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Numero do processo: 10735.003273/2004-15
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 30 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Mar 31 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLLExercício: 2002, 2003, 2004Ementa:RECURSO DE OFÍCIO. REQUISITO. INOCORRÊNCIA.O requisito de admissibilidade do recurso necessário deve ser aferido com base na norma processual vigente no momento da sua apreciação. Assim, constatado que o sujeito passivo foi exonerado de crédito tributário inferior ao limite vigente, o citado recurso não deve ser conhecido.CONDUTA FUNCIONAL. DENÚNCIA.O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para apreciar supostos desvios de conduta do responsável pelo procedimento de fiscalização. Não obstante, a ausência de aporte aos autos de elementos comprobatórios da alegada conduta, inibe a iniciativa reclamada pela denunciante.SUSTENTAÇÃO ORAL. FACULDADE.Nos termos do art. 58 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, a sustentação oral constitui faculdade que pode ser exercida pela Recorrente por ocasião da realização da sessão de julgamento.PEDIDO DE DILIGÊNCIA.À luz do regramento processual vigente, a autoridade julgadora é livre para, diante da situação concreta que lhe é submetida, deferir ou indeferir pedido de diligência formulado pelo sujeito passivo, ex vi do disposto no art. 18 do Decreto nº 70.235, de 1972.INCONSTITUCIONALIDADES.Em conformidade com o disposto na súmula CARF nº 2, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.PENALIDADE PECUNIÁRIA. RETROATIVIDADE BENIGNA.A lei aplica-se a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática (CTN, art. 106, II, c)
Numero da decisão: 1302-000.550
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso de ofício e por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, reduzindo a multa isolada aplicada de 75% para 50%, vencidos os conselheiros Sandra Maria Dias Nunes e Irineu Bianchi, que davam provimento ao recurso voluntário, exonerando a multa isolada aplicada.
Matéria: CSL - ação fiscal (exceto glosa compens. bases negativas)
Nome do relator: WILSON FERNANDES GUIMARAES
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REQUISITO. INOCORRÊNCIA. O requisito de admissibilidade do recurso necessário deve ser aferido com base na norma processual vigente no momento da sua apreciação. Assim, constatado que o sujeito passivo foi exonerado de crédito tributário inferior ao limite vigente, o citado recurso não deve ser conhecido. CONDUTA FUNCIONAL. DENÚNCIA. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para apreciar supostos desvios de conduta do responsável pelo procedimento de fiscalização. Não obstante, a ausência de aporte aos autos de elementos comprobatórios da alegada conduta, inibe a iniciativa reclamada pela denunciante. SUSTENTAÇÃO ORAL. FACULDADE. Nos termos do art. 58 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, a sustentação oral constitui faculdade que pode ser exercida pela Recorrente por ocasião da realização da sessão de julgamento. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. À luz do regramento processual vigente, a autoridade julgadora é livre para, diante da situação concreta que lhe é submetida, deferir ou indeferir pedido de diligência formulado pelo sujeito passivo, ex vi do disposto no art. 18 do Decreto nº 70.235, de 1972. INCONSTITUCIONALIDADES. Em conformidade com o disposto na súmula CARF nº 2, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Fl. 460DF CARF MF Emitido em 06/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/04/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Assinado digitalmente em 04/04/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, 06/04/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10735.003273/200415 Acórdão n.º 130200.550 S1C3T2 Fl. 270 2 PENALIDADE PECUNIÁRIA. RETROATIVIDADE BENIGNA. A lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática (CTN, art. 106, II, c). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso de ofício e por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário, reduzindo a multa isolada aplicada de 75% para 50%, vencidos os conselheiros Sandra Maria Dias Nunes e Irineu Bianchi, que davam provimento ao recurso voluntário, exonerando a multa isolada aplicada. “documento assinado digitalmente” Marcos Rodrigues de Mello Presidente “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marcos Rodrigues de Mello, Wilson Fernandes Guimarães, Irineu Bianchi, Eduardo de Andrade e Sandra Maria Dias Nunes. Fl. 461DF CARF MF Emitido em 06/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/04/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Assinado digitalmente em 04/04/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, 06/04/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10735.003273/200415 Acórdão n.º 130200.550 S1C3T2 Fl. 271 3 Relatório A 2ª Turma Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, tendo exonerado parte do crédito tributário constituído em desfavor de DISTRIBUIDORA DE BEBIDAS OESTE RIO, recorre de ofício a este Colegiado administrativo. Trata o processo de exigência de MULTA ISOLADA, relativa aos anos calendário de 2001, 2002 e 2003, formalizada a partir da imputação de falta de recolhimento de CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO, devida a título de antecipação obrigatória (ESTIMATIVA). Apreciando os argumentos expendidos pela autuada em sede de impugnação, a 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro, por meio do acórdão nº. 7.607, de 17 de maio de 2005, julgou parcialmente procedente o lançamento tributário efetivado. O referido julgado, foi assim ementado: INTIMAÇÕES ASSINADAS POR MANDATÁRIO OU PREPOSTO. São válidas as intimações assinadas por mandatário ou proposto. ESTIMATIVAS MENSAIS. INSUFICIÊNCIA DOS RECOLHIMENTOS. MULTA DE OFICIO. Exigese a multa de oficio de 75%, isoladamente, sobre os valores das estimativas mensais recolhidas de forma insuficiente, nos termos do art. 44, §1°, inciso IV, da Lei 9.430/1996. No cálculo do recolhimento insuficiente, devese considerar a opção do contribuinte, se com base na receita ou com base em balanço/balancete mensal CAPACIDADE CONTRIBUTIVA. CONFISCO. QUESTÕES CONSTITUCIONAIS. Falece competência aos órgãos da administração tributária para apreciar questões de natureza constitucional. Por relevante, transcrevo, abaixo, excertos do voto condutor da decisão em referência. ... 18. Para os anoscalendário de 2001 e 2002, o interessado optou pela apuração do lucro real anual (fls. 10 e 44), calculando os valores a recolher mensalmente, com base nos "balanços ou balancetes de suspensão ou redução" (fls. 21/24 e 55/58). Com exceção dos meses de novembro de 2001, fevereiro, agosto e Fl. 462DF CARF MF Emitido em 06/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/04/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Assinado digitalmente em 04/04/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, 06/04/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10735.003273/200415 Acórdão n.º 130200.550 S1C3T2 Fl. 272 4 setembro de 2002, todos os demais valores apurados na declaração de IRPJ coincidem com os valores declarados na DCTF (fl. 172). 19 O autuante, com o intuito de verificar os valores mensais a recolher desses anos, comparou os valores apurados através da estimativa calculada sobre as receitas, com os valores da DCTF (fl. 172). Este critério não respeitou a opção do interessado, conforme descrita no parágrafo acima. Portanto, por ter adotado um critério equivocado, não procede a autuação para os anoscalendário de 2001 e 2002. O procedimento correto seria comparar os valores mensais apurados através de balanços ou balancetes, com aqueles declarados na DCTF. Havendo diferenças, aplicarseia a multa de oficio. DISTRIBUIDORA DE BEBIDAS OESTE RIO, já devidamente qualificada nestes autos, inconformada com a referida decisão, interpõe o recurso de fls. 247/263, por meio qual sustenta: que o agente administrativo agiu com total pessoalidade, perseguindoa desde o início do termo de fiscalização, pois agia com interesse pessoal e tudo fazia e contrapunha para dificultar / obstar que a empresa saneasse todos os seus questionamentos, deixando de cumprir, assim, o que preceitua o inciso IX do Art. 2° da Lei 9.784/99; que cabe a este Colegiado acatar o seu pedido de sustentação oral, na qual ficará provado que o lançamento é indevido; que, relativamente ao pedido de diligência anteriormente formulado, a decisão recorrida não merece prosperar, uma vez que somente com tal procedimento será possível provar que o lançamento é indevido; que apresentou todos os documentos exigidos pelo fiscal, deixando, apenas, de entregar o Livro Diário, uma vez que este encontravase sob os cuidados do Fiscal da Fazenda Estadual do Rio de Janeiro, como comprovado nos autos; que mesmo que não entregasse dolosamente os documentos exigidos pelo Sr. Auditor Fiscal, o que não ocorreu, não cabia a este o arbitramento, uma vez que tinha outros meios de conhecer os seus verdadeiros números contábeis; que caso o Sr. Auditor Fiscal vislumbrasse o quanto inserido no Livro Razão, teria ele todos os elementos necessários para confrontação de valores; que todo o arbitramento com base nas receitas brutas de revenda de mercadorias deve ser rechaçado; que a imposição de multas elevadas leva ao verdadeiro confisco do patrimônio do contribuinte; que a própria Receita Federal, em seu site na internet, ao informar o contribuinte sobre pagamentos e contribuições em atraso, dispõe sobre o cálculo da multa de mora; Fl. 463DF CARF MF Emitido em 06/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/04/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Assinado digitalmente em 04/04/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, 06/04/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10735.003273/200415 Acórdão n.º 130200.550 S1C3T2 Fl. 273 5 que o valor da multa aplicada no montante de 75% mais o valor dos juros de mora, ultrapassam o valor da obrigação principal, haja vista que os mesmos somados chegam a atingir mais de 150% do valor da obrigação principal, o que é inadmissível, além de ser vedado por lei e configurar verdadeiro confisco; que a multa moratória não poderá ser concomitante à incidência de juros moratórios, pois a aplicação cumulativa destes institutos acarretará uma dupla sanção sobre o mesmo fato, gerando um verdadeiro bis in idem; que enquanto não esgotadas todas as vias de utilização de defesa quanto à legalidade do crédito constituído, não pode a autoridade fiscal dar início a qualquer procedimento tendente à sua cobrança, ou caso o procedimento de cobrança já se tenha iniciado, a efetivação de um desses atos implica a imediata interrupção do referido procedimento. É o Relatório. Fl. 464DF CARF MF Emitido em 06/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/04/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Assinado digitalmente em 04/04/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, 06/04/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10735.003273/200415 Acórdão n.º 130200.550 S1C3T2 Fl. 274 6 Voto Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães, Relator Aprecio em primeiro lugar o atendimento aos requisitos previstos na norma processual para a admissibilidade dos recursos interpostos. No que diz respeito ao RECURSO DE OFÍCIO, observo que a autoridade julgadora de primeira instância exonerou o sujeito passivo do montante de R$ 791.928,58, de um total de R$ 965.960,01 de crédito tributário original relativo à multa exigida isoladamente. Em conformidade com o disposto no artigo 1º da Portaria MF nº. 3, de 2008, o Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento deve recorrer de ofício sempre que a decisão exonerar o sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa em valor superior a R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais). Nessas circunstâncias, não tendo sido atendido o requisito de admissibilidade, deixo de conhecer o RECURSO DE OFÍCIO interposto. Relativamente ao RECURSO VOLUNTÁRIO, não tendo sido localizado nos autos o documento correspondente à ciência da decisão de primeira instância, acolhoo como tempestivo. Observo, inclusive, que a data aposta na intimação relativa à ciência da decisão de primeiro grau não guarda pertinência com a cronologia dos atos e termos processuais. Com efeito, a citada intimação foi datada de 08 de agosto de 2006 (fls. 246), enquanto a decisão exarada em primeira instância (fls.230) e a peça recursal (fls. 263) são de 17 de maio de 2005 e de 22 de junho de 2005, respectivamente. Trata a lide de exigência de MULTA ISOLADA, relativa ao anocalendário de 20031, formalizada a partir da imputação de falta de recolhimento de CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO devida a título de antecipação obrigatória (ESTIMATIVA). Sustenta a Recorrente que o responsável pelo procedimento fiscal agiu com total pessoalidade, perseguindoa desde o início do termo de fiscalização, pois agia com interesse pessoal e tudo fazia e contrapunha para dificultar / obstar que a empresa saneasse todos os seus questionamentos, deixando de cumprir, assim, o que preceitua o inciso IX do Art. 2° da Lei 9.784/99. Não encontro nos autos qualquer elemento capaz de confirmar a conduta apontada pela Recorrente. A argumentação, desprovida que está de elementos de comprovação, não produz efeitos de qualquer natureza. Aditese que, se existentes tais elementos, a denúncia não deveria ser direcionada a este Colegiado, mas, sim, ao chefe imediato do agente fiscal, eis que relacionada à conduta funcional. 1 A exigência relativa aos anoscalendário de 2001 e 2002 foi julgada insubsistente em primeira instância. Fl. 465DF CARF MF Emitido em 06/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/04/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Assinado digitalmente em 04/04/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, 06/04/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10735.003273/200415 Acórdão n.º 130200.550 S1C3T2 Fl. 275 7 Inaplicável, também, o disposto no inciso IX do art. 2° da Lei 9.784/99, eis que a Recorrente não aporta aos autos elementos capazes de indicar violação ao direito alegado. Clama a Recorrente pelo acolhimento do seu pedido de sustentação oral, sendo certo que a apreciação de tal pedido não se dá nem nesse momento nem por meio do presente decisum. Com efeito, nos termos do art. 58 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, a sustentação oral constitui faculdade que pode ser exercida pela Recorrente por ocasião da realização da sessão de julgamento. A Recorrente argumenta que, relativamente ao pedido de diligência anteriormente formulado, a decisão recorrida não merece prosperar, uma vez que somente com tal procedimento será possível provar que o lançamento é indevido. Com a devida permissão, não vejo dessa forma, visto que, considerada a natureza da infração imputada, nada impediu a contribuinte de trazer aos autos elementos capazes de demonstrar a improcedência da autuação. Em sentido diametralmente oposto, o que observo é que a contribuinte foi reiteradamente intimada a apresentar livros e documentos (fls. 05/09) e, como assinalado no TERMO DE CONSTATAÇÃO DE IRREGULARIDADE de fls. 158/161, nada apresentou. À impugnação, da mesma forma, nada juntou, enquanto ao recurso voluntário interposto limitouse a juntar declaração, que se supõe seja do responsável pela sua escrituração, informando que os documentos contábeis estariam à disposição do Fisco para análise. Não declina a Recorrente, contudo, os motivos que a levaram a não atender as reiteradas intimações formalizadas pela Fiscalização e de não colacionar aos autos elementos indiciários da existência da documentação contábil e fiscal. Afirma a Recorrente que apresentou todos os documentos exigidos pelo fiscal, deixando, apenas, de entregar o Livro Diário, uma vez que este encontravase sob os cuidados do Fiscal da Fazenda Estadual do Rio de Janeiro, como comprovado nos autos. Diz que mesmo que não entregasse dolosamente os documentos exigidos, não cabia o arbitramento, uma vez que tinha outros meios de conhecer os seus verdadeiros números contábeis. Alega que caso o agente fiscal vislumbrasse o que estava inserido no Livro Razão, teria ele todos os elementos necessários para confrontação de valores. Adita que todo o arbitramento com base nas receitas brutas de revenda de mercadorias deve ser rechaçado. Em conformidade com o já citado TERMO DE CONSTATAÇÃO DE IRREGULARIDADE (fls. 158/161), a Recorrente limitouse a apresentar os Livros Registro de Entradas e Registro de Saídas e, ainda assim, não autenticados e sem assinatura. Não identifico nos autos o elemento de comprovação de que o documentário fiscal requisitado pela Fiscalização encontravase em poder do Fisco Estadual. Não obstante, ainda que assim fosse, deveria a Recorrente reunir aos autos comprovação de que envidou esforços no sentido de requerer a devolução da citada documentação. Fl. 466DF CARF MF Emitido em 06/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/04/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Assinado digitalmente em 04/04/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, 06/04/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10735.003273/200415 Acórdão n.º 130200.550 S1C3T2 Fl. 276 8 No que tange ao arbitramento referenciado pela Recorrente na sua peça de defesa, não obstante o fato de o TERMO DE CONSTATAÇÃO DE IRREGULARIDADE de fls. 158/161 fazer referência a tal procedimento, o presente processo administrativo cuida, única e exclusivamente, de exigência de MULTA ISOLADA, aplicada em virtude da constatação de falta e ou insuficiência de recolhimento de antecipações obrigatórias (estimativas). Argumenta a Recorrente que a imposição de multas elevadas leva ao verdadeiro confisco do patrimônio do contribuinte. Diz que a própria Receita Federal, em seu site na internet, ao informar o contribuinte sobre pagamentos e contribuições em atraso, dispõe sobre o cálculo da multa de mora. Alega que o valor da multa aplicada no montante de 75% mais o valor dos juros de mora, ultrapassam o valor da obrigação principal, haja vista que os mesmos somados chegam a atingir mais de 150% do valor da obrigação principal, o que é inadmissível, além de ser vedado por lei e configurar verdadeiro confisco. Afirma que a multa moratória não poderá ser concomitante à incidência de juros moratórios, pois a aplicação cumulativa destes institutos acarretará uma dupla sanção sobre o mesmo fato, gerando um verdadeiro bis in idem. Esclareçase primeiramente, que a multa aplicada não se reveste de caráter moratório. Tratase de penalidade que, à época da sua aplicação, encontravase prevista no inciso IV do parágrafo 1º do art. 44 da Lei nº. 9.430, de 1996. Não estamos diante, pois, da multa moratória a que faz referência o art. 61 do mesmo diploma legal. Tratandose, assim, de MULTA DE OFÍCIO, exigida isoladamente nos termos da lei, a ausência de pagamento no prazo estabelecido na intimação feita pela autoridade competente implica incidência de juros moratórios, nos exatos termos da legislação de regência. No que diz respeito à eventual violação a preceitos constitucionais, no presente âmbito cabe, apenas, reproduzir a súmula CARF nº. 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Não obstante, a partir da vigência da Lei nº. 11.488, de 2007, isto é, 15 de junho de 2007, a multa em questão foi reduzida para 50%. Assim, por força do disposto na alínea “c” do inciso II do art. 106 do Código Tributário Nacional, a multa de ofício deve ser reduzida para 50%. Por fim, sustenta a Recorrente que enquanto não esgotadas todas as vias de utilização de defesa quanto à legalidade do crédito constituído, não pode a autoridade fiscal dar início a qualquer procedimento tendente à sua cobrança, ou caso o procedimento de cobrança já se tenha iniciado, a efetivação de um desses atos implica a imediata interrupção do referido procedimento. Correta a argumentação, eis que, como é cediço, as reclamações e os recursos, nos termos das leis reguladoras do processo tributário administrativo, suspendem a exigibilidade do crédito tributário (Código Tributário Nacional, art. 151, III). Fl. 467DF CARF MF Emitido em 06/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/04/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Assinado digitalmente em 04/04/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, 06/04/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10735.003273/200415 Acórdão n.º 130200.550 S1C3T2 Fl. 277 9 Assim, considerado todo o exposto, conduzo meu voto no sentido de NÃO CONHECER O RECURSO DE OFÍCIO e DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para reduzir a multa aplicada para 50%. Sala das Sessões, em 31 de março de 2011 “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães Fl. 468DF CARF MF Emitido em 06/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/04/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Assinado digitalmente em 04/04/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, 06/04/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO
score : 1.0
Numero do processo: 18050.010696/2008-18
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 28 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Jul 28 00:00:00 UTC 2011
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Data do fato gerador: 10/12/2008
AUTO DE INFRAÇÃO. CFL 30.
Constitui infração às disposições inscritas no art. 32, I da Lei n° 8212/91 c/c art. 225, I, e §9° do RPS, aprovado pelo Dec. n° 3048/99, deixar a empresa de preparar folha de pagamento das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados obrigatórios do RGPS a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pelo INSS.
OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS E PRINCIPAIS. INDEPENDÊNCIA. AUTONOMIA.
O simples fato da inobservância da obrigação acessória é condição bastante, suficiente e determinante para a conversão de sua natureza de obrigação acessória em principal, relativamente à penalidade pecuniária.
Dessarte, nos termos da lei, ainda que não tenha ocorrido a obrigação principal ou esta, mesmo tendo ocorrido, já tenha sido adimplida, tais fatos não são suficientes para afastar a observância e/ou os efeitos das obrigações acessórias correlatas impostas pela legislação tributária.
AUTO DE INFRAÇÃO. JULGAMENTO CONJUNTO.
DESNECESSIDADE.
É prescindível o apensamento de processos e julgamento conjunto quando inexistir relação de prejudicialidade entre ambos.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2302-001.199
Decisão: ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF,
por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que
integram o presente julgado.
