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Numero do processo: 19515.008004/2008-20
Data da sessão: Tue Aug 07 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ
Ano-calendário: 2003 e 2004
Ementa:
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE POR QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO. NÃO OCORRÊNCIA.
Inexiste quebra de sigilo bancário quando o recorrente autoriza a autoridade administrativa a oficiar junto às instituições financeiras e junta extratos bancários. Inocorrência de nulidade.
OMISSÃO DE RECEITAS. EXTRATOS BANCÁRIOS. VALORES CREDITADOS. ADMINISTRADORAS DE VALE-REFEIÇÃO.
Configura-se a omissão de receita por créditos bancários de origem não comprovada se o recorrente, regularmente intimado, não consegue comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos depósitos em suas contas correntes. Verificando-se
a existência de valores creditados por administradores de vale-refeição em extratos bancários pertencentes à pessoa jurídica que possui como objeto social a atividade de lanchonete/restaurante, fica caracterizada a omissão de receitas.
EXCLUSÃO DO SIMPLES.
Sendo devidamente lavrados os autos de infração do ano-calendário
de 2003, é legal a exclusão do recorrente do regime tributário do SIMPLES, de ofício, com efeitos a partir do ano-calendário
subsequente, ou seja, 2004, ante a extrapolação do limite de receita bruta permitida por lei.
DA MULTA DE OFÍCIO. INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA N. 2
DO CARF.
A alegação de que a multa de ofício de 150% sobre o valor do tributo é abusiva e confiscatória, e viola o art. 5°, XXII e o art. 150, IV, ambos da Constituição Federal, exige a análise de inconstitucionalidade da lei tributária, o que é vedado pela Súmula n. 2 do CARF, não podendo o CARF se pronunciar sobre a matéria.
JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO.
É escorreita a cobrança de juros, calculados à taxa Selic, sobre multa de ofício, nos termos do §3º do art. 61 da Lei nº 9.430/96.
JUROS DE MORA. TAXA SELIC. APLICAÇÃO.
Aplica-se a taxa SELIC à cobrança dos juros moratórios lançados, conforme previsão legal expressa no art. 61, § 3 ° da Lei n° 9.430/1996.
DECADÊNCIA. NÃO OCORRÊNCIA.
No caso de tributos sujeitos ao lançamento por homologação, não ocorrendo o pagamento antecipado, o prazo decadencial quinquenal para a constituição do crédito tributário conta-se do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos termos do art. 173, inc. I do CTN.
Numero da decisão: 1302-000.959
Decisão: Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar argüida e por voto de qualidade, negar provimento ao recurso, vencidos Paulo Roberto Cortez, Marcio Rodrigo Frizzo e Diniz Raposo e Silva, que davam provimento parcial ao recurso e afastavam a taxa SELIC aplicada sobre a multa de ofício.
Nome do relator: MARCIO RODRIGO FRIZZO
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ementa_s : Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Ano-calendário: 2003 e 2004 Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE POR QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO. NÃO OCORRÊNCIA. Inexiste quebra de sigilo bancário quando o recorrente autoriza a autoridade administrativa a oficiar junto às instituições financeiras e junta extratos bancários. Inocorrência de nulidade. OMISSÃO DE RECEITAS. EXTRATOS BANCÁRIOS. VALORES CREDITADOS. ADMINISTRADORAS DE VALE-REFEIÇÃO. Configura-se a omissão de receita por créditos bancários de origem não comprovada se o recorrente, regularmente intimado, não consegue comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos depósitos em suas contas correntes. Verificando-se a existência de valores creditados por administradores de vale-refeição em extratos bancários pertencentes à pessoa jurídica que possui como objeto social a atividade de lanchonete/restaurante, fica caracterizada a omissão de receitas. EXCLUSÃO DO SIMPLES. Sendo devidamente lavrados os autos de infração do ano-calendário de 2003, é legal a exclusão do recorrente do regime tributário do SIMPLES, de ofício, com efeitos a partir do ano-calendário subsequente, ou seja, 2004, ante a extrapolação do limite de receita bruta permitida por lei. DA MULTA DE OFÍCIO. INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA N. 2 DO CARF. A alegação de que a multa de ofício de 150% sobre o valor do tributo é abusiva e confiscatória, e viola o art. 5°, XXII e o art. 150, IV, ambos da Constituição Federal, exige a análise de inconstitucionalidade da lei tributária, o que é vedado pela Súmula n. 2 do CARF, não podendo o CARF se pronunciar sobre a matéria. JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. É escorreita a cobrança de juros, calculados à taxa Selic, sobre multa de ofício, nos termos do §3º do art. 61 da Lei nº 9.430/96. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. APLICAÇÃO. Aplica-se a taxa SELIC à cobrança dos juros moratórios lançados, conforme previsão legal expressa no art. 61, § 3 ° da Lei n° 9.430/1996. DECADÊNCIA. NÃO OCORRÊNCIA. No caso de tributos sujeitos ao lançamento por homologação, não ocorrendo o pagamento antecipado, o prazo decadencial quinquenal para a constituição do crédito tributário conta-se do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos termos do art. 173, inc. I do CTN.
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LIMA ME Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2003 e 2004 Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE POR QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO. NÃO OCORRÊNCIA. Inexiste quebra de sigilo bancário quando o recorrente autoriza a autoridade administrativa a oficiar junto às instituições financeiras e junta extratos bancários. Inocorrência de nulidade. OMISSÃO DE RECEITAS. EXTRATOS BANCÁRIOS. VALORES CREDITADOS. ADMINISTRADORAS DE VALEREFEIÇÃO. Configurase a omissão de receita por créditos bancários de origem não comprovada se o recorrente, regularmente intimado, não consegue comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos depósitos em suas contas correntes. Verificandose a existência de valores creditados por administradores de valerefeição em extratos bancários pertencentes à pessoa jurídica que possui como objeto social a atividade de lanchonete/restaurante, fica caracterizada a omissão de receitas. EXCLUSÃO DO SIMPLES. Sendo devidamente lavrados os autos de infração do anocalendário de 2003, é legal a exclusão do recorrente do regime tributário do SIMPLES, de ofício, com efeitos a partir do anocalendário subsequente, ou seja, 2004, ante a extrapolação do limite de receita bruta permitida por lei. DA MULTA DE OFÍCIO. INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA N. 2 DO CARF. A alegação de que a multa de ofício de 150% sobre o valor do tributo é abusiva e confiscatória, e viola o art. 5°, XXII e o art. 150, IV, ambos da Constituição Federal, exige a análise de inconstitucionalidade da lei Fl. 876DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2012 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 21/09/2012 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 24/09/2012 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digit almente em 04/12/2012 por WALDIR VEIGA ROCHA 2 tributária, o que é vedado pela Súmula n. 2 do CARF, não podendo o CARF se pronunciar sobre a matéria. JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. É escorreita a cobrança de juros, calculados à taxa Selic, sobre multa de ofício, nos termos do §3º do art. 61 da Lei nº 9.430/96. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. APLICAÇÃO. Aplicase a taxa SELIC à cobrança dos juros moratórios lançados, conforme previsão legal expressa no art. 61, § 3 ° da Lei n° 9.430/1996. DECADÊNCIA. NÃO OCORRÊNCIA. No caso de tributos sujeitos ao lançamento por homologação, não ocorrendo o pagamento antecipado, o prazo decadencial quinquenal para a constituição do crédito tributário contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos termos do art. 173, inc. I do CTN. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar argüida e por voto de qualidade, negar provimento ao recurso, vencidos Paulo Roberto Cortez, Marcio Rodrigo Frizzo e Diniz Raposo e Silva, que davam provimento parcial ao recurso e afastavam a taxa SELIC aplicada sobre a multa de ofício. (assinado digitalmente) WALDIR VEIGA ROCHA Presidente. (assinado digitalmente) MARCIO RODRIGO FRIZZO Relator. (assinado digitalmente) EDUARDO DE ANDRADE Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: WALDIR VEIGA ROCHA (Presidente), PAULO ROBERTO CORTEZ, DINIZ RAPOSO E SILVA, EDUARDO DE ANDRADE, LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, MARCIO RODRIGO FRIZZO. Fl. 877DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2012 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 21/09/2012 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 24/09/2012 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digit almente em 04/12/2012 por WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 19515.008004/200820 Acórdão n.º 1302000.959 1ª Seção S1C3T2 Fl. 2 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto por TERESA C. DA S. LIMA ME, em face do acórdão no 1634.175 proferido pela DRJ/SP1, no processo administrativo que trata de lançamentos de: Imposto sobre a Renda de Pessoa JurídicaSimples, no valor de R$ 88.310,06 (fls. 117/120); Contribuição para o Programa de Integração Social — PISSimples, no valor de R$ 88.310,06 (fls. 124/127); de Contribuição Social sobre o Lucro Liquido — CSLLSimples, no valor de R$ 143.607,48 (fls. 131/134); Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social — COFINS Simples, no valor de R$ 287.215,04 (fls. 138/141) e; Contribuição para Seguridade Social — INSSSimples, no valor de R$ 577.083,59 (fls. 146/149). A fiscalização ocorreu em relação aos fatos geradores do anocalendário de 2003, incluindo o principal, multa de ofício e juros de mora atualizados até 28/11/2008, efetuados por meio dos Autos de Infração lavrados em 05/12/2008. A infração apurada caracterizouse pela omissão de receitas decorrente da não declaração dos valores recebidos em suas contascorrentes das empresas Sodexho Pass B.S.C., Ticket Serviços S.A. e VR Vales Ltda., conforme extratos bancários cujos lançamentos identificam claramente os depositantes (fls. 81/102). O recorrente foi cientificado desta autuação em 08/12/2008, e apresentou, em 02/01/2008, a impugnação (fls. 156/198), alegando, em breve síntese, o que se segue: 1. Os documentos contábeis e fiscais requeridos remontavam aos anoscalendário 2003 e 2004, ocorrendo que na época a empresa não mantinha os seus arquivos sistematizados em planilhas ou armazenados em formato digital, "por completa incompatibilidade com sua realidade econômica de lanchonete microempresa individual varejista da região carente da Zona Norte do Município da Capital"; 2. A demora para realizar a entrega dos extratos se deveu à greve dos bancos. Por simples razoabilidade, não pode o órgão determinar embaraço à fiscalização; 3. Em resposta ao Termo de Intimação que requereu a comprovação da origem dos valores creditados/depositados nas contascorrentes da impugnante, esclareceu que a movimentação financeira representava o montante referente Fl. 878DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2012 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 21/09/2012 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 24/09/2012 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digit almente em 04/12/2012 por WALDIR VEIGA ROCHA 4 às refeições fornecidas, na qualidade de lanchonete e pagas por meio de "tickets", o que não poderia ser comprovado por documentação física; 4. A empresa foi vítima de contumazes e reiterados roubos consumados ao seu estabelecimento comercial, com subtração de papéis aptos a prestar os esclarecimentos descritos; 5. Apesar da considerável movimentação financeira, suportava custos elevados com pagamentos a fornecedores (Anexo II do Termo de Intimação), de modo que os valores creditados em contacorrente não poderiam ser considerados como lucro e base de cálculo para incidência de qualquer tributo federal; 6. Seus clientes eram pessoas físicas que adquirem lanches e sucos e quando muito encomendam almoços rápidos; 7. A origem de tais movimentações financeiras se deve à prática de compra de tíquetes de alimentação e de refeição dos trabalhadores mediante deságio do valor total, prática comum e corriqueira no município de São Paulo e permitida pelas autoridades brasileiras; 8. A maior parte deste deságio que ingressa na contacorrente da empresa, sem, no entanto, integrar seu faturamento é repassado à administrador a do tíquete. Supondose que seja cobrado 7% de deságio e a administradora cobra 6%, apenas 1% integra o faturamento do estabelecimento comercial 9. Não há que se falar em faturamento, uma vez que não revendia os tíquetes, figurava como depositária das administradoras. Não ocorria fato gerador e não há que se falar em crédito tributário de espécie alguma; 10. Tratase de estabelecimento comercial individual da Sra. Teresa Lima, que não apresenta quaisquer sinais exteriores de riqueza. Não se admite que se exija conhecimento técnicotribútario de uma senhora de 70 anos acostumada à informalidade inerente a cultura de seus pares; 11. A majoração veiculada na norma de fundo é de 50% e não de 150% conforme modificação legislativa, Lei n°11.488 de 2007, conforme art. 105 e art. 116, I e II do CTN. Ainda que se admitisse aplicação da lei instrumental da época, a multa de 150% somente poderia ser aplicada no caso de evidente intuito de fraude; 12. A eventual omissão de receita não caracteriza atividade fraudulenta; 13. Receita não é todo e qualquer ingresso, mas tãosomente aquele que efetivamente se incorpora ao patrimônio do contribuinte. Os valores movimentados nas contas da impugnante são receitas de terceiros que transitaram em suas contas bancárias; Fl. 879DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2012 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 21/09/2012 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 24/09/2012 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digit almente em 04/12/2012 por WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 19515.008004/200820 Acórdão n.º 1302000.959 1ª Seção S1C3T2 Fl. 3 5 14. Há inadequação na presunção legal estabelecida pelo art. 42 da Lei n° 9.430/96, posto que entre os depósitos bancários e a omissão de rendimentos não há correlação lógica direta e segura; 15. Consoante Súmula n° 182 do extinto TRF, restou ilegítimo o lançamento arbitrado com base apenas em extratos ou depósitos bancários; 16. E eventual omissão de receita, não implica caracterização de atividade fraudulenta, muito menos de forma "evidente", fazendo com que a frágil argumentação exposta escape dos limites insculpidos pelo principio da tipicidade fechada; 17. Somente a aplicação da multa de 75% configura uma situação, abusiva e confiscatória; em flagrante desrespeito ao art. 5º, inc. XXII e ao art. 150, IV, da CF; 18. Deve ser cancelada a aplicação dos juros de mora sobre a multa de ofício, por ausência de previsão legal expressa. A expressão "débitos decorrentes de tributos e contribuições" prevista no art. 61, §3° da Lei n° 9.430/96 diz respeito ao valor do principal relativo à obrigação tributária não paga no vencimento; 19. A definição, a composição e a forma de cálculo da taxa Selic não possuem regramento em lei, mas apenas em resoluções e circulares do Banco Central do Brasil. Em razão da inconstitucionalidade da taxa Selic, deve ser cancelado o auto de infração; 20. Requer que as publicações e intimações sejam encaminhadas em nome dos advogados que subscrevem a impugnação. A autoridade fiscal lançadora formalizou Representação Fiscal onde propôs a exclusão do recorrente do regime tributário do Simples (fl. 152), em razão da ocorrência de excesso de receita bruta no anocalendário 2003, com fundamento no art. 9º c/c art. 14, I da Lei 9.317 de 1996, com redação dada pela lei no 11.307 de 2006, in verbis: Art. 9° Não poderá optar pelo SIMPLES, a pessoa jurídica: I na condição de microempresa que tenha auferido, no anocalendário imediatamente anterior, receita bruta superior a R$ 240.000,00 (duzentos e quarenta mil reais); Art. 14. A exclusão darseá de ofício quando a pessoa jurídica incorrer em quaisquer das seguintes hipóteses: I exclusão obrigatória, nas formas do inciso II e § 2° do artigo anterior, quando não realizada por comunicação da pessoa jurídica; Fl. 880DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2012 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 21/09/2012 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 24/09/2012 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digit almente em 04/12/2012 por WALDIR VEIGA ROCHA 6 Art. 13. A exclusão mediante comunicação da pessoa jurídica darseá: II obrigatoriamente, quando: a) incorrer em qualquer das situações excludentes constantes do art. 9°; § 2o A microempresa que ultrapassar, no anocalendário imediatamente anterior, o limite de receita bruta correspondente a R$ 240.000,00 (duzentos e quarenta mil reais) estará excluída do Simples nessa condição, podendo, mediante alteração cadastral, inscreverse na condição de empresa de pequeno porte. Após, expediuse o Ato Declaratório Executivo DERAT / SPO / DIORT / EQPIR n° 031/2009, onde o recorrente foi declarado excluído do Simples, com efeito retroativo a partir de 01/01/2004 (fl. 301). O interessado tomou ciência da exclusão em 18/05/2009 (fl. 302), apresentando manifestação de inconformidade em 16/06/2009 (fls. 305/352), argumentando, em síntese que: A situação excludente encontrase sob discussão administrativa e conseqüentemente seus efeitos suspensos; Apresenta os mesmos argumentos já expostos em sua Impugnação ao auto de infração relativo ao anocalendário de 2003; Demonstrada a insubsistência e improcedência do auto de infração que deu ensejo ao Ato de Exclusão, bem como a nítida falta de sinais exteriores de riqueza da manifestante, setuagenária, requer seja provida a manifestação de inconformidade a fim de que seja julgado improcedente o ato declaratório; Requer que as publicações e intimações sejam encaminhadas em nome dos advogados que subscrevem a manifestação. Em 08/12/2008, foi encerrada parcialmente a ação fiscal na recorrente, tendo sido concluído somente o anocalendário de 2003 e lavrado o Auto de Infração Processo Administrativo Fiscal n° 19515.008004/200820. Já com relação ao anocalendário de 2004, uma vez que a empresa era optante do SIMPLES no período fiscalizado e sendo ultrapassado o limite legal da receita bruta para microempresa ou empresa de pequeno porte, apurada em fiscalização referente ao ano de 2003, foi solicitada a exclusão do SIMPLES da empresa para o ano de 2004. Fl. 881DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2012 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 21/09/2012 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 24/09/2012 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digit almente em 04/12/2012 por WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 19515.008004/200820 Acórdão n.º 1302000.959 1ª Seção S1C3T2 Fl. 4 7 O Ato Declaratório de Exclusão do SIMPLES foi expedido em 17/03/2009. Assim houve também o lançamento de: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica, no valor de R$ 316.498,55 (fls. 519/522); Contribuição para o Programa de Integração Social — PIS, no valor de R$ 25.308,32 (fls. 526/529); Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social — COFINS, no valor de R$ 116.808,32 (fls. 533/536); Contribuição Social sobre o Lucro Liquido — CSLL, no valor de R$ 11.748,41 (fls. 539/542); Todos relativos a fatos geradores ocorridos no anocalendário de 2004, incluindo o principal, multa de ofício e juros de mora atualizados até 30/04/2009, efetuados por meio dos autos de infração lavrados em 25/05/2009. Sob a mesma fundamentação, qual seja a não declaração dos valores recebidos em suas contascorrentes, contida no relatório da autuação fiscal (fls. 512 e ss.), caracterizouse a omissão de receita, tendo sido tributados os valores recebidos/creditados nas contascorrentes da empresa, no anocalendário 2004, nos termos dos art. 532 e 537 do Decreto n° 3.000/1999. Desta forma, o lucro foi arbitrado, haja vista que o recorrente não apresentou à fiscalização os livros e documentos de sua escrituração, conforme art. 530, inciso III do RIR/99. O recorrente foi cientificado desta autuação em 26/05/2009 e apresentou em 24/06/2009, a impugnação (fls. 547/591), alegando, em breve síntese, o que se segue: 1. O presente auto de infração, que também se presta a cobrar suposto crédito tributário oriundo de movimentação financeira que teria extrapolado o limite do Simples Federal, foi apurado mediante aplicação das alíquotas dos tributos federais com base na apuração do Lucro Presumido, sem que antes fosse transitado em julgado competente processo de exclusão do contribuinte do regime do Simples, processo este de competência da Derat (inciso III,.do art. 205 da Portaria MFn° 205/2009); 2. O auto de infração é nulo de pleno direito e dever ser imediatamente cancelado, pois a fiscalização não tem competência para efetuar sua lavratura, uma vez que a Derat ainda não se manifestou sobre a exclusão da impugnante do Simples Federal; 3. Apresenta os mesmos argumentos já expostos em sua Impugnação ao auto de infração relativo ao anocalendário de 2003; Fl. 882DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2012 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 21/09/2012 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 24/09/2012 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digit almente em 04/12/2012 por WALDIR VEIGA ROCHA 8 4. Requer que as publicações e intimações sejam encaminhadas em nome dos advogados que subscrevem a impugnação. A Primeira Turma de Julgamento da DRJ/SP1 manteve integralmente os lançamentos tributários e o Ato Declaratório Executivo DERAT / SPO / DIORT / EQPIR nº 031/2009, proferindo o Acórdão nº 1634.175, de 11/10/2011 (fls. 650/668), com a seguinte ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 30/06/2004, 30/09/2004, 31/12/2004 NULIDADE. EXCLUSÃO DO SIMPLES. LANÇAMENTO POSTERIOR. Não há que se alegar nulidade do auto de infração lançado no anocalendário seguinte à emissão do Ato Declaratório de Exclusão do Simples, sob alegação de que o ADE ainda não foi analisado, quando a manifestação de inconformidade apresentada contra o Ato está sendo julgada concomitantemente com os autos de infração lavrados. LANÇAMENTOS DECORRENTES. O decidido quanto à infração que, além de implicar o lançamento de IRPJ implica os lançamentos da contribuição para o Programa de Integração Social (PIS), da Contribuição Social para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS), da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido (CSLL) e da Contribuição para a Seguridade Social (INSS) também se aplica a estes outros lançamentos naquilo em que for cabível. ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Data do fato gerador: 31/01/2003, 28/02/2003, 31/03/2003, 30/04/2003, 31/05/2003, 30/06/2003, 31/07/2003, 31/08/2003, 30/09/2003, 31/10/2003, 30/11/2003. OMISSÃO DE RECEITAS. EXTRATOS BANCÁRIOS. VALORES CREDITADOS. ADMINISTRADORAS DE VALEREFEIÇÃO. Verificandose a existência de valores creditados por administradoras de valerefeição em extratos bancários pertencentes à pessoa jurídica que exercia a atividade de lanchonete/restaurante e apresentou declaração de inatividade, fica caracterizada a omissão de receitas. LIMITE DE RECEITA BRUTA. EXCLUSÃO DO SIMPLES. O contribuinte que no anocalendário ultrapassar o limite de receita bruta permitida deverá ser excluído do Simples, de oficio, com efeitos a partir do anocalendário subsequente. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURIDICA IRPJ Data do fato gerador: 30/06/2004, 30/09/2004, 31/12/2004 Fl. 883DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2012 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 21/09/2012 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 24/09/2012 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digit almente em 04/12/2012 por WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 19515.008004/200820 Acórdão n.º 1302000.959 1ª Seção S1C3T2 Fl. 5 9 OMISSÃO DE RECEITAS. EXTRATOS BANCÁRIOS. VALORES CREDITADOS. ADMINISTRADORAS DE VALEREFEIÇÃO. Verificandose a existência de valores creditados por administradoras de valerefeição em extratos bancários pertencentes à pessoa jurídica que exercia a atividade de lanchonete/restaurante e apresentou declaração de inatividade, fica caracterizada a omissão de receitas. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 31/01/2003, 28/02/2003, 31/03/2003, 30/04/2003, 31/05/2003, 30/06/2063, 31/07/2003, 31/08/2003, 30/09/2003, 31/10/2003, 30/11/2003, 30/06/2004, 30/09/2004, 31/12/2004 MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO. Mantémse a multa de oficio qualificada, no percentual de 150%, quando o procedimento fiscal evidenciar que o contribuinte praticou a sonegação fiscal, omitindo receitas da atividade, não declaradas para fins de tributação, em todo o período fiscalizado. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. APLICAÇÃO. Correta a aplicação da taxa Selic para a cobrança dos juros moratórios lançados, conforme previsão legal expressa no art. 61, § 3 ° da Lei n° 9.430/1996. JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. APLICAÇÃO. É cabível a aplicação de juros sobre todo o crédito tributário apurado, incluindoSe a multa de oficio. Impugnação Improcedente. Crédito Tributário Mantido. O recorrente foi cientificado da decisão de primeira instância em 16/02/2012, na pessoa de seu procurador (fls. 697 a 699), tendo interposto recurso voluntário em 09/03/2012 (fls.700/748). O recorrente repete em grande parte os argumentos trazidos na impugnação, quais sejam: a) Em preliminar de nulidade, alegou a ilegalidade da quebra do sigilo bancário do recorrente realizado diretamento pela autoridade fiscal, pois os autos de infração e a imposição de multa foram embasadas em documentos sigilosos, obtidos sem a necessária e competente ordem judicial, de acordo com recente entendimento do Plenário do E. Supremo Tribunal Federal. b) No mérito, no que concerne à omissão apurada com base em depósitos bancários, repete literalmente os argumentos trazidos na impugnação. Alega em síntese que não há que se falar em faturamento, uma vez que não revendia os tíquetes, figurava como depositária das administradoras. Não ocorria fato Fl. 884DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2012 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 21/09/2012 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 24/09/2012 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digit almente em 04/12/2012 por WALDIR VEIGA ROCHA 10 gerador e não há que se falar em crédito tributário de espécie alguma. Alega, também, que receita não é todo e qualquer ingresso, mas tão somente aquele que efetivamente se incorpora ao patrimônio do recorrente. Os valores movimentados nas contas da impugnante são receitas de terceiros que transitaram em suas contas bancárias. Existe inadequação na presunção legal estabelecida pelo art. 42 da Lei n° 9.430/96, posto que entre os depósitos bancários e a omissão de rendimentos não há correlação lógica direta e segura. Alega que consoante Súmula n. 182 do extinto TRF, restou ilegítimo o lançamento arbitrado com base apenas em extratos ou depósitos bancários. c) Também quanto ao mérito, repete parte das alegações trazidas quanto à aplicação da multa de ofício correspondente a 150% do valor do tributo imposto. Alega que a referida multa deve ser totalmente cancelada por configurar situação abusiva e confiscatória, violando o disposto no art. 5º, XXII, e art. 150, IV, ambos da Constituição Federal. d) Ademais, no mérito, novamente repete literalmente os argumentos trazidos na impugnação quanto aos juros de mora sobre a multa de ofício. Alega que deve ser cancelada por ausência de previsão legal expressa. A expressão "débitos decorrentes de tributos e contribuições" prevista no art. 61, §3° da Lei n° 9.430/96 diz respeito ao valor do principal relativo à obrigação tributária não paga no vencimento. e) Em relação à composição e da forma de cálculo da taxa Selic, no mérito, mais uma vez repete literalmente os argumentos trazidos na impugnação. Alega que em razão da inconstitucionalidade da taxa Selic deve ser cancelado o auto de infração. f) Por fim, no mérito, repete em parte as alegações trazidas na manifestação de inconformidade. Alega que a situação excludente é ilegal, pois se encontra sob discussão administrativa, pendente de decisão transitada em julgado. É o relatório. Fl. 885DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2012 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 21/09/2012 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 24/09/2012 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digit almente em 04/12/2012 por WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 19515.008004/200820 Acórdão n.º 1302000.959 1ª Seção S1C3T2 Fl. 6 11 Voto Vencido Conselheiro Marcio Rodrigo Frizzo O recurso voluntário apresentado é tempestivo e dele conheço. Passo a analisar a alegação preliminar de nulidade por quebra de sigilo bancário. 1. DA ALEGAÇÃO PRELIMINAR 1.1 Da nulidade em virtude da quebra de sigilo bancário O recorrente alega ter ocorrido nulidade dos lançamentos tributários, pela autoridade fiscal se embasar em documentos sigilosos, obtidos sem a necessária e competente ordem judicial, violando direitos fundamentais, tais como o da inviolabilidade do sigilo de dados/correspondência, da inviolabilidade, da intimidade, da vida privada, e violando o princípio da dignidade da pessoa humana, previstos nos incisos X e XII, do artigo 5º da Constituição Federal. De ofício, analiso em primeiro plano a questão do sobrestamento do julgamento do presente recurso com fulcro no art. 62A do RICARF. Verifico que a preliminar suscitada pelo recorrente, qual seja a nulidade por quebra de sigilo bancário pelo Fisco, sem autorização judicial, encontrase em análise no STF sob o regime da repercussão geral previsto no art. 543B do CPC, objeto do RE nº 601.314. No entanto, a matéria discutida nos autos não perpassa a questão discutida pelo Supremo Tribunal Federal em regime de repercussão geral. Ocorre que, no presente caso, apesar de existir a requisição administrativa de movimentação financeira diretamente pela autoridade administrativa às instituições financeiras, conforme previsto no art. 6º da LC nº 105/2001 (fls. 382/386), verificase autorização do recorrente para que a autoridade administrativa pudesse oficiar junto às instituições financeiras (Banco Bradesco e Unibanco) em 13 de outubro de 2008, conforme petição (fls. 20/21), veja se: Assim, requer a dilação do prazo até o fim da greve, ou, ainda, subsidiariamente, que se emita ofício à instituição financeira em comento, determinandolhe a imediata prestação das informações requeridas, com a finalidade de que a empresa contribuinte possa, enfim, prestar os esclarecimentos devidos, mediante documentação hábil e idônea, dando integral, eficaz e tempestivo cumprimento à respeitável intimação. Ademais, o próprio sujeito passivo juntou espontaneamente extrato da movimentação bancária das contascorrentes nº 77.4227 e nº 111.6959, referentes aos anos Fl. 886DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2012 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 21/09/2012 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 24/09/2012 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digit almente em 04/12/2012 por WALDIR VEIGA ROCHA 12 calendários 2003 e 2004, mantidas junto ao Banco Bradesco, em 30 de outubro de 2008, conforme petição (fls. 26/27). Diante dos elementos contidos no processo, entendo que inexiste quebra do sigilo bancário, pois como visto acima, no presente caso, houve autorização expressa do recorrente para que a autoridade administrativa pudesse oficiar junto às instituições financeiras, bem como juntou extrato bancário das contascorrentes nº 77.4227 e nº 111.6959 de sua titularidade, mantidas junto ao Banco Bradesco. Ante o exposto, o presente recurso não deve ser sobrestado, e rejeito a alegação preliminar de nulidade por quebra de sigilo bancário. 2. DAS ALEGAÇÕES DE MÉRITO 2.1. Da Omissão de Receita de Depósitos Bancários de Origem Não Comprovada. O recorrente alega que os valores movimentados em suas contas correntes são receitas de terceiros, meros montantes financeiros que transitaram em suas contas bancárias e que não significaram aumento em seu patrimônio. Alegou ainda que não é possível estabelecer uma correlação direta entre o montante dos depósitos e a omissão de rendimentos e que, portanto, o encargo probatório não deveria ter sido transferido para o recorrente. Não assiste razão ao recorrente quanto a este argumento. Em se tratando de omissão de receitas apurada com base em créditos bancários incumbe ao fisco tão somente demonstrar a existência dos créditos e intimar o sujeito passivo para que identifique, demonstre e comprove a origem de cada um dos créditos. É o que dispõe o art. 42 da Lei nº 9.430/1996 que rege a matéria. “Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. § 2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. § 3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I – os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; (...)”. Fl. 887DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2012 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 21/09/2012 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 24/09/2012 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digit almente em 04/12/2012 por WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 19515.008004/200820 Acórdão n.º 1302000.959 1ª Seção S1C3T2 Fl. 7 13 Assim, a partir da Lei nº 9.430/1996, a simples existência de depósitos não escriturados ou de origens não comprovadas tornouse uma nova hipótese legal de presunção de omissão de receitas. Com isso, a carga probatória atribuída ao fisco se restringe a demonstrar a existência de depósitos bancários não escriturados ou de origem não comprovada. A partir de tal constatação, o ônus de comprovar a origem dos recursos é do recorrente. É a própria lei que definiu que os depósitos bancários, de origem não comprovada e não escriturados, caracterizam omissão de receita ou de rendimentos e não meros indícios de omissão. A presunção em favor do Fisco transfere ao recorrente o ônus de elidir a imputação, mediante a comprovação, no caso, da origem dos recursos. Tratase, afinal, de presunção relativa, passível de prova em contrário. Portanto, a caracterização da ocorrência do fato gerador do imposto de renda não se dá pela mera constatação de um depósito bancário, considerada isoladamente, abstraída das circunstâncias fáticas, até mesmo porque o depósito bancário não configura disponibilidade econômica ou jurídica de renda. Tal caracterização está ligada à falta de esclarecimentos da origem dos numerários depositados, conforme dispõe a lei. No caso concreto, o recorrente não apresentou os documentos fiscais e contábeis requeridos pela autoridade administrativa, sob a alegação de que na época a empresa não mantinha os seus arquivos sistematizados em planilhas ou armazenados em formato digital por incompatibilidade com a sua realidade econômica. Entretanto, tal argumentação não pode ser considerada, pois, as empresas enquadradas no regime tributário do SIMPLES, de acordo com o art. 7º, da Lei n. 9.317/1996, devem manter escrituração comercial. Alegou também que a empresa teria sido vítima de contumazes e reiterados roubos em seu estabelecimento comercial, com subtração de papéis aptos a prestar os esclarecimentos requeridos pela autoridade administrativa. Entretanto, o recorrente não juntou boletim de ocorrência ou qualquer outra documentação que corroborasse com sua alegação. Alega que a origem de tais movimentações financeiras se deve à prática de compra de tíquetes de alimentação e de refeição dos trabalhadores mediante deságio do valor total, prática comum e corriqueira no município de São Paulo e permitida pelas autoridades brasileiras. Ainda, afirma que a maior parte deste deságio ingressa na contacorrente da empresa, sem, no entanto, integrar seu faturamento que é repassado à administradora do tíquete, sendo que apenas 1% integraria o faturamento do estabelecimento comercial. Novamente, o recorrente não juntou documentos que comprovam suas alegações. Além do mais, tratase de empresa que exerce atividade de lanchonete, casa de chá ou similar, logo, a forma de pagamento, recebimento de tíquete de alimentação/refeição, dos adquirentes pelos serviços do recorrente condiz com seu objeto social. Dos extratos bancários (fls. 75/77 e 458/459), constatase a ocorrência de diversos valores creditados pelas empresas administradoras de valerefeição (SODEXHO Fl. 888DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2012 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 21/09/2012 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 24/09/2012 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digit almente em 04/12/2012 por WALDIR VEIGA ROCHA 14 PASS B.S.C., TICKET SERVIÇOS S.A., VR VALES LTDA, e BÔNUS BRASIL SERVIÇOS DE ALIMENTOS LTDA, totalizando o crédito de R$ 3.864.016,45 e de R$ 1.251.457,54). Logo, os depósitos bancários realizados pelas empresas administradoras de valerefeição foram realizados a título de fornecimento de refeições, integrando a receita bruta do recorrente, constituindose em prova direta da omissão de receitas, haja vista que o recorrente juntou declarações de inatividade nos anos calendários de 2003 e 2004. Para o lançamento tributário do anocalendário de 2003, sob o regime tributário do SIMPLES, o valor devido mensalmente é determinado mediante a aplicação sobre a receita bruta mensal auferida, nos termos do art. 5º, da Lei n. 9.317/96. Sendo legal o valor dos créditos tributários apurados: Art. 5º. O valor devido mensalmente pela microempresa e empresa de pequeno porte, inscritas no SIMPLES, será determinado mediante a aplicação, sobre a receita bruta mensal auferida, dos seguintes percentuais: No caso do lançamento tributário realizado no anocalendário de 2004, o lucro foi devidamente arbitrado, nos termos do art. 532, do RIR/99, pois o recorrente não apresentou os livros contábeis e fiscais, conforme determinação do art. 530, do RIR/99: Art. 532. O lucro arbitrado das pessoas jurídicas, observado o disposto no art. 394, § 11, quando conhecida a receita bruta, será determinado mediante a aplicação dos percentuais fixados no art. 519 e seus parágrafos, acrescidos de vinte por cento (Lei nº 9.249, de 1995, art. 16, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 27, inciso I). Art. 530. O imposto, devido trimestralmente, no decorrer do anocalendário, será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado, quando (Lei nº 8.981, de 1995, art. 47, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 1º): I o contribuinte, obrigado à tributação com base no lucro real, não mantiver escrituração na forma das leis comerciais e fiscais, ou deixar de elaborar as demonstrações financeiras exigidas pela legislação fiscal; II a escrituração a que estiver obrigado o contribuinte revelar evidentes indícios de fraudes ou contiver vícios, erros ou deficiências que a tornem imprestável para: a) identificar a efetiva movimentação financeira, inclusive bancária; ou b) determinar o lucro real; III o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o Livro Caixa, na hipótese do parágrafo único do art. 527; IV o contribuinte optar indevidamente pela tributação com base no lucro presumido; V o comissário ou representante da pessoa jurídica estrangeira deixar de escriturar e apurar o lucro da sua atividade Fl. 889DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2012 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 21/09/2012 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 24/09/2012 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digit almente em 04/12/2012 por WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 19515.008004/200820 Acórdão n.º 1302000.959 1ª Seção S1C3T2 Fl. 8 15 separadamente do lucro do comitente residente ou domiciliado no exterior (art. 398); VI o contribuinte não mantiver, em boa ordem e segundo as normas contábeis recomendadas, Livro Razão ou fichas utilizados para resumir e totalizar, por conta ou subconta, os lançamentos efetuados no Diário. No presente caso, a análise dos custos do recorrente é irrelevante, afinal, tanto no regime tributário do SIMPLES quanto no arbitramento do lucro, não se admite a dedução dos custos para a constatação do lucro. Diante de todo o exposto, não obstante os argumentos trazidos pelo recorrente quanto à tributação de omissão de receitas com base em créditos bancários de origem não justificada, nego provimento ao recurso, haja vista que o recorrente mesmo intimado não juntou documentos que comprovassem: a origem dos créditos bancários mediante documentação hábil e idônea; a existência de valores creditados por administradores de valerefeição em contascorrentes pertencentes ao recorrente que possui como objeto social a atividade de lanchonete/restaurante; e a apresentação de declaração de inatividade. Fica caracterizada, portanto, a omissão de receitas. 2.2 Do Ato de Exclusão do Simples. O recorrente alega que o Ato de Exclusão do SIMPLES é ilegal, pois se encontra sob discussão administrativa, pendente de decisão transitada em julgada. Não assiste razão ao recorrente quanto a este argumento. Como visto acima, os lançamentos tributários mostraramse totalmente procedentes e a declarada falta de sinais exteriores de riqueza da manifestante não encontra respaldo na legislação tributária que possa lhe ser favorável a ponto de afastar o ato de exclusão do regime tributário do SIMPLES, inclusive sendo constatada a existência de receita bruta acumulada superior ao limite permitido para o SIMPLES, no anocalendário 2003, no montante de R$ 3.864.016,45, nos ditames do art. 9º, I e II, da Lei n. 9.317/96. Art. 9° Não poderá optar pelo SIMPLES, a pessoa jurídica: I na condição de microempresa que tenha auferido, no anocalendário imediatamente anterior, receita bruta superior a R$ 240.000,00 (duzentos e quarenta mil reais); II na condição de empresa de pequeno porte que tenha auferido, no anocalendário imediatamente anterior, receita bruta superior a R$ 2.400.000,00 (dois milhões e quatrocentos mil reais); Portanto, considero procedente o ato declaratório de exclusão do Simples, razão pela qual nego provimento ao recurso. Fl. 890DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2012 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 21/09/2012 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 24/09/2012 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digit almente em 04/12/2012 por WALDIR VEIGA ROCHA 16 2.3. Da Aplicação da Multa de Ofício correspondente a 150% do Valor do Tributo. O recorrente alega que a multa de ofício de 150% sobre o valor do tributo deve ser totalmente cancelada por configurar situação abusiva e confiscatória, violando o disposto no art. 5º, XXII, e art. 150, IV, ambos da Constituição Federal. Não assiste razão ao recorrente quanto a este argumento. De acordo com a Súmula n. 2 do CARF: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade da lei tributária.” Assim, imcompetente é o CARF para analisar se a multa de ofício de 150% sobre o valor do tributo imposto é abusiva e confiscatória, violando o disposto no art. 5º, XXII, e art. 150, IV, ambos da Constituição Federal. Portanto, nego provimento ao recurso nesta parte. 