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Numero do processo: 16095.000409/2006-58
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 10 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Fri Aug 12 00:00:00 UTC 2011
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE
SOCIAL COFINS
Período de apuração: 01/01/2002 a 31/12/2002
LANÇAMENTO DE OFÍCIO. FALTA DE RECOLHIMENTO.
Constatada a falta de recolhimento da contribuição, correta a exigência de
ofício do tributo não recolhido, cabendo ao sujeito passivo especificar e
demonstrar, por sua escrituração, as razões da discordância.
ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Período de apuração: 01/01/2002 a 31/12/2002
TAXA SELIC. UTILIZAÇÃO COMO TAXA DE JUROS DE MORA.
POSSIBILIDADE.
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos
tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no
período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de
Liquidação e Custódia SELIC
para títulos federais.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3302-001.178
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: JOSE ANTONIO FRANCISCO
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ementa_s : ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2002 a 31/12/2002 LANÇAMENTO DE OFÍCIO. FALTA DE RECOLHIMENTO. Constatada a falta de recolhimento da contribuição, correta a exigência de ofício do tributo não recolhido, cabendo ao sujeito passivo especificar e demonstrar, por sua escrituração, as razões da discordância. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2002 a 31/12/2002 TAXA SELIC. UTILIZAÇÃO COMO TAXA DE JUROS DE MORA. POSSIBILIDADE. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Recurso Voluntário Negado
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2002 a 31/12/2002 LANÇAMENTO DE OFÍCIO. FALTA DE RECOLHIMENTO. Constatada a falta de recolhimento da contribuição, correta a exigência de ofício do tributo não recolhido, cabendo ao sujeito passivo especificar e demonstrar, por sua escrituração, as razões da discordância. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2002 a 31/12/2002 TAXA SELIC. UTILIZAÇÃO COMO TAXA DE JUROS DE MORA. POSSIBILIDADE. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) Fl. 102DF CARF MF Emitido em 24/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/08/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 24/08/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 24/08/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 16095.000409/200658 Acórdão n.º 330201.178 S3C3T2 Fl. 2 2 Walber José da Silva Presidente (Assinado digitalmente) José Antonio Francisco Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Alan Fialho Gandra, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. Relatório Tratase de recurso voluntário (fls. 83 a 87) apresentado em 29 de abril de 2009 contra o Acórdão no 0524.688 da 3ª Turma de Julgamento da DRJ / Campinas (fls. 75 e 76), cientificado em 30 de março de 2009, que, relativamente a auto de infração de Cofins dos períodos de janeiro a dezembro de 2002, considerou procedente o lançamento, nos termos de sua ementa, a seguir reproduzida: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Anocalendário: 2002 LANÇAMENTO DE OFÍCIO. FALTA DE RECOLHIMENTO. Constatada a falta de recolhimento da contribuição, correta a exigência de ofício do tributo não recolhido. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. É cabível, por expressa disposição legal, a exigência de juros de mora em percentual superior a 1%. A partir de 01/01/1995 os juros de mora serão equivalentes a taxa do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC. Lançamento Procedente A Primeira Instância assim resumiu o litígio: Tratase de Auto de Infração da Contribuição para Financiamento da Seguridade Social, fls. 33/40, que constituiu o crédito tributário total de R$ 1.634.564,56, somados o principal, multa de ofício e juros de mora calculados até 30/11/2006. Segundo Termo de Verificação e Constatação de Irregularidades de fls. 31/32, a autuação foi motivada por divergências apuradas entre a contribuição declarada na declaração de rendimentos do período e aquela declarada em DCTF, divergências essas que repercutiram na insuficiência de recolhimento da contribuição. Fl. 103DF CARF MF Emitido em 24/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/08/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 24/08/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 24/08/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 16095.000409/200658 Acórdão n.º 330201.178 S3C3T2 Fl. 3 3 Cientificado do lançamento em 26/12/2006, o sujeito passivo apresentou impugnação em 25/01/2007, fls. 43/46, alegando, em síntese, que: a. o auditor fiscal não consignou no corpo do auto de infração as razões da autuação, ou seja, não comprovou os dados ali lançados. Podese verificar apenas que o Auditor Fiscal, apenas apresentou confrontações de números, sem apresentar os documentos de onde referidos números foram extraídos, para que se pudesse averiguar a autenticidade de tais valores e por consequência do referido débito ali lançado. Ressaltase ainda que não existe fundamentação para a exigência do débito ora cobrado, sendo certo que todo auto de infração para sua validade deve ser devidamente fundamentado e corretamente embasado, diretrizes estas que não se vislumbram no corpo do referido auto; b. é ilegal e inconstitucional a cobrança de juros de mora equivalentes à Taxa Selic. No recurso, a Interessada repetiu as alegações da impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro José Antonio Francisco, Relator O recurso é tempestivo e satisfaz os demais requisitos de admissibilidade, dele devendose tomar conhecimento. Ao contrário do alegado pela Interessada, o auto de infração foi devidamente fundamentado, de acordo com o termo de verificação anexo (fls. 31 e 32), donde se verifica que houve declaração a menor, com base nos valores das bases de cálculo informadas na DIPJ. Caberia à Interessada, na forma do art. 16, § 4º, do Decreto no 70.235, de 1972, demonstrar que não ocorreu. Quanto à Selic, aplicase a Súmula Carf no 4: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Ademais, o Supremo Tribunal Federal julgou recentemente a matéria em âmbito de repercussão geral no RE no 582.461, ainda não publicado, considerando legítima a incidência da Selic como índice da atualização dos débitos tributários pagos em atraso. Fl. 104DF CARF MF Emitido em 24/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/08/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 24/08/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 24/08/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 16095.000409/200658 Acórdão n.º 330201.178 S3C3T2 Fl. 4 4 À vista do exposto, voto por negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) José Antonio Francisco Fl. 105DF CARF MF Emitido em 24/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/08/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 24/08/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 24/08/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO
score : 1.0
Numero do processo: 10976.000514/2008-57
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 26 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Oct 26 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2004 a 30/12/2004
Ementa: CESSÃO DE MÃO DE OBRA – RETENÇÃO 11%.
As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B
e 543C da Lei nº 5.869/1973,
deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, conforme determina o art. 62A,
do Regimento.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2301-002.407
Decisão: Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a).
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS
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ementa_s : Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2004 a 30/12/2004 Ementa: CESSÃO DE MÃO DE OBRA – RETENÇÃO 11%. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869/1973, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, conforme determina o art. 62A, do Regimento. Recurso Voluntário Provido
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EMPRESAS EM GERAL Recorrente ARTEFATOS DE CHAPAS INDÚSTRIA E COMÉRCIO S.A Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2004 a 30/12/2004 Ementa: CESSÃO DE MÃODEOBRA – RETENÇÃO 11%. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869/1973, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, conforme determina o art. 62A, do Regimento. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a). Marcelo Oliveira Presidente. Bernadete de Oliveira Barros Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Adriano Gonzales Silverio, Bernadete De Oliveira Barros, Damião Cordeiro De Moraes, Mauro Jose Silva, Leonardo Henrique Pires Lopes. Fl. 213DF CARF MF Impresso em 28/02/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 29 /11/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 16/12/2011 por MARCELO OLIVEIRA 2 Fl. 214DF CARF MF Impresso em 28/02/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 29 /11/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 16/12/2011 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10976.000514/200857 Acórdão n.º 230102.407 S2C3T1 Fl. 190 3 Relatório Tratase de crédito previdenciário lançado contra a empresa acima identificada, referente a contribuições devidas à Seguridade Social, relativo à retenção de 11% incidente sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura emitida pelo prestador de serviços. Conforme Relatório Fiscal (fls. 21), a empresa autuada foi contratante de serviços executados mediante cessão de mãodeobra e deixou de reter e recolher, em época própria, as contribuições incidentes sobre o valor bruto dos serviços, em desacordo com o que estabelece o art. 31 da Lei 8.212/91. A autoridade autuante verificou, da análise da contabilidade, que apesar do grande movimento no ano de 2004, a empresa autuada possuía apenas dois empregados, sendo que nenhum dos dois trabalhavam na área de produção, e constatou que todos os trabalhadores que estavam prestando serviços nas dependências da empresa autuada naquele momento (2008) eram vinculados à empresa ARTEFATOS SERVIÇOS LTDA, com a qual a autuada mantinha contrato de arrendamento cujo objeto era o arrendamento das instalações e maquinários industriais. Esclarece que a empresa arrendatária, ARTEFATOS SERVIÇOS LTDA, e a empresa fiscalizada, arrendante, tinham dois sócios comuns, e que a prestadora (arrendatária), era optante do SIMPLES, sendo que, apesar de o objeto do contrato ser o arrendamento das instalações e maquinários industriais, de fato todo o serviço era e é feito pelos trabalhadores da empresa arrendataria, inclusive os de caráter administrativo, motivo pelo qual a fiscalização enquadrou o serviço prestado como cessão de mãodeobra. A seguir, expõe os demais motivos pelos quais entendeu que houve a cessão de mão de obra nos serviços prestados pela arrendatária, acrescentando que a empresa arrendante arcava com praticamente todas as despesas, como energia elétrica, telefone, fax, IPTU, manutenção das máquinas arrendadas, entre outros. A recorrente impugnou o débito e a Secretaria da Receita Federal do Brasil, por meio do Acórdão 0221.157, da 9a Turma da DRJ/BHE (fls. 152), julgou o lançamento procedente. Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso tempestivo (fls. 164), alegando, em síntese, o que se segue. Inicialmente, justifica a falta de contrato de Prestação de Serviços esclarecendo que a recorrente simplesmente entrega o material a ser industrializado e o recebe beneficiado, em quantidade e freqüência que inviabilizariam a firmação de contrato de prestação de serviços para cada remessa de material bruto a ser beneficiado. Tenta demonstrar que a relação havida entre as duas empresas tratase da Industrialização por Encomenda, sendo que o serviço é realizado na filial da empresa prestadora, vez que tem endereço diverso do da autuada. Fl. 215DF CARF MF Impresso em 28/02/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 29 /11/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 16/12/2011 por MARCELO OLIVEIRA 4 Alega que o fato de a recorrente arcar com as despesas da prestadora dos serviços se deve a um acordo entre ambas as empresas, constante dos contratos de arrendamento dos equipamentos, que estabelecem que seria pago, além do valor consignado no instrumento, o valor das despesas identificadas pelo fiscal, tendo em vista se tratarem de empresas do mesmo grupo econômico. Frisa que a recorrente não executa a industrialização dos materiais que comercializa, o fazendo por encomenda, e que tal industrialização por encomenda é realizada pela empresa Artefatos Serviços Ltda., de modo que, para consecução de tal trabalho realizado pela Recorrente, não é necessário número expressivo de empregados. Reitera que a empresa Artefatos Serviços Ltda é mera prestadora de serviços sem cessão de mãodeobra, tendo em vista que, na qualidade de arrendatária de máquinas e equipamento suficientes aos serviços de industrialização, presta referidos serviços à esta, estabelecendose entre elas relação de industrialização por encomenda, não se podendo cogitar de colocação à disposição da empresa contratante de trabalhadores para realização dos serviços. Entende que há na decisão recorrida direta afronta ao estatuído no artigo 110 do CTN, na medida em que a fiscalização pretende a conceituação dos institutos da Cessão de Mãodeobra e da Industrialização por Encomenda, alterando a definição, o conteúdo e o alcance de tais institutos para o encaixe da hipótese de incidência de acordo com seu entendimento. Em aditamento ao recurso, traz recente decisão do Superior Tribunal de Justiça, proferida nos autos do Recurso Especial n° 1.112.467, que versa sobre a incompatibilidade entre a sistemática de substituição tributária erigida pelo artigo 31 da Lei n° 8.212/91 e o Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições SIMPLES. Assevera que, segundo referida decisão, as empresas optantes pelo Simples não estão sujeitas à retenção de 11% de contribuição previdenciária sobre a fatura de serviços, prevista no artigo 31 da indigitada Lei n° 8.212/91. Finaliza reiterando seu pedido para que seja dado provimento ao Recurso Voluntário interposto, julgando totalmente improcedente o lançamento, tendo em vista a ausência da cessão de mão de obra na relação jurídica firmada entre a recorrente e a empresa Artefatos e Serviços Ltda, ou mesmo pelo fato de que a tomadora de serviços é empresa optante pelo SIMPLES, não devendo sofrer a incidência da contribuição mediante a retenção em seus pagamentos da aliquota de 11% referente à Contribuição Social Previdenciária, conforme entendimento já solidificado do STJ. É o relatório Fl. 216DF CARF MF Impresso em 28/02/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 29 /11/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 16/12/2011 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10976.000514/200857 Acórdão n.º 230102.407 S2C3T1 Fl. 191 5 Voto Conselheiro BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS O recurso é tempestivo e todos os pressupostos de admissibilidade foram cumpridos, não havendo óbice ao seu conhecimento. O débito lançado trata da obrigação de a empresa contratante de serviços executados mediante cessão de mãodeobra reter e recolher, em época própria, as contribuições incidentes sobre o valor bruto dos serviços, conforme art. 31 da Lei 8.212/91. A recorrente alega, entre outras coisas, que a empresa prestadora é optante do SIMPLES, e traz, em aditamento ao recurso, recente decisão do Superior Tribunal de Justiça, proferida nos autos do Recurso Especial n° 1.112.467, que versa sobre a incompatibilidade entre a sistemática de substituição tributária erigida pelo artigo 31 da Lei n° 8.212/91 e o Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições – SIMPLES. De fato, o STJ decidiu pela existência de incompatibilidade técnica entre a sistemática de arrecadação da contribuição previdenciária instituída pela Lei 9.711/98, e o regime de unificação de tributos do SIMPLES, e observou que o Acórdão estaria sujeito ao regime do art. 543C do CPC, conforme Resp 1.112.467/DF, cuja ementa transcrevo a seguir: REsp 1112467 / DF – publicado em 21/08/2009 e transitado em julgado em 28/09/2009. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. EMPRESAS PRESTADORAS DE SERVIÇO OPTANTES PELO SIMPLES. RETENÇÃO DE 11% SOBRE FATURAS. ILEGITIMIDADE DA EXIGÊNCIA. PRECEDENTE DA 1ª SEÇÃO (ERESP 511.001/MG). 1. A Lei 9.317/96 instituiu tratamento diferenciado às microempresas e empresas de pequeno porte, simplificando o cumprimento de suas obrigações administrativas, tributárias e previdenciárias mediante opção pelo SIMPLES Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições. Por este regime de arrecadação, é efetuado um pagamento único relativo a vários tributos federais, cuja base de cálculo é o faturamento, sobre a qual incide uma alíquota única, ficando a empresa optante dispensada do pagamento das demais contribuições instituídas pela União (art. 3º, § 4º). 2. O sistema de arrecadação destinado aos optantes do SIMPLES não é compatível com o regime de substituição tributária imposto pelo art. 31 da Lei 8.212/91, que constitui "nova sistemática de recolhimento" daquela mesma contribuição destinada à Seguridade Social. A retenção, pelo tomador de serviços, de contribuição sobre o mesmo título e com a mesma finalidade, na forma imposta pelo art. 31 da Lei 8.212/91 e no Fl. 217DF CARF MF Impresso em 28/02/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 29 /11/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 16/12/2011 por MARCELO OLIVEIRA 6 percentual de 11%, implica supressão do benefício de pagamento unificado destinado às pequenas e microempresas. 3. Aplicase, na espécie, o princípio da especialidade, visto que há incompatibilidade técnica entre a sistemática de arrecadação da contribuição previdenciária instituída pela Lei 9.711/98, que elegeu as empresas tomadoras de serviço como responsáveis tributários pela retenção de 11% sobre o valor bruto da nota fiscal, e o regime de unificação de tributos do SIMPLES, adotado pelas pequenas e microempresas (Lei 9.317/96). 4. Recurso especial desprovido. Acórdão sujeito ao regime do art.543C do CPC e da Resolução STJ 08/08. Assim, considerando que o art. 62A, do Regimento do CARF, vigente a partir de 22/12/2010, estabelece que “As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF”., entendo que devem ser excluídos do lançamento todos os levantamentos que se referirem às empresas optantes pelo SIMPLES á época dos fatos geradores. Nesse sentido Considerando tudo mais que dos autos consta VOTO por CONHECER DO RECURSO para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO. É como voto Bernadete De Oliveira Barros Relatora Fl. 218DF CARF MF Impresso em 28/02/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 29 /11/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 16/12/2011 por MARCELO OLIVEIRA
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Numero do processo: 35346.000031/2005-57
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Sep 27 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Sep 27 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Data do Fato Gerador: 06/05/2004
NORMAS PROCESSUAIS. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. OCORRÊNCIA.
Não deve ser afastada a decisão de nulidade fundada no erro de tipificação da infração cometida pelo sujeito passivo, que, claramente, cerceou seu direito de defesa.