Matéria: CPSS - Contribuições para a Previdencia e Seguridade Social
Nome do relator: Arlindo da Costa e Silva
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CFL 30. Constitui infração às disposições inscritas no art. 32, I da Lei n° 8212/91 c/c art. 225, I, e §9° do RPS, aprovado pelo Dec. n° 3048/99, deixar a empresa de preparar folha de pagamento das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados obrigatórios do RGPS a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pelo INSS. OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS E PRINCIPAIS. INDEPENDÊNCIA. AUTONOMIA. O simples fato da inobservância da obrigação acessória é condição bastante, suficiente e determinante para a conversão de sua natureza de obrigação acessória em principal, relativamente à penalidade pecuniária. Dessarte, nos termos da lei, ainda que não tenha ocorrido a obrigação principal ou esta, mesmo tendo ocorrido, já tenha sido adimplida, tais fatos não são suficientes para afastar a observância e/ou os efeitos das obrigações acessórias correlatas impostas pela legislação tributária. AUTO DE INFRAÇÃO. JULGAMENTO CONJUNTO. DESNECESSIDADE. É prescindível o apensamento de processos e julgamento conjunto quando inexistir relação de prejudicialidade entre ambos. Recurso Voluntário Negado Fl. 1DF CARF MF Emitido em 13/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/08/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 02/08/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 17/08/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Marco André Ramos Vieira Presidente. Arlindo da Costa e Silva Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco André Ramos Vieira (Presidente de Turma), Manoel Coelho Arruda Junior (Vicepresidente de turma), Liége Lacroix Thomasi, Adriana Sato, Wilson Antonio de Souza Correa, Vera Kempers de Moraes Abreu e Arlindo da Costa e Silva. Ausência momentânea: Wilson Antonio de Souza Correa. Relatório Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004. Data da lavratura do Auto de Infração : 10/12/2008. Data da Ciência do Auto de Infração : 18/12/2008. Tratase de auto de infração decorrente do descumprimento de obrigações acessórias previstas no inciso I do art. 32 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, lavrado em desfavor do Recorrente, em virtude de a empresa ter deixado de incluir nas suas folhas de pagamento relativas às competências de 10/2003 a 03/2007 segurados obrigatórios do RGPS a seu serviço, conforme descrito no Relatório Fiscal, a fls. 06/09. CFL 30 Deixar a empresa de preparar folha(s) de pagamento(s) das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidas pelo INSS. Informa o auditor fiscal autuante que, ao confrontar as Folhas de Pagamento do ano calendário de 2004, apresentadas em meio papel e digital, verificou a existência de divergência entre estas, e destas com a RAIS. Apurou o auditor: a) A não inclusão de segurados empregados, autônomos e contribuintes individuais na folha de pagamento; Fl. 2DF CARF MF Emitido em 13/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/08/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 02/08/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 17/08/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 18050.010696/200818 Acórdão n.º 230201.199 S2‐C3T2 Fl. 251 3 b) A não inclusão de parcelas de natureza salarial; e c) Falta de totalização das bases do salário de contribuição para a previdência social. A multa foi aplicada em conformidade com a cominação prevista no art. 283, I, ‘a’ do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n. 3.048 de 06/05/1999, no valor de R$ 1.254,89 (um mil duzentos e cinquenta e quatro reais e oitenta e nove centavos), atualizado conforme Portaria Interministerial MPS/MF n° 77, de 11 de março de 2008, de acordo com o reportado no Relatório Fiscal de Aplicação da multa, a fl. 8. Irresignado com o supracitado lançamento tributário, o sujeito passivo apresentou impugnação a fls. 223/224. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Salvador/BA lavrou Decisão Administrativa a fls. 240/242, julgando procedente a autuação e mantendo o crédito tributário em sua integralidade. O Sujeito Passivo foi cientificado da decisão de 1ª Instância no dia 21 de maio de 2009, conforme Aviso de Recebimento – AR, a fl. 244. Inconformada com a decisão exarada pelo órgão administrativo julgador a quo, o ora Recorrente interpôs recurso voluntário, a fls. 245/246, respaldando sua contrariedade em argumentação desenvolvida nos seguintes termos: • Que as folhas de pagamento são elaboradas de acordo com os padrões exigidos pela legislação vigente, através de sistema de processamento eletrônico utilizado em diversas outras empresas no país. Ao fim requer que seja o julgamento do presente auto de infração feito em conjunto com os Autos de Infração 37.210.8490, 37.210.8504 e 37.210.8512, posto que se consubstancia em suposta obrigação acessória. Relatados sumariamente os fatos relevantes. Voto Conselheiro Arlindo da Costa e Silva, Relator. 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE Fl. 3DF CARF MF Emitido em 13/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/08/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 02/08/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 17/08/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 4 O sujeito passivo foi válida e eficazmente cientificado da decisão recorrida no dia 21/05/2009. Havendo sido o recurso voluntário protocolado no dia 19 de junho do mesmo ano, há que se reconhecer a tempestividade do recurso interposto. Presentes os demais requisitos de admissibilidade do Recurso, dele conheço. Ante a inexistência de questões preliminares, passamos diretamente à análise do mérito. 2. DO MÉRITO Cumpre, de plano, assentar que não serão objeto de apreciação por este Colegiado as matérias não expressamente contestadas pelo Recorrente, as quais se presumirão verdadeiras. 2.1. DA CONDUTA INFRACIONAL. Pondera o Recorrente que as folhas de pagamento são elaboradas de acordo com os padrões exigidos pela legislação vigente, através de sistema de processamento eletrônico utilizado em diversas outras empresas no país. Os fatos constatados pelo auditor fiscal autuante apontam em sentido diverso daquele promanado pelo Recorrente. Cumpre neste comenos destacar que, no capítulo reservado ao Sistema Tributário Nacional, a Carta Constitucional outorgou à Lei Complementar a competência para estabelecer normas gerais em matéria de legislação tributária, especialmente sobre as obrigações tributárias, dentre outras. Constituição Federal, de 03 de outubro de 1988 Art. 146. Cabe à lei complementar: (...) III estabelecer normas gerais em matéria de legislação tributária, especialmente sobre: (...) b) obrigação, lançamento, crédito, prescrição e decadência tributários; Nessa vertente, no exercício da competência que lhe foi outorgada pelo Constituinte Originário, o CTN honrou prescrever, com propriedade, a distinção entre as duas modalidades de obrigações tributárias, ad litteris et verbis: Código Tributário Nacional CTN Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. §1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade Fl. 4DF CARF MF Emitido em 13/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/08/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 02/08/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 17/08/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 18050.010696/200818 Acórdão n.º 230201.199 S2‐C3T2 Fl. 252 5 pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. §2º A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. (grifos nossos) §3º A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. (grifos nossos) As obrigações acessórias, consoante os termos do Diploma Tributário, consubstanciamse deveres de natureza instrumental, consistentes em um fazer, não fazer ou permitir, fixados na legislação tributária, na abrangência do art. 96 do CTN, em proveito do interesse da administração fiscal no que tange à arrecadação e à fiscalização de tributos. No plano infraconstitucional, no que pertine às contribuições previdenciárias, a disciplina da matéria em relevo ficou a cargo da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, a qual fez inserir na Ordem Jurídica Nacional uma diversidade de obrigações acessórias, criadas no interesse da arrecadação ou da fiscalização das contribuições previdenciárias, sem transpor os umbrais limitativos erguidos pelo CTN. Envolto no ordenamento realçado nas linhas precedentes, o art. 32 da citada lei de custeio da Seguridade Social estatuiu como obrigação acessória da empresa o dever jurídico de elaborar folhas de pagamento englobando todas as remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pelo órgão competente da Seguridade Social. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 32. A empresa é também obrigada a: I preparar folhas de pagamento das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pelo órgão competente da Seguridade Social; Outro não é o Direito positivado no art. 225 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Dec. nº 3.048/99, ao estatuir a obrigação da empresa de preparar folha de pagamento da remuneração paga, devida ou creditada a todos os segurados a seu serviço, devendo manter, em cada estabelecimento, uma via da respectiva folha e recibos de pagamentos. Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Dec. nº 3.048/99 Art. 225. A empresa é também obrigada a: I preparar folha de pagamento da remuneração paga, devida ou creditada a todos os segurados a seu serviço, devendo manter, em cada estabelecimento, uma via da respectiva folha e recibos de pagamentos; Fl. 5DF CARF MF Emitido em 13/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/08/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 02/08/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 17/08/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 6 (...) §5º A empresa deverá manter à disposição da fiscalização, durante dez anos, os documentos comprobatórios do cumprimento das obrigações referidas neste artigo, observados o disposto no § 22 e as normas estabelecidas pelos órgãos competentes. (Redação dada pelo Decreto nº 4.729, de 2003) (...) §9º A folha de pagamento de que trata o inciso I do caput, elaborada mensalmente, de forma coletiva por estabelecimento da empresa, por obra de construção civil e por tomador de serviços, com a correspondente totalização, deverá: I discriminar o nome dos segurados, indicando cargo, função ou serviço prestado; II agrupar os segurados por categoria, assim entendido: segurado empregado, trabalhador avulso, empresário, trabalhador autônomo ou a este equiparado, e demais pessoas físicas; II agrupar os segurados por categoria, assim entendido: segurado empregado, trabalhador avulso, contribuinte individual; (Redação dada pelo Decreto nº 3.265, de 1999) III destacar o nome das seguradas em gozo de salário maternidade; IV destacar as parcelas integrantes e não integrantes da remuneração e os descontos legais; e V indicar o número de quotas de saláriofamília atribuídas a cada segurado empregado ou trabalhador avulso. (...) §14. A empresa deverá manter à disposição da fiscalização os códigos ou abreviaturas que identifiquem as respectivas rubricas utilizadas na elaboração da folha de pagamento, bem como os utilizados na escrituração contábil. (...) §22 A empresa que utiliza sistema de processamento eletrônico de dados para o registro de negócios e atividades econômicas, escrituração de livros ou produção de documentos de natureza contábil, fiscal, trabalhista e previdenciária é obrigada a arquivar e conservar, devidamente certificados, os respectivos sistemas e arquivos, em meio digital ou assemelhado, durante dez anos, à disposição da fiscalização. (Incluído pelo Decreto nº 4.729, de 2003) Não se mostra demasiado enaltecer que o registro nas folhas de pagamento de todas as rubricas auferidas pelos segurados, sejam elas integrantes ou não do Salário de Contribuição não se revela como uma faculdade da empresa, mas, sim, uma obrigação tributária a ela imposta diretamente, com a força de império da lei formal, gerada nas Conchas Opostas do Congresso Nacional, segundo o trâmite gestacional plasmado nos artigos 61 a 69 da nossa Lei Soberana. Não se deve perder de vista, igualmente, que a omissão nas folhas de pagamento de informação que delas deveria constar, ou nelas inserir ou fazer inserir declaração falsa ou diversa da que devia ser escrita, com o fim de prejudicar direito, criar obrigação ou alterar a verdade sobre fato juridicamente relevante constituise, em tese, crime de falsidade Fl. 6DF CARF MF Emitido em 13/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/08/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 02/08/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 17/08/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 18050.010696/200818 Acórdão n.º 230201.199 S2‐C3T2 Fl. 253 7 ideológica, na forma prevista no DecretoLei nº 2.848, de 7 de dezembro de 1940 – Código Penal Brasileiro. DecretoLei nº 2.848, de 7 de dezembro de 1940 – Código Penal Falsidade ideológica Art. 299 Omitir, em documento público ou particular, declaração que dele devia constar, ou nele inserir ou fazer inserir declaração falsa ou diversa da que devia ser escrita, com o fim de prejudicar direito, criar obrigação ou alterar a verdade sobre fato juridicamente relevante: (grifos nossos) Pena reclusão, de um a cinco anos, e multa, se o documento é público, e reclusão de um a três anos, e multa, se o documento é particular. Parágrafo único Se o agente é funcionário público, e comete o crime prevalecendose do cargo, ou se a falsificação ou alteração é de assentamento de registro civil, aumentase a pena de sexta parte. Vencidas tais digressões preliminares acerca das obrigações acessórias de natureza previdenciária, destacamos que os artigos 92 e 102 da Lei nº 8.212/91 estatuem que a infração de qualquer dispositivo da Lei Orgânica da Seguridade Social para a qual não houver penalidade expressamente cominada sujeitará o responsável, conforme a gravidade da infração, a multa variável, cujos valores serão reajustados nas mesmas épocas e com o s mesmos índices utilizados para o reajustamento dos benefícios de prestação continuada da Previdência Social. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 92. A infração de qualquer dispositivo desta Lei para a qual não haja penalidade expressamente cominada sujeita o responsável, conforme a gravidade da infração, a multa variável de Cr$ 100.000,00 (cem mil cruzeiros) a Cr$ 10.000.000,00 (dez milhões de cruzeiros), conforme dispuser o regulamento. Art. 102. Os valores expressos em moeda corrente nesta Lei serão reajustados nas mesmas épocas e com os mesmos índices utilizados para o reajustamento dos benefícios de prestação continuada da Previdência Social. (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.18713, de 2001). Com efeito, a estrutura normativa dos tributos em geral aponta no sentido de que a base de cálculo, em princípio, deve ser apurada com base em documentos do Sujeito Passivo que registrem, de forma precisa, os montantes pecuniários correspondentes a cada hipótese de incidência prevista nas leis de regência correspondentes. Excepcionalmente, nas ocasiões em que o conhecimento fiel dos montantes acima referidos não for viável, o ordenamento jurídico admite o emprego da aferição indireta. Fl. 7DF CARF MF Emitido em 13/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/08/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 02/08/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 17/08/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 8 No caso presente, a fiscalização, ao confrontar as Folhas de Pagamento relativas ano calendário de 2004, apresentadas em meio papel e digital, além destas apresentarem divergências entre si, e ambas com a RAIS, verificou ainda as seguintes irregularidades: a) Não inclusão de segurados na folha de pagamento: empregado, autônomo e contribuinte individual; b) Parcelas não incluídas, e c) Falta de totalização das bases do salário de contribuição para a previdência social. Nesse contexto, não sendo obedecidos os padrões e as normas estabelecidos pelo órgão competente da Seguridade Social para a elaboração da folha de pagamento, incorreu a empresa em conduta infracional prevista no art. 283, I, ‘a’ do Regulamento da Previdência Social, in verbis: Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Dec. nº 3.048/99 Art. 283. Por infração a qualquer dispositivo das Leis nos 8.212 e 8.213, ambas de 1991, e 10.666, de 8 de maio de 2003, para a qual não haja penalidade expressamente cominada neste Regulamento, fica o responsável sujeito a multa variável de R$ 636,17 (seiscentos e trinta e seis reais e dezessete centavos) a R$ 63.617,35 (sessenta e três mil, seiscentos e dezessete reais e trinta e cinco centavos), conforme a gravidade da infração, aplicando selhe o disposto nos arts. 290 a 292, e de acordo com os seguintes valores: (Redação dada pelo Decreto nº 4.862, de 2003) I a partir de R$ 636,17 (seiscentos e trinta e seis reais e dezessete centavos) nas seguintes infrações: a) deixar a empresa de preparar folha de pagamento das remunerações pagas, devidas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com este Regulamento e com os demais padrões e normas estabelecidos pelo Instituto Nacional do Seguro Social; A conduta assim perpetrada pelo Recorrente configurase infração às disposições inscritas no art. 32, I da Lei n° 8212/91, punível com a multa no valor básico de R$ 1.254,89 (um mil duzentos e cinquenta e quatro reais e oitenta e nove centavos), nos termos do art. 283, I, ‘a’ do RPS, aprovado pelo Dec. n° 3048/99, com valores atualizados pela Portaria Interministerial MPS/MF n° 77, de 11 de março de 2008, conforme previsão contida nos artigos 92 e 102 da Lei 8.212/91, no art. 373 do RPS. Dessarte, diante das divergências verificadas nas folhas de pagamento apresentadas pela empresa de forma impressa e em mídia digital, assim como pela omissão de registro de verbas de natureza salarial, foi lavrado o presente Auto de Infração, o qual, saliente se, independe da investigação do elemento subjetivo da conduta infracional, eis que a sua imputação tem natureza objetiva. Em reforço a tal assertiva, iluminese a expressão legislativa empregada no texto do art. 136 do Pergaminho Fiscal, o qual, obstando o dispêndio de energias intelectuais Fl. 8DF CARF MF Emitido em 13/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/08/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 02/08/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 17/08/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 18050.010696/200818 Acórdão n.º 230201.199 S2‐C3T2 Fl. 254 9 no exame da legislação em abstrato, irradia, com extrema clareza e intensidade, a natureza objetiva da infração sub examine. Código Tributário Nacional CTN Art. 136. Salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. Do marco primitivo da fundamentação legal acima delineada, advêm os preceitos norteadores da atividade fiscal inseridos no art. 92 da Lei nº 8.212/91, cujo enunciado, na formatação exigida pelo §3º do art. 113 do CTN, assentase firme no sentido de que a mera constatação de infração a qualquer dispositivo estampado na Lei Orgânica da Seguridade Social sujeitará o responsável ao pagamento de penalidade pecuniária, variável em sua origem, independentemente de qualquer perquirição a respeito da subjetividade da conduta do infrator. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 92. A infração de qualquer dispositivo desta Lei para a qual não haja penalidade expressamente cominada sujeita o responsável, conforme a gravidade da infração, a multa variável de Cr$ 100.000,00 (cem mil cruzeiros) a Cr$ 10.000.000,00 (dez milhões de cruzeiros), conforme dispuser o regulamento. Categoricamente, asselase nas leis que disciplinam as obrigações tributárias acessórias a desnecessidade de se demonstrar o elemento subjetivo da conduta do Sujeito Passivo que venha a desaguar no descumprimento das obrigações instrumentais nas situações aqui abordadas, sendo juridicamente irrelevante para caracterizar a legalidade, legitimidade e procedência da lavratura do correspondente Auto de Infração a investigação da boafé, do dolo ou da culpa do infrator. Outrossim, a imposição de penalidade por descumprimento de obrigação acessória, sendo esta de natureza eminentemente objetiva, independe do cumprimento ou não de qualquer obrigação principal eventualmente a ela associada, sendo, por conseguinte, irrelevante, que o obrigado tenha procedido corretamente ao recolhimento das contribuições previdenciárias correspondentes. Assim, considerando toda a pletora documental carreada ao presente processo, restou demonstrado, por meio de documentos idôneos, a ocorrência material da conduta infracional perpetrada pelo sujeito passivo em apreço, não logrando o Recorrente produzir os meios de prova hábeis a desconstituílo. Fl. 9DF CARF MF Emitido em 13/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/08/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 02/08/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 17/08/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 10 Diante do que se coligiu até o momento, restou visível a procedência do procedimento levado a cabo pela Autoridade Fiscal. 2.1. DA AUTONOMIA E INDEPENDÊNCIA DAS OBRIGAÇÕES PRINCIPAIS E ACESSÓRIAS. Avulta como verdadeiro axioma a máxima jurídica que reza ter o acessório o mesmo destino que o principal. Em direito tributário, todavia, esse princípio rudimentar de Direito tem que ser interpretado cum grano salis. Como é cediço, o nomem juris de qualquer instituto de direito não é suficiente para lhe determinar o conteúdo e abrangência, atributos esses que só podem emergir da lei. O que se deseja encarecer é que o Documento Legal que rege determinado instituto jurídico detém, nas conformações traçadas pela Carta Maior, a competência legal para dispor acerca do seu alcance e teor. No caso das obrigações tributárias acessórias, estas estão longe de serem, meramente, dispositivos secundários, subordinados às ou dependentes das obrigações ditas principais, como acredita o Recorrente. Impende observar, nesse sentido, que o CTN, no exercício da competência que lhe foi outorgada pelo Constituinte Originário, honrou prescrever, com propriedade, a distinção entre as duas modalidades de obrigações tributárias, ad litteris et verbis: Constituição Federal, de 03 de outubro de 1988 Art. 146. Cabe à lei complementar: (...) III estabelecer normas gerais em matéria de legislação tributária, especialmente sobre: (...) b) obrigação, lançamento, crédito, prescrição e decadência tributários; Código Tributário Nacional CTN Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. §1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. §2º A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. (grifos nossos) §3º A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. (grifos nossos) Fl. 10DF CARF MF Emitido em 13/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/08/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 02/08/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 17/08/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 18050.010696/200818 Acórdão n.º 230201.199 S2‐C3T2 Fl. 255 11 Nessa perspectiva, não carece de elevada mestria a interpretação do texto inscrito no §2º do supratranscrito dispositivo legal a qual aponta para a total independência entre as obrigações ditas principais e aquelas denominadas como acessórias. Estas, no dizer cristalino da Lei, decorrem diretamente da legislação tributária, não das obrigações principais, e tem por objeto prestações positivas ou negativas fixadas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. Nesse contexto, cabenos registrar, que são cabíveis de serem estatuídas obrigações acessórias as quais não se encontram vinculadas a nenhuma obrigação principal, fato que põe por terra a tese defendida pelo Recorrente. Exemplo emblemático do que findou de ser dito é o caso das obrigações acessórias previstas no art. 68 da Lei nº 8.212/91, que impõe ao Titular do Cartório de Registro Civil de Pessoas Naturais a obrigação acessória de comunicar ao INSS, até o dia 10 de cada mês, o registro dos óbitos ocorridos no mês imediatamente anterior, devendo da relação constar a filiação, a data e o local de nascimento da pessoa falecida, sob pena de sujeição à penalidade prevista no art. 92 do mesmo Diploma Legal. Corrobora o entendimento acima esposado as disposições insculpidas no §3º do art. 113 do citado codex, o qual reza que, o simples fato da inobservância da obrigação acessória é condição bastante, suficiente e determinante para a conversão de sua natureza de obrigação acessória em principal, relativamente à penalidade pecuniária, de onde se conclui que a aplicação de Auto de Infração tem natureza objetiva. Tal compreensão caminha em harmonia com as disposições expressas no art. 136 do reverenciado código tributário, o qual declara que a responsabilidade por infrações à legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato, revelando assim, através de uma outra lente, o caráter objetivo e independente da imputação em realce. Código Tributário Nacional CTN Art. 136. Salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. Dessarte, nos termos da lei, ainda que não tenha ocorrido a obrigação principal ou esta, mesmo tendo ocorrido, já tenha sido adimplida, tais fatos não são suficientes para afastar a observância e/ou os efeitos das obrigações acessórias correlatas impostas pela legislação tributária. Nesse painel, a mera inobservância objetiva da obrigação tributária acessória implica a imposição da penalidade correspondente, in casu, a multa prevista no art. 92 da Lei nº 8.212/91 c.c. art. 283, I, ‘a’ do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99, com valores atualizados pela Portaria Interministerial MPS/MF n° 77, de 11 de março de 2008. Fl. 11DF CARF MF Emitido em 13/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/08/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 02/08/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 17/08/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 12 2.3. DO JULGAMENTO CONJUNTO Requer seja o julgamento do presente auto de infração feito em conjunto com o Auto de Infração 37.210.8490, 37.210.8504 e 37.210.8512 Tal providência se revela desnecessária. Com efeito, os Autos de Infração 37.210.8490 e 37.210.8512 operaram o lançamento de contribuições previdenciárias destinadas ao custeio da Seguridade Social e ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho e a outras entidades e fundos incidindo sobre as mesmas rubricas tratadas no presente processo, dentre muitas outras. Entretanto, inexiste questão de prejudicialidade entre ambos os processos. Os processos em apreço são totalmente autônomos e independentes entre si, devendo, cada um deles, ser instruídos com todos os elementos de fato e de direito em que se fundamenta a defesa, os pontos de discordância, as razões e as provas que as partes possuírem, sob pena de preclusão, a teor dos artigos 16 e 17 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Os relatórios e o conjunto probatório que integram o presente processo se revelam bastantes e suficientes para o exame do meritum causae pelo juízo ad quem, revelandose prescindível o apensamento deste àqueles e o julgamento em conjunto. Nesse contexto, da análise de tudo o quanto se considerou no presente julgado, podese asselar categoricamente que a presente autuação não demanda, alfim, qualquer reparo. 3. CONCLUSÃO Pelos motivos expendidos, CONHEÇO do Recurso Voluntário para, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. Arlindo da Costa e Silva Fl. 12DF CARF MF Emitido em 13/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/08/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 02/08/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 17/08/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 18050.010696/200818 Acórdão n.º 230201.199 S2‐C3T2 Fl. 256 13 Fl. 13DF CARF MF Emitido em 13/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/08/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 02/08/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 17/08/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 17546.000991/2007-41
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 08 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Jun 08 00:00:00 UTC 2011
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Data do fato gerador: 29/08/2006
Ementa:
RECURSO INTEMPESTIVO
Recurso voluntário não conhecido por falta de requisitos de admissibilidade, já que interposto intempestivamente.Art. 126, da Lei n°8.213/91, combinado com artigo 305, parágrafo 1° do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n.°3048/99.