2.4. Dos Juros Moratórios sobre a Multa de Ofício. Passo a análise da possibilidade de incidência de juros moratórios sobre a multa de ofício, o que inicialmente convém relembrar, também necessita de expressa previsão legal para que possa ser exigida. Vejamos trecho do auto de infração que expressamente dispôs sobre a multa a ser aplicada e os fundamentos de sua aplicação bem como da incidência dos juros moratórios (fls. 115): Apenas a título explicativo, o mencionado art. 44, II da lei 9430/96, à época dos fatos previa a aplicação da multa de ofício majorada de 150% e não a multa isolada como atualmente prevê. Desta forma, conforme explicitado pela DRJ a multa aplicada no presente caso se trata da multa de ofício, atualmente prevista no art. 44, I da lei 9430/96, majorada pelo seu § 1º. Fl. 891DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2012 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 21/09/2012 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 24/09/2012 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digit almente em 04/12/2012 por WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 19515.008004/200820 Acórdão n.º 1302000.959 1ª Seção S1C3T2 Fl. 9 17 O Decreto 70.235/72 estabelece, em âmbito federal, linhas procedimentais, notadamente de caráter formalizatório, que devem ser seguidas pela administração tributária, em sua autuação fiscalizatória. Tal diploma dispõe sobre os requisitos formais do auto de infração fiscal, em seu art. 10 e incisos, in verbis: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. As exigências acima previstas decorrem do Princípio da Estrita Legalidade, uma vez que ao Fisco não cabe impor qualquer ônus ou imposições ao particular sem que haja expressa previsão legal. Logo, determinada previsão deve estar expressamente identificada e demonstrada no termo de verificação. A inexistência ou referência errônea dos fundamentos legais dos lançamentos colocam em risco Princípios Constitucionais, como Ampla Defesa e o Contraditório, ou seja, é uma garantia ao contribuinte de que ele terá plena ciência do objeto de sua autuação para que exerça seu direito de defesa e de interposição de recursos cabíveis. Inclusive, este Egrégio Conselho tem pacificado tal posicionamento conforme os seguintes acórdãos: NULIDADE DOS AUTOS DE INFRAÇÃO. PRETERIÇÃO DO DIREITO DE DEFESA. NÃO OCORRÊNCIA. Não verificado que houve preterição do direito de defesa, descabe falar em nulidade dos autos de infração. Não enseja nulidade do lançamento quando presentes os elementos do art. 10 do Decreto nº 70.235, de 1972 e alterações. (CARF – 1ª Seção – 2ª C. – 2ª TO – Rel. Carlos Alberto Donassolo, j. 28 de junho de 2011) Fl. 892DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2012 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 21/09/2012 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 24/09/2012 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digit almente em 04/12/2012 por WALDIR VEIGA ROCHA 18 Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL LANÇAMENTO – NULIDADE Não é nulo o auto de infração, lavrado com observância do art. 142 do CTN e 10 do Decreto 70.235 de 1972, quando a descrição dos fatos e a capitulação legal permitem ao autuado compreender as acusações que lhe foram formuladas no auto de infração, de modo a desenvolver plenamente suas peças impugnatória e recursal.(1º CC – 2ª C. – Rel.José Antonio Praga de Souza, j. 04 de julho de 2007) PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL NULIDADES ERRO FORMAL Carece de sustentação alegação de nulidade de autuação por erro formal quando esta formaliza os fundamentos legais da exigência. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA Não caracteriza cerceamento do direito de defesa carecerem de apreciação unitária eventuais argumentos meramente alegatórios relativos a matéria fática, ao desamparo de qualquer prova documental, quer trazida aos autos pelo contribuinte, quer acostada ao feito pelo autuante. (1º CC – 4ª C. – Rel. Roberto Willian Gonçalves Acórdão n° 104 18.215, j. 21 de Agosto de 2001) PROCESSUAL. LANÇAMENTO. AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. É nulo o Auto de Infração lavrado pela repartição fiscal quando não atenda aos requisitos estabelecidos no art. 10, do Decreto n° 70.235/72. Nulidade declarada de oficio. ACOLHIDA A PRELIMINAR DE NULIDADE DO PROCESSO A PARTIR DO AUTO DE INFRAÇÃO. (3º CC – 2 C. – Rel. Paulo Roberto Cuco Antunes, j. 09 de setembro de 2003) LANÇAMENTO NULIDADE Não é nulo o auto de infração lavrado com observância do art. 142, do CTN e 10 do Decreto 70.235 de 1972, quando a descrição dos fatos e a capitulação legal permitem ao autuado compreender as acusações que lhe foram formuladas no auto de infração, de modo a desenvolver plenamente suas peças impugnatória e recursal. (1º CC – 4ª C – Rel. Gustavo Lian Haddad, j. 22 de janeiro de 2008) Sobre tal exigência, Leandro Paulsen é direto ao afirmar a necessidade da menção expressa ao requisito legal que serve de fundamento para o lançamento, neste incluindo o tributo a ser lançado bem como as multas e juros incidentes. Segundo o nobre autor, [...] a tentativa de relacionar dispositivos impertinentes à infração específica pode macular de nulidade o auto de infração. Noutros, são indicados apenas dispositivos regulamentares (do Regulamento do IPI ou Fl. 893DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2012 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 21/09/2012 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 24/09/2012 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digit almente em 04/12/2012 por WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 19515.008004/200820 Acórdão n.º 1302000.959 1ª Seção S1C3T2 Fl. 10 19 do Regulamento do Imposto de Renda, por exemplo), sem a indicação do fundamento de lei ordinária, lei complementar ou medida provisória; nunca, de normas complementares como é o caso de Decretos, Instruções Normativas, Portarias e outros afins, todos infralegais. Neste caso, também, é nulo o auto de infração porque não há indicação do fundamento legal.1 Neste sentido, ao julgar o presente acórdão me atenho à análise dos fatos e fundamentos jurídicos expressamente apresentados no auto de infração, sendo este o ato administrativo que efetivamente constitui o crédito tributário. Com base na fundamentação legal utilizada pelo auditor fiscal (fls. 115, 122, 129, 136) percebese que o dispositivo utilizado para a aplicação dos juros de mora foi o art. 61, § 3º da lei 9430/96, in verbis: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Ora, a existência de fundamento legal e sua previsão no auto de infração é exatamente o ponto da discussão em relação à possibilidade de incidência da correção sobre a multa aplicada. O art. 61, § 3º da lei 9430/96 foi usado como dispositivo legal para fundamentar à incidência de juros de mora sobre a multa de ofício, o que deve ser 1 PAULSEN, Leandro. Direito Processual Tributário: processo administrativo fiscal e execução fiscal à luz da doutrina e da jurisprudência. Porto Alegre: Livraria do Advogado Editora, 2003, p. 29. Fl. 894DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2012 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 21/09/2012 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 24/09/2012 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digit almente em 04/12/2012 por WALDIR VEIGA ROCHA 20 profundamente refletido, uma vez que, novamente uma simples e superficial leitura, nos levaria a uma interpretação dissonante da verdadeira. A interpretação que frequentemente é dada pelos auditores fiscais e é corroborada pelos nobres julgadores administrativos das delegacias regionais, é que o § 3º, ao mencionar o termo débitos, estaria se referindo tanto ao tributo quanto à multa (moratória e de ofício). Em outras palavras, os juros de mora previstos no § 3º do art. 61, segundo tal linha de pensamento, deveriam ser aplicados aos débitos referidos no caput do artigo, qual seja tanto o tributo quanto a própria multa de mora ou de ofício. Interpretação equivocada. Assim, divido esta tese em dois pontos: primeiro, se no conceito do art. 61, no termo legal “débitos decorrentes de tributos e contribuições” está inclusa a multa (sanção de ato ilícito); segundo, se houver referida inclusão, que tipo de multa (moratória, isolada ou de ofício) se trata. Vamos à primeira ponderação, e ela começa com algumas perguntas: a) Qual a correta interpretação da amplitude do conceito de “débitos decorrentes de tributo”, referido no caput do art. 61 da lei 9430/96? b) Ao dizer débito, o legislador se referiu ao tributo somente ou a este já somado o valor da possível multa (sanção) incidente? c) E a principal delas: se o intuito do legislador foi considerar débito como o valor do tributo já acrescido da multa de mora, por que no caput ele foi expresso em acrescentar o trecho “acrescidos de multa de mora” e no § 3º entendeu ser desnecessário tal informação? Com a cautela devida, a resposta de tais perguntas deve advir de um cuidadoso processo hermenêutico que se inicia com a apresentação do conceito de “débitos decorrentes de tributo”, uma vez que este é o termo utilizado pelo legislador no texto legal do caput do art. 61 da lei 9430/96. Prevê o art. 3º do CTN, “tributo é toda prestação pecuniária compulsória, em moeda ou cujo valor nela se possa exprimir, que não constitua sanção de ato ilícito, instituída em lei e cobrada mediante atividade administrativa plenamente vinculada”. A multa moratória decorre não do tributo em si, mas do descumprimento da obrigação prevista na legislação tributária (ato ilícito). O tributo decorre do fato gerador. Logo, Fl. 895DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2012 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 21/09/2012 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 24/09/2012 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digit almente em 04/12/2012 por WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 19515.008004/200820 Acórdão n.º 1302000.959 1ª Seção S1C3T2 Fl. 11 21 o débito decorrente de tributo é o resultado da relação entre base de cálculo e a alíquota (originária da regra matriz). Ao utilizar o termo débitos, no § 3º não se referiu a tributo “e” multa, mas simplesmente ao valor do tributo em si (débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições). Tal conclusão é confirmada pelo próprio caput, onde o legislador faz a referida menção expressa. Em outras palavras, no caput do art. 61 da lei 9630/96 o legislador usou a palavra “débitos” se referindo somente a tributos, o que mais claro fica quando temos débitos decorrentes de tributos e contribuição, e não sanção de atos ilícitos. No entanto, no § 3º, onde não havia sua intenção de prever a multa, o legislador nada fez. Não por lapso, não por má técnica legislativa, simplesmente por assim entender que não era cabido. Desta forma, a “mens legis” do § 3º do art. 61 da lei 9.430/96 é de que o termo débito se refere somente ao tributo a ser pago, excluída a multa, pois esta vem prevista logo em seguida. Se o termo débito se referisse a tributo e multa não haveria necessidade do legislador repetir o termo “multa de mora” logo em seguida ao termo “débitos decorrentes de tributo”. A expressão “débitos decorrentes de tributo”, previsto no artigo 61, somente pode ser assim entendido: a) A expressão “débitos decorrentes de tributos” é igual a tributos, pois o tributo em si pode ser acrescido de multa de mora; (segunda parte do caput). Ao contrário, se a expressão “débitos decorrentes de tributos” for igual a tributo mais multa, como poderia a segunda parte do caput acrescer a isto, novamente, multa moratória? Porém, mesmo que entendêssemos, a título argumentativo, que dentro do conceito do art. 61, na definição de “débitos decorrentes de tributos e contribuições” está presente alguma espécie de multa, esta deve ser a moratória, vez que há a expressão “serão acrescidos de multa de mora”. Nunca, em momento algum, cita multa de ofício. Fl. 896DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2012 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 21/09/2012 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 24/09/2012 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digit almente em 04/12/2012 por WALDIR VEIGA ROCHA 22 O referido dispositivo, como já foi explicitado anteriormente tem como objeto somente as multas de mora e não as multas de ofício. Convém uma nova análise: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Aliás, quais “débitos a que se refere este artigo” podem ser “acrescidos de multa de mora”? Somente os confessados e não pagos, ou seja, declarados em DCTF, GFIP ou parcelados. Nunca um débito originário de um auto de infração que é objeto de análise por este colegiado. Assim este dispositivo legal, art. 61 e seu §3º, da lei 9.430/96, foram criados para débitos confessados e não pagos e não para débitos objeto de lançamento de ofício. O texto legal, em seu caput, é claro ao indicar que “os débitos” aos quais o § 3º se refere serão acrescidos de multa de mora. Em nenhum momento, o legislador se refere à multa de ofício ou qualquer outra espécie de multa. Portanto, o disposto no art. 61 da lei 9430/96, ainda que se entendesse pela possibilidade da incidência de juros de mora sobre a multa, o que não é o caso, seria apenas aceitável sobre a multa de mora e nunca sobre a multa de ofício por evidente carência de previsão legal. Ora, outro entendimento seria desvirtuar não só o “espírito da lei” como seu próprio “corpo físico”, vez que a única multa, expressamente prevista no art. 61, caput da lei 9.430/96 é a multa de mora (débitos declarados e não pagos). Seria impensável confundir multa moratória (sanção pelo atraso) e multa de ofício. Fl. 897DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2012 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 21/09/2012 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 24/09/2012 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digit almente em 04/12/2012 por WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 19515.008004/200820 Acórdão n.º 1302000.959 1ª Seção S1C3T2 Fl. 12 23 Outro dispositivo utilizado frequentemente para aplicar os juros moratórios à multa de ofício, é o art. 161, § 1º do Código Tributário Nacional, como suposto fundamento legal autorizador da incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício. Entendo que não há possibilidade para tanto, uma vez que o § 1º dispõe que há necessidade de existência de lei, pela expressão “Se a lei não dispuser de modo diverso”. Então, precisa de lei dispondo favoravelmente, porém que fixe ou não indexador. Mas, enfim precisa de lei complementar. Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. (g.n.) § 1º Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. § 2º O disposto neste artigo não se aplica na pendência de consulta formulada pelo devedor dentro do prazo legal para pagamento do crédito. Logo, é equivocado, data máxima vênia, o entendimento no sentido da fundamentação da incidência de juros moratórios com os artigos 61, § 3º da lei 9430/96 e art. 161 do CTN, acima referidos, nos casos da multa originária de lançamento de ofício. Não há dúvida, de que tal incidência de correção sobre a multa de ofício carece de previsão legal. Por fim, entendo que não há possibilidade alguma de aplicação de juros moratórios em relação à multa de ofício no presente caso, uma vez que não há previsão legal, no dispositivo utilizado pelo auditor fiscal, para a aplicação (art. 61, § 3º da lei 9.430/96), e nem subsidiariamente o art. 161 do CTN, que se quer foi utilizado pelo auditor fiscal como fundamento para o lançamento. 2.5. Da Taxa Selic. Finalmente, cumpre apreciar o questionamento da recorrente acerca da aplicabilidade da taxa SELIC para o cálculo dos juros de mora. A matéria já foi inúmeras vezes discutida por este Colegiado, bem assim pelo extinto Primeiro Conselho de Recorrentes e por este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, e se encontra pacificada, a ponto de resultar na súmula nº 4, a seguir reproduzida: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. As Súmulas CARF foram consolidadas pela Portaria CARF nº 49, de 01/12/2010 (DOU de 07/12/2010), de observância obrigatória por este Colegiado, por força do art. 72 do Anexo II do Regimento Interno em vigor. Fl. 898DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2012 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 21/09/2012 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 24/09/2012 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digit almente em 04/12/2012 por WALDIR VEIGA ROCHA 24 Por amor à clareza, trago à colação às disposições do art. 161, § 1º, do CTN (grifos não constam do original): Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1º Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. Ocorre que a Lei nº 9.430/1996, em seu artigo 61, § 3º, conjugado com o art. 5º, § 3º, veio a dispor de modo diverso, estabelecendo a aplicação de juros equivalentes à taxa SELIC sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos não pagos, nos seguintes termos (grifos não constam do original): Art. 5º O imposto de renda devido, apurado na forma do art. 1º, será pago em quota única, até o último dia útil do mês subseqüente ao do encerramento do período de apuração. [...] § 3º As quotas do imposto serão acrescidas de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, para títulos federais, acumulada mensalmente, calculados a partir do primeiro dia do segundo mês subseqüente ao do encerramento do período de apuração até o último dia do mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês do pagamento. [...] Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. [...] § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês do pagamento. Não acolho, pois, o pedido de desconsideração dos valores decorrentes da aplicação da taxa SELIC. Em conclusão, nego provimento ao recurso voluntário. 2.6. Da Decadência. Primeiramente, insta esclarecer que a decadência é matéria de ordem pública e, como tal, pode ser analisada de ofício e a qualquer tempo. Fl. 899DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2012 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 21/09/2012 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 24/09/2012 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digit almente em 04/12/2012 por WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 19515.008004/200820 Acórdão n.º 1302000.959 1ª Seção S1C3T2 Fl. 13 25 Nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo decadencial tem a seguinte aplicação: a) 05 (cinco) anos a contar da ocorrência do Fato Gerador, nos casos em que há pagamento parcial do tributo, ou ocorra lançamento do tributo pelo recorrente (declaração específica ou confissão DCTF). Com fundamento no art. 150 §4º CTN. b) 05 (cinco) anos a contar do primeiro dia do exercício seguinte que o lançamento poderia ter sido efetuado, quando não ocorra pagamento ou lançamento a ser homologado, nos termos da regra geral prevista no art. 173, I do CTN. O Superior Tribunal de Justiça já pacificou este entendimento, através de decisão em recurso repetitivo. PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, Fl. 900DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2012 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 21/09/2012 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 24/09/2012 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digit almente em 04/12/2012 por WALDIR VEIGA ROCHA 26 sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. No caso concreto, tratase de tributo sob o regime tributário do SIMPLES para o qual a lei claramente estipula o dever mensal de pagamento. Compulsando os autos, não encontro prova de que esse dever tenha sido cumprido, nem de que qualquer débito tenha sido previamente declarado à administração tributária. Inclusive repito que o recorrente apresentou Declaração de Inatividade para os anoscalendário de 2003 e 2004 (fls. 70/455), portanto, plenamente aplicável a regra geral do art. 173, I, do CTN. a) Débitos do Simples do anocalendário 2003: neste caso o primeiro fato gerador mensal se deu com base em Janeiro/2003 e o último em Dezembro/2003, começando a fluir a Decadência em 01/01/2004 e vencendo em 31/12/2008, ou seja, 5 (cinco) anos a contar do primeiro dia do exercício seguinte ao que o Lançamento Poderia ser efetivado. A ciência do lançamento tributário se deu em 08/12/2008 (fls. 117 e 118), assim, constato que tais fatos geradores (anocalendário 2003) não foram alcançados pela decadência. Já para o Ano de 2004, temse a mesma situação: a) Débitos de PIS e COFINS ano de 2004: neste caso o primeiro fato gerador mensal se deu com base em janeiro/2004 e o último em dezembro/2004, começando a fluir a decadência em 01/01/2005 e vencendo em 31/12/2009, ou seja, 5 (cinco) anos a contar do primeiro dia do exercício seguinte ao que o lançamento poderia ser efetivado. Fl. 901DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2012 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 21/09/2012 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 24/09/2012 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digit almente em 04/12/2012 por WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 19515.008004/200820 Acórdão n.