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Numero do processo: 11080.901880/2006-19
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Sun Jul 08 00:00:00 UTC 2001
Data da publicação: Fri Jul 08 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI
Período de apuração: 01/04/2002 a 30/06/2002
APURAÇÃO DO IMPOSTO. LANÇAMENTO CREDOR. INSUMOS. FABRICAÇÃO DE PRODUTO IMUNE. REGRA GERAL. IMPOSSIBILIDADE.
Não gera direito a crédito do Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI o valor do Imposto pago na aquisição de insumos aplicados na fabricação de produtos imunes, exceto nos casos em que a imunidade decorre da exportação do produto final.
ATOS NORMATIVOS. OBEDIÊNCIA. PENALIDADES E JUROS DE MORA. EXCLUSÃO.
A observância dos atos normativos editados pela Secretaria da Receita Federal exclui a imposição de penalidades, a cobrança de juros de mora e a atualização do valor monetário da base de cálculo do tributo.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 3102-01.130
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar parcial provimento ao recurso para afastar a incidência de juros e multa. Vencida a Conselheira Nanci Gama, que dava provimento integral ao recurso. O conselheiro Álvaro Almeida Filho votou pelas conclusões e o Conselheiro Luis Marcelo Guerra de Castro acompanhou a tese vencedora em segunda votação.
Matéria: IPI- processos NT - ressarc/restituição/bnf_fiscal(ex.:taxi)
Nome do relator: Ricardo Paulo Rosa
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LANÇAMENTO CREDOR. INSUMOS. FABRICAÇÃO DE PRODUTO IMUNE. REGRA GERAL. IMPOSSIBILIDADE. Não gera direito a crédito do Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI o valor do Imposto pago na aquisição de insumos aplicados na fabricação de produtos imunes, exceto nos casos em que a imunidade decorre da exportação do produto final. ATOS NORMATIVOS. OBEDIÊNCIA. PENALIDADES E JUROS DE MORA. EXCLUSÃO. A observância dos atos normativos editados pela Secretaria da Receita Federal exclui a imposição de penalidades, a cobrança de juros de mora e a atualização do valor monetário da base de cálculo do tributo. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar parcial provimento ao recurso para afastar a incidência de juros e multa. Vencida a Conselheira Nanci Gama, que dava provimento integral ao recurso. O conselheiro Álvaro Almeida Filho votou pelas conclusões e o Conselheiro Luis Marcelo Guerra de Castro acompanhou a tese vencedora em segunda votação. Luis Marcelo Guerra de Castro Presidente. Ricardo Paulo Rosa Relator. EDITADO EM: 08/07/2011 Fl. 114DF CARF MF Impresso em 02/07/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2011 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 17/08/2011 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 08/07/2011 por RICARDO PAULO ROSA 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luis Marcelo Guerra de Castro, Ricardo Paulo Rosa, Paulo Sergio Celani, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho e Nanci Gama. Ausente justificadamente o Conselheiro Luciano Pontes de Maya Gomes. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório que embasou a decisão de primeira instância, que passo a transcrever. O estabelecimento acima identificado apresentou pedido de ressarcimento do saldo credor do IPI, correspondente ao 2° trimestre de 2002, fls. 01/02, autorizado pelo art. 11 da Lei n° 9.779, de 19 de janeiro de 1999, no valor de R$ 66.997,09, cumulado com declaração de compensação. 2. A Delegacia da Receita Federal do Brasil em Porto Alegre, pelo Despacho Decisório n° 146/2008, fl. 36, de 28 de abril de 2008, com suporte na Informação fiscal das fls. 31/34, não reconheceu o direito creditório pleiteado e não homologou as compensações vinculadas ao crédito pretendido, pelos motivos relatados a seguir: 2.1 Os únicos produtos que a empresa dá saída são os jornais Zero Hora, Diário de Santa Maria e Diário Gaúcho, que, de acordo com o art. 150, VI, da Constituição Federal, são produtos imunes à tributação, não revestindo, por isso, a condição de estabelecimento industrial, nos termos da legislação do IPI. 2.2 O entendimento da Secretaria da Receita Federal do Brasil é de que o disposto no art. 11 da Lei n° 9.779, de 11 de novembro de 1999, não se aplica aos produtos amparados por imunidade. 3. Dessa decisão o contribuinte foi cientificado em 09 de maio de 2008, conforme Aviso de Recebimento na fl. 38. Inconformado, apresentou, tempestivamente, manifestação de inconformidade, fls. 39/55, firmada por procurador (Instrumento de Procuração na fl. 56) alegando, em síntese, o seguinte: a) direito ao crédito nas saídas de produtos imunes; b) vinculação da Administração Pública aos atos normativos por ela expedidos: violação ao art. 11 da Lei n° 9.779/99 e, em especial, ao art. 4° da IN SRF n° 33, de 04 de março de 1999, uma vez que os produtos industrializados sujeitos à alíquota zero englobam os produtos imunes; c) aplicação retroativa de ato infralegal, em violação aos artigos 106, I, e 144, ambos do Código Tributário Nacional. 3.1 Ao final, requer a reforma do despacho decisório e homologação das compensações efetuadas. Assim a Delegacia da Receita Federal de Julgamento sintetizou, na ementa correspondente, a decisão proferida. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/2002 a 30/06/2002 RESSARCIMENTO DO SALDO CREDOR DO IPI. São inadmitidos, na composição do saldo credor do IPI, os créditos decorrentes da aquisição de insumos empregados na fabricação de produtos imunes por outros fatores que não a exportação, bem como de produtos com a notação "NT" Fl. 115DF CARF MF Impresso em 02/07/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2011 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 17/08/2011 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 08/07/2011 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 11080.901880/200619 Acórdão n.º 3102001.130 S3C1T2 Fl. 2 3 (nãotributados) na Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados (TIPI). Ilegalidade. Não compete à autoridade administrativa manifestarse quanto à ilegalidade dos atos normativos, por ser essa prerrogativa exclusiva do Poder Judiciário. Aplicação dos atos normativos. O julgador deve observar o entendimento da SRF expresso em atos normativos. Insatisfeita com a decisão de primeira instância, a recorrente apresenta recurso voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por meio do qual repisa argumentos contidos na Manifestação de Inconformidade. Sustenta que os produtos de sua fabricação são produtos imunes e não produtos não tributados. Destaca a relevante distinção que há entre ambos. Que o direito ao crédito não surgiu com a Lei n o 9.779/99, mas do próprio princípio da nãocumulatividade, previsto na Constituição Federal. Que o direito ao credito no caso de produtos imunes, isentos ou tributados à alíquota zero foi explicitado na Instrução Normativa SRF nº 33/99, mais tarde ilegalmente modificada pelo Ato Declaratório Interpretativo SRF nº 05, de 17 de abril de 2006. Cita “recente julgado, ocorrido em 18 de junho de 2008 [no qual] o Min. Ricardo Lewandovski” considera “patente que o direito ao aproveitamento de créditos decorrentes de insumos tributados, no caso de produtos isentos ou tributados à alíquota zero, não teria surgido apenas com a promulgação da Lei 9.779/99, já derivado diretamente do princípio da nãocumulatividade, previsto na CF/88 e em Cartas anteriores, sendo inadmissível que lei ordinária ou simples regulamento pudessem obstaculizálo. Ressaltou que a retroação dos efeitos da Lei 9.779/99 estaria implícita, porque esse diploma configuraria verdadeira "lei interpretativa””. É o relatório. Voto Conselheiro Ricardo Paulo Rosa. Preenchidos os requisitos de admissibilidade, tomo conhecimento do recurso voluntário. Discutese a possibilidade de aproveitamento de créditos na aquisição de insumos aplicados na fabricação de produtos imunes. Tratase de um assunto bastante controvertido, se não pela própria sistemática de apuração de tributos nãocumulativos e das tantas interpretações que comporta no tocante às conseqüências do aproveitamento de créditos quando a operação subsequente é desonerada do Imposto, então pelas divergentes decisões encontrados na jurisprudência. Fl. 116DF CARF MF Impresso em 02/07/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2011 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 17/08/2011 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 08/07/2011 por RICARDO PAULO ROSA 4 Permitome iniciar a análise, partindo da decisão tomada no âmbito do Supremo Tribunal Federal, colacionada pela própria empresa recorrente, de lavra do Exmo. Min. Ricardo Lewandovski, com o seguinte teor. Entendeu ser patente que o direito ao aproveitamento de créditos decorrentes de insumos tributados, no caso de produtos isentos ou tributados à alíquota zero, não teria surgido apenas com a promulgação da Lei 9.779/99, já derivado diretamente do princípio da nãocumulatividade, previsto na CF/88 e em Cartas anteriores, sendo inadmissível que lei ordinária ou simples regulamento pudessem obstaculizálo. Ressaltou que a retroação dos efeitos da Lei 9.779/99 estaria implícita, porque esse diploma configuraria verdadeira "lei interpretativa” É de se admitir que a interpretação acima transcrita caminha no mesmo sentido da que é defendida pela recorrente. Tal como naquela, baseiase na premissa de que a Lei 9.779/99 não inovou no ordenamento jurídico pátrio, mas apenas determinou expressamente aquilo que já estava há muito consagrado pela própria Constituição Federal, derivando diretamente do princípio da nãocumulatividade. Inobstante, o fato é que nem mesmo a própria decisão do Recurso Especial em epígrafe terminou por adotar tal entendimento, se não vejamos. Antes da vigência Lei nº 9.779/99 não é possível o contribuinte se creditar ou se compensar do IPI quando incidente o tributo sobre os insumos ou matériasprimas utilizados na industrialização de produtos isentos ou tributados com alíquota zero. RE 562.980, Min. Ricardo Lewandowski e redator AC Min. Marco Aurélio Ou seja, a despeito do entendimento manifesto pelo Ministro Relator do processo no curso da decisão, conforme trazido aos autos pela recorrente, ao final prevaleceu a idéia contrária, a de que foi a Lei 9.779/99 responsável pela introdução no ordenamento jurídico da possibilidade de creditamento nas situações em que o produtos final não pague o Imposto. Pertinente trazer aos autos manifestação contida no voto condutor da decisão epigrafada, de autoria do Exmo. Min. Marco Aurélio. RECUSO EXRAORDINÁRIO 562.9805 SANTA CATARINA O SENHOR MINISTRO MARCO AURÉLIO – Senhor Presidente, apenas dois esclarecimentos: os casos versam situação pretérita à lei, e, no meu voto, sustentei realmente que a Constituição Federal cogita de compensação, e compensação pressupõe algo devido que terá parcela subtraída mediante esse fenômeno – compensação. Há mais, Presidente. Há um aspecto muito interessante: se não entendermos dessa forma, o que ocorrerá, evidentemente por uma via diversa, quanto ao recolhimento anterior? Se se credita o valor recolhido anteriormente, quando a saída do produto é isenta, estarseá procedendo à retroação dessa mesma isenção a ponto de alcançar a primeira operação e, claro, isso não está previsto na Constituição Federal. A Constituição Federal visa, com o princípio da não cumulatividade, a evitar superposições, não a extensão retroativa de benefício, considerada a operação tributada anteriormente. Fl. 117DF CARF MF Impresso em 02/07/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2011 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 17/08/2011 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 08/07/2011 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 11080.901880/200619 Acórdão n.º 3102001.130 S3C1T2 Fl. 3 5 Por isso mantenho, nos dois casos, os votos proferidos, ressaltando que, como não se reconhece o direito ao principal, não se pode cogitar de acessórios – correção monetária. As conseqüências de tal fato são claras. Se não é da índole do método de apuração baseado no princípio da nãocumulatividade a autorização para o aproveitamento de créditos na aquisição de insumos utilizados para produtos isentos ou tributados com a alíquota zero, por certo também não o é nos casos de fabricação de produtos imunes ou nãotributados, de tal sorte que o aproveitamento do créditos nestas circunstâncias depende de expressa previsão legal. No mesmo diapasão, encontrase a orientação consignada em súmula editada no âmbito deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Súmula CARF nº 20: Não há direito aos créditos de IPI em relação às aquisições de insumos aplicados na fabricação de produtos classificados na TIPI como NT. Todo exposto, salvo melhor juízo, afasta qualquer possibilidade de que se acolha o entendimento de que o aproveitamento de créditos em situações como a de que aqui tratamos seja um procedimento inerente à mecânica da nãocumulatividade. Em lugar disso, necessário admitir que ele decorre de Lei e dela depende. Neste sentido, identificase no comando legal contido na Lei 9.779/99 autorização para o aproveitamento de crédito apenas em dois casos: nos de fabricação de produtos isentos e nos de fabricação de produtos tributados à alíquota zero. Art. 11. O saldo credor do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, acumulado em cada trimestrecalendário, decorrente de aquisição de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, aplicados na industrialização, inclusive de produto isento ou tributado à alíquota zero, que o contribuinte não puder compensar com o IPI devido na saída de outros produtos, poderá ser utilizado de conformidade com o disposto nos arts. 73 e 74 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, observadas normas expedidas pela Secretaria da Receita Federal do Ministério da Fazenda. Embora a recorrente tenha colocado em destaque na parte introdutória da peça recursal a distinção entre produtos imunes e não tributados, nada acrescentou a respeito do assunto nas linhas subseqüentes. Observese como introduziu o assunto. 2. RAZÕES DO RECURSO 2.1 Do objeto da controvérsia 2.1.1 A empresa recorrente tem como objeto a exploração do ramo de jornalismo, distribuição de notícias e informações, bem como a edição e impressão de jornais e periódicos, ou seja, produtos imunes ao IPI. O acórdão, por sua vez, afirma que tais produtos seriam classificados como produtos nãotributados e constrói sua argumentação em cima dessa classificação, conforme se percebe na ementa do acórdão: "inadmitidos, na composição do saldo credor do IPI, os créditos decorrentes da aquisição de insumos empregados na fabricação de produtos imunes por outros fatores que não a exportação, bem como de produtos com a notação NT (nãotributados) na Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados (TIPI)". Fl. 118DF CARF MF Impresso em 02/07/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2011 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 17/08/2011 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 08/07/2011 por RICARDO PAULO ROSA 6 2.1.2 Resta evidente pela leitura do acórdão que o Relator estende a mesma fundamentação dos produtos nãotributados aos produtos imunes, declarando inexistir direito ao provimento de créditos decorrentes da aquisição de insumos aplicados tanto na produção de produtos imunes como nãotributados. 2.1.3 Sobre o ponto, indiscutível tratarse de produtos imunes, porquanto a empresa dedicase à publicação de jornais e periódicos, cuja imunidade está constitucionalmente consagrada no art. 150, VI, d, e prevista no art. 18, I, do Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados (RIPI) Decreto n° 4.544/02. 2.1.4 A diferenciação se mostra relevante, à medida que a matériaprima utilizada na fabricação de produtos nãotributados jamais pode ser aproveitada como crédito de IPI, ao contrário da matériaprima dos produtos imunes, que se enquadra na hipótese prevista no art. 11 da Lei n° 9.779/99. Não havendo, como se disse, considerações complementares capazes de elucidar a distinção anunciada, o argumento trazido pela própria recorrente, no sentido de que a matériaprima utilizada na fabricação de produtos nãotributados jamais pode ser aproveitada como crédito de IPI, ao contrário da matériaprima dos produtos imunes, que se enquadra na hipótese prevista no art. 11 da Lei n° 9.779/99, termina por corroborar (embora não fosse essa a sua intenção) o entendimento de que a autorização para apropriação do crédito na escrita, em tais circunstâncias, está restrita àquilo expressamente determinado na Lei permissiva, a Lei 9.779/99. Importante destacar nesta altura, sem intentar a elaboração de uma tese conclusiva a respeito do assunto, que existem conhecidas distinções entre os fenômenos da isenção, da tributação à alíquota zero, da imunidade e da condição de produtos não tributáveis. Enquanto a isenção e a redução da alíquota são procedimentos ao alcance, um do legislador ordinário, outro muitas vezes da própria Administração, a imunidade é assunto tutelado pela Constituição Federal, ao passo que a condição de produto não tributado consubstanciandose em uma característica própria do produto definido como tal. Identificar tais distinções permite admitir que para uns o legislador tenha encontrado fortes razões para permitir o aproveitamento de créditos e para outros não, reforçando o entendimento de que a decisão deva ser tomada à luz do disposto na Lei 9.779/99, ausentes quaisquer razões para que se proceda a uma interpretação extensiva de suas disposições. Uma vez que isso tudo esteja decidido, é preciso, noutro giro, que se atente para as disposições infralegais trazidas ao mundo jurídico pelas deliberações emanadas da Secretaria da Receita Federal do Brasil por meio da Instrução Normativa nº 33/99 e do Ato Declaratório Interpretativo nº 05/06. A Instrução Normativa nº 33/99, ao tratar dos produtos passíveis de aproveitamento do crédito, referiuse expressamente àqueles identificados como imunes, se não vejamos. Do direito ao aproveitamento do saldo credor do IPI – Art. 11 da Lei nº 9.779, de 1999 Art. 4º O direito ao aproveitamento, nas condições estabelecidas no art. 11 da Lei no 9.779, de 1999, do saldo credor do IP I decorrente da aquisição de MP, PI e ME aplicados na industrialização de produtos, inclusive imunes, isentos ou tributados à alíquota zero, alcança, exclusivamente, os insumos recebidos no Fl. 119DF CARF MF Impresso em 02/07/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2011 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 17/08/2011 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 08/07/2011 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 11080.901880/200619 Acórdão n.º 3102001.130 S3C1T2 Fl. 4 7 estabelecimento industrial ou equiparado a partir de 1o de janeiro de 1999. (grifos meus) Art. 5º Os créditos acumulados na escrita fiscal, existentes em 31 de dezembro de 1998, decorrentes de excesso de crédito em relação ao débito e da saída de produtos isentos com direito apenas à manutenção dos créditos, somente poderão ser aproveitados para dedução do IPI devido, vedado seu ressarcimento ou compensação. § 1º Os créditos a que se refere este artigo deverão ficar anotados à margem da escrita fiscal do IPI. § 2º O aproveitamento dos créditos do IPI de que trata este artigo somente poderá ser efetuado com débitos decorrente da saída dos produtos acabados, existentes em 31 de dezembro de 1998, e dos fabricados a partir de 1º de janeiro de 1999, com a utilização dos insumos originadores desses créditos, considerandose que os produtos que primeiro saírem foram industrializados com a utilização dos insumos que primeiro entraram no estabelecimento. § 3º O aproveitamento dos créditos, nas condições estabelecidas no artigo anterior, somente será admitido após esgotados os créditos referidos neste artigo. Mais tarde, o Ato Declaratório Interpretativo nº 05/06, com o fito de interpretar a Instrução Normativa nº 33/99, assim esclareceu. O SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL, no uso da atribuição que lhe confere o inciso III do art. 230 do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal, aprovado pela Portaria MF n° 30, de 25 de fevereiro de 2005, e tendo em vista o que consta do processo n° 10168.000853/200696, declara: Art. 1° Os produtos a que se refere o art. 40 da Instrução Normativa SRF n° 33, de 4 de março de 1999, são aqueles aos quais a legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) garante o direito à manutenção e utilização dos créditos. Art. 2° O disposto no art. 11 da Lei n°9.779, de 11 de janeiro de 1999, no art. 5° do Decretolei n°491, de 5 de março de 1969, e no art. 40 da Instrução Normativa SRF n° 33, de 4 de março de 1999, não se aplica aos produtos: I com a notação "NT" (nãotributados, a exemplo dos produtos naturais ou em bruto) na Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados (Tipi), aprovada pelo Decreto n° 4.542, de 26 de dezembro de 2002; II amparados por imunidade; III excluídos do conceito de industrialização por força do disposto no art. 5° do Decreto n° 4.544, de 26 de dezembro de 2002 – Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados (Ripi). Parágrafo único. Excetuamse do disposto no inciso II os produtos tributados na Tipi que estejam amparados pela imunidade em decorrência de exportação para o exterior. A litigante recorre a estas disposições em sua defesa, conforme excertos do recurso voluntário apresentado a este colegiado, a seguir transcritos. Fl. 120DF CARF MF Impresso em 02/07/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2011 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 17/08/2011 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 08/07/2011 por RICARDO PAULO ROSA 8 Ocorre que o Ato Declaratório Interpretativo SRF n° 05, de 17 de abril de 2006, proibiu, em seu art. 2°, II, o creditamento do IPI envolvendo insumos empregados na industrialização de produtos imunes. 2.2.11 Não é possível que um ato supostamente interpretativo afaste expressa previsão legal e de fontes complementares das leis. A administração tributária está vinculada aos instrumentos normativos que produz, devendo atender à IN SRF n° 33/99, a qual foi exarada com a finalidade de regulamentar o art. 11 da Lei n° 9.779/99. (...) 2.2.13 O ADI n° 05/06 claramente não possui natureza interpretativa, pois modifica a legislação ao afastar o direito à manutenção do crédito de IPI aos produtos imunes. 2.2.14 Não havendo dúvidas quanto às disposições da Lei n° 9.779/99 e da IN SRF n° 33/99, não há falar em interpretação, pois o ADI n° 05/06 não pode "interpretar" inovando algo que está claríssimo nos referidos diplomas. 2.2.15 Logo, sequer há espaço para a edição de um ato normativo cuja finalidade é exclusivamente interpretativa. Viola o senso comum afirmar que a expressão "inclusive imunes" prevista no art. 4° da IN SRF n° 33/99 deve ser esclarecida por possuir sentido ambíguo. Assim sendo, se a única função do ADI é esclarecer a legislação, e isso sequer poderia ser feito, o ADI não é interpretativo e, conseqüentemente, não produz efeito algum porque sua função não lhe permite inovar a legislação permanecendo os efeitos da IN SRF n° 33/99. 2.2.16 Afastada a natureza interpretativa, o referido ato não é aplicável ao caso dos autos, porquanto, conforme previsão do art. 106, I, do Código Tributário Nacional, a lei aplicase a ato ou fato pretérito quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados. 2.2.17 Segundo o princípio da legalidade, somente a lei pode instituir ou majorar tributos. Ao implicar em majoração de tributo, o ADI SRF n° 05/06 possui natureza modificativa, violando o art. 97 do Código Tributário Nacional, uma vez que isso somente poderia ser feito por meio de lei que alterasse a redação do art. 11 da Lei n° 9.799/99. (...) Liminarmente, imperioso que se reconheça a exata finalidade para a qual a Instrução Normativa SRF nº33/99 foi editada. Tal como claramente disposto no mesmo artigo 4º da IN, onde são mencionados os produtos imunes, o comando infralegal ali presente destinase a regulamentar o “direito ao aproveitamento, nas condições estabelecidas no art. 11 da Lei no 9.779, de 1999, do saldo credor do IPI”. Foi no intento de regulamentar a apuração do Imposto, que terminou por acrescentar na relação de produtos nos quais as MP, PI e ME adquiridos seriam empregados, os produtos imunes, que não estavam especificados no artigo 11 da Lei a que se propunha regulamentar. A esse respeito, mister que se reconheça a incompetência da Administração para legislar sobre os critérios de apuração da base de cálculo dos tributos, nos termos do artigo 97 do Código Tributário Nacional. Art. 97. Somente a lei pode estabelecer: Fl. 121DF CARF MF Impresso em 02/07/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2011 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 17/08/2011 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 08/07/2011 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 11080.901880/200619 Acórdão n.º 3102001.130 S3C1T2 Fl. 5 9 I a instituição de tributos, ou a sua extinção; II a majoração de tributos, ou sua redução, ressalvado o disposto nos artigos 21, 26, 39, 57 e 65; III a definição do fato gerador da obrigação tributária principal, ressalvado o disposto no inciso I do § 3º do artigo 52, e do seu sujeito passivo; IV a fixação de alíquota do tributo e da sua base de cálculo, ressalvado o disposto nos artigos 21, 26, 39, 57 e 65; V a cominação de penalidades para as ações ou omissões contrárias a seus dispositivos, ou para outras infrações nela definidas; VI as hipóteses de exclusão, suspensão e extinção de créditos tributários, ou de dispensa ou redução de penalidades. § 1º Equiparase à majoração do tributo a modificação da sua base de cálculo, que importe em tornálo mais oneroso. § 2º Não constitui majoração de tributo, para os fins do disposto no inciso II deste artigo, a atualização do valor monetário da respectiva base de cálculo. Em consequência, o comando contido no artigo 4º da Instrução Normativa nº 33/99 transborda sua competência ao incluir dentre os produtos que ensejam a manutenção do crédito decorrente da aquisição de insumos, aqueles classificados como produtos imunes, na medida em que estes não estavam contemplados na Lei 9.779/99, restando a consequência do ali disposto, a meu ver, limitada àquela prevista no parágrafo único do artigo 100 do Código Tributário Nacional. Art. 100. São normas complementares das leis, dos tratados e das convenções internacionais e dos decretos: I os atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas; II as decisões dos órgãos singulares ou coletivos de jurisdição administrativa, a que a lei atribua eficácia normativa; III as práticas reiteradamente observadas pelas autoridades administrativas; IV os convênios que entre si celebrem a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios. Parágrafo único. A observância das normas referidas neste artigo exclui a imposição de penalidades, a cobrança de juros de mora e a atualização do valor monetário da base de cálculo do tributo. Por força do comando legal acima transcrito, entendo que a Administração está impedida de cobrar da litigante qualquer tipo de penalidade, assim como de proceder à correção do valor ou à exigência de juros em relação a eventual saldo devedor apurado. De resto, no que concerne ao Ato Declaratório Interpretativo nº 05/06, pareceme que a intenção da Administração foi, de fato, no sentido de esclarecer a razão para a inclusão de produtos imunes no texto da Instrução Normativa nº 33/99. Fl. 122DF CARF MF Impresso em 02/07/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2011 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 17/08/2011 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 08/07/2011 por RICARDO PAULO ROSA 10 A inclusão que, a priori, parece ser completamente desarrazoada, encontra provável justificativa na intenção de preservar às empresas exportadoras o direito à manutenção dos créditos na aquisição de insumos destinados à fabricação de produtos imunes. É que a imunidade concedida aos produtos exportados não se confunde com a imunidade objetiva, identificada com o produto em si. A manutenção dos créditos na aquisição de insumos empregados em produtos exportados constituise em verdadeiro incentivo à exportação, não cabendo qualquer tipo de ilação quanto à pertinência do lançamento credor. Ao intentar resguardar tal direito, a IN 33/99 terminou por provocar certa confusão, cujos efeitos tentouse aplacar com a edição do ADI 05/06. Esse, contudo, seja ou não reconhecido como de caráter interpretativo ou não, não tem, segundo entendo, o efeito de afastar o disposto no artigo 100 do CTN, acima transcrito. Por todo o exposto, VOTO POR DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso apresentado pela recorrente, para excluir a incidência de juros sobre o saldo devedor não extinto com o crédito do contribuinte não reconhecido no presente processo. Sala de Sessões, 08 de julho de 2001. Ricardo Paulo Rosa – Relator. Fl. 123DF CARF MF Impresso em 02/07/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2011 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 17/08/2011 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 08/07/2011 por RICARDO PAULO ROSA
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Numero do processo: 10768.906908/2006-12
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 03 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Aug 03 00:00:00 UTC 2011
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Ano-calendário: 1999
COMPROVAÇÃO DE DIREITO. GUARDA DE DOCUMENTOS.