Recurso Voluntário Não Conhecido
Numero da decisão: 2302-001.142
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não
conhecer do recurso voluntário pela intempestividade.
Matéria: Outras penalidades (ex.MULTAS DOI, etc)
Nome do relator: Liege Lacroix Thomasi
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 29/08/2006 Ementa: RECURSO INTEMPESTIVO Recurso voluntário não conhecido por falta de requisitos de admissibilidade, já que interposto intempestivamente.Art. 126, da Lei n°8.213/91, combinado com artigo 305, parágrafo 1° do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n.°3048/99. Recurso Voluntário Não Conhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário pela intempestividade. Marco Andre Ramos Vieira Presidente. Liege Lacroix Thomasi Relatora. EDITADO EM: 14/06/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Andre Ramos Vieira (Presidente), Liege Lacroix Thomasi, Arlindo da Costa e Silva,Manoel Coelho Arruda Junior, Adriana Sato. Fl. 315DF CARF MF Impresso em 21/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 14/06/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 14/06/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 16/06/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 2 Relatório Trata o presente auto de infração, lavrado em desfavor do sujeito passivo acima identificado, em 29/08/2006, originado em virtude do descumprimento do art. 32, III da Lei n ° 8.212/1991 c/c art. 283, II, “b” do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n.º 3048/99, pois a recorrente deixou de apresentar à fiscalização previdenciária o Livro de Inspeção do Trabalho. De acordo com o relatório fiscal da infração, fl. 04, o contribuinte deixou de prestar todas as informações de interesse da fiscalização, pois este Livro serve de instrumento para a auditoria da Previdência Social, onde estão apresentadas anotações do Ministério do Trabalho relacionadas ao empregados da empresa. Após a impugnação foi lavrado relatório aditivo a fim de elencar as empresas pertencentes ao grupo econômico, sendo todas cientificadas e reaberto o prazo de defesa. Acórdão de fls. 245 a 250, pugnou pela procedência do lançamento, mas excluiu da responsabilidade pela infração as empresas relacionadas no relatório aditivo como componentes do grupo econômico. Ainda inconformado, o contribuinte apresentou recurso, arguindo em síntese a nulidade da autuação por ausência de relatórios; a ausência de justificativa para a gradação da multa em valor superior ao mínimo legal. E, requerendo, por fim, o encerramento do processo com o arquivamento do auto de infração, ou a revisão do lançamento para aplicar o limite mínimo da multa. É o relatório. Fl. 316DF CARF MF Impresso em 21/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 14/06/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 14/06/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 16/06/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 17546.000991/200741 Acórdão n.º 230201.142 S2C3T2 Fl. 2 3 Voto Conselheira Liege Lacroix Thomasi Da Admissibilidade O recurso é INTEMPESTIVO, razão pela qual dele não se deve tomar conhecimento. Cientificado o sujeito passivo do Acórdão de fls. 245/250, em 14/08/2008, fls.267, o prazo para interposição de recurso, que é de 30 (trinta) dias, conforme o art. 126, caput, da Lei n.º 8.213/91, combinado com o art. 305, § 1º, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/99, iniciou em 15/08/2008, fruindo até 15/09/2008. Entretanto, o recurso foi interposto apenas em 24/09/2008, conforme documento de fls. 286/303 e protocolo de fl.286 configurandose, portanto, sua intempestividade. Lei n° 8213/91 Art. 126. Das decisões do Instituto Nacional do Seguro SocialINSS nos processos de interesse dos beneficiários e dos contribuintes da Seguridade Social caberá recurso para o Conselho de Recursos da Previdência Social, conforme dispuser o Regulamento. (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 1997) Regulamento da Previdência Social/ Decreto n° 3.048/99 Art.305. Das decisões do Instituto Nacional do Seguro Social e da Secretaria da Receita Previdenciária nos processos de interesse dos beneficiários e dos contribuintes da seguridade social, respectivamente, caberá recurso para o Conselho de Recursos da Previdência Social (CRPS), conforme o disposto neste Regulamento e no Regimento do CRPS. (Alterado pelo Decreto nº 6.032 de 1º/2/2007 DOU DE 2/2/2007) § 1º É de trinta dias o prazo para interposição de recursos e para o oferecimento de contrarazões, contados da ciência da decisão e da interposição do recurso, respectivamente. (Redação dada pelo Decreto nº 4.729, de 9/06/2003) Pelo exposto, considerando o artigo 35, do Decreto n°70.235/72, que dispõe: “Art. 35. O recurso, mesmo perempto, será encaminhado ao órgão de segunda instância, que julgará a perempção.” Voto por não conhecer o recurso, por falta de requisito para sua admissibilidade, mantendo a decisão de primeira instância proferida. Fl. 317DF CARF MF Impresso em 21/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 14/06/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 14/06/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 16/06/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 4 Liege Lacroix Thomasi Relatora Fl. 318DF CARF MF Impresso em 21/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 14/06/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 14/06/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 16/06/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 11474.000235/2007-26
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 08 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Jun 08 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Data do fato gerador: 29/09/2006
CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO ARTIGO 32, I DA LEI N.º 8.212/91
C/C ARTIGO 225, I DO REGULAMENTO DA PREVIDÊNCIA SOCIAL,
APROVADO PELO DECRETO N.º 3.048/99 NÃO ELABORAÇÃO DE
FOLHA DE PAGAMENTOS DE ACORDO COM OS PADRÕES.
A inobservância da obrigação tributária acessória é fato gerador do auto de infração, o qual se constitui, principalmente, em forma de exigir que a obrigação seja cumprida; obrigação que tem por finalidade auxiliar a SRP na administração previdenciária.
Inobservância do artigo 32, I da Lei n.º 8.212/91 c/c artigo 225, I do RPS, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/99.
A empresa é obrigada a preparar folha de pagamento da remuneração paga, devida ou creditada a todos os segurados a seu serviço, devendo destacar as parcelas integrantes e não integrantes da remuneração e os descontos legais.
ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Data do fato gerador: 29/09/2006
PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO ARTIGO 32, I DA LEI N.º 8.212/91 C/C ARTIGO 225, I DO REGULAMENTO DA PREVIDÊNCIA SOCIAL, APROVADO PELO DECRETO N.º 3.048/99 NÃO ELABORAÇÃO DE FOLHA DE PAGAMENTOS DE ACORDO COM OS PADRÕES. NFLD CORRELATAS CARACTERIZAÇÃO DE VÍNCULO EMPREGATÍCIO PARA EFEITOS PREVIDENCIÁRIOS
A sorte de Autos de Infração relacionados ausência de elaboração de folha de pagamento está diretamente relacionado ao resultado das NFLD lavradas sobre os mesmos fatos geradores, qual seja a NFLD que determinou a vinculação para efeitos previdenciários.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2401-001.901
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar
provimento ao recurso.
Matéria: Outras penalidades (ex.MULTAS DOI, etc)
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Data do fato gerador: 29/09/2006 CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO ARTIGO 32, I DA LEI N.º 8.212/91 C/C ARTIGO 225, I DO REGULAMENTO DA PREVIDÊNCIA SOCIAL, APROVADO PELO DECRETO N.º 3.048/99 NÃO ELABORAÇÃO DE FOLHA DE PAGAMENTOS DE ACORDO COM OS PADRÕES. A inobservância da obrigação tributária acessória é fato gerador do auto de infração, o qual se constitui, principalmente, em forma de exigir que a obrigação seja cumprida; obrigação que tem por finalidade auxiliar a SRP na administração previdenciária. Inobservância do artigo 32, I da Lei n.º 8.212/91 c/c artigo 225, I do RPS, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/99. A empresa é obrigada a preparar folha de pagamento da remuneração paga, devida ou creditada a todos os segurados a seu serviço, devendo destacar as parcelas integrantes e não integrantes da remuneração e os descontos legais. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 29/09/2006 PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO ARTIGO 32, I DA LEI N.º 8.212/91 C/C ARTIGO 225, I DO REGULAMENTO DA PREVIDÊNCIA SOCIAL, APROVADO PELO DECRETO N.º 3.048/99 NÃO ELABORAÇÃO DE FOLHA DE PAGAMENTOS DE ACORDO COM OS PADRÕES. NFLD CORRELATAS CARACTERIZAÇÃO DE VÍNCULO EMPREGATÍCIO PARA EFEITOS PREVIDENCIÁRIOS A sorte de Autos de Infração relacionados ausência de elaboração de folha de pagamento está diretamente relacionado ao resultado das NFLD lavradas sobre os mesmos fatos geradores, qual seja a NFLD que determinou a vinculação para efeitos previdenciários. Recurso Voluntário Negado.
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A inobservância da obrigação tributária acessória é fato gerador do autode infração, o qual se constitui, principalmente, em forma de exigir que a obrigação seja cumprida; obrigação que tem por finalidade auxiliar a SRP na administração previdenciária. Inobservância do artigo 32, I da Lei n.º 8.212/91 c/c artigo 225, I do RPS, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/99. A empresa é obrigada a preparar folha de pagamento da remuneração paga, devida ou creditada a todos os segurados a seu serviço, devendo destacar as parcelas integrantes e não integrantes da remuneração e os descontos legais. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 29/09/2006 PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO ARTIGO 32, I DA LEI N.º 8.212/91 C/C ARTIGO 225, I DO REGULAMENTO DA PREVIDÊNCIA SOCIAL, APROVADO PELO DECRETO N.º 3.048/99 NÃO ELABORAÇÃO DE FOLHA DE PAGAMENTOS DE ACORDO COM OS PADRÕES. NFLD CORRELATAS CARACTERIZAÇÃO DE VÍNCULO EMPREGATÍCIO PARA EFEITOS PREVIDENCIÁRIOS A sorte de Autos de Infração relacionados ausência de elaboração de folha de pagamento está diretamente relacionado ao resultado das NFLD lavradas sobre os mesmos fatos geradores, qual seja a NFLD que determinou a vinculação para efeitos previdenciários. Recurso Voluntário Negado Fl. 1DF CARF MF Emitido em 18/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/07/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA Assinado digitalmente em 08/07/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, 15/07/2011 por ELIAS SAMPA IO FREIRE 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Elias Sampaio Freire Presidente Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Cleusa Vieira de Souza, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 18/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/07/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA Assinado digitalmente em 08/07/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, 15/07/2011 por ELIAS SAMPA IO FREIRE Processo nº 11474.000235/200726 Acórdão n.º 240101.901 S2C4T1 Fl. 243 3 Relatório Trata o presente autodeinfração, lavrado sob n. 35.764.5413, em desfavor da recorrente, originado em virtude do descumprimento do art. 32, I da Lei n ° 8.212/1991 c/c art. 225, I e § 9º e art. 283, I, “a” do RPS, aprovado pelo Decreto n ° 3.048/1999. Segundo a fiscalização previdenciária, a recorrente deixou de elaborar folha de pagamento com todas as remunerações dos segurados que lhe prestaram serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidas pelo INSS. As remunerações que deixaram de ser informadas NAS FOLHAS DE PAGAMENTO, referemse a diversos segurados empregados, no período de março/2004 a maio/2006. Os segurados não incluídos e os respectivos períodos encontramse discriminados em planilha ao relatório fiscal. Tais segurados empregados encontramse, indevidamente, registrados na empresa TTER INDUSTRIAL LIDA CNPJ: 06.106.206/000187, pois trabalham, na realidade, para a autuada, tendo sido caracterizados por esta fiscalização, para • fins previdenciários, como empregados da empresa FUNDIÇÃO VITORIA LIDA Importante, destacar que a lavratura do AI deuse em 29/09/2006, tendo a cientificação ao sujeito passivo ocorrido no dia 03/10/2006. Não conformada com a autuação a recorrente apresentou impugnação, fls. 19 a 203. O processo foi baixado em diligência com o objetivo que a autoridade fiscal identifique a relevância dos documentos apresentados.Manifestouse a autoridade fiscal no sentido de que as alegações não merecem prosperar, rebatendo todos os pontos no sentido de que os fatos encontrados durante o procedimento fiscal demonstram a confusão de subordinação, fls. 207 a 209. Tendo em vista a cientificação da diligência, o recorrente manifestouse às fls. 215 a 218. Foi exarada a DecisãoNotificação DN que confirmou a procedência da autuação, conforme fls. 220 a 223. Não concordando com a decisão do órgão previdenciário, foi interposto recurso pela notificada, conforme fls. 226 a 230. . Em síntese, a recorrente em seu recurso alega o seguinte: 1. A empresa TTER INDUSTRIAL LTDA., é uma empresa totalmente independente e isoladamente fisicamente por paredes, por isto a designação de Sala 2, conforme comprovações da planta baixa da edificação e de fotografias para vossa análise. 2. A FUNDIÇÃO VITÓRIA LTDA., tem como o foco de atuação como o nome já diz é de FUNDIR PEÇAS DE ALUMÍNIO, quase que cativamente para um único cliente que é o Grupo WEG, com seu próprio quadro de colaboradores, instalações e fornecedores. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 18/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/07/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA Assinado digitalmente em 08/07/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, 15/07/2011 por ELIAS SAMPA IO FREIRE 4 3. A personalidade jurídica da empresa TTER INDUSTRIAL LTDA., é distinta, independente e possuidora de seus próprios clientes e campo de atuação diferentemente que é a USINAGEM DE PEÇAS, também com seu próprio quadro de colaboradores e fornecedores. 4. O fato das empresas utilizarem o mesmo galpão que possui uma área construida de 3.500 rn 2 não as torna ma única empresa, pois estão devidamente isoladas com paredes sem passagem, conforme comprovamos com fotografias. 5. É repudiado pela FUNDIÇÃO VITÓRIA LTDA., o fato da inexistência da empresa TTER INDUSTRIAL LTDA., o que não procede, pois foram apresentadas as fichas de registros de empregados das respectivas empresas, conforme consta no processo. 6. REQUER o recebimento do recurso, a fim de que seja provida, em seu mérito, a revisão da decisão do julgamento e se realize nova perícia nas instalações industriais e intime seus administradores a comparecerem na audiência do julgamento do RECURSO para apresentarem suas defesas. A Delegacia da Receita Federal do Brasil, encaminhou o processo a este Conselho para julgamento. É o Relatório. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 18/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/07/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA Assinado digitalmente em 08/07/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, 15/07/2011 por ELIAS SAMPA IO FREIRE Processo nº 11474.000235/200726 Acórdão n.º 240101.901 S2C4T1 Fl. 244 5 Voto Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Relatora PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE: O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação à fl. 241. Superados os pressupostos, passo as preliminares ao exame do mérito. DO MÉRITO Em se tratando de auto de infração, consubstanciado na falta de preparação de folha de pagamento em relação a segurados empregados contratados mediante empresa interposta, na qual a fiscalização procedeu a caracterização para efeitos previdenciários junto a recorrente, importante destacar que a decisão da procedência ou não do presente autode infração está ligado à sorte das Notificações Fiscais lavradas sob fatos geradores de mesmo fundamento. Assim, para evitar decisões discordantes fezse imprescindível a análise tendo por base o resultado de outros lançamentos realizados no mesmo procedimento. No recurso em questão, o contribuinte resumiuse a atacar a improcedência do lançamento, considerando que a empresa TTER é empresa independente, razão porque incabível a vinculação para efeitos previdenciários entre seus empregados e a empresa autuada. O procedimento adotado pelo AFPS na aplicação do presente autode infração seguiu a legislação previdenciária, conforme fundamentação legal descrita. No presente caso, a obrigação acessória está prevista na Lei n ° 8.212/1991 em seu artigo 32, I, nestas palavras: Art. 32. A empresa é também obrigada a: I preparar folhasdepagamento das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pelo órgão competente da Seguridade Social; Como se percebe, a própria lei conferiu poderes ao INSS para definir o padrão e as normas de elaboração dos documentos. A elaboração das folhas de pagamentos está disciplinada no art. 225 do RPS, aprovado pelo Decreto n ° 3.048/1999, nestas palavras: Art.225. A empresa é também obrigada a: I preparar folha de pagamento da remuneração paga, devida ou creditada a todos os segurados a seu serviço, devendo manter, em cada estabelecimento, uma via da respectiva folha e recibos de pagamentos; (...) § 9º A folha de pagamento de que trata o inciso I do caput, elaborada mensalmente, de forma coletiva por estabelecimento da empresa, por obra de construção civil e por tomador de serviços, com a correspondente totalização, deverá: Fl. 5DF CARF MF Emitido em 18/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/07/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA Assinado digitalmente em 08/07/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, 15/07/2011 por ELIAS SAMPA IO FREIRE 6 I discriminar o nome dos segurados, indicando cargo, função ou serviço prestado; IIagrupar os segurados por categoria, assim entendido: segurado empregado, trabalhador avulso, contribuinte individual; (Redação dada pelo Decreto nº 3.265, de 29/11/99) III destacar o nome das seguradas em gozo de salário maternidade; IV destacar as parcelas integrantes e não integrantes da remuneração e os descontos legais; e V indicar o número de quotas de saláriofamília atribuídas a cada segurado empregado ou trabalhador avulso. Assim, era obrigação da recorrente o preparo das folhas de pagamentos. Conforme comprovado nos autos, tal elaboração não foi realizada na forma estabelecida. Dessa maneira, não tem porque o presente autodeinfração ser anulado em virtude da ausência de vício formal na elaboração. Foi identificada a infração, havendo subsunção desta ao dispositivo legal infringido. Os fundamentos legais da multa aplicada foram discriminados e aplicados de maneira adequada. Nesse sentido, cumprenos apenas apreciar a procedência da autuação a luz do resultado dos demais lançamentos realizados durante o procedimento fiscal, lavradas sobre fatos geradores de mesmo fundamento, considerando que toda a argumentação apresentada diz respeito a impossibilidade de caracterização dos vínculos entre os contratados pela empresa TTER e a empresa Fundição Vitória. Neste sentido, cumprenos buscar o resultado do julgamento da NFLD Processo 11474.000232/200792, julgado pela ilustre Conselheira Bernadete de Oliveira Barros – Acordão 230102058, julgado em maio de 2011, onde a decisão foi no sentido de “negar provimento ao recurso”, conforme ementa: DESCARACTERIZAÇÃO DE VÍNCULO PACTUADO– É atribuída à fiscalização da SRP a prerrogativa de, seja qual for a forma de contratação, desconsiderar o vínculo pactuado e efetuar o enquadramento como segurados empregados da empresa contratante, desde que presentes os requisitos do art. 12, I, "a", da Lei n. 8.212/91. Os elementos caracterizadores do vínculo empregatício estão devidamente demonstrados no relatório fiscal da NFLD. Assim, em sendo julgado procedente o lançamento da NFLD cujos fatos geradores ensejaram a autuação face a omissão de segurados em folha de pagamento, outro não poderá ser o destino do Auto de Infração. Destacase que as obrigações acessórias são impostas aos sujeitos passivos como forma de auxiliar e facilitar a ação fiscal. Por meio das obrigações acessórias a fiscalização conseguirá verificar se a obrigação principal foi cumprida. Como é sabido, a obrigação acessória é decorrente da legislação tributária e não apenas da lei em sentido estrito, conforme dispõe o art. 113, § 2º do CTN, nestas palavras: Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade Fl. 6DF CARF MF Emitido em 18/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/07/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA Assinado digitalmente em 08/07/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, 15/07/2011 por ELIAS SAMPA IO FREIRE Processo nº 11474.000235/200726 Acórdão n.º 240101.901 S2C4T1 Fl. 245 7 pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. § 2º A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. § 3º A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. A legislação engloba as leis, os tratados e as convenções internacionais, os decretos e as normas complementares que versem, no todo ou em parte, sobre tributos e relações jurídicas a eles pertinentes, conforme dispõe o art. 96 do CTN. Assim, foi correta a aplicação do auto de infração ao presente caso pelo órgão previdenciário. O relatório fiscal, indicou de maneira clara e precisa todos os fatos ocorridos, havendo subsunção destes à norma prevista no art. 32, I, da Lei n ° 8.212/1991. O Auto de Infração sendo aplicado da maneira como foi imposto não se transforma em meio obtuso de arrecadação, nem possui efeito confiscatório. Na legislação previdenciária, a aplicação de auto de infração não possui a finalidade precípua de arrecadação, o que pode ser demonstrado pela previsão de atenuação ou até mesmo da relevação da multa, neste último caso, o infrator não pagará nenhum valor (art. 291 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n ° 3.048/1999). Os valores aplicados em auto de infração pela omissão justificamse pelo fato da importância dos esclarecimentos para administração previdenciária. As informações prestadas auxiliarão na fiscalização das contribuições arrecadadas pela Previdência Social. Vale destacar, ainda, que a responsabilidade pela infração tributária é em regra objetiva, isto é independe de culpa ou dolo. Assim, foi correta a aplicação do auto de infração ao presente caso pelo órgão previdenciário. Desse modo, a autuação deve persistir. CONCLUSÃO: Voto pelo CONHECIMENTO do recurso para no mérito NEGARLHE PROVIMENTO, mantendo a autuação integralmente.. É como voto. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Fl. 7DF CARF MF Emitido em 18/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/07/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA Assinado digitalmente em 08/07/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, 15/07/2011 por ELIAS SAMPA IO FREIRE 8 Fl. 8DF CARF MF Emitido em 18/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/07/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA Assinado digitalmente em 08/07/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, 15/07/2011 por ELIAS SAMPA IO FREIRE
score : 1.0
Numero do processo: 15586.000501/2007-12
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 05 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed May 04 00:00:00 UTC 2011
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE
SOCIAL COFINS
Período de apuração: 01/07/2003 a 31/12/2004
LANÇAMENTO. CONTESTAÇÃO. ÔNUS DA PROVA.
