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Numero do processo: 10670.001015/2007-31
Data da sessão: Thu Sep 02 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ
Exercício: 2002, 2003, 2004, 2005
Ementa:
EMBARGOS DECLARATÓRIOS. ACOLHIMENTO. RESULTADO DO JULGAMENTO. RETIFICAÇÃO.
Constatado que a Turma de Julgamento deixou de apreciar matéria sobre a qual devia pronunciar-se, há que se acolher os embargos de declaração propostos e, se for o caso, retificar a decisão anteriormente prolatada
Numero da decisão: 1302-000.365
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª câmara / 2ª turma ordinária da primeira
SEÇÃO DE JULGAMENTO por unanimidade de votos, ACOLHER os embargos para retificar o resultado do julgamento, RECONHECENDO a decadência apenas em relação ao PIS e COFINS, fatos geradores até 30/11/2001.
Matéria: IRPJ - AF- lucro presumido(exceto omis.receitas pres.legal)
Nome do relator: WILSON FERNANDES GUIMARÃES
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Exercício: 2002, 2003, 2004, 2005 Ementa: EMBARGOS DECLARATÓRIOS. ACOLHIMENTO. RESULTADO DO JULGAMENTO. RETIFICAÇÃO. Constatado que a Turma de Julgamento deixou de apreciar matéria sobre a qual devia pronunciar-se, há que se acolher os embargos de declaração propostos e, se for o caso, retificar a decisão anteriormente prolatada
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ACOLHIMENTO. RESULTADO DO JULGAMENTO. RETIFICAÇÃO. Constatado que a Turma de Julgamento deixou de apreciar matéria sobre a qual devia pronunciar-se, há que se acolher os embargos de declaração propostos e, se for o caso, retificar a decisão anteriormente prolatada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª câmara / 2ª turma ordinária da primeira SSEEÇÇÃÃOO DDEE JJUULLGGAAMMEENNTTOO por unanimidade de votos, ACOLHER os embargos para retificar o resultado do julgamento, RECONHECENDO a decadência apenas em relação ao PIS e COFINS, fatos geradores até 30/11/2001. Marcos Rodrigues de Mello Presidente Wilson Fernandes Guimarães Relator Fl. 1DF CARF MF Emitido em 17/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/09/2010 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Assinado digitalmente em 27/09/2010 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, 27/09/2010 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marcos Rodrigues de Mello, Wilson Fernandes Guimarães, Daniel Salgueiro da Silva, Irineu Bianchi, Eduardo de Andrade e Lavínia Moraes de Almeida Nogueira Junior. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 17/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/09/2010 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Assinado digitalmente em 27/09/2010 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, 27/09/2010 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10670.001015/2007-31 Acórdão n.º 1302-00.365 S1-C3T2 Fl. 2 3 Relatório Trata o presente de embargos de declaração, interpostos em virtude dos fatos adiante descritos. Tendo sido designado para redigir o voto vencedor da decisão exarada por meio do Acórdão nº. 1302-00.053 (sessão de 27 de agosto de 2009), constatei que o Colegiado, ao decidir pela manutenção da multa qualificada, deveria, também, apreciar os efeitos de tal decisão em relação à caducidade do direito de se promover os lançamentos. Com efeito, o acórdão nº. 1302.0053, de 27 de agosto de 2009, restou assim ementado: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL – PERÍCIA – INDEFERIMENTO – A perícia se destina à elucidação de questões que requeiram conhecimentos técnicos especializados, devendo ser indeferida quando se ocupa de fatos plenamente demonstrados pela prova documental carreada aos autos. MULTA QUALIFICADA – Se os fatos apurados pela Autoridade Fiscal permitem caracterizar o intuito deliberado da contribuinte de subtrair valores à tributação, é cabível a aplicação, sobre os valores apurados a título de omissão de receitas, da multa de ofício qualificada de 150%, prevista no artigo 44 da Lei nº 9.430, de 1996. DECADÊNCIA – O prazo de decadência do direito de constituir o crédito tributário relativo a tributos sujeitos ao lançamento por homologação é de 5 (cinco) anos, contados da data da ocorrência do fato gerador. No resultado do julgamento, foi assinalado: ACORDAM os membros da 3ª câmara / 2ª turma ordinária da primeira SSEEÇÇÃÃOO DDEE JJUULLGGAAMMEENNTTOO, pelo voto de qualidade, DAR provimento parcial ao recurso, vencidos os Conselheiros Paulo Jacinto do Nascimento (Relator), Lavínia Moraes de Almeida Nogueira Junqueira e Irineu Bianchi, que o proviam em maior extensão. Designado o Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães para redigir o voto vencedor. O Relator foi vencido em razão de o Colegiado ter se manifestado pela manutenção da multa qualificada. Transcrevo, abaixo, o VOTO VENCEDOR. Inobstantes as valiosas considerações do Ilustre Conselheiro Relator, o Colegiado divergiu do entendimento acerca da redução da multa de ofício aplicada e, por decorrência, da Fl. 3DF CARF MF Emitido em 17/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/09/2010 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Assinado digitalmente em 27/09/2010 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, 27/09/2010 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO 4 ocorrência de caducidade do direito de a Fazenda promover os lançamentos tributários. O Colegiado dirigiu-se no sentido de manter a qualificação, eis que entendeu que os elementos reunidos aos autos pela autoridade autuante deixaram fora de dúvida a intenção deliberada da autuada de submeter à tributação valores significativamente inferiores aos efetivamente auferidos. Em conformidade com o Termo de Verificação Fiscal, tem-se que: a) a contribuinte retificou as Declarações de Informação (DIPJ) e entregou as DCTFs relativas ao ano de 2004 depois de iniciado o procedimento de fiscalização; b) as DIPJ retificadoras apresentaram receitas brutas substancialmente superiores as anteriormente declaradas, conforme quadro abaixo: FICHA 14 DAS DIPJ DE 2002 E 2003 PERÍODO DE APURAÇÃO DIPJ RETIFICADORA DIPJ ORIGINAL DIFERENÇA 4º TRIMESTRE/2001 374.639,16 74.927,83 299.711,33 1º TRIMESTRE/2002 455.937,52 77.304,28 378.633,24 2º TRIMESTRE/2002 457.739,59 91.501,91 366.237,68 3º TRIMESTRE/2002 493.968,92 83.290,43 410.678,49 4º TRIMESTRE/2002 485.868,63 97.161,64 388.706,99 c) diante dos sucessivos pedidos de prorrogação para atender as intimações formalizadas pela Fiscalização, restou evidenciado que a contribuinte buscou promover a regularização de sua escrita, de modo a fazer com que esta refletisse o verdadeiro faturamento auferido no período; d) além de ter informado na DIPJ/2004 (ano-calendário de 2003) receitas referentes ao 3º trimestre inferiores às apuradas na escrituração contábil, a contribuinte informou nas DCTF referentes ao ano-calendário de 2003 débitos de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS significativamente inferiores aos informados na DIPJ original; e) a contribuinte emitiu notas fiscais com a mesma numeração (notas fiscais paralelas); f) a autoridade autuante, fundamentando a aplicação da multa qualificada no inciso I e parágrafo 1º do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, assinalou (Termo de Verificação Fiscal, fls. 67/68): ... Conforme relatado neste termo, nas DIPJ’s referentes aos anos- calendário 2001 e 2002 o contribuinte informou receitas de prestação de serviços substancialmente inferiores aos valores lançados nas notas fiscais de prestação de serviços emitidas, Fl. 4DF CARF MF Emitido em 17/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/09/2010 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Assinado digitalmente em 27/09/2010 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, 27/09/2010 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10670.001015/2007-31 Acórdão n.º 1302-00.365 S1-C3T2 Fl. 3 5 conforme discriminado em quadro transcrito anteriormente e nos demonstrativos... Da mesma forma nas DIPJ’s 2002 e 2003 o contribuinte informou débitos a pagar de IRPJ, CONTRIBUIÇÃO SOCIAL, COFINS e PIS muito inferiores aos valores efetivamente devidos. Nas DCTF’s referentes ao 4º trimestre/2001 e ao ano-calendário 2002, que é a declaração onde o contribuinte declara e confessa à Receita Federal os tributos/contribuições devidos, o contribuinte declarou os citados tributos/contribuições em valores correspondentes aos informados nas DIPJ’s, ou seja, em valores também muito inferiores aos que seriam efetivamente devidos. ... As declarações com informações falsas apresentadas à Receita Federal tiveram o nítido intuito de ocultar o conhecimento pelo fisco dos tributos/contribuições efetivamente devidos, com graves prejuízos à Fazenda Pública e à sociedade. Esse procedimento fraudulento evitou a cobrança de valores efetivamente devidos, propiciou vantagens competitivas ao infrator, além de permitir o enriquecimento ilícito dos sócios infratores da empresa. g) a contribuinte alterou por diversas vezes o seu quadro societário, objetivando dificultar a cobrança dos créditos tributários, vez que apresentava substancial passivo tributário; h) cheques de clientes da contribuinte, referentes a serviços prestados por ela, foram depositados diretamente em contas bancárias dos filhos do Sr. JACINTO PAULO PEREIRA FAUSTINO, tido como sócio de fato da Recorrente; i) do Relatório do INQUÉRITO POLICIAL nº 03-0033/99 – SR/DPF/MG, processo nº 1999.38.00.028967-9, a autoridade autuante extraiu as seguintes informações: i.1) Adão Alves da Silva, que constou no contrato social da Recorrente como sócio responsável pela sua administração e gerência no período de 17 de dezembro de 1998 a 28 de julho de 1999 (logo após a instauração do inquérito policial), afirmou que o verdadeiro proprietário da empresa seria o Sr. JACINTO PAULO PEREIRA FAUSTINO; i.2) o Sr. Adão Alves da Silva era lavador de carros e declarou que trabalhava na VIGILAR como vigia e em uns viveiros de muda, recebendo, em determinado período, R$ 240,00 mensais; i.3) o Sr. Adão Alves da Silva declarou não saber ler, que desconhecia qualquer fato relacionado com a empresa e que tinha assinado diversos papéis, desconhecendo o conteúdo destes; Fl. 5DF CARF MF Emitido em 17/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/09/2010 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Assinado digitalmente em 27/09/2010 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, 27/09/2010 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO 6 i.4) o Sr. Sebastião Rodrigues Neves, que constava no contrato social também como sócio da Recorrente, também assinara documentos desconhecendo a finalidade; Em síntese, para o Colegiado, a qualificação da multa encontra- se perfeitamente justificada, vez que a Recorrente, de forma deliberada e visando excluir de tributação parcela da renda auferida, declarou à Receita Federal valores substancialmente inferiores aos efetivamente auferidos, tendo se servido, inclusive, da interposição de pessoas em seu quadro societário para eximir-se de uma eventual responsabilização por parte das autoridades tributárias. Destacou-se, ainda, que a apuração das receitas não submetidas à tributação foi feita por meio de prova direta, eis que efetuada com base nas notas fiscais emitidas pela contribuinte. Nesse contexto, repudiou-se a tese de que, no caso, estaríamos diante de mera inexatidão de declaração, visto que presente o elemento volitivo na prática reiterada da infração, caracterizando, assim, o intuito de fraudar o erário. Vê-se, pois, que nenhuma alusão foi feita às consequências, na decadência do direito de a Fazenda promover os lançamentos tributários, em razão da manutenção, pelo Colegiado, da multa qualificada aplicada pela autoridade autuante. É o relatório. Fl. 6DF CARF MF Emitido em 17/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/09/2010 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Assinado digitalmente em 27/09/2010 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, 27/09/2010 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10670.001015/2007-31 Acórdão n.º 1302-00.365 S1-C3T2 Fl. 4 7 Voto Atendidos os requisitos de admissibilidade, conheço do apelo. Trata o presente de embargos de declaração, interpostos em virtude da constatação da ausência de manifestação da Turma julgadora sobre fato em relação ao qual ela devia pronunciar-se. Com efeito, restou apurado que o Colegiado, ao decidir pela manutenção da multa qualificada, deveria, também, apreciar os efeitos de tal decisão em relação à caducidade do direito de se promover os lançamentos tributários. Nesse sentido, acolhida a acusação de prática dolosa da infração, torna-se necessário reformar, também, o entendimento acerca da caducidade do direito de a Fazenda promover os lançamentos, eis que, nesse caso, a regra a ser aplicada é a estampada no inciso I do art. 173 do Código Tributário Nacional. Assim, somente os fatos geradores ocorridos até 30 de novembro de 2001, relativamente ao PIS e à COFINS, foram alcançados pela decadência. Isto porque, tratando-se de autos de infração cuja ciência se deu em 28 de junho de 2007, relativamente aos fatos explicitados (até 30 de novembro de 2001), o prazo fatal para a constituição dos respectivos créditos tributários se deu em 31 de dezembro de 2006. Nesse contexto, o resultado do julgamento deve ser retificado, visto que, diante da exoneração das parcelas de PIS e COFINS cujos fatos geradores se deram até 30 de novembro de 2001, o provimento afigura-se, também, de natureza parcial, porém em extensão menor do que a assinalada no voto condutor da decisão exarada, vez que ali, além de se reconhecer a decadência para os fatos geradores de IRPJ e CSLL ocorridos até o primeiro trimestre do ano de 2002, a caducidade em referência foi apontada, no que tange ao PIS e à COFINS, para os fatos geradores ocorridos até o mês de maio de 2002. Por todo o exposto, sou pelo acolhimento dos embargos declaratórios para retificar o acórdão nº. 1302-00.053 (sessão de 27 de agosto de 2009), reconhecendo a caducidade do direito de constituição dos créditos tributários única e exclusivamente em relação ao PIS e à COFINS, para os fatos geradores ocorridos até 30 de novembro de 2001. Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães. Fl. 7DF CARF MF Emitido em 17/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/09/2010 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Assinado digitalmente em 27/09/2010 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, 27/09/2010 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO 8 Fl. 8DF CARF MF Emitido em 17/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/09/2010 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Assinado digitalmente em 27/09/2010 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, 27/09/2010 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO
score : 1.0
Numero do processo: 13851.000080/2006-28
Data da sessão: Tue Jan 25 00:00:00 UTC 2011
Ementa: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CON1RIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PFQUENO
PORTE — SIMPLES,
Ano-calendario: 2002.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL NULIDADE DEVIDO PROCESSO LEGAL E MOTIVAÇÃO.. OBSERVÂNCIA.
O Ato administrativo indicando os pressupostos de lato e de direito não viola o principio do devido processo legal e da motivação, não havendo que se falar em nulidade do ato.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE.
CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA., NÃO OCORRÊNCIA.
Não procede a alegação de cerceamento do direito de defesa quando o ato administrativo que excluiu a empresa do Simples traz a fundamentação legal e descreve o lato excludente, permitindo o exercício da ampla defesa e do contraditório.
SIMPLES, EXCLUSÃO.. ATIVIDADE ECONÔMICA VEDADA..
LOCAÇÃO DE MÃO-DE-OBRA. NAO CARACTERIZAÇÃO.
Não comprovado nos autos que a atividade desenvolvida se relaciona locação de mão-de-obra afasta-se a exclusão do SIMPLES.
Numero da decisão: 1802-000.764
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencido o Conselheiro Nelso Kichel que negava provimento ao recurso
Nome do relator: Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior
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ementa_s : SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CON1RIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PFQUENO PORTE — SIMPLES, Ano-calendario: 2002. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL NULIDADE DEVIDO PROCESSO LEGAL E MOTIVAÇÃO.. OBSERVÂNCIA. O Ato administrativo indicando os pressupostos de lato e de direito não viola o principio do devido processo legal e da motivação, não havendo que se falar em nulidade do ato. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA., NÃO OCORRÊNCIA. Não procede a alegação de cerceamento do direito de defesa quando o ato administrativo que excluiu a empresa do Simples traz a fundamentação legal e descreve o lato excludente, permitindo o exercício da ampla defesa e do contraditório. SIMPLES, EXCLUSÃO.. ATIVIDADE ECONÔMICA VEDADA.. LOCAÇÃO DE MÃO-DE-OBRA. NAO CARACTERIZAÇÃO. Não comprovado nos autos que a atividade desenvolvida se relaciona locação de mão-de-obra afasta-se a exclusão do SIMPLES.
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I MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS 1; I SC A IS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n" 13851.000080/2006-28 Recurso 500,096 Voluntkirio Acórdão n" 1802-00.764 2" Turma Especial Sessão de 25 de janeiro de 2011 Matéria SIMPLES Recorrente ELISMARI TRANSPORTES E SERVIÇOS LTDA ME. Recorrida ó Turma/DRJ - Ribeirão Preto/SP AssuN SISTEMA EMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CON1RIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PFQI fENO PORTE — SIMPLES, Ano-calendario: 2002. PROCESS() ADMINISTRATIVO FISCAL. .NULIDADE„ DEVIDO PROCESSO LEGAL E MOTIVAÇÃO.. OBSERVÂNCIA. O Ato administrativo indicando os pressupostos de lato e de direito não viola o principio do devido processo legal e da motivação, não havendo que se falar em nulidade do ato. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE.. CERCEAMENTO 1)0 DIREITO DE DEFESA., NÃO OCORRÊNCIA. Não procede a alegação de cerceamento do direito de defesa quando o ato administrativo que excluiu a empresa do Simples traz a fundamentação legal e descreve o lato excludente, permitindo o exercício da ampla defesa e do contraditório. SIMPLES, EXCLUSÃO.. ATIVIDADE ECONÔMICA VEDADA.. LOCAÇÃO DE MÃO-DE-OBRA.. NA() CARACTERIZAÇÃO. Não comprovado nos autos que a atividade desenvolvida se relaciona locação de mão-de-obra afasta-se a exclusão do SIMPLES. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencido o Conselheiro Nel.so Kichel que negava provimento ao recurso. - - - EsC:CM.arques s rie Sousa — Presidente EDITAIX) EM: 2 c Í1 H ; Caso i De es Junior— Relator, Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Joao Francisco Bianco, Jose de Oliveira Ferraz Corral, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior, Nelso Kichel e Andre Almeida Blanco. 2 Process o n' 13851. 000080/2006-28 SI I E02 AccinFio n 1802-00.764 Fl 2 Relatório Cuida-se de Recurso Voluntário interposto pela contribuinte acima idenfilicada, contra decisão pro ferida pela 6 Turma da DRI de Ribeirao Preto/SP, Trata o processo em análise da exclusão da recorrente do Sistema Integrado de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES, a partir de 01/01/2002, conforme Ato Declaratório Executivo (11. 21), porquanto a recorrente presta serviços que caracterizariam locação de indo-de-obra, atividade vedada par a. opção pelo sistema, eon -am:me dispunha a Lei n° 9.317/96, em seu artigo 9', inciso XII, f. No curso do procedimento administrativo (It 13), a recorrente tbi intimada a apresentar documentos pertinentes assinalando-se que não houve resposta, tendo-se procedido A exclusão da empresa, pelo exercício de atividade vedada . Devidamente notificada da exclusão (fl. 22), a recorrente apresentou Manifestação de Inconfmmidade (if 23 - 46), sede na qual solicitou o cancelamento da exclusão, aduzindo para tanto, ter havido violação ao devido processo legal, assentando que ao serem interpretadas as normas infraconstitucionais, não Sc deve olvidar que seu fundamento encontra-se lixado na Constituição 'Federal, sendo assim, ao se interpretar o artigo 5", incisos UV e LV da Constituiçdo Federal, que consagra o devido processo legal administrativo, cumpre ao interprete extrair do texto um sentido que lhe dê maior eficácia, iniciando sua interpretação tendo por fundamento as normas superiores, no caso a Constituição Federal (CE). Por igual turno seguiu argumentando que a Constituição da Republica, no seu inciso LIV, do artigo 5', assinala que ninguém sera privado da liberdade ou de seus bens sem o devido processo legal e sequencialmente, o inciso LV, assegura aos litigantes, em processo judicial ou administrativo o contraditório e a ampla defesa, corn meios e recursos a ela inerentes e sendo o principio do contraditório e da ampla defesa explicitado na vigente CF, tem aplicaçao cogente ao processo administrativo e não somente ao judicial, sendo nulo o ato administrativo concreto, uma vez que praticou-se o ato sancionador sem ouvir o Contribuinte. Seguiu a recorrente afirmando que a Lei n° 9.784/99, consagrou o dever da Administração Pública motivar os atos administrativo expedidos, portanto, quando da expedição do ato administrativo, há necessidade de ser apresentada a "indicação dos pressupostos de fato e de direito que determinaram a decisão, com indicação dos fundamentos factuais e jurídicos, quando imponham ou agravem deveres, encargos Ott sanções e no caso concreto o ato administrativo de exclusão do Simples, violaria o principio da motivação, e em tais condições seria nulo. No mais, argumentou que nunca foi e não é empresa de locação de mão-de- obra, como indevidamente a caracterizou o ato declaratório de exclusão, sendo clara a distinção existente entre prestação de serviços e locação de mão-de-obra, já que no caso de locação de mão-de-obra, os trabalhadores que são colocados ã disposição de outras empresas são remunerados e assistidos pela locadora e este não seria o caso, porquanto a recorrente presta serviços por meio de seus empregados, que estão a ela subordinados e uma vez contratados os serviços, a tomadora não influencia na forma e administração do serviço.. Sustentou que da analise dos contratos juntados, seria possível depreender que a prestação dc serviços da recorrente consistiria na realização de serviços mecanizados, por intermédio de implementos agrícolas, tratores etc. o que configura o caráter de prestação de "serviços agrícolas' e corroborariam tal entendimento, algumas decisões exaradas pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirao Preto, a exemplo do que consta do Acórdão I 4-3868, dc 16/06/2.003, sendo, portanto, possível concluir-se pela ilegalidade do Ato de Exclusão, ern face de tratar-se a contribuinte de prestador serviços, não havendo de se falar em locação de mão-de-Obra. Adernais, sustentou que os efeitos da exclusão somente poderiam ocorrer partir de 30/07/2008, e não a partir de 01/01/2002 como consta do ADE cm questão, requerendo ao final fosse acolhida a 'Manifestação de Inconformidade A 6 Turma da 1).R.1 de Ribeirao Preto, nos termos do acórdão e voto de folhas 122 a 129, irideferiu a solicitação, afastando as preliminares suscitadas em vista da absoluta regularidade formal do processo administrativo em questão, já que todos os atos foram cientificados á recorrente e atenderam á estrita legalidade e no mérito, após cuidadosa análise do ciso concreto, concluiu que a recorrente de fato realizou atividade vedada. Cientificada da decisão desfavorável por intermédio do seu procurador cm 23 de julho de 2009, a recorrente interpôs Recurso Voluntário em 12 de agosto do citado ano (fls.. 136 — 1.56), reiterando as preliminares formuladas os argumentos de mérito e pugnando por provimento, o relatório. Process() n" 13551 000080/2006-28 SI -I 1CO2 A.córdiio o "1802-00,764 1'1 3 Voto Conselheiro Relator, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior O recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos genéricos de admissibilidade, dele tomo conhecimento A questão colocada cinge-se ã. exclusão da ora. recorrente da. sistemática do SIMPLES porquanto teria praticado atividade vedada, consistente na locação de mão-de-obra.. De inicio apresenta-se conveniente, na ordem das razões invocadas pela recorrente, verificar a regularidade formal e os aspectos preliminares do processo em questão, porquanto afirma a recorrente que lhe fora cerceado o direito de defesa bem como afrontados os princípios constitucionais que informam o processo administrativo Nesse ponto em particular tem razão a decisão recorrida ao afirmar a absoluta regularidade do feito aqui contemplado. Em prejuízo do que argumenta a recorrente observa-se que seu direito de defesa fbi resguardado, sendo intimada de todos os atos praticados, oportunizando-lhe apresentar tantos documentos quantos julgasse pertinentes.. Tanto o 6, que a recorrente apresentou tempestiva Manifestação de Inconformidade demonstrando pleno conhecimento dos fatos imputados para os fins de exclui- la do SIMPLES e refutando satisfatoriamente as mesmas imputações.. Ademais, se a recorrente tivesse alguma prova ou alegação a firzer, ainda que após a apresentação do Recurso Voluntário, sua pertinência seria avaliada por esse órgão julgador à luz do principio da verdade material. Não vislumbro, portanto, qualquer pecha capaz de ensejar a decretação da nulidade do processo em questão, motivo pelo qual afasto as alegações preliminares. Quanto ao mérito envolvido na exclusão d.o SIMPLES, consistente; corno dito, na apuração de prática de atividade vedada, a questão aqui ventilada merece cuidadosa análise dos documentos encartados bem como uma detida reflexão acerca do objeto social da recorrente. Corn efeito, entendeu a fiscalização que a recorrente locou/cedeu mão-de- obra, aplicando o que, no entender daquela ilustre Turm.a, dispunha o Parecer 69/99, consagrador de que em se tratando de locação da mão-de-obra, pressupõe-se que será utilizado trabalho alheio, ou seja, alguém cederá a outrem a atividade laborativa em virtude de necessidade transitória de substituição de pessoal regular e permanente ou do acréscimo extraordinário de tarefas, sendo que a locação de mão-de-obra pode também ser definida como o contrato pelo qual o locador se obriga a fazer alguma coisa para uso ou proveito do locatário, não importando a natureza do trabalho ou do serviço e que- os trabalhos são realizados sem a obrigação de executar a obra completa e sem a produção de um resultado determinado, já que na. locação de mão-de-obra., também de finida como contrato de prestação de serviços, a locadora assume a obrigação de contratar empregados, trabalhadores avulsos ou autônomos sob sua exclusiva responsabilidade do ponto de vista jurídico e a locadora é responsável pel ) vinculo empregaticio e pela prestação de serviços, sendo que os empregados OU contratados ficam à disposição da tomadora dos serviços (locatária), que detem o comando das tarefits, fiscalizando a execução e o andamento dos serviços. Em regra, a fundamentação contida na decisão é perfeita e guarda absoluta consonância com os precedentes desse Conselho Administrativo, ou seja, de fat° as empresas locadoras de mão-de-obra não podem optar pelo SIMPLES.. Contudo, na espécie sou levado à. conclusão diversa da que chegou a decisão recorrida, não que tais empresas estejam autorizadas a optar pelo SIMPLES, mas que a recorrente não cedeu/locou mão-de-obra, ao menos não no sentido que hospeda a sobredita vedação.. Anote-se que consta no Contrato Social da empresa recorrente, encartado ás folhas 47 a 49, seguindo-se das competentes alterações, que a contribuinte tinha como objeto social (vide Cláusula Primeira) a exploração do ramo de atividade de transporte rodoviário municipal, intermunicipal e interestadual dc cargas e passageiros e prestac;do de serviços gerais na lavoura. Com esse contexto, a recorrente se detende destacando que não realiza locação de .mão-de-Obra, ou mesmo cessão de mão-de-obra, ponderando que para as atividades mencionadas é necessário o elemento da subordinação, o que não ocorre com o caso em tela. Precisamente nesse ponto está o entendimento da decisão recorrida a merecer reforma. Ao analisar os contratos firmados pela recorrente (if 90 cm diante), com a empresa (IMO .M..ARINCiA AGRICOLA E COMERCIAL LTDA. (CNP..1 n"- 50.936.889/0001-91), por exemplo, depreende-se da cláusula primeira que o objeto da contratação consistia na prestação de serviços de carregamento de cana-de-acúcar em caminhões (serviço de transporte) reboques, abastecimento de máquinas, hem como toda a manutenção das máquinas, serviços dc munck, engatadores de julietas, transporte dos funcionários do campo, amarrar carga, picar, engatar e a administração dos serviços nas lavouras de propriedade da contratante ou por ela cultivadas em fbrma de arrendamentos ou parcerias, e seriam realizados no período de salia canavieira 2002/2003, ficando exclusivamente ir cargo da recorrente, então contratada, Os serviços acima descritos. Seguindo-se na leitura do indigitado contrato, tomado para fins exemplificativos já que os demais refletem situação semelhante, tem-se na Claus -Lila Terceira dispositivo que responsabilizava a recorrente pela condução dos trabalhos e gerCncia da mão- de-obra utilizada Já a Cláusula Nona encerra de vez a celeuma acerca do objeto dos contratos, que transcenderam, reafirmo, a mera locação de mão-de-obra ïá que a recorrente se comprometia a manter nas lavouras em que estivesse prestando os serviços, urna Carregadeira de cana Santal acoplada, um trator Massey Fergunson 290 RA, ano 2000, série 290.010.325, cor vermelha, veiculo frota n° 8810, bem como, uma Carregadeira de cana Santal acoplada um trator Massey Fergunson 290 R.A, ano 1998, série 2900015,4-5, cor vermelha, veiculo frota n° 881 -1, uma Carregadeira de cana acoplada a um trator Massey Fergunson 290, R.A, ano 2001, cor vermelha, série n' 290051468, veiculo frota IV 8812, entre tantos outros Nessa ordem das ideias; Observando-se as atividades exercidas pela recorrente, tem-se que estas não são vedadas pela Lei Complementar n° 123/06, nem o eram pela Lei n" 9317/96, já que ao contrário do que defendido pela autoridade liscal e pela decisão recorrida, não se tem configurado o exercício das atividades de cessão ou locação de mão-de- obra. Proccsso n 13851.000080/2006-28 S 11-1 . E02 Acórciao " 1802-00,764 Fl. -Frise-se por Ultimo que 6. característica da locação de mão-de-obra que as pessoas colocadas à disposição da contratante para os serviços que lhe forem contratados estejam à disposição da contratante„Td no caso dc ccssão de mão-de-Obra, a emprega prestadora de serviços 'cede sua mão-de-obra para a empresa contratante, ou seja, o objeto do contrato entre as partes '6 o fornecimento da mão-de-obra, tendo em vista, como já explicitado, que não Sc ve no caso o exercício de tais atividades, de rigor afastar a exclusão do SIMPLES„ ii1Mil Pelo exposto, ene . li° meu voto no sentido de rejeitar as preliminares de nulidades e no mérito DAR provin Tto ao Recurso Voluntário.. Fdwal Casom Ve Paulaii=er ides Junior 7 MINISTÉRIO DA FAZENDA C7ONSE11210 AIMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA CAMARA - PRIMEIRA SEÇÃO PROCESS() 13851 000080/2006-28 TERMO DE INTIMAÇÃO Iate-se um dos Procuradores da Fazenda. Nacional, credenciado junto a este Conselho, da decisdo consubstanciada nos despachos supra, nos termos do art.. 81, § 3', do anexo II, do Regimento Interno do CARE, aprovado pela Portalia Ministerial n" 256, de 22 dc junho de 2009.. Brasilia, 24 l'evereiro 2011 Maria C,oriceielt. )` -de Sousa R_odr- 4,,nes Sccictáfia da Criara Ciência Data: Nome: Procurador(a) da Fazenda Nacional Encaminhamento da PFN: I I apenas com ciência; 111 corn ReCUTS0 Especial; I- 1 corn Embargos de Dcclara0o.
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Numero do processo: 10730.003492/2007-89
Data da sessão: Thu Aug 15 00:00:00 UTC 2013
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2003
ISENÇÃO. HIPÓTESES. NECESSIDADE DE LEI ESPECÍFICA.
A isenção de tributos só pode ser concedida mediante lei específica, a qual regule exclusivamente a matéria ou o correspondente tributo.
Não são hipóteses de isenção do imposto sobre a renda de pessoa física as parcelas relacionadas de “a” a “r” no inciso III do artigo 1.°, da Lei n° 8.852, de 1994. São simples exclusões do valor da soma dos vencimentos, adicionais de caráter individual e demais vantagens, para se obter o valor da remuneração.
Aplicação da Súmula CARF n.º 68.
Numero da decisão: 2101-002.277
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso.
Nome do relator: CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2003 ISENÇÃO. HIPÓTESES. NECESSIDADE DE LEI ESPECÍFICA. A isenção de tributos só pode ser concedida mediante lei específica, a qual regule exclusivamente a matéria ou o correspondente tributo. Não são hipóteses de isenção do imposto sobre a renda de pessoa física as parcelas relacionadas de “a” a “r” no inciso III do artigo 1.°, da Lei n° 8.852, de 1994. São simples exclusões do valor da soma dos vencimentos, adicionais de caráter individual e demais vantagens, para se obter o valor da remuneração. Aplicação da Súmula CARF n.º 68.