PRAZO. - 0 contribuinte deve estar apto a comprovar os direitos que alega independente da data de surgimento destes direitos.
ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Ano-calendário: 1999
COMPENSAÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. COMPROVAÇÃO. - Cabe ao
contribuinte comprovar os direitos que pleiteia, com documentos hábeis e suficientes.
COMPENSAÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. GUARDA DE DOCUMENTOS. PRAZO. - Não há limitação temporal para a guarda de documentos comprobatórios de direitos que o contribuinte alegue, devendo o
contribuinte estar apto a comprovar seu direito, independente do momento em que ele tiver nascido.COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO. TERMO DE INICIO. - 0 termo de inicio para contagem do prazo de 5 anos para homologação de declaração de compensação é a data da entrega da declaração que informa a compensação pleiteada
COMPENSAÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. PRAZO PARA EXAME DO DIREITO DE CRÉDITO. - 0 prazo que o Fisco tem para examinar a existência do crédito alegado pelo contribuinte é de 5 anos contados da
entrega da declaração que pleiteia restituição ou compensação.
COMPENSAÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. PERÍODOS QUE PODEM
SER EXAMINADOS. - Se o exame do crédito alegado pelo contribuinte é feito dentro do prazo de 5 anos, contados da entrega da declaração de compensação ou restituição, ele pode alcançar o ano do alegado crédito, bem como os anos anteriores e posteriores, naquilo que afetem a questão.COMPENSAÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. VALORES DECLARADOS.
Os débitos declarados pelo contribuinte em declarações for -nalizadoras de "credito tributário" ou em declarações meramente informativas, não afetam o montante eventualmente repetivel que apenas depende do valor pago e do valor efetivamente devido.
COMPENSAÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. COMPROVAÇÃO DO IMPOSTO DEVIDO.
A quantificação do pagamento indevido é feita pela comparação entre o valor recolhido e o valor devido, devendo ser tratada como errada a DCTF que informa débito menor que o apurado com base no Lalur.
COMPENSAÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. VALORES DECLARADOS. FLUÊNCIA DO TEMPO.
O único efeito que a fluência do tempo tem sobre os créditos tributários declarados é eventual prescrição.
0 crédito tributário informado em declarações não se torna verdadeiro pela fluência do tempo, pois a declaração é mera tentativa de explicitação da relação jurídica decorrente da incidência da regra de tributação.
Numero da decisão: 1101-000.515
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR
PROVIMENTO ao recurso voluntário. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Benedicto Celso Benicio Júnior, Sergio Luiz Bezerra Presta e José Ricardo da Silva, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado
Nome do relator: Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro
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ementa_s : PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 1999 COMPROVAÇÃO DE DIREITO. GUARDA DE DOCUMENTOS. PRAZO. - 0 contribuinte deve estar apto a comprovar os direitos que alega independente da data de surgimento destes direitos. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 1999 COMPENSAÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. COMPROVAÇÃO. - Cabe ao contribuinte comprovar os direitos que pleiteia, com documentos hábeis e suficientes. COMPENSAÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. GUARDA DE DOCUMENTOS. PRAZO. - Não há limitação temporal para a guarda de documentos comprobatórios de direitos que o contribuinte alegue, devendo o contribuinte estar apto a comprovar seu direito, independente do momento em que ele tiver nascido.COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO. TERMO DE INICIO. - 0 termo de inicio para contagem do prazo de 5 anos para homologação de declaração de compensação é a data da entrega da declaração que informa a compensação pleiteada COMPENSAÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. PRAZO PARA EXAME DO DIREITO DE CRÉDITO. - 0 prazo que o Fisco tem para examinar a existência do crédito alegado pelo contribuinte é de 5 anos contados da entrega da declaração que pleiteia restituição ou compensação. COMPENSAÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. PERÍODOS QUE PODEM SER EXAMINADOS. - Se o exame do crédito alegado pelo contribuinte é feito dentro do prazo de 5 anos, contados da entrega da declaração de compensação ou restituição, ele pode alcançar o ano do alegado crédito, bem como os anos anteriores e posteriores, naquilo que afetem a questão.COMPENSAÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. VALORES DECLARADOS. Os débitos declarados pelo contribuinte em declarações for -nalizadoras de "credito tributário" ou em declarações meramente informativas, não afetam o montante eventualmente repetivel que apenas depende do valor pago e do valor efetivamente devido. COMPENSAÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. COMPROVAÇÃO DO IMPOSTO DEVIDO. A quantificação do pagamento indevido é feita pela comparação entre o valor recolhido e o valor devido, devendo ser tratada como errada a DCTF que informa débito menor que o apurado com base no Lalur. COMPENSAÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. VALORES DECLARADOS. FLUÊNCIA DO TEMPO. O único efeito que a fluência do tempo tem sobre os créditos tributários declarados é eventual prescrição. 0 crédito tributário informado em declarações não se torna verdadeiro pela fluência do tempo, pois a declaração é mera tentativa de explicitação da relação jurídica decorrente da incidência da regra de tributação.
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GUARDA DE DOCUMENTOS. PRAZO. - 0 contribuinte deve estar apto a comprovar os direitos que alega independente da data de surgimento destes direitos. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 1999 COMPENSAÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. COMPROVAÇÃO. - Cabe ao contribuinte comprovar os direitos que pleiteia, com documentos hábeis e suficientes. COMPENSAÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. GUARDA DE DOCUMENTOS. PRAZO. - Não há limitação temporal para a guarda de documentos comprobatórios de direitos que o contribuinte alegue, devendo o contribuinte estar apto a comprovar seu direito, independente do momento em que ele tiver nascido. COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO. TERMO DE INICIO. - 0 termo de inicio para contagem do prazo de 5 anos para homologação de declaração de compensação é a data da entrega da declaração que informa a compensação pleiteada COMPENSAÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. PRAZO PARA EXAME DO DIREITO DE CRÉDITO. - 0 prazo que o Fisco tem para examinar a existência do crédito alegado pelo contribuinte é de 5 anos contados da entrega da declaração que pleiteia restituição ou compensação. COMPENSAÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. PERÍODOS QUE PODEM SER EXAMINADOS. - Se o exame do crédito alegado pelo contribuinte é feito dentro do prazo de 5 anos, contados da entrega da declaração de compensação ou restituição, ele pode alcançar o ano do alegado crédito, bem como os anos anteriores e posteriores, naquilo que afetem a questão. VALMA FONSEC MENEZES - Presidente Processo IV 10768.906905/2006-12 S1-CITI Acórdão n.° 1101-00.515 Fl. 131 COMPENSAÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. VALORES DECLARADOS. Os débitos declarados pelo contribuinte em declarações fon -nalizadoras de "credito tributário" ou em declarações meramente informativas, não afetam o montante eventualmente repetivel que apenas depende do valor pago e do valor efetivamente devido. COMPENSAÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. COMPROVAÇÃO DO IMPOSTO DEVIDO. A quantificação do pagamento indevido é feita pela comparação entre o valor recolhido e o valor devido, devendo ser tratada como errada a DCTF que informa débito menor que o apurado com base no Lalur. COMPENSAÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. VALORES DECLARADOS. FLUÊNCIA DO TEMPO. O único efeito que a fluência do tempo tem sobre os créditos tributários declarados é eventual prescrição. 0 crédito tributário informado em declarações não se torna verdadeiro pela fluência do tempo, pois a declaração é mera tentativa de explicitação da relação jurídica decorrente da incidência da regra de tributação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Benedict° Celso Benicio Júnior, Sergio Luiz Beze : Presta e José Ricardo da Silva, nos termos do relatório e voto que integral ente j gaio. CARLOS EDUXIMO DE ALMEIDA GUERREIRO - Relator EDITADO EM: 13/09/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes (presidente da turma), Benedicto Celso Benicio Júnior, Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro, Edeli Pereira Bessa, José Ricardo da Silva (vice-presidente), e Sergio Luiz Bezerra Presta. 2 Processo n° 10768.906908/2006-12 SI-CITI Acórclao n.° 1101-00.515 Fl. 132 Relatório Trata-se de recurso voluntário contra decisão que considerou improcedente manifestação de inconformidade apresentada em razão de despacho decisório que não homologa declaração de compensação. Em 15/10/2003, o contribuinte apresenta PER/Dcomp pela qual pretende compensar crédito de pagamento indevido ou a maior de estimativa de IRPJ, de fevereiro de 1999, de empresa incorporada, corn débito de Cofins, de setembro de 2003 (proc. fls. 4 a 7). Em 08/05/2008, o processo foi encaminhado para Fiscalização a fim de que fosse feita diligência para verificar a base de cálculo do IRPJ de fevereiro 1999 (proc. 11. 16). Após diversas intimações e reintimações (proc. fls. 21 a 25), em 07/10/2008, o fiscal informa que o contribuinte não disponibilizou o Lalur e balancetes de suspensão, de modo que é impossível fazer a apuração solicitada (proc. if 31) Parecer conclusivo (proc. fls. 33 a 36) informa que o contribuinte foi intimado e reintimado pela fiscalização, mas não apresentou a documentação comprobatória do direito que pleiteia. Em razão disso, propõe a não homologação da Dcomp. Corn base no parecer, despacho decisório não homologa a compensação (proc. fl. 37). 0 contribuinte é cientificado em 14/10/2008 (proc. fl. 38). Em 13/11/2008, apresenta manifestação de inconformidade (proc. fls. 42 a 50). Diz que pretendeu "utilizar crédito de Cofins" recolhido a maior por empresa incorporada para compensar débito de Cofins. Explica que seu crédito decorre de erro de cálculo de empresa incorporada, que acabou pagando valor superior ao devido de estimativa de fevereiro de 1999. Informa que a DCTF retificadora foi apresentada ao Fisco em 27/11/2003, portanto dentro do prazo de retificação. Diz que o pagamento a maior foi feito em 31/03/1999 e a compensação foi declarada em 15/10/2003, portanto, dentro do prazo legal. Explica que: O crédito objeto da presente declaração de compensação tem origem nas apurações da Telecomunicações do Maranhão S.A., sociedade incorporada pela Requerente. No presente caso, houve recolhimento a maior de CSLL em Fevereiro de 1999. A questão discutida neste processo está retratada 071 DCTF retificadora, devidamente recepcionada pelo Fisco em 27.11.2003, referente ao 40 trimestre de 1998. No presente caso, a simples análise da DCTF retificadora demonstra c/c forma clara a existência de crédito disponível compensação. 3 Processo n° 10768.906908/2006-12 SI-CITI AcOrdao n.° 1101-00.515 Fl. 133 Para o período de apuração em questão (fevereiro de 1999), foi apurado debito de IRPJ (2362) no valor de R$ 1.033.462,34. Como forma de pagamento realizou compensação de R$ 601.045,22, compensação de pagamento indevido ou a Maior de R$ 125.854,66 e vinculou R$ 306.562,68 de um DART' com valor total de R$ 740.652,85. Como este DARF não foi vinculado a mais nenhum outro pagamento, constituiu-se o direito creditório de R$ 434.090,17 (valor histórico em 31.03.1999, data da arrecadação do DARF) decorrente da diferença entre o valor total do DARF quitado e a parcela dele utilizada para pagamento do débito apurado em DCTF. Parte deste crédito (R$ 160.925 87) foi utilizado por meio da PÉR/DComp n°40807.71701.151003...1.3.04-7680. Como se trata de Pedido de Restituição cumulado com Declaração de Compensação, temos que a parcela de R$ 273.164,30 (R$ 434.090,17 R$ 160.925,87) ainda não utilizada pela Requerente deve ser restituída. Logo, col?forme demonstrado, basta o confronto da DCTF retificctdora coni a declaração de compensação apresentada, para que se coq firme a existência do crédito e a regularidade da compensação. Sustenta que a retificação da DCTF foi tempestiva, pois foi feita antes de qualquer notificação, estando de acordo corn o § 1° do art. 147 do CTN. Diz que o despacho fundamentou a não homologação argumentando que o contribuinte não havia comprovado o crédito, mas que isso não é procedente porque o contribuinte apresentou suas declarações. Afirma que as declarações fazem prova em favor do contribuinte quanto a matéria declarada. Explica que se o Fisco não consegue demonstrar a inconsistência na documentação fiscal do contribuinte, não pode simplesmente desconsiderá-la. Adiciona que "a simples falta de documentação contábil e comercial não pode ser motivo para a não homologação da presente compensação". Diz que o contribuinte não é obrigado a manter a documentação de períodos já decaídos. Conclui que, desta "forma, não sendo exigível a manutenção dos documentos, a sua ausência não constitui óbice para gerar o direito à repetição do indébito" e "nestes casos, a prova passa a ser o documento fiscal (DCTF), disponibilizado a RFB". Diz que decaiu o direito do Fisco "refazer a apuração de Cofins de 1998". Argumenta que "o crédito refere-se a período em que o Fisco já homologou os recolhimentos geradores do crédito, reconhecendo-se a extinção da obrigação, o que pressupõe, por óbvio, o reconhecimento também do quantum debeatur, sem o que não se poderia atestar o cumprimento da obrigação principal". Enfatiza que, corno o Fisco já homologou o lançamento que gerou o crédito, não pode mais revê-lo e nem fazer nova apuração, pois é proibido ao Fisco discutir base de cálculo de tributo já decaído. Sustenta que o prazo decadencial é de 5 anos a contar do fato gerador e, portanto, não é mais possível o Fisco recalcular a base de cálculo de tributo para fins de quantificação do crédito, devendo ser aceita a apuração declarada pelo contribuinte. Expressa seu raciocínio nos seguintes termos: 4 Processo n° 10768.906908/2006-12 SI-C ITI Acórdão n.° 1101-00.515 Fl. 134 Assim é que, transcorridos mais de cinco anos do .fato gerador, tal como se verifica 170 caso vertente, sem que a autoridade fiscal tenha contestado a regularidade dos recolhimentos efetuados pelo contribuinte, considera-se homologado o lançamento e opera-se a extinção do crédito tributário. Da extinção do crédito tributário pela homologação, infere-se a definição coin certeza e exatidão do valor do tributo devido em confronto com os recolhimentos efetuados, pois, do contrário, não se poderia atestar a extinção da obrigação. De fato, o contribuinte, nos termos da legislação, apresenta declarações fiscais nas quais informa o resultado fiscal do período (DCTF, DIRI, etc). Nestas, são demonstradas todas as receitas, exclusões e deduções, que levaram a apuração do imposto devido pela empresa. Tails declarações são apresentadas justamente para permitir que o Fisco tome conhecimento dos resultados da empresa, de forma a poder avaliar se Jul ou não tributo em aberto. E, caso desconfie que há recolhimento a menor, deverá o Fisco efetuar a fiscalização do contribuinte, para aferir se as informações apresentadas nas Declarações estão ou não corretas, e se há ou não tributo devido. Isto importa em dizer que, a, Fiscalização somente poderá questionar os resultados apresentados nas declarações .fiscais do contribuinte dentro do prazo de que dispõe para a constituição do crédito tributário. Afinal, se já não mais é permitido lançar tributo supostamente devido, tampouco poderá ser, revista a declaração fiscal cio contribuinte (que só existe para permitir a análise de eventual tributo em aberto). Tal qual a homologação tácita do pagamento antecipado do crédito tributário (que se torna imutável), os resultados lançados pelo contribuinte em sua declaração tornam-se imutáveis com o decurso do prazo decadência! para lançamento do tributo. Para isto, aliás, existe o instituto da decadência. Em 19/03/2009, a 8 Turma da DRJ I do Rio de Janeiro indefere a solicitação do contribuinte e mantém o despacho decisório (proc. fls. 91 a 95). Explica que a decadência é relativa ao direito de lançar e no caso em julgamento não se trata de lançamento mas sim de análise da pertinência da compensação. Esclarece que é preciso verificar a existência do crédito alegado pelo contribuinte e que o contribuinte tern o dever de comprovar o direito que pleiteia. Explica que, para a comprovação do direito, não basta a apresentar as declarações, mas é preciso comprovar os fatos declarados. Em 16/04/2009, o contribuinte foi cientificado (proc. fl. 96). Em 15/05/2009, apresentou recurso voluntário, onde repete sua argumentação (proc. fls. 99 a 106). 5 Processo no 10768.906908/2006-12 SI-CITI Acórdão n.° 1101-00.515 Fl. 135 Voto Conselheiro CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUERREIRO, 0 recurso é tempestivo e dele tomo conhecimento. 0 contribuinte baseia sua defesa em alguns pontos. Em resumo, a defesa argumenta que o Fisco não poderia revisar a base de cálculo do ano de 1999, em razão da decadência, valendo nesta situação a presunção de veracidade das declarações entregues, e que não tern dever legal de guardar os documentos comprobatórios de período decaído. Porém, comprovação de direitos pleiteados pelo contribuinte deve ser lastreada nos documentos comprobatórios, independente da data de surgimento destes direitos. De outra banda, o Fisco pode examinar a existência do direito alegado e exigir a sua comprovação para aceitá-lo como verdadeiro. Sobre esta questão, transcrevo voto meu, de outro processo, que retrata o que penso sobre as alegações do contribuinte: ... penso que este argumento do contribuinte não tem cabimento, pois não se pode confundir (i) o prazo decadencial para lançamento com (ii) o prazo para exame da existência do crédito alegado e nem com (iii) o prazo para exame do pedido de compensação. Também, quanto ao direito de crédito decorrente de pagamento a maim- (ou indevido), não se pode confundir (i) pagamento superior ao valor devido com (ii) pagamento superior ao valor declarado. Vale analisar a legislação relativa a matéria: conforme o CTN, compensação é uma modalidade de extinção do crédito tributário (inciso II, do art. 156) onde o contribuinte compensa seus débitos fiscais coin créditos líquidos e certos que tenha contra a Fazenda Pública; no âmbito da Unido, o art. 74 da Lei le 9.430, de 1996, prevê a possibilidade de compensação de débitos do contribuinte com crédito de tributos passíveis de restituição; conforme o CTN, o pagamento indevido ou a maior dá direito à restituição (art. 165). Por esses dispositivos flea claro que na compensação o contribuinte alega 11712 direito creditório frente ao Fisco decorrente de um pagamento indevido ou a maior. Portanto, é obvio que o contribuinte precisa estar apto a comprovar a existência deste direito que afirma ter. De outra banda, é dever do Fisco examinar a existência do direito alegado pelo contribuinte, para confirmar se é ou não liquido e certo, e resistir a pedido que considere improcedente. De qualquer modo, quer pelo contribuinte, quer pelo Fisco, a comprovação do direito à repetição depende da comprovação de dois elementos. Esses elementos são: o montante recolhido; e o montante devido. 6 Processo n" 10768.906908/2006-12 SI-C IT I Acórdão n.° 1101-00.515 Fl. 136 importante ressaltar que o montante devido é aquele de fato devido, em razão da rela cão jurídica que decorre da regra de tributação. 0 valor declarado é mera tentativa, que pode estar certa ou 71a0, de explicitar o valor devido. Por isso o valor declarado é absolutamente irrelevante para fins de quantificação de eventual direito de repetição cio contribuinte. Assim, caso o contribuinte tenha declarado valor inferior ao efetivamente devido, isso não permite que ele considere esse valor declarado no calculo do montante pago a maior, em detrimento do valor devido. Do mesmo modo, caso tenha declarado um valor nzaior do que o devido, isso não permite ao Fisco utilizar esse valor declarado na quantificação do pagamento a maior, em detrimento do valor devido. A comparação destas duas situações bem demonstra a irrelevância do valor declarado para fins de repetição. Ademais, o fato de o contribuinte ter ou não declarado sua divida em nada afeta a verificação e a quantificação do pagamento indevido. Não poderia ser diferente, pois uma coisa a relação jurídica existente e decorrente de lei e outra coisa são as possíveis eAplicitações desta relação jurídica enm declarações, que podem retratá-la corretamente ou não. ASS1.171, o fato are o contribuinte ter declarado a maior ou a menor em nada afeta a quantificação do pagamento indevido. Isso já demonstra a irreleváncia do crédito formalizado em declaração para fins de quantificação do pagamento indevido. Esta quantificação depende exclusivamente do valor devido. A declaração formalizadora de crédito, utilizada para os tributos lançados pom- homologação, é mera prestação de obrigação acessória sent qualquer vinculo com o direito de repetição. Seu cumprimento ou sua violação não tem qualquer efeito sobre o direto a pedir a restituição de pagamento indevido ou a maior. O correr do tempo, causando eventual decadência do direito do Fisco rever a formalização feita pelo contribuinte na sua declaração, não afeta a questão e não tem o condão de tornam- o valor eventuahnente declarado em elemento quantificador do indébito. Este é um ponto que precisa .ficar bastante claro: o fluir do tempo não opera qualquer efeito sobre dados declarados. As informações prestadas em declarações (certas ou erradas) não se transformam em verdadeiras, pela passagem do tempo. Não existe regra no ordenamento com tal efeito. O único efeito que a passagem do tempo tent sobre débitos declarados é a possibilidade de prescrição de sua cobrança Portanto, o que interessa para fins de quantifiectção de pagamento a maior é o valor recolhido e o valor devido. A razão disso é que se trata de constatar ou não cm existência de um dim-eito, sendo necessário verificar os elementos fáticos que dão azo a esse direito, e que são o nontante recolhido e o montante devido. 7 Processo n° 10768.906908/2006-12 S I-C ITI Acórdão n.° 1101-00.515 A dependência do valor efetivamente devido é expressa no CTN, in verbis (grifei): Art. 165. 0 sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 40 do artigo 162, nos seguintes casos: I - cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; II - erro na edificação do sujeito passivo, na determinação da aliquota aplicável, no cálculo do montante do débito ou na elaboração ou conferência de qualquer documento relativo ao pagamento; III - reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória. O fato de ter ou não decaído o direito cio Fisco lcinçai- determinado tributo não afeta em nada a quantifica cão cio pagamento indevido, pois não afeta e171 nada o valor de fato devido. A decadência, o pagamento antecipado e a homologação extinguem o crédito tributário (incisos V e VII do art. 156 do CTN) e a obrigação tributária (§ I" do art. 113 do CTN). Mas esse fato não tem qualquer conexão com o direito de repetição. O direito à restituição depende apenas da comparação entre o montante recolhido e a obrigação tributária que existe ou existiu, como o art. 165 do CTN estabelece. Logo, o fato da obrigação tributária estar extinta (quer por pagamento, quer por decadência, quer por homologação) não tem qualquer efeito no cálculo do indébito. Do mesmo modo e como acima explicado, o fato da formalização da obrigação (quer por declaração, quer por lançamento) ter sido feita a menor ou a maior não tern qualquer efeito no cálculo do indébito. Na mesma linha, o fato de haver decaido o direito do Fisco de rever a formalização do crédito não tem qualquer efeito no cálculo do indébito. Em resumo, o direito de restituição decorrente de pagamento indevido é quantificado pela comparação entre o pagamento ocorrido e a obrigação tributária existente, e não com o crédito tributário eventualmente formalizado. Isso porque .formalização do crédito tributário, por qualquer forma, é mera tentativa de explicitação da relação jurídica existente na obrigação tributária nascida com o fato gerador. na obrigação tributária (relação jurídica nascida com o fato gerador) que está o direito do Fisco (tributo devido) e, portanto, pela comparação entre o valor recolhido e o valor devido que o pagamento a maior é quantificado. Fl. 137 Processo n° 10768.906908/2006-12 S 1C IT I Acórdão n.° 1101-00.515 Fl. 138 No que tange a possibilidade de exame do crédito pleiteado, os prazos decadenciais previsto no CTN para a constituição do crédito tributário não limitam em nada a possibilidade do Fisco examinar o crédito alegado pelo contribuinte em pedido de compensação. Isso porque o transcurso desses prazos extingue o direito de lançar, mas não afetam a possibilidade do Fisco examinar a procedência de um z direito alegado pelo contribuinte. Sao dois assuntos absolutamente distintos e cada UM dele está sujeito a regras próprias e que não podem ser confundidas. Portanto, o Fisco pode examinar a existência de direito alegado pelo contribuinte, com base nos elementos que dispuser e independente de ter (ou não) decaído a possibilidade de lançar o tributo do ano ao qual se refira o alegado direito de crédito. Inclusive, julgando conveniente, o Fisco pode examinar os períodos anteriores ao ano do aventado direito, para examinar todas as situações que afetariam este alegado direito. Porém, afastado o prazo decadencial do direito de lançar como limite temporal para o Fisco examinar a pretensão do contribuinte, resta pesquisar se existe algum limite temporal para esses exames posto pelo direito aplicável. Nos termos do CTN, para fins de quantificação direito de crédito alegado pelo contribuinte, o Fisco pode examinar tanto o ano em que teria surgido o alegado direito, bem como os anos anteriores, independente do tempo transcorrido entre os anos examinados e o momento deste exame. Não há qualquer limitação temporal para tal exame no CTN e não poderia ser diferente, pois se trata de examinar a procedência ou não de um direito alegado. Também, o contribuinte tem o dever de demonstrar a existência deste direito, independente do prazo transcorrido entre o ano que teria surgido e o exame do Fisco. A única limitação temporal existente decorre do 5° do art. 74, da Lei n°9.430, de 1996. Tal dispositivo limita o prazo de exame das declarações de compensação em 5 anos, a contar da data de entrega da declaração de compensação. Em conseqüência, limita da mesma .forma a possibilidade do exame do direito de crédito pleiteado pelo contribuinte. Assim, sob pena de homologação tácita, o exame do Fisco deve ocorrer em 5 anos a contar da entrega da declaração. No caso de haver declaração retificadora, o prazo de 5 anos conta a partir da entrega desta, que afinal é a declaração que será examinada. De outra banda, efetuado o exame no prazo, ele pode alcançar (retroagh) quantos anos forem necessários para verificação da exatidão do pleito. No caso concreto, a declaração foi entregue em 15/10/2003 e o exame foi cientificado ao contribuinte em 14/10/2008. Assim, o exame foi efetuado dentro do prazo legal e está de acordo corn as regras jurídicas. Corno visto acima, a DRF solicitou a apresentação de elementos necessários para verificação do direito alegado e o contribuinte não atendeu. Deste modo, o exame da DRF só poderia concluir pela improcedencia do pedido de compensação. 9 Processo n° 10768.906908/2006-12 SI-CIT1 Acórdão n.° 1101-00.515 Fl. 139 Por estas razões, voto por negar provimento ao recurso voluntário, para não reconhecer o direito creditório e não homologar a compensação pleiteada. CARLOS EDUAR Cflr)EMT—NIEIDA GUERREIRO 10
score : 1.0
Numero do processo: 13054.000081/2004-04
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 02 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Jun 02 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Período de apuração: 01/10/2003 a 31/12/2003
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. EFEITOS. EXTINÇÃO DO DÉBITO. APRESENTAÇÃO APÓS A DATA DO VENCIMENTO DO DÉBITO. ENCARGOS LEGAIS. INCIDÊNCIA.