º 1302000.959 1ª Seção S1C3T2 Fl. 14 27 b) Débitos de Imposto de Renda e Contribuição Social do ano de 2004: Neste caso o primeiro fato gerador mensal se deu com base em 31/12/2004, e o lançamento poderia se dar apenas em 01/01/2005, começando a fluir a decadência em 01/01/2006, com termo em 31/12/2010, ou seja, 5 (cinco) anos a contar do primeiro dia do exercício seguinte ao que o lançamento poderia ser efetivado. Porém, neste caso, a ciência do lançamento tributário se deu em 26/05/2009 (fls. 519/520), assim, constato que o lançamento do IRPJ e da CSLL (anocalendário 2004) não foi alcançado pelo instituto da decadência. Portanto, constato que os créditos tributários, no presente processo administrativo, não foram alcançados pela decadência. 3. DISPOSITIVO Ante ao exposto, voto no sentido de dar parcial provimento ao recurso voluntário para afastar a incidência de juros moratórios com base na taxa SELIC sobre a multa de ofício, nos termos do relatório e voto. Marcio Rodrigo Frizzo – Relator Fl. 902DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2012 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 21/09/2012 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 24/09/2012 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digit almente em 04/12/2012 por WALDIR VEIGA ROCHA 28 Voto Vencedor Conselheiro Eduardo de Andrade, Redator Designado. Neste julgado, manifestou o ilustre Conselheiro Relator Márcio Rodrigo Frizzo seu posicionamento no sentido de que o art. 61, e seu §3º da Lei nº 9.430/96 não se prestam a supedanear a incidência de juros de mora, calculados à taxa Selic, sobre multa de ofício lançada. Não obstante estar tal posição escorada em valiosos fundamentos, o colegiado divergiu, por voto de qualidade, seguindo o entendimento de que a cobrança efetuada nestes termos é legal, e, no caso vertente, devida. É neste mesmo diapasão que, designado para redigir o voto vencedor, manifesto meu entendimento no sentido da legalidade da referida cobrança com base nos argumentos abaixo expendidos. Dispõe expressamente o art. 61 da Lei nº 9.430/96 (abaixo descrito) que os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, não pagos nos prazos previstos, serão acrescidos de multa de mora. Prescreve, ademais, o §3º que sobre tais débitos (a que se refere o artigo) incidirão juros de mora calculados à taxa Selic (nos moldes do §3º do art5º), exceto no mês do pagamento (em que é cobrado o percentual de 1%). Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. (Vide Lei nº 9.716, de 1998) Ora, a expressão débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições no caso de crédito tributário constituído por auto de infração há de incluir necessariamente os tributos e contribuições lançados, mas também a multa de ofício lançada. Fl. 903DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2012 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 21/09/2012 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 24/09/2012 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digit almente em 04/12/2012 por WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 19515.008004/200820 Acórdão n.º 1302000.959 1ª Seção S1C3T2 Fl. 15 29 Em primeiro lugar, porque a multa de ofício efetivamente decorre de tributo ou contribuição, ou mais especificamente, do inadimplemento relativo a seu recolhimento, que pode estar cumulado ou não com alguma situação que agrave este mero fato, como a existência de dolo, fraude ou simulação, ou mesmo de desatendimento de requisição formulada pela autoridade fiscal para prestação de esclarecimentos. Em segundo lugar, porque o débito para com a União decorrente de tributo e contribuição é débito tributário, ou seja, consigna o dever do sujeito passivo com a União equivalente, em termos patrimoniais, ao direito da União para com ele, denominado crédito tributário. E o crédito tributário, consoante nossa legislação, além de incluir a penalidade pecuniária, deve ser corrigido por juros de mora calculados à taxa Selic, consoante prescreve a nossa legislação. Vejamos. O conceito de débito ligase invariavelmente ao âmbito obrigacional, sendo este um dos elementos constitutivos da obrigação. Washington de Barros Monteiro2 assenta que o vínculo jurídico, como elemento constitutivo da obrigação, se divide em vínculo espiritual, constituído pelo comportamento de satisfazer pontualmente a obrigação, e material, constituído pelo poder que a lei dá ao credor que não foi satisfeito, de acionar o devedor, promovendo a execução forçada de seus bens. Tais conceitos equivalem ao que os juristas alemães denominaram Schuld (dever de prestar) e Haftung (responsabilidade). No caso da obrigação tributária, a doutrina não divergiu de tais escólios. Paulo de Barros Carvalho3 consignou que a obrigação tributária é relação jurídica de cunho patrimonial, envolvendo sujeito ativo, titular do direito subjetivo de exigir a prestação, sujeito passivo, cometido do dever de cumprila, instalada a contar de um enunciado factual, situado no conseqüente de uma norma individual e concreta, juntamente com a constituição do fato jurídico tributário. Diz, ainda, o eminente jusfilósofo que o direito subjetivo de que está investido o sujeito ativo de exigir a prestação (crédito) pode ser representado por um vetor com a mesma direção, mas de sentido contrário àquele que representa o dever subjetivo (dever jurídico) de cumprir a prestação (débito). Assim, resulta disso que o débito para com a União (tributário) corresponde em valor patrimonial ao crédito tributário a que faz jus aquela. E este crédito é relativo ao direito da União contra o sujeito passivo, mas está umbilicalmente vinculado ao débito do sujeito passivo contra a União, que é seu dever de adimplir o crédito tributário (representados por vetores de mesma direção e sentido contrário) Pois bem. Com tais conclusões, devemos passar à leitura do direito tributário entre nós positivado para ver que o legislador efetivamente incluiu em tal conceito a noção de penalidade pecuniária. A primeira demonstração disto é encontrada no art. 113 do CTN, em que é dito que a obrigação tributária principal tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade tributária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. Ora, de tal preceito duas assertivas devem ficar firmadas: a) a penalidade pecuniária está inserida no conceito de obrigação tributária principal; b) a extinção do crédito 2 Washington de Barros Monteiro, in Curso de Direito Civil, p.25, 37ªed. 3 Paulo de Barros Carvalho, in Direito Tributário Fundamentos Jurídicos da Incidência, 1998, Saraiva, p.180/182. Fl. 904DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2012 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 21/09/2012 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 24/09/2012 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digit almente em 04/12/2012 por WALDIR VEIGA ROCHA 30 faz extinguir também a obrigação tributária principal que a constituiu; c) por derivação lógica, se a extinção do crédito promove, também, a extinção da obrigação, então o crédito (tributário) inclui, também, os valores devidos a título de penalidade pecuniária. No art. 139 o Código, ao abrir exceções para o destino siamês de obrigação e crédito (circunstâncias que modificam o crédito, sua extensão ou efeitos ou excluem sua exigibilidade) reafirma que o crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta. Assim, de posse de tais enunciados, e dada uma primeira confirmação no próprio texto legal complementar, vêse despida de sentido a afirmação no sentido de que o crédito tributário não inclui a multa de ofício. Tal linha de pensamento é mantida no art. 142, quando, ao falar da constituição do crédito tributário, o legislador condiciona sua criação pelo lançamento, determinando à autoridade que consigne no ato administrativo a proposição da penalidade cabível. Tal penalidade cabível, como sabemos, não é simplesmente proposta mas também imposta pela autoridade lançadora no documento que constitui o lançamento, vez que não há repartição de competência entre as autoridades fiscais na hierarquia funcional quanto a este ponto. E porque mandaria o legislador incluir a penalidade incluída no lançamento – instrumento por excelência destinado à constituição do crédito tributário, se não pertencesse ao crédito tributário? A questão doutrinária relativa à inclusão da penalidade pecuniária no conceito de crédito tributário é relevante sob o ponto de vista científico. Porém, o direito positivo prescreve em sentido oposto. E não apenas pontualmente, mas em diversos pontos, todos em uníssono, conforme vimos acima. Mas há mais prescrições seguindo esta mesma linha (e, portanto, confirmações disso). O art. 201 do CTN afirma que a dívida ativa tributária é constituída pelo crédito tributário (crédito dessa natureza), depois de esgotado o prazo para cobrança administrativa. E o art. 2º da Lei de Execuções Fiscais, à semelhança do que já dispunha o art. 202 do CTN, manda incluir no termo de inscrição da Dívida ativa o valor originário da dívida tributária (o qual, portanto, contém todos os valores já consignados no crédito tributário, conforme o art. 201), bem como o termo inicial e a forma de calcular os juros de mora e demais encargos previstos em lei ou contrato. Ou seja, permite o cálculo de juros de mora sobre os valores que já constavam do crédito tributário e foram transformados em dívida ativa tributária (os quais, por óbvio, incluem a multa de ofício). Por tudo o que se disse acima, não há como insistir na alegação que a inclusão da penalidade pecuniária não foi quista pelo legislador, já que em diversos pontos tal linha prescritiva é tomada e retomada, sempre no mesmo sentido, com a efetiva inclusão da rubrica no gênero crédito tributário. A discussão científica, como disse, é relevante, mas no Estado de Direito impera a Lei, sendo a doutrina, no dizer de Paulo de Barros Carvalho4, uma sobrelinguagem em relação ao direito positivo, com função descritiva, e não prescritiva. No que tange à autorização em lei complementar para a cobrança devese lembrar que a taxa de 1% prescrita no §1º do art. 161 do CTN admite exceções, desde que veiculadas por Lei, que é a condição presente, em que o estabelecimento do cálculo à taxa Selic se dá por meio do §3º do art. 61 da Lei nº 9.430/96. 4 Paulo de Barros Carvalho, Curso de Direito Tributário, 13ªed, Saraiva, p.3 Fl. 905DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2012 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 21/09/2012 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 24/09/2012 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digit almente em 04/12/2012 por WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 19515.008004/200820 Acórdão n.º 1302000.959 1ª Seção S1C3T2 Fl. 16 31 No que tange à extensão da base de incidência dos juros, estabelece o caput do art. 161 que incidirão eles sobre o crédito (naturalmente, o tributário). Diz o preceito legal que o crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora... E como já dito e repisado acima, a expressão crédito necessariamente inclui as penalidades pecuniárias (e, portanto, a multa de ofício lançada). Assim, considerando tudo o quanto foi exposto, voto para negar provimento ao recurso nesta matéria, mantendose a cobrança dos juros, calculados à taxa Selic, sobre a multa de ofício lançada. Sala das Sessões, 07 de agosto de 2011. (assinado digitalmente) Eduardo de Andrade – Redator Designado Fl. 906DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2012 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 21/09/2012 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 24/09/2012 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digit almente em 04/12/2012 por WALDIR VEIGA ROCHA
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Numero do processo: 10940.001810/99-49
Data da sessão: Tue Jun 16 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Tue Jun 16 00:00:00 UTC 2009
Ementa: EMBARGOS DECLARATÓRIOS - Materializada a hipótese prevista no art. 41 do Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes, aprovado pela Portaria MF n° 222, de 04/09//2007, é de se acolher os embargos interpostos pelo sujeito passivo para re-ratificar o acórdão embargado.
DECADÊNCIA - IRPJ e OUTROS - A existência de prejuízos, com a
conseqüente ausência de pagamento de tributos ou contribuições, não é razão para que as exações sujeitas a lançamento por homologação tenham o prazo de decadência contado pelo art. 173 do CTN, ao invés de adotar o prazo previsto no art. 150, § 4° do mesmo Código, pois o que este dispositivo homologa é a atividade exercida pelo contribuinte.
Numero da decisão: 9101-000.186
Decisão: ACORDAM os Membros da Primeira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, ACOLHER os embargos para rerratificar o Acórdão n° CSRF/01-05.309, de 21/09/2005, para reconhecer a decadência em relação ao IRPJ, IR-FONTE, ao PIS, à CSLL e à COFINS quanto aos fatos geradores ocorridos nos meses de fevereiro a outubro de 1994, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: Carlos Alberto Gonçalves Nunes
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ementa_s : EMBARGOS DECLARATÓRIOS - Materializada a hipótese prevista no art. 41 do Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes, aprovado pela Portaria MF n° 222, de 04/09//2007, é de se acolher os embargos interpostos pelo sujeito passivo para re-ratificar o acórdão embargado. DECADÊNCIA - IRPJ e OUTROS - A existência de prejuízos, com a conseqüente ausência de pagamento de tributos ou contribuições, não é razão para que as exações sujeitas a lançamento por homologação tenham o prazo de decadência contado pelo art. 173 do CTN, ao invés de adotar o prazo previsto no art. 150, § 4° do mesmo Código, pois o que este dispositivo homologa é a atividade exercida pelo contribuinte.
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EMBARGOS DECLARATÓRIOS - Materializada a hipótese prevista no art. 41 do Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes, aprovado pela Portaria MF n° 222, de 04/09//2007, é de se acolher os embargos interpostos • pelo sujeito passivo para re-ratificar o acórdão embargado. DECADÊNCIA - IRPJ e OUTROS - A existência de prejuízos, com a conseqüente ausência de pagamento de tributos ou contribuições, não é razão para que as exações sujeitas a lançamento por homologação tenham o prazo de decadência contado pelo art. 173 do CTN, ao invés de adotar o prazo previsto no art. 150, § 4° do mesmo Código, pois o que este dispositivo homologa é a atividade exercida pelo contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da Primeira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, ACOLHER os embargos para rerratificar o Acórdão n° CSRF/01-05.309, de 21/09/2005, para reconhecer a decadência em relação ao IRPJ, IR-FONTE, ao PIS, à CSLL e à COFINS quanto ao fatos geradores ocorridos nos meses de fevereiro a outubro de 1994, nos termo s o relatório oto que passam a integrar o presente julgado. CARLOS ALBE 1 REITAS BARRETO • Presidente 1 CARLOS ALBERTO ONÇALVES NUNES Relator Processo n° 10940.001810/99-49 CSRF-T1 Acórdão n.° 9101-00.186 Fl. 2 Formalizado em: 1 SE T 20°9 Participaram, do presente julgamento, os seguintes Conselheiros: José Clóvis Alves, Leonardo Henrique M. de Oliveira (Substituto Convocado), Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, Antonio Praga, Karem Jureidini Dias, Adriana Gomes Rego, Antonio Carlos Guidoni Filho, Nelson Lósso Filho, Valmir Sandri (Substituto Convocado) e Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho (Vice-Presidente Substituto). Ausente, justificadamente o Conselheiro José Carlos Passuello. - Relatório A DRF em PONTA GROSSA-PR aponta omissão no Acórdão n° CSRF/01- 05.309, de 21/09/2005, no que se refere à decadência da CSLL e da COFINS e aos períodos alcançados pela caducidade declarada no aresto. Informa que a empresa foi autuada em relação aos meses de fevereiro a dezembro de 1994, sendo necessário também esclarecimentos sobre o alcance do aresto em relação aos meses de novembro e dezembro de 1994. É o relatório. j • • 2 Processo n° 10940.001810/99-49 CSRF-T1 Acórdão n.° 9101-00.186 Fl. 3 Voto Conselheiro CARLOS ALBERTO GONÇALVES NUNES, Relator: Os embargos tem fundamento no art. 41, e seus §§ 1° e 2°, do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Port. N° 147, de 25/06/2007 (DOU de 28/06/2007), assim redigidos: "Art. 41. Cabem embargos de declaração quando existir no acórdão • obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciar-se a Turma ou o Pleno. § 1° Os embargos de declaração poderão ser interpostos por Conselheiro da Turma ou do Pleno, pelo Procurador da Fazenda Nacional, pelo Presidente da Turma de Julgamento de primeira instância, pelo titular da unidade da administração tributária encarregada da execução do acórdão ou pelo sujeito passivo, mediante petição fundamentada, dirigida ao Presidente, no prazo de cinco dias contados da ciência do acórdão. § 2° O despacho do Presidente será definitivo se declarar improcedentes as alegações suscitadas, sendo submetido à deliberação da Turma ou do Pleno em caso contrário." A alegação da d. embargante tem procedência em relação à omissão do aresto (fls. 552) quanto à decadência da CSLL e da COFINS, uma vez que realmente o voto vencedor reporta-se às contribuições de um modo geral. E, nesse voto, o redator designado esclarece que os períodos objeto do litígio em que ocorreu a decadência foram os meses de fevereiro a outubro de 1994. Subentende-se, portanto, que a caducidade não alcançou os meses de novembro e dezembro de 1994. Outrossim, as contribuições para a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) e para a Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (COFINS), em conformidade com os arts. 149 e 195, § 4°, da Constituição Federal, têm natureza tributária, consoante decidido pelo Supremo Tribunal Federal, em Sessão Plenária, por unanimidade de votos, no RE N° 146.733-9-SÃO PAULO, o que implica na observância, dentre outras, às regras do art. 146, III, da Constituição Federal de 1988. Desta forma, a contagem do prazo decadencial dessas contribuições se faz de acordo com o Código Tributário Nacional, mais precisamente no art. 150, § 4°. Os autos de infração referentes à CSLL (fls. 337) e à COFINS (fls. 328) foram cientificados ao sujeito passivo em 29/11/99, quando já atingidos pela decadência os fatos geradores ocorridos nos meses de fevereiro a outubro de 1994, de que trata o litígio./L 3 Processo n° 10940.001810/99-49 CSRF-T1 Acórdão n.° 9101-00.186 Fl. 4 Reporto-me ao voto que proferi como redator designado do mencionado aresto, notadamente quando afirmei: "O que o CTN homologa, portanto, é o lançamento e não o pagamento. "É o procedimento que tanto pode apontar lucro, resultado nulo, ou prejuízo. Se o citado art. 150, § 40, homologasse apenas o pagamento teria dito "homologado o pagamento" e não "homologado o lançamento", como diz o texto acima transcrito. Ademais aquele entendimento ainda se prestaria a outras discussões. Qual o pagamento que o dispositivo homologaria ? O declarado e pago pelo contribuinte, ou o pretendido pelo fisco ? Entendo que a lei nacional homologa o procedimento." Assim, voto no sentido de rerratificar o Acórdão n° CSRF/01-05.309, de 21 de setembro de 2005, para reconhecer a decadência em relação ao IRPJ, ao IR-FONTE, ao PIS, à COFINS e à CSLL em relação aos meses de fevereiro a outubro de 1994, de que trata o litígio. Sala das Sessões,.16 de junho de 2009. 40, CARLOS ALBERTO GONÇALVES NUNES )4e' 4
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Numero do processo: 19515.001180/2006-79
Data da sessão: Fri Oct 30 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Fri Oct 30 00:00:00 UTC 2009
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF
Exercício: 2004
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM DOS CRÉDITOS. TRIBUTAÇÃO.
Os depósitos cuja origem for comprovada devem ser tributados segundo a legislação específica. Contudo, por falta de previsão legal a origem dos depósitos comprovados não pode ser estendida aos demais depósitos.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOAS FÍSICAS.
Para prevalecer a omissão de rendimentos recebidos de pessoas físicas deve restar inequivocamente comprovado nos autos o recebimento dos correspondentes rendimentos, não se admitindo a tributação por presunção.
MULTA ISOLADA E MULTA DE OFÍCIO. CONCOMITÂNCIA. IMPOSSIBILIDADE.
A multa isolada não pode ser exigida concomitantemente com a multa de ofício. Precedentes da 2a Câmara e da Câmara Superior de Recursos Fiscais.
Numero da decisão: 2102-000.370
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar parcial provimento ao recurso para excluir da tributação os depósitos não comprovados relativos às contas-correntes n°s. 12.474-5 do Banco do Brasil e 2035859-2 do Banco Real, cujo somatório perfaz, no ano-calendário 2003, a quantia de R$ 260.462,33, e cancelar a multa isolada do carnê-leão. Vencida a Conselheira Núbia Matos Moura (relatora) que mantinha a multa isolada do carnê-leão. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Rubens Mauricio Carvalho.
Matéria: IRPF- ação fiscal - omis. de rendimentos - PF/PJ e Exterior
Nome do relator: Núbia Matos Moura
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Numero do processo: 10925.000471/2005-62
Data da sessão: Tue Jan 17 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Apr 09 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2001, 2002, 2003, 2004
Arbitramento. Ausência de Escrituração Contábil e Fiscal
Tendo sido a empresa excluída do Simples em decisão definitiva da qual não cabe mais recurso na esfera administrativa, fica sujeita às normas de apuração destinadas às demais pessoas jurídicas em geral. Deixando de apresentar documentação contábil e fiscal mínima obrigatória para apuração de seus resultados com base no Lucro Real ou Presumido, justifica-se o arbitramento.