O crédito tributário constituído pelo lançamento pode ser contestado pelo
sujeito passivo, mediante oferta de provas hábeis e idôneas. A alegação de
erro material na apuração da base de cálculo deve se acompanhada de prova.
MULTA DE OFÍCIO. AGRAVAMENTO. IMPROCEDÊNCIA.
O agravamento da multa somente pode ocorrer quando a autoridade fiscal
provar de modo inconteste, por meio de documentação acostada aos autos o
dolo por parte do contribuinte, condição imposta pela lei.
Recursos de Ofício e Voluntário Negados.
Numero da decisão: 3302-00.963
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento aos recursos voluntários e de ofício, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: WALBER JOSE DA SILVA
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ementa_s : ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/07/2003 a 31/12/2004 LANÇAMENTO. CONTESTAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. O crédito tributário constituído pelo lançamento pode ser contestado pelo sujeito passivo, mediante oferta de provas hábeis e idôneas. A alegação de erro material na apuração da base de cálculo deve se acompanhada de prova. MULTA DE OFÍCIO. AGRAVAMENTO. IMPROCEDÊNCIA. O agravamento da multa somente pode ocorrer quando a autoridade fiscal provar de modo inconteste, por meio de documentação acostada aos autos o dolo por parte do contribuinte, condição imposta pela lei. Recursos de Ofício e Voluntário Negados.
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CONTESTAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. O crédito tributário constituído pelo lançamento pode ser contestado pelo sujeito passivo, mediante oferta de provas hábeis e idôneas. A alegação de erro material na apuração da base de cálculo deve se acompanhada de prova. MULTA DE OFÍCIO. AGRAVAMENTO. IMPROCEDÊNCIA. O agravamento da multa somente pode ocorrer quando a autoridade fiscal provar de modo inconteste, por meio de documentação acostada aos autos o dolo por parte do contribuinte, condição imposta pela lei. Recursos de Ofício e Voluntário Negados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento aos recursos voluntários e de ofício, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente e Relator. EDITADO EM: 07/05/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Alan Fialho Gandra, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 16/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/05/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Assinado digitalmente em 07/05/2011 por WALBER JOSE DA SILVA 2 Relatório Contra a empresa IMPORTADORA E EXPORTADORA LUSÍADA LTDA foi lavrado autos de infração para exigir o pagamento de PIS e de COFINS, relativo a fatos geradores ocorridos entre julho de 2003 e dezembro de 2004, tendo em vista que a Fiscalização constatou que a interessada pagou ou declarou em DCTF valores menores do que os declarados nas DIPJ e escriturados em sua contabilidade. Pelas razões constantes no Relatório Fiscal de fls. 1.897/1922, que abrenge os fatos deste processo e do processo nº 15586.000499/200773 (IRPJ e Reflexos), e na Representação para Inclusão de Responsáveis no Cadastro CNPJ de fls. 1.851/1.868, controlada no Processo nº 15586.000441/200720, foi emitido dos Termos de Sujeição Passiva Solidária (fls. 1940/1949) para os contribuintes Sérgio Aparecido Rocha de Oliveira, Roque Cornelosi, Francisco José Gonçalves Pereira, Enio Pedro Loss e Beline José Salles Ramos. Não se conformando, a empresa autuada e os responsáveis solidários insurgemse contra a exigência fiscal, conforme impugnações às fls. 1.956/2.094, cujos argumentos de defesa estão sintetizados no Relatório do Acórdão recorrido, que leio em sessão. A DRJ no Rio de Janeiro II julgou parcialmente procedente as impugnações para reduzir o percentual da multa de ofício de 150% para 75%, nos termos do Acórdão no 13 21.954, de 23/10/2008. cuja ementa apresenta o seguinte teor: DELEGACIAS DE JULGAMENTO/COMPETÊNCIA. Órgãos com jurisdição nacional, compete, especificamente, às Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento, julgar, em primeira instância, processos administrativos fiscais de determinação e exigência de créditos tributários, inclusive devidos a outras entidades e fundos, e de penalidades. NULIDADE. AUTO DE INFRAÇÃO. Não está inquinado de nulidade o Auto de Infração lavrado por autoridade competente em consonância com a legislação de regência. INCONSTITUCIONALIDADE Não compete à autoridade administrativa apreciar argüições de inconstitucionalidade de norma legitimamente inserida no ordenamento jurídico, cabendo tal controle ao Poder Judiciário. LANÇAMENTO/CONTESTAÇÃO/ÔNUS DA PROVA. O crédito tributário constituído pelo lançamento pode ser contestado pelo sujeito passivo, mediante oferta de provas hábeis e idôneas. MULTA DE OFÍCIO. AGRAVAMENTO. IMPROCEDÊNCIA. O agravamento da multa somente pode ocorrer quando a autoridade fiscal provar de modo inconteste, por meio de documentação acostada aos autos o dolo por parte do contribuinte, condição imposta pela lei. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 16/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/05/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Assinado digitalmente em 07/05/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 15586.000501/200712 Acórdão n.º 330200.963 S3C3T2 Fl. 2.198 3 PEDIDO DE PERÍCIA. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO. Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários à adequada solução da lide, indeferese, por prescindível, o pedido de diligência ou perícia. PROVA DOCUMENTAL A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de fazêlo em outro momento processual. Cientes da decisão de primeira instância, conforme ARs de fls. 2.140/2.144, a empresa autuada apresentou o mesmo recurso voluntário do processo nº 15586.000499/2007 73 (fls. 2.156/2.189) e os responsáveis solidários apresentaram os recursos voluntários acostados às fls. 2.145/2.154 e 2.190/2.195. Das alegações da empresa, a que tem alguma relação com este processo, no meu entender, são exclusivamente as que dizem respeito ao cerceamento do direito de defesa (alguns argumentos) e sobre a tributação de cerveja sem álcool, refrigerante e água mineral, a partir de 05/2004. O contribuinte Enio Pedro Loss alega nulidade do acórdão recorrido por não ter apreciado seus argumentos a respeito de sua nomeação como responsável solidário e ratifica os argumentos da impugnação. O contribuinte Roque Carnelosi alega que não pode ser considerado sócio da empresa autuada porque não praticou atos de gerência na qualidade de procurador por um ano. O contribuinte Sérgio Aparecido Rocha de Oliveira repete os argumentos da autuada sobre o regime concentrado de tributação do PIS e da Cofins, afirmando que adquiriu produtos unicamente da empresa PRIMO SCHINCARIOL. Alega, ainda, o cerceamento do direito de defesa por não ter sido admitido a produção de novas provas, inclusive pericial. Na forma regimental, o recurso voluntário foi a mim distribuído. É o Relatório. Voto Conselheiro Walber José da Silva Os recursos voluntários apresentados são tempestivos e atendem aos requisitos legais. O recurso de ofício atende aos dispositivos legais. Portanto, deles conheço. Como relatado, trata o presente processo de auto de infração de PIS e de Cofins lavrados em decorrência das verificações preliminares onde foi confrontado os valores das exações declaradas na DCTF com os valores declarados nas DIPJ (que estava igual ao escriturado). As diferenças encontradas foram exatamente as objetos da autuação e referemse a fatos geradores ocorridos até dezembro de 2004. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 16/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/05/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Assinado digitalmente em 07/05/2011 por WALBER JOSE DA SILVA 4 Portanto, neste processo não se estar a tratar de omissão de receitas ou a falta de apresentação de DCTF. Em assim sendo, não se conhece dos argumentos das recorrentes relacionados a fatos estranhos ao objeto do lançamento. Quanto à procedência ou não dos Termos de Sujeição Passiva Solidária, como bem disse a decisão recorrida, os mesmos estão sendo controlados no Processo nº 15586.000441/200720, onde certamente os contribuintes tiveram a oportunidade de contestar a sua validade e procedência, não cabendo neste processo o seu julgamento. O que ali for decidido, aplicase a este processo, neste parte. Não procede o argumento da recorrente de que ocorreu cerceamento do direito de defesa por não ter a decisão recorrida deferido o pedido de realização de perícia e de produção de provas. E não procede porque a decisão recorrida se fundou em dispositivos de regência do processo administrativo fiscal federal, qual seja, os artigos 16, § 4º, e 18, ambos do Decreto nº 70.235/72. É relevante o argumento da empresa autuada, e do nomeado responsável solidário Sérgio Aparecido, sobre a concentração da tributação do PIS e da Cofins nas vendas de cerveja sem álcool, de refrigerante e de água mineral a partir de maio de 2004, adquiridas da empresa PRIMO SCHINCARIOL. No entanto, os elementos contidos nos autos vão em sentido contrário a esse argumento, na medida em que indicam a aquisição de mercadorias de outros fornecedores e, como é de conhecimento do mercado, a empresa PRIMO SCHINCARIOL também fabrica e vende cerveja com álcool. Portanto, à mingua de prova, como bem disse a decisão recorrida, de que na base de cálculo das exações lançadas, a partir de maio de 2004, está incluída receita a que se refere o art. 49 da Lei nº 10.833/2003, com a redação da Lei nº 10.865/2004, não há como acolher os argumentos da recorrente. Quanto ao recurso de ofício, não vejo reparos a fazer na decisão recorrida, cujos argumentos acolho integralmente como se aqui estivessem transcritos. No mais, com fulcro no art. 50, § 1o, da Lei no 9.784/19991, adoto e ratifico os fundamentos do acórdão de primeira instância. Por tais razões, voto no sentido de negar provimento aos recursos de ofício e voluntário. (assinado digitalmente) Walber José da Silva 1 Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: [. . .] § 1o A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão parte integrante do ato. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 16/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/05/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Assinado digitalmente em 07/05/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 15586.000501/200712 Acórdão n.º 330200.963 S3C3T2 Fl. 2.199 5 Fl. 5DF CARF MF Emitido em 16/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/05/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Assinado digitalmente em 07/05/2011 por WALBER JOSE DA SILVA
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Numero do processo: 13846.000128/2006-77
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Feb 11 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Fri Feb 11 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2004
IRPF. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DIRPF. FRAUDE. Em
casos de fraude na entrega da Declaração de Ajuste Anual, entregue por terceiros, não é cabível a cobrança da multa por atraso na entrega da declaração.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2102-001.113
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR
provimento ao recurso.
Matéria: IRPF- auto infração - multa por atraso na entrega da DIRPF
Nome do relator: Francisco Marconi de Oliveira
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MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DIRPF. FRAUDE. Em casos de fraude na entrega da Declaração de Ajuste Anual, entregue por terceiros, não é cabível a cobrança da multa por atraso na entrega da declaração. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso. (ASSINADO DIGITALMENTE) Giovanni Christian Nunes Campos – Presidente (ASSINADO DIGITALMENTE) Francisco Marconi de Oliveira – Relator EDITADO EM: 29/03/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Giovanni Christian Nunes Campos (Presidente), Núbia Matos Moura, Acácia Sayuri Wakasugi, Carlos André Rodrigues Pereira Lima e Francisco Marconi de Oliveira. Ausente justificadamente a Conselheira Vanessa Pereira Rodrigues Domene e presente a Conselheira Eivanice Canário da Silva. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 12/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/03/2011 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA Assinado digitalmente em 29/03/2011 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, 29/03/2011 por GIOVANNI CHRIS TIAN NUNES CAMPOS 2 Relatório O contribuinte acima identificado foi autuado, por meio de Notificação de Lançamento (fl. 3), em decorrência da entrega da Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda fora do prazo, referente ao exercício 2004, com aplicação do valor mínimo da multa, estipulada em R$ 165,74. O requerente apresentou impugnação (fl. 1) alegando que, embora conste o seu nome correto na notificação, desconhece completamente o conteúdo da declaração, visto que as suas declarações entregues a Receita Federal foram sempre as de isentos. E como jamais entregou alguma declaração de imposto de renda, requer que seja a notificação tornada sem efeito. O órgão preparador juntou ao processo, por meio de consulta efetuada aos sistemas informatizados da Receita Federal do Brasil (fl. 11), o total de rendimentos brutos e o imposto retido na fonte constantes da DIRF, ano de retenção 2003, cujos valores informados pela fonte pagadora 01.860.019/000170 (Câmara Municipal de Pracinha) são, respectivamente, de R$ 18.200,00 (dezoito mil e duzentos reais) e R$ 5.040,00 (cinco mil e quarenta reais). A DIRF, com detalhamento mensal, encontrase anexada a folha 22, na qual está demonstrada que os valores retidos na fonte foram acima de 27,5%, independente do valor de rendimento bruto, sem a aplicação da tabela progressiva. Consta na pesquisa efetuada ao sistema VIC (Visão Integrada do Contribuinte), juntada à folha 12, que no exercício 2004 havia imposto a restituir no valor de 4.760,40 (quatro mil, setecentos e sessenta reais e quarenta centavos). Destacase na presente consulta o fato de o contribuinte apresentarse nos anos de 2002, 2003 e 2004 com uma ocupação distinta a cada um deles. Foi anexada a consulta efetuada ao sistema IRPF/CONS (fl. 16), informando que o contribuinte, à época, estaria em procedimento de fiscalização sob o MPF 153/2006, não havendo nenhum resultado apresentado. Às folhas 18 a 20, foi anexada a cópia da declaração de rendimentos do exercício 2004, entregue em 13 de julho de 2006. A 10ª Turma da DRJ/SPOII, apesar de considerar, por unanimidade de votos, procedente o lançamento e determinar à delegacia de origem intimar o contribuinte para pagamento do credito mantido, decidiu por CANCELAR o crédito tributário exigido. O recorrente recebeu ciência do julgamento de 1ª instância em 19 de março de 2008 (fl. 29) e apresentou recurso, por intermédio de advogado, nomeado por procuração constante á folha 33, no dia 16 de abril de 2008 (fls. 29 a 32), alegando que: a) o Acórdão da DRJ consta que o débito seja cancelado, em detrimento do voto da relatoria; b) em momento algum a administração demonstra que a realidade dos fatos é diferente da que o contribuinte afirmou na peça impugnatória; c) a manutenção do crédito baseouse em fato inverossímil de que os dados da DIRF são de acesso exclusivo do beneficiário e da fonte pagadora; e Fl. 2DF CARF MF Emitido em 12/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/03/2011 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA Assinado digitalmente em 29/03/2011 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, 29/03/2011 por GIOVANNI CHRIS TIAN NUNES CAMPOS Processo nº 13846.000128/200677 Acórdão n.º 210201.113 S2C1T2 Fl. 39 3 d) os processos administrativos de números 13846.000054/200750 (já julgado pela mesma DRJ) e 15940.000128/200624 (que trata de diligência da Seção de Fiscalização da DRF Presidente Prudente) apontam que os dados informados na DIRF da suposta fonte pagadora não condizem com a realidade, já que o contribuinte jamais foi beneficiário da mesma, seja como empregado, seja sem tal vínculo. Requer, por fim, que sejam juntadas cópias dos processo citados, que tramitam na RFB. É o relatório. Voto Conselheiro Francisco Marconi de Oliveira Declarase a tempestividade, uma vez que o contribuinte interpôs recurso voluntário no prazo regulamentar. Atendidos os demais requisitos legais, passase a apreciar o recurso. A matéria em litígio envolve multa por atraso na entrega da Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda Pessoa Física, exercício 2004, em decorrência da obrigatoriedade da entrega da referida declaração. A multa exigida no lançamento em exame está amparada na legislação tributária. O artigo 88 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, determina que a entrega da declaração fora do prazo estipulado no artigo 7º da Lei nº 9.250, de 1995, incorre na aplicação de multa. O valor da multa que trata o presente processo foi convertido em reais pela Lei nº 9.532, de 1997. A Lei nº 9.779, de 1999, artigo 27, estabelece competência a Receita Federal para dispor sobre as obrigações acessórias. A norma legal disposta pela Receita Federal, que para a declaração do exercício 2004 era a Instrução Normativa SRF nº 393, de 2 de fevereiro de 2004, determina no artigo 1º, inciso I, que está obrigado a entrega no prazo legal estabelecido o sujeito passivo que “recebeu rendimentos tributáveis na declaração, cuja soma foi superior a R$ 12.696,00 (doze mil, seiscentos e noventa e seis reais)”. De acordo com a legislação corrente, a falta de apresentação da declaração ou sua apresentação fora do prazo sujeita a pessoa física à multa. Os valores correspondem a 1% por mês de atraso ou fração sobre o imposto devido, limitada a 20%, com o valor mínimo previsto no §1o, alínea "a", do artigo 88 da Lei nº 8.981, de 1995, quantia que, convertida para reais, resulta em R$ 165,74. No caso em questão, o valor mínimo. A decisão, de fato, diverge da fundamentação e do voto do relator, que se posicionou no sentido de rejeitar a preliminar de não autoria da declaração e considerar procedente o lançamento, mantendo a multa por atraso na entrega. Porém, é irrelevante a falha na digitação do resultado do acórdão, já que, conforme descrito, segue o relatório, cujo voto e fundamentação conduz a negativa do provimento. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 12/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/03/2011 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA Assinado digitalmente em 29/03/2011 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, 29/03/2011 por GIOVANNI CHRIS TIAN NUNES CAMPOS 4 Entretanto, a argumentação do contribuinte cabe ser observada, já que salta aos olhos aspectos que levam a crer tratarse fraude na entrega da DIRF com o intuito de gerar restituição indevida, entre eles: a) o retenção do imposto de renda na fonte em valores aproximados, sempre superior ao limite de 27,5%, com arredondamento de valor, sem considerar a parcela a deduzir; b) o contribuinte teria imposto a restituir no valor de R$ 4.760,40, entretanto questiona que não apresentou a declaração de rendimento para eximirse de multa de R$ 165,74, quando seria mais vantajoso compensar a multa e receber a diferença do imposto retido; e c) a inclusão prévia da declaração em malha para investigação, por interesse da fiscalização, e processo de diligência fiscal nº 15940.000128/200624. No período em referência foi noticiado, portanto de conhecimento público, a existência de fraudes com a utilização de CNPJ de entidades de direito público, entre elas as prefeituras e câmaras municipais, por quadrilhas organizadas que de utilizaram de CPF de terceiros para “criar” supostas DIRFs com o objetivo de gerar restituições indevidas de imposto de renda. Não é conhecido o resultado da diligência, por não ter sido anexada ao processo, nem o resultado do Acórdão da DRJ no processo nº 13846.000054/200750 citado pelo contribuinte. A questão poderia ser melhor esclarecida com a juntada aos autos dos documentos requeridos pelo contribuintes, entretanto, considerando o valor do crédito lançado de R$ 165,74, os custos administrativos do retorno do processo à origem e a convincente argumentação do contribuinte em não ter entregado a declaração do imposto de renda, quando teria imposto a restituir em valor bastante superior a multa por atraso na entrega da declaração lançada, não os considero necessários. Diante do exposto, conheço do recurso e voto no sentido de darlhe provimento para o cancelamento da Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda, exercício 2004 e, consequentemente, da multa por atraso na entrega e do imposto a restituir . Francisco Marconi de Oliveira Relator Fl. 4DF CARF MF Emitido em 12/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/03/2011 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA Assinado digitalmente em 29/03/2011 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, 29/03/2011 por GIOVANNI CHRIS TIAN NUNES CAMPOS
score : 1.0
Numero do processo: 10980.009106/2007-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 08 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Jun 09 00:00:00 UTC 2011
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Período de apuração: 01/11/2006 a 30/11/2006
CESSÃO DE MÃO DE OBRA. RETENÇÃO DE 11%. PRESUNÇÃO ABSOLUTA DE REALIZAÇÃO DA RETENÇÃO.