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HIPÓTESES. NECESSIDADE DE LEI ESPECÍFICA. A isenção de tributos só pode ser concedida mediante lei específica, a qual regule exclusivamente a matéria ou o correspondente tributo. Não são hipóteses de isenção do imposto sobre a renda de pessoa física as parcelas relacionadas de “a” a “r” no inciso III do artigo 1.°, da Lei n° 8.852, de 1994. São simples exclusões do valor da soma dos vencimentos, adicionais de caráter individual e demais vantagens, para se obter o valor da remuneração. Aplicação da Súmula CARF n.º 68. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) ________________________________________________ LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente. (assinado digitalmente) __________________________________________ CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Francisco Marconi de Oliveira, Alexandre Naoki Nishioka, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 73 0. 00 34 92 /2 00 7- 89 Fl. 90DF CARF MF Excluído Documento de 7 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP16.0919.08422.A2BW. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 2 Eivanice Canário da Silva e Celia Maria de Souza Murphy (Relatora). Ausente o Conselheiro Gilvanci Antonio de Oliveira Souza. Relatório Trata o presente processo de Auto de Infração contra o contribuinte em epígrafe, no qual foi apurada omissão de rendimentos tributáveis recebidos do Ministério da Defesa. O contribuinte apresentou impugnação, na qual alegou que os rendimentos que a Fiscalização entendeu omitidos não são tributáveis, por força da Lei n.º 8.852, de 1994. Por essa razão, com base na referida lei e no artigo 43 do Decreto n.º 3.000, de 1999, os citados rendimentos, a seu ver, foram e devem ser excluídos da base de cálculo do imposto sobre a renda de pessoa física, eis que não configuram remuneração ou vencimento. A 1.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) no Rio de Janeiro II (RJ), mediante o Acórdão n.º 1317.746, de 28 de novembro de 2007, julgou a impugnação improcedente, em decisão que contou com a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2003 OMISSÃO DE RENDIMENTOS As exclusões do conceito de remuneração, estabelecidas na Lei n° 8.852/94, não são hipóteses de isenção ou não incidência de IRPF, que requerem, pelo Principio da Estrita Legalidade em matéria tributária, disposição legal federal especifica. Lançamento Procedente Inconformado, o interessado interpôs Recurso Voluntário, no qual reitera seus argumentos. Pede seja julgado improcedente o Auto de Infração e restituídos os valores que entende ter recolhido a maior. É o Relatório. Voto Conselheira Celia Maria de Souza Murphy O Recurso Voluntário, tempestivo, atende aos demais requisitos legais. Dele conheço. Fl. 91DF CARF MF Excluído Documento de 7 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP16.0919.08422.A2BW. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10730.003492/200789 Acórdão n.º 2101002.277 S2C1T1 Fl. 3 3 No presente processo, o contribuinte havia apresentado declaração de ajuste anual, na qual informou o total de rendimentos tributáveis auferidos do Ministério da Defesa no anocalendário 2002. Posteriormente, entregou declaração retificadora, na qual excluiu parte dos rendimentos auferidos da citada fonte pagadora, por entender que uma parcela daqueles rendimentos seria isenta do imposto sobre a renda de pessoa física, ante o que prescreve a Lei n.° 8.852, de 1994. O recorrente entende serem tributáveis somente os valores reconhecidos como remuneração pela mencionada lei, na forma estipulada pelo seu artigo 1.°, inciso III, o qual assim estipula, verbis: Art. 1º Para os efeitos desta Lei, a retribuição pecuniária devida na administração pública direta, indireta e fundacional de qualquer dos Poderes da União compreende: [...] III como remuneração, a soma dos vencimentos com os adicionais de caráter individual e demais vantagens, nestas compreendidas as relativas à natureza ou ao local de trabalho e a prevista no art. 62 da Lei nº 8.112, de 1990, ou outra paga sob o mesmo fundamento, sendo excluídas: a) diárias; b) ajuda de custo em razão de mudança de sede ou indenização de transporte; c) auxíliofardamento; d) gratificação de compensação orgânica, a que se refere o art. 18 da Lei nº 8.237, de 1991; e) saláriofamília; f) gratificação ou adicional natalino, ou décimoterceiro salário; g) abono pecuniário resultante da conversão de até 1/3 (um terço) das férias; h) adicional ou auxílio natalidade; i) adicional ou auxílio funeral; j) adicional de férias, até o limite de 1/3 (um terço) sobre a retribuição habitual; l) adicional pela prestação de serviço extraordinário, para atender situações excepcionais e temporárias, obedecidos os limites de duração previstos em lei, contratos, regulamentos, convenções, acordos ou dissídios coletivos e desde que o valor pago não exceda em mais de 50% (cinqüenta por cento) o estipulado para a hora de trabalho na jornada normal; m) adicional noturno, enquanto o serviço permanecer sendo prestado em horário que fundamente sua concessão; Fl. 92DF CARF MF Excluído Documento de 7 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP16.0919.08422.A2BW. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 4 n) adicional por tempo de serviço; o) conversão de licençaprêmio em pecúnia facultada para os empregados de empresa pública ou sociedade de economia mista por ato normativo, estatutário ou regulamentar anterior a 1º de fevereiro de 1994; p) adicional de insalubridade, de periculosidade ou pelo exercício de atividades penosas percebido durante o período em que o beneficiário estiver sujeito às condições ou aos riscos que deram causa à sua concessão; q) hora repouso e alimentação e adicional de sobreaviso, a que se referem, respectivamente, o inciso II do art. 3º e o inciso II do art. 6º da Lei nº 5.811, de 11 de outubro de 1972; r) (Vetado) r) outras parcelas cujo caráter indenizatório esteja definido em lei, ou seja reconhecido, no âmbito das empresas públicas e sociedades de economia mista, por ato do Poder Executivo. (Parte mantida pelo Congresso Nacional). [...] Diante do disposto nos dispositivos acima transcritos, na declaração retificadora, o contribuinte excluiu, do total dos rendimentos tributáveis percebidos, as parcelas por ele consideradas isentas do imposto sobre a renda. Tal exclusão se deu por meio da declaração de ajuste anual retificadora (fls. 40 a 42), na qual alterou o valor dos rendimentos tributáveis informados, que passaram de R$ 86.964,86, na declaração original (fls. 51 a 53), para R$ 54.110,21, na retificadora. A diferença declarada a menor na declaração retificadora (R$ 32.854,65) foi lançada como omissão de rendimentos (vide fls. 11). Primeiramente, cumpre ressaltar que a Lei n.° 5.172, de 1966, Código Tributário Nacional, ao dispor sobre o imposto sobre a renda e proventos de qualquer natureza, assim especificou: Art. 43. O imposto, de competência da União, sobre a renda e proventos de qualquer natureza tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica: I de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos; II de proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos no inciso anterior. § 1o A incidência do imposto independe da denominação da receita ou do rendimento, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem e da forma de percepção. (Incluído pela Lcp nº 104, de 10.1.2001) [...] (g.n.) Também nesse sentido, assim estipula a Lei n.° 7.713, de 1988, cujo artigo 3.° a seguir transcrevese: Fl. 93DF CARF MF Excluído Documento de 7 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP16.0919.08422.A2BW. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10730.003492/200789 Acórdão n.º 2101002.277 S2C1T1 Fl. 4 5 Art. 3º O imposto incidirá sobre o rendimento bruto, sem qualquer dedução, ressalvado o disposto nos arts. 9º a 14 desta Lei. (Vide Lei 8.023, de 12.4.90) § 1º Constituem rendimento bruto todo o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos, os alimentos e pensões percebidos em dinheiro, e ainda os proventos de qualquer natureza, assim também entendidos os acréscimos patrimoniais não correspondentes aos rendimentos declarados. § 2º Integrará o rendimento bruto, como ganho de capital, o resultado da soma dos ganhos auferidos no mês, decorrentes de alienação de bens ou direitos de qualquer natureza, considerandose como ganho a diferença positiva entre o valor de transmissão do bem ou direito e o respectivo custo de aquisição corrigido monetariamente, observado o disposto nos arts. 15 a 22 desta Lei. § 3º Na apuração do ganho de capital serão consideradas as operações que importem alienação, a qualquer título, de bens ou direitos ou cessão ou promessa de cessão de direitos à sua aquisição, tais como as realizadas por compra e venda, permuta, adjudicação, desapropriação, dação em pagamento, doação, procuração em causa própria, promessa de compra e venda, cessão de direitos ou promessa de cessão de direitos e contratos afins. § 4º A tributação independe da denominação dos rendimentos, títulos ou direitos, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem dos bens produtores da renda, e da forma de percepção das rendas ou proventos, bastando, para a incidência do imposto, o benefício do contribuinte por qualquer forma e a qualquer título. § 5º Ficam revogados todos os dispositivos legais concessivos de isenção ou exclusão, da base de cálculo do imposto de renda das pessoas físicas, de rendimentos e proventos de qualquer natureza, bem como os que autorizam redução do imposto por investimento de interesse econômico ou social. § 6º Ficam revogados todos os dispositivos legais que autorizam deduções cedulares ou abatimentos da renda bruta do contribuinte, para efeito de incidência do imposto de renda. (g.n.) Dos dispositivos acima, depreendese que toda a renda percebida pelo particular está sujeita ao imposto sobre a renda, independentemente da denominação dos rendimentos, títulos ou direitos, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem dos bens produtores da renda, e da forma de percepção das rendas ou proventos, bastando, para a incidência do imposto, o benefício do contribuinte por qualquer forma e a qualquer título. As exceções são especificamente previstas em lei, assim como ocorre com as isenções. Fl. 94DF CARF MF Excluído Documento de 7 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP16.0919.08422.A2BW. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 6 Para haver isenção, é preciso haver previsão expressa em lei específica, tal como prescreve o artigo 176 do Código Tributário Nacional: Art. 176. A isenção, ainda quando prevista em contrato, é sempre decorrente de lei que especifique as condições e requisitos exigidos para a sua concessão, os tributos a que se aplica e, sendo caso, o prazo de sua duração. [...] Tal dispositivo está em perfeita consonância com o previsto na Constituição Federal de 1988, a qual, ao tratar das limitações do poder de tributar, assim prevê, no parágrafo 6.° de seu artigo 150: Art. 150. [...] § 6.º Qualquer subsídio ou isenção, redução de base de cálculo, concessão de crédito presumido, anistia ou remissão, relativos a impostos, taxas ou contribuições, só poderá ser concedido mediante lei específica, federal, estadual ou municipal, que regule exclusivamente as matérias acima enumeradas ou o correspondente tributo ou contribuição, sem prejuízo do disposto no art. 155, § 2.º, XII, g. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 3, de 1993) [...] A Lei n.° 8.852, de 1994, na qual se fundamenta o recorrente para defender existirem parcelas isentas do imposto sobre a renda embutidas na retribuição mensal por ele percebida, não é uma lei tributária, muito menos uma lei específica que outorgue uma isenção do imposto sobre a renda. A mencionada lei dispõe sobre a aplicação dos artigos 37, incisos XI e XII, e 39, § 1°, da Constituição Federal e dá outras providências. O artigo 1.° da referida lei estipula a retribuição pecuniária devida na administração pública direta, indireta e fundacional de qualquer dos Poderes da União. As parcelas enumeradas nas alíneas de “a” a “r” do inciso III do artigo 1° da Lei n.° 8.852, de 1994, são exclusões feitas da soma dos vencimentos, adicionais de caráter individual e demais vantagens, para se chegar à remuneração. Não são hipóteses de isenção ou não incidência do imposto sobre a renda de pessoa física. Cabe ainda ressaltar que o inciso XX do artigo 39 do Decreto n.º 3.000, de 1999 (Regulamento do Imposto de Renda), que relaciona valores que não entram no cômputo do rendimento bruto, não menciona os valores considerados isentos ou não tributáveis pelo contribuinte. Também não é possível aplicar a interpretação extensiva às leis que outorgam isenções. Pelo contrário, as leis que conferem isenções devem ser interpretadas restritivamente, ou “literalmente”, nos termos do artigo 111 do Código Tributário Nacional: Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: I suspensão ou exclusão do crédito tributário; II outorga de isenção; Fl. 95DF CARF MF Excluído Documento de 7 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP16.0919.08422.A2BW. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10730.003492/200789 Acórdão n.º 2101002.277 S2C1T1 Fl. 5 7 III dispensa do cumprimento de obrigações tributárias acessórias. (g.n.) Por fim, após reiteradas decisões, este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF pacificou o entendimento que a Lei n.º 8.852, de 1994, não outorga isenção nem relaciona hipóteses de não incidência do imposto sobre a renda, por meio da Súmula CARF nº 68, a seguir transcrita: “A Lei n° 8.852, de 1994, não outorga isenção nem enumera hipóteses de não incidência de Imposto sobre a Renda da Pessoa Física.” Por esses motivos, não merece reparos a decisão a quo. Conclusão Ante todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) _________________________________ Celia Maria de Souza Murphy Relatora Fl. 96DF CARF MF Excluído Documento de 7 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP16.0919.08422.A2BW. Consulte a página de autenticação no final deste documento. PÁGINA DE AUTENTICAÇÃO O Ministério da Fazenda garante a integridade e a autenticidade deste documento nos termos do Art. 10, § 1º, da Medida Provisória nº 2.200-2, de 24 de agosto de 2001 e da Lei nº 12.682, de 09 de julho de 2012. Documento produzido eletronicamente com garantia da origem e de seu(s) signatário(s), considerado original para todos efeitos legais. Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001. Histórico de ações sobre o documento: Documento juntado por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY em 15/08/2013 16:28:48. Documento autenticado digitalmente por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY em 15/08/2013. Documento assinado digitalmente por: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS em 27/08/2013 e CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY em 15/08/2013. Esta cópia / impressão foi realizada por MARIA MADALENA SILVA em 16/09/2019. Instrução para localizar e conferir eletronicamente este documento na Internet: EP16.0919.08422.A2BW Código hash do documento, recebido pelo sistema e-Processo, obtido através do algoritmo sha1: 66E8070B2BC92FF144E4FDA325967C8996170728 Ministério da Fazenda 1) Acesse o endereço: https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx 2) Entre no menu "Legislação e Processo". 3) Selecione a opção "e-AssinaRFB - Validar e Assinar Documentos Digitais". 4) Digite o código abaixo: 5) O sistema apresentará a cópia do documento eletrônico armazenado nos servidores da Receita Federal do Brasil. página 1 de 1 Página inserida pelo Sistema e-Processo apenas para controle de validação e autenticação do documento do processo nº 10730.003492/2007-89. Por ser página de controle, possui uma numeração independente da numeração constante no processo.
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Numero do processo: 10166.720782/2011-29
Data da sessão: Thu Feb 01 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jul 26 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2006, 2007, 2008, 2009
CSLL. 1.ª SEÇÃO DE JULGAMENTO. COMPETÊNCIA.
A CSLL é tributo de competência da 1.ª Seção conforme Art. 2, II e IV, do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Se o processo for distribuído para outra seção, esta deve declinar a competência para a 1.ª Seção de julgamento.
Numero da decisão: 3201-003.397
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em declinar a competência à primeira Seção do CARF.
(assinatura digital)
WINDERLEY MORAIS PEREIRA - Presidente.
(assinatura digital)
PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade.
Nome do relator: PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2006, 2007, 2008, 2009 CSLL. 1.ª SEÇÃO DE JULGAMENTO. COMPETÊNCIA. A CSLL é tributo de competência da 1.ª Seção conforme Art. 2, II e IV, do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Se o processo for distribuído para outra seção, esta deve declinar a competência para a 1.ª Seção de julgamento.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2006, 2007, 2008, 2009 CSLL. 1.ª SEÇÃO DE JULGAMENTO. COMPETÊNCIA. A CSLL é tributo de competência da 1.ª Seção conforme Art. 2, II e IV, do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Se o processo for distribuído para outra seção, esta deve declinar a competência para a 1.ª Seção de julgamento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em declinar a competência à primeira Seção do CARF. (assinatura digital) WINDERLEY MORAIS PEREIRA Presidente. (assinatura digital) PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 72 07 82 /2 01 1- 29 Fl. 3999DF CARF MF 2 Tratase de Recurso Voluntário de fls. 3325 em face da decisão de primeira instância neste procedimento administrativo fiscal da DRJ/DF de fls. 3301 que indeferiu a Impugnação de fls. 1002, restando mantido o lançamento de CSLL, Pis e Cofins, nos moldes dos Autos de Infração de fls. 14, 37 e 54. Como é costume deste Conselho a transcrição do relatório da decisão de primeira instância, segue para apreciação: "O presente processo versa sobre os autos de infração (fls. 3 a 59) lavrados contra o contribuinte identificado no preâmbulo, atinente às contribuições retidas na fonte (Cofins, PIS e CSLL) relativas a fatos geradores dos anoscalendário de 2006 a 2009, por meio dos quais foi formalizado o lançamento de ofício do crédito tributário a seguir discriminado, no valor total de R$ 103.024.692,21, composto de principal, multa de ofício de 75% e juros de mora vinculados, calculados até 28/02/2011: Segundo a descrição dos fatos dos autos de infração, em 11/11/2008, iniciouse a ação fiscal na empresa ATP Tecnologia e Produtos S/A, para exame da regularidade das obrigações tributárias relativas ao anocalendário de 2006, bem como verificação da correspondência entre os valores declarados e os valores apurados pelo sujeito passivo em sua escrituração contábil e fiscal, em relação aos tributos administrados pela RFB, nos últimos cinco anos contados da emissão do Mandado de Procedimento Fiscal – MPF e no período de execução do procedimento fiscal em curso. Foram objeto de exame pela Fiscalização os arquivos magnéticos com a escrita contábil de todo o período fiscalizado. Os livros Razão da empresa, relativos a 2006, foram examinados em diligência, pois estavam em poder do Ministério Público do Distrito Federal e Território – MPDFT. No tocante ao Livro Diário e ao LALUR, de 2006, embora o contribuinte tenha alegado que também estivessem em poder do MPDFT, estes não foram localizados pelos AuditoresFiscais da RFB. Quanto aos Livros Diário, o requerente informou que impetrou ação judicial (processo 2010.1592846/10), solicitando ao Judiciário que determinasse à Junta Comercial o registro dos livros, vez que: “Os Livros Diários relativos ao exercício de 2006, encontravamse sob a guarda da Junta Comercial do Distrito Federal para registro quando, em 14 de junho de 2007, foram apreendidos pela Polícia Civil do Distrito Federal, em cumprimento a ordem judicial emitida a pedido do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios."; QUE "No entanto, a Junta Comercial do Distrito Federal cumpriu a ordem judicial, entregando os referidos livros à Polícia Civil do Distrito Federal, sem o devido registro e, desde então, se recusa a registrar os livros Diários dos exercícios seguintes, ou seja 2007, 2008 e 2009."; Fl. 4000DF CARF MF Processo nº 10166.720782/201129 Acórdão n.º 3201003.397 S3C2T1 Fl. 4.000 3 QUE "A Junta Comercial do Distrito Federal alega que o registro não pode ser realizado em função do salto de numeração dos livros, porém insiste em ignorar o fato de que esta situação foi provocada pela própria Junta Comercial quando não realizou o registro dos livros Diários de 2006 antas de entregálos à Policia Civil do Distrito Federal. Do cotejo entre a escrituração contábil e as declarações apresentadas (DIPJ, DIRF, DACON e DCTF), a Fiscalização constatou divergências, as quais foram cientificadas ao contribuinte em 13/09/2010. Após a dilação de prazo para 40 (quarenta) dias úteis para atendimento integral do Termo de Constatação, a empresa encaminhou 4 (quatro) planilhas com as explicações quanto às divergências apontadas. Tal fato, segundo a Fiscalização, configurou convalidação quanto aos valores extraídos da escrituração e das declarações apresentadas, verbis: Em 22.10.2010, junto com o expediente, encaminha 04 (quatro) planilhas com as explicações quanto as divergências apontadas em relação às contas contábeis de obrigações dos tributos IRPJ/SCLL, PIS/COFINS, CSRF e IRRF, no periodo de janeiro de 2006 a dezembro de 2009, sem questionar quanto aos valores apurados e infomardos nos anexos ao Termo de Constatação Fiscal n° 001, CONVALIDANDO, portanto, as informações apresentadas ao fisco na escrita contábil em meio magnético e as extraídas das DIPJ, DIRF, DACON e DCTF, ressalvando que os valores contidos em DCTF são excluidos quando do procedimento do lançamento de oficio. Tendo em vista que as explicações estavam desacompanhadas de provas, em 08/12/2010 a empresa foi novamente intimada a prestar novos esclarecimentos, conforme segue: Em 08.12.2010, intimada pelo Termo n° 003, observado o prazo de 03 três dias úteis, a contar da data de ciência do referido termo, a informar, para fins da verificação obrigatória da correspondência entre os valores das Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF e os valores apurados pelo sujeito passivo em sua escrituração contábil e fiscal, em relação aos tributos e contribuições administrados pela RFB, retidos de terceiros nos anoscalendário de 2006, 2007, 2008 e 2009, respectivamente, discriminando por Nome, CPF ou CNPJ, valor, mês e ano das ocorrências, tendo em vista que as informações prestadas, em 22.10.2010, foram incompletas e desprovidas de provas, requerendose especificar, em relação às observações contidas na PLANILHA "C"CSRF, os fornecedores prstadores de serviços que tiveram Retenções de Contribuições nos Pagamento de PJ a PJDireito Privado(CSLL/COFINS/PIS) a recolher, no código 5952, e não liquidadas sob argumento de que os fatos geradores não teriam ocorrido.(g.n.o) Em 22/02/2011, após solicitar sucessivas prorrogações, a empresa apesentou planilhas detalhadas com dados dos fornecedores prestadores de serviços que tiveram retenções de contribuições sobre os pagamentos realizados no período de janeiro/2006 a dezembro/2009 Fl. 4001DF CARF MF 4 de CSLL, Cofins e PIS (códigos 5992, 5960 e 5979), e informou os valores que deixou de recolher sob alegação de ainda não ter liquidado as despesas, consistentes em faturas de terceiros. Entretanto, as justificativas apresentadas para a divergência constatada não foram aceitas pela Fiscalização, tendo sido, portanto, realizada a autuação com fundamento nos seguintes fatos: Diante do exposto: 1) considerando o levantamento nas verificações obrigatórias das Retenções das Contribuições nos Pagamento efetuados às Pessoas Juríridas a PJDireito Privado CSLL/COFINS/PIS a recolher, nos códigos 5992/5960/5979, os registros contábeis são divergentes dos valores informados nas DCTF Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais, no período de janeiro de 2006 a dezembro de 2009; 2) considerando cientificada a ATP das diferenças a recolher das CSRFContribuições Sociais Retidas na Fonte, no Anexo "E" ao Termo de Constatação Fiscal n° 001, de 13.09.2010; 3) considerando a PLANILHA “C” CSRF anexa ao expediente resposta apresentado pela ATP, de 22.10.2010, que CONVALIDA as diferenças apuradas entre os valores das Contribuições Sociais Retidas na Fonte CSRF a recolher para os informados em DCTF; 4)considerando que a Contribuinte ao optar pelo parcelamento previsto na Lei n° 11.941/2009, no âmbito da RFB, indicou a inclusão da totalidade dos débitos nos termos da Portaria PGFN/RFB nº 003/2010, sem ter informado em DCTF as diferenças identificadas e respectivos períodos de competências das CSRF a recolher e apuradas nesta Ação Fiscal; 5) considerando a escrita disponibilizada em meio magnético pela Contribuinte, conforme a Instrução Normativa da Receita Federal, n° 86 de 22/11/2001, e o Ato Declaratório Executivo Cofis n° 15, de 23/10/2001; 6) considerando que o prazo de pagamento das CSRF deverá ser até o último dia útil da semana subseqüente àquela quinzena em que tiver ocorrido o pagamento à pessoa jurídica fornecedora dos bem ou prestadora do serviço (IN SRF n° 480, de 15/12/2004; e 7) considerando no caso, não aplicável o item 6 anterior, sem registros contábeis de reversões nos pagamentos com fornecedores, não liquidados dentro do mesmo exercício e na apuração do lucro real. Dessa forma, no âmbito das verificações obrigatórias, não procedem as JUSTIFICATIVAS para o não recolhimento das contribuições para as CSRF Contribuições Sociais Retidas na Fonte dos "Valores Retidos de Fornecedores Prestadores e Serviços como não Liquidados e portanto, o fato gerador não ocorreu e que serão recolhidos posteriormente”, efetuamos o lançamento de ofício das diferenças apuradas entre as CSRF a recolher, contabilizadas, para os informados em DCTF, dos anoscalendário de 2006, 2007, 2008 e 2009, (...)(g.n.o) Cientificado das exigências pessoalmente em 22/03/2011, conforme ciência constante dos autos de infração, o contribuinte apresentou em 25/04/2011 a petição impugnativa de fls. 1.002 a 1.030. Como provas, acostou aos autos, às fls. seguintes, cópias das Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF, informando os débitos do mês; dos Documentos de Arrecadação de Receitas Federais – DARF ou das PER/DCOMP; do Razão Contábil; e Relação de Títulos Pagos. Fl. 4002DF CARF MF Processo nº 10166.720782/201129 Acórdão n.º 3201003.397 S3C2T1 Fl. 4.001 5 Apoiada nos documentos acostados aos autos, a peça de defesa, em suma, discorre sobre os pontos a seguir expostos. Da Preliminar. Afirma o interessado que é nulo o procedimento fiscal, uma vez que o auto de infração teria como base enquadramento legal genérico e impreciso, o que impossibilita o pleno exercício de defesa da impugnante e viola o Princípio da Estrita Legalidade. Nesse sentido, consigna que o enquadramento legal contém o apontamento genérico dos artigos 30 e 31 da Lei nº 10.833/2001 e que, “na descrição do fato sobre o qual se pretende impor tributação, não foi realizado o devido cotejo entre o evento analisado e a norma à qual o mesmo se subsume”. Do Mérito. Inconsistência do Levantamento Fiscal Realizado. Alega o impugnante que a autoridade fiscal partiu de premissas incoerentes, visto que, ao comparar o resultado final apontado no Livro Diário com as DCTF, teria considerado provisionamento de numerário para o recolhimento das CSRF como pagamentos efetivamente ocorridos, verbis: Entretanto, a autoridade fiscal, ao averiguar a documentação contábil da empresa Impugnante, considerou os lançamentos constantes de seu Livro Diário como se as CSRF tivessem sido apuradas por meio do Regime de Competência, quando a empresa Impugnante, em atenção a determinação legal, o reteve, recolheu e contabilizou mediante o Regime de Caixa, e ao confrontar os números encontrados com as declarações e os comprovantes de recolhimento de tributo de cada período, encontrou gritante divergência (como já seria de se esperar). Em termos práticos: quando os valores das notas fiscais, referentes a serviços que seriam quitados a prazo, foram lançados no Livro Diário da empresa Impugnante, foram lançados, na mesma competência, os valores provisionados para o pagamento futuro das Contribuições que seriam posteriormente retidas e recolhidas, o que é perfeitamente regular, posto que se trata de mero provisionamento. Nos períodos subsequentes, quando da quitação das parcelas do mesmo serviço, foram lançados tanto o valor do efetivo pagamento quanto o valor recolhido a título da CSRF incidente sobre aquela parcela, de modo a registrar a efetiva saída de valores do caixa da empresa. Tais lançamentos devem ser realizados desta forma, por força de lei. Ocorre que a autoridade fiscalizadora considerou, para apuração do valor devido a título de CSRF, tanto os valores lançados na contabilidade a título de provisionamento quanto de efetiva saída financeira, distorção esta que gerou apuração de valor muito superior ao realmente devido. Ou seja, considerou os valores lançados pelo Regime de Caixa como se tivessem sido lançados pelo Regime de Competência, o que consiste em medida flagrantemente equivocada. Na sua perspectiva, a escrituração do Livro Diário deve ser feita pelo regime de competência (cita a resposta à questão 292 do link Perguntas e Respostas disponibilizado no sítio da RFB) e, na DCTF, os Fl. 4003DF CARF MF 6 débitos devem ser informados segundo o regime de caixa (justifica tal entendimento pela própria incidência das CSRF, devidas quando do efetivo pagamento, nos termos do art. 35 da Lei nº 10.833/03). Dessa forma, entende o impugnante que é impossível a comparação das informações lançadas no Livro Diário e nas DCTF e enfatiza que o valor apontado no Livro Diário contém o saldo provisionado em competências anteriores e o valor declarado nas DCTF contém somente os valores dos tributos pagos no mês. Anexa, a título de prova, quadros relativos a cada período de apuração, com justificativas para a divergência apontada, em conformidade com a explicação exposta. Multa. Defende o interessado que não cometeu qualquer infração e, portanto, não está passível de sofrer uma sanção. Acrescenta, ainda, que somente seria possível instituir multa de forma isolada caso o Fisco demonstrasse que fora efetivamente descumprida uma obrigação tributária ou um dever instrumental, o que não é o caso dos autos. Produção de novas provas, diligência e perícia. Protesta o requerente, ainda, pela coleta de outras provas, entre elas a documental e a pericial, no caso de os documentos acostados aos autos não serem suficientes para demonstrar todas as alegações apresentadas. Para tanto, nomeou perito e apresentou os quesitos, em conformidade com o art. 16, IV, do Decreto nº 70.235/72. Por fim, pugna o interessado que seja decretada a nulidade do auto de infração, ou, alternativamente, caso os documentos juntados não sejam suficientes para tal, que seja determinada a realização de perícia ou convertido o processo em diligência." A Ementa deste Acórdão de primeira instância administrativa fiscal foi publicada da seguinte forma: "ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2006, 2007, 2008, 2009 AUTO DE INFRAÇÃO. AUSÊNCIA DE VÍCIOS. CONTRADITÓRIO E AMPLA DEFESA. Reputase válido o auto de infração que contém todos os requisitos formais exigidos pela legislação processual, os quais incluem a completa descrição dos fatos, de modo a permitir que o sujeito passivo, na impugnação, exerça o direito ao contraditório e à ampla defesa. ENQUADRAMENTO LEGAL GENÉRICO. Não é caso de nulidade de lançamento a existência de enquadramento legal genérico, quando os demais elementos e demonstrativos permitem a compreensão da exigência formulada. MULTA DE OFÍCIO. LEGALIDADE. Fl. 4004DF CARF MF Processo nº 10166.720782/201129 Acórdão n.º 3201003.397 S3C2T1 Fl. 4.002 7 Presentes os pressupostos de exigência, cobrase multa de ofício na forma prevista na legislação. PRODUÇÃO DE PROVAS. INDEFERIMENTO. Indeferese pedido de produção de provas adicionais quando a solicitação é apresentada em desacordo com o disposto no art. 16 do Decreto nº 70.235/72, que dispõe sobre a preclusão do direito de apresentar novas provas após a impugnação. DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO. Indefese o pedido de diligência, quando tal solicitação versar sobre demanda de caráter genérico apresentada com o propósito de deslocar para a Fazenda Pública a responsabilidade pela produção de conjunto probatório cujo encargo compete ao próprio requerente. PERÍCIA. DESNECESSIDADE. A perícia é cabível nas situações em que a averiguação de fatos depende de conhecimentos especializados, sendo desnecessária, portanto, quando tais fatos podem ser comprovados documentalmente, mediante a apresentação de livros e documentos contábeis e fiscais. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2006, 2007, 2008, 2009 FALTA DE RECOLHIMENTO E DE DECLARAÇÃO. A falta de recolhimento, cumulada com a ausência de declaração do crédito tributário, impõe ao Fisco o dever de previamente constituílo por meio do lançamento de ofício, com a aplicação da penalidade cabível. VERIFICAÇÕES OBRIGATÓRIAS. BASE DE CÁLCULO. Reputase válido o lançamento quando a base de cálculo do tributo devido é obtida a partir do confronto entre os valores declarados em DCTF e os valores constantes da escrituração da empresa como tributo a recolher, mormente quando a alegação de incidência de CSRF sobre valores não pagos é desacompanhada de documentação comprobatória que lhe dê suporte. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2006, 2007, 2008, 2009 FALTA DE RECOLHIMENTO E DE DECLARAÇÃO. A falta de recolhimento, cumulada com a ausência de declaração do crédito tributário, impõe ao Fisco o dever de previamente constituílo por meio do lançamento de ofício, com a aplicação da penalidade cabível. VERIFICAÇÕES OBRIGATÓRIAS. BASE DE CÁLCULO. Fl. 4005DF CARF MF 8 Reputase válido o lançamento quando a base de cálculo do tributo devido é obtida a partir do confronto entre os valores declarados em DCTF e os valores constantes da escrituração da empresa como tributo a recolher, mormente quando a alegação de incidência de CSRF sobre valores não pagos é desacompanhada de documentação comprobatória que lhe dê suporte. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2006, 2007, 2008, 2009 VERIFICAÇÕES OBRIGATÓRIAS. BASE DE CÁLCULO. FALTA DE RECOLHIMENTO E DE DECLARAÇÃO. A falta de recolhimento, cumulada com a ausência de declaração do crédito tributário, impõe ao Fisco o dever de previamente constituílo por meio do lançamento de ofício, com a aplicação da penalidade cabível. VERIFICAÇÕES OBRIGATÓRIAS. BASE DE CÁLCULO. Reputase válido o lançamento quando a base de cálculo do tributo devido é obtida a partir do confronto entre os valores declarados em DCTF e os valores constantes da escrituração da empresa como tributo a recolher, mormente quando a alegação de incidência de CSRF sobre valores não pagos é desacompanhada de documentação comprobatória que lhe dê suporte. Impugnação Improcedente. Crédito Tributário Mantido." Após o protocolo do Recurso Voluntário, os autos foram distribuídos e pautados. É o breve relatório. Voto Conselheiro Relator Pedro Rinaldi de Oliveira Lima Conforme o Direito Tributário, a legislação, as provas, os fatos, documentos e petições apresentados aos autos deste procedimento administrativo e, no exercício dos trabalhos e atribuições profissionais concedidas aos Conselheiros, conforme Portaria de condução e Regimento Interno, apresentase este voto. Por conter matéria estranha à esta 3.ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, está ausente o requisito de admissibilidade, portanto o Recurso Voluntário não deve ser conhecido. Conforme Art. 2, II e IV, do Anexo II do Regimento Interno deste Conselho podese verificar a competência da primeira seção para julgar o tributo em questão, conforme segue: "Seção I Fl. 4006DF CARF MF Processo nº 10166.720782/201129 Acórdão n.º 3201003.397 S3C2T1 Fl. 4.003 9 Das Seções de Julgamento Art. 2º À 1ª (primeira) Seção cabe processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de 1ª (primeira) instância que versem sobre aplicação da legislação relativa a: II Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL). IV CSLL, IRRF, Contribuição para o PIS/Pasep ou Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), Contribuição Previdenciária sobre a Receita Bruta (CPRB), quando reflexos do 24 IRPJ, formalizados com base nos mesmos elementos de prova; (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016)." Em razão do exposto, voto por DECLINAR A COMPETÊNCIA para a 1.ª Seção de julgamento, conforme regimento interno. É o voto. (assinatura digital) Conselheiro Relator Pedro Rinaldi de Oliveira Lima Fl. 4007DF CARF MF
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Numero do processo: 10711.006695/87-87
Data da sessão: Wed Nov 29 00:00:00 UTC 1989
Numero da decisão: CSRF/03-00.038
Decisão: RESOLVEM os Membros da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por maioria de votos, determinar a remessa dos autos à Câmara de origem, para saneamento do processo.
Nome do relator: Helio Loyolla de Alencastro
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Numero do processo: 16561.720093/2011-38
Data da sessão: Thu Jan 18 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Mar 27 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2006, 2007, 2008, 2009
DECADÊNCIA. AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO.
O reconhecimento do ágio não representa manifestação de fato imponível tributário. Diante disso, o prazo decadencial para a constituição do crédito tributário decorrente da redução indevida do resultado do exercício só se inicia após a amortização anual, e não com o registro original do ágio.
JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO.
As multas proporcionais aplicadas em lançamento de ofício, por descumprimento a mandamento legal que estabelece a determinação do valor de tributo administrado pela Receita Federal do Brasil a ser recolhido no prazo legal, estão inseridas na compreensão do § 3º do artigo 61 da Lei nº 9.430/1996, sendo, portanto, suscetíveis à incidência de juros de mora à taxa SELIC.
MULTA QUALIFICADA. ATOS SOCIETÁRIOS SEM PROPÓSITO NEGOCIAL. ÁGIO DESPROVIDO DE SUBSTÂNCIA ECONÔMICA. PROCEDÊNCIA.
Se os fatos retratados nos autos deixam foram de dúvida a intenção do contribuinte de, por meio de atos societários diversos, desprovidos de propósito negocial, gerar ágios artificiais, despidos de substância econômica e, com isso, reduzir a base de incidência de tributos, descabe afastar a qualificação da multa aplicada pela Fiscalização.
Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2006, 2007, 2008, 2009
ÁGIO. EXIGÊNCIA DE DEMONSTRAÇÃO DE RENTABILIDADE FUTURA. ELABORAÇÃO CONTEMPORÂNEA À AQUISIÇÃO DO INVESTIMENTO. DESCUMPRIMENTO. INVALIDADE.
O artigo 20, §§ 2º, b, e 3º, do Decreto-lei nº 1.598/1977, em sua redação original, ao tempo dos fatos, prescrevia o obrigatório desdobramento do custo, no momento da aquisição da participação societária, em valor de patrimônio líquido e ágio, sendo que o ágio fundado na expectativa de rentabilidade futura deveria estar baseado em demonstração que o contribuinte deveria arquivar, para comprovação de tal fundamento. Nesses termos, o descumprimento ao mandamento legal que determinava a elaboração de demonstrativo da expectativa de rentabilidade futura justificadora do ágio, contemporânea à aquisição da participação societária avaliada pelo patrimônio líquido, não confere ao ágio pago o grau de confiança necessário a legitimar as influências dele decorrentes para o resultado tributável
ÁGIO. REORGANIZAÇÃO SOCIETÁRIA. FALTA DE PROPÓSITO NEGOCIAL. INEFICÁCIA.
A reorganização societária na qual inexista motivação outra que não a criação artificial de condições para obtenção de vantagens tributárias é inoponível à Fazenda Pública. Negada eficácia fiscal ao arranjo societário sem propósito negocial, restam não atendidos os requisitos para a amortização do ágio como despesa dedutível, impondo-se a glosa e a recomposição da apuração dos tributos devidos.
ÁGIO DE SI MESMO. INCONSISTÊNCIA.
Carece de consistência econômica ou contábil o ágio surgido no bojo de entidades sob o mesmo controle, o que obsta que se admitam suas consequências tributárias.
ÁGIO. UTILIZAÇÃO DE EMPRESA VEÍCULO.
Não há como aceitar a dedução da amortização do ágio artificialmente criado com a utilização de empresa veículo, formalmente constituída, não obstante despida de propósito negocial.
COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS E DA BASE NEGATIVA DA CSLL. AFASTAMENTO DA TRAVA. IMPOSSIBILIDADE.
A compensação de prejuízos fiscais e de bases negativas da CSLL acumulados é limitada pela trava de trinta por cento do lucro líquido ajustado.
Numero da decisão: 9101-003.364
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte, vencido o conselheiro Flávio Franco Corrêa, que não conheceu em relação à decadência. No mérito, acordam em negar provimento ao recurso nos seguintes termos: (1) por unanimidade de votos quanto à decadência; (2) por maioria de votos quanto ao ágio interno, vencidos os conselheiros Gerson Macedo Guerra (relator), Luís Flávio Neto e Daniele Souto Rodrigues Amadio, que deram provimento nesse ponto; e (3) por voto de qualidade em relação à (3.1) empresa veículo, (3.2) trava de 30%, (3.3) aos juros sobre multa e (3.4) ao laudo contemporâneo, vencidos os conselheiros Gerson Macedo Guerra (relator), Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto e Daniele Souto Rodrigues Amadio, que deram provimento a esses quatro temas. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Especial da Fazenda Nacional, apenas quanto à qualificação da multa (4) do ágio referente à CORONA e (5) do ágio referente à USINA DA BARRA. No mérito do recurso fazendário, por voto de qualidade, acordam em dar provimento ao recurso, vencidos os conselheiros e Gerson Macedo Guerra (relator), Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto e Daniele Souto Rodrigues Amadio, que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Flávio Franco Corrêa.
(assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rêgo - Presidente
(assinado digitalmente)
Gerson Macedo Guerra - Relator
(assinado digitalmente)
Flávio Franco Corrêa - Redator designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luis Flávio Neto, Flávio Franco Corrêa, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Adriana Gomes Rêgo (Presidente).
Nome do relator: GERSON MACEDO GUERRA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2006, 2007, 2008, 2009 DECADÊNCIA. AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. O reconhecimento do ágio não representa manifestação de fato imponível tributário. Diante disso, o prazo decadencial para a constituição do crédito tributário decorrente da redução indevida do resultado do exercício só se inicia após a amortização anual, e não com o registro original do ágio. JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. As multas proporcionais aplicadas em lançamento de ofício, por descumprimento a mandamento legal que estabelece a determinação do valor de tributo administrado pela Receita Federal do Brasil a ser recolhido no prazo legal, estão inseridas na compreensão do § 3º do artigo 61 da Lei nº 9.430/1996, sendo, portanto, suscetíveis à incidência de juros de mora à taxa SELIC. MULTA QUALIFICADA. ATOS SOCIETÁRIOS SEM PROPÓSITO NEGOCIAL. ÁGIO DESPROVIDO DE SUBSTÂNCIA ECONÔMICA. PROCEDÊNCIA. Se os fatos retratados nos autos deixam foram de dúvida a intenção do contribuinte de, por meio de atos societários diversos, desprovidos de propósito negocial, gerar ágios artificiais, despidos de substância econômica e, com isso, reduzir a base de incidência de tributos, descabe afastar a qualificação da multa aplicada pela Fiscalização. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2006, 2007, 2008, 2009 ÁGIO. EXIGÊNCIA DE DEMONSTRAÇÃO DE RENTABILIDADE FUTURA. ELABORAÇÃO CONTEMPORÂNEA À AQUISIÇÃO DO INVESTIMENTO. DESCUMPRIMENTO. INVALIDADE. O artigo 20, §§ 2º, b, e 3º, do Decreto-lei nº 1.598/1977, em sua redação original, ao tempo dos fatos, prescrevia o obrigatório desdobramento do custo, no momento da aquisição da participação societária, em valor de patrimônio líquido e ágio, sendo que o ágio fundado na expectativa de rentabilidade futura deveria estar baseado em demonstração que o contribuinte deveria arquivar, para comprovação de tal fundamento. Nesses termos, o descumprimento ao mandamento legal que determinava a elaboração de demonstrativo da expectativa de rentabilidade futura justificadora do ágio, contemporânea à aquisição da participação societária avaliada pelo patrimônio líquido, não confere ao ágio pago o grau de confiança necessário a legitimar as influências dele decorrentes para o resultado tributável ÁGIO. REORGANIZAÇÃO SOCIETÁRIA. FALTA DE PROPÓSITO NEGOCIAL. INEFICÁCIA. A reorganização societária na qual inexista motivação outra que não a criação artificial de condições para obtenção de vantagens tributárias é inoponível à Fazenda Pública. Negada eficácia fiscal ao arranjo societário sem propósito negocial, restam não atendidos os requisitos para a amortização do ágio como despesa dedutível, impondo-se a glosa e a recomposição da apuração dos tributos devidos. ÁGIO DE SI MESMO. INCONSISTÊNCIA. Carece de consistência econômica ou contábil o ágio surgido no bojo de entidades sob o mesmo controle, o que obsta que se admitam suas consequências tributárias. ÁGIO. UTILIZAÇÃO DE EMPRESA VEÍCULO. Não há como aceitar a dedução da amortização do ágio artificialmente criado com a utilização de empresa veículo, formalmente constituída, não obstante despida de propósito negocial. COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS E DA BASE NEGATIVA DA CSLL. AFASTAMENTO DA TRAVA. IMPOSSIBILIDADE. A compensação de prejuízos fiscais e de bases negativas da CSLL acumulados é limitada pela trava de trinta por cento do lucro líquido ajustado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte, vencido o conselheiro Flávio Franco Corrêa, que não conheceu em relação à decadência. No mérito, acordam em negar provimento ao recurso nos seguintes termos: (1) por unanimidade de votos quanto à decadência; (2) por maioria de votos quanto ao ágio interno, vencidos os conselheiros Gerson Macedo Guerra (relator), Luís Flávio Neto e Daniele Souto Rodrigues Amadio, que deram provimento nesse ponto; e (3) por voto de qualidade em relação à (3.1) empresa veículo, (3.2) trava de 30%, (3.3) aos juros sobre multa e (3.4) ao laudo contemporâneo, vencidos os conselheiros Gerson Macedo Guerra (relator), Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto e Daniele Souto Rodrigues Amadio, que deram provimento a esses quatro temas. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Especial da Fazenda Nacional, apenas quanto à qualificação da multa (4) do ágio referente à CORONA e (5) do ágio referente à USINA DA BARRA. No mérito do recurso fazendário, por voto de qualidade, acordam em dar provimento ao recurso, vencidos os conselheiros e Gerson Macedo Guerra (relator), Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto e Daniele Souto Rodrigues Amadio, que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Flávio Franco Corrêa. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo - Presidente (assinado digitalmente) Gerson Macedo Guerra - Relator (assinado digitalmente) Flávio Franco Corrêa - Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luis Flávio Neto, Flávio Franco Corrêa, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Adriana Gomes Rêgo (Presidente).
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AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. O reconhecimento do ágio não representa manifestação de fato imponível tributário. Diante disso, o prazo decadencial para a constituição do crédito tributário decorrente da redução indevida do resultado do exercício só se inicia após a amortização anual, e não com o registro original do ágio. JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. As multas proporcionais aplicadas em lançamento de ofício, por descumprimento a mandamento legal que estabelece a determinação do valor de tributo administrado pela Receita Federal do Brasil a ser recolhido no prazo legal, estão inseridas na compreensão do § 3º do artigo 61 da Lei nº 9.430/1996, sendo, portanto, suscetíveis à incidência de juros de mora à taxa SELIC. MULTA QUALIFICADA. ATOS SOCIETÁRIOS SEM PROPÓSITO NEGOCIAL. ÁGIO DESPROVIDO DE SUBSTÂNCIA ECONÔMICA. PROCEDÊNCIA. Se os fatos retratados nos autos deixam foram de dúvida a intenção do contribuinte de, por meio de atos societários diversos, desprovidos de propósito negocial, gerar ágios artificiais, despidos de substância econômica e, com isso, reduzir a base de incidência de tributos, descabe afastar a qualificação da multa aplicada pela Fiscalização. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006, 2007, 2008, 2009 ÁGIO. EXIGÊNCIA DE DEMONSTRAÇÃO DE RENTABILIDADE FUTURA. ELABORAÇÃO CONTEMPORÂNEA À AQUISIÇÃO DO INVESTIMENTO. DESCUMPRIMENTO. INVALIDADE. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 56 1. 72 00 93 /2 01 1- 38 Fl. 9205DF CARF MF Processo nº 16561.720093/201138 Acórdão n.º 9101003.364 CSRFT1 Fl. 9.206 2 O artigo 20, §§ 2º, b, e 3º, do Decretolei nº 1.598/1977, em sua redação original, ao tempo dos fatos, prescrevia o obrigatório desdobramento do custo, no momento da aquisição da participação societária, em valor de patrimônio líquido e ágio, sendo que o ágio fundado na expectativa de rentabilidade futura deveria estar baseado em demonstração que o contribuinte deveria arquivar, para comprovação de tal fundamento. Nesses termos, o descumprimento ao mandamento legal que determinava a elaboração de demonstrativo da expectativa de rentabilidade futura justificadora do ágio, contemporânea à aquisição da participação societária avaliada pelo patrimônio líquido, não confere ao ágio pago o grau de confiança necessário a legitimar as influências dele decorrentes para o resultado tributável ÁGIO. REORGANIZAÇÃO SOCIETÁRIA. FALTA DE PROPÓSITO NEGOCIAL. INEFICÁCIA. A reorganização societária na qual inexista motivação outra que não a criação artificial de condições para obtenção de vantagens tributárias é inoponível à Fazenda Pública. Negada eficácia fiscal ao arranjo societário sem propósito negocial, restam não atendidos os requisitos para a amortização do ágio como despesa dedutível, impondose a glosa e a recomposição da apuração dos tributos devidos. ÁGIO DE SI MESMO. INCONSISTÊNCIA. Carece de consistência econômica ou contábil o ágio surgido no bojo de entidades sob o mesmo controle, o que obsta que se admitam suas consequências tributárias. ÁGIO. UTILIZAÇÃO DE EMPRESA VEÍCULO. Não há como aceitar a dedução da amortização do ágio artificialmente criado com a utilização de empresa veículo, formalmente constituída, não obstante despida de propósito negocial. COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS E DA BASE NEGATIVA DA CSLL. AFASTAMENTO DA TRAVA. IMPOSSIBILIDADE. A compensação de prejuízos fiscais e de bases negativas da CSLL acumulados é limitada pela trava de trinta por cento do lucro líquido ajustado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte, vencido o conselheiro Flávio Franco Corrêa, que não conheceu em relação à decadência. No mérito, acordam em negar provimento ao recurso nos seguintes termos: (1) por unanimidade de votos quanto à decadência; (2) por maioria de votos quanto ao ágio interno, vencidos os conselheiros Gerson Macedo Guerra (relator), Luís Flávio Neto e Daniele Souto Rodrigues Amadio, que deram provimento nesse ponto; e (3) por voto de qualidade em relação à (3.1) empresa veículo, (3.2) trava de 30%, (3.3) aos juros sobre multa e (3.4) ao laudo contemporâneo, vencidos os conselheiros Gerson Macedo Guerra (relator), Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto e Daniele Souto Rodrigues Amadio, que deram provimento a esses quatro temas. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer Fl. 9206DF CARF MF Processo nº 16561.720093/201138 Acórdão n.º 9101003.364 CSRFT1 Fl. 9.207 3 parcialmente do Recurso Especial da Fazenda Nacional, apenas quanto à qualificação da multa (4) do ágio referente à CORONA e (5) do ágio referente à USINA DA BARRA. No mérito do recurso fazendário, por voto de qualidade, acordam em dar provimento ao recurso, vencidos os conselheiros e Gerson Macedo Guerra (relator), Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto e Daniele Souto Rodrigues Amadio, que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Flávio Franco Corrêa. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Presidente (assinado digitalmente) Gerson Macedo Guerra Relator (assinado digitalmente) Flávio Franco Corrêa Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luis Flávio Neto, Flávio Franco Corrêa, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Adriana Gomes Rêgo (Presidente). Relatório Tratase de Recursos Especiais de divergência interpostos pela Fazenda Nacional e pelo Contribuinte em epígrafe, contra o Acórdão nº 1402001.938, que deu provimento parcial ao Recurso Voluntário do Contribuinte, mantendo o lançamento realizado através de: (i) glosa de amortização de ágio pela utilização de empresa veículo e de laudo extemporâneo; (ii) glosa de amortização de ágio interno; e (iii) aproveitamento de saldo de prejuízo fiscal sem observância da limitação da trava de 30%., Por outro lado, cancelou a exigência referente à realização da reserva de reavaliação e reduziu a multa aplicada ao percentual de 75% para toda a exigência. A Fazenda recorreu apenas da redução da multa qualificada. O contribuinte recorreu das matérias que lhes foram julgadas desfavoráveis, conforme será detalhado adiante. No procedimento fiscal foram analisadas diversas operações societárias realizadas no âmbito de uma reestruturação promovida pelo grupo empresarial COSAN, que abrangeram operações com empresas do grupo e com terceiros independentes. Dentre as várias operações societárias avaliadas, algumas causaram impactos tributários. Dentre essas, importam ao presente julgamento as seguintes: 1. ÁGIO NA AQUISIÇÃO DA NDPAR Conforme relatado pela fiscalização, a NDPar foi sociedade criada por acionistas de empresa independente, denominada CORONA, mediante capitalização de participações, com o objetivo de permitir a conclusão da aquisição da totalidade do capital Fl. 9207DF CARF MF Processo nº 16561.720093/201138 Acórdão n.º 9101003.364 CSRFT1 Fl. 9.208 4 desta última, pelo grupo COSAN. A NDPAR possuía 30,02% de participação na CORONA e tinha como sócios pessoas físicas da família Ugolini. Para conclusão do negócio, foi realizada permuta sem torna onde empresa do grupo COSAN, denominada MANDIÇUNUNGA1, entregou aos acionistas da NDPar participação em outra empresa, denominada AGUAPAR, recebendo em troca a participação da NDPar. Descreve a fiscalização que quando da contabilização da permuta, em 22/02/2006, a MANDIÇUNUNGA não contabilizou o ágio. Naquele momento houve apenas substituição da participação da AGUAPAR pela NDPar, pelos mesmos valores. Segundo a fiscalização o ágio aparece na contabilidade da MANDIÇUNUNGA em 28/02/2006 (efls 7105), em decorrência do surgimento de passivo a descoberto na CORONA, o que implicou no valor do investimento em NDPAR estar zerado, de modo a ser todo o valor aplicado pela MANDIÇUNUNGA na NDPar considerado ágio. Alega a fiscalização que o laudo de avaliação da NDPar foi elaborado em momento posterior à permuta e posterior à sua contabilização, de modo que não se prestou a embasar o ágio (efls 7103 item 185 do TVF). Ainda sobre essa operação, há acusação de utilização da NDPar como empresa veículo (item 283 do TVF efls 7135). Entendeu a fiscalização tratar de empresa efêmera, sem existência real, utilizada apenas para obtenção do benefício da amortização do ágio. Importante destacar que a MANDIÇUNUNGA e a NDPar foram incorporadas pela CORONA2 (que posteriormente passa a ser denominada Usina da Barra 48) , admitindo assim a dedutibilidade do ágio. Assim, foi glosada sua amortização. 2. ÁGIO NO AUMENTO DE CAPITAL DA CORONA POR MANDIÇUNUNGA/DABARRA Em 28/02/2006 MANDIÇUNUNÇA/DABARRA subscreveu e integralizou aumento de capital em CORONA no total de 480.356.561 novas ações ordinárias, sem valor nominal, emitidas ao preços de R$ 1,00 cada. A integralização de capital ocorreu mediante entrega de crédito da MANDIÇUNUNGA/DABARRA com outras empresas do grupo e participações societárias, inclusive participação com ágio em empresa do grupo aqui denominada USINA DA BARRA 44. Conforme relatado pela fiscalização, os ativos utilizados para aumento de capital foram recebidos pela MANDIÇUNUNGA/DABARRA no mesmo dia em que ocorreu a integralização desta na CORONA. Foram ativos transferidos pela COSAN 50. Conforme TVF, nessa operação a MANDIÇUNUNGA/DABARRA registrou ágio de R$ 485.130.116,16, para investimento de R$ 480.365.561,00, tendo em vista que o 1 Cuja denominação posteriormente foi alterada para Dabarra. 2 Conforme itens 134 e 135 do TVF. Fl. 9208DF CARF MF Processo nº 16561.720093/201138 Acórdão n.º 9101003.364 CSRFT1 Fl. 9.209 5 patrimônio Líquido da CORONA estava negativo em 485.291.361,50. Após aumento de capital CORONA ainda apresentava PL negativo de R$ 6.169.768,19. Concluiu a fiscalização que a MANDIÇUNUNGA/DABARRA serviu apenas de passagem para os ativos, o que caracterizou utilização de empresa veículo (TVF item 205 efls 7108). Concluiu a fiscalização, ainda, que quando a COSAN 50 integralizou capital da MANDIÇUNUNGA/DABARRA, ela já detinha o controle da CORONA, de modo que toda operação ocorreu dentro do grupo COSAN. Alegou a fiscalização que não houve entrada de novo recurso, nem saída de caixa. Disse não haver transferência efetiva de recursos que permitisse gerar riquezas novas. Assim, glosou a amortização do referido ágio. 3. ÁGIO DECORRENTE DO APORTE DE CAPITAL DA USINA DA BARRA 44 EFETUADO PELA COSAN 50 E UTILIZADO COMO PARTE DA SUBSCRIÇÃO DE CAPITAL DA CORONA EFETUADO PELA MANDIÇUNUNGA O ágio no aumento de capital da USINA DA BARRA 44 foi constituído pela COSAN 50 em 30/04/2004 e repassado sucessivamente para a MANDIÇUNUNGA e em seguida para a CORONA como parte do aumento de capital nesta última, ocorrido em 28/02/2006. A partir da incorporação da USINA DA BARRA 44 pela CORONA, esta começou a amortização fiscal do ágio. O ágio aqui tratado foi gerado em operação de aumento de capital efetuado pela COSAN 50 em USINA DA BARRA 44. Antes da formalização do aumento de capital a primeira, já na condição de controladora da segunda, detinha contra esta, crédito de R$ 70.000.000,00 contabilizado como conta corrente, operação muito comum entre empresas de um mesmo grupo. Para concretização do aumento de capital foi elaborado laudo do acervo patrimonial da USINA DA BARRA a valor de mercado, para fins de determinação do valor das novas ações a serem emitidas. Firmado o preço de mercado do lote de 1.000 ações, houve o aumento de capital no valor de R$ 70.000.000,00 sendo a diferença entre o preço das ações obtido no laudo e seu valor patrimonial registrado como ágio. Na época o ágio total foi de R$ 35.241.744,24. O valor transferido para a MANDIÇUNUNGA e posteriormente para a CORONA foi de R$ 22.894.988,00. Entendeu a fiscalização que o ágio apurado por ocasião do aumento de capital em questão é um ágio intragrupo, sem geração de novas riquezas no grupo econômico, sem qualquer nova saída de caixa. Assim, glosou sua amortização. Fl. 9209DF CARF MF Processo nº 16561.720093/201138 Acórdão n.º 9101003.364 CSRFT1 Fl. 9.210 6 4. COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZO FISCAL E BASE NEGATIVA ACIMA DO LIMITE DE 30% Outra operação societária ocorrida dentro do âmbito da reorganização promovida pelo grupo COSAN foi a incorporação da CORONA/USINA DA BARRA 48, por sociedade do grupo denominada DANCO, no ano de 2007. Alega a fiscalização que a DANCO era uma empresa inativa desde sua constituição e que a CORONA/USINA DA BARRA 48 possuía saldo de prejuízo fiscal e base negativa a compensar. Nesse contexto, com a incorporação da CORONA/USINA DA BARRA 48 pela DANCO a fiscalização constatou pela análise da DIPJ evento incorporação entregue, que houve compensação de prejuízo fiscal e base negativa da CSLL em limites superiores aos 30% permitidos pela legislação. No entendimento da fiscalização a motivação dessa operação foi exclusivamente tributária, sem nenhum propósito negocial. Nesse contexto foi efetuado o lançamento para cobrança do IRPJ e CSLL indevidamente reduzidos pela compensação do prejuízo. 5. QUALIFICAÇÃO DA MULTA DE OFÍCIO DECORRENTE DA AMORTIZAÇÃO INDEVIDA DO ÁGIO E DA COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS Entendeu a fiscalização que os procedimentos adotados pelo contribuinte em questão estavam compreendidos no conceito de fraude trazido pelo artigo 72, da Lei 4.502/64. Alegou a fiscalização que a reorganização societária promovida teve dois objetivos: gerar despesas de amortização de ágio e compensar lucros com prejuízos fiscais acumulados. Para isso foram realizadas diversas operações que, analisadas isoladamente, não violavam nenhuma norma legal. Porém, o resultado da reorganização proporcionou ao sujeito passivo efeitos tributários que não seriam possíveis legalmente. Diz a fiscalização que para procurar se enquadrar na determinação legal, ou mesmo em interpretações administrativas mais benéficas, foram criadas empresas sem nenhum propósito negocial. Menciona a fiscalização que tais empresas não chegaram a exercer nenhum papel empresarial. Não produziram nada, não prestaram nenhum serviço, não tiveram funcionários, nem custos, despesas e receitas. Destacase ainda que o fato de que toda a movimentação no grupo ter sido pública demonstra a intenção de dissinular os verdadeiros objetivos das operações com a capa da legalidade, na tentativa de levar a erro a sociedade em geral e os seus agentes públicos em especial. Assim, concluiu a fiscalização que ficou patente a caracterização do intuito fraudulento, justificanto a aplicação da multa qualificada. Fl. 9210DF CARF MF Processo nº 16561.720093/201138 Acórdão n.º 9101003.364 CSRFT1 Fl. 9.211 7 Impugnado o Auto de Infração, a DRJ decidiu pela improcedência dos argumentos de defesa. Assim,, tempestivamente foi aviado Recurso Voluntário, ao qual a Turma a quo deu parcial provimento ao Recurso do Contribuinte. Ao no julgamento do Recurso Voluntário, sobre o ágio gerado na permuta de participações da NDPar, entendeu a Turma a quo que o laudo intempestivo não respaldava sua amortização, tal como o fato de serem utilizadas empresas efêmeras, com o objetivo de possibilitar o benefício da amortização do ágio através de sucessivas operações societárias nos moldes realizados teve como escopo o contorno da legislação que permitem a amortização do ágio. Importante destacar que frisou o relator que tal procedimento, isoladamente, não seria motivo suficiente para descaracterizar os efeitos da operação. Com relação ao ágio gerado no aumento do capital da CORONA, bem como o ágio gerado no aumento do capital da USINA DA BARRA 44, entendeu a Turma a quo o ágio amortizável tributariamente deve ser gerado em operações com partes independentes. A para o relator do acórdão a acepção da palavra aquisição no contexto da legislação em discussão compreende apenas aquisições de partes independentes, muito embora em seu aspecto jurídico a aquisição comportar diversas outros negócios. Entretanto, as empresas participantes das operações sob exame pertenciam ao mesmo grupo econômico e eram controladas pelas mesmas pessoas. Sobre a utilização de prejuízo fiscal e base negativa acima do limite de 30%, entendeu a nTurma que a limitação à compensação de prejuízos e base de cálculo negativa da CSLL decorre de expressa disposição legal e o texto da lei não faz distinção em relação à extinção de empresas por incorporação. Sobre a multa qualificada, compreendeuse que ausência de propósito negocial impediu que o contribuinte usufruísse das reduções tributárias daí decorrentes mas as operações não foram tidas como simuladas ou inexistentes. Sob essa ótica não se verificou elementos que justificassem a qualificação da multa. Vale a transcrição da ementa da referida decisão: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006, 2007, 2008, 2009 DESPESAS COM AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. EMPRESAS DE MESMO GRUPO ECONÔMICO. INDEDUTIBILIDADE. Incabível a formalização do ágio como decorrência de operação societária realizada entre empresas de mesmo grupo econômico, pela inexistência da contrapartida do terceiro que gere o efetivo dispêndio. DESPESAS COM AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. UTILIZAÇÃO DE EMPRESA VEÍCULO. Não há como aceitar a dedução do ágio com utilização de empresa veículo, quando o procedimento do sujeito passivo não se reveste de propósito negocial mas revela objetivo exclusivamente tributário. Fl. 9211DF CARF MF Processo nº 16561.720093/201138 Acórdão n.º 9101003.364 CSRFT1 Fl. 9.212 8 COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS E BASE DE CÁLCULO NEGATIVA DA CSLL. LIMITE DE 30% DO LUCRO LÍQUIDO. EMPRESA INCORPORADA. Em função da ausência de previsão legal em sentido contrário, aplicamse às empresas incorporadas os dispositivos que estabelecem a limitação à compensação de prejuízos e base de cálculo negativa da CSLL. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a argüição de decadência e, no mérito, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para cancelar a exigência referente à realização da reserva de reavaliação e reduzir a multa aplicada ao percentual de 75% para toda a exigência. Vencidos os Conselheiros Moises Giacomelli Nunes da Silva e Carlos Pelá que davam provimento em maior extensão para restabelecer as despesas com amortização de ágio decorrente da aquisição da NDPar. Cientificada dessa decisão a Fazenda Nacional apresentou embargos de declaração quanto à matéria realização da reserva de reavaliação. Os embargos foram julgados procedentes, mas sem efeitos infringentes, de modo que permaneceu cancelado o lançamento em relação a esse ponto. Cientificada dessa decisão dos embargos a Fazenda Nacional, tempestivamente, apresentou Recurso Especial de divergência, objetivando discutir apenas a desqualificação da multa apenas. Seu recurso foi conhecido, conforme despacho de admissibilidade. O Contribuinte apresenta contrarrazões alegando: ü Nulidade do despacho de admissibilidade, por não ter sido exarado pelo Presidente da 4ª Câmara, mas por um auditor fiscal; ü Não conhecimento do Recurso, por tratarem o recorrido e o paradigma de situações fáticas e jurídicas distintas; ü Impossibilidade da pretensão Fazenda de reanálise de provas em recurso especial; ü Inaplicabilidade do paradigma para a matéria compensação de prejuízos fiscais acima do limite de 30%, na medida em que tal decisão apenas trata de fatos relacionados ao ágio; ü No mérito argumenta pela manutenção do acórdão recorrido no que toca à desqualificação da multa Ato seguinte o Contribuinte apresente seu Recurso Especial, objetivando discutir diversas matérias. Fl. 9212DF CARF MF Processo nº 16561.720093/201138 Acórdão n.º 9101003.364 CSRFT1 Fl. 9.213 9 Na análise de admissibilidade de seu recurso, apenas foram admitidas as discussões acerca das seguintes matérias: ü Possibilidade de Compensação Integral de Prejuízo Fiscal e Base de Cálculo Negativa da CSLL na Incorporação. Acórdãos paradigmas n° 10195.872 e n° 0104.258; ü Decadência/Preclusão do Direito do Fisco de Questionar os Fatos que Deram Origem aos Ágios. Acórdão paradigma n° 10197.084; ü Validade das Empresas Veículo. Acórdãos paradigmas n° 1301 001.505 e n° 1102000.982; ü Validade do Ágio Interno para o Direito Possibilidade de Aquisição, com Ágio, de Participações Societárias Dentro do Mesmo Grupo Econômico. Acórdão paradigma n° 1301001.224. Regularmente intimado do despacho o contribuinte aviou agravo, donde restaram conhecidas, ainda, as seguintes matérias: ü Existência de Laudo de Avaliação Contemporâneo aos Fatos; e ü Ilegalidade da Cobrança de Juros Sobre a Multa. Intimada do recurso do contribuinte a Fazenda Nacional apresenta contrarrazões, pugnando: ü Pelo não conhecimento do Recurso quanto à matéria validade das Empresas Veículo, por não restar perfeitamente caracterizada a divergência; ü Pela inexistência de decadência; ü Pela manutenção da glosa da dedução de despesas com amortização de ágio; ü Pela imprestabilidade do laudo; ü Pela confirmação da inexistência de ágio na subscrição e integralização de aumento de capital da CORONA; ü Pela impossibilidade de compensação integral dos prejuízos fiscais pela empresa sucedida; ü Pela incidência dos juros sobre a multa de ofício É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Gerson Macedo Guerra, Relator Fl. 9213DF CARF MF Processo nº 16561.720093/201138 Acórdão n.º 9101003.364 CSRFT1 Fl. 9.214 10 CONHECIMENTO Diante o questionamento da admissibilidade do Recurso Especial da Fazenda pelo Contribuinte e do Contribuinte, pela Fazenda, fazse importante sua análise. Alega a Fazenda Nacional não restar perfeitamente caracterizada a divergência em relação a matéria validade das empresas veículo. Diz a Fazenda que diferentemente do caso sob exame, em que, conforme explicita o voto recorrido, não havia registro de ágio no momento em que realizada a operação no paradigma nº 1102000.982, havia registro anterior do ágio. Também no segundo paradigma apresentado, pelo que se extrai do voto vencedor do acórdão nº 1301001.505, havia ágio registrado quando da operação tratada. Assim, entende a Fazenda que devese negar seguimento ao recurso especial manejado diante da ausência de caracterização da divergência pelas diferenças fáticas das situações analisadas. Entendo que não cabe razão à Fazenda. Analisando o recorrido, percebese que a razão pela qual não se admitiu o ágio gerado através de empresa veículo foi a ausência propósito negocial, gerada pela ausência de propósito extratributário para a efetivação das operações societárias. No paradigma 1301001.505, por seu turno, empresa veículo não prejudica o direito do contribuinte, conforme se depreende já de sua ementa, verbis: INCORPORAÇÃO DE SOCIEDADE AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO ARTIGOS 7º E 8º DA LEI Nº 9.532/97. PLANEJAMENTO FISCAL INOPONÍVEL AO FISCO INOCORRÊNCIA. No contexto das Leis 9.472/97 e 9.494/97, e pelo Decreto nº 2.546/97, a efetivação da reorganização de que tratam os artigos 7º e 8º da Lei nº 9.532/97 mediante utilização de empresa veículo, desde que dessa utilização não tenha resultado aparecimento de novo ágio, não resulta economia de tributos diferente da que seria obtida sem a utilização da empresa veículo e, por conseguinte, não pode ser qualificada de planejamento fiscal inoponível ao fisco.ágio ou economia de tributos distinta daquela prevista em lei. Logo, há, sim, similitude fática entre as operações, em ambos os casos foi utilizada empresa intermediária para aquisição de participação, com posterior incorporação. Muito embora a questão da data da contabilização do ágio seja um ponto tratado na decisão recorrido, não é esta a questão relevante para a decisão de ausência de propósito negocial. Portanto, conheço do Recurso do contribuinte nos termos do despacho de admissibilidade e do despacho de agravo. Já o contribuinte, em sede de contrarrazões traz quatro preliminares quanto ao conhecimento, a saber: Fl. 9214DF CARF MF Processo nº 16561.720093/201138 Acórdão n.º 9101003.364 CSRFT1 Fl. 9.215 11 ü Nulidade do despacho de admissibilidade, por não ter sido exarado pelo Presidente da 4ª Câmara, mas por um auditor fiscal; ü Não conhecimento do Recurso, por tratarem o recorrido e o paradigma de situações fáticas e jurídicas distintas; ü Impossibilidade da pretensão Fazenda de reanálise de provas em recurso especial; ü Inaplicabilidade do paradigma para a matéria compensação de prejuízos fiscais acima do limite de 30%, na medida em que tal decisão apenas trata de fatos relacionados ao ágio. Quanto à nulidade do despacho de admissibilidade, entendo não caber razão ao contribuinte. De fato, como se pode depreender do referido despacho, houve análise prévia do caso por auditor fiscal da receita federal. Contudo, tal análise foi submetida ao presidente da 4ª Câmara, que efetivamente deu seguimento parcial ao Recurso. Quanto a impossibilidade da pretensão Fazenda de reanálise de provas em recurso especial, também entendo que não merece razão ao contribuinte. O que se pretende é a análise de divergência quanto aos critérios jurídicos utilizados para análise dos fatos. Porém, quanto aos temas (i) paradigma e recorrido tratarem de situações fáticas distintas e; (ii) inaplicabilidade do paradigma quanto à matéria compensação de prejuízos fiscais acima do limite de 30%, entendo que merece ser aprofundado o debate.] Analisando a situação fática do paradigma, foi possível depreender que apenas a questão do ágio interno foi ali analisada, vale aqui a transcrição do trecho do voto do relator que descreve os fatos: Dos autos, extraio, por relevante, os seguintes fatos: em 31 de janeiro de 2006, a fiscalizada promoveu reavaliação de seus imóveis, motivo pelo qual constituiu uma reserva de reavaliação; em 08 de março de 2006, foi constituída a empresa ESTRE HOLDING, com capital de R$ 1.000,00; em 30 de abril de 2006, a ESTRE HOLDING promove a incorporação de ações do capital social da contribuinte, transformandoa em sua subsidiária integral; o valor econômico da fiscalizada foi avaliado, por meio de laudo, em R$ 220.179.000,00, sendo registrado ágio de R$ 175.824.453,00 em 26 de junho de 2006, a ESTRE HOLDING é incorporada pela fiscalizada. Fl. 9215DF CARF MF Processo nº 16561.720093/201138 Acórdão n.