pelo Sr. Sávio Henrique por considerálas desprovidas de provas e insistido que a sua atividade era de transporte de gado e percebido, à época, a quantia de R$200,00 por carrada e não a remuneração por comissão na intermediação de compra e venda; 4.11 –considerando que os comprovantes de empréstimos contraídos, acostados às fls. 163/164, não guardam correspondência, em data e valores, com os créditos existentes nos extratos bancários analisados, o fiscalizado foi Fl. 236DF CARF MF Emitido em 15/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/05/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 30/05/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/06/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 16707.004062/200324 Acórdão n.º 130100.561 S1C3T1 Fl. 739 5 intimado fls. 650 – a apresentar documentação comprobatória referente aos empréstimos bancários relacionados na "Planilha de Movimentação Financeira", não tendo, entretanto, apresentado nenhum documento, o que resultou na manutenção destes créditos; 4.12 – que diante dos fatos evidenciouse os seguintes pontos: a) – o fiscalizado comprovou a origem de R$98.129,70, proveniente da venda de leite in natura à empresa Maila Macedônia Ltda e devidamente declarados em sua DIRPF/99; b) – “que os demais recursos creditados nas já citadas contas correntes bancárias tiveram origem em operações com gado, realizadas pelo autuado”; c) – que o contribuinte, apesar de intimado, não logrou êxito em provar suas alegações quanto a ser transportador de gado, posto que; i. – “não apresentou um único conhecimento de transporte, ou documento equivalente, que o comprovasse como tal”; ii. – “não possui em sua declaração de bens do ano calendário de 1998 veículos apropriados ao transporte de gado, nem demonstrou a posse destes ou a efetiva realização do serviço de transporte de gado, por terceiros em seu nome”; iii. – “que as notas fiscais acostadas aos autos, às fls. 165/175, pelo próprio fiscalizado não o apontam como o transportador da mercadoria”; iv. – “não apresentou, em nenhum momento, contratos de prestação de serviços celebrados com os contratantes, ou documento equivalente, nem os recibos relativos a remuneração recebida pela prestação dos serviços realizados”; d) – que o fiscalizado praticou com habitualidade, em 1998, atos de comércio em nome próprio, qual seja a compra e venda de gado, fato este que enseja a sua equiparação à pessoa jurídica para efeitos tributários, nos termos do art. 150, § 1° , II, do RIR/99, posto que: v. – “a conciliação entre os valores creditados nas contas e os pagamentos efetuados aos fornecedores, descrita na já citada "Planilha da Movimentação Financeira", acostada às fls. 177, 195, 235, 266, 285, 297, 305, 322, 345, 366, 383, 404, 431, 446, 460, 480, 500, 508, 512, 522, 532, 546, 558, 562, apresentada pelo próprio autuado, não evidencia a antecipação dos recursos para a posterior liquidação das operações de compra e venda de gado, conforme alegado, e sim, ao contrário, pois há operações em que o crédito é posterior ao débito, evidenciando que o fiscalizado adquiria o gado com recursos próprios, independentemente do ingresso de valores em sua conta, ou seja, concedia crédito aos seus clientes, o que Fl. 237DF CARF MF Emitido em 15/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/05/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 30/05/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/06/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 16707.004062/200324 Acórdão n.º 130100.561 S1C3T1 Fl. 740 6 demonstra que detinha o domínio econômico da atividade de comércio praticada”; vi. – “todas as operações de compra de gado foram liquidadas diretamente com cheques de sua emissão, em datas diversas, geralmente nominativos aos fornecedores, mas sem a necessária coincidência em data e montante com os depósitos efetuados no período, evidenciando, mais uma vez, a prática de atos de comércio em seu próprio nome”; vii. – “o fiscalizado absorvia todo o custo da operação de aquisição da mercadoria, tais como os impostos, taxas, fretes e o repassava ao adquirente embutido no preço final”, a teor da declaração do Sr. Paulo Henrique Terra Siqueira, anexado às fls. 594, onde se verifica “que o fiscalizado depositava valores em sua conta para que ele efetuasse pagamentos de taxas, impostos e aquisição do gado, ou seja, o Sr. José Luciano não recebia mera comissão, mas o preço por ele cobrado pela mercadoria, no qual estavam incluídos todos os custos acessórios à mercadoria”; viii. – “O fato de as operações de compra de gado serem documentadas com notas fiscais em nome da empresa Sávio H. C. Souza, CNPJ: 01.158.508/000185, não afasta a participação efetiva do contribuinte no negócio, apenas sugere a prática irregular de atos do comércio, não o eximindo da necessária equiparação de oficio, com vistas à regularidade fiscal dos fatos”; e) – que o contribuinte nega ser representante comercial por conta de terceiros, mediante recebimento de comissão, conforme documento anexado às fls. 646/649, no que a presente autuante concorda, a teor do disposto acima; f) – que o fiscalizado foi instado a providenciar a sua inscrição no CNPJ, bem como apresentar livros contábeis e fiscais, não tendo este, após decorrido o prazo concedido em intimação, se manifestado, sendo, por conseqüência, inscrito de ofício no referido cadastro sob nº 05.974.755/000100; g) – que se procedeu ao arbitramento do lucro em face da falta de apresentação de livros fiscais que impossibilitaram a aferição do lucro real, sendo que na apuração da receita bruta conhecida considerouse os depósitos efetuados em conta corrente, excluindose aqueles decorrentes de transferências, resgates de aplicações e cheques devolvidos, conforme documento de fls. 666/673; III Da Impugnação 5. Inconformada com o lançamento, do qual tomou ciência por via postal, em 23/12/2003, às fls. 675, apresentou a interessada, em 22/01/2004, a impugnação de fls. 676/689, alegando, em síntese, o seguinte: Fl. 238DF CARF MF Emitido em 15/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/05/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 30/05/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/06/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 16707.004062/200324 Acórdão n.º 130100.561 S1C3T1 Fl. 741 7 5.1 – argúi, em sede preliminar, a nulidade do lançamento, haja vista a fiscalização ter desenvolvido a ação fiscal sobre a pessoa física e autuada a pessoa jurídica por ela eleita, ou seja, os termos e intimações endereçadas à pessoa física deveriam ter sido encaminhadas à pessoa jurídica, o que caracteriza que a empresa impugnante, em nenhum momento, foi cientificada que estava sob procedimento fiscal; 5.2 – que também concorre para a condição de invalidez do procedimento fiscal, o fato de a fiscalização somente ter dado ciência do MPF ao representante da pessoa jurídica quando do encerramento da ação fiscal; 5.3 – que inexiste o fato gerador descrito pela autuante, pois esta, sem autorização legal, instituiu hipótese de incidência tributária, caracterizando o depósito bancário como fato gerador dessa hipótese, gerando nova obrigação tributária, quando, no caso presente, deveria ter identificado a renda auferida; 5.4 – que a CF/88 não elegeu o depósito bancário como hipótese de incidência ou como base de cálculo; 5.5 – que existem inconsistências na elaboração do auto de infração, sendo de ressaltar, em primeiro lugar, que parte dos depósitos considerados como receitas são decorrentes de empréstimos contraídos pela pessoa física junto a instituição financeira, em razão de um contrato oneroso de mútuo, não se afigurando como correto o entendimento da autuante de que pelo fato destes créditos não terem ocorrido nas datas de assinaturas dos documentos, estes deveriam ser considerados como receitas; 5.6 – que, em segundo lugar, a falta de apresentação dos contratos de prestação de serviços não pode elidir a sua alegação de que a sua remuneração decorria do transporte de gado, com a realização de operação mercantil em nome de terceiro, pois a legislação civil pátria estabelece que quando não se exige forma solene, os contratos se provam por qualquer meio admitido em direito, sendo que o contrato de prestação de serviços de transporte não se inclui entre aqueles que precisam de forma solene para que se perfaçam, vale dizer, a simples oferta e aceitação das condições, preços, etc.., são suficientes para configurar este tipo de contrato; 5.7 – que “de acordo com os resultados das diligências requeridas junto a DRF/PALMAS/TO, ficou constatado que a pessoa física não realizava aquisições em nome próprio, como a própria fiscal transcreveu na descrição dos fatos: relatório sistêmico da Secretaria da Fazenda contendo pesquisa de emissão de notas fiscais, por remetente e destinatário (fls. 586/590), onde consta a emissão de notas fiscais somente em nome da empresa H. C. de Souza”, sendo de destacar que esta diligência constatou que o fiscalizado não era destinatário de qualquer nota fiscal, quer de compra, quer de venda de gado, não restando dúvidas que ele não adquiria gado em seu nome, tendo ainda, ficado provado, ao contrário, que as aquisições se davam em nome da empresa H. C. de Souza, por sua conta e ordem, apenas materializadas por aquele que se deslocava de caminhão para transportar a boiada adquirida; 5.8 – que, em depoimento prestado pelo Sr. Paulo Henrique Terra Siqueira, ficou evidenciado o valor pago de R$ 200,00 pela carrada de boi transportada; 5.9 – que outras pessoas foram diligenciadas, tendo estas afirmado que os pagamentos foram efetuados ao fiscalizado em virtude de compra de gado, Fl. 239DF CARF MF Emitido em 15/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/05/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 30/05/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/06/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 16707.004062/200324 Acórdão n.