Recurso Especial do Procurador Negado
Numero da decisão: 9202-001.760
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar
provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Francisco Assis de Oliveira Junior (Relator), Luiz Eduardo de Oliveira Santos e Elias Sampaio Freire. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Marcelo Oliveira
Nome do relator: Francisco Assis de Oliveira Junior
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NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. OCORRÊNCIA. Não deve ser afastada a decisão de nulidade fundada no erro de tipificação da infração cometida pelo sujeito passivo, que, claramente, cerceou seu direito de defesa. Recurso Especial do Procurador Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Francisco Assis de Oliveira Junior (Relator), Luiz Eduardo de Oliveira Santos e Elias Sampaio Freire. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Marcelo Oliveira. (assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo – Presidente Fl. 341DF CARF MF Impresso em 07/02/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/01/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 12/01/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digital mente em 27/01/2012 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU 2 (assinado digitalmente) Francisco Assis de Oliveira Júnior – Relator (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira – RedatorDesignado Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Susy Gomes Hoffmann (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gonçalo Bonet Allage, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Francisco Assis de Oliveira Junior, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Fl. 342DF CARF MF Impresso em 07/02/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/01/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 12/01/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digital mente em 27/01/2012 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU Processo nº 35346.000031/200557 Acórdão n.º 920201.760 CSRFT2 Fl. 331 3 Relatório Tratase de Auto de Infração, lavrado em 29 de setembro de 2004, por infração ao artigo 32, III, da Lei nº 8.212 de 1991, na medida em que o contribuinte deixou de apresentar “os blocos de notas fiscais por ela emitidos de nº 01 até o nº 03, abrangendo os anos de 1995 até 13.08.2001”, bem como a “documentação solicitada referente aos lançamentos contábeis dos anos 1996, 1999, 2000 e 2001”, solicitados pelos TIADs de fls. 09 e 10, nos termos do relatório fiscal de fls. 03 e 04. O crédito foi constituído, DEBCAD: 35.708.3113, e consolidado em 05/10/2005, tendo sido cientificado em 29/04/2004 fl.197. Apresentada a impugnação e analisada pela autoridade competente, o lançamento foi julgado procedente conforme DECISÃONOTIFICAÇÃO N° 20.401.4/127/2004 exarada pela Secretaria da Receita Previdenciária Unidade Descentralizada em FlorianópolisSC, fls. 204/208. Irresignado, o sujeito passivou interpôs recurso voluntário, fls 213 a 246, do processo, e que, após apreciação pela 5ª Câmara do então Segundo Conselho de Contribuintes, deulhe provimento conforme acórdão nº 20501.129, fls297/302, cuja ementa transcrevo: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Data do fato gerador: 06/10/2004 Ementa: DEIXAR DE PRESTAR INFORMAÇÕES. Constitui infração a empresa deixar de prestar todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis de interesse do Fisco, na forma por ele estabelecida, bem como_ os esclarecimentos necessários à fiscalização. DISCRIMINAÇÃO DOS FATOS GERADORES. INSUFICIÊNCIA. NULIDADE DO LANÇAMENTO. O lançamento deve discriminar os fatos geradores das contribuições previdenciárias de forma clara e precisa, bem como o período a que se referem, sob pena de cerceamento de defesa e consequente nulidade. Entendimento amparado no Decreto n° 70.235/72 que, ao tratar das nulidades, deixa claro no inciso II, do artigo 59, que são nulas as decisões proferidas com a preterição do direito de defesa. Processo Anulado. Irresignada, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial, às fls. 306/317, com arrimo no artigo 7 º, inciso II, do então Regimento Interno da Câmara Superior de Fl. 343DF CARF MF Impresso em 07/02/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/01/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 12/01/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digital mente em 27/01/2012 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU 4 Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 147 de 2007, procurando demonstrar a insubsistência do Acórdão recorrido, desenvolvendo em síntese as seguintes razões: Após breve relato das fases processuais ocorridas no decorrer do processo administrativo fiscal, insurgese contra o Acórdão atacado, por entender ter contrariado entendimento levado a efeito pelas demais Câmaras do Conselho de Contribuintes a respeito da mesma matéria, conforme se extrai dos Acórdãos nºs.10808.499 e 0104.780, impondo seja conhecido o recurso especial da recorrente, uma vez comprovada à divergência arguida. Em defesa de sua pretensão, pugna pela anulação do Acórdão combatido tendo com o argumento de que a capitulação errônea ou imprecisa do auto de infração, ou até a ausência de enquadramento legal, não é suficiente para provocar a nulidade do lançamento, ainda mais quando o direito à ampla defesa foi exercido em sua plenitude, conforme previsão dos arts. 11, 59 e 60, do Decreto 70.235 de 1972. Assevera que o acórdão ora guerreado mostrase também dissonante da jurisprudência majoritária na medida em que decreta uma nulidade sem a comprovação do prejuízo. È patente o fato de que o contribuinte exerceu plenamente a sua defesa, inclusive não tendo se insurgido a este ponto. Porém, a r. decisão recorrida, em que pese a ausência de alegação, vislumbrou cerceamento de defesa. Por fim, requer o conhecimento e provimento do recurso Especial, impondo a reforma do decisium ora atacado, nos termos encimados. O recurso foi admitido através de despacho sob o fundamento de que merece acolhimento, haja vista ter ficado demonstrado o dissenso jurisprudencial, visto que para situações fáticas semelhantes, chegouse a conclusões distintas. Intimado sobre a admissão do recurso especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional o contribuinte não apresentou suas contrarazões. É o Relatório. Fl. 344DF CARF MF Impresso em 07/02/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/01/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 12/01/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digital mente em 27/01/2012 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU Processo nº 35346.000031/200557 Acórdão n.º 920201.760 CSRFT2 Fl. 332 5 Voto Vencido Conselheiro Francisco Assis de Oliveira Júnior, Relator O recurso especial é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, conforme consta do despacho às fls.323/325. Efetuado o exame de admissibilidade, entendo que o recurso especial preenche os requisitos formais e, portanto, dele tomo conhecimento. A questão controvertida posta à apreciação deste colegiado diz respeito à declaração de nulidade do lançamento em decorrência de erro na capitulação e descrição dos fatos geradores representativos do auto de infração sob alegação de que houve cerceamento de defesa do sujeito passivo, sendo que os paradigmas apresentados, embora refiramse a outras espécies tributárias, tratam a normas gerais do processo administrativo fiscal, razão pela qual entendo caracterizada a divergência. A Fazenda Nacional sustenta, conforme já mencionado que a simples capitulação errônea ou imprecisa do auto de infração não é suficiente para provocar a nulidade do lançamento, principalmente quando o direito à ampla defesa foi exercido em sua plenitude. Faço coro aos que no passado, por diversas vezes, manifestaram o entendimento de que a nulidade dos lançamentos fiscais deveria ser declarada sempre que fosse identificada situação de erro no procedimento fiscal ou na atuação da autoridade e que não fosse possível o saneamento. Para deslinde da questão sob análise, é mister registrarmos que no âmbito das contribuições previdenciárias, no período anterior à Medida Provisória nº 449, de 03/12/2008, convertida na lei 11.941, de 2009, a constituição do crédito tributário de natureza previdenciária se dava por meio de notificações fiscais, quando se tratava de obrigações principais, e autos de infração, especificamente em relação a obrigações acessórias descumpridas pelo sujeito passivo. Nesse contexto havia uma lista de obrigações acessórias que deveriam ser verificadas durante a ação fiscal e cada uma era representada por um código. No que se refere à obrigação de o sujeito passivo apresentar documentos para desenvolvimento do procedimento fiscal, havia dois códigos principais: o código 35 e o código 38. O código 35, objeto, justamente, do processo sob comento referiase a apresentação de documentos considerados não relacionados diretamente aos fatos geradores das obrigações previdenciárias. Deixar a empresa de prestar a RFB todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis de interesse da mesma, na forma por ela estabelecida, bem como os esclarecimentos necessários à fiscalização. Fl. 345DF CARF MF Impresso em 07/02/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/01/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 12/01/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digital mente em 27/01/2012 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU 6 (Art. 32, III e § 11, com a redação dada pela MP n° 449, de 03/12/2008, convertida na Lei 11.941, de 27/05/2009, c/c art. 225, III, do RPS, aprova do pelo Decreto n° 3.048, de 06/05/1999) O código 38, por sua vez, referiase a apresentação de documentos considerados diretamente relacionados aos fatos geradores das obrigações previdenciárias. Deixar a empresa, o segurado da previdência social, o serventuário da Justiça, ou o titular de serventia extrajudicial, o sín dico ou o administrador judicial ou o seu representante, o comissário ou o liquidan te de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial de exibir qualquer documento ou livro relacionados com as contribuições previstas na Lei nº 8.212, de 24/07/91, ou apresentálos sem atender as formalidades legais exigidas ou que contenha informa ção diversa da realidade ou que omita a informação verdadeira. (art. 33, §§ 2º e 3º, na redação da MP nº 449, de 03/12/08, converti da na Lei nº 11.941, de 27/05/09, c/c arts. 232 e 233, parágrafo único, do RPS, aprovado pelo Decre to n° 3.048, de 06/05/99) Do cotejo entre os dois enunciados, é fácil perceber a sutileza que havia no tocante ao discernimento entre um e outro auto de infração. E é justamente por essa diferenciação tão tênue que o sujeito passivo pode exercer o seu direito de defesa em plenitude, pois lhe foi informado que deixou de apresentar “os blocos de notas fiscais por ela emitidos de nº 01 até o nº 03, abrangendo os anos de 1995 até 13.08.2001”. Contudo para a autoridade julgadora que declarou a nulidade, tais documentos relacionamse diretamente com as contribuições previdenciárias, razão pela qual a capitulação deveria ser a relacionada ao código 38. Duas visões de um mesmo fato. De um lado, o leigo, que se defende dos fatos. De outro, o especialista que domina o conteúdo e as variações da norma. Pois bem, no caso sob comento entendo que assiste razão à Fazenda Nacional. Tenho evoluído em meu entendimento, especificamente no tocante às eventuais nulidades com as quais nos deparamos no exercício da atividade judicante e convencime de que o critério norteador de qualquer nulidade é a demonstração do prejuízo (pás de nullit sans grief). Verifico que em momento algum o sujeito passivo teve dúvida no que pertine à sua convicção quanto ao fato que lhe era imputado, tendo procurado justificar sua omissão e é por essa razão, tendo em vista a clara demonstração do exercício pleno do direito de defesa, combinado com o fato de estar convencido que as duas capitulações dão margem ao enquadramento da infração, que penso não existir nulidade a ser declarada em relação ao procedimento sob análise. Transcrevo trecho do recurso voluntário que demonstra o conhecimento do sujeito passivo em relação aos fatos que lhe foram imputados, na parte grifada, fl. 214/215: “ A Recorrente é pessoa jurídica regularmente constituída nos termos eforma estabelecidos em seu contrato social (documento n° 02), tendo como objeto social a construção, incorporação, administração de obras, vendas de imóveis próprios, projetos, perícia técnica, inspeções, montagens, instalações e manutenções elétricas, civis e mecânica, compra e venda de material de construção, serviços de engenharia em geral. Fiscalizada pelo Instituto Nacional do Seguro Social, foi autuada (documento n° 03) a pagar multa por deixar de prestar informações cadastrais, financeiras e contábeis, tais como blocos de notas fiscais de n°s 01 ao 03, relativo aos anos de 1995 até 13/08/01 e documentação referente aos lançamentos contábeis dos anos Fl. 346DF CARF MF Impresso em 07/02/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/01/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 12/01/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digital mente em 27/01/2012 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU Processo nº 35346.000031/200557 Acórdão n.º 920201.760 CSRFT2 Fl. 333 7 de 1996, 1999, 2000 e 2001. A suposta infração, segundo capitulação feita péla auditora fiscal da Previdência Social está prevista nos arts. 92 e 102 da Lei 8212/91 e nos arts. 283, II, "b" e 373 do Decreto 3048/99, no valor de R$ 10.359,20. Porém, a Recorrente não se conformando com tal cobrança, apresentou defesa administrativa, onde teceu considerações acerca dos seguintes assuntos: a) a nulidade do ato fiscal, em face de não ter demonstrado os critérios de gradação da multa, violando o art. 293 do Decreto 3048/99; b) há algumas contradições no ato fiscal; c) a ausência de entrega dos blocos de notas fiscais de 1995 até 1998, bem como a relativa aos lançamentos contábeis de 1996 é de toda desnecessária, tendo em vista que já se ultrapassou o lapso do prazo de homologação de suposto lançamento tributário, em consonância com o que dispõe o art. 150, § 40 do CTN; d) a penalidade aplicada foi feita com base em multa estabelecida em decreto, o que fere o princípio da legalidade e da tipicidade; e) a aplicação da multa baseandose em alteração normativa vulnera o princípio da irretroatividade; f) foi aplicada multa maior do que estabelecida por decreto; g) a cobrança dúplice de multa por supostas infrações capituladas nomesmo dispositivo do Decreto 3.048/99, vai ao encontro da impossibilidade do bis in idem.” Dessa forma, verifico a inexistência de prejuízo à defesa razão pela qual, voto no sentido de DAR PROVIMENTO AO RECURSO ESPECIAL DA FAZENDA, remetendo os autos para a Câmara competente analisar o mérito da autuação. (assinado digitalmente) Francisco Assis de Oliveira Júnior Fl. 347DF CARF MF Impresso em 07/02/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/01/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 12/01/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digital mente em 27/01/2012 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU 8 Voto Vencedor Conselheiro Marcelo Oliveira, Redator Designado. Com todo respeito ao nobre Relator, divirjo de seu entendimento. Conforme exposto no acórdão, que, por unanimidade, anulou a autuação, o equívoco cometido pelo Fisco referese a erro na subsunção do fato a norma, no enquadramento da infração cometida à legislação. Verificando o Relatório Fiscal encontramos os motivos da autuação: não apresentação de notas fiscais e não apresentação de documentos que embasam lançamentos contábeis. Acontece que essas duas omissões – conforme determinado por todas as normas da administração tributária correspondem a fatos geradores de diversa infração, caracterizada pelo não atendimento à solicitação dos livros e/ou documentos indispensáveis à verificação do regular cumprimento das obrigações previdenciárias. Essa autuação está prevista na Lei n. 8.212/91, art. 33, § 2°. Lei 8.212/1991: Art. 33. Ao Instituto Nacional do Seguro Social — INSS compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11, bem como as contribuições incidentes a título de substituição; e à Secretaria da Receita Federal — ,'RF compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o . recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas 4e,e da parágrafo único do art. 11, cabendo a ambos os órgãos, na .eSfera de sua competência, promover a respectiva cobrança s e aplicar as sanções previstas legalmente. . ... § 2°A empresa, o servidor de órgãos públicos da administração direta e indireta, o segurado da Previdência Social, o serventuário da Justiça, o síndico ou seu representante, o comissário e o liqüidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial são obrigados a exibir todos os documentos e livros RELACIONADOS com as contribuições previstas nesta Lei. Ou seja, a falta de apresentação de documentos está capitulada em outra fundamentação legal e não na que consta na autuação, fl. 001. A legislação determina a descrição clara e precisa na elaboração da autuação. Decreto 3.048/1999: Art. 293. Constatada a ocorrência de infração a dispositivo deste Regulamento, a fiscalização do Instituto Nacional do Seguro Fl. 348DF CARF MF Impresso em 07/02/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/01/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 12/01/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digital mente em 27/01/2012 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU Processo nº 35346.000031/200557 Acórdão n.º 920201.760 CSRFT2 Fl. 334 9 Social lavrará, de imediato, autodeinfração com discriminação clara e precisa da infração e das circunstâncias em que foi praticada, dispositivo legal infringido e a penalidade aplicada e os critérios de sua gradação, indicando local, dia, hora de sua lavratura, observadas as normas fixadas pelos órgãos competentes. CTN: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Clareza e precisão, requisitos determinados pela legislação principalmente na esfera tributária, onde o Estado exige recursos dos particulares – são exigências que o legislador determinou para a proteção do indivíduo perante o Estado. No caso há erro de enquadramento legal para fundamentar a autuação, não é caso de ausência ou falta de dados para a correta compreensão da autuação, mas de erro na elaboração da autuação pelo Fisco, ou seja, a fiscalização verificou a infração à legislação e utilizou fundamento legal errôneo para autuar o contribuinte. Precisamos tomar muito cuidado na análise das nulidades, principalmente nas que atacam o amplo direito á defesa e o devido processo legal, Princípios Norteadores do Estado Democrático de Direito. Com todo respeito, não conceituar equívoco grave como este como atentatório ao exercício da ampla defesa e do contraditório seria descumprir a determinação do legislador nos requisitos clareza precisão e definição da matéria tributável, além de ferir a proteção que o cuidado presente na legislação defere aos indivíduos Por todo exposto, voto por negar provimento ao recurso da Fazenda Nacional, nos termos do voto. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Fl. 349DF CARF MF Impresso em 07/02/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/01/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 12/01/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digital mente em 27/01/2012 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU
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Numero do processo: 12045.000073/2007-49
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Sep 26 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Mon Sep 26 00:00:00 UTC 2011
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE MATERIAL.
No presente caso a nulidade foi declarada em face da ausência da perfeita descrição do fato gerador do tributo, em virtude de não restar constatada a efetiva existência dos elementos constituintes da relação empregatícia entre o suposto "tomador de serviços" e os "prestadores de serviços", o que caracteriza violação ao art. 142 do CTN e, especificamente, ao art. 37 da Lei
nº 8.212/91 e ao art. 229, § 2º do Regulamento da Previdência Social — RPS, aprovado pelo Decreto n°3.048/1999.
Nulo é o lançamento, por vício material, quando ausentes a descrição do fato gerador e a determinação da matéria tributável, em especial quando o crédito é constituído com base na caracterização de segurado empregado e deixam de ser demonstrados os elementos caracterizadores do vínculo empregatício.
Quando nos deparamos com um vício de natureza formal o princípio
princípio pas de nullité sans grief ou princípio do prejuízo deve ser amplamente aplicado, isto porque, a adoção de sistema rígido de invalidação processual impede a eficiente atuação da Administração Pública.
Cabe a autoridade lançadora o ônus de descrever a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível, conforme descrito no art. 142 do CTN.
A declaração de nulidade ante a ausência da perfeita descrição do fato gerador do tributo, decorre do fato de a autoridade fiscal não ter se desincubido do ônus de descrever a ocorrência do fato gerador da obrigação, o que faz com que o prejuízo ao contribuinte seja intrínseco à declaração de nulidade por vício material.
Recurso especial negado.
Numero da decisão: 9202-001.721
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso.