RESPONSABILIDADE EXCLUSIVA DO CONTRATANTE ATÉ O MONTANTE DA RETENÇÃO. PRESUNÇÃO RELATIVA EM RELAÇÃO À CARACTERIZAÇÃO DA CESSÃO DE MÃO DE OBRA.
O art. 31 da Lei 8.212/91 estabelece que o contratante de serviços caracterizados como cessão de mão de obra deve reter 11% do valor das notas fiscais e efetuar o devido recolhimento. O §5º do art. 33 da Lei 8.212/91 estabeleceu uma presunção absoluta de que a retenção é realizada nos casos em que existe a previsão legal para respectiva obrigação, bem como determinou que a responsabilidade do substituto é exclusiva, afastando
a responsabilidade do beneficiário dos pagamentos até o montante da retenção presumida. A caracterização de que a contratação de serviços se deu com cessão de mão de obra é resultado de presunção legal relativa, tendo como fato base a contratação de serviços relacionados no art. 219 do RPS.
Provas apresentadas pela recorrente demonstram que para alguns serviços não havia cessão de mão de obra por não haver disponibilização de trabalhadores para a contratante. Não havendo necessidade de retenção, não pode prosperar a multa decorrente de descumprimento de obrigação acessória.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2301-002.168
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos: a) em dar
provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Vencida a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, que votou em negar provimento ao recurso. Declaração de voto: Bernadete de Oliveira Barros.
Matéria: Outras penalidades (ex.MULTAS DOI, etc)
Nome do relator: Mauro Jose Silva
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ementa_s : OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/11/2006 a 30/11/2006 CESSÃO DE MÃO DE OBRA. RETENÇÃO DE 11%. PRESUNÇÃO ABSOLUTA DE REALIZAÇÃO DA RETENÇÃO. RESPONSABILIDADE EXCLUSIVA DO CONTRATANTE ATÉ O MONTANTE DA RETENÇÃO. PRESUNÇÃO RELATIVA EM RELAÇÃO À CARACTERIZAÇÃO DA CESSÃO DE MÃO DE OBRA. O art. 31 da Lei 8.212/91 estabelece que o contratante de serviços caracterizados como cessão de mão de obra deve reter 11% do valor das notas fiscais e efetuar o devido recolhimento. O §5º do art. 33 da Lei 8.212/91 estabeleceu uma presunção absoluta de que a retenção é realizada nos casos em que existe a previsão legal para respectiva obrigação, bem como determinou que a responsabilidade do substituto é exclusiva, afastando a responsabilidade do beneficiário dos pagamentos até o montante da retenção presumida. A caracterização de que a contratação de serviços se deu com cessão de mão de obra é resultado de presunção legal relativa, tendo como fato base a contratação de serviços relacionados no art. 219 do RPS. Provas apresentadas pela recorrente demonstram que para alguns serviços não havia cessão de mão de obra por não haver disponibilização de trabalhadores para a contratante. Não havendo necessidade de retenção, não pode prosperar a multa decorrente de descumprimento de obrigação acessória. Recurso Voluntário Provido.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos: a) em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Vencida a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, que votou em negar provimento ao recurso. Declaração de voto: Bernadete de Oliveira Barros.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/11/2006 a 30/11/2006 CESSÃO DE MÃO DE OBRA. RETENÇÃO DE 11%. PRESUNÇÃO ABSOLUTA DE REALIZAÇÃO DA RETENÇÃO. RESPONSABILIDADE EXCLUSIVA DO CONTRATANTE ATÉ O MONTANTE DA RETENÇÃO. PRESUNÇÃO RELATIVA EM RELAÇÃO À CARACTERIZAÇÃO DA CESSÃO DE MÃO DE OBRA. O art. 31 da Lei 8.212/91 estabelece que o contratante de serviços caracterizados como cessão de mão de obra deve reter 11% do valor das notas fiscais e efetuar o devido recolhimento. O §5º do art. 33 da Lei 8.212/91 estabeleceu uma presunção absoluta de que a retenção é realizada nos casos em que existe a previsão legal para respectiva obrigação, bem como determinou que a responsabilidade do substituto é exclusiva, afastando a responsabilidade do beneficiário dos pagamentos até o montante da retenção presumida. A caracterização de que a contratação de serviços se deu com cessão de mão de obra é resultado de presunção legal relativa, tendo como fato base a contratação de serviços relacionados no art. 219 do RPS. Provas apresentadas pela recorrente demonstram que para alguns serviços não havia cessão de mão de obra por não haver disponibilização de trabalhadores para a contratante. Não havendo necessidade de retenção, não pode prosperar a multa decorrente de descumprimento de obrigação acessória. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos: a) em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Vencida a Conselheira Bernadete de Fl. 104DF CARF MF Impresso em 12/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 05/07/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 05 /07/2011 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 05/07/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 02/08/2011 por MARCELO OLIVEIRA 2 Oliveira Barros, que votou em negar provimento ao recurso. Declaração de voto: Bernadete de Oliveira Barros. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Mauro José Silva Relator. Participaram do presente julgamento, a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, bem como os Conselheiros Leonardo Henrique Pires Lopes, Wilson Antonio Souza Correa, Adriano González Silvério, Mauro José Silva e Marcelo Oliveira. Fl. 105DF CARF MF Impresso em 12/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 05/07/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 05 /07/2011 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 05/07/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 02/08/2011 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10980.009106/200711 Acórdão n.º 230102.168 S2C3T1 Fl. 93 3 Relatório Tratase de Auto de Infração, lavrado em 30/11/2006, por ter a empresa acima identificada, segundo Relatório Fiscal da Infração, fls. 12/13, deixado de destacar onze por cento do valor bruto da nota fiscal de prestação de serviços, nas competências 04/2004 e 10/2004, tendo resultado na aplicação de multa de R$ 1.156,95 Após tomar ciência postal da autuação em 11/04/2007, fls. 53, a recorrente apresentou impugnação, fls. 22/28, na qual apresentou argumentos similares aos constantes do recurso voluntário. A 6ª Turma da DRJ/Curitiba, no Acórdão de fls. 62/65, julgou o lançamento procedente , tendo a recorrente sido cientificada do decisório em 07/11/2007, fls. 67. O recurso voluntário, apresentado em 07/12/2007, fls. 68/83, apresentou argumentos conforme a seguir resumimos. Teria ocorrido cerceamento de defesa no indeferimento da prova pericial e documental pela decisão a quo. Entende que as notas fiscais apontadas pela fiscalização não ensejavam retenção, pois o caso era de empreitada global. Nesses casos, a IN 100/2003 em seu art. 185, inciso II afasta a necessidade de retenção. Apresenta os documentos de fls. 36/49. É o relatório. Fl. 106DF CARF MF Impresso em 12/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 05/07/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 05 /07/2011 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 05/07/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 02/08/2011 por MARCELO OLIVEIRA 4 Voto Conselheiro Mauro José Silva Reconhecemos a tempestividade do recurso apresentado e dele tomamos conhecimento. Retenção de 11% sobre notas fiscais de prestação de serviços com cessão de mão de obra. Fatos geradores após fevereiro de 1999. Considerando o aspecto temporal dos fatos geradores objetos do lançamento, devemos observar que a Lei n° 9.711/98 em seu artigo 23 alterou a redação do artigo 31 da Lei n° 8.212/91, estabelecendo uma nova modalidade de substituição tributária, ao determinar que os tomadores de serviço efetuem a retenção de 11% (onze por cento) sobre o valor bruto do pagamento referente à prestação de serviço efetuado com cessão de mão de obra. Assim, a partir de 1° de fevereiro de 1999, com a nova redação do art. 31 da Lei n°8.212/91, alterouse a natureza jurídica da relação entre fisco e a empresa tomadora de serviços com cessão de mão de obra, deixando de existir a solidariedade e criandose a substituição tributária estribada no art. 128 do CTN. Dessa forma, por oportuno, esclarecemos que, no presente caso, não se aplicam as conclusões do Parecer 2.376/2000, pois aquele documento administrativo foi elaborado, conforme consta do seu item 04, para ser aplicado para a “sistemática de responsabilização tributária constante do artigo 31 da Lei 8.212/91, com redação anterior ao advento da citada medida provisória[MP 1.663/98, convertida na Lei 9.718/99]”. Feita tal ressalva, retomamos a análise jurídica do assunto. Com relação à obrigação de reter e recolher a contribuição previdenciária, o §5º do art. 33 da Lei 8.212/91 criou uma presunção de que a retenção, nos casos legalmente previstos, foi realizada, in verbis: Art. 33. À Secretaria da Receita Federal do Brasil compete planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas à tributação, à fiscalização, à arrecadação, à cobrança e ao recolhimento das contribuições sociais previstas no parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições incidentes a título de substituição e das devidas a outras entidades e fundos. ... § 5º O desconto de contribuição e de consignação legalmente autorizadas sempre se presume feito oportuna e regularmente pela empresa a isso obrigada, não lhe sendo lícito alegar omissão para se eximir do recolhimento, ficando diretamente responsável pela importância que deixou de receber ou arrecadou em desacordo com o disposto nesta Lei. Sabendo tratarse de presunção legal de retenção, restanos esclarecer se tratamos de presunção legal relativa ou absoluta. Fl. 107DF CARF MF Impresso em 12/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 05/07/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 05 /07/2011 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 05/07/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 02/08/2011 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10980.009106/200711 Acórdão n.º 230102.168 S2C3T1 Fl. 94 5 Como se sabe, uma presunção é o processo, que utiliza a lógica, no caso das presunções simples, ou a determinação legal, no caso das presunções legais, partindo do fato base, ou do indício, e resultando no fato presumido. Acrescentese que as presunções legais podem ser absolutas ou juris et de jure e relativas ou juris tantum, sendo que as absolutas são insuscetíveis de serem ilididas por prova em contrário, ao passo que as relativas podem ser ilididas por provas de que o fato ocorrido diverge do fato presumido.(TOMÉ, Fabiana Del Padre. A prova no direito tributário. São Paulo: Noeses, 2005, p. 136). O art. 33, §5º da Lei 8.212/91 dispôs que, para a empresa obrigada à retenção, é vedado “alegar omissão para se eximir do recolhimento, ficando diretamente responsável pela importância que deixou de receber ou arrecadou em desacordo com o disposto” na mesma Lei. Tendo o §5º do art. 33 da Lei 8.212/91 criado uma presunção com relação a qual é vedado fazer prova em contrário, concluímos tratarse de presunção absoluta. Resulta dizer que, constatando a ocorrência de uma situação na qual a empresa estava obrigada a fazer a retenção, o fisco irá presumir que esta foi feita pelo responsável e dele irá exigir o correspondente crédito tributário, pois a lei prescreveu que o responsável por substituição fica “diretamente responsável”. No caso da retenção de 11% sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços executados mediante cessão de mão de obra, o §3º do art. 31 da Lei 8.212/91 criou uma regra geral para determinarmos se a prestação de serviços se deu por meio de cessão de mão de obra. Assim, “entendese como cessão de mão de obra a colocação à disposição do contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de segurados que realizem serviços contínuos, relacionados ou não com a atividadefim da empresa, quaisquer que sejam a natureza e a forma de contratação”. Tratase de, como dissemos, uma regra geral, mas, em adição, quis a mesma lei criar outra presunção, agora relativa, em relação aos serviços que se enquadram com as características de cessão de mão de obra. No §4º do art. 31 da Lei 8.212/91, portanto, temos uma lista de serviços que, por presunção legal relativa, são considerados como executados por cessão de mão de obra. Além de listar alguns serviços, a lei permitiu ao regulamento aumentar a lista de serviços que, por presunção relativa, seriam considerados executados por meio de cessão de mão de obra. Digo que há uma presunção relativa, pois a lista dos serviços submetese à regra geral do § 3º do art. 31. Significa dizer que a empresa contratante poderá demonstrar que, mesmo tendo contratado alguns dos serviços listados pela Lei ou pelo regulamento, a execução dos serviços não se deu de uma forma que caracterize a cessão de mão de obra, nos moldes do §3º do art. 31. Em suma, diante da existência de tal presunção relativa, cabe ao fisco demonstrar que houve a contratação de serviços relacionados na lei ou no regulamento para concluir que foi realizado por meio de cessão de obra, ao passo que, ao contratante, caberá o ônus de demonstrar que a prestação de serviços não se deu com características de cessão de mão de obra. Assim, nos casos que se enquadram no art. 31 da Lei 8.212/91, temos um encadeamento de duas presunções. A primeira, relativa, que trata da caracterização dos serviços que se consideram realizados com cessão de mão de obra. O fato base de tal presunção é a constatação de contratação de serviço relacionado pela lei ou pelo regulamento, sendo o fato presumido a realização do referido serviço com cessão de mão de obra. Cabe ao contratante, nesse caso, demonstrar que a contratação não se deu nos moldes do §3º do art. 8.212/91 para afastar o fato presumido. Fl. 108DF CARF MF Impresso em 12/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 05/07/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 05 /07/2011 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 05/07/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 02/08/2011 por MARCELO OLIVEIRA 6 A segunda presunção, esta absoluta, é a presunção de que, caracterizada a contratação de serviço por meio de cessão de mão obra, considerase efetivada a retenção de 11% e, portanto, deve ser feito o recolhimento. O fato base de tal presunção absoluta é a contratação de serviços por meio de cessão de mão de obra, sendo o fato presumido a retenção de 11%. A par disso, cabe à autoridade fiscal demonstrar que o fiscalizado contratou serviços entre aqueles constantes do art. 219 do Decreto 3.048/99, para que fique caracterizado a existência de contratação de serviços com cessão de mão de obra e, conseqüentemente, surja a obrigação de recolher ao fisco o valor presumidamente retido do contratado. Ao fiscalizado cabe demonstrar que a contratação não se deu nos moldes do §3º do art. 8.212/91 para afastar o fato presumido. Passemos às considerações sobre o caso dos autos. Uma das principais características que distinguem a cessão de mão de obra da empreitada é a existência de um resultado pretendido para a empreitada, ao passo que na cessão de mão de obra a contratada não se compromete com um resultado, apenas coloca trabalhadores à disposição da contratante. A existência de uma data ajustada para os serviços não é característica exclusiva da cessão de mão de obra, ao contrário, a entrega de um produto ou serviço previamente ajustado numa data certa é muito comum em empreitadas. Concordamos com o Conselheiro Manoel Coelho Arruda Júnior quando este interpretou, no voto do Acórdão 230100.444, o significado de “estar à disposição” como equivalente estar submetido ao poder de comando do contratante. Logo, a realização de um serviço determinado, especificado em contrato ou na nota fiscal, não caracteriza a cessão de mão de obra, uma vez que o trabalhador não ficou sob o poder de comando do contratante. A continuidade do serviço é outra característica exigida pela lei para caracterizar a cessão de mão de obra. Mas é a continuidade do serviço, não do prestador ou do trabalhador. Se mensalmente é trocado o prestador, mas o serviço mostrase contínuo no tempo do ponto de vista da contratante, então, temos a continuidade exigida pela lei. Parecenos que os documentos juntados pela recorrente, particularmente as notas fiscais de fls. 36/40, demonstram que celebrou contrato de empreitada, inclusive com fornecimento de material, e não fez contratação com cessão de mão de obra. Assim, não existindo a obrigação de fazer a retenção e o recolhimento, não pode prevalecer o lançamento da multa por descumprimento acessória, pois esta não existia. Por todo o exposto, voto no sentido de CONHECER e DAR PROVIMENTO ao RECURSO VOLUNTÁRIO. (assinado digitalmente) Mauro José Silva Relator Fl. 109DF CARF MF Impresso em 12/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 05/07/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 05 /07/2011 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 05/07/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 02/08/2011 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10980.009106/200711 Acórdão n.º 230102.168 S2C3T1 Fl. 95 7 Declaração de Voto Conselheira Bernadete de Oliveira Barros. Permitome divergir do entendimento manifestado pelo Relator, pelas razões a seguir expostas. O Relator vota por dar provimento ao recurso, sob o entendimento de que, como não houve cessão de mão de obra nos serviços prestados, não existe a obrigação de fazer a retenção e o recolhimento, não podendo, portanto, prevalecer o lançamento da multa por descumprimento acessória, já esta não existia. Contudo, entendo que, nos serviços de construção civil, como é o caso presente, os serviços de empreitada, mesmo que não haja cessão de mãodeobra, também estão sujeitos à retenção de que trata o art. 31, da Lei 8.212/91. O referido dispositivo legal, estabelece que: Art. 31 A empresa contratante de serviços executados mediante cessão de mãodeobra, inclusive em regime de trabalho temporário, deverá reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços e recolher a importância retida até o dia dois do mês subseqüente ao da emissão da respectiva nota fiscal ou fatura, em nome da empresa cedente da mãodeobra, observado o disposto no § 5º do art. 33. (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 20/11/98) (...) §3 Para os fins desta Lei, entendese como cessão de mãode obra a colocação à disposição do contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de segurados que realizem serviços contínuos, relacionados ou não com a atividadefim da empresa, quaisquer que sejam a natureza e a forma de contratação. (Parágrafo renumerado e alterado pela Lei nº 9.711, de 20/11/98) § 4º Enquadramse na situação prevista no parágrafo anterior, além de outros estabelecidos em regulamento, os seguintes serviços: (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 20/11/98) I limpeza, conservação e zeladoria; II vigilância e segurança; III empreitada de mãodeobra; IV contratação de trabalho temporário na forma da Lei nº 6.019, de 3 de janeiro de 1974. (grifei) Portanto, a empreitada de mão de obra também está sujeita à retenção, por determinação legal. Fl. 110DF CARF MF Impresso em 12/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 05/07/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 05 /07/2011 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 05/07/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 02/08/2011 por MARCELO OLIVEIRA 8 E o Decreto 3.048/99, cumprindo o seu papel regulamentador, dispõe, em seu art. 219 que: Art.219. A empresa contratante de serviços executados mediante cessão ou empreitada de mãodeobra, inclusive em regime de trabalho temporário, deverá reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal, fatura ou recibo de prestação de serviços e recolher a importância retida em nome da empresa contratada, observado o disposto no § 5º do art. 216. (Nova redação dada pelo Decreto nº 4.729/2003) § 1º (...) § 2º Enquadramse na situação prevista no caput os seguintes serviços realizados mediante cessão de mãodeobra: I limpeza, conservação e zeladoria; II vigilância e segurança; III construção civil; IV serviços rurais; (...) § 3º Os serviços relacionados nos incisos I a V também estão sujeitos à retenção de que trata o caput quando contratados mediante empreitada de mãodeobra.(grifei). Dessa forma, os serviços de construção civil, mesmo quando contratados por empreitada, estão sujeitos ao instituto da retenção. Assim, a empresa autuada, na condição de prestadora de serviços na construção civil por empreitada parcial, está obrigada a fazer o destaque da retenção de 11%, quando da emissão da nota fiscal de serviços ou fatura. Verificase que a alegação da recorrente para afastar a obrigatoriedade da retenção é a de que o contrato firmado para prestação de serviços de construção civil é de empreitada total, e não parcial. Contudo, não comprova o alegado. Não junta, aos autos, o contrato firmado com a tomadora dos serviços, mas apenas uma proposta comercial, não assinada pelas partes. Nas notas fiscais apresentadas, a recorrente faz a observação de que o serviço não está sujeita à retenção, conf. art. 185, II, da IN 100/2003. O citado dispositivo dispõe que não está sujeita à retenção a empreitada total, quando a empresa construtora assume a responsabilidade direta e total por obra de construção civil, o que não restou comprovado no caso presente. O mesmo normativo legal determina, no art. 32, que, na contratação de empreitada total, a matrícula da obra será de responsabilidade da contratada. Não consta que a empresa autuada tenha feito a matrícula da obra realizada na empresa contratante. Fl. 111DF CARF MF Impresso em 12/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 05/07/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 05 /07/2011 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 05/07/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 02/08/2011 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10980.009106/200711 Acórdão n.º 230102.168 S2C3T1 Fl. 96 9 Conforme normativos vigentes à época, apenas cabe retenção facultativa, para elidir a responsabilidade solidária, nos casos de empreitada total. Nos casos de construção civil com empreitada parcial, a retenção é obrigatória, com ou sem cessão de mãodeobra. O conceito de empreitada total trazida na IN 100/03 é o contrato celebrado exclusivamente com empresa construtora que assume a responsabilidade direta pela obra, incluindo todos os serviços a ela inerentes, desde todos os projetos, com ou sem fornecimento de material. Considerase também empreitada total o repasse integral do contrato, desde que na transferência seja mantida as mesmas características do contrato original, principalmente o preço e o objeto. É empreitada parcial: quando celebrado com empresa prestadora de serviço na área de construção civil, para execução de parte da obra. Considerase também empreitada parcial a contratação de empresa sem o registro no CREA ou de empresa prestadora de serviço na área de construção civil, mesmo que execute todos os serviços necessários à realização da obra Assim, a obra realizada pela recorrente recebe o tratamento de empreitada parcial, por expressa determinação dos normativos previdenciários que tratam da matéria. E, como o art. 178, da IN 100/03, vigente à época da ocorrência da infração, estabelece que a prestação de serviços mediante empreitada parcial ou subempreitada de obra de construção civil, com ou sem fornecimento de material, sujeitase à retenção de que trata o art. 149, concluise que o Auto de Infração em tela não merece reparos, devendo ser mantido em sua integralidade. Fl. 112DF CARF MF Impresso em 12/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 05/07/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 05 /07/2011 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 05/07/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 02/08/2011 por MARCELO OLIVEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 10840.002593/2002-81
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 22 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Feb 22 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Ano-calendário: 1997
LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. ATIVIDADE PRIVATIVA.