º 9101003.364 CSRFT1 Fl. 9.216 12 Vêse que a decisão tomada naquele caso paradigmático apenas analisou a aplicação da multa qualificada no âmbito de operação de ágio gerado intragrupo, conforme se depreende das seguintes passagens do voto do relator: Com efeito, um processo de reestruturação societária, submetido a uma única vontade, eis que realizado entre empresas pertencentes ao mesmo Grupo Econômico, realizado em um espaço curto de tempo, no qual não houve desembolso e totalmente desprovido de substância econômica, não encontra guarida nas disposições dos arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532, de 1997, de modo a tornar o ágio, nascido de si próprio, dedutível. (...) Relativamente à qualificação da multa, diversamente do esposado na decisão de primeiro grau, penso que ela deve ser mantida. A autuação, no presente caso, fundouse na constatação e comprovação de que a reestruturação elaborada pela fiscalizada visou, apenas, alcançar um benefício fiscal previsto em lei. Para tanto, em curtíssimo espaço de tempo, não obstante declinar formalmente razões de ordem societária ou econômica, constituiu uma HOLDING; transformouse em subsidiária integral da HOLDING criada, vez que esta incorporou suas ações pelo valor de mercado; e, passo seguinte, fez desaparecer a HOLDING criada para, por meio de uma incorporação reversa, deduzir um suposto “ágio”, derivado de uma alegada rentabilidade futura dos seus ativos. Logo, não se analisou no presente caso a aplicação de multa de ofício para operação de utilização de ágio mediante empresa veículo, como foi o caso da NDPar. Nesse contexto, entendo que esse paradigma não pode ser considerado para demonstrar a divergência quanto à desqualificação da multa quanto ao ágio NDPar. Com relação à matéria compensação de prejuízo fiscal, importante destacar que no julgamento do paradigma, confirmouse o cancelamento do lançamento relativo a essa matéria, nos termos do cancelamento já decidido pela DRJ, negandose provimento ao recurso de ofício, nos seguintes termos: No que diz respeito às compensações dos resultados negativos, a providência encontra respaldo na legislação de regência, eis que, em conformidade com o disposto no art. 24 da Lei nº 9.249, de 1995, o valor devido a ser lançado de ofício deve ser apurado com observância do regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no períodobase correspondente. Tratandose, pois, de apuração com base no lucro real anual, há de se recompor a base de cálculo com base no valor declarado e com a imputação da matéria tributável apurada. No caso vertente, tal recomposição tomou por base a declaração apresentada pela contribuinte (DIPJ), sistema interno de controle da Receita Federal (SAPLI) e o Livro de Apuração do Fl. 9216DF CARF MF Processo nº 16561.720093/201138 Acórdão n.º 9101003.364 CSRFT1 Fl. 9.217 13 Lucro Real (LALUR), motivo pelo qual o recurso de ofício, no que tange a este item, não deve ser provido. Logo, como houve o cancelamento do lançamento em relação à matéria compensação de prejuízo fiscal, não se pode tratar de divergência em relação à multa sobre esse lançamento, de modo que não pode ser conhecido o Recurso da Fazenda quanto a esse ponto. Mas não é só. Ainda que tal decisão servisse a tal fim, analisando o quanto discutido em relação à compensação de prejuízo, percebese que o tema foi o regime de apuração, conforme o seguinte trecho da decisão: (..)Tratandose, pois, de apuração com base no lucro real anual, há de se recompor a base de cálculo com base no valor declarado e com a imputação da matéria tributável apurada. Em nenhum momento evidenciouse que no paradigma se discutiu a possibilidade de utilização integral de prejuízo fiscal na extinção da pessoa jurídica. Logo, também por essa razão não merece ser conhecido o recurso da Fazenda em relação à multa aplicada sobre a compensação de prejuízo fiscal. Nesse contexto, voto pelo conhecimento do Recurso do Contribuinte nos moldes do despacho de admissibilidade e de agravo e pelo conhecimento parcial do Recurso da fazenda, o qual não conheço em relação à desqualificação da multa aplicada no ágio relativo à NDPar e à multa aplica na compensação de prejuízo fiscal sem a observância do limite de 30%. MÉRITO A) RECURSO DO CONTRIBUINTE A.1) DECADÊNCIA Alega o contribuinte ter ocorrido a decadência do direito do fisco constituir o crédito tributário com base na glosa do ágio, haja vista que os fatos que deram origem ao ágio, ou seja, quais sejam, permuta de participações e capitalizaação de sociedades com ágio, ocorreram em período anterior a cinco anos do lançamento. Nesse ponto entendo que não cabe razão ao contribuinte. O prazo decadencial para lançamento do IRPJ e da CSLL deve levar em consideração os períodos em que a amortização do ágio gerou efeitos no resultado fiscal do contribuinte. O que se busca homologar é a apuração dos tributos, não os fatos que podem gerar efeitos futuros. Logo, o período decadencial tem seu prazo inicial com a amortização fiscal do ágio, não com a sua geração. Assim, voto por negar provimento ao recurso do contribuinte nesse ponto. A.2) ÁGIO NDPAR LAUDO CONTEMPORÂNEO Fl. 9217DF CARF MF Processo nº 16561.720093/201138 Acórdão n.º 9101003.364 CSRFT1 Fl. 9.218 14 O voto condutor do acórdão recorrido, na forma transcrita não admitiu o laudo apresentado para fundamentação do ágio escriturado porque a operação de permuta foi registrada em 22/02/2006 sem qualquer ágio o qual apareceu na escrituração em 28/02/2006, sendo que o laudo foi elaborado apenas em 16/03/2006 e, assim, inexistiria fundamento econômico à época em que o ágio foi escriturado. O Contribuinte ressalta que à época dos fatos, a legislação não estabelecia qualquer formalidade para comprovação da expectativa de rentabilidade futura de modo que se poderia se dar a comprovação por qualquer forma de demonstração, contemporânea aos fatos, que indique porque se decidiu por pagar um sobrepreço. Alega, ainda, que em sede de Embargos de Declaração bem apontou a omissão da Turma Julgadora quanto ao fato de que o Laudo elaborado pela Deloitte aferiu o valor justo de mercado da CORONA com data com data base de 31/01/2006 (com base na metodologia de Fluxo de Caixa Descontado), tendo em vista que esse era ó único ativo da sociedade adquirida pela MANDIÇUNUNGA. Pois bem. O §3º, do artigo 20, do DL 1.598/77 diz que o ágio deverá ser baseado em demonstração que o contribuinte arquivará como comprovante da escrituração, nos seguintes termos: Art 20 O contribuinte que avaliar investimento em sociedade coligada ou controlada pelo valor de patrimônio líquido deverá, por ocasião da aquisição da participação, desdobrar o custo de aquisição em: (...) § 3º O lançamento com os fundamentos de que tratam as letras a e b do § 2º deverá ser baseado em demonstração que o contribuinte arquivará como comprovante da escrituração. É fato que esta norma, na redação da época dos fatos, gera muitas discussões no âmbito deste Tribunal sobre o formato e o momento em elaborada a demonstração. Sou afeto à posição de que, quanto à forma, não há obrigação de que seja laudo, bastando que sejam estudos elaborados com base em dados sólidos. Quanto ao momento, entendo que deve levar em consideração dados contemporâneos ao negócio, entendendo que contemporâneo é um conceito amplo e maleável, na medida em que aceita que seja anterior ou posterior, desde que não seja em data muito distante. Por essa razão , apenas, já seria possível me posicionar pela reforma da decisão a quo nesse ponto. Entretanto, tal como exposto pelo contribuinte em, compulsando os autos é possível identificar, às efls 1274 e seguintes, laudo de avaliação econômica da CORONA, elaborado pela Deloitte, com data base de 31/01/2006. Laudo esse que foi assinado em 16/03/2006, como pontuado pelo relator da decisão a quo. Fl. 9218DF CARF MF Processo nº 16561.720093/201138 Acórdão n.º 9101003.364 CSRFT1 Fl. 9.219 15 Gostaria de destacar, apenas, que considerar que o Laudo foi elaborado na data de sua assinatura não é razoável. Como se sabe, a elaboração de trabalho tão complexo não é feita do dia para a noite. São elementos específicos do negócio, além de elementos micro e macro econômicos que devem ser levados em consideração, que demandam pesquisa, reuniões, dentre outras tantas atividades que não se pode tratar a questão com tanta simplicidade. E ainda que a elaboração do laudo em questão tivesse ocorrido no dia 16/03/2006, o fato é que os elementos considerados foram anteriores à celebração do negócio em 31/01/2006. Logo, também por essa razão, voto por dar provimento ao recurso do contribuinte nesse ponto. A.3) POSSIBILIDADE DE AMORTIZAÇÃO FISCAL DO ÁGIO EM OPERAÇÕES COM EMPRESA VEÍCULO No entender da fiscalização a grande razão a justificar a invalidação da amortização fiscal do ágio realizada pelo Contribuinte em questão foi a ausência de propósito negocial na criação de empresa holding, cujo único objetivo de nascimento foi de servir como meio para cumprimento de requisito legal para aproveitamento fiscal do ágio, mediante incorporação de sociedades. Penso que não assiste razão à fiscalização nessa interpretação dos fatos e das normas em análise. Em minha concepção o instituto doutrinário chamado propósito negocial vem sendo indiscrimidamente utilizado pelas fiscalizações, sem se observar os pormenores de cada situação. O propósito negocial, cuja discussão no Brasil foi inicialmente atribuída ao Professor Marco Aurélio Greco, teve seus contornos delimitados, com o fito de tratar qualquer operação que tivesse como objetivo principal a economia de tributos como inoponível ao fisco, admitindose a desconsideração de seus efeitos e a consequente cobrança dos tributos. Penso que essa posição deve ser vista com ressalvas, principalmente ao se considerar que essa teoria é oriunda de países da comon law. Um exemplo clássico que entendo que essa doutrina deve ser reavaliada é no caso de operações societárias que admitem a utilização fiscal do ágio. A possibilidade de amortização fiscal do ágio gerado por rentabilidade futura, após absorção de patrimônio de uma sociedade por outra, mediante incorporação, fusão ou cisão, inclusive da investidora (chamada operação reversa), surgiu em nosso ordenamento jurídico com o advento da Lei 9.532/97, artigos 7º e 8º, abaixo transcritos: Art. 7º A pessoa jurídica que absorver patrimônio de outra, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, na qual detenha participação societária adquirida com ágio ou deságio, apurado segundo o disposto no art. 20 do DecretoLei nº 1.598, de 26 de Fl. 9219DF CARF MF Processo nº 16561.720093/201138 Acórdão n.º 9101003.364 CSRFT1 Fl. 9.220 16 dezembro de 1977: (Vide Medida Provisória nº 135, de 30.10.2003) I deverá registrar o valor do ágio ou deságio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "a" do § 2º do art. 20 do DecretoLei nº 1.598, de 1977, em contrapartida à conta que registre o bem ou direito que lhe deu causa; II deverá registrar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "c" do § 2º do art. 20 do DecretoLei nº 1.598, de 1977, em contrapartida a conta de ativo permanente, não sujeita a amortização; III poderá amortizar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "b" do § 2° do art. 20 do Decretolei n° 1.598, de 1977, nos balanços correspondentes à apuração de lucro real, levantados posteriormente à incorporação, fusão ou cisão, à razão de um sessenta avos, no máximo, para cada mês do período de apuração; (Redação dada pela Lei nº 9.718, de 1998) IV deverá amortizar o valor do deságio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "b" do § 2º do art. 20 do DecretoLei nº 1.598, de 1977, nos balanços correspondentes à apuração de lucro real, levantados durante os cinco anoscalendários subseqüentes à incorporação, fusão ou cisão, à razão de 1/60 (um sessenta avos), no mínimo, para cada mês do período de apuração. Art. 8º O disposto no artigo anterior aplicase, inclusive, quando: a) o investimento não for, obrigatoriamente, avaliado pelo valor de patrimônio líquido; b) a empresa incorporada, fusionada ou cindida for aquela que detinha a propriedade da participação societária. Referida Lei veio ao mundo jurídico num contexto histórico de privatizações ocorridas no país. Como amplamente divulgado na época em que publicada a norma, o objetivo da permissão contida em seu inciso III, de amortização do ágio gerado com base em rentabilidade futura, era o de incentivar a aquisição de empresas públicas e sociedades de economia mista pelos investidores privados. E nesse contexto, tal norma é tida como indutora de comportamentos dos contribuintes, na medida em que incentivou as operações de aquisições de empresas públicas, bem como as aquisições de participações em âmbito privado, tanto por investidores não residentes, que se interessaram enormemente por um mercado em recente abertura, como por investidores residentes no Brasil. E é aí que a teoria do propósito negocial deve ser repensada, afinal, como um investidor não residente poderia se valer de tal incentivo, sem se fazer presente no país através de uma sociedade aqui residente? Como sociedades nacionais reguladas por órgãos específicos poderiam usufruir do incentivo diante de proibição legal de incorporação de sociedades com outras atividades? Fl. 9220DF CARF MF Processo nº 16561.720093/201138 Acórdão n.º 9101003.364 CSRFT1 Fl. 9.221 17 Ora, excluir a possibilidade dessas pessoas e possibilitar outras a terem benefício fiscal seria ferir a isonomia. Logo, essas e outras sociedades tiveram que planejar a forma como seria possível investir no país e aproveitar o incentivo da amortização do ágio, nas mesmas condições que sociedades nacionais sem restrições assim o poderiam. Foi nesse contexto que se utilizaram de sociedades holdings, que lhes permitia organizar a etapa pré aquisição, bem como posteriormente se valer do incentivo de amortização fiscal do ágio. Tais sociedade foram informalmente denominadas "empresas veículo". Mas a questão que se põe é: a criação de empresas veículos para utilização de incentivos fiscais é um ato de evasão fiscal ou é lícita a economia fiscal mediante planejamento realizado previamente à ocorrência do fato gerador do tributo e estimulado por norma legal? Em minha concepção, mesmo dentro da teoria do propósito negocial a economia de tributos é permitida, desde que realizada mediante atos e negócios lícitos. E para mim não há qualquer ilicitude em se criar uma sociedade, efetuar sua capitalização, adquirir participação societária de terceiros e, posteriormente realizar as operações societárias induzidas pela lei para se obter a economia de tributos. Economia de tributos é sim algo legitimamente objetivado pelos empresários, que buscam a maximização de lucros em seus negócios, desde que obtida mediante atos e negócios lícitos. O negócio jurídico pretendido, qual seja a aquisição de participação societária de fato ocorreu, ou seja, não há que se falar em simulação, seja ela absoluta, seja ela relativa. E aliese a isso, o fato de que, no presente caso, não existissem as sociedades denominadas veículos e fosse a CORONA diretamente incorporada pela COSAN 50, não haveria questionamento quanto à amortização fiscal do ágio. Se não foi essa a operação realizada, outra razão extratributária deve ter influenciado na decisão de utilizar outro modelo societário, tal como a impossibilidade operacional de se unir as estruturas. Sobre a legitimidade da utilização de "empresas veículos" para fins de amortização de ágio sabias foram as palavras do Conselheiro Marcelo Cuba Netto, proferidas no acórdão 1201001.267, que abaixo tomo a liberdade de transcrever: São, como visto acima, duas as razões pelas quais o auditor se convenceu da ilegalidade do aproveitamento do ágio pela fiscalizada: (i) falta de propósito negocial, e; (ii) emprego de empresa veículo. Quanto à falta de propósito negocial, há que se distinguir dentre as operações levadas a efeito pelos interessados, aquelas que tiveram por objetivo ocultar o ganho de capital auferido pelos alienantes, daquelas cujo objeto foi a transferência do ágio para a autuada. As primeiras não interessam ao presente processo, e são objeto do PA nº 10380.726.493/201018, que trata do ganho de capital. As últimas foram realizadas com o propósito do aproveitamento do ágio na aquisição da participação societária, e estão Fl. 9221DF CARF MF Processo nº 16561.720093/201138 Acórdão n.º 9101003.364 CSRFT1 Fl. 9.222 18 amparadas na interpretação que esta Turma vem emprestando aos arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532/1997, qual seja, a de que a finalidade daquelas normas é incentivar a absorção do patrimônio de empresas nacionais por outras, sejam nacionais, sejam estrangeiras. Em outras palavras, o propósito negocial foi exatamente o aproveitamento do ágio, propósito esse amparado pelos arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532/1997. Repare que a abusividade do planejamento tributário pode ter como característica (desde que não seja a única) justamente a ausência de propósito negocial. Entretanto, quando exista uma norma jurídica incentivando, sob o ponto de vista fiscal, a realização de um negócio jurídico, seria absurdo imaginarse que além do propósito de economia fiscal deveria haver também algum outro propósito. Esse é exatamente o caso dos presentes autos. Em relação ao emprego da chamada "empresa veículo" cumpre destacar que tal expressão tem sido utilizada pela fiscalização de uma maneira pejorativa, no sentido de um "mal em si mesmo". No entanto, como é cediço, não é possível sustentarse uma autuação fiscal lastreada na simples acusação de emprego de "empresa veículo", até porque o simples emprego de "empresa veículo" não é tipificado como infração à legislação tributária. Caberia então à fiscalização apontar a relação entre o emprego da "empresa veículo" e a prática de alguma infração à legislação tributária. E, no caso dos autos, como o autor da ação fiscal não se desincumbiu de seu ônus, isso já seria razão suficiente para afastarse, de pronto, a autuação. Todavia, tendo em vista que existem algumas decisões do CARF mantendo a glosa da amortização do ágio justamente pelo emprego de "empresa veículo" (vide, por exemplo, o Acórdão 1101001.113), entendo cabível o exame da matéria. Em breve síntese, aqueles que defendem a impossibilidade do aproveitamento do ágio nestas condições sustentam que o emprego de empresa veículo, que ao fim incorpora ou é incorporada pela investida, “oculta” o verdadeiro investidor, qual seja, aquele que fornece os recursos para que a empresa veículo faça o investimento. Desse modo, dizem eles, não há incorporação entre o “verdadeiro investidor” e a investida, sendo portanto inaplicável os arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532/1997. Pois bem, quanto a este argumento devese ter em conta que os arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532/1997 foram originalmente criados com a finalidade de incentivo à aquisição de empresas públicas ou sociedades de economia mista por particulares, no âmbito do chamado Programa Nacional de Desestatização (Lei nº 9.491/97). Fl. 9222DF CARF MF Processo nº 16561.720093/201138 Acórdão n.º 9101003.364 CSRFT1 Fl. 9.223 19 E uma vez que pessoas físicas ou jurídicas estrangeiras têm direito a adquirir até 100% das ações ou quotas da empresa nacional objeto de desestatização (vide art. 12 da referida Lei nº 9.491/97), é de se perguntar: como poderia um investidor estrangeiro se beneficiar dos arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532/1997 senão por meio da constituição e capitalização de uma pessoa jurídica nacional que fizesse o investimento na empresa objeto da desestatização? Esse foi, de fato, o caminho adotado pelos investidores estrangeiros (vide também caso Celpe, Acórdão nº 120100.689). Ocorre que, de acordo com a teoria da "empresa veículo", ora sob exame, nem assim os investidores estrangeiros poderiam se beneficiar dos disposto arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532/1997 pois a pessoa jurídica nacional por eles constituída e capitalizada não seria considerada o "verdadeiro investidor" na empresa objeto de desestatização. Na mesma situação de impossibilidade de aproveitamento do disposto arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532/1997 estaria, por exemplo, um grupo de pessoas físicas nacionais que desejasse adquirir as ações ou quotas de uma empresa objeto de desestatização. Se fizessem o investimento diretamente, as pessoas físicas não poderiam se beneficiar das referidas normas (por óbvio, pessoa física não incorpora nem é incorporada por pessoa jurídica). A solução seria, novamente, a constituição e capitalização de uma pessoa jurídica justamente para que esta fizesse o investimento. Entretanto, de acordo com a aludida teoria da "empresa veículo", nem assim a pessoa jurídica criada pelo grupo de pessoas físicas poderia se beneficiar do disposto arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532/1997 pois não seria considerada o "verdadeiro investidor" na empresa objeto de desestatização. Também em idêntica situação de impossibilidade de aproveitamento do disposto arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532/1997 estariam as pessoas jurídicas nacionais que em razão de vedação contida em norma legal ou infralegal estejam impedidas de exercer atividades econômicas diversas daquelas previstas naquelas normas. Seria o caso, por exemplo, de um banco comercial adquirir as ações ou quotas de uma concessionária de energia elétrica. Tal aquisição é possível, desde que autorizada pelo Banco Central. O que não é juridicamente possível é a absorção do patrimônio da concessionária pelo banco comercial (ou viceversa) uma vez que o Banco Central proíbe que os bancos comercias exerçam atividades distintas daquelas previstas em Regulamento. A solução, mais uma vez, seria o banco comercial constituir e capitalizar uma pessoa jurídica a fim de que esta adquira as ações ou quotas da empresa objeto de desestatização. Ocorre que, segundo a mencionada teoria da "empresa veículo", nem assim a pessoa jurídica criada pelo banco comercial poderia se beneficiar do disposto nos arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532/1997 pois não seria considerada o "verdadeiro investidor". Fl. 9223DF CARF MF Processo nº 16561.720093/201138 Acórdão n.º 9101003.364 CSRFT1 Fl. 9.224 20 Os exemplos acima, que a outros poderiam se somar, demonstram que a propalada teoria da "empresa veículo" aplicada aos arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532/1997 ensejaria uma interpretação restritiva dessas normas no tocante à idéia de "verdadeiro investidor". Todavia, a interpretação restritiva, tal como as demais espécies interpretativas, não é fruto da vontade do intérprete. Ao contrário, deve ser juridicamente fundamentada. No caso dos arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532/1997 tal interpretação restritiva reduziria significativamente as hipóteses de aproveitamento fiscal da amortização do ágio ali prevista, algo que vai de encontro (e não ao encontro) à finalidade do Programa Nacional de Desestatização, o qual, como dito antes, incentiva a aquisição de empresas públicas ou sociedades de economia mista por particulares. Em outras palavras, a teoria da "empresa veículo" defendida por alguns é frontalmente contrária à finalidade para à qual foram criados os arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532/1997, daí porque não pode ser acolhida. Por tais razões, entendo que o ágio gerado no presente caso o foi de forma legítima. A.4) ÁGIO INTERNO Como visto, as operações que geraram os ágio classificados pela fiscalização e pala a Turma a quo como internos foram originado em duas operações de aumento de capital em duas sociedades do grupo distintas. Na operação de aumento de capital da USINA Da BARRA 44, COSAN 50 integraliza crédito detido contra aquela, em operação que gerou ágio decorrente da diferença entre o valor patrimonial das ações e seu valor de mercado. Na operação de aumento de capital da CORONA o grupo, em meio ao processo de reorganização societária, concentra uma série de ativos no capital desta, que depois absorve as participações de outras sociedades com atividades condizentes com as suas. Em ambas operações entendeuse que o simples fato de o ágio ser gerado em operações com sociedades do mesmo grupo o macula com a chamada falta de propósito negocial. Alegouse ausência de propósito extratributário na reorganização societária perpetrada pelo grupo COSAN. Ora, o entendimento de que o contribuinte pode se reorganizar desde que não seja exclusivamente para reduzir carga tributária é apenas uma doutrina muito mais propositiva do que analítica do Direito posto, a qual se aproxima muito da interpretação econômica do Direito Tributário. Em minha opinião, essa interpretação econômica leva ao desmedido subjetivismo na valoração dos fatos tributáveis e, consequentemente, à insegurança jurídica. Além disso, a finalidade da sociedade empresária é maximizar seus lucros, pelo aumento do faturamento e redução de custo – inclusive tributário, o que é legítimo desde que suas condutas sejam lícitas. Fl. 9224DF CARF MF Processo nº 16561.720093/201138 Acórdão n.º 9101003.364 CSRFT1 Fl. 9.225 21 Para o principal doutrinador da tese da substância econômica, Marco Aurélio Greco, há dois tipos de ilícitos que acarretam a invalidade do planejamento tributário: os ilícitos típicos (sonegação, fraude e conluio, previstos nos artigos 71, 72 e 73, da Lei 4.502) e os ilícitos atípicos (tais como abuso de direito, fraude a lei e simulação, institutos do direito civil utilizados no âmbito do direito tributário). Discordo dessa posição. Em minha visão, dado o princípio da tipicidade cerrada e da segurança jurídica, apenas os ilícitos típicos acarretam a invalidade do planejamento tributário. Concluo dessa forma, inclusive, avaliando o parágrafo único do artigo 116, do CTN que ao dizer que a autoridade administrativa poderá desconsiderar atos ou negócios jurídicos praticados com a finalidade de dissimular a ocorrência do fato gerador do tributo ou a natureza dos elementos constitutivos da obrigação tributária, impôs que fossem observados os procedimentos a serem estabelecidos em lei ordinária. Sendo válida em nosso ordenamento a teoria do Professor Marco Aurélio Greco, a letra da norma acima seria morta, na medida em que seria totalmente dispensável a Lei específica que estabelecesse os procedimentos a serem observados pelas autoridades administrativas para desconsiderar atos ou negócios jurídicos, já que a legislação civil cumpre tal papel. Quisesse o legislador ver aplicáveis no âmbito do direito tributário, pelas autoridades administrativas, as regras de direito civil, o faria expressamente, por meio da Lei prevista no parágrafo único do referido artigo 116. Se não o fez, a autoridade administrativa não possui poderes para desconsiderar atos e negócios jurídicos com base em institutos do direito civil. Não podemos nos esquecer que no âmbito civil impera a vontade, enquanto que em âmbito tributário impera a legalidade. Entendo que apenas na hipótese em que demonstrado pelas autoridades fiscais a sonegação, fraude ou conluio dos artigos 71, 72 e 73, da Lei 4.502, ela poderá desconsiderar os atos e negócios jurídicos praticados pelos contribuintes. E não entendo que a realização de planejamento com a finalidade de reduzir impactos tributários seja elemento suficiente para configuração de uma das figuras típicas. Nesse contexto, em minha análise os critérios definidores de um planejamento tributário legítimo, oponível às autoridades fiscais, são: (i) os atos que impliquem a redução na carga tributária devem ocorrer cronologicamente antes do fato gerador; (ii) os atos praticados pelo contribuinte que resultaram na redução da carga tributária devem ser lícitos; dada a ausência de dolo ensejador da sonegação, fraude e conluio previstos nos artigos 71, 72 e 73, da Lei 4.502. Diante disso, entendo que o ágio gerado no âmbito da reorganização societária realizada pelo grupo do contribuinte em questão não estava maculado, o ágio gerado nas operações de aumento de capital tinham fundamento contábil, respeitaram regras contábeis e fiscais que diziam ser hipótese de geração de ágio. Não se pode dizer que foram criados. Não existia à época regra vedando a amortização fiscal do ágio gerado internamente, como ocorre nos presentes dias, após a Lei 12.973. Fl. 9225DF CARF MF Processo nº 16561.720093/201138 Acórdão n.º 9101003.364 CSRFT1 Fl. 9.226 22 A regra vigente à época dizia ser ágio a diferença entre o valor patrimonial e valor do negócio, e que não hipótese de confusão patrimonial o ágio seria dedutível fiscalmente. Vejo nitidamente no caso em questão o objetivo de reorganização societária após uma série de aquisições de sociedades de terceiros realizadas pelo grupo COSAN. É deveras muito mais simplificado o quadro societário do grupo antes e depois das operações realizadas. Tratase, a meu ver, de planejamento tributário válido. A fiscalização não comprovou no presente caso o dolo gerador da sonegação, fraude ou conluio. Intenção de executar um planejamento tributário não pode ser sinônimo de dolo. Por essa razão voto por dar provimento ao Recurso do Contribuinte. A.5) LIMITAÇÃO À UTILIZAÇÃO DE PREJUÍZO FISCAL E BASE NEGATIVA NA EXTINÇÃO DE PESSOA JURÍDICA Com o advento dos artigos 15 e 16 da Lei n° 9.065/95 o legislador acabou com a limitação temporal anteriormente imposta para a compensação de prejuízos fiscais e de base de cálculo negativa de CSLL, mas, por outro lado, impôs uma limitação quantitativa para essa compensação, correspondente a 30% do lucro líquido e da base de cálculo da CSLL de cada período de apuração, nos seguintes termos: Art. 15. O prejuízo fiscal apurado a partir do encerramento do anocalendário de 1995 poderá ser compensado, cumulativamente com os prejuízos fiscais apurados até 31 de dezembro de 1994, com o lucro líquido ajustado pelas adições e exclusões previstas na legislação do imposto de renda, observado o limite máximo, para a compensação, de trinta por cento do referido lucro líquido ajustado. Artigo 16 A base de cálculo da contribuição social sobre o lucro, quando negativa, apurada a partir do encerramento do anocalendário de 1995, poderá ser compensada, cumulativamente com a base de cálculo negativa apurada até 31 de dezembro de 1994, com o resultado do período de apuração ajustado pelas adições e exclusões previstas na legislação da referida contribuição social, determinado em anoscalendário subseqüentes, observado o limite máximo, de redução de trinta por cento, previsto no art. 58 da Lei n° 8.981, de 1995. A norma tratou, exclusivamente, do limite quantitativo de utilização de prejuízos fiscais, partindo da premissa de que períodos seguintes viriam e, com eles, a possibilidade de apuração de lucros tributáveis por parte da pessoa jurídica. Tal norma não teve ou tem o intuito de extinguir o direito à compensação dos prejuízos fiscais e da base de cálculo negativa da CSLL acumulados, mas tãosomente diferir o seu aproveitamento, visando garantir uma arrecadação tributária mínima. Assim é que a constitucionalidade e a legalidade dessa limitação quantitativa estão no pressuposto de que haja a continuidade das atividades da pessoa jurídica, de modo que, ainda que não haja a compensação integral do saldo acumulado de prejuízos fiscais e de Fl. 9226DF CARF MF Processo nº 16561.720093/201138 Acórdão n.º 9101003.364 CSRFT1 Fl. 9.227 23 base de cálculo negativa de CSLL em um determinado exercício, possa o saldo remanescente ser aproveitado em períodos subsequentes, a fim de evitar a tributação do patrimônio da pessoa jurídica, o que afrontaria o fato gerador do IRPJ e da CSLL. Ou seja, a regra de compensação delineada, por pressupor a continuidade das atividades da empresa, prestigia o fato gerador do IRPJ e da CSLL, os quais recaem sobre o acréscimo patrimonial auferido pela pessoa jurídica. Caso não existam períodos posteriores em que os prejuízos fiscais e base de cálculo de CSLL sejam passíveis de compensação, a trava em questão perde sentido. Fica sem efeito a possibilidade de compensação de prejuízos fiscais e de base de cálculo negativa de CSLL com lucros, uma vez que sequer haveria períodos em que estes poderiam ser apurados. Esse racional já foi adotado por essa CSRF, em composições anteriores, conforme se pode depreender da seguinte passagem do voto do Relator do acórdão CSRF/01 05.100: Como afirmado pela recorrente, a empresa que aproveitou os prejuízos, sem observar o limite de 30% do lucro líquido, foi a Embel por ocasião de sua incorporação pela Eletrolux. Sua argumentação principal é que, em face da incorporação e da impossibilidade de compensar posteriormente o saldo de prejuízo na incorporadora, não havia outra opção senão a de compensar integralmente seu prejuízo. Esse raciocínio já está pacificado neste Conselho de Contribuintes. A norma (Lei 9065/95, art. 15), ao impor a "trava" na compensação, não pretendeu tolher o direito do contribuinte de não recolher IRPJ sobre a recuperação do capital, correspondente ao lucro após prejuízo. Pretendeu sim uma arrecadação mínima, se apurado lucro líquido, com a limitação de utilização do prejuízo acumulado. Em contrapartida, extinguiu o prazo de aproveitamento do prejuízo (de 4 anos), para que o contribuinte pudesse compensar integralmente seu saldo de prejuízo fiscal, ainda que em muitos anos. Desse modo, e considerando que à empresa incorporadora é vedado o aproveitamento do saldo de prejuízo fiscal da empresa incorporada (Decretolei 2341/87, arts. 32 e 33), deixa de existir a premissa de inexistência de limitação de aproveitamento do prejuízo com os lucros futuros, o que compromete a legitimidade da trava do prejuízo. No caso de incorporação, como o presente, há a extinção da pessoa jurídica incorporada. Portanto, não há que se falar na sua continuidade de modo que tornase inaplicável a essa hipótese a limitação de 30% para compensação de prejuízos fiscais e de base de cálculo acumulados. Vejam que a aplicação da trava de 30% nesse contexto traz como conseqüência necessária a tributação do patrimônio da empresa e não apenas do seu acréscimo patrimonial. Na extinção da pessoa jurídica, em razão da sua incorporação, não há acréscimo patrimonial futuro a ser compensado com os prejuízos acumulados. Fl. 9227DF CARF MF Processo nº 16561.720093/201138 Acórdão n.