º 130100.561 S1C3T1 Fl. 742 8 entretanto, não se pode esquecer que a estas pessoas interessavam um rápido desfecho da ação fiscal, afastando dos próprios uma investigação de suas próprias situações tributárias; 5.10 – que somente por ocasião do auto de infração teve notícia da existência destas diligências, sem ter, contudo, a ciência dos seus inteiros teores, pois desconhece quem foram as pessoas diligenciadas, nem o que responderam e tampouco quais foram as provas apresentadas, o que evidencia a prática do secreto, que impede a produção de uma defesa consistente, violando os princípios do contraditório e da ampla defesa; 5.11 – a fiscalização, por seu turno, sem abrir o contraditório, acolheu as alegações produzidas em diligência, desprezando aquelas realizadas pelo contribuinte, que inclusive vinculou cheques e depósitos às pessoas envolvidas nas transações; 5.12 – que o Sr. Sávio H. C. de Souza, apesar de ter afirmado, sem qualquer prova, que o fiscalizado comercializava o gado no FRIGONAT para feirantes, era na realidade, o grande supridor da conta corrente do autuado, “a quem confiava a aquisição e transporte do gado adquirido fora do Estado, como bem evidenciou o relatório sistêmico da Secretaria da Fazenda do Tocantins”; 5.13 – que os valores recebidos da Maila advêm da venda de leite in natura, tendo a pessoa física consignado tais valores em sua declaração de ajuste anual, particularmente na apuração dos rendimentos da atividade rural, caracterizando a sua tributação de ofício na pessoa jurídica, um verdadeiro bis in idem; 5.14 – que os demais rendimentos informados na declaração de ajuste anual da pessoa física também foram tributados duplamente na pessoa jurídica; 5.15 – que os argumentos que fundamentam a autuação se ressentem da falta de prova, como se pode ver de sua afirmação, estampada no item 4.12, “d”, i, deste voto, a seguir transcrita: “que não ficou evidente que os recursos eram antecipados para posterior liquidação de compra e venda de gado” 5.16 – que diante de um fluxo de entradas e saídas de dinheiro em uma conta corrente, não há como a fiscalização afirmar que as antecipações de um encomendante não são anteriores à compra do gado por ele encomendado, sendo de se atentar que a impugnante “servia a mais de um pecuarista, não se tendo como precisar que os ingressos efetuados por uma pessoa sejam exatamente os mesmos que sai para a compra do seu gado”; 5.17 – que para desconsiderar as posições firmadas pela fiscalizada que se encontrava sob investigação, necessário se fazia provar em contrário, contudo, a autuante não produziu um único demonstrativo para provar suas conclusões, limitandose a afirmar o contrário, sem qualquer prova; 5.18 – que a autuante comprovou ser fato que as operações de compra de gado estão documentadas na empresa Sávio H. C. de Souza, ou seja, esta é a destinatária do gado adquirido em seu nome pela impugnante, contudo, depois de tudo que ficou evidenciado no procedimento, configurando uma contradição, conclui que este fato apenas sugere prática irregular de atos de comércio; Fl. 240DF CARF MF Emitido em 15/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/05/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 30/05/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/06/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 16707.004062/200324 Acórdão n.º 130100.561 S1C3T1 Fl. 743 9 5.19 – que em homenagem ao princípio da verdade material, a fiscalização tem o dever de investigar as alegações da impugnante, não podendo estas ser rejeitadas sem fundamento razoável; 5.20 – ainda que o art. 42 da Lei nº 9.430/96 admita a presunção dos depósitos bancários em conta corrente como receita, jamais poderiam ser considerados como renda, pois a simples constatação da existência de depósitos bancários não autoriza a dedução de que tais depósitos são rendimentos tributáveis; 5.21 – que é ilegítimo o lançamento que toma por base de cálculo os valores constantes dos extratos tendo em vista estes se constituírem em presunção simples, devendo, por conseqüência, ser observado o conjunto probatório para fundamentar a pretensão fiscal; 5.22 – cita várias doutrinas em apoio a sua tese, que em síntese ressaltam que os depósitos bancários são apenas sinais exteriores de riqueza não evidenciando renda auferida ou consumida; 5.23 – que não há como se conceber que a impugnante, exercendo uma atividade de transporte de gado em pé, com uma remuneração módica de R$ 200,00 por carrada transportada, tenha auferido em um só ano, uma bagatela superior a R$1.000.000,00, que equivale a uma renda média mensal aproximada de R$80.000,00; 5.24 – requer o cancelamento da exigência fiscal relativa ao IRPJ e reflexos; A 9ª Turma da DRJ em Rio de Janeiro I/RJ analisou a impugnação apresentada pela contribuinte e, por via do Acórdão nº 1217.805, de 11/01/2008 (fls. 692/713), considerou procedente o lançamento com a seguinte ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 1998 PRELIMINAR DE NULIDADE. Estando os atos administrativos, consubstanciadores do lançamento, revestidos de suas formalidades essenciais, não se há que falar em nulidade do procedimento fiscal. PROVA TESTEMUNHAL. TERCEIROS. NÃO CONHECIMENTO. PROCEDIMENTO PRÉVIO À AUTUAÇÃO. A fase de investigação e formalização da exigência, que antecede à fase litigiosa do procedimento, é de natureza inquisitorial, traduzindose por um regime de colaboração disciplinada na descoberta da verdade material. As provas, inclusive testemunhal, para formalização do auto de infração podem ser obtidas mediante intimação a terceiros, sem que para isto seja necessária a participação do interessado. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 1998 Fl. 241DF CARF MF Emitido em 15/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/05/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 30/05/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/06/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 16707.004062/200324 Acórdão n.º 130100.561 S1C3T1 Fl. 744 10 OMISSÃO DE RECEITAS. PRESUNÇÃO. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. CARACTERIZAÇÃO. Para os fatos geradores ocorridos a partir de 1º de janeiro de 1997, o art. 42, da Lei nº 9.430, de 1996, autoriza a presunção legal de omissão de rendimentos com base em valores creditados em conta de depósito mantida junto a instituição financeira, quando o contribuinte, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. ÔNUS DA PROVA. PRESUNÇÃO LEGAL Se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a prova da origem dos recursos utilizados para acobertar seus depósitos bancários. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF Anocalendário: 1998 PESSOA FÍSICA EQUIPARADA À PESSOA JURÍDICA. EXERCÍCIO HABITUAL DE COMÉRCIO. As pessoas físicas que, em nome individual, explorem, habitual e profissionalmente, qualquer atividade econômica de natureza civil ou comercial, com o fim especulativo de lucro, mediante venda a terceiros de bens ou serviços, são empresas individuais, equiparadas às pessoas jurídicas. ARBITRAMENTO DO LUCRO. ESCRITURAÇÃO INEXISTENTE. Se a pessoa jurídica, sujeita à tributação com base no lucro real, não mantiver escrituração na forma das leis comerciais e fiscais, fica autorizado o arbitramento do lucro incidente sobre o valor das receitas omitidas. LANÇAMENTOS REFLEXOS. Ressalvados os casos especiais, os lançamentos reflexivos colhem a sorte daquele que lhes deu origem, na medida em que não há fatos ou argumentos novos a ensejar conclusões diversas. Ciente da decisão de primeira instância em 27/02/2008, conforme Aviso de Recebimento à fl. 716, o Sr. José Luciano Ribeiro, pessoa física, apresentou recurso voluntário em 28/03/2008 conforme carimbo de recepção à folha 717. No recurso interposto (fls. 717/733), alega preliminarmente os pontos que se seguem: a) O lançamento seria nulo, por irregularidades que especifica, todas relacionadas ao Mandado de Procedimento Fiscal: Fl. 242DF CARF MF Emitido em 15/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/05/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 30/05/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/06/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 16707.004062/200324 Acórdão n.º 130100.561 S1C3T1 Fl. 745 11 • O lançamento teria sido feito após o prazo máximo de validade do MPF; as prorrogações previstas na norma de regência deveriam estar contidas dentro do prazo máximo de 120 dias. • Obrigatoriedade de ciência do MPF inicial e de todas as renovações, prorrogações e abrangências temporais da auditoria, o que não teria ocorrido. • O período abrangido pela fiscalização deveria constar do Mandado. • Os MPF emitidos e o demonstrativo de que trata o § 2º do art. 13 da Portaria SRF nº 3007/2001 deveriam constar do processo administrativo fiscal, o que não teria ocorrido. b) Seria impossível a quebra de seu sigilo bancário sem autorização judicial. Haveria ofensa aos incisos X e XII do art. 5º da Constituição Federal/1988. A recorrente se reporta à liminar em Mandado de Segurança concedida pelo Supremo Tribunal Federal nos autos do Recurso Extraordinário nº RE 389.808 (GVA Indústria e Comércio S/A). No mérito, seus argumentos se dirigem principalmente contra a equiparação à pessoa jurídica das atividades desenvolvidas pela pessoa física, levada a efeito de ofício pela Autoridade Fiscal, que entende equivocada. Segue apertada síntese de suas razões. • Sua atividade não seria o exercício habitual do comércio e transporte de gado, antes, tal atividade seria praticada, eventualmente, pela pessoa física. O ônus da prova da habitualidade deveria recair sobre o Fisco. • Reportase ao Parecer Normativo CST nº 85/77 e à resposta à questão nº 489 do Manual de Imposto de Renda Pessoa Física, a respeito da IN SRF nº 83/2001, e acrescenta que as operações de compra e venda entre pessoas físicas não são, via de regra, comprovadas por documentos fiscais, sendo admitida a “normação costumeira”. • Cita e comenta extensamente o Regulamento do ICMS do Estado do Rio Grande do Norte e afirma que “no presente caso, o fisco sempre autorizou a emissão avulsa de notas fiscais, porque comprovada a não habitualidade do Peticionário nas transações de comércio e transporte de gado”. • Aduz que “o procedimento fiscal em questão, perquiriu elementos probatórios junto à rede bancária unicamente no interesse do fisco, não solicitando, nas mesmas inquirições, pedidos de comprovações de operações de financiamentos que pudessem arrimar uma instrução probatória imparcial do fluxo financeiro do fiscalizado”. • Questiona a prova testemunhal, a qual seria válida tão somente como elemento subsidiário, sendo sempre exigidas provas materiais adicionais, o que não teria ocorrido no presente caso. • Sustenta que o art. 42 da Lei nº 9.430/1996 determina que o Fisco proceda à conciliação bancária, e não o contribuinte. • Ao final, questiona a sigla EPP – Empresa de Pequeno Porte – adicionada ao final de seu nome para fins de “tributação indiciária na pessoa jurídica inexistente”. Afirma que, se assim o foi, a tributação deveria ter sido pelo regime tributário do SIMPLES. Fl. 243DF CARF MF Emitido em 15/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/05/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 30/05/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/06/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 16707.004062/200324 Acórdão n.