Nome do relator: Elias Sampaio Freire
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PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE MATERIAL. No presente caso a nulidade foi declarada em face da ausência da perfeita descrição do fato gerador do tributo, em virtude de não restar constatada a efetiva existência dos elementos constituintes da relação empregatícia entre o suposto "tomador de serviços" e os "prestadores de serviços", o que caracteriza violação ao art. 142 do CTN e, especificamente, ao art. 37 da Lei nº 8.212/91 e ao art. 229, § 2º do Regulamento da Previdência Social — RPS, aprovado pelo Decreto n°3.048/1999. Nulo é o lançamento, por vício material, quando ausentes a descrição do fato gerador e a determinação da matéria tributável, em especial quando o crédito é constituído com base na caracterização de segurado empregado e deixam de ser demonstrados os elementos caracterizadores do vínculo empregatício. Quando nos deparamos com um vício de natureza formal o princípio princípio pas de nullité sans grief ou princípio do prejuízo deve ser amplamente aplicado, isto porque, a adoção de sistema rígido de invalidação processual impede a eficiente atuação da Administração Pública. Cabe a autoridade lançadora o ônus de descrever a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível, conforme descrito no art. 142 do CTN. A declaração de nulidade ante a ausência da perfeita descrição do fato gerador do tributo, decorre do fato de a autoridade fiscal não ter se desincubido do ônus de descrever a ocorrência do fato gerador da obrigação, o que faz com que o prejuízo ao contribuinte seja intrínseco à declaração de nulidade por vício material. Recurso especial negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 220DF CARF MF Emitido em 11/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/11/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 10/11/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 01/11/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente (Assinado digitalmente) Elias Sampaio Freire – Relator EDITADO EM: 17/10/2011 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Gonçalo Bonet Allage (VicePresidente substituto), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka (Conselheiro Convocado), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Francisco Assis de Oliveira Junior, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Relatório A Fazenda Nacional, inconformada com o decidido no Acórdão nº 206 01.086, proferido pela antiga Sexta Câmara do 2º CC em 04/07/2008 (fls. 165/180), interpôs, dentro do prazo regimental, recurso especial de contrariedade e recurso especial de divergência à Câmara Superior de Recursos Fiscais (fls. 185/208). O acórdão recorrido, I) por maioria de votos, declarou a decadência das contribuições incidentes sobre fatos geradores ocorridos até setembro/96; II) por unanimidade de votos, declarou a nulidade da NFLD; e III) por maioria de votos, declarou a nulidade por vicio material. Segue abaixo sua ementa: “CARACTERIZAÇÃO DE SEGURADOS EMPREGADOS. AUSÊNCIA COMPROVAÇÃO REQUISITOS DO VÍNCULO EMPREGATÍCIO. VÍCIO MATERIAL. Somente nas hipóteses em que restar constatada a efetiva existência dos elementos constituintes da relação empregatícia entre o suposto "tomador de serviços" e os "prestadores de serviços", poderá o Auditor Fiscal caracterizar o contribuinte individual (autônomo) como segurado empregado, com fulcro no artigo 229, § 2°, do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048/99, sob pena de nulidade do lançamento por vício material, em face da ausência da perfeita descrição do fato gerador do tributo. RELATÓRIO FISCAL DA NOTIFICAÇÃO. OMISSÕES. O Relatório Fiscal tem por finalidade demonstrar/explicitar de forma clara e precisa todos os procedimentos e critérios utilizados pela fiscalização na constituição do crédito previdenciário, possibilitando ao contribuinte o pleno direito da ampla defesa e contraditório. Omissões ou incorreções no Relatório Fiscal; relativamente aos critérios de apuração do crédito tributário levados a efeito por Fl. 221DF CARF MF Emitido em 11/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/11/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 10/11/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 01/11/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 12045.000073/200749 Acórdão n.º 920201.721 CSRFT2 Fl. 2 3 ocasião do lançamento fiscal, que impossibilitem o exercício pleno do direito de defesa e contraditório do contribuinte, enseja a nulidade da notificação, mormente tratandose de caracterização de segurados empregados, onde os requisitos do vínculo empregatício devem restar circunstanciadamente comprovados. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. PRAZO QUINQUENAL. O prazo decadencial para a constituição, dos créditos previdenciários é de 05 (cinco) anos, contados da data da ocorrência do fato gerador do tributo, ás termos do artigo 150, § 4°, do Código Tributário Nacional, ou do 173 do mesmo Diploma Legal, no caso de dolo, fraude e/ou conluio comprovados, tendo em vista a declaração da inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei n° 8.212/91, pelo Supremo Tribunal Federal, nos autos dos RE's nos 556664, 559882 e 560626, oportunidade em que fora aprovada Súmula Vinculante n° 08, disciplinando a matéria. Processo Anulado” Explica que a aresto recorrido merece reforma, visto que, quanto à declaração de nulidade do lançamento por vício material, contrariou o art. 10, inciso III, do Decreto 70.235/72 e art. 37, Lei n.º 8.212/91. Além disso, entende que o acórdão ora guerreado mostrase dissonante da jurisprudência majoritária na medida em que decreta uma nulidade sem a comprovação de prejuízo, apresentando como paradigma o Acórdão nº 10808499. Sustenta que, na hipótese em apreço, a deficiência na exteriorização das razões de fato e direito que levaram a autoridade fiscal a considerar prestadores de serviços autônomos como empregados contratados com vínculo empregatício, vício apontado pelo colegiado como causa de nulidade do lançamento, a toda vista, não pode ser considerado como de natureza material, pois se assim fosse estarseia afirmando que o motivo (fato jurídico) nunca existiu. Entende, contudo, que não foi essa a premissa adotada pelo acórdão recorrido, eis que o relator do julgado é peremptório ao dizer que o relatório fiscal carece de satisfatória motivação, padecendo, portanto, de vicio de forma, tanto assim que invoca o art. 50, §1° da Lei n.º 9.784/99 como razão de decidir. Salienta que a jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes é farta em decisões que, ao determinarem o cancelamento do lançamento por falta de preenchimento de alguns dos requisitos formais estipulados no art. 10 do Decreto nº 70.235172 e/ou art. 142 do CTN, consideraram que se tratava de nulidade por vicio de forma. Ao final requer o provimento do recurso. Nos termos do Despacho n.º 105/2009 (fls. 209/212), foi dado seguimento apenas ao recurso especial de contrariedade interposto. Cientificado (AR, fl. 216), o contribuinte não ofereceu contrarazões. Eis o breve relatório. Voto Fl. 222DF CARF MF Emitido em 11/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/11/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 10/11/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 01/11/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 Conselheiro Elias Sampaio Freire, Relator O Recurso Especial da Fazenda Nacional preenche os requisitos de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. O primeiro ponto a ser apreciado diz respeito à natureza do vício que acarretou a nulidade do lançamento. Há de se salientar que a nulidade foi declarada por unanimidade de votos. Entretanto, declarouse a nulidade por vicio material, havendo a minoria declarado o vício formal. É de vital importância a distinção entre vício formal e material para dimensionar os diferentes efeitos que, quanto à sua natureza e intensidade, cada um desses erros pode ter sobre o crédito tributário constituído. Há de se avaliar a ocorrência do erro como sendo “menos ou mais gravoso” e reforçando a idéia de que, também daí, podese extrair subsídios com vistas à classificação do vício como sendo de forma ou de substância. Como efeito prático de se declarar a nulidade do lançamento por vício formal ou material temos que: no caso de vício formal o prazo decadencial para a realização de outro lançamento é restabelecido, passando a ser contado a partir da data da decisão definitiva que declarou a nulidade por vício formal do lançamento, conforme estabelece o 173, inciso II, do CTN. Já no caso de vício material, o prazo decadencial continua a ser contado da ocorrência do fato gerador do tributo, no caso do artigo 150, § 4º, do CTN, ou do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, tratandose do artigos 173, inciso I do CTN. Assim sendo, neste último caso, poderá o Fisco promover novo lançamento, corrigindo o vício material incorrido, conquanto que dentro do prazo decadencial estipulado, sem o restabelecimento do prazo que é concedido na hipótese de se tratar de vício formal. Portanto, a questão reside, assim, no estudo da natureza e intensidade do erro cometido, de cujas conclusões se extrai a classificação necessária para se definir a existência, ou não, do direito de o sujeito ativo da obrigação efetuar novo lançamento, levandose em conta o princípio da segurança jurídica e os limites temporais dos atos administrativos. As incorreções e omissões quanto à formalidade do ato praticado caracterizam o vício formal. Luiz Henrique Barros de Arruda, Processo Administrativa Fiscal, Editora Resenha Tributária, pág. 82, define assim o vício formal: “O vício de forma existe sempre que na formação ou na declaração da vontade traduzida no ato administrativo foi preterida alguma formalidade essencial ou que o ato não reveste a forma legal.” Ou seja, os vícios formais são aqueles que não interferem no litígio propriamente dito, isto é, correspondem a elementos cuja ausência não impede a compreensão dos fatos que baseiam as infrações imputadas. Circunscrevemse a exigências legais para garantia da integridade do lançamento como ato de ofício, mas não pertencem ao seu conteúdo material. Por outro lado, ocorre vício material quando o lançamento não permitir ao sujeito passivo conhecer com nitidez a acusação que lhe é imputada, quer pela insuficiência na descrição dos fatos, quer pela contradição entre seus elementos, é igualmente nulo por falta de materialização da hipótese de incidência e/ou o ilícito cometido. Destarte, a inobservância do que preconiza o art. 142 do CTN, que prevê ser o lançamento procedimento administrativo a tendente a verificar a ocorrência do fato gerador Fl. 223DF CARF MF Emitido em 11/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/11/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 10/11/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 01/11/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 12045.000073/200749 Acórdão n.º 920201.721 CSRFT2 Fl. 3 5 da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível, caracteriza existência de vício de natureza material. Neste contexto, é lícito concluir que as investigações intentadas no sentido de determinar, aferir, precisar o fato que se pretendeu tributar anteriormente, revelamse incompatíveis com os estreitos limites dos procedimentos reservados ao saneamento do vício formal. Com efeito, sob o pretexto de corrigir o vício formal detectado, não pode o Fisco intimar o contribuinte para apresentar informações, esclarecimentos, documentos, etc. tendentes a apurar a matéria tributável. Se tais providências forem necessárias, significa que a obrigação tributária não estava definida e o vício apurado não seria apenas de forma, mas, sim, de estrutura ou da essência do ato praticado. No presente caso a nulidade foi declarada em face da ausência da perfeita descrição do fato gerador do tributo, em virtude de não restar constatada a efetiva existência dos elementos constituintes da relação empregatícia entre o suposto "tomador de serviços" e os "prestadores de serviços", o que caracteriza violação ao art. 142 do CTN e, especificamente, ao art. 37 da Lei nº 8.212/91 e ao art. 229, § 2º do Regulamento da Previdência Social — RPS, aprovado pelo Decreto n°3.048/1999, in verbis: "Art. 37. Constatado o atraso total ou parcial no recolhimento de contribuições tratadas nesta Lei, ou em caso de falta de pagamento de beneficio reembolsado, a fiscalização lavrará notificação de débito, com discriminação Clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, conforme dispuser o regulamento." Tenho me posicionado no sentido de que nulo é o lançamento, por vício material, quando ausentes a descrição do fato gerador e a determinação da matéria tributável, em especial quando o crédito é constituído com base na caracterização de segurado empregado e deixam de ser demonstrados os elementos caracterizadores do vínculo empregatício: “CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA – DÉBITO NORMAL SEGURADOS EMPREGADOS – CARACTERIZAÇÃO DEFICIENTE LANÇAMENTO ARBITRADO. Para que o crédito tributário seja constituído com base na caracterização de segurado empregado, é necessário que os elementos caracterizadores do vínculo empregatício fiquem devidamente demonstrados no relatório fiscal da NFLD. A falta da exposição clara e precisa dos elementos citados acima dificulta o contraditório e a ampla defesa do sujeito passivo, retirando do crédito os atributos de certeza e liquidez para uma futura execução fiscal. A inviabilidade do saneamento do vício enseja a anulação do crédito. Ocorrência de vício de natureza material.” (2ºCC/6ª C – Ac. 20601817 – Rel. Elias Sampaio Freire) Fl. 224DF CARF MF Emitido em 11/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/11/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 10/11/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 01/11/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 Outro aspecto a ser enfrentado diz respeito a divergência jurisprudencial apresentada pela Fazenda Nacional, no sentido de que a Câmara prolatora do acórdão recorrido entendeu que a insuficiente descrição dos fatos que ensejaram a autuação fiscal é bastante para a nulidade, por vício material, do lançamento. Desconsiderou, no entanto, a inexistência de prejuízo ao contribuinte. Destaca que o v. acórdão ora guerreado mostrase dissonante da jurisprudência majoritária na medida em que decreta uma nulidade sem a comprovação de prejuízo. Por diversas vezes neste colegiado tenho me manifestado no sentido de que quando estamos diante de um vício formal e inexiste prejuízo por parte do contribuinte em sua defesa, a nulidade não deve ser declarada, de acordo com o princípio pas de nullité sans grief: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. MPF. NULIDADE FORMAL AFASTADA. AUSÊNCIA DO BINÔMIO DEFEITO PREJUÍZO. De acordo com o princípio pas de nullité sans grief, que na sua tradução literal significa que não há nulidade sem prejuízo, não se declarará a nulidade por vício formal se este não causar prejuízo. Mesmo que estejamos diante de um vício formal no lançamento, a sua nulidade não deve ser decretada, por ausência de efetivo prejuízo por parte do contribuinte em sua defesa. Não há de se falar em nulidade do lançamento, por não restar configurado o binômio defeitoprejuízo. Recurso Especial Provido (2ª Turma CSRF – Ac. 920201609 – Rel. Elias Sampaio Freire) Entretanto, no presente caso, o vício existente no lançamento é de natureza material e não de natureza formal, conforme demonstrado alhures. Por certo, quando nos deparamos com um vício de natureza formal o princípio princípio pas de nullité sans grief ou princípio do prejuízo deve ser amplamente aplicado, isto porque, a adoção de sistema rígido de invalidação processual impede a eficiente atuação da Administração Pública. Nestes casos, há que se ter em mente a noção de prejuízo ao sujeito passivo; somente quando o lançamento, enquanto ato declaratório da obrigação tributária e constitutivo do crédito fiscal, conduzir a um efetivo prejuízo ao contribuinte terse á como conseqüência a nulidade por vício formal. Por outro lado, cabe a autoridade lançadora o ônus de descrever a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível, conforme descrito no art. 142 do CTN. Destarte, a declaração de nulidade ante a ausência da perfeita descrição do fato gerador do tributo, decorre do fato de a autoridade fiscal não ter se desincubido do ônus de descrever a ocorrência do fato gerador da obrigação, o que faz com que o prejuízo ao contribuinte seja intrínseco à declaração de nulidade por vício material. Fl. 225DF CARF MF Emitido em 11/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/11/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 10/11/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 01/11/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 12045.000073/200749 Acórdão n.º 920201.721 CSRFT2 Fl. 4 7 Pelo exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. (Assinado digitalmente) Elias Sampaio Freire Fl. 226DF CARF MF Emitido em 11/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/11/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 10/11/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 01/11/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
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Numero do processo: 16643.000415/2010-38
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 24 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Nov 24 00:00:00 UTC 2011
Ementa: INTEMPESTIVIDADE.
Por intempestivo, em consonância com o art. 33 do Decreto n° 70.235/72 não se conhece do recurso voluntário protocolizado após o prazo de trinta dias, a contar da ciência da decisão de primeira instância (SÚMULA CARF No. 9).
Numero da decisão: 1301-000.770
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não
conhecer do recurso voluntário, por intempestivo, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
Nome do relator: Paulo Jakson da Silva Lucas
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Por intempestivo, em consonância com o art. 33 do Decreto n° 70.235/72 não se conhece do recurso voluntário protocolizado após o prazo de trinta dias, a contar da ciência da decisão de primeira instância (SÚMULA CARF No. 9). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, por intempestivo, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Alberto Pinto de Souza Junior Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Jakson da Silva Lucas Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Junior, Valmir Sandri, Waldir Veiga Rocha, Paulo Jakson da Silva Lucas, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. Fl. 1857DF CARF MF Impresso em 02/03/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2011 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 07/ 12/2011 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 13/12/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 2 Relatório Por bem relatar os fatos adoto o relatório da decisão recorrida: Em decorrência de ação fiscal, a contribuinte, acima identificada, foi cientificada de lançamentos de ofício de tributos federais em 28/12/2010 (fls. 893, 902, 910 e 917), e intimada a recolher o crédito tributário constituído relativo ao IRPJ, à contribuição ao Programa de Integração Social (PIS), à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS) e à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), multa proporcional e juros de mora, referentes a fatos geradores ocorridos em 2006. 2. Conforme descrito nos Autos de Infração e no Termo de Verificação Fiscal (fls. 880 a 888), a contribuinte, optante pelo lucro presumido, conforme Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) zerada entregue (cópia às fls. 04 a 12), omitiu receitas de vendas (R$11.075.999,80) e de prestação de serviços (R$71.567,50) que foram escrituradas pela própria fiscalizada no Livro Razão apresentado à fiscalização (fls. 764 a 771). 3. Tendo em vista o apurado, foram lavrados, conforme preceitua o artigo 9o do Decreto n 0 70.235, de 06 de março de 1972, os Autos de Infração de IRPJ (fls. 892 a 896), de contribuição para o PIS (fls. 901 a 904), de COFINS (fls. 909 a 912) e de CSLL (fls. 916 a 920), com os respectivos enquadramentos legais e demonstrativos dos tributos, multas de ofício aplicadas e juros de mora calculados até 30/11/2010. Os valores créditos tributários constituídos são respectivamente de R$598.828,36, R$212.970,79, R$982.943,26 e R$354.802,51. 4. O enquadramento legal da multa de ofício qualificada (150%) aplicada é o inciso II do artigo 44 da Lei n° 9.430/1996 e o enquadramento legal dos juros de mora aplicado é o artigo 61, § 3 o , da mesma Lei n° 9.430/1996 (fls. 891, 900, 908 e 915). 5. Irresignada com os lançamentos, em 26 de janeiro de 2011, a autuada apresentou, representada por procurador (fls. 933 a 936), a impugnação de fls. 927 a 933, acompanhada dos documentos de fls. 934 a 998, na qual alega, em síntese, o seguinte: 5.1. os lançamentos foram construídos a partir de premissas não devidamente aprofundadas pela fiscalização, pois esta afirma que a contribuinte optou pelo lucro presumido ao ter apresentado DIPJ zerada com esta opção e não realizou nenhum pagamento de acordo com as DCTFs apresentadas, mas de fato a contribuinte optou pelo lucro real trimestral desde o início do ano de 2006 ao fazer todos os recolhimentos neste regime, inclusive a apuração de PIS e de COFINS não cumulativos; 5.2. em 05/08/2008, ao entregar a DIPJ referente ao ano calendário 2006 erroneamente assinalou que o regime escolhido era o lucro presumido e na seqüência do erro retificou também as DCTFs entregues para fazer constar igualmente a opção pelo lucro presumido; 5.3. contudo, tanto a entrega da DIPJ como a retificação das DCTFs se deram de forma equivocada, pois, conforme artigo 3 o da Lei n° 9.430/1996, a opção pelo regime de tributação, manifestada pelo pagamento, é irretratável para todo o ano calendário; Fl. 1858DF CARF MF Impresso em 02/03/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2011 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 07/ 12/2011 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 13/12/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 16643.000415/201038 Acórdão n.º 1301000.770 S1C3T1 Fl. 2 3 5.4. a autoridade lançadora, em sua função de verificar a ocorrência do fato gerador, jamais poderia ter considerado a retificação das DCTFs equivocadamente realizada pela impugnante e desconsiderado a existência, no banco de dados da administração tributária, dos recolhimentos efetivados pela impugnante; 5.5. ao não notificar a impugnante a prestar esclarecimentos específicos sobre os recolhimentos feitos em 2006 absolutamente contraditórios com a opção na DIPJ e nas DCTFs retificadoras, a autoridade autuante afastouse de sua função e dever precípuos de apurar corretamente os fatos, movimentando a máquina administrativa de forma onerosa e desnecessária; 5.6. a impugnante não se furta a admitir seu erro, mas em nenhum momento omitiu receitas ou deixou de recolher os tributos a que estava obrigada; 5.7. cabe à autoridade julgadora declarar nulas e de nenhum efeito a DIPJ e as DCTFs retificadoras, determinando à autoridade encarregada da execução do acórdão as providências necessárias para saneamento; 5.8. a multa de ofício qualificada de 150% é incabível, pois no presente caso não existe qualquer comprovação da ocorrência de dolo, fraude ou simulação, situações necessárias para a aplicação desta multa, conforme ementa de acórdão do extinto Primeiro Conselho de Contribuintes reproduzida; e 5.9. não existe previsão legal para incidência de juros sobre multa, pois os débitos referidos no § 3 o do artigo 61 da Lei n° 9.430/1996 são apenas o valor principal da obrigação não adimplida, j á que os débitos referidos no caput deste artigo acrescidos de multa de mora somente podem ser o valor do principal e entender que o termo "débitos" contidos no mesmo artigo sejam distintos é ignorar os mais primários conceitos de hermenêutica jurídica. A autoridade julgadora de primeira instância decidiu a matéria por meio do acórdão DRJ/SPO I 1630.187, de 16/03/2011 (fls. 1031), considerando improcedente a manifestação de inconformidade, tendo sido lavrada a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 31/03/2006, 30/06/2006, 30/09/2006, 31/12/2006 OMISSÃO DE RECEITAS. DETERMINAÇÃO DO IMPOSTO. REGIME DE TRIBUTAÇÃO. Verificada a omissão de receita, o imposto a ser lançado de ofício deve ser determinado de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no períodobase a que corresponder a omissão. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 31/01/2006, 28/02/2006, 31/03/2006, 30/04/2006, 31/05/2006, 30/06/2006, 31/07/2006, 31/08/2006, 30/09/2006, 31/10/2006, 30/11/2006,31/12/2006 LANÇAMENTO DE OFÍCIO. DOLO. MULTA. 150%. Em lançamento de ofício é devida multa qualificada de 150% calculada sobre a totalidade ou diferença do tributo que não foi pago ou recolhido quando demonstrada a presença de dolo na ação ou omissão do contribuinte. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. LEGALIDADE. Fl. 1859DF CARF MF Impresso em 02/03/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2011 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 07/ 12/2011 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 13/12/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 4 A multa de ofício, sendo parte integrante do crédito tributário, está sujeita à incidência dos juros de mora a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao do vencimento. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/01/2006, 28/02/2006, 31/03/2006, 30/04/2006, 31/05/2006, 30/06/2006, 31/07/2006, 31/08/2006, 30/09/2006, 31/10/2006, 30/11/2006, 31/12/2006 LANÇAMENTOS DECORRENTES. O decidido quanto à infração que, além de implicar o lançamento de IRPJ implica o lançamento da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), da Contribuição ao Programa de Integração Social (PIS), da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS) também se aplica a estes outros lançamentos naquilo em que for cabível. É o relatório. Passo ao voto. Fl. 1860DF CARF MF Impresso em 02/03/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2011 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 07/ 12/2011 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 13/12/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 16643.000415/201038 Acórdão n.º 1301000.770 S1C3T1 Fl. 3 5 Voto Conselheiro Paulo Jakson da Silva Lucas A autoridade preparadora (DRF/Osasco/SP) declarou a perempção do presente recurso voluntário conforme Termo de Perempção anexo aos autos. De fato, verificase dos autos que a decisão de primeira instância foi encaminhada para o domicílio que consta no cadastro da RFB, sistema de consulta CNPJ; por via postal, e recebido neste endereço eleito pela contribuinte em 11/04/2011 (segunda feira) conforme atesta o “AR” anexado. O recurso voluntário, em primeiro plano, fora recepcionado pela Agencia da Receita Federal de Cotia jurisdição da contribuinte em 27/05/2011, conforme atesta o carimbo e assinatura apostos, no qual não consta nenhuma manifestação da recorrente a respeito da sua intempestividade. Em segundo plano, consta outro protocolo de novo recurso voluntário, desta feita junto ao Centro de Atendimento ao Contribuinte /Santo Amaro, São Paulo/Capital em 15/06/2011, onde a defendente argumenta em preliminar sobre a intempestividade do recurso voluntário, do qual transcrevo os trechos: Conforme informações nos autos, a ciência ARAviso de Recebimento número RJ662438359BR referente Intimação da Decisão assinado por Jerônimo Nonato em 11042011 não pode ser considerada válida, eis que é pessoa estanha à empresa e ao domicílio tributário do contribuinte. O assinante do AR não pertence ao quadro de funcionários da empresa e não está autorizado de qualquer outra forma a receber documentos em nome da empresa, conforme se comprova através das cópias dos registros de funcionários (Anexo). Deve ser considerado também, que não há no mesmo local outra empresa, condomínio ou terceiro, que mantenha em seu quadro de funcionários ou colaboradores, pessoa conhecida ou nomeada como Jerônimo Nonato. Ademais, ressaltese que, na análise dos fatos da Decisão de 1a. Instância juntamente com a documentação levantada através de auditoria de emergência, foram constatados indícios de fraude que está sob investigação, pois, tratase de pagamento de DARFs que não foram identificados pelo sistema da RFB, porém, a empresa possui comprovantes autenticados do pagamento e saída do caixa. Assim, a empresa providenciou imediatamente Recurso Voluntário protocolado em 27052011, embora fora do prazo se considerada a intimação sem efeito à terceiro desconhecido, que também está sob investigação pela auditoria. No processo é indispensável à Intimação do contribuinte de forma a instaurar a relação processual. A prova do recebimento da intimação no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo (artigo 23, II, do Decreto n° 70.235/72) é regra que se coaduna e se completa com a prevista no artigo 223, parágrafo único, primeira parte, do Código de Processo Civil, segundo a qual "A carta será registrada para entrega ao citando, exigindolhe o carteiro, ao fazer a entrega, que assine o recibo.", quanto mais não seja porque a Constituição Federal assegura, expressamente e de forma igualitária, em processo judicial e administrativo (artigo 5o , LV), o exercício do contraditório e da ampla defesa, o que somente será possível com a ciência Fl. 1861DF CARF MF Impresso em 02/03/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2011 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 07/ 12/2011 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 13/12/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 6 inequívoca da instauração do processo ou de qualquer ato nele praticado. Desta forma, comprovase a tempestividade do Recurso voluntário, diante da inocorrência da Intimação. Em relação à argumentação de que no Aviso de Recebimento consta que fora recebido por pessoa desconhecida, sendo que todos os demais termos de Notificação também foram encaminhados para o mesmo endereço eleito pela própria pessoa jurídica conforme consta no Cadastro da Receita Federal, aplicase a Súmula n° 9 do 1° Conselhos de Contribuintes que assim dispõe: Súmula 1°CC n • 9: É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário. Resta evidente, no caso, que o recurso voluntário foi apresentado, portanto, após o prazo fatal de 30 (trinta) dias nos termos da legislação. Desta forma não se instaurou a fase litigiosa do processo, como dispõe o artigo 14 do Decreto n°. 70.235, de 1972, e, após isto, qualquer ato de defesa ou decisório é ineficaz, porquanto ressoa inequívoca a ocorrência da preclusão. A legislação que rege a forma de promover as intimações é cristalina, conforme podemos constatar no Processo Administrativo Fiscal, aprovado pelo Decreto n°. 70.235, de 06 de março de 1972, que quando trata de intimação, especificamente no art. 23, com nova redação editada pela Lei n°. 9.532, de 1997, diz: "Art. 23 Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador na repartição ou fora dela, provada com assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração de quem o intimar; II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; III por edital, quando resultarem improfícuos os meios referidos nos incisos I e II. § 1°. O edital será publicado uma única vez, em órgão de imprensa oficial local, ou afixado em dependência, franqueada ao público, do órgão encarregado da intimação. § 2°. Considerase feita à intimação: I na data da ciência do intimado ou da declaração de quem fizer a intimação, se pessoal; II no caso do inciso II do caput deste artigo, na data do recebimento ou, se omitida, quinze dias após a data da expedição da intimação; III quinze dias após a publicação ou afixação do edital, se este for meio utilizado. § 3°. Os meios de intimação previstos nos incisos I e II deste artigo não estão sujeitos a ordem de preferência. Fl. 1862DF CARF MF Impresso em 02/03/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2011 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 07/ 12/2011 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 13/12/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 16643.000415/201038 Acórdão n.º 1301000.770 S1C3T1 Fl. 4 7 § 4°. Considerase domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo o do endereço postal, eletrônico ou de fax, por ele fornecido para fins cadastrais, à Secretaria da Receita Federal.” Por pertinente, transcrevo algumas ementas de acórdãos deste Colegiado onde se demonstra que a validade da intimação via postal é matéria com jurisprudência mansa e pacífica: Acórdão 20208.457, de 21 de maio de 1996 "NORMAS PROCESSUAIS É válida a intimação via postal remetida ao endereço da pessoa jurídica que consta do Cadastro da Fazenda Nacional, ainda mais quando a mesma exerce atividades normalmente no endereço indicado. A lei processual não exige que a ciência de recebimento do Auto de Infração seja dada por representante legal da empresa, sendo válido o recebimento e ciência aposto por qualquer pessoa que receber o AR no endereço indicado." Acórdão 20210.924, de 03 de março de 1999 "NORMAS PROCESSUAIS Válida a intimação via postal endereçada para domicílio fiscal da intimada com recepção comprovada mediante a juntada do respectivo Aviso de Recebimento. PEREMPÇÃO Recurso apresentado após o decurso do prazo consignado no caput do artigo 33 do Decreto n°. 70.235/72. Por perempto, dele não se toma conhecimento." Acórdão n°: 10413.527, de 09 de julho de 1996 "NOTIFICAÇÃO CIÊNCIA. Considerase feita à intimação, quando por via postal ou telegráfica, a data do recebimento, ainda que assinatura aposta no aviso de recebimento seja a do porteiro do edifício do contribuinte, pessoa esta idônea a recepcionar as correspondências dos moradores” Nestes termos, posicionome no sentido de não tomar conhecimento do recurso, por perempto. (assinado digitalmente) Paulo Jakson da Silva Lucas Relator Fl. 1863DF CARF MF Impresso em 02/03/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2011 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 07/ 12/2011 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 13/12/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 8 Fl. 1864DF CARF MF Impresso em 02/03/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2011 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 07/ 12/2011 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 13/12/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 10907.002134/2004-47
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Nov 11 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Nov 10 00:00:00 UTC 2011
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI
Período de apuração: 01/01/2002 a 31/03/2002
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. INSUMOS EMPREGADOS EM
PRODUTOS NÃO TRIBUTADOS.