º 9101003.364 CSRFT1 Fl. 9.228 24 A continuidade do empreendimento cessará com o evento incorporação. Tal continuidade se dará pela sociedade que a sucede, que está por lei proibida de utilizar os prejuízos fiscais e base negativa da sucedida. Assim sendo, a regra que proíbe a utilização de prejuízos fiscais de sucedidas pelas sucessoras, cumulada com o entendimento de ser aplicável a limitação de aproveitamento do prejuízo fiscal e base negativa da CSLL, carregam em si um desestímulo a operações de fusão, cisão e incorporação de empresas, por tornar tais operações mais onerosas do ponto de vista tributário. E isso não foi a intenção do legislador. Aqui, cabe apontar que não entendo ser a compensação de prejuízos fiscais e bases negativas tipos de benefícios fiscais, conforme argumenta a Fazenda Nacional em suas contrarrazões. Tratase, tal compensação, a meu ver, de forma de apuração da base de cálculo dos tributos incidentes sobre resultado. O acréscimo patrimonial cujo legislador pretende tributar deve ser vislumbrado numa compreensão temporal ampla, compreendendo todo o período de atividade da pessoa. Por isso foi garantido pela norma o direito à compensação de todo prejuízo fiscal e base negativa, sem limitação temporal. Sendo assim, afigurase inaplicável a limitação de 30% para compensação do saldo acumulado de prejuízos fiscais e de base de cálculo negativa da CSLL quando da extinção da pessoa jurídica, como no caso de fusão, cisão ou incorporação. E neste contexto, uma vez afastada a limitação percentual de redução do lucro líquido quando incorporação de uma sociedade, podem estes prejuízos e bases negativas da sociedade a ser extinta serem integralmente compensados com o lucro líquido apurado no momento do encerramento de suas atividades. Portanto, voto por dar provimento ao Recurso do Contribuinte. A.6) INAPLICABILIDADE DE JUROS SOBRE MULTA De acordo com o artigo 139 do CTN, o crédito tributário decorre da obrigação principal e, nos termos do artigo 113, parágrafo 1º do CTN, esta somente surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto o pagamento de tributo. Não há que se falar que, de acordo com o artigo 113, parágrafo 1º do CTN, a multa de ofício também faria parte da obrigação principal, uma vez que, primeiro, (i) referida norma trata das obrigações acessórias, ou seja, as decorrentes do não cumprimento de obrigações de fazer e (ii) já é unânime na doutrina e jurisprudência pátria que a penalidade pecuniária não se confunde com a obrigação principal, pois é decorrente de uma sanção pelo não pagamento do tributo (vide artigo 3º do CTN). Por outro lado, o artigo 161 do CTN prevê que o crédito não pago é acrescido de juros de mora, in verbis: “Artigo 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária” Fl. 9228DF CARF MF Processo nº 16561.720093/201138 Acórdão n.º 9101003.364 CSRFT1 Fl. 9.229 25 É evidente que a palavra “crédito” sobre o qual incidem os juros de mora previstos no artigo 161 do CTN se refere apenas aos tributos devidos, caso contrário, não haveria razão alguma para a ressalva final constante do mesmo dispositivo, no sentido de que esta incidência de juros se dá “sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis”. Por seu turno, a Lei nº 9.430/96 igualmente prevê a incidência dos juros de mora apenas sobre o valor dos tributos, contribuições e multas isoladas, e não sobre as multas de ofício exigidas como acessório juntamente com o tributo eventualmente exigido, verbis: “Art. 61 – Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subsequente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do artigo 5º, a partir do primeiro dia do mês subsequente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento.” Se for entendido que a palavra “débitos” constante do caput do artigo 61 inclui principal e multa de ofício, terseia que admitir que as multas de ofício, quando não pagas no vencimento, sofreriam também o acréscimo de multa de mora. Mas quando o legislador intencionou que incidisse juros sobre a multa o fez expressamente. O art. 43 da mesma Lei 9.430/96 vem a reforçar a interpretação acima ao prever a incidência de juros de mora sobre as multas isoladas, verbis: “Art. 43. Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora isolada ou conjuntamente. Parágrafo único – Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão juros de mora, calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subsequente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento”. Ora, se a expressão “débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições” constante no “caput” do artigo 61 contemplasse também multas, não haveria necessidade alguma da previsão do parágrafo único do artigo 43, uma vez que a incidência dos juros sobre a multa isolada, assim como a de ofício, já decorreria diretamente do artigo 61. Fl. 9229DF CARF MF Processo nº 16561.720093/201138 Acórdão n.º 9101003.364 CSRFT1 Fl. 9.230 26 Concluise, portanto, que, fora a hipótese dos juros serem cobrados a fim de indenizar o credor pelo não pagamento do tributo no prazo estipulado, qualquer outra incidência de juros seria abusiva e arbitrária, por ausência e, digase, contrariedade ao pressuposto legal vigente (CTN, artigos 3º, 113, 139, parágrafo 1º, e 161 do CTN). Admitirse tal cobrança implicaria enriquecimento ilícito do Erário, o qual estaria aplicando a incidência dos juros de mora à obrigação principal e à multa de ofício. Portanto, voto DAR provimento ao recurso do Contribuinte. B) RECURSO DA FAZENDA NACIONAL B.1) DESQUALIFICAÇÃO DA MULTA A turma a quo, entendeu que a aplicação da multa em valor duplicado pela fiscalização não foi correta. Para os julgadores as operações analisadas nos presentes autos não foram tidas como simuladas ou inexistentes, sendo que a conduta do Contribuinte apenas impede a dedução fiscal do ágio, mas não autoriza a qualificação da penalidade. Vale aqui a transcrição do respectivo trecho do voto do relator: A imputação da multa qualificada ocorreu para a infração referente à desobediência à trava na compensação de prejuízos fiscais e base de cálculo negativa de CSLL e também no caso da amortização de ágio envolvendo empresas veículos. No entendimento da autoridade lançadora, o procedimento do sujeito passivo visou exclusivamente driblar as restrições legais de amortização do ágio e compensação de prejuízos, caracterizando a conduta fraudulenta. Não concordo com o posicionamento do Fisco. Há que se diferenciar a verificação do cumprimento dos requisitos para que uma operação feita pelo sujeito passivo gere os efeitos a que se destina das situações nas quais a própria existência da operação é questionada. Quanto aos requisitos formais, a utilização de empresas veículo não foi objeto de questionamento. A ausência de propósito negocial impediu que a interessada usufruísse das reduções tributárias daí decorrentes mas, ratificase, as operações não foram tidas como simuladas ou inexistentes. Sob essa ótica não vejo elementos que justifiquem a qualificação da multa. Penso que bem decidiu a Turma em relação à não qualificação da multa. Penso que as condutas passíveis de serem enquadradas como fraude, nos termos do artigo 72, da Lei 4.502/64 são aquelas eivadas de dolo, pautadas em ações ou omissões que visem ocultar fatos ocorridos ou simular a ocorrência de fatos inexistentes, bem como na falsificação de informações. Em minha concepção o instituto doutrinário chamado propósito negocial vem sendo indiscrimidamente utilizado pelas fiscalizações, sem se observar os pormenores de cada situação. Fl. 9230DF CARF MF Processo nº 16561.720093/201138 Acórdão n.º 9101003.364 CSRFT1 Fl. 9.231 27 O propósito negocial, cuja discussão no Brasil foi inicialmente atribuída ao Professor Marco Aurélio Greco, teve seus contornos delimitados com o fito de tratar qualquer operação que tivesse como objetivo principal a economia de tributos como inoponível ao fisco, admitindose a desconsideração de seus efeitos e a consequente cobrança dos tributos e multas. Penso que essa posição deve ser vista com ressalvas, pois a aplicação da multa qualificada deve ser precedida da extensiva demonstração de uma das condutas contidas nos artigos 71, 72, 73m da Lei 4.502/64. E é aí que a teoria do propósito negocial deve ser repensada, pois penso que a economia de tributos é argumento válido para suportar o propósito negocial da operação. Não há que falar que a simples constatação de que o propósito da operação era economia de tributos satisfaz os requisitos dos mencionados artigos 71, 72, e/ou 73. Por essas razões, entendo ser descabida a aplicação da multa qualificada, nos termos do artigo 44, §1º, da Lei 9.430/96. Nesse contexto, voto por negar provimento ao Recurso da Fazenda Nacional, quanto à essa matéria. (assinado digitalmente) Gerson Macedo Guerra Fl. 9231DF CARF MF Processo nº 16561.720093/201138 Acórdão n.º 9101003.364 CSRFT1 Fl. 9.232 28 Voto Vencedor Conselheiro Flávio Franco Corrêa. Pedindo vênia ao Ilustre Relator, exponho as discordâncias em relação ao voto por ele proferido. De início, a questão relacionada à exigência de laudo de avaliação contemporâneo aos fatos. O registro do ágio e seu aproveitamento fiscal dependem do fundamento do ágio, quando de sua constituição, consoante o disposto no artigo 7º da Lei nº 9.532/1997: "Art. 7º A pessoa jurídica que absorver patrimônio de outra, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, na qual detenha participação societária adquirida com ágio ou deságio, apurado segundo o disposto no art. 20 do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977: I deverá registrar o valor do ágio ou deságio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "a" do § 2º do art. 20 do DecretoLei nº 1.598, de 1977, em contrapartida à conta que registre o bem ou direito que lhe deu causa; II deverá registrar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "c" do § 2º do art. 20 do DecretoLei nº 1.598, de 1977, em contrapartida a conta de ativo permanente, não sujeita a amortização; III poderá amortizar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "b" do § 2° do art. 20 do Decretolei n° 1.598, de 1977, nos balanços correspondentes à apuração de lucro real, levantados posteriormente à incorporação, fusão ou cisão, à razão de um sessenta avos, no máximo, para cada mês do período de apuração; (Redação dada pela Lei nº 9.718, de 1998) IV deverá amortizar o valor do deságio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "b" do § 2º do art. 20 do DecretoLei nº 1.598, de 1977, nos balanços correspondentes à apuração de lucro real, levantados durante os cinco anos calendário subsequentes à incorporação, fusão ou cisão, à razão de 1/60 (um sessenta avos), no mínimo, para cada mês do período de apuração. § 1º O valor registrado na forma do inciso I integrará o custo do bem ou direito para efeito de apuração de ganho ou perda de capital e de depreciação, amortização ou exaustão. § 2º Se o bem que deu causa ao ágio ou deságio não houver sido transferido, na hipótese de cisão, para o patrimônio da sucessora, esta deverá registrar: a) o ágio, em conta de ativo diferido, para amortização na forma prevista no inciso III; b) o deságio, em conta de receita diferida, para amortização na forma prevista no inciso IV. § 3º O valor registrado na forma do inciso II do caput: Fl. 9232DF CARF MF Processo nº 16561.720093/201138 Acórdão n.º 9101003.364 CSRFT1 Fl. 9.233 29 a) será considerado custo de aquisição, para efeito de apuração de ganho ou perda de capital na alienação do direito que lhe deu causa ou na sua transferência para sócio ou acionista, na hipótese de devolução de capital; b) poderá ser deduzido como perda, no encerramento das atividades da empresa, se comprovada, nessa data, a inexistência do fundo de comércio ou do intangível que lhe deu causa. § 4º Na hipótese da alínea "b" do parágrafo anterior, a posterior utilização econômica do fundo de comércio ou intangível sujeitará a pessoa física ou jurídica usuária ao pagamento dos tributos e contribuições que deixaram de ser pagos, acrescidos de juros de mora e multa, calculados de conformidade com a legislação vigente. § 5º O valor que servir de base de cálculo dos tributos e contribuições a que se refere o parágrafo anterior poderá ser registrado em conta do ativo, como custo do direito." Destaquese que, para os investimentos avaliados pelo patrimônio líquido em sociedade coligada ou controlada, o artigo 20, §§ 2º, b, e 3º, do Decretolei nº 1.598/1977, em sua redação original, ao tempo dos fatos, prescrevia o obrigatório desdobramento do custo, no momento da aquisição da participação societária, em valor de patrimônio líquido e ágio, sendo que o ágio fundado na expectativa de rentabilidade futura deveria estar baseado em demonstração que o contribuinte deveria arquivar, para comprovação de tal fundamento. Nesses termos, o descumprimento ao mandamento legal que determinava a elaboração de demonstrativo da expectativa de rentabilidade futura justificadora do ágio, contemporânea à aquisição da participação societária avaliada pelo patrimônio líquido, não confere ao ágio pago o grau de confiança necessário a legitimar as influências dele decorrentes para o resultado tributável. Reparese o texto do citado dispositivo: "Art 20 O contribuinte que avaliar investimento em sociedade coligada ou controlada pelo valor de patrimônio líquido deverá, por ocasião da aquisição da participação, desdobrar o custo de aquisição em: I valor de patrimônio líquido na época da aquisição, determinado de acordo com o disposto no artigo 21; e II ágio ou deságio na aquisição, que será a diferença entre o custo de aquisição do investimento e o valor de que trata o número I. § 1º O valor de patrimônio líquido e o ágio ou deságio serão registrados em subcontas distintas do custo de aquisição do investimento. § 2º O lançamento do ágio ou deságio deverá indicar, dentre os seguintes, seu fundamento econômico: a) valor de mercado de bens do ativo da coligada ou controlada superior ou inferior ao custo registrado na sua contabilidade; b) valor de rentabilidade da coligada ou controlada, com base em previsão dos resultados nos exercícios futuros; c) fundo de comércio, intangíveis e outras razões econômicas. Fl. 9233DF CARF MF Processo nº 16561.720093/201138 Acórdão n.º 9101003.364 CSRFT1 Fl. 9.234 30 § 3º O lançamento com os fundamentos de que tratam as letras a e b do § 2º deverá ser baseado em demonstração que o contribuinte arquivará como comprovante da escrituração." Como se pode ver, é cristalino que o preceito normativo então insculpido no artigo 20, §§ 2º, b, e 3º, do Decretolei nº 1.598/1977, na redação vigente ao tempo dos fatos, estabelecia a exigência de comprovante da demonstração da expectativa de rentabilidade futura, quando da aquisição do investimento avaliado pela equivalência patrimonial. No caso concreto, não se pode perder de vista que a permuta sem torna entre, de um lado, membros da família Ugolini e a pessoa jurídica DIAMANTINA, sócios de ND PAR, e, de outro lado, a pessoa jurídica MANDIÇUNUNGA, sócia de AGUAPAR, foi celebrada em 08/02/2006, conforme Instrumento Particular de Permuta de Participações Societárias, às efls. 1162/1175. Por essa avença, os contratantes celebraram a troca de participações societárias, de tal modo que aqueles tornarseiam sócios de AGUAPAR e esta última, sócia de NDPAR. Todavia, a pessoa jurídica DIAMANTINA transferiu sua participação societária em NDPAR à família Ugolini em 09/02/2006, conforme efls. 903/917. Desse modo, a família Ugolini passou a deter a totalidade das quotas do capital de NDPAR. Em razão da saída de DIAMANTINA do quadro societário de NDPAR, a permuta celebrada em 08/02/2006 somente efetivouse entre a família Ugolini e MANDIÇUNUNGA. É preciso lembrar, aqui, que a aquisição de quotas de capital em sociedade por pessoas físicas não se submete à imposição legal para determinação de ágio ou deságio. Portanto, a cessão das quotas de NDPAR entre a família Ugolini e MANDIÇUNUNGA não acarretou transferência de ágio, já que a família Ugolini não apurou mais valia, ao receber a totalidade da participação societária em NDPAR. Ocorre que, na contabilidade de MANDIÇUNUNGA, o recebimento das quotas de NDPAR, cedidas pela família Ugolini na troca com as participações societárias em AGUAPAR, está registrado no dia 22/02/2004, à efl. 3754. No exame desse documento contábil, constatase que MANDIÇUNUNGA não efetuou lançamento de ágio, quando registrara as quotas de NDPAR em seu ativo. Em outras palavras, como descreve a Fiscalização, MANDIÇUNUNGA contabilizou a participação societária em NDPAR, obtida em permuta com a família Ugolini, pelo custo de aquisição. No entanto, após a consumação da permuta, MANDIÇUNUNGA entendeu que poderia alterar sua escrituração para lançar um ágio na aquisição de NDPAR com suposto lastro em laudo de avaliação da CORONA, único investimento de NDPAR, datado 16/03/2006, às efls. 180/223. Como já dito, o aproveitamento fiscal do ágio depende do fundamento do ágio. Tratandose de investimento avaliado pelo custo de aquisição, sequer há espaço para se cogitar da existência de ágio. Entretanto, em resposta à Fiscalização, a pessoa jurídica fiscalizada explicou que o ágio contabilizado após a permuta, em relação ao investimento em NDPAR, era reflexo do investimento desta na sociedade CORONA. Ou seja, como ressaltara a Fiscalização, "o ponto comum tanto para a equivalência de 28 de fevereiro de 2006 quanto para o registro do ágio é o surgimento do passivo a descoberto na CORONA, o que implica no [sic] valor desse investimento na NDPAR estar zerado, e o valor aplicado pela MANDIÇUNUNGA na NDPAR ser todo ágio. Com isso, a contabilização efetuada por ocasião da permuta, seria modificada para uma contabilização pelo método da equivalência patrimonial." Assim, caso o investimento em NDPAR adquirido por MANDIÇUNUNGA, em permuta com a família Ugolini, estivesse sujeito à avaliação pelo patrimônio líquido, na Fl. 9234DF CARF MF Processo nº 16561.720093/201138 Acórdão n.º 9101003.364 CSRFT1 Fl. 9.235 31 forma do artigo 387 do Regulamento do Imposto de Renda de 1999 (RIR/99), a adquirente inevitavelmente deveria demonstrar, quando da aquisição da participação societária, a expectativa de rentabilidade futura justificadora do ágio assumido. Isso não aconteceu. De acordo com a explanação acima, o investimento em NDPAR foi contabilizado pelo custo de aquisição, em 22/02/2006. Isto é, quando as partes envolvidas na permuta eram independentes (MANDIÇUNUNGA e família Ugolini), não se apurou ágio, pois as participações societárias permutadas tinham valores equivalentes. Depois que efetuada a permuta, com a incorporação da participação societária em NDPAR no patrimônio de MANDIÇUNUNGA (integrante do grupo COSAN), surgiu um laudo para justificar o ágio interno, sob o argumento de que CORONA, único investimento de NDPAR, estava com passivo a descoberto. Com razão a PGFN, ao afirmar que "admitir esse tipo de comportamento significa permitir que os contribuintes alterem livremente o valor de patrimônio líquido das pessoas jurídicas, os lançamentos contábeis, os fundamentos para a realização de negócios, notadamente para usufruir de benefícios fiscais." Diante do exposto, devese negar provimento ao reconhecimento de efeitos fiscais ao laudo às efls. 180/223. Na questão seguinte, a possibilidade de amortização fiscal do ágio em operações com empresa veículo. Em 28/02/2006, MANDIÇUNUNGA, agora com a denominação de DABARRA, subscreveu e integralizou o aumento de capital relativo à emissão, por CORONA, de 480.365.561 novas ações ordinárias nominativas, sem valor nominal, ao preço de R$ 1,00 cada. A Fiscalização salientou que esse aumento de capital foi totalmente subscrito e integralizado por DABARRA com os mesmos ativos que COSAN 50 havia transferido, no mesmo dia, para integralizar o aumento de capital da própria DABARRA. Na integralização do capital em CORONA, DABARRA registrou um ágio de R$ 485.130.116,16 para o investimento de R$ 480.365.561,00, porquanto CORONA apresentava patrimônio líquido negativo de R$ 485.291.361,50, de acordo com a resposta aos itens 13 e 17 do Termo de Intimação Fiscal n° 07, às efls. 3026/3029. Após o aumento de capital, CORONA passou a apresentar passivo a descoberto de R$ 6.169.768,19, à efl. 3299. Cabe consignar que os ativos empregados no aumento de capital em CORONA, integralizados por DABARRRA, saíram do patrimônio da COSAN 50 no dia 28/02/2006, às 9 (nove) horas, à efl. 3679, transitaram pela DABARRA até 18 (dezoito) horas do mesmo dia 28/02/2006, à efl. 3771, quando foram transferidos para CORONA. No dia 30/03/2006, à efl. 1246, COSAN 50 aprovou a incorporação de DABARRA pela CORONA. Quando COSAN 50 integralizou o capital em MANDIÇUNUNGA/DABARRA, o grupo COSAN já detinha o controle de 100% de CORONA. Por conseguinte, toda a operação transcorreu no âmbito do GRUPO COSAN. Então, o ágio obtido no momento em que MANDIÇUNUNGA/DABARRA integralizou o capital em CORONA decorreu de um planejamento tributário articulado para criar um ágio artificial intragrupo com o emprego de empresa veículo, constituída sem finalidade negocial. A utilização de MANDIÇUNUNGA/DABARRA, nesse conjunto de negócios com participações societárias, não teve propósito distinto de sua integração numa engrenagem destinada, ao fim e ao cabo, a gerar uma mais valia artificial e transferila para ser amortizada na incorporadora CORONA e, assim, reduzir a tributação do IRPJ e da CSLL desta última. Fl. 9235DF CARF MF Processo nº 16561.720093/201138 Acórdão n.º 9101003.364 CSRFT1 Fl. 9.236 32 No excelente trabalho de auditoria fiscal executado, constatouse que o ágio contabilizado por ocasião do aumento de capital em CORONA por DABARRA foi obtido sem envolver nenhum novo recurso do grupo COSAN. Ou seja, não houve transferência efetiva de recursos que possibilitasse a geração de novas riquezas. Não existe ágio sem o sacrifício patrimonial de quem investe em benefício dos alienantes do investimento. Em breve síntese, não se pode falar em ágio se a mais valia do investimento não for gerada em ato de aquisição, e isso supõe dispêndio para se obter algo de terceiro. Ou, de outro modo, isso supõe o sacrifício de outro ativo ou o reconhecimento de um passivo, porquanto o primeiro (sacrifício de um ativo) ou o segundo (reconhecimento de um passivo) são as contrapartidas ao registro do custo do investimento adquirido. Mas o que se vê no caso concreto é um aumento no patrimônio líquido em contrapartida a um aumento no ativo, em decorrência de um negócio “consigo mesmo”. Tal conclusão está em sintonia com a opinião da CVM, exposta no item 20.1.7 do OfícioCircular/CVM/SNC/SEP nº 01/2007: “A CVM tem observado que determinadas operações de reestruturação societária de grupos econômicos (incorporação de empresas ou incorporação de ações) resultam na geração artificial de “ágio”. Uma das formas que essas operações vêm sendo realizadas, iniciase com a avaliação econômica dos investimentos em controladas ou coligadas e, ato contínuo, utilizarse do resultado constante do laudo oriundo desse processo como referência para subscrever o capital numa nova empresa. Essas operações podem, ainda, serem seguidas de uma incorporação. Outra forma observada de realizar tal operação é a incorporação de ações a valor de mercado de empresa pertencente ao mesmo grupo econômico. Em nosso entendimento, ainda que essas operações atendam integralmente os requisitos societários, do ponto de vista econômicocontábil é preciso esclarecer que o ágio surge, única e exclusivamente, quando o preço (custo) pago pela aquisição ou subscrição de um investimento a ser avaliado pelo método da equivalência patrimonial, supera o valor patrimonial desse investimento. E mais, preço ou custo de aquisição somente surge quando há o dispêndio para se obter algo de terceiros. Assim, não há, do ponto de vista econômico, geração de riqueza decorrente de transação consigo mesmo. Qualquer argumento que não se fundamente nessas assertivas econômicas configura sofisma formal e, portanto, inadmissível. Não é concebível, econômica e contabilmente, o reconhecimento de acréscimo de riqueza em decorrência de uma transação dos acionistas com eles próprios. Ainda que, do ponto de vista formal, os atos societários tenham atendido à legislação aplicável (não se questiona aqui esse aspecto), do ponto de vista econômico, o registro de ágio, em transações como essas, somente seria concebível se realizada entre partes independentes, conhecedoras do negócio, livres de pressões ou outros interesses que não a essência da transação, condições essas denominadas na literatura internacional como “arm’s length”. Portanto, é nosso entendimento que essas transações não se revestem de substância econômica e da indispensável independência entre as partes, para que seja passível de registro, mensuração e evidenciação pela contabilidade.” (grifei) A teor do que segue no OfícioCircular/CVM/SNC/SEP nº 01/2007, atestase que o laudo de avaliação de CORONA é ineficaz para o fim de emprestar suporte ao ágio gerado no instante em que DABARRA integralizou o capital naquela sociedade, uma vez certificandose, como efetivamente se certifica, do ágio interno. Fl. 9236DF CARF MF Processo nº 16561.720093/201138 Acórdão n.º 9101003.364 CSRFT1 Fl. 9.237 33 No que concerne à NDPAR, afirmase que se trata de empresa veículo, já que fora concebida apenas para o transporte de CORONA ao patrimônio de MANDIÇUNUNGA, viabilizando a geração artificial do ágio transferido à primeira (CORONA), por incorporação, com vistas ao pretendido amparo dos artigos 7º e 8º da Lei nº 9.532/1997. Imerso nesse panorama, impõese transcrever as precisas assertivas da Fiscalização quanto à função das empresas veículos e das empresas efêmeras, no esquema engendrado com a intenção exclusiva de reduzir a tributação do IRPJ e da CSLL, ora em exame: "297. As operações societárias envolvendo a empresa Corona foram realizadas através de empresas efêmeras e sem existência real (Mandiçununga e NDPar e Aguapar), que foram utilizadas apenas para possibilitar a obtenção do benefício da amortização do ágio, com vistas a melhorar as condições financeiras da aquisição feita. 298. De fato, essas empresas foram constituídas tendo com único objetivo a transferência de ativos (empresas veículos) nas aquisições de outras empresas, como o próprio sujeito passivo as denominam. 299. Em reorganizações societárias que envolvam um conjunto de etapas sucessivas e que tenham como objetivo a redução da carga tributária há que se conhecer o todo, pois o fato a ser enquadrado é o conjunto e não apenas etapas isoladamente. Diante de situação complexa temse que considerar o quadro como um todo, com exame minucioso dos vários aspectos que cercam o caso, visto que o conhecimento e o enquadramento do ocorrido será o resultado de todos os fatos ocorridos. [...] 311. Nesse contexto, é possível vislumbrar qual atividade econômica foi exercida pelas empresas NDPar e Dabarra (antiga Mandiçununga)? 312. Em estudos sobre a matéria planejamento tributário, são citadas situações que são perfeitamente aplicáveis ao caso sob exame. Uma delas é a que se chama de "empresa veículo ou de passagem", que vem a ser uma pessoa jurídica criada apenas para servir de canal de passagem de um patrimônio ou de dinheiro, sem que tenha efetivamente outra função dentro do contexto. Tratase de uma operação que serve apenas para transmitir um patrimônio ou um determinado recurso. 313. Outro exemplo de sociedade é a denominada "sociedade efêmera" ou empresa de curta duração que nasce para morrer ou para ser extinta tão logo cumpra seu papel em determinada operação. Assim, algumas vezes, no planejamento uma sociedade é criada para participar de determinado negócio ou receber determinado patrimônio em trânsito para outra pessoa jurídica, eventualmente ligada à figura do ágio; feito isto a empresa pode desaparecer. Foi o que ocorreu com as empresas NDPar e Dabarra (antiga Mandiçununga), desapareceram." (grifos no original) De acordo com o artigo 981 do vigente Código Civil, celebram contrato de sociedade as pessoas que reciprocamente se obrigam a contribuir, com bens ou serviços, para o exercício de atividade econômica e a partilha, entre si, dos resultado, podendo realizar atividades de um ou mais negócios determinados. Assim, um pressuposto fático da existência da sociedade é a disposição dos sócios em prol da realização de atividades econômicas, com a Fl. 9237DF CARF MF Processo nº 16561.720093/201138 Acórdão n.º 9101003.364 CSRFT1 Fl. 9.238 34 conjugação de esforços necessários aos fins estipulados no contrato de formação da sociedade. Por via de consequência, sem o ânimo do exercício de atividade econômica, o propósito societário está ausente. Diante disso, descortinase a inexistência de propósito negocial na constituição formal de NDPAR e MANDIÇUNUNGA/DABARRA. O fim desejado por aqueles que conceberam a constituição dessas pessoas jurídicas limitouse à função de transferir patrimônios para viabilizar a geração e/ou a transferência de ágios artificialmente criados com vistas à redução indevida de tributos. Aqui, é preciso salientar que o artigo 7º da Lei nº 9.532/97 autoriza a dedução do ágio amortizado, no cômputo do lucro real, apenas quando uma pessoa jurídica absorver patrimônio de outra, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, na qual detenha participação societária adquirida com ágio, apurado segundo o disposto no artigo 20 do DecretoLei n º 1.598/1977: “Art. 7º. A pessoa jurídica que absorver patrimônio de outra, em virtude de incorporação, fusão ou cisão,na qual detenha participação societária adquirida com ágio ou deságio, apurado segundo o disposto no art. 20 do DecretoLei n° 1.598, de 26 de dezembro de 1977”: [...] III poderá amortizar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "b" do § 2° do art. 20 do DecretoLei n° 1.598, de 1977, nos balanços correspondentes à apuração de lucro real, levantados posteriormente à incorporação, fusão ou cisão, à razão de 1/60 (um sessenta avos), no máximo, para cada mês do período de apuração; (Redação dada pela Lei 9.718, de 27/11/98) (grifei) Já o artigo 8° da Lei nº 9.532/1997 prevê que o disposto no artigo anterior é aplicável quando a pessoa jurídica incorporada, fusionada ou cindida for aquela que detinha a propriedade da participação societária: “Art. 8º O disposto no artigo anterior aplicase, inclusive, quando: a) o investimento não for, obrigatoriamente, avaliado pelo valor de patrimônio líquido; b) a empresa incorporada, fusionada ou cindida for aquela que detinha a propriedade da participação societária. A carência de substância econômica dos ágios já referidos não autoriza a fiscalizada a deduzir as parcelas amortizadas, porquanto não satisfeitos os artigos 7º e 8º, supra. Que fique claro que a amortização do ágio, em regra, não é dedutível, no cálculo do lucro real e da base de cálculo da CSLL. Contudo, a lei confere, excepcionalmente, o direito de deduzir a parcela amortizada do ágio, na apuração do lucro real, somente nos termos dos anteditos artigos 7º e 8º da Lei nº 9.532/1997. Em face do exposto, impossível anuir com os efeitos fiscais da amortização do ágio criado com o emprego das citadas empresas veículos (que também são efêmeras). No próximo passo, a questão alusiva à possibilidades de efeitos tributários do ágio interno. Fl. 9238DF CARF MF Processo nº 16561.720093/201138 Acórdão n.º 9101003.364 CSRFT1 Fl. 9.239 35 Acima, já se aduziu ao ágio intragrupo, criado quando da integralização de capital em CORONA por DABARRA, bem assim ao ágio interno fundado na reavaliação do patrimônio de CORONA, que se refletiu no investimento em NDPAR, adquirido por MANDIÇUNUNGA. Completando as informações alusivas a este tópico, trazse à colação sucinto resumo sobre as operações societárias referentes à USINA DA BARRA 44. COSAN 50 integralizou capital com ágio em USINA DA BARRA 44, em 30/04/2004. Esse ágio foi repassado para MANDIÇUNUNGA e, em seguida, para CORONA, em 28/02/2006. Tal aumento de capital foi objeto de um "Protocolo de Intenções Visando à Subscrição de Aumento de Capital Social para Integralização com Crédito em Conta Corrente", firmado em 19/04/2004 pela COSAN 50 e pela USINA DA BARRA 44. Citado Protocolo de Intenções previa a subscrição do aumento de capital social no valor de R$ 70.000.000,00, pela COSAN 50, mediante conferência de crédito em conta corrente que COSAN 50 possuía junto à USINA DA BARRA 44. Esse crédito em conta corrente foi avaliado por três peritos, os quais concluíram que o valor contábil do crédito de COSAN 50 com USINA DA BARRA 44 era de R$ 200.937.142,59, em 31/03/2004..Também providenciouse um laudo do acervo patrimonial da USINA DA BARRA 44, a valor de mercado, para determinar o valor das ações a serem emitidas. Com base no aludido laudo de avaliação, estabeleceuse que o preço de emissão das ações de USINA DA BARRA 44 era de R$ 0,225491971, por lote de mil ações. Assim, emitiramse 310.432.339.401 ações ordinárias para o aumento de capital em R$ 70.000.000,00. tendo gerado um ágio de R$ 35.241.744,24, segundo o contribuinte. O capital social de USINA DA BARRA 44 passou a ser de R$ 144.647.024,69, representado por 4.384.870.098.279 ações escriturais, sem valor nominal, segundo consta da Ata da AGE. Acontece que USINA DA BARRA 44 já integrava o grupo econômico COSAN, quando do aumento de capital realizado em 30/04/2004. Esse fato leva à conclusão de que o ágio apurado, quando do precitado aumento de capital, é um ágio interno, sem geração de nova riqueza no grupo econômico. Anotese a tal respeito que não houve qualquer sacrifício patrimonial para a criação desse ágio. Com o aumento de capital em tela, o valor que estava contabilizado em USINA DA BARRA 44, em conta de passivo, passou a compor a conta de capital pelo valor integralizado de R$ 70.000.000,00, mas quem detinha o direito ao crédito, COSAN 50, passou a registrar um investimento com mais valia, o ágio. Vêse, por conseguinte, um aumento de capital realizado com ágio sem aporte de capital novo e efetuado em empresa controlada. A mais valia em questão foi aproveitada na integralização de novos aumentos de capital em outras pessoas jurídicas do grupo. No caso em exame, percebese, a exemplo do que se comentou no item precedente, que também não ocorreu variação no percentual de participação, conforme o destacado nas referências ao Ofício Circular CVM/SNC/SEP n° 01/2005. Perante tais fundamentos e em acréscimo às razões já consignados na solução da questão anteriormente apreciada, não se pode admitir a dedutibilidade do ágio interno amortizado. Na próxima questão, a limitação da utilização de prejuízo fiscal e base negativa na extinção de pessoa jurídica. DANCO incorporou USINA DA BARRA 48, e seu capital social, que estava registrado no valor de R$ 1.000,00, aumentou para R$ 660.519.604,29. Ao cabo da Fl. 9239DF CARF MF Processo nº 16561.720093/201138 Acórdão n.