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Numero do processo: 15956.720026/2018-93
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 14 00:00:00 UTC 2023
Data da publicação: Tue Oct 10 00:00:00 UTC 2023
Numero da decisão: 2402-001.307
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, para que a unidade de origem da Secretaria Especial da Receita Federal do Brasil adote as providências solicitadas nos termos do voto que segue na resolução.
(documento assinado digitalmente)
Francisco Ibiapino Luz - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros(a): Ana Claudia Borges de Oliveira, Rodrigo Duarte Firmino, José Márcio Bittes, Francisco Ibiapino Luz (presidente), Gregório Rechmann Junior, Diogo Cristian Denny, Rodrigo Rigo Pinheiro e Thiago Álvares Feital (suplente convocado).
Nome do relator: FRANCISCO IBIAPINO LUZ
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, para que a unidade de origem da Secretaria Especial da Receita Federal do Brasil adote as providências solicitadas nos termos do voto que segue na resolução. (documento assinado digitalmente) Francisco Ibiapino Luz - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros(a): Ana Claudia Borges de Oliveira, Rodrigo Duarte Firmino, José Márcio Bittes, Francisco Ibiapino Luz (presidente), Gregório Rechmann Junior, Diogo Cristian Denny, Rodrigo Rigo Pinheiro e Thiago Álvares Feital (suplente convocado). Relatório Trata-se de recurso voluntário interposto contra decisão de primeira instância, que julgou improcedente a impugnação apresentada pelo Contribuinte com a pretensão de extinguir crédito tributário decorrente da omissão de rendimento atinente aos exercícios de 2014 e 2016. Autuação e Impugnação Por bem descrever os fatos e as razões da impugnação, adoto excertos do relatório da decisão de primeira instância - Acórdão nº 105-010.236 - proferida pela 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Salvador (DRJ/SDR), transcritos a seguir (processo digital, fls. 1.252 a 1.254): Trata o presente processo de Auto de Infração-AI (e-fls.984/996) lavrado em face do contribuinte identificado supra, para constituição de crédito tributário relativo ao Imposto de Renda da Pessoa Física-IRPF, no montante de R$ 733.129,65 que, acrescido de multa e juros, totaliza R$ 1.501.901,20 de crédito tributário, em razão de Falta de recolhimento do imposto incidente sobre ganhos de capital, conforme Termo de Encerramento de Fiscalização-TEF apresentado ao sujeito passivo. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 59 56 .7 20 02 6/ 20 18 -9 3 Fl. 1311DF CARF MF Original Fl. 2 da Resolução n.º 2402-001.307 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 15956.720026/2018-93 Conforme relato da fiscalização (e-fls. 980/981), houve ganho de capital nos imóveis abaixo, devendo o mesmo ser proporcional aos valores recebidos nas duas parcelas já pagas ao sujeito passivo, em março/2013 e em dezembro de 2015, conforme apurado no curso da ação fiscal e confirmado pelo sujeito passivo através de sua correspondência de 18 de dezembro de 2017: a) Os valores pagos ao sujeito passivo foram, conforme documentação apresentada: i. R$ 1.000.000,00 pago como entrada em 05/03/2013; ii .R$ 5.279.370,38 liberado em 23/12/2015, sendo R$ 4.286.737,28 o valor original contratado e R$ 992.633,10 referente ao rendimento da aplicação tributado exclusivamente na fonte; iii. R$ 99.952,11 permanecia retido em conta vinculada com trava bancária. b) Considerando que o sujeito passivo não fez constar em suas declarações de ajuste anual dos exercícios de 2014, 2015 e 2016 os bens recebidos em decorrência do encerramento de espólio de Holanda Basso de Oliveira, foi considerado como valor de custo o valor venal o constante nas matrículas apresentadas pelo Cartório de Registro de Imóveis de Sumaré, através de suas correspondências Ofício n° 123/2017 de 18 de agosto de 2017 e Ofício n° 161/2017 de 17 de outubro de 2017 e não os valores venais constantes na Escritura Pública de Venda e Compra de 23 de dezembro de 2013, apresentada pela Logbras Hortolândia Empreendimentos Imobiliários SA através de sua correspondência de 15 de maio de 2017. Imóvel Valor Venal (RS) Valor de Venda (RS) | Matricula IPTU Cartório 10% sujeito passivo Total 10% sujeito passivo 1.391 03.05.03 S.0247.001 12 149,68 1.214,97 152.621,82 15.262,18 4.131 03.05.030.01S2.001 944340 944,31 110.492 61 11.049,26 18460 03.05.03 S.02 29.001 11.938,58 1.193,86 160.593,97 16.059,40 24.158 03.O5.03S.O291.001 10.284,66 1.028,47 128.087,29 12.808,73 114.241 03.05.049.0260.001 537.055,2S 53.705,53 2.675.989,44 267.598,94 120.517 03.05.030.02S9.001 29.50S.41 2.950,84 140.447,13 14.044,71 132.818 03.05.030.0214.001 19815,84 1.981,58 118.198,36 11.819,84 132.819 03.05.03 S.0209.001 49.377,53 4.937,75 149.883,18 14.988,32 149.432 03.05.030.0050.001 21.383,06 2.138,31 196.376,10 19.637,61 149.433 03.05.030.0094.001 14.496.71 1.449,67 180.3 5 9,S6 18.035,99 149.434 03.05.030.0114.001 11.620,40 1.162,04 133.202,26 13.320,23 149.435 03.05.030.0134.001 11.620,40 1.162,04 133.202,26 13.320,23 149.436 03.05.030.0150.001 9.296,32 929,63 106.561,81 10.656,18 149.437 03.05.030.0166.001 9 351,36 935,14 107.627,43 10.762,74 149.438 03.05.030.019 S.001 9 614,35 961,44 114.597,90 11.459,79 149.439 03.05.030.03 S 7.001 18302,13 1.830,21 156.918,92 15.691,89 149.440 03.05.03 S.03 07.001 10.188,03 1.018,80 136.859,99 13.686,00 149.441 03.05.051.0206.001 979.767,42 97.976,74 16.259.532,30 1.625.953,23 149.442 03.11.033.0444.001 1.027.860,32 102.786,03 19.321.043,71 1.932.104,37 149.443 03.05.050.0024.001 862.839,45 86.283,95 12.983.918,24 1.298.391,82 Fl. 1312DF CARF MF Original Fl. 3 da Resolução n.º 2402-001.307 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 15956.720026/2018-93 Totais 3.665.913,10 366.591,31 53.466.514,58 5.346.651,46 Relata, ainda, a fiscalização, às e-fls. 980, que existem dois imóveis denominados imóveis rua (sic), conforme abaixo e que integram o contrato de venda e compra celebrado com a Logbras Hortolândia Empreendimentos Imobiliários, tendo suas áreas incursas nas áreas dos outros imóveis abaixo: i. 1.385,80m2 de terras sito à Rua 09 - Jardim Boa Vista - Bairro Terra Preta -Hortolândia - SP no valor total de venda de R$ 184.591,69, cabendo ao sujeitopassivo R$ 18.459,17; e ii. 1.620,00m2 de terras sito à Avenida 01 - Jardim Boa Vista - Bairro Terra Preta -Hortolândia - SP no valor total de venda R$ 215.787,66, cabendo ao sujeito passivo R$ 21.578.77. De acordo ainda com o relato fiscal (e-fls.980), somados os valores totais de venda constantes da alínea "b" aos valores totais de venda constantes da alínea "c" obteremos o valor total de venda de R$ 53.866.893,92, cabendo ao sujeito passivo o valor de R$ 5.386.689,39. Cientificado em 25/04/2018, conforme informação de e-fls. 997, o contribuinte apresentou, em 23/05/2018, sua impugnação de e-fls. 1003/1019, onde alega o seguinte: 1) Preliminar de tempestividade da impugnação; 2) Preliminar de decadência do lançamento com relação à parcela paga em 05/03/2013; 3) Equívoco da autuação ao considerar se tratar de imóvel urbano, deixando de considerar as alegações do impugnante de que tais imóveis teriam destinação exclusivamente rural, discorrendo longamente sobre sua tese e referenciando provas que anexa; 4) Nesta toada de argumentação, afirma que a correta apuração do ganho de capital de imóveis rurais é disciplinada no artigo 19 da Lei n° 9393/96, sendo o valor da terra nua, declarado pelo alienante no DIAT - Documento de Informação e Apuração do ITR, o valor a ser considerado como custo de aquisição e o valor de venda do imóvel; 5) Como argumento de defesa, caso não se entenda pela caracterização dos imóveis alienados como imóveis rurais, dada a evidente destinação rural, alega subsidiariamente que o custo de aquisição, embora não declarado pelo alienante, corresponda ao custo registrado na Declaração Final de Espólio da Sr- Holanda Basso de Oliveira (doc. 17). Fl. 1313DF CARF MF Original Fl. 4 da Resolução n.º 2402-001.307 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 15956.720026/2018-93 Julgamento de Primeira Instância A 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Salvador julgou improcedente a impugnação da Impugnante, nos termos do relatório e voto registrados no acórdão recorrido, cuja ementa transcrevemos (processo digital, fls. 1.251 a 1.260): IRPF. GANHO DE CAPITAL. IMÓVEL RURAL ADQUIRIDO ATÉ 31/12/1996. CUSTO DE AQUISIÇÃO. VALOR DE ALIENAÇÃO. Em relação aos imóveis rurais adquiridos até 31/12/1996, a apuração do ganho de capital deve ser feita com base nos instrumentos negociais, correspondente à diferença entre o valor de alienação e o custo de aquisição da terra nua. Considera-se custo de aquisição a importância consignada na escritura pública, corrigida na forma da legislação tributária, constante da Declaração de Ajuste Anual (DAA) do contribuinte e valor de alienação, o preço efetivamente recebido. RETIFICADORA APRESENTADA APÓS O INÍCIO DA FISCALIZAÇÃO. INEFICÁCIA. Nos termos da Súmula CARF n° 33: A declaração entregue após o início do procedimento fiscal não produz quaisquer efeitos sobre o lançamento de ofício. Impugnação Improcedente Recurso Voluntário Discordando da respeitável decisão, o Sujeito Passivo interpôs recurso voluntário, ratificando os argumentando apresentados na impugnação (processo digital, fls. 1.269 a 1.288). Contrarrazões ao recurso voluntário Não apresentadas pela Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional. É o relatório. Voto Conselheiro Francisco Ibiapino Luz, Relator. Admissibilidade O recurso é tempestivo, pois a ciência da decisão recorrida se deu em 13/03/2023 (processo digital, fl. 1.266), e a peça recursal foi interposta em 10/04/2023 (processo digital, fl. 1.269), dentro do prazo legal para sua interposição. Logo, já que atendidos os demais pressupostos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, dele tomo conhecimento. Fl. 1314DF CARF MF Original Fl. 5 da Resolução n.º 2402-001.307 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 15956.720026/2018-93 Conversão do julgamento em diligência Consoante se vê nos excertos da decisão recorrida, que passamos a transcrever, o julgador de origem decidiu pela improcedência da prejudicial de mérito alegada pelo Recorrente, sob o fundamento da inexistência de antecipação do ganho de capital apurado no mês da respectiva competência (processo digital, fls. 1.254 e 1.255): Da Preliminar de decadência O impugnante, citando jurisprudência da Câmara Superior do CARF a seu favor, alega preliminar de decadência do lançamento com relação à parcela paga em 05/03/2013, uma vez que a ciência do AI, lavrado em 24/04/2018, somente se deu em 25/04/2018, ou seja, 05 anos após a alienação ocorrida em 23/03/2013 conforme contrato assinado nesta data, e, portanto, com inobservância ao disposto no art. 150, § 4° do CTN. De fato, o imposto de renda se situa entre os tributos cuja legislação atribui ao sujeito passivo o dever de apurar o montante devido e antecipar o pagamento, sem prévio exame da autoridade administrativa, portanto, sujeito à sistemática de lançamento por homologação, em que a contagem do prazo decadencial, salvo os casos de dolo, fraude e simulação, encontra respaldo no § 4°, do artigo 150, do CTN, hipótese na qual os cinco anos têm como termo inicial a data da ocorrência do fato gerador. Assim, no caso dos autos, trata-se de tributo sujeito a lançamento por homologação, portanto o prazo decadencial de cinco anos, para a constituição de eventual crédito pelo Fisco, deve ser contado de acordo com o disposto no artigo 150, § 4°, do CTN, ou seja, da ocorrência do fato gerador, se constatado pagamento antecipado, o que não é o caso dos autos, uma vez que houve ausência de recolhimento do imposto sobre o ganho de capital (grifos nossos). Havendo pagamento antecipado, é este que se homologa ou não na forma do art. 150; §4° do CTN, tendo a Fazenda Pública o prazo de 05 anos a partir do fato gerador para cobrar eventual diferença. Por sua vez, não existindo o pagamento antecipado a homologar, o tributo sujeita-se à regra geral de decadência prevista no art. 170, I, do CTN, sendo este o caso dos autos, razão pela qual o prazo decadencial se iniciou em 01/01/2014, não tendo por que se falar em decadência na data da lavratura do presente lançamento. (Destaques no original) O Recorrente ratifica seu entendimento de que parcela do crédito constituído já havia sido atingido pela decadência (parcela antecipada em 05/03/2013), com fundamento no art. 150, § 4, do CTN, nestes termos (processo digital, fls. 1.283 a 1.285): Fl. 1315DF CARF MF Original Fl. 6 da Resolução n.º 2402-001.307 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 15956.720026/2018-93 [...] Nesse pressuposto, embora não conste nos autos a comprovação do recolhimento de ganho de capital na respectiva competência (março de 2013), durante os debates, entendi razoável converter o julgamento em diligência, vez que o colegiado, até o momento, tem tido entendimento mais amplo do que o meu acerca da reportada antecipação de pagamento. Portanto, a unidade de preparo da Secretaria Especial da Receita Federal do Brasil deverá manifeste-se acerca de supostos recolhimentos por parte do Recorrente: 1. de ganho de capital, apurado na competência março de 2013, ainda que decorrente da alienação de outros bens (móveis e imóveis), bem como se dito pagamento se deu antes ou após a ciência do termo de início da fiscalização; 2. de outro ganho de capital, apurado no ano-calendário de 2013, ainda que decorrente da alienação de outros bens (móveis e imóveis), bem como se dito pagamento se deu antes ou após a ciência do termo de início da fiscalização; 3. de imposto de renda sujeito ao ajuste anual, apurado no ano-calendário de 2013, aí se incluindo supostas retenções na fonte, bem como se dito pagamento ou retenção se deu antes ou após a ciência do termo de início da fiscalização. Fl. 1316DF CARF MF Original Fl. 7 da Resolução n.º 2402-001.307 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 15956.720026/2018-93 O Recorrente deverá ser intimado do resultado da presente análise, para, se for o caso, prestar esclarecimentos adicionais no prazo de 30 dias. Ao final, consolidar o resultado da reportada diligência em Informação Fiscal conclusiva, da qual também deverá constar pronunciamento da autoridade fiscal acerca dos supostos esclarecimentos adicionais prestados pela Recorrente. Conclusão Ante o exposto, voto por converter o presente julgamento em diligência, para que a unidade preparadora da Secretaria Especial da Receita Federal do Brasil adote as providências solicitadas na presente resolução. É como voto. (documento assinado digitalmente) Francisco Ibiapino Luz Fl. 1317DF CARF MF Original
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Numero do processo: 13864.000289/2009-95
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 12 00:00:00 UTC 2023
Data da publicação: Tue Oct 10 00:00:00 UTC 2023
Ementa: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Período de apuração: 01/01/2005 a 30/09/2007
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. MULTA. CFL 68.
Incide na multa por descumprimento de obrigações acessórias o contribuinte que não informar mensalmente por intermédio de documento próprio, dados relacionados aos fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse da previdência social.
MULTA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. CRÉDITO PRINCIPAL. ACOMPANHAMENTO.
Tendo as questões relacionadas à incidência dos tributos sido decididas nos lançamentos das obrigações principais, o Auto de Infração pela omissão de fatos geradores em GFIP segue a mesma sorte.
Numero da decisão: 2202-010.299
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso
(documento assinado digitalmente)
Sônia de Queiroz Accioly - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Christiano Rocha Pinheiro - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Christiano Rocha Pinheiro (relator), Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Sara Maria de Almeida Carneiro Silva, LeonamRocha de Medeiros, Gleison Pimenta Sousa, Eduardo Augusto Marcondes de Freitas, Rodrigo Alexandre Lázaro Pinto (suplente convocado) e Sônia de Queiroz Accioly (Presidente).