Numero da decisão: 1801-000.830
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
______________________________________
Ana de Barros Fernandes Presidente
(assinado digitalmente)
______________________________________
Maria de Lourdes Ramirez Redatora Designada
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Jaci de Assis Junior, Marcos Vinicius Barros Ottoni, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Magda Azario Kanaan Polanczyk, Edgar Silva Vidal e Ana de Barros Fernandes.
Nome do relator: MAGDA AZARIO KANAAN POLANCZYK
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2001, 2002, 2003, 2004 Arbitramento. Ausência de Escrituração Contábil e Fiscal Tendo sido a empresa excluída do Simples em decisão definitiva da qual não cabe mais recurso na esfera administrativa, fica sujeita às normas de apuração destinadas às demais pessoas jurídicas em geral. Deixando de apresentar documentação contábil e fiscal mínima obrigatória para apuração de seus resultados com base no Lucro Real ou Presumido, justifica-se o arbitramento.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) ______________________________________ Ana de Barros Fernandes Presidente (assinado digitalmente) ______________________________________ Maria de Lourdes Ramirez Redatora Designada Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Jaci de Assis Junior, Marcos Vinicius Barros Ottoni, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Magda Azario Kanaan Polanczyk, Edgar Silva Vidal e Ana de Barros Fernandes.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1904; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1TE01 Fl. 2 1 1 S1TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10925.000471/200562 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1801000.830 – 1ª Turma Especial Sessão de 17 de janeiro de 2012 Matéria AI IRPJ Recorrente L. J. FERRARESE Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2001, 2002, 2003, 2004 ARBITRAMENTO. AUSÊNCIA DE ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL E FISCAL Tendo sido a empresa excluída do Simples em decisão definitiva da qual não cabe mais recurso na esfera administrativa, fica sujeita às normas de apuração destinadas às demais pessoas jurídicas em geral. Deixando de apresentar documentação contábil e fiscal mínima obrigatória para apuração de seus resultados com base no Lucro Real ou Presumido, justificase o arbitramento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) ______________________________________ Ana de Barros Fernandes – Presidente (assinado digitalmente) ______________________________________ Maria de Lourdes Ramirez – Redatora Designada Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Jaci de Assis Junior, Marcos Vinicius Barros Ottoni, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Magda Azario Kanaan Polanczyk, Edgar Silva Vidal e Ana de Barros Fernandes. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 5. 00 04 71 /2 00 5- 62 Fl. 1112DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 06/12/ 2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES 2 Relatório Cuidase de recurso voluntário interposto contra decisão da 3ª Turma da DRF em Florianópolis que manteve integralmente as exigências consubstanciadas nos autos. Contra a empresa L J FERRARESE ME, CNPJ 03.280.023/000195, foram lavrados autos de infração correspondente a quatro tributos, a saber: IRPJ,CSLL,COFINS, PIS, no valor total de R$ 424.381,66, incluídos principal , multa de ofício agravada (112,5%) e juros de mora. Relata a auditoria fiscal que a empresa havia sido excluída do Simples, em 2003, com efeitos retroativos a 01/01/2001.e não comprovou a possibilidade de ser tributada pelo Lucro Real ou pelo Lucro Presumido e não teriam sido apresentados documentos/livros de manutenção obrigatória. Por tal motivo foi formalizado o arbitramento do lucro dos anos de 2001, 2002, 1º trimestre de 2003 e 2º trimestre de 2004, tomandose por base a receita bruta conhecida. Inconformado, o empresário apresentou impugnações individuais, embora de idêntico teor, por tributo/contribuição, como segue: fls. 410 a 511, 512 a 605, 608 a 704 e 705 a 803 (IRPJ), em que articula os argumentos preliminares e de mérito. A Turma Julgadora de 1ª Instância manteve integralmente as exigências. Notificada da decisão, em 11/07/2008, e, irresignada, apresentou a interessada, em 12/08/2008 recurso voluntário no qual reprisa os argumentos vertidos na impugnação. Em síntese aduz: a nulidade do lançamento diante da irregularidade no procedimento fiscal de exclusão do contribuinte do Simples, destacando que foi em razão de ter sido excluído ex officio do Simples que originou “todo o problema ora constatado nas declarações feitas pelo contribuinte” e com efeito ensejou o lançamento dos tributos cobrados. Aduz terem sido feridos os direitos e garantias constitucionais, discorrendo sobre a principiologia constitucional, citando artigos e incisos como o art.5º, inciso LIV. Aduz haver incongruência no procedimento fiscal porque a fazenda alega que o contribuinte não teria trazido aos autos as informações requerida e ao mesmo tempo informa que os dados foram colhidos dos livros e documentos apresentados pelo contribuinte. Requer a nulidade do auto de infração. Alega não poder haver majoração da multa de 75% para 112% no curso do processo na medida em que não pode haver reforma agravada de penalidade pecuniária. Ainda alega ser confiscatória a multa aplicada, trazendo novamente os dispositivos constitucionais como fundamento. Argúi a ilegalidade da retroação dos efeitos da exclusão do sistema SIMPLES, citando a lei 9.317/96, art.15 inciso II. Requer a declaração de nulidade; caso contrário a redução da multa aplicada; requer que a exclusão do contribuinte do SIMPLES tenha seus efeitos gerado a partir de 04042003, data da exclusão com efeito retroativo. É o relatório. Fl. 1113DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 06/12/ 2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10925.000471/200562 Acórdão n.º 1801000.830 S1TE01 Fl. 3 3 Voto Conselheira Maria de Lourdes Ramirez, Redatora Designada. Tendo em vista que a Conselheira relatora responsável pelos presentes autos, Magda Azario Kanaan Polanczyk, renunciou ao mandato de conselheira sem entregar este acórdão formalizado, fui designada para este fim, consoante despacho de fl. 106. O recurso é tempestivo. Dele tomo conhecimento. 1 Preliminar No que respeita à invocada nulidade do procedimento cumpre examinar, inicialmente, se no presente caso teriam sido observados os requisitos legais pertinentes à constituição do Crédito Tributário pela Fazenda Pública, conforme estabelecido no Decreto nº. 70.235, de 6 de março de 1972, que disciplina o Processo Administrativo Fiscal – PAF, bem como se teriam sido atendidas as exigências presentes no art. 142 do Código Tributário Nacional – CTN Lei nº. 5.172, de 1966. Esta é a redação dos dispositivos mencionados: Decreto no. 70.235/72 – PAF Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta e conterá obrigatoriamente: I – a qualificação do autuado; II – o local, a data e a hora da lavratura; III – a descrição do fato; IV – a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V – a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI – a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Lei nº. 5.172/66 – Código Tributário Nacional Fl. 1114DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 06/12/ 2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES 4 Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo o caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Nesse aspecto, não se verifica nos autos a ausência dos elementos essenciais à formalização do crédito tributário, eis que presentes a descrição das irregularidades com a identificação da ocorrência dos fatos geradores, das matérias tributáveis, como também a determinação das bases de cálculo e alíquotas aplicáveis, o cálculo dos tributos exigidos, a correta identificação do sujeito passivo e a imposição da penalidade cabível. Assim, o ato praticado no presente processo revestiuse de todas as formalidades para sua validade, não se detectando nos autos qualquer das hipóteses de nulidade previstas nos incisos I e II do art. 59 do Decreto nº. 70.235, de 1972, abaixo transcrito, uma vez que o ato foi formalizado por pessoa competente, o AFRFB, e foi assegurado aos autuados o direito de defesa. Da mesma forma, as decisões administrativas somente podem ser objeto de anulação se também restar caracterizada afronta às disposições do artigo 59, inciso II: Art. 59 São nulos: I – os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II – os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. ...omissis... Não se verifica, in casu, incompetência da autoridade julgadora de 1a. instância. Tampouco a decisão foi proferida com preterição do direito de defesa da contribuinte. Nesse contexto cumpre consignar que a validação, pela DRJ em Salvador/BA, das exigências formalizadas pela auditoria fiscal faz parte do campo do livre convencimento do julgador e, como tal, não pode ser motivo para anulação de decisão. Aquela autoridade teria ficado convencida, pelos fatos narrados pelo agente fiscal e pelos elementos constantes dos autos, que restou comprovada a omissão de receitas caracterizada por pagamentos não escriturados. Os elementos de prova angariados pela auditoria fiscal foram considerados como suficientes à manutenção das exigências, ou seja, no entendimento do julgador de 1a. instância, provaram a procedência da autuação. E aqui se adentra, novamente, no campo do livre convencimento do julgador que, como consignado, não pode ser motivo para anulação de qualquer decisão. 2 Mérito Fl. 1115DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 06/12/ 2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10925.000471/200562 Acórdão n.º 1801000.830 S1TE01 Fl. 4 5 Não procede a alegação de que não tinha conhecimento de sua exclusão da sistemática do Simples. É fato provado que o empresário foi excluído desse regime pelo Ato Declaratório Executivo DRF/JOA n2 10, de 12 de marco de 2003, publicado no Diário Oficial da Unido n2 51, de 14 de março de 2003, com efeito a partir do dia 1 º de janeiro de 2001, “em razão da extrapolação, no anocalendário 2000, do limite de receita bruta previsto para as microempresas." (f. 18). Conforme relatado no Parecer Sacat n º 90/2003 (f. 14), proferido no processo de exclusão, o empresário não solicitou à SRF inscrição no Simples na condição de empresa de pequeno porte (EPP), a partir de 1 2 de janeiro de 2001, já que no anocalendário de 2000 havia superado a máxima receita bruta permitida para nele permanecer na condição de microempresa (ME) e não poderia continuar nessa condição no anocalendário imediatamente seguinte e, assim, ficou sujeita à exclusão de oficio do sistema. A exclusão referida tornouse definitiva na instância administrativa em razão de o empresário não a ter contestado por meio de manifestação de inconformidade no prazo legal. Assim, a partir dessa data (1º de janeiro de 2001), excluído do Simples, as normas tributárias aplicáveis ao impugnante passam a ser as aplicáveis às demais pessoas jurídicas , como determina o art. 16 da Lei n2 9.317, de 5 de dezembro de 1996, que assim dispõe: Art. 16. A pessoa jurídica excluída do SIMPLES sujeitarseá, a partir do período em que se processarem os efeitos da exclusão, às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas. Não possuindo os livros e documentos fiscais mínimos obrigatórios para apuração de seus resultados com base no Lucro Real ou Presumdio, a autoridade fiscal, em estrita observância ao que dispõe o art. 142 do CTN, e 530 do RIR/99, procedeu ao arbitramento dos lucros tomando por base a receita bruta conhecida através dos parcos registros que mantinha a empresa. Art. 530. O imposto, devido trimestralmente, no decorrer do anocalendário, será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado, quando (Lei nº 8.981, de 1995, art. 47, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 1º): I o contribuinte, obrigado à tributação com base no lucro real, não mantiver escrituração na forma das leis comerciais e fiscais, ou deixar de elaborar as demonstrações financeiras exigidas pela legislação fiscal; II a escrituração a que estiver obrigado o contribuinte revelar evidentes indícios de fraudes ou contiver vícios, erros ou deficiências que a tornem imprestável para: ... b) determinar o lucro real; III o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o Livro Caixa, na hipótese do parágrafo único do art. 527; Fl. 1116DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 06/12/ 2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES 6 ... VI o contribuinte não mantiver, em boa ordem e segundo as normas contábeis recomendadas, Livro Razão ou fichas utilizados para resumir e totalizar, por conta ou subconta, os lançamentos efetuados no Diário. Por tais razões reafirmo as razões de decidir expostas no acórdão da Turma Julgadora de 1a. instância.. Incabível, no entanto, a cobrança da multa agravada, que deve ser reduzida à penalidade de ofício de 75%. Voto, portanto, por dar provimento parcial ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) ______________________________________ Maria de Lourdes Ramirez – Redatora Designada Fl. 1117DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 06/12/ 2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES
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Numero do processo: 10120.013690/2008-10
Data da sessão: Wed Oct 17 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Nov 29 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005
Ementa:
NULIDADE. INOCORRÊNCIA. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL.
O MPF constitui-se em elemento de controle da administração tributária, disciplinado por ato administrativo. A eventual inobservância da norma infralegal não pode gerar nulidades no âmbito do processo administrativo fiscal.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS.
A Lei nº 9.430, de 1996, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO. PREVISÃO NA LEI COMPLEMENTAR Nº 105/2001.
A Lei Complementar nº 105/2001 permite a quebra do sigilo por parte das autoridades e dos agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente.
PERÍCIA OU DILIGÊNCIA.
Indefere-se o pedido de perícia ou diligência quando a sua realização revele-se prescindível para a formação de convicção pela autoridade julgadora.
Numero da decisão: 2201-001.882
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, REJEITAR a preliminar de sobrestamento do recurso, arguida pela Conselheira Rayana Alves de Oliveira França, vencido também o Conselheiro Rodrigo Santos Masset Lacombe. Por unanimidade de votos, REJEITAR as preliminares argüidas pelo recorrente e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso.
Assinado Digitalmente
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente.
Assinado Digitalmente
Eduardo Tadeu Farah - Relator.
EDITADO EM: 22/11/2012
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rayana Alves de Oliveira França, Eduardo Tadeu Farah, Rodrigo Santos Masset Lacombe, Gustavo Lian Haddad, Pedro Paulo Pereira Barbosa e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente).
Nome do relator: EDUARDO TADEU FARAH
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2005 Ementa: NULIDADE. INOCORRÊNCIA. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. O MPF constitui-se em elemento de controle da administração tributária, disciplinado por ato administrativo. A eventual inobservância da norma infralegal não pode gerar nulidades no âmbito do processo administrativo fiscal. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. A Lei nº 9.430, de 1996, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO. PREVISÃO NA LEI COMPLEMENTAR Nº 105/2001. A Lei Complementar nº 105/2001 permite a quebra do sigilo por parte das autoridades e dos agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. PERÍCIA OU DILIGÊNCIA. Indefere-se o pedido de perícia ou diligência quando a sua realização revele-se prescindível para a formação de convicção pela autoridade julgadora.