A compensação de tributos federais será efetuada mediante a entrega à RFB, pelo sujeito passivo, da declaração de compensação, e a extinção do débito, sob condição resolutória, ocorre na data da apresentação da referida declaração de compensação. Ocorrendo apresentação de DCOMP após o vencimento do débito, sobre este incide os acréscimos moratórios legais.
PEDIDOS DE RESSARCIMENTO. CRÉDITOS EM DIVERSOS PEDIDOS. UTILIZAÇÃO.
Cada pedido de ressarcimento protocolado ou apresentado em datas diversas deve ser analisado isoladamente e as declarações de compensação a ele vinculadas também serão analisadas à luz do crédito pleiteado e reconhecido pela RFB em cada pedido de ressarcimento.
COMPENSAÇÃO. DÉBITOS. ACRÉSCIMOS MORATÓRIOS. INCIDÊNCIA.
Na compensação efetuada pelo sujeito passivo os débitos sofrerão a incidência de acréscimos moratórios, na forma da legislação de regência, entre a data do vencimento e a data da entrega da Declaração de Compensação.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3302-001.022
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
Matéria: PIS - proc. que não versem s/exigências de cred. Tributario
Nome do relator: WALBER JOSE DA SILVA
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ementa_s : CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/2003 a 31/12/2003 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. EFEITOS. EXTINÇÃO DO DÉBITO. APRESENTAÇÃO APÓS A DATA DO VENCIMENTO DO DÉBITO. ENCARGOS LEGAIS. INCIDÊNCIA. A compensação de tributos federais será efetuada mediante a entrega à RFB, pelo sujeito passivo, da declaração de compensação, e a extinção do débito, sob condição resolutória, ocorre na data da apresentação da referida declaração de compensação. Ocorrendo apresentação de DCOMP após o vencimento do débito, sobre este incide os acréscimos moratórios legais. PEDIDOS DE RESSARCIMENTO. CRÉDITOS EM DIVERSOS PEDIDOS. UTILIZAÇÃO. Cada pedido de ressarcimento protocolado ou apresentado em datas diversas deve ser analisado isoladamente e as declarações de compensação a ele vinculadas também serão analisadas à luz do crédito pleiteado e reconhecido pela RFB em cada pedido de ressarcimento. COMPENSAÇÃO. DÉBITOS. ACRÉSCIMOS MORATÓRIOS. INCIDÊNCIA. Na compensação efetuada pelo sujeito passivo os débitos sofrerão a incidência de acréscimos moratórios, na forma da legislação de regência, entre a data do vencimento e a data da entrega da Declaração de Compensação. Recurso Voluntário Negado
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EFEITOS. EXTINÇÃO DO DÉBITO. APRESENTAÇÃO APÓS A DATA DO VENCIMENTO DO DÉBITO. ENCARGOS LEGAIS. INCIDÊNCIA. A compensação de tributos federais será efetuada mediante a entrega à RFB, pelo sujeito passivo, da declaração de compensação, e a extinção do débito, sob condição resolutória, ocorre na data da apresentação da referida declaração de compensação. Ocorrendo apresentação de DCOMP após o vencimento do débito, sobre este incide os acréscimos moratórios legais. PEDIDOS DE RESSARCIMENTO. CRÉDITOS EM DIVERSOS PEDIDOS. UTILIZAÇÃO. Cada pedido de ressarcimento protocolado ou apresentado em datas diversas deve ser analisado isoladamente e as declarações de compensação a ele vinculadas também serão analisadas à luz do crédito pleiteado e reconhecido pela RFB em cada pedido de ressarcimento. COMPENSAÇÃO. DÉBITOS. ACRÉSCIMOS MORATÓRIOS. INCIDÊNCIA. Na compensação efetuada pelo sujeito passivo os débitos sofrerão a incidência de acréscimos moratórios, na forma da legislação de regência, entre a data do vencimento e a data da entrega da Declaração de Compensação. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 20/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/06/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Assinado digitalmente em 06/06/2011 por WALBER JOSE DA SILVA 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente e Relator. EDITADO EM: 06/06/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Alan Fialho Gandra, Fabiola Cassiano Keramidas e Alexandre Gomes. Ausente o conselheiro Gileno Gurjão Barreto. Relatório No dia 09/02/2004 a empresa AMADEO ROSSI S/A METALURGIA E MUNIÇÕES, já qualificada nos autos, apresentou a Declaração de Compensação de fl. 01, acompanhada do formulário “CRÉDITOS DA CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP” (fl. 02), relativo a créditos de PIS nãocumulativo, previsto no § 1o do art. 5o da Lei no 10.637/2002, referente ao 4º trimestre de 2003. Posteriormente, apresentou declaração retificadora e substituiu os formulários “CRÉDITOS DA CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP” pelos os de fls. 26 e 29, alterando o valor do crédito utilizado nas compensações. A DRF em Novo Hamburgo RS incluiu na base de cálculo do PIS o valor dos créditos presumidos de IPI recebidos pela recorrente e, consequentemente, reconheceu créditos em valores inferiores aos declarados na DACON, e homologou as compensações declaradas (fls. 51 a 53), até o limite do crédito reconhecido e com os acréscimos legais devidos, apurando um saldo devedor no valor de R$ 16.935,09. Inconformada com esta decisão, a empresa ingressou com a manifestação de inconformidade, cujo resumo das alegações constam do relatório da decisão recorrida, que leio em sessão. A 2a Turma de Julgamento da DRJ em Porto Alegre RS indeferiu a solicitação da interessada, nos termos do Acórdão nº 1016.058, de 29/05/2008 – fls. 85/87. Ciente desta decisão em 11/08/2008, a interessada ingressou, no dia 10/09/2008, com o recurso voluntário de fls. 92/99, no qual alega, em apertada síntese, que: 1 a diferença dos créditos devese ao fato da empresa ter feito a apuração e as compensações mês a mês e a Fiscalização fez uma apuração estanque, gerando as diferenças de valores não compensados. 2 a legislação autoriza a utilização mensal dos créditos e não apenas trimestralmente, como fez a Fiscalização (art. 3º, §4º, da Lei nº 10.637/02, referente ao PIS; e art. 6º, §1º, II, da Lei nº 10.833/03, da Cofins) Fl. 2DF CARF MF Emitido em 20/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/06/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Assinado digitalmente em 06/06/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13054.000081/200404 Acórdão n.º 330201.022 S3C3T2 Fl. 3.33 3 3 outro ponto de divergência diz respeito ao período de ocorrência das compensações. Entende a recorrente que os pedidos de ressarcimento não se vinculam às compensações realizadas espontaneamente, não se equiparando às compensações “ex officio”. Solicita a realização de diligência para apurar qualquer tipo de discrepância nos valores utilizados pela recorrente, mas numa análise global do período fiscalizado. Solicita, por fim, que seja analisado, em conjunto, os seus 13 processos de ressarcimento, que relaciona. Na sessão realizada no dia 20/10/2009 esta Turma de Julgamento do CARF converteu o julgamento em diligência para a DRF informar as razões da diferença entre o valor pleiteado e o valor reconhecido, nos termos da Resolução nº 330200.015. Em atenção à referida resolução, a DRF ratificou o valor do ressarcimento reconhecido e informou que levou em consideração, na apuração do crédito, o valor do crédito apurado pela recorrente e informado na DACON e que no valor solicitado pela recorrente estava incluído o saldo do terceiro trimestre de 2003, conforme informação às fls. 120/122. Ciente do resultado da diligência, a recorrente reitera a necessidade de análise conjunta dos 13 processos de pedido de ressarcimento para aproveitar os créditos remanescentes de uns com os débitos remanescentes de outros e protesta pela cobrança dos encargos legais quando as declarações de compensação foram apresentadas após o vencimento dos tributos compensados. Na forma regimental, o processo retornou para prosseguimento do julgamento. É o Relatório. Voto Conselheiro Walber José da Silva, relator. O recurso voluntário foi conhecido e admitido na sessão realizada no dia 20/10/2009. Como relatado, a empresa recorrente ingressou com pedido de ressarcimento de PIS não cumulativo e apresentou declaração de compensação vinculados ao pedido de ressarcimento. A RFB reconheceu o crédito em valor inferior ao pleiteado porque incluiu na base de cálculo da exação a receita recebida a título de crédito presumido do IPI e porque a recorrente havia incluído, neste trimestre, o valor do crédito do terceiro trimestre de 2003. Inconformada, a empresa recorrente apresentou manifestação de inconformidade que foi indeferida pela DRJ em Porto Alegre RS. Ciente da decisão de primeira instância, a empresa apresentou recurso voluntário no qual contesta o modo como a RFB efetuou as compensações declaradas, ou seja, utilizando os crédito de cada processo de pedido de ressarcimento com os débitos das declaração de compensação vinculadas pela recorrente ao mesmo processo e, também, por ter Fl. 3DF CARF MF Emitido em 20/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/06/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Assinado digitalmente em 06/06/2011 por WALBER JOSE DA SILVA 4 sido cobrado os encargos moratórios legais na hipótese da declaração de compensação ter sido apresentada após o vencimento do débito compensado. Pleiteia a recorrente, em verdade, que o seu crédito seja reconhecido como uno, englobando os 13 processos de pedido de ressarcimento e, em assim sendo, que seja o total do crédito reconhecido utilizado para homologar as compensações declaradas, sem acréscimos legais. Entende, ainda, a recorrente, que o seu direito à compensação pode ser exercido mensalmente porque assim autoriza a lei (§ 4º do art. 3º, c/c inciso II, do § 1º do art. 6º, todos da Lei nº 10.833/03). Por fim, solicita a realização de perícia. Sobre a possibilidade de se analisar englobadamente os 13 (treze) processos da recorrente que tratam de pedido de ressarcimento de PIS e de Cofins, entendo que não é possível pelas razões arroladas na decisão recorrida, que ratifico. De fato, as declarações de compensações apresentadas devem indicar, com precisão, qual é o crédito que foi utilizado na compensação, ou seja, em qual processo o crédito foi pleiteado ou reconhecido. Sendo insuficiente o crédito para extinguir a totalidade do débito, este será limitado ao valor do crédito e o saldo remanescente do débito pode ser compensado com crédito existente em outro ou outros processos de pedido de ressarcimento, desde que seja apresentado, em cada processo de crédito, a competente declaração de compensação informando a utilização desse crédito em compensação. Certo é que a compensação de débito em um processo está limitada ao crédito reconhecido neste mesmo processo. Se assim não for, a compensação somente poderá se operar de ofício, quando do ressarcimento em dinheiro de algum crédito, nos termos dos arts. 49 a 54 da IN RFB nº 900/08. Defende a recorrente que estar autorizada a efetuar, mensalmente, a compensação de crédito de PIS e de Cofins não cumulativo com débitos seus, por força do que dispõe o § 4º do art. 3º, c/c inciso II, do § 1º do art. 6º, todos da Lei nº 10.833/03. Enganase a recorrente porque, conforme diz textualmente o inciso II, in fine, do § 1º do art. 6º, da Lei nº 10.833/03, a compensação ali autorizada deve observar a legislação específica aplicável à matéria, ou seja, à compensação. No caso, deve ser observado o disposto no art. 74 da Lei nº 9.430/96, com as alterações das Leis nos. 10.637/02, 10.833/03, 11.051/04, 11.941/09 e 12.249/10, que regula todas as compensações, inclusive de crédito passível de ressarcimento. Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. Portanto, não existe previsão legal para a recorrente efetuar, mensalmente, a compensação de débitos outros na conta gráfica do PIS. A previsão existente no inciso I do § 1º do art. 6º, da Lei nº 10.833/03 é para deduzir o “valor da contribuição a recolher, decorrente das demais operações no mercado interno” e não se confundo com o disposto no inciso II deste mesmo dispositivo legal que trata de compensação. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 20/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/06/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Assinado digitalmente em 06/06/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13054.000081/200404 Acórdão n.º 330201.022 S3C3T2 Fl. 4.33 5 Correto foi o procedimento da RFB que homologou as compensações declaradas pela recorrente neste processo, até o limite do crédito reconhecido. No caso específico deste processo, restou débitos cuja compensação não foi homologada. Com relação aos acréscimos legais cobrados quando a declaração de compensação for apresentada após o vencimento dos débitos compensados, não há ilegalidade alguma no procedimento adotado pela autoridade da RFB, nos termos do que dispõe o art. 28 da IN SRF nº 210/02, com a redação da IN SRF nº 323, de 04/04/2003, vigente à época da apresentação das declarações de compensação. Diz o referido dispositivo normativo: Art. 28. Na compensação efetuada pelo sujeito passivo, os créditos serão acrescidos de juros compensatórios na forma prevista nos arts. 38 e 39 e os débitos sofrerão a incidência de acréscimos moratórios, na forma da legislação de regência, até a data da entrega da Declaração de Compensação. (Redação da IN 323, de 04/04/2003) (grifei). Esclareçase que os arts. 38 e 39 da IN SRF nº 210/02, acima referidos, tratam da restituição de quantias recolhidas ao Tesouro Nacional e não de ressarcimento. Por último, entendo prescindível a realização de diligência porque não há controvérsia sobre o valor do crédito reconhecido e o procedimento adotado pela recorrente nas compensações não encontra respaldo legal. No mais, com fulcro no art. 50, § 1o, da Lei no 9.784/19991, adoto e ratifico os fundamentos do acórdão de primeira instância. Por tais razões, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Walber José da Silva 1 Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: [. . .] § 1o A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão parte integrante do ato. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 20/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/06/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Assinado digitalmente em 06/06/2011 por WALBER JOSE DA SILVA
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Numero do processo: 15983.000840/2007-16
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Apr 15 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Fri Apr 15 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF
Ano-Calendário: 2002.
MATÉRIA SOB APRECIAÇÃO DO PODER JUDICIÁRIO. CONCOMITÂNCIA DAS INSTÂNCIAS JUDICIAL E ADMINISTRATIVA. IMPOSSIBILIDADE.
0 litigante não pode discutir a mesma matéria em processo judicial e em administrativo. Havendo coincidência de objetos nos dois processos, deve-se trancar a via administrativa. Em nosso sistema de direito, prevalece a solução dada ao litígio pela via judicial. Inteligência do enunciado sumular CARF n°1 (DOU de 22/12/2009), verbis: "Importa renúncia as instâncias
administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de oficio, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial".
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2102-001.262
Decisão: Acordam os Membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar
provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora. Vencida a Conselheira Núbia Matos Moura que cassava a decisão da DRJ, por cerceamento do direito de defesa.