Nome do relator: CHRISTIANO ROCHA PINHEIRO
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OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. MULTA. CFL 68. Incide na multa por descumprimento de obrigações acessórias o contribuinte que não informar mensalmente por intermédio de documento próprio, dados relacionados aos fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse da previdência social. MULTA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. CRÉDITO PRINCIPAL. ACOMPANHAMENTO. Tendo as questões relacionadas à incidência dos tributos sido decididas nos lançamentos das obrigações principais, o Auto de Infração pela omissão de fatos geradores em GFIP segue a mesma sorte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso (documento assinado digitalmente) Sônia de Queiroz Accioly - Presidente (documento assinado digitalmente) Christiano Rocha Pinheiro - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Christiano Rocha Pinheiro (relator), Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Sara Maria de Almeida Carneiro Silva, Leonam Rocha de Medeiros, Gleison Pimenta Sousa, Eduardo Augusto Marcondes de Freitas, Rodrigo Alexandre Lázaro Pinto (suplente convocado) e Sônia de Queiroz Accioly (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 86 4. 00 02 89 /2 00 9- 95 Fl. 717DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 2202-010.299 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13864.000289/2009-95 Relatório De início, para consulta e remissão aos principais marcos do debate até aqui conduzido, segue anotado o índice das principais peças processuais que compõe o feito: Índice de Peças Processuais Documento Auto de Infração Impugnação DRJ - Acórdão Recurso Voluntário Localização (Fl.) 5 212 629 698 Diante da lavratura de Auto de Infração para lançamento crédito tributário relativo às Contribuições Sociais Previdenciárias, o recorrente se insurgiu perante o contencioso administrativo cuja primeira análise foi concretizada no Acórdão 05-28.591 da lavra da 7ª Turma da Delegacia da RFB de Julgamento em Campinas (DRJ/CPS). Para melhor compreensão dos fatos até aqui sucedidos, tomo como referência o relatório que compõe a supracitada decisão. DRJ ACORDÃO - RELATÓRIO Fundamentos do lançamento fiscal Trata-se de lançamento fiscal (Auto de Infração DEBCAD 37.221.438-0) para constituição de crédito tributário correspondente à imposição de multa, por descumprimento de obrigação tributária acessória: apresentação de GFIP com dados não correspondentes a aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. Este lançamento está relacionado com os lançamentos 13864.000290/2009-10 (DEBCAD 37.221.439-8), 13864.000291/2009-64 (DEBCAD 37.221.442-8) e 13864.000288/2009- 41 (DEBCAD 37.221.443-6), lavrados na mesma auditoria fiscal, e são relativos ao descumprimento de obrigação principal (pagamentos das respectivas contribuições previdenciárias). Os fatos geradores não declarados em GFIP, assim como os critérios e parâmetros adotados para determinar o montante da multa aplicada encontram-se discriminados em planilhas anexas aos Relatórios Fiscais da Infração e da Aplicação da Multa (fls. 6/7 e 8/77). Fundamentos da Impugnação - Competência do Auditor-Fiscal da Receita Federal do Brasil para reconhecer e caracterizar o vínculo empregatício. A Auditora-fiscal teria "extrapolado a sua competência", ao reconhecer a existência de vínculo empregatício, já que tal competência, se existe, é da Justiça do Trabalho. Ressalva as disposições do art. 30 da CLT e sustenta que a prática teria infringido o "princípio da segurança jurídica". O procedimento teria, inclusive, suprimido o direito ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa. Menciona o Parecer MPS/CJ 172/92. Ressalva a existência de "disposições legais ou contratuais específicas", seja em relação às partes (Impugnante, trabalhadores e empresas às quais estão vinculados), assim como quanto à terceirização e às cooperativas. Fl. 718DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 2202-010.299 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13864.000289/2009-95 Ressalva o princípio da legalidade que vincula a Administração Publica e transcreve as disposições do artigo 37 da Constituição Federal e art. 2° da Lei 9.784/1999. Conclui: "... enquanto aos particulares é permitido fazer tudo o que a lei não proíba, aos entes públicos e seus agentes, ao- contrário, só é permitido fazer aquilo que a lei expressamente autorize, e não há qualquer norma legal, que autoriza um simples fiscal, com todo o respeito que a função merece, a tomar o lugar da Justiça do Trabalho, e julgar unia relação contratual, fixando se a mesma é de emprego ou não ...". Por tais razões, requer a anulação do lançamento fiscal. - Termo de Compromisso de Ajustamento de Conduta Destaca que do próprio Termo, "... tendo ficado expressamente ressalvado em referida ata que a assinatura daquele termo não implicava em reconhecimento de qualquer irregularidade quanto às contratações ...". Reitera a incompetência do Auditor-fiscal de declarar a existência de vínculo empregatício. - Brascoop — Cooperativa de Trabalho do Brasil Nega que a Plani utilizava a Brascoop para contratar pessoal. Afirma que a Brascoop era regularmente constituída e, inclusive, prestava serviços para outras empresas. Não obstante fazer triagem, para identificar se os cooperados se encontravam dentro dos seus "padrões de atendimento" e fixar "padrões e horários a serem obedecidos", declara que a prestação de serviços era realizada pelos cooperados associados à Brascoop, que realizava os devidos controles, "... através de seu gestor na empresa, no caso, o também cooperado Sr. Antonio Carlos Messias, prestador de serviços na área gerencial, o que foi desconsiderado indevidamente pela fiscalização ...". O controle de "entrada e saída", a que eram submetidos os "cooperados" objetivava o "controle da entrada e saída para controle administrativo de conferência das faturas enviadas ..., calculadas sobre o montante de horas de serviço utilizadas ...", não constituindo absolutamente controle da Plani sobre os prestadores de serviços. Também, requer, neste caso, a declaração da nulidade, ou "subsidiariamente a improcedência do auto". - Tec Rad S/C Ltda A Tec Rad é uma empresa regularmente constituída, na qual a Plani jamais teve participação: "... A impugnante não poderia ter criado a referida empresa se nunca foi sócia da mesma, assim como não poderia impor a entrada ou saída de qualquer sócio nela". Segue: "O que a defendente tinha era uni contrato de prestação de serviços com a referida empresa, que prestava tais serviços através de seus sócios e através de profissional autônomo contratado pela mesma ...". Transcreve cláusulas do respectivo contrato de prestação de serviços, acentuando as autonomias societária, profissional e técnica entre as partes e a falta de subordinação entre a Plani e o pessoal utilizado. Assevera, ainda: "A Impugnante não pode ser considerada empregadora dos sócios da empresa TecRad, pois não admitiu, assalariou ou dirigiu a prestação de serviços dos mesmos, que sempre foram, sócios da empresa contratada e se entendiam diretamente entre eles sobre todos os aspectos da prestação de serviços contratada ...". Requer a realização de perícia técnica e fiscalização na empresa Tec Rad, para constatação da autonomia administrativa e fiscal desta. Afirma que apresentará os quesitos ao final. Acrescenta que “... posto que havia a prestação de serviços pela Tec-Rad e ou seus sócios para outras empresas, inclusive sendo alguns deles, funcionários concursados de alguns órgãos públicos, conforme documentos que instruem a presente" [destaques no original]. Passa a discutir o problema da prestação de serviços em relação à "atividade fim" ou "atividade meio", e às caracterizações do que sejam tais atividades. Afirma: Fl. 719DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 2202-010.299 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13864.000289/2009-95 "Deste modo, resta evidente, que o exame é simplesmente um meio para a obtenção do diagnóstico, não se confundindo assim de modo algum com a atividade fim da defendente, e não sendo atividade fim, pode perfeitamente ser terceirizada" [destaques no original]. Concluindo, em face da alegada incompetência do Auditor-fiscal para identificar vínculo empregatício (do que resultaria a nulidade) e considerando que, "... já que no mérito também não há que se falar em empregados", requer alternativamente a declaração da improcedência do lançamento. - Derimagem Diagnóstico Especializado em Radiologia por Imagem S/C Ltda Quanto às questões relativas à atividade fim, reitera os argumentos anteriormente apresentados para a empresa Tec Rad. Trata-se, segundo alega, de "... uma empresa legalmente constituída e que mantinha contrato de prestação de serviços com a ora impugnante, serviços estes que eram prestados tanto por um dos sócios da mesma como por profissionais por ela contratados e que não tinham qualquer relação direta com a impugnante ... que alguns inclusive prestavam serviços não só a Derimagem, como a outras empresas ...". Segue: “...não havendo qualquer demonstração por parte da fiscalização, à exceção das indevidas deduções e interpretações da própria fiscalização, acerca da existência de qualquer irregularidade ou ingerência da ora defendente ...". Nega a utilização de equipamentos comuns à Plani e à Derimagem para controle das jornadas de trabalho, sustentando que cada uma dispõe de meios próprios para controle de seu pessoal, cabendo à Plani tão somente a faculdade de exigir a reposição de pessoal eventualmente faltante. Ressalva a caracterização da contratação através do contrato específico de prestação de serviços. Nega que tenha admitido, assalariado ou dirigido a prestação de serviços dos profissionais que tenham prestado serviços através da Derimagem. Menciona a realização de operações que demonstrariam a obtenção de "lucro" pela Derimagem, em relação aos serviços prestados por terceiros que contrata. Afirma que junta cópias de documentos, com os quais pretende demonstrar o funcionamento da Derimagem com a ativa participação nas atividades administrativas da empresa da esposa do prestador de serviços e também sócia da empresa. Pretende, assim, evidenciar o efetivo funcionamento autônomo da Derimagem. Apresenta documentos, relativos ao prestador de serviços "Israel", mencionado pelo Relatório Fiscal, e “... que o mesmo forneceu à ora impugnante cópias de diversos documentos seus, os quais demonstram à evidência a total independência da empresa Derimagem na prestação de serviços contratada, inclusive fornecendo treinamentos, conforme correspondências assinada pela empresa através de seu sócio e sua sócia " [sic]. Informa que a Derimagem teria inclusive um "manual próprio de qualidade no atendimento". "Justifica" a circunstância de que as empresas Tec RAD e Derimagem "... não possuir bens ou estar estabelecida no endereço de seu contador ou residencial do sócio, não descaracteriza ... o seu caráter empresarial ... vez que como é notório, em empresas de prestação de serviços ... a principal ferramenta de trabalho é a própria capacidade humana, não necessitando a empresa, de um estabelecimento próprio para o desenvolvimento de suas atividades...” Nega que estejam presentes os requisitos do artigo 3° da CLT (pessoalidade, subordinação e pagamento de salário). Requerimentos Requer de exame pericial, apresentando os seus quesitos. Requer a oitiva das testemunhas que enumera (Giane Leal Abdala Lima e Antonio Carlos Messias), "... para comprovação do quanto alegado acerca da inexistência de relação de emprego ..." Requer a realização de "... fiscalização federal bem como perícia contábil ...", nas prestadoras de serviços Tec Rad e Derimagem, "... e nas pessoas físicas de seus sócios, Fl. 720DF CARF MF Original Fl. 5 do Acórdão n.º 2202-010.299 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13864.000289/2009-95 para comprovação da efetiva atividade empresarial das mesmas conforme fatos já descritos ...". Indica assistente para a perícia: Sr. Sérgio Juliano dos Santos e formula quesitos. Finalmente, requer expedição de ofício, à "... Delegacia do Trabalho de São José dos Campos para que apresente cópia da íntegra dos autos do processo administrativo correspondente ao Auto de Infração 013530232 para que se tenha nestes autos todos os elementos relativos aos serviço prestado pela cooperativa Brascoop." A partir da análise dos elementos de prova carreados aos autos e dos fundamentos apresentados pela defesa, o colegiado da DRJ/CPS decidiu por unanimidade não dar provimento a impugnação e, assim, manteve a integralidade do crédito tributário contestado. Segue ementa do acórdão. DRJ ACORDÃO – EMENTA ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2005 a 30/09/2007 AUTO DE INFRAÇÃO POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. APRESENTAÇÃO DE GFIP COM DADOS NÃO CORRESPONDENTES AOS FATOS GERADORES DE TODAS AS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DESCARACTERIZAÇÃO DE AUTÔNOMOS, COOPERADOS E EMPRESÁRIOS. CARACTERIZAÇÃO DE VÍNCULO EMPREGATÍCIO. COMPETÊNCIA DO AFRFB A identificação da real natureza do vínculo que se forma entre o contratante e o prestador de serviços é relevante (mais do que isso, é necessária), para que o Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil constate (ou não) a ocorrência de fato gerador de contribuições previdenciárias, não podendo aceitar passivamente a "classificação" que o contribuinte dê, especialmente quando é possível identificar circunstâncias que apontem a existência de relação de emprego. Jurisprudência reiterada do STJ. PRINCÍPIO DA PRIMAZIA DA REALIDADE A realidade prevalece sobre a forma. No âmbito das relações de trabalho, havendo divergência entre a forma como os serviços são contratados (contratos e documentos) e a realidade (a forma como os serviços são realmente prestados), aquilo que ocorre na realidade deve prevalecer em relação àquilo que as partes tenham formalmente pactuado. Fl. 721DF CARF MF Original Fl. 6 do Acórdão n.º 2202-010.299 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13864.000289/2009-95 CARACTERIZAÇÃO DE COOPERADOS COMO EMPREGADOS Empregados "transformados" em cooperados, que continuam exercendo as mesmas atividades, nas mesmas condições. Contratação irregular (seja quanto às funções exercidas pelos cooperados - na atividade-fim da contratante, seja quanto à forma de pagamento, realizados diretamente aos cooperados). Devem ser considerados empregados. CARACTERIZAÇÃO DE "SÓCIOS" DE PESSOAS JURÍDICAS PRESTADORAS DE SERVIÇOS COMO EMPREGADOS DA TOMADORA DOS SERVIÇOS Os sócios de pessoa jurídica, prestadora de serviços, considerados empregados da tomadora. Prestadora de serviços constituída por ex- empregados da tomadora, para a qual continuaram a exercer as mesmas atribuições, cujas atividades constituem justamente a atividade-fim da contratante. Os serviços executados exatamente da mesma forma e condições de quando os "sócios" eram empregados da tomadora, que se constituía a única cliente da prestadora de serviços. RECLAMATÓRIAS TRABALHISTAS Identificados processos trabalhistas, nos quais os ex-empregados, convertidos em "sócios" relatam detalhes das relações contratuais com a tomadora de serviços e pleiteiam reconhecimento de vínculo empregatício. CARACTERIZAÇÃO DO VINCULO EMPREGATÍCIO O conjunto de fatos apurados permite identificar os requisitos determinantes do vínculo empregatício: a onerosidade, a pessoalidade e a subordinação. FASE PROBATÓRIA No processo administrativo a realização de provas e a fase probatória são regidas pelos artigos 16 e seguintes do Decreto 70.235/1972. Indeferimento de provas, fundamentadamente consideradas desnecessárias ou cujos fatos encontram-se devidamente provados nos autos. Inconformado com a primeira decisão administrativa, o recorrente apresentou recurso voluntário por meio do qual carreou em síntese os seguintes fundamentos. Fl. 722DF CARF MF Original Fl. 7 do Acórdão n.º 2202-010.299 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13864.000289/2009-95 RECURSO VOLUNTÁRIO FATOS Que ocorreu atuação da empresa para cobrança , de contribuições, previdenciárias fundamentadas no art. 22, 1 da Lei n° 8212/91 e 12, 1, parágrafo único e 201 do Decreto n° 3048/99, por considerar, como empregados da recorrente todos o; trabalhadores que prestaram serviços à mesma através das empresas TecRad, Derimagem e BRASCOOP Cooperativa de Trabalho do Brasil, entendendo assim, quanto à primeira empresa que se trataria de terceirização de atividade fim da ora recorrente, Xvedada por indispensável ao seu objetivo social, quanto à segunda, porque haveria exclusividade na prestação de serviços e quanto à cooperativa, pela existência de subordinação e manutenção de condições anteriores; Que a caracterização do vinculo empregatício poderia ser apurada pelo AFRFB, que teria competência para tanto, sob o argumento de que a realidade prevalece sobre a forma, pelo que os cooperados e sócios das empresas Prestadoras de serviços e demais prestadores de serviços da mesma, seriam, todos eles, empregados da ora recorrente, o que estaria comprovado diante do conjunto dos fatos, provas e dos processos trabalhistas apurados, entendendo, que em todos os casos estariam presentes os requisitos determinantes para o vínculo empregatício: a onerosidade, a pessoalidade e a subordinação; DA COMPETÊNCIA DO AUDITOR FISCAL PARA RECONHECER E CARACTERIZAR O VÍNCULO EMPREGATÍCIO Que a efetiva competência para se declarar a existência ou não de vínculo empregatício é de fato e de direito da Justiça do Trabalho, sendo certo 'que a conclusão da fiscalização não se sobrepõe de modo algum ao entendimento da Justiça do Trabalho; Que em processo trabalhista movido por Claudio Donizete dos Santos (Processo -n° 01053-2007-045-15-00-1), sócio da empresa Tec-Rad, já em sede de Recurso Ordinário, foi reconhecida a inexistência de vínculo empregatício com a recorrente; Que não há como prevalecer a autuação havida, sendo certo que, curiosamente, o Processo Trabalhista ora citado não foi mencionado em momento algum pelo decisum, muito embora tenham sido trazidas informações de outros processos trabalhistas, o que, infelizmente, faz parecer que a fiscalização faz vistas grossas para o que não favorece a arrecadação; Fl. 723DF CARF MF Original Fl. 8 do Acórdão n.º 2202-010.299 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13864.000289/2009-95 Que Empregado, nos termos do disposto no art. 3° da CLT, é pessoa física que presta serviços de natureza não eventual a empregador, sob a. dependência deste e mediante salário, relação esta, cuja única competente para reconhecer, nos termos do disposto no art. 114 do Constituição Federal, é a Justiça do Trabalho, de modo que a fiscalização previdenciária não tem competência, e, portanto, autoridade, para dizer ou fixar se uma pessoa é ou não empregada; Que Fiscalizar o recolhimento de contribuições previdenciárias eventualmente não pagas é uma coisa, estabelecer se alguém é ou não empregado, para fins de se cobrar ou não estas contribuições, é outra totalmente distinta, que além de afrontar princípio basilar de nosso ordenamento jurídico que é o da segurança jurídica, daria poderes à fiscalização de decisão sem o devido processo legal ou contraditório e ampla defesa; Que há que se invocar o próprio princípio da primazia da realidade alegado no acórdão recorrido, posto que de acordo com o já reconhecido pela Justiça do Trabalho se qualquer dos requisitos legais para a caracterização do vínculo empregatício não estiver presente na relação existente, não há que se falar em vínculo empregatício; Que deve ser respeitada e acolhida a posição da Justiça do Trabalho, que se sobrepõe ao entendimento da fiscalização, e que já reconheceu a inexistência, de vínculo empregatício, sendo certo que referido entendimento será seguido nos demais processo trabalhistas em andamento; DO TERMO DE AJUSTAMENTO DE CONDUTA Que recorrente não "preferiu atender" às exigências do Ministério Público do Trabalho, mas para evitar possíveis transtornos à sua atividade e até mesmo próprios profissionais envolvidos na questão, não lhe tendo sido dada a possibilidade de alteração dos termos do referido Ajuste de Conduta n° 3413 - PI n° 26014/2006-40, o mesmo foi assinado e cumprido, tendo sido aposta, contudo e por este motivo, a ressalva- de que a assinatura daquele termo não implicava em reconhecimento de qualquer irregularidade quanto às contratações até então em vigor; Que não há que se falar, portanto, em eventual reconhecimento de vínculo de emprego com quem quer que seja que tenha prestado serviços em data anterior à assinatura do referido termo; Fl. 724DF CARF MF Original Fl. 9 do Acórdão n.º 2202-010.299 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13864.000289/2009-95 DA BRASCOOP Que o fato de atualmente terem sido contratados pela recorrente diversos funcionários que antes eram cooperados e lhes prestavam serviços nessa condição, não implica de modo algum que sempre tenham sido empregados da recorrente, tampouco implica em confissão de irregularidades; Que a recorrente pagava as faturas que lhe eram enviadas pela Cooperativa, e, em alguns casos efetuava depósitos à pedido da cooperativa, devendo-se esclarecer ainda, que se tais prestadores tivessem de fato qualquer vínculo com a ora recorrente, receberiam todos a mesma remuneração de acordo com o piso salarial da suas respectivas categorias, o que não era o caso; Que os pagamentos diretos se referem a algumas atividades realizadas esporadicamente por alguns profissionais extra contratuais, ou seja, fora da atividade contratada via Cooperativa, o que não caracteriza de modo algum o vínculo pretendido pela fiscalização; Que a recorrente possuía desde março/2003 um Contrato de Transferência de Atividade com a BRASCOOP COOPERATIVA DE TRABALHO DO BRASIL para prestação de serviços na área de saúde da ora defendente nos termos dos artigos 30, 4° e 80 da Lei Federal n° 5764/71, incluindo atendimento de pacientes conveniados ou não, dentro dos padrões estabelecidos pela defendente, desde a recepção, limpeza e administração colhendo os dados necessários como senha para atendimento, preenchimento de guias, efetuando a digitação de laudos (relatórios), até a realização dos exames; Que é possível às Cooperativas, através dos seus Cooperados, executarem serviços variados para empresas tomadoras; Que um dos benefícios da flexibilização de mão-de-obra é a possibilidade de alternância, na substituição de tomadores cooperados, sem que a atividade sofra solução de continuidade e também sem os comprometimentos da eficiência do processo operacional. Substitui-se um trabalhador por outro, que vai desempenhar as atividades a mesma eficácia, dando mais agilidade na movimentação da mão-de-obra; Que que a fim de otimizar suas atividades, terceirizou aquelas que não diziam respeito diretamente à atividade fim, fornecendo apenas os meios para que a mesma pudesse exercer a sua atividade fim que é a de diagnóstico médico e não de atendimento ou realização de exames; Que quem exercia tais atividades era a cooperativa através de seus cooperados, não havendo do modo algum que se falar em contratação de cooperados e não da cooperativa; Fl. 725DF CARF MF Original Fl. 10 do Acórdão n.º 2202-010.299 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13864.000289/2009-95 Que embora não fizesse a seleção de pessoal, a recorrente procurava apenas saber quem eram as pessoas que estavam prestando serviços em suas dependências, podendo perfeitamente entender que uma ou outra não se encaixava em seus padrões de qualidade e solicitar à cooperativa a substituição da mesma; Que o simples fato de a ora recorrente fixar padrões e horários a serem obedecidos não implica de modo algum no preenchimento dos requisitos previstos no art. 3º da CLT; Que todos os profissionais que prestam serviços dentro de suas dependências precisam ser identificados, cumprindo neste ponto apenas esclarecer que todos os prestadores de serviço cooperados possuíam identificação da cooperativa. Utilizavam também uma identificação da recorrente, exatamente por estarem prestando serviços em suas dependências, adotando assim apenas o padrão visual utilizado pela mesma; Que não havia relação direta de subordinação entre os cooperados e a ora recorrente, que se dirigia à cooperativa através de seu gestor na empresa, o também cooperado Sr. Antônio Carlos Messias, quem transmitia as coordenadas aos prestadores de serviço em questão; Que não há subordinação pois é direito de qualquer contratante de serviço verificar se o que foi contratado está sendo efetivamente cumprido, sendo que a distribuição de serviços não implica também em desvirtuação do conceito, posto que independentemente da autonomia, qualquer prestador de serviço, em qualquer área e de qualquer modo, precisa saber o que fazer, quais as suas atividades diárias e tudo o mais, não se confundindo tal fato com fiscalização ou distribuição de ordens; Que qualquer problema com a realização do serviço era comunicado ao gestor. que tomava as providências cabíveis e até substituía o prestador cooperado se fosse o caso e necessário; Que com relação ao equipamento de controle de entrada e saída, era utilizado para exatamente controlar o fluxo de pessoas das dependências da recorrente, servindo referido equipamento apenas para a aferição do ponto dos funcionários da recorrente; mas para os prestadores de serviço terceirizados, apenas como já dito, para controle administrativo de conferência das faturas enviadas à recorrente, calculadas sobre o montante de. horas de serviço utilizadas, nada mais; DA TEC RAD Que o fato dos sócios da empresa Tec-Rad terem sido funcionários 'da .ora recorrente antes de constituírem referida empresa não descaracteriza a contratação dos serviços da referida empresa, com a qual a recorrente tinha Fl. 726DF CARF MF Original Fl. 11 do Acórdão n.