º 9101003.364 CSRFT1 Fl. 9.240 36 incorporação, a sociedade incorporada deixou de existir. Em seguida, a incorporadora alterou sua razão social para USINA DA BARRA S/A AÇÚCAR E ÁLCOOL (USINA DA BARRA 08), como também alterou seu endereço, situandose, desde então, no local onde era a sede de USINA DA BARRA 48. DANCO estava inativa desde a sua constituição, com capital de R$ 1.000,00, enquanto USINA DA BARRA 48, com capital de R$ 660.518.604,29, estava ativa desde 1956. Com a incorporação, USINA DA BARRA 08 assumiu todos os ativos e todos os passivos de USINA DA BARRA 48. Tudo o mais permaneceu como na anterior USINA DA BARRA 48: ativos, passivos, receitas, despesas, endereço, sócios. Apenas duas alterações ocorreram: o capital social, acrescido em R$1.000,00, e o número do CNPJ. No documento Protocolo e Justificação da AGE de 28/02/2007, citouse que a incorporação acarretaria vantagens às sociedades envolvidas, "consistentes na redução de custos operacionais e administrativos em face da unificação dos esforços gerenciais e do redimensionamento da estrutura operacional". No ponto, a Fiscalização argui: como sustentar a justificativa de redução de custos operacionais e administrativos, se a empresa incorporadora DANCO foi cadastrada no CNPJ em maio de 2006 e permaneceu inativa até fevereiro de 2007, ocasião da incorporação? Alertese para a circunstância segundo a qual a pessoa jurídica DANCO apresentou a DIPJ relativa ao anocalendário de 2007 com todos os custos e despesas zerados, o que fulmina o argumento de que a incorporação em lume visava à redução de custos operacionais e administrativos, bem como o redimensionamento da estrutura operacional, já que nada disso existia. Na realidade, a fiscalizada valeuse da incorporação em foco com o propósito de compensar o prejuízo da pessoa jurídica incorporada acima da trava de 30%. Isto é, o prejuízo fiscal e a base de cálculo negativa de CSLL oriundos de USINA DA BARRA 48 foram compensados por USINA DA BARRA 08 além do limite legal, com o suposto apoio na tese de que não há limitação para compensação de prejuízo fiscal e de base de cálculo negativa de CSLL gerados em pessoa jurídica extinta. Na linha do pensamento do ilustre Conselheiro Mário Junqueira Franco Júnior, no acórdão nº 10196.142, a pergunta que se deve fazer é: "quem de fato incorporou quem no caso concreto? A alteração da denominação e a concomitante transferência do endereço para aquele da dita incorporada são sinais fortes do que de fato ocorreu." A incorporadora teve a razão social e o domicílio alterados, ajustandose à razão social e ao endereço da incorporada, deficitária. Nessa prumada, verificase que a incorporada sobreviveu de fato, com a geração de resultados positivos compensados com prejuízos dela própria. Em verdade, o que se fez foi a adoção de forma jurídica sem correspondência fática, objetivandose compensar prejuízos fiscais acumulados com resultados positivos próprios, fora da trava de 30%, contornandose, com forma vazia de conteúdo, a prescrição proibitiva da legislação. Sem dúvida, o óbice imposto pela Fiscalização quanto à compensação de prejuízos fiscais e base de cálculo negativa de CSLL, acumulados anteriormente pela incorporada, decorreu da percuciente procura pela realidade escondida sob a capa das formas jurídicas, que dão a aparência de que os fatos são merecedores de uma qualificação distinta daquela que lhe é juridicamente correta e, como tal, determinante de um desvio da incidência natural da regra jurídica que impede a vantagem fiscal pretendida. Porém, uma vez descobertos os fatos reais pela retirada da capa das formas jurídicas, de plano se constata que toda a atividade após o evento da incorporação derivava da incorporada, com o nome desta e no seu Fl. 9240DF CARF MF Processo nº 16561.720093/201138 Acórdão n.º 9101003.364 CSRFT1 Fl. 9.241 37 endereço, que sobreviveu de fato, com geração de resultados compensados com prejuízos fiscais e base de cálculo negativa de CSLL. Firme nestas razões, anotase a violação ao artigo 510 do RIR/99, bem como a infração ao artigo 16 da Lei nº 9.065/1995, motivo por que se deve negar provimento ao Recurso Especial do contribuinte, quanto ao item debatido. Próxima questão: juros sobre a multa de ofício. O ponto crucial da dúvida está na redação do § 3º do artigo 61 da Lei nº 9.430/1996, verbis: “Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) §1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. §2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. §3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. (Vide Lei nº 9.716, de 1998) Mais especificamente, objetivase desvendar se, nos débitos a que se refere o § 3º do artigo 61 da Lei nº 9.430/1996, estão incluídos o tributo suprimido ao Erário e a multa proporcional aplicada mediante lançamento de ofício, ou somente o valor do tributo suprimido. De início, devese aludir à disposição normativa de onde emana a vedação à incidência de juros de mora sobre a multa de mora, conforme prevê o parágrafo único do artigo 16 do Decretolei nº 2.323/1987, com a redação dada pelo artigo 6º do Decretolei nº 2.331/1987, verbis: “Art. 6º. Os arts. 15 e 16 do Decretolei nº 2.323, de 26 de fevereiro de 1987, passam a vigorar com a seguinte redação: "Art. 15. Os débitos para com a Fazenda Nacional, de natureza tributária, para com o Fundo de Investimento Social (Finsocial) e para com o Fundo de Participação PISPasep, não pagos no vencimento, serão acrescidos de multa de mora. Parágrafo único. A multa de mora será de vinte por cento sobre o valor monetariamente atualizado do tributo ou contribuição, sendo reduzida a dez por cento se o pagamento for efetuado até o último dia útil do terceiro mês subseqüente àquele em que tiver ocorrido o vencimento do débito. Art. 16. Os débitos de qualquer natureza para com a Fazenda Nacional, para com o Fundo de Participação PISPasep, assim como aqueles decorrentes de empréstimo compulsórios, serão acrescidos, na via administrativa ou judicial, de Fl. 9241DF CARF MF Processo nº 16561.720093/201138 Acórdão n.º 9101003.364 CSRFT1 Fl. 9.242 38 juros de mora, contados do mês seguinte ao do vencimento, à razão de um por cento ao mês calendário ou fração e calculados sobre o valor monetariamente atualizado na forma deste decretolei. Parágrafo único. Os juros de mora não incidem sobre o valor da multa de mora de que trata o artigo anterior." Percebase que o Decretolei nº 2.323/1987, ao ressalvar a multa de mora, não vedou a incidência dos juros de mora sobre a multa proporcional aplicada mediante lançamento de ofício. Por outro lado, o § 3º do artigo 950 do Decreto nº 3000/1999 (Regulamento do Imposto de Renda – RIR/99) estabelece que a multa de mora não deve aplicada se o tributo suprimido ao Erário já tiver servido de base de cálculo para a multa proporcional decorrente de lançamento de ofício, verbis: “Art. 950. Os débitos não pagos nos prazos previstos na legislação específica serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento por dia de atraso (Lei nº 9.430, de 1996, art. 61). § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do imposto até o dia em que ocorrer o seu pagamento (Lei nº 9.430, de 1996, art. 61, § 1º). § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento (Lei nº 9.430, de 1996, art. 61, § 2º). § 3º A multa de mora prevista neste artigo não será aplicada quando o valor do imposto já tenha servido de base para a aplicação da multa decorrente de lançamento de ofício.” (grifei) Assim, a expressão “os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal”, constante do caput do artigo 61 da Lei nº 9.430/1996, deve ser interpretada no sentido de compreender, para fins de incidência dos precitados juros moratórios, a diferença do tributo não recolhida até a data de seu vencimento, em razão de sua equivocada determinação, e a consequente multa aplicada mediante lançamento de ofício. Para tal empreitada exegética, é preciso considerar os artigos 113, § 1º; 139 e 161, caput e § 1º, do Código Tributário Nacional (CTN), verbis: “Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente.” “Art. 139. O crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta.” “Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. Fl. 9242DF CARF MF Processo nº 16561.720093/201138 Acórdão n.º 9101003.364 CSRFT1 Fl. 9.243 39 § 1º Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês.” A teor dos artigos suprarreferidos: a) o crédito tributário é uma decorrência da obrigação tributária principal (CTN, artigo 139); b) essa obrigação tem por objeto o pagamento do tributo ou da penalidade pecuniária imposta como consequência do descumprimento do dever legal de entregar ao Estadocredor, no prazo legal, o valor integral do tributo, apurado em consonância com as normas legais (CTN, § 1º do artigo 113); c) o crédito não integralmente pago no vencimento, de que trata o caput do artigo 161 do CTN, não se resume ao valor do tributo suprimido ao Erário, porquanto a infração consistente na supressão do tributo é fato gerador da multa proporcional a ser aplicada mediante lançamento de ofício. Portanto, o § 3º do artigo 161 do CTN abarca o valor do tributo suprimido e a multa a ser aplicada de ofício, em decorrência da supressão do tributo. Em apoio à interpretação aqui defendida, trazse à colação o Resp nº 1.129.990PR, publicado no Dje no dia 14/09/2009, relator Ministro Castro Meira: “Da sistemática instituída pelo art. 113, caput e parágrafos, do Código Tributário NacionalCTN, extraise que o objetivo do legislador foi estabelecer um regime único de cobrança para as exações e as penalidades pecuniárias, as quais caracterizam e definem a obrigação tributária principal, de cunho essencialmente patrimonialista, que dá origem ao crédito tributário e suas conhecidas prerrogativas, como, a título de exemplo, cobrança por meio de execução distinta fundada em Certidão de Dívida AtivaCDA. A expressão "crédito tributário" é mais ampla do que o conceito de tributo, pois abrange também as penalidades decorrentes do descumprimento das obrigações acessórias. Em sede doutrinária, ensina o Desembargador Federal Luiz Alberto Gurgel de Faria que, "havendo descumprimento da obrigação acessória, ela se converte em principal relativamente à penalidade pecuniária (§ 3º), o que significa dizer que a sanção imposta ao inadimplente é uma multa, que, como tal, constitui uma obrigação principal, sendo exigida e cobrada através dos mesmos mecanismos aplicados aos tributos " (Código Tributário Nacional Comentado: Doutrina e Jurisprudência, Artigo por Artigo. Coord.: Vladimir Passos de Freitas. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais, 2ª ed., 2004, p. 546) De maneira simplificada, os juros de mora são devidos para compensar a demora no pagamento. Verificado o inadimplemento do tributo, advém a aplicação da multa punitiva que passa a integrar o crédito fiscal, ou seja, o montante que o contribuinte deve recolher ao Fisco. Se ainda assim há atraso na quitação da dívida, os juros de mora devem incidir sobre a totalidade do débito, inclusive a multa que, neste momento, constitui crédito titularizado pela Fazenda Pública, não se distinguindo da exação em si para efeitos de recompensar o credor pela demora no pagamento. (grifei) Em suma, o crédito tributário compreende a multa pecuniária, o que legitima a incidência de juros moratórios sobre a totalidade da dívida. Fl. 9243DF CARF MF Processo nº 16561.720093/201138 Acórdão n.º 9101003.364 CSRFT1 Fl. 9.244 40 Rematando, confirase a lição de Bruno Fajerstajn, encampada por Leandro Paulsen (Direito Tributário Constituição e Código Tributário à Luz da Doutrina e da Jurisprudência. Porto Alegre: Livraria do Advogado, 9ª ed., 2007, p. 1.027 1.028): "A partir da redação do dispositivo, fica evidente que os tributos não podem corresponder à aplicação de sanção pela prática de ato ilícito, diferentemente da penalidade, a qual, em sua essência, representa uma sanção decorrente do descumprimento de uma obrigação. A despeito das diferenças existentes entre os dois institutos, ambos são prestações pecuniárias devidas ao Estado. E no caso em estudo, as penalidades decorrem justamente do descumprimento de obrigação de recolher tributos. Diante disso, ainda que inconfundíveis, o tributo e a penalidade dele decorrente são figuras intimamente relacionadas. Ciente disso, o Código Tributário Nacional, ao definir o crédito tributário e a respectiva obrigação, incluiu nesses conceitos tanto os tributos como as penalidades. (grifei) Com efeito, o art. 139 do Código Tributário Nacional define crédito tributário nos seguintes termos: 'Art. 139. O crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta'. Já a obrigação principal é definida no art. 113 e no parágrafo 1º. Vejase: 'Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente'. Como se vê, o crédito e a obrigação tributária são compostos pelo tributo devido e pelas penalidades eventualmente exigíveis. No entanto, essa equiparação, muito útil para fins de arrecadação e administração fiscal, não identifica a natureza jurídica dos institutos. (...) (grifei) O Código Tributário Nacional tratou da incidência de juros de mora em seu art. 161. Confirase: 'Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1º Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. § 2º O disposto neste artigo não se aplica na pendência de consulta formulada pelo devedor dentro do prazo legal para pagamento do crédito' A redação deste dispositivo permite concluir que o Código Tributário Nacional autoriza a exigência de juros de mora sobre 'crédito' não integralmente recolhido no vencimento. Fl. 9244DF CARF MF Processo nº 16561.720093/201138 Acórdão n.º 9101003.364 CSRFT1 Fl. 9.245 41 Ao se referir ao crédito, evidentemente, o dispositivo está tratando do crédito tributário. E conforme demonstrado no item anterior, o crédito tributário decorre da obrigação principal, na qual estão incluídos tanto o valor do tributo devido como a penalidade dele decorrente. (grifos no original) Sendo assim, considerando o disposto no caput do art. 161 acima transcrito, é possível concluir que o Código Tributário Nacional autoriza a exigência de juros de mora sobre as multas" (Exigência de Juros de Mora sobre as Multas de Ofício no Âmbito da Secretaria da Receita Federal. Revista Dialética de Direito Tributário, São Paulo, n. 132, p. 29, setembro de 2006). (grifos no original) Ante o exposto, dou provimento ao recurso especial.”(grifos no original) Essa é a diretriz a ser seguida para se descortinar o alcance do § 3º do artigo 61 da Lei nº 9.430/1996, fundamento legal da multa aplicada no caso concreto. Do preceito acima invocado, destacase a incidência de juros de mora sobre débitos decorrentes de tributos e contribuições. Facilmente se infere que as multas ora comentadas só nascem porque há tributo devido a ser exigido de ofício. Não houvesse tributo sonegado, não haveria multa proporcional a ser lançada de ofício. Essa deve ser a linha de raciocínio para o desvendamento do que se pode entender no âmbito da expressão “débitos decorrentes de tributos e contribuições.” Pelas razões acima referidas, as multas proporcionais aplicadas em lançamento de ofício, por descumprimento a mandamento legal que estabelece a determinação do valor de tributo administrado pela Receita Federal do Brasil a ser recolhido no prazo legal, estão inseridas na compreensão do § 3º do artigo 61 da Lei nº 9.430/1996, sendo, portanto, suscetíveis à incidência de juros de mora à taxa Selic. Alfim, salientase que a Câmara Superior já decidiu segundo a linha exegética aqui anunciada: “JUROS DE MORA — MULTA DE OFICIO — OBRIGAÇÃO PRINCIPAL— A obrigação tributária principal surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu não pagamento, incluindo a multa de oficio proporcional. O crédito tributário corresponde a toda a obrigação tributária principal, incluindo a multa de oficio proporcional, sobre o qual, assim, devem incidir os juros de mora à taxa Selic”. (Acórdão CSRF/0400.651, de 18/09/2007, processo nº 16327.002231/200285, Relator Conselheiro Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho) “JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic.” (Acórdão nº 910100.539, de 11/03/2010, processo nº 16327.002243/99 71, Relator Conselheiro Valmir Sandri, Redatora Designada Conselheira. Viviane Vidal Wagner) À luz dos argumentos expostos, devese negar provimento ao pleito referente ao reconhecimento da ilegalidade da incidência dos juros de mora calculado com base na taxa SELIC sobre a multa aplicada. Fl. 9245DF CARF MF Processo nº 16561.720093/201138 Acórdão n.º 9101003.364 CSRFT1 Fl. 9.246 42 Conclusão: conheço do Recurso Especial do contribuinte para, no mérito, negarlhe provimento. Por fim, o Recurso Especial da Fazenda Nacional, que combate a redução da multa aplicada ao percentual de 75%. As reorganizações societárias descritas pela Fiscalização e já mencionadas neste voto, no julgamento do Recurso Especial do contribuinte, visaram à criação artificial de ágios para serem deduzidos dos resultados tributáveis, quando amortizados, e à compensação indevida de prejuízo fiscal e da base de cálculo negativa de CSLL. Para tais desideratos, montaramse esquemas com o emprego de empresas veículos formalmente constituídas, não obstantes despidas de propósito negocial. Tais empresas tiveram duração efêmera e não exerceram qualquer função distinta da transferência de patrimônios e recursos para viabilizar a redução do IRPJ e da CSLL mediante a amortização de ágios sem substância econômica, bem como pela compensação irregular de prejuízo fiscal. O planejamento tributário em referência foi concebido de tal modo a aparentar normalidade e legalidade, com o intento de ocultar os verdadeiros fins, valendose da roupagem das formas jurídicas. Diante disso, é preciso estar atento à redação do artigo 72 da Lei nº 4.502/1964: "Art . 72. Fraude é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do impôsto devido a evitar ou diferir o seu pagamento." Nas circunstâncias referidas, revelase patente o dolo da conduta de fraude, pois os que planejaram e implementaram as reorganizações societárias, a constituição formal de sociedades sem propósito negocial e a criação de ágios artificiais agiram com consciência do que faziam, isto é, sabiam que estavam executando a ação de modificar as características essenciais dos fatos geradores do IRPJ e da CSSL, alterando os resultados tributáveis com a dedução de despesas de amortização de ágio sem substância econômica, como também com a compensação ilegal de prejuízo fiscal e de base de cálculo negativa de CSLL, tudo isso para obter o fim pretendido, efetivamente obtido, a redução indevida do IRPJ e da CSLL. Desse modo, cabível a aplicação da multa de 150%, na forma: a) do artigo 44, inciso II, da Lei nº 9.430/1996, para os fatos geradores do anocalendário 2006; b) do artigo 44, § 1º, da Lei nº 9.430/1996, para os fatos geradores ocorridos a partir do anocalendário de 2007. Em face do exposto, conheço do Recurso Especial da PGFN para, no mérito, darlhe provimento. (assinado digitalmente) Flávio Franco Corrêa Fl. 9246DF CARF MF Processo nº 16561.720093/201138 Acórdão n.º 9101003.364 CSRFT1 Fl. 9.247 43 Fl. 9247DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13855.001873/2003-81
Data da sessão: Wed Mar 17 00:00:00 UTC 2010
Ementa: REGIMES ADUANEIROS
Período de apuração: 08/09/1999 a 25/01/2000
DRAWBACK SUSPENSÃO. IN AD IMPLEMENTO DE COMPROMISSOS DO REGIME ADUANEIRO ESPECIAL.
(1) Tem amparo no ordenamento jurídico vigente o denunciado inadimplemento de compromissos do regime aduaneiro especial, mesmo perante relatório de comprovação apontando em sentido contrário, quando a escrituração fiscal do estabelecimento não permite aferir se são meros erros formais tanto a falta de anotação do drawback no documento comprobatório da exportação quanto o incorreto enquadramento das operações de exportação no Siscomex. (2) Não se presta para comprovar o alegado adimplemento de compromissos do regime aduaneiro especial registro de exportação vinculado a outro ato concessório. (3) Não há se falar em adimplemento do regime aduaneiro especial se os insumos importados com suspensão dos tributos não foram utilizados na produção das mercadorias cuja exportação é informada no relatório de comprovação de drawback.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3101-000.358
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Os conselheiros Henrique Pinheiro Torres e Corintho Oliveira Machado votaram pela conclusão.
Matéria: II/IE/IPIV - ação fiscal - insufiência apuração/recolhimento
Nome do relator: Tarásio Campelo Borges
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Numero do processo: 13805.007784/94-46
Data da sessão: Fri Aug 06 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ
Ano-calendário: 1990, 1991, 1992
VARIAÇÕES MONETÁRIAS DE DEPÓSITOS JUDICIAIS. As variações
monetárias decorrentes de depósitos judiciais com a finalidade de suspender a exigibilidade do crédito tributário devem compor o resultado do exercício, segundo o regime de competência, tendo em vista que o valor depositado integra o conjunto de bens e direitos do ativo do depositante.
EQUILÍBRIO PATRIMONIAL E FISCAL. VARIAÇÕES MONETÁRIAS PASSIVAS INCORRIDAS ANTES DA VIGÊNCIA DA LEI N° 8,541/92.
Incumbe à recorrente provar que descumpriu a legislação comercial e assim deixou de registrar a atualização monetária das obrigações tributárias que, depositadas judicialmente, deveriam integrar o passivo contábil.
Numero da decisão: 1101-000.347
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR
provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Matéria: IRPJ - AF - lucro real (exceto.omissão receitas pres.legal)
Nome do relator: Edeli Pereira Bessa
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 1990, 1991, 1992 VARIAÇÕES MONETÁRIAS DE DEPÓSITOS JUDICIAIS. As variações monetárias decorrentes de depósitos judiciais com a finalidade de suspender a exigibilidade do crédito tributário devem compor o resultado do exercício, segundo o regime de competência, tendo em vista que o valor depositado integra o conjunto de bens e direitos do ativo do depositante. EQUILÍBRIO PATRIMONIAL E FISCAL. VARIAÇÕES MONETÁRIAS PASSIVAS INCORRIDAS ANTES DA VIGÊNCIA DA LEI N° 8,541/92. Incumbe à recorrente provar que descumpriu a legislação comercial e assim deixou de registrar a atualização monetária das obrigações tributárias que, depositadas judicialmente, deveriam integrar o passivo contábil.
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TURMA/DRJ-SÃO PAULO/SP I ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURíDICA - IRPJ Ano-calendário: 1990, 1991, 1992 VARIAÇÕES MONETÁRIAS DE DEPÓSITOS JUDICIAIS. As variações monetárias decorrentes de depósitos judiciais com a finalidade de suspender a exigibilidade do crédito tributário devem compor o resultado do exercício, segundo o regime de competência, tendo em vista que o valor depositado integra o conjunto de bens e direitos do ativo do depositante. EQUILÍBRIO PATRIMONIAL E FISCAL. VARIAÇÕES MONETÁRIAS PASSIVAS INCORRIDAS ANTES DA VIGÊNCIA DA LEI N° 8,541/92. Incumbe à reCOI!'ente provar que descumpriu a legislação comercial e assim deixou de registrar a atualização monetária das obrigações tributárias que, depositadas judicialmente, deveriam integrar o passivo contábil. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR pIOvimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado FRAN~ RIBEIRO DE QUEIROZ - Presidente. ~j~~~g~tora EDITADO EM: J O SET 2010 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz (presidente da turma), Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho (vice- presidente), Carlos Eduardo de Almeida GueTTeiro, Edeli Dalcamim, Ausente o Conselheiro José Ricardo da Silva. Pereira Bessa e Shelley Henrique tJ!l Processo na 13805007784/94.46 Acórdüo n" 1101.00347 Relató."io SI-ClT! FI :! H. GUEDES ENGENHARIA S A, já qualiticada nos autos, recorre de decisão proferida pela 7" Tunna da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de São Paulo-l que, por unanimidade de votos, julgou PROCEDENTE EM PARTE o lançamento formalizado em 17/11/94, exigindo crédito tributário no valor total de 3.708.587,57 UFIR Consta da decisão recorrida o seguinte relato: Contra a pessoa jurídica uc:íma identificada, tributada pelo 11lC/'0 real, relativamente aos perfodos-ba'ie de 1990(anllal), I991(mwal) e 1992(mensal), foi lavrado em 171111/994 Auto de brfraçiio do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica - IRPJ (fls 2612 7), com o crédito tributário de 1956. 918,89 UF1R, e ainda dO\' re.11exos,com seus correspondentes montantes' ImjJo';to de Renda Retido na Fonte - IRRF ({ls.33/34), 1286238,20 UFIR, e Contriblliçiio Social sobre o Luc/ o Liquido - CSLL (/7s39/40), 465420,48 UFIR, perfazendo o crédito tributário total, neste processo, de 3708 587,57 UFIR Tendo em vista que os lançamentos acima decorrem dos mesmos fàtos geradores e elementos de prova, o relatório e o voto deste acórdão cOJ1femplarãotodos os lançamentos, sendo o IRP.! o lançamento principal e os demais por tributaçiio rejlexa Assim sendo, apreende-se do Termo de Ver(ficaçâo n" I (11••.03), elaborado pelo alltor do procedimento fiscal, que a autuada illfNngiu o di,~pol'tono artigo 254 do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto nO 854.5011980 (RIR/80), por /1(10 contabílízar a Variação Monetária Ativa decorrente dos depósitos judíciáis havidos por conta de ações judiciais jJl'opostas contra a Fazenda Nacional, que têm como objetos o Pis, Fin,'iociale Cofins. Diante do filto, o agente fiscal constituiu o credito tributário pela tributação da 1'{Triação monetária ativa, apurando, em conseqiiência, O.f valores por tribll/o/contriblliç:(IocOl(lot1netabela abaixo '1110- valorTributável IIIlIltade aMito triblltárioem UF/R (COIIIIIIlIltae ba~/?/e-';(!Iducio ((:orreçiiomonetária oficio jlltos de motl/ atualizadosaté 30/06/94) dos depósitos judiciaisem lIIoed(1 /RPJ /RRF CSLL da época- Cr$) /990//991 5.876.493,90 50% /5.371,73 15.218.89 4.658.09 199///992 99.05/.471,45 /00% 130,100,04 94,088,22 34.084,64 1992/1993 S./22,522.056,95 100% 1.811.457,12 1.176.931,09 426.677,75 tota/ do Cl't!f/itOtributáriopor IrilJllfo/colltriblliçiioem UFIR 1.956.928,89 1.286.238,20 465.420,48 Cientificado o sl!jeito passivo em 1711111994 (110;26,33 e 39, in fine), inte/põs impugnação em 15/121J 994 (lls44/50), solicitando a improcedencia dos lançamentos, alegando, em resumo e substância, os segllÍntes pontos' • a tributaçüo indevida da correção monetária dos depósitos judiciais, pois estes, na condição "sub judice", smpendem a exigibilidade do crédito tributário cO/lfarme o arl151, 11, do CTN, não emejal1do a di\J)onibilidade econômica ou jurídica de &O 3 tais valores e a~,lilll, 1lllOCOI!figlllW1Cloo (ato gerado/ do imposto de remia lia forma descrita /101' art 43 e 45 do CTN. o as disposiçõe~ legais qUe! regem o Pil. Finwcial e Cotim (O/{/11Iifiliingidas /1(1 lII.l!lwç(ia(l.ei nO 7689188 e DL n° 1445188), IHÚS, estalido os valores depositados em juízo. as atualizações de tais valores wlo elementos estral/hos ti base de aílculo daquelas contribuições(liTturamento e receita operaciona/), ainda mais que, f/nda a açiio, e /Ia hipótese dos valores dos depósitos serem cOl/l'ertidos em renda da Ulliâo. haveria, se prel'([lecerelll OI /anç'(ffllefltos, o del'er da Unú/o restituir 0,\' valores /a/lçados, /lOS termM do art 964 do Cúdigo Civil. o o art, 8° da Lei /10 854 I192 determil/a a il/dedll1ibilidade dos depósitos jlldiciais enquaf1(o pendel1les ao;ações. desta forma. m/o haveria prel'is{lo legal para a tri1JlItaç(;oda variaçlio monetária atiFa desses depósitos anteriormente li ediç(io da dita lei. o a inconstitucionalidade da aplicaç{lo da TRD (Taxa Referencial Diária) como correçào mO/letária de atualizaç(io dos tributos, devendo ser aplicado para talos !Tu/icesoficiáil. o em fáce das aç6es envolvendo o Pis, Fifl.WJciale Cq(ins, l/(íl'u~jJemii() da exigibilidade do crédito tributário Vindo o processo (/ esta Delegacia de Ju/gamento da Receita Federal do Brasil (DR./ISiio Pau/o-/) para a apreciaçiio da impugnaçiío, ojulgamento (oi convertido em diligénóa, em 27111198((ls 55), para que Ibssem trazidos aos (/utos documentos referentes às ações judiciais em discllssiio Cientificada a contribuinte para apresentar as certid6e,\ de olyeto e pé daI' açjje~ judiciais relativas ao Pis, Finwcial e 04ins em 25106199(lls58). postou-se a mesma inerte relativamente ú so/icitaçtio. ra::clopela qual. o próprio ó/giio de origem (DemtISP). jUf/{OIlem 1910211008. extratos de pesquisas junto ao sítio da Justiça Federal de açôes jlu/;ciais relativas ao Pis, Fil7Sociale Cofins (/is 76/122), ocasilio em que (oi devolvido o processo a esta DRJ A Tunna Julgadora admitiu parcialmente as alegações da impugnante, argumentando que: o Os depósitos judiciais constituem direito de crédito euja propriedade continua com o depositante, ainda que sem disponibilidade econômica, e caso s~ja vencedor na lide, sua devolução se tàrá pelo valor devidamente corrigido. Assim, tais rendimentos devem ser apropriados pelo regime de competência, independentemente da futura destinação que vier a lhes ser dada. A não inclusão destes valores no lucro operacional representa inexatidão quanto ao período- base de escrituração da receita e conseqüente postergação do pagamento do imposto, • Ressaltou que a jurisprudência administrativa e judicial direciona-se neste sentido, inexistindo afronta ao disposto no art. 43 do CTN Citou julgado do Superior Tribunal de Justiça em favor de seu entendimento" ti Destacou, também a necessidade de se manter o equilíbrio entre o registro da variação monetária atim sobre U11ldireito de crédito, 011 seja, os depósitos judiciais, e a correspondente variação monetária passiva, referente à atualizaçiío da dívida tributária objeto dos depósitos, Em tais condições, a atualização de ambas as contas éfl 11. Processo n" 1.3805 ,007784fl)4-46 Aco,dão 11 o llOI-OO ..347 SI-Ctl1 F13 resultaria em lançamentos que se anulam cOlltabilmente e 11aO propiciam. em conseqiiência. qualquer saldo tributável. • Cancelou a exigência de IRRF, na medida em que o lançamento foi fundamento em disposições do RIR/80, que já se encontravam superadas pela edição da Lei n" 7.713/88, como expresso \lO Ato Declaratório N01111ativoSRF n" 06/96. • Atàstou a aplicação da TRD para cálculo dos juros de mora no período de 04/02/91 a 29/07/91, em razão do entendimento firmado por meio da Instrução Normativa SRF n° 32/97, que tirmou seu cabimento apenas a partir da vigência da Lei nU 8218/91 (em 30/07/91). Os valores devidos naquele período serão calculados à razão de 1% ao mês, na forma da legislação consolidada no art, 726 do RIR/80, • Reduziu a multa de otleio aplicada nos períodos-base de 1991 e 1992 a 75%, em razão da retroatividade benigna da Lei n° 9.430/96. Constou do acórdão, ainda, que: Deixo de recorrer de oficio por força do disposto no Ato Declaratório(Normativo) CositnO 01, de 07/01/1997, que determina li não inclm'c1o no cômputo do limite de alçada, pa1'll efeito de intel1JOsição de /,(!Cll1~\'Ode oficio, do valor da multa de qjicio exonerada em virtude da aplicaçiio retroativa do di.5jJOStO110 al1,44 da Lei nO 9430/96 Cientificada da decisão de primeira instância em 17/10/2008 (t1 164), a contribuinte interpôs recurso voluntário, tempestivamente, em 17/1112008 (fls. 1651172), no qual reprisa os argumentos apresentados na impugnação. Novamente defende que os depósitos judiciais ficam a disposição do juizo, inexistindo disponibilidade econômica do contribuinte, o que contraria o conceito de renda expresso no art. 4.3do CTN, complementado por seu art. 45. Aduz que a pretensão da .fiscalização federal, 110 sentido de incluir na base de calculo do PIS, FINSOCIAL e CONFINS os valores da indenização monetária incidente sobre os depósitos judiciais viola inclusive as disposições legais que regem as exigências de tais exações, Menciona que só com o trânsito em julgado das ações propostas é que se definirá o destino a ser dado aos depósitos, Cita pronunciamento do STJ que nega a aplicação da taxa SELlC para atualização de depósitos judiciais e conclui que a atualização monetária dos impostos depositados em juízo não poderia sofrer a incidência de tais tributações, Asseverando que a base imponível é a medida da hipótese de incidência sob seu aspecto material, entende ser patente o enriquecimento sem causa por parte do Estado Fisco, já que valores alheios teriam sido considerados para formação da base de cálculo, e invoca o arL 964 do antigo Código Civil que obriga à restituição aquele que recebe o que não lhe é devido. ~ f 5 Desta fOlllla, entende ser de b01ll alvitre a nulidade dos lançamentos, mas acrescenta: Somente no sentido de se argumel1tar, admifindo-se a obrigaçiio da contribl/ime em reconhecer a receita de correç(;o II/ollefária dos depósifoS judiciais, seria necessário fambém, reconhecer-se a despesa de correç(;o II/onetária da obrigaçiio passiva do débito fiscal, que de outra fimna Jornaria nl/la a receita, que em conseqüência tornaria nulo os autos de iI!fi-açiío, pois seriam zerados COII/ as operações positivas e negativas, m;o selUlo caso de prejuízo aos co/i"es públícCH, sob pena de, esposando-se entendimento contrário, ver Fisco adotar critérios arbilrários Outrossim, niío se perca de vis la, que a lei 11° 8 541/92, em seu arligo 8°, determina a Índedutibilidade dos depó'iitos judiciais, enquanto pendente de julgamento o litígio, Tem-se dessa forma, que. anferiormente à edição do referido diplo/1/a legal, m;o havia prel'iw;o legal para a pretenw;o e\tadual constante dos autos de il!!i'aç:(io lavrados contra esta contribuinte, Reitera o pedido de exclusão da TRD, na medida em que o Poder Judiciário já declarou inconstitucional sua aplicação sobre tributos, revelando-se incabível sua adoção em substituição ao BTN a partir de 01/03/91, E íinaliza registrando que: No II/ais, havelldowspenscio do credito triblltário, e enquanto pendente a questcio "sub judice", da lI1el/!