A exportação de produtos não tributados não confere direito ao crédito
presumido de IPI, relativamente aos insumos empregados em sua fabricação.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3302-001.318
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: WALBER JOSE DA SILVA
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INSUMOS EMPREGADOS EM PRODUTOS NÃO TRIBUTADOS. A exportação de produtos não tributados não confere direito ao crédito presumido de IPI, relativamente aos insumos empregados em sua fabricação. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente e Relator. EDITADO EM: 14/11/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. Relatório Fl. 3DF CARF MF Emitido em 21/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/11/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/11/2011 por WALBER JOSE DA SILVA 2 Trata o presente processo de pedido de ressarcimento de crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), correspondente ás contribuições para o PIS/Pasep e para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), incidentes sobre as aquisições, no mercado interno, das matériasprimas, produtos intermediários, material de embalagem, energia elétrica e combustíveis, utilizados na fabricação de produtos destinados à exportação, relativo ao 1º trimestre de 2002. Após a realização das verificações fiscais pertinentes, a DRF em Paranaguá PR indeferiu o pedido da recorrente, nos termos do Despacho Decisório no 75, de 20/03/2006 (fls. 67/72), pelas seguintes razões: 1 existência de produtos exportados não tributados pelo IPI notação NT na TIPI; e 2 existência de produtos exportados que não foram fabricados pela recorrente (revenda de mercadorias); e Embora não tenha realizado auditoria dos custos incorridos no processo produtivo, a autoridade da RFB discorreu sobre os custos passíveis de gerar crédito presumido do IPI para concluir que nas aquisições de pessoas físicas e cooperativas não há direito ao crédito presumido de IPI relativo ao PIS e à Cofins na exportação. Não se conformando com a decisão acima, a empresa interessada ingressou com manifestação de inconformidade, cujas alegações estão resumidas no relatório do acórdão recorrido, que leio em sessão. A 2a Turma de Julgamento da DRJ em Ribeirão Preto SP indeferiu a solicitação da recorrente, nos termos do Acórdão no 1421.001, de 15/10/2008, cuja ementa abaixo transcrevo: CRÉDITO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. AQUISIÇÕES DE MATÉRIASPRIMAS DE PESSOAS FÍSICAS, COOPERATIVAS E EMPRESAS COMERCIAIS. O valor dos insumos adquiridos de pessoas físicas, cooperativas e afins, não contribuintes do PIS/Pasep' e da Cofins, não se inclui na base de cálculo do crédito presumido do IPI. Também não integra a base de cálculo, o valor dos produtos adquiridos de terceiros e que não tenham sido submetidos a qualquer processo de industrialização pelo exportador. CRÉDITO PRESUMIDO. RECEITAS DE EXPORTAÇÃO. PRODUTO NT. A exportação de produtos NT não gera direito ao crédito presumido do IPI, instituído para ressarcimento do PIS/Pasep e da Cofins. Não se consideram produtores, para efeitos fiscais, os estabelecimentos que confeccionam mercadorias constantes da TIPI com a notação NT. Desta decisão a empresa interessada tomou ciência no dia 21/11/2008, conforme AR de fl. 130, e, no dia 22/12/2008, ingressou com o recurso voluntário de fls. 131/156, no qual renova os argumentos da manifestação de inconformidade de que, preliminarmente, ao caso concreto não se aplica o Decreto nº 4.544, de 26/12/2002, e a IN nº Fl. 4DF CARF MF Emitido em 21/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/11/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/11/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10907.002134/200447 Acórdão n.º 330201.318 S3C3T2 Fl. 159 3 313, de 03/04/2003, porque foram editadas em datas posteriores ao período de apuração deste processo, ou seja, o primeiro trimestre de 2002. Quanto ao mérito, alega que padecem de ilegalidade, encontrandose também eivadas do vício de inconstitucionalidade, as restrições criadas pelas Instruções Normativas nºs 23/97 e 103/97 e o Parecer PGFN/CAT/n° 3.092/2002, face às disposições da Medida Provisória n° 948/95 e suas reedições, e da Lei 9.363/96. Sintetiza algumas fases de processamento pelas quais passa a soja in natura até a obtenção do produto “soja industrializada” exportada pela requerente que, segundo seu entendimento, caracteriza industrialização, sob a forma de produto semielaborado, que é uma das espécies do gênero produto industrializado. Quanto às exportações de adubo, alega que, igualmente à soja, não pode uma mera classificação como produto NT, para efeito de IPI, descaracterizar o produto tornandoo matériaprima em estado natural. Manifesta seu entendimento de que o fato de estarem estes produtos classificados como nãotributáveis, não os excluem do seu enquadramento como produtos industrializados, pois segundo a própria classificação dada pelo RIPI, se a atividade exercida for de industrialização, não pode o contribuinte ver seu legítimo direito minorado por uma questão de mera classificação fiscal. Colaciona diversos acórdãos do Conselho de Contribuintes acerca da matéria em discussão. Ao final, a recorrente pede provimento do seu recurso voluntário para reconhecer integralmente seu pedido de ressarcimento de IPI, com a devida atualização monetária pela Selic. Na forma regimental, o processo foi a mim distribuído. É o relatório do essencial. Voto Conselheiro Walber José da Silva, Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos legais de admissibilidade. Dele conheço. Como relatado, o pedido de ressarcimento de crédito presumido de IPI da recorrente foi indeferido pela autoridade da RFB porque a empresa efetuou a exportação de produtos NT e de produto industrializado adquirido no mercado interno. Embora não tenha realizado auditoria de custos, a autoridade da RFB discorreu sobre a inexistência de direito ao crédito presumido de IPI nas aquisições feitas junto à cooperativas e a pessoas físicas, todas não contribuintes do PIS e da Cofins. A empresa recorrente contesta a decisão da RFB que desconsiderou, no cálculo do crédito presumido do IPI, o valor da receita de exportação de produto NT e o valor da exportação de produto tributado pelo IPI adquirido no mercado interno e o direito ao crédito nas aquisições feitas junto a pessoas físicas e cooperativas. Também levanta a preliminar de não aplicação do Decreto nº 4.544/02 e da IN 313/03, por serem posteriores ao período de apuração deste processo. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 21/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/11/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/11/2011 por WALBER JOSE DA SILVA 4 Não merece guarida o argumento levantado preliminarmente pela recorrente porque o Decreto nº 4.544/02 aprovou o novo Regulamento do IPI (RIPI/02), em substituição ao aprovado pelo Decreto nº 2.637/98 (RIPI/98), sem, contudo, alterar o fundamento legal dos dispositivos do RIPI/02, citados pela autoridade da RFB, que já vigiam antes da consolidação da legislação do IPI, aprovada pela Decreto nº 4.544/02. Por sua vez, a IN nº 313/03 regulamentava a apuração do crédito presumido do IPI e sucedeu as IN nº 23/97 e 36/97, e, no meu entender, não alterou o alcance das disposições legais que regulamenta. Esta IN não criou fato novo porque os estabelecimentos não contribuintes do IPI nunca foram beneficiários do crédito presumido deste imposto. Portanto, por ter melhor explicitado fato já previsto na legislação, pode a norma ser aplicada retroativamente, a teor do art. 106, inciso I, do CTN. Isto posto, voto no sentido de rejeitar a preliminar de nulidade do despacho decisório, suscitada pela recorrente. A matéria de mérito a ser tratada neste recurso consiste, basicamente, em se determinar se os produtos constantes da Tabela de Incidência do IPI (TIPI) com a notação NT (Não Tributado) ensejam aos seus produtores o direito à fruição do benefício instituído pela Lei nº 9363/96, ou seja, o crédito presumido do IPI. É pacífico neste CARF o entendimento de que os estabelecimentos das empresas que fabricam produtos classificados na TIPI como "NT" não são, pela legislação do IPI, estabelecimentos industriais e, portanto, não estão incluídos no campo de incidência deste imposto, conforme dispõe o parágrafo único do artigo 2° e o art. 8º, ambos do RIPI (Decreto n° 2.637/98 ou Decreto nº 4.544/02). Consequentemente, não há direito a crédito básico nas aquisições de insumos aplicados em sua fabricação, conforme Súmula CARF nº 20, abaixo reproduzida. Súmula CARF no 20 Não há direito aos créditos de IPI em relação às aquisições de insumos aplicados na fabricação de produtos classificados na TIPI como NT. Este entendimento resulta do fato de que, por autorização constitucional (art. 146, III, “a” da CF/88), o contribuinte e o campo de incidência do IPI são definidos pelo CTN e, por este, os produtos não tributados sequer estão incluídos na esfera de incidência original do imposto, não podendo a receita de exportação e os insumos usados na sua fabricação serem considerados no cálculo do crédito presumido do IPI. Portanto, coerente foi o entendimento da CSRF que, ao julgar esta matéria, assim decidiu: CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. INSUMOS EMPREGADOS EM PRODUTOS NÃO TRIBUTADOS. A exportação de produtos não tributados não confere direito ao crédito presumido de IPI, relativamente aos insumos empregados em sua fabricação. Recurso Especial do Procurador Provido (Processo nº 10680.008202/0033; Recurso nº 202125.686 Especial do Procurador; e Acórdão nº 0202.805, de 15/10/2007). Por ser pertinente, reproduzo e adoto os fundamentos do voto condutor do acima reproduzido acórdão da CSRF, que diz: Fl. 6DF CARF MF Emitido em 21/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/11/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/11/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10907.002134/200447 Acórdão n.º 330201.318 S3C3T2 Fl. 160 5 “Em relação à matéria, adoto os fundamentos do voto do Conselheiro Henrique Pinheiro Torres, proferido no julgamento do recurso voluntário ri 2 125.689, Acórdão nº 202 16.069: A meu sentir, a posição mais consentânea com a norma legal é aquela pela exclusão dos valores correspondentes às exportações dos produtos não tributados (NT) pelo IPI , já que, nos termos do caput do art. 1º da Lei 9.363/1996, instituidora desse incentivo fiscal, o crédito é destinado, tãosomente, às empresas que satisfaçam, cumulativamente, dentre outras, a duas condições: a) ser produtora; b) ser exportadora. Isso porque, os estabelecimentos processadores de produtos NT, não são, para efeitos da legislação fiscal, considerados como produtor. Isso ocorre porque, as empresas que fazem produtos não sujeitos ao IPI, de acordo com a legislação fiscal, em relação a eles, não são consideradas como estabelecimentos produtores, pois, a teor do artigo 3º da Lei 4.502/1964, considerase estabelecimento produtor todo aquele que industrializar produtos sujeitos ao imposto. Ora, como é de todos sabido, os produtos constantes da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados TIPI com a notação NT (Não Tributados) estão fora do campo de incidência desse tributo federal Por conseguinte, não estão sujeitos ao imposto. Ora, se nas operações relativas aos produtos não tributados a empresa não é considerada como produtora, não satisfaz, por conseguinte, a uma das condições a que está subordinado o beneficio em apreço, o de ser produtora. Por outro lado, não se pode perder de vista o escopo desse favor fiscal que é o de alavancar a exportação de produtos elaborados, e não a de produtos primários ou semielaborados. Para isso, o legislador concedeu o incentivo apenas aos produtores, aos industriais exportadores. Tanto é verdade, que, afora os produtores exportadores, nenhum outro tipo de empresa foi agraciada com tal beneficio, nem mesmo as trading companies, reforçandose assim, o entendimento de que o favor fiscal em foco destinase, apenas, aos fabricantes de produtos tributados a serem exportados. Cabe ainda destacar que assim como ocorre com o crédito presumido, vários outros incentivos à exportação foram concedidos apenas a produtos tributados pelo IPI (ainda que sujeitos à alíquota zero ou isentos). Como exemplo podese citar o extinto crédito prêmio de IPI conferido industrial exportador, e o direito à manutenção e utilização do crédito referente a insumos empregados na fabricação de produtos exportados. Neste caso, a regra geral é que o beneficio alcança apenas a exportação de produtos tributados (sujeitos ao imposto); se se referir a NT só haverá direito a crédito no caso de produtos relacionados pelo Ministro da Fazenda, como previsto no parágrafo único do artigo 92 do RIPI/1982. Outro ponto a corroborar o posicionamento aqui defendido é a mudança trazido pela Medida Provisória nº 1.50816, consistente na inclusão de diversos produtos no campo de Fl. 7DF CARF MF Emitido em 21/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/11/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/11/2011 por WALBER JOSE DA SILVA 6 incidência do IPI, a exemplo dos frangos abatidos, cortados e embalados, que passaram de NT para alíquota zero. Essa mudança na tributação veio justamente para atender aos anseios dos exportadores, que puderam, então, usufruir do crédito presumido de IPI nas exportações desses produtos. Diante de todas essas razões, é de se reconhecer que os produtos exportados pela reclamante, por não estarem incluídos no campo de incidência do IPI, já que constam da tabela como NT (não tributado), não geram crédito presumido de IPI.” O mesmo raciocínio aplicase às mercadorias revendidas pela recorrente para o exterior. As empresas que se dedicam à atividade comercial não são contribuintes do IPI e, portanto, sobre a receita da atividade de revenda de mercadorias para o exterior não há que se falar em crédito presumido do IPI, como bem disse a decisão recorrida. Quanto ao hipotético direito ao crédito presumido nas aquisições de insumos junto à pessoas físicas e cooperativas, ao julgar o RESP nº 993164 pela sistemática do recurso repetitivo (art. 543C do CPC), o STJ concluiu pela ilegalidade da Instrução Normativa SRF 23/97, por ter extrapolado os limites impostos pela Lei 9.363/96, ao excluir, da base de cálculo do benefício do crédito presumido do IPI, as aquisições (relativamente aos produtos oriundos de atividade rural) de matériaprima e de insumos de fornecedores não sujeito à tributação pelo PIS/Pasep e pela COFINS. Considerando que as decisões proferidas pelo STJ em recursos repetitivos são de aplicação obrigatória por este Colegiado (art. 62A do RICARF), devese concluir que, se houvesse receita de exportação de produtos sujeitos à incidência do IPI, ainda que de alíquota zero ou isento, a recorrente poderia incluir o valor das aquisições de pessoas físicas no cálculo do crédito presumido do IPI. Diante da inexistência do direito material ao ressarcimento de crédito presumido de IPI, desnecessário abordar e discutir aqui a questão relativa à incidência de juros Selic, incluída pela recorrente, em razão de que o acessório segue o principal em sua natureza e destino. No mais, com fulcro no art. 50, § 1o, da Lei no 9.784/19991, adoto e ratifico os fundamentos do acórdão de primeira instância. Por tais razões, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Walber José da Silva 1 Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: [. . .] § 1o A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão parte integrante do ato. Fl. 8DF CARF MF Emitido em 21/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/11/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/11/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10907.002134/200447 Acórdão n.º 330201.318 S3C3T2 Fl. 161 7 Fl. 9DF CARF MF Emitido em 21/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/11/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/11/2011 por WALBER JOSE DA SILVA
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Numero do processo: 15374.000392/00-55
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 23 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Nov 23 00:00:00 UTC 2011
Ementa: GLOSA DE CUSTOS E DESPESAS DIVERSAS.
DILIGÊNCIA. COMPROVAÇÃO.
Comprovadas, em diligência, a efetividade dos custos e despesas
glosados, ainda que parcialmente, é de dar-se provimento ao
recurso voluntário para o fim de cancelar proporcionalmente o
lançamento.
Recurso voluntário parcialmente provido.