º 2202-010.299 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13864.000289/2009-95 um contrato de prestação de serviços que eram prestados através de seus sócios e através de profissional autônomo contratado pela mesma; Que as atividades terceirizadas através dos contratos celebrados, referem- se apenas às atividades meio ao exercício do objeto social da mesma; Que o seu objeto da recorrente social é o diagnóstico médico, que sinteticamente falando, significa, emissão de um parecer médico diante da análise de um exame ou fato que lhe é, apresentado, sendo evidente que a recorrente, para realizar o diagnóstico, não precisa ter ela própria realizado qualquer exame, podendo o mesmo ser realizado em qualquer outro local; Que o exame é simplesmente um meio para a obtenção do diagnóstico, não se confundindo assim de modo algum com a atividade fim da defendente; Que não havia. subordinação à recorrente e nem pessoalidade na prestação do serviço, sendo certo que a recorrente não lhes dava qualquer ordem direta, nem tampouco havia dependência ou salário, vez que todos os pagamentos pela prestação de serviços realizados eram feitos única e exclusivamente à contratada Tec-Rad, baseados no número de horas de serviços prestados, não tendo a recorrente qualquer conhecimento de como era feita a divisão entre os sócios; Que a dependência também não está configurada, posto que havia a prestação .de serviço pela Tec-Rad e ou seus, sócios para outras empresas, inclusive sendo alguns deles, funcionários concursados de alguns órgãos públicos; DA DERIMAGEM Que a Derimagem é uma empresa legalmente constituída e que mantinha contrato de prestação de serviços com a ora recorrente, serviços estes que eram prestados tanto por um dos sócios da mesma, o Sr. Nelson Rezende de Francisco, como por profissionais por ela contratados e que não tinham qualquer relação direta com a recorrente; Que alguns inclusive prestavam serviços não só à Derimagem, como à outras empresas, o que demonstra ainda mais o .caráter autônomo e independência de tais profissionais; Que o contrato celebrado entre a recorrente e a Derimagem previa remuneração por hora de trabalho, de modo que o cumprimento de horas pela empresa contratada era de sua inteira responsabilidade, assim como, o acerto quanto a remuneração a ser paga aos seus prestadores de serviço; Que a recorrente nunca admitiu, assalariou ou dirigiu a prestação de serviço dos sócios e funcionários, sendo que o proprietário da Derimagem sempre foi sócio da mesma e se entendia diretamente com seu outro sócio, Fl. 727DF CARF MF Original Fl. 12 do Acórdão n.º 2202-010.299 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13864.000289/2009-95 inicialmente outro técnico e depois, com a saída do mesmo, diretamente com sua esposa que se tornou sua sócia; Que os sócios da referida empresa é que convencionavam todos os detalhes sobre a prestação de serviços contratada, inclusive no que se refere à horários e escalas de trabalho, inclusive contratando pessoas para a prestação de serviços, tomando a recorrente conhecimento; Que a empresa contratada tinha prestadores de serviço; para os quais pagavam valores hora muito inferiores aos contratados com a recorrente, ou seja, tal empresa, assim como a Tec Rad prestava o serviço contratado através de seus sócios ou através de prestadores de serviço contratados por ela própria e para os quais, pelo que se depreende dos documentos que foram gentilmente fornecidos pelos mesmos e já acostados aos autos com a impugnação ofertada, pagava 10,00 por hora trabalhada enquanto recebia da ora recorrente o valor de R$. 22,67; Que desde dezembro/2004, referida empresa tem como sócios o Sr. Nelson e sua esposa Adalzira F. da S. Francisco, e não se trata de mera sócia no papel, mas sócia efetivamente atuante, que não presta e nunca prestou pessoalmente qualquer serviço à recorrente; Que em relação ao prestador Israel, subordinado da Derimagem e relacionado pela fiscalização, que o mesmo forneceu à ora recorrente cópias de diversos documentos seus que foram juntados com a impugnação, os quais demonstram à evidência a total independência da empresa Derimagem na prestação de serviços contratada; Que a empresa Derimagem possui inclusive um manual próprio de qualidade no atendimento ao cliente, entregue aos seus prestadores de serviço e ou funcionários, o qual inclusive era objeto de palestra ministrada por seu sócio; Que o fato de referida empresa não possuir bens ou estar estabelecida no endereço de seu contador ou residencial do sócio, não descaracteriza de modo algum o seu caráter empresarial e sua efetiva existência, independência e autonomia, vez que como é notório, em empresas de prestação de serviços, ainda mais nas de serviço intelectual ou que envolvam profissões regulamentadas, a principal ferramenta de trabalho é a .própria capacidade humana; Que em relação ao Processo trabalhista movido pelo sócio Nelson Rezende de Francisco, é de se dizer que muito embora a r. sentença proferida tenha sido desfavorável à ora recorrente, a exemplo do ocorrido no processo movido por Claudio Donizeti dos Santos, certamente será. reformada a r. sentença pelo E. TRT da 15a :Região, reconhecendo-se a inexistência do vínculo empregatício pretendido, pois a ora recorrente não pode ser considerada empregadora das profissionais vinculados à Derimagem, pois nunca admitiu, assalariou .ou dirigiu a prestação de. serviço dos mesmos; Fl. 728DF CARF MF Original Fl. 13 do Acórdão n.º 2202-010.299 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13864.000289/2009-95 Que não, havia a pessoalidade já que os serviços poderiam ser prestados por qualquer técnico, aliás o eram, inclusive por, técnicos contratados pela empresa e que lucrava sobre, o trabalho dos mesmos, não havendo ainda subordinação à recorrente que não dava qualquer ordem direta, pretendendo apenas e .tão somente o cumprimento .da carga horária estabelecida em, contrato, nem tampouco dependência .ou salário, vez que todos os pagamentos pela prestação de .serviços realizados eram feitos única exclusivamente à contratada Derimagem; DA FASE PROBATÓRIA Que as provas requeridas. poderiam e podem de todo modo comprovar as alegações da recorrente no sentido da inexistência do vínculo empregatício pretendido pela fiscalização, reputando-se o indeferimento das mesmas em evidente cerceamento de defesa que não pode de forma alguma ser admitido; Que foi requerida i) a designação de audiência para oitiva de testemunhas, ii) a realização de fiscalização federal bem como perícia contábil nas empresas TEC RAD S/C Ltda., CNPJ n°65.039.547/0001-46 e DERIMAGEM DIAGNÓSTICO ESPECIALIZADO EM RADIOLOGIA POR IMAGEM S/C LTDA., CNPJ n° 05.525.154/0001-10 e nas pessoas físicas de seus sócios e iii) que fosse oficiada a Delegacia Regional do Trabalho de São José dos Campos para que apresentasse cópia da íntegra dos autos do processo administrativo correspondente ao Auto de Infração 013530232; Que as provas requeridas poderiam elucidar sim a questão de forma favorável à recorrente, e a • negativa da produção das mesmas, caracteriza- se em inaceitável cerceamento de defesa, sendo certo, ainda, que referida negativa de produção de provas visa exatamente evitar a possibilidade de serem derrubados os argumentos da fiscalização que pretende a todo custo manter a arrecadação; CONCLUSÃO Por todo o exposto, requer seja o presente. Recurso recebido, processado e PROVIDO, para que seja reformado o v. . acórdão proferido, 'anulando-se os autos de infração ora em debate, acolhendo-se o entendimento recentemente proferido pela própria Justiça do Trabalho nos . autos do Processo n° 01053-2007-045-15-00-1, reconhecendo-se a que não há relação de emprego, ou seja, que é absolutamente inexistente o vínculo empregatício, pelo que não há que se falar, em Multa por apresentação de, documento a que se refere a Lei 8212/91 com dados não' correspondentes, aos fatos geradores de todas às contribuições previdenciárias se não há relação de emprego com' os :trabalhadores relacionados no Anexo I do auto. Fl. 729DF CARF MF Original Fl. 14 do Acórdão n.º 2202-010.299 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13864.000289/2009-95 É o relatório. Voto Conselheiro Christiano Rocha Pinheiro, Relator. ADMISSIBILIDADE TEMPESTIVIDADE E PRESSUPOSTOS O recorrente foi intimado da decisão de primeira instância por via postal, em 02/06/2010, conforme Aviso de Recebimento (fl. 691). Uma vez que o recurso foi protocolizado em 02/07/2010 (fl. 698), é considerado tempestivo ademais de preencher os pressupostos legais de admissibilidade. NATUREZA ACESSÓRIA Em razão da natureza do crédito carreado nos autos, consistente em multa por descumprimento de obrigação acessória (CFL 68), é mister reconhecer a vinculação tratada nos precedentes da CSRF. CSRF – 2ª Seção- 2ª Turma – Acórdão 9202-007.772 – Abr/2019 OBRIGAÇÃO PREVIDENCIÁRIA ACESSÓRIA VINCULADA A OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. OMISSÃO DE FATOS GERADORES EM GFIP. Tendo as questões relacionadas à incidência dos tributos sido decididas nos lançamentos das obrigações principais, o Auto de Infração pela omissão de fatos geradores em GFIP segue a mesma sorte. CSRF – 2ª Seção- 2ª Turma – Acórdão 9202-008.504 – Jan/2020 OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. RESULTADO DO JULGAMENTO DO PROCESSO RELATIVO À OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA PRINCIPAL. APLICAÇÃO. RICARF. Devem ser replicados ao julgamento relativo ao descumprimento de obrigação acessória os resultados dos julgamentos dos processos atinentes ao descumprimento das obrigações tributárias principais, que se constituem em questão antecedente ao dever instrumental. Portanto, para conhecimento, reproduz-se aqui a ementa e o dispositivo produzidos no bojo do processo nº 13864.000290/2009-10, em julgamento promovido pela 2ª Seção – 2ª Câmara – 2ª Turma Ordinária deste Conselho, por meio do qual é analisada a obrigação tributária principal consubstanciada na CSP de responsabilidade patronal. Processo nº 13864.000290/2009-10 - EMENTA Fl. 730DF CARF MF Original Fl. 15 do Acórdão n.º 2202-010.299 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13864.000289/2009-95 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Apuração: 01/2005 a 09/2007 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. QUALIFICAÇÃO DE NEGÓCIOS JURÍDICOS. COMPETÊNCIA DA AUTORIDADE FISCAL. No desempenho de suas funções para determinar a matéria tributária, a fiscalização tem competência para requalificar negócios jurídicos sem que isto signifique a invasão à competência da Justiça do Trabalho, por meio do exame acerca da existência de vínculo empregatício. DILIGÊNCIA. PERÍCIA. PEDIDO DA PARTE. SÚMULA CARF Nº 163. O indeferimento fundamentado de requerimento de diligência ou perícia não configura cerceamento do direito de defesa, sendo facultado ao órgão julgador indeferir aquelas que considerar prescindíveis ou impraticáveis. JUSTIÇA DO TRABALHO. AUSÊNCIA DE VÍNCULO. AUSÊNCIA APRECIAÇÃO DE PROVAS DISTINTAS. NÃO VINCULAÇÃO DO RESULTADO. A existência de ações judiciais para tratar de vínculo empregatício seja procedentes ou improcedentes, servem como subsídidio para a identificação da existência de desvirtuamento, mas não como elemento capaz de desnaturar o fato gerador, quando o conjunto probatório é suficiente para formação do vínculo de emprego para efeitos previdenciários. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. TERCEIRIZAÇÃO. SIMULAÇÃO. ILICITUDE. Caracterizada a conduta simulatória, consistente na interposição de pessoa jurídica para dissimular relação empregatícia, fica justificado o lançamento fiscal. Processo nº 13864.000290/2009-10 - DISPOSITIVO Baseado no exposto, voto por negar provimento ao recurso.. Pelo exposto, depreende-se que o crédito tributário principal foi mantido. Todavia, dada a mera repetição no recurso voluntário ora examinado dos fundamentos contidos no recurso voluntário do Processo nº 13864.000290/2009-10, não há razões a apreciar além da aplicação das conclusões obtidas naquele feito. Sendo assim, fica mantida a multa por descumprimento de obrigação acessória CFL 68. Conclusão Baseado no exposto, voto por negar provimento ao recurso. . (documento assinado digitalmente) Christiano Rocha Pinheiro Fl. 731DF CARF MF Original Fl. 16 do Acórdão n.º 2202-010.299 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13864.000289/2009-95 Fl. 732DF CARF MF Original
score : 1.0
Numero do processo: 10768.014812/2002-94
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 07 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Sep 01 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Período de apuração: 01/06/1994 a 30/04/2000
AUTUAÇÃO POR SUPOSTA FALTA DE RECOLHIMENTO -
DECADÊNCIA - PRAZO DE 5 ANOS. É inaplicável ao PIS o prazo de
decadência de 10 anos previsto no art. 45 da Lei n° 8.212/91. Tributos e contribuições sujeitos a homologação somente podem ser lançados dentro de um prazo de 5 anos a contar do fato gerador. Não havendo lançamento nem homologação expressa, fica configurada a homologação tácita da Fazenda.
BASE DE CÁLCULO. LEI 9.718, DE 1998. RECEITAS FINANCEIRAS. A
ampliação do conceito de faturamento às demais receitas pela Lei n°9.718, de 1998, é inconstitucional, segundo decisão definitiva do Plenário do Supremo Tribunal Federal.
Numero da decisão: 3801-000.903
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento total ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
Matéria: PIS - ação fiscal (todas)
Nome do relator: DANIELA RIBEIRO DE GUSMAO
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É inaplicável ao PIS o prazo de decadência de 10 anos previsto no art. 45 da Lei n° 8.212/91. Tributos e contribuições sujeitos a homologação somente podem ser lançados dentro de um prazo de 5 anos a contar do fato gerador. Não havendo lançamento nem homologação expressa, fica configurada a homologação tácita da Fazenda. BASE DE CÁLCULO. LEI 9.718, DE 1998. RECEITAS FINANCEIRAS. A ampliação do conceito de faturamento às demais receitas pela Lei n°9.718, de 1998, é inconstitucional, segundo decisão definitiva do Plenário do Supremo Tribunal Federal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento total ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) MAGDA COTTA CARDOZO Presidente. (assinado digitalmente) DANIELA RIBEIRO DE GUSMÃO Relator. Fl. 489DF CARF MF Impresso em 12/06/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2011 por DANIELA RIBEIRO DE GUSMAO, Assinado digitalmente em 06/10 /2011 por DANIELA RIBEIRO DE GUSMAO, Assinado digitalmente em 11/10/2011 por MAGDA COTTA CARDOZO 2 EDITADO EM: 06/10/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Magda Cotta Cardozo, Sidney Eduardo Stahl, Flávio de Castro Pontes, Alan Fialho Gandra e Adriana Oliveira e Ribeiro. Relatório Pela clareza da exposição, adotase trechos do relatório preparado pela DRJ, por ocasião do julgamento de primeiro grau: “Contra a interessada foi lavrado o auto de infração de fls. 187/208 com exigência de crédito tributário no valor de R$680.711,34 a titulo de contribuição para o Programa de Integração Social (PIS), juro de mora, multa proporcional de 75% e multa e juro exigidos isoladamente por insuficiência de recolhimento para os períodos relacionados nas fls.189 a 192. Conforme descrito no Termo de Verificação Fiscal (TVF), anexo As fls. 177 a 186, que é parte integrante do auto de infração, a autoridade fiscal detalha o trabalho fiscal realizado. Ao final do TVF temse resumidamente o que foi feito, sendo, vejase: "A Fundação Cerj de Seguridade Social Brasiletros, entidade de previdência privada fechada, a luz da Constituição Federal de 1988, é contribuinte para o Programa de Integração Social PIS, calculado da seguinte forma: até maio/94: 1% sobre afolha de pagamento; de junho/94 até jan/99: 0,75% sobre a receita bruta operacional; de fev/99 em diante: 0,65% sobre a receita bruta operacional; O lançamento ora efetuado tomou por base exclusivamente dados fornecidos pela contribuinte em atendimento a intimaçães, os quais foram consolidados nas planilhas de fls.___ a ___. A Fiscalização atevese aos fatos descritos, ressalvado o direito de a Fazenda Pública Nacional proceder a novos exames, surgindo elementos novos que os justifiquem.” Os dispositivos legais infringidos constam na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal do referido auto de infração. Irresignada, tendo sido cientificada em 06/09/2002, a empresa apresentou, em 03/10/2002, o arrazoado de fls. 227/238, acompanhado dos documentos de fls. 239/300 e 303/316, com as suas razões de defesa a seguir reunidas sucintamente. Entende a contribuinte que, após a CF/88, o prazo decadencial para a constituição do crédito tributário que tenha por objeto o PIS é de cinco anos, conforme § 4° do art. 150 da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional — CTN), Fl. 490DF CARF MF Impresso em 12/06/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2011 por DANIELA RIBEIRO DE GUSMAO, Assinado digitalmente em 06/10 /2011 por DANIELA RIBEIRO DE GUSMAO, Assinado digitalmente em 11/10/2011 por MAGDA COTTA CARDOZO Processo nº 10768.014812/200294 Acórdão n.º 380100.903 S3TE01 Fl. 424 3 e doutrina e jurisprudência reproduzidas. Assim, a impugnante assevera ter decaído o direito de a Receita lançar períodos anteriores a setembro de 1997. "O auditorfiscal considerou como fato gerador do tributo, até maio de 1994, a folha de pagamento. Entretanto, somente a partir de 1° de maio de 2000, a impugnante passou a contar com quadro próprio de pessoal. "Esta informação foi checada com os livros fiscais e teve a sua veracidade comprovada”, como ele mesmo informa no item 3. Da Auditoria à,fl. 7. Verificase, então, um desencontro com essa informação e o item 5. Do Lançamento, onde se 1ê que o PIS foi calculado "até maio/94: 1% sobre a folha de pagamento" (...) Assim, a autuada requer a anulação do lançamento, pois considera que foram descumpridos os incs. VII e IX do art. 2° da Lei n° 9.784, de 1999, que deve ser aplicada subsidiariamente ao Decreto n° 70.235, de 6 de março de 1972 (Processo Administrativo Fiscal PAF). Em seguida a contribuinte relata rapidamente algumas considerações feitas pela Fiscalização no TVF. Repisa a questão da decadência, pelo que haveria falta de amparo legal a autuação referente ao período que vai de junho de 1994 a dezembro de 1996. O plano de contas das entidades fechadas de previdência complementar foi estabelecido pela Portaria MPAS n° 4.858, de 26/11/1998, e, segundo a impugnante, "diz que a conta 5.1.00.00.00.0 referese à. receita administrativa do Programa Administrativo, portanto base de cálculo, e a conta 5.3.11.00.00.0 referese à receita transferida do Programa Previdencial para custeio das despesas administrativas". "Parece terse equivocado o auditorfiscal, porque não há qualquer erro na apuração da base de cálculo, conforme o Balancete de 1999, onde se vê, na página 18 (sic, queria dizer 17), que a base do período foi de R$517.939,73 (Doc. 04). Assim, e, só por isso, o auto deve ser julgado, de piano, improcedente, se não for anulado conforme o pedido preliminar.” Assevera a querelante que, ademais, foram desatendidos princípios que informam o processo administrativo, pois não teria a Fiscalização indicado consistentemente onde a contribuinte teria errado. A defendente também assegura que o valor já oferecido à tributação foi feito em consonância com as MPs n°2.222, de 2001, e 25, de 2002, bem como com a IN SRF n° 126, de 2002, e a Lei n° 9.718, de 1998. Insiste a impugnante na argumentação de que a Fiscalização não comprovou em momento algum que a contribuinte não atendeu às exigências para adesão ao RET, afirmando que a Fiscalização "não observou, sequer, que o recolhimento da diferença apontada ainda podia ser feito dentro do prazo legal Fl. 491DF CARF MF Impresso em 12/06/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2011 por DANIELA RIBEIRO DE GUSMAO, Assinado digitalmente em 06/10 /2011 por DANIELA RIBEIRO DE GUSMAO, Assinado digitalmente em 11/10/2011 por MAGDA COTTA CARDOZO 4 sem que, com isso, a impugnante perdesse o direito anistia prevista no art. 5° da MP n° 2.222". Não sendo acolhidas as preliminares de decadência e de nulidade, de acordo com os arts. 18 e 28 do PAF, a defendente requer seja deferida perícia para provar a improcedência do lançamento, sob pena de cerceamento de defesa. Para tanto, a contribuinte formulou quesitos referentes aos exames desejados, assim como forneceu nome, endereço e qualificação de seu perito. Reproduz doutrina para concluir que "a perícia deverá ser deferida". Quanto ao juro de mora, entende a autuada que não "se pode alegar que a cobrança está amparada em lei, porque a Lei n° 9.065/95 está desrespeitando o artigo 110 do CTN, na medida em que desnatura a cobrança dos juros incidentes sobre os débitos tributários em atraso, transmudandolhes o caráter de moratório que o é efetivamente correto". Na oportunidade, a impugnante transcreveu doutrina e jurisprudência sobre o assunto. A DRJ em Belo Horizonte, em seu acórdão, julgou procedente em parte o lançamento, entendendo por: a) rejeitar as preliminares de nulidade e de decadência; b) indeferir o pedido de perícia, por desnecessária à solução da lide; c) julgar procedente em parte o lançamento para: c.1) exonerar a contribuinte da multa e do juro isolados (itens 002 e 003 do auto de infração; fls. 191 e 192); c.2) exigir da autuada o pagamento da contribuição no valor de R$661.902,25, a ser acrescido da multa de oficio (75%) e do juro de mora. Em seu recurso voluntário, a contribuinte repisou alguns dos argumentos levantados na impugnação, e requereu o que se segue: 1. acatar a preliminar de decadência do lançamento efetuado além do prazo decadencial de cinco anos, contados do fato gerador, nos termos da Lei e da Jurisprudência mencionadas; 2. deferir a perícia, necessária para excluir do lançamento os valores do PIS já recolhidos; 3. decidir pela não aplicação do artigo 3o da Lei n° 9.718/98 em face da sua inconstitucionalidade; e 4. reconhecer a improcedência do lançamento sofrido, reformando a decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Belo Horizonte, na parte que o julgou procedente. É o relatório. Fl. 492DF CARF MF Impresso em 12/06/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2011 por DANIELA RIBEIRO DE GUSMAO, Assinado digitalmente em 06/10 /2011 por DANIELA RIBEIRO DE GUSMAO, Assinado digitalmente em 11/10/2011 por MAGDA COTTA CARDOZO Processo nº 10768.014812/200294 Acórdão n.º 380100.903 S3TE01 Fl. 425 5 Voto Conselheira Daniela Ribeiro de Gusmão O recurso voluntário é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, devendo ser conhecido. Inicialmente examinase a preliminar de decadência. A Lei nº 8.212/91 estabelecia em seu art. 45 que o prazo do direito da Seguridade Social apurar e constituir seus créditos era de 10 (dez) anos. Ocorre, todavia, que o Egrégio Supremo Tribunal Federal (STF), após analisar a matéria em sede de controle difuso de constitucionalidade (precedentes recursos extraordinários nºs. 559.9434, 559.8829, 560.6261 e 556.6641), editou a seguinte súmula vinculante: “Súmula Vinculante nº 8 São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do DecretoLei nº 1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. A propósito dos efeitos da súmula vinculante, o artigo 103A da Constituição Federal de 1988, incluído pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004: Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. Neste sentido, é o disposto no art. 2º da Lei 11.417/2006: “Art. 2o O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, editar enunciado de súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma prevista nesta Lei.” Além do mais, e de acordo com o artigo 62A, do Regimento Interno do Conselho Administrativo Fiscais (CARF), aprovado pela Portaria nº 256/2009 do Ministro da Fazenda, com alterações das Portarias 446/2009 e 586, os Conselheiros deverão observar as decisões definitivas de mérito proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional na sistemática de recurso repetitivo, in verbis: Fl. 493DF CARF MF Impresso em 12/06/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2011 por DANIELA RIBEIRO DE GUSMAO, Assinado digitalmente em 06/10 /2011 por DANIELA RIBEIRO DE GUSMAO, Assinado digitalmente em 11/10/2011 por MAGDA COTTA CARDOZO 6 Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Destarte, após a publicação desta súmula no DOU em 20/06/2008 com eficácia imediata para a Fazenda Pública, é inconteste que o prazo decadencial é o estabelecido no Código Tributário Nacional, ou seja, de cinco anos. Assim sendo, considerando que o auto de infração foi lavrado em 06.09.2002, em se tratando de tributo administrado pela Receita Federal e declarado através de DCTF, está sujeito à auditoria interna da Receita que, não o tendo feito no prazo previsto, decaiu do direito de lançálo no período anterior a setembro de 1997. No mérito, cumpre assinalar que a base de cálculo da contribuição ao PIS utilizada no auto de infração foi calculada em conformidade com o art. 3o da Lei 9.718/98. Contudo, em 15 de agosto de 2006, publicouse decisão do Pleno do STF no âmbito dos recursos extraordinários 357.950 e 358.273, transitada em julgado em 5 de setembro, que considerou inconstitucionais as alterações das bases de cálculo do PIS e da Cofins promovidas pelo art. 3o, § 1o, da Lei 9.718/98. Dessa forma, como o presente lançamento considerou o referido dispositivo legal na apuração da base de cálculo do PIS lançado, deverá ser recalculada a exigência, por não estarem sujeitas à contribuição as receitas financeiras. Além disso, a Recorrente apresentou uma comparação entre os cálculos do PIS por ela efetuados e aqueles realizados pela Fiscalização, com a mesma base de cálculo, demonstrando um excesso de exação no valor de R$ 17.916,51 (dezessete mil, novecentos e dezesseis reais e cinqüenta e um centavos) comprovado pela juntada de guias de recolhimento. Assim sendo, o valor a ser cobrado da Recorrente, ao final, deverá considerar os valores de PIS já recolhidos pelo contribuinte, evitandose, assim, o enriquecimento sem causa do Estado. À vista do exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário, para excluir do lançamento os fatos geradores ocorridos nos períodos até agosto de 1997, em razão da decadência, excluir dos demais valores as receitas contidas na conta Renda de Investimentos e os pagamentos realizados com base na MP 2.222/01. (assinado digitalmente) Daniela Ribeiro de Gusmão – Relatora Fl. 494DF CARF MF Impresso em 12/06/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2011 por DANIELA RIBEIRO DE GUSMAO, Assinado digitalmente em 06/10 /2011 por DANIELA RIBEIRO DE GUSMAO, Assinado digitalmente em 11/10/2011 por MAGDA COTTA CARDOZO Processo nº 10768.014812/200294 Acórdão n.º 380100.903 S3TE01 Fl. 426 7 Fl. 495DF CARF MF Impresso em 12/06/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2011 por DANIELA RIBEIRO DE GUSMAO, Assinado digitalmente em 06/10 /2011 por DANIELA RIBEIRO DE GUSMAO, Assinado digitalmente em 11/10/2011 por MAGDA COTTA CARDOZO
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Numero do processo: 10980.001680/2003-05
Turma: Quarta Turma Especial
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Oct 29 00:00:00 UTC 2008
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
PERÍODO DE APURAÇÃO: 01/10/1995 a 28/02/1996
PRAZO DECADENCIAL PARA REPETIÇÃO DE INDÉBITO. TERMO INICIAL.