A atividade do lançamento tributário é privativa da autoridade administrativa, vinculada ao texto da lei e obrigatória, nos termos do art. 142 do CTN.
VALORES INFORMADOS EM DCTF E EM DIRPJ. DIVERGÊNCIA.
PROVAS HÁBEIS.
Os valores lançados pela autoridade administrativa, com base em
informações constantes nas DCTFs, somente podem ser desconstituídos com base em elementos e documentos hábeis e suficientes que comprovem a incorreção apontada. A mera divergência entre o valor informado na DCTF com aquele constante na declaração DIRPJ não é motivo suficiente para comprovar a incorreção.
Numero da decisão: 1202-000.482
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Matéria: DCTF_IRPJ - Auto eletronico (AE) lancamento de tributos e multa isolada (IRPJ)
Nome do relator: Carlos Alberto Donassolo
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1621; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C2T2 Fl. 1 1 S1C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10840.002593/200281 Recurso nº 00000 Voluntário Acórdão nº 120200.482 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 22 de fevereiro de 2011 Matéria IRPJ Recorrente IRMÃOS BIAGI SA AÇÚCAR E ÁLCOOL (atualmente denominada PEDRA AGROINDUSTRIAL SA) Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1997 LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. ATIVIDADE PRIVATIVA. A atividade do lançamento tributário é privativa da autoridade administrativa, vinculada ao texto da lei e obrigatória, nos termos do art. 142 do CTN. VALORES INFORMADOS EM DCTF E EM DIRPJ. DIVERGÊNCIA. PROVAS HÁBEIS. Os valores lançados pela autoridade administrativa, com base em informações constantes nas DCTFs, somente podem ser desconstituídos com base em elementos e documentos hábeis e suficientes que comprovem a incorreção apontada. A mera divergência entre o valor informado na DCTF com aquele constante na declaração DIRPJ não é motivo suficiente para comprovar a incorreção. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto Donassolo – Presidente e Relator. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 23/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/03/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Assinado digitalmente em 03/03/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10840.002593/200281 Acórdão n.º 120200.482 S1C2T2 Fl. 2 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Donassolo, Orlando José Gonçalves Bueno, Flávio Vilela Campos, Valéria Cabral Géo Verçoza, Nereida de Miranda Finamore Horta e Jaci de Assis Júnior. Relatório PEDRA AGROINDUSTRIAL AS, atual denominação de IRMÃOS BIAGI SA AÇÚCAR E ÁLCOOL, inconformada com a decisão da DRJ/Ribeirão Preto, que manteve o lançamento do crédito tributário efetivado, interpõe recurso a este colegiado administrativo objetivando a reforma da decisão mencionada. Trata o presente processo da lavratura de Auto de Infração N° 0001427 para fins da exigência das estimativas mensais do IRPJ relativo aos meses de julho, agosto, outubro e dezembro de 1997, cujo crédito tributário lançado totaliza o montante de R$ 9.584.879,94, já incluídos a multa de ofício, no percentual de 75%, e dos juros de mora, com base na taxa Selic, fls. 05 a 10. De acordo com a descrição dos fatos constante do Auto de Infração, a autuada teria informado em DCTF, fls. 24, 25, 28 e 29, um crédito vinculado aos débitos de estimativas do IRPJ mencionados, originado do processo judicial nº 94.03078294 – “compensações s/ darf – processos judiciais não comprovados”. Inicialmente, a interessada apresentou informação mencionando tratarse de erro de preenchimento da DCTF a qual estaria em desacordo com a DIRPJ entregue, postulando pelo cancelamento da autuação, fls. 01. Verificada a existência de Ação Judicial, a contribuinte foi intimada, pelo Grupo de Acompanhamento Judicial da DRF/Ribeirão Preto, a apresentar cópias da inicial e todos os julgados no curso da Ação n° 94.03078294 informada na DCTF, fls. 67 e 70. Ditos documentos foram entregues mediante juntada das peças, de fls. 71 a 91: 1. Sentença de 1ª instância da Ação Ordinária n° 94.03078294; 2. Decisão proferida em 1ª instância na Ação Ordinária n° 94.03078294, em sede de embargos de declaração; 3. Extrato de andamento processual da Apelação Cível n° 2001.03.99.0336120; 4. Extrato de Andamento processual da Medida Cautelar n° 2001.03.00.0028772; Em seguida foi emitido Despacho pela DRF/Ribeirão Preto com a seguinte informação: “Em sua defesa, o contribuinte alega que os valores cobrados são objeto de compensação autorizada pela ação judicial de no 94.030.78294. A ação judicial em referência discute a possibilidade do aproveitamento e compensação de valores apurados em Fl. 2DF CARF MF Emitido em 23/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/03/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Assinado digitalmente em 03/03/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10840.002593/200281 Acórdão n.º 120200.482 S1C2T2 Fl. 3 3 função dos efeitos; sobre a apuração do resultado do período; do afastamento dos expurgos inflacionários nos meses de janeiro e fevereiro de 1989 (Plano Verão). A referida compensação foi informada em DIPJ (fls. 39/50).” Ao final, concluiu que referida Ação Judicial, até aquele momento, não teria o condão de suspender a exigibilidade do crédito tributário lançado, propondo no seguimento da cobrança. Dito despacho foi acatado pelo Delegado da DRF/Ribeirão Preto, fls. 96, concluindo pela inexistência de erro de fato que acarretasse a revisão do lançamento, nos termos do art. 149 do CTN, determinando o prosseguimento da cobrança. Na sequência, a autuada apresentou sua impugnação, mediante arrazoado, de fls, 108 a 115, juntando cópia do LALUR – Parte B, cópias da DIRPJ/98 e DCTFs/97 entregues, fls. 127 a 190, trazendo, em síntese, as alegações que transcrevo de parte do relatório do Acórdão DRJ/Ribeirão Preto, de fls. 196 a 200, o qual adoto: “Cientificada, a autuada impugnou o lançamento, em 28/02/2002 (fl. 01), alegando erro na prestação de informações em DCTF, quanto aos valores dos débitos apurados, pelo que requer sejam os débitos considerados com base nos valores informados na DIRPJ/98. Faz juntar em anexo cópia da referida declaração, bem como da parte B do Lalur, onde estaria demonstrada a compensação. Sustenta que os débitos encontrarseiam com sua exigibilidade suspensa. Por documento às fls. 108/115, a autuada faz reprisar os argumentos acima, acrescentando os seguintes, de acordo com suas próprias razões: que a decisão de fls. 93/96 seria omissa em relação à alegação de erro nas informações prestadas em DCTF; que à vista de embargos à execução, consubstanciados em processos judiciais relacionados a caso idêntico (anoscalendário de 1994, 1995 e 1996), "pelos mesmos motivos devem ser adotadas providências neste processo administrativo, a fim de que esta Receita Federal possa proceder a uma revisão do lançamento tributário realizado pelo auto de infração (art. 149 do CTN), adotando as observações, planilhas, quadros e documentos apresentados ao Fisco"; que faria jus à correção monetária das demonstrações financeiras do ano base de 1989 com base no IPC/IBGE, e não com base nos índices oficiais de correção monetária do balanço; que a ação proposta perante o TRF/3a Região não transitou em julgado, não podendo haver cobrança da dívida tributária; que seria ilegal a inclusão de valor a título de encargos previstos no Decreto lei n.° 1.025/69 no Darf enviado à autuada; requer seja expedida contraordem para que o débito objeto do presente processo não seja inscrito no Cadin ou em dívida ativa.” Em seguida, foi proferido o Acórdão nº 1417.425 da DRJ/Ribeirão Preto, de fls. 196 a 200, contendo o seguinte ementário: COMPENSAÇÃO. PROCESSO JUDICIAL. As compensações de débitos de IRPJ estimativa mensal, sob alegação de vinculação a processo judicial, estão condicionadas à comprovação de provimento judicial vigente ao tempo da Fl. 3DF CARF MF Emitido em 23/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/03/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Assinado digitalmente em 03/03/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10840.002593/200281 Acórdão n.º 120200.482 S1C2T2 Fl. 4 4 autuação, que autorize a pretensão, e de sua regular escrituração contábil/fiscal. FALTA DE RECOLHIMENTO. A falta ou insuficiência de recolhimento de débitos de IRPJ, apurada em procedimento fiscal de auditoria de DCTF, enseja o lançamento de oficio do principal e consectários (multa de oficio e juros de mora). Lançamento Procedente Os principais fundamentos utilizados no voto condutor do acórdão recorrido podem ser assim resumidos: a autuada alegou que a decisão de fls. 93/96 seria omissa em relação ao exame do erro nas informações prestadas em DCTF. Entretanto, sucede que à fl. 96 consta expressamente manifestação do titular da DRF/Ribeirão PretoSP atestando a "inocorrência de erro de fato" e a conseqüente inaplicabilidade do art. 149 do Código Tributário Nacional (CTN); com relação à pretensa suspensão de exigibilidade dos créditos tributários, entendeuse que não há nenhuma decisão, no âmbito das ações judiciais apresentadas, capaz de assegurar a inexigibilidade dos créditos tributários controlados por este processo; restaram, assim, prejudicados os argumentos de suspensão da exigibilidade dos débitos declarados pela impugnante, nos termos do que exige o art. 151, incisos IV e V, do Código Tributário nacional (CTN), por ausência de comprovação de provimento judicial favorável a sua pretensão capaz de justificar créditos passíveis de compensações. considerou, ainda, que, em regra, as decisões judiciais e administrativas são eficazes somente em relação aos limites da lide e às questões nela decididas (CPC, art. 468, caput e CTN, art. 100, II). Nesse sentido, eventuais decisões proferidas nos processos mencionados à fl. 112 da impugnação não repercutem sobre o presente processo, visto que, como reconhece a própria interessada, não dizem respeito aos débitos objeto do auto de infração recorrido (anocalendário de 1997), mas sim a débitos apurados nos anoscalendário de 1994 a 1996. quanto à procedência da correção monetária das demonstrações financeiras do anobase de 1989 com base no IPC/IBGE, e não com base no BTN, tal alegação deixou de ser analisada por se tratar de questão submetida à apreciação do Poder Judiciário, conforme documentos de fls. 79/91, situação que impede exame concomitante na esfera administrativa, tendo em vista o princípio da unidade de jurisdição. em relação ao alegado erro na prestação de informações em DCTF, considerou o acórdão recorrido que as informações prestadas em DCTF situamse na esfera de responsabilidade do próprio contribuinte, a quem caberia demonstrar, mediante adequada instrução probatória dos autos, os fatos eventualmente favoráveis às suas pretensões, consoante disciplina instituída pelo artigo 16, inciso III, do Decreto n° 70.235/72 (PAF). As cópias de páginas do Livro Lalur (parte B) de fls. 127/129, mostraramse insuficientes à comprovação da efetividade, natureza e mensuração dos fatos geradores, apurados mensalmente, sujeitos à tributação do IRPJestimativa. Mostraram tão somente a identidade entre o valor lançado a Fl. 4DF CARF MF Emitido em 23/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/03/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Assinado digitalmente em 03/03/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10840.002593/200281 Acórdão n.º 120200.482 S1C2T2 Fl. 5 5 débito sob a rubrica "Valor compensado do IR a pagar relativo ao período de janeiro a dezembro/97" (fl. 128), equivalente a R$ 1.576.307,22, e os valores lançados na Ficha 09 da DIRPJ/98 "IR e CSLL mensal por estimativa/antecip. obrigatórias", linhas 08 e 13, mês de dezembro (fl. 50). verificouse, também, que no caso dos autos, não foi estabelecida lide em relação à alegada imposição de encargos com base no Decretolei n° 1.025, de 1969, já que nenhuma exigência nesse sentido foi levada a efeito pela Fiscalização. O valor informado no campo 09 do Darf de fl. 99 referese aos juros de mora, indicados no item 4.1 do auto de infração. O mesmo se afirmou em relação ao pedido para que o débito objeto do presente processo não fosse inscrito no Cadin ou em dívida ativa. Também nesse caso, não haveria lide, por ausente qualquer procedimento de parte da autoridade preparadora tendente à efetivação de tais atos. em relação às matérias do item precedente, deixouse de analisar as alegações da contribuinte atinentes aos temas, por ausência de objeto. Irresignada com a decisão proferida pela DRJ, a autuada apresentou, tempestivamente, recurso voluntário, mediante arrazoado, de fls. 212 a 224, repisando praticamente os mesmos argumentos trazidos na peça impugnatória. Juntamente com a peça recursal, anexa Laudo Pericial atinente aos Embargos à Execução Fiscal nº 2001.61.02.006970 9, impetrado pela recorrente, com a finalidade de identificar os valores efetivamente devidos do IRPJ e daqueles declarados em DCTF, nos anoscalendário de 1994 a 1996, onde o Sr. Perito identificou erros nas informações prestadas pela contribuinte, o que viria a confirmar a tese de que os valores informados em DCTF não seriam definitivos, situação análoga ao presente caso. É o Relatório. Voto Conselheiro Carlos Alberto Donassolo, Relator. Por estarem presentes os requisitos de admissibilidade, conheço do recurso. A controvérsia principal do presente processo diz respeito em esclarecer a procedência da autuação baseada nos valores de estimativas mensais do IRPJ informados em DCTFs, cujo pagamento/compensação teria ocorrido sem DARF, indicando como origem do crédito a existência do processo judicial nº 94.03078294. Além disso, foi alegada divergência entre os débitos informados em DCTFs com aqueles constantes na declaração DIRPJ, devendo prevalecer esta última. Em síntese, alega a defesa que houve erro na prestação de informações em DCTF quanto aos valores dos débitos apurados, pelo que requer sejam os débitos considerados com base nos valores informados na DIRPJ/98. Como prova, juntou com a impugnação cópia da declaração DIRPJ, bem como da parte B do livro LALUR, onde estaria demonstrada a compensação. Sustenta, ainda, que os débitos encontrarseiam com sua exigibilidade suspensa. Creio não assistir razão à recorrente. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 23/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/03/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Assinado digitalmente em 03/03/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10840.002593/200281 Acórdão n.º 120200.482 S1C2T2 Fl. 6 6 Primeiramente, verifico que as cópias das DCTFs dos meses de julho, agosto, outubro e dezembro de 1997, objeto da autuação, fls. 24, 25, 28 e 29, efetivamente indicam a existência de débitos referentes ao IRPJestimativas mensais. Verifico também, que para pagar/compensar ditos débitos, a empresa autuada prestou as seguintes informações ao pé das respectivas DCTFs: “ Nº. Processo: 9403078294 Medida Judicial: Liminar em Medida Cautelar” Ainda, na descrição dos fatos do Auto de Infração foi consignado o seguinte motivo: “processos judiciais não comprovados”. Intimada a apresentar a apresentar cópias da inicial e todos os julgados no curso da Ação n° 94.03078294, que consta das DCTFs, a interessada juntou: i) sentença relativa à Ação Ordinária n° 94.03078294; ii) decisão proferida em 1ª instância na ação Ordinária n° 94.03078294, em sede de embargos de declaração; iii) extrato de andamento processual da Apelação Cível n° 2001.03.99.0336120; e iv) extrato de andamento processual da Medida Cautelar n° 2001.03.00.0028772; Pois bem. O que se percebe do breve relato acima é que a autuação foi corretamente executada, uma vez que as informações prestadas pela empresa em suas DCTFs estão incorretas, ou seja, o processo judicial nº 94.03078294 não se refere a nenhuma Liminar em Medida Cautelar como lá informado, mas se refere a uma Ação Ordinária proposta pela autuada, conforme cópia da sentença exarada, de fls. 79 a 84. Vejo que esse procedimento induziu o fisco a erro, uma vez que, como se sabe, Ações Ordinárias não estão entre as hipóteses de suspensão da exigibilidade do crédito tributário discriminadas no art. 151 do CTN. Já a Liminar em Medida Cautelar teria o condão de suspender a exigibilidade e, por conseqüência, a compensação sem DARF dos débitos declarados em DCTF, situação pretendida pela recorrente mas que foi prontamente corrigida pela fiscalização. Sob esse ângulo, concluise que os fatos que ensejaram o lançamento consubstanciado no Auto de Infração estão corretos. Quanto à pretensa alegação de erro nas informações dos débitos declarados em DCTF, pretende a recorrente que sejam considerados os débitos informados na DIRPJ/98, alegando que os valores desta última declaração deve prevalecer, posto que aquela não pode ser considerada lançamento tributário. Também sobre esse ponto não assiste razão à recorrente. A discussão em torno do que deva prevalecer, se os débitos declarados em DCTF ou se aqueles declarados na DIRPJ é irrelevante diante do fato de existir um lançamento tributário efetuado por autoridade competente. A esse respeito, cabe dizer que a atividade do lançamento tributário é privativa da autoridade administrativa, vinculada ao texto da lei, e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional pelo seu descumprimento, nos termos no art. 142 do Código Tributário NacionalCTN. Fl. 6DF CARF MF Emitido em 23/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/03/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Assinado digitalmente em 03/03/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10840.002593/200281 Acórdão n.º 120200.482 S1C2T2 Fl. 7 7 Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Assim, uma vez efetuado o lançamento pela autoridade fiscal, o mesmo deve prevalecer sob as demais modalidades de lançamento, cabendo a discussão a respeito da procedência e correção do lançamento, no rito do processo administrativo fiscal, como vem ocorrendo com o presente processo. Quanto à divergência dos valores declarados em DCTF comparados com os declarados em DIRPJ, a recorrente pouco esclarece a respeito dos motivos dessa divergência. Limitase a juntar cópia da declaração DIRPJ e cópia de apenas uma página do livro LALUR – parte B, contendo os registros da –“Conta: 00051 IRPJ Correção monetáriaIPC de janeiro de 1989 (plano verão)”, fl 128. Da análise da documentação trazida, verificase coincidência de valores constantes da DIRPJ e do LALUR relativos unicamente ao mês de dezembro de 1997, equivalente a R$ 1.576.307,22. Esclarecendo melhor. Na DIRPJ, esse valor de R$ 1.576.307,22 foi lançado na Ficha 09 – “IR e CSLL mensal por estimativa/antecip. Obrigatórias”, linha 08 – “Imposto de Renda a Pagar” e linha 13 – “Exigibilidade Suspensa”, de modo que efetuada a compensação na declaração, a linha 14 – “Saldo do Imposto de Renda”, ficou zerada, fls. 150. Já na parte B do LALUR–“Conta: 00051 IRPJ Correção monetáriaIPC de janeiro de 1989 (plano verão)” foi lançado o mesmo valor (R$ 1.576.307,22) sob a rubrica "Valor compensado do IR a pagar relativo ao período de janeiro a dezembro/97", fl. 128, de modo a demonstrar a compensação mencionada no item precedente. Como se vê, pouco esclareceu a empresa a respeito da divergência existente entre o valor declarado em DCTF estimativas mensais do IRPJ de dezembro de 1997– R$ 3.488.855.92, e aquele constante da DIRPJ R$ 1.576.307,22 – esclarecimento que sequer foi prestado em relação aos demais meses lançados na autuação, de julho, agosto e outubro de 1997. Não bastasse isso, a própria compensação dos débitos do IRPJ levada a efeito nas DCTFs e na DIRPJ, conforme já mencionado, traz um crédito relativo ao “IRPJ Correção monetáriaIPC de janeiro de 1989 (plano verão)”, cuja matéria encontrase em discussão no Poder Judiciário por meio da Ação Ordinária n° 94.03078294, fls. 79 a 84, cujo trânsito em julgado ainda não se tem notícia nos autos de ter ocorrido. Assim, não poderia a autuada ter efetivado as compensações mencionadas, por violar o art. 170 do CTN, que exige a presença de créditos líquidos e certos para se efetuar a compensação, situação não verificada no presente caso. Fl. 7DF CARF MF Emitido em 23/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/03/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Assinado digitalmente em 03/03/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10840.002593/200281 Acórdão n.º 120200.482 S1C2T2 Fl. 8 8 Dessa forma, concluise que o lançamento do crédito tributário foi corretamente executado pela autoridade fiscal, deixando a recorrente de trazer provas suficientes que pudessem contrapor os valores exigidos na autuação. Quanto à alegação de que as decisões da DRF/Ribeirão Preto, de fls. 93/96, seriam omissa em relação à alegação de erro nas informações prestadas em DCTF, cabe dizer que a questão foi bem abordada pelo acórdão recorrido. As decisões emitidas são claras e encontramse devidamente fundamentadas, sem que se vislumbre qualquer tipo de vício ou omissão, de modo que o despacho do Delegado da DRF/Ribeirão PretoSP, fls. 96, atestando a “inocorrência de erro de fato” e conseqüente inaplicabilidade do art. 149 do Código Tributário Nacional (CTN), faz ainda menção expressa ao despacho das fls. 94/95, no qual se fundamentou. No que se refere à alegação de que a contribuinte teria direito de corrigir suas demonstrações financeiras com base no IPC de 1989, o que afetaria a apuração do IRPJ devido, cabe repetir que essa matéria encontrase em discussão no Poder Judiciário por meio da Ação Ordinária n° 94.03078294. A propositura de ação judicial implica a desistência de discutir a mesma matéria na esfera administrativa, conforme prescreve a Súmula CARF nº 1, conforme divulgado pela Portaria CARF nº 52, de 21 de dezembro de 2010, com o seguinte teor: Súmula CARF nº 1 Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Por fim, quanto ao exame do Laudo Pericial trazido com o recurso voluntário, cabe dizer que o mesmo não se presta para o caso ora analisado. As informações lá contidas devem ser aproveitadas apenas ao processo a que se refere, de n° 2001.61.02.006970 9, que trata de Embargos à Execução Fiscal relativos aos anos de 1994 a 1996, portanto, distinto do período aqui examinado (1997), de modo que as conclusões lá exaradas não têm nenhuma influência na discussão da matéria aqui tratada. Em face do exposto, voto para que seja negado provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto Donassolo Fl. 8DF CARF MF Emitido em 23/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/03/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Assinado digitalmente em 03/03/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10840.002593/200281 Acórdão n.º 120200.482 S1C2T2 Fl. 9 9 Fl. 9DF CARF MF Emitido em 23/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/03/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Assinado digitalmente em 03/03/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO
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Numero do processo: 10183.003647/2006-40
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 12 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu May 12 00:00:00 UTC 2011
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Exercício: 2001
SUSTENTAÇÃO ORAL. INTIMAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO OU DO SEU REPRESENTANTE.
Inexiste previsão normativa para intimação do contribuinte ou do seu representante para realizar sustentação oral ou apresentar memoriais nos julgamentos do CARF.
FASE DE FISCALIZAÇÃO. CONTRADITÓRIO.
A fase investigatória do procedimento, realizada antes do lançamento de ofício, é informada pelo principio inquisitorial, sendo descabido falar-se em violação da garantia ao contraditório até então.
O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário Súmula
CARF nº 46.
ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2001
IRPF. DECADÊNCIA. TRIBUTOS LANÇADOS POR HOMOLOGAÇÃO.
MATÉRIA DECIDIDA NO STJ NA SISTEMÁTICA DO ART. 543-C DO CPC. EXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. REGRA DO ART.
150, §4º, DO CTN.
O art. 62A
do RICARF obriga a utilização da regra do REsp nº 973.733 SC,
decidido na sistemática do art. 543-C do Código de Processo Civil, o que faz com a ordem do art. 150, §4o, do CTN, só deve ser adotada nos casos em que o sujeito passivo antecipar o pagamento e não for comprovada a existência de dolo, fraude ou simulação, prevalecendo os ditames do art. 173, nas demais situações.
No presente caso, houve pagamento antecipado na forma de imposto de renda retido na fonte, e não houve a imputação de existência de dolo, fraude ou simulação, sendo obrigatória a utilização da regra de decadência do art. 150, §4º, do CTN, que fixa o marco inicial na ocorrência do fato gerador.
Como o fato gerador do imposto de renda é complexivo anual, ele só se aperfeiçoa em 31 de dezembro do ano-calendário, o que fez com que o prazo decadencial tenha se iniciado em 31/12/2000 e terminado em 31/12/2005.
Como o lançamento se deu apenas em 30/08/2006, o crédito tributário já havia sido fulminado pela decadência.
Preliminar de nulidade rejeitada.
Preliminar de decadência acolhida.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2101-001.122
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher a decadência, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
Matéria: IRPF- auto de infração eletronico (exceto multa DIRPF)
Nome do relator: Jose Evande Carvalho Araújo
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ementa_s : PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2001 SUSTENTAÇÃO ORAL. INTIMAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO OU DO SEU REPRESENTANTE. Inexiste previsão normativa para intimação do contribuinte ou do seu representante para realizar sustentação oral ou apresentar memoriais nos julgamentos do CARF. FASE DE FISCALIZAÇÃO. CONTRADITÓRIO. A fase investigatória do procedimento, realizada antes do lançamento de ofício, é informada pelo principio inquisitorial, sendo descabido falar-se em violação da garantia ao contraditório até então. O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário Súmula CARF nº 46. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2001 IRPF. DECADÊNCIA. TRIBUTOS LANÇADOS POR HOMOLOGAÇÃO. MATÉRIA DECIDIDA NO STJ NA SISTEMÁTICA DO ART. 543-C DO CPC. EXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. REGRA DO ART. 150, §4º, DO CTN. O art. 62A do RICARF obriga a utilização da regra do REsp nº 973.733 SC, decidido na sistemática do art. 543-C do Código de Processo Civil, o que faz com a ordem do art. 150, §4o, do CTN, só deve ser adotada nos casos em que o sujeito passivo antecipar o pagamento e não for comprovada a existência de dolo, fraude ou simulação, prevalecendo os ditames do art. 173, nas demais situações. No presente caso, houve pagamento antecipado na forma de imposto de renda retido na fonte, e não houve a imputação de existência de dolo, fraude ou simulação, sendo obrigatória a utilização da regra de decadência do art. 150, §4º, do CTN, que fixa o marco inicial na ocorrência do fato gerador. Como o fato gerador do imposto de renda é complexivo anual, ele só se aperfeiçoa em 31 de dezembro do ano-calendário, o que fez com que o prazo decadencial tenha se iniciado em 31/12/2000 e terminado em 31/12/2005. Como o lançamento se deu apenas em 30/08/2006, o crédito tributário já havia sido fulminado pela decadência. Preliminar de nulidade rejeitada. Preliminar de decadência acolhida. Recurso Voluntário Provido.
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INTIMAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO OU DO SEU REPRESENTANTE. Inexiste previsão normativa para intimação do contribuinte ou do seu representante para realizar sustentação oral ou apresentar memoriais nos julgamentos do CARF. FASE DE FISCALIZAÇÃO. CONTRADITÓRIO. A fase investigatória do procedimento, realizada antes do lançamento de ofício, é informada pelo principio inquisitorial, sendo descabido falarse em violação da garantia ao contraditório até então. O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário Súmula CARF nº 46. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2001 IRPF. DECADÊNCIA. TRIBUTOS LANÇADOS POR HOMOLOGAÇÃO. MATÉRIA DECIDIDA NO STJ NA SISTEMÁTICA DO ART. 543C DO CPC. EXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. REGRA DO ART. 150, §4o, DO CTN. O art. 62A do RICARF obriga a utilização da regra do REsp nº 973.733 SC, decidido na sistemática do art. 543C do Código de Processo Civil, o que faz com a ordem do art. 150, §4o, do CTN, só deve ser adotada nos casos em que o sujeito passivo antecipar o pagamento e não for comprovada a existência de dolo, fraude ou simulação, prevalecendo os ditames do art. 173, nas demais situações. Fl. 153DF CARF MF Emitido em 01/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/05/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 20/ 05/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 10/06/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS 2 No presente caso, houve pagamento antecipado na forma de imposto de renda retido na fonte, e não houve a imputação de existência de dolo, fraude ou simulação, sendo obrigatória a utilização da regra de decadência do art. 150, §4o, do CTN, que fixa o marco inicial na ocorrência do fato gerador. Como o fato gerador do imposto de renda é complexivo anual, ele só se aperfeiçoa em 31 de dezembro do anocalendário, o que fez com que o prazo decadencial tenha se iniciado em 31/12/2000 e terminado em 31/12/2005. Como o lançamento se deu apenas em 30/08/2006, o crédito tributário já havia sido fulminado pela decadência. Preliminar de nulidade rejeitada. Preliminar de decadência acolhida. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher a decadência, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) ___________________________________ José Raimundo Tosta Santos Presidente. (assinado digitalmente) ___________________________________ José Evande Carvalho Araujo Relator. EDITADO EM: 16/05/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: presentes José Raimundo Tosta Santos (Presidente), Gonçalo Bonet Allage, José Evande Carvalho Araujo, Maria Paula Farina Weidlich, Célia Maria De Souza Murphy, Alexandre Naoki Nishioka. Relatório AUTUAÇÃO Contra o contribuinte acima identificado foi lavrado o Auto de Infração de fls. 25 a 32, referente a Imposto de Renda Pessoa Física, exercício 2001, para efetuar glosas de deduções de livro caixa e de imposto de renda retido na fonte, formalizando a exigência de imposto suplementar no valor de R$9.312,62, acrescido de multa de ofício e juros de mora. IMPUGNAÇÃO Cientificado do lançamento, o contribuinte apresentou impugnação (fls. 1 a 24), acatada como tempestiva. Alegou, consoante relatório do acórdão de primeira instância (fls. 108 a 109): Fl. 154DF CARF MF Emitido em 01/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/05/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 20/ 05/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 10/06/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10183.003647/200640 Acórdão n.º 210101.122 S2C1T1 Fl. 152 3 a) nulidade do lançamento por cerceamento de defesa e óbice ao contraditório, considerando que não foi intimado a prestar esclarecimentos previamente à autuação, e que não teve acesso ao Mandado de Procedimento Fiscal; b) extinção do crédito tributário em face da decadência do direito ao lançamento tributário dos fatos geradores ocorridos no ano de 2000, uma vez que o IRPF é tributo lançado por homologação que tem por prazo decadencial 5 anos contados da data da ocorrência do fato gerador, conforme art. 150 § 4° do CTN e entendimento do Conselho de Contribuintes e STJ, citados na impugnação; c) ilegalidade da utilização da taxa Selic; d) ilegalidade da aplicação da multa de 75% por afronta ao princípio do não confisco previsto no art. 150, inciso IV, da CF; e) legalidade das deduções a título de imposto de renda retido pela fonte pagadora Tribunal de Justiça/MT, tendo sido retido, por essa fonte pagadora, o imposto de R$ 3.512,25, conforme folha complementar assinada pela Diretora Geral (f. 39/40); f) legalidade das deduções a título de Livro Caixa, conforme comprovam as despesas lançadas no Livro Caixa, no valor de R$ 21.092,25 e os comprovantes de despesas anexados à impugnação; g) inexistência de saldo de imposto a pagar (código 0211) no valor de R$ 217,13, o qual foi devidamente recolhido, conforme Darf anexo. ACÓRDÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento julgou procedente em parte o lançamento, em julgamento consubstanciado na seguinte ementa (fls. 106 a 120): Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 2001 INTIMAÇÃO PARA PRESTAR ESCLARECIMENTOS. É dispensada a audência do contribuinte, antes da autuação, quando desnecessária para a apuração do ilícito e quando as deduções pleiteadas na declaração de ajuste anual forem exageradas em relação aos rendimentos declarados, não se configurando em cerceamento de defesa, nem em ofensa ao contraditório, desde que essas garantias fundamentais sejam plenamente atendidas no processo administrativo tributário. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. É dispensada a emissão do Mandado de Procedimento Fiscal no procedimento de revisão interna da declaração de ajuste anual. DECADÊNCIA O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário relativo ao imposto de renda pessoa física decai cinco anos após Fl. 155DF CARF MF Emitido em 01/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/05/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 20/ 05/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 10/06/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS 4 o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. DEDUÇÃO. IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. Constatado, por documentos hábeis, a retenção do imposto de renda na fonte, o valor retido deve ser deduzido do imposto apurado no lançamento de ofício. DEDUÇÃO. LIVRO CAIXA. O contribuinte que percebe rendimentos do trabalho não assalariado poderá deduzir, da receita decorrente do exercício de sua atividade autônoma, as despesas pagas e necessárias à percepção da remuneração e à manutenção da fonte produtora, devidamente escrituradas no Livro Caixa e comprovadas por documentação hábil e idônea. IMPOSTO DE RENDA PAGO. O imposto de renda apurado na declaração de ajuste anual possui procedimento próprio de cobrança, em sede do qual é cabível a imputação do pagamento. JUROS E MULTA DE OFÍCIO. ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. Não cabe à Administração se manifestar sobre inconstitucionalidade e ilegalidade das normas vigentes. Lançamento Procedente em Parte RECURSO AO CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS (CARF) Cientificado da decisão de primeira instância em 24/12/2008 (fl. 126), o contribuinte apresentou, em 16/01/2009, o recurso de fls. 129 a 148, onde: a) discorda da conclusão do julgador de 1a instância, que considerou nula a intimação para prestar esclarecimentos, mas julgou que, apesar disso, não houve cerceamento ao direito de defesa, pois a autoridade possuía todos os elementos para efetuar o lançamento. Argumenta que a intimação era necessária, tanto que foi feita pelo Fisco, e que somente não ocorreu por erro da Administração; e que o prejuízo pela impossibilidade de prestar esclarecimentos foi o aumento das penalidades aplicadas; b) defende a decadência do direito do Fisco efetuar o lançamento, em agosto de 2006, de fatos geradores ocorridos no ano de 2000; c) contesta a glosa das deduções a título de livro caixa referentes a pagamentos ao Sr. Maurício Magalhães Faria Júnior. Alega que, apesar dos recibos não estarem assinados, o conjunto probatório, composto pelo livro caixa e pela declaração de ajuste do prestador de serviço, comprovava as despesas. Acrescenta aos autos declaração de prestação de serviços de informática do Sr. Maurício, na qual, por meio de documento com firma reconhecida, ele declara que prestou serviços de informática (confecção de programa de controle de clientes) à recorrente ao longo do ano de 2000, e que dela percebeu os valores ali informados; Fl. 156DF CARF MF Emitido em 01/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/05/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 20/ 05/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 10/06/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10183.003647/200640 Acórdão n.º 210101.122 S2C1T1 Fl. 153 5 d) questiona, também, a glosa das deduções a título de livro caixa referentes a pagamentos ao Sr. Juarez Pinto Júnior ao longo do ano de 2000 pela prestação serviços de próteses, pelo conjunto probante análogo ao utilizado no item anterior. Ao final requer, preliminarmente, a nulidade do auto de infração por cerceamento de defesa e o reconhecimento da decadência do lançamento, e, no mérito, que se revertam as glosas das deduções a título de livro caixa relativas a pagamentos aos Srs. Maurício Magalhães Faria Júnior e Juarez Pinto Júnior. Requer, também, que o procurador do recorrente seja intimado/notificado com antecedência da data do julgamento para que possa proceder à defesa através de sustentação oral e apresentação de memoriais. O processo foi distribuído a este Conselheiro, numerado até a fl. 150, que também trata do envio dos autos ao então Primeiro Conselho de Contribuintes. É o Relatório. Voto Conselheiro José Evande Carvalho Araujo, Relator. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. De início, há que se ressaltar que o recorrente solicitou a intimação prévia de seu procurador da data do julgamento, para que pudesse realizar sustentação oral e apresentar memoriais. O direito à sustentação oral está assegurado ao sujeito passivo, ou seu representante legal, nos termos previstos no art. 58 do anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009. Para exercêlo, o recorrente, ou seu representante, deve comparecer à sessão de julgamento do seu recurso, e se identificar, devidamente documentado, ao presidente da turma, no local e no horário indicados na pauta de julgamento. Entretanto, não existe previsão normativa para a intimação das partes para fazer sustentação oral ou apresentar memoriais, determinando a legislação apenas a indicação, em pauta, do dia, hora e local de cada sessão de julgamento; do nome do relator; dos números do processo e do recurso; e dos nomes do interessado, do recorrente e do recorrido; devendo a pauta ser publicada no Diário Oficial da União com 10 (dez) dias de antecedência e divulgada no sítio do CARF na Internet (art. 55 do RICARF). Em sede de preliminar, o recorrente argúi a nulidade do lançamento por não ter sido previamente intimado para prestar esclarecimentos, uma vez que a intimação foi mandada para um endereço postal que havia sido alterado no mês anterior. O julgador de 1a instância reconheceu a invalidade da intimação, mas considerou que não houve cerceamento ao direito de defesa, pois a autoridade fiscal possuía todos os elementos para efetuar o lançamento independentemente da resposta do contribuinte, em especial quando as deduções pleiteadas são muito grandes em relação aos rendimentos Fl. 157DF CARF MF Emitido em 01/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/05/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 20/ 05/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 10/06/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS 6 declarados, e que não houve prejuízo ao sujeito passivo, que pôde realizar sua defesa na impugnação. O recorrente retruca que a intimação era necessária, tanto que foi feita pelo Fisco, e que somente não ocorreu por erro da Administração, e que o prejuízo pela impossibilidade de prestar esclarecimentos foi o aumento das penalidades aplicadas. Contudo, este CARF firmou o entendimento de que o procedimento administrativo de fiscalização é orientado pelo princípio inquisitorial, não se exigindo o contraditório na fase investigatória, que passa a ser obrigatório após a impugnação, com a instauração da lide. Nesse sentido foi recentemente publicada a Súmula CARF nº 46: “O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário”. Assim, improcedente a preliminar de nulidade do lançamento. O recorrente suscita, também, uma preliminar de decadência. No caso em tela, o auto de infração glosou despesas de livro caixa e parte do imposto de renda retido na fonte declarados na Declaração de Imposto de Renda do exercício de 2001, sendo que a Delegacia da Receita Federal de Julgamento manteve o lançamento apenas com respeito à parte das glosas de livro caixa. O contribuinte tomou ciência do lançamento em 30/08/2006 (fls. 90 e 91). Sabese que a discussão da decadência dos tributos lançados por homologação é questão tormentosa, que vem dividindo a jurisprudência administrativa e judicial há tempos. No âmbito dos antigos Conselhos de Contribuintes, e agora no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, praticamente todas as interpretações possíveis já tiveram seu espaço. É notório que as inúmeras teses que versam sobre o assunto surgiram do fato do nosso Código Tributário Nacional CTN possuir duas regras de decadência, uma para o direito de constituir o crédito tributário (art. 173), e outra para o direito de não homologar o pagamento antecipado de certos tributos previstos em lei (art. 150, §4o). Apesar de serem situações distintas, o efeito atingido é o mesmo, pois, uma vez homologado tacitamente o pagamento, o crédito tributário estará definitivamente extinto, não se permitindo novo lançamento, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Na verdade, a celeuma não está no prazo da decadência, que é de cinco anos nas duas situações, mas na data de início de sua contagem. Enquanto o art. 173 fixa essa data no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, ou no dia em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado, o art. 150, §4o, determina o marco inicial na ocorrência do fato gerador. No momento da publicação do CTN, a questão não tinha tanta importância, uma vez que eram poucos os tributos para os quais a legislação atribuía ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa. Entretanto, atualmente, em nossa sociedade de consumo, onde milhares de operações sujeitas à tributação ocorrem simultaneamente, tornouse impossível para o Fisco efetuar o lançamento direto, e praticamente todas as exações adotaram o modelo de transferir para o contribuinte o dever de apurar e recolher, fazendo a Administração apenas o controle posterior. Fl. 158DF CARF MF Emitido em 01/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/05/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 20/ 05/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 10/06/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10183.003647/200640 Acórdão n.