Numero da decisão: 1201-000.605
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar
parcial provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Matéria: IRPJ - AF- omissão receitas - demais presunções legais
Nome do relator: REGIS MAGALHAES SOARES DE QUEIROZ
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ementa_s : GLOSA DE CUSTOS E DESPESAS DIVERSAS. DILIGÊNCIA. COMPROVAÇÃO. Comprovadas, em diligência, a efetividade dos custos e despesas glosados, ainda que parcialmente, é de dar-se provimento ao recurso voluntário para o fim de cancelar proporcionalmente o lançamento. Recurso voluntário parcialmente provido.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 14; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1807; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C2T1 Fl. 1 1 S1C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15374.000392/0055 Recurso nº 000.000 Voluntário Acórdão nº 1201000.605 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 23 de novembro de 2011 Matéria IRPJ Recorrente PREMIUM RIO VEICULOS LTDA. nova denominação de LAND RIO VEÍCULOS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL GLOSA DE CUSTOS E DESPESAS DIVERSAS. DILIGÊNCIA. COMPROVAÇÃO. Comprovadas, em diligência, a efetividade dos custos e despesas glosados, ainda que parcialmente, é de darse provimento ao recurso voluntário para o fim de cancelar proporcionalmente o lançamento. Recurso voluntário parcialmente provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (Assinado digitalmente) Claudemir Rodrigues Malaquias – Presidente (Assinado digitalmente) Regis Magalhães Soares de Queiroz – Relator Participaram ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Claudemir Rodrigues Malaquias (Presidente), Marcelo Baeta Ippolito (Suplente Convocado), Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Eduardo Martins Neiva Monteiro (suplente convocado), Regis Magalhães Soares Queiroz, Antonio Carlos Guidoni Filho. Ausente justificadamente o Conselheiro Marcelo Cuba Netto. Fl. 725DF CARF MF Impresso em 30/01/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/01/2012 por REGIS MAGALHAES SOARES DE QUEI, Assinado digitalmente em 27/01/2012 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 16/01/2012 por REGIS MAGALHAE S SOARES DE QUEI Processo nº 15374.000392/0055 Acórdão n.º 1201000.605 S1C2T1 Fl. 2 2 Relatório Cuidase de auto de infração lavrado em razão de glosa de custos e omissão de receitas apontadas pela fiscalização na contabilidade da recorrente, assim descritas pela DRJ: “1. Tratase dos Autos de Infração (AI) de IRPJ, no valor de R$ 257.120,22 (fls.45/50), de PIS/Pasep, no valor de R$ 3.733,88 (fls.51/55), de CSLL, no valor de R$ 74.910,67 (fls.56/61), e de COFINS, no valor de R$ 11.489,01 (fls.62/66), totalizando R$ 347.253,78, aí incluídos juros de mora e multa de ofício de 75% (setenta e cinco por cento). No AI de IRPJ (fls.45/50), as infrações constam assim descritas, textualmente: ‘Infração 01 – OMISSÃO DE RECEITAS Valor apurado conforme demonstrativos e Termos de Esclarecimentos e Solicitação de Documentos, datados de 08.10 e 30.11.99, referente a depósitos bancários sem comprovação da origem do numerário, mediante apresentação de documentação fiscal coincidente em data e valor, conforme a seguir listado: data valor data valor data Valor data valor 05/06 4.000,00 02/08 10.000,00 20/09 59.854,00 20/11 1.000,00 11/06 6.262,00 06/08 25.000,00 30/09 5.000,00 21/11 1.200,00 15/07 3.000,00 30/08 16.000,00 01/11 20.000,00 21/11 1.000,00 19/07 13.600,00 10/09 12.000,00 14/11 45.760,00 21/11 1.000,00 29/07 11.000,00 16/09 2.500,00 14/11 2.000,00 Obs: No AI, a base para cálculo do IR devido totaliza R$ 230.276,00 (fls.48), embora a soma das parcelas acima seja de R$ 240.176,00. Infração 02 – CUSTOS OU DESPESAS NÃO COMPROVADAS Valor apurado conforme demonstrativos anexos e Termos de Esclarecimentos e Solicitação de Documentos, datados de 08.10 e 30.11.99, referente às contas abaixo listadas: I – Valores lançados na conta “Estoques de Veículos para Venda” – conta 1.1.3.1.01: Mês Lançado no Razão Documentação 01 29.733,57 02 10.690,88 03 11.234,78 Obs: O valor total levado ao cálculo da apuração do IR devido foi de R$ 51.657,00 (o autuante não considerou os centavos). II – Valores lançados no livro Registro de Entradas, em desacordo com as notas fiscais correspondentes, sem que o contribuinte tenha comprovado que a contabilização se deu pelo valor correto: Fl. 726DF CARF MF Impresso em 30/01/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/01/2012 por REGIS MAGALHAES SOARES DE QUEI, Assinado digitalmente em 27/01/2012 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 16/01/2012 por REGIS MAGALHAE S SOARES DE QUEI Processo nº 15374.000392/0055 Acórdão n.º 1201000.605 S1C2T1 Fl. 3 3 Data Nota Fiscal Valor da NF Valor constante do Registro de Entradas Diferença 03/01 3880 1.262,00 5.262,00 4.000,00 16/01 3926 801,00 7.801,00 7.000,00 29/01 3981 578,00 2.578,00 2.000,00 30/01 3984(não encontrada) 7.059,00 7.059,00 21/03 000251 215,00 2.215,00 2.000,00 25/03 004132 949,00 1.949,00 1.000,00 08/04 004155 13.420,00 13.420,00 total................................................ 36.479,00 III – Despesas não comprovadas, conforme a seguir listado: data conta valor data conta Valor 09/05 311004 3.142,35 07/08 311014 3.040,00 29/10 311007 2.000,00 23/12 311016 1.500,00 10/10 311012 13.000,00 27/02 311033 1.607,50 10/10 311012 9.000,00 31/07 311033 19.600,00 23/05 311014 2.150,00 31/10 311033 26.330,00 11/06 311014 2.150,00 31/12 311033 15.700,00 10/07 311014 2.150,00 total: R$ 101.369,00 (o autuante desprezou os centavos) Infração 03: Custos, Despesas Operacionais e Encargos não Necessários Valor apurado conforme demonstrativos e Termos de Esclarecimentos e Solicitação de Documentos, datados de 08.10. e 30.11.99, referente a despesas não necessárias à atividade operacional, conforme a seguir listado: data conta valor data conta Valor 26/01 311011 1.884,00 20/11 311033 3.413,00 20/01 311011 509,00 31/12 311033 1.382,00 Obs: O valor total levado ao cálculo da apuração do IR devido foi igual a R$ 7.134,00, embora a soma das parcelas acima totalize R$ 7.188,00 3. A infração de nº 01 foi embasada nos arts. 195, inciso II, 197 e parágrafo único, 225 a 227 do Regulamento do Imposto sobre a Renda e Proventos de Qualquer Natureza – RIR/1994, aprovado pelo Decreto nº 1.041, de 11 de janeiro de 1994, e no art. 24 da Lei nº 9.249, de 1995; a de nº 02, nos arts. 195, inciso I, e 197, § único, 243 e 247 do RIR/1994; e, a de nº 3, nos arts. 195, inciso I, 197 e § único, 242 e 243 do RIR/1994. 4. O enquadramento legal dos lançamentos reflexos consta às fls.54/55 (Contribuição para o Programa de Integração Social PIS/Pasep), 60/61 (Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL), 65 (Contribuição para Financiamento da Seguridade Social COFINS), enquanto que a exigência de multa de ofício e juros de mora está fundamentada às fls.47 (IRPJ), 53 (PIS/Pasep), 58 (CSLL) e 64 (COFINS). 5. Iniciada em 24.09.99 (fls.02) e encerrada em 27.01.2000 (fls.68), a Ação Fiscal, que culminou com a lavratura dos Fl. 727DF CARF MF Impresso em 30/01/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/01/2012 por REGIS MAGALHAES SOARES DE QUEI, Assinado digitalmente em 27/01/2012 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 16/01/2012 por REGIS MAGALHAE S SOARES DE QUEI Processo nº 15374.000392/0055 Acórdão n.º 1201000.605 S1C2T1 Fl. 4 4 citados Autos de Infração (fls.45/68), veio instruída com os seguintes documentos: a) declaração de rendimentos – lucro real – apuração anual – anocalendário de 1996 (fls.3/41); b) termo de esclarecimentos/solicitação de documentos, de 08.10.1999 (fls.42); e c) termo de esclarecimentos/solicitação de documentos, de 30.11.1999 (fls.43/44). 6. Irresignado, o interessado, em petições às fls.72/80 e 96/101, por seu procurador e advogado, vem dizer, relativamente à infração nº 01, intitulada “omissão de receitas”, que o autuante selecionou, aleatoriamente, valores de depósito, por ter entendido que os valores dos depósitos deveriam corresponder exatamente a valores de notas fiscais, mas que, no entanto, tal entendimento é descabido e sem base legal, porque o pagamento de notas fiscais pode ser feito em dinheiro ou por vários cheques, com depósitos em datas diversas. 7. Aduz não ser esta a forma para identificar omissão de receitas e, que a sua contabilidade demonstra cabalmente que todos os depósitos efetuados referemse a depósitos de clientes para liquidação de vendas. Demonstra, a partir do saldo anterior a receber de clientes, que, este, em 31.12.1996 (fls.75), é igual ao total de vendas do ano, subtraído do total de depósitos bancários efetuados no ano. 8. Quanto ao subitem I da segunda infração, “Custos ou Despesas não Comprovadas”, intitulado “Valores lançados na conta “Estoques de Veículos para Venda”, diz que o autuante não descreveu o fato na forma como o exige o inciso III do art. 10 do Decreto nº 70.235, de 1972, limitandose a relacionar três quantias. Afirma que estas correspondem à compra de veículos e peças lançados na conta “Estoques de Veículos para Venda”, contra “Fornecedores”, cujas notas fiscais foram contabilizadas, indevidamente, em períodos diversos dos de lançamento, na citada conta de Estoques. 9. Acrescenta que tal fato, todavia, nem caracteriza nem determina custo ou despesa não comprovada, uma vez que os lançamentos a crédito de apropriações de custos mensais foram efetuados nas datas corretas e integralmente comprovados mediante notas fiscais. 10. Quanto ao subitem II da segunda infração, “Custos ou Despesas não Comprovadas”, intitulado “Valores lançados no Registro de Entradas, em desacordo com as notas fiscais correspondentes”, afirma que “de fato as divergências de valores apontadas pelo Sr. Auditor Fiscal ocorreram”, e que “a única divergência constatada na relação é quanto à ausência de valor da nota fiscal nº 3984, da Land Rover do Brasil, que o Sr. Auditor Fiscal informa não ter sido encontrada, quando na verdade está disponível, conforme cópia anexa, e cujo valor é de R$ 1.059,65, conforme documento anexo.” (fls.91) 11. Alega que, no entanto, o valor das sobreditas divergências não é tributável, porque o lançamento na conta de estoque foi efetuado com base nas notas fiscais. Assevera que “o autuante deveria ter constatado que o lançamento na conta de estoque foi feito pelo valor correto das notas fiscais, e não pelos valores Fl. 728DF CARF MF Impresso em 30/01/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/01/2012 por REGIS MAGALHAES SOARES DE QUEI, Assinado digitalmente em 27/01/2012 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 16/01/2012 por REGIS MAGALHAE S SOARES DE QUEI Processo nº 15374.000392/0055 Acórdão n.º 1201000.605 S1C2T1 Fl. 5 5 incorretos escriturados no Livro de Registro de Entradas pelo funcionário por isto responsável”. 12. Relativamente ao subitem III da segunda infração, intitulado “Despesas não Comprovadas”, diz que os valores de R$ 19.600,00, R$ 26.330,00 e R$ 15.700,00 referemse a despesas de pequena monta, como transporte de táxi e ônibus, materiais de limpeza, de papelaria, combustível, lanches etc., reunidos ao longo dos meses e contabilizados em grupo nos meses de julho, outubro e dezembro, respectivamente, cujos comprovantes, à conta do grande volume, não foram anexados, mas que se encontram à disposição da fiscalização. 13. Quanto aos outros valores do sobredito subitem III, elabora quadro demonstrativo às fls.78/79, deles dizendo que: a) R$ 3.142,35: referese a pagamento à firma TAPAVAN, por serviços prestados, conforme cheque nº 878052, de 09.05.06, contra o Bamerindus, por cópia anexa (fls.92); b) R$ 2.000,00: “não foi encontrado o documento”; c) R$ 13.000,00 e R$ 9.000,00: “ cabe a glosa”. 14. Ainda quanto aos valores do sobredito subitem III, prossegue, dizendo que: a) os valores de 2.150,00, R$ 2.150,00, R$ 2.150,00 e R$ 3.040,00 representam pagamentos feitos por cheque nominativos à Evolution Veículos Ltda. (dos quais, conforme documento que anexa às fls.93, afirma ter solicitado cópia), por uso temporário de parte de suas instalações, mas cujos recibos foram extraviados; b) o valor de R$ 1.500,00 se refere a pagamento efetuado à revista “AIR TIME adventures”, por anúncio em contracapa (fls.94/95); e c) o valor de R$ 1.607,50 corresponde a “despesa de representação, sem comprovante”. 15. No que toca à terceira infração, diz que os valores listados pelos autuantes referemse a pagamentos efetuados por cheques nominativos à empresa American Express do Brasil Tempo & Cia, correspondentes a faturas mensais pelo uso de cartão de crédito da pessoa jurídica, referentes a despesas com passagens aéreas e viagens, especialmente a São Paulo, sede da Land Rover do Brasil Ltda, cujos discriminativos, porque não localizadas as faturas mensais, foram solicitados à emitente, “conforme cópia de fax anexo” (não juntada aos autos, desde já observo). 16. Protesta por todos os meios de prova, inclusive pela realização de diligência para exame dos livros, bem como, pela coleta de prova documental e oral, com a oitiva de testemunhas, propugnando pela improcedência das infrações concernentes aos itens 1, 2.1, 2.2 e 3 da autuação, dizendo, ainda, com relação ao item 2.3., que “será obrigatória a execução de perícia para apurar a existência real de eventuais falhas contábeis e/ou documentação fiscal e revisão dos valores que serão objeto de crédito tributário”. 17. Pede que, observandose o previsto no art. 112 do CTN, os lançamentos sejam julgados improcedentes. Com as petições vieram os documentos de fls.90/95. Nesta Terceira Turma foram acostadas as consultas aos sistemas da SRF, de fls.106/112”. Fl. 729DF CARF MF Impresso em 30/01/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/01/2012 por REGIS MAGALHAES SOARES DE QUEI, Assinado digitalmente em 27/01/2012 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 16/01/2012 por REGIS MAGALHAE S SOARES DE QUEI Processo nº 15374.000392/0055 Acórdão n.º 1201000.605 S1C2T1 Fl. 6 6 Em acórdão juntado a fls. 113 e seguintes, decidiu a DRJ pela improcedência de apenas uma despesa glosada, para a qual o ora recorrente havia juntado comprovante em sua impugnação, mantendo todo o restante do lançamento: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 1996 Ementa: PROVA. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. A prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual. DILIGÊNCIA. PERÍCIA. REJEIÇÃO. Indeferese o pedido para a realização de diligência ou perícia, formulado sem a observância dos requisitos estabelecidos na lei de regência. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Consolidase na esfera administrativa a matéria não expressamente impugnada. DESPESAS. CUSTOS. GLOSA. COMPROVAÇÃO. A dedutibilidade de custos e de despesas esta condicionada A apresentação de prova documental, hábil e idônea. DESPESAS. GLOSA. PROVA. NECESSIDADE. Além de condicionada a apresentação de prova documental hábil e idônea, a dedutibilidade de dispêndios realizados a titulo de despesas requer a prova de sua necessidade as atividades da empresa. OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Mantémse a exigência se a pessoa jurídica não comprova a origem de valores depositados em conta corrente bancaria de sua titularidade. Assunto: Outros Tributos ou Contribuições Anocalendário: 1996 Ementa: TRIBUTAÇÃO REFLEXA. PIS. COFINS. CSLL. Aplicase as exigências reflexas ou decorrentes o mesmo tratamento dispensado ao lançamento do IRPJ, em face da relação de causa e efeito entre este e aquelas. Lançamento Procedente em Parte Com o Recurso Voluntário de fls. 135 e ss., vieram os documentos de fls. 173 a 359, que comprovariam parcialmente a insubsistência de certos lançamentos do Auto de Infração e Imposição de Multa – AIIM. Subiram os autos e esta Turma que por meio da Resolução nº 120100.002, determinou o conhecimento de documentação juntada pelo recorrente bem como a realização de diligência a fim de melhor apurar a legitimidade das despesas glosadas e a suposta omissão de receitas. Intimado pela autoridade diligenciante sobre a diligência, a ora recorrente apresentou suas explicações pela manifestação de fls. 383388. Fl. 730DF CARF MF Impresso em 30/01/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/01/2012 por REGIS MAGALHAES SOARES DE QUEI, Assinado digitalmente em 27/01/2012 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 16/01/2012 por REGIS MAGALHAE S SOARES DE QUEI Processo nº 15374.000392/0055 Acórdão n.º 1201000.605 S1C2T1 Fl. 7 7 A fls. 724 a autoridade diligenciante apresenta seu relatório conclusivo. Retornaramme os autos para nova inclusão em pauta. É o relatório. Fl. 731DF CARF MF Impresso em 30/01/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/01/2012 por REGIS MAGALHAES SOARES DE QUEI, Assinado digitalmente em 27/01/2012 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 16/01/2012 por REGIS MAGALHAE S SOARES DE QUEI Processo nº 15374.000392/0055 Acórdão n.º 1201000.605 S1C2T1 Fl. 8 8 Voto Conselheiro Regis Magalhães Soares De Queiroz, relator: 1. Do conhecimento. O recurso voluntário foi protocolizado dentro do prazo legal e, portanto, dele tomo conhecimento. O voto vai apreciar os argumentos de defesa na ordem em que apresentados no v. acórdão a quo e no Recurso Voluntário. 2. Item 2.I, da infração 002. O auto de infração descreve esta infração 002.I, como sendo de identificação de custos ou despesas não comprovados, relativos à conta “Estoques De Veículos Para Venda”, nos montantes abaixo: I – Valores lançados na conta “Estoques de Veículos para Venda” – conta 1.1.3.1.01: Mês Lançado no Razão Documentação 01 29.733,57 02 10.690,88 03 11.234,78 TOTAL: 51.657,00 (centavos desprezados) O recurso voluntário aduz que pelo menos parte destas glosas estaria comprovada pelas NFs juntadas como documentos nº 3 (R$14.210,31); nº 4 (R$5.100,78) e nº 5 (R$11.183,63), referentes à compra de veículos e peças cujas notas fiscais teriam sido contabilizadas indevidamente em períodos diversos, mas que a apropriação dos custos mensais teriam ocorrido nas datas corretas. Foi então determinada a realização de diligência a fim de esclarecer “se os lançamentos a crédito de apropriações de custos mensais representados pelas NFs em destaque se referem aos custos glosados pela fiscalização e se os seus lançamentos foram realmente realizados nas datas corretas”. Em resposta à diligência, a recorrente aduziu a fls. 384 dos autos: Os lançamentos contábeis, conforme fls. 59 do Livro Razão, foram feitos com base nas Notas Fiscais conforme planilhas e documentos em anexo. Dado ao tempo decorrido, não foi possível localizar a totalidade da documentação, de modo a se apurar os valores exatos contabilizados (respectivamente, R$ 29.733,57, R$ 10.690,88 e R$ 11.234,78, em janeiro, fevereiro e março de 1996), mas apenas parte de tais custos (respectivamente, R$ 13.818,54, R$ 5.100,78 e R$ 11.183,43). Porém, a comprovação de que tais notas fiscais se referem Fl. 732DF CARF MF Impresso em 30/01/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/01/2012 por REGIS MAGALHAES SOARES DE QUEI, Assinado digitalmente em 27/01/2012 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 16/01/2012 por REGIS MAGALHAE S SOARES DE QUEI Processo nº 15374.000392/0055 Acórdão n.º 1201000.605 S1C2T1 Fl. 9 9 "aos custos glosados pela fiscalização" se depreende do fato de que as peças representadas pelas mencionadas notas fiscais não foram lançadas em qualquer outra conta do Livro Razão referente a despesas, e portanto, somente podem dizer respeito aos custos glosados. No relatório de diligência fiscal de fls. 724, a autoridade oficiante informou que “pelos lançamentos de baixa (crédito) na conta 113101 (Estoque de Veículos para Venda), e débitos dos mesmos valores na conta 3012 (Custo de Vendas e Serviços – Peças), podemos concluir que os valores glosados foram equivocadamente contabilizados, mas correspondem, inclusive quanto às datas, aos valores glosados pela fiscalização”. Desta forma, na esteira das conclusões da diligência, foram comprovados parcialmente os custos contabilizados na conta 113101 “Estoque de Veículos para Venda”, no montante total de R$30.057,75 (ou seja, 13.818,54 + 5.100,78 + 11.138,43 = 30.057,75). Mantida a glosa da diferença, no total de R$ 21.599,25 (ou seja, 51.657,00 30.057,75 = 21.599,25). 3. Item 2.II da infração 002. O auto de infração descreve esta infração 002.II, como sendo a existência de valores lançados no livro de registro de entradas em desacordo com as notas fiscais correspondentes, sem comprovação de contabilização pelo valor correto, conforme tabela abaixo: Data Nota Fiscal Valor da NF Valor constante do Registro de Entradas Diferença 03/01 3880 1.262,00 5.262,00 4.000,00 16/01 3926 801,00 7.801,00 7.000,00 29/01 3981 578,00 2.578,00 2.000,00 30/01 3984(não encontrada) 7.059,00 7.059,00 21/03 000251 215,00 2.215,00 2.000,00 25/03 004132 949,00 1.949,00 1.000,00 08/04 004155 13.420,00 13.420,00 total................................................ 36.479,00 Na impugnação, o contribuinte reconhece o erro e as diferenças, mas aduz não ter havido prejuízo ao erário porque, quando da apropriação dos custos, teriam sido considerados os valores corretos das notas fiscais e não os errados, lançados no livro de entradas. Juntou com a impugnação cópia da nota fiscal nº 3984, no valor de R$1.059,65 (que estava extraviada), que foi registrada no livro de entradas pelo valor de R$7.059,00. Convém mencionar que no recurso voluntário o contribuinte altera seu fundamento e aduz que esta glosa é, na verdade, réplica da glosa de custos do item 2.1 da infração 002 acima analisada. A r. decisão a quo reconhece a nota juntada e determina a proporcional redução da glosa no valor equivalente ao desta nota fiscal nº 3984 no valor de R$1.059,65. Fl. 733DF CARF MF Impresso em 30/01/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/01/2012 por REGIS MAGALHAES SOARES DE QUEI, Assinado digitalmente em 27/01/2012 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 16/01/2012 por REGIS MAGALHAE S SOARES DE QUEI Processo nº 15374.000392/0055 Acórdão n.º 1201000.605 S1C2T1 Fl. 10 10 Foi então determinada a realização de diligência a fim de esclarecer “se os lançamentos dos custos relacionados com as NFs em destaque deuse pelos valores das respectivas NFs ou se, ao contrário, os lançamentos deramse pelos valores equivocados, lançados no livro de entrada”. Em resposta à diligência, a recorrente reafirmou (fls. 384) que “não houve lançamento pelos valores equivocadamente lançados no livro de Registro de Entradas. As notas fiscais foram lançadas pelo seu valor real”. Concluindo: Isto se comprova pelo fato que, se fossem considerados os valores equivocados do Livro de Registro de Entradas, o montante final superaria em mais de R$ 13.800,00 os que se encontram lançados às fls. 59 do Livro Razão, mesmo que se considerasse que parte dos "documentos não localizados" corresponderia a esta diferença "a maior" (...). Ademais, pelos lançamentos de baixa (crédito) na conta de estoque 113101 nos meses de janeiro, fevereiro e março de 1996 e respectivos débitos na conta 3012 — "Custo das Vendas e Serviços — Peças", podemos afirmar que os valores registrados tanto a débito da conta de estoque quanto a crédito (baixa) refletem os valores das notas fiscais efetivas (Vide folhas 59 e 102 do Livro Razão). Portanto é de se concluir que, mesmo não tendo sido localizada a totalidade das notas fiscais que compõem os valores lançados à fl. 59, as notas fiscais apresentadas às fls. 182/228 correspondem efetivamente à parte do custo glosado pelo fiscal, e que se refere às peças contabilizadas na conta 113101. No relatório de diligência fiscal de fls. 724, a autoridade oficiante informou que “podemos afirmar que não ocorreu divergência entre aqueles valores”. Ora, tendo a autoridade oficiante confirmando em diligência não haver divergência entre os valores das notas fiscais encontradas e apresentadas pelo contribuinte – anexadas às fls. 182/228 e no montante total de R$ 30.102,75 – e os valores apropriados como custos, entendo comprovados os custos até o montante de R$30.102,75, permanecendo válida a glosa de custos do valor da diferença. 