/(l forma haverá de ser CO/li os referidos autos de i/!fraçcio. devendo ser comide/atlos insubsistelltes. ()!l Processo n" 138050077S4/04-46 ACÔHlão n" 1101-00.347 Voto Conselheira EDELI PEREIRA BESSA SI-ClTl FI 4 Inicialmente importa registrar que a recorrente confunde-se ao elaborar sua defesa, reportando-se aos efeitos das ações judiciais nas quais são discutidos os hibutos depositados judicialmente .. No entanto, a matéria aqui tratada diz respeito às repercussões contábeis e fiscais destes depósitos judiciais no âmbito da apuração do IRPJ e CSLL e não é afetada, quanto à sua exigibilidade, por qualquer decisão judicial que tenha suspendido a exigibilidade dos tributos depositados judicialmente. Em conseqüência, a apreciação do mérito do presente lançamento não encontra qualquer óbice nas ações judiciais antes propostas. o crédito tributário aqui em debate foi apurado em procedimento fiscal iniciado em .31105/93,durante o qual constatou-se que a contribuinte deixou de contabilizar a Variaç{JoMonetária Ativa decorrente dos depósitos judiciais havidos em função das ações propostas contra o Ministério da Fazenda, variação esta verificada nos anos-base 1990,1991 e 1992. o lançamento, cientificado à contribuinte em 17/11/94, ú.IIldamentou-se no art 254 do Regulamento do Imposto de Renda aprovado pelo Decreto nO85.450/80 - RIR/SO, que assim dispõe: Art. 254 - Na deterl1linaçl;odo luera operacional (Decreto-lei 17" 1596/77, art. j 8): f - devertio ser incluídas as contrapartidas das variações monetárias, em fimção da taxa de câmbio 011 de indices ou coeficientes aplicáveis. por disposiç(io legal Oll contratual, dos direitos de crédito do contribliinte, assim como os ganhos cambiais e monetários realizados no pagamento de obrigações, fl -podenio ser deduzidas as contrapartidas de variações II/onetárias de obrigações e as perdas cambiais e monetárias lia realizaçlio de créditos .f lÍnico - Compreendem-se nas di.\posições deste art. as variaçe)es monetárias apuradas mediante a) compra ali venda de lIIoeda ou valores e:>.pressosem moeda estrangeira, desde que I?;!etuadade acordo com a legislaç.-iiosobre câmbio; b) conversão do crédito ou da legislaçc"iopara moeda nacional, ali novação dessa obrigaçiio, 011 sua extillçiio, total 011 parcial, em virlllde de eapitalizaçiio, dação em pagamento, comjJensaçâo, 011 qualquer olltro modo, desde que observada5 as condições fixadas pelo Banco Central do Brasil, c) atllalizaçiio dos créditos ou obrigações em moeda estrangeira, registrada em qualquer data e apurada no encerramento do exercício social em filllçiio da taxa vigente Frente a este contexto, o pfimeiro argumento da recorrente é no sentido de que as variações monetárias de depósitos judiciais não se constituem renda do depositante, na medida em que os depósitos judiciais ficam a disposição do jzdzo, inexistindo disponibilidade econômica do contribuinte, o que contraria o conceito de renda. 8 Todavia, como bem explicitado na decisão recorrida, os depósitos judiciais diferem do pagamento, e os valores correspondentes não são transferidos ao Fisco, bem como não extinguem a obrigação tributária a que se referem, apenas prestando-se como garantia de pagamento caso o Poder Judiciário conclua pela efetiva existência da dívida, Ou seja, a propriedade da contribuinte sobre tais recursos financeiros fica gravada em razão de seu oferecimento como garantia de dívida, impossibilitando-lhe de deles dispor, mas sem suprimir as demais características que o constituem como um direito da depositante, Tanto o é que os depósitos judiciais são reconhecidos como elemento integrante do patrimônio pecuniário dos depositantes para fins de penhora, como se vê em manifestações do Superior Tribunal de Justiça, inclusive nesta exarada recentemente em voto do Ministro Herman Benjamim, no acórdão proferido em 20/08/2009 nos autos do Recurso Especial n° 1.098,077: Com e/eilo, é ev;encial relembrar que a penhora Ibi cullcreli:i:ac!a wbre os depósitos judiciais pela impetrante realizados, isto é, sobre o seu patrimôniO pecuniário - tallto é verdade que, uma vez illlegwlJllente vencedora, o Alvará de Levantamento seria expedido em seu f(lvor Corrobora e'.ue elllendimento o j(.rlO de que, a seu pedido - ou seja, porque se Irala de seu património e, nessa medida, de bem di.\ponivel - , parte dos valores depositados deveria ser reservada para pagamento do procurador contralado Note-se que, se se Iratasse eletiva1/le1lle dos honorários conlralllllis, fàltaria Ínlercsse e legitimidade à recorrente para o pleilo E, no que concerne ao cômputo das variações monetárias daí decorrentes para fins de apuração da base de cálculo do IRPJ, a ementa do acórdão proferido pelo Ministro João Otávio de Noronha em 08/0512007, nos autos do Recurso Especial n" 5 I4..34 I/RJ, evidencia a pacificação em torno do tema no âmbito do Superior Tribunal de Justiça: TlUBur/ÍRlO RECURSO ESPECIAL DEPÓSITO JUDiCIAL IMPOSTO DE RENDA iNCIDÊNCIA. PRECEDENTES /. O STJ já firmou o enlel1dimento de que os valores depositados jl/dieialmeule com a finalidade de sllspeluler a exigibilidade do crédilo Irilmlário, a leor do disposlo /la art. 151, inciso 11, do CTN, permanecem no âmbito palritJlOllial do contribuinte até o lim do processo judicial inclusive no que di: respeito ao acréscimo obtido com coneçelo monetária e juJOs, consliluindo-çe assim em {criO gerador do imposlo de renda 2 Recl/r:m e.,pecial improvido Do voto aH contido extrai-se o histórico desta definição, fundamentada em referências que datam de 1997: Sobre O tema, transcrel'o excerto~' do 1'010 prr4erido pelo Ministro José Delgado no julgamento do Recurso Especial n 129 249/RS (publicado no D.f de 22 997) que bem resl/mem a ques teio "O depósito de um tributo em juízo para discutir da sua exigência ou não pode ser concebido, para qualquer fim, quer seja fiscal, quer seja obrigacional, como pagamento do referido tributo O pagamento se faz com o recolhimento e representa uma despesa, um custo pmn o contribuinte. O depósito não. Ele permanece integrando o patrimônio do contribuinte, vinculado, apenas, ao fim a que ele se destina: o de garantir o débito I1scaljudicialmente discutido. Essa característica se apresenta de 1'01111atão induvidosa que se o litígio 1'01 julgado em tàvor do depositante, as quantias, por lhe pertencerem, serão liberadas e passam a ter livre movimentação no patrimônio do seu titular Se, ao contrário, ocorrer a denegação do pedido, o depósito se transformará em renda do Poder tributante e aí, sim, assume a feição de despesa, podendo ser dedutível ~ rruccsso nU 13805 007784/94.46 Acórdiio n" IJOI-OO.347 (. .) SI-CITl FI 5 Conceituar essa operação como despesa, sem qualquer possibilidade de no futuro, no caso do contribuinte ser o vencedor da ação e o depósito voltar para o seu patrimônio, receber a devida tl'ibutaÇ<10 com os acréscimos decorrentes da diminuição do imposto pago é conceder uma benefício fiscal sem autorização legal. Não há lei dizendo que o depósito judicial é despesa dedutível para fins de imposto de renda. Logo, assim não se pode entender como sendo. " A fim de corroborar tal entendimento, destaco. ainda, os seguintes julgados "TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA DEPÓSITO JUDICIALSUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO. CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA I. Os valores depositados judicialmente com o escopo de suspender a exigibilidade do crédito tributário não escapam ao âmbito patrimonial do contribuinte, inclusive no que diz respeito ao acréscimo decorrente de coneção monetária e juros, constituindo-se, portanto, em fato gerador do imposto de renda Precedentes de ambas as Turmas de Direito Público deste Sodalício, 2 Recurso especial improvido," (Segunda Turma, RE~p n 464.570ISP. relator Ministro Ca,';/ro Meira, DJ de 29.6..2006) "TRIBUTÁRIO - RECURSO ESPECIAL (ARTIGO 105, m, 'A' e 'C', CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA) - RENDIMENTOS DE DEPÓSITO JUDICIAL- INCIDÊNCIA DE IMPOSTO DE RENDA - PRETENDIDA VULNERAÇÃO AOS AR TlGOS 43, 114, 116, INCISO 11 E 117, INCISO I, TODOS DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL ALEGADA DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL, - O depósito judicial não é, desde logo, pagamento Iiberalólio da obrigação, pois, visa a garantir o jufzo e demonstrar, em princfpio, a um tempo, a solvibilidade do conlribuinte e seu jJlOpósilo não procrastinalório Enquanto permanece depositado, dúvida não há que produz rendimentos que caraclerizam o fato gerador do imposto de renda, Inocorrência de violação ao artigo 43 do Código Tributário Nacional. - Não se conhece do recurso especial quando os dispositivos legais tidos por violados sequer foram prequestionados, aplicnndo-se, por analogia, a Súmula n, 282 do Supremo Tribunal Federal. - A divergênciajurisplUdencial não restou adequadamente apresentada, pois, apesar das transcrições de trechos de v. arestos, não foram demonstradas suficientemente as circunstâncias que identificassem ou assemelhassem os casos confrontados. - Recurso especial não conhecido, por ausência de afronta ao ali. 105, inciso m, letras 'a' e 'c', da Constituição da República. - Decisão por unanimidade de votos.lI (Segunda Turma, RE5jJ 17 142031/RS, relator Jvhnistro Fral1ciulli Neto, Dl de 12 11.2001 ) "TRIBUTÁRIO, AGRAVO REGIMENTAL. RECURSO ESPECIAL. DEPÓSITO JUDICIAL. RENDIMENTOS. INCIDÊNCIA DE IMPOSTO DE RENDA. - Os valores depositados judicialmente com a finalidade de suspender a exigibilidade do crédito tributário, em confonuidade com o artigo 151, do CTN, não refogem ao âmbito patrimonial do contribuinte, constituindo-se assim em fato gerador do imposto ele renda - 'Os valores depositados, para os fins do mt 151, n, do CTN, permanecem no patrimônio do contribuinte, até o encenamento do processo. Por isto, seus 9 rendimentos constituem fato gemdor de imposto de renda' (REsp 194.989/PR, Relator M inístro Humberto Gomes de Barros, DJ.U 29/11/1999, Pág. 127). - Precedentes - Agravo regimental improvido'" (Primeira Turma, AgRg no RE\p 11 346703/R./, relator Minis(ro Francisco Falccio, Primeira Turma, DJ de .2 12200.2 ) "TRIBUTÁRIO - IMPOSTO DE RENDA - DEPOSITO JUDICIAL PARA SUSPENDER EXIGIBILIDADE DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO - LEI 8 541/92 - Os valores depositados, para os fins do mt. 151, lI, do CTN, permanecem no patrimônio do contribuinte, até o enccnamento do processo Por isto, seus rendimentos constituem fato gerador de imposto de renda."(Primeira Tur111a,RE\jJ li 194.989/PR, Primeira Turma, relafOr Mini'itro Humberto Gomes de Barros, DJ de .29.11.1999) Nesta instância de julgamento administrativo, decisões já foram profelidas, inclusive no âmbito da Câmara Superior de Recursos Fiscais, em sentido contrário à jurisprudência que se firmou no Superior Tribunal de Justiça: JlARIAÇiO MONETIÍRIA - DEPÓSITOS JUDICIAIS - Em ra:::c"iode .\ua indisponibilidade econômica, sobre os va/ore,l' depositados em Juízo /1(;0 del'e incidir correçe'io monetária, já que IUl0 fiá (ato gerador do tributo Somente (/ partir de seu ingresso no patrimônio do contribuinte, em mUlo de dec:i,w;o /al'oráve/ transitada em julgado, é que devem tais valores serelll incluído /10 lucro líquido para ejeitos de apuraçcio do lucro real. Recurso cOllllecido e improl'ido. (Acórdão CSRF n° 01-02.917, data da sessão: 08/05/2000) Todavia, hoje é pacífico o entendimento em favor da inclusão de tais receitas na base de cálculo do IRPJ, consoante registros verificados desde 2005 na Câmara Superior de Recursos Fiscais: VARIAÇÕES MONETIÍRIAS DE DEPÓSITOS JUDICIAIS - As Wlriaçcks monetárias decorrel/tes de depósitos judiciais COIII a finalidade de suspender a exigibilidade do crédito tributário del'em compor o resultado do exercício, segundo o regime de competência, tendo em vista que o valor depositado integra o CO/liunto de bel1'i e direitos do ativo do depositante. Recursu especial negado. (Acórdão CSRF nO 01-05.270, sessão de 20/09/2005) VARIAÇA'O !l'!ONETtíRIA ATIVA - Cabível a exigência da variaçlio monetária dos depó!iitos judiciais com a finalidmle de suspender a exigibilidade do crédito tributário, em cO/lformidade COIII o art. 151, do CTN O valor depositado representa IlII1 ativo da empresa que tem dois destinos possíveis ..primeiro, quitar o tributo caso a Justiça o entenda devido ou, segundo. ser incOljJorado ao caixa da empresa quando considerado indevido. E/11ambas as opções, esse recurso irá gerar acréscimo patrimonial para empresa, s~ía aumentando U/11ativo (ing/ es,m 1/0 caixa) 011 reduzindo /lI1I passivo (quitaçiio de débito tributúrio) Recurso voluntário negado (Acórdão CSRF n" 01-05.777, sessão de 04/12/2007) Desta f01l11a,não há qualquer prejuízo à validade do lançamento por ofensa ao art 4.3 do CTN, ou por estar caracterizado o alegado enrÍquecimel1to sem callsa por parte do Estado Fisco, Em verdade, maior discussão há, neste tema, em tomo do argumento subsidiário trazido pela recorrente, ao defender a necessidade de, também, recol1hecer-se {/ despesa de correção monetária da obrigação passiva do débito fiscal, o que evidenciaria a inexistência de prejuízo (/OS coji es públicos, mOl1nente tendo em conta que a lei nO 8.54//91, (fJ ~1O PrlH;esso n" 13805 007784/94-46 Acórdão n" 1101-00.347 SI-ClTl FI 6 em seu artigo 8°, determina a Ílldedutibilidade dos depósitos judiciais, enquanto pendente de julgamen/o o litígio, De fato, a Lei nU 8,541192 fixou o regime de caixa para dedutibilidade de tributos, contribuições e demais acessórios que compõem as obrigações ttibutárías, nos seguintes tennos: Art 7° As obrigações referentes a tributos ou cOlltribuições somente serüo dedutíveis, para fins de apuração do lucro real, quando pagas. ,~~.1°Os valores das provi.~'ões.constituídas com base nas obrigações de que trata o caput deste artigo, registrados como despesas indedulÍveis, serão adicionados ao lucro líquido. para efeito de apuração do lucro real, e excluído no período-base em que a obrigaçào provisionadafor efetivamente paga. [ .] Art 8° Sel'{io c011',ideradasC0ll10redução indevida do lucro real. de cO/lfo/midade com as disposições contidas no arl 6°, .f 5°. alínea b. do Decreto-Lei nO J 598. de 26 de dezembro de 1977. as importâncias contabilizadas como CI/sto ou despe.m. relativas a tributo.~ ou cOll1ribuições, sua respectiva atualização monetária e as multas. juros e outros encargos. cuja exigibilidade esteja .m~jJensa nos termos do arl. 15J da Lei nO5 172. de 25 de outubro de 1966. lIaja 01./ 1U70 depósito judicial em garantia. Com a Lei nO8.981/95, O regime de caixa permaneceu aplicável apenas para os tributos e contribuições com exigibilidade suspensa nos seguintes termos: Arl. 41 Os tributos e contribuições são dedutíveis, na defermil1aç17odo lucro real. segundo o regime de competência. s' 1" O disposto neste artigo não se aplica ao') tributos e contribuições c/lja exigibilidade esteja smpema, nos lermos dos incisos Jf li IV do arl 151 da Lei /1" .5 172, de 25 de outubro de 1966. haja ou mio depósito judicial [ ...] Logo na sequencia, a Lei nO 9.069/95 expressamente admitiu a dedutibilidade, também, das variações monetárias dos tributos que voltaram a ser apropriados, para fins ele apuração do lucro real, segundo o regime de competência: Arf 52 Se70 dedutíveis, 1/(/ determinação do lucro real e da base de cálculo da Colltribuiçiio Social sobre o LlIcro,.'iegllndo o regime de competência. as contrapaJ tidas de variação monetária de obrigações, inclusive de tributos e contribuições, ainda que não pagos, e perdas cambiais e monetárias na realização de créditos Em conseqüência, desde a vlgencia da Lei n° 8,541/92, as despesas correspondentes a obrigações tributálias depositadas judicialmente deveriam ser adicionadas para t1ns de apuração do lucro real. Aqui, porém, a exigência reporta-se à variação monetária ativa de depósitos judiciais veriticada de 1990 a 1992, untes, portanto, dos efeitos da Lei n° 8.541/92. Neste contexto, somente teria pertinência, aqui, a alegação da reCOlTcnte no sentido de também se reconhecer, para tins de apuração do lucro real, a despesa de correção monetária da obrigação passiva do débito fiscal. E, acerca deste aspecto, vê-se que a maioria 90 f" dos julgados administrativos exige o equilíbrio entre as variações monetárias ativas e passivas, consoante a reprodução abaixo de ementas de acórdãos da Câmara Superior de Recursos Fiscais: VARJAÇAo MONETÁIUA ATlVA - Cabível a exigência da vlll'iaçiio monetória dos depósitos judiciais com a finalidade de suspender a exigibilidade do crédito tributório, em cOI?formidmle com o ar! 151, do CTN O valor depositado representa IIlIIativo da emp' em que tem doi~.destinos po')síVeiS. primeiro. Cjuila!o tributo caw (J Juytiça () entenda devido ou, segundo, ser incorporado ao cainl da empresa quando con'lidemdo indevido. Em ambas as opções, esse reclino iró gerar acréscimo patrimonial para empresa, s~ja alllllentando 11mativo (ingresm no caixa) ali reduzindo 11111 passivo (qllitaç(lo de débito tributário). Ressalte-se, ainda, qlle, no caso dos autos. mio há fala,. em efeito compensatório ocasionado pela ausência tle co,.,.eç(io da provisão paJ'flpagamento do tributo 110 passiJ'o COIIIOse constata em OIl1"osprecedentes }u,.isp,."denciais ( )Rewrso especial dei Fazenda Nacional provido. Recurso especial do Contribllinte provido (Acórdão CSlU~ n" 01-05.521, sessão de J8/0912006) IRPJ - VARJAÇri'O MONE1:;íRJA DE DEPÓSITOS JUDICIAIS - Incabível a exigência tributária da variaçclo monetária de depósitos jud;c;iais qlUlIlt!O (1 empresa silllultalleflll1ente adiciona lia deteJ'millaçiio do lucro real a mriaçiio mOlletária passim decorrellte da pl'Ol'i'flão dos tributos qllestiOlllu/os judicialmente. Em que pe.se as variações monetárias devam ser computadas /10 resultado do período-base a que competirem independe11femente de seu recebimento, a correspondente lálta de ap,oveitalllento da variaçcio mOlletária passiva decorrente da cOllstituiç(io de provis(lo no passivo deve ser considerada Recurso voluntário provido. (Acórdão CSRF n" Ol-OS .68 J, sessão de 11/06/2007) DEPÓSITOS JUDICIAIS - ATUALlZAÇio MONET.:ÍRJA - EQUJLÍBRJO PATlUMONIAL E FISCAL A fiscalizaçcio, ao intentar trilmtaçelo .wbre a variaçc70 monetária ativa relativa aOs depósitos judiciais, deve lel'ar em consideraçc7o os e:feitossemellwntes, à taxas e sistemática. no que respeita aos depósitos levantados e ao tmtamento dado à provisão que registra os tributos cujo depósito garallte fi discussão jmlicia!. Recurso e~pecial da Fazenda Nacionolnegado. (Acórdão CSRF nO01-05.738, sessão de 3/12/2007) VIlRlIIÇÕES MONETrÍRJAS ATIVAS DEPÓSITOS JUDICIAIS A aprop' iaçtio das variações monetárias ativas na deferminaçtio do LuclO Operacional, al!feridas em depó'}ito judicial para garantia de imtância. encontrava guarida, à época, nas disposições do (/1'/ 254 do R/Rl80, devendo. pois, serem apropriadas 1/0 resultado do exercício da empresa depositante segllndo o regime de competência O instituto da correç(lo monetária tem por ol<ietivoassegurar a neutralidade das demonstrações financeiras da pessoa jurídicaJace aos eleitos da i/1flaçtio,o que só acontece se mantido o eqllilíbrio lia correçi'io das cal/tas credoras e devedoHl/í. Somente se comprovado que 11(10 (oi corrigida a obrigaçtio, é que descamete, izaria a exigência de eorreçüo da conta que abriga os valores depositados i"dicialmente Não caracteriza olllissiio de receita a falta de contabilização e Irmçawell!o de l'ariaçiio mOl1etária ativa sobre depósitos judiciais qllal1do em paralelo, demonstradamel1te, o slI}eito passil'o l1ão procedeu fi correção da obrigação tl'ÍbllffÍria sob disCIISS(io, Ileutralir.amlo, flssim, os efeitos de IIm(/ e (1l1tra. (Acórdão CSRF n" O1-06004, sessão de 12/0812008) A análise da questão centra-se, assim, na necessidade de se verificar se a contribuinte procedeu, ou não, à dedução da variação monetária passiva para fins de apuração do lucro real. Somente haveria prejuízo ao Fisco se a depositante, após contabilizar o desembolso deeOlTel1'edo depósito judiei.! em eol1,r~da a um direito, e as ~es:: Prncessn n" 13S05ü077S4/94-46 Acól(lão n" 1101-00_347 SI-ClTl FI 7 tributárias em contrapartida a obrigações, procedesse apenas à atualização monetária desta última. De fato, a discussão fica restrita a estes aspectos pois, no caso de a contribuinte não ter contabilizado a obrigação tributária antes referida, o prejuízo ao Fisco já seria celio, na medida em que o patrimônio líquido restaria majorado, ens~jando maior despesa de correção monetária de balanço, Esta é a conclusão que se extrai do voto do L Conselheiro Caio Marcos Cândido, proferido no Acórdão nO 101-96.164, cujos excertos são, a seguir, transcri tos: A matéria discutida /lOSpresentes autos é a apropriação das variações monetárias ativas sobre os valores correspondentes a tribll10sdepositados judicialmente O instituto da correção monetária do Balanço Patrimonial/oi instituído no Brasil com o ol<jC!tivode promover a atualização monetlÍria dos v{/Iore~'constantes do Património (Ativo e Pa.Hivo) da perma jlllídica, em.fàce aos ~/eitos provocados pela perda de valor da unidade lIIonetária Como visto a decisão vergastada se baseia no filto de que durante o clll:m do processo judicial, ainda estando os depósitos judiciais à di.sposiçãu do Juízo, e, pela exegese adotada naquela decisão, tais valores estariam "indisponíveis" pai a a contribuinte, e ti - di,.~pollibilidadedo.}mesmos só~'e daria com "o levantamento dos depósitos pelo contribuinte, acrescidos das vadações monetárias, por deciw;o ([ele f(lvorável, trallsitada em jl//gado, ou por exp' essa al/torizaçcio judicial", //lamento este em que deveria ser reconhecida a variaçcio monetária ativa correspondente aos valores dos depósitos levanlados A mais recente jurisprudência deste Conselho acerca do tema tem se firmado no ,mnlido de que dewle o momento da realização dos depósitos judiciais estes já se incO/]Joraramao ativo da empresa e tem dois destinos pos,')ívâS' 1) quitar o tributo Caso o Poder Judiciário o entenda devido; 2) .')erincorporado ao caixa da empresa quando considerado indevido. Nas dl/as opções o recurso gerará um acréscimo patrimonial para O SI/jeitopassivo, seja aumentando um ativo (caixa) ou reduzindo um passivo (débito tributário). Reproduzo parte do voto condutor do acórdão CSRF n001-0j, 168, de lavra do Conselheiro Marcos Vinicius Neder de l.ima, que assim Iral(l do temo em questão. [ ...] Reproduzo excerto da deciw;o da DRJ em Fortaleza - CE, nos autos do processo administrativo no 10783.001419/95-52, de lavra do AFRF Francisco de Almeida Bernardo, ql/e se aplica perfeitamente ao caso presente: Em relação às repercussões contábeis e fiscais da existência dos depósitos e da sua correção, é necessária uma discussão prévia a respeito dos aspectos patrimoniais envolvidos na questão. Em se tratando de questão que envolve a sistemática da correção monetária de balanço, instituto que tem por objetivo expressar, em valores reais os elementos patrimoniais, não há como se aferir a procedência da exigência, sem a devida análise de seus reflexos na apuração dos resultados da atividade empresarial. Na ótica do Professor E!iseu Martins {in "Coneção Monetária dos Depó}itos .Il1dida;s" (fOB - TEMATlCA CONTABIL E BALANÇOS, Boletim 17/92)] , o reconhecimento da variação monetária ativa é necessário para neutralizar os efeitos da correção monetária incidente sobre as origens dos recursos depositados, quais sejam, o Património Líquido (capital próprio) ou o Passivo (capital de terceiros), uma vez que são essas as fontes de financiamento de todos os recursos grafados no Ativo. 13 Assim sendo, se a empresa possui reCUl50 próprio e o aplica ganhando corrcção monetária, não é verdade que ela estará pagando Imposto de Renda sobre essa correção, já que terá, em contrapartida, o débito ela cOlTeçào do Patrimônio Liquido Da mesmn forma, sendo o recurso de terceiros, essa correção estará também sendo cobrada pelo financiador, de forma direta, como 110 caso dos empréstimos, ou indireta, como no caso dos fomeceelores que a incluem no preço de venda. Desta feita, na prática, não existe tributação sobre qualquer correção do ativo, em termos líquidos. E se algum ativo for financiado por passivo sem cOJTeçào, o que estará ocorrendo é um ganho por se ter uma transferência de riqueza, sendo absolutamente justo que haja tributação em quem ganhou e a dedutibilidade em quem perdeu. Em outTaS palavras: a origem dos recursos que possibilitaram a realização do depósito está contabilmente grahrda no Patrimônio Líquido ou no Passivo Circulante, ambos sujeitos à correção O Patrimônio Líquido sendo corrigido por disposição de lei e o Passivo Circulante por obrigatoriedade contratual. Evidencia-se, assim, que a correção monetária dos depósitos judiciais é absolutamente neutra do ponto de vista de apuração de lucro contábil Oll fiscal, posto que estará sendo totalmente compensada com a correção do patrimônio líquido ou do capital de terceiro que o financiar, Confonne professado pelo Professor Eliseu Mm1ins, dizer que se paga imposto por causa da atualização monetária do depósito judicial é desconhecer os fundamentos econômicos e o próprio esquema de funcionamento sistêmico da correçào monetária sobre as demonstrações financeiras. Os depósitos judiciais representam um ativo do depositante que está vinculado a um passivo, representado pelos impostos e contribuições que delam origem a tais depósitos. Neste sentido, os depósitos judiciais não podem ser analisados isoladamente, para efeito de detenninação da base de cálculo do imposto de renda da pessoa jurídica, Se pelo lado do ativo temos os depósitos judiciais, por outro lado existem as exigibilidades (suspensas), ambos sujeitos fi correção monetária segundo as determinações da boa técnica contábil e as exigências e permissões fiscais. Se efetuarmos a correção monetária dos depósitos judiciais e das exigibilidades conespondentes, ou deixarmos de efetuar estas cOIT.eções, o lucro real nào restará alterado, pois o efeito da correção monetária das contas do passivo e do ativo se anulam. Entendem alguns que, feito o depósito judicial, deixa de fluir a coneção monetilria sobre os tributos questionados e não há como se registrar contabilmente esta coneção monetária credora (despesa), como também não se pode exigir o registro da correção monetária dos correspondentes depósitos (receita), Tal procedimento, se não aconselhável pela técnica contábil, não traduz qualquer efeito fiscal, seja em prejuízo do fisco, seja como prejuízo do sujeito passivo, pois o lucro real será o mesmo nos dois casos, ullla vez que, como visto, a correção monetária dos depósitos é anulada pela correção monetária dos tributos Com efeito, o depósito emjuízo é meramente um fato permutativo entre contas do Ativo, permanecendo, destarte, no patrimônio do contribuinte até a sua convers~o em renda, quando for o caso. As variações monetárias cumprem um papel de neutralidade absoluta na detelminação do lucro do exercício Se, por um lado, os depósitos judiciais geram variações monetárias credoras, de oulro a correção das obrigações tributárias produzem, por igual magnitude, variações monetárias devedoras Resulta, pois, desse confronto, nenhuma hipótese de incidência de tributação, por não-ocorrência dos fàtos geradores do imposto sobre a renda. Tendo em vista a /I/(/nVe~'ta discordância com (l mluçiio da lide adotada pela allloridade julgadora de primeira instância e li necessidade de iJ?/órll/ações I/(io Processo n" 13805 007784/94-46 Acórdão n" I10I-UO.347 SI-CITI FI 8 constantes destes alltos para a análise dos/átos deste processo administrativo, (ez- se neceHária a vermcação da l'orma como f0/ am registrados os [c/lOS /70 e-lcrituração c011lábi/:fiscal da interessada, pela conveniío do julgamento em diligência, nos termos do artigo 29 do Decreto nO 70235/1972 CO/rlarme relatado não houve contabilizaçào, por parte da interessada. nem das variações monetlÍrias pOHivas relativas aos valores depositados judicialmente mio /oram contabilizados, nos anos-calendário de 1993 e 1994, nem de provi'iào, no passivo da interersada. de valores para pagamento de tributo questionado jlldicialmente No caso presente, com relaçào às variações monetárias olivas de depósitos bancários, o autllante exigiu o reconhecimento das receitas, sem j(lZe! qualqller mel1çiio a respeito das variações monetória passivas, nem tampouco quanto à conrtitlliçcio deprovisão do débito do tlÍbllto qllestionado judicialmente Anim , o lançamento limitou-se a exigir o IeconlJecimellto das variações ativas A decistlo de pTimeil'o grau, de acordo com a antiga jurisprudência do Consellro, ou de algumas Câmal"(l.s do J o CC, entendeu n(;o ser cabível tal exigência O resultado da diligência esclareceu que nào havia sido efetuada a provisiio por parte da empresa, o que sign!fica ,dher que o patrimônio líquido ficou indevidamente mqiorado para fins de correção monetôría de balanço Como a pessoa jurídica 11(;0realizou provisão contábil do tributo questionado judicialmente (a débito de conta do Patrimônio Líquido e a crédito de Passivo, circulante ou exigível a longo prazo), na verdade, () patrimônio liquido da empresa ficou majorado. e:ratamente no valor da provisão que deixou de se! efetuada Assim, por ocasião da correção monetária de balanço. tendo o PL ficado 111qiorado, ta1l/bém ocorreu a de5pera a 1I/aior de correç(io monetária de balanço, exatamente sobre o valor da provistlo luio contabilizado De ou/ra lado, a pessoa jurídica contabilizou normalmen/e os depósitos judiciais realizados (a débito da conta de ativo circulante e a crédito de Caixa elou Bancos) £m conclurüo, pela nova jurisprudência da Primeira Câmara, deve ser mantido o lançamento em que restou exigida a correçe"'ioda conta de depósitos.Judiciais (ativo circulante), lendo em pista que é para eliminar os q(eitos da correçciu monetária de balanço que [lcoumajorada, tendo em vista que o PL estava ÍI?llado Aqui, porém, discorda-se da necessidade de diligência para identificação da situação de fato efetivamente presente 110S períodos autuados, na medida em que a legislação contábil exigia o registro das obrigações tributárias ainda não liquidadas, e a manutenção deste passivo atualizado, Assim é o disposto na Lei n° 6.404176: Art 184. No balanço, os elementos do passivomrão avaliados de acordo com 05' seguintes critério,~. I - as obrigações, encargos e riscos, conhecidos 011calculáveis, inclusive Impor/o sobre a Renda a pagar com base no resultado do exercício, senio c:ol/lplltado~ pelo Palor atualizado até li data do balanço, [".] A Resolução CFC n" 750/9.3 também cuidou de explicitar o prinCÍpio da atualização monetária: 15 Art. 8" Os efeitos da altemçüo do podei aquisitivo da moeda nacional devem sei reconhecidos 110S registros contábeis através do ({justall/ento da expressclo /omwl dos valores dos compollentes patrimOl/iais ParlÍgrafo lÍnico - Seio remltalltes da adoç'cio do Princípio da ATUALlZ;/ÇA'O MONETAR!ll J - fi moeda, embora aceita universalmente como medida de valor, Iliio representa unidade constante em termos do poder aquisitivo, 1/ - para que a al'a!iaçcio do patrimôllio possa manter os valores das tnmwçc1es originais (arl. 7'1, é lIecessário atualizar Sl/a expressc;oforma! em lIIoeda lutciO/w!, a fim de que permaneçam substantivamente corretos os va!ores dos componentes patl imolliai~'ie. por comeqiiência, o do património !íquido, 111 - a atua/izaçeio mOI/etária neio representa I/ova avaliaçtio, mas, ttio-somente, o ajustamento dos va!ores originais para determinada data, mediaI/te ((aplicaçtio de indexadores, 011 outros elementos aptos a traduzir a variaçtio do poder aquisitivo da moeda I/aciona! em um dado período Para formalizar a exigência, a autoridade lançadora reuniu os elementos necessanos à constituição do direito do Fisco: identificou que a contribuinte não havia contabilizado a variação monetária ativa de depósitos judiciais, calculou os valores que deveriam ter sido acrescidos ao lucro real de 1990 a 1992, e determinou o IRPJ que deixou de ser recolhido, Se há fato impeditivo ou extintivo do direito aqui veiculado, cumpriria à contribuinte fazer a prova cOITespondente. Sua defesa, porém, centrou-se na descaracterização do depósito judicial como elemento integrante do seu patrimônio, além de impropriamente reportar-se aos efeitos da Lei n" 8.541/92 e das ações judiciais propostas contra exigências de contribuições sociais, Apenas aventou que a despesa de correção JJ1O/wtáriada obrigação passiva do débito fiscal anularia a receita de variação monetária ativa, sem sequer afirmar que, de fato, deixou de contabilizar tais valores Destaque-se que a referida prova é de natureza documental, e não foi trazida na impugnação, como exige o Decreto nO70.235/72 (mt. 16, *4°). E, ainda que se supere a preclusão prevista naquele dispositivo, em homenagem ao princípio da verdade material, é certo que a contribuinte, mais uma vez, nada trouxe com o recurso voluntário, limitando-se a juntar os elementos concementes à representação processual. Por tais razões, não se vê, aqui, reparos à infração imputada pela autoridade lançadora. Inclusive, registre-se, por oportuno, que consoante informações de fls. 8.3, 118 e 1.20/122, em 20/02/2008 ainda não se verificara a conversão em renda da União dos depósitos judiciais relativos à Contribuição ao FINSOCIAL ante a pendência de recursos na ação correspondente, c, quanto aos depósitos da Contribuição ao PIS e da COFINS, a conversão em renda da União ocorreu em 2003 e 2004, Dessa forma, à época do lançamento, os depósitos judiciais permaneciam à disposição do juízo, razão pela qual não há que se cogitar de postergação pelo eventual reconhecimento da variação monetária ativa quando do levantamento dos correspondentes depósitos judiciais E, com referência à atualização do tributo lançado com base na TRD, a autoridade julgadora de 1a instância já procedeu à exclusão da parcela que se considerou indevida, incorrida até a edição da Medida Provisória n" 298, de 29 de julho de 1991, convertida posteriOlmente na Lei n" 8,218/91 : dJ r 16 Pmccsso n" 13805 007784/CJ4-'1(j Al:órdüo n." 1101-00.347 SI-ClH FI l) Alt 3" Sobre os débito) exigíveis de qualquer natureza para COI/I a Fazenda Nacional, incidirào. I - juros de mora equivalentes à Taxa Referencial Diârill (TRD) acumulada, calculados desde o dia em que o débito deveria ter sido pago, até o dia anterior CiO do seu efetivo pagamento; e [ ... J Ressalte-se que nada foi lançado, nestes autos, a título de atualização monetária com base na TRD. O tributo devido no ano-base 1990 foi apurado em BTNF, convertído para cruzeiros (Cr$) em 01/02/91 e transfc)]mado em UFIR em 02/01191, sem qualquer atualização monetária neste intervalo. Os débitos de 1991 e 1992, por sua vez, já foram apurados em UFIR A TRD, em verdade, somente foi utilizada para cálculo de juros de mora, e assim afastada no período em que inexistia previsão legal para tanto, mantendo-se tal recomposição no percentual de 1%, na f0l111U do art. 161 do CTN, Diante do exposto, o presente voto é no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. E~ESSA ~) 00000001 00000002 00000003 00000004 00000005 00000006 00000007 00000008 00000009 00000010 00000011 00000012 00000013 00000014 00000015 00000016 00000017
score : 1.0
Numero do processo: 13839.002939/00-53
Data da sessão: Wed Apr 28 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO - II
Período de apuração: 05/01/1990 a 04/07/1990
EMBARGOS DECLARATÓRIOS. CONTRADIÇÃO.