Matéria: IRPF- ação fiscal - omis. de rendimentos - PF/PJ e Exterior
Nome do relator: Acácia Sayuri Wakasugi
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MATÉRIA SOB APRECIAÇÃO DO PODER JUDICIÁRIO. CONCOMITÂNCIA DAS INSTÂNCIAS JUDICIAL E ADMINISTRATIVA. IMPOSSIBILIDADE. 0 litigante não pode discutir a mesma matéria em processo judicial e em administrativo. Havendo coincidência de objetos nos dois processos, deve-se trancar a via administrativa. Em nosso sistema de direito, prevalece a solução dada ao litígio pela via judicial. Inteligência do enunciado sumular CARF n°1 (DOU de 22/12/2009), verbis: "Importa renúncia as instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de oficio, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial". Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos sentes autos. Acordam os Membrs do Cole iado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto da , 'eU tora. Vencida a Conselheira Núbia Matos Moura que cassava a decisão da D J, por cerc to do direito de defesa. Giova esidente EDITADO EM: 28/11/2011 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Giovanni Christian Nunes Campos, Eivanice Canário da Silva, Nóbia Matos Moura, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Rubens Mauricio Carvalho e Acácia Sayuri Walcasugi. Relatório Em face do contribuinte PAULO SOARES FILGUEIRAS, CPF/MF n° 037.359.588-34 , já qualificado neste processo, foi lavrado, em 03/07/2007, auto de infração (fls. 01 a 13), a partir da revisão de sua declaração de ajuste anual, referente ao ano-calendário 2002, com o lançamento do imposto de renda, multa de oficio e de juros de mora, totalizando um crédito tributário de R$ 322.407,90. Conforme descrição dos fatos, o contribuinte classificou indevidamente na Declaração de Ajuste rendimentos decorrentes de aposentadoria de anistia, como isentos. Tal irregularidade decorre da falta de apresentação pelo contribuinte, conforme bem relatado pela DRJ, da Portaria do Ministro de Estado da Justiça, a qual conferiria o direito de reparação econômica de caráter indenizatório do regime de anistiado politico, segundo art. 3°, da Lei 10.559, de 13/11/2002. 0 crédito tributário foi lançado com a exigibilidade suspensa por força de Medida Liminar, da 8a Vara Cível da Justiça Federal do Distrito Federal, razão pela qual também não foi aplicada a multa de oficio de 75%, em processo tombado sob o n° 2002.34.00.013434-7. A 3' Turma da DRJ/SPOIL por unanimidade de votos, julgou por não conhecer da impugnação, em decisão consubstanciada no Acórdão n° 17-31.703, 06 de maio de 2009 (fls. 61 a 65), que foi assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Ano-Calendário: 2002 Ementa: PROCESSOS ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA. A propositztra pela contribuinte, contra a Fazenda, de ação judicial, antes ou posteriormente â autuação, com o mesmo objeto, importa renúncia its instâncias administrativas. Impugnação não Conhecida 0 contribuinte foi intimado da decisão a quo em 02/06/2009, cujo qual interpôs recurso voluntário em 04/06/2009, no qual assim assevera: (.) 3. Pelo que se percebe, a r. decisão da Primeira Instância Administrativa não levou em consideração, nas razões de decidir, a eficácia dos princípios constitucionais da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, verdade real, moralidade, ampla defesa, segurança jurídica, interesse público e justiça tributária, ao fundamentar seu decisum, nos seguintes pontos: "No caso em questão o interessado impetrou o Mandado de Segurança n° 2002.34.00.013434-7, com pedido de liminar, pleiteando provimento jurisdicional no sentido de ser declarada a ilegalidade da tributação dos proventos de caráter indenizatórios relativo a anistia política "0 objeto da demanda judicial, portanto, é o mesmo tratado neste processo administrativo. Tal fato demonstra que o Processo 11' 15983.000840/2007-16 S2-C I T2 Fl. 90 Acórdão n.° 2102-01.262 contribuinte fez clara opção pela via judicial em detrimento da via administrativa, uma vez viger no Brasil o principio da Unidade de Jurisdição ou Sistema de Jurisdição (Mica, segundo o qual a funçãojurisdicional é monopólio do Poder Judiciário. 5. DO PROCESSO JUDICIAL — Mesmo com advento da Lei 10.559, de 13 de novembro de 2002, o pagamento da aposentadoria ou pensão excepcional relativa aos já anistiados politicos continuou sendo efetuado pelo INSS. O artigo 90 da referida Lei estatuiu que "os valores mencionados não poderão ser objeto de contribuição ao INSS, as caixas de assistência ou fundos de pensão ou previdência, nem objeto de ressarcimento por estes de suas responsabilidades estatutárias." E, ainda, segundo seu parágrafo único, tais valores, pagos a titulo de indenização a anistiados politicos, são ISENTOS DE IMPOSTO DE RENDA. 6. Ocorre que o artigo 19 da referida lei enseja a interpretações a cerca da anistia política concedida anteriormente à Constituição da República, se seria beneficiada pela isenção, caso da requerente. Entretanto a matéria foi esclarecida pelo Decreto 4.987, de 25 de novembro de 2003, editado pelo Presidente da República, para regulamentar o referido artigo 19, da Lei 10.559/02, expressamente incluiu as aposentadorias, pensões ou proventos de qualquer natureza pagos aos já anistiados politicos (§ 1°, do artigo 1°, do Decreto 4987/03). 7. Com efeito, mesmo alcançando os pagamentos de aposentadoria e de pensões de anistiados politicos que trata o artigo 19, da Lei 10.559/02, o INSS não reconhecia a isenção do Imposto de Renda em relação aos benefícios na forma prevista no artigo 9 0, parágrafo único da Lei 10.559/02, isto porque, era o responsável tributário pelas retenções do 1RRF e pelas informações fiscais perante a Receita Federal. 8. Nesse diapasão, o recorrente, para se valer do direito, e para que a Autarquia viesse a obedecer ao principio da legalidade e segurança jurídica (art. 37, caput, da CF), conforme disposto na Constituição e na Lei, impetrou Mandado de Segurança, contra o INSS e o Gerente Executivo da Autarquia, autoridade responsável pela retenção do indigitado tributo, objetivando a declaração de inexigibilidade do Imposto Sobre a Renda, sobre a indenização recebida el titulo de aposentadoria excepcional de anistiado. Observa-se no processo judicial que mesmo diante dos apelos do INSS/Gerente Executivo da Autarquia, que arguiram ilegitimidade passiva, ambos foram mantidos no pólo passivo da ação, uma vez que era o responsável pela retenção. A Unido (Fazenda Nacional) foi posteriormente incluída na ação. Portanto, o que objetiva a recorrente na ação judicial é a declaração da inexigibilidade do Imposto de Renda Retido na Fonte, sobre os beneficios pagos pelo INSS, auferidos a titulo de aposentadoria excepcional de anistiado politico. (..) o relatório. Voto Conselheira Acácia Sayuri Wakaugi, Relatora Declara-se a tempestividade do apelo, já que interposto dentro do trintidio legal. Dessa forma, atendidos os demais requisitos legais, passa-se a apreciá-lo. Informa o recorrente que a controvérsia deduzida nestes autos se encontra sob apreciação do judiciário, no bojo do mandado de segurança 2002.34.00.013434-7, sem solução definitiva na instância judicial. Vê-se que a pretensão aqui deduzida pela recorrente não pode ser julgada nesta instância administrativa, pois somente cabe a Administração se submeter ao decidido pelo Poder Judiciário, no bojo da Ação ordinária citada. Considerando a unicidade de jurisdição que tem vigência no Brasil, com supremacia do direito dito pelo Poder Judiciário, somente cabe a esta Segunda Turma da Primeira Camara da Segunda Seção do CARF reconhecer a concomitância das instâncias, e, em analogia com o determinado pelo parágrafo único do art. 38 da Lei n° 6.830/80, declarar, neste ponto, que a recorrente desistiu tacitamente do recurso interposto na esfera administrativa. E de se evidenciar que recentemente o Supremo Tribunal Federal declarou a constitucionalidade do parágrafo único do art. 38 da Lei n° 6.830/80, ou seja, a propositura de demanda com o mesmo objeto da lide administrativa implica em renúncia a esta última instância. Assim, nessa questão, veja-se a transcrição do informativo STF n° 476, de 22 agosto de 2007, verbis: Em conclusão de julgamento, o Tribunal, por maioria, negou provimento a recurso extraordinário ern que se discutia a constitucionalidade do parágrafo único do art. 38 da Lei 6.830/80 ("Art 38. A discussão judicial da Divida Ativa da Fazenda Pública só é admissivel em execução, na forma desta Lei, salvo as hipóteses de mandado de segurança, ação de repetição do indébito ou ação anztlatória do ato declarativo da divida, esta precedida do depósito preparatório do valor do débito, monetariamente corrigido e acrescido dos juros e multa de mora e demais encargos. Parágrafo único. A propositura, pelo contribuinte, da (Kilo prevista neste arthro importa em renúncia ao poder de recorrer na esfera administrativa e desistência do recurso acaso interposto."). Tratava-se, na espécie, de recurso interposto contra acórdão do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro, que negara provimento à apelação da recorrente e confirmara sentença que indeferira mandado de segurança preventivo por ela impetrado, sob o fundamento de impossibilidade da utilização simultânea das vias administrativa e judicial para discussão da mesma matéria —v. Informativos 349 e 387. Entendeu-se que o art. 38, da Lei 6.830/80 apenas veio a conferir mera alternativa de escolha de uma das vias processuais. Nesta assentada, o Min. Sepúlveda Pertence, em voto-vista, acompanhou a divergência, no sentido de negar provimento ao recurso. Asseverou que a presunalo de renúncia ao poder de recorrer ou de desistência do recurso na esfera administrativa não implica afronta à marantia constitucional da jurisdição, uma vez que o efeito coercivo que o dispositivo questionado possa conter apenas se efetiva se e quando o contribuinte previa o acolhimento de sua pretensão na esfera administrativa. Assim, somente haverá receio de provocar o Judiciário e ter extinto o processo administrativo, se este se mostrar mais eficiente que aquele. Neste caso, se houver uma solução administrativa imprevista ou contrária a seus interesses, ainda ai estará resguardado o direito de provocar o Judiciário. Por outro lado, na situação inversa, se o contribuinte não esperar resultado positivo do processo administrativo, não hesitará em provocar o Judiciário tão logo possa, e já não se interessará mais pelo que se vier a decidir na esfera administrativa, salvo no caso de eventual sucumbencia jurisdicionaL Afastou, também, a alegada ofensa ao direito de petição, uma vez que este já teria sido exercido pelo contribuinte, tanto que haveria um processo administrativo em curso. Concluiu que dispositivo atacado encerra preceito de economia processual que re2e Processo n° 15983.000840/2007-16 S2-CI T2 Acórdão n.° 2102-01.262 11. 91 tanto o processo judicial quanto o administrativo. Por fim, registrou que já se admitia, no campo do processo civil, que a prática de atos incompatíveis com a vontade de recorrer implica renúncia a esse direito de recorrer ou prejuízo do recurso interposto, a teor do que dispõe o art. 503, caput, e parágrafo único, do CPC, nunca tendo se levantado qualquer dúvida acerca da constitztcionalidade dessas normas. Vencidos os Ministros Marco Aurélio, relator, e Carlos Britt° que davam provimento ao recurso para declarar a inconstitucionalidade do dispositivo em análise, por vislumbrarem ofensa ao direito de livre acesso ao Judiciário e ao direito de pencil°. RE 233582/RJ, rel. orig. Min. Marco Aurélio, rel. p/ o acárdilo Min. Joaquim Barbosa, 16.8.2007. (RE-233582)— grifou-se - Por fim, no caso ora em debate, também incide a inteligência da Súmula CARF N° 1: "Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial", e, com espeque no art. 72, caput e § 40, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais do Ministério da Fazenda', aprovado pela Portaria MF n° 256, de 22 de junho de 2009 (DOU de 23 de junho de 2009), deve-se ressaltar que os enunciados sumulares, dos Conselhos de Contribuintes e do CARF, são de aplicação obrigatória nos julgamentos de 2° grau. ANTE 0 POSTO, voto no sentido de reconhecer que o objeto do presente feito administrativo ta end discutido na via judicial, o que implica em NEGAR PROVIMENTO AO/ Art. 72. As decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em sumula de observância obrigatória pelos membros do CARF. § 1° a §3° Omissis. § 40 As súmulas aprovadas pelos Primeiro, Segundo e Terceiro Conselhos de Contribuintes são de adoção obrigatória pelos membros do CARF. 5
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Numero do processo: 12466.002663/2007-55
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 01 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Mar 01 00:00:00 UTC 2011
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Exercício: 2004
PRODUÇÃO DE PROVA PERICIAL. HIPÓTESES
A complementação da instrução por meio de prova pericial é medida que somente se justifica se tomada em caráter subsidiário à obrigação das partes de instruir o processo e, ainda assim, se imprescindível à solução do litígio.
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Ano-calendário: 2004
RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA POR INFRAÇÃO.
Responde solidariamente pela multa aplicada quem, de qualquer forma, contribuir para a prática de ato tipificado como infração, ainda que não se beneficie do resultado. Inteligência do art. 95, I, do Decreto-lei nº 37, de 1966.
Recurso Voluntário Parcialmente Provido
Numero da decisão: 3102-00.918
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos em dar parcial provimento ao recurso voluntário para excluir a coresponsabilidade do recorrente Colina Verde Café Ltda. e manter a coresponsabilidade do recorrente Vitor Luciano de Mello, além das demais pessoas físicas e jurídicas que não apresentaram recurso voluntário ou impugnação.
Nome do relator: Luis Marcelo Guerra de Castro
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2004 PRODUÇÃO DE PROVA PERICIAL. HIPÓTESES A complementação da instrução por meio de prova pericial é medida que somente se justifica se tomada em caráter subsidiário à obrigação das partes de instruir o processo e, ainda assim, se imprescindível à solução do litígio. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2004 RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA POR INFRAÇÃO. Responde solidariamente pela multa aplicada quem, de qualquer forma, contribuir para a prática de ato tipificado como infração, ainda que não se beneficie do resultado. Inteligência do art. 95, I, do Decretolei nº 37, de 1966. Recurso Voluntário Parcialmente Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos em dar parcial provimento ao recurso voluntário para excluir a coresponsabilidade do recorrente Colina Verde Café Ltda. e manter a coresponsabilidade do recorrente Vitor Luciano de Mello, além das demais pessoas físicas e jurídicas que não apresentaram recurso voluntário ou impugnação. (assinado digitalmente) Luis Marcelo Guerra de Castro Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros José Fernandes do Nascimento, Ricardo Paulo Rosa, Beatriz Veríssimo de Sena, Luciano Pontes de Maya Gomes, Nanci Gama e Luis Marcelo Guerra de Castro.. Fl. 681DF CARF MF Impresso em 29/02/2012 por MARIA FRANCISCA MEDEIROS DE AQUINO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 1 7/10/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO 2 Relatório Por bem descrever a matéria litigiosa, adoto relatório que embasou o acórdão recorrido, que passo a transcrever: Contra o interessado foi lavrado auto de infração relativo a multa regulamentar de IPI no valor total de R$ 912.653,1400 (fl. 02), em função das irregularidades descritas no Relatório de Fiscalização nº 502/4 de fls. 08 e seguintes; Foram arrolados como responsáveis solidários (fls. 49/50): Wladimir Santos Sanches – CPF 273.347.83891, Narcisio Albertini – CPF 507.795.83868, Flávio Mitsuo Miazaqui – CPF 873.417.27853, Antilhas Embalagens Editora e Gráfica S.A. – CNPJ 02.096.748/000165, JL Comércio Importação e Exportação Ltda. – CNPJ 04.218.281/000104, Luiz Carlos Paulino de Moura Mello – CPF 505.424.94787, Eliana Maria de Lima Marques – CPF 117.704.81249, Adeilson Pereira da Silva – CPF 002.945.58713, Intervix Despachos e Serviços Aduaneiros Ltda. – CNPJ 02.569.466/000138, Vitor Luciano de Mello – CPF 656.958.60768, Ubirajara Pantoja Mendes CPF 363.244.00778, Colina Verde Café Ltda. CNPJ 04.319.193/000107, Charles Paulo Bart – CPF 034.830.30760, Jailton Gomes Pereira – CPF 080.507.58796 e Edma Cristina Stein – CPF 007.936.25750. Tanto o interessado quanto os responsáveis solidários foram regularmente intimados do auto de infração, conforme documentos de fls. 760/774 e 1007; Athenas Trading S.A., Wladimir Santos Sanches, Narcisio Albertini, Flávio Mitsuo Miazaqui, Adeilson Pereira da Silva, Antilhas Embalagens Editora e Gráfica S.A. JL Comércio Importação e Exportação Ltda., Eliana Maria de Lima Marques, Luiz Carlos Paulino de Moura Mello, não apresentaram impugnação ao auto de infração, tendo sido lavrados os Termos de Revelia de fls. 1008/1016; Vitor Luciano de Mello apresenta impugnação (fls. 841/850) na qual alega, em síntese, que: foi sócio da empresa Intervix Despachos e Serviços Aduaneiros Ltda.de 1998 até 06/06/2005, sendo que em 16/10/2007 “foi surpreendido por estar arrolado por suposto envolvimento em procedimentos irregulares de Exportações ‘Ficticias’.Tal fato se deu através de suposta utilização de seu CPF e senha no REGISTRO DE QUATRO RE’s / DE’s de responsabilidde da empresa Athenas Trading S.A.”; “imperioso se faz destacar que o Recorrente não procedeu tais registros e desconhece todos os procedimentos adotados e pessoas, tanto jurídica quanto física, envolvidas neste processo, com exceção da Sra. Edma Cristina Stein, na época funcionaria da Intervix e do Sr. Ubirajara Pantoja Mendes, sócio da referida empresa”; Fl. 682DF CARF MF Impresso em 29/02/2012 por MARIA FRANCISCA MEDEIROS DE AQUINO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 1 7/10/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 12466.002663/200755 Acórdão n.º 3102 3102000.918 S3C1T2 Fl. 2 3 “mister registrar que todos os funcionários da Empresa Intervix, da qual o Recorrente era sócio e responsável apenas pelo SETOR DE IMPORTAÇÃO, eram conhecedores das SENHAS dos despachantes que lá trabalhavam, pois era necessário para poder ter acesso ao Siscomex. Este fato é absolutamente normal e corriqueiro em qualquer Comissária Aduaneira, portanto qualquer pessoa poderia ter usado ou informado a SENHA e CPF do Recorrente para tal fim”; “há de se levar em consideração que o sistema na época utilizado pela Alfândega era e, assim permanece até a presente data, totalmente desprovido de qualquer segurança para o usuário do Siscomex. Em que pese o fato de que qualquer pessoa de posse de uma procuração de uma determinada empresa poderia se dirigir ao setor competente na Alfândega, solicitar o programa Siscomex e recebelo através de disquetes. Para isso assinavase um termo de responsabilidade para se obter o pacote de software para instalação e uso do produto IWW FOR WINDOWS, a partir do qual se obtinha um endereço IP fornecido pelo Serpro e um NETNAME, para a efetiva instalação do programa, além do EMULADOR e CÓDIGO DE ISTALAÇÃO ENDEREÇO TcplP/Sdlc”; “desta forma, qualquer pessoa com más intenções poderia obter (roubar) estes disquetes e o termo de responsabilidade que continha todas as informações para a instalação do programa. Essa mesma pessoa poderia utilizar de forma desonesta a SENHA e o CPF de uma terceira pessoa, sem que ela pudesse estar ciente e, ainda, responsabilizála juntamente com a empresa onde a pessoa que o responsável pelo “TERMO DE RESPONSABILIDADE” trabalha, no caso em tela, a lntervix). Há de se levar em consideração, que por mais cuidado que a “pessoa responsável” pelo “termo de responsabilidade” tivesse, ela não está 24 horas presente na empresa onde trabalha e nem está com seu computador “debaixo do braço” para impedir que outras pessoas pudessem utilizalo”; “há que se salientar, ainda, que o RECORRENTE não foi chamado , em nenhum momento, pela alfândega, para tomar ciência dos fatos que ora, absurdamente , lhe estão imputados, relativos a estas operações fraudulentas e desonestas”; Edma Cristina Stein apresenta impugnação (fls. 854/860) na qual alega, em síntese, que; “na ocasião retratada nos autos em referência, era funcionária da Empresa INTERVIX DESP. E SERV. LTDA, na qual exercia a função de Despachante Aduaneiro e possuía à época procuração da Empresa COLINA VERDE CAFÉ LTDA, situação esta que proporcionou a retirada junto ao Serpro no dia 08/05/2002 do pacote de software, para instalação e uso profissional do produto Packet 3270 e NETNAME GVKE82BC”; “o objeto central da presente é explicitar que de forma desconhecida até o momento, um terceiro, maliciosamente, teve acesso a inscrição do Netname e do código de instalação do Fl. 683DF CARF MF Impresso em 29/02/2012 por MARIA FRANCISCA MEDEIROS DE AQUINO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 1 7/10/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO 4 programa sem que a Recorrente tivesse conhecimento e, desta forma utilizouo indevidamente, tendo sido provavelmente, instalado em equipamento de endereço incerto, ou mesmo utilizado por alguém com intuito CRIMINOSO na máquina que a mesma exercia suas funções profissionais em sua ausência”; informa que ao retirar o software acima citado, assinou o Termo de Responsabilidade, mas afirma que “para exercer as suas atividades profissionais era ‘obrigatório’ a assinatura desse termo, muito embora as determinações nele contidas fossem absolutamente inexeqüíveis, pois estabelecia que a pessoa se responsabilizava pela guarda, conservação, extravio, furto, danos ou má utilização do netname. Mister ressaltar, mais uma vez, que tais determinações são impossíveis de serem cumpridas, já que o software é instalado na dependência de uma empresa, e a disposição de todos os funcionários que nela integram, tendo que se levar em consideração horários de expediente, férias, etc...”; “há que se salientar, ainda, que a RECORRENTE não foi chamada, em nenhum momento, pela alfândega, para tomar ciência dos fatos que ora, absurdamente, lhe estão imputados, relativos a estas operações fraudulentas e desonestas”; Intervix Despachos e Serviços Aduaneiros Ltda. apresenta impugnação (fls. 925/926) na qual alega, em síntese, que “também é vítima desse sistema, que não permite ao proprietário de Comissarias deDespachos (caso da lntervix), a manter um controle mais rígidos de seus despachantes”; Ubirajara Pantoja Mendes apresenta impugnação (fls. 935/936) na qual alega, em síntese, que ‘era apenas, à época, sócio do Sr. Vitor Luciano de Mello, que no Relatório foi indicado como supostamente cadastrado como representante dà ATHENAS TRADING; e que, dos terminais instalados na Intervix foram efetivadas algumas habilitações de “perfis” e trocas de “senhas”. Ora, afirmar que essas operações foram efetivadas dos terminais da lntervix carecem de fundamentos comprobatórios, porquanto, é sabido que esse acesso pode ser feito de qualquer lugar, por qualquer pessoa, basta que o acessante tenha as coordenadas, o que é muito fácil de conseguir, conforme sobejamente explicitado no Relatório, pelos próprios Auditores Fiscais da Alfândega, conforme transcrevemos literalmente: “No caso em estudo, o cadastramento dos perfis (depositário e transportador) atribuídos ao titular do CPF. 069.171.66685 foi realizado FRAUDULENTAMENTE, a partir da captura , em tese, da senha da Sra. Eliane Alano Pereira, CPF. 346.134.55049, Técnica da Receita Federal (TRF) , matrícula n°. 30106478, Cadastradora Local do SISCOMEX, lotada no SETECServiço de Tecnologia desta Alfândega.”(fls.321/322), página 12, do Relatório”; Colina Verde Café Ltda. apresenta impugnação (fls. 864/869) na qual alega, em síntese, que: “em 29 de junho de 2001 a empresa, ora defendente, através de seu sócio gerente protocolou pedido junto a Inspetoria no sentido de eu fosse cancelado o credenciamento como Fl. 684DF CARF MF Impresso em 29/02/2012 por MARIA FRANCISCA MEDEIROS DE AQUINO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 1 7/10/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 12466.002663/200755 Acórdão n.º 3102 3102000.918 S3C1T2 Fl. 3 5 importador/exportador. O requerimento visava justamente sanar a irregularidade quando não havia e não há qualquer interesse no credenciamento quando a empresa tem como atividade principal a corretagem de café. Tal documento é prova inequívoca do TOTAL DESCONHECIMENTO DA DEFENDENTE DOS FATOS ARTICULADOS, DESCONHECENDO NA INTEGRALIDADE AS OPERAÇÕES A ELA IMPUTADAS’; “no entanto, o que há de mais importante é determinar o flagrante equívoco da autoridade fiscal ao incluir o impugnante como solidário nesse processo sem sequer que fosse dada a ela o direito de defesa durante o procedimento fiscal, o que fere amplamente o direito constitucional do contraditório e da ampla defesa”; “a autoridade fiscal conclui, sem provas concretas, que um terminal de computador da empresa cujo impugnante é sócio foi utilizado para a troca de senhas, e apenas com essa falível conclusão entende que o impugnante é coparticipe na suposta simulação de importações”, requer diligência para responder os quesitos que formula à fl. 868; Charles Paulo Bart e Jailton Gomes Pereira apresentam impugnações (fls. 778/783 e 939/944) nas quais apresentam as mesmas alegações da empresa Colina Verde Café Ltda.