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INOCORRÊNCIA. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. O MPF constituise em elemento de controle da administração tributária, disciplinado por ato administrativo. A eventual inobservância da norma infralegal não pode gerar nulidades no âmbito do processo administrativo fiscal. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. A Lei nº 9.430, de 1996, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO. PREVISÃO NA LEI COMPLEMENTAR Nº 105/2001. A Lei Complementar nº 105/2001 permite a quebra do sigilo por parte das autoridades e dos agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. PERÍCIA OU DILIGÊNCIA. Indeferese o pedido de perícia ou diligência quando a sua realização revele se prescindível para a formação de convicção pela autoridade julgadora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 01 36 90 /2 00 8- 10 Fl. 552DF CARF MF Impresso em 29/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2012 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 27/11/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 22/11/2012 por EDUARDO TADEU FARAH 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, REJEITAR a preliminar de sobrestamento do recurso, arguida pela Conselheira Rayana Alves de Oliveira França, vencido também o Conselheiro Rodrigo Santos Masset Lacombe. Por unanimidade de votos, REJEITAR as preliminares argüidas pelo recorrente e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso. Assinado Digitalmente Maria Helena Cotta Cardozo Presidente. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah Relator. EDITADO EM: 22/11/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rayana Alves de Oliveira França, Eduardo Tadeu Farah, Rodrigo Santos Masset Lacombe, Gustavo Lian Haddad, Pedro Paulo Pereira Barbosa e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente). Relatório Trata o presente processo de lançamento de ofício relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, exercício 2005, consubstanciado no Auto de Infração, fls. 356/366, pelo qual se exige o pagamento do crédito tributário total no valor de R$ 3.985.982,84, calculados até 30/09/2008. A fiscalização apurou omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários sem origem comprovada. Cientificado do lançamento, o interessado apresentou tempestivamente impugnação, alegando, conforme se extrai do relatório de primeira instância, verbis: DAS PRELIMINARES: DA AUSÊNCIA DO MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL VÁLIDO O procedimento fiscal em tela foi constituído ao total arrepio da lei fiscal vigente. Houve total falta de poderes da Autoridade Autuante, para os fins que se prestou: Fiscalizar e Autuar. Não pode o fisco fazer a sua prorrogação sem que o contribuinte tenha sido comunicado. Para que haja a prorrogação deve a haver a comunicação. Inconcebível qualquer prorrogação unilateral, sem o devido conhecimento das partes relacionadas no MPF. No caso em tela, houve tão somente a comunicação inicial, e as demais prorrogações foram feitas sem autorização legal e sem a devida Fl. 553DF CARF MF Impresso em 29/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2012 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 27/11/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 22/11/2012 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10120.013690/200810 Acórdão n.º 2201001.882 S2C2T1 Fl. 3 3 comunicação ao Contribuinte, o que fragiliza e vicia o lançamento. A folha de demonstrativo de emissão e prorrogação nada mais é que uma simples impressão de dados e datas, sem fé pública ou assinatura. Como determina o disposto na Portaria n° 3.007/2001 e modificações posteriores, é indispensável a presença válida de um MPF para a confirmação e principalmente aceitação dos atos praticados pela Fiscalização. Desta forma, a ausência ou o vencimento do prazo com a consequente extinção o MPF, macula, inteiramente, os atos praticados pela Autoridade Autuante, uma vez que não se encontra devidamente outorgada de poderes para em nome da Secretaria da Receita Federal instaurar procedimento fiscal e principalmente lavrar Auto de Infração. A carência de poderes gera a nulidade dos atos praticados, não prestando estes ate mesmo pela ratificação dos atos, modalidade não contemplada neste âmbito. No caso em tela, houve na verdade uma extinção de poderes, uma vez que não foi devidamente prorrogado através de MPF válido e no prazo. O MPF constante dos autos venceu de pleno direito, no final do dia de 12 de abril de 2008, não sendo ele objeto de prorrogação válida, implicando a nulidade do lançamento. Assim, não basta à juntada de Demonstrativo de Emissão, ainda mais quando não vem assinado pela Autoridade hierarquicamente superior, conferindo novo prazo, o que também não ocorreu por época da suposta prorrogação, não houve a delegação de poderes. Tal delegação é indispensável que venha de superior hierárquico, sem o qual não pode o outorgado prorrogar unilateralmente poderes recebidos, compete à prorrogação a quem o outorgou e não ao outorgado. Indispensável que seja autorizado pela Autoridade Competente, devidamente assinado, emitido dentro do prazo e levado ao conhecimento do interessado (contribuinte). Não sendo assim, não tem valor jurídico. Desta forma indispensável o acolhimento da Preliminar de Ilegitimidade e Nulidade do MPF, para de oficio, por se tratar de matéria de ordem pública, ou por requerimento da parte, anular o auto de infração por falta de legitimidade ativa da autoridade autuante e ausência de poderes. DA QUEBRA INDEVIDA DO SIGILO BANCÁRIO Fl. 554DF CARF MF Impresso em 29/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2012 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 27/11/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 22/11/2012 por EDUARDO TADEU FARAH 4 Não pode o Poder Público, sem o consentimento expresso do contribuinte ou autorização judicial, violar a intimidade das informações bancárias, seja a qualquer título. De maneira duvidosa, as provas foram colhidas contra o Contribuinte/Impugnante, com requerimento direcionado ao banco. São na verdade provas ilícitas, colhidas de maneira equivocada e que não se prestam ao fim que se pretende. Não se pode sequer buscar auxílio no disposto no Art. 5° da Lei Complementar nº 105. Ressalta que tal dispositivo já está sendo discutido e questionado no Supremo Tribunal Federal, uma vez, muito embora tenha sido laborado através de Lei Completar à Constituição não quer dizer que mesma não seja inconstitucional. Lembra que a aplicação do disposto na Lei Complementar nº 105 só poderá ocorrer mediante expressa autorização judicial, o que, no caso em tela, ficou completamente à margem da lei. Não pode a Administração ser munida de discricionariedade e de análise subjetiva da norma, já que é plenamente vinculada. Mesmo que se argumente a via imprópria para a admissão da inconstitucionalidade da norma jurídica. Indispensável, o pré questionamento da matéria, até mesmo como base para admissibilidade das teses esposadas pelo Contribuinte/Impugnante, em sede de ação anulatória, no âmbito judicial. Assim, os meios utilizados pela fiscalização para apurar e autuar o contribuinte fere frontalmente o ditame constitucional, merecendo de plano a sua rejeição, DA AUSÊNCIA DE DISCRICIONARIEDADE PARA O LANÇAMENTO É cediço que para aplicação da norma tributária e principalmente para a aplicação da punição, que o Lançamento, a base de cálculo deve ser objetiva e os critérios de aferição devem e tem por obrigação que ser previstos em lei. A freqüente utilização dos famigerados depósitos bancários, mesmo considerando os valores acima de R$ 1.000,00 (um mil reais), não dá ao Fisco a dose certa para aplicação de qualquer lançamento. Considerar como sendo receita tributável os valores levados a crédito em conta corrente, terá que em contrapartida considerar como despesas os débitos na mesma conta corrente. Isto não só porque a contabilidade exige e impõe o sistema de partidas dobradas. mas acima de tudo pela própria isonomia de tratamento, indispensável nos caos tributário. AGRESSÃO AO PRINCÍPIO DE ISONOMIA OU IGUALDADE TRIBUTÁRIA O frágil e questionável entendimento aplicado pelo auditor, estabelecendo que os valores depositados iguais ou superiores à Fl. 555DF CARF MF Impresso em 29/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2012 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 27/11/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 22/11/2012 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10120.013690/200810 Acórdão n.º 2201001.882 S2C2T1 Fl. 4 5 R$ 1.000,00 (um mil reais) por lançamento, agride de forma frontal, o principio de isonomia e da igualdade tributária. Tal discriminação é prova máxima do total destempero da regra adotada peio Autuante. Levando de forma clara ao raciocínio de que sonegar e fraudar até o limite estabelecido mesmo que pelo sistema financeiro não é caracterização de omissão de receita. Ter esta afirmação como verdadeira, causa serio constrangimento ao contribuinte honesto, que trabalha e luta contra uma carga tributária avassaladora, que chega a 35% do nosso PIB Produto Interno Bruto. Cobramse impostos como na Suíça e oferece um serviço público de Uganda. Com a mesma responsabilidade, leis mirabolantes são criadas todos os dias em nosso Congresso Nacional, implicando no padecimento de sua constitucionalidade, como no caso vertente. Tendo ocorrido agressão o princípio da isonomia ou da igualdade, ao considerar somente os faltosos que tenham depositado em suas contas acima de determinados valores, tendo a fiscalização, se utilizado de tais patamares para apurar e autuar o contribuinte, ferindo frontalmente os ditames constitucionais, merecendo de plano a sua rejeição, anulando o lançamento e arquivando o processo em face da sua inconstitucionalidade, o que se requer desde já. DA AGRESSÃO AO EQUILÍBRIO NAS RELAÇÕES ENTRE FISCO CONTRIBUINTE Labora em erro, novamente, a lei em análise, que por sua descontrolada redação, que estabelece um total desequilíbrio entre as relações Fisco Contribuinte, ao considerar como receita os depósitos, sem considerar os débitos como despesa. Ilustre julgador, por óbvio que seja a atividade desenvolvida por qualquer contribuinte, este possui um custo, nunca inferior de 70% (setenta por cento) a 80% (oitenta por cento), desta forma não existe ganho sem gasto. Sendo esta uma regra da economia e imutável para os tempos atuais, indispensável à dilação probatória para comprovação dos custos, além de identificar a atividade do contribuinte com os serviços prestados por ele. Pois é obvio que qualquer atividade, só poderá ser tributada em seu ganho, para não agredir outro principio do direito tributário o da capacidade contributiva, Ao analisarmos com calma e isenção de ânimo, observasse com clareza que os valores são depósito feitos, sacados e novamente depositados, proveniente da compra e venda no mesmo exercício reinvestimento. Fl. 556DF CARF MF Impresso em 29/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2012 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 27/11/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 22/11/2012 por EDUARDO TADEU FARAH 6 Assim, indispensável para averiguação do quantum que realmente apura em sua atividade o Contribuinte, a realização de uma perícia, o que desde já se requer. Assim, tendo ocorrido agressão o princípio da capacidade contributiva, ao considerar somente as receitas sem respeitar os débitos como custo, a fiscalização, feriu frontalmente os ditames constitucionais merecendo de plano a sua rejeição, anulando o lançamento e arquivando o processo em face da sua inconstitucionalidade. DA AUSÊNCIA DE ENTREGA DE LISTA OU RELAÇÃO DOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS PARA ESCLARECIMENTO Labora em erro a autoridade autuante, posto que a mesma não procedeu à intimação do contribuinte, fornecendolhe lista dos depósitos considerados e não considerados para efeito do lançamento. Em todas as intimações, o contribuinte só as recebeu, e não reclamou por não ser obrigado a constituir contra si prova de qualquer fato. o que não implica em confissão ou coisa semelhante. Em verdade, recebeu as intimações, porém, desacompanhadas das famigeradas listas e relações de depósitos. O valor sintetizado mês a mês não caracteriza omissão e, na verdade, confunde o Contribuinte, o que lhe impede de fazer os esclarecimentos e sua própria defesa dos valores creditados. Além do simples fato de não existir qualquer atividade que só de lucro, mesmo o trafico de drogas, que é ilegal, mesmo assim tem custos. E ainda, imperioso estabelecer o entendimento que o simples crédito em conta corrente não implica em receita, pois tal assertiva fere preceitos intocáveis da tributação. Crédito em conta pode, quando muito, significar vantagem financeira, o que não caracteriza receita financeira. Em se levando em conta os valores depositados e os custos, o saldo, sim, pode e deve ser levado À tributação. Só que no caso em tela o contribuinte não pode fazer tal comparação e demonstração por ter tido acesso à relação ou lista de depósitos, pela sua ausência das respectivas intimações. Entretanto em sua descrição dos fatos e enquadramento legal, o Autuante, se refere à famigerada lista sem ter dado ciência do teor e conteúdo ao contribuinte, recebendo tão somente o demonstrativo de depósitos consolidado, desacompanhado de qualquer relação de depósitos. O que liminarmente implica na nulidade absoluta do lançamento. DA VERDADE DOS FATOS DA CRONOLOGIA DOS FATOS Fl. 557DF CARF MF Impresso em 29/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2012 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 27/11/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 22/11/2012 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10120.013690/200810 Acórdão n.º 2201001.882 S2C2T1 Fl. 5 7 O Impugnante recebeu o Termo de Inicio de Fiscalização, solicitando informações e documentos referentes aos Exercícios 2004. Incluindo a movimentação financeira, com apresentação de extratos bancários, Diante de tal solicitação, o contribuinte, não procedeu à autorização para a quebra de seu sigilo bancário, muito menos delegou poderes para que fossem por parte da receita federai, buscadas as informações junto as Instituições bancárias. Assim, não havendo a autorização muito menos a ordem judicial, a Autoridade fiscal mantendo ilegalmente sua conduta, apresentou ao contribuinte um levantamento, contendo somente os lançamentos à razão de crédito, pedindo explicações. Mais uma vez, e desta totalmente indignado, o Contribuinte, dentro de seu direito constitucional, manteve a sua conduta. Posteriormente sem considerar as razões do contribuinte, o Fisco Federal autuou tendo por base somente os valores dos créditos em conta corrente. Ilustre Julgador, a inconstitucionalidade é gritante, chegando ao absurdo da invasão da intimidade e da devassa na vida intima do contribuinte. Além do que, tiveram por base somente os lançamentos de crédito, sem se importar com os débitos e muito menos com a atividade do contribuinte. Na verdade, o contribuinte, é aposentado, tendo a sua vida voltada para o cuidado com os seus familiares, de sorte que é requisitado para fazer pagamentos e compras para os mesmos, uma vez que mora em um centro de compras maior, o que favorece com o seu estado de homem aposentado, com tempo disponível para faze os mais diversos favores. Com os recursos acumulados no decorrer dos anos, formouse um capital, com o qual supre a sua família e amigos, sempre que necessitam, aguardando à hora oportuna para o reembolso, o que às vezes acontece em varias etapas, ou seja, com mais de um pagamento e conseqüentemente deposito. Logo, carece de autenticidade fática e jurídica o Auto de Infração. DO PEDIDO DE PERÍCIA E DILIGÊNCIA Necessária a imediata conversão do julgamento em diligência, na forma da lei. Indispensável a realização de perícia e diligências, para a constatação e identificação de tais depósitos, uma vez que o tratamento tributário diverge em muito do efetivamente aplicado. Fl. 558DF CARF MF Impresso em 29/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2012 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 27/11/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 22/11/2012 por EDUARDO TADEU FARAH 8 DA POSSIBILIDADE LEGAL DE APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS POSTERIORMENTE No âmbito administrativo, onde a matéria e complementada e regulada pelo Decreto 70.235/72, em seu Art. 16, §4°, a), b) e c); admitese a apresentação de provas documentais, após a apresentação da Impugnação, quando demonstrado os fatos ali articulados. Como bem sabemos o processo é o meio e não fim de um direito. Não podendo ser ele, restritivo, de preceitos constitucionais. Assim, requer desde já a juntada de novas provas, em especial as já mencionadas, em face da dificuldade e até mesmo da impossibilidade de fazêlo na oportunidade. DOS QUESITOS PRELIMINARES PARA A PERÍCIA E DILIGÊNCIAS Assim, uma vez deferida à pretensão pericial, a mesma e as diligências deverão ser orientadas pelos quesitos indicados, reservando suas decorrências e complementações a cada tempo e hora que se fizerem necessários novos questionamentos. A perícia e diligências poderão nos conduzir a caminhos que facilite o entendimento dos fatos e direitos, avocados pelo Contribuinte/Recorrente, devendo ser acatado e observado, oportunizando a ampla defesa e o estrito processo legal, protegido pela Constituição Federal/1988. Relaciona os quesitos para a perícia e diligência. A 3ª Turma da DRJ em Brasília/DF julgou integralmente procedente o lançamento, consubstanciado nas ementas abaixo transcritas: DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. COMPROVAÇÃO. A presunção legal de omissão de rendimentos autoriza o lançamento do imposto correspondente, sempre que o titular das contas bancárias ou o real beneficiário dos depósitos, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em suas contas de depósitos ou de investimentos. PEDIDOS DE PERÍCIAS E DILIGÊNCIAS. Denegamse pedidos de perícias e diligências quando estão presentes nos autos todos os elementos necessários ao julgamento e não foram tais pedidos formalizados de acordo com a legislação de regência do processo administrativo fiscal. JUNTADA POSTERIOR DE DOCUMENTOS. IMPOSSIBILIDADE. A prova documental deve ser apresentada juntamente com a impugnação, não podendo o contribuinte apresentála em outro momento, a menos que ou demonstre motivo de força maior, ou se refira a fato ou direito superveniente, ou se destine a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos. Lançamento Procedente Fl. 559DF CARF MF Impresso em 29/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2012 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 27/11/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 22/11/2012 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10120.013690/200810 Acórdão n.º 2201001.882 S2C2T1 Fl. 6 9 Intimado da decisão de primeira instância em 18/05/2009 (fl. 467), Militão da Silva Rufino apresenta Recurso Voluntário em 17/06/2009 (fls. 468/507), sustentando, essencialmente, os mesmos argumentos defendidos em sua impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Eduardo Tadeu Farah O recurso é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Cuida o presente lançamento de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários sem origem comprovada, prevista no artigo 42 da Lei n° 9.430/1996, relativamente a fatos ocorridos no anocalendário de 2004. Antes de adentrarmos no mérito da questão cumpre examinar, de antemão, as preliminares argüidas pela defesa. A primeira diz respeito a irregularidade no Mandado de Procedimento Fiscal (MPF); a segunda referese a quebra indevida do sigilo bancário e a terceira questiona discricionariedade do lançamento e a conseqüente ofensa ao princípio da isonomia e da capacidade contributiva. Quanto a primeira preliminar aventada, qual seja, irregularidade no Mandado de Procedimento Fiscal (MPF), peço vênia para reproduzir o bem articulado voto proferido pelo relator do julgamento singular: (...) depreendese que o MPFF, por ocasião do início do procedimento fiscal e suas alterações decorrentes de inclusão, exclusão ou substituição de AFRFB responsável pela sua execução, ou pela supervisão, bem assim as relativas a tributos ou contribuições a serem examinados e período de apuração, deverá conter os elementos elencados no art. 7º citado. Acrescentese ainda que deverá ser encaminhado para ciência ao sujeito passivo. Ademais, dentre aqueles elementos indispensáveis, há “o código de acesso à Internet...” (inciso VIII, art. 7º). As razões para existência de tal informação são bastante claras, pois estão enunciadas explicitamente no texto legal supra: 1) permitirá ao sujeito passivo, objeto do procedimento fiscal, identificar o MPF, ou seja, sua legitimidade, conteúdo, veracidade das informações nele contidas, etc.; 2) as prorrogações – que poderão ser efetuadas tantas vezes quantas necessárias, observado, em cada ato, o prazo máximo de sessenta dias, para procedimentos de fiscalização, e de trinta dias, para procedimentos de diligência –, tratadas no caput do art. 13, far seão por intermédio de registro eletrônico efetuado pela respectiva autoridade outorgante, cuja informação estará disponível na Internet (art. 7º, VIII, c/c art. 13, § 1º). Fl. 560DF CARF MF Impresso em 29/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2012 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 27/11/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 22/11/2012 por EDUARDO TADEU FARAH 10 (...) Em suma, as prorrogações serão feitas eletronicamente e disponíveis para consulta pela Internet. Assim, descabem, pela ausência de qualquer amparo legal, alegações de que o procedimento deixou de atender a legislação e que, portanto, houve extinção de poderes. Bastaria que observasse com atenção e diligência as disposições no próprio MPF, inclusive a Portaria que o regulamenta, para atestar na Internet, no endereço lá indicado, as prorrogações efetuadas. Com efeito, a Portaria SRF nº 1.265/99 não pode restringir ou retirar competência atribuída por lei ao Auditor Fiscal da Receita Federal. Em verdade, a referida portaria visa tãosomente oferecer segurança ao contribuinte, possibilitando a confirmação, via Internet, da ação fiscal em curso, da sua extensão e se está sendo executada por servidores da Administração Tributária. O Mandado de Procedimento Fiscal – MPF é, portanto, um instrumento que tem como objetivo, além do acima exposto, permitir o gerenciamento da ação fiscal pela Administração Fazendária, sem, contudo, se sobrepor às disposições de lei que regem a competência da autoridade fiscal e o processo administrativo fiscal. Ademais, o referido instrumento não é sequer pressuposto obrigatório para o ato administrativo do lançamento, sob pena de contrariar o Código Tributário Nacional, o que não se permite a uma Portaria. Todo o raciocínio acima exposto encontra amplo respaldo na jurisprudência administrativa, conforme ementa a seguir transcrita: NULIDADE DO LANÇAMENTO. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. A autoridade fiscal tem competência fixada em lei para lavrar o Auto de Infração. Na falta de cumprimento de norma administrativa, prazo estipulado no MPF, a referida autoridade fica sujeita, se for o caso, a punição administrativa, mas o ato produzido continua válido e eficaz.(Acórdãos 10613138 e 10613440). Portanto, estéril o argumento suscitado pela defesa de que as prorrogações do Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) foram feitas em desconformidade com a legislação em vigor. Quanto à alegação de quebra ilegal do sigilo bancário impende registrar que seu afastamento se deu com base na Lei Complementar nº 105/2001, bem como no art. 11, § 3º, da Lei nº 9.311/1996 (redação dada pela Lei nº 10.174/2001). Em relação à legalidade dos diplomas legais referenciados esse Órgão Administrativo já se posicionou. Tratase da Súmula CARF nº 35: Súmula CARF nº 35: O art. 11, § 3º, da Lei nº 9.311/96, com a redação dada pela Lei nº 10.174/2001, que autoriza o uso de informações da CPMF para a constituição do crédito tributário de outros tributos, aplicase retroativamente. (grifei) As Requisições de Movimentação Financeira – RMF emitidas seguiram rigorosamente as exigências previstas pelo Decreto nº 3.724/2001, que regulamentou o artigo 6º da Lei Complementar 105/2001, inclusive quanto às hipóteses de indispensabilidade previstas no art. 3º que também estão claramente presentes nos autos. Com efeito, verificase Fl. 561DF CARF MF Impresso em 29/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2012 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 27/11/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 22/11/2012 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10120.013690/200810 Acórdão n.º 2201001.882 S2C2T1 Fl. 7 11 que o recorrente foi intimado a fornecer seus extratos bancários, no entanto, silenciouse, razão pela qual não restou outra opção a fiscalização senão a emissão da Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira – RMF. Sobre a preliminar de sobrestamento arguida pela Conselheira Rayana Alves de Oliveira França, penso que a mesma não deve ser acolhida, pois o caso em apreço não se subsume ao § 1º do art. 62A do RICARF (Portaria MF n° 256/2009). Além do mais, a tese de sobrestamento não foi acolhida pela Câmara Superior de Recursos Fiscais. Portanto, válido o lançamento também neste ponto. Em outra preliminar alega o suplicante que a limitação de valor igual ou superior a R$ 1.000,00, por lançamento, é prova máxima de agressão ao Princípio da Isonomia e da Igualdade Tributária e que ao considerar receita tributável os valores levados a crédito teria, como contrapartida, que considerar como despesas os débitos. Novamente, entendo que a preliminar não tem passagem. Ao tributar valores superiores a R$ 1.000,00, buscou a autoridade fiscal a solução mais razoável, mormente porque levou em consideração apenas os valores relevantes. Tal atitude em nada prejudicou a defesa. Pelo contrário. A esse respeito transcrevo, mais uma vez, parte do voto condutor do julgamento de primeira instância: O fato de o Auditor Fiscal partir do patamar de R$ 1.000,00 somente tem o objetivo de não dificultar a comprovação da origem dos recursos em um nível extremado, especialmente no tocante aos pequenos valores, os quais geralmente são utilizados para pagamento de pequenos gastos do diaadia. Esse é o espírito da lei, p. ex., quando de forma explícita, no caso de pessoa física, desconsidera os créditos de valor igual ou inferior a R$ 12.000,00, desde que o somatório, dentro do ano calendário seja inferior a R$80.000,00 (art. 42, § 3º, II). Assim, não se avista qualquer agressão ao princípio da isonomia ou discricionariedade do procedimento fiscal ora analisado, ao contrário, o procedimento fiscal foi balizado em observação ao Princípio da Razoabilidade da atuação do Estado, no que tange à relação jurídicotributária aplicável ao caso em concreto. Impende deixar em relevo ainda que a apuração consubstanciada no lançamento ora em análise não somente não acarretou qualquer prejuízo ao contribuinte, mas também operou, claramente, em seu benefício. Por fim, ante a ausência de previsão legal não há como considerar os débitos na conta corrente do contribuinte como despesas e, consequentemente, reduzir a base de cálculo tributária. Encerrada a apreciação das questões preliminares, passase ao exame das questões de mérito. Quanto ao mérito, a presente omissão de rendimentos está sendo exigida do contribuinte em vista a existência de depósitos bancários de origem não comprovada, com base Fl. 562DF CARF MF Impresso em 29/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2012 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 27/11/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 22/11/2012 por EDUARDO TADEU FARAH 12 na presunção legal estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, a seguir transcrito: Art.42 Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. De acordo com o dispositivo supra, basta ao Fisco demonstrar a existência de depósitos bancários de origens não comprovadas para que se presuma, até prova em contrário, a cargo do contribuinte, a ocorrência de omissão de rendimentos. Tratase de uma presunção legal do tipo juris tantum (relativa), e, portanto, cabe ao Fisco comprovar apenas o fato definido na lei como necessário e suficiente ao estabelecimento da presunção, para que fique evidenciada a omissão de rendimentos. O art. 42 da Lei nº 9.430/1996 tem como embasamento lógico o fato de não ser comum o depósito de numerário, de forma gratuita e indiscriminada, em conta bancária de terceiros. Como corolário dessa afirmativa temse que, até prova em contrário, o que se deposita na conta de determinado titular a ele pertence. O entendimento supra foi exposto com clareza por Antônio da Silva Cabral1: O fato de alguém depositar em banco uma quantia superior à declarada é indício de que provavelmente depositou um valor relativo a rendimentos não oferecidos à tributação. Se o depositante não logra explicar que esse dinheiro é de outrem, ou tem origem em valores não sujeitos à tributação, este indício levará à presunção de omissão de rendimentos à tributação. Existe normalmente uma grande quantidade de ações e negócios não formais efetuados pelo contribuinte, na maioria das vezes marcada pela inexistência de prova documental, razão pela qual a lei desincumbiu a autoridade fiscal de provar sua ocorrência. Não tem sentido a autoridade fiscal constituir prova de um fato presumido. Além do mais, diferentemente do que pensa o recorrente, na presunção legal a lei se encarrega de presumir a ocorrência do fato gerador. Com efeito, não logrando o titular comprovar a origem dos créditos efetuados em sua conta bancária, temse a autorização para considerar ocorrido o fato gerador na forma do artigo 43 do Código Tributário Nacional2. Assim, diferentemente do que pensa a recorrente, há sim base fática e jurídica para a constituição da exigência. A presunção legal contida no artigo 42, citado, é de caráter relativo e exige apenas a presença de depósito de origem não comprovada para fins de lançamento do valor como rendimento tributável omitido. Merece registro, ainda, a observação da autoridade singular quando consignou em seu voto o seguinte: “Não é demais deixar em relevo o fato de que movimentou, 1 Processo Administrativo Fiscal. Editora Saraiva, 1993, pág. 311. 2 CTN – Lei n° 5.172, de 1966 – Art. 43. O imposto, de competência da União, sobre a renda e proventos de qualquer natureza tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica: I – de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos; II – de proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos no inciso anterior. Fl. 563DF CARF MF Impresso em 29/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2012 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 27/11/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 22/11/2012 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10120.013690/200810 Acórdão n.º 2201001.882 S2C2T1 Fl. 8 13 a título de créditos de origem não comprovada, mais de seis milhões de reais no ano calendário 2004 (R$6.561.558,65). Contudo, em sua DIRPF 2005, consigna rendimentos tributáveis totais desproporcionalmente menores, auferidos de Pessoas Jurídicas e Físicas: R$ 61.751,77, ou seja, uma diferença superior a 106 vezes!”. Destarte, não se constatando nos autos qualquer prova documental contrária, correta a tributação dos valores como renda omitida. Em relação ao pedido de realização de perícia, cumpre registrar que a prova pericial não se destina ao suprimento do ônus da prova das partes, mas à formação do livre convencimento do julgador. É por isso que não basta, a quem contesta um lançamento de ofício, vir aos autos para afirmar, simplesmente, que tudo quanto foi levantado na ação fiscal não guarda consonância com a realidade dos fatos e que tudo precisa ser dirimido por meio de perícia. No caso dos autos, compete unicamente a recorrente carrear provas de que os fatos econômicos descritos pela autoridade fiscal na realidade não ocorreram. Assim, o pedido de perícia deve ser indeferido. Ante ao exposto, voto por rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah Fl. 564DF CARF MF Impresso em 29/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2012 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 27/11/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 22/11/2012 por EDUARDO TADEU FARAH
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Numero do processo: 36392.002015/2007-78
Data da sessão: Thu Sep 20 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Oct 23 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/05/2005 a 31/05/2005
EXIBIÇÃO DE LIVROS OU DOCUMENTOS. OBRIGAÇÃO AFETA A TODOS OS CONTRIBUINTES DA PREVIDÊNCIA SOCIAL. DESCUMPRIMENTO. INFRAÇÃO.