Merecem ser providos os embargos declaratórios interpostos, uma vez que existe contradição no acórdão que merece ser sanada mediante retificação do resultado da decisão embargada.
Embargos Acolhidos.
Numero da decisão: 3101-000.386
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração para retificar a parte dispositiva do acórdão embargado nos termos do voto do relator.
Nome do relator: Corintho Oliveira Machado
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conteudo_txt : Metadados => date: 2010-07-13T13:23:42Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2010-07-13T13:23:42Z; Last-Modified: 2010-07-13T13:23:42Z; dcterms:modified: 2010-07-13T13:23:42Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; xmpMM:DocumentID: uuid:36bc1c1a-0b88-4cb6-8c05-5521b7689a69; Last-Save-Date: 2010-07-13T13:23:42Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2010-07-13T13:23:42Z; meta:save-date: 2010-07-13T13:23:42Z; pdf:encrypted: false; modified: 2010-07-13T13:23:42Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2010-07-13T13:23:42Z; created: 2010-07-13T13:23:42Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; Creation-Date: 2010-07-13T13:23:42Z; pdf:charsPerPage: 1265; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2010-07-13T13:23:42Z | Conteúdo => S3-C1T1 Fl. 285 M''"i IA ' ..n..,' ' -'; ' n'.;' ' MINISTÉRIO DA FAZENDA ? N, ',WP,'., '; 411i:2447' .1' CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS5 TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, ‘ Processo n° 13839.002939/00-53 Recurso n° 338.936 Embargos Acórdão n° 3101-00.386 — 1" Câmara / 1' Turma Ordinária Sessão de 28 de abril de 2010 Matéria II - IPI Embargante FAZENDA NACIONAL Interessado SIFCO S/A ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO-li Período de apuração: 05/01/1990 a 04/07/1990 EMBARGOS DECLARATÓRIOS. CONTRADIÇÃO. Merecem ser providos os embargos declaratórios interpostos, uma vez que existe contradição no acórdão que merece ser sanada mediante retificação do resultado da decisão embargada. Embargos Acolhidos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração para retificar a parte dispositiva do acórdão embargado nos termos do voto do relator. 7--- / Henrique Pintieirdtorres - Presidente . 1,1i! i ,,iti . t , , Ii i ) 1 f . Corintho OliVeíra Machado - Relator 1 EDITADO EM: 17/05/2010 Participaram do Ipresente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tarásio Campelo Borges, gorintho Oliveira Machado, Luiz Roberto Domingo, Valdete Aparecida Marinheiro e Vanessa Akbuquerque Valente. t Relatório Reporto-me ao relato de fls. 271 e seguintes, por bem descrever os fatos relativos ao contencioso, e adotado quando do julgamento por este Colegiado, que culminou na seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação - Período de apuração: 05/01/1990 a 04/07/1990 Ementa: BEFIEX. TRANSFERÊNCIA DE BENS PARA OUTRA - PESSOA JURÍDICA. JUROS. SELIC. Cada pessoa jurídica tem sua própria personalidade jurídica, e mesmo sendo a cessionária uma empresa cuja única sócia é a recorrente, a lei é clara ao dispor que a cessão dos bens importados com o beneficio do BEFIEX somente será autorizada se ambas as empresas, cedente e cessionária, gozarem do mesmo beneficio fiscal. A ação da autuada também infringiu a regra do Programa BEFIEX porque o bem importado não pode ser cedido a terceiros, a qualquer título, sem autorização prévia da autoridade fiscal. A legitimidade da taxa de juros pela taxa SELIC no plano administrativo foi sufragada pela Súmula n° 04 do antigo Terceiro Conselho de Contribuintes. Recurso Voluntário Negado. O texto da decisão ficou assim consignado: ACORDAM os membros da Primeira Câmara da Primeira Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. (..) Em 17/12/2009, foram opostos embargos declaratórios, fls. 281 e seguintes, tempestivos, pela embargante supracitada, alegando contradição no acórdão, o qual teve por resultado dar provimento ao recurso; ao passo que a ementa, conteúdo e dispositivo do voto falam em DESPROVER o recurso. À fl. 284, despacho do insigne Presidente desta Seção, encaminhando os embargos a este Relator. É o Relatório. Voto Conselheiro Corintho Oliveira Machado, Relator Os embargos declaratórios são tempestivos, e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado. Em não havendo preliminares, passa-se de plano ao mérito dos embargos declaratórios, que consiste em saber-se se, de fato, houve a contradição apontada. 2 Processo n° 13839.002939/00-53 S3-C1T1 Acórdão n.° 3101-00.386 Fl. 286 Com efeito, o acórdão contém o vicio apontado, porquanto a decisão do eolegiado, efetivamente, foi, a unanimidade, pelo DESPROVIMENTO do recurso voluntário, sendo o caso de retificação da expressão dar provimento ao recurso para negar provimento ao recurso. Aproveito a oportunidade, para retificar o resultado também no que concerne ao órgão prolator da decisão, que deve ser Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção de Julgamento, e não como constou. Ante o exposto, DOU PROVIMENTO aos embargos, para retificar o resultado do julgamento, consoante xplicitado supra. 1 I ; „ Corintho Ohyeirá Machado 4•?;. •• 1 3
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Numero do processo: 16327.001124/2006-63
Data da sessão: Tue Aug 02 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Ano calendário:2002
CONCOMITÂNCIA ENTRE PROCESSOS ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. IDENTIDADE DE OBJETO. SÚMULA N°1 DO CARF.
Nos termos da súmula n° 1 do CARF, importa renúncia às instâncias
administrativas, a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de oficio,com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, de matéria distinta da constante do processo judicial.
TRIBUTAÇÃO DE LUCROS AUFERIDOS POR COLIGADA NO EXTERIOR. CONVERSÃO PARA MOEDA NACIONAL. TAXA DE CÂMBIO.
Os lucros auferidos por controlada no exterior serão convertidos em reais pela taxa de câmbio, para venda, do dia das demonstrações financeiras em que tenham sido apurados os referidos lucros, nos termos do § 4° do art. 25 da Lei 9.249/95.
Numero da decisão: 1803-000.986
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para determinar que os lucros auferidos pela coligada no exterior sejam convertidos em reais pela taxa de câmbio, para venda, do dia das demonstrações financeiras em que tenham sido apurados, nos termos do § 4° do art. 25 da Lei n° 9.249/1995. Vencido o Conselheiro Sérgio Rodrigues Mendes.
Matéria: IRPJ - AF - lucro real (exceto.omissão receitas pres.legal)
Nome do relator: Selene Ferreira de Moraes
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IDENTIDADE DE OBJETO. SÚMULA N°1 DO CARF. Nos termos da súmula n° 1 do CARF, importa renúncia às instâncias administrativas, a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de oficio,com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, de matéria distinta da constante do processo judicial. TRIBUTAÇÃO DE LUCROS AUFERIDOS POR COLIGADA NO EXTERIOR. CONVERSÃO PARA MOEDA NACIONAL. TAXA DE CÂMBIO. Os lucros auferidos por controlada no exterior serão convertidos em reais pela taxa de câmbio, para venda, do dia das demonstrações financeiras em que tenham sido apurados os referidos lucros, nos termos do § 4° do art. 25 da Lei 9.249/95. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para determinar que os lucros auferidos pela coligada no exterior sejam convertidos em reais pela taxa de câmbio, para venda, do dia das demonstrações Fl. 501DF CARF MF Emitido em 09/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/08/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Assinado digitalmente em 09/08/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 16327.001124/200663 Acórdão n.º 180300.986 S1TE03 Fl. 502 2 financeiras em que tenham sido apurados, nos termos do § 4° do art. 25 da Lei n° 9.249/1995. Vencido o Conselheiro Sérgio Rodrigues Mendes. (assinado digitalmente) Selene Ferreira de Moraes – Presidente e Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walter Adolfo Maresch, Victor Humberto da Silva Maizman, Sérgio Luiz Bezerra Presta, Sérgio Rodrigues Mendes, Meigan Sack Rodrigues, Selene Ferreira de Moraes. Relatório Por bem descrever os fatos relativos ao contencioso, adoto o relato do órgão julgador de primeira instância até aquela fase: “Em cumprimento ao Mandado de Procedimento Fiscal — MPF n° 08.1.71.00 2005001637 e prorrogações (fls.01 e 02) a Fiscalização da Delegacia Especial de Assuntos Internacionais — DEAIN, apurou, no domicílio fiscal da contribuinte acima identificada, os seguintes fatos, conforme o Termo de Verificação Fiscal (fls. 319 e 329): 2 A fiscalizada é empresa controlada pela empresa SLC Participações S/A., sociedade que também controla a empresa Personal Holding Company, situada no Uruguai. 3 A fiscalizada, através de decisão de diretoria. Constituiu em 15/0512000 a empresa Uniflex Limited, localizada nas Ilhas Bahamas.. A fiscalizada informou também que a empresa que assessora a Evaux nos assuntos relacionados aos atos contábeis e societários da controlada Uniflex, está localizada em Montevidéu, Uruguai. 4 Dos contratos de mútuo efetuados entre a Uniflex e a empresa Personal Holding, resultaram receitas financeiras nos anos calendário 2000, 2001 e 2002, conforme documentos apresentados pela fiscalizada. Apresentou também resultados Fl. 502DF CARF MF Emitido em 09/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/08/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Assinado digitalmente em 09/08/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 16327.001124/200663 Acórdão n.º 180300.986 S1TE03 Fl. 503 3 positivos em 2003 e 2004, decorrentes de investimentos em aplicações financeiras. 5 A fiscalizada informou ainda que os balanços da controlada Uniflex não foram transcritos no livro diário e não foram distribuídos dividendos pela controlada. 6 A fiscalizada impetrou Mandado de Segurança de n° 2003.61.00.0082213, distribuído à 16° Vara Cível Federal de São Paulo, requerendo proteção judicial contra a imposição de Imposto de Renda e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido; sobre os lucros apurados pela controlada no exterior,bem como sobre o resultado da equivalência patrimonial. 7 Foi deferida liminar parcial sobre o pleito, vedando a imposição de IRPJ e CSLL sobre lucros apurados nos exercícios de 1997 a 2000, bem como a não imposição da IN SRF 213/2002, mas não impedindo a tributação a partir de 2001 em diante. 8 A sentença proferida em 28/07/2005, confirmou a não incidência de IRPJ e CSLL sobre os lucros apurados no período de 1997 a 2000 e da não imposição das disposições criadas pela IN SRF n° 213/2002 e mantendo as determinações da MP n° 2.15835/2001 para os demais assuntos. 9 A fiscalizada recorreu da decisão, através de apelação ao TRF da 3° região, visando a não incidência de tributos sobre os lucros apurados no exterior em qualquer exercício e a declaração da inconstitucionalidade do art. 74 da MP n° 2.158 35/2001. 10 No presente processo foram lavrados os Autos de Infração relativos aos lucros apurados ate 31/12/2000, com suspensão de exigibilidade e sem imposição da multa de oficio, para prevenir a decadência e no processo administrativo n° 16327.001125/200616, os demais exercícios (2001 a 2004) sem suspensão de exigibilidade. 11 Desse modo, em 15/08/2006, foram lavrados os seguintes Autos de Infração: Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ,(fls. 310 e 311), no valor de R$ 244.350,76, já incluída a multa de oficio e os juros de mora, calculados até 31/07/2006. Embasamento legal : artigos 25, e §§ 2° e 3°, da Lei n° 9.249/1995; artigo 16 da Lei n° 9.430/96; artigos 249, inciso II, e 394, do RIR199; artigo 3° da Lei n° 9.959/2000. Contribuição Social sobre Lucro Líquido CSLL (fls. 315 e 316), no valor de R$ 87.966,24, já incluída a multa de oficio e os juros de mora, calculados até 31/07/2006. Embasamento legal: artigo 2°, e §§, da Lei n° 7.689/88; artigo 19 da Lei n° 9.249/95; artigo 1° da Lei n° 9.316/96; artigo 28 da Lei n° 9.430/96; artigo 6° da MP n° 1.858/99 e reedições. Fl. 503DF CARF MF Emitido em 09/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/08/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Assinado digitalmente em 09/08/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 16327.001124/200663 Acórdão n.º 180300.986 S1TE03 Fl. 504 4 12 Inconformada com a autuação fiscal, da qual foi cientificada no mesmo dia da lavratura do auto, a interessada apresentou, em 14/09/2006, competente impugnação (fls. 333 a 357), expondo as razões, a seguir, em síntese: 12.1 Alega que o lançamento efetuado é vedado por três razões: Primeiro porque o valor equivalente ao crédito tributário constituído com base na tributação de lucros do período de 2000 já foi pago, e deve ser considerado extinto. Segundo porque há decisão da Justiça Federal de São Paulo a proibir a tributação dos lucros no período de 2000 e terceiro, porque lançamento viola os princípios da irretroatividade, da legalidade, os conceitos que definem a base de cálculo do IRPJ e da CSLL e também a capacidade contributiva. 12.2 Faz breve apanhado sobre a situação da empresa, da constituição da empresa Uniflex, das leis que determinaram a tributação no exterior e da sentença parcialmente favorável à empresa, exarada no Mandado de Segurança impetrado. 12.3 Em seguida, alega que o crédito tributário já está extinto por ter a empresa apresentado PER/DCOMP em novembro de 2005, onde foram compensados os valores com vencimentos referentes ao ano calendário de 2000, alegando que alertou o Fisco a respeito e apesar disso, a Autoridade Tributária não fez qualquer alusão à compensação realizada. 12.4 Caso a compensação não seja reconhecida, a impugnante passa a expor as razões pelas quais o Auto de Infração deve ser integralmente afastado. 12.5 Alega que a decisão proferida no Mandando de Segurança n° 2003.61.00.0082213, reconheceu a ofensa ao princípio da irretroatividade e da legalidade, com a previsão, feita em Instrução Normativa, de retroação das disposições estabelecidas na MP n° 2.15835/2001 para os exercícios de 1997 a 2000 e, mesmo assim, a Autoridade Tributária desprezou a ordem judicial, lançando o crédito tributário de IRPJ e CSLL sobre lucros auferidos no exterior no anocalendário de 2000. 12.6 Alega que por esse motivo também o auto de infração deve ser integralmente afastado. 12.7 Alega que há falta de fundamentação legal no lançamento dado que a previsão para o lançamento do período de 2000, consta somente no art. 18 da IN SRF 213/2002, devendose ser decretada a nulidade do auto de infração. 12.8 Faz em seguida longa dissertação sobre a violação da legalidade cometida pela IN SRF n° 213/2002, apresentando o histórico da legislação pátria sobre a tributação de lucros no exterior para demonstrar que não há previsão legal para as hipóteses de incidência tributária descritas na referida IN. Fl. 504DF CARF MF Emitido em 09/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/08/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Assinado digitalmente em 09/08/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 16327.001124/200663 Acórdão n.º 180300.986 S1TE03 Fl. 505 5 12.9 Alega a violação ao principio da irretroatividade, previsto no Código Tributário Nacional no art. 144 e desobediência a decisão judicial do Mandado de Segurança. 12.10 Alega violação ao conceito de renda e violação às leis que fixam a base de cálculo do IRPJ e da CSLL, apresentando vários argumentos que entende ser cabíveis a provar que são ilegais a medida provisória n° 2.15835/2001, a IN SRF n° 213/2002 e o auto de infração lavrado, alegando ainda violação ao principio da capacidade contributiva. 12.11 Alega que a Autoridade Tributária considerou a participação da fiscalizada como sendo 100% no capital da empresa Uniflex, quando na realidade sua participação e de 99,99% ensejando equívocos nos cálculos dos valores lançados. 12.12 Alega que a Autoridade Fiscal utilizou a taxa de câmbio de 31/12/2002 para converter o valor dos lucros quando deveria ter utilizado a taxa de conversão no momento da apuração dos lucros, argumentando que a diferença é gritante e não pode ser desconsiderada, uma vez que a taxa utilizada pela Fiscalização é substancialmente maior que a taxa de cambio de dezembro de 2000. 12.13 Por fim, requer que o Auto de Infração seja declarado totalmente insubsistente.” A Delegacia de Julgamento considerou o lançamento procedente em parte, com base nos seguintes fundamentos (fls. 435/446): a) O lançamento ora discutido obedeceu estritamente ao que determina a lei e respeitando a decisão judicial proferida. Assim o crédito lançado somente será exigido se, ao final da lide judicial com transito em julgado, a decisão for favorável ao Fisco Federal. b) Não se toma conhecimento da impugnação no tocante à violação ao princípio da irretroatividade, da capacidade contributiva, à legalidade, à inconstitucionalidade, à violação às leis que fixam a base de cálculo do IRPJ e da CSLL e à ilegalidade da MP n° 2.15835/2001 e IN SRF n° 213/200, presentes que estão nos autos do Mandado de Segurança, conforme e descrito na própria sentença do Mandado de Segurança, constante às fls 178 e 179, uma vez que essas matérias estão sendo apreciadas pelo Poder Judiciário. c) A IN SRF n° 213/2002, realmente define a data da taxa de conversão como sendo a data do encerramento do período de apuração relativo à demonstrações financeiras em que tenham sido apurados os lucros dessa filial, sucursal, controlada ou coligada mas, não deixa de ressaltar no § 7 do art. 2°, que, apenas os lucros apurados e disponibilizados até 31/12/2001, serão considerados disponibilizados em 31/12/2002, com a devida ocorrência do fato gerador e, obedecendo ao art. 143 do CTN, convertidos em moeda nacional nesta data. Desse modo, não assiste razão à empresa nesse aspecto, sendo correta a data da taxa de câmbio utilizada pela Fiscalização para os lucros auferidos e não disponibilizados antes de 31/12/2001. Fl. 505DF CARF MF Emitido em 09/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/08/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Assinado digitalmente em 09/08/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 16327.001124/200663 Acórdão n.º 180300.986 S1TE03 Fl. 506 6 d) Conforme as DIPJ apresentadas e informação da Auditora Fiscal que efetuou o procedimento fiscal, a participação da fiscalizada na Uniflex é de 99,99%. Examinandose os cálculos efetuados para o lançamento do tributo, verificase que, realmente, foi considerado a participação de 100% no lucro auferido. Por conseguinte, assiste razão à contribuinte nesse aspecto devendose diminuir o valor do resultado em reais de R$ 608.594,67, equivalente a 100% de participação para R$ 608.533,81, correspondente a 99,99% de participação. Contra a decisão, interpôs a contribuinte o presente Recurso Voluntário, em que tece as seguintes considerações: a) A vinculação à decisão administrativa não vigora perante a Administrada, podendo esta recorrer ao âmbito judicial, mas isso não procede para a Administração Pública, que é vinculada à decisão proferida no âmbito administrativo. Nesse sentido, é cabível discutir tais pontos no processo administrativo, pois o reconhecimento desses argumentos nesse âmbito vincularia a Administração e levaria à perda do objeto do Mandado de Segurança em trâmite. b) Mantém o inconformismo contra as ilegalidades do Auto de Infração perante o Código Tributário Nacional, a legislação ordinária e ao princípio da capacidade contributiva, reconhecendo a possibilidade de que a própria Administração reconheça a gravidade dessas questões. c) A IN SRF n° 213/02, longe de meramente regulamentar e possibilitar a execução do Decreto Lei n° 1.598/77, da Lei n° 9.532/97, da Lei n° 9.959/00 e da MP n° 2.158 35/01, instituiu novas obrigações tributárias, em afronta direta à legalidade. Dentre elas, a obrigação de pagar IRPJ e CSLL sobre os lucros auferidos no exterior no exercício de 2000, prevista, de forma inaugural, no artigo 18 da Instrução. d) A subsistir o Auto de Lançamento referente ao ano de 2000 estáse a autorizar a tributação de situações que não eram definidas como fatos geradores no momento em que foram praticadas. Autoriza se a violação à irretroatividade da lei tributária, ofendendose, simultaneamente, o artigo 144 do CTN e a decisão judicial do Mandado de Segurança. e) A Medida Provisória, a Instrução Normativa, e as exigências fiscais violaram o artigo 43 do Código Tributário Nacional que exige disponibilidade atual, efetiva e incondicional dos lucros, compreendidos esses dentro da noção maior de acréscimo patrimonial. f) Ao exigir tributos sobre lucros que ainda não foram disponibilizados, com fundamento na MP n° 2.15835/01, o Auto de Infração viola o princípio da capacidade contributiva, amparado na Constituição Federal. g) A segurança concedida está dotada de validade e eficácia plena, o Auto de Infração há de ser declarado insubsistente e, portanto, integralmente afastado, sob pena de descumprimento de ordem judicial. Fl. 506DF CARF MF Emitido em 09/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/08/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Assinado digitalmente em 09/08/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 16327.001124/200663 Acórdão n.º 180300.986 S1TE03 Fl. 507 7 h) Como se pode perceber da planilha de fl. 11 do Relatório de Verificação Fiscal, a Autoridade Tributária utilizou taxa de câmbio vigente em 31 de dezembro de 2002 na conversão dos resultados apurados pela UNIFLEX no ano de 2001. Ora, se a Autoridade pretende tributar tais resultados deve, ao menos, fazêlo de acordo com a taxa de câmbio vigente no momento da apuração dos lucros, nos termos do art. 25, §4° da Lei n° 9.249/95. i) As decisões do Conselho de Contribuintes também demonstram o entendimento no sentido de que se aplica ao caso a regra do art. 25, §4° da Lei n° 9.249/1995. j) A utilização da cotação de 31 de dezembro de 2002 leva à aplicação de uma taxa de câmbio de R$ 3,53330 (três reais e cinqüenta e três centavos de real), quando a cotação da época da apuração, dezembro de 2001, era inferior a R$ 2,53 (dois reais e cinqüenta e três centavos de real), contrariando até mesmo o Ato Declaratório COSIT n° 48/2001 editado pela própria Administração Pública. É o relatório. Voto Conselheira Selene Ferreira de Moraes A contribuinte foi cientificada por via postal, tendo recebido a intimação em 20/05/2009 (AR de fls. 449). O recurso foi protocolado em 10/06/2009 (fls. 483), logo, é tempestivo e deve ser conhecido. Primeiramente cumpre trazermos à colação a Súmula CARF n° 1: “Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.” As súmulas do CARF devem ser obrigatoriamente observadas pelos Conselheiros, nos termos do art. 72 do Anexo II, da Portaria nº 256, de 22 de junho de 2009, que aprovou o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Nos termos da petição inicial do mandado de segurança impetrado pela recorrente, o objeto do processo judicial é o seguinte (fls. 184/221): "...2.1.1.5 Com efeito, ao exigir o pagamento do IRPJ e da CSLL relativamente aos exercícios de 1996, 1997, 1998, 1999 e 2000, a administração tributária está cobrando tributos em relação a fatos geradores ocorridos antes (1996, 1997, 1998, 1999 e 2000) do início da vigência da lei (2001) que os houver instituído ou aumentado. A violação ao principio da irretroatividade é frontal..." Fl. 507DF CARF MF Emitido em 09/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/08/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Assinado digitalmente em 09/08/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 16327.001124/200663 Acórdão n.º 180300.986 S1TE03 Fl. 508 8 "...julgar procedente o pedido, para o fim de conceder a segurança pleiteada, declarando o direito líquido e certo da Impetrante de não computar, na base de cálculo do IRPJ e na base de cálculo da CSLL, na data do balanço em que forem apurados..." "...(a) os lucros auferidos no exterior, por intermédio de suas controladas, ainda não disponibilizados, em virtude de as exigências administrativas baseadas no artigo 74 da Medida Provisória n° 2.15835/01 serem inconstitucionais e ilegais — pela violação aos princípios da irretroatividade..." "...(b) o resultado positivo da equivalência patrimonial e de qualquer outra forma de disponibilização criada, sem base legal, pela Instrução Normativa SRF n° 213/02, por serem essas exigências ilegais — pela violação aos princípios da legalidade..." Por sua vez, a presente exigência tem por objeto o montante dos lucros auferidos pela controlada UNIFLEX, sediada nas Ilhas Bahamas, no ano calendário de 2000. Tais lucros foram adicionados ao lucro real do ano de 2002, com fulcro no parágrafo único do art. 74 da MP n° 2.15835/2001. O lançamento não só é cabível, como obrigatório, nos termos do art. 142 do CTN e do art. 63 da Lei n° 9.430/1996. Logo, nos termos da súmula n° 1 do CARF não é possível discutir no âmbito administrativo a validade do art. 74 da MP n° 2.15835/2001 e a procedência da inclusão dos lucros auferidos em 2000 na base de cálculo do IRPJ e da CSLL, pois tal discussão é objeto do mandado de segurança n° 2003.61.00.0082213. A única matéria a ser analisada, por não ser objeto da ação judicial, gira em torno da taxa de câmbio a ser utilizada na conversão dos lucros. A previsão do uso da taxa de câmbio para venda vigente na data do balanço de apuração dos lucros da controlada no exterior é dada pelo § 4° do art. 25 da Lei 9.249/95. O art. 74 da MP 2.15835/2001, não alterou tal dispositivo. Transcrevo esses dispositivos legais: “Lei 9.249/95: Art. 25. Os lucros, rendimentos e ganhos de capital auferidos no exterior serão computados na determinação do lucro real das pessoas jurídicas correspondente ao balanço levantado em 31 de dezembro de cada ano. (Vide Medida Provisória n" 215835, de 2001) § 4° Os lucros a que se referem os §§ 2° e 3° serão convertidos em Reais pela taxa de câmbio, para venda, do dia das demonstrações financeiras em que tenham sido apurados os lucros da filial, sucursal, controlada ou coligada. MP 2.15835/2001: Art.74.Para fim de determinação da base de cálculo do imposto de renda e da CSLL, nos termos do art. 25 da Lei n° 9.249, de 26 de dezembro de 1995, e do art. 21 desta Medida Provisória, os lucros auferidos por controlada ou coligada no exterior serão Fl. 508DF CARF MF Emitido em 09/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/08/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Assinado digitalmente em 09/08/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 16327.001124/200663 Acórdão n.º 180300.986 S1TE03 Fl. 509 9 considerados disponibilizados para a controladora ou coligada no Brasil na data do balanço no qual tiverem sido apurados, na forma do regulamento. Parágrafo único. Os lucros apurados por controlada ou coligada no exterior até 31 de dezembro de 2001 serão considerados disponibilizados em 31 de dezembro de 2002, salvo se ocorrida, antes desta data, qualquer das hipóteses de disponibilização previstas na legislação em vigor.” Em primeira instância, a autoridade julgadora manteve o lançamento por entender que nos termos do art. 143 do CTN, a taxa a ser utilizada é a da data da ocorrência do fato gerador, no caso a disponibilização dos lucros determinada pelo parágrafo único do art. 74. O art. 143 do CTN assim dispõe: “Art. 143. Salvo disposição de lei em contrário, quando o valor tributário esteja expresso em moeda estrangeira, no lançamento farseá sua conversão em moeda nacional ao câmbio do dia da ocorrência do fato gerador da obrigação” O § 4° do art. 25 da Lei n° 9.249/1995, ainda em vigor, dispõe de maneira diversa do art. 143 do CTN. A conclusão é que, na presença de disposição específica, inaplicável o art. 143 do CTN. No mesmo sentido, reproduzimos decisões do antigo Primeiro Conselho de Contribuintes, conforme exemplificam as ementas a seguir transcritas: 10196364, de 17.10.2007 (relator: Caio Marcos Cândido) LUCROS AUFERIDOS NO EXTERIOR CONVERSÃO PARA REAIS Os lucros auferidos no exterior por intermédio de filiais, sucursais, controladas ou coligadas serão convertidos em Reais pela taxa de câmbio, para venda, do dia das demonstrações financeiras em que tenham sido apurados os correspondentes lucros. 10516886, de 04.03.2008 (relator: Waldir Veiga Rocha) TRIBUTAÇÃO DE LUCROS AUFERIDOS POR CONTROLADA NO EXTERIOR CONVERSÃO PARA MOEDA NACIONAL TAXA DE CÂMBIO Os lucros auferidos por controlada no exterior serão convertidos em Reais pela taxa de câmbio, para venda, do dia das demonstrações financeiras em que tenham sido apurados os referidos lucros, a teor do § 4° do art. 25 da Lei 9.249/95. Portanto, levando em conta que não houve qualquer alteração da regra prevista no § 4° do art. 25 da Lei 9.249/95, deve ser acolhido o pleito da recorrente no tocante a esta questão. Ante todo o exposto, dou provimento parcial ao recurso voluntário para determinar que os lucros auferidos pela coligada no exterior sejam convertidos em reais pela Fl. 509DF CARF MF Emitido em 09/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/08/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Assinado digitalmente em 09/08/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 16327.001124/200663 Acórdão n.º 180300.986 S1TE03 Fl. 510 10 taxa de câmbio, para venda, do dia das demonstrações financeiras em que tenham sido apurados, nos termos do § 4° do art. 25 da Lei n° 9.249/1995. (assinado digitalmente) Selene Ferreira de Moraes Fl. 510DF CARF MF Emitido em 09/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/08/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Assinado digitalmente em 09/08/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES
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