0 prazo decadencial para reconhecimento de direito credit6rio
relativo a tributo pago indevidamente ou em valor maior que o
devido, ainda que decorrente de norma posteriormente declarada
inconstitucional pelo STF, extingue-se após o transcurso de cinco
anos, contados da data da extinção do crédito tributário, inclusive na hipótese de tributos lançados por homologação, em relação aos quais a extinção se dá no momento do pagamento.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 294-00.001
Decisão: ACORDAM os membros da QUARTA TURMA ESPECIAL do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencida a Conselheira Renata Auxiliadora Marcheti.
Matéria: PIS - ação fiscal (todas)
Nome do relator: MAGDA COTTA CARDOZO
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Recorrida DRJ em Curitiba/PR if) V) U. [12 ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO PERÍODO DE APURAÇÃO: 01/10/1995 a 28/02/1996 PRAZO DECADENCIAL PARA REPETIÇÃO DE INDÉBITO. --TERMO INICIAL. 0 prazo decadencial para reconhecimento de direito credit6rio relativo a tributo pago indevidamente ou em valor maior que o devido, ainda que decorrente de norma posteriormente declarada inconstitucional pelo STF, extingue-se após o transcurso de cinco anos, contados da data da extinção do crédito tributário, inclusive na hipótese de tributos lançados por homologação, em relação aos quais a extinção se dá no momento do pagamento. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da QUARTA TURMA ESPECIAL do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencida a Conselheira Renata Auxiliadora Marcheti. e ENRIQUE PINHEIRO TORRES Presidente MAGDA COTTA CARDOZO Relatora Participou, ainda, do presente julgamento, o Conselheiro Arno Jerke Junior. Processo n° 10980.001680/2003-05 Acórdão n.° 294-00.001 ; SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBU1NTES 1 CONFERE COM 0 ORIGINAL 1 Brasilia, / 0 / / 201 Relatório , low .501/0- ••• Necy austa dos Reis Mat. Siapc 91806 Trata o presente processo de pedido de restituição (fls. 01) de valores recolhidos no período entre novembro de 1995 e março de 1996, a titulo de PIS, incidente sobre operações realizadas pela requerente, protocolado em 17/02/2003. Foram anexadas ao pedido cópias de DARF (fls. 02/03), além de planilha de apuração do crédito (fl. 04) e requerimento do interessado (fls. 05 a 07). A requerente alega como motivo do pedido o previsto na IN/SRF n° 6/2000, que garantiria o ressarcimento dos valores de PIS recolhidos no período de 01/10/95 a 29/02/96. A DRF em Curitiba/PR indeferiu o pedido de reconhecimento de direito creditório (fls. 28 a 30), entendendo que "o direito à restituição conexos com os DARF's anexados ao processo, cujos recolhimentos foram realizados em datas anteriores a 17/02/1998, já estava prescrito antes da data de protocolização do presente processo". A requerente apresentou manifestação de inconformidade (fls. 35 a 53), alegando, em resumo, que: I. No entendimento do STJ, o prazo prescricional das ações de repetição relativas ao PIS é de dez anos, conforme legislação especifica; 2. A restituição requer iniciativa do contribuinte e independe de prévia manifestação do Fisco, conforme artigo 66 da Lei 8.383/91 e Decreto 2.138/97; 3. 0 direito a compensação é garantido pela Constituição, com base nos fundamentos da cidadania, justiça, isonomia, propriedade e moralidade; 4. A retroatividade do fato gerador do PIS a 01/10/95, prevista no artigo 18 da Lei 9.715/98, foi considerada inconstitucional pelo STF, tornando inexistente o fato gerador no período considerado inconstitucional, de 01/10/95 até a publicação da referida Lei, 25/11/98; 5. Não foi editada nenhuma lei complementar recriando ou nornzatizando o PIS, conforme determina a Constituição; 6. Os valores pagos no período em que foram aplicadas as normas declaradas inconstitucionais são atos nulos, destituídos de eficácia jurídica; 7. É incabível a cobrança do PIS com base na LC 7/70, não podendo haver dois diplomas legais normatizando o mesmo assim no mesmo período; 8. A Receita Federal insiste em afirmar que uma instrução normativa tem poder de repristinar urna lei complementar revogada; 2 Ner, Bausta dos Reis Siapc 9 got) 9. Pelo exposto, concltu-se que o di 71 mate-r- ial não se extinguiu pelo tempo, cabendo a restituição à empresa dos valores recolhidos a titulo de PIS. Processo n° 10980.001680/2003-05 Acórdão n.° 294-00.001 CoNSCIHO DE CONTRIBUINTES CONFERE COM 0 ORIGINAL °-f ag.96 A DRJ em Curitiba/PR manteve o indeferimento do pedido, concluindo, da mesma forma, pela extinção do crédito tributário e pela conseqüente extinção do direito de pleitear o indébito a ele relativo (fls. 56 a 62), com base nos artigos 150, § 1 0, 156-VII, 165-1 e 168-1 do Código Tributário Nacional - CTN e no Ato Declaratório SRF n° 96/99. A requerente apresentou, tempestivamente, recurso voluntário (fls. 65 a 83), alegando em sua defesa as mesmas razões apresentadas na manifestação de inconformidade. o Relatório. Voto Conselheira MAGDA COTTA CARDOZO, Relatora • O -recurso -voluntário -foi apresentado dentro do prazo-legal i-reunindo, ainda, os --- demais requisitos de admissibilidade. Sendo assim, dele conheço. A requerente alega que o STJ entende que o prazo prescricional das ações para repetição de indébito relativo ao PIS é de dez anos. Faz-se necessário, portanto, analisar a contagem do prazo para que o sujeito passivo possa pleitear a restituição de valores indevidamente recolhidos, ou recolhidos em valor superior ao devido, tratando-se aqui, na verdade, de prazo decadencial. Ou seja, é fundamental a correta identificação do termo inicial de contagem do prazo decadencial do direito ao reconhecimento do crédito. Cumpre destacar que correto é o entendimento manifestado na decisão atacada, ao interpretar que o termo inicial para a contagem do prazo previsto no artigo 168, inciso I, do CTN, é a data do pagamento do tributo ou contribuição. Diz o citado dispositivo legal: Art. 168. 0 direito de pleitear a restituição extingue-se com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados: I - nas hipóteses dos incisos I e II do art. 165, da data da extinção do crédito tributário; 0 caso em tela inclui-se na hipótese contida no artigo 165, inciso I, do CTN, qual seja: pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável. Desta forma, o termo inicial para a contagem do prazo decadencial para repetição do indébito é a data da extinção do crédito tributário, conforme o previsto no artigo 168, inciso I, do CTN. No entanto, no caso de tributo ou contribuição sujeito a lançamento por homologação, no qual se enquadra o PIS, existem dois entendimentos referentes à data que 3 : - CONSELHO DE CONTRIBUINTES! CONFERECOM 0 ORIGINAL Brasilia, ta dos Reic dIIJflfl5UO Processo n° 10980.001680/2003-05 Acórdão n.° 294 -00.001 deve ser admitida corno a da extinção do crédito tributdrio, quais sejam: a data do pg -árn-ehto antecipado e a data da homologação do referido pagamento, nos termos do artigo 150, §§ 1° e 40 do CTN. Assim, é necessário esclarecer em que data deve-se considerar extinto o credito tributário. A solução está contida de forma suficientemente clara no § 1° do artigo 150 do CTN: Art. 150. 0 lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, opera-se pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. §1" 0 pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação do lançamento. Para melhor compreender o significado destes dispositivos, cita-se a lúcida lição de ALBERTO XAVIER: ... a condição resolutiva permite a eficácia imediata do ato jurídico, ao contrário da condição suspensiva, que opera o diferimento dessa eficácia. Dispõe o artigo 119 do Código Civil que "se for resolutiva a condição, enquanto esta se não realizar, vigorará o ato jurídico, podendo exercer-se desde o momento deste o direito por ele estabelecido; mas, manifestada a condição, para todos os efeitos, se extingue o direito a que ela se opõe". Ora, sendo a eficácia do pagamento efetuado pelo contribuinte imediata, imediato é o seu efeito liberatório, imediato é o efeito extintivo, imediata é a extinção definitiva do crédito. O que na figura da condição resolutiva sucede é que a eficácia entretanto produzida pode ser destruída com efeitos retroativos se a condição se implementar." (Do Lançamento, Teoria Geral do Ato e do Processo Tributário", Editora Forense, 1998, pag. 98/99)." Portanto, o pagamento já extingue o crédito tributário, ainda que sob o mesmo esteja pendente a condição resolutória da ulterior homologação tácita ou expressa. 0 artigo 127 do Código Civil dispõe que condição resolutória é a condição que subordina a ineficácia do ato jurídico a evento futuro e incerto, pois, enquanto aquela condição não se realizar, vigorará o ato jurídico, podendo ser exercido, desde o momento deste, o direito por ele estabelecido. Entretanto, verificada a condição, para todos os efeitos, extingue-se o ato a que ela se opõe. Tal entendimento é expressamente adotado pelo CTN, nos termos do artigo 117, abaixo transcrito. Por conseguinte, mesmo nos tributos e contribuições lançados por homologação, o pagamento antecipado do contribuinte está apto a produzir todos os efeitos que a ele são próprios, pois não está subordinado à condição suspensiva, mas sim à condição resolutiva. Art. 117. Para os efeitos do inciso II do artigo anterior e salvo disposição de lei em contrário, os atos ou negócios jurídicos condicionais reputam-se perfeitos e acabados: 4 • CW.I.SC:1.+10 DE CONTRIbUIN tb CONFERE COM 0 ORIGINAL Processo n° 10980.001680/2003-05 j o Brasilia, 1)4., Necylri ía dos Reis Mdt Siape 91806 Acórdão n.° 294 -00.001 - sendo suspensiva a condição, desde o momento de seu implemento; - sendo resolutória a condição, desde o momento da prática do ato ou da celebração do negócio. Sendo assim, o pagamento antecipado já extingue o crédito, embora, por se tratar de atividade de iniciativa do contribuinte, sem prévia manifestação do Fisco, submeta-se a condição resolutória, que consiste em homologação posterior. Se o Fisco não constatar nenhuma irregularidade ligada ao pagamento, irá apenas confirmá-lo, preservando os efeitos que ele já vinha produzindo. Adotando-se a tese diversa, segundo a qual o pagamento antecipado do contribuinte só produziria efeitos após a homologação (tácita ou expressa), não se poderia admitir a repetição do indébito por pagamento indevido antes de implementada essa condição resolutória, o que seria um contra-senso. Assim, a homologação apenas torna definitiva a extinção do crédito tributário no sentido de impedir a atividade revisional do Fisco. Fica claro, portanto, que o pagamento antecipado já produz o efeito de extinguir o crédito tributário, admitindo de imediato, desde que verificada uma das hipóteses legais, a repetição do indébito. Se o contribuinte pode, de pronto, exercer o seu direito de repetir o pagamento indevido, é lógico concluir que'o termo ffiii1dpra-zo-de-adencialliára pFeithAfa restituição se dê com o pagamento antecipado. Em suma, interpretando-se de forma integrada os artigos 150, 156, 165 e 168 do CTN, conclui-se que o direito de pleitear restituição de tributos pagos indevidamente ou em valor maior que o devido decai em cinco anos, contados da extinção do crédito tributário, e, no caso dos tributos e contribuições sujeitos a lançamento por homologação, considera-se extinto o crédito tributário - e, portanto, iniciado o prazo decadencial - com o pagamento antecipado, que já produz todos os efeitos que lhe são próprios, uma vez que submetido a condição resolutória. A Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, manifestando-se sobre o assunto, emitiu o Parecer PGFN/CAT n° 1.538, de 18 de outubro de 1999, posicionando-se nos seguintes termos: I - o entendimento de que termo a quo do prazo decadencial do direito de restituição de tributo pago indevidamente, com base em lei declarada inconstitucional pelo STF, seria a data de publicação do respectivo acórdão, no controle concentrado, e da resolução do Senado, no controle difUso, contraria o principio da segurança jurídica, por aplicar o efeito ex tune, de maneira absoluta, sem atenuar a sua eficácia, de forma a não desfazer situações jurídicas que, pela legislação regente, não sejam mais passíveis de revisão administrativa ou judicial; II - os prazos decadenciais e prescricionais em direito tributário constituem-se em matéria de lei complementar, conforme determina o art. 150, III, "h" da Constituição da República, encontrando-se hoje regulamentada pelo Código Tributário Nacional,. iii - o prazo decadencial do direito de pleitear restituição de crédito decorrente de pagamento de tributo indevido, seja por aplicação 5 Net:), a sta dos Reis .Nlat. Siam: 9 I KO6 inadequada da lei, seferpez-inconstrtuetonaliaaae r. • - • • • elo art. 168 do CT1V, extinguindo-se, destarte, após decorridos cinco anos da ocorrência de uma das hipóteses previstas no art. 165 do mesmo Código;" Processo n° 10980.001680/2003-05 Acórdão n.° 294-00.001 ".. • ,:::::',I;CNDO CO1SFI.H0 DE CONTRIBUINTES 1 CONFERE COM O ORIGINAL i 1 ; Brasilia 9 .t- 1 17/ 1 Posterion-nente, considerando o teor do Parecer acima transcrito, o Secretário da Receita Federal expediu o Ato Declaratório n° 96, de 26 de novembro de 1999: I - o prazo para que o contribuinte possa pleitear a restituição de tributo ou contribuição pago indevidamente ou em valor maior que o devido, inclusive na hipótese de o pagamento ter sido efetuado com base em lei posteriormente declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal em ação declarató ria ou em recurso extraordinário, extingue-se após o transcurso do prazo de 5 (cinco) anos, contado da data da extinção do crédito tributário — arts. 165, I, e 168, I, da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional). 0 pagamento antecipado, portanto, extingue o crédito tributário e é esta a data do termo inicial de contagem do prazo de cinco anos para se fulminar o direito ao reconhecimento do crédito. Verifica-se que o presente pedido foi protocolado em 17/02/2003 (fls. 01). Desta forma, já havia decorrido mais de cinco anos dos pagamentos relativos ao PIS efetuados, considerando que o Ultimo ocorreu em março de 1996, extinguindo-se o referido direito, portanto, em março de 2001. Sobre o prazo decadencial em análise, a Lei Complementar n° 118, de 9 de fevereiro de 2005, soterrou definitivamente a questão, estabelecendo, em seus artigos 3° e 4°: Art. 3°. Para efeito de interpretação do inciso I do art. 168 da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 — Código Tributário Nacional, a extinção do crédito tributário ocorre, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, no momento do pagamento antecipado de que trata o § 1" do art. 150 da referida Lei. Art. 4 0. Esta Lei entra em vigor 120 (cento e vinte) dias após sua publicação, observado, quanto ao art. 3°, o disposto no art. 106, inciso I, da Lei n" 5.172, de 25 de outubro de 1966 — Código Tributário Nacional. 0 artigo 4° acima transcrito é claro ao determinar a aplicação retroativa do artigo anterior, tendo em vista seu evidente caráter interpretativo, vindo apenas ratificar o entendimento demonstrado no presente voto. Por fim, quanto ao mencionado entendimento do STJ acerca do tema, bem como em relação As disposições contidas na Lei Complementar n° 118/2005, resta observar que não há nos presentes autos qualquer noticia relativa A existência de ação judicial com o mesmo objeto em nome da requerente. Alem disso, vê-se que a retroatividade da norma está expressa no artigo 4° da própria Lei Complementar, não sendo possível ao julgador administrativo deixar de aplicar tal entendimento, ainda que alegada eventual inconstitucionalidade do dispositivo, o que aqui não se cogita, conforme dispõem o artigo 49 do Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes e a Súmula n° 2 do Segundo Conselho de Contribuintes, cabendo 6 Processo n° 1 0980.001680/2003-05 Acórdão n.° 294-00.001 DE CONTRIBUINTES (;ONFERE COM 0 ORIGINAL • Brasilia O'ef / O f j 4.41 Nec austa dos Reis Mat. Siapt, 91806 as no Decreto n° 2.346 observar, ainda, as disposições conti , as quais não se verificam no presente caso. Por todo o exposto, conclui-se pela decadência do direito pleiteado pelo contribuinte, razão pela qual voto por negar provimento ao recurso voluntário, ficando, em decorrência, prejudicada a análise das demais questões relativas ao mérito. Sala das Sessões, em 29 de outubro de 2008. 1,6- MAGDA COTTA CARDOZO 7
score : 1.0
Numero do processo: 36624.000311/2007-63
Turma: Quinta Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu Feb 05 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Thu Feb 05 00:00:00 UTC 2009
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
PERÍODO DE APURAÇÃO: 01/01/1996 a 31/10/1998
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PRAZO DECADENCIAL. CINCO ANOS. TERMO A QUO. AUSÊNCIA DE RECOLHIMENTO ANTECIPADO SOBRE AS
RUBRICAS LANÇADAS. ART. 173, INCISO I, DO CTN.
O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento sumulado,
Súmula Vinculante de n° 8, no julgamento proferido em 12 de
junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da
Lei n° 8.212 de 1991.
Não tendo havido pagamento antecipado sobre as rubricas lançadas pela fiscalização, há que se observar o disposto no art. 173, inciso I, do CTN.
Encontram-se atingidos pela fluência do prazo decadencial todos
os fatos geradores apurados pela fiscalização.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 205-01.571
Decisão: ACORDAM os membros da QUINTA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, Por unanimidade de votos acatar a preliminar de decadência para provimento do recurso, nos termos do voto do relator. Os Conselheiros Manoel Coelho Arruda Junior e Edgar Silva Vidal acompanharam o relator somente nas conclusões. Entenderam que
se aplicava o artigo 150, §4° do CTN.