Apresentar documentos e livros relacionados com a previdência social é obrigação que afeta a todos os contribuintes da previdência social. Por isto, configura infração ao artigo 33, §§ 2 e 3, da Lei 8.212/91, deixar a empresa de exibir à Auditoria-Fiscal da Receita Federal do Brasil tais livros e documentos.
INCONSTITUCIONALIDADE.
É vedado ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais afastar dispositivo de lei vigente sob fundamento de inconstitucionalidade.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2402-003.122
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
Julio Cesar Vieira Gomes Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Tiago Taborda Simões e Nereu Miguel Ribeiro Domingues.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/05/2005 a 31/05/2005 EXIBIÇÃO DE LIVROS OU DOCUMENTOS. OBRIGAÇÃO AFETA A TODOS OS CONTRIBUINTES DA PREVIDÊNCIA SOCIAL. DESCUMPRIMENTO. INFRAÇÃO. Apresentar documentos e livros relacionados com a previdência social é obrigação que afeta a todos os contribuintes da previdência social. Por isto, configura infração ao artigo 33, §§ 2 e 3, da Lei 8.212/91, deixar a empresa de exibir à Auditoria-Fiscal da Receita Federal do Brasil tais livros e documentos. INCONSTITUCIONALIDADE. É vedado ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais afastar dispositivo de lei vigente sob fundamento de inconstitucionalidade. Recurso Voluntário Negado
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OBRIGAÇÃO AFETA A TODOS OS CONTRIBUINTES DA PREVIDÊNCIA SOCIAL. DESCUMPRIMENTO. INFRAÇÃO. Apresentar documentos e livros relacionados com a previdência social é obrigação que afeta a todos os contribuintes da previdência social. Por isto, configura infração ao artigo 33, §§ 2 e 3, da Lei 8.212/91, deixar a empresa de exibir à AuditoriaFiscal da Receita Federal do Brasil tais livros e documentos. INCONSTITUCIONALIDADE. É vedado ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais afastar dispositivo de lei vigente sob fundamento de inconstitucionalidade. Recurso Voluntário Negado AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 36 39 2. 00 20 15 /2 00 7- 78 Fl. 144DF CARF MF Impresso em 23/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 22/10/ 2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Julio Cesar Vieira Gomes – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Tiago Taborda Simões e Nereu Miguel Ribeiro Domingues. Fl. 145DF CARF MF Impresso em 23/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 22/10/ 2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 36392.002015/200778 Acórdão n.º 2402003.122 S2C4T2 Fl. 145 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou procedente a autuação fiscal lavrada em 31/05/2007 pela falta de apresentação de livros e documentos necessários para o procedimento fiscal, conforme detalha o relatório da decisão recorrida: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/05/2005 a 31/05/2005 DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. Constitui infração deixar a empresa de exibir fiscalização documentos e livros relacionados com as contribuições previdenciárias. ... 2. Conforme Relatório Fiscal da Infração e da Aplicação da Multa (fls. 0405 e 08/15), a empresa deixou de apresentar, quando solicitada pela fiscalização mediante Termos de Intimação para Apresentação de Documentos — TIAD, os livros diários dos períodos de 01/1997 a 12/1999, 07/2005 a 12/2006; razão dos períodos de 01/1997 a 12/2001, 07/2005 a 12/2006, folha de pagamento da competência 13/2005, GFIP do período de 01/1999 a 12/2006 e Registro de Empregados. Contra a decisão, o recorrente reiterou suas alegações na impugnação; assim sintetizadas com precisão na decisão recorrida: 4.1. Não há dolo por parte da empresa. 4.2. O lançamento não se amolda ao Art. 142 do Código Tributário Nacional (Lei n°5.172/1966). 4.3. O lançamento deve seguir determinados preceitos e ser efetivado levandose em conta os destinatários, sejam da Administração Pública, sejam os contribuintes, advogados etc. 5.1. Interpretação equivocada de que sobre os prêmios fornecidos através de cartões incidem as Contribuições Previdenciárias. 5.2. O pagamento de prêmios não era efetuado de forma habitual. 5.3. Tal rubrica é mero incentivo e não deve ser considerada base de cálculo. Disserta sobre a nova dinâmica nas relações de trabalho e sobre o papel do Estado. Fl. 146DF CARF MF Impresso em 23/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 22/10/ 2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 5.4. Discorre sobre o Art. 5º, II e 37 da Constituição da República. Solicita o deferimento de perícia. Disserta sobre o conceito de ampla defesa. Remete ao principio da razoabilidade. 5.5. Disserta, também, sobre as parcelas que devem e não devem compor a base de calculo das Contribuições Previdenciárias. Distingue a remuneração em dinheiro e utilidades. 5.6. Alega faltar fundamentação ao lançamento e que não pode haver cobrança de Contribuições Previdenciárias com base em lacunas da Lei 8.212/1991 e alterações. 5.7. Por derradeiro, requer, a juntada de novos documentos, produção de provas, inclusive por perícia e a improcedência do lançamento. É o Relatório. Fl. 147DF CARF MF Impresso em 23/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 22/10/ 2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 36392.002015/200778 Acórdão n.º 2402003.122 S2C4T2 Fl. 146 5 Voto Conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes, Relator Quanto ao procedimento da fiscalização e formalização do lançamento também não se observou qualquer vício. Foram cumpridos todos os requisitos dos artigos 10 e 11 do Decreto n° 70.235, de 06/03/72, verbis: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Art. 11. A notificação de lançamento será expedida pelo órgão que administra o tributo e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do notificado; II o valor do crédito tributário e o prazo para recolhimento ou impugnação; III a disposição legal infringida, se for o caso; IV a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. O recorrente foi devidamente intimado de todos os atos processuais que trazem fatos novos, assegurandolhe a oportunidade de exercício da ampla defesa e do contraditório, nos termos do artigo 23 do mesmo Decreto. Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10.12.1997) Fl. 148DF CARF MF Impresso em 23/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 22/10/ 2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10.12.1997) III por edital, quando resultarem improfícuos os meios referidos nos incisos I e II. (Vide Medida Provisória nº 232, de 2004) A decisão recorrida também atendeu às prescrições que regem o processo administrativo fiscal: enfrentou as alegações pertinentes do recorrente, com indicação precisa dos fundamentos e se revestiu de todas as formalidades necessárias. Não contém, portanto, qualquer vício que suscite sua nulidade, passando, inclusive, pelo crivo do Egrégio Superior Tribunal de Justiça: Art. 31. A decisão conterá relatório resumido do processo, fundamentos legais, conclusão e ordem de intimação, devendo referirse, expressamente, a todos os autos de infração e notificações de lançamento objeto do processo, bem como às razões de defesa suscitadas pelo impugnante contra todas as exigências. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 9.12.1993). “PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. NULIDADE DO ACÓRDÃO. INEXISTÊNCIA. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. SERVIDOR PÚBLICO INATIVO. JUROS DE MORA. TERMO INICIAL. SÚMULA 188/STJ. 1. Não há nulidade do acórdão quando o Tribunal de origem resolve a controvérsia de maneira sólida e fundamentada, apenas não adotando a tese do recorrente. 2. O julgador não precisa responder a todas as alegações das partes se já tiver encontrado motivo suficiente para fundamentar a decisão, nem está obrigado a aterse aos fundamentos por elas indicados “. (RESP 946.447RS – Min. Castro Meira – 2ª Turma – DJ 10/09/2007 p.216). Portanto, em razão do exposto e nos termos das regras disciplinadoras do processo administrativo fiscal, não se identificam vícios capazes de tornar nulo quaisquer dos atos praticados: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Superadas as questões preliminares para exame do cumprimento das exigências formais, passo à apreciação do mérito. Mérito Quanto à infração, ficou suficientemente demonstrado nos autos do processo que a recorrente deixou de exibir os documentos solicitados através de intimação e não trouxe qualquer contraprova que afastasse a infração cometida, limitandose a contestar em tese a cobrança da multa. Fl. 149DF CARF MF Impresso em 23/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 22/10/ 2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 36392.002015/200778 Acórdão n.º 2402003.122 S2C4T2 Fl. 147 7 Em relação às alegações quanto à não incidência sobre as parcelas correspondentes ao prêmios de incentivo, entendo que não haveria relação com a infração em questão. A recorrente foi autuada por não apresentar livros contábeis e essa é uma obrigação necessária para a verificação da ocorrência ou não de fatos geradores. Com relação às inconstitucionalidades apontadas, é vedada a esta instância julgadora afastar sob esse fundamento dispositivos legais em vigor. Sobre o tema, o CARF consolidou referido entendimento por meio do enunciado da Súmula n. 02, a seguir: “Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” Em razão do exposto, voto negar provimento ao recurso. É como voto. Julio Cesar Vieira Gomes Fl. 150DF CARF MF Impresso em 23/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 22/10/ 2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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Numero do processo: 35027.000155/2007-15
Data da sessão: Tue Sep 29 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Mon Sep 28 00:00:00 UTC 2009
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Período de apuração: 01/01/1996 a 31/12/1998
DECADÊNCIA. PRAZO PREVISTO NO CTN.
O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratando-se de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regas do Código Tributário Nacional - CIN. Assim, comprovado nos autos o pagamento parcial, aplica-se o artigo 150, §4°; caso contrário, aplica-se o disposto no artigo 173, I.
Recurso Voluntário Provido.
Crédito Tributário Exonerado.
Numero da decisão: 2301-000.637
Decisão: ACORDAM os m bros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos acatar a preliminar de decadência para t provimento do recurso, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: Leonardo Henrique Pires Lopes
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PRAZO PREVISTO NO CTN. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratando-se de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regas do Código Tributário Nacional - CIN. Assim, comprovado nos autos o pagamento parcial, aplica-se o artigo 150, §4°; caso contrário, aplica-se o disposto no artigo 173, I. Recurso Voluntário Provido. Crédito Tributário Exonerado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os m bros da 3a Câmara / I* Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por II 'dade de votos acatar a preliminar de decadência parat provimento do recurso, nos t o do oto do relator. \ ‘ ‘kr JULIO CE AR a IRA GOMES - Presidente i \ \ j r LEON '41* 110 ill - r,740 0 '1-QUE P I ' S LOPES - Relator Parti , g ii : t , aind: .o presente julgamento, os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros, Leonardo -- que Pires Lopes, Edgar Silva Vidal (suplente), Leôncio Nobre de Medeiros (suplente), Damião Cordeiro de Moraes e Julio Cesar Vieira Gomes (presidente).. i Relatório Trata o presente de auto de infração lavrado em desfavor do sujeito passivo acima identificado, em virtude do descumprimento do previsto no artigo 33, § 2°, da Lei n.° 8.212/91 e artigos 232 e 233 do Regulamento da Previdência Social, com multa punitiva aplicada conforme dispõe o artigo 283, inciso II, alínea j, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n.° 3.048/99, uma vez que o Recorrente deixou de exibir os livros e documentos listados no Relatório Fiscal de Infração (fls. 31/32), relativos ao período de jan/96 à dez/98 todos indispensáveis para a verificação do regular cumprimento das obrigações previdenciárias. Não conformada, a empresa apresentou defesa de fls. 38/50, tendo a Decisão- Notificação de fls. 36/41, julgado a autuação procedente, mantendo a multa aplicada. Ainda inconformado, o Recorrente interpôs recurso tempestivo, onde alega, em síntese: a) que abrange competências já alcançadas pela decadência; b) que no período em que a Recorrente foi fiscalizada, as obrigações acessórias a que estava submetida estavam previstas no Decreto n. 256/91 e 2173/97 e não no Decreto 3.048/99 utilizado pela fiscalização; c) que ocorreu a prescrição do auto de inflação em virtude da prescrição do poder de polícia.. Requer que seja anulado o auto de infração em virtude da decadência, e no mérito, seja considerado indevido o lançamento efetuado. Nas contra-razões ao recurso de fls. 83, a SRP requer o conhecimento do recurso e que lhe seja negado provimento, salientando que não houve inclusão de quaisquer fato novo. É o relatório. Voto Conselheiro LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Relator DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIRILIDADE Sendo tempestivo e atendendo aos requisitos de admissibilidade, conheço do recurso e passo ao seu exame. DA DECADÊNCIA Em preliminar, aduz o Recorrente a decadência do direito de a fazenda Pública constituir o crédito tributário. A decisão recorrida, a seu turno, entendeu que o prazo de decadência de que goza o INSS para constituir seus créditos é de 10 (dez) anos, contados a partir do primeiro dia do ano seguinte ao da ocorrência do fato gerador, nos termos do mi. 45 da Lei 8.212/01 2 Processo n°35027.000155/2007-15 S2-C3T1 Acórdão n.° 2301-00.637 Fl. 84 Pois bem. O auto de infração em questão foi lavrado em 18/05/2006, recebido pelo contribuinte através de registro postal em 12/07/2006 e abrange competências de 01/1996 a 12/1998. Logo, todas as competências foram atingidas pela decadência, pois nas sessões plenárias dos dias 11 e 12/06/2008, respectivamente, o Supremo Tribunal Federal - STF, por unanimidade, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91 e editou a Súmula Vinculante n° 08. Seguem transcrições: Pane final do voto proferido pelo Ermo Senhor Ministro Gilmar Mendes, Relatar: Resultam inconstitucionais, portanto, os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212/91 e o parágrafo único do art.5° do Decreto-lei n° 1.569/77, que versando sobre normas gerais de Direito Tributário, invadiram conteúdo material sob a reserva constitucional de lei complementar. Sendo inconstitucionais os dispositivos, mantém-se higida a legislação anterior, com seus prazos qüinqüenais de prescrição e decadência e regras de fluência, que não acolhem a hipótese de suspensão da prescrição durante o arquivamento administrativo das execuções de pequeno valor, o que equivale a assentar que, como os demais tributos, as contribuições de Seguridade Social sujeitam-se, entre outros, aos artigos 150, § 4 0, 173 e 174 do CM. Diante do aposto, conheço dos Recursos Extraordinários e lhes nego provimento, para confirmar a proclamada inconstitucionalidade dos arts. 45 e 46 da Lei 8.212/91, por violação do art. 146, 114 b, da Constituição, e do parágrafo único do art. 5° do Decreto-lei n°1.569/77, frente ao § 1° do art. 18 da Constituição de 1967, com a redação dada pela Emenda Constitucional 01/69. É como voto. Súmula Vinculante n°08: "São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5 0 do Decreto-lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário". Os efeitos da Súmula Vinculante são previstos no artigo 103-A da Constituição Federal, regulamentado pela Lei n° 11.417, de 19/12/2006, in verbis: Art. 103-A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de oficio ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. (incluído pela Emenda Constitucional n°45, de 2004). Lei n°11.417, de 19/12/2006: Regulamenta o art. 103-A da Constituição Federal e altera a Lei n° 9.784, de 29 de janeiro de 1999, disciplinando a edição, a revisão e o cancelamento de enunciado de súmula vinculante pelo Supremo Tribunal Federal, e dá outras providências. Art. 20 O Supremo Tribunal Federal poderá, de oficio ou por provocação, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, editar enunciado de súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos 3 demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma prevista nesta Lei. § 100 enunciado da súmula terá por objeto a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais haja, entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública, controvérsia atual que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre idêntica questão. Temos que a partir da publicação na imprensa oficial, que se deu em 20/06/2008, todos os órgãos judiciais e administrativos ficam obrigados a acatarem a Súmula Vincul ante. Assim, afastado por inconstitucionalidade o artigo 45 da Lei n° 8.212/91, resta verificar qual regra de decadência prevista no Código Tributário Nacional - CTN se aplicar ao caso concreto. No caso em apreço, inclino-me à tese jurídica na Súmula Vinculante n°08 para acatar o prazo decadencial exposto no Código Tributário Nacional, artigo 173, inciso I: Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se após 5 (cinco) anos, contados: I - do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II - da data em que se tomar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extingue-se definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. Considerando que a consolidação do crédito previdenciário se deu em 12/07/2006 e que a autuação abrange as competências de 01/96 à 12/98, tenho como certo que todo o crédito constituído foi atingido pela decadência qüinqüenal. Em razão do exposto, acato a preliminar de decadência para dar provimento ao recurso interposto. CONCLUSÃO Ante ao exposto, voto por DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. É como voto. Sala das Sessões, em 29 de bro de 2009 LEON • • O H àh 0 •4.' • i. S LOPES — Relator. 4
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Numero do processo: 13909.000029/00-19
Data da sessão: Mon Sep 01 00:00:00 UTC 2008
Data da publicação: Mon Sep 01 00:00:00 UTC 2008
Ementa: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALI8ZADOS - IPI
Período de apuração: 01/01/2000 a 31/03/2000
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS OU COOPERATIVAS. TAXA SELIC.