4. Item 2.III da infração 002 O auto de infração descreve esta infração 002.III, como: “III – Despesas não comprovadas, conforme a seguir listado: Data Conta Valor 09/05 311004 3.142,35 29/10 311007 2.000,00 10/10 311012 13.000,00 10/10 311012 9.000,00 23/05 311014 2.150,00 11/06 311014 2.150,00 10/07 311014 2.150,00 Fl. 734DF CARF MF Impresso em 30/01/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/01/2012 por REGIS MAGALHAES SOARES DE QUEI, Assinado digitalmente em 27/01/2012 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 16/01/2012 por REGIS MAGALHAE S SOARES DE QUEI Processo nº 15374.000392/0055 Acórdão n.º 1201000.605 S1C2T1 Fl. 11 11 07/08 311014 3.040,00 23/12 311016 1.500,00 27/02 311033 1.607,50 31/07 311033 19.600,00 31/10 311033 26.330,00 31/12 311033 15.700,00 Total: R$ 101.369,00 (o autuante desprezou os centavos) Com relação às despesas não comprovadas, o recorrente juntou desordenadamente recibos de despesas de pequena monta das mais variadas espécies, como a despesas com correios, xérox, material de escritório etc. A DRJ manteve todas as glosas. Foi então determinada a diligência para comprovar de forma detalhada “que os custos em questão foram devidamente contabilizados no período fiscalizado, justificando sua necessidade. A Autoridade Fiscal Originária fará a análise sobre a comprovação ou não da contabilização dos referidos custos”. No relatório de diligência fiscal de fls. 724, a autoridade oficiante informou: 3. Verificação da correta contabilização, bem como da necessidade das despesas que foram consideradas como não comprovadas pela fiscalização. — A Diligenciada apresentou um relatório com indicação de data, fornecedor, histórico e valor daquelas despesas, e verificamos que correspondem a gastos normais e necessários ao funcionamento da empresa, o que certamente não ficou claro no curso da ação fiscal. Ora, tendo a autoridade oficiante confirmando que as despesas efetivamente ocorreram e são necessárias, normais e usuais à manutenção da fonte produtora, não se pode manter a glosa relativa à infração 002, III, no valor total de R$101.369,00. 5. Item de infração 001 A primeira infração indicada no auto de infração foi tratada ao final tanto da r. decisão a quo quanto no recurso voluntário. O auto de infração a descreve como segue: “Infração 01 – OMISSÃO DE RECEITAS Valor apurado conforme demonstrativos e Termos de Esclarecimentos e Solicitação de Documentos, datados de 08.10 e 30.11.99, referente a depósitos bancários sem comprovação da origem do numerário, mediante apresentação de documentação fiscal coincidente em data e valor, conforme a seguir listado: data valor 5/jun 4.000,00 11/jun 6.262,00 Fl. 735DF CARF MF Impresso em 30/01/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/01/2012 por REGIS MAGALHAES SOARES DE QUEI, Assinado digitalmente em 27/01/2012 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 16/01/2012 por REGIS MAGALHAE S SOARES DE QUEI Processo nº 15374.000392/0055 Acórdão n.º 1201000.605 S1C2T1 Fl. 12 12 15/jul 3.000,00 19/jul 13.600,00 29/jul 11.000,00 2/ago 10.000,00 6/ago 25.000,00 30/ago 16.000,00 10/set 12.000,00 16/set 2.500,00 20/set 59.854,00 30/set 5.000,00 1/nov 20.000,00 14/nov 45.760,00 14/nov 2.000,00 20/nov 1.000,00 21/nov 1.200,00 21/nov 1.000,00 21/nov 1.000,00 TOTAL 240.176,00 Com relação à suposta omissão de receitas de lançamentos à crédito em sua conta corrente, sustenta o recorrente que tais receitas foram oferecidas à tributação e que o valor de R$59.854,00 datado de 20 de setembro seria, em verdade, um débito em sua conta e não um crédito, não se prestando para presumir renda não tributada. Foi então determinada a realização de diligência “a fim de que a Autoridade Fiscal Originária (a) verifique a autenticidade das cópias dos livros juntados aos autos, (b) determine ao interessado para que comprove em 30 (trinta) dias, de forma detalhada, a origem de todos os depósitos arrolados pela fiscalização no referido item, fazendo referência ao valor, data de cada um dos depósitos, bem como anexando as respectivas NFs citadas na defesa e nos lançamentos realizados nos Livros Diários”. Em resposta à diligência, a recorrente se manifestou a fls. 388: Quanto à comprovação da origem dos depósitos bancários, segue em anexo planilha demonstrando os valores apontados pelo Sr. fiscal como omissão de receitas, com os respectivos lançamentos nas folhas do Livro Diário autenticadas, extratos bancários autenticados e notas fiscais autenticadas. A maioria dos valores referemse a recebimentos de clientes na compra de veículos e são referentes a pagamentos parciais. Este fato é normal na atividade, ou seja, um cliente efetua mais de um pagamento para quitar um veículo e os valores apontados pelo Sr. fiscal são parte destes pagamentos, o que nos impossibilita apresentar notas fiscais nos valores exatos. Por fim, a recorrente, reiterando o que já consta do recurso de fls., aponta o enorme absurdo perpetrado pela autuação e mantida no acórdão recorrido, com relação ao valor de R$ 59.854,93. Isso porque Fl. 736DF CARF MF Impresso em 30/01/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/01/2012 por REGIS MAGALHAES SOARES DE QUEI, Assinado digitalmente em 27/01/2012 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 16/01/2012 por REGIS MAGALHAE S SOARES DE QUEI Processo nº 15374.000392/0055 Acórdão n.º 1201000.605 S1C2T1 Fl. 13 13 tal quantia não representa nenhum tipo de receita, muito menos omitida, pelo recorrente, mas sim uma aquisição de mercadoria feita com seu principal fornecedor, a LAND ROVER DO BRASIL LTDA., referente a compra do veiculo DISCOVERY — chassis 160450, conforme consta do "Livro Diário" — PAGAMENTO LAND ROVER DO BRASIL REF. DISCOVERY CHASSIS 160450, constando da documentação anexa seu correspondente pagamento (no extrato bancário isso representa uma despesa, e não receita) e o comprovante de "cópia do cheque" que menciona a mesma mercadoria antes referenciada (vide doc. n.° 10A, As fls. ). Assim, resta mais do que patente que tal quantia deve ser excluída do auto de infração, pois não se trata de receita omitida, mas sim de aquisição de mercadoria para revenda. No relatório de diligência fiscal de fls. 724, a autoridade oficiante informou: Comprovamos a autenticidade das cópias dos livros e concluímos que os depósitos bancários referemse, em sua maioria, a pagamentos parciais de clientes, quando da compra de veículos. Quanto ao valor de R$ 59.854,93, corresponde a aquisição de mercadoria para revenda, o que certamente não alegou nem comprovou no curso da ação fiscal, mas que deve ser excluída do Auto de Infração. Ambos falam que os lançamentos a crédito, em sua maioria, referemse a pagamentos parciais de clientes e que o valor de R$59.854,93 referese não a recebimento de cliente, senão a pagamento feito pelo recorrente a fornecedor. A planilha de fls. 670 aponta os créditos e as respectivas notas fiscais a eles relacionadas em confirmação à conclusão do relatório de diligência fiscal de fls. 724, elaborado pela diligente autoridade oficiante. Assim, tendo a diligência confirmando a origem dos depósitos, fica afastada a omissão de receita, infração 001 no auto de infração, no valor de R$240.176,00. 3 Do dispositivo. Isso posto, dou parcial provimento ao recurso voluntário para afastar a incidência dos tributos lançados sobre os seguintes bases: Item do AIIM Glosa no AIIM Glosa afastada Glosa mantida 001 240.176,00 240.176,00 002I 51.657,00 30.057,75 21.599,25 002II 36.479,00 30.102,75 6.376,25 002III 101.369,00 101.369,00 Totais 429.681,00 401.705,50 27.975,50 É o meu voto. (Assinado digitalmente) Regis Magalhães Soares De Queiroz – Conselheiro Relator Fl. 737DF CARF MF Impresso em 30/01/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/01/2012 por REGIS MAGALHAES SOARES DE QUEI, Assinado digitalmente em 27/01/2012 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 16/01/2012 por REGIS MAGALHAE S SOARES DE QUEI Processo nº 15374.000392/0055 Acórdão n.º 1201000.605 S1C2T1 Fl. 14 14 Fl. 738DF CARF MF Impresso em 30/01/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/01/2012 por REGIS MAGALHAES SOARES DE QUEI, Assinado digitalmente em 27/01/2012 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 16/01/2012 por REGIS MAGALHAE S SOARES DE QUEI
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Numero do processo: 13840.000849/2003-94
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Mar 29 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Mar 29 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das
Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Exercício: 2002
Ementa: SIMPLES - EXCLUSÃO - ATIVIDADE VEDADA - EMPRESAS DE DIGITAÇÃO E REALIZAÇÃO DE ARQUIVOS - LEI N°. 9.317/96,
ART. 90, XIII
Empresas prestadoras de serviços de digitação e realização de arquivos não se enquadram entre as que exercem atividades impeditivas de aderirem ao SIMPLES, mormente quando a Fiscalização não faz prova do desenvolvimento pela pessoa jurídica de atividades vedadas pela lei.
Numero da decisão: 9101-000.921
Decisão: Acordam os membros do colegido, por unanimidade de votos, negar do recurso.
Matéria: Simples- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: Antonio Carlos Guidoni Filho
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CSRE-TV 1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo n° 13840.000849/2003-94 Recurso n° 337.653 Especial do Procurador Acórdão n° 9101-000.921 — 1' Turma Sessão de 29 de março de 2011 Matéria SIMPLES EXCLUSÃO ATIVIDADE VEDADA Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado BUSCARIOLI & GUILHERME DA SILVA S/C LTDA. - ME Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Exercício: 2002 Ementa: SIMPLES - EXCLUSÃO - ATIVIDADE VEDADA - EMPRESAS DE DIGITAÇÃO E REALIZAÇÃO DE ARQUIVOS - LEI N°. 9.317/96, ART. 90 , XIII Empresas prestadoras de serviços de digitação e realização de arquivos não se enquadram entre as que exercem atividades impeditivas de aderirem ao SIMPLES, mormente quando a Fiscalização não faz prova do desenvolvimento pela pessoa jurídica de atividades vedadas pela lei. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do co1egi9do;, por unanimidade de votos, negar do Editado em: 2 5 11 A 1 2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Caio Marcos Cândido, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho, Alberto Pinto Souza Junior, Alexandre Antônio Allonim Teixeira (Suplente Convocado), Claudemir Rodrigues Malaquias, Antonio Carlos Guidoni Filho, Viviane Vidal Wagner, Valmir Sandri e Susy Gomes Hoffmann. Relatório Com base no permissivo do Regimento Interno desta Corte Administrativa, a Fazenda Nacional interpõe recurso especial cm face de acórdão proferido pela extinta 3' Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes assim ementado: "ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE - SIMPLES Ano-calendário: 2001 SIMPLES DIGITAÇÃO E REALIZAÇÃO DE ARQUIVOS. Empresas prestadoras de serviços de digitação e realização de arquivos não se enquadram entre as que exercem atividades impeditivas de aderirem ao SIMPLES, visto prescindirem de atividade profissional regulamentada para seu exercício, sendo também descabida a exigência de prova negativa pelo contribuinte do não exercício de atividade impedidas. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO" 0 caso foi assim relatado pela Câmara recorrida, verbis: "A empresa Contribuinte foi excluída do SIMPLES pelo Ato Declaratório Executivo n° 470.119, de 07.08.2003 (f1.03), sob o fundamento de que exercia atividade econômica não permitida, ou seja, atividades de bibliotecas e arquivos. A 1" Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Campinas/SP manteve a exclusão, afirmando que basta o exercício da prestação dos serviços de arquivista, seja por profissional regulamentado ou não, para que a opção pelo Simples seja vedada (fis.56-57). Cientificada em 09.01.2007 (AR de fL51) da referida decisão, a empresa Contribuinte apresentou Recurso Voluntário e documentos (fis.52-73) em 02.02.2007, alegando, em síntese, que apesar de constar no contrato social a atividade de organização de arquivos, consta também a de processamento de dados (digitação), e que na realidade é apenas esta última que é desenvolvida, tanto que já alterou seu contrato social ff 1.69) para fazer constar que a sociedade passa a ter como objeto a atividade de digitação de dados e outros serviços correlatos atividade, pois em momento algum pretendeu se esquivar de suas obrigações fiscais ou quis agir de má-fé. Cita, por fim, decisões de DRJ's e deste Conselho em seu favor. Em razão do Ato Declaratório Interpretativo da Receita Federal do Brasil n° 9, de 05 de junho de 2007 (DOU de 06/06/2007), afasta-se a exigência da garantia recursal, que nesse caso até já era dispensada face a ausência de valora cão para o crédito tributário em discussão. E o relatório." 2 Processo n' 13840.000849/2003-94 CSRF-T1 Acórdão n.° 9101-000.921 FL 2 O acórdão acima ementado deu provimento ao recurso voluntário do Contribuinte para tomar sem efeito o Ato Declaratório que o excluiu do SIMPLES. Segundo o acórdão, (i) a legislação do SIMPLES aplicada As Micro e Pequenas Empresas do Pais 6, destinada a inclusão social destas e não a sua exclusão. Esta normativa objetiva incluir as Micros e Pequenas Empresas no universo da economia formal, através de uma sistemática que permita que estas empresas cum pram com as suas obrigações para com o Estado e a Sociedade, através de pagamento de tributos e geração de empregos com carteira assinada; (ii) a empresa Recorrente alterou seu objeto social para adequar-se A realidade de sua atividade desenvolvida, ou seja, digitagaO de dados e outros serviços correlatas a atividade (f1.69); (iii) a atividade relacionada à informática está vedada desde que os serviços estejam relacionados com a desenvolvimento de programas e sistemas sob encomenda, mas não com o processamento de dados (digitação) como no caso dos autos; (iv) ainda que a atividade desenvolvida pela empresa Contribuinte fosse a de arquivista, tal fato não justificaria a sua exclusão do SIMPLES, uma vez que a referida atividade prescinde de um profissional qualificado, de profissão regulamentada; (v) não é plausível exigir da empresa a apresentação de prova negativa, ou seja, que não exerce atividade impeditiva a opção pelo SIMPLES, eis que referido Onus cabe ao Fisco. Em sede de recurso especial (fls. 85189), argüi a Fazenda Nacional a contrariedade do acórdão recorrido A lei (artigo 90, inciso XIII, da Lei n. 9.317/96) e à prova dos autos, sob o fundamento de que (i) a atividade da interessada diz respeito A. organização de arquivo de documentos em estabelecimento próprio e/ou de terceiros; (ii) a profissão de arquivista é regulamentada pela Lei n° 6.546, de 4 de julho de 1978, e pelo Decreto n. 82.590, de 6 de novembro de 1978; (iii) a atividade de controle e organização de arquivo, por caracterizar a prestação de serviço profissional de arquivista, cujo exercício depende de habilitação legalmente exigida, impede a pessoa jurídica de optar pelo SIMPLES; (iv) basta o exercício da prestação dos serviços de arquivista, seja por profissional regulamentado ou não, para que a opção pelo SIMPLES seja vedada; (v) mesmo que os serviços sejam prestados por outro tipo de profissional ou pessoa não habilitada legalmente, a pessoa jurídica não poderá permanecer na sistemática simplificada. 0 recurso especial foi admitido pelo Sr. Presidente do Colegiada a qua (Despacho n. 169/2008 (fls. 91)), ante.a configuração potencial da alegada afronta A. lei e A prova dos autos. 0 Contribuinte apresentou contra-razões ao recurso especial (fls. 97/104). E' o relatório. 3 Voto Conselheiro Antonio Carlos Guidoni Filho - Relator 0 recurso especial é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, pelo que dele tomo conhecimento. 0 recurso não merece provimento. Conforme expressamente referido pelo acórdão recorrido, a Contribuinte' é pessoa juridica de direito privado destinada A. prestação de serviços de processamento de dados (digitação), conforme faz prova seu contrato social originário e posterior alteração de contrato social (fls. 4 e 69). Por não estarem os serviços de processamento de dados entre aqueles que tornam inviável a opção do contribuinte pelo SIMPLES, asseverou o acórdão recorrido que a Contribuinte deve ser mantida no Regime Simplificado de tributação. Verbis: "Coin efeito, afirma a empresa Recorrente que alterou seu objeto social para adequar-se ti realidade de sua atividade desenvolvida, ou seja, digitação de dados e outros serviços correlatas à atividade 7.69). A atividade relacionada à informática está vedada desde que os serviços estejam relacionados com o desenvolvimento de programas e sistemas sob encomenda, mas não coin o processamento de dados (digitação) como no Caso dos autos. Assim, entendo deva ser mantida a empresa Recorrente no Regime Simplificado." Nada obstante este tenha sido o motivo principal do acolhimento da insurgencia recursal da Contribuinte, o recurso especial da Fazenda Nacional não traz sequer uma linha a respeito de eventual equivoco do acórdão recorrido quanto à conceituação do objeto social da Contribuinte (processamento de dados) ou mesmo sobre a impossibilidade de as empresas de digitação optarem pelo regime simplificado de tributação. Além disso, o recurso especial não faz menção a eventuais elementos de prova que pudessem infirmar os fundamentos do acórdão recorrido (no sentido de que a empresa efetivamente desenvolveria atividade de arquivista e não de processamento de dados, conforme seus atos constitutivos originais e respectiva alteração de contrato social). 0 recurso especial restringe-se a tratar da questão relativa à impossibilidade de empresas de profissão regulamentada de arquivista de optarem pelo regime simplificado de tributação, ainda que os serviços respectivos sejam prestados por pessoa que não esteja "legalmente habilitada". Tal questão (das empresas que prestam serviços inerentes aos arquivistas) foi tratada apenas em caráter subsidiário (e autônomo) pelo acórdão recorrido, no sentido de reafirmar a incorreção da exclusão da Contribuinte do SIMPLES. Não bastasse tal fundamento, que por si s6 seria suficiente para rejeitar a insurgência re,cursal da Fazenda Nacional, diga-se que os elementos dos autos não permitem concluir que a Contribuinte presta serviços próprios de "arquivista". 4 Processo n° 13840.000849/2003-94 CSRF-T1 Acórdão n.° 9101-000.921 Fl. 3 A uma, pois, conforme já salientado acima, a Contribuinte confessa ter por objetivo social o processamento de dados, conforme disposto em seu contrato social originário e respectiva alteração contratual. A duas, pois o fato de constar no contrato social originário (reitere-se: e não mais em seu contrato social alterado) a atividade de "controle e organização de arquivo de documentos em estabelecimento próprio e/ou de terceiros" não é suficiente para caracterizar que a pessoa jurídica presta serviços próprios (e privativos) de arquivistas. A profissão de arquivista é regulamentada pela Lei 11) 6.546, de 4.7.1978, e pelo Decreto n. 82.590, de 6.11.1978. Os art. 2° e 3° da citada legislação dispõem acerca das atribuições da profissão de arquivista e do técnico de arquivo nos seguintes termos, verbis: "Art. 2°- São atribuições dos Arquivistas: I - planejamento, organização e direção de serviços de Arquivo; II - planejamento, orientação e acompanhamento do processo documental e informativo; III - planejamento, orientação e direção das atividades de identificação das espécies documentais e participação no planejamento de novos documentos e controle-de multicópias; IV - planejamento, organização e direção de serviços ou centro de documentação e informação constituídos de acervos arquivisticos e mistos; V - planejamento, organização e direção de serviços de microfilmagem aplicada aos arquivos; VI - orientaçiio do planejamento da automação aplicada aos arquivos; VII - orientação quanto a classificação, arranjo e descrição de documentos; VIII - orientação da avaliação e seleção de documentos, para fins de preservação; IX - promoção de medidas necessarias à conservação de documentos; X elaboração de pareceres e trabalhos de complexidade sobre assuntos arquivisticos; XI - assessoramento aos trabalhos de pesquisa cientifica ou técnico-administrativa; XII - desenvolvimento de estudos sobre documentos culturalmente importantes. Art. 3 0 - Sao atribuições dos Técnicos de Arquivo: I - recebimento, registro e distribuição dos documentos, bem como controle de sua movimentação; 5 Sala das Sessões, 2 II - classificação, arranjo, descrição e execução de demais tarefas necessárias á guarda e conservação dos documentos, assim como prestação de informações relativas aos mesmos; ill - preparação de documentos de arquivos para microfilmagem e conservação e utilização do microfilme; IV - preparação de documentos de arquivo para processamento eletrônico de dados." Da simples leitura dos dispositivos acima resta evidente que as atividades desenvolvidas pelo arquivista profissional ou ainda pelos técnicos de arquivo não se resumem A mera organização material de arquivos de terceiros. As atividades acima descritas extrapolam em muito tal função, na medida em que pressupõem o planejamento, orientação e direção das atividades de identificação das espécies de documentos, avaliaçao, descrição e classificação dos mesmos, possuindo, em suma, escopo muito mais abrangente e profundo do que as atividades de "controle e organização de arquivos" meramente citada no contrato social originário da Contribuinte. A eventual (e não comprovada) prestação de serviços que tangencia as atividades de arquivista, desenvolvida sem a especialidade e a especificidade próprias, nab pode ser arbitrariamente equiparada à profissão regulamentada do arquivista, mormente a mingua da devida comprovação aferível por meio de diligencias fiscais. Neste particular, reitere-se que a mera referência no Contrato Social A realização de atividades que envolvam a organização de arquivos é insuficiente para que estas sejam consideradas coma inseridas na restrição aplicável As atividades de profissão regulamentada. Tomar a mera (e potencial) organização fisica de arquivos como equivalente à vasta gama de atividades realizadas pelo arquivista é contrariar a própria natureza dos fatos e atribuir interpretação francamente lata a restrição legal que, por sua própria natureza, deve ser interpretada de modo restritivo. Por tais fundamentos, voto no sentido de conhecer do recurso especial interposto pela Fazenda Nacional para, no éri negar-lhe provimento. Antonio Carlo uidoni Filh - Relator 6
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Numero do processo: 19515.004193/2007-81
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 01 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Dec 01 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2002, 2003
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS SEM ORIGEM COMPROVADA. TRANSFERÊNCIAS BANCÁRIAS REALIZADAS NO EXTERIOR. Comprovado que os valores creditados em conta bancária têm origem em atividade empresarial, a exigência tributária deve ser dirigida ao lucro auferido nas operações.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2101-001.361
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar
provimento ao recurso. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Gonçalo Bonet Allage.