Nome do relator: MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA
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Empresas em Geral Acórdão n° 205-01.571 Sessão de 05 de fevereiro de 2009 Recorrente UNILEVER BRASIL LTDA Recorrida DRP - SÃO PAULO / SP ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS PERÍODO DE APURAÇÃO: 01/01/1996 a 31/10/1998 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PRAZO DECADENCIAL. CINCO ANOS. TERMO A QUO. AUSÊNCIA DE RECOLHIMENTO ANTECIPADO SOBRE AS RUBRICAS LANÇADAS. ART. 173, INCISO I, DO CTN. O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento sumulado, Súmula Vinculante de n ° 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n ° 8.212 de 1991. Não tendo havido pagamento antecipado sobre as rubricas lançadas pela fiscalização, há que se observar o disposto no art. 173, inciso Ido CTN. Encontram-se atingidos pela fluência do prazo decadencial todos os fatos geradores apurados pela fiscalização. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. • • Processo n°36624.000311/2007-63 CCO2CO5 Adira° n.° 205-01.571 Eis. 368 ACORDAM os membros da QUINTA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, Por unanimidade de votos acatar a preliminar de decadência para provimento do recurso, nos termos do voto do relator. Os Conselheiros Manoel Coelho Arruda Junior e Edgar Silva Vidal acompanharam o relator somente nas conclusões. Entenderam que se aplicava o artigo 150, §4° do CTN. / -- JÚLIO SA' VIEIRA GOMES -, President -,, ' o -......_. A , -.....„." dr.: - é • . D -E AMOS VIEIRA Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros, Damião Cordeiro de Moraes, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Liege Lacroix Thomasi, Adriana Sato e Edgar Silva Vidal (Suplente). 2 - — • Processo n°36624.000311/2007-63 CCO2/CO5 Acórdão n. 205-01.571 2° C: C/11.r.ir . , Eis. 369CONPEi<E 0 Isis Sousa rynura fi Matr. Relatório A presente NFLD tem por objeto as contribuições sociais destinadas ao custeio da Seguridade Social em virtude do instituto da responsabilidade solidária decorrente da contratação de serviços da empresa ENGELMA ENGENHARIA ELÉTRICA DE MANUTENÇÃO LTDA, confonne previsão no art. 31 da Lei n ° 8.212/1991. O período compreende as competências JANEIRO DE 1996 a OUTUBRO DE 1998, conforme relatório fiscal. Não conformada com a notificação, foi apresentada defesa pela sociedade empresária. A Decisão-Notificação confirmou a procedência do lançamento. Não concordando com a decisão do órgão previdenciário, foi interposto recurso. É o Relatório. 3 • Processo n°36624.000311/2007-63 CCO2/CO5 Acórdão n.° 205-01.571 Fls. 370 - f'e c ..„ l.c".. ATt;" 'it jr Z) Voto Conselheiro MARCO ANDRÉ RAMOS VIEIRA, Relator O recurso foi interposto tempestivamente. Pressuposto superado, passo para o exame das questões preliminares de mérito. Quanto à questão preliminar relativa à fluência do prazo decadencial, a mesma deve ser reconhecida. O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento sumulado, Súmula Vinculante de n ° 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n ° 8.212 de 1991, nestas palavras: Súmula Vinculante n° 8"São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5" do Decreto-lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário". Conforme previsto no art. 103-A da Constituição Federal a Súmula de n ° 8 vincula toda a Administração Pública, devendo este Colegiado aplicá-la. Art. 103-A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de oficio ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. Uma vez não sendo mais possível a aplicação do art. 45 da Lei n° 8.212, há que serem observadas as regras previstas no CTN. Nesse sentido deve ser seguida a interpretação adotada pelo STJ no julgamento proferido pela l a Seção no Recurso Especial de n ° 766.050, cuja ementa foi publicada no Diário da Justiça em 25 de fevereiro de 2008, nestas palavras: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. ISS. ALEGADA NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. VALIDADE DA CDA. IMPOSTO SOBRE SERVIÇOS DE QUALQUER NATUREZA - ISS. INSTITUIÇÃO FINANCEIRA. ENQUADRAMENTO DE ATIVIDADE NA LISTA DE SERVIÇOS ANEXA AO DECRETO-LEI N" 406/68. ANALOGIA. IMPOSSIBILIDADE. INTERPRETAÇÃO EXTENSIVA. POSSIBILIDADE. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. FAZENDA PÚBLICA VENCIDA. FIXAÇÃO. OBSERVAÇÃO AOS LIMITES DO § 3." DO ART. 20 DO CPC. IMPOSSIBILIDADE DE REVISÃO EM SEDE DE RECURSO ESPECIAL. REDISCUSSÃO DE MATÉRIA FÁTICO-PROBATÓRIA. SÚMULA 07 DO STI DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. INOCORRÊNCIA. ARTIGO 173, PARÁGRAFO ÚNICO, DO C. jj • 4 :e° CCeN - CONFENIS COM O ORiG-iiVAL Processo n° 36624.000311/2007-63 CCO2/CO5 Acórdão ft° 205 -01.571 Brasitia, ali 04 Fls. 371 'sia :1:01.1E7 1 N4_,ura IN I‘áti 421,15 I. O Imposto sobre Serviços é regido pelo DL 406/68, cujo fato gerador é a prestação de serviço constante na lista anexa ao referido diploma legal, por empresa ou profissional autônomo, com ou sem estabelecimento fixo. 2. A lista de serviços anexa ao Decreto-lei n." 406/68, para fins de incidência do ISS sobre serviços bancários, é taxativa, admitindo-se, contudo, uma leitura extensiva de cada item, no afã de se enquadrar serviços idênticos aos expressamente previstos (Precedente do STF: RE 361829/RJ, publicado no DJ de 24.02.2006; Precedentes do STJ: AgRg no Ag 770170/SC, publicado no DJ de 26.10.2006; e AgRg no Ag 577068/GO, publicado no DJ de 28.08.2006). 3. Entrementes, o exame do enquadramento das atividades desempenhadas pela instituição bancária na Lista de Serviços anexa ao Decreto-Lei 406/68 demanda o reexame do conteúdo fático probatório dos autos, insindicável ante a incidência da Súmula 7/STJ (Precedentes do STJ: AgRg no Ag 770170/SC, publicado no DJ de 26.10.2006; e REsp 445137/MG, publicado no al de 01.09.2006). 4. Deveras, a verificação do preenchimento dos requisitos em Certidão de Dívida Ativa demanda exame de matéria fático-probatória, providência inviável em sede de Recurso Especial (Súmula 07/STJ). 5. Assentando a Corte Estadual que "na Certidão de Divida Ativa consta o nome do devedor, seu endereço, o débito com seu valor originário, termo inicial, maneira de calcular juros de mora, com seu fundamento legal (Código Tributário Municipal. Lei n."2141/94; 2517/97, 2628/98 e 2807/00) e a descrição de todos os acréscimos" e que "os demais requisitos podem ser observados nos autos de processo administrativo acostados aos autos de execução em apenso, onde se verificam: a procedência do débito (ISSQIV), o exercício correspondente (01/12/1993 a 31/10/1998), data e número do Termo de Início de Ação Fiscal, bem como do Auto de Infração que originou o débito", não cabe ao Superior Tribunal de Justiça o reexame dessa inferência. 6. Vencida a Fazenda Pública, a fixação dos honorários advocatícios não está adstrita aos limites percentuais de 10% e 20%, podendo ser adotado como base de cálculo o valor dado à causa ou à condenação, nos termos do artigo 20, ,sç 4", do (PC (Precedentes: AgRg no AG 623.659/R1, publicado no DJ de 06.06.2005; e AgRg no Resp 592.430/MG, publicado no DJ de 29.11.2004). 7. A revisão do critério adotado pela Corte de origem, por eqüidade, para afixação dos honorários, encontra óbice na Súmula 07, do STJ, e no entendimento sumulado do Pretório Excelso: "Salvo limite legal, a fixação de honorários de advogado, em complemento da condenação, depende das circunstâncias da causa, não dando lugar a recurso extraordinário" (Súmula 389/STF).8. O Código Tributário Nacional, ao dispor sobre a decadência, causa extintiva do crédito tributário, assim estabelece em seu artigo 173: "Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se após 5 (cinco) anos, contados: 1- do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II - da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extingue-se definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento." 9. A decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito 5 :.: 4_,44.4 Processo n°36624,000311/2007-63 CONf-a_r.t CCO2/CO5 Acórdão n°205-01.571 Elrasioa. OS 014 As. 372 tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontra- se regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, quais sejam: (i) regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício. ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado; (h) regra da decadência do direito de lançar nos casos em que notificado o contribuinte de medida preparatória do lançamento, em se tratando de tributos sujeitos a lançamento de oficio ou de tributos sujeitos a lançamento por homologação em que inocorre o pagamento antecipado; (iii) regra da decadência do direito de lançar nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação em que há parcial pagamento da exação devida; (iv) regra da decadência do direito de lançar em que o pagamento antecipado se dá com fraude, dolo ou simulação, ocorrendo notificação do contribuinte acerca de medida preparatória; e (v) regra da decadência do direito de lançar perante anulação do lançamento anterior (In: Decadência e Prescrição no Direito Tributário, Enrico Marcos Diniz de Santi, 3" Ed., Max Limonad, págs. 163/210). 10. Nada obstante, as aludidas regras decadenciais apresentam prazo qüinqüenal com dies a quo diversos. 11. Assim, conta-se do "do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" (artigo 173, I do CT1V), o prazo qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de oficio), quando não prevê a lei o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, bem como inexistindo notificação de qualquer medida preparatória por parte do Fisco. No particular, cumpre enfatizar que "o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, sendo inadmissível a aplicação cumulativa dos prazos previstos nos artigos 150, § 4", e 173, do C7N, em se tratando de tributos sujeitos a lançamento por homologação, afim de configurar desarrazoado prazo decadencial decenal. 12. Por seu turno, nos casos ent que inexiste dever de pagamento antecipado (tributos sujeitos a lançamento de oficio) ou quando, existindo a aludida obrigação (tributos sujeitos a lançamento por homologação), há omissão do contribuinte na antecipação do pagamento, desde que inocorrentes quaisquer ilícitos (fraude, dolo ou simulação), tendo sido, contudo, notificado de medida preparatória indispensável ao lançamento, fluindo o termo inicial do prazo decadencial da aludida notificação (artigo 173, parágrafo único, do CTN), independentemente de ter sido a mesma realizada antes ou depois de iniciado o prazo do inciso I, do artigo 173, do Cm. 13. Por outro lado, a decadência do direito de lançar do Fisco, em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, quando ocorre pagamento antecipado inferior ao efetivamente devido, sem que o contribuinte tenha incorrido em fraude, dolo ou simulação, nem sido notificado pelo Fisco de quaisquer medidas preparatórias, obedece a regra prevista na primeira parte do § 4", do artigo 150, do Coda Tributário, segundo o qual, se a lei não .fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador: "Neste )i caso, concorre a contagem do prazo para o Fisco homologar expressamente o pagamento antecipado, concomitantentente, com o prazo para o Fisco, no caso de não homologação, empreender o - _ , • . Processo n° 36624.000311/2007-63 coNFci.z.:z c „..„ ,_ , CCOVCOS Acórdão n.° 205-01.571 Brasilia, a_ _../ (7 Lt, 1) ,5 I Fls. 373 Pr.::: i correspondente lançamento tributário. Sendo assim, no termo .final desse período, consolidam-se simultaneamente a homologação tácita, a perda do direito de homologar expressamente e, conseqüentemente, a impossibilidade jurídica de lançar de oficio" (In Decadência e Prescrição no Direito Tributário, Ettrico Marcos Diniz de Santi, 3" Ed., Max Limonad , pág. 170). 14. A notificação do ilícito tributário, medida indispensável para justificar a realização do ulterior lançamento, afigura-se como dies a giro do prazo decadencial qüinqüenal, em havendo pagamento antecipado efetuado com fraude, dolo ou simulação, regra que configura ampliação do lapso decadencial, in cauí, reiniciado. Entrementes, "transcorridos cinco anos sem que a autoridade administrativa se pronuncie, produzindo a indigitada notificação fortnalizadora do ilícito, operar-se-á ao mesmo tempo a decadência do direito de lançar de oficio, a decadência do direito de constituir juridicamente o dolo, fraude ou simulação para os efeitos do art. 173, parágrafo único, do CTN e a extinção do crédito tributário em razão da homologação tácita do pagamento antecipado" (Enrico Marcos Diniz de Santi, in obra citada, pág. 171). 15. Porlim, o artigo 173, II, do CTN, cuida da regra de decadência do direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário quando sobrevém decisão definitiva, judicial ou administrativa, que anula o lançamento anteriormente efetuado, em virtude da verificação de vicio formal. Neste caso, o marco decadencial inicia-se da data em que se tornar definitiva a aludida decisão anulatória. 16. In cosi': (a) cuida-se de tributo sujeito a lançamento por homologação; (b) a obrigação ex lege de pagamento antecipado do ISSQN pelo contribuinte não restou adimplida, no que concerne aos fatos geradores ocorridos no período de dezembro de 1993 a outubro de 1998, consoante apurado pela Fazenda Pública Municipal em sede de procedimento administrativo fiscal; (c) a notificação do sujeito passivo da lavratura do Termo de Inicio da Ação Fiscal, medida preparatória indispensável ao lançamento direto substitutivo, deu-se em 27.11.1998; (d) a instituição financeira não efetuou o recolhimento por considerar intributáveis, pelo ISSQN, as atividades apontadas pelo Fisco; e (e) a constituição do crédito tributário pertinente ocorreu em 01.09.1999. 17. Desta sone, a regra decadencial aplicável ao caso concreto é a prevista no artigo 173, parágrafo único, do Codex Tributário, contando-se o prazo da data da notificação de medida preparatória indispensável ao lançamento, o que sucedeu em 27.11.1998 (antes do transcurso de cinco anos da ocorrência dos fatos imponiveis apurados), donde se dessume a higidez dos créditos tributários constituídos em 01.09.1999. 18. Recurso especial parcialmente conhecido e desprovido. As contribuições previdenciárias são tributos lançados por homologação, assim devem, em regra, observar o disposto no art. 150, parágrafo 4° do CTN. Havendo, então o pagamento antecipado, observar-se-á a regra de extinção prevista no art. 156, inciso VII do CTN. Entretanto, se não houver o pagamento antecipado não se aplica o disposto no art. 156, inciso VII do CTN, devendo assim ser observado o disposto no art. 173, inciso I do CTN; ‘)havendo a necessidade de lançamento de oficio substitutivo, conforme previsto no art. 149 inciso V do CTN. Nessa hipótese, caso não haja o lançamento, o crédito tributário será extint em função do previsto no art. 156, inciso V do CTN. Caso tenha ocorrido dolo, fraude o ,simulação não será observado o disposto no art. 150, parágrafo 40 do CTN, sendo aplicad 7 . . Processo n°36624.000311/2007-63 2° ccin.r.i- - ris. CCO2/CO5i CONFERE CO, L.51 c. ..., Acórdão n.°205-01.571 Fls. 374 Brasília. 0 3 / 01( , G"; Iras Sot_s i i i . # 1 necessariamente o disposto no art. 173, inciso I, independentemente de ter havido o pagamento antecipado. No presente caso o lançamento foi efetuado em 16 de dezembro de 2005, fl. 01; como não houve pagamento antecipado sobre os valores lançados, conforme relatório fiscal; assim, aplica-se a regra prevista no art. 173, inciso Ido CTN. In casu a fiscalização não detinha as informações para efetuar o lançamento, devendo, necessariamente, os valores serem apurados em ação fiscal, portanto há que ser observado em conjunto o disposto no art. 173, parágrafo único do CTN. Assim, a contar do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído, a fiscalização federal teria o prazo de cinco anos para notificar o contribuinte da medida preparatória indispensável ao lançamento. A partir dessa notificação da medida preparatória o Fisco possui o prazo de cinco anos para constituir o crédito tributário. Pelo exposto encontram-se atingidos pela fluência do prazo decadencial todos os fatos geradores apurados pela fiscalização. Para a competência mais recente o termo inicial do prazo decadencial é 1 de janeiro de 1999,0 que findaria em 1 de janeiro de 2004. CONCLUSÃO: Pelo exposto voto por CONHECER do recurso do notificado, para no mérito CONCEDER-LHE PROVIMENTO. É como voto. Sala das Sessões, em 05 de fevereiro de 2009 a. „rim y Adura .-. fro,;,,,,: 4.,:s • , int rA 4 5 VIEIRA Relator 8 Page 1 _0039400.PDF Page 1 _0039500.PDF Page 1 _0039600.PDF Page 1 _0039700.PDF Page 1 _0039800.PDF Page 1 _0039900.PDF Page 1 _0040000.PDF Page 1
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Numero do processo: 13819.723223/2012-18
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 30 00:00:00 UTC 2023
Data da publicação: Mon Oct 09 00:00:00 UTC 2023
Ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Ano-calendário: 2007
RECURSO INTEMPESTIVO. ARGUMENTOS RELACIONADOS À TEMPESTIVIDADE IMPROCEDENTES. NÃO CONHECIMENTO DOS DEMAIS ARGUMENTOS RECURSAIS.
Não deve ser acatada a preliminar de tempestividade do Recurso Voluntário quando os seus fundamentos não são aptos a afastar a aplicação do prazo disposto no art. 33 do Decreto nº. 70.235/1972. Não devem ser conhecidos os demais argumentos recursais, face à intempestividade do recurso voluntário.
Numero da decisão: 1003-003.886
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, para conhecer em parte do Recurso Voluntário interposto, conhecendo exclusivamente do tópico relacionado à tempestividade recursal, e na parte conhecida, em negar-lhe provimento.
(documento assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Gustavo de Oliveira Machado- Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Gustavo de Oliveira Machado, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça, Márcio Avito Ribeiro Faria, Carmen Ferreira Saraiva (Presidente).
Nome do relator: GUSTAVO DE OLIVEIRA MACHADO
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ARGUMENTOS RELACIONADOS À TEMPESTIVIDADE IMPROCEDENTES. NÃO CONHECIMENTO DOS DEMAIS ARGUMENTOS RECURSAIS. Não deve ser acatada a preliminar de tempestividade do Recurso Voluntário quando os seus fundamentos não são aptos a afastar a aplicação do prazo disposto no art. 33 do Decreto nº. 70.235/1972. Não devem ser conhecidos os demais argumentos recursais, face à intempestividade do recurso voluntário. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, para conhecer em parte do Recurso Voluntário interposto, conhecendo exclusivamente do tópico relacionado à tempestividade recursal, e na parte conhecida, em negar-lhe provimento. (documento assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva - Presidente (documento assinado digitalmente) Gustavo de Oliveira Machado- Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Gustavo de Oliveira Machado, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça, Márcio Avito Ribeiro Faria, Carmen Ferreira Saraiva (Presidente). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 81 9. 72 32 23 /2 01 2- 18 Fl. 169DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 1003-003.886 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 13819.723223/2012-18 Trata o presente de recurso voluntário interposto em face de Acórdão nº 12- 107.325, proferido pela 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro- RJ, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade da Recorrente, não reconhecendo o direito creditório pleiteado. A Contribuinte pretendia através das Declarações de Compensação nº 10645.72883.040108.1.3.06-1021 e 39022.18201.040108.1.3.06-5856, compensar os débitos informados com crédito de imposto de renda sobre juros sobre o capital próprio retidos na fonte nos meses de junho e dezembro do exercício de 2008, ano- calendário de 2007, no valor total de R$ 396.763,25. A DRF de São Bernardo do Campo- SP proferiu a Decisão DRF/SBC nº. 170/2012 de e-fls. 15/17, cujo teor segue abaixo: “(...) Face ao acima exposto, reconheço nos autos a existência de um crédito de R$ 396.763,25 (trezentos e noventa e seis mil, setecentos e sessenta e três reais e vinte e cinco centavos), relativamente às retenções sofridas pelo contribuinte no decorrer do ano-calendário 2007. Assim, manifesto-me pela HOMOLOGAÇÃO da Declaração de Compensação nº. 39022.18201.040108.1.3.06-5856, diante da existência de crédito líquido, certo e suficiente à extinção do débito nela declarado; contudo, sou pela HOMOLOGAÇÃO PARCIAL da Declaração de Compensação nº. 10645.72883.040108.1.3.06-1021, remanescendo um saldo de débito, em 04/01/2008, a ser extinto através de uma das formas previstas no art. 156, CTN. Cientifique-se. Intime-se. Por subsumir-se-á hipótese legal (art. 74, § 11 da lei nº 9.430/96), cabível o direito de manifestar inconformidade contra esta decisão, caso em que aos débitos compensados indevidamente será aplicável o disposto no art. 151, III do CTN. Ao reexame regimental. Na incumbência conferida pela Portaria MF nº 587, de 21/10/2010, c/c Portaria de Delegação de Competência DRF/SBC nº 37/2011, decido conforme acima julgado. Demais procedimentos e ciência como deliberado. Após, encaminhe-se ao Arquivo pelo prazo regulamentar, conforme Portaria RFB nº 2144, de 04/12/2008”. DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE A Contribuinte Ceva Participações Ltda afirmou que foi cientificada em 13 de dezembro de 2012 do Despacho Decisório que acusou a suposta insuficiência do direito Fl. 170DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 1003-003.886 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 13819.723223/2012-18 creditório decorrente de retenções do imposto sobre a renda que sofreu ao receber os rendimentos de capital investido na CEVA Logistics Ltda para liquidar os débitos compensados, bem como da homologação parcial da DCOMP nº. 10645.72883.040108.1.3.06-1021. Asseverou que as compensações declaradas não foram totalmente homologadas e que apesar de possuir a integralidade do direito creditório postulado, tal crédito seria insuficiente para compensar os débitos informados. Sustentou que muito embora o auditor fiscal da Receita Federal tenha reconhecido a integralidade do crédito pleiteado, o mesmo não descreveu os motivos pelos quais entendeu que o crédito seria insuficiente e muito menos justificou os montantes glosados em seu aspecto quantitativo. Destacou que o valor compensado relativo ao débito de IRRF de juros sobre o capital próprio através da DCOMP nº. 10645.72883.040108.1.3.06-1021 foi efetuado sem o cômputo da multa moratória. Noticiou que efetuou a extinção dos débitos vencidos através de DCOMP, espontânea e extemporaneamente apresentada, computando os juros em virtude da inexigibilidade de multa moratória. Aduziu que não há que se falar na imposição de multa e juros por atraso no pagamento, vez que a mesma quitou tempestivamente por meio da DCOMP não homologada, os débitos de IRRF que estavam em aberto. Pleiteou que seja cancelado o Despacho Decisório em virtude da preliminar apresentada; pugnou alternativamente que seja deferida a manifestação de inconformidade para que seja reformado o despacho decisório recorrido, para que seja homologada a compensação declarada; pleiteou ainda que em virtude do princípio da eventualidade caso o despacho seja mantido, que seja afastada a exigência de multa e juros de mora. DO ACÓRDÃO PROLATADO Nº. 12-107.325/DRJ/RJO A DRJ analisou a manifestação de inconformidade julgando-a improcedente (e-fls. 95/101). Inconformada com a decisão da DRJ, a Recorrente apresentou Recurso Voluntário, destacando, em síntese, que (e-fls. 115/146): “CEVA HOLDINGS LTDA. (incorporadora de CEVA PARTICIPAÇÕES LTDA. CNPJ 42.182.790/0001-13), empresa regularmente inscrita no CNPJ/MF sob o nº 01.508.582/0001-84, com endereço na Av. Engenheiro Luiz Carlos Berrini, nº 105, Conjunto 42, Sala 1, Cidade Monções, São Paulo/SP, CEP 04571-010, por seus procuradores que esta subscrevem (doc. 1), vem, respeitosamente, com fundamento no artigo 33 do Decreto nº. 70235/72, interpor o presente RECURSO VOLUNTÁRIO em face do Acórdão nº. 12-107.325 da 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Fl. 171DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 1003-003.886 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 13819.723223/2012-18 Julgamento, requerendo, desde já, o recebimento e julgamento pelo Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, de acordo com as inclusas razões. I- DOS FATOS 1. Trata-se de Pedido de Restituição e Declaração de Compensação (PER/DCOMP nº 10645.72883.040108.1.3.06-1021) com vistas ao ressarcimento de Crédito de IRRF de Juros sobre o Capital Próprio no montante original de R$ 220.279,44, referente ao ano- calendário 2007, a ser compensado com débitos de Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) da 5ª semana de junho de 2007. 2. O PER/DCOMP foi analisado pelo i. Auditor Fiscal da Receita Federal, que decidiu reconhecer integralmente o crédito pleiteado, porém, homologar apenas parcialmente a compensação, por concluir que o débito de IRRF estava vencido no momento da transmissão do PER/DCOMP, sendo que a Recorrente deveria ter calculado multa moratória sobre o débito. 