( item anterior do relatório; Ponderando as razões aduzidas pela autuada, juntamente com o consignado no voto condutor, decidiu o órgão de piso pela manutenção integral da exigência, excluindo, entretanto, do pólo passivo da obrigação a Edma Cristina Stein, conforme se observa na ementa abaixo transcrita: Assunto: Normas de Administração Tributária Anocalendário: 2004 RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. O empregador, ainda que não haja culpa de sua parte, responderá pelos atos praticados por seus empregados no seio da empresa. Já o mandatário, Sempre que estipular negócios expressamente em nome do mandante, será este o único responsável. Impugnação Improcedente Cientes da decisão de primeira instância, compareceram ao processo exclusivamente os contribuintes Vitor Luciano de Mello e Colina Verde Café Ltda. indicados como solidários, apresentam recurso em que, essencialmente, reiteram suas alegações manejadas em sede de impugnação, acrescendose exclusivamente os seguintes fundamentos: a) recorrente Vitor Luciano de Mello: Fl. 685DF CARF MF Impresso em 29/02/2012 por MARIA FRANCISCA MEDEIROS DE AQUINO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 1 7/10/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO 6 que a exigência de depósito recursal ou arrolamento de bens violaria direito líquido e certo a impetração de recurso voluntário. Cita doutrina e jurisprudência que a fragilidade dos mecanismos de controle, que teriam permitido a “captura” inclusive das senhas de Autoridades Fiscais, aumentaria a dúvida acerca da autoria dos fatos imputados e justificariam a aplicação do princípio in dubio pro reo . Cita trecho do código de processo penal e da Lei nº 9.784, de 1999; que, quando da apresentação da impugnação, apontou as pessoas responsáveis pela área de exportação da agência de despachos da qual foi sócio. b) recorrente Colina Verde Café Ltda.: que a decisão de primeira instância se fundamenta na responsabilidade do empregador pelos atos praticados pelo empregado, mas não identifica o empregado que praticou as ações apenadas; que o lançamento se sustenta em presunção, mediante a inserção de pessoas alheias, que não detém relação pessoal e direta com o fato gerador; que, tal e qual, no seu sentir estranhamente, ocorrera com a Sra. Edma Cristina Stein, caberia excluir a pessoa jurídica do rol dos responsáveis. Protesta, alternativamente, pela nulidade da decisão de 1ª instância ou pela realização da diligência pleiteada. Dado que o montante exonerado é inferior ao limite fixado na Portaria MF nº 03, de 03 de janeiro de 2008, não pende recurso de ofício acerca da exclusão da Sra. Edma Cristina Stein do pólo passivo. É o Relatório. Voto Conselheiro Luis Marcelo Guerra de Castro, Relator Tomo conhecimento do presente recurso, que foi tempestivamente apresentado e trata de matéria afeta a esta Terceira Seção. Enfrento separadamente cada uma das razões re recurso aduzidas. Tomo conhecimento do presente recurso, que foi tempestivamente apresentado e trata de matéria afeta a esta Terceira Seção. Desnecessário o arrolamento ou depósito recursal expressamente dispensado pelo Ato Declaratório Interpretativo nº 9, de 05/06/2007, do Secretário da Receita Federal do Brasil. Em nome da clareza, enfrento separadamente cada uma das razões de recurso aduzidas, que serão agrupadas de acordo com a natureza da alegação: 1 Preliminarmente: Produção de Prova Pericial O contribuinte Colina Verde Café Ltda. questiona o indeferimento de perícia com o objetivo de responder aos seguintes questionamentos: Fl. 686DF CARF MF Impresso em 29/02/2012 por MARIA FRANCISCA MEDEIROS DE AQUINO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 1 7/10/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 12466.002663/200755 Acórdão n.º 3102 3102000.918 S3C1T2 Fl. 4 7 1. Foi realizada perícia técnica nos computadores da impugnante para comprovar a troca de senhas por seus terminais? 2. A impugnante foi intimada a prestar esclarecimentos sobre algum fato no referido processo? 3. Qual o interesse comum entre a impugnante e a empresa Athenas Trading S/A? A meu ver, embora a peça impugnatória tenha sido enfática quanto à necessidade de complementar a instrução do processo, não se demonstrou a imprescindibilidade da providência, condição expressamente prevista no art. 18 do Decreto nº 70.235/72, com a redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993, que estabelece: “Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine.” Peço licença para transcrever a interpretação de James Marins1 acerca do conteúdo do dispositivo acima transcrito: “... cumprirá à autoridade julgadora de primeira instância apreciar os requerimentos de produção de provas, apreciar sua pertinência e determinar a realização daquelas que seja em virtude de terem sido requeridas ou por deliberação ex officio da autoridade de primeira instância sejam necessárias para que a instrução se complete. O juízo de pertinência probatória será feito principalmente com base nos critérios de imprescindibilidade e praticabilidade.” (os grifos não constam do original) Nesse contexto, apesar da inquestionável moderação com que as regras relativas à formalidade dos atos processuais devem ser aplicadas, a adoção da medida de complementação da instrução só se justifica se tomada em caráter subsidiário à obrigação das partes de instruir o processo e, ainda assim, se imprescindível à solução do litígio. Ou seja, não pode o contribuinte deixar de trazer ao processo os elementos de prova que dêem suporte à sua impugnação pretendendo que essa omissão seja suprida pela realização de diligência ou perícia. Ademais, cumpre destacar que os fatos que a recorrente pretende ver “esclarecidos” constam do Relatório Fiscal. Com efeito, da leitura do relatório podese extrair que: não consta informação de que os computadores tenham sido periciados (a identificação dos terminais foi feita por controle de “log”) e as autoridades fiscais não solicitaram esclarecimentos aos arrolados como coresponsáveis. 1 Direito Processual Tributário. São Paulo. 2005, Dialética, 4ª Edição, p. 279. Fl. 687DF CARF MF Impresso em 29/02/2012 por MARIA FRANCISCA MEDEIROS DE AQUINO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 1 7/10/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO 8 Finalmente, em tal relatório restaram exaustivamente apresentados os elementos que, no sentir do Fisco, demonstrariam interesse comum ou coautoria. Rejeito, assim, a preliminar de nulidade e indefiro a realização de perícia. 2 Mérito 2.1 Conduta Tipificada Antes de adentrar na análise dos argumentos de mérito, é preciso demarcar o conteúdo do presente litígio. Quanto a esse aspecto, é preciso destacar que, segundo consignado no relatório fiscal, pende sobre a autuada e os responsáveis solidários a acusação da prática da infração tipificada no art. 83, II da Lei nº 4.502, de 1964, que tem a seguinte redação (original não destacado): Art. 83. Incorrem em multa igual ao valor comercial da mercadoria ou ao que lhe é atribuído na nota fiscal, respectivamente: (...) II Os que emitirem, fora dos casos permitidos nesta Lei, nota fiscal que não corresponda à saída efetiva, de produto nela descrito, do estabelecimento emitente, e os que, em proveito próprio ou alheio, utilizarem, receberem ou registrarem essa nota para qualquer efeito, haja ou não destaque do imposto e ainda que a nota se refira a produto isento. Nessa linha, a par das acusações relativas à prática de exportação fictícia, por meio de despachos de exportação falsos, alvo de autos de infração diversos, aqui discutese exclusivamente a imposição da penalidade sobre as condutas de emitir nota que não corresponda à efetiva saída de produtos ou de utilizar, de receber e de registrar tais notas para qualquer fim. Aplicação de multa igual ao valor comercial das mercadorias, expresso nas notas fiscais n.º's 108 a 121 e 123 a 131 que instruíram as declarações de exportação n.°s 2040821180/6, 2040821228/4, 2040821274/8, 2040810617/4, 2040810657/3, 2040810698/2 e 2040810720/0, em razão de ter sido comprovado no RELATÓRIO DE FISCALIZAÇÃO N.°502/4, que é parte integrante deste auto, que referidas notas, bem como a própria declaração e os documentos que a instruem, foram fraudulentamente produzidos, tendo presente que não houve o embarque dos bens para o exterior, ou seja, não se processou a efetiva saída dos produtos na forma descrita nas mencionadas notas fiscais, que apontam como adquirente pessoa jurídica domiciliada no exterior É sobre esse enfoque que se procederá à análise do mérito. Feitos esses esclarecimentos, passase à análise dos argumentos manejados em sede de recurso. 2.2 Falha na Eleição do Sujeito Passivo Fl. 688DF CARF MF Impresso em 29/02/2012 por MARIA FRANCISCA MEDEIROS DE AQUINO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 1 7/10/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 12466.002663/200755 Acórdão n.º 3102 3102000.918 S3C1T2 Fl. 5 9 O suporte legal para a inclusão das recorrentes no pólo passivo foi extraído dos artigos. 124, I, do Código Tributário Nacional2 e 95, I do Decretolei nº 37, de 19663. O primeiro dispositivo, como é cediço, trata do que a Doutrina convencionou denominar “solidariedade de fato”. Tomo emprestada a definição de Marcos Vinicius Neder4: No inc. I do art. 124, do CTN, foram definidos como devedores solidários aqueles que tenham interesse comum “na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal”. Assim, o antecedente da norma individual e concreta de responsabilidade descreve um fato não tributário interesse comum, cuja efeito jurídico será a inclusão de terceiro interessado no pólo passivo da obrigação principal de forma solidária aos demais devedores, sem necessidade de outra previsão legal. O cerne da questão, portanto, estaria na avaliação da presença ou não de interesse comum na “situação que constitua o fato gerador” da obrigação principal, definida no parágrafo 1º do art. 113 do mesmo CTN5, sem perder de vista que, no presente processo, discutese a aplicação de penalidade regulamentar, pelo descumprimento de obrigação acessória. Ou seja, obrigação tributária consubstanciada nos autos decorre da “conversão” instituída no § 3º do mesmo art. 1136. Quanto a esse ponto, reconhecendo a excelência do trabalho de investigação realizado, me permito discordar das Autoridades Autuantes, pois não consigo divisar o referido “interesse comum” em situação que constitua o fato gerador de tributo, simplesmente porque não consta do presente lançamento qualquer parcela relativa a tributo. O que se discute, com efeito, é a imposição de multa por infração. No intuito de melhor explicitar meu ponto de vista, recorro à Doutrina, no caso, de Luciano Amaro7: “Com certeza, ninguém duvidará de que o contribuinte seja pessoa que recolhe tributo, mas é inconcebível a idéia de contribuinte referida a alguém não na condição de pagador de tributos, mas na de pagador de multas pecuniárias [..]Aproveitando a linguagem do Código, se alguém que tem ‘relação pessoal e direta’ com o fato gerador é contribuinte, quem tem a ‘relação pessoal e direta’ com uma infração é infrator, nunca contribuinte” (...) 2 Art. 124. São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; 3 Art.95 Respondem pela infração: I conjunta ou isoladamente, quem quer que, de qualquer forma, concorra para sua prática, ou dela se beneficie; 4 Solidariedade de Direito e de Fato Reflexões acerca do seu Conceito, in Responsabilidade Tributária. Coordenadores Maria Rita Ferragut e Marcos Vinicius Neder. São Paulo. Dialética, 2007, p. 36. 5 Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. 6 § 3º A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. 7 Direito Tributário Brasileiro. São Paulo. 2010. Saraiva, 16ª ed. p.332 Fl. 689DF CARF MF Impresso em 29/02/2012 por MARIA FRANCISCA MEDEIROS DE AQUINO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 1 7/10/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO 10 Fica evidente que as categorias de ‘contribuinte’ e de ‘responsável’ foram estruturadas a partir do fato gerador do tributo (e não ‘fato gerador da penalidade pecuniária’, qualificação que o Código acaba, pelo menos implicitamente, dando à infração tributária) (...) A questão do vínculo entre o infrator (agente) e a infração (ação ou omissão) não se põe em termos de ‘relação pessoal e direta’ ou relação oblíqua com o ‘fato gerador’. O problema é de autoria, tout court. É infrator (agente) quem tenha o dever legal de adotar certa conduta (comissiva ou omissiva) e descumpre esse dever, sujeitandose, por via de consequência, à sanção que a lei comine. [...]Responsável, no que tange à responsabilidade por infrações, é a pessoa (não necessariamente o contribuinte de algum tributo) que, por ter praticado uma infração, deve responder por ela, vale dizer, deve submeterse às consequências legais do seu ato ilícito. Caberia, então, focar a análise do presente recurso no segundo dispositivo apontado pelas Autoridades Fiscais, no caso os arts. 602 e 603 do Regulamento Aduaneiro aprovado pelo Decreto nº 4.543, de 2002, que regulamentam os artigos 94, caput e § 2º, e 95, I do Decretolei nº 37, de 1966, e estão, por outro lado, em consonância com o comando do art. 136 do CTN8, que tratam da responsabilidade por infração. Dizem os dispositivos: Art. 602. Constitui infração toda ação ou omissão, voluntária ou involuntária, que importe inobservância, por parte de pessoa física ou jurídica, de norma estabelecida ou disciplinada neste Decreto ou em ato administrativo de caráter normativo destinado a completálo (Decretolei nº 37, de 1966, art. 94). Parágrafo único. Salvo disposição expressa em contrário, a responsabilidade por infração independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, da natureza e da extensão dos efeitos do ato (Decretolei nº 37, de 1966, art. 94, § 2º). Art. 603. Respondem pela infração (Decretolei nº 37, de 1966, art. 95): I conjunta ou isoladamente, quem quer que, de qualquer forma, concorra para sua prática ou dela se beneficie; Sendo certo que encontrase superado o questionamento acerca da efetividade da infração, restaria avaliar se a participação que lhes foi imputada concorrera para a perpetração da conduta ilícita. Dada a ausência de bibliografia acerca da coautoria no plano das infrações tributárias, recorrese às considerações consagradas no Direito Penal. Como é possível 8 Art. 136. Salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. Fl. 690DF CARF MF Impresso em 29/02/2012 por MARIA FRANCISCA MEDEIROS DE AQUINO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 1 7/10/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 12466.002663/200755 Acórdão n.º 3102 3102000.918 S3C1T2 Fl. 6 11 perceber, o art. 29 do Código Penal9 possui redação bastante semelhante ao do inciso I do art. 95 do Decretolei nº 37, de 196610. No âmbito do Direito Penal, a doutrina e a jurisprudência consolidadas inclinamse no sentido de condicionar a caracterização da coautoria à verificação de dois elos: o psicológico e o causal. Já no bojo do Direito Aduaneiro, por força do parágrafo único do art. 602 do RA 2002, que reproduz o parágrafo 2º do art. 94 do DL 37, de 1966, não se faz necessária qualquer investigação acerca do elo psicológico: no presente processo, relembrese, não se discute infração tributária onde o dolo é condição para sua caracterização. Se não se discute o dolo do autor, igualmente desnecessária é a discussão do dolo dos coautores ou partícipes. O foco da presente análise, assim, estaria no nexo causal entre as condutas apontadas e a infração objeto do litígio. Para esse mister, tomo emprestadas as conclusões de Julio Fabbrini Mirabete11, em comentário ao art. 29 do CP (original não destacado): Existentes condutas de várias pessoas, é indispensável, do ponto de vista objetivo, que haja um nexo causal entre cada uma delas e o resultado. Havendo essa relação entre a ação de cada uma delas e o resultado, ou seja, havendo relevância causal de cada conduta, concorreram essas pessoas para o evento e por ele serão responsabilizadas. Resumidamente, segundo consta do relatório fiscal 502/4, as pessoas físicas e jurídicas arroladas como responsáveis principal e solidários foram acusadas de atuar direta ou indiretamente na formulação de despachos de exportação que, posteriormente, demonstraram se inteiramente simulados. Ainda segundo tal relatório, a elaboração de tais despachos fraudulentos viabilizariam especialmente: a) a baixa irregular de atos concessórios de drawback e o consequente prejuízo tributário decorrente do reconhecimento indevido do benefício; b) o ingresso de divisas irregularmente mantidas no exterior; c) introdução irregular de mercadorias no mercado interno; c) reconhecimento indevido de direito creditório do IPI, PIS, Cofins e ICMS incidentes sobre a aquisição de insumos; e d) ocultação da origem, movimentação e destino dos recursos provenientes das operações ilícitas. 9 Art. 29 Quem, de qualquer modo, concorre para o crime incide nas penas a este cominadas, na medida de sua culpabilidade. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984) 10 Art. 95. Respondem pela infração: I conjunta ou isoladamente, quem quer que, de qualquer forma, concorra para sua prática, ou dela se beneficie; 11 Manual de Direito Penal. São Paulo. Atlas, 19ª ed. 2003, Vol. I, p. 229 Fl. 691DF CARF MF Impresso em 29/02/2012 por MARIA FRANCISCA MEDEIROS DE AQUINO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 1 7/10/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO 12 Ocorre que, no presente processo, relembrese, não está em debate quaisquer dessas infrações, mas exclusivamente a emissão irregular de documento fiscal e a utilização de tal documento irregularmente emitido. Sob essa ótica, é que deve ser avaliada a participação atribuída aos recorrentes e à interessada. No intuito de orientar essa avaliação, cito as condutas imputadas aos recorrentes e interessados no Relatório de Fiscalização 502/4: a) recorrente Vitor Luciano de Mello: sócio da pessoa jurídica Intervix Despachos e Serviços, onde estariam instalados os terminais de computador (endereços IP 172.030.002.139 a 172.030.002.142) nos quais foram realizadas operações de habilitação, atribuição de perfis e trocas de senha que viabilizaram a utilização do Siscomex por pessoas físicas que não reuniriam condições legais; despachante aduaneiro responsável pela elaboração de despachos e registros de exportação falsos; b) recorrente Colina Verde Café Ltda.: pessoa jurídica onde estaria instalado o Terminal GVKE82BC, no qual foram realizadas trocas de senha de pessoas físicas que não reuniriam condições legais para registrar operações no Siscomex nos perfis utilizados; Analiso separadamente a relação de subsunção entre a conduta imputada e a infração que é alvo do presente recurso: No que se refere ao Recorrente Vitor Luciano de Mello, que, segundo os registros de “log” do sistema, foi o responsável pela elaboração dos despachos instruídos com as notas falsas, a meu ver, não há como desvincular a conduta imputada e o tipo. De fato, as notas foram utilizadas na instrução daqueles registros e, indiscutivelmente, contribuíram para sua capacidade de simulação. Consequentemente, com relação a este recorrente, devem ser enfrentadas as alegações relativas à negativa de autoria. Essencialmente, relembrese, sustenta que foi sócio da pessoa jurídica Intervix, Despachos e Serviços, mas que só atuara no setor de importação e que não conhece qualquer das pessoas físicas e jurídicas arroladas, com exceção do Sr. Ubirajara Pantoja Mendes e da Sra. Edma Cristina Stein. Por outro lado, recusa o caráter probatório decorrente do registro da senha: em face da necessidade de acessar o Siscomex, todos os funcionários da Empresa Intervix eram conhecedores das senhas dos despachantes que lá trabalhavam, fato normal e corriqueiro em qualquer Comissária Aduaneira. Ademais, a fragilidade dos controles permitiria que tal senha fosse capturada e utilizada para qualquer fim. Rejeita, portanto, a acusação de que tenha sido o responsável pela formulação dos registros/despachos de exportação. Com o devido respeito, penso que as alegações carreadas ao processo não afastam a responsabilidade do Sr. Vitor Luciano pela infração. Fl. 692DF CARF MF Impresso em 29/02/2012 por MARIA FRANCISCA MEDEIROS DE AQUINO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 1 7/10/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 12466.002663/200755 Acórdão n.º 3102 3102000.918 S3C1T2 Fl. 7 13 Em primeiro lugar, há que se registrar que, de acordo com art. 4º do Decreto nº 646, de 1992, então vigente, as atividades relacionadas com o despacho aduaneiro só poderiam ser exercidas pelo despachante aduaneiro, pela próprio importador ou exportador, se pessoa física, ou, em se tratando de pessoa jurídica, por intermédio de pessoa física que apresente um dos vínculos enumerados nas alíneas do inciso II. Confirase: Art. 4° O interessado, pessoa física ou jurídica, somente poderá exercer atividades relacionadas com o despacho aduaneiro: I por intermédio do despachante aduaneiro; II pessoalmente, se pessoa física, ou, se jurídica, também mediante: a) dirigente; b) empregado; c) empregado de empresa coligada ou controlada, tal como definida nos §§ 1° e 2º do art. 243 da Lei n° 6.404, de 15 de dezembro de 1976; d) funcionário ou servidor especificamente designado, quando for órgão da administração pública, missão diplomática ou representação de organização internacional. Como é possível verificar, por definição normativa, afora as demais pessoas físicas enumeradas, quem atua no despacho é sempre o despachante aduaneiro. Não há, portanto, margem para a atuação da agência de despacho por meio de um de seus empregados, salvo se tais empregados fossem qualificados como despachantes. Ou seja, apesar de alegadamente corriqueira, a “distribuição” de senha pessoal do despachante para que empregado da agência de despacho opere o sistema representa violação à norma. Nessa linha, se o próprio recorrente foi responsável pelo compartilhamento indevido de sua senha, efetivamente contribuiu para que a infração ocorresse, ainda que se admitia que à sua revelia. Cabe aqui empregar o princípio de que “ninguém pode se opor a fato a que ele próprio deu causa”, de pacífica aplicação nas diversas esferas do Poder Judiciário. À guisa de exemplo, citese voto proferido pela Min. Nancy Andrighi, nos autos do REsp nº 605.687/AM12, onde, valendose da doutrina de Pontes de Miranda, concluiu: " ... nos termos de princípio invocável em nosso sistema jurídico, 'a ninguém é lícito venire contra factum proprium, isto é, exercer direito, pretensão ou ação, ou exceção, em contradição com o que foi a sua atitude anterior, interpretada objetivamente, de acordo com a lei' (cfr. PONTES DE MIRANDA, Tratado de direito privado, Campinas: Bookseller, 2000, p. 64). " 12 Julgado em 02/06/2005 Fl. 693DF CARF MF Impresso em 29/02/2012 por MARIA FRANCISCA MEDEIROS DE AQUINO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 1 7/10/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO 14 Por outro lado, não foi trazido ao processo qualquer elemento apto a demonstrar que a senha em questão tivesse sido “capturada” por algum de seus funcionários, até porque, se ela era de conhecimento de todos , não haveria motivo para fazêlo. Entretanto, analisando a descrição da conduta de que é acusada a pessoa jurídica Café Verde Ltda. não vejo como atribuir nexo causal relevante entre os fatos que lhes são imputados e as ações de emitir nota irregular ou utilizar tal nota emitida irregularmente. Com efeito, as trocas de senha promovidas mediante a utilização de terminal de computador instalado no estabelecimento da pessoa jurídica Colina Verde Café, indiscutivelmente, colaboraram para o uso indevido do Siscomex por pessoas físicas relacionadas no processo. Ocorre que, independentemente das discussões relativas ao dolo, repitase despiciendas em face da natureza objetiva da infração, tais ações não se subsumem aos tipos descritos na norma, nem representam vínculo causal com os mesmos. De fato, seja porque o uso do Siscomex não seria condição para emissão da nota fiscal, seja em função de que a utilização de tal nota fiscal para instruir falsos despachos de exportação, pelo menos segundo os documentos carreados ao processo, foi levada a efeito por meio de acesso realizado por despachante aduaneiro regularmente credenciado (ou seja, que não se beneficiou da irregularidade que se alega praticada no referido estabelecimento), não se poderia atribuir a coautoria da infração objeto deste processo à pessoa jurídica Café Verde Ltda.. Assim, a conduta imputada à mesma não guarda relação com a emissão irregular das notas ou registro das notas irregularmente emitidas no Siscomex, realizado por meio da senha de um despachante regulamente credenciado. Evidentemente, isso não significa desconsiderar as conclusões assentadas pelas Autoridades Fiscais com relação a outras infrações já elencadas anteriormente. Aqui, cuidase de apurar a coautoria na ação de emitir nota fiscal em desacordo com o que preconiza a legislação ou utilizar tais notas para qualquer fim. Apenas com relação a essas condutas, não consigo divisar a relevância causal nas ações imputadas ao contribuinte Café Verde Ltda.. 3 Conclusão Com essas considerações, dou parcial provimento ao recurso voluntário para excluir a coresponsabilidade do recorrente Colina Verde Café Ltda. e manter a co responsabilidade do recorrente Vitor Luciano de Mello, além, é claro, das demais pessoas físicas e jurídicas que não apresentaram recurso voluntário ou impugnação. Deixo de me manifestar acerca da exclusão da contribuinte Edma Cristina Stein do rol dos coresponsáveis, relembrese, em razão de que a mesma já foi excluída pelo órgão julgador de primeira instância e de que o valor da exoneração é inferior ao limite de alçada. Sala das Sessões, em 1 de março de 2011 (assinado digitalmente) Luis Marcelo Guerra de Castro Fl. 694DF CARF MF Impresso em 29/02/2012 por MARIA FRANCISCA MEDEIROS DE AQUINO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 1 7/10/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 12466.002663/200755 Acórdão n.º 3102 3102000.918 S3C1T2 Fl. 8 15 Fl. 695DF CARF MF Impresso em 29/02/2012 por MARIA FRANCISCA MEDEIROS DE AQUINO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 1 7/10/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO
score : 1.0
Numero do processo: 10070.000350/2004-38
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 12 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu May 12 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF
Exercício: 2003
Ementa: DEDUÇÃO. DESPESAS COM INSTRUÇÃO. Na apuração da base
de cálculo do imposto, os contribuintes podem deduzir as despesas com instrução próprias e com seus dependentes. Admite-se
como dedutíveis gastos realizados com mensalidade de curso de pós-graduação.