Nome do relator: JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS
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DEPÓSITOS BANCÁRIOS SEM ORIGEM COMPROVADA. TRANSFERÊNCIAS BANCÁRIAS REALIZADAS NO EXTERIOR. Comprovado que os valores creditados em conta bancária têm origem em atividade empresarial, a exigência tributária deve ser dirigida ao lucro auferido nas operações. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Gonçalo Bonet Allage. (assinado digitalmente) ___________________________________ Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente (assinado digitalmente) ___________________________________ José Raimundo Tosta Santos Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), José Raimundo Tosta Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Célia Maria de Souza Murphy e Gilvanci Antonio de Oliveira Sousa. Relatório Fl. 305DF CARF MF Impresso em 23/03/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 29/0 2/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 16/02/2012 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS 2 O recurso voluntário em exame pretende a reforma do Acórdão nº 1726.230, proferido pela 3ª Turma da DRJ São Paulo II (fl. 238), que, por unanimidade de votos, julgou procedente o lançamento, efetuado sob a acusação de omissão de rendimentos caracterizados por depósitos bancários sem origem comprovada, conforme descrição dos fatos contida no Termo de Verificação Fiscal às fls. 125/150. Ao apreciar o litígio, instaurado com a impugnação tempestiva de fls. 172/177, o Órgão julgador de primeiro grau manteve integralmente o lançamento, resumindo o seu entendimento na seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2002, 2003 DECADÊNCIA. Para os casos mencionados no § 4° do art. 150 do CTN fraude, dolo ou simulação excetuase a regra contida no caput e aplicase a regra do art. 173, 1 do CTN, para contagem do prazo decadencial. AUTO DE INFRAÇÃO. ILEGITIMIDADE PASSIVA. MOVIMENTAÇÃO DE CONTA BANCÁRIA EM NOME DE INTERPOSTA PESSOA. LANÇAMENTO SOBRE O VERDADEIRO SUJEITO PASSIVO. Incabível a alegação de ilegitimidade passiva, quando restar comprovado nos autos o uso de conta bancária em nome de interposta pessoa, para efetuar a movimentação de valores tributáveis, situação que torna lícito o lançamento sobre o verdadeiro sujeito passivo. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. FATOS GERADORES A PARTIR DE 01/01/1997. A Lei n° 9430/96, vigente a partir de 01/01/1997, estabeleceu, em seu artigo 42, uma presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento do imposto correspondente quando o titular da conta bancária não comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos valores depositados em sua conta de depósito ou investimento. Lançamento Procedente Em seu apelo ao CARF, às fls. 278/285, o autuado reitera que foi intimado da lavratura do auto de infração em 10/01/2008, ao retomar de viagem, e não no dia 26/12/2007. Inválida, portanto, a citação postal quando recebida por terceiros, diverso do recorrente. Alega a decadência do direito da Fazenda Nacional de constituir o crédito tributário na sua totalidade, em face do disposto no art. 173, 1 do CTN. Argúi a ilegitimidade para figurar no pólo passivo da obrigação tributária constituída. Embora tenha sido sócio da empresa Snow Assessoria Empresarial Ltda, cujo objeto social era a prestação de assessoria financeira a terceiros, dentre eles as clientes Lauren Finance Ltd. e Sinkel Financial Ltd. e, a par de ter sido procurador das mesmas, a sua função estava relacionada à parte contábil, mais especificamente efetuando a conciliação bancária Fl. 306DF CARF MF Impresso em 23/03/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 29/0 2/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 16/02/2012 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS Processo nº 19515.004193/200781 Acórdão n.º 210101.361 S2C1T1 Fl. 291 3 (controle dos créditos e débitos, bem como análise de papéis e ações) de ditas empresas. Segundo o recorrente, as movimentações financeiras e bancárias das referidas empresas eram de responsabilidade dar Sra. Margarida Dias, residente no Uruguai, pois era ela quem possuía a test key ou senha para realizar as operações bancárias. Conclui, portanto, que não tem como comprovar a origem dos créditos bancários. Considera arbitrária o lançamento dirigido contra sua pessoa, pois entende não ter sido demonstrada sua relação pessoal e direta com a situação que, em tese, constitua o respectivo fato gerador, e a aplicação da presunção em favor do fisco. Aduz que nos autos da ação penal vinculada não foi proferida sentença, de modo que a investigação baseouse apenas e tão somente em indícios, que, de per si, não tem o condão de justificar a autuação em tela, ainda mais no importe de R$ 128.907.386,07. Entende que a Autoridade Fiscal teria que aguardar a decisão final, a ser proferida nos autos da Ação Penal vinculada e, somente após, lavrar o presente auto, se — e somente se — constatados os supostos crimes, bem como a figura do dolo, a ensejar a aplicação da multa prevista no inciso II, do artigo 44, da Lei n°9.430/96. Assevera que a autuação está em duplicidade, pois foram identificados relacionamentos existentes em outras subcontas, casas de câmbio ou de remittance, que consolidam as movimentações financeiras ocorridas nas subcontascorrentes denominadas Sinkel e Laurel, que certamente foram objeto de fiscalização e autuação, justificando, destarte, a improcedência desta autuação. Argumenta que o presente Auto fora lavrado com base na Ação Penal, processo n° 2004.70.00.0217781, em trâmite perante a 2a Vara da Justiça Criminal Federal da Comarca de Curitiba/Paraná, que o Ministério Público Federal move contra o recorrente e outro, para apurar a suposta prática de crime contra o sistema financeiro nacional e crimes de "lavagem" ou ocultação de bens, direitos ou valores. Assim, na esteira da denúncia, supostamente agindo na função de "doleiro", teria praticado operações de câmbio ilegal. Portanto, não há como negar que, se alguma responsabilidade lhe for atribuída, a base de incidência do tributo lançado não poderia jamais ser a total movimentação das contascorrentes Sinkel e Laurel. Não há dúvidas de que apenas e tãosomente os rendimentos, assim entendidos como os spreads praticados contrapartida que teria recebido pelo desempenho de suas funções de intermediador/"doleiro" seriam passíveis de tributação. Por fim, argúi a ausência de conduta fraudulenta com o propósito de sonegação fiscal, a ensejar a aplicação da multa qualificada. É o Relatório. Voto Conselheiro José Raimundo tosta Santos O recurso atende os requisitos de admissibilidade. Em relação à validade da intimação recepcionada em 21/12/2007 (conforme AR à fl. 163), pela portaria do condomínio em que o autuado reside, cabe apenas aplicar a súmula CARF a seguir transcrita: Súmula CARF nº 9: É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, Fl. 307DF CARF MF Impresso em 23/03/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 29/0 2/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 16/02/2012 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS 4 confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário. Ademais, verificase que o contribuinte apresentou a sua impugnação ao lançamento no trintídio legal, considerando para o início da contagem do prazo a data em que foi dada a ciência do recebimento do Auto de Infração (21/12/2007), havendo repisado em sede de recurso voluntário as mesmas questões suscitadas perante o Órgão julgador de primeiro grau, circunstância que evidencia não ter havido qualquer restrição ao pleno exercício do seu direito de defesa. Deixo de analisar questões suscitadas pelo recorrente sobre ilegitimidade passiva e decadência, tendo em vista o mérito favorável ao sujeito passivo. Conforme relatado, tratase de Auto de Infração para exigência de IRPF em razão da omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários sem origem comprovada, fundada no artigo 42 da Lei nº 9.430/96. O Termo de Verificação Fiscal esclarece que o procedimento fiscal teve origem em documentação recebida no âmbito da CPI do Banestado, quando, em razão de determinação judicial extraída dos autos de processo judicial foi determinada a quebra do sigilo bancário de conta mantida em instituição bancaria no exterior, em razão de indícios de que doleiros brasileiros estivessem movimentando as referidas contas para a realização de câmbio ilegal. Entre as contas encontradas, estavam as de titularidade das empresas Laurel Finance Ltd. (conta 311045) e Sinkel Financial Ltd. (conta 311197). O Recorrente e Jan Sidney Murachovsky figuravam em tais contas como representantes das referidas empresas – consideradas pela fiscalização como empresas de fachada, com sede nas Ilhas Virgens Britânicas, conhecido paraíso fiscal – razão pela qual o montante dos créditos bancários foi dividido entre ambos. Para melhor compreensão do equívoco da fiscalização na interpretação dos fatos que culminaram com a lavratura do Auto de Infração em exame, transcrevo a seguir alguns trechos do Termo de Verificação Fiscal (fls. 125/150), verbis: Com o auxílio do Banco Itaú, sucessor do Banco do Estado do Paraná, as investigações iniciaram com diligências de autoridades brasileiras em Nova Iorque, onde foram levantadas inúmeras contas de doleiros brasileiros mantidas na agência daquele Banco estadual. Pelo exame da documentação apreendida, especialmente pela análise do software de transmissão de ordens de transferência de recursos (FTC — Funds Transfer Control), eram alimentadas com recursos evadidos do país por intermédio das contas CC5 mantidas nas agências de bancos brasileiros em Foz do Iguaçu. (...) Dentre as diversas subcontas mantidas na Beacon Hill Service Corporation, pelos doleiros brasileiros, foram encontradas da empresa de fachada Laurel Finance Ltd. (conta 311045) e a da empresa de fachada Sinkel Financial Ltd. (conta 311197), cujos reais gestores e mandantes eram, os denunciados SAMUEL SEMTOB SEQUERRA e JAN SIDNEY MURACHOVSKY. (...) Fl. 308DF CARF MF Impresso em 23/03/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 29/0 2/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 16/02/2012 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS Processo nº 19515.004193/200781 Acórdão n.º 210101.361 S2C1T1 Fl. 292 5 A subconta Laurel Finance Ltda. é uma empresa de fachada com sede nas Ilhas Virgens Britânicas, conhecido paraíso fiscal, tendo como diretora Caren Barrios Tejada, e seus representantes SAMUEL SEMTOB SEQUERRA e JAN SIDNEY MURACHOSVSKY. Esses representantes, conforme comprovam os documentos apreendidos, agiam no mercado interno de câmbio paralelo, promovendo operações de câmbio irregulares denominadas de 'dólarcabo'. De acordo com o Laudo EconômicoFinanceiro n° 1411/04 INC, a subconta da empresa Laurel Finance Ltd. (conta 3 11045) movimentou no período de 04/11/1997 a 26/12/2002 créditos no valor de US$ 128,956,520.57. A subconta Sinkel Financial Ltd é uma empresa de fachada com sede nas Ilhas Virgens Britânicas, conhecido paraíso fiscal, tendo como diretores Antonio Samudio, Dalys Donoso e Sebastian E. Paniza, e seus representantes SAMUEL SEMTOB SEQUERRA e JAN SIDNEY MURACHOVSKY. De acordo com o Laudo EconômicoFinanceiro n° 1412/04 INC a subconta da empresa Sinkel Financial Ltd. (conta 3 11045) movimentou no período de 17/08/1999 a 30/12/2002 créditos no valor de US$ 157,753,605.70. Em 04/08/2003, o Departamento de Polícia Federal solicitou ao Juízo da 2ª Vara Criminal Federal de CuritibaPR, por meio do oficio 120/03 PF/FT/SR/DPF/PR, a quebra de sigilo bancário no exterior da empresa ‘Beacon Hill Service Corporation', sediada em Nova Iorque, Estados Unidos da América, que atuava, como preposto bancáriofinanceiro de pessoas físicas ou jurídicas representadas por cidadãos brasileiros. Em 14/08/2003, o Juízo da 2ª Vara Criminal Federal de CuritibaPR, encarregou a autoridade policial presidente do inquérito de obter documentação pertinente, de modo que, em 27/08/2003, a autoridade policial oficiou à Promotoria do Distrito de Nova Iorque (District Attorney's of de Country of New York), sobre o afastamento do sigilo bancário e pedido de investigação criminal nos EUA. Em 09/09/2003, a Promotoria apresentou as mídias eletrônicas e documentos contendo dados financeiros relativos à empresa Beacon Hill, após decisão judicial (Order To Disclose), de 29/08/2003. Estas informações foram trazidas ao Brasil pela autoridade policial e, em 20/04/2004, conforme decisão da 2ª Vara Criminal Federal de Curitiba —PR, houve a transferência dos dados à Receita Federal. Com base nestes elementos, evidenciouse que diversos contribuintes nacionais enviaram e/ou movimentaram divisas no exterior, à revelia do sistema financeiro nacional, ordenando, Fl. 309DF CARF MF Impresso em 23/03/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 29/0 2/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 16/02/2012 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS 6 remetendo ou se beneficiando de recursos em divisas estrangeiras, utilizandose de contas/subcontas mantidas no “JP Morgan Chase Bank” pela empresa “Beacon Hill Service Corporation”, a qual representava “doleiros” brasileiros e/ou empresas “offshore” com participação de brasileiros. (...) 05 — Conforme se depreende dos documentos citados e anexos, os valores envolvidos foram movimentados em subcontas mantidas na Beacon Hill Service Corporation, por “doleiros” brasileiros, no caso em tela pelas empresas de "fachada" Laurel Finance Ltda. (conta 311045) e Sinkel Financial Ltda. (conta 311197). Fartamente foi demonstrado, nestes autos e nos diversos laudos e inquéritos policiais anexos, que os reais gestores e mandantes dessas contas foram os sujeitos passivos SAMUEL SEMTOB SEQUERRA e JAN SIDNEY MURACHOVSKY. (...) A matéria tributável, está discriminada na Tabela "B", onde constam as respectivas movimentações financeiras, sendo que os valores ali apresentados foram imputados na proporção de 50% para Jan Sidney Murachosky e 50% para Samuel Semtob Sequerra, de acordo com a Lei abaixo transcrita: De acordo com a Lei n° 9.430/96, artigo 42 parágrafo § 6 "Na hipótese de contas de depósito ou de investimento mantidas em conjunto, cuja declaração de rendimentos ou de informaç5es dos titulares tenham sido apresentadas em separado, e não havendo comprovação da origem dos recursos nos termos deste artigo, o valor dos rendimentos ou receitas será imputado a cada titular mediante divisão entre o total dos rendimentos ou receitas pela quantidade de titulares. (Incluído pela Lei n°10.637, de 2002)." Da leitura destes trechos – em conjunto com todas as provas e informações constantes dos autos, é forçoso concluir ser inquestionável que os representantes das subcontas Laurel e Sintel, de fato, exerciam a atividade de câmbio “paralelo”, isto é, a margem do sistema financeiro oficial brasileiro. As contas que geraram este lançamento eram utilizadas justamente para este fim. É de se concluir, portanto, que o montante lá movimentado pertenciam às pessoas que os contratavam para efetivar o cambio. Por isso que, se algum dinheiro movimentado pertencia a eles, este dinheiro corresponderia não à integralidade da movimentação, mas sim ao percentual que os mesmos cobravam em troca da realização das operações (o chamado “spread”). Tal entendimento está em consonância com diversos julgados deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, Acórdão nº 210200.329 (sessão de 23/09/2009), 210200.609 (Sessão de 14/05/2010) e nº 2101 000.708 (sessão de 19/08/2010), dentre outros, que tiveram origem na mesma operação da Polícia Federal. Não tendo o lançamento levado em consideração este fator de extrema relevância, não pode ele prosperar, pois não se aperfeiçoou, no caso, a presunção a que alude o art. 42 da Lei nº 9.430/96, pois a fiscalização já sabia, pela documentação recebida dos inquéritos e processos judiciais, que a origem dos créditos estava relacionada com a atividade ilegal exercida pelos autuados. Caberia às autoridades fiscais ter efetuado o lançamento com o arbitramento da base de cálculo correspondente à remuneração auferida pelo recorrente, ou Fl. 310DF CARF MF Impresso em 23/03/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 29/0 2/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 16/02/2012 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS Processo nº 19515.004193/200781 Acórdão n.º 210101.361 S2C1T1 Fl. 293 7 seja, da parcela que ele recebia a título de comissão pelo trabalho de cambio paralelo, realizado em conjunto com Jan Sidney Murachovsky. No julgamento do processo administrativo fiscal nº 19515.004192/200736, relacionado a este contribuinte, para o qual foi atribuída a omissão de rendimentos relativo a 50% (cinqüenta por cento) dos créditos das subcontas das empresas Laurel e Sintel, a 2ª Turma Ordinária desta 1ª Câmara deu provimento ao recurso voluntário interposto, com voto condutor da lavra do i. Conselheiro relator Giovanni Christian Nunes Campos, que transcreveu em seu voto excertos do Acórdão nº 210200329, que examinou a mesma matéria em sessão realizada em 23/09/2009: Na mesma linha acima, a autoridade autuante historiou o presente procedimento investigativo, quando asseverou que o contribuinte havia sido identificado por DOLEIRO em memorando oriundo da Equipe Especial de Fiscalização – Portaria 463/04, sendo que a expressão aqui em caixa alta constou dessa forma no Termo de Verificação Fiscal que encerrou, lá na fase da autuação, o procedimento fiscal aqui em debate (fl. 1.029, in fine). A questão acima é absolutamente relevante para o deslinde da controvérsia referente à tributação da presunção prevista no art. 42 da Lei nº 9.430/96, já que é consabido que um “doleiro” (ou qualquer pessoa ou empresa que atue na intermediação de compra e venda de moeda estrangeira) percebe apenas um percentual sobre o montante comercializado (diferencial obtido entre o valor de compra e o valor de venda da moeda estrangeira), ou seja, não se poderia imputar ao fiscalizado todo o montante da transação financeira como rendimento omitido (montante comprado ou vendido), mas apenas a diferença percentual auferida em cada transação de compra/venda. Mutatis mutandis, a tributação do imposto de renda nessa hipótese deveria se assemelhar à tributação do imposto de renda dos ganhos de um “agiota” pessoa física (este, em regra, tratado eufemisticamente como factoring), quando se deve tributar apenas a margem obtida na operação de empréstimo (e não o montante da própria operação do empréstimo), e, considerando que se trata de exploração habitual e profissional de atividade comercial com fim especulativo de lucro, deverseia equiparálo à pessoa jurídica (art. 150, § 1º, II, do Decreto nº 3.000/99). Por mais condenável que seja a prática comercial imputada ao fiscalizado, e aqui isso não se nega, ao contrário, tratase de prática que deve ser repudiada sobre todos os aspectos, já que, em regra, serve para maximizar e esconder condutas criminosas gravíssimas (tráfico de armas, de drogas, de pessoas, contrabando e descaminho, etc.) e para atentar contra a própria higidez do sistema cambial brasileiro (o que obrigou o Brasil a recorrer seguidamente ao Fundo Monetário Internacional, como se viu nos anos 80, e, mais especificamente em 1999 e 2002, com a nação em quase default), não se pode, entretanto, utilizar a tributação como uma pena adicional, sem haver a competente materialidade tributária, gravando valores que se sabe que não foram auferidos pelo contribuinte. Aqui, devese