3. Intimada, a Recorrente apresentou manifestação de inconformidade demonstrando a nulidade do despacho decisório por cerceamento ao seu direito de defesa, e, quanto ao mérito, que o crédito indicado é sim suficiente para a compensação com os débitos indicados, pois os débitos indicados para compensação estão abrangidos pelo benefício da denúncia espontânea, previsto no artigo 138 do Código Tributário Nacional, e, exatamente por esta razão foram compensados sem a aplicação da multa moratória. 4. Decorridos os trâmites processuais, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro julgou improcedente a manifestação de inconformidade, por concluir que deve ser exigida multa de mora no caso, conforme se infere dos trechos extraídos da decisão a quo. (...) 5. Como se constata dos trechos acima transcritos, a Delegacia da Receita de Julgamento entendeu que os efeitos da denúncia espontânea apenas afastaria penalidades de natureza punitiva e não moratória, sendo correto o cálculo da penalidade. 6. Ocorre que a mencionada conclusão não deve prosperar, na medida em que os débitos declarados por meio do PER/DCOMP se enquadram perfeitamente no benefício da denúncia espontânea, razão pela qual não cabe ao Julgador Tributário diminuir ou restringir o alcance do instituto legalmente previsto no Código Tributário Nacional. É o que se passa a demonstrar. II. PRELIMINAR DE TEMPESTIVIDADE DO RECURSO VOLUNTÁRIO II.1. Erro na intimação. 7. Inicialmente, cumpre destacar que o presente Recurso Voluntário é tempestivo e deve ser admitido por esse E. CARF, na medida em que a Recorrente teve conhecimento da decisão de primeira instância apenas em 02/01/2020, ocasionado por um erro na intimação. 8. Isso porque a não homologação do PER/DCOMP nº 10645.72883.040108.1.3.06-1021, desde o início, foi discutida nos autos do processo administrativo nº 13819.723179/2012- 46. Confira-se, a este respeito, os trechos do Despacho Decisório (fl. 17) e da própria decisão de 1ª instância recorrida (fl. 98), proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento do Rio de Janeiro com o número do processo. Fl. 172DF CARF MF Original Fl. 5 do Acórdão n.º 1003-003.886 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 13819.723223/2012-18 (...) 9. Dessa forma, a Recorrente aguardava a intimação do despacho decisório pela i. Delegacia de Julgamento no processo administrativo nº 13819.723179/2012-46, processo em que, até o momento, tramita a discussão administrativa. 10. Neste ínterim, a Recorrente recebeu em sua caixa postal mensagens com a informação de que havia sido proferida decisão em outro processo administrativo (processo nº 13819.723223/2012-18), que até o momento era desconhecido. (...) 11. Apenas após a Recorrente acessar a cópia integral do outro processo administrativo (nº 13819.723179/2012-46), o que ocorreu em 02/01, e analisar analiticamente os documentos anexados, foi possível identificar que depois da decisão de 1ª instância já ter sido proferida, a Receita apensou o processo nº 13819.723179/2012-46 a outro e intimou a Recorrente neste novo processo. 12. O que ocorreu é que a intimação da decisão proferida no processo administrativo nº 13819.723179/2012-46 foi enviada à Recorrente constando o número de outro processo administrativo. 13. Considerando os documentos que foram juntados aos autos, ocorreu uma verdadeira confusão processual, o que impossibilitou que a Recorrente identificasse que de fato, a intimação recebida se referia a decisão de 1ª instância proferida no processo nº 13819.723179/2012-46. 14. No caso concreto, tal fato implicou prejuízo ao direito de defesa do contribuinte, na medida em que a confusão de documentos aliada com a apensação do processo após a decisão de 1ª instância já ter sido proferida fez com que a apenas o processo 13819.723179/2012-46, em que a discussão perdurou até o presente momento, sequer é possível identificar que foi emitida intimação da decisão de 1ª instância até hoje. Confira- se. (...) 15. Cumpre destacar, neste aspecto, que o processo administrativo tributário está pautado no princípio do informalismo, o qual se refere exatamente à ausência de formas estritas e/ou de modelos exclusivos, sendo certo que, embora formalmente conste nos autos do processo 13819.723223/2012-18 documentos emitidos automaticamente pelo sistema eletrônico com informações relacionados à ciência da decisão, o que deve ser observado no presente caso é a data em que a Recorrente, teve, de fato, conhecimento da decisão de 1ª instância. 16. O princípio da informalidade traz ao processo administrativo tributário flexibilização de aspectos e/ou procedimentos meramente formais, exatamente para que o contribuinte não tenha o seu direito prejudicado em razão de questões processuais e/ou procedimentais. 17. No caso, é evidente que a alteração do número do processo em que perdurava a discussão administrativa após a decisão de 1ª instância ter sido proferida ocasionou dificuldades da Recorrente identificar efetivamente a ocorrência da intimação da decisão. (...) Fl. 173DF CARF MF Original Fl. 6 do Acórdão n.º 1003-003.886 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 13819.723223/2012-18 20. Sendo assim, uma vez demonstrada que a ciência pela Recorrente da decisão ocorreu somente em 02/01/2019, data em que o contribuinte acessou os autos do processo administrativo nº 13819.723179/2012-46, cumpre a esse E. CARF admitir o Recurso Voluntário e submetê-lo a julgamento, sob pena de restar caracterizado o cerceamento do direito de defesa da Recorrente (artigo 5º, LV, da Constituição Federal) e a violação aos princípios do informalismo e da verdade material que são intrínsecos ao processo administrativo tributário. II.2. Preliminar de ordem pública- decisão contrária a decisão proferida pelo E. STJ sob o rito de recurso representativo de controvérsia. 21. Cumpre destacar que as matérias de ordem pública devem ser analisadas, inclusive de ofício pelo órgão julgador, de modo que deve ser afastado qualquer argumento contrário, sob pena de caracterizar cerceamento ao direito de defesa do contribuinte. Confiram-se o precedente abaixo transcrito. (...) 22. No caso, a discussão, em torno da não homologação integral do PER/DCOMP nº 10645.72883.040108.1.3.06-1021 cinge-se a possibilidade ou não de ser exigida multa de mora no caso em que se constata a denúncia espontânea do débito fiscal. 23. Embora o E. STJ já tenha proferida decisão sob o rito de recurso representativo de controvérsia de que a denúncia espontânea do débito exclui a aplicação da multa moratória, entendimento este que deveria ser aplicado no caso, no acórdão recorrido a C. turma manteve a multa moratória por entender que o instituto da denúncia espontânea não afasta a sua aplicação. Confira-se, abaixo um comparativo entre as duas decisões. (...) 27. A manutenção de cobrança acarretará tão apenas despesas desnecessárias com a cobrança judicial do débito fiscal por meio de Execução Fiscal que certamente será negada, diante da existência de decisão definitiva do E. STJ com o entendimento de que a multa de mora deve ser afastada no presente caso. 28. Restando demonstrado que a observância pelos Conselheiros do CARF das decisões do Superior Tribunal de Justiça sob o rito de recurso representativo de controvérsia é matéria de ordem pública, a qual exige cognição de ofício, então resta comprovada a necessidade de conhecimento e provimento do presente recurso. III- DA NECESSIDADE DE HOMOLOGAÇÃO INTEGRAL DO PER/DCOMP 29. A Recorrente indicou para compensação crédito de IRRF de Juros sobre o Capital Próprio no montante original de R$ 220.279,44, referente ao ano- calendário 2007 a ser compensado com débitos de Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) da 5ª semana de junho de 2007. 30. O débito de IRRF compensado pela Recorrente foi realizado sem que fosse incluído no seu cálculo o valor da multa de mora. 31. Isto porque, trata-se de débito não reconhecido pela Recorrente entre o seu período de apuração até a data de vencimento do tributo, razão pela qual este somente foi identificado pela apuração até a data de vencimento do tributo, razão pela qual este somente foi identificado pela empresa quando já expirada, inclusive, a data de vencimento do tributo. Fl. 174DF CARF MF Original Fl. 7 do Acórdão n.º 1003-003.886 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 13819.723223/2012-18 32. Considerando que na data de transmissão do PER/DCOMP a Recorrente identificou a falta de pagamento deste débito, efetuou o pagamento do referido débito utilizando-se do instituto da denúncia espontânea, previsto no artigo 138 do Código Tributário Nacional, o qual tem como objetivo beneficiar os contribuintes de boa-fé que, antes do início de qualquer procedimento fiscal, identificam eventuais irregularidades e pagam o tributo de forma espontânea. 33. Dispõe o artigo 138 do Código Tributário Nacional que a responsabilidade do sujeito passivo é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora. Confira-se por oportuno a redação deste dispositivo. (...) 44. É nítido, portanto, que a Recorrente faz jus à aplicação do instituto da denúncia espontânea no tocante ao débito indicado para compensação de forma que o acórdão recorrido deverá ser reformado, a fim de que seja excluída a multa de moral contida no despacho decisório, homologando-se a compensação objeto de análise. 45. Ad argumentandum, sequer há justificativas para a não homologação integral do PER/DCOMP transmitido pela Recorrente. 46. Como há destacado, a Recorrente compensou crédito de IRRF de Juros sobre o Capital Próprio no montante original de R$ 220.279,44, referente ao ano-calendário 2007, com débitos de Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) da 5ª semana de junho de 2007. 47. Na análise do direito creditório, foi reconhecido integralmente o crédito pleiteado e a suficiência deste para o pagamento do débito, mas não foi homologado integralmente o PER/DCOMP, sob o entendimento de que a Recorrente deveria ter incluído no PER/DCOMP o débito relativo a multa de mora de 20%, em razão do pagamento ter sido realizado a destempo. 48. Ora, já que no caso, o i. Auditor Fiscal entendeu que era devida multa de mora, o procedimento correto seria então de realizar um lançamento de ofício com a exigência de tal penalidade. Já que até o presente momento não há notícias acerca do lançamento de ofício, a exigência fiscal está extinta pelo decurso do prazo decadencial, nos termos do artigo 150, § 4º, do CTN. 49. Não deve ser exigido um débito que não constou no PER/DCOMP transmitido pela Recorrente, utilizar o crédito para “compensar” o débito incluído, não compensar o débito principal de IRRF constante no PER/DCOMP e exigi-lo com a exigência de multa de mora, novamente. 50. Em outras palavras, o despacho decisório é instrumento utilizado pela Receita Federal do Brasil para a análise da existência e suficiência do crédito pleiteado para a compensação com os débitos envolvidos no PER/DCOMP transmitido, não sendo o instrumento para a realização de novas exigências fiscais (lançamento de ofício). IV- DOS PEDIDOS 51. Diante do exposto, é a presente para requerer que seja conhecido e provido o presente Recurso Voluntário, a fim de que: Fl. 175DF CARF MF Original Fl. 8 do Acórdão n.º 1003-003.886 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 13819.723223/2012-18 a) seja reconhecida a tempestividade do Recurso Voluntário, tendo em vista a ciência da decisão proferida somente se deu em 02/01/2020, considerando os princípios do informalismo e da verdade material que são intrínsecos ao processo administrativo tributário e que o E. STJ já decidiu sob o rito de recurso representativo de controvérsia de que deve ser afastada a multa de mora no caso em análise, o que é matéria de ordem pública que deve ser analisada, inclusive de ofício, pelo órgão julgador; b) No mérito, que a cobrança do crédito tributário seja cancelada e o PER/DCOMP homologado, uma vez que o E. STJ já decidiu sob o rito de recurso representativo de controvérsia de que deve ser afastada a multa de mora nos casos em que resta caracterizada a denúncia espontânea da infração e que sequer é possível não homologar a compensação em razão da inclusão de ofício pela Fiscalização de novos débitos que não constaram no PER/DCOMP transmitido pela Recorrente; 52. Protesta pela realização de sustentação oral”. É o relatório. Voto Conselheiro Gustavo de Oliveira Machado, Relator. Da Tempestividade do Recurso Voluntário Insta destacar, que foi encaminhada no dia 18 de novembro de 2019 para a Caixa Postal da Contribuinte, a Intimação nº. 3.896/2019 (e-fl. 109) relativa ao Acórdão nº 12-107.325 proferido pela DRJ/RJO, com o seguinte teor (e-fl. 110): “A data da ciência para fins de prazos processuais, será a data em que o destinatário efetuar consulta à mensagem na sua Caixa Postal, ou, não o fazendo, o 15º (décimo quinto) dia após a data de entrega acima informada”. Outrossim, como o destinatário não consultou a mensagem disponibilizada em sua caixa postal, foi certificada no dia 03 de dezembro de 2019 a ciência da intimação do referido acórdão por decurso de prazo (e-fl. 111). Posteriormente, a Contribuinte abriu no dia 02/janeiro/2020 os arquivos digitais (e-fl. 112), sendo interposto Recurso Voluntário no dia 24/janeiro/2020, momento no qual já havia transcorrido o prazo de trinta dias estabelecido pelo artigo 33 do Decreto nº. 70.235/1972: “Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão”. Fl. 176DF CARF MF Original Fl. 9 do Acórdão n.º 1003-003.886 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 13819.723223/2012-18 Assim, percebe-se que o recurso interposto é intempestivo, o que em primeiro momento, impede o seu conhecimento por parte deste Colegiado. No entanto, considerando que a contribuinte apresentou em seu recurso preliminar relativa à tempestividade do recurso interposto, cabe, portanto, analisá-la, passando a análise dos demais fundamentos recursais tão somente caso se entenda pela procedência da alegação da tempestividade constante da peça recursal. Para tanto, transcrevo a seguir as razões constantes do Recurso Voluntário sobre o tema (e-fls. 119/120): “(...) 10. Neste ínterim, a Recorrente recebeu em sua caixa postal mensagens com a informação de que havia sido proferida decisão em outro processo administrativo (processo nº. 13819.723223/2012-18), que até o momento era desconhecido. (...) 11. Apenas após a Recorrente acessar a cópia integral do outro processo administrativo (nº. 13819.723179/2012-46), o que ocorreu em 02/01, e analisar analiticamente os documentos anexados, foi possível identificar que depois da decisão de 1ª instância já ter sido proferida, a Receita Federal apenas o processo nº 13819.723179/2012-46 a outro e intimou a Recorrente neste novo processo. 12. O que ocorreu é que a intimação da decisão proferida no processo administrativo nº. 13819.723179/2012-46 foi enviada à Recorrente constando o número de outro processo administrativo. 13. Considerando os documentos que foram juntados aos autos, ocorreu uma verdadeira confusão processual, o que impossibilitou que a Recorrente identificasse que de fato a intimação se referia a decisão de 1ª instância proferida no processo nº 13819.723179/2012-46. 14. No caso concreto, tal fato implicou prejuízo ao direito de defesa do contribuinte, na medida em que a confusão de documentos aliada com a apensação do processo após a decisão de 1ª instância já ter sido proferida fez com que a Recorrente não tomasse conhecimento da decisão de 1ª instância, pois, se verificarmos apenas o processo 13819.723179/2012-46, em que a discussão perdurou até o presente momento, sequer é possível identificar que foi emitida intimação da decisão de 1ª instância até hoje”. De uma simples leitura da fundamentação supra, é possível constatar a sua improcedência. Isso porque, a contribuinte possuía conhecimento da existência do processo 13819.723223/2012-18, tanto é que colacionou com a manifestação de inconformidade apresentada nos autos a COMUNICAÇÃO/DRF/S8C1SEORT/941/2012 (e-fl. 81), documento no qual estão relacionados os processos em litígio, abaixo destacados: - Processo: 13819.723179/2012-46 (crédito); - Processo 13819.723223/2012-18 (débito). Fl. 177DF CARF MF Original Fl. 10 do Acórdão n.º 1003-003.886 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 13819.723223/2012-18 Outrossim, não merece prosperar o pleito da contribuinte de nulidade da intimação, vez que o presento processo foi apensado ao processo 13819.723179/2012-46 (crédito) no dia 25/outubro/2019, e que constou da Intimação nº. 3.896/2019 confeccionada no dia 18/novembro/2019 que a ciência do Acórdão nº 12-107.325 proferido pela DRJ/RJO é relativa aos processos: 13819.723179/2012-46/13819.723223/2012-18. Desta feita, razão não assiste ao contribuinte quanto à preliminar de tempestividade do recurso interposto. Por consequência, diante da sua intempestividade, não há como se conhecer dos demais argumentos apresentados pelo contribuinte em sua peça recursal, razão pela qual deixo de conhecê-los. Dispositivo Isto posto, voto no sentido de conhecer em parte do Recurso Voluntário interposto, conhecendo do tópico preliminar relacionado à tempestividade do recurso interposto, e na parte conhecida, em negar-lhe provimento. (documento assinado digitalmente) Gustavo de Oliveira Machado Fl. 178DF CARF MF Original
score : 1.0
Numero do processo: 35346.000164/2006-12
Turma: Quinta Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Feb 04 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Wed Feb 04 00:00:00 UTC 2009
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
PERÍODO DE APURAÇÃO: 01/05/1995 a 31/03/1999
DECADÊNCIA.
O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212,
de 24/07/91, devendo, portanto, ser aplicadas as regas do Código
Tributário Nacional.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 205-01.587
Decisão: ACORDAM os membros da quinta câmara do segundo conselho de
contribuintes, Por unanimidade de votos acatar a preliminar de decadência para provimento do recurso, nos termos do voto do relator. Os Conselheiros Manoel Coelho Arruda Junior e Edgar
Silva Vidal acompanharam o relator somente nas conclusões. Entenderam que se aplicava o artigo 150, §4° do CTN.
Nome do relator: MARCELO OLIVEIRA
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Empresas em Geral Acórdão n° 205-01.587 Sessão de 03 de fevereiro de 2009 Recorrente SERVIÇO NACIONAL DE APRENDIZAGEM RURAL - SENAR / SC Recorrida DRP FLORIANÓPOLIS / SC ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS PERÍODO DE APURAÇÃO: 01/05/1995 a 31/03/1999 DECADÊNCIA. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo, portanto, ser aplicadas as regas do Código Tributário Nacional. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. n4/ d. 2° CCeMi- - : - ., -. . . CONFURE CC..e2 . -.P.i.... , 1 Processo n° 35346.0001642006-12 Brasiita. r•I ‘ O ‘t O CCO2/CO5 Acórdão n°205-01.587 1 i sis SOU,- 1 Fls. 587 1n 1,11, -I.Q ACORDAM os membros da quinta câmara do segundo conselho de contribuintes, Por unanimidade de votos acatar a preliminar de decadência para provimento do recurso, nos termos do voto do relator. Os Conselheiros Manoel Coelho Arruda Junior e Edgar Silva Vidal acompanharam o relator somente nas conclusões. Entenderam que se aplicava o artigo 150, §4° do crN. JULIO S 19 VIEIRA GOMES ‘kl- President , ti; . • CEL/ÁlOLIVEIRA „/Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Marco André Ramos Vieira, Manoel Coelho Arruda Junior, Liege Lacroix Thomasi, Adriana Sato e Edgar Silva Vidal (Suplente). 2 e / Processo n° 35346.000164/2006-12 2° CCatti' - Oks:n ra C..c ,:z r,n . CCO2JCO5 Acórdão n.° 205-01387 CONFERE COIV1 O ORIGIN ..._ 9s. 588 BrasIlia._CaG Isis SCUI:a r -__? Ir Main 4 s Relatório Trata-se de recurso voluntário apresentado contra Decisão da Delegacia da Secretaria da Receita Previdenciária (DRP), Florianópolis / SC, Decisão-Notificação (DN) 20.401.4/0197/2005, fls. 0129 a 0144, que julgou procedente em parte o lançamento, efetuado pela Notificação Fiscal de Lançamento de Débito (NFLD), por descumprimento de obrigação tributária legal principal, fl. 001. Segundo a fiscalização, de acordo com o Relatório Fiscal (RF), fls. 050 a 055, o lançamento refere-se a contribuições destinadas à Seguridade Social, incidentes sobre a remuneração paga aos segurados empregados, correspondentes à contribuição da empresa, a contribuição para o financiamento dos beneficios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho (GILRAT) e as contribuições devidas aos Terceiros. Os motivos que ensejaram o lançamento estão descritos no RF e nos demais • anexos da NFLD. Em 09/09/2004 foi dada ciência à recorrente do Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) e do Termo de Intimação para Apresentação de Documentos (TIAD), fls. 036 e 040. Em 05/07/2005 foi dada ciência à recorrente do lançamento, fls. 001. Contra o lançamento, a recorrente apresentou impugnação, fls. 057 a 088 e 094 a 113, acompanhada de anexos. A DRP analisou o lançamento e a impugnação, julgando procedente em parte o lançamento. Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso voluntário, fls. 0149 a 0193 e 0343 a 0388, acompanhado de anexos. A Segunda Câmara de Julgamento (CM), do Conselho de Recursos da Previdência Social (CRPS) converteu o julgamento em diligência para o esclarecimento de dúvidas, fls. 0551 a 0554. A Fiscalização respondeu aos questionamentos. A recorrente apresentou suas contra-razões. É o Relatório. (á 3 Processo1C 35346.000164/2006-12 -; L ' ccovcos- n el OAcórdão n.° 205-01.587 0-• _3; II a - F1S 589 Voto Conselheiro MARCELO OLIVEIRA, Relator Sendo tempestivo, CONHEÇO DO RECURSO e passo ao exame das questões preliminares. DAS QUESTÕES PRELIMINARES Preliminarmente, devemos verificar a ocorrência, ou não, da decadência. O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento sumulado, Súmula Vinculante de n ° 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n ° 8.212 de 1991, nestas palavras: Súmula Pinculante n • 8"São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5° do Decreto-lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário Conforme previsto no art. 103-A da Constituição Federal, a Súmula de n ° 8 vincula toda a Administração Pública, devendo este Colegiado aplicá-la. Art. 103-A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de oficio ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinc-ulante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecido em lei. Uma vez não sendo mais possível a aplicação do art. 45 da Lei n ° 8.212, há que serem observadas as regras previstas no CTN. A decadência está arrolada como forma de extinção do crédito tributário no inciso V do art. 156 do CTN. A decadência decorre da conjugação de dois fatores essenciais: o decurso de certo lapso de tempo e a inércia do titular de um direito. Esses fatores resultarão, para o sujeito que permaneceu inerte, na extinção de seu direito material. Em Direito Tributário, a decadência está disciplinada no art. 173 e no art. 150, § 40, do CTN (este último diz respeito ao lançamento por homologação). A decadência, no Direito Tributário, é modalidade de extinção do crédito tributário. 4 - - C—rInra CONFEFZE CO1,4 t.D CAtitC.;;NAL Processo n°35346.000164/2006-12 CCO2/CO5 Acórdão n.° 205-01.587 "St_ Fls. 590 ), APisis sou.a M.411 4 VS CTN: An. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se após 5 (cinco) anos, contados: I - do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado: - da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extingue-se definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notcação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento." Por não haver recolhimentos a homologar, a regra relativa à decadência - que deve ser aplicada ao caso - encontra-se no art. 173, I: o direito de constituir o crédito extingue- se em cinco anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que poderia ter sido efetuado o lançamento. No lançamento, a ciência do sujeito passivo ocorreu em 07/2005 e o período do lançamento refere-se a fatos geradores ocorridos nas competências 05/1995 a 03/1999. Logo, todas as competências devem ser excluídas do presente lançamento. Por todo o exposto, acato a preliminar ora examinada, restando prejudicado o exame de mérito. CONCLUSÃO Em razão do exposto, Voto pelo provimento do recurso. Sala das Sessões, em 03 de fevereiro de 2009 • O OLIVEIRAy Relator Page 1 _0049900.PDF Page 1 _0050000.PDF Page 1 _0050100.PDF Page 1 _0050200.PDF Page 1
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Numero do processo: 11065.002768/2006-83
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 01 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Período de apuração: 01/11/2004 a 30/11/2004
LANÇAMENTO. NULIDADE. CERCEAMENTO AO DIREITO DE
DEFESA. NÃO COMPROVAÇÃO. Não padece de nulidade o lançamento
que contém os fundamentos de fato e de direito que lhe deram origem, possibilitando ao contribuinte defender-se das infrações a ele imputadas.