Recurso parcialmente provido.
Numero da decisão: 2201-001.107
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, dar provimento
parcial para restabelecer a dedução a título de despesa com instrução no valor de R$ 405,00.
Matéria: IRPF- auto de infração eletronico (exceto multa DIRPF)
Nome do relator: PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA
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ementa_s : Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 2003 Ementa: DEDUÇÃO. DESPESAS COM INSTRUÇÃO. Na apuração da base de cálculo do imposto, os contribuintes podem deduzir as despesas com instrução próprias e com seus dependentes. Admite-se como dedutíveis gastos realizados com mensalidade de curso de pós-graduação. Recurso parcialmente provido.
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DESPESAS COM INSTRUÇÃO. Na apuração da base de cálculo do imposto, os contribuintes podem deduzir as despesas com instrução próprias e com seus dependentes. Admitese como dedutíveis gastos realizados com mensalidade de curso de pósgraduação. Recurso parcialmente provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, dar provimento parcial para restabelecer a dedução a título de despesa com instrução no valor de R$ 405,00. Assinatura digital Francisco Assis de Oliveira Júnior – Presidente Assinatura digital Pedro Paulo Pereira Barbosa Relator EDITADO EM: 13/05/2011 Participaram da sessão: Francisco Assis Oliveira Júnior (Presidente), Pedro Paulo Pereira Barbosa (Relator), Gustavo Lian Haddad, Eduardo Tadeu Farah, Rodrigo Santos Masset Lacombe e Rayana Alves de Oliveira França. Relatório Fl. 34DF CARF MF Emitido em 28/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/06/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Assinado digitalmente em 07/06/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, 09/06/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU 2 DALVINA JANSEN PEREIRA DE VASCONCELOS interpôs recurso voluntário contra acórdão da DRJRIO DE JANEIRO/RJ II (fls. 17) que julgou procedente lançamento, formalizado por meio Da notificação de lançamento de fls. 05/06, que alterou o resultado da Declaração de Imposto sobre Renda de Pessoa Física – DIRPF, referente ao exercício de 2003, de imposto a pagar de R$ 88,70 para imposto a pagar de R$ 563,37. O lançamento decorreu da glosa dos valores declarados como despesa com instrução (R$ 838,00). A Contribuinte apresentou a impugnação de fls. 01 na qual pede seja consideradas as despesas com instrução própria e com dependente, sendo R$ 85,00, referente a pagamento feito a Sociedade Brasileira de Farmácia Hospitalar, despesa com instrução da dependente Eliane Pereira de Vasconcelos, e R$ 495,00, pagos ao Conselho Federal de Enfermagem, referente a despesa com instrução própria. A DRJRIO DE JANEIRORJ II julgou procedente o lançamento com base, em síntese, na consideração de que, quanto à despesa com instrução da dependente, a mesma, que se refere a taxa de inscrição em Congresso, não se enquadra na lei como despesa dedutível; e quanto à despesa própria, os documentos apresentados trazem rasuras, inclusive quanto às datas, que os desqualificam como meios de prova. A Contribuinte tomou ciência da decisão de primeira instância em 21 de janeiro de 2008 (fls. 21v) e, em 1º/02/2008, interpôs o recurso voluntário de fls. 25, que ora se examina e no qual reivindica a manutenção da despesa com instrução de R$ 405,00, referente a gasto com pósgraduação, conforme documentos que apresenta. É o relatório. Voto Conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa – Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. Fundamentação Como se colhe do relatório, o lançamento decorre apenas da glosa de dedução de despesa com instrução. Embora o valor originalmente declarado e glosado tenha sido de R$ 838,00, a Recorrente pleiteia que seja mantida a dedução de apenas R$ 405,00. Este valor referese a pagamentos que teriam sido feitos ao Conselho Federal de Enfermagem no ano de 2002 e se refere a mensalidades de curso de pósgraduação realizado pela Faculdade de Enfermagem Luiz Marillac em convênio com aquele Conselho. Examinando o documento de fls. 26, verifico que o mesmo corrobora a alegação da Recorrente. Tratase de curso de pósgraduação, realizado por uma faculdade, o que se enquadra entre as hipóteses admitidas de dedução como despesa de instrução. Por outro lado, não há porque não acolher a declaração do Conselho Regional de Enfermagem como prova hábil a comprovar a despesa. Tratase de entidade representativa da categoria Fl. 35DF CARF MF Emitido em 28/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/06/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Assinado digitalmente em 07/06/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, 09/06/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU Processo nº 10070.000350/200438 Acórdão n.º 220101.107 S2C2T1 Fl. 2 3 profissional a que pertence a recorrente e que afirma a realização de um convênio para a realização de curso de pósgraduação. Nestas condições, penso que restou comprovada a despesa com instrução no valor de R$ 405,00. Conclusão Ante o exposto, encaminho meu voto no sentido de dar parcial provimento ao recurso para reconhecer a dedução, como despesa de instrução, de R$ 405,00. Assinatura digital Pedro Paulo Pereira Barbosa Fl. 36DF CARF MF Emitido em 28/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/06/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Assinado digitalmente em 07/06/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, 09/06/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU
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Numero do processo: 10540.720012/2005-13
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 23 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Feb 23 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Ano calendário:2001
COMPENSAÇÃO ERRO NO PREENCHIMENTO DA DCOMP SUBSTITUIÇÃO
DE CRÉDITOS Não cabe, em sede de recurso voluntário, simplesmente substituir os créditos de 2001, que já foram debatidos, reconhecidos e aproveitados em outro processo, por outros créditos referentes ao ano calendário de 2003.
Desde a Lei 10.637/2002, as compensações passaram a ter toda uma
sistemática própria. Portanto, ainda que existisse apuração de saldo negativo em 2003, a compensação não poderia ser efetuada da maneira pretendida pela Contribuinte, diretamente em sede de recurso voluntário.
A Declaração de Compensação dirigida à Delegacia da Receita Federal é o único instrumento para opor ao Fisco a extinção de débitos via procedimento de compensação. Sendo assim, em razão do erro cometido no preenchimento da DCOMP, os novos créditos deveriam ter sido submetidos primeiramente à análise da Delegacia de origem, na forma prevista em lei, e não trazidos diretamente ao CARF.
Numero da decisão: 1802-000.812
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso.
Nome do relator: JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2001 COMPENSAÇÃO ERRO NO PREENCHIMENTO DA DCOMP SUBSTITUIÇÃO DE CRÉDITOS Não cabe, em sede de recurso voluntário, simplesmente substituir os créditos de 2001, que já foram debatidos, reconhecidos e aproveitados em outro processo, por outros créditos referentes ao anocalendário de 2003. Desde a Lei 10.637/2002, as compensações passaram a ter toda uma sistemática própria. Portanto, ainda que existisse apuração de saldo negativo em 2003, a compensação não poderia ser efetuada da maneira pretendida pela Contribuinte, diretamente em sede de recurso voluntário. A Declaração de Compensação dirigida à Delegacia da Receita Federal é o único instrumento para opor ao Fisco a extinção de débitos via procedimento de compensação. Sendo assim, em razão do erro cometido no preenchimento da DCOMP, os novos créditos deveriam ter sido submetidos primeiramente à análise da Delegacia de origem, na forma prevista em lei, e não trazidos diretamente ao CARF. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. Fl. 186DF CARF MF Emitido em 05/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/04/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Assinado digitalmente em 01/04/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, 01/04/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10540.720012/200513 Acórdão n.º 180200.812 S1TE02 Fl. 189 2 (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Gilberto Baptista, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel, Nereida de Miranda Finamore Horta e Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior. Fl. 187DF CARF MF Emitido em 05/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/04/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Assinado digitalmente em 01/04/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, 01/04/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10540.720012/200513 Acórdão n.º 180200.812 S1TE02 Fl. 190 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Salvador/BA, que manteve a negativa em relação às Declarações de Compensação de fls. 2 a 13 e 14 a 17, como já havia decidido anteriormente a Delegacia de origem. Por muito bem descrever os fatos, reproduzo o relatório constante da decisão de primeira instância, Acórdão nº 1519.636, às fls. 155 a 157: Tratase de manifestação de inconformidade (fls. 116 a 138), recebida em 30/12/2005, contra o despacho decisório (fls.110 a 111), da Delegacia da Receita Federal em Vitória da Conquista, que aprovou o Parecer Técnico SAORT nº 45/2005 (fls. 108 a 110), o qual indeferiu os pedidos de compensação apresentados pelo contribuinte acima identificado com o saldo negativo de IRPJ relativo ao anocalendário de 2001, exercício 2002. Os débitos que o contribuinte pretende compensar encontramse discriminados a seguir. (...) O Parecer Técnico da SAORT (fl. 111), concluiu pela não homologação das compensações requeridas, por inexistência de direito creditório a ser reconhecido, em razão de ter concluído, após análise dos documentos apresentados, não existir saldo negativo de IRPJ no anocalendário de 2001, correspondente ao exercício de 2002. O contribuinte tomou conhecimento do indeferimento do seu pedido, via AR (fl. 115) em 12/12/2005, e, em 30/12/2005, apresentou a presente manifestação de inconformidade alegando, em síntese, que: a) “para a realização do levantamento dos saldos negativos, do exercício de 2002, e conseqüente não homologação das declarações de compensação do ano de 2003, houve a consideração apenas das informações contidas nos sistemas da própria Receita Federal,” as quais são sigilosas, inacessíveis aos contribuintes e constituem uma verdadeira “caixapreta”; b) “deveria ter havido uma comparação das informações contidas na contabilidade da empresa e aquelas de que o Fisco dispõe, a fim de se apurar a real dimensão dos saldos negativos de CSLL e IRPJ que se pretende compensar”; c) “a apuração unilateral e sigilosa, com indiferença à contabilidade do contribuinte, configura um cerceamento de defesa intolerável pela jurisprudência administrativa e judicial, haja vista a legislação que garante o sagrado direito de defesa”; Fl. 188DF CARF MF Emitido em 05/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/04/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Assinado digitalmente em 01/04/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, 01/04/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10540.720012/200513 Acórdão n.º 180200.812 S1TE02 Fl. 191 4 d) “o desencontro de informações pode ser fruto inclusive de um mero erro no preenchimento das declarações, o que nem de longe impossibilita o gozo do crédito tributário”; e) “todos os valores de receita foram levados à tributação como será comprovado pelo contribuinte”; f) “uma simples comparação dos valores de IRPJ pago e efetivamente devido possibilitará concluir que realmente a empresa dispunha de créditos tributários que poderiam ser compensados; Para tanto, a empresa apresenta apreciação de Vsa planilhas com reconstrução dos saldos negativos”; g) “efetivamente existiram os saldos negativos de IRPJ no exercício de 2002, haja vista o pagamento a maior desses tributos, em função dos valores retidos e estimativas de lucro real não concretizadas”; h) “a presunção de veracidade dos livros contábeis e documentos do contribuinte não pode ser abalada pela simples afirmação de que os mesmos não batem com os dados que a Receita Federal dispõe”. Pede, por fim, que sejam considerados os saldos negativos conforme demonstrado nos seus controles e documentos comprobatórios por ser esta a capitulação legal e o critério correto para o contribuinte traduzir a realidade material do fato, acatandose as declarações de compensação que compõem o processo, reformandose a decisão de primeiro grau, anulando se o lançamento e conseqüente cobrança dos créditos desses tributos. Como já mencionado, a DRJ Salvador/BA manteve a negativa em relação às pretendidas compensações, expressando suas conclusões com a seguinte ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 2001 NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Se o contribuinte revela conhecer os elementos que deram causa ao despacho decisório, apresentando defesa que abrange não só questões preliminares como também razões de mérito, descabe a proposição de cerceamento do direito de defesa. REAPRECIAÇÃO. PRECLUSÃO. Incabível a reapreciação de matéria objeto de decisão administrativa uma vez que já ocorreu a preclusão. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2001 COMPENSAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE SALDO NEGATIVO. Fl. 189DF CARF MF Emitido em 05/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/04/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Assinado digitalmente em 01/04/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, 01/04/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10540.720012/200513 Acórdão n.º 180200.812 S1TE02 Fl. 192 5 Devem ser indeferidas as compensações pleiteadas diante da inexistência de saldo negativo. Solicitação Indeferida Inconformada com essa decisão, da qual tomou ciência em 12/08/2009 (fls. 158), a Contribuinte apresentou em 11/09/2009 o recurso voluntário de fls. 163 a 167, com os argumentos descritos abaixo: analisando os controles fiscais, DIPJ/2004, o processo nº 10540.001361/200290 e sua contabilidade, restou à empresa concordar com o fundamento apresentado pelo Auditor Fiscal no qual diz que o presente processo trata de matéria preclusa; todavia, a empresa verificou que houve um erro escusável administrativo dela, e que essas declarações de compensação deveriam ser feitas com saldos de IRRF do ano calendário de 2003, e não com saldos negativos de 1997/2001; é absolutamente imprescindível que a contabilidade da empresa seja considerada, a fim de averiguar a pertinência das declarações de compensação que originaram esse processo; na DIPJ/2004 está comprovadamente informado que a empresa dispunha de valores a compensar fruto de retenções da fonte das fontes pagadoras (Ficha 53), às quais a empresa presta serviços; todavia, houve um erro no preenchimento da DIPJ, pois a empresa não considerou esses valores no cálculo do IRPJ pelo Lucro Real (Ficha 12A). O saldo do imposto de renda na fonte durante o ano de 2003 é de R$ 30.533,55; o desencontro de informações pode ser fruto inclusive de um mero erro no preenchimento das declarações, o que nem de longe impossibilita o gozo do crédito tributário; como a própria jurisprudência administrativa transcrita afirma que “deve ser restabelecido o direito à compensação pleiteado e o saldo remanescente de prejuízo fiscal compensável, se a glosa ocorreu por erro na transcrição dos valores declarados para o sistema de controle da Receita Federal”, lícito se faz a reconstrução do saldo negativo do exercício de 2004; uma simples comparação dos valores de IRPJ pago e efetivamente devido possibilitará concluir que realmente a Empresa dispunha de créditos tributários que poderiam ser compensados. Para tanto a empresa apresenta a apreciação de várias fichas da DIPJ/2004 que contemplam a reconstrução dos créditos tributários; efetivamente existiram os créditos tributários no exercício de 2004, haja vista o pagamento a maior desses tributos, em função dos valores retidos e estimativas de lucro real não concretizadas. Uma simples informação equivocada no sistema da Receita Federal nem de longe tem o condão de tornar inúteis todos os documentos que a empresa detém, bem como todo seu controle contábil. A presunção de veracidade dos livros contábeis e documentos do contribuinte não pode ser abalada pela simples afirmação de que “os mesmos não batem com os dados que a Receita dispõe”; Fl. 190DF CARF MF Emitido em 05/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/04/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Assinado digitalmente em 01/04/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, 01/04/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10540.720012/200513 Acórdão n.º 180200.812 S1TE02 Fl. 193 6 a Recorrente pede que sejam considerados os créditos tributários do exercício de 2004, anocalendário 2003, assumindo que houve erro no preenchimento das DCOMP's e das defesas apresentadas no presente processo, solicitando que seja restabelecido o seu direito creditório, conforme demonstrado nos seus controles e documentos comprobatórios, por ser esta a capitulação legal e o critério correto para o Contribuinte traduzir a realidade material do fato. Este é o Relatório. Fl. 191DF CARF MF Emitido em 05/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/04/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Assinado digitalmente em 01/04/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, 01/04/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10540.720012/200513 Acórdão n.º 180200.812 S1TE02 Fl. 194 7 Voto Conselheiro José de Oliveira Ferraz Corrêa, Relator. O recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos para a sua admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. Conforme relatado, o litígio diz respeito ao indeferimento de declarações de compensação apresentadas pela Contribuinte. Pretendiase com elas quitar vários débitos de PIS e COFINS com crédito referente a saldo negativo de IRPJ no anocalendário de 2001. Em sua decisão, a DRJ esclareceu que o indeferimento do pleito teve como fundamento a inexistência de saldo negativo a compensar, referente ao anocalendário de 2001, registrando ainda que o saldo negativo deste período já teria sido objeto de outro processo, de nº 10540.001361/200290, julgado pela 1a. Turma da DRJ/Salvador em 27/07/2006, Acórdão nº 1510.660 (fls. 143 a 148), onde foi deferida em parte a manifestação de inconformidade da Contribuinte e reconhecidos os saldos negativos nos anoscalendário de 1997 a 2001, conforme tabela a seguir: Anocalendário/ Período de Apuração Saldos Negativos de IRPJ reconhecidos (valores em R$) 1997 / 1º trimestre – 1997 / 2º trimestre – 1997 / 3º trimestre – 1997 / 4º trimestre – 1998 / 1º trimestre 1.270,19 1998 / 2º trimestre 2.233,49 1998 / 3º trimestre 2.795,92 1998 / 4º trimestre 3.500,50 1999 / 1º trimestre 3.092,05 1999 / 2º trimestre 3.281,76 Fl. 192DF CARF MF Emitido em 05/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/04/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Assinado digitalmente em 01/04/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, 01/04/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10540.720012/200513 Acórdão n.º 180200.812 S1TE02 Fl. 195 8 Anocalendário/ Período de Apuração Saldos Negativos de IRPJ reconhecidos (valores em R$) 1999 / 3º trimestre 3.449,45 1999 / 4º trimestre – 2000 / 1º trimestre 3.122,77 2000 / 1º trimestre – 2000 / 3º trimestre 122,72 2000 / 4º trimestre 5.209,82 2001 / 1º trimestre 3.474,44 2001 / 2º trimestre 3.564,54 2001 / 3º trimestre 5.900,85 2001 / 4º trimestre 1.546,19 Diante destes esclarecimentos, concluiu a DRJ: Portanto, o saldo negativo do anocalendário de 2001 já foi decidido no mencionado processo nº 10540.001361/200290, acórdão 1510.660, conforme os valores reconhecidos na transcrita tabela, configurando assim matéria preclusa, não cabendo mais sua apreciação nesta instância administrativa, devendo ser verificado se ainda resta saldo negativo relativo ao mencionado anocalendário, capaz de suprir as compensações aqui requeridas. Constatase, entretanto, diante do saldo negativo reconhecido e os pedidos de compensação pleiteados no processo 10540.001361/200290, que todo o saldo credor foi utilizado, não restando mais crédito referente ao ano de 2001, conforme extrato do aludido processo (fls. 149 a 151) e carta cobrança dos débitos remanescentes (fls. 152 a 153). Assim, não poderão ser concretizados os pedidos de compensação pleiteados no presente processo, devendo ser indeferidas as compensações diante da inexistência de saldo negativo. A Recorrente, por sua vez, concorda que o saldo negativo do anocalendário de 2001 configura matéria preclusa, posto que já analisado e utilizado em outro processo. Fl. 193DF CARF MF Emitido em 05/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/04/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Assinado digitalmente em 01/04/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, 01/04/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10540.720012/200513 Acórdão n.º 180200.812 S1TE02 Fl. 196 9 Ela também assume que houve erro no preenchimento das DCOMP e das defesas apresentadas no presente processo, argumentando que as declarações de compensação deveriam ser feitas com saldos de IRRF do anocalendário de 2003, e não com saldos negativos de 1997 a 2001. Alega ainda que a DIPJ/2004 comprova que a empresa dispunha de valores a compensar fruto de retenções realizadas pelas fontes pagadoras às quais presta serviços (Ficha 53), e que não considerou tais retenções no cálculo do IRPJ pelo Lucro Real (Ficha 12A). O saldo do imposto de renda na fonte durante o ano de 2003, a ser compensado, seria de R$ 30.533,55. Deste modo, a Recorrente pede que sejam considerados os créditos tributários do exercício de 2004, anocalendário 2003, solicitando que seja restabelecido o seu direito creditório. O pleito não pode ser acolhido. As Declarações de Compensação que deram origem a esse processo abrangem claramente crédito apurado em relação ao anocalendário de 2001. Vale registrar que todas as informações relativas à formação deste crédito dizem respeito a fatos ocorridos no anocalendário de 2001. Ocorre que, conforme já mencionado, o saldo negativo de 2001 já foi debatido, reconhecido e aproveitado em outro processo. Diante disso, não cabe, em sede de recurso voluntário, simplesmente substituir os créditos de 2001 por outros créditos referentes ao anocalendário de 2003. Desde a Lei 10.637/2002, as compensações passaram a ter toda uma sistemática própria. Portanto, ainda que existisse apuração de saldo negativo em 2003, a compensação não poderia ser efetuada da maneira pretendida pela Contribuinte, diretamente em sede de recurso voluntário. A Declaração de Compensação dirigida à Delegacia da Receita Federal é o único instrumento para opor ao Fisco a extinção de débitos via procedimento de compensação. Sendo assim, diante dos problemas mencionados acima, os novos créditos deveriam ter sido submetidos primeiramente à análise da Delegacia de origem, na forma prevista em lei, e não trazidos diretamente ao CARF. Diante do exposto, voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa Fl. 194DF CARF MF Emitido em 05/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/04/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Assinado digitalmente em 01/04/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, 01/04/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10540.720012/200513 Acórdão n.º 180200.812 S1TE02 Fl. 197 10 Fl. 195DF CARF MF Emitido em 05/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/04/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Assinado digitalmente em 01/04/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, 01/04/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
score : 1.0
Numero do processo: 10768.004193/2001-49
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 09 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Feb 09 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 1995
IMPOSTO TERRITORIAL RURAL - ITR/95. DECADÊNCIA. Tendo o
lançamento ocorrido dentro do prazo legal não se pode falar em decadência.
PRESCRIÇÃO. Não se aplica a prescrição intercorrente no processo
administrativo fiscal (Sumula CARF n° 11).
CONTRIBUINTE DO ITR. "Contribuinte do ITR é o proprietário do imóvel rural, o titular de seu domínio útil ou seu possuidor a qualquer titulo." Os posseiros alegadamente existentes não tiveram essa condição comprovada nos autos.
CONTRIBUIÇÃO SINDICAL DO EMPREGADOR. A contribuição sindical
é devida por todos aqueles que participam de uma determinada categoria econômica ou profissional, ou de uma profissão liberal, em favor do sindicato representativo da mesma categoria ou profissão.