º 210101.122 S2C1T1 Fl. 154 7 As diversas correntes doutrinárias agora se digladiam sobre qual das regras de decadência deve se utilizar para os tributos sujeitos ao lançamento por homologação, sendo que, no âmbito da 2a Seção de Julgamento do CARF, prevalecia a idéia de que seria sempre a do art. 150, §4o, do CTN, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Contudo, o Superior Tribunal de Justiça – STJ, órgão máximo de interpretação das leis federais, firmou o entendimento de que a regra do art. 150, §4o, do CTN, só deve ser adotada nos casos em que o sujeito passivo antecipar o pagamento e não for comprovada a existência de dolo, fraude ou simulação, prevalecendo os ditames do art. 173, nos demais casos. Vejase a ementa do Recurso Especial nº 973.733 SC (2007/01769940), julgado em 12 de agosto de 2009, sendo relator o Ministro Luiz Fux: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos Fl. 159DF CARF MF Emitido em 01/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/05/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 20/ 05/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 10/06/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS 8 sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). (...) 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (destaques do original) Observese que o acórdão do REsp nº 973.733/SC foi submetido ao regime do art. 543C do Código de Processo Civil, reservado aos recursos repetitivos, o que significa que essa interpretação deverá ser aplicada pelas instâncias inferiores do Poder Judiciário. Recentemente, a Portaria MF no 586, de 21 de dezembro de 2010, introduziu o art. 62A no Regimento Interno do CARF RICARF, com a seguinte redação: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. Desta forma, este CARF forçosamente terá que mudar seu posicionamento, e adotar a interpretação do Recurso Especial nº 973.733 – SC, de que a regra do art. 150, §4o, do CTN, só deve ser adotada nos casos em que o sujeito passivo antecipar o pagamento e não for comprovada a existência de dolo, fraude ou simulação, prevalecendo os ditames do art. 173, nos demais casos. Neste processo, a questão é de fácil deslinde, pois a declaração de ajuste anual do exercício de 2001 do recorrente demonstra a dedução de R$ 9.569,12 a título de imposto retido na fonte (fl. 98), tendo inclusive o julgador de 1a instância cancelado parte da glosa dessa valor, o que evidencia a existência de recolhimento antecipado. Como o fato gerador do imposto de renda é complexivo anual, ele só se aperfeiçoa em 31 de dezembro do anocalendário, o que faz com que, no presente caso, ele tenha se iniciado em 31/12/2000 e terminado em 31/12/2005. Como o lançamento se deu apenas em 30/08/2006, o crédito tributário já havia sido fulminado pela decadência. Fl. 160DF CARF MF Emitido em 01/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/05/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 20/ 05/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 10/06/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10183.003647/200640 Acórdão n.º 210101.122 S2C1T1 Fl. 155 9 Diante do exposto, voto por rejeitar a preliminar de nulidade e por dar provimento ao recurso para acolher a preliminar de decadência. (assinado digitalmente) José Evande Carvalho Araujo Fl. 161DF CARF MF Emitido em 01/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/05/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 20/ 05/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 10/06/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS
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Numero do processo: 12963.000302/2010-69
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 27 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Jul 27 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/07/2008 a 31/12/2009
AGROINDÚSTRIA. ENQUADRAMENTO. AUSÊNCIA DE PRODUÇÃO PRÓPRIA.
A recorrente não se enquadra como agroindústria. Para tal enquadramento é imprescindível que haja industrialização de produção própria, conforme previsto no art. 22 A da Lei n º 8.212 de 1991.
AUXÍLIO ALIMENTAÇÃO. ALIMENTAÇÃO IN NATURA.
Incide contribuição previdenciária sobre os valores relativos ao auxílio alimentação, mesmo que concedido aos empregados sob a forma “in natura”, caso o sujeito passivo não seja inscrito no Programa de Alimentação do Trabalhador PAT.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2302-001.170
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar
provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Wilson Antônio de Souza Correa e Vera Kempers de Moraes Abreu que entenderam não integrar o salário de contribuição.
Nome do relator: Liege Lacroix Thomasi
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ENQUADRAMENTO. AUSÊNCIA DE PRODUÇÃO PRÓPRIA. A recorrente não se enquadra como agroindústria. Para tal enquadramento é imprescindível que haja industrialização de produção própria, conforme previsto no art. 22 A da Lei n º 8.212 de 1991. AUXÍLIOALIMENTAÇÃO. ALIMENTAÇÃO IN NATURA. Incide contribuição previdenciária sobre os valores relativos ao auxílio alimentação, mesmo que concedido aos empregados sob a forma “in natura”, caso o sujeito passivo não seja inscrito no Programa de Alimentação do Trabalhador PAT. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Wilson Antônio de Souza Correa e Vera Kempers de Moraes Abreu que entenderam não integrar o saláriodecontribuição. Marco Andre Ramos Vieira Presidente. Liege Lacroix Thomasi Relatora. Fl. 353DF CARF MF Impresso em 14/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 08/08/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 08/08/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 08/08/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 2 EDITADO EM: 08/08/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Marco Andre Ramos Vieira (presidente), Wilson Antonio de Souza Correa, Arlindo da Costa e Silva, Liege Lacroix Thomasi, Adriana Sato, Vera Kempers de Moraes Abreu. Fl. 354DF CARF MF Impresso em 14/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 08/08/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 08/08/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 08/08/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 12963.000302/201069 Acórdão n.º 230201.170 S2C3T2 Fl. 2 3 Relatório O presente auto de infração de obrigação principal, lavrado em 17/03/2010, se refere às contribuições previdenciárias incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados constantes das folhas de pagamento, de valores pagos a título de alimentação sem a devida inscrição no Programa de Alimentação do Trabalhador, de valores pagos a título de seguro saúde e sobre a remuneração de contribuintes individuais, tudo no período de 07/2008 a 12/2009. O relatório fiscal de fls.31/39, diz que a autuada informou em GFIP o FPAS como agroindústria, mas que tal fato não se confirmou durante a auditoria fiscal, pois o enquadramento como agroindústria pressupõe a industrialização de produção própria, o que não ocorreu, sendo considerado o FPAS 507. Após a impugnação, Acórdão de fls. 300/303, julgou a autuação procedente. Inconformado, o contribuinte apresentou recurso tempestivo, onde alega em síntese: a) que deve ser classificada como agroindústria, pois conta com produção própria e de terceiros; b) que a cana de açúcar é cultivada em imóveis rurais por intermédio de contratos de parceria agrícola; c) que desempenha atividades agrícolas, que assumiu as atividades de outra empresa do grupo a que pertence e também seus funcionários, que só retardou temporariamente o plano de plantio dos canaviais devido à crise mundial e por isso não moe cana própria; d) que a alimentação fornecida pela empresa não possui natureza salarial, que não houve pagamento em pecúnia. Requer a suspensão da exigibilidade dos débitos, o provimento do recurso e a reforma da decisão para desconstituir o lançamento, por ser insubsistente, julgando improcedente o auto de infração. É o relatório. Fl. 355DF CARF MF Impresso em 14/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 08/08/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 08/08/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 08/08/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 4 Fl. 356DF CARF MF Impresso em 14/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 08/08/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 08/08/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 08/08/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 12963.000302/201069 Acórdão n.º 230201.170 S2C3T2 Fl. 3 5 Voto Conselheira Liege Lacroix Thomasi Cumprido o requisito de admissibilidade, frente à tempestividade, conheço do recurso e passo ao seu exame. Primeiramente, é de se notar que a recorrente não se enquadra como agroindústria porque para tanto é necessário que haja a industrialização de produção própria, conforme previsto no art. 22 A da Lei n º 8.212 de 1991. Ocorre que além do explicitado no relatório fiscal acerca da não industrialização da produção própria, fls. 31 a 39, a própria recorrente admite que não industrializou sua produção, pois retardou os planos de plantio frente à crise financeira mundial e com isso não pode moer sua própria cana. O artigo 22A da Lei nº 8.212/1991, com a redação dada pela Lei nº 10.256/2001, assim dispõe, verbis: Art. 22A. A contribuição devida pela agroindústria, definida, para os efeitos desta Lei, como sendo o produtor rural pessoa jurídica cuja atividade econômica seja a industrialização de produção própria ou de produção própria e adquirida de terceiros, incidente sobre o valor da receita bruta proveniente da comercialização da produção, em substituição às previstas nos incisos I e II do art. 22 desta Lei, é de: (Incluído pela Lei nº 10.256, de 9.7.2001) I dois vírgula cinco por cento destinados à Seguridade Social; (Iincluído pela Lei nº 10.256, de 9.7.2001) II zero vírgula um por cento para o financiamento do benefício previsto nos arts. 57 e 58 da Lei no 8.213, de 24 de julho de 1991, e daqueles concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade para o trabalho decorrente dos riscos ambientais da atividade. (Iincluído pela Lei nº 10.256, de 9.7.2001) (...) § 6º Não se aplica o regime substitutivo de que trata este artigo à pessoa jurídica que, relativamente à atividade rural, se dedique apenas ao florestamento e reflorestamento como fonte de matériaprima para industrialização própria mediante a utilização de processo industrial que modifique a natureza química da madeira ou a transforme em pasta celulósica. (Incluído pela Lei nº 10.684, de 30.5.2003) § 7º Aplicase o disposto no § 6º ainda que a pessoa jurídica comercialize resíduos vegetais ou sobras ou partes da produção, desde que a receita bruta decorrente dessa comercialização represente menos de um por cento de sua receita bruta proveniente da comercialização da produção. (Incluído pela Lei nº 10.684, de 30.5.2003) Fl. 357DF CARF MF Impresso em 14/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 08/08/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 08/08/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 08/08/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 6 Portanto para ser enquadrada como agroindústria a empresa deve industrializar produção própria ou produção própria e de terceiros, o que não aconteceu no caso em tela, estando correto o enquadramento no FPAS 507, como diz a fiscalização, devendo ser cobradas as contribuições previdenciárias com base na folha de pagamento dos segurados empregados e contribuintes individuais. Apenas para corroborar a conclusão exposta, faço menção ao relatório fiscal, onde o auditor relata que: Quando questionada sobre as razões que motivaram a empresa a informar o código FPAS 825 (das Agroindústrias) na GFIP, a alegação era de que além da canadeaçucar adquirida de terceiros, a mesma utilizouse de produção própria de canade açucar na produção de álcool. A empresa foi então intimada através do "Termo de Intimação Fiscal TIF n° 1" de 11.02.2010, a esclarecer se utilizou matériaprima (canade açúcar) de produção própria na produção industrial, e, se confirmado, que comprovasse documentalmente. 0 autuado finalmente apresentou em 25.02.10, a resposta ao esclarecimento solicitado (Anexo B — 1 e 2) informando no item "5", que "No período de apuração apontado de 07/2008 a 12/2009, a CEPAR optou por não moer cana própria, em razão da referida cana não se encontrar no momento adequado de maturação para o corte" (grifo nosso),corroborando o que havia sido constatado através da contabilidade e Registro de Entradas, ou seja, toda a canadeaçucar utilizada na produção de álcool foi proveniente da compra do produto junto a terceiros, o que ensejaria o enquadramento no código FPAS 507, devendo a empresa contribuir para a previdência social com base nas Folhas de Pagamento. Quanto à alimentação, os fatos geradores das contribuições lançadas estão descritos no relatório fiscal e se referem ao fornecimento de alimentação aos segurados empregados na competência 07/2008, sem a devida inscrição no Programa de Alimentação do Trabalhador – PAT. A recorrente procedeu a inscrição apenas em 05/08/2008, de forma que os valores relativos ao fornecimento de alimentação antes da inscrição no Programa é considerado salário de contribuição. O lançamento de contribuições previdenciárias incidentes sobre tais valores obedeceu às normas jurídicas aplicáveis para considerálos de natureza remuneratória. Vejamos: • Lei de Custeio da Previdência Social Lei n.o 8.212/91: "Art. 28. Entendese por salário de contribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste Fl. 358DF CARF MF Impresso em 14/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 08/08/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 08/08/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 08/08/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 12963.000302/201069 Acórdão n.º 230201.170 S2C3T2 Fl. 4 7 salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços, nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa;" (redação atual conferida pela Lei n. o 9.528/97); • Regulamento da Previdência Social. aprovado pelo Decreto n.º 3.048/99: "Art. 214. Entendese por salário de contribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomados de serviços, nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa " A empresa que fornece alimentação aos segurados sem inscrição no PAT não pode gozar da isenção concedida pela legislação, como vedado pela Lei n.º 6.321, de 14.04.76, regulamentada pelo Decreto n.º 78.676, de 08.11.76 (DOU de 09.11.76). • Lei n. ° 6.321, de 14 de abril de 1976: "Art. 30 • Não se inclui como salário de contribuição a parcela paga in natura, pela empresa, nos programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho. " (original sem destaque) No mesmo sentido, dispõe a alínea "c", § 9°, artigo 28, da Lei 8.212/91: • Lei nº 8.212/91 artigo 28: "§9 Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: c) a parcela "in natura" recebida de acordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho, nos termos da Lei n. o 6.321, de 14 de abril de 1976; " Decreto nº 5, de 14 de janeiro de 1991 Regulamenta a Lei 6.3211976 Regulamenta a Lei nº 6.321, de 14 de abril de 1976, que Trata do Programa de Alimentação do Trabalhador, Revoga o Decreto nº 78.676, de 8 de novembro de 1976 e dá outras providências. Art. 3º Os Programas de Alimentação do Trabalhador deverão propiciar condições de avaliação do teor nutritivo da alimentação. Fl. 359DF CARF MF Impresso em 14/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 08/08/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 08/08/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 08/08/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 8 Art. 4º Para a execução dos programas de alimentação do trabalhador, a pessoa jurídica beneficiária pode manter serviço próprio de refeições, distribuir alimentos e firmar convênio com entidades fornecedoras de alimentação coletiva, sociedades civis, sociedades comerciais e sociedades cooperativas. (redação dada pelo D00 2.1011996) Parágrafo único. A pessoa jurídica beneficiária será responsável por quaisquer irregularidades resultantes dos programas executados na forma deste artigo. Art. 5º A pessoa jurídica que custear em comum as despesas definidas no Art. 4, poderá beneficiarse da dedução prevista na Lei nº 6.321, de 14 de abril de 1976, pelo critério de rateio do custo total da alimentação. Art. 6º Nos Programas de Alimentação do Trabalhador PAT, previamente aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, a parcela paga "in natura" pela empresa não tem natureza salarial, não se incorpora à remuneração para quaisquer efeitos, não constitui base de incidência de contribuição previdenciária ou do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e nem se configura como rendimento tributável do trabalhador. Inferese da regulamentação que a adesão ao PAT não constitui mera formalidade. É através do conhecimento da existência do programa em determinada empresa que o Ministério do Trabalho e Emprego, através de seu órgão de fiscalização, verificará o cumprimento do disposto no artigo 3° acima transcrito. Ao incentivo fiscal há uma contraprestação por parte da empresa: fornecimento de alimentação com teor nutritivo adequado em ambiente que atenda as condições aceitáveis de higiene. Portanto, enquanto não esteve inscrita no PAT, a empresa se sujeitou ao presente levantamento de débito quanto aos valores relativos à alimentação fornecida aos segurados empregados. O levantamento também se refere aos valores pagos a alguns segurados empregados a título de seguro saúde e aos valores pagos aos contribuintes individuais. Entretanto, como a recorrente não contesta tais rubricas, também não vou me manifestar sobre as mesmas, considerando correto o lançamento fiscal. Ademais a Portaria RFB n.º 10.875/2007, que disciplina o processo administrativo fiscal relativo às contribuições previdenciárias, traz no seu artigo 8º, que a matéria não contestada será considerada como não impugnada: Art. 8º Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada. Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso. Liege Lacroix Thomasi Relatora Fl. 360DF CARF MF Impresso em 14/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 08/08/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 08/08/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 08/08/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 12963.000302/201069 Acórdão n.º 230201.170 S2C3T2 Fl. 5 9 Fl. 361DF CARF MF Impresso em 14/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 08/08/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 08/08/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 08/08/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA
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