observar que a dificuldade para aplicação da presunção legal do art. 42 da Lei nº 9.430/96 ao caso em debate foi percebida pela própria Fl. 311DF CARF MF Impresso em 23/03/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 29/0 2/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 16/02/2012 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS 8 autoridade autuante, pois, não por outra razão, essa autoridade intimou o contribuinte a comprovar as margens obtidas na intermediação de recursos em moedas estrangeiras, nos seguintes termos (fl. 839), verbis: (...) Demonstrandose de forma iniludível a atividade de intermediação de moedas do fiscalizado, passase a fazer algumas considerações sobre os laudos do INC, os quais também trazem indícios sobre a conclusão antes esposada. O primeiro dos laudos asseverou que o contribuinte Antônio Pires de Almeida controlava as contas em debate, bem como as off shores respectivas, sendo ligado à empresa Turist Câmbio Ltda, hoje Travel Câmbio e Turismo Ltda (fl. 1.121). Ainda, registrou o total de ordens recebidas e remetidas, por anocalendário, em cada uma das contas, onde se percebe que o montante de ordens remetidas e recebidas são da mesma ordem de valor, em todos os anos, a indicar que as contas das off shores funcionavam como repositório de entrada e saída de recursos controladas pelo doleiro (fl. 1.112). O segundo dos laudos, que auditou a documentação das contas Gatex e Harber, apontou a Sra. Regina Ruriko Inoue como procuradora da conta Gatex (fl. 1.126). O terceiro laudo vinculou os Srs. Antônio Pires de Almeida e Roseli Ciolfi à conta Sorabe (fl. 1.138). Aqui, nada autoriza a concluir que o recorrente seria o proprietário dos valores, mas apenas o responsável pelas movimentações em nome de terceiros (foram acostadas planilhas aos autos demonstrando os remetentes das ordens para o exterior – múltiplas pessoas físicas e jurídicas, diversas do recorrente – fls. 839 a 1.006), a partir do gerenciamento das contas das off shores. Ora, se se trata de intermediação da compra e venda de moedas estrangeiras, não se pode imputar o valor total das operações como omissão de rendimentos, mas apenas as margens (spreads) auferidas nas operações de compra/venda. Como exemplo de entendimento que rejeita procedimento perpetrado pela fiscalização de forma similar ao caso aqui em debate, quando a autoridade fiscal utiliza a presunção do art. 42 da Lei nº 9.430/96 sobre todos os valores movimentados por uma pessoa física que desempenha atividade similar à factoring (“agiota”), vejase o excerto do Acórdão nº 10616.709, relator o Conselheiro Luiz Antonio de Paula, sessão de 22/01/2008, unânime, verbis: (...) (grifos do original) Logo em seguida o ilustre Conselheiro conclui que os elementos de prova nos autos demonstram que o contribuinte Jan Sidney Murachovsky e seu sócio Samuel Semtob efetivamente operacionalizavam a compra e venda irregular de moedas estrangeiras, quando é cediço que em tais operações somente se aufere uma margem (spreads), jamais os próprios créditos poderiam ser considerados rendimentos omitidos pelos doleiros. Neste diapasão, vale ressaltar que as presunções servem para que fatos de difícil comprovação direta sejam substituídos por outros que, em ocorrendo, darão fortes indícios de que o fato gerador do imposto efetivamente ocorreu. Assim, a presunção de Fl. 312DF CARF MF Impresso em 23/03/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 29/0 2/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 16/02/2012 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS Processo nº 19515.004193/200781 Acórdão n.º 210101.361 S2C1T1 Fl. 294 9 omissão de rendimentos em face da constatação de depósitos bancários deve ser construída com base na verossimilhança e em juízos de razoabilidade e proporcionalidade, pois, sem que assim seja, não será possível a sua aplicação, posto que estará eivada de incerteza a exigência tributária, fazendo nascer uma obrigação com vício de bases principiológicas relativas à segurança jurídica e à capacidade contributiva. O princípio da verdade material decorre do princípio da oficialidade: é do interesse da administração tributária que o lançamento seja efetuado com base na verdade real. Em voto proferido no Acórdão nº 10247.457, o ilustre Conselheiro Naury Fragoso Tanaka faz as seguintes ponderações: (...) a verdade material deve sempre constituir objeto de busca pelo procedimento fiscal, mesmo nas situações em que a lei permite ao fisco obter o fato gerador por intermédio da ocorrência de outros que a ele estão ligados logicamente. (...) a busca da verdade material que se externa obrigatória pela ordem contida no artigo 142, do CTN, e para que, por utilização inadequada da base presuntiva, evitese formalização de créditos exorbitantes e em descompasso com aquele que realmente seria devido. Essa análise constitui passo obrigatório para evitar ofensas à capacidade contributiva e o enriquecimento ilícito da União em razão de eventual formalização de crédito tributário em descompasso com aquele efetivamente devido, caso desprezada essa investigação. À evidência de que a movimentação bancária resulta da venda de bens ou serviços – e a movimentação financeira diária, intensa e expressiva, denota tal ocorrência, pois será improvável que resulte de renda líquida a ser tributada – por força do princípio da verdade material e da tipicidade cerrada, deve o fisco verificar a efetiva renda percebida, para exigir o tributo em acordo com as normas específicas de tributação, consoante determina o § 2º do artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996. No entanto, não é essa forma de abstrair os conceitos postos na dita lei que está predominando na interpretação do fisco, e exigese tributo sobre toda a renda apurada com base na somatória dos depósitos, independente das provas indiciárias da presença de outras atividades. A situação em exame não foge à regra citada. De acordo com essa interpretação é que vejo a tributação posta neste ato administrativo como resultante de uma aplicação da norma em conflito com aquela que determina a hipótese de incidência do tributo (auferir renda ou proventos de qualquer natureza), justamente porque permite exigir tributo de valores que, comprovadamente, não se prestam para servir de base presuntiva de renda omitida, situação da qual resulta exigência de tributo sobre renda que não é renda. Em face ao exposto, no mérito, dou provimento ao recurso. (assinado digitalmente) José Raimundo Tosta Santos Fl. 313DF CARF MF Impresso em 23/03/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 29/0 2/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 16/02/2012 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS 10 Fl. 314DF CARF MF Impresso em 23/03/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 29/0 2/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 16/02/2012 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS
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Numero do processo: 11610.005879/2003-75
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 27 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Oct 27 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 1999
PAGAMENTO DE TRIBUTO COM ATRASO SEM MULTA DE MORA.
LEI Nº 11.488, DE 2007. RETROATIVIDADE BENIGNA. Aplica-se ao ato ou fato pretérito, não definitivamente julgado, a legislação que deixe de defini-lo como infração ou que lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo de sua prática.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2101-001.341
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar
provimento ao recurso.
Matéria: IRPF- auto de infração eletronico (exceto multa DIRPF)
Nome do relator: JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS
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LEI Nº 11.488, DE 2007. RETROATIVIDADE BENIGNA. Aplicase ao ato ou fato pretérito, não definitivamente julgado, a legislação que deixe de definilo como infração ou que lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo de sua prática. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) ___________________________________ Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente (assinado digitalmente) ___________________________________ José Raimundo Tosta Santos Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), José Raimundo Tosta Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Célia Maria de Souza Murphy, Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa e Gonçalo Bonet Allage. Relatório Fl. 96DF CARF MF Emitido em 29/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/11/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 16/1 1/2011 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTO, Assinado digitalmente em 11/11/2011 por JOSE RAIMUNDO TOS TA SANTOS 2 O recurso voluntário em exame pretende a reforma do Acórdão nº 03 21.379, proferido pela 3ª Turma da DRJ Brasília, que, por unanimidade de votos, julgou procedente o lançamento. A infração indicada no lançamento e os argumentos de defesa suscitados na impugnação foram sintetizados pelo Órgão julgador a quo nos seguintes termos: Contra o contribuinte em epígrafe foi emitido Auto de Infração do Imposto de Renda da Pessoa Física IRPF (fls. 10 a 18), referente ao exercício 1999, anocalendário 1998, por Auditor Fiscal da Receita Federal, da DRF/São Paulo/SP. Após a revisão da Declaração foram apurados os seguintes valores (fl. 10): Imposto de Renda Pessoa Física Suplementar 7.093,50 Multa de Ofício (passível de redução) 5.320,12 Juros de Mora (cálculo válido até 03/2003) 4.788,82 Restituição Indevida a Devolver 689,60 Total do Crédito Tributário 17.892,04 O lançamento acima foi decorrente da seguinte infração: Dedução Indevida a Título de CarnêLeão. Diferença entre o total declarado com o efetivamente recolhido. Valor alterado de R$ 31.382,50 para R$ 26.951,38. Enquadramento legal: Art. 12, inciso V, da Lei 9.250/95 (fl. 17). O contribuinte apresenta impugnação, datada de 25/04/2003 (fl. 01 a 07), acompanhada da documentação, na qual, em síntese, expõe os motivos de fato e de direito que se seguem: Inicialmente, faz breve relato dos fatos que culminaram no auto de infração em tela. A autuação não merece prosperar. A inventariante dos bens do contribuinte ao perceber a distorção nos recolhimentos do IR, relativo ao anocalendário 1998, retificou a DIRPF, e recolheu os valores do IR que não foram pagos na época própria, acrescidos dos juros moratórios. Ressalta que em nenhum ponto do auto, o Fiscal contesta a validade/precisão dos valores recolhidos ou dos juros moratórios aplicados sobre eles. A responsabilidade tributária pelos recolhimentos dos valores objeto do Auto de Infração já estava excluída à época de sua lavratura, nos termos do art. 138, do Código Tributário Nacional. Transcreve o dispositivo. Assim, por força desse artigo, a multa moratória nunca foi exigível, pois o contribuinte procedeu ao recolhimento do IR, antes do início de qualquer procedimento administrativo para exigila. Cita e transcreve jurisprudência da Câmara Superior de Recursos Fiscais no sentido de sua argumentação. O auto de infração contém defeitos intrínsecos que acarretam a sua nulidade. O primeiro deles diz respeito à exigência de juros moratórios, matéria tratada no RIR/1999. Transcreve o art. 953. Os juros moratórios devidos sobre os valores extemporaneamente recolhidos incidiram e foram calculados/recolhidos justamente em obediência àquele preceito regulamentar: a partir do 1° dia do mês subseqüente ao do vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento. Ademais, como é dito pelo Fiscal, O impugnante é acusado de não ter recolhido a multa de mora que incidiria sobre os valores que recolheu, estes juros não seriam devidos, por força do § 2°, do art. 953, do RIR. Transcreve o dispositivo. O Agente Fiscal está exigindo novo IR sobre as mesmas operações, quando no próprio anexo da autuação, reconhece como recolhido aquele imposto. Fl. 97DF CARF MF Emitido em 29/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/11/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 16/1 1/2011 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTO, Assinado digitalmente em 11/11/2011 por JOSE RAIMUNDO TOS TA SANTOS Processo nº 11610.005879/200375 Acórdão n.º 210101.341 S2C1T1 Fl. 83 3 Requer o impugnante o recebimento e provimento da impugnação, bem como a declaração de nulidade do auto de infração. A decisão recorrida possui a seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF Exercício: 1999 MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO. OCORRÊNCIA. Nos casos de lançamento de oficio, será aplicada multa, calculada sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição, de 75%, na hipótese de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuados os casos de evidente intuito de fraude, quando será fixada em 150%. MULTA DE MORA. CABIMENTO. Os débitos para com a União, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora. Lançamento Procedente Em seu apelo ao CARF, às fls. 59/64, o contribuinte reitera as mesmas questões suscitadas perante o Órgão julgador de primeiro grau. É o Relatório. Voto Conselheiro José Raimundo Tosta Santos, Relator. O recurso atende os requisitos de admissibilidade. Inicialmente, verificase que os fatos tratados no lançamento em exame ocorreram no anocalendário de 1998 e são de responsabilidade do espólio de Hermann Bock, que faleceu em 06/01/1996, consoante Certidão de Óbito à fl. 33. Nos termos do artigo 1.572 do Código Civil vigente à época, aberta a sucessão, o domínio e a posse da herança transmitemse, desde logo, aos herdeiros legítimos e testamentários. Assim, independentemente de qualquer ato, no instante da morte do de cujus abrese a sucessão, sendo o espólio contribuinte do imposto de renda, por sua relação pessoal e direta com os rendimentos produzidos pelos bens e direitos a inventariar, conforme dispõe o artigo 121, inciso I, do CTN. Conforme indica o voto condutor da decisão recorrida, o litígio versa sobre a cobrança da multa de mora, bem como da multa de oficio aplicada por falta de recolhimento da multa de mora incidente sobre o imposto pago fora do prazo previsto. Aduz o acórdão que a finalidade da multa moratória é a indenização pela demora e que apesar da regularização espontânea do contribuinte, este recolheu somente o valor do principal e os juros. O caso em análise, portanto, não trata da exigência da multa isolada sobre o valor do pagamento mensal Fl. 98DF CARF MF Emitido em 29/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/11/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 16/1 1/2011 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTO, Assinado digitalmente em 11/11/2011 por JOSE RAIMUNDO TOS TA SANTOS 4 (carnêleão), na forma do art. 8º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixou de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto apagar na DIPF. Para espancar qualquer dúvida a esse respeito, confirase o Anexo ao Auto de Infração (fls. 11/12), que contém a descrição minuciosa da infração imputada ao sujeito passivo: Contudo, verificamos que o contribuinte recolheu os tributos acrescidos somente dos juros, sem a devida multa de mora de 0,33% ao dia de atraso, limitado a no máximo 20% (Lei 8.981/95, arts. 5° e 6°; Lei 9.249/95, art. 1º; Lei 9.430/96, art. 61). Conforme planilha SICALC em anexo, ao aplicarmos os encargos moratórios conforme estabelecido na legislação em vigor sobre os valores originais do carnêleão, apuramos que o total a ser recolhido deveria ter sido de R$ 54.880,20, e não R$ 48.819,75. A diferença de R$ 6.060,45 se refere à multa de mora não considerada pelo contribuinte nos cálculos dos pagamentos. Cumpre observar, ainda, que ao tempo da ocorrência da infração e da lavratura do Auto de Infração vigia a determinação para que o recolhimento fora do prazo sem o acréscimo da multa de mora fosse objeto de exigência da multa isolada, sendo indevida, portanto, a imputação dos pagamentos efetuados pelo interessado, com a redistribuição proporcional dos valores totais dos DARF’s efetivamente recolhidos pelo contribuinte, a título de imposto e juros de mora, para nova apuração do crédito tributário, incluindose no cálculo a multa de mora de 20%. Confirase o artigo 44, inciso I, e parágrafo 1º, inciso II, da Lei 9.430 de 1996: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; (...) § 1º As multas de que trata este artigo serão exigidas: I juntamente com o tributo ou a contribuição, quando não houverem sido anteriormente pagos; II isoladamente, quando o tributo ou a contribuição houver sido pago após o vencimento do prazo previsto, mas sem o acréscimo de multa de mora; (grifos acrescidos) (...) Entretanto, a Medida Provisória nº 351, de 22/01/2007, convertida na Lei nº 11.488, de 2007, deixou de tratar como infração o pagamento de tributo em atraso sem o recolhimento da multa de mora. Eis a nova redação introduzida pela art. 14 da referida Medida Provisória: Art. 14. O art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, passa avigorar com a seguinte redação: Fl. 99DF CARF MF Emitido em 29/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/11/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 16/1 1/2011 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTO, Assinado digitalmente em 11/11/2011 por JOSE RAIMUNDO TOS TA SANTOS Processo nº 11610.005879/200375 Acórdão n.º 210101.341 S2C1T1 Fl. 84 5 “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de setenta e cinco por cento sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II de cinqüenta por cento, exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal. a) na forma do art. 8º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto apagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; b) na forma do art. 2º desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa física. § 1º O percentual de multa de que trata o inciso I do caput será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. § 2º Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o §1º, serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: I prestar esclarecimentos; II apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11 a 13 da Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991; III apresentar a documentação técnica de que trata o art. 38.” Como se vê, não mais subsiste a hipótese de aplicação de multa isolada a que se referia o § 1º, II do artigo 44 da Lei nº 9.430, de 1996, na redação anterior. Ora, é o caso, portanto, de se aplicar o princípio da retroatividade benigna, consagrado no artigo 106, II, do CTN, verbis: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: (...) II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; Fl. 100DF CARF MF Emitido em 29/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/11/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 16/1 1/2011 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTO, Assinado digitalmente em 11/11/2011 por JOSE RAIMUNDO TOS TA SANTOS 6 c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo de sua prática. Em face ao exposto, dou provimento ao recurso. (assinado digitalmente) JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS Fl. 101DF CARF MF Emitido em 29/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/11/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 16/1 1/2011 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTO, Assinado digitalmente em 11/11/2011 por JOSE RAIMUNDO TOS TA SANTOS
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