PIS NÃO-CUMULATIVO. PEDIDO DE RESSARCIMENTO.
IRREGULARIDADE. As irregularidades verificadas na apuração de valor objeto de pedido de ressarcimento devem ser demonstradas por meio de auto de infração, quando relativas à base de cálculo da contribuição, ou por meio da glosa, total ou parcial, do valor a ser ressarcido, quando relativas aos créditos.
PIS NÃO-CUMULATIVO. VALOR RESSARCIDO INDEVIDAMENTE
AO CONTRIBUINTE. LANÇAMENTO. FALTA DE PREVISÃO LEGAL.
Não há previsão legal para a constituição de crédito relativo apenas ao valor ressarcido indevidamente ao contribuinte, nem tampouco para fixação, pela Fiscalização, de data de ocorrência do fato gerador diversa daquelas estabelecidas em lei.
Numero da decisão: 3801-000.881
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, [por unanimidade de votos, em dar
provimento ao recurso voluntário.]
Nome do relator: MAGDA COTTA CARDOZO
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NULIDADE. CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA. NÃO COMPROVAÇÃO. Não padece de nulidade o lançamento que contém os fundamentos de fato e de direito que lhe deram origem, possibilitando ao contribuinte defenderse das infrações a ele imputadas. PIS NÃOCUMULATIVO. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. IRREGULARIDADE. As irregularidades verificadas na apuração de valor objeto de pedido de ressarcimento devem ser demonstradas por meio de auto de infração, quando relativas à base de cálculo da contribuição, ou por meio da glosa, total ou parcial, do valor a ser ressarcido, quando relativas aos créditos. PIS NÃOCUMULATIVO. VALOR RESSARCIDO INDEVIDAMENTE AO CONTRIBUINTE. LANÇAMENTO. FALTA DE PREVISÃO LEGAL. Não há previsão legal para a constituição de crédito relativo apenas ao valor ressarcido indevidamente ao contribuinte, nem tampouco para fixação, pela Fiscalização, de data de ocorrência do fato gerador diversa daquelas estabelecidas em lei. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, [por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário.] (assinado digitalmente) Magda Cotta Cardozo Fl. 125DF CARF MF Emitido em 28/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/09/2011 por MAGDA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 06/09/2011 por MAGDA COTTA CARDOZO Processo nº 11065.002768/200683 Acórdão n.º 380100.881 S3TE01 Fl. 123 2 Presidente e Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Magda Cotta Cardozo, Sidney Eduardo Stahl, Flávio de Castro Pontes, Daniela Ribeiro de Gusmão, Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo e Alan Fialho Gandra. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros José Luiz Bordignon e Maria Inês Caldeira Pereira da Silva. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da DRJPorto Alegre/RS, abaixo transcrito: “Contra a empresa qualificada em epígrafe foi lavrado auto de infração de fls. 34 a 38 em virtude da apuração de ressarcimento indevido de créditos de PIS decorrentes da exportação, resultando na exigência de crédito tributário no valor total de R$ 27.139,50. 0 enquadramento legal encontrase a fls. 35 e 36. Cientificada, a interessada apresentou, tempestivamente, a impugnação de fls. 41 a 63, na qual alegou, em síntese: As transferências de créditos de ICMS para terceiros não podem ser enquadradas no conceitos de receita ou faturamento, pois se trataria de um lançamento contábil perfeito e legal, referente à baixa de um ativo. Ressalta, também, que sequer as referidas operações de cessões de créditos teriam ocorrido a titulo oneroso, conforme consta no relatório fiscal. Acrescenta que os respectivos créditos de ICMS são originários de exportações, com a permissão legal de sua manutenção e utilização pela impugnante, empresa exportadora. Salienta que não haveria menção nos autos quanto ao embasamento legal sobre a matéria tributável, conforme determina o Art. 142 do Código Tributário Nacional. Questiona a legalidade e a constitucionalidade do alargamento da base de cálculo das contribuições do PIS e da COFINS promovido pelas Leis 9.718/98, 10.637/2002 e 10.833/2003, que argumenta ser indevido. Combate, também, a aplicação dos juros de mora calculados pela taxa Selic, alegando, novamente ofensa à legalidade e à constitucionalidade. Argumenta que a Lei 9.065/95, que instituiu esta cobrança, seria inválida por ter natureza remuneratória e exorbitar em seus percentuais ante o limite constitucional, lembrando, ainda, que a cobrança de juros capitalizados mês a Fl. 126DF CARF MF Emitido em 28/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/09/2011 por MAGDA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 06/09/2011 por MAGDA COTTA CARDOZO Processo nº 11065.002768/200683 Acórdão n.º 380100.881 S3TE01 Fl. 124 3 mês seria expressamente vedada pelo antigo Decreto 22.626/33 e pelo disposto na Súmula 121 do STF. Cita e transcreve jurisprudência do STJ para embasar seus argumentos. Argumenta que existiria vicio formal, pela ausência de indicação de dispositivo legal especifico para amparar o procedimento da autuação, que incluiu na base de calculo das contribuições os valores referentes aos créditos de ICMS transferidos a terceiros. Entende que não teriam sido cumpridas as condições determinadas no Art. 142 do Código Tributário Nacional. Ao final, requer a baixa e o arquivamento total do auto de infração atacado, devido aos erros materiais e formais que teria exposto em sua impugnação. Caso o mesmo venha a ser considerado válido, requer, ainda, a sua manifestação a respeito da contabilização efetuada na baixa dos créditos de ICMS transferidos a terceiros, com anuência do fisco estadual e recálculo dos demais valores de PIS remanescentes, após a decisão final administrativa.” Analisando o litígio, a DRJPorto Alegre/RS manteve o lançamento (fls. 72/73), conforme ementas abaixo transcritas: BASE DE CÁLCULO. TRANSFERÊNCIAS DE CRÉDITOS DE ICMS. A cessão de direitos de ICMS compõe a receita do contribuinte, sendo base de cálculo para o PIS/Pasep e a Cofins até a vigência dos arts. 7º, 8º e 9º da Medida Provisória 451, de 15 de dezembro de 2008. CONSTITUCIONALIDADE. A instância administrativa é incompetente para se manifestar sobre a constitucionalidade das leis. Às fls. 77 a 95 consta recurso voluntário apresentado tempestivamente, no qual a empresa traz as seguintes alegações, em resumo: • A autuação incorreu em cerceamento de defesa por afronta ao devido processo legal e ao direito de defesa, pois não há plena descrição da obrigação tributária; • A decisão recorrida apenas faz juízo de valor quanto aos demonstrativos presentes nos autos, sem especificar ou justificá los, tratandose de afirmação genérica que carece de explicação e demonstração; • Se há nos autos demonstrativos, estes não foram disponibilizados ao contribuinte, havendo risco de cerceamento ao seu direito de defesa; • Além disso, há a falta de indicação do dispositivo legal para o lançamento em receita, pois dentre os citados no relatório fiscal não consta base legal que ampare a informação fiscal; • Não há previsão legal para este ressarcimento por não ter a natureza de receita, não podendo haver previsão de exclusão de algo que não está incluído; Fl. 127DF CARF MF Emitido em 28/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/09/2011 por MAGDA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 06/09/2011 por MAGDA COTTA CARDOZO Processo nº 11065.002768/200683 Acórdão n.º 380100.881 S3TE01 Fl. 125 4 • Não se trata de receita erroneamente lançada em custos, mas de uma recuperação de custos da exportação, como ocorre com o IPI e o ICMS; • A Lei nº 9.718/98 incide em vícios formais e materiais que tornam ilegal e inconstitucional a ampliação da base de cálculo das contribuições; • Também as Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003 contêm vício material, pois a Constituição prevê limites perante os quais o legislador não encontra opções para inovar; • Nos termos do artigo 110 do CTN, o sentido que se deve atribuir ao termo faturamento ou receita deve ser aquele contido no direito privado; • A transferência de ICMS não se enquadra no conceito de receita ou faturamento e não foi realizada a título oneroso, como consta no relatório fiscal; • O crédito em questão é originário de exportação, com permissão legal de sua manutenção e utilização pela empresa exportadora (impugnante); • Tais operações constam nos registros contábeis da empresa como baixa de um ativo, não podendo o Fisco tributar como se assim não fosse; • O ativo é baixado sem gerar receita. Se assim fosse, as baixas por compensação do ICMS contra o passivo de ICMS a pagar seria também uma receita, o que não ocorre; • A operação se equipara a uma restituição de tributos já lançados no ativo, via compensação entre contribuintes; • O Fisco criou nova contribuição ao PIS, pois este está embutido no valor das compras, em conta própria, e foi calculado sobre todo o valor da compra, com ICMS incluído; • Assim, a impugnante já tem este tributo incluído no preço de compra; • A presente autuação fere o provimento judicial obtido pelo contribuinte nos autos da Ação Ordinária nº 2005.71.08.007937 6, por meio da qual questiona a constitucionalidade da Lei nº 9.718/98; • No lançamento, o Fisco também promoveu a glosa dos créditos mediante a subtração do crédito que o contribuinte utilizou para pagamento de outros tributos, procedimento irregular, não admitido pela Administração, conforme decisão transcrita; • A Fiscalização deixou de fazer o lançamento com base nas receitas ocorridas, considerando apenas os créditos aproveitados pela contribuinte. Fl. 128DF CARF MF Emitido em 28/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/09/2011 por MAGDA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 06/09/2011 por MAGDA COTTA CARDOZO Processo nº 11065.002768/200683 Acórdão n.º 380100.881 S3TE01 Fl. 126 5 É o relatório. Voto Conselheiro Magda Cotta Cardozo, Relator O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. • DA PRELIMINAR DE NULIDADE DO LANÇAMENTO Preliminarmente, a recorrente pretende a nulidade do auto de infração por cerceamento de seu direito de defesa, uma vez que não teria havido a correta descrição da obrigação tributária. Alega, ainda, que os demonstrativos não foram a ela disponibilizados e que no lançamento não há indicação do dispositivo legal infringido. Por fim, alega que a decisão recorrida contém afirmação genérica, relativamente aos demonstrativos que compõem os autos. Analisando a documentação que instrui os autos, vêse que não tem qualquer fundamento a alegação da recorrente, uma vez que às fls. 22 a 30 consta minucioso relatório elaborado pela autoridade fiscal, no qual são relacionados todos os itens por ela glosados, bem como seus fundamentos de fato e base legal. Além disso, à fl. 35 consta, no corpo do auto de infração, a descrição dos fatos que fundamentaram o lançamento, na qual a referida autoridade faz um resumo da apuração realizada. Por fim, vêse que a autuada traz, tanto na impugnação, como no recurso, alegações de mérito que demonstram seu conhecimento das matérias objeto do lançamento, não havendo que se falar em cerceamento a seu direito de defesa. Desta forma, considero improcedentes as alegações preliminares de nulidade trazidas pela recorrente. • DO OBJETO DO LANÇAMENTO Quanto ao mérito da exigência, o contribuinte alega, entre outras questões, a incorreção na forma como foi efetuado o lançamento. Analisandose o relatório fiscal de fls. 22 a 30, assim como a documentação constante dos autos, vêse que o contribuinte apresentou, em 22/10/2004, pedido de ressarcimento de créditos do PIS/Pasep nãocumulativo (fl. 19), relativo ao 2º trimestre de 2004. Em 25/11/2004 foi emitida a ordem bancária correspondente ao total do crédito pleiteado (fl. 21). Posteriormente, a Fiscalização verificou a contabilidade da empresa, efetuando diversas glosas na apuração da contribuição em questão, tendo sido apurado o auferimento de receitas não incluídas na base de cálculo (ICMS transferido a terceiros) e o desconto indevido de créditos (encargos de depreciação de bens adquiridos no exterior). Em conseqüência das citadas glosas, a Fiscalização apurou no trimestre em questão um valor de crédito de R$ 82.467,74, e não de R$ 95.770,77, como pretendido pelo contribuinte, resultando em diferença de R$ 13.303,03, ressarcida indevidamente à empresa. O Fl. 129DF CARF MF Emitido em 28/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/09/2011 por MAGDA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 06/09/2011 por MAGDA COTTA CARDOZO Processo nº 11065.002768/200683 Acórdão n.º 380100.881 S3TE01 Fl. 127 6 presente lançamento foi efetuado neste valor, constando como data da ocorrência do fato gerador 25/11/2004 (emissão da ordem bancária). Portanto, constatase que o auto de infração em análise não corresponde à tributação da receita que, no entender da autoridade fiscal, não foi incluída na base de cálculo do PIS, mas tãosomente pretende reaver o valor indevidamente ressarcido ao contribuinte. O valor lançado, em conseqüência, não se refere à contribuição devida em cada mês de apuração, tendo a autoridade fiscal, ao contrário, considerado uma única data para a ocorrência do fato gerador correspondente – o pagamento ao contribuinte do ressarcimento requerido. Tal procedimento não encontra previsão em nenhuma das normas aplicáveis à apuração do PIS nãocumulativo. O fundamento da maior parte do valor lançado pelo Fisco nos presentes autos tem origem na parcela do débito do PIS/Pasep (fl. 29), ou seja, na apuração da base de cálculo da contribuição, por entender ter sido esta apurada pelo contribuinte em valor menor que o devido, em decorrência da não inclusão de créditos de ICMS cedidos a terceiros. Diante de tal constatação, a Fiscalização, em lugar de efetuar o devido lançamento de oficio, na forma prevista no artigo 142 do CTN, combinado com os dispositivos constantes das demais normas aplicáveis à espécie, limitouse a constituir um único valor, estabelecendo uma data para ocorrência do fato gerador não prevista em lei, ferindo, desta forma, o princípio da legalidade tributária. Relativamente à parcela glosada do crédito (Depreciação de Bens Adquiridos no Exterior), aplicamse as mesmas observações acima, uma vez que, da mesma forma, não há previsão legal para o procedimento adotado pela Fiscalização. Na hipótese de apuração indevida dos créditos pelo contribuinte, deve a autoridade fiscal indeferir, no todo ou em parte, o ressarcimento pretendido, e não tentar reaver, por meio de lançamento, a parcela ressarcida indevidamente. Sobre tal questão, vêse que o artigo 74 da Lei nº 9.430/96 foi alterado, por meio da Lei nº 12.249/2010, incluindose o § 15, que determina o seguinte: “Será aplicada multa isolada de 50% (cinqüenta por cento) sobre o valor do crédito objeto de pedido de ressarcimento indeferido ou indevido.” Desta forma, constatase que, atualmente, há tãosomente a previsão legal para constituição de multa isolada, na hipótese de pedido de ressarcimento indeferido ou indevido. Por fim, destaquese que não faz parte da presente análise o mérito das glosas efetuadas, mas apenas a forma adotada pela autoridade fiscal para reverter o ressarcimento indevido ao contribuinte. Por todo o acima exposto, no mérito, voto no sentido de considerar improcedente o lançamento, por não haver previsão legal para o procedimento adotado pela Fiscalização, ficando, em conseqüência, prejudicada a análise das demais questões de mérito trazidas pela recorrente. Fl. 130DF CARF MF Emitido em 28/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/09/2011 por MAGDA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 06/09/2011 por MAGDA COTTA CARDOZO Processo nº 11065.002768/200683 Acórdão n.º 380100.881 S3TE01 Fl. 128 7 (assinado digitalmente) Magda Cotta Cardozo Fl. 131DF CARF MF Emitido em 28/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/09/2011 por MAGDA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 06/09/2011 por MAGDA COTTA CARDOZO
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Numero do processo: 13839.904597/2009-07
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 10 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI
Data do fato gerador: 09/10/2003
NULIDADE. DESPACHO DECISÓRIO. CERCEAMENTO.
Somente são nulos os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com comprovada preterição do direito de defesa.
COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO.
Não comprovada a liquidez e certeza do crédito do sujeito passivo, não é cabível a compensação com débitos próprios, nos termos da legislação aplicável art. 170 do CTN e art. 74 da Lei n° 9.430, de 1996.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3801-000.854
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar
provimento ao recurso.
Nome do relator: JOSE LUIZ BORDIGNON
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DESPACHO DECISÓRIO. CERCEAMENTO. Somente são nulos os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com comprovada preterição do direito de defesa. COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. Não comprovada a liquidez e certeza do crédito do sujeito passivo, não é cabível a compensação com débitos próprios, nos termos da legislação aplicável art. 170 do CTN e art. 74 da Lei n° 9.430, de 1996. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Magda Cotta Cardozo Presidente. (assinado digitalmente) Fl. 57DF CARF MF Emitido em 25/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/08/2011 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 17/08/2011 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 18/08/2011 por MAGDA COTTA CARDOZO 2 José Luiz Bordignon Relator. EDITADO EM: 17/08/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Magda Cotta Cardozo (Presidente), Flávio de Castro Pontes, Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo, Sidney Eduardo Stahl, Daniela Ribeiro de Gusmão e José Luiz Bordignon. Fl. 58DF CARF MF Emitido em 25/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/08/2011 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 17/08/2011 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 18/08/2011 por MAGDA COTTA CARDOZO Processo nº 13839.904597/200907 Acórdão n.º 3801000.854 S3TE01 Fl. 50 3 Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da decisão recorrida, que transcrevo a seguir: “Trata o presente de manifestação de inconformidade contra Despacho Decisório que denegou a restituição pleiteada e, conseqüentemente, não homologou as compensações declaradas, porque, a partir das características do DARF discriminado na PER/DCOMP não foi localizado o pagamento discriminado no referido Despacho Decisório, não restando crédito disponível para a compensação pretendida. Tempestivamente, o interessado manifestou sua inconformidade alegando preliminarmente que, pela genérica fundamentação legal seu direito de defesa teria sido cerceado e, no mérito, que teria direito à restituição, pois, teria recolhido IPI a maior por classificar seus produtos ("vidros não emoldurados destinados exclusivamente para serem utilizados como párabrisas e nas janelas dos veículos automóveis das posições 8701 a 8705") na posição 7007 (Vidros de Segurança), assim recolhendo o imposto pela alíquota de 15%, quando, pelos motivos, julgados e princípio da seletividade, entende que deveria têlos classificado na posição 8708 da TIPI (partes e acessórios dos veículos automóveis das posições 8701 a 8705), com alíquota aplicável de 5%”. A Delegacia de Julgamento em Ribeirão Preto (SP) proferiu a seguinte decisão, nos termos da ementa abaixo transcrita: “NULIDADE. DESPACHO DECISÓRIO. Somente são nulos os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com comprovada preterição do direito de defesa. RESTITUIÇÃO. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. VIDROS DE SEGURANÇA APLICADOS EM VEÍCULOS AUTOMÓVEIS. Inexiste erro de classificação fiscal se contribuinte lançou nos documentos fiscais e recolheu com a respectiva alíquota os vidros, utilizados como párabrisas e nas janelas dos veículos automóveis, classificados na posição 7007 da TIPI. Conseqüentemente, inexiste recolhimento indevido ou maior que o devido que se enquadre como crédito líquido e certo contra a Fazenda Nacional”. Fl. 59DF CARF MF Emitido em 25/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/08/2011 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 17/08/2011 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 18/08/2011 por MAGDA COTTA CARDOZO 4 Inconformada, a contribuinte recorre a este Conselho, conforme recurso de fls. 36 a 47, reproduzindo, na essência, as razões apresentadas por ocasião da manifestação de inconformidade. É o relatório. Fl. 60DF CARF MF Emitido em 25/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/08/2011 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 17/08/2011 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 18/08/2011 por MAGDA COTTA CARDOZO Processo nº 13839.904597/200907 Acórdão n.º 3801000.854 S3TE01 Fl. 51 5 Voto Conselheiro José Luiz Bordignon, Relator O recurso é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, portanto dele tomo conhecimento. Tratase de recurso voluntário contra o Acórdão nº 1429.699, da 2ª Turma da DRJ/Ribeirão Preto, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade, mantendo o Despacho Decisório da DRF/Jundiaí, fls. 24. Preliminarmente, a recorrente sustenta a nulidade do Despacho Decisório por “indicação inespecífica de dispositivo legal”, o que teria trazido prejuízo à sua defesa. Quanto a questão, é de se dizer que a argumentação não procede, pois o enquadramento legal e a motivação da não homologação da compensação estão perfeitamente claros, como se observa das razões exaradas no corpo do Despacho Decisório de fls. 24, conforme acertos abaixo colacionados: “Analisadas as informações prestadas no documento acima identificado, não foi confirmada a existência do crédito informado, pois o DARF a seguir, discriminado no PER/DCOMP, não foi localizado nos sistemas da Receita Federal”. “Diante da inexistência do crédito, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada”. “Enquadramento legal: Arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN). Art. 74 da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996”. Por certo, haveria cerceamento do direito de defesa se a interessada fosse, por qualquer motivo, impedida de apresentar a manifestação de inconformidade ou não houvesse compreendido a razão da não homologação da compensação pretendida, impossibilitando, assim, sua defesa. Não foi o que ocorreu, pois sua contestação está devidamente juntada aos autos e dela se depreende que a recorrente compreendeu, perfeitamente, os motivos da não homologação da compensação, exercendo, assim, seu direito a ampla defesa. Não é demais lembrar que, no âmbito do processo administrativo fiscal, as hipóteses de nulidade são tratadas de forma específica no art. 59 do Decreto nº 70.235/72: "Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa." Fl. 61DF CARF MF Emitido em 25/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/08/2011 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 17/08/2011 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 18/08/2011 por MAGDA COTTA CARDOZO 6 No caso vertente, nenhum dos pressupostos acima encontrase presente, uma vez que não ficou evidenciada a preterição do direito de defesa, tendo em vista que no despacho decisório foi demonstrada de forma clara e precisa a razão do indeferimento da solicitação da interessada. Portanto, diante dos argumentos acima expostos, da motivação e da fundamentação legal expressas no corpo do despacho decisório, não há como prosperar a alegação de cerceamento do direito de defesa como quer a recorrente. Em outro plano, a recorrente transcreveu, em sua defesa, trechos de Acórdãos proferidos pelas instâncias julgadoras da esfera administrativa. Inicialmente cumpre esclarecer, não obstante as respeitáveis decisões das instâncias julgadoras trazidas na peça de defesa, que as decisões administrativas não se constituem entre as normas complementares contidas no art. 100 da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN), uma vez que elas não possuem eficácia normativa, em razão da inexistência de lei que lhes atribua tal efeito e, por conseqüência, não têm o condão de vincular o julgamento nessa instância. Quanto ao mérito, como já visto anteriormente, a interessada postula a compensação de débito próprio com crédito oriundo de suposto pagamento a maior de IPI, em razão de ter dado saída de produto ("vidros não emoldurados destinados exclusivamente para serem utilizados como párabrisas e nas janelas dos veículos automóveis das posições 8701 a 8705") classificado na posição 7007 (alíquota de 15%), quando, segundo seu entendimento, a correta classificação fiscal seria na posição 8708 (alíquota de 5%). Em análise do argüido, frente as regras que regulam o instituto da compensação, é de se dizer que a apresentação da DCOMP produz um efeito principal, qual seja, extingue o crédito tributário, mesmo que sob a condição resolutória de eventual homologação por parte da Fazenda Nacional. Por evidente, o crédito contra a Fazenda Nacional alegado pelo sujeito passivo deve ser líquido e certo (art. 170 do CTN), caso contrário, não há como homologar a compensação declarada. Na situação em concreto, a interessada postula a compensação de débito próprio com um crédito juridicamente inexistente, ou seja, esse possível crédito não goza de liquidez e certeza. Não é demais lembrar que o ônus da prova quanto ao fato constitutivo do direito compete ao autor ( art. 333 do Código de processo Civil). A postulante, ao apresentar a manifestação de inconformidade, tinha a obrigação de carrear aos autos os elementos comprobatórios de sua pretensão, conforme dispõe o art. 333, do Código de Processo Civil (CPC) e o art. 16, inciso III, do Decreto nº 70.235, de 1972, no entanto, limitouse a advogar o equívoco cometido na classificação fiscal do produto na Tabela Externa Comum (TEC), sem no entanto trazer aos autos qualquer prova que pudesse corroborar suas alegações. Ademais, consoante disposto no art. 7º da IN SRF nº 600, de 28 de dezembro de 2005, “A restituição de quantia recolhida a título de tributo ou contribuição administrados pela SRF que comporte, por sua natureza, transferência do respectivo encargo financeiro somente poderá ser efetuada a quem prove haver assumido referido encargo, ou, no caso de têlo transferido a terceiro, estar por este expressamente autorizado a recebêla.” Fl. 62DF CARF MF Emitido em 25/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/08/2011 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 17/08/2011 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 18/08/2011 por MAGDA COTTA CARDOZO Processo nº 13839.904597/200907 Acórdão n.º 3801000.854 S3TE01 Fl. 52 7 Diante do acima exposto, uma vez que não restou comprovado que houve pagamento indevido ou a maior que o devido, não há, portanto, como acatar as razões da contribuinte, devendo a não homologação da compensação ser mantida, nos termos da decisão proferida pela autoridade julgadora de primeira instância. É assim que voto. (assinado digitalmente) José Luiz Bordignon Fl. 63DF CARF MF Emitido em 25/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/08/2011 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 17/08/2011 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 18/08/2011 por MAGDA COTTA CARDOZO
score : 1.0
Numero do processo: 35464.000205/2006-16
Turma: Quinta Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu Feb 05 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Thu Feb 05 00:00:00 UTC 2009
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
PERÍODO DE APURAÇÃO: 01/01/1995 a 30/08/1997
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PRAZO DECADENCIAL. CINCO ANOS. TERMO A QUO. AUSÊNCIA DE RECOLHIMENTO ANTECIPADO SOBRE AS
RUBRICAS LANÇADAS. ART. 173, INCISO I, DO CTN.