Numero da decisão: 2201-000.963
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, Por
unanimidade rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Matéria: ITR - notific./auto de infração eletrônico - outros assuntos
Nome do relator: GUSTAVO LIAN HADDAD
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DECADÊNCIA. Tendo o lançamento ocorrido dentro do prazo legal não se pode falar em decadência. PRESCRIÇÃO. Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal (Sumula CARF n° 11). CONTRIBUINTE DO ITR. "Contribuinte do ITR é o proprietário do imóvel rural, o titular de seu domínio útil ou seu possuidor a qualquer titulo." Os posseiros alegadamente existentes não tiveram essa condição comprovada nos autos. CONTRIBUIÇÃO SINDICAL DO EMPREGADOR. A contribuição sindical é devida por todos aqueles que participam de uma determinada categoria econômica ou profissional, ou de uma profissão liberal, em favor do sindicato representativo da mesma categoria ou profissão. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, Por unanimidade rejeitar as prelimi ares e, o mérito, • gar rovi o recurso, nos termos do voto do Relator. 1 Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Pedro Paulo Pereira Barbosa, Rayana Alves de Oliveira França, Eduardo Tadeu Farah, Guilherme Barranco de Souza (Suplente convocado), Gustavo Lian Haddad e Francisco Assis de Oliveira Júnior (Presidente). Ausente, justificadamente, a Conselheira Janaina Mesquita Lourenço de Souza. Relatório 0 presente processo decorre de impugnação apresentada pelo contribuinte (fls. 4), em 26/09/1996, em face de Notificação de Lançamento do Imposto Territorial Rural e Contribuição Sindical Rural, relativos ao exercício de 1995, no valor de R$59,06 (fls. 5). Conforme despacho de fls. 01/03, o contribuinte apresentou a referida Solicitação de Retificação de Lançamento – SRL, para que fossem (i) retificados os dados cadastrais do contribuinte e (ii) fosse revisto o ITR apurado, in verbis: "Trata-se de SRL apresentada em 26.09.96 pelo espólio de José Maria Rol/as, através da Inventariante Vera Maria José Rol/as, para solicitar retificação do número do CPF para 237.672.947- 53 e retificação do nome do contribuinte para JOSÉ MARIA ROLLAS, além de impugnar o lançamento do ITR/95 do imóvel SRF 4094003-9, sob alegação de ter ocorrido aumento do ITR (guia de FEV/96-SET/96) e haver desconformidade entre o valor declarado e o valor tributado. Nos dados existentes no Sistema ITR a respeito do imóvel em questão, extraídos da DITR /94 apresentada pelo contribuinte, consta a Indicação do nome como "ESPÓLIO JOSÉ MARIA ROLLAS", sem indicação do número do CPF. Além de incluir o número do CPF ora declarado pela Inventariante, parece-nos também adequado retificar o nome que consta do cadastro para o nome do proprietário do imóvel, seguido da expressão ESPÓLIO, tendo em vista que se trata de pessoa falecida, como indicado na procuração anexada a diversas SRL apresentadas pelo mesmo contribuinte para vários Imóveis do IneS1170 titular. No que se refere ao lançamento do ITR/95, cumpre observar que o lançamento ora impugnado constitui uma retificação do lançamento anterior, suspenso pela instrução Normativa SRF n° 16/96, de 27 de março de 1998, como consta da notificação anexada A citada instrução Normativa determinou a revisão de oficio (art. 1 ) e o sobrestamento (art. 2°) de todos os lançamentos do ITR/95, efetuados mediante notOcações emitidas em Janeiro e Fevereiro de 1996. Posteriormente, a instrução Normativa SRF n° 42, de 19 de Julho de 1998, em seu art. 2°, determinou que a revisão de oficio a que se referia a IN SRF 16/96 fosse efetuada utilizando-se os valores fixados para o exercício de 1995 como Valor da Terra Nua Mínimo — VTNin, por hectare, nos termos do § 20 do art. 3° da Lei n° 8.847, de 28 de Janeiro de 1994, valores esses constantes da tabela anexa a citada IN SRF 42/98. Processo n° 10768.004193/2001-49 S2-C2T1 Acórd5o n.° 2201-00.979 Fl. 2 No caso, a revisão foi feita utilizando-se o VTNm de R$ 896,98 por hectare fixado para o município de Parati, onde se localiza o imóvel, o qual, multiplicado pela área tributada de 2,4 ha, resultou no VTN Tributado de R$ 2.008,70, base de cálculo do ITR devido. Por oportuno, cumpre observar que o lançamento objeto da SRL apresentada pelo contribuinte encontra-se na condição de "suspenso de lançamento por comando" no Sistema ITR. A esse respeito, a Coordenação Geral do Sistema de Tributa ção-COSIT editou o Ato Declaratório Normativo n° 05, de 25.01.94, com o seguinte teor: "0 Coordenador-Geral do Sistema de Tributação, no uso das suas atribuições e, tendo em vista o disposto no art. 5' do Decreto-lei n" 1.736, de 20 de dezembro de 1979, c/c o art. 2", inciso I, da Lei /7 s 8.022, de 12 de abril de 1990, DECLARA, em caráter normativo, ás Superintendências Regionais da Receita Federal e demais Interessados que, sobre o crédito tributário relativo ao imposto sobre a Propriedade Territorial Rural — ITR, Taxa de Serviços Cadastrais, contribuições sindicais devidas as Confederação Nacional da Agricultura-CNA, Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura-CONTAG e ao Serviço Nacional de Aprendizagem Rural-SENAR, suspenso em razão de Solicitação de Retificação de Lançamento-SRL, incidirá somente a atualização monetária." Considerando que a recomendação feita em caráter normativo pelo ADZ'/ CGST n°05/94 refere-se as matérias tratadas no art. 5° do Decreto-lei n° 1.7313/79 e no art. 2°, inciso I, da Lei n° 8.022/90, ou seja, atualização monetária e Juros de mora Incidentes sobre créditos tributários, deve ser observado que a restrição feita não alcança qualquer outra parcela do crédito tributário não compreendida nas rubricas a que se refere o ADN CGST-05/94. Tendo em vista o exposto, sugerimos seja INDEFERIDA a Impugnação do lançamento do ITRI95, mantendo-se o lançamento efetuado mediante notificação emitida em 19.07.96, e DEFERIDA a solicitação de Inclusão do número do CPF e retificação do nome do titular do imóvel em questão, encaminhado-se a presente SRL a DITEC para retificar o nome do titular do imóvel para JOSÉ MARIA ROLLAS - ESPÓLIO e para incluir no campo próprio o número do CPF 237.872.847- 53, enviando-se a SRL em seguida ao CAC/Centro-RJ para ciência do contribuinte." Cientificado da referida decisão em 07/09/2001 (termo de fls. 10), o contribuinte apresentou, em 05/10/2001, a impugnação de fls. 11/15, cujas alegações foram assim sintetizadas pela autoridade julgadora de primeira instância: "4.1) - O lançamento constante da notificação foi realizado coni prazo superior a cinco anos; 3 4.2) - Os créditos fiscais prescrevem em cinco anos; 4.3) - No presente caso, a data da apuração rol feda em prazo superior ao estabelecido pela regra prescricionaL Consequentemente é ineficaz apresente cobrança; 4.4) - O Espólio em questão não está na condição apontada na supre citada notificação, como empregador, não lhe podendo imputar qualquer tributação neste sentido,. 4.5) - O Imóvel em epígrafe, em se achando ocupado por posseiros, que ali executem atividades rurais, pelo que deverão os mesmos serem chamados ao processo administrativo, como corresponsaveis pelo eventual débito; 4.6) - Pelo exposto, visto não ser devida a cobrança em questão, requer seja a presente notificação arquivada por falta de amparo legal." A 2 Turma da DRJ em Recife, por unanimidade de votos, considerou procedente o lançamento, em decisão assim ementada: `Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 1995 Ementa: DECADÊNCIA. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário só se extingue após 5 (cinco) anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. PRESCRIÇÃO. As reclamações e os recursos, nos termos das leis reguladoras do processo tributário administrativo suspendem a exigibilidade do crédito tributário, de acordo coin o inciso III, art. 151, da Lei n°5.172/1966 (CTN). PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PROVAS. As provas devem ser apresentadas na forma e no tempo previstos na legislação que rege o processo administrativo CONTRIBUINTE DO ITR. 0 Contribuinte do imposto é o proprietário do imóvel, o titular de seu donzinio útil ou o seu possuidor a qualquer titulo, de acordo com o art. 31, da Lei n°5,172/1966 (CTN). CONTRIBUIÇÃO SIND. EMPREGADOR. É empregador rural, quem, proprietário ou não e mesmo sem empregado, em regime de economia familiar, explore imóvel rural que lhe absorva toda a força de trabalho e lhe garanta a subsistência social e econômico em area igual ou superior dimensão do módulo rural da respectiva região. Sendo esta lançada e cobrada dos empregadores rurais sobre o valor adotado para o lançamento do imposto territorial rural, quando 4 Processo n° 10768.004193/2001-49 S2-C2T1 Acórdão n.° 2201-00.979 Fl. 3 o empregador não é organizado em empresa ou firma, de acordo com o Decreto-lei n°1.166/1971. Lançamento Procedente" Cientificado da decisão de primeira instancia em 05/12/2002, conforme AR de fls. 21, e corn ela não se conformando, o recorrente interpôs, em 06/01/2003, o recurso voluntário de fls. 22/24, por meio do qual reitera suas razões apresentadas na impugnação. o relatório Voto Conselheiro Gustavo Lian Haddad, Relator 0 recurso preenche os requisitos de admissibilidade. Dele conheço. Preliminarmente o Recorrente sustenta a ocorrência da decadência e da prescrição do credito tributário, bem como a nulidade do lançamento pelo cerceamento de seu direito de defesa. Entendo que a alegação de decadência não merece prosperar. Nesse sentido, verifica-se dos autos que a constituição do crédito tributário constante da notificação do lançamento do ITR195, deu-se em 19/07/96, com vencimento em 30/09/96, ou seja, dentro do prazo legal. Assim, não há que se falar no decurso de prazo superior a 5 anos como sustenta o Recorrente. Da mesma forma não vislumbro a ocorrência de prescrição. Inicialmente, deve-se ressaltar que as reclamações e recursos administrativos suspendem a exigibilidade do credito tributário, nos termos do inciso III, do artigo 151, do Código Tributário Nacional. Como se verifica dos autos, antes do vencimento da notificação do ITR/1995, o Recorrente apresentou a Solicitação de Retificação de Lançamento — SRL, razão pela qual foi suspensa a exigibilidade do crédito até que fosse proferida decisão pela autoridade fiscal competente (fls. 01/02). Durante tal período, nos termos da Súmula CARF no 11, não há que se falar em prescrição intercorrente na medida em que esta não se aplica ao processo administrativo fiscal. Por fim, também não vislumbro o alegado cerceamento ao direito de defesa do Recorrente. 0 Recorrente sustenta que não teve oportunidade para apresentar provas da existência de posseiros no imóvel objeto do lançamento. Tais oportunidades, não obstante, foram várias, sendo que em momento algum, inclusive quando da apresentação de sua impugnação ou recurso voluntário, o Recorrente trouxe aos autos eventual elemento comprobatório de suas alegações quanto existência de posseiros na propriedade, pelo que não deve ser acolhida a preliminar invocada. Também não se sustentam as alegações de ilegitimidade passiva para figurar como contribuinte do ITR e de ilegalidade da exigência da Contribuição Sindical dos Empregadores Rurais. 0 critério pessoal do ITR relativo ao sujeito passivo da obrigação tributária está tipificado no artigo 31 do Código Tributário Nacional, bem como na lei de regência, nos seguintes termos: Artigo 31. Contribuinte do imposto é o proprietário do imóvel, o titular do seu domínio útil, ou o seu possuidor a qualquer titulo. Caso o Recorrente quisesse afastar sua condição de contribuinte em vista da posse por terceiros do imóvel de sua propriedade deveria ter feito prova de ta fatol, o que, como mencionado acima, não aconteceu. Deve, assim, ser mantida sua legitimidade, como proprietário, para figurar no pólo passivo da exigência correspondente ao ITR. Por fim, considero adequado o enquadramento do espólio de José Maria Rollas como empregador rural para fins da exigência da contribuição sindical, com fundamento no inciso III, alínea b, do artigo 1°, do Decreto-Lei n° 1.166/71, nos seguintes termos: Empregador rural — quem, proprietário ou não e mesmo sem empregado, em regime de economia familiar, explore imóvel rural, que lhe absorva toda força de trabalho e lhe garanta a subsistência e progresso social e econômico em area igual ou superior à dimensão do módulo rural da respectiva regido. Tem-se ainda que a contribuição sindical dos empregadores rurais não organizados em empresa ou firma será lançada e cobrada considerando o valor do Imposto Territorial Rural — ITR, nos termos do par. 1 0, do artigo 4', do mesmo Decreto—Lei acima referido. Ante o exposto, conheço do recurso para afastar as preliminares suscitadas e NEGAR-LHE PROVIMENTO. Sala das Sessões, em 9 de fevereiro de 2011 Gustaô Lian Haddad 6
score : 1.0
Numero do processo: 10730.004845/2005-04
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 30 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Mar 30 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI
Ano calendário:2001
RECURSO DE OFICIO. IPI. AUDITORIA DE PRODUÇÃO. Verificado,
mediante auditoria fiscal, que o contribuinte fez prova de parte da destinação dos produtos fabricados, apurados em auditoria de produção, correto o cancelamento dessa parcela da exigência.
RECURSO VOLUNTÁRIO. DESISTÊNCIA EXPRESSA. Havendo desistência expressa do contribuinte, não se conhece de recurso voluntário.
Recurso de Ofício Negado. Recurso Voluntário Não Conhecido.
Numero da decisão: 1402-000.488
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de oficio e não conhecer do recurso voluntário, em razão da adesão aos Refis, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Ausente momentaneamente, o Conselheiro Frederico Augusto Gomes de Alencar. Participou do julgamento, o Conselheiro Eduardo Martins Neiva Monteiro.
Matéria: IPI- ação fsical - auditoria de produção
Nome do relator: Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira
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camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Ano calendário:2001 RECURSO DE OFICIO. IPI. AUDITORIA DE PRODUÇÃO. Verificado, mediante auditoria fiscal, que o contribuinte fez prova de parte da destinação dos produtos fabricados, apurados em auditoria de produção, correto o cancelamento dessa parcela da exigência. RECURSO VOLUNTÁRIO. DESISTÊNCIA EXPRESSA. Havendo desistência expressa do contribuinte, não se conhece de recurso voluntário. Recurso de Ofício Negado. Recurso Voluntário Não Conhecido.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2057; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T2 Fl. 1 1 0 S1C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10730.004845/200504 Recurso nº 257.001 De Ofício e Voluntário Acórdão nº 140200.488 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 30 de março de 2011 Matéria IPI AÇÃO FISCAL CONEXO. Recorrentes PRIMO SCHINCARIOL IND. CERVEJA E REFRIGERANTES DO RIO DE JANEIRO S.A. SEGUNDA TURMA DA DRJ EM JUIZO DE FORA (MG) ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Anocalendário: 2001 RECURSO DE OFICIO. IPI. AUDITORIA DE PRODUÇÃO. Verificado, mediante auditoria fiscal, que o contribuinte fez prova de parte da destinação dos produtos fabricados, apurados em auditoria de produção, correto o cancelamento dessa parcela da exigência. RECURSO VOLUNTÁRIO. DESISTÊNCIA EXPRESSA. Havendo desistência expressa do contribuinte, não se conhece de recurso voluntário. Recurso de Ofício Negado. Recurso Voluntário Não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de oficio e não conhecer do recurso voluntário, em razão da adesão ao Refis, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Ausente momentaneamente, o Conselheiro Frederico Augusto Gomes de Alencar. Participou do julgamento, o Conselheiro Eduardo Martins Neiva Monteiro. (assinado digitalmente) Albertina Silva Santos de Lima Presidente (assinado digitalmente) Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Albertina Silva Santos de Lima. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 22/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/04/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE Assinado digitalmente em 22/04/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 20/04/2011 por LEONARDO HENR IQUE MAGALHAES DE Processo nº 10730.004845/200504 Acórdão n.º 140200.488 S1C4T2 Fl. 2 2 Relatório PRIMO SCHINCARIOL IND. CERVEJA E REFRIGERANTES DO RIO DE JANEIRO S.A. recorreu a este Conselho contra a decisão proferida pela SEGUNDA TURMA DA DRJ JUIZ DE FORA (MG), pleiteando sua reforma quanto ao parcela mantida da exigência. Por sua vez, a DRJ recorre de ofício em face da exoneração de valor superior ao limite de alçada. Tratase de exigência do IPI, em face de auditoria de produção, ano calendário de 1991, com base no consumo de açúcar do estabelecimento industrial, conexo à auditoria do IRPJ. Em razão de sua pertinência, transcrevo o relatório da decisão recorrida que trás inclusive registros acerca da diligência fiscal que foi realizada para verificação das alegações do contribuinte quanto a saídas de produtos semielaborados não considerados no levantamento fiscal: Foi lavrado pela fiscalização da Delegacia da Receita Federal de Niterói/RJ, em 23/09/2005, Auto de Infração (fls.06/31 e 199/264) para exigir da empresa supra identificada o Imposto sobre Produtos Industrializados, no valor de R$ 3.247.041,72, ao qual foram acrescidos multa de ofício e juros de mora, com base na SELIC, calculados até 31/08/2005, totalizando crédito tributário de R$ 8.023.665,15 Foi constatada venda de bebidas de sua fabricação, sem emissão de nota fiscal, conseqüentemente, sem lançamento do IPI, apurada através de auditoria de produção. No Termo de Constatação Fiscal de fls. 32/81 e mais especificamente às fls. 50/52 a Fiscalização informa que o procedimento de auditoria teve amparo no art. 423 do RIPI/98 e foram realizados com base nos elementos e informações prestados pelo contribuinte, tais como as entradas e saídas de matériasprimas e de produtos acabados praticados no período de 01/01/2001 a 31/12/2001. Foram entregues também as relações contendo o estoque existente no inicio e fim do ano. O Fisco elaborou os seguintes demonstrativos: QUADRO I – COEFICIENTE DE PRODUÇÃO (demonstra as quantidades de insumo que compõem uma unidade de produto, incluindo as perdas); QUADRO II – DEMONSTRATIVO DO INSUMO REGISTRADO (Demonstra as quantidades de insumos utilizados na produção do período – insumo registrado = Ei+CEf); QUADRO III – DEMONSTRATIVO DA PRODUÇÃO REGISTRADA (demonstra as quantidades dos produtos fabricados no período – produção registrada = Ei+CEf); Fl. 2DF CARF MF Emitido em 22/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/04/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE Assinado digitalmente em 22/04/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 20/04/2011 por LEONARDO HENR IQUE MAGALHAES DE Processo nº 10730.004845/200504 Acórdão n.º 140200.488 S1C4T2 Fl. 3 3 QUADRO IV DIFERENÇA ENTRE O INSUMO REGISTRADO E O CONSUMIDO NA PRODUÇÃO REGISTRADA (demonstra a diferença a diferença entre o total do insumo registrado e o total do insumo contido na produção registrada) Foi eleito o insumo AÇÚCAR, dentre outro, por estar presente em todos os produtos fabricados pelo contribuinte e a diferença foi rateada proporcionalmente ao quantitativo de cada produto. QUADRO V – DEMONSTRATIVO DA PRODUÇÃO NÃO REGISTRADA (demonstra as quantidades não registradas de cada produto). Disso o fisco concluiu que no anocalendário de 2001 o estabelecimento industrial consumiu 665.839,01 quilos de açúcar na fabricação dos produtos acabados que deram saída sem a correspondente nota fiscal e conseqüentemente sem o destaque do IPI. “Por conseqüência, caracterizase também, Omissão de Receitas no valor correspondente a R$8.502.620,06 (...) com conseqüente falta de lançamento do tributo IPI, no montante original de R$3.247.041,72 (...)” Em 25/10/2005, o contribuinte apresentou impugnação argüindo, em síntese que “embora envolvendo uma série de cálculos matemáticos, esse método de auditoria de produção, assim como qualquer outro que viesse a ser aplicado, não oferece garantia de certeza absoluta...” “...na referida auditoria um item da produção, da maior relevância, deixou de ser considerado nos cálculos, ou seja, xarope, utilizado como insumo na fabricação de refrigerantes, o qual produzido para emprego na fabricação da própria autuada é também, cedido para outras unidades do Grupo Schincariol, bem assim para outras fábricas pertencentes a terceiros.” “No caso, houve, no período auditado, uma produção registrada de 642.710,50 kg desse xarope (doc fls.02), que implica a utilização, conforme respectivo coeficiente de produção, de 475.538,11 kg de açúcar que, quando computados nos levantamentos efetuados pelos auditores, o que deveriam ter feito, mas não fizeram, reduz a diferença apontada de 665.839,01 kg para apenas 190.300, 90 kg correspondentes a míseros 3,26% de todo o açúcar utilizado na produção em todo período auditado, incapaz, por si só, de extrapolar das margens de variação admitidas para as quantidades de insumo aplicada na produção.” Diz ainda que o insumo eleito – açúcar pode variar de 0,00% a 10% na produção da cerveja Pilsen sem que isso contrariasse a Instrução Normativa nº 54 da Secretaria de Defesa Agropecuária do Ministério da Agricultura, sendo que apenas parte da variação admitida, faria desaparecer a diferença de açúcar, após computada a saída de xarope. Em razões disso o presente processo retornou à DRF/Niterói/RJ, em diligência, pra verificarem a procedência ou não das argüições. (fl.579) Fl. 3DF CARF MF Emitido em 22/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/04/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE Assinado digitalmente em 22/04/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 20/04/2011 por LEONARDO HENR IQUE MAGALHAES DE Processo nº 10730.004845/200504 Acórdão n.º 140200.488 S1C4T2 Fl. 4 4 Em atendimento as Intimações expedidas para atender o pedido de diligência, a empresa apresenta, dentre outros, comprovação das saídas de xarope composto, no montante de 623.211,5 kg e do estoque final de 19.499,00 kg, também relaciona e comprova as aquisições de açúcar. Em 11/12/2007, foi lavrado o Termo de Encerramento de Diligência (fls.670/672) esclarecendo inicialmente que o contribuinte, durante a ação fiscal, não havia informado sobre a saída de produto semielaborado – xarope e, mais precisamente no item 7 informa: “No que tange ao registro das notas fiscais relativas ao produto semi elaborado xarope percebemos a regularidade dos mesmos, não obstante o fato de que as notas fiscais se enquadram no art. 330, inciso I do RIPI/98, por não conterem data de saída dos produtos;” “Quanto à matéria prima açúcar, de posse das cópias notas fiscais e dos livros de Registro de Inventário e Registro de Controle da Produção e do Estoque, que constituem os Anexos I, II e III, confeccionamos a Planilha ‘A’ DEMONSTRATIVOS DE AQUISIÇÃO DE AÇÚCAR CONFORME NOTAS FISCAIS (docs, fls. 667 A 668), onde relacionamos as notas de aquisição da matériaprima açúcar (nº da NF, data de entrada e quantidade adquirida), no ano calendário de 2001, e apuramos a quantidade adquirida no total anula de 8.104.920,28 kg dessa matériaprima. Devemos salientar que quando da resposta do contribuinte, referente à Intimação de 11/03/2004, foi informado a quantidade de 7.579.067,54 kg...” “Assim respondendo ao questionamento da DRJ, naquele despacho citado no item 4, acima concluímos que o produto semielaborado xarope não foi considerado nos trabalhos de auditoria de Produção, por falta de informação da fiscalizada à época. Porém, a matéria prima açúcar não registrada no quantitativo de 525.852,74 kg, supera a quantidade necessária para a fabricação dos 642.710,50 litros de xarope equivalentes a 475.567,73 kg de açúcar, conforme apurada nesta diligência....” Cientificado em 11/12/2007, o autuado novamente se manifestou para expor o seguinte: “Embora reconhecendo o engano que liquidaria a diferença inicialmente apontada e devidamente contestada – objeto da lide , eis que uma nova situação se apresenta o Fisco, afirmando que entre o considerado como compras por ocasião de sua ação de lançamento (7.579.067,54 kgs.) e o apurado em diligência (8.104.920,28 kgs.), haveria uma nova diferença no montante de 525.852,74 kg ...” ‘As diferenças a partir de 07/07 – planilha B que acompanha a diligência – onde apontados os 525.852,74 kg decorre de não ter o Fisco descontada a água inserida no açúcar comprado, o denominado BRIX, que nas notas da COOPERSUCAR se encontrava deduzido, nas notas fiscais da DULCINI, nem sempre declarado, mas presente, já que água.” Fl. 4DF CARF MF Emitido em 22/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/04/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE Assinado digitalmente em 22/04/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 20/04/2011 por LEONARDO HENR IQUE MAGALHAES DE Processo nº 10730.004845/200504 Acórdão n.º 140200.488 S1C4T2 Fl. 5 5 “As notas fiscais anexadas não dão espaço ao Fisco. A quantidade de açúcar informado e registrado inicialmente representa efetivamente o montante comprado. As únicas pequenas diferenças decorrem da evaporação havida entre a saída do produto e o momento da entrada no estabelecimento comprador, onde o BRIX é reavaliado.” A decisão recorrida está assim ementada: IPI. AUDITORIA DE PRODUÇÃO. O levantamento de produção a partir da técnica de auditoria é procedimento legítimo, conforme reiterada jurisprudência, mormente se calculada com base em elementos subsidiários fornecidos pelo contribuinte. Lançamento Procedente em parte. Cientificada da aludida decisão, a contribuinte apresentou recurso voluntário em 23/06/2008 (fls. 841 e seguintes), no qual contestou as conclusões do acórdão recorrido, na parte mantida, repisando as alegações da peça impugnatória e, ao final, requer o provimento. Em 04/03/2010 a contribuinte protocolou pedido de desistência parcial do processo em relação à parcela mantida pelo DRJ no que tange no auto de infração fls. 877. O processo foi encaminhado à unidade de origem para procedimentos relativos à desistência, tendo sido solicitado o retorno à este Colegiado para julgamento em conjunto com o de no. 10730.004845/200405. É o relatório. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 22/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/04/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE Assinado digitalmente em 22/04/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 20/04/2011 por LEONARDO HENR IQUE MAGALHAES DE Processo nº 10730.004845/200504 Acórdão n.