Integra a base de cálculo do crédito presumido de IPI o valor referente ao crédito relativo aos insumos adquiridos de cooperativas e pessoas físicas.
Não há como aplicar a taxa e juros SELIC ao ressarcimento do crédito presumido de IPI sob fundamento da analogia, porque não se trata de uma mera situação esquecida pelo legislador; ao contrário, de um instituto próprio com motivos, finalidades e regras específicas.
O Princípio da Legalidade proíbe no âmbito da Administração Pública a aplicação isolada de princípios, isto é, sem a existência de regra específica disciplinadora da matéria.
Recurso especial provido em parte.
Numero da decisão: CSRF/02-03.416
Decisão: ACORDAM os Membros da Segunda Turma da Câmara Superior de
Recursos Fiscais: 1) por maioria de votos, DAR provimento ao recurso especial, quanto a matéria “aquisições de pessoas físicas”. Vencidos os Conselheiros Josefa Maria Coelho Marques, Henrique Pinheiro Torres, Antonio Carlos Atulim, Elias Sampaio Freire e Gilson Macedo Rosenburg Filho que negaram provimento ao recurso; 2) pelo voto de qualidade NEGAR provimento ao recurso do contribuinte quanto a matéria “incidência de juros à taxa Selic sobre o ressarcimento”, vencidos os conselheiros Dalton Cesar Cordeiro de Miranda, Maria Teresa Martínez Lopez, Gileno Gurjão Barreto, Leonardo Siade Manzan, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior e Antonio Carlos Guidoni Filho que deram provimento ao recurso.
Matéria: IPI- processos NT- créd.presumido ressarc PIS e COFINS
Nome do relator: Júlio César Vieira Gomes
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALI8ZADOS - IPI Período de apuração: 01/01/2000 a 31/03/2000 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS OU COOPERATIVAS. TAXA SELIC. Integra a base de cálculo do crédito presumido de IPI o valor referente ao crédito relativo aos insumos adquiridos de cooperativas e pessoas físicas. Não há como aplicar a taxa e juros SELIC ao ressarcimento do crédito presumido de IPI sob fundamento da analogia, porque não se trata de uma mera situação esquecida pelo legislador; ao contrário, de um instituto próprio com motivos, finalidades e regras específicas. O Princípio da Legalidade proíbe no âmbito da Administração Pública a aplicação isolada de princípios, isto é, sem a existência de regra específica disciplinadora da matéria. Recurso especial provido em parte.
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decisao_txt : ACORDAM os Membros da Segunda Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais: 1) por maioria de votos, DAR provimento ao recurso especial, quanto a matéria “aquisições de pessoas físicas”. Vencidos os Conselheiros Josefa Maria Coelho Marques, Henrique Pinheiro Torres, Antonio Carlos Atulim, Elias Sampaio Freire e Gilson Macedo Rosenburg Filho que negaram provimento ao recurso; 2) pelo voto de qualidade NEGAR provimento ao recurso do contribuinte quanto a matéria “incidência de juros à taxa Selic sobre o ressarcimento”, vencidos os conselheiros Dalton Cesar Cordeiro de Miranda, Maria Teresa Martínez Lopez, Gileno Gurjão Barreto, Leonardo Siade Manzan, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior e Antonio Carlos Guidoni Filho que deram provimento ao recurso.
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Numero do processo: 10530.003702/2007-95
Data da sessão: Thu Sep 24 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Thu Sep 24 00:00:00 UTC 2009
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF
Exercício: 2006
OMISSÃO DE RENDIMENTOS - DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA - ARTIGO 42, DA LEI N°. 9.430, de 1996 - Caracteriza omissão de rendimentos a existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
PRESUNÇÕES LEGAIS RELATIVAS - DO ÔNUS DA PROVA - As presunções legais relativas obrigam a autoridade fiscal a comprovar, tão-somente, a ocorrência das hipóteses sobre as quais se sustentam as referidas presunções, atribuindo ao contribuinte o ônus de provar que os fatos concretos não ocorreram na forma como presumidos pela lei.
Recurso provido em parte.
Numero da decisão: 2202-000.264
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso para excluir da base de cálculo da exigência o valor de R$ 34.000,00.
Matéria: IRPF- ação fiscal - Dep.Bancario de origem não justificada
Nome do relator: Antonio Lopo Martinez
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Exercício: 2006 OMISSÃO DE RENDIMENTOS - DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA - ARTIGO 42, DA LEI N°. 9.430, de 1996 - Caracteriza omissão de rendimentos a existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. PRESUNÇÕES LEGAIS RELATIVAS - DO ÔNUS DA PROVA - As presunções legais relativas obrigam a autoridade fiscal a comprovar, tão-somente, a ocorrência das hipóteses sobre as quais se sustentam as referidas presunções, atribuindo ao contribuinte o ônus de provar que os fatos concretos não ocorreram na forma como presumidos pela lei. Recurso provido em parte.
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Numero do processo: 10380.006739/2007-36
Data da sessão: Wed Aug 15 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Sep 13 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/09/2005 a 31/12/2006
Ementa: PARCELAS SALARIAIS INTEGRANTES DA BASE DE CÁLCULO. RECONHECIMENTO PELO CONTRIBUINTE ATRAVÉS DE FOLHAS DE PAGAMENTO E OUTROS DOCUMENTOS POR ELE PREPARADOS. O reconhecimento através de documentos da própria empresa da natureza salarial das parcelas integrantes das remunerações aos segurados torna incontroversa a discussão sobre a correção da base de cálculo. MULTA MORATÓRIA A aplicação do artigo 35 da Lei n.º 8.212/91, na redação vigente à época da ocorrência dos fatos geradores e do lançamento traz percentuais variáveis, de acordo com a fase processual em que se encontre o processo de constituição do crédito tributário e se mostra mais benéfico ao contribuinte, uma vez em que se aplicando a redação dada pela Lei n.º 11.941/2009, mais precisamente o artigo 35 A da Lei n.º 8.212/91, o valor da multa seria mais oneroso ao contribuinte, pois deveria ser aplicado o artigo 44, I da Lei n.º 9430/96. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS As contribuições previdenciárias regem-se por legislação específica, Lei n.º 8.212/91 e Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.048/99. Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2302-002.017
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Marco Andre Ramos Vieira - Presidente. Liege Lacroix Thomasi - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Marco Andre Ramos Vieira (Presidente), Manoel Coelho Arruda Junior, Adriano Gonzales Silverio, Arlindo da Costa e Silva, Liege Lacroix Thomasi, Adriana Sato
Matéria: CPSS - Contribuições para a Previdencia e Seguridade Social
Nome do relator: LIEGE LACROIX THOMASI
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/09/2005 a 31/12/2006 Ementa: PARCELAS SALARIAIS INTEGRANTES DA BASE DE CÁLCULO. RECONHECIMENTO PELO CONTRIBUINTE ATRAVÉS DE FOLHAS DE PAGAMENTO E OUTROS DOCUMENTOS POR ELE PREPARADOS. O reconhecimento através de documentos da própria empresa da natureza salarial das parcelas integrantes das remunerações aos segurados torna incontroversa a discussão sobre a correção da base de cálculo. MULTA MORATÓRIA A aplicação do artigo 35 da Lei n.º 8.212/91, na redação vigente à época da ocorrência dos fatos geradores e do lançamento traz percentuais variáveis, de acordo com a fase processual em que se encontre o processo de constituição do crédito tributário e se mostra mais benéfico ao contribuinte, uma vez em que se aplicando a redação dada pela Lei n.º 11.941/2009, mais precisamente o artigo 35 A da Lei n.º 8.212/91, o valor da multa seria mais oneroso ao contribuinte, pois deveria ser aplicado o artigo 44, I da Lei n.º 9430/96. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS As contribuições previdenciárias regem-se por legislação específica, Lei n.º 8.212/91 e Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.048/99. Recurso Voluntário Negado
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Marco Andre Ramos Vieira - Presidente. Liege Lacroix Thomasi - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Marco Andre Ramos Vieira (Presidente), Manoel Coelho Arruda Junior, Adriano Gonzales Silverio, Arlindo da Costa e Silva, Liege Lacroix Thomasi, Adriana Sato
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RECONHECIMENTO PELO CONTRIBUINTE ATRAVÉS DE FOLHAS DE PAGAMENTO E OUTROS DOCUMENTOS POR ELE PREPARADOS. O reconhecimento através de documentos da própria empresa da natureza salarial das parcelas integrantes das remunerações aos segurados torna incontroversa a discussão sobre a correção da base de cálculo. MULTA MORATÓRIA A aplicação do artigo 35 da Lei n.º 8.212/91, na redação vigente à época da ocorrência dos fatos geradores e do lançamento traz percentuais variáveis, de acordo com a fase processual em que se encontre o processo de constituição do crédito tributário e se mostra mais benéfico ao contribuinte, uma vez em que se aplicando a redação dada pela Lei n.º 11.941/2009, mais precisamente o artigo 35 A da Lei n.º 8.212/91, o valor da multa seria mais oneroso ao contribuinte, pois deveria ser aplicado o artigo 44, I da Lei n.º 9430/96. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS As contribuições previdenciárias regemse por legislação específica, Lei n.º 8.212/91 e Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.048/99. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 00 67 39 /2 00 7- 36 Fl. 114DF CARF MF Impresso em 13/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 27/08/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 12/09/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Marco Andre Ramos Vieira Presidente. Liege Lacroix Thomasi Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Marco Andre Ramos Vieira (Presidente), Manoel Coelho Arruda Junior, Adriano Gonzales Silverio, Arlindo da Costa e Silva, Liege Lacroix Thomasi, Adriana Sato Fl. 115DF CARF MF Impresso em 13/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 27/08/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 12/09/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10380.006739/200736 Acórdão n.º 2302002.017 S2C3T2 Fl. 112 3 Relatório Trata a Notificação Fiscal de Lançamento de Débito, lavrado e cientificada ao sujeito passivo em 27/04/2007, de contribuições previdenciárias incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados e contribuintes individuais, apuradas através do exame das folhas de pagamento e informadas em GFIP, pela notificada no período de 01/2005 a 12/2006. Após a impugnação, Acórdão de fls. 100/102, pugnou pela procedência do lançamento. Inconformado, o contribuinte apresenta recurso onde alega que foi desrespeitada a regra dos “20 dias” do artigo 47, da Lei n.º 9.430/1996, ratifica os termos da impugnação e pede a anulação do auto de infração. É o relatório. Fl. 116DF CARF MF Impresso em 13/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 27/08/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 12/09/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 4 Voto Conselheira Liege Lacroix Thomasi, Relatora Cumprido o requisito de admissibilidade, frente à tempestividade, conheço do recurso e passo ao seu exame. O crédito referese às contribuições patronais incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados e contribuintes individuais, que teve por base as informações prestadas pela recorrente em GFIP e o confronto das mesmas com os valores constantes das folhas de pagamento, sem recolhimentos em GPS, de forma que se tornam incontroversos os valores lançados. As folhas de pagamentos foram preparadas pela própria recorrente que reconheceu, através da inclusão das rubricas salariais no campo destinado à remuneração dos segurados, a incidência sobre as mesmas das contribuições sociais lançadas pela fiscalização. Não pertencem ao lançamento impugnado parcelas contestadas pelo recorrente quanto à sua natureza salarial ou não. A base de cálculo considerada pela fiscalização coincide com o montante de salários informado pela recorrente. Acrescentase, ainda, que a partir de 01/01/99, com a implantação da Guia de Recolhimento do FGTS e Informações a Previdência Social – GFIP, os valores nela declarados são tratados como confissão de dívida fiscal, nos termos do artigo 225, §1° do Decreto n° 3.048, de 06/05/99: Art.225. (...) § 1º As informações prestadas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social servirão como base de cálculo das contribuições arrecadadas pelo Instituto Nacional do Seguro Social, comporão a base de dados para fins de cálculo e concessão dos benefícios previdenciários, bem como constituir seão em termo de confissão de dívida, na hipótese do não recolhimento. A recorrente não contesta o mérito do lançamento limitandose a argüir a sua anulação por não ter sido obedecido o artigo 47, da Lei n.º 9.430/1996. Entretanto, a decisão recorrida já informou à recorrente que as contribuições previdenciárias obedecem à legislação específica, qual seja a Lei n.º 8.212/91 e o Regulamento da Previdência Social aprovado pelo Decreto n.º 3.048/99, ambos vigentes à época dos fatos geradores, sendo inócua a solicitação da recorrente para aplicação da Lei n.º 9.430/1996, que não dispõe sobre as contribuições contidas nesta notificação. Os atos processuais, por força do disposto no art. 177 do Código de Processo Civil, realizarseão nos prazos prescritos em lei. Fl. 117DF CARF MF Impresso em 13/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 27/08/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 12/09/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10380.006739/200736 Acórdão n.º 2302002.017 S2C3T2 Fl. 113 5 O prazo para impugnação ( à época do lançamento) era de 15 (quinze) dias, conforme teor do art. 37, § 1º, da Lei nº 8.212/91 e arts. 243, § 2º, e 293, § 1º, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99, abaixo transcritos: “Art. 37. Constatado o atraso total ou parcial no recolhimento de contribuições tratadas nesta Lei, ou em caso de falta de pagamento de benefício reembolsado, a fiscalização lavrará notificação de débito, com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, conforme dispuser o regulamento. § 1º Recebida a notificação do débito, a empresa ou segurado terá o prazo de 15 (quinze) dias para apresentar defesa, observado o disposto em regulamento. (Renumerado pela Lei nº 9.711, de 20.11.98)” “Art. 243. Constatada a falta de recolhimento de qualquer contribuição ou outra importância devida nos termos deste Regulamento, a fiscalização lavrará, de imediato, notificação fiscal de lançamento com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, de acordo com as normas estabelecidas pelos órgãos competentes (...). § 2º Recebida a notificação, a empresa, o empregador doméstico ou o segurado terão o prazo de quinze dias para efetuar o pagamento ou apresentar defesa”. “Art. 293. Constatada a ocorrência de infração a dispositivo deste Regulamento, a fiscalização do Instituto Nacional do Seguro Social lavrará, de imediato, autodeinfração com discriminação clara e precisa da infração e das circunstâncias em que foi praticada, dispositivo legal infringido e a penalidade aplicada e os critérios de sua gradação, indicando local, dia, hora de sua lavratura, observadas as normas fixadas pelos órgãos competentes. § 1º Recebido o autodeinfração, o autuado terá o prazo de quinze dias, a contar da ciência, para efetuar o pagamento da multa com redução de cinqüenta por cento ou impugnar a autuação. (Redação dada pelo Decreto nº 4.032, de 2001)” Entretanto, no curso do prazo de defesa foi editado o Decreto n.º 6103, de 30/04/2007, que alterou a redação do parágrafo 2º do artigo 243, do Regulamento da Previdência Social, dando prazo de trinta dias para apresentar a impugnação, o que já foi cumprido no presente processo, não havendo qualquer vício que macule o procedimento administrativo. No que se refere à multa aplicada, a recorrente requer que sejam acatadas as alterações introduzidas pela MP nº 449/2008. Todavia, é de se notar que no caso em tela, à época do fatos geradores, pelo não recolhimento em época própria do tributo devido, a legislação previdenciária previa a Fl. 118DF CARF MF Impresso em 13/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 27/08/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 12/09/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 6 aplicação de multa moratória,conforme disposto pelo 35 da Lei n° 8.212/91, com a redação da Lei nº 9.876/99. A MP n° 449/08, posteriormente convertida na Lei nº 11.941/2008, excluiu do ordenamento jurídico a gradação da multa de mora prevista no art. 35 da Lei nº 8.212/91, conferindolhe outras condições, eis que se tratando de recolhimento espontâneo pelo contribuinte de contribuições previdenciárias pagas em atraso, a multa de mora a ser aplicada será de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso, contados a partir do primeiro dia subsequente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento, limitado a vinte por cento: Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Redação dada pela Lei nº 11.941/2009). Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. §1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subsequente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. §2 O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. §3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subsequente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. (Vide Lei nº 9.716, de 1998) Assim, quando se tratar de lançamento de ofício, como no caso da presente Notificação Fiscal de Lançamento de Débito –NFLD, a legislação superveniente determinou a incidência de multa de ofício, correspondente a 75% da totalidade ou diferença de imposto ou contribuição devidos e não recolhidos, podendo, inclusive ser duplicado o valor em caso de fraude, simulação ou conluio: Fl. 119DF CARF MF Impresso em 13/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 27/08/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 12/09/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10380.006739/200736 Acórdão n.º 2302002.017 S2C3T2 Fl. 114 7 Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Incluído pela Lei nº 11.941/2009). Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) II de 50% (cinquenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) a) na forma do art. 8º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; (Incluída pela Lei nº 11.488, de 2007) b) na forma do art. 2º desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. (Incluída pela Lei nº 11.488, de 2007) §1º O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) §2º Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o §1º deste artigo serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I prestar esclarecimentos; (Renumerado da alínea "a", pela Lei nº 11.488, de 2007) II apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11 a 13 da Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991; (Renumerado da alínea "b", com nova redação pela Lei nº 11.488, de 2007) Fl. 120DF CARF MF Impresso em 13/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 27/08/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 12/09/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 8 III apresentar a documentação técnica de que trata o art. 38 desta Lei. (Renumerado da alínea "c", com nova redação pela Lei nº 11.488, de 2007) §3º Aplicamse às multas de que trata este artigo as reduções previstas no art. 6º da Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991, e no art. 60 da Lei nº 8.383, de 30 de dezembro de 1991. §4º As disposições deste artigo aplicamse, inclusive, aos contribuintes que derem causa a ressarcimento indevido de tributo ou contribuição decorrente de qualquer incentivo ou benefício fiscal. Portanto, no exame do caso em questão é de se ver que a aplicação do artigo 35 da Lei n.º 8.212/91, na redação vigente à época da ocorrência dos fatos geradores e do lançamento traz percentuais variáveis, de acordo com a fase processual em que se encontre o processo de constituição do crédito tributário e mostra mais benéfico ao contribuinte, uma vez em que se aplicando a redação dada pela Lei n.º 11.941/2008, mais precisamente o artigo 35 A da Lei n.º 8.212/91, o valor da multa seria mais oneroso ao contribuinte, pois deveria ser aplicado o artigo 44, I da Lei n.º 9430/96, já transcrito anteriormente. Por todo o exposto, Voto por negar provimento ao recurso. Liege Lacroix Thomasi Relatora Fl. 121DF CARF MF Impresso em 13/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 27/08/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 12/09/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA
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