O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento sumulado,
Súmula Vinculante de n° 8, no julgamento proferido em 12 de
junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da
Lei n° 8.212 de 1991.
Não tendo havido pagamento antecipado sobre as rubricas lançadas pela fiscalização, há que se observar o disposto no art. 173, inciso I do CTN.
Encontram-se atingidos pela fluência do prazo deeadencial todos
os fatos geradores apurados pela fiscalização.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 205-01.573
Decisão: ACORDAM os membros da QUINTA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, Por unanimidade de votos acatar a preliminar de decadência para provimento do recurso, nos termos do voto do relator. Os Conselheiros Manoel Coelho Arruda Junior e Edgar Silva Vidal acompanharam o relator somente nas conclusões. Entenderam que
se aplicava o artigo 150, §4° do CTN.
Nome do relator: MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS PERÍODO DE APURAÇÃO: 01/01/1995 a 30/08/1997 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PRAZO DECADENCIAL. CINCO ANOS. TERMO A QUO. AUSÊNCIA DE RECOLHIMENTO ANTECIPADO SOBRE AS RUBRICAS LANÇADAS. ART. 173, INCISO I, DO CTN. O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento sumulado, Súmula Vinculante de n° 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n° 8.212 de 1991. Não tendo havido pagamento antecipado sobre as rubricas lançadas pela fiscalização, há que se observar o disposto no art. 173, inciso I do CTN. Encontram-se atingidos pela fluência do prazo deeadencial todos os fatos geradores apurados pela fiscalização. Recurso Voluntário Provido.
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CSOL-t/ CCO2Ie5 Fls. 27 ISiS Sourni Mc,ura Mutr. da“4 W MINISTÉRIO DA FAZENDA _sst.(1its;: 8,94- SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUINTA CÂMARA Processo n° 35464.000205/2006-16 Recurso n° • 148.388 Voluntário Matéria Cessão de Mão de Obra: Responsabilidade Solidária. Empresas em Geral Acórdão n° 205-1.573 Sessão de 05 de fevereiro de 2009 Recorrente UNILEVER BRASIL ALIMENTOS LTDA Recorrida DRP - SÃO PAULO / SP ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIARIAS PERÍODO DE APURAÇÃO: 01/01/1995 a 30/08/1997 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PRAZO DECADENCIAL. CINCO ANOS. TERMO A QUO. AUSÊNCIA DE RECOLHIMENTO ANTECIPADO SOBRE AS RUBRICAS LANÇADAS. ART. 173, INCISO I, DO CTN. O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento sumulado, Súmula Vinculante de n ° 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n ° 8.212 de 1991. Não tendo havido pagamento antecipado sobre as rubricas lançadas pela fiscalização, há que se observar o disposto no art. 173, inciso Ido CTN. Encontram-se atingidos pela fluência do prazo deeadencial todos os fatos geradores apurados pela fiscalização. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. 1/2;( 4-, • Processo n° 35464.000205/2006-16 CCO2/b5 Acórdão n.° 205-1.573 Eis, 281 ACORDAM os membros da QUINTA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, Por unanimidade de votos acatar a preliminar de decadênch para provimento do recurso, nos termos do voto do relator. Os Conselheiros Manoel Coelho Arruda Junior e Edgar Silva Vidal acompanharam o relator somente nas conclusões. Entenderam que se aplicava o artigo 150, §4° do CTN. •2. ccemir a CONF eZE131 OiL:05,. AL, ‘tair Brasika, VIEIRA GOMES s v, JÚLIO .• • tal Ir.irc'Llotur.E22N/95oura Vir Presidentá d • it ffr 99r!MOAIS"' • OS VIEIRA Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros, Damião Cordeiro de Moraes, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Liege Lacroix Thomasi, Adriana Sato e Edgar Silva Vidal (Suplente). Processo n°35464.00020512006-16 CCO2/CO5 Acórdão n.• 205-1.573 Fls. 289 _ on,o2 :rretatir1/49- d:3;4kr-CL-- Ur°. i3rosoLlna-,3 4,„ .„..nir r ¡CÁ,. 2,cla Relatório A presente NFLD tem por objeto as contribuições sociais destinadas ao custeio da Seguridade Social em virtude do instituto da responsabilidade solidária decorrente da contratação de serviços da empresa JÚPITER CONSTRUTORA LTDA, conforme previsão no art. 31 da Lei n ° 8.212/1991. O período compreende as competências JANEIRO DE 1995 a AGOSTO DE 1997, conforme relatório fiscal. Não conformada com a notificação, foi apresentada defesa pela sociedade empresária. A Decisão-Notificação confirmou a procedência do lançamento. Não concordando com a decisão do órgão previdenciário, foi interposto recurso. É o Relatório. • • Processo n' 35464.000205/20061 6 CCO2Dei 5 Acórdão n.° 205-1.573 Fls. 21CC/IV.F -; CONFERE COO.; O o.' BraSilia,e3 ta..4 lsis Sous...2 r Ma Ir 4:.. "". Voto Conselheiro MARCO ANDRÉ RAMOS VIEIRA, Relator O recurso foi interposto tempestivamente. Pressuposto superado, passo para o exame das questões preliminares de mérito. Quanto à questão preliminar relativa à fluência do prazo decadencial, a anesma deve ser reconhecida. O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento sumulado, Súmula Vinculante de n ° 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n ° 8.212 de 1991, nestas palavras: Súmula Vinculante n° 8 445tio inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5" do Decreto-lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário". Conforme previsto no art. 103-A da Constituição Federal a Súmula de n ° 8 vincula toda a Administração Pública, devendo este Colegiado aplicá-la. Art. 103-A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de oficio ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecido em lei. Uma vez não sendo mais possível a aplicação do art. 45 da Lei n ° 8.212, há que serem observadas as regras previstas no CTN. Nesse sentido deve ser seguida a interpretação adotada pelo STJ no julgamento proferido pela 1° Seção no Recurso Especial de n " 766.050, cuja ementa foi publicada no Diário da Justiça em 25 de fevereiro de 2008, nestas palavras: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. ISS. ALEGADA NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. VALIDADE DA CDA. IMPOSTO SOBRE SERVIÇOS DE QUALQUER NATUREZA - ISS. INSTITUIÇÃO FINANCEIRA. ENQUADRAMENTO DE ATIVIDADE NA LISTA DE SERVIÇOS ANEXA AO DECRETO-LEI IV" 406/68. ANALOGIA. IMPOSSIBILIDADE. INTERPRETAÇÃO EXTENSIVA. POSSIBILIDADE. HONORÁRIOS ADVOCATICIOS. FAZENDA PÚBLICA VENCIDA. FIXAÇÃO. OBSERVAÇÃO AOS LIMITES DO § 3." DO ART. 20 DO CPC. IMPOSSIBILIDADE DE REVISÃO EM SEDE DE RECURSO ESPECIAL. REDISCUSSÃO DE MATÉRIA FATICO-PROBATÓRIA. SÚMULA 07 DO STJ. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. INOCORRÉNCIA. ARTIGO 173, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CTN. I. O Imposto sobre Serviços é regido pelo DL 406/68, cujo fato gerador é a prestação de serviço constante na lista anexa ao referido 2° CSGá t. - • E CONEE_C:-.., Processo n° 35464.000205/2006-16 BrasIna031-0 CCO2/CO5 Acórdão n.°205-1.573 Fls. 291ira diploma legal, por empresa ou profissional a itónomo, com ou sem estabelecimento fixo. 1. A lista de serviços anexa ao Decreto-lei n." 406/68, para fins de incidência do ISS sobre serviços bancários, é taxativa, admitindo-se, contudo, uma leitura extensiva de cada item, no afã de se enquadrar serviços idênticos aos expressamente previstos (Precedente do STF: RE 361829/RJ, publicado no DJ de 24.02.2006: Precedentes do STJ: AgRg no Ag 770170/SC, publicado no DJ de 26.10.2006; e AgRg no Ag 577068/GO, publicado no DJ de 28.08.2006). 3. Entrementes, o exame do enquadramento das atividades desempenhadas pela instituição bancária na Lista de Serviços anexa ao Decreto-Lei 406/68 demanda o reexame do conteúdo fático probatório dos autos, insindicável ante a incidência da Súmula 7/STJ (Precedentes do STJ: AgRg no Ag 770170/SC, publicado no DJ de 26.10.2006; e REsp 445I37/MG, publicado no DJ de 01.09.2006). 4. Deveras, a verificação do preenchimento dos requisitos em Certidão de Dívida Ativa demanda exame de matéria fritico-probatória, providência inviável em sede de Recurso Especial (Súmula 07/STJ). 5. Assentando a Corte Estadual que "na Certidão de Divida Ativa consta o nome do devedor, seu endereço, o débito com seu valor originário, termo inicial, maneira de calcular juros de mora, com seu fiindamento legal (Código Tributário Municipal, Lei n."2141/94; 2517/97, 2628/98 e 2807/00) e a descrição de todos os acréscimos" e que "os demais requisitos podem ser observados nos autos de processo administrativo acostados aos autos de execução em apenso, onde se verificam: a procedência do débito (1SSQIV), o exercício correspondente (01/12/1993 a 31/10/1998), data e número do Termo de Início de Ação Fiscal, bem como do Auto de Infração que originou o débito", não cabe ao Superior Tribunal de Justiça o reexame dessa inferência. 6. Vencida a Fazenda Pública, a fixação dos honorários advocatícios não está adstrita aos limites percentuais de 10% e 20%, podendo ser adotado como base de cálculo o valor dado à causa ou à condenação, nos termos do artigo 20, § 4", do CPC (Precedentes: AgRg no AG 623.659/RJ, publicado no DJ de 06.06.2005; e AgRg no Resp 592.430/MG, publicado no DJ de 29.11.2004). 7. A revisão do critério adotado pela Corte de origem, por eqüidade, para afixação dos honorários, encontra óbice na Súmula 07, do STJ, e no entendimento sumulado do Pretório Excelso: "Salvo limite legal, a fixação de honorários de advogado, em complemento da condenação, depende das circunstâncias da causa, não dando lugar a recurso extraordinário" (Súmula 389/STF).8. O Código Tributário Nacional, ao dispor sobre a decadência, causa extintiva do crédito tributário, assim estabelece em seu artigo 173: "Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se após 5 (cinco) anos, contados: 1- do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; ii - da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extingue-se definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento." 9. A decadência ou caducidade, no ánzbito do Direito Tributário, importa I ‘ no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontra- se regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, quais sejam; 5 cciwr, - n C 7, - a •• CONFERan • rton iew1/4 .). Processo n° 35464.000205/2006-16 CCO2405 Acárclâo n.° 205-1.573 Brasilla. ‘1/4/ 4 , ri 11s. 291 isis O'fir' " (O regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de oficio, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado; (ii) regra da decadência do direito de lançar nos casos em que notificado o contribuinte de medida preparatória do lançamento, em se tratando de tributos sujeitos a lançamento de oficio ou de tributos sujeitos a lançamento por homologação em que inocoire o pagamento antecipado; (iii) regra da decadência do direito de lançar nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação em que há parcial pagamento da exação devida; (iv) regra da decadência do direito de lançar em que o pagamento antecipado se dá com ,fraude, dolo ou simulação, ocorrendo notificação do contribuinte acerca de medida preparatória; e (v) regra da decadência do direito de lançar perante anulação do lançamento anterior (In: Decadência e Prescrição no Direito Tributário. Enrico Marcos Diniz de Santi, 3" Ed., Max Limonad, págs. 163/210). 10. Nada obstante, as aludidas regras decadenciais apresentam prazo qüinqüenal com dies a quo diversos. 11. Assim, conta-se do "do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" (artigo 173, I, do CT1V), o prazo qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de oficio), quando não prevê a lei o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, bem corno inexistindo notificação de qualquer medida preparatória por parte do Fisco. No particular, cumpre enfatizar que "o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, sendo inadmissível a aplicação cumulativa dos prazos previstos nos artigos 150, § 4", e 173, do CT1V, em se tratando de tributos si/eitos a lançamento por homologação, afim de configurar desarrazoado prazo decadencial decenal. 12. Por seu turno, nos casos em que inexiste dever de pagamento antecipado (tributos sujeitos a lançarhento de oficio) ou quando, existindo a aludida obrigação (tributos sujeitos a lançamento por homologação), há omissão do contribuinte na antecipação do pagamento, desde que inocorrentes quaisquer ilícitos (fraude, dolo ou simulação), tendo sido, contudo, notificado de medida preparatória indispensável ao lançamento, fluindo o termo inicial do prazo decadencial da aludida notificação (artigo 173, parágrafo único, do CTN), independentemente de ter sido a mesma realizada antes ou depois de iniciado o prazo do inciso I, do artigo 173, do C77V. 13. Por outro lado, a decadência do direito de lançar do Fisco, em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, quando ocorre pagamento antecipado inferior ao efetivamente devido, sem que o contribuinte tenha incorrido em fraude, dolo ou simulação, nem sido notificado pelo Fisco de quaisquer medidas preparatórias, obedece a regra prevista na primeira parte do § 4", do artigo 150, do Codex Tributário, segundo o qual, se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador: "Neste caso, concorre a contagem do prazo para o Fisco homologar expressamente o pagamento antecipado, concomitantemente, com o prazo para o Fisco, no caso de não homologação, empreender o 1}(1?). correspondente lançamento tributário. Sendo assim, no termo final desse período, consolidam-se simultaneamente a homologação tácita, a 6 Processo n° 35464.000205/2006-16 COniCCMCONFQ.,):...... n Acórdão n.°205-I.573 Brasilta - • D Fls. 293 A 'õ dal r:. perda do direito de homologar expressamente e, c ns qüentemente, a impossibilidade jurídica de lançar de oficio" (In Decadência e Prescrição no Direito Tributário, Eurico Marcos Diniz de Santi, 3" Ed., Max Limonad , pág. 170). 14. A notificação do ilícito tributário, medida indispensável para justificar a realização do ulterior lançamento, afigura-se como dies a quo do prazo decadencial qüinqüenal, em havendo pagamento antecipado efetuado com fraude, dolo ou simulação, regra que configura ampliação do lapso decadencial, in cosi', reiniciado. Entrementes, "transcorridos. cinco anos sem que a autoridade administrativa se pronuncie, produzindo a indigitada notificação .formalizadora do ilícito, operar-se-á ao mesmo tempo a decadência do direito de lançar de oficio, a decadência do direito de constituir juridicamente o dolo, fraude ou simulação para os efeitos do art. 173, parágrafo único, do CTN e a extinção do crédito tributário em razão da homologação tácita do pagamento antecipado" (Ettrico Marcos Diniz de Santi, in obra citada. pág. 171). 15. Por fim, o artigo 173, 11, do CTN, cuida da regra de decadência do direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário quando sobrevém decisão definitiva, judicial ou administrativa, que anula o lançamento anteriormente efetuado, em virtude da verificação de vício .format Neste caso, o marco decadencial inicia-se da data em que se tornar definitiva a aludida decisão anulatória. 16. In cosi,: (a) cuida-se de tributo sujeito a lançamento por homologação; (b,) a obrigação a- lege de pagamento antecipado do ISSQN pelo contribuinte não restou adimplida, no que concerne aos fatos geradores ocorridos no período de dezembro de 1993 a outubro de 1998, consoante apurado pela Fazenda Pública Municipal em sede de procedimento administrativo fiscal; (c) a notificação do sujeito passivo da lavratura do Termo de Início da Ação Fiscal, medida preparatória indispensável ao lançamento direto substitutivo, deu-se em 27.11.1998; (d) a instituição financeira não efetuou o recolhimento por considerar intributáveis, pelo 1SSQN, as atividades apontadas pelo Fisco; e (e) a constituição do crédito tributário pertinente ocorreu em 01.09.1999. 17. Desta sorte, a regra decadencial aplicável ao caso concreto é a prevista no artigo 173, parágrafo único, do Codex Tributário, contando-se o prazo da data da notificação de medida preparatória indispensável no lançamento, o que sucedeu em 27.11.1998 (antes do transcurso de cinco anos da ocorrência dos fatos imponíveis apurados), donde se dessume a higidez dos créditos tributários constituídos em 01.09.1999. 18. Recurso especial parcialmente conhecido e desprovido. As contribuições previdenciárias são tributos lançados por homologação, assim devem, em regra, observar o disposto no art. 150, parágrafo 4" do CTN. Havendo, então o pagamento antecipado, observar-se-á a regra de extinção prevista no art. 156, inciso VII do CTN. Entretanto, se não houver o pagamento antecipado não se aplica o disposto no art. 156, inciso VII do CTN, devendo assim ser observado o disposto no art. 173, inciso I do CTN; havendo a necessidade de lançamento de oficio substitutivo, conforme previsto no art. 149, inciso V do CTN. Nessa hipótese, caso não haja o lançamento, o crédito tributário será extinto em função do previsto no art. 156, inciso V do CfN. Caso tenha ocorrido dolo, fraude ou simulação não será observado o disposto no art. 150, parágrafo 4° do CTN, sendo aplicado necessariamente o disposto no art. 173, inciso I, independentemente de ter havido o pagamento antecipado. -7 n 2° o CjIV:F - Oui n ta C .:22,10,a CON FERE a- 53.°Crm_ra Processo n° 35464.00020512006-16 Brasina, -U CCO7fIC5 Acórdão n.°205-1.573 411P ira Fls. 294— p — No presente caso o lançamento foi efetuado em 16 de dezembro de 2005, 11. 01; como não houve pagamento antecipado sobre os valores lançados, conforme relatório fiscal; assim, aplica-se a regra prevista no art. 173, inciso I do CTN. In casu a fiscalização não detinha as informações para efetuar o lançamento, devendo, necessariamente, os valores serem apurados em ação fiscal, portanto há que ser observado em conjunto o disposto no art . 173, parágrafo único do CTN. Assim, a contar do primeiro dia do exercício seguinte àquele eni que o crédito poderia ter sido constituído, a fiscalização federal teria o prazo de cinco anos para notificar o contribuinte da medida preparatória indispensável ao lançamento. A partir dessa notificação da medida preparatória o Fisco possui o prazo de cinco anos para constituir o crédito tributário. Pelo exposto encontram-se atingidos pela fluência do prazo decadencial todos os fatos geradores apurados pela fiscalização. Para a competência mais recente o termo inicial do prazo decadencial é 1 de janeiro de 1998, o que findaria em 1 de janeiro de 2003. CONCLUSÃO: Pelo exposto voto por CONHECER do recurso do notificado, para no mérito CONCEDER-LHE PROVIMENTO. É corno voto. Sala das Sessões, em 05 de fevereiro de 2009 7:,;(k, 1740 -1 464_,,,ssfamin-PC- e •"11,; 9 RA Relator Page 1 _0041000.PDF Page 1 _0041100.PDF Page 1 _0041200.PDF Page 1 _0041300.PDF Page 1 _0041400.PDF Page 1 _0041500.PDF Page 1 _0041600.PDF Page 1
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