º 140200.488 S1C4T2 Fl. 6 6 Voto Conselheiro Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira, Relator. Os recursos preenchem os requisitos legais e regimentais para sua admissibilidade, e devem ser conhecidos. Conforme relatado, tratase de exigência do IPI em face de auditoria de produção com base em um dos insumos utilizados pela contribuinte, o açúcar. Compulsando os autos, verificase que a auditoria fiscal como um todo não se limitou a isso, tendo sido constadas outras irregularidades, descritas no termo de Constatação de fls. 32 a 81)], que ensejaram também a lavratura de autos de infração do IRPJ/Reflexos, mediante processo 10730.004845/200405. A presente exigência do IPI tem reflexo no aludido processo de IRPJ. Todavia, ao contrário do que poderia ser esperado, a omissão de receitas apurada no IRPJ, a partir da presunção legal por passivo fictício, não tem reflexo neste processo do IPI, cujo enquadramento legal é apenas da auditoria de produção. A decisão e 1a. instancia exonerou uma significativa parcela da exigência, pelos seguintes fundamentos (verbis): “[...] A matériaprima eleita como base pelo Fisco para a realização da auditoria de produção foi o AÇÚCAR, por ser o insumo presente em todos os produtos fabricados. Pelas informações iniciais da autuada o consumo de açúcar teria sido, no período de 01/01/2001 a 31/12/2001, de 5.840.034,39 quilos. (fl 192) De conformidade com os coeficientes de produção também informados pelo contribuinte, os produtos fabricados, neste mesmo período, teriam consumido a quantidade de 5.174.195,38 quilos de açúcar. (fl. 194) Resultando na diferença de 665.839,01 quilos de açúcar (5.840.034,39 – 5.174.195,38), consumidos em produtos fabricados para os quais não havia registro correspondente de produtos. Salientese que nessas conclusões já foram considerados os estoques e as perdas. Daí o Fisco concluir que deram saída sem nota fiscal e conseqüentemente sem lançamento do IPI. Em sua impugnação o contribuinte alegou que não foi considerada a saída de produto semielaborado xarope, na quantidade de 642.710,5 kg, que implica a utilização, conforme respectivo coeficiente de produção, de 475.538,11 kg de açúcar. Em atendimento a solicitação de diligência a Fiscalização assim se posicionou: “No que tange ao registro das notas fiscais relativas ao produto Fl. 6DF CARF MF Emitido em 22/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/04/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE Assinado digitalmente em 22/04/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 20/04/2011 por LEONARDO HENR IQUE MAGALHAES DE Processo nº 10730.004845/200504 Acórdão n.º 140200.488 S1C4T2 Fl. 7 7 semielaborado xarope percebemos a regularidade dos mesmos” (doctºs. fls. 590/621). Dessa forma, devese ajustar a quantidade de açúcar consumido na produção inicialmente registrada, ou seja, a produção que teria gasto 5.174.195,38 quilos de açúcar deve ser acrescida de 475.538,11 quilos, totalizando um consumo dessa matériaprima na produção registrada de 5.649.733,49 quilos de açúcar (5.174.195,38 + 475.538,11). Portanto, a diferença inicialmente encontrada pelo fisco passa de 665.839,01 para 190.300,90 quilos de açúcar. Além de reconhecer a saída de xarope a Fiscalização quantificou as aquisições de açúcar relacionando todas fiscais (fls. 667/669), apurando, desta feita uma quantidade adquirida no total anual de 8.104.920,28 quilos e não os 7.579.067,54 kg informados, pela empresa, quando da ação fiscal, conforme documento de fl. 108. O impugnante atribuiu tal diferença ao BRIX água inserida no açúcar comprado, que nas notas da COOPERSUCAR se encontrava deduzido, o que não ocorreu nas notas fiscais da DULCINI. Neste aspecto assiste razão à fiscalizada. No levantamento efetuado pelo fisco, foram apurados os pesos líquidos constantes das notas fiscais de aquisição de açúcar. Entretanto, as fornecedoras adotaram critérios diferentes para o peso líquido de seus produtos – a Coopersucar descontou o BRIX, enquanto a DULCINI não. Uma vez considerado o BRIX nas notas fiscais de aquisição emitidas pela DULCINI, constatase a informação inicialmente fornecida pela empresa (fls 107/108 e 192). merece ser acolhida, já que as diferenças entre as entradas de açúcar registrado e apuradas pelo fisco na diligência, após o ajuste, quando existem, são insignificantes, face ao montante de insumo adquirido. Além do mais, quando da diligência não mais cabia ao fisco fazer novo levantamento das compras, pois tal procedimento implica em agravamento e como eles mesmos reconheceram já havia decaído o direito da Fazenda Pública. Outra alegação do impugnante é que na cerveja Pilsen os adjuntos cervejeiros gritz de milho, quirera de arroz, maltose e açúcar cristal que representam 45% da composição da cerveja podendo ter uma variação entre eles, desde que não alterada a proporção sem que isso desrespeite a Instrução Normativa 54 da Secretaria de defesa Agrop. do Ministério da Agricultura. Em atendimento a Intimação de nº 002 (fls. 325) a empresa informa que o açúcar (bruto e líquido) “são controlados por quilo e poderá ser utilizado um ou outro e até mesmo os dois juntos, desde que a soma não ultrapasse a concentração determinada para cada refrigerante ou cerveja.”. Anexa planilha onde informa os coeficientes utilizados na fabricação do produto considerando inclusive as perdas. (fls. 93/97). Nela o coeficiente para este produto – cerveja Pilsen é de 0,00761397, o qual foi utilizado pelo fisco para cálculo da produção. Fl. 7DF CARF MF Emitido em 22/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/04/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE Assinado digitalmente em 22/04/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 20/04/2011 por LEONARDO HENR IQUE MAGALHAES DE Processo nº 10730.004845/200504 Acórdão n.º 140200.488 S1C4T2 Fl. 8 8 Alegar que não era exatamente esse o coeficiente, sem trazer aos autos prova documental que a informação inicial não estaria correta, é improfícuo. O fato da legislação do Ministério da Agricultura permitir variação dos adjuntos cervejeiros não quer dizer que o coeficiente utilizado tenha sido outro que não o informado, até porque alterandose o coeficiente do açúcar os demais coeficientes dos adjuntos também se alterariam. O cálculo da quantidade produzida obedeceu aos coeficientes de consumo dessa matériaprima, informados pela empresa, assim como o índice de participação de cada produto na produção total, conforme demonstrado em planilha de fls. 825. Da auditoria de produção, depois de realizados os ajustes procedentes concluise que ocorreu saída de produtos sem emissão de notas fiscais e conseqüentemente sem o lançamento do IPI correspondente ao consumo de 190.300,90 quilos de açúcar, resultando disso uma receita omitida no valor de R$ 2.430.101,42 e de IPI não lançado no montante de R$ 928.024,64, conforme planilha demonstrativa da apuração da nova base de cálculo e do correspondente valor do IPI, anexada às fls. 825. Todo o procedimento de auditoria foi alicerçado no art. 448 do RIPI/02 que corresponde ao art. 423 do RIPI/98, a saber: Art. 448. Constituem elementos subsidiários, para o cálculo da produção, e correspondente pagamento do imposto, dos estabelecimentos industriais, o valor e quantidade das matériasprimas, produtos intermediários e embalagens adquiridos e empregados na industrialização e acondicionamento dos produtos, o valor das despesas gerais efetivamente feitas, o da mãodeobra empregada e o dos demais componentes do custo de produção, assim como as variações dos estoques de matériasprimas, produtos intermediários e embalagens (Lei nº 4.502, de 1964, art. 108). §1ºApurada qualquer falta no confronto da produção resultante do cálculo dos elementos constantes desse artigo com a registrada pelo estabelecimento, exigirseá o imposto correspondente, o qual, no caso de fabricante de produtos sujeitos a alíquotas e preços diversos, será calculado com base nas alíquotas e preços mais elevados, quando não for possível fazer a separação pelos elementos da escrita do estabelecimento. (Incluído pelo Decreto nº 4.859, de 14.10.2003) §2ºApuradas, também, receitas cuja origem não seja comprovada, considerarseão provenientes de vendas não registradas e sobre elas será exigido o imposto, mediante adoção do critério estabelecido no § 1º. (Incluído pelo Decreto nº 4.859, de 14.10.2003) Diante do exposto encaminho o voto no sentido de se julgar procedente em parte o lançamento, mantendose o valor de R$ 928.024,64 e excluindose R$ 2.319.017,08. Sobre a parcela remanescente incide multa de ofício e juros moratórios, calculados com base na SELIC. Os valores devidos por decêndios estão demonstrados às fls. 833, ressaltando que a empresa apurava saldo devedor em todos os decêndios do período. Pois bem. Analisei todos os elementos dos autos e estou convencido de que a decisão da DRJ não merece reparos. Isso porque, i) no que tange especificamente a saída de xarope (produto semielaborado), que não foi considerado na auditoria fiscal, foi objeto de diligência e a própria fiscalização confirmou a saída desses produtos, bem como não ter considerado na auditoria; ii) o novo levantamento da aquisição de açucar, realizado pelo Fl. 8DF CARF MF Emitido em 22/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/04/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE Assinado digitalmente em 22/04/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 20/04/2011 por LEONARDO HENR IQUE MAGALHAES DE Processo nº 10730.004845/200504 Acórdão n.º 140200.488 S1C4T2 Fl. 9 9 fiscalização na diligência fiscal, que aumentou a quantidade adquirida, “superando” a saída anteriormente não considerada, de fato contem erro, por não considerar o BRIX água inserida no açúcar comprado, que nas notas da COOPERSUCAR se encontrava deduzido, o que não ocorreu nas notas fiscais da DULCINI; iii) o contribuinte não fez prova, e também não trouxe justificativa coerente da diferença de consumo de 190.300,90 quilos de açúcar que ainda remanesce após considerada as saídas de xarope. Outrossim, verificase que o contribuinte apresentou desistência do recurso voluntário na parte mantida em 1a. instância (fls. 877 e seguintes). Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso de ofício e não conhecer do recurso voluntário, em razão de o contribuinte ter aderido ao Refis estabelecido pela Lei 11.941/2009. (assinado digitalmente) Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira Fl. 9DF CARF MF Emitido em 22/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/04/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE Assinado digitalmente em 22/04/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 20/04/2011 por LEONARDO HENR IQUE MAGALHAES DE
score : 1.0
Numero do processo: 12196.000845/2007-19
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 13 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Apr 13 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/10/2000 a 30/06/2005
Ementa:
DECADÊNCIA.
O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratando-se de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional CTN.
PARCELAS SALARIAIS INTEGRANTES DA BASE DE CÁLCULO. RECONHECIMENTO PELO CONTRIBUINTE ATRAVÉS DE FOLHAS DE PAGAMENTO E OUTROS DOCUMENTOS POR ELE PREPARADOS.
O reconhecimento através de documentos da própria empresa da natureza salarial das parcelas integrantes das remunerações aos segurados torna incontroversa a discussão sobre a correção da base de cálculo.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2302-000.960
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria conceder provimento parcial quanto à preliminar de extinção do crédito pela homologação tácita prevista no art. 150, parágrafo 4 do CTN, nos termos do voto do relator. O Conselheiro Arlindo da Costa e Silva divergiu pois entendeu que deveria ser aplicado no art. 173, inciso I do CTN. Quanto à parcela não extinta não houve divergência.
Nome do relator: Liege Lacroix Thomasi
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/10/2000 a 30/06/2005 Ementa: DECADÊNCIA. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratandose de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional CTN. PARCELAS SALARIAIS INTEGRANTES DA BASE DE CÁLCULO. RECONHECIMENTO PELO CONTRIBUINTE ATRAVÉS DE FOLHAS DE PAGAMENTO E OUTROS DOCUMENTOS POR ELE PREPARADOS. O reconhecimento através de documentos da própria empresa da natureza salarial das parcelas integrantes das remunerações aos segurados torna incontroversa a discussão sobre a correção da base de cálculo. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria conceder provimento parcial quanto à preliminar de extinção do crédito pela homologação tácita prevista no art. 150, parágrafo 4 do CTN, nos termos do voto do relator. O Conselheiro Arlindo da Costa e Silva divergiu pois entendeu que deveria ser aplicado no art. 173, inciso I do CTN. Quanto à parcela não extinta não houve divergência. Fl. 265DF CARF MF Emitido em 03/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/05/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI Assinado digitalmente em 11/05/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, 19/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEI RA 2 Marco Andre Ramos Vieira Presidente. Liege Lacroix Thomasi Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Andre Ramos Vieira (Presidente), Liege Lacroix Thomasi, Arlindo Da Costa e Silva, Thiago D Avila Melo Fernandes, Manoel Coelho Arruda Junior, Adriana Sato Ausência momentânea : Thiago D’ Avila Melo Fernandes Fl. 266DF CARF MF Emitido em 03/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/05/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI Assinado digitalmente em 11/05/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, 19/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEI RA Processo nº 12196.000845/200719 Acórdão n.º 230200.960 S2C3T2 Fl. 2 3 Relatório Trata a presente notificação lavrada em 10/08/2006 e cientificada ao sujeito passivo, através de registro postal em 24/08/2006, de contribuições previdenciárias incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados e contribuintes individuais, nas competências de 10/2000 a 06/2005, bem como as relativas às cooperativas de trabalho que prestaram serviço à empresa no mesmo período. O relatório fiscal da notificação, às fls. 111/116, diz que as bases de cálculo foram apuradas através das folhas de pagamento da notificada e declaradas pela mesma em GFIP. Após a apresentação de defesa que apenas diz das dificuldades financeiras da notificada para adimplir suas obrigações, DecisãoNotificação de fls. 160/164, pugnou pela procedência do lançamento. Inconformado, o contribuinte apresentou recurso tempestivo, onde requer: a) o acolhimento do recurso sem depósito, b) a prescrição dos créditos até 07/2002; c) a nulidade da NFLD por apurar crédito prescrito e assim estar eivada de vício insanável; d) a revisão geral da compensação de débitos e créditos conforme requerimento de n.º 2007/00005669 e e) a comunicação a Superintendência da Policia federal no Estado do Mato Grosso do Sul, para informar que interpôs recurso voluntário. O fisco não ofereceu contrarazões. É o relatório. Fl. 267DF CARF MF Emitido em 03/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/05/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI Assinado digitalmente em 11/05/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, 19/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEI RA 4 Voto Conselheiro Liege Lacroix Thomasi Sendo tempestivo, conheço do recurso e passo ao seu exame. Das Preliminares A recorrente argúi a inexigência do depósito recursal para garantia de instância, contudo tal pressuposto não é mais exigido por este Colegiado em obediência ao Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. De acordo com o previsto no parágrafo único do art. 62 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria n ° 256/2009 do Ministério da Fazenda, no julgamento de recurso voluntário ou de ofício, fica vedado aos Conselhos de Contribuintes afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Não se aplicando aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo, que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; O STF já se posicionou no julgamento do Recurso Extraordinário n ° 389383, transitado em julgado, pela inconstitucionalidade dos parágrafos 1º e 2º do art. 126 da Lei n ° 8.212. A notificação referese ao período de 10/2000 a 06/2005 e foi lavrada em 10/08/2006, com ciência pelo sujeito passivo em 24/08/2006. A recorrente alega a decadência qüinqüenal e, com efeito, nas sessões plenárias dos dias 11 e 12/06/2008, respectivamente, o Supremo Tribunal Federal STF, por unanimidade, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91 e editou a Súmula Vinculante n°08, segue a transcrição: “São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Os efeitos da Súmula Vinculante são previstos no artigo 103A da Constituição Federal, regulamentado pela Lei n° 11.417, de 19/12/2006, in verbis: Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004). Lei n° 11.417, de 19/12/2006: Fl. 268DF CARF MF Emitido em 03/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/05/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI Assinado digitalmente em 11/05/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, 19/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEI RA Processo nº 12196.000845/200719 Acórdão n.º 230200.960 S2C3T2 Fl. 3 5 Regulamenta o art. 103A da Constituição Federal e altera a Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999, disciplinando a edição, a revisão e o cancelamento de enunciado de súmula vinculante pelo Supremo Tribunal Federal, e dá outras providências. ... Art. 2o O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, editar enunciado de súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma prevista nesta Lei. § 1o O enunciado da súmula terá por objeto a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais haja, entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública, controvérsia atual que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre idêntica questão. Como se constata, a partir da publicação na imprensa oficial, que se deu em 20/06/2008, todos os órgãos judiciais e administrativos ficam obrigados a acatarem a Súmula Vinculante. As contribuições previdenciárias são tributos lançados por homologação, assim devem observar a regra prevista no art. 150, parágrafo 4o do CTN. Havendo o pagamento antecipado, observarseá a regra de extinção prevista no art. 156, inciso VII do CTN. Entretanto, somente se homologa pagamento, caso esse não exista, não há o que ser homologado, devendo ser observado o disposto no art. 173, inciso I do CTN. Nessa hipótese, o crédito tributário será extinto em função do previsto no art. 156, inciso V do CTN. Caso tenha ocorrido dolo, fraude ou simulação não será observado o disposto no art. 150, parágrafo 4o do CTN, sendo aplicado necessariamente o disposto no art. 173, inciso I, independentemente de ter havido o pagamento antecipado. Portanto, inclinome à tese jurídica na Súmula Vinculante n° 08 para acatar o prazo decadencial exposto no Código Tributário Nacional, artigo 150, § 4º, uma vez que comprovadamente a recorrente procedeu a recolhimentos previdenciários parciais, relativos ao crédito lançado nesta notificação, conforme se comprova no Discriminativo Analítico do Débito, fls.03/26, devendo ser excluídas do lançamento as competências até 07/2001: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. ... § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse Fl. 269DF CARF MF Emitido em 03/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/05/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI Assinado digitalmente em 11/05/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, 19/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEI RA 6 prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Não vislumbro a tese de nulidade da notificação, pois não foi observado qualquer vício no procedimento da fiscalização e formalização do lançamento. Foram cumpridos todos os requisitos dos artigos 10 e 11 do Decreto n° 70.235, de 06/03/72, verbis: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Art. 11. A notificação de lançamento será expedida pelo órgão que administra o tributo e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do notificado; II o valor do crédito tributário e o prazo para recolhimento ou impugnação; III a disposição legal infringida, se for o caso; IV a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. O recorrente foi devidamente intimado de todos os atos processuais que trazem fatos novos, assegurandolhe a oportunidade de exercício da ampla defesa e do contraditório, nos termos do artigo 23 do mesmo Decreto: Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10.12.1997) II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10.12.1997) III por edital, quando resultarem improfícuos os meios referidos nos incisos I e II. (Vide Medida Provisória nº 232, de 2004) Fl. 270DF CARF MF Emitido em 03/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/05/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI Assinado digitalmente em 11/05/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, 19/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEI RA Processo nº 12196.000845/200719 Acórdão n.º 230200.960 S2C3T2 Fl. 4 7 A decisão recorrida também atendeu às prescrições que regem o processo administrativo fiscal: enfrentou as alegações pertinentes do recorrente, com indicação precisa dos fundamentos e se revestiu de todas as formalidades necessárias. Não contém, portanto, qualquer vício que suscite sua nulidade, passando, inclusive, pelo crivo do Egrégio Superior Tribunal de Justiça: Art. 31. A decisão conterá relatório resumido do processo, fundamentos legais, conclusão e ordem de intimação, devendo referirse, expressamente, a todos os autos de infração e notificações de lançamento objeto do processo, bem como às razões de defesa suscitadas pelo impugnante contra todas as exigências. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 9.12.1993). “PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. NULIDADE DO ACÓRDÃO. INEXISTÊNCIA. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. SERVIDOR PÚBLICO INATIVO. JUROS DE MORA. TERMO INICIAL. SÚMULA 188/STJ. 1. Não há nulidade do acórdão quando o Tribunal de origem resolve a controvérsia de maneira sólida e fundamentada, apenas não adotando a tese do recorrente. 2. O julgador não precisa responder a todas as alegações das partes se já tiver encontrado motivo suficiente para fundamentar a decisão, nem está obrigado a aterse aos fundamentos por elas indicados “. (RESP 946.447RS – Min. Castro Meira – 2ª Turma – DJ 10/09/2007 p.216) Portanto, em razão do exposto e nos termos das regras disciplinadoras do processo administrativo fiscal, não se identificam vícios capazes de tornar nulo quaisquer dos atos praticados: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Do Mérito A notificação teve por base as folhas de pagamento, as informações prestadas pela recorrente em GFIP e o confronto das mesmas com os valores recolhidos em GPS (guias de recolhimento) As folhas de pagamentos foram preparadas pelo próprio recorrente que reconheceu, através da inclusão das rubricas salariais no campo destinado à remuneração dos segurados, a incidência sobre as mesmas das contribuições sociais lançadas pela fiscalização. Não pertencem ao lançamento impugnado parcelas contestadas pelo recorrente quanto à sua natureza salarial ou não. Melhor dizendo, a base de cálculo considerada pela fiscalização coincide com o montante de salários informado pelo recorrente. Fl. 271DF CARF MF Emitido em 03/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/05/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI Assinado digitalmente em 11/05/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, 19/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEI RA 8 Acrescentase, ainda, que a partir de 01/01/99, com a implantação da Guia de Recolhimento do FGTS e Informações a Previdência Social – GFIP, os valores nela declarados são tratados como confissão de dívida fiscal, nos termos do artigo 225, §1° do Decreto n° 3.048, de 06/05/99: Art.225. (...) § 1º As informações prestadas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social servirão como base de cálculo das contribuições arrecadadas pelo Instituto Nacional do Seguro Social, comporão a base de dados para fins de cálculo e concessão dos benefícios previdenciários, bem como constituirseão em termo de confissão de dívida, na hipótese do não recolhimento. Assim sendo, caso houvesse algum erro cometido pela recorrente na elaboração, tanto das folhas de pagamento como da GFIP, caberlheia demonstrálo e providenciar sua retificação; no entanto, embora oferecida essa oportunidade durante todo o processo, não o fez. Todos os recolhimentos e créditos do recorrente foram devidamente considerados para o cálculo das contribuições e todas as rubricas levantadas decorrem de regrasmatrizes legalmente criadas e que, portanto, não podem ser afastadas do lançamento sob pena de se negar aplicação aos diplomas legais legitimamente inseridos no ordenamento jurídico. Cuidou a autoridade fiscal de demonstrar ao recorrente em seu relatório de fundamentos legais do débito todos os dispositivos legais e regulamentares que impõem a obrigação tributária de recolhimento Desta forma, não há reparos a fazer no lançamento, nem na decisão recorrida. A compensação de débitos não é assunto pertinente a esta notificação e o contribuinte nem trouxe aos autos qualquer prova de compensação havida. Igualmente, não compete a este Colegiado qualquer comunicação a Superintendência da Polícia Federal, como quer a recorrente. Pelo exposto, voto pelo provimento parcial do recurso, apenas para reconhecer a extinção do crédito pela homologação tácita prevista no artigo 150,§4º do Código Tributário nacional e excluir do lançamento as competências até 07/2001, inclusive. Liege Lacroix Thomasi Relatora Fl. 272DF CARF MF Emitido em 03/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/05/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI Assinado digitalmente em 11/05/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, 19/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEI RA
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