º 130100.561 S1C3T1 Fl. 746 12 É o Relatório. Voto Conselheiro Waldir Veiga Rocha, Relator O recurso é tempestivo e dele conheço. De se observar, inicialmente, que, em seu recurso, a interessada inova nos argumentos aduzidos preliminarmente, quando comparados com a peça impugnatória. Naquela oportunidade, não foram trazidas quaisquer alegações acerca de irregularidades referentes ao MPF, nem sobre hipotéticas inconstitucionalidades relacionadas ao sigilo bancário. Desta forma, a teor do que dispõe o artigo 17 do Decreto nº 70.235, de 1972, na redação que lhe foi dada pela Lei nº 9.532, de 1997, a matéria que não tenha sido expressamente contestada, considerarseá não impugnada, tornandose preclusa. Decorre daí que, não tendo sido objeto de impugnação, carece competência à autoridade de segunda instância para dela tomar conhecimento em sede de recurso voluntário. Ainda assim, basta um rápido passar de olhos sobre os autos para que se constate que se trata de alegações absolutamente vazias. Encontro, à fl. 01, o Mandado de Procedimento Fiscal que determinou a fiscalização na pessoa jurídica (por equiparação), datado de 18/11/2003. Às fls. 44v e 70/81, encontro os Mandados de Procedimento Fiscal (original e complementares, inclusive Avisos de Recebimento das postagens correspondentes) da fiscalização levada a efeito na pessoa física, ao cabo da qual o Fisco concluiu pela habitualidade das atividades empresariais desenvolvidas, com a consequente equiparação à pessoa jurídica, para fins tributários. E, ainda que irregularidade houvesse, o que admito apenas como hipótese argumentativa, a jurisprudência administrativa é assente no sentido de que a competência para o lançamento é deferida por lei ao AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, e que eventuais e hipotéticas irregularidades no Mandado de Procedimento Fiscal, instrumento de controle administrativo, não poderiam macular o lançamento. No que tange à alegada quebra de sigilo bancário, verifico que foi o próprio sujeito passivo quem entregou ao Fisco seus extratos bancários, em atendimento a intimação e em cumprimento ao dever legal de prestar informações. Em tal contexto, incabível cogitar de quebra de sigilo. Também no mérito o contribuinte inova em seu combate ao lançamento. Conforme bem demonstrado no voto condutor do acórdão recorrido, a primeira informação prestada, ainda durante o procedimento fiscal (fl. 95), foi de que os recursos constantes em sua conta corrente derivaram de operações de aquisição de gado em nome de terceiros que antecipavam o pagamento, mediante depósito em sua conta, sendo que sua receita, por cada carrada de 20 bois, correspondia a R$ 200. Posteriormente, à míngua de elementos comprobatórios de que atuasse como representante comercial por conta de terceiros, mediante comissão, e à medida em que o Fisco Fl. 244DF CARF MF Emitido em 15/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/05/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 30/05/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/06/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 16707.004062/200324 Acórdão n.º 130100.561 S1C3T1 Fl. 747 13 coletava mais informações acerca de suas atividades, o interessado modificou a alegação anterior. Agora, a par de buscar desqualificar o testemunho prestado pelo adquirente do gado, sua atividade passou a ser descrita como transporte de gado, mediante o aporte de R$ 200,00 por carrada. Mais uma vez, sem qualquer comprovação documental de suas afirmações. Tais alegações foram fundamentadamente afastadas pela Turma Julgadora em primeira instância. Em sede de recurso, a mais recente alegação é de que a atividade desenvolvida o seria em caráter eventual, e não habitual, com o que a equiparação à pessoa jurídica, para fins tributários, seria indevida. O exame dos extratos bancários do Banco Bandeirantes (fls. 100/111) e do Banco do Brasil (fls. 112/149) revelam a intensa movimentação bancária em todos os meses do anocalendário 1998, afastando a possibilidade de que as atividades desenvolvidas pudessem ser eventuais. O próprio contribuinte (demonstrativos de fls. 177, 195, 235, ..., 431, 480, ...), ao buscar, sem sucesso, conciliar os depósitos recebidos com pagamentos efetuados, demonstra que os recebimentos originados de Sávio H. C. de Souza, adquirente do gado, eram semanais ou em periodicidade inferior. Com isso, entendo comprovada a habitualidade na prática de atos de natureza mercantil, a ensejar a equiparação à pessoa jurídica, para fins tributários, conforme levado a efeito pela fiscalização. Acrescento que não vislumbro de que forma a mencionada legislação do ICMS do Estado do Rio Grande do Norte, aplicável tão somente àquele tributo, no âmbito estadual, poderia levar à conclusão desejada pelo recorrente, de que sua atividade seria eventual. Quanto aos “elementos perquiridos junto à rede bancária” apenas em favor do Fisco, é de se registrar que o Fisco solicitou ao contribuinte, com base na legislação aplicável, as informações de que necessitava para o desenvolvimento e aprofundamento da ação fiscal. Se o contribuinte entende que haveria outros elementos, a princípio não solicitados pelo Fisco, que poderiam servir de prova em seu favor, tais como, por exemplo, empréstimos/financiamentos bancários, cabia a ele, contribuinte, obter tais elementos junto às instituições bancárias e apresentálos, relacionandoos de forma individualizada, coincidente em datas e valores, aos créditos em contacorrente. Não encontro tal prova nos autos. Também equivocada a interpretação dada pelo interessado ao art. 42 da Lei nº 9.430/1996, ao afirmar que seria ônus do Fisco proceder à conciliação bancária. Eis o dispositivo em comento: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. §1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. §2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às Fl. 245DF CARF MF Emitido em 15/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/05/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 30/05/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/06/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 16707.004062/200324 Acórdão n.º 130100.561 S1C3T1 Fl. 748 14 normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. §3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 1.000,00 (mil reais), desde que o seu somatório, dentro do ano calendário, não ultrapasse o valor de R$ 12.000,00 (doze mil reais). (Vide Lei nº 9.481, de 1997) A análise individualizada dos créditos a que se refere o § 3º, acima, foi feita pelo Fisco. Isso não se confunde, ao contrário, se integra, com o dever de provar a origem dos créditos igualmente de forma individualizada, estatuído pelo caput do artigo. E esse ônus recai, por disposição legal, sobre o titular da contacorrente bancária, que dele não se desincumbiu. Suas alegações de que os recursos pertenceriam a terceiros, cabendolhe tão somente uma comissão pela aquisição de gado por conta e ordem desses terceiros ou ainda, em outra versão, uma remuneração pelo transporte dos bois, não foi confirmada pelos terceiros identificados, nem comprovada documentalmente. Talvez, se existentes, viessem essas a ser as tais “provas materiais adicionais” a que se refere o recorrente. Mas, em se tratando de presunção legal, o ônus de apresentálas é do interessado. Se é verdade que praticou atos de mera intermediação comercial, deveria ter tido o cuidado de documentálos adequadamente. Plenamente aplicável, portanto, a presunção legal de omissão de receitas para a quantificação das receitas auferidas pelo interessado, em atividade empresarial, ou seja, habitual e com intuito de lucro. Finalmente, quanto à extensão EPP adicionada ao nome da pessoa física, por ocasião da inscrição de ofício no CNPJ (vide Termo à fl. 664 e impressão de tela à fl. 665), não encontro nos autos o motivo para tanto. É de se esclarecer, todavia, que a tributação na forma do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte – SIMPLES, instituído pela Lei nº 9.317/1996, somente se daria se a empresa, regularmente constituída e atendendo aos prérequisitos legais, houvesse tempestivamente optado por essa forma simplificada de pagamentos, o que não ocorreu no caso concreto. Por todo o exposto, voto por não rejeitar as preliminares de nulidade do lançamento e, no mérito, negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Fl. 246DF CARF MF Emitido em 15/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/05/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 30/05/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/06/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 16707.004062/200324 Acórdão n.º 130100.561 S1C3T1 Fl. 749 15 Fl. 247DF CARF MF Emitido em 15/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/05/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 30/05/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/06/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 10980.907151/2011-19
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jul 17 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3301-000.654
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência.
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator
(assinado digitalmente)
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Rodolfo Tsuboi e Valcir Gassen,
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator (assinado digitalmente) Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Rodolfo Tsuboi e Valcir Gassen,
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. Winderley Morais Pereira Presidente e Relator (assinado digitalmente) Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Rodolfo Tsuboi e Valcir Gassen, RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 80 .9 07 15 1/ 20 11 -1 9 Fl. 94DF CARF MF Processo nº 10980.907151/201119 Resolução nº 3301000.654 S3C3T1 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente processo administrativo de PER/DCOMP para obter reconhecimento de direito creditório de Cofins por suposto pagamento indevido ou a maior e aproveitar esse crédito com débito de outro tributo. A DRF, no despacho decisório, indeferiu o pedido, em razão do recolhimento indicado no PER/DCOMP ter sido integralmente utilizado para quitação de débito confessado pelo contribuinte, não restando crédito disponível para restituição ou compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Assim, diante da inexistência de crédito, o Pedido de Restituição foi indeferido e a compensação declarada não foi homologada, conforme o caso. Cientificada, a interessada apresentou manifestação de inconformidade cuja argumentação é a seguir resumida. Sustenta que é uma instituição de educação sem fins lucrativos e, nos termos do art. 14, X da MP nº 2.15835, de 2001, estaria isenta da Cofins. Argumenta que tal dispositivo estabelece que tal isenção se dá, a partir de 01/02/1999, para as receitas relativas às atividades próprias das entidades a que se refere o art. 13, o qual, por sua vez, referese às “instituições de educação e de assistência social” arroladas no art. 12 da Lei n° 9.532, de 10 de dezembro de 1997. Afirma que se encaixa nos requisitos legais, uma vez que: (a) não remunera, por qualquer forma, seus dirigentes pelos serviços prestados; (b) aplica integralmente seus recursos na manutenção e desenvolvimento dos seus objetivos sociais; e (c) assegura a destinação de seu patrimônio à outra instituição congênere, em caso de extinção. Anexa o seu Estatuto Social para provar o alegado. Relativamente à expressão “atividade própria” (art. 14, X, da MP 2.158/35), argumenta que deve ser entendida como aquela atividade regular e relativa à natureza essencial da entidade. Sustenta que ‘própria’ é toda a atividade prevista em seu estatuto, ou na lei, já que conexa à própria existência da pessoa jurídica. Assim, assevera que “a existência de finalidade lucrativa não devia ser vinculada à gratuidade ou não dos serviços prestados ou à forma de obtenção da receita, nas, sim, à forma como ela é aplicada. Caso constitua objetivo da instituição exercer atividade educacional sem fins lucrativos, ainda que o serviço seja prestado mediante o pagamento de mensalidade ou retribuições, a receita obtida com as mensalidades constitui receita própria de sua atividade e, desta forma, estaria isenta da Cofins.” Afirma, outrossim, que os princípios da legalidade e da legalidade tributária impede o Fisco de exigir tributo que não está previsto em lei, acrescentando que a lei, nesse caso, prevê expressamente uma isenção. Portanto, em seu entendimento, não há “espaço para que atos normativos como, por exemplo, decretos, instruções normativas, atos interpretatórios ou declaratórios criem qualquer redução ou limitação à isenção de Cofins prevista nos artigos 13 e 14 da MP 2.15835/ 01”. Fl. 95DF CARF MF Processo nº 10980.907151/201119 Resolução nº 3301000.654 S3C3T1 Fl. 4 3 No seguimento, tece comentários sobre o instituto da compensação para afirmar que “tendo a instituição recolhido o tributo de forma indevida tem direito à restituição/compensação”. Em razão do alegado, requer a restituição e homologação da compensação pleiteada. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento manteve integralmente o despacho decisório, julgando improcedente a manifestação de inconformidade. Cientificada da decisão da DRJ, foi interposto recurso voluntário repisando os argumentos já apresentados na manifestação de inconformidade. É o Relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução 3301000.653, de 24 de maio de 2018, proferido no julgamento do processo 10980.934785/200920, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução 3301000.653): "A teor do relatado, a discussão no presente processo trata da isenção a ser aplicada as instituições de educação e sem fins lucrativos, previsto no art. 14, X da MP 2.15835/2001. Consultando os autos não é possível identificar quais são as receitas que a Recorrente considerou como isentas para justificar o seu direito creditório. Diante do exposto, voto no sentido de converter o julgamento em diligência, a fim de que a Unidade de Origem intime a Recorrente para que no prazo de 30 (trinta) dias prorrogável uma vez por igual período, detalhar de forma pormenorizada quais são as receitas que aplicou a isenção prevista no art. 14, X da MP 2.15835/2001. A Unidade de Origem, se julgar necessário, poderá manifestarse quanto as informações apresentadas, inclusive fazendo as diligências e intimações que julgar necessárias. Fl. 96DF CARF MF Processo nº 10980.907151/201119 Resolução nº 3301000.654 S3C3T1 Fl. 5 4 Concluída a diligência, os autos deverão ser devolvidos a este Conselho para prosseguimento do julgamento. " Importante frisar que os documentos juntados pela contribuinte no processo paradigma, como prova do direito creditório, encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o Colegiado decidiu converter o julgamento em diligência a fim de que a Unidade de Origem intime a Recorrente para que no prazo de 30 (trinta) dias prorrogável uma vez por igual período, detalhar de forma pormenorizada quais são as receitas que aplicou a isenção prevista no art. 14, X da MP 2.158 35/2001. A Unidade de Origem, se julgar necessário, poderá manifestarse quanto as informações apresentadas, inclusive fazendo as diligências e intimações que julgar necessárias. Concluída a diligência, os autos deverão ser devolvidos a este Conselho para prosseguimento do julgamento. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 97DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.660427/2012-07
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon May 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jul 17 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 30/06/2012
DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. NULIDADE.
Estando demonstrados os cálculos e a apuração efetuada e possuindo o despacho decisório todos os requisitos necessários à sua formalização, sendo proferido por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pode exercer o contraditório e a ampla defesa e onde constam os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal, não há que se falar em nulidade.
DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. FUNDAMENTAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA.
Na medida em que o despacho decisório que indeferiu a restituição requerida teve como fundamento fático a verificação dos valores objeto de declarações do próprio sujeito passivo, não há que se falar em cerceamento de defesa.
COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INTEGRALMENTE ALOCADO. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, quando o recolhimento alegado como origem do crédito estiver integralmente alocado na quitação de débitos confessados.
Numero da decisão: 3401-004.828
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator
(assinado digitalmente)
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), Robson José Bayerl, Cássio Schappo, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Lázaro Antônio Souza Soares, Tiago Guerra Machado.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 30/06/2012 DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. NULIDADE. Estando demonstrados os cálculos e a apuração efetuada e possuindo o despacho decisório todos os requisitos necessários à sua formalização, sendo proferido por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pode exercer o contraditório e a ampla defesa e onde constam os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal, não há que se falar em nulidade. DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. FUNDAMENTAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA. Na medida em que o despacho decisório que indeferiu a restituição requerida teve como fundamento fático a verificação dos valores objeto de declarações do próprio sujeito passivo, não há que se falar em cerceamento de defesa. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INTEGRALMENTE ALOCADO. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, quando o recolhimento alegado como origem do crédito estiver integralmente alocado na quitação de débitos confessados.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator (assinado digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), Robson José Bayerl, Cássio Schappo, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Lázaro Antônio Souza Soares, Tiago Guerra Machado.
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NULIDADE. Estando demonstrados os cálculos e a apuração efetuada e possuindo o despacho decisório todos os requisitos necessários à sua formalização, sendo proferido por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pode exercer o contraditório e a ampla defesa e onde constam os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal, não há que se falar em nulidade. DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. FUNDAMENTAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA. Na medida em que o despacho decisório que indeferiu a restituição requerida teve como fundamento fático a verificação dos valores objeto de declarações do próprio sujeito passivo, não há que se falar em cerceamento de defesa. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INTEGRALMENTE ALOCADO. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, quando o recolhimento alegado como origem do crédito estiver integralmente alocado na quitação de débitos confessados. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Rosaldo Trevisan Presidente e Relator (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 66 04 27 /2 01 2- 07 Fl. 75DF CARF MF Processo nº 10880.660427/201207 Acórdão n.º 3401004.828 S3C4T1 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente), Robson José Bayerl, Cássio Schappo, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Lázaro Antônio Souza Soares, Tiago Guerra Machado. Relatório Trata o presente processo de manifestação de inconformidade contra não homologação de compensação declarada por meio eletrônico (PER/DCOMP), relativamente a um crédito de Cofins, que teria sido recolhido a maior no período de apuração. O Despacho Decisório da DERAT/SÃO PAULO, não homologou o pedido de compensação, sob o fundamento de que, embora localizado o pagamento que deu origem ao suposto crédito original de pagamento indevido ou a maior, o mesmo estava à época do encontro de contas integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte não restando crédito disponível para a compensação dos débitos informados. Notificada da decisão a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade. A DRJ Ribeirão Preto julgou improcedente a impugnação por unanimidade de votos, mantendo o crédito tributário devido. A empresa apresentou recurso voluntário onde somente alega que apesar de ter protestado em sede de impugnação pela falta de motivação do indeferimento no despacho decisório, o acórdão recorrido não demonstrou a motivação, que os atos administrativos devem ser motivados para não ter cerceado seu direito de defesa, não apresentando provas do seu direito. É o relatório. Fl. 76DF CARF MF Processo nº 10880.660427/201207 Acórdão n.º 3401004.828 S3C4T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401004.681, de 21 de maio de 2018, proferido no julgamento do processo 10880.660277/201223, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3401004.681): "O recurso voluntário é tempestivo e preenche as demais condições de admissibilidade, por isso dele tomo conhecimento. A recorrente protesta pela falta de motivação do despacho decisório que indeferiu o seu pedido de compensação. Entendo que o despacho decisório cumpre os requisitos legais e possui todo o escopo necessário ao exercício do contraditório e da ampla defesa pelo contribuinte. Nele está inscrito o enquadramento legal da autuação: Enquadramento legal: Arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN). Art. 74 da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Também nele encontrase a fundamentação da decisão, ficando claro que o crédito indicado foi localizado, mas já havia sido utilizado para quitação de outros débitos do contribuinte: A análise do direito creditório está limitada ao valor do "crédito original na data de transmissão" informado no PER/DCOMP, correspondendo a 4.812,66. A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Entendo que o prejuízo, se havido, foi provocado pelo próprio contribuinte que deixou de apresentar provas que indicassem que era portador do crédito alegado. Ademais, como bem demonstrado no acórdão recorrido, o crédito já havia sido utilizado e alocado, e apesar de ser o único DARF pago pela empresa no ano de 2012, o mesmo foi utilizado em 193 pedidos de compensação. Esse procedimento utilizado pelo contribuinte, de alocar o mesmo crédito a várias Dcomps enseja a cominação de prestação de informação falsa à RFB já Fl. 77DF CARF MF Processo nº 10880.660427/201207 Acórdão n.º 3401004.828 S3C4T1 Fl. 5 4 que há um campo na PER/DCOMP onde é perguntado se aquele crédito já foi informado em outro PER/DCOMP e o contribuinte respondeu “NÃO” em todas as declarações. Por ser extremamente didático, reproduzo o acórdão recorrido, em sua íntegra, para que não haja dúvidas quanto as suas conclusões que acompanho: Em preliminar, não merece acolhida a alegação de nulidade do Despacho Decisório, vez que o mesmo apresenta de forma clara e precisa o motivo da não homologação da compensação, qual seja, a inexistência de crédito disponível para a compensação dos débitos informados na DCOMP. O Despacho Decisório preenche todos os requisitos formais e materiais para sua validade, contendo todos os elementos necessários ao exercício do direito de defesa do contribuinte, trazendo em seu bojo, ainda que de forma sintética, a fundamentação legal, a identificação da declaração de compensação enviada pela empresa, a data da transmissão, o tipo de crédito, as características do DARF apontado pela empresa na DCOMP, bem como o período de apuração a que se refere. Por outro lado, os motivos da nãohomologação residem nas próprias declarações e documentos produzidos pela contribuinte. Estas são, portanto, a prova e o motivo do ato administrativo, não podendo a interessada alegar que os desconhecia. Importante fixar que a DCOMP se presta a formalizar o encontro de contas entre o contribuinte e a Fazenda Pública, por iniciativa do primeiro, a quem cabe, portanto, a responsabilidade pelas informações sobre os créditos e os débitos, cabendo à autoridade tributária a sua necessária verificação e validação. Encontradas conforme, sobrevém a homologação confirmando a extinção. Não confirmadas as informações prestadas pelo declarante, o inverso se verifica. No caso, a contribuinte declarou um débito e apontou um documento de arrecadação como origem do crédito. Em se tratando de declaração eletrônica, a verificação dos dados informados pela contribuinte foi realizada também de forma eletrônica, tendo resultado no Despacho Decisório em discussão. O ato combatido aponta como causa da não homologação o fato de que, nos sistemas da Receita Federal, embora localizado o DARF do pagamento apontado na DCOMP como origem do crédito, o valor correspondente foi totalmente utilizado e alocado aos débitos informados em DCTF, não restando dele o saldo apontado na DCOMP como crédito. Assim, não padece de nulidade o despacho decisório proferido por autoridade competente, contra o qual o Fl. 78DF CARF MF Processo nº 10880.660427/201207 Acórdão n.º 3401004.828 S3C4T1 Fl. 6 5 contribuinte pôde exercer o contraditório e a ampla defesa e onde constam os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal. O débito declarado e pago encontrase em conformidade com a correspondente DCTF, a qual tem seus efeitos determinados pelo § 1º do artigo 5º do Decreto lei nº 2.124, de 13 de junho de 1984, entre eles o da confissão da dívida e o condão de constituir o crédito tributário, dispensada qualquer outra providência por parte do Fisco. Quando da transmissão e da análise do PER/DCOMP em tela, o crédito efetivamente não existia, pois o pagamento efetuado estava integralmente alocado ao débito declarado pela própria contribuinte em sua DCTF. Assim sendo, na data da transmissão do PER/ DCOMP a interessada não era detentora de crédito líquido e certo, condição sem a qual não há direito à restituição ou compensação. E não tendo o interessado trazido elementos hábeis a desconstituir a confissão do débito que fez na DCTF, inexiste razão para se reconhecer o pleiteado direito creditório relativo a pagamento pretensamente maior do que o devido, referente ao período de apuração. O extrato abaixo é a DCTF retificadora ativa da contribuinte, referente ao tributo e período em análise. Repare que a contribuinte declara um débito de COFINS em junho de 2012 no valor de R$ 29.148,73 e vincula ao débito um pagamento de R$4.985,20. No quadro abaixo, podemos verificar que o referido pagamento vem de um DARF de R$5.083,90, composto de um valor principal (R$4.985,20) mais multa por atraso (R$98,70). Fl. 79DF CARF MF Processo nº 10880.660427/201207 Acórdão n.º 3401004.828 S3C4T1 Fl. 7 6 Por sinal, esse foi o único DARF de Cofins pago em 2012 pela empresa, conforme demonstra o extrato abaixo. Impende salientar que, sobre esse alegado crédito de R$ 5.083,90, a contribuinte solicita a homologação de nada menos que 193 pedidos de compensação, todos do mesmo período (2º trimestre de 2012), com mesmo vencimento em 31/07/2012 que, somados, resultam em um valor de R$ 948.369,76, conforme relação abaixo dos processos de PER/DCOMP para o mesmo DARF. .... Agrava o fato de tentar utilizar mais de uma vez o mesmo crédito a prestação de informação falsa, pois no PER/DCOMP há um campo onde é perguntado se aquele crédito proveniente de pagamento indevido ou a maior já foi informado em outro PER/DCOMP, ao que o contribuinte respondeu “Não” em todos os PER/DCOMP, em infração ao inciso II do § 1º do art. 45 da IN/SRF 1.300, de 20 de novembro de 2012. Pelo exposto, voto por conhecer do recurso voluntário e no mérito por negarlhe provimento. Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado Fl. 80DF CARF MF Processo nº 10880.660427/201207 Acórdão n.º 3401004.828 S3C4T1 Fl. 8 7 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado negou provimento ao recurso voluntário. (Assinado com certificado digital) Rosaldo Trevisan Fl. 81DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10166.728155/2012-17
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Aug 10 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Aug 29 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2008, 2009, 2010, 2011
NATUREZA INDENIZATÓRIA NÃO COMPROVADA. TRIBUTAÇÃO. Não logrando o contribuinte comprovar a natureza indenizatória/reparatória dos rendimentos recebidos a título de ajuda de custo paga com habitualidade, constituem eles acréscimo patrimonial incluído no âmbito de incidência do Imposto de Renda.
MULTA DE OFÍCIO. ERRO ESCUSÁVEL.
Erro no preenchimento da declaração de ajuste do imposto de renda, causado por informações erradas, prestadas pela fonte pagadora, não autoriza o lançamento de multa de ofício.
Numero da decisão: 2402-006.529
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir do lançamento a multa de ofício aplicada. Vencido o conselheiro Gregorio Rechmann Junior. Votou pelas conclusões o conselheiro João Victor Ribeiro Aldinucci.
(assinado digitalmente)
Mario Pereira de Pinho Filho - Presidente
(assinado digitalmente)
Mauricio Nogueira Righetti - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mario Pereira de Pinho Filho, Mauricio Nogueira Righetti, Denny Medeiros da Silveira, Jamed Abdul Nasser Feitoza, João Victor Ribeiro Aldinucci, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Junior.
Nome do relator: MAURICIO NOGUEIRA RIGHETTI
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TRIBUTAÇÃO. Não logrando o contribuinte comprovar a natureza indenizatória/reparatória dos rendimentos recebidos a título de ajuda de custo paga com habitualidade, constituem eles acréscimo patrimonial incluído no âmbito de incidência do Imposto de Renda. MULTA DE OFÍCIO. ERRO ESCUSÁVEL. Erro no preenchimento da declaração de ajuste do imposto de renda, causado por informações erradas, prestadas pela fonte pagadora, não autoriza o lançamento de multa de ofício. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir do lançamento a multa de ofício aplicada. Vencido o conselheiro Gregorio Rechmann Junior. Votou pelas conclusões o conselheiro João Victor Ribeiro Aldinucci. (assinado digitalmente) Mario Pereira de Pinho Filho Presidente (assinado digitalmente) Mauricio Nogueira Righetti Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mario Pereira de Pinho Filho, Mauricio Nogueira Righetti, Denny Medeiros da Silveira, Jamed Abdul Nasser Feitoza, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 72 81 55 /2 01 2- 17 Fl. 164DF CARF MF Processo nº 10166.728155/201217 Acórdão n.º 2402006.529 S2C4T2 Fl. 164 2 João Victor Ribeiro Aldinucci, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Junior. Relatório Cuida o presente de Recurso Voluntário em face do Acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento, julgou improcedente a Impugnação apresentada pelo sujeito passivo. Contra a contribuinte foi lavrado Auto de Infração para cobrança do IRPF, relativo aos exercícios 2008, 2009, 2010 e 2011, no importe de R$ 35.282,95, acrescido de multa de oficio (75%) e juros legais Selic. Como infração, foi apontada a omissão de rendimentos do trabalho com vínculo empregatício, caracterizada pelo não tributação dos valores de "ajuda de custo" recebidos duas vezes por ano no referido período. Regulamente intimado do lançamento, apresentou Impugnação, que, como dito, foi julgada improcedente pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento DRJ, com a seguinte ementa: JUNTADA POSTERIOR DE DOCUMENTOS. Admitese a juntada de documentos em data posterior apenas quando verificada a ocorrência de situações expressamente especificadas pela legislação de regência. NATUREZA INDENIZATÓRIA NÃO COMPROVADA. TRIBUTAÇÃO. Não comprovada a natureza indenizatória/reparatória dos rendimentos recebidos a título de “ajuda de custo” paga com habitualidade a membros do Senado Federal, os respectivos valores são classificados como rendimentos incluídos no âmbito de incidência do imposto de renda. OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA. Vantagens pagas a título de “ajuda de custo”, de maneira continuada ou eventual, em valores fixos e iguais à remuneração mensal, sem que ocorra mudança de residência do beneficiário para outro município, em caráter permanente, caracterizam rendimentos tributáveis sujeitos ao ajuste anual. MULTA DE OFÍCIO DE 75%. Nos procedimentos de ofício, a legislação tributária confere à Autoridade Fiscal competência para lançar o imposto devido, com juros de mora e multa de ofício no percentual de 75%, se não constatada a intenção dolosa. A aplicação das multas de ofício decorre de expressa disposição legal. A norma constitucional que proíbe o confisco não se aplica à multa, pois é direcionada aos tributos e não às sanções. CONTROLE DA CONSTITUCIONALIDADE Ao órgão colegiado de julgamento administrativo não é dada a competência para pronunciarse sobre inconstitucionalidade de norma legal. Os Fl. 165DF CARF MF Processo nº 10166.728155/201217 Acórdão n.º 2402006.529 S2C4T2 Fl. 165 3 mecanismos de controle da constitucionalidade passam, necessariamente, pelo Poder Judiciário. DECISÕES JUDICIAIS E ADMINISTRATIVAS. As decisões judiciais e administrativas não se constituem em normas gerais, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência, senão àquela objeto da decisão, à exceção das decisões do STF sobre inconstitucionalidade da legislação. Irresignado, apresentou Recurso Voluntário às fls. 141/158 repisando, praticamente, as mesmas alegações em sua impugnação. Em resumo: "Demonstra o histórico da verba conhecida por “ajuda de custo” recebida pelos Senadores da República, atualmente prevista nos Decretos Legislativos nºs 7, de 1995 e 1, de 2006, sendo o seu caráter compensatório reafirmado pelo Ato Conjunto de 30 de janeiro de 2003. Argumenta que a Administração do Senado Federal, por meio de sua Advocacia Geral, já se manifestou sobre a natureza indenizatória da “ajuda de custo” recebida pelos senadores, não estando, em conseqüência, sujeita à incidência do imposto de renda. Discorre sobre a natureza dos recursos recebidos a título de “ajuda de custo”, que não tipifica riqueza nova, pois tem a finalidade de recompor o patrimônio do parlamentar, que realiza inúmeras despesas no início e término das sessões legislativas. Afirma que as decisões dos tribunais confirmam o entendimento no sentido de afastar a tributação de tais recursos indenizatórios quando, comprovadamente, gastos pelos parlamentares, no exercício de seus mandatos. Pontua dispositivos da legislação tributária, como a Constituição Federal e o CTN. Ementários de decisões dos tribunais também foram transcritos. Sustenta que não foi observada a Súmula CARF nº 87/2012 e traz à baila o julgamento do processo 11516.001485/200740 em 16.07.2013 por este Colegiado, do processo Repisa que a ajuda de custo possui natureza indenizatória, sendo da fonte pagadora e não do Contribuinte a responsabilidade pela identificação da matéria tributável ou não tributável do rendimento. É inaplicável a multa de ofício ao Contribuinte, o qual agiu na mais absoluta boafé ao declarar os rendimentos a título de “ajuda de custo” na forma em que foram pagos e apresentados em DIRF pela fonte pagadora, ou seja, isentos e não tributáveis. A aplicação de penalidade somente pode ser cogitada quando observada a prática de ato ilícito. Entende que a aplicação da multa de ofício caracteriza divergência dentro da própria Administração, no caso a unidade pagadora Senado Federal, que Fl. 166DF CARF MF Processo nº 10166.728155/201217 Acórdão n.º 2402006.529 S2C4T2 Fl. 166 4 interpretou a verba como indenizatória e isenta, e a autuação da Receita Federal." Invoca a Súmula CARF nº 73 para eximirse do pagamento da multa. É o relatório. Voto Conselheiro Mauricio Nogueira Righetti, Relator O contribuinte tomou ciência do acórdão recorrido em 24.01.2014 e apresentou tempestivamente seu Recurso Voluntário no dia 18.02.2014. O caso em concreto cuida de verba paga a Senadores, com fulcro no artigo 3º do Decreto Legislativo nº 7/1995, do Congresso Nacional, atualizado pelo Decreto Legislativo nº 1, de 2006, a seguir reproduzidos: Notese que o amparo legislativo que vigia à época dos fatos geradores previa o pagamento do que se denominou "ajuda de custo" no início e no final previstos para a Sessão Legislativa Ordinária, equivalente ao valor da remuneração, sem, expressamente, atrelar tal recebimento a qualquer despesa, presumida ou efetiva, relacionada ao exercício do trabalho parlamentar. E mais, aquele último Decreto Legislativo acabou por revogar o parágrafo 1º do artigo 3º daquele de 1995, que procurava relacionar a verba à compensação de despesas com transporte, dentre outras. Fl. 167DF CARF MF Processo nº 10166.728155/201217 Acórdão n.º 2402006.529 S2C4T2 Fl. 167 5 Com isso passouse a ter o que se vulgarizou chamar de 14º e 15º salários, condicionado, apenas a parcela final, ao simples comparecimento de no mínimo 2/3 da sessão legislativa. Cumpre destacar, na forma do colocado pela decisão recorrida que, nesse tema, a própria fonte pagadora, o Senado Federal, por meio da Resolução nº 58, de 20 de novembro de 2012, publicada no DOU de 22 de novembro do mesmo ano, após a autuação realizada pela fiscalização da DRF/Brasília, reconheceu que a “ajuda de custo”, paga aos senadores no início e no final das sessões legislativas, possui natureza tributável, tanto que assim passou a classificála. Antes porém, por meio do Projeto de Decreto Legislativo nº 569/2012, apresentado em 16.05.2012, transformado no Decreto Legislativo 210/2013, estabeleceuse que a ajuda de custo seria devida aos Membros do Congresso Nacional no início e no final do mandato, e não mais anualmente, revogandose, desta feita, dispositivo do Decreto Legislativo nº 7, de 1995 e o Decreto Legislativo nº 1, de 2006. Assim, essa novel "ajuda de custo" é que seria não tributável, segundo aquele normativo. Por sua vez, a pesquisa realizada pelo julgador de primeira instância noticiou a existência de várias verbas a que tem direito os Senadores, para gastar com despesas relacionadas ao exercício da função de parlamentar, como, por exemplo, a Cota para o Exercício da Atividade Parlamentar dos Senadores – CEAPS (inclui passagens aéreas, aluguel de veículos ou equipamentos, material de expediente, locomoção), o Auxílio de Gabinete e Hospedagem. 1 Perceba que essas últimas duas verbas acima foram contempladas pela Súmula CARF nº 87/2012, nos seguintes termos: Súmula CARF nº 87: O imposto de renda não incide sobre as verbas recebidas regularmente por parlamentares a título de auxílio de gabinete e hospedagem, exceto quando a fiscalização apurar a utilização dos recursos em benefício próprio não relacionado à atividade legislativa. Ao meu ver, verbas tratadas pela súmula CARF nº 87, além de não serem exatamente a mesma aqui abordada, aparentam estar inseridas em uma sistemática de controle interno exercido pela fonte pagadora. Vale dizer, imaginase que há a necessidade de se comprovar antes ou depois do recebimento da verba o efetivo desembolso das despesas a que destinavam ressarcir tais verbas. É o mínimo que se espera da administração na gestão dos recursos públicos, sob pena de se propiciar ou o desvirtuamento da natureza da verba ou o enriquecimento sem causa do beneficiário. 1 Ademais, informações registradas no sitio do Senado Federal na Internet (http://www.senado.gov.br/blog/assessoria_imprensa/conteudo/senadores.asp) informa que os Senadores tem direito a várias verbas para gastar com despesas relacionadas ao exercício da função de parlamentar, como, por exemplo, a Cota para o Exercício da Atividade Parlamentar dos Senadores – CEAPS (inclui passagens aéreas, aluguel de veículos ou equipamentos, material de expediente, locomoção), o Auxílio de Gabinete e Hospedagem. Estas sim, desde que não recebidas como parcela integrante da remuneração e comprovada a realização das respectivas despesas/gastos, mediante documentação hábil e idônea, não constituem acréscimo patrimonial do beneficiário. Fl. 168DF CARF MF Processo nº 10166.728155/201217 Acórdão n.º 2402006.529 S2C4T2 Fl. 168 6 Daí ser imprescindível que a fiscalização, no contexto acima, demonstre a utilização dos recursos em benefício do próprio parlamentar, não relacionado à atividade legislativa. Consoante se nota do inciso I do artigo 39 do RIR/99, a ajuda de custo tida como não tributada é aquela destinada a atender às despesas com transporte, frete e locomoção do beneficiado e seus familiares, em caso de remoção de um município para outro, sujeita à comprovação posterior pelo contribuinte. Cuidou o legislador de garantir fosse observado o aspecto indenizatório/compensatório que se propõe da verba. Com isso, quando se fala em ajuda de custo não pretendeu a lei presumir a efetiva ocorrência daquelas despesas. Já com relação às diárias previstas no inciso XIII do mesmo dispositivo e destinadas, exclusivamente, ao pagamento de despesas de alimentação e pousada, por serviço eventual realizado em município diferente do da sede de trabalho, inclusive no exterior, não obstante inexistir a expressa necessidade de sua comprovação, são valores rigorosamente observados pelas fontes pagadoras e relacionados a despesas com eventos imprescindíveis à a própria subsistência humana (comer e dormir). Por mais que não haja a necessidade de se comprovar o gasto, há de se comprovar, outrossim, o serviço eventual realizado fora da sede de trabalho, pois tal circunstância é o fato que dará ensejo ao direito à percepção da parcela. Nada diferente do que se tem para aquelas verbas previstas em seus incisos IV2 e XVII3. Em especial, no que tange a recebida como indenização por acidente de trabalho, além de se exigir do trabalhador a comprovação do fato que a ensejara, a não incidência está limitada ao valor pago pela previdência oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Município, ainda que pagos pelo empregador por força de convênios com órgãos previdenciários. Percebase que quando a norma não exige, expressamente, que seja comprovada a despesa que se pretende indenizar, procura, de outra forma, propiciar uma espécie de limite do valor para fins de não incidência, por meio da análise de determinadas circunstâncias, como por exemplo, o valor pago pela previdência oficial, o custo médio de alimentação e pernoite (no caso da administração pública), a razoabilidade na fixação desse valor, a depender dos preços vigentes na localidade para a qual se deslocará o beneficiário ou sua posição hierárquica na organização (no caso da iniciativa privada). Certamente os valores, a rigor, não tomam como parâmetro a remuneração do beneficiário, mas sim aquela despesa que predispôs indenizar. A idéia aqui, com relação a exclusão dessas parcelas, é a de não tributar aquelas que não tenham se revertido em proveito do próprio beneficiário e/ou daqueles à sua ordem, mas sim destinadas ao seu desempenho laboral. É o que se costuma chamar de "valor recebido para o trabalho", que embora transite pelo patrimônio de quem o recebe, lhe servirá como ressarcimento pelo que já desembolsou ou como fonte para o pagamento daquelas que lhe competirão. 2 IV a alimentação, o transporte e os uniformes ou vestimentas especiais de trabalho, fornecidos gratuitamente pelo empregador a seus empregados, ou a diferença entre o preço cobrado e o valor de mercado 3 XVII a indenização por acidente de trabalh Fl. 169DF CARF MF Processo nº 10166.728155/201217 Acórdão n.º 2402006.529 S2C4T2 Fl. 169 7 Com isso é que se faz, prima facie, necessária a demonstração do desembolso dessas despesas antes (como ressarcimento) ou depois (fonte para o pagamento) do recebimento dessa verba que se pretendeu fosse indenizatória. Como já mencionado, essa necessidade de comprovação junto ao procedimento fiscal foi relativizada pela Súmula CARF nº 87/2012 pelo motivo, imagino, de que a legislação que previu o pagamento daquelas verbas e em determinado caso específico trazer, ainda que implicitamente, a evidência da necessidade dessa comprovação junto à própria fonte pagadora, enquanto gestora de recursos públicos. Todavia, de forma mais rigorosa, o Parecer consubstanciado na Nota PGFN/CRJ/Nº 849/2016, de 31.08.2016, após fazer uma apanhado da jurisprudência sobre o assunto, concluiu pela necessidade de o parlamentar comprovar a reposição dos gastos. Vejase a ementa da Nota: Documento público. Ajuda de custo de gabinete recebida por parlamentar. Natureza indenizatória. Necessidade de comprovação da reposição dos gastos. Supressão do Item 1.22 – Imposto de Renda (IR), alínea “q” – ajuda de custo de gabinete recebida por parlamentar, da lista de dispensa de contestação e recursos. A natureza indenizatória da verba fica condicionada à comprovação, pelo parlamentar, da efetiva prestação de contas. Não tenho dúvidas que o valor percebido, no caso dos autos, não se afigura como indenizatório. Como é cediço, não é o nomen iuris que se deu à verba que determinará a incidência ou não do IR, consoante orienta o princípio da realidade, extraído do que prescreve o § 1º do artigo 43 do CTN. O inciso I do § 2º do artigo 153 da Lei Maior, estabelece que o IR deve ser informado pelos critérios da generalidade, da universalidade e da progressividade, na forma da lei. Disso decorre que o IR, a rigor, deverá incidir sobre todas as espécies de rendas e proventos (universalidade), auferidas por qualquer espécies de pessoas (generalidade) e quanto maior o acréscimo de patrimônio, maior deverá ser a alíquota aplicável (progressividade). 4 Por sua vez, o artigo 43 do CTN define como fato gerador do IR a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos ou de proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos no inciso anterior. No mesmo sentido, o artigo 37 do RIR/99 é bem abrangente ao especificar o que constitui rendimento bruto para fins de incidência do imposto. Destacamse, aqui, o produto do trabalho, os proventos de qualquer natureza e os acréscimos patrimoniais. 4 Artigo no endereço https://www.conjur.com.br/2000jan24/principios_fundamentais Fl. 170DF CARF MF Processo nº 10166.728155/201217 Acórdão n.º 2402006.529 S2C4T2 Fl. 170 8 Com isso, as exceções a essa vasta regra estão enumeradas nos 47 incisos do artigo 39 do mesmo diploma, que devem ser tomadas de forma literal, a teor do artigo 111 do CTN. Daí não assistir razão ao contribuinte no sentido de que não havia determinação objetiva na lei quanto à tributação dessas parcelas. Por fim, no que diz respeito à ementa colacionada do processo 11516.001485/200740, relativa ao julgamento de 16.07.2013, vale destacar que não tem o condão de vincular as decisões desta Turma. Quanto à multa de ofício, ressalvando meu entendimento pessoal, penso não haver maiores questionamentos. A Súmula CARF nº 73, de observância obrigatória por este Colegiado, por força do artigo 72 do RICARF, afasta a multa de ofício quando o erro no preenchimento da DAA tenha se dado por informações erradas prestadas pela fonte pagadora. Súmula CARF nº 73: Erro no preenchimento da declaração de ajuste do imposto de renda, causado por informações erradas, prestadas pela fonte pagadora, não autoriza o lançamento de multa de ofício. Por tudo que costa dos autos, em especial o acostado às fls. 49/52, vislumbro ter sido esse o caso. Forte no acima exposto, voto por CONHECER do recurso apresentado e, no mérito, DARLHE parcial PROVIMENTO para excluir do lançamento, a multa de ofício aplicada. (assinado digitalmente) Mauricio Nogueira Righetti Fl. 171DF CARF MF
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Numero do processo: 10882.909069/2009-12
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 16 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jul 19 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2001
COMPENSAÇÃO. RESTITUIÇÃO. PRAZO DECADENCIAL.
A transmissão de declaração de compensação, antes de findo o prazo decadencial de cinco anos para a formalização de pedido de restituição, não tem o mesmo efeito atribuído a pedido de restituição ou de ressarcimento, não se lhe aplicando a possibilidade de garantir a utilização de saldo de créditos em declarações de compensação transmitidas posteriormente ao prazo decadencial referido.
Numero da decisão: 1402-003.162
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário em face de decadência.
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogerio Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei, Paulo Mateus Ciccone (Presidente) e Ailton Neves da Silva (Suplente convocado).
Nome do relator: PAULO MATEUS CICCONE
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RESTITUIÇÃO. PRAZO DECADENCIAL. A transmissão de declaração de compensação, antes de findo o prazo decadencial de cinco anos para a formalização de pedido de restituição, não tem o mesmo efeito atribuído a pedido de restituição ou de ressarcimento, não se lhe aplicando a possibilidade de garantir a utilização de saldo de créditos em declarações de compensação transmitidas posteriormente ao prazo decadencial referido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário em face de decadência. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogerio Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei, Paulo Mateus Ciccone (Presidente) e Ailton Neves da Silva (Suplente convocado). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 90 90 69 /2 00 9- 12 Fl. 94DF CARF MF Processo nº 10882.909069/200912 Acórdão n.º 1402003.162 S1C4T2 Fl. 3 2 Relatório O presente processo trata de Manifestação de Inconformidade contra Despacho Decisório que indeferiu compensação. O PER/DCOMP foi transmitido com o objetivo de compensar o(s) débito(s) nele discriminado(s) com crédito de IRPJ, decorrente de recolhimento com Darf. Constatouse, no Despacho Decisório, que, na data de transmissão do documento em análise, já estava extinto o direito de utilização do crédito, por terem se passado mais de cinco anos entre a data de arrecadação do DARF e a data de transmissão do PER/DCOMP. Diante do exposto, a compensação declarada NÃO foi HOMOLOGADA. Como enquadramento legal citouse: arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172 de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN), art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. O contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, alegando que o DCOMP original com demonstrativo de crédito foi transmitido dentro do prazo de cinco anos para recuperação de pagamentos indevidos. Alegou, ainda, que, uma vez feita a declaração do crédito dentro do prazo legal, não se há de mencionar a extinção do direito de sua utilização. A decisão de primeira instância julgou improcedente a manifestação de inconformidade, para não reconhecer o direito creditório postulado e não homologar as compensações em litígio. Extraise do voto: A existência de DCOMP transmitida antes da extinção do direito de pleitear restituição de determinado pagamento não legitima compensações com ele efetuadas depois da extinção. A declaração de compensação não interrompe a contagem do prazo para extinção do direito de pedir restituição. O art. 42 da IN RFB n.º 1.300, de 2012, dispõe que o crédito do sujeito passivo para com a Fazenda Nacional que exceder ao total dos débitos por ele compensados mediante a entrega da “Declaração de Compensação” somente será restituído ou ressarcido pela RFB caso tenha sido requerido mediante “Pedido de Restituição” ou “Pedido de Ressarcimento” formalizado dentro do prazo previsto no art. 168 do Código Tributário Nacional (idêntica disposição se encontra no art. 27 da IN SRF n.º 460, de 2004, no art. 27 da IN SRF n.º 600, de 2006, e no art. 35 da IN RFB n.º 900, de 2008). Portanto, o fato de o crédito ser superior ao débito não altera a natureza da “Declaração de Compensação”, que não supre a falta do “Pedido de Restituição” do saldo remanescente. A legislação de regência, ao detalhar o direito de restituição de pagamentos indevidos ou maior que o devido, garantido pelo CTN, dentro do prazo de cinco anos contados do pagamento em questão (art. 168, I), no caso, o art. 42 da IN RFB 1300, de 2012 e, anteriormente, o art. 35 da IN RFB 900, de 2008, trazem a regra. Fl. 95DF CARF MF Processo nº 10882.909069/200912 Acórdão n.º 1402003.162 S1C4T2 Fl. 4 3 Vejase: Art. 35. O crédito do sujeito passivo para com a Fazenda Nacional que exceder ao total dos débitos por ele compensados mediante a entrega da Declaração de Compensação somente será restituído ou ressarcido pela RFB caso tenha sido requerido pelo sujeito passivo mediante pedido de restituição ou pedido de ressarcimento formalizado dentro do prazo previsto no art. 168 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN) ou no art. 1º do Decreto nº20.910, de 6 de janeiro de 1932. Art. 42. O crédito do sujeito passivo, para com a Fazenda Nacional, que exceder ao total dos débitos por ele compensados mediante a entrega da Declaração de Compensação somente será restituído ou ressarcido pela RFB caso tenha sido requerido pelo sujeito passivo mediante pedido de restituição ou pedido de ressarcimento formalizado dentro do prazo previsto no art. 168 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN) ou no art. 1º do Decreto nº20.910, de 6 de janeiro de 1932. Inconformado, o autuado interpôs Recurso Voluntário a esta Colenda Turma, requerendo:sejam acolhidas todas as razões de fato e de direito expendidas na peça recursal, homologandose, por decorrência, a compensação objeto da Declaração de Compensação que instrui o presente contencioso administrativo fiscal. É o relatório. Fl. 96DF CARF MF Processo nº 10882.909069/200912 Acórdão n.º 1402003.162 S1C4T2 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Paulo Mateus Ciccone Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1402003.141, de 16/05/2018, proferida no julgamento do Processo nº 10882.903770/200928, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. O processo paradigma analisou a possibilidade de utilização de crédito relativo a pagamento indevido ou a maior de IRPJ, recolhido em 23/03/2000, por meio de DCOMP transmitida em 07/10/2005, para compensação de débitos próprios. No presente processo o contribuinte requer a compensação de débitos com a utilização de crédito relativo a pagamento indevido ou a maior de IRPJ, recolhido em 31/08/2001, por meio de DCOMP transmitida em 20/04/2007. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1402003.141): "O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual, dele conheço. Consignase, ainda, que o Recurso Voluntário em questão é representativo de controvérsia e, desta forma, foi designado para ser julgado sob o regime de recursos repetitivos. Em síntese, o contribuinte transmitiu PER/DCOMP no qual pretendia compensar recolhimento indevido e/ou maior que o devido, feito em DARF, com débitos de PIS e COFINS. A DRF de origem, em despacho decisório, não reconheceu o direito creditório, uma vez que havia transcorrido prazo maior do que 5 (cinco) anos entre a data de pagamento do DARF e a data de transmissão da PER/DCOMP. Apresentada manifestação de inconformidade, a DRJ competente consignou no v. acórdão recorrido que o contribuinte não tinha apresentado, antes do escoamento do prazo de 5 (cinco) anos contados do pagamento do DARF, pedido de restituição ou de ressarcimento de seus créditos. A transmissão de declaração de compensação, antes do final do prazo de 5 (cinco) anos da data de pagamento do DARF não tem o mesmo efeito de pedido de ressarcimento ou restituição, ou seja, não interrompe a contagem do prazo para extinção do direito de pedir a restituição. Em recurso voluntário, o contribuinte reitera que transmitiu PER/DCOMP antes de esgotado o prazo de 5 (cinco) anos para a utilização do pagamento indevido ou maior que o devido feito Fl. 97DF CARF MF Processo nº 10882.909069/200912 Acórdão n.º 1402003.162 S1C4T2 Fl. 6 5 com DARF; que retificou essa PER/DCOMP original posteriormente ao prazo, bem como transmitiu outras PER/DCOMP, após o prazo de cinco anos, mas referentes ao crédito original, vinculado à primeira PER/DCOMP transmitida antes do decurso do prazo de cinco anos. Por inexistir preliminares, passo a análise de mérito. Ressaltase, inicialmente, que não há questionamentos quanto ao DARF que originou o crédito utilizado para fins de compensação. A data de seu pagamento é o termo a quo para a contagem do prazo decadencial de cinco anos para que o contribuinte exerça o seu direito à restituição do pagamento indevido ou maior do que o devido, nos termos do art. 168, I, do CTN. Antes de transcorrido o prazo decadencial de cinco anos, o contribuinte transmitiu uma DCOMP informando o seu crédito, bem como declarando a compensação com débitos próprios. Vejase cópia do documento originário de toda a controvérsia, em que se pode observar o "tipo do documento": [...] Adiante vejase o registro do crédito (R$ 17.604,89): [...] Agora vejase as mesmas telas, que o contribuinte chama de PER/DCOMP retificadora: [...] Finalmente, a tela relativa ao crédito informado: [...] Contudo, transcorrido o prazo de cinco anos da data do pagamento do DARF objeto dos créditos do contribuinte, este não fez, conforme relatado anteriormente, "pedido de restituição" do saldo restante de seus créditos. Em verdade, apresentou, posteriormente ao prazo, outras DCOMP, sendo que uma delas retificava a original e outras utilizavam o saldo do crédito em novas compensações declaradas. A questão controvertida a ser decidida, em sede de recurso repetitivo, é se as demais DCOMP, transmitidas após o prazo de cinco anos contados do pagamento indevido ou maior que o devido, sem prévio "pedido de restituição" dentro do prazo de cinco anos, seriam meios hábeis a permitir o exercício do direito de restituição garantido ao contribuinte pelo art. 168, I, do CTN, tomando por origem a DCOMP original, transmitida dentro do prazo decadencial. Vejase que as normas complementares não trazem a possibilidade de uma declaração de compensação ser utilizada para o exercício do direito de restituição nos moldes do art. 168, I, do CTN, demonstrando que, no caso concreto, a DCOMP Fl. 98DF CARF MF Processo nº 10882.909069/200912 Acórdão n.º 1402003.162 S1C4T2 Fl. 7 6 transmitida antes do encerramento do prazo decadencial de cinco anos não garantiu ao contribuinte o direito de, posteriormente, utilizarse dos créditos remanescentes daquela primeira compensação, os quais restaram fulminados pela decadência. Desta forma, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário do contribuinte, reconhecendo que a transmissão de declaração de compensação, antes de findo o prazo decadencial de cinco anos para a formalização de pedido de restituição, não tem o mesmo efeito atribuído a um pedido de restituição ou de ressarcimento, não se lhe aplicando a possibilidade de garantir a utilização de saldo de créditos em declarações de compensação transmitidas posteriormente ao prazo decadencial referido. É o voto" Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por negar provimento ao recurso voluntário em face de decadência